<%BANNER%>
Spizaetus
ALL VOLUMES CITATION PDF VIEWER
Full Citation
STANDARD VIEW MARC VIEW
Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/UF00100958/00012
 Material Information
Title: Spizaetus
Physical Description: Serial
Language: English
Portuguese
Spanish
Publisher: Neotropical Raptor Network
Place of Publication: Boise, Idaho
Publication Date: December 2011
 Subjects
Genre: serial   ( sobekcm )
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
System ID: UF00100958:00012

Downloads

This item is only available as the following downloads:

( PDF )


Full Text

PAGE 1

SPIZAETUSBOLETIM DA REDE DE AVES DE RAPINA NEOTROPICAISINVESTIGA'ES SOBRE ASIO STYGIUS ROBUSTUSUM NOVO CONCEITO EM ABRIGOS PARA GRANDES ACCIPITRIDEOSDIETA DA ATHENE CUNICULARIAAVES DE RAPINA DIURNAS: UMA ANALISE NAS DIFERENTES ESTA'ES CLIMTICAS NMERO 12 DEZEMBRO 2011

PAGE 2

A RRN (pelas siglas em espanhol) uma organizao baseada em a liaes. O objetivo contribuir para a conservao e pesquisar as aves de rapina neotropicais. Promovendo a comunicao e coloborao entre pesquisadores, ambientalistas e entusiastas pelas aves de rapina que trabalham na regio Neotropical. Spizaetus: Boletim da RRN Nmero 12 Dezembro 2011 Edio em portugus ISSN 2157-9180 Foto de Capa : Asio stygius robustus Mountain Pine Ridge, Belice. Yeray Seminario, Whitehawk Birdwatching and Conservation Foto de Contracapa: Asio stygius robustus Mountain Pine Ridge, Belice Ryan Phillips, Belize Raptor Research Institute Diseo Grfico: Marta Curti Coordinadora de la RRN: Marta Curti Editores/Tradutores: Angel Muela, Edwin Campbell, Hernan Vargas, Mosar Lemos e Marta Curti CONTEDOInvestigaes sobre o pouco conhecido mocho-diabo ( Asio stygius robustus ), Mountain Pine Ridge, Belice.........................................2 Um novo conceito em abrigos para grandes accipitrideos: Estudo de caso com uira ( Harpia harpyja ).....................7 Dieta Da Coruja-Buraqueira ( Athene cunicularia ) durante a poca de nidi cao/vero en uma pastagem no noroeste do Esprito Santo, Brazil........................................13 Aves de rapina diurnas da Estao Biolgica de Santa Lcia: uma analise nas diferentes estaes climticas, Santa Teresa, Esprito Santo, Brasil......................18 De Interesse................................25

PAGE 3

PGINA 2 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 E Em maro de 2009 iniciamos um estudo de longo prazo sobre o mocho-diabo ( Asio stygius robustus ), uma das corujas neotropicais menos conhecida. A rea de estudo est localizada dentro do “Mountain Pine Ridge” distrito de Cayo em Belize. O objetivo principal do estudo conhecer melhor aspectos ecolgicos desta rara coruja, incluindo a nidi cao, abundncia, territrio, padres de movimentao, uso do habitat, alimentao e os efeitos dos incndios e do desmatamento sobre suas populaes e comportamento. O mocho-diabo ( Asio stigyus ) apresenta uma distribuio desigual desde o noroeste do Mxico at o norte da Argentina, e j foi registrado no Mxico, Guatemala, Belize, Honduras, Nicaragua, Cuba, Repblica Dominicana, Hait, Colmbia, Venezuela, Equador, Brasil, Bolvia, Paraguai e Argentina (Birdlife International, 2009; Konig e Weick, 2008). Em Belize o mocho-diabo considerado como um residente raro e s foi registrado em trs lugares (Jones, 2003). Esta coruja pouco conhecida e seu status indeterminado, sendo esta uma espcie de alta prioridade para Asio stygius robustus Ryan Phillips INVESTIGA'ES SOBRE O POUCO CONHECIDO MOCHO-DIABO (ASIO STYGIUS ROBUSTUS) EM BELIZE Por Ryan Phillips Belize Raptor Research Institute (BRRI), harpiabz@yahoo.com. Este artigo apareceu pela primeira vez na Boletim de BRRI, e vero de 2011. Ele est publicado aqui com permisso.

PAGE 4

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 3 pesquisas (Stotz et al, 1996; Konig e Weick, 2008). A subespcie do Mxico e da Amrica Central, Asio stygius robustus est restrita a oresta de pinheiros e savanas com pinheiros, o que a torna vulnervel a declnios populacionais (Howell e Webb, 1995; Jones, 2003; Phillips, observao pessoal). Desta subespecie foi descrito apenas um ninho e a anlise de sua dieta se limita a informaes anedotais (Franz, 1991). Em maro de 2009 localizamos um dormitrio, onde um casal foi visto quase diariamente. Coletamos as egragpilas neste local durante um ano para determinar quais eram as suas presas. Dos 194 restos de presas, de 145 egragpilas coletadas, encontramos 61,9% de aves, 19,1% de morcegos, 12,4% de besouros, 6,2% de lagartixas e 5,0% de rs. Do total das presas 31,0% eram espcies noturnas. Em mdia entre fevereiro e maio a dieta consistiu em 70,0% de aves, enquanto entre junho e agosto a dieta consistiu de 37,0% de aves, 32,0% de morcegos e 28% de besouros e entre novembro e fevereiro foi de 81,0% de aves. A alterao na dieta coincidiu com o aparecimento de besouros entre junho e agosto e a chegada de passeriformes migratrios de inverno. De acordo com a biomassa e a quantidade de presas consumidas, os passeriformes foram o componente mais importante da dieta. Localizamos o primeiro dormitrio em maro, e desde ento localizamos mais sete dormitrios de outros indivduos. Continuaremos a coletar as egragpilas para aumentar o tamanho da amostra e incluir novos indivduos. Para melhor entender estes esquivos rapinantes noturnos, capturamos e colocamos rdio transmissores (VHF) em dois mochos-diabo machos, em dezembro de 2010. Esta foi a primeira vez em que este procedimento foi utilizado nesta espcie. Em seguida iniciamos o monitoramento destes dois individuos, porm Egagrpilas coletadas Ryan Phillips

