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Correio (Portuguese)
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 Material Information
Title: Correio (Portuguese)
Physical Description: Serial
Language: English
French
Portuguese
Spanish
Publisher: Hegel Goutier
Place of Publication: Brussels, Belgium
Publication Date: 03-2011
 Subjects
Genre: serial   ( sobekcm )
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
System ID: UF00095067:00108

Table of Contents
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Full Text

II II - I1- II - 11 11l '1 1


La revisla bimensual sobre cooperation


rre o
y relaciones enIre A4rica - Caribe - Pacilico y la Union Europea

J


K II


" Turku, Finlandia
lExplosion cultural
ACP Transporte
Las arandes obras












Indice

EL CORREO, N.22 NUEVA EDICION (N.E)


Consejo de Redacci6n
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Secretaria del Grupo de Estados de Africa, el Caribe y el Pacifico
www.acp.int

Fokion Fotiadis, Director General de la DG EuropeAid
Comisi6n Europea
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Personal principal
Redactor jefe
Hegel Goutier

Periodistas
Marie-Martine Buckens (Subredactora jefe).)
Debra Percival

Ayudante de redacci6n y producci6n
Anna Bates


Ayudante de producci6n
Telm Borras

Colaboradores en este nimero
Anna Patton,Anna Bates, Souleymane Maazou,Anne Marie Mouridian, Charles Visser,
Bernard Babb, Dev Nadkarni, Philippe Lamotte, Sandra Frederici,Andrea Marchesini,
Eugenio Orsi, Sylvia Arthur, Cherelle Jackson

Director de proyectos
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Coordinaci6n artistic
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45, Rue de Treves
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Belgica (UE)
info@acp-eucourier.info
www.acp eucourier.info
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Fax: +32 2 280 1912


Revista publicada cada dos meses en espahol, frances, ingles y portugues.

Para informaci6n sobre suscripciones:
Visite nuestra pagina web www.acp-eucourier.info o dirijase a la direcci6n
info@acp-eucourier.info

Responsable de edici6n
Hegel Goutier

Consorcio
Gopa-Cartermill -Grand Angle Lai-momo

"Las opinions expresadas son las de sus autores y no representan la opinion official de
la Comisi6n Europea o de los paises ACP. Ni la Comisi6n Europea ni los paises ACP, o
cualquier persona que actue en su nombre, podran ser considerados responsables del uso
que pueda atribuirse a la informaci6n contenida en la present publicaci6n, o de cualquier
error que pueda aparecer, a pesar de la preparaci6n cuidadosa y de la verificaci6n."


DOSSIER 16 COMERCIO 24


EDITORIAL


PERFIL
Secretario General del Foro de las Islas del Pacifico,
Tuiloma Neroni Slade
Nicholas Westcott, el nuevo "Mister Africa"
de la Uni6n Europea

SIN RODEOS
Entrevista com Paavo Matti Viyrynen, Ministro do
Com&rcio Externo e do Desenvolvimento da Finlandia


PANORAMA
Luchar contra los "fondos carrofieros": Entrevista con
Mamoudou Deme
Nuevo marco UE-Pacifico en el horizonte
Los grandes obstaculos a los que se enfrentan las
candidates electorales en Niger
La UE reduce parcialmente las medidas restrictivas
contra Zimbabue
Apoyo al "impuesto Robin Hood"
El apoyo presupuestario de la UE no alcanza su pleno
potential
(Apaciguamiento en Costa de Marfil?
Michel Martelly, nuevo Presidente de Haiti

DOSSIER
ACP: Transporte
Un continent que lucha por romper su aislamiento
La UE y los grandes proyectos de transportes africanos
El Transnet surafricano y chino
El precio elevado del transport aereo frena el mercado
6nico del Caribe
La tirania de la distancia en el Pacifico


COMERCIO
Nueva ofensiva en defense del algod6n africano
Un modelo para la inversion en Africa: la experiencia
de Tuninvest / Africinvest


Cerreo




























DESCOBERTA DA EUROPA 28


EM FOCO 36 A SOCIEDADE CIVIL EM AQQAO 44


REPORTAGEM 46


NOSSA TERRA
Quando a investigator ganha p6!


DESCOBERTA DA EUROPA
Turku - Finldndia
Turku: tradigio e reinvengco
Criar um legado como Capital Europeia da Cultura 2011
Cagarolas, sandilias e uma tenda
Navios, design e ciencias da vida
Da Tanzania para Turku


EM FOCO
Modelo em missao


INTERACQOES
Reforgo de uma diplomacia de mat&rias-primas
O turismo das Caraibas a procura do apoio da UE
Tecnologia m6vel: salvar vidas quando a catistrofe
atingir Samoa
A Guin& Equatorial assume a lideranga da
Uniao Africana


CRIATIVIDADE
26 Premios dos festivals de cinema africanos FESPACO
e Academia Africana de Cinema
Direitos de autor e mobilidade de artists no cenirio
cultural do ACP
Entrevista com o autor de banda desenhada congoles
28 Pat Masioni


PARA JOVENS LEITORES
Dia de eleig6es nas escolas


CORREIO DO LEITOR/AGENDA


A SOCIEDADE CIVIL EM AQQAO
Program da UE para impedir a cegueira nas Caraibas 44
Ridio Democracia Africa Austral expande-se 45


REPORTAGEM
Suddo
Sudao, reflexes sobre a separacao 46
Uma hist6ria breve 47
Entrevista com S.E. Carlo De Filippi, Chefe da
Delegacao da UE no Sudao 49
Um testemunho privilegiado 50
As mulheres sudanesas, centro da renovacao 51
Empresas privadas combativas procuram
reconhecimento e mercados 52
0 desafio do Sudao do Sul 53
Combater a corrupcao endemica 55
Petr6leo, terra e agua 56
Rashid Diab: "A arte deve orientar a reflexao de um pais" 57
0 Darfur, visto pelos olhos do artist Issam Abdel-Hafez 58


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011













r


Cerreio




















Africa esta no bom caminho.

Desde que consiga vencer a corrente!


brimos que Africa, que viveu
uma "inversao espacial" nos
tempos coloniais, nos quais os
portos costeiros funcionavam como capitals,
com o 6nico objective de explorer os recur-
sos naturais para exportagio, esta agora a
articular-se de um modo diferente. Estio a
ser desenvolvidas virias redes de transport
multimodal entire paises, corn o apoio da
UE e de outros doadores, atraves dos seus
acordos de desenvolvimento. A China tam-
bem se esta a envolver de um ponto de vista
puramente commercial.

Por seu lado, os estados do Pacifico, que sao
vitimas da tirania da distancia e, por conse-
guinte, enfrentam dificuldades na expedigio
dos seus produtos, criaram recentemente
uma empresa especifica de expedigio que
estabelece ligag6es corn o resto do mundo,
atraves da Australia e da Nova Zelandia. As
Caraibas estio a debater-se com dificulda-
des, depois de terem assistido ao encerra-
mento de duas companhias areas, devido
aos elevados precos do transport aereo.
Uma companhia irlandesa prepara-se para
se instalar nas Caraibas.

O desenvolvimento do transport em
Africa relaciona-se com o artigo acerca da
"diplomacia de materias-primas" na nossa
secoo "Interacy6es". Por vezes, um inico
pais fornece uma grande proporgio de um
produto indispensivel para um sector da
ind6stria global. Este e o caso da Rep6blica
Democritica do Congo (RDC), que fornece
40% da proviso mundial de cobalto e de
Africa do Sul, responsivel pela produgco
de 80% da platina mundial.

Os paises consumidores, em particular a
Uniio Europeia (UE), estio a exigir igual
acesso a materias-primas critics para a pro-
dugco industrial e desenvolvimento econd-
mico. A UE esta a solicitar uma reform em
terms de tributacgo e transparencia aos
paises que fornecem materias-primas. Os
investigadores das ONG e europeus, por sua
vez, responded "E quem garante a transpa-
rencia das empresas de paises desenvolvidos
que utilizam estes produtos de Africa e quern
control os pregos?".

Alguns paises em desenvolvimento, espe-
cialmente em Africa, sao vitimas de "vul-
ture funds" fundsds abutre") que atacam
um pais assim que este demonstra sinais de
recuperagio econdmica, muitas vezes ap6s
o perdio da divida. Um pais atacado por
estas "aves" tem pouca capacidade de nego-


ciagio para a venda dos seus produtos ou
troca dos seus produtos pela construgyo das
tio necessirias estradas. No entanto, foram
delineados meios para conceder esta capa-
cidade de negociagio pelo Banco Africano
de Desenvolvimento (BAD), numa inicia-
tiva conhecida como ALSF (Mecanismo
de Apoio Juridico Africano) para apoiar os
paises ameagados por estes funds. O pri-
meiro pais beneficiario e a RDC. Mas os
funds a disposigio do ALSF sao relativa-
mente insignificantes para o apoio de todas
as vitimas dos gananciosos "vulture funds".

Esta edigio tambem chama a atengyo para
os recentes acontecimentos na Costa do
Marfim e no Haiti, dois dos muitos pai-
ses do Sul onde os acontecimentos estao
a precipitar-se a um ritmo alucinante. Por
um lado, ha um Presidente constitucio-
nalmente eleito ha virios meses, mas que
se viu obrigado a tomar armas para tentar
assumir o seu cargo. Chegou efectivamente
ao poder, como Presidente do pais, no dia
11 de Abril, gragas a acGyo armada das suas
tropas e a intervenogo military da ONU e das
forgas francesas, infelizmente sem o apoio
das forgas da Unigo Africana. Por outro
lado, um candidate improvivel e atipico
subiu ao poder no Haiti, pais que e o foco da
nossa edigio especial suplementar, ap6s um
process um tanto ca6tico de eleig6es anteci-
padas, com uma enorme faixa de apoio, pela
primeira vez, dos bairros de Port-au-Prince
e do grande vizinho Americano.

Tambem relatamos nesta edicao a hist6ria do
Sudio, anteriormente o maior pais de Africa,
agora reduzido com a independencia da sua
regiio sul. O pais esta no bom caminho para
conceder ao seu povo o direito a escolher o
seu pr6prio destino. Os primeiros passes do
Sudio do Sul sao mais reconfortantes do que
aquilo que se temera.

Foram expresses preocupay6es com o
impact das convulses revolucionirias do
Norte de Africa na Africa subsariana. O novo
Sr. Africa da diplomacia europeia, na nossa
secgio Perfil, acolhe com satisfagio os sinais
de eleic6es democriticas em Conakry, na
Guine, e a chegada ao poder da oposigio na
Nigeria. Na sua opiniio, a ligio que devemos
retirar do tumulto do Norte de Africa e que
a opcio pelo desenvolvimento econdmico
sem progress politico esta inevitavelmente
condenada ao fracasso.


Hegel Goutier
Editor-Chefe


N.� 22 N.E. - MARCO ABRIL 2011













































Debra Percival


O cidadio samoano,
Tuiloma Neroni
Slade, tornou-se,
em Agosto de
2008, Secretario-Geral do
Secretariado do F6rum das
Ilhas do Pacifico (FIP)1,
que reine 16 nay6es.
Anteriormente juiz no
Tribunal Penal Internacional
(TPI) em Haia, Paises Baixos,
foi tambem Embaixador do
seu pais em varios locais,
Procurador-Geral de Samoa
e consultor juridico de alto
nivel no Secretariado da
Commonwealth em Londres.

Apesar de o Pacifico estar
geograficamente distant
da Europa, ele senate que ha
espago para maiores relag6es
comerciais e actuagio
sobre quest6es em comum
entire as duas regi6es, como
por exemplo a question
das alterag6es climaticas,
conforme explica numa
entrevista concedida a 0
Correio: "Um dos principals
desafios para os paises
das Ilhas do Pacifico e a
diversificaygo da sua base de
exportag6es e, onde possivel,
a garantia de que uma
dependencia excessive num
ou dois parceiros principals
nio torne os seus paises mais
vulneraveis em tempos de
crise, como vimos durante a
Crise Econ6mica Global".


Durante a recent recessao,
um menor ntimero de
oportunidades de emprego
na Nova Zelandia e Australia
afectaram negativamente
as economies da regiio, em
particular as que dependem
fortemente de remessas, tais
como as de Samoa e Tonga.
"Alguns paises, incluindo
Tuvalu e Kiribati, possuem
funds fiduciarios investidos
em titulos internacionais,
utilizando as receitas destes
funds para ajudar a financial
os orgamentos nacionais.
A queda dos mercados
accionistas globais resultou
em menores receitas para estes
paises, numa altura em que
as comunidades necessitavam
de assistencia adicional", diz o
Sr. Slade.

Mas ele acredita que ha
boas oportunidades de
exportagyo no mercado
da Uniao Europeia (UE),
particularmente para peixarias
e processamento de peixe,
produtos cosmeticos, aguas
minerals e agriculture tropical
organic de elevada qualidade,
a espera de serem exploradas
sob um eventual Acordo de
Parceria Econ6mica extensive
a toda a region -um acordo
de comercio livre -com a
UE. Ate a data, apenas a
Papuasia-Nova Guine (PNG)
e as Fiji assinaram um APE
provis6rio "exclusivamente
sobre mercadorias" com
a UE.2 Ao abrigo deste,
a PNG esta a beneficiary
particularmente de uma
alteraogo de regras de origem,
resultando num aumento do
fabric de conservas de peixe,


o que criou mais postos de
trabalho. Apesar de o FIP
nao se encontrar na mesa de
negociag6es do APE, este
oferece consultoria aos seus
Estados-Membros para as
conversag6es comerciais em
curso.

Oportunidades do APE

"Mesmo paises pequenos
podem eventualmente
estabelecer possibilidades
de congelamento e fumeiros
de peixe. Para que o APE
verdadeiramente melhore
o desenvolvimento, e
extremamente important que
conceda Regras de Origem
concessionarias ao peixe
fresco e congelado" diz o
Secretario-Geral. "O acordo
s6 beneficiary os paises do
Pacifico, caso o sector privado
consiga tirar proveito do novo
acesso ao mercado. O trabalho
para melhorar sistemas de
gestao aduaneira, desenvolver
indtistrias agricolas de valor
acrescentado e promover
o comercio com a Europa
esta a ser apoiado pela UE
e sera essencial para que o
acordo consiga aumentar as
transacy6es com o Pacifico",
acrescenta ele.

Sublinhando a importancia da
ajuda da UE para o comercio,
o Sr. Slade tambem chama
a atengao para o recem-
elaborado Memorando de
Entendimento com a UE para
promover o dialogo acerca
das alteray6es climaticas.
A regiao sul do Pacifico e
particularmente vulneravel
a subidas do nivel do mar


induzidas por alterag6es
climiticas.

E tambem necessaria uma
maior assistencia international
atraves de donativos para
a educaogo, satide e infra-
estruturas basicas para que
a regiao atinja os Objectivos
de Desenvolvimento do
Milenio (ODM), diz ele. O
FIP estabeleceu um "Forum
Compact on Strengthening
Development Assistance"
(Acordo do F6rum acerca do
Reforgo da Assistencia para
o Desenvolvimento), que e
um dialogo com os doadores,
incluindo a UE, para melhorar
a coordenaogo e a eficicia da
ajuda por toda a region.

Os membros do FIP sao: Australia,
Ilhas Cook, Estados Federados
da Micronesia, Kiribati, Nauru,
Nova Zelindia, Niue, Palau, PNG,
Rep6blica das Ilhas Marshall,
Samoa, Ilhas Salomao, Tonga,
Tuvalu e Vanuatu. A participagao
das Fiji esta actualmente suspense
(desde 2 de Maio de 2009) devido
& incapacidade do Comodoro
Bainimarama de abordar de modo
construtivo, a 1 de Maio de 2009,
o regresso do pais A governagao
democratic dentro de um period
de tempo aceitavel para o FIP.

2As Fiji e a PNG iniciaram um
APE provis6rio (de liberalizagao
do comercio de mercadorias
exclusivamente) com a UE em
2007. A PNG assinou em Julho
de 2009 e as Fiji em Dezembro
de 2009.
Podera aceder A versao integral da
entrevista com o Secretario-geral
no website d'O Correio:
www.acp-eucourier.info


Cerreio








































Anne-Marie Mouradian


Alto Comissario
britanico no Gana
e Embaixador na
Costa do Marfim,
Burquina Faso, Niger e Togo
at& Janeiro, e tendo estado
colocado anteriormente na
Tanzania, Nick Westcott &
agora o "senhor Africa" da
diplomacia europeia.

Como Director-Geral do
Servigo Europeu de Acgyo
Externa, responsivel pela
political europeia na Africa
subsariana e pelas relag6es
com a Uniao Africana (UA),
tem vasta experiencia do
continent. "Interesso-me
por Africa desde 1976",
frisa Nick Westcott que
fala fluentemente frances
e tem bons conhecimentos
de suaili. "A minha tese
de doutoramento em
Cambridge versou sobre
os problems politicos na
Africa Oriental durante a era
colonial, incluindo a march
para a independencia, a
questao dos nacionalismos
e o desenvolvimento
econ6mico." Adquiriu
ainda s6lida experiencia em
assuntos europeus como
diplomat britanico em
Bruxelas nos anos 1980.

O novo Director-Geral
toma posse num period
particularmente volitil.
Embora a Libia seja da
competencia do seu colega


Hugues Mingarelli, Director
Administrative para o Medio
Oriente e a Vizinhanga Sul,
Nick Westcott & responsivel
pelas relag6es com a UA e
pela situagio humanitaria
de centenas de milhares
de migrants africanos
que trabalham na Libia.
"Estamos a assegurar o
seu regresso aos paises de
origem, em coordenagco com
o ECHO- o departamento da
Comissao Europeia de Ajuda
Humanitaria-, as Nag6es
Unidas e a Organizaygo
International para as
Migrag6es (OIM)."

Os seus servigos estio
a pesar as eventuais
implicay6es das revoltas
na Africa do Norte para a
Africa subsariana. "Ha que
ponderar tris elementss,
observou. "O primeiro, o
contigio director. Havera
risco de desestabilizagyo nos
paises vizinhos, na Africa
Ocidental ou no Sudao, por
exemplo? Depois, vem a
coordenagco da comunidade
international. Ela &
primordial. Por fim, o que
pode fazer a UE para ajudar
os outros paises africanos
frigeis?"

"Importa colher
ensinamentos da situacgo
na Africa do Norte. O
descontentamento popular
deve-se ao facto de estes
paises entreverem o
desenvolvimento econ6mico
mas sem um sistema politico
que salvaguarde os interesses


de todos os seus cidadios",
concluiu.

"Devemos ajudar os paises
subsarianos mais frigeis,
como o Sudao, a Rep6blica
Democritica do Congo e a
Costa do Marfim, que vivem
uma autentica tragedia."

"Os Estados do Sael nao
parecem afectados de
moment. Ha mesmo
indicios encorajadores
com as recentes eleig6es
democriticas na Guin&-
Conacri e no Niger onde o
lider da oposiygo se tornou
o novo president eleito. O
process democritico esta a
funcionar apesar da dificil
situacgo de seguranga na
regiao e do facto de estes
se contarem entire os mais
pobres paises do mundo." A
UE tera de estabelecer uma
estrategia para o Sael que alie
a 16gica de desenvolvimento
a de seguranya, "porque nao
podemos garantir seguranga
sem trabalho para os jovens".

Assistir o quase
independent Sudao do Sul
a satisfazer as necessidades
da populaogo e a resolver
as quest6es pendentes com
o Norte & outro important
desafio para a UE que
reclama a atengyo de Nick
Westcott. "E complicado",
diz ele, "mas ha um
verdadeiro trabalho a fazer
aqui. Temos uma grande
oportunidade para ajudar. E
por isso que eu vim."


N.� 22 N.E. - MARCO ABRIL 2011






























Regresso aos principios de


desenvolvimento do Rio

Entrevista com Paavo Matti Vayrynen, Ministro do
Comercio Externo e do Desenvolvimento da Finlindia




Debra Percival o ministry expos os seus pontos de vista
sobre o future da political de desenvolvi-
mento da UE a luz do debate em curso.
D esde 2007, Paavo Matti Quais sdo as prioridades de desen-
Viyrynen, membro do Partido volvimento da Finldndia?
do Centro,
& Ministro A UE 6 um gigante na cena O nosso principal
do Comercio Externo e mundial em trs areas objective e a redugao
do Desenvolvimento no da pobreza atrav6s
governor da Primeira- political de desenvolvimento, do desenvolvimento
Ministra Mari commercial e ambiental, que, sustentivel. 0 cres-
Kiviniemi. Tamb6m alias, estdo interligadas. cimento econ6mico
foi antigo ministry dos - a sustentabilidade
Neg6cios Estrangeiros Esobre estes pilares que econ6mica -deve
(1977-1982, 1983-1987 devemos construir o future caminhar de maos
e 1991-1993) e depu- dadas com a susten-
tado do Parlamento Europeu (1995- tabilidade social e ambiental. Naverdade,
2007). Aquando da nossa publicagio, as a Finlandia tem liderado o desenvolvi-
eleicges parlamentares estavam prestes mento sustentivel. O nosso program
a ter lugar na Finlandia em 17 de Abril. politico de desenvolvimento de 2007
Numa entrevista realizada em Helsinquia, (Nota da redaccao: este frisa o objective


Cerreio





Em dire


da redugco da pobreza e o compromisso
com os Objectivos de Desenvolvimento
do Milenio (ODM), ao mesmo tempo
que da prioridade ao desenvolvimento
sustentivel econ6mico, social e ecol6gico)
foi uma novidade na UE, porque ap6s
a Cimeira da Terra realizada no Rio de
Janeiro em 1992, os principios do desen-
volvimento sustentivel foram olvidados.
Creio que isto se deve em part a subse-
quente introdugyo dos ODM. Embora a
sustentabilidade ambiental esteja present
(o setimo compromisso dos ODM), e difi-
cil avalii-la e foi ignorada. A sustenta-
bilidade social e econ6mica nem sequer
figure nos ODM. Se queremos ser eficazes
na reducgo da pobreza, o crescimento
econ6mico deve nao s6 ser inclusive,
mas tambem fazer-se acompanhar de
programs de redugco da pobreza nesse
pais. Temos ainda de prestar atenogo a
sustentabilidade social paz e seguranga,
estabilidade, democracia, boa governaogo,
direitos humans e desenvolvimento do
sector social -satde, educayao, etc.

Metade da ajuda da EU e afectada
atraves de apoio ornamental. Serd este
o melhor instrument para mitigar
a pobreza?

Uma das consequencias da interpretagyo
incorrect dos ODM e que os funds desti-
nados i redugoo da pobreza tem sido cana-
lizados directamente para o sector pfblico.
Isto tem negligenciado o sector e a infra-
-estrutura privada. Na Finlandia, tenho
sido extremamente critic em relayao ao
apoio ao orgamento geral. Para alguns
paises, limitimos o montante de apoio ao
oryamento que cada pais recebe a 25 por
cento, embora utilizemos bastante o apoio
ao oraamento sectorial. Na Tanzania, pas-
simos do apoio ao oraamento geral para o
sectorial. Mantenho, porem, um espirito
aberto quanto ao apoio ao oraamento geral
prestado pela UE. Entendo em parte o
ponto de vista administrative: e muito mais
ficil para a Comissao Europeia pagar avul-
tados montantes de dinheiro ao pais do que
implementar projects pr6prios. Por outro
lado, o apoio ao oryamento geral acarreta
maior risco de corrupcgo. A Comissao
tem algumas ideias novas sobre o assunto
que poderiam resultar na concessao de
mais apoio ao oryamento geral dos paises
de rendimentos medios. Mas temos de


dar enfase ao desenvolvimento dos paises Tern uma opinido formada sobre a
mais pobres. estrategia que a UE estd a delinear
para o Sael?


A Finldndia jd atingiu a meta de 0,7
por cento do rendimento national
bruto (RNB) no orcamento da ajuda
ao desenvolvimento?

Somos um dos poucos paises na UE e
no mundo que aumentou tanto o volume
da ajuda quanto a percentage de RNB
afectada ao desenvolvimento. No ano pas-
sado, representou 0,55


Preocupa-me que a entrada em vigor do
Tratado de Lisboa venha subordinar a
political humanitaria e de desenvolvi-
mento a political externa e de seguranga.
Na region do Sael, a motivacao da UE
para uma estrategia especial parece radi-
car na "sua pr6pria seguranga". Temos
de ser eficazes na reducgo da pobreza
e promover a susten-


por cento do RNB e no Na UE, parece have uma tabilidade social nos
ano em curso ascen- paises do Sael. Temos
dera a 0,58 por cento. tendencia para associar de la ir e dizer bem
Creio que seremos seguranca e desenvolvimento alto: estamos interes-


capazes de atingir
os 0,7 por cento em 2015. Este ano, o
Governo finlandes afectou mil milh6es
de euros ao financiamento do desenvol-
vimento. Temos oito parceiros principals,
cinco dos quais em Africa, na Nicaragua,
no Vietname e no Nepal. Tambem finan-
ciamos parceiros pan-africanos e alguns
programs regionais em Africa.

Enquanto pais pequeno, poderd a
Finldndia exercer influencia nas
political de desenvolvimento inter-
nacional?

A political de desenvolvimento e muito
mais do que cooperaqco para o desen-
volvimento: e necessirio influenciar o
desenvolvimento com base nos principios
do Rio. No principio de 2009, tomei a ini-
ciativa de criar uma parceria transatlan-
tica para o desenvolvimento sustentivel.
Colectivamente, os Estados Unidos e a
UE prestam 80 por cento de toda a ajuda
pfblica ao desenvolvimento (s6 a UE e
aos seus Estados-Membros correspon-
dem 60 por cento). Temos de actuar em
estreita cooperagco para que as political
de desenvolvimento sejam tio eficazes
quanto possivel e respeitem os principios
de desenvolvimento sustentivel. Tambem
temos de influenciar novos intervenientes:
China, India e Brasil, para que a redu-
cao da pobreza seja uma realidade. A
administragyo Obama esta especialmente
empenhada em dar prioridade ao desen-
volvimento, centrando-se nos 3 Ds; diplo-
macia, defesa e desenvolvimento, com o
desenvolvimento em pe de igualdade com
a political externa.


sados no vosso desen-
volvimento, segundo os nossos valores
e principios, e negociar um program
integrado. Esta e a via para promover os
nossos interesses de seguranga. Na UE,
parece haver uma tendencia para associar
seguranga e desenvolvimento.

A UE elaborou a sua estrategia para o
desenvolvimento sustentivel em 2001 e
acrescentou-lhe uma dimensao externa
em 2002 na sequencia da Cimeira
Mundial para o Desenvolvimento
Sustentivel, realizada em Joanesburgo.
Esta foi actualizada em 2006 e devera
se-lo se pretendemos que influence real-
mente o resultado da Conferencia das
NacSes Unidas sobre Desenvolvimento
Sustentivel: Rio + 20 (4-6 de Junho de
2012). O Conselho da Uniao Europeia
afirmou inequivocamente que o desenvol-
vimento sustentivel devera ser o princi-
pio geral subjacente a todas as political e
estrategias da UE, estendendo-se is rela-
c6es externas. Tem sido repetidamente
dito que a UE e um gigante econ6mico
e um ango politico, o que esta long
da verdade. Os que procuram alargar
a dimensao da defesa na nossa political
recorrem a este tipo de argument. A
UE e um gigante na cena mundial em
tries areas: political de desenvolvimento,
commercial e ambiental, que, alias, estao
interligadas. E sobre estes pilares que
devemos construir o future.


1 http://www.uncsd2012.org/rio20/index.
php?menu=35


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011

















































Combate aos



"vulture funds"


Marie-Martine Buckens


de "vulture funds" fundsds
abutre") ou com insuficientes
meios legais para se defen-
derem contra investidores estrangeiros
So objective do Mecanismo de Apoio
Juridico Africano (ALSF) criado pelo
Banco Africano de Desenvolvimento
(BAD). Os "Vulture Funds" sao funds
de cobertura ("hedge funds") que adqui-
rem obrigag6es de paises mais pobres a


pregos reduzidos, com a intengco de as
vender posteriormente a um prego infla-
cionado. Criado em 2009 (ver abaixo), o
ALSF chegou a acordo com a Repiblica
Democritica do Congo (RDC) e procura
agora consolidar a sua posicgo. O Correio
entrevistou o director, Mamoudou Deme,
numa visit a Bruxelas em Janeiro.
"0 objective da nossa visit a Bruxelas
era duplo: reunir corn os representan-
tes da Unigo Europeia, em particular
os representantes da Direcco Geral de
Desenvolvimento da Comissao Europeia,
e tambem com as ONG que se ocupam


Cerreio






















da divida de paises em desenvolvimento,
especialmente o Centro Nacional belga
de Cooperago para o Desenvolvimento
(CNCD). Estas reunites serviram para
expor o trabalho do ALSF e explorer as
possibilidades de cooperagio", explicou
Mamoudou Deme.

Apesar de o Mecanismo do BAD ter sido
criado apenas recentemente, "a idea,
na verdade, remonta ao ano de 2005",
sublinha o seu director. "Nessa altura,
o Conselho de Ministros das Financas
de Africa tinha emitido um apelo a cria-
gio de um organismo, cuja fungao seria
oferecer apoio t&cnico e legal aos esta-
dos africanos em tres quest6es: divida,
negociacgo de contratos comerciais de
recursos naturais e capacidade de for-
talecimento". Este apelo foi reiterado na
Cimeira da Uniao Africana, em Addis
Ababa, no ano de 2007. O Banco Africano
de Desenvolvimento ponderou a ideia
em 2008, tendo os 77 membros do seu
Conselho de Governadores dado a auto-
rizago para a criago do Mecanismo.
Em 2009, foram langados o Conselho
de Governadores e o Conselho de
Administragio do Mecanismo.

