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Spizaetus

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Title:
Spizaetus
Place of Publication:
Boise, Idaho
Publisher:
Neotropical Raptor Network
Publication Date:
Language:
English
Portuguese
Spanish

Subjects

Genre:
serial ( sobekcm )

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
University of Florida
Rights Management:
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Caribbean Newspapers, dLOC
University of Florida

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O-DE-GAL.P.\GOS

EL INDiCIO DA
LDUCAO DE COND..E NA. -:"
IA

IAS NA REI TRO'DU'
RPIA - PANANMA

CAO#E UNIA HARPIA -
'bie'






CONTEUDO
O GAVIAO-DE-GALAPAGOS BUTEOO GALAPAGOENSIS): VIVENDO EM UM AMBIENTE EM
CONSTANTE M UDANCA........................................................... ...........................................2

POSSIVEL INDICIO DA REPRODUCAO DE CONDORS REINTRODUZIDOS NA COLOMBIA.........8

EXPERIENCIAS NA REINTRODUCAO DE UMA HARPIA (HARPIA HARPYJA) REPRODUZIDA EM
CATIVEIRO E SOLTA EM UM ECOSSISTEMA SELVAGEM EM DARIEN, PANAMA ....................12

RECUPERACAO DE UM UIRA iU (HARPIA HARPYJA) NA RESERVE PARTICULAR DO PATRIMONIO
N ATURAL R E V E C O M ......... ................ ........................................................................... 16

NOTAS DA LITERATURE DAS AVES DE RAPINA NEOTROPICAIS....................................23

O UTRO S R ECURSO S .......................................................... .................................................25

P ROXIM O S CON GRESSO S ................................................. ...................................................25


A RRN (pelas siglas em espanhol) e uma organizagio baseada em

afilia6ses. 0 objetivo e contribuir para a conservagio e pesquisar as

aves de rapina neotropicais. Promovendo a comunicagio e colobo-

raqio entire pesquisadores, ambientalistas e entusiastas pelas aves de

rapina que trabalham na regiao Neotropical.

Spizaetus: Boletim da RRN Foto de Capa: Harpia harpyja nascida
Nmero 10 Dez o 20 em cativeiro como parte do program
Numero 10 � Dezembro 2010
do The Peregrine Fund, da reprodugio
Edigio em portuguEs em cativeiro e liberagao da aguia harpia
ISSN 2157-9180 no PanamA.
� Angel Muela
Red de
Rapaces
eotropicales Foto de Contracapa:
Glaucidium brasilianum fotografado
pr6ximo i Floresta de Chiquibul, .
Artigos foram traduzidos e/ou editados por Edwin Belize. -
Campbell, Cris Trevisan e Mosar Lemos � Ryan Phillips







O GAVIAO-DE-GALAPAGOS BUTEOO GALAPAGOENSIS):

VIVENDO EM UM AMBIENT EM CONSTANT MUDANCA

Mari Cruz Jaramillo aluna de Mestrado na Universidade de Missouri Saint Louis e Fundo Peregrino, marij85@live.
corn; e Hernan Vargas, Fundo Peregrino hvargas(@peregrinefund.org


E nquanto estamos sentados observando o
ninho, seis gavi6es-de-Galipagos aparecem
de repente por tris de n6s voando em circulos
como se fosse um furac~o de chamados agudos
se aproximando rapidamente. Imediatamente
percebemos que estio cagando alguma coisa
quando vimos uma pequena ave voar desespera-
damente tentando salvar-se e escapa das garras
dos gavi6es. Quando a ffmea ouve os outros
gavioes sai do ninho e deixa o filhote de duas se-
manas. Um macho que estava escondido dentro


do barranco aparece. Eles estio respondendo aos
chamados e se juntam a cacada. Os oito gavi6es
arremetem em v6o picado, um atris do outro e
quando baixam sobem de uma vez dando a vol-
ta e tomando impulso na tentative de capturar a
presa. Finalmente, pr6ximo ao horizonte pare-
cem ter obtido... EXITO! Todos desaparecem de
nosso campo de vis~o e nos sentamos em silencia
esperando ansiosos de ver o que estavam cagan-
do. Seri que trarto a presa para o ninho? Fizeram
todo este esforto para criar apenas um filhote?


Um grupo de gavibes-de-Galipagos. Foto � Hector Cadena


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dria nas ilhas que habitam, incluindo Espanhola,
Santa F6, Pinz6n, Santiago, Isabela, Fernandina,
Marchena e Pinta. Junto com as diferengas de

comportamento mostram uma grande variedade
morfol6gica entire as ilhas (Bollmer et al, 2003).

P Na ilha de Santiago os gavi6es-de-Gal pagos ni-
dificam principalmente nas irvores Bursera gra-
veolens. Entretanto nas ilhas mais iridas nidifi-
cam tambem em afloramentos rochosos e lava,
e as vezes em outras species de irvores como
Opuntia, Erythrina, Pisonia, Piscidia, Psidium e
Zanthoxylum (De Vries, 1973).

Hi menos de 300.000 anos um grupo de gavi6es-
de-Swainson (Buteo swainsoni) chegou ao arqui-

Gavi6es-de-Galkpagos jovens comendo care pdlago, se dispersaram rapidamente e povoaram
de cabra. Isca utilizada para capturar e anilhar as ilhas Galipagos (Bollmer et al, 2006). Desde a
os gavi6es.
Foto C Mari Cruz Jaramillo
A Iguana-de-Galipagos e uma Lagartixa-da-la-
va. Iguanas jovens e Lagartixas-da-lava adults
A poliandria cooperative e um tipo de compor- sdo press do gavido-de-Galipagos
Foto � Mari Cruz Jaramillo
tamento reprodutivo desenvolvido pelo gavi~o-
de-Galipagos (Buteo galapagoensis): uma ffmea
criando com a ajuda de dois a oito machos, com
todos cuidando do filhote da mesma maneira, to-
dos copulando cor a ffmea e todos defendendo
o territ6rio contra invasores durante todo o ano
(Faaborg e Patterson, 1981). Embora esta manei-
ra pouco usual de reprodugao tenha despertado o
interesse de muitos pesquisadores, a especie apre-
senta mais que uma estrategia reprodutiva. Te-
mos observado percentuais diferentes de polian-


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Mari Jaramillo e dois gavibes-de-Galipagos jovens, com vista para a area de estudo, a baia James
Foto � Hector Cadena


chegada dos primeiros habitantes humans nos
anos 1800, os gavi6es foram perseguidos e elimi-
nados de Floreana, San Cristobal e Santa Cruz

(ocasionalmente sdo vistos alguns juvenis) e as
demais popula�6es em oito ilhas que tambem
enfrentam outros desafios. Por mais de duzentos
anos especies invasoras foram introduzidas nas
ilhas, porem a crescente preocupagio de seu im-
pacto sobre a comunidade nativas originou varias


campanhas de erradicaiao.

A eliminaaio total das cabras selvagens (Capra
hircus) da ilha de Santiago (585 km2) fez dessa
ilha a maior do mundo onde um program de
erradicaaio de uma especie tenha sido feita cor
exito (Cruz et al, 2009). Tal fato associado cor a
ausencia de uma populagio significativa de her-
bivoros no ambiente resultou em uma recupera-
cgo notivel da vegetagio. A erradicaaio se tornou


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complete em 2006. Em 2008 o Fundo Peregrino,
a Universidade de Missouri Saint Louis, a Funda-
cgo Charles Darwin e o Servigo de Parques Nacio-
nais de Galipagos uniram forgas para estudar os
efeitos da erradicaaio de cabras sobre os gavi6es-
de-Galipagos. Como parte deste projeto coop-
erativo, dois estudantes equatorianos, Mari Cruz

Jaramillo e Jose Luis Rivera, tiveram a oportuni-
dade de investigar como parte de seus programs
de Mestrado em Biologia na Universidade de Mis-


souri - Saint Louis
(EUA). Enquanto

Jose Luis, usando da-
dos de anilhamento
de 1998 a 2000, en-
controu uma menor
sobrevivencia da
populagio de gavi6es
depois de 2006 quan-
do se completou a
erradicaaio das ca-


o exito dos gavi6es para capturar determinadas
press, aventamos a hip6tese de que para adaptar-
se a nova situaaio a dieta mudari de press mais
terrestres (documentada antes da eliminaaio das
cabras) para press mais arb6reas (documentada
depois da eliminaaio das cabras).

Estamos monitorando as popula6ses de press

(principalmente de ratos introduzidos) para de-
terminar as altera6ses em abundancia como con-


(), iguaina. t.11-I.tI.1-' 1( i nil' 11' pht1 I iti llxiCl t.1tIU ) qlIL iiic.1
comuns quando Charles Darwin visitou a ilha de Santiago
em 1835 estio atualmente extintas naquela ilha, provavel-
mente devido a competigio por alimento com as cabras
introduzidas e a depredagio de porcos selvagens. A popu-
lagio da tartaruga-de-Galipagos (Geochelone elephanto-
pus) foi dizimada pelos primeiros colonizadores humans
e hoje em dia e o finico herbivoro terrestre remanescente
na ilha de Santiago com uma populagio de apenas 500 a
700 individuos (McFarland et al, 1974).


bras (Rivera et al, entregue para publicacio), Mari
esti fazendo observa6ses dos anos posteriores a
erradicaaio (2010-2011). Um estudo previo da
ecologia da alimentagio em 1999-2000 (Donaghy
Cannon, 2001, Tese de Mestrado nio publicada)
proporcionari uma base para a comparaaio dos
anos anteriores a erradicaaio das cabras. Como
haveri mudado a dieta do gaviio-de-Galipagos
para adaptar-se ao novo ambiente sem cabras?

Se a recuperaaio da vegetagio coloca em risco


seqiiuncia de
um incremento
na vegetagao.
Pode ser que
diferengas no
consume de
press terrestres
nao sejam de-
tectadas ou
quem sabe au-
mentar~o. Em


2010 fizemos 60 horas de observances, ocultos
em uma cabana a 25 a 60 metros de distancia para
documentary as especies de press que sdo trazidas
para o ninho e quais individuos trazem as press.
Antes de completarmos nossa primeira estagio
no campo e pudemos observer nove ninhos com
um total de 274 press entregues. Embora o ta-
manho da amostra ainda seja pequeno, estamos
comegando a ver uma modificaaio da presa ter-
restre para a presa arb6rea. Esperamos continuar
com uma segunda temporada de campo no pr6x-


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Uma fmrea de gaviao-de-Galapagos no ninho, com dois filhotes. Foto � Daniela Bahamonde


imo ano e que nossos resultados e conclus6es sir-
vam para apoiar futuras decis6es no manejo do
Parque Nacional de Galipagos.


ReferEncias:


Bollmer, J.L., T. Sanchez, M.M. Donaghy Can-
non, D. Sanchez, B. Cannon, J.C. Bednarz, Tj.
DeVries, M.S. Struve, P.G. Parker. 2003. Varia-
tion in morphology and mating system among
island populations of Galipagos Hawks. The

PAGINA- 6


Condor 105:428-438.


Bollmer, J.L., R.T. Kimball, N.K. Whiteman, J.
Sarasola, P.G. Parker. 2006. Phylogeography of
the Galipagos Hawk: a recent arrival to the Ga-
lipagos Islands. Molecular Phylogenetics
and Evolution 39:237-247.


Cruz, E, V Carrion, K.J. Campbell, C. Lavoie, C.
J. Donlan. 2009. Bio-economics of large-
scale eradication of feral goats from Santiago Is-


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land, Galipagos. J Wild Manage.
73:191-200


De Vries, Tj. 1973. The Galipagos hawk, an eco-
geographical study with special reference to its
systematic position. Ph.D. dissertation, Vrije Uni-
versity, Amsterdam.


FaaborgJ., and C. B. Patterson. 1981. The charac-
teristics and occurrence of cooperative
polyandry. Ibis 123:477-484.


MacFarland C.G.,J. Villa, B. Toro. 1974. The Ga-
lipagos giant tortoises (Geochelone
elephantopus) Part I: Status of the surviving
populations. Biological Conservation, 6 (2),
pp. 118-133.


Rivera, J. L., K. M. Levenstein, J. C. Berdnarz, H.
Vargas, P. G. Parker. Submitted. Implications of
goat eradication on the Galapagos Hawk, an en-
demic island predator.


Uma femea de gavido-de-Galapagos no ninho, fazendo sombra para seus dois filhotes.
Foto � Hector Cadena


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O condor andino (Vultur gryphus) e uma es-
pecie enquadrada na categoria "quase ameaga-
da" em nivel mundial, porem cor declinio das
popula�6es conhecidas (IUCN 2010; BIRDLIFE
2010), razio pela qual, nos iltimos anos tem sido
utilizada uma estrategia de liberadio de condores
em diferentes parties de sua irea de ocorrencia
na Colombia, Venezuela, Peru, Argentina e Chile
(LAMBERTUCCI, 2007). Na Colombia entire
1989 e 2005, foram reintroduzidos na natureza 65
individuos (nascidos em cativeiro em diferentes
zool6gicos dos EUA e no Jardim Zool6gico de
Cali, Colombia), em 6 n-cleos de repovoamento
localizados na Cordilheira dos Andes (MAVDT
2006). Estima-se que 78% das aves reintroduzidas
sobreviveram, mas ainda n~o foram documenta-


Condor jovem
Foto � Santiago Zuluaga Castefada
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I I\- , ' i p ,: - i i * . i n l , ' I_* .- . i. 1 1



dos os events de reprodugao (MARQUEZ et al,
2005). A este respeito, apresento algumas obser-
vac6es sobre um n-cleo de repovoamento no
Parque Nacional Natural (PNN) "Los Nevados",
e a observagao de um individuo jovem encontra-
do nesta irea, o que sugere a possibilidade de que
os condores reintroduzidos na Colombia estejam
comegando a se reproduzir em liberdade.

Ap6s realizar observances de forma nao sistemiti-
ca entire 2004 e 2010 na zona de amortecimento
do PNN "Los Nevados", cordilheira central dos
Andes Colombianos, a partir de pontos elevados
com visao ampla da irea e transectos lineares
(MARQUEZ E RAU, 2003), usando bin6culos
10 x 50 e cameras fotogrificas, foi possivel em
julho de 2010 nas coordenadas geogrificas de 4 o
55,02 'N, 75 o 26,97' W e a uma altitude de 3.600
m fotografar um condor jovem em plumagem
correspondent a aproximadamente 3 anos de
idade. E provivel que este individuo tenha nas-
cido no PNN "los Nevados", o que constitui a
primeira evidencia de reprodugio dos condores
reintroduzidos na Colombia. O jovem foi obser-
vado voando acompanhado de um condor adulto


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reintroduzido. De 1997 a 2001 foram libertados
16 condores jovens no PNN "Los Nevados". Em
julho de 2010, todos estes condores ji devem ter
a plumagem adulta, e portanto a presenga de aves
jovens indica a reprodugio local ou uma possivel
imigraaio de outros locals da Colombia, onde
se reproduzem condores selvagens, o que e me-
nos provivel, pois sdo pouco numerosos e estao
restritos a umas poucas localidades isoladas nas
montanhas (MAVDT 2006) no PNN "Cocuy" e
"Sierra Nevada de Santa Marta", distant cerca
de 417 e 682 km respectivamente, do PNN "Los
Nevados".

Eu fiz 14 visits ta rea de estudo, com uma media


de 2,3 por ano. Em cada visit, registrei a presen-
ga de condores e observaS6es comportamentais.
Alem disso, entrevistei pessoas da comunidade
sobre o avistamento das species. As observaSoes
documentaram padres de comportamento da
especie em relagio a forrageamento, dormit6rios
e a presenga de individuos solitirios e casais.

Comportamentos alimentares mostraram que os
condores quando encontram o alimento nio des-
cem imediatamente sobre ele, mas permanecem
a um boa distancia em locals de onde podem ob-
servar a comida por longos periods de tempo.
Esse comportamento coincide com aquele ob-
servado por Speziale et al. (2008) que argumen-


Condor jovem. Foto � Santiago Zuluaga Castefiada


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Primeiro dormit6rio registrado.
Foto � Santiago Zuluaga Castefiada


tam que a especie e geralmente muito cautelosa
e pode demorar dias antes de decidir descer para
comer.

Dois dormit6rios foram registrados. O primeiro
em 2007, esti localizado em uma parede de rocha
de aproximadamente 50 m de altura, cor veg-
etacgo arbustiva e arb6rea que isola o interior.
Apresenta pouca atividade (Fig. 5) e apenas em
uma ocasiio, foram observados tres individuos
descendo ao cair da tarde. O segundo dormit6rio
(Fig. 6) e mais recent tendo sido registrado pela
primeira vez em janeiro de 2010, e esti localizado
em uma parede de rocha, cor uma altura de 300
metros e vegetagio arbustiva, onde foi observado
um individuo solitirio, chegando no local ao p6r
do sol e saindo nas primeiras horas da manh~ du-
rante tres dias consecutivos e, posteriormente em
maio do mesmo ano, foram avistados dois indi-
viduos utilizando o dormit6rio.


Os individuos estudados pertencem a um nucleo
de repovoamento criado em 1997 como centro
de dispersio da especie nas montanhas centrals
do pais (MAVDT 2006). Inicialmente todos os
individuos foram marcados cor anilhas em
ambas as asas e receberam tambem um micro-
chipe que permit a sua identifica~io (corn pess.
G. Corredor). No entanto, parece que a maioria
dos individuos perderam as anilhas, e portanto
n~o podem ser identificados. Alem disso, tem-
se pouco ou quase nenhum conhecimento bi-
ol6gico disponivel deste nicleo, devido a falta de
monitoramento e a limitada disponibilidade de
recursos, que permitam determinar sua situaaio
atual. Estas sdo as principals razoes pelas quais
este jovem nio foi registrado anteriormente. E
necessirio salientar tambem que antes da desco-
berta, os moradores comunicaram ter visto um
grupo de tres individuos se alimentando na area,
sendo um deles possivelmente um juvenile.


Segundo dormit6rio registrado.
Foto� Santiago Zuluaga Castefiada


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Alem disso e possivel que existam outros juve-
nis em diferentes parties do pais. No entanto, nao
existem provas conclusivas para provar a vera-
cidade destas hip6teses, e por isso e necessirio
confirmi-las, alem de buscar recursos financeiros
para se obter dados e um maior conhecimento
de aspects da dinamica populacional desses n6-
cleos de repovoamento. Desta forma, esperamos
poder avaliar a eficicia das reintrodug6es como
uma estrategia de conservagio adequada.

