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Jornal pessoal

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Jornal pessoal
Creator:
Pinto, Lúcio Flávio
Publisher:
s.n. ( Belém, Pará )
Publication Date:

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Genre:
Unknown ( sobekcm )

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Resource Identifier:
23824980 ( OCLC )

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JUNHO
DE 2011
2aQUINZENA AGNA E F ON

A AGENDA AMAZC)NICA DE LUCIO FLAVIO PINTO


No 491 ANO XXIV
R$ 3,00


PARA


Vitima da historia


0 que vai acontecer ao Pard? Esta e uma pergunta que deixou de ser ret6rica. 0 Estado se encontra em questionamento, a comearpela sua integridadeflsica.

0 momento seria para reflexdo profunda e a'io conseqisente.

Mas falta liderana para essa missdo.


ParA estA em transiqo, em trfnsito e em transe.
A comerar por sua pr6pria base territorial. Na sua configuralo atual, se fosse um pais, o Pari seria o 250 mais extenso do mundo. No continente latinoamericano, s6 estaria abaixo do pr6prio Brasil e da Argentina, superando o pais seguinte na lista, a Col6mbia.
0 paralelo nao deixa de ter algum significado. A principal marca colombiana nos lltimos 60 anos tem sido a violencia. 0 Pari 6 um dos Estados mais violentos do Brasil, a violencia no amplo espectro


da sua expresso: desde a morte de pessoas, incluindo assassinatos por encomenda (e a prego vii, se 6 que se pode estabelecer valores para a eliminag&o da vida), at6 a destruiqo da natureza, As vezes por motivag6es torpes e prim~rias.
Nio por coincidencia, no infcio da temporada de verao, o Pati volta A sua sombria lideranga em destruido da floresta e em execuq5es de pessoas consideradas indesejiveis ou hostis aos interesses dominantes. Uma coisa tern muito a ver com a outra: o desmatamento 6 o ritual da extrao da riqueza fficil e valo-


rizada, a madeira, que encomenda os assassinatos dos que se op6em a essa prntica, ou concorrem corn ela.
Por tamanho ffsico, o Par,, se fosse um pais, estaria logo abaixo da Africa do Sul, no 250 lugar do ranking. Essa 6 outra comparaqo que langa luzes sobre a situaq~o atual do Estado. Como a nagao africana, o Par, tem um subsolo extremamente rico em min6rios. Embora a pesquisa geol6gica sistemAtica abarque apenas uma pequena fmrqo dos seus 1,2 milhdo de quil6metros quadrados, o Pant


Bj MAD DOS MAIOAN


LMMONA & 0 6I -


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COWIINUACAO D&CAPA
jA 6 a unidade federativa que mais exporta min6rio de ferro do mundo.
t tamb6m o maior produtor mundial de alumina, o 30 maior produtor internacional de bauxita, significativo produtor de caulim (o de melhor qualidade do mercado para pap6is especias) e corn crescente participaqdo em cobre e nfquel. E uma pauta de exportagao mineral mais diversificada do que a da Africa do Sul, cuja atividade econ~mica 6 muito mais antiga do que a do Pai.
A Africa do Sul ainda tenta resolver seu principal problema, o racial, heranga dos longos anos de polftica segregacionista dos colonizadores brancos. No Pari a diferenga de raga ndo tem a mesma gravidade, embora haja uma quest~o de rata (ou de etnia, melhor dizendo) a desafiar a capacidade de tolerfincia, compreensdo e absorgdo dos grupos'sociais dominantes.
Os fndios sdo das "menores minorias", dentre as principals no Estado, mas pela densidade da sua cultura, da sua ancestralidade, da sua existncia territorializada e da sua anterioridade, impfem - e exigem - uma politica especffica para eles por parte do poder pdblico, que disp6e de meios para impor essa atitude a toda a sociedade envolvente.
Hd, contudo, outras minorias - mais expressivas no aspecto quantitativo e conjuntural - que, por sua condigdo, tamb6m estAo a cobrar atengdo e providencias das autoridades. No entanto, conforme constatarn representantes do poder ptiblico, quando se deslocam da sede da burocracia estatal para inspe96es mete6ricas ao hinterland (cada vez mais reduzido condigdo de serto), a principal ausencia nesses grot6es 6 a do Estado, tanto o ente federativo quanto a ameba nada metaffsica do governo central, a Unido.
A pedra de toque da vida nessas porteiras agrestes disfargadas de cidades (muitas vezes meros acampamentos nucleados para as investidas ao interior) 6 o conflito. Toda a estrutura social estd enxertada e infiltrada por conflitos - de todas as naturezas e de variadas motiva96es. 0 combustfvel do cotidiano 6 o caos, is vezes organizado, outras vezes anirquico, incontrolivel.
Em 1975, os tecnocratas brasilienses, avalizados pelas espadas dos comandantes militares que a eles se juntaram, previram que teria que ser assim mesmo. Nao seria possfvel de outra forma desenvolver aceleradamente aAmazfnia, como os feiticeiros do "milagre econ8mico" dos anos de 1970 pretendiam, para criar o


Brasil Grande (com muitas alquimias, mas sem poupanga real, como at hoje).
Para faz8-la crescer mais do que o pais, como queria o II PDA (Plano de Desenvolvimento da Amaz~nia) para o qdinqdinio 1975/79, era preciso conviver com os desequilibrios. 0 crescimento veloz, que transformaria a regido numa usina de divisas para o pals, atrav6s da exportaqdo maciga, provocaria esses desajustes por forga do seu pr6prio mecanismo de agdo.
Ciente desse efeito negativo, o feitiro posto no mesmo frasco da pogdo m6gica, atrav6s da consubstanciagdo da sangria do capital estatal (destinado, sobretudo, para a "burguesia nacional") e o derrame de capital estrangeiro, o Estado estaria sempre presente nas lonjuras do sertdo, acompanhando cada S/A, cada Jodo da Silva, cada assentamento, cada mineradora, ao lado da rodovia ou da ferrovia, da nova cidade ou da hidrel6trica. Assim, transformando em planejamento centralizado e em poder de polfcia a sua jurisdigo, o poder central corrigiria os desequilbrios decorrentes do "modelo de ocupago", que privilegiava uns poucose deserdava a tantos.
M as, atenAo: como no
filme hollywoodiano, o piloto sumiu. 0 desequilxbrio continuou a existir, se reproduzindo e se alterando, mas o agente da correqao, com os poderes da sagrada delegario dos cidadaos, ficou acantonado na sede burocrAtica.
Enquanto isso os convidados do banquete e os recrutados para a aventura flufam para os lugares onde havia riquezas naturais em condiq6es de serem transformadas em mercadorias. A migrago se intensificou, o espago foi sendo ocupado, os contrastes se alargaram, os conflitos se agigantararn e os desequilibrios escaparam a qualquer controle.
Podendo ser o 250 maior pals do mundo em territ6rio, o Pari seria o 970 em populago. Na visio dos sacerdotes da ocupaqdo como meio de "integrar para n~o entregar", que sdo os geopolfticos de gabinete (ou de comando), 6timo: hi ainda terras a desbravar (que cabe ao bandido amansar, enquanto ndo chega o mocinho, se mocinho ainda hi na res publica).
A populaqlo ainda 6 insuficiente para garantir a seguranga nacional contra cobigas internacionais - antigas ou hodiernas, consumadas ou especuladas. Se fosse pals, o Pard teria a 97' maior popula-


9&o do mundo, um contraste corn a sua posigdo territorial, como 250 em extensdo. Que prossiga, pois, a miquina de desmatamento e de transformago do reino da natureza em condiqo humana (isto 6, sem a mata selvagern e seus apndices, inclusive humanos).
Se o poder pdblico 6 o grande ausente das frentes pioneiras, que se multipliquem suas representag6es, fracionando o territ6rio e reproduzindo o aparato burociitico. t o grande mote das bandeiras de emancipago dos dois novos Estados, de Carajfs e do Tapaj6s.
Essa determina9oo categ6rica possui, entretanto, um mal de origem: o surgimento de tres unidades federativas onde atualmente M apenas uma deveri reproduzir os problemas e queixas, ao inv6s de resolv6-las. 0 que acarreta as distor96es nAo 6 o excesso de terra a serjurisdicionada pelo governo local ou a insufici~ncia de gente para melhorar a relago habitante/quil~metro quadrado, que asseguraria a soberania nacional sobre a fronteira, mas o "modelo" de ocupagdo, embora de p6 quebrado.
t incontestdvel que esse modelo proporcionou crescimento econ6mico acelerado. As exportaq6es do Pari se multiplicaram 30 vezes desde que o II PDA entrou em vigencia. Hoje o Par, 6 o 20 Estado que mais divisas proporciona ao Brasil, al6m de ser o 60 maior exportador bruto. t tamb6m o 50 maior produtor e o 30 maior exportador de energia do pals.
Mas os indicadores sociais sRo africanos, comojA se registrou indmeras vezes no passado e o porta-voz da elite belenense, 0 Liberal, finalmente alardeou na capa da sua dltima ediqo dominical. Ndo por acaso, quando tudo faz e a tudo recorre para inpedir o politico mais influente do Estado no al6m-divisas, Jader Barbalho, de assumir sua cadeira de senador.
Em dezenas de editoriais e notas na sua coluna de maior prestfgio, o Rep6rter 70, ojornal dos Maioranas repete, hi meses, que a carreira de Jader como ladrdo do dinheiro pdblico tem 25 anos, desde que ele teria desviado recursos do Banco do Estado para sua conta particular, durante o exercfcio do primeiro mandato como govemador. Nesse perfodo ele acumulou dois mandatos de govemador, um de senador e urn de deputado federal.
Nunca nenhum polftico paraense foi mais combatido pela grande imprensa nacional, que o escolheu como sfmbolo do enriquecimento ilfcito, na sucess~o dos paulistas Ademar Barros e Paulo Maluf. Ainda assim, Jader foi o segundo mais votado na eleigo para o Senado no ano passado e continua a ser a estrela


