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Correo (Portuguese)
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 Material Information
Title: Correo (Portuguese)
Physical Description: Serial
Language: English
French
Portuguese
Spanish
Publisher: Hegel Goutier
Place of Publication: Brussels, Belgium
Publication Date: 05-2010
Copyright Date: 2010
 Subjects
Genre: serial   ( sobekcm )
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
System ID: UF00095067:00084

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N.' 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


uOrre io
A revisla bimeslral das relacoes e cooperaco entire Alrica-Caraibas-Pacilico e a Unio Europeia


X:-* 1


Da Normandia a Bastogne:
i o Caminho da Liberdade


I urlulencias na aviacao AUL;


\\I


; i.. l












Cerreio


Indice


0 CORREIO, NO 17 NOVA EDIAO (N.E)


Comit Editorial


Co-Presidentes
Mohamed Ibn Chambas, Secretario-Geral
Secretariado do Grupo dos paises de Africa, Caraibas e Pacifico
www.acp.int

Stefano Manservisi, Director-Geral da DG Desenvolvimento
Comissao Europeia
ec.europa.eu/development/

Equipa Editorial

Editor-Chefe
Hegel Goutier


-t


DOSSIER 12 A SOCIEDADE CIVIL EM AAO 22


Jornalistas
Marie-Martine Buckens (Editor-chefe adjunto)
Debra Percival

Editor Assistente
Okechukwu Umelo

Assistente de Produao
Telm Borrs

Colaboraram nesta edio
Colette Braeckman, Victoria Burbidge, Elisabetta Degli Esposti Merli, Sandra Federici,
Catherine Haenlein, Elisabeth Lequeret, Souleymane Mazou, Jacqueline Meido-Madiot,
Dev Nadkarni, Andrea Marchesini Reggiani

Gerente de project
Gerda Van Biervliet


EDITORIAL

PERFIL

Anthony Hylton: Comrcio e ajuda continuam a fazer
parte dos interesses da Europa
Romano Prodi. Roteiro para aumentar a integrao
africana


EM DIRECTOR


Coordenaao artistic, paginaao
Gregorie Desmons

Paginaao
Loic Gaume

Relaes pblicas
Andrea Marchesini Reggiani

Distribuiao
Viva Xpress Logistics ww.vxlnet.be


Hati. Antes planificar que reconstruir pressa:Encontro
com o Presidente da Cmara de Port-au-Prince 6


PERSPECTIVE


DOSSIER
IndUstria Aerondutica ACP


Reporters ww.reporters.be

Capa
Montanha de Buga, no Burundi. Ao nascer do sol, os
agricultores partem para os campos. Andrea Frazzetta / LUZphoto


Contacto
0 Correio
45, Rue de Trves
1040 Bruxelas
Blgica (UE)
info@acp-eucourier.info
www.acp eucourier.info
Tel.:+32 2 2345061
Fax: +32 2 2801406

Publicaao bimestral em portugus, ingls, francs e espanhol

Para mais informaoes como subscrever, consulate o sitio web
www.acp-eucourier.info ou contact info@acp-eucourier.info

Editor responsavel
Hegel Goutier

Parceiros
Gopa-Cartermill Grand Angle Lai-momo

A opiniao express dos autores e nao represent o ponto de vista official da Uniao
Europeia nem dos paises ACP.

Os parceiros e a equipa editorial transferem toda a responsabilidade dos artigos escritos
para os colaboradores externos.


Aviao ACP tempo de inverter a march
Um cu nico africano?
Um centro regional de excelncia na rea da segurana
Pacifico: perto de uma minirrevoluo?
Tempos agitados para as companhias areas das Caraibas
UE interdita companhias areas africanas
EGNOS: Satlite da UE para cus africanos

A SOCIEDADE CIVIL EM AAO

Um entendimento cultural Islamic Relief
Organizaes da Sociedade Civil africana ausentes no
dilogo com a China




























DESCOBERTA DA EUROPA 26


PERSPECTIVE

Rithy Panh fala-nos sobre a sua colaborao com o
director do Burkina Faso Gaston Kabor Entrevista


DESCOBERTA DA EUROPA
Normandia e Bastogne

O Caminho da Liberdade
Da Normandia a Bastogne
A batalha de Hastings em desenhos animados
Santa Teresinha, a "Padroeira das Misses"
Camponeses do Norte e do Sul, mesmo combat
Uma abordagem territorial do desenvolvimento
Electricistas Sem Fronteiras
Amante de literature e de gastronomia


EM FOCO


Aaron Mokoena: o capito exemplar dos Bafana Bafana


REPORTAGEM
Burundi

24 Agora em paz, o Burundi progride
Burundi. O desenvolvimento econmico vai acelerar
Mltiplas oposies
A coragem de perseguir as derrapagens
Ajuda de todos os lados para um pais que ressuscitou:
Entrevista com Alain Darthenucq, Chefe da Delegao
26 da UE
27 O sucesso de um project bem concebido
29 Vivaz Bujumbura
29 Burundi a visitar


CRIATIVIDADE


Je danse donc je suis (Dano logo existo)
Dak'art 2010: retrospective e perspective
Rosenclaire: investor no material
Uma homenagem: Africa visionria


NOSSA TERRA


Sismos: entire fatalidade e lucidez


INTERACOES

Repblica Democrtica do Congo: exigncia de soberania
O renascimento de Africa em bronze
Colocar a segurana alimentar de novo no centro das
estratgias de desenvolvimento
Entrevista do Comissrio Piebalgs: A AOD no
suficiente para se alcanarem os ODM
Deputados ACP-UE inquietos com a situao
em Madagascar
Sudo: um passo para o referendo em 2011
Cannes 2010: o Grupo ACP assegura a promoao
do seu cinema


PARA JOVENS LEITORES

Campeonato do Mundo 2010


CORREIO DO LEITOR/AGENDA


Ja foi lanado o Concurso de Fotografia de 2010
de 0 CorreioACP! Para mais informaes visit
o nosso sitio Web: www.acp-eucourier.info ou
award@acp-eucourier.info







N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


SEspace Senghor um centro que assegura a pro-
moo de artists oriundos dos paises de Africa, Ca-
raibas e Pacifico e o intercmbio cultural entire comunida-
des, atravs de uma grande variedade de programs, indo
das artes cnicas, musica e cinema at organizaao de
conferncias. um lugar de encontro de belgas, imigrantes
de origens diversas e funcionarios europeus.


Espace Senghor
Centre cultural d'Etterbeek
Bruxelas, Blgica
espace.senghor@chello.be
www.senghorbe


C 4 URUS
tJENJ-OR


PERSPECTIVE 24


INTERACES 38







































































Kapaz de Ugoni, Uelta do Niger, Nigeria.
C George Osodi
Cortesia do Centro de Belas Artes, Bruxelas (BOZAR)


Correio



















A dificil imparcialidade dos balanos

e, nomeadamente, de Africa


r

anos de independncia, no
dizer simplificado dos media
e dos organizadores de even-
tos. E isto faz os titulos da imprensa
africana e europeia e object de bal-
anos, como para todas as celebraes.
Tudo isto esta enviesado, porque so
principalmente os paises francfonos
de Africa que festejam o jubileu e os
grandes titulos so sobretudo da imp-
rensa francfona.

As celebraes tm enorme grandiosi-
dade e so sobretudo muito oficiais
nos paises em causa, que so 17. E
provocam critics acerbas dos oposi-
tores. o caso, nomeadamente, do
Senegal, onde o atractivo da festa foi
a inaugurao do colossal Monumento
do Renascimento Africano, o maior do
mundo, parece, que suscitou uma onda
de critics na oposio ao Presidente
Wade e na Europa.

O Correio esteve l e limitou-se a infor-
mar neste numero da histria e da reali-
zao artistic da obra, que tem uma
teatralidade talvez grandiloquente, mas
nem maior nem menor do que este tipo
de simbolos que existem por todo o lado
no mundo. O Correio relatou o que dis-
seram e o que ouviu de fontes oficiais e
de senegaleses mdios, alguns dos quais
consideram que o Senegal e a popu-
lao negra em geral tambm merecem
grandes simbolos. Na imprensa franc-
esa falou-se muito das acusaes da
oposio sobre o custo e o mau gosto da
celebrao e sobre a personalidade do
President da Repblica. E sobretudo
faz-se um balano bastante triste dos
50 anos da independncia de Africa.
O monument no custou nada ao
Tesouro senegals, foi uma transaco
com a Coreia, precisou o Presidente
Wade. Que lembrou no seu discurso
official que a independncia do Senegal
se seguiu a cinco sculos de presena
estrangeira, que acumulou a poca da
escravatura e da colonizao.

Seria precise, portanto, fazer o balano
de 550 anos. Except se se considerar


que na vspera da independncia o pais
estava mais avanado do que agora.
Um passo que do muitos comenta-
dores na Europa ao avaliarem o per-
curso desde a independncia do Congo
RDC, por exemplo. No o caso de
Colette Braeckman no seu artigo para
O Correio, que mostra que apesar de
todos os obsticulos, ameaas e des-
vantagens persistentes, o Congo parece
comear a ver surgir uma alvorada.

Na Blgica, a comemorao dos 50 anos
da independncia do Congo e de Africa
assume grande dimenso. Atravs de
numerosas actividades culturais que O
Correio refere, entire as quais o grande
festival "Africa visioniria", organizado
pelo temple do espirito, o Palicio das
Belas-Artes de Bruxelas. E o Festival
de Cinema de Bruxelas. A cultural no
esta isenta de polmica. O festival de
cinema retirou ltima hora do pro-
grama o filme "Lumumba", do grande
cineasta haitiano Raoul Peck, porque
punha em causa as autoridades ou o
Estado belga no assassinio do heri
da independncia congolesa, Patrice
Lumumba, um politico considerado
integro mesmo pelos seus detractors.
Enquanto "Africa visioniria" convida
Raoul Peck.

Ao fazer o balano do Congo, lem-
bramo-nos das divisas que os seus
minrios renderam ao pais depois da
independncia e do esbanjamento dos
seus recursos. O balano dificil. Na
altura da independncia, o Congo tinha
1 ou 2 universitarios o numero varia
segundo a fonte. Ha quem faa esta per-
gunta: quantos paises que conseguem
singrar com um ou dois universitrios
quando precise negociar com montes
de peritos de paises riquissimos? E
apenas um ou dois universitrios para
um pais gigantesco, como e porque? A
pergunta em si mesma ji um balano.

Um pouco incomplete e parcial, como
qualquer balano, provavelmente.


Hegel Goutier
Chefe de Redacao


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010



































"Comrcio e ajuda continuam


a fazer parte dos interesses da Europa"


Debra Percival


politico
jamaicano, foi
Ministro dos
Negcios Estrangeiros, do
Comrcio e da Energia.
Actualmente, deputado,
membro da oposio,
e, desde 1993, tem sido
eleito pelo circulo eleitoral
da Parquia de Western
Saint Thomas pelo Partido
Nacional do Povo. A
sua competncia como
negociador pela regio das
Caraibas, nomeadamente
a nivel da elaborao do
acordo de Cotonu, entire
os paises da Africa, das
Caraibas e do Pacifico
(ACP) e a Unio Europeia
(UE), valeu-lhe distines
nacionais por parte do
governor do Benim. Bateu-se
pelos interesses dos paises
ACP nas negociaes da
Ronda de Doha sobre o
comrcio mundial e pelos
da sua prpria regio,
concluindo um Acordo de
Parceria Econmica (APE)
com a UE. A Jamaica
faz parte dos paises da
CARICOM (Comunidade
das Caraibas) que assinaram
um APE, implementado
em finais de 2008, e que
conduzira, eventualmente,
liberalizao do comrcio
com a UE. Falamos com
ele sobre a recent evoluo
das relaes entire os estados
ACP e a UE. "Chamemos-


lhe cooperao ou parceria
mas o que realmente
important perceber
quais so, efectivamente, as
necessidades da regio das
Caraibas", declara Hylton.








as



0 APE trar beneficios
Jamaica?

Chamamos a ateno do
novo governor jamaicano
para o facto de que o
objective do APE no era
verdadeiramente conducente
ao desenvolvimento. Foi
solicitado aos paises ACP
que renunciassem aos
eventuais beneficios que
os acordos comerciais
preferenciais pudessem
gerar (nomeadamente
a nivel do acar e das
bananas). Como advogado,
continue a afirmar que o
protocolo de Cotonu relative
ao acar foi um acordo
vinculativo. Os APE tem
potential. Os beneficios
sero, em grande parte,
gerados pelos bens, mas s
se houver uma verdadeira
tentative de organizao
do mercado nas Caraibas.
Foi dada aos habitantes das
Caraibas uma moratria


de tres anos [o acesso
facilitado ao mercado das
Caraibas dos bens e servios
provenientes da UE devera
ser feito, por fases, a partir
do final de 2011 (no termo
da moratria)].
Nunca pensamos que esses
tres anos fossem suficientes.
Nos anos compreendidos
entire o inicio e o fim da
moratria, temos assistido
a uma recesso global e a
quase totalidade dos paises
da UE injectaram avultados
montantes, provenientes
de auxilios estatais, nas
suas prprias economics
gerando, assim, dfices
pblicos; o que, em terms
comerciais, corresponde
a um subsidio. Ao mesmo
tempo, os paises das
Caraibas, incluindo o meu,
encontravam-se submetidos
aos programs do Fundo
Monetario Internacional
(FMI). Estamos perante um
trabalho colossal em terms
de consolidao oramental
e de compresso. E neste
context que devemos abrir
o nosso mercado Europa.

Futuro do grupo dos
paises ACP

O grupo dos paises ACP
foi criado em 1975, em
Georgetown, na Guiana.
Como ministry, defend
que era necessario que o
Acordo de Georgetown
se concretizasse a fim que
os paises ACP pudessem
estabelecer outros tipos de
relaes com os Estados


Unidos, com a Asia e com
outros grupos. Mas, quando
as Caraibas insistiam nesse
ponto, outros paises ACP (e
devido, particularmente, a
relaes institucionais no seio
dos prprios estados ACP)
no quiseram ir alm dos
acordos ACP-UE. Porm,
a nivel juridico, o grupo
dos paises ACP tem uma
existncia que lhe prpria.

Sobre a Cimeira UE-
Amrica Latina e
Caraibas, em 19 de Maio
de 2010

As Caraibas devem manter
um tipo de relacionamento
diferente com a Amrica
Latina e o Brasil. Alguns
preconizam um acordo
entire a Amrica Latina e
as Caraibas sem os Estados
Unidos e o Canada.
Estabelecemos, ja ha algum
tempo, um dialogo entire
a UE, a Amrica Latina e
as Caraibas mas o que me
preocupa que no se trata
de um dialogo trilateral. At
agora, a Amrica Latina tem
falado com a Europa e as
Caraibas tem feito o mesmo.
Provavelmente, e caso no
se restrinja ao comrcio,
sera possivel discutir um
conjunto de questes
importantes e mais globais.

Para ler toda a entrevista com
Anthony Hylton, consultar:
www.acp-eucourier.info.


Correio





































Romano Prodi. Roteiro para


aumentar a integraao africana


) Fundaao para a Cooperaao Mundial


Andrea Marchesini Reggiani



Primeiro-
Ministro de
Italia duas vezes
e President da Comisso
Europeia, a que cargo
international pode aspirar
a seguir um politico?
Tendo supervisionado
dois projects europeus
fundamentals a
moeda nica e o quinto
alargamento da UE (o
sexto alargamento ocorreu
na Presidncia Barroso)
Romano Prodi decidiu
agora voltar a sua ateno
para Africa.

Em Setembro de 2008,
o Secretirio-Geral das
Naes Unidas, Ban Ki
Moon, escolheu Prodi para
President do Painel da
Unio Africana-ONU sobre
a Manuteno da Paz, cujo
objective era aproximar e
tornar mais frutiferas as
relaes entire a ONU e a
UA.

Para alm de ministrar
cursos em prestigiosas
universidades, Romano
Prodi criou a Fundao para


a Cooperao Mundial, que
aborda problems sociais,
culturais, econmicos e
politicos com o objective de
promover novas propostas
de colaboraio no context
international.

O Correio encontrou-o no
primeiro grande event
organizado pela sua
Fundao, a conveno
'Africa, 53 paises, um
continente, realizada
em 21 de Maio de 2010
em Bolonha. Entre os
participants na conveno
encontravam-se Abdoulaye
Wade, Presidente do
Senegal, Thabo Mbeki,
antigo Presidente da Africa
do Sul, Asha Rose Mgiro,
Secretirio-Geral Adjunto
da ONU e Andris Piebalgs,
Comissirio da UE para o
Desenvolvimento.

Qual a sua opiniao
sobre o papel da UA na
manuteno da paz?

Consider que important
aumentar a participao
da UA no process de
tomada de decises e na
execuo das operaes
de paz no continent
africano e reforar, atravs
de financiamento, a sua


'capacidade para manter a
paz'. E uma tese que ainda
esta em discusso e que
no teve ainda o acordo
de toda a gente. Os que
se opem ideia de uma
UA forte so aqueles que
favorecem relaes bilaterais
com os paises africanos
com que mantm ligaes
antigas. Mas a cooperao
multilateral com e entire
os paises africanos
fundamental para o future
e, de qualquer modo,
a histria condenou as
relaes bilaterais.

Desde h algum tempo
que se discute muito o
impact da China em
Africa. Quai deve ser a
posiao da Europa?

Era convenient que a
UE, a China e os EUA se
juntassem, para evitar uma
situaio em que Africa
acaba por ser um peo
num jogo entire poderosos
paises rivais. A UE tem
uma grande vantagem: uniu
muitos paises diferentes e
por isso afirmou-se como
um modelo e um rgo
capaz de exercer uma forte
coordenao. Mas devemos
ser realistas: actualmente,
a ideia de trabalhar sem a


China ou os EUA em Africa
inconcebivel. Em vez disso
deviamos tentar trabalhar
com eles para encontrar
uma political comum para
o continent, procurando
reforar o papel da UA e
definir estratgias de long
prazo a nivel do continent
que respeitem todas as
realidades locais.

As political de
desenvolvimento esto na
base da histria da UE,
mas pensa que podem
estar em perigo por causa
do receio e do egoismo
que parece dominar a
opinido pblica?

Tive o privilgio de ser
President em tempos
economicamente mais
desafogados. Conseguimos
realizar aces importantes,
como comear a financial
a UA para poder
desempenhar um papel
active na manuteno da
paz. Apesar de algumas
inquietaes da opiniio
pblica, a cooperaio
sempre foi uma constant
da UE (que contribui com
mais de metade da ajuda
pblica mundial para o
desenvolvimento) e espero
que continue a s-lo.


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010













































Haiti. Antes planificar


que reconstruir press

Encontro com o Presidente da Cmara de Port-au-Prince


Jean-Yves Muscadin Jason,
President da Cmara de Port-au-
Prince, a capital do Haiti devastada
por um sismo no passado dia 12 de
Janeiro, foi convidado, em finais de
Abril, pela Comissao Desenvolvimento
do Parlamento Europeu para
uma visit a Bruxelas. Durante a
sua estada, encontrou-se com a
Comissria Europeia da Cooperaao
International, Ajuda Humanitria e
Resposta a Situaes de Crise a fim
de expor o seu ponto de vista sobre
a reconstruao. Para ele, mais
important preparar convenientemente
essa reconstruao que come-la de
imediato.


Jean-Yves Muscadin Jason, Presidente
da Cmara de Port-au-Prince. Hegel Goutier


Hegel Goutier


ean-Yves Muscadin Jason declarou
ao O Correio, "expliquei aos meus
interlocutores que, antes de se falar
de reconstruo, necessirio que
haja um piano de construo. Pedi
ao Parlamento Europeu o seu apoio
para a criaio de um centro de desen-
volvimento sustentivel pluridisciplinar
destinado a Port-au-Prince e zona


metropolitan. Centro esse destinado
a favorecer a reflexio e a produo de
documents, como um piano director,
um piano de urbanism, um piano de
segurana pblica e um outro relative
aos transportes".
Entrevista
HG Onde se encontrava o
President da Cmara de Port-au-
Prince, no dia 12 deJaneiro, quando
tudo se desmoronou?


Correio





SiPec


Distribuiao de agua em Port-au-Prince, Janeiro de 2010. ocontasto/Reporters


J-Y M J Animava, num edificio da
administrao, uma reunio adminis-
trativa da seco financeira da cmara.
Ouviu-se um ruido surdo e as pessoas
comearam a fugir. No me dei conta
do que estava a acontecer e fui recu-
perar os ficheiros contend a memria
electrnica da cmara, os quais guar-
dei no meu saco. Entretanto, o edifi-
cio desmoronou-se e encontrei-me sob
os escombros, juntamente com alguns
empregados. Havia alguns colegas que
se encontravam prisioneiros e, por isso,
parti em busca de socorro. Conseguimos
resgatar toda a gente. Mas o edificio da
cmara, j vetusto, acabou por ruir e
houve vrios mortos. Registmos cerca
de uma centena de mortos na cmara de
Port-au-Prince, entire os quais cerca de
cinquenta alunos. A cmara ocupa-se
da gesto de oito escolas municipais e
todas elas ruiram.

A nivel psicologico, deu-se conta
imediatamente da amplitude dos
estragos?

No inicio, no. Foi quando sai dos
escombros que me dei conta de que era
um terramoto. Em seguida, consegui
falar com os membros da nossa brigada
de proteco civil e parti, pelas ruas fora,
a fim de prestar socorro populao.
Foi ento que me dei realmente conta de
que era uma verdadeira catstrofe, uma
horrivel catstrofe. Consegui chegar a
vrios hospitals e pude contactar alguns
mdicos para que viessem prestar assis-
tncia a pessoas que se encontravam
em muito mau estado. Devo confessar
que foi muito traumatizante. Ainda me
encontro sob o choque.

Qual a importncia das unidades
de proteco civil da cmara?

O Haiti um Estado fraco e que nunca
quis ter cmaras fortes. E verdade que
existe uma norma constitutional que
prev que as cmaras sejam autno-


mas do ponto de vista administrative e
financeiro, mas ainda no foram cria-
das todas as cmaras. Cheguei ao meu
municipio em Maro de 2007 e uma das
minhas prioridades foi de me bater, no
quadro da cooperao descentralizada,
para construir a cmara. Nessa altura,
existia um embrio de voluntariado que
trabalhava, em relao direct com o
Ministrio do Interior, no quadro da
proteco civil. Foi graas geminao
de cidades, que iniciamos com diversas
cidades mexicanas, que conseguimos
criar a nossa unidade de proteco civil
municipal. Esta ltima, composta por
cerca de trinta tcnicos recm-forma-
dos, havia sido criada apenas alguns
dias antes do terramoto.

Pensa que o terramoto criou real-
mente uma espcie de catarse posi-
tiva pelo facto de que muitos pro-
gressos haviam sido observados, no
decurso dos Ultimos anos, no Haiti?

Nos primeiros dias da catstrofe, quem
percorria as ruas eram os cidados,
os voluntrios com ligaes cma-
ra. Conseguimos criar os concelhos de
bairro, o que nos permitiu ajudar a
gerir a catstrofe. Por outro lado, os
Haitianos so um povo de combatentes,
somos uma populao habituada a com-
bater a adversidade e o sismo eviden-
ciou essa nossa capacidade para reagir.
A experincia que vivemos no Haiti
pode servir para ajudar outros paises,
vitimas eventuais de catstrofes semel-
hantes. Levantmo-nos, agrupmo-nos
e fomos, com as nossas mos nuas, com
as nossas unhas, escavar a terra, levan-
tar os blocos de beto; no esperamos
pelos tractores ou pelas escavadoras. E
conseguimos salvar muita gente. E uma
oportunidade que devemos aproveitar
para construir algo de novo. E precise
construir e no reconstruir e com solu-
es adequadas populao haitiana. E
para isso necessario consciencializar
os cidados para que compreendam que


pertencem a um espao que necessario
bonificar, aperfeioar, todos os dias.
Cidados que devem compreender que
so eles os donos do seu future.

Tudo isso com a ajuda da comuni-
dade international?

A populao recebeu ajuda mas foi o
gnero de ajuda que mata. Quando se
recebem cinco avies com centenas de
garrafas de agua, essas garrafas de pls-
tico ficam no Haiti. E precise gerir esse
dado. Pessoas que chegam com tudo o
que necessario mas que tm medo de
ns. O que devemos fazer para que nos
aceitem? Pessoas que se recusam a ir at
s zonas de risco, classificadas de zonas
perigosas pelas ONG. E tudo isso quan-
do existe uma administrao municipal
pronta a assegurar-lhes a proteco, a
lev--los at s zonas problemticas.

Quando as ONG vm com milhares,
com milhes de sacos de arroz e os dis-
tribuem populao de uma maneira
indigna, isso s pode contribuir para
desnaturar, tanto o home como a
economic. Esses sacos de arroz so
subvencionados. Ento, por que no
subvencionar o arroz que possuimos no
Haiti para o distribuir depois s popula-
es? O nosso arroz da Artibonite esta
condenado a desaparecer a mdio prazo.
O nosso arroz provm da Artibonite,
regio que no sofreu com o terramoto.

Daqui a alguns anos, o nosso pais conti-
nuar a interrogar-se sobre a question
da ajuda. Ou continuar a receber essa
ajuda, o que sera indigno, ou vamos ter
de nos ocupar de nos mesmos. Ou tere-
mos parceiros, ou teremos doadores. Os
doadores impem as suas ideias. Os par-
ceiros dispem de tempo para escutar,
para discutir as questes, para trabalhar
em conjunto e, por fim, acabam por
encontrar-se solues conjuntas.


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010










































Falar de uma s voz com os seus
parceiros um objective ambicioso mas
dificil. Cinco meses depois da adopao
do Tratado de Lisboa, os 27 aceitaram
finalmente, em 26 de Abril, as grande
linhas do future Servio de Acao
Externa (SEAE) da Uniao Europeia.
Um compromisso que nao acolhe o
consenso geral.

Marie-Martine Buckens



A Europa tem necessidade
de um servio de aco
externa que incarne de
Lmaneira coordenada a
nossa resposta aos desafios que teremos
de enfrentar por esse mundo fora e que


sirva para promover political comple-
tas", declarou a Alta Representante, a
Britnica Catherine Ashton. O chefe
da diplomacia francesa, Bernard
Kouchner, acrescentou: "A Europa pre-
cisa desta nova ferramenta diploma-
tica para actuar de maneira mais eficaz,
mais legivel e mais coordenada".

Este servio diplomatico europeu deve-
ra contar com cerca de 5000 pessoas,
das quais um tero vira directamente
dos Estados-Membros, um tero da
Comissio e o iltimo tero do Conselho
da Uniio Europeia. Mas antes de o
instalar, sera necessario convencer o
Parlamento Europeu, que ameaou de
o bloquear se este for essencialmente


eiros passos




composto por funcionarios das instn-
cias nacionais.

Por sua vez, as ONG de desenvol-
vimento europeias e no europeias
(Concord, CIDSE, Aprodev, Oxfam,
etc.) reclamaram uma revisio "com-
pleta e urgente" da proposta do SEAE,
considerando que esta contraria aos
interesses europeus e aos interesses das
pessoas mais pobres do mundo. Alm
disso, as ONG exigirio -com o apoio
de advogados -que, em virtude dos
Tratados Europeus, o papel do SEAE se
limited political externa e de segurana
comum (a PESC) da Uniio e, de qual-
quer modo, exclua a cooperaio para o
desenvolvimento.


Pedidos de reform da PAC para alcanar os Objectivos de Desenvolvimento do Milnio


A Political Agricola Comum (PAC) da
Unio Europeia (UE) necessita de refor-
mas urgentes para se poderem alcanar,
at 2015, os oito Objectivos de Desenvol-
vimento do Milnio, declara a Campanha
do Milnio para a Europa o brao eu-
ropeu de interagncias das Naes Uni-
das, criadas pelo ex-Secretario-Geral da
ONU, Kofi Annan, e destinadas a apoiar
os esforos dos cidados para sensibi-
lizarem os respectivos governor para a
realizao dos ODM.
"A Ajuda Oficial ao Desenvolvimento
(AOD) no pode suportar sozinha todo
o fardo do desenvolvimento", declarou


Eckhard Deutscher, president do Comit
de Ajuda ao Desenvolvimento da Organi-
zao para a Cooperao e Desenvolvi-
mento Econmicos (OCDE), sedeada em
Paris, por ocasio do recent lanamento
de um estudo elaborado pela Campanha
do Milnio e intitulado "Dar uma oportu-
nidade ao desenvolvimento A PAC da
Europa necessita uma reform urgente".
"O maior desafio para as aspiraes de
desenvolvimento da UE a falta de co-
erncia political. As political relatives ao
comrcio, desenvolvimento, agriculture
e ambiente esto pura e simplesmente
desfasadas em relao aos paises em


desenvolvimento", afirmou Deutscher.
Gabriele Zimmer, socialist alemo e
membro do Parlamento Europeu, decla-
rou: "A reform da PAC sera um verdadei-
ro teste para o pacote dos ODM. Como
as negociaes sobre o prximo ora-
mento da UE tero lugar muito em breve,
necessario reformar profundamente um
sistema de subsidies que se traduz numa
acumulao de desperdicios a nivel inter-
no e causa danos no estrangeiro."