"O nosso trabalho consiste essencial-
mente no recrutamento de advogados que
possam apoiar estes paises, quando eles
enfrentam litigios relatives a dividas ou
contratos", prossegue Mamoudou Deme,
"mas tambem organizamos e participa-
mos em seminirios acerca da capacidade
de fortalecimento com associag6es irmas".
O primeiro destes seminirios, para os
paises do Leste de Africa, teve lugar a 14
de Fevereiro em Kigali (Ruanda).



Uma praga

"Estes vulture funds sao uma praga, nao
s6 para os paises em desenvolvimento,
mas tamb6m para as nab9es ricas, pois
estas sao as principals beneficiaries da
redugao da divida", explica Renaud Vivien,
um advogado do Comite para a AnulagIo
da Divida do Terceiro Mundo (CADTM),
uma rede international present em apro-
ximadamente 30 paises, principalmente
do Sul. Na Belgica, o CADTM 6 um mem-
bro do CNCD. "Se ha uma liq5o a ser
retirada dos anteriores ataques de vulture
funds, 6 que eles aguardam at6 que as
suas vitimas alcancem um pequeno alivio


Quinze candidaturas + RDC

Em Novembro de 2010, o Mecanismo
concluiu a sua primeira transacoo, con-
cedendo US$ 500.000 a RDC. Foram
apresentadas cerca de 15 candidaturas,
no total, ao Mecanismo do BAD. Nao
estando disposto a entrar em pormeno-
res, Mamoudou Deme explicou-nos que
14 delas diziam respeito a negociaco de
contratos mineiros, agroindustriais ou
relatives a infra-estruturas. O Mecanismo
prepara-se para oferecer apoio a seis destas
quinze candidaturas. Mas o problema 6:
"0 nosso orgamento foi estabelecido nos
16 mil milh6es de d6lares e pretendemos
mobilizar entire US$ 50 milh6es e US$
100 milhoes at& 2012." Estas somas terao
de ser cedidas pelos Estados Membros,
bem como por doadores.


financeiro, como uma ligeira redugco da
divida, antes de atacarem nos tribunais",
continue ele. Qual 6 entao a attitude dos
credores no Norte, em particular dos 19
paises que constituem o Clube de Paris,
ou de organizag9es como o Banco Mun-
dial? "Por enquanto, estao satisfeitos com
c6digos de boa conduta. Apenas a Belgica
e a Gra-Bretanha tomaram medidas, mas
estas estao long de serem suficientes.
De facto, a legislagao belga adoptada
em 2008 limita-se a proteger a sua ajuda
ao desenvolvimento piblico, tornando-
-a 'intransmissivel' e 'nao penhoravel'.


Na Franga e nos Estados Unidos, foram
delineadas algumas leis, mas ainda nao
se concretizaram."


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


O Banco Africano de Desenvolvimento
tem 77 membros: 53 paises africanos
independents (membros regionais)
e 24 paises nao africanos (membros
nao regionais), incluindo oito paises da
UE e a maioria dos paises da OCDE.
Alem do Mecanismo de Apoio Juridico,
o BAD criou o Departamento de Agua
e Saneamento (OWAS) em 2006, que
trabalha para consolidar as suas acti-
vidades no sector da agua na region.
Um dos mais importantes organisms
de decisao da estrutura institutional do
BAD e o Conselho de Administragco.
Este 6 composto por 18 membros, 12
dos quais sao eleitos pelos governor
dos paises-membros regionais e seis
dos quais sao eleitos pelos governor
dos paises-membros nao regionais. Al-
gumas das actividades de empr6stimo
do BAD sao assumidas em conjunto com
o Banco Europeu de Investimento (BEI).


1dIndIJUV IV IIII VadldeIVldlLIIIIJ IJUKU11


Perpeciv





Pespctv


Um novo enquadramento


Pacifico-UE no horizonte


Passar a outra velocidade

Prev6-se que no proximo ano surja um novo enquadramento para a cooperacao
Pacifico-UE. 0 objective e a adaptac o as alteracoes climaticas, mas tambem a
ajuda ao desenvolvimento com "elevado impacto, anunciou o Comissario da UE
para o Desenvolvimento, Andris Piebalgs, durante a sua recent visit a regiao.


Debra Percival


I " sto significa cimentar a nossa
parceria mundial sobre as alte-
ragOes climiticas, falar a uma
s6 voz nos debates internacio-
nais e incentivar os outros parceiros a
juntar-se a n6s, tanto political como finan-
ceiramente", disse o Comissirio falando
na Conferencia Regional de Alto Nivel
sobre AlteragOes Climiticas no Pacifico,
que se realizou em Vanuatu, de 2 a 4 de
Margo. Espera-se que estes novos pianos
sejam ultimados durante a Presidencia
Polaca da UE, a partir de 1 de Julho de
2011.


por exemplo, pode tornar inabitiveis as
ilhas de Quiribati e de Tuvalu.

O Comissirio Piebalgs disse que a UE
nao se vai limitar a eliminar as consequen-
cias das alteragoes climiticas no Pacifico,
tendo, por exemplo, utilizado o Fundo
Europeu de Desenvolvimento (FED) para
reconstruir num terreno mais elevado o
inico hospital de Tonga, destruido no tsu-
nami de 2009. "A pr6pria abordagem da
UE quanto ao financiamento do Pacifico
tem de evoluir", referiu. Sugeriu que a UE
e o Pacifico deviam


"O f A pr6pria abordagem da procurar apoiar em
Os efeitos das alte- conjunto nio apenas
ragoes climiticas UE quanto ao financiamento solugoes puramente
no Pacifico incluem do Pacifico tem de evoluir" tecnol6gicas para os
a subida do nivel Andris Piebalgs problems das altera-
das aguas do mar, o goes climiticas, mas
aumento da erosgo tambem solugoes
devido a maior intensidade das tempes- "mais verdes", queutilizem, por exemplo,
tades e o risco de a agua salgada pene- conhecimentos tradicionais a que nao se
trar nas reserves de agua potivel, efeitos presta atenogo. O Pacifico e aUEprecisam
que colocarao um travao na realizacgo de trabalhar em programs de adapta-
dos Objectivos de Desenvolvimento do go do clima para a agriculture, a agua e
Milenio (ODM). o saneamento e em energies renoviveis,
disse ainda.


Em Dezembro de 2010, o Comissirio
Piebalgs assinou um Memorando de
Entendimento com o Secretirio-Geral
do F6rum das Ilhas do Pacifico (FIP),
Tuiloma Neroni Slade (ver o respective
perfil nesta edigio). Trata-se de um apelo
dirigido a todos os doadores para assegu-
rarem a sua quota-parte do financiamento
international para as alteragoes climiticas
destinado aos paises do Pacifico.

Vulnerabilidade
Os paises das ilhas do Pacifico cor zonas
costeiras pouco elevadas tem 10 milh6es
de habitantes, mas cobrem um quinto da
superficie do Globo e sao particularmente
vulneriveis is alterai6es climiticas. A
subida do nivel do mar pode levar mesmo
algumas das ilhas a desaparecerem. Um
aumento do nivel do mar de apenas 60 cm,


Durante a visit do Comissirio foram
anunciados programs da UE destinados
a combater a pobreza e as consequencias
das alteracges climiticas, num total de
89,4 milhoes de euros. Preve-se a seguir
uma proposta de apoio de 11,4 milhoes
de euros para os pequenos Estados insu-
lares do Pacifico. O Comissirio Piebalgs
sugeriu igualmente que a totalidade do
reforgo resultante da revisio intercalar do
10.� Fundo Europeu de Desenvolvimento
(2008-2013) destinado aos Estados ACP
do Pacifico (16,6 milhoes de euros) seja
utilizada para fazer face aos problems
das alteragoes climiticas. Apelou para
os paises ACP da regiio para apontarem
projects que associem a adaptacgo is
alteragoes climiticas com a realizagao
dos Objectivos de Desenvolvimento do
Milenio (ODM).


I


As turbines e6licas no oceano � Reporters


Cerreio













Enormes obstaculos enfrentados


por mulheres que procuram ser


eleitas no Niger


Como primeira mulher candidate as eleic6es presidenciais no Niger, a Sr.a Bayard
Mariama Gamatie obteve, em Janeiro de 2011, 0,38% dos votos. Um fraco resul-
tado, na opiniao de experiences observadores do cenario politico no Niger, tendo
em conta o peso demografico da populacao feminine.


Souleymane Makzou


E necessario ter amor a
patria, ser democrat,
possuir uma visgo poli-
tica e, acima de tudo, ser
impulsionado pelo desejo de sucesso",
declarou a Sr.a Bayard Mariama Gamatie,
candidate independent nas eleic6es pre-
sidenciais de Janeiro de 2011.

Esta militant de 50 anos de idade,
active desde as primeiras agitaSes da
sociedade civil nigerina, fundadora da
Assembleia Democritica de Mulheres
Nigerinas (RDFN) e ex-ministra da
Quarta Repiiblica, tomou uma posigio
arrojada ao tornar-se candidate presiden-
cial num pais onde a political e dominada
por homes.

Unica mulher entire 10 candidates,
Madame Bayard Mariama Gamatie obteve
0,38% dos votos. Com este resultado de
12.000 votos num universe de 3 milh6es
de votos validamente expresses, esta can-
didata ficou em decimo (e iltimo) lugar
na corrida presidential que assinalou o
regresso do Niger a democracia, apos
o golpe de estado de 18 de Fevereiro
de 2010, que depos o governor civil do
President Tandja Mamadou.

No entanto, as mulheres constituem mais
de 52% da populagio nigerina, que se
estima ser de 14 milh6es. "Apesar deste
considerivel peso demogrffico e eleitoral,
as mulheres no Niger tem dificuldades
em vencer a marginalizagio de que sao
alvo na sociedade", explica Fati Hassane,
membro active da sociedade civil nige-
rina, empenhado em defender as causes
das mulheres.

O Niger possui, no entanto, um arsenal
legal complete concebido para garantir
a promogio das mulheres. Em 1996, em
resposta is desigualdades que as mulhe-


res continuavam a enfrentar, o governor
aprovou uma lei para a promogo das
mulheres, seguida pela adopgio por part
da Assembleia Nacional, em 2000, de uma
lei que estabelecia uma quota minima de
funcionirios de cada sexo na gestio dos
assuntos pfblicos.

"Ngo devemos ficar desencorajados.
Temos de lutar dia e noite para acabar
com a discriminago das mulheres",
declara Hassana Aliou, political e duas
vezes candidate nas eleiy6es locais. Esta
mulher de 47 anos de idade nunca con-
seguiu ser eleita.

O soci6logo Almoustapha Boubacar acre-
dita que os fracos resultados que as mulhe-
res obtem nas diversas eleig6es nigerinas
se devem ao clima politico duro para as
mulheres no Niger. "Ate mesmo para as
mais corajosas entire elas", acrescenta ele.

As mulheres que procuram envolver-se
na political no Niger enfrentam muitos


-I.- -Ma
Sra. Bayard Mariama Gamatie


obsticulos. Ha dificuldades familiares
aliadas a necessidade de ultrapassar obs-
ticulos socioculturais e discriminacao
dentro dos pr6prios partidos politicos.
As elevadas taxas de iliteracia entire as
mulheres (88%), os casamentos forgados,
o desemprego, o abandon escolar prema-
turo e a pobreza sGo obsticulos que vedam
o caminho a mulheres para o sucesso na
vida political nigerina.


H elellora ulspuboa a uar o 8eu voWo numia asemIulela ue voUo eIm IIamey, capital uo IViger,
segunda - feira, 31 de janeiro de 2011 � Reporters


N.� 22 N.E. - MARCO ABRIL 2011


Perpeciv





Pespctv


A UE abranda as medidas


restritivas contra o Zimbabue



Foram retiradas trinta e cinco pessoas
da lista da Uniao Europeia (UE) relative a
proibicao de visto e ao congelamento de
bens de nacionais do Zimbabue.


A Alta Representante da UE,
Catherine Ashton, anunciou
este gesto para com o Zimbabue
em meados de Fevereiro de
2011, aquando da revisio annual da poli-
tica da UE em relacio a este pais, que
inclui uma apreciacao aprofundada da
sua situagio econ6mica, social e political.
Foi salientado que foramm feitos esforgos
significativos para enfrentar a crise econo-
mica e melhorar a prestagio dos servigos
sociais no Zimbabue".

No entanto, a assistencia ao desenvolvi-
mento a long prazo proporcionada ao
pais no ambito do Fundo Europeu de
Desenvolvimento (FED) para os Estados
de Africa, Caraibas e Pacifico (ACP)
mantem-se suspense, por se considerar
que o pais despreza o artigo 96.0 do Acordo
de Cotonu entire a UE e os Estados ACP
(2000-2020), relative ao respeito da demo-
cracia, dos direitos humans e do Estado
de direito. A mesma cliusula, contudo,
mantem abertos os canais de comunicago
da UE com qualquer Estado ACP que viole
estas "clausulas essenciais" do Acordo, a
fim de manter um diilogo sobre os passes
a dar para normalizar as relag6es.

"Gostaria de salientar que a UE conti-
nua a querer alterar a
sua decision a qualquer "Foram fei
moment nos pr6xi- significativos
mos doze meses, se
ocorrerem outros e economic
actos concretos. Em prestagao dos
especial, consider ser no Zin
extremamente impor-
tante para o process Catherin
democritico do pais Alta Repres
um entendimento


t

C




e


LF' "kl


I..


I
|


.-.-





A publicagao Daily Newsfoi suspense ha sete anos por critical o governor, agora 6 distribuida novamente no Zimbabue,
18 de margo de 2011 � Associated Press / Reporters.


canais governamentais. Desde a criago
do Governo de Unidade Nacional no
Zimbabue, em Fevereiro de 2009, a UE
concede 365 milh6es de euros a partir
de anteriores orgamentos FED e de rubri-
cas do orgamento da UE para apoiar os
sectors sociais, a seguranga alimentar e
a promogio da gover-
os esforos nagio", referiu a Alta
ara enfrentar a Representante.
*a e melhorar a "So necessirias
;ervigos sociais ainda mais reforms
babu6" no que se refere ao
respeito do Estado de
SAshton, direito, dos direitos
ntante da UE humans e da demo-
cracia, elements


comum entire as parties no Governo quanto essenciais para criar um ambiente favo-
as medidas necessirias a adoptar no peri- ravel a realizagio de eleig6es crediveis",
odo de preparago das eleig6es", afirmou acrescentou. No total existem ainda 163
a Alta Representante. pessoas e 31 empresas na lista de proibigGo
de visto/congelamento de bens. Tambem
"A UE continue a dar assistencia ao se mantem um embargo de armas contra
Zimbabue e nao apenas atraves dos o Zimbabue. D.P.


A UE acolhe com satisfagao
a transigao democratic
A Uniao Europeia acolheu corn satisfa-
9ao a eleigao do lider da oposigao de
longa data, Mahamadou Issoufou, nas
eleig6es presidenciais do Niger, a 15
de Margo. "Esta eleigao assinala uma
etapa muito important no process de
transig5o no sentido da democracia e
urn pass essential no sentido de res-
taurar a cooperagao total entire o Niger
e a Uniao Europeia", afirmaram a Alta
Representante da UE para os Neg6cios
Estrangeiros, Catherine Ashton, e o Co-
missario Europeu para o Desenvolvimen-
to, Andris Piebalgs. O Presidente eleito
era urn membro regular da Assembleia
Parlamentar Paritaria ACP-UE.


Cerreio


--II



















"Taxa


Robin dos


Bosques"


reune


apoio


um imposto sobre as transaco6es
financeiras (FTT) por toda a UE,
num relat6rio acerca de "finangas inova-
doras", adoptado na sessio de Estrasburgo
do Parlamento Europeu em Margo corn
529 votos a favor, 127 contra e 18 abs-
teng6es. Elaborado pela socialist grega
Membro do Parlamento Europeu (MPE),
Anni Podimata, este estabelece que a
introducao de uma taxa sobre as tran-
sacq6es financeiras numa base unilateral
reunira dinheiro para "bens pfiblicos",
incluindo desenvolvimento ultramarino
e alteray6es climiticas.
As Organizac6es Nio Governamentais
para o Desenvolvimento apoiam a taxa:
"O Parlamento Europeu estabeleceu o
padrio mundial, fazendo pressio para a
criagco de um imposto Robin dos Bosques
por toda a UE1. Estas sao 6ptimas noti-
cias. S6 a UE poderia reunir dezenas de
milhares de milh6es de euros para aju-
dar milh6es de pessoas levadas a pobreza
gragas a ganancia dos banqueiros", disse
Elise Ford, chefe do gabinete Oxfam
International na UE.


"Corn a Franga a presidir ao grupo G20
neste ano, a Europa esta numa excelente
posigio para concretizar o FTT Rogamos
agora aos deputados que desafiem os seus
governor a apoia-lo", disse ela.
De acordo com um estudo do Dr. Stephan
Schulmeister do Instituto Austriaco de
Investigagio Econ6mica, uma taxa media
de 0,05 nos 27 Estados-Membros da EU,
recaindo sobre acc6es, operacges cam-
biais e obrigag6es, poderia reunir 210
mil milh6es de euros por ano para gastar
em "bens pCblicos", incluindo ajuda ao
desenvolvimento. Mas qualquer decision,
no final, estara nas mros dos estados-
-membros da UE. Enquanto alguns
encaram um FTT como part de uma
estrategia econdmica europeia progres-
siva, outros estio relutantes quanto a con-
ceder qualquer tipo de poderes de criagio
de impostos a instituig6es europeias. D.P.



0 Robin dos Bosques e uma figure her6ica
do folclore medieval ingles, conhecido por
roubar dos ricos para alimentar os pobres.


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


Perpeciv





Pespctv


0 apoio ornamental da UE nio



alcanga o pleno potential


"Ha aspects que podem ser melhorados",

afirma a autoridade de vigilancia financeira da UE


N a uiltima decada, a modali-
dade de financiamento da
ajuda externa preferida pela
UE foi o apoio ornamental,
correspondendo, em media, a 50 por cento
de toda a ajuda gerida pelas institui96es da
UE. Num relat6rio especial, a autoridade
de vigilancia financeira da UE, o Tribunal
de Contas Europeu (TCE), sedeado no
Luxemburgo, afirma que "ha aspects
que podem ser melhorados" na forma
como e administrado. A sua avaliacgo
vem contribuir para as sess6es internal de
discussio criativa actualmente em curso
na Comissao Europeia sobre a necessidade
de introduzir altera-
9oes aos programs "E tamb6m n
de apoio ornamental analise system
financiados pela UE
para a consecugco dos O apolo orar
objectives de desen- pobl
volvimento. Lars
Tribunal de C
Este tipo de ajuda
envolve a transferencia de pagamentos
directamente para os eririos p6blicos dos
paises parceiros. Os criterios que devem
ser preenchidos para desencadear a sua
autorizagio sao determinados mediante
diilogo politico entire a UE e os paises
beneficiirios. Em terms de evolucgo
positive, tais programs podem encora-
jar a apropriagio pelo pais beneficiirio
dos recursos de auxilio, reforgar os sis-
temas contabilisticos nacionais e promo-
ver mudangas de orientagio political para
reduzir a pobreza.

"Este tipo de ajuda apresenta vanta-
gens no piano politico ja que pressup6e
a transferencia de elevados montantes
de auxilio de modo previsivel", declarou
Lars Heikenstein, membro do Tribunal de
Contas Europeu sedeado no Luxemburgo,
no decurso do langamento, em Fevereiro,
do relat6rio intitulado "The Commission's
management of General Budget Support
in African, Caribbean and Pacific, Latin
American and Asian countries" (Gestao por
part da Comissao do apoio ornamental
geral nos paises ACP, da America Latina e
da Asia) [N.R.: o apoio ornamental sectorial
auxilio da UE a um sector especifico, por
exemplo safide ou educacao, nao e abrangido
pelo relat6rio do TCE].


Podem fazer melhor

Mas as instituic6es da UE podem fazer
melhor. "Os objectives sao excessivamente
gerais e entravam a concepgco do program.
Nao e claro onde e gerada grande part do
valor acrescentado", disse Lars Heikenstein
aos jornalistas. O objective do relat6rio,
acrescentou, nao era pronunciar-se a favor
ou contra o apoio ornamental mas anali-
sar se este era coerente com os objectives
estabelecidos.

Segundo Lars Heikenstein, nao estavam
a ser exploradas todas as potencialidades
do diilogo politico e
Ccessaria uma eram precisas orien-
atica de como tag6es mais claras: "E
tambem necessiria
mental reduz a uma analise sistemi-
eza." tica de como o apoio
enstein, ornamental reduz
ntas Europeu a pobreza." "Ha
objectives macroeco-
n6micos mas estes sao frequentemente
muito gerais e entravam a concepgio do
programa, disse Gerald Locatelli, chefe
de unidade dos Fundos Europeus de
Desenvolvimento do TCE.

A Comissio Europeia esta ciente das cri-
ticas ao apoio ornamental, afirmaram os
representantes do TCE. Andris Piebalgs,
Comissirio da UE responsivel pelo
Desenvolvimento, lancou uma consult
p6blica via Internet sobre o apoio orgamen-
tal concluida no fim de Janeiro de 20111
para recolher opini6es sobre o assunto na
sequencia da publicacgo do Livro Verde
"0 future do apoio ornamental da UE aos
paises terceiros".2 Preve-se que a Comissio
formula recomendac6es sobre a material
no period que antecede o 4� F6rum de
Alto Nivel sobre a Eficicia da Ajuda que
tera lugar em Busan, Coreia do Sul, de 29
de Novembro a 1 de Dezembro de 2011.

"A UE deve respeitar o seu compromisso
de transformar o apoio ornamental na sua
modalidade de ajuda preferida e de alargar
a utilizagio deste instrument de auxilio
nos pr6ximos anos", faz notar a organi-
zagio no governmental Oxfam, no sitio
web da consult p6blica. Tambem espera
que as instituic6es de auditoria, os par-


,I





il. J PRO1SI






Refugiados num novo IDP (deslocados internos),
devido a confrontos tribais� Reporters


lamentos e as organizac6es da sociedade
civil promovam o reforco da eficiencia
na utilizagio dos recursos orgamentais e
preconiza a criagio de um registo p6blico
dos acordos de apoio ornamental.

Nick Roberts, Conselheiro de Apoio
Ornamental no Ministerio das Finangas
de Samoa, afirmou que uma das quest6es
a resolver consistia nas acc6es a adop-
tar se as reforms no pais beneficiirio
fossem inadequadas. Podiam ser criados
mecanismos para classificar o progress
das reforms e emitir sinais de aviso ao
governor sempre que o progress seja lento,
ou inexistente, afirma no sitio web. Por sua
vez, o Dr. Kwabena Duffuour, Ministro
das Finangas e Economia do Gana,
inseriu o seguinte comentirio: "Creio
justificar-se a aplicago de criterios de
elegibilidade menos rigorosos ao apoio
ornamental sectorial, na media em que
permitiria que a UE os distinguisse e
facilitaria a utilizagio do apoio orgamen-
tal sectorial enquanto instrumento" D.P.


http://ec.europa.eu/europeaid/how/public-
-consultations/5221 en.htm

2http://ec.europa.eu/development/icenter/
repository/greenpaperbudgetsupport
thirdcountriesen.pdf


Cerreio


e



o
'I
1
C
ik















Costa do Marfim - pacificagao?

A hora de fecho da redacgio d'O Correio, o antigo president da Costa do Marfim,
Laurent Gbagbo, tinha sido capturado pelas forcas leais ao seu rival e vencedor
declarado das eleic6es presidenciais de Novembro de 2010, Alassane Ouattara,
enquanto os tanques franceses, que apoiavam uma missao de paz das Nac6es
Unidas na Costa do Marfim (ONUCI), estavam prontas a intervir. Este pass permit
ao President eleito, Ouattara, ocupar o seu lugar como Presidente do seu pais.


A comunidade international exer-
ceu pressio diplomitica e eco-
n6mica sobre Gbagbo. Desde
22 de Dezembro, a UE imple-
mentou sang6es econ6micas, incluindo o
congelamento do patrim6nio financeiro
de 19 cidadios da Costa do Marfim, em
particular o do Presidente em fung6es e
da sua esposa.

Entretanto, a Uniio Africana (UA) exor-
tou Gbagbo a respeitar a vontade do povo


e a ceder a presidencia ao seu rival politico.
Uma posicio reforcada pela decision de
Africa do Sul, e em particular de Angola,
de se unirem a estes pedidos pelos seus
pares africanos. O mesmo se aplica a
Comunidade Econ6mica dos Estados da
Africa Ocidental (CEDEAO), que solici-
tou G ONU que interviesse militarmente
na Costa do Marfim para travar as cres-
centes hostilidades entire os dois campos
-hostilidades que colocavam o pais em
risco de uma Guerra Civil.


A 4 de Abril, a Comissiria Europeia
para Ajuda Humanitiria e Cooperaqco
International, Kristalina Georgieva,
expressou as suas preocupao6es com a
magnitude da violencia e o crescente
nfmero de pessoas que abandonam os
seus lares. Mais de 120 000 refugiados
inundaram os paises vizinhos, incluindo
a Liberia; paises que estao, eles pr6prios,
frequentemente no limiar da crise huma-
nitaria. M.M.B.


Michel Martelly eleito


President do Haiti

Uma estrat6gia inabalavel e eficaz


Hegel Goutier


O future president do Haiti, cuja
tomada de posse esta progra-
mada para 14 de Maio de 2011,
e Michel Martelly, antigo can-
tor pop, idolo dos habitantes dos bairros
pobres de Port-au-Prince, apoiado tanto
pela comunidade empresarial Haitiana,
como pela comunidade international.

Ao contririo do colega de profissao,
Wyclef Jean, cujo nome surgiu no ini-
cio da corrida presidential, o facto de
Michel Martelly (conhecido pelo seu
nome artistic ) nio ter
surgido inicialmente, na verdade prote-
geu-o dos ataques das elites do pais, que
consideravam complicada a eleicgo de
um President sem um titulo academico
antes do seu nome. Como jovem artist,
Martelly ja tinha criado fortes relac6es
com politicos dos EUA, especialmente
politicos do Partido Republicano.

Na busca do poder, a sua estrategia foi
como a de um mestre de xadrez, que pla-
neia as suas pr6ximas jogadas com preci-
sao. Fez uso das suas amizades dos EUA


entire as duas voltas das eleig6es e estas
prevalecerio, caso seja agora levantada
qualquer acusagio de populismo contra
ele, como por exemplo pelo apelo ao elei-
torado do bairro, Cite Soleil, pelos seus
votos na segunda volta. Desde o inicio,
o pr6prio nome do seu partido, Peyizan> (), foi
um apelo a ida is urnas de votaogo, num
pais predominantemente rural. Os seus
slogans, em
crioulo ou 'o careca,>, o �atrevido, e ate o
, foram um grande exito entire
as faixas etirias mais jovens.

Entre as duas voltas, Martelly props a
colaboragio com o candidate do partido
4Inite,, Jude Celestin, que desceu da 2."
para a 3.' posiogo, e tambem reuniu o apoio
de Jean-Claude Duvalier e Jean-Bertrand
Aristide, cujos discursos cripticos pare-
ciam apoiar a sua rival, Mirlande Manigat.
Com a sua participaio num important
debate eleitoral com esta iltima, ele apa-
receu como um , um
antigo cantor perante a Professora. Mas
Martelly surpreendeu toda a gene com
o seu descaramento e conhecimento das
quest6es. No Facebook, ele reuniu 25 000
amigos contra os meros 5000 de Mirlande
Mangiat. Os dados estavam langados.


roster electoral ae viVlnel Iviartelly
� Hegel Goutier. Os slogans da campanha: 'Martelly, Tet
Kale' - "o careca", "o atrevido" e ate "o bad boy",
foram um sucesso entire os jovens.


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


Perpeciv







































Um continent a procura


de acessibilidades



Uma simples olhadela para um mapa transported pouco evoluiram desde ofim Marie-Martine Buckens
de Africa permit compreender o dos colonialismos na maior parte dos


enorme desafio com que o continent
esta confrontado se quiser realizar um
desenvolvimento endogeno. Estradas e
caminhos-de-ferro que gravitam a volta
de grandes portos destinados a exporter
as materias-primas e as raras incursoes
para o interior das terras vao dar muitas
vezes a jazigos de minerios. Cor excep-
cao notoria daAfrica do Sul, as redes de


paises da Africa subsariana e estao muito
pouco interligadas. Desde ha alguns anos
que abundam pianos e projects para
colmatar o defice de infra-estruturas em
Africa. Sob a egide da UniaoAfricana (UA)
e nomeadamente com o apoio da Uniao
Europeia (ler artigo separado), mas tam-
bem dos Estados Unidos. Sem esquecer
a presence macica da China.