Jornal Pessoal � JUNHO DE 2011 � 2-QUINZENA






mais brilhante nacionalmente na opaca constelago de representantes do povo paraense. Para desespero dos Maioranas, suas empresas de comunicaqo resistiram A concorrncia do adversorio e, no segmento de impressos, jA suplantou o grupo Liberal.
A rearo dos Maioranas a esse fato surpreendente consiste em alegar que tal faganha s6 foi possfvel pela utilizago de dinheiro pdblico, argumento que tem seus fundamentos e 6 hist6rico (virios jomais se valeram indevidamente, ao longo do tempo, dos estoques de papel da Imprensa Oficial do Estado). Mas se a tentativa dos irmos Ronaldo e Romulo Jr., de desenvolver carreira politica, tivesse sido bem sucedida, eles ndo teriam feito o mesmo?
A julgar pelo uso que deram ao dinheiro da Sudam, a especulac&o pode ser considerada positiva. Os dois dirigentes das Organiza6es Romulo Maiorana n~o fraudaram apenas sua contrapartida de capital pr6prio aos recursos dos incentivos fiscais, objeto da aqo penal proposta pelo Ministdrio Pdblico Federal, em vias de sentenga na 4 vara dajustiqa federal, em Bel6m.
Eles tamb6m recorreran a notas fiscais frias par atestar a existencia de uma obra ffsica que nunca construiram e que teria sido posta abaixo por um estranho vendaval, que s6 atingiu o galpdo de sua fibrica, no distrito industrial de Ananindeua, crime que nio constou da dentincia do MPF.
O maior ou menor dano ao erfrio pelas elites paraenses depende, portanto, do grau de poder ao qual t~m acesso, o que inclui, como componente de grande expression, o controle de meios de comunicagio de massa. Gragas a jornais, emissoras de rAdio e television, e outras mfdias, os poderosos da terra induzern e manipulam a opinido piblica conforme seus interesses, dentre os quais estio o apetite pela r pida riqueza e a imobilizaqo (ou destruigo) das alternativas de representago da sociedade.
O exercfcio pleno desse poder criou um mundo fechado e fantasioso pelo qual circulam esses atores privilegiados. Uma dessas gaiolas das louras, para usar a incisiva expressao teatrl, era aAssembl6ia Legislativa do Estado. A presungiio de impunidade levou ao cometimento de irregularidades e ilegalidades que beiram a padrio dos ladr6es de galinha. Se nio a superam
Todos os tipos penais foram caracterizados na apurao dos fatos delituosos cometidos por funcionfirios (reais ou fantasmas, efetivos ou agregados) e parla-


mentares. A sociedade se cansou de se escandalizar com cada nova revelao, mas 6 de se p6r em ddvida a crenga de muitos de que tudo continuard como estava: impune.
A credibilidade das liderangas locais foi seriamente atingida pela sucessdo de querelas e conflitos. A intensa troca de acusag6es, caracterizada pela falta de argumentos de defesa e de sobra de dendincias sem resposta, esti deixando o Pari sern figuras de refer~ncia. Tem-se generalizado a descrenca em relac~o As causas apresentadas pelos lideres, presos aos seus esquemas e interesses privados ou corporativos, incapazes de levar a s6rio e defender causas coletivas, de interesses difusos na sociedade.
Vftima da Unido durante o regime militar, que Ihe exprapriou literalmente manu militari seu patrim6nio fundiriAo, o Pard n~o consegue reaver sequer as fireas que ihe deveriam ser devolvidas por imposigao constitucional clara e categ6rica, como as ilhas e as faixas de terras litorineas. 0 govemo de Ana Jtlia Carepa abriu mo desse direito porque em Brasilia estava o companheiro Lula.

L cima da causa do Estado, o PT, um verdadeipaftido orginico (e tambeim flsiolfgieo), Coloca o interesse partidArio. Por isso, a governadora petista se submeteu a ordem nazional petista. 0 PT queria regularizar a situao dos varzeiros, de quilombolas e outros clientes agrArios, A custa da omiss~o (ou da coniv~ncia) do Estado e de pap6is concedidos que, no apurar das contas, ndo terdo o valor que Ihe atribuem, de propriedade.
Mas e agora: nada mudou? N.o 6 apenas porque agora o govemador 6 tucano que a submissdo deve ser substituida por uma atitude decidida: 6 porque a causa 6 inteiramentejusta, legal, amparada pelo direito. Velhos e superados conceitos sobre a mar6 de determinado ano do s6culo XIX e incrustaes arcaicas ndo resistirlo ao menor questionamentojurfdico, pondo fim a essa anomalia herdada do centralismo hegem6nico, que apenas muda de banda (ora de direita, ora de esquerda).
0 Pani precisa de um perfil exato, de uma imagem verdadeira, capaz de retratar sua incrivel diversidade e complexidade, a realidade que desafia os conceitos e as interpretaq6es. E verdade que, nos fronts abertos onde hA riqueza natural a explorar (e exportar), o mais fraco 6 esmagado pelo mais forte, o que tern dinheiro prevalece sobre o pobre.


Nao M- novidade nesse enredo universal, com tanto tempo de vigencia. A novidade, em muitas situag6es e locais, 6 que nio h mocinhos de um lado e bandidos do outro lado. 0 "modelo de ocupagdo", causador de desequilibrios, que resultam no caos, embaralhou os pap6is e as fung6es, liberou as porteiras para a corrida sern regras ao lucro, ao sal,.rio, ao dinheiro.
Na sofreguido de produzir mercadorias e mand,-las para consumidores externos (ao Estado e ao pais), cada um quer aproveitar sua oportunidade conforme ela se apresenta. 0 que interessa 6 que o maior trem de carga do mundo continue a fazer suas nove viagens didrias pela ferrovia de Carajds, em fase final de duplicago, para 230 milhfes de toneladas, at o porto no litoral do Maranhdo, onde comegarao a atracar os maiores cargueiros de min6rios do mundo, da Vale, para levar a carga at6 o longfnquo Oriente, de onde regressam com manufaturas, abrindo nessa relaro um d6ficit que foi de 70 bilh6es de d6lares no ano passado e deveni chegar a US$ 100 bilhfes neste ano.
As almas caridosas e solidirias com a Amaz~nia do outro lado da fronteira v~em no cendrio tropical a luta entre Deus e o Diabo, o Bern e o Mal, o primitivo puro e o modemo corruptor. Com essa visio, projeta A condiio de mdrtires e her6is pessoas de came, osso e interesses, como seres incorp6reos que fossem, legendas diffanas que n~o resistern a urna investigagao dos fatos.
Se o parafso estA perdido, a pureza se esfumaou de hA muito. Para tanto serve de prova a rebeli~o de pe6es na hidrel6trica de Jirau, no rio Madeira, em Rond6nia. Fronteira do caos, aAmaz6nia tornou-se tamb6m cadinho para a cultura do crime, tanto maior quanto mais alto esti o cidaddo na pirimide social.
E a cultura da violencia, que tomou a vida uma irris~o e se sofisticou ao se institucionalizar e adquirir a forma ass6ptica do crime de colarinho branco, cuja alvura depende da qualidade do advogado, do acusador e do julgador. Este conjunto, que podia funcionar como ponto de equilibrio nas relaq3es desiguais e fbitro dos conflitos, se tern deteriorado na perda da autonomia e no predomfnio do espfrito de corpo.
Advogados conseguem enfiar seus clientes culpados pelas lacunas da lei na busca pela impunidade com a conivencia do fiscal da lei, que se cala, ou do julgador, que associa ao empreendimento. Por despreparo ou dolo. Quando surge o momento de desfazer a cadeia ilicita e punir


U 21QUINZENA . Jornal Pessoal


JUNHO DE 2011







BELEM, 400 ANOS


Como contribuifdo a esta sefdo de debates preparat6rios para os 400 anos de Beldm, que se completardo em 2016, Valdemiro Gomes mandou um texto que escreveu em 2004 sobre o bairro do Reduto. Um desaflo quejd era grande naquela 4poca e se tornou ainda maior hoje. Pela omissdo, descaso e desinteresse pela causa pablica

A administraglo da CDP (Companhia das Docas do Pari) anuncia que pretende anexar a avenida Marechal Hermes
o cais do porto e transferir os hist6ricos galp6es de ferro para fora do cais, visando ampliar a Area de estocagem de containeres. Anuncia ainda a CDPque, em contrapartida, voltaria a abrir a exrua Bel6m, transformada inexplicavelmente em dep6sitos, agora como uma nova avenida, um prolongamento da Pedro Alvares Cabral.
Quem estd sendo ouvido? 0 instituto de arquitetos? 0 CREA, Conselho Regional de Engenharia/Agwnomia e Arquitetura? Os moradores do Reduto, onde as ruas esto inclufdas? 0 cidaddo belenense? A Cfmara de Vereadores? 0 prefeito de Bel6m? Desconhego.
Eu, empresfrio com empresa instalada no Reduto (Lazer & Cia hoje, Companhia Athletica), estou alegre. Certo? Certo e errado. Certo, pois a anunciada abertura da ex-rua Bel6m (sonho que acalento) trard ganho ao patrim6nio e valorizago do neg6cio, quando nosso empreendimento ganhari uma nova e importante fachada. Errado, como cidadAo, amante de Bel6m, que ndo pode aceitar a aberraq~o de ver transformar a av. Marechal Hermes em dep6sito, em um cemit6rio de cont~ineres, principalmente quando 6 sabido que uma grande maioria dos cont~ineres, que hoje s~o estocados no retro-porto de Bel6m, estio vazios e alguns foram transferidos de outros portos pelas facilidades econ6micas que aqui encontram.


