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Correio (Portuguese)
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Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/UF00095067/00112
 Material Information
Title: Correio (Portuguese)
Physical Description: Serial
Language: English
French
Portuguese
Spanish
Publisher: Hegel Goutier
Place of Publication: Brussels, Belgium
Publication Date: 04-2011
 Subjects
Genre: serial   ( sobekcm )
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
System ID: UF00095067:00112

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Full Text

0 EDIQAO ESPECIAL N.E. - ABRIL 2011

ior reI 0o
A revista bimestral das relag6es e cooperagdo entire Africa-Caraibas-Pacifico
e a Unido Europeia
awe












Correio


Comit6 Editorial
Co-Presidentes
Mohamed Ibn Chambas, Secretario-Geral
Secretariado do Grupo dos pauses de Africa, Caraibas e Pacifico
vwvw.acp.int

Fokion Fotiadis, Director-Geral da DG Desenvolvimento
Comissao Europeia
ec.europa.eu/development/

Equipa Editorial
Editor-Chefe
Hegel Goutier

Jornalistas
Marie-Martine Buckens (Editor-chefe adjunto)
Debra Percival

Editor Assistente
Anna Bates

Assistente de Produgao
Telm Borras

Colaboraram nesta edigio
Clarens Renois, Haiti Press Network, http://www.hpnhaiti.com/

Gerente de project
Gerda Van Biervliet

Coordenagao artistic
Gregorie Desmons

Paginagao
Lodc Gaume

Relagoes publicas
Andrea Marchesini Reggiani

Distribuigao
Viva Xpress Logistics - wvw.vxlnet.be

Agencia Fotografica
Reporters - ww.reporters.be

SCapa
Port-au-Prince, Mercado do Ferro, reconstruida em apenas
12 meses 12 jan 2011@ Hegel Goutier


Catrstrofe natural, desastre human


Satisfaogo para os humanitarios. Apreens6es

quanto a reconstrugao


Gratidao e uma palavra dirigida a comunidade

international


Agyo das ONGs


Lic6es do Haiti retiradas pelos Comiss~rios da UE

Andris Piebalgs e Kristalina Georgieva


Entrevista corn Lut Fabert-Goossens, Embaixadora

da Uniao Europeia


(ONG): Aliadas e critics das instituig6es


Conhecimento, cultural, liberdade... e louvor do rigor


Perspectivas diplomrnticas


Fora de Port-au-Prince: Jacmel e L0ogane


Reconstruogo de Port-au-Prince


Atraso nas normas de construogo. Metade do tempo

de resposta dos servigos de protecoGo civil


A diaspora haitiana: Michaelle Jean


Um terramoto na alma haitiana


Contacto
0 Correio
45, Rue de Treves
1040 Bruxelas
Belgica (UE)
info@acp-eucourier.info
www.acp-eucourier.info
Tel.: +32 2 2345061
Fax: +32 2 280 1912

Publicagao bimestral em portugues, ingles, frances e espanhol

Para mais informaQoes como subscrever,
Consulte o sitio web www.acp-eucourier.info ou contact info@acp-eucourier.info

Editor responsavel
Hegel Goutier

Parceiros
Gopa-Cartermill - Grand Angle -Laimomo

"As opinimes expresses sao as dos seus autores e nao representam qualquer opiniao
official da Comissao Europeia nem dos pauses ACP. Tanto a Comissao Europeia como
os pauses ACP, ou qualquer outra pessoa que os represent, nao poderao ser tidos
responsaveis pela utilizayao que possa ser feita da informayao contida nesta publicayao,
nem por qualquer erro que, apesar da preparayao e control cuidadosos, possa surgir".


Indice



















Catastrofe natural, desastre human


O nosso ntimero especial acom-
panha a gestgo no Haiti de
uma important crise causada
pelo terramoto de hai um ano
e as lig6es que a comunidade internacio-
nal dai pode retirar. Estas lig6es vieram
rapidamente a mem6ria da comunidade
international quando, em 11 de Margo,
a combinagio de um terramoto/tsunami
atingiu o Japao, um dos paises do mundo
mais bem protegidos e preparados, cau-
sando uma enorme devastagio.

Nas cidades japonesas de Sendai e
Fukushima, as casas e a central nuclear
podem ter resistido ao terramoto, mas nio
ao tsunami corn uma altura de 12 metros
que veio a seguir e que destruiu as barreiras
de protecGo existentes. Port-au-Prince
teria tido vinte ou trinta vezes menos mor-
tes no inicio dos anos 50, quando a sua
populagio era apenas de 200.000 habi-
tantes, em vez dos actuais tries milh6es.
Por isso, uma catistrofe pode ter muitos
factors que contribuam para ela.

No 61timo n6mero de 0 Correio, Patricia
Danzi, do Comite Internacional da Cruz
Vermelha, cujas equipas estio no Haiti
desde 12 de Janeiro de 2010, alertou para
a fragilidade de qualquer pais quando
confrontado com grandes catistrofes. Em
tempo de paz, uma nagio pode agora ter
de confrontar-se corn 250.000 mortos
numa inica cidade. Muitos sism6logos
fizeram avisos sobre a construogo, sobre a
aplicaogo das normas de edificaogo e sobre
a localizagio precaria de Port-au-Prince.
Foram apresentadas recomendag6es para
criar um corpo de Capacetes Vermelhos
Internacionais, como preconizado pelo
President do Haiti Rene Preval, que
ainda ocupava o cargo durante a nossa
visit, ou outro sistema de coordenagio
entire organismos p6blicos e associag6es
envolvidas na resposta a catistrofes, como
sugeriu Kristalina Georgieva, Comissiria
da UE para a Ajuda Humanitaria, a
Cooperaogo Internacional e a Resposta
as Crises.

Juntamente corn o Haiti, a UE alterou
algumas das suas prioridades de finan-
ciamento para reforgar a capacidade do
pais para absorver a ajuda, incluindo
neste caso a previsgo de catistrofes


naturais. 0 Comissirio da UE para o
Desenvolvimento, Andris Piebalgs, tam-
bem salientou a necessidade de melhorar
a governagio political no Haiti.

Uma das lig6es a extrair, ou pelo menos
em que se deve reflectir na esteira do
terramoto, e o papel das ONG e o seu
desempenho de acordo com os meios
ao seu dispor. Os Estados nao s6 tern
obrigagio de atingir os objectives, mas
tambem de cumpri-los em relacgo aos
recursos utilizados. Desde hai muito que
as ONG desempenham o papel de guar-
dias do tempo da governacgo. Para seu
credito, no Haiti o seu desempenho foi
object de um auto-exame. As ONG rea-
lizaram tarefas humanitarias de relevo,
mas a que custo? Sera que o pais pre-
cisa efectivamente de mais de 10.000
organizag6es estrangeiras no terreno?
Porque nao aumentar o orgamento para
a reconstrucgo de fibricas de montage
de mrniquinas agricolas num pais predomi-
nantemente rural? A ONG estabelecida
no Reino Unido, OXFAM, aborda estas
quest6es num relat6rio que beneficiou de
publicidade. As ONG haitianas tambem
manifestaram as suas preocupag6es, mas
primeiro apelaram para os haitianos e para
o seu governor para verem como elas e as
autoridades estio a enfrentar os proble-
mas que tern pela frente.

No que diz respeito a reconstrucgo, o
que e neste moment mais visivel e a
impaciencia da populagio. Foram gas-
tos relativamente poucos funds dispo-
niveis. Trata-se de um sinal de falta de
capacidade de absorgio ou e o organismo
encarregado da reconstrucgo que esta
a fazer uma preparaogo meticulosa? Os
pianos estio em cima da mesa e os atra-
sos sao criticados. Nio existed rumors
de qualquer desvio de funds. Talvez a
reconstrucgo do Haiti ji tenha comegado.


Hegel Goutier
Editor-Chefe




Shttp://www.acp-eucourier.infolHaiti-A-year-
later. 1426.0. html?&L=qyplrcoeuto.


EDIQAO ESPECIAL N.E. - ABRIL 2011
























































Hegel Goutier


N o Haiti, um ano depois do ter-
ramoto, seja certo ou errado, a
reconstrucgo e a questio que
atrai mais critics e maior
apreensio. Na frente humanitaria nio
hai discussion: a satisfagio e geral.

