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Correio (Portuguese)
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 Material Information
Title: Correio (Portuguese)
Physical Description: Serial
Language: English
French
Portuguese
Spanish
Publisher: Hegel Goutier
Place of Publication: Brussels, Belgium
Publication Date: 12-2008
Copyright Date: 2008
 Subjects
Genre: serial   ( sobekcm )
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
System ID: UF00095067:00040

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S IM






EDIO ESPECIAL (N.E.) DEZEMBRO 2008


LE


WU RRIER




Indice
O CORREIO, EDIO ESPECIAL NOVA EDIAO (N.E)


EDITORIAL
Um poder delicado com a tica como unica
legitimidade
ABERTURA
Os debates de Uagadugu
Meios de comunicaao, linguas e desenvolvimento
Um forum global para o desenvolvimento
dos meios de comunicaao
TICA
Paradoxo. Fragilizaao dos media jornalisticos
com a democracia

PONTOS DE VISTA
Forum Media e Desevolvimento em Uagadugu:

"Falta ainda construir a relao entire
o 'quarto poder'e os outros poderes"(Jean Ping)
A democracia necessita de tensoes contraditorias


(Louis Michel)
CASOS PRATICO
2
Esperana Prudente: Liberdade de expressao
na Africa Austral
3 Africa Oriental: nem tudo o que brilha ouro
4 "De Freetown a Haia: a minha cobertura
do julgamento de Charles Taylor"
5 Assegurar a democracia nas Carafbas
A comunicaao social e o desenvolvimento
nas ilhas do Pacifico
8 Fondation Hirondelle, meios de comunicaao social
em zona de crise para milhoes de auditors
O "papel important" da imprensa satirica na
dessacralizaao do poder em Africa
JOVENS
8 Aminatou Sar, instrutora de crianas jornalistas
Plantes Jeune: Para conhecer e entreter-se...


INTERNET
Tendncias no fosso digital em Africae


























imprensa (ou os meios de comunicaao
social) constitui o quarto poder a seguir aos
poderes executive, legislative e judicial,
cujo contorno esta bem definido e que,
numa democracia, recebem a sua legitimidade direct
ou indirectamente do consenso popular. Antes de mais,
no piano semntico, a palavra "imprensa" e a expres-
sao meios de comunicaao social sao ou tornaram-
se inexactas. Mais comummente utilizada nos paises
latinos, a palavra imprensa, que se referia, na sua
origem, s publicaoes em papel, englobou no decor-
rer da evoluao tecnologica a difusao audiovisual. O
mbito sempre foi precise e nao ocorreu a ningum
incluir na imprensa, por exemplo, o cinema, ainda que
documentario. A expressao "meios de comunicaao
social" era mais utilizada no mundo anglo-saxonico
que havia muito cedo vulgarizado a expressao "mass
media", que gradualmente perdeu uma parte da sua
precisao. Contudo, salvo erro, o Estado e as institui-
oes continuam a emitir por toda a parte "cartoes de
imprensa", pondo acauteladamente de parte todos os
profissionais de outros meios de comunicaao social.
Existe portanto, efectivamente, uma discriminaao
semntica entire os meios de comunicaao social jor-
nalisticos e todos os restantes.

A diferena entire os meios de comunicaao social
jornalisticos e os restantes, incluindo a maior parte
dos blogues, as publicaoes de empresas ou as revis-
tas governamentais, esta no facto destes ltimos nao
serem obrigados ao que se pode pomposamente deno-
minar de tica da imprensa, a quai se aproxima das
verdades cientificas que implicam instruir contra ou
a favor quando se procura a verdade, por outras pala-
vras, se nao se pode ser objective, pelo menos que se
seja honest. Mas a honestidade nao basta. E necessa-
rio que se facultem os meios para reduzir ao maximo
os riscos de erro. a exigncia de qualidade. E igual-
mente necessario respeitar as regras morais que deter-
minam a fronteira entire a informaao util para o bem


public e o pblico, na qual este encontra uma ajuda
para usufruir dos seus direitos de ser human livre e
assumir os respectivos deveres, por outras palavras,
para se desenvolver e participar no desenvolvimento
geral sem se limitar simples acumulaao de riqueza
ou mesmo de melhores condioes, mas de bem-estar e
de estar bem. Poderia alegar-se que a escola faz esse
trabalho, que o Estado o faz, e mesmo a empresa
sua maneira, e tambm os blogues de politicos ou de
grandes escritores ou de loucos apaixonados.

O que faz a diferena que nao suposto a imprensa
ter um program a defender, uma ideia a transmitir,
uma mercadoria a vender. Ela informa segundo as
regras que adoptou e essa informaao que permit
que as proprias pessoas se instruam e se ofeream as
capacidades de escolha. Eis a diferena.

A imprensa pode ser forada pelo poder politico ou
outro a actuar num determinado sentido. Por vezes,
ela coloca-se a si mesma s ordens. Tudo isto foi
analisado em profundidade no Forum "Meios de
Comunicaao Social e Desenvolvimento" organizado
recentemente em Uagadugu, Burquina Faso, pelas
Comissoes da Uniao Europeia e da Uniao Africana.
Foi igualmente abordada a forma como os meios de
comunicaao social jornalisticos participam no desen-
volvimento e constituem efectivamente um quarto
poder potential, mas sem grande autoridade e com a
nica legitimidade da tica. Isto com a condiao que
os verdadeiros poderosos, os politicos e as foras do
dinheiro, lhes permitam cumprir essa tarefa. Mas ha
excessos de ambas as parties. Esta ediao de O Correio
aborda essa questao e fornece informaoes sobre os
progresses da imprensa nos paises ACP e as pistas de
desenvolvimentos que estao para vir.


Hegel Goutier
Redactor-(C I. I.


editorial














































O F6rum Meios de Comunicao e Desenvolvimento de Uagadugu concentrou-se
em torno de quatro grandes temticas: os meios de comunicao e a governao,
a liberdade dos meios de comunicao entire a lei e a realidade, os estere6tipos de
Africa e da Europa, e os meios de comunicao locais. Em cada um dos pontos, foram
apresentadas concluses a partir das quais a Comisso Europeia e a Unio Africana
delinearam um roteiro* para o future.


> Os meios de comunicaao
e a gouernaao

A mesa redonda que tratou desta ques-
tao no Forum Meios de Comunicaao e
Desenvolvimento foi presidida por Derge
Thophile Balima, director do Centro Africano
de Pericia e Pesquisa sobre os Meios de
Comunicaao (CERAM) que sublinhou, entire
outras coisas, que a imprensa em Africa
depressa desempenhou um papel de con-
tra-poder e de espao critic, mas que essa
funao foi cada vez mais posta em causa pelo
desenvolvimento de outros suportes de infor-
maao pertencentes a empresas e a grandes
multinacionais. Sublinhou igualmente o papel
da Internet, a qual escapa ao control dos
legisladores africanos. E imperative que os
Estados de Africa tomem medidas legislativas
para terem um acesso livre a uma informaao
livre. Em varios paises, o Estado retm as


EDIO ESPECIAL (N.E.) DEZEMBRO 2008


informaoes. Por exemplo, citou-se o caso do
Senegal, onde os servios estatais que questio-
nam a corrupao nao sao obrigados a publicar
as informaoes recolhidas.

Por outro lado, varios meios de comunicaao
do continent apenas transmitem as informa-
oes dos meios de comunicaao estrangeiros.
A analise de outra participate nos debates,
Louise Mushikiwabo, ministry da informaao
do Ruanda, resume bem as conclusoes do deba-
te. Para ela, os meios de comunicaao deviam
ter um papel quadruplo: transmissores de infor-
maao, catalisadores de governaao, termome-
tros das anomalias e guards das liberdades.

As recomendaoes do painel prendem-se com
a instituiao de um quadro juridico apropria-
do, a adopao de uma estratgia euro-africana
de apoio aos meios de comunicaao e o finan-
ciamento de estudos no sector.


> Liberdade dos meios de
comunicaao. H lei e a realidade

O debate organizado sob o tema escrutou as
nuances, ou mesmo as divergncias, existen-
tes muitas vezes entire a lei e a realidade no
terreno relativamente liberdade de impren-
sa em Africa. Abdou Latif Coulibaly, que o
presidia, sublinhou logo como que o poder,
mesmo apos a transiao democratic, continue
a influenciar um dos meios de comunicaao
- a televisao. Sublinhou-se que para anali-
sar a evoluao da liberdade de imprensa em
Africa, ha que ter em conta trs periods: o
tempo das transioes democraticas, o tempo
democratic e o da consolidaao democratic.
Este ltimo coincide com o reforo da mundia-
lizaao e exige medidas, se nao globais, pelo
menos harmonizadas, numa regiao do mundo.
Harmonizaao esta que nao se fez em Africa e
que indispensavel.







Abertura


A mesa redonda que tratou deste assunto
chegou s mesmas conclusoes que a primeira,
insistindo na criaao de instncias de regulaao
supranacionais.



> Contra os estere6tipos

Para Jean-Luc Maertens, director da Euronews
que presidiu a mesa redonda sobre os estere-
otipos de Africa na Europa e os da Europa
em Africa, respectivamente os de uma Africa
irresponsavel e incapaz e de uma Europa ego-
ista e xenofoba, estes devem-se em grande
parte aos meios de comunicaao. E obvio que
dificil faz-los desaparecer, mas deveriam
ser instituidas certas medidas para atenuar
os impacts, tal como uma forte pressao em
determinados sites que os veiculam e apoio
liberalizaao dos meios de comunicaao
que ao alcanarem uma maior audincia uti-
lizarao uma abordagem menos egocentrista,
sobretudo para os meios de comunicaao
comunitarios.


> 0 papel dos meios de comunicaao
locais

Annie Lenoble-Bart**, professor de informa-
ao e comunicao na Universidade Bordeaux
III, que presidiu a sessao de discussao dedica-
da aos meios de comunicaao locais, realou
sobretudo o papel das radios locais no process
de desenvolvimento, uma vez que permit mais
facilmente aos outros meios de comunicaao
conciliar o local, o regional e o international.
Tudo isto sublinhando os condicionalismos que
travam o grande potential deste tipo de meios
de comunicaao, como, por vezes, um encerra-
mento numa espcie de folclore local.

Aminatou Sar, coordenadora regional dos pro-
jectos "Meios de comunicaao para crianas"
da ONG "PLAN" fez uma das intervenao
mais marcantes do forum, trazendo as dife-
rentes problematicas abordadas do ponto de
vista das crianas e mostrando como estas sao
vitimas, assim como os adults, dos entraves
ao livre funcionamento da imprensa ou das


derivaoes dos meios de comunicaao, mas
tendo prejuizos suplementares enquanto crian-
as. Dai a estratgia da sua organizaao de dar
s crianas acesso aos meios de comunicaao
de today a espcie em todo o continent.

As recomendaoes aqui visam essencialmente
o reforo das capacidades dos animadores e
gestores dos meios de comunicaao locais
com uma atenao especial para grupos especi-
ficos como as mulheres e as crianas. M

* Para mais informaoes sobre o 'roteiro', ver o artigo
publicado na 8 edio da revista, pagina 23.

** 'Connaitre les mdias d'Afrique subsaharienne'
("Conhecer os meios de comunicao da Africa subsaria-
na"), sob a direco de Annie Lenoble-Bart e Andr-Jean
Tudesq.

