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Correio (Portuguese)
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Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/UF00095067/00120
 Material Information
Title: Correio (Portuguese)
Physical Description: Serial
Language: English
French
Portuguese
Spanish
Publisher: Hegel Goutier
Place of Publication: Brussels, Belgium
Publication Date: 07-2011
 Subjects
Genre: serial   ( sobekcm )
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
System ID: UF00095067:00120

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REPOR TAGEM Nigria Um pas emergente em espera DESCOBER TA DA EUROPA Islndia Terra de fogo e gelo DOSSIER Turismo ACP Criao de Barmetrowww.acp-eucourier.infoN 24 N O V A EDI O (N. E .) J U LHO A GOSTO 2011OA revista das relaes e cooperao entre frica-Carabas-Pacfico e a Unio Europeia C rreio

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ndiceO CORREIO, N 24 NOVA EDIO (N.E.)EDITORIAL 3 PERFIL Jacques Delors 4 Um arquiteto dos ACP, Sir Shridath Ramphal 5EM DIRECTO Stephen OBrien, Sub-Secretrio para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido 6PERSPECTIVA Libria est fazendo bem no exterior 8 Universidade Pan-Africana na pista 10 Ken Ndiaye, colocando um balano na dispora 11 A estrutura slida para a Agricultura Africana 12 Naes mais pobres esquecidas pelos ODM 13 Nascimento da 54a Nao Africana 13 frica do Sul e o maior rdiotelescpio do mundo 14 Corpo de Voluntrios UE para a Ajuda Humanitria 16 Desenho de um futuro melhor 17 DOSSIER ACP: Turismo Maior cooperao em um setor em rpido crescimento 18 A frica uma histria de sucesso do turismo: Taleb Rifai 20 frica Ocidental se move para cima: rankings 22 Pacfico procura cumprir seus potenciais 23 Mais visitantes a gastar menos no Caribe 24A SOCIEDADE CIVIL EM AO Dando auxlio e esperana s crianas carentes: Afrikids 26NOSSA TERRA frica Oriental, uma vitrine geotrmica 28 DOSSIER 18 PERSPECTIVA 8 O Correio : O Final Conforme anunciado anteriormente, esta ltima 24. edio do O Correio a ltima edio a ser publicada. O Secretariado ACP, que se encontra na origem deste projecto, e a Comisso Europeia, que assegurava o seu financiamento, encontram-se, actualmente, numa fase de reconsiderao das suas polticas em matria de comunicao. A equipa do O Correio gostaria de agradecer aos seus leitores, da revista impressa e da sua edio online, o seu voto de confiana e o grande apoio que deram ao projecto. Sondagens realizadas revelaram que a grande maioria apreciou a objectividade da revista, apesar de saberem que a publicao era financiada por organismos institucionais. C rreioO Comit Editorial Co-Presidentes Mohamed Ibn Chambas, Secretrio-Geral Secretariado do Grupo dos pases de frica, Carabas e Pacco www.acp.int Fokion Fotiadis, Director-Geral da DG EuropeAid Comisso Europeia ec.europa.eu/europeaid/index_pt.htm Equipa Editorial Editor-Chefe Hegel Goutier Jornalistas Marie-Martine Buckens (Editor-chefe adjunto) Debra Percival Editor Assistente Anna Bates Assistente de Produo T elm Borrs Colaboraram nesta edio Sylvia Arthur, Sandra Frederici, Andrea Marchesini, Okechukwu Umelo, Bram Posthumus, Francis Kokutse, Bernard Babb Gerente de projecto Gerda Van Biervliet Coordenao artstica Gregorie Desmons Paginao Loc Gaume Relaes pblicas Andrea Marchesini Reggiani Distribuio Viva Xpress Logistics www.vxlnet.be Agncia Fotogrca Reporters www.reporters.be Capa Welcome statues, Ilha de Lagos, pelo escultor Olubodun Shodeinde representando trs chefes tradicionais. A escultura oferece trs conselhos aos visitantes da Ilha de Lagos: No sejam lentos, no sejam parvos, no larguem o que vosso. Hegel GoutierContacto O Correio 45, Rue de T rves 1040 Bruxelas Blgica (UE) info@acp-eucourier.info www.acp-eucourier.info T el.: +32 2 2345061 Fax: +32 2 280 1912 Publicao bimestral em portugus, ingls, francs e espanhol Para mais informaes como subscrever, consulte o stio web www.acp-eucourier.info ou contacte info@acp-eucourier.info Editor responsvel Hegel Goutier Parceiros Gopa-Cartermill Grand Angle Lai-momo As opinies expressas so as dos seus autores e no representam qualquer opinio ocial da Comisso Europeia nem dos pases ACP T anto a Comisso Europeia como os pases ACP ou qualquer outra pessoa que os represente, no podero ser tidos responsveis pela utilizao que possa ser feita da informao contida nesta publicao, nem por qualquer erro que, apesar da preparao e controlo cuidadosos, possa surgir.

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N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011Nollywood: o imprio do novo filme 53 Abuja Zumbido 54 NIDO, engenhosidade da Nigria 54INTERACESfrica-UE reunio Estratgia 55 Proposta de uma poltica agrcola mundial 56 Migrao, Comrcio, Sul do Sudo: Ministros ACP e da UE renem-se 57 CRIATIVIDADEMusa: A arte do Sudo icon 58 Couleur Caf 2011 59 Sfinks Mixed festival 59 Fetiche da Modernida de 60 Filmes africano sob demanda 60 MobiCINE 61 Primeira apario do Haiti na Bienal de Veneza de Arte Contempornea 62 PARA JOVENS LEITORESSim, Nigria envia satlites ao espao! 63CORREIO DO LEITOR/AGENDA 64DESCOBERTA DA EUROPAIslndia Imprevisibilidade elevada a um modo de vida 30 Do Althingi ao Parlamento Europeu 31 tica e Finanas 32 Prximo objetivo, Europa 33 Cooperao especfica e eficaz 34 Reiquiavique literria 36 Lava em suas veias 38COMRCIO BEI e ACP: Nova dinmica de financiamento das PME 39 EM FOCO Zinkp, o artista beninense: O espelho da alma 40REPORTAGEMNigria Esperando para se juntar s fileiras das naes emergentes 42 As linhas de falha 44 Ao alcance de metas de desenvolvimento 45 Nada menos do que ajudar a Nigria para se tornar uma potncia mundial 47 Ajuda da UE para a Nigria: A luta contra a m governao para liberar um vasto potencial 49 Dilogo ministerial permanente 50 Anti-sistema, em vez de anti-Chefe de Estado 50 Pragmticas ONG 51 Femi Kuti: o herdeiro indiscutvel de Afrobeat 52 REPORTAGEM 42EM FOCO 40DESCOBERTA DA EUROPA 30CRIATIVIDADE 58 Um adeus a Robert Iroga A equipa do O Correio gostaria tambm de aproveitar esta oportunidade para agradecer a Robert Iroga, um membro do conselho editorial do O Correio no seu papel de porta-voz do Grupo ACP. Robert acompanhou de perto o projecto na sua fase final de preparao e durante a sua evoluo posterior e ajudou a equipa editorial a conhecer um pouco melhor essa regio extraordinria do Pacfico que a sua regio natal. Regressa agora s Ilhas Salomo e desejamos-lhe as maiores felicidades para os seus novos projectos.

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2 Mundo Nollywood. A vibrante indstria de entretenimento da Nigria superior esquerdo / Estrela de cinema Femi Adebayo entrevistando uma concorrente a Miss Global Nigria superior direito / Vicki, danarina de hip hop, coregrafa centro / Oshadipe Twins (da direita para a esquerda: Kenny e Taiwo Oshadipe), cantores, artistas, realizadores de videos musicais esquerdo / Whitney Wonder, uma estrela pop de 8 anos de idade inferior direito / Koffi, estrela dos filmes e da msica, comediante

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N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 3J se passaram quase quatro anos desde o lanamento da nova edio do O Correio Deixmos claro nessa altura que o objectivo era manter a revista actualizada com as mudanas que ocorreram durante os trs anos em que publicao esteve suspensa. Esse per -odo de tempo assistiu, acima de tudo, ao desenvolvimento da Internet e citamos o filsofo francs Alain Finkielkraut, que descreveu este meio como a mistura mais complexa de verdades e mentiras. Desde ento, a Internet continuou, junta mente com outros meios de comunicao como o Twitter, blocos de notas digitais, geolocalizao e muitos outros mais, a invadir todos os espaos da vida privada e pblica. Mas, mais do que isso, o mundo passou por mudanas fundamentais. A uni -polarizao sob a bandeira do liberalismo ocidental, proclamada com demasiada rapidez aps a queda do Muro de Berlim, foi rapidamente ultrapassada por uma mul -tipolarizao contrastante, com o avano dos pases emergentes. Esta multipolariza -o segue quatro direces. A reconquista dos mercados domsticos desses pases, a apropriao das tecnologias de pases oci -dentais com um movimento simultneo para se tornar nas fbricas desses pases, a penetrao nos mercados europeu e norte --americanos, e finalmente a criao de uma posio dominante no continente africano. A China, por exemplo, conseguiu asse -gurar uma vitria prrica sobre os seus concorrentes em quase todo o continente africano. O Brasil, tambm desempenha a um papel importante, assim como a frica do Sul, claramente. Mesmo as potncias mdias como a sia e a Amrica Latina esto a ultrapassar a Amrica, a Europa e o Japo no continente. A segunda grande alterao nos ltimos anos tem sido a tempestade econmica e financeira que deflagrou em 2008 e que continua a atingir com fora os Estados Unidos e a Europa. Esta crise inspirou um comentador financeiro do canal de televiso e rdio francfono da Blgica, RTBF, a declarar: Impusemos durante muito tempo medidas de austeridade aos pases pobres, e agora temos que nos submeter a elas tam bm. A primeira nao desenvolvida a ser mais gravemente afectada em virtude desta tempestade econmica e financeira foi a Islndia, o primeiro pas no membro da UE a ser descrito na reportagem Discover a European Region (Descubra uma Regio Europeia). O pas naturalmente um can didato adeso Unio Europeia. A mudana tambm se deu, para todos verem, em frica, que at agora tem con -seguido resistir muito bem crise finan ceira mundial, graas s bases slidas. O pas que constitui o objecto da reportagem principal desta ltima 24. edio do O Correio a Nigria, realmente simb -lico do todo. Apesar dos seus problemas, sobretudo em matria de desigualdade social, os resultados macroeconmicos so francamente positivos. Ainda que o crescimento relativo da economia do pas assente no petrleo, h muitos outros sec -tores que deixam antever grandes promes -sas, como a indstria cinematogrfica e de entretenimento e o desenvolvimento de infra-estruturas. No fecho desta edio, o pas estava a preparar-se para lanar no espao os seus segundo e terceiro satlites. Ao mesmo tempo noutro lugar, chegou a notcia que a frica do Sul estava prestes a construir o maior radiotelescpio do mundo. Esta edio do O Correio dis -cute isso, na medida em que classifica a frica como uma histria de sucesso pela Organizao Mundial do Turismo (OMT), assinalando tambm que o Pacfico est igualmente a posicionar-se neste sector, graas ajuda europeia e que as Carabas esto a manter a sua posio. Qualquer anlise geopoltica deve men cionar ainda que houve uma propagao clara das estruturas formais da democra -cia no continente africano e um decl -nio significativo dos conflitos armados. importante ter tambm em mente a Primavera rabe em termos das rela es polticas futuras desses pases com a frica e a Europa.Dentro da Unio Europeia, foram forjadas ligaes entre a poltica de desenvolvi -mento e o novo Servio Europeu de Aco Externa (SEAE). Neste momento em que os pases dos ACP, antecipando mudanas importantes na sua cooperao com a UE, j comearam a discutir esta matria, no existem dvidas de que os dois parceiros necessitam de redefinir as suas polticas no que diz respeito comunicao sobre as suas relaes. E o O Correio a publi car agora a sua edio final, gostaria de agradecer aos leitores que nos fizeram companhia e espera ter servido como um sinal de trnsito que assinala onde est a acontecer algo, certificando-se ao mesmo tempo que os leitores se focam na prpria estrada e no no nosso dedo indicador. Hegel Goutier Editor-Chefe O dedo indicador e o caminho a percorrer

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Jacques Delors, um visionrio pragmtico Hegel GoutierJacques Delors teve, sem dvida alguma, um impacto profundo no reforo da Unio Europeia durante os seus trs mandatos como presidente da Comisso Europeia, entre 1985 e 1994. As relaes entre a UE e os ACP foram tambm reconfiguradas durante a sua presidncia atravs da reviso da Conveno de Lom, em 1995, em que foi atribuda uma maior dimenso poltica parceria. Compromisso e fora de vontade Quando Jacques Delors se tornou chefe da Comisso Europeia em 1985, o cargo destinava-se a um oficial internacional ao mais alto nvel, mas quando saiu, o presidente da Comisso era considerado o equivalente a um chefe de Estado. Poderse-ia dizer que Jacques Delors recebeu uma cadeira e transformou-a num trono. Os seus grandes trunfos residiam na sua capacidade de ouvir os outros e negociar acordos, sem, no entanto, sacrificar a sua linha de aco. Enquanto ministro francs da Economia e das Finanas, antes da sua nomeao para a Comisso, forjou o difcil compromisso da correco britnica, uma reduo da contribuio do Reino Unido para as finanas da Comunidade Europeia. Desde o incio do seu mandato como presidente da Comisso a 06 de Janeiro de 1985, demonstrou bem todas as suas qualidades no processo de procura de um acordo sobre o oramento da ento Comunidade Econmica Europeia (CEE). Para chegar a um acordo, visitou, separadamente, todos os chefes de Estado da Comunidade para discutir esse assunto e outros projectos. Mostrando uma grande determinao e um esprito de compromisso, conseguiu finalmente que os membros do Conselho aprovassem as suas propostas. Neste processo, o Conselho aprovou o Relatrio Delors sobre a criao, em 1992, do mercado interno da livre circulao de bens, servios, capital e pessoas. O Acto nico Europeu, adoptado em 1986, que reuniu os diferentes tratados que regiam a comunidade e reviu o papel das instituies da comunidade, inclua regras para o estabelecimento do mercado interno. O objectivo final foi alcanado com a adopo, em 1992, do Tratado da Unio Europeia, mais conhecido como Tratado de Maastricht, e a entrada em vigor, em 1995, da Conveno de Schengen sobre a livre circulao de pessoas entre os pases signatrios. Um episdio pessoal... No final da dcada de 1990, aps uma conferncia de imprensa dada pelo Presidente Delors sobre o conceito da livre circulao de pessoas, perguntei-lhe se a mesma liberdade seria garantida aos imigrantes legais em pases da Unio Europeia. Respondeu-me: Caro senhor, fao agora aqui um compromisso perante si e todos os seus colegas jornalistas que lutarei at ao fim para que isso acontea. Um ano depois, entrevistei-o noutro mbito, e espontaneamente, observou: Caro senhor, no me esqueci do compromisso que fiz sobre a livre circulao de imigrantes legalizados. A sua palavra valia tanto quanto uma assinatura. A consistncia e a sua perspectiva equilibrada sobre o ser humano, a sociedade e a poltica, so caractersticas que o definem. Essas caractersticas reflectemse em ambos os seus actos e escritos publicados. No lanamento do seu livro, Memrias comentou a sua recusa em ser candidato s eleies presidenciais francesas de 2005, apesar de ser o potencial candidato mais popular nas sondagens. As decepes de amanh seriam piores que os arrependimentos de hoje, declarou. Jacques Delors continua hoje a ser uma das vozes mais influentes sobre o futuro da Europa, e com toda a razo. 4PerfilJacques Delors Reporters

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Um arquitecto do ACP Perfil do Sir Shridath RamphalSir Shridath Ramphal um dos arquitectos do grupo de frica, Carabas e Pacfico (ACP). De 1975 a 1990 ele foi Secretrio-Geral da Commonwealth. Ele continua a trabalhar em desafios ambientais, governamentais e outros a nvel de desenvolvimento e um acrrimo defensor da integrao das Carabas. Debra Percival considerando como o ex-membro de estado lder das Carabas, mas a sua carreira estende-se a outros continentes. Regressou s suas origens, Guiana Inglesa na altura, em 1953 aps terminar a sua formao jurdica no Reino Unido. Em 1965 foi convidado por Forbes Burnham, o PrimeiroMinistro, para o lugar de Procurador-Geral e elaborou a nova constituio da Guiana, quando ganhou independncia em 1966. Recebeu o ttulo de Sir em 1970, dois anos aps ter sido nomeado Ministro dos Negcios Estrangeiros, tendo sido um elemento fundamental na preparao de uma poltica neutral para o pas. respeitado pela sua hbil diplomacia de levar 46 estados de frica, Carabas e Pacfico a iniciarem negociaes para ajuda de grande abrangncia e para um acordo de comrcio com a antiga Comunidade Econmica Europeia (CEE) de nove pases. Estados ACP individuais assinaram o Acordo de Georgetown na Guiana em 1975 para formar o Grupo ACP e posteriormente firmaram acordo com a UE, sendo conhecido como a I Conveno de Lom (19751980).Fortes laos ACPSir Shridath explicou que as negociaes para o Lom I foram a primeira ocasio em que os pases do Sul negociaram um regime de relaes econmicas abrangente e inovador com o mundo desenvolvido. Inclua preferncias de comrcio especiais, incluindo acar, banana e arroz, para os estados ACP. Foi uma experincia nova saudvel para a Europa. Foi uma experincia nova e tranquilizadora para os estados ACP, disse o antigo Ministro dos Negcios Estrangeiros, um negociador ACP fundamental nas conversaes de Lom I. Numa entrevista recente ao O Correio no incio de 2100, Carolyn RodriguesBirkett, Ministra dos Negcios Estrangeiros em funes da Guiana, afirmou que Sir Shridath a deixou plenamente consciente dos fortes e duradouros laos entre os estados ACP. O objectivo inicial do Acordo de Georgetown foi sempre tornar as suas competncias mais vastas do que apenas as relaes com a Europa, contounos. Mudanas geopolticas recentes e a actual incerteza pairando sobre as futuras relaes entre o ACP e a UE depois do fim do prazo da Conveno de Cotonou (2008-2013) alargaram a perspectiva do ACP. No seguimento da viso de Sir Shridath e dos arquitectos do ACP, o grupo procura actualmente estabelecer parcerias com outras naes e entidades incluindo a China, o Brasil e a ndia. No entanto, a falta de vontade poltica entre os lderes das Carabas de avanar a integrao dentro da sua prpria regio preocupa Sir Shridath. Referindo-se a um novo estudo do Instituto de Relaes Internacionais da universidade de West Indies, ele sublinha a um pblico na Jamaica em Julho de 2011 que os temas das Carabas requerem solues regionais. Alteraes climticas, crime internacional, o declnio de industriais regionais, segurana alimentar, desafios de governao, diplomacia internacional, entre outros, so problemas com os quais apenas possvel lidar efectivamente atravs de respostas coordenadas a nvel regional, diz o estudo. Numa frente global, Sir Shridath continua a trabalhar em torno de importantes questes de desenvolvimento, como a migrao internacional, atravs do Centro Ramphal, o centro intelectual sedeado em Londres para assuntos polticos que ele criou em 2008. Oferece anlises e objectivos para gerar ideias e prestar apoio aos EstadosMembro dos 54 pases da Commonwealth e outras naes com as suas polticas.Obtenha mais informaes sobre o Centro Ramphal em: wwwramphalcentre.org N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 5Sir Shridath Ramphal Reporters

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6 Em directo Debra PercivalResumidamente, quais so as prioridades actuais do Reino Unido em matria de ajuda externa para o desen -volvimento? Estamos a transformar o nosso ora -mento de ajuda para garantir o mximo impacto no terreno e responsabilidade total perante os contribuintes britnicos, que o seu dinheiro bem gasto e a con -ro a morte desnecessria de 250.000 recm-nascidos.Esto no bom caminho para alcanar a proporo de RNB para o desenvol -vimento at 2015? A Gr-Bretanha manteve o seu compromisso perante os pobres do mundo. A reviso das despesas no ano passado estabeleceu a forma como iremos cumprir a nossa promessa de gastar 0,7 por cento do Rendimento Nacional Bruto em ajudas a partir de 2013. Somos o primeiro pas do G8 a definir a forma como vamos cumprir esse objectivo.O Reino Unido rev as suas despesas em matria de desenvolvimento Entrevista com Stephen O'Brien, subsecretrio do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional Stephen O Brien tem sido o subsecretrio de Estado do Reino Unido para o Desenvolvimento Internacional desde Maio de 2011. directamente responsvel pela elaborao da poltica europeia no Departamento de Desenvolvimento Internacional presidido pelo secretrio de Estado para o Desenvolvimento Internacional, Andrew Mitchell. Um vigoroso activista global contra a malria, j desempenhou funes no antigo gabinete-sombra da oposio conservadora. Numa entrevista concedida ao O Correio, mostra-se favorvel s mudanas proclamadas por Andris Piebalgs, comissrio europeu para o desenvolvimento, no sentido de atribuir mais impacto e mais eficcia s despesas em matria de auxlios da UE. Estes so objectivos j perseguidos pelo Reino Unido nos seus programas bilaterais de ajuda ao desenvolvimento. Administrao de uma vacina contra o sarampo na provncia de Merawi na Etipia. A imunizao uma prioridade para o Reino Unido Pete Lewis/DFID centrar os nossos esforos num nmero mais pequeno de pases e agncias para garantir que a ajuda britnica tem um impacto ainda maior. Isso incluir pla -nos detalhados e garantias fortes no sen -tido de assegurar que podemos controlar onde o dinheiro foi gasto e ter certeza de que o mesmo faz realmente a dife rena. Vamos tambm mudar a forma como concedemos ajuda, entregando apenas dinheiro se os resultados forem realmente alcanados. Estas reformas abriro as portas da escola a 11 milhes de crianas, vacinaro mais crianas contra doenas prevenveis e impedi

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7 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 O Reino Unido reviu recentemente a sua poltica de desenvolvimento, suprimindo programas bilaterais para vrios pases em desenvolvi -mento e tambm para algumas enti dades intergovernamentais. Por que razo? A nossa reviso em matria de ajuda tor -nou o nosso trabalho mais focado e eficaz, estabelecendo a forma como a nossa ajuda pode ser melhor orientada para os mais pobres. A Gr-Bretanha suprir progra -mas bilaterais em pases como a China, o Vietname e a Srvia, que j no necessi -tam da ajuda britnica. Vamos transferir o nosso apoio bilateral para pases onde o dinheiro dos contribuintes britnicos pode ter o maior impacto positivo para os pobres. O nosso foco bilateral ser direc -cionado para 27 dos pases mais pobres, que no conjunto so responsveis por trs em cada quatro mortes globais durante a gravidez e quase trs em cada quatro mortes de malria no mundo. Quase dois teros dos programas sero em pases em conflito e frgeis, muitos dos quais esto bastante longe de alcanar as metas acordadas internacionalmente em matria de pobreza.Revimos tambm o nosso apoio a grandes agncias multilaterais de ajuda humani -tria, deixando de financiar quatro agn -cias classificadas como pouco rentveis e apoiando mais as agncias mais eficazes. Espera-se da parte de todas as agncias multilaterais, incluindo a UE, que pro vem que os seus programas de ajuda so rentveis. Fala-se muito nos crculos de desen -volvimento sobre o uso de instrumen -tos de ajuda inovadores. O governo britnico introduziu algum desses mtodos?Fomos pioneiros na introduo de maneiras novas e inovadoras para obter mais ajuda e investimento para os pa -ses mais pobres. Por exemplo, o Fundo de Financiamento Internacional para a Imunizao j impediu 1,4 milhes de mortes por febre-amarela, poliomielite e sarampo, enquanto que o Grupo de Desenvolvimento de Infra-estruturas Privado apoiado pelo Reino Unido tem ajudado a garantir 14,5 mil milhes de dlares americanos de investimento pri -vado em telecomunicaes, energia e infra-estruturas de transporte para ser vir mais de 100 milhes de pessoas nos pases em desenvolvimento mais pobres. Mas isso no pode substituir o nosso oramento de ajuda oficial. Um relatrio recente do G8 demonstrou existir ainda um deficit de 19 mil milhes de dlares americanos nas promessas de ajuda das oito naes mais ricas.Mas isso no pode substituir o nosso oramento de ajuda oficial. Um relatrio recente do G8 demonstrou existir ainda um deficit de 19 mil milhes de dlares americanos nas promessas de ajuda das oito naes mais ricas. fundamental que outras naes euro -peias respeitem os seus compromissos assumidos como o Reino Unido tem feito. Os meus colegas ministros e eu continuaremos a pressionar os lderes da UE no Conselho Europeu no sen -tido de cumprirem as suas promessas e a manterem, pelo menos, a proporo da ajuda no prximo oramento da UE a longo prazo. Este o nico caminho a seguir para que possamos alcanar as metas acordadas internacionalmente para reduzir a pobreza global. Ao mesmo tempo, no Corno de frica, estamos a assistir situao mais catastr -fica numa gerao. A Gr-Bretanha est a liderar o caminho. Fornecemos mais de 90 milhes de libras (102 milhes de euros) de ajuda a qual ajudar mais de dois milhes de pessoas na regio, dando --lhes os alimentos to necessrios, gua potvel e abrigo.Espera-se que o Comissrio Piebalgs coloque dois conjuntos de propostas na mesa no Outono de 2011 em mat -ria de alteraes aos programas de apoio oramental1 e poltica de desen -volvimento em geral2, a serem deba -tidos pelos ministros da UE. Que tipo de recomendaes gostaria de ver? a forma como o apoio oramental feito que importante. Ao fornecer apoio ora -mental, a UE deve garantir que possui avaliaes de risco polticas, econmicas e financeiras rigorosas em relao a cada pas para assegurar que a ajuda chega aos seus destinatrios. A ajuda da UE deve centrar-se mais em ajudar os mais pobres a escapar da pobreza. Ao mesmo tempo, como o segundo maior doador de ajuda mundial, deve tambm usar a sua fora para impulsionar o cresci -mento econmico e tirar partido do sector privado nos pases em desenvolvimento, que acabar por retirar pases da pobreza. vital que a ajuda da UE seja mais trans -parente, focada nos resultados e que conti -nue a centrar se nos objectivos em matria de pobreza que apresentam mais atrasos, sobretudo em Estados frgeis.Sente que a introduo do Servio Europeu de Aco Externa (SEAE) ir mudar o perfil das polticas de desenvolvimento da UE?O Servio de Aco Externa tem a possi -bilidade de melhorar a forma como a UE concede ajuda, melhorando muito a coor -denao entre as polticas de desenvolvi mento externo e da UE e minimizando a duplicao intil. O comissrio europeu para o Desenvolvimento, Andris Piebalgs, continuar a ter uma responsabilidade financeira clara em matria de auxlios e est a trabalhar em relao estreita com o SEAE para garantir uma abordagem mais participada. Estamos a trabalhar em estreita colaborao com o comiss rio europeu para o Desenvolvimento e o SEAE com o objectivo de maximizar os benefcios que oferecem atravs de uma melhor interligao das polticas da UE em matria de comrcio, conflitos, altera -es climticas e apoio humanitrio para ajudar os mais pobres. Saiba mais sobre as polticas de desenvolvi -mento do Reino Unido: www.dfid.gov.uk/changinglives.1 Para aceder consulta pblica realizada sobre o apoio oramental: http://ec.europa.eu/euro -peaid/how/public-consultations/5221_en.htm2 Para consultar a consulta pblica realizada sobre a poltica de desenvolvimento: http://ec.europa.eu/europeaid/how/public-consul -tations/5241_en.htm vital que a ajuda da UE seja mais transparente, focada nos resultados e que continue a centrar se nos objectivos em matria de pobreza que apresentam mais atrasos, sobretudo em Estados frgeis Stephen OBrien ( direita) ouve Gomun Faustin, agora um refugiado na Libria depois de fugir da zona de combate na Costa do Marfim Robert Stansfield/DFIDAdministrao de uma vacina contra o sarampo na provncia de Merawi na Etipia. A imunizao uma prioridade para o Reino Unido Pete Lewis/DFID