PAGE 5

PGINA 4 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 qualquer local de sua rea de ocorrncia. Com as informaes obtidas com este macho, coletamos dados sobre o seu territrio, movimentao, alimentao e uso do hbitat. Este macho foi observado comendo um soco-vermelho ( Ixobrychus exilis ), a segunda maior presa documentada para a espcie. Ns descobrimos que o mocho-diabo talvez no seja to especializado em bosques de pinheiros como pensvamos. O macho se locomoveu quase 15 quilmetros atravs do bosque tropical at uma rea aberta de fazendas, onde caou pasem fevereiro de 2011 perdemos o sinal de um deles. As possveis causas da perda do sinal podem ter sido a antena do transmisor arrancada pela coruja, ou mais provavelmente, que o indivduo tenha deixado a rea. Se este macho regressasse ao seu poleiro habitual poderamos determinar o que havia ocorrido. Em 30 de maro o outro macho nos mostrou o caminho de seu ninho onde encontramos um lhote de aproximadamente duas semanas de idade. Este foi o segundo ninho desta espcie localizado em Belize e o terceiro ninho a ser estudado em Esquerda: Bilogo Roni Martinez com A. styguis robustus Direito: um pinto no ninho. Ryan Phillips

PAGE 6

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 5 seriformes, morcegos e insetos antes de retornar ao seu poleiro na oresta de pinheiros. Talvez utilize as orestas de pinheiros para dormitrio e construo de ninhos, porm outros hbitats podem ser tambm cruciais para alimentao e sobrevivncia quando as orestas de pinheiros e “pine-oak” forem alteradas ou destrudas. Ainda muito cedo para a rmar se isto constante para toda populao, porm quando mais transmissores forem colocados em novos indivduos, seremos capazes de resolver este mistrio. O projeto continuar por um perodo de pelo cinco anos e continuaremos colocando radio transmissores em alguns indivduos e coletando dados Dois Asio stygius robustus Ryan Phillips sobre territrio, movimentao, alimentao, biologia reprodutiva e investigando como os incndios e o desmatamento afetam as populaes do mocho-diabo. Para ver um lme sobre este projeto visite: http://www.youtube.com/watc h?v=i5DckfqTXmI Referncias Bird, D. M., K. L. Bildstein, D. R. Barber & A. Zimmerman. 2007. Raptor: research and management techniques. Hancock House Publishers, Blaine, Washington, USA. BirdLife International 2009. Asio stygius In: IUCN 2009. IUCN Red List of Threatened Spe-

PAGE 7

PGINA 6 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 cies. Version 2009.2. . Downloaded on 25 January 2010 Borrero, J. I. 1967. Notas sobre hbitos alimentarios de Asio stygius robustus El Hornero 10 (4):445447. Dod, A. S. 1983. The Stygian Owl ( Asio stygius noctipetens ) in the Dominican Republic. American Birds 37: 266-267. Franz, M. 1991. Field observations on the Stygian Owl Asio stygius in Belize, Central Ameri ca. (Abstract). J. Raptor Res. 25:163. Jones, H. L. 2003. Birds of Belize. University of Texas Press, Austin, Texas, United States. Kirkconnel, A., D. Wechsler & C. Bush. 1999. Notes on the Stygian Owl ( Asio stygius siguapa ) in Cuba. El Pitirre 12: 1-3. Konig, C. & F. Weick. 2008. Owls of the World. Yale University Press, New Haven, United States. Lopes et al. 2004.Observations on a nest of the Stygian Owl ( Asio stygius ) in the central Brazilian Cerrado. Ornitologia Neotropical 15 (3): 423427. Motta Junior, J. C. & V. A. Taddei. 1992. Bats as prey of Stygian Owls in southeastern Brazil. J. Raptor Res. 26: 259-260. * *

PAGE 8

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 7 O Ouirau ( Harpia harpyja ) um accipitrdeo de grande porte que ocorre em diversos estados brasileiros, porm suas populaes mais preservadas encontram-se na Amaznia. Podem medir um metro de comprimento e a envergadura alcana mais de 2 metros, sendo as fmeas bem maiores que os machos, chegando a pesar 9 kg, enquanto os machos pesam por volta de 5 kg. As populaes de harpia crescem muito lentamente, pois s atingem a maturidade por volta dos trs anos de idade e cada casal cria apenas um lhote por vez, embora sejam postos dois ovos, e cuida do jovem at cerca de um ano de idade. Estes fatos somados destruio das grandes reas de orestas tornaram o uirau uma ave ameaada no Brasil (Brown 1976; Sick 1997; ICMBIO, 2008). Em janeiro de 2007, recebemos na Reserva Particular do Patrimnio Natural (RPPN) REVECOM, estado do Amap, Brasil, uma fmea de UM NOVO CONCEITO EM ABRIGOS PARA GRANDES ACCIPITRIDEOS: ESTUDO DE CASO COM UIRA ( HARPIA HARPYJA) Por Paulo Roberto Neme do Amorim, Reserva Particular do Patrimnio Natural REVECOM, e-mail: revecombr@ bno.com.br; Msar Lemos NAL – Ncleo de Animais de Laboratrio, UFF – Universidade Federal Fluminense, email: lemosmosar@hotmail.com; Roberto da Rocha e Silva Curso de Medicina Veterinria, Universidade Estcio de S, e-mail: rrochaesilva@gmail.com e Maria Lucia Barreto NAL – Ncleo de Animais de Laboratrio, UFF – Universidade Federal Fluminense, e-mail: mlbarreto@gmail.com Harpia harpyja masculino Angel Muela, Whitehawk Birdwatching and Conservation