Para mais informaoes, consultar: www.endpo-
verty2015.org


Correio





a' speciv


Um Magrebe slido, garantia de segurana

para a UE e os pauses do Sahel


brao armaco cos antigos iriDunals isiamicos na omanla, Ai-naDaD e um grupo poueroso que
ressurge e tem derrotado as tropas estrangeiras no pais desde o inicio de 2007. AP Photo


A situaao de "nao-Magrebe" que
prevalece hoje entire os cinco passes
da Africa do Norte ocidental poder
influenciar a segurana, tanto da UE
como dos pauses do Sahel. este o
aviso lanado pelo Instituto Thomas
More, um laboratrio de ideias
europeu.



M.M.B.


O Instituto Thomas More
organizou, em 7 de Abril
em Bruxelas, uma confern-
cia para apresentar o seu
novo relatrio "Para uma segurana
duradoura no Magrebe, uma opor-
tunidade para a regio, um compro-
misso para a Unio Europeia". Fruto
de vrios meses de investigao e de
entrevistas realizadas por uma equipa
pluridisciplinar, o relatrio analisa as
ameaas que pairam sobre a segurana
sustentvel no Magrebe (Mauritnia,
Marrocos, Arglia, Tunisia e Libia) sob
a forma de tenses entire Estados e de
desafios ligados imigrao -prove-
nientes tanto da regio como dos paises
do Sahel -ou ao terrorism na vertente
sul. Os autores do relatrio fazem da


cooperao entire Estados e da parceria
euro-magrebina uma das chaves desta
segurana duradoura, no apenas para
os paises do Magrebe como tambm
para toda a regio.

Luta contra a criminalidade

Ao abordar os desafios ligados luta
contra o terrorism e a criminalidade,
os autores sublinham a sua dimensio
"sahel-magrebina" e, por conseguinte,
a necessidade de incluir todos os paises
do Magrebe na iniciativa de reforo da
segurana em comum com os paises do
Sahel, "e mesmo alm, como o sugerem
as relaes com os traficantes de droga
sul-americanos", aconselha o relatrio.

" indispensvel uma nova
abordagem geogrfica alargada
que tenha em conta toda a
zona Sahel-Magrebe."

"Interface entire dois continents, o
Magrebe uma regio encruzilhada,
tanto do ponto de vista histrico-geo-
grfico como do ponto de vista geo-
estratgico", explica-nos Jean-Thomas
Lesueur, delegado geral do Instituto
Thomas More. "E uma regio em
plena mutao que se abre... que se
abre Unio Europeia, sua vizinha,
oferecendo-lhe novas oportunidades e


conferindo-lhe responsabilidades reno-
vadas, mas igualmente sua vertente
sul, que enfrenta numerosos desafios e
um factor cada vez mais important
de equilibrio em toda a regio. Surge
assim para a Europa, a Africa do Norte
e a Africa Subsariana uma nova pers-
pectiva estratgica, que impe ter em
conta a regio Magrebe-Sahel na sua
globalidade e diversidade."

A prxima organizao de varias
cimeiras entire a UE e os paises ACP
e da cimeira UpM (Unio para o
Mediterrneo) em Barcelona, os objec-
tivos expresses pela presidncia espa-
nhola que deseja reforar as relaes
com os seus parceiros estratgicos
privilegiados, que so o Magrebe e
a Africa, ou ainda a nova estratgia
europeia de segurana internal, que
visa reforar a cooperao com os seus
vizinhos em matria de segurana
constituem um context favorvel para
uma melhor sensibilizao para estes
desafios? "Em todo caso", acrescenta
Jean-Thomas Lesueur, "os factos so
evidentes... Impe-se uma nova abor-
dagem geogrfica alargada, que tenha
em conta toda a zona Sahel-Magrebe,
para tratar questes migratrias, as
ameaas em matria de terrorism e
trficos bem como as problemticas
transfronteirias na regio".


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010





Perpeciv


Rstia de esperana para os


Bochimans do Kalahari


A passage pelo Botsuana de James Anaya, relator especial das Naes
Unidas sobre os povos indigenas, em Maro de 2009, parece ter dado bons
resultados. Os Bochimans, escorraados das suas terras ancestrais do
Kalahari em 2002, serao novamente ouvidos pelo Supremo Tribunal em 9 de
Junho prximo.


M.M.B.


A questo foi igualmente evoca-
da no Parlamento Europeu,
em Maro passado, pelo depu-
tado irlands Brian Crowley,
que pediu ao Conselho da UE "que
avaliasse a amplitude do assdio de que
so vitimas os Bochimans do Kalahari".

Relembremos os factos. Em 13 de
Dezembro de 2006, o Supremo
Tribunal do Botsuana, declarou que a
expulso dos Bochimans Gana e Gwi
era illegall e anticonstitucional" e que
eles tinham o direito de viver nas suas
terras ancestrais na reserve do Kalahari
central (CKGR). Estas expulses come-
aram com a descoberta, em 1980, de
uma jazida de diamantes na reserve. A
licena de explorao, que pertencia
De Beers, foi vendida Gem Diamonds,


uma nova companhia fundada por anti-
gos empregados do sector do diamante
sul-africano e que anunciou a sua inten-
o de explorer a jazida descoberta. Para
obrigar os Bochimans a instalarem-se
em novos acampamentos, o governor
impediu o acesso aos poos da reserve.
James Anaya sugeriu ao governor que
abrisse os poos, argumentando que os
Bochimans que regressaram reserve
"vivem em condies deploriveis e peri-
gosas por no terem acesso agua".

Audio

A resposta da Unio Europeia ao
deputado Brian Crowley prudent.
Segundo a presidncia espanhola, a
questo dos San/Bochimans object
de discusses regulars entire os chefes
de misso da UE e o governor botsuano.
So discusses ao abrigo do artigo 8. do
Acordo de Cotonu, que prev um dia-
logo formal e sistemitico sobre os trs


Uma mulher Basarwa fuma cachimbo feito mao em Metsiamenong, uma aldeia longinqua na
reserve Central Kalahari Game Reserve, Botsuana. Reporters


elements essenciais do acordo, isto os
direitos humans, os principios demo-
criticos e a primazia do direito. Nestas
reunites, acrescenta a presidncia, o
governor informou a UE da sequncia
deste acrdo do Supremo Tribunal.
E, "tanto quanto sabemos", acrescen-
ta, "os San/Bochimans nomearam, em
Dezembro passado, os representantes
para debater a questio com o governor.
Para encontrar uma soluo ao proble-
ma da sua deslocao, foram iniciados
contacts com o governor Esta prevista
uma nova audio no Supremo Tribunal
em inicios de Junho.



Ha cerca de 100.000 Bochimans a
viver no Botsuana, Namibia, frica
do Sul e Angola, onde vivem ha de-
zenas de milhares de anos.
A reserve natural de caa do Ka-
lahari central situa-se no corao
do Botsuana. Esta reserve foi criada
para proteger o territrio ancestral
dos 5000 Bochimans Gana, Gwi e
Tsila e dos seus vizinhos, os Bak-
galagadi, e os animals selvagens
dos quais dependem. Outros Bo-
chimans, os Bukakhwe, que vivem
perto do delta do Okavango, no Nor-
deste do pais, concluiram por sua
vez um acordo com a ONG Con-
servation International e a socieda-
de Wilderness Safaris no intuito de
criar um campo de ecoturismo. Uma
iniciativa, segundo a Conservation
International, que permit aos turis-
tas descobrirem o patrimnio cul-
tural destes Bochimans, cabendo
a estes ltimos utilizar os recursos
financeiros em projects de desen-
volvimento e diminuir o impact so-
bre a fauna selvagem.


Correio





,.setv


Nova equipa

de gesto ACP


Okechukwu Umelo




de Assistentes do Secretirio-
Geral do Grupo de Estados
da Africa, Caraibas e Pacifico
(ACP), que pela primeira vez na histria
da organizaio inclui duas mulheres.

Os quatro nomeados so: Nthisana
Matlhogonolo Philips (Botsuana, Africa
Austral), Directora do Departamento
de Administraio, Finanas e Recursos
Humanos; Achille Bassilekin III
(Camares, Africa Central), Director
do Departamento de Desenvolvimento
Econmico Sustentivel e Comrcio;
Michele Dominique Raymond
(Haiti, Caraibas), Directora do
Departamento de Assuntos Politicos e
Desenvolvimento Humano; e Paulo S.
Kautoke (Tonga, Pacifico), Director
do Departamento de Macroeconomia,
Financiamento do Desenvolvimento e


0 Uganda celebra a Cultura:
Festival Internacional
Bayimba de Msica e Artes

A terceira ediao do festival ter lugar
de 17 a 19 de Setembro de 2010, no
Centro Cultural Nacional do Uganda,
em Kampala.


Catherine Haenlein




national Bayimba de Msica
e Artes teve lugar em 2008.
Na realidade, foi o primeiro
festival organizado pelo Uganda e repre-
sentou, para o povo desse pais, uma
nova experincia. Uma srie de events
diversificados conseguiu hipnotizar com
os seus batuques, sons e cores uma
assistncia numerosa e variada. Desde
ento, o festival tornou-se um aconte-
cimento que ansiosamente esperado
todos os anos e cerca de 100 artis-
tas, originrios do Uganda, da Africa
Oriental e de outras regies mais longin-
quas, passaram pelos palcos do festival
e produziram especticulos em director,
que vio da msica ao vivo at dana,
passando pelos grafitos, narraio de
contos, misturas de video, desfiles de
moda e "silent disco".

Os plans para a terceira ediio do fes-
tival estio bastante adiantados e espera-
-se que haja uma quantidade impressio-



N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


jj Y i-l -iY IiII
Iu


A partir da esquerda: Nthisana Matlhogonolo Philips, Mohamed Ibn Chambas,
Achille Bassilekin III e Michele Dominique Raymond. SecretariadoACP


Programaio Intra-ACP.

A selecio da nova equipa de gestio foi
anunciada pelo Secretirio-Geral ACP,
Mohamed Ibn Chambas, na sequn-
cia de um process de recrutamento
sujeito a concurso em quatro das seis
regies ACP. Chambas salientou as
qualidades da sua nova equipa, na quai
existe diversidade de gnero e conta
com diferentes competncias e experi-
ncias profissionais.


Paulo S. Kautoke. SecretariadoACP


Jovens a danar ritmos islmicos matali. BayimbaCultural Foundation


nante de actuaes ao vivo. Igualmente
interessante sera a preparaio do even-
to, com uma srie de atelis e de acon-
tecimentos que se vio desenrolar, antes
do festival, em Gulu, no mes de Maio,
em Mbarara, em Junho e em Mbale,
em Julho.

Por detris deste fenmeno de cultural
esta a Fundaio Cultural Bayimba
uma associaio sedeada em Kampala e
cuja ambiio tornar o Uganda (e toda
a Africa Oriental) num polo impor-
tante da msica e das artes a nivel do
continent africano. E o festival teve,
efectivamente, um impact profundo no
panorama criativo e cultural da regiio.


A fusio destas diversas formas artisti-
cas levou a uma srie impressionante
de intercmbios culturais inovadores
e criativos estimulando, assim, novas
formas de colaboraio artistic. O fes-
tival desempenhou tambm um papel
de relevo na projecio da msica e das
artes do Uganda e da Africa do Oeste,
tanto a nivel das audincias locais como
internacionais. A Fundaio decidiu que
a entrada gratuita assegurando, deste
modo, que o event sera acessivel ao
maior numero de pessoas possivel.


Para mais informaoes sobre o festival, con-
sultar: www.bayimba.org.




















































de inverter a march


Debra Percival



A relao entire a reduo da
pobreza e o crescimento da
aviao civil pode no ser
imediatamente perceptivel. A
anlise que desenvolvemos nas paginas
que seguem sobre este sector pe em
evidncia o modo como o desenvolvi-
mento da aviao -quer de passageiros
quer de carga -em paises de Africa, das
Caraibas e do Pacifico (ACP) represen-
ta um factor essencial para o desenvol-
vimento econmico e social.

Nenhuma regio apresenta maior
dependncia em relao aviao do
que os pequenos Estados insulares das
Caraibas e do Pacifico, mas estes paises
enfrentam actualmente grandes desa-
fios. Nas Caraibas, o aumento dos pre-
os dos combustiveis e a recesso global
tiveram um impact fortemente negati-
vo nas companhias areas. Porm, na
regio do Pacifico existe a convico
de que a cooperao political e a intro-
duo de avies a jacto de menores
dimenses acabaro por desenvolver o
sector dos servios e sero um factor de
promoo do turismo.


Recentemente, em conversa com um
jornalista congols em Dacar, Senegal,
apercebi-me do absurdo que represent
a falta de ligaes areas, operadas
por transportadoras africanas, entire as
principals capitals daquele continent.
Encontrava-se a 4179 quilmetros de
casa e, no entanto, o modo mais fcil
de regressar foi atravs de uma com-
panhia area da Unio Europeia, via
Paris (Dacar-Paris, 4065 quilmetros),
embarcando depois noutra companhia
de um Estado-Membro da UE com
destino a Kinshasa (Paris-Kinshasa,
6043 quilmetros). Duplicou pratica-
mente o tempo que teria sido necess-
rio -bem como as emisses de dixido
de carbon -para alm da necessi-
dade de obter um visto de trnsito
para um Estado-Membro da UE. Esta
simples experincia diz muito sobre o
actual dominion dos cus africanos por
companhias areas sedeadas na Uniio
Europeia.

O mercado nico africano
aguarda a descolagem

At ao moment, porm, a execuo
da Deciso de Yamoussoukro, de 1999,
tomada por governor africanos, e que
determine a criao de um espao


areo africano nico, tem sido lenta.
Esta deciso estabelece os principios
de acesso ao mercado livre por parte de
companhias areas elegiveis para efec-
tuarem rotas no continent africano.
Tendo como pano de fundo a expectati-
va de um aumento dramtico do nume-
ro de passageiros naquele continent
para os prximos 15 anos, analisamos
as questes que impedem a emergncia
de um mercado nico em Africa.

Observamos tambm a crescente
cooperao Africa-UE no sector da
segurana e areas correlacionadas, da
regulao econmica, do ambiente, da
formao e do financiamento para a
ajuda navegao area que permitir
a abertura de mais aeroportos regionais
no continent. A UE esta disposta a
partilhar os seus prprios avanos em
terms de desenvolvimento no ramo
da aviao, incluindo o Cu Unico
Europeu, que represent uma iniciativa
ambiciosa para reformular a estrutura
do control do trfico areo europeu
para dar resposta ao esperado aumento
de passageiros e a requisitos de segu-
rana.


Correio





DossIe


Um cu



unico africano?


foram atingidas pela contrac-
o financeira mundial. S em
Fevereiro de 2009, as compa-
nhias areas africanas tiveram uma redu-
o de passageiros de 13,7%, segundo a
AFRAA, Associaio das Transportadoras
Areas Africanas, sedeada em Nairobi,
que agrupa 40 companhias areas do
continent africano. Este ano a nuvem
de cinzas sobre a Europa, provocada
pela erupio do vulcio Eyjafjallajkull da
Islndia, j provocou o cancelamento de
alguns voos explorados por companhias
areas africanas, tendo afectado tanto
passageiros como cargas de frutos e legu-
mes frescos e flores de corte da Africa
Oriental.

Estes acontecimentos de natureza mais
imprevisivel e caprichosa vieram inten-
sificar os problems a mais long prazo
das companhias areas africanas. Esses
problems incluem a segurana, a question
conexa do fraco investimento, a "fuga" de
pilots e engenheiros e o lento progress
para a liberalizaio dos cus africanos.

A decision de 1999 de Yamusuk sobre a
liberalizaio dos mercados dos transpor-
tes areos em Africa estabeleceu a criaio
de um cu nico africano at 2002, mas a
sua implementaio tem sido muito lenta.
um dos dominios em que a UE acha
que pode partilhar as suas "boas prti-
cas", uma vez que o prprio cu nico da
UE criado em 1992 aumentou o numero
de rotas intra-UE em mais de 40% e o
numero de companhias areas a operar no
mercado da UE em mais de 25%.

A AFRAA espera que a liberalizaio con-
duza a mais operadores areos africanos
de baixo custo ("low cost") e mais passa-
geiros, mas salienta que as companhias
areas tm de estar em situaio de sobre-
viver liberalizaio e que actualmente


falta investimento. Segundo as estatisticas
da AFRAA, o continent africano repre-
senta actualmente apenas 4% do trifego
areo civil do mundo. Neste moment
tem apenas sete operadores de baixo custo
e se, e quando, a liberalizao chegar sera
necessrio um trfego denso de ponto a
ponto para as transportadoras de baixo
custo sobreviverem.

Dominio europeu

Os voos intercontinentais de e para o
continent africano so dominados actu-
almente por operadores europeus, que
transportam semanalmente mais de 70%
dos passageiros para e provenientes do
continent. Nos anos 70 e 80, Africa tinha
26 companhias areas intercontinentais,
incluindo a Air Afrique, que cobria 11
Estados. Hoje em dia apenas nove trans-
portadoras areas africanas operam rotas
intercontinentais, refere a AFRAA.

Algumas companhias areas africanas
beneficiaram de acordos bilaterais com
paises terceiros para assegurarem rotas
intercontinentais, afirma a AFRAA.
Foram elas: Ethiopian Airlines, Kenya
Airways, South African Airways, Royal Air
Maroc, Afriqiyah e Egyptair. Mas este orga-
nismo diz que necessria melhor conec-
tividade intrafricana e maior expanso
para diminuir o tempo de viagem entire as
cidades e reduzir os custos.

A questo da segurana das companhias
areas africanas constitui um enorme
problema, diz a AFRAA. Afirma que
58% dos avies do continent tm uma
mdia de idade de 19 anos. A construtora
de avies Boeing estima o investimento
necessario para a frota africana em 60 mil
milhes de dlares entire 2007 e 2027.

Pior ainda que existem problems
ambientais associados explorao dos
avies mais antigos. A AFRAA diz que a
renovao da frota essencial para reduzir
a pegada de carbon mundial das compa-
nhias areas africanas. Embora este orga-


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010













nismo aplauda a iniciativa da UE relative
ao comrcio de emisses da aviaio, seria
preferivel uma abordagem global lana-
da pela Organizaio da Aviaio Civil
International (ICAO).

Roteiro para a aviao UA-UE

Um roteiro para a cooperaio no domi-
nio da aviaio entire a UE e a Comissio
da Uniio Africana (CUA) foi lanado o


-,lob&IpY


ano passado na Namibia, numa reuniio
patrocinada pela UE em que participa-
ram decisores politicos, representantes
da indstria aeronutica e prestadores de
servios dos dois continents. O resultado
traduziu-se em mais cooperao UE-UA
para aumentar a proteco e a segurana,
bem como na implementaio da deci-
so de Yamusuk sobre a liberalizaio
do transport areo de passageiros e de
carga. A UE concede um financiamento


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hI


de 750 000 euros para a Comissio da
Aviao Civil Africana (AFCAC), sedea-
da em Dacar, para tentar pr em funcio-
namento um mercado nico da aviao
africana.

Houve igualmente acordo sobre uma
maior cooperaio na gestio do trifego
areo e em relaio ao dilogo sobre as
questes ambientais.

Tambm para decidir esta o eventual
financiamento da UE para uma exten-
so do seu prprio sistema de navega-
o por satlite, EGNOS, especialmente
para melhorar a segurana nos aeropor-
tos regionais do continent africano. O
EGNOS ji tem receptores no norte de
Africa (ver artigo separado).


Para saber mais:
www.afcac.org
www.afraa.org


Um centro regional de excelncia


na area da segurana


Entrevista com Sadamba Tchagbele, Director da Escola Africana da Meteorologia
e da Aviaao Civil (EAMAC).


Souleymane Mazou




de que Director?

A EAMAC, a Escola Africana
da Meteorologia e da Aviao
Civil, constitui um dos quatro centros de
formaio da Agncia de Segurana da
Navegaio Area em Africa e Madagascar
(ASECNA). Festejimos os cinquenta
anos de existncia da nossa instituiio no
passado mes de Dezembro. A EAMAC
nio tem poupado esforos no sentido de
estabelecer a segurana no espao areo
dos seus Estados membros. Actualmente,
esta instituiio conta 18 paises membros,


entire os quais a Frana, assim como um
certo numero de paises da Africa Central
e Ocidental. Aquando da sua criaio,
a EAMAC contava com paises essen-
cialmente francfonos mas, hoje, conta
tambm com paises lusfonos e de lingua
espanhola.

Que papel desempenha a AEMAC no
quadro da integrao regional?

Em terms de integraao, trata-se de uma
instituiio cuja vocao essencialmente
cooperative. Como tal, participa na forte
integraao dos seus Estados membros.
Os instruments dessa integraao sao as
nossas instituies de formaio, nomea-
damente a EAMAC, sedeada no Niger,
a ERSI (Escola Regional de Segurana


Correio


DosI e


Sadamba Tchagbele. souieymaneMazou















contra Incendios), sedeada em Douala
(Repblica dos Camares), assim como a
ERNAM (Escola Regional de Navegao
Area e de Gesto) e o centro APSEC
(segurana areaa, ambos sedeados no
Senegal. Esses centros de formao tra-
balham e participam, de uma maneira
geral, integrao dos nossos Estados
membros e, sobretudo, integrao dos
homes e das mulheres que participam s
prestaes necessrias navegao area
nos nossos paises. Para assegurar a sua
formao, a EAMAC beneficiou de fun-
dos da Unio Europeia.

Quais so os principals desafios nas
dreas da segurana e daformao?

Esses desafios so essencialmente tec-
nolgicos. No dominio puramente tec-
nolgico, verificamos que os avies so
construidos, ou para voarem cada vez
mais depressa, ou para serem cada vez
maiores, ou, ento, para percorrerem dis-
tncias cada vez mais longas. Tudo isto
pressupe a existncia de um determi-
nado numero de disposies relatives
segurana, capazes de cobrir cada um
dos dominios que evoquei. So desafios
em relao segurana, tanto a nivel
tecnolgico -relativos construo dos
avies como a nivel do servio a bordo.
Porque os painis de bordo dos avies
evoluiram muito. As TIC (Tecnologias da
Informao e da Comunicao) invadi-


ram todos os dominios e, evidentemente,
tambm o da aviao.

Por isso mesmo, necessrio que os
estabelecimentos de formao se possam
actualizar, adaptando-se evoluo tec-
nolgica, para poderem ser capazes de
responder s expectativas dos clients que
solicitam a formao de agents suscep-
tiveis de desempenhar um determinado
numero de funes, quer a bordo dos
avies, quer no solo. Desejava fazer uma
distino, visto que a ASECNA , princi-
palmente, uma prestadora de servios de
navegao area. Essa agncia no inter-
vm directamente a bordo dos avies mas
assegura o bom desenrolar dos voos de
modo a evitar, nomeadamente, colises.
Todas as formaes que dispensamos
responded s normas e prticas reco-
mendadas pela Organizao da Aviao
Civil Internacional (OACI), organismo
international que promulga a regulamen-
tao destinada a garantir a segurana no
espao areo de todos os paises.

Enfrenta outros desafios?

Claro que sim e, entire outros, o da pla-
nificao das nossas necessidades. Esta
questo faz parte das questes debatidas
actualmente em Africa. Como agir para
melhor definir as nossas necessidades
para que os centros de formao possam
a elas adaptar-se? Um outro desafio, rela-


cionado com este ltimo, a capacidade
dos nossos centros de formao. Como
dimensionar um centro de formao, de
modo a adapti-lo s necessidades, quan-
do estas so variiveis? Esta outra das
questes que, com o apoio da OACI, esta
actualmente em debate com vista a criar
as sinergias necessirias entire os diversos
centros de formao africanos.

Outro dos desafios que devemos enfren-
tar o da formao linguistica (a OACI
decidiu que, a partir de Maro de 2011,
nenhum piloto ou controlador de trifego
areo poder exercer as suas funes se
no dominar o ingls, NDLR). Para nos,
essencialmente francfonos, o desafio
enorme.

Atravessa algumas dificuldades actu-
almente?

Sim. Sobretudo no plano financeiro, no
que diz respeito s instituies de forma-
o. Mas necessario considerar a crise
a nivel mundial. No novidade para
ningum que a crise econmica e finan-
ceira se repercute a nivel de instituies
tais como a ASECNA. Ora, como nos
pertencemos ASECNA, inevitvel
sentirmos alguns sobressaltos causados
por esses acontecimentos que ocorrem no
mundo inteiro.


.... jf... ... " ""^ "


Madagascar. Lait /Reporters


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


DosI e





DsI e


Pacifico: perto de



uma minirrevoluo?


Ira uma maior cooperaao regional entire governor e a chegada de jactos mais
pequenos abrir os cus do Pacifico e impulsionar as receitas do turismo?




Dev Nadkarni


P ara quase todos os paises insu-
lares da regio do Pacifico o
turismo sempre foi a maior ou a
segunda maior fonte de receitas
depois das remessas -e certamente a
maior fonte tanto de emprego director
como indirecto.

No entanto, factors naturais como as
longas distncias e mercados reduzidos
-pequenos mercados com baixos coefi-
cientes de ocupaio, onde os voos fre-
quentes nio so economicamente viaveis
-associaram-se a questes que vio desde ..
infra-estruturas inadequadas e percep-
es de instabilidade political at -mais .... "
recentemente insegurana ecolgica, '".. .."""*" "".
enfraquecendo o verdadeiro potencial.... ..
dos encantadores destinos da regio.

Isto levou falta de investimento nos sec-
tores das infra-estruturas e dos transpor-.......
tes, provocando custos elevados, servios
insatisfatrios e um crescimento lento i.iiii
das economies das ilhas, que dependem q
quase inteiramente do turismo para a sua L
sobrevivncia.

Rotas longas e pouco frequentadas -tipi-
camente com uma durao de trs horas
ou mais, que exigem avies a jacto mas
com uma baixa procura por parte de
passageiros -e falta de avies adequados
para resolverem economicamente este
duplo problema atormentam a indstria
da aviao hi dcadas, fazendo com que
alguns sectors da regio sejam dos mais
caros do mundo.

A acrescentar a isto, um acordo vivel de
servios areos designado PIASA (Pacific
Islands Air Services Agreement) permane-
ceu sem ratificao durante anos, adian-
do uma muito necessria political de
cu aberto em toda a regio -embora
estejam agora a ser feitos progresses,
Aviao no cu de Aitutaki da ilha Cook. Reporters


Correio





































graas a uma maior compreenso entire
os governor.

"TIDES"

Numa conferncia recent realizada em
Samoa sobre "Investimento no Turismo
para o Desenvolvimento das Empresas
e da Sustentabilidade" (TIDES), finan-
ciada pela Unio Europeia, o Director
Regional da Associao de Agentes de
Viagem da Asia-Pacifico (PATA), esta-
belecido em Sydney, Chris Flynn, disse
que os acordos de compra de capacida-
de (ACC) entire operadores ajustaram
de forma inovadora as realidades das
rotas areas longas e pouco frequenta-
das [mdia a longa distncia; com fraca
taxa de ocupao] das ilhas do Pacifico
e puderam oferecer solues para os
problems existentes hi muito tempo
na region.
A China introduziu uma srie
de paises insulares do Pacifico
como destinos preferidos dos
seus turistas.

So necessirios mais estudos, disse ele,
mas as solues podem ser encontradas
em torno do PIASA. Uma ideia -embora
nunca tenha sido ensaiada at aqui em
qualquer outro sitio do mundo, mas que
constitui uma promessa para a regiio
das ilhas, segundo Chris Flynn divi-
dir as capacidades da cabina dos avies
maiores em ACC entire operadores. Isto
refere-se partilha de cdigos entire
companhias areas que envolve a parti-
lha da capacidade de todo o avio entire
duas companhias parceiras. O conceito
de divisio (slice and dice) prope que a
cabina de um nico avio seja partilhada
entire tres, quatro, cinco ou mais compa-
nhias areas diferentes, em vez da pritica
habitual de partilha em que apenas so
envolvidas duas companhias areas.