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8 Perspectiva Bram Posthumus *Est tudo a postos para as eleies presidenciais, afirma James Fromayan, presidente da Comisso Nacional de Eleies. Se tivermos as eleies em Outubro, estaremos prontos se forem em Novembro, ser melhor ainda. Mas estamos prontos. Ainda este ano, a presidente em funes, Ellen Johnson-Sirleaf, dever derrotar completamente os seus inmeros con -correntes. Entre os resultados alcanados pelo seu governo nunca se cansando a mesma de os destacar encontra-se a recuperao econmica. H cinco anos atrs, herdou uma nao em runas: casas crivadas de balas, pontes destrudas, falta de electricidade, falta de gua potvel: o seu governo ia relanar a A situao na Libria boa por fora. Os liberianos vo s urnas no final de 2011. A actual presidente, Ellen Johnson-Sirleaf, candidata-se a um segundo mandato e muito provavelmente voltar a ser eleita. Cabe ento perguntar em que situao estava a Libria quando assumiu o cargo h cinco anos e at onde chegou? Monrvia assemelha-se a um gigantesco estaleiro Martin Waalboer Ellen Johnson Sirleaf, Presidente do Liberia Reporters

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9 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 economia, criar empregos, acabar com a corrupo e curar a nao. RecuperaoA recuperao da economia correu bas -tante bem. O crescimento tem-se mantido a um nvel constante, na ordem dos 5 e 10 por cento nos ltimos cinco anos. Reconhecidamente, partiu praticamente do zero: desde 1980 que a Libria s conhece uma m gesto grosseira e guerra civil. No entanto o pas est visivelmente melhor agora do que quando a presidente fez o seu primeiro discurso pblico em 16 de Janeiro de 2006.Veja-se o caso da estrada principal que atravessa a capital da Libria, Monrvia. Tem o nome de Tubman Boulevard, em homenagem ao homem que governava a Libria entre 1944 e 1971, e costumava ser uma estrada totalmente esburacada, sem iluminao e uma pista de obstculos para carros e pees. Hoje, uma longa extenso de asfalto liso, ladeada por novos e bri lhantes bancos e escritrios, incluindo o da Comisso Nacional de Eleies. Outro lugar onde a recuperao em breve ser visvel o Freeport de Monrvia. O seu cais est a desmoronar-se devido a anos de negligncia e o operador porturio, Brian Fuggle, quer reconstru-lo com urgn -cia. Partes do cais so inacessveis aos camies, por ser demasiado perigoso. Vamos comear a demoli-lo em Outubro e esperamos que o projecto esteja pronto em Abril de 2013. RecursosA recuperao construda em torno da exportao de recursos naturais: bor racha, minrio de ferro e madeira. A borracha ainda de longe, a principal fonte de divisas estrangeiras da Libria, mas o minrio de ferro pode reivindicar essa posio, se e quando a exportao for retomada, utilizando a linha de ferro reabilitada das minas no norte at o porto de Buchanan.Mentes e almasO trabalho mais difcil, no entanto, encontra-se fora da capital Monrvia, especialmente no sudeste do pas. Esta a regio que votou contra Johnson-Sirleaf quando se candidatou pela primeira vez e vai fazer exactamente o mesmo este ano. Os condados de Grand Gedeh, River Cess e Maryland sentem-se colocados de lado no boom da reconstruo. notrio o res sentimento poltico contra Monrvia. Na verdade, iniciou-se o trabalho de constru -o de estradas e pontes, os bancos abriram filiais e h mesmo ainda uma nova univer -sidade na capital de Maryland, Harper. O ex-presidente da Comisso Verdade e Reconciliao, Jerome Verdier, diz: Estamos a concentrar demasiada ener gia na reconstruo fsica. No estamos a prestar ateno suficiente s mentes e s almas. Se regressarmos ao Boulevard Tubman na Monrvia torna-se claro o que Jerome Verdier quer dizer. Esses novos e brilhantes blocos de escritrios substituram as velhas zonas residenciais populares. As pessoas foram deslocadas para longe, para os subrbios afastados. Foram embora, at agora, em silncio. Mas isto pode mudar muito rapidamente. Verdier diz que est preocupado com a rapidez com que as pessoas recorrem violncia em situaes de conflito. Um levantamento rpido das notcias recentes parece dar razo s suas preocupaes: tumultos violentos numa plantao de borracha fizeram uma morte; os traba -lhadores ameaam interromper de forma violenta o primeiro transporte de minrio de ferro para fora do pas; inmeras dis -putas menores terminam em combates. Embora economicamente bem sucedida, a administrao Johnson-Sirleaf deixou espao para melhorias. Talvez sejam estas as suas prioridades se for reeleita.* Jornalista freelancerExplorao sustentvel de madeiraA madeira tem sido, provavelmente, o produto de exportao mais controver so. A Libria abriga quase metade das florestas tropicais da frica Ocidental, mas durante a governao desastrosa do anterior presidente, Charles Taylor, a explorao da madeira foi feita de forma gananciosa. A Libria celebrou agora um Acordo de Parceria Voluntrio (APC) com a Unio Europeia. O objectivo des te acordo prende-se com a exportao exclusiva de madeira proveniente de cul -turas sustentveis. Um director-geral, muito optimista, da Autoridade para o Desenvolvimento Florestal, Moses Wo -gbeh, estava na cerimnia de assinatura do APC, em Maio. O APC vai pr termo ao abate ilegal de rvores e assegurar transparncia e responsabilizao no sis -tema, disse, acrescentando que a nova forma de explorao florestal beneficiar tambm as pessoas que efectivamente vivem l. Na realidade, as pessoas que vivem l tm outras ideias. Deitam as rvores abaixo para criarem quintas e plantaes de borracha... Estamos a concentrar demasiada energia na reconstruo fsica. No estamos a prestar ateno suficiente s mentes e s almas. Monrvia assemelha-se a um gigantesco estaleiro Martin WaalboerVestgios da guerra em Harper, sudeste da Libria Martin Waalboer

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10O objectivo da UPA permitir que os estudantes africanos sejam plenamente competitivos a nvel internacional. Cada um dos cinco campus localizados nas cinco principais regies de frica concen -trar o seu ensino numa das cinco reas temticas consideradas essenciais para o desenvolvimento africano: Cincias do Espao (frica Austral, campus a con -firmar), Cincias da gua e da Energia (incluindo as alteraes climticas) (frica do Norte, campus a confirmar), Cincias Bsicas, Tecnologia e Inovao (frica Oriental, Qunia), Cincias da Terra e da Vida (incluindo a sade e a agricultura) (frica Ocidental, Nigria) e, por ltimo, Governao, Humanidades e Cincias Sociais (frica Central, Camares). Cada Instituto ficar ligado a uma rede de centros educativos j estabelecidos no continente e centrar-senas mesmas reas temticas. Os ltimos pormenores relativamente aos primeiros trs campus (Qunia, Camares e Nigria) foram con -cludos pelos Ministros da Educao afri -canos, que se reuniram em 13 de Maio de 2011 em Nairobi, Qunia, sob a gide da Conferncia dos Ministros da Educao da Unio Africana (COMEDAF). Reconhecimento mtuoAs instituies participantes devem respei -tar critrios de elevada qualidade. Entre estes critrios incluem-se: conhecimentos profundos nas principais reas temticas, participao em parcerias internacionais e em projectos conjuntos de investigao, nveis elevados de seleco dos estudan tes para admisso, um sistema de gesto consistente, infra-estruturas adequadas e avaliao do pessoal. Alm disso, a Conveno de Arusha adoptada em 1981 e revista em 2002 garante o reconheci -mento mtuo dos diplomas e de outras qualificaes do ensino superior. A Universidade PanA fricana a caminhoA UE apoia iniciativas como a UPA no quadro da sua parceria com a Unio Africana no domnio da migrao, mobi -lidade e emprego. O ensino tem um papel fundamental nesta matria. A Comisso Europeia apoia a mobilidade de estu -dantes e os acordos de geminao entre estabelecimentos de ensino superior na Europa e em frica atravs de vrios pro -gramas, nomeadamente Erasmus Mundus e Edulink. M.M.B. Criada pela Unio Africana, com o apoio da Unio Europeia, a Universidade Pan-Africana (UPA) deve abrir as portas no Outono de 2011, anunciou o Presidente da Comisso da Unio Africana, Jean Ping, em 30 de Junho, na abertura da XVII Cimeira da Unio Africana em Malabo, Guin Equatorial. Sero abertos os trs primeiros campus, de um eventual conjunto de cinco. Ilustrao Gregorie Desmons Ken Ndiaye B. Maindiaux

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11 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 Ken Ndiaye uma das figuras mais conhecidas da dispora africana e, acima de tudo, um trao de unio entre esta e as outras comunidades, autctone e estran -geiras de todas as origens, nesta cidade cosmopolita que Bruxelas. Este dana rino de ballet formado na escola Mudra de Bjart, de Dacar, msico, antroplogo, abriu em 1997, com um scio belga, Paul Jamoulle, um local nico, simultanea -mente restaurante, caf-teatro, centro de reunies e ateli de artistas, o Horloge du Sud (Relgio do Sul). Ken N diaye e o seu Horloge du S ud ( R elgio do S ul) em BruxelasOs meus lutos so mais alegres do que as vossas festasEste um dos raros locais, decorado de forma modesta, onde um Primeiro-Ministro pode manter uma reunio ao lado de um pequeno conjunto de emigran -tes desempregados e onde funcionrios alemes da UE que celebram de forma extremamente protocolar uma festa de aniversrio e uma famlia congolesa que celebra alegremente o fim de um perodo de luto acabam por se misturar, parti -lhando a mesa uns dos outros. O local sem dvida, caloroso mas tal no basta para explicar porque que at o partido NVA de Bart de Wever organiza aqui uma recepo, o partido ecolgico realiza aqui as suas reunies, um pri -meiro adjunto do presidente da Cmara de Bruxelas passa por aqui regularmente e as pequenas associaes do bairro de todas as nacionalidades e de emigrantes realizam ao mesmo tempo aqui as suas reunies. A verdade que o princpio do Horloge du Sud que no se fecha a entrada para uma recepo privada nem que seja para a do Primeiro-Ministro, a ter lugar ao mesmo tempo que a de um grupo de residentes do Bangladesh ou de uma associao de mulheres do Kivu. O Horloge du Sud est aberto por definio, dita Ndiaye. Trata-se de Ken Ndiaye, a receita do sucesso. Ponto de partida: salvar Bruxelas de uma dupla ruptura No final da dcada de 80, Bruxelas sofreu uma ruptura urbanstica entre os bairros ditos europeus e os situados na proximi dade do municpio de Ixelles, com uma forte comunidade africana, que se iam desertificando na sequncia de operaes de especulao imobiliria. Participar na ligao desses dois mundos era a minha primeira preocupao. A segunda era encontrar um local para a frica cultu -ral onde os jovens pudessem mostrar o seu work in progress e para as associaes das mais diversas comunidades, afirma Ndiaye.Artistas como Denise Blue ou Pitcho tinham iniciado as suas obras no Horloge du Sud e outros j reconhecidos apresen -tavam-se aqui apenas por uma questo de prazer, como Pierre Van Dormael com Soriba Kouyat (kora), Marlne Dorcna ou Thione Seck, rei da rumba congolesa.Ken Ndiaye colabora como perito e con -selheiro com o Museu Real da frica Central. No incio, criara, com um pequeno grupo de africanos, um grupo que reflectia sobre o papel desempenhado por esta instituio rica em objectos do patrimnio de frica. Agora, trabalha nela em dois projectos europeus relativos, respectivamente, ao papel desempenhado pelos museus etnogrficos no mundo de hoje e sua ligao com a dispora.Sobre a sua modstia e o seu rigor no trabalho, Ken Ndiaye sorri: Apenas fao aquilo que me d prazer, sou um amador de primeiro grau, o primeiro f dos artis -tas que passam por minha casa. Quanto ao pblico, fico contente porque no vem aqui, como vai a outros locais que respeito, por causa do folclore africano. Fico feliz por este ser o local onde um camarons pode conhecer um finlands. H.G.Para dar um outro swing palavra dispora Ken Ndiaye B. Maindiaux

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12 Num continente predominan -temente agrrio, a economia africana encontra-se forte -mente dependente da sua pro -duo agrcola. Atenuar a fome e alcanar os Objectivos de Desenvolvimento do Milnio, envolve necessariamente esforos especficos e direccionados nesse campo. possvel fazer-se muito mais, diz Willem Olthof, Chefe do Sector res ponsvel pela agricultura, segurana alimentar e desenvolvimento rural na DG Cooperao e Desenvolvimento da Comisso Europeia. Explica que existe um bom potencial para a agricultura em grande parte da frica e que podero ser retirados benefcios aumentando a produo sustentvel e produtividade. Investimentos na agricultura tm-se reve -lado eficazes na reduo da pobreza e da fome e na criao de empregos adicionais e melhor remunerados.O CAADP uma ferramenta fundamental neste domnio. Reconhecendo o enorme potencial do sector, focaliza-se em melho -rar a concepo e a implementao das polticas reforando simultaneamente a transparncia e a responsabilidade.Um dos valores essenciais do CAADP o facto de atribuir uma grande importncia ao conhecimento, sistemas de conheci -mento e anlise baseada em provas para o planeamento, formulao de polticas, implementao e avaliao de programas, reala Martin Bwalya, Chefe do CAADP .Foram fixados objectivos concretos para se conseguirem progressos tangveis: na Cimeira de Maputo em 2003, quando o programa foi lanado, os lderes africanos comprometeram-se com um objectivo de 6% de taxa de crescimento por ano e a destinar 10% de seus recursos para o desenvolvimento rural e da agricultura. O programa assenta em quatro pilares correspondentes s diferentes prioridades temticas gesto sustentvel dos solos, melhor acesso ao mercado, aumento do abastecimento de alimentos para combater a fome assim como mais investigao ao nvel da agricultura e melhor divulgao das tecnologias. De que forma a UE pode agir como um parceiro eficaz? Aunque el Programa es una iniciativa Sendo o programa uma iniciativa inteira -mente africana, est no cerne dos esforos de desenvolvimento assumidos no mbito da estratgia conjunta frica-UE.Reconhecendo o CAADP como um instrumento muito til para a coopera -o para o desenvolvimento com frica em matria de agricultura, a Comisso Europeia presta apoio financeiro ao mesmo sob a forma de vrios projectos e programas.Um deles um programa de apoio s organizaes de agricultores africanos. O programa refora a capacidade insti -tucional destas organizaes e ajuda-os a terem voz na poltica e nos programas de desenvolvimento agrcola. Estamos a trabalhar com quatro plata -formas regionais de organizaes de agri -cultores, explica o Sr. Olthof. Atravs dessa iniciativa, financiamos tambm a instituio do Frum de Agricultores Pan Africano, criado para reforar o seu papel de interlocutores na poltica.A UE tem tambm um papel activo no apoio concedido poltica fundiria e ges -to dos solos (Pilar 1 do CAADP ) e apoia a agenda de investigao agrcola de frica (pilar 4), alm do apoio prestado a nvel regional e nacional. Os instrumentos de financiamento utilizados so o Programa Temtico para a Segurana Alimentar (PTSA), a Facilidade Alimentar e o Fundo Europeu de Desenvolvimento. Uma srie de diferentes instituies africanas esto envolvidas no CAADP incluindo a Comisso da Unio Africana, a Agncia de Coordenao e Planeamento da NEPAS ( NPCA ), assim como as comu -nidades econmicas regionais. Foi criado um fundo fiducirio para ajudar a reforar as capacidades dessas instituies. Esse fundo recebe apoio financeiro dos EUA e da UE, assim como de uma srie de Estados Membros da UE. A Comisso j contribuiu at data com 5 milhes de euros.Envolvimento com o sector privado Actualmente, o nvel de financiamento do sector privado na agricultura permanece muito baixo. Olhando para o futuro, o Sr. Bwalya observa que este um desafio a ser dominado nos prximos anos a fim de se obterem melhores resultados a longo prazo: A utilizao do financiamento do sector privado um meio importante para se conseguir um financiamento sustent -vel para o sector, afirma.Os progressos neste domnio devero ser conseguidos aumentando a respon -sabilidade relativamente aos principais interessados e atravs de parcerias pblico --privadas. As instituies de microfinan -ciamento desempenharo tambm um papel importante neste contexto como uma forma de canalizar o financiamento privado para as actividades agrcolas. Para saber mais sobre a Parceria frica-UE: www.africa-eu-partnership.org Artigo de cortesia do comit editorial parceria frica-UEEm termos de emprego e produo econmica, a agricultura o sector mais importante para a frica mas o seu potencial encontra-se bastante desaproveitado. O Programa integrado para o desenvolvimento da agricultura em frica (CAADP) contribui para um desenvolvimento assente na agricultura em todo o continente.Um E nquadramento S lido para a A gricultura A fricana

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13 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 Ainda h muito a fazer para se conseguir alcanar todos os objectivos oito estabeleci -dos pelos Estados-Membros das Naes Unidas at 2015, reduzindo a pobreza no mundo. A Conferncia Rio +20 sobre o Desenvolvimento Sustentvel, que ter lugar no Rio de Janeiro, no Brasil, em 2012, ir proporcionar uma opor -tunidade decisiva para garantir que as promessas feitas se tornem promessas mantidas, enfatizou Ban Ki-Moon.No entanto, o relatrio destaca que daqui at 2015 a taxa de pobreza global dever A Alta Representante da UE, Catherine Ashton, que esteve presente em 9 de Julho em Juba, capital do novo Estado, nas cerimnias de celebrao da inde -pendncia, declarou: Continuaremos a apoiar uma transio pacfica no Sudo do Sul e manifestamos a esperana de que os dirigentes do Sudo do Sul sabe -ro aproveitar plenamente esta oportu -nidade nica que se lhes oferece. A UE est empenhada a longo prazo em manter a paz e a estabilidade nestes dois pases e faz um apelo para que vivam juntos e em paz como dois Estados viveis depois de 9 de Julho. Por seu lado, o Comissrio para o Desenvolvimento, Andris Piebalgs, exor -tou este novo Estado a dotar-se de um bom trampolim para combater a corrupo, intensificar a governao e as estruturas do Estado e criar rendimento para si prprio e para as suas populaes. A UE pode encetar com o Sudo do Sul um dilogo cair abaixo dos 15% continuando, no entanto, ainda longe da meta dos 23%. Registaram-se progressos significativos ao nvel da educao em pases que so considerados os mais pobres do planeta. Assim, no Burundi, Madagscar, Ruanda, Togo, e at mesmo na Tanznia, a meta da educao primria para todas as crianas foi atingida ou est prestes a ser atingida. A taxa de mortalidade de crianas de idade inferior a cinco anos tambm diminuiu, passando de 12,4 milhes em 1990 para 8,1 milhes em 2009. O mesmo pode ser observado em relao taxa global de mortalidade relacionada com a malria. alargado e honesto sobre estas questes. Enquanto parceiros, devemos ter coragem suficiente para dizermos a verdade entre ns, ainda que por vezes a verdade seja difcil de ouvir. De qualquer modo, as pes -soas no Sudo do Sul podem contar com a UE como um parceiro fivel, declarou. Desde 2005, a UE concedeu mais de 650 milhes de EUR em ajuda ao desenvolvi -mento, mais 776 milhes de EUR desde 2003 em ajuda humanitria. Em Maio, os ministros dos Negcios Estrangeiros da UE concordaram em atribuir ao Sudo do Sul mais 200 milhes de EUR para apoiar um plano de desenvolvimento para 2011-2013 e financiar projectos nos domnios da educao, sade, agricul -tura, segurana alimentar e governao democrtica. M.M.B. Para mais informaes sobre o Sudo do Sul ler o artigo no n. 22 de O Correio, acessvel em linha no endereo www.acp-eucourier.infoPor fim, 1,1 bilho de pessoas residentes nas zonas urbanas e 723 milhes resi -dentes nas zonas rurais tiveram acesso a uma fonte melhorada de gua potvel no perodo 1990-2008. O relatrio revela uma lacuna: as crianas mais pobres do mundo continuam a ser as mais negligenciadas no domnio da sade e nutrio. Alm disso, o relat -rio relembra que os progressos alcan -ados em matria de saneamento no so geralmente sentidos por aqueles que vivem em extrema pobreza ou em zonas rurais. M.M.B.A s naes mais pobres so esquecidas pelos O D M N ascimento da 54. nao africanaO relatrio apresentado em 7 Julho de 2011 pelo Secretrio-Geral das Naes Unidas, Ban Ki-Moon, sobre os progressos dos Objectivos de Desenvolvimento do Milnio (ODM), mostra uma melhoria desigual. Embora realce casos de sucesso em muitas reas, como no acesso ao tratamento para combater o VIH/SIDA, refere tambm que os mais vulnerveis na sociedade ainda no tm acesso educao ou aos cuidados sade. Em 9 de Julho de 2011, o Sudo do Sul tornou-se oficialmente a 54. nao de frica. Uma independncia conquistada aps dcadas de luta com os sucessivos regimes de Cartum, capital do antigo Sudo unificado, e que foi reconhecida por todos os membros da comunidade internacional e em primeiro lugar pela Unio Europeia. Um delegado expressa a sua euforia, perante o hastear da bandeira da Repblica do Sul do Sudo para marcar a admisso do 193 Estado Membro da comunidade das naes em Nova Iorque a 14 de Julho de 2011 Reporters / Abaca

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14 Debra PercivalEm 2006 a frica do Sul foi inclu -da na lista de finalistas para acolher este telescpio emblem -tico, lista elaborada pelo Comit Director do SKA. Outros oito pases afri -canos: Nambia, Botsuana, Gana, Qunia, Madagscar, Maurcia, Moambique e Zmbia esto associados proposta da frica do Sul. Esto a concorrer apenas com outro candidato: a Austrlia, asso ciada Nova Zelndia. Logo que o local tenha sido escolhido por maioria pelos principais financiado res do projecto e pelo Comit de Cincia e Engenharia do SKA, espera-se que a construo comece em 2016, sob os aus pcios de um gabinete do projecto locali zado no Centro Jodrell de Astrofsica em Manchester, Reino Unido. Prev-se que o telescpio esteja operacional at 2024. Cem vezes mais sensvel do que qual -quer outro telescpio, o SKA permitir aos astrnomos observarem mais de mil milhes de novas galxias. O principal objectivo do projecto fazer o levanta mento da distribui o de hidrognio no Universo. Isto contribuir para explicar a expanso do Universo depois do Big Bang e a natu reza da misteriosa energia negra.O projecto SKA foi lanado em 2002 por um grupo de importantes astrnomos. Os dois pases agora seleccionados para acolher o SKA esto actualmente a fina lizar relatrios, a apresentar at meados de Outubro de 2011, sobre o mrito das respectivas propostas. A frica do Sul possui condies locais quase perfeitas na regio de Karoo, no Norte da Provncia do Cabo, diz o Dr. Fanaroff, que esteve recentemente em Bruxelas. O local esco -lhido uma zona no ssmica, no dema -siado povoada e que tem muito pouca poluio luminosa. Tem igualmente cus muito ricos para a astronomia. Outro dos pontos fortes da proposta sul-africana uma mo-de-obra qualificada e servios comparativamente pouco dispendiosos. O local sugerido tambm est suficiente -mente prximo da Cidade do Cabo para os materiais poderem ser para ali despacha -dos. Os promotores do stio na frica do Sul tm ideia de um plo tecnolgico a crescer volta da cidade porturia. Um projecto emblemtico A principal componente do telescpio SKA ser um conjunto de aproximada -mente 3000 antenas. Metade destas ante -nas ficaro concentradas numa regio central com um dimetro de 5 km e as restantes ficam disseminadas at 3000 km desta concentrao central. A rea combinada de captao de todas estas antenas atingir 1 km2, ou um milho de metros quadrados. Para o Dr. Fanaroff, o projecto oferece a oportunidade para todo o continente africano ganhar fama de desenvolvimento cientfico e reduzir a sua dependncia de um futuro insus -tentvel de matrias --primas que conduziu muito frequentemente marginalizao da frica do Sul e da frica na economia mundial. fundamental que os pases finalistas criem entusiasmo pelo projecto no maior nmero possvel de naes, j que os cus -tos da construo sero elevados. O Dr. Fanaroff situa-os entre 1,5 e 2 mil milhes de EUR, com um custo de funcionamento de 150 milhes de EUR por ano. O teles -cpio ser em princpio construdo por um consrcio de pases. Daan du Toit, Ministro Conselheiro para a Cincia e a Tecnologia na Misso da frica do Sul junto da Unio Europeia, diz que a Unio Africana (UA) deu apoio ao projecto na A frica do S ul concorre para receber o maior radiotelescpio do mundoA vitria em 2012 no concurso para acolher o Square Kilometre Array (SKA) o radiotelescpio mais poderoso do mundo traria um conjunto de benefcios para a frica do Sul e para todo o continente africano, diz o director do projecto SKA da frica do Sul, Dr. Bernie Fanaroff. O cu o limite para os benefcios potenciais para o desenvolvimento da frica do Sul Dr. Bernie Fanaroff TechCentral

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15 15. sesso da Assembleia de Chefes de Estado e de Governo em Julho de 2010. O cu o limite para os benefcios poten -ciais para o desenvolvimento da frica do Sul: projectos de construo, Tecnologias da Informao e da Comunicao (TIC), desenvolvimento e investimento em capital humano e mesmo novos projectos de ener -gia solar para alimentar o SKA. Vencer o concurso dar igualmente um enorme impulso psicolgico ao pas, semelhante ao que o pas sentiu ao acolher o Campeonato do Mundo de Futebol em 2010. O Dr. Fanaroff prev que o projecto se tornar um laboratrio de desenvolvimento de infra-estruturas de comunicao, visto que a velocidade a que sero transferidas enormes quantidades de dados para um supercomputador exceder de longe o dbito actual de transferncia de dados atravs da Internet. A construo na frica do Sul, perto de Carnarvon, Norte da Provncia do Cabo, do MeerKAT, um dos maiores e mais poderosos telescpios do mundo e que visto como um precursor do SKA, outro ponto forte da proposta sul-africana. As suas 64 antenas parablicas sete das quais j foram instaladas faro parte do ncleo do conjunto mais vasto do SKA e estaro operacionais at ao final de 2016. Astrnomos de todo o mundo j reservaram tempo no MeerKAT para prosseguirem projectos de investigao individuais. Gerao cientfica Tanto o MeerKAT como o muito esperado SKA criaro toda uma gerao de cientis -tas. Lanado em 2005, o programa SKA de Desenvolvimento de Capital Humano concedeu 293 bolsas de investigao e de estudo e subvenes a estudantes de todos os nveis. O Dr. Fanaroff tambm salienta que estas competncias so transferveis. Estudantes de Fsica, por exemplo, lan -am-se muitas vezes na criao de empre -sas com grande sucesso. O Departamento de Cincia e Tecnologia e a Fundao Nacional de Investigao da frica do Sul tambm criaram cadeiras de investigao SKA para professores do Reino Unido, frica do Sul, Itlia e Canad. Vrios pases africanos: Botsuana, Gana, Qunia, Madagscar, Maurcia, Moambique, Nambia e Zmbia lanaram progra -mas de licenciatura em Astronomia e a Universidade da Maurcia est a lanar um programa de mestrado. O eventual desenvolvimento do SKA colmataria uma lacuna na rede mundial Very Long Baseline Interferometry Network (VLBI), que ir promover as competncias de engenharia e de cin -cias em todo o continente africano. Isto implica a converso de parablicas de 30 metros de dimetro em muitos pases afri -canos em radiotelescpios. A construo das redes terrestre e martima de fibra ptica em frica j as tornou obsoletas. Existem actualmente 26 antenas terrestres espalhadas pelo continente que podem ser postas em servio, explica o Dr. Fanaroff. Os governos esto actualmente a falar com os operadores de telecomunicaes para terem acesso s antenas redundantes. O programa VLBI arrancar com a con -verso de uma antena Vodafone de 32 metros para comunicaes por satlite instalada em Kuntunse, Gana. O projecto oferece a oportunidade para todo o continente africano ganhar fama de desenvolvimento cientfico e reduzir a sua dependncia de um futuro insustentvel de matrias-primasImpresso do artista de SKA SPDO/TDP/DRAO/Swinburne Astronomy ProductionsN. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011