PAGE 9

PGINA 8 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 uirau. O exame clnico inicial revelou leses na face interna da asa direita (com exposio articular ao nvel do punho), regio peitoral direita com importante perda de penas com exposio drmica e abraso, e corpo estranho sob a membrana nictitante, ceratite e episclerite traumticas com infeco bacteriana secundria no olho direito (Amorim et al, 2010). Devido aos seus ferimentos no seria possvel reintroduzi-la em seu ambiente natural, e por isso precisamos construir um viveiro para abrig-la. O alojamento de aves de rapina relativamente simples, mas ao mesmo tempo muito difcil se considerarmos que so aves que necessitam de grandes espaos para voar. Para mant-las enclausuradas de forma permanente so necessrios viveiros de tamanhos adequados, pois a inatividade leva ao aparecimento de distrbios comportamentais assim como de doenas tpicas do cati veiro como o temvel “bumblefoot”, que pode levar a ave a perder dedos e at o p graas ao processo infeccioso que se estabelece quando as condies de cativeiro so inadequadas (Enderson 1976; Cooper 2002; Amorim et al. 2010). Por outro lado a manuteno em cativeiro utilizando as tcnicas de falcoaria bastante trabalhosa, exigindo largos perodos de tempo e dedicao diria ave alm de experincia de quem maneja a ave. Entretanto esta ltima tcnica reduz sensivelmente a necessidade de espao para alojamento e permite que a ave se exercite de forma adequada voando livre e permanecendo abrigada apenas durante parte do dia (Cooper 2002; Parry-Jones 2001). A hospedagem de nitiva de Accipitridae de grande porte regida por dispositivos legais, em especial a Instruo Normativa (IN) N 04, de 04 de maro de 2002, que alterou a IN 001/89-P (Tabela1), ambas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovveis, a qual remete os interessados ao fato bvio de que o alojamento deve permitir liberdade de vo. Entretanto no basta ao viveiro ser grande, mas preciso que rena condies volumtricas que permita ao animal exercitar o seu vo e executar as acrobacias que ocorrem na oresta. Os poleiros devem ser dispostos de maneira que forcem o animal ao exerccio adequado de vo. O fato sinaliza a realidade de que se deve considerar a medida do viveiro sob parmetros Tabela 1. Instruo Normativa 001/89-P FamliasPorteDensidade ObservaesCathartidae, Accipitridae e Falconidae Pequenos1 ave/ 5m2Piso de terra ou gramado, vegetao arbrea para sombreamento e espelho d’gua para banho. O alojamento deve permitir liberdade de vo. Mdios1 ave/10 m2 Grandes1 ave/25 m2

PAGE 10

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 9 volumtricos e no meramente sob a tica bidimensional. Um viveiro estrangulado, volumetricamente falando, poder levar o animal ao imobilismo (Amorim et al. 2010). A anlise das duas normativas mostra a evoluo na abordagem do problema da hospedagem de aves de rapina (Brasil 1989; Brasil 2002). A IN 04/2002 (Tabela2) no incorre na falha da IN 01/89, que xa dimenses sob a tica bidimensional, pois estabelece a altura do abrigo no de nindo, porm, uma relao bidimensional correta. O Modelo RPPN REVECOM Imaginemos um abrigo com a premissa de uma base de 25 m (para uma ave) com um p direito de 6,0 m. Pode-se perceber que ocorre uma desarmonia entre altura e base. A ave contaria com uma boa altura para vo, porm uma extenso linear, paralela superfcie do abrigo, insu ciente. Como conseqncia ela seria forada a certo imobilismo. No caso concreto, conforme gura 1 teramos uma base de 25,0 m (5,0 m x 5,0 m), uma altura de 6,0 m e uma diagonal do paraleleppedo formado de 7,07 m. Na realidade a ave disporia, quando muito, de um espao de apenas 4,0 a 5,0 metros teis para o exerccio do vo. Tal distncia muito pequena para um animal de grande envergadura como a harpia. O pouco exerccio de vo leva hipotro a dos msculos peitorais, fato que no desejvel. Optamos por uma medida bidimensional de 50,0 m, da seguinte forma: base de 5,0 X 10,0 m = 50,0 m2. Altura de 6,0 m, com uma diagonal resultante de 11,18 m (Figura 2). FamliasPorteDensidadeAltura (m)ObservaesCathartidae, Accipitridae e Falconidae Pequenos2 aves/10 m2Cathartidae4Piso de terra ou gramado, vegetao arbrea para sombreamento e espelho d’gua para banho. O alojamento deve permitir liberdade de vo. Mdios2 aves/20 m2Accipitridae3,4,6 Grandes2 aves/50 m2Falconidae3,4,5Tabela 2. Instruo Normativa 04/2002 Figura 1. Recinto de acordo com a IN 001/89P do IBAMA

PAGE 11

PGINA 10 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 Com estas dimenses conseguimos um recinto volumtrico de 300,0 m. Se a base forem acrescentados anexos semicirculares que possuam R = 2,5 m ganhamos rea para um abrigo, numa extremidade e, na extremidade oposta, espao para as portas de acesso. Desta forma a base de 50,0 m ca destinada, exclusivamente, para a ave voar e se exercitar e para o espelho d’gua para os banhos (Figuras 3 e 4). Alem disso permite a implantao da rea de cambiamento e do corredor ou cmara de segurana. O local dever ser equipado com poleiros e plataformas estrategicamente colocadas para estimular o vo do animal. A estrutura ser coberta com sombrite 75% de sombra. Em seu teto, alm do sombrite ser usada uma cobertura de plstico agrcola transparente (Figuras 5). Na parte superior do viveiro foram colocadas trs linhas Figura 3. Acrscimo dos semicrculos Figure 4. Base do recinto Figura 2. Recinto de acordo com a IN 04/2002 Pilar de la plataforma y canto Esteios: parede e teto Esteio para plataforma e cumieira Espelho d’gua Esteio para plataforma e cumieira