Port-au-Prince, Fevereiro de 2011.
Abrigos, na maior parte tendas, acolhemrn
todas as pessoas afectadas pelo terramoto.
Paradoxalmente, hai menos mendigos na
cidade do que antes, porque toda a gente
tem acesso aos beneficios dos acampa-
mentos - as rac6es alimentares, a agua
potivel, instalac6es sanitarias e outros
apoios medicos disponiveis desde a catis-
trofe. No entanto esta operaoio humani-
tiria bem sucedida teve de enfrentar uma
epidemia de c61lera que vitimou cerca de
4500 pessoas.

Tentar resolver as grandes
dificuldades do Haiti

E evidence por todo o lado a impaciencia
em relaoio a reconstrucao. A Comissio
Provis6ria para a Reconstrucio do
Haiti (CPRH), dirigida pelo Primeiro-


Ministro Jean-Max Bellerive e pelo
antigo Presidente dos EUA Bill Clinton,
e responsivel pela gestio dos montantes
atribuidos para este fim. No briefing da
CPRH de 15 de Fevereiro, para que foram
convidados os dois candidates a segunda
volta das eleig6es presidenciais, Michel
Martelly e Mirlande Manigat, estes cri-
ticaram os atrasos e instaram a CPRH a
agir corn maior rapidez.

Virios participants na reuniio salien-
tararn a necessidade de ajudar o Haiti
a eliminar as grandes dificuldades que
restringem sistematicamente a sociedade
civil. Foi tambem salientada a fragilidade
do quadro institutional do pais para alrem
do governor instalado, bem como o caric-
ter injusto da sociedade haitiana, corn
grandes disparidades entire classes sociais
e entire regi6es. Outro obsticulo e a ausen-
cia de descentraliza0o. As autoridades
locais que se encontram na linha da frente
carecem dos recursos necessirios para
lhes permitir reduzir o risco de catistrofes.

Mesmo assim a reconstruAio
progride

A regularizaoio do regime fundiario e do
registo das terras e absolutamente neces-
siria. 0 pais e os seus doadores passavam


bem sem a actual situagio de a construgyo
de um aterro para residues, corn mais
de 2 milh6es ji gastos, ter sido suspense
por os supostos proprietirios do terreno
virem alegar os seus direitos ap6s meses
de silencio. 0 caso esta a ser apreciado por
um tribunal, mas que independencia tern
o poder judicial? 0 Estado haitiano pro-
cura expropriar terrenos para uso p6blico
a proprietirios privados, mesmo quando
os seus titulos e escrituras de propriedade
sao postos em question.

E no entanto a reconstruiao avanca.
A CPRH anunciou, por exemplo, que
70.000 pessoas - aproximadamente 50%
das vitimas - jai abandonaram os acampa-
mentos para regressarem a casas seguras
ou outras estruturas; 90% dos estudantes
voltaram a escola e pianos para a recons-
trucgo de Port-au-Prince ji estio em cima
da mesa. No total ji foram langados pro-
jectos no valor conjunto total de tries mil
milh6es de d6lares, incluindo um com-
plexo industrial corn potencialidade para
criar 60.000 postos de trabalho a tempo
inteiro. Ate ao final do ano serio alojadas
em casas s6lidas mais de 400.000 pessoas,
serio construidos 10 hospitals e clinics
e 50% da populaoio tera acesso a agua
segura e instalag6es sanitarias.


Correio


















* aga ao *a a m *aar aiig

Xa a


a~ ~ ~ aouiaeinenco













inventirio do 61timo ano do seu
O Presidente Rene Pr&val fez o
inventuirio do tiltimo ano do seu
segundo mandato consecutive
marcado pelo mais trigico dos
desastres naturais. Elogia a generosidade
da comunidade international para com o
Haiti pedindo um pouco mais de mod6stia
em relagoo a si pr6prio. Exprimiu igual-
mente opini6es relativamente pessimis-
tas sobre o future dos paises em vias de
desenvolvimento.

Entrevista

HG - 0 piorjd passon para o Haiti?

RP - Temos de distinguir o tempo em
que tinhamos muitos mortos e feridos nas
nossas maos. Esse tempo jai passou gragas
ao apoio da comunidade international que
se mobilizou de forma extraordiniria para
ajudar o Haiti. Temos de nos lembrar das
liy6es aprendidas nessa altura de grande
mobilizagio mas tamb6m de grande con-
fusio devido a uma falta de coordenagio.
Nesse sentido, apoio a proposta do pri-
meiro Ministro frances Nicole Guedj, (Ed.
President da <)
que exige a criagio de uma forga de traba-
lho humanitrria international, gerida pelas
Nag6es Unidas - os Capacetes Vermelhos
para preparar interveng6es humanitirias
como os Capacetes Azuis o fazem a favor
da paz.

Seguiu-se o period p6s emergencia
m6dica que foi bem coordenado. Agora
estamos na fase de reconstrugoo. Porque
e que um terramoto mata tanta gente
no Haiti em comparaoo com outro da
mesma magnitude no Chile ou na China? --
Isto deve-se ao facto de que as provincias ..
foram abandonadas por pessoas que vie- - ..
ram viver em Port-au-Prince. Vivem em - . ... ... ....
terras ilegalmente ocupadas e em locais � � ..... .. . ..; .:
com normas de construyno ilegais. Temos - . ... ... .. ...- a ... ...4
de descentralizar o pais. A vontade political Port-au-Prince. Palacio Nacional � Hegel Goutier


EDICAO ESPECIAL N.E. - ABRIL 2011






























President cessante, Rene Pr6val
� Hegel Goutier


nao e suficiente. Devemos identificar o
potential e as necessidades de cada area e
atrair investimentos adequados em terms
de infra-estruturas e de criagio de postos
de trabalho. Isto leva o seu tempo.

HG - Em terms de recursos humans,
tern havido uma avaliacdo da perda
de capacidade por parte do governor
haitiano depois do terramoto?

RP - Do ponto de vista fisico, todos os
edificios do ministerio ruiram, bem como
o Palacio Legislativo, o Palacio da Justiga,
o Palicio Nacional, os portos e parte do
aeroporto. Levou algum tempo a mudar-


mos os servigos para edificios provis6rios
e para voltarmos a p6r em funcionamento
a mriquina administrative. Muitos repre-
sentantes do estado morreram. Perdemos
10 mil milh6es de d6lares, o equivalent
a 40% do nosso PIB.

HG- Em terms prdticos, o que pre-
cisofazer para reconstruir o que ruiu?

Tinhamos esquecido que o Haiti assen-
tava em falhas geol6gicas. Inevitavelmente,
seguir-se-go outros terramotos.
Resumindo, temos de tomar medidas apro-
priadas, incluindo inqueritos geotecnicos,
adoptar norm as anti-sismicas e descentra-
lizar a capital. Para que tudo isto aconteca,
temos de reforgar as nossas instituig6es,
e isso requer estabilidade political. Temos
de dar poder aos partidos politicos que
foram destruidos pela ditadura.

HG - 0 que pensa sobre o future do
Haiti?

RP - As condi�6es de governaoao no Haiti
sto dificeis. As pessoas sto excluidas do
ponto de vista social, politico e econ6mico.
Esta lacuna tern de ser reduzida senio
teremos sempre problems politicos. 0
haitiano medio ganha 2,5 d61lares por
dia. Mas o que me torna mais pessimista
So modelo de desenvolvimento que per-
siste no mundo, ainda nos dias de hoje.
A China acaba de se tornar a segunda


maior potencia econdmica do mundo.
Tal como os outros paises emergentes,
precisa de recursos. Estes recursos sao
limitados e existe uma grande procura dos
mesmos por parte dos EUA e da Europa.
A capacidade dos paises em vias de desen-
volvimento acederem a esses recursos e
limitada, se compararmos corn os paises
desenvolvidos.

HG - Por uiltimo, que mensagem
deseja passar & comunidade inter-
nacional, ao povo haitiano e aos dois
candidates da segunda volta?

RP - A comunidade international,
aconselha-la-ia a ser mais modest nas
suas avalia6ges, a trabalhar mais corn os
haitianos e a desenvolver a capacidade
para ouvir. Por vezes, sente-se uma certa
arrogancia da sua parte. Aos dois candi-
datos, que receberei amanhi de manhi
(Ed. Entrevista, 15 de Fev.), aconselho
igualmente que cultivem a modestia e que
evitem fazer promessas em vio que pode-
rio vir a causar problems. Aconselho-os
a ter em conta os pontos fracos das nossas
instituig6es e que evitem comegar do zero
corn uma administraoio que precisa das
poucas tecnicas ja existentes. Os haitia-
nos nao precisam de conselhos especiais.
Precisam de trabalho. Sio pessoas razoa-
veis e mais espertas do que se pensa. H.G.