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16O perodo do teste de um corpo europeu de voluntrios para a ajuda humanitria foi iniciado em Budapeste em 17 de Junho. A viso para criar um corpo de voluntrios da UE foi exposta, em 2009, no Tratado de Lisboa da Unio Europeia. Aps uma rdua consulta das partes inte -ressadas no seu projecto, os funcionrios da UE afirmam que a fase piloto apoiar-se -em esquemas de voluntariado existentes nos Estados-Membros da UE. No total, 90 voluntrios seguiro uma formao para serem depois distribudos no terreno pelas organizaes no-governamentais (ONG) seleccionadas para gerir projectos piloto. A Unio Europeia autorizou em 2011 uma dotao de 1 milho de euros para o arranque desta fase preparatria. O primeiro projecto ser conduzido por Save the Children (Reino Unido), com a Rede de Ajuda Humanitria (NOHA) e Bioforce France como parceiros e Caritas/Repblica Checa, Save the Children/Dinamarca e Die Johanniter/Alemanha como associados. Fundada em 1991, a Fundao Africana de Capacitao ( ACBF ), uma parceria entre governos afri -canos e a comunidade internacio -nal de doadores, est a permitir que frica construa a sua prpria capacidade, afirma Frannie Lautier, Secretria Executiva. Frannie Lautier esteve recentemente em Bruxelas para explicar um pouco mais sobre os objectivos e as actividades da ACBF a instituies da Unio Europeia (UE). A organizao estabeleceu, at ao momento, 246 programas em 44 naes da frica Subsariana, tanto a nvel nacio -nal como regional, com um financiamento de 400 milhes de dlares americanos. Muitas agncias doadoras, incluindo a Unio Europeia (UE), prestam apoio de capacitao frica Subsariana, espe -cialmente atravs de programas de apoio oramental. O objectivo destes a criao de capacidades profissionais no mbito das administraes e outras instituies. frequente envolverem a participao de especialistas europeus. O objectivo da ACBF afirma Frannie Lautier, ser a instituio africana lder na criao de capacidade sustentvel humana e institucional. A organizao dirige uma variedade de programas para a melhoria da poltica de gesto do sec -tor econmico, gesto financeira e res -ponsabilidade; para o fortalecimento de parlamentos e de instituies parlamen -tares; para o desenvolvimento de sistemas nacionais de estatsticas; e tambm para o aumento de capacidades profissionais no sector privado e na sociedade civil. Os principais financiadores so o Banco de Desenvolvimento de frica, o Programa de Desenvolvimento das Naes Unidas (PNUD) e o Banco Mundial. A ACBF tem 48 pases membros, incluindo naes da frica Subsariana, algumas naes da UE e outras naes desenvolvidas. D.P. Obtenha mais informaes em www.acbf-pact.org.A Cruz Vermelha francesa (em parce -ria com organizaes da Cruz Vermelha da ustria, Bulgria e Alemanha e a Federao Internacional da Cruz Vermelha, IFRC, na Sua) conduzir outro projecto que identificar, recrutar, formar, preparar e, finalmente, empre -gar 21 voluntrios durante seis meses. O Servio Ultramarino de Voluntrios ( Voluntary Service Overseas VSO/Reino Unido), juntamente com os seus parceiros VSO/Pases Baixos e Pro Vobis, o Centro Nacional de Recursos para Voluntrios na Romnia, realizar o terceiro projecto piloto.Os projectos piloto dar-nos-o uma matriz clara para podermos continuar. Temos dois objectivos: o primeiro criar uma oportunidade entusiasta para os Europeus fazerem a diferena no mundo, e o segundo criar valor colectivo no empenho dos indivduos em trabalhar como voluntrios no domnio humani -trio. Estou entusiasmada com a soli -dariedade dos cidados europeus para com as populaes mais vulnerveis do mundo, que tero agora os seus primei -ros embaixadores os nossos volun trios, disse Kristalina Georgieva, Comissria Europeia para a Cooperao Internacional, Ajuda Humanitria e Resposta Crise no momento do seu lanamento. Com base nos resultados de projectos piloto, a Comissria Georgieva apresentar um projecto de proposta legis -lativa para a formao de um rgo de pleno exerccio no incio de 2012. D.P. Para informaes sobre o esquema, consultar: http://ec.europa.eu/echo/policies/evhac_en.htmFase piloto de C orpo de V oluntrios para a A juda Humanitria da U E Organizao africana tem um papel primordial na capacitao A Comissria Georgieva apresentar um projecto de proposta legislativa para a formao de um rgo de pleno exerccio no incio de 2012 Ilustrao Loc Gaume

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17 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 ses das sete regies: frica (duas regies), sia, Carabas e Pacfico, Amrica Latina, Mediterrneo, Mdio Oriente e aos pases europeus ribeirinhos da UE. Mais de 40 000 crianas pegaram no lpis e no pincel para ilustrar como fazer do mundo um lugar mais justo e mais quo. Os 14 vencedores do prmio vm de 13 pases diferentes. Aristotelis Bouratsis, Director de Desenvolvimento Humano e Social na Direco-Geral do Desenvolvimento e da Cooperao EuroAid (Devco) da Comisso Europeia, disse: Este con -curso de desenho, embora seja uma ideia simples, um verdadeiro instrumento de sucesso que contribui para fomentar a igualdade de gnero nas geraes futuras, pelo que estou encantado em ver tantas crianas a participarem nele. H alunos de Zimbabu, Eritreia, Repblica Centro-Africana, Maurcias e Trindade e Tobago entre os vencedores do Concurso Internacional de Desenho da Comisso Europeia (CE) sobre a igualdade de gnero, anunciados em 29 de Junho de 2011.Cada vencedor receber 1000 euros para gastar em computadores, livros ou pagar a escolaridade, despesas de biblioteca ou outros materiais didcticos. Os alunos de 8 a 10 anos de idade da escola europeia de Bruxelas, Blgica, com a mesma idade dos participantes, seleccionam os desenhos vencedores. o quinto ano consecutivo que a Comisso Europeia organiza o concurso. Este ano o concurso esteve aberto s crianas de pa -V encedores AC P do concurso D esenhar um mundo melhor Os trabalhos foram julgados sobre a maneira como retratado o tema da igual -dade de gnero nos pases dos participan -tes, bem como sobre a originalidade do assunto tratado e o mrito artstico global.Na frica os vencedores deste ano so: Tapawa Kabaura, 9 anos, do Zimbabu; Abigail Alem, 10 anos, da Eritreia; Nestor Bassou, 9 anos, da Repblica Centro-Africana; e Fardeen Jumun, 10 anos, das Maurcias. Dois trindado-tabuguenses, Shalinda Ragbir, 10 anos, e Kelly Sammy, 10 anos, venceram o concurso na catego -ria Carabas e Pacfico. Os melhores desenhos sero expostos no Muse des Enfants em Bruxelas, Blgica, de 7 a 26 de Dezembro de 2011. D.P. Para mais informao sobre o concurso, consultar: http://ec.europa.eu/europeaid/what/ gender/drawing-competition-2011_en.htmUm dos desenhos vencedores por Trinbagonian, Shalinda Ragbir EC Igualdade entre os Sexos Fardeen Mauritus EC Podemos ser qualquer coisa que queiramos ser Kelly, Trinidade e Tobago EC

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18Apesar do choque ocasional, em termos de nmeros de turis tas, houve um crescimento praticamente ininterrupto no sector do turismo desde 1950, segundo a Organizao Mundial do Turismo (OMT), uma agncia especializada das Naes Unidas. O sector cria empregos, sobretudo em pequenas naes insulares, e desenca -deia o desenvolvimento noutras reas da economia, agricultura, construo e tele -comunicaes. Reconhecido pelo potencial para utilizar o progresso socioeconmico, requer-se uma maior cooperao ao nvel da UE, nomeadamente com a frica. em 2010, na sequncia do Campeonato de Mundial de Futebol da FIFA. Outros pases que atraram muitos mais turistas no ano passado foram: Madagscar (+ 21 por cento), Cabo Verde (+ 17 por cento), Tanznia e Seicheles (ambos + 11 por cento no ano passado).Alguns destinos do Pacfico tambm apre -sentaram grandes resultados em 2010. As Fiji, um dos principais destinos de turismo da regio, registaram um aumento de 16 por cento em 2010 comparativamente com 2009, segundo as estatsticas da OMT. As Carabas registaram tambm um aumento de 4 por cento em termos de nmero de visi -tantes em 2010, compensando a descida em 2009, afirma a OMT. Trs destinos regis -E xpanso do turismo nos pases ACP DossierMais possibilidades de cooperao com a UE num sector em rpido crescimentoDebra Percival Globalmente, o nmero de turistas aumentou quase 7 por cento em 2010 registando 940 milhes de visitantes e gerando 919 mil milhes de dlares ame -ricanos (693 mil milhes de euros) de receitas de exportao, diz a Organizao Mundial de Turismo das Naes Unidas (OMT). O organismo prev um aumento entre 4 e 5 por cento em 2011. O nvel de confiana elevado em muitas regies ACP. O nmero de turistas na frica Subsariana aumentou de 6,4 milhes em 1990 para 30,7 milhes actualmente com um crescimento registado de 8 por cento no ano passado. A frica do Sul represen -tou mais de um quarto do nmero total de visitantes da frica Subsariana, tendo o pas atrado mais 15 por cento de turistas

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19 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 taram novos picos de visitantes: Jamaica (+ 5 por cento), Cuba (+ 4 por cento) e Repblica Dominicana (+ 3 por cento). As Carabas enfrentam a con -corrncia.Para a regio das Carabas, o objectivo actual permanecer frente da concor -rncia. Na Cimeira Anual do Turismo das Carabas realizada este ano em Bruxelas em Maro de 2011, o presi -dente da Organizao de Turismo das Carabas ( CTO ), Ricky Skerritt, que tam -bm ministro do Turismo de St. Kitts & Nevis, disse aos parceiros europeus que os hotis das Carabas e negcios relacionados tiveram que se tornar mais competitivos face concorrncia vigorosa de naes to diversas como a China, a ndia e o Dubai. Os nossos dois amigos mais fortes, tradicionalmente, os EUA e a Europa tambm esto agora mais activos em termos de prospeco de visitantes nos mesmos mercados que os das Carabas, afirmou Skerritt. O Secretrio-geral do CTO, Hugh Riley, sugeriu ao O Correio que a UE e os seus Estados-Membros devem explorar as possibilidades de uma cooperao mais ampla, especialmente em relao ao captulo dos servios do Acordo de Parceria Econmica com a UE (ver artigo sobre as Carabas).No passado, a UE financiou projectos de turismo nacionais e regionais em pases ACP e continua a faz-lo. Este dossier apresenta, por exemplo, com detalhe, um novo projecto regional para o Pacfico financiado ao abrigo do 10 Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED), que foi concebido para reforar o sector do turismo. Uma recente campanha de marketing internacional financiada pela UE (2009-2010) para promover o turismo do Qunia permitiu a transmisso de spots televisivos na CNN, BBC World, e Euronews. Tanto o Qunia como a Unio Europeia esto ambos satisfeitos com o resultado destas campanhas de marketing que contriburam para a recu -perao do turismo aps os tristes eventos que se seguiram s eleies de 2007. O Qunia j recuperou quase os nmeros (de turistas) registados em 2007. Ibrahim Laafia, Conselheiro da Delegao da UE no Qunia, disse ao O Correio .O Tratado de Lisboa assinado em 2007contm um captulo sobre o reforo da UE como o destino turstico mais importante do mundo. Os Estados-Membros da UE, a Frana (primeiro des -tino a nvel mundial), a Itlia e a Espanha ainda esto entre os cinco primeiros des tinos tursticos mais visitados em todo o O Oceano ndico vence a recesso global As ilhas Maurcia e Seicheles esto a alar -gar o seu leque de ofertas mas de forma consciente do ponto de vista da sustenta bilidade ambiental.As Seicheles conseguiram vencer a tor -menta da recesso global e esto a cami -nho do terceiro ano recorde em nmero de visitantes, devido em grande parte forte parceria entre o governo e o sector privado que deu um impulso valioso ao sector turstico, afirma Ralph Hissen da Direco do Turismo das Seicheles. O tu -rismo ainda o pilar principal da economia e o pas pretende continuar a construir a sua suite de actividades de nicho como a pesca turstica e a sua plataforma de ac -tividades tursticas com base em eventos. Estas incluem eventos como o Carnaval Internacional de Vitria e SUBIOS: Fes -tival do Mar das Seicheles, o festival anual de fotografia e filmagem subaquticas a ter lugar este ano de 4 a 6 de Novembro. Praticamente metade do territrio do pas receberam estatuto de parques nacionais e reservas marinhas, dando assim o tom para o futuro desenvolvimento, afirma Ralph Hissen.Mais a Sul, a Ilha da Maurcia o 10. desti -no mais popular para turismo no continente Africano, de acordo com os rankings da Organizao Mundial do Turismo (OMT/UNWTO), apesar dos nmeros terem des -cido acentuadamente em 2009. Roselyne Hauchler da Autoridade de Promoo do Turismo da Maurcia afirma que as chega -das tursticas ascenderam a 871.356 em 2009, contribuindo para 6,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) do pas. Isto comparando com 930.456 chegadas em 2008, o que corresponde a 7,9 por cento do PIB. Prossegue afirmando que no ano passado foi assinalada uma recuperao com as chegadas a alcanar as 934.827 (6,9 por cento do PIB). Os planos de desen -volvimento futuros incluem menos hotis e mais projectos de turismo integrado, como os que aliam hotel e alojamento residencial. O pas rico em produtos tursticos, desde o turismo mdico ao nupcial. Roselyne Hauchler sublinha ainda a importncia de o futuro crescimento ser sustentvel a nvel ambiental. A oeste das Seicheles e da Maurcia, as Comores, um dos lugares menos visitados do mundo, tm potencial turstico devido sua beleza natural intacta. mundo, mas de acordo com os nmeros da OMT, juntou-se a esses recentemente a China. Conferindo fora ao Tratado de Lisboa, Daniel Calleja-Crespo, Director-Geral Adjunto da Comisso Europeia para as Empresas e Indstria, acredita que a cooperao no sector com a frica deve ser explorada ao nvel da UE. O Vice-presidente da Comisso Europeia, Antonio Tajani [ N.dR. : Comissrio da UE para as Empresas e a Indstria] atribui a mxima prioridade ao reforo das relaes entre a UE e frica, que considera ser o continente do futuro. O turismo, em particular, pode desempenhar um papel muito importante no reforo dos laos entre os dois continentes, disse o Director-Geral Adjunto ao O Correio Acrescentou: A nossa tarefa agora trabalhar para atingir esses objectivos incentivando a criao de um ambiente favorvel para o desenvolvimento de empresas neste sector, em particular PME, e promover a cooperao entre os dois continentes. A criao de organis -mos de turismo flexveis e eficientes pode melhorar o ambiente para os negcios relacionados com o turismo em frica. Acredito que h grandes oportunidades em termos de cooperao que no devem ser desperdiadas. A criao de organismos de turismo flexveis e eficientes pode melhorar o ambiente para os negcios relacionados com o turismo em frica Pescadores em Cape Maclear, Lake Malawi, Malawi Majority World / Reporters Ilustrao Loc Gaume

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20 O turismo na frica Subsariana escapou derrocada resultante do declnio econmico mundial, explica Taleb Rifai, Secretrio-Geral da Organizao Mundial do Turismo, uma agncia das Naes Unidas sedeada em Madrid. Esta organizao, que conta 154 pases membros e mais de 400 associados, promove o desenvolvimento de um turismo sustentvel e acessvel a todos, especialmente nos pases em desen -volvimento. O Correio: Como que explica a expanso do nmero de entradas na frica Subsariana no ltimo ano, em vez de um declnio mundial?TR: frica foi um caso de sucesso no domnio do turismo. Foi a nica regio onde se verificou um crescimento de entradas internacionais durante o ano da crise de 2009 e consolidou fortemente esta situao em 2010. A frica Subsariana cresceu de facto 8% em 2010, tendo recebido 31 milhes de turistas internacionais. Se acrescentarmos os 19 milhes de turistas que entraram na frica do Norte (+6%), frica cresceu na totalidade 7% em 2010 (50 milhes de entradas de turistas internacionais). Quanto s receitas, aumentaram no con -junto da regio 4%, atingindo 31 milhes de $US. frica manteve este crescimento em 2011 mais 2% entre Janeiro e Abril. No con -tinente africano, o crescimento da regio Subsariana foi de 8%, enquanto no Norte de frica se verificou uma diminuio de frica um caso de sucesso do turismoEntrevista a Taleb Rifai, Secretrio-Geral da Organizao Mundial do Turismo A diversificao dos produtos da maior importncia para os destinos que queiram permanecer competitivos e sustentveis Empregado de mesa em Nosy Iranja, Ilha Iranja, Madagscar Majority World / Reporters

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21 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 11% na sequncia dos recentes aconteci mentos na regio. O crescimento em frica foi ajudado pela exposio mundial resultante do Campeonato do Mundo de Futebol orga -nizado pela FIFA na frica do Sul e pelo claro progresso das economias da regio. O Campeonato do Mundo constituiu um excelente impulso para a frica do Sul, mas igualmente para outros destinos na frica Austral e, na realidade, para todo o continente. Muitos turistas que percorre -ram longas distncias para ver o aconteci -mento aproveitaram a oportunidade para visitar outros pases durante a viagem, salientando a importncia para o cresci -mento da cooperao regional em termos de turismo. Este mpeto transbordou para 2011 e beneficiou ainda das economias cada vez mais dinmicas, de uma melhor imagem e do apoio dos governos ao sector do turismo na regio. Existe alguma regio na frica Subsariana que esteja a revelar um crescimento especialmente robusto? Em 2010, o crescimento foi muito vigoroso em todas as sub-regies africanas, mas em especial na frica Ocidental, Oriental e Austral. A frica do Sul, que representa mais de um quarto da totalidade das entra -das na frica Subsariana, assistiu a um aumento da entrada de turistas de 15% em 2010, passando para oito milhes, gra -as em grande parte ao Campeonato do Mundo. Outros pases onde se verificaram crescimentos muito fortes em 2010 so Madagscar (+21%), Cabo Verde (+17%), Tanznia e Seicheles (+11%). Ser que a expanso de novos produ tos tursticos no continente vai levar a um crescimento ainda mais forte do sector? A diversificao dos produtos da maior importncia para os destinos que queiram permanecer competitivos e sustentveis. A diversificao no s conduz a um cresci -mento mais forte, mas reduz igualmente a dependncia em zonas muitas vezes vulnerveis desenvolvendo o turismo cultural para diversificar a tradicional oferta de praia, por exemplo. Os principais produtos tursticos de frica para os mercados de origem mais importantes andam actualmente volta da cultura e da natureza. Contudo, estas viagens baseadas na cultura e na natureza podem ser associadas num pacote a nume -rosas outras atraces africanas, como o turismo de praia. A indstria de confe rncias outro exemplo de um produto turstico crescente e lucrativo que poder ser capitalizado em frica, em especial quando as suas ligaes econmicas e comerciais esto a aumentar com outras regies do mundo, como a sia. Ao mesmo tempo, outros factores, como a melhoria do acesso a viagens areas, pode -ro beneficiar fortemente o crescimento do turismo em frica. Outra oportuni -dade importante reside no aumento da cooperao regional em reas como a faci -litao das viagens (vistos) e o marketing. Em que medida que a indstria do turismo pode contribuir para a redu -o da pobreza no continente? As potencialidades do turismo em frica para retirar pessoas da pobreza so enor -mes. As entradas de turistas internacionais nos 48 pases menos avanados (PMA) do mundo a maioria dos quais se encontra em frica passaram de 6 milhes em 2000 para mais de 17 milhes em 2010. Durante o mesmo perodo, as receitas do turismo internacional subiram de 3 mil milhes para mais de 10 mil milhes de $US. De facto, o turismo inclui-se actual -mente nas trs maiores fontes de receitas das exportaes em quase metade dos PMA, o que significa que um sector fun -damental para a participao desses pases na economia mundial. Estes turistas que vm ao continente e por l viajam do origem a divisas estrangeiras essenciais, a investimento e a saber-fazer para os pases africanos; com um efeito multiplicador significativo em muitas outras reas da economia. O turismo tambm pode ser um motor do desenvolvimento de infra --estruturas transportes, abastecimento de gua e saneamento. O turismo um sector extremamente intensivo em trabalho e oferece um ponto de entrada rpido no mundo do traba -lho, especialmente para as mulheres e os jovens. por isso que oferece oportuni -dades de um rendimento justo, proteco social, igualdade de gnero, desenvolvi mento pessoal e incluso social dos mais vulnerveis. Este sector fornece todos os graus de competncias e um sector no qual as oportunidades de crescimento, de qualificaes e de progresso na carreira so enormes.Congratulamo-nos por ver que o turismo reconhecido cada vez mais como um instrumento de reduo da pobreza e que est a encontrar um lugar na agenda do desenvolvimento. Ainda h muito para fazer neste domnio, mas estamos a avanar. Por exemplo, o turismo foi includo pela primeira vez na agenda da recente Conferncia da ONU sobre os PMA, realizada em Istambul, Turquia, e foi referenciado pelo seu potencial para o desenvolvimento pelo Secretrio-Geral da ONU, que abriu esta importante reunio para debater o plano de aco de dez anos para os PMA. D.P. O turismo inclui-se actualmente nas trs maiores fontes de receitas das exportaes em quase metade dos PMASecretrio-geral das Naes Unidas Organizao Mundial do Turismo Taleb Rifai Imago / REPORTERS

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22 A frica Ocidental sobe no ranking Os planos da frica Ocidental para subir no ranking mundial de turismo esto a ganhar razes, tanto a nvel regional como nacional. O Estado do Delta Nigria pretende alcanar um milho de visitantes por ano at 2014 ao concluir um parque aqutico temticoO Estado do Delta Nigria pretende alcanar um milho de visitan tes por ano at 2014 ao concluir um parque aqutico temtico. De acordo com Richard Mofe Damijo, comissrio do Estado para o turismo, o primeiro do gnero na frica Ocidental e ajudar a impulsionar o sector de turismo para um nvel diferente. Actualmente, o nmero de visitantes tem sido baixo por que a maioria das pessoas tem conscin cia da natureza frgil da rea. O governo federal est a trabalhar em conjunto com as autoridades estatais para melhorar a paz e a segurana na regio do Delta. porque estamos confiantes relativamente ao regresso da paz que estamos a investir nestas instalaes, disse numa entrevista. Em toda a regio, o nmero de visitantes foi igualmente impulsionado pela recente agitao poltica que tornou a frica do Norte num destino menos atraente.Agncias multilaterais comprometeram-se a prestar assistncia ao Projecto do Parque da frica Ocidental numa conferncia de doadores organizada pela Organizao Mundial de Turismo das Naes Unidas (OMT) em Dakar, Senegal em Junho de 2011. Os pases participantes so: Gmbia, Guin, Guin-Bissau, Mali, Mauritnia, Nger, Senegal e Serra Leoa. Esto a ela -borar planos para partilha de uma rede de parques e reas protegidas, para garantir a sua conservao e promoo conjunta da regio como um destino turstico. Uma ferramenta de desenvolvimentoO Secretrio-Geral da OMT ( UNTWO) Taleb Rifai, disse aos delegados na reu -nio que, actualmente, as principais organizaes internacionais de turismo apontaram o turismo como uma das fer -ramentas mais eficazes para o crescimento e desenvolvimento econmico de frica. [ N.d.R : ver entrevista com Taleb Rifai nesta seco]. Acrescentou: Com o seu apoio, o turismo sustentvel pode pros -perar, gerando emprego e receitas para as comunidades locais, protegendo ao mesmo tempo a biodiversidade rica da regio.O Gana tem como objectivo subir no ranking mundial de turismo. Hoje 105. destino turstico preferido no mundo e 10. em frica. Queremos fazer tudo o que seja possvel para melhorar o ranking de modo a que o sector gere receitas sufi cientes para o pas, disse o ministro do Turismo, Akua Dansua.No ano passado, o pas acolheu 931.224 visitantes. Os nmeros apresentaram um Francis Kokutse* aumento relativamente aos 802.779 do ano anterior, disse Frank Kofigah, Director de Operaes do Portal de Turismo do Gana ( GTB ).O pas est a investir em melhorias nas suas fortalezas e castelos ao longo da costa do pas, que atraem principalmente visi tantes da Amrica do Norte, que so os descendentes de escravos. Muitos sucessos desportivos do Gana atraem muitas pes -soas em todo o globo, enquanto que feitos de personalidades como o ex-Secretrio --Geral das Naes Unidas, Kofi Annan, trouxeram a ateno dos mdia para o pas. Alm de locais histricos, Kofigah refere que o Gana tem desenvolvido tam -bm vrios centros de ecoturismo em todo o pas. Ele sente que os muitos festivais que tm lugar nos arredores do pas, mos -trando a sua herana cultural, poderiam ser usados para atrair mais visitantes. Jornalista no GanaCastelo Elmina, Gana. Popular com visitantes da dispora Africana na Amrica do Norte www.kit/nl/publishers

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23 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 Um projecto de quatro anos, financiado pela Unio Europeia visa aumentar o nmero de turistas, divisas estrangeiras e empregos nos estados do Pacfico do grupo de pases de frica, Carabas e Pacfico (ACP). Financiado no mbito do oramento regional do 10. Fundo Europeu de Desenvolvimento (2008-2013), o Programa de Reforo das Capacidades Tursticas Regionais do Pacfico deve arrancar antes do final de 2011. O turismo uma indstria que os pases da regio tm em comum. Muitas das ilhas esto cada vez mais dependentes do turismo mas isso pode ser reforado ainda mais, afirmam os funcionrios da UE. Para as Ilhas Cook, a indstria gera noventa por cento de divisas e 50 por cento do seu Produto Interno Bruto (PIB). O turismo actualmente a principal fonte de receitas de Samoa, Fiji e Vanuatu, de acordo com os funcionrios da UE e cada vez mais importante para as Ilhas Salomo e para a Papua Nova Guin, prometendo empregos e melhores padres de vida em reas remotas onde difcil iniciar qualquer outro tipo de empresa.No seu Plano Estratgico Empresarial 2010-2012 para a Organizao do Turismo do Pacfico Sul ( SPTO ), os ministros do turismo da regio indicaram que o turismo ir inspirar o crescimento econmico sustentvel e capacitar as pes -soas do Pacfico. A SPTO o organismo com o mandato para a comercializao e desenvolvimento do turismo na regio, composto por treze anos e mais de 200 organizaes privadas. No a primeira vez que a UE prometeu fundos para o sector na regio e o novo programa assentar nos anteriores.Programa de trs vertentesO projecto concentrar-seem trs reas; o desenvolvimento da poltica regional e coordenao, investigao de mercado regional e nacional e formao de recursos humanos. Sero organizados workshops para juntar as Pequenas e Mdias Empresas (PME) que compem a maioria dos operadores de turismo na regio e as autoridades governamentais. O programa ir tambm fortalecer a verificao e anlise de dados do turismo regional e nacional. Sero elaboradas Estratgias de Cruzeiros do Pacfico Sul e Aviao Pacfico bem como a Estratgia Regional de Turismo revista para 2014 e alm. Uma melhor consciencializao do mer -cado outro aspecto do programa. Tal inclui investigao turstica por orga -nismos regionais e nacionais, marketing pela Internet e aumento das aptides para e-marketing tanto a nvel regional como nacional. A terceira vertente do programa relaciona-se com o reforo dos recursos humanos para o sector atravs de formao profissional, bolsas e estgios temporrios no exterior. Os funcionrios da UEP colocam a nfase no potencial turstico para redu -zir a pobreza na regio. Seis dos pases da regio esto classificados como Pases Menos Desenvolvidos (PMD). O turismo visto como uma alternativa a outras indstrias, tais como a explorao madei -reira e a minerao insustentveis, aponta o documento da UE.Muitos turistas chegam da Austrlia e da Nova Zelndia (mais de 50 por cento do nmero total de visitantes em 2008) com a Amrica do Norte e a Europa a registarem um aumento de 30 por cento e o Japo e a sia cerca de 9 por cento no conjunto. Os restantes turistas vm do Pacfico e de outros pases. D.P. Obtenha mais informaes em: www.delfji.ec.europa.eu www.spto.orgProjecto da U E para incentivar o turismo no Pacfico O turismo visto como uma alternativa a outras indstrias insustentveis como a explorao madeireira e a mineraoA regio procura explorar plenamente o seu potencial Ilustrao Loc Gaume