As observances discutidas aqui e o registro desse
individuo jovem sdo importantes para o conheci-
mento do estado da populagao de condores rein-
troduzidos no PNN "Los Nevados" e a neces-
sidade de verificaaio da reprodug~o, como uma
das medidas para avaliar o exito da implantagio
do Piano de Agio 2006-2016 (MAVDT, 2006)
para a conservagio do condor na Col6mbia.

Germin Corredor, lider do program de re-
produgio em cativeiro do Zool6gico de Cali, diz
que a confirmaaio da reprodugio de condors
reintroduzidos sem d6vida seri de grande im-
portancia para a comunidade cientifica e, sobre-
tudo, significari uma boa noticia para os esforgos
de recuperaaio das populag6es do condor andino
na Col6mbia

Agradego a Sergio Lambertucci, pesquisador da
Universidad Nacional del Comahue, Bariloche,
Argentina, por seus comentirios e contribuigoes.

Quero agradecer especialmente a Olga Lucia


N6fiez, Germin Corredor, Hernin Vargas, e Ce-
sar Marquez, por seus comentarios

Referencias

BirdLife International (2010) Species factsheet:
Vultur gryphus. Downloaded from http://www.
birdlife.org on 19/7/2010.

IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Spe-
cies. Version 2010.2. www.iucnredlist.org. Down-
loaded on 19 July 2010.

Lambertucci, S.A. 2007. Biologia y conservaci6n
del c6ndor andino (Vultur gryphus) en Argenti-
na. Hornero 22(2):149-158.

Marquez, C., M. Bechard., E Gast, & VH. Vane-
gas. 2005. Aves rapaces diurnas de Colombia. In-
stituto de Investigaci6n de Recursos Biol6gicos
"Alexander von Humboldt". Bogoti, Colombia.

Mirquez, C, &J. Rau. 2003. Tecnicas de detec-
cidn, observaci6n y censo de aves rapaces diur-
nas en Costa Rica. Gesti6n Ambiental 9: 67-77.

MAVDT. Ministerio de Ambiente, Vivienda y
Desarrollo Territorial. Program Nacional para
la Conservaci6n del C6ndor Andino en Colom-
bia. Plan de Acci6n 2006 - 2016.

Speziale, K.L., S.A. Lambertucci & O. Olsson.
2008. Disturbance from roads negatively affects
Andean condor habitat use. Biological Conser-
vation 141:1756-1772
*< *< *<


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] �...I. . I,_ ],_'-\ ,,_'.: I- ; ..! ,!,_ . I h ,_ 1 '. , _' ,-_� *i I' .I I'I. I - - ,, ' . r!!! ,i :. I III


Ji se passararn duas esta�6es na floresta neo-
tropical desde a soltura de KC, uma harpia, que
na comunidade local e mais conhecida como Ne-
pono, o que significa flor na lingua Emberi. KC
foi solta na Reserva Florestal de Chepigana com
virios objetivos em mente, com a finalidade de
desenvolver uma diretriz de forma que se ob-
tenha sucesso na soltura com de harpias criadas
em cativeiro em um ambiente natural onde ji vi-
vem outras harpias selvagens. Decidimos soltar
a KC na floresta pr6xima a comunidade de La
Marea potr virios motives. No entanto, a ideia
principal foi provocar o acasalamento desta ~iguia
com um macho selvagem que havia perdido a
parceira recentemente.

KC nasceu no dia 31 de dezembro de 2004 no
Centro de Aves de Rapina Neotropicais do Fun-
do Peregrino, no Panami. Ap6s mais de um ano
do nascimento, ela foi levada ao Parque Nacional
Soberania na bacia do Canal do Panami. Nesse
parque ela foi solta e se adaptou com sucesso ao
Aguia harpia (KC) com um bicho preguiga novo ambiente. Em janeiro de 2009 capturamos
Foto � Jose de Jesis Vargas-Gonzfilez
a KC e a mantivemos em quarentena para ter
certeza da sua salide antes de liberti-la na floresta


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Jose procurando o sinal de KC
Foto � Jose de Jesuis Vargas-Gonzilez


da provincia de Darien, no sul do Panama. No
dia 21 de fevereiro n6s trasladamos a KC para
a irea de estudo, e um mr s depois ela foi solta
ap6s observances de interac6es vocais entire ela e
o macho selvagem.

Para coletar os dados ap6s a soltura estabelec-
emos um piano de monitoramento, que consistia
em seguir KC diariamente por pelo menos cinco
horas para documentary as interac6es entire ela e o
macho selvagem ou cor outros individuos.
O nosso prop6sito de aproximar KC do macho
selvagem n~o foi bem-sucedido, e existem muitas


hip6teses que poderiam explicar ou justificar o
motivo pelo qual estas aves n~o formaram uma
parelha. Talvez a idade de KC ou uma possivel
incompatibilidade natural entire elas, mas somente
as aves sabem os motives exatos. Entretanto, n6s
apreendemos muito cor esta parte mal sucedida
do experiment. Registramos interag6es intra-
especificas cor harpias selvagens e coletamos
dados para o melhor entendimento dos niveis de
tolerancia e adaptabilidade desta especie a dife-
rentes tipos de habitat. Atualmente, nossos dados
preliminares sugerem que: (1) KC n~o compete
cor outras iguias adults ou jovens; (2) KC se
adaptou cor sucesso ao meio natural; (3) KC in-
teragiu de forma positive cor outros individuos
da mesma esp&cie; (4) KC pode usar diferentes
tipos de florestas cor ecossistemas heterogeneos
e homogeneos, incluindo areas alteradas pelo
home; e (5) KC e um excelente icone para
conscientizagio das comunidades locals sobre a
conservagio da especie.

Durante o ano passado KC viajou aproximada-
mente 130 km desde o local de soltura em La
Marea. Recentemente, foi localizada na "Serrania
del Sapo", uma floresta continue perto do Puerto
Pifia. N6s documentamos tres interac6es dife-
rentes entire KC e harpias selvagens (tres machos
adults e uma femea jovem - ver mapa) e a visit
de KC a territ6rios reprodutivos ativos da especie.
Qualquer interaQio agressiva foi documentada. E
incrivel o quanto n6s aprendemos e quanto con-


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Aguia harpia (KC)
Foto � Jose de Jesis Vargas-Gonzalez


tinuamos aprendendo da experiencia com KC.
As interac6es observadas foram visuais e vocals.
Estas interag6es duravam horas sem ameaga ou
agressio em nenhuma ocasiio. De fato, obser-
vamos virias vezes KC cor machos diferentes.
N6s os observamos pr6ximo um do outro, a uma
distancia de 5 m na mesma irvore. As vezes vo-
calizavam entire eles ou voavam juntos. Por este
motivo, consideramos as interac6es como positi-
vas e concluimos que as harpias criadas em cat-
iveiro podem viver junto cor harpias selvagens e
se dispersar caso o territ6rio esteja ocupado sem
nenhum tipo de agressao.

Antes da soltura de KC em Darien n6s tivemos
varias preocupa6oes, principalmente sobre a so-
brevivencia de KC em um ambiente onde estio
presents harpias selvagens. Atualmente, podem-
os afirmar "a sobrevivencia do mais apto" porque


KC demonstrou que e um
individuo bastante apto. A
sobrevivdncia dela e prova
do valor dos esforgos de cri-
ar e reintroduzir harpias pela
nossa equipe do Fundo Per-
egrino.

Nos diversos ecossistemas da
floresta de Darien, KC tem
capturado uma ampla diver-
sidade de press como pre-

guigas, primatas e carnivores
entire outros. KC ter sido
uma destacada predadora da floresta e esti no alto
da cadeia alimentar. Temos documentado a ma-
neira cor que KC busca, escolhe e capture suas
press. Sempre seguindo a regra do custo-benefi-
cio. Em algumas situa�6es KC olhava a presa por
varias horas sem capturi-la, mesmo quando para
nos parecia ser uma "presa ficil". Temos varias
hip6teses para explicar porque aquilo aconte-
cia, como talvez o sitio nio ser adequado para a
capture, ou a existencia de algum risco para KC.
Virias outras hip6teses tem sido consideradas e
todas enriquecem nosso estudo e alimenta nosso
desejo de aprender.

Monitoramos KC em florestas primarias cor a
vegetagio aberta no sub-bosque, e em habitat
complexes onde a vegetagio densa dificultava
o caminhar. Esta aguia tem utilizado principal-


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mente bosques primirios com grandes extens6es
homogeneas. No entanto, tambem a temos en-
contrado em mangues, aglomerados de palmei-
ras, florestas secundirias e ireas agricolas. Esta
diversidade de habitat sugere que a especie tern
uma ampla adaptabilidade, sempre e quando nio
seja abatida pelo home.
Qual seri o motivo de KC realizar movimenta-
96es t~o longas? Podemos especular e dizer que
e por ser jovem, peregrinando e voando sem di-
reg~o, ou simplesmente pode ser devido a desori-
entagio de estar em uma irea completamente
nova. Tal vez ela esteja procurando uma irea ide-
al que satisfaga suas necessidades, ou talvez tenha
encontrado outras harpias nos arredores e prefira
um territ6rio desocupado. Talvez por ser jovem e
estar procurando um parceiro e depois uma irea
adequada para construir o ninho e estabelecer
o territ6rio. Existem muitas duvidas produzidas
pelo padrto de movimentagio de KC. Dia ap6s
dia coletamos mais dados e estamos mais pre-
parados para estudar seus requisitos de habitat e
mais pr6ximos de entender seu comportamento.

Barreiras antr6picas, como ireas desmatadas po-
dem forgar KC a se desviar do seu caminho e
ocasionalmente usar florestas fragmentadas para
superar ambientes pobres e chegar a ireas mel-
hores. Cada infertncia que fazemos pelas obser-
vac6es de KC produz novas preocupac6es rela-
cionadas as necessidades de populac6es saudiveis
de harpias, especialmente em contrast a tendnn-


cia crescente do uso do solo e ao desmatamento.
Atualmente na irea de estudo a nossa equipe de
trabalho e conhecida como "as harpias". Tanto as
criangas como os adults nos chamam desse jeito
e nos perguntam por Nepono. KC ou Nepono
converteu-se em um individuo popular, especial-
mente entire as criangas. Isto e resultado das men-
sagens de ridio que constantemente sdo transmi-
tidas para que a comunidade fique sabendo sobre
a especie e especialmente sobre Nepono.

KC tem visitado algumas comunidades indigenas
e terras de agricultores como parte de suas via-
gens explorat6rias. Gragas aos esforgos de comu-
nica~io, KC n~o foi vitima de cacadores. Sempre
que temos oportunidade conversamos informal-
mente cor as pessoas locals para explicar sobre
o nosso projeto e da presenga de KC. Desta ma-
neira, evitamos que nossa Nepono seja vitima da
ignorancia.

Ainda falta muito trabalho pela frente, mas temos
muita energia e empolgagio para continuar indo
atris da nossa floor, "Nepono".


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R. UI PR \ 11, :i U(IR_ \(i (HARPI\_ IIARIPi .I) N_\ Ri:sl:iR-

.\ PA \RcITUI. _\R 1)() P \TRIM()NI() N \iURi \. REVECOM.

1 ...11. , 1 (. * . *I ,,_ tIr. . w\ .. .. I. . \ n -"..t'n -i K ., - . 1' .'r .,:..! .:" ,. I1. . 1-' X r. . i...-.. .\ r i...' .! 1 1'\ 1' '. . \ [. I, _--. . m l,:',|| 'l, !. . ,.. |
h r. * . . _..ir . -. \ | ' '.\ 1 \ . .. . . " , . -.' . .I , .. n. I . . .. 1 ' . ' " _- . .... ... ..


A recuperaiao de aves de rapina encontradas
feridas ou apreendidas pelos 6rgAos ambientais
faz parte da rotina dos centros de triagem e recu-
peraaio de animals. Por suas caracteristicas par-
ticulares as aves de rapina constituem um desafio
especial, pois dependem da integridade de suas
garras e capacidade de v6o, alem de um excelente
condicionamento fisico para que possam retornar
ao ambiente natural e sobreviver. Em alguns ca-
sos devido as seqilelas resultantes das condic6es
anteriores a chegada ao centro de recuperaiAo, o
period de recuperaaio pode ser bastante long
ou a raridade da especie justifique a sua retengao
cor prop6sitos de reprodugio.

A RPPN REVECOM

Situada na margem esquerda do rio Amazonas
no Estado do Amapi, Brasil, a Reserva Particu-
lar do Patrim6nio Natural - REVECOM, pos-
sui cerca de 17 hectares cor uma micro bacia
complete (Igarape Mangueirinha), e foi instituida
pela Governo do Estado do Amapi em 29 Maio,
2007. Alem de abrigar uma rica fauna represen-
tativa do bioma Amaz6nico vem sendo utilizada
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como centro de recuperaaio de animals silvestres
da regiao e suas cercanias. Os animals mantidos
na RPPN recebem atencgo especial e aqueles
que sao para ali enviados pelo Batalhio Florest-
al capturess e apreens6es) sao submetidos a um
protocolo de triagem que envolve exames clinic,
microbiol6gicos e de habilidades que comprove
suas condiK6es fisicas e mentais antes que sejam
soltos de volta a seus ecossistemas naturals. O lo-
cal tambem e usado em atividades de educaaio
ambiental e atende as diversas escolas da regiao, e
promove ainda cursos especificos para graduan-
dos e graduados interessados em conservagio de
recursos naturals (Figuras 1 e 2).

Relato de Caso

Uma ffmea de Uiragu (Harpia harpyja) adulta
foi encontrada por morador local no inicio de
janeiro de 2007, numa estrada de terra pr6ximo
de uma mineradora de cromita, a 40km da locali-
dade de Cupixi ou Vila Nova (Lat. 00007'09,6"S
e Long. 51�38'12,6"W), a cerca de 180 km de
Macapi, capital do Estado do Amapi. Ap6s
3 horas de viagem foi entregue na recepaio da
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RPPN REVECOM, documento de entrada n�
3147 - GEA - SEMA - CCF de 06/01/2007),
tendo sido alojada para as primeiras observa-
96es No moment de sua capture a ave estava
no ch~o, extremamente apitica, nao conseguia
ficar em pe e ligeiramente enlameada (Figuras 4
e 5). O exame clinic inicial revelou les6es na
face internal da asa direita (cor exposigio ar-
ticular ao nivel do punho), regido peitoral direita
cor important perda de penas cor exposigio
dermica e abras~o, e corpo estranho sob a mem-
brana nictitante, ceratite e episclerite traumrticas
cor infecgio bacteriana secundiria no olho di-
reito. Os primeiros procedimentos constaram de
hidratagio e antibioticoterapia. As fezes inicial-
mente se apresentavam semiliquidas cor muco,
de cor esverdeada cor filetes sanguinolentos.
Como tratamento inicial foi administrado Sulfa-
metoxazol cor Trimetoprim (Bactrim) na poso-
logia de 30mg/Kg duas vezes ao dia durante sete
dias, cor excelente resultado, considerando que


as fezes voltaram a normalidade. As les6es da
asa e regido peitoral foram tratadas cor banhos
de uma mistura de solugio fisiol6gica, iodo po-
vidona e agua oxigenada projetadas sob pressio
cor equipamento de bombeamento manual,
sendo aplicado pomada fibrinolitica cor cloran-
fenicol. A cicatrizagio das les6es dermicas ocor-
reu por segunda intengio. No dia 20 de janeiro
foi medicada cor Albendazole (Albendazol) na
raz~o de 10 mg/Kg em dose unica, repetida ap6s
quinze dias. Como terapia inicial de suporte a ave
recebeu ainda complex vitaminico mineral du-
rante 15 dias adicionado ao alimento e na agua
de bebida. A alimentagio oferecida a ave nos
primeiros dias constou de uma mistura de care
bovina desengordurada, figado bovino cru e um
pure de epifises de ossos de galinha, ad libitum
diariamente. Ap6s 10 dias, comegou a rejeitar o
alimento. Deixou-se entio a ave em jejum por se
entender que esse comportamento e normal ji
que a ave em vida livre experiment algum jejum


Figura 1. (esq.) Rio Amazonas no litoral do Estado do Amapa, onde esta localizada a RPPN -
REVECOM (ur oasis verde no centro urban do Porto de Santana).

Figura 2. (dir.) Litoral do Amapa com o Rio Amazonas e o Oceano Atlantico
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Figura 4 e 5. (esq.) Uiragu no dia em que
chegou a REVECOM.
Foto � Paulo Roberto Neme do Amorim


entire uma predagio e outra. Desde o dia 25 de ja-
neiro tentava exercitar as asas. Em 27 de janeiro
de 2007 estava bem ativa e eventualmente apre-
sentava comportamento de filhote ao receber o
alimento, abrindo parcialmente as asas. Exercita-
va os pes alternando-os no apoio aos poleiros.
Tambem mudava de pouso regularmente, de um
poleiro de cerca de 15 cm para um tronco com
30 cm de diametro . Quanto a suas interac6es
com o entorno demonstrava interesse por uma
preguiga (Choloepus sp) e por um jupari (Potus
flavus) que estavam alojados nas proximidades,
o mesmo ocorrendo em relagio a um filhote de


Figura 6 e 7. (dir.)Uiragu instalado no
viveiro ap6s tratamento.
Foto � Paulo Roberto Neme do Amorim


guariba (Alouatta sp). Abaixava todas as penas do
penacho e a cabega, como se fosse voar e apanhar
a presa. Nio ligava para uma arara (quase sem
penas) que passeava pela irea pr6xima ao abrigo..
Ja n~o aceitava que Ihe tocassem o dorso. A lesio
ocular cicatrizou ap6s 20 dias de tratamento cor
pomada oftilmica (Maxitrol) e agua boricada.
Em 1�. de margo a ave estava recuperada e em 14
de abril foi transferida para o novo recinto, con-
struido de acordo com o modelo REVECOM
(Amorim et al, 2010 - entregue para publicacio) ,
onde comegou a se exercitar e mostrou-se total-
mente apta para v6o e adaptada ao novo recinto


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ap6s 10 dias (Figuras 6 e 7). O voo era estimulado
pelo fornecimento de ratos brancos vivos coloca-
dos no interior do viveiro.