Price Paddy, Gestor Orgamental Nacional (NAO) do Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED)


Como funcionam as ONG

Entrevista: Hegel Goutier visitou o Haiti
para esta Edigao Especial. Encontramo-
-nos com Price Paddy, Gestor Orgamen-
tal Nacional (NAO) do Fundo Europeu de
Desenvolvimento (FED).

"Algumas ONG europeias que actuam no
Haiti disp6em os seus pr6prios recursos.
Outras responderam a apelos da UE para
projects financiados pelo FED, todos
eles aprovados pelo governor haitiano.
Alem do FED, a UE disp6e de orgamentais>> para projects. Estas nao
necessitam da nossa validagco.

Quando surgem problems, a questao
nao esta na aprovagco do project, mas
sim no acompanhamento. Isto deve-se,
em parte, a nossa insuficiente capacida-


de institutional, mastambem ao facto de
os relat6rios anuais, que deveriam ser
submetidos anualmente junto do Minis-
terio, frequentemente nao chegarem ate
n6s. Chegam apenas a Delegacgo da
UE. Entretanto, podem ser incorporadas
altera96es significativas nos projects
sem o nosso conhecimento.

Alem disso, ap6s o sismo, inumeras ONG
instalaram-se aqui e nao se registaram.
Outros, incluindo muitos missionaries
religiosos, registaram-se ilegalmente
como ONG.

As ONG possuem recursos financeiros
significativos, mas este dinheiro e in-
dependente dos $US11.3 mil milh6es
prometidos pela comunidade interna-
cional para a reconstrugco do Haiti. A
participagco da UE no fundo inclui fun-


dos do FED que tinham sido prometidos,
mas nao disponibilizados, antes do sismo
(por exemplo, funds reservados para
projects de construgco ou reabilitagco
de infra-estruturas), para alem dos fun-
dos fora do FED, tais como a < by Facility>> (linha de credito) ou < orgamentais>>. H.G.


I
Gestor Orgamental Nacional do FED, Price Paddy
� Hegel Goutier


C*rreio




















































Foi esta a conclusko do Comissario Europeu para o Desenvolvimento, Andris Piebalgs, ao discursar
na confer6ncia intitulada "Haiti. Um ano depois do terramoto", realizada em Bruxelas em 23 de
Fevereiro. A confer6ncia foi organizada conjuntamente pelo Governo canadiano, pela Comissdo
Europeia e pelo Instituto de Egmont, em colaboracgo com a Embaixada do Haiti.


K ristalina Georgieva, Comissiria
Europeia para a Cooperacio
International, a Ajuda
Humanitiria e a Resposta
as Crises, tirou as mesmas conclus6es.
Salientou, nas suas pr6prias palavras,
que "existe uma necessidade crescente
de aumentar as sinergias entire as political
de ajuda e de desenvolvimento... temos de
aperfeigoar os nossos instruments para
estarmos mais bem equipados quando
ocorre uma catistrofe como esta do Haiti".

Envolvimento da sociedade
civil e reduVAo do risco de
catastrofes

Antes de retirar lilies da crise do Haiti, a
Comissiria Georgieva recordou a rapidez
corn que a UE responded logo a seguir ao
terramoto de 12 de Janeiro de 2010, emrn
especial mobilizando o mecanismo europeu
de protecGo civil, que no espago de algu-



EDIQAO ESPECIAL N.E. - ABRIL 2011


mas horas criou equipas multidisciplinares
operacionais provenientes de 32 paises. Foi
a maior mobilizaio desta dimensio desde a
criagio deste corpo de intervenogo em 2001.
Na verdade, foi um baptism de fogo. Uma
equipa do Servigo de Ajuda Humanitiria
(ECHO) da Comissio Europeia foi enviada
para o local no dia a seguir ao terramoto
e nalgumas horas foram atribuidos fun-
dos. "No total, os Estados-Membros e a
Comissao concederam 320 milh6es de euros
s6 de ajuda humanitiria - 120 milh6es de
euros (130 milh6es se incluirmos a c61lera)
da Comissao", disse a Comissiria. Este
montante represent mais de um tergo da
ajuda humanitiria total recebida pelo pais.

Esta catistrofe tambem desencadeou a
mobilizagio de um grande n6mero de tra-
balhadores humanitirios. "Precisamos de
coordenar ainda melhor a assistencia...
tambem retirimos lic6es sobre a impor-
tancia do diilogo com as comunidades


afectadas e o envolvimento da sociedade
civil. Temos de falar de modo mais sis-
temitico com as pessoas afectadas para
conseguirmos compreender melhor as suas
necessidades e vulnerabilidades especifi-
cas", disse a Comissiria Georgieva.

A CE tambem promoveu e apoiou a redu-
gao do risco de catistrofes na sua resposta
a crise, contribuindo para o reforgo do
mecanismo da protecogo civil e integrando
a reduogo dos riscos nas suas operay6es
humanitirias.

Ligar as operaV5es de
socorro, de reabilitaiAo e
de desenvolvimento atraves
da boa governaiAo e da
descentralizaAio

Para o Comissirio Europeu para o
Desenvolvimento, Andris Piebalgs, e
imperative que esta ligaogo seja feita a toda


MIUllU Ud -boUld � n-yel uu-l













a prova, uma tarefa ainda mais dificil no
Haiti de hoje, como sublinhou na confe-
rencia de Bruxelas, dado "o triple impact
do tufAo Tomas, da epidemia de c6lera e
da instabilidade political . Apesar disto,
diz ele, a UE esta a utilizar plenamente
o montante de 1,2 mil milh6es de euros
- 430 milh6es dos quais da Comissao
Europeia - garantido na Conferencia de
'Doadores para um Novo Futuro para o
Haiti', realizada em Margo de 2011 em
Nova torque. Metade deste montante ja
foi autorizado.

Os funds vao tanto para novos progra-
mas como para outros programs da UE
que ja estavam em curso no pais antes do
terramoto, mas que agora foram adapta-
dos a alteracao das circunstancias. Umrn
desses programs destina-se a melhorar a
qualidade da educaogo no Haiti, subven-
cionando as despesas escolares de 150 000
criangas e dando formagyo a 3 000 profes-
sores. Foram concebidos novos programs
para tender as necessidades urgentes,
como a transferencia de alguns servigos da
administrayao e o apoio a outros servigos
para fazerem face ao fluxo de migrants
e tambem, nomeadamente, para reforgar
as estruturas da protecoGo civil, explicou
o Comissario Piebalgs.


"Estou consciente das critics acerca da
entrega da ajuda", disse Piebalgs, mas
"e important ter em conta que com a
reconstruogo a medio e long prazo, os
projects duram mais de tries a cinco anos,
assim como os pagamentos". Acrescentou
ser essencial saber quanto e que se gasta,
em que, por quem e para quem.

Dai a razao para o Comissirio da UE para
o Desenvolvimento estar empenhado em
promover a boa governaogo e a descen-
tralizaogo, com que o Governo do Haiti
se comprometeu no seu Piano de acGyo
national para a recuperacgo e desen-
volvimento, apresentado a comunidade
international em Nova torque em Margo.

Andris Piebalgs concluiu que "a esta-
bilidade political e a responsabilizacgo
democritica sao requisitos previous para a
reconstruogo, o crescimento e a redugyo
da pobreza no Haiti" e reafirmou a ligyo
que a comunidade international e a UE
tiraram da divisa do Haiti: 'A Uniao faz
a forpa'. "Vamos tambem mostrar que
possuimos os instruments adequados
para realizarmos acc6es em conjunto e
revelar a nossa determinaoqo para agir
sempre que a nossa ajuda seja necessiria",
referiu o Comissirio. H.G.


UE prestou uma assistencia
substantial ao Haiti em mui-
tos dominios e particular-
mente em infra-estruturas rodoviarias.
A chefe de delegaogo da Uniao Europeia,
a Embaixadora Lut Fabert-Goossens,
fornece algumas informay6es sobre as
mudangas efectuadas em terms de coo-
peracao pelas duas parties desde entao.
Partilha igualmente com 0 Correio a sua
anMlise sobre os imperativos da recons-
truogo do Haiti.