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24O turismo nas Carabas o maior empregador da regio a seguir ao sector pblico e o maior contribuinte para o Produto Interno Bruto (PIB), obtendo anualmente para a regio 40 mil milhes de USD. De acordo com a Organizao de Turismo das Carabas (OTC), a regio foi visi -tada em 2010 por mais de 23 milhes de turistas, comparado com 22,1 milhes no ano anterior, mas os gastos aproximaram --se de forma decepcionante dos nveis de 2004. O crescimento de turistas nas Carabas veio essencialmente dos Estados Unidos e do Canad, com os especialis tas a alegarem que a queda de visitantes europeus se deve prolongada recesso econmica no Reino Unido e ao efeito Bernard Babb* O turismo nas Carabas tem mostrado sinais de recuperao em 2011, aps dois dos anos mais difceis registados. Mas embora o nmero de entradas inter -nacionais tenha melhorado e regressado aos nveis de 2008, os visitantes gastam menos num mercado que comea a estar preocupado com a reduo dos lucros do sector num ambiente mundial ainda imprevisvel.de amortecimento nas viagens do APD (imposto especial sobre passageiros de transportes areos) aplicado pelo governo britnico (ver caixa).As Carabas de lngua espanhola, prin -cipalmente a Repblica Dominicana e Cuba, voltaram a liderar na curva de recuperao, mas tambm houve nme -ros encorajadores em destinos como a Jamaica, as Baamas e Barbados. Embora este ano se esperem novamente nmeros globais animadores de viajantes na regio, os turistas procuram sistematicamente pechinchas e tm tendncia para reservar mais tarde. Perante este contexto, a OTC disse prever que os viajantes continuem a apertar os cordes bolsa. At ao final de 2010, o nmero de entradas neste ano aumentou em seis por cento, mas as recei -tas foram menores. A nossa indstria teve de fazer todo o possvel para convencer as pessoas a virem para as Carabas e os valores do primeiro trimestre deste ano indicaram igualmente que as receitas con -tinuam a ser menores, diz o SecretrioGeral da OTC, Hugh Riley. Estmulos ao turismoOs hoteleiros e os comerciantes do sector do turismo tiveram de recorrer a vrios tipos de estmulos no mercado para fazer andar os negcios, incluindo fortes des -contos no alojamento e, nalguns casos, as tarifas areas foram subsidiadas em Mais visitantes, mas gastam menos nas C arabas Ilustrao Loc Gaume

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25 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 As Carabas: Cada vez mais atractivas As Carabas pretendem atrair mais visi -tantes. Esto a ultrapassar o seu mer -cado principal com hotis e produtos de elevado calibre e produtos de nicho como desporto, spas naturais, mergu -lho, casamentos, luas-de-mel, reunies e convenes, explica Carol Hay, Directora de Marketing da Organizao de Turismo das Carabas ( CTO ) para o Reino Unido e Europa. O trilho Waitukubuli, o nico percurso natural de longa distncia na Domnica, devido sua abertura no final de 2011 um exemplo. Na nossa Confe -rncia sobre a Situao da Indstria em Setembro de 2011 iremos discutir como podero as Carabas trabalhar em con -junto, continuar a desenvolver os nossos produtos existentes e olhar para novas reas para garantir um futuro lucrativo para a nossa indstria turstica e para o crescimento, afirma Hay.Hugh Riley, Secretrio-Geral da CTO sedeada nos Barbados, afirma que h margem para a cooperao no turismo regional com a UE sob o Acordo de Par -ceria Econmica (EPA), um acordo de comrcio livre assinado entre a UE e o grupo de naes CARIFORUM em 2008: Com a assinatura do EPA, o governo do CARIFORUM e da UE ofereceram aos servios caribenhos o acesso aos mercados europeus, incluindo o turis -mo. Os servios especficos so quase totalmente orientados para o sector pri vado. E acrescenta: Alm do EPA, as Carabas tm algumas necessidades a nvel de desenvolvimento turstico em reas como a investigao, adaptao a alteraes climticas, eficincia ener -gtica, marketing normas e padres e competitividade geral. Hugh Riley pede ainda apoio da UE para a posio das Carabas nos temas desconcertantes da tributao na aviao e emisses de carbono. A introduo do Reino Unido de uma taxa de aeroporto em 2010 nos servios areos internacionais foi um dos motivos para pases como Granada verem as suas chegadas tursticas carem 6,4 por cento no ano passado comparando com o ano anterior, afirma Carol Hay. As tarifas areas elevadas nas Cara -bas e o lento crescimento nos Estados Unidos tambm explicam a queda dos nmeros relacionados com o turismo no ano passado. parcerias com as principais companhias areas. Esta medida teve impacto na rendibilidade. Alguma recuperao em certos destinos tambm se deveu ao tr -fego do turismo de cruzeiro, uma vez que a indstria dos cruzeiros promo -veu sistematicamente os seus produtos como melhores aplicaes. Contudo, geralmente sabido que os passageiros de cruzeiros gastam menos do que os visitantes de longas estadas, em especial porque os grandes navios transportam quase todas as provises a bordo quando deixam os respectivos portos de embar que. Isto reflectiu-se nas Baamas, onde entrou um nmero recorde de visitantes mais de 5 milhes em 2010, mas o montante gasto esteve longe dos nveis de 2008 antes da crise econmica, de acordo com o Ministro do Turismo do pas, Vincent Vanderpool-Wallace. Procurando atrair viajantes para as suas costas, muitas ilhas aumentaram os res pectivos oramentos de publicidade nos mercados principais, enquanto outras criaram atraces, como festivais e outros acontecimentos importantes. Foram lan -adas campanhas do tipo faa frias em casa, em que os residentes e os nacionais das Carabas so encorajados a no sair do pas durante as suas frias. O governo da Jamaica, por exemplo, aumentou em 5 milhes de USD o seu oramento nor mal de marketing de 30 milhes de USD. Os Barbados, que tambm aumentaram em 50 milhes de USD a sua campanha anual de publicidade, esperam atrair mais turistas do Reino Unido e do Canad.Para alm de criar um campo internacio -nal de desportos de Vero, o pas est a procurar tirar proveito do vedetismo da cantora Rihanna, mundialmente conhe -cida e nascida em Barbados. A Autoridade de Turismo de Barbados celebrou recen -temente com Rihanna um contrato de trs anos no valor de milhes para aju -dar a promover o pas. Uma das artistas de todos os tempos que mais vendem, com mais de 30 milhes de discos e 100 milhes de singles vendidos, a artista-pop deve dar incio oficialmente parceria em Bridgetown, Barbados, em 5 de Agosto, onde est programada para actuar no mbito da sua tourne mundial de 2011 intitulada Loud. Como embaixadora da ilha, Rihanna promover exclusivamente este destino atravs de campanhas publi -citrias, aparies promocionais e atravs das suas actividades nos meios de comu -nicao social. Tambm incentivar os brasileiros a visitarem Barbados durante a sua tourne neste pas da Amrica do Sul em Setembro prximo. Significativamente, o turismo cubano, que recebe mais de dois milhes de visitantes por ano, parece talhado para outra onda de crescimento, uma vez que se espera que as restries de viagens impostas aos cidados dos EUA sejam levantadas em Agosto de 2011. At agora, os turistas em Cuba vm principalmente da Europa, do Canad e da Amrica do Sul, mas com o levantamento das restries de viagens dos EUA, prev-se um importante cres -cimento de visitantes americanos com destino anunciado para aquele que ser o novo ponto quente das Carabas.* Periodista con sede en Barbados A Autoridade de Turismo de Barbados celebrou recentemente com Rihanna um contrato de trs anos no valor de milhes para ajudar a promover o pasRhianna Reporters/Fame Pictures

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26Quando Georgie Fienberg visitou o Gana num ano sabtico h j quase 15 anos, no poderia ima -ginar o impacto que essa visita teria sobre o resto da sua vida. No apenas dela, mas daqueles milhares de crianas no norte do Gana, cujas vidas ela tocaria atravs do trabalho de caridade que cria -ria. Agora, quinze anos depois, AfriKids a salvao para muitos jovens que de outra forma viveriam sem esperana. Fienberg criou a AfriKids, uma organiza -o de defesa dos direitos da criana sede -ada na Regio Upper East no Gana, em 2002. Inspirada pela capacidade daqueles que conheceu durante uma viagem pelo pas, sentiu-se compelida a fazer alguma coisa. Ao contrrio das imagens mos -tradas na televiso de nativos indefesos, Fienberg encontrou um povo criativo e determinado a tirar o melhor partido possvel das circunstncias difceis em que se encontrava. Em vez de lhes dizer como fazer as coi -sas, Fienberg trabalhou com a populao local para apoi-la naquilo que j estava a fazer e que sabia que precisava ser feito. Neste processo, criou uma organizao que emprega actualmente 160 colabora dores locais no Gana, com apenas uma pequena equipa de apoio de dez elementos em Londres.Aquilo que distingue a AfriKids das outras instituies de caridade a sua abordagem. Trabalha para resolver as Dez anos e milhares de crianas beneficirias mais tarde, Sylvia Arthur d conta de uma nica ins-tituio de caridade britnica cujo objectivo encerrar.Sylvia Arthur A sociedade civil em aoAjudar e dar esperana s crianas carenciadas Centro Mdico AfriKids, Gana AfriKids

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27 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 realmente chocado com isso. Nesse caso, eram migrantes econmicos, mas havia tambm pessoas que levavam essas crian -as para baixo, uma mistura de trfico e migrao econmica, diz Thornton. Foi at Kumasi para dar seguimento a contac -tos de l, onde essas crianas acabavam em bairros de lata numa pista de corridas antiga e colonial. Viviam em contentores, extremo-a-extremo, um grande nmero de pessoas numa misria chocante. E percebeu que alguns precisavam de ser tratados de uma forma local, mas, a uma distncia de 600 km, uma coisa muito difcil de fazer para a populao local. Parceria pblico-privadaEm resposta a este dilema, a AfriKids implementou uma srie de projectos centrais para resolver as questes mais preocupantes e juntou-se a parceiros que j estavam a conduzir projectos eficazes para maximizar o impacto do seu traba -lho. A caridade est tambm focada no desenvolvimento de grandes empreendi -mentos sociais concebidos para sustentar financeiramente a execuo da operao Gana, criando e aumentando simultanea -mente as oportunidades locais e apoiando o crescimento econmico. Temos estado a trabalhar com a equipa do Gana para identificar, financiar e con -duzir empreendimentos sociais no Gana, sendo o maior destes o nosso hospital, diz Thornton. Quando assumimos o Centro Mdico AfriKids, estvamos a atender 5000 pacientes por ano. Agora, com uma parceria pblico-privada com o Servio de Sade do Gana, atendemos 60.000 pacientes por ano e obtivemos um lucro de 100.000 no ano passado. As recei -tas do centro mdico por si s pagam os salrios de trs quartos dos colaboradores do AfriKids do Gana, dos quais 60 so profissionais de sade no centro.SustentabilidadeA prxima fase no desenvolvimento da AfriKids a construo de um Eco Lodge (alojamento ecolgico). A uni -dade ir empregar 30 a 50 pessoas locais na indstria do turismo e gerar um lucro anual de 180.000, suficiente para finan -ciar um tero do trabalho da AfriKids. Tal ser alcanado oferecendo programas de formao em novas vocaes, dando emprego de longa durao e criando novas fontes de receita para a regio. No prximo ano, a AfriKids celebra o seu dcimo aniversrio. O objectivo final da organizao no celebrar mais dez. Quer fechar o escritrio no Reino Unido at 2018, como resultado de a operao Gana tornar-se auto-sustentvel. E se qualquer instituio de caridade o pode fazer, essa a AfriKids. A AfriKids Gana foi sem pre muito clara afirmando que pretendia projectos que fossem sustentveis para os beneficirios. Como uma organizao, a nossa equipa do Gana viu vrias organi -zaes boas na sua comunidade serem vtimas dos caprichos do financiamento ocidental. A nossa equipa no queria isso. Estavam cientes de algumas das limitaes do financiamento ocidental e gostariam de continuar o seu trabalho de forma apropriada localmente, diz Thornton. Definimos um objectivo muito claro para a nossa organizao. Isto muito a nossa USP . Para saber mais sobre AfriKids, visite www.afrikids.orgcausas profundas de ser negado s crianas os seus direitos melhorando os servios de apoio comunidade e garantindo o acesso educao bsica e aos cuidados de sade primrios. A nossa misso centrou-se sempre na criana, diz Andy Thornton, director da AfriKids no Reino Unido. Reconhecemos que, para mudar a vida das crianas, necessrio trabalhar com todos os facto res envolventes. Por isso, trabalhamos de forma inclusiva e global. Combater o trfico de crianasA AfriKids conduz uma srie de projec -tos. Abrange desde as iniciativas mais tradicionais, incluindo lares, escolas e centros para crianas de rua a projectos inovadores que abordam questes cul -turais complexas, incluindo o trfico de crianas, trabalho infantil e o fenmeno da criana espiritual. Trabalhar com as comunidades indgenas fundamental para o sucesso do seu trabalho.A histria sobre como a AfriKids recrutou o seu Director no Gana, Nich Kumah, reflecte a forma como a organizao con -trata, trata e mantm os seus colabora -dores. Kumah era membro de um grupo da igreja local que, juntamente com dois amigos, converteu uma casa de banho pblica numa casa para crianas de rua. Foi atravs de seu activismo que chamou a ateno da AfriKids e foi esta valoriza o do conhecimento local que permitiu instituio de caridade ter um impacto to grande.Nich estava num parque de camies num Domingo, quando viu jovens, crianas desacompanhadas a apanhar um autocarro para irem para sul para Kumasi. Ficou Director do AfriKids no Gana, NichKumah AfriKids Um dos 60 000 pacientes que recebe cuidados anualmente no Centro Mdico AfriKids AfriKidsCentro Mdico AfriKids, Gana AfriKids

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28 frica Oriental, um cenrio geotrmico idealNossa TerraMarie-Martine Buckens Em frica, os recursos geotr -micos de elevadas temperaturas usados para produzir electri -cidade encontram-se normal -mente em zonas de actividade tectnica e vulcnica, especialmente na regio do Rift da frica Oriental. O Grande Vale do Rift caracteriza-se por depsitos vulcnicos e fluviais e marcado por uma enorme fractura geogrfica, que se estende por toda a frica, desde o mar Vermelho a Moambique. De todos os pases que o Rift atravessa, o Qunia considerado, pelo menos actualmente, como uma zona fundamental para a pro -duo de electricidade a partir de energia geotrmica. O potencial de electricidade explorvel estimado em 2000 MW. Hoje em dia este potencial s usado parcialmente. Utilizando a sua experincia na arte de converter a energia da Terra em energia, os islandeses (ver artigo separado sobre a Islndia) do conselhos e assistncia tcnica. Prestam assistncia tcnica a pro -jectos em frica, bem como na Papusia-Nova Guin, nas Comores e mesmo na China, Nova Zelndia, Filipinas e Amrica Latina, ou seja, em todo o lado onde h foras vulcnicas em actividade. Em todo o mundoNa Islndia existe um nmero cada vez maior de empresas especializadas em energia geotrmica. Uma das maiores, a Iceland GeoSurvey (ISOR), uma Pensa-se que as rochas quentes subter rneas do vale do Rift, na frica Oriental, so uma soluo prometedora para a pro -duo de energia. Os primeiros resulta dos foram registados no Qunia, sob os auspcios das Naes Unidas e com a experincia dos islandeses. Giser-Islndia Marie-Martine BuckensCentral geotrmica na Islndia Marie-Martine Buckens

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29 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011empresa estatal. Desde a sua constituio, em 1945, tem trabalhado em projectos geotrmicos em mais de quarenta pa -ses, especialmente na frica Oriental. A energia geotrmica constitui uma forma de os pases se libertarem da dependncia de outros pases por causa da energia, disse em 2008 o Ministro dos Negcios Estrangeiros islands, Ossur Skarphedinsson, sublinhando perante a Assembleia Geral das Naes Unidas o importante papel desempenhado pelo seu pas em matria de energia geotrmica. Foi por isso no quadro de um programa da ONU que foi confiado ISOR a impor -tante tarefa de dar formao aos pases quanto utilizao da energia geotrmica. Os cursos de formao na Indonsia e no Qunia j comearam.Fundada em 2008, a Reykjavik Geother -mal j est a trabalhar em Abu Dhabi, no Qunia, Papusia-Nova Guin e ndia. A Reykjavik Energy Invest, filial da Reykjavik Energy, foi fundamental para criar uma central geotrmica em Jibuti, onde foram abertos quatro furos de son dagem de 2,5 km.Cursos universitriosA Agncia Internacional de Desenvolvi -mento Islandesa (ICEIDA ver artigo sobre a Islndia) est plenamente envol vida nestes projectos, especialmente no programa ARGeo (ver caixa). Foram assim organizados cursos no domnio da explorao geotrmica pela Universidade das Naes Unidas em Reiquiavique e pela Companhia de Produo de Electricidade do Qunia (KenGen). Estes cursos fazem parte do Programa de Formao Geotrmica da Universidade das Naes Unidas em Reiquiavique (UNU/GTP). O financiamento do programa faz parte da contribuio da Islndia para promover os Objectivos de Desenvolvimento do Milnio das Naes Unidas. Os partici pantes so oriundos das ilhas Comores, Egipto, Eritreia, Uganda, Ruanda, Tanznia, Imen e Arglia.ARGeo O projecto de Instalao para o De -senvolvimento Geotrmico do Vale do Rift Africano (ARGeo) foi lana do h cinco anos pelo Fundo para o Ambiente Mundial ( GEF ). O projecto recebe fundos de quase 15 milhes de euros, incluindo do Programa das Naes Unidas para o Ambiente (PNUA) e do Banco Mundial. Este projecto, que atenua os riscos de perfurao em Jibuti, Eritreia, Qunia, Uganda e Tanznia, come -ou no incio de 2009 e fez todo o possvel por utilizar o equipamento e as tcnicas ensaiados pela Com panhia de Electricidade do Qunia, KenGen, com o apoio fundamental dos islandeses. O Qunia e investidores do sector privado tambm esto a procurar obter assistncia financeira para o Mecanismo de Desenvolvimento Lim -po ( CDM ) ao abrigo do Protocolo de Quioto, a fim de alargar os 35 MW adicionais na fase de validao. A procura actual de electricidade no Qunia aproximadamente de 1000 MW, segundo o PNUA. O pas fortemente dependente das cen -trais de energia hidroelctrica, que nos ltimos anos sofreram com as reduzidas quedas de chuva e com a diminuio das reservas de gua. O pas estabeleceu como objectivo produzir 1200 MW de energia geo trmica at 2015. "Combater as alteraes climticas e obter ao mesmo tempo energia para os dois mil milhes de pesso -as que no tm acesso energia so alguns dos desafios centrais desta produo, anunciou Achim Steiner, Subsecretrio-Geral das Naes Unidas e Director Execu -tivo do PNUA. A energia geotrmica 100% indge -na, amiga do ambiente e usa uma tec -nologia desde h muito subutilizada. Flores e electricidadeA energia geotrmica extrada, dependendo da temperatura, para produzir electricidade ou calor. Se a gua que circula atravs das fracturas tectnicas atingir uma tem -peratura superior a 100C, falamos de recursos de forte entalpia. A gua pode ser captada como vapor (o chamado vapor seco) ou como uma mistura de lquido e de vapor (vapor hmido). Consoante a natureza e as propriedades da gua superfcie, so utilizados diferentes sistemas para produzir electricidade. o que acontece por exemplo com a central geotrmica em Olkaria, Qunia. Contudo, recursos de baixa energia cuja temperatura se situa entre os 30C e os 100C so usados princi -palmente para aquecimento local e para aquecimento de estufas. Numa das maiores exploraes agrcolas do Qunia, gerida pela Oserian De -velopment Company, 70 hectares de estufas aquecidas por energia ge -otrmica produzem flores que so vendidas na Europa. Combater as alteraes climticas e obter ao mesmo tempo energia para os dois mil milhes de pessoas que no tm acesso energia so alguns dos desafios centrais desta produo Giser-Islndia Marie-Martine BuckensCentral geotrmica na Islndia Marie-Martine Buckens

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30 Descoberta da EuropaIslndia, onde a imprevisibilidade adquiriu um estatuto de modo de vidaFala-se na Islndia? Rapidamente vm mente imagens do colapso financeiro e da erupo do Eyjafjallajkull.Duas crises s quais a Islndia sobrevi -veu sem muita dificuldade. Certamente, os Islandeses continuaro a pagar durante muito tempo pelos erros dos seus investi -dores esses utrasarvikingar ou Vikings dos dias de hoje cegos pelo lucro fcil e ningum esqueceu as terrveis erupes do sculo XVIII, to assassinas que a populao da altura quase decidiu deser -tar desta terra de fogo e gelo localizada logo sada do Crculo rctico. Os islandeses tm aprendido a adaptar-se a um ambiente imprevisvel e por vezes mesmo assassino. Uma capacidade de adaptao que explica em parte, sem dvida, a relativa facilidade com que o pas emergiu actualmente da recesso econmica que se seguiu ao colapso dos seus trs principais bancos em 2008. No entanto, a crise financeira serviu tam -bm para mostrar aos islandeses os limites da sua independncia. Uma independn -cia que to mais frgil quanto maior for a dependncia da economia do pas das exportaes dos produtos da pesca. Um ano exato aps a exploso da bolha financeira, o novo governo de centro --esquerda apresentou oficialmente o seu pedido de adeso Unio Europeia. As negociaes acabaram de comear. Praia de lava Marie-Martine Buckens

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31 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 a Althingi, que viria a ser mais tarde o pri -meiro parlamento do mundo. Mesmo hoje, a sua criao vivida emocionalmente por todos os Islandeses que fazem a pere -grinao vasta plancie de Thingvellir, onde os antigos homens livres da Islndia costumavam juntar-se anualmente, em Junho, para deliberarem durante 15 dias: um evento que era tambm a ocasio para celebraes populares, inclusive recitais de poesia e narrao de histrias. Durante este perodo, os Vikings converteram-se do paganismo cristandade. possvel e talvez no que os Vikings estivessem cientes da existncia de uma falha de 30 quilmetros em Thingvellir que marca igualmente o limite entre as duas placas tectnicas continentais. A cmara nica Althingi continuou quando o pas caiu sob o jugo noruegus em 1262 e, depois, sob o da Dinamarca de 1536 a 1799. A Dinamarca imps as suas reformas protestantes e tomou o controlo total do comrcio em toda a ilha. Surgiu ento a pobreza. O sculo XVIII foi um perodo sem vida para os Islandeses, durante o qual Laki, um de seus mais ferozes vulces, vomitou as suas cinzas durante mais de nove meses, des -truindo todas as colheitas e sufocando tanto os agricultores como os seus ani -mais. Sobreviveu fome que isso provocou menos de um quarto da populao.No sculo XVIII, inspirados pela revolu -o de Julho na Frana, os Islandeses luta -ram pela sua independncia. A Althingi foi restaurada instalando-se em 1844 em Reiquiavique e o pas adquiriu uma independncia relativa. Mas s no fim da Segunda Guerra Mundial, em 1944, a Islndia conseguiu a sua plena inde -pendncia e proclamou a repblica. A tarefa principal dos sucessivos governos de coligao foi tornar a independncia eficaz. A partir de 1950, a vida poltica da Islndia foi dominada pelo Partido da Independncia, que participou em vrios coligaes com o Partido Democrtico Social, o Partido Progressista ou o Partido Liberal.A crise financeira de 2008 causou o desas -sossego poltico que levou derrota esma -gadora do Partido da Independncia e ao primeiro governo da esquerda, liderado por Jhanna Sigurardttir. Primeira mulher eleita Primeira-Ministra da Islndia, Jhanna Sigurardttir no quis manter o segredo da sua homossexuali -dade e contraiu casamento civil, em 2002, com a sua parceira, a escritora e jornalista Jnna Lesdttir. A populao aceitou sem controvrsia esta unio.Em Julho de 2009, o governo islands apresentou oficialmente a sua candidatura de adeso Unio Europeia. M.M.B.Da Althingi ao Parlamento EuropeuAps 20 sculos turbulentos da histria, est previsto que a Islndia uma ilha que brotou h apenas 20 milhes de anos da fantasia da natureza escarranchada na falha tectnica entre as placas conti -nentais americana e eurasiana poder aderir Unio Europeia nos prximos dois anos, se a sua populao, sacudida pela crise financeira de 2008, assim o aprovar. A histria do pas remonta ao primeiro sculo da era crist. Pensa-se que os mon -ges irlandeses procura de solido foram os primeiros a pisar o solo islands, segui -dos pouco depois pelos Vikings. Estes colonizadores noruegueses, que fugiam dos conflitos no Reino de Noruega, esta -beleceram-se gradualmente no litoral da ilha, e particularmente em Reiquiavique, um porto natural que hoje a capital da Repblica de Islndia. Em 930 da era crist, os chefes tribais Vikings decidiram criar uma assembleia, Thingvellir Marie-Martine Buckens Praia de lava Marie-Martine Buckens

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32 A crise financeira de 2008 teve uma escala sem precedentes. Os trs maiores bancos da Islndia faliram. Foi mais do que uma crise financeira, foi o colapso do sis tema econmico, explica Vilhjlmur rnason, acrescentando: A dvida do pas, detida principalmente pelos ban -cos, atingiu quase 10 bilies de coroas islandesas, dez vezes o PIB do pas. um recorde mundial, tanto em termos relativos como absolutos. A comisso, nomeada pelo Parlamento islands e composta por dois filsofos e um historiador, entregou o seu relat -rio em Abril de 2010. Foi um relatrio ansiosamente aguardado e que teve muito xito. A tarefa da nossa comisso con -sistia em no limitar a nossa anlise da tica e das prticas de trabalho ao mundo da banca, mas alarg-la a um contexto social mais vasto. No se tratava de fazer juzos, mas de analisar como que foi pos -svel este comportamento ganancioso e era de cupidez que estvamos a tratar. Os utrasarvikingar (vikings modernos) Foi portanto uma anlise da sociedade islandesa que a comisso de investiga -o realizou. A sociedade islandesa estranha; no somos muitos e em vrios sentidos somos uma sociedade nepotista, assinala o filsofo, antes de continuar: No nosso relatrio salientmos um acon -tecimento fundamental que teve lugar na viragem do sculo, a saber, a privati -zao dos bancos. Esta privatizao foi acompanhada de um afrouxamento dos regulamentos financeiros.Os polticos so responsveis por este estado de coisas e os bancos so respon sveis por se terem metido em operaes muito arriscadas. Nessa altura, o risco era considerado como uma vantagem e os jovens banqueiros eram vistos como vikings dos tempos modernos, ou utrasar -vikingar Tambm faltou sentido crtico aos meios de comunicao social. A sua fraqueza reside no facto de a maioria per -tencer a grupos financeiros com excep -o da rdio e da televiso do Estado.Antes da crise havia uma relao de con -fiana entre polticos e economistas. Na verdade, esta confiana representava uma falta de distanciamento profissional impes -soal. Pode ser que a Islndia ainda precise de avanar para uma sociedade civil!A principal preocupao de Vilhjlmur rnason a retrica utilizada pelos ultra -nacionalistas, que apresentam os islande -ses, outrora grandes conquistadores nos anos de ouro, como perseguidos pelas instituies e por pases inimigos. Estou mais triste pelo modo como a Islndia est a gerir o ps-crise do que a prpria crise. Estamos a explorar as fraquezas das pessoas, em vez de reforar o sistema democrtico. evidente que houve muita gente que cometeu faltas, mas a coisa mais importante que temos de lembrar que as instituies democrticas no conseguiram prever a crise.Adeso UE? Isso algo de grande e tambm estou aborrecido por a crise estar a ser utilizada por quem est contra a entrada da Islndia no clube europeu, desviando as pessoas das suas responsa bilidades. M.M.B. tica e finanas Na sequncia do crash financeiro, o governo islands constituiu uma comisso especial de investigao para apurar os aspectos ticos do colapso. Tratou-se de um exerccio sem paralelo. Um encontro com o presidente desta comisso, Vilhjlmur rnason, professor de Filosofia na Universidade da Islndia. Em Reiquejavique Marie-Martine Buckens