N as Caraibas e no Pacifico,
cujos paises sao ilhas ou
coroas de ilhas, o desafio
mais important & o trans-
porte maritime, como se pode ler nas duas
iltimas piginas do dossier. O transport
aereo tambem - tal como no continent
africano , um tema que ja foi abordado
num dossier anterior de O Correio (ver o
n.� 17, Maio-Junho de 2010).


Cerreio





















de proximidade entire paises quando as
ligag6es areas term de transitar por nds
por vezes muito afastados?", interroga-
-se a autora.

E sQo tambem sistemas de exploracio
dificeis de gerir, dada a sua posigio
excentrica em relagio aos grandes cen-
tros urbanos. O que explica, acrescenta
Sylvie Brunel, "por que virios paises afri-
canos se quiseram dotar, com enormes
despesas, de novas capitals mais centrais:
Abuja na Nigeria, Dodoma na Tanzania
ou Yamusuk na Costa do Marfim".

Actualmente, a densidade das redes de
transportes em Africa -estrada e via-
-f&rrea -continua a ser muito fraca. No
que diz respeito as estradas e de 6,85 km
por 100 km2, contra 12 por 100 km2 na
Asia, 100 km em media na Europa (mais
de 400 km por km2 na Belgica!). A den-
sidade da rede ferroviaria africana nio
ultrapassa os 3 km por 100 km2 contra
60 km por 100 km2 para a Europa.

Estrada ou caminho-de-ferro?

Considerado demasiado oneroso e mal
gerido, o caminho-de-ferro foi durante
muito tempo desprezado pelos grandes
doadores, a frente dos quais o Banco


Mundial, em proveito da estrada, que
beneficiou nos 61timos 20 anos de uma
redugyo do seu custo relative. No quadro
das political de ajustamento estrutural, o
caminho-de-ferro estava no colimador.
Sendo empresas p6blicas, registavam
defices atras de defices. Apartir de 2000
a orientagio mudou. A Uniio Europeia,
seguida pelo Banco Mundial e por outros
doadores, inscreveu nas suas priorida-
des de cooperagio o desenvolvimento
dos caminhos de ferro. Apesar disso os
desafios continuam a ser enormes: custo
elevado da colocago de novas linhas,
bitolas diferentes das linhas, criagio
de uma estrutura capaz de assegurar a
gestio. Sobre este 61timo ponto, muitos
doadores sao a favor de uma reestrutura-
yao em cooperacio com o sector privado,
recomendando a sua concessio, em vez
da privatizagio complete.

As estradas, ainda que sejam mais
numerosas -assegurando no essencial
as ligac6es com o mundo rural- no sio
poupadas pela falta de financiamento e
sofrem cronicamente de falta de manu-
tengao.

E isto sem esquecer, como se lera mais a
frente, o papel vital dos portos, perto de
uma centena, nas relag6es comerciais de
Africa com o resto do mundo.


Desordem dos espaaos

Em Africa, virios projects - iun-. dos
quais em vias de conclus';.. i..n-
dem restabelecer ligag6es lh i,,I..' d il ,
pelas potencias coloniais. in -i i'.!' I
as ligag6es Norte-Sul. Co:i- n. ,'. . i
ge6grafa francesa Sylvie Brunel, no seu
livro "Africa, um Continente em Reserva
de Desenvolvimento", "a colonizaaio
causou uma verdadeira desordem dos
espagos africanos (...), consagrando a
supremacia dos litorais, ao long dos
quais se criam as cidades, no ponto em
que se divide as cargas entire o mar e
a terra. A grande maioria das capitals
africanas sao portos, construidos no local
onde chegam os caminhos-de-ferro que
escoam os produtos do interior. E as redes"
de transportes sao muitas vezes orien-
tadas perpendicularmente aos litorais,
o que coloca o problema das relag6es
transversais". Como "realizar a integra-
go regional quando nem se pode mesmo
passar fisicamente de um pais para
outro, por falta nio s6 de vias-f&rreas,
mas mesmo de estradas transitiveis em
todas as estag6es? Como criar ligag6es


S. '


is


N.� 22 N.E. - MARCO ABRIL 2011


IDose


rir
;,~





IDose


A UE e os grandes projects de


transportes africanos


0 grave defice em mat6ria de transported
a sul do Sara constitui um desafio que a
UE e Africa procuram resolver em con-
junto atraves da parceria em materia de
infra-estruturas.


Anne-Marie Mouradian


sta parceria proporciona um qua-
dro estrategico para melhorar a
interconexio das redes de trans-
portes atraves do continent corn
o apoio do Fundo Fiduciirio UE-Africa
para as infra-estruturas. Aparece ao lado
de outros grandes programs com o PIDA
(Programa de desen-
volvimento das infra- Os chineses,
-estruturas em Africa), oferecem-se
iniciativa conjunta da
Comissao da Unigo estradas em tl


Direcco-Geral do Desenvolvimento e
das Relag6es com os Estados ACP da
Comissao Europeia. Trata-se de ligarregioes
corn regioes, praises corn paises, a Africa corn o
mundo. A CE central as suas intervenes nos
corredores transafricanos e nofinanciamento
dos elos quefaltam, que sao igualmente uma
prioridade da Comissao da Uniao Africana.
Apoia igualmente programs nacionais, quer
por serem troops de corredores regionais, quer a
pedido dos paises para reforcarem as suas redes
locais e melhorarem a
por seu lado, acessibilidade rodovia-
ara construir ria em zonas rurais e a
mobilidade urbana.


oca do acesso


Africana, da NEPAD aoS recursos petroliferos e A Comissio Europeia
e do Banco Africano minerals. atribui por ano 600
de Desenvolvimento, o milh6es de euros de
PTAS (Programa de political de transport donativos para o sector africano dos
na Africa subsariana), que agrupa 35 paises transportes. Intervem, em cooperapgo
africanos e as respectivas comunidades com o Fundo Fiduciirio UE-Africa para
regionais, apoiado por 11 financiadores, ou as infra-estruturas, em vastos projects
ainda o Cons6rcio para as infra-estruturas transfronteirigos, como o corredor da
em Africa (CIA). Beira, a Grande Estrada do Leste, a reno-
vagio do porto de Ponta Negra, o alarga-
Os corredores, coluna mento do porto de Walvis Bay, a extensio
vertebral do desenvolvimento do aeroporto international Kenyatta, o
Program integrado de transportes para
Os transported sao antes de mais uma questao a Namibia, etc.
de conectividade, explica Paulus Geraedts,
chefe do sector das infra-estruturas na A Grande Estrada do Leste, secgio zam-


Cerreio


p
I:
P

















biana do Corredor de Nacala, que liga o
porto mogambicano de Nacala a Zambia
atraves do Malavi, e um project que
abrange 360 km, cor um custo de 250
milh6es de euros. E um belo exemplo de
coordenacao europeia. Implica o BEI, a
Agencia para o Desenvolvimento francesa,
a Comissdo Europeia e a Delegacao da
UE, que lidera o project no didlogo corn
as autoridades zambianas, indica Juergen
Kettner, especialista das political de
transportes e infra-estruturas na DG
do Desenvolvimento e das Relag6es corn
os Estados ACP.

Se e verdade que as autoridades nacio-
nais - ministerios dos Transportes, das
Financas ou das Obras Pfiblicas - so
proprietirias dos projects, sobretudo
para negociar com os financiadores, e
important, lembra Paulus Geraedts,
coordenar as political nacionais, regionais
e continental. Apoiamos a UA nos seus esfor-
fos para criar uma ideia de conjunto e uma
visdo, para se dotar de programs estrate-
gicos como o PIDA, atraves do qual visa
exercer uma influencia a nivel continental
e desempenhar um papel de coordenador
dos corredores.

De entire as decis6es recentes, o Acordo
de Port Moresby, assinado em Dezembro
entire a UE e a UA, devera financial a
preparagco das acq6es prioritirias e os
estudos de projects estrategicos, como
os corredores de auto-estradas africanos,
o caminho-de-ferro do oeste africano
Cotonu-Niamei-Uagadugu, a ponte da
Gambia, etc.

Mas os recursos p~blicos sao insuficien-


tes face a dimensio das necessidades.
De acordo com as novas prioridades
definidas no Livro Verde', a CE quer
incentivar o sector privado, principal
motor do crescimento, a tornar-se um
parceiro do desenvolvimento. Os investi-
dores privados estao interessados no mercado,
mas tern medo dos riscos politicos, dos riscos
de mudanea e dosproblemas de governacdo.
Estamos a reflectir na forma de trabalhar
corn eles, combinando, por exemplo, as nos-
sas subventces corn os seus financiamentos
para limitar os riscos comerciais, explica
Paulus Geraedts. No future, o dialogo
UE-Africa em materia de transportes
devera incidir nao
s6 na identificacgo Trata-se de ligi
de projects finan- regi6es, praise
ceiramente viiveis, a Afria
socialmente respon- a Afrca co
siveis e ecologicamente sustentiveis, mas
tambem na forma de atrair os investido-
res privados, melhorando a governagio
e o ambiente empresarial.

A presenga chinesa, um desafio
para a UE e para Africa

A Europa defronta-se com uma concor-
rencia dificil per parte da China, que
investiu milhares de milh6es de d6la-
res em Africa. 0 relat6rio annual do
Cons6rcio para as infra-estruturas em
Africa indica investimentos chineses da
ordem dos 5 a 6 mil milh6es de d6lares
em 2010. Evidentemente que e um desafio.
A Europa tern um pacote de ofertas, incluindo
o didlogo politico e parcerias political, que
acompanhan os donativos e os investimentos,
sublinha Paulus Geraedts. Os chineses,
por seu lado, oferecem-se para construir


estradas em troca do acesso aos recursos
petroliferos e minerals. Eaos africanos que
cabe decidir, e tambem um desafiopara eles,
conclui Paulus Geraedts. Alguns governor
indicaram-nos por vezes que em relacao a
determinados projects preferem trabalhar
corn os chineses. Istofaz parte da vida. Mas
as necessidades sao tao grades que hd lugar
para todos. A Africa, a China e a UE
deviam trabalhar em conjunto para identi-
ficar um certo nimero de dominios onde
seria pertinente uma cooperacgo trilateral,
consider a Comissio Europeia, que se
esforca por fazer com que este dialogo
arranque. Na Zambia, por exenplo, jd ternos
contacts corn os chine-
r regi6es com ses, indica Juergen
s com paises, Kettner. 0 desafio
estd em levar os colegas
n o mundo chineses a sentarem-se
& volta de uma mesa para discutirem e nos
pormos de acordo sobre prioridades comuns
corn o governor e canalizar os financiamentos
deforma adequada. Nao trabalhamos isola-
damente, mas sim corn parceiros.

A India, o Brasil e o Japao tambem estao
presents. E uma epoca fascinante e os
jogos ainda nao sao claros, salienta Paulus
Geraedts. O G20 poderd desempenhar um
papel interessante, reunindo os paises emer-
gentes doadores, como a China ou outros
paises BRIC, Africa e n6s pr6prios.

O corredor de Nacala (Mogambique,
Malavi e Zambia) e um exemplo desta
parceria international, que implica nume-
rosos intervenientes que financial as
suas diferentes secy6es, entire os quais os
japoneses (JICA Agencia de Cooperacao
International japonesa), que intervem na
part mogambicana do project.


1http://ec.europa.eu/europeaid/how/
public-consultations/5241 en.htm






















E


(-


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


IDose


a





IDose


A Transnet da Africa


do Sul e os Chineses


Charles Visser*


A Africa esta em movimento.
Nao apenas politicamente
como testemunham os recen-
tes acontecimentos no Egipto,
no Magrebe e no Sudao -mas tambem
economicamente, o que pode anunciar
simplesmente a verdadeira liberalizagco
do continent, durante muito tempo
impedida por disputes internal e por ma
administracao. Ou podera anunciar uma
nova era de colonizago... desta vez pelos
Chineses?

Seja como for, Africa esta em movimento
e grande part deste movimento econ6-
mico result de investimento chines e
muitas das mercadorias sao transportados
pela Transnet, a empresa de transpor-
tes sul-africana. Embora esta sociedade
pertenga totalmente ao governor sul-afri-
cano, a Transnet nro e subsidiada e e uma
empresa lucrative.

De acordo com o Standard Bank da Africa
do Sul, que em parceria com o Industrial
and Commercial Bank of China (ICBC)
tem uma forte presenga noutros 17 paises
africanos, o investimento chines em Africa
duplicara em 2015, passando para 36,8
mil milh6es de EUR, ao mesmo tempo
que o comercio bilateral Africa-China
passara dos actuais 110 mil milh6es para
220 mil milh6es de EUR. Preve-se que
o PIB africano, actualmente com uma
taxa de crescimento de 4,9%, aumente
para 6% em 2015.


Todo este aumento de actividade econo-
mica coloca a questao de como transpor-
tar todas as mercadorias que lhe estio
associadas atraves das deficientes redes
rodoviarias e ferroviarias de Africa.

De acordo corn o seu porta-voz, Mike
Asefovitz, a Transnet compreende 80%
de toda a rede ferroviiria africana e esta
ocupada a colocar "a casa em ordem na
Africa do Sul, onde a procura excede
a oferta". Asefovitz nao fez qualquer
comentirio "a nivel estrategico" sobre
se a Transnet tencionava associar-se ao
desenvolvimento das infra-estruturas
realizado pelos chineses no continent.
(Salienta-se que o envolvimento da
Transnet na SADC se limita a locaco
financeira do material circulante e a


manutengao das linhas ferroviirias e
dos oleodutos.)

Com a maior companhia ferroviiria,
de oleodutos e de portos foraa de jogo'
no que diz respeito ao desenvolvimento
das infra-estruturas em Africa fora da
Comunidade de Desenvolvimento da
Africa Austral (SADC), fica aberto o
'caminho' para outros actors como a UE,
os Estados Unidos e a China aproveitarem
a brecha e chegarem as riquezas de Africa.




* Charles Visser e um antigo jornalista e
pensador independent que vive na Africa
do Sul.


Kaimans DPA
� Reporters


Cerreio


0 project AfricaRail e os outros

Desde ha uma dezena de anosque flores- vias-ferreas existentes, permitira p6r fim Estao igualmente em estudo projects
cem projects na Africa subsariana. A co- ao isolamento nao s6 dos paises abrangi- nacionais. Nomeadamente os 500 km
megar pelo ambicioso project AfricaRail. dos, mas tambem dos paises limitrofes, ou de vias-ferreas que devem ligar o centro
Com um comprimento de 2 000 km, deve seja, a Nigeria, o Mali, o Senegal, a Costa do Congo-Brazzaville ao porto de Ponta
ligar quatro paises da Africa Ocidental do Marfim, o Gana e o Chade. Negra; os cerca de 2000 km de caminho-
(Benim, Togo, Niger e Burquina Faso) e Tambem estao em estudo na Comunidade -de-ferro-custo: 11 mil milh6esded6lares
e apoiado pelo Banco Africano de De- da Africa Oriental (CAO) varios projects - que devem ligar todas as provincias
senvolvimento. 0 financiamento neces- de viastransnacionais. Foram adoptados de Mogambique. Sem contar o project
sario, estimado actualmente em cerca quatro corredores, entire os quais uma de ponte-estrada-caminho-de-ferro que
de 6 mil milh6es de d6lares, devera ser via que ligara as capitals do Quenia e do ligara as duas capitals mais pr6ximas do
feito sob a forma de uma parceria pQblico- Uganda e outra que ligara a Tanzania, o mundo, Brazzaville e Kinshasa. M.M.B.
-privada. Apoiando-se parcialmente nas Burundi e o Ruanda.


















Relangar o transport fluvial

Os portos fluviais da Africa subsariana
estao ainda long de poderem rivalizar
com os seus portos maritimos. O porqud
esta na falta de balizagem e na vetustez
das infra-estruturas.
Quase 97% do comercio international e
feito via o transport maritime. A Africa
conta mais de 80 portos maritimos im-
portantes, mas sao relativamente poucos
para um continent que conta 53 paises,
dos quais seis sao insulares e 15 encrava-
dos. Por outro lado, muitos destes portos


enfrentam problems de equipamento,
seguranga, poluigao e insufici&ncia de
capacidade tecnica. Alem disso, 80% dos
navios tnm mais de 15 anos de idade,
contra uma media mundial de 15%.
Tudo isto sao pontos fracos que caracte-
rizam o transport fluvial. E verdade que
ha grandes rios, como o Congo e o Nilo,
que nao sao inteiramente navegaveis, mas
onde o sao, representam um element de
integragao econ6mica muito important,
nomeadamente em regi6es afastadas. E


u porto ae Mnsnasa c Iviare-viartne bucKens





'at W ,


Reparagao da estrada em mau estado � Reporters


o caso da Republica Democratica do Con-
go, onde a Uniao Europeia financial actu-
almente um grande project de balizagem
do rio Congo. Alem disso, o transport
fluvial goza de vantagens econ6micas
consideraveis: e seis vezes mais barato
transportar contentores por barco do que
por frete aereo e uma embarcacgo de
500 toneladas pode realizar um trajecto
em duas vezes menos tempo do que um
camiao de 14 toneladas. M.M.B.



Reabilitar as estradas na
RDC e noutros paises
A estrada continue a ser a modalidade
de transport dominant na Africa sub-
sariana, representando perto de 90%
do trafego de mercadorias interurbano
e inter-Estados. Mas a sua densidade
permanece a mais baixa (6,65 Km aos
100 km2) e o estado das estradas e ex-
tremamente aleat6rio. Em media, 24,5%
das estradas da Africa sao asfaltadas.
Uma media que inclui a Africa do Norte,
cuja percentage ascende a 64%, contra
4% na Africa Central, 9,5% na Africa de
Leste, 20,7% na Africa Austral e 22,4%
na Africa do Oeste.
E uma rede que sofre de parca manuten-
g5o (sao asseguradas, em media, 30%
das necessidades de manutengao re-
queridas), com a sobrecarga de cami6es
a reduzir cada vez mais a longevidade
das estradas.
A Republica Democratica do Congo
(RDC) e particularmente mal servida.
Entre "os cinco estaleiros" anunciados em
2006, esta a construcgo ou reabilitacgo de
cerca de 10 000 quil6metros de estradas e
pontes. Em quatro anos, foram realizadas
cerca de 5 000 quil6metros de obras.
Mas houve pouco asfaltamento e a rede
existente, construida na maior parte na
epoca colonial, nao foi fundamentalmente
alterada. A Uniao Europeia e o principal
mutuante de funds, ao lado do Banco
Mundial e do Banco Africano de Desen-
volvimento, sem esquecer a China, cuja
presenga e ainda relativamente limitada,
exceptuando os trabalhos rodoviarios em-
preendidos na capital Kinshasa. M.M.B.


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


IDose





IDose


0 elevado custo das viagens areas



impede o mercado unico das Caraibas


A maior parte dos visitantes das Caraibas fica admirada por custar tanto viajar de aviao
entire estas ilhas tropicais como voar para a America do Norte. Existira alternative?


Bernard Babb*


nais das Caraibas tem ape-
lado para uma melhoria
das ligay6es entire as ilhas,
uma redugco das taxas sobre as viagens
e uma political bem informada sobre as
viagens regionais por part dos governor
do bloco commercial da CARICOM. Varios
comentadores regionais afirmaram que
um dos principals obsticulos a realiza-
9o do Mercado e Economia Unicos das
Caraibas tem sido a falta de um sistema de


transportes regionais
viivel e que funcione.


A ultima tentative


Norman Smith, a "ayg" hL C
colunista do Caraibas ocorre
"Daily Nation" nos uma company
Barbados, resumiu baixos custoS
a ang6stia dos seus
concidadios das empresaino
Caraibas quando
escreveu em Fevereiro (2011) que havia
uma necessidade premente de reduzir
as elevadas tarifas areas na regiio. Foi
isto que Norman Smith escreveu: "Fiz
recentemente uma investigation sobre
viagens para Sio Vicente e Granada e
deram-me estes precos: Barbados para Sao
Vicente, $533 (US $266); Barbados para
Granada, $637 (US $318); Barbados para
Slo Vicente e para Granada $858,42 (US
$427). Dantes, se voissemos na LIAT de
Barbados para Granada via Sao Vicente,
era-nos cobrada a tarifa para o destino
mais distant. Agora dizem que sao dois
destinos, por isso temos de pagar dois
pregos. Estes pregos exorbitantes desen-
corajam as pessoas de viajar. Nao se devia
ter de pagar $858 para viajar apenas 100
milhas, quando se pode viajar para Miami,
cerca de 16 vezes mais long, pelo mesmo
prego ou menos."

Queda da actividade
Nos iltimos dois anos a situacgo agravou-
-se com o aumento do custo dos combus-
tiveis e os prejuizos de muitos milh6es de


dolares, que ajudaram a acelerar a extin-
O9o da Air Jamaica, enquanto a LIAT, a
transportadora regional que lhe sucedeu,
tem lutado contra a falta de rendibilidade,
ao mesmo tempo que procura racionalizar
as rotas e manter-se em actividade. A
American Eagle, explorada pela American
Airlines como transportadora das ilhas
que faz a ligacgo entire Porto Rico e as
Caraibas, tambem deixou de voar para
virias ilhas, alegando falta de rendibili-
dade. A queda nas viagens intra-regionais
-30% nos iltimos cinco anos, afirma a
Organizacio do Turismo das Caraibas
(CTO) -devido a contracGo da econo-
mia mundial, afectou negativamente as
transportadoras areas


a para melhorar da regiio.
i-regionaisnas Com a c
u com a Redjet, area a dii
hia area de elevadas ta
criada por dois existentes
rem a vont
irlandeses. jar, os esf
aumentar


apacidade
minuir e as
rifas areas
a reduzi-
ade de via-
orcos para
modos de


transport alternatives por mar tambem
falharam. Nos iltimos anos, uma serie
de empresirios anunciaram pianos para
expandir os servigos de ferrynas Caraibas


Orientais, o que podia reduzir os custos
de viagem em 60%. Mas uma ligagio por
ferry viivel que sirva a grande zona das
Caraibas ainda esta por se concretizar.
Viajar por mar significaria combustivel
mais barato e portanto bilhetes de pas-
sageiros mais baratos, mas o trifego de
passageiros tambem tem de concorrer
com o transport de carga.

Entretanto, a iltima tentative para
melhorar as viagens intra-regionais
nas Caraibas ocorreu com a Redjet,
uma companhia area de baixos custos
criada por dois empresirios irlandeses.
Utilizam o modelo da Ryanair europeia
e estio a aguardar ansiosamente a apro-
vagio official do Governo de Barbados.



1Estados membros da Comunidade das
Caraibas (CARICOM): Antigua e Barbuda,
Baamas, Barbados, Belize, Dominica,
Granada, Guiana, Haiti, Jamaica,
Monserrate, Santa Lucia, Sao Crist6vao e
Nevis, Sao Vicente e Granadinas, Suriname
e Trindade e Tobago.

*Jornalista estabelecido em Barbados


Melville Hall Airport, Dominica � H. Goutier


Cerreio





I ~~Dose


A tirania da distancia no Pacifico



Iniciativas para melhorar as ligayges maritimas


entire as ilhas


Uma populacao escassa espalhada por vastas faixas do maior oceano do mundo,
causando deficientes comunicac6es entire elas, tem refreado a circulacao dos bens
e das pessoas da regiao e atrasado o desenvolvimento economic e o crescimento.


Dev Nadkarni*


O F6rum das Ilhas do Pacifico
(FIP) reconheceu estes obs-
ticulos ao desenvolvimento.
Uma das primeiras acy6es do
FIP foi a Pacific Forum Line, criada pelos
governor do Pacifico em 1978, para dar
resposta as suas exigencias de transport
de carga por via maritima. Embora esta
iniciativa de transport maritime - ao
contririo de repetidas tentativas para criar
uma verdadeira companhia area regio-
nal, que nunca conseguiu arrancar -seja
muitas vezes aclamada como uma hist6ria
de sucesso no regionalismo das ilhas do
Pacifico, o seu crescimento foi impedido
pela falta de instalac6es portuirias e pelos
elevados custos de combustivel.

Ram Bajekal, Director Executivo do
Grupo FMF (Flour Mills of Fiji), uma
das maiores empresas industrials das ilhas
Fiji, que produz bens alimentares para
exportaogo em todo o Pacifico, incluindo
a Australia e a Nova Zelandia, consider
que embora o transport maritime e o
transport aereo tenham mudado para
melhor nos iltimos anos, ainda ha muito
por fazer.

"Gostariamos de basear as nossas estrate-
gias de crescimento nas exporta6oes, que
teriam de contar cor maior conectivi-
dade entire as ilhas e a Australia e a Nova
Zelandia", referee. Os baixos volumes de
trifego e a falta de concorrencia fazem
com que as pessoas aceitem horirios de
barcos irregulares.

Bajekal diz que a region precisa de
melhorar urgentemente a logistica dos
transportes de carga, no interesse do cres-
cimento das empresas e do desenvolvi-
mento econ6mico nas ilhas. "Os custos
do transport de carga por via maritima
reduziram-se marginalmente, mas ainda
nao atingiram niveis que possam ser
aceites como 'proporcionais' a distancia
envolvida. Podiamos prestar um servigo
muito melhor aos nossos clients nas ilhas,


p


Australia e Nova Zelandia se os transpor-
tes maritimos fossem mais frequentes e
mais ffiveis e pontuais", diz ele.

Iniciativas recentes
Algumas iniciativas recentes centraram-se
na conectividade dos transportes entire
ilhas, especialmente entire as ilhas mais
pequenas. Ha dois anos, de uma reuniio
dos ministros das pequenas ilhas respon-
siveis pelo sector maritime surgiu uma
proposta no sentido de as companhias
locais de transport maritime, incluindo
a Kiribati Shipping Services, uma empresa
p6blica, explorarem ligac6es de Nauru,
Tuvalu, Quiribati, Wallis e Futuna para
Suva, nas Fiji - o porto de transbordo
mais pr6ximo com ligac6es para o resto
do mundo.

Entretanto, empresas de transport
maritime privadas, como a Pacific Direct
Line, aumentaram as ligac6es existentes
a volta das ilhas mais pequenas com uma
plataforma de distribuicio estabelecida
recentemente nas Fiji para servir melhor
as ilhas, disse ao Correio Alan Foote, ges-


pacificc Forum Line, "South of Lily, o navio de carga � Reporters


tor commercial da empresa e resident na
Nova Zelandia.

Embora existam alguns incentives para
organizer ligac6es na regiao, nos l6ti-
mos meses as empresas de transportes
maritimos foram confrontadas com o
aumento do custo de combustivel. Mas
os representantes das companhias mari-
timas disseram ao Correio que as compa-
nhias se estavam a esforcar por manter
os pregos dos fretes tanto quanto possivel
inalterados. Manickam Narain, Director-
Geral da Carpenters Shipping, uma com-
panhia sedeada nas Fiji, disse que embora
os precos dos combustiveis estivessem
voliteis, a companhia que serve as Fiji, a
Papua-Nova Guine e os paises da bacia do
Pacifico nao tinha procedido a qualquer
revisio dos pregos.


*Jornalista estabelecido na Nova Zelandia

1Os participants na Pacific Forum Line sao:
Ilhas Cook, Fiji, Quiribati, Ilhas Marshall,
Nauru, Nova Zelandia, Niue, Papua-Nova
Guine, Samoa, Ilhas SalomAo, Tonga e Tuvalu.


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011







































Nova ofensiva em defesa



do algodao africano


Anne-Marie Mouradian


Em 15 de Marco, em Bruxelas,
o President da Comissao da
Uniio Econ6mica e Monetiria
da Africa Ocidental (UEMOA)
langou uma ofensiva destinada a dar um
novo impulso por parte da Uniao Europeia
e dos Estados Unidos para mobilizar apoio
ao algodao africano.

Esta accgo e liderada pela UEMOA e
pelo C4, que represent os quatro pai-
ses produtores (Burquina Faso, Benim,
Mali e Chade), instigadores da primeira
"iniciativa do algodao" apresentada a
OMC em 2003. Nos
iltimos anos nao se "Temos de imp
verificaram quaisquer do algoddo
progresses, salientou quisermosevita
Soumala Ciss. rmosev
que se pretend e a da experinn
supressio dos subsi- do amendoim
dios internos conce- Sene
didos aos produtores


A organizacgo da Africa Ocidental pre-
tende aproveitar as oportunidades que a
actual revisao da Politica Agricola Comum
da UE e a preparago dos debates sobre o
project de lei agricola dos Estados Unidos
proporcionam.

Dissociaaio
A nivel europeu, o C4 solicita a dissocia-
9o de 100% das ajudas aos produtores de
algodio na Grecia e em Espanha. Estes
agricultores sao subsidiados por ajudas
associadas ao rendimento, de acordo corn
a area que cultivam. A ajuda e mais ele-
vada para o algodio do que para a maior
parte dos outros produtos agricolas. O
algodio foi dissociado em 65%, em com-
paracgo com 90% para os outros pro-
dutos agricolas. Isto e
edir o declinio insuficiente, afirmou
africano se Soumaila Cisse, que
u ma repetiaio apelou a que os res-
tantes 35% fossem
ia da bacia eliminados e declarou
no Mali e no que nao havera solugco
gal" para a ronda de Doha
se nao houver solugco


de algodao da UE e dos EUA, que causam para o algodao.
desequilibrios no mercado mundial a custa
dos produtores africanos. A UE e os EUA Aplicar as regras da OMC
alegam que nao sao responsaveis, mas
mantem um statu quo que vem aumentar O Presidente da Comissao da UEMOA
o empobrecimento dos 15 milh6esdepro- dirigiu-se a Assembleia Parlamentar
dutores de algodao da Africa Ocidental e Paritiria ACP-UE. A nova iniciativa do
Central, salienta a UEMOA. algodao africano destina-se a conscienciali-


zar os deputados europeus para a questao e
a motivi-los para agir, tendo especialmente
em conta o aumento do seu poder de co-
-decisao, e a fazer com que iniciem legis-
laogo introduzida pelo Tratado de Lisboa.
O Co-Presidente da APP, Louis Michel, ja
transmitiu esta mensagem. Numa pergunta
parlamentar dirigida a Comissao Europeia,
o deputado salientou que "os produtores
de algodao africanos nao estgo a pedir
um tratamento de favor, mas a aplicago
das regras da OMC {...} e a supressao
de medidas desequilibradas de apoio a
producgo e a exportagio de algodio, com
o objective de combater a pobreza atraves
do reconhecimento do caricter estrategico
do algodao para o seu desenvolvimento".