Conservagdo da Harpia

A conservagio de grandes predadores vai se tor-
nando cada vez mais dificil nio por falta de areas
protegidas, mas devido ts suas restritas extens6es
ou fragmentac6es. Grandes predadores alados
como o uiragu, gaviio pega-macaco (Spizaetus
tyranus) e gaviio-de-penacho (Spizaetus ornatus)
necessitam de vastas ireas bem conservadas para
sua sobrevivincia (Willis, 1979). E fato que mui-
tos deles ji desapareceram em algumas regi6es
onde embora existam florestas, elas n~o atendem
as suas necessidades. E um erro acreditar que a ex-
istencia de areas protegidas (unidades de conser-
vag~o) represent uma seguranga para a preserva-
cgo de especies mais exigentes. O mesmo ocorre
cor alguns mamiferos como o jaguar (Panthera
onca), a anta (Tapirus terrestris), a queixada (Ta-
yassu pecari), o caititu (Pecari tajacu), o tamandui
bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o tatu-can-
astra (Priodontes maximus) (Chiarello, 2000). O
que importa mais e a extensio da irea. No caso
dessas especies mais exigentes elas precisam de
grandes ireas protegidas e sem fragmenta6ces
porque a fragmentagio impede que boa parte de
suas press sobreviva neste ambiente alterado.
Embora existam informac6es que indiquem a
possibilidade de sobrevivencia desses grandes


predadores em areas proximas de comunidades
e isso signifique a, a nosso ver, uma tentative de
se ajustar ts condi6ses locais, n~o temos ainda
monitoramento de long prazo para avaliar ex-
atamente o quanto essas mudangas podem influ-
enciar as atuais e futuras gerac6es de uiragus. E
fato, por exemplo, que o desmatamento interfere
tanto em sua nidificaaio quanto na capacidade de
criar os filhotes. A degradagio dos ecossistemas
por interfer&ncia humana leva ao desaparecimen-
to dos mamiferos mais utilizados em sua dieta. E
possivel que com a escassez de animals selvagens
na regilo a ave passe a cagar animals domesticos,
como ocorre com as ongas. Esse fato faz com
que a populagio consider a ave como inimiga,
abatendo-a para evitar prejuizos, e tambem dev-
ido ao porte do animal, que e considerado um
trofeu de caca. A caga illegal, a perseguigio e a
comercializagio devem ser consideradas como
ameagas reais. Na Amaz6nia as aves de rapina
de grande porte sdo cagadas para alimentagio, o
que se torna um problema grave, pois o uiragu
e uma ave rara e que amadurece tardiamente,
sendo os individuos adults cruciais para a esta-
bilidade populacional (Chiarello, 2000; ICMBIO,
2008). De acordo com a Lista da Fauna Brasileira
Ameagada de Extincgo, a especie esti inserida
na categoria Quase Ameagada em nivel national

(Machado et al. 2005). Entretanto, a situaaio da
especie na Mata Atlantica e muito mais grave,
estando citada em listas vermelhas estaduais do


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ESTADO LOCAL DO REGISTRO ANO
\ . ',_ 1 I \ I,_ ,r[ ,,.l 'i, r 1 _l ili( ,
\11 I X [!..- I,,- i i ,(,I ", ] 11 I,-, 1 " , \\ ), _2111

Amazonas PARNA Jad, REDES MamirauA 2001, 2006
Para Rio Trombetas, RESEX Tapaj6s-Arapiuns, FLONA Tapaj6s, Moju (Ag- 2003, 2005,
ropalma), Paragominas (Fazenda Cauaxi), PE do Cristalino. 2006
Roraima ESEC MaracA, PARNA ViruA 1985, 2003
Mato Grosso Ricardo Franco (Serra), Vila Bela da Santissima Trindade 2002
Mato Grosso do Sul Serra da Bodoquena (Fazenda Salobra), PARNA Serra da Bodoquena 2006
Bahia Serra das Lontras, PARNA Pau Brasil 1991, 2005
Espirito Santo Pedro CanArio, REBIO Sooretama, REFLO Linhares (CVRD), REBIO 1997, 2000,
Augusto Rischi 2003, 2006
Minas Gerais RPPN Feliciano Miguel Abdala, PE do Rio Doce, Tapira (comunidade de 2002, 2006
Palmeiras), Fazenda Montes Claros
Rio de Janeiro PARNA Itatiaia, PARNA Serra dos OrgAos, PE Serra do Mar 2000, 2002,
2003
Sio Paulo Cananeia, Ariri 1989, 1993
u-rtn t-,rt-ri PF Tbai1hcir.- 1OO

Quadro 1. Registros mais recentes de Harpya harpyja no Brasil


sul e sudeste: "Provavelmente Extinta" no Rio
Grande do Sul (Marques et al. 2002), "Critica-
mente em Perigo" em Minas Gerais (Drummond
et al, 2008); no Parani (Mikich e Bernils 2004),
Sdo Paulo (Silveira et al, 2009) e Espirito Santo
(Simon et al, 2007); e "Em Perigo" no Rio de

Janeiro (Alves et al. 2000).

Registros mais recentes de Harpya harpyja
no Brasil

Os registros mais recentes do uiragu est~o con-
centrados nas grandes ireas preservadas da region
Norte do pais (Quadro 1). Vargas et al (2006) in-
formaram 21 ninhos da especie no Brasil. Os reg-
istros informados por Vargas et al (2006) sdo de
Galetti et al (1997), Borges et al (2001), Marigo


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(2002), Silveira (2002), Henriques et al (2003),
Pacheco et al (2003), Pires et al (2003), Santos
(2003), Luz (2005), Silveira et al (2005), Pivatto et
al (2006), e Olmos et al (2006).

Conclusdo
N~o hi ddvidas que a recuperaaio e manutengao
de aves de rapina em cativeiro pode se tornar um
grande desafio para seus reabilitadores, especial-
mente quando se trata de aves do porte do uiragu,
que exige maiores espagos e maior habilidade e
experiencia no manejo. No present caso a situa-
gao inicial da ave favoreceu a rapida recuperacio,
pois estruturas importantes como as asas e as
garras nao sofreram danos irreversiveis. A dis-
ponibilidade de um recinto adequado e um fator
decisive no process de recuperacio, quando nio
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se pode optar pelo uso da tecnica de falcoaria, na
qual a ave permanece sobre poleiros adequados,
restringida por correias de couro e sdo exercita-
das diariamente em saltos verticals seguidos de
v6os livres ate que atinjam condigio muscular e
autoconfianga suficiente para retorno ao ambi-
ente natural.

Agradacimientos

A equipe da RPPN REVECOM pelo esforgo
empregado para a plena recuperaaio do uiragu.

ReferEncias

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* * *


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NOTAS DA LIlERATURA DAS AVES DE

RAPINA NEOTROPICAIS

Compilado por Lloyd Kiff,. kiff(aDererinefund.ort
Martinez-Sainchez, J.C., and T. Will (eds.). 2010. Thomas R. Howell's Check-list of the


Birds of Nicaragua as of 1993. Ornithological
Dizer que esse livro recem-publicado foi "tio
esperado" seria subestimi-lo. Thomas Howell,
professor da Universidade da Calif6rnia em Los
Angeles, comegou a estudar a avifauna da Nica-
rigua na decada de 1950 num moment em que
praticamente nio se realizava nenhuma outra in-
vestigagio ornitol6gica em nenhum outro lugar
da America Central, alem do trabalho de Alex-
ander Skutch na Costa Rica. No final da decada
de 1960, Howell visitou a Nicarigua em 13 lon-
gas viagens, e ele e seus ajudantes acumularam
uma das mais importantes colec6es de aves em
comparaaio a qualquer outro pais da America
Central. Ele sempre tinha planejado escrever um
tratado sobre a important avifauna da Nicarigua,
e desde 1970 ate a decada de 1990, trabalhou in-
termitentemente no seu manuscrito. Lamentavel-
mente, com o passar do tempo faltou-lhe energia
e compromisso para terminar o livro. Felizmente,
outros dois especialistas em aves da Nicarigua,
Juan Carlos Martinez-Sanchez e Will Tom, es-
tavam em contato continue com Howell durante
os seus iltimos anos, e a persistencia e o trabal-
ho deles resultaram na publicaaio desse volume,
muito bem recebido pela Unido de Ornit6logos


Monographs no. 68. 108 pp.
da America, como parte da serie Monografias de
Ornitologia. De maneira apropriada, limitaram o
conteldo desse volume ao period da participa-
gao real de Tom Howell, cuidadosamente editan-
do suas notas e o manuscrito que estava parcial-
mente terminado, somente com algumas poucas
e discretas modificac6es na nomenclature e na
terminologia ecol6gica. A monografia resultante
inclui uma hist6ria fascinante dos trabalhos orni-
tol6gicos na Nicarigua e proporciona um resume
itil dos registros de especies, estado, distribuigio
e preferencias de habitat das especies conhecidas
no pais a partir de 1993, incluindo 51 especies
de aves de rapina diurnas e 12 especies de coru-
jas. Estabelecendo, hoje em dia, uma base s6lida
que pode ser 6til aos editors da monografia para
produzir os seus pr6prios tratados sobre as aves
do maior pais da America Central.

Raptor Information System

Por varias decadas, a mais important base de
dados das aves de rapina foi o Raptor Informa-
tion System (RIS), o qual era administrado pelo
U.S. Geological Survey (USGS) nos escrit6rios
em Boise, Idaho, EUA. Essa grande colegio de


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reedic6es, reportagens e teses continha mais de
38.000 titulos em meados de 2010. A colegio
formou-se originalmente na decada de 1980 pela
unido do "Sistema de Gestio de Aves de Rapi-
na", criado pelo falecido "Butch" Olendorff, e
uma base de dados similar criada pelos bi6logos
especializados em aves de rapina associada cor a
Area de Conservagio Nacional de Aves de Rapi-
na do Snake River. A base de dados do RIS se
manteve on-line durante quase 15 anos, e foi uma
rica fonte de literaturea cinzenta" (na sua maioria
manuscritos nio publicados e relat6rios de agen-
cias), documents dificeis de encontrar sobre
aves de rapina. Embora a base de dados centra-se
principalmente nas esp&cies norte-americanas e
outros temas, contem muitas referencias interes-
santes para os investigadores neotropicais.

Recentemente, o USGS decidiu suspender sua
participagio no RIS, e os pertences foram realo-
cados na Biblioteca do The Peregrine Fund no


dia 20 de outubro de 2010. Embora permanega
on-line em sua forma atual por um period in-
determinado, a base de dados eletr6nica do RIS
esti sendo gradualmente unida a bibliografia do
Global Raptor Information Network. Pedidos de
c6pias em PDF de qualquer dos registros RIS de-
vem dirigir-se agora ao library@peregrinefund.
org. As c6pias originals em papel das referencias
RIS conservam-se nas colec6es da biblioteca do
The Peregrine Fund, e a maioria dos duplica-
dos resultantes da uniao seri enviada ao Hawk
Mountain Sanctuary. Espera-se que a uniao das
colec6es gere c6pias duplicada de mais de 300
livros de capa dura sobre aves de rapina, que
serdo vendidos para apoiar as novas aquisi6oes
da Biblioteca do The Peregrine Fund. Uma lista
complete dos titulos estari disponivel no site do
The Peregrine Fund (www.peregrinefund.org) no
final de janeiro sob o titulo "Research Library" e
"Books to sell".


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AVES RAPACES Y CONSERVATION:
UNA PERSPECTIVE IBOAMERICANA


Do interesse para pesquisadores, naturalistas e
conservacionistas atraidos pelas aves de rapina,
este livro reuni comunica6oes sobre a biologia
da conservag~o de
SNN aves de rapina com
o enfoque nas es-

pecies Neotropic-
ais e Ibericas.
Maiores informa-
g6es acesse:
www.tundraedi-
ciones.es


��Viry -50iqS

NEW WORLD VULTURES:
A CHILDREN'S ACTIVY BOOK


Este livro, publicado pela Hawk Mountain Sanc-
tuary Association, traz informac6es sobre a bio-
logia dos urubus.

Disponivel copia em PDF no link: http://hawk-
mountain.org/media/NewWorld_Vulture_Ac-
tivityBook_2010_2.pdf


PR(')XIN ()S C(( )N(;R SS( )S

FALCAO GYR E PTARMIGAN EM UM MUNDO EM TRANSICAO 1-3 Fevereiro 2011,
Boise, Idaho, Estados Unidos. Para mais informaci6n visit: http://www.peregrinefund.org/
gyr conference/


CONGRESS: THE WILSON ORNITHOLOGICAL SOCIETY, THE ASSOCIATION
OF FIELD ORNITHOLOGISTS, E THE COOPER ORNITHOLOGICAL SOCIETY
9-13 Margo 2011, Kearney, Nebraska,Estados Unidos. Para mais informaci6n visit: http://snr.
unl.edu/kearney2011 /index.asp

IX CONGRESS ORNITOLOGICO NEOTROPICAL 8-14 Novembro 2011 Cusco, Perni.
Para mais informaci6n visit: http: / /www.neotropicalornithology.org/


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Ou-in()s Rj,'(ATi6()s


















































Para participar da RNN envie um e-mail a Marta Curti, mcurti@peregrinefund.org
com uma breve apresentacao e comunicando seu interesse na pesquisa e conservaiao
das aves de rapina. Red de 1
Rapaces
Neotropicales
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I 2 N R 10 D6Z














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O GAVIAO-DE-GALAPAGOS BUTEOO GALAPAGOENSIS):

VIVENDO EM UM AMBIENT EM CONSTANT MUDANCA

Mari Cruz Jaramillo aluna de Mestrado na Universidade de Missouri Saint Louis e Fundo Peregrino, marij85@live.
corn; e Hernan Vargas, Fundo Peregrino hvargas(@peregrinefund.org


E nquanto estamos sentados observando o
ninho, seis gavi6es-de-Galipagos aparecem
de repente por tris de n6s voando em circulos
como se fosse um furac~o de chamados agudos
se aproximando rapidamente. Imediatamente
percebemos que estio cagando alguma coisa
quando vimos uma pequena ave voar desespera-
damente tentando salvar-se e escapa das garras
dos gavi6es. Quando a ffmea ouve os outros
gavioes sai do ninho e deixa o filhote de duas se-
manas. Um macho que estava escondido dentro


do barranco aparece. Eles estio respondendo aos
chamados e se juntam a cacada. Os oito gavi6es
arremetem em v6o picado, um atris do outro e
quando baixam sobem de uma vez dando a vol-
ta e tomando impulso na tentative de capturar a
presa. Finalmente, pr6ximo ao horizonte pare-
cem ter obtido... EXITO! Todos desaparecem de
nosso campo de vis~o e nos sentamos em silencia
esperando ansiosos de ver o que estavam cagan-
do. Seri que trarto a presa para o ninho? Fizeram
todo este esforto para criar apenas um filhote?


Um grupo de gavibes-de-Galipagos. Foto � Hector Cadena


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dria nas ilhas que habitam, incluindo Espanhola,
Santa F6, Pinz6n, Santiago, Isabela, Fernandina,
Marchena e Pinta. Junto com as diferengas de

comportamento mostram uma grande variedade
morfol6gica entire as ilhas (Bollmer et al, 2003).

P Na ilha de Santiago os gavi6es-de-Gal pagos ni-
dificam principalmente nas irvores Bursera gra-
veolens. Entretanto nas ilhas mais iridas nidifi-
cam tambem em afloramentos rochosos e lava,
e as vezes em outras species de irvores como
Opuntia, Erythrina, Pisonia, Piscidia, Psidium e
Zanthoxylum (De Vries, 1973).

Hi menos de 300.000 anos um grupo de gavi6es-
de-Swainson (Buteo swainsoni) chegou ao arqui-

Gavi6es-de-Galkpagos jovens comendo care pdlago, se dispersaram rapidamente e povoaram
de cabra. Isca utilizada para capturar e anilhar as ilhas Galipagos (Bollmer et al, 2006). Desde a
os gavi6es.
Foto C Mari Cruz Jaramillo
A Iguana-de-Galipagos e uma Lagartixa-da-la-
va. Iguanas jovens e Lagartixas-da-lava adults
A poliandria cooperative e um tipo de compor- sdo press do gavido-de-Galipagos
Foto � Mari Cruz Jaramillo
tamento reprodutivo desenvolvido pelo gavi~o-
de-Galipagos (Buteo galapagoensis): uma ffmea
criando com a ajuda de dois a oito machos, com
todos cuidando do filhote da mesma maneira, to-
dos copulando cor a ffmea e todos defendendo
o territ6rio contra invasores durante todo o ano
(Faaborg e Patterson, 1981). Embora esta manei-
ra pouco usual de reprodugao tenha despertado o
interesse de muitos pesquisadores, a especie apre-
senta mais que uma estrategia reprodutiva. Te-
mos observado percentuais diferentes de polian-


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Mari Jaramillo e dois gavibes-de-Galipagos jovens, com vista para a area de estudo, a baia James
Foto � Hector Cadena


chegada dos primeiros habitantes humans nos
anos 1800, os gavi6es foram perseguidos e elimi-
nados de Floreana, San Cristobal e Santa Cruz

(ocasionalmente sdo vistos alguns juvenis) e as
demais popula�6es em oito ilhas que tambem
enfrentam outros desafios. Por mais de duzentos
anos especies invasoras foram introduzidas nas
ilhas, porem a crescente preocupagio de seu im-
pacto sobre a comunidade nativas originou varias


campanhas de erradicaiao.

A eliminaaio total das cabras selvagens (Capra
hircus) da ilha de Santiago (585 km2) fez dessa
ilha a maior do mundo onde um program de
erradicaaio de uma especie tenha sido feita cor
exito (Cruz et al, 2009). Tal fato associado cor a
ausencia de uma populagio significativa de her-
bivoros no ambiente resultou em uma recupera-
cgo notivel da vegetagio. A erradicaaio se tornou


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complete em 2006. Em 2008 o Fundo Peregrino,
a Universidade de Missouri Saint Louis, a Funda-
cgo Charles Darwin e o Servigo de Parques Nacio-
nais de Galipagos uniram forgas para estudar os
efeitos da erradicaaio de cabras sobre os gavi6es-
de-Galipagos. Como parte deste projeto coop-
erativo, dois estudantes equatorianos, Mari Cruz

Jaramillo e Jose Luis Rivera, tiveram a oportuni-
dade de investigar como parte de seus programs
de Mestrado em Biologia na Universidade de Mis-


souri - Saint Louis
(EUA). Enquanto

Jose Luis, usando da-
dos de anilhamento
de 1998 a 2000, en-
controu uma menor
sobrevivencia da
populagio de gavi6es
depois de 2006 quan-
do se completou a
erradicaaio das ca-


o exito dos gavi6es para capturar determinadas
press, aventamos a hip6tese de que para adaptar-
se a nova situaaio a dieta mudari de press mais
terrestres (documentada antes da eliminaaio das
cabras) para press mais arb6reas (documentada
depois da eliminaaio das cabras).