Para mais detalhes sobre os participants e debates durante
o Forum, ver: http://media-dev.eu/


Palauras-chaue
F6rum Meios de Comunicaao e
Desenvolvimento; Uagadugu; Burkina
Faso; Annie Lenoble-Bart; Aminatour Sarr;
Aboud Latif Coulibaly; Derge Thophile
Balima; Louise Mushikiwabo; governaao;
Liberdade dos meios de comunicaao.






Abertura


Um FORUm GLOBAL



para o DESEIUOLUImEnITO


DOS mEIOS DE comunicfiCo

Cerca de 500 peritos dos meios de comunicaao de mais de 100 praises reuniram-se em Atenas, de 7
a 10 de Dezembro, para assistirem ao segundo F6rum Global para o Desenvolvimento dos Meios de
Comunicao (GFMD). O objective? Desenvolver estratgias comuns para o desenvolvimento dos
meios de comunicao e garantir que os meios de comunicao livres, independents e pluralistas
se encontram no centro dos programs de desenvolvimento.


A berta pelo Presidente da Grcia, o
Dr. Karolos Papoulias, a conferncia
foi frequentada por oradores impor-
tantes, como o vencedor do Prmio
Nobel Orhan Pamuk e os representantes de
alto nivel da ONU, UNESCO, Banco Mundial
e outras instituies intergovernamentais. Os
principals executives dos meios de comunica-
ao e os principals representantes de uma vasta
gama de organizaoes de desenvolvimento dos
meios de comunicaao apresentaram ideais
inovadoras para garantirem a sustentabilidade
dos meios de comunicaao independents. A
Conferncia faz parte da celebraao do 60 ani-
versario da Declaraao Universal dos Direitos
Humanos das Naoes Unidas, que tera a dura-
ao de um ano, e foi lanada a 10 de Dezembro


de 2007, encerrando no ltimo dia da confern-
cia de Atenas, a 10 de Dezembro de 2008.
O Forum Global para o Desenvolvimento dos
Meios de Comunicaao represent uma rede de
cerca de 500 organizaoes de apoio aos meios
de comunicaao de 100 paises de todo o mundo,
criada para realar a importncia de meios de
comunicaao livres, independents e viaveis ao
desenvolvimento human e economic. A mis-
sao do GFMD, segundo a respective director,
Bettina Peters, tornar o desenvolvimento dos
meios de comunicaao uma parte integrante
das estratgias globais de desenvolvimento, tal
como a educaao ou a sade: "E muito comum
o apoio aos meios de comunicaao ser relega-
do para os objectives de desenvolvimento da
comunicaao e os objectives do GFMD visam


tornar o apoio aos meios de comunicaao um
sector de pleno direito. Os valores basicos do
GFMD sao a livre expressao, a liberdade dos
meios de comunicaao e o jornalismo indepen-
dente, conforme definido pelos documents
internacionalmente aceites, como a Declaraao
Windhoek da UNESCO. O GFMD acredita que
meios de comunicaao livres, independents,
viaveis e inclusivos sao pr-requisitos para a
criaao e o reforo da sociedade democratic e
do desenvolvimento humano" M

Palauras-chaue
Forum Global para o Desenvolvimento dos
Meios de Comunicaao (GFMD); Atenas;
Grcia; Karolos Papoulias; Orhan Pamuk;
UNESCO; Bettina Peters.


j--"--













4 i-i~ 1-j nu ril:i T lix i [c iii [irn i-IliIJI j I i:.11.11 -~ i i~~
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~~iirllilrib~d~ 1~UliMn~J ~iiii~ij [lir Ii-~i dii~i


~7I~ 1F5






Fa8e alam seunt KA

tica







dos media


jornalisticos com a


.. .. .. .. . .." ---
Os meios de comunicaao social tiveram um papel devastador no genocidio do
Ruanda. Esta ilustraao, publicada em Julho de 1993 no n.o 46 do journal Kangura,
um simbolo da aliana entire a imprensa, a radio e a televisao extremists pr-hutu.
Extraida do livro Rwanda. Les mediasde la haine (de J.-P.Chretien), Ed. Karthala.
Com consentimento de Karthala.


CRREIO










--F ie atlm Mi K



tica




Com a democratizao, osjornalistas adquiriram mais liberdade de expresso. O seu numero

aumentou, bem como o numero dos meios de comunicao. A maioria tem de fazer face,

para sobreviver, s leis rgidas de um mercado restrito. Em paralelo, o oramento do Estado

destinado imprensa diminuiu. Novos meios de comunicao tais como os das empress

ou de acesso gratuito surgiram. Sem contar com os que so dedicados ao comunitarismo

ou religio. E existe tambm a Internet. A profisso de jornalista ficou mais fragilizada,

correndo-se o risco de uma diminuio da qualidade. Sem falar da confuso entire "media"

produzidos por profissionais atentos tica jornalistica e os outros.


a poca das ditaduras em Africa e
noutros paises em desenvolvimen-
to, cada governor ou partido no
poder controlava a sua imprensa
e reprimia qualquer desejo de independncia.
A transiao democratic foi frequentemente
antecedida pela necessidade de uma impren-
sa (escrita ou audiovisual) corajosa, muitas
vezes constituida por alguns independents
que pagaram caro o seu empenho e ousadia.
Muitas vezes com a sua vida. A sua existncia
era um sinal do inicio do fim das autocracias.

A transiao democratic era muitas vezes
acompanhada por um aumento do numero dos
meios de comunicaao. Cresceu a competiao
pelas audincias e a publicidade. Este period
coincidiu com a unipolarizaao do mundo
apos a queda do muro de Berlim, alguns ajus-
tes estruturais e outras restrioes oramentais.
Os novos governor democraticos raramente
consideraram o apoio imprensa como uma
prioridade, excepao de alguns paises como
a Tanznia, e at neste caso, o poder tinha um
objective, que consistia em promover o swahi-
li como primeira lingua.





Nestas condioes precarias, a profissao de
jornalista tornou-se frequentemente, nestes
paises em desenvolvimento, uma profissao de
pobre. Relativamente ao period de transiao,
assistimos muitas vezes a uma diminuiao da
qualidade. Primeiro, porque o recrutamento
nao pode ser selectivo quando se oferecem


Palauras-chaue
Hegel Goutier; comunitarismo; transiao
democrtica; tica jornalistica.



EDIO ESPECIAL (N.E.) DEZEMBRO 2008


salaries baixos. Tambm devido falta de
escolas profissionais. Contudo, a arvore nao
pode esconder a floresta. Muitos jornalistas
nos paises em desenvolvimento possuem as
qualidades necessarias para o bom desempe-
nho da sua profissao. Sao titulares na maioria
de um diploma de jornalista ou equivalent.
O jornalismo tambm uma visao do mundo,
uma aproximaao, uma tica. Pense no Jack
London.

Esta tica esta em perigo na precarieda-
de material. Um jornalista que vive em
Uagadugu ou em Kingston, ou em qualquer
local que nao tenha meios de transport, que
nao pode pagar a sua bebida no hotel onde
deve entrevistar um cooperante estrangeiro
ou um chefe de gabinete ministerial e sobre-
tudo que deve, para viver, aceitar ser remu-
nerado atravs do oramento de um lobby, de
um politico ou de uma redacao estrangeira,
encontra-se numa situaao de fragilidade em
relaao tica da sua profissao. Aquando da
luta pela liberdade, os jornalistas independen-
tes, nos paises em desenvolvimento, foram
frequentemente um exemplo de coragem.
Contudo, o que acontece a seguir? Podemos
ser corajosos e resistir falta de liberdade
enquanto lutamos por ela mas dificil s-lo
desta forma ao long da vida.




Jornalistas mal pagos constituem uma reser-
va de mao-de-obra para a comunicaao de
grandes empresas ou de organizaoes e perso-
nalidades political do poder ou da oposiao.


Podem igualmente ser atraidos pelos cnticos
das sereias das seitas religiosas e de organiza-
oes comunitaristas* provides muitas vezes de
recursos consequences. Se a maioria respeitam
as regras da democracia, primam pela qualida-
de e contribuem grandemente formaao da
sociedade, nem todos sao assim. As lembran-
as do Ruanda estao ainda vivas.





Quando um jornalista, para sobreviver, joga
com as regras de tica da sua profissao,
costuma estar ciente desse facto. Contudo, o
inimigo da independncia da imprensa, hoje
em dia, nos paises do Sul, ja quase nao a
ditadura mas os baixos salarios dos jornalistas.
Os que sao remunerados correctamente pelos
media estrangeiros ou locais sao cada vez
mais reconhecidos pela qualidade dos seus
trabalhos. Os media do Norte apoiam cada
vez mais os jornalistas do Sul, nomeadamente
atravs da realizaao de estagios. Uma forma
de apoia-los, neste mundo onde a distncia
ja nao constitui um problema tcnico para a
circulaao e a procura de informaoes, poderia
passar por aproveitar os seus servios, recru-
tando-os obviamente com o rigor exigido.
Cada vez mais profissionais europeus estao
cientes disto.
H.G. N


* nao confundir com as associaoes e os media comuni-
tarios.












Pontos de vista


FORUM MEDIA E DESENVOLVIMENTO
UAGADUGU, BURKINA FASO
11-13 DE SETEMBRO DE 2008
ORGANIZADO PELA COMISSAO EUROPEIA
E A COMISSAO DA UNIAO AFRICANA


O President da Comissao da Uniao Africana, Jean Ping,
a ser entrevistado pela BBC. Forum Media and Development.
Forum Media and Development


"Falta ainda construir a relao




entire o 'QUHRTO PODER'


e os outros poderes"

Jean Ping, Presidente da Comissao da Uniao Africana


A problemtica "Media e desenvolvimento" no nova nem simples. Ainda tema
de diversos debates, mobilizando uma pluralidade de actors. A sua pertinncia e o


seu lugar central no project de governao democrtica,
da Unio Africana, j foram comprovados.


inscrito no Acto constitutivo


O papel dos media nos esforos
de desenvolvimento dos nossos
paises j nao oferece dvidas.
Diversos exemplos testemunham
diariamente esta realidade, em dominios tao
diversos como a educaao, a sade, a cincia
e a tcnica, o ambiente, o combat contra a
pobreza, a promoao do Estado de direito e a
prevenao de conflitos. Neste context, queria
sublinhar, para me congratular com o facto,
a contribuiao notvel dos media ditos de
proximidade (radio e televisao comunitrios),
na media em que responded a necessidades
especificas. Oferecem um espao de expressao
aos sectors mais desfavorecidos das popu-
laoes locais e promovem uma aproximaao
participativa.

Pelo seu lado, a Comissao da Uniao Africana
pretend contribuir ao reforo das capacidades
da imprensa africana e ajuda-la a desempenhar
plenamente o papel que lhe cabe no project
de desenvolvimento socioeconomico do conti-


nente. Foi assim que incluimos, na agenda dos
programs prioritarios para 2009, a formaao
de jornalistas africanos no dominio das cin-
cias e das tcnicas. Este program consiste na
concessao de bolsas "Uniao Africana" a 106
jornalistas jovens de origem africana, duas
por cada pais, para uma formaao/especia-
lizaao que tera a duraao de 24 meses em
instituioes e redacoes, africanas e estran-
geiras. Tratar-se-a, desta forma, de preencher
as lacunas verificadas ao nivel da imprensa
especializada no dominio crucial das cincias
e das tcnicas.

Gostaria, nesta fase, de prestar uma homena-
gem merecida aos profissionais da informa-
ao e da comunicaao pela sua contribuiao
inestimvel, em condioes frequentemente
muito dificeis e por vezes correndo risco
de vida, para a consolidaao dos processes
democraticos no continent africano e para
o reforo da transparncia na gestao das
questoes pblicas. A este proposito, nunca


sera demais sublinharmos a importncia que
reveste a independncia dos media no exer-
cicio das suas misses de informaao. Temos
de reconhecer que, apesar dos avanos nota-
veis registados nos ltimos anos, ainda resta
muito por fazer em relaao consolidaao da
liberdade de imprensa, de modo a que se tome
uma conquista irreversivel para o progress
democratic em Africa. Na realidade, falta
ainda construir e reforar a relaao entire o
chamado "quarto" poder e os outros poderes.

E igualmente important ajudar os media afri-
canos a enfrentar o desafio da perenidade.

De um modo mais geral, a reflexao deve inci-
dir sobre a questao da elaboraao de um qua-
dro juridico global que estabelea os deveres
e obrigaoes de todos os actors implicados e
que tenha em conta o imperative democratic.
Sera a carta Pan-Africana sobre os media uma
panaceia? A questao merece ser discutida de
um modo mais aprofundado. M


CRREIO












Pontos de vista


LA DMOCRATIE A BESOIN DE TENSIONS CONTRADICTOIRES



Louis Michel na Sessao Plenria de Abertura do Forum
Meios de Comunicaao Social e Desenvolvimento.
Forum Media and Development




fi DEmOCRRCIR



necessity de tenses



contraditorias

Louis Michel, Comissrio europeu para o Desenvolvimento
e a Ajuda Comunitaria


Estou muito feliz por powder falar sobre um tema que esta relacionado com a pr6pria
essncia da democracia: o papel dos media. A liberdade, a independncia sem ser
a neutralidade -, a objectividade dos media so vectores de educao, de cultural, de
desenvolvimento e indicadores da qualidade mais ou menos elevada da democracia.


a democracia necessita de tenses
contraditorias baseadas na expres-
sao de opinioes diferentes. A con-
frontaao retorica favorece frequentemente o
progress no plano politico, no plano human
e no plano social. Possui, alm do mais, uma
outra virtude que de oferecer uma valvula
de escape apaziguadora que garante a paci-
ficaao e a estabilidade de uma comunidade.
A organizaao democratic de uma sociedade
deve permitir ao poder explicar e justificar,
mas tambm deve garantir aos contra-poderes
a possibilidade de confrontar, denunciar, opor-
se e propor alternatives. A democracia s6 pode
sobreviver quando oferece uma possibilidade
de alternative.

O chamado Estado laico assenta no poder
legislative, executive e judicirio. Contudo,
nem o exercicio imparcial destes poderes seria
suficiente, na minha opiniao, para manter viva
uma democracia modern, na media em que


EDIO ESPECIAL (N.E.) DEZEMBRO 2008


lhe faltaria a supervisao contestataria, e at
impertinente da sociedade civil cuja impren-
sa represent a voz e a pluralidade. S6 uma
imprensa livre e independent pode garantir o
que eu chamo um Estado just. A imprensa
desta forma, mesmo sendo insuficiente, uma
condiao necessaria da democracia. Media
responsaveis e independents sao um pr-
requisito desse Estado just. Sao a garantia:
* de eleioes livres,
* de um sistema politico, economic e admi-
nistrativo responsavel,
* de uma democracia viva,
* de uma sociedade de progresses,
* numa palavra, permitem fazer avanar o
desenvolvimento.
Os media representam isto tudo: pilares da
democracia, actors da sociedade civil, vecto-
res de informaao.

Nao temos receitas ja feitas, nao viemos com
as recomendaoes "dos que sabem...". As
questoes s quais tentamos responder sao


validas tanto para os Europeus como para os
Africanos e devem responder aos mesmos
desafios: financiamento, independncia, deon-
tologia, respeito pela verdade, defesa em prol
da justia, protecao das fontes, imprensa
de opiniao ou nao, pluralidade... Devemos
igualmente interrogar-nos sobre o lugar tao
important dos media locais e do potential
incomparavel de desenvolvimento que podem
gerar na apropriaao dos projects de desen-
volvimento, a coesao social, a mobilizaao e
o envolvimento dos cidadaos. Como que os
media podem contribuir para a governaao e
para o desenvolvimento de um Estado just?
Como definir um quadro juridico que permit
melhorar a situaao dos media e a sua liberda-
de no terreno?

Estou convict da importncia desta dimensao
local do desenvolvimento e exactamente
por essa razao que as Jornadas Europeias do
Desenvolvimento 2008 estao centradas nesta
tematica. M












Casos Priticos


Rashweat Mukundu MISA


Esperana Prudente: LIBERDRfDE




DE EXPRESSHO na ffrica fustral

Os meios de comunicao e a liberdade de expresso so cada vez mais uma questo na regio da Africa
austral, estando a maioria dos praises em process de discusso sobre as novas leis dos meios de comunicaao
e a eliminao do crescimento dos mesmos em alguns praises. A Africa austral ainda esta a vivenciar o
desenvolvimento dos respectivos meios de comunicao e praises como o Zimbabu ainda tm um long
caminho a percorrer nesta rea. Para demonstrar o estado dos meios de comunicao na Africa austral,
necessdrio olhar para as lutas politics na South Africa Broadcasting Corporation e para o encerramento de
um journal na Tanznia em Outubro. Estes dois praises so dos mais estdveis na regio e a agitao nos mesmos
repercutir-se- no rest da regio. Enquanto surgem estes novos desafios, a regio ainda tem de contender
com as piores leis relatives a meios de comunicao em praises como o Zimbabu, a Suazilndia e o Lesoto.
Nem tudo estd perdido, uma vez que a utilizao de telemveis e da internet estd a crescer na regiao, dando
esperana a milhes de pessoas que ainda no tm acesso informao.


Ademocratizaao da Africa austral,
um project de inicios dos anos
90, viu muitas alteraoes na regiao,
nomeadamente a independncia da
Namibia e da Africa do Sul e a consolida-
ao do multipartidarismo politico na Zmbia,
Malavi, Tanznia, Botsuana, Madagascar e
Moambique. Ao mesmo tempo, a regiao
teve de lidar com as situaoes que se desen-
volveram no Lesoto, Zimbabu e Repblica
Democratica do Congo (RDC). No centro
destes desafios encontram-se os meios de
comunicaao e os direitos de liberdade de
expressao no discurso national, especialmente
a transformaao political, o relato das viola-
oes dos direitos humans e a corrupao. E
dificil, se nao impossivel, classificar os paises
da Africa austral nessa base, mas podem ser
elaboradas categories.

A Africa do Sul, o Botsuana, a Tanznia,
Madagascar, a Mauricia, a Zmbia, o Malavi,
a Namibia e Moambique encontram-se pro-
vavelmente na sua propria categoria, onde se
pode dizer que existe pluralidade e diversidade
nos meios de comunicaao, mas nao sem desa-
fios. Nestes paises, os meios de comunicaao
sao muito diversificados, especialmente desde
os anos 90. Esta categoria tem virios jornais
impressos por intervenientes privados, bem
como por estaoes de transmissao e jornais
estatais. Embora a maioria dos meios de
comunicaao estatais tenha desempenhado um


papel de apoio aos projects do governor naqui-
lo que este sector chama de "jornalismo de
desenvolvimento", os meios de comunicaao
privados ou independents tm se esforado
por denunciar questoes de ma governaao e
corrupao. Isto result no facto de os meios de
comunicaao terem os mesmos defeitos que os
partidos da oposiao.


> Uistos como a oposio

Ser visto como parte da oposiao apresenta
os seus proprios desafios. Na Namibia, por
exemplo, o governor ainda mantm a baniao
da publicidade no journal "The Namibian", o
qual acusa de escrever negativamente sobre o
governor liderado pelo SWAPO. Na Africa do
Sul, o governor ameaou parar a publicidade do
"Sunday Times" apos denuncias importantes
sobre um escndalo de aquisiao de armas
que fez submergir a liderana political naquele
pais. O partido no poder na Africa do Sul,
o Africa National Congress (ANC), props
igualmente legislaao que restringisse a liber-
dade dos meios de comunicaao. O mesmo
sucedeu no Botsuana.

Alm das ameaas de sanoes economicas,
todos os paises neste agrupamento propuse-
ram leis para refrear a liberdade dos meios de
comunicaao e dos jornalistas sob a capa da
protecao dos interesses nacionais. Na altura


em que este artigo foi escrito (em Outubro de
2008), o governor da Zmbia andava atras do
journal "The Post", ameaando negociar com o
journal se o candidate presidential do mesmo, e
actual president em exercicio, Rupiah Banda,
ganhasse a eleiao presidential parcial naquele
pais (lembre-se que neste moment a Zmbia
tem um novo Presidente). No Malavi, o estado
ameaou encerrar estaoes de radio privadas
acusadas de apoiar a oposiao. O Botsuana,
que ja foi visto como o marco da esperana
no continent, esta a discutir uma lei para os
profissionais dos meios de comunicaao, a
qual os critics preferem abominavel lei do
Zimbabu de acesso s informaoes e protec-
ao da privacidade (AIPPA) ao abrigo da qual
jornalistas e jornais foram perseguidos. Ao
abrigo da lei proposta, o governor registaria
os jornalistas e sujeita-los-ia a um codigo
disciplinary desenvolvido por uma comissao
nomeada pelo governor. Os que criticaram o
governor do Botsuana, nomeadamente o tra-
tamento dado pelo mesmo s comunidades
minoritarias San, foram expulsos do pais. Na
Africa austral, geralmente todos os meios de
comunicaao tm uma fixaao pela political,
enquanto negligenciam areas critics de pre-
ocupaao para o cidadao comum, incluindo
uma maior cobertura das questoes relacio-
nadas com o VIH/SIDA e com a dimensao
do gnero, entire outras. Quando se divulga
a corrupao, maioritariamente relacionada
com a political.


CRREIO














Casos Priticos


I Karen Botha (Africa do Sul), Train.
Publicado no Africa Comics, Lai-momo 2002


O segundo grupo dos meios de comunicaao
na Africa austral inclui o Zimbabu, a RDC, o
Lesoto e a Suazilndia. Nestes paises, os meios
de comunicaao funcionam sob estrito control
e as ameaas sao postas em acao. Nos ltimos
anos, o Zimbabu baniu quatro jornais e exilou
varios jornalistas. Os meios de comunicaao
privados operam num campo minado juridico
no quai literalmente qualquer coisa critical sobre
a elite governante pode resultar em detenao.
Se algum escapar detenao, sao utilizados
meios extrajudiciais, incluindo o homicidio
de um operator de cmara independent e o
espancamento de jornalistas. A Suazilndia esta
a apertar cada vez mais o control dos meios
de comunicaao e os direitos de liberdade de
expressao sao cada vez mais usurpados sem
impunidade. A crescente procura de pluralidade
political esta a extrair o pior do ltimo Monarca
absolute do mundo, media que as marchas,
as procissoes e as manifestaoes sao banidas.
Os meios de comunicaao privados estao cons-
tantemente a ser incitados a respeitarem as
regras. O mesmo acontece no Lesoto, onde a
"Harvest FM", uma estaao de radio privada,
levou uma baniao de 12 meses e os jornalis-
tas privados foram ameaados com processes
penais e detenoes. Na RDC, ojornalismo inde-
pendente raramente tolerado e ser-se critic
acarreta consequncias extremes.

E important mencionar que, embora os meios
de comunicaao e os direitos de liberdade
de expressao ainda se encontrem em risco, o
investimento nos meios de comunicaao da
regiao esta a crescer, except em alguns paises
como o Zimbabu. E at no Zimbabu, reacen-
deu-se a esperana de que uma soluao political
entire os principals rivais politicos possa resul-
tar no relaxamento dos meios de comunicaao
e em leis de liberdade de expressao. A crescen-
te utilizaao de novas tecnologias na geraao e
partilha de informaoes muito important na
Africa austral. Foi por esta razao que, muito
embora o governor do Zimbabu tivesse meios
para banir todos os meios de comunicaao
estrangeiros, a historia do Zimbabu perma-
neceu no dominio public a nivel regional e
international devido publicaao online. A
comunicaao por telemovel deu ao cidadao
comum um novo poder de comunicaao e de
partilha de informaoes com poucas restrioes.
Contudo, ainda ha muito para se fazer relativa-
mente revogaao das leis nao democraticas
sobre os meios de comunicaao e ao encora-
jamento do desenvolvimento dos mesmos e
das telecomunicaoes. Nao obstante, a Africa
austral esta a mudar, embora lentamente. M



EDIO ESPECIAL (N.E.) DEZEMBRO 2008


Palauras-chaue
Meios de comunicaao; Africa austral; democracia; oposio; multipartidarismo.



[ 'I' *, Iii ,If

Sobe oe -ee e *..e -.
0o II.s t d de -L' d e .ustra (M SA) .' o 1 -' e e. e Li e..1O
nlo goeram n l coml esrt r''itos cm I i ise I dag[ regL daJ '# ComnId pa'ra'!I .Wl I1.oi

Iesnv l"vimen 'o d , 'fria Austral (SD ) 0 MISA folan' ado of i cal. et [Om S'e n[ 'tem l

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Tazna . a e. e.bau. e o obetv e. minepr o.- eeo de.. . . .

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eio -li -ve e no eua o elx da inom e- mai liv e. -a .eut e - e a.
de- orai e o pemii mais- part. e. -d e eiado inom s.e
Par inor e- htp//w .mis .og












































Os jornais e as estaoes de radio-
difusao do Uganda foram des-
critos como um grande exemplo
de meios de comunicaao social
dinmicos numa regiao onde at chegarem os
'ventos de mudana' dos anos 90, a comuni-
caao social era porta-voz do governor ou ins-
trumento da oposiao que desafiava o sistema,
frequentemente com amargas consequncias.

Actualmente, a cobertura critical do governor
quase norma dos jornais independents,
enquanto os seus homologos que sao proprie-
dade do governor ja nao se limitam a reprodu-
zir as declaraoes oficiais, como tantas vezes
acontecia no passado. Na radio, debates poli-
ticos irreverentes sao a principal consequn-
cia da liberalizaao das ondas hertzianas.

Mas nem tudo o que brilha ouro. A pergunta
pode ser feita jornalista e autora belga Els
de Temmerman. Em 1 de Dezembro de 2006,
a Sra. de Temmerman iniciou funoes de
chefe de redacao do journal The New Vision,
o maior journal do Uganda, anunciando no seu
"contrato com o public" que "nao estava


muito preocupada com a liberdade de impren-
sa no Uganda".

Escreveu igualmente que tinha solicitado
"garantias suficientes da minha independn-
cia editorial" e que s6 tinha aceitado o cargo
depois de receber estas garantias por escrito.

The New Vision comeou a ser publicado ha
22 anos como journal propriedade do Estado.
Embora o journal esteja cotado na Bolsa (o
governor cedeu 20 por cento das suas acoes ao
pdblico na altura em que de Temmerman assu-
miu funoes e outros 27 por cento mais recen-
temente), o governor nomeia o conselho de
administraao, o director executive e o chefe
de redacao e, crena generalizada, interfere
na cobertura political do journal. No entanto,
The New Vision permaneceu muito mais equi-
librado e os seus resultados comerciais sao
muito superiores aos de outros jornais gover-
namentais noutras regioes do continent.

Em 24 de Outubro, quase a completar dois
anos no cargo, a Sra. de Temmerman demi-
tiu-se do The New Vision porque "deixou


de contar com as garantias" de "indepen-
dncia editorial" que lhe tinham sido dadas
quando assumiu as funoes. Algum bem
informado disse que a Sra. de Temmerman
se demitira depois de uma dispute acalo-
rada com o director executive da empresa,
Robert Kabushenga, acerca da cobertura feita
pelo journal do Presidente Yoweri Museveni.
Aparentemente, a Presidncia queria mais
fotografias e noticias sobre o Presidente.

A reacao provocada pela demissao sugere
que a 'pressao political' de uma autoridade
institutional que quer ter livre-trnsito nas
noticias constitui o maior desafio para os
orgaos noticiosos do pais. De facto, nos lti-
mos anos a noticia local e international mais
important nos meios de comunicaao social
do Uganda foi a pressao governmental reco-
nhecida sobre Aga Khan para se livrar dos
dirigentes ejornalistas do journal hostile (leia-
se, critic do governor) independent Monitor.
Os interesses de Aga Khan na regiao incluem
o Nation Media Group (NMG), que detm
a maioria das acoes da empresa Monitor
Publications Ltd, editor do Daily Monitor
e do Sunday Monitor, e sao proprietarios da
estaao de radio KFM e da estaao de tele-
visao NTV.

No inicio do ltimo ano, a NTV foi fecha-
da pelo governor durante quase dois meses
por aquilo que foi largamente entendido
como pressao sobre a NMG para controlar
o Monitor, que continuara a publicar muitas
noticias critics do Presidente e do governor.
Os orgaos noticiosos do Uganda, como alias


Project Cott i-- I- L j
I' h hh~i h Ih''l,'I'~ h _,h~I I11,1,' ,,


CRREIO







Casos Prticos


no resto da Africa Oriental,
continuam a defrontar-se
com presses political, ora
flagrantes ora subtis.

Os meios de comunicaao
social da regiao continuam
tambm a lutar contra a
legislaao jornalistica res-
tritiva, como as leis sobre a
insubordinaao, que crimi-
nalizam os delitos de publi-
caao. No Qunia, onde os
tribunais tm a reputaao
de atribuir indemnizaoes
exorbitantes em processes
de difamaao intentados
por funcionarios pbli-
cos, o direito civil tam-
bm continue a ser um
problema, especialmente
quando alguns juizes vao
ao ponto de decidir que
os meios de comunicaao
social comerciais e pri-
vados nao podem alegar
em sua defesa o 'interesse
publico. Mas estas restri-
oes political e juridicas
nao podem, de facto, ser
as maiores ameaas para
os meios de comunicaao
social na Africa Oriental.
A proliferaao de jornais
e de estaoes de radio na
sequncia da liberalizaao


Daily NATION



Nyachae and Muite

Sin election alliance
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dos meios de comunicaao social nos anos 90
oculta muitas vezes os desafios economicos
e os problems internos que a comunicaao
social da regiao continue a atacar.

A circulaao dos jornais continue a ser extre-
mamente baixa em paises como o Uganda e o
Ruanda. No Uganda, por exemplo, com uma
populaao de quase 30 milhoes de habitantes,
a circulaao combinada de jornais diarios
estimada em menos de 100.000 exemplares.
A situaao diferente no vizinho Qunia,
onde o principal journal, Daily Nation, vende
cerca de 170.000 exemplares por dia. Mas
de um modo geral, em toda a regiao apenas
cerca de quatro jornais em cada pais vendem
mais de 10.000 exemplares por dia. Na verda-
de, com algumas excepoes em cada um dos
pauses, muitos dos orgaos de comunicaao
social da regiao continuam a ser empresas
pouco solidas. Alm disso, embora parea
existir suficiente diversidade de meios de
comunicaao social na regiao, com uma
comunidade emergente de orgaos noticiosos
a competirem pelas audincias, juntamente
com orgaos de comunicaao social privados
agressivos, bem como outros orgaos detidos



EDIO ESPECIAL (N.E.) DEZEMBRO 2008


pelo Estado, existem igualmente receios de
que a conglomeraao possa prejudicar no
future o pluralismo da comunicaao social
exigido pela democracia.

Tambm permanece o desafio do profissiona-
lismo. Embora os jornalistas da regiao tenham
a melhor formaao de sempre (varias uni-
versidades na regiao oferecem agora cursos
de jornalismo e de comunicaao de massas),
mantm-se as preocupaoes sobre o profissio-
nalismo e as normas ticas em muitas salas de
redacao. As inexactidoes flagrantes, a falta
de context, de profundidade e de rigor anali-
tico na cobertura de noticias de muitos orgaos
informativos, bem como os casos de jornalis-
mo de 'envelope pardo' minam a credibilida-
de das instituioes jornalisticas. Alm disso,
muitas salas de redacao tm pouca 'memoria
institutional', porque muitos dos jornalistas da
regiao acabam por se passar para os dominios
mais lucrativos do marketing e das relaoes
publicas e para o sector das ONG.

A concorrncia em grande escala pelas audi-
ncias fez com que as consideraoes empre-
sariais assumissem um papel cada vez maior


na modelaao do jornalismo
na Africa Oriental. Muitas
organizaoes da comunicaao
social permitiram que os gran-
des anunciantes sacrificassem
a integridade jornalistica no
altar da rendibilidade. Nao s6
existe uma relutncia inquie-
tante em aborrecer os grandes
anunciantes, que raramente
sao sujeitos a qualquer exame
jornalistico significativo, mas
existe igualmente maior von-
tade de publicar informaoes
promocionais das empresas
disfaradas de noticias.
r
Nao tenhamos ilusoes, o jor-
nalismo da Africa Oriental
avanou enormemente nas
duas ltimas dcadas. A pro-
liferaao de canais de comuni-
caao social e a concorrncia
sem precedentes pelas audi-
ncias gerou qualidade. Por
exemplo, graas concorrn-
cia e, claro, evoluao tecno-
logica, o estilo dos jornais da
Africa Oriental esta a anos-luz
S dos models inestticos dos
anos anteriores. A concorrn-
cia alargou igualmente os hori-
zontes dos assuntos que podem
S ser cobertos pelos orgaos da
comunicaao social.


Mas nem tudo o que brilha ouro. M



* Dr. Mwesige, jornalista e professor de jornalismo, o
editor de formao do Nation Media Group, o maior grupo
multimedia da Africa Oriental, sedeado em Nairobi.















Acima:
Fundado em 1962, Daily Nation (Qunia) um
dos jornais mais importantes da Africa Oriental e Central.
Daily Nation
Palauras-chaue
Uganda; meios de comunicaao social;
jornalismo; New Vision; Africa Oriental;
Daily Nation; Nation Media Group (NMG);
Daily Monitor; Sunday Monitor; KFM;
NTV; Els de Temmerman; Yoweri Museveni






Casos Prticos


Mariama Khai Fornah*



"De FREETOUI a HHIi: aminha


cobertura do julgamento de Charles Taylor"


Ojulgamento em curso do antigo
President da Libria, Charles
Taylor, captou a atenao de quase
toda a gente na Serra Leoa e na
Libria. O julgamento realizado pelo Tribunal
Especial para a Serra Leoa esta sedeado no
Tribunal Penal Internacional (ICC) em Haia,
Holanda. A guerra comeou na Serra Leoa em
Maro de 1991 quando a Frente Revolucionaria
Unida da Serra Leoa (RUF) lanou a sua pri-
meira campanha para Eastern Kailahun (Serra
Leoa) a partir da Libria. Antes do culminar
da guerra, a corrupao e a ma gestao no sec-
tor dos diamantes foram um dos principals
motivos pelos quais a Serra Leoa se tornou,
segundo dados das Naoes Unidas (ONU), o
pais mais pobre do mundo.

Os rebeldes da RUF demonstraram a sua bru-
talidade decapitando lideres comunitarios e
empalando as respectivas cabeas. Foram not6-
rios ao cometerem atrocidades como a violaao
de mulheres e meninas, a amputaao de braos
e pernas a civis, o recrutamento de crianas-sol-
dados e a queima e pilhagem de casas.


Depois desta guerra, que durou uma dcada,
a Serra Leoa pediu ao mundo que a ajudas-
se a entregar justia aquelas pessoas que
eram alegadamente responsaveis pelos crimes
cometidos.

O Tribunal Especial foi criado e instaurou um
process contra o antigo president da Libria
Charles Taylor em onze crimes contra a huma-
nidade, crimes de guerra e graves violaoes da
lei humanitaria international. Esta a ser jul-
gado por ter ajudado a Frente Revolucionaria
Unida RUF apoiando-a em armas e munioes
durante a longa dcada de guerra na Serra
Leoa. Em Abril de 2006, Charles Taylor foi
detido e ojulgamento do mesmo comeou em
2007, em Haia.

Enquantojornalista da Serra Leoa, meu dever
cobrir o julgamento todos os dias e manter
as audincias da Africa ocidental informadas
sobre o que se esta a passar na sala do tribunal.

Trabalho com um jornalista da Libria e
somos os nicos jornalistas no mundo a falar


sobre o julgamento a partir da sala do tribunal
e a produzir historias diarias para o pblico
tanto na Libria como na Serra Leoa. Isto
coloca em nos uma grande responsabilidade e
pressao, mas para mim, o sentido de respon-
sabilidade que me tem ajudado a crescer e a
desenvolver profissionalmente, e a tornar-me
melhor naquilo que fao.

Foi a primeira vez que sai de Africa para viver
e trabalhar na Europa. A Holanda um pais
muito interessante, onde as pessoas sentem
realmente orgulho pelas suas casas e pelo
ambiente, que tao limpo e organizado. O
meu proximo novo desafio vai ser passar um
Inverno frio, uma vez que estou habituada aos
meses quentes de Dezembro do meu pais!

Cubro o process judicial de segunda a sexta.
Todas as manhas, passo algum tempo na sala
do tribunal para observer o process antes de
deixar a verdadeira sala do tribunal para ver a
audincia a partir do Gabinete de Imprensa. E
daqui que gravo o audio do tribunal e transfor-
mo os events do dia num boletim noticioso











pronto para as estaoes de radio da Serra Leoa
transmitirem no final desse dia.

Muitas das testemunhas falam krio, que a
lingua local falada por today a Serra Leoa. Por
conseguinte, gravo o process em ingls e em
krio. Isto ajuda a garantir que os ouvintes que
nao percebem ingls percebam o que se esta a
passar ao long do julgamento.

O maior desafio a escolha diria de um
ngulo sobre o qual escrever. O tribunal esta
em sessao das 9h30 s 16h30 na maioria dos
dias e tenho de transformar varias horas de
testemunhos e de outros debates da sala de
audincias em informaoes com duraao de
cinco minutes para um boletim noticioso em
Africa.

O meu trabalho todo produzido digitalmen-
te, por isso utilizo um software para editar o
material audio da sala do tribunal e envio a
versao final por e-mail a mais de 15 estaoes
de radio na Serra Leoa, incluindo estaoes de
radio como a Radio da ONU, que transmite
em todo o pais.

Muitas das estaoes de radio emitem igual-
mente programs locais que cobrem outros
aspects do julgamento e as questoes de justi-
a transicional que afectam a propria comuni-
dade. As entrevistas sao igualmente utilizadas
para magazines que fornecem uma oportuni-
dade de os ouvintes participarem no program
quer por telefone quer atravs do envio de
mensagens de texto. As estaoes de radio que
se situam nas provincias lem os guides dos
meus relatorios em varias linguas locais como
o mende e o temne, para que todos fiquem
informados. Quando existe uma questao sur-
preendente no tribunal, algumas estaoes de
radio entrevistam-me para saberem mais sobre
o que se esta a passar.

E nao sao apenas as radios que utilizam o
material. Os jornais por toda a Serra Leoa e
Libria publicam igualmente o que produzi.

A minha relaao com os juizes e os advogados
muito cordial. Nunca tive a oportunidade de
entrevistar juizes, mas entrevistei as principals
figures da defesa e da acusaao.

Conduzi uma srie de entrevistas com o prin-
cipal advogado de defesa de Charles Taylor,
Courtney Griffiths QC, e a maioria das entre-
vistas foram publicadas em todos os jornais do
meu pais e da Libria.

Nao tenho qualquer contact director com as
testemunhas, uma vez que os jornalistas que
estao a cobrir o julgamento estao proibidos de
as entrevistar: essa tarefa cabe s equipas de



EDIO ESPECIAL (N.E.) DEZEMBRO 2008


defesa e acusaao. A nica forma de eu poder
obter informaoes das testemunhas gravando
o que testemunham no tribunal e depois utili-
zar esse audio nas minhas reportagens.

No final de um long dia, penso que bastante
encorajador ouvir os meus amigos, familiares
e antigos colegas dizer-me que ouvem os meus
relatorios e se mantm actualizados com o jul-
gamento. Muitos deles disseram que os relat6-
rios os ajudaram a compreender melhor o que
provocou a guerra e os acontecimentos que
ocorreram durante a mesma. Isto realmente
important para mim porque demonstra que as
pessoas estao mesmo a seguir o julgamento e
estao a tornar-se mais interessadas por ver que
se esta a fazer justia. M


* Produtora da Serra Leoa/Reporter em Haia.


Palauras-chaue
Charles Taylor; Serra Leoa; Libria;
crimes de guerra; julgamento; Tribunal
Especial para a Serra Leoa; Tribunal Penal
International (ICC); Haia; Freetown;
Frente Revolucionaria Unida da Serra
Leoa (RUF).


Im le m * I. incl



Co-.i o ulae nt de -.a form -..*-bada .. e obetveo om o ofifr


e .et de poe .-d e Clai e Zw ga nt qu os .uine da -fc oie.. perc-


igu .0 e .ut -oma -enqun. .-ls As ..ha encsmlo a e *ei u


Um- .-eea que - alene dig a ei me.-. q e e ouo ufes e. a csa


-e- os adogdo de dee -pnssrod m ediao e.tre. o -od SraL e-a
-iae..- qe. ac c no tribnal 0e moiv e. -ua sou mut coscecs na0 fom




* e e.... e eoncum -m *..im fot d e *e.e emrg e .sstni A o -me -- al e.t
a conriui par o deevovmet do e pai fomad oue.o e-nlsa efre






Casos Priticos


Chris Gollop



flssegurar a DEMOCRflCIRf


nas CHlRIBRlS


Harold Hoyte.
The Nabon (Barbade)


Haol Hoye e mdsjonlsa mai rese'e do e a e *..e a.e Memr da U' de 'es dea
Coemonealt d e, 196, e nco a carer d e jon eit eo Babao -e o t e e me e95, e m e- eti dee
edac Deos trblo em -e-----e e rsoto oni enteee dsaprcds ane d u e eo-fna eo
jona -e e Natio e- 93 -e i peeiene e hefee'de rd doTe Naio entr e97 e 206 .0 'e e e que
se rjefo u -epide -eorad eo j-ea Re-ao j eru ee e----- Th e Na -o e ieo ea "Oee
Car ...a Mei jCM j-, e-" e epeea de eul c-:,ad, reene- ne ear sue- vs a e eee us
--j e00 ees prniasepeae e e j *,j-, secialede j,,ado, j-iae e --e e jrnaa *j2003
cebee e Gd rwofMitae^S ibEid pe^o GSerno e Barbadossue contribuio para a
comunicao social.^^^Q^w^^^^^w^^^^^J^^^^^^^^v^^^


C hris Gollop, redactor principal do
The Nation, entrevistou recentemen-
te Harold Hoyte, agora reformado,
sobre a situaao da comunicaao
social nas Carafbas.

Comecemos por olhar para o crescimento do
sector jornalistico nas Caraibas de expressao
inglesa nas ltimas trs a quatro dcadas. Que
papel, se que teve algum, desempenhou o
sector para assegurar a continuado de demo-
craciasflorescentes na .'.- *

JPenso que temos de dividir as Caraibas de
expressao inglesa em dois sectors. Existem
os meios de comunicaao social mais implan-
tados nas chamadas "ilhas" maiores, como a
Guiana, Jamaica, Trindade e Barbados, que
tm uma longa historia dejornalismo, e depois
ha a sombra de jornalismo nas ilhas mais
pequenas como Sao Vicente, Santa Lcia, Sao
Cristovao, etc. Nos paises maiores penso que
assistimos a um amadurecimento do jornalis-
mo em terms de capacidade para reconhecer
o seu papel em relaao ao desenvolvimento do
pais e o equilibrio entire dar apoio critic ao
governor e assumir o papel traditional de voz
do home da rua, salientando os problems
com que o pais se confront. Penso que ama-
durecemos nesse sentido.


No caso das ilhas mais pequenas aquilo a que
assistimos foi um enorme aumento princi-
palmente de semanrios, tendo alguns deles
adquirido agora as suas proprias mquinas
de impressao, que lhes dao uma sensaao de
independncia. Penso que estes jornais vao ter
um papel important no desenvolvimento das
democracies nas Caraibas Orientais, em espe-
cial nos anos vindouros, uma vez que agora
podem colocar as questoes imediatamente em
primeiro plano e os governor poderao dialogar
muito mais com as pessoas, o que em minha
opiniao ajudar a reforar as democracies nas
Caraibas Orientais.

Por isso penso que ao long das ltimas trs
ou quatro dcadas assistimos a um enorme
crescimento que ira certamente reforar as
democracies e proporcionar, tanto aos gover-
nos como s populaoes, uma plataforma para
intercmbio de noticias por isso estou muito
optimista.

Quando a Internet apareceu em cena houve
algumas preocupaes por parte dos editors
de jornais em todo o mundo quanto ao facto
deste fen6meno poder ter grande impact na
viabilidade da imprensa. Nas Caraibas, contu-
do, o sector continue a florescer. No entanto,
pensa que com o aumento do acesso Internet
ainda podemos assistir a um declinio do sector,


especialmente agora que os blogues se torna-
rarn tdo populares nos ultimos tempos?

Nao me parece que o sector da imprensa se
deva sentir ameaado desde que d a resposta
correct. Em muitos aspects os editors tm
de encontrar forma de assegurar que os jornais
continuam a ser um bem essencial. O desafio
consiste em assegurar que o nosso produto d
resposta a todos os problems e todos os dias
e que j nao aceita a attitude traditional de
que existimos para relatar os acontecimentos
do dia. Temos de reformular os jornais. O
problema a relutncia dos seus gestores e
dirigentes em tomarem esta decisao arrojada de
reformular e remodelar. E precise livrarmo-nos
do conceito actual de como se faz um journal e
colocarmos a questao: "Este journal que estou a


CRREIO











produzir relevant para
os consumidores actuais e
se nao , como que o
posso mudar?" Nao se trata
apenas do format nem
do que apresentado, mas
tambm a forma como
apresentado. Por exemplo,
normalmente a primeira
pagina inclui a noticia mais
important do dia, mas na
altura em que os leitores
vao para a cama na noite
anterior j sabem qual
essa noticia. Portanto, o que
precisamos de acordar as
pessoas na manha seguinte
com a resposta para o pro-
blema. Isto significa que
enquanto os leitores dor-
mem, temos de encontrar
as respostas. E penso que
qualquerjornal que procure
utilizar o conceito dos blo-
gues, a idea de introduzir
multiplos pontos de vista
no sistema, sobrevivera,
porque as pessoas estao
habituadas a tocar, mani-
pular e sentir um produto e
nao creio que o ecra tenha
substituido isso. Portanto, o
produto que querem ter na
mao ainda o journal, mas
quando o abrem este deve
falar-lhes do que querem,
deve responder s suas per-
guntas; deve dizer-lhes o
que outros dizem sobre o


Uma primeira pagina histrica do clebre dirio jamaicano
The Daily Gleaner, dedicada a Bob Marley em 23 de Maio de 1981,
depois do funeral da lenda do reggae.
The Daily Gleaner



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BOB MARLEY BURIED IN ST. ANN
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UWI workers stop over police on campus





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WCrhaiteing ci e t l wnt. felsm,






Snfant drown "in a tank
TMOmURtg cnrol _ qEFRtrT


assunto. Ainda consideramos que a pagina do
estrangeiro deve relatar uma ladainha de acon-
tecimentos que ocorreram na vspera em todo o
mundo. Em minha opiniao j nao assim. O que
temos de tratar como que esses acontecimen-
tos nos afectam. Penso por isso que temos de
deitar fora o velho e introduzir o novo. Mas se
os directors dos jornais nao o fizerem, prevejo
uma grande diminuiao de leitores e a perda do
vigor e da relevncia dos jornais.


Assistimos a uma tendncia dos magnates da
comunicao social em todo o mundo para
consolidarem os seus interesses atravs de
fuses ou da aquisio de concorrentes. Mais
recentemente, assistimos nas Caraibas fusdo
dos principals jornais e estages de radio e de



EDIO ESPECIAL (N.E.) DEZEMBRO 2008


televiso, que passaram a star abrangidos
pela estrutura tnica da One Caribbean Media
(OCM). Pensa que isto bom para o sector no
seu conjunto? Nao acha que a long prazo se
podera assistir ao desaparecimento dos jor-
nais que no entraram nafuso?


Penso que bom sobretudo para a regiao.
Porqu? Estou satisfeito que com a nova ordem
economic, estabelecida pela OMC, em que
foram suprimidos todos os tipos de fronteiras
e na qual o acesso s empresas nao tem as
restrioes do passado, era muito possivel que
pudssemos voltar ao antigo sistema em que
grandes conglomerados de pauses cosmopolitas
vinham a estas zonas comprar os jornais. A
OCM quis criar um tampao contra isso e criar


Casos Prticos


o nosso proprio poder,
de modo que nao puds-
semos ser "apanhados"
uns a seguir aos outros.
Assim, algum que venha
s Caraibas e queira com-
prar os principals jornais
em Barbados, Trindade e
Jamaica ou onde quer que
seja, ter de os comprar
todos e nao de escolher
- saimos assim reforados.
Tambm nos coloca numa
posiao em que podemos
ir para outras parties do
mundo o que acredito
que a OCM acabar por
fazer. E podemos tornar-
nos no aventureiro que vai
por ai e faz aquisioes no
Norte das Caraibas, tal-
vez nas Baamas ou nas
Bermudas, tornando-se
um poder como qualquer
outro poder no dominio
da comunicaao social na
Australia, Nova Zelndia
ou na Inglaterra ou nos
Estados Unidos, para
podermos competir como
iguais. Nos, enquanto
meios de comunicaao
social das Caraibas, sere-
mos iguais aos outros em
qualquer parte do mundo e
isso que queremos poder
fazer. De modo que depois
de terms garantido as
Caraibas nao tenhamos de


voltar situaao em que outros nos dao ordens
sobre o que devemos inserir no journal. No
que diz respeito aos jornais mais pequenos,
verdade que ficarao expostos e muito pos-
sivel que venham a ser absorvidos. Mas o que
talvez possa acontecer, como se passou noutros
pauses, aparecer outro grupo que possa reunir
outro conjunto de jornais e de estaoes de radio
e de televisao e assim por diante. M

A versao complete desta entrevista pode ser lida no sitio
Web de O Correio: www.acp-eucourier.info


Palauras-chaue
Meios de Comunicaao; Caraibas;
Commonwealth Press Union; Chris Gollop;
Harold Hoyte.


































SE xiste inevitavelmente uma
cobertura tendenciosa das
noticias porque os princi-
"pais orgaos da comunicaao
social da regiao foram propriedade do governor
ou controlavam os principalss) jornalistas insu-
lares, levando-os por vezes a fechar os olhos a
political corruptas desenvolvidas sem a parti-
cipaao dos cidadaos", diz Moala. Acrescenta
que o negocio da comunicaao social e os
interesses comerciais usurparam o papel tradi-
cional da informaao. "A globalizaao teve um
impact tal nos meios de comunicaao social
que pouco esta a ser feito para os adequar aos
contextos socioculturais indigenas e locais. Em
vez disso, os contextos socioculturais estao a
ser progressivamente adaptados para caberem
no modelo nico de uma comunicaao social
globalizada", refere Moala.

O professor de jornalismo David Robie, da
Universidade Tecnologica de Auckland (AUT),
diz que o jornalismo do desenvolvimento tem
um papel fundamental a desempenhar no
future da regiao do Pacifico Sul e que uma
nova geraao de jornalistas que receberam
formaao tm responsabilidade em relaao s
suas populaoes.

"Os jornalistas do Pacifico tm agora, mais
do que nunca, a grande tarefa de incentivar a
democratizaao da regiao e (fornecer) ideias
avisadas sobre as questoes do desenvolvimen-
to com que os Estados insulares se confron-
tam. Os jornalistas tm de ser parte da soluao
e no parte do problema", declarou ele.

Na verdade, isto tambm se aplica pratica
do conceito de 'jornalismo de paz' dos jorna-


listas das ilhas do Pacifico, especialmente os
que trabalham em "pontos quentes" como a
Papuasia-Nova Guin, as ilhas Salomao e as
ilhas Fiji. Os jornalistas tm sido acusados de
contribuir para as tensoes e agressoes atravs
do seu estilo de reportagem e, utilizando o
caso das ilhas Fiji, de "darem voz a autores e
lideres de golpes de Estado", por simplesmen-
te lhes facultarem os microfones durante as
pocas de crise e de difundirem as suas men-
sagens naao na sua excitaao e entusiasmo
para conseguir aquilo que consideram uma
noticia de ltima hora.

Assistente de jornalismo, Evangelia
Papoutsaki, PhD, estabelecida na AUT, Nova
Zelndia, afirma que tendo em conta as carac-
teristicas distintivas dos paises do Pacifico,
nos podemos interrogar sobre os fins do jor-
nalismo em terms da sua contribuiao para
o desenvolvimento das sociedades das ilhas
do Pacifico.

Algumas observaoes dos meios de comuni-
caao social do Pacifico que cobrem temas de
desenvolvimento na regiao, diz ela, apontam
para relatos superficiais, urbanos e elitistas,
analisados pelos olhos dos doadores/agncias
de ajuda e organizaoes de desenvolvimento.
Prossegue afirmando que "na maior parte dos
casos os jornalistas estabelecidos em capitals
obtm os seus materials em conferncias e
comunicados de imprensa... e que os meios
de comunicaao social tendem a dar pouco
espao opiniao das pessoas afectadas e os
reporteres parecem ignorar o saber das comu-
nidades locais em terms de como o desen-
volvimento sustentavel pode ser conseguido a
partir do interior".


Debbie Singh*


necessria uma grande

reform dos meios de

comunicao social no

Pacifico, de acordo com o editor

tongans Kalafi Moala. Quais

so os estrangulamentos no

contribute da comunicao

social para o desenvolvimento

da regio?



Papoutsaki afirma que isto tem origem na pre-
dominncia dos valores e principios jornalisti-
cos ocidentais, numa falta de conhecimentos
locais e no desejo de procurar e dar voz a esses
conhecimentos.

"S6 muito raramente que vemos reportagens
profundas baseadas nos principios do jorna-
lismo do desenvolvimento, que procura as
vozes das comunidades locais e promove os
conhecimentos e as soluoes para as questoes
de desenvolvimento", declara.

"Aprender como fazer investigaao sobre
desenvolvimento uma forma de colmatar a
lacuna na forma de fazer reportagens eficazes
sobre questoes de desenvolvimento. O jor-
nalista precisa de passar a investigator para
compreender melhor os relatorios baseados
em investigaao dos consultores e das agn-
cias internacionais e compreender melhor as
suas comunidades, trabalhando para elas e
tambm com elas."


* Jomalista estabelecida nas Fiji.



Palauras-chaue
Ilhas do Pacffico; meios de comunicaao
social; jornalismo; Kalafi Moala; David
Robie; Universidade Tecnol6gica de
Auckland (UNITEC); Evangelia Papoutsaki


CRREIO








































meios oe comunicaao social em




ZOIfl DE CRISE para milhes


de auditors


O papel pacificador e cidado da informao


saiu de uma guerra mortifera que
causou cerca de 200.000 mortos,
2 milhoes de deslocados, milhares
de pessoas arbitrariamente amputadas dos
braos como media de intimidaao: sera
possivel, ao sair desta violncia, exprimir-se
por um simples boletim de voto livre e demo-
crtico?

As mulheres que estao na fotografia encontra-
vam-se ha alguns meses na cidade de Kabala,
perto da fronteira com a Guin. Kabala, teatro
de 17 batalhas em dez anos de guerra. Duas des-
tas mulheres sao candidates s eleioes munici-
pais. Respondem s perguntas de Millicent
Massaquoi, jornalista da Fondation Hirondelle,
uma fundaao que apostou tudo no poder paci-
ficador e de cidadania da informaao.

Esta reportagem foi difundida por um progra-
ma realizado em colaboraao entire a Fondation


EDIO ESPECIAL (N.E.) DEZEMBRO 2008


Hirondelle e a mais antiga Universidade
da Africa Ocidental, Fourah Bay College de
Freetown. Uma ideia original e um enorme
sucesso: 6 horas de boletins informativos, de
debates politicos, de temas de sociedade difun-
didos em director pela radio da Universidade,
mas igualmente pela das Naoes Unidas e por
uma dezena de radios comunitrias parceiras.
O essencial para a fundaao isso: uma infor-
maao rigorosa, credivel, independent, que da
resposta enorme necessidade desta populaao
de acabar com as mentiras, a propaganda, os
boatos e as manipulaoes. O debate politico
para obri-gar a cair do seu pedestal, inacessivel,
os chefes intocaveis que assim passam a ser
responsabiliza-dos perante os simples cidadaos
pelas suas decisoes, a sua gestao e muitas vezes
os seus abusos de poder.

Debates de sociedade para devolver a palavra
s pessoas simples, para lhes dar acesso ao
debate pblico, para que as mulheres possam


dizer que exigem a paz para se poderem ocu-
par dos filhos, para que os jovens possam dizer
que querem um future sem pobreza, para que
os pequenos confli-tos e os escndalos perma-
nentes possam ser denunciados: blocos opera-
t6rios sem electricidade devido negligncia
dos servios pblicos, militares que exigem
pagamentos das viaturas nas barragens, os
lixos que se acumulam no centro da aldeia.

A Fondation Hirondelle fala na lingua dos seus
auditors, que agora s6 raramente o francs
ou o ingls. Na vizinha Libria, a Radio STAR
difunde em 16 linguas diferentes, na Repblica
Centro-Africana a Radio Ndeke Luka, outra
radio da Fondation Hirondelle, fala em sango.
Na Repblica Democrtica do Congo, os cerca
de 20 milhoes de ouvintes da Radio Okapi
ganharam o hbito de escutar os seus programs
em suahili, kikongo, tshiluba e lingala e tambm
em francs, claro. Radio Okapi: uma radio com
cobertura national, gerida em parceria com o






Casos Priticos


Departamento de Operaoes de Manutenao da
Paz das Naoes Unidas, tal como no Sudao a
Radio Miraya, que tambm passou a ser a mais
ouvida, tambm uma radio popular.

A Fondation Hirondelle criou a Radio Televisao
de servio public em Timor, geriu com as
Naoes Unidas a Radio Blue Sky no Kosovo
e contribuiu para a cobertura das eleioes
nacionais com a radio national do Nepal.
Financiada por governor e nomeadamente em
relaao a muitos dos seus projects, como na
Serra Leoa, pela Uniao Europeia, a Fondation
Hirondelle uma organizaao de jornalistas
que desde 1995 faz radio, cria instituioes
mediaticas, produz e difunde emisses.

Os seus colaboradores sao, na grande maioria,
cidadaos dos paises onde trabalha. E no dia-a-
dia, na reportagem, na escolha dos assuntos, na
redacao das noticias, na entrevista dificil, no
trabalho incessante do ponto de vista profissio-
nal que se forja a pouco e pouco em cada uma
das suas radios uma cultural de independncia e
de rigor jornalistico. E uma escola permanent,
uma formaao sem interrupao numa profis-
sao que permit s mulheres, assim como aos
homes, assumirem respon-sabilidades.


Concorrncia desleal para os meios de comuni-
caao locais? A experincia mostra o contrario. O
receio muitas vezes que os meios de comunica-
ao social da fundaao desapaream: nesse caso,
a protecao e o modelo que constituem faltarao
para permitir a outros meios de comunicaao
exerce-rem verdadeiramente a profissao como a
entendem. As estaoes de radio da fundaao tm
cerca de cinquenta radios parceiras.

Os meios de comunicaao social da Fondation
Hirondelle pertencem umas vezes aos doa-
dores e outras fundaao quando os gere
sozinha, ou s Naoes Unidas quando sao
radios das Naoes Unidas geridas em parce-
ria. Mas, de facto, pertencem queles para
quem existem: os auditors. Em Isiro, cidade
da RDC, circulou o rumor no Verao de 2005
que a Radio Okapi ia suprimir o seu emissor
local. Os estudantes da cidade mobilizaram-se
e numa grande manifestaao de protest cujo
slogan foi aquele com que sonhavamos: "A
Radio Okapi nossa, nao vossa! ". M

* Joralista em funes em Genebra.
Para mais informaoes, consultar o sitio web:
www.hirondelle.org

Palauras-chaue
Radio; agncia de noticias; Fondation
Hirondelle; Ong; Sierra Leone; Fourah Bay
College; Libria; Timor; Republica Demo-
cratica do Congo; Kosovo; Naoes Unidas.


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Casos Priticos


Marie-Martine Buckens


0 "papel important" da IlmPREfSIn SITIRIC1


na dessacralizaao do poder em flfrique


Le Lynx na Guin, Le Cafard Libr (Senegal), o Journal du Jeudi (Burquina Faso) ou
ainda Le Gri-Gri International ("refugiado"em Frana), conheceram todos, em graus
diversos, o espectro da censura. Nos praises onde a democracia tem dificuldade em se
impor, a satira atrai por definio a censura. o que explica o soci6logo Souleymane
Bah na sua tese sobre a imprensa satirica na Africa franc6fona*.


fa simples. Michel Ongoundou, director do Le Dromadaire
semanario satirico gabons La Griffe, sabe i n
bem disso. Foi proibido de exercer o jornal- ;. .
ismo no Gabao e o seu journal foi suspense em Fevereiro de -.. ^
2001. Exilado em Frana, criou com outros jornalistas Le
Gri-Gri International, actualmente no sexto ano de vida. Na
Guin, Le Lynx, "semanario satirico independente, tam- I ""
bm vitima muitas vezes de sanoes por parte do circulo
de pr6ximos do Presidente Lansana Cont. A -.5 WG i. w

O receio de sanoes nao parece assustar o director do Gri- l h
Gri, Michel Ongoundou: "A imprensa como uma gota de .OM .- '
agua que cai na rocha. Nao se pode avanar de rompante. 5E t
Tm de se conquistar pequenos espaos. V-se que a via das eN
urnas, por exemplo, nao funciona. E por isso que se deixa
de fazer oposiao?", declarou a Souleymane Bah.

O seu optimism, tempera o sociologo, mas igualmente 'I
desde ha alguns anos cronista do Lynx da Guin, mostra
no entanto que o caminho a percorrer ainda long: "A
imprensa satirica africana, vista de um lado como diversao
pdblica, cuja palavra nao tem qualquer consequncia, e .
de outro como uma alternative aos meios de comunicaao -
tradicionais com os seus conteudos complicados, desem- .. ,
penha actualmente um papel important na dessacralizaao *
do poder em Africa. Mas a questao que naturalmente se
pode pr a de saber se a sua constituio como um espao
inviolavel e sobretudo como um espao de legitimaao ,-
politica nao contribuira para minar o seu proprio esforo. ,
de saneamento da gestao public do continent. Ficariamos.
entao, como diz a sabedoria popular guineense, na posiao
do apanhador de amendoins, que faz o seu trabalho sempre
a andar para tras..." M
Fundado em Agosto de 1991, o Journal du Jeudi, conhecido vulgarmente por
'JJ', considerado pelo journal 'Courrier international' como send "provavel-
SAltrit, hybridit, originality. La press satirique en Afrique francophone mente um dos melhores jornais satricos que apareceram nas bancas desde
Souleymane Bah- Ed. LHarmattan os anos 90 na Africa francfona". Nesta imagem aparece uma capa esboada
por Damien Glez. Uma curiosidade: Hamidou Zoetaba colabora com o JJ".
Autorizaco do Journal du Jeudi.

Palauras-chaue
Imprensa satirica; Souleymane Bah.


EDIAO ESPECIAL N 2 (N.E.) DEZEMBRO 2008












Jovens


PARA A PARTICIPAAO DAS CRIANAS NOS MEIOS DE COMUNICAAO SOCIAL E A DEFESA DOS SEUS DIREITOS





RmDIInRTOU SfR,



instrutora de crianas jornalistas

Ela era a coqueluche do F6rum "Meios de Comunicao Social e Desenvolvimento" de
Uagadugu. Estilo ponderado, conciso e pedag6gico nos seus discursos, apoiado por uma
combatividade e uma firmeza no desprovida de elegncia. Aminatou Sar a coordenadora
regional (Africa Ocidental) dos projects "Meios de comunicaao social para as crianas"
da ONG international PLAN, orientada para a defesa dos direitos dos mais jovens.


Louis Michel a ser gravado durante o Forum Meios
de Comunicaao Social e Desenvolvimento, em Uagadugu.
Forum Media and Development


No infcio do forum, a presena do
grupo de adolescents que ela acom-
panhava representou uma lufada de
ar fresco naquele tipo de comicio
bastante austero. Contudo, media que os jovens
eram incitados pelos profissionais dos meios de
comunicaao social, estes ultimos aperceberam-
se que estavam a lidar com verdadeiros colegas,
lutadores e concisos, e no com meras crianas.
E, pouco a pouco, as atenoes comearam a recair
sobre este grupo de adolescents. Aminatou Sar
deixou-os por conta prpria, certa da capacidade
que tinham para gerir a sua prpria comunicaao.
O comissario Louis Michel teve mesmo uma
longa conversa com alguns destes jovens e convi-
dou alguns a deslocarem-se at Bruxelas.

Perante estes jovens, Aminatou Sar parece
comportar-se mais como uma instrutora do


que como uma gentil organizadora; ela esta
convencida de que a entrada nos meios de
comunicaao social, senao a sua penetraao
pelos jovens, determinante para o respeito
dos seus direitos num mundo onde a comuni-
caao cada vez mais premente. As crianas
tm com quem aprender quanto critical do
funcionamento da imprensa da actualidade.
Numa entrevista ao Correio, Aminatou Sar
nao poupou critics ao que consider ser uma
cumplicidade entire o poder e a imprensa, pelo
menos, na sua regiao e, sobretudo, no seu pais,
o Senegal. Ela desmonta o mecanismo passo
a passo para demonstrar como funciona essa
conivncia. Ao mesmo tempo que elogia o
trabalho realizado pelos meios de comunica-
ao social comunitarios, sobretudo as radios,
ela nao deixa de condenar a attitude de alguns
pequenos empresarios dessa imprensa que,
muitas vezes, nao sao jornalistas e que, de
forma descarada, nao pagam o suficiente aos
seus funcionarios.

O project "Meios de comunicaao social
para as crianas" teve por primeiro local de
exploraao o Senegal, ha mais de dez anos,
e desenvolve-se actualmente numa dzia de
paises da sub-regiao. Aminatou Sar salienta
que " uma pena que seja uma ONG a fazer o
trabalho. Poderia pensar-se numa radio local".
Em 2008, cerca de 4500 jovens participaram
na regiao em emissoes em, aproximadamente,
450 estaoes de radio. Segundo Aminatou Sar,
o envolvimento das crianas na imprensa tem
como primeira consequncia uma alteraao nas
relaoes entire pais e filhos: os filhos devolvem
por vezes a confiana aos pais e retomam a


confiana em si mesmos no regresso escola.
Por vezes, devido falta de profissionalismo
(apenas 30 a 40% dos jornalistas tiveram uma
formaao adequada), aos baixos salarios (em
mdia, menos de 100 dolares americanos por
ms) ou aos escassos meios de informaao (5%
dos profissionais possuem computadores) na
regiao, de acordo com um estudo citado pela
representante da PLAN, o direito das crianas
desrespeitado nos meios de comunicaao
social. Citam, por exemplo, sem pudor, o nome
de uma criana abusada sexualmente.

As crianas que intervm nos meios de comu-
nicaao social incitam frequentemente aqueles
que as convidam a munir-se de ferramentas
intelectuais para melhor realizarem o seu tra-
balho. A PLAN criou um verdadeiro ensino
escolar no qual as crianas se iniciam em todas
as bases do trabalho jornalistico, mas tambm
na defesa dos seus direitos enquanto crianas e
na sensibilizaao dos seus interlocutores, dos
meios de comunicaao social, das autoridades
political e afins relativamente urgncia da
questao. Para alm disso, aprendem a preparar
temas relatives a questoes diversas (excisao,
casamento forado, direito de brincar, etc.) para
todos os tipos de meios de comunicaao social
e a apresenta-los. Nao se trata somente dos
meios de comunicaao de massas: eles utili-
zam igualmente outros meios de comunicaao
social como a produao de discos musicais e
de outros suportes. H.G. M
Palauras-chaue
Hegel Goutier; Aminatou Sar; PLAN;
crianas jornalistas.


CRREIO












Sandra Federici


Jovens


PLfnITE JEUIES:



Para conhecer e entreter-se...
Uma capa do Plante jeunes. I


A capa da Plante Jeunes nao dife
rente de todas as capas das revistas
europeias especializadas na juven-
tude, com imagens de estrelas do
desporto e da musica, e os titulos dos artigos.
Contudo, o objective da revista definido
por um project de promoao da leitura e da
cidadania para que os jovens africanos (15-25
anos) possam abrir-se ao mundo, informar-se
para ter xito, mobilizar-se para avanar, expri-
mir-se e mudar.

PA Plante Jeunes visa, efectivamente, desper-
tar o interesse da juventude africana atravs
de uma linguagem ludica e na moda: os textos
sao breves, simples, bem espaados, acompa-
nhados de numerosas caixas explicativas e de
fotografias. A criaao da revista confiada a
uma equipa de colaboradores africanos sedea-
dos em Paris e num grande numero de paises
africanos. Para os mais pequenos, existe a
revista Plante Enfants. Distribuidas em mais
de 25 paises da Africa francofona, do Oceano
Indico e das Caraibas, elas chegam a mais de
um milhao de leitores.

Passemos a palavra ao chefe de redacao,
Eyoum Ngangu.

A revista Plante Jeunes inclui as cartas dos
leitores e anima um forum na Internet: quais
so os desejos, as aspira5es, os sonhos dos
jovens africanos?

E dificil responder directamente a essas per-
guntas, tanto os sonhos como os desejos e as
vontades dos jovens sao numerosos e varia-
dos. Uma parte recorrente da correspondncia
contm os motivos condutores que incentivam
os jovens a construir uma Africa forte e que
recusa a fatalidade da misria. Outras corres-
pondncias contm as angustias quase exis-
tenciais da juventude (na acepao universal
do termo) relativamente a questoes como a
orientaao escolar, a amizade, o amor, a sexua-
lidade, a autoconfiana, o medo do future, etc.
Mas recebemos igualmente muitas produoes


literrias: cartas de amor, poesias e canoes.
Como todos os outros jovens da regiao, eles
estao preocupados com o seu future imediato
(a escola, o trabalho) e com um future muitas
vezes incerto (a paz, o ambiente, etc.). No
entanto, observamos uma alteraao nos modos
de comunicaao. No passado, recebiamos um
numero significativo de correspondncias por
correio postal. Hoje em dia, a maior parte das
cartas chega por e-mail. Sentimos igualmente o
impact das mutaoes tecnologicas nos jovens
atravs da evoluao da sua expressao para a
linguagem SMS que infelizmente encontramos
nas cartas.

E a revista Plante Enfants, a "irmd mais
nova" da Plante Jeunes que nasceu em 1998,
como que se esta a desenvolver?

A Plante Enfant tornou a alcanar a Plante
Jeunes ao nivel da difusao. O numero de assi-
naturas esta a aumentar. Nas escolas, ela serve
de apoio didactico aos docentes e iniciou uma
parceria com organizaoes como a UNICEF,
o Plano Internacional, a Organizaao Mundial
de Sade e o Secretariado Internacional do
Trabalho com vista realizaao de campanhas
sobre a segurana rodoviria, o trabalho infan-
til, o registo dos nascimentos, etc. A principal
diferena entire as duas revistas esta em quem
as compra: os pais compram a Plante Enfants,
enquanto que a Plante Jeunes adquirida
pelos proprios adolescents.

A que tipo de jovens se dirigem? Aos jovens
que adoram os mitos ocidentais como ofutebol
e a muisica?

Graas tecnologia digital, os jovens africanos
recebem exactamente as mesmas imagens que
os jovens do resto do mundo. Estao ligados em
director aos canais por cabo e por satlite que
difundem ao long do dia videoclips america-
nos de hip-hop. Assistem aos jogos de futebol
de todos os grandes estadios da Europa e da
Amrica Latina. Ainda que abertos ao mundo,
eles mantm os ps bem assentes na terra.


Et



Gostam tanto das estrelas americanas como
dos actors das sitcoms com pequenos ora-
mentos que falam a linguagem de rua africana
e abordam temas da sociedade. Sao doidos
pelo coup-dcal, corrente musical praticada
pelos jovens costa-marfinenses com um ritmo
de fundo congols. Deste modo, para a Plante
Jeunes, trata-se de gerir este grande afastamen-
to entire o global e o local. Por este motivo, a
nossa revista pode surgir como uma espcie de
ligaao entire as informaoes sobre as vedetas
americanas, os cabeas de cartaz africanos do
futebol ou da msica, os temas da sociedade
que abordam a dependncia dos videojogos, os
temas da actualidade como a presena chinesa
em Africa ou as eleioes americanas. Sem
esquecer o emprego, as cincias, a moda, a
sade (nomeadamente o problema da SIDA),
o humor por meio de desenhos ou de BD e as
viagens. M




Palauras-chaue
Plante Jeunes; Plante Enfants; juventude
africana; Africa; Eyoum Ngangu.


EDIAO ESPECIAL N 2 (N.E.) DEZEMBRO 2008











Internet


Mike Jensen*


Tendncias no


FOSSO


DIGITAL




em BFRICI

Amaior parte dos paises em Africa registou atrasos no seu
progress para uma Sociedade da Informaao, em grande
media devido aos seus baixos niveis de rendimentos e
falta de uma infra-estrutura de Tecnologias da Informaao
e da Comunicaao (TIC). Consequentemente, a maioria dos africanos
das zonas rurais nao tem, nos dias de hoje, acesso telefonia bsica,
para nao falar da Internet em Dezembro de 2007, apenas 5 por cento
da populaao africana tinha uma ligaao Internet e a penetraao da
banda larga era inferior a 1 por cento. Ainda assim, tm ocorrido recen-
temente algumas melhorias significativas que sugerem que o continent
esta agora a realizar francos progressos para aderir economic global
interligada em rede.

A telefonia mvel agora o principal modo de acesso TIC em Africa, onde
os telemveis ultrapassam em numero as linhas fixas numa relaao aproxi-
mada de dez para um. As taxas de crescimento das comunicaoes moveis
sao as mais elevadas no mundo, lideradas por paises com entradas no mer-
cado mais recentes, tarifas mais competitivas e cobertura melhorada.

Ao mesmo tempo que o acesso TIC no continent de um modo geral
muito baixo, a grande disparidade nos niveis de rendimento, na dimen-
sao da populaao e nas political relatives s infra-estruturas das tele-
comunicaoes provocou niveis desiguais de distribuiao. Por exemplo,
mais de 75 por cento das linhas fixas encontram-se em apenas 6 das
53 naoes africanas. De igual modo, quatro dos 53 pauses em Africa
representam quase 60 por cento dos utilizadores da Internet na regiao
e apenas 22 dos 53 pauses tm banda larga. Paises com populaoes
com acesso Internet com mais de 1 milhao de pessoas (por ordem de
tamanho): Nigria, Marrocos, Egipto, Africa do Sul, Sudao, Qunia,
Arglia, Tunisia e Zimbabu.

Uma das principals razoes para os baixos niveis de acesso TIC no
continent tem sido a existncia de grandes populaoes rurais e a


Kim Taylor (Africa do Sul), Deconstructing creativity.
Banda desenhada candidate ao Prmio da Banda Desenhada de Africa, 2002.


infra-estrutura limitada de telecomunicaoes terrestres (as ligaoes via
satlite sao dispendiosas e relativamente lentas). O period que antece-
deu o fenmeno ponto.com em 2000 assistiu a bilioes de dolares de
investimento nos novos cabos de fibra optica nos paises desenvolvidos,
enquanto o continent africano ficou de fora desta tendncia devido aos
seus mercados de menor dimensao. Desde entao a procura aumentou e
existe um grande aumento no numero de projects de fibra optica. Um
estudo africano recent encontrou a maior edificaao de infra-estruturas
de telecomunicaoes de longa distncia registada at data. No final de
2007, foram postos em circulaao mais de mil milhoes de d6lares em
contratos para cerca de 30.000 km de fibra optica em 17 paises, com
emprstimos provenientes do China Exim Bank para aproximada-
mente dois teros do valor.

A nivel international, a infra-estrutura de fibra optica essencial para
introduzir largura de banda suficiente com vista a uma economic interli-
gada em rede, e varias agncias africanas tm trabalhado nesse sentido.
Entre os primeiros grandes projects internacionais a serem lanados
estava o "East African Submarine Cable System" (EASSy) cujo objec-
tivo consiste em estabelecer uma rede de base de fibra optica ao long
da maior costa do mundo sem ligaao, desde a Africa do Sul at ao
Sudao, com seis pontos de acesso terrestre ao long do percurso. Alm
disso, emergiram outros projects privados concorrentes de caracter
similar como o SEACOM, o LION e o FLAG, e o "West African Cable
System" (WACS). a
*Mike Jensen um consultor independent com experincia em mais de 30 paises africanos,
prestando assistncia no estabelecimento de sistemas de informao e de comunicao ao
long dos iltimos 15 anos.

Palauras-chaue
Internet; Africa; Tecnologias da Informaao e da Comunicaao
(TIC); m6vel; "East African Submarine Cable System" (EASSy);
fibra optica.


CRREIO








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CARAIBAS
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FRICA






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PACIFICO
Cook (llhas) Fiji Kiribati Marshall (llhas) Micronsia (Estados Federados da)
Nauru Niue Palau Papuasia-Nova Guin Salomao (llhas) Samoa Timor-Leste Tonga
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As listas dos pauses publicadas pelo Correio nao prejudicam o estatuto dos mesmos e dos seus territrios, actualmente ou no future. O Correio utiliza mapas de inmeras fontes.
O seu uso nao implica o reconhecimento de nenhuma fronteira em particular e tao pouco preludica o estatuto do Estado ou territrio.


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