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33 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 Os laos estreitos existentes entre a Islndia e a Unio Europeia esto profunda -mente enraizados e ainda se encontram bem vivos. So tambm um reflexo da situao econmica, uma vez que mais de dois teros do comrcio externo de Reiquiavique com os Estados-Membros da UE. A Islndia desde 1970, um membro da Associao Europeia de Comrcio Livre ( EFTA ); dois anos mais tarde, celebrou um acordo de comrcio bilateral com a Comunidade Econmica Europeia. Em 1994, a Islndia aderiu Agncia Espacial Europeia e zona Schengen, permitindo aos islandeses viajar e trabalhar livre mente em toda a Unio Europeia. Por ltimo, a Islndia tambm signatria do Regulamento de Dublim sobre a pol -tica de asilo na Europa e um dos membros fundadores da Organizao do Tratado do Atlntico Norte, OTAN. Julho de 2009. O pas acabava de sair de uma recesso econmica provocada por Prximo objectivo: EuropaEm 27 de Junho, a Islndia iniciou negociaes exaustivas para a entrada na Unio Europeia. As negociaes devero correr tranquilamente, excepo de um desacordo sobre a indstria da pesca, de grande importncia para a economia da Islndia.da UE) confirmou o que j sabamos: A Islndia est muito bem preparada para as negociaes de adeso e existem apenas algumas questes a serem negociadas, disse o negociador principal da Islndia, Stefan Haukur Johannesson, agncia France Presse, em Junho. As questes apesar de poucas em nmero, so muito importantes. Em primeiro lugar encontra --se a questo da poltica da Islndia sobre a indstria da pesca, que responsvel por quase 80% das exportaes da Islndia; o resto constitudo principalmente pela reexportao de alumnio, que, graas a uma abundncia de energia hidroelctrica na ilha, refinado a baixo custo a partir de reservas de bauxite na frica ou na Amrica do Norte. A Islndia pode ser uma nao pequena, mas somos gigantes quando se trata da pesca, disse Arni Thor Sigurthsson, parla -mentar do Movimento de Esquerda Verde que actua como presidente da Comisso de Negcios Estrangeiros da Islndia. Se a Islndia aderir UE, aumentaria os recur -sos da pesca da UE em 50%. Continuou e insistiu que da maior importncia para a Islndia receber um tratamento equitativo nesta matria. Arni aludiu ao conflito existente entre a UE e a Islndia sobre os direitos de pesca, recentemente ilustrado pela deciso unilateral da Islndia em aumentar a sua quota da cavala. A Islndia tambm est em desacordo com a UE sobre a caa s baleias. Os servios financeiros representam outro sector potencialmente difcil onde a CE acredita que Reiquiavique ter de envidar considerveis esforos. M.M.B. A Islndia pode ser uma nao pequena, mas somos gigantes quando se trata da pescaPorto de Reiquejavique Marie-Martine Buckensuma crise bancria sem precedentes. O novo governo de centro-esquerda era a favor da candidatura do pas adeso Unio Europeia e apresentou um pedido nesse sentido ao Conselho Europeu. O pedido foi aceite e a Comisso Europeia decidiu alterar o Instrumento de Assistncia de Pr-Adeso, a fim de incluir a Islndia como beneficiria. O objectivo desta assistncia para Reiquiavique era facilitar o seu alinhamento legislativo com a regulamentao europeia, geralmente designada por acervo comunitrio. Guerra da cavalaO processo de alinhamento dever ser relativamente fcil. O processo de ava -liao (avaliao do grau de harmonizao da legislao islandesa com a legislao

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34O oramento da cooperao internacional no foi poupado quando o governo islands foi obrigado a fazer cortes drs -ticos na despesa na sequncia do crash financeiro de 2008. Desde 2000, a ajuda pblica ao desenvolvimento tem tido uma subida constante, atingindo 0,36% do Produto Nacional Bruto (PNB) em 2008, pouco antes do colapso dos bancos. Trs anos mais tarde, em 2011, a ajuda ao desenvolvimento situa-se abaixo de 0,20% do PNB, mas o governo islands tem inteno de aumentar este valor. Acabada de aprovar pelo Althingi, o Parlamento islands, a Estratgia de Cooperao para o Desenvolvimento do governo islands para 2011-2014 prev um novo aumento, que dever fazer com que o oramento do pas para o desenvolvimento passe para 0,23% do PNB at 2014. O governo tenciona dar um impulso per -centagem da despesa pblica afectada ao desenvolvimento a partir de 2013, quando a Estratgia for revista, com o objectivo de atingir 0,70% do PNB em 2015, em conformidade com o objectivo estabele cido pelas Naes Unidas.Reforar a pesca africanaVamos continuar com a poltica dos dois ltimos anos, o que significa consolidar os programas actuais, explica Engilbert Gudmundsson, designado recentemente [ Ed : este artigo foi escrito em Junho de 2011] para dirigir a Agncia Internacional para o Desenvolvimento da Islndia (ICEIDA), que depende directamente do Ministrio dos Negcios Estrangeiros. O novo Director-Geral tem 26 anos de expe -rincia no sector da cooperao, primeiro no Fundo de Desenvolvimento Nrdico, sedeado na capital finlandesa, Helsnquia, seguido de um posto no Banco Mundial, onde foi responsvel pela harmonizao da ajuda no quadro da cooperao mul tilateral.A Islndia d apoio s operaes de manuteno da paz no Afeganisto e aos refugiados palestinianos, atravs de finan -ciamento ou fornecendo peritos a orga -nizaes internacionais. Mas estamos sobretudo presentes, e isto desde h muito, em trs pases africanos: Moambique, Uganda e Malvi. H duas razes para isso: so pases muito pobres e todos tm pesca, diz Engilbert Gudmundsson. [Ed: No Uganda e Malvi, pases sem litoral, isto inclui pesca de gua doce em lagos]. A pesca a actividade principal tradi -cional da Islndia e um domnio em que podemos contribuir com o nosso saber -fazer, acrescenta o Director-Geral.A Islndia disponibilizou assim os seus servios para ajudar as autoridades destes pases a melhorarem a gesto dos seus recursos piscatrios, permitindo que alguns regressassem s exportaes de peixe em especial para a Unio Europeia depois de essas exportaes estarem suspensas por razes sanitrias. No Uganda, onde a actividade da pesca intensa no Lago Vitria, mas tambm noutros lagos como o Lago Eduardo, as exportaes caram de 150 milhes para Uma cooperao focada e eficaz A Islndia oferece aos pases em desenvolvimento os seus conhecimentos em matria de geotermia e de pescas, em que tem uma reputao sem paralelo.A nossa poltica de desenvolvimento est em conformidade com a Declarao de Paris sobre a Eficcia da Ajuda ao Desenvolvimento e no deve precisar de qualquer ajustamento quando a Islndia aderir Unio Europeia, considera o Director-Geral da ICEIDA Engilbert Gudmundsson Marie-Martine Buckens

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35 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 1 milho de toneladas por ano no espao de uma dcada. Ajudmos as autoridades a introduzirem controlos de qualidade, afirma Engilbert Gudmundsson. Aces semelhantes foram implementadas em Moambique, especialmente no sector da pesca de camaro, e no Malvi.Subsequentemente, acrescenta o Director-Geral, alargmos a nossa ajuda s comunidades piscatrias. Como parte dos Objectivos de Desenvolvimento do Milnio (ODM), demos o nosso apoio a dois sectores-chave: educao e sade. No mbito de todas estas aces demos prioridade ao trabalho com os governos locais. Somos um pequeno pas e as insti -tuies locais correspondem nossa pr -pria organizao. Em 2007, 21% da ajuda islandesa foi assim atribuda ao sector da pesca, 31% educao e 13% sade.Prioridade formaoPara alm da ajuda bilateral, de que tam -bm beneficiam o Sri Lanka e a Nicargua, apesar de em menor grau, a Islndia con tribui para quatro agncias multilaterais: Banco Mundial, UNICEF, Mulheres ONU e Universidade das Naes Unidas. No quadro desta universidade, assegura -mos formao nos sectores da pesca e geo -trmico, prossegue o Director-Geral da ICEIDA. Esta formao d aos nacionais de pases em desenvolvimento a oportu nidade de se especializarem na gesto dos recursos ambientais, principalmente da pesca e geotrmicos. Saber-fazerEm geotermia, a Islndia disponibili -zou o seu saber-fazer em todo o mundo, nomeadamente na China e Indonsia, na Amrica Central e tambm em frica. Os peritos islandeses, trabalhando com a ICEIDA, tambm prestaram apoio essen -cial para a criao da Agncia Africana de Desenvolvimento Geotrmico do Vale do Rift, ARGeo, um grupo de seis Estados da frica Oriental com elevado poten -cial geotrmico. Em todos estes pases a formao dada com o apoio dos nossos peritos e das agncias da ONU, explica Engilbert Gudmundsson. Tambm rea -lizamos testes e estudos para assegurar que o potencial geotrmico rendvel. Enquanto o Qunia, por exemplo, j pro -duz 800 megawatts de electricidade graas aos estudos que financimos, no caso do Uganda os nossos testes at data tm dado resultados negativos.Tradicin de aperturaA nossa poltica de desenvolvimento est em conformidade com a Declarao de Paris sobre a Eficcia da Ajuda ao Desenvolvimento e no deve precisar de qualquer ajustamento quando a Islndia aderir Unio Europeia, considera o Director-Geral da ICEIDA. Este facto baseia-se nas concluses das reunies j realizadas entre peritos europeus e islan -deses em matria de desenvolvimento. Alm disso, a poltica de desenvolvimento um dos poucos domnios em que existe acordo tanto dos apoiantes como dos opo -sitores adeso UE.O Director-Geral acrescenta: Temos uma longa tradio de abertura tinha necessariamente de ser assim, j que nunca fomos auto-suficientes e mesmo que o nosso oramento possa parecer pequeno comparado com os oramentos dos nossos vizinhos nrdicos, que continuam a ser a nossa principal referncia neste domnio, no entanto temos um programa de coo -perao muito activo. suficiente para fazer a diferena. M.M.B. ICEIDA em Moambique ICEIDA Pesca no Lago Vitria Marie-Martine Buckens

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36 Reykjavik procura assim juntar --se ao clube selecto das quatro cidades literrias actualmente conhecidas: Edimburgo, Iowa City, Melbourne e Dublim. Em Maro de 2011, a Feira do Livro de Paris cele -brou a literatura islandesa, juntamente com a dos pases nrdicos, que parti -lham todos o mesmo amor pelas hist -rias de detectives. Os autores islandeses Arnaldur Indriason, Arni Thorarinsson e Jn Hallur Stefnsson tm discpulos leais no gnero. Havia muitos outros tipos de literatura islandesa em exposio em Paris. A literatura islandesa to rica que diz-se frequentemente que metade dos Islandeses escrevem para a outra metade.Transparncia da lnguaNa Islndia, h lembranas constantes da longa histria da literatura do pas que datam da poca dos contos hericos medievais: Egill Skallagrimsson ou Njal so ainda lidos pelos alunos das escolas na lngua dessa poca. Isto mostra que a lngua islandesa uma fonte de orgulho islands ao lado da Althing e dos vulces do pas permaneceu praticamente inalterada desde que esses contos de herosmo foram contados pela primeira vez. Os Islandeses revelam uma capacidade real em adap -tar a sua lngua e podem hoje exprimir o mais complexo dos termos tecnolgicos. Vigds Finnbgadttir, primeira mulher democraticamente eleita como lder de um pas europeu em 1980, que tambm uma linguista, exprimiu-se assim: A mente islandesa prefere no exige que as pala vras sejam transparentes, ou seja, dever ser possvel deduzir o ncleo genealgico. Um exemplo a palavra islandesa para significar rdio, hljvarp som projectado para o exterior. Sjnvarp para a televiso, Reykjavik literriaEm Fevereiro de 2011, a capital islandesa apresentou a candidatura para Cidade de Literatura. Parece ser um passo natural da capital de um pas que tem o recorde de livros publicados per capita da populao no mundo inteiro.Auur Ava lafsdttir Auur Ava lafsdttir

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37 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 segue a mesma lgica e significa literal -mente viso projectada.A beleza do inacessvelAuur Ava lafsdttir estrela literria cada vez mais brilhante O seu ltimo e terceiro livro, The Offspring (A des -cendncia), mereceu excelentes crticas, inesperadas mas merecidas, dos leitores franceses, ingleses, dinamarqueses e ale -mes. A histria simples: no seu caminho para restaurar o jardim de um convento no continente, com dois ou trs rebentos de Rosa candida que leva na bagagem, Arnljtur um anti-Viking est prestes a encontrar, embora no a conhea, Anna e a filha num outro den, esquecido pelo mundo e guardado por um monge que f de cinema. Como escritor, o autor explicou a um crtico, Considero um privilgio falar uma lngua que muito poucos compre -endem. Devido a esta falta da acessibi -lidade ao mundo, a literatura islandesa tem um avano enorme em termos de mstica. Quis abordar a parte ilgica do esprito humano de uma maneira musical para exaltar as preocupaes de todos os dias, dando-lhes mesmo uma dimenso religiosa como no The Offspring . um livro cativante. M.M.B.A mente e a palavra H quem diga que os Islandeses no so influenciados pela lgica, so --no raramente pelo dinheiro e muito menos ainda por argumentos da f, mas resolvem os seus problemas empregando trocadilhos de palavras e desenvolvendo argumentos sobre assuntos insignificantes que no tm nada a ver com o problema a tratar. Chegados, porm, ao corao do debate, vemo-los desorientados e silenciosos. Por outro lado, se um amigo ou prximo lhes pede alguma coisa, eles esto sempre prontos a superar as maiores dificuldades para o servir. Se no fosse esse o caso, j h sculos que o interior islands estaria deserto. H uma outra maneira de dis -cutir as coisas, que o ltimo recurso dos Islandeses quando se j tentou tudo: o humor, mesmo o mais trivial. Quando algum conta uma histria divertida, toda a sociedade recupera a sua bondade esclarecida e o esprito mais uma vez bem acolhido. Estas so as palavras de Halldr La xness, o gigante da literatura islan desa. Vencedor do Prmio Nobel de Literatura em 1955, as suas obras incluem, Independent People ( Povos independentes ) Comeou a escrever aos 17 anos e viveu at aos 95. Os escritores islandeses do sculo XX sentiam com frequncia que estavam a trabalhar sua sombra. Devido a esta falta de acessibilidade ao mundo, a literatura islandesa tem um avano enorme em termos de mstica. Marie-Martine Buckens

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38 Muitas vezes quando as pessoas vem o nosso carro vm ter con -nosco e perguntam --nos sobre a ltima actividade ssmica na zona ou se alguma coisa extraordi -nria est prestes a acontecer, afirma Karolina Michalczewska, um dos mui -tos gelogos do Instituto de Cincias da Terra de Reiquiavique. Na verdade, publicada regularmente na Internet muita informao pelo Servio Meteorolgico da Islndia. Todos podem acompanhar a actividade ssmica e deformaes da crosta terrestre graas aos instrumentos de GPS que monitorizam a situao de forma contnua, explicou. Alm disso, desde que a erupo do Eyjafjallajkull encerrou o espao areo europeu em Abril de 2010, a UE criou uma unidade de crise e adoptou orientaes a serem seguidas em caso de emisses de cinzas vulcni cas. Medidas que a Comisso Europeia diz terem permitido dar uma resposta mais adequada na sequncia da erupo do Monte Grimsvtn em Maio de 2011.Meia distncia difcil no se interessar por essas coisas quando se est na Islndia. S precisa de percorrer alguns quilmetros fora da capital para se encontrar no meio de campos de lava, numa paisagem intacta, sem a mo da civilizao, continua o gelogo. A Islndia tem mais de 200 crateras, incluindo 170 vulces activos. Uma ilha de lava, gelo e prados que se estendem a mais de 100.000 km2, o pas a parte emersa da Crista Meso-Atlntica. As duas bordas desta crista esto a afastar se uma da outra a uma velocidade de dois centmetros por ano, aumentando assim a distncia entre a Europa e a Amrica. Uma enorme fenda ou fossa atravessa toda a ilha, do sudoeste para nordeste, cuja parte mais impressionante pode ser encontrada na plancie de Thingvellir, local do primeiro parlamento islands. LaboratrioUma erupo islandesa tpica carac -terizada pela emisso de lava basltica ao longo das fissuras, criando, muitas vezes, o que conhecido como um vulco central, explica Karolina Michalczewska. Mas e a erupo do Eyjafjallajkull no ano passado deixou isso bem patente nem sempre isso o que acontece. A Islndia um laboratrio vulcnico que oferece oportunidades incrveis para se estudar e observar a forma como se formou a crosta terrestre, tornando-a num lugar especial para os cientistas. Na Islndia, continua a vulcanologista, fcil ver que o nosso planeta um orga -nismo vivo. Tremores de terra so regis tados todos os dias e, em mdia, h uma erupo vulcnica a cada 4 ou 5 anos. No Outono de 2010, foi observada uma jku -lhlaup (corrida glaciar) do maior glaciar da Islndia, o Vatnajkull. H seis vul -ces abaixo dos 8.300 km desta camada de gelo, incluindo o famoso Grimsvtn (lagos escondidos). A presena de um jkulhlaup uma bolsa de gua que se acumula sob o glaciar e explode de repente um indicador de actividade vulcnica. J estvamos espera que o Grimsvtn entrasse em erupo nesse Outono mas acabou por chegar em Maio deste ano. O que mostra como difcil prever uma erupo com exactido. Todos os olhos esto agora voltados para o vulco Katla, que se encontra sob o glaciar Mrdalsjkull e foi, de alguma forma, abalado pela erupo do Eyjafjallajkull. Finalmente, se o intervalo entre cada erupo constitui a referncia, ento o prximo vulco na lista o Hekla. Deve entrar em erupo num futuro muito pr -ximo. M.M.B. A Islndia um laboratrio vulcnico que oferece oportunidades incrveis para se estudar e observar a forma como se formou a crosta terrestre Lava nas suas veiasSem vulces a Islndia no existiria. Os Islandeses sabem isso e aprenderam no s a viver com esse facto como tambm a acolh-lo como uma fonte de vida. Apesar de ou talvez por estarem sempre em alerta, cultivam uma forma de vida tran quila e demonstram um afecto genuno pelas suas montanhas ruidosas. Comrcio Ponte quebrada aps a erupo do Skeidararsandur em 1996 Marie-Martine Buckens

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39 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 BEI e ACP ComrcioNova dinmica de financiamento das PME Hegel GoutierO Banco Europeu de Investimento (BEI) acelerou nos ltimos dois anos, no mbito do financia -mento de pequenas e mdias empresas nos pases ACP. Isto est em sintonia com as exigncias prementes do Grupo ACP, que em 15 de Julho realizou um workshop sobre como Melhorar o acesso das PME ao financiamento; visto como a espinha dorsal das economias ACP. De acordo com os nmeros de Dezembro de 2010, o BEI reservou um total de 180 milhes de euros para microfinanciamento nos pases ACP, sob a forma de dvida e capital. Isso representa 80 % da carteira total do BEI em microfinanciamento. O BEI lida directamente com instituies especializadas ou atravs de bancos comer -ciais e de vez em quando com microempre -srios. Desta forma, desde 2005, o BEI tem adquirido aces num valor equivalente a 15,6 milhes de euros em trs holdings que operam na frica Subsariana: Advans SA SCAR*; MicroCred SA**; e Access Microfinance Holding AG, Alemanha.Prioridade para as zonas rurais e/ou muito pobresNo incio deste ano essas trs holdings j tinham criado nove instituies de microfinanciamento com 54 filiais em oito pases da frica Subsariana, servindo 97 mil clientes, cada um com acesso a uma mdia de 1046 euros. Uma taxa muito baixa de 1,48 % na mdia das carteiras depois de 30 dias estava em risco. As trs holdings trabalham muitas vezes em con -junto com instituies regionais ou bancos locais. Isto acontece na Libria, onde a empresa alem Microfinance Holding se juntou a vrios parceiros, incluindo o Banco Africano de Desenvolvimento, para desenvolver o Access Bank Liberia o banco nmero um no pas na prestao de servios s PME. O BEI est empenhado em que este modelo se desenvolva ainda mais nos pases ACP. Nos pases do Pacfico e das Carabas, o BEI selecciona parceiros locais. Como na Repblica Dominicana, onde h mais de uma dcada tem contribudo, por exem -plo, para o desenvolvimento do Banco de Ahorro y Credito Ademi e do Banco Adopem, que presta apoio a muitas ins -tituies de microfinanciamento cujos clientes so principalmente empresrios em zonas rurais e/ou muito pobres.Assistncia tcnicaA interveno do BEI na Repblica Dominicana inclui um programa de assis -tncia tcnica para ajudar os empresrios e aspirantes a empresrios a conseguirem acesso aos meios para implementarem os seus projectos e para garantir que o financiamento o mais eficaz possvel. Este um componente de muitas das intervenes directas ou indirectas do BEI no sector. Expectativa e homenagemAs histrias de sucesso de microfinan ciamento concedido s PME nos pases ACP so to numerosas que as expec -tativas de expanso significativa nesta rea so muito elevadas. A declarao do Secretrio-Geral do grupo ACO, Dr. Mohamed Ibn Chambas, por exem -plo, representa tanto um incentivo como reconhecimento da dinmica desenvol -vida pelo BEI, que atravs da Facilidade de Investimento tem potencial para ajudar os pases ACP na transforma -o estrutural das nossas PME em mais competitivas. Advans SA SCAR (criado por Horus Development Finance, anterior Horus Banque et Finance, Frana), ** MicroCred SA (sociedade de investimento criada por PlaNet Finance e parceiros: a Empresa Financeira Internacional EFI -do grupo Banco Mundial, a Socit Gnrale e AXA Belgium).Banco Europeu de Investimento EC

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40 Hegel GoutierZinkp j exps em alguns dos locais de mais prestgio de todos os continentes e ganhou prmios altamente cobiados, como o Prmio Jovem Talento Africano no Grapholies em Abidjan, Costa do Marfim, aos 23 anos, e o prmio UEMOA na Bienal Dak'art de 2002. Um novo vocabulrio para descrever a sua arteSubtitle: Un nuevo vocabulario para des -cribir su arteA arte de Zinkp est cheia de criatividade. As suas esculturas so frequentemente redues, reassociaes e metamorfoses dos mesmos elementos-base, como uma estatueta Ibedji pequena da Nigria. Ao descrever algumas das suas instalaes, tais como instalaes do seu veculo com a sua esttica totalmente natural, movendo -Zinkp, ou Dominique Zinkp como o seu nome completo, est entre os artistas mais surpreendentes. Este designer, pintor, escultor, director de vdeo e artista de instalao de Benim debate-se com os aspectos mais difceis da condio humana, sem sacrificar a beleza da sua arte ao transmitir a sua revolta pessoal. O seu trabalho ainda mais significativo e cheio de humor quando pinta o que injusto e at mesmo insuportvel. Zinkp falou ao O Correio durante sua ltima exposio principal, Metamorphoses (Metamorfoses), no Fine Art Studio (22 de Junho 20 de Agosto 2011), realizada em Bruxelas. Em focoO espelho para a almaZinkp, o artista de Benim-se com a sua bagagem e passageiros, difcil evitar o recurso utilizao de expresses recentemente criadas tais como move art e move artist. As obras Taxi Shut up Jealous! (2000) e Taxi Petro CFA (2010), por exemplo, so simplesmente incrveis. Tive que ser engenhoso. Tive sorte sufi -ciente por no ter passado pelas academias de arte do antigo bloco sovitico. Alguns jovens artistas tiveram a a sua formao e quando regressaram tiveram acesso a

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41 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 Passei grande parte da minha juventude sob um regime marxista-leninista no meu pas. Tinha amigos artistas que foram presos. Percebi que era preciso subverter as prprias intenes, a fim de expressar --se. E senti que com a arte tinha na minha mo uma ferramenta sem comparao. Tornar-me um artista era um acto poltico perdi todas as dvidas sobre a qualidade do meu trabalho. O propsito de minha arte era dizer algo, no necessariamente provocar, mas afirmar-me, no s onde morava, mas em toda a regio. Expanso do campo das artes plsticas Efectivamente, a sua arte rapidamente se espalhou por toda a regio e custa do ditador Eyadema do Togo. Convidado pelo Instituto de Francs e pelo Instituto Goethe de Lom, encontrou a sua inspi rao nos riquexs da cidade. O trabalho exposto um exemplo tpico da move art Os partidrios do regime, usavam muitas vezes folhetos para chamar a populao para manifestaes em honra do presi -dente, e eu, fraco como sou, estava l conduzindo um riquex com um mane quim de Eyadema na parte de trs, dis -tribuindo alguns folhetos falsos para uma das reunies do presidente. O subterfgio durou bastante tempo. Na conferncia de imprensa sobre o evento que se seguiu, anunciei que ia lavar a cara e saltei de uma janela dirigindo-me directamente para a fronteira com um amigo. A polcia que pensava que tinha chegado para buscar o presidente ficou sem palavras. Durante bastante tempo Zinkp sentiu --se triste pelo facto de a sua arte, que via como uma ferramenta poltica, no chegar aos moradores da sua zona tanto quanto ele gostaria que chegasse: dis -seram-lhe que sua arte era bonita, mas que era para os europeus. Disse-lhes: Mas voc que eu estou a pintar! A energia sem limites empregue na sua obra aproximou-o pouco a pouco, como acredita, da essncia, o retrato da alma que a arte deve reflectir. Um dia, no mercado da sua cidade local, onde expe inicialmente os seus trabalhos, apesar da sua grande fama, uma senhora idosa colocou-lhe 200 francos CFA (0,30 ) na palma da sua mo, dizendo: No posso comprar o quadro, mas aceite isto como o meu agradecimento por expres sar os nossos pensamentos desta forma. Lgrimas brotaram dos olhos de Zinkp que nos disse: Guardei sempre esta nota como se se tratasse de um tesouro. Foi o preo mais alto que j recebi por uma das minhas obras.bons lugares, desde que retocassem os retratos do chefe de Estado e dos seus entes mais queridos e prximos. Outros, como eu, usaram peas de corda, terra ou pigmentos naturais, qualquer coisa a que tivssemos acesso.De seguida, descobriu o trabalho de Christian Lattier. Quando tinha 23 anos, no Grapholies, descobri Christian Lattier, que usava todos os tipos de cordas e ape -nas uma cor. Senti tambm como que uma bofetada na cara, porque sempre fui atra -do pelo kitsch No estudei belas-artes, tinha todo o tipo de dvidas e perguntava --me o que estava a fazer nessa empresa. Houve ainda Frdric Bruly Bouabr, cujo trabalho achei muito simplista e banal e que no entanto ganhou um dos prmios mais prestigiados. Fiquei confuso. Mas de que valia a minha opinio? E, ento, foi anunciado o prmio para jovens talentos e fui eu. Quase que s me apetecia fugir e chorei. Estava com medo desse peso sobre mim. Voltei para casa em estado de confuso. Isso foi em 1993, e comecei a trabalhar. O espelho para a almaA pintura de Zinkp gira em torno da fluidez. Quando aborda temas que lhe so caros, sagrados ou muito pessoais, torna-se claro que a sua arte um reflexo externo da sua alma. Embora fosse essen -cialmente um desenhador, Zinkp rapida -mente se iniciou na pintura e na escultura, confundindo frequentemente as fronteiras entre as disciplinas. As esculturas so pintadas e a luz desempenha um papel importante nas suas instalaes, inspira das na esttica do circo e nos cenrios de teatros. uma fantasia que lhe permite representar melhor a commedia dell'arte deste mundo, com toda a sua mesquinhez e toda a sua grandeza. Arte com um final desagradvelA escultura pintada My hen (A minha galinha) (uma galinha com o corpo de uma mulher, com os rgos genitais vista, crucificada) exposta na exposio Metamorphoses simblica. A pea extremamente poderosa e bela, mas no nem vulgar, nem tem como objectivo provocar. o primeiro esboo preliminar de uma srie planeada das 14 estaes da Via Sacra, um trabalho destinado a divertir o espectador, sem desrespeitar a igreja e a religio. Zinkp foi excomun -gado pela arquidiocese de Cotonu devido a uma foto no mesmo estilo inspirada na proibio da plula pelo Papa. Felizmente foram feitas as pazes mais tarde e revogada a excomunho. Porqu Zinkp? Sandra Delvaux Agbessi, directora do Fine Art Studio de Bruxelas confessou ao O Correio :No que diz respeito arte de Zinkp, foi amor primeira vista, mas h um percurso de dez anos ao longo dos quais apresentei as suas obras em exposies colec -tivas. Agora o artista amadureceu. No que as suas obras no tenham atingido uma grande qualidade logo desde o incio. Mas qualquer artista acaba por atravessar momentos al -tos e baixos na sua procura at que chega a um ponto em que j no tem mais nada a provar. Zinkp passou por esta fase de transio. Ele deve ser dado a conhecer. Aposto nele. Publicaes recentes do Fine Art Studio www.fineartstudio.be Zinkp. Mtamorphose, 2011Pierre Amrouche Juste au corps 2011 (fotografias tiradas em Lom) D-E : quatro peas de arte de Zinkp: Zinkp, Soupon, 2010; Interdit de pisser 1999, escultura; Union 2010, escultura e Pouvoir, 2010 Hegel GoutierZinkp ao lado do seu quadro Mascarade, 2010 Hegel Goutier Sandra Delvaux Agbessi Hegel Goutier