Estamos monitorando as popula6ses de press

(principalmente de ratos introduzidos) para de-
terminar as altera6ses em abundancia como con-


(), iguaina. t.11-I.tI.1-' 1( i nil' 11' pht1 I iti llxiCl t.1tIU ) qlIL iiic.1
comuns quando Charles Darwin visitou a ilha de Santiago
em 1835 estio atualmente extintas naquela ilha, provavel-
mente devido a competigio por alimento com as cabras
introduzidas e a depredagio de porcos selvagens. A popu-
lagio da tartaruga-de-Galipagos (Geochelone elephanto-
pus) foi dizimada pelos primeiros colonizadores humans
e hoje em dia e o finico herbivoro terrestre remanescente
na ilha de Santiago com uma populagio de apenas 500 a
700 individuos (McFarland et al, 1974).


bras (Rivera et al, entregue para publicacio), Mari
esti fazendo observa6ses dos anos posteriores a
erradicaaio (2010-2011). Um estudo previo da
ecologia da alimentagio em 1999-2000 (Donaghy
Cannon, 2001, Tese de Mestrado nio publicada)
proporcionari uma base para a comparaaio dos
anos anteriores a erradicaaio das cabras. Como
haveri mudado a dieta do gaviio-de-Galipagos
para adaptar-se ao novo ambiente sem cabras?

Se a recuperaaio da vegetagio coloca em risco


seqiiuncia de
um incremento
na vegetagao.
Pode ser que
diferengas no
consume de
press terrestres
nao sejam de-
tectadas ou
quem sabe au-
mentar~o. Em


2010 fizemos 60 horas de observances, ocultos
em uma cabana a 25 a 60 metros de distancia para
documentary as especies de press que sdo trazidas
para o ninho e quais individuos trazem as press.
Antes de completarmos nossa primeira estagio
no campo e pudemos observer nove ninhos com
um total de 274 press entregues. Embora o ta-
manho da amostra ainda seja pequeno, estamos
comegando a ver uma modificaaio da presa ter-
restre para a presa arb6rea. Esperamos continuar
com uma segunda temporada de campo no pr6x-


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Uma fmrea de gaviao-de-Galapagos no ninho, com dois filhotes. Foto � Daniela Bahamonde


imo ano e que nossos resultados e conclus6es sir-
vam para apoiar futuras decis6es no manejo do
Parque Nacional de Galipagos.


ReferEncias:


Bollmer, J.L., T. Sanchez, M.M. Donaghy Can-
non, D. Sanchez, B. Cannon, J.C. Bednarz, Tj.
DeVries, M.S. Struve, P.G. Parker. 2003. Varia-
tion in morphology and mating system among
island populations of Galipagos Hawks. The

PAGINA- 6


Condor 105:428-438.


Bollmer, J.L., R.T. Kimball, N.K. Whiteman, J.
Sarasola, P.G. Parker. 2006. Phylogeography of
the Galipagos Hawk: a recent arrival to the Ga-
lipagos Islands. Molecular Phylogenetics
and Evolution 39:237-247.


Cruz, E, V Carrion, K.J. Campbell, C. Lavoie, C.
J. Donlan. 2009. Bio-economics of large-
scale eradication of feral goats from Santiago Is-


NUMERO 10 * DEZEMBRO 2010






land, Galipagos. J Wild Manage.
73:191-200


De Vries, Tj. 1973. The Galipagos hawk, an eco-
geographical study with special reference to its
systematic position. Ph.D. dissertation, Vrije Uni-
versity, Amsterdam.


FaaborgJ., and C. B. Patterson. 1981. The charac-
teristics and occurrence of cooperative
polyandry. Ibis 123:477-484.


MacFarland C.G.,J. Villa, B. Toro. 1974. The Ga-
lipagos giant tortoises (Geochelone
elephantopus) Part I: Status of the surviving
populations. Biological Conservation, 6 (2),
pp. 118-133.


Rivera, J. L., K. M. Levenstein, J. C. Berdnarz, H.
Vargas, P. G. Parker. Submitted. Implications of
goat eradication on the Galapagos Hawk, an en-
demic island predator.


Uma femea de gavido-de-Galapagos no ninho, fazendo sombra para seus dois filhotes.
Foto � Hector Cadena


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P< OSSi\] 1. INI)i( I() I)\ - 1R( ))( ( ) 1R1uc C( )NI)( )RI S: R1:-

INTR( )I)UII)( )S N\ C( ).()NlBI \
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I I- ,- - .. , ,- .I, - t'. I. - ,_' , , .I . _ R. - h ,I 1 ! h r I. -!. . -, ,.I--



O condor andino (Vultur gryphus) e uma es-
pecie enquadrada na categoria "quase ameaga-
da" em nivel mundial, porem cor declinio das
popula�6es conhecidas (IUCN 2010; BIRDLIFE
2010), razio pela qual, nos iltimos anos tem sido
utilizada uma estrategia de liberadio de condores
em diferentes parties de sua irea de ocorrencia
na Colombia, Venezuela, Peru, Argentina e Chile
(LAMBERTUCCI, 2007). Na Colombia entire
1989 e 2005, foram reintroduzidos na natureza 65
individuos (nascidos em cativeiro em diferentes
zool6gicos dos EUA e no Jardim Zool6gico de
Cali, Colombia), em 6 n-cleos de repovoamento
localizados na Cordilheira dos Andes (MAVDT
2006). Estima-se que 78% das aves reintroduzidas
sobreviveram, mas ainda n~o foram documenta-


Condor jovem
Foto � Santiago Zuluaga Castefada
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I I\- , ' i p ,: - i i * . i n l , ' I_* .- . i. 1 1



dos os events de reprodugao (MARQUEZ et al,
2005). A este respeito, apresento algumas obser-
vac6es sobre um n-cleo de repovoamento no
Parque Nacional Natural (PNN) "Los Nevados",
e a observagao de um individuo jovem encontra-
do nesta irea, o que sugere a possibilidade de que
os condores reintroduzidos na Colombia estejam
comegando a se reproduzir em liberdade.

Ap6s realizar observances de forma nao sistemiti-
ca entire 2004 e 2010 na zona de amortecimento
do PNN "Los Nevados", cordilheira central dos
Andes Colombianos, a partir de pontos elevados
com visao ampla da irea e transectos lineares
(MARQUEZ E RAU, 2003), usando bin6culos
10 x 50 e cameras fotogrificas, foi possivel em
julho de 2010 nas coordenadas geogrificas de 4 o
55,02 'N, 75 o 26,97' W e a uma altitude de 3.600
m fotografar um condor jovem em plumagem
correspondent a aproximadamente 3 anos de
idade. E provivel que este individuo tenha nas-
cido no PNN "los Nevados", o que constitui a
primeira evidencia de reprodugio dos condores
reintroduzidos na Colombia. O jovem foi obser-
vado voando acompanhado de um condor adulto


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reintroduzido. De 1997 a 2001 foram libertados
16 condores jovens no PNN "Los Nevados". Em
julho de 2010, todos estes condores ji devem ter
a plumagem adulta, e portanto a presenga de aves
jovens indica a reprodugio local ou uma possivel
imigraaio de outros locals da Colombia, onde
se reproduzem condores selvagens, o que e me-
nos provivel, pois sdo pouco numerosos e estao
restritos a umas poucas localidades isoladas nas
montanhas (MAVDT 2006) no PNN "Cocuy" e
"Sierra Nevada de Santa Marta", distant cerca
de 417 e 682 km respectivamente, do PNN "Los
Nevados".

Eu fiz 14 visits ta rea de estudo, com uma media


de 2,3 por ano. Em cada visit, registrei a presen-
ga de condores e observaS6es comportamentais.
Alem disso, entrevistei pessoas da comunidade
sobre o avistamento das species. As observaSoes
documentaram padres de comportamento da
especie em relagio a forrageamento, dormit6rios
e a presenga de individuos solitirios e casais.

Comportamentos alimentares mostraram que os
condores quando encontram o alimento nio des-
cem imediatamente sobre ele, mas permanecem
a um boa distancia em locals de onde podem ob-
servar a comida por longos periods de tempo.
Esse comportamento coincide com aquele ob-
servado por Speziale et al. (2008) que argumen-


Condor jovem. Foto � Santiago Zuluaga Castefiada


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Primeiro dormit6rio registrado.
Foto � Santiago Zuluaga Castefiada


tam que a especie e geralmente muito cautelosa
e pode demorar dias antes de decidir descer para
comer.

Dois dormit6rios foram registrados. O primeiro
em 2007, esti localizado em uma parede de rocha
de aproximadamente 50 m de altura, cor veg-
etacgo arbustiva e arb6rea que isola o interior.
Apresenta pouca atividade (Fig. 5) e apenas em
uma ocasiio, foram observados tres individuos
descendo ao cair da tarde. O segundo dormit6rio
(Fig. 6) e mais recent tendo sido registrado pela
primeira vez em janeiro de 2010, e esti localizado
em uma parede de rocha, cor uma altura de 300
metros e vegetagio arbustiva, onde foi observado
um individuo solitirio, chegando no local ao p6r
do sol e saindo nas primeiras horas da manh~ du-
rante tres dias consecutivos e, posteriormente em
maio do mesmo ano, foram avistados dois indi-
viduos utilizando o dormit6rio.


Os individuos estudados pertencem a um nucleo
de repovoamento criado em 1997 como centro
de dispersio da especie nas montanhas centrals
do pais (MAVDT 2006). Inicialmente todos os
individuos foram marcados cor anilhas em
ambas as asas e receberam tambem um micro-
chipe que permit a sua identifica~io (corn pess.
G. Corredor). No entanto, parece que a maioria
dos individuos perderam as anilhas, e portanto
n~o podem ser identificados. Alem disso, tem-
se pouco ou quase nenhum conhecimento bi-
ol6gico disponivel deste nicleo, devido a falta de
monitoramento e a limitada disponibilidade de
recursos, que permitam determinar sua situaaio
atual. Estas sdo as principals razoes pelas quais
este jovem nio foi registrado anteriormente. E
necessirio salientar tambem que antes da desco-
berta, os moradores comunicaram ter visto um
grupo de tres individuos se alimentando na area,
sendo um deles possivelmente um juvenile.


Segundo dormit6rio registrado.
Foto� Santiago Zuluaga Castefiada


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Alem disso e possivel que existam outros juve-
nis em diferentes parties do pais. No entanto, nao
existem provas conclusivas para provar a vera-
cidade destas hip6teses, e por isso e necessirio
confirmi-las, alem de buscar recursos financeiros
para se obter dados e um maior conhecimento
de aspects da dinamica populacional desses n6-
cleos de repovoamento. Desta forma, esperamos
poder avaliar a eficicia das reintrodug6es como
uma estrategia de conservagio adequada.

As observances discutidas aqui e o registro desse
individuo jovem sdo importantes para o conheci-
mento do estado da populagao de condores rein-
troduzidos no PNN "Los Nevados" e a neces-
sidade de verificaaio da reprodug~o, como uma
das medidas para avaliar o exito da implantagio
do Piano de Agio 2006-2016 (MAVDT, 2006)
para a conservagio do condor na Col6mbia.

Germin Corredor, lider do program de re-
produgio em cativeiro do Zool6gico de Cali, diz
que a confirmaaio da reprodugio de condors
reintroduzidos sem d6vida seri de grande im-
portancia para a comunidade cientifica e, sobre-
tudo, significari uma boa noticia para os esforgos
de recuperaaio das populag6es do condor andino
na Col6mbia

Agradego a Sergio Lambertucci, pesquisador da
Universidad Nacional del Comahue, Bariloche,
Argentina, por seus comentirios e contribuigoes.

Quero agradecer especialmente a Olga Lucia


N6fiez, Germin Corredor, Hernin Vargas, e Ce-
sar Marquez, por seus comentarios

Referencias

BirdLife International (2010) Species factsheet:
Vultur gryphus. Downloaded from http://www.
birdlife.org on 19/7/2010.

IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Spe-
cies. Version 2010.2. www.iucnredlist.org. Down-
loaded on 19 July 2010.

Lambertucci, S.A. 2007. Biologia y conservaci6n
del c6ndor andino (Vultur gryphus) en Argenti-
na. Hornero 22(2):149-158.

Marquez, C., M. Bechard., E Gast, & VH. Vane-
gas. 2005. Aves rapaces diurnas de Colombia. In-
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"Alexander von Humboldt". Bogoti, Colombia.

Mirquez, C, &J. Rau. 2003. Tecnicas de detec-
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nas en Costa Rica. Gesti6n Ambiental 9: 67-77.

MAVDT. Ministerio de Ambiente, Vivienda y
Desarrollo Territorial. Program Nacional para
la Conservaci6n del C6ndor Andino en Colom-
bia. Plan de Acci6n 2006 - 2016.

Speziale, K.L., S.A. Lambertucci & O. Olsson.
2008. Disturbance from roads negatively affects
Andean condor habitat use. Biological Conser-
vation 141:1756-1772
*< *< *<


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] �...I. . I,_ ],_'-\ ,,_'.: I- ; ..! ,!,_ . I h ,_ 1 '. , _' ,-_� *i I' .I I'I. I - - ,, ' . r!!! ,i :. I III


Ji se passararn duas esta�6es na floresta neo-
tropical desde a soltura de KC, uma harpia, que
na comunidade local e mais conhecida como Ne-
pono, o que significa flor na lingua Emberi. KC
foi solta na Reserva Florestal de Chepigana com
virios objetivos em mente, com a finalidade de
desenvolver uma diretriz de forma que se ob-
tenha sucesso na soltura com de harpias criadas
em cativeiro em um ambiente natural onde ji vi-
vem outras harpias selvagens. Decidimos soltar
a KC na floresta pr6xima a comunidade de La
Marea potr virios motives. No entanto, a ideia
principal foi provocar o acasalamento desta ~iguia
com um macho selvagem que havia perdido a
parceira recentemente.

KC nasceu no dia 31 de dezembro de 2004 no
Centro de Aves de Rapina Neotropicais do Fun-
do Peregrino, no Panami. Ap6s mais de um ano
do nascimento, ela foi levada ao Parque Nacional
Soberania na bacia do Canal do Panami. Nesse
parque ela foi solta e se adaptou com sucesso ao
Aguia harpia (KC) com um bicho preguiga novo ambiente. Em janeiro de 2009 capturamos
Foto � Jose de Jesis Vargas-Gonzfilez
a KC e a mantivemos em quarentena para ter
certeza da sua salide antes de liberti-la na floresta


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Jose procurando o sinal de KC
Foto � Jose de Jesuis Vargas-Gonzilez


da provincia de Darien, no sul do Panama. No
dia 21 de fevereiro n6s trasladamos a KC para
a irea de estudo, e um mr s depois ela foi solta
ap6s observances de interac6es vocais entire ela e
o macho selvagem.

Para coletar os dados ap6s a soltura estabelec-
emos um piano de monitoramento, que consistia
em seguir KC diariamente por pelo menos cinco
horas para documentary as interac6es entire ela e o
macho selvagem ou cor outros individuos.
O nosso prop6sito de aproximar KC do macho
selvagem n~o foi bem-sucedido, e existem muitas


hip6teses que poderiam explicar ou justificar o
motivo pelo qual estas aves n~o formaram uma
parelha. Talvez a idade de KC ou uma possivel
incompatibilidade natural entire elas, mas somente
as aves sabem os motives exatos. Entretanto, n6s
apreendemos muito cor esta parte mal sucedida
do experiment. Registramos interag6es intra-
especificas cor harpias selvagens e coletamos
dados para o melhor entendimento dos niveis de
tolerancia e adaptabilidade desta especie a dife-
rentes tipos de habitat. Atualmente, nossos dados
preliminares sugerem que: (1) KC n~o compete
cor outras iguias adults ou jovens; (2) KC se
adaptou cor sucesso ao meio natural; (3) KC in-
teragiu de forma positive cor outros individuos
da mesma esp&cie; (4) KC pode usar diferentes
tipos de florestas cor ecossistemas heterogeneos
e homogeneos, incluindo areas alteradas pelo
home; e (5) KC e um excelente icone para
conscientizagio das comunidades locals sobre a
conservagio da especie.

Durante o ano passado KC viajou aproximada-
mente 130 km desde o local de soltura em La
Marea. Recentemente, foi localizada na "Serrania
del Sapo", uma floresta continue perto do Puerto
Pifia. N6s documentamos tres interac6es dife-
rentes entire KC e harpias selvagens (tres machos
adults e uma femea jovem - ver mapa) e a visit
de KC a territ6rios reprodutivos ativos da especie.
Qualquer interaQio agressiva foi documentada. E
incrivel o quanto n6s aprendemos e quanto con-


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mente bosques primirios com grandes extens6es
homogeneas. No entanto, tambem a temos en-
contrado em mangues, aglomerados de palmei-
ras, florestas secundirias e ireas agricolas. Esta
diversidade de habitat sugere que a especie tern
uma ampla adaptabilidade, sempre e quando nio
seja abatida pelo home.
Qual seri o motivo de KC realizar movimenta-
96es t~o longas? Podemos especular e dizer que
e por ser jovem, peregrinando e voando sem di-
reg~o, ou simplesmente pode ser devido a desori-
entagio de estar em uma irea completamente
nova. Tal vez ela esteja procurando uma irea ide-
al que satisfaga suas necessidades, ou talvez tenha
encontrado outras harpias nos arredores e prefira
um territ6rio desocupado. Talvez por ser jovem e
estar procurando um parceiro e depois uma irea
adequada para construir o ninho e estabelecer
o territ6rio. Existem muitas duvidas produzidas
pelo padrto de movimentagio de KC. Dia ap6s
dia coletamos mais dados e estamos mais pre-
parados para estudar seus requisitos de habitat e
mais pr6ximos de entender seu comportamento.

Barreiras antr6picas, como ireas desmatadas po-
dem forgar KC a se desviar do seu caminho e
ocasionalmente usar florestas fragmentadas para
superar ambientes pobres e chegar a ireas mel-
hores. Cada infertncia que fazemos pelas obser-
vac6es de KC produz novas preocupac6es rela-
cionadas as necessidades de populac6es saudiveis
de harpias, especialmente em contrast a tendnn-


cia crescente do uso do solo e ao desmatamento.
Atualmente na irea de estudo a nossa equipe de
trabalho e conhecida como "as harpias". Tanto as
criangas como os adults nos chamam desse jeito
e nos perguntam por Nepono. KC ou Nepono
converteu-se em um individuo popular, especial-
mente entire as criangas. Isto e resultado das men-
sagens de ridio que constantemente sdo transmi-
tidas para que a comunidade fique sabendo sobre
a especie e especialmente sobre Nepono.

KC tem visitado algumas comunidades indigenas
e terras de agricultores como parte de suas via-
gens explorat6rias. Gragas aos esforgos de comu-
nica~io, KC n~o foi vitima de cacadores. Sempre
que temos oportunidade conversamos informal-
mente cor as pessoas locals para explicar sobre
o nosso projeto e da presenga de KC. Desta ma-
neira, evitamos que nossa Nepono seja vitima da
ignorancia.