PAGE 12

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 11 Figura 5. Estrutura da cobertura Figura 6. Linha de aspersores do teto Figura 7. Linha de esgoto do espelho d’gua R = 2,5 m Esteios: parede e teto Esteio para plataforma e cumieira Esteio para plataforma e cumieira Cabo de ao galvanizado com alma de corda ” X Hacia la red de gua potable. X Para a rede de gua potvel Ralo de fundo Controlador de nvel Registro de gaveta Para esgotamento

PAGE 13

PGINA 12 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 de microaspersores, para obtermos o necessrio controle microclimtico do viveiro (Figuras 6 e 7). Concluso O novo modelo de recinto desenvolvido pela RPPN REVECOM mostrou ser plenamente satisfatrio para abrigar a Harpia harpyja e qui receber outro individuo. O custo de construo do viveiro foi compensado pela rpida adaptao e resposta da ave nele abrigada, alm de atender as orientaes da IN 04/2002. Agradecimentos A equipe da RPPN REVECOM pelo esforo empregado na construo do recinto e para a plena recuperao do uirau. Referncias Amorim, P. R..N., R.R. E. Silva, M. Lemos, M.L Barreto. 2010. Recuperao de um Uirau ( Harpia harpyja ) na Reserva Particular do Patrimnio Natural REVECOM. Spizaetus, v.10, p.16 22. Brasil, Instruo Normativa No. 001/89-P de 19 de outubro de 1989. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renovveis. Braslia, 1989. Brasil, Instruo Normativa No. 004/02 de 04 de maro de 2002. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renovveis. Braslia, 2002. Brown, L. 1976. Birds of Prey, their biology and ecology. Hamlyn: Londres. Cooper, E. 2002. Birds of prey: Health and disease. 3.ed. Willey-Blackwell: Ames, 384p. Enderson, J. 1986. Husbandry and captive breeding of birds of prey. In: FOWLER, M.E. Zoo & Wild Animal Medicine, 2ed. W. B. Saunders Company: Philadelphia, p.376-379. ICMBIO. Plano de Ao Nacional para a Conservao de Aves de Rapina. Instituto Chico Mendes de Conservao da Biodiversidade. Braslia, 136p. 2008. Parry-Jones, G. 2002. Training birds of prey. David & Charles Publishers: Devon, 160p. Sick, H. 1997. Ornitologia Brasileira. 2a impresso, Editora Nova Fronteira S.A. Rio de Janeiro, 912p. * Uirau abrigada no novo recinto RPPN REVECOM

PAGE 14

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 13 A Athene cunicularia uma coruja de pernas longas que ocorre desde o Canad at a Terra do Fogo, na Argentina (Sick, 1997). Strigiforme de porte pequeno, mede 22 centmetros de comprimento e pesa entre 120-250 gramas (Bozinovic e Medel, 1988, Marks et al, 1999). Esta coruja ocorre em uma variedade de paisagens, especialmente em reas abertas como campos e savanas, no entanto, devido fragmentao de seus habitats para o desenvolvimento agrcola e urbano, algumas populaes de coruja-buraqueira vivem perto de reas habitadas (Gervais et al 2003. ), onde muitas vezes tira proveito da luz arti cial para caar insetos. Talvez, devido a este fato, elas preferem viver em reas povoadas, uma vez que so comuns nas cidades, campos e fazendas. De acordo com Sick (1997) e Antas e Cavalcanti (1998), esta espcie habita buracos no cho cavados por outras espcies ou que se faz (da o nome comum de buraqueira Coruja). Esta coruja mostra uma notvel capacidade de se adaptar e capturar uma grande variedade de presas incluindo insetos, roedores e ocasionalmente pequenos anfbios e outras aves (Sick, 1997, Motta-Junior e Alho, 2000, Motta Jnior et al. 2007). Embora A. cunicularia conhecido como uma espcie generalista, alimentando-se de uma seleo muito diversas de presas, e a presena de vertebrados em sua dieta tm sido documentados em vrios estudos, (Martins e Egler, 1990), geralmente invertebrados (principalmente insetos) prevalece sobre os vertebrados (Thomsen 1971, Silva-Porto e Cerqueira, 1990, Green et al 1993, John e Romanow, 1993, Teixeira e Melo, 2000, Motta-Junior e Bueno, 2004, Zilio, 2006;. Vieira e Teixeira, 2008 ). DIETA DA CORUJA-BURAQUEIRA ( ATHENE CUNICULARIA) DURANTE A POCA DE NIDIFICAO/VERO EN UMA PASTAGEM NO NOROESTE DO ESPRITO SANTO, BRAZIL Por Mikael Mansur Martinelli Museu de Biologia Prof. Mello Leito (Zoologia) Av. Jos Ruschi, 4, Centro, 29650-000 Santa Teresa, ES – Brasil. E-mail: mansurmartinelli@yahoo.com.br Athene cunicularia Jos Nilton da Silva, Museu de Biologia Prof. Mello Leito