Custa-me a acreditar que a proposta propagada possa esquecer os milh6es gastos para a construg~o da Alga ViAria, que permitiu a ligago por terra ao porto de Vila Conde (cujo calado 6 mais de duas vezes o de Bel6m). Como justificar tal proposta quando a pr6pria CDP promove a ampliagao do porto de Vila do Conde e de seu novo terminal de conteineres? N5o compreendo.
Para facilitar e levar As nossas autoridades a palavra daqueles que vivem, trabalham, no Reduto, aceitamos liderar um movimento, chamado de Amigos do Reduto, que no futuro poderi tornar-se associago. Hoje, mais de duzentas pessoas jA aderiram ao movimento, que busca ndo somente discutir o futuro do cais e a retirada do mapa da cidade de uma de suas mais importantes avenidas como e especialmente estudar a revitalizago do Reduto.
O Reduto, um dos bairros mais antigos de nossa cidade, foi no passado corag~o da economia paraense. Hoje, encontra-se degradado, esquecido, mas que atrav6s de algumas iniciativas privadas ji sinalizou que pode acordar, voltar a iluminar-se. 1 no Reduto que o cais do porto de Bel6m foi edificado, a primeira usina de energia de Bel6m construfda (memorizada nos restos de uma bela chamin6), as primeiras fibricas se instalaram (cordas, sacos, sabAo, etc.) e onde os primeiros esgotos (ainda existentes) foram langados.
Os Amigos do Reduto desejarn intermediar esforgos entre o municfpio e a iniciativa privada visando coordenar as agoes necess,.rias A elaborago de urn projeto que transforme o atual decadente Reduto no mais belo e moderno bairro de nossa cidade. Queremos brindar os 400 anos de nossa Bel6m, corn a comprovagAo de que 6 possfvel sonhar. Sonhar corn um novo pacto. Urn pacto entre a iniciativa privada e o poder pdiblico, para a construgAo de urn novo ideal.


os que a formaram, o espfrito de corpo se faz sentir, soprando proteqdo sobre os transgressores, mesmo quando hd provas contundentes contra eles e at jA se encontravam presos.
Os mecanismos de representago poderiam funcionar em defesa do Estado, ndo como uma mera atitude corporativa ou tradicional, mas para que os beneficios se estendam aos seus habitantes, e ndo apenas aos "ocupantes da fronteira" ou colonizadores, mas eles estdo profundamente corrofdos. E o cada urn por si, salve-se quem puder e ganhe quem chegar primeiro ou for mais esperto.
A falta de uma 6tica ptiblica responde pelas iniqiiidades que se incorporaram ao cotidiano da capital, tornando dolorosa e selvagem a vida dos seus moradores. A populagdo estd entregue A sanha do desrespeito As normas da conviv~ncia em comum e do bem estar geral. Jd a aus~ncia de institui9es comprometidas em conhecer e entendera realidade priva a capital do exercicio do comando sobre o Estado, ameaqado de sofrer um golpe certeiro a pretexto de corrigir seus erros e defici~ncias.
A condigAo colonial, que impede o autoconhecimento e a autodeterminao, se faz sentir como nunca. Parece que vai prevalecer no momento mais decisivo da hist6ria do Pari. Contra o Estado.


Os depoimentos dos diretores da Tropical Alimentos Limitada perante ojuiz da 4' vara da justiga federal, Antonio de Almeida Campelo, n~o foram apenas reproduzidos pelo escrivAo do feito: estdo devidamente gravados em fita. Ambos os documentos confirmam o que o Didrio do Pard publicou no dia seguinte ao depoimento do diltimo dos r6us, Romulo Maiorana Jdnior. ele transferiu a responsabilidade pela gest~o da empresa ao seu irmdo, Ronaldo Maiorana.
Conforme se pode ver pela mat6ria a respeito publicada a seguir, esse 6 um fato. Ronaldo foi apontado como o responsivel direto pela fraude ndo s6 pelo irmo, mas tamb6m pelos outros dois diretores da empresa, Fernando Nascimento e Jogo Pojucan de Moraes Filho. Logo, o esctndalo provocado por Romulo Jr. em tomo da reportagern foi tAo falso quanto a aplicagdo de capital pr6prio dos Maioranas no empreendimento.
9 de espantar que o principal executivo das Organizaq6es Romulo Maiorana tenha, de pdblico, chamado pela confirmagdo As suas palavras insubsistentes o pr6prio juiz do feito. A16m de criar uma nova fraude, o atendimento A convocagio, feita em artigo assinado na primeira pigina de 0 Liberal, lanaria a suspeigAo sobre o magistrado, que seria obrigado a declinar de sua compet~ncia na agAo.


Por que, entAo, Romulo Jr. cometeu essa absurdez, como se devia qualificar a destrambelhada iniciativa? Porque estfi acostumado a dar ordens e ser obedecido. Porque se farta das excepcionalidades que lhe s~o concedidas, sobretudo as indevidas, exageradas e ilegais.
Nessa categoria estava a concess~o de autorizago para entrar na 6rea privativa da justiga federal e estacionar seu carro em local vedado a estranhos ao servigo. Tamb6m era da mesma condigo a prerrogativa deferida para n~o ser fotografado e filmado mesmo em local pdblico, como 6 o corredor forense, quando chegou ao andar da 4' vara para depor.
0 pr6prio juiz Campelo marcou, desmarcou e remarcou por tr~s vezes seguidas os depoimentos dos r6us. No dia 25 de fevereiro designou as 14,30 do dia 17 de maio para ouvi-los. Como de praxe, Romulo Jr. nAo se fez presente: estava em Miami e de I s6 veio cinco dias depois da data estipulada por sua excelencia. 0 magistrado decidiu entgo, no dia 9 de maio, prorrogar a mesma sess~o para o dia 20, no mesmo horrio. S6 que no dia 12 antecipou a audi~ncia para as 11,30 da manhA do dia 18, quase conseguindo surpreender a imprensa, que desejava testemunhar o acontecimento hist6rico. II


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Os donos da verdade







Mainsterio Pblieo confrma

acusa ao feita aos Maioranas
aeus gao_


Os irmAos Romulo Maiorana Jdnior e Ronaldo Maiorana agiram de forma dolosa, ao recorrer a fraudes para receber recursos dos incentivos fiscais administrados pela Sudam, a que ndo tinham direito. Por isso, devem ser condenados, por crime contra o sistema financeiro nacional, a penas que podem ir de dois anos e meio a oito anos de prison.
Esse 6 o entendimento final dos procuradores da repdblica Igor Nery Figueiredo eAndri Sampaio Viana, na aq~o que propuseram contra os irAnos Maiorana, donos da Tropical Alimentos. 0 enquadramento 6 o mesmo para Fernando Nascimento e Jo~o Pojucan de Moraes Filho, que integravam o conselho de administa o daempresa. Todos participam tambem das Organizag~es Romulo Maiorana, proprietfiia dojornal 0 Libern/, da TV Liberal, afiliada A Rede Globo de Televiso, e dos demais vefculos de comunicaqo do grupo.
Os procuradores sustentam, em suas alegagfes finals, que os Maioranas "obtiveram em duas ocasi6es e circunstincias semelhantes, financiamento mediante fraude junto ao Finam", o Fundo de Investimentos da Amaz6nia, administrado pela Sudam. Na verdade, eles sacaram tres vezes esses recursos, mas a primeira liberaqo foi alcanrada pela prescrigAo. S6 as duas 6ltimas, em 1996 e 1997, foram objeto da dentincia do MPF, recebida pelajustiga federal em 25 de agosto de 2008 oito anos depois da apuraqo dos fatos.
Para que pudessem receber o dinheiro dos incentivos fiscais, que representa reniincia fiscal da Uniao em beneffcio da AmazOnia, "deveria haver ao menos um real de contrapartida da empresa beneficiada, evitando-se, corn isso, que os empreendedores nunca despendessem" capital pr6prio.
Os irmaos Maioranas, segundo os dois procuradores da repdblica, "simularam a injegio de capital proprio", atravds de uma operagio simples, mas fraudulenta: faziam "emprdstimos bancLrios de valores elevados, que retornavam ao banco originfrio ap6s um dinico dia de perman~ncia na conta da empresa".
Uma vez comprovado os dep6sitos, de 650 nil e 668 nil reals, se habilitaram a receber o correspondente da SudamjAque a relaqo era de um real de incentivos fiscais para um real de recursos pr6prios. Feita a comprovago, os Maioranas devolviam o dinheiro ao banco que lhes fez os emprdstimos (o BCN), pagandojuros por apenas um dia. Era esse o dnico capital que aplicararn para ter acesso ao Finam.
"A empresa Tropical, ao driblar, fraudulentamente, as rfgidas regras de obtengio de financiamentos do Finam, obteve recursos em momento em que a eles n~o fazia jus, tornando menor a disponibilidade do sistema para atender a outras empresas e