A Comissao Europeia, por seu lado,
salienta que a sua produgco represent
apenas 2% da produgco mundial e que
esta muito long da dos Estados Unidos,
o terceiro maior produtor a seguir a China
e a India.

A UEMOA tambem pretend o apoio
europeu para defender a sua causa nos
Estados Unidos. A ind6stria africana
do algodao tem um elevado potential
de crescimento. "Temos de impedir o
seu declinio", alerta Soumaila Cisse, "se
quisermos evitar reviver a experiencia do
colapso da bacia do amendoim no Mali
e no Senegal, que obrigou os jovens da
regiao a juntar-se ao fluxo de migrants
para a Europa."


Cerreio


I
r


.=.





D i H


Um modelo de investimento


em Africa: a experiencia do


"Tuninvest/Africinvest"


Andrea Marchesini Reggiani


A ziz Mebarek e o socio fundador
do "Tuninvest/Africinvest",
um fundo de capital de risco
independent fundado em
1994. Criado primeiro na Tunisia, o fundo
expandiu-se inicialmente para abarcar
a regiio do Magrebe e cobre agora as
empresas da Africa Subsariana. 0 Grupo
esta actualmente a investor a sua terceira
gerago de funds, visando o crescimento
e as pequenas e medias empresas (PME).
Numa entrevista concedida ao Correio,
explica a sua experiencia positive com o
espirito empresarial na Africa Subsariana,
onde acredita que combinado com aspec-
tos sociais e ambientais, o empreende-
dorismo pode ser nao s6 rendivel, mas
tambem representar o future do desen-
volvimento.

Qual e a actividade fundamental da
sua empresa?

E apoiar as pequenas e medias empresas
atraves de funds captados de investidores,
mas tambem do Banco Mundial (BM) e
do Banco Europeu de Investimento (BEI).
Existem tries families de funds: os funds
para investidores tunisinos ou marroqui-
nos; os funds destinados a investidores
internacionais para investor na regiio
do Magrebe; e os funds para investi-
dores internacionais a investor na Africa
Subsariana. Administramos 650 milh6es
de d6lares e agora estamos igualmente
interessados no microfinanciamento.

Como e que escolhem as empresas
quefinanciam?

Desde 2004 que temos um escrit6rio na
Costa do Marfim para o investimento na
Africa Ocidental franc6fona; um escri-
t6rio em Lagos para a Africa Ocidental
angl6fona; e um escrit6rio em Nairobi
para a Africa Oriental.

Em todas estas regiSes existed opor-
tunidades. Tentamos encontri-las e
transforma-las em projects concretos e
produtivos. E important compreender
os ambientes econ6micos e os mercados
especificos em cada pais. Por exemplo, o
nosso iltimo investimento no Quenia e
numa escola privada, muito bem gerida
e que e lucrative.


No Senegal investimos numa empresa de
producao de detergentes para lavagem,
que actualmente tem um pequeno volume
de neg6cios e fabric apenas alguns pro-
dutos. Identificamos os pontos fracos e
estamos a trabalhar no sentido de actuali-
zar os seus metodos e meios de producao.
Prevemos um volume de neg6cios de 4 a
5 milh6es de euros daqui a alguns anos.

Corn o nosso pessoal, ou corn peritos
externos contratados a curto prazo, tra-
balhamos nos sistemas informaticos, no
process de recrutamento de pessoal e no
piano industrial. Nio se trata apenas de
assegurar financiamento, mas tambem de
interacgo, colaboragio e trabalho colec-
tivo. Associamo-nos ao empresirio: se
ganharmos, ganhamos juntos; se perder-
mos, perdemos juntos. Normalmente nao
temos a maioria do capital.

Quantos investimentos ter na Africa
Subsariana e em que sectors?

Neste moment estamos a financial cerca
de 25 empresas. No Norte de Africa finan-
ciamos todo o tipo de empresas, except
empresas de construcio, porque nio
criam verdadeiro desenvolvimento e nao
produzem bens exportmveis. Tambem ten-
tamos evitar sectors nio saudiveis, como
o tabaco, o ilcool e as empresas de jogo.

As empresas em que investimos ficam
vinculadas por um c6digo de conduta


e por normas eticas, especialmente em
terms de confidencialidade.

Recentementefalou nasJornadas do
Desenvolvimento da UE de 2010, em
Bruxelas. 0 que e que retirou desta
experiOncia?

Foi interessante partilhar as nossas expe-
riencias, explicar o que fazemos e mostrar
que o desenvolvimento pode surgir do
empreendedorismo. Ha pessoas cepticas
quanto a abordagem motivada pelo lucro.
No entanto, as empresas farmaceuticas
lucrativas permitem que as pessoas nos
paises mais desfavorecidos tenham acesso
e possam comprar medicamentos mais
baratos.


1~


Investidores a traba.. ar Reporters
Investidores a trabalhar � Reporters


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


...... ......


~~d















































Quando a investigagao


ganha p6!


As populagies da Africa do Oeste
sao as mais expostas as particular
des6rticas no mundo. Mas o inte-
resse da investigaQgo cientifica por
esta forma especifica de poluigao e
praticamente inexistente. Uma equipa
beninesa e europeia procura sensi-
bilizar as instituigCes internacionais
para este problema.


Philippe Lamotte *


A sa6de das populag6es africanas
e, sem duvida, extremamente
afectada pelas poeiras sarianas
que, em determinadas estagies
do ano, sobem a milhares de metros de
altitude, vindo depois depositar-se nos
solos europeu e americano, mas sobretudo
na maioria dos paises da Africa do Oeste.
E esta a hip6tese de uma equipa de inves-
tigadores da Universidade de Parakou
(Benim) e de duas universidades belgas,


que acaba de publicar um artigo na litera-
tura cientifica especializada (1), baseado
na anilise sistemitica da literature inter-
nacional consagrada a esta temitica nos
iltimos dez anos.

Sopradas pelo Harmattan
A preocupacgo da equipa incide sobre
estas imensas nuvens de poeira que, capa-
zes de se deslocarem milhares de quilome-
tros, se formal regularmente em virias
regi6es do planet. Entre estas, o Sara e
a primeira regiio, e de long, a contribuir
com cerca de 50 a 58% para o total dessas


Cerreio


























































Um fen6meno nao tdo natural
como parece...
As PM 10 nao sao completamente "natu-
rais". Muito embora sejam efectivamente
fruto da erosao e6lica e postas em sus-
pensao pelo vento, as quantidades ema-
nadas sao igualmente influenciadas pela
actividade humana: incdndios de matas,
desflorestag9o, excess de pastoreio e
praticas agricolas diversas. Pierre Ozer
explica que "nalgumas regi6es, a mat6ria
vegetal que os camponeses abandona-
vam outrora no solo 6 hoje recuperada
para diversas utilizag9es: alimentagao
de gados, constituig9o de reserves de
lenha miuda para o period entire as co-
Iheitas, etc. O resultado 6 que os solos
ficam completamente desnudados ap6s
a epoca das colheitas, e isso favorece a
emanaqgo de poeiras". Na sua tese de
doutoramento, o Ge6grafo de Liege tinha
demonstrado alem do mais que a erosao
e6lica, na Africa do Oeste, aumentou
globalmente de um factor 2 para 3 entire
os anos 50 e os anos 80!



N.� 22 N.E. - MARCO ABRIL 2011


poeiras. Na Africa do Oeste, estas parti-
culas chamadas "PM 10" (com um dia-
metro inferior a 10 micrones) sao postas
em suspensao principalmente no Mali, na
Mauritania e em redor do lago Chade. Sao
sopradas pelo Harmattan (2), um vento
seco que sopra de fins de Novembro ate
Margo para o Golfo da Guine, passando
pelo Benim, Nigeria, Togo, Gana, Costa
do Marfim, etc.

Intrigada pelo impact sanitario destas
poeiras deserticas, a equipa universitiria
passou a pente fino 231 artigos cienti-
ficos consagrados ao
impact das PM 10 Sem dado,
sobre a qualidade do
ar. Afectando as vias recolhidos rec
respirat6rias superio- terreno, o cc
res, estas particular, - e, dai, a pr
compostas em grande populaq6es
parte por quartzo,
contribuem sensivel- progredir vat
mente para afeiy6es nesta part(
respirat6rias variadas:
asma, pneumonias, obstrug6es cr6nicas,
etc. Podem desempenhar um papel nas
infecy6es respirat6rias que intervem at&
20% nas causes da mortalidade infantil
nalgumas regi6es.

E surpreendente que s6 tries estudos - ou
seja 1,3% do conjunto total -se refiram a
esta poluigio do ar no continent africano!
No final de uma segunda andlise da lite-
ratura, agora voltada essencialmente para
palavras-chave de maior incidencia na
"saide" (mortalidade, morbidade, asma,
etc.), os investigadores chegaram a uma
conclusio ainda mais edificante: dos 41
estudos identificados, nenhum deles tinha
sido dedicado a Africa.

"No interesse cientifico international
atribuido a esta problemitica, ha clara-
mente um desequilibrio regional", cons-
tata Florence De Longueville, que prepare
um doutoramento sobre gestio dos riscos
naturais no Departamento de Geografia
da Faculdade Universitaria Notre-Dame
de la Paix, em Namur (FUNDP, Belgica).
"Embora a Africa do Norte seja de long a
regiao que produz mais poeiras deserticas,
a literature continue praticamente muda
sobre o assunto, enquanto que a Asia,
grande produtora na regiio do desert
Gobi (China/Mong6lia), & claramente
mais estudada". E de igual modo estranho
que, mesmo se apenas penetram na atmos-
fera europeia 5 a 10% das poeiras sarianas,
o efeito das PM 10 sarianas sobre a popu-
lagio e melhor documentado na Espanha
do que na Africa do Oeste. Em 2008,
um estudo demonstrou que as incurs6es
de poeiras deserticas em Barcelona esta-
vam associadas a um aumento de 8,4%
da mortalidade.

Lacunas cientificas

Este subinvestimento cientifico na Africa
do Oeste pode-se explicar de diversas


S
71
)r
o

7;
n
e


maneiras: falta de estacges meteorold-
gicas e sin6pticas, lacunas de formagao
e sensibilizagyo para este fen6meno no
corpo medico e enfermeiro, fraqueza da
rede hospitalar susceptivel de register
os dados no terreno, falta de integraaio
entire as disciplines cientificas envolvidas,
etc. "A constatayao destas lacunas e ainda
mais preocupante devido a populacgo
afectada ser particularmente vulnerivel e
ao facto da sua taxa de desnutrigio - que
jai uma das mais elevadas do mundo -
nio cessar de se agravar", aponta Pierre
Ozer, Ge6grafo no Departamento da
Ciencia e Gestgo do
sanitarios Ambiente da ULg em
Arlon (Belgica). "Ora,
ularmente no subsistem in6meras
nhecimento questoes sem res-
tecpdo das posta: as exposic6es
nao podera cronicas a pequenas
doses terao efeitos
tajosamente sensivelmente dife-
da Africa. rentes das exposig6es
macigas aquando das
tempestades de areia? Como se conjugam
estas nas cidades is poluig6es com PM
2,5, particular mais pequenas e que tem a
particularidade de se incrustarem mesmo
nos alveolos?"

Voltando-se para a Organizacgo
Meteorol6gica Mundial (OMM) e a
Organizacgo Mundial da Saide (OMS), os
cientistas benineses e belgas esperam des-
pertar mais atengyo para estes fen6menos,
tendo em conta as apreens6es crescentes
sobre as alteracges climiticas e os seus
efeitos sobre a saide p6blica. A melhoria
continue dos metodos de observagio por
satelite constitui ja um excelente trunfo
para acompanhar os processes de levanta-
mento e deslocagyo das poeiras. Mas, sem
dados sanitarios recolhidos regularmente
no terreno, o conhecimento - e, dai, a
protecco das populac6es - nao podera
progredir vantajosamente nesta part da
Africa.







* Jornalista freelance

"'O que se sabe acerca dos efeitos das poeiras
do desert na qualidade do ar e na saude
humana na Africa do Oeste, em compa-
racao com outras regi6es?" Science of the
Total Environment, 2010, por Yvon-Carmen
Hountondji (Parakou, Benim), Florence
de Longueville e Sabine Henry (FUNDP,
Belgica), Pierre Ozer (ULg, Belgica)

20 Harmattan pode escurecer a atmosfera
durante varios dias, impedir os avi6es de
descolarem e favorecer as epidemias de
meningite, a fragilizagao das mucosas pelas
particular em suspensao, facilitando a passa-
gem do meningococo no sangue.


NossaTerr

































* * -. -4

*�7.
-� t4r*


d*~iI i


Turku:


tradigao e reinvengao


A energia natural da Capital Europeia da Cultura


Debra Percival


Turku, em tempos parte do Imperio
Sueco e depois do Imperio Russo, e
uma cidade cor 177.500 habitantes
(300.000 na sua zona metropolitana,
situada no Sudoeste da FinlAndia, que
cresceu na margem do rio Aura e se
tornou um grande e pr6spero centro
cultural e de comercio. 0 reconheci-
mento da sua importAncia nas artes
foi o anOncio do estatuto de Capital
Europeia da Cultura em 2011, junta-
mente cor a capital da Est6nia,Tallin.


OGrande Incendio de 1827,
que destruiu tres quartos dos
edificios, pode ter apagado
alguma da hist6ria arqui-
tect6nica da cidade, mas
desencadeou o seu espirito de esperanga,
como aparece numa brochure intitulada
"Fogo, Fogo", que consta de uma exposi-
gao na Capital da Cultura: "O fogo, corn
toda destruicio que provoca, faz nascer
algo novo." Outra citagio de origem mais
incerta, inscrita na base de uma estitua
modern situada na Antiga Grande Praga,
condensa a identidade finlandesa de Turku:
"Ja nio somos suecos; russos nunca sere-
mos. Deixem-nos ser finlandeses." O espi-


rito associado a tradigio, mas tambr m a
facilidade de se reinventar, perpassa por
toda a hist6ria da cidade.
Criada na foz do rio Aura no s6culo XIII,
sob o Imp&rio Sueco, ainda tem o sueco
como lingua obrigat6ria nas escolas e a
sinalizagio a volta da cidade esti escrita em
finlandes e sueco (incluindo o nome sueco
de Turku, "Abo", que significa "junto ao
rio"). Cinco por cento da populagio tem
como lingua materna o sueco. A zona de
Turku manteve-se como parte da orla
oriental do Reino da Su&cia at& ser cedida
ao Imp&rio Russo em 1809, com a assina-
tura do Tratado de Fredrikshamn, que p6s
termo a Guerra da Finlandia. Permaneceu
part do Grande Ducado Aut6nomo da
Finlandia, sob a Russia, ate a Finlandia
ter declarado a sua independencia em 1917.


Cerreio
















Centro de comercio
A cidade possui um rico legado como
centro de comercio estivel e um centro
cultural vibrant. Turku era um ponto
de paragem para os mercadores da Liga
Hanseitica no seculo XIII, quando
este grupo de comerciantes do Norte
da Europa, cujo centro era a cidade de
Liibeck, no norte da Alemanha, domi-
nava as rotas do Biltico ao Mar do Norte.
Embora nessa altura Turku nao tivesse o
estatuto official de capital, a zona a volta da
cidade era conhecida como a "Finlandia
propriamente dita" e os duques e governa-
dores-gerais da Finlandia sob o dominion
sueco estabeleciam aqui habitualmente
a sua residencia, embora raramente se
mantivessem nos cargos durante muito
tempo. Cristina, Rainha da Suecia, criou
a Universidade sueca de Turku em 1640,
implantando assim a persistent reputagyo
da cidade de excelencia academica.

Dois dos edificios mais antigos que ainda
permanecem de pe, embora reconstruidos
ou restaurados virias vezes, sao a cathedral
e o castelo. Consagrada em 1300, a cate-
dral, que fica na Antiga Grande Praga,
foi construida inicialmente em madeira.
E a Igreja Matriz da igreja evangelica
luterana (81% de finlandeses pertencem
a esta igreja evangelica da Finlandia) e
ate a data e a sede do Arcebispado da
Finlandia. A construcgo do castelo de
Turku comegou em 1280. Antigamente foi
uma base military para os conquistadores
suecos e um centro administrative das
"Terras do Leste", como a Finlandia era
conhecida durante o period do Imperio
Sueco. Actualmente e utilizado sobretudo
para recepg6es oficiais da cidade e recep-
y6es privadas.

Sob o Imperio Russo, o estatuto de
Turku como capital do Ducado da
Finlandia foi breve.


m II


"- 0 '- '
a ,.- **



i*



*SS ai/ ^^*


1 I,


a Ixit


Castelo de Turku � D. Percival


dente atraves do Golfo de Botnia, vendo
a Suecia Oriental e a Europa Ocidental, e
para leste, em direcgio a Rissia e a China
(ver artigo sobre a economic nesta secogo).

Passam anualmente pelo porto de Turku
cerca de quatro milh6es de passageiros.
Embora a construygo naval atravesse neste
moment tempos dificeis, foram dados
passes para adaptar as competencias dos
construtores navais a novas ind6strias.

Biotecnologia, tecnologias da informagio
e da comunicaco, turismo e produgco
alimentar sao sectors em ripido desen-
volvimento da econo-


O imperador russo "0 espirito associado a mia da cidade.
Alexandre I achou tradigao, mas tambdm a
que Turku ficava facilidade de se reinventar, actual desenho
demasiado long da de Turku deve-
Russia e muito perto perpassa por toda a hist6ria -se a Carl Ludwig
da Suecia e transferiu da cidade." Engel, o arquitecto
a capital do Ducado alemro nomeado
para Helsinquia em 1812. O Grande pelo Imperador russo para elaborar um
Incendio de Turku de 1827 tambem novo piano da cidade depois do Grande
reduziu a influencia da cidade e trans- Incendio. Engel tambem deixou a sua
formou para sempre o seu aspect. marca na capital da Finlandia, Helsinquia.
Tal como Roma, Turku esta assente em
Excelncia academica sete colinas. Algumas das antigas estru-
turas de madeira que sobreviveram ao
A Academia de Abo foi relangada como fogo, designadamente no bairro de Port
a Universidade Sueca em 1918, a que se Arthur, sao agora procuradas para resi-
seguiu a criayao na cidade da Universidade dencias e escrit6rios privados. As casas de
Finlandesa em 1920. Turku possui granite de estilo art deco, pertencentes a
ainda quatro universidades de Ciencias ricos comerciantes dos finals do seculo
Aplicadas e outras instituig6es academi- XIX e inicio do seculo XX, que apresen-
cas. Procurando continuamente novas tavam replicas da natureza gravadas na
oportunidades, tem a sorte de se encontrar pedra, como raposas ou pinheiros, orlam
na posigio estrategica de olhar para oci- as vastas avenidas cheias de irvores. Os


cidadios tambem tem orgulho dos novos
edificios da sua cidade, como a recent
extensio da biblioteca, que no Inverno
tem uma atmosfera de pequeno salgo
paroquial, onde as pessoas se reinem
para ler os jornais, navegar na Net ou
simplesmente para beber cafe.

Mas depois dos dias de longa escuridio do
Inverno (em meados de Dezembro o sol
nio nasce antes das 10 horas e p6e-se is
2 da tarde), toda a gene se langa ansiosa-
mente para o exterior. Muitos habitantes
da cidade possuem pequenas casas no
arquipelago (ver caixa na pigina: n.�) ou
correm, passeiam ou andam de bicicleta
nos largos passeios pedestres na margem
do rio Aura, que gela durante o Inverno.
"As margens do Aura sao a nossa sala de
estar no Verio", afirma Anu Salminen.
Algumas das exposig6es da capital da
cultural sergo colocadas, nos meses de
Verio, no parque public central, onde
no seculo XVIII os animals vagueavam
livremente.

A cidade esta a conquistar rapidamente
uma reputagio de excelencia culiniria. Foi
produzido para o ano da Capital da Cultura
"Turku num prato", que reine receitas de
dez dos melhores restaurants. Estio a ser
instalados em espagos pfiblicos obras de
arte que funcionam como aparelhos de
exercicios e esta a ser feito o levantamento
das ruas para pe6es apresentando algumas
das peas de arte. A ideia e que para os
habitantes de Turku, bem como para os
visitantes, a cultural passe a fazer part da
vida de todos os dias.


N.� 22 N.E. - MARCO ABRIL 2011
















Criar um legado como Capital


Europeia da Cultura 2011


Promover o bem-estar cultural


nas, teatros e pris6es de Turku,
jovens e tambem menos jovens
tomam part em events cul-
turais tio diversificados como represen-
tagies de 6pera e um festival de batatas
novas. O objective visado e a "inclu-
sgo", diz Cay Sev6n, Directora-Geral
da Fundagco Turku 2011, o organismo
responsivel pelos events da Capital
Europeia da Cultura 2011. O program,
com a duracao de um ano, foi lancado
com uma exibicgo de fogo-de-artificio
e uma festival de acrobacia area numa
noite gelada, em 15 de Janeiro de 2011.

Ao long dos iltimos meses de Inverno
do ano incluiu mesmo uma celebragco da
escuridao: '876 sombras de escuridWo'.


Foram montadas choupanas -pequenos
abrigos parecidos com tendas de virias
formas -nalguns locais a volta da cidade,
onde as pessoas se podiam sentar por
moments para explorer a sua paz interior
durante as horas de crepusculo. Uma
'galeria negra como breu' convidava os
visitantes a sentirem, escutarem, chei-
rarem e tocarem montagens de arte, em
vez de as verem, e participantss de negro'
forcavam as pessoas a usarem todos os
sentidos menos a vista quando eram apre-
sentados a outros frequentadores da festa!

Legado
A iniciativa political da UE de designer
anualmente uma ou mais cidades como
'Cidades da Cultura' (desde 1999, como


Um modelo da cidade de Turku a arder na exposigao "Fogo, Fogo", cafe Logomo � LehitkuvA Oy/ Reporters


Cerreio































i ____
Ii


0 design finlandes no program da "Capital Europeia da Cultura Ano". Cafe "Logomo, Turku
� Capital Europeia da Cultura


'Capitais de Cultura') foi tomada pela 50 milh6es de EUR atribuidos pelo orga-
antiga Ministra da Cultura grega, Melina mento da Fundacio Turku, 18 milh6es
Mercouri. Diz-se que se encontrou em vem do municipio de Turku e outros 18
1984 com Jacques Lang, Ministro da milh6es do Estado finlandes e 10 milh6es
Cultura frances, para discutir a ideia. No de EUR sao obtidos dos especticulos rea-
ano seguinte, Atenas lizados, embora 70
foi a primeira Cidade % dos events sejam
Europeia da Cultura, Objectivo global 6 construir gratuitos. Desde
seguindo-seFlorenga pontes entire o artist e 2010, as cidades
em 1986. Ao princi- pessoas de outras carreiras, capitals da cultural
pio estes events da que se manterao quando tambem sio elegi-
Cidade Europeia da vel para o 'Premio
Cultura limitavam-se o ano terminar Melina Mercouri',
a festivals de Verao (as no montante de 1,5
cidades escolhidas eram normalmente milh6es de EUR, que s6 e atribuido as
de Estados-Membros da UE, embora cidades que organizam o program rea-
Istambul, na Turquia, fosse Capital da lizando preparativos adequados.
Cultura em 2010). Para Cay Sev6n, a
viragem deu-se quando esta distincgo Grandes nomes
foi atribuida a Glasgow em 1990. Nesse
tempo era uma cidade em degradacgo, O program de Turku inclui alguns gran-
com muitos problems sociais, mas des nomes, como a estrela da 6pera natu-
ganhou uma nova vida depois desse ano ral da cidade, Karita Mattila, que dari
na ribalta, tornando-se um destino na um especticulo em Agosto. A exposigyo
moda e atraindo congresses e festivals ao long do ano do artist homoer6tico
internacionais. Cay Sev6n diz que espera 'Tom of Finland', pseud6nimo de Touko
que Turku tambem seja agora colocada no Laaksonen (1920-1991), pode ser visitada
mapa international. A cidade ja foi citada no Centro Cultural de Logorno, em Turku,
por numerosos jornalistas nas listas dos uma antiga oficina mecanica ferroviaria
dez maiores sitios a nao perder em 2011. transformada em espago permanent
de exposicges para o ano da Capital da
Financiamento Cultura. Mas a singularidade do program
de Turku reside no facto de a maior part
Embora se trate de um program dirigido dos projects serem dirigidos localmente
pela UE, desde 2010 as cidades nomeadas e terem sido seleccionados por concurso
capitals da cultural tem de assumir elas p6blico. Assim, a Fundacgo assegurou
pr6prias as despesas da organizaogo. Dos que a lista de events nao era demasiado


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N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


II


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provinciana, incluindo events como 'The
Detour', uma exposigio de dois arquitec-
tos, Simon Brunel e Nicolas Pannetier,
que represent uma 'viagem' atraves de
tries cidades, com fotografias, videos e
outros materials recolhidos em Turku,
Sao Petersburgo e na hom6loga Capital
da Cultura de 2011, Tallinn na Est6nia.

Participam directamente nos events do
ano cultural de Turku cerca de 14 000
pessoas; 11 000 sao da regiio, 2 000 de
outras zonas da Finlandia e apenas menos
de 1 000 vem de outras parties da Europa
e pouco mais de 100 de outros continen-
tes, diz Cay Sev6n. Estao a trabalhar tries
mil pessoas, a titulo professional, em 155
projects e num total de 5 000 events,
sendo a maior parte produtores e artists
da area cultural.

A Directora-Geral explica que o objective
global e construir pontes entire o artist e
pessoas de outras carreiras, que se manterao
quando o ano terminar. Por exemplo, as vias
do exercicio de levantamento cultural (ver
artigo da pigina: to insert) demonstram
que os artistss e os servings de desporto
podem trabalhar em conjunto e esperamos
que essa cooperagao continue", diz Cay
Sev6n. Outro project precursor consist
em perguntar a residents de lares de idosos
quais sao as suas preferencias culturais: se o
desenho, a misica ou artesanato. A seguir
artists de virias disciplines visitam esses
residents e tentam "transformar em rea-
lidade os seus sonhos culturais".

Outro project original e a emissao por
medicos de um total de 5 500 "receitas
culturais". Sao os medicos de Turku que
passam estas receitas, que os pacientes
trocam por bilhetes para um aconteci-
mento cultural a sua escolha no centro
de informagyo cultural da cidade. "A cul-
tura nio s6 estimula o bem-estar mental,
como alguns estudos sugerem que tam-
bem promove o bem-estar fisico", diz
Cay Sev6n. D.P.

Para mais informagies consultar:
www.turku2011.fi

Program da Capital Europeia da Cultura:
'http://ec.europa.eu/culture/our-program-
mes-and-actions/doc441 en.htm















Cagarolas, sandalias e uma tenda



Os refugiados deixam a sua marca


na Capital Europeia da Cultura


C acarolas usadas pelos refugiados
para cozinhar e transformadas
em tambores com peles de vaca
e de rena vio ser montadas num
reboque e tocadas em escolas e locais
p6blicos. Sandilias na sua maior part
chinelas usadas nos pes de refugiados de
todo o mundo serio dispostas por Turku
na forma de caminhos. Uma tenda feita
de pedagos de tecido realizada por refu-
giados assegurara um local para misica,
teatro, poesia e debate. Este project de
'cacarolas, sandilias e uma tenda', um
ponto alto da agenda da Primavera e do
Verio da Capital da Cultura, pretend
aumentar a sensibilizagio para a contri-
buicio dos refugiados para a cultural e
para a sociedade em Turku e em todo o
mundo, explica a sua produtora, realiza-
dora de documentaries, Kristiina Tuura.

"Nio se pode realizar um ano cultural
europeu sem a presence de refugiados.
O project salienta a importancia dos
refugiados, que contam as suas hist6-
rias com as suas pr6prias palavras", diz
Kristiina Tuura. Ela colabora estreita-
mente na sua concepcgo com a I .u', - y,
uma pequena ONG de mulheres soma-
lianas na Finlandia. Esta actualmente
em curso no pais um debate acalorado,
afirma, sobre as quest6es de asilo, sendo
a presenca de refugiados muitas vezes
considerada negative.