PAGE 15

PGINA 14 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 O objetivo deste estudo foi apresentar dados quantitativos (nmero de indivduos e biomassa bruta ingerida) da dieta A. cunicularia a partir de presas identi cadas em material regurgitado em uma rea de pastagem no noroeste do Estado do Esprito Santo, Brasil. Metodos O estudo foi realizado no Stio Irmos Martinelli (1928’23’’S e 4044’22’’W, 98 m de altitude) na localidade do Crrego So Joo Pequeno, rea rural da cidade, distante 15 km do centro da cidade de Colatina, Esprito Santo, Brasil. A regio de clima quente durante o vero, com chuvas pouco constantes, com temperaturas variando entre 40C e 24C. O stio possui 32 ha, constituda predominantemente de lavouras de monocultura de caf (12 ha), rea de pasto com criao de gado (8 ha) e pequeno remanescente de Mata atlntica (6 ha) bastante interferida. O material regurgitado foi coletado semanalmente durante o vero de 2008 (janeiro e fevereiro), onde se veri cou a existncia de restos de presas ao redor de trs ninhos num raio de trs metros. A identi cao das presas foi feita a partir da comparao com a coleo de insetos do Museu de Biologia Prof. Mello Leito e bibliogra a (Borror & DeLong 1988), a quantidade de indivduos foi estimada a partir da contagem de partes no digerveis como cabeas, quitinas, carapaas e ossos comuns (mandbula e plvis). Resultados TA anlise do material revelou 155 espcies de presas consumidas, que formaram a dieta de Athene cunicularia (Tabela 1) insetos foram predominantes (97,5%), com Onthophagus gazella (Besouro-rola-bosta), sendo a mais prevalente (95, 5%). Encontramos evidncias de consumo de vertebrados (lagartos e roedores), em apenas um dos trs ninhos. Encontramos restos de roedores, que inclua ossos e pelos, em apenas duas pelotas regurgitadas. Restos de lagarto foi encontrado em uma pelota sendo apenas as mandbulas e alguns ossos. Corujas tendem a caar lagartos durante o dia, uma vez que estes rpteis forrageam durante as horas mais quentes do dia, enquanto os roedores a noite. Considerando que os invertebrados foram os itens de presas mais consumidas ou trazido para o ninho de corujas adultas (62,25%), vale a pena mencionar que pode ter superestimado a biomassa Arachinidea, como encontramos seus restos parcialmente comido (pernas/cefalotrax) em torno da ninho, e no em qualquer uma das pelotas coletadas. Em termos de biomassa bruta ingerida, os vertebrados so um componente importante (37,75%) na dieta desta espcie. Discussao O resultados mostram que a dieta de A. cunicularia nesta regio constituda basicamente por insetos, principalmente Onthophagus gazella A

PAGE 16

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 15 presena elevada deste invertebrado em sua dieta pode ser devido prevalncia deste besouro em pastagens onde h uma abundncia de fezes de gado. Os ninhos do estudo estavam localizados no centro de uma pastagem com pecuria extensiva. O. gazella um importante agente para a restaurao de pastagens. Pois, muitas vezes carregam os ovos e larvas de moscas junto com as fezes do gado, que so enterradas pelos escaravelhos a uma profundidade de cerca de 25 cm, contribui para suporte de nutrientes da pastagem (Silva e Vidal, 2007), especialmente no caso da Mosca de chifre, que muito prejudicial para rebanhos bovinos. Pequenos mamferos como roedores, marsupiais e morcegos, tm sido identi cados em pelotas regurgitadas de vrias espcies de coruja (SilvaPorto e Cerqueira, 1990; Motta-Junior, 2004; Motta-Junior, 2006, Roda, 2006, Zilio, 2006). Martins e Egler, 1990 registraram predominncia de roedores na dieta de Athene cunicularia em uma pastagem. A ausncia de certas presas em nosso estudo que tm sido documentados em quantidades considerveis em vrios outros estudos devido provavelmente grande oferta de Coleoptera em nossa rea de pesquisa, que em termos de biomassa, no muito vantajoso em comparao aos vertebrados, especialmente roedores.Tabela 1. Espcies predadas com respectiva massa corporal mdia (g) de indivduos adultos. Nmero (N) e biomassa ingerida estimada (g) das espcies encontrados nas pelotas de regurgitao de Athene cunicularia em uma rea de pastagem no Noroeste do Esprito Santo, Brasil. PresasMassa Corporal Mdia N (%)Biomassa (%)Insecto Coleoptera151 (92,42) Scarabidae150 (96,78)151 Onthophagus gazella 1148 (95,5)148 (58,75) spp. 111 (0,64)1 (0,4) spp. 221 (0,64)2 (0,8) Carabidae spp11 (0,64)1 (0,4) Arachinidea Mygalomorphae51 (0,64)5 (1,9) Reptilia Tropiduros torquatos 151 (0,64)15 (5,95) Mammalia Rodentia (no identi cado) 402 (1,3)80 (31,8) TOTAL155 (100,0)252 (100,0)

PAGE 17

PGINA 16 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 Diferentes estudos em desta espcie mostram um oportunismo, cuja a estratgia de caa est concentrada sobre a presa mais abundante na regio. Este comportamento oportunista permite que as corujas possam ocupar vrios nveis tr cos, preenchendo um nicho alimentar muito amplo. Esta lhes proporciona a capacidade de sobreviver em diferentes ambientes e pode ser o fator principal que explica o sucesso desta espcie em reas perturbadas. Agradecimentos Ao meu pai (Alarcio Jorge Martinelli) quem achou os ninhos. Jos Carlos Motta-Junior pelas referncias. Thais de Assis Volpi e Dra. Luisa Maria Sarmento-Soares por algumas revises ao manuscrito. Referncias Antas, P. T. Z. and R. B. Cavalcanti 1988. Aves comuns do Planalto Central. Braslia: Editora Universidade de Braslia. Bozinovic, F. and R. G. Medel 1988. Body size, energetic and foraging mode of raptors in central Chile. Oecologia 75:456-458. Gervais J. A., D. K. Rosemberg and R. G. Anthony 2003. Space use and pesticide exposure risk of male burrowing owls in an agricultural landscape. Journal of Wildlife Management 67:155–164. Green, G. A., R. E. Fitzner, R. G. Anthony and L. E. Rogers 1993. Comparative diets of Burrowing Owls in Oregon and Washington. Northwest Science 67:88-93. John, R. D. and J. Romanow 1993. Feeding behaviour of Burrowing Owl, Athene cunicularia in Ontario. Canada Field Natural. 107:231-232. Marks, J. S., R. J. Cannings and H. Mikkola 1999. Family Strigidae (Typical Owls), p. 76-242. Em: Del Hoyo, J., A. Elliot and J. Sargantal (eds.) The handbook of birds of the world. Volume 5: Barn-owls to Hummingbirds. Barcelona, Lynx Edicions. Martins, M. and Egler, S. G. 1990. Comportamento de caa em um casal de corujas buraqueiras ( Athene cunicularia ) na regio de Campinas, So Paulo, Brasil. Revista Brasileira de Biologia 50:579–584. Motta-Junior, J. C. 2006. Relaes tr cas entre cinco Strigiformes simptricas na regio central do Estado de So Paulo, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14(4):359-377. Motta-Junior, J. C. and Bueno A. A.2004. Trophic ecology of the Burrowing Owl in southeast Brazil, p. 763-775. Em: Chancellor R. D.; Meyburg B. U. (org.). Raptors Wordwide. Berlin/Budapeste: World Working Group on Birds of Prey and Owls and MME/Birdlife Hungary. Motta-Jnior, J. C., Bueno, A. A. and Braga, A. C. R. 2007. Corujas Brasileiras. [on line]. Available at http://www.ibcbrasil.org.br/noticias/detalhes.