frustrando o interesse nacional de promover-se o desenvolvimento equilibrado do pats", acusam os dois procuradores.
Ao depor na 4a vara federal, Ronaldo Maiorana disse simplesmente "que n~o imaginava que a obtenio de empr6stimos fosse delito e que n~o sabia nada da lei de incentivos", embora sendo advogado e diretor financeiro da Tropical - e, por isso, responsfivel direto pelos empr6stimos feitos para camuflar a aplicago de capital pr6prio.
Seu irmdo, Romulo Maiorana Jtnior, confirmou em seu depoimento que Ronaldo "participava, de forma central, da administrag~o da empresa". Afirmou que a gest~o da empresa era toda de seu irmdo e que "'nio chegou a assinar cheques ou documentos para a empresa".
Quis se livrar de qualquer responsabilidade pela fraude, embora fosse o presidente do Conselho de Administrago da Tropical e tivesse assinado os documentos das


assembldias gerais extraordindrias para aumento de capital. Ronaldo Maiorana ndo esteve presente a uma delas, de 7 dejaneiro de 1996, mas tanto os demais diretores quanto seu pr6prio irmdo, Romulo Jr., Ihe imputaram "a total responsabilidade pelos fatos".
Apesar da tentativa feita pelo executivo para se inocentar, os procuradores argumentam em sua pega final que "ningu6m delibera"
- e por duas vezes - para a emissdo de mais de 600 mil reais em a6es em cada ato (sem contar o que prescreveu) e declara que elas foram subscritas e integralizadas em dinheiro vivo, "sem saber de onde virA tal numerdrio".
Todos os diretores tinham consciencia de que o capital pr6prio declarado n~o existia. Ndo s6 os Maioranas como Fernando Nascimento e Pojucan Moraes. Os procuradores argumentam ser impossfvel admitir "que um administrador de empresas [Fernando] e um engenheiro [Pojucan] deliberaram o aumento de capital de elevado valor, sem saber a origern dos recursos".
Por isso, os representantes do Minist6rio Pdblico Federal decidiram pedir o enquadramento dos quatro diretores da Tropical como co-autores de crime contra o sistema financeiro nacional, os enquadrando no artigo 19 da lei 7.492 (do "colarinho branco") e 71 do C6digo Penal (por se tratar de crime continuado, o mais grave absorve os mais simples).
Os rdus tamb6m formularam suas alega96es finais, mas, atd a sernana passada, a pea n~o havia sido juntada ao processo. Assim que os autos do processo estiverem conclusos, ojuiz Antonio deAlmeida Campelo darA sua sentenqa.


Leiio decente


Sou s6cio remido do Clube do Remo. Mesmo assim, decidi colaborar quando recebi a primeira cartela para fazer dep6sitos em beneffcio do clube. Nunca recebi a prestagAo de contas da campanha. Por isso, joguei fora o segundo carn, quando me chegou.
Minha ligagio corn o Remo era atravds da natagdo, que era rentivel e eficiente ao tempo em que freqllentava a piscina, embora a Agua sempre deixasse muito a desejar, como o vestidrio. Mesmo assim, o velho servidor que nos atendia invariavelmente estava com salhrio bern atrasado. Alguma "vaquinha" era organizada para que se alimentasse. 0 departarnento se mantinha gragas A abnegaqAo, quase her6ica, de alguns dos seus integrantes.
As ateng6es da direqAo se voltavarn apenas para o futebol. Corn a total falencia


e descrddito do Remo em chuteiras, proponho que se pratique agora uma polftica salvadora, de terra arrasada, corn aquela bomba neutra que os americanos inventaram para matar pessoas sern destruir instalag6es fisicas.
Mandar todo mundo embora, de jogadores a cartolas, fazer a convocago de jovens que se sintam honrados ao envergar o uniforme do time, dar-lhes as melhores condigSes possiveis para se adestrarem como atletas, supervisionados por gente competente e honesta, e apostar na prata da casa para o retorno do Clube do Remo As trilhas da sua hist6ria gloriosa.
Tudo novo. Todos comprometidos corn a dignidade de urma autantica institui0o da terra. Ainda que haja choro e ranger de dentes, faga-se a mudanga radical. As pessoas passam. A instituigo 6 permanente.


JUNHO DE 2011 . 21QUINZENA - Jornal Pessoal l







0 Liberal: sangria da credibilidade


Impedir que Jader Barbalho volte ao Senado, um projeto ao mesmo tempo poliftico e comercial, se tornou uma obsess~o para Romulo Maiorana. Pode ser considerada uma adaptagdo barata da famosa tirada de Winston Churchill no seu combate a Adolf Hitler: garantiu o primeiro-ministro ingles que se o lider nazista brigasse com o diabo, ficaria ao lado do demo.
Para criar fatos e fact6ides desfavornveis ao ex-govemador, o grupo Liberal ndo escolhe meios. Vale tudo para criar um clima desfavorfvel ao lider peemedebista. At6 a desinforma9do, a contra-inforrnado e a mentira. Como a principal arrna dos Maioranas contra o desafeto 6 os seus vefculos de comunicaqdo, a perseguiqdo est, acabando com o que resta de credibilidade desses 6rgdos da imprensa.
Uma carta an6nima foi a arma usada por 0 Liberal para apontar a coniv~ncia do Minist6rio Ptiblico do Estado corn os esquemas de desvio de recursos ptblicos montados na Assembl6ia Legislativa. 0 mais recente - e talvez o major- se formou durante a presid~nciade Domingos Juvenil, do PMDB, candidato derrotado ao governo do Estado na eleiqdo do ano passado. Se ele for atingido, sobrard muito para o seu padrinho, Jader Barbalho.
No dia 5 de junho 0 Liberal abriu manchete para acusar: "Ciipula do MP tem elo com Juvenil". Dendncia nesse sentido teria sido entregue "por um grupo de promotores de justiga do Estado" ao procurador federal Ubiratan Cazetta, que a repassaria ao procurador-geral da repdblica, Roberto Gurgel.
No dia seguinte os quatro promotores responsdveis pelos processos da Assembl6ia Legislativa divulgararn nota protestando contra a noticia e desafiando os denunciantes a se apresentarem e formularem suas dendncias. Garantiram que tinham o pleno apoio dos seus superiores para fazer as investiga6es necessfrias A apuragdo dos fatos e punigdo dos autores dos ilfcitos. Mas o assunto simplesmente desapareceu das piginas do jornal, que nunca mais voltou a se referir A rede montada no MP para favorecer o expresidente da Assembl6ia.
No dltimo sibado o jornal voltou a abrir grande espao para denincias -


novamente an6nimas - contra dois desembargadores (a presidente do Tribunal de Justiqa, Raimunda Noronha, e Josd Maria do Rosd.rio), e umjuiz, Jos6 Norat de Vasconcelos, da 12a vara civel, mais o secretdrio de seguranqa piblica, Luiz Fernandes Rocha, e o procurador geral do Estado, Caio Trindade. Todos eles teriam acobertado parentes em concursos para a admissio de servidores ptiblicos.


A Associagdo dos Magistrados reagiu corn a mais violenta nota p6blica que uma entidade jA divulgou contra qualquer dos vefculos das Organizaq6es Romulo Maiorana. 0 presidente da entidade, juiz Heyder Tavares Ferreira, classificou como "irresponsivel e criminosa noticia que abriga a torpeza da denunciagdo an6nima tipica dos covardes". Considerou "descabida guarida que um 6rgdo de imprensa que se autoproclama defensor da moralidade piiblica e exige a transpar~ncia dos Poderes Pdblicos permite que se utilize de meios s6rdidos e ignominiosos" para atacar a honra alheia.
Como aconteceu com a manifestaqdo dos membros do Minist6rio Pdblico, 0 Liberal nio reproduziu a longa nota oficial, publicada apenas pelo Didrio do Pard, como no incidente anterior. Mas tratou de fazer sua retrataqdo, sob o tftulo de "Correqdo de uma inverdade".
0 editorial admite que ojornal errou quando n~o apurou o conteddo da denincia an6nima que recebeu e divulgou. Como se pudesse transferir a responsabilidade pelo erro ao 6ter (ou ao Curupira), o jornal tentou se explicar: "0 que era pega inicial para avaliago posterior acabou sendo publicado e atingindo quem ndo merecia ou nAo deveria".