Nas instalag6es do project no centro de
Turku, Annika Raittinen, produtora da
'Tenda', e Ida-Lotta
Backman, direc- Nao se pod
tora de teatro, esto ano cultural e
ano cultural e
a preparar-se para
irem para o centro presenga dE
de recepgio de refu-
giados de Turku para as suas sess6es se
trabalho semanais. Os refugiados estio a
preparar as longas cadeias de missangas
que irio enfeitar a tenda. Foi-lhes solici-
tado que escolhessem missangas, explica
Annika Raittinen, para simbolizar acon-
tecimentos importantes nas suas vidas,
tanto felizes como tristes.

ContribuiV6es de todo o mundo
Financiado em part pela Fundacgo
Turku 2011, responsivel pela realizacio
de Turku Capital Europeia da Cultura,
o project reuniu um conjunto de ONG
e personalidades e associac6es que traba-


Tambores, feitos de potes � potssandalsandatent


lham com refugiados em todo o mundo. O
Conselho Finlandes para os Refugiados,
por exemplo, esta a organizer e a reco-
lher hist6rias e objects de refugiados na
Finlandia, Uganda, Liberia, Serra Leoa
e Tailandia. 'Bantu Beads', uma coopera-
tiva de mulheres da Somalia estabelecida
em San Diego, Calif6rnia, esta a tecer
panos e a fazer peas de artesanato para
a tenda, que tera seis metros de compri-
mento por tries metros de altura e sera
erigida em Turku e a
realizar um volta de Turku a partir
reuse a de Maio de 2011.
uropeu sem a
refugiados. As hist6rias dos refu-
giados serio inseridas
no sitio web do project. Incluem a de
Moses Kambale, que fugiu da Rep6blica
Democritica do Congo (RDC) para o
Uganda quando tinha apenas 10 anos. Foi
transferido pela Cruz Vermelha para um
campo junto a fronteira, em Rukingiri:
"Eu estava a viver num campo de refugia-
dos. Deram-me esta cagarola no primeiro
dia em Matanda. Nunca tinha cozinhado
antes, mas tinha de comer. Foi fabuloso
ter algo para comer depois de vir da flo-
resta", conta Moses, fotografado com a
sua cacarola. Os refugiados que dio as
suas cacarolas recebem outras novas.
Akim Color, um mestre de tambor do
Benim que vive na Finlandia, acompa-


Um jovem de projeto de troca de sandalias de cambio
� potssandalsandatent
nhara o carro dos tambores pelas escolas
para ensinar a sua arte.

"O project tambem langara um espago
Internet onde os refugiados podem trocar
hist6rias e tornar-se fAs do project ou
escrever sobre as suas pr6prias experi-
encias com o apoio de ONG locais", diz
Kristiina Tuura. D.P.

Para saber mais:
www.potssandalstent.info e: www.
turku2011.fi/pata-sandaali-ja-teltta


Cerreio


e
.=















Navios, design e



ciencias da vida



Olhando para o Ocidente e o Oriente


A base alargada da economic de
Turku explica que nao tenha
sido tio abalada pela recent
recessao econ6mica quanto
algumas cidades da Uniao Europeia. E
afamada pelas suas empresas de design,
construgco naval e ind6strias biotecno-
l6gicas em ripida expansion. Acresce que
o turismo esta a viver um bom moment,
sobretudo no seu arquipelago. Para
Ocidente da Su&cia e para Oriente da
R6ssia e da China, perfilam-se novos
mercados no horizonte.

A cidade comegou por desenvolver ind6s-
trias de artesanato com profissionais a
criar empresas no s&culo XVII. A fibrica
de ceramica de Kupittaa remonta a 1750 e
uma florescente ind6stria textil nasceu em
Kestili, pr6ximo de Turku, no inicio do
seculo XX. Uma empresa de fabricagyo de
mobiliario, a Huonekalutehdas Korhonen,
foi fundada em 1910, utilizando models
do c6lebre designer e arquitecto finlandes,
Alvar Aalto (1898-1976). Pessoas de toda
a Finlandia deslocam-se a Turku para
adquirir os produtos das empresas de
design que serio apresentados no project
"Turku Design Phenomenon" durante os
events integrados na programacao da
Capital Europeia da Cultura. Um outro
project, "Dimensions on Wood", incidira
sobre o crescimento da Huonekalutehdas
Korhonen.

Construtor naval de classes
mundial
A construcao naval tamb6m tem forte tra-
diyao, datando do inicio do s&culo XVIII


quando foram construidos os primeiros
barcos de madeira na foz do rio Aura.
Apesar de as encomendas terem diminu-
ido nos 61timos anos, os estaleiros navais
de Turku construiram alguns dos maiores
navios a nivel mundial, nomeadamente
para a frota de cruzeiros Royal Caribbean
International. Enquanto aguarda novas
encomendas, Aleksi Randell, Presidente
da Camara Municipal de Turku, diz espe-
rar que as actuais operac6es russas de
perfuragio e exploracio de petr6leo na
Lap6nia do Norte motive a procura de
um tipo diferente de navio -os quebra-
-gelos. As sempre inovadoras empresas
de Turku, com a sua longa tradicio de
construgco naval, procuram agora adap-
tar as suas competencias a actividades
terrestres como edificios flutuantes,
explica Kalle Euro, Director do Plano de
Desenvolvimento Empresarial da Camara
Municipal de Turku. Esta previsto que
representantes da empresa de tratamento
de aguas residuais, Clewer, se desloquem
a China em Margo 2011, anunciou, para
prospectar novos clients e as empresas
sedeadas em Turku, por sua vez, exporta-
ram cabinas sanitarias p6blicas resistentes
e inquebriveis para a Suiga e a Austria.

As outras ind6strias presents na region de
Turku incluem a construgco de veiculos
el&ctricos e hibridos em Uusikauanki. As
empresas de design industrial, Provoke e
ED, tem colaborado com a Nokia, empresa
fabricante de telem6veis, que tem uma
unidade fabril em Salo, pr6ximo de Turku.
Antes da recessao, o desemprego em
Turku mantinha-se estivel em oito por
cento embora actualmente tenha subido


para 12 por cento, indica o Presidente
da Camara Municipal, acrescentando
que abundam novas oportunidades de
mercado tanto na Rissia como na China.
A cidade russa de Sampetersburgo esta
situada a apenas cinco horas de com-
boio de Turku. "Sabemos como fun-
ciona o mercado russo", afirma Aleksi
Randell. Segundo o Presidente da Camara
Municipal, a cidade atrai cada vez mais
turistas russos, que se dirigem princi-
palmente para o incomparivel e idilico
arquipelago de 20.000 ilhas onde alugam
casas durante os longos dias de verio.

Relaq5es com a Russia e a China
A linha ferroviaria transiberiana parte de
Turku e liga esta cidade a Vladivostoque
para terminar em Pequim. Turku esta
geminada com Tianjin na China, cidade
com uma populacgo de 12 milh6es de
habitantes. "Somos ffiveis e leais e, por
isso, as pessoas voltam", diz Kalle Euro.
"Os Chineses apreciam o envolvimento
da administragco municipal de Turku no
estabelecimento de contacts comerciais",
acrescenta.

Outras oportunidades favoriveis a Turku
reside na bioimagiologia -a criagio de
imagens tridimensionais, que mostram
como progridem certas doengas, nomea-
damente o cancro -e na cibersatide. Os
investigadores de Turku foram precurso-
res no estudo e na recolha de dados espe-
cialmente sobre patologias hormonais. O
Parque Cientifico de Turku, fundado ha
22 anos, funciona como um catalisador
da inovagio. E um centroo de excelencia
constituido por universidades, empresas
privadas e organismos do sector p6blico",
explica o seu Presidente do Conselho de
Administracgo, Rikumatti Levomiki,
reunindo sob o mesmo tecto a ciencia,
a investigation e a tecnologia. Cre que se
abrem janelas de oportunidade tanto na
Russia como na China. "Nio podemos
competir ao nivel dos pregos mas podemos
faze-lo no atinente a inovagio e fornecendo
o melhor equipamento possivel", disse.

Consultores do Parque Cientifico de
Turku trabalharam, em 2008, num estudo
de viabilidade da criagio de uma plata-
forma de inovacio similar na provincia
de Gauteng na Africa do Sul, ao abrigo
do program COFISA entire a Africa do
Sul e a Finlandia com vista a reforyar o
Sistema Nacional de Inovagio da Africa
do Sul (SANSI). 0 Centro de Excelencia
de Gauteng centra-se na investigation em
telecomunicay6es, tecnologia laser e bio-
tecnologia, nomeadamente na area das
grandes endemias como malaria, HIV/
Sida e tuberculose. D.P.

Para mais informag6es sobre o Parque
Cientifico de Turku:


0 maior barco-cruzeiro do mundo, o 'Oasis of the Sea', construido em Turku � DPA/ Reporters http://www.turkusciencepark.com/


N.� 22 N.E. - MARCO ABRIL 2011











































Jan ErikAndersson fora da sua sauna. Atras da 'Leafhouse'


A casa foliforme
Jan-Erik Andersson trabalha activa-
mente na construcgo de uma sauna
para o project "Sauna Lab" da Capital
Europeia da Cultura que instalara cinco
saunas em locais publicos para explorer
este ritual finlandds. Tera a forma de um
alho ou de uma ab6bora, ou talvez da
cupula da Catedral Ortodoxa de Sam-
petersburgo. Mas e a sua feerica casa
foliforme que atrai visitantes de todo
o mundo como simbolo da inovago
de Turku.
Construida numa das zonas arboriza-
das da cidade, "Life on a leaf", foi inicial-
mente concebida em 1999 como parte
integrante do doutoramento de Jan-Erik
Andersson na Academia de Belas Artes
de Helsinquia. "Entra-se na casa pelo
tronco," diz Jan-Erik, acompanhando-
-nos na visit. O edificio desenvolve-se
em tr&s pisos, tem paredes curvas e
uma enorme janela em forma de fo-
Iha permit ver o castelo de Turku a
distancia. Tanto no interior como no
exterior contrast profundamente com
as linhas angulares e o minimalismo
tradicionalmente associado a arquitec-
tura n6rdica. Vinte artists foram con-
vidados a participar no project desde
uma instalagco de video escondida sob


um dos andares superiores mostrando
pessoas que se agitam como formigas
na cidade de Nova lorque artistt: Pier-
re St. Jaques) as imagens de duendes
irrequietos que cobrem as superficies
de trabalho na cozinha artistt: Karin
Andersen).
"Trata-se de um espago imaginative",
diz Jan-Erik, acrescentando: "Aqui tudo
e necessario." A sua intencgo e explorer
a ess6ncia do ornamentalismo, afirma;
saber se e possivel viver num quadro ou
numa escultura e se a natureza, trazida
para dentro de casa, pode transformar
um espago habitado. Shawn Decker,
artist electroacustico de Chicago, ins-
talou microfones nas paredes internal
e externas, para trazer para o interior
sons por vezes inaudiveis ao ouvido
human. Foi um aspect que inicial-
mente preocupou a sua companheira
Marjo Malin, arquitecta de interiores,
mas acabou por se Ihe adaptar e agora
acha estes sons tranquilizadores. "E
necessario que o ornamentalismo es-
timule a nossa imaginacgo e fantasia",
diz Jan-Erik.


Mais informab9es em:
http://www.anderssonart.com/leaf/


O arquipelago atraves da arte

Estamos a meados do Inverno: uma
capa de gelo cobre o mar que cerca as
ilhas Turks do arquipelago. Quando a
temperature aumenta e a agua reapa-
rece, a cultural artesanal entra em acg5o
e os moradores e visitantes de outras
terras afluem as 20.000 ilhas que emer-
gem do Mar Baltico ao largo de Turku.
De Junho a Setembro de 2011, a "Con-
temporary Art Archipelago" chamara todas
as atenb9es para estas ilhas de Ruissalo
a Ut6. Um elenco de artists montara di-
versas instalab9es de arte e exposi96es
abrilhantando desta feita a beleza serena
do arquipelago, o seu modo de vida e a
ecologia ameagada, atraves de meios
diferentes indo da fotografia ao som.


Turu Elving, Director artistic do project
que faz parte do event "Turku, Capital
da Cultura", afirma que, embora o Mar
Baltico seja conhecido como o mar mais
poluido do mundo, "o arquipelago esta
em melhor forma hoje do que ha 20 ou
30anos". Os artists convidados, locais
e do mundo inteiro, incluindo Alfredo
Jaar da Col6mbia, ja visitaram o arqui-
pelago a procura de inspiragao.
As obras de exposicgo serao dissemi-
nadas pelas ilhas e visiveis dos grandes
ferries e dos cruzeiros que singram os
mares, bem como de pequenos aero-
pianos, ou das estradas e pontes que
interligam algumas das ilhas. Uma inspi-
racgo e um anciao de 80 anos que viveu
toda sua vida no arquipelago e conheceu
a mudanga dos ventos no decurso das
decadas, explica Taru Elving. O project
explore igualmente a accao de bi6lo-
gos marinhos que replantam vegetais
marinhos nas aguas pouco profundas.
"L6gica do Arquipelago: Rumo ao Futuro
Sustentavel", um simp6sio international,
que a universidade de Turku, "Abo Aka-
demi", organizara em Agosto, analisara
minuciosamente o future dos arquipela-
gos do mundo.


Para saber mais, ver sitio web:
www.contempiorary artarchipelago.fi


Cerreio
















Da Tanzania para


Turku

Estudante de doutoramento, Zahor Khalifa

adapta-se ao Sudoeste da FinlAndia



Depois de concluir uma licenciatura e um mestrado em Geografia na
Universidade de Dar es Salam na Tanzania, Zahor Khalifa esta agora no
primeiro ano de doutoramento na Universidade de Turku. Os pontos positi-
vos sao o software da ultima gerag~o e a reduzida dimensao das turmas;
entire os pontos negatives esta a adaptaqgo as temperatures geladas no
Inverno na FinlAndia!


tica do Sistema de Informagio Geogrffica
(SIG), que envolve a recolha de dados e
de imagens por satelite sobre um local
para permitir a criaco de models e de
mapas. Ele explica a aplicagyo do SIG: "Se
conseguirmos situar os aglomerados urba-
nos e os sistemas de transportes, sabemos
onde colocar um mercado". Afirma que
era o primeiro da turma na teoria do SIG
em Dar es Salam, mas inicialmente nao
passou no exame sobre esta materia em
Turku porque simplesmente nunca tinha
utilizado software para aplicar a teoria e
encontrar solug6es. Quando refez o exame,
foi um de tries estudantes em vinte que
passaram. Enquanto numa sala de aulas
da universidade na Tanzania se amontoam
1 400 estudantes, numa turma em Turku
existem apenas 20 a 30, o que constituium
element favorivel para a alta qualidade do
ensino na Finlandia, diz Zahor.

Ele aprecia em especial o sentiment
de protecGyo e de seguranga e a paz de


Q uando ca cheguei, em
Setembro de 2010, fiquei
tries ou quatro dias no
quarto por fazer muito
frio. Cheguei mesmo a pensar se ficaria",
diz ele. Estao menos 15 graus Celsius
quando nos encontramos na Universidade
de Turku, que tem uma excelente repu-
taogo de ensino a nivel mundial. Zahor
esta a concluir o piano geral do seu PhD
sobre a desflorestaygo na ilha de Pemba
em Zanzibar. O titulo que sugeriu para
a tese de doutoramento e: "As causes da
alteraogo das florestas e a sua implicaogo
no modo de vida das pessoas." Ha cento
e cinquenta anos, 95% de Pemba estava
coberta por florestas. O Parque Nacional


de Ngezi, criado na ilha em 1960, abarcou
os restantes 5% da area florestal. Apesar
do seu estatuto de protegido, 40% do
Parque Ngezi ja desapareceu devido a
actividade humana. "Existem m6ltiplas
utilizay6es da terra e muitas causes dife-
rentes da desflorestagio", explica Zahor.

O valioso Sistema de
Informaqdo Geografica (SIG)

A Faculdade de Geografia da Universidade
de Turku forneceu a Zahor um gabinete
de trabalho, um computador de mesa e
outro portitil, um subsidio (bolsa) e alo-
jamento. Ele esta especialmente encantado
com o facto de ganhar experiencia pri-


Universidade de Turku � D. Percival


espirito na Finlandia e desfruta algumas
actividades tradicionais locais. Aprendeu
a andar de patins no gelo e partilha com
amigos e colegas uma sauna -a cabana
com intense calor seco que se encontra
em quase todas as casas finlandesas.
"Primeiro fiquei um bocado chocado
quando vi que nos tinhamos de despir e
depois a sauna ficou cada vez mais quente
a media que se ia deitando igua nas
pedras quentes", diz ele da sua experi-
encia da sauna. Embora as aulas sejam
em ingles, Zahor aprendeu cerca de 50
palavras em finlandes. No Verio vai voltar
a Pemba para realizar algum trabalho de
campo juntamente com investigadores
seus colegas de Turku, que estGo a analisar
quest6es ambientais na ilha de Unguja em
Zanzibar. Ele espera continuar os estudos
em Turku no Outono, mas esta satisfeito
porque a Universidade de Turku ji lhe
garantiu acesso ao valioso SIG quando
eventualmente regressar a Universidade
de Dar es Salam. D.P.


N.� 22 N.E. - MARCO ABRIL 2011




















































Modelo em missao


Sylvia Arthur


P ode ser gracas a sua cara que
Noella Coursaris deve a fortune,
mas o seu trabalho de beneficen-
cia vale mais do que o seu peso
em ouro. Em 2007, esta modelo criou
a Fundacgo Georges Malaika (FGM),
do nome do seu falecido pai, para dar
oportunidade de educago a raparigas na
Rep6blica Democritica do Congo (RDC).
Desde que a instituicgo comegou a funcio-
nar ji patrocinou a educago de dezasseis
jovens, pagando escola, alimentacgo e des-
pesas do orfanato. Actualmente a FGM
tem em curso um ambicioso project de
construgco de uma escola ecol6gica para
104 criangas na provincia onde Coursaris
viveu os seus primeiros anos.


Nascida em Lubumbashi, na RDC, filha
de mae congolesa e de pai grego, Coursaris
saiu de Africa aos cinco anos, quando a
mae a enviou para a Europa para viver com
uma tia, porque nao tinha possibilidades
de a manter. Passaram 13 anos antes de
regressar a RDC para encontrar de novo
a m e ver por si mesma o local onde
nasceu, uma experiencia que mudou a sua
vida e lhe tragou um novo rumo.

Coursaris, que comega a ser tao conhe-
cida pela sua filantropia como pelo
seu papel na ind6stria da moda, falou
recentemente no Parlamento congoles
e na UNICEF em Kinshasa, invocando
os problems com que se defrontam as
raparigas desfavorecidas na sociedade
congolesa. Quando a contactimos para
esta entrevista, encontrava-se em Nova
Iorque para falar na ONU.


Cerreio






I E D


.. &


0 que e que a fez decidir criar a
FGM?

Perdi o meu pai quando tinha cinco anos
e a minha mie nao tinha recursos para
me criar. Cresci passando de familiar para
familiar e s6 13 anos depois e que fui visitar
a minha mie. Ate essa altura tinha tido
pouco contact cor ela e nao tinha qual-
querideia sobre o que me esperava quando
fui para a RDC. Mas quando cheguei o
que vi fez-me sentir extremamente feliz
pela vida que tivera e pela maneira como
fui criada. Nio pude levar a mal a minha
mie por me enviar para a Europa, porque
vi que o fez para meu pr6prio bem. O facto
de ver todas estas criangas sem ir a escola
ou grividas muito novas sensibilizou-me e
prometi a mim pr6pria que faria algo para
ajudar o pais que me deu a vida.

Porque e que decidiu centrar-se em
especial nas raparigas?

Porque a hist6ria delas e a minha hist6ria.
Em Africa, as mulheres tendem a apoiar-
-se nos maridos e quando estes morrem
ou lhes acontece alguma coisa, ficam sem
nada. As mulheres precisam de se eman-
cipar para poderem agir sozinhas, quando
for necessario.

Porque e que a educacdo e a chave da
emancipacdo das mulheres na RDC?

A hist6ria da RDC e uma hist6ria tri-
gica. Tivemos a colonizagio, a guerra, 5,5
milh6es de mortos, milhares de mulheres
violadas. Precisamos de ter o control
do nosso pais e dos nossos recursos e a
unica maneira para o podermos fazer e
atrav6s da educago. E precise que haja
mais mulheres no poder e que se envol-
vam nas quest6es sociais, econ6micas e
political. Tem de se emancipar atraves do
conhecimento. S6 depois e que podemos
avangar como uma nagio.

0 quegostaria de ver a UEfazerpara
melhorar a situa(do da popula(do
do Congo?

Temos de trabalhar em conjunto. Nao
devemos impor solu�ces nem political,
mas devemos trabalhar com os africanos
para conseguirmos o melhor para os dois
lados.

Como e que a sua dupla heranca afec-
tou a perspective que ter de Africa?

E fabuloso ter as duas cultures. Ainda
hoje aprendo todos os dias sobre ambas.
Tambem vivi nos EUA durante qua-


M p lllllela eud ld ud run udau ueulIya ividdlld enlI LuuuIIIUa~III be duel d dialua d ebt dIIu


tro anos e por isso tenho tries cultures.
Precisamos de todas para proceder a
mudangas positivas.

Foi ficil a nova ligagco com Africa quando
a visitou aos 18 anos, depois de 13 ausente?

Ao principio foi dificil. Primeiro tive de
voltar a relacionar-me com a minha mae,
mas foi fantistico descobrir as minhas
raizes. Foi muito bom e faz-me sentir
mais desenvolvida como pessoa.


A melhor coisa que ji me aconteceu foi ter
um filho. Isso faz-me querer fazer ainda
mais pelas criancas e querer assegurar
que a escola que estamos a construir sera
uma boa base para o seu future. Todas as
criancas tem direito a educaco. Todas as
criancas tem o direito de ir a escola e de
um dia serem independents. E como uma
cadeia. Quando conseguirem a emanci-
pacao, podem ajudar os outros a faze-lo.
Mas e important que as criancas tenham
bons professors e que estes tenham tido
uma formacao de boa qualidade e sejam
bem pagos.


Na sua opinido, qual d a ideia mais Qualdo pr6ximopassoparasiepara
errada na Europa sobre Africa? a FGM?


A Europa tem tendencia para ver Africa
como subdesenvolvida e pobre e a mor-
rer de fome, mas Africa tem muito para
oferecer.

Que mensagem e que gostaria de
enviar ao mundo sobre as mulheres
congolesas, a sua situaado e a sua
resistencia?

Embora as mulheres congolesas conti-
nuem a sofrer e estejam traumatizadas,
o mundo conhece agora melhor a RDC
e por isso elas ja nio sofrem tanto como
antes. Temos de agradecer isso a todos,
porque muitas pessoas e muitos paises
estio a ajudi-las. As mulheres congolesas
sao fortes e temos de lhes dar uma opor-
tunidade, proporcionando-lhes o acesso
a educago e a microfinanciamentos, mas
ensinando-lhes tambem outras coisas,
com o planeamento familiar.

Como e que ofacto de ter tido umfilho
mudou a sua visdo do future, para si
e para o trabalho quefaz?


A escola que estamos a construir vai abrir
em Setembro para acolher 104 rapari-
gas e sera utilizada para ensinar os pais
durante os fins-de-semana. Queremos
que esta escola seja uma plataforma para
atrair mais ONG e outras organizay6es
para a regiio de Kalebuka, para que tam-
bem elas se envolvam e desenvolvam a
regiio. No entanto, o mais important e
a comunidade participar. Eles sao tudo
para este project e sao essenciais para
o desenvolvimento nao s6 da regiio, mas
tambem do pais. Recentemente tambem
ajudimos a Doc to Dock (uma organiza-
9o de beneficencia que distribui artigos
medicos pelos hospitals nos paises em
desenvolvimento) a entregar um conten-
tor com produtos medicos no valor de
500 000 d6lares ao hospital de Sendwe,
na provincia de Catanga. Esperamos
continuar a colaborar no future.


Para saber como ajudar a FGM a acabar com
o ciclo de analfabetismo e de pobreza na
RDC visit www.gmalaikaf.org.


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011
















































Reforgo de uma diplomacia


de materias-primas


Uma Comunicagao da Comissao Europeia
publicada em Fevereiro de 2011 destaca
os desafios que a Europa enfrenta em
mercados de produtos e em materias-
-primas - quest6es que afectam tam-
bem o continent africano. As propostas
para garantir acesso aos recursos foram
aplaudidas pela industria, enquanto
que as ONG reagiram com cepticismo.


Anna Patton



global de mat&rias-primas
& relativamente limitada. O
potential do continent 6, no
entanto, enorme, com muito territ6rio
ainda inexplorado. Africa produz ja
mais de 60 metais e minerals, incluindo
cobre, niquel e ferro. A Europa, pobre em
recursos, por seu lado, esti cada vez mais
preocupada cor o aumento da procura
global e com os mercados volkteis que
ameagam o acesso a mat&rias-primas - e
os 30 milh6es de empregos que depen-
dem disso.

Estas preocupacges foram sublinhadas
na Comunicacgo da Comissio Europeia,
"Enfrentando os desafios em mercados
de produtos e em mat&rias-primas".
Repercutindo a sua Iniciativa "Mat&rias-
primas", emitida em 2008, a CE exorta


a actuagio sob tres pilares: acesso just
a mat&rias-primas nos mercados mun-
diais, fornecimento sustentivel de fontes
europeias e utilizagio eficaz de recursos.
A Comunicago de 2011 tamb6m alarga o
espectro, incluindo produtos de energia,
agricolas e alimentares, e exige uma maior
regulagio e transparencia dos mercados
financeiros e de produtos.

O progress em materias-primas nos 61ti-
mos anos inclui novas directrizes da UE
acerca da extracGo em areas protegidas
e novas oportunidades de investigation
na ind6stria mineira. Mas os desafios
fundamentals estio a aumentar. A pro-
cura de metais essenciais aumentou entire
2002 e 2008 e espera-se que continue:
preve-se que a procura de gilio aumente
20 vezes e de indio 8 vezes entire 2006
e 2030. Espera-se que a procura total
de alimentos aumente cerca de 70% de
2006 a 2050. Entretanto, os mercados
mostraram uma volatilidade sem prece-
dentes, com as oscilag6es de pregos em


Cerreio




















todos os principals mercados de produ-
tos, incluindo energia, metais, minerals,
alimentos e agriculture. Este fen6meno
foi relacionado com os novos fluxos de
investimento em grande escala: num dis-
curso em Bruxelas, o Comissirio para o
Mercado Interno, Barnier, observou que
o volume de contratos financeiros para
derivados de produtos triplicou de 2002
a 2008. Apesar de o precise impact na
estabilidade do mercado ser discutivel,
a CE confirm a necessidade de mais
investigation da relacgo entire mercados
de produtos fisicos e financeiros.

A UE estabeleceu objectives econ6mi-
cos ambiciosos para 2020: como o maior
importador de materias-primas a nivel
mundial, nao pode viver sem elas. Os
sectors de alta tecnologia sao particular-
mente afectados, enquanto as ind6strias
energeticas inovadoras e limpas depen-
dem de materials definidos como "cri-
ticos" para a UE -materiais de elevada
importancia econ6mica e elevado risco de
fornecimento. Embora Africa, como um
todo, tenha uma reduzida percentage
da produgco global de materias critics,
alguns paises sao jogadores essenciais,
tais como a Africa do Sul (quase 80% da
produgco global de platina) e a Rep6blica
Democritica do Congo (40% do cobalto
produzido). A lista da UE de materias-
-primas critics, actualizada de tries em
tries anos, tambem inclui terras raras,
necessirias para produtos eficientes em
terms energeticos, tais como autom6veis
hibridos ou paineis solares. A China pro-
duz actualmente 97% das terras raras e a
UE e 100% dependent de importag6es; o
an6ncio de restrigio das exportag6es chi-
nesas de 2009 foi uma notivel lembranga
da dependencia da Europa.

A exploracio de alternatives atraves de
"diplomacia de materias-primas" e, por
conseguinte, uma prioridade da UE. No
caso de Africa, isto tambem significa a
utilizagio de instruments de political de
desenvolvimento. A Comunicayio de 2011
prop6e apoio a estudos geol6gicos e ao
aumento de financiamento para a ind6s-
tria. A CE destina-se tambem a "enco-
rajar governor parceiros a desenvolver
programs de reform abrangentes" com
objectives, por exemplo, de tributacgo
e transparencia. Mas trabalhar com os
governor e apenas um dos lados da ques-
tao: "Em terms de transparencia para
empresas, a UE esta a ficar para tris",
diz Isabelle Ramdoo do grupo de reflexio
ECDPM, citando leis vinculativas dos
EUA e comparando-as as propostas da
CE para "promover os padres da UE"
entire as empresas europeias. O aumento
do apoio a Iniciativa para a Transparencia


nas Ind6strias Extractivas e acolhido com
satisfagio por part da "B611 Foundation",
uma ONG alemi, mas a ONG avisa que
"sem regulaco vinculativa, nao havera
nenhuma verdadeira alteracgo no ter-
reno".