Ainda falta muito trabalho pela frente, mas temos
muita energia e empolgagio para continuar indo
atris da nossa floor, "Nepono".


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R. UI PR \ 11, :i U(IR_ \(i (HARPI\_ IIARIPi .I) N_\ Ri:sl:iR-

.\ PA \RcITUI. _\R 1)() P \TRIM()NI() N \iURi \. REVECOM.

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A recuperaiao de aves de rapina encontradas
feridas ou apreendidas pelos 6rgAos ambientais
faz parte da rotina dos centros de triagem e recu-
peraaio de animals. Por suas caracteristicas par-
ticulares as aves de rapina constituem um desafio
especial, pois dependem da integridade de suas
garras e capacidade de v6o, alem de um excelente
condicionamento fisico para que possam retornar
ao ambiente natural e sobreviver. Em alguns ca-
sos devido as seqilelas resultantes das condic6es
anteriores a chegada ao centro de recuperaiAo, o
period de recuperaaio pode ser bastante long
ou a raridade da especie justifique a sua retengao
cor prop6sitos de reprodugio.

A RPPN REVECOM

Situada na margem esquerda do rio Amazonas
no Estado do Amapi, Brasil, a Reserva Particu-
lar do Patrim6nio Natural - REVECOM, pos-
sui cerca de 17 hectares cor uma micro bacia
complete (Igarape Mangueirinha), e foi instituida
pela Governo do Estado do Amapi em 29 Maio,
2007. Alem de abrigar uma rica fauna represen-
tativa do bioma Amaz6nico vem sendo utilizada
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como centro de recuperaaio de animals silvestres
da regiao e suas cercanias. Os animals mantidos
na RPPN recebem atencgo especial e aqueles
que sao para ali enviados pelo Batalhio Florest-
al capturess e apreens6es) sao submetidos a um
protocolo de triagem que envolve exames clinic,
microbiol6gicos e de habilidades que comprove
suas condiK6es fisicas e mentais antes que sejam
soltos de volta a seus ecossistemas naturals. O lo-
cal tambem e usado em atividades de educaaio
ambiental e atende as diversas escolas da regiao, e
promove ainda cursos especificos para graduan-
dos e graduados interessados em conservagio de
recursos naturals (Figuras 1 e 2).

Relato de Caso

Uma ffmea de Uiragu (Harpia harpyja) adulta
foi encontrada por morador local no inicio de
janeiro de 2007, numa estrada de terra pr6ximo
de uma mineradora de cromita, a 40km da locali-
dade de Cupixi ou Vila Nova (Lat. 00007'09,6"S
e Long. 51�38'12,6"W), a cerca de 180 km de
Macapi, capital do Estado do Amapi. Ap6s
3 horas de viagem foi entregue na recepaio da
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RPPN REVECOM, documento de entrada n�
3147 - GEA - SEMA - CCF de 06/01/2007),
tendo sido alojada para as primeiras observa-
96es No moment de sua capture a ave estava
no ch~o, extremamente apitica, nao conseguia
ficar em pe e ligeiramente enlameada (Figuras 4
e 5). O exame clinic inicial revelou les6es na
face internal da asa direita (cor exposigio ar-
ticular ao nivel do punho), regido peitoral direita
cor important perda de penas cor exposigio
dermica e abras~o, e corpo estranho sob a mem-
brana nictitante, ceratite e episclerite traumrticas
cor infecgio bacteriana secundiria no olho di-
reito. Os primeiros procedimentos constaram de
hidratagio e antibioticoterapia. As fezes inicial-
mente se apresentavam semiliquidas cor muco,
de cor esverdeada cor filetes sanguinolentos.
Como tratamento inicial foi administrado Sulfa-
metoxazol cor Trimetoprim (Bactrim) na poso-
logia de 30mg/Kg duas vezes ao dia durante sete
dias, cor excelente resultado, considerando que


as fezes voltaram a normalidade. As les6es da
asa e regido peitoral foram tratadas cor banhos
de uma mistura de solugio fisiol6gica, iodo po-
vidona e agua oxigenada projetadas sob pressio
cor equipamento de bombeamento manual,
sendo aplicado pomada fibrinolitica cor cloran-
fenicol. A cicatrizagio das les6es dermicas ocor-
reu por segunda intengio. No dia 20 de janeiro
foi medicada cor Albendazole (Albendazol) na
raz~o de 10 mg/Kg em dose unica, repetida ap6s
quinze dias. Como terapia inicial de suporte a ave
recebeu ainda complex vitaminico mineral du-
rante 15 dias adicionado ao alimento e na agua
de bebida. A alimentagio oferecida a ave nos
primeiros dias constou de uma mistura de care
bovina desengordurada, figado bovino cru e um
pure de epifises de ossos de galinha, ad libitum
diariamente. Ap6s 10 dias, comegou a rejeitar o
alimento. Deixou-se entio a ave em jejum por se
entender que esse comportamento e normal ji
que a ave em vida livre experiment algum jejum


Figura 1. (esq.) Rio Amazonas no litoral do Estado do Amapa, onde esta localizada a RPPN -
REVECOM (ur oasis verde no centro urban do Porto de Santana).

Figura 2. (dir.) Litoral do Amapa com o Rio Amazonas e o Oceano Atlantico
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Figura 4 e 5. (esq.) Uiragu no dia em que
chegou a REVECOM.
Foto � Paulo Roberto Neme do Amorim


entire uma predagio e outra. Desde o dia 25 de ja-
neiro tentava exercitar as asas. Em 27 de janeiro
de 2007 estava bem ativa e eventualmente apre-
sentava comportamento de filhote ao receber o
alimento, abrindo parcialmente as asas. Exercita-
va os pes alternando-os no apoio aos poleiros.
Tambem mudava de pouso regularmente, de um
poleiro de cerca de 15 cm para um tronco com
30 cm de diametro . Quanto a suas interac6es
com o entorno demonstrava interesse por uma
preguiga (Choloepus sp) e por um jupari (Potus
flavus) que estavam alojados nas proximidades,
o mesmo ocorrendo em relagio a um filhote de


Figura 6 e 7. (dir.)Uiragu instalado no
viveiro ap6s tratamento.
Foto � Paulo Roberto Neme do Amorim


guariba (Alouatta sp). Abaixava todas as penas do
penacho e a cabega, como se fosse voar e apanhar
a presa. Nio ligava para uma arara (quase sem
penas) que passeava pela irea pr6xima ao abrigo..
Ja n~o aceitava que Ihe tocassem o dorso. A lesio
ocular cicatrizou ap6s 20 dias de tratamento cor
pomada oftilmica (Maxitrol) e agua boricada.
Em 1�. de margo a ave estava recuperada e em 14
de abril foi transferida para o novo recinto, con-
struido de acordo com o modelo REVECOM
(Amorim et al, 2010 - entregue para publicacio) ,
onde comegou a se exercitar e mostrou-se total-
mente apta para v6o e adaptada ao novo recinto


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ap6s 10 dias (Figuras 6 e 7). O voo era estimulado
pelo fornecimento de ratos brancos vivos coloca-
dos no interior do viveiro.

Conservagdo da Harpia

A conservagio de grandes predadores vai se tor-
nando cada vez mais dificil nio por falta de areas
protegidas, mas devido ts suas restritas extens6es
ou fragmentac6es. Grandes predadores alados
como o uiragu, gaviio pega-macaco (Spizaetus
tyranus) e gaviio-de-penacho (Spizaetus ornatus)
necessitam de vastas ireas bem conservadas para
sua sobrevivincia (Willis, 1979). E fato que mui-
tos deles ji desapareceram em algumas regi6es
onde embora existam florestas, elas n~o atendem
as suas necessidades. E um erro acreditar que a ex-
istencia de areas protegidas (unidades de conser-
vag~o) represent uma seguranga para a preserva-
cgo de especies mais exigentes. O mesmo ocorre
cor alguns mamiferos como o jaguar (Panthera
onca), a anta (Tapirus terrestris), a queixada (Ta-
yassu pecari), o caititu (Pecari tajacu), o tamandui
bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o tatu-can-
astra (Priodontes maximus) (Chiarello, 2000). O
que importa mais e a extensio da irea. No caso
dessas especies mais exigentes elas precisam de
grandes ireas protegidas e sem fragmenta6ces
porque a fragmentagio impede que boa parte de
suas press sobreviva neste ambiente alterado.
Embora existam informac6es que indiquem a
possibilidade de sobrevivencia desses grandes


predadores em areas proximas de comunidades
e isso signifique a, a nosso ver, uma tentative de
se ajustar ts condi6ses locais, n~o temos ainda
monitoramento de long prazo para avaliar ex-
atamente o quanto essas mudangas podem influ-
enciar as atuais e futuras gerac6es de uiragus. E
fato, por exemplo, que o desmatamento interfere
tanto em sua nidificaaio quanto na capacidade de
criar os filhotes. A degradagio dos ecossistemas
por interfer&ncia humana leva ao desaparecimen-
to dos mamiferos mais utilizados em sua dieta. E
possivel que com a escassez de animals selvagens
na regilo a ave passe a cagar animals domesticos,
como ocorre com as ongas. Esse fato faz com
que a populagio consider a ave como inimiga,
abatendo-a para evitar prejuizos, e tambem dev-
ido ao porte do animal, que e considerado um
trofeu de caca. A caga illegal, a perseguigio e a
comercializagio devem ser consideradas como
ameagas reais. Na Amaz6nia as aves de rapina
de grande porte sdo cagadas para alimentagio, o
que se torna um problema grave, pois o uiragu
e uma ave rara e que amadurece tardiamente,
sendo os individuos adults cruciais para a esta-
bilidade populacional (Chiarello, 2000; ICMBIO,
2008). De acordo com a Lista da Fauna Brasileira
Ameagada de Extincgo, a especie esti inserida
na categoria Quase Ameagada em nivel national

(Machado et al. 2005). Entretanto, a situaaio da
especie na Mata Atlantica e muito mais grave,
estando citada em listas vermelhas estaduais do


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ESTADO LOCAL DO REGISTRO ANO
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\11 I X [!..- I,,- i i ,(,I ", ] 11 I,-, 1 " , \\ ), _2111

Amazonas PARNA Jad, REDES MamirauA 2001, 2006
Para Rio Trombetas, RESEX Tapaj6s-Arapiuns, FLONA Tapaj6s, Moju (Ag- 2003, 2005,
ropalma), Paragominas (Fazenda Cauaxi), PE do Cristalino. 2006
Roraima ESEC MaracA, PARNA ViruA 1985, 2003
Mato Grosso Ricardo Franco (Serra), Vila Bela da Santissima Trindade 2002
Mato Grosso do Sul Serra da Bodoquena (Fazenda Salobra), PARNA Serra da Bodoquena 2006
Bahia Serra das Lontras, PARNA Pau Brasil 1991, 2005
Espirito Santo Pedro CanArio, REBIO Sooretama, REFLO Linhares (CVRD), REBIO 1997, 2000,
Augusto Rischi 2003, 2006
Minas Gerais RPPN Feliciano Miguel Abdala, PE do Rio Doce, Tapira (comunidade de 2002, 2006
Palmeiras), Fazenda Montes Claros
Rio de Janeiro PARNA Itatiaia, PARNA Serra dos OrgAos, PE Serra do Mar 2000, 2002,
2003
Sio Paulo Cananeia, Ariri 1989, 1993
u-rtn t-,rt-ri PF Tbai1hcir.- 1OO

Quadro 1. Registros mais recentes de Harpya harpyja no Brasil


sul e sudeste: "Provavelmente Extinta" no Rio
Grande do Sul (Marques et al. 2002), "Critica-
mente em Perigo" em Minas Gerais (Drummond
et al, 2008); no Parani (Mikich e Bernils 2004),
Sdo Paulo (Silveira et al, 2009) e Espirito Santo
(Simon et al, 2007); e "Em Perigo" no Rio de

Janeiro (Alves et al. 2000).

Registros mais recentes de Harpya harpyja
no Brasil

Os registros mais recentes do uiragu est~o con-
centrados nas grandes ireas preservadas da region
Norte do pais (Quadro 1). Vargas et al (2006) in-
formaram 21 ninhos da especie no Brasil. Os reg-
istros informados por Vargas et al (2006) sdo de
Galetti et al (1997), Borges et al (2001), Marigo


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(2002), Silveira (2002), Henriques et al (2003),
Pacheco et al (2003), Pires et al (2003), Santos
(2003), Luz (2005), Silveira et al (2005), Pivatto et
al (2006), e Olmos et al (2006).

Conclusdo
N~o hi ddvidas que a recuperaaio e manutengao
de aves de rapina em cativeiro pode se tornar um
grande desafio para seus reabilitadores, especial-
mente quando se trata de aves do porte do uiragu,
que exige maiores espagos e maior habilidade e
experiencia no manejo. No present caso a situa-
gao inicial da ave favoreceu a rapida recuperacio,
pois estruturas importantes como as asas e as
garras nao sofreram danos irreversiveis. A dis-
ponibilidade de um recinto adequado e um fator
decisive no process de recuperacio, quando nio
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se pode optar pelo uso da tecnica de falcoaria, na
qual a ave permanece sobre poleiros adequados,
restringida por correias de couro e sdo exercita-
das diariamente em saltos verticals seguidos de
v6os livres ate que atinjam condigio muscular e
autoconfianga suficiente para retorno ao ambi-
ente natural.

Agradacimientos

A equipe da RPPN REVECOM pelo esforgo
empregado para a plena recuperaaio do uiragu.

ReferEncias

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R.B. Cavalcanti; M.A. Raposo; C. Yamashita; N.
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Amorim, P. R; R. Rocha e Silva, ; M. Lemos, M;
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tregue para publicacio em novembro/2010.

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* * *


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NOTAS DA LIlERATURA DAS AVES DE

RAPINA NEOTROPICAIS

Compilado por Lloyd Kiff,. kiff(aDererinefund.ort
Martinez-Sainchez, J.C., and T. Will (eds.). 2010. Thomas R. Howell's Check-list of the


Birds of Nicaragua as of 1993. Ornithological
Dizer que esse livro recem-publicado foi "tio
esperado" seria subestimi-lo. Thomas Howell,
professor da Universidade da Calif6rnia em Los
Angeles, comegou a estudar a avifauna da Nica-
rigua na decada de 1950 num moment em que
praticamente nio se realizava nenhuma outra in-
vestigagio ornitol6gica em nenhum outro lugar
da America Central, alem do trabalho de Alex-
ander Skutch na Costa Rica. No final da decada
de 1960, Howell visitou a Nicarigua em 13 lon-
gas viagens, e ele e seus ajudantes acumularam
uma das mais importantes colec6es de aves em
comparaaio a qualquer outro pais da America
Central. Ele sempre tinha planejado escrever um
tratado sobre a important avifauna da Nicarigua,
e desde 1970 ate a decada de 1990, trabalhou in-
termitentemente no seu manuscrito. Lamentavel-
mente, com o passar do tempo faltou-lhe energia
e compromisso para terminar o livro. Felizmente,
outros dois especialistas em aves da Nicarigua,
Juan Carlos Martinez-Sanchez e Will Tom, es-
tavam em contato continue com Howell durante
os seus iltimos anos, e a persistencia e o trabal-
ho deles resultaram na publicaaio desse volume,
muito bem recebido pela Unido de Ornit6logos


Monographs no. 68. 108 pp.
da America, como parte da serie Monografias de
Ornitologia. De maneira apropriada, limitaram o
conteldo desse volume ao period da participa-
gao real de Tom Howell, cuidadosamente editan-
do suas notas e o manuscrito que estava parcial-
mente terminado, somente com algumas poucas
e discretas modificac6es na nomenclature e na
terminologia ecol6gica. A monografia resultante
inclui uma hist6ria fascinante dos trabalhos orni-
tol6gicos na Nicarigua e proporciona um resume
itil dos registros de especies, estado, distribuigio
e preferencias de habitat das especies conhecidas
no pais a partir de 1993, incluindo 51 especies
de aves de rapina diurnas e 12 especies de coru-
jas. Estabelecendo, hoje em dia, uma base s6lida
que pode ser 6til aos editors da monografia para
produzir os seus pr6prios tratados sobre as aves
do maior pais da America Central.

Raptor Information System

Por varias decadas, a mais important base de
dados das aves de rapina foi o Raptor Informa-
tion System (RIS), o qual era administrado pelo
U.S. Geological Survey (USGS) nos escrit6rios
em Boise, Idaho, EUA. Essa grande colegio de


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reedic6es, reportagens e teses continha mais de
38.000 titulos em meados de 2010. A colegio
formou-se originalmente na decada de 1980 pela
unido do "Sistema de Gestio de Aves de Rapi-
na", criado pelo falecido "Butch" Olendorff, e
uma base de dados similar criada pelos bi6logos
especializados em aves de rapina associada cor a
Area de Conservagio Nacional de Aves de Rapi-
na do Snake River. A base de dados do RIS se
manteve on-line durante quase 15 anos, e foi uma
rica fonte de literaturea cinzenta" (na sua maioria
manuscritos nio publicados e relat6rios de agen-
cias), documents dificeis de encontrar sobre
aves de rapina. Embora a base de dados centra-se
principalmente nas esp&cies norte-americanas e
outros temas, contem muitas referencias interes-
santes para os investigadores neotropicais.

Recentemente, o USGS decidiu suspender sua
participagio no RIS, e os pertences foram realo-
cados na Biblioteca do The Peregrine Fund no


dia 20 de outubro de 2010. Embora permanega
on-line em sua forma atual por um period in-
determinado, a base de dados eletr6nica do RIS
esti sendo gradualmente unida a bibliografia do
Global Raptor Information Network. Pedidos de
c6pias em PDF de qualquer dos registros RIS de-
vem dirigir-se agora ao library@peregrinefund.
org. As c6pias originals em papel das referencias
RIS conservam-se nas colec6es da biblioteca do
The Peregrine Fund, e a maioria dos duplica-
dos resultantes da uniao seri enviada ao Hawk
Mountain Sanctuary. Espera-se que a uniao das
colec6es gere c6pias duplicada de mais de 300
livros de capa dura sobre aves de rapina, que
serdo vendidos para apoiar as novas aquisi6oes
da Biblioteca do The Peregrine Fund. Uma lista
complete dos titulos estari disponivel no site do
The Peregrine Fund (www.peregrinefund.org) no
final de janeiro sob o titulo "Research Library" e
"Books to sell".