LFG - A Uniao Europeia esta present no
Haiti hi mais de 20 anos e, conjugando
os esforgos da Comissao Europeia e dos
Estados-Membros, represent, em terms
absolutos, o primeiro mutuante de funds
deste pais. A Comissao concentrou-se


C*rreio













nas infra-estruturas, na educaogo (sobre-
tudo desde o 90 FED) e na governagio,
incluindo a descentralizaogo.

Ap6s o tremor de terra, o governor hai-
tiano desenvolveu um piano de accgo
cuja finalidade principal era reconstruir
o Haiti diferentemente, corn p6los de
desenvolvimento econdmico e a criagio
de emprego nas diferentes regiSes, Norte,
Centro, Port-au-Prince e Sul, de modo
que as populacoes que migraram para
as provincias possam ai permanecer. 0
governor pediu que a assistencia se concen-
trasse de inicio no departmentn" regiono
administrative) do Norte. Discutimos
corn outros mutuantes, como o Banco
de Desenvolvimento Inter-American
e USAID, a fim de conjugar os nossos
recursos nessa perspective. Para a UE a
prioridade esta nas infra-estruturas.

Foi feita uma avaliaoo das necessidades
p6s-catistrofe. Para o departamento do
Norte, as potencialidades de desenvolvi-
mento sao essencialmente a agriculture,
o turismo e os investimentos na ind6stria
textil. Os Estados Unidos intervirao nos tres
sectors, ao passo que aUE preve contribuir
para o vasto dominion das carencias em ter-
mos de infra-estruturas rodoviarias e outras.

Na UE, houve uma reorientaogo da ajuda
entire a Comissao e os Estados-Membros.
A Comissao deixou de se ocupar da edu-
caogo, transferindo a responsabilidade aos
Estados-Membros, como por exemplo a
Franga e a Espanha.

HG - As incertezas eleitorais ndo cria-
ram uma crispa(do embara(osa para
a reconstru(ao?

LFG - Ha quem diga que a comunidade
international interferiu demasiado. 0
resultado da votagio inicial na primeira
volta nio exprimiu a vontade do povo
haitiano e o pr6prio Presidente Preval
pediu uma an.lise da OEA (Organizagio


Haiti � Hegel Goutier


de Estados Americanos), que revelou
casos de fraude e de irregularidades. A
declaragao dos resultados definitivos foi
acompanhada por gritos de alegria em
Port-au-Prince, como acontece no final
de um jogo de futebol.

HG - Houve algumas controvyrsias
sobre as disperses e as duplica9&es
das interven9Ces das ONG. Em que
estado se encontra a coordenacdo entire
as ONG e o governor?

LFG - Eu consider que hai um problema.
Ha cerca de 10.000 ONG e nao se coorde-
nam muito entire elas. Sendo assim, como
poderao faze-lo com o governor? Nao existe
uma plataforma para todas as ONG e para
elas e o Estado. Tinhamos esperado que
a Comissio Temporaria de Reconstrugco
do Haiti (CTRH) assumisse esse papel,
mas ate a data nao o fez. Algumas ONG
da area da satde desempenham esse papel,
por exemplo Medicos Sem Fronteiras, que
dispSem de um orgamento superior ao do
Estado haitiano.

Relativamente as grandes ONG interna-
cionais, nao hi uma boa coordenagio corn
as ONG haitianas. Convem sublinhar que
as ONG europeias funcionam com uma
boa unidade, o que constitui algum valor
acrescentado. As organizay6es de protec-
yao civil e humanitirias, por exemplo, term
o hibito de trabalharem juntas.

Um dos criterios para que uma ONG
beneficie das linhas orcamentais da
Comissao Europeia e a colaboraogo corn as
ONG locais, como a Plataforma Haitiana
de Argumento para Desenvolvimento
Alternative (PAPDA). Outro problema


NG espanholas. Ha falta de coordenagao entire as grandes ONG
internacionais e as ONG do Haiti � Hegel Goutier


e que no Haiti hai uma falta premente de
estruturas da sociedade civil, sendo por
isso que n6s queremos ajudi-los a cria-las.

Li96es principals

LFG - No Haiti, e necessirio insistir
mais no reforco da capacidade institu-
cional. Tern sido dito que 80% de quadros
superiores da administraogo desaparece-
ram com o sismo. Quando a Comissio
Temporaria de Recuperacgo do Haiti
(CTRH) foi criada, a UE insistiu sobre
este ponto.

E tambem necessiria uma melhor coor-
denagao entire os mutuantes e as ONG,
a fim de evitar lacunas e duplicay6es. E
por isso que precisamos de criar f6runs
de diMlogo em cada sector, tanto no Haiti
como noutros lados.

Agora que a reconstrucao registou um
certo atraso devido as incertezas ap6s
a primeira volta das eleicxes, devemos
recuperar o tempo perdido. Dai a impor-
tancia da conclusao do process eleitoral.
Gostaria de sublinhar o papel da capa-
cidade institutional para que o Haiti se
aproprie da ajuda. E fundamental para
a UE. H.G.

Para pormenores sobre a ajuda da UE para a
reconstrugao do Haiti, consultar o sitio web:
http://www.acp-eucourier.info/Newsview.79.0.ht
ml?&L=bgidvhevyuvuz&tx ttnews[tt news]=180
6&cHash=750768e83clcc4725012cbcOb2faaa94

http://www.acp-eucourier.info/Newsview.79.0
.html?&L=bgidvhevyuvuz&tx ttnews[tt new
s]=1815&cHash=18bce440a88fl4lcdb5b4b9e
17dl7af7


EDIQAO ESPECIAL N.E. - ABRIL 2011


































Organizaq6es nao



governamentais (ONG):



Aliadas e critics das



instituigoIes.


land Van Hauwermeiren, OXFAM Reino Unido � Hegel Gouter


Elke Leidel, CONCERN � Hegel Goutier


V olvido um ano sobre o sismo, a
maioria das ONG presents no
Haiti reflect sobre a accGo da
comunidade international. Os
resultados sao inegavelmente dispares.
Algumas ONG sao extremamente criti-
cas, como a OXFAM, cujos programs
apoiaram 500.000 pessoas no 61timo ano.
Outras sao mais discretas na sua acusa~go
formal, mas a mensagem e frequentemente
a mesma. Nomeadamente a organizagao
irlandesa CONCERN, cuja decisao de tra-
balhar com os mais pobres entire os pobres,
traduzida pelo lema "Vozes sem voz", e
eloquente quanto ao seu compromisso. No
Haiti opera na area da saude, purificago e
distribui~go de agua, construogo e disponi-
biliza~go de meios de subsistencia. Um dos
seus programs mais originals, "F6n koze"
(temos de falar) e financiado pela UE.

Entrevistas

Deviamos ter pensado primeiro.
Roland Van Hauwermeiren, director
da OXFAM' - Reino Unido (instalada
no Haiti desde 1978)

"Por um lado, as acusag6es sao inerentes a
nossa missao, dados os nossos tries pilares:
direitos humans, desenvolvimento e acgao
humanitiria. Mas, por outro, recebemos
ajuda das instituig6es europeias, incluindo
evidentemente a ECHO2, e cooperagoo de
virias organizag6es britanicas. Depois do


sismo, o control foi rapidamente resta-
belecido. Mas 58 doadores institucionais,
28 agencies das NU, a MINUSTAH, os
milhares de associag6es e ONG nao conse-
guiram obter o sucesso desejado. Depois da
resposta humanitiria falhimos nas verten-
tes do desenvolvimento e da recuperacao. A
ajuda nao foi coordenada. Nao havia verda-
deira estrat6gia definida. Havia demasiada
hesitaogo. Era preciso salvar vidas, o pensar
ficou para depois. 0 facto e que deviamos
ter pensado primeiro."

"Gabinetes de engenharia de todo o mundo
estiveram aqui recentemente. Mas tera
algum deles pedido a opiniao da popula-
gao? Ainda estamos a construir habitag6es
provis6rias. Devemos p6r rapidamente a
t6nica na agriculture e no abastecimento
do mercado com produtos locais e baratos.
Havera algum motivo para nao utilizar o
orgamento da reconstrucao para criar fibri-
cas de montagem de maquinaria agricola?"