Alem da utilizacgo de ferramentas de
desenvolvimento, a UE esta a reforgar
a sua political commercial. As barreiras
comerciais sergo abordadas atraves do
dialogo, mas tambem na OMC, se neces-
sirio. A ONG Oxfam Internacional criti-
cou aquilo a que chama de uma tentative
de "forgar os paises em desenvolvimento a
banir ou restringir a utilizagio de impos-
tos sobre a exportagio, dos quais muitos
dependem para o seu desenvolvimento".
As disposig6es relatives ao investimento
tambem deverio ser "mais integradas"
nas negociag6es comerciais uma ques-
tao essencial para os paises africanos.
Num relat6rio conjunto, "O novo arre-
batamento de recursos", cinco ONG de
desenvolvimento alertaram para o facto
de que o investimento estrangeiro pode
ser positive, mas que "este impulse da UE
dificultara a regulagio de investimento
por parte dos governor para a promogao
do desenvolvimento local".

Ao mesmo tempo que observa os mer-
cados globais, a UE tambem expandira
a extraccgo sustentivel dentro da pr6-
pria Europa: a exploragyo de terras raras
podera reiniciar-se a partir de 2015. A
utilizagio eficaz de recursos e tambem
abordada, com a Comunicagyo de 2011
a proper melhores priticas de recolha de
residues e aumento da competitividade
das ind6strias de reciclagem. Para alguns,
a importancia deste terceiro pilar tem
sido subestimada. "A escassez nao e o
inico desafio", argument o Membro do
Parlamento Europeu, Reinhard Btitikofer.
"Uma estrategia com o seu foco primario
no acesso a recursos podera ajudar por


Remogao de ago, a espera de transport � Reporters

um tempo, mas nao ajudara a ind6stria
a reduzir a sua dependencia bisica do
fornecimento de recursos."

Apesar de a abordagem da UE levantar
desafios, tambem sugere oportunidades.
Sobretudo o debate em torno dos recur-
sos naturais indica uma oportunidade
para os governor africanos desenvolve-
rem as suas pr6prias estrategias. Se a
Europa necessita desesperadamente de
materias-primas, tambem muitos paises
africanos estio altamente dependents
delas. A gestgo eficiente destes recur-
sos tornar-se-a mais important do que
nunca -para ambos os continents.


1Comissao Europeia, 02/02/2011,
COM(2011) 25 final. Ver: http://ec.europa.
eu/enterprise/policies/raw-materials/files/
docs/communicationen.pdf



Propostas da Comissdo
Europeia acerca de
materias-primas e mercados
de produtos

* Monitorizar o acesso a materias-
primas critics
* Praticar diplomacia de materias-
primas
* Desenvolver uma cooperagao
bilateral com Africa
* Melhorar os regulamentos acerca
de extracq5o sustentavel na UE
* Aumentar a eficidncia de recursos
e a reciclagem
* Promover investiga9go e inovagao
* Melhorar a transparencia e
estabilidade dos mercados


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


Iner .pe


















0 turismo das Caraibas


a procura do apoio da UE


Bruxelas foi o local escolhido para a
cimeira annual da Organizacao do Turismo
das Caraibas (CTO), de 13 a 15 de Marco.
Pretendeu-se chamar a atencao da UE
para o "papel extremamente important
do turismo na regiao para a subsistnn-
cia da sua populacao e para a reducao
da pobreza", disse Hugh Riley, Director
Executive da CTO, sedeada nos Barbados,
que represent 33 paises membros e
muitas entidades do sector privado.


Debra Percival


A cimeira reuniu Ministros
das Caraibas, Deputados
Europeus, o sector privado e
funcionarios das instituig6es da
UE e do Secretariado de Africa, Caraibas
e Pacifico (ACP).

"Estamos aqui para fazer um apelo
aos nossos amigos na Europa para nio
esquecerem as grandes oportunidades e
as implicay6es para as nossas economics
orientadas para o turismo quando formu-
lam political em dominios como a aviacao,
a seguranca, as alterac6es climiticas, a
educago, o comercio e a seguranga ali-
mentar", disse Ricky Skerritt, Ministro do
Turismo e dos Transportes Internacionais


de Sio Crist6vio
e Nevis, actual-
mente Presidente
do Conselho de
Administracgo da
CTO.

Na ultima decade,
a dependencia da
regiio das receitas do
turismo aumentou, a
media que diminuia


Na ultima
a dependenc
das receitas
aumentou, a
diminuia o rei
cultures com
eo aq

o rendimento de


cultures como a banana e o ag6car. Em
Sao Crist6vao e Nevis, a 61tima cultural
de ag6car foi colhida ha cinco anos. As
Caraibas tem agora a 13. maior ind6stria
de turismo a nivel mundial.

Embora seja conhecida em todo o mundo
pelas suas "praias virgens, pelo excelente
clima e pelo acolhimento das pessoas", a


regiio enfrenta a concorrencia de sitios
como a India, a China e o Dubai e mesmo
a Europa, dada a tendencia para "ficar
em casa", com muitas pessoas a optarem
por tirar ferias mais perto de casa, referiu
o Ministro Skerritt a cimeira. As conse-
quencias disto viram-se ha duas semanas,
disse, quando uma important compa-
nhia de cruzeiros dos EUA anunciou a
transferencia de uma das suas rotas de
cruzeiros do mar das Caraibas para as
aguas europeias a partir do Verio de 2012.

Orgamentos mais apertados
Hugh Riley afirmou ao Correio que embora
os paises membros da CTO tenham regis-
tado o maior nuimero de sempre de entra-
das em 2010 -23 milh6es no final de 2010,
correspondendo a 39,4 mil milhoes de
d6lares - os visitantes quando chegam
as Caraibas restringem-se nas despesas.

Sugeriu como a UE podia ajudar a incen-
tivar o sector actuando em dominios ja
identificados no anexo relative ao turismo
do Acordo de Parceria Econ6mica (APE),
assinado entire a UE e 15 paises mem-
bros do bloco commercial das Caraibas, o
CARIFORUM. O Acordo inclui normas
ambientais e de qualidade, estrategias de
comercializacgo pela Internet, partici-
paoio em organismos internacionais de
criacio de normas, programs de inter-
cambios turisticos, formaco e troca de
boas informag6es e de boas priticas e a
criagio de sistemas nacionais de contabi-
lidade por satelite que
d6cada, permitam aos paises
indicar o verdadeiro
ia da regiao impact do turismo
do turismo no desenvolvimento.
media que
mdimento e A Comisso Europeia,
atraves do Eurostat,
o a banana o seu Servigo de
ucar. Estatisticas, foi
essencial na cria-
cgo de um sistema contabilistico do
turismo mundial por satelite. Juntamente
com a Organizagio de Cooperagio e
Desenvolvimento Econ6micos (OCDE)
e a Organizagio Mundial do Turismo
(OMT), assinou um enquadramento con-
ceptual sobre uma metodologia que con-
duziu a aprovagio da "Conta do turismo
por satelite: quadro metodol6gico reco-
mendado" na 31." sessio da Comissio


bao Martinho, turismo na praia Ustra ( Heporters/


Estatistica das Nag6es Unidas, em Margo
de 2000. As recomendac6es da ONU
destinam-se a fornecer um quadro para
o sistema de contabilidade do turismo
por satelite, a fim de permitir uma maior
comparabilidade international das esta-
tisticas do turismo.


Cerreio


Interacp6es















Tecnologia movel: salvar vidas


quando a catastrofe atingir Samoa


Novo software em desenvolvimento para dar

resposta a catastrofes


Lagipoiva Cherelle Jackson*


Aprimeira vez que muitos samo-
anos souberam do tsunami que
atingiu a costa sul da ilha de
Upolu (a ilha onde esta situada
a capital de Samoa, Apia) em Setembro de
2009 foi atraves de uma chamada feita por
um dos sobreviventes para a estagio de
radio. "A minha casa desapareceu, isto e
incrivel", gritou o sobrevivente. Durante
a operago de recuperagio, os telem6veis
foram a linha de sobrevivencia de muitas
pessoas em zonas isoladas, que puderam
chamar a Cruz Vermelha, outras orga-
nizac6es humanitirias ou os servings de
emergencia.

O Responsivel pela GestGo das Catistrofes
da Samoa, a Sra Filomena Nelson, diz que
a tecnologia m6vel faz part integrante
do seu trabalho para avisar o pfiblico e
dar resposta as catistrofes: envia uma



--. -.


mensagem de texto ou faz uma chamada
telef6nica para contactar os diversos pon-
tos da Samoa, que por sua vez telefonam
manualmente aos residents para os infor-
mar da catistrofe.

Antony Sass, que chefia a equipa de
seguranga maritima dos voluntirios
de Samoa para resposta a emergencies
(Volunteer Emergency Response Team
Samoa - VERTS), diz que a tecnologia
m6vel trouxe uma enorme diferenga ao
seu trabalho. "Agora os nossos telefones
estao sempre ligados, 24/7. Se obtemos a
informagco ou os dados da emergencia
enviados atraves de um texto, a nossa
tarefa fica facilitada antes de la chega-
mos", diz. Outra grande ferramenta e
a Internet. As previs6es meteorol6gicas
actualizadas e informay6es geol6gicas
podem ser utilizadas pelos VERTS para
responder convenientemente.

"Na realidade esta e a nossa linha de sobre-
vivencia. Quando somos chamados para













- I


um ciclone em evolucgo, colocamo-nos
essencialmente diante do computador para
acompanhar o seu progress e para nos
prepararmos, diz Antony Sass. Quando
aconteceu o terramoto de Margo no Japao,
que desencadeou um alerta ao tsunami em
certos paises da orla do Pacifico, a equipa
dos VERTS foi chamada e acompanhou a
situagio em linha para calcular os possiveis
efeitos na Samoa.

"Alerts Connect"
David Leng, um produtor de software
de comunicac6es que da assistencia
ao Centro Nacional de Operac6es de
Emergencia do pais, diz que ainda ha
muito espago para a Internet e para a
tecnologia m6vel na assistencia a resposta
a catistrofes na Samoa e na zona mais
vasta do Pacifico sujeita a catistrofes natu-
rais. Leng esta a desenvolver o program
'Alerts Connect', que e um novo software
de resposta para acompanhar e gerir uma
crise. "Esta a ser concebido como um
instrument operacional de baixo custo
para os Servigos de Gestio de Catistrofes
no Pacifico", diz Leng.

"E um sistema de informagio baseado na
Internet e centrado no mapa, que permit
a ripida classificago e situagio no mapa
dos dados que entram e que depois sao
canalizados para as pessoas ou agencia
adequadas para dar resposta. As infra-
-estruturas e os equipamentos e as fon-
tes de informagio podem ser localizados
atraves da Internet no Google Earth ou
utilizando o mapeamento do GIS local
(sistema de informagio geogrifica), de
modo que exista uma compilacgo de
informag6es que permit que as decis6es
sejam tomadas rapidamente pelo Comite
Consultivo para as Catistrofes", explica
Leng. O pfblico, as agencies humanitirias
e as equipas internacionais de resposta,
bem como os meios de comunicacgo
social, podem assim ligar-se para serem
informados dos acontecimentos media
que ocorrem. Ate o sistema estar plena-
mente desenvolvido, o capitio Sass aperta
vigorosamente o seu telefone, nao va o
diabo tece-las.


Capitao Sass � Lagipova Cherelle Jackson *Jornalista freelance resident na Samoa.


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


Interacp6es


FF
LW














A Guine Equatorial assume


a lideranga da Uniao Africana


Anna Bates



O Presidente da Guine Equatorial,
Teodoro Obiang Nguema, e
agora o novo Presidente da
Uniio Africana (UA). Eleito na
iltima Cimeira da UA realizada em Adis-
Abeba em 3 de Fevereiro de 2011, sucede
a Bingu wa Mautharika, Presidente do
Malavi.

O President Obiang Nguema detem a
presidencia deste pais da Africa Ocidental
desde 1979, ano em que depos o seu tio
atraves de um golpe military. A sua fortune
pessoal foi avaliada pela revista Forbes
em 360 milh6es de libras, sendo o oitavo
dirigente mais rico do mundo. Em 2009,
nas iltimas 'eleig6es' presidenciais, a sua
percentage de votos baixou de 97% para
96,7%.

A Guine Equatorial, terceiro maior pais
produtor de petr6leo na Africa Subsariana,
regista um rendimento annual per capital de
31 000 d6lares, o mais elevado da regiio,
e um rendimento medio diario de apenas
1 d6lar para a maioria da populagio, que
ainda vive com menos de 1 d6lar por dia.


A UA ocupa-se de um litigio territorial reconhecido como tal pela comunidade
muito antigo entire a Guine Equatorial international em Dezembro de 2010. Mas
e o Gabao, que ja data do inicio dos asuamaiorpreocupago actual pareceser
anos 1970. Esta a fazer a mediaogo entire a situacgo na Libia, que dividiu a UA em
Laurent Gbagbo, o Presidente defacto da dois campos, ainda que apoie oficialmente
Costa do Marfim, e Alasane Ouattara, a Resolugco 1973 da ONU.


Teodoro Obiang Nguema a votar em Malabo, nas mais recentes eleig6es presidenciais da Guin6 Equatorial.
� Associated Press


A Guind Equatorial assume a lideranga da Unido Africana


O President da Guine Equatorial, Te-
odoro Obiang Nguema, e agora o novo
President da Uniao Africana (UA). Eleito
na iltima Cimeira da UA realizada em
Adis-Abeba em 3 de Fevereiro de 2011,
sucede a Bingu wa Mautharika, Presidente
do Malavi.
Atendendo aos desafios da Primavera
Arabe e aos combates pela democra-
cia na regiao, os observadores ficaram
surpreendidos com esta designagao. O
President Obiang Nguema detem a presi-
ddncia deste pais da Africa Ocidental des-
de 1979, altura em que se apoderou dela
retirando-a a um tio atraves de um golpe
military. A sua fortune pessoal foi avaliada
pela revista Forbes em 360 milh6es de
libras, sendo o oitavo dirigente mais rico
do mundo. Em 2009, nas Qltimas'eleig6es'


presidenciais, a sua percentage de votos
baixou de 97% para 96,7%.
A Guine Equatorial, terceiro maior pais
produtor de petr6leo na Africa Subsariana,
regista um rendimento annual percapita de
31 000 d6lares, o mais elevado da region,
e um rendimento medio diario de apenas
1 d6lar para a maioria da populacgo, que
ainda vive com menosde 1 d6lar pordia.
A UA ocupa-se de um litigio territorial
muito antigo entire a Guine Equatorial e
o Gabao, que ja data do inicio dos anos
1970. Esta a fazer a mediagao entire Lau-
rent Gbagbo, o Presidente de facto da
Costa do Marfim, e Alasane Ouattara,
reconhecido como tal pela comunidade in-
ternacional em Dezembro de 2010. Mas a
sua maior preocupacgo actual parece ser
a situagao na Libia, que dividiu a UA em


te de Embaixadores ALH e tmbaixador
da Nigeria, S. E. Usman Alhaji Baraya


dois campos, ainda que apoie oficialmente
a Resolucgo 1973 da ONU. Anna Bates


Cerreio


Interacp6es




















































































Um mineiro transport cargas de enxofre na crater do vulcao Ijen em Bondowoso, Java Oriental, Indonesia. 0 pais tern cerca de
150 vulc6es ao long de um arco de falhas geol6gicas chamado o "Anel de Fogo" (Ring of Fire) do Pacifico


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


O vulneravel 'Anel de fogo'

No moment em que revista vai para im- 40 000km2 que traga a orla do Pacifico a aten�go para a necessidade de sistemas
pressao, as iltimas estimativas do ter- na forma de uma ferradura, e a region modernosde alerta precoce e de medidas
ramoto e do subsequent tsunami que sismica mais active do mundo. Paises para atenuar os efeitos das alteragoes
assolou o nordeste do Japao em 11 de como as Ilhas Salomao, Fiji e Tonga estao climaticas. Os aumentos do nivel do mar
Margo de 2011 eram de 18-24 000 pesso- a mercd de terramotos, de erupg9es vul- induzidos pelas altera9oes climaticas ja
as mortas ou desaparecidas, send muito canicas e de tsunamis. Deve salientar-se tornam muitas ilhas do Pacifico com zonas
maior o numero de desalojados. Veio p6r que algumas das ilhas tambem tiveram costeiras baixas vulneraveis a destruigco
a nu a vulnerabilidade da zona do Pacifico ondas de mares na sequdncia do tsunami por tsunamis.
conhecida por'Anel de fogo'. Esta zona de do Japao. A catastrofe japonesa chamou


Interacp6es





















































Um program de cinco anos, financiado pela UE, esta a ajudar a prevenir a
cegueira nalguns dos paises mais pobres da regiao das Caraibas: Guiana, Haiti,
Jamaica e Santa Lucia. E coordenado por uma organizaao nao governmental
(ONG) sedeada no Reino Unido, "Sightsavers International", juntamente com os
seus parceiros nas Caraibas.


Debra Percival



O project multifacetado financial
um conjunto de medidas, desde
a forma�go de optometristas
ate ao fabric de 6culos. Em
media, os paises das Caraibas tem apenas
um optometrista por 100.000 habitantes,
comparado com um por 10.000 no Reino
Unido. Setenta e quatro por cento do
orpamento do program, no montante
de 5.429.856 euros, provem de funds da
UE. A funcionar desde Janeiro de 2010, o
program esta a impulsionar a iniciativa
"Vision 2020", uma iniciativa mundial
para eliminar a cegueira evitivel ate 2020.

Os parceiros locais da ONG sao o
Conselho das Caraibas para os Cegos, a
"Societe HaNtienne d'Aide aux Aveugles",
a Associagio para o Bem-Estar dos Cegos
de Santa Licia, a Sociedade para os Cegos
da Jamaica e a associacgo Cuidar dos
Olhos da Guiana. As causes mais comuns


de cegueira nas Caraibas sao as cataratas
nto tratadas, glaucoma, retinopatia diabe-
tica e erros de refracogo nto corrigidos. De
acordo com a ONG
"Sightsavers", uma
das formas a utilizar
pelo program para
reduzir a prevalen-
cia da cegueira e das 0
deficiencias visuais
nas populay6es rurais har
pobres das Caraibas e
atraves da formacao de profissionais para
procederem a detecgyo precoce.

"Um dos objectives do program e reduzir
o custo dos 6culos e fornecer equipamento
e formacao ao pessoal do sector p6blico.
Queremos que o program se desenvolva
de maneira que, quando chegar ao fim,
o governor o possa prosseguir", explica
Charles Vandyke, da associayo "Cuidar
dos Olhos da Guiana", falando-nos no seu
escrit6rio em Georgetown, na Guiana.


Formar profissionais
No total, sera dada formagao a 1240 traba-
lhadores de cuidados de satide primarios e
a 100 profissionais de cuidados da visio.
Serio melhoradas as instalacges de sete
instituic6es de satide e serio criados 13
centros de visio especializados em centros
de satide municipals ou comunitrrios, bem
como cinco laborat6rios de 6culos. Os pro-
fissionais serio formados na Universidade
da Guiana, que comecou a oferecer em
2010 uma licenciatura em optometria de
quatro anos o inico
O cursonas Caraibas. O
Sd e program da UE con-
tribui com uma part
aO 0 do financiamento
para os professors
do curso e com bolsas
para estudantes.

A investigacgo e outra component do
program. Uma avaliacgo ripida da
cegueira evitivel ira explorer a incidencia
da cegueira em cada um dos paises abran-
gidos pelo project. Vastas campanhas na
comunicago social em cada um destes
paises tambem servirao para informar o
p6blico sobre a satde dos olhos.

To find out more: www.sightsavers.org

1 Sociedade do Haiti para Ajuda aos Cegos.


Cerreio

















Radio Democracia Africa Ocidental


expande-se


Promoygo da democracia na Africa do Oeste atraves dos media


Estagao de Radiodifusao � Reporters


Sandra Frederici



O Ridio Democracia Africa
Ocidental (WADR) e uma esta-
cao de radio transterritorial,
criada para facilitar a troca da
informayao sobre o desenvolvimento entire
paises da Africa Ocidental.

O seu promoter e a Iniciativa Sociedade
Aberta para a Africa Ocidental (OSIWA),
pertencente a rede de "Soros Foundation",
cujo objective e fomentar mais democra-
cia, melhor governayao, estado de direito
e liberdade e participaaio na sociedade
civil.

Ap6s as tentativas iniciais de criar a esta-
9o de radio na Serra Leoa em 2002, que
se depararam com a oposiaio political, a
sede do WADR foi finalmente estabelecida
em Dacar, Senegal, de onde comeyou a


radiodifusio em 2005, explica Ndeye Aita
Sarr, Director Executive da OSIWA. "O
WADR tem hoje correspondents em dez
paises da Africa do Oeste e as estac6es
sucursais servem igualmente como fontes
de informagio das suas respectivas locali-
dades na Africa Ocidental urbana e rural",
diz Aita Sarr. Para alem da difusio ao vivo
em ondas curtas, os programs do WADR
sOo difundidos por radio digital via satellite
as radios locais parceiras que beneficiam
tambem de apoio tecnico.

A voz das comunidades
"N6s procuramos melhorar a capacidade
das estag6es de radio da comunidade,
especialmente das implantadas nas zonas
rurais, e promovemos a participagio da
comunidade local. A voz do povo deve ser
ouvida e deve-se permitir a base contar a
sua hist6ria e relatar as suas experiencias,
alegrias e frustrag6es com as suas pr6prias
palavras", diz Aita Sarr.


"No final de 2010, tinhamos uma rede de
26 radiodifusoras em sete paises -Benim,
Guine, Senegal, Liberia, Serra Leoa, Mali
e Costa do Marfim - a retransmitir pro-
gramas em frances e ingles. A sua audi-
encia e transversal, indo de responsiveis
politicos, lideres de opiniio e advogados
ate grupos juvenis e comunidades rurais.
Esta prevista para fins deste ano uma
sondagem de audiencia do radio", acres-
centa Aita Sarr.

E transmitido um diversificado leque
de programs: agriculture, ambiente,
questoes de genero, juventude, saide,
cultural, desporto e dialogo social. Os
"Ecos do Julgamento de Charles Taylor",
julgamento do ex-Presidente da Liberia
que teve recentemente lugar no Tribunal
Especial da Serra Leoa em Haia, podiam
ser seguidos no sitio web do WADR.
Foram relatados os depoimentos das
testemunhas e os procedimentos do jul-
gamento, com entrevistas e comentarios
num ingles claro e coerente. Como todos
os media, o WADR esta a elaborar a sua
estrategia para incorporacio dos meios
de comunicagco social. "O WADR esta a
actualizar o seu sitio web (langamento em
1 de Abril de 2011), que incorporara a uti-
lizaygo das redes de meios de comunicagco
social para uma melhor participagio no
desenvolvimento, program agio e debate,
discussion dos conte6dos que sao pontuais
e actuais", conclui o Director Executivo.

Para saber mais, ver sitio web:
http://www.wadr.org


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011

















































Sudao



Introdugao


Reportagem de Marie-Martine Buckens




Sudao deixara de ser o mais
vasto pais de Africa. A pro-
clamagao da independencia
do Sudao do Sul vira p6r termo a uma
hist6ria turbulenta comum associada, em
larga media, aos primeiros colonizadores
fossem eles egipcios, turcos ou ingleses
deste territ6rio com uma superficie seis
vezes superior a da Franga.

Em Cartum, a capital do Sudao unido,
pelo menos nos pr6ximos tries meses, a
popular - como se pode ler adiante
sentir-se-a abalada por uma separacao
que divide o norte arabo-mugulmano do
sul afro-cristao, mas tambem maioritaria-
mente animista (a crenga de que todas as
coisas, animadas ou inanimadas, sao series
espirituais). Estas clivagens escondem
a realidade de um mosaico de diferen-
tes etnias e origens, tanto sociais como


religiosas, cuja distribuiggo geogrifica
tem sido desfeita pela guerra civil entire
o norte e o sul, sem contar a guerra na
provincia ocidental do Sudao, o Darfur,
que forgou milhares de pessoas a procurar
abrigo nos paises vizinhos ou em campos
de refugiados situados nas periferias das
cidades do norte.

O Acordo de Paz Global (CPAna sigla em
ingles) assinado em 2005 entire os movi-
mentos secessionistas do sul e o norte,
activamente apoiado pela Uniao Europeia,
p6s ponto final a mais de cinquenta anos de
conflito -entremeado por uma paz relative
nos anos 1970 -e levou ao referendo de
Janeiro de 2011 em que uma esmagadora
maioria de sudaneses do sul votaram a
favor da independencia. Independencia
que sera proclamada em Julho deste ano.

Entrementes, muitas quest6es continuam
por resolver, por exemplo sobre a divi-
sao das receitas do petr6leo sabendo-se
que a maioria dos campos petroliferos
descobertos esta situada no sul, sobre o


quinhio da divida nationall" externa ou
ainda sobre a delimitagio das fronteiras.
Quest6es estas que, no moment em que
0 Correio entrava no prelo, ainda ocasio-
navam lutas esporadicas e fatais em certas
zonas fronteirigas.

Sao avultados os desafios que esperam
os dois novos paises. A UE, entretanto,
abre activamente o caminho a assinatura
do acordo de Cotonu pelo Sudio do Sul,
que marcara a sua entrada no grupo dos
paises ACP. O Sudio de Cartum, do pre-
sidente Omar al-Bashir, recusou-se, ate a
data, a assinar a l6tima version do acordo
de Cotonu. Embora a UE tenha, mesmo
assim, decidido prosseguir a cooperagio
com o jovem pais, em apoio do process
CPA, a divisio do pais obrigara os lideres
europeus a reflectir sobre a oportuni-
dade da continuagio da cooperagio com
Cartum em novas modalidades. Reflexio
essa que ganha premencia com a evolugco
da situagio no Norte de Africa, nomea-
damente na Libia e no Egipto, os maiores
vizinhos do Sudio.


Cerreio





e*.DD tem


U preslaente umar el becnir, Iyy
� Marie-Martine Buckens


As piramides de Meroe � Marie-Martine Buckens


Uma historia breve


O Sudao, ou Bilad as-Sudan "o
pais dos negros" na expressio
irabe, aludia a toda a Africa
sariana na era medieval. Um
pais fascinante, situado na encruzilhada
do mundo irabe e da Africa negra, no
qual as civilizagdes fara6nica, cristg e
muculmana deixaram marcas, e bergo
de uma pluralidade de cultures, linguas
e religi6es. Com os n6bios e os irabes no
norte, as etnias fur e massalit no oeste,
as dinka e nuer no sul, e as beja no leste,
mugulmanos, cristios e animistas estio
todos representados. Os 42 milh6es de
sudaneses integram 500 tribes, elas pr6-
prias oriundas de cerca de 50 grupos
&tnicos.

Retragar a hist6ria de um pais tio vasto,
rodeado por nove paises a Libia e o Egipto
no norte, para leste o mar Vermelho, a
Eritreia e a Eti6pia, a Rep6blica Central
Africana e o Chade para oeste, e a
Rep6blica Democritica do Congo, o
Quenia e o Uganda para sul - tarefa
irdua. Embora pouco se saiba sobre a his-
t6ria do Sudio do sul at& ao s6c. XIX, os
historiadores falam de uma rica civilizagio
neolitica no norte. Seguiram-se-lhe reinos,
incluindo o reino de Kerma em cerca de
2.500 A.C. Um destes reis anexou o Egipto
e auto-proclamou-se fara6. Sitiada pelos
assirios, esta dinastia de "fara6s negros" foi
forgada a retirar para Meroe, na N6bia, nao
long de Cartum, onde subsistem ainda
hoje magnificos vestigios da sua civilizacao.
Em cerca de 350 A.C. foi a vez do reino
etiope de Aksum conquistar a Nibia. A
partir do s6c. VI D.C. assistiu-se a uma
sucessao de pequenos reinos cristaos at&
ao s&c. XVI. Foi a era do ilustre sultanato
de Funj, negros islamizados, cujo poder
decorria do com&rcio de escravos negros
do sul.


Depois, a march dos acontecimentos
acelerou-se. Em 1820, o Egipto otomano
invadiu o Sudao. O dominio egipcio durou
60 anos e estendeu-se para sul, tornando-
-se o fornecedor de escravos. O pais foi
administrado pelo ingles Charles Gordon
por conta do Imp&rio Otomano. Apenas
o sultanato de Darfur conservou a inde-
pendencia at& 1916. Em 1882, deflagrou
a revolta sudanesa liderada pelo "Mahdi".
O califa que lhe sucedeu continuou a con-
quista dos povos nil6ticos para sul, ane-
xando o seu territ6rio ao Sudao.

Em 1896, os britanicos, preocupados
com a crescent influencia francesa na
Africa Central, lancaram uma expedi-
gio contra o califa. Liderada pelo gene-
ral britanico Kitchener, concluiu pela
derrota das tropas dervixes em 1898.
Seguiu-se um "reino" anglo-egipcio que
durou at& a independencia do Sudio em
1956. Foi durante este "reino" que se
acentuou a division entire o norte e o sul
do pais. No norte os britanicos encoraja-
ram os islamitas ortodoxos e expulsaram
os missionirios cristios para o sul, que
administravam atrav&s dos relativamente
aut6nomos senhores "feudais" proprieti-
rios de terrenos pantanosos. O desenvolvi-
mento econ6mico concentrou-se no norte,
radicando essencialmente na agriculture.
Os britanicos responderam a uma vaga de
insurreigdes, especialmente dos povos do
sul. Assim, decidiram evitar todo o con-
tacto entire o norte e o sul, uma political
que gerou ressentimento e frustraogo.