PAGE 18

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 17 asp?cod_noticia=49). (Accessed in november 2010). Roda, S. A. 2006. Dieta de Tyto alba na Estao Ecolgica do Tapacur, Pernambuco, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14(4)449-452. Sick, H. 1997. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Silva, P. G. and Vidal, M. B. 2007. Atuao dos escarabedeos mcolas (Coleoptera: Scarabaeidae sensu stricto) em reas de pecuria: potencial ben co para o municpio de Bag, Rio Grande do Sul, Brasil. Revista de Cincias Agroveterinrias 6:162-169. Silva-Porto, F. and Cerqueira, R. 1990. Seasonal variation in the diet of the burrowing owl Athene cunicularia in a resting of Rio de Janeiro State. Cincia e Cultura 42:1182-1186. Teixeira, F. M. and C. Melo 2000. Dieta de Speotyto cunicularia Molina, 1782 (Strigiformes) na regio de Uberlndia, Minas Gerais. Ararajuba 8:127131. Thomsen, L. 1971. Behavior and ecology of Burrowing Owls on the Okland Municipal Airport. Condor 73:117-192. Vieira, L. A. and Teixeira, R. L. 2008. Diet of Athene Cunicularia (Molina, 1782) from a sandy costal plain in southeast Brazil. Boletim do Museu de Biologia Mello Leito. Nova srie. 23:5-14. Zlio, F. 2006. Dieta de Falco sparverius aves falconidae e Athene cunicularia aves strigidae em uma regio de dunas no sul do Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14:379-392. *

PAGE 19

PGINA 18 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 As famlias Accipitridae e Falconidae da ordem Falconiformes e a Famlia Cathartidae pertencente ordem Ciconiformes possuem algumas espcies migrantes e sazonais (Sick 1983, Sigrist 2007). Algumas dessas espcies so migrantes clssicos como: Elanoides for catus e Falco peregrinus (Frisch & Frisch 2005, Sigrist 2007). Muitos falconiformes deslocam-se apenas para sua reproduo (Del Hoyo et al 1994). No entanto, outras espcies da mesma ordem se deslocam procura de melhores condies ambientais, maior disponibilidade de recursos e melhores temperaturas (Newton 1979). Desta forma o presente estudo realizado na Estao Biolgica de Santa Lcia (EBSL), proporcionou registros de aves rapinantes diurnas em diferentes estaes climticas, demonstrando quais estaes houve maior nmero de registros de espcies dessas aves. O AVES DE RAPINA DIURNAS DA ESTAO BIOL"GICA DE SANTA LCIA: UMA ANALISE NAS DIFERENTES ESTA'ES CLIMTICAS, SANTA TERESA ESPRITO SANTO, BRASIL Por 1* Jos Nilton da Silva ; 2 Thas de Assis Volpi & 3 Rosemberg Ferreira Martins. 1* Museu de Biologia Prof. Mello Leito, Avenida Jos Ruschi, n. 4, Centro Santa Teresa, ES – 29650-000. Email: josnsilva@yahoo.com.br. 1,2 Centro Universitrio Norte do Esprito Santo (UFES/CEUNES); Rodovia BR 101 Norte, km 60, bairro Litorneo, CEP 29932-540, So Mateus – ES. E-mail: taisvolpi@gmail.com. 1,3 E-mail: Rosembergfm@terra.com.br.O Brasil possui em seu territrio uma ornitofauna estimada em 1832 espcies (CBRO 2011), essas espcies esto distribudas em diversas ordens famlias e subfamlias (Sick 1997). Dentre essas aves existem muitas espcies migratrias e sazonais (Sick 1983, 1997), esses comportamentos sazonais e migratrios ocorrem devido a variaes climticas anuais (Sick 1983). Essas variaes climticas consequentemente in uenciam na disponibilidade de recursos e nas mudanas siolgicas de muitas aves (Newton 1979, Sick 1983, Thiollay 1996). Segundo Newton (1979) e Calder & King (1974) a poca reprodutiva de algumas aves pode ser in uenciada por fatores sazonais nas regies temperadas. Muitas aves sazonais e migrantes deslocam-se a procura de melhores recursos (Sick 1983, 1997). O deslocamento da avifauna brasileira est diretamente ligado com as mudanas nas estaes climticas sendo elas: Primavera, Vero, Outono e Inverno (Sick 1983).