Gestio de conflitos.
A heranca irlandesa.

Elke Leidel, director da CONCERN
(ONG present no Haiti desde 1996)

"Muitas ONG tern desenvolvido um tra-
balho considerivel. 0 problema esti na
coordenaoo. Esta tern melhorado gragas
a MINUSTAH3. Qualquer ONG que se
preze deve em principio procurar envolver
o governor do pais em causa. Precisamos


da sua aprovagio. Nio somos membros da
Repfiblica das ONG."

"0 program F6n Koze, financiado pela
UE, intervem em Martissan-St Martin,
um bairro problemritico nos arredores de
Port-au-Prince. Abordimos alguns gan-
gues rivais com o pedido de que se sentas-
sem a mesa e falassem uns com os outros.
Inspiramo-nos em Glencree Centre for Peace
and Reconciliation (Centro para a Paz e a
Reconciliaoio de Glencree) na altura da
violencia sectiria na Irlanda. A l6gica sub-
jacente a esta abordagem era demonstrar-
-lhes que tinham mais em comum com o
inimigo do que com qualquer outra pessoa,
na media em que enfrentavam os mes-
mos problems e os mesmos tormentos.
Reatimos relag6es corn actors do sector
privado corn quem tinhamos contactado
antes do sismo para os encorajar a fixarem-
-se nesta area. Esperamos que seja possivel
abrir cafes Internet que darao emprego a
jovens depois de os former nas novas tecno-
logias. Promovemos nao s6 o diilogo entire
pessoas importantes mas tambem corn a
populaogo em geral para nos ajudar a ver
como poderemos manter a paz e beneficiary
dos investimentos." H.G.

Fundada no Reino Unido em 1942 sob o nome
"Oxford Committee for Famine Relief".
20 Servigo de Ajuda Humanitaria da Comissao
Europeia (ECHO) foi criado em 1992.
Missao de Estabilizayao das Nayoes Unidas no
Haiti.


C*rreio































A FOKAL (Fondation Connais-
sance et Liberte)1 e umra orga-
nizayio haitiana que actua em
virios sectors e corn virios
programs de desenvolvimento em
decurso. E conhecida pelos seus crite-
rios rigorosos de estrito cumprimento das
regras, tanto por parte do estado, quanto
por parte dos cidadios.

A FOKAL actua num abrangente n6mero
de sectors: satde, fornecimento de agua,
casos juridicos para a defesa, publicayao,
educayao, cultural, direitos humans, pro-
tecyao ambiental e gestio de instituiy6es
culturais, como bibliotecas, teatros, cine-
mas e exposiy6es de artists haitianos e
estrangeiros. Concede particular atenyao
aos grupos mais marginais ou vulneri-
veis -mulheres, jovens e pessoas de areas
desfavorecidas, maioritariamente rurais.

A Funda0io abrigou mais de 600 pes-
soas na sua propriedade, que permaneceu
intacta pois a Sr.a Michele Pierre-Louis,
uma das fundadoras e ex-directoras (e
tambem antiga Primeira-Ministra do
Haiti), tinha tornado medidas para asse-
gurar que o edificio era genuinamente a
prova de sismos. Isto foi o que a actual
director, Lorraine Mangones, disse corn
satisfaoio como introduyao a sua entre-
vista a'O Correio, acrescentando:

"Estabelecemos um period permitido
de quatro semanas, no final das quais
todos abandonaram o edificio. Fomos
muito claros corn as pessoas: nio lhes
foi prometido nada que nao lhes pudes-
semos dar". 0 mesmo rigor e tambem
exigido ao Estado. "Corn tantos sismos,
Port-au-Prince tambem sofreu tsunamis
e inunday6es. Ap6s o sismo, deveria ter
sido rapidamente alcancado um acordo
para o estabelecimento de uma autori-


dade que especificasse como viver neste
pais e como construir, que estipulasse um
c6digo de construyao e assegurasse que
este fosse respeitado. Estas medidas nao
foram tomadas".

Um dos projects da FOKAL e "Spaces to
Speak Out" (Espayos para se Expressar),
sendo o complicado subtrbio de
Martissant o primeiro a acolher esta ini-
ciativa. A Fundayio gere um lindo parque
de 160 hectares que liga duas propriedades
construidas para o Estado pelos herdeiros
do grande intellectual haitiano, Albert
Mangonese, e da core6grafa americana,
Catherine Dunham.

Cecile Marotte, a administradora francesa
do parque e da iniciativa "Spaces to Speak
Out", explica: "Primeiro convidimos os


Fokal: Educagao, Cultura, Natureza 0 Hegel Goutier


membros das 160 organizay6es - genui-
nas, falsas, gangs- para se reunirem con-
nosco. A partir do moment em que foram
estabelecidos os "Spaces to Speak Out",
com grupos de 12 reunidos durante cinco
semanas, tudo foi feito de acordo com as
nossas regras. Sem armas, por exemplo.
Ninguem roubou, atacou ou apontou a
arma a ninguem".

Virios projects resultaram desta cola-
boracgo. Um grupo de locais traba-
lha para manter o parque e a FOKAL
atribuiu bolsas de estudo a 45 jovens.
Recentemente foram langados dois projec-
tos, um relative ao direito a saide e outro
ao manuseamento de itens em segunda
mrno, e muitos outros estio em curso. H.G.

1 Fundagio para o Conhecimento e a Liberdade


Os Centros de Formagqo de Mirebalais e Lascahobas


Fluxo e refluxo da populaqao

A pratica da EFACAP* - uma rede de
centros de forma9ao de professors as-
sociada a varias escolas primarias - e
indicative do fluxo e refluxo da populag5o
haitiana depois do sismo. 0 Correio visi-
tou dois centros de forma9ao - Mirebalais
e Lascahobas.

Hope Saintil, director do Centro de Las-
cahobas, record como "muitas families
afluiram para aqui. S6 na nossa escola,
recebemos 76 novos estudantes. Entre-


tanto, a maioria das families regressou a
capital passados various meses. Do grupo
inicial, restam apenas 18 estudantes".
"0 motivo para o regresso a um Port-au-
-Prince ja de si congestionado reside sem
dOvida na falta de trabalho e na impos-
sibilidade de auferir um salario digno",
explica Francis Compere, director do
ensino primario.

* Escola de Aplicagao - Centro de Apoio
Pedagogico


EDIQAO ESPECIAL N.E. - ABRIL 2011







































E sta questho resume os prop6sitos
de dois embaixadores europeus,
Didier Le Bret da Franga e Jens
Peter Voss da Alemanha, que
partilham corn 0 Correio as suas anMlises
sobre a situagio de Haiti um ano ap6s o
sismo. Corn algumas diferengas de opi-
niio subtis.

Para a Franga, que tem uma longa hist6ria
comum com Haiti, o sismo de 2010 foi
uma ocasiao de reforgar as relag6es corn
este pais. "A primeira resposta da Franga
era que seria necessario dar ao Estado do
Haiti os meios necessirios para prosseguir
a sua political e, sobretudo, atraves de
uma ajuda ornamental. A segunda consis-
tia em nio esquecer os outros territ6rios
situados fora da zona de emergencia. A
terceira resposta era a necessidade de dar
um impulso ao intercambio de pessoas,
acolhendo por exemplo, os estudantes
do Haiti. Os jovens, eles e elas, devemrn
encontrar-se e os nossos paises devemrn
aprender tambem a se conhecerem uns
aos outros."

O diplomat frances consider que o Haiti
carece essencialmente de concentrayao e
nao de descentralizago. "E necessirio
que o governor volte a todas as provin-
cias e faga com que elas beneficiem dos
grandes investimentos que serao feitos".
Sublinha tambem que a concentraggo
da ajuda humanitaria em Port-au-Prince
atrai demasiadas pessoas e fomenta este
desequilibrio.

Quanto a reconstruogo do pais, Didier
Le Bret consider que, tendo em conta as
escolhas de estrategica political, sera dificil
reconstruir o pais rapidamente, sobretudo
no context de um period eleitoral. Ainda
mais, a CTRH (Comissao Temporaria de
Recuperaogo do Haiti) devera encontrar
as suas marcas. "A necessidade de uma
administraogo que oferece seguranga aos
doadores nao deve ser uma razao para fra-
gilizar as estruturas haitianas e desmobili-


zar aqueles que amanhM permanecerio no
pais, quando a ajuda partir. E necessirio
colocar as autoridades haitianas no centro
do dispositive de reconstruogo."