O jomal dos Maioranas garantia ndo concordar com as denincias: "ndo tem nada que desabone a conduta, nem fira a retid~o" dos personagens caluniados em uma das piginas da sua ediqdo de dois dias antes. Ndo se refere, por6m, a um dnico dos acusados: o procurador Caio Trindade, de tradicional familia paraense (mais um lapso ou Trindade permanece sob a suspeigdo do tribunal de exceqdo dos Maioranas?). Quanto A presidente do TJE, o jomal Ihe dedica "um carinho especial pela sua luta e que fez da simplicidade e do estudo os instrumentos para chegar ao mais alto posto da magistratura estadual".
ITodas essas autoridades seriam,
para o jornal agodado, "exemplos de pessoas respeitiveis que conduzem a vida pdblica do Estado dentro dos princfpios da corredo e da decencia e pede a todas elas as desculpas pela
publicaqdo indevida".
Na nota em defesa aos seus associados, a Amepa ressaltou que, aldm de receberem sua solidariedade e desagravo, todos podiam recorrer tjustiqa para defender seus direitos, desde jA assegurados pela retraao ptiblica dojornal, que admitiu o grave erro cometido. Ciente de que o dano 6 irreparivel, 0 Liberal tentou, com suas desculpas inconvincentes, evitar a responsabilizaq~ojudicial, que lhe ser, muito onerosa, pelos danos causados a cinco das mais elevadas autoridades pdblicas do Estado. Mas se retratou dois dias depois, quando a reaqo dos magistrados se tomou ptiblica e ndo no dia imediato A publicago.
Mesmo se retratando, o jornal ndo se refere, obviamente, a dois componentes dessa sua deteriorago continua e acentuada, rumo A necrose da credibilidade. Um 6 a guerra sem fronteiras a Jader Barbalho, que o leva ao desvario e A total irresponsabilidade. 0 outro elemento 6 a auto-assungdo do seu dono, Romulo Maiorana Jtnior, A condiqAo de cruzado da moralidade piblica.
Atrav6s do presungoso e-mail que criou para abrigar dendncias contra corruptos 6 que a sangria desatada do anonimato se formou. Drenada para as pdginas dojornal, ela se transformou numa grave hemorragia, que ameaga de vez a confianga do pdblico nesse grupo de comunicaqdo. 0 denuncismo estimulado correspondeu ao nivel do seu patrono.


!Jornal Pessoal * JUNHO DE 2011 � 2'QUINZENA







Belo Monte confirma a energia da col6na


Se a hidrel6trica de Belo Monte, a maior obra de infra-estrutura em andamento no Brasil, 6 inviAvel, como apregoam os seus crfticospor que o governo a aprovou, hA empresas privadas interessadas nela e tantos t6cnicos - e mesmo cientistas - se manifestam em defesa do projeto?
A resposta a essa pergunta fundamental serve de prova dos nove da operagdo. Muitos reagem com aprovagao imediata A iniciativa. Afinal, ela ndo passou pelo teste dos engenheiros e matemdticos? Logo, tem consistencia.
Tudo que 6 s6lido, por6m, se dissolve no ar, advertiu o fil6sofo da critica radical (aquela que pega os fatos por sua raiz). Belo Monte pode se enquadrar nesse trufsmo. Mas para que a sua equaq~o funcione, 6 preciso que a inc6gnita permanega irrevelada at o fim, fim esse que corresponde ao fato consumado, ao leite derramado, A morte de In~s no poema formador da lingua, agora em processo de deformaqo.
Essa inc6gnita 6 o governo. Belo Monte devia fazer parte de uma nova famflia, criada pela polftica de privatizaqdo do Estado dos socialdemocratas tucanos e mantida, com atualizaq6es e adequag6es, pelos antigos jovens turcos petistas (hoje mais para nouveaux riches, quando ndo arrivistas). 0 Estado recuaria para a fun &o reguladora e as empresas particulares assumiriam a vanguarda do processo econ6mico. Colocariam no jogo o que 6 sua razdo de ser (e, por suposto, sua supremacia): o capital de risco.
Mas metade das aq6es da Norte Engenharia, que jA comeqou a construir a usina de Belo Monte, no rio Xingu, 6 da Chesf, a empresa federal de energia do Nordeste. Estatais e fundos de previdencia sio tamb6m os maiores acionistas das empresas que constroem as hidrel6tricas de Jirau e Santo Antonio, no rio Madeira, em RondOnia.
Ao inv6s de assumirem o comando das obras, as empresas privadas retroagiram A sua funglo original, de empreiteiras, conforme o velho modelo capitalista, refinado durante o regime militar (1964-85). Algumas delas (nern sempre as principais) mantiveram participago no capital das concessiondrias de energia para atuar com mais desenvoltura


no futuro, quando o investimento estiver amortizado e for o momento de faturar tarifas das mais caras do planeta.
Ndo podia ser de outra forma? Na 6tica delas, ndo. Em 10 anos, o orqamento de Belo Monte saltou de 10,4 bilh6es para 31,2 bilh6es de reais. Quanto seri o valor de chegada? No caso da hidrel6trica de Tucuruf, que deu a partida com 2,1 bilh~es de d6lares, o custo final ultrapassou US$ 10 bilh6es. No orqamento de Belo Monte ndo est6 inclufda a linha de transmissdo (que, na melhor das hip6teses, sairi por mais de dois terqos da obra de geragdo) e alguns outros itens miliondrios.
Uma das causas dessa triplicaqdo entre 2001 e 2011 6 a complexidade do projeto de engenharia. Originalmente, o projeto seguiria o esquema convencional. Como alagaria &rea enorme e precisaria de mais de um barramento rio acima, provocou grande reago na opinion ptiblica. Para ndo criar grandes reservat6rios, o desenho foi modificado.


O tamanho da Area de inundagdo diminuiu significativamente, mas teve efeitos adversos. Sem retengdo de dgua, a usina passarA a funcionar corn Agua corrente. Como no verso a vazdo do rio 6 minima, a hidrel6trica ficard paralisada durante tr~s ou quatro meses. Com isso, a m6dia de energia que poderA gerar estari abaixo de 40% da sua capacidade nominal. Isto significa kW mais caro. Muito mais.
A16m disso, um complicado sistema de diques terA que ser construido para manter a vazdo lateral do rio at6 a casa de forqa, onde estardo as 20 enormes turbinas. Diante da complexidade do


desafio, ningu6m poderA garantir que ndo haverA vazamento. Ser6 mais um fator de perda de energia a complicar a viabilizaqdo do neg6cio.
Para que o projeto ndo fosse A rufna, al6m de assumir o controle acionArio da empresa responsivel pela obra, o governo garantird o financiamento. 0 BNDES se comprometeu a entrar com 80% do custo de Belo Monte. Como 6 uma despesa gigantesca, o dinheiro sairA do caixa do tesouro nacional, fonte de R$ 200 bilh6es incorporados ao banco nos 6ltimos dois anos (recorde em todos os tempos). Se o equilifrio financeiro ficar ameagado ou for comprometido, sabe-se de onde vird a salvacdo.
Trata-se mesmo de uma tarefa salvffica, missiondria. E o que explica o desd6m de todos os participantes do projeto pelas exig~ncias pr6vias para o licenciamento ambiental. A licenga foi dada mesmo com ao 6bvio descumprimento das cliusulas acertadas com o Minist6rio Piblico Federal. A presunq~o 6 de que o governo, grande ausente na Area, agitada pela imin~ncia da grande obra, surgir, de stibito para fazer o que ndo foi
feito. A fundo perdido.
Sua atitude ndo serA a socializa9do dos prejuizos e privatizaqdo dos lucros, tdo reprovAvel quanto contumaz? Talvez seja, mas para o governo o que importa 6 a meta traqada no novo Plano Decenal, apresentado no final do ms passado: extrair da Amazfnia, em 2020,23% das necessidades brasileiras de energia. A participagdo atual da regido 6 de 10%.
Se acontecer esse incremento, de
265%, corn a oferta de mais 28 mil megawatts extrafdos dos rios amaz6nicos, as participag6es das demais regi6es cairAo: do Sudeste/Centro-Oeste, de 60% para 46,6%; e do Sul, de 16% para 14% (apenas o Nordeste teri um ligeiro aumento, de 14% para 17%).
A Amaz6nia se tornarA, de vez, na grande provfncia energ6tica brasileira. Ceder, a forga motriz da sua bacia hidrogrdfica, a maior do mundo, para ser transformada em produtos acabados a milhares de quil6metros de distincia. Ndo era exatamente esse o paraiso vislumbrado por Euclides da Cunha um s6culo atrAs. Mas seu vaticfnio se realizar: serA urn parafso perdido. Pobre Amaz6nia rica.