PAGE 20

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 19 Materiais e Mtodos rea de estudo O municpio de Santa Teresa localiza-se na regio serrana do estado do Esprito Santo (40 36’06” W e 19 56’10” S), (Tabacow 1992). A Estao Biolgica de Santa Lcia (EBSL), localizada dentro do municpio um remanescente de Mata Atlntica de aproximadamente 440 ha. com altitudes de 550 a 950 m (Mendes & Padovam 2000). Figura 1. Mapa da Estao Biolgica de Santa Lcia e suas respectivas trilhas (Fonte: Mendes & Padovan, 2000). Coleta de dados As atividades tiveram incio em maio de 2006 e trmino em maio de 2007, sendo realizadas cinco vistas em cada estao do ano sendo as observaes iniciadas s 06h00min e trmino as 13h00min. Dessa forma, perfazendo um total de 7 horas/campo por visita. Dessa forma cada estao climtica obteve 35 horas/campo totalizando para o trabalho 140horas de observaes no campo.

PAGE 21

PGINA 20 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 Tabela 1. Espcies de aves rapinantes observadas na EBSL durante monitoradas durante trabalho Foram utilizados Binculos (Breaker 20X50 e Tasco 12X25) para as observaes das aves, cmeras fotogr cas (Sony H5 e Sony H1) gravadores e termmetros para a apurao das medias termais de cada estao, sendo as temperaturas eram monitoradas de hora em hora em todas as campanhas de campo. Todos esses materiais foram usados nos transcectos e nos pontos de escuta, sendo os transcectos percorridos nas trilhas Timbu, Tapino e trilha do Sagi. Os pontos de escutas tratavam-se dos mirantes onde maior parte das observaes foi feita durante as campanhas. Apesar de vrios estudos de inventrios terem se realizado no municpio de Santa Teresa (Ruschi 1977, Willis & Oniki 2002, Simon 2000, 2006, Vieira 2002) Os dados obtidos foram comparados apenas com estudos da avifauna feitos por Simon (2000) e Ruschi (1977), pois os mesmos L L L LE LE LE G GE GE ND ND A A A: X XO registro dos trs t tr abalhos realizados na E EB SL incluindo a p resente p pe squisa; X XR registros feitos por R Ru sc h i ( 1977) e o atual t tr ab al ho X XS Registros obtidos por S Si mon (2000) e o p resente e es tudo; X XJ registros feitos apenas n na p resente pe sq uisa * espcie possive l mente v v va gante na regio, primeiro r re r gi g stro p p ara o munic pi p o

PAGE 22

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 21 foram realizados dentro da Unidade de conservao. Resultados Foram registradas 19 espcies de aves de rapina, sendo 10 espcies da famlia Accipitridae, 2 espcies da famlia Cathartidae e 7 da famlia Falconidae. Durante o trabalho houve oscilaes dos registros das aves rapineiras entre as estaes climticas apenas as espcies da famlia Cathartidae mantiveram os registros estveis durante todas as estaes (Tabela 1) As temperaturas mantiveram-se em constantes oscilaes durante as campanhas de campo tendo com registro de mnima no Inverno 17 C e EstaesMnimaMxima Inverno17 C30 C Primavera17 C34 C Vero18 C36 C Outono17 C33 CTabela 2: variaes mnima e mxima das temperaturas durante as estaes climticas no estudo. mxima no Vero 36 C, as outras estaes tambm tiveram diferenas expressivas nas mdias mnimas e mximas, como expressa a Tabela 2. Discusso A necessidade dessas aves de se alimentarem varia de acordo com as estaes climticas e o tamanho corpreo (Calder & King 1974, Gessamam 1987). Espcies de pequeno porte (< 370g) das regies temperadas necessitam de um grande aporte em biomassa que representa cerca de 25% de sua prpria massa corporal durante o inverno. J aves de mdio/grande porte (700-1200g) necessitam entre 10-15% enquanto grandes guias (> 3000g) em regies semelhantes e em cativeiro consomem cerca de 5% de sua massa em presas (Gessamam 1987). Estudos demonstram que a mdia de consumo de alimento no inverno de 20-30% maior que no vero (Gessamam 1987, Del Hoyo et al 1994). No entanto, as oscilaes dos registros durante as estaes climticas podem ser devido Figura 2 (Ezq.): Cathartes aura ( Urubu-da-cabea-vermelha), espcie registrada em todas as estaes climticas do estudo. Figura 3. (Dir.) Spizaetus tyrannus (Gavio-pega-macaco), espcie registrada em algumas estaes climticas durante o estudo Jos Nilton da Silva

PAGE 23

PGINA 22 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 poca de reproduo ou disponibilidade de alimentos, pois as aves rapinantes so especializadas em determinadas presas (Bennet & Owens, 1997). Mesmo assim, algumas espcies de aves rapinantes foram observadas durante todas as estaes climticas como: Coragyps atratus, Cathartes aura, Leucopternis polionotus, Leptodon cayanensis e Rupornis magnirostris essas espcies foram bastante comuns durante todas as campanhas, porm algumas delas como Leptodon cayanensis foi registrada com menor frequncia em algumas estaes sendo elas Primavera e Outono. As aves registradas durante o trabalho demonstraram utilizar os 440 ha. da EBSL, exibindo comportamentos caractersticos de sua ecologia. As temperaturas oscilaram entre as estaes do ano, essas mudanas nas mdias termais de uma estao climtica para outra pode ter sido um dos motivos de espcies desaparecerem em algumas estaes, pois segundo Sick, (1997, 1983), Newton (1979) temperaturas muito baixas ou muito elevadas podem in uencia nas baixas atividades de aves rapineiras. No entanto, algumas aves falconiformes no se deslocam de uma regio para Figura 4. Gr co demonstrando as variaes nos registros das espcies de aves de rapina nas diferentes estaes climticas