Para resumir a sua visio da situagio no
Haiti, o diplomat alemio, Jan Peter Voss,
explica os seus repetidos contacts corn
as autoridades aduaneiras desde Junho do
ano passado, numa tentative de receber
aparelhos medicos oferecidos por uma
empresa alemrn. "Existe o perigo de por
em dfivida a capacidade do Haiti para
absorver toda a assistencia recebida."

E o diplomat explica tambem que a
Alemanha e em geral reticente em atri-
buir uma ajuda ornamental a um pais cujo
governor nao e estritamente controlado
pelo Parlamento. "No caso do Haiti, para
minha grande surpresa, o meu governor
aceitou a proposta da UE, devido ao
sismo."

Jan Peter Voss lamenta tambem as fracas
relagoes existentes entire a comunidade
international e as autoridades haitianas,
na sequencia das irregularidades ocorri-
das na primeira volta das eleig6es, e receia
que a tensio criada nesse campo entire as
autoridades e a oposigio conduza a pro-
fundas mudangas na administraogo ap6s a


Embaixador alemao, Jens Peter Voss. Os EUA corn
20,000 soldados permitiram que a ajuda humanitarian
chegasse... A coordenagao foi perfeita entire os passes da UE
� Hegel Goutier


investidura do future governor, que seriam
prejudiciais ao ritmo da reconstruogo.

"Quando um acontecimento sem prece-
dentes como este sismo ocorre num Estado
ji enfraquecido, e necessiria uma acgio
forte por parte da comunidade interna-
cional. Os Americanos compreenderam
isso enviando 20.000 soldados para o
Haiti. Puseram rapidamente ordem no
aeroporto, permitindo assim a chegada
da ajuda humanitaria. Mas continuaram
muito discretos. Do lado europeu, a coor-
denagio foi perfeita entire os paises da UE
presents localmente, tornando a nossa
acco muito eficaz." H.G.


C*rreio








































Jacmel e Leogane: resultados


satisfatorios, pelo menos em terms


humanitarios


Jonel Juste e Hegel Goutier


Leogane - 29 km a oeste de Port-au-
Prince. As primeiras impresses
sao que nada mudou desde o ano
passado. Tendas, chapas metilicas
e cabanas de madeira sao ainda uma visao
que choca no local onde nasceu Anacaona,
a rainha dos aruaques, famosa tanto pela
sua beleza como pela visao political e que
governor Xaragua, um dos cinco territ6rios
independents do pais antes da chegada de
Crist6vao Colombo. 0 mesmo acontece em
Jacmel, capital do departamento do sudeste
e que era a cidade mais preservada do Haiti
antes do terramoto. Uma serie de ONG
espanholas e alemas conquistaram o coragco
da populaogo pelo modo como asseguraram
a ajuda humanitiria, mas subsistem aqui
preocupac6es quanto a reconstruoo, tal
como em todo o pais.

Oitenta por cento de Leogane (onde
se situou o epicentro do terramoto de
12 de Janeiro) foi destruida, segundo
a Organizagao das Nag6es Unidas.
Surgiram fendas preocupantes na estru-
tura do edificio da camera municipal, o
imaculado simbolo branco da cidade que
ainda esti de pe.


A camera municipal, simbolo do Estado,
esti a funcionar, mas a cidade esti depen-
dente de uma serie de ONG. esti a procurar voltar a ter o control na
cidade. Desde hi um ano que a cidade
nao produz electricidade, embora a ONG
Electricidade Sem Fronteiras tenha insta-
lado alguma iluminaogo nos acampamen-
tos e nas ruas,>, diz o inspector municipal
Joseph Andre Ernest.

0 President da Camara, Santos Alexis,
dirige uma reuniao. Diz estar satisfeito
com o trabalho das organizacges que estao


a ajudar o municipio a limpar e libertar os
cursos de agua, o que tambem assegurou
trabalho local. Elogia a eficicia de ONG
como a Medicos Sem Fronteiras, espe-
cialmente no que diz respeito a manter a
cholera a distancia e a construogo de um
hospital para os 250 000 habitantes da
cidade. � nao hi raz6es de queixaw, acrescenta,
embora afirme estar desapontado com o
desempenho de algumas organizacges no
que se refere a reconstruogo, bern como
a falta de consult e de coordenagio com
as autoridades locais.


EDIQAO ESPECIAL N.E. - ABRIL 2011






































LeogAne, abrigos � Haiti Press Network


Apesar dos problems, a recons- suiga da MSF construiu o hospital em
truAio avanga Leogane em apenas tries meses.


Na planicie a volta de Leogane, a recons-
tru�go esti a avancar, lentamente mas
com seguranga. As vitimas da catistrofe
na cidade ainda vivem em tendas, mas
ji foram feitos pianos para o seu realo-
jamento.

Por um lado, existem os abrigos com
tecto de abrir, fornecidos pelo grupo ale-
mao GTZ (Deutsche Gesellschaft fuir
International Zusammenarbeit), uma das
organizay6es mais activas. Depois hi os
abrigos com tecto verde, oferecidos pela
CARE (EUA), e hi outros feitos de lona
e cobertos com chapas metilicas.

Os beneficiarios estgo divididos. De
acordo com um habitante, existe um
sentiment de impaciencia, um sonho
de � materials,>. Mas Celimene, com 70 anos,
diz que esta satisfeita com a sua casinha
de madeira, que a protege da chuva e do
sol, ainda que se sinta como <'um pissaro
na gaiola,>.

CARE e a maior fornecedora de abrigos
em Leogane. Fez da distribuiygo de abri-
gos a sua prioridade. Forneceu mais de
mil, assegurando um abrigo para cada
familiar de cinco pessoas. A GTZ, que estai
a trabalhar no Haiti desde Janeiro de 2011,
tambem esteve envolvida no realojamento.

A MSF esta em todo o lado,
incluindo em Jacmel

A menogo da MSF e saudada com entu-
siasmo. � tratar a c61lera, nao teriamos sobrevivido
a doenga>, diz Andris Riche, adjunto do
President da Camara de Jacmel. Segundo
Raphael Gorgeu, chefe da missao, a secgyo


os meses, com 800 hospitalizay6es e 600
intervenc6es cirtrgicas, em especial o
nascimento de bebes. A MSF tratou cerca
de 30 000 casos de c61lera em Leogane e
Cap-Haitien>, diz-nos Raphael Gorgeu.

O realojamento esta a demorar

Em Jacmel, classificada pela Organizagio
das Nayges Unidas para a Educacgo,
Ciencia e Cultura (UNESCO) como
um sitio do Patrim6nio Mundial, as ten-
das esverdeadas fornecidas pelo exercito
venezuelano ainda estio repletas de pes-
soas. Existe uma longa hist6ria entire a
Venezuela e esta cidade, onde a bandeira
venezuelana apareceu pela primeira vez,
quando Bolivar encontrou refugio, sol-
dados, armas e financiamento na jovem
Republica do Haiti. Foi de Jacmel que
partiu o primeiro navio arvorando a ban-
deira da future nagio venezuelana.

No acampamento Mayard, em
Jacmel, a Medair (Emergency Aid and
Rehabilitation) construiu perto de 2 000
abrigos temporarios. As vitimas da catis-
trofe queixam-se da falta de vontade das
autoridades locals para as realojar. 'O
Estado faz pouco, mas o conselho muni-
cipal esta a solicitar as ONG que cons-
truam abrigos de maior qualidade em
terrenos mais elevados que estio dispo-
niveis,>, explica Andris Riche, adjunto do
President da Camara de Jacmel, que se
queixa da ausencia do Estado e do facto de
serem as ONG que controlam a situagio,
ao mesmo tempo que elogia o trabalho de
organizay6es como a MSF Espanha pela
ripida resposta a c61lera e pela reabilitagio
do Hospital St. Michel.


John Vea Dieudonne, responsivel pelo
project alemao Agro-Action, aponta as
suas realizao6es: a reabilitagao de 176
casas na cidade, a reabertura do estabele-
cimento de formaogo, reparaogo de estra-
das e o abastecimento de agua potivel,
irrigaogo e apoio a actividades geradoras
de rendimento.