JUNHO DE 2011jornal Pessoal U


JUNHO DE 2011







PROPAGANDA

0 banco da terra
Este anincio, do final de 1959, J de uma 6poca em que o sistema financeiro do Brasil ndo estava tdo concentrado como agora, valendo-se de tal maneira de condi!V3es favordveis que o Bradesco jd pode propagandear que 9 o 8' maior
banco do mundo. Mais de meio seculo
atrds o Pard tinha alguns bancos pr6prios. Dentre eles o Moreira Gomes,
que prometia melhores taxas de juros para os seus clientes e o dinheiro que o Estado ganharia por ser uma instituifdo
local, "um banco que aplica no Pard
todas as suas disponibilidades,
financiando a inddistria, ajudando o
com,6rcio, apoiando a lavoura,
estimulando novos neg6cios,
contribuindo, assim, de maneira palpdvel para a prosperidade de nossa
terra comum! ". Assim mesmo: com um
afirmativo acento de exclamado.


BARATA
Algum escritor paraense jd vendeu 1.800 exemplares do seu livro apenas no dia do langamento da obra? Pois Dalila Nogueira Ohana conseguiu essa faganha no dia 2 de setembro de 1960, quando autografou Eu e as tiltimas 72 horas de Magalhdes Barata na Livraria Dom Quixote, do escritor e jornalista Haroldo Maranhdo. 0 recorde podia ter sido ainda maior porque acabaram os exemplares e ainda havia genre na fila para receber seu aut6grafo. 0 sucesso se explicaVa pelo lanqamento do livro menos de urn ano e meio depois da morte de Barata, o politico mais popular do Pard de entio. Dalila, que viveu corn ele durante 21 anos, foi retirada da casa onde moravam, na Doutor Moraes, para que a esposa legal do governador participasse das ex6quias, como mandava o figurino e determinava a Igreja (por ironia, a casa 6 a resid~ncia oficial do arcebispo de Bel6m). Esqueceram que Barata no ficara no palacete da Independ~ncia (hoje Magalhies Barata, onde estA o Parque da Resid~ncia), porque sua companheira ndo era sua mulher na forma da lei. Indignada corn o que sofreu, Dalila contou tudo que aconteceu nos tres dltimos dias de vida de Magalhdes Barata. Urn "tudo" at entAo pouco conhecido. At6 hoje, alids.


ARCEBISPO
Por se considerar "pastor dos vencedores e vencidos", dom Alberto Ramos decidiu visitar o ex-govemador Aur6lio do Carmo, do PSD (Partido Social Democr-tico), que fora deposto e cassado pelos militares, em junho de 1964. Relatou em sua coluna, Informativo Arquidiocesano, que fora A Granja Calif6mia, na rodovia Arthur Bernardes (depois adquirida por Romulo Maiorana corn o nome de Romanza)), para uma "visita de cortesia e de conforto".
"Sem entrar no m& rito da decisdo da Presidencia da Repdblica, o Sr. Arcebispo agradeceu ao antigo govemante as gentilezas recebidas durante o perfodo de sua administraqdo e o ambiente de tranqUilidade que sempre reinou no Estado", escreveu dorn Alberto.


LEMBRANA
Em outra coluna no mesmo ano, dom Alberto transcreveu notfcia do correspondente da Folha Vespertina, segundo a qual o general Magalh~es Barata, patrono do pessedismo,jA ent~o perseguido e punido L pelos novos donos do poder, ndo fora esquecido ern Nova Timboteua (reduto eleitoral de Ladrcio Barbalho, se ndo me engano): "Assim, a sede do PSD foi cedida para uma sess~o de arrasta-p6, onde a mocidade teve momentos de prazer, contando seus sonhos de amores, ao sorn do sonoro 'Big-Ben', at o dia raiar".
ComentArio malicioso do arcebispo de Bel6m: "Original forma de relembrar o aniversfrio de um falecimento...".


RESTAURANTE
0 primeiro restaurante (e tambdm lanchonete) de urn jomal do Pard foi inaugurado por Romulo Maiorana ern 0 Liberal, ern agosto de 1982. Funcionava no pr6dio ao lado da antiga sede da Folha do Norte, na Gaspar Viana, que Romulo comprara no infcio da d6cada de 70 para ali instalar o seu jomal. Era onde funcionava a Jari, do milionrio americano Daniel Ludwig. A expansdo da drea possibilitara a instalagio de urn restaurante capaz de atender a 52 pessoas ao mesmo tempo. Inicialmente, a comida era feita pela pr6pria cozinheira do dono do jornal, o que garantia a qualidade da comida. Do primeiro almogo participou o governador Aloysio Chaves. Foi recebido por Romulo, a esposa, D6a, e os filhos Angela, Rose e Ronaldo. De l6 para cA, a imprensa - e 0 Liberal em particular
- s6 involuiu nesse quesito.


Jornal Pessoal � JUNHO DE 2011 . 2'QUINZENA


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JORNAL (1)
Em trecho de um artigo publicado no nascente Didrio do Pard, em 1982, fundado para apoiar a primeira candidatura de Jader Barbalho ao governo do Estado, Donato Cardoso relembrava a situaqdo diffcil em que se viu o Jornal do Dia ap6s a consolidaqo do golpe militar de 1964. De propriedade dos irmdos Armando e Oziel Carneiro, empresdrios e politicos ao mesmo tempo (como o pai, Pedro), integravam o esquema de apoio ao presidente deposto, Jodo Goulart, do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).
0 jornal fazia oposiqdo local ao PSD de Aurdlio do Carmo, aliado do PTB apenas no piano nacional. Criticava muito os hibitos e costumes dos baratistas e abria alas a jornalistas de esquerda, al6m de reproduzir mat6rias e colunas da Oltima Hora,


do Rio de Janeiro, de Samuel Wainer, que era janguista (depois de ter sido varguista). Como os militares tinham no baratismo seu maior alvo no Pard, devido A sua alianqa com o contrabando e ojogo do bicho, como suporte econ~mico da hegemonia polftica, o Jornal do Dia podia estar nas gracas do regime, mas sua aproximaqdo com Jango e a esquerda tamb6m o deixara sob suspeita.

JORNAL (2)
Donato, que cobria a drea sindical, relata que durante tr~s meses depois do golpe, antes de fechar (e ter sua hist6ria limitada pelos antigos donos), um sentinela ficava com baioneta calada A porta da sede do jomal (primeiro na Padre Prudencio com a 6 de Almeida, em seguida na 13 de Maio), das 10 da noite s cinco da manhi. Depois de


FOTOGRAFIA

Trote masculino
Ainda o trote dos acadgmicos de direito de 1950. Agora, sdo s6 os homens aprovados no vestibular daquele ano, fazendo suas evolufjes em frente ao prddio da faculdade (hoje, sede da OAB), que estava muito maltratado. Observe-se a presenfa de palet6s de linho branco,
0 tom
dominante nas
indunentdrias, corn o palet6 dominante. Como os cursos
superiores se espalhavam pela cidade, a populacio participava. Era como wn carnaval
fora de ipoca.


meia-noite, ClIudio SA Leal, diretor da redagdo, ia ao quartelgeneral da 8* Regiio Militar, na praga da Bandeira, submeter todos os originais da ediqdo ao coronel D6cio Chamillot, que chefiava a 2a seo (o serving secreto). Leal safajA de madrugada, com o material censurado, e se apressava. 0 jornal era impresso entre 10 e 11 horas, circulando no fim do expediente matutino, como os vespertinos de entdo.
Dentre os que fizeramn o Jornal do Dia estavam Josd Gorayeb, os irmdos Walbert e Walcyr Monteiro, Walter Guirnar5es, Jodo Marques, Josd Serifico, Alvaro Martins. Jodo Alvaro, Odir Macedo (e ndo Proenqa, como saiu no artigo), Otivio Avertano Rocha, Ronaldo Barata, Eduardo Grandi, Angelo Giusti, Odacyl Catete, Guaracy de Brito e os fot6grafos Wilson Mota, Ayrton Quaresma e Sebastido Barbosa, o "Alemdo".

TELEVISAO
0 goiano Jair Bernardino de SouzajA tinha um conglomerado de 30 empresas, liderado pela Belauto, revendedora da Volkswagen (a que mais vendia carros na 6poca), quando decidiu investir em comunicag6es. Prometia que a TV RBA (Rede Brasil Amaz6nia), a quarta do Par, lanvada em 1988, logo seria a primeira, gragas a um investimento de cinco milhes de d6lares. Ficaria corn as melhores instalan6es da praqa, em drea corn 6.400 metros quadrados, em frente ao Bosque Rodrigues Alves, com urn predio de cinco andares (o da Liberal s6 tinha dois) e uma torre de 100 metros, no topo da qual urn mirante deveria se tomar ponto turfstico da cidade. Corn os mais modernos equipamentos, dois grandes estidios e 200 funcionirios, a emissora retransmitiria a programago da Rede Manchete, que estava em ascensdo. A morte em acidente adreo interromperia a carreira de Jair Bernardino e sua televised passaria para o entdo ministro Jader Barbalho.


