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 Material Information
Title: Correio (Portuguese)
Physical Description: Serial
Language: English
French
Portuguese
Spanish
Publisher: Hegel Goutier
Place of Publication: Brussels, Belgium
Publication Date: 06-2008
Copyright Date: 2008
 Subjects
Genre: serial   ( sobekcm )
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
System ID: UF00095067:00028

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Full Text

R- 10









,Ida 4 I








O N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008







CqRREIO

A REVISTA DAS RELAES E COOPERAAO ENTIRE AFRICA-CARABAS-PACiFICO E A UNIAO EUROPEIA




Indice
O CORREIO, No 6 NOVA EDIAO (N.E.)


EDITORIAL
Quando uma bela image se esfuma...

PONTOS DE VISTA
Reforar a eficacia da ajuda: uma perspective ACP
Queremos acao, nao palavras

PERSPECTIVE

DOSSIER
Crise alimentar
Sementes da ira, sementes de mudana
Quando a agriculture se convida para
a mesa dos grandes
"Necessitamos de uma political agricola mundial"

Questes abertas
O potentiall consideravel" da Africa
Pacifico: uma segurana relative
As Caraibas interrogam-se sobre a sua dependncia
das importaoes

INTERACES
A Eslovnia impe respeito a Cotonu
Cooperaao UE, a Reuniao e o Oceano Indico
A governaao sob todos os seus aspects
em Liubliana
Realar os elements positivos da migraao

COMRCIO
Sera que Moambique podera tornar-se
num dragao econmico africano?

EM FOCO
Um dia na vida de Derek Walcott

NOSSA TERRA
Satlites ao servio da erradicaao da pobreza


REPORTAGEM
Gana
3
Gana modern, long do Gana antigo
Preparando as eleies de Dezembro
'4 Providncia, prudncia e planeamento
5 Novo apoio da Uniao Europeia utilizado
para a govemaao e os transportes
Um papel primordial na regiao
Gana -povo simpatico (at demais)
Restaurar o passado para o future
DESCOBERTA DA EUROPA
Reunio
12
Essncia de cultures. Esbatimento de preconceitos
Histria
16
Vocabulario para compreender a histria
18
A Reuniao aposta na alta tecnologia. Surpreendente!
20
At quando?

22 Teixeira da Mota, primeira mae da Reuniao
e outras histrias
Neve e fogo sob os trpicos
Quase 2 mil milhes da UE para dinamizar
24 a economic reunionense
CRIATIVIDADE
25
Afrique in visu: encontro de fotgrafos em linha
27
Cultura contempornea no Senegal:
Dak'art 2008 'Afrique: Miroir?'
Os anti-heris do Zimbabu em p de igualdade
20 Atletismo jamaicano: um model para o mundo

A provocaao afectuosa
PARA OS MAIS JOVENS

Temosfome!
33 CORREIO DO LEITOR/AGENDA





















































































































Nandipha Mntambo, The fighters, dimensoes variaveis,
couro, resina, polister, corda parafinada, 2006.
Cortesia ZA young ait from South Africa, Palazzo delle Papesse, em Siena


*. :..-., . ...








editorial


s ltimas noticias da Africa do Sul nao
eram boas e o mal-estar da maior parte dos
comentaristas era evidence. A verdade
que a imagem do pais que realizou prova-
velmente a revoluao mais simpatica do sculo XX, a
revoluao enraizada no humanismo, no perdao e na
empatia, acabava de ser manchada por alguns grupos
de valdevinos que atacavam sem discemimento os
estrangeiros mais vulneraveis do que eles e os imi-
grantes africanos, seus irmaos de infort6nio nos subr-
bios desprovidos. Pior ainda, aqueles grupelhos de
brutos que haviam comeado foram adquirindo adep-
tos, obrigando o Estado a reagir, aps tanta hesitaao,
para jugular a caa ao bode expiatrio.

Um fotografia tao bela que se esvaneceu e amachucou.
Algo de supremo que se desmoronou.