A regiio, contudo, esta perto de uma
minirrevoluo na aviao com a chega-
da da nova gerao de jactos regionais
mais pequenos, que podem ser explo-
rados economicamente com indices de
ocupaio mais baixos. Do mesmo modo,
o seu aparecimento na regiio -especial-
mente na Austrilia -coincide com novas
tendncias dos governor das ilhas para
cooperarem a nivel regional, o que se
espera que conduza o mais rapidamente
possivel a uma maior abertura dos cus.

Jactos mais pequenos

A proliferao de jactos de menor capaci-
dade com a simultnea abertura dos cus
trari sem dvida mltiplas oportunida-
des para o turismo das ilhas do Pacifico,
onde passari a ser possivel fazer etapas
nas ilhas e experimentar mais de uma
ilha como destino durante umas frias,
graas a uma convenient conectividade
entire ilhas -algo que hoje s se consegue
atravs de navios de cruzeiro.

Com o mundo a sair da recessio, as che-
gadas de turistas da Nova Zelndia e da
Austrilia, principals fontes de mercado
da regiio, ji comearam a aumentar. O
interesse pela regiio tambm vai disparar
a partir de mercados menos tradicionais
na sequncia da Exposiio de Xangai
entire Maio e Outubro deste ano, onde
as ilhas do Pacifico tm um pavilhio
comum que dos maiores do event.

Alm disso, a China introduziu uma
srie de paises insulares do Pacifico
como destinos preferidos dos seus turis-
tas: tudo isto aponta para um numero
crescente de turistas, como ji se pode ver
pelo aumento do numero de voos entire
destinos do Pacifico e a Asia e os EUA
nos ltimos 12 meses.


Savai'i, Samoa. D Percival


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


1IDose





DsI e


..m-,,,, :.-. .
Jamaica, aa de Montego, praa de Buccaneer ao ado do Aeroporto Internacional Sangster Rp
.... i rii ...-i"

Jamaica, baia de Montego, praia de Buccaneer ao lado do Aeroporto International Sangster. Reporters


Tempos agitados para as


companhias areas das Caraibas


0 aumento dos preos dos
combustiveis, juntamente com a
recessao mundial, teve um impact
negative na sustentabilidade das
companhias areas das Caraibas.
Algumas foram obrigadas a fuses ou
a deixar de operar.


Victoria Burbidge



recentemente optou por
abandonar o mercado foi a
Air Jamaica. Aps 41 anos
de actividade, a companhia national da
Jamaica desistiu de operar. Esperava-
se a concluso de um acordo para a
sua aquisio pela Caribbean Airlines
de Trindade e Tobago no final de
Abril de 2010. Segundo o Primeiro-
Ministro da Jamaica, Bruce Golding,
a razo principal para a venda foram
os prejuizos de explorao permanen-
tes. Foi igualmente uma das condies
para a Jamaica garantir um acordo
com o Fundo Monetirio Internacional
(FMI).


Dirigindo-se ao Parlamento, o
Primeiro-Ministro Golding disse que
a companhia area tinha acumulado
prejuizos de 126 mil milhes de dlares
jamaicanos, dos quais 31 mil milhes
s nos ltimos trs anos. Os pormeno-
res da venda ainda nio so conhecidos,
mas espera-se que a Caribbean Airlines
continue a operar nas rotas que apoiam
o produto turistico da Jamaica, que
tem o seu maior mercado na Amrica
do Norte.

Ian Bertrand, consultor da indstria da
aviaio e antigo PDG da British West
Indian Airways (BWIA), a companhia
que precedeu a Caribbean Airlines, disse
que o desire da Air Jamaica se devia
principalmente sua misso de apoiar


Correio


............
..... ...


.... ... .










































plenamente o turismo do pais. "Se qui-
sermos perder dinheiro, basta apoiar o
turismo, apoiar rotas que so fortemen-
te tnicas", disse ele ao Correio. "No
era a gesto que era ma, era a mission
que estava errada."

Um novo context

Norman Girvan, professor e inves-
tigador no Instituto de Relaes
Internacionais da University of the
West Indies (UWI), em St. Augustine,
Trindade e Tobago, indicou no entanto
que o context operacional da inds-
tria da aviao actualmente muito
diferente daquele que existia quando a
BWIA e a AirJamaica estavam no apo-
geu. "A desregulao e as tecnologias
da informao trouxeram para o sector
um grande numero de novos operado-
res e alteraram o modo de fazer neg-
cio. Explorao com baixos custos, sem
quaisquer servios, descontos e preos
diferenciados so alguns dos traos
distintivos dos novos models de neg6-
cio", afirmou ele numa recent apre-
sentao sobre os transportes areos
nas Caraibas. "Os aumentos de preos
dos combustiveis, as preocupaes com
a segurana e o ambiente e a recessio
mundial aumentaram enormemente os
custos e a volatilidade do negcio",
acrescentou.

Nio a primeira vez que uma com-
panhia area das Caraibas sai do mer-
cado. A BWIA foi liquidada em 2006.
"Foi privatizada nos anos 90 e con-
tinuou a ter prejuizos e agora volta
propriedade do Estado. No entanto,
a sua nova designao de Caribbean
Airlines foi uma jogada estratgica e
pode reflectir uma ambio a long
prazo", afirmou Girvan.


Airbus da Companhia Area da Jamaica. Shutterstock




Ian Bertrand, o responsvel na altura
pela BWIA, disse que "a BWIA falhou
em grande parte por estar descapita-
lizada... por explorer rotas que no
eram lucrativas". Apontou ainda que
as outras companhias areas regionais
tambm estavam a passar por dificul-
dades, nomeadamente a Bahamasair e a
Surinam Airways.

A Bahamasair a companhia area
national das Baamas. Foi criada aps
a British Airways em 1970 e a Pan
American Airlines em 1973 terem aca-
bado com os voos para as Baamas
por causa da crise dos combustiveis,
deixando um vazio no sector dos trans-
portes das Baamas. O turismo e as
vidas das pessoas que viviam nas ilhas
ressentiram-se. No sitio web da com-
panhia area podia ler-se que desde
os anos 90 se defrontava com varias
dificuldades, nomeadamente a perda
de receitas, em especial nas rotas para
os Estados Unidos, e o aumento de
custos. O conselho de administrao
da transportadora area determinou
ento que esta s voava nas rotas que
fossem lucrativas para a companhia.
Lanou igualmente diversas iniciativas
para tapar os buracos da companhia.
Entre elas incluiu-se a converso da
frota para avies com menor consume
de combustivel.

Bertrand diz que a Surinam Airways
tambm se defrontou com dificulda-
des financeiras. Estabelecida em 1955,
esta companhia area iniciou as suas
actividades domsticas e servios regu-
lares entire Paramaribo, a capital, e a
pequena cidade produtora de bauxite,
Moengo, utilizando avies de recreio.
Em 30 de Agosto de 1962 foi criada
oficialmente a Surinamese Luchtvaart
Maatschappij. S depois da indepen-


dencia deste pais de lingua neerlandesa
que a companhia estabeleceu uma
rota transatlntica para Amesterdo,
Paises Baixos.

O percurso errtico da LIAT

Ian Bertrand, no entanto, foi cuidadoso
a comentar as operaes da Leeward
Islands Air Transport Services (LIAT).
Sedeada em Antigua, nas Caraibas
Orientais, a LIAT foi fundada em
1956 e hoje voa para 22 destinos nas
Caraibas. Ao long dos anos esta com-
panhia area teve um percurso irre-
gular. Em 1971, 75% das suas aces
foram adquiridas pela Court Line, uma
companhia britnica de voos charter
muito conhecida. A Court Line faliu
tres anos mais tarde mas, para salvar a
LIAT, 11 Estados das Caraibas vieram
em sua ajuda e compraram a compa-
nhia area.

Para a salvar de novo da falncia, a
LIAT foi parcialmente privatizada mais
uma vez em 1995 e em Janeiro de 2007
anunciou um project de fuso com
um concorrente regional, a Caribbean
Star Airlines. Concluiram uma alian-
a commercial, que envolvia voos com
horrios combinados. Contudo, em
Junho de 2007, o accionista Governos
de Barbados, Antigua e So Vicente
deu luz verde ao conselho de admi-
nistrao para adquirir a Caribbean
Star Airlines em Outubro de 2007. A
LIAT alterou depois a sua divisa para
"LIAT, Star ofthe Caribbean". A com-
panhia area pertence a sete governor
das Caraibas, sendo tres (Barbados,
Antigua e Barbuda e So Vicente e
Granadinas) os principals accionistas.

Bertrand prev que a concorrncia
dos grandes operadores no mercado se
vai tornar "mais dura". Afirma que a
regio no tem capacidade financeira
para suportar companhias areas com
prejuizos. "Esta indstria no para
timoratos nem para pouco endinheira-
dos", referiu.

Companhias areas internacionais da
Amrica do Norte e da Europa, como
a JetBlue, Jet Air, Air Tran e Westjet
tm estado a tirar partido do mercado
jamaicano. Apenas num ano as quatro
companhias areas expandiram-se para
a Jamaica. As companhias tradicio-
nais como a US Airways, American
Airlines, British Airways e Delta tam-
bm alargaram os seus voos regulars.


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


Dosier





DsI e


UE interdita companhias



areas africanas


0 Embargo que impede mais de
100 companhias areas africanas
de voarem para o espao areo da
Uniao Europeia esta a beneficiary as
empresas da UE, afirma a Associaao
das Companhias Areas Africanas
(AFRAA), sedeada em Nairobi,
Qunia.


Logotipo da UE 'proibido oficialmente'.
SCE


D. P.



A mais recent actualizaio da
"lista negra" da UE, que
revista regularmente e que
inside sobre companhias are-
as internacionais que no cumprem os
regulamentos comunitarios, foi publica-
da a 30 de Maro de 2010. Onze, num
conjunto de 17 paises e um total de 111
companhias incluidas naquela lista, so
da Africa subsariana.

Segundo a AFRAA, a lista publica-
da pela UE prejudice quer o prestigio
quer os interesses comerciais de mui-
tas companhias areas africanas que
operam voos regulars, cujos registos
de segurana e observncia dos cri-
trios de segurana da Organizaio
International de Aviao Civil so equi-
pariveis aos das melhores companhias
areas a nivel mundial.

O embargo feito a todas as compa-
nhias areas sudanesas -devido a um
insuficiente desempenho em terms de
segurana por parte da autoridade de
aviaio sudanesa e a constantes incum-
primentos das normas internacionais
no campo da fiscalizaio uma das
novas entradas nesta dcima terceira
actualizaio da lista. Apesar de as com-
panhias areas angolanas continuarem
a constar da lista de companhias bani-
das, o embargo TAAG Linhas Areas
Angolanas foi parcialmente levantado,
permitindo a esta transportadora ope-
rar, dentro de determinadas condies e
com aeronaves especificas, para todos os
destinos da UE.

Os paises cujas companhias areas cons-
tam da lista so: Angola (com a excep-
o ji referida), o Benim, a Repblica
Democritica do Congo, o Jibuti, a
Guin Equatorial, o Gabo (com excep-
o de tres companhias areas auto-
rizadas a operar sob certas restries
e condies), a Libria, a Repblica
do Congo, a Serra Leoa, So Tom
e Principe, o Sudo, a Suazilndia e
a Zmbia. Para alm destes casos, a
maioria dos avies da transportadora
dos Camares, a Comoros Air Service,


esta impedida de sobrevoar o espao da
Uniio Europeia, bem como a totalida-
de dos avies da companhia Silverback
Cargo Freighters do Ruanda.

Beneficiados Europeus

"Quem mais beneficia deste embargo
so as companhias europeias que domi-
nam os cus africanos em prejuizo das
transportadoras africanas. A haver uma
lista a publicar, caberia Organizaio
de Aviao Internacional Civil (OAIC),
a autoridade reguladora global da segu-
rana na aviaio conhecida pela sua
imparcialidade, estabelecer essa lista",
afirma o secretirio-geral da AFRAA,
Nick Fadugba.

A AFRAA defended que a maioria das
companhias areas que constam da lista
nunca opera voos regulars para qual-
quer Estado da UE. "A lista inclui
muitas transportadoras areas que exis-
tem apenas no papel e que no estio
operacionais", diz a AFRAA, afirmando
ainda que: "Os Estados Unidos revelam
uma attitude muito mais util no que se
refere aos desafios de segurana area
dos paises africanos, tendo lanado um
program designado 'Cus seguros para
Africa', com vista a aumentar a capaci-
dade dos transportes areos africanos,
atravs do desenvolvimento de com-
petncias e do fornecimento de infra-
-estruturas, com o intuit de melhorar
a segurana." Nas palavras da AFRAA,
"tudo isto esta a ser feito num moment
em que poucas companhias areas dos
Estados Unidos operam em Africa".
necessirio que a Uniio Europeia riva-
lize com os Estados Unidos atravs de
um program prprio de melhoria das
condies de segurana para o conti-
nente africano.

"Estamos disponiveis para apoiar os
paises que necessitam de desenvolver
capacidade tcnica e administrative para
assegurar as normas exigidas na aviaio
civil", afirma o Comissirio Europeu dos
Transportes, Sim Kallis.


A lista integral pode ser consultada no sitio
web: http://ec.europa.eu/transport/air-ban/
list en.htm


Correio





Dossie


EGNOS: Satlite da UE


para cus africanos


A Uniao Africana (UA) e a Uniao Europeia (UE) estao actualmente a cooperar no sentido de melhorar a navegaao de
comunicaao por satlite nos cus africanos, com o objective de aumentar a segurana e impulsionar o desenvolvimento
econmico daquele continent. Uma das possibilidades o alargamento da cobertura do Sistema Europeu Complementar
de Navegaao Geoestacionrio (EGNOS) a todo o continent africano, com vantagens que ultrapassam os aspects
relacionados com a aviaao.


o Sistema Mundial de
Determinaio da Posiio
(GPS) e com outras cons-
telaes de satlites actualmente em
estudo, o EGNOS reduziri o numero
de acidentes durante a aproximaio e
aterragem de avies, especialmente em
aeroportos regionais que nio dispem
da assistncia traditional navegaio.
O sistema EGNOS consiste em trs
satlites geostacionrios e numa rede
de estaes de solo e transmite um sinal
que contm informaes sobre a fiabili-
dade e a precisio dos sinais de posicio-
namento emitidos por GPS, permitindo
aos seus utilizadores na Europa, e fora
dela, determinar a sua localizaio com


uma margem de erro de 1,5 metros. Os
avies que viajam na regio Norte do
continent africano j podem receber
informaes emitidas por estaes de
solo situadas no Norte de Africa.
"Os avies nas rotas da UE para Africa
e vice-versa poderio utilizar os mes-
mos instruments de navegaio nos
dois continents. tambm impor-
tante sublinhar que o mesmo sinal
usado nos Estados Unidos da Amrica
e no Japo, estando agora a ser desen-
volvido na India e na Rssia", afir-
ma Fabio Pirotta, porta-voz do
Comissrio Europeu da Indstria e
Empreendedorismo, Antonio Tajani.
"Uma anlise de custos-beneficios rea-
lizada sobre o desenvolvimento de um
sistema idntico ao EGNOS estima um
ganho de mil milhes de euros para a
sociedade africana", acrescenta Pirotta.


A melhoria da navegaio do transport
areo e dos padres de segurana nos
cus africanos era uma das prioridades
definidas na primeira reunio Africa-
UE de alto nivel sobre a aviao, reali-
zada em Windhoek, Namibia, em Abril
de 2009. Foi tambm proposto o desen-
volvimento de um sistema idntico ao
EGNOS no primeiro plano de acio da
oitava parceria da estratgia Africa-UE
em matria de Cincia, Sociedade de
Informaio e Espao.

A luz verde por parte dos decisores
politicos da UE para o sistema EGNOS,
ou para um sistema de caracteristicas
idnticas a implementar em Africa, bem
como a decision sobre o respective e
indispensivel financiamento, poderio
chegar no final do corrente ano durante
a Cimeira Africa-UE, afirma Pirotta. "A
construo do EGNOS para assegurar a
cobertura do espao europeu represen-
tou um custo superior a 700 milhes de
euros. Calcula-se que o custo de uma
soluo para cobrir o espao africano,
contando com parte da infra-estrutura
EGNOS, deveri ser substancialmente
inferior", acrescenta.

O Cu o limited

Para alm da aviaio, o EGNOS tem
incidncia noutros sectors e pode ser
utilizado para melhorar a informaio
sobre a localizaio de navios, a protec-
io de espcies animals e o ordenamen-
to do territrio, bem como para aplica-
es nos sectors petrolifero e mineiro.


A UE quer alargar o EGNOS a Africa que utiliza as constelaoes de satlites de navegaao (GPS, Glonass) existentes
e, potencialmente, o Galileo- um sistema de 30 satlites de orbita mdia em desenvolvimento. CESA


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010














































"lslamic Relief" (IR) uma
Organizaao Nao Governamental
(ONG) que tem por base a f,
mas nao se limita a assistir as
comunidades islmicas nos pauses em
desenvolvimento, como mostrou a sua
rapida ajuda ao Haiti.

D. P.





Reino Unido, trabalha com
as comunidades mais pobres
do mundo, independentemente da raa,
religiio ou gnero, explica Sarah Douik,
a sua funcionria international estabele-
cida em Bruxelas. Os seus parceiros em
mais de 30 paises implementam e coor-
denam a ajuda, desde o fornecimento de
gua at educao e ajuda humanit-
ria de urgncia.

Sarah Douik refere que tem acesso mais
fcil s comunidades islmicas especial-
mente atravs do recurso a peritos tcni-
cos de outros paises em desenvolvimento.
No Chade, o seu perito tcnico mau-
riciano e no Mali marroquino. Entre
os fundadores desta ONG incluem-se
o Servio de Ajuda Humanitria da
Comissio Europeia (ECHO) e o Fundo
Europeu de Desenvolvimento (FED) da
UE. A Alemanha, os Estados Unidos, a
Frana, o Reino Unido e a Sucia tam-
bm lhe dio apoio.

No Chade, a UE co-financia actual-
mente com a IR um project de 18


Islamic Relief


meses (563.243 ), "Projecto de pelos valores da f islmica. "O acto
Desenvolvimento Comunitrio do de dar no um acto de generosidade,
Cantio de Salamat", para desenvolver as mas destina-se a satisfazer direitos dos
capacidades locais em 118 aldeias. pobres", explica ela. A IR foi uma das
primeiras ONG a ir para o Haiti a seguir
Embora seja especialmente active nos ao terramoto de 12 de Janeiro e financiou
paises africanos com comunidades isl- 600 tendas para 600 families e esta a
micas -Chade, Qunia, Mali, Niger, fornecer alimentos e agua a 1300 pessoas
Somilia, Sudio e Malavi -Sarah Douik na zona Delmas 33.
diz que as suas aces so orientadas


Ajuda vital ao Sudo

Em 1984, o Sudo foi o primeiro pais
onde a IR trabalhou na sequncia do fla-
gelo da fome. Muitos dos projects esto
centrados na recuperao do conflito e
incluem a perfurao de poos, melhoria
dos equipamentos de sade e reintegra-
o dos refugiados.
A IRtambm dirige um consrcio de ONG
apoiado pelo FED no quadro de um Pro-
grama de Reabilitao e Recuperao.
Financiado pela UE (inicialmente para
2006-2009, com 54,3 milhes de euros
do 9.0 FED) e administrado pelo Programa
das Naes Unidas para o Desenvolvi-
mento (PNUD), abrange 800.000 pesso-
as em dez zonas do Sudo rural. Projec-
tos individuals, que incluem a expanso
da produo agricola, tratamentos m-
dicos, criao de postos de trabalho e
explicao dos beneficios da paz para as


comunidades, esto a ser implementados
por 48 ONG nacionais e internacionais.
A IR salienta a importncia de uma se-
gunda fase do project, que pode ser tra-
vado porque o Sudo no assinou o Acor-
do de Cotonu (2000-2020) antes do prazo
fixado, 1 de Julho de 2009, e por isso no
actualmente elegivel para financiamen-
to no mbito do 10.0 FED (2008-2013).
Em Maro de 2010 a Comisso Europeia
informou a IR por escrito que estava a
tentar obter uma soluo para dar res-
posta as necessidades das populaes
vulneraveis do Sudo utilizando funds
no gastos do 9.0 FED (2000-2007). "Es-
tes programs demonstraram um impact
claro nas comunidades em terms de me-
Ihoria e de aumento do acesso aos servi-
os basicos e so parties importantes do
beneficio da paz", diz a IR.


Correio





A -g1 1jt


Organizaes da Sociedade Civil


africana ausentes no dilogo


com a China


D. P.


poder econmico -e politico
em diversas regies da Africa
subsariana. No entanto,
necessrio fazer mais, de modo que as
organizaes da sociedade civil (OSC),
tanto da Africa como da China, possam
envolver-se na supervisor dos negcios
efectuados entire os governor africanos
e os consrcios chineses. Estas so as
concluses da conferncia intitulada:
"A China, a Africa e a Unio Europeia",
organizada pelo Instituto de Politica
de Desenvolvimento e de Gesto da
Universidade de Anturpia (UCSIA),
na Blgica.

A investida da China em Africa fre-
quentemente citada como win-win
(ganham ambas as parties) para a China
e para a Africa, onde os governor africa-
nos trocam mercadorias como o petr-
leo, cobalto, cobre, ouro, minrio e dia-
mantes por emprstimos preferenciais
chineses utilizados para investimento
em muitas infra-estruturas necessrias
ao crescimento econmico.


"O desafio consiste em saber como
que isso se ira disseminar a nivel da
populao em geral. Isso o que dever
ser analisado, tanto pelas organizaes
da sociedade civil como por outros
agentss, declarou Stefaan Marysse,
Professor de Economia Politica no
UCSIA. Comparemos um mapa relative
s infra-estruturas da Africa subsaaria-
na em 1950, ainda sob o dominio colo-
nial, com o relative a 2010. Constatamos
que so quase idnticos e demonstram
que esse tipo de investimentos continue
orientado para o exterior -para os por-
tos -em vez de criar ligaes de trans-
portes dentro do prprio continent.
"As relaes econmicas com a China
so similares s estabelecidas com um
poder colonial mas sem a dominao
political declarou Marysse.

Segundo Jonathan Hoslag, director
de pesquisa no Instituto de Estudos
Contemporneos Chineses em Bruxelas,
outras das questes que devero igual-
mente ser analisadas, por ambas as
OSC, chinesas e africanas, incluem as
condies da fora de trabalho utilizada
pelas companhias chinesas em Africa, a
degradao ambiental provocada pelos


projects chineses e a nova forma de
xenofobia emergente na Africa que
tem por alvo a China. Ainda segundo
Hoslag, ocorreram mais de 40 homici-
dios de chineses no continent africano,
durante os ltimos cinco anos.

As empresas chinesas, ao preferirem
empregar o seu prprio pessoal, privan-
do assim a populao local de oportuni-
dades de trabalho, esto a causar uma
tenso crescente que vai para alm de
protests pacificos. Segundo Holslag,
esta tenso agravada pela ideia de que
a China mantm contacts com as elites
political locais. Considerou ainda que
existe uma percepo geral da China
como "um novo poder negative e colo-
nizador".

Inexistncia de OSC de origem
local

A conferncia revelou ainda a falta de
organizaes da sociedade civil africana
de origem local capazes de levantar este
tipo de questes a nivel das relaes
entire a China e a Africa. Segundo
Anthony Otieno Ong'ayo, muitas das
OSC do continent africano foram cria-
das graas a funds europeus e com a
finalidade especifica de resolver proble-
mas relatives Europa. Ong'ayo apela
para um amplo dilogo pan-africano
entire as OSC com vista a abordar os
problems relatives presena chinesa
em Africa.
Na China, as organizaes da sociedade
civil so um fenmeno bastante recent
e elevavam-se a 870.000 em 2002, disse
Otieno Ong'ayo. Este ltimo acrescenta
que essas organizaes mantem poucos
contacts com a comunidade interna-
cional. O estatuto das OSC no regis-
tadas precario; falta-lhes legitimidade
e encontram dificuldades de financia-
mento. Quanto s OSC registadas, as
suas aces so limitadas pelas politi-
cas governamentais; no podem nem
reivindicar ou defender causes, nem
organizar-se. Otieno Ong'ayo apela para
que as OSC chinesas se associem a con-
gneres da China e defended uma parce-
ria mais estreita entire as OSC chinesas
e o meio universitrio africano.


Visitante no pavilhao africano da Exposiao Mundial de 2010 em Changai, China. Reporters/Novosti


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010








-g.:irr li--- -r -


imagem constitui um direito"

Entrevista realizada por Elisabeth Lequeret (*)
Jornalista e critical dos Cahiers du Cinma


Rithy Panh, realizador cambojano
do clebre documentrio "S21- a
maquina da morte dos khmers
vermelhos", fala-nos da sua frutuosa
colaboraao com Imagine, o centro
de formaao de Gaston Kabor em
Uagadugu.


E ste ano foi padrinho, junta-
mnente com a actriz Sandrine
Bonnaire, do Pavillon des
cinmas du Monde, durante
o Festival de Cannes...

Foi uma honra e uma experincia formi-
divel. Vim com uma enorme vontade:
que as coisas mudassem, que houvesse
um ponto de encontro com estes doze
jovens cineastas, seis dos quais vinham
alias da zona ACP. E preciso apostar no
future e eles so o future. E magnifico
encontrar um jovem cineasta nigeriano,
Elhadj Magori Sani, e descobrir o seu
formidivel documentirio, Pour le meil-
leur et pour l'oignon [Para o melhor e
para... a cebola]. O nosso papel consiste
em falar deles. Vou ficar em contact
para ver como que eles evoluem, em
que que os posso ajudar. Espero que
haja outros Gaston Kabor e Rithy
Panh a sairem de l, pessoas que fazem


o cinema de que gostam e que pensem
tambm em transmitir.

um cineasta famoso, tambm j
criou em 2006 o centro de recursos
audiovisuais Bophana, em Phnom
Penh...

Queremos desenvolver-nos em trs
direces: memria, formaio e produ-
o. Come~mos pelo mais urgente, a
memria. Tendo em conta a nossa hist-
ria e o estado dos arquivos audiovisuais
no Camboja, era preciso recolher e res-
taurar o que existia, que estava a desa-
parecer por falta de meios. Ao mesmo
tempo damos formaio a documenta-
listas e pesquisadores. Recentemente
recebemos uma subveno para colocar
gratuitamente em linha msicas tra-
dicionais cambojanas. Os direitos so
livres. E se as pessoas que os descarre-
gam nos quiserem ajudar, dio-nos um


Correio





a' speciv


donativo, media dos seus meios: um
euro, dois euros, ou mesmo mais. Este
dinheiro sera utilizado para salvar esta
cultural.

Quantas pessoas trabalham em
Bophana e qual o seu estatuto?

Trinta e cinco pessoas, cuja mdia de
idade inferior a 30 anos. E uma asso-
ciao sem fins lucrativos. A ideia
criar uma estrutura e depois, quando
o Estado tiver meios, oferecer-lha, para
que nos prximos dez anos Bophana
passe a ser a Cinemateca Nacional do
Camboja. Ao mesmo tempo precise
former os tcnicos, criar grupos de
profissionais. Neste moment temos em
curso duas aces de formao, ope-
rador de cmara e operator de som,
asseguradas por tcnicos cambojanos,
os que eu prprio formei h dez anos.
Tentamos incluir pessoas excluidas do
sistema, pessoas desfavorecidas. Todas
as vezes que vou a um arrozal digo
para comigo que talvez ali esteja um
Eisenstein a guardar os bois.

Desde quando que existe a sua
colaborao com Imagine, o centro
de formao de Gaston Kabor em
Uagadugu?

Comeimos hi cerca de dois anos.
Gaston um grande cineasta e um
grande amigo. Lanou-se na formao
e esta muito avanado em relao a ns
neste dominion. Por exemplo, Imagine ji
comeou a trabalhar num project de
desenho animado. Em contrapartida,
no havia qualquer dispositivo de aces-
so as imagens de Imagine. Uagadugu
um pouco a Meca do cinema na Africa
negra. E evidence que Gaston Kabor
no pretend substituir a Cinemateca
de Uagadugu. Mais modestamente,
Imagine quer dar um acesso pblico ao
cinema, no s do Burquina Faso, mas
tambm de todo o continent. Tenho
um principio: convido sempre as pes-
soas a virem ver-nos. Por isso Gaston
veio ao Camboja, com um responsivel
do seu centro, e visitaram e observa-
ram. Depois elaboraram o project, em
funo das suas necessidades prprias.
Bophana forneceu os conhecimentos
especializados e foi tudo. Mais as ferra-
mentas tecnolgicas.