JUNHO DE 2011 * 21QUINZENA � Jornal Pessoal nf









[AO) 40O AO EDITOR


Estava dando uma olhada no twiter, me interessei pela chamada do Observat6rio do imprensa e depois de alguns cliques acabei lendo "Visceras expostas no imprensa paroense."
Fiquei impressionada, chocada, boquiaberta... No me ocorrem outros adjetivos. Tenho sensag;o de letargia diante das informag6es que recebi... Que absurdo! No conhecia nada a respeito dos conflitos politicos paraense. Sempre tive a percepgo clara da falta de moral de alguns politicos e empresirios (de alguns mais e outros menos), mas nunca imaginei que fosse t~o aberrante e tio atual assim. Costumava imaginar que havia algum rango do passado, resquicios..., mas nunca essa totalidadel Tenho vontade de parabenizS-lo, mas n~o acho que seja o que devo fazer, afinal de contas tenho a sensago de estar tendo o prazer de conhecer um combatente de guerra e o que se diz nesta hora? Muito obrigado? Nlo sei, me parece t~o poucol
Rosely da Silva Sousa

ontinua A venda

nas bancas e
livrarias da
cidade o terceiro
volume da coleqdo
em formato de livro
da Mem6ria do
Cotidiano, a seqdo
fixa deste jornal.
Com diagramaqdo mais leve e limpa,
para permitir a
melhor leitura e o


VALOR
Par curiosidade, lancei o valor do anincio do prddio cinquentenzrio no enderego da FundaSo de Economia e Estatistica-RS para simpies atualizago monetdria de valor. 0 resultado foi o seguinte: R$ 173.038,18 para as escrit6rios de frente e R$ 153.811,72 para as escrit6rios de fundo (considerei coma referdncia o m~s de dezembro de 1961).
Ngo consegui identificar a Srea de cada urn dos escrit6rios, mas imaginei alga em torno de cern metros quadrados.
Passados quase 50 anos, serd que algurn consegue comprd-Ios nas condigSes do an~incio: 10% de entrada mais 45 mensais sem reajuste?
Jolo Bosco Silveira da Silva

MINHA RESPOSTA
0leitor se refere ao valor dos escrit6rios do edificio Bardo de Bel6m, na rua 13 de Moio, no 6poca do seu lanomento, queforam referidos na Mem6ria do Cotidiano do ediVdo possada. A atualizaoo do prego revela a deterioraVao do valor dos im6veis no centro velho de Bel6m.












-g ,VI


maior prazer dos leitores. Agora, 6 ir atris e comprar. 0 editor agradece.


Concorr ncia


Dos 25 apresentadores dos seus programas que decidiu colocar em antincio de pigina dupla, a Record selecionou cinco do Par,, ou 20%. Al6m de ser uma pega publicitiria in6dita, por sua amplitude nacional, abrindo a janela da sua programaqao para cinco produces locais, todas com boas audiencias, mostra a forga do faturamento da rede do bispo Edir Macedo no Estado. A concorrente TV Liberal nunca fez nada igual. E estA bem pr6ximo de nunca mais voltar a ser a mesma.



Aten o

Quando uma ediqqo deste jornal 6 mais quente, logo
circulam boatos de que ela se esgotou. As vezes 6
apenas desinformaq~o. Noutras, o prop6sito
naturalmente, ndo declarado - 6 conter a vendagem.
Assim, sempre que uma noticia dessas surgir,
aconselha-se ao leitor ir a mais de uma banca ou ligar para a redagdo do JP. Mesmo quando a circulaqio do jomal 6 boa, sempre hi encalhe. E jornal para ser lido.




Fumaga

Uma diferenqa substancial responde pela queda no nfvel e no grau de representaqdo dos parlamentos no Brasil, em particular no Pard: ao inv6s de serem intermedidrios ou int6rpretes da sociedade, os politicos usam seus cargos na defesa dos seus interesses ou dos esquemas e grupos a eles associados. Muitos empresirios, ao inv6s de financiar campanhas eleitorais de terceiros, tornaram-se eles pr6prios candidatos. O dinheiro lhes possibilitou a vit6ria.
Causa escf.ndalo - embora ndo chegue exatamente a surpreender- as iniciativas de determinados parlamentares. Quando eles est~o no foco direto da opinido p6blica, as duas reaq6es se tornam siamesas. Pouco tempo atrs um vereador de Bel6m apresentou projeto para que em determinada esquina da cidade fosse alterado o uso e o gabarito para permitir a construqdo de um supermercado. 0 beneficidrio parece ndo ter tido recursos suficientes para usufruir da exceqo aberta.
Agora uma vereadora quer que voltem os fum6dromos A capital paraense. Alega que a proibigdo integral viola a liberdade individual. As pessoas poderdo voltar a fumar em recintos fechados, mas confinadas. 0 retrocesso 6 evidente e de pasmar. Os viciados no fumojA se haviam adaptado h proibiqo, como quase sempre acontece ao ser humano. Aqui e em outros lugares onde essa postura providencial foi adotada. Os donos dos restaurantes e casas de diversio 6 que devem ter sentido o golpe dado na sua parte mais sensfvel: o bolso. Sensibilidade A qual a vereadora parece estar bem atenta.
Espera-se que o prefeito tenha o bom senso de vetar o nada altrufstico projeto.


Jomal Pessoal

Editor: Lcio Fidvio Pinto


Contato: Rua Aristides Lobo, 871 � CEP: 66.053-020 � Fones: (091) 3241-7626 E-mail: fpjor@uol.com.br � jomal@amazon.com.br - Site: www.jomalpessoal.com.br Diagramagbo e ilustra6es: Luiz Antonio de Faria Pinto luizpe54@hotmail.com � luizpe54@gmail.com - chargesdojomalpessoal.blogspot.com � blogdoluizpe.blogspot.com


iJornal Pessoal . JUNHO DE 2011 . 21QUINZENA







Vale: grande mudanga, tudo flea como estava


No cargo de presidente da Vale, a maior empresa privada brasileira, hi menos de dois meses, Murilo Ferreira deu A revista Exame a sua primeira entrevista individual. Ndo disse muito, mas o que disse indica uma mudanqa de estilo no topo da companhia, sem que haja qualquer alteraqdo significa nos seus rumos. 0 novo executivo da mineradora lembrou ao entrevistado que esteve na empresa durante 11 dos seus iiltimos 13 anos. Deu uma pista para sua saida: provavelmente desentendimento corn o entlo presidente, Roger Agnelli, ao qual viria a suceder.
Por sua visdo exageradamente imediatista e estritamente financeira, Agnelli promoveu demiss6es na Vale logo que os efeitos da crise financeira de 2008 comeqaram a ser sentidos. Fiel ao seu estilo autoritfrio e voluntarioso, incluiu no rol das demiss6es 900 empregados da Inco, empresa canadense adquirida pela Vale, que ainda estavam protegidos por uma clusula de garantia de trabalho. Ao ser pela rep6rter Roberta Paduan sobre o epis6dio para confirmar se foi contra a antecipaqo por urn ano ds dispensas, Murilo simplesmente respondeu: "Uma coisa que eu posso garantir 6 que fui urn guardido daquele acordo. Para mim, contratos sdo feitos, assinados e respeitados".
HaverA outra mudanqa de estilo na presid~ncia da Vale: menos cobranqa por resultados, menos aqodamento na busca de resultados. Murilo Ferreira quer "desestressar" os funcionurios da mineradora, que trabalhavarn sob o chicote digital de Roger Agnelli. Era urn ritmo tal de cobranqas e exigencias que no ano passado a empresa teve 11 acidentes fatais, que poderiam ser evitados se medidas adequadas, visando o bern estar das pessoas, fossern adotadas, conforme o novo presidente ouviu de outros executivos da Vale. t, finalmente, uma boa notfcia na Area de recursos humanos, to massacrada na gest~o anterior.
Murilo, por6m, tangenciou a questdo quando confrontado corn a interferencia do governo na companhia para p6r firn aos 10 anos de Roger Agnelli na Vale. Garantiu que a Previ e o BNDES, dois dos maiores acionistas da empresa, ndo sdo "agentes do governo", atuando como entidades aut~no-


mas. A primeira como representante dos seus aplicadores, funcionrios do Banco do Brasil, e o segundo como agente financeiro de fomento, em busca de resultados. Disse que ndo precisou falar com ningu6m do governo para ser eleito presidente da Vale, apenas se reportando aos acionistas.
t evidente que a versdo ndo procede. Quern pediu a cabega de Agnelli ao presidente do Bradesco, Lzaro Barbosa, responsivel pelo executivo, foi o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O distanciamento crescente entre o PT e Agnelli ndo podia ter motivo no desempenho da companhia, que era excepcional, nem em eventuais divergencias de opq6es de polftica empresarial, que estavarn sendo resolvidas.