* * *


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NOMERO 10 * DEZEMBRO 2010










AVES RAPACES Y CONSERVATION:
UNA PERSPECTIVE IBOAMERICANA


Do interesse para pesquisadores, naturalistas e
conservacionistas atraidos pelas aves de rapina,
este livro reuni comunica6oes sobre a biologia
da conservag~o de
SNN aves de rapina com
o enfoque nas es-

pecies Neotropic-
ais e Ibericas.
Maiores informa-
g6es acesse:
www.tundraedi-
ciones.es


��Viry -50iqS

NEW WORLD VULTURES:
A CHILDREN'S ACTIVY BOOK


Este livro, publicado pela Hawk Mountain Sanc-
tuary Association, traz informac6es sobre a bio-
logia dos urubus.

Disponivel copia em PDF no link: http://hawk-
mountain.org/media/NewWorld_Vulture_Ac-
tivityBook_2010_2.pdf


PR(')XIN ()S C(( )N(;R SS( )S

FALCAO GYR E PTARMIGAN EM UM MUNDO EM TRANSICAO 1-3 Fevereiro 2011,
Boise, Idaho, Estados Unidos. Para mais informaci6n visit: http://www.peregrinefund.org/
gyr conference/


CONGRESS: THE WILSON ORNITHOLOGICAL SOCIETY, THE ASSOCIATION
OF FIELD ORNITHOLOGISTS, E THE COOPER ORNITHOLOGICAL SOCIETY
9-13 Margo 2011, Kearney, Nebraska,Estados Unidos. Para mais informaci6n visit: http://snr.
unl.edu/kearney2011 /index.asp

IX CONGRESS ORNITOLOGICO NEOTROPICAL 8-14 Novembro 2011 Cusco, Perni.
Para mais informaci6n visit: http: / /www.neotropicalornithology.org/


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Ou-in()s Rj,'(ATi6()s


















































Para participar da RNN envie um e-mail a Marta Curti, mcurti@peregrinefund.org
com uma breve apresentacao e comunicando seu interesse na pesquisa e conservaiao
das aves de rapina. Red de 1
Rapaces
Neotropicales
PAGINA - 26 NMERO 10 * DEZEMBR 2010
I 2 N R 10 D6Z














PAGINA - 26 N MERO 10 � DEZEMBRO 2010



















O-DE-GAL.P.\GOS

EL INDiCIO DA
LDUCAO DE COND..E NA. -:"
IA

IAS NA REI TRO'DU'
RPIA - PANANMA

CAO#E UNIA HARPIA -
'bie'






CONTEUDO
O GAVIAO-DE-GALAPAGOS BUTEOO GALAPAGOENSIS): VIVENDO EM UM AMBIENTE EM
CONSTANTE M UDANCA........................................................... ...........................................2

POSSIVEL INDICIO DA REPRODUCAO DE CONDORS REINTRODUZIDOS NA COLOMBIA.........8

EXPERIENCIAS NA REINTRODUCAO DE UMA HARPIA (HARPIA HARPYJA) REPRODUZIDA EM
CATIVEIRO E SOLTA EM UM ECOSSISTEMA SELVAGEM EM DARIEN, PANAMA ....................12

RECUPERACAO DE UM UIRA iU (HARPIA HARPYJA) NA RESERVE PARTICULAR DO PATRIMONIO
N ATURAL R E V E C O M ......... ................ ........................................................................... 16

NOTAS DA LITERATURE DAS AVES DE RAPINA NEOTROPICAIS....................................23

O UTRO S R ECURSO S .......................................................... .................................................25

P ROXIM O S CON GRESSO S ................................................. ...................................................25


A RRN (pelas siglas em espanhol) e uma organizagio baseada em

afilia6ses. 0 objetivo e contribuir para a conservagio e pesquisar as

aves de rapina neotropicais. Promovendo a comunicagio e colobo-

raqio entire pesquisadores, ambientalistas e entusiastas pelas aves de

rapina que trabalham na regiao Neotropical.

Spizaetus: Boletim da RRN Foto de Capa: Harpia harpyja nascida
Nmero 10 Dez o 20 em cativeiro como parte do program
Numero 10 � Dezembro 2010
do The Peregrine Fund, da reprodugio
Edigio em portuguEs em cativeiro e liberagao da aguia harpia
ISSN 2157-9180 no PanamA.
� Angel Muela
Red de
Rapaces
eotropicales Foto de Contracapa:
Glaucidium brasilianum fotografado
pr6ximo i Floresta de Chiquibul, .
Artigos foram traduzidos e/ou editados por Edwin Belize. -
Campbell, Cris Trevisan e Mosar Lemos � Ryan Phillips























Aguia harpia (KC)
Foto � Jose de Jesis Vargas-Gonzalez


tinuamos aprendendo da experiencia com KC.
As interac6es observadas foram visuais e vocals.
Estas interag6es duravam horas sem ameaga ou
agressio em nenhuma ocasiio. De fato, obser-
vamos virias vezes KC cor machos diferentes.
N6s os observamos pr6ximo um do outro, a uma
distancia de 5 m na mesma irvore. As vezes vo-
calizavam entire eles ou voavam juntos. Por este
motivo, consideramos as interac6es como positi-
vas e concluimos que as harpias criadas em cat-
iveiro podem viver junto cor harpias selvagens e
se dispersar caso o territ6rio esteja ocupado sem
nenhum tipo de agressao.

Antes da soltura de KC em Darien n6s tivemos
varias preocupa6oes, principalmente sobre a so-
brevivencia de KC em um ambiente onde estio
presents harpias selvagens. Atualmente, podem-
os afirmar "a sobrevivencia do mais apto" porque


KC demonstrou que e um
individuo bastante apto. A
sobrevivdncia dela e prova
do valor dos esforgos de cri-
ar e reintroduzir harpias pela
nossa equipe do Fundo Per-
egrino.

Nos diversos ecossistemas da
floresta de Darien, KC tem
capturado uma ampla diver-
sidade de press como pre-

guigas, primatas e carnivores
entire outros. KC ter sido
uma destacada predadora da floresta e esti no alto
da cadeia alimentar. Temos documentado a ma-
neira cor que KC busca, escolhe e capture suas
press. Sempre seguindo a regra do custo-benefi-
cio. Em algumas situa�6es KC olhava a presa por
varias horas sem capturi-la, mesmo quando para
nos parecia ser uma "presa ficil". Temos varias
hip6teses para explicar porque aquilo aconte-
cia, como talvez o sitio nio ser adequado para a
capture, ou a existencia de algum risco para KC.
Virias outras hip6teses tem sido consideradas e
todas enriquecem nosso estudo e alimenta nosso
desejo de aprender.

Monitoramos KC em florestas primarias cor a
vegetagio aberta no sub-bosque, e em habitat
complexes onde a vegetagio densa dificultava
o caminhar. Esta aguia tem utilizado principal-


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NOMERO 10 * DEZEMBRO 2010




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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 1 SPIZAETUSBOLETIM DA REDE DE AVES DE RAPINA NEOTROPICAISO GAVIÃO-DE-GALÁPAGOSPOSSÍVEL INDÍCIO DA REPRODUÇÃO DE CONDORES NA COLÔMBIAEXPERIÊNCIAS NA REINTRODUÇÃO DE UMA HARPIA PANAMÁRECUPERAÇÃO DE UMA HARPIA BRASILNÚMERO 10 DEZEMBRO 2010

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A RRN (pelas siglas em espanhol) é uma organização baseada em a Þ liações. O objetivo é contribuir para a conservação e pesquisar as aves de rapina neotropicais. Promovendo a comunicação e coloboração entre pesquisadores, ambientalistas e entusiastas pelas aves de rapina que trabalham na região Neotropical.Spizaetus: Boletim da RRN Número 10 © Dezembro 2010 Edição em português ISSN 2157-9180 CONTEÚDO O GAVIÃO-DE-GALÁPAGOS (BUTEO GALAPAGOENSIS): VIVENDO EM UM AMBIENTE EM CONSTANTE MUDANÇA................................................................................................................2 POSSÍVEL INDÍCIO DA REPRODUÇÃO DE CONDORES REINTRODUZIDOS NA COLÔMBIA.........8 EXPERIÊNCIAS NA REINTRODUÇÃO DE UMA HARPIA (HARPIA HARPYJA) REPRODUZIDA EM CATIVEIRO E SOLTA EM UM ECOSSISTEMA SELVAGEM EM DARIEN, PANAMÁ ......................12 RECUPERAÇÃO DE UM UIRAÇÚ (HARPIA HARPYJA) NA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL REVECOM............................................................................................................16 NOTAS DA LITERATURA DAS AVES DE RAPINA NEOTROPICAIS..............................................23 OUTROS RECURSOS ..................................................................................................................25 PR"XIMOS CONGRESSOS ...........................................................................................................25 Artigos foram traduzidos e/ou editados por Edwin Campbell, Cris Trevisan e Mosar Lemos Foto de Capa : Harpia harpyja nascida em cativeiro como parte do programa do The Peregrine Fund, da reprodução em cativeiro e liberação da águia harpia no Panamá. © Angel Muela Foto de Contracapa: Glaucidium brasilianum fotografado próximo à Floresta de Chiquibul, Belize. © Ryan Phillips

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PÁGINA 2 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 E O GAVIÃO-DE-GALÁPAGOS (BUTEO GALAPAGOENSIS): VIVENDO EM UM AMBIENTE EM CONSTANTE MUDANÇAMari Cruz Jaramillo aluna de Mestrado na Universidade de Missouri Saint Louis e Fundo Peregrino, marij85@live. com; e Hernán Vargas, Fundo Peregrino hvargas@peregrinefund.org Enquanto estamos sentados observando o ninho, seis gaviões-de-Galápagos aparecem de repente por trás de nós voando em círculos como se fosse um furacão de chamados agudos se aproximando rapidamente. Imediatamente percebemos que estão caçando alguma coisa quando vimos uma pequena ave voar desesperadamente tentando salvar-se e escapa das garras dos gaviões. Quando a fêmea ouve os outros gaviões sai do ninho e deixa o Þ lhote de duas semanas. Um macho que estava escondido dentro do barranco aparece. Eles estão respondendo aos chamados e se juntam a caçada. Os oito gaviões arremetem em vôo picado, um atrás do outro e quando baixam sobem de uma vez dando a volta e tomando impulso na tentativa de capturar a presa. Finalmente, próximo ao horizonte parecem ter obtido... ÊXITO! Todos desaparecem de nosso campo de visão e nos sentamos em silencia esperando ansiosos de ver o que estavam caçando. Será que trarão a presa para o ninho? Fizeram todo este esforço para criar apenas um Þ lhote? Um grupo de gaviões-de-Galápagos. Foto © Hector Cadena

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 3 A poliandria cooperativa é um tipo de comportamento reprodutivo desenvolvido pelo gaviãode-Galápagos (Buteo galapagoensis): uma fêmea criando com a ajuda de dois a oito machos, com todos cuidando do Þ lhote da mesma maneira, todos copulando com a fêmea e todos defendendo o território contra invasores durante todo o ano (Faaborg e Patterson, 1981). Embora esta maneira pouco usual de reprodução tenha despertado o interesse de muitos pesquisadores, a espécie apresenta mais que uma estratégia reprodutiva. Temos observado percentuais diferentes de poliandria nas ilhas que habitam, incluindo Espanhola, Santa Fé, Pinzón, Santiago, Isabela, Fernandina, Marchena e Pinta. Junto com as diferenças de comportamento mostram uma grande variedade morfológica entre as ilhas (Bollmer et al, 2003). Na ilha de Santiago os gaviões-de-Galápagos nidi Þ cam principalmente nas árvores Bursera graveolens. Entretanto nas ilhas mais áridas nidi Þ cam também em a ß oramentos rochosos e lava, e às vezes em outras espécies de árvores como Opuntia, Erythrina, Pisonia, Piscidia, Psidium e Zanthoxylum (De Vries, 1973). Há menos de 300.000 anos um grupo de gaviõesde-Swainson (Buteo swainsoni) chegou ao arquipélago, se dispersaram rapidamente e povoaram as ilhas Galápagos (Bollmer et al, 2006). Desde a Gaviões-de-Galápagos jovens comendo carne de cabra. Isca utilizada para capturar e anilhar os gaviões. Foto © Mari Cruz Jaramillo A Iguana-de-Galápagos e uma Lagartixa-da-lava. Iguanas jovens e Lagartixas-da-lava adultas são presas do gavião-de-Galápagos Foto © Mari Cruz Jaramillo

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PÁGINA 4 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 chegada dos primeiros habitantes humanos nos anos 1800, os gaviões foram perseguidos e eliminados de Floreana, San Cristobal e Santa Cruz (ocasionalmente são vistos alguns juvenis) e as demais populações em oito ilhas que também enfrentam outros desa Þ os. Por mais de duzentos anos espécies invasoras foram introduzidas nas ilhas, porém a crescente preocupação de seu impacto sobre a comunidade nativas originou várias campanhas de erradicação. A eliminação total das cabras selvagens (Capra hircus) da ilha de Santiago (585 km2) fez dessa ilha a maior do mundo onde um programa de erradicação de uma espécie tenha sido feita com êxito (Cruz et al, 2009). Tal fato associado com a ausência de uma população signi Þ cativa de herbívoros no ambiente resultou em uma recuperação notável da vegetação. A erradicação se tornou Mari Jaramillo e dois gaviões-de-Galápagos jovens, com vista para a área de estudo, a baía James Foto © Hector Cadena

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 5 Os iguanas terrestres (Conolophus subcristatus) que eram comuns quando Charles Darwin visitou a ilha de Santiago em 1835 estão atualmente extintas naquela ilha, provavelmente devido à competição por alimento com as cabras introduzidas e a depredação de porcos selvagens. A população da tartaruga-de-Galápagos (Geochelone elephantopus) foi dizimada pelos primeiros colonizadores humanos e hoje em dia é o único herbívoro terrestre remanescente na ilha de Santiago com uma população de apenas 500 a 700 indivíduos (McFarland et al, 1974). completa em 2006. Em 2008 o Fundo Peregrino, a Universidade de Missouri Saint Louis, a Fundação Charles Darwin e o Serviço de Parques Nacionais de Galápagos uniram forças para estudar os efeitos da erradicação de cabras sobre os gaviõesde-Galápagos. Como parte deste projeto cooperativo, dois estudantes equatorianos, Mari Cruz Jaramillo e José Luis Rivera, tiveram a oportunidade de investigar como parte de seus programas de Mestrado em Biologia na Universidade de Missouri – Saint Louis (EUA). Enquanto José Luis, usando dados de anilhamento de 1998 a 2000, encontrou uma menor sobrevivência da população de gaviões depois de 2006 quando se completou a erradicação das cabras (Rivera et al, entregue para publicação), Mari está fazendo observações dos anos posteriores à erradicação (2010-2011). Um estudo prévio da ecologia da alimentação em 1999-2000 (Donaghy Cannon, 2001, Tese de Mestrado não publicada) proporcionará uma base para a comparação dos anos anteriores a erradicação das cabras. Como haverá mudado a dieta do gavião-de-Galápagos para adaptar-se ao novo ambiente sem cabras? Se a recuperação da vegetação coloca em risco o êxito dos gaviões para capturar determinadas presas, aventamos a hipótese de que para adaptarse a nova situação a dieta mudará de presas mais terrestres (documentada antes da eliminação das cabras) para presas mais arbóreas (documentada depois da eliminação das cabras). Estamos monitorando as populações de presas (principalmente de ratos introduzidos) para determinar as alterações em abundância como conseqüência de um incremento na vegetação. Pode ser que diferenças no consumo de presas terrestres não sejam detectadas ou quem sabe aumentarão. Em 2010 Þ zemos 60 horas de observações, ocultos em uma cabana a 25 a 60 metros de distância para documentar as espécies de presas que são trazidas para o ninho e quais indivíduos trazem as presas. Antes de completarmos nossa primeira estação no campo e pudemos observar nove ninhos com um total de 274 presas entregues. Embora o tamanho da amostra ainda seja pequeno, estamos começando a ver uma modi Þ cação da presa terrestre para a presa arbórea. Esperamos continuar com uma segunda temporada de campo no próx-

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PÁGINA 6 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 imo ano e que nossos resultados e conclusões sirvam para apoiar futuras decisões no manejo do Parque Nacional de Galápagos. Referências: Bollmer, J.L., T. Sanchez, M.M. Donaghy Cannon, D. Sanchez, B. Cannon, J.C. Bednarz, Tj. DeVries, M.S. Struve, P.G. Parker. 2003. Variation in morphology and mating system among island populations of Galápagos Hawks. The Condor 105:428-438. Bollmer, J.L., R.T. Kimball, N.K. Whiteman, J. Sarasola, P.G. Parker. 2006. Phylogeography of the Galápagos Hawk: a recent arrival to the Galápagos Islands. Molecular Phylogenetics and Evolution 39:237-247. Cruz, F., V. Carrion, K.J. Campbell, C. Lavoie, C. J. Donlan. 2009. Bio-economics of largescale eradication of feral goats from Santiago Is-Uma fêmea de gavião-de-Galápagos no ninho, com dois Þ lhotes. Foto © Daniela Bahamonde

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 7 land, Galápagos. J Wild Manage. 73:191–200 De Vries, Tj. 1973. The Galápagos hawk, an ecogeographical study with special reference to its systematic position. Ph.D. dissertation, Vrije University, Amsterdam. Faaborg J., and C. B. Patterson. 1981. The characteristics and occurrence of cooperative polyandry. Ibis 123:477-484. MacFarland C.G., J. Villa, B. Toro. 1974. The Galápagos giant tortoises (Geochelone elephantopus) Part I: Status of the surviving populations. Biological Conservation, 6 (2), pp. 118-133. Rivera, J. L., K. M. Levenstein, J. C. Berdnarz, H. Vargas, P. G. Parker. Submitted. Implications of goat eradication on the Galapagos Hawk, an endemic island predator. * * *Uma fêmea de gavião-de-Galápagos no ninho, fazendo sombra para seus dois Þ lhotes. Foto © Hector Cadena