A subirem as escadas para assistirem ao filme do chadiano Haroun, recompensado com o Premio do Juri.
Em volta de Sandrine Bonnaire, S.E. o Sr. R. Makongo, Presidente do Comit de Embaixadores ACP, a Sra Jeannette
Kavira Mapera, Ministra da Cultura e das Artes da RDC, acompanhados pelos jovens realizadores ACP convidados
para o Festival de Cannes. unset/ Reporters


"Idealmente, alias, era preciso
que a Francofonia se implicasse
mais nas trocas Sul-Sul"

um project de acesso as imagens:
que imagens?

Aos filmes produzidos pelo centro
Imagine e talvez, a prazo, as imagens
da televiso e aos filmes da cinemate-
ca de Uagadugu. intil digitalizar
imagens se a seguir as armazenamos
numa prateleira. Para que um project
funcione preciso o empenhamento
de um professional. Gaston um gran-
de cineasta. Acontece que ele deseja
transmitir qualquer coisa. Acontece que
foi ele que durante anos reuniu toda a
gente em torno da Fepaci (Federao
Pan-africana de Cineastas). Acontece
que um home integro. Tudo isso me
interessa. Ele quer ajudar-nos, eu quero
ajud-lo, normal. Assim, informo-
-me regularmente do que ele esta a
fazer em matria de formao. Ele tem
ideias muito boas, por exemplo fazer
vir profissionais do cinema de anima-
o. Quando ele prprio construiu um
centro onde os jovens desfavorecidos
podem dormir e trabalhar, aplaudi. Em
Bophana no o podemos fazer por falta
de espao, mas uma ideia formidvel!

Tem projects em parceria?

Sim, ciclos de filmes. E houve docu-
mentalistas doe Imagine que vieram
formar-se no nosso centro. Tomaram
conhecimento das nossas tecnologias
e depois um informtico cambojano
foi um mes para o Burquina Faso para
por o project em andamento. Esta a


funcionar muito bem. Eles falam-se em
francs. Idealmente, alias, era precise
que a Francofonia se implicasse mais
nas trocas Sul-Sul. No um proble-
ma de dinheiro, mas sim um problema
politico. E de confiana reciproca. Cada
um deve assumir as suas responsabilida-
des. Se Gaston e eu quisssemos fazer
comrcio, fariamos. Mas nos amamos
o nosso pais, a nossa cultural, o nosso
povo, tudo.


Tem projects noutros paises da
zona ACP?

Ha cinco paises africanos interessados
no project, que vo a Bophana para
ver como que funciona e talvez com o
tempo Imagine nos substitua para tra-
balhar com eles.

Que paises?

Contactmos Moambique e o Ruanda.
precise identificar os paises onde
urgente a necessidade de memria.
Encontrmos pessoas, mas a sua manei-
ra de funcionar muito onerosa. Ha
muito pessoal. E preciso discutir estas
opes. a inteligncia de Gaston:
criar tres ou quatro lugares e depois
crescer em funo da procura. Porque
ha trabalho, precise trabalhar com os
estudantes, fazer-se ouvir. Primeiro as
pessoas pensam que a pagar ou que
complicado, quando o nosso sistema
to simples e ldico como um navegador
de pesquisa da Internet.


(*) A entrevista pode ser consultada
integralmente no sitio de 0 Correio:
http://new.acp-eucourier.info


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010
























































da Liberdade


Reportagem de Marie-Martine Buckens




anos. Em 6 de Junho de
1944, aps longos prepara-
tivos secrets, comeou o
desembarque dos Aliados nas praias da
Normandia. Comeou assim a libera-
o dos paises da Europa ocupados pela
Alemanha de Hitler. O Desembarque, a
que se seguiu a batalha de Normandia,
abriu o caminho liberao de Paris e,
em seguida, de toda a Frana. Quatro
meses depois, foi a vez da Blgica e


do seu vizinho do Norte, os Paises
Baixos, serem liberados do jugo nazis-
ta aps outra dolorosa batalha, a das
Ardenas, na quai Bastogne, uma cidade
belga, foi o epicentro. E a esta evoca-
o que dedicamos o caderno deste
numero "Descobrir a Europa", atar-
dando-nos sobremaneira nesta regiio
da Normandia -ou, mais exactamente,
na Baixa-Normandia, enquanto os
Franceses, sempre versiteis, no fusio-
narem novamente estas duas entidades,
Baixa e Alta -antigo ducado cujo nome
recordard perenemente a chegada, ha
mais de 10 sculos, das gentes do Norte,
os Vikings.


Partindo de Caen, que continue a ser a
"cidade dos cem campanrios", embora
tres quartos desta cidade tenham sido
arrasados no final da Segunda Guerra
Mundial, seguindo o Caminho da
Liberdade, esta rota que parte das praias
do Desembarque e vai at Bastogne,
falaremos do passado, mas tambm e
sobretudo, do present. Falaremos espe-
cialmente daqueles homes e daque-
las mulheres que, atravs de centenas
de associaes, cooperam com as suas
homlogas do Sul. Esta regiio fez da
sua "abertura para o mundo" a sua nova
divisa.


Correio















Da Normandia


a Bastogne


S ainte-Mre-Eglise, pequena
aldeia situada a poucos passos
da praia da Madeleine, passa-
rt histria com o nome de
cdigo de "Utah Beach". No dia 6 de
Junho, uma hora da manh, 15.000
para-quedistas americanos saltam nessa
zona. Aps tres horas de ferozes comba-
tes, Sainte-Mre-Eglise sera a primeira
aldeia francesa a ser libertada. Pouco
antes, as foras inglesas tinham tomado
a ponte de Bnouville, verdadeiro garga-
lo de estrangulamento, situada a norte
de Caen, cidade capital do departamen-
to da Baixa-Normandia.

Entretanto, uma impressionante frota
aliada, composta de 7000 navios de
guerra e de lanchas de desembarque,
havia surgido ao largo da costa nor-
manda. Na sua frente, estava o muro do
Atlntico, uma extensa rede constituida
por 12.000 "blockhaus", apetrechados
de peas de artilharia, que se estendia
da Noruega at fronteira espanhola.

"Bloody Omaha" ("A Omaha
Sangrenta")

O desembarque propriamente dito,
podia comear. Uma primeira vaga de
soldados americanos saltou das lanchas
de desembarque em direco "Omaha
Beach", situada um pouco mais a leste


da "Utah Beach". A mar estava baixa
e para alcanar o sop das falsias os
soldados deviam percorrer 400 metros
sem qualquer proteco. As oito horas,
dos 6000 homes que faziam parte das
quatro primeiras vagas, mais de metade
ja estavam mortos ou feridos.
No fim do primeiro dia da Operaao
Overlord, 35.000 homes haviam
desembarcado, mas 3000 jaziam na
areia da praia que ficou tristemente
conhecida como "Bloody Omaha".

Um pouco mais long, na extremidade
da praia "Gold Beach", fica situada
Arromanches-les-Bains, tomada pelas
foras inglesas na manh do dia 6 de
Junho.
Uma vez destruidas as primeiras defesas
alems, havia que resolver o problema
do abastecimento e do desembarque do
material pesado. Todos os portos impor-
tantes, como o Havre ou Cherbourg,
encontravam-se nas mos dos alemes.
Perante essa situao, foi decidida a
construo, em Arromanches, de um
incrivel porto artificial de uma super-
ficie de 500 hectares e cujo nome de
cdigo era "Mulberry" (amoreira). Com
capacidade para desembarcar 7000
toneladas de material por dia, o porto
artificial constituiu um element deci-
sivo na progresso das foras aliadas.
Contribuiu para a libertao progres-


Voltando Histria

Durante a Segunda Guerra Mun-
dial, as tropas do Eixo controlavam
a maior parte da Europa, excepo
da Inglaterra. Os Estados Unidos
- potncia econmica e industrial
em plena ascenso conseguiram
obter, em 1944, sucessos militares
decisivos no Pacifico, enquanto as
tropas aliadas se batiam na Africa
do Sul. Na frente de Leste, as tropas
soviticas, apesar do apoio logistico
dos Americanos, tinham grandes
dificuldades em center os Alemes.
Staline sugeriu que os Aliados lan-
assem operaes na parte oci-
dental da Europa, de modo a aliviar
a referida frente. Os dirigentes alia-
dos Roosevelt para os Estados
Unidos, Churchill para a Inglaterra e
Staline para a URSS decidiram a
abertura de uma frente em Frana,
e, mais particularmente, na Norman-
dia, regio onde os alemes menos
os esperavam. Ficou decidido que a
invaso seria lanada a partir da In-
glaterra e este pais transformou-se
assim numa autntica fabrica military,
onde sera armazenado todo o ma-
terial necessario operao e onde
milhares de soldados so treinados.

Passados sessenta e seis anos,
essa batalha continue a ser consi-
derada como a maior operao lo-
gistica de desembarque, envolvendo
3 milhes de soldados, sobretudo
americanos, britnicos e canadia-
nos, mas tambm fazendo parte de
outras foras aliadas (exrcito fran-
cs, tropas polacas, belgas, checos-
lovacas, holandesas e noruegue-
sas). Esses soldados vo atravessar
a Mancha para desembarcarem na
Normandia e 130.000 de entire eles
desembarcaram no dia D.


Memorial de Bayeux, comemoraao da batalha de Normandia OMarie MartneBuckens


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010













siva da Normandia e, nomeadamente,
para a libertaio, a 31 de Julho de
1944, pelo General Patton, da cidade
de Avranches, vizinha do Monte Saint-
Michel.

Archotes colocados de
quilmetro em quilmetro

de Sainte-Mre-Eglise que parte o
Caminho da Liberdade.
Ao long de todo o seu trajecto existem
marcos a intervalos de um quilmetro.
Em cada um desses marcos foi esculpido
um archote. O Caminho da Liberdade
atravessa a Frana, de oeste a leste, at
Metz. Sobe depois at Luxemburgo e
Arlon para terminar, finalmente, em
Bastogne, na Blgica, aps um percurso
de 1145 quilmetros.

Em Dezembro de 1944, os alemies lan-
aram uma ltima ofensiva nas Ardenas.
Hitler e seu estado-maior jogavam o
tudo ou nada. Mesmo se a batalha de
Bastogne constituiu apenas um dos epi-
sdios deste sangrento conflito, o seu
desfecho foi determinante para a der-
rota das foras nazis. A batalha ops o
exrcito alemio as divises americanas.
A 22 de Dezembro, intimado a render-
-se, o general Mc Auliffer lanara o seu
lendirio "Nuts".
Para enfrentar a penria de armas,
que podia revelar-se catastrfica, foram
decididas varias operaes de lana-
mento de munies por pra-quedas.
Em 26 de Dezembro, as tropas de
Patton conseguiram atravessar as defe-
sas alemis e penetrar em Bastogne. Mas
a batalha s se terminar no dia 16 de
Janeiro e as tropas cercadas pagario um
pesado tributo pela vitria: 800 mortos,
3240 feridos e 661 desaparecidos.


A batalha da Normandia, dia aps dia, no Memorial de Caen


Construido no local de um antigo "blo-
ckhaus", o memorial de Caen no se
limita a relatar a histria do Desembar-
que. A sua ambio vai mais alm: apre-
sentar a histria do sculo XX a fim de
fomentar a reflexo sobre a paz.

No obstante, prevalecendo-se da sua
posio estratgica situa-se a uma de-
zena de quilmetros das praias do De-
sembarque o memorial inaugurou, a
20 de Maio, uma exposio permanent,
inteiramente dedicada ao dia D e bata-
Iha que se Ihe seguiu na Normandia. Po-
demos perguntar-nos se, aps sessenta
e seis anos, um tal interesse por esse
episdio tragico da histria se justifica
ainda. A resposta afirmativa, tendo em
conta o numero de turistas Europeus
mas igualmente Canadianos, America-
nos e Asiaticos que continuam a per-
correr as praias do Desembarque.

A Bolsa de Falaise

Turistas que poderemos encontrar,
igualmente, em visit a um outro me-


morial, anichado no seio da regio de
Auge, na "Bolsa" de Falaise, local onde
teve lugar, em Agosto de 1944, uma ba-
talha decisive. Aps a queda de Cher-
bourg, em finals de Junho, o avano
dos Aliados comeou a marcar passo.
As operaes Epsom, Charnwood e
Goodwood, no sector controlado pelas
tropas britnicas, a dificil e laboriosa
guerra das sebes dos Americanos nos
bocages (paisagens arborizadas carac-
teristicas do oeste da Frana) norman-
dos tinham falhado nas suas tentativas
destinadas a fazer recuar a frente ale-
m. A batalha de Falaise abriu o cami-
nho as foras aliadas para a libertao
de Paris. Mas a que preo! Dezenas de
milhares de soldados aliados morreram
no espao de alguns dias e, do lado
alemo, esse numero foi dez vezes su-
perior. "Um dos maiores massacres da
guerra", teria declarado o general Eiso-
nhower, o quai teria ainda acrescentado
"esta batalha marca o inicio do fim da
guerra".


Miradoiro em Arromanches. aXavier Rouchaud


Correio













Santa Teresinha, a "Padroeira das Misses"


Mais de 700.000 peregrinos vo todos os
anos em romagem Basilica de Lisieux,
construida em honra da Irm Teresa do
Menino Jesus. No entanto, no plano
econmico o impact destes movimentos
religiosos continue muito limitado, devido
evidence falta de capacidade hoteleira.
Uma situao a que as autoridades pbli-
cas e religiosas decidiram dar resposta.

Santa Teresinha, como tambm Ihe
chamam, considerada como uma das
maiores santas do sculo XX pela religiao
catlica, teve um percurso espantoso.
Espantoso e fulgurante, uma vez que
comeou em 1873 e acabou 24 anos mais
tarde, aps dois anos passados na "noite
da f". A future santa entrou com 15 anos
no Carmelo. Foi ai que iniciou a redaco
daquilo que mais tarde foi reunido sob
o titulo Histria de uma Alma. Os seus
escritos, publicados em numero reduzido
pouco depois da sua morte, tornaram-se
imediatamente num enorme sucesso.

As razes? "No inicio do sculo XX o


Fragmento de tapearia de Bayeux e Reporters


anticlericalismo era virulent em Frana",
explica-nos uma pessoa laica ligada ao
Carmelo. "Teresa conhecia ateus, amigos
do seu tio. Ela prpria, a sofrer de tuber-
culose, interrogou-se sobre a existncia
de um Deus. Decidiu acreditar. A sua 'pe-
quena doutrina' o oposto da doutrina da
poca, que apostava tudo no esforo. O
'esforo' dela era permitir-se os pequenos
gestos da vida quotidiana. Ela refere-se a
So Joo da Cruz 'Deus amor' em
oposio aos Jansenistas, com a imagem
de um Deus vingativo. Teresa trazia as-
sim uma mensagem nova." Rapidamente
as pessoascomearam a ira Lisieux, "um
pouco como actualmente alguns vo ao
Santo Sulpicio, em Paris, depois de lerem
o C6digo Da Vinci!".

Canonizada em 1925, o Papa Joo-Paulo
II proclamou-a 33.o doutor da Igreja em
1997. Padroeira das Misses, Teresa
de Lisieux propagou-se em numerosos
paises do mundo, como testemunha o nu-
mero de Carmelos, sobretudo em frica,
mas igualmente nas Caraibas e na Asia.


Basilica de Lisieux. Sunset/ Reporters


A batalha de Hastings em
desenhos animados

Pendurada na cathedral de Bayeux
em 1077, esta tapearia na verda-
de um lindo bordado de 70 metros
de comprimento por 50 centimetros
de altura revela uma viragem da
hist6ria europeia: a vit6ria de Gui-
Iherme, o Conquistador, duque de
Normandia, sobre os ingleses na ba-
talha de Hastings em 1066.

A tapearia atrai mais de 40.000
curiosos todos os anos. A epopeia
que relata comea em 1064, quan-
do o velho rei Eduardo de Inglaterra,
sem herdeiro director, envia Nor-
mandia Harold, seu cunhado, para
oferecer a coroa a Guilherme, que
design como seu successor. Mas
apesar do juramento de fidelidade
feito a Guilherme, Harold apodera-
-se da coroa de Inglaterra morte
de Eduardo, em 1066. Guilherme,
que passa a ser Guilherme, o Con-
quistador, so precisou de alguns me-
ses para preparar as suas tropas e
leva-las vit6ria em Hastings, onde
Harold e o seu exrcito so vencidos
em 14 de Outubro de 1066. Para
muitos e so s centenas os que
se debruaram sobre esta obra uni-
ca a tapearia s6 tem um tema:
a conquista de Inglaterra e a sua
justificao. Serviu de certo modo
como livro branch politico e tam-
bm acessoriamente de edificao
religiosa e moral.

De qualquer modo, a tapearia de
Bayeux continue a ser uma obra-
-prima de criatividade. A tcnica de
narrao, em desenvolvimento con-
tinuo, plano por plano, bem como
o grafismo reforado por efeitos de
matria em relevo, lembram a tc-
nica do desenho animado. Eternos
viajantes, os Vikings teriam trazido
de paragens longinquas estilos artis-
ticos que encontramos na tapearia:
arte "barbara" (dracars, mobiliario),
bizantina (personagens planss,
muulmana (arcadas com fecho de
abbada), persa sassnida (fogo sa-
grado entire os lees) ou copta egip-
cia (capitis e ornatos entrelaados).


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


































Quintas historicas na Baixa-Normandia. Xavier Rouchaud


Camponeses do Norte


e do Sul, mesmo combat


Vice-Presidente da regiao da Baixa-Normandia, Pascale Cauchy responsvel,
desde 2010, pela Cultura e pelo Patrimnio. Aps ter dirigido, durante seis anos,
a cooperaao descentralizada.


SJ nossa cooperao des-
centralizada bastan-
te exemplar e at ji foi
L apontada a dedo pela
Unio Europeia" explica-nos, em jeito de
introduo, aquela que foi, igualmente,
Vice-Presidente da Cmara de Caen. E
prossegue: Para dar um exemplo con-
creto: organizimos, h cinco meses, um
colquio que reuniu camponeses vindos
do Norte e do Sul. Convidmos os nos-
sos parceiros histricos de Madagascar e
da Macednia e tambm representantes
do Peru. Durante o colquio, falei da
nossa viso de produtores do Norte, de
produtores ricos. E, apesar disso, con-
frontamo-nos com uma crise do leite na
Europa, crise que atinge directamente os
nossos produtores normandos. Na rea-
lidade, no que diz respeito segurana
alimentar, acabamos por nos confrontar
com os mesmos problems que os paises
do Sul".

Uma agriculture do Norte res-
peitadora do Sul

O problema, prossegue Pascale Cauchy,
eleita pelo partido Europa-Ecologia,
o circulo vicioso em que caiu a maior
parte das agricultural: "o produtivismo
sinnimo de superproduo mas, igual-


mente, de dividas e de grande poluio.
Felizmente que, na Normandia, alguns
j se orientam para uma agriculture res-
peitadora do ambiente. Uma agriculture
que igualmente benfica para os agri-
cultores do Sul, uma vez que no produz
quantidades excedentirias, quantidades
essas que acabam por chegar aos mer-
cados do Sul e estrangular a produ-
o local. A cooperao descentralizada
serve para isso mesmo". Como?
"Pondo-se ao servio das autarquias. A
colaborao entire o Norte e o Sul feita a
nivel dos municipios podendo, eventual-
mente, recorrer-se a uma ou outra ONG
para efectuar os trabalhos. Mas no com-
pete ONG dizer aquilo que bom ou
no; ela especializada. Enquanto que
um municipio sabe como desenvolver o
seu territrio e pode, portanto, aconse-
lhar a municipio do Sul".

Pascal Cauchy pretend aplicar agricul-
tura, de que responsvel desde o mes
de Janeiro, essa noo de cooperao
descentralizada. "Idealmente, convm
perceber como que a agriculture
assim como o desenvolvimento econmi-
co e social -pode constituir uma fonte
de empregos deslocalizados. Tenho um
grande project pela frente..."


0 Esprit Village (Espirito de
Aldeia) paira sobre o Orne
desde ha 17 anos
Na Normandia, o retorno natureza
uma realidade. Como prova disso,
o sucesso, cada vez maior, do maga-
zine L'Esprit Village (O Espirito de Al-
deia). A aventura comeou em 1993,
quando Sylvie Le Calvez e Claire
Lelivre decidiram criar l'Acteur Ru-
ral (o Actor Rural), uma sociedade
de imprensa que se instalou em La
Carneille, zona rural da Normandia.
A ambio, pode ler-se no maga-
zine, " mostrar que as zonas rurais
so locais de memria, de cultural,
de saber e de experincia mas,
igualmente, locais de criao e de
inovao, laboratrios onde o future
se constri de um outro modo". Com
o correr dos anos, o Acteur Rural ad-
quire novas ferramentas: a Lettre de
l'Acteur Rural (Carta do Actor Rural),
destinada aos profissionais, e sub-
stituida depois pelo Blog dos Actores
do desenvolvimento territorial e sus-
tentavel, o sitio Internet do magazine
Village (Aldeia) e tambm um polo
de debate. Actualmente, o magazine
conta com uma equipa permanent
de cinco pessoas e uma rede de
quinze redactores distribuidos por
toda a Frana. O magazine acabou
por mudar de nome e chama-se hoje
L'Esprit Village.

Info : http://www.village.tm.fr/


Correio


























































m iyei. i viarie viarline bucKens


Sr Estao instalados no territrio da Baixa-
Uma abordagem Normandia mais de 300 agents
da solidariedade international.
territonri l d Pertencem na maioria associao
d Horizontes Solidarios, empenhada no
desenvolvimento de uma abordagem
desenvolvim ento nova: a abordagem territorial do
desenvolvimento.





P p rincipalmente asso-
c P ciativos, estes agents
renem tambm esta-
belecimentos de ensino,
estabelecimentos pblicos e, nomeada-
mente, cerca de trinta autarquias a tra-
balhar numa cooperao descentraliza-


da", explica Lia Chevalier, responsivel
de misso na Horizontes Solidirios,
e continue: "Estes agents intervm
principalmente na Africa Ocidental
Mali, Burquina Faso, Senegal e Niger
, e igualmente em Madagascar e nos
Balcs, e em menor escala no sudeste
asitico."
A rede Horizontes Solidirios dirige-
-se e trabalha em cooperao com a
maior parte destas estruturas da Baixa-
Normandia.

A rede tem por tarefas essenciais acom-
panhar, informar e former as associa-
es aderentes. "Estamos actualmente
em fase de ps-avaliao e instauramos
uma abordagem do desenvolvimento
baseada no territrio", acescenta Lia
Chevalier. Tendo igualmente em conta
a evoluo do context national e inter-
nacional da cooperao, o conjunto das
misses e aces da rede tende a articu-
lar-se em torno de tres plos: centroo de
recursos", "engenharia e formao" e
"espaos de concertao".

"Abertura para o mundo"

"A natureza das actividades da rede
regional Horizontes Solidirios muito
diversificada", prossegue a agent de
misso. "Presta uma assistncia indi-
vidual e colectiva aos agents da Baixa-
Normandia com vista melhoria das
suas priticas e ao reforo das suas capa-
cidades. Sensibiliza as autarquias para a
cooperao descentralizada e assiste-as
no project. Oferece aos agents um
espao de intercmbio, de dilogo e de
mutualizao das suas actividades atra-
vs, entire outros, dos grupos de con-
certao reforada no Mali e Burquina
Faso. Graas as suas ferramentas de
comunicao, a rede informa o conjunto
dos agents da Baixa-Normandia sobre
as reunies, manifestaes, colquios e
outros acontecimentos de cooperao
international, mas tambm sobre as
oportunidades de co-financiamento."

A rede apoiada pelo Ministrio dos
Negcios Estrangeiros e Europeus e ao
mesmo tempo pelo Conselho Regional
da Baixa-Normandia, cujas orienta-
es so definidas numa conveno tri-
partida. Alm disso, a rede participa,
de acordo com o esquema regional de
ordenamento do territrio da Baixa-
Normandia, na political "de abertura
para o mundo" praticada pela Baixa-
Normandia.

Actualmente, hi outras regies francesas
dotadas de uma rede regional de mlti-
plos parceiros: "Resacoop", na regiio
Rdano-Alpes; "Lianes Coopration",
na regio Norte-Pas-de-Calais;
"Medcoop", na regio Provena-Alpes-
Cte d'Azur; "CentreAider", na regiio
Centro; "Cercoop", na regio Franco-
Condado Auvergne; "Rciproc", na
regio Champanhe-Ardenas; "Alcid", na
Regio do Loire e "Cap Coopration",
na regio Aquitnia.


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010





















Electricistas Sem Fronteiras



Electricistas Sem Fronteiras da Baixa-Normandia abastece de electricidade e gua
as populaoes desfavorecidas da Africa Ocidental. A jovem ONG, que existe ha trs
anos, tem ao seu activo quatro projects, trs dos quais em fase de realizaao.


omos 35 voluntrios,
Sjovens reformados ou
assalariados, sendo a
maioria originarios
do sector da engenharia", explica-
-nos Maurice Roupsard, Presidente de
Electricistas Sem Fronteiras (ESF) da
regiio da Baixa-Normandia. Instalada
em Caen, a jovem associaio esta ainda
em fase de expansio. "A nossa primeira
iniciativa", prossegue o Sr. Roupsard,
" fazer-nos conhecer. Temos apenas
tres anos de existncia. Foi assim que
aderimos rede regional Horizontes
Solidirios, o que permit a outras asso-
ciaes ou colectividades regionais
recorrer aos nossos servios".

Foi assim que a ESF Baixa-Normandia
conseguiu obter, em Janeiro de 2009,
o seu primeiro grande project.
"Nessa altura, a Cmara Municipal de
Cherbourg pediu-nos que estudisse-
mos a possibilidade de implantar um
campo solar de 64 m2 em Casamance,
no Senegal. A electricidade assim pro-
duzida poderi, a partir de perfuraes,
alimentar em agua um castelo de agua e
instaurar um sistema de bacteria para a
iluminaio local." Para alm da recep-
o do material, a jovem ONG assegu-
rou igualmente a formaio dos respon-
siveis pela perfurao a fim de poderem
intervir em caso de emergncia. "Todos
estes responsiveis pela perfuraio da
regiio beneficiaram desta formaio.
Aproveitimos igualmente a ocasio para
convencer os responsiveis do sector
hidriulico em Dacar a continuarem a
nossa aco", explica o president da
ESF Baixa-Normandia.

Perenidade

O castelo de agua (que ji nio era utili-
zado hi 20 anos, dado a bomba a diesel
estar avariada) permitiri abastecer de
agua uma aldeia e criar novas zonas
horticolas. "Isto permit evitar o xodo
rural. Queremos tambm evitar que
novas cultures, como o jatrofa, se tor-


nem novas cultures de renda como o
algodio."

O project foi lanado pelas autarquias
de Casamance para responder as novas
prioridades de Horizontes Solidirios
(ler artigo separado). "No mbito da
cooperao descentralizada, uma autar-
quia do Norte colabora com uma autar-
quia do Sul. Esta subjacente a ideia de
o project ser perene e que a populaao
possa utilizar e cuidar do material. E
nesse sentido que formamos os utentes."
Em Casamance, a ESF trabalhou com
outra ONG de Cherbourg e beneficiou
do apoio financeiro da Uniio Europeia.

O president insisted em esclarecer: "Nio
somos doadores de funds. Os estudos
que fazemos so gratuitos. Em seguida,
elaboramos uma Conveno e apresen-


tamos o project Comissio national da
ESF que verifica se o project respeita a
carta tica elaborada pela ESF no mbi-
to national. Efectuamos depois uma
curta missio de identificao no terre-
no, antes de contactarmos as empresas
da regiio da Baixa-Normandia para
financiamento." A ONG -que pode
apoiar-se na tcnica da ESF em Frana,
criada em 1986 -trabalha actualmente
em tres outros projects no Mali, Togo
e Madagascar. Para alm da bomba-
gem de agua potivel, os projects de
produo de energia autnomos, que
so essencialmente equipamentos sola-
res fotovoltaicos, visam a iluminaio
de salas de aula, dispensarios e mater-
nidades.


Correio























Amante de literature


e de gastronomia


S capital" da regio da
Baixa-Normandia,
Caen foi apelidada, no
sculo XVII, "A Atenas
normanda", em referncia as Academias
das Artes e das Belas Letras criadas
nessa poca. Um apelido que a cidade
e a sua regio se comprazem em man-
ter... sem se esquecerem de valorizar
uma arte mais que milenria: a arte
culinria.