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42 lao, sobretudo dos jovens. Isto parece ter criado uma atmosfera de optimismo na Nigria, perturbada unicamente pelos recentes ataques de um grupo extremista que alega representar o Islo. Antes de ser eleito, Goodluck Jonathan foi tempo rariamente Chefe de Estado e conseguiu alcanar mais ou menos o que prometera, nomeadamente a consolidao da paz no delta do Nger, que durante muito tempo fora o epicentro da violncia realizada especialmente por jovens vadios e da poluio petrolfera. bvio que esta situao no era um bom pressgio para o turismo. Agora, no entanto, os melhoramentos na regio do delta do Nger permitiram os primei -ros raios de esperana para a indstria turstica e comeam a aparecer tanto investidores locais como estrangeiros. A regio vangloria-se das suas lagoas azuis e de paisagens de sonho. A Nigria possui no total 800 km de praias de areia, picos Nigria: espera de passar categoria de pas emergente Hegel GoutierA economia do pas est actu -almente a atravessar um per odo de expanso, apesar de ter mostrado recentemente alguma vacilao. Uma srie de empresas estran -geiras j conquistaram nichos prprios em muitos domnios: indstria farmacutica, construo, telecomunicaes, produo de petrleo, etc. A Nigria tem estado at agora bastante afastada das rotas turs -ticas, mas provavelmente no demorar muito at que as pessoas se enamorem dos seus encantos. Algumas empresas, tanto locais como estrangeiras, j esto a planear investir no sector do turismo. O xito da ltima eleio presidencial foi reconhecido pelos observadores internos e externos e o recm-eleito Presidente merece a aprovao generalizada da popu -A Nigria possui um territrio com quase 1 milho de quilmetros quadrados e uma populao de mais de 150 milhes de habitantes. Sexto produtor mundial de petrleo, constri satlites de observao, possui um grande nmero de uni-versidades e centros de investigao e o segundo pas nas estatsticas mundiais quanto ao nmero de filmes de fico produzidos anualmente. Reportagem Abuja Hegel Goutier Um distrito federal construdo em menos de 20 anos. H vias rpidas, como as seis ou dez faixas de rodagem que ligam a cidade ao aeroporto

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43 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 que se aproximam dos 2500 metros e cataratas com 300 metros de altura, bem como parques nacionais e uma quantidade de outras atraces. No Norte existem cidades fortificadas que datam de tempos muito antigos e que ainda so governadas por emires ou sultes.A economia ganha velocidade Nos anos 70 a Nigria ocupava o 33. lugar dos pases mais ricos do mundo, tendo depois atravessado uma crise que a colocou como 26. dos pases mais pobres no incio do actual milnio. Contudo, desde a restaurao da democracia em 1999 e apesar de todas as dificuldades, a economia comeou de novo a crescer a um ritmo vertiginoso, com um enorme crescimento em sectores como as teleco -municaes e as finanas. Encontram-se cada vez mais bancos nigerianos em mui -tos pases estrangeiros, com sucursais to distantes como na Amrica e na sia. Embora comparativamente ainda seja baixo, o Produto Interno Bruto (PIB) por habitante duplicou entre 2003 e 2009 e as receitas do petrleo permitiram que o pas se libertasse da maior parte da sua dvida externa, algo raramente visto no continente africano. Agora no se trata de saber se a Nigria vai voltar a juntar-se aos BRICS (Brasil, Rssia, ndia, China e frica do Sul), o grupo de economias emergentes, mas sim de quando o far.A nova capital, Abuja, testemunha deste crescimento repentino. Para a representar preciso esquecer todos os clichs sobre as cidades africanas. O distrito federal abrange uma rea superior a 9000 km2, dando-lhe a possibilidade de se expandir. A deciso de construir Abuja foi tomada em 1977 e catorze anos mais tarde estava pronta para acolher o governo central. Com as suas auto-estradas, edifcios gigantescos e impressionantes centros comerciais, tem o aspecto de muitas cida -des da Amrica do Norte. Existem vias rpidas, como a auto-estrada de seis ou dez faixas de rodagem que liga a cidade ao aeroporto, mas a cidade tem um estilo e um toque cosmopolita. Em 2009, a sua populao tinha aumentado para um nmero estimado de 1,5 milhes de habi -tantes, comparado com apenas 350.000 habitantes em 2001.Lagos: uma megacidadeA antiga capital, Lagos, uma megacidade com cerca de 15 milhes de habitantes. Apesar dos seus bairros de lata e da relativa falta de segurana, um lugar fascinante, cheio de encantos e de surpresas. tam bm um centro de invenes: foi aqui que nasceram a msica animada da Nigria e a sua indstria cinematogrfica. Os ins -piradores por trs de tudo isto so prin -cipalmente antigos piratas de produes estrangeiras, que deram aos artistas locais uma nica opo: ou trabalham connosco ou permitem que o vosso trabalho seja pirateado. Alguns dos produtores de fil -mes piratas e de gravaes estrangeiras tornaram-se assim os primeiros produtores de filmes em Nollywood um lugar fictcio referente indstria cinematogrfica nige -riana. Nollywood actualmente, depois da ndia, o segundo maior produtor de fil -mes do mundo, tendo relegado os Estados Unidos para a terceira posio apenas uma das muitas surpresas da cidade.Outro facto pouco conhecido o elevado nvel da investigao cientfica realizada neste pas africano. No momento em que esta revista vai para a impresso, est a realizar-se numa base russa a prepa -rao do lanamento do Nigeriasat-2, o segundo satlite desenvolvido por cien -tistas nigerianos. Este satlite nigeriano vai funcionar juntamente com satlites dos principais intervenientes na investi -gao espacial. Institutos nigerianos esto a proceder a pesquisas numa vasta gama de disciplinas, como a nanotecnologia, energia nuclear, energia solar e proces -samento de dados e o pas tambm tem um Prmio Nobel da Literatura: Wole Soyinka. A Nigria ainda um pas subdesenvol -vido. Os cortes de energia so to fre -quentes que em todos os edifcios, todas as habitaes e todos os escritrios se ouve o barulho ensurdecedor de geradores de electricidade, a gua canalizada apenas bebvel e metade da populao ainda vive abaixo do limiar da pobreza. tambm um dos poucos pases onde a poliomielite se mantm endmica. As prprias classes polticas da Nigria denunciam problemas de governao e de corrupo sobretudo o novo Presidente, que prometeu comba -ter estas pragas bem como a indstria da produo e venda de produtos falsificados, realizada pela criminalidade organizada.A limpeza em que o novo governo est empenhado esperada avidamente, tal como a entrada do pas nos BRICS. Abuja Hegel Goutier Um distrito federal construdo em menos de 20 anos. H vias rpidas, como as seis ou dez faixas de rodagem que ligam a cidade ao aeroportoLaol Senbanjo Chiefs Hegel Goutier

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44 A islamizao no final do pri -meiro milnio D.C. pode ser considerada o ponto de partida. A sua expanso processou-se atravs do desenvolvimento do comrcio de Portugal com a ndia atravs do Mdio Oriente nos finais do sculo XV. Mais tarde, o trfico de escravos migrou mais para o sul e o Golfo da Guin, que se tornou tambm a porta de entrada para a evangelizao crist, formando assim uma linha divisria na regio ocidental de frica. A regio dividiu-se em pequenos territ rios. A unificao da Nigria deveu-se a um cidado britnico, Frederick Lugard, que foi Governador-Geral entre 1914 e 1919. Foi a sua esposa, na realidade, que arranjou um nome para o pas em 1898, formado a partir das palavras niger (expresso latina que significa pele negra) e area. Pouco depois, os trs grupos mais importantes que compem o pas, os Hausa no norte, os Ibo no leste e os Ioruba no oeste, exigiram a independn -cia. O perodo que conduziu a um Estado independente foi administrado pelo Reino Unido, mas houve poucas negociaes com os lderes do Estado no sentido de se decidir sobre como reunir cerca de 250 grupos tribais individuais e lingus -ticos. A Nigria obteve oficialmente a sua independncia em 1 de Outubro de 1960. Uma srie de golpes de Estado O primeiro governo, liderado pelo pri -meiro-ministro Sir Akubakar Tafawa Balewa e com o Dr. Nnamdi Azikiwe como primeiro governador-geral, foi der -rubado por um golpe de Estado em 1962 e outro, instigado por um oficial militar Ibo ocorreu em 1966. No mesmo ano, um terceiro golpe viu um oficial Hausa de 31 anos, o tenente-coronel Yakubu Jack Gowon, tornar-se chefe de Estado. A terrvel Guerra do Biafra eclodiu um ano depois, na sequncia do massacre no norte de 20.000 Ibo pelo grupo Hausa, seguido de represlias contra estes lti -mos, no sul. Em 1967, uma declarao de soberania do grupo Ibo na sua regio A linha divisria entre as tribos do Norte e do Sul, e o Islamismo e o Cristianismo Histriafoi feita pelo general Ojukwu. A Guerra do Biafra continuou durante mais trs anos findos os quais cerca de trs milhes de biafrenses ficaram confinados a uma pequena rea com apenas alguns qui -lmetros quadrados. Uma compilao de poemas evocativos, A Shuttle in the Crypt, foi escrita sobre a tragdia pelo poeta e romancista Ibo, Wole Soyinka, durante os dois anos que esteve preso. Um ditador iluminado No ps-guerra, o general Gowon teve a clarividncia de conceder perdo que -les que estiveram por trs da tentativa de secesso, e decidiu ignorar o apoio prestado por alguns pases ao Biafra. Gerou importantes investimentos para a reabilitao de terras do grupo Ibo, uma iniciativa que, provavelmente, cimentou a jovem nao. Logo depois, foi descoberto petrleo. Gowon permaneceu no poder nove anos, durante os quais lanou uma forte ofensiva contra a corrupo com o seu Esquadro X, a runa de polticos e de empresrios tambm. Ps tambm em marcha a industrializao do pas, restringindo determinados sectores da indstria a empresas locais apenas. Mal decidiu restabelecer o regime civil, foi der -rubado pelo general Murtala Mohammed. Murtala foi substitudo pelo general Ioruba, Olusegun Obasanjo, que decidiu estabele -cer um sistema de governo democrtico. Durou cinco anos, at 1983. Seguiram-se dezasseis anos de regime militar, antes de Obasanjo ele prprio ser democraticamente eleito como presidente em 1999 e poste -riormente reeleito em 2003. Em 2007, sucedeu a Obasanjo um Hausa, Umaru Yar'Adua, que morreu durante o ltimo ano do seu mandato e foi substitudo durante um perodo transitrio pelo vice --presidente, Goodluck Jonathan, um nativo do sul. Em poucos meses apenas, Jonathan conquistou o pblico nigeriano e ganhou confortavelmente as eleies presidenciais de 2011. Desde ento, tem prevalecido na Nigria um sentimento de optimismo, apesar de refreado pelos recentes ataques do grupo islmico, Boko Haram. A Nigria deve continuar a lutar para unir a linha divisria. H.G.Museu Nacional de Lagos Hegel Goutier O carro onde o presidente, General Murtala Ramat Muhammed foi assassinado

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45 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 As recentes eleies livres e jus tas na Nigria, a sua influn -cia proeminente na resoluo de conflitos em frica, o seu papel importante na preservao da paz no mundo sob mandato das ONU e o crescimento econmico significativo mdio de 7 % so todos indcios positi -vos. Espera-se que o pas atinja em pouco tempo os objectivos de desenvolvimento e entre no clube dos pases emergentes. A Nigria est igualmente a assumir um papel de lder nos interesses da dispora africana, afirma Martin Uhomoibhi numa entrevista ao O Correio HC Sente que a Nigria est beira de uma nova era, especialmente no rescaldo das recentes eleies presi denciais?MU H um sentimento de que a Nigria est prestes a alcanar os objectivos de desenvolvimento. Todos os nigerianos, penso eu, sentem que uma nova era lhes est a acenar por causo do que vimos durante as eleies onde o povo teve uma voz como nunca teve. Temos agora um presidente eleito numa eleio livre, justa e credvel. Este Presidente vem de uma zona minoritria do pas com cerca de meio milho de populao. A maior parte dos grupos nacionais tnicos votaram nele. Ele tem um mandato pan-nigeriano com 22 milhes de votos e o candidato seguinte tem apenas metade dos votos. O progresso no apareceu do nada. Nos ltimos anos, a Nigria experimentou um tremendo crescimento econmico de cerca de 7 %. H muitas oportunidades no pas e a administrao identificou as suas prioridades. possvel vermos o arranque nos prximos dois ou trs anos. HG Pensa que a Nigria poderia entrar rapidamente no clube dos pa -ses emergentes?MUA Nigria tem o mesmo potencial de crescimento que esses pases. Possumos enormes recursos humanos e naturais. A Nigria tem, de facto, todos os ingredien -tes para o arranque e entrada no clube das naes desenvolvidas. Nigria. beira dos objectivos de desenvolvimentoEntrevista com o Dr. Martin Uhomoibhi Secretrio Permanente do Ministrio dos Negcios Estrangeiros HG A UE acredita que os Acordos de Parceria Econmica (APE) so de vital importncia para o desenvolvimento da Nigria. Qual a sua opinio?MU Portugal e Espanha tiveram um relacionamento prximo com naes afri -canas nos sculos XIV e XV. O Reino Unido e a Frana assumiram durante a industrializao. portanto lgico e natu -ral pensar que a Europa tem muita influ -ncia no nosso continente. Recentemente a Europa enfrentou a concorrncia vinda da sia, China e ndia. J no se trata apenas de um mundo europeu mas sim de um mundo globalizado. Muito depender da forma como a Europa capitalizar o seu patrimnio histrico e geogrfico; parece justo criar uma verdadeira parceria, um mecanismo que signifique que o APE a no apenas mais uma ferramenta para forar o comrcio mas que tambm ali menta um objectivo de desenvolvimento concreto. HG E o que diz das preocupaes da imprensa nacional e internacional com a segurana, governao, cor -rupo e injustia entre regies, que possam vir a resultar em violncia? MU A Nigria emergiu de sculos de colonialismo. Acabou de celebrar 50 anos de independncia. Foi uma aglomerao Dr Martin Uhomoibhi Hegel Goutier Abuja Hegel Goutier

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46 de mais de 250 nacionalidades tnicas reunidas na administrao colonial. O pas teve de lidar com os desafios prprios de uma nao. independncia de 1967 seguiu-se uma Guerra civil de 30 meses. Estamos a tentar construir uma nao a partir de mltiplas entidades. No se pode esperar que a Nigria resolva esses desafios de um dia para o outro. A Nigria declarou que no existiram vencedores nem derrotados aps a guerra e desde ento que continuou a construir uma nao forte e formidavelmente unida. A paz possvel hoje. Em termos relativos, a Nigria tem conseguido fazer um bom trabalho bem como muitos outros pases africanos. Mas reconhecemos que, para desenvolvermos os nossos recursos, temos de organizar a nossa casa e de lidar com os desafios da governao e da corrupo. E estamos a faz-lo.HG Quais so as prioridades da geo -poltica da Nigria? MU A Nigria o quarto maior con -tribuidor para as foras de manuteno da paz da ONU e o primeiro em frica. Hoje em dia, 3 400 nigerianos mantm a paz no Sudo e as nossas posies e propostas para a Costa do Marfim so consistentes com a poltica de manuteno de paz para o pas.Na frente comercial, a Nigria tem um mercado aberto. No andamos a escolher. Valorizamos a amizade com os nossos parceiros tradicionais da Europa e da Amrica, tal como os nossos novos amigos na China, ndia e outros locais que esto a ajudar-nos a construir a nossa economia. No temos inimigos e pretendemos ter muitos mais amigos. HG Qual o papel da dispora afri cana na poltica externa? Muitos dos que foram para o Haiti so da parte oriental da Nigria. Est a decorrer um programa especial para a dispora, enviando especialistas, mdicos, advoga -dos e professores para pases de frica, das Carabas e do Pacfico. A organizao da dispora nigeriana, a Nido, estende --se a toda a dispora africana. O nosso destino est inextrincavelmente ligado ao destino da dispora Negra. A nossa poltica externa reflecte essa conscin -cia. Sempre que um negro oprimido, o nigeriano tambm o sente e sente o dever moral de o ajudar. A dispora um dos nossos objectivos de poltica externa mais importantes. H.G. Teatro Nacional de Lagos e Galeria Hegel Goutier Praa Tafawa Balewa (recinto de corridas de cavalos nos tempos coloniais) Hegel Goutier Siderurgia surgida provavelmente da antiga NigriaInvestigao e tecnologia espacial Na altura em que a Dr. DereAwosika, Secretria Permanente (Directora --Geral) do Ministrio da Cincia e da Tecnologia da Nigria, se encontrou com O Correio o seu Departamento tinha concludo as linhas gerais da nova poltica cientfica do pas. Nessa poltica haver mais recursos para as vinte instituies de investiga -o paraestatais que colaboram numa rede com mais de 100 universidades. A investigao na Nigria abrange os domnios da sade (utilizao das nanotecnologias), novos materiais, matrias-primas para engenharia, tec -nologias da informao, biotecnologia (raios gama ao servio da transforma -o de alimentos, cultura de tecidos, modificao de plantas) e tecnologia espacial. O primeiro satlite de obser -vao da Terra construdo pelos nige -rianos, N-SAT1, est a funcionar h mais de 7 anos. No momento em que a revista vai para impresso, outros dois satlites: N-Sat2 e N-SatX, com maior poder de resoluo, tambm construdos no Surrey, RU, estavam prontos para ser lanados de uma base russa.

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47 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011David Macrae, um cidado bri -tnico, foi nomeado embai -xador da delegao da Unio Europeia para a Nigria, em Maio de 2010. Economista e especialista em cincias agrcolas, depois de trabalhar na sede da Comisso Europeia em Bruxelas na cooperao com os pases ACP, actuou como Representante Permanente da UE na Comunidade Econmica dos Estados da frica Ocidental (CEDEAO). No incio de sua carreira, o embaixador Macrae foi tambm consultor de economia do governo britnico e ensinou economia na Universidade de Nairobi, no Qunia. O embaixador Macrar falou ao O Correio sobre os principais temas da cooperao europeia com a Nigria, analisando o potencial econmico e poltico do pas s escalas africana e global. Entrevista David Macrae O rescaldo das eleies, um momento muito especial na histria da Nigria. No que respeita cooperao entre este pas e a UE, 2010 foi o ano em que os projectos abrangidos pelo 10. FED comearam a ser implementados, uma vez que o documento de estratgia para o pas e o plano indicativo nacional foram assinados apenas em Novembro de 2009. Apesar disso, 84% do total de 677 milhes de euros atribudos j foram destinados. A importncia ao abrigo do10. FED, embora significativa em si mesmo, repre -senta menos de 1% do oramento total do pas. A ajuda que prestamos portanto, limitada no contexto das necessidades de um pas com mais de 140 milhes de habi -tantes, dos quais 60% vivem abaixo do limiar da pobreza. Esta naturalmente, mais uma razo para usar o dinheiro cons -cientemente, em sectores onde o seu valor acrescentado pode ser maximizado. HG Quais so as reas priorit -rias para a cooperao entre a UE e a Nigria? DM Em primeiro lugar, a governao, para ajudar o pas a estabelecer um quadro jurdico e institucional suficientemente forte que lhe permita fazer melhor uso dos seus recursos do que no passado. Desde a sua independncia, em Outubro de 1960, a Nigria teve de enfrentar o desafio de unificar uma nao dividida, com uma regio costeira, onde as condies de vida so melhores do que no resto do pas. Seguiu-se a guerra e uma ditadura militar at ao estabelecimento da democracia com as eleies de 1999. Mesmo assim, s em 2009 que uma guerra de longa data na rea do Delta do Nger chegou ao fim, ou pelo menos perdeu a sua fora. Alm disso, o nvel de corrupo alto, principalmente por causa da fraqueza dos sistemas dedicados ao seu controlo. Prestamos um grande apoio Comisso de Crimes Econmicos e Financeiros ( EFCC ), dotando-a de equipamentos de informtica e alguns dos conhecimentos necessrios. Esta ajuda tem contribudo para a recuperao pelo Estado de 11 mil milhes de dlares americanos, nove dos quais provenientes de instituies finan -ceiras envolvidas em lavagem de dinheiro. O papel dos polticos tambm foi exami -nado, como o de um ex-governador do Estado do Delta, que foi preso e extradi tado do Dubai, a pedido do Reino Unido e teve que devolver cerca de 500 milhes de dlares americanos. A Nigria enfrenta graves dificuldades com a prestao de servios bsicos como a educao, sade e energia elctrica. Um ano atrs, o presidente assumiu esse problema e a resoluo do conflito no Delta do Nger como as suas prioridades principais, juntamente com a realizao de eleies justas. A UE foi a fonte de ajuda significativa na preparao das elei -es, as quais enfrentaram uma srie de ameaas. O ano de 2010 tinha comeado com a morte do presidente em exerccio e a tomada de posse do vice-presidente, Goodluck Jonathan, em circunstn -cias pacficas. As eleies realizadas na sequncia destes acontecimentos foram vencidas por Jonathan, e foram muito melhor organizadas do que as trs eleies anteriores que tiveram lugar desde o fim do regime militar. A Comisso Nacional Eleitoral Independente ( INEC ) liderada pelo acadmico e figura da sociedade civil, Attahiru Jega, goza de uma reputao de integridade bem fundamentada. A Unio Europeia prestou um apoio importante tanto INEC e a uma maior escala, para garantir que as eleies fossem devida -mente financiadas. HG Tero essas eleies bem suce -didas conduzido a um aumento do optimismo, quer em termos do pas quer em termos dos seus apoiantes? DM Sim. A agenda do presidente parece gozar um vasto apoio. H um sentimento de esperana, mas tambm muitas expectativas. No podemos ainda dizer que tudo perfeito para j. A administrao pblica precisa de ser melhorada e necessrio atingir os Nem mais nem menos do que ajudar a Nigria a tornar-se numa potncia mundialEntrevista com David Macrae, Embaixador da UE David Macrae, Embaixador da UE Hegel Goutier

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48 Objectivos de Desenvolvimento do Milnio como por exemplo, o abastecimento de gua potvel, a imunizao contra a tuberculose, o VIH-SIDA e a poliomielite. A Nigria um dos ltimos pases onde esta doena end -mica. Isto o que a UE destacar na altura da avaliao intercalar em 2015. Ns tambm gostaramos de ver algum progresso com os Acordos de Parceria Econmica (APE). HG Que tipo de progresso nos APE?DM Idealmente, gostaramos de ver progressos ao nvel da CEDEAO, dado que a Nigria representa metade da popu -lao da organizao, e por isso estamos a incentivar fortemente o pas para tra balhar connosco, com vista celebrao de um acordo at ao final deste ano. Em Outubro, polticos de alto nvel e especia -listas de ambos os lados reunir-se-o em Abuja para avaliar o progresso alcanado at data. HG Dados os problemas que real -ou, no ser o optimismo em relao Nigria e por inerncia frica, para a qual actua como um motor econmico desapropriado? DM O mundo v frica de maneira diferente daquela que via h dez anos. Seis dos dez nmeros mais elevados para o crescimento econmico foram regista dos neste continente, e um desses seis a Nigria, com uma taxa de crescimento de 7,5%. Houve um grande interesse na China, na ndia e no Brasil, mas os olhos esto agora voltados para a Nigria. E no apenas os olhos da Europa: este um fenmeno global. Mas a questo da governao ainda um ponto crucial. Um desenvolvimento saudvel implica melho -rias visveis no padro de vida, e depois da paz e a segurana serem estabelecidas, o que necessrio uma boa governao. Em suma, a ajuda da UE est centrada na paz (por exemplo, demos prioridade ao processo de paz no Delta do Nger), na luta contra a corrupo empreendida pelo governo, na realizao de eleies justas e na boa governao em geral em termos de o Estado prestar melhores servios populao. Tivemos sempre em mente o facto de a nossa cooperao com a Nigria ter consequncias para outros pases afri -canos. Devido aos recursos do pas (gs, por exemplo), se uma boa governao per -mitir que o mesmo floresa, este progresso ter um efeito em cadeia noutros lugares, e tanto mais por causa do acesso do pas a uma grande dispora e dinmica, com trs milhes de pessoas nos EUA e um milho e meio no Reino Unido. Muitas dessas pessoas tm carreiras estveis em sectores como a banca, as finanas e as cincias, no s nestes pases, mas no mundo ocidental como um todo. H.G. Terceira ponte principal que liga a Ilha de Lagos ao continente Hegel Goutier A Nigria atravessa graves dificuldades com o fornecimento dos servios bsicos Cmara de Lagos Hegel Goutier Uma rea prioritria para permitir Nigria tirar melhor partido dos seus recursos do que no passado

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49 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 O objectivo fundamental da ajuda europeia Nigria, comparati -vamente pequena em relao s necessidades do pas, ajud-la a melhorar a governao, tanto a nvel federal como regional. Isso permitir que a nao tire pleno partido dos seus recur -sos para combater a pobreza. A cooperao entre a UE e a Nigria, foi travada por um congelamento de paga -mento resultante da falta de credibilidade das eleies presidenciais de 2007, tendo o Parlamento Europeu exigido a suspenso da ajuda ao desenvolvimento. O dilogo entre as duas partes foi retomado em 2009, com a UE a afectar 677 milhes de euros* a favor da Nigria ao abrigo do 10. FED (2008-2013). Com esta importncia, os sectores a dar prioridade pelas duas partes so a paz e segurana (166 milhes de euros)*, boa governao e direitos humanos (297vmi -lhes de euros)*, integrao comercial e regional (105 milhes de euros)*. Outros sectores-chave so a energia, proteco ambiental e atenuao dos efeitos das alte -raes climticas (99 milhes de euros)*. Oito iniciativas so descritas em pormenor no Programa de Aco Anual de 2011 da UE (PAA) na cooperao UE-Nigria. Entre esses programas inclui-se um pro -grama de apoio para o Delta do Nger, que visa combater as causas da violncia na regio, m governao, desemprego crnico e falta flagrante de servios e equipamentos pblicos. Outros projectos contidos no PAA 2011 relacionam-se com a boa governao a nvel nacional e em numerosas regies. Projectos especficos sero implementados para combater a corrupo, as drogas e o crime organizado, tais como assistncia mdica e social para toxicodependentes e programas de sensibilizao nas escolas, em casa e na comunidade sobre como viver uma vida mais saudvel e mais pro dutiva.Esto previstas outras formas de apoio para o sector da justia para facilitar o acesso aos tribunais por parte das pessoas mais desfavorecidas e de outros grupos marginalizados, incluindo mulheres, crianas, doentes e seropositivos. O financiamento ser utilizado tambm para reforar os respectivos sistemas jurdicos do governo federal e das auto ridades regionais. Foi tambm atribuda ajuda monetria destinada realizao de reformas na governao aos nveis federal, estadual e local em trs estados do norte e trs estados do sul. Alm da importncia concedida para melhoria dos servios bsicos no Delta do Nger, seis estados iro beneficiar de uma verba de 80 milhes de euros para a reforma do abastecimento de gua e oferta de servios sanitrios. Combater a m governao para desencadear um vasto potencialAjuda da UE Nigria Juntos, os oito projectos contidos no Plano de Aco 2011 atingem um valor de 475 milhes de euros, metade dos quais sero canalizados atravs das Naes Unidas e das agncias do Banco Mundial sendo o restante entregue atravs de convites pblicos apresentao de propostas. H.G. http://www.europa-eu-un.org/articles/ en/article_9243_en.htm European Union @ United States partnership in action Abuja. Via rpida da cidade em construo Hegel Goutier O financiamento da UE apoia a integrao regional entre outras prioridades