Estes horriveis excessos permitiram, porm, enrique-
cer a reflexao com questes relatives imigraao.
Primeiro, revelando que o fardo dos refugiados oriun-
dos dos pauses pobres suportado por outros pauses
pobres. E sabido que s6 os emigrantes do Zimbabu na
Africa do Sul sao cerca de tres milhes. E varios pai-
ses africanos, muito mais pobres do que Africa do Sul,
acolhem numerosos migrants de territrios vizinhos.

Por acaso, os ministros do Grupo de Estados de Afri-
ca, Caraibas e Pacifico estavam reunidos em
Conselho no moment em que a situaao nao era
muito calma na Africa do Sul para lanar o observa-
t6rio ACP sobre as migraoes. O Correio relata tam-


bm esse aspect. Era uma ocasiao para alguns deles
incitarem os seus colegas a tomar medidas legislati-
vas firmes contra todas as formas de racism e de
xenofobia. Desta vez, um apelo deste tipo nao visava
pauses desenvolvidos mas os pr6prios membros da
familiar ACP. Uma espinha dolorosa no p dos apre-
goadores comodistas.

Damos tambm noticias da frente da crise alimentar.
o nosso grande tema, no qual se v que as regies
pobres tm por vezes mais trunfos do que aquilo que
se pensa. o caso de varios pauses da Africa e do
Pacifico. Vemos ai tambm que nao existe realmente
carncia de produtos alimentares. O que falta, isso
sim, uma distribuiao da produao que garanta a
segurana alimentar de todos. Sendo assim, a carn-
cia mais important a ausncia de uma political agri-
cola global.

Ha quem esteja mais ciente disso do que outros. E
certamente o caso da Reuniao que object da rubri-
ca 'Descoberta Regiao da Europa' deste numero da
nossa revista, e que foi promotora de uma estratgia
de co-desenvolvimento do Oceano Indico, com os
seus vizinhos de Madagascar, Mauricia, Seicheles e
Comores, que abrangera numerosos eixos, indo de
uma frota de pesca comum at vigilncia sobre as
alteraoes e a migraao entire as ilhas de empresas e
de trabalhadores. Uma imagem que embeleza!

Hegel Goutier
Editor-chefe


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008






































Declaraao de Paris de 2005 per-
mitiu aos ministros dos pauses
desenvolvidos e em desenvolvi-
mento chegar a um "consenso glo-
bal sem precedentes" que previa medidas de
long alcance e tangiveis, destinadas a melho-
rar significativamente a prestaao e a gestio
da ajuda ao desenvolvimento. Esta resoluao
foi tomada no context das metas do ODM,
estabelecidas no mbito da Declaraao do
Milnio da ONU e tambm em referncia ao
consenso de Monterrey de 2002 sobre o esca-
lonamento progressive da Ajuda Pblica ao
Desenvolvimento (APD) para 0,7% do RNB
dos pauses doadores at 2015.
A Declaraao de Paris realou cinco principios
importantes destinados a orientar a prestaao
da ajuda: propriedade, alinhamento, harmoni-
zaao, gestao dos resultados e responsabilida-
de mitua. Foram tambm identificados doze
indicadores de progress com metas especifi-
cas a realizar at 2010. A avaliaao da presta-
ao e do impact da ajuda na sequncia da
Declaraao de Paris mostra que a realidade
esta long de ser encorajadora. Por essa razao,
o terceiro forum de alto nivel de Acra foi opor-
tuno para chamar novamente a atenao dos
doadores e dos pauses parceiros sobre o que
fora acordado em Paris.
Compreensivelmente, uma discussao sobre a
eficacia da ajuda indtil se nao houver um
aumento de volume da ajuda. As actuais previ-
soes indicam que, em breve, havera carncias
a nivel do volume da APD, que terao impact
principalmente nos Estados pobres e frageis*.
Este desenvolvimento potential ameaa minar
o Consenso de Monterrey e pr em perigo a
realizaao dos ODM. A UE, que registou uma
diminuiao da contribuiao da ajuda para
2007, referiu que envidaria todos os esforos