O prestigioso Magazine Littraire subli-
nhava, em Maio de 2005: "Pela impor-
tncia e diversidade das suas manifes-
taes e das suas instituies literrias
e filosficas, Caen , hoje em dia, uma
verdadeira capital das letras" e prosse-
guia: "O poeta Franois de Cornire
soube conservar no olhar a brilhante
memria literria da sua cidade natal,
mais conhecida pelo seu Memorial e
pelas suas praias onde teve lugar o
Desembarque (dos aliados, nos finals da
2" Guerra Mundial), do que pelas suas
Letras e, no entanto... o poeta percorreu
Caen, ao long das paginas de um livro,
infelizmente esgotado -mas disponi-
vel na excelente rede de bibliotecas da
cidade. Ao relatar esses anos de 1950 a
1960, em que Caen comeava apenas a
renascer aps os bombardeamentos, o
seu olhar ainda brilha mais. E por sinal,
no foi em Caen que rebentou, ainda
em Fevereiro de 1968, a revoluao de
Maio? Claro que sim! Mas muito pou-
cos sabem disso..."

Mas recuemos ainda mais no tempo. O
mais antigo texto literrio de Frana,
"A Cano de Rolando", poema pico
que data de finals do sculo XI, foi
escrito em anglo-normando. Desde
ento, sempre se manifestou a voca-
o literria da regio. Podemos citar,
entire outros, Guy de Maupassant, Jules
Barbey d'Aurevilly, Gustave Flaubert,
o imortal autor de Madame Bovary, e
at Marcel Proust que, mesmo sendo
parisiense, percorreu os seus bocages
(paisagens arborizadas caracteristicas),
permaneceu algum tempo em Cabourg,


e imortalizou a regio no seu romance
" sombra das raparigas em floor .

E os pintores no lhes ficam atrs: Le
Poussin, Gricault, Fernand Lger ou
Marcel Duchamp.
A regio inspirou ainda muitos outros
como Claude Monet, Courbet e as suas
falsias de Etretat ou Eugne Boudin e
as suas pinturas da praia de Trouville.
Telas para admirar escutando, como
msica de fundo, as "Gymnopdies" de
Erik Satie, pianist e compositor oriun-
do da regio.


Marie-Martine Buckens


Mas e tripas


Os bocages da Baixa-Normandia pare-
cem-se com um patchwork de jardins
ingleses, onde as macieiras (com algu-
mas pereiras mistura) rivalizam com
imensas coudelarias, propriedades de
nomes famosos como o Aga Khan. Se
as coudelarias escapam, na sua maio-
ria, ao nosso olhar, dissimuladas atras
de sebes perfeitas, como que cortadas
pela tesoura de alguma costureira, os
pomares, esses, surgem a cada curva
da estrada. Para ver e saborear.

Na Normandia, a ma oferece inmeras
possibilidades. A comear pelas tartes,
seguidas pelo sumo de ma, servido
ao pequeno-almoo. Esse sumo trans-
forma-se em sidra hora do aperitivo e
acaba em calvadoss" (aguardente base
de mas e de sidra) entire dois pratos,
ao jantar chamam-lhe ento o "buraco
normando" ou simplesmente como di-
gestivo. Essa aguardente esta protegida
por uma apelao de origem controlada
(AOC) desde 1942. Tal como o camem-


bert, ilustre queijo proveniente da aldeia
do mesmo nome, e que deve parte da
sua fama ao fact de fazer parte da ra-
o dos soldados durante a guerra de
14-18... E various outros queijos Ihe se-
guem as pegadas, como o pav d'auge
ou o pont-l'vque.

A lista longa, demasiado longa. Mas
tal como ningum pode deixar o Monte
Saint-Michel sem ter provado o cordeiro
criado em prado salgado, tambm nin-
gum pode deixar Caen sem ter sabo-
reado as suas famosas tripas...


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010










































Aaron Mokoena com os participants no project. FundaaoAaron Mokoena


D. P. e O.U.


Aaron


Mokoena:


o capitao


exemplar dos


Bafana Bafana








0 que que motiva Aaron Mokoena, o
capito dos Bafana Bafana (Rapazes),
da equipa national de futebol da
Africa do Sul? Falmos com ele
enquanto se preparava para a fase
final, em casa, do Campeonato do
Mundo da FIFA.


Eele quem conduzir ao campo
os jogadores sul-africanos
no seu primeiro jogo, em 11
de Junho de 2010, contra o
Mxico. Este event marca o inicio
do Campeonato do Mundo da FIFA
no renovado Soccer City Stadium, em
Joanesburgo. Conhecido pelo nome de
"a Cabaa", o seu design inspira-se num
icnico pote africano e esta situado a
curta distncia do bairro de Soweto,
conhecido pela sua loucura pelo futebol.

O Aaron joga actualmente no FC
Portsmouth, uma equipa que teve os
seus altos e baixos nesta ltima tem-
porada. A equipa ocupa o ltimo lugar
na Primeira Liga Inglesa Barclay, (ji
foi despromovida e esta em situao de
insolvncia por causa das suas dividas)
mas, mesmo assim, conseguiu chegar
Final da Taa FA do Reino Unido,
que ter lugar a 15 de Maio no estdio
Wembley, em Londres, onde vai defron-
tar a equipa que ocupa o primeiro lugar
na Liga -quando este artigo foi enviado
para impresso -o Chelsea.

Que diria o Aaron aos jovens que gos-
tariam de calar as suas botas de fute-
bol? "Tudo o que lhes posso dizer para
seguirem o que lhes diz o corao, mas


o mais important empenharem-se",
diz Aaron, na vspera de um dos quatro
ltimos encontros da Primeira Liga que
faltam jogar ao Portsmouth nesta tem-
porada. "Pelo caminho, tero de fazer
muitos sacrificios. Devem estar prepara-
dos para isso mas, acima de tudo, gostar
de o fazer", declara o mdio de 29 anos
de idade.

O Aaron nasceu no bairro de Boipatong,
a 45 minutes a sul de Joanesburgo. "Eu
adorava o desporto. Costumava jogar
basquetebol e voleibol", diz-nos ele.
Foi descoberto ainda muito jovem pelo
lendrio jogador de futebol sul-africano,
o Jomo Sono, que possuia o seu prprio
clube Jomo Cosmos. "Ele viu-me jogar
e contactou-me", diz Aaron. Este ltimo
passou os dois anos seguintes a jogar na
Africa do Sul e, apenas com 17 anos,
foi o jogador mais jovem de sempre a
ser seleccionado para jogar na equipa
national, um record que ainda hoje nio
foi batido.

Adaptar-se Europa

Aos dezoito anos, Aaron deixou a Africa
do Sul rumo Alemanha, para jogar no
Bayer Leverkusen, em seguida foi para
a Holanda jogar no Ajax de Amesterdio
e depois para a Blgica onde jogou no
KRC Genk e no Germinal Beerschot
Antwerpen. Partiu para o Reino Unido
em 2005, para jogar no Bkackburn


Correio

































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p ..*. A. -4an
LI Sr

-t*,~H~ -'
AFF


4N ei
--t..-


Project de formaao futebolistica pela Fundaao Aaron Mokoena, Africa do Sul. Fundaao Aaron Mokoena


Rovers, e nesta ltima temporada jogou
no Portsmouth. Aaron fala da ruptura
pessoal que constituiu para ele o facto
de deixar a Africa do Sul to jovem
e de ter de se adaptar aos aspects
prticos ligados ao seu crescimento na
Europa, aspects esses que lhe eram
pouco familiares. "Quis prosseguir o
meu sonho. Gostava realmente muito de
futebol e quis ter sucesso nesse desporto
e aqui estou hoje", declara ele.

Desejoso de retribuir algo ao seu pais,
lanou, no ano passado, em Boipatong,
a Fundao Aaron Mokoena que tem
por objectives o desenvolvimento do
futebol na Africa do Sul de modo a
coloc-lo ao mesmo nivel do que foi
conseguido internacionalmente pelas
equipas nacionais de rguebi e de crick-
et, assim como o desenvolvimento das
aptides para a vida dos jovens atravs
do desporto. "Trata-se de criar opor-
tunidades para as raparigas e para os
rapazes. Quero deixar uma herana",
declarou-nos. Como capito da selecio
national, muitas pessoas vem-no como
um exemplo. "Trata-se de utilizar o
futebol como um meio de contribuir ao
desenvolvimento desses jovens, tanto
a nivel do desporto como da vida em
geral e colaborar, assim, para o future
da Africa do Sul. Nem toda a gente pode
ser futebolista. A Africa do Sul precisa
de mdicos, de administradores, de pro-
fessores, etc."


Os projects que sero patrocinados pela
Fundao incluem o desenvolvimento
das competncias do coaching, espe-
cialmente a nivel comunitrio, a criao
de um program de estudos do futebol
nas escolas, a introduo no futebol de
raparigas e de mulheres jovens, o desen-
volvimento de ligas locais de juniores
destinadas a incrementar a participao
no futebol de competio e ainda o mel-
horamento das infra-estruturas ligadas
ao desporto. Aaron investiu uma parte
dos seus prprios recursos na Fundao
e conta com alguns patrocinadores mas
mostra-se muito interessado em con-
seguir outros parceiros. "Trata-se de
abrir as portas para que outros entrem e
nos ajudem", declarou-nos ainda.

"Mbazo"

Conhecidopor"Mbazo" ("o Machado"),
pelas suas competncias em matria
de desarme, diz que a alcunha pegou
por causa da maneira como leva tudo
muito a peito e nunca abandon. "Sou
uma pessoa muito empenhada mas, ao
mesmo tempo, muito humilde. No me
deixo levar pela celebridade. Consigo
controlar sempre, tanto a minha vida
como o meu destino. Quero ser eu
mesmo e no outra pessoa. Desejo apre-
ciar a minha vida e ser julgado de
um modo positive", declara. Fora do
campo, descontrai-se jogando golfe e
bilhar, vendo filmes, lendo e escutando


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N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


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msica: "Quase tudo me faz danar."

Como se prepare para todos os grandes
jogos deste vero? "E tudo uma questo
de treino. Na vspera do jogo, prezo
a minha intimidade e gosto de dispor
de um moment de tranquilidade para
poder pensar no jogo que tenho pela
frente. No prprio dia, no gosto de
pensar no jogo mas aprecio ouvir a
minha msica at ao inicio da partida."

Aprecia claramente a perspective de
conduzir a equipa anfitri na entrada
para o terreno de jogo no Calabash o
estdio histrico onde Nelson Mandela
realizou o seu primeiro comicio aps
a sua said de priso, em 1990. As
prximas semanas vo ser bastante ocu-
padas. A seguir ao treino para a Final
da Taa FA, dever juntar-se equipa
sul-africana na preparao da fase final
do Campeonato do Mundo. Aaron diz
que a sua participao na Final da Taa
FA , at agora, o ponto mais alto da
sua carreira. At aqui, era o facto de ter
jogado no Japo e na Coreia do Sul a
fase final do Campeonato do Mundo da
FIFA, em 2002.

Mas no far quaisquer previses a
respeito do Campeonato do Mundo:
"Sinto que este sera um Campeonato do
Mundo surpreendente para todos ns."
a primeira vez que o torneio ter lugar
no continent africano. "Espero que
todos os paises africanos consigam bons
resultados. A Africa do Sul, sobretudo,
tem de sair-se bem e, actualmente,
estamos a treinar muito bem e intensa-
mente", declarou Aaron.

Pensa em continuar a jogar no
Portsmouth no prximo ano? "Neste
moment ainda no sei o que vai
acontecer. Tenho de sentar-me com
os responsveis e inteirar-me dos seus
projects. Eu s quero jogar futebol",
declarou.

"Tenho muita sorte por ter grandes
treinadores como Carlos Parreira, o
actual treinador da Africa do Sul, que
me ensinou que devemos controlar sem-
pre a nossa vida e nunca deixar que a
glria nos controle" Tambm atribui
um grande valor s palavras do seu tre-
inador do Portsmouth, Avram Grant:
"No futebol (e na vida) devemos apren-
der com todas as coisas negatives, bem
como aprender a esquec-las."




















































fatalidade e lucidez __ .


0 sismo que devastou o Haiti nao tem nada de excepcional, dizem os
sismlogos. 0 que mudou de h um sculo para c foi o fluxo das populaes
para os centros urbanos em zonas de risco, aumentando exponencialmente,
dessa feita, o numero de vitimas. Na expectativa de que as political nacionais
de gestao do territrio sejam alteradas, apresentamos algumas ideias sobre os
pontos quentes do globo.


No grupo ACP, sem dvida
a regiio do Pacifico que esta
mais exposta a riscos, diz-nos
o Dr. Michel Van Camp, sis-
mlogo no Observatrio Real da Blgica.
Um pequeno inventirio dos tremores de
terra "importantes" (de uma magnitude
igual ou superior a 6) destes ltimos
tres meses confirm esse facto, uma
vez que, em 50 sismos repertoriados (!),
mais de 20 ocorreram no Pacifico: Ilhas
Salomio, Fiji, Vanuatu, Tonga ou ainda
Papua-Nova Guin, epicentro importan-
te. " aquilo a que chamamos o cinto de
fogo do Pacifico", prossegue Michel Van
Camp. "A actividade sismica intense
nessa zona como tambm nos paises
prximos, como as Filipinas, Indonsia,
Taiwan e Japo e mesmo o Alasca."


Correio










Um elstico demasiado tenso

A seguir ao Pacifico vm as Caraibas
(sempre no grupo ACP). "Antes da cats-
trofe de Port-au-Prince, no houve ai
nenhum terramoto durante 250 anos",
explica Michel Van Camp, e prossegue:
"Ora, a placa caribenha move-se mais de
1 cm por ano em relaio placa norte-
-americana. Basta contar: 2,5 metros de
tensio em dois sculos e meio imenso
e isso no podia continuar. E como um
elistico, quando se estica demais, acaba
por romper". Para Michel Van Camp, as
Caraibas representam, mesmo assim na
regiio, uma zona de menos risco do que
a costa pacifica das Amricas.

"As cidades tornam-se armas
potenciais de destruio
macia."
O sismlogo belga fala de uma prxima
regiio de grande risco: os contrafortes do
Himalaia, onde a India entra em colisio
com o continent eurasitico. "Estio em
gestaio tremores de terra de 8 graus na
escala de Richter. Podemos temer a ocor-
rncia de cenrios de catistrofes, tendo
em conta o numero de grandes cidades
situadas no vale do Gange." Se, como o
faz a maioria dos sismlogos, ele aponta
o lado habitual das actividades sismicas
em curso, Michel Van Camp avisa, no
entanto, que "havera cada vez mais viti-
mas, dado mais de metade da populaio
viver hoje nos grandes centros urbanos.
As cidades tornam-se armas potenciais
de destruio macia". Relembra ainda
que estio na lista vermelha varias cida-
des da regiio mediterrnica: o Cairo
(que aps um sismo na Idade Mdia foi
reconstruido em parte com os blocos
das pirmides) e Alexandria (que perdeu
nessa altura o seu farol), Istambul, varias
cidades da Arglia e de Marrocos, sem
esquecer, um pouco mais long, a cidade
de Teerio.


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


Deslocaes caso a caso
A extenso tentacular da cidade
de Bukavu, nas margens do lago
Kivu, na Repblica Democratica do
Congo (RDC), perto dos vulces, ou
as megalopoles indianas do vale do
Gange, encostadas planicie tibeta-
na, as casas construidas em zonas
inundaveis (a Frana viveu recen-
temente essa experincia), etc.
uma longa lista de zonas perigosas
no globo onde o home, mesmo
avisado ou escorraado por uma ca-
tastrofe, regressa ao lugar de onde
fugiu de certo modo para esconjurar
o destino.

Sera assim at as autoridades de-
cidirem agir. Mas as deslocaes
impostas suscitam frequentemente
a clera e a incompreenso, como
foi o caso aps o furaco Katrina
em Nova Orlees (Estados Unidos)
e, recentemente, aps as inunda-
es que devastaram regies na
parte Oeste da Frana. Em Moam-
bique, na sequncia das inunda-
es de 2001 e 2007, os habitantes
das margens do rio Zambeze foram
deslocados para cerca de cinquenta
centros de reinstalao. Em Teero,
sao cerca de 5 milhes de pessoas
que o president iraniano, Mahmoud
Ahmadinejad, quer deslocar devido
ao receio de um tremor de terra.
So decises tomadas caso a caso
enquanto no se toma uma deciso
baseada numa planificao regional.


Aluimentos de terrenos e
vulces africanos
E a Africa? "Comparado com as re-
gies do Pacifico ou das Caraibas,
o continent africano tem sido relati-
vamente poupado, e ainda bem", diz-
nos Michel Van Camp. Mas os riscos
sismicos, e sobretudo vulcnicos,
so reais, especialmente ao long do
grande vale de brecha este-africano,
que se estende da Etipia ao Zam-
beze, mais de 6000 quilmetros de
comprimento e 40 a 60 quilmetros
de largura, que formam a cadeia dos
grandes lagos e onde vegetam inme-
ros vulces. Os mais numerosos (67)
e menos conhecidos encontram-se
na Etipia, entire os quais o Erta Aie
em constant erupo desde 1967.
Em seguida, vem o mitico Niragongo,
perto do lago Kivu na RDC. Mitico e
unico devido alcalinidade que fluidi-
fica a sua lava e a torna muito veloz
(at 100 km por hora)... e, portanto,
muito perigosa. Os habitantes da
cidade de Goma no se esquecem:
em 1977 e 2002, importantes escor-
rimentos de lava cobriram uma parte
da cidade, matando milhares de pes-
soas. A presena abundante de gas
metano nas profundidades do lago
Kivu (calculado em 65 km3) constitui
outra ameaa constant para a popu-
lao da regio.
O Niragongo um belo tema de
estudo, consider Luc Andr, chefe
de seco de geoquimica no Museu
Real da Africa Central na Blgica.
"Os seus escorrimentos de lava
podem tambm provocar uma subida
superficie das aguas do metano
e do CO2. O lago Kivu um lago
estratificado e um aluimento de ter-
renos pode facilmente provocar uma
inverso de estratificao." O CO2
encontra-se igualmente em pequenas
depresses sobre a terra, chamadas
mazukus (sopro do diabo, em lingua
suaili), onde o dixido de carbon, 1,5
vezes mais denso do que ar estagna,
matando as pessoas e os animals que
se aventuram na sua passage. Luc
Andr diz-nos ainda que " vital, em
matria de ordenamento de territrio,
realizar uma cartografia das zonas
sismicas e das zonas de risco de
aluimento de terrenos. Mas estamos
muito long disso. O risco aumenta
com a concentrao da populao
nas zonas urbanas. Vejamos Bukavu,
nas margens do lago Kivu. A cidade
tornou-se tentacular. O minimo alui-
mento de terreno pode provocar uma
nova catastrofe".


Nossaterr

























































exigncia de soberania


Colette Braeckman


Na vspera do quinquagsimo
aniversrio da sua indepen-
dncia, que sera celebrada
em Kinshasa na presena de
Alberto II, Rei dos Belgas, a Repblica
Democrtica do Congo vive um momen-
to nico da sua histria, o da reconstru-
o das infra-estruturas, da reposio
da ordem num Estado que tantas vezes
foi apresentado como estando em faln-
cia. As autoridades, saidas das eleies
de 2006 ganhas pelo Presidente Kabila
com 58% dos votos, sentem-se pressio-


nadas pelo tempo: 30 de Junho de 2010
sera um moment de celebrao, mas
tambm de introspeco e de critical e os
prximos actos eleitorais, fixados para
2011, determinam ji a agenda political.

Desmentindo o cepticismo do Grupo
de Crise Internacional, que tinha anun-
ciado em Abril a liquidao do projec-
to democrtico, a Assembleia Nacional
criou a prxima Comisso Eleitoral
Nacional Independente (CENI). O seu
executive sera limitado a sete membros,
todos oriundos de partidos politicos,
com grande pena da sociedade civil,
que no estar representada. A CENI


Correio





Inwrac1'


tera por misso organizer em 2011 as
eleies presidenciais e legislativas e
as eleies locais, que ji se deviam ter
realizado, mas que mais uma vez foram
adiadas. A partir do encerramento das
festividades de 30 de Junho abre-se a
corrida s urnas, com um grande ausen-
te: Jean-Pierre Bemba, que continue
detido em Haia pelo Tribunal Penal
International. Lider do Movimento pela
Libertao do Congo, um movimento
rebelde transformado em partido poli-
tico, Vice-Presidente de 2002 a 2006,
opositor de Kabila e que conseguiu 42%
dos votos na segunda volta, Jean-Pierre
Bemba continue a ser considerado pelos
seus partidirios como o lider natural da
oposio e a sua ausncia ter um enor-
me peso nos actos eleitorais.

Se as obras de reconstruo continua-
rem, quase de certeza que vai ser atri-
buido s autoridades locais o facto de
terem conseguido mobilizar os capitals
necessirios. No entanto, os contratos
celebrados com as empresas estatais chi-
nesas tiveram de ser revistos em baixa;
os emprstimos concedidos pela China
para o relanamento do sector mineiro
e para as grandes obras de infra-estru-
turas elevavam-se inicialmente a 9 mil
milhes de dlares, mas as presses do
Fundo Monetirio Internacional, temen-
do um novo endividamento do pais,
obrigaram os congoleses a renunciarem
a 3 mil milhes. Um sacrificio que
poder ser compensado por novos par-
ceiros: a Coreia do Sul, que se compro-
meteu a construir o porto de aguas pro-
fundas de Banana, a Turquia e o Brasil.
A Unio Europeia, por seu lado, acaba
de liberar um donativo important: 410
milhes de dlares que sero afectados
s infra-estruturas, ao sector da sade e
melhoria da navegao fluvial.

Alm disso, a situao econmica esta a
melhorar: pela primeira vez, benefician-
do da duplicao do preo das matrias-
-primas, o governor conseguiu um exce-
dente financeiro, limitou a inflao a
14%, estabilizou a taxa de cmbio do
franco congols em 900 FC por dlar
e o Ministro das Finanas, Matanda
Ponyo, assegura que ainda este ano a
RDC atingir o to esperado objective
e quase mitico iniciativa PPTE (paises pobres muito
endividados), que permit eliminar 10
mil milhes de dlares do montante
total da divida externa, avaliada em 13,1
mil milhes. Uma decepo, no entan-
to: as autoridades pretendiam que esta
media ocorresse antes de 30 de Junho,


ressoas a verem os ]ornais num quiosqu,


como uma espcie de versirio, mas o FMI adiou para Julho
o exame do dossi congols. Os peritos
interrogam-se mais uma vez sobre os ji
famosos
No entanto, uma eliminao da divida
permitiria relanar a frente social,
sempre espera, aumentar os salirios
da funo pblica, instaurar finalmente
a gratuitidade do ensino, etc. Na vs-
pera do quinquagsimo aniversirio da
independncia, parece que em virios
dominios as autoridades congolesas pre-
tendem restabelecer a autoridade do
Estado e reduzir o que consideram ser
uma tutela da comunidade internacio-
nal. Esta exigncia de soberania explica
a vontade de ver a Misso das Naes
Unidas no Congo, present no pais hi
dez anos, pr fim s suas actividades
em Novembro de 2011. Na verdade,
Kinshasa gostaria que ji em 2010 as
foras da MONUC se concentrassem no
Leste do pais. Os ltimos acontecimen-
tos ocorridos na provincia do Equador
mostram que a aposta talvez seja arris-
cada: com efeito, no fim-de-semana da
Piscoa as foras rebeldes, ligadas a um
movimento tribal, os Enyele, atacaram
Mbandaka, a capital da provincia do
Equador, e as operaes de reconquista
foram conduzidas pelas foras armadas
congolesas com apoio do contingent da
MONUC. Verificou-se depois que os
rebeldes, bem armados, no eram sim-
ples pescadores, mas dependiam de um
movimento estruturado, que beneficia


e emergencia numa rua cie


snasa,


Repblica Democratica do Congo. CAP



de apoios nos paises vizinhos.

Ha outras regies que tambm continu-
am expostas insegurana: os temiveis
rebeldes ugandeses do LRA ( resistance army) continuam a atacar no
distrito de Uele, onde cometem atroci-
dades contra as populaes civis (rapto
de centenas de aldees, mutilaes e
violncias sexuais) e estes grupos ainda
no foram expulsos, apesar dos esforos
do exrcito congols e da formao mili-
tar ministrada agora em Kisangani por
instrutores americanos.

Por outro lado, a guerra do Kivu esta
long de ter terminado: as operaes
militares contra os rebeldes ruandeses
das FDLR (Foras Democriticas para
a Libertao do Ruanda) permitiram o
repatriamento de mais de 20 000 hutus,
mas grupos armados continuam a con-
trolar certos sectors mineiros e vin-
gam-se nas populaes civis, enquanto
os ex-rebeldes tutsis de Laurent Nkunda
(que continue em residncia vigiada no
Ruanda) esto em principio integrados
no exrcito national, mas controlam
ainda os seus antigos baluartes. As
autoridades congolesas consideram que
o exrcito national, em fase de reestru-
turao, conseguir, daqui a um ano,
render os 20 000 capacetes azuis da
MONUC, mas a comunidade interna-
cional poder decidir de outra forma...


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010





Inern .


0 renascimento



de Africa em bronze




0 colossal monument de bronze intitulado Renascimento Africano, concebido
pelo Presidente do Senegal Abdoulaye Wade, surge nos cus de Dacar com uma
forte mensagem de retorno vida de Africa. Cria uma silhueta extraordinria
numa zona incaracteristica da paisagem da cidade e promete angariar funds
para as crianas do pais.


D.P.


C ontornando a "Corniche" na
capital do Senegal, Dacar,
aparece um gigante africano
a agarrar uma mulher com
o brao direito, como que a protege-la.
O brao esquerdo rodeia uma criana
que aponta para o oceano Atlntico
e mesmo para alm. O monument
de bronze eleva-se do extinto vulcio
Ouakam, na extremidade de Almadies,
o ponto mais ocidental do continent
africano. Com 53 metros, actual-
mente a estitua mais alta do mundo.
Inaugurada em 3 de Abril de 2010, na
vspera da comemorao do 50. ani-
versirio da independncia do Senegal,
simboliza o renascimento do continent
africano aps cinco sculos de escravi-
do e dois de colonizao.

O monument torna pequeno mesmo o
Cristo Redentor, que domina do alto o
Rio de Janeiro, Brasil (40,44 metros) e
a Estitua da Liberdade de Nova torque
(46,5 metros) e prev-se que dure 1200
anos. Alguns Chefes de Estado africa-
nos, nomeadamente Robert Mugabe do
Zimbabu, a Presidente da Libria Ellen
Johnson-Sirleaf e o actual Presidente
da Unio Africana, Ngwazi Dr. Bingu
Wa Mutharika, Presidente do Malavi,
bem como outros dignitarios, incluin-
do o activist dos direitos civicos Jesse
Jackson, estiveram em Dacar para mos-
trar a sua aprovaao.

Novos laos com a Europa

O President Wade explicou audincia
que o robusto home africano sai do
vulco "como que empurrado por uma
fora invisivel, substituindo o colete-de-
-foras do passado por novos impulses
do interior da Terra". Depois da tra-


Correio







































gdia da escravido, a esttua envia a
mensagem de que "frica continue de
p, no esta acabada", referiu Wade, e
que ressurge para criar novas relaes.
Baseada numa unio da razo, de com-
plementaridades culturais e de uma
amizade mtua, uma nova cooperao
triangular entire Africa, a Europa e as
Amricas esta a substituir o comrcio
triangular baseado na escravido, afir-
mou. A partir do sculo XV este comr-
cio consistiu em a Europa capturar e
comprar escravos em Africa e vend-los
aos Estados Unidos para trabalharem
nas plantaes de algodo, que depois
era vendido Europa.

A construo do monument
no custou nada

A esttua tambm simbolizou a neces-
sidade de integrar no desenvolvimento
do continent a sua "juventude vibrant
e talentosa" e a sua diaspora como uma
"sexta regio", disse Wade. "Chegou o
moment de a Africa arrancar", acres-
centou.

Num seminrio em Dacar sobre o
tema do renascimento africano, em
3 de Abril, o Presidente Ngwazi Dr.
Bingu Wa Mutharika explicou que o
renascimento africano significava um
"modo de vida", eliminar a pobreza e a
fome, estabelecer boa governao e fazer
avanar o desenvolvimento, que deve
ser orientado pela cincia e tecnologia.
Outros participants passaram a mensa-
gem de que a Europa estava a fechar-se
aos africanos e o receio de que a relao
especial da Europa com Africa estava a
ser anulada pela relao mais estreita da
Europa com a bacia do Mediterraneo,
incluindo o Norte de Africa.