PAGE 24

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 23 outra durante as mudanas climticas, mas sim diminuem suas atividades diminuindo as possibilidades de ser avistada ou registrada (Sick 1983). Segundo Terborgh (1992) aves predadoras de topo necessitam de milhares de hectares para sua sobrevivncia, dessa forma as aves rapinantes tm pocas de que suas atividades so acuminadas e outras pocas diminutas di cultando a deteco das mesmas em ambientes com reas orestais muito grandes. Agradecimentos Ao setor de Zoologia e a Administrao do Museu de Biologia Professor Mello Leito (MBML), pois seu apoio na realizao do projeto foi uma das principais causas da sua concretizao. Agradecer a Fernando Moreira Flores, Mikael Mansur Martinelli e Luiza Maria Sarmento soares pela ajuda em vrios pontos do trabalho, desde a sua realizao a sua concluso. Referncias Bennet, P. M. e I. P. F. Owens 1997. Variation in extinction risk among birds: chance or evolutionary predisposition? Proc. Royal Soc. London (Series B) 264: 401-408. Calder, W.A. & J.R. King, 1974. Thermal and caloric relations of birds. Pp 259-413. In: Del Hoyo, J., Elliot, A. & Sargatal, L.J. 1994. Handbook of the birds of the world, vol. 2. Barcelona: Lynx Editions. 639 pp. Comit Brasileiro de Registros Ornitolgicos CRBO 2011. http://www.crbo.org.br. Frisch, J.D. & C.D Frisch (2005). Aves brasileiras e a s plantas que as atraem. 3.ed. So Paulo: Dalgas Ecoltec. Gessaman, J.A. 1987. Energetics. Pp. 289-320. In: Pendleton, B.A. et al, (Eds). Raptor magnament. Techniques manual national Wildlife, Federation, Sd. Tech. ser.10. Washington. DC. Mendes, S.L. & M.P. Padovan 2000. A Estao Biolgica Santa Lucia, Santa Teresa, Esprito Santo. Esprito Santo: Boletim do Museu de Biologia Professor Mello Leito 11/12: 7-34. Newton. I. 1979. Population ecology of raptors. Buteo Books. Vermillion, South Dakota. 399pp. espcies de Falconiformes: modelos nulos e bidimensionais. Ararajuba. 10 (2) 141-147. Ruschi, A. 1977. A ornitofauna da Estao Biolgica do Museu Nacional. Boletim Museu de Biologia Professor Mello Leito (srie Zoologia), 88: 1-10. Sick, H. 1983. Migrao de aves na Amrica do sul continental. CEMAVE. Sick, H. 1997. Ornitologia brasileira: uma introduo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira 912p. Sigrist, T. 2007. Aves do Brasil oriental. Vol.1. Pp. 448. Avis Brasilis. So Paulo. Simon, J.E. 2000. Composio da avifauna da Estao Biolgica de Santa Lcia, Santa Teresa-ES. Es-

PAGE 25

PGINA 24 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 prito Santo: Boletim do Museu de Biologia Mello Leito, Nova Srie 11/12: 149-170. Simon, J.E. 2006. Efeitos da fragmentao da Mata Atlntica sobre comunidades de aves na regio serrana de Santa Teresa, Estado do Esprito Santo, Brasil. Tese de Doutorado. Curso de Ps-graduao em Cincias Biolgicas, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ. Tabacow, J. 1992. Proposta de Zoneamento Ambiental para o Municpio de Santa Teresa. Monogra a de Especializao na Universidade Federal do Esprito Santo. Esprito Santo. Terborgh, J. 1992. Maintenance of diversity in tropical forests. Biotropica 24: 283-292. Thiollay, J.M. 1996. Distributional patterns of raptors along altitudinal gradients in the northern Andes and effects fragmentation. J. Trop. Ecol. 12:553-560. Vieira, L.A. 2002. Caracterizao da avifauna do Parque do Museu de Biologia Professor Mello Leito, Santa Teresa-ES. Dissertao de Graduao em Cincias Biolgicas na Escola de Ensino Superior So Francisco de Assis, ESFA. Willis, E.O. & Y. Oniki 2002. Birds of Santa Teresa, ES, Brazil: Do Humans add or subtract species? Esprito Santo: Papis Avulsos de Zoologia 42: 193-264 Zeller, N.S. & J.A. Collazo (1995). Abundance and distribution of wintering passerines in bottomland hardwood forests in North Carolina. Wilson Bull. 107: 698-708.* *

PAGE 26

WWW.NEOTROPICALRAPTORS.ORG PGINA 25 De Interesse... CongressosV CONGRESO ORNITOL"GICO NORTE AMERICANO 14-18 Agosto 2012 Vancouver, British Columbia, Canada. http://www.naoc-v2012.com/ NEOTROPICAL RAPTOR NETWORK, RAPTOR RESEACH FOUNDATION AND WORLD WORKING GROUP ON BIRDS OF PREY AND OWLS 21-25 Outubro 2013 Bariloche, Argentina. http://www.raptorresearchfoundation.org/conferences/upcoming-conferences BlogsLeia sobre as experincias dos bilogos da sia e frica e das Amricas (disponvel apenas em Ingls) blogs.peregrinefund.org / Receba atualizaes sobre notcias de conservao, artigos cient cos e outras notcias relacionadas sobre aves (Ingls e Espanhol) whitehawkbirding.com/en/blog.html CursosO Belize Raptor Research Institute est organizando o seu segundo Curso de Identi cao das Aves de Rapina em Belize com Bill Clark. Ele ocorrer em Dezembro de 2012. Para mais informaes contate Ryan Phillips: harpiabz@yahoo.com Ryan Phillips Yeray Seminario Marta Curti

PAGE 27

PGINA 26 NMERO 12 • DEZEMBRO 2011 Para participar da RNN envie a mcurti@peregrinefund.org uma breve apresentao e comunicando seu interesse na pesquisa e conservao das aves de rapina SPIZAETUSBOLETIM DA RRN Nmero 12, Dez 2011 ISSN 2157-9180