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PÁGINA 8 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 O POSSÍVEL INDÍCIO DA REPRODUÇÃO DE CONDORES RE-INTRODUZIDOS NA COLÔMBIA Santiago Zuluaga Castañeda, Estudiante, Departamento de Ciencias Biológicas, Universidad de Caldas. Investigador, Centro de Rehabilitación de Aves Rapaces San Isidro. Pereira-Colombia O condor andino (Vultur gryphus) é uma espécie enquadrada na categoria “quase ameaçada” em nível mundial, porém com declínio das populações conhecidas (IUCN 2010; BIRDLIFE 2010), razão pela qual, nos últimos anos tem sido utilizada uma estratégia de liberação de condores em diferentes partes de sua área de ocorrência na Colômbia, Venezuela, Peru, Argentina e Chile (LAMBERTUCCI, 2007). Na Colômbia entre 1989 e 2005, foram reintroduzidos na natureza 65 indivíduos (nascidos em cativeiro em diferentes zoológicos dos EUA e no Jardim Zoológico de Cali, Colômbia), em 6 núcleos de repovoamento localizados na Cordilheira dos Andes (MAVDT 2006). Estima-se que 78% das aves reintroduzidas sobreviveram, mas ainda não foram documentados os eventos de reprodução (MÁRQUEZ et al, 2005). A este respeito, apresento algumas observações sobre um núcleo de repovoamento no Parque Nacional Natural (PNN) “Los Nevados”, e a observação de um indivíduo jovem encontrado nesta área, o que sugere a possibilidade de que os condores reintroduzidos na Colômbia estejam começando a se reproduzir em liberdade. Após realizar observações de forma não sistemática entre 2004 e 2010 na zona de amortecimento do PNN “Los Nevados”, cordilheira central dos Andes Colombianos, a partir de pontos elevados com visão ampla da área e transectos lineares (MÁRQUEZ E RAU, 2003), usando binóculos 10 x 50 e câmeras fotográ Þ cas, foi possível em julho de 2010 nas coordenadas geográ Þ cas de 4 ° 55,02 ‘N, 75 ° 26,97’ W e a uma altitude de 3.600 m fotografar um condor jovem em plumagem correspondente a aproximadamente 3 anos de idade. É provável que este indivíduo tenha nascido no PNN “los Nevados”, o que constitui a primeira evidência de reprodução dos condores reintroduzidos na Colômbia. O jovem foi observado voando acompanhado de um condor adulto Condor jovem Foto © Santiago Zuluaga Casteñada

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 9 reintroduzido. De 1997 a 2001 foram libertados 16 condores jovens no PNN “Los Nevados”. Em julho de 2010, todos estes condores já devem ter a plumagem adulta, e portanto a presença de aves jovens indica a reprodução local ou uma possível imigração de outros locais da Colômbia, onde se reproduzem condores selvagens, o que é menos provável, pois são pouco numerosos e estão restritos a umas poucas localidades isoladas nas montanhas (MAVDT 2006) no PNN “Cocuy” e “Sierra Nevada de Santa Marta”, distante cerca de 417 e 682 km respectivamente, do PNN “Los Nevados”. Eu Þ z 14 visitas à área de estudo, com uma média de 2,3 por ano. Em cada visita, registrei a presença de condores e observações comportamentais. Além disso, entrevistei pessoas da comunidade sobre o avistamento das espécies. As observações documentaram padrões de comportamento da espécie em relação à forrageamento, dormitórios e a presença de indivíduos solitários e casais. Comportamentos alimentares mostraram que os condores quando encontram o alimento não descem imediatamente sobre ele, mas permanecem a um boa distância em locais de onde podem observar a comida por longos períodos de tempo. Esse comportamento coincide com aquele observado por Speziale et al. (2008) que argumenCondor jovem. Foto © Santiago Zuluaga Casteñada

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PÁGINA 10 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 tam que a espécie é geralmente muito cautelosa e pode demorar dias antes de decidir descer para comer. Dois dormitórios foram registrados. O primeiro em 2007, está localizado em uma parede de rocha de aproximadamente 50 m de altura, com vegetação arbustiva e arbórea que isola o interior. Apresenta pouca atividade (Fig. 5) e apenas em uma ocasião, foram observados três indivíduos descendo ao cair da tarde. O segundo dormitório (Fig. 6) é mais recente tendo sido registrado pela primeira vez em janeiro de 2010, e está localizado em uma parede de rocha, com uma altura de 300 metros e vegetação arbustiva, onde foi observado um indivíduo solitário, chegando no local ao pôr do sol e saindo nas primeiras horas da manhã durante três dias consecutivos e, posteriormente em maio do mesmo ano, foram avistados dois indivíduos utilizando o dormitório. Os indivíduos estudados pertencem a um núcleo de repovoamento criado em 1997 como centro de dispersão da espécie nas montanhas centrais do país (MAVDT 2006). Inicialmente todos os individuos foram marcados com anilhas em ambas as asas e receberam também um microchipe que permite a sua identi Þ cação (com pess. G. Corredor). No entanto, parece que a maioria dos indivíduos perderam as anilhas, e portanto não podem ser identi Þ cados. Além disso, têmse pouco ou quase nenhum conhecimento biológico disponível deste núcleo, devido à falta de monitoramento e a limitada disponibilidade de recursos, que permitam determinar sua situação atual. Estas são as principais razões pelas quais este jovem não foi registrado anteriormente. É necessário salientar também que antes da descoberta, os moradores comunicaram ter visto um grupo de três indivíduos se alimentando na área, sendo um deles possivelmente um juvenil. Segundo dormitório registrado. Foto© Santiago Zuluaga Casteñada Primeiro dormitório registrado. Foto © Santiago Zuluaga Casteñada

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 11 Além disso é possível que existam outros juvenis em diferentes partes do país. No entanto, não existem provas conclusivas para provar a veracidade destas hipóteses, e por isso é necessário con Þ rmá-las, além de buscar recursos Þ nanceiros para se obter dados e um maior conhecimento de aspectos da dinâmica populacional desses núcleos de repovoamento. Desta forma, esperamos poder avaliar a e Þ cácia das reintroduções como uma estratégia de conservação adequada. As observações discutidas aqui e o registro desse indivíduo jovem são importantes para o conhecimento do estado da população de condores reintroduzidos no PNN “Los Nevados” e a necessidade de veri Þ cação da reprodução, como uma das medidas para avaliar o êxito da implantação do Plano de Ação 2006-2016 (MAVDT, 2006) para a conservação do condor na Colômbia. Germán Corredor, líder do programa de reprodução em cativeiro do Zoológico de Cali, diz que a con Þ rmação da reprodução de condores reintroduzidos sem dúvida será de grande importância para a comunidade cientí Þ ca e, sobretudo, signi Þ cará uma boa notícia para os esforços de recuperação das populações do condor andino na Colômbia Agradeço a Sérgio Lambertucci, pesquisador da Universidad Nacional del Comahue, Bariloche, Argentina, por seus comentários e contribuições. Quero agradecer especialmente a Olga Lucía Núñez, Germán Corredor, Hernán Vargas, e Cesar Marquez, por seus comentários Refer ê ncias BirdLife International (2010) Species factsheet: Vultur gryphus. Downloaded from http://www. birdlife.org on 19/7/2010. IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2010.2. www.iucnredlist.org. Downloaded on 19 July 2010. Lambertucci, S.A. 2007. Biología y conservación del cóndor andino (Vultur gryphus) en Argentina. Hornero 22(2):149-158. Marquez, C., M. Bechard., F. Gast, & V.H. Vanegas. 2005. Aves rapaces diurnas de Colombia. Instituto de Investigación de Recursos Biológicos “Alexander von Humboldt”. Bogotá, Colombia. Márquez, C, & J. Rau. 2003. Técnicas de detección, observación y censo de aves rapaces diurnas en Costa Rica. Gestión Ambiental 9: 67-77. MAVDT. Ministerio de Ambiente, Vivienda y Desarrollo Territorial. Programa Nacional para la Conservación del Cóndor Andino en Colombia. Plan de Acción 2006 – 2016. Speziale, K.L., S.A. Lambertucci & O. Olsson. 2008. Disturbance from roads negatively affects Andean condor hábitat use. Biological Conservation 141:1756-1772 * * *

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PÁGINA 12 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 J EXPERIÊNCIAS NA REINTRODUÇÃO DE UMA HARPIA HARPIA HARPYJA REPRODUZIDA EM CATIVEIRO E SOLTA EM UM ECOSSISTEMA SELVAGEM EM DARIEN, PANAMÁJosé de Jesús Vargas González, The Peregrine Fund, jvargas.gonz@gmail.com Já se passaram duas estações na ß oresta neotropical desde a soltura de KC, uma harpia, que na comunidade local é mais conhecida como Nepono, o que signi Þ ca ß or na língua Emberá. KC foi solta na Reserva Florestal de Chepigana com vários objetivos em mente, com a Þ nalidade de desenvolver uma diretriz de forma que se obtenha sucesso na soltura com de harpias criadas em cativeiro em um ambiente natural onde já vivem outras harpias selvagens. Decidimos soltar a KC na ß oresta próxima à comunidade de La Marea por vários motivos. No entanto, a idéia principal foi provocar o acasalamento desta águia com um macho selvagem que havia perdido a parceira recentemente. KC nasceu no dia 31 de dezembro de 2004 no Centro de Aves de Rapina Neotropicais do Fundo Peregrino, no Panamá. Após mais de um ano do nascimento, ela foi levada ao Parque Nacional Soberania na bacia do Canal do Panamá. Nesse parque ela foi solta e se adaptou com sucesso ao novo ambiente. Em janeiro de 2009 capturamos a KC e a mantivemos em quarentena para ter certeza da sua saúde antes de libertá-la na ß oresta Águia harpia (KC) com um bicho preguiça Foto © José de Jesús Vargas-González

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 13 da província de Darién, no sul do Panamá. No dia 21 de fevereiro nós trasladamos a KC para a área de estudo, e um mês depois ela foi solta após observações de interações vocais entre ela e o macho selvagem. Para coletar os dados após a soltura estabelecemos um plano de monitoramento, que consistia em seguir KC diariamente por pelo menos cinco horas para documentar as interações entre ela e o macho selvagem ou com outros indivíduos. O nosso propósito de aproximar KC do macho selvagem não foi bem-sucedido, e existem muitas hipóteses que poderiam explicar ou justi Þ car o motivo pelo qual estas aves não formaram uma parelha. Talvez a idade de KC ou uma possível incompatibilidade natural entre elas, mas somente as aves sabem os motivos exatos. Entretanto, nós apreendemos muito com esta parte mal sucedida do experimento. Registramos interações intraespecí Þ cas com harpias selvagens e coletamos dados para o melhor entendimento dos níveis de tolerância e adaptabilidade desta espécie a diferentes tipos de hábitat. Atualmente, nossos dados preliminares sugerem que: (1) KC não compete com outras águias adultas ou jovens; (2) KC se adaptou com sucesso ao meio natural; (3) KC interagiu de forma positiva com outros indivíduos da mesma espécie; (4) KC pode usar diferentes tipos de ß orestas com ecossistemas heterogêneos e homogêneos, incluindo áreas alteradas pelo homem; e (5) KC é um excelente ícone para conscientização das comunidades locais sobre a conservação da espécie. Durante o ano passado KC viajou aproximadamente 130 km desde o local de soltura em La Marea. Recentemente, foi localizada na “Serranía del Sapo”, uma ß oresta continua perto do Puerto Piña. Nós documentamos três interações diferentes entre KC e harpias selvagens (três machos adultos e uma fêmea jovem ver mapa) e a visita de KC a territórios reprodutivos ativos da espécie. Qualquer interação agressiva foi documentada. É incrível o quanto nós aprendemos e quanto conJosé procurando o sinal de KC Foto © José de Jesús Vargas-González

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PÁGINA 14 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 tinuamos aprendendo da experiência com KC. As interações observadas foram visuais e vocais. Estas interações duravam horas sem ameaça ou agressão em nenhuma ocasião. De fato, observamos várias vezes KC com machos diferentes. Nós os observamos próximo um do outro, a uma distancia de 5 m na mesma árvore. Às vezes vocalizavam entre eles ou voavam juntos. Por este motivo, consideramos as interações como positivas e concluímos que as harpias criadas em cativeiro podem viver junto com harpias selvagens e se dispersar caso o território esteja ocupado sem nenhum tipo de agressão. Antes da soltura de KC em Darién nós tivemos várias preocupações, principalmente sobre a sobrevivência de KC em um ambiente onde estão presentes harpias selvagens. Atualmente, podemos a Þ rmar “a sobrevivência do mais apto” porque KC demonstrou que é um indivíduo bastante apto. A sobrevivência dela é prova do valor dos esforços de criar e reintroduzir harpias pela nossa equipe do Fundo Peregrino. Nos diversos ecossistemas da ß oresta de Darién, KC tem capturado uma ampla diversidade de presas como preguiças, primatas e carnívoros entre outros. KC tem sido uma destacada predadora da ß oresta e está no alto da cadeia alimentar. Temos documentado a maneira com que KC busca, escolhe e captura suas presas. Sempre seguindo a regra do custo-benefício. Em algumas situações KC olhava a presa por várias horas sem capturá-la, mesmo quando para nós parecia ser uma “presa fácil”. Temos várias hipóteses para explicar porque aquilo acontecia, como talvez o sitio não ser adequado para a captura, ou a existência de algum risco para KC. Várias outras hipóteses tem sido consideradas e todas enriquecem nosso estudo e alimenta nosso desejo de aprender. Monitoramos KC em ß orestas primárias com a vegetação aberta no sub-bosque, e em habitat complexos onde a vegetação densa di Þ cultava o caminhar. Esta águia tem utilizado principal-Águia harpia (KC) Foto © José de Jesús Vargas-González

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 15 mente bosques primários com grandes extensões homogêneas. No entanto, também a temos encontrado em mangues, aglomerados de palmeiras, ß orestas secundárias e áreas agrícolas. Esta diversidade de habitat sugere que a espécie tem uma ampla adaptabilidade, sempre e quando não seja abatida pelo homem. Qual será o motivo de KC realizar movimentações tão longas? Podemos especular e dizer que é por ser jovem, peregrinando e voando sem direção, ou simplesmente pode ser devido à desorientação de estar em uma área completamente nova. Tal vez ela esteja procurando uma área ideal que satisfaça suas necessidades, ou talvez tenha encontrado outras harpias nos arredores e pre Þ ra um território desocupado. Talvez por ser jovem e estar procurando um parceiro e depois uma área adequada para construir o ninho e estabelecer o território. Existem muitas dúvidas produzidas pelo padrão de movimentação de KC. Dia após dia coletamos mais dados e estamos mais preparados para estudar seus requisitos de habitat e mais próximos de entender seu comportamento. Barreiras antrópicas, como áreas desmatadas podem forçar KC a se desviar do seu caminho e ocasionalmente usar ß orestas fragmentadas para superar ambientes pobres e chegar a áreas melhores. Cada inferência que fazemos pelas observações de KC produz novas preocupações relacionadas às necessidades de populações saudáveis de harpias, especialmente em contraste à tendência crescente do uso do solo e ao desmatamento. Atualmente na área de estudo a nossa equipe de trabalho é conhecida como “as harpias”. Tanto as crianças como os adultos nos chamam desse jeito e nos perguntam por Nepono. KC ou Nepono converteu-se em um indivíduo popular, especialmente entre as crianças. Isto é resultado das mensagens de rádio que constantemente são transmitidas para que a comunidade Þ que sabendo sobre a espécie e especialmente sobre Nepono. KC tem visitado algumas comunidades indígenas e terras de agricultores como parte de suas viagens exploratórias. Graças aos esforços de comunicação, KC não foi vítima de caçadores. Sempre que temos oportunidade conversamos informalmente com as pessoas locais para explicar sobre o nosso projeto e da presença de KC. Desta maneira, evitamos que nossa Nepono seja vítima da ignorância. Ainda falta muito trabalho pela frente, mas temos muita energia e empolgação para continuar indo atrás da nossa ß or, “Nepono”. * * *

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PÁGINA 16 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 A RECUPERAÇÃO DE UM UIRAÇÚ (HARPIA HARPYJA) NA RESER-VA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL REVECOM. Paulo Roberto Neme do Amorim. Reserva Particular do Patrimônio Natural REVECOM, revecombr@bno.com. br; Roberto da Rocha e Silva. Curso de Medicina Veterinária, Universidade Estácio de Sá, rrochaesilva@gmail. com; Môsar Lemos, ABFPAR – Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina, lemosmosar@hotmail.com e Maria Lucia Barreto. NAL – Núcleo de Animais de Laboratório, UFF – Universidade Federal Fluminense, mlbarreto@gmail.com A recuperação de aves de rapina encontradas feridas ou apreendidas pelos órgãos ambientais faz parte da rotina dos centros de triagem e recuperação de animais. Por suas características particulares as aves de rapina constituem um desa Þ o especial, pois dependem da integridade de suas garras e capacidade de vôo, além de um excelente condicionamento físico para que possam retornar ao ambiente natural e sobreviver. Em alguns casos devido às seqüelas resultantes das condições anteriores à chegada ao centro de recuperação, o período de recuperação pode ser bastante longo ou a raridade da espécie justi Þ que a sua retenção com propósitos de reprodução. A RPPN REVECOM Situada na margem esquerda do rio Amazonas no Estado do Amapá, Brasil, a Reserva Particular do Patrimônio Natural REVECOM, possui cerca de 17 hectares com uma micro bacia completa (Igarapé Mangueirinha), e foi instituida pela Governo do Estado do Amapá em 29 Maio, 2007. Além de abrigar uma rica fauna representativa do bioma Amazônico vem sendo utilizada como centro de recuperação de animais silvestres da região e suas cercanias. Os animais mantidos na RPPN recebem atenção especial e aqueles que são para ali enviados pelo Batalhão Florestal (capturas e apreensões) são submetidos a um protocolo de triagem que envolve exames clínico, microbiológicos e de habilidades que comprove suas condições físicas e mentais antes que sejam soltos de volta a seus ecossistemas naturais. O local também é usado em atividades de educação ambiental e atende as diversas escolas da região, e promove ainda cursos especí Þ cos para graduandos e graduados interessados em conservação de recursos naturais (Figuras 1 e 2). Relato de Caso Uma fêmea de Uiraçu (Harpia harpyja) adulta foi encontrada por morador local no início de janeiro de 2007, numa estrada de terra próximo de uma mineradora de cromita, a 40km da localidade de Cupixi ou Vila Nova (Lat. 00°07’09,6”S e Long. 51°38’12,6”W), a cerca de 180 km de Macapá, capital do Estado do Amapá. Após 3 horas de viagem foi entregue na recepção da