Escultor hngaro

A esttua foi desenhada por um escul-
tor de ascendncia hngara, Virgil



N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


Magherusan, a partir de uma viso
do President Wade, que a descreve
no seu livro de 2006, "Un destin pour
l'Afrique" (Um Destino para Africa -
Paris, ed. Michel Lafon, 2006, 262
paginas). Um grupo norte-coreano,
Mansudae Overseas Project Group of
Companies, um dos poucos que ainda
fazem estruturas to grandes, foi contra-
tado para realizar a construo. Embora
o custo da esttua fosse estimado em 12
mil milhes de CFA (o valor de merca-
do actual esta calculado em mais de 20
mil milhes de CFA), no tem de ser
pago nem um cntimo, disse Wade. Foi
celebrado um acordo de "pagamento em
espcie", pelo quai a Coreia do Norte
recebeu terrenos do Departamento de
Registo Fundirio do Senegal.

Alguns membros da religio islmica
protestaram por as figures do monu-
mento estarem pouco vestidas, mas
dificil ouvir outras critics nas ruas de
Dacar. A maior parte da populao diz
que o monument passa a mensagem de
que "Africa esta a ressurgir". "Outros
continents tm os seus monumen-
tos, porque no Africa?", responderam
outros entrevistados.

Dentro da esttua, quando estiverem
a funcionar, espera-se que os espaos,
lojas e galerias do centro de exposies
gerem receitas. Os visitantes podero
eventualmente subir de elevador -ou
pelas escadas -at ao cimo da cabe-
a do home, onde existe um "terra-
o" de observao circular que per-
mite ver toda a peninsula de Dacar e
o oceano Atlntico. O Estado possui
uma participao de 55% no monu-
mento, a Fundao Abdoulaye Wade
30% e a Agncia Nacional das Crianas
15%. Wade garantiu que durante o seu
mandate 100% das receitas do monu-
mento iro para a Agncia Nacional
das Crianas e para a "Case des Tout
Petits", uma associao a favor das
crianas.


0 Haiti em primeiro piano

As tragdias antigas e actuais do
Haiti estiveram no centro das aten-
es na inaugurao. A representa-
o de uma cena da pea de 1963,
A Tragdia do Rei Christophe, pelo
martinicano Aim Csaire, deu voz a
um dos heris da revoluo do Haiti
(1791-1804), que conduziu sua in-
dependncia da Frana e formao
da primeira Repblica Negra. Embo-
ra o Reino de Henri-Christophe no
norte do Haiti tenha caido, os monu-
mentos que ele criou, o Palacio Sans
Souci e a Citadelle, continuam de p
depois do terramoto de 12 de Janeiro
de 2010.

O President Wade apelou para
outros governor africanos para
seguirem o seu prprio exemplo e
oferecerem terra aos haitianos na
sequncia do terramoto. Como des-
cendentes de escravos negros, disse
ele, tm direito a uma nova vida no
continent. Para muitos dos escravos
vendidos para as Amricas, a "porta
sem regresso" do antigo entreposto
de escravos na ilha de Goreia, a 20
minutes de ferryde Dacar, tera sido o
ltimo sitio que pisaram no continent
africano. No discurso de inaugurao
do monument Renascena Afri-
cana, o Presidente Wade disse que
a ilha de Goreia, agora patrimnio
mundial da Organizao das Naes
Unidas para a Educao, Cincia e
Cultura (UNESCO), "tem consigo o
estigma deste trafico vergonhoso que
o Senegal declarou crime contra a
humanidade".


Inwrac1'





p.erce


Colocar a segurana alimentar de novo no

centro das estratgias de desenvolvimento




Em 31 de Maro de 2010, ou seja, exactamente dois anos depois de estalarem
as primeiras "revoltas da fome" em vrios pauses do Sul, a Comissao Europeia
apresentou a sua nova estratgia para ajudar os pauses em desenvolvimento a
enfrentarem o problema da segurana alimentar, tanto em situaes de urgncia
como a long prazo.





M.M.B.


Enquanto logo a seguir aos
motins de 2008 o conjunto
dos paises industrializados
fazia mea culpa, reconhe-
cendo o abandon da agriculture nos
seus programs de ajuda, o Comissirio
Europeu para o Desenvolvimento,
Andris Piebalgs, sublinhou por seu lado
em 31 de Maro ltimo que "a melhoria
da segurana alimentar continue a ser
um dos objectives prioritarios da UE".
E prosseguiu: "Colocamos a segurana
alimentar, a agriculture sustentivel e
o desenvolvimento rural no centro da
nossa political em relaio aos nossos par-
ceiros em desenvolvimento. inaceit-
vel que em 2010 ainda haja mil milhes
de pessoas que sofrem de fome e de ma
nutriio." Uma iniciativa, acrescentou,
que se insere na perspectivea da realiza-
o dos Objectivos de Desenvolvimento
do Milnio".

" inaceitvel que em 2010
ainda haja mil milhes de
pessoas que sofrem de fome e
ma nutrio."

A estratgia apresentada pela Comisso
compreende dois "quadros estratgi-
cos": um assegura a segurana alimen-
tar a long prazo, o outro as situa-
es de urgncia. No que se refere
ajuda humanitria de urgncia, "exis-
tem meios mais eficazes de ajudar as
pessoas do que a simples distribuiao
de alimentos", salientou por seu lado
a Comissiria Kristalina Georgieva,
encarregada desta political. De entire as
novas aces previstas conta-se o forne-
cimento de sementes e ferramentas aos
agricultores sinistrados para os ajudar a
recuperar, a concesso de donativos em
espcie para a populao poder comprar
a alimentao de que necessita e "apoiar
assim os produtores locais", acrescentou
a Comissiria.


A estratgia a long prazo preve uma
srie de medidas (ver caixa) que impli-
cam tanto os Estados-Membros da
Unio Europeia como outras entida-
des internacionais. Ainda neste qua-
dro, Andris Piebalgs anunciou que a
Comisso estava decidida a afectar
"cerca de 3 mil milhes de euros no


As prioridades a long prazo
Na sua comunicao, a Comisso pro-
pe-se:

-aumentar de forma substantial, ou
seja, em 50% at 2015, a ajuda in-
vestigao, extenso e inovao
agricolas baseadas na procura;
lanar, com a Unio Africana, uma ini-
ciativa conjunta para acelerar a aplica-
o das orientaes para as political
fundiarias em frica;
-apoiar a aplicao ou o desenvolvi-


period 2010-2012" a iniciativa sobre
a segurana alimentar mundial acorda-
da em 2009 pelos dirigentes mundiais
reunidos por ocasio da Cimeira do G8.


Info : http://ec.europa.eu/development/servi-
ces/dev-policy-proposalsfr.cfm


mento de dispositivos de segurana
social especificos e flexiveis adapta-
dos aos contextos locais;
- promover a tomada em considerao
da nutrio nas political de desenvol-
vimento, nomeadamente nos dominios
da educao e da sade e do reforo
de capacidades nesta matria;
-apoiar a reform destinada a fazer
do Comit da Segurana Alimentar
Mundial a instituio international de
referncia em matria de segurana
alimentar.


Correio





Inwrac1'


Entrevista do Comissrio Piebalgs





"A AOD no suficiente


para se alcanarem os ODM"


M.M.B.


seu novo mandate, fez a sua
primeira important decla-
rao political em matria
de desenvolvimento sob a forma de
um Piano de Aco em doze pontos,
destinado a apoiar os Objectivos de
Desenvolvimento do Milnio (ODM).
Objectivos acordados a nivel internacio-
nal e que se propem reduzir a pobreza
at 2015.

Quais so as principals mensagens
do seu Plano de Aco?

Existem dois pontos fulcrais: a Europa
deve respeitar os seus compromissos
a nivel do apoio financeiro a favor dos
paises em desenvolvimento e garantir
o melhor retorno do investimento. A
Europa ji se comprometeu a aumentar
o volume da sua ajuda aos paises em
desenvolvimento, ajuda essa que, em
2009, se elevava a 49 mil milhes de
dlares. A sua contribuio represent
mais de metade da ajuda mundial, o
que faz dela o doador mais generoso
do mundo. No entanto, estamos cons-
cientes de que isso no suficiente para
conseguirmos alcanar o objective que
visa consagrar 0,7% do PNB (Produto
Nacional Bruto) da UE a essa ajuda, de
modo a assegurar uma reduo drsti-
ca da pobreza at 2015. O objective
realista mas requer uma forte vontade
political. O Plano de Aco prope aos
Estados-Membros a elaborao de pla-
nos de implementao anuais, realistas
e verificveis, que sero revistos pelos
dirigentes da UE, todos os anos, at
2015. O que esta em jogo preservar a
credibilidade da Europa na cena mun-
dial.

Por que razo apelamos para uma maior
e melhor ajuda? Estamos a falar de coi-
sas simples que assumimos como garan-
tidas a nivel das nossas vidas, isto , um
acesso fivel igua potvel, energia,


a infra-estruturas de transport funcio-
nais, aos cuidados de sade e educa-
o. Juntarei a esta lista, a segurana e
o Estado de direito, como pr-requisitos
fundamentals para o desenvolvimento.

convenient que no nos escondamos
atrs de falsas suposies, segundo as
quais a ajuda, por si prpria, poder
assegurar a todos o acesso igua pot-
vel, energia, aos cuidados de sade, aos
transportes e educao. Tais ambies
s podero efectivar-se se a ajuda for
considerada como um element catali-
sador. Na realidade, para que se operem
mudanas necessrio que os recursos
sejam utilizados como uma semente
destinada a estimular o crescimento,
apoiando a criao de novos mercados,
gerando actividades industrials ou refor-
ando capacidades, nomeadamente, a
nivel da melhoria dos sistemas fiscais.
A boa governao a chave do desen-
volvimento. Na ausncia de legislao,
de segurana e de finanas pblicas sli-
das, a ajuda nunca poder oferecer s
populaes perspectives a long prazo.
Ignorar este postulado s pode conduzir
gesto da pobreza e no sua erra-
dicao. O meu objective no consiste
apenas em manter as pessoas com vida.
O Piano de Aco tambm coloca a
tnica no aspect "qualidade" da ajuda.
necessrio fazer frutificar cada euro
e privilegiar os paises mais pobres e
mais frgeis, nomeadamente o Haiti e a
Africa subsariana, bem como os ODM
que esto mais afastados do bom cami-
nho, como a sade materna e infantil,
a segurana alimentar e a educao. E,
sobretudo, o Piano de Aco revela a
importncia que reveste o facto de colo-
car as political da UE, noutros domi-
nios, ao servio do desenvolvimento.
Neste campo, vou trabalhar em estreita
colaborao com os meus colegas do
comrcio, da agriculture, do ambiente,
das alteraes climticas, da segurana
e da imigrao a fim de garantir uma
abordagem coerente. A mensagem que
quero fazer passar que a UE tem de
definir uma posio comum em pers-
pectiva da Cimeira das Naes Unidas


sobre os ODM, prevista para Setembro,
e falar com uma s voz de modo a levar
outros doadores a atingir o mesmo nivel
de compromisso que ns mesmos.


Determinados Estados-Membros
esto long de atingir o objective de
consagrar 0,7% do seu PNB ajuda
ao desenvolvimento. Perante esta
situao, no seria preferivel traba-
lhar numa outra base?

No sou dessa opinio. Os Estados-
Membros aceitaram o objective de 0,7%
fixado pelas Naes Unidas para alcan-
ar os Objectivos de Desenvolvimento
do Milnio. Alguns deles ji consegui-
ram realizar esse objective e outros
esto no bom caminho. Definir uma
outra base seria um mau sinal. Contudo,
isso no nos impede de considerar novas
fontes de financiamento destinadas ao
desenvolvimento. A Ajuda Publica ao
Desenvolvimento (APD), no poder,
sozinha, realizar os ODM. Os paises
em desenvolvimento devero, por seu
lado, ajudar-se a si mesmos aumentan-
do os seus recursos internos. Estamos
dispostos a ajud-los a criar sistemas
fiscais mais slidos e transparentes e a


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010





Inerce


acompanhi-los na luta contra a evaso
fiscal. Promover a boa governao sera
uma das minhas prioridades.

Face nova political externa da UE,
haver espao para uma cooperao
entire a UE e as diferentes political
de cada um dos Estados-Membros
em matria de desenvolvimento? Se
pensa que sim, ento como que,
segundo a sua opinido, essa coope-
rao poderd funcionar na prtica?

Havera espao mais que suficiente! O
Tratado de Lisboa prev uma coorde-


naio entire as political nacionais e as
da UE de modo a aumentar a eficicia
e a valorizar as complementaridades. O
Tratado possibility Comisso "tomar
todas as iniciativas capazes de promover
a coordenao" dessas political nacio-
nais e europeias. JT comecei a fazer
bom uso dessa competncia convidando
os Estados-Membros a coordenarem a
programao da sua ajuda a montante,
a fim de evitar actividades suprfluas.
Deste modo, poderiamos economizar
entire 3 e 6 mil milhes de euros por ano.
Ha ji algum tempo que a UE e os seus
Estados-Membros vm intervindo em


conjunto e com sucesso nalguns paises-
-piloto. O exemplo mais recent desse
principio o plano de aco da UE para
a reconstruo de Haiti. Fomos capazes
de estabelecer um plano em comum e de
promoter uma ajuda de 1,2 milhares de
milhes de euros, na conferncia inter-
nacional de doadores, que teve lugar no
passado dia 31 de Maro. A partir de
agora, e em colaborao com os nos-
sos parceiros internacionais e haitianos,
vamos trabalhar para nos assegurar de
que a ajuda sera bem utilizada. E assim
que a UE se tornari mais forte e mais
eficaz.


Deputados ACP-UE inquietos

com a situaao em Madagascar


"Gostaria de transmitir uma das preocupaes da Assembleia, ou seja
a situao dramtica de Madagasca'r, declarou Louis Michel na sessao
inaugural da 19a reuniao da Assembleia Parlamentar Paritria ACP-UE, em
31 de Maro em Tenerife (Espanha).


M.M.B.




dos Negcios Estrangeiros
espanhol, Miguel Angel
Moratinos, o eurodeputado
e co-Presidente da Assembleia pediu que
o Conselho da UE reforce as sanes
europeias contra este pais e as alinhe com
as decididas pela Unio Africana (UA).

"As eleioes tornaram-se numa
origem important de conflitos e de
violncia political lamentou, por sua
vez, o zambiano Charles Milupi,
co-Presidente ACP, "quando na verdade
tm por finalidade apaziguar diferentes
sensibilidades political e garantir a paz e a
estabilidade". Charles Milupi acrescentou
que como "parlamentares e membros da
APP devemos opor-nos da maneira mais
radical a qualquer tomada de posse do
poder no democrtica, seja atravs de


golpes de Estado seja por manipula5es civis
dos processes democrticos". O Sr. Milupi
sublinhou o envolvimento director
da Uniio Africana, da CEDEAO
(Comunidade Econmica dos Estados
da Africa Ocidental) e da SADC
(Comunidade para o Desenvolvimento
da Africa Austral) nas crises political
no Niger, na Guin e em Madagascar.

A Assembleia ACP, que rene duas
vezes por ano 78 eurodeputados e 78
deputados nacionais dos paises da
Africa, Caraibas e Pacifico, relegou as
delegaes do Niger e de Madagascar
ao papel de observadores sem direitos
de voto devido ausncia de ordem
constitutional nestes paises. Louis
Michel explicou que o Niger "apresenta
propostas positivas que se orientam
numa boa perspective". A Guin
Equatorial, que enfrenta igualmente
perturbaes political, no enviou
delegados reuniio de Tenerife.


Os agrocombustiveis ao socorro
da segurana alimentar
Em contracorrente com o parecer de
uma maioria de analistas, a associa-
o PANGEA afirma que as produ-
es de alimentos e de agrocombus-
tiveis devem poder coexistir. Estes
ltimos, afirmou Meghan Sapp, Se-
cretaria-Geral de Partners for Euro-
African Green Energy (PANGEA),
na Assembleia Paritaria ACP-UE
reunida em Tenerife, foram apresen-
tados sem qualquer razo, em 2008,
como os culpados do aumento dos
preos dos gneros alimenticios de
base. O argument segundo o quai
os agrocombustiveis ligaram o preo
dos gneros alimenticios ao preo
do petrleo no convince ningum
quando se consider o preo do
arroz, que continuou a ser elevado
mesmo aps a queda livre do preo
do petroleo. Outro argument apre-
sentado por Meghan Sapp que a
produo alimentar passou por um
aumento constant de 2% por ano
nestes ltimos 20 anos, quando a
taxa de crescimento da populao
diminuiu para se fixar em 1,14% por
ano. Apontou igualmente o papel ne-
fasto das barreiras e dos subsidies
comerciais que reduzem na mesma
proporo o acesso aos produtos ali-
mentares, sem contar os programs
de ajustamento estruturais impostos
aos paises em desenvolvimento nos
anos 1980 que abriram os seus mer-
cados as exportaes alimentares
da Europa, dos Estados Unidos e do
Brasil a preos de dumping.


Correio





Inwrac1'


Sudao: um passo para


o referendo em 2011


O dilogo a nivel ministerial
Africa-Unio Europeia,
realizado no Luxemburgo
em 26 de Abril, apelou para
o Sudo a fim de resolver as diferenas
que ainda persistem aps as eleies
e para implementar integralmente o
Acordo de Paz Global (APG) de 2005.
Este APG inclui a realizao de um
referendo sobre a autodeterminao da
regio Sul do Sudo em Janeiro de 2011.

Numa reunio separada, os 27
Ministros dos Negcios Estrangeiros
da UE afirmaram estar preocupados
com o facto de as recentes eleies
legislativas no Sudo, realizadas entire
11 e 15 de Abril -as primeiras em 24
anos no terem respeitado plenamente
as normas internacionais. Contudo,
tambm expressaram o seu apoio ao


APG entire o governor do Sudo e o
Movimento Popular de Libertao
do Sudo (SPLM) e ao referendo que
se espera que determine se o Sul -
largamente cristo -se separa do Norte,
maioritariamente muulmano. Os
Ministros dos Negcios Estrangeiros
da UE referiram igualmente que a UE
estava empenhada em manter um nivel
elevado de ajuda humanitria ao Sudio
em resposta s necessidades existentes
no terreno. O Sudo no assinou o
Acordo de Cotonu (2000-2020) e nio
recebe assistncia do Fundo Europeu de
Desenvolvimento (FED). Os Ministros
da UE apelaram para todas as parties
envolvidas na crise do Darfur para
darem resposta, num dilogo pacifico, as
causes que esto na origem do conflito.

As recentes eleies nacionais no
Sudo elegeram o anterior Presidente
Omar-al Bashir, com 68% dos votos,
enquanto na parte semiautnoma do
sul do pais o lider do SPLM, Salva


Kirr, recebeu 93% dos votos. A mission
da UE de observao das eleies,
constituida por 130 observadores
dirigidos pela deputada socialist belga
do Parlamento Europeu, Vronique de
Keyser, juntamente com uma delegao
de seis deputados europeus liderada
pela socialist portuguesa Ana Gomes,
relataram alegaes de ingerncia
generalizada no process de votao.
Ana Gomes, no entanto, congratulou-se
com o "debate politico vivo" e espera
fazer agora avanar a "transformao
democritica" do pais. Acrescentou que
era important que a UE ji olhasse para
l do referendo para ajudar a garantir
que o Sudo no se torne num Estado
falhado. "No devemos acabar com
instituies no sul que so mais fracas
do que as do norte, que ji o que
acontece", disse Ana Gomes. Sugeriu
ainda que os funds do instrument de
estabilidade da UE, por exemplo, fossem
utilizados para reforar a capacidade das
instituies e da sociedade civil.


Cannes 2010: o Grupo ACP


assegura a promoo do seu


cinema


Pela primeira vez o Grupo ACP foi parceiro official do Pavillon Les Cinmas
du Monde, em Cannes. Durante a 63.a ediao do famoso Festival, o
President do Comit de Embaixadores ACP, Ren Makongo, Embaixador do
Gabao, apresentou oficialmente as political do Grupo ACP em matria de
cultural e de desenvolvimento.


Jacqueline Meido-Madiot*


ACP e o seu Programa

Durante 10 dias, o Secretariado
ACPFilms,napresenado seu
parceiro especial EuropeAid,
acompanharam os jovens realizadores
ACP, em parceria com a OIF, RFI, TV5
Monde, CFI e o Ministrio dos Negcios
Estrangeiros francs, tudo coordenado
por CulturesFrance, operator do

Antes mesmo da abertura official do
Festival o tom foi logo dado. Em 13
de Maio de 2010, o Secretariado ACP
animou o Monde, organizando um "Dia
ACP", marcado especialmente pela
recepo aos 12 jovens realizadores da



N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


delegao artistic, 6 dos quais ACP e
3 beneficirios do Programa ACPFilms.
Um encontro pblico sobre o tema
"Que political de cooperao para o
desenvolvimento em matria de cultural"
suscitou numerosos debates, que
prosseguiram ao long de todo o Festival
e, nomeadamente, nas sesses juridicas
animadas pelo advogado Michel Gyori.
Parceiro igualmente do Mercado do
Filme, o Secretariado ACP animou uma
mesa-redonda da "Producers Network".

Para alm do acompanhamento
especifico dos cineastas ACP, o
Secretariado ACP foi parceiro da sessio
inaugural da Quinzena dos Realizadores,
com a projeco do filme documentirio
"Staff Benda Bilili", dos realizadores
Renaud Barret e Florent de La Tullaye,
que coloca em destaque um grupo
de msicos da cidade de Kinshasa.


A grande estreia: Mahamat Saleh Haroun, uma selecao
official, recebeu o Prmio do Jri. "Um home que
grita..." o quarto filme do realizador chadiano, que
esteve em competiao official pela primeira vez em
Cannes. Em 1999, o seu primeiro filme "Bye-Bye
Africa" foi seleccionado para o Festival de Cinema de
Veneza e ganhou o Prmio do Primeiro Melhor Filme. O
seguinte, "Abouna", foi apresentado na Quinzena dos
Realizadores em 2002 e o "Daratt" recebeu o Prmio
Especial do Jri em Veneza em 2006. Relativamente ao
"Um home que grita", o Secretariado ACP regozija-se
que um filme apoiado pelo program de filmes ACP tenha
sido galardoado. (Fotografia de M.S. Haroun)



Numa altura em que o Comit dos
Embaixadoressepreocupacomoprximo
financiamento do sector da cultural no
10. FED, o Prmio do Jri, atribuido a
Mahamat Saleh Haroun, vem reforar os
apelos dos profissionais ACP para que
prossiga o apoio politico e financeiro
necessirio para um desenvolvimento do
sector da criaao e do cinema e do seu
desenvolvimento econmico. Longa e
boa vida para "Un homme qui crie...".

*Jacqueline Meido-Madiot conselheira para
as Politicas Culturais do Secretariado ACP.














































o Burundi progride


A paz regressou ao Burundi, a
esperana reaparece e as iniciativas
florescem. "A paz esta de regresso."
Esta noticia j nao nova, pois
de Abril de 2009, quando a ltima
fracao armada cessou o combat.
Mas nao parece ser conhecida no
estrangeiro. Este pais faz parte dos
pauses refns de uma imagem e,
neste caso, a imagem do conflito
tnico. 0 Burundi actual merece
ser descoberto, devido s suas
oportunidades econmicas, s suas
iniciativas de reforo da democracia,
sua beleza e s qualidades humans
da sua populaao, hospitaleira,
respeitosa de outrem, sequiosa de
conhecer outros mundos e inventive.


Reportagem de Hegel Goutier



democriticas datam de hi
quatro anos e o pais entra ji
neste mes de Maio de 2010
num novo ciclo de eleies a todos os
niveis -de locais a presidenciais -at
Julho ou Agosto. Como bvio, nem
todos os velhos demnios foram exor-
cizados, pelo menos nas apreenses da
populaio. Nenhum observador ousa
excluir novos tumultos, embora todos
manifestem algum optimism, conside-
rando o caminho percorrido potencial-
mente irreversivel a long prazo.

Desaparecimento do factor
tnico


desaparecimento do factor tnico no con-
texto pr-eleitoral. Aquando da reporta-
gem de O Correio em Abril, havia uma
preocupaio de riscos de fraude a favor
de partidos e no dos grupos tnicos.
A nova constituiio do pais, ponder
"um home, um voto", por um sistema
de quota para cada grupo tnico e isto
a todos os niveis de poder. 40% dos
assentos de deputados so reservados
automaticamente aos Tutsis e hi uma
representatividade igual 50-50 para os
Hutus e Tutsis na alta cmara, ou seja
o Senado. Enquanto que estes ltimos
representam apenas 16% da populaio
global. Nenhum dos dois grupos pode-
ri ter mais de 67% de administradores
autarcas numa localidade do pais, um
partido no pode ser monotnico, etc.
So alguns exemplos de mecanismos
para favorecer o equilibrio comunitirio.


Mas a vitria mais important ganha por Se as eleies de 2010 ocorrerem em
este pais nestes ltimos anos mesmo o boa ordem, o Burundi entrari numa


Cerreio


























nova era e as suas potencialidades, para
as quais j comeam a aparecer inte-
ressados estrangeiros, exprimir-se-ao.
Estas potencialidades so numerosas no
dominio hidroelctrico, da explorao
de minerals e do turismo, sem descurar
a posio estratgica que o pais ocupa na
Africa Austral e Central.

40% dos assentos de deputados
s&o reservados automaticamente
aos Tutsis e h uma
representatividade igual 50-50
para os Hutus e Tutsis na alta
cmara, ou seja o Senado.

Histria

Como o resto da Africa, o territrio
actual do Burundi era ocupado no inicio
da era paleolitica como o atesta a pedra
talhada. Instrumentos de ferro confir-
mam tambm a presena humana no
chamado period do ferro antigo*. As
fontes orais transmitidas de gerao em
gerao por depositarios reconhecidos
assinalam a chegada zona dos Grandes
Lagos de um povo de lingua banto,
cerca de um milnio antes da nossa era.
Este povo sera considerado mais tarde
como a etnia dos Hutus -agriculto-
res -que expulsaram os pigmeus cujos
descendentes so hoje os Twas, uma
populaio actualmente marginal. Mais
tarde, chegaram do Nordeste da Africa
(Etipia, Egipto e Somlia), os criadores
de gados que formaram a etnia Tutsi.


O primeiro reino do Burundi foi instau-
rado no final do sculo XVIII, com o
rei (mwami) Ntare Rushatsi, um heri
mitico segundo a lenda. A maior parte
das fontes orais consider que este rei era
Hutu e que os reis casavam quase sem-
pre com mulheres da etnia dos Tutsis.
Os descendentes destas unies so hoje
os "Ganwa", que nem so Hutus nem
Tutsis.

Os primeiros exploradores europeus che-
garam Africa em meados do sculo
XIX. Livingstone e Stanley encontra-
ram-se no Burundi em 1871. Em 1890, o
pais tornou-se um protectorado alemio
e unido ao Ruanda sob a denominaio
de Ruanda-Urundi, mas a monarquia
foi mantida. Aps a Primeira Guerra
Mundial, a Sociedade das Naes con-
fiou o Ruanda-Urundi Blgica, que
os uniu ao Congo em 1925. As primei-
ras grandes revoltas contra o ocupante
comearam em 1934.

Jogo do colono: Tutsis contra
Hutus

A partir daqui, a histria -nos narrada
pelo historiador Augustin Nzojibwami,
antigo president do partido FRODEBU
(Frente para a Democracia no Burundi),
home de dilogo entire as comunidades.
A administrao belga utilizou a minoria
Tutsi contra a maioria Hutu. Em 1957,
foi publicado o "Manifesto dos Bahutu"
no Ruanda, que marca o inicio da revol-
ta contra o sistema colonial. No fim do
ano 1960, foram organizadas eleies
autrquicas por sufrgio universal nos
trs territrios. No Burundi ganharam
os partidos que preconizavam a tute-
la e no a independncia. No entanto,
nas eleies legislativas de Setembro de
1961, o partido UPRONA (Unio para
o Progresso Nacional) independentista
de maioria Tutsi saiu vencedor. Em 1 de
Janeiro de 1962, o Ruanda e o Burundi
tornaram-se Estados autnomos. Seis
meses depois, em 1 de Julho de 1962, foi
proclamada a independncia e os dois
paises separaram-se. O primeiro optou
por um sistema republican, ao passo
que o segundo manteve a monarquia.
O Primeiro-Ministro, alias um prin-
cipe, foi assassinado logo a seguir. O
Burundi entrou assim numa tormenta
que s terminar em 2009. A UPRONA
governor o pais de 1966 a 1982. Em
1972, houve as terriveis carnificinas con-


tra, essencialmente, os Hutus. Houve
cerca de 300.000 vitimas. O partido
FRODEBU, de maioria Hutu, ganhou
as eleies de 1993. O Presidente do
Burundi, Melchior Ndadaye, foi assas-
sinado em 1993. Foi o ponto de partida
dos massacres contra os Tutsi.