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50 Anti-sistema, em vez de anti-chefe de EstadoA Nigria e a Unio Europeia mantm um dilogo poltico permanente a nvel ministe -rial. Este dilogo, explica Michaela Wright, Responsvel pela Nigria no Servio Europeu para a Aco Externa (SEAE), centra-se nas mesmas prioridades que as nossas relaes com a Unio Africana: paz e segurana, boa governao e direitos humanos, comrcio e integrao regional juntamente com um foco no mbito da energia e outros factores determinantes para o crescimento. Dada O crticos da oposio do novo presidente, Goodluck Jonathan, ainda no destacaram uma linha de ataque. So mais cr -ticos em relao natureza fechada do sistema actual de governao que, dizem, est aberta violncia e corrupo poli -ciais, do que em relao ao prprio presi -dente. No entanto, colocam tambm em causa a capacidade do novo presidente para combater esses flagelos.O General Muhammadu Buhari, que obteve o segundo lugar nas eleies pre sidenciais de Abril de 2011, com 32,4% dos votos em comparao com os 58,89% obtidos por Jonathan, o adversrio mais sarcstico. Lder do CPC Congresso para a Mudana Progressiva, um partido com base no Norte, exigiu a anulao das eleies e apresentou uma queixa contra a Comisso Nacional Eleitoral Independente ( INEC ), a instituio que esteve frente do processo eleitoral.O Congresso da Aco da Nigria ( ACN ), cujo lder, Nuhu Ribadu, ficou em 3. lugar na corrida presidencial, mas cujo partido o principal da oposio no Parlamento, tem reputao de moderado. No entanto, o seu primognito, Asiwaju Bola Ahmed Tinubu, no mede as palavras quando diz: O governo do Partido Democrtico Popular do (PDP) tem mostrado a sua incapacidade em fornecer infra-estruturas bsicas ao povo. A electricidade o servio mais essencial, um propulsor de qualquer nao, mas no a importncia da Nigria na regio e em frica no seu todo natural que, alm de temas especficos Nigria, ambas as partes tenham tendncia para alargar as discusses a temas regionais. O dilogo poltico ocorre numa base de parceria, afirma Michaela Wright. Por exemplo, quando o tema da migrao e crescimento esteve recentemente em agenda, a Nigria no hesitou em defen der os direitos da sua dispora nos pases europeus. H.G.podemos desfrutar dela. No bastar isto para mand-los embora? O CPC o ACN e o ANPP (Partido Popular do Povo Todo), de Ibrahim Shekar, desta -cam todos a falta de deciso do presidente Jonathan. Dizem que no apresentou a tempo os nomes dos ministros potenciais para o Parlamento pelo que, no incio de Julho, dois meses inteiros decorridos aps a sua posse, apenas oito dos cerca de 36 ministros tinham tomado posse. A oposi -Dilogo permanente entre ministrios da Nigria e da UE Crticos da oposioo levanta dvidas sobre a sua capacidade de enfrentar os desafios futuros, como refrear a fora policial a fim de respeitar melhor os direitos humanos bsicos ou para combater o problema da corrupo. Sobre este ltimo ponto, os partidos pol -ticos partilham a sua causa com uma parte da sociedade civil, excepto em relao ao facto de a sociedade civil preferir que seja o presidente, e no os seus oponentes, a liderar o combate. H.G.Michaela Wright Hegel Goutier Centro da Ilha de Lagos Hegel Goutier A soluo passa por facultar mais educao e servios de sade Pescadores na costa da ilha de Lagos Hegel Goutier necessrio construir uma sociedade melhor

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51 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 ONG nigerianas: mais pragmticas e menos crticasChom Bagu, director da ONG Search for Common Ground, criada em 2004, explica que a violncia que alastrou pelo pas desde o fim do regime militar em 1999 est concentrada em dois pontos quentes: o Norte e especialmente os Estados de Cano e de Kaduna, onde tem um cunho religioso, e o delta do Nger, onde resulta da exigncia da regio de controlar as suas prprias riquezas. A organizao utiliza os meios de comunicao social para promover afinidades interesses partilhados por toda a populao. Desde Setembro de 2010, a ONG reintegrou na sociedade jovens do Nger (3000 at data) que tinham sido anteriormente recrutados por grupos armados. Maryam Idris Othman preside ao grupo de directores da Federao das Associaes de Mulheres Muulmanas da Nigria ( FOMWAN ), que tem sede em Abuja mas agrupa associaes de todos os Estados da Nigria. O Islo abrange todos os aspectos da vida, diz ela, significando que tem importncia em todas as decises polticas. A Directora continua a indicar algumas das actividades do grupo. Para alm da criao de centros educativos para adultos, de mais de 200 escolas islmicas, quatro hospitais e trs orfanatos para raparigas, a FOMWAN trabalha no sentido de aumen -tar a consciencializao das mulheres muulmanas para os valores democrticos e para a governao. A associao procura trabalhar para um melhor relacionamento entre as duas comunidades, diz ela. Mas acrescenta: Somos mulheres e no pode -mos ser imparciais quando os nossos mari -dos e os nossos filhos so assassinados. Mas depois das crises assegurmos assistncia prtica e psicolgica por todo o pas. A FOMWAN dialoga regularmente com vrias associaes de mulheres catlicas. Maryam Idris Othman diz estar optimista aps as ltimas eleies, mas acha que o novo governo tem de trabalhar com cele ridade, uma vez que o tempo no espera por ningum.Sistema de alerta precoce A Rede para a Construo da Paz na frica Ocidental ( WANEP ), sedeada em Acra, centrou a sua ateno em alertar o pblico para as consequncias das decla raes calamitosas dos polticos, criando uma espcie de sistema de alerta precoce. O grupo tenta igualmente envolver as mulheres na construo da paz. Ifeany C. Okechukwu, coordenadora da seco nigeriana, salienta o longo caminho das mulheres neste domnio, como na Serra Leoa. A WANEP esteve na base da criao do Instituto de Construo da Paz em frica e trabalha em colaborao com a Comunidade Econmica dos Estados da frica Ocidental (CEDEAO). A Fundao Cleen trabalha em reas de segurana pblica e de justia. O Director do grupo, Chinedu Yves Nwagu, diz que o seu papel mais importante contri -buir para a construo de uma sociedade mais justa atravs de aces prticas, ou centrar-se na oferta em vez da procura. por isso que a Fundao Cleen est a trabalhar, por exemplo, em progra -mas de formao para a polcia na luta contra o crime. A soluo no consiste em comprar mais armas, mas em for -necer mais servios de educao e de sade, explica ele. A Nigria, refere, uma sociedade em transio, que reali zou apenas quatro eleies desde o fim da ditadura. O Nigeriano mdio ficou satisfeito com o resultado das recentes eleies. Claro que ainda h muito para fazer, como melhorar o abastecimento de electricidade, que reduziria os custos de produo, e criar mais postos de traba lho, etc. Isto mais uma razo, conclui Nwagu, para uma completa transparn -cia na concesso de contratos pblicos, por exemplo. Chinedu Yves Nwagu tem uma atitude positiva acerca do futuro, mas ao mesmo tempo mantm um olhar atento para identificar possveis reas de abusos nos sectores abrangidos pela sua Fundao. H.G. Uma explicao para o facto de actualmente se ouvirem menos as ONG a criticar o governo pode residir simplesmente no perodo de graa que normalmente concedido aos novos Chefes de Estado. Embora as ONG continuem a censurar o governo acerca do que devia fazer a curto prazo, parecem estar mais orientadas para encontrar formas prticas de resolver as preocupaes actuais.Lagos Hegel Goutier O governo do PDP mostrou aos nigerianos o seu fracasso em fornecer infra estruturas bsicas para o povo

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52 Femi Kuti: O indiscutvel herdeiro do Afrobeat Okechukwu UmeloQuando Femi Kuti tinha 18 anos de idade, o seu pai, pioneiro do afrobeat Fela Kuti, deu-lhe a oportunidade de tocar a solo. O msico nigeriano tocava na banda do seu pai desde os 16, pelo que os concertos no lhe eram estranhos. Hoje, Femi, com 49 anos, inspira outros tipos de batida. A sua msica fascina os ouvintes com o seu apelo universal, graas s melodias funky, letra conscienciosa e ritmos para danar. Nascido em Londres e criado em Lagos, Nigria, Femi deixou a escola em 1978 para tocar saxofone alto na banda do seu pai. Isto foi o auge de Fela e o gnero que criou o afrobeat. Femi lanou essencialmente a sua carreira em 1985, quando foi forado a actuar na banda de 40 peas de Fela, Egypt 80, durante uma performance na Taa de Hollywood nos Estados Unidos. O seu pai tinha sido preso. Femi subiu nessa noite ao palco, impressionando a multido ao tocar o seu saxofone daquela forma br bara, muscular e superconfiante que os fs de Fela tinham aprendido a gostar. Distinto, com um fervor familiarFemi acabou por liderar a banda durante os dois anos que se seguiram mas decidiu formar o seu prprio grupo, Positive Force, quando o seu pai voltou em 1986. Um ponto de viragem importante na vida de Femi deu-se em 1997, quando o seu pai morreu devido a complicaes provocadas pela SIDA. Desde esse dia, Femi tem sido o lder mais importante do afrobeat, divulgando-o a novas audincias.As comparaes com Fela so inevitveis. Tal como o pai, um dinmico msico exuberante e multi-instrumentalista mas com o seu prprio som afrobeat bem distinto. Tal como as do pai, as suas letras esto carregadas de fervor anti --instituies com conscincia social, embora menos controversas. Msicas como Sorry sorry, Truth don die e Day by Day combatem a corrupo, espalham luz sobre a pobreza extrema e outras doenas sociais e incentivam as massas africanas a lutarem pela mudana e a nunca esquecerem as suas origens. Fela estaria muito orgulhoso. Antes do seu concerto na Blgica, Outubro 2008 Marie-Martine BuckensEstamos em 1992. Um homem de negcios nigeriano tentando desesperadamente vender um grande carregamento de casse tes de vdeo virgens, utiliza-as para pro duzir um filme local barato. Living in Bondage (Viver aprisionado), a histria de um homem perseguido pelo fantasma da sua falecida mulher, torna-se um xito, vendendo mais de meio milho de exem plares. Nasce Nollywood.A indstria cinematogrfica da Nigria a 2 maior indstria do mundo em termos de nmero de filmes produzidos anual -mente, ultrapassando Hollywood e segue de perto Bollywood. tambm uma das maiores empregadoras da Nigria. Com um oramento de cerca de 20.000 dla res americanos para cada filme, todos os meses, cerca de 200 filmes so produzidos em forma digital, a maioria para o mer -cado de filmes caseiros, e so vendidos por menos de dois dlares por exemplar. Isto reduz os custos de produo, pro -duz lucros saudveis e assegura que as massas africanas muitas pessoas no conseguem pagar uma ida ao cinema nem deslocar-se facilmente a um cinema possam comprar uma cpia. De modo a assegurar o interesse global dos filmes, os mais comercializados de Nollywood esto dobrados em Ingls com enredos facilmente identificveis pelos africanos em todo o mundo.As receitas anuais desta indstria situam --se entre os 250 e os 500 milhes de dla -res por ano, apesar das condies difceis, da pirataria desenfreada, dos recursos insuficientes e da crtica relativamente fraca qualidade. Alm disso, o sucesso de Nollywood inspirou a criao de outras indstrias cinematogrficas africanas, tais como a Ghallywood do Gana. Embora a indstria continue a necessitar de investimento governamental e estran -geiro, novas fontes de financiamento esto a tornar-se disponveis, e os produtores preferem cada vez mais a qualidade e a formao industrial quantidade. Os scares esto vista. O.U.Ingenuidade nigeriana alimenta o surto de Nollywood

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53 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 Nollywood o novo imprio do cinema documentadoFrank Ikegwuonu a personifica -o da jovem e vibrante indstria cinematogrfica da Nigria, que nos ltimos anos ultrapassou a indstria cinematogrfica americana, tornando-se, a seguir ndia, o segundo maior produtor de filmes a nvel mundial. Ikegwuonu actor, realizador e produ -tor da Urbanmingles Entertainment, uma empresa canadiana. editor de uma publicao de referncia anual, Who's Who do espectculo na Nigria, em que a maior parte das entradas so ocupadas por nomes da indstria cinematogrfica. Esta publicao foi aprovada oficialmente na Nigria pelo Ministrio Federal da Informao e das Comunicaes. Estou consciente de que o surgimento repentino do cinema nigeriano (conhecido como Nollywood) constitui ao mesmo tempo um smbolo e um anncio da chegada da Nigria, e tambm de frica, ao mundo do cinema, disse Ikegwuonu a O Correio. Ikegwuonu um profundo conhecedor do cinema da Nigria, das suas origens, da materializao de um projecto nico e dos altos e baixos da indstria. Fala de Nollywood como se fosse um guio. Nos seus primeiros anos, nos anos 1990, jovens piratas copiavam filmes americanos e indianos. As pessoas que ganhavam dinheiro com esta actividade consegui -ram comprar o equipamento bsico de cinema e comearam a imitar as pro -dues estrangeiras, mas com um raro sentimento africano. Estes filmes eram primeiro vendidos em vdeo a um preo baixo e depois projectados nos canais de televiso, tendo alguns deles sido criados especificamente para esse efeito. frica a observar frica Estes antigos produtores e realizado -res piratas comearam ento a recorrer a verdadeiros argumentistas. Algumas das belas actrizes e dos elegantes actores que apareciam nos filmes tornaram-se rapidamente estrelas, exigindo salrios cada vez mais elevados. Seis realizadores diferentes adaptavam frequentemente o mesmo guio, que era representado pelo pequeno grupo de estrelas cuja partici -pao garantia o xito de um filme. O argumento, a representao e a quali -dade da imagem no eram importantes: os ingredientes mgicos eram o melodrama, as lgrimas, a comdia de situao e muito riso. Os realizadores de filmes nigerianos conquistaram as suas audincias com algo novo que no se podia encontrar nos fil mes importados. Tocavam em algo que sensibilizava os seus compatriotas nige rianos, que deixaram de ver os grandes xitos americanos e mesmo os filmes de Hollywood por que se tinham apaixonado. Cynthia Amadi, estrela famosa de Nollywood Hegel Goutier Frankie Ike (Frank Ikegwuono) Hegel GoutierNollywood significou pela primeira vez que frica estava a observar frica.Ikegwuonu diz que o cinema nigeriano precisa agora de uma revoluo de qua -lidade. Tem de se abrir a outros reali -zadores e atrair produes estrangeiras, diz ele, e sobretudo empresas cinemato grficas europeias, que podero poupar 40% dos respectivos oramentos filmando em frica. Devemos ser mais exigentes sobre a qualidade, conclui. isto que est por detrs da sua criao, o Festival Internacional do Filme de Divertimento da Nigria e a respectiva cerimnia de atribuio de prmios. H.G.

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54 Interaces Trs pases das Carabas: Jamaica, Trindade e Tobago e Cuba tm embaixadas em Abuja e um representante consu -lar em Lagos. Para Robert Miller, Alto Comissrio da Jamaica, a Nigria oferece enormes oportunidades de cooperao com a Jamaica. Estamos a tentar, por exem -plo, atrair investidores nigerianos para a Jamaica e promover a exportao dos nos -sos produtos alimentares embalados para a Nigria, bem como incentivar a criao de empresas comuns entre os dois pases no domnio das indstrias culturais. A comunidade caribenha na Nigria est situada maioritariamente em Lagos. Lorna Opanubi, uma das porta-vozes desta comunidade, afirmou que os cidados das Carabas so cerca de 300, incluindo 200 jamaicanos, e so principalmente peritos qualificados, mdicos, advogados, tcni -cos de laboratrio e professores. Lorna Opanubi obteve um diploma de enfermeira no Reino Unido e veio para a Nigria em 1973. Criou uma escola de formao para a hotelaria e restaurao, frequentada actu -almente por 80 alunos.O concurso para a eleio da Miss Mundial da Nigria, realizado em 19 de Junho de 2011 em Lagos, cuja vencedora ir par -ticipar no concurso de Miss Mundial Internacional, foi patrocinado pela Alta Comisso da Jamaica e permitiu um maior conhecimento da comunidade das Carabas na Nigria. H.G. Miss Mundo Nigria 2011, Judith Ilechukwu coroada a 19 de Junho de 2011 pelo Alto comissrio de Trindade e Tobago para a Nigria, Nyahuma Obika. Hegel GoutierDispora caribenhaAbuja est lotada de pessoas criativas, quase todas jovens e cosmopolitas como a pr pria cidade. Para citar alguns dos seus residentes em ascenso: La'ol Senbanjo, um designer e cantor conhecido pela sua arte mstica africana, especial -mente de carvo sobre tela, onde as pes -soas e os objectos simblicos misturam-se com o intrincado da rede. A cano God has given me, que se tornou quase num segundo hino nacional, foi lanada pela Styl-Plus, o grupo do produtor e msico Sunky, que gravou a faixa no seu pr -prio estdio. Muitos artistas talentosos gravam tambm regularmente em Iroko Record Marketing. Cakurepublic, o lbum recentemente lanado de Chics, um compositor, rapper e saxofonista, um lbum imprescindvel. A jovem jamaicana, Roberta Millerm, est a aguardar a sua vez como cantora de apoio, enquanto aguarda pela sua oportunidade de estrelato. A sua voz rouca e suave como veludo... Outro Tom Saat, um fotgrafo e repr -ter do programa Time Out da BBC. Abuja, uma cidade fervilhante Jenevieve Aken Hegel Goutier Chics, Roberta Miller e Sunky Hegel GoutierA Organizao da Dispora Nigeriana (NIDO) uma organizao sem fins lucrati -vos que contribui para que os nigerianos da dispora reforcem as suas competncias e recursos de modo a apoiar o desenvolvimento do pas.Criada em 2000, a NIDO uma ini -ciativa do anterior Presidente Olusegun Obasanjo, com departamentos na Europa, Amricas, sia e frica. Os departamen -tos da NIDO organizam actividades em rede entre as comunidades da dispora nigeriana e respectivos parceiros e aju -dam a implementar a capacidade nacional atravs de investimento, voluntariado e aconselhamento. Estes departamentos patrocinam as crenas das comunidades da dispora sobre temas que afectem as relaes entre o seu lar e os pases anfi tries. Promovem igualmente uma ima gem positiva da Nigria no estrangeiro, contribuindo assim para o investimento no seu pas.NIDO: Plataforma da dispora nigerianaJeneviveAken mostrou um talento cria -tivo excepcional como estilista, fotgrafa e organizadora de eventos de moda e tem sido modelo do brilhante designer Chris Aire. Zainab Mohammed, que trabalha para a TOP25, uma revista de distribuio gratuita, escreve sobre todas as pessoas influentes em Abuja. H.G.A NIDO apoia de forma activa o Dia da Dispora Nigeriana (anual), um evento no qual se partilham variados conhecimentos organizados pelo Servio de Voluntariado Nacional nigeriano, que rene centenas de profissionais nigerianos, da dispora e de outras entidades em todo o mundo. Em 2008, a NIDO Europe lanou um Fundo de investimento da dispora nige -riana no valor de 200 milhes de dlares americanos. H.G.Website da NIDO Europe: www.nidoeuropes.org

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55 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011Reunio sobre a Estratgia frica-UE centra-se na democracia e no crescimento econmicoDirigida pelo Presidente da Comisso Europeia, Jos Manuel Barroso, e pelo Presidente da Comisso da Unio Africana, Jean Ping, a C-2-C dedicou especial aten -o democracia e ao crescimento econ -mico nesta quinta atendendo turbulncia poltica no Norte de frica e s mudanas econmicas a nvel mundial. A Parceria Estratgica entre a frica e a UE definiu objectivos comuns que ultra -passam o tradicional enfoque doador --beneficirio, num dilogo entre partes iguais. A UE o maior parceiro comercial do continente africano. Em 2009, 36% das importaes totais de frica tiveram ori -gem na Europa. As instituies da UE so igualmente o segundo maior doador mun -dial para frica. A Comisso Europeia, no quadro dos seus diversos instrumentos financeiros, tambm concedeu 24,4 mil milhes de euros entre 2007 e 2013 para apoiar a Estratgia conjunta frica-UE e as suas parcerias temticas1.O Presidente da Comisso Europeia, Jos Manuel Barroso, confirmou o apoio da UE Iniciativa para a Transparncia das Indstrias Extractivas (ITIE), que con -duz a uma distribuio mais equitativa dos recursos do continente. Os recur -sos de frica devem servir para a sua prpria estabilidade e prosperidade. Na Comisso, apoiamos a Iniciativa para a Transparncia das Indstrias Extractivas (ITIE) e em Outubro vamos apresentar uma proposta legislativa no sentido de obrigar as empresas a publicarem informa -es sobre as suas actividades nos pases em desenvolvimento, referiu numa con -ferncia de imprensa. A proposta insere-se no objectivo da estratgia para melhorar a governao econmica.Nas reas do comrcio, das infra-estrutu -ras e da integrao regional, a UE e a UA concordaram em acelerar as negociaes dos Acordos de Parceria Econmica (APE) e fazer com que os acordos de pesca sejam mais sustentveis e mutuamente benficos. Aces em matria de ODMMedidas urgentes e decisivas em rela o aos Objectivos de Desenvolvimento do Milnio (ODM) foram salientadas na declarao conjunta da reunio. Ambas as partes reforaram a sua deter -minao em acelerar a implementao das Orientaes sobre a Poltica Fundiria Africana, incluindo o apoio criao de orientaes internacionais relativamente ao acesso s terras e aos recursos naturais. Foi reconhecida a importncia da agricultura biolgica e realizou-se em Bruxelas, em 11 e 12 de Julho de 2011, um seminrio inicial destinado a elaborar uma estrat -gia sobre o desenvolvimento da agricul -tura biolgica em frica. No domnio da cincia, tecnologia e inovao, a primeira reunio de funcionrios superiores para o dilogo de alto nvel entre frica e a UE no domnio da poltica de cincia e tecnologia deve realizar-se em 10 e 11 de Outubro de 2011 em Adis Abeba, Etipia. A UA e a UE declararam conjuntamente a continuao do seu apoio ao projecto de Agncia Espacial Africana e criao de um instituto de cincias espaciais no con -texto da Universidade Pan-Africana. D.P. 1 Estatsticas da Comisso Europeia.A reunio anual das Comisses da Unio Africana (UA) e da Unio Europeia (UE) realizou-se em Bruxelas, em 31 de Maio e 1 de Junho. Esta reunio, conhecida como College-to-College (C-2-C), reforou ainda mais a cooperao poltica e tcnica entre as duas instituies e deu um novo impulso implementao da Estratgia conjunta frica-UE, tendo tambm debatido questes polticas relativas a certas naes africanas, nomeadamente o Sudo do Sul e a Costa do Marfim. Participaram pela primeira vez nos debates vrios Directores Executivos das Comunidades Econmicas Regionais africanas.As oito parcerias Paz e segurana Governao democrtica e direitos humanos Migrao, mobilidade e emprego Comrcio, infra-estruturas e integrao regional Ambiente e alteraes climticas Governao econmica Objectivos de Desenvolvimento do Milnio Cincia, tecnologia e inovao Para saber mais: www.africa-eu-partnership.org InteracesPresidente da Comisso da Unio Europeia Jean Ping, esquerda, recebe uma cpia de cartas do estadista Robert Schuman, visto como um dos fundadores da Unio Europeia, pela mo do Presidente da Comisso Europeia Jos Manuel Barroso Associated Press / Reporters

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56 Ilustrao Loc GaumeProposta de uma nova poltica agrcola mundialNa sequncia da reunio que tiveram em Paris em 22 e 23 de Junho de 2011, os Ministros da Agricultura do G20 decidiram melhorar a regulao dos mercados agrcolas a fim de evitar as crises alimentares. Dacian Ciolos, Comissrio Europeu para a agricultura, afirmou que estas medidas estavam inteiramente de acordo com a sua proposta de reforma da Poltica Agrcola Comum (PAC), que deve avanar em Setembro de 2011.A agricultura esteve no centro das negociaes do G20 consti -tudo pela Unio Europeia e pelos 19 pases mais ricos do mundo. Tratou-se da primeira reunio do clube de membros institudo em 1999 aps uma sucesso de crises financeiras. uma intruso que se justifica pela ameaa da especulao nos bens alimentares de base, actividade que tem um papel fundamental no aparecimento das crises alimentares. Sem esquecer o efeito cada vez maior dos preos do petrleo nos preos dos produ -tos alimentares desde que as culturas de biocombustveis comearam a aparecer em grande escala. No entanto, no foi feita qualquer aluso a esta questo em Paris.O plano de aco acordado em Junho, destinado a regular os mercados e a reduzir a volatilidade dos preos, tem vrios objectivos: regular os mercados de produtos agrcolas derivados; regular a coordenao poltica internacional para dar uma resposta mais eficaz s crises alimentares; desenvolver instrumentos de gesto de risco para os pases mais pobres; e aumentar a informao e a transparncia dos mercados. Dacian Ciolos congratulou-se com estas propostas, que referiu estarem intei -ramente de acordo com os desafios da reforma da PAC. A correlao entre desenvolvimento sustentvel e a agri -cultura foi um dos pontos comuns: O aumento da produo agrcola tem de ser acompanhado de uma gesto adequada dos recursos. Tambm preciso ter mais em conta os sistemas agrcolas de todas as dimenses, desde os pequenos pro -prietrios de exploraes agrcolas at aos grandes produtores. O Comissrio teve alguma dificuldade em demonstrar que todas estas questes sero abordadas nas propostas de reforma da PAC. No mbito do plano de aco do G20, a UE tambm se comprometeu a forne -cer dados estatsticos mais aperfeioados sobre o mercado agrcola europeu. Se forem publicados dados mais pormeno -rizados, na opinio do G20 a especulao ser limitada. Os dados sero integra -dos no novo Sistema de Informao dos Mercados Agrcolas (AMIS), localizado na FAO, em Roma. Falta apenas conven -cer o sector privado a participar, o que no ser um desafio de pouca monta, se considerarmos que apenas quatro empresas agro-industriais, conhecidas colectivamente como ABCD (Archer Daniels Midland, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus), controlam mais de 90% do comrcio mundial de cereais.PAC: um impacto menos negativo nos pases em desenvolvimentoNas suas concluses, o G20 adverte que a segurana alimentar pode ser posta em causa pelas barreiras comerciais. No que diz respeito a restries e proibies de exportaes, no posso negar que em determinadas circunstncias estas medi -das podem por vezes ser necessrias, admitiu Dacian Ciolos, embora dizendo ao mesmo tempo que a PAC est a ter um impacto menos negativo nos outros parceiros. Os ministros do G20 anunciaram igual mente que apoiavam um projecto-piloto de criao de um sistema de reservas alimentares para fins humanitrios. A responsabilidade pela realizao do estudo de viabilidade foi confiada ao Programa Alimentar Mundial, que teria acesso a reservas alimentares suficientes para dar resposta atempadamente s crises que surgirem. Algumas questes ficaram sem resposta, facto que o Comissrio Europeu para a agricultura reconheceu: Onde que estas reservas sero produzidas? Quem que as paga? Quem ser o respon -svel pela sua gesto? Em que circunstn -cias que sero libertadas? Como que se coordena a utilizao destas reservas com o comrcio internacional? M.M.B. O aumento da produo agrcola tem de ser acompanhado de uma gesto adequada dos recursos. Tambm preciso ter mais em conta os sistemas agrcolas de todas as dimenses, desde os pequenos proprietrios de exploraes agrcolas at aos grandes produtores