Diakonie, outra ONG muito respeitada
e que trabalha desde 2003 para ajudar
a garantir maior seguranga alimentar e
aumentar a produogo agricola, dirigiu a
sua atenogo no dia a seguir a 12 de Janeiro
de 2010 para o socorro imediato e depois
para a distribuiygo de abrigos permanen-
tes para as vitimas, explica Astrid Nissen,
a sua director national.

cer abrigos temporarios, utilizamos part
dos nossos funds (16 milh6es de EUR)
para construir abrigos mais resistentes,>,
prossegue Astrid Nissen. A organizaygo
alema construiu ou reabilitou cerca de
300 casas e 3 escolas em Jacmel e nos
arredores.

Em Setembro de 2011, a Cruz Vermelha
espanhola tinha realojado 4 500 fami-
lias de Leogane e ate Dezembro de 2012
tera construido 9 escolas na cidade, bem
como 7 escolas e um centro de satde em
Jacmel. A maior parte dos beneficiarios
dos projects sao igualmente empregados
na sua realizaygo.

Serao as autoridades municipals capa-
zes de substituir as ONG depois de estas
sairem? �, diz o
President da Camara de Leogane, Alexis
Santos, mas isto nao e de modo nenhum
uma certeza. Para o seu hom6logo de
Jacmel, Andris Riche, primeiro e preciso
restaurar a confianga da populaogo nas
autoridades.

* Rede de imprensa do Haiti


Jacmel. Instalagao artitica < 0 Haiti nao ira perecer>
� Haiti Press Network


C*rreio


Z*%%















I IM;


� Hegel Goutier


Clarens Renois* e Hegel Goutier


A comunidade international pro-
de d6lares t reconstruao do
Haiti. Pouco mais de um ano
depois, foram pagos cerca de mil milh6es
de d6lares, dos quais 359 milh6es foram
para o Fundo de Reconstrugno do Haiti
(FRH), tutelado pela Comissio Provis6ria
para a Reconstruge o do Haiti (CPRH).
Foram anunciados os primeiros projects
para a construogo de casas para pessoas
sem abrigo, tendo tries dresses projects,
num valor de 88 milh6es de d6lares, sido
aprovados na reuniio da CPRH em 15
de Fevereiro de 2011. "O process de
reconstruoo iri acelerar nos pr6ximos
meses", prometeu Bill Clinton, que dirige
a instituigio juntamente com o Primeiro-
Ministro, John Max Bellerive.
Port-au-Prince. Catedral Romano-Cat61ica �Hegel Goutier
Os projects de construoo de habitaySes
sociais abrangem mais de 1,2 milh6es de
pessoas. "Nio sei se um dia terei o prazer
de viver com a minha familiar numa ver-
dadeira casa", queixa-se Jean Albert, que
hi mais de um ano vive no acampamento
de Tabarre Issa e que se tornou o chefe de
um movimento de protest. "Eu vivia numa
zona perto do centro de Port-au-Prince e
foi-me dito que viesse para aqui, a cerca
de vinte quil6metros da escola dos meus
filhos. Estou a viver no exilio no meu
pr6prio pais", lamenta-se.


Os dois candidates a segunda volta das
eleiy6es presidenciais tambem sOo critics.
"Quero resultados ripidos para reforgar
o Estado legalmente constituido e para
reduzir a pobreza no Haiti", declarou


Michel Martelly, enquanto Mirlande
Manigat exprimiu o desejo de que o
compromisso da comunidade interna-
cional seja "...de long prazo e nao apenas
uma manifestaogo de generosidade num
moment de emoogo".

Um piano global para a reconstruygo de
Port-au-Prince foi confiado pelo governor
a Fundacgo do Ambiente Construido,
do Principe Carlos, que em Fevereiro de
2011 apresentou o primeiro project de
esbogo da zona costeira, em especial o
bairro commercial. 0 conselho municipal
de Port-au-Prince langou em paralelo o
seu pr6prio plano. Estao tambem a ser
estudados projects locais especificos,
como a criago de um important cen-
tro de estudos e de congresses no Banco
Central do Haiti, ou o novo campus da
Universidade Ptblica do Haiti.

Quanto ao centro da capital no seu
conjunto, o governor fala da necessi-
dade de paciencia, seguindo o exem-
plo do Ministro das Finangas, Ronald
Beaudin: "Pode ser que daqui a dez
anos se comecem a ver os primeiros edi-
ficios a elevar-se no centro da cidade."

*(www.hpnhaiti.com)


Mercado de Ferro

0 mercado de ferro - uma parte do pa-
trim6nio arquitect6nico do seculo XIX
- foi o primeiro edificio pOblico a ser
renovado desde os acontecimentos de
12 de Janeiro de 2010.
Ver fotografia da capa


EDIQAO ESPECIAL N.E. - ABRIL 2011





















































Program para o reforgo dos servigos de catastrofe e emergencia do Haiti
assinado pelo Ministro dos Assuntos Internos do Haiti, Paul-Antoine
Bien-Aime e pela Embaixadora a UE, Lut Fabert-Goossens
� Haiti Press Network


C resce a impaciencia no Haiti face
Sfalta das prometidas normas
de construcgo. A media que se
aproxima a epoca de furac6es,
paira a preocupaygo no horizonte. As auto-
ridades haitianas redobram de esforgos
para criar as bases de uma verdadeira
preparayao para situa46es de emergencia.

Na expectativa das normas

0 sismo ligeiro sentido em 1 Margo no
Haiti serviu de aviso para o sempre pre-
sente risco de replicas. Entretanto, cen-
tenas de milhares de pessoas continuamrn
a viver em tendas e abrigos temporarios.

"NMo se trata de uma repetigio do terra-
moto de 12 de Janeiro de 2010", tranqui-
lizou o sism6logo frances, Eric Calais.
Mas corn uma magnitude de 3,8 graus
na escala de Richter, foi sentido em virias
zonas de Port-au-Prince e num raio de 15
a 20 quil6metros levando a rua centenas
de pessoas em panico.

"No Haiti tendemos a esquecer rapida-
mente, porque as prioridades mudam


!I1 i u� hIl. ! I hl.� 'I - I l - -u u !i'! I '! I - Ih -
I. 0J l * 'lu iil [, ** p u l l 1. . I L - I* ' lll
em Port-au-Prince. Acrescentou que, na
ausencia das anunciadas novas normas de
construcgo e de um servigo responsivel
pela fiscalizato, alguns senhorios sem
escrupulos tinhamn comecado imediata-
mente a reparar as rachas nos im6veis
arrendados e estavam a construir novos
edificios sem a necessiria licenga.

Mas, entretanto, o governor anunciou
a criago de um Servigo de Anilise do
Solo no Ministerio das Obras Publicas,
bem como a formagio de uma equipa de
engenheiros e supervisors de construcgo.

Preparagao para situaV6es de
emergencia. Implementadio
acelerada

0 Serviyo de Protecyao Civil existia ape-
nas no papel no rescaldo do terramoto.
Sem quaisquer meios e com um pequeno
efectivo de pessoal sem formacgo, tambem
ele afectado pelo sismo, revelou-se total-
mente impotente.

Agora, a situagio e outra. A Dra. Yolanda
Surena, coordenadora do novo Program a
de Gestio dos Riscos de Catistrofes e
Situag6es de Emergencia no Haiti
(PUGRD), dedica toda a sua energia a
construcgo de um sistema de protecGyo
civil digno desse nome. "0 sismo serviu
de catalisador da mudanga", declarou.

Hoje em dia, a protecGo civil do Haiti
esta implantada em todo o pais e disp6e
de equipamento adequado. Foram esta-
belecidos 133 comites nos municipios e
apenas cinquenta estio por cobrir. A Dra.
Surena lamenta, porem, a falta, ate a data,
de uma instituiygo incumbida da avaliagyo
da catistrofe.


Port-au-Prince. Catedral Romano-Cat61lica � Hegel Goutier


A Comissao Provis6ria para a Reconstruyao
do Haiti, pela sua parte, aprovou recente-
mente um plano de prevengio no montante
de 14 milh6es de d6lares para a regiio
setentrional do Haiti, onde a sismicidade
e elevada, que permitira mobilizar 200
engenheiros e former 400 tecnicos locais.