Depois chegaram as tropas da ONU e
o long process de Arusha, conduzido
pelo Presidente Mandela, permitiu a tr-
gua entire os beligerantes que terminou
com o fim dos combates do ltimo movi-
mento armado Hutu, o FNL, em fins
de 2009. Entrou entio em vigor a nova
constituiio que garante a participaio
das duas etnias principals em todos os
rgios de poder.

* Ver Christine Deslaurier, Guia "Petit Fut"
do Burundi.


Pintura de um Rei. "Fontes orais revelam que os primeiros
reis (Hutus) casavam quase sempre com mulheres Tutsis"
Hegel Goutier


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


Rep5, age


) Hegel Goutier





Reportage


Burundi. O desenvolvimento


economic vai acelerar


Yves Sahinguvu o 1.0 Vice-
Presidente do Burundi, cargo atribuido
a um tutsi segundo a Constituiao que
aprovou os Acordos de Arusha, que
puseram fim a quinze anos de guerra
civil. Yves Sahinguvu tem a reputaao
de ser um home franco.


HG O Presidente da Repblica
encontra-se neste moment na RDC.
Pode admitir-se que no quadro
da concertao entire os paises dos
Grandes Lagos. Como esta essa coo-
perao?

Efectivamente, o Presidente esta de
visit Repblica Democritica do
Congo. As relaes entire os Estados da
Comunidade Econmica dos Paises dos
Grandes Lagos (CEPGL) vo muito
bem. O Burundi tambm faz parte da
Comunidade da Africa Oriental. De
moment, depois de todos os conflitos,
as coisas progridem entire o Burundi, a
Repblica Democrtica do Congo e o
Ruanda para redinamizar a confiana
entire estes Estados e relanar a econo-
mia. O Banco de Desenvolvimento dos
Grandes Lagos (BDGL), que depend
dos tres paises, j foi relanado; os
projects agricolas estio novamente em
curso. Ha o gs metano do lago Kivu


que ji explorado pela RDC e pelo
Ruanda e a que o Burundi se vai asso-
ciar em breve. E ha outros projects que
se estio a desenvolver, como a barrage
Ruzizi 3, a grande central de que todos
precisamos. No caso do Burundi, para
as grandes industrializaes como a
explorao do niquel em Musongati.

Tambm se verificou uma
diminuio do apoio oramental
por causa desta crise

Como vai a economic do Burundi
depois da crise financeira mundial?

Fomos atingidos pela crise mundial.
Acabmos de sair de quinze anos de
conflito, tendo o ltimo movimento
rebelde depositado as armas em Abril
de 2009, ainda nio ha muito tempo. O
Burundi um pais que vive essencial-
mente da agriculture, em especial do


Correio





Rep5, age


Yves Sahinguvu. Hegel Goutier


caf e do chi, para exportao. Tivemos
efeitos da crise, nomeadamente a redu-
o das ajudas bilaterais. Alm disso,
verificou-se uma diminuio dos inves-
timentos director, mas o mais impor-
tante foi a reduo das receitas das
exportaes, com a queda das cotaes
mundiais. Entre Julho e Setembro de
2008, o nosso caf registou uma queda
de 24,1%. Tambm se verificou uma
diminuio do apoio oramental por
causa desta crise.

Queda da ajuda de que doador de
funds?

De paises que nos ajudavam de forma
clissica, pode falar-se da Frana, por
exemplo, mas estamos bastante felizes
por a Unio Europeia nos ter apoiado
e ter continuado a faz-lo em 2009. As
medidas que foram tomadas? Crimos
uma estrutura encarregada de acompa-
nhar o problema, adoptimos medidas
de austeridade em terms de despesa
pblica e reforimos tambm a ges-
tio e a transparncia das finanas do
Estado. Solicitimos apoio oramental
UE. Tinhamos solicitado 7,5 milhes
de euros no quadro do program Flex-
Vulnerabilidade. Tinhamos tido igual-
mente um forte apoio da Blgica, com
que estamos muito satisfeitos.

O apoio oramental geralmen-
te concedido aos paises que tm
uma governao relativamente boa.
Sobre esta questo, como que vai a
preparao das prximas eleies?


Muito bem. 0 governor congratula-
-se com o que ji foi feito no process de
preparao das eleies, que comeam
no prximo mes (em Maio). O Cdigo
Eleitoral ji foi promulgado, a Comisso
Eleitoral foi criada e o calendirio ji foi
publicado, assim como o registo de elei-
tores. Passamos agora afixao das lis-
tas. O financiamento existe, faltam-nos
apenas dez milhes de dlares que con-
tamos encontrar at s eleies. O cdi-
go de conduta dos diferentes partidos
politicos foi assinado. Ha um decreto
que convoca os eleitores para as diferen-
tes eleies: municipais, presidenciais,
legislativas e senatoriais. Ha observado-
res que ji foram convidados. A Unio
Europeia (UE) responded positivamen-
te, com 83 observadores. Tal como a
Unio Africana (UA), a Comunidade
da Africa Oriental (CAO), a CEPGL e
tambm paises como a Blgica, a Frana
e a Alemanha. Esta tudo a andar.

Chegmos a acordo com as
Naes Unidas para que os
crimes de guerra, de genocidio
e contra a Humanidade no
sejam amnistiados


aqui e ali sinais de intolerncia, con-
frontaes entire jovens filiados de parti-
dos politicos, a comear pelos que estio
prximos do partido maioritrio. O
governor ji tomou medidas para lhes pr
fim. Houve duas tentativas de alguns
membros de partidos politicos para
comprarem certificados de inscriio de
certas pessoas, mas a CENI (Comissio
Eleitoral Nacional Independente) tomou
medidas eficazes para impedir esta frau-
de. Devemos igualmente prestar aten-
o informitica. Mas no conjunto
estamos optimistas.

Quanto as intimidaes de jorna-
listas?

De facto houve alguns jornalistas que
foram intimidados, detidos e que aca-
baram na priso. Mas neste moment
penso que as coisas correm bem. No hi
qualquer jornalista na priso e as coisas
melhoraram.

No possivel a reconciliao entire
Hutus e Tutsis depois dos massacres
do passado sem a verdade: process
Verdade e Reconciliao como na
Africa do Sul ou que a justia se
faa?


Mas existem algumas dificuldades ou A reconciliaao social uma neces-
desafios. Devemos estar vigilantes. Ha sidade para o Burundi. Ha medidas


Praia Resha / Lago Tanganiyka. Hegel Gouter


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010

















que foram tomadas depois do Acordo
de Arusha e que foram integradas na
Constituiio do Burundi e no Cdigo
Eleitoral. o sistema de quotas. No
governor temos 60% de hutus e 40% de
tutsis, constituindo estes ltimos a etnia
minoritria, e a mesma proporio na
Assembleia Nacional. No Senado so
50% para cada um dos dois grupos, por-
que esta instncia tem competncia para
fiscalizar o que se passa nas outras. O
exrcito tambm 50-50. Nas adminis-
traes municipais, na base, nenhuma
das components pode ter mais de 67%
de administradores municipais, etc.

Existem outras medidas para desta-
car os valores culturais burundianos e
favorecer as combinaes territoriais e
tnicas. Como as aldeias de paz, onde se
encontram repatriados hutus vindos da
Tanznia -cerca de 800.000 -e deslo-
cados internos tutsis.

Quanto justia de transiio, chegimos
a acordo com as Naes Unidas para
que os crimes de guerra, de genoci-
dio e contra a Humanidade no sejam
amnistiados. Isto claro. Sobre as rela-
es que havera entire a Comisso da
Verdade e Reconciliaio e o Tribunal
Especial para o Burundi, que vio ser
criados, ainda preciso chegarmos
a acordo. Sera que o Procurador do
Tribunal se vai contentar com aquilo
que a Comissio lhe submete, ou poder
decidir avocar processes?

O nosso mercado tambm
pequeno, somos 8 milhes
de habitantes, por isso temos
de fazer parte de um grande
conjunto

Em relao aos paises vizinhos, o
Burundi encontra-se numa situa-
o dill i.l. quando o pais vizinho, o
Ruanda, parece querer tornar-se um
pequeno drago economic. Porque
que o Burundi vai atrs?

N6s temos programs para relanar
a economic; e tambm temos trun-
fos, como a grande jazida de niquel, o
petrleo no lago Tanganica, o prprio
lago e paisagens absolutamente maravi-
lhosas. Ha muitos investidores prontos
para virem. Na Comunidade da Africa
Oriental estamos a harmonizar todos os
sistemas aduaneiros e o IVA. Creio que
proximamente talvez a nossa rapidez
seja superior do Ruanda.

Sobre a governao existed critics
duras, como a que se refere venda
fraudulent do avido presidential.

Quanto a esse assunto, uma questo


Monumento da Independencia, bujumbura. "lemos uma imensa rnqueza". Hegel Goutier


que dura ha tres ou quatro anos e para
a qual a Assembleia Nacional criou uma
comissio que elaborou um relatrio,
que j se encontra nas mios da justia.
Pensamos que esta seguir rapidamente
o seu curso e que vai levar a tribunal os
verdadeiros responsiveis, porque no
normal que se possa vender um avio
em condies que no eram bem preci-
sas e que se deixe passar tudo isto.

A parte os Grandes Lagos, quais
so as prioridades do Burundi em
terms de relaes externas? Paises
como a China, a Tailndia e o Brasil
interessam-se pelo pais.

Somos um pais sem acesso ao mar.
Devemos ter boas relaes com os
paises vizinhos, ji falimos disso. A
China apoia-nos em muitos dominios,
como a sade, a agriculture e outros.
A Tailndia, e talvez seja um comeo,


no dominio farmacutico. Mas sempre
tivemos relaes estreitas com parceiros
de longa data, como a Blgica e a Uniio
Europeia.

Integrimos a Comunidade da Africa
Oriental por varias razes, mas sobre-
tudo pela reduzida dimensio do nosso
territrio, com uma demografia impor-
tante. Gostariamos que a nossa popula-
o pudesse circular, o que j possivel
a partir do mes de Julho de 2010 na
CAO. O Burundi teve problems, este
dualismo entire as duas etnias. Temos
necessidade de nos inserirmos num
grande conjunto politico para esquecer
as nossas querelas internal. E o nosso
mercado tambm pequeno, somos 8
milhes de habitantes, por isso temos de
fazer parte de um grande conjunto.


Cerreio


'.5, aD*





Rep5, age


Mltiplas oposies


Face ao governor do Presidente da
Repblica, Pierre Nkurunziza, apoiado
essencialmente pelo partido CNDD-
FDD*, posicionam-se na vspera das
eleies cerca de quarenta partidos
da oposiao, cuja importncia dificil
de avaliar dado nao haver sondagens
fiveis. Todos critical com veemncia
o governor, acusando-o de fraca
governaao, de repressao oculta e de
corrupao.


A crer nos observadores, os
que mais podero marcar
pontos so os antigos parti-
dos do poder, FRODEBU e
UPRONA, e um novo movimento diri-
gido pelo fogoso, Alexis Sinduhije, anti-
go jornalista independent, que passou
pela priso devido a "ofensas ao Chefe
do Estado", proferidas aps o seu inqu-
rito sobre alguns negcios pouco claros.

Para Lonce Ngendakumana do partido
FRODEBU, as principals queixas contra
o poder incidem sobre os pontos seguin-
tes. O governor faz votar oramentos
para programs sem fornecer as devidas
informaes. So exemplos um conjun-
to de 6 barragens de 10 MW cada e um
grande aeroporto no centro do pais. O
governor abafa malversaes econmicas
graves, afirma Ngendakumana, no caso,
por exemplo, da venda fraudulent do
avio presidential, quando o president
deve lutar contra a corrupo.

Acusa tambm o Presidente da
Repblica de abusos do poder e apresen-
ta provas: a 2 Vice-Presidente do pais,
que denunciou este negcio do avio,
foi excluida da mesa do Parlamento,
acusada de coligao com a oposio. O
President demitiu ilegalmente, atravs
do Conselho Constitucional, 22 depu-


tados que o criticaram, ao passo que
s o Parlamento tem o direito legal de
requerer tal sanio. O Presidente tam-
bm acusado de ter tolerado uma milicia
ligada ao seu partido, que aterrorizava
alguns membros da oposiio. At se diz
que esta milicia assassinou 6 membros
do FRODEBU.

O lider da UPRONA, Bonaventure
Niyoyankana, insisted tambm sobre a
impunidade de que beneficiam alguns
membros no poder que participaram em
crimes contra a humanidade nos anos
de conflito. Sem esquecer que os crimi-
nosos assassinaram o Vice-Presidente
do OLUCOME (Observatrio de Luta
contra a Corrupo e Malversaes
Econmicas), Ernest Manirumva, e
outros defensores da liberdade. Vitupera
ainda o nepotismo culposo do governor
em prol dos seus partidirios.

Alexis Sinduhidje do MSD (Movimento
para a Solidariedade e a Democracia)
quer construir um pais onde no haja
medo. Na sua opinio, o Estado deveri
garantir a cada cidado o direito pro-
teco, o que no hoje o caso. E da o
exemplo da sua prpria encarcerao
sob um falso pretexto unicamente por-
que o poder queria separar-se de um
critic. Ora, no Burundi, o Estado
que mata os cidados. "Ainda hoje, o
Estado continue a matar os cidados."
Com o medo, o pnico, o terror, a
falta de proteco, continue Sinduhije, o
Estado ridiculariza tambm a liberdade
de empreender. Alm disso, no favo-
rece os circuitos financeiros normais,
o que fora os cidados, e sobretudo
os camponeses, a endividarem-se com
os juros usurrios, quando o cidado
burundiano j paga elevados impostos:
70% do PIB.

* Conselho Nacional para a Defesa
da Democracia -Foras de Defesa da
Democracia.


Bonaventure Niyoyankana / UPRONA.
SHegel Gouter


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


Jean nlinani / -HUULbU banwanya
(cisao de Frodebu). Hegel Gouber


Lonce Ngendakumana /FRODEBU.
SHegel Gouber


Alexis Sinduhidje / MSD. Hegel Gouer





'.5, aD*


ONG e Imprensa


A coragem de perseguir


as derrapagens


Os graves conflitos dos ltimos trinta
anos entire as comunidades hutu e
tutsi tiveram como raro efeito positive
o aparecimento de uma sociedade
civil dinmica e de uma imprensa
que luta pela boa governaao, pela
reconciliaao entire comunidades
e pela democracia. Retrato de um
mundo dinmico e empenhado.





O President da "Liga Iteka"
(Liga dos Direitos do
Homem), Joseph Ndayizeye,
resume deste modo a situ-
ao political do Burundi: "Desde o
fim dos conflitos a situaio melhorou
bastante quanto insegurana. Mas o
mesmo no acontece no que diz respeito
aos direitos humans. Verificamos que
continue a haver assassinios, banditis-
mo e violaes de mulheres. O que
chocante que os seus autores nao sao


identificados nem detidos pela policia e
pela justia."

Manifesta-te!

Ultimamente, jovens aliados a parti-
dos politicos constituiram-se em ver-
dadeiras milicias e defrontaram-se com
armas brancas e pedras. Estes ataques
de jovens membros das milicias no
causaram mortes. Mas houve assassi-
nios cometidos por outros, acerca dos
quais os partidos da oposiio falam
de mbil politico. Estas mortes sus-
peitas so pelo menos cinco, segun-
do o Vice-Presidente da associaio
OLUCOME (Observatrio da Luta
contra a Corrupio e as Malversaes
Econmicas). Ha igualmente viola-
es, um crime quase endmico, ape-
sar do fim da guerra, contra o qual
a Associao "Seruka" (Manifesta-te!)
conduz uma batalha pela defesa das viti-
mas e por uma verdadeira aco penal
contra os criminosos.

O OAG (Observatrio da Aco Gover-
namental), que como nos diz o seu


Director Onesphore Nduwayo abran-
ge varias associaes, public relatrios
aprofundados sobre diversas temiticas
relatives governaio do pais. Interroga
pessoas instaladas no poder que consen-
tem em encontrar-se com os seus inves-
tigadores. "Nos damos a possibilidade a
todas as parties implicadas de se expri-
mirem. Antes de publicarmos qualquer
coisa, fazemos uma leitura critical com a
participaio das pessoas eventualmente
postas em causa. Evitamos geralmen-
te citar nomes, except em casos fla-
grantes ji conhecidos. Mas fazemos as
denncias com vigor." Um caso recen-
te estudado pelo OAG foi a anulaio
pelo Ministro do Interior do despacho
que tinha registado o "Frum para o
Reforo da Sociedade Civil" (FORSC),
considerado como um caso flagrante de
abuso de poder. O FORSC tinha solici-
tado explicaes sobre o assassinio, em
9 de Abril de 2009, do Vice-Presidente
do OLUCOME, Ernest Manirumva,
que se tornou um fenmeno imperative
para as ONG e para a imprensa inde-
pendente.


Jornalista (Radio-TV Renascena) e lider da oposiao. 0 Hegel Goutier


Correio
























RICHI i PEU DE GENsIL 1

EAUICOUP









OLUCOME


SDUN ACTE DE CORRUPTION%
LUCOME VOUS SOUTIENDRA.
X NUMEROUS SUIVANTS:
.853004 C'EST GRATUIT.
Cartaz da ONG OLUCOME. "A corrupao beneficia pouca gente e mata muita... O vice-presidente da ONG foi morto". Hegel Gouter


O OLUCOME um simbolo. Foram
feitas perquisies nos seus escritrios,
que so manifestamente vigiados. De
tal maneira que os seus representantes
nos recebem por tris de portas refor-
adas, com cmaras de observao por
todo o lado. O seu Presidente, Gabriel
Rufyiri, afirma: "E verdade que vivemos
inquietos. Realizamos investigaes e
fazemos denncias sobre pessoas pode-
rosas. Sabemos que a razo do mais
forte sempre a melhor. Desde 2003,
ji investigimos mais de 1000 casos que
transmitimos s autoridades competen-
tes, governor e justia."

Imprensa. Determinada e
responsvel

Denise Mugugu uma das jornalis-
tas cujas relaes com as autoridades
so frias. Presidente da Casa da
Imprensa, uma instituio que beneficia
do apoio da Unio Europeia e que , ao
mesmo tempo, uma escola pritica de
especializao, um estdio, um arqui-
vo audiovisual e um centro de anli-
se de informao audiovisual. Denise
Mugugu sublinha a derrapagem dos
meios de comunicao governamentais,
que atacam as pessoas que tm contas
a ajustar com o governor mesmo na sua
vida privada. "As relaes com o poder
complicam-se cada vez que um jornalis-


ta se atreve a investigar certos excessos.
Neste moment no hi jornalistas pre-
sos, mas esto intimidados."

E cita dois semanrios, Iwachu e Arc-
en-ciel, radios associativas e sobretudo a
estao Tl Renaissance. A estes hi que
acrescentar duas televises evangelistas,
que no do noticias mas fazem emis-
ses de consciencializao.

De entire as estaes de radio de quali-
dade pode citar-se a Radio Isanganiro,
criada em 2002, na altura da guerra civil
e que assumiu com coragem a causa da
reconciliao e da fraternidade. Foi esta
estao que suscitou o dossier do avio
presidential. Actualmente continue este
trabalho de informar e reconciliar. At
a emisso musical do seu animador
Excellent Nimubona, muito apreciada
pelos jovens, uma voz de conscien-
cializao civica. A Tl Renaissance,
por seu lado, foi atacada pela milicia de
jovens do partido no poder, que inves-
tiram contra o veiculo de uma das suas
equipas.

E, apesar de tudo, todos os responsiveis
destes meios de comunicao e de ONG
reconhecem que a situao melhorou
muito porque a represso agora oca-
sional. Talvez seja a moderao e o espi-
rito de responsabilidade.


SHegel Gouter
Verbatim
Innocent Muhozi, Director
da Radio-tl Renaissance

"Esta profisso antes do mais uma
escolha. Se a fazemos no para
ganhar dinheiro, mas sim para de-
fender ideias e valores. O pais foi
vitima de estupidez pseudo-tnica,
em que as pessoas se massacraram
sem saberem bem porqu, apenas
porque foram manipuladas.

Perdi amigos so porque tinham es-
tado no sitio errado ou tinham a cor
errada. preciso saber que podem-
os ser teis contra o dio fratricida
e outras derrapagens. Eu deixo tra-
balhar os meus colaboradores, o
que Ihes peo que respeitem toda
a gente, que sejam complacentes
mas independents. Encontramo-
nos numa sociedade extremamente
afligida e pobre. Isto presume a infel-
icidade no dia-a-dia das families que
no conseguem alimentar-se e que
no tm qualquer esperana. Este
tipo de drama esta aqui ausente do
debate politico.
Criei esta estao de radio para dizer
que somos todos cidados do mes-
mo pais e devemos ter os mesmos
direitos e as mesmas obrigaes.
esta, em duas linhas, a nossa linha
editorial."


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


R*'DD ,,#





Rep5, age


A Unio Europeia e o Burundi



Ajuda de todos os lados


para um pais que ressuscitou


Entrevista com Alain Darthenucq, Chefe da Delegaao da UE


A Uniao Europeia o primeiro
doador do Burundi, tanto em
terms de ajuda global como
no que se refere a um dos
seus elements importantes, a
ajuda ornamental. Alm disso,
varios pauses da UE tambm
Ihe dao apoio: os seus dois
parceiros histricos, a Blgica
e a Alemanha, a que se devem
acrescentar a Frana, os
Paises Baixos e o Reino Unido,
nomeadamente. 0 apoio geral da
UE e dos seus Estados-Membros
ao Burundi esta a aumentar,
insisted Alain Darthenucq, Chefe da
Delegaao da Uniao Europeia em
Bujumbura.


SHegel Gouter


No que diz respeito situaio
global do Burundi, o diplo-
mata europeu consider que
em muitos plans "a situaio
ma, mas a tendncia boa. Um obser-
vador pode considerar que tudo esta mal:
direitos do Homem, justia, infra-estru-
turas, governaio, economic, espirito
empreendedor. Mas se considerarmos
o estado catico de que o pais vem, os
progresses realizados desde os Acordos
de Arusha so surpreendentes".
E cita como exemplo a paz reencontra-
da depois de 13 anos de guerra civil, a
legitimidade democrtica do poder, a
grande liberdade da imprensa, o numero
de partidos politicos reconhecidos mais
de quarenta o trabalho do Tribunal de
Contas e da Inspeco-Geral do Estado,
a supressio da pena de morte, o novo
Cdigo Penal, que pune a violncia sexu-
al, o respeito da quota de 30% de mulhe-
res nas instituies. "Nio quer dizer
que os problems tenham acabado. O
Burundi dotou-se nos ltimos anos de
instruments que ainda nao sao utiliza-
dos plena e perfeitamente."
HG Quais so os grandes eixos da
cooperao europeia com o Burundi?
AD -A parte mais visivel da nossa
cooperaio so as infra-estruturas.
Acabimos agora, por exemplo, 31 km
de ruas em Bujumbura. E construimos
recentemente duas estradas no leste do
pais. A nossa contribuiio para a boa
governao tambm muito importan-
te. Podemos citar o recenseamento da
populaio com vista as eleies, cujos
custos assumimos at 80%. Ainda no
dominion da boa governaio, a UE apoiou
a implantaio ou o melhoramento de
mecanismos importantes: a Inspeco-
Geral do Estado e o Tribunal de Contas;
a instalaio de 44 "tribunais locais" em
pequenas localidades; a preparao do
novo Cdigo Predial (at ao momen-
to os conflitos fundirios constituem


Correio





Repo*'DDvi


Industria de cha em Ijenda. "Em 2009, o cha produziu as maiores receitas jamais registadas no Burundi". Hegel Goutier


a primeira causa de morte violenta; a
descentralizao atravs da formao e
do reforo de capacidades. A segunda
fase sera o reforo dos municipios para
que disponham de recursos suficientes
e o apoio descentralizao dos servios
do Estado central.

O terceiro sector o da saude, que com o
10. FED registou um aumento sensivel.
Esta a ser experimentado o novo progra-
ma national de sade, caracterizado pela
desconcentrao e por uma motivao
dos resultados.

O que se passa com este novoprogra-
ma de sade?

O governor decidiu fazer uma experincia
em grande escala: em 5 das 17 provincias
do pais. Estamos implicados nessa aco
juntamente com outros parceiros.

Algumas pessoas critical o facto
de o governor ter decidido impor a
educao para todos e a gratuitidade
da medicinaperinatal, mas sem atri-
buir os meios adequados


verdade que os meios no foram dis-
ponibilizados. Pensamos que a ajuda
oramental vai permitir faz-lo. Mais de
metade do oramento do Estado vem de
fontes externas e dessa ajuda, a UE, a
Comisso e os Estados-Membros contri-
buem com mais de metade. Em relao
Comisso, a ajuda oramental paga em
2009 representou mais de 40 milhes de
euros, ou seja, cerca de 40% do montante
da ajuda paga ao Burundi nesse ano.
Para alm da ajuda oramental pro-
veniente do 10. FED, houve dota-
es de outras duas fontes: a Facilidade
Alimentar e o FLEX-Vulnerabilidade,
para compensar os efeitos da crise ali-
mentar e da crise econmica neste pais.

O quarto sector de interveno da UE
o desenvolvimento rural, atravs do FED
e da linha Facilidade Alimentar. 85%
da populao rural. A UE interveio
em grande escala para permitir que o
Burundi produzisse os alimentos de base
e para apoiar paralelamente as cultures
de exportao, nomeadamente o cha,
caf e rfia, as nicas fontes de receitas
de exportaes do Burundi. Tambm


ajudou a relanar o sector horticola. Em
2009, o cha forneceu as maiores recei-
tas jamais registadas pelo Burundi. O
preo do cha manteve-se estvel, mas a
melhoria de qualidade permitiu vender o
cha burundiano 50% mais caro do que o
preo mdio anterior.

O ltimo sector em que intervimos
o apoio a uma sociedade civil j muito
dinmica. Com associaes como
ITEKA, OAG, COSOME, FORSC ou
OLUCOME e Cmara do Comrcio e
da Indstria; apoiamos igualmente os
meios de comunicao social, nomeada-
mente atravs da Casa da Imprensa.

Como no Burundi tudo esta por fazer,
a interveno da UE faz-se em diversos
dominios. De facto, a image da UE
no pais muito boa e a sua visibilidade
grande. O que faz deste pais uma espcie
de laboratrio para a ajuda europeia.


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010





Reportage


Boa governao: implicar todos os cidados



0 sucesso de um


project bem concebido


"Gutwara Neza" (Boa governaao)
um project integrado no quai
participam a Uniao Europeia, com um
montante de 20 milhes de euros, e
o Banco Mundial. 0 project cobre
um vasto leque de temas: formaao
de juizes, construao de tribunais a
nivel das aldeias, informaao junto
da populaao sobre os seus direitos
de acesso justia, mecanismos de
reconciliaao em conflitos envolvendo
bens fundirios, etc. Vronique
Parque, coordenadora do project,
fala-nos dele com grande entusiasmo.
de notar que ela conhece cada um
dos seus colaboradores a nivel local.



G utwara Neza apoia-se em
trs pilares fundamen-
tais: o Estado de direito, a
transparncia a nivel dos
assuntos pblicos e a participao da
populao. Visto sob um outro ngu-
lo, pode considerar-se que o project
combine governana econmica, poli-
tica e administrative. A governao
political diz respeito ao Estado de direi-
to e ao reforo da descentralizao. Os
animadores do project principiaram
por informar a populao sobre os
seus direitos e sobre o funcionamento
da justia. Foram contactados trs
grupos de 900 agregados familiares.
As concluses foram esclarecedoras: a
populao considerava a justia como
corrupt e estava convencida de que
era necessirio pagar para obter um jul-
gamento favorivel. Alm disso, haviam
sido cometidos crimes contra a huma-
nidade e nunca havia sido feita justia
s vitimas.

Um piano de aco foi elaborado a par-
tir dessas constataes. Em primeiro
lugar, foi organizada uma campanha
de sensibilizao populao sobre o


Itaba, reuniao da aldeia sobre direitos humans e boa governaao. e Hegel Goutier


acesso justia. Para isso, foram con-
cebidas brochures, assim como painis
com desenhos e fotografias. Os habi-
tantes de cada aldeia renem-se, um
determinado numero de vezes, a fim
de debater o assunto entire pessoas de
diferentes camadas etirias.