Uma primeira assembleia legislative foi
eleita em 1948, dominada pelos partidos
do norte. Volvidos oito anos, foi procla-
mada a Reptblica do Sudio. Depois de
uma s&rie de anos turbulentos, o general
el-Nemeiri chegou ao poder em 1969 e


Geral Kitchener, pintura, Cartum
� Marie-Martine Buckens


concede autonomia aos separatists do
sul. Em 1972, os sulistas, chefiados pelo
seu lider hist6rico, John Garang, rebela-
ram-se contra a tentative de impor a lei
coranica. No norte a situa0io tamb&m
piorou. A lei marcial foi imposta em 1984.

Em 1989, o general Omar el-B&chir, na
sequencia de um golpe de estado, tomou
o poder e reps a lei coranica. A guerra
intensificou-se com o Ex&rcito Popular
de Libertagio do Sudio (SPLA) liderado
por John Garang. Enquanto as nego-
ciagdes entire Cartum e o sul pareciam
avangar, em 2003 foi a vez de deflagrar
a guerra no Darfur, a oeste. S6 em 2005
foi assinado um acordo de paz global
entire o Sudio do Norte e o Sudio do Sul,
reconhecendo a este iltimo o direito a
auto-determinayao. M.M.B.


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011





* De'#0 t,


"E important continuar o dialogo politico

constructive e a cooperaqio equilibrada"


0 Correio entrevistou S.E. Carlo De Filippi,
Chefe da Delegagio da Uniao Europeia no Sudio.


D esde quando e Chefe da
Delegacdo da UE e como e
que descreve as experiencias
e os desafiospor quepassou
no Suddo?

R: Trabalho em projects relacionados
corn o desenvolvimento em Africa desde
1977 e para as instituic6es europeias
desde 1986. Estou aqui desde Dezembro
de 2007, na sequencia de coloca6ges na
Reptiblica Democritica do Congo, no
Gabio e na Guine Equatorial. O Sudio
e um pais muito interessante para tra-
balhar e constitui um grande desafio. E
como uma version em pequeno de Africa.
Tem uma cultural muito variada e rica e
possui um grande potential econ6mico e
politico. Claro que se o tivesse de definir
numa palavra seria 'exigente', porque sao
grandes os desafios, incluindo a preven-
yao de conflitos, a construgyo da paz, a
reconstruogo p6s-guerra, a redugyo da
pobreza, a transferencia democritica,
a proteccgo dos direitos humans e a
edificagyo da nagio. O Sudio e um pais
onde sinto que a UE ter muito para ofe-
recer que podera beneficiary a populagio
sudanesa e enriquecer a experiencia da
UE no tratamento das quest6es africanas.

P: A um nivel mais pessoal, o que e
que o impressionou mais dapopula-
ado sudanesa quepoderia dar as lei-
tores ocidentais uma visdo diferente
de um pais que s6 e conhecido pelos
seus conflitos?

R: E muito diferente viver aqui e ouvir
falar do Sudio nos meios de comunica-
y.o. Os sudaneses sao um povo simpitico
e generoso. Tem orgulho na sua hist6ria
e identidade e respeitam os estrangeiros
quando falam as suas linguas e tomam
refeiy6es com eles. Como pessoas, os
sudaneses estio muito politizados, sao
critics e estio bem informados sobre a
situagio no seu pais e sobre a Europa e o
mundo. Tem opiniSes muito interessan-
tes sobre os acontecimentos mundiais. Os
europeus desenvolvem um profundo dii-
logo com os sudaneses a todos os niveis,
oficiais e nio oficiais. E muito important
que a comunicagio seja nos dois sentidos:
ouvir e nao apenas falar.

P: Qual e a visdo que a UE ter do
Suddo e queplanos tem para ofuturo
do Suddo?


R: O nosso empenhamento ate agora
mostra que o Sudio e important para
a Europa, do ponto de vista geogrifico,
estrategico e cultural, como uma com-
binagio de Africa e do mundo irabe, e
que tem recursos para explorer. E uma
important porta de entrada entire Africa
e o Medio Oriente. Alem disso, o povo
e o governor sudaneses estio interessa-
dos na Europa e na Uniio Europeia.
Portanto, estou optimista quanto ao
future. E important manter um diMlogo
politico construtivo e continuar projects
de cooperagio equilibrados que possam
alcancar resultados a long prazo em
todas as parties do Sudio.

P: Uma vez que Cartum ndo assinou o
Acordo de Cotonu, quais sdo asprin-
cipais acQdes da UE no Suddo?

R: Os nossos projects de cooperaqio
ascendem a 500 milh6es de euros e
abrangem uma vasta gama de assuntos
em todo o Sudio; alem disso, somos o
maior doador de ajuda humanitaria, que
ascended a 776 milh6es de euros desde
2003. Tivemos um papel important na
transformaaio democritica, dando apoio
tecnico e financeiro para as elei�ces e
referendos.

Tambem apoiamos a Missio das Nayges
Unidas no Sudio (UNMIS) e a Operagio
Mista Uniio Africana/ONU no Darfur
(UNAMID), ambas a manter a paz no
Darfur e no Sudio do Sul. A UE abriu
um Gabinete em Juba que e um ponto
focal para o trabalho realizado no Sudio
do Sul. Alem disso, estamos a realizar
um dialogo construtivo com o governor
sobre muitas outras quest6es. Ha uma
melhoria positive e lentamente estamos
a desenvolver as nossas rela6ges.

P: Na sua fltima reunido informal,
os Ministros do Desenvolvimento da
UE concordaram em encetar nego-
ciadoes corn o governor do Suddo do
Sul sobre o Acordo de Cotonu; o que
pensa disto?

R: O Sudio do Sul escolheu tornar-se
um pais independent a partir de 9 de
Julho de 2011. Depois disso o Sudio do
Sul torna-se um pais soberano e o seu
governor tem todo o direito de aderir ao
acordo ACP. No meu ponto de vista,
o Acordo de Parceria de Cotonu esta


bem concebido para apoiar os paises de
Africa, Caraibas e Pacifico. 0 Sudio do
Sul pode ganhar muito juntando-se a
este grupo, mas trata-se de uma decision
soberana. M.M.B.


Os alunos de Rashid Diab na aula de ceramica, em Cartum
�MMB


Cerreio





*.,D age


0 Correio teve a oportunidade de entrevistar Rosalind


Marsden em Cartum, uma oportunidade a nao perder


Representante especial da UE para o Sudlo: entrevista dada ao Correio ACP-UE, 17 de margo


O que e quejd fez desde a sua
nomeacao como Represen-
tante Especial da UE no
Suddo?

A minha missio consiste em ajudar a rea-
lizar os objectives estrategicos da political
da UE. Entre esses objectives incluem-
-se o apoio active para a implementagio
integral e atempada do Acordo de Paz
Global (APG) de 2005 e um acordo sobre
as disposicoes p6s-referendo. Embora
esteja em Bruxelas, pass pelo menos duas
semanas, todos os meses, no terreno. Para
alem de passar tempo em Cartum e Juba,
tambem estive no Darfur e na regiio do
sul de Kordofan e no Estado do Nilo Azul.
Participei igualmente numa serie de reu-
nikes internacionais de alto nivel em Adis-
Abeba, Nova torque e Washington para
apoiar os progresses na implementagio do
APG e para desbloquear obsticulos. Estou
portanto em movimento permanent!

Quale a sua avalia�do da implemen-
ta(do do APGpelo governor do Suddo
e pelo Movimento de Libertaado do
Povo Sudanes?

O APG pos termo a mais longa guerra
civil de Africa e por isso constituiu um
acontecimento extraordinirio. Como
testemunha do APG, a UE deu grande
apoio de forma consistent a sua imple-
mentacio. A UE continue preocupada
com a necessidade de resolver as ques-
t6es pendentes do APG, nomeadamente
a questio de Abyei, delimitar a fronteira
Norte-Sul e realizar consultas populares
crediveis nas regimes do Nilo Azul e do sul
de Kordofan. A UE esta profundamente
preocupada com a violencia recent e a
perda de vidas em Abyei e faz um apelo
is parties para conseguirem uma solugo
political oportuna e equitativa.


A UE esta a apoiar os esforgos do Painel de
Alto Nivel da UA para a implementacgo do
Acordo, presidido pelo Presidente Mbeki,
para resolver estas quest6es em suspense
do APG e para facilitar o acordo entire
as parties no APG sobre as disposi�ces
p6s-referendo, incluindo a cidadania, o
petr6leo, a divida, a moeda, a gestio das
fronteiras e as quest6es de seguranga, em
que se irio basear as rela6ges Norte-Sul
a long prazo.

Como e que v, os diferentes proces-
sos em curso em relacdo ao Darfur
e o papel da UE no Acordo de Paz do
Suddo Oriental?

A UE esta preocupada corn a violencia
permanent no Darfur e corn o conse-
quente sofrimento das populacoes. Os
pr6ximos meses representam um period
critic para o Sudio e para o Darfur em
especial. AUE tem dado sistematicamente
um forte apoio ao process de paz em
Doha. Agora que os mediadores divul-
garam projects de elements para um
acordo, espero que o governor do Sudio
e os movimentos armados aproveitem
a oportunidade para fazer verdadeiros
progresses.

A UE tem dado assistencia humanitiria
a populagco do Sudao Oriental desde o
inicio dos anos 1990 e apoio ao desenvol-
vimento desde a assinatura do Acordo de
Paz do Sudao Oriental de 2006. Embora
alguns indicadores de pobreza sejam tao
maus como no Darfur ou em parties do
Sudao do Sul e sejam dali os casos de
assistencia a refugiados mais antigos em
Africa, a regiao oriental recebe relati-
vamente pouca atencao international e
recebe de Cartum muito menos trans-
ferencias financeiras per capital do que
a media. Na conferencia international


de doadores e investidores realizada no
Kuwait em Dezembro iltimo, anunciei a
intencao da UE de atribuir 24 milh6es de
euros ao Sudio Oriental. Este montante
acresce a assistencia permanent da UE
para os meios de subsistencia rurais, para
a seguranga alimentar e para a capacita-
�co das mulheres e da sociedade civil,
bem como a assistencia bilateral dos
Estados-Membros da UE. A Uniio esta
actualmente a participar num mecanismo
juntamente corn o Governo e funds ira-
bes para uma interacGo continuada de
doadores no Sudio Oriental.

Quais sdo os principals obstdculos a
uma coopera(do de confianca entire
a UE e o Suddo e como promover as
relacoes UEISuddo nofuturo?

A UE esta preparada para estabelecer
um diilogo a long prazo sobre quest6es
de interesse comum corn o Governo em
Cartum e continue empenhada em prestar
assistencia is populacoes no norte, de
acordo com as necessidades. Tambem esta
pronta para examiner de perto um pos-
sivel apoio da UE para um esforgo inter-
nacional de perdio da divida, coerente
corn os progresses politicos. Os avangos
na resolugco do conflito do Darfur e as
quest6es pendentes do APG e p6s-APG
constituirio a base para o reforco das
rela6ses UE-Sudio.

Na sequencia do referendo, a UE aguarda
com confianca o desenvolvimento de uma
parceria mais estreita e a long prazo
corn o Sudio do Sul. Esta pronta para
intensificar os seus esforgos para apoiar
os servings bisicos e o desenvolvimento
da agriculture com o Governo do Sudio
do Sul e corn outros parceiros, tendo em
vista apoiar um reforgo eficaz da capaci-
dade institutional. M.M.B.


I J
Em Juba ( MMB


Cerim6nia Sufi em Omdurman � MMB


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


Em Cartum � MMB





*.,D age


Um testemunho privilegiado


A cabeca do seu journal o "Al Ayaam" desde 1953, Mahjoub Mohammed Saleh
seguiu pass a pass a independencia do seu pais em 1956, as suas convulses
political de que sao testemunhos cada encerramento do journal ou as diferentes
encarceragoes. Com 84 anos de idade, este sabio da imprensa sudanesa v6 com
lucidez e empatia o future do seu pais.


Mahjoub Mohamed Saleh � Marie-Martine Buckens


O seu escrit6rio situa-se no
fim de um corredor decr&-
pito no primeiro andar de
um pequeno edificio vaci-
lante. Mahjoub Mohammed Saleh
esta sozinho nesta quinta-feira, por-
que a sua equipa de 15 jornalistas e
secretirios esta de licenga e amanhi
e uma sexta-feira feriado. Toma notas
enquanto espera as nossas perguntas.

A criaVAo do journal
"Comecei a minha carreira em 1949 ao
terminar a escola. Em Outubro de 1953,
juntamente com dois amigos, fundi-
mos este journal, gracas a emprestimos
de conhecimentos. Desde o comeco,
tinhamo-nos orientado como journal nacio-


nal, cobrindo a political, a vida social e a
aspect economico.

"Sabem que ser jornalista aqui e muito
arriscado. O journal foi confiscado e encer-
rado e n6s press virias vezes. De 1970
a 1986, o Al Ayaam foi nacionalizado.
Consegui sobreviver abrindo uma tipo-
grafia e colaborando com jornais estran-
geiros. Em seguida, em 1989, o journal
foi encerrado durante dez anos. Nio era
permitido nenhum journal privado ate
1993. O lago foi-se desapertando pouco a
pouco e recomegimos no inicio de 2000".

A separaVAo do Sudio
"Sinto-me muito triste. Era um bom pais,
mas funcionaram tio mal tantas coisas.
Nos anos 1990, o Sudio ja era um pais
com velhos e mesmo muito velhos pro-
blemas na part sul e oeste. Esta separa-
cao e sentida aqui como um verdadeiro
trauma. E o facto de o Sul se chamar
"Sul-Sudio" e uma boa coisa, como se
eles fossem ainda Sudaneses. Penso ser
hoje important parar e perguntar-se se
isso podera acontecer noutros lugares. A
guerra continue em Darfur e o que e que
eles pensam da separacio do Sul? Como
e que eles pensam em terms de risco e
de oportunidades? O Sul-Sudio s6 pode
permitir-se uma separacio porque disp6e
actualmente de recursos financeiros pro-
venientes do petr6leo. 0 que acontecera
se as explorac6es em curso no Sul-Darfur
se revelarem prometedoras? E de que
maneira a separaco afectara a populacio
no Sul Kordofan e o Nilo Azul (zonas de
transioio entire o Norte e o Sul, NdR),
mas tambem nas regi6es da parte Este do
pais? Subsistem outras inc6gnitas, como
por exemplo, o destino dos Sudistas que
viviam ao Norte. O governor de Cartum
tem razio quando que eles partam. Mas,
na pritica, como serio resolvidas quest6es
como a reform, a propriedade, etc.?"


O future do Sul-Sudao
"Ha 50 anos que o Sul luta contra Cartum
e eu tenho muito receio que esta cultural de


Cerreio


. v:.4;2





e*.DD tem


motim continue. Agora ha o risco de ver as
tribes revoltarem-se contra o Estado cen-
tral em Juba. Alem disso, o Sudio actual
tem nove vizinhos e o Sul-Sudio seis. E
demasiado para um pais que se encontra
encravado. Para diversas raz6es, cada um
destes seis vizinhos esta interessado no
Sul-Sudio e arrisca assim de o destabili-
zar. Uma das quest6es consist em saber
quem possui o dinheiro, os bancos e o
comercio. Ja hoje a presenya de Ugandeses,
Quenianos e Indianos e muito elevada".

A ajuda dos Ocidentais e espe-
cialmente da Unido Europeia

"Consideremos o caso de Darfur. Em
61tima anMlise, o que se passa ali e uma


question de subdesenvolvimento. A popu-
lagio -agricultores e pastores -luta por
recursos naturais muito limitados. E a
populacgo aumenta. Ora, ninguem se
empenha na solucgo destes problems
bisicos nem se elabora uma estrategia
global. Mesmo a comunidade interna-
cional. Ap6s o acordo de paz de 2005, os
paises doadores reuniram-se em Oslo para
apoiar projects de reconstrugyo e desen-
volvimento. Depois decidiram transferir
este dinheiro para Darfur e s6 enviaram
20%. Eu estive em Oslo como represen-
tante da sociedade civil. Eu tinha previsto
isso. Tenho a impressio que o Ocidente
interessa-se apenas pelas zonas em crise e
nio pelo desenvolvimento a long prazo,
que e pren6ncio de estabilidade".


O future do Sudio, Cartum

A mudanya vira mais cedo ou mais tarde;
mesmo o governor o admite. Mas como e
para que? 0 debate esta aberto. Ha tan-
tas coisas a resolver: temos quatro meses
para resolver a separacgo Norte-Sul,
como terminar a guerra em Darfur, sem
esquecer de pensar no future de toda a
zona que esta hoje em plena tormenta.
Um dos grandes problems e a pobreza.
Quando aqueles que tern o monop6lio da
autoridade se arrogam a riqueza, isso cria
desigualdades que conduzem a conflitos
e a rebeliao. A pobreza cria competiygo
e nao harmonia. Esta aqui sem duvida
o nosso maior problema: viver com os
outros. M.M.B.


As mulheres sudanesas,


centro da renovagio


SA s mudancas no Sudao
Sso visiveis e sao dirigi-
das por mulheres", explica
" A Balghis Badri, Directora
do Institute de Estudos sobre Genero
e Desenvolvimento da Universidade de
Ahfad, a inica instituigio academica de
lingua inglesa existent em Cartum.

Hoje sao 8 de Margo, Dia Internacional
da Mulher. A policia acaba de p6r termo
a uma manifestagio feminine que exige
ao governor que acabe com a violencia
contra as mulheres. "A hist6ria recent
das mulheres sudanesas ainda esta por
escrever", diz Balghis Badri. "Quem e
que iniciou o process de negociag6es
entire o Norte e o Sul do pais? Foram as
mulheres. Em 2000 conseguimos mudar a
lei sobre a participagio das mulheres nos
assuntos p6blicos. Hoje, as mulheres vem
para a rua como manifestantes. Penso que
o vento da mudanga chegou ao Sudio."

Mas a Directora do Instituto reconhece
que tal nao se fara sem dificuldades. "Os
desafios nao sao apenas sociais. Sao tam-
bem culturais. A separacio das esferas
public e privada sempre nos foi desfa-
vorivel. Mas as mulheres estio a ganhar
mais consciencia. Especialmente agora,
com a separacgo do Sudao do Sul, o
governor e desafiado a apoiar (como acon-
tecera no Sul) os movimentos dos direitos
humans e especialmente os movimentos
femininos. Ficamos preocupadas quando
lemos que o governor de Cartum tenciona
reforgar no Norte a lei islamica da Sharia."

Balghis Badri, que dirigiu um estudo
sobre mecanismos para resolver conflitos


intercomunitarios -uma questio sensi-
vel num pais onde as rivalidades etnicas
estao na origem da maior part dos con-
flitos -salienta o trabalho fundamental
que ha a fazer com a sociedade civil para
induzir uma mudanga positive, tanto poli-
tica como socialmente. "Trabalhei com
a Uniao Europeia nesses assuntos. Mas


desde a assinatura dos acordos de paz a
UE deixou de financial projects direc-
tamente, embora o faga atraves das agen-
cias da ONU. Penso que sera important
ver qual o papel que a Europa tenciona
desempenhar durante o period de tran-
sigio e depois de Julho, quando a division
do pais se concretizar." M.M.B.


hroTesto oas mulneres em umourman, 6 oe margo oe zu l Y� hun I buaan


N.� 22 N.E. - MARCO ABRIL 2011





*.,Dtage


Empresas privadas combativas


procuram reconhecimento e mercados



Embora a China seja agora o principal parceiro commercial do Sudao, os empre-
sarios em Cartum nao abandonaram a esperanca de renovar as ligac es outrora
pr6speras com a Uniao Europeia. Mas tambem com o Sudao do Sul, considerado
como prioritario. E o Darfur tambem nao deve ser esquecido.

Reuniao em Cartum cor Bakri yousif Omer, Secretario-Geral da Federagao de Empregadores do Sudao.


A nossa organizagio-quadro
engloba o sector privado
no seu conjunto", diz-nos
"A de imediato Bakri Omer,
"desde a camara de comercio a indus-
tria, aos transportes, a agriculture e
pecuiria, bem como
pequenas empresas e
empresas artesanais. "Estamo
Tenho a minha pr6pria de perder toc
empresa de consultoria euro
no dominio das tecno-
logias da informagao,
mas trabalho aqui graciosamente." Uma
organizagio com ligag6es estreitas com as
organizag6es hom6logas na Europa e no
mundo irabe. Ha quatro anos foi Cartum
que organizou o F6rum Econ6mico dos
paises ACP.

Como estio as relag6es entire os empre-
sarios sudaneses e europeus? "As nossas
relag6es degradaram-se bastante nos anos
1980, quando desde 1950 a Europa era o
nosso principal parceiro. Em meados dos


anos 1990 o boicote econ6mico decretado
pelos Estados Unidos levou a um boi-
cote defacto europeu, mesmo nao sendo
official "

Foi nessa altura que o governor suda-
nes se virou para o
oriented e para a China
S em vias que, hoje, acrescenta
a a tecnologia Bakri Omer, apresenta
peia". o Sudao como uma
hist6ria de sucesso
africana. Pequim, ini-
cialmente interessada nos recursos petro-
liferos do Sudio Ocidental, foi investindo
progressivamente em todos os sectors,
incluindo a agriculture. At&e data, con-
tudo, foram poucos os beneficios para o
sector privado sudanes, que & geralmente
considerado como o grande perdedor da
cooperago intergovernmental. "Foram
feitos alguns progresses nos iltimos tries
anos, ainda que as empresas comuns
sudaneso-chinesas estejam long de ser
a norma", salienta o Secretirio-Geral,


Bakri Yousif Omer � Marie-Martine Buckens


que deplora ao mesmo tempo o facto de
que "estamos em vias de perder toda a
tecnologia europeia".

Nova parceria Norte-Sul

Mas Bakri Omer entusiasma-se quando
fala das relac6es comerciais entire o Sudao
do Sul e o Norte. "O nosso papel e posi-
tivo. Organizimos em Juba, em 2007, um
f6rum sobre investimento equitativo, no
qual participaram 30 empresas alemas. Em
Novembro iltimo recebemos 70 empre-
sirios do Sudao do Sul, incluindo oito
mulheres e oito jovens empresirios." O
Secretirio-Geral tambem esta a tentar
conseguir que os bancos do Norte se reins-
talem no Sul. "Expliquei aos banqueiros
que este vazio seria em breve preenchido
pelos nossos vizinhos." Salienta igualmente
os lagos estreitos que se mantem entire
as duas regi6es e o modo identico como
fazem neg6cios: "Historicamente o papel
dos empresirios no Sudio e diferente dos
outros paises. O nosso papel social e impor-
tante. Eu pr6prio construi dois liceus na
minha aldeia e 80% do pessoal da minha
empresa vem da minha aldeia."

E neste espirito que a Federacgo dos
Empregadores esta a investor no Darfur:
"Contribuimos activamente para recons-
truir aldeias, escolas e pogos. Juntamente
com a Camara de Comercio Artesanal
organizamos seminirios para os rebeldes
que depuseram as armas. Mais do que dar
dinheiro, acreditamos que faz mais sen-
tido ensinar-lhes uma profissao." M.M.B.


Cartum � Marie-Martine Buckens


Cerreio





*.,D age


0 desafio do Sudio do Sul


Juba, capital do future Sudao do Sul. Duas ruas acabadas de alcatroar sao o impro-
vavel centro de uma cidade que procura crescer rapidamente, mesmo rapido demais,
sob a pressao de todos os sul-sudaneses de regresso "a casa" apos cinquenta
anos de guerra. Cubatas erguem-se ao lado de edificios completamente novos.
Garrafas de plastico - a agua extraida do Nilo e duvidosa, as aguas residuais nao
sao tratadas, a febre tifoide alastra - amontoam-se a espera de uma hipotetica
recolha de lixo. Os hoteis crescem como cogumelos para alojar a multidao de
peritos internacionais que vem dar apoio a esta jovem nacao.


O_ Sudao do Sul e um labo- front, a presenca da UE, cre, ever,
rat6rio extraordinirio", expandir-se, e rapidamente: "O Sudio do
diz um representante Sul pode vir a ser uma referencia excelente
da delegagio da UE em em situag6es p6s-conflito, especialmente
Juba. Situada no "condominio da UE" -para a cooperaao international". Porisso,
onde tambem estio localizadas as embai- foi criado um grupo informal em Juba,
xadas de Itilia, Franca, Reino Unido, o "G6", que inclui os chefes das delega-
Alemanha, Espanha e Suecia -a delega- 56es do Banco Mundial, Nac6es Unidas,
cao da UE e na realidade um gabinete da Estados Unidos da America, Reino Unido,
delegagio da UE no Sudio, com um efec- Noruega e UE. "Procuramos coorde-
tivo de seis funcionirios. "Inicialmente, nar as nossas political. Alem disso, uma
isto 6, de Maio a equipa de doadores
Setembro de 2009, o O Suddo do Sul pode vir a organizou algumas
gabinete encontrou-se ser uma refer6ncia excelente acq6es conjuntas. A
reduzido � sua mais equipa inclui quatro
simple expresso, em itua es ps-conflito, Estados-Membros
trabalhando mesmo especialmente para a da UE -Dinamarca,
sem servidor web", diz cooperagao international Suecia, Reino Unido
Jesus Orus Biguena, e Paises Baixos -bem
chefe do gabinete hi dois anos. "Por causa como a Noruega e o Canadi".
da situagco de seguranca e da falta de
escolas, o pessoal europeu e na maioria A tarefa que recai sobre a comunidade
solteiro". international e o governor empossado e


situacgo de seguranga e da falta de escolas,
o pessoal europeu e na maioria solteiro".

No entanto, devido aos enormes desafios
com que o novo Sudio do Sul se con-


gigantesca. O pais, flagelado pela guerra,
parte do nada. Com uma superficie supe-
rior a da Franga, cerca de 590 000 km2,
habitada por apenas 9 milh6es de pessoas,
e um dos mais pobres paises do mundo e
o seu indice de desenvolvimento human


Gabinete para os cidadaos em Juba � Marie-Martine Buckens



figure entire os mais baixos; 85% dos adul-
tos sao analfabetos. Mas conta tambem
com alguns factors positives, incluindo
um solo agricola fertil e os recursos petro-
liferos, que representam 80% das reserves
de petr6leo do Sudio, estimadas actual-
mente em 6 mil milh6es de barris.

Rumo a boa governaVao e a
seguranga alimentar

"A comunidade international, incluindo
a UE, e a principal fonte de assistencia
a reconstrucao do pais", nas palavras de
um observador europeu, que prossegue:
"devemos, antes do mais, resolver as
quest6es da repatriacio, reintegracio e
reabilitaoio, nomeadamente dos antigos
guerrilheiros. Seguir-se-ao a educaoo,
a assistencia medica e a construcao de
toda a estrutura econ6mica, abragando o
sector primirio, secundirio e terciirio. A
UE, por seu turno, decidiu concentrar-se
no apoio a boa governaoo, is quest6es
de direitos humans e a ajuda alimentar.

"O governor do Sudio do Sul, disse, esta a
organizer estruturas administrativas nas


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011





*.,D age


10 provincias do pais". Trata-se de um
process lento, agravado por duas impor-
tantes dificuldades: a escassez de recursos
financeiros e de pessoal formado, para
nio falar nas muitas diferengas tanto no
pr6prio partido no poder -o Movimento
de Libertagio do Povo Sudanes (SPLM)
-como entire o SPLM e as facq6es rivals.
"Mas o SPLM deve, acima de tudo,
aprender a converter-se de movimento
com uma hierarquia military (Salva Kiir,
agora president do Sudio do Sul, era o
comandante do brago armado do SPLA, o
Exercito Popular de Libertagco do Sudao)
em partido politico cor uma estrutura
democritica. "O SPLM, nas palavras
do observador, apelou a ajuda dos sul-
-sudaneses na diaspora. Entre estes e o
antigo lider da guerrilha, habituado a
tomar decis6es sem rede de seguranga,
isto abrira caminho a uma mistura por
vezes explosive mas certamente interes-
sante".

Se alguns membros da diaspora respon-
deram ao apelo, o facto 6 que a maioria
deles vem de cidades no Sudio do Norte.
"Estes, explicou outro perito europeu,
foram educados em arabe e seguem a lei
coranica, muito diferente da lei consuetu-
diniria de inspiragio britanica, aplicada
no Sudio do Sul". Em Juba, fala-se geral-
mente um dialecto arabe, mas o ingles
passara a ser a lingua official do pais ap6s
a independencia em Julho. M.M.B.


Em Juba � Marie-Martine Buckens


"A UE deve estabelecer dialogo com as autoridades sul-sudanesas"
Entrevista com Nhial Bol, chefe de redacqAo de The Citizen em Juba, Sudao do Sul


"Um dos principals problems que o
governor do Sudao do Sul tera de en-
frentar e a corrupgao e o nepotismo",
explica Nhial Bol. E, pelo simples facto
de exprimir a sua opiniao, o director do
journal independent do Sudao do Sul,
langado em 2005, foi preso repetidas
vezes. Em Cartum, nas suas antigas
fung6es de director-geral do journal inde-
pendente, o Cartum Monitor, tambem foi
encarcerado em 2002 porter acusado
o governor de Omar el-Bashir de fechar
os olhos a escravatura e ao rapto de
mulheres e criangas nas regi6es do sul.
"Terao de ser desenvolvidos enormes
esforgos nao s6 para former a forga
policial, mastambem para a assistir de
modo a evitar toda e qualquer levian-
dade". 0 Sudao do Sul adoptou uma


Constituicgo, "mas onde estao as leis?",
pergunta Nhial Bol. "Porque sem leis",
prossegue, "os corruptos nao podem
serjulgados. E, no moment present,
qualquer pessoa pode ser presa a pre-
texto de "raz6es de seguranga". Actual-
mente em Juba, cerca de 2 300 pessoas
jazem numa prison com capacidade
para 300 sem quaisquer instalag6es
sanitarias, mesmo incipientes".
Para o chefe de redacq5o de The Ci-
tizen, o papel da UE podia ser crucial.
"Se os europeus querem ter uma pre-
senga aqui, paralelamente aos ameri-
canos e noruegueses, e imperative que
encetem um dialogo construtivo com o
governor, para garantir a manutencgo da
integridade, e tambem com a oposicgo,
para que renuncie a violncia."