A ajuda da UE no valor aproximado de 17
milh6es de euros dari um forte impulso
a protecGo civil, nas palavras de Alain
Damit, responsivel do Programa Europeu
de Construcgo do Sistema Nacional de
Gestio dos Riscos de Catistrofes. Os
funds destinam-se a contratar e former
3500 socorristas e voluntirios e a dis-
tribuir 250 contentores de equipamento
de socorro pelas comunidades regionais
antes de comegar a epoca de furac6es em
2011. Contribuira tambem para reforgar
o sistema national de gestio dos riscos de
catistrofes e para equipar melhor o servigo
de combat a incendios.

* www.hpnhaiti.com


Cerreio





























A Sr.a Michaelle Jean, enviada
especial da UNESCO, antiga
Governadora Geral do Canada
(Chefe de Estado, Vice-Rainha
interina) e Comandante Supremo das
Forgas Armadas Canadianas, e um sim-
bolo da diaspora haitiana. Recentemente
participou de uma reuniao da Comissao
Provis6ria de Recuperacgo do Haiti
(IHRC) em Port-au-Prince - a 15 de
Fevereiro de 2011 -e da conferencia acerca
do mesmo tema organizada em Bruxelas,
pelo Canada e a Uniao Europeia, com a
colaboraogo da Embaixada do Haiti, a 23
de Fevereiro de 2011.

Entrevista

MJ - Quando decidi trabalhar com a
UNESCO, como enviada especial ao
Haiti, foi devido a sua base de compe-
tencias, que responded is necessidades
imediatas para a reconstruogo no Haiti,
e porque poderia oferecer acgio imediata,
bern como apoio a long termo. E uma
organizagio que trabalhou junto do Haiti
por um long period de tempo e que
esta disposta a apoiar o pais, enquanto
este estabelece o seu pr6prio sistema de
educacgo p6blica e universal de qualidade.

Temos de nos lembrar tambem que o Haiti
6, acima de tudo, um pais de cultural e esta
cultural e vital para o seu restabelecimento.
Como tenho origem haitiana, sei ate que
ponto a educacgo sempre esteve no centro
das prioridades dos haitianos e haitianas,
mesmo antes da revoluygo, nos terriveis
tempos das plantayges. Homens e mulhe-
res que tinham sido despojados de tudo
e submetidos a escravatura ainda sabiam
que era a garantia final de emancipagio e
liberdade. E em todas as families actuais
hai ainda um desejo absolutamente fun-
damental de que as criancas obtenham
educacgo de qualidade. Algumas pessoas
parecem pensar que o Haiti esta a come-
car do zero, mas na verdade ji existia
um grupo de trabalho para a educacgo e
formagio com excelentes resultados antes
do sismo e a partir deste grupo surgiu um
plano que se tornou um pacto national e
que todos n6s temos o dever de apoiar.

HG - Parece estar rnuito apreensiva
quanto ao facto de que as promessas
feitas ao Haiti ndo tenham sido total-
mente mantidas ou ndo tenham sido


Conferencia Canada/EU sobre o Haiti, Bruxelas, 23 fevereiro 2011. Michaelle Jean e Thomas Adams,
coordenador especial dos EU para o Haiti, Departamento de Estado dos EU � Hegel Goutier


feitas conscientemente ou em sintonia
corn os desejos do povo haitiano.

MJ - Estamos em Bruxelas, capital da
Uniio Europeia, cuja solidariedade tern
sido exemplar. Como antiga Governadora
Geral do Canada, tambem ja presenciei a
inacreditrvel generosidade demonstrada
pelo Canada. Muitos paises africanos,
cujos povos ainda estio gratos pelo apoio
concedido pelos profissionais do Haiti na
altura da independencia, mostraram uma
grande vontade de oferecer ajuda tamb6m,
tal como os paises das Americas.

Todos estes parceiros sao importantes. 0
Haiti nao conseguiria recuperar sozinho:
necessita que as suas pr6prias perspecti-
vas sejam genuinamente tidas em consi-
deraoqo e que as suas iniciativas sejam


apoiadas. Mas nao com esta mentalidade
caritativa que prevalece hai decadas e que
o deixa atolado na dependencia interio-
rizada. A caridade, por si s6, tornou o
Haiti um exemplo extremo de criagio de
estrategias incompletas que nao produzem
nada de duradouro a long prazo. Aquilo
de que necessitamos e uma estrategia
de investimento e nao necessariamente
apenas capital, apesar de que o capital
tambem e necessirio para fortalecer a
economic national. Nao estou apenas
a pensar em competencias humans ou
institucionais, mas tambem iniciativas
da sociedade civil. Temos de encorajar
inclusive uma governagio que permit a
cada haitiano e a cada haitiana contribuir
com o seu trabalho e ser visto como uma
parte essencial da soluyao. H.G.


Coro da Catedral da Santissima Trindade (Anglicana). Ensaios de pequenos grupos � Hegel Goutier


EDIQAO ESPECIAL N.E. - ABRIL 2011


























Um terramoto


� nepuli UIb


Al&m dos danos externos apa-
rentes, o terramoto causou
graves disttrbios na psique
do povo haitiano. E esta a
opinion do eminente erudito haitiano,
Laennec Hurbon, actual director de pes-
quisa no CNRS (Centro Nacional para
a Investigaogo Cientifica). E medico de
teologia e sociologia, antrop6logo, fil6-
sofo, estudioso de epistemologia e cientista
social. Hurbon 6 especializado em cultural
inter-relacionamentos, religiao, filosofia
e political, e tamb6m em cultural vudu.
As suas virias publicag6es incluem tra-
balhos de referencia como, por exemplo,
<, < Haiti, Essay on the State'>, < Culture,>, < e
<.

Para Hurbon, o Haiti sofreu um choque
profundo que foi mal entendido pela classes
governante e parcialmente tratado pelos
movimentos religiosos. Mas as religi6es
nao podem tapar a falha na psique hai-
tiana. 0 maior problema vem dos enterros,
ou falta dos mesmos - os mortos por enter-
rar que ficaram debaixo do cascalho e que
ao decompor-se ficaram irreconheciveis,
bem como aqueles dos quais nao se sabe o
paradeiro, em locais em que o terramoto
os apanhou de surpresa.

< tos 6 absolutamente crucial. Quando nao se
conseguem honrar os mortos com os rituais
necessirios, 6 um choque real. Voltamos a
condiygo de escravatura, quando este rela-
cionamento vital ajudava a manter intacta
toda a cadeia da vida. Liga-se as divindades
e aos ancestrais semanticos e simb61licos,
o que ajudava a manter a continuidade
da vida. Quando as pessoas desaparecemr
sem comemoraogo ou enterro, essa cadeia
6 quebrada. A forma como organizamos
formalmente um enterro a press para as


vitimas do terramoto, sem terms men-
cionado todos os mortos 6 preocupante
e confuso para os haitianos. Nao existi-
mos se o nosso nome nao for mencionado.
Quando o nome dos mortos nho 6 invocado,
mantem-se no mundo dos vivos. E tornam-
-se mortos-vivos. E na tradiygo vudu, esta
falta de ritual trara consequencias para
os vivos; terao graves problems que se
poderao manifestar na forma de c61lera,
por exemplo."

O segundo problema identificado 6 uma
falta de orientaogo por parte do Estado no
que diz respeito a forma de lidar com estes
disttrbios. < numa campanha eleitoral presidential e
criar um sistema defeituoso de comit6s
interinos de departamentos de interven-
Oo tendo a cargo a reconstruco, com
estrangeiros, essencialmente estranhos,
que dirigem o esforgo de reconstrucgo;
isto sem real participaogo da populagyo
haitiana, excluindo os poucos membros
haitianos de ONGs.

Muitos beneficiaram com a falta de direc-
trizes de modo a preencher os seus pr6-
prios objectives. Alguns mudaram-se para
campos embora as suas casas nao tivessem
sido destruidas. E uma situaygo colectiva
composta por vitimas e mendigos que fun-
ciona como uma forma de atraso paliativo
de uma resposta traumrtica que tem muitas
probabilidades de ser violent. < profundo trauma cultural e psicol6gico que
se aliou a uma sensacgo grave de aban-
dono.,> Para o Professor Hurbon, as pessoas
e a sua vontade de mudar deveriam ter sido
ouvidas e seguidas. < ficado num estado geral de mobilizaogo.,>
Isto 6 afirmado sem questioner o papel
crucial da comunidade international e da
sua generosidade. H.G.


C*rreio


La6nneck Hurbon � Hegel Goutier













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