Outro objective, foi o de former magis-
trados a nivel local. O terceiro eixo
de aco consistiu na construo, ou
na reabilitaio, de edificios (tribu-
nais). E o ltimo, refere-se ao contro-
lo dos magistrados. Neste context,
o project apoiou diversas institui-
es tais como a Inspeco-Geral do
Estado e a Brigada Anticorrupio,
bem como o prprio Estado central,
uma vez que tomou a seu cargo a for-
maio dos magistrados do Tribunal
Administrative. As ONG receberam
igualmente uma formaio sobre os
meandros juridicos, a fim de poderem,
se for caso disso, intentar aces judi-
ciais contra o Estado.

Um dos maiores sucessos do program
foi a criaio de tribunais a nivel das
aldeias e a gestio dos conflitos rela-


tivos aos bens fundirios. No future,
os tribunais s se ocupario dessas
questes, que muitas vezes conduziram
a confrontos violentos, em segunda
instncia. As associaes de aldees
elegem "comisses de colinas" cujos
membros so voluntirios e percorrem
as propriedades em caso de conflito,
por exemplo, entire vizinhos. Em geral,
conseguem chegar a um consenso e o
papel da justia limita-se ao registo do
incident.

No dia da visit do Correio aldeia de
Itaba, perto da cidade de Gitega, foi
possivel verificar o funcionamento dos
tribunais locais e assistir aplicao da
justia, com pacincia e pedagogia, por
3 juizes diferentes. E tambm assis-
tir a uma interveno das "comisses
de colinas". Mas, sobretudo, pudemos
admirar o ardor com que todos os habi-
tantes da aldeia discutiam, durante
horas a fio, sobre os elements cons-
titutivos dos grandes painis pedag6-
gicos e relatives ao direito de acesso
justia de todos os cidados.


Correio





R*'DD ,,#


Cultura




Vivace Bujumbura


Para um pais que s tem uma
grande aglomerao, Bujumbura
e os seus 400.000 habitantes, o
Burundi um viveiro de cultu-
ra. Os Tambores do Burundi passaram
por todas as grandes salas de espectculo
do mundo. Mas alm destes, h uma
pliada de artists que sustm uma vida
cultural trepidante atravs de numerosas
associaes culturais e sociedades de
produo, apesar da escassez de meios
financeiros e da insuficincia dos lugares
de cultural.

Uma das associaes culturais mais
dinmicas a "Menya Media" (ver
O Correio n. 12 "Saiba que a ONG
Menya Media tem o vento em popa").
Aquando da reportagem de O Correio,
esta associao acabava de co-produzir
com a televiso francfona da Blgica e
outros associados uma curta metragem
Na Wewe (Tu tambm) que denuncia
as violncias entire etnias num cenrio
sugestivo e por moments bastante cmi-
co. O filme foi apresentado em antestreia
no Burundi no inicio de Abril e em
estreia no Centro Cultural de Uccle, em
Bruxelas, onde teve um grande sucesso.
A "Menya Media" acabava tambm de
produzir o disco "Haiti, levanta-te", o
dom do Burundi ao Haiti aps o tre-
mor de terra. E, sobretudo, acabava de
organizer sob o titulo de "Pamwade
Burundi" a primeira edio burundiana
do festival regional "Pearl of Africa Music
Awards" (Prola dos Prmios Musicais
de Africa). As mais altas distines foram
atribuidas a artists que faro falar deles
noutros meios: Steven Sogo, na categoria
homes, Risiki, na categoria mulheres e
"Lions Story" para os grupos.

Para alm dos Tambores do Burundi ou
de Khadja Nin, hi cada vez mais artists
deste pais a terem sucesso no estrangei-
ro. E o caso de Jrmie Hakeshimana e
de Sybille Cushahayo*, que actuaram
de modo insigne na primeira parte do
concerto da estrela congolesa, Baloji,
em Lovaina, na Blgica, no passado mes
de Abril. Jrmie Hakeshimana com-
positor, orquestrador e msico. Sybille
Cushahayo tem a sumptuosidade de uma
diva sensual nas suas canes de amor,


Alida Baranyizigiye, cantor e desenhador de moda. Hegel Goutier


mas muito empenhada com as suas obras
na luta pela paz, contra a SIDA e pelos
combates da mulher africana.

Quanto a Alida Baranyizigiye, outra can-
tora a descobrir, a sua msica s sonho
e ritmo. Comeando a cantar aos 12
anos de idade num coro de gospel, passou
para o zouk, salsa, RnB e jazz. Sempre
no mais puro estilo. Modelou o zouk das
Antilhas em tonalidades suaves da lingua
kirundi. O seu zouk, diz-nos a cantora,
canta-se com amor e sensualidade, o soul
para o seu spleen (tdio) e o RnB ape-
nas para ritmo, uma msica do corpo.

Serge Nkurunziza**. dificil passear
com ele em Bujumbura, porque toda a
gente o conhece. E um msico, orques-
trador e, sobretudo, cantor de um ritmo
endiabrado. E tambm um decorador de
talent que concebeu e realizou a deco-
rao complete no s de revestimen-
tos murais, como tambm da mobilia
de algumas das mais belas vivendas e
melhores hotis da cidade.

O teatro igualmente muito dinmico
e fortemente incentivado e apoiado pelo
Centro Cultural Francs, onde so reali-
zadas numerosas exposies de pintura.
So de ver as obras do colectivo Maoni,


trs artists, um belga, uma colombiana
e a burundiana Fidlit Bivugire, cuja
pintura, meio figurativa e meio abstrac-
ta, muito sugestiva.

O cineasta Lonce Ngabo outro que
convm seguir. Paralelamente a estudos
de quimica, Lonce Ngabo praticava a
msica. Escreveu igualmente um guio
de curta metragem e depois um conto
de fadas. Um grande cineasta suio,
que por l passou para localizao dos
locais do seu novo filme, descobriu-o
por puro acaso. O que que poderia
acontecer? Num nico dia, foi assinado
um contrato para a realizao de uma
longa metragem e pago um montante
avultado como adiantamento. Essa longa
metragem, "Guito l'Ingrat", animou as
salas de cinema de toda a Europa. Neste
impulso, Lonce Ngabo criou no seu pais
o FESTICAB (Festival Internacional de
Cinema e Audiovisual do Burundi), que
esta na sua segunda edio.

*pseudnimo Kazuba. DVD "Indoto &
Akazuba", 2009 e DVD de promoao 2009,
Ed. Menya Media. www.menya-media.org

** Ultima publicaao: "Africa", 2010, Ed.
Sodetra.


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010

















Jean-Jacques

Nyenimigabo.

Um Ministro da

Cultura adulado



A cultural um tema impor-
tante nos Objectivos de
Desenvolvimento do Milnio.
Ainda mais no Burundi, onde
atravs de "canes de paz", por exem-
plo, que veiculavam "os bons valores", a
cultural desempenhou um papel primor-
dial aps todo o horror por que passou o
pais. E esta a profisso de f do Ministro
da Cultura, Desporto e Juventude, Jean-
Jacques Nyenimigabo, na sua entrevista
ao 0 Correio.

Paz 0 Burundi aposta, por conseguin-
te, na cultural no mbito do process
de reconciliao national. No final do
ano, organizado um festival de cultural
onde so representadas todas as provin-
cias atravs de danas, canes e outros
produtos culturais. E uma ocasio pro-
picia a conhecerem-se uns aos outros.
Por exemplo, os Batwa tm uma cultural
bastante diferente das outras e o festival
permite-lhes valorizarem-se e sentirem-
-se como os outros.

Economia O Burundi, sublinha o
ministry, operou nos ltimos tempos
uma grande abertura para o cinema. E
testemunho disso a qualidade do filme
"Guito l'Ingrat" de Lonce Ngabo.


Estuo a ser realizados outros filmes.
Foi criado um festival de cinema, o
FESTICAB, que o festival de cinema
e audiovisual do Burundi. O governor
faz um grande esforo para apoiar estes
projects que beneficiam, alm disso, do
apoio de outros patrocinadores, como as
embaixadas da Frana, da Alemanha,
da Blgica e dos Estados Unidos. Ao
lado da indstria do cinema desenvolve-
-se a da msica. Para evitar a pirataria
que estava a avolumar-se, o Ministro
da Cultura decidiu, juntamente com
os profissionais, abrir um servio de
direitos de autor e direitos conexos. Foi
promulgada uma lei para os proteger.

O Ministrio da Cultura trabalhou de
concerto com o frum dos artists e
produtores e igualmente com outros
ministrios, Justia e Segurana. So
efectuados regularmente controls nas
lojas e nos estdios de gravao. Ha
uma boa cooperao entire o Ministro
Nyenimigabo e os artists. Mesmo os
artists que no apoiam o governor,
insisted em proclamar que este minis-
tro o ministry deles, porque se preocu-
pa com o seu sucesso, os seus interesses
e o seu bem-estar. Eis pois um ministry
adulado. raro, mas acontece.


Sybille Cisahayo. Actuaao em Lovaina, Belgica.
SHegel Gouter


Serge Nkurunziza


Burundi A visitar


* Praia Saga em Bujumbura, www.sagaplage.com
* Saga Nyanza na margem do lago Tanganyika, na
fronteira com a Tanznia
* Resha na margem do lago Tanganyika (a 60
quilometros de Bujumbura)
* As cascatas de Rutana
* As terms de Rumonge, lugar nao ordenado,
mas sublime com uma piscina muito quente para
os homes e a de baixo, mais temperada, para as
mulheres (regra nao escrita)


* As cascatas a entrada de Mwaro (consideradas
sagradas e perto das quais eram enterradas todas
as "freines" do Burundi

* O parque privado contiguo ao novo e luxuoso
hotel Iteka, em Mwaro.
* indispensavel conversar com o dono local,
Etienne Barigume, incansavel evocador das virtudes
ecologicas da regiao
* 0 paraiso das aves (Lago Kirundo)
* Os parques nacionais: Ruvubu, Kibira e Rusizi


* A "Faille auxAllemands" em Nyakazu,
impressionante
* Stanley e Livingstone
* A nascente do Nilo

* O mercado de Masekeza
* As cascatas Agasamo
* 0 lago Rwihinda (lago das aves)


*'DeDp'or


Correio





































Quarenta jovens dos 12 aos 18 anos,
dois centros de dana, dois pauses


(( 55

e J danse done e suis


africanos, uma organizaao sem fins
lucrativos e a Unio Europeia juntaram-
[ris nEuriuntaram ("Dano logo existo)
se no program "Je danse donc je Da o logo
suis" (Dano logo existo).


Elisabetta Degli Esposti Merli


O objective pr disposi-
ao dos ovens carencia-
dos de Africa um curso
de formao artistic
que faa a fuso entire tradio e
modernidade e que promova a sua
integrao social e sociocultural.
Problems de cariz social, economi-
co e de saide podem resultar num
afastamento dramtico dos jovens
da sociedade a que pertencem. A
ANERSER (Uagadugu, no Burquina
Faso) e a RIOEV (em Bamaco, Mali)
pretendem esbater esta situao,
sendo a primeira uma associao
sem fins lucrativos, que trabalha
no sentido de reintegrar crianas, e
a segunda uma rede que integra 40
associaes e 1000 crianas da rua.

Aps o seminrio de lanamento do
project (18-22 de Janeiro de 2010),
foram seleccionados 40 jovens para
frequentarem cursos com o "CDC*-
La Termitire" (http://cdc-latermitiere.
net/) e com a Donko Seko (http://www.
donkoseko.org/) -organizaes geridas
pelas bailarinas de renome interna-
cional Salia Sanou, Seydou Boro e
Ketty Noel. O program composto
por formao artistic, realizada em


seminrios, em aulas de coreografia
e em aulas tericas sobre histria da
dana e teatro e organize especticulos
de dana local e regional como forma
de "reinsero" na sociedade. Trata-se
de um project com uma durao de
tres anos, financiado pela Comisso
Europeia no mbito do project "A
investor nas Pessoas" e executado pela
"Africalia" em parceria com as ji men-
cionadas associaes africanas.

Colocimos as seguintes questes
"Africalia":

Por que razo decidiram recorrer
dana como forma de reintegrar os
jovens?

Africalia -A dana um meio muito
eficaz de comunicao que permit aos
jovens exprimirem-se no plano pessoal
e individual atravs do corpo. A expres-
so de sentiments pela palavra falada
torna-se, por vezes, dificil e complex.
Sendo uma forma de linguagem corpo-
ral, a dana tem um efeito teraputico,
na media em que encoraja a relao
com o outro e o acto de ouvir o outro.
[...] A long prazo, o program encoraja
os participants a alcanarem um nivel
professional que pode conduzir a opor-
tunidades econmicas concretas.

Na vossa opiniao, como que a


populao local responder a este
program?

As primeiras aces organizadas com
o propsito de "reinserio na socieda-
de" foram recebidas de forma muito
entusiasta pelas populaes das duas
cidades, que tambm acolheram posi-
tivamente a mudana de perspective e
de mentalidade [...]. Estas aces pro-
movem ainda um "acesso universal
cultural" [...].

Acreditamos que as populaes locais
de Uagadugu e Bamaco reagirio de
forma positive. Em primeiro lugar por-
que o program oferece a possibilidade
aos jovens carenciados de encontrarem
autonomia econmica e social, ao dis-
ponibilizar-lhes um curso de formaio
de tres anos. Tal como nas famosas pala-
vras de Descartes, "cogito ergo sum"
(penso logo existo, "Dano logo exis-
to" avana com a ideia de que a dana
sinnimo de vida, uma expressio de
ser, uma expressio de esperana e uma
confirmaio do ego de cada um e da
existncia de cada um. Como afirmou o
famoso bailarino Alphonse Tierou, "se
a sua msica se move, a Africa tambm
se movers".

* "Centre de Developpement
Choregraphique" -Centro de
Desenvolvimento Coreografico.


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


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B m V





Criatividad


Dak'art 2010:


retrospective e perspective



Dak'Art, a Bienal de Arte Africana, intitulada RETROSPECTIVA E PERSPECTIVA,
realizou-se na capital senegalesa entire 7 de Maio e 7 de Junho. A primeira ediao
desta Bienal foi em 1990 (num format de Bienal de Arte e Literatura) e passou
mais tarde a ser dedicada aos artists plsticos de Africa.



Sandra Federici


semana assistiu-se a critics,
curadores e artists a corre-
rem entire entrevistas, inau-
guraes e representaes que faziam
parte tanto do program official como
dos interessantes events 'off.

Os 5 curadores da Dak'Art 2010 foram
responsiveis pela seleco dos artists a
partir das 400 candidaturas recebidas
de artists que nunca tinham exposto
na Dak'Art. Propuseram uma exposio
international que constituiu sobretudo
uma oportunidade para descobrir jovens
artists como Moridja Kitenge Banza
(RDC), vencedor do Grande Prmio
Lopold Sdar Senghor. A exposio
foi feita no Museu IFAN, juntamente
com uma retrospective que apresentou
as novas obras dos 9 artists que tinham
ganho prmios em edies anteriores
da Bienal.

A Galeria Nacional das Artes exps
o trabalho de cinco artists haitianos,
incluindo Mario Benjamin e Maksaens
Denis, que mostraram duas montagens
relacionadas com o terramoto que des-
truiu Port-au-Prince.

Alguns dos events 'off' incluiram
a dupla Barthlemy Toguo e Soly
Ciss na Galeria Mange, o project
Afropixel no espao Ker Thiossane e
'La Cour de Joe Ouakam', um escritor
e artist muito respeitado do Senegal.
Particularmente interessante foi um
project das Academias de Belas-Artes
de Dacar e de Rouen, que levou pro-
duo de um journal de format tablide,
com sugestes de ideias, imagens e uma
viso da vida de jovens no Senegal.

Embora esta edio tenha atraido menos
a ateno do mundo da arte interna-
cional, o Secretirio-Geral Ousseynou
Wade fez uma avaliao positive do
acontecimento, sobretudo do ponto de
vista da organizao. "Todas as obras
de arte chegaram, except uma, que


Barthlmy TOGUO, O Caminho do Exilio, mistura de tecnicas, 700 x 400 cm, 2008-2010, Exposiao
Toguo/Ciss, Galeria Le Mange, Dak'art Off, Dak'art 2010


devia ser montada no local pelo artist
burundiano Serge Nitegeka, que vive
na Africa do Sul e que no pde viajar
por causa do seu estatuto de refugiado."
O doloroso e-mail que enviou, em que
anunciou a impossibilidade de estar
present no event e agradeceu aos
organizadores a oportunidade ofereci-
da, foi exposto no espao que lhe estava
reservado na exposiio international.

O catilogo da Dak'Art 2010 faz um
relato critic dos ltimos 20 anos, atra-
vs de contribuies interessantes das
pessoas que criaram a histria do even-
to. Enquanto instituiio, a Bienal foi
consolidada aps anos de incerteza e
sobreviveu a muitos events que tinham
melhor financiamento mas que ape-
sar disso no vingaram. Alm disso, a
Bienal construiu um patrimnio insubs-


tituivel de arte visual africana. Para
alm do financiamento de virios doado-
res europeus, recebeu sempre contribui-
es significativas do Estado senegals.

Mas esta avaliaio positive nio deve
levar os organizadores a deixarem de
se esforar, devendo trabalhar no sen-
tido de fazer do event mais do que um
simples encontro clissico e peridico,
transformando-o em algo que surpre-
enda o visitante graas inovaio e
profundidade de espirito. Como que
se pode fazer isso? Uma sugestio pode
ter sido a obra de arte da dupla sul-
-africana Rosenclaire, que funcionou
como apelo saudando os visitantes
entrada do Museu IFAN e convidando-
-os a 'Investir no material' (ver o artigo
seguinte).


Correio
















Rosenclaire:


investor no material

Duo artistic constituido por Rose Shakinowsky e Claire Gavronsky, nascidas
na Africa do Sul e que vivem e trabalham entire Florena, a Cidade do Cabo e
Joanesburgo. Trocaram h vinte cinco anos a Africa do Sul por Itlia, onde criaram
um prestigioso program residential de artists na Toscnia. Rosenclaire revela
as suas ideias atravs de projects de colaboraao que ainda recentemente foram
object de um important reconhecimento. Falmos com elas na Bienal de Arte
de Dacar (Dak'art).


N os ltimos anos o vosso
trabalho foi muitas vezes
object de reconheci-
nmento: as "Soapboxes"
no exterior da Galeria Nacional da
Africa do Sul, a recent exposio
na Galeria Goodman na Cidade
do Cabo, a exposio 'Domestic
Departures' na Universidade Pblica
da California e agora a Bienal de
Dacar. Porque que esta a primei-
ra vez que vm a este event?

Achamos que Dak'art essencialmente
uma oportunidade para artists do con-
tinente africano que estio a surgir e que
apresentaram trabalhos de modo inde-
pendente. Contudo, este ano a curadora
Marilyn Martin solicitou-nos que tra-
duzissemos o nosso letreiro 'Investir no
material' para francs, especialmente
para a entrada do Pavilhio da Bienal.
O letreiro apela aos artists, critics,
curadores e coleccionadores para inves-


tirem no intangivel e no filosfico. Uma
refocagem e reavaliaio urgentes do
significado e do valor da produo de
arte no sculo XXI. E um letreiro, um
escrito na parede contra o trifico da arte
a que assistimos na ltima dcada.

0 vosso trabalho tem muitas vezes
um aspect politico, atravs do qual
se liganm o present e o passado.
Quais so os tpicos abrangidos
mais importantes?

O racism, a diferena e a identida-
de (tanto na Africa do Sul como na
Europa), a memria e o colonialism, a
violncia contra as mulheres e crianas
e a injustia econmica.

A chave do nosso trabalho artistic
que esta sempre em dilogo com a his-
tria da arte e os actuais discursos cri-
ticos, envolvendo-se ao mesmo tempo
em questes sociais e political. Usamos
meios tradicionais e contemporneos
para desafiar conceitos preconcebidos
de produo da arte. Na exposio femi-
nista 'Domestic Departures', por exem-


plo, com as obras 'Gesture erased WK
drawing' e 'Vacuum I' e 'Vacuum II',
convidimos Kentridge a colaborar con-
nosco, como artist convidado, tendo
aspirado um dos seus grandes desenhos
a carvio com um aspirador. Rosenclaire
cita aqui 'Erased de Kooning'* de
Rauschenberg, de 1953 e as suas obras
'Factum I' e 'Factum II' de 1957.

A entidade artistic Rosenclaire
o resultado da unido de dois estilos
artisticos muito diferentes. Como
que conseguem associar estes dois
aspects?

Juntamos foras para facilitar, de modo
criativo, um dilogo sobre um tema,
um lugar ou uma situao especificos.
Pode dizer-se que o nosso trabalho
uma polinizao cruzada entire a feira
da ladra, o estdio, a histria da arte e a
experincia pessoal articulados atravs
da pintura, do desenho, da escultura, de
montagens e de videos.

Porque que escolheram viver em
Itlia e na Africa do Sul?

Adoramos a Itilia pela sua maneira de
viver e pelo que nos oferece permanen-
temente no nosso mundo artistic; a sua
linhagem e a sua histria continuam a
inspirar-nos a nos e aos artists com
quem trabalhamos. Temos raizes pro-
fundas na Africa do Sul, onde continua-
mos a participar activamente no ensino
da arte e nos dilogos de pritica de arte
contempornea africana.

* Como acto de expressao artistic,
Rauschenberg apagou rigorosamente um
desenho de Willem de Kooning.


Rosenclaire, Pontuaao, 2010, leo em linho, curva
francesa e ludo ponto, 30 x 39 cm (pintura). c Rosenclaire


Rosenclaire, Sismografo, 2010, oleo em quadro e
estetoscopio antigo, 18 x 12,5 cm (pintura). o Rosenclaire


N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


Criaivia





Criatividade


Presidncia belga da
Unio Europeia


Uma


homenagem:


Africa


visionaria





este o titulo que o Palcio das
Belas-Artes de Bruxelas (Bozar), em
parceria com o Museu de Tervuren,
escolheu para prestar uma grande
homenagem ao dinamismo e
modernidade da arte africana -
homenagem que abrange, igualmente,
a sua diaspora a fim de celebrar
os cinquenta anos de independncia
de 17 pauses desse continent.
Tudo isso, atravs de um festival
que tera lugar de 30 de Maio a 26
de Setembro 2010 e que beneficia
do apoio do governor belga, da
Comissao Europeia e do Secretariado
do Grupo dos Paises ACP. Uma das
originalidades do festival consiste no
facto de que a sua programaao foi
feita, em grande parte, pelos prprios
Africanos.


D avid Adjaye, arquitecto bri-
tnico de origem ganense,
o director artistic e Nana
Oforiatta Ayim, tambm do
Gana, a director de pesquisa. Outra
das originalidades da Africa Visionria
consiste na combinaio de pesquisas
artisticas com pesquisas cientificas. Mas
como 2010 nio apenas o ano do jubi-
leu das independncias africanas, mas
tambm o de um event simblico,
a primeira vez que o continent afri-
cano acolhe o mundial de futebol, os
dois importantes centros de cultural que
organizam o festival decidiram acolher
uma manifestaio popular cujo acesso
a tais catedrais da cultural raro, seno
inexistente.

Na origem da Africa Visionria esta a
missio, confiada pelo governor belga ao
Palicio das Belas-Artes, de organizer
um event cultural de grande importn-
cia destinado a celebrar a Presidncia
Belga da Unio Europeia. O Drector-
Geral do Palicio das Belas-Artes, Paul
Dujardin, props "um project de inter-
cmbio com a Africa, deliberadamente
voltado para o future". A Comissio
Europeia, que participou no seu finan-
ciamento, mostrou-se desejosa que o
project pudesse constituir um cata-
lisador capaz de reforar as relaes
entire os centros culturais e os museus
da Europa e da Africa. Numerosas


uaviua majaye.
SEd Reeve -Cortesia de Palacio das Belas-Artes de Bruxelas


entidades culturais belgas que traba-
lham sobre a Africa, como Africalia,
assim como as organizaes da diaspora
africana, como Matonge En Couleurs,
ou ainda as embaixadas de 53 paises
africanos, tomaram parte na concepio
do event.

Entre os pontos altos do festival, conta-
-se a exposiio "GEO-graphics. A Map
of Art practices in Africa Past and
Present" que rene obras-primas da
arte antiga africana e criaes contem-
porneas. Esta exposiio foi preparada,
designadamente, por David Adjaye e
Nana Oforiatta Ayim. Oito museus de
Africa foram solicitados a enviar as
suas obras de arte modern para ai
serem expostas. Entre os artists de
renome, tanto da Africa como da dias-
pora africana, figuram Anglique Kidjo,
Rokia Traor, Papa Wemba, Germaine
Acogny e Raoul Peck.

Na Blgica, o festival sera prolongado
pela constituiio de um "museu da
Africa do sculo XXI", a partir de uma
revisoo museogrifica das ricas coleces
do Museu de Tervuren (Museu Real
da Africa Central). Revisio essa que
sera realizada, nio s por esse mesmo
museu, mas tambm pelo Bozar, em
associaio com artists e associaes
culturais africanas. Em Africa, o festival
ter lugar depois e apresentar-se- sob
diversas formas. A sua primeira mani-
festaio sera a Cimeira Africa-Europa,
em Tripoli, na Libia, em Novembro de
2010.






















Nana Oforiatta Ayim.
Sam Pelly -Cortesia do Palacio de Belas-Artes de Bruxelas


Correio


















































































N. 17 N.E. MAIO-JUNHO DE 2010


Para jo vens leitores











Conferncia Internacional
em laund sobre o
Desenvolvimento de Africa
A convite do Presidente da Repbli-
ca dos Camares, S. E. Paul Biya,
teve lugar em laund, Camares,
uma conferncia international de 2
dias "frica 21", em 18 e 19 de Maio,
sob o tema "Africa, uma Oportuni-
dade para o Mundo: realidades e de-
safios". Organizada aps o Simpsio
de Monrovia 1979, a conferncia
international de laund apresenta-
se como o pano de fundo das cele-
braes do jubileu da independncia
de 17 paises africanos em 2010, o
que constituira uma excelente opor-
tunidade para examiner os desafios
e as perspectives do desenvolvi-
mento do continent. A conferncia
tratou de assuntos relacionados
com a gesto dos recursos, a boa
governao, a segurana, o pa-
pel do sector privado, a integrao
econmica e o papel da frica na
ordem international.


Vencedores do hremio Juventude do desenvolvimento e
entreacto de estudantes ganeses. comissao Europeia


CONTACT: 0 CORREIO 45, RUE DE TRVES 1040 BRUXELAS (BLGICA)
CORREIO-E: INFO@ACP-EUCOURIER.INFO WEBSITIO: WWW.ACP-EUCOURIER.INFO


Agenda JULHO-NOVEMBRO DE 2010


Julho de 2010

18-23/7
Conferncia de 2010 sobre a SIDA
Viena, ustria
Para mais informaes, consultar:


25-27/7
Cimeira da Unio Africana:
Assembleia dos Chefes de Estado
e de Governo
Campala, Uganda


Setembro de 2010

20 22/09
Evento de Alto Nivel de Reviso dos
ODM das NU
Cidade de Nova torque, EUA

27 -30/09
3. Encontro dos Ministros ACP
responsiveis pelo Asilo, Migraio e
Mobilidade
Bruxelas, Blgica

27 -30/09
21.' sessio da Assembleia
Parlamentar ACP e 21' Sessio da
Assembleia Parlamentar Paritria
Bruxelas, Blgica


Novembro de 2010

29- 30/11
Cimeira UE-Africa
Tripoli, Libia
Para mais informaes, consultar:
http://www.africa-eu-partnership.org/
focus/items/article 10010 en.htm


Correio


Prmio Juventude do Desenvolvimento:
Os vencedores viajam para o Gana
De 3 a 8 de Maio, os 27 alunos que ganharam o concurso "Prmio Juventude do
Desenvolvimento de 2008 2009' viajaram para o Gana com os seus professors
para conhecerem melhor a frica e verem como esta a ocorrer a cooperao para
o desenvolvimento.
O "Prmio Juventude do Desenvolvimento" um concurso aberto a alunos de 16 a
18 anos de qualquer pais europeu. O concurso de 2008-2009 foi a terceira edio
do event, que exorta os alunos a produzirem videos ou cartazes relacionados
com os desafios que se colocam frica e ao seu future. O objective sensibilizar
a frica e reforar o conhecimento da ajuda e actividades europeias em frica.
Cada edio do prmio tem um tema especial. Para 2008-2009 foi "Desenvolvi-
mento Humano em frica".
O grupo seguiu um program intenso, que deu aos alunos uma oportunidade uni-
ca de conviver com colegas africanos, acerca dos seus costumes, cultures e ex-
perincias. A viagem terminou em Bruxelas, onde os alunos estiveram em 7 e 8 de
Maio e visitaram as Instituies da Unio Europeia no rescaldo do Dia da Europa.















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Mulher de Itaba, Bui undi. e Hegel Goutier