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 17 RPPN REVECOM, (documento de entrada n° 3147 GEA SEMA – CCF de 06/01/2007), tendo sido alojada para as primeiras observações No momento de sua captura a ave estava no chão, extremamente apática, não conseguia Þ car em pé e ligeiramente enlameada (Figuras 4 e 5). O exame clínico inicial revelou lesões na face interna da asa direita (com exposição articular ao nível do punho), região peitoral direita com importante perda de penas com exposição dérmica e abrasão, e corpo estranho sob a membrana nictitante, ceratite e episclerite traumáticas com infecção bacteriana secundária no olho direito. Os primeiros procedimentos constaram de hidratação e antibioticoterapia. As fezes inicialmente se apresentavam semilíquidas com muco, de cor esverdeada com Þ letes sanguinolentos. Como tratamento inicial foi administrado Sulfametoxazol com Trimetoprim (Bactrim) na posologia de 30mg/Kg duas vezes ao dia durante sete dias, com excelente resultado, considerando que as fezes voltaram à normalidade. As lesões da asa e região peitoral foram tratadas com banhos de uma mistura de solução Þ siológica, iodo povidona e água oxigenada projetadas sob pressão com equipamento de bombeamento manual, sendo aplicado pomada Þ brinolítica com cloranfenicol. A cicatrização das lesões dérmicas ocorreu por segunda intenção. No dia 20 de janeiro foi medicada com Albendazole (Albendazol) na razão de 10 mg/Kg em dose única, repetida após quinze dias. Como terapia inicial de suporte a ave recebeu ainda complexo vitamínico mineral durante 15 dias adicionado ao alimento e na água de bebida. A alimentação oferecida à ave nos primeiros dias constou de uma mistura de carne bovina desengordurada, fígado bovino cru e um purê de epí Þ ses de ossos de galinha, ad libitum diariamente. Após 10 dias, começou a rejeitar o alimento. Deixou-se então a ave em jejum por se entender que esse comportamento é normal já que a ave em vida livre experimenta algum jejum Figura 1. (esq.) Rio Amazonas no litoral do Estado do Amapá, onde está localizada a RPPN – REVECOM (um oásis verde no centro urbano do Porto de Santana). Figura 2. (dir.) Litoral do Amapá com o Rio Amazonas e o Oceano Atlântico

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PÁGINA 18 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 entre uma predação e outra. Desde o dia 25 de janeiro tentava exercitar as asas. Em 27 de janeiro de 2007 estava bem ativa e eventualmente apresentava comportamento de Þ lhote ao receber o alimento, abrindo parcialmente as asas. Exercitava os pés alternando-os no apoio aos poleiros. Também mudava de pouso regularmente, de um poleiro de cerca de 15 cm para um tronco com 30 cm de diâmetro . Quanto a suas interações com o entorno demonstrava interesse por uma preguiça (Choloepus sp) e por um jupará (Potus ß avus) que estavam alojados nas proximidades, o mesmo ocorrendo em relação a um Þ lhote de guariba (Alouatta sp). Abaixava todas as penas do penacho e a cabeça, como se fosse voar e apanhar a presa. Não ligava para uma arara (quase sem penas) que passeava pela área próxima ao abrigo.. Já não aceitava que lhe tocassem o dorso. A lesão ocular cicatrizou após 20 dias de tratamento com pomada oftálmica (Maxitrol) e água boricada. Em 1º. de março a ave estava recuperada e em 14 de abril foi transferida para o novo recinto, construído de acordo com o modelo REVECOM (Amorim et al, 2010 entregue para publicação) , onde começou a se exercitar e mostrou-se totalmente apta para vôo e adaptada ao novo recinto Figura 4 e 5. (esq.) Uiraçu no dia em que chegou a REVECOM. Foto © Paulo Roberto Neme do Amorim Figura 6 e 7. (dir.)Uiraçu instalado no viveiro após tratamento. Foto © Paulo Roberto Neme do Amorim

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 19 após 10 dias (Figuras 6 e 7). O voo era estimulado pelo fornecimento de ratos brancos vivos colocados no interior do viveiro. Conservação da Harpia A conservação de grandes predadores vai se tornando cada vez mais difícil não por falta de áreas protegidas, mas devido às suas restritas extensões ou fragmentações. Grandes predadores alados como o uiraçu, gavião pega-macaco (Spizaetus tyranus) e gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) necessitam de vastas áreas bem conservadas para sua sobrevivência (Willis, 1979). É fato que muitos deles já desapareceram em algumas regiões onde embora existam ß orestas, elas não atendem às suas necessidades. É um erro acreditar que a existência de áreas protegidas (unidades de conservação) represente uma segurança para a preservação de espécies mais exigentes. O mesmo ocorre com alguns mamíferos como o jaguar (Panthera onca), a anta (Tapirus terrestris), a queixada (Tayassu pecari), o caititu (Pecari tajacu), o tamanduá bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o tatu-canastra (Priodontes maximus) (Chiarello, 2000). O que importa mais é a extensão da área. No caso dessas espécies mais exigentes elas precisam de grandes áreas protegidas e sem fragmentações porque a fragmentação impede que boa parte de suas presas sobreviva neste ambiente alterado. Embora existam informações que indiquem a possibilidade de sobrevivência desses grandes predadores em áreas próximas de comunidades e isso signi Þ que a, a nosso ver, uma tentativa de se ajustar às condições locais, não temos ainda monitoramento de longo prazo para avaliar exatamente o quanto essas mudanças podem in ß uenciar as atuais e futuras gerações de uiraçus. É fato, por exemplo, que o desmatamento interfere tanto em sua nidi Þ cação quanto na capacidade de criar os Þ lhotes. A degradação dos ecossistemas por interferência humana leva ao desaparecimento dos mamíferos mais utilizados em sua dieta. É possível que com a escassez de animais selvagens na região a ave passe a caçar animais domésticos, como ocorre com as onças. Esse fato faz com que a população considere a ave como inimiga, abatendo-a para evitar prejuízos, e também devido ao porte do animal, que é considerado um troféu de caça. A caça ilegal, a perseguição e a comercialização devem ser consideradas como ameaças reais. Na Amazônia as aves de rapina de grande porte são caçadas para alimentação, o que se torna um problema grave, pois o uiraçu é uma ave rara e que amadurece tardiamente, sendo os indivíduos adultos cruciais para a estabilidade populacional (Chiarello, 2000; ICMBIO, 2008). De acordo com a Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, a espécie está inserida na categoria Quase Ameaçada em nível nacional (Machado et al. 2005). Entretanto, a situação da espécie na Mata Atlântica é muito mais grave, estando citada em listas vermelhas estaduais do

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PÁGINA 20 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 sul e sudeste: “Provavelmente Extinta” no Rio Grande do Sul (Marques et al. 2002), “Criticamente em Perigo” em Minas Gerais (Drummond et al, 2008); no Paraná (Mikich e Bérnils 2004), São Paulo (Silveira et al, 2009) e Espírito Santo (Simon et al, 2007); e “Em Perigo” no Rio de Janeiro (Alves et al. 2000). Registros mais recentes de Harpya harpyja no Brasil Os registros mais recentes do uiraçu estão concentrados nas grandes áreas preservadas da região Norte do país (Quadro 1). Vargas et al (2006) informaram 21 ninhos da espécie no Brasil. Os registros informados por Vargas et al (2006) são de Galetti et al (1997), Borges et al (2001), Marigo (2002), Silveira (2002), Henriques et al (2003), Pacheco et al (2003), Pires et al (2003), Santos (2003), Luz (2005), Silveira et al (2005), Pivatto et al (2006), e Olmos et al (2006). Conclusão Não há dúvidas que a recuperação e manutenção de aves de rapina em cativeiro pode se tornar um grande desa Þ o para seus reabilitadores, especialmente quando se trata de aves do porte do uiraçu, que exige maiores espaços e maior habilidade e experiência no manejo. No presente caso a situação inicial da ave favoreceu a rápida recuperação, pois estruturas importantes como as asas e as garras não sofreram danos irreversíveis. A disponibilidade de um recinto adequado é um fator decisivo no processo de recuperação, quando não ESTADOLOCAL DO REGISTROANO AcreSena Madureira2006 AmapáVila Nova (Lat. 00°07’09,6”S e Long. 51°38’12,6”W)2007 AmazonasPARNA Jaú, REDES Mamirauá2001, 2006 ParáRio Trombetas, RESEX Tapajós-Arapiuns, FLONA Tapajós, Moju (Agropalma), Paragominas (Fazenda Cauaxi), PE do Cristalino. 2003, 2005, 2006 RoraimaESEC Maracá, PARNA Viruá1985, 2003 Mato GrossoRicardo Franco (Serra), Vila Bela da Santissima Trindade2002 Mato Grosso do SulSerra da Bodoquena (Fazenda Salobra), PARNA Serra da Bodoquena2006 BahiaSerra das Lontras, PARNA Pau Brasil1991, 2005 Espírito SantoPedro Canário, REBIO Sooretama, REFLO Linhares (CVRD), REBIO Augusto Rischi 1997, 2000, 2003, 2006 Minas GeraisRPPN Feliciano Miguel Abdala, PE do Rio Doce, Tapira (comunidade de Palmeiras), Fazenda Montes Claros 2002, 2006 Rio de JaneiroPARNA Itatiaia, PARNA Serra dos "rgãos, PE Serra do Mar2000, 2002, 2003 São PauloCananéia, Ariri1989, 1993 Santa CatarinaPE Tabuleiro1995 Quadro 1. Registros mais recentes de Harpya harpyja no Brasil

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 21 se pode optar pelo uso da técnica de falcoaria, na qual a ave permanece sobre poleiros adequados, restringida por correias de couro e são exercitadas diariamente em saltos verticais seguidos de vôos livres até que atinjam condição muscular e autocon Þ ança su Þ ciente para retorno ao ambiente natural. Agradacimientos A equipe da RPPN REVECOM pelo esforço empregado para a plena recuperação do uiraçu. Referências Alves, M.A.S.; J.F. Pachecho; L.A.P. Gonzaga; R.B. Cavalcanti; M.A. Raposo; C. Yamashita; N. C. Maciel & M. Castanheira. 2000. Aves, p. 113124. In: H.G.Begallo; C.F.D. Rocha; M.A.S. Alves & M. Van Sluys. (Eds). A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Editora da UERJ, 166p. Amorim, P. R; R. Rocha e Silva, ; M. Lemos, M; M. L. Barreto. Um novo conceito em abrigos para grandes accipitrideos: Estudo de caso com Uiraçú (Harpya harpija, Accipitridae, AVES). Entregue para publicação em novembro/2010. Bierregaard Jr., R.O. 1995 .The biology and conservation status of Central and South American Falconiformes: a survey of current knowledge. Bird Conservation International. ICBP. 5:325340. Brown, l. 1976 Birds of Prey, their biology and ecology. Hamlyn: Londres. Chiarello, A. G. 2000. Conservation value of a native forest fragment in a region of extensive agriculture. Revista Brasileira de Biologia, São Carlos, v. 60, n. 2. Cooper, J.E. 1991. Veterinary aspects of captive birds of prey. 2ed. The Standfast Press. Gloucestershire. 256p. Drummond, G. et al. 2008 Lista das espécies da ß ora e da fauna ameaçadas de extinção do estado de Minas Gerais. Fundação Biodiversitas: Belo Horizonte. Halliwell, W. H. 1975. Bumblefoot infections in birds of prey. J. Zoo Anim Med. 6:8-10. Keimer, I. F. 1972. Diseases of birds of prey. Veterinary Record.90(21): 579-594. Machado, A.B.M.; C.S. Martins & G.M. Drummond. 2005. Lista da fauna brasileira ameaçada de extinção. Belo Horizonte, Fundação Biodiversitas, 160p. Marques, A.A.B.; C.S. Fontana; E.Vélez; G.A. Bencke; M.Schneider & R. E.Dos Reis. 2002. Lista de referência da fauna ameaçada de extinção no Rio Grande do Sul. Porto Alegre, FZB/ MCT, PUCRS/PANGEA, Publicações Avulsas FZB 11, 52p.

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PÁGINA 22 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004. Livro vermelho da fauna ameaçada no estado do Paraná. Disponível na World Wide Web em: http:// www.pr.gov.br/iap Peres, C.A; J. Barlow; T. Haugaasen. 2003. Vertebrate responses to surface wild Þ re in a central Amazonian forest. Oryx, v.37, n.1, p.97-1 09. Sick, H. Ornitologia Brasileira. 1997. 2a. impressão, Editora Nova Fronteira S.A. Rio de Janeiro, 912p. Silveira, L. F et al. 2009. Aves. In: BRESSAN, P.M et al. Fauna ameaçada de extinção no estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo: Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria de Meio Ambiente. Simon, J. E et al. 2007. As aves ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo. In MENDES, S.L e PASSAMANI, M (org). Livro Vermelho das espécies da fauna ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo. Vitória: IPEMA. Vargas, J. J; D. Whitacre; R. Mosquera; J. AlbuquerqueJ; et al. 2006. Estado e distribuicion actual Del águila arpía (Harpia harpyja) em centro y sur América. Ornitologia Neotropical, v.7, p. 39-55. * * *

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 23 NOTAS DA LITERATURA DAS AVES DE RAPINA NEOTROPICAISCompilado por Lloyd Kiff, lkiff@peregrinefund.org Martínez-Sánchez, J.C., and T. Will (eds.). 2010. Thomas R. Howell’s Check-list of the Birds of Nicaragua as of 1993. Ornithological Monographs no. 68. 108 pp. Dizer que esse livro recém-publicado foi “tão esperado” seria subestimá-lo. Thomas Howell, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles, começou a estudar a avifauna da Nicarágua na década de 1950 num momento em que praticamente não se realizava nenhuma outra investigação ornitológica em nenhum outro lugar da América Central, além do trabalho de Alexander Skutch na Costa Rica. No Þ nal da década de 1960, Howell visitou a Nicarágua em 13 longas viagens, e ele e seus ajudantes acumularam uma das mais importantes coleções de aves em comparação a qualquer outro país da América Central. Ele sempre tinha planejado escrever um tratado sobre a importante avifauna da Nicarágua, e desde 1970 até a década de 1990, trabalhou intermitentemente no seu manuscrito. Lamentavelmente, com o passar do tempo faltou-lhe energia e compromisso para terminar o livro. Felizmente, outros dois especialistas em aves da Nicarágua, Juan Carlos Martinez-Sanchez e Will Tom, estavam em contato contínuo com Howell durante os seus últimos anos, e a persistência e o trabalho deles resultaram na publicação desse volume, muito bem recebido pela União de Ornitólogos da América, como parte da série Monogra Þ as de Ornitologia. De maneira apropriada, limitaram o conteúdo desse volume ao período da participação real de Tom Howell, cuidadosamente editando suas notas e o manuscrito que estava parcialmente terminado, somente com algumas poucas e discretas modi Þ cações na nomenclatura e na terminologia ecológica. A monogra Þ a resultante inclui uma história fascinante dos trabalhos ornitológicos na Nicarágua e proporciona um resumo útil dos registros de espécies, estado, distribuição e preferências de habitat das espécies conhecidas no país a partir de 1993, incluindo 51 espécies de aves de rapina diurnas e 12 espécies de corujas. Estabelecendo, hoje em dia, uma base sólida que pode ser útil aos editores da monogra Þ a para produzir os seus próprios tratados sobre as aves do maior país da América Central. Raptor Information System Por varias décadas, a mais importante base de dados das aves de rapina foi o Raptor Information System (RIS), o qual era administrado pelo U.S. Geological Survey (USGS) nos escritórios em Boise, Idaho, EUA. Essa grande coleção de

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PÁGINA 24 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 reedições, reportagens e teses continha mais de 38.000 títulos em meados de 2010. A coleção formou-se originalmente na década de 1980 pela união do “Sistema de Gestão de Aves de Rapina”, criado pelo falecido “Butch” Olendorff, e uma base de dados similar criada pelos biólogos especializados em aves de rapina associada com a Área de Conservação Nacional de Aves de Rapina do Snake River. A base de dados do RIS se manteve on-line durante quase 15 anos, e foi uma rica fonte de “literatura cinzenta” (na sua maioria manuscritos não publicados e relatórios de agências), documentos difíceis de encontrar sobre aves de rapina. Embora a base de dados centra-se principalmente nas espécies norte-americanas e outros temas, contém muitas referências interessantes para os investigadores neotropicais. Recentemente, o USGS decidiu suspender sua participação no RIS, e os pertences foram realocados na Biblioteca do The Peregrine Fund no dia 20 de outubro de 2010. Embora permaneça on-line em sua forma atual por um período indeterminado, a base de dados eletrônica do RIS está sendo gradualmente unida à bibliogra Þ a do Global Raptor Information Network. Pedidos de cópias em PDF de qualquer dos registros RIS devem dirigir-se agora ao library@peregrinefund. org. As cópias originais em papel das referências RIS conservam-se nas coleções da biblioteca do The Peregrine Fund, e a maioria dos duplicados resultantes da união será enviada ao Hawk Mountain Sanctuary. Espera-se que a união das coleções gere cópias duplicada de mais de 300 livros de capa dura sobre aves de rapina, que serão vendidos para apoiar as novas aquisições da Biblioteca do The Peregrine Fund. Uma lista completa dos títulos estará disponível no site do The Peregrine Fund (www.peregrinefund.org) no Þ nal de janeiro sob o título “Research Library” e “Books to sell”. * * *

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WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PÁGINA 25 OUTROS RECURSOS NEW WORLD VULTURES: A CHILDREN’S ACTIVY BOOK Este livro, publicado pela Hawk Mountain Sanctuary Association, traz informações sobre a biologia dos urubus. Disponível copia em PDF no link: http://hawkmountain.org/media/New_World_Vulture_Activity_Book_2010_2.pdf PR"XIMOS CONGRESSOS FALCÃO GYR E PTARMIGAN EM UM MUNDO EM TRANSIÇÃO 1-3 Fevereiro 2011, Boise, Idaho, Estados Unidos. Para mais información visite: http://www.peregrinefund.org/ gyr_conference/ CONGRESSO: THE WILSON ORNITHOLOGICAL SOCIETY, THE ASSOCIATION OF FIELD ORNITHOLOGISTS, E THE COOPER ORNITHOLOGICAL SOCIETY 9-13 Março 2011, Kearney, Nebraska,Estados Unidos. Para mais información visite: http://snr. unl.edu/kearney2011/index.asp IX CONGRESSO ORNITOL"GICO NEOTROPICAL 8-14 Novembro 2011 Cusco, Perú. Para mais información visite: http://www.neotropicalornithology.org/ Do interesse para pesquisadores, naturalistas e conservacionistas atraídos pelas aves de rapina, este livro reuni comunicações sobre a biologia da conservação de aves de rapina com o enfoque nas espécies Neotropicais e Ibéricas. Maiores informações acesse: www.tundraediciones.es AVES RAPACES Y CONSERVACI"N: UNA PERSPECTIVA IBOAMERICANA

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PÁGINA 26 NÚMERO 10 • DEZEMBRO 2010 Para participar da RNN envie um e-mail a Marta Curti, mcurti@peregrinefund.org com uma breve apresentação e comunicando seu interesse na pesquisa e conservação das aves de rapina .