[ oi un conflito de poder, quo levou Agnelli a abrir o jogo, ao acusar o PT do querer cargos dentro da mineradora, e o governo Lula a considerar a cabea da criatura do Bradesco questfa fechada, ou do honra (so tal valor pudesse estar em eausa).
Sern considerago pelo seu posto, o ministro Mantega foi ao criador em pessoa, ignorando os dirigentes da Previ e do BNDES (corn os quais a relaqo 6 de mando), corn urn tacape na mo: a concessdo do Banco Postal ao Banco do Brasil e ndo ao Bradesco, que considerava ganha a parada milioniria. Saiu com a cabeqa do desafeto.
Murilo Ferreira foi o escolhido porque dever4 manter tudo que vinha sendo considerado exitoso na Vale (para cujo resultado deu sua contribuiqdo ao longo de 11 anos) e por ser muito mais afirmativo aos interesses do controlador oculto do que o antecessor. 0 novo presidente, tao fascinado por indicadores quanto Agnelli, acomodar, melhor situag6es que haviam se tornado tensas e explosivas, como a implantagdo de pelo menos uma sidertirgica na Aea de Carajis.
Entrando na ret6rica da agregaqdo de valor, repetida como litania por Lula & Dilma, a mineradora construiu uma usina no Rio de Janeiro em parceria com os alemaes. Tambdm deu infcio a outra sidertdrgica em Marabi, mas nio


conseguiu atrair s6cios, que ndo acreditarn ainda na viabilidade do empreendimento. Roger dizia isso de uma maneira. Murilo o repete em outro tom, como na entrevista:
"remos interesse em participar de siderrgicas nas quais, de prefer~ncia, ndo sejamos lideres. Em algumas circunstancias atd seremos lideres, mas, quando o projeto estiver maduro, a Vale sai", disse ele. Murilo, como Roger, continua apostando na continuidade do ciclo de ascensao de pre;os das commodities e tern motivos para defender essa posiqAo, como ao exemplificar:
"Em 1996, paguei 3.500 d6lares pelo meu primeiro notebook. Naquela dpoca, o min6rio de ferro era cotado a 17 d6lares. Hoje, compro urn computador por 1.000 d6lares, mas a tonelada de min rio custa cerca de 150 d6lares".
Em primeiro lugar, urn notebook ndo 6 exatamente urn "computador" (e hA notebooks muito mais caros do que mil d6lares). Naquela 6poca, a China e outros enormes pafses emergentes ainda ndo haviarn se enganchado no mercado, o que fizerarn de forma tdo atrelada aos indices miraculosos de crescimento que ndo se ativerarn o suficiente sobre quest6es como as fontes de energia para sustentar esse dinamismo e as condig6es de vida de suas gigantescas populaq6es.
Decidirarn pagar alto por certas mat6rias primas que lhes permitern contornar esses problemas e lhes dao f6lego para o futuro. N6s subimos do outro lado dessa gangorra de beneficios, mas de olho no imediato. Se levantarmos mais a vista, constataremos a sangria de recursos naturais ndo renovAveis e iinicos pela combinaqdo rara de qualidade e quantidade. Ainda estamos no momento da cigarra, que canta e encanta. Mas logo sentiremos a falta do trabalho da formiga, sobretudo quando grande parte dessa riqueza for volatizada por exportaq6es mastod6nticas e relaq6es de troca erosivas.
A Vale estA no eixo dessa diretriz. E a substitui~do de Roger Agnelli por Murilo Ferreira no deverA representar alteraqio significativa nesse rumo. 0 maior trern de cargas continuardt em funqao, corn mais viagens e mais carga origintria de CarajAs com destino ao Oriente, onde brilha a estrela mirffica.


2 2'QUINZENA - Jornal Pessoal


JUNHO DE 2011







0 fimal de Allende foi mesmo suicidio


No dia 15 de abril o juiz Mario Carroza ordenou a exumafao dos restos do ex-presidente do Chile, Salvador Allende. Queria esclarecer em definitivo se o older socialista tinha mesmo se suicidado ou fora morto pelos militares que o derrubaram e impuseram a ditadura ao pats, em 11 de setembro de 1973. A exumafdo fora solicitada pela famflia do expresidente para definir a posifdo juridica sobre o fim de Allende.
A dnica novidade do exame foi a localiza~do de duas e ndo apenas de uma bala no corpo do ex-presidente. Embora logo tenha aparecido quem interprete esse fato como uma reviravolta na versdo oficial de suicfdio, aceita pela pr6pria familia, nada indica que essa revisdo venha a ocorrer. A reconstituifdo do suicidio do comandante da Unidade Popular, que iniciou em 1970 uma experincia dnica, a tentativa de passagem pacifica do capitalismo para o socialismo, jd 6 suficientemente detalhada para assegurar que os fatos aconteceram mais ou menos como os relatou o jornalista chileno Ignacio Gonzalez Camus.
Seu livro, El dia em que murio Allende (Ediciones Chileamerica, 468 pginas), cuja primeira edido saiu em Santiago, em 1998 (e a sftima em 2002), 4 um primoroso trabalho de restaura&o dos acontecimentos, sob vdrias perspectivas. -, um trabalho jornalfstico do nfvel de 10 dias que abalaram o mundo, de John Reed, ou Hiroxima, de John Hersey. t uma pena que atj hoje ndo tenha sido traduzido em portugus e publicado no Brasil.
Camus 6 seguro na versdo do suicidio de Allende, um dos acontecimentos mais traumdticos da hist6ria polftica da America do Sul (e mesmo do mundo), sobretudo para os que estiverem presentes ao final da saga da UP Informar-se sobre essa tragdia pode servir a fecundas andlises comparativas dos brasileiros. Nosso 4nico presidente a se matar Getdlio Vargas, cometeu esse ato extremo tambem na sede do governo, o Paldcio do Catete. Os militares o cercavam, sedentos por sangue.
Depois de quatro de'cadas de participafdo intensa na vida polftica nacional, para isso extrapolando os limites da sua fundo constitucional e dos


pr6prios regulamentos internos da corporafdo, as Forfas Armadas estavam a um passo de tomar o poder Bastava que o presidente renunciasse. Mas, cumprindo o que anunciara, Getalio s6 saiu morto do Catete. Coin seu suicidio, adiou por mais uma d6cada a consumafdo do projeto politico dos jd antigos tenentes e demais jovens turcos das novas gerafoes de reformadores autoritdrios (ou nem isso).
Os militares chilenos que investiram contra Salvador Allende ndo ficaram esperando do lado de fora o desfecho do drama presidencial. Surpreendendo apenas os que tinham uma visdo distorcida da histdria chilena, bombardearam o Paldcio La Moneda, dando inicio a uma repressdo violentfssima - e duradoura. Depois de tanto sangue derramado, promoveriam uma transifdo 4t demo-


cracia, nos pardmetros de uma sociedade capitalista avanfada, mais bem sucedida do que o prospecto da Unidade Popular.
Coin o fecho legal que se pretende dar a hist6ria pessoal de Allende, pode ser que as editoras brasileiras voltem a se interessar pelo tema. Para o leitor, traduzi o trecho do livro de Ignacio Camus que trata do suicdio da admirdvel pessoa e do respeitdvel politico que foi Salvador Gossens Allende. Sdo os minutos derradeiros no Paldcio La Moneda, construfdo colonial espanhola num vasto quadrildtero no Centro de Santiago, que foi arrasada pelos sucessores de Guernica.
Allende enrou no Salgo Independ~ncia.
Todas as porias do corredor estavam fechadas. Guij6n, quando se aproximava do local onde supunha que estava o equipamento anti-gfis, observou o foco iluminado de uma porta quem, at poucos momentos antes, estava fechada.


O grupo que se encontrava em frente A porta acreditou ouvir urn grito:
- Allende ndo se rende, milicos! - E o Presidente acrescentou um insulto.
Supuseram depois que ele o fizera olhando pelajanela na diredo de Morand6.
Guij6n se assustou.
Foi at6 Allende. Escutou as detonaq6es. Sup6s que o Presidente se baleara no momento de sentar-se. Por6rn o que na realidade vira - pensou nisso depois - fora o deslocamento do corpo pelos proj6teis.
Allende estava sem casaco. 0 cranio se fragmentou. Achava-se sentado frente A porta desde que Guij6n passou a observava-lo.
O Presidente ficara sem o cranio acima das cds. A massa encefilica estourara.
- Morreu o Presidente!
O grupo que estava do lado de
fora se espantou olhando o cadAver.
Enrique Huerta exclamou, com a voz
estrangulada:
- Viva Allende!
Olhou para os detetives:
- Vamos ficar! Resistiremos
aqui! - exclamou.
Mas ndo havia ningu6m mais
al6m deles. Os demais haviam descido. Parecia absurdo continuar ali.
Ndo o fizeram. S6 conversaram
sobre o que tinha acontecido.
Guij6n permaneceu ao lado do cadaver, que conservava o fuzil-metalhadora entre as pernas.
Passararn os minutos. 0 m&lico estava sentado no chdo. Afastou-se mais do cadAver, porque As suas costas havia uma janela e lA fora se escutavam as balas. Temia a entrada de balas perdidas.
Tinha o aspecto de urn doente. Parecia estar velado o corpo de Allende.
Olhou para o escrit6rio de Osvaldo Puccio. Suas duas portas estavam abertas, alinhadas, uma depois da outra. Uma delas se comunicava corn as escadas.
Guij6n pensou que se os militares entrassem, o fariarn por essa direq~o. Se o observassem tao pr6ximo da arma de Allende, dispatariam ao menor movirnento seu.
Pegou a arma e a p~s mais pr6xima da direita do cadaver do Presidente. Nem sequer pensou que podia estar imprimindo suas impresses digitais no fuzil-metralhadora.




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