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57 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011Os Ministros dos ACP e da UE discutem a migrao, o comrcio e o Sudo do Sul A presidir a reunio, o Ministro dos Negcios Estrangeiros da Hungria, Jnos Martonyi, cujo pas representava, na altura, a presidncia rotativa da UE, afirmou que a migrao actualmente um tema muito sensvel na UE. Os problemas de migrao apenas sero resolvidos se a UE refor -ar o elo de cooperao com os pases de origem dos emigrantes: Manteremos o assunto em agenda e continuaremos a fazer o nosso trabalho. O Conselho dos ACP-UE chegou a acordo sobre facilitar a admisso do Sudo do Sul na Conveno de Cotonu, se o pas se candidatar. O Sudo do Sul tornou-se independente a 9 de Junho de 2011. O Secretrio-Geral dos ACP, Mohamed IbnChambas, Co-Presidente da reunio, disse que o pas enfrenta grandes desafios como, por exemplo, uma total falta de infra-estruturas na rea social, dos trans -portes e da energia. At data, a UE des -tinou uma verba de 200 milhes de euros para a ajuda ao desenvolvimento deste novo estado. O Ministro dos Negcios Estrangeiros hngaro salientou que a UE no dever esquecer o Sudo do Norte, que tambm enfrenta graves problemas econmicos e sociais. Os Ministros da UE tambm lamenta -ram o passo vagaroso a que decorrem as negociaes para concluir o Acordo de Parceria Econmica (APE) acordos de comrcio livre assinado entre os estados da UE e dos ACP. A regio das Carabas, CARIFORUM, o nico agrupamento regional que assinou at aqui. Apesar das lacunas entre as abordagens filosficas e jurdicas dos parceiros de negociao, do interesse de ambas as partes chegar a um acordo, afirmou o Ministro Martonyi. Os Ministros dos ACP tambm debateram temas de comrcio na respectiva reunio a 27 e 28 de Maio em Bruxelas, que pre -cedeu o Conselho Conjunto. Para todos os fins e propsitos, o regime de comrcio internacional no est a evoluir de forma a considerar as necessidades de desenvol -vimento dos pases mais pobres, afirmou o Secretrio-Geral Chambas. O preo cada vez mais alto da alimentao e dos combustveis so obstculos ao alvio da pobreza bem como os desafios colocados pelas alteraes climticas e o fenmeno da apropriao de terras para cultivo de biocombustveis, que ameaam minar a segurana alimentar e o sustento de milhes de pessoas. O futuro do grupo ACP aps o termo de vigncia da Conveno de Cotonu (2000-2020) tambm figurou na agenda. Os ACP criaram o seu prprio grupo de tra -balho para analisar as opes segundo os auspcios do Embaixador da Maurcia em Bruxelas, Sutiawan Gunessee. Na minha modesta opinio, o grupo ACP deve lide -rar o processo e decidir o seu prprio futuro e no ser apanhado de surpresa nas vsperas do termo de vigncia de Cotonu 2020, referiu o Secretrio-geral aos jor -nalistas reunidos. O grupo de trabalho dos ACP no Conselho da UE deve criar um grupo de reflexo para definir relaes com as naes do ACP aps 2020. D.P.A migrao, o apoio da Unio Europeia ao Sudo do Sul e as questes relacionadas com o comrcio figuram em destaque na agenda do Conselho de Ministros do ACPEU que teve lugar a 31 de Maio em Bruxelas.A Comisso Europeia prope 30 mil milhes de euros para o novo FED As propostas da Comisso Europeia para o oramento da UE 2014-2020, prevem 29.998 milhes de euros para os pases do grupo ACP ao abrigo de um novo Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) e outros 321 milhes de euros para os pases e territrios ultramarinos (PTU) da UE. Os debates com os 27 Estados-Membros da UE para aprovar o pacote final ainda se encontram em fase embrionria. Todos os pases do ACP, excluindo frica do Sul e Cuba, recebem financiamento para o desenvolvimento do FED, que tradicionalmente era financiado directamente pelos Estados-Membros da Unio Europeia. A soma proposta comparvel ao 10 oramento do FED (2008-2013) de 22.682 milhes de euros, dos quais 21.966 milhes de euros se destinam a pases do ACP e 286 milhes de euros a PTU, sendo que 430 milhes de euros se destinam Comisso Europeia para apoiar a implementao do FED.Nas perspectivas financeiras propostas pela UE, 2014-2020, foi proposta uma soma de 70 mil milhes de euros para relaes externas ao abrigo da rubrica oramental Global Europe, ou um aumento de 71% para polticas externas que no com pases do ACP se compararmos com o oramento actual para 2007-2013. Esta rubrica oramental inclui uma soma de 16 mil milhes de euros para pases do Mdio Oriente e do Norte de frica que faam parte da Poltica Europeia de Vizinhana e 21 mil milhes de euros para um instrumento de desenvolvimento e cooperao que contribua para atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milnio (ODM), nomeadamente a diminuio da pobreza e a melhoria da educao e da sade. Migrao no topo da agenda da UE. Barco transportando migrantes atraca em Lampedusa Itlia, Maio 2011 Associated Press/Reporters

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58 CriatividadeMusa. Um cone da arte sudanesa Hegel GoutierMusa criou uma tcnica, uma tapearia diferente. Outra caracterstica do artista inclui revisitar os clssicos da histria da arte como o Olympia de Manet ou cones da histria em geral como Josephine Baker, a Vnus de Hottentot, Bin Laden ou Che Guevara. Frequentemente copia esses corpos para os seus auto-retratos. Este ping-pong entre ele e os cones da arte, da histria ou da fantasia poderiam ser resumidos numa das suas frases: As imagens so como murros: levamo-los e damo-los. Interview: HG Fez um retrato de um determi -nado cone, a imagem de Bin Laden a ser solto pelas autoridades dos E.U.A. reflectido num espelho. No corre o risco de ser mal interpretado?M No, o meu objectivo to bvio que no possvel. Excepto as poucas pessoas no Sudo que no apreciam que apaream mulheres nuas no meu trabalho. Mas, regra geral, as pessoas vem as coisas em perspectiva e compreendem o significado do meu trabalho.HG Muitas pessoas consideram que a Arte e a forma como sentida nos nossos dias se tornou globalizada. Isto faria com que fosse igual a todos os artistas do mundo, a um artista ocidental. Concorda?M Sim. A globalizao no comeou com a queda do Muro de Berlim que uniu o Ocidente e o Oriente mas sim durante o perodo da colonizao quando os Estados Europeus dividiram frica entre si. Cada nao ficou com o seu quinho e tentou transformar as pessoas de acordo com a sua prpria imagem. Hoje em dia, h africanos que no conseguem escrever na lngua materna.HG Como descreveria o seu trabalho pintura suave quase como fotografia de retrato e com tendncia para o abs -tracto, brincando com uma imagem de Epinal?M Eu reflicto sobre as imagens, formas e cores. O meu prazer comear a partir da tcnica pura e criar algo que seja agradvel ao olhar. A minha paixo o desenho. Trabalho a caligrafia arbica, aguarela e pintura a leo. Misturo tudo de modo a criar imagens sobre tecido transparente que pinto e volto a pintar, criando cama -das e mais camadas. Isto requer muita energia, mas o prazer de ver a imagem a aparecer aps um certo perodo de tempo extraordinrio.HG No caso do seu auto-retrato 382.003, como o concebeu? M Ocasionalmente fao auto-retratos. Quando no tenho um projecto espec -fico em mos, isso permite-me comear de novo. Quando trabalhei as imagens de Josephine Baker e Sarah Baartman ( N.d.R. : uma das duas mulheres Sulafricanas expostas como Vnus de Hottentot) que foram vtimas de abuso em Londres e Paris. Houve um debate abominvel em Frana sobre Negros como se se tratasse de uma classe poltica. Pus-me nesse auto-retrato de Josephine Baker e Sarah Baartman. Chamo-lhes auto-retratos com pensamentos negros. Tenho outras ideias a cores tambm.* Juntamente com Fabian Bocart, especia lizado na economtrica do mercado de arte que se debruou sobre o tema Arte Africana Contempornea: um investi mento promissor.Musa (Hassan Musa) um artista africano cujo trabalho foi exibido num nmero impressionante de locais de prestgio, nomeadamente na Bienal de Veneza, no Centro Georges Pompidou em Paris, no Museu de Arte de San Diego, no Museu Mori Art em Tquio e na Johannesburg Art Gallery. Esteve na Blgica numa exposio no Museu da Tapearia e no Museu de Belas Artes de Tournai e apresentou um trabalho na conferncia "cones da Globalizao" na Galeria Pascal Polar em Bruxelas. Alborosie fascina a multido no Couleur Caf 2011 Kevin Manneback Musa Autoportrait Noires Hegel Goutier Artistas de todo o mundo no Festival SFINKS Mixed JordiBover

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59 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 Hegel GoutierA Europa acolheu mais uma vez o festival SFINKS, em que estiveram presentes grandes nomes da msica e se revela -ram os artistas do futuro. Para a sua 22. edio, que se realizou de 29 a 31 de Julho de 2011, o festival SFINKS Mixed (o festival evitou sempre o termo msica do mundo, uma vez que toda a msica considerada como sendo msica do mundo) transformou a pequena cidade de Boechout, perto de Anturpia, na Blgica, numa capital cosmopolita.Este festival um dos poucos que con -seguiram manter o tom descontrado e preos de entradas acessveis. um monu -mento do patrimnio cultural mundial. Este ano estiveram em destaque a cul -tura cigana e o Extremo Oriente. Como sempre, verificou-se uma forte presena africana e das Carabas. Mais do que no passado, as canes de Alpha Blondy, um grande artista afri -cano, reflectiram as tristezas do seu pas, a Costa do Marfim. Conquistou o pblico com os seus tristes lamentos sobre a actu Debra PercivalO festival de msica Couleur Caf em Bruxelas, de 24 a 26 de Junho de 2011, foi uma festa em grande. Oitenta mil pes -soas atravessaram os portes no ponto de encontro Tour et Taxis e assistiram s seguintes actuaes: Seal, Ziggy Marley e Ivorian, TikenJah Foley, bem como artis -tas em vias de ascenso como a cantora afrobeat belgo-ganesa, Gloria Boateng.Quando lanado pela primeira vez em 1990, o evento foi um festival tolerante e extico dedicado msica de fuso, que teve lugar no fundo colorido de Bruxelas e no no meio do nada, afirma um dos seus organizadores. Nessa altura, foi servido um cocktail de artistas africanos alidade e com canes que transmitiam um esprito de rebelio. Joaquin Diaz, da Repblica Dominicana (Carabas), executou um emocionante pericoripiao um merengue que combina um ritmo brilhante com momentos suaves.SFINKS um festival em que os fs vm mais para ver as novidades futuras do que para ouvir msicos muito conhecidos. Este ano valeu bem a pena. A principal cantora do grupo Bomba Estreo, Li da Colmbia, algum a observar. Pode ser comparada a Nelly Furtado ou a Tot La Momposina, duas outras grandes cantoras do pas mais caribenho da Amrica do Sul. Festival S FI NK S Mixed C ouleur C af 2011 C ocktail musical de BruxelasA descoberta partilhada da msica e afro-cubanos. Hoje h uma mistura muito mais variada de msica : R & B, hip hop, world afro, reggae, raga, dub, dancehall, Latin, salsa son, ra, rock e dana executados por msicos da Blgica e de todos os continentes do mundo.Este ano, TikenJah Foleys impressionou com trilhas do seu novo lbum, African Revolution e Ziggy Marley, filho de Bob Marley, cantou canes do seu lbum, Wild and Free bem como algumas can es do seu falecido pai. O antigo pol -cia, Alborosie, um siciliano branco com rastas louras que emigrou para a Jamaica, animou a multido com algu -mas das suas mais recentes criaes Soul Pirate (2008) e Escape From Babylon (2009) que homenagearam alguns dos maiores artistas de reggae: Black Uhuru, Burning Spear, Steel Pulse e Bob Marley. Alborosie fascina a multido no Couleur Caf 2011 Kevin Manneback Artistas de todo o mundo no Festival SFINKS Mixed JordiBover Festival SFINKS Mixed Jordi Bover

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60 Fetish Modernity Hegel GoutierA exposio sobre Fetish Modernity (O Fetiche na Modernidade) que teve lugar no Royal Museum for Central Africaem Tervuren, Blgica, de 8 de Abril a 4 de Setembro de 2011, marca uma tendncia que tem vindo a ganhar terreno h j alguns anos nesta meca da cultura e em inmeros museus etnogr ficos da Europa. O Museo de Amrica Madrid, o Nprstek's Muzeum Praga, o Museum fr Vlkerkunde, Viena, o Museum Volkenkunde, Leiden e o Etnografiska Museet, Estocolmo tambm iro montar exposies sobre o mesmo tema. Fetish Modernity est ligado ao projecto europeu conhe -cido por RIME (Rseau international Des Musees Ethnographiques), Rede Internacional dos Museus Etnogrficos.Para os curadores da exposio em Tervuren, Anne-Marie Bouttiaux* e Anna Seiderer, a modernidade no passa de um conceito fetichizado, um clich, uma discriminao. Uma seco da exposio deita um olhar crtico fbrica de clichs que em tem -pos povoava os museus etnogrficos. Outra, Mystic Village (Aldeia mstica) consiste numa instalao de objectos de adorao de diversas fs, onde seria arris -cado tentar detectar a modernidade de acordo com a origem. Alm do simples prazer de ver trabalhos de grande beleza e significado, o que se leva desta exposio que o verdadeiro motor do modernismo no passa do desejo presente, em qualquer lugar ou altura, de renovar a produo artstica e as prticas sociais. Tal como no trabalho fotogrfico de Eric Lafforgue que retrata um Papua com um CD-ROM como anel de nariz, o fetichismo de qual -quer tipo engendra a produo de desejos, sobre a qual criamos a modernidade. Leia a nossa entrevista completa na pgina web do O Correio www.acp-courier.eu Filmes africanos disponveis por encomendaEm frica, a rea dos media e telecomunicaes ver um cres -cimento espectacular nos prxi -mos anos. Os operadores esto j a investir massivamente na Internet, telefones mveis e televiso, mas a rea da produo e distribuio de filmes continua a ser o elo mais fraco, uma vez que os realizadores de filmes africanos se deparam com problemas em aceder tanto s audincias africanas como s no africanas, que muitas vezes no tm facili -dade em comprar ou em alugar filmes. O nmero de cinemas comerciais em frica est a diminuir e os filmes so frequen temente distribudos de forma ilegal em frica e em toda a dispora mundial. A maioria dos realizadores africanos ainda confiam nos programas europeus para produzir e distribuir os seus filmes.Em resposta a este problema, um novo projecto apoiado pelo Programa de Filmes do ACP permitir aos espectadores paga -rem um preo justo pela compra e alu -guer de filmes e vdeos africanos, com a garantia de que o dinheiro beneficiar os directores e no os piratas. Este projecto AfricaFilms.tv uma plataforma VOD (vdeo mediante pedido) que disponibili -zar online os filmes africanos, as sries, comdias, documentrios e desenhos animados sobre frica e sua dispora, todos com legendas francesas, inglesas e espanholas. O portal j se encontra em formato piloto, e a depurao da pgina web ser terminada este vero. Os utili -zadores podero seleccionar os produ -tos por pas ou por tipo (filmes, novelas, documentrios, etc.), com filmes novos e antigos disponveis. A plataforma ser um belo mostrurio para os produtos africa nos, alm de permitir aos detentores dos direitos de autor aumentarem a sua receita e ao pblico apreciar o acesso a este tipo de produto. A.M.R. Autctone da Papusia usando um DVD como ornamento nasal fotografia original de Eric Lafforgue 2008 expo photo Hegel Goutier

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61 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 Fetish Modernity MobiC I NE : Uma nova iniciativa para a distribuio do cinema africano Andrea Marchesini ReggianiEm Abril de 2011, 70 alunos da Escola Patte d'Oie Builders em Dakar viram o seu primeiro filme num ecr de cinema: Le ballon dor por Cheick Doukour. Esta iniciativa foi uma das primeiras organi -zadas como parte do projecto MobiCINE que pioneiro de um sistema inovador de projeco de filmes em duas das princi pais cidades africanas. Dakar e Bamako. Em Fevereiro, 7 unidades motorizadas foram equipadas com computadores por -tteis, ecrs portteis, altifalantes e gera -dores, e foram treinados operadores para organizar a projeco em escolas e em cen -tros sociais tanto nas reas urbanas como rurais. possvel assistir a estas projeces por um preo razovel (300 FCFA, ou 0,45 ), podendo tambm ser patrocina das por ONG e outras instituies. Este projecto guerrilha tem o objectivo de trazer a indstria dos filmes de volta s cidades africanas, onde os cinemas foram encerrando. Em 1973, havia 80 cinemas no Senegal com 4.461.000 espectadores por ano. Em Dakar, agora s possvel assistir a projeces de filmes em trs locais: no Teatro Nacional de Sorano, no Centro Cultural Francs e no nico complexo cinematogrfico da cidade. A ideia por detrs do projecto o modelo econmico de trs partes, em que cada parte ganhadora: o projeccionista, o produtor e a mobiCINE, que se torna auto-sustentvel. Nos prximos meses este modelo ser ava -liado e se os resultados forem positivos a mobiCINE alargar-sea outros pases. O projecto foi lanado pela IDmage (Paris) e pela SOON (Dakar), em parceria com a SARAMA FILMS (Bamako) e o Studio Sankara (Dakar). Uma audincia extasiada diverte-se com um ecr MobiCINE em Dakar mobiCINE O cinema porttil inteiro unidade motociclo mobiCINE

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62 A Bienal de Veneza de Arte Contempornea assistiu apre -sentao este ano dos pavilhes oficiais de quatro novos pases: Andorra, Arbia Saudita, Bangladeche e Haiti. A presena destes pases na Bienal constituiu a sua participao na mostra mundial mais importante de arte con -tempornea. Um ano e meio depois do terramoto devastador, o Haiti aceitou o desafio de afirmar a sua posio no mundo da cultura, juntamente com outras 88 naes, graas a duas exposies paralelas. A primeira Haiti Kingdom of This World (Reino do Haiti deste Mundo), que esteve presente na Fondazione Querini Stampalia at 31 de Julho de 2011. Trata-se de uma exposio itinerante cujo curador foi o haitiano Giscard Bouchotte e que mostrou o trabalho de 15 artistas haitianos, incluindo Mario Benjamin e Maxence Denis. Esta exposio j tinha sido apresentada em Paris, em Abril/Maio (ver o n. 23 de O Correio ), e nos prximos trs anos vai dar a volta ao mundo.O segundo acontecimento foi uma exposio ao ar livre intitulada Morte e Fertilidade, presente na Riva Sette Martiri at 28 de Julho de 2011. Foi concebida pelo artista italiano Daniele Geminiani e exps a obra de trs artis -tas de Port-au-Prince do colectivo Atiz Rezistans. Ao longo das ruas estreitas em torno da Grand Rue esta comunidade de artesos produz artigos de artesanato para o mercado de turistas feitos a partir de materiais reciclados obtidos no bairro de reparao de viaturas da cidade. Jean Hrard Celeur e Andr Eugne so dois artistas que no possuem formao ofi -cial em arte, mas que cresceram neste ambiente criativo de reciclagem de sucata. Montaram em conjunto o projecto Atiz Rezistans, que alarga o colectivo dando formao a outros artistas. Estes artistas utilizam componentes prontos a usar, combinando assim a necessidade econ -mica com a expresso criativa e a reflexo intelectual.Os fundadores do colectivo, Celeur e Eugne, juntamente com Claude Saintilus, foram os trs artistas presentes na exposio da Bienal. As obras eram colagens escultricas da forma humana feitas com velharias da pobre economia do Haiti, incluindo partes de motores e fragmentos de computadores, bem como fragmentos coloridos de tecidos. Estas esculturas expressivas lembram efgies fetiches e exploram aspectos da fam -lia dos espritos Gede, que na religio Vodu personifica tanto a morte como a fertilidade e so celebradas com rituais. De um ponto de vista poltico contempo -rneo, algumas das obras tambm aludem s tragdias do VIH, do terramoto, da pobreza e da agitao poltica. A exposio realizou-se em dois conten -tores com 12 metros, um azul e outro ver -melho, dispostos em forma de T. Atravs destes contentores os curadores preten deram representar as cores da bandeira do Haiti e a vizinhana pobre junto ao porto da capital onde vivem os artistas, bem como fazer referncia economia do Haiti, baseada na explorao e no comr -cio martimos.O curador, Geminiani, foi apoiado pelo fotgrafo ingls Gordon Leah, que traba lhou com o grupo Atiz Rezistans durante uma srie de anos, realizando pesquisas, escrevendo artigos e ajudando a elaborar textos e imagens para o seu stio web (www.atis-rezistans.com), disponvel em ingls, francs e crioulo. Produziu igualmente os Morte e fertilidade: primeira mostra do Haiti em Itliavdeos que constam do stio web da expo -sio (www.deathandfertility.org), em que os artistas discutem o seu trabalho a partir dos seus estdios em Port au Prince.A exposio suscitou grande interesse em Veneza, tendo o Financial Times referido que foi uma das cinco mais vistas da Bienal de 2011. H.G. Jean HrardCeleur, O cavaleiro do Apocalipse, 2011, caveiras, motorizada, chassis, metal, madeira, cera, pintura, 150 x 220 x 110 cm Daniele Geminiani Jean HrardCeleur, sentado no Riva Sette Martiri. No fundo, o iate do bilionrio russo, Roman Abramovich, Luna, atracado frente dos contentores do Haiti Daniele Geminiani

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ALGURES NA FRICA OCIDENTAL... H MUITO TEMPO, OS NOSSOS ANTEPASSADOS COMUNICAVAM GRAAS AO RUFAR DE UM TAMBOR. O SOM ERA TRANSMITIDO DE ALDEIA EM ALDEIA POR TOCADORES DE TAMBOR PROFISSIONAIS... PEO DESCULPA, MZE ALLY BAKUR, MAS A MINHA ME AO TELEFONE. QUER SABER ONDE QUE ESTOU ESTE UM EXEMPLO TPICO DAQUILO EM QUE SE TRANSFORMOU A COMUNICAO HOJE EM DIA. AS TECNOLOGIAS AVANARAM TANTO QUE AGORA FCIL, E SEM QUALQUER ESFORO, TELEFONAR A UM AMIGO DE QUALQUER LADO, EM QUALQUER MOMENTO DO DIA, PARA SABER NOTCIAS SUAS. OL ME ESTOU DEBAIXO DO EMBONDEIRO COM AS CRIANAS DA ALDEIA; ESTAMOS A OUVIR AS HISTRIAS DE MZE ALLY BAKU... SIM, ESTAREI EM CASA NUMA HORA. FOI A AGNCIA NACIONAL DE INVESTIGAO E DESENVOLVIMENTO ESPACIAL DA NIGRIA QUE ASSUMIU ESTE DESAFIO. FRICA NO PAROU NA ERA DO TAMBOR: A FORA DO SEU PASSADO NO A IMPEDE DE DESEMPENHAR UM PAPEL ACTIVO NO DESENVOLVIMENTO DE NOVAS TECNOLOGIAS. O SATLITE PERMITE QUE AS PESSOAS DE TODO O PLANETA SE LIGUEM A SERVIOS COMO A INTERNET TELEVISO, TELEFONIA... E EM BREVE HAVER DOIS SATLITES COLOCADOS EM RBITA POR UM ESTADO AFRICANO. QUANDO EU ERA JOVEM, AS PESSOAS NA ALDEIA CHAMAVAM A ISTO BRUXARIA, MAGIA MAS REPAREM NAS CRIANAS: SAMBA EST A COMUNICAR COM A ME GRAAS A UM OBJECTO A QUE PODEMOS CHAMAR SATLITE! DESTA FORMA, CONSEGUIAM DECIFRAR MENSAGENS ANUNCIANDO UMA CERIMNIA, CASAMENTO, NASCIMENTO, MORTE, FUNERAL OU PERIGO, COMO A GUERRA... QUE VINHAM DE ALDEIAS LONGNQUAS! BRRRIIING, BRRRIIING...63 N. 24 N.E. JULHO AGOSTO 2011 Jason Kibiswa

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64Agenda Palavras dos nossos LeitoresL10-12/09: Assembleia mundial da CIVICUS, Montreal (Canad). Evento para os representantes da sociedade civil sobre o con tributo da sociedade civil no processo da tomada de deciso global e como melhorar. www.civicusassembly.org 17-18/09: Cimeira Web, frica, Brazzaville (Congo). Conferncia Pan-africana sobre as tecnologias Web mais recentes. www.africawebsummit 21-22/09: Intermodal frica, Casablanca (Marrocos). Maior evento anual de exposio e conferncia consagrado aos Portos de Contentores e Operaes de Terminal no continente africano. www.transportevents.com 14-16/10: Crescimento do sector agro-alimentar em frica, envolvendo o sector privado, Bruxelas (Blgica). Frum destinado a reforar o sector agro-alimentar em frica estimulando parcerias, a troca das melhores prticas e atraindo investimentos. www.emrc.be 14-16/10: AidEx, Bruxelas (Blgica): a uma nova exposio e confern cia com o objectivo de ajudar a comunidade responsvel pela ajuda humanitria a melhorar a prestao de ajuda. A exposio dedicada ao fornecimento de servios essenciais e equi pamentos para assistncia em catstrofes e ajuda humanitria de longo prazo. www.aid-expo.co.uk. 8-10/11: Forum EURAFRIC Eau & Energie en AFRIQUE, Lyon (Frana). Eventos e exposies destina das a melhorar o fornecimento de energias renovveis em frica. www.eurafric.org 14-15/11: 4. Frum de Cooperao Euro-frica em Investigao TIC, Cidade do Cabo (frica do Sul). A iniciativa Euro-frica-TIC um projecto financiado pela UE, cujo principal objectivo consiste em fortalecer e apoiar o desenvolvimento de projectos de investigao TIC euro -africano. www.euroafrica-ict.org 15-16/12: Jornadas Europeias do Desenvolvimento, Varsvia (Polnia). Evento sobre o desenvolvimento anual, o tema geral das Jornadas 2011 ser Desenvolvimento e Democracia. A edio de 2010 das Jornadas atraiu 5000 visitantes. www.eudevdays.eu Gostaria de confirmar o meu apreo pelos seus artigos, em particular o relatrio sobre o Sul do Sudo na edio 22 Prof. Giovanni Livi, Bruxelas Consultor em matria de cooperao e Jornalista AIACE International Comentrio sobre a edio 23, artigo sobre os Novos Mercenrios: A todos aqueles que se interessam pela privatizao da guerra e pela histria das empresas privadas militares recomendo vivamente a leitura do livro de Bricet des Vallons: Irak, mercenary land (Iraque, terra mercenria), que constitui uma das melhores anlises sobre este tpico. Infelizmente s em francs: Irak terre mercenaireSandra X http://www.acp-eucourier. info/Have-your-say.5.0.html Comentrio sobre o artigo da edio 21 sobre a aldeia de Ganvie, a aldeia dos homens da gua: Esta uma actualizao fantstica e um documento de informao sobre Ganvie. Parabns! No entanto, detectei 2 erros. Em primeiro lugar, Cotonu no a capital de Benim mas sim Porto-Novo. Mas tem razo, Cotonu a cidade mais movimentada e populosa de Benim. Tambm, Ganvie nunca foi classificada como Patrimnio Mundial, encontra-se apenas numa lista de tentativa obrigada. Souayibou X (comentrio on-line) A BAOBAB for Womens Human Rights deseja agradecer a recepo da edio 23 do O Correio em Lagos, Nigria. A revista muito til para o nosso grupo de defesa e para os nossos estimados utilizadores da biblioteca obrigada, Linda Aina, Responsvel pela documentao.O CORREIO 45, RUE DE TRVES 1040 BRUSELAS (BLGICA) CORREIO ELETRNICO: INFO@ACP-EUCOURIER.INFO PGINA WEB: WWW.ACPEUCOURIER.INFO

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ndice UNIO EUROPEIA Alemanha ustria Blgica Bulgria Chipre Dinamarca Eslovquia Eslovnia Espanha Estnia Finlndia Frana Grcia Hungria Irlanda Itlia Letnia Litunia Luxemburgo Malta Pases Baixos Polnia Portugal Reino Unido Repblica Checa Romnia Sucia PACFICO Cook (Ilhas) Fiji Kiribati Marshall (Ilhas) Micronsia (Estados Federados da) Nauru Niue Palau Papusia-Nova Guin Salomo (Ilhas) Samoa Timor Leste Tonga Tuvalu Vanuatu CARABAS Antgua e Barbuda Baamas Barbados Belize Cuba Domnica Granada Guiana Haiti Jamaica Repblica Dominicana So Cristvo e Nevis Santa Luca So Vicente e Granadinas Suriname Trindade e Tobago FRICA frica do Sul Angola Benim Botsuana Burquina Faso Burundi Cabo Verde Camares Chade Comores Congo (Repblica Democrtica) Congo (Brazzaville) Costa do Marm Djibouti Eritreia Etiopa Gabo Gmbia Gana Guin Guin-Bissau Guin Equatorial Lesoto Libria Madagscar Malawi Mali Mauritnia Maurcia (Ilha) Moambique Nambia Nger Nigria Qunia Repblica CentroAfricana Ruanda So Tom e Prncipe Senegal Seicheles Serra Leoa Somlia Suazilndia Sudo Tanznia Togo Uganda Zmbia ZimbabuFRICA CARABAS PACFICO e UNIO EUROPEIAAs listas dos pases publicadas pelo Correio no prejulgam o estatuto dos mesmos e dos seus territrios, actualmente ou no futuro. O Correio utiliza mapas de inmeras fontes. O seu uso no implica o reconhecimento de nenhuma fronteira em particular e tampouco prejudica o estatuto do Estado ou territrio.

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Mar de gelo Marie-Martine Buckens Revista gratuita ISSN 1784-682X C rreio