Nhial Bol � Marie-Martine Buckens


Cerreio





e*.DD tem


Combater a


corrupqao


endemica



"A corrupg o e um dos assuntos transversais mais importantes que o governor do
Sudao do Sul tem de combater," acredita a Dr.a Pauline Riek, dirigente da Comissao
de Combate a Corrupcao instituida pelo governor de Salva Kiir.


A corrupgao e uma praga que
esta a envenenar as relao6es
neste estado emergente, praga
que e reconhecida pelo pr6prio
governor. "Como pensam que financiimos
as nossas acy6es de guerrilha contra as for-
cas do Norte? Disse
recentemente um 0 inqu6rito q
membro do Governo de realizar t
do Sul do Sudio a um
observador europeu. a import&ncia
A imprensa tambem cultural que ja
report regular- corru
mente sobre casos de
corrupcio, tal como o do Ministro das
Financas implicado na fraud da ajuda
alimentar em grande escala. Em Fevereiro
de 2011, ap6s o referendo, Silva Kiir decla-
rou que o seu governor iria agora enfrentar
"a corrupyio endemica que ate aqui tern
ignorado" tal como quando se preocupou
em implementar o acordo de paz assinado
em 2005.

"O nosso papel e facilitado pela tradigio
participativa do Sudio do Sul, reforgado
pela guerra e tambem complicado por esta
mesma tradigio," explicou o president
da Comissio de Combate a Corrupoio.
"Quando atacamos alguem, e toda a
comunidade que se senate ameagada. Dai
a importancia de todos participarem de
forma active: as mulheres, o governor e a
sociedade civil. O inquerito que acabimos
de realizar tambem prova a importancia
da dinamica cultural que jaz por detris
da corrupoio."

Recrutamento
A Comissio de Combate a Corrupgio
assinou uma carta de intengyo corn os 10
Estados semi-aut6nomos do Sudio do Sul.
"O governor central," explica Pauline Riek,


u
\r

'F


"gostaria de descentralizar a luta contra
a corrupcgo, mas pensamos que ainda
e cedo demais. Estamos no process de
recrutamento de pessoal em todos estes
estados mas estas pessoas ainda terio de
receber formaago. Aqui em Juba estamos
corn muita falta de
ie acabamos pessoal e de meios de
nbdm p va formacao. Temos nove
nb6m prova investigadores, quatro
da dinamica dos quais sao qualifi-
por detris da cados. Mas o volume
gdo de trabalho e imenso.
Actualmente estamos
a analisar 66 casos. Quanto tempo dura-
rio estas investigac6es? Dois meses, tries
anos, nao fazemos ideia."

No Sudio do Sul falam-se catorze idiomas,"e
temos de saber falar todos estes idiomas,"
mantem o president. "Tambem e essencial
que as investigac6es sejam levadas a cabo
pelos sudaneses do Sul. Se o investigator for
estrangeiro, as pessoas entrevistadas dirio
simplesmente o que pensam que ele quer
ouvir, enquanto que responderio de forma
diferente a uma pessoa do Sudio pois esta
sabera de onde eles vem."

O Sudio do Sul adoptou uma estra-
tegia de combat a corrupaio para o
period de 2010-2014. "No e a nossa
estrategia, e a estrategia do governor "
apressa-se a salientar o president. "Em
breve, serio aprovados dois projectos-lei
que irio definir melhor o nosso papel.
Presentemente, a nossa margem de
manobra e limitada. Ainda nio ha um
mandate de execuogo."

Entretanto, o ano passado, foram con-
vidados oficiais do Sudio do Sul para
preencher uma "declaragyo de fortune".
Apenas 222 em 1.000 responderam. M.M.B.


N.� 22 N.E. - MARCO ABRIL 2011


raullne nleK c Iviare-vilartlne BucKens





*.,D age


Petroleo, terra e agua


divisao das receitas do petr6leo,
tries quartos das quais provem
do Sudao do Sul. Tambem
preve a celebracio de tratados interna-
cionais, incluindo o tratado sobre a bacia
do Nilo. A estas duas quest6es polemicas,
convem acrescentar uma terceira que nio
e abrangida pelo acordo de paz: a proprie-
dade fundiiria.

Enquanto no Sudio do Norte a terra
pertence em teoria
ao estado ainda Aindepend~n
que este tenha pri-
vatizado explorag6es do Sul deveri
agricolas nos anos negociag6es
1980 e 1990 no questdo dapa
Sudio do Sul pre-
valece um regime de hidrograf
propriedade da terra
radicado no direito consuetudinario.
Essa e pelo menos a posigio adoptada
pelo governor de Juba, reconhecendo
embora a necessidade de uma political
fundiiria que permit a comercializa-
fo da agriculture e o desenvolvimento
de uma economic de mercado justa e
inclusive" numa region assolada pela
guerra e cuja populaygo depend da
agriculture de subsistencia.

O reconhecimento da posse da terra por
direito consuetudinirio sera ainda mais
dificil de aplicar nas regi6es petroliferas
das quais a populagio foi expulsa a forga
por Cartum. Como as receitas p6blicas
no Sudio do Sul provem quase exclu-
sivamente do petr6leo, justificar-se-a
que o governor crie novas estruturas de
control politico.

Monopolizaqao
Entretanto, segundo um estudo elabo-
rado pela ONG Norwegian People's Aid,
entire 2007 e 2010 empresas estrangeiras
adquiriram um total de 2,64 milh6es
de hectares de terras destinadas a
agriculture, silvicultura e producgo
de biocombustiveis. Cre-se que a area
em causa represent cerca de 9% da


'c



r
c


superficie total do Sudio do Sul, o que
significa uma area superior a do Ruanda.

0 ouro azul

A independencia do Sudao do Sul devera
acelerar as negociac6es sobre a irdua
questio da partilha da bacia hidrogri-
fica do Nilo. A visit de Nabil Elaraby,
ministry dos Neg6cios Estrangeiros
egipcio, a Cartum, em 27 de Marco,
seguida por uma deslocacgo a Juba,
e digna de nota. O
ia do Suddo Egipto goza de um
direito "hist6rico"
acelerar as as aguas do Nilo
obre a ardua que, desde o acordo
tilha da bacia imposto pelos brita-
nicos em 1929 e alte-
a do Nilo rado em 1959, lhe tem
permitido beneficiary
de 70% das aguas do rio, sendo 20%
atribuidos ao Sudao em compensacao
pelas terras alagadas pela barrage de
Assuao no Egipto e pela consequente
deslocago de mais de 60 000 n6bios.
Os restantes 10% sao concedidos a pai-


ses a jusante da bacia do Nilo Branco:
Uganda, Rep6blica Democritica do
Congo, Burundi, Ruanda, Tanzania,
Quenia e Eti6pia, bergo do Nilo Azul e,
verdade se diga, responsiveis por 85%
do Nilo que actualmente tem a sua nas-
cente em Cartum onde o Nilo Branco e
Azul confluem.

Desde 1999, a Iniciativa da Bacia do Nilo
procura tender a crescent procura de
agua dos paises a jusante. A maioria des-
tes paises ratificou a Iniciativa. O Cairo,
que ate agora se lhe opunha, parece estar
disposto a aceitar um compromisso. A
ideia e revitalizar o project para cons-
truir o Canal de Jonglei. Langado em
1973, este canal, cor 360 km de compri-
mento, destinava-se a evitar que as aguas
do Nilo Branco se perdessem no pantano
de Sudd no Sudio do Sul, recuperando
assim 10 mil milh6es de m3 de agua por
ano. Os trabalhos do project foram
interrompidos pela guerra civil em 1983
e o ministry egipcio preve agora o seu
relancamento corn os novos parceiros
sul-sudaneses. M.M.B.


Cerreio















"A arte


deve


orientar a


reflexao de


um pais"

Pintor e gravador, Rashid Diab e tambem
arquitecto nos tempos livres e sobretudo
quando se trata de construir um centro
dedicado as artes na baixa de Cartum.

SO centro que construi
destina-se a preparar
as pessoas para a luta
servindo-se da cultural
como arma", diz Rashid Diab logo i par-
tida, prosseguindo: "Este pais sofre nas
entranhas. A cooperacao com o ocidente
foi arruinada pela ajuda, nomeadamente
a ajuda alimentar, ja que nao ofereceu a
logistica nem se concentrou em estudar
a possibilidade de suscitar a mudanga. A
UE nao tem um orgamento para a arte,
mas apenas para as ONG e as institui-
96es que se ocupam da governaogo."
Rashid Diab saiu do pais para estu-
dar arte em Espanha, onde conheceu
a mulher e ensinou arte durante nove
anos. "Resolvi deixar tudo e regressar.
Queria ser um revolucionirio, um lider
cultural, mas nao politico. Comprei um
terreno em Cartum no qual projected e
construi estes edificios. Todos os mate-
riais sao locais. Acolhem uma galeria,
uma loja e espacos que permitem aos
artists permanecer aqui em residencia.
Artistas alemaes, egipcios e franceses ja
participaram em workshops aqui". No
jardim, recantos em pedra cruzam-se
com zonas verdes. No centro, ve-se um
palco e, mais adiante, mesas de trabalho
onde, de moment, criangas aprendem
a trabalhar o barro. M.M.B.


Hashid Uiab � Marie-Martine Buckens


Polifonia


Seis vozes em diferentes timbres

expressam a realidade actual do Sudio


m primeiro lugar vem, evidente-
mente, Tayeb Salih, o autor de
"Tempo de Migrarpara o Norte",
um romance tao aclamado no
mundo irabe quanto no ocidente. Afora
este escritor, falecido hi dois anos, poucos
autores sudaneses conseguiram que as
suas vozes fossem ouvidas fora do pais. A
colectanea "Nouvelles du Soudan" pre-
tende colmatar esta lacuna. Os autores
das seis hist6rias curtas publicadas sao
de origem arabe, n6bia, sul-sudanesa ou
darfuriana. Todos escrevem em arabe,
mas descrevem personagens e situac6es
dos quatro cantos do pais, cor as suas
diferentes tradii6es e caracteristicas.
Todos expressam de forma diferente a
ditadura, a guerra civil e a sua quota de
sofrimento e refugiados.


"Os acontecimentos descritos sao frequen-
temente graves, mas a arte e a elegancia
dos autores, o humor e o estilo fantasioso,
que e remanescente do realismo mrgico
latino-americano, transformam-nos
em j6ias, simultaneamente testemunho
de uma dura realidade e literature por
descobrir", explica no pr6logo Xavier
Luffin, professor da Universidade Livre
de Bruxelas e tradutor da colectanea. As
hist6rias foram traduzidas em frances,
e dentro em breve se-lo-ao tambem em
ingles. M.M.B.

Informao6es:
Nouvelles du Soudan
Editor: Magellan Et Cie
EAN13: 9782350741604


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


*.,D age

















0 Darfur, visto pelos olhos

do artist Issam Abdel-Hafez



guerra tem devastado a provin-
cia do Darfur no Sudio ociden-
tal, contigua ao Chade. Este
conflito com m6ltiplas causes conflito
inter-&tnico, agravado pelo crescimento
da populaogo, pela exploraogo de petr6leo
e pelo alastramento do conflito no Chade
fez at& a data 2,5 milh6es de refugiados
e mais de um milhio de mortos. Desde
o inicio do conflito, a UE tem procu-
rado ajudar e assistir as populag6es locais
atraves do ECHO, o seu servigo de ajuda
humanitiria.

Issam Abdel-Hafiz visitou o Darfur em
2006 e 2007 com uma ONGhumanitiria.
Um livro publicado dois anos depois (ver
mais adiante) foi ilustrado com 32 das suas
fotografias. De regresso a Cartum, langou
uma campanha via internet "Salvemos as
Criangas do Darfur". "Recebemos mais
de sete toneladas de medicamentos, mate-
rial escolar e roupas de todo o mundo,
especialmente da diaspora sudanesa",
explicou. Desde entgo, Issam Abdel-
ML - Hafez tem continuado a sua actividade,
, no sem dificuldade, enquanto fot6grafo
investido de uma missso, para nro falar do
seu trabalho de pintura e desenho. M.M.B.

Issam Abdel Hafez, a estudar � Marie-Martine Buckens






" I W


(II


Darfur � Issam Abdel-Hafez


uartur u Issam roAel-Hiaez


Cerreio


*.,D age


Darfur e a Crise de Governaqao
no Sudao: Uma Leitura Critica
Este ensaio, escreve o seu co-autor
Salah M. Hassan, realga os criterios
selectivos aplicados na apresenta-
95o, representagco e utilizagao do
conflito no Darfur por uma serie de
entidades dentro e fora do Sudao
para promover agendas e interesses
pr6prios. Chama a atengao para a
premdncia de entender "por dentro" a
political de representacgo do Darfur.
Centrando-se na sociedade civil su-
danesa, historicamente forte, a obra
elucida como a analise dos conflitos
do pais tragada pela sociedade civil
sudanesa se afasta de oposig6es bi-
narias maniqueistas, como o "norte
arabe" contra o "sul cristao/animis-
ta" ou "arabe" contra "africano" como
no caso do Darfur. Salah M. Hassan
advoga o estudo das origens destes
conflitos como manifestag6es de de-
senvolvimento dispar e de injustigas
hist6ricas perpetradas contra a classes
dominada pela classes dominant das
elites arabizadas. Nessa sequdncia,
Salah M. Hassan revela a participa�go
vigorosa dos sudaneses a todos os
niveis na crise do Darfur, bem como
em outras areas de disc6rdia que
actualmente submergem o pais. A
obra insisted na necessidade de ouvir
as vozes sudanesas para chegar a
uma resolucgo genuina dos mCltiplos
conflitos do pais.











































Premios dos festivals de cinema

africanos FESPACO e Academia

Africana de Cinema


F oram exibidos cento e um fil-
mes no ambito do festival de
cinema FESPACO, como part
da selecco official, e 84 filmes
fora da competition. "Cinema e Mercados
Africanos" foi o tema do event deste ano.
O festival bienal de cinema, conhecido
como os Oscares ou Caesars Africanos,
atribuiu o Garanhao de Ouro de Yennenga
- o primeiro premio -ao realizador
marroquino, Mohamed Mouftakir, pela
sua estreia cinematogrifica "Pegasus"
(Pegaso) - uma hist6ria acerca de uma


jovem numa ala psiquiitrica e da sua
violagio pelo seu pai. O filme recebeu
reconhecimento por festivals de cinema
no Dubai, em Bruxelas e em Marrocos.
O premio "Paul Robeson" da Diaspora
foi atribuido ao haitiano, Arnold Antonin,
por "The loves of a zombie" (Os amores
de um zombie).
O Comissirio da UE para o
Desenvolvimento, Andris Piebalgs, que
marcou presence no Festival, anunciou
mais apoio financeiro para o Cinema
Africano, partilhando o seu desejo de
"contribuir para o desenvolvimento
econ6mico, social e tambem politico
dos paises do ACP". Um financiamento


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


Anna Bates


k\ PEGASE





Criatvid


na ordem dos 30 milh6es de euros sera
disponibilizado ao sector cultural do
ACP, sob os programs ACPFILMS
e ACPCULTURES do 9.� Fundo de
Desenvolvimento Europeu.

Sucesso para ACPFILMS:
"Viva Riva!" arrebata a maio-
ria dos Premios da Academia
Africana de Cinema (AMAA)

No 7.� festival annual de Pr6mios da
Academia Africana de Cinema
de 2011 (AMAA), que teve este ano
lugar em Bayelsa, Nigeria, no dia 26 de
Margo, o film do Congo "Viva Riva" de
DjoTundaWaMunga venceu seis premios,
incluindo o de Melhor Filme e Melhor
Realizador. O film & um divertido thriller
de gangsters, cuja acgco decorre no coragyo
de Kinshasa, e e a primeira longa-metragem
do realizador. Descrito pelo seu produtor,
Michael Goldberg, como "A Forga do Poder
em Kinshasa", este film pretend contar
uma hist6ria africana modern, uma ver-
dadeira hist6ria da Africa de hoje.

Depois de uma formagio em Bruxelas,
o realizador DjoTunda regressou a RDC
e criou a primeira empresa de produ-
c9o cinematogrifica national - Suka
Productions!

"Viva Riva" recebeu apoio do project
ACPFILMS, que trabalha para apoiar
indistrias cinematogrificas e audiovi-
suais no ACP. Foi exibido em festivals
de cinema em Berlim, Toronto, Hong
Kong, no festival SXSW e no Festival
de Cinema Panafricano (PANAF) em
Los Angeles, onde recebeu o pr6mio para
Melhor Longa-Metragem. O seu pr6ximo
project sera outro thriller policial -com
accgo no Congo e na China.

Para mais informao6es, consulate www.fes-
paco.bf, www.acpcultures.eu, www.acpfilms.
eu e www.ec.europa.eu/europeaid/what/cul-
ture/index en.htm

10 Festival South by Southwest e um festival
annual de musica, cinema e interactive que tem
lugar em Austin, Texas.


Direitos de autor e mobilidade


de artists no scenario cultural


ACP


Eugenio Orsi


para a reducgo da pobreza? O
ACP Cultures, um projecto-piloto
da UE-ACP em curso, procura
responder a esta questao. A globalizaygo
esta a tornar cada vez mais apelativa a
utilizacgo da cultural para o desenvol-
vimento econ6mico. Para explorer todo
o seu potential, deve em primeiro lugar
existir um claro entendimento de como
as industries culturais funcionam. At&
a data, a falta de dados dos paises ACP
tinha sido um obsticulo.

Um observat6rio criado ao abrigo deste
project procura agora colmatar esta falha
de informaogo. Este esta por tris de um
novo relat6rio (actualmente a ser finali-
zado) que aborda quest6es de direitos de
autor e de propriedade intellectual, bem
como quest6es de mobilidade de artists.
A pesquisa foi lancada em Outubro de
2010 e foi enderegada a 478 organizay6es
culturais em 60 paises, desde a indus-
tria audiovisual, at& a profissionais de
artes dramiticas e musicos. Encontrou
um mundo de organizay6es de pequenas
dimensies, onde mais de 80% do emprego


criativo 6 gerado por entidades cor menos
de 10 funcionirios.

Direitos de autor
O future nao 6 muito brilhante, no que
diz respeito aos direitos de propriedade
intellectual. "A maioria do rendimento
proveniente de propriedade intellectual em
paises ACP terminara eventualmente nas
maos dos produtores e managers. Os artis-
tas sao os iltimos a beneficiary dos direitos
de autor", explica Frederic Jacquemin, um
perito de alto nivel envolvido no project.
Apenas 75% dos paises ACP possuem uma
agencia de gestao de direitos de autor, mas
mesmo quando existe um sistema de direi-
tos de autor em funcionamento, artists
de todo o mundo sentem que o sistema
deveria fazer mais por eles. Jacquemin
sugere que o ACP deve tamb6m comegar
a procurar alternatives, tais como a capi-
talizaygo de tecnologias da Web e partilha
peer-to-peer.

Mobilidade
A maioria das viagens dos artists cultu-
rais do ACP 6 dentro dos estados ACP e,
mais ainda, dentro da pr6pria regiao do
artist. "Um artist do Gana tem maior
probabilidade de ir para um pais na sua


Djo Tunga Munga, director, Viva Riva!
� abaca / Reporters


Leitura de poesia � Cecile Mella


Cerreio



























regigo do que para a Europa", explica
Jacquemin. "Por este motive, deveriamos
sublinhar verdadeiramente a importancia
de mercados culturais regionais", acres-
centa. Jacquemin afirma que a question
do visto e parte do problema, mas nao
a inica. "Acredito que deveriamos ter
muito cuidado com a proposta de um visto
cultural. Seria, corn certeza, muito util
para aqueles que trabalham com a UE,
mas criaria uma mobilidade privilegiada.
Nao vejo porque os artists devam ter
este privilegio e nao pessoas de outros
campos, como carpinteiros ou professors,
por exemplo, que tambem necessitam de
viajar na sua profissio", diz ele.

Entio, como e que a pesquisa do observa-
torio contribui para a redugyo da pobreza,
o principal objective do program? "A
recolha de dados pode nao parecer uma
actividade muito atractiva", conclui
Jacquemin, "mas por vezes e necessi-
rio criar conhecimento primeiro para
posteriormente poder elaborar projects
eficazes".

Para mais informag6es: www.acpcultures.eu/


Direitos de autor e mobilidade artistic na esfera cultural ACP Demonstraqao � Afropixel 2008


Direitos de autor e mobilidade artistic na esfera cultural ACP Laborat6rios de bricolage. Bricolabs � Afropixel 2008


N.� 22 N.E. - MARCO ABRIL 2011


Cratvida





Criatvid


Entrevista com o autor de banda


desenhada congoles Pat Masioni


Sandra Federici


E m 2005, Pat Masioni tornou-
-se famoso a nivel international
com a publicaago de um livro de
banda desenhada em duas par-
tes, baseado no genocidio do Ruanda em
1994: "Ruanda 94 Descida aos Infernos"
e "O campo da Vida". Estas publicay6es
elevaram Masioni a categoria de mestre
da sua arte.

A sua obra foi incluida num volume
sobre a guerra no Uganda da famosa
serie Soldado Desconhecido, publicada nos
Estados Unidos pela '. i:.-- I )C Comics.
Foi igualmente seleccionado, juntamente
com outros nove artists, para colaborar
numa ediygo especial da revista interna-
cional Colors, sobre Super-Her6is (Maryo
de 2011).

Pat, escreveu no seu blogue que "o
sol brilha", mas ndo deve ter sido
fdcil chegar tdo long na edifdo
international de banda desenhada.

Foi dificil porque o mundo da banda dese-
nhada europeia e um bocado fechado. Os
editors hesitam em relagio a autores afri-
canos, cujos livros podem nio se vender
bem. Cheguei a Franga como refugiado
em 2002. Logo que obtive a minha auto-
rizagio de residencia, comecei a arranjar
pequenos trabalhos como ilustrador e
caricaturista.

A viragem surgiu com a publicago de
"Ruanda 94", que teve reacc6es muito
positivas da imprensa e da critical e que
consequentemente me tornou famoso.

Queformacdo teve na drea
da banda desenhada? Afinal,
todos os seus estudosforam em
arquitectura.

Estudei design de interiors na Academia
de Belas-Artes de Kinshasa, mas a minha
formagio na area da banda desenhada
comegou aos 12 anos, quando o meu
professor de arte me incentivou, ofere-
cendo-me livros, revistas e materials para
poder trabalhar. Publiquei o primeiro
desenho aos 14 anos, que foi uma capa
de um disco compact, e assim ganhei
confianga. Ao mesmo tempo que estudava


na Academia frequentava cursos de pin-
tura e de ceramica num est6dio privado.
Contactei igualmente a editor Saint-
Paul na Rep6blica Democritica do Congo
(RDC) e consegui um contrato para uma
hist6ria de Jesus Cristo em nove volumes
(um livro que continue a ser reimpresso
e distribuido em toda a Africa Ocidental
franc6fona). Um seminirio de arte no
Centro Cultural Frances tambem foi
important para o meu desenvolvimento
artistic.

Desenha situafdes corn grande
realismo. Quais sdo as suas
influencias?

Quando estava na RDC, o meu autor
favorite era Jean Giraud, mas desde que
cheguei a Franga tive oportunidade de ver
uma serie de publicay6es diferentes. Sou
um apaixonado pela banda desenhada e
sigo tudo que "acaba de ser publicado",
onde encontro a minha inspirayao. O meu
estilo evolui, mas e sempre reconhecivel.

Na paisagem da banda desenhada
africana, os autores congoleses
sdo famosos pela excelencia da sua
arte. Quais sdo as raz6es?

Desde 1953 que tivemos boas escolas
de artes na RDC (antigamente Congo
belga), mas a maior oportunidade surgiu
em 1968, com a publicagyo da revista de
banda desenhada Jeune poureunes (Jovem
para Jovens). Esta revista, que publicava
hist6rias de banda desenhada a preto e
branco, circulava largamente por todo o


Pat Masioni, autor congolas de banda desenhada
� Pat Masioni

pais. Como jovens artists, comprivamos
cor entusiasmo todos os n6meros. Etam-
bem copiivamos os desenhos da revista.

Neste context, o modelo cultural do pais
que nos colonizou, a Belgica, teve uma
influencia positive. Alem disso, diferen-
tes artists como Barly Baruti viajaram
para a Europa e regressaram ao Congo
com metodos e ideias diferentes. Neste
moment, a RDC tern uma boa e diversi-
ficada ind6stria de edigio de banda dese-
nhada, com virias associac6es, revistas
e festivals.


"No fiques ai, estas-me a fazer perder o appetite "
"Esta comida 6 intragavel, nao serves para nada!"


Cerreio












Votar ou nia votr?


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V.


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pwrticiper nas alicS' s Aujo eotu oqul
para ros dizer qu a iuca forma de
nudarrns ra atingfrw s 01 nses oObjectivs
& paricipomrras a ni apanui
que im nTo . rs


� Jason Kibiswa


N.� 22 N.E. - MARQO ABRIL 2011


"Eleig o"


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h


I Para jo vens leitores^


-Pequenni refe-gOas
grOhjiTirs par
Htoda a garri


*"4ft^


rt~

3e












Palavras dos nossos Leitores


India e Africa - partilhar hist6ria
e future (p. 24-25, edigio anterior 21)
Artigo bem cuidado em terms de
descriygo dos dois paises; de notar
que o artigo se baseia em referencias
hist6ricas e em figures como o grande
lider Gandhi sem mesmo mencionar
o seu nome no texto (Ed : existe, no
entanto, uma fotografia de Gandhi na
Africa do Sul, quando era jovem). Bom
trabalho e muitos parabens
(Pradeep Singh - 11.03.2011)


Este & um grande exemplo das relac6es
Sul-Sul. Sem d6vida, tal como no caso
das relay6es entire a Africa e a China, as
relag6es entire a Africa e a India serao
um motor de desenvolvimento para
Africa. E uma pena que a Europa perca
posiy6es. Mas o future sera assim
(Juan Antonio Falc6n Blasco,
17.03.2011).


0 Correio
Sou tradutor e int&rprete. Estou muito
satisfeito por ler o seu journal. Aprecio
esta revista que & muito informative e
interessante. Esta publicaogo & perfeita
para quem se queira por a par das
noticias internacionais. Forga.
(Sam Ngenda, leitor, tradutor
e interprete, Kigali, Ruanda -
14.02.2011)


0 CORREIO - 45, RUE DE TREVES 1040 BRUXELAS (BELGICA)
CORREIO ELETRONICO: INFO@ACP-EUCOURIER.INFO - PAGINA WEB: WWW.ACP- EUCOURIER.INFO


Agenda


Fim de Abril Relat6rio sobre os resultados
da consult p6blica relative ao
Livro Verde sobre "A political
de desenvolvimento da UE ao
servigo do crescimento inclu-
sivo e do desenvolvimento
sustentivel"
Aumentar o impact da
political de desenvolvimento
da UE

04- 06/05 IST-Africa 2011
Gaborone, Botsuana

Parte da iniciativa IST-Africa,
apoiada pela Comissio Europeia
no ambito da Area temAtica
"TIC" do 7 � Programa-Quadro
(7.� PQ), IST-Africa 2010
insere-se na sexta de uma Serie
de Conferencias Anuais que
reune representantes de alto
nivel das principals organizaC6es


comerciais, governamentais e de
investigaCio de toda a Africa e
da Europa, para eliminar a cli-
vagem digital atraves da partilha
de conhecimentos, experiencias,
ensinamentos e boas priticas e
do debate das questoes political
relacionadas. http://www.istafrica.
org/conference2011

11 -18/05 24" Assembleia Parlamentar
ACP e 21 a Assembleia
Parlamentar Paritaria ACP-UE
Budapeste, Hungria

30/05-03/06 4' Conferencia da ONU
sobre os Paises Menos
Desenvolvidos
Istambul, Turquia
Adopgyo do Programa de
Acgyo de nova geraogo para os
PMD at& 2020


25 - 27/05 eLearning Africa 2011
Foco na Juventude,
Competencias e
Empregabilidade.
www.elearning-africa.com

17-18/09 Cimeira da Web - Africa
Brazzaville, Congo
Uma conferencia pan-africana
sobre tecnologias da Web.
http://www. africawebsummit. corn

21-22/09 Africa Intermodal
Casablanca, Marrocos
O maior event annual na forma
de conferencia/exposiCio sobre
portos de contentores e opera-
c9es de terminal no continent
africano - agora no seu 9� ano
bem sucedido.
http://www.transportevents.
com/EventsDetails.
aspx?EventlD =EVE015


Cerreio














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