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Correio (Portuguese)
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 Material Information
Title: Correio (Portuguese)
Physical Description: Serial
Language: English
French
Portuguese
Spanish
Publisher: Hegel Goutier
Place of Publication: Brussels, Belgium
Publication Date: 11-2009
Copyright Date: 2009
 Subjects
Genre: serial   ( sobekcm )
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
System ID: UF00095067:00068

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o .. N. 14 N.E. Nomb ro-Dezemb r 2009


C@RREIO
A REVISTA DAS RELAES E COOPERAO ENTIRE AFRICA-CARAiBAS-PACiFICO E A UNIo EUROPEIA


.... ... . .











C@RREIO


Comit Editorial
Co-presidentes
John Kaputin, Secretrio-Geral
Secretariado do Grupo dos pauses de Africa, Caraibas e Pacifico
www.acp.int

Stefano Manservisi, Director Geral da DG Desenvolvimento
Comissao Europeia
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Equipa editorial
Editor-chefe
Hegel Goutier

Jornalistas
Marie-Martine Buckens (Editor-chefe adjunto)
Debra Percival


Editor assistente e Produo
Okechukwu Romano Umelo

Colaboraram nesta ediao
Elisabetta Degli Esposti Merli, Sandra Federici, Catherine Haenlein, Miagotar Japhet,
Joshua Massarenti, Andrea Marchesini Reggiani, Alfred Sayila, Okechukwu Romano
Umelo e Joyce van Genderen-Naar

Gerente de contrato
Gerda Van Bierviliet

Relaoes Pblicas e Coordenaao de arte
Relaes Pblicas
Andrea Marchesini Reggiani (Director de Relaoes Pblicas
e responsvel pelas ONGs e especialistas)

Coordenao de arte, paginao
Gregorie Desmons

Distribuio
Viva Xpress Logistics www.vxlnet.be

Agncia de Fotogralia
Reporters www.reporters.be

Capa
Praia, Seicheles. Hegel Goutier

Contracapa
Poster, no centro de Limerick, Irlanda. Marie-Martine Buckens


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45, Rue de Trves
1040 Bruxelas
Blgica (UE)
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www.acp-eucourier.info
Tel: +32 2 2345061
Fax: +32 2 2801406


Publicaao bimestral em portugus, ingls, francs e espanhol.

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Editor responsvel
Hegel Goutier

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Gopa-Cartermill Grand Angle Lai-momo

A opinion express dos autores e no represent o ponto de vista official da Comisso
Europeia nem dos passes ACP.

Os parceiros e a equipa editorial transferem Ioda a responsabilidade dos artigos escritos
para os colaboradores externos.


Parceiro privilegiado




ENGHOR

0 Espace Senghor um centro
que assegura a promoo de
artists oriundos dos paises de
Africa, Caraibas e Pacifico e o
intercmbio cultural entire comu-
nidades, atravs de uma grande
variedade de programs, indo das
artes cnicas, msica e cinema
at organizao de confern-
cias. um lugar de encontro de
belgas, imigrantes de origens
diversas e funcionarios europeus.

Espace Senghor
Centre cultural d'Etterbeek
Bruxelas, Blgica
espace.senghor@chello.be
www.senghor.be


e:4


www.acp-eucourier.info
Ulsite o nosso sillo Web!
Onde pode encontrar os artigos,
la reuista ern pdf
e outras informaes








Q N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009






CORREIO

A REVISTA DAS RELAES E COOPERAAO ENTIRE AFRICA-CARA{BAS-PACiFICO E A UNIO EUROPEIA




Indice
O CORREIO, N 14 NOVA EDIO (N.E)


PERFIL
Jerzy Buzek, Presidente do Parlamento Europeu
Stephen T.K. Katenta-Apuli, Embaixador do
Uganda junto da UE
EDITORIAL
EM DIRECTOR
Hansjrg Neun, Director do CTA: Um home
engenhoso ao servio dos agricultores do grupo ACP
PERSPECTIVE
DOSSIER
A cincia entra na cooperao
As riquezas perdidas, esquecidas e, s vezes, exumadas
da frica
Radioscopia do um continent
A ciencia ao servio do desenvolvimento sustentivel
A locomotive sul-africana
Cuba, onde ciencia rima com desenvolvimento
Partilhar dados para melhorar a investigaio mdica
O quebra-cabeas da fuga de crebros!


INTERACES
Jornadas Europeias do Desenvolvimento, Estocolmo 21
O continent africano em destaque no Prmio de
Jornalismo Lorenzo Natali de 2009 24
A Estratgia UA-UE dois anos depois... 25
Plano de aco em andamento para criar ligaes
de transport entire frica e a UE 28
Para a Africa do Sul ter sucesso, necessirio que
a nossa regio e toda a Africa tenham sucesso 27
A SOCIEDADE CIVIL EM AAO
As ONG de desenvolvimento preocupadas com as
novas prioridades europeias 29
TRIALOG: alinhando os lados do tringulo ONG 80
COMRCIO
O Fundo Comum para os Produtos de Base atinge
a maioridade 31
EM FOCO
Boubacar Boris Diop: "J no nos podemos apoiar
no Muro de Berlim" 33


NOSSA TERRA
2 Abelhas Africanas para o desenvolvimento
REPORTAGEM
Seicheles
5 Quase uma maxima: Beleza, Liberdade, Segurana,
Hospitalidade e Farniente
Uma sequencia bem temperada
o Sucesso das reforms depois do espectro da bancarrota
8 Entrevista do Presidente James Alix Michel
Cooperao Seicheles-UE: Entrevista do Alessandro
Mariani, Chefe da Delegao da UE
A grande aliana contra a pirataria somaliana
18 Wavel Ramkalawan: preciso pr cobro political
14 partidiria
ir Caldeiro de cultures


DESCOBERTA DA EUROPA
Shannon
Shannon, onde se renova a histria da Irlanda
Os "Gansos Selvagens" no Tigre europeu
Um sentido histrico da solidariedade
O apoio indefectivel do povo irlands
"Os desafios so imensos, mas a regio tem trunfos
consideriveis"
O coraio da msica irlandesa bate em Ennis
Dos Gaeltachts s Cinzas de Angela
CRIATIVIDADE
Silvia Bragana, uma artist multicultural
"Filmes ACP" do Programa ACP-UE: Apoio ao
Sector Audiovisual e Cinematogrifico
Denise Colomb: um olhar humanista


PARA OVENS LEITORES
Investigaio Cientifica
CORREIO DO LEITOR/AGENDA





D erfil



Marie-Martine Buckens


7p l1


rdidrds5-Clidue
Jerzy Buzek; Parlamento
Europeu; Parceria UE-UA;
Cotonu; APE.







Perfil









































































Palauras-chaue
Sr. Stephen T.K. Katenta-
Apuli; Uganda; Qunia;
estreito de Gibraltar; trans-
porte rodovirio; transport
ferrovirio; Joyce van
^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^ (^ r'ntloeon.YTa ae





| p,.I-,, ,.1 .-,. 1 ,- .- ,,, ,







editorial


bom senso diz que no se do peixes
aos pobres mas que se lhes ensina a
pescar. O grande bom senso associado
generosidade sugere hoje que os aju-
demos a adquirir as tcnicas e os meios para cons-
truir frotas de pesca capazes de fazer concorrencia
quelas que pescam nas suas guas. sem dvida
uma iluso!

Seja como for, a cooperao entire a Unio Europeia
e o grupo dos paises de frica, das Caraibas e do
Pacifico, como tambm a cooperao entire estes
ltimos no dominion da ciencia e das tecnologias,
parecem ter passado a uma velocidade superior nes-
tes ltimos tempos. agora uma colaborao mais
equilibrada entire parceiros. A cooperao cientifica
entire a Europa e a Africa tornou-se uma prioridade
desde o final de 2007, com a adopo, pela Cimeira
UE-Africa, de estratgias comuns em oito reas,
que incluem a ciencia, a sociedade da informao e
o espao, acompanhada, entire outras, pela criao
de diversas redes de investigao.

Desde o fim 2007, a cooperao cientifica tornou-
se uma prioridade das relaes euro-africanas. A
Parceria Estratgica UE-frica definiu dois sectors
essenciais: a tecnologia espacial e da informao e
comunicao e a criao de redes de investigadores.
O recent convite apresentao de propostas sem
discriminao positive a favor dos institutes africa-
nos, lanado pelo programa-quadro de investigao
e desenvolvimento da UE, revela a credibilidade
actual destes ltimos. O relatrio de 2009-2010 do
F6rum Econmico Mundial sobre a competitivida-
de faz eco das qualidades das redes de investigao
pblico-privadas de paises como a Africa do Sul ou
o Qunia.

A UNESCO consider que alguns paises a Africa
do Sul, a Costa do Marfim, o Qunia e o Zimbabu


- tem reais potencialidades de investigao cien-
tifica. Sem esquecer a Nigeria que, apesar do seu
atraso nesta rea, continue a ser vista como o future
drago, com as suas 95 universidades e uma dezena
de institutes tcnicos e, sobretudo, a deciso toma-
da em 2006 de criar um fundo para o desenvolvi-
mento cientifico e tecnolgico de 5 mil milhes de
dlares provenientes dos rendimentos do petrleo.
um excelente exemplo. O problema que o novo
empenho africano em prol da investigao ainda
no esta consolidado atravs de um compromisso
financeiro. A Africa do Sul o nico pais a consa-
grar mais de 1 % do seu PIB investigao.

Em relao a todo o grupo ACP, a Unio Europeia
financiou o program de ciencia e de tecnologia lan-
ado em 2008, com o objective de estabelecer uma
rede de investigaes. Nas Caraibas, Cuba continue
a ser a locomotive, fomentando cada vez mais as
relaes com os seus vizinhos. Sera uma empresa de
St-Kitts-and-Nevis que produzir e comercializar
os pesticides da nova gerao e outros produtos
veterinrios desenvolvidos pelos Cubanos, no mbi-
to de um acordo entire Caribenhos.

A nova audcia da Africa em terms de ciencia e
investigao, se esta existe realmente, surge em
simultneo com o inicio de um reconhecimento e
avaliao do contribute do continent para as cien-
cias e as tcnicas focadas no Caderno deste nmero,
onde se descobre que, para alm da metalurgia do
ferro, que essencial para o future desenvolvimento
do Ocidente, a Africa esteve na origem das mate-
mticas, ao construir a primeira calculadora que o
home inventou ha cerca de 35.000 anos.


Hegel Goutier
Editor-chefe


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009



















I
I


Iil


Li 911


11;3 -1110[


Hegel Goutier
Aps cinco anos frente do CTA, terminando o seu mandato de cinco anos em Fevereiro de 2010,
Hansjrg Neun prepara-se para dizer adeus. Conseguiu transformar esta instituio, que at h algum
tempo era pouco conhecida, numa caixa de ferramentas apreciada ao servio da agriculture dos pai-
ses ACP, sem comparao possivel com os escassos recursos de que dispe. E isto, entire outros, graas


instaurao de um sistema de gesto mais inspirado no marketing
gesto institutional.


No sentido de fazer passar o conceito do
marketing para o interior da instituio, foi
preciso modificar as abordagens entire direc-
o e pessoal, tirar o mximo proveito de uma
equipa pequena que mal contava com qua-
renta empregados estatutrios e uma dezena
de estagirios que deveriam dominar mais o
seu trabalho. Sendo pouco protocolar, ficou
surpreendido quando descobriu a longa pas-
sadeira vermelha que conduzia ao gabinete da
direco que lhe fora reservado. "Por favor",
pediu ele, "deitem fora essa passadeira verme-
lha". O tom estava dado. E a aco seguiu-se.
Quando entrevistado, insisted para que o
jornalista fale tambm com os seus colegas.
Agora que a partida esta prxima, o que que
objectivamente lhe da mais prazer?


das empresas privadas do que na


A motivao dos meus colegas foi um dos
objectives que fixei; creio que foi bem alcan-
ada. E isso foi conseguido atravs de uma
reestruturao e de uma responsabilizao.
Disse-lhes: pagam-vos para fazerem um traba-
lho, cabe-vos a tarefa de assumirem sozinhos
a responsabilidade e de no deixarem o poder,
a obrigao de decidir nas mos do director.
Proponham-me o vosso piano de trabalho e
o vosso oramento. Julgo que essa responsa-
bilizao deixou os colegas mais vontade
e em condies de se identificarem com a
instituio.

Estou aqui enquanto gestor. Devo ver o que
oferece o CTA e o que oferece o mercado.
Com o dinheiro dos contribuintes euro-
peus, devo conseguir resultados. Poderia
faz-lo de outra maneira, mas no acho que
seja atraente.


I Hansjrg Neun com a equipa. HegelGouter


CRREIO


7~j


..........


il] 11 [LI 1 lu LI 1 IL Li 111 Il L


M111111111111


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P-1110111-F












Reestruturao

O nmero de departamentos operacionais foi
reduzido de 4 para 3. Foi criado um cargo de
marketing e foram reforadas as nossas capa-
cidades em terms de tecnologias de infor-
mao e comunicao, assim como as nossas
publicaes. Centrmo-nos muito mais nos
grupos-alvo e estratgicos, determinando para
isso quais os nossos parceiros privilegiados
dentro dos 79 paises ACP, aqueles que nos
oferecem vantagens comparativas com a sua
colaborao. Um desses grupos o dos meios
de comunicao. No obstante a importncia
da agriculture para o desenvolvimento, que foi
reconhecida pelo relatrio do Banco Mundial
sobre o desenvolvimento em 2008 e que voltou
a colocar a agriculture em primeiro piano, no
foram registadas aces de seguimento apro-
priadas em terms de investimentos com vista
a uma melhor produtividade a fim de alimen-
tar uma populao mundial de 8 mil milhes
de habitantes em 2050. O ltimo element da
reestruturao: um cargo de responsvel de
recursos humans, indispensvel para motivar
os nossos agents, para um melhor recruta-
mento e para uma boa gesto de pessoal.

Caderno de encargos

Tal como estipula o acordo de Lom retomado
pelo acordo de Cotonu, o nosso mandate
fornecer informaes, ajudar os paises ACP
na comunicao e no reforo de capacidades.
Por isso, tratamos da informao em suportes
variados. Quanto comunicao, escolhemos
os canais apropriados para conseguir alcanar
os grupos-alvo. Por exemplo, para os campo-
neses e o mundo rural, usamos antes de mais a
radio rural, para os ministrios ou para os ser-
vios de divulgao, usamos o e-mail, o Web2.
Dispomos da nossa publicao de referencia
SPORE em edio impressa ou disponivel na
Web e utilizamos o sistema de informao geo-
grfica participativa (participatory geographic
information system).

To poucas finanas

Quando comecei em 2005, o nosso oramento
era de 70.000 000 euros para 5 anos, ou seja,
14 milhes por ano. Agora temos 16 milhes
para mais de 70 paises com uma populao
estimada de mil milhes, dos quais 600 a 700
milhes vivem no meio rural. O que equivale
a uns escassos 0,02 euros per capital, uma gota
de gua no oceano. Por isso, foi preciso definir
bem o nicho do CTA, de modo a que este
tivesse um valor acrescentado relativamente
s ONG no terreno ou aos agents de ajuda ao
desenvolvimento bilateral ou multilateral.


Da esquerda: Oumy Ndiaye, Hansjorg Neun e Koda Traor. 0 Hegel Goutier


Oumy Ndiaye
Chefe dos Servios de Comunicao

Trabalhamos com parceiros em various
pauses afrncanos aos quais damos apoio
financeiro e tcnico que centralizamn as
informaes sobre os preos das ma-
terias-prinas a partir da Internet, assimn
comno informaes meteorologicas. divul-
gando-as depois por "srns' OL via radio O
campons pode assim vender no melhor
moment e ao melhor preo E plantar no
moment adeqLuado

Koda-Traor
Coordenador do program ITC

Tendo constatado que muitos dos telecen-
tros tm problems de perenidade des-
envolvemos umi program com 3 eixos o
model de gesto, para o qual estudamos
o exemplo da India com 100.000 telecen-
tros pr6ximos das realidades afncanas e
dos quais os nossos clients afncanos po-
dero usufruir. a apropnao atraves das
possibilidades dadas as pessoas de genr
os conteudos difundidos graas a peque-
nas ferramentas como o Web2 o reforo
das capacidades por via de formaes
pouco dispendiosas no meio rural.


Carine Kazadi
Jovem especialista do Servio de
Marketing

Vamos ao terreno ver como os beneficia-
nos apreciam os nossos produtos
O CTA e lima insttuio. mas ao produzir
informao torna-se numa marca O nosso
marketing. Que tecnica uLitilizar para garan-
tir que temos uma boa viso da realidade
sobre o terreno Como tornar os nosso
produtos mais competitivos. Como cativar
e fidelizar os nossos grupos-alvo


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009







Serspectiva




Debra Percivai UE prolong medidas relatiuas a Fiji


A s "medidas adequadas" da Unio
Europeia para levantar o estado
de emergencia em Fiji foram pro-
longadas por um period adicional
de seis meses, na esteira do golpe de estado
de Dezembro de 2006, levado a cabo pelo
Comodoro Voreque Bainimarama. Tais medi-
das expiram a 31 de Maro de 2010. Ao mesmo
tempo que o auxilio ao desenvolvimento e a
ajuda especial dirigida indstria do acar
so suspensos, as medidas ressurgem atravs de
uma nova aco de dilogo UE-Fiji, ao abrigo
do artigo 96. do Acordo Cotonou de que Fiji
ainda parte signatria.

Na declarao de 24 de Setembro do Conselho
da Unio Europeia pode ler-se: "A UE conside-
ra o prolongamento de tais medidas como uma
via de oportunidade para um novo dilogo
politico. Se as mesmas resultarem num com-
promisso credivel por parte de Fiji, a UE esta
disponivel para rever as suas medidas de forma
positive". A mesma declarao acrescentava:


I Comerciantes, Fiji. Reporters


"As medidas adequadas actualmente em vigor
destinam-se a prestar assistencia s Ilhas Fiji
durante a transio; send que a cooperao ao
desenvolvimento sera gradualmente restaurada
caso Fiji vier a cumprir os seus compromissos
relatives s questes dos direitos humans, aos
principios democrticos e observncia dos
preceitos legais".

"A deciso de quebrar um conjunto de compro-
missos, por parte das autoridades de Fiji, resultou
em perdas de funds de desenvolvimento des-
tinados quele pais. A ajuda humanitria, bem
assim como o apoio director sociedade civil, no
so afectados pelas medidas adequadas", lia-se.

A UE considerou o golpe military em Fiji, a 5
de Dezembro de 2006, como uma violao
da Democracia e do Estado de Direito, que
constituem elementss essenciais" do Acordo
de Cotonou. Este facto desencadeou aces de
dilogo entire a UE e o Governo provisrio, que
resultaram num conjunto de 13 compromissos
assumidos pelo governor provisrio de Fiji, em
Abril de 2007. A lista de compromissos inicial
incluia a realizao de eleies legislativas at
28 de Fevereiro de 2009.

A Commonwealth suspended recentemente Fiji
por denegar a data de eleies anteriormente
negociada, aps o Primeiro-Ministro interino
Bainimarama ter revelado a inteno de realizar
novo acto eleitoral apenas em 2014, declarao
feita no mbito do seu "Quadro Estratgico para
a Mudana" de 1 de Julho de 2009. No entanto,


mantm-se o dilogo entire o governor provisrio
de Fiji e a Commonwealth no sentido de promo-
ver a adeso aos principios daquela organizao
de estados por parte do povo de Fiji.

Numa entrevista ao O Correio, Joseph
Ma'ahanua, Embaixador da UE nas Ilhas
Salomo e antigo Presidente do Comit de
Embaixadores ACP Africa, Caraibas e
Pacifico entiree Fevereiro e Julho de 2009),
revelou a perspective da sua prpria nao
sobre o pais vizinho Fiji: "Temos uma relao
histrica de proximidade com Fiji e portanto
estamos a desenvolver esforos no sentido de
trabalhar com eles, num context de relaes
h muito estabelecidas, para l do facto de ser-
mos paises vizinhos no plano geogrfico".

Tendo ainda acrescentado: "Alm disso, somos
paises muito recentes que se libertaram h
pouco do jugo colonial e que discutem em ter-
mos da democracia, send que estas democra-
cias se baseiam em conceitos estrangeiros que,
nalguns casos, inicialmente desconsideraram o
context cultural".

"Quando nos confrontamos com problems,
como o caso da situao em Fiji, tentamos
compreende-los em vez de os segregarmos.
Temos de os ajudar a lidar com as razes subja-
centes e com as raizes do problema e temos de
os ajudar a progredir. Mas tal no significa que
sejamos condescendentes com aces antide-
mocrticas que derrubem um governor eleito",
afirmou.


Hpesar da tragdia, o turismo continue aberto na Samoa


A Direco-Geral da Unio
Europeia para a Ajuda Alimentar
(ECHO) reagiu rapidamen-
te aprovando 150 000 euros de
emergencia para a Samoa afectada com
um eventual acompanhamento de apoio
humanitrio na sequencia do tsunami de
30 de Setembro que matou 143 pessoas na
Samoa e causou amplas danos estruturais
no Reino de Tonga e na Samoa Americana.
Alm disso, a Comisso Europeia responded
imediatamente fornecendo tanques de gua
zona sinistrada da costa meridional de Upolu
na Samoa, provenientes de um program
existente de apoio ao sector da gua.

important agora pensar na reconstruo
das infra-estruturas e em manter os n6me-
ros de visitantes.


O governor da Samoa encomendou um estu-
do a uma firma de consult lider no Pacifico,
a KVA Consult, financiado pelo governor
australiano, a fim de avaliar os danos e
aconselhar um program para a total reabi-
litao no minimo de tempo possivel, disse
o vice Primeiro-Ministro, Misa Telefoni,
responsvel igualmente pelo pelouro do
Turismo. "E essencial que este estudo seja
sensivel a todos os custos, fisicos, financei-
ros mas tambm emocionais, deste desastre
natural", disse o Ministro Telefoni. Disse
tambm ao O Correio que o tsunami tinha
"aumentado a vulnerabilidade" do pais.

A Autoridade do Turismo de Samoa (STA)
lanou em Outubro "uma nova campanha
de marketing agressiva". "Os especialistas
j esto a trabalhar arduamente nesta cam-


panha e urge tornar esta mensagem o mais
clara possivel, tendo em conta as sensibi-
lidades culturais e emotivas que envolvem
esta situao", exclama o Ministro Telefoni.
Mesmo se o tsunami eliminou alguma
infra-estrutura, a maioria dos hotis conti-
nua a funcionar, inclusive em mais da meta-
de das estncias balneares, particularmente
afectadas dada a sua situao beira-mar.
A Samoa membro do grupo de estados de
Africa, Caraibas e Pacifico (ACP) e recebe
30 milhes de euros ao abrigo do 10. Fundo
Europeu de Desenvolvimento (FED), essen-
cialmente para o sector da gua e sanitrio
de base (ver o Relatrio por Pais, Samoa, em
O Correio, n. 12). D.P.





C@RREIO






Perspective


Rumentaram os projects para


Zimbabu graas s OI1G


E nquanto que a negociaes continuam
entire a Unio Europeia (UE) e o
Governo de Transiio de Unidade do
Zimbabu sobre as condies a respeitar
para a atribuiio da ajuda ao desenvolvimento
a long prazo, a Direcio-Geral do Comissio
Europeia para a Ajuda Alimentar (ECHO) e a
Direcio-Geral do Desenvolvimento tencio-
nam dotar 120 milhes de euros a projects
no pais neste ano, graas s organizaes nio
governamentais.

A forma de assistncia humanitria da CE ao
Zimbabu esta a evoluir, diz Franois Goemans,
representante da ECHO no Zimbabu, e expli-
ca que o Zimbabu j nio precisa de ajuda ali-
mentar, na acepio das normas de Malnutriio
Aguda Global. A ateno da ECHO incide
agora na sade pblica: melhorar o acesso
gua potivel para evitar a repetiio da erupio
da clera, como aconteceu no inicio deste
ano, e o acesso aos medicamentos de base. A
ECHO assegurar o fornecimento de 42 medi-
camentos de base a 1 500 centros de sade.

"Embora a situaio de segurana alimen-
tar tenha registado uma ligeira melhoria, o
Zimbabu continue a enfrentar uma emergn-
cia prolongada. As populaes urbanas so


particularmente vulneriveis devido ausncia
de acesso terra. por conseguinte crucial,
neste period, que as intervenes de segurana
alimentar existentes sejam reforadas e conso-
lidadas a fim de alcanarem as populaes
necessitadas", disse o recentemente nomea-
do Comissrio Europeu do Desenvolvimento,
Karel De Gucht. Franois Goemans declarou
ao O Correio que a ECHO esta a negociar com
as autoridades a atribuiio de pequenas parce-
las de terra a residents urbanos para cultivo de
gneros alimenticios.

A partir de 2002, houve uma insegurana
alimentar crnica no Zimbabu devido a com-
plicaes no program de reform agrria,
lanado pelo governor em 2000. A seca e a
penria de combustivel, de fertilizantes e de
energia tractora, o sub-investimento em infra-
estruturas e os controls dos preos afecta-
ram a produtividade dos sectors agricola e
outros. Os representantes da CE disseram que
o abastecimento e o acesso a alimentos eram
actualmente melhores devido a uma colheita
melhorada, "dolarizaio" da economic e
liberalizaio dos mercados de cereais.

Em colaboraio com o Comit Internacional
da Cruz Vermelha (CICV), a ECHO esta a


do Hospital Parirenyatwa, Harare, Zimbabu, 2008.
A ECHO desviou o seu centro de atenes da ajuda
alimentar para a sade pblica. Reporters/AP
ajudar a melhorar as condies (inclusive a
nutriio) de 20 000 reclusos no Zimbabu,
especialmente nas prises maiores com mais de
200 press. O Ministro da Justia do Zimbabu
permitiu o acesso s prises.

Atravs das ONG, a Direcio-Geral para
projects de desenvolvimento no Zimbabu
inclui o fornecimento de sementes e de ferti-
lizantes e aplicado um "regime de reteno"
pela Organizaio Internacional de Migrao
(OIM), que disponibiliza funds para profis-
sionais, no dominio da sade, por exemplo,
para os encorajar a permanecer no Zimbabu
e a nio imigrarem para a Africa do Sul. A
assistncia a long prazo ao Zimbabu, no qua-
dro do Fundo Europeu de Desenvolvimento
(FED), continue suspense at a UE ficar satis-
feita com a reform do Governo de Unidade do
Zimbabu. D.P.


Ver: http://www.delzwe.ec.europa.eu/en/


dizem OnG


como a "Oxfam International" direitos de propriedade intelectual ern acordos propriedade intelectual no pais de trnsito da

0 rganizaesNo Governamentais, incluso de novas regras severas ern matria de um regulamento da UE sobre os direitos de
e a "Health Action International comerciais que vo para alm do actual Acordo UE. Num dos incidents, um lote do medica-
Europe" (HAI Europe), querern da Organizao Mundial de Comrcio (OMC) mento anti-retroviral Abacavir, enviado para
que todas as instituies da Unio Europeia sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade a Nigeria, foi apreendido mas depois foi man-
(UE) assegurern um access mais fcil dos Intelectual Relacionados com o Comrcio dado seguir.
paises ern desenvolvimento aos medicamentos (TRIPS). "A UE e os sens Estados-Membros
genricos. no devern usar indevidamente os acordos de " cada vez mais evidente que a agenda comer-
comrcio livre para introduzir nos paises ern cial da UE esta a causar graves prejuizos
No relatrio que publicaram recentemente, desenvolvimento as regras de Pl do TRIPS- sadepblica nos paises ern desenvolvimento",
intitulado "Negociar o access aos medicamen- plus, que alargam a proteco dos monoplios afirmou Sophie Bloemen, responsvel pelos
tos uma viragern errada da agenda comercial e introduzern novas medidas de execuo que projectos da "Health Action International
da Unio Europeia", refrern que actualmente limitam o access aos medicamentos", l-se Europe", na sesso de lanamento do relat-
esto a ser recusados medicamentos mais numa das suas recomendaes. rio. Ao mesmo tempo, o relatrio rfre que
baratos aos paises ern desenvolvimento, que a UE no atribuiu recursos suficientes para
j gastam uma parte considervel de 20 a 60 0 relatrio expe igualmente como desde a investigao e desenvolvimento no dominio
por cento dos sens oramentos da sade ern finais de 2008 funcionrios aduaneiros na mdico nos paises ern desenvolvimento. D.P.
medicamentos. Alemanha e nos Paises Baixos apreenderam
19 carregamentos de medicamentos genri- Para mais informaes ver:
0 relatrio rfre que nas conversaes bila- cos 18 dos quais fabricados legalmente e "'.haiweb.org
terais com os paises ern desenvolvimento, os exportados da india para paises ern desen- www.oxfam.org
Estados-Membros da UE esto a insistir na volvimento porque pretensamente violavam

N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009 9






Perspective


Marie-Martine Buckens



fi uontade de



cooperaao Sul-Sul

No final da cimeira Africa-Amrica Latina (ASA), que se realizou no fim de Setembro na
ilha Margarita, no nordeste da Venezuela, os representantes de cerca de sessenta praises dos
dois continents reiteraram a vontade de aprofundar a cooperaao. Um assunto evocado na
cimeira Unio Europeia-Brasil, que se realizou em 7 de Outubro em Bruxelas.


tro com a Histria; precisamos
de passar da retrica, porque o
que esta em jogo a credibilida-
de da cooperaio Sul-Sul", declarou Jean Ping,
President da Comissio da Unio Africana.

A reunio visa reforar a cooperao dos pai-
ses participants perante a crise alimentar,
financeira, econmica e ambiental e alargar os
acordos e pianos de aco lanados no inicio
de 2006, aquando da primeira cimeira em
Abuja, na Nigeria. Primeira aplicaio: sete
paises sul-americanos assinaram a criao do
Banco do Sul, uma instituio que ira finan-
ciar projects de desenvolvimento e que foi
apresentada como uma alternative ao Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID)
e ao Fundo Monetrio Internacional (FMI).
O President da Venezuela fez um apelo aos
paises de Africa para fazerem o mesmo. Alm
disso, foram assinados diversos acordos bila-


0 POPEL MOTOR DO BROSIL
Em Bruxelas, o Presidente do Brasil, Lula da
Silva, incentivou os europeus a investirem
mais no seu pais, um dos raros que no foi
fortemente afectaclo pela crise financeira
e economica e que dever ter este ano um
crescimento positive. Brasilia, por seu lado,
pretende aumentar a sua presena no con-
tinente africano. Assim, as trocas comerciais
entre a Amrica Latina e Africa passaram de
6 para 36 mil milhes de dlares desde a pri-
meira cimeira de Abuja na Nigria, em 2006.
S em relao ao Brasil, o comrcio com os
paises africanos lusfonos elevou-se a 15
mil milhes de dlares. PrZd.,te do Brasil Luiz Inacio Lula Da Silva na
C .ra ASA, Set. 26, 2009. 0 Rpffl-/AP


terais, nomeadamente no dominion da energia,
que incidem na construo de refinarias nos
paises africanos produtores de petrleo.


Palauras-chaue
ASA; Chavez; Lula; Cimeira Africa-
Amrica Latina; Cimeira UE-BrasiL


Louis michel co-preside a fissembleia


Parlamentar Paritaria flCP-UE


I Reporters/AP


Aps ter comandado a cooperao
europeia para o desenvolvimento
durante cinco anos, o belga Louis
Michel hoje deputado (Partido
Liberal) no Parlamento Europeu. Embora
esteja inscrito como membro da comisso par-
lamentar "Liberdades Civis, Justia eAssuntos


Internos", o antigo Comissirio Europeu no
abandonou de todo os seus velhos amores.
Esta assim inscrito como membro suplente da
comissio parlamentar "Desenvolvimento" e,
sobretudo, como co-presidente da Assembleia
Parlamentar Paritria ACP-UE, um cargo
que ele partilha com Wilkie Rasmussen, Vice-
Primeiro Ministro das Ilhas Cook, e que lhe
permitiri influenciar novamente os trmites
das relaes da Unio Europeia com os seus
parceiros, at agora privilegiados, do grupo
Africa, Caraibas e Pacifico.

A ambio deste home, que esteve igual-
mente cabea da diplomacia belga, no
se limita a isto. Louis Michel convenceu o
seu governor a apresentar a sua candidatu-


ra presidencia rotativa da Assembleia das
Naes Unidas, post que ocupa actualmente
o libio Ali Abdussalam Treki. A Assembleia
Geral da ONU tem um papel consultivo em
questes relacionadas com a manuteno da
paz e a segurana international. Tem igual-
mente poder de decision sobre o oramento da
ONU e sobre a adeso de novos membros
Organizao. M.M.B.





Palauras-chaue
Assembleia Parlamentar Paritria ACP-
UE; Louis Michel; Wilkie Rasmussen.


CRREIO







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a: Conenhniaa


Perspectis






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Ciencia Dossier


fis riquezas perdidas, esquecidas e,


as uezes, exumadas da ffrica


raa humana e da matemtica... fican-
do a esperana que novas descobertas
venham infirmar ou confirmar estas
afirmaes. Reduzir este continent a um papel
de "iniciador", confiando aos outros continents
- Europa sobretudo o cuidado de perfazer a
obra, esquecer a diversidade das invenes que
ai floresceram no decorrer dos sculos, j muito
antes da nossa era.

Se excluirmos os famosos manuscritos de
Tomboctu (ler a caixa), que, finalmente, se
comea a salvaguardar da destruiio e a decifrar,
poucos testemunhos nos vem de um passado
cientifico que podemos considerar muito rico.


> Uma actiuidade euacuada da
mnenimdia

Existem pistas, mas so raras. Por que razes?
A primeira sem dvida a pouca importncia
que os colonos davam s prticas das popula-
es locais, com excepio de alguns etnologis-
tas e arquelogos que as trouxeram nas suas
bagagens. Entre estes, Marie-Claude Dupr
e Bruno Pinon que, no livro escrito a qua-
tro mios (Mtallurgie et Politique en Afrique
Central Metalurgia e Politica na Africa
Central Ed. Karthala), se debruam sobre o
destino dos "reis ferreiros" dos planaltos batk
(Gabio, Congo e Repblica Democrtica do
Congo). Estes homes, dizem os autores, tra-
balharam desde ha mais de 2000 anos no
fabric de metais, com tcnicas que exigiam
competencias eximias. Dizem-nos ainda que "a
actividade metalrgica parece ter sido evacuada
da memria", e continuam: "Quase em todo
o lado se atribui, hoje de bom grado, a inven-
o da siderurgia aos Brancos, Portugueses
ou Colonos, quando esta nio projectada no
universe material dos espiritos." Mas porque
uma tal recusa? Sera por estas populaes terem
abandonado estas prticas ha mais de um scu-
lo? Questio que fica aberta.

Outra obra colectiva, "Aux origins de la
mtallurgie du fer en Afrique" (Nas origens
da metalurgia do ferro na Africa), publicada
em 2002 pela UNESCO, acerta as agulhas: o
ferro j era trabalhado na Africa subsariana no
terceiro milnio antes da era cristi e, portanto,
no nos vem do Mdio Oriente ou de Cartago.
Ora, acrescentam os autores, "o trabalho do
ferro um indicador cultural universalmente
reconhecido. Permite compreender numerosos
aspects das sociedades onde o ferreiro desem-


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


Laboratrio mdico no Instituto de Investigaio Mdica Noguchi Memorial, Gana. C Reporters/SciencePhotoLibrary


penhou um papel crucial. Foi o caso em frica,
onde o ferro foi mesmo elevado s honras de
Divindade, entire outros, pelos lorubas". O
facto de o ferro existir ha tanto tempo na frica
negra, prosseguem os autores, "pode modificar
muitas opinies e sera necessrio ter isso em
conta, no future, nas publicaes cientificas e
pedaggicas".


> Os ossos de Lebombo e Ishango

Mesmo se o gnio matemtico se exprimiu
nos quatro cantos da terra, os defensores da
teoria e so numerosos de uma origem
nica (e no concomitante) de uma inveno
afirmam que, cronologicamente, foi na Africa
negra que comeou tudo. O seu argument e
a descoberta, nos anos 70 nas montanhas de
Lebombo entire a Africa do Sul e a Suazilndia,


da primeira calculadora, um pernio de bugio,
com 29 entalhes claramente visiveis e datando...
de 35.000 anos antes da nossa era. Este osso
poderia confirmar a existencia de um sistema
de contagem sofisticado, capaz de permitir ao
home contar, entire outras coisas, as fases da
lua. Mas ainda ha mais. Em 1950, um gelogo
belga descobriu em Ishango, nas margens
congolesas do lago Eduardo, um osso especial,
datando de 25.000 antes da nossa era. Este
osso tornou-se a coqueluche dos arquelogos.
Os entalhes laterais so, pensam eles, uma
tbua de nmeros inteiros. Sendo assim, o
Homo Sapiens Sapiens Africanus j dominava
as sequencias aritmticas. M.M.B.

Palauras-chaue
Ferreiro;, matemtica; Tombuctu; manu-
scritos; Africa do Sul; ossos de Lebombo e
de Ishango.


0 MITO DR ORRLIDRDE

"Quando urn velho morre, urna biblioteca vai da astronornia ou da msica botnica,
que desaparece." Este adgio conhecido no passando pelos preos dos tecidos e da noz
mundo inteiro e consagra a oralidade da cultu- de cola ou de tratados de prticas esotricas
ra subsariana. urn adgio maltratado desde ou mesrno pela resoluo de conflitos cornu-
que o Mali, corn a ajuda, essencialmente, da nitrios e intertnicos.
Africa do Sul, empreendeu exurnar os fmo- Os manuscritos de Tombuctu tm urn valor
sos manuscritos de Tombuctu. cultural, histrico e politico incalculvel de que
se apossou o Presidente sul-africano de en-
No urna biblioteca, so milhares de bibliote- to, Thabo Mbeki, arauto do Renascimento
cas, na maioria familiares, que esto escondi- africano, ern 2002. Desde ento, a frica do
das ern Tombuctu, cidade maliana situada nos Sul colabora corn o Mali na descoberta e res-
orlas do Sara, no rnuito longe do rio Niger tauro destes preciosos manuscritos. Em 2006,
Alguns destes manuscritos datarn da poca urna delegao sul-africana lanou a primeira
pr-islmica, sculo XII. Escritos ern rabe, s pedra da nova biblioteca destinada a acolher
vezes ern fulani, a lingua Peul, por sbios do a coleco pblica do Instituto Ahmed Baba,
antigo Imprio do Mali, contm urn saber que depositrio de 25.000 manuscritos.






Dossier Cincia


Radioscopia do


um continent


A frica subsariana contribui com cerca de 2,3% para o produto interno bruto mundial, mas
s6 gasta 0,4% das verbas destinadas investigao e desenvolvimento (I&D). Mesmo se repre-
senta 13,4% da populao mundial, fornece apenas 1,1% dos investigadores cientificos do
planet. Tem apenas um investigator ou engenheiro em cada 10.000 habitantes, contra 20 a
50 nos paises industrializados.




P ara colmatar esta lacuna, s ao
tomadas inmeras medidas. Em
2005, a Unio Africana (UA) e
a NEPAD (Nova Parceria para o
Desenvolvimento de Africa) lanaram um
piano de aco para apoiar os seus progra-
mas em dominios como a agriculture, o
ambiente, as infra-estruturas, a ind6stria e
a educao. Apresentaram 12 projects de
investigaio, indo da biotecnologia at ao
desenvolvimento dos conhecimentos africa-
nos tradicionais, passando pela adopao das
novas tecnologias da informao. Mas os 1
lideres africanos no conseguiram alcanar
um consenso sobre o financiamento deste
piano, calculado em 158 milhes de dolares
para um period de cinco anos.


Embora o nmero
de universidades
africanas passe de 13,
em 1960, p ara 300, I Laboratorio medico enel Instituto Memorial Noguchide Investigaciones Medicas, Ghana. Reporters/SciencePhotoLibrary
em 2002, a maior


parte destas carece de
pessoal e material e
os seus resultados de
investigaao.


A criaio de uma base cientifica e tecno-
lgica, capaz de responder aos numero-
sos desafios do desenvolvimento da frica,
depara-se com dificeis obsticulos: a dimi-
nuiio constant do financiamento do ensi-
no superior e da I&D e a fuga dos crebros.
As relaes entire a indstria e as instituies
cientificas so escassas, o que leva os resul-
tados das investigaes a serem raramente
explorados a nivel local, ao que acrescem
ainda political nacionais caducas de pro-
moio da cincia e uma baixa da qualidade


do ensino em grande parte devido falta de
dinheiro e de infra-estruturas. O balano
que a frica esta long de alcanar o objec-
tivo que definiu de atingir pelo menos 1% do
PIB em I&D (com uma excepo notivel, a
frica do Sul). As political praticadas pelos
mutuantes de funds agravaram o proble-
ma. Os programs de ajustamento estru-
tural dos anos 80 reduziram os oramen-
tos da educao. Os mutuantes de funds
reconheceram a necessidade de restabelecer
estes oramentos, mas concentraram-se no
ensino primrio argumentando que este
beneficia o conjunto da sociedade ao con-
trario do ensino superior. Embora o nmero
de universidades africanas passe de 13, em
1960, para 300, em 2002, a maior parte
destas carece de pessoal e material e os seus
resultados de investigaio estio entire os
mais fracos do mundo.


> Desafios supermueis
Mesmo assim, alguns paises, como a Africa
do Sul (ler o artigo correspondente, Costa
do Marfim, Qunia e Zimbabu, j pos-
suem uma base cientifica e tecnolgica
relativamente desenvolvida e, segundo a
UNESCO, poderiam, com um investimento
suplementar relativamente reduzido, criar
estabelecimentos tecnolgicos e cientificos
de elevado nivel que seriam benficos para
toda a regio. Assim, a Nigeria criou, em
2006, um fundo de 5 mil milhes de dla-
res para o desenvolvimento da cincia e da
tecnologia, principalmente alimentado pelos
rendimentos das exportaes petroliferas.
M.M.B.
Palauras-chaue
Uniao Africana; NEPAD; Cincia;
Nigria.


CRREIO







































A cincia passou a fazer parte
integrante da cooperao
entire a Unio Europeia e os
seus parceiros do Grupo ACP.
Testemunha disso a nova
parceria cientifica entire frica
e a Europa e o lanamento do
Program ACP para a Cincia
e a Tecnologia.





I E sta evoluo animadora", explica
Daan du Toit, conselheiro para
a rea da ciencia e tecnologia na
E Missio da frica do Sul junto
da UE, que continue: "tomimos consciencia
da sua importncia a seguir Cimeira do
Desenvolvimento Sustentivel de Joanesburgo,
em 2002. Esta cimeira permitiu compre-
ender o important papel da ciencia como
instrument de desenvolvimento". Dois anos
mais tarde, os ministros africanos da ciencia
adoptam um plano de aco consolidado.
"Este plano marca uma viragem", prossegue
o conselheiro. E foi quase naturalmente que
a parceria estratgica concluida em Lisboa
entire frica e a UE em Dezembro de 2007
incluiu a ciencia entire os seus oito temas
prioritrios. A ciencia, acompanhada de dois
sectors de aplicaes directs e considerados
especialmente importantes pelos paises africa-
nos: as tecnologias espaciais e tecnologias da
informaio e comunicao (TIC).



N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


"Se quisermos atingir verdadeiramente um
desenvolvimento sustentivel, servindo-nos da
ciencia como instrument, so precisas pessoas
no terreno", prossegue Daan du Toit. A inves-
tigaio deixou de ser apenas assunto de contra-
tos de investigaio que at aqui beneficiavam
sobretudo os centros e laboratrios europeus,
mais bem dotados -mas tambm uma question
de reforo das capacidades de investigaio,
frequentemente ainda muito frigeis.


> Rede africana

Do lado europeu, isto implica uma colabora-
o indita entire certos intervenientes que at
aqui trabalhavam isoladamente. A comear























I Analises no hospital de Jamaa, Nairobi, Qunia. Reporters/BSIP


pelos Estados-Membros, como testemunha
a sua presena relativamente dispersa nas
reunites do grupo conjunto de peritos, encar-
regado de implementar a parceria da ciencia.
Um grupo que presidido, pelo lado africano,
pela Tunisia e pelo lado europeu pela Frana.
Coordenar as investigaes dos dois lados do
Mediterrneo ainda uma aposta. A parceria
preve que seja criada em paralelo uma rede
que permit aos centros de investigaio insti-
tuirem grupos (autofinanciados), semelhan-
a da rede europeia ERA-NET. A sua hom-
loga, a rede ERA-NET frica, foi lanada em
Julho ltimo. "Os consrcios devem permitir
mutualizar as political", explica Patrice Cayr,
representante junto da UE do Instituto da


I







Dossier Cincia


!Cientistas fazem investigaao num sistema estereoscopico de alta energia no planalto da Namibia. eReporerst


Investigao para o Desenvolvimento (IID)
frances, institute mandatado pela Frana para
a representar na direco do grupo europeu
de peritos.

"Para optimizar esta parceria, notivel, preci-
so que preveja no s aces de formao, mas
tambm de investigao e de transferencia de
conhecimentos", prossegue Patrice Cayr.
"Para isso, preciso que as direces-gerais
da Comisso Europeia abrangidas tenham
instruments coordenados." No que se referee
ao IID, o seu representante em Bruxelas tem
grandes projects: "A nossa ambio
'europeizar' o IID. A mais long prazo sera
precisa uma rede, ou mesmo um centro euro-
peu de investigao para o desenvolvimento.
Se esta parceria estratgica se limitar a aces


programadas entire as duas Comisses (da
UE e da AU, ndr), no faz qualquer senti-
do. O envolvimento dos Estados-Membros
essencial."


> fcabou a discriminao positiua

"Esta parceria represent um grande desa-
fio, mas uma excelente ideia", corrobo-
ra Francesco Affinito, responsivel pelo
Program Ciencia e Tecnologia na DG
Desenvolvimento da Comisso. Uma direc-
io-geral que esta frente desta parceria,
com o apoio das tres direces abrangidas
pelos trs temas prioritrios: investigao,
TIC e espao. Dezanove projects de coo-
perao, dos quais seis (dois por tema) foram
declarados prioritrios na parceria (ver 0


Correio n. 8). Como financi-los? No foi
atribuido qualquer oramento especifico
parceria e a Comisso joga essencialmente
com dois instruments sua disposiio: o 7.
Programa-Quadro de Investigao (PQI) -
dotado da bonita soma de 53 mil milhes de
euros para o period 2007-2013 -e o Fundo
Europeu de Desenvolvimento (FED). Pela
primeira vez, o 7. PQI esta aberto a todos os
paises. "Agora preciso que os temas tenham
interesse para os paises em desenvolvimento",
salienta Patrice Cayr, que apesar de tudo se
congratula com o recent lanamento de um
convite apresentaio de propostas especial
para frica, dotado de 63 milhes de euros.
"Contrariamente aos programs preceden-
tes", confirm Philippe Froissard, responsivel
pela cooperao international na Direco de
Investigao da Comisso, "ji no fazemos
discriminao positive. Os financiamentos
baseiam-se na livre concorrencia e na exce-
lncia cientifica. No financiamos o reforo
de capacidades".

Este reforo de capacidades object de
financiamento no quadro dos FED: de 30
milhes de euros ao abrigo do 9. FED, pas-
sou para 40 milhes de euros no 10.. "Estes
funds iro beneficiary todos os paises ACP",
precisa Francesco Affinito, "e permitiro aos
investigadores ACP acederem mais facilmente
aos financiamentos do 7. PQI". D.P.







Palauras-chaue
Parceria UA-UE da cincia; Francesco
Affinito; Philippe Froissard; Patrice
Cayr; Tunfsia; Frana; ERA-NET
Africa; 7.0 PQI; FED.


consOUDHR fls REDES HCP

Na sequncia do frum ministerial sobre gao aumentarem a extenso da sua de dos resultados da investigao, assim
investigao que se realizou no Cabo em rede. No unicamente entre paises ACP, como a sua explorao e divulgao.
2002, o grupo ACP decidiu lanar um pro- uma vez que o programa est igualmente
grama destinado a apoiar as activiclacles aberto aos 27 Estados-Membros da (JE, Foram estabelecidos seis sectores de in-
dos seus investigators. 0 "Programa aos trs paises europeus candidates vestigao prioritrios: cuidados de sacle
ACP para a Cincia e a Tecnologia" foi adeso e aos trs paises membros do Es- de qualiclacle (as medicinas tradicionais
lanado em Junho de 2008. Dotado de um pao Econmico Europeu. Deve permitir e os progressos da biotecnologia); inves-
oramento de 35 milhes de euros (30 mi- igualmente contribuir para a avaliao das tigao ambiental; energia (em especial
Mes provenientes do 9.' Fundo Europeu necessidades de investigao, a firn de as energias renovveis); transported (a
de Desenvolvimento e 5 milhes retirados permitir que os paises consolidem ou lan- saturao das capacidades de transpor-
da verba europeia prevista para a coope- cem political de investigaao nacionais. 0 te, a poluio atmosfrica e os accidents);
rao com a frica do Sul), dever permi- estabelecimento de uma rede dever per- agriculture; e agro-indstria e comrcio
tir s universidades e centros de investi- mitir igualmente uma melhoria da qualida- equitativo.


CRREIO





























f locomotiua



sul-africana


Observatrio Astronmico da Africa do Sul (SAAO de South African Astronomical Observatory),
Sutherland, Africa do Sul. 0 Reporters/Science Photo Library 1


G raas sua important capacida-
de cientifica o maior numero de
patentes e de artigos publicados no
continent a Africa do Sul tencio-
na desempenhar um papel de primeiro piano
para reforar a cooperao africana.

CORPS Em primeiro lugar no interior da
SADC (Comunidade de Desenvolvimento da
Africa Austral, que agrupa 14 paises da Africa
Austral e do oceano Indico); depois, con-
cluindo acordos bilaterais semelhantes ao que
renova todos os anos com o Qunia. Por lti-
mo, salienta Daan du Toit, conselheiro para
a rea da ciencia e da tecnologia na Missio
Sul-Africana junto da Uniio Europeia, "a
nossa parceria com a UE em matria de I&D
uma das mais antigas, remontando a 1996,
a seguir ao apartheid. Este acordo constituiu
um modelo, ainda que hoje a sua impor-
tncia seja relative, na media em que o 7.
Programa-Quadro de I&D da UE passou a
ser acessivel a todos". Mas sobretudo, insis-
te, "esta experiencia permite-nos inscrever a
I&D como prioridade na cooperaio africana.
Assim, na primeira presidencia da NEPAD
(Nova Parceria para o Desenvolvimento de
Africa), a Africa do Sul insistiu bastante na
iniciativa africana em matria de ciencia. O
nosso empenho em apoiar a investigaio afri-
cana genuino".

A I&D sul-africana assenta em cinco priori-
dades. Comea pela agriculture e pela sade,
atravs do program "Farmer to Pharma"
("Do agricultor para a farmicia"), que se


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


apoia na investigao biotecnolgica e agro-
nmica para conceber novos adubos e medica-
mentos. A seguir vem as energies renoviveis,
com a tnica colocada na energia solar e nas
pilhas de combustivel. Terceira prioridade: a
luta contra as alteraes climiticas e a con-
servaio da biodiversidade. A investigao


espacial e, por ultimo, tema transversal, o
estudo do impact das tecnologias na socie-
dade. M.M.B.

Palauras-chaue
Cincia; Africa do Sul; NEPAD.


H InUESTIGHHO MEDIDR EM TERMOS

DE inounno
A frica do Sul confirm o seu lugar de lider Namibia, que passa da 111.a para a 103.a
dos paises mais inovadores da Africa subsa- posio da classificao, assim como a
riana, seguida do Qunia, que confirm igual- Tanznia (da 101.a para a 93.a posio).
mente a solidez da sua rede de colaborao Na frica Austral, o Botsuana passa para
entre investigao pblica e privada, apesar o 71.0 lugar, o Lesoto para 95.0, Madags-
das perturbaes political que se seguiram s car para 84.0, Moambique para 105.0 e a
eleies de 2007. o que indica o Relatrio Zmbia para 90.0.
sobre a Competitividade Mundial 2009-2010,
publicado em Setembro ltimo pelo Frum Na regio da frica Ocidental, o Burquina
Econmico Mundial. Faso est classificado em 76.0, o Benim em
89.0, os Camares em 102.0, a Gmbia em
A frica do Sul est classificada num hon- 72.0, a Costa do Marfim em 104.0 e o Sene-
roso 41.0 lugar mundial (em 133 paises) e gal em 54.0, enquanto o Burundi e o Chade
o Qunia em 48.0 lugar. A classificao dos ocupam o 116.0 e o 120.0 lugares, respec-
outros paises subsarianos em matria de tivamente. A classificao do Malavi e da
inovao bastante mi, factor que ainda Mauritnia no evoluiu, encontrando-se no
no constitui um problema segundo Jen- 94.0 e 125.0 lugares, respectivamente. Os
nifer Blanke, uma das autoras do relatrio, paises que perderam terreno foram a Ni-
uma vez que estes paises se encontram gria (73.0), o Mali (81.0), a Mauricia (85.0),
num estdio precoce de desenvolvimen- o Uganda (98.0), a Etipia (112.0), o Gana
to. Salienta no entanto os progressos da (115.0) e o Zimbabu (124.0).






Dossier Cincia


Cuba, onde cincia rima


com desenuoluimento

Um numero que diz muito: Cuba consagra cerca de 1,2% do seu PIB (ou seja, mais do que a mdia da
UE) investigao cientifica e ao desenvolvimento tecnolgico. H dois sectors privilegiados biotec-
nologia e farmcia ainda que o governor tenha decidido reforar a investigao noutros sectors, com
prioridade para as cincias fundamentals, as tecnologias da informao e da comunicaao e ainda as
cincias sociais.


D esde o inicio dos anos 60, Cuba
deu prioridade educao. O seu
program national de alfabeti-
zao lanado na altura permit
a Cuba vangloriar-se de ser hoje um dos
paises do mundo em desenvolvimento com
maior taxa de alfabetizao; o program
cubano conhecido actualmente pelo slo-
gan "Yes, 1 can" alastra em toda a region.
Prioridade educao, mas tambm inves-
tigao, tendo como objective principal um
program de "ciclo complete", a saber, uma
investigao cientifica ligada utilizao dos
resultados, ao servio do desenvolvimento
do pais. Um program baseado igualmente
nos recursos humans, que se elevam a 1,8


por 1000 habitantes, uma mdia que ultra-
passa de long as taxas dos outros paises em
desenvolvimento.

Em 50 anos abriram em Cuba vrios centros
de investigaio cientifica, 7 dos quais de
grande dimensio. Estes centros concentram-
se sobretudo em Havana, no "Polo Cientifico
Ocidental", que agrupa um certo nmero de
institutes de prestigio, como o Centro de
Engenharia Gentica e Biotecnologia, reco-
nhecido pelas suas realizaes em terms
de produes (vacina recombinante contra
a hepatite B, por exemplo) e de investigaio
em biotecnologia, o Instituto de Medicina
Tropical "Pedro Kouri", elogiado recente-


mente pela ONU e pela Universidade ame-
ricana de Harvard por ser um dos centros de
vanguard do sistema de sade cubano, ou
ainda o Centro Nacional de Investigaes
Cientificas, famoso pelas suas realizaes na
investigaio sobre as neurociencias, os pro-
dutos naturais, a utilizaio clinic do ozono
e a produo de PPG (um medicamento
anticolesterol extraido da cana-de-acar).
M.M.B.


Palauras-chaue
Cuba; cincia; neem.


CRREIO






Ciencia Dossier


Andrea Marchesini Reggiani



Partilhar dados para melhorar



a inuestigaao mdica


Project "Medishare", financiado pelo Programa Edulink, no Qunia, Tanznia e Uganda.


I CINECA- Reuniio de arranque do project (Kick off Meeting), Bolonha, Italia, 22-24 Outubro 2008. 0 Eugena Rinaldi


O Qunia, a Tanznia e o Uganda, tal
como muitos outros paises em des-
envolvimento, suportam um pesa-
do fardo de doenas, que recaem
na populaio rural pobre, especialmente nas
mulheres e nas crianas. O principal obs-
ticulo para se atingirem os Objectivos de
Desenvolvimento do Milnio (ODM) 4, 5 e 6,
que correspondem reduo da mortalidade
infantil e materna, bem como para se com-
bater o VIH/SIDA, a malaria e a tuberculose
(as principals doenas infecciosas) na frica
subsariana, tem sido a desigualdade dos siste-
mas de sade.

A melhoria da qualidade, da gestio e da uti-
lizaio de dados clinics foi da maior impor-
tncia. O project "Medishare" visa criar uma
parceria duradoura e sustentivel regida por
um fluxo ascendente e horizontal de conheci-
mentos entire universidades e hospitals. O lider
do project o CINECA, um consrcio que
process com grande eficincia dados infor-
mticos e outras informaes e que partici-
pado por 36 universidades italianas, incluindo
entire os seus parceiros a Universidade de
Nairobi, a Universidade Makerere do Uganda,
a Universidade Muhimbili de Medicina e
Cincias Conexas da Tanznia e o Consrcio
Almalaura.

O project financiado pelo Programa
Edulink, um program do Fundo Europeu
de Desenvolvimento (www.acp-edulink.eu).


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


At ao moment, o project criou um nucleo
de investigaio acadmica em cada um dos
paises, com conhecimentos especializados
no dominio epidemiolgico/ensaios clinics
e concluiu igualmente uma fase-piloto de
recolha de dados de oito hospitals privados
e pblicos nos trs paises. Ja esta criada uma
base de dados de 1181 doentes e o mtodo foi
aprovado em Setembro ltimo pelos Comits
de tica dos trs paises.

Iniciou-se agora uma nova fase do project,
que envolve o aumento do numero de sitios
clinics activos que registam os seus pacientes
na base de dados "Medishare".

Na pagina web tambm possivel ter acesso
aprendizagem por via electrnica (e-learning)
sobre a infecio do VIH e investigaio sobre
crianas afectadas pelo VIH, com certificao
dos crditos de formaio.

"Queremos aumentar esta vertente do nosso
projecto, afirma a coordenadora do projec-
to Marisa De Rosa, "especialmente atravs
de formaio no dominio da comunicao
mdico-paciente e em campanhas de comu-
nicaio social. Precisamos de produzir mais
informaio sobre as causes reais das doenas
para evitar o estigma social contra as pessoas
doentes. Pode dizer-se que esta a primeira
recomendaio political que obtivemos desta
fase do project: os governor, os interve-
nientes e os responsiveis politicos devem


empenhar-se em melhorar a informaio e a
comunicaio dirigida s pessoas doentes e a
toda a sociedade. Isto tambm fundamental
para uma aco preventive".

O lider do project pretend igualmente impli-
car as empresas farmacuticas, que realizam
todas ensaios clinics reservados nalguns pai-
ses, produzindo bases de dados isoladas. Um
dos objectives do project consiste em envol-
ver estas empresas quanto ao seu registo de
conhecimentos e normalizar os procedimen-
tos, para permitir uma comparaio dos dados.
Outro objective ampliar a investigaio a
fim de incluir um maior numero de Estados
africanos na rede de investigaio, bem como
incluir novas doenas como a diabetes, o can-
cro e as doenas cardiovasculares, mediante
financiamento que poderi ser obtido do 7.
Programa-Quadro.


Sala de Espera/Registo/Consultas no hospital de
Bagamoyo (Tanznia), Setembro2009. EugenlaRinaldi

Palauras-chaue
Partilha de dados; investigaao
mdica; epidemiologia; malaria; SIDA;
tuberculose; MEDISHARE; CINECA;
Program Edulink.






































Estudantes, Universidade de Juba, Sudao. Os
cientistas africanos pressionam no sentido da
reform dos sistemas de educaao do continent,
que pode ajudar a acalmar a fuga de crebros.
Reporters

Como evitar a fuga de
crebros, em especial
da Africa para os paises
industrializados? E que
papel pode desempenhar a
diaspora nesta estratgia?
So duas questes que se
colocam.

'l A fuga de crebros continue
a ser um fenmeno destrui-
dor em frica", relembrou
aos grandes deste mundo,
reunidos na Itlia, em Julho passado, sob
a gide do G8+5, a Rede das Academias
de Ciencias Africanas (Network of African
Science Academies ou NASAC). Num comu-
nicado publicado um mes antes da reunio do
G8+5, a NASAC sublinhava que "um tero
dos cientistas africanos vive e trabalha nos
paises desenvolvidos".

Os cientistas africanos exortaram os paises
industrializados a ajudar a frica a recons-
truir o seu sistema de ensino superior. E
recordaram-lhes as recomendaes feitas pela
comisso instaurada pelo Primeiro-Ministro
britnico de ento, Tony Blair: desbloquear -
"e um imperative", considerava a comisso 3


a fuga de cErebrosi


mil milhes de dolares durante dez anos para
desenvolver centros de excelencia em ciencias
e tecnologias e 5 mil milhes para o financia-
mento das universidades em Africa. Um pedi-
do reconhecido pelo G8 que, no entanto, no
se comprometeu financeiramente at hoje.

A declarao sublinha igualmente a necessi-
dade de estabelecer relaes entire os cientistas
africanos da diaspora e os que permane-
ceram no continent. Primeira tentative: o
encontro, em Agosto passado, entire Jean-
Pierre Ezin, o Comissrio da Unio Africana
responsvel pelas Ciencias e Tecnologias,
e o Instituto Cientifico Africano (African
Scientific Institute ou ASI). Esta organizao
de criao de redes, baseada na Califrnia,
prope autorizar os cientistas africanos da
diaspora a participar em programs cientificos
do continent.

> Risco de desuio

O ASI no o nico. A Fundao Nacional
de Investigao da frica do Sul adminis-
trada pela gabinete "frica" do Conselho
International para a Ciencia (ICSU) conta
criar uma base de dados de investigadores
e identificar fontes de financiamento para
projects conjuntos. O financiamento inicial
dever provir dos paises africanos de prefe-
rncia a mutuantes estrangeiros, como sugere
Sospeter Muhungo, Director do ICSU para


a Africa. O discurso de Muhungo indi-
ca Linda Nordling, antiga editora-chefe do
journal em linha "Research Africa" traduz
uma inquietao crescente face s consequen-
cias imprevistas da mobilizao da diaspora.
Assim, avana Linda Nordling, "apesar das
boas intenes dos cientistas da diaspora,
estes arriscam, graas s suas receitas prove-
nientes dos mutuantes de funds estrangeiros,
de desviar involuntariamente a agenda cienti-
fica da frica. O Instituto Africano de Ciencia
e Tecnologia (AIST) do Instituto Nelson
Mandela ilustra perfeitamente esta apreenso
crescente. O AIST uma das colaboraes
mais ambiciosas dos mutuantes de funds
internacionais e cientificos africanos quer
estes estejam no continent quer sejam emi-
grantes. Imaginada por cientistas de renome
que vivem, na grande maioria, nos Estados
Unidos, esta colaborao concebida segundo
o modelo do Instituto Indiano de Tecnologias,
com um campus em cada uma das regies do
continent: na frica do Norte, de Leste, do
Oeste e na Africa Central". M.M.B.







Palauras-chaue
Fuga dos crebros; diaspora; Uniao
Africana; ICSU; ASI.



C@RREIO






















lifii"'


~i.
j' ,s, ~,4.


III


irill


Ilii





























I Baixa da cidade, Estocolmo. Hegel Gouer


do pais, que foi de 6,4% em 2007, recuou para
os 5,5% em 2008 e para os 4% em 2009.

Donald Kaberuka, president do Banco
Africano para o Desenvolvimento, afirmou
que a crise "gorou os esforos dos Africanos
de se gerirem a si prprios", devastando 10
anos de reforms econmicas em apenas seis
meses e atingindo fortemente paises como
o Botsuana e a Mauricia, que anteriormen-
te demonstravam desempenhos econmicos
slidos.

"As instituies de Bretton Woods esto a
comear a demonstrar sinais de envelhecimen-
to; hi quem diga que esta na altura de consi-
derar a sua reforma, sugeriu Otive Ibguzor,
president das Campanhas Internacionais da
Action Aid Internacional. Dominique Strauss-
Khan, administrador-executivo do Fundo
Monetirio Internacional (FMI), fundado aps
a 2.' Guerra Mundial para conseguir estabili-
dade financeira a nivel global, declarou que "o
FMI esta a voltar s suas origens" e disse que
o FMI esta a reduzir o mbito das exigncias
que faz aos paises e a prestar mais ateno s
condies locais.

O Dr. Ibguzor criticou fortemente a evaso fis-
cal por parte das multinacionais: "Robin Hood
rouba os pobres para dar aos ricos", afirmou.
Esse dinheiro, que ele estimou ascender aos
106 mil milhes de dlares anuais, metade do
PIB da Sucia, poderia ser gasto de forma mais
6til em paises em desenvolvimento, sugeriu.

Mohammed Yunus, laureado com o Nobel
da Paz em 2006 e administrador-executivo
do Banco Grameen, apelou a uma nova con-
cepo fundamental do sistema financeiro
international que, de moment, deixa de fora
dois teros da populao do globo. Afirmou
tambm que chegou o moment de rejeitar o
egoismo com a maximizao do lucro e de
favorecer o altruismo beneficiando os neg-


cios com fins sociais e as empresas que no
distribuem dividends.


> Grandes neg6cios emjulgamento
Os grandes negcios tambm estiveram em
julgamento num debate sobre a Democracia e
o Desenvolvimento. Kumi Naidoo, president
honoririo da CIVICUS, a Aliana Mundial
para a Participao dos Cidados, responsabi-
lizou os grandes negcios por manipularem a
democracia. Houve muitos apelos nas JED ao
fortalecimento da sociedade civil, de modo a
que possa desempenhar na integra o seu papel
no aproveitamento de oportunidades para par-
ticipar na parceria Africa-UE. "Democracia
sem uma sociedade civil uma simulao",
afirmou Thoraya Ahmed Obaid, administra-
dora-executiva do Fundo das Naes Unidas
para a Populao. A homenagem a um dos
pilares da democracia, a liberdade de impren-
sa, foi prestada na cerimnia de atribuio
dos prmios Natali de jornalismo distribuidos
anualmente pela CE (ver artigo separado).


Os apelos aco relativamente s altera-
es climiticas foram muitos e no tarda-
ram. O Dr. Rajendra Pachauri, laureado com
o Nobel da Paz em 2007 e president do
Painel Intergovernamental sobre as Alteraes
Climiticas (PIAC), informou num debate
plenrio sobre o tema que a sua organizao
calculou que, at 2020, entire 75 milhes a
250 milhes de pessoas em Africa podero
ficar "sob presso face aos recursos hidricos"
devido s alteraes climticas.

Emmanuel Manny Mori, president dos
Estados Federais da Micronsia, disse que o
seu pais, composto por 600 ilhas no Pacifico
Ocidental, esta " beira do afogamento".
Apelou a uma mudana estilos de vida que
consumam menos recursos do planet. Raila
Odinga, primeiro-ministro do Qunia, descre-
veu o potente simbolo das alteraes climiticas
no seu pais: a calota de gelo no topo do Monte
Kilimanjaro esta a diminuir, tendo sofrido
uma reduo de 80% entire 1912 e 2009; pode-
ri desaparecer por complete at 2015.

Michle Louis, que era primeiro-ministro do
Haiti na altura do event JED, apelou com-
pensao de paises em desenvolvimento, como
o seu, que esto a suportar os danos causados
por outros. Perguntou: "Ira ser possivel alcan-
ar um sistema acordado globalmente para
travar as causes das alteraes climiticas e
infligidas queles que sofrem as consequncias
sem as terem causado?"

Carl Bildt, ministry dos negcios estrangeiros
da Sucia, afirmou que a UE se colocou na
linha da frente com um compromisso de redu-
zir em 20%, e at 2020, os niveis de emissio
dos gases com efeito de estufa de 1990. Jeremy
Hobbs, administrador-executivo da organiza-
o no governmental Oxfam International,
afirmou: "No hi margem de manobra para
um piano B. Falhar em Copenhaga significar
perda de vidas." Hobbs apelou UE para que
disponibilize um fundo de adaptao e mitiga-
o para paises em desenvolvimento no valor
de 110 mil milhes de euros.

E queles que esto preocupados com a pega-
da de carbon deixada pela realizao das
JED, o president Barroso disse que gerou
120.000 euros em funds "de compensao"
de carbon. D.P.


Muhammad Yunus fala nas Jornadas Europeias
do Desenvolvimento 2009, Estocolmo, Sucia.
Comisso Europela


C@RREIO









ACP-UE Interaces


1 Monte Kilimanjaro. Reporters/Eureka Shlde


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


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Euoe em* Flre *frm uqu relt Le o reatri na in r Im htp//r.eu i.eu






















0 continent africano em destaque


no Prmio de Jornalismo Lorenzo


natali de 2009


A esquerda: Iviactar alla, Presidente da
Associaao Privada dos produtores e das
televises de Africa, entrega o prmio
mais important da categoria em Africa a
Richard Mgamba. c Hegel Goutler
Ao centro: A Comissaria Europeia para o
Desenvolvimento, Karel De Gucht, com
os vencedores do prmio. 0 Hegel Goutier
A direita: 0 Comissario De Gucht entrega
o prmio Grand Prix award a Yee-Chong
Lee. CE


As reportagens de frica tiveram uma boa presena no Prmio de Jornalismo Lorenzo Natali deste ano.
Este concurso da Comisso Europeia (CE) foi criado em 1992 para recompensar os autores de cr6nicas
publicadas em todos os continents que traduzam um empenhamento nos direitos humans, na democ-
racia e no desenvolvimento, em honra de Lorenzo Natali, Comissrio Europeu para o Desenvolvimento
entire 1985 e 1989, que morreu em 1990.


O s vencedores de quatro continen-
tes frica, Amrica Latina e
Caraibas, sia e Pacifico e Europa
tambm partilham o valor total
do prmio de 60.000 dlares. O concurso
deste ano foi organizado em conjunto com dois
organismos que lideram a defesa da liberdade
de imprensa: Reprteres sem Fronteiras e a
Associao Mundial de Jornais.

Na cerimnia dos prmios realizada durante
as Jornadas Europeias do Desenvolvimento,
em Estocolmo, Sucia, de 22 a 24 de Outubro,
Margot Wallstrm, Comissiria Europeia
responsivel pela Comunicao e Relaes
Institucionais, afirmou que as histrias que
ganharam recontaram ".. .verdades desconfor-
tveis, lanando luz sobre os recnditos mais
obscuros do comportamento human, mas
oferecem esperana para o future".

A reportagem de Yee Chong-Lee, intitulada
"O terramoto de Sichuan Um ano depois",
para a Now TV da China, que denuncia a
continuao da construo abaixo dos padres
requeridos na provincia de Sichuan um ano
depois de um terramoto devastador ter destru-
ido cerca de 50.000 vidas, venceu o Grande
Prmio absolute.

O primeiro prmio na categoria frica foi para
o jornalista da Tanznia Richard Mgamba,
com a reportagem "A batalha pelas almas",
publicada no The Guardian on Sunday do
pais. Revela o aumento em flecha de assassi-
nios de albinos na Tanznia por causa dos seus
rgos, nomeadamente as parties genitais. O
segundo lugar foi para Anas Aremeyaw Anas,


do Gana, que esteve infiltrado durante seis
meses a fim de conseguir para a sua publica-
o, The New Crusading Guide, uma repor-
tagem que mostra como raparigas chinesas so
atraidas para trabalhar no comrcio do sexo
no Gana. Ocultando a sua identidade na ceri-
mnia de distribuiio dos prmios por receio
de represlias, Anas disse que os traficantes
tinham sido condenados recentemente a uma
pena total de 42 anos de prisio. O terceiro
classificado, Moussa Zongo, no seu artigo "A
Pesquisa do ouro: do pio subterrneo ao preo
da audicia", publicado no L'vnement, mos-
tra as terriveis condies das minas de ouro
no norte do Burkina Faso, onde 20 pessoas
perderam a vida desde o inicio de 2009.

Os vencedores na categoria especial de televi-
so foram o sul-africano Johann Abrahams e o
zimbabuense Godknows Nare, com "Buraco
infernal", uma investigaio com cmaras
ocultas sobre as condies nas prises do
Zimbabu, difundida pela "South African
Broadcasting Corporation" (SABC). O pr-
mio especial da radio foi para a reportagem
conjunta de Freddy Mata Matundu e Larissa
Diakanua, "Crianas acusadas de feitiaria:
crianas em perigo", que foi para o ar na Radio
Top Congo FM da RDC.

"Violada por sete soldados", uma reportagem
de Lucy Adams para o Herald Magazine da
Esccia, que relata o abuso sexual de mulheres
na provincia de Kivu do Sul, na RDC, venceu
o primeiro prmio na categoria Europa. D.P.

Para saber como candidatar-se ao concurso do proxi-
mo ano, ver: www.nataliprize2009.eu


CRREIO


EMBRIHRDORES DO
DESEnUOLUIMEnTO DE 16 H 18 RnOS
Os 54 finalistas do Prmio do Desenvoi-
virnento para Jovens da CE, 2008/2009,
tambrn receberarn os prmios nas Jor-
nadas Europeias do Desenvolvirnento de
Estocolmo, ern 2009. Este prmio anual
consisted nurn concurso de urn cartaz e urn
video para jovens dos 16 aos 18 anos so-
bre urn determinado terna. Os ternas deste
ano erarn Igualdade de gnero", "crianas
e juventude" ou "diversidade cultural", den-
tro do terna global do desenvolvirnento
hurnano ern frica. Os 27 vencedores dos
primeiros prmios urn de cada Estado-
Membro da UE vo participar nurna via-
gern de cinco dias a frica para visitarern
projectos de desenvolvirnento financiados
pela CE e tero oportunidade de encontrar
jovens da sua idade. Quando regressarern
a casa, ao partilharern as suas experin-
cias corn os arnigos e a familia, tornarn-se
"embaixadores do desenvolvin-lento".

Para mais informaes ver: www.dyp2008.org






nffirawrHacesfBfi^BB









" 9' ip em e ... dae esrti Cnut e- e. o a rs etv ein de' ce e.nd e. con


que deoe se. eds A eba. ent e os ea-e e'.8. e e eOtboatsd e"rik" Mnsera Conunt


e-U de 13 e 14 deetb


No inicio do mes de Outubro, na
sede da UA em Adis-Abeba, foi
feito um balano sobre os resul-
tados alcanados pela Estratgia
frica-UE dois anos aps o seu lanamen-
to em 2007. As reunites entire os agents
da UA e da UE sobre as oito parcerias da
estratgia* que precederam a Troika, foram
presididas por Gunilla Carlsson, minis-
tra sueca da Cooperaio Internacional do
Desenvolvimento e Ali Treki, Secretirio libio
dos Assuntos da UA que actualmente
President do Conselho Executivo da UA.

Nas palavras de Shikaiye, as restries
financeiras dificultaram a implementaio
da Estratgia Comum e do primeiro plano
de aco (2008-2010) de projects nas oito
parcerias apesar de muitos se encontrarem
em curso, nomeadamente nos sectors da
ciencia e da tecnologia (ver dossier sobre esta
questio).

Embora o comunicado ministerial UA/UE
realce o empenhamento de ambas as parties
no sentido de reforar a estratgia, solicitou
tambm mais "compras" dos paises afri-
canos. Em terms de financiamento a UA
pretend um "fundo especifico" para pro-
jectos. O comunicado apelou a uma melhor
mobilizaio de todos os recursos existentes
e procura de novos em todos os quadrantes
incluindo do sector privado e outros doadores
como o Banco Africano de Desenvolvimento
(BAD), o Banco Europeu de Investimento
(BEI) e o Banco Mundial (BM).

A falta de "capacidade" institutional dentro
da UA para implementar as parcerias foi
tambm reexaminada apesar de a CE ter
prometido 55 milhes de euros do Fundo de
Desenvolvimento Europeu (FDE) para "refo-
ro das capacidades" incluindo um program
de intercmbio das pessoas. Tais projects
estio a dar resultados, afirmam os agents da
CE, apesar dos problems de fluxo de caixa.


Um casal jovem olha para um mapa de Africa e da
EI uropa no local da Cimeira UE-Africa, Lisboa, 2007.
S Reporters/AP


> Segundo piano de aco

Esta prevista a aprovao de um segundo
"Plano de Aco" na Cimeira Africa-UE, o
qual procurari rectificar algumas das dificul-
dades. O comunicado conjunto apelou a um
maior envolvimento por parte dos actors no
estatais na estratgia ainda que alguns repre-
sentantes da sociedade civil ji tenham parti-
cipado nas reunites do Grupo Conjunto de
Peritos (JEG, do ingles Joint Expert Group)
em Outubro.

Num seminrio, "Cidados na parceria
UA-UE" organizado por ocasio das Jornadas
Europeias de Desenvolvimento que deco-
rreram em Estocolmo entire os dias 22 e 24
de Outubro, Klaus Rudischhauser, director
da Direco-Geral do Desenvolvimento da
Comisso Europeia, salientou que a estra-


tgia no se resumia apenas a um "assunto
governo-governo". O Comit Econmico e
Social Europeu (CESE), rgo consultivo da
UE representative dos grupos socioecon-
micos, reunir-se- em Adis-Abeba em Maio
de 2010. Um membro da ONG zambiana
"Women for Change Zambia" (Mulheres
pela Mudana) disse no seminrio que o di-
logo deveria incluir a voz das mulheres. "H
51 por cento de mulheres em Africa, no nos
podemos esquecer."

O lado do dilogo politico da estratgia tem
sido mais fcil de implementar. A reunio
ministerial que decorreu em Adis-Abeba
incluiu conversaes sobre o Sudo, a Somrilia,
a Regio dos Grandes Lagos, a Guin, as
eleies em Madagascar e o Zimbabu alm
das questes mais globais como as alteraes
climiticas e a crise econmica global. D.P.




















IIII I*.'*.emp


Palauras-chaue
Estratgia UA-UE; John K. Shikaiye;
Gunilla Carlsson; Ali Treki.


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


















































Navios cargueiros, no horizonte, tm uma longa espera frente para entrarem no porto de Luanda, Angola. DebraPercival2009


A conferencia de peritos e as Jornadas
Ministeriais RTE-T fizeram um
balano sobre o que o que esta a
ser feito e o que precisa ser feito
para integrar os transportes areos, mari-
timos e terrestres facilitando a circulao
de pessoas e mercadorias dentro da UE e
impulsionando assim a economic dos seus 27
Estados-Membros. Organizada pela Comisso
Europeia, o Ministrio dos Transportes e das
Infra-estruturas italiano e a Presidencia sueca
da Unio Europeia, a conferencia estendeu-
se aos Balcs, ao Mediterrneo Ocidental
e frica assim como Noruega, Suia,
Federao Russa e Turquia. Entre os
participants, encontrava-se o Presidente do
Senegal, Abdoulaye Wade e o Comissrio das
Infra-estruturas e Energia da Unio Africana
(UA), Mahmoud Ahmed Ibrahim.

"Olhamos para o Ocidente mas no suficiente-
mente para Africa", afirmou o Comissrio da
UE Antnio Tajani antes de ir para Npoles.
Acrescentou que a UE j estava a trabalhar em
conjunto com paises africanos na criao de
uma parceria em matria de aviao civil.

Mas um "piano de aco" mais abrangen-
te sobre projects de transportes para dar
prioridade aproximao dos continents


vai ser elaborado at meados de 2010 pela
Comisso Europeia e respectivos Estados-
Membros com parceiros africanos. Sera
elaborado com base na Comunicao da
Comisso Europeia, de Julho de 2009: "Ligar
frica e a Europa: trabalhar para reforar a
cooperao na rea dos transportes". Tajani
afirmou que um agent da Direco-Geral
de Transportes da Comisso Europeia sera
enviado para a capital da Etipia, Adis-Abeba
e sede da Unio Africana (UA), para criar
um frum informal sobre transportes dentro
da parceria UE-frica (ver artigo separado).


> "Financiamento inouador"


Mas os projects vo precisar de "finan-
ciamento inovador", disse Tajani. Sugeriu
que seria procurado mais financiamento
atravs do Banco Europeu de Investimento
(BEI) assim como atravs de projects bonds e
criao de parcerias pblico-privadas. Tajani
disse tambm aos jornalistas que gostaria de
ver as perspectives financeiras da UE (2007-
2013) revistas para o efeito. A declarao da
conferencia solicitou a partilha de conheci-
mento do prprio program RTE-T da UE
com parceiros africanos no sentido de ajudar
implementao de corredores pan-africanos.


Tajani referiu que um estudo recent do
Banco Mundial-UE sobre as infra-estruturas
em frica avaliou as necessidades globais de
infra-estruturas em Africa entire 5 e 6 mil mil-
hes de dlares americanos por ano.

A Comisso Europeia esta j a contribuir
para o desenvolvimento de infra-estruturas
nos paises africanos e tambm entire eles. Os
seus pianos recentes encontram-se definidos
no relatrio de 2006 da Comisso Europeia
"Interconectar Africa: Parceria UE-Africa
em matria de infra-estruturas" (http://
ec.europa.eu/development/icenter/repository/
COMM PDF COM 2006 0376 F EN
INTERCONNECTER AFRIQUE.PDF).
O financiamento para os projects dentro e
entire as naes africanas result de progra-
mas nacionais e regionais existentes para o
Grupo de Estados de frica, das Caraibas e
do Pacifico (ACP) ao abrigo respectivamente
do 9. (2000-2007) e 10.0 Fundo Europeus
de Desenvolvimento (FED). Financiamento
adicional result do Fundo Fiducirio no
dominion das infra-estruturas ACP do quai
108 milhes de euros ao abrigo do 9. FED
e aumentado para 300 milhes de euros ao
abrigo do 10. FED. 0 financiamento para o
desenvolvimento das infra-estruturas dentro
e entire as naes da frica do Norte, Arglia,
Egipto, Marrocos e Tunisia, result de vrios
oramentos ao abrigo da politicala europeia
de vizinhana", incluindo a Facilidade Euro-
Mediterrnica de Investimento e Parceria
(FEMIP) patrocinada pelo BEI. D.P.
Para mais informaes consultar:
www.ten-t-days-2009 -naples.eu



Palauras-chaue
Antonio Tajani; transportes; FED; parce-
ria UE-Africa; FEMIP; program RTE-T.



C@RREIO






fic nteraces


I Vista sobre a Cidade do Cabo, Africa do Sul. c MPercval


Embaixador da Africa
do Sul junto da Unio
Europeia, o Dr. Anil Sooklal,
na sua reflexo sobre o
alargamento das relaes
entire o seu pais e a Unio
Europeia (UE) na sequncia
da segunda Cimeira AS-UE
em Kleinmond, Africa do
Sul, em 11 de Setembro,
numa entrevista ao 0
Correio.


I Dr. Anil Sooklal. Hegel Gouter2009


E mbora a Africa do Sul seja membro do
Acordo de Cotonu para os paises ACP,
a cooperao political, o desenvolvi-
mento, a economic e outras formas
de cooperao so regidas pelo Acordo de
Comrcio, Desenvolvimento e Cooperaio
(ACDC) de 1999, segundo o quai o pais
recebe uma ajuda de 980 milhes de euros
(2007-2013), sendo a maior parte desta verba
destinada a apoio oramental. Na Cimeira,
foi assinado um project de 120 milhes de
euros, dos quais 100 milhes so financia-
mento da CE e 20 milhes do Departamento
de Desenvolvimento Internacional (DFID)
do Reino Unido, para permitir concretizar a
promessa de um milho de empregos, feita
pelo Presidente Jacob Zuma no seu discur-
so sobre o Estado da Nao. Alm disso,
a frica do Sul recebe um emprstimo de
900 milhes de euros (2007-2013) do Banco
Europeu de Investimento (BEI), essencial-
mente para infra-estruturas. Ha esperanas
que o oramento da frica do Sul aumente.

Tres ou quatro capitulos do ACDC foram
revistos na Cimeira numa reviso legal de
cinco anos, mas no o comrcio. "No
incluimos o capitulo comrcio agora porque
estamos a negociar um Acordo de Parceria
Econmica (APE)", disse o Embaixador.
Alguns paises membros da Comunidade de
Desenvolvimento da frica Austral (SADC)*
j assinaram um APE temporario "s mer-
cadorias" com a UE. "A razio pela qual n6s
nio assinamos um acordo temporrio no final
de 2007 foi porque havia uma srie de "ques-
tes de negociaio nio resolvidas", afirma o
Embaixador. Entre as quais esta o alinhamen-
to tarifirio e a clusula e as regras de origem da
Naio Mais Favorecida (NMF). "O principal


problema que o acordo enfraquece a Unio
Aduaneira da frica Austral (SACU) e a
nossa agenda de integrao regional". Receia-
se que as mercadorias da Unio Europeia,
mais baratas, que entram nos paises membros
da SACU Botsuana, Lesoto e Suazilndia
- que assinaram todos um APE temporrio,
possam agora entrar no mercado da Africa do
Sul. O Embaixador disse ainda que isto pode
conduzir, eventualmente, ao restabelecimento
das fronteiras entire os outros paises da SACU.

No mbito do ACDC, 94% das exportaes
da frica do Sul poderio entrar no merca-
do da UE isentas de direitos aduaneiros em
2012 e 86% das importaes provenientes
da UE poderio entrar no mercado da frica
do Sul isentas de direitos aduaneiros a par-
tir dessa data. O Embaixador disse tambm
que qualquer APE celebrado nesta fase com
a frica do Sul sera um acordo "s mer-
cadorias". Neste moment, o seu pais nio
esta em condies de poder discutir servios
nem investimento, dado que a regio dever
primeiro desenvolver uma posiio comum
sobre as chamadas "questes de Singapura"
(servios) e nio deve apropriar-se antecipa-
damente das discusses do Round de Doha
em reas de competncia da Organizaio
Mundial do Comrcio. O Embaixador roga
ainda: "Deixem-nos primeiro harmonizar as
coisas na regio de maneira a podermos obter
um acordo adequado com a Unio Europeia
que seja benfico para todas as parties .


> Troca de conhecimentos

Alm disso, a Cimeira fez o inventrio da
"Parceria Estratgica" AS-UE de 2007, que


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009






Interaces Arc


envolve o dilogo entire a Africa do Sul e a UE
sobre uma srie de questes: migraio, sade,
espao, energia, tecnologias da informaio e
comunicao (TIC), transport maritime, cien-
cia e tecnologia, comrcio, desenvolvimento,
ambiente, desenvolvimento sustentivel e paz e
segurana.

O objective a troca de competencia nes-
tas reas. "Por exemplo, na rea da energia,
crimos dois grupos de trabalho: um sobre
a tecnologia de carvio limpo e outro sobre a
extraco e o armazenamento do carvio", expli-
ca o Embaixador. Foi concedida Africa do Sul
uma verba de 13 milhes de euros, no mbito do
7. Programa-Quadro de Investigaio da UE,
atravs de convites apresentaio de propostas
dirigidos a organizaes da Africa do Sul.

A Cimeira debruou-se igualmente sobre a situ-
ao financeira global, as alteraes climticas,
a situaio nuclear no Irio, o process de paz
no Mdio Oriente e as situaes na Somlia e
Darfur e Zimbabu. O Embaixador Sooklal
exprime-se assim: "Temos sido criticados pela
nossa political commercial com o Zimbabu. Nio
podemos conformar-nos em ver um estado fali-
do, porque o impact sobre o nosso pais e sobre
os seus vizinhos seria demasiado pernicioso. O
Zimbabu esta a caminhar no bom sentido e
temos que agir por forma a assegurar um pais
prspero e estivel".

Sublinha que a Estratgia AS-UE dever inse-
rir-se na Estratgia Africa-UE (ver artigos sepa-


(Deixem-nos primeiro

harmonizar as

coisas na regio de

maneira a podermos

obter um acordo

adequado com a

Unio Europeia que

seja benfico para

todas as parties>



rados nesta ediio sobre a Troika UA-UE,
Transporte, Ciencia e Tecnologia). "A agenda de
Africa uma das reas bisicas da nossa political
externa", explica o Embaixador. A Africa do Sul
participa em seis das oito parcerias Africa-UE.
Mas necessirio um impulso politico adicional
no process. O "plano de acio" acordado foi
deixado Comissio da Uniio Africana que
carece de recursos -e Comissio da Uniio
Europeia. "As comunidades regionais devemr
desempenhar mais de uma funio na progressio
deste program. No quadro da Nova Parceria
para o Desenvolvimento da Africa (NEPAD), a
fora motriz vem das comunidades econmicas
regionais. Ns pensamos que se adaptarmos o
mesmo modelo, encontraremos uma prestaio
mais ripida", concede o Embaixador e acres-


centa, que os diferentes paises africanos devem
escolher parcerias camperss" para os impulsio-
nar. A falta de financiamento tambm uma
preocupaio e, tanto o sector privado como a
sociedade civil, terio que colaborar eficazmente,
acrescenta o Embaixador Sooklal. " um pro-
grama sobre ns e sobre o continent africano,
que funciona com a UE", concluiu.

O Embaixador responded s noticias de protest
na Africa do Sul criadas pela recessio econ-
mica: "Antes da crise fmanceira, a economic
sul-africana registava um crescimento de cerca
de 5%. Tivemos uma crise energtica no final
de 2007 e em 2008, devido sobretudo ao facto
de estarmos a crescer muito rapidamente sem
terms plans bem defmnidos". Disse ainda
que mesmo antes da crise econmica global, a
Africa do Sul j tinha definido um program
de 787 mil milhes de** Rands para renovar as
infra-estruturas. Considera-se que a organiza-
o do Campeonato do Mundo de Futebol da
FIFA em 2010 dart um impulso important
economic.

"Aqui esta a Africa do Sul desenvolvida que foi
dinamizada pelas novas oportunidades criadas
pela democracia e que esta a integrar-se no
movimento global e na segunda economic onde
ha desafios importantes a vencer", e remata
incluindo "a prestaio de servios".

"Temos discutido com a CE a political regional e
a maneira como esta tem funcionado e ajudado
os paises mais pequenos a aderir. Acordmos
com a Comissria da Politica Regional da UE
em organizer um seminrio na Africa do Sul
no prximo ano para troca de experiencias e
ver de que maneira poderemos tirar partido da
experiencia da Uniio Europeia, especialmente
em termos de prestaio de servios e de governor
local", concluiu o Embaixador Sooklal. D.P.

* A Unio Europeia assinou um acordo "s6 merca-
dorias" na regiao SADC com: o Botsuana, Lesoto,
Moambique e Suazilndia (2009). O Botsuana, o
Lesoto e a Suazilndia sao membros da SACU, junta-
mente com a Africa do Sul e a Namibia.
**10,84 Rands da Africa do Sul = 1 Euro (15.10.2009,
Bloomberg)










Palauras-chaue
Dr. Anil Sooklal; Africa do Sul; Jacob
Zuma; SADC; SACU; NEPAD; Estratgia
Africa-UE.


1 idde do Cabo feneda gua, fia do Sul0 MPria


CRREIO












































com as nouas prioridades europeias

"As politics europeias empobrecem os paises em desenvolvimento", denuncia a CONCORD num rela-
t6rio publicado em 13 de Outubro, em Bruxelas. A Confederao Europeia das ONG de Emergncia
e Desenvolvimento esta especialmente preocupada com a proposta da Comisso de orientar e, por
conseguinte, reduzir o numero das politics que so object de uma anlise exaustiva do seu impac-
to sobre o desenvolvimento.


O empenho da Uniio Europeia em
prol de uma political coerente
para o desenvolvimento (a CPD
ou Coerencia das Politicas de
Desenvolvimento) data de 2005. Nessa altu-
ra, foram identificados doze dominios onde a
UE se comprometia a estabelecer a coerencia
entire a sua political internal e a political de des-
envolvimento, ou seja: comrcio, ambiente,
alteraes climticas, segurana, agriculture,
pescas, dimensio social da mundializao,
emprego e trabalho decent, migraes, inves-
tigao, sociedade da informao, transportes
e energia.

Desde ento, surgiram as crises alimentar,
energtica e financeira, crises estas que mos-
traram igualmente a interdependencia cres-
cente das economies, assim como a importn-
cia cada vez maior dos fluxos financeiros, alm
da ajuda pblica aos paises em desenvolvi-
mento. Tendo em conta todos estes elements,
a Comissio consider, na sua comunicao
publicada em 15 de Setembro passado, que
necessrio que a "CPD se concentre num



N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


pequeno n6mero de prioridades" e se limited
aos dominios seguintes: alteraes climiti-
cas, segurana alimentar, migraes, direitos
de propriedade intellectual, segurana e paz.





A CONCORD esta particularmente inquieta
com esta nova abordagem. A ONG explica
num comunicado de imprensa que "este
document rompe claramente o compromis-
so da Comisso Europeia em controlar o
impact das suas political sobre os pobres.
Dominios cruciais como o comrcio, que tem
implicaes enormes para a vida de milhes
de pessoas pobres, foram subitamente postos
de parte".

"A Unio Europeia no pode dar com uma
mio e tirar com a outra". Isto no tem senti-
do, tanto para os paises em desenvolvimento
como para a Unio Europeia. Estas incoeren-
cias entire as political europeias fazem que
o dinheiro seja desperdiado no interior da


Unio Europeia e se percam vidas nos paises
pobres", explica Justin Kilcullen, Presidente
da CONCORD, a Confederao Europeia das
ONG de Emergencia e Desenvolvimento".

"A Uniio Europeia dever reflectir na manei-
ra como as suas diferentes political afectam a
vida de milhes de pessoas fora da Europa. Os
Estados-Membros devem executar political
coerentes e respeitar as suas promessas em
matria de ajuda", explicou Rilli Lappalainen,
Secretirio-Geral da Plataforma das ONGD
finlandesas, Kehys, e membro do conselho de
administrao da CONCORD.

"A CONCORD pede Unio Europeia e aos
seus Estados-Membros que se assegurem que
todas as political que afectem os paises em
desenvolvimento sejam coerentes e tenham a
erradicao da pobreza como objective priori-
trio", acrescentou Justin Kilcullen. M.M.B.

Palauras-chaue
CONCORD; ONG; coerncia das political
de desenvolvimento; CPD.







Sociedade Civil em Aco




TRILOG: alinhando os



lodos do tringulo 0116

Ao juntarem-se Unio Europeia (UE), as Organizaes No Governamentais (ONG) nos "novos" 12
Estados-Membros da UE possuam muito pouca experincia no quadro da cooperao para o desen-
volvimento no Sul. Criado em 2000, o project TRIALOG, sedeado em Viena fundado pela Comisso
Europeia e a Cooperao Austriaca para o Desenvolvimento -, tem ajudado a ligar as ONG da UE no
Norte, Sul e Ocidente na "criao de plataformas, redes e intercmbio de informao", explica a res-
ponsvel pela estratgia em Bruxelas, Rebecca Steel-Jasitika.

paises desenvolvidos e em desenvolvimento
ISLNDIA nos novos Estados-Membros da UE.


ESTADOS-MEMBROS
ESTADOS CANDIDATES


SUCIA


> fitrasos ao fjuda Pbca o
FINLNDIA Desenuo u mentoro fPD


REINO
UNIDO PAfSES BAIXOS BIELORRUSSIA

BLGICA ALEMANHA POLNIA
LUXEMBURGO REP UCRNIA
CHECA ESLOVAQUIA
FRANA SU[A AUSTRIA MOLDAVIA
U HUNGRIA ROMNIA
E i i' Ii
i i i i i i i

I I I I


I GR I I CIAi
GRCIA


MALTA

Mapa mostrando os paises recm-chegados UE. TRIALOG


Oito dos 12 "novos" Estados-
Membros Chipre, Repblica
Checa, Estnia, Hungria,
Letnia, Litunia, Malta, Polnia,
Repblica Eslovaca e Eslovnia -adquiriram o
estatuto de membros da UE em 1 de Maio de
2004, seguidos pela Bulgria e pela Romnia
em 1 de Janeiro de 2007. O TRIALOG estai
a chegar tambm aos paises candidates UE
incluindo a Croicia, Macednia e Turquia.

Apesar de nio possuirem experiencia em terms
de desenvolvimento, as ONG dos novos Estados-
Membros tem uma experiencia nica em traba-
lhar em projects de desenvolvimento nos seus
terrenos tal como na Bielorssia, Ucrnia e
Afeganistio. O TRIALOG esta a preencher a
lacuna integrando as ONG dos dois mais novos
Estados-Membros da UE e paises candidates
adesio no organismo-quadro de ONG da UE, a
Confederaio de ONG Europeias para o Apoio
e o Desenvolvimento (CONCORD).


CHIPRE


Em 2006 decorreu uma "feira" de desenvolvi-
mento para alinhar as ONG de todos os can-
tos da UE e os seus vizinhos com parceiros em
paises em desenvolvimento. Esta j previsto
outro event da mesma indole para Fevereiro
de 2010 (local a ser decidido). Outras activida-
des do TRIALOG incluiram reforar o dilo-
go sobre political e redes, formaio sobre as
political da UE e como obter financiamento
de instituies. Foi tambm dada informa-
o sobre a political de desenvolvimento para
as presidencias respectivas de dois Estados-
Membros: Eslovnia e Repblica Checa.

Rebecca Steel-Jasinka explica que o
TRIALOG, e as plataformas nacionais
de desenvolvimento dos novos Estados-
Membros que esta a ajudar a implementar,
estio ainda a trabalhar no sentido de cria-
rem uma consciencializaio pblica acerca
da necessidade de agir contra a pobreza e
promover relaes de igualdade entire os


Os 12 novos Estados-Membros encontram-
se actualmente em atraso relativamente ao
valor do Rendimento Nacional Bruto (RNB)
afecto assistencia ao desenvolvimento.
De acordo com o "Observatrio da Ajuda"
do CONCORD que control os niveis de
Ajuda Pblica ao Desenvolvimento (APD)
em todos os Estados-Membros da UE, os 12
novos membros da UE estio atrasados no seu
objective de afectaio de 0,17 por cento do
Rendimento Nacional Bruto (PIB) para fins
de APD at 2010 e 0,55 por cento at 2015,
especialmente se tivermos em ateno que
alguns deles, incluindo a Estnia e Letnia,
reduziram os seus compromissos nacionais
relativamente APD este ano. Isto coloca
em dvida a realizaio pelos 27 Estados-
Membros da UE de um compromisso de
afectaio do RNB de 0,56 por cento em 2010
e 0,7 por cento em 2015*.


A fase IV do project TRIALOG (Setembro
2009 Stembro 2012) incluira a publicao
de um guia passo a passo para Politica e
Defesa, desenvolvimento adicional das pla-
taformas nacionais e a participaio numa
grande conferencia de ONG de desenvol-
vimento agendada para Novembro de 2010
em Managua, Nicaragua. esperado que
nessa conferencia seja discutido o caminho
a seguir para as Organizaes da Sociedade
Civil. Pretende-se, tambm, desenvolver um
cdigo de conduta para a sociedade civil e
reforar o seu perfil. D.P.
* Estatistica de "Aliviar a carga -Num tempo de crise, a
ajuda europeia nunca foi tao importante, CONCORD,
Maio de 2009.


Palauras-chaue
TRIALOG; Rebecca Steel-Jasifika;
CONCORD; APD.


C@RREIO


NORUEGA



DINAMARCA


RUSSIA


ESTNIA
LETNIA
LITUNIA


IRLANDA


PORTUGAL
ESPANHA


7m etras azus (s novs Estads Membres,)


































0 Fundo Comum para os Produtos de Base (CFC), situado em
Amesterdo, faz agora 20 anos, est6 vivo e a mexer, apesar
de nunca ter desempenhado uma das funes para que foi
concebido. Falmos com o seu Director-Geral, o tanzaniano
Ali Mchumo, que assumiu este cargo em 2004, sobre o modo
como o Fundo est a ajudar algumas das comunidades mais
pobres, direct ou indirectamente dependents de produtos de
base no petroliferos, na sua subsistncia.


I EmbaixadorAli Mchumo.eDebraPercival2009


Inicialmente foi planeado como mecanismo
para intervir na volatilidade dos preos
que atingiu o rendimento e os meios de
subsistencia nalguns dos paises mais pobres
do mundo. O Embaixador Mchumo explica:
"Quando as antigas colnias se tornaram
independents nos anos 60, os paises con-
sideraram que a ordem econmica interna-
cional no era muito favorvel nem favorecia
o desenvolvimento dos produtos de base.
Eram afectadas pela volatilidade dos preos
dos produtos de base e igualmente pelas
mas condies de comrcio com os paises
desenvolvidos que vendiam bens industrials,
por outras palavras, os preos dos produtos
de base diminuiam e a importaio de bens
industrials aumentava, verificando-se assim
uma incongruencia."

A ideia de um fundo para estabilizar os
preos de produtos de base como o cha,
o caf e o cacau, a fim de comprar stocks
reguladores que poderiam ser adquiridos
em alturas de elevada produo e vendidos
durante periods de menor produo, surgiu
na Conferencia das Naes Unidas sobre
Comrcio e Desenvolvimento (CNUCED).
O Fundo foi criado e comeou a funcionar
em 1989, embora com um mandate altera-
do: "Mesmo quando foi discutido na ONU,
verificaram-se sentiments opostos. Os stocks



N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


reguladores no valeram nada, por isso o que
temos estado a fazer desde ento concentrar-
nos no segundo objective: financial projects
de produtos de base para permitir que os agri-
cultores aumentem a sua produtividade e o
valor dos produtos de base, o control da qua-
lidade ps-colheita e igualmente o control
das pragas e doenas", explica o Embaixador.


> Centrar-se nos ODMI
O actual plano de aco quinquenal do CFC
(2008-2012) esta alinhado pelos Objectivos de
Desenvolvimento do Milnio (ODM) e preve
a ligaio entire o desenvolvimento dos produ-
tos de base e a reduo da pobreza, atravs
do aumento da produtividade pr-colheita e
da transformao ps-colheita, da melhoria
do marketing e da qualidade, de projects de
expanso dos mercados e da gesto do risco
dos preos. Podem ser financiados projects
relatives a qualquer dos 37 produtos de base e
3 minrios de metais: zinco, cobre e chumbo.
O CFC um organismo intergovernmental
que tem 107 membros (ver: www.common-
fund.org), cada um pagando uma "contri-
buio em capital" nica, que investida
para financial o funcionamento do organismo
e tambm alguns projects. Mas a fonte
principal de financiamento dos projects so
as contribuies voluntrias provenientes


sobretudo de "grandes" paises, nomeada-
mente os Paises Baixos, Japo e Alemanha.
Alm disso, o Fundo tem membros institu-
cionais que no pagam, nomeadamente a
CE, a Uniio Africana, o Mercado Comum
da frica Oriental e Austral (COMESA) e a
Comunidade das Caraibas (CARICOM).
Cerca de 42 por cento dos projects financia-
dos at data situam-se na sia, 34 por cento
em frica, 22 por cento na Amrica Latina e
2 por cento noutras regies. O Embaixador
Mchumo explica que uma especificidade do
CFC a sua abordagem baseada nos produtos
de base e no em paises. Refere que os projec-
tos CFC so "orientados pela procura", vindo
directamente dos produtores.
Um project que esta a dar resultado para
uma srie de paises da frica Oriental e
Austral, incluindo Moambique, o Uganda e a
Tanznia, o fornecimento de sementes mel-
horadas aos produtores de castanha de caju.
Traduz-se em rendimentos mais elevados ao
fim de trs anos, em vez de seis a sete.
E um project na frica Oriental esta a per-
mitir que os produtores de sisal obtenham
melhores resultados das suas produes, nio
apenas da venda da fibra, mas igualmente dos
residues de sisal. "Estamos a utilizar os resi-
duos de sisal, que so 95 por cento da plant,
para produzir gis que pode fornecer electrici-
dade para uso rural e tambm para adubo",







Comrcio


explica o Embaixador Mchumo.
A CE tambm esta a contribuir para projects
CFC atravs do seu Programa de produtos
agricolas de base para todos os ACP. Um
project de sementes de algodo na Africa
Ocidental destinado a pequenos produtores
de algodo no Burquina Faso, na Costa do
Marfim e no Mali (apoio da CE da ordem
dos 3,5 milhes de dlares), permit que os
agricultores possam vender sementes de algo-
do no contaminadas a preos elevados. Na
Africa Oriental, este program esta a apoiar
um project (contribuio da CE de 1 milhio
de dlares) para melhorar a eficiencia das
exploraes de algodo de pequena dimenso.
O Embaixador Ali Mchumo refere que o CFC
se centra nos paises menos avanados (PMA)
e nos mais pobres dos paises em desenvolvi-
mento com elevados rendimentos.


> "Sistema de armazns"

Poder o Fundo fazer algo mais sistmico para
contrariar as variaes de preos dos produtos
de base, que podem ter efeitos devastado-
res nalgumas das comunidades rurais mais


pobres? O Embaixador referiu que o CFC
tem actualmente a funcionar um "sistema de
armazns". "Devido volatilidade dos preos,
estamos a gerir um sistema nalguns paises
onde designamos o gestor de um armazm e
este armazm esta ligado a um banco local. O
agricultor vende a sua produo no armazm,
obtendo 60 por cento do valor de mercado do
produto e aguarda uma subida dos preos.
A nossa experiencia diz-nos que quando os
agricultores tem os produtos, esto sempre
mercer de intermedirios que querem apro-
veitar as necessidades de dinheiro rpido dos
agricultores para poderem pagar a escola dos
filhos. Atravs deste sistema, mostramos ao
agricultor que pode obter um preo melhor -
no tem de se apressar a vender, o que o pro-
tege da volatilidade a nivel local. Gostariamos
de poder fazer isto a nivel mundial."

Perguntmos ao Embaixador Mchumo se os
governor podem fazer algo para gerir melhor
as subidas e descidas dos preos dos produtos
de base. O relatrio da CE publicado recente-
mente e intitulado "Ultrapassar a fragilidade
em Africa: criar uma nova abordagem euro-


1 Arbusto de caf, Toqo. Reporters/BSIP


peia", chama a ateno para como as flu-
tuaes de preos dos produtos de base atin-
giram os frgeis Estados subsarianos durante
a crise econmica mundial de 2008-2009.
Nesse relatrio pode ler-se: "Estes Estados
esto expostos crise principalmente atravs
do comrcio: reduo das receitas das expor-
taes esta associado um efeito negative das
condies de comrcio, reforado pela depen-
dncia excessive das exportaes de produtos
de base dos paises frgeis da Africa subsariana
e pela concentrao das suas exportaes."

O Embaixador replica: "Pensamos ser possi-
vel, atravs das negociaes da OMC sobre
acordos de comercializao de produtos agri-
colas e no agricolas, mas tambm noutras
instncias internacionais, desde que exista
um consenso por parte dos principals inter-
venientes."

Refere que chegou a altura de o CFC no
se dedicar apenas a projectos-piloto, mas
financial igualmente projects mais abran-
gentes, que possam ter resultados imediatos
nas economies dos paises. A reunio do CFC
que se realizar em meados de Dezembro na
Haia, Paises Baixos, para celebrar o seu 20.0
aniversrio, procurar igualmente vias para
expandir a sua base de recursos financeiros,
afirma o Embaixador. Refere que o CFC tem
quase 200 propostas de todo o mundo nos
seus registos que aguardam financiamento.
D.P.


Palauras-chaue
Fundo Comum para os Produtos de Base;
Embaixador Ali Mchumo; produtos de
base; OMC; crise financeira.



C@RREIO








































Grafites sobre os vestigios do interior Muro de Berlim perto de Berlim Central, Alemanha,


Vinte anos depois, Boubacar
Boris Diop conta como a
queda do muro de Berlim
foi sin6nimo de um outro
desmoronamento, o da
referncia aos valores
ocidentais e do necessrio
retorno identidade africana.
Um encontro em Bruxelas
com este grande escritor da
literature subsariana, que,
desde 2003, decidiu deixar de
escrever somente em francs,
passando a escrever tambm
em wolof, a lingua do seu
pais, o Senegal.


A brigades do Inverno de Bruxelas,
confortavelmente instalados no
opulento bar de um hotel do
centro da cidade Boubacar
Boris Diop no gosta do cheiro a cigarros
apagados dos bares das redondezas o
escritor fala-nos prontamente daquilo que


o ocupa de moment, a "problemitica das
identidades". alias sobre este tema que
veio discorrer na capital belga, a convi-
te do circulo da Cooperao, Educao e
Cultura (CEC). "Foi sobretudo a questo
de Valentin-Yves Mudimbe, o quase divini-
zado escritor do Congo-Kinshasa, que, aps
ter leccionado nos Estados-Unidos, decidiu
escrever somente em ingls", explica-nos o
escritor.

Mudimbe e o seu romance de 1979, "LEcart",
no centro das discusses em Bruxelas, que narra
a histria de Ahmed Nara, etnlogo africano
que acaba por se suicidar, incapaz de levar a bom
termo a sua investigao sobre uma populao
que esta encarregado de estudar e da quai no
consegue verdadeiramente traduzir o pensa-
mento, devido sua formao ocidental que lhe
deu os instruments e os conhecimentos ina-
dequados. "Naquela altura", explica Boubacar
Boris Diop, "identifiquei-me com Ahmed Nara,
com aquilo que ele representava face ao exis-
tencialismo ligado a Sartre e Camus. Mas 30
anos depois, essa identificao menos eviden-
te. Sentem-se os artificios, os mimetismos".


> 0 Boris de Sartre
Actualmente, o escritor senegals diz ter uma
viso distanciada em relao a esses "gran-


des" da literature, em particular Sartre, ao
quai, apesar de tudo, foi buscar o nome de
um dos seus heris no ciclo dos Caminhos da
Liberdade, Boris, "o anarquista, o libertrio",
para o juntar ao seu patronimico, "tio comum
no Senegal". Nasce Boubacar Boris Diop,
nome com que assina as suas obras.

Para compreender essa "exacerbao" em
relao s suas lealdades, preciso desenrolar
o fio da histria. E "Boris", como doravante o
chamaremos, conta. Primeiro a sua infncia:
"O meu amor s coisas contadas remonta
minha infncia, quando a minha me nos
contava histrias, a mim, aos meus irmos e
aos meus primos. Eu queria sempre mais, era
muito impressionvel." Boris vai escola, ao
liceu. "O meu pai era um funcionrio colonial
que adorava Frana e era intendente no meu
liceu em Dacar." Um liceu que em tempos
ostentou o nome de Joost Van Vollenhoven,
nascido na Arglia de pais holandeses e gover-
nador, em Maio de 1917, da Africa Ocidental
Francesa (AOF). Joost Van Vollenhoven, cuja
memria ainda permanece gravada no corao
de muitos Senegaleses por ter recusado recru-
tar Senegaleses para os enviar para a frente
durante a 1.a Guerra Mundial. Acaba por se
demitir e partir ele prprio para a frente, onde
more em 1918. "Era uma figure admirivel",
sublinha Boubacar Boris.


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009







Em foco


> Berlim, o pdimeiro choque

Enquanto espera, devora os livros da biblioteca
de seu pai, com predileces: Victor Hugo e
os seus Miserveis, Jlio Verne e, sobretudo,
os Livros da Selva de Rudyard Kipling. Em
seguida, vem os existencialistas, Sartre, Camus
e os outros. Em 1968, o Senegal conhece o seu
"Maio de 68". Na altura, um home sobres-
sai da massa. Omar Blondin Diop. Com um
diploma da Escola normal superior de Paris,
amigo de Cohn-Bendit, regressa a Dacar, no
Senegal, para transmitir as ideias igualitrias
que Maio de 68 veicula. preso, encarcerado
e encontrado morto por estrangulamento. O
Senegal, beira do caos, encontra a calma com
a "ajuda" da Frana.

"Omar foi o heri do meu primeiro livro; na
poca toda a gente era marxista, estvamos
todos enamorados por Che, ramos todos
contra o imperialism frances." Mesmo assim,
prossegue Boris, "mantinhamo-nos muito
prximos da Frana, foi um period de franco-
filia no assumido".


O primeiro choque aconteceu em 1989 com a
queda do muro de Berlim. "Demo-nos conta
que o marxismo ou o seu oposto no passavam
de duas verses do racionalismo ocidental. J
no nos podiamos apoiar no muro de Berlim.
Era preciso remeter para primeiro piano a
questo da cultural, da histria. Voltar ao
Antigo Egipto. No ter vergonha."


> Ruanda, a chaga aberta

A seguir, houve o Ruanda. "Um grupo de
escritores, do quai eu fazia parte, deslocou-
se at li depois do genocidio, em 1998, no
mbito da operao Ruanda: escrever pelo
dever de memria. Disse para comigo que se
foi possivel deixar matar 10.000 Ruandeses
todos os dias durante trs meses, se ningum
fez nada, isso traduzia um certo desprezo rela-
tivamente a Africa. Foi nesse moment que
decidi escrever na minha lingua materna." E
prossegue: "A literature escrita numa outra
lingua tem um estatuto de transio. Acredito
infinitamente nisso. Se continuamos a escre-
ver na lingua dos colonialistas, no ingls, no


frances, no portugues, entramos num beco
sem saida"

O prximo livro de Boubacar Boris Diop
abordar de novo o Ruanda; compreender,
contra tudo e contra todos. Um livro no
quai trabalha a partir de Tnis, a sua ltima
morada. Tnis a meio caminho entire Paris e
o Senegal? "Mas tambm no muito long da
minha familiar Porque Boris, que acaba de
celebrar 63 anos, tem dois filhos adults, fixa-
dos no Canada. Um filho ligado literature
- "no falamos muito, mas passamos series a
jogar xadrez" e uma filha ligada matemr-
tica. E quando quer descontrair, nada melhor
que um jogo de futebol. " a minha paixo;
gosto muito da equipa do Barcelona; sou l do
antigo treinador do clube, o holandes Franck
Rijkaard!". M.M.B e J.M.





Palauras-chaue
Boubacar Boris Diop; Senegal; Mudimbe.



C@RREIO














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7J







Nossa terra


At ao moment em que os organismos res-
ponsveis pelos assuntos ambientais e pela
floresta se decidam pelo policiamento activo
das respectivas reas, no podemos ter grandes
expectativas na preservao de abelhas criadas
em ambiente natural em prol do desenvolvi-
mento da regio.


> H necessidade de eleuados padres

As indstrias da apicultura e do mel enfrentam
tambm problems de comercializao. A titu-
lo de exemplo, os elevados padres impostos
por alguns paises europeus e pelos Estados
Unidos tornaram estes mercados de dificil
penetrao para os exportadores da frica
Austral. A aplicao de rigorosos regulamen-
tos sobre as importaes de mel desta regio
de frica tornou a maioria dos comerciantes
de mel, que sobretudo comercializam mel
silvestre recolhido em colmeias de casca que
fumegam com folhas frescas, impossibilitados
de vender o seu produto aos paises ocidentais
desenvolvidos. Regras impostas pela Comissio
Europeia (Norma Codex da CE) determinam
que o mel de origem africana dever apresen-
tar um distintivo e agradvel aroma floral, sem
qualquer trao de reagentes txicos. Tambm
no deve center vestigios de fumo, estar conta-
minado ou ter sido traado com sacarose.

Estas normas constituem uma provao para
muitos exportadores africanos de mel e cera de
abelha que dependem de variedades silvestres
destes produtos. Sindiso Ngwenya, Secretrio-
Geral do Mercado Comum da frica Oriental
e Austral (COMESA), confirmou que os api-
cultores da regio no tm, actualmente, capa-
cidade para cumprir as exigncias de alguns
paises europeus. Tal significa que a maioria
deles continuar a ver os seus produtos rejei-
tados nos mercados europeus, achando-se,


portanto, privados do seu modo de subsistn-
cia. Expressou, no entanto, a esperana de que
os paises europeus abrandassem algumas das
suas exigncias de harmonia com o espirito do
Acordo de Parceria Econmica (APE), assina-
do por alguns dos paises da regio.

O representante da Unio Europeia na Zmbia,
Derek Fee, afirmou que no se pode pedir aos
importadores que aceitem uma reduo da
qualidade e aconselhou os paises africanos a
auxiliarem os apicultores nas suas reas, para
que desenvolvam as respectivas indstrias at
ao mais alto nivel, atravs do uso de novas tec-
nologias, quer na criao de abelhas, quer no
processamento dos produtos apicolas. "O mel
um produto delicado e requer um tratamento
correct desde a produo no sector primrio,
at ao processamento no sector secundrio",
afirmou. Acrescentou, porm, que o mel da
frica Austral continuar a ser muito procura-
do na Europa devido sua qualidade natural
e ao seu sabor.


> Promouer as exportages

Apenas um reduzido nmero de exportadores
- por norma os que trabalham com agents
estrangeiros que compreendem os mercados
ultramarinos conseguiram encontrar pontos
de venda para os seus produtos. Todos os meses,
mais de 30 milhes de toneladas de mel e 19
milhes de toneladas de cera de abelha, origi-
nria da frica Austral, chegam aos mercados
europeus. A Gr-Bretanha tida como um dos
maiores consumidores de mel da regio, com
importaes entire 25.000 e 34.000 toneladas
anuais. Segue-se a Alemanha com 10.000 a
18.000 toneladas.

De todo o modo, as exportaes de mel e de
cera de abelha, a partir da frica Austral para


os mercados externos, devero crescer em volu-
me durante os prximos anos, especialmente
media que a maioria dos apicultores adop-
tem novos mtodos na criao de abelhas e na
fabricao de mel. Tambm parece existir um
afrouxamento nas condies de importao por
parte de alguns paises que esto dispostos a acei-
tar um mel de inferior valor, desde que cumpra
determinados critrios. Este facto ira decerto
aumentar as exportaes a partir desta regio.

Apesar de no existirem dados exactos sobre o
rendimento resultante das exportaes de mel
e de cera de abelha, acredita-se que a regiio
consiga mais de 46 mil milhes de dlares ame-
ricanos por ano. Este valor pode, no entanto,
ser superior dada a melhoria na qualidade e
nos niveis de produo ocorridos nos ltimos
anos. Agora que as duas sub-regies trabalham
em conjunto na integrao das suas actividades
comerciais, atravs da unificao da COMESA,
da SADC e da Comunidade da Africa Oriental
(CAO) numa rea de Livre Comrcio e Unio
Aduaneira, as exportaes de produtos apicolas
beneficiaro de grande assistncia.

Com uma populao de cerca de 527 milhes,
as trs organizaes de comrcio, que represen-
tam 26 paises africanos, oferecem um forte e
enrgico mercado de escoao para o mel e cera
de abelha produzidos. Na verdade, um sistema
commercial e aduaneiro colocar importadores e
exportadores ao alcance uns dos outros. Porm,
em virtude de decises political, de burocracia
e de falta de funds, no se vislumbra para
ji a unificao destas tres organizaes de
comrcio.



Palauras-chaue
Mel; cera de abelha; SADC; COMESA;
APE.


C@RREIO










































































ail i.ms L 'incl. eus >ic d orcs uda
barnicira trilgilal >du Seli.h.lc. a
maiavJrpraraj 0 future. i divisJa tcte
pm--arquiplcugo podin niuiit bein
[cr uilui.Jo -tuis c- uicn .ura.ceri[i.Tus (oni.
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sinlpul['iia raranienie c i- ualaJil t: a que acr e,,5:
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sistt:eia Ji, es[iili de 'Ws[lminsI[Lr Uni sis[e-
nia quue flunti inn iii i[nirrullp[ianiiinte dis~kJ us
rehbliic-s socialis,[a Jo, anus 7n. Alcnm Ji-s.,
L. rc-nduneLntu per Capl[ essta ap.ra i mais pr.-
,iim J' J],'- paid's riL'- Jdi que Jdo dtis -eusw
Sizinh's,, -i que pc' mrent.s igarantc 'i- -Mi us


hahilttnltc um nivl dlu t itia. d cdu.. a.. LJC
,audc tic l.ngigci.'di> c de scJurtmliva relati-
,.'nileinLc i.inlfrtalvcl 'o.i fl r itii, ina d ullina
idaJ.sfiLdaio dJ' InJiLc de l c.env.l'imecnlt'
f luinajin (IDIH', Jo l'r'grania iJus Naues.
Unidas Lparn De so.envl'imCn[n i ,PNUL')',
Scich.lc- c ein S7." lumar entre I,2 paisc-, .
que us cle,.a enf[re ,-' paise- i,ias Jd en'.eIlvi-
dos. E, del factt, o. ,,niiLt pais african' a figurar
nc-[ra cat-egria para almni Ja .Maurifam, que
aparL..c eIn .L1 lumar


Scichlil- .n Loieuc .'nbihinar a inodcrnidade
ontn unia vida natural e uma inri.c.rniLa de:
o'utrora, l pr.'[et.' Jo'- dJrciies humniin.s i, a


.darJntli Jd Ull b[in n(lvcl lik. iluaidaIJ cntrc
h.'lflnIs c niulhU.rcs

LUma >iws urprcsa, dcslc pais unm sislmli
de -}egurtaniu social que cninsctiue cubrir ni,
'eU e'gur- ie sad ie mu.ra ls [rul[unntol'ets I11.
estrangutruo Rela.s '-iais e uniia slida-
ricdade entree a pnpula.0' nJde resid umn
tnr[c sentunfnti' ide uni3 1-. uni ProesiJ eni
quc gas,[a niuiiv [c-ip ,ia uiar pe lis pura
elt.nil[rur c disu ir cou m s l.dad'os. ep"'ii-
do-sc ,asi L a riticBa c por \i'cs no 'arLusinlln
li'ul que e rtinudJo ai ;i portci,,U,!


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009














Poder dizer-se que o paraiso no existe e
seria outro clich se um ingles do sculo
XIX, o General Charles Gordon, no tivesse
ido ao vale de Maio, na ilha de Praslin ilha
de Praslin que hoje um sitio do patri-
mnio natural da Organizao das Naes
Unidas para a Educao, Ciencia e Cultura
(UNESCO), uma demonstrao cartogrfica
tornando-a hoje uma rplica do Jardim do
Paraiso, tal como descrito no Gnesis.

Um pais favorecido pelos deuses? Claro que
no. Mesmo assim, dificil encontrar aqui
qualquer coisa errada. Dito isto, este 'Paraiso'
teve recentemente algumas contrariedades,
nomeadamente a crise financeira mundial,
que provocou um abrandamento da economic
de Seicheles, um abrandamento do desenvol-
vimento de vrios grandes projects e uma
forte queda da moeda national, que vacilou
antes de recuperar graas flutuao decidida
pelo governor, mas mesmo assim provocou um
aumento do j elevado custo de vida. O nico
movimento de defesa da comunidade empre-
sarial de Seicheles foi baixar os preos para
continuar a atrair clients em sectors que vo
do turismo mdio ao turismo de luxo (o turis-
mo de massas nunca foi desenvolvido por
opo no pais). Com efeito, o turismo, uma
das duas principals bases da economic, parece
ter escapado por pouco at aqui. O optimis-
mo, embora cauteloso, parece estar a voltar.


>




Os problems aproximam-se tambm na pele
de outros pirates, sob a forma de pirates verda-
deiros de Puntland*, que percorrem o oceano
Indico procura de vitimas, e contra os quais
as grandes potencias cujas frotas de pesca
foram das primeiras vitimas exortaram as
Seicheles a assumir uma parte da luta contra
a pirataria, um papel que ultrapassa os meios
desta pequena Repblica, atendendo aos ris-
cos para a sua segurana, qualidade de vida e
democracia. Os pirates dificilmente ousaram
aventurar-se nas guas de Seicheles; mesmo
assim conseguiram criar um verdadeiro golpe
psicolgico na ilha. Havia a preocupao de
que turistas mal informados estabelecessem
uma associao precipitada entire 'pirataria' e
'Seicheles'. Isto obrigou as Seicheles a investor
na comunicao para manter o dinamismo
do sector. Os resultados so prometedores.
O nmero de turistas mantem-se estvel e
os investidores, que tinham congelado ou
suspendido alguns grandes projects de infra-


estruturas, relanaram-nos ou comprome-
teram-se a faze-lo num future prximo. Por
agora, o perigo passou por agora mas
mesmo assim causou alguma impresso.


e


Seicheles um hino crolit, perfeita
integrao de cultures e de estilos de vida, ao
casamento de patrimnios tnicos, perme-
abilidade entire comunidades que fazem de
cada uma um caleidoscpio e em que cada
uma contribui com o seu que de especial, em
vez de se fundirem num cadinho homogneo.
A sociedade de Seicheles uma cadeia de
aparencias. A sua crolit tambm social,
em que as relaes entire classes sociais e cul-
turais aparecem mais fluidas do que em qual-
quer outro lado. No raro encontrar fortes
amizades entire pessoas de meios sociais ou
educativos diferentes, entire um trabalhador
manual e outro intellectual ou entire um cida-
do urbano e outro rural. Um festival realiza-
do no Ministrio dos Negcios Estrangeiros
para marcar a partida do ministry foi um
exemplo desta fluidez, do ministry ao pessoal
de servio.

As relaes externas vo muito alm dos
esteretipos tradicionais, sejam positives ou
negativos. Os visitantes gozam da simpatia
que normalmente se reserve apenas familiar,
com o tu a ser usado rapidamente, para alm
de uma ateno generosa e da ausencia de
desconfiana. E talvez este o maior trunfo
do pais, entire muitos outros. A crolit local
a antitese da uniformidade folclrica. S a
linguagem crioula a mesma para todos e
enriquecida com acrescentos do frances, do
ingles, do indiano e de linguas africanas.

Com efeito, nenhum Seichelense deixa de
encontrar palavras para falar ao visitante que
para numa curva da estrada s para lhe per-
guntar o que pensa do pais -sem esperar nada
do visitante. Trata-se menos de um indicador
da sua a urbanidade do que de uma exten-
so da sua intimidade uma necessidade de
comunicar e de ultrapassar a insularidade. De
todas as maravilhas das Seicheles, este espirito
de empatia talvez seja o mais precioso dos seus
encantos.
* Puntland uma regiao do nordeste da Somlia
declarada Estado autonomo pelos seus lideres em
1998.



Palauras-chaue
Seicheles; Charles Gordon; Vale de Maio;
Praslin;,pirata; Puntland; Somlia;
oceano Indico; crolit; Hegel Goutier.


C RREIO







s&..-hlc ., eportagem


Histria




Uma sequncia bem temperada


hils[ria Je ScichcI- iuratderiza-se
rela[inunlteIntt p uPt' pr [insI5es
imc-iu duran[rc ls s -.-r w ul -
Job Illi- i' is[iL'tis. L\ si.r a[uru,
pur s c.ITpI', niu' p'roduliu a, barhridadesi
'visl ld' ouLra pJartLs JLi IlmunIiti, enll 1i1 luta
pcld iltcpc Ite. lkill, ll1c1. t'l a tl' i'. o .,lpc
de l',tli, dClondi3.a tiurdallL o' primeirlrs
JIan1s Jia Republi a. Nm's rIcpo' mIili' reLientc,
J -esie ,i r csablcLcinnlut' ie uni rcimcn pluri-
partidari., in ,' retilixiranm inc. clieit' cs .,i'n
absIlula Lransparencia. A LinitiL curioidtatic
Cml [tuJr. liso taivc;' Sla '1 factor tie a c.p,'ii.
llnunlla tcr ganhl. uina clul j, Taivc;z porquc
sa'L0 1 inuilt''i 1rc lOu. cLn d. lld'e.iiC[cc tinui-
[o p'cqUclli" pajisc, lailvC pi'rquc '' f1vcrll,.
[L'.','r c qucni u apt ,ia

Pjr.cec qui. ScihAl-es pterniiic-.te:u dc-cin-
ht.iaids 1t: i-crit de MSIi dC. liurtu etm qui:
mi1anurscril arub~is hlis iZr.iram1 rel[rllida.
Iu nilui- [irJc, 1ru p.1ass T1cn d, 'si. u l XV I.
flraim feIt's rcliio's mi'i- preLios st5bhrc csta-
pequenurs ilhus Uni mrupo de ilha- que Jaoq u
dJ Nov.a dJu '. scu niiiiiii : i IT' I, aitnes dei
scrTum rebap[izaJus plu Ie, xplrador Farqhar.
Eni 1 '02, V\"ustu de L ijna Ju-lliG uni nohi'
i'nime. deL ilhus J- Aniliiruiinl, c ,s inip'as de
Pn*r[n lani pi-trio'rmnii[e Ii.crajn rut.erenuia n
r. anan, M.iahe 'u nIn' que tcin hoi', Outro-
nr'ines miluirani SecIC Irnit's ou Suie IrInlis


mistura precoce
1:4iqa illhus i rvirain duninLt inuio tn inp iiu
LIl.]- JeI -s 1na.i' que inn para ai India. cm
Lp-cial tir' piratais que i': iesl rarn para '
CLeiallo IndiLit JLUpt i'is tic nuinor' 's' prrcblIemtd
na, t'.raiba' Mais [lardJ. irTL.a de 1770, o4
I'rancsc ., ll'mcantll C lbtahuci-Lr-sc ilh.
ecguido, porantl-. esra..'o alri an.- J]ibertadobe
c Jepuis ubanrdounaJ's p'r nmarinhicirus uipIesc-st
F o uin ila l i is[ ur d, iu][ura'.

F ni 17 5 _, t', tr:uicc, s apoicuraim-
se vtiil'n.ile det: algu nis lLI, ilha- J'
arquilpelago, qui ieherLt.im..- cmi 17iN, t' nI i'
noumc de "Sthcll ". enl oi'nra de Jcan-Liilrau
Je Schellhc-, u audiuir lin:uiite-ro' de I.uis XV\
quiet Je fact nunca ail prs n'i pes. Mais [.maie,
nIa sequinlca Ja Requluut'd Fralnces,. hnuve
uni ciuntlitu tr'.uic--br[uait.'. C-iTini pari de'-[e
counlitu, eim l' L it: Maiu Tde 17)l1 e'5 lU-Lcs
oL'cuparali Nial e pn '-eri-nirineiie ais ruira5
ilhd'. [Ludt il!i' s ld,' mn' [LtrrJe indluido nI



N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


B r dB, *,iIdidE, VI ci''.i C' s1t'. Ern' pC oll''... drs Ei.',ih les rsL~ ~ e 1VOIllI pFai d LIIIT 1 e1- ,ITi sIl' WesLii, Lst'la er]


lratJi'i Je lPartis 0 diinlnin bri[amuic fui
tbmnulizuJd' ~n 21 de Abril dJe Il 1, quandu
ni G. ernaidir. Nisus llar[helcnyi Sulliun, lui
elnpsai ~kti d cargo.

As "S:lhilcs pas-rumn a Sciihlc-s Nlas Lu
crait.' I a amla Jo' Sellhciisc .inanll\-eradn-
s-c rLeolutain-entl fr-aln cs. etmb 'rt e tcenhan
Jadaptad, a' f rmna e tic ,'.ern. hritLiik as. ]ia


S 'lhe /le 's Bs.f3p :,;' rr-L :. m/s1 uf e f 'ri.J ,.
1 I Ift F'? e ll' y *....jti- l


idenliduide Jupla tria t,'nruiur. Depots da
abholi,-' Jdu c-sam'.a[ur2 cm I N e da sua
inti .a .n,' na le di.s alios Tmais [arJde. SeichIlws
in, seuiu ns ,lauritians, que linhaim
[trnIsprr[uad inli'nlo- Jde Indiiai-n' para re .lizar
n'- trabaulhs rnaiuius e" oli'o c,,nsetqunciila
pasarain por graT.'s icnl' clnicas. (Os .
nO ati Llg, s ec-ras tie uLild po'puljvai'
Jil 7 'C10 habitanLL-e JLc'tl'c narain uni
papcl luntidlllniill 11a cot mid 't'.ct'. La.l.lU,
iaf. cravilh'-ilia-Intia. baunillia c tarlaruga.i.
A jbheruru Jo Lanal .1i Suez 1in IS,,'" ahriu
LIamnIlhl. part o0 harc,, *iapr.r curopcu'
sc rethl -,tacrL in te itr':,. cm ci ahe A
.apiltal. Viltria, Lransltorm iu-sc n auid idade
cnci.n[LiorA. 4A ilha, f'i nun arrcniad]ls a
Igricullit rcs.


Ubertafo sob a gide do
prgmantismo

N unllt' do iulunialismu irnml'-, SIclcles
Pii [transf:drid' pu'ra uiniiii' 1i a M.aurl.ia
Dl)epu, cm u Je No'~ itbro Je ''il,
Siclwl.es ab.Ls'u--e'~ Ja sua Icu[il 4l e tC:an
'.' di- -su pssjramiin -cr cIntrnludas pela
C ,ron Br' nit4'. .A A ni' poli[ica initial
.on'ira n do iiiiiI n culnliial \lcio' L.il cr[tc:a
Jia Ass_,'ina de Pu'adtiures de Inip',-'- t
ni' d, ,'c)rn, pl[kit. Uni -inal unpo'rtain[
tic praginatimlno A r\ac's>'j- que v'litou a







eportagem Seicheles


surgir durante a Segunda Guerra Mundial
desapareceu antes do fim do conflito, graas
ao leo essencial da plant Patchuli, que
proporcionou receitas enormes. Nesse ano, foi
adoptada a Lei colonial do Desenvolvimento do
Bem-estar e foi criado o sistema da segurana
social de Seicheles e, em 1960, foi lanado
um plano econmico para dez anos. Quando
rebentou a Segunda Guerra Mundial, os
seichelenses alistaram-se em massa e sete anos
depois de ter terminado, ainda eram 1 400
os que se encontravam nas foras britnicas
estacionadas no Mdio Oriente.

Em 1964 nasceram dois partidos politicos.
Primeiro, o Partido Unido do Povo (SPUP), de
influencia do movimento pr-independencia
do terceiro mundo, tendo como lider France-
Albert Ren. Segundo, o Partido Democrtico
de Seicheles (SDP), que pretendia manter
a situao colonial e se esforava para
melhorar a qualidade de vida da ilha, que
tinha James Mancham ao leme. O sufrgio
universal foi introduzido em Novembro de
1967. Os primeiros actos eleitorais consistiram
na criao de um conselho legislative, na
ratificao de uma constituio e na eleio
dos ministros para servirem ao lado do
governador. A afluencia s urnas foi sempre
forte e cada votao subsequent reforou a
autonomia local. O Partido 'moderado' SDP


I llhas da Felicidade. No seculo XIX a economic das Seicheles baseada no cacau, caf, cravinho, baunilha e tartarugas
era florescente. e Hegel Goutier


saiu vencedor, como nas eleies parlamentares
de Novembro de 1970, e o seu lider, James
Mancham, tornou-se Primeiro-Ministro.

Em 1973 houve as primeiras manifestaes
de massa pela independencia, apoiadas pela


SIlha Mahe. oHegelGoutier


ONU e pela OUA, e Seicheles tornou-se
finalmente numa 'colnia autnoma' em 1974.
Os dois partidos politicos uniram-se e depois
das eleies de 1974, James Mancham tornou-
se Primeiro-Ministro, com o seu antigo rival
France-Albert Ren como Ministro das Obras
Pblicas e do Desenvolvimento Rural. A
conferencia institutional de 1976, realizada em
Londres, estabeleceu a data de independencia
em 29 de Junho de 1976, meia-noite. Nessa
altura, Seicheles tinha uma populao de
apenas 47 612 habitantes.

Em 1977, foi montado um golpe de Estado
contra Mancham (nessemomentoemLondres)
pelo seu PM, com o SPUP como partido
nico e o Ocidente como 'inimigo declarado',
na terminologia de ento. A oposio foi
silenciada, mas tolerada. Lanou uma contra-
revolta com mercenrios sul-africanos, que foi
dominada com a ajuda da Tanznia. O sistema
pluripartidrio foi restaurado em 1991. Em
1992, foi ratificada por referendo uma nova
Constituio, depois de ter sido inicialmente
rejeitada. Um ano mais tarde, o instigador
do golpe de Estado, France-Albert Ren, foi
reeleito, mas desta vez democraticamente.
Manteve-se no poder at resignar em 2004,
tendo atingido a idade maxima de servio. O
seu Vice-Presidente e herdeiro forado, James
Alix Michel, sucedeu-lhe temporariamente e
foi reeleito confortavelmente em 2006. H.C.


Palauras-chaue
"Schelles"; Seicheles; James Mancham;
France-Albert Ren; James Alix Michel;
Hegel Goutier.



C@RREIO






s:.-hnl eportagem


Economic















depois do




espectro da




bancarrota


ctualmente o tom de alivio, se no
mesmo de optimism, no governor
e no sector privado. Mas ainda h
pouco as Seicheles, atingidas pela
crise do petrleo e a seguir pela dos produtos
alimentares, sentiram um arrepio com a crise
econmica.

O Ministro das Finanas, Danny Faure, expli-
ca com temor: "Desde o inicio de 1998 as
crises do petrleo e dos produtos alimenta-
res atingiram fortemente o pais, que tinha
enormes problems de divisas estrangeiras e
uma reserve monetria equivalent apenas a
trs dias de importaes. No conseguimos
efectuar os pagamentos das nossas obrigaes
internacionais em Eurobond e as Seicheles
foram remetidas para o grupo de paises em
'incumprimento selective' em Setembro de
2008."

Em 21 de Outubro de 2008, o Presidente
Michel falou com gravidade populao
para a informar que solicitara o apoio do
Fundo Monetrio Internacional. Anunciou
medidas dificeis, mas prometeu que teriam
exito. "Comprometemo-nos", precisa Danny
Faure, "a adoptar medidas para controlar
a convertibilidade da rupia das Seicheles,
diminuir o endividamento externo, que em
21 de Outubro de 2008 atingira 170% do
PIB, o mais elevado do mundo, e pr ordem
na economic. Hoje registamos os beneficios.


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


Por exemplo, as reserves monetarias passaram
para trs meses do PIB e em Abril de 2009
obtivemos do Clube de Paris a supresso de
45% das nossas dividas".

O FMI e o governor das Seicheles tinham pre-
visto uma diminuio das receitas do sector
do turismo de 25 %, mas agora a previso de
apenas 15%. A situao melhorou bastante,
graas nomeadamente a uma campanha de
marketing international rigorosa. Em nume-
a -


Banco Central das Seicheles. e Hegel Goutier


ro de turistas, este ano a reduo foi apenas
de 4%. E os investidores do sector esto a
voltar.

Jennifer Morel, Governadora adjunta do
Banco Central, salienta que o reforo da
moeda foi alm das expectativas. "A rupia
esta numa posio muito forte, a 10 por 1
dlar EUA em vez de 17 no auge da crise.
Isto causa mesmo uma desvantagem para as


Danny Faure, Ministro das Finanas das Seicheles. cHegel Gouier

indstrias exportadoras, como o turismo."
Mas para ela, como o mercado que orienta
o valor da divisa, esta dever estabilizar-se
volta de 12 a 13 rupias por 1 dlar.

V. Ramados, Presidente da Cmara de
Comrcio e da Indstria, declara-se bastante
optimista. Sada as reforms que, segundo
ele, melhoraram a governao, "porque o
sistema se tornou mais rigoroso, sobretudo
no que diz respeito atribuio de beneficios
sociais".

Sylviane Valmont, PDG da Agencia de
Promoo das Pequenas Empresas (SEnPA),
presta homenagem ao governor por ter tomado
as medidas necessirias para atenuar o impac-
to das reforms nas pequenas empresas que
dependem na sua maior parte de produtos
importados. Congratula-se com o facto de as
empresas com um mximo de 5 empregados
no pagarem impostos abaixo de 250.000
rupias de volume de negcios. H.C.







Palauras-chaue
Seicheles; Danny Faure; Jennifer Morel;
Vaithunasamy Ramados; Sylvaine
Valmont; SenPA; Hegel Goutier.












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Entrevista do Presidente James Alix Michel por Hegel Goutier
Quando 0 Correio se encontrou com o Presidente da Repblica das Seicheles, James Alix Michel, ele
tinha acabado de fazer uma srie de reunites informais com cidados, deixando a imagem de um
President fora do comum, mas especialmente de um pais com uma acessibilidade e facilidade de
contact entire os cidados e os seus governantes.


CORREIO







Seicheles eportagem


Como que as Seicheles estao a reagir convulso
econmica mundial?

President Michel As Seicheles no foramin
poupadas pelos efeitos da crise econmica
mundial. No passado ji vivemos os efeitos
das crises do petrleo. Quando o petrleo
aumentava, os preos da alimentao tambm
subiam. As Seicheles tinham um grande endi-
vidamento. Desde a independencia, a nossa
political consiste em ter um elevado padrio
de desenvolvimento social. Proporcionamos
s nossas crianas ensino e cuidados de sade
gratuitos, bem como igualdade de oportuni-
dades. Temos igualmente um program de
alojamento que permit aos nossos cidados
obterem habitao a preos subsidiados e
temos um program para desenvolver as nos-
sas infra-estruturas sociais. Devido ao exito
do nosso desenvolvimento, surgiu aquilo a que
chamo um "paradoxo do desenvolvimento".
Fomos penalizados e no podiamos ter aces-
so a subvenes nem a financiamentos em
condies favoriveis. Tivemos de recorrer a
emprstimos comerciais, o que foi muito caro.
A nossa situao tornou-se insustentivel quan-
do a crise financeira e do petrleo e da alimen-
tao atingiu o mundo e a seguir as Seicheles.
Foi por isso que decidi lanar uma reform
econmica global com os nossos parceiros:
o Fundo Monetirio Internacional (FMI), o
Banco Mundial (BM), o Banco Africano de
Desenvolvimento (BAD)* e a Unio Europeia
(UE). Passado um ano, a maior parte dos
nossos parceiros esta surpreendida como con-
seguimos ultrapassar o pior.

Tambm negociimos com o Clube de Paris
e estamos na fase de negociao do perdio
e reduo da divida com os nossos parceiros
bilaterais, de modo que o nosso endividamento
se possa tornar sustentivel no future.

Mas parece que o preo pago pela reform se traduz
numa nova pobreza no pais, incluindo o apareci-
mento da prostituio.

Eu no diria que existe pobreza nas Seicheles.
Quando implementimos a reform, sabiamos
que ia atingir os mais vulneriveis. Foi por
isso que fomos muito firmes com os nossos
parceiros, o Fundo Monetirio Internacional
(FMI) e o Banco Mundial (BM), exigindo
uma rede de segurana para ajudar os mais
desfavorecidos e os mais vulneriveis, de modo



N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


que os cidados afectados tivessem acesso ao
bem-estar. Contudo, uma coisa que nos faci-
litou a implementao com exito da reform
foi a existencia de emprego nas Seicheles; nio
existe desemprego enquanto tal. As chegadas
de turistas no foram demasiado afectadas.
Lanimos um program de promoo do
turismo muito agressivo. Os hotis continuam
a oferecer emprego, os turistas continuam a
chegar e alguns dos investimentos que tinham
arrancado neste sector continuam.

























Portanto, no existe pobreza enquanto tal.
Simplesmente h algumas mes que tem de
ficar em casa para cuidarem dos filhos e
families coim muitos filhos que so apoiadas
pela assistencia social. Nas Seicheles, como
na maior part dos paises, fomos atingidos
pelo problema das drogas. Inicimos uma

problema e prendemos alguns dos trafican-
tes, que esto agora atrs das barras. Temos
igualmente a funcionar um program contra a
dependmncia para ajudar as pessoas afectadas

por esta desgraa. As drogas trazem outros
problems, como a prostituio, os roubos,

etc., que esto agora a ser tratados a nivel da
comunidade. Posso afirmar que estes proble-
mas sociais no resultaram do program da
reform econmica.

pm que media que o pais afectado pela crises
da pirataria?

Tratou-se de uma surpresa para as prafectarias
Seicheles. Como a Somstlia esttui long das
nossas ilhas, no pensvamos que os pirates
nossas ilhas, no pensivamos que os pirates


se aproximariam do nosso pais. Temos uma
grande zona econmica. Concedemos licenas
de pesca UE e outros paises que nos propor-
cionam beneficios em terms de emprego e de
indstria; temos, por exemplo, uma importan-
te fibrica de preparao de conservas. Quando
os pirates se deslocaram mais para sul com o
bom tempo no inicio do ano, as frotas de pesca
foram para sul, o que afectou as nossas receitas
da indstria da pesca. Tambm tivemos algu-
mas contrariedades no sector da navegao de
iates. Mas tomimos medidas. Apelei para a
comunidade international a fim de ajudar as
Seicheles a patrulharem as suas guas, nomea-
damente as foras Atlanta da UE, as foras da
Organizao do Tratado do Atlntico Norte
(NATO), as patrulhas indianas e chinesas e os
navios-patrulha dos Emiratos Arabes Unidos
(EAU). Os americanos chegaram agora com
os veiculos areos no tripulados (UAV). E as
nossas prprias foras esto agora em melhor
posio. Os barcos de pesca esto a voltar e
tem pessoal military a bordo que os podem pro-
teger. As coisas esto a voltar normalidade e
esperamos conseguir impedir qualquer outro
ataque.

Alguns dos parceiros das Seicheles insinuaram que
o pais devia empenhar-se mais na capture dos
pirates e seus eventuais pedidos de asilo. Esto a
ser demasiado exigentes?

Penso que os nossos parceiros tem de com-
preender que sendo um pequeno Estado-ilha,
estamos numa situao dificil. No possui-
mos nem infra-estruturas nem recursos para
fazermos como o Qunia, possibilitando que
os pirates venham aqui para serem julgados
e condenados. No nos podemos colocar na
situao de terms centenas de pirates soma-
lianos a serem aqui julgados ou press. Alm
disso, quando no puderem ser julgados, o que
que fazemos com eles? Falimos com a UE
sobre a nossa posio. Apesar da nossa vontade
e empenho em apoiar a luta contra a pirataria,
temos um problema de logistica, um problema
de recursos que a UE e os outros paises devem
compreender. A soluo para a pirataria reside
na prpria Somilia. Trata-se de um Estado
falhado. A comunidade international deve
encontrar o modo e os meios para criar na
Somilia um Estado respeitivel onde impere
o Estado de direito. Enquanto permanecer a
situao actual teremos sempre pirataria.







eportagem Seicheles


I Embarcaes militares, Mah. Tomamos medidas contra a
pirataria Hegel Gouter

Quai actualmente a posio das Seicheles em
terms geopoliticos, atendendo aos novos amigos na
Asia e na Amrica do Sul?

Actualmente, o meu conceito de diplomacia
nas Seicheles corresponde a uma diplomacia
econmica active. Para sobreviver no novo
ambiente mundial, preciso ser-se economi-
camente forte e para se ser economicamente
forte preciso prosseguir uma political active
de diplomacia econmica. Por isso somos


amii ,,Ig d>k L,.lJ '. >.mul.d, i-. p- i..l, dk. ,'uLIs
paises porque os dias da "mo estendida" aca-
baram. As parcerias so uma situao em que
todos ganham. Hoje somos uma democracia
aberta com boa governao. Isto permite-nos
desenvolver parcerias com todos os paises do
mundo. Pertencemos a organizaes regio-
nais como a Comisso do Oceano Indico
(COI), a Comunidade de Desenvolvimento da
Africa Austral (SADC) e o Mercado Comum
da Africa Oriental e Austral (COMESA) e
temos um papel important a desempenhar
em todas estas organizaes. Somos igual-
mente membros de outras organizaes inter-
nacionais e somos os primeiros num dominio
muito important para a Humanidade: as


1 Para sobreviver, precisamos ser fortes economicamente. Hegel Gouter


ll -t -, *.,." .IllliiaLh.a-j ,-- aliiblhIlL.,. l',iqum.
acreditamos nisso; o nosso future, o future
da nossa indstria do turismo e o future da
Humanidade.

Para onde acha que as Seicheles se dirigem?

Eu acredito na democracia active. Creio que
um bom Presidente deve estar em contact
permanent com a populaio. a segunda vez
neste meu segundo mandato que percorro as
regies para me encontrar com a populaio
(estes encontros so ajuntamentos de pessoas
planeados em locais de grandes dimenses),
para a ouvir e para escutar as suas queixas,
as suas opinies e ideias e para lhes pedir
as suas contribuies, especialmente como
vem o nosso pais no future. Isto d-me ideias
e assim posso planear melhor o future do
pais. Tambm dou uma volta todos os siba-
dos (informalmente) para visitar projects e
encontrar-me e falar com as pessoas. Para
mim, faz parte integrante de uma democracia
deixar as pessoas exprimir-se e encontrar-se
com o Presidente, para falar e discutir. Recebi
inmeras contribuies de elements do pbli-
co, o que enriqueceu a minha prpria visio
das Seicheles, onde hi democracia, Estado
de direito, boa governaio e transparncia.
Neste pais as pessoas trabalham muito. S6
se cria riqueza quando se trabalha muito.
Depois distribui-se a riqueza pela populaio.
A minha visio de umas Seicheles prsperas,
em que todos participam e de que todos tiram
beneficios.
* Todas as notas do editor: dentro de parnteses e em
itlico.

Palauras-chaue
James Alix Michel; COI; SADC;
COMESA; Hegel Goutier.


CRREIO















lNIl







eportagem Seicheles


1 Da esquerda para a direita: Alessandro Mariani, Chefe da Delegaio da Comissao Europeia, James Alix Michel, Presidente das Seicheles. 0 Hegel Goutier


As alteraes climiticas so outra prioridade.
Se olharmos para os recentes discursos do
President Barroso da Comisso Europeia e
de James Michel, o Presidente da Repblica
das Seicheles, vemos um espirito comum, uma
visao comum e ideas comuns. Em terms
comerciais, as Seicheles tem sido um membro
muito active nas negociaes dos Acordos
de Parceria Econmica. Em 29 de Agosto,
as Seicheles assinaram o APE provisrio na
Mauricia e pretendem um APE complete
e abrangente o mais rapidamente possivel.
Outra rea important de cooperao so as
pescas, um sector da economic extremamente
important aqui. Existe um acordo que abran-
ge o period at Janeiro de 2011.

As Seicheles estao espera de beneficiary do
"Mecanismo de vulnerabilidade" da CE. J exis-
te alguma deciso da Comisso?

Como sabe, o mecanismo Flex relative vul-
nerabilidade para os paises que foram atin-
gidos por uma srie de choques ligados crise
mundial do ltimo ano. claro que um pais
como as Seicheles sofreu impacts negativos.
A proposta para as Seicheles de cerca de 9
milhes de euros, que constitui um montante
muito razovel de recursos financeiros adicio-
nais. Se houver uma deciso positive at ao
final de Outubro, entraremos imediatamente
em actividade para preparar um pagamento


inicial de 8 dos 9 milhes de euros at ao final
deste ano.*

Sera que as Seicheles terao oportunidade de bene-
ficiar das "outras facilidades" disponiveis?

Tive oportunidade de apresentar duas facili-
dades ao Governo das Seicheles: a facilidade
energtica, centrada nas energies renovveis,
e a facilidade da gua. Ambas tem grande
interesse para as Seicheles, que tem uma srie
de ideias de projects que podero eventual-
mente ajustar-se a estas duas facilidades. Fui
informado de que no passado alguns pedidos
de financiamento para a facilidade da gua
no chegaram sua concluso. Os interve-
nientes nas Seicheles ji esto agora conven-
cidos de que existe uma oportunidade de
trabalho conjunto que envolve possivelmente
o Banco Europeu de Investimento.

Cooperaao regional

Este ano foram aprovados alguns projects
regionais muito interessantes financiados pela
UE, entire os quais um no sector das pescas e
outro que visa o desenvolvimento dos peque-
nos Estados-ilha.

0 program RecoMap, que esta a ser imple-
mentado, foi reconhecido pelo Ministro
Morgan como uma das intervenes mais
bem sucedidas que o pais aplicou para comba-
ter a eroso costeira. 0 Ministro tambm feli-


citou a CE pelo program de desenvolvimento
das pescas e salientou que as Seicheles esto a
100% com a UE na luta contra a pesca illegal,
no declarada e no regulada.

Compromissos da UE em relao pirataria

As Seicheles esto agradecidas UE pela
sua misso contra a pirataria. Com efeito, o
Governo das Seicheles solicitara UE que
ponderasse a extenso da misso "Atalanta"
Zona Econmica Exclusiva (ZEE) das
Seicheles. A misso foi igualmente prorrogada
para cobrir o period at Dezembro do prxi-
mo ano. A UE e outros paises esto a partici-
par com base numa resoluo da ONU.

* Decises entretanto adoptadas.


Palauras-chaue
Cooperaao Seicheles-UE; Alessandro
Mariani; Hegel Goutier.


C RREIO







Seicheles eportagem


Seicheles ou a proua da flexibilidade.


A cooperao entire a Unio ELropela e
as Seicheles deLI recentemente provas de
uma grande flexibilidade As prioridades
definidas no document de estrategia, guia
qLiase intangivel da cooperao UE-ACP
foramn completamente alteradas a pedido
das Seicheles.

A aposta era arnscada Laura Zampett
responsvel pelo desk Seicheles na Co-
misso ELiropela acolhe com agrado a
concordncia que este pais obteve por
parte da Unio ELiropela e das institLiies
financeiras internacionais com vista a uma
adaptao das suLas ajudas No caso da
UE, sera alterada a forma de utilizao dos
recursos do 10" Fundo ELIropeu de Desen-
volvimento 2008-2013. A Comisso teve
de proceder a esta adaptao num tempo
record Agora a quase totalidade do seu
apoio sera canalizado atraves do oramen-
to das Seicheles.

Esta flexibilidade foi possivel, segundo
LaLura Zampetti. graas a conjugao dos
seguintes factors a pro-actividade das
Seicheles que procedeu a inlimeras refor-
mas de governao economic desde a
crise do petroleo e mesmo antes desta a
preparao precoce da sua lista de argu-
mentos junto das instituites internacio-
nais abordando quase simultaneamente
o Fundo Monetrno Internacional (FMIl,
o Banco Mundial (BMl, a Unio Europela
e o Banco Afncano de Desenvolvimento
(BAD>, o model das Seicheles, uma de-
mocracia political apoiada por uma political
social avanada que a cruise economic
e financeira ameaava 0 Liltimo factor
relaciona-se mais especificamente com o
sistema de Segurana Social das Seiche-
les que introduziu no seLu piano de reform
mecanismos de proteco da suLa political
social (edLicaco e CLiidados de sade
gratuitous atribuio de sutbsidios aos mais
necessitados, licena de maternidade alar-
gada, etc i


O ordenador national das Seicheles do
FED Viviane Fock-Tave, acolhe com agra-
do a pertinncia da ajuda oramental mais
em consonncia com as necessidades do
seu pais considerando que os procedimen-


tos de desembolso continuam nLmulito moro-
sos tanto mais que a adaptaco destina-se
a dar uma resposta mais rpida e eficiente
a Lima situaco de crise


I Li l. -e "Lie [.',r! j.lll'i jO p',r r-. fl ym nu '- i, ii i'f1 .; r' [ rr rr i'n i ildill: E i5 c i 011'JLL E 'IJci ', i i' rie '. Ir ,lU -Ti ijr
ill_[ :nisni. p, 3 l p l_,'-r -,Ji, 3i-'; cs JL,'LildC uH i LI-jH. Ft. F i fl i l:rt-;i ,l d- H ir '-r il I Ci l' 13 ;1




UOCHBULBRIO: FED E ORIlMEnTO


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Unu.:. Eur.:peu3 e '; psei. -"C I:'.- re.-cur-
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de-.:did.:.li nun; i ba-" .:.lun[tarn p.:.r .:3ad
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-.:n.:.:. an.:., e que C fnan.:an i .:. pr.:.grsu-us
indiclt .:. na.:i.:.na. de .:a da pas "P '
pr.:.gr3s3 undic.:l3 .. regi.:.n3 l..de.: ada re-
q:ui' s':5 qual' e nece;sr,. as.resc.entsr
1u'- *pr.:.'rgra s3 t'.:.d.:.;--CP.. '~ FED- 3 ad-
n'-n.[rard.:. "en. n.".n:ie ds Un..:. pel3 Co.:.-i. -
t.,: Eur.:.pel. ,E .:i de u,.nsds. .:. p ei.-.
- reg.:.e -C:. P parte; lui.a s fle.. le- -
uiili.3i ." 3 struibLundas i.und.:. *:n .:riteri.:.
de dle;eunpenh.:. dI:, benefu,: ira:. ena [erni:,
de utuiliz:.:.:. d3 3iud3 s .:u re;er sdas s
i-'e.:3sni;mu:.';-:. .': m.' ":. : '. .,e-Fi.e i ulnerabilu -


dade-fle. i i er entire ;t[3 .:. eun'bau.ad.:.r
"-ie;andr.:. 3 que s3 n e-:hele; .-:t.n;eg.-
ran. 3.: eder

:R:"r.,1Er T, ris: liungiLugen- ds ..: ..:pel.-
ras.:-. UE--CP iubentende-;e p.:,r e;te
teru-u.: *:; re.iur;.:". pr..pru:,.:. ds C,.:.i-iuu; .:.
EIur..:.peu3 EI.;3 ntiu[u.n.: .:. "i 3 u 1tu 3 iu.u par-
te delte; recr.:.; r par pra.:.'e.:t: [.:. u .. fa-
.:uidadeI., .:.:.uru.:. a Fa.:uidade de Fnergqu
IEnerg, Fc.:il.t, e s Fa3.:cIdade de -gu3
IlIter f.-:itl[i .:.Iu 3Inds3 Fa.:i.udade
,-hain.:3 Gl.:.bal .:..nt[r3 3 -Iers.:.:.e C-
unu3Is." i Gl.:.bal 'Clu3ste .:h3ngqe 3lli3n.:ei
Re-lstu s-.ente s esta ult.uu3 de;t.nsds .:.-
bretud.':. 3': p.equen.:-. etst3d.:'. un;ul3re;
n.:. uru.:.uruent.: de .uuupr.'-ur .: ."Courriuer 3 eu-
.:hele:, qiue p.:.dis3un Obter un u.:.nt[3n[te de
2' ullh.l.ie5 de eur.:.; de u311. pre u3s-.ente
preparer uu1ua e;tr[te.giu de .d.ptI.:0. a.
siter3.:.5.e .:l1iu [sti.:ab ,


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009






eportagem Seicheles


GOUERnOiO. RUMO





Passou-se uma etapa no process
de uma eventual alterao da Cons-
tituio seichelense 0 Judiciary
Panel', presidido pelo Presidente do
Tribunal da Relao e Judiciary das
Seicheles Francis McGregor, entre-
gou as suas concluses ao Presiden-
te da Comisso de Reviso da Cons-
tituio Para preparar o seLu relat6rio
Francis McGregor teve reunies de
trabalho coni constitucionalistas e
institLiies diversas nas Seicheles e
no estrangeiro. inclusive em Bruxelas
com a Comisso dos Assuntos Cons-
titucionais do Parlamento Europeu
para Lima troca de expenncias sobre
o process constitutional eLuropeLi e a
expenncia seichelense na materna

Entre a constituio adoptada pelas
Seicheles aquando da sua indepen-
dncia e a sua eventual verso revista
existe Lima continuidade de pericia
sublinha Francis McGregor, dizendo
ainda que um dos membros do seu
panel o Presidente da Comisso de
Reviso e outro membro foi o Presi-
dente da Comisso Constitucional,
na altura do advento do multipartida-
nsnmo ha 15 anos Francis McGregor
congratula-se com a importncia des-
ta pericia


;I lerI


I Eril i li ;i.-. iT, i llii ,Ies MI 1,l H. ..i J'.. ],,,


Convidando parceiros de vrios paises para se juntarem a si
para combater a pirataria oriunda de Puntland (Somlia), as
Seicheles encontram-se no centro de uma coligao que por
vezes tm dificuldade em manter dentro dos limits das suas
expectativas. Desde logo o pais foi mais vitima da comunicao
sobre a pirataria do que propriamente desta. Os pirates
penetraram nas guas territoriais das Seicheles mas no se
aproximaram muito dos suas costas. Assaltaram, no entanto,
uma vez um barco das Seicheles, fazendo refm, durante trs
meses, a sua tripulao de sete marinheiros seichelenses em
troca da libertao daqueles cuja capture envolveu muitos
recursos e energia por parte das Seicheles.


De moment alm das Naces Unidas que um Protocolo de Acordo (" Memorandum of


Fi dr:i.- Mc'lr Eyi Prie?,i&-nri td i: Ti b'iria 1d R :iix'o


apelaram aos seus membros no sentdo da
ajuda na luta contra a pirataria no Oceano
Indico tambm a Unio Europeia e alguns
dos seus Estados-Membros, nomeadamen-
te aqueles que beneficiam de mais acordos
de pesca UE Seicheles como a Frana, o
Reino Unido e a Espanha assim como outros
pauses como os Estados Unidos, a China, a
RLssia, o Japo responderam ao apelo das
Na6es Unidas A Unio Europeia coordenouL
as suas forces sob o nome de Atalanta Re-
presentada pelo Alto-comissano Bntnico
Matthew Forbes assinou com as Seicheles
a 8 de Novembro um 'State of forces agre-
ement" Este pais tem alnm disso um acor-
do de cooperaco de defesa com a Belgica
desde 10 de Novembro Assinou tambm


Understanding') coni o Reino Unido que pre-
v operaces militares conjuntas inclLiindo o
julgamento e eventual pnso nas Seicheles
de supostos pirates se forem capturados nas
aguas territonais deste pais

Relativamente a questo controversy do
direita de asilo a supostos pirates contra os
quais no existam provas ou no existam
provas suficientes para os condenar, as Sel-
cheles ainda no se comprometeram, consi-
derando o pengo enorme para ium pequeno
pais de 90 000 habitantes, de dar asilo a um
grande numero de pessoas que podem ser
perigosas


C@RREIO







- :,.,-i eportagem


Em 27 de Maro de 2009 o Capito Roukou,
pouco depois de ter desembarcado as 18h00
do Indian Ocean Explorer os seus passageiros
e uma comissana de bordo seichelense em As-
sumption, uma das ilhasdo grupo de Aldabra. o
paraiso do paraiso das Seicheles, classificado
como patrimonio mundial pela UNESCO, son-
hava navegar calmamente durante trs dias e
trs notes para chegar capital da ilha Mah
e gozar umas boas fenas Estava-se no fim da
poca dos cruzeiros Tinha oLivido falar dos pi-
ratas somalianos mas no tinha dado qualquer
importncia 'Nos no tinhamos medo, o tem-
po estava bom, o mar estava poLico agitado",
confessa o capito ao Correio No pensava-
mos qLue eles ousassem Quando o segundo
capito os avistoLI j eles estav'am a lancar os
seus arpes O segundo capito chama o capi-
to Roukou e quando este chega, os pirates ja
se encontravam a bordo Eram ento 23h40

O seu calvano estava prestes a comear. 'Per-
guntaram onde se encontravam os tunstas a
bordo Respondi-lhes que no havia nenhum
'E onde esto os tLirnstas nas proximidades?'
Tambm no ha, respond eu. Ento comea-
ram a disparar junto dos meus pes e a volta
da minha cabea Colocaram todos os outros
membros da tripulao na ponte para me mal-
tratarem em frente a eles.' O capito RoukouLi


implorava a todos os deuses que os pirates
no interrogassem os seLIS subaltemos. No
estava seguro sobre se algum deles cederia
Porque a poucos minutes de navegao, en-
contravam-se trs barcos de tLunstas, um com
15 pessoas no total, outro com 16 tunstas e 10
membros da tripulaco e o Liltimo com mais de
200 passageiros Os pirates colocaram o ca-
pito Roukou a falar ao telefone coni um de-
les na Somalia que Ihe ofereceu Luma grande
soma de dinheiro para que ele Ihe dissesse a
localizaco dos barcos de tunstas C capito
continuou a fazer-se de inocente e a suportar
os maus trats Chegado a Puntland Lini pre-
sumivel chefe dos pirates que se fazia chamar
por Alfrena, suibiu a bordo e sem hesitaes
apontou uma arma a sua cabeca No fosse
a intervenco do intrprete que se colocouL en-
tre a arma e ele e ele teria sido atingido Ele
e o segundo capito foram levados para terra
dLirante treze dias para se sujeitarem. sobretu-
do ele a ira dos bandidos Depois disso forani
levados de novo para o barco onde Roukou
passou o rest do seLu cativeiro. PLiseram-no a
falar ao telefone com as aLirondades das Sei-
cheles para Ihes pedir que pagassem um res-
gate em troca da vida dos refens Os pirates fo-
rani generosos. provavelmente pelo facto das
Seicheles serem umni pais pobre e s exigiramni
4 milhes de dolares.


'Cai, itLoP. u L m lUneD L iii n1 ssa f S- dis qLuei 3 lIVU
ii viJ d n- 4 -ter.r de tursts isi .....T



Varias vezes o capito Roukou julgou estar
a viver as suas ultimas horas At ao dia em
que, 30 minutes antes da sua libertaco, os
refns foram informados da mesa No'e
horas de carro ate Adado, uni aerodromo
de Puntland, um pequeno a-io para Nai-
robi e um Beescraft" da Companhia das
llhas das Seicheles at nime patria onde o
President da Republica veio receb-los e
onde a multido aguarda'a Como qualquer
pais democratico em situao semelhante,
as Seicheles no confirmaram ter pago o
resgate mas o pais comportou-se com dig-
nidade PouLIcos pauses enim desenvolvlimento
demonstram essa ligao para com cada
uni dos seus cidados por mais modesto
que seja

O capito Roukou e um heroic que provavel-
mente, colocando a sua vida em nsco, salvou
centenas de tLunstas


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009






eportagem Seicheles


Wavel Ramkalawan
Lider da oposiao








political partidoria


Quando o partido criado por
Wavel Ramkalawan, o Partido
Nacional das Seicheles, se
apresentou nas eleies de
1998 com trs minusculos
movimentos, s6 obteve 1%
dos votos. Menos de dez anos
depois, em 2006, este padre
anglicano, orador carismtico,
perdeu ainda as eleies,
mas com 45,7% dos votos,
tornando-se assim o lider
incontestado da oposio.
0 President da Repblica
desejava ter encontros
regulars com ele ("High level
forum": F6runs de Alto Nivel),
mas ele acabava de declinar o
convite aquando da visit de
0 Correio.


trabalhar juntos para o pais, e, por outro,
no respeita a oposiio.

0 que que preconiza?

Nos distritos, o deputado eleito e o admi-
nistrador nomeado. Consoante a pertena
do deputado maioria ou no, serai consul-
tado ou no para qualquer deciso relative
ao distrito. necessrio que haja eleies
para este cargo. O deputado poderia ser o
responsivel pelo distrito, o equivalent a um
President da Cmara. No deveria haver,
como actualmente, um comissrio eleito-
ral nomeado, mas uma comisso eleitoral
composta eventualmente por personalidades
independents. Num pequeno pais, mais
fcil influenciar uma pessoa do que um
grupo.

Acerca das opaes econmicas do governor.

Em Outubro de 2008, o governor alterou
completamente o seu program econmico
e, sem querer vangloriar-me, utilizou o pro-
grama da oposio: liberalizao, abertura e
convertibilidade da Rupia. Isso fazia parte
do nosso manifesto para as eleies presi-


I Wavel Ramkalawan, um carismatico lider da oposiao.
Hegel Gouter

denciais de 2006. Estamos satisfeitos, mas
necessrio passar segunda parte do nosso
program, que proteger o acervo social
atravs da liberalizao e preocupar-se com
a situao das pessoas pobres, cujo sofrimen-
to parece ter sido esquecido pelo governor.
A pobreza aumenta e comea a aparecer a
prostituio. Os mdicos afirmam que ha
um aumento das depresses. A transio
para a liberalizao no foi organizada de
maneira a permitir s pessoas adaptarem-se.
So necessirios dispositivos de salvaguarda
das reforms, para o Parlamento poder des-
empenhar o seu papel de control.

Sera tambm necessirio pr cobro political
partidiria. No se pode admitir interferen-
cias como as verificadas com a suposta
fundao no political do Presidente, que
utilizou o seu logtipo para a sua campan-
ha presidential, "JjSpirit", e que parece
favorecer os seus membros fornecendo-lhes
emprego. H.C.


Palauras-chaue
Seicheles; oposiao; Wavel Ramkalawan ;
Partido Nacional das Seicheles; Hegel Goutier.


PRIORIDRDES DE BOn GOUERflIO


Porque ?

Ja existia esse tipo de encontros entire o
President e eu prprio anteriormente. Foi
antes das reforms, pelo que penso que ele
procurava o apoio da oposio. Tinhamos
discutido vrios assuntos, mas nunca houve
nenhuma traduo em aces. Ele disse-
me, por exemplo, que queria nomear dois
embaixadores itinerantes e que cada um
de ns escolheria o seu. Propus o antigo
President, o Sr. Mancham. O Presidente
Michel aplaudiu a minha proposta, mas esta
nomeao nunca foi anunciada porque o seu
partido recusou e ele no pde fazer nada.
O Sr. Michel diz, por um lado, que devemos


* Uma parte important dos recursos do
10'' FED atnbuidos as Seicheles no
quadro da sua cooperaco comn a UE
dedicada a estas pnondades de boa
govemaco

* Gesto e restauro das prises, incluindo
a promoco do aconselhamento e re-
abilitaco dos press As organizaes
da sociedade civil sero niais implicadas
nesta rea

* A Academia de Formao da Policia
dara apoio a organisms estatais e no
estatais responsaveis pela definico de


political em matnra de govemaco, em
especial concertos praticas e desenvol-
'lmento dos procedimentos relatives aos
direitos humans incluindo a igualdade
de gneros)

* Agentes no estatais comn actividades
especificas de reforco de capacidades

* Assistncia tecnica e apoio ao Gabinete
do Procurador-Geral para exame dos
direitos humans Durante este exame
podem ser consultados outros interve-
nientes, como organizaes da socie-
dade civil




CRREIO






Seicheles eportagem


Cultura


Surpreendente o dinamismo
cultural, um grande numero
de artists de todas as areas,
msicos, artists plsticos,
dramaturgos... num pais com
apenas 90.000 habitantes, e o
sucesso de muitos de entire eles no
estrangeiro. Este vigor artistic
abrange diversos domnios e o
Festival crioulo (www.seychelles.
net/festivalkreol ), manifestao
cultural e intellectual, testemunho
no final de cada ms de Outubro
desta riqueza numa atmosfera
de alegria. Quanto ao Instituto
crioulo dirigido por Penda Choppy
e a Escola de Arte e de Hist6ria,
so cadinhos em permanent
ebulio.

imblico, o pequeno milagre do recor-
de de vendas de singles batido, ha
quatro anos na Frana metropolita-
na, pelo grupo musical Dezil (www.
dezilonline.com), composto por quatro jovens
talentosos, Sandra, Martin, Juan e Michael.
frente deles, Patrick Victor cuja qualidade
da msica faz dele no mundo francfono
uma espcie de Jacques Brel* tropical. uma
referencia nio s no seu pais como tambm
em paragens bem mais longinquas.

Testemunho disso a homenagem que lhe foi
recentemente prestada por um jovem criador
dos mais imaginativos, Raymond Clarisse, e
podemos apostar que sera reconhecido para
l das margens do Oceano Indico. Raymond
Clarisse, ainda no inicio da casa dos vinte
anos, prodigio desde a adolescencia actor,
director musical, dramaturge, realizador de
televisio e coregrafo. Criou a sua compan-
hia de dana e teatro com 16 anos de idade.
Acabou de adaptar a comdia musical Kastor
criada por Patrick Victor ha 25 anos com o
seu coro, Mahe Chamber Choir, que criou ha
cinco anos aps concluir os seus estudos no
Pais de Gales, onde durante os seus estudos de
teatro e cinema, desculpem a modstia, diri-
giu durante um ano o Elizabethan Madrigal
Singers mais conhecido por MADS, o coro



N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


mais antigo da universidade Aberystwyth.

Marie-Thrse Choppy dramaturga, especia-
lista da cultural seichelense salienta o aspect
crioulo para explicar o caldeirio de cultures
que constitui as Seicheles. Relativamente ao
teatro ou comdia musical, demonstra com
paixio como as msicas e danas moutya
e sokwe, parte da herana africana do pais,
podem ser consideradas como proto-teatro e
escola de criaio uma vez que representaram
sempre os events ocorridos em todos as reas
da vida.


Para ler: Glynn Burridge "Voices",
Nighthue Publications, Seychelles 2000

Para ouvir:

Dezil "Welcome to the paradise", Sony
BMG www.dezilonline.com

Ion Kid (membro do grupo Dezil) "Ou",
Produo Jimmy Savy, Seicheles

Jean-Marc Volcy, Madir Music
Productions: http://www.madir-music.
com/


Locais a visitar:


Para informar-se sobre:


- ICCS ("International Conference
Center"), espao vivo com exposies e
sala de espectculo cujo hall de entrada
destaca-se pela sua criao original, fal-
samente naive, uma escultura base de
conchas da artist americano-seichelense,
Lucy Hickerson, "Mermaid's nightmare".

- Institute crioulo pela Beleza do lugar e
pelo seu Legado intellectual. E se tiverem
a sorte de conseguirem falar com ela,
sua director, a Sra.Choppy que conhece
seguramente tudo sobre os artists e a
arte do seu pais.


"Seychelles Heritage Foundation" /
Fundao do Patrimnio das Seicheles
Patrick Nanty, Director /Chairman, La
Bastille, P.O. Box 3008, Telefone: +248 225
240

Seychelles Nature: www.natureseychelles.org
H.C.

Palauras-chaue
Festival crioulo; Instituto crioulo; Penda
Choppy; Escola de Arte e de Hist6ria;
Dezil; Marie-Thrse Choppy; Hegel
Goutier.


TURISmO. fmoR fi PRIMIEIRf UISTH


Num pais j excepcionalmente bonito E
necessrno ver o mais possivel A no per-
der as trs ilhas malores Mahe, Praslhn e
La Digue E se possik'el duas ou trs das
ilhas coralinas

A no perder estes prazeres simples

Mah A capital Vitoria, uma pequena ci-
dade simultaneamente bucolica e moder-
na Um Domingo em Anse Royale onde
toda a ilha se encontra, onde todas as
classes socials se crtizam serm cernm6nia
e dedicam-se ao dolcee far mnente'; San-
dra e Michael do grupo musical Dezil no
mnlito distantes de Jennifer Vel a jo'em
parlamentar mais nova do pais

Praslhn Ainda que apareca em todos os
guias com lima infinidade de detalhes, fi-
caro surpreendidos com a sua beleza, o


Vale de Mai em Mah, parque encantador
se estiver corn os seLts 'frutos protegidos"
cujo coco do mar vulgarmente conhecido
por coco nadega tomou-se o simbolo das
Seicheles

La Digue, amor a primeira vista entire
todos os amores a prnmeira vista Onde
cada pequeno recanto oferece moments
de prazer Onde cada habitante parece
apreciar-,'vos simplesmente por aquilo que
so Onde o proprietrio de um pequieno
hotel Kot Babi tornou-se a image da
hospitalidade da iha 0 seu proprietario,
antigo chefe de cozinha de celebndades
como a familiar do Shah do Iro, de tem-
pos em tempos prepare para os seus
hospedes pratos deliciosos quie de'eriam
custar mais do que o preco relativamente
modesto dos seus quartos






escoberta da Europa


l. Ii t ii ,.r M,., ll'h-.1, i",,, i l i


ie .i,t 'le Shlin iln que I,.'ei,:l 1 ttz ',I.' m iti'e. ii..
'.1, I .iitl. i- lili)*,Izj |),, SI 's *.e. ,.l ,fl,' ,- ,i tiit-l
pl1, te Il -.b d I: e [:lZ l tM ,:l i- i.el.il C. i
1 ltl-! i in le i Ze liti ii i e i c i[C'i*ii 'l isI >
rSI. .IP Z tir 1,,? (i
tir .lt- 1r< i iettI iA r ti sUi ru r"(, s eli,' .[Nrlls nl "il rn j,,
-1i. c mll eii,, ,I-- "Ti(lie Celta' -iLI I'I \I Llnm I eze) : c mni
I li lUtl Iu > CcOM Ceptici>II p ()i t[ tUtiti' lIIlk iii- -b d i
Uinh.- Etul opela

H-|e ,.t Ti'Irt C-Ilti esta teri lo A s is ltr t ls I \ i ten- i
l.I ili tenpl -i cicitIizar Emn Limen ick s.Ib'ietultl, c-,ipitil
cl,i ie t|i, . I lt. a liiI.illiC ,i tn-.*Iui c.it lil icin itIt est.u-
pefact.i 'I-1 lres'ie ,I,., f,:h> l cnte CI t lmp ulth lles. DeII
Itil. ,.le l llU Ii .i -1,i bu1.1 l :ca .- Miti i '.ie 1i,.i.-t.r-ui)l ,1 l.),Il ,itL,
- ,le lc,:lizr--..e p ,r, P,.,l.,niF


Ap*' tel aicuel-luj c ''Ipe e uIm i P' IlJc. iii i i-aI letp-t is 1i. "silm'
I1i.i i (l, ''s i i-ndet. s ) I 1' ) I' 'le e ll iii j hit t T t at'i ) le


Lis1l' ', ,1 re.t i., tiz c,.,lLt-is E ., l),:inil '. p r,:ilec e t.il I 'l e lIe

o'm ifmi intel l-.ci,.,iiil e unmn z,.,ni ,:i,,l,,it.,:tii,:l om un'm
e nlilIl e pI .tn(tr icial P i ultin; cu *,ntillUti tIt.s> eiii ilites
t(lli.i ,i ilis i.' si .'.,c ll,, [tii-ii C isti tl l si el -, 1' i e t' l' mii.-
Alild- ciUe .'l ii- ii" l "ll b ') i [*i, 'lic. lteilih i-ni lrC iii(tle ir(ie-ss li
,I c:,'IS I ,: 'I L reh- 'se. ll-t i ,, e m eIu1 limbsl lic.l lIull pals
' in .e- et 11 ri ii['t t" i c l a .i i 11 i i i tueles t1 i)i i 11i t i, li inlt
p I'iil'i t1 m i(iupi 1 P 1tIIte .1 Ire i n ,c1t 'IIUI ') ie ceu Gi i.ite
Ftilre j( 18i47. jue i \ i )t un 11 i ille iiuInm-ir d p11.tl Iil I. I m1.,1I li.r te p.lt.ii is Esttii-,' Unidnsi



'lTi ce|,i .ltr 1S(. )iii i ls t-ilr i i tlu iiLi-i i t''|Ume cciii-
t.ui.e el(a i drei lS ,ill em mi i\ il. tlc -i ll.i Cllltl,:i ,na1 c rli n -ie li-
-ll., a1 ti l a I.)ll| | lade ,.la pullItica I Clc ial ,.e (i .. |.)elC,:i

ptili t detlel1 7 .1 Ime ltu

E t iec isa i-mente eni Le imei c k e temn s de .' A-enc .i pal 'i
ai Al|ldj i ) De [ selii (l i, iiiitt d- cI() riln )


. : 4





escoberta da Europa


no Tigre europeu

Aps 344 quilmetros de curso, o Shannon, o rio mais longo das Ilhas Britnicas
- e um dos mais belos da Europa desagua no Oceano Atlntico, depois de ter
feito um ultimo desvio em redor de Limerick. Enquanto cidade principal da regio
do Shannon, Limerick um resumo da histria do Eire ("lrlanda" em galico).
Mas como relatar esta histria, tumultuosa e dolorosa, feita de rebelies contra os
ocupantes e de imigrao, que remonta a cerca de dez sculos antes da era crist,
para prosseguir com a ocupao duradoira dos Celtas?


[III, ~'bI lu.q 1 L ,lu[ .. [r LIUI I.'
UkI[''-U -' lu.. -1lL 1.
r ni. i iLiii .1 l r,- u 1. p -r

i.riiiiL 'n icil ''i, .111 u," r.iiii % 1:,Li.,-
Li r..'i- 'i L..ii.. i1. -r r.'1ii.1 Il .ti
,I idl '' v.'r un. iii. *.'u dc i. '1ki Iutru i.'. quc:
,L u 1 1.I inl, i. l 1.i r- -L Ir. d I.1 illi


llil . Pii..iiji..I quc ,iip ... rd...' iin-u

il,- liu. 1. ,:ciiir. c i'.i'u''i '
*i .' iiiii,..ni. nii -i'. irthciu .t.u '


*1 ndd ovid 'r..' .. l i ilu ui- i"n .ki, I. ..


c~.p n'.''''hI1'...i'-'' i.rci-. .


1 q







escoberta da Europa Shannon


No sculo XII a vez dos ingleses tentarem
impor a sua supremacia ilha. Apesar dos
seus esforos de segregao interditando
a miscigenao de anglo-normandos com
irlandeses o "encanto" irlands volta a dar
frutos. Surge ento uma colonizao mais
dura, designada por "pacificao" imposta
por Olivier Cromwell que, a partir de 1649,
deporta regimentos inteiros para Espanha e
Portugal, grupos de civis como escravos para
as Antilhas e confisca as terras dos catlicos.
Em 1685, a revogao do dito de Nantes leva
um elevado nmero de huguenotes a fugir
para o territrio irlands, onde o recent rei
de Inglaterra, o protestante Guilherme III
da dinastia Orange, inflige uma derrota ao
rei catlico deposto, Jaime II, na batalha da
Boyne em 1690, aps o que viria a sitiar o
exrcito irlands, em Limerick. O tratado de
Limerick permit aos sitiados, denominados
"Wild Geese" (Gansos Selvagens) que partam
para Frana.

Em 1800, o Acto da Unio suprime o par-
lamento irlands. Segue-se uma rebelio,
conduzida por Robert Emmett, que vira a
ser reprimida com violncia. Emmett sera
condenado forca, mas o discurso que pro-
feriu durante o process viria a inspirar as
geraes futuras de nacionalistas. Na cida-
de de Limerick, o advogado catlico Daniel
O'Connell, apelidado o Libertador do povo
irlands, foi eleito deputado pelo condado de
Clare, em 1823. Em 1829, far aprovar o Acto
de emancipao dos catlicos, que lhes permi-
tir terem assento no parlamento.

Os movimentos independentistas multiplicam-
se. O ano de 1902 assisted ao nascimento de
um novo partido revolucionrio: o Sinn Fin
("S6 Ns"). De 1919 a 1920, o IRA (Exrcito
Republican Irlandes), dirigido por Eamon de
Valera e Michael Collins, leva por diante uma
guerra pela independncia. Em Dezembro
de 1920, a ilha dividida entire a Irlanda do
Sul constituida por 26 dos 32 condados da
Irlanda com sede parlamentar em Dublim,
e a Irlanda do Norte constituida por 6 dos 9
condados da Provincia do Ulster com parla-
mento em Belfast.

Aps os conflitos sangrentos pela independn-
cia, a Irlanda conhece finalmente a paz e uma
relative prosperidade, muito embora tenha
igualmente passado por enormes dificuldades
econmicas e uma emigrao significativa,
durante as dcadas de 30, 40 e 50; a sua
entrada na Comunidade Econmica Europeia
em 1973 deu-lhe acesso a um mercado mais


extenso, permitindo-lhe tambm alcanar
beneficios da political agricola comum e dos
funds estruturais europeus. A emigrao
estancou, mas o pais conta apenas com 4
milhes de habitantes (5,5 milhes no con-
junto da ilha), muito embora se estime que o
nmero total de pessoas de origem irlandesa
no mundo a diaspora irlandesa ascenda a
60 milhes. M.M.B.


Palauras-chaue
Shannon; S. Patrfcio; Limerick; O'Donnel;
Tigre Celta; UE; Grande Fome.


l GRRIIDE FOIE DE 1846-1848


Enm 1c.-46 apareonienil de un'i lun,:'o des-
lnad.:. n'.ildi nas cultures de batata que
Consliluia o principal ailment|.: dos campo.-.n-
eses Irlandeses trou.e c.:.nsi. una aga
de fnme .:eneralizada -o co:.nlrarn.:. do queC
c.correra durante a fmn-e de 17.-10 .-.s por-
t.:.s irlandeses perniane.:eran'i at.er..s por
pressao d-s comerciantes pr.:.lestantes
.o n'esn'u. tenlmpc que failias inle.ras


nmorrianm de [ome c':mbonos de alimenie-s
pertenca ds- landlords e es:,clltad'-s pcl
e-ercild: parlian' para InQlalerra histlria
dla Grande Fmn'e ncon[ra-se documen[a.
da no: miliseu de P.:.scomn-n-on n lin-mile da
region dc. Shanncon A Irlandla irua a perder
pi:.r mrle :Lou por emiqraco a ma.:.ria d.s
eus .- mnilhes de habitlantes


EnFIM, O TIGRE CELTR DISSE "sIm"


A 3 de Oulubr., de 2009 os irlandeses .0-,,
taranm finalmenle a fa .:.r d.:. Tralado de Lis-
boa c.-m 69.1.".. dos ..l.-s quinze nmeses
apos :. n.:. que Suspendera C. pr.:.je.:lo de
,Constitluico para a Uni.-o Europea ULima
decis. e.-pl.:ada princ.:ipalmente pel.:.s
re ezes econ-.nic:.s que traiumatliZaram a
Irlanda no ultimi:. an: Esta recesso: a pl..r
que a Irlandla l e apos a independencia
abaleu-.se cm a fl.:rca de Lium :hncole sotre
' impulse de desen c1' im'ento e,-nonmic.:
,,erifi.:ad no pas a partir d.: inicei da dl ea-
da d.e 1990 un impuls tali que a Irianda se
tornara ao5 .:.lhs dc. n'und.:. o Tiqre Cella
Segund.-. .-.s e.:n.nmiisas a :res:imento
en. 2009 de.eria reqiilar umina co.nraccao
atle .. .:on. un. no..o decln. a.:enluado
en. 1010 dinmenso ec:.n.:.nimica da ad-
es .:. da Irlanda a Lniz.- Eur.-.pe.a ausenlt
do debate en. -00.-- f.-i ento c:olocada no
Centr.z da Canmpanha relatlr a ao segindo rel-
erend.-. 0 delic.:e da Irland e actualmnente
Snmais s.inificah.,,o da LIE 0 afundanment.-.
do .sisen'.a bancano irlands foi e' lad.:, a
justa em Setembr. de 20'.. .racEas a Luima
garanlia o,..ernamenial de 400 fmilhes de
d-lares para tod.-s dep.-sitos bancarios
'Z Eslado pIr oulr.:ado.: assuLinIu asdir idas
dos pron'.ot.-.res inmiobiiarli. p.uc. esc:rupu-


l:s5s criando um Li banc,, cao.i-te d. ii.c.
M Irlanda relir'u. considera..es benelicios
dos funds. europ.eus no decursc dos 35
an.- senquanl. Eslo-.enbmuroe en m 200.-,
o cr:amento : comunitari: rua ainda a con-
ceder-lhe Lin mn.:.nlnle iquido de 500 mil.
he de euros


I -. J, r
........ ..... l..m.


CRREIO






escoberta da Europa


Um sentido historic







f"A erradicao da fome represent no apenas a pedra angular do
r m nosso program de ajuda, mas tambm um element essential da
nossa political external explica-nos Peter Power, Secretrio de Estado
responsavel pelo pelouro do Desenvolvimento. que a Irlanda no
esqueceu o seu proprio passado. A Grande Fome dos anos 1840
permanece "inscrita nos nossos genes", sublinha o responsvel pela
Agncia de Ajuda Nacional ("lrish Aid Agency"), bem como todos
aqueles com quem falamos na regio de Shannon.
Peter Power. 0 Marie Martine Buckens


.\. le Ajuda Nacional estabe-
lI 'u-.- na cidade de Limerick em
',, is I sequencia de um extenso
pi .*ii ,w., de deslocalizaio levado
a cabo pelo governor. Esta uma cidade que
Peter Power conhece bem, ji que ali cresceu.
No total, 70.000 pessoas pereceram ou imi-
graram durante aquele period no condado
de Limerick. "Em 2006 crimos um grupo
de peritos para assessorar o governor sobre as
political a implementar com o objective de
combater a fome no mundo."

Este grupo formado por acadmicos e peri-
tos notiveis, conta ainda com a participao
de Bono, o activist e cantor do grupo irlan-
des U2 apresentou as suas recomendaes
em 2008. "Em Setembro l1timo", continue
Peter Power, "o nosso Primeiro-Ministro
(Taioseach em galico) Brian Cowen, com
o apoio de Ban-Ki-moon, Secretirio-Geral
das Naes Unidas, decretou que a luta con-
tra a fome e pelo alimento deveria ser priori-
tria no mbito das political de cooperaio.
Esta uma luta que tambm o governor de
Barack Obama encara como prioritiria. E
com satisfaio que vejo os Estados Unidos
avanarem como lideres neste combate.



De forma clara, o governor irlandes resolve
consagrar 20% do seu oramento a pro-
gramas de revitalizaio da agriculture em
paises do terceiro mundo, onde a Agencia
opere, nomeadamente em nove paises, dos
quais sete se situam em Africa. A agricul-
tura era um sector algo negligenciado pela
Agencia que, at agora, se concentrava
em aces de luta contra a SIDA, na boa
governao, na ajuda humanitria, no apoio



N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


sade e educao. " urgente que a luta
contra a fome se torne uma prioridade abso-
luta para todos os paises", insisted o respon-
sivel pela Agencia de Ajuda irlandesa. "S
falta vontade political Para convencer os
seus parceiros, Peter Power nomeou Kevin
Farrel, em Janeiro de 2009 "enviado espe-
cial" para a luta contra a fome. Trata-se de
uma "personalidade de peso", que conhece


bem o problema: de 1989 a 2008 trabal-
hou para o Programa Alimentar Mundial
(PAM) das Naes Unidas, tendo-lhe sido
confiados postos importantes para gerir
a crise dos Grandes Lagos, assim como
no Uganda e na Somilia. Sem esquecer o
Zimbabu, onde, de 2002 a 2008, promo-
veu uma das mais abrangentes operaes do
PAM, para responder crise alimentar que
assolava o pais. M.M.B.


Palauras-chaue
Agncia de ajuda irlandesa; Peter Power;
APD; luta contra a fome.


CERCfl DO 0,6 DO PIB COlSflGRflDO fl HJUDfl


a 3jiida3 rlac-: P3rOLI -d 3LIM.-fII3r -d.cde o anc
311103 P-iit-IIC3 30 01s~ ici enu:.
imPDi asci--fldeu a 900' milrfl-s rie e-urc's
rn1 jiDc> r.Lpr.LSenIr3rndO Lilrl 2umIenic'1 -1-L

EnI Le.rmcs- 9-L"CE1`1.rC3na -10 SeL rnmei
fl3cicfai 1riOPlJBi 3 aILI-13 PSIS50.sc -li
C> 9-3)r3 I> L um des.1G-MP.rnlO 39'I3I*
dido P13 ColhiSS~ d~ ~susi4ncia ac-Os
c, nioC-E'i -13 (41.D e C GCSI.In-
113 que e~.teins re.uIIa-dc' cocIccarsini
3 Irlan-13 -LM 6' Pc'Si'i n-:- -c'nlLIrnLo d'-
p,3iEsS m.-nLo dC, ` L) LM IiErrn0S dO c-
imine -dr- rr-ndin1elLt:. 1`13-c10l"1 NUrLO e 1n _'
PcOSKJ 0 Efli Irmcs dc' .2110 Iliqid0 de 3ILI-13
PLIDIIC3 30 deS.rI 0:1. m.rnLO


Pc'reni 3 crise r-cocronlcsipr~e por la
11o final de o' c> -c .rnc: iriandes diECI-
d'L a.3flc3r corii scores a .mPE COrL.S -qLI1
0II1313M 3 rc>cc'rri-r flni 2009 0 c:rc3menIc>
3CIL131 '_- c -l.l3' 1.e1`im3 rF-ILl':O 101a1
diE 19r. filrhiLOE. d i.uc' dur3nle OS -quaIr0
p'rinie,ros rn1.se d.1- ouC' 01S13 Il FY'.. -c,
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John O'Shea, Chefe da organizaao GOAL, encontra-se com
Sharon Commins a sua chegada em Dublin. aMarieMartne Buckens I





do pouo irlands

A ajuda aos mais necessitados uma prioridade das ONG irlandesas para o desenvolvimento. Estas
organizaes, tal como as misses catlicas igualmente numerosas no pais de S. Patricio reunem
unanimidade no seio da classes political. isto que explica, sem margem para duvida, o apoio finan-
ceiro de que beneficial. Cerca de 20% da ajuda publica ao desenvolvimento, ou seja, o maior con-
tributo entire os paises europeus, segundo dados da OCDE.


13 de Outubro de 2009, a Irlanda
encontrava-se em estado de
comoo. Sharon Commins, de
32 anos, natural de Dublim, e
Hilda Kawuki, uma Ugandesa de 42 anos,
ambas funcionrias da organizao humani-
tria irlandesa Goal, sequestradas em Julho
passado no Darfur, haviam sido libertadas.
"Hilda e Sharon viveram um calvrio trau-
matizante mas, felizmente, ambas detiveram
a fora e a coragem para lhe sobreviverem",
declarou nesse dia John O'Shea, Director da
Goal.

Esta ONG, que cumpre uma longa tradio
de auxilio "aos mais pobres dos pobres"
e a todos os que so afectados por crises
humanitrias, trabalha no norte e no sul do
Sudo a fim de prestar os primeiros socorros
a mulheres e crianas, muitas vezes deslo-
cadas, incluindo o acesso a gua potivel.
Encontramos esta ONG tambm no Qunia,
onde vai em misso de auxilio s families
deslocadas na sequencia da onda de violencia
surgida no rescaldo das eleies de 2008; aos
habitantes dos bairros de lata de Freetown, a
capital da Serra Leoa; as families em situao
vulnerivel do Uganda e do Zimbabu; ou


ainda s crianas das ruas de Adis Abeba,
na Etipia. Neste ltimo pais, onde a Goal
opera desde 1984, foram postos em curso
novos programs sanitrios com vista a res-
ponder crise alimentar que afecta mais de
6,4 milhes de etiopes desde 2008.

Uma semana antes da libertao das duas
funcionrias da Goal, outra important
ONG irlandesa, a Concern, prestou home-
nagem ao seu fundador; o padre Aengus
Finucane, falecido a 6 de Outubro com
77 anos. Foi no ano de 1968 que este
padre, natural de Limerick, fundou, junta-
mente com outros missionirios, esta ONG,
aps ter trabalhado na regio do Biafra, na
Nigeria, em pleno period de guerra civil.





"O Irmo Aengus Finucane tinha um com-
promisso absolute com os mais pobres dos
pobres", declarou em 7 de Outubro, Tom
Arnold, Presidente da ONG Concern, que
explica, numa entrevista publicada na pigi-
na web desta organizao, as razes que
levaram a que a criao da Concern tivesse


uma tio grande adeso por parte da popu-
lao irlandesa. "A guerra civil no Biafra
conduziu a uma situao de fome grave,
fome essa difundida em director pela tele-
viso. A television surgiu na Irlanda apenas
em 1961 e, para muitos irlandeses, o Biafra
representava aquilo a que chamaram 'A
primeira fome em televiso'. Mas um outro
factor explica o compromisso irlandes com
a Africa. Nessa altura, muitos missionirios
irlandeses trabalhavam em frica, espe-
cialmente no Biafra. Em cada comunidade
na Irlanda, conhecia-se um padre ou uma
freira que l trabalhavam. Perante o choque
das imagens ergueu-se uma onda imensa
de generosidade, conduzindo criao da
Africa Concern, que viria mais tarde a
chamar-se Concern." Tom Arnold acres-
centou: "A Grande Fome teve um enorme
impact psicolgico sobre os Irlandeses e
uma das razes pelas quais eles mostra-
ram essa extraordinria empatia para com
as populaes pobres de outras parties do
mundo." M.M.B.

Palauras-chaue
ONG; missionrios; Goal; Concern; Irmao
Aengus Finucane; Tom Arnold.



CRREIO







escoberta da Europa


Ontem, uma das jias do
"milagre economico" irlands,
a regio de Shannon,
encontrava-se em estado de
choque. Contudo, Maria Kelly
est confiante. Esta jovem de
quarenta anos e dinmica
President da Cmara de
Comrcio de Limerick, v nesta
crise uma oportunidade: "Isto
torna-nos mais fortes e obriga-
nos a reavaliar os nossos
valores."



,leciso tomada no inicio de 2009
I 'ela Dell segundo fabricante mun-
,lial de computadores de encerrar
sua produo na fbrica emble-
m~tica de Limerick um desastre para toda
a regio. Esta deciso afecta, no apenas a
fbrica da Dell, mas tambm os subcontratan-
tes regionais, o comrcio e toda a economic de
uma regio ji fortemente atingida pela crise
financeira.

O piano de despedimento da Dell dever afec-
tar cerca de 2000 trabalhadores. Este fabri-
cante de computadores represent a segunda
maior empresa privada e o maior exportador
da Irlanda, com um peso de 5% no PIB do
pais. Em Setembro passado, o Presidente
da Comisso Europeia, Jos Manuel Duro
Barroso, deslocou-se a Limerick para anunciar
a dotao de uma ajuda financeira de 14,8 mil-
hes de euros, concedida no mbito do Fundo
Europeu de Ajustamento Globalizao. Esta
ajuda pretend ser um contribute para que os
trabalhadores despedidos consigam encontrar
um novo emprego. Tambm se espera que o
governor irlandes desbloqueie alguns funds.


* ~
4-..


Limerick. Marie-Martine Buckens


"No total", refere Maria Kelly, "sero coloca-
dos disposio dos ex-trabalhadores 23 mil-
hes de euros. Todavia, a deciso da Dell deve-
rn representar uma perda global de 20% de
empregos na regio. S em 2010 o impact se
fari realmente sentir". A isto se junta o reben-
tamento da bolha imobiliria. Na regio do
Shannon que engloba os condados de Clare,
de Limerick, de North Tipperary, de South
Offaly e de North Kerry, e onde residem meio
milho de habitantes o efeito foi igualmente
devastador. "Em 2006, a nossa regio contava


com o volume de construo e de actividades
conexas mais important do pais", acrescenta
a President da Cmara de Comrcio. Naquele
ano, graas s facilidades concedidas pelo
governor e pelas entidades bancarias, foram
construidos mais de 90.000 edificios novos.
Depois a bolha eclodiu... M.M.B.



Palauras-chaue
Maria Kelly; Cmara de Comrcio;
Limerick; Dell; aeroporto de Shannon.


IIPOSIIIR 011 ENCELEOCIII E EDi SHHII100


Maria KFil,, r' 3s-' a 31'aar OS D3racc:s -
iaZ cna Se fiZi-rrnIOS LIMa hala dacLlIc'



mos Iodos os inqu-jr-inLes mias IImcS mLIi*
[OS E -i5IE. ain-1a o Capital hLlManc fcrmna-c
Pcr LimaI Pc:PiIac.o Einlin.n[lrIErnle c0-
POIOS. Uif i-rEiariros tecfliCco -je renorne
Epcsas infra-FsIrLi[Liras Drrnlrc -1r- irnl
ain-: LiSiiC'lecEr-Didd a5 ir a L)ii
IDIIM e C~EISiara Iligada P-cr auc EISIrada3
as QraldiES CIdadiES do Ipas M SuaL 'si3
r- Central -ern .:Omao ae0 ol -1. Shan-
n.:n Icaiaoa 21D Vrr de LimEriCIv: i---1al
..rigerni re.rnlonla a0 anc: de 1936 -quando c
Esiadic decidiu cons~irLiir 0 prm.irca.rOpr-O


o0 LransaIIanlC-c SLia PSia I.rar e
a mais ion-p da I3rlana e~riIl acc:i-
rler a,, OC5 _`1rDus 3,80 sr ni Cc:ntar -CheiC li
coflcet-ido para ..ai v--ns v-pac 'ais
da 3 .S L' flCSic-siifl1 d. alirrar enm
casc. d' mr' ni as ec~rId sie
arprcCr01L rFC.LnLerllnt-L LIM3 z-ona
de trnsitc que cc'rnDiifla as3E ra, dd~
fronir-iricas ccnas liIandel.Drias Scrncs
OS. LIflicos Lifafl1.nlI cofi o Ca3n3adaL as
Baflamnas a P.rmiLIr as .cOmllganflias aer.aS
quei v--niregueie -liri-.CIrnleni.-. OS SeL15 PrOdi-
[OS acS -1.SLnawaros E acrFscr-n[a M~aria
sioIV 1 si-m contar corn o encrme pcien-
Cia1 [Lrslcc'. .1a r.L.Di0


N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009







escoberta da Europa Shannon


irlandesa bate em Ennis





Os grupos de msica traditional abandonam pouco a pouco
os pubs para actuarem nas salas de espectculos. No Glor,
sobretudo. Este centro cultural de Ennis, sede administrative
do condado de Clare, tornou-se, em oito anos, a referncia
national. Mas a ambio do Glor vai muito mais long.


e parar num destes pubs, que frequen-
temente existem entrada de uma
aldeia, poder ainda ver, sem dvida,
escrito com giz num quadro em frente
do pub "Live Music this evening" (Msica ao
vivo esta noite). Tocadores de banjo, flauta,
acordeo, violin ou harpa cltica renem-
se para tocarem juntos uma ou duas horas.
Ter muita sorte. Os tempos em que, aps a
missa dominical, os fiis, acompanhados pelo
padre, se juntavam no pub mais prximo para
trocarem os cnticos religiosos pelas baladas
irlandesas, parecem ter os dias contados.

"E pena, mas assim", explica-nos Katie
Verling, Directora do Glor. E prossegue: "A
nossa sociedade tornou-se muito sofistica-
da. Aderimos a valores urbanos. Hoje em
dia, vemos o campo como um passatempo
dominical e no como um lugar onde viver.
Perdemos tambm o habito de visitar ines-
peradamente os amigos. A forma como nos
exprimimos no seio de uma comunidade
mudou. Outrora, ouvia-se msica traditional
em todos os pubs. Mas por diferentes razes
- entire outras a nova legislaio sobre o taba-
co e o alcool os comportamentos culturais
mudaram. Hoje, compramos um bilhete para
assistir a um concerto."

Seja como for, os especticulos de msica,
mas tambm de dana tem sempre uma
boa audiencia no Glor. " uma audiencia 'de
nicho', mas muito viva", prossegue a direc-
tora. "Temos tambm grandes artists aqui,
como o cantor de folk traditional, Christy
Moore. Quando ele canta, a sala de espec-
tculos enche. Para isso no precisamos de
subsidies. As pessoas estio dispostas a pagar
o mximo." Os subsidies so, sem dvida,
o nervo da guerra. E nestes tempos de crise
econmica, os funds concedidos pelo Estado
e pelo Condado de Clare (respectivamente
um e tres quartos dos subsidies do Glor) ten-
dem a diminuir. Conta-se assim com a "cria-
tividade" para financial todos os projects do


centro que, para alm da msica e da dana,
abrangem toda a paleta das artes.




"Eu tenho uma aspiraio especial", explica-
nos, convencida, Katie Verling: "gostaria de
eliminar pouco a pouco as barreiras que
entravam o acesso cultural. Por enquanto,
os maiores consumidores pertencem classes
mdia. No entanto, toda a populaio participa
no financiamento desta cultural. Temos assim
uma enorme responsabilidade moral de torn-
la cada vez mais acessivel". Como? Abrindo
as portas do Glor a todas as actividades da
comunidade local. Alias, o que se faz desde
o inicio do Glor.


Katie Verling, Director do Glor Theatre. a Marie-MartineBuckens




Mas no suficiente. "Recentemente, associa-
mo-nos famosa Associao Atltica Galica
(Gaelic Aethletic Association)", explica a
Director. Esta associao, que organize em
todo o pais jogos de hurling e de futebol gali-
co -dois desportos que fazem vibrar o corao
de qualquer Irlandes que se respeita, antes
mesmo do rguebi- festejou neste ano o 125.0
aniversrio e pediu que o Glor organizasse
um grande concerto. A porta esta aberta...
M.M.B.


Palauras-chaue
Glor; Katie Verling; msica traditional;
Associao Atltica Galica.


POESIII 011 IGEnDIl ED LIMiERICKI

poeisi3 cC'flhiifLh3 .. 3 na irlan.ia corno e. nc.aC Fr-s[i ai _` ii3I dr- POFS3esa.mLrn.rd
SLifli p.oFrn3 rFcFntle de Terri --_ r1an:ni PLIIDIICadO g-F1ia ErFci':- -1-L mr- -13 -C'rnara
ri.LiniC:ip-3 -le L,MFriCP

Irnigir3nihr

F.crSLira 1IeprC'id -:irlar 1risI. mir3.l.:. f*arnlentle corn .:.Irlos de fCliflo
3 3P3rt3r-s. -10 -a:30 -13 IDLurc'craca OLI 3 fleI. sLIIDM.rg'r
Inprsos in3dos. CJnl 3 ch3ncr.-Ia -13 incon1Ipreefnso
apr-nas para cornipraz.r o Iasn un.rn. _sPre.113n-1 P-r Im 1`10nc111
n-ianChadoi pela r.2spIraC%-'- de Uina niriaJe -je Ia.:e. 3CiIIUrias,

Lin". estran-leiro ne.31a terra ..erdelante esta ,erde terra proin-,etida
pala- ras.t~ parcas a ecpr. lentan-enie -je Iabiuo- ressecidiics por ouirci, sois
a hcra uid-:- -je C:hui a C:hu a irnce,3,3nte
Pede Irat-aIho apenat, quer Irabaihar e ter abtsc-r ido g-eCi Ca-dnh.c-
de Cquen.Ci o reCe-deLi
d.:.t que prepararan, -. c sel etf-;'rCo
E;esaiarece qUai resp)Iafldecenle .cbleaerde e an"arela
ade1anle noi. SeLS af3Zere,.
Term passo i--~ mos fortes corn dedJOS r4Ii lermnarn11 .r-n LinriaS rrancas
PLI-a31`0 urrpaci.fni-.rrenien a caflinia de o.s a
LIm g~i.?nii- entre- normens a c3minrlar 3 passos. iargos. na Ei--fld3 ja3CIC


CRREIO







Sri


Fr


MITi.IL


MNI


m i


I r
I 1,1.
i,1 I.


Ilhas Aran; Frank McCourt; Synge;
"Rnrren": Sean l.vnch: An"ela's Ashes.











Sandra Federici


I Silvia da Bragana discute o seu trabalho. SandraFederic


Siluia Bragana, uma



artist multicultural

Maputo uma cidade que oferece um cenrio da arte africana
contempornea extremamente interessante, com museus e
estabelecimentos de ensino que, apesar das dificuldades que
enfrentam, constituem um quadro de referncia para os artists.
Essas instituies incluem o Museu de Arte Nacional, a Escola
Nacional de Artes Visuais, o recentemente aberto Instituto
Superior de Artes e Cultura, assim como institutes culturais
estrangeiros (franco-moambicano, portugus e brasileiro) que
oferecem arte international, realizam events de arte e literature
a um nvel muito elevado.


A rtistas mais velhos renomados,
como por exemplo Malangatana,
Chissano e Shikani, representam
um ponto de referncia (assim
como um ponto de comparao) para os artis-
tas moambicanos mais novos. O Correio
encontrou-se com um dos artists mais vel-
hos mais conceituados: Silvia do Rosrio da
Silveira Bragana. Nascida em Goa, vive na
India, Portugal e Moambique, e dedica-se
educao e pesquisa no campo da arte, parti-
cipando em exposies e workshops.

Silvia fala-nos sobre a sua excitante vida:
"Vim para Moambique em 1967, depois de
receber uma carta dos meus tres sobrinhos
que tinham perdido a me minha irm -
com 31 anos de idade. Vim para tomar conta
deles. Continue os meus estudos, em arte, e
trabalhei sempre em programs educacionais
apoiando tambm as actividades do Museu
de Arte Nacional."

Mas existe outro element de interesse na
vida de Silvia o seu marido, Aquino de
Bragana com quem se casou em 1984,
natural de Goa e um dos maiores intelectuais
da sua gerao. Aquino conhecido sobre-
tudo como o intellectual mitico da revoluo
moambicana, o conselheiro do lider da
FRELIMO Samora Machel, e como o diplo-
mata que viajou volta do mundo angarian-
do apoio politico para a revoluo contra o
dominio portugus. Infelizmente, Aquino de
Bragana viajava com o Presidente Samora
Machel no avio que se despenhou em 19


de Outubro de 1986, em circunstncias que
nunca ficaram esclarecidas, roubando pre-
maturamente a vida de um president que
representava o element fulcral de todas as
esperanas da nova naio moambicana.

"Fiz a minha primeira exposiio solo em
Moambique em 1971 e desde ai expus
em Luanda, Lisboa, Porto, Goa, Portugal,
Romnia, Nova torque, Barcelona, Rssia,
Estocolmo, Angola, etc. A minha experincia
em trs continents sia, Europa e frica -
tornou-me uma artist multicultural e inspi-
rou-me para tratar temas relacionados com a
guerra e paz, opressio e liberdade: temas que
reflected valores humans universais."

Atravs de Silvia conhecemos os novos artis-
tas da Associaio Muv'art, que organize
actividades culturais e artisticas num dos
espaos do Museu de Arte Nacional, em par-
ceria com organizaes de outros paises afri-
canos e europeus. Mostrou-nos "Mquina
come Mundo"-2008 um trabalho de arte
criado para contestar alguns aspects nega-
tivos da globalizaio, e que foi exposto com
outros autores do Muv'art este ano.

Silvia uma artist com cultural e sofistica-
da, cuja arte caracterizada pela utilizaio
de materials diferentes e a integraio de
poemas escritos como elements decorativos
nos retratos.

A sua arte political no sentido mais nobre
da palavra. Em 1993, organizou uma retros-


pectiva de 100 trabalhos de arte no Centro
de Estudos Brasileiros, em Moambique.
Um desses trabalhos de arte foi oferecido a
Nelson Mandela pelo Presidente Joaquim
Chissano. "Senti-me orgulhosa por repre-
sentar Moambique numa colecio de arte
que reuniu 177 artists femininas em Women
of the World 2000 (EUA Nova torque,
Maryland, Canada e Estocolmo; 2002-
2003)."

"Nunca deixo de experimentar. Pratiquei
tambm terapia da arte, sobretudo com a
minha me que comeou a pintar j numa
idade avanada e exibiu at falecer com
95 anos. Recentemente concentrei-me em
investigar a relao existente entire a arte e a
matemtica e criei imagens experimentais no
computador."

Silvia continue tambm a manter viva a
memria do seu falecido marido. Criou o
blog http://aquinobraganca.wordpress.com e
ha poucos dias publicou um livro intitulado
Aquino de Bragana. Batalhas ganhas, son-
hos a continuar. Silvia Bragana um dos
tesouros que Maputo nunca cessa de oferecer
queles que so verdadeiramente apaixona-
dos pela arte.



Palauras-chaue
Bragana; arte contempornea;
Moambique; Associaao Muv'art;
FRELIMO; Museu de Arte Nacional.



CRREIO





















I rojectos beneticiarios a contar da esquerda: Ihe Last Flight otf Flamingo, dingido por Joao Hibeiro, Iado Himes. Uueleh, dirigido porAbraham Haile biru, Anzona ilms.
Viva Riva, dirigido por Djo Tunda Wa Munga, Formosa Productions.
Catherine Haenlein



"Filmes RCP" do Programa f1CP-



UE: apolo ao Sector fudiouisual e



Cinematografico

0 Secretariado do Grupo de Estados ACP anunciou o seu apoio a 24 projects audiovisuais
e de cinema no valor de 6,5 milhes de euros.


o de propostas para o Programa
ACP-UE "Filmes-ACP", lana-
do e gerido pelo Secretariado do
Grupo de Estados ACP, foram anunciados
num comunicado de imprensa emitido no dia
29 de Setembro de 2009. O Grupo ACP e a
CE referiram que a "a taxa de resposta dos
profissionais da UE e do Grupo ACP foi bas-
tante satisfatria" e declararam estar "muito
satisfeitos por apoiarem estes projects de
qualidade".

Pela primeira vez, o Programa ACP-
UE "Filmes ACP", criado pelo 9. FDE
(Fundo Europeu de Desenvolvimento), esta
a ser gerido directamente por Estados ACP.
Assentando no exito de programs anteriores,
que apoiaram o trabalho de realizadores como
Ousmane Sembne, Mama Keta, S. Pierre
Yameogo e Jean-Michel Kibushi, o Programa
ACP-UE "Filmes ACP" procura reforar a
capacidade dos profissionais dos paises ACP
para criarem e distribuirem as suas imagens,
promovendo dessa forma a identidade cultu-
ral, a diversidade cultural e o dilogo inter-
cultural. Desta forma, o program pretend
tambm criar empregos especializados e dar
uma contribuio sustentivel para o desenvol-
vimento econmico e social, em linha com o
Acordo de Cotonou.

O financiamento foi subdividido de forma a
concentrar-se em trs sectors especificos.
O primeiro sector incide na produo ACP

N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009


e na emergencia de cineastas em paises cujos
governor esto menos envolvidos na political
cultural. O segundo sector incide em torno
da promoio, distribuio e visibilidade das
produes ACP e na criao de redes pro-
fissionais. O sector final relaciona-se com a
formao professional.

Os projects de produo incluem longas-
metragens, documentirios e series televisivas,
muitas das quais baseiam-se nas questes
que afectam estes paises. Un homme qui crie
n'est pas un ours qui danse, por exemplo, um
project das Produes Go Go e que envolve
uma parceria entire quatro estados, retrata um
pais profundamente dilacerado por contra-
dies no context da guerra civil e pertur-
baes globais. Os projects de distribuiio
centram-se na criao de redes profissionais
e em possibilitar novas formas de divulga-
o. Um exemplo interessante o project
Africafilms.tv Mobicine da IDMAGE, sedea-
do na Africa Ocidental, que procura digitali-
zar produes africanas com vista a torn-las
acessiveis on-line. Os projects de formao
cobrem tcnicas artisticas e de gesto, tecno-
logia audiovisual e ediio digital.

Alm disso, o Programa ACP-UE "Filmes
ACP" encontra-se actualmente a implemen-
tar um servio de assistencia juridica por se
ter constatado que muitos profissionais de
filmes dos paises ACP sentem problems com
os aspects juridicos e contratuais do negcio.
Sero disponibilizados on-line vrios servios,


incluindo um guia pritico com models de
contratos de produo e distribuiio, um ser-
vio juridico P&R (de perguntas e respostas)
para aqueles que procurem informao mais
especifica, assim como sesses de formao
e a participao do program em events e
festivals.

A primeira reunio entire os beneficirios e o
Program ACP-UE "Filmes ACP" decorreri
no Secretariado ACP em Bruxelas entire os
dias 15 e 17 de Dezembro. Encontram-se em
curso as negociaes para programs para o
10. FED, os quais beneficiaro, assim o dese-
jamos, de um oramento mais elevado.

Para a lista complete dos projects benefici-
rios e para mais informaes sobre o progra-
ma, visit o sitio www.acpfilms.eu, a partir de
15 de Novembro.












Palauras-chaue
Program "Filmes ACP"; projects
audiovisuais e de cinema; produo;
distribuiao; formao.





Criatividade


Elisabetta Degli Esposti Merli


rganica ninml


)a@ni g.olomb; Indias Ocidentais; Aim
Csaire; Fotografia; Jeu de Paume.


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M.B.0 l -.


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D ara os mais jovens

f1;^ Investigao Cientifica


INACREPJTAVELI
O Pfi.AM Plo 50FREV
LtMA MVfAAO... E
JOVAS MSAS ES7lRPE-%I


ESTA
PRONTO<


r- CLARO QUE Sim! -1
COM EMT NOVO APA RELJ-1O. AS
AjMO55TRA5 DE5FNOLVEbi-5E
6.- NI1Ab RAPIDAMENTE -,


LESTOU B-M


A
VIPEEO-
CONFERNCIA
CObMECA.


2t/ER. VM COPO DE


O NOSSO APARELHO
NAQ PLiRIF[CA
AACLA. .


VM, ZERO...
COMEARI


'CONCLU'DENThE
05 R~E5LLTAPOS sO
MUITO IMPORTANTES
PORA VANTE 50
TEREM05 CAW5O RAR05~
DE PALUDISP6O E
DE iNFECE GRAVES
hASSOCIAPM A


* Miagotar Japhet, desenhista dos Camares

N. 14 N.E. NOVEMBRO-DEZEMBRO 2009













Correio do leitor


Cara redacio do Correio, Bom dia.

No seguimento do artigo publicado na
Ediio n. XII do Correio sobre a Repblica
Democritica do Congo (RDC), receio que o
piano (Cohen) que se encontra sobre a mesa
do President Obama nio ajude a resolver
o problema da Repblica Democritica
do Congo. Qualquer analista informado
sabe que os predadores da RDC so in-
meros entire os quais se encontram certas
potncias ocidentais. Com o Ruanda, o
Burundi, o Qunia, a Tanznia e o Uganda,
a Repblica Democritica do Congo (RDC)
dispe ji de quadros (as organizaes
regionais) nos quais pode reforar a sua
cooperao e ji deu provas de boa vontade
nesse sentido. (...) O piano do senhor Cohen
parece negligenciar a responsabilidade das
potncias ocidentais. Elas devem apoiar a
boa governaio em todos os paises acima
referidos. (...) Resumindo, a procura de
solues contra a crise na RDC deve ser
conduzida a trs niveis: national, regional
e international e nio unicamente com os


paises vizinhos que nio passam de meros
pees num jogo enquanto os verdadeiros
actors encontram-se bem long da regiio.
Isso corresponde a ocultar a verdadeira face
do problema.
Agradeo o vosso artigo que suscitou a
minha interveno.

O vosso leitor fiel,
Patrick Issa Kalenga


Bom dia,

Queria felicitar-vos pela vossa revista sem-
pre de grande interesse e qualidade.

sempre uma fonte de ideias e de infor-
maes positivas que merecem ser partilha-
das maior escala possivel.

Melhores cumprimentos,

Susanne Lauber Fiirst
MA Sc. Biology, Advogada (Suia)


We are interested in your point
of view and your reactions to the
articles. So do tell us what you think.


Venho, em primeiro lugar, felicit-los pelo
excelentetrabalho. Consider a revistaextre-
mamente til para os meus estudos, ji que
frequent o curso de Estudos Europeus.

Melhores cumprimentos,

Elena


Contco 0 e -. 45 Ru de Trve : 1040 :-.ela -'lg
creoe no@acpecuirif westo www.acp-euoS S.if


flGEnDfI


JANEIRO/MARO de 2010


> At Exposio: L'Art d'tre un
11/7 homme (A Arte de ser um
Homem) Africa, Ocenia
Muse Dapper, Paris, Frana




>1 Colquio no Pacifico sobre
3/2 Gnero, Cultura e Direito
Port Moresby, Papuisia Nova
Guin


>8- IV Conferncia sobre Sade
12/2 Sexual e Direitos Humanos em
Africa
Adis-Abeba, Etipia
Para mais informaes, consulate:
http://www. africasexuality.org/


>24- Energia 2010: Solues para
26/2 Africa Conferncia &
Exposio
Centro de Congressos de Sandton,
Africa do Sul
Para mais informaes, consulate:
http://www.energyafricaexpo.com/


>27- Reunio da Comunidade
28/2 Britnica sobre Mecanismos
Nacionais de Mulheres (NWMs)
Nova torque, EUA



>3- Segundo Frum Africano
5/3 sobre Carbono
Nairobi, Qunia

> 14- Reunio Ministerial entire a
16/3 UE e os Paises da Amrica
Latina e Caraibas: "Contedo
Digital para uma Sociedade
Digital"
La Granja de San Ildefonso,
Segvia, Espanha



CRREIO


CORRECAO
Na pagina 37, segundo parigrafo, da
ediio n 12, escrevia-se erradamente:
"Em 1929, porm, Tupua Tamasese
Mea'ole, um dos dois Fautua desta-
cados para a Administraio da Nova
Zelndia, foi alvo de disparos com
armas de fogo durante uma demon-
straio pacifica em Apia." A pessoa
que foi alvo de disparos era TUPUA
TAMASESE LEALOFI III. Pelas
imprecises, as nossas desculpas.






Hf IIC CRIBR PRIf

le InR URP


---i




CARAiBAS
Antigua e Barbuda Baamas Barbados Belize Cuba Domfnica Granada Guiana Haiti
Jamaica Repblica Dominicana Sao Cristvao e Nevis Santa Lucia Sao Vicente e
Granadinas Suriname Trindade e Tobago


jr


PACIFICO
Cook (llhas) Fiji Kiribati Marshall (llhas) Micronsia (Estados Federados da)
Nauru Niue Palau Papusia-Nova Guin Salomao (llhas) Samoa Timor Leste Tonga
Tuvalu Vanuatu


As listas dos paises publicadas pelo Correio nao prejulgam o estatuto dos mesmos e dos seus territrios, actualmente ou no future. 0 Correio utiliza mapas de inmeras fontes.
O seu uso nao implica o reconhecimento de nenhuma fronteira em particular e tampouco prejudice o estatuto do Estado ou territrio.


- w-


-~ y

r.


AFRICA
Africa do Sul Angola Benim Botsuana Burquina Faso Burundi Cabo Verde Camaroes
Chade Comores Congo (Repblica Democrtica) Congo (Brazzaville) Costa do
Marfim Djibouti Eritreia Etiopia Gabao Gmbia Gana Guin Guin-Bissau Guin
Equatorial Lesoto Libria Madagascar Malawi Mali Mauritnia Mauricia (llha)
Moambique Namibia Niger Nigria Qunia Repblica Centro-Africana Ruanda Sao
Tom e Principe Senegal Seicheles Serra Leoa Somlia Suazilndia Sudao Tanznia
Togo Uganda Zmbia Zimbabu


/- -0.

UNIAO EUROPEIA
Alemanha "i, i-.. Bilgria Chipre Dinamarca Eslovquia Eslovnia E.I. ,,,,
Estnia Fini .II .: ,:.-, i i H i.in I ,,l 11i i ii L .-]..,i i iuania Luxem burgo
M alta Paise. i ... i:', i .. '.. i' .i ,i -,,,.. i.1,.i.. F-i.L.,h. n,.-,a Rom nia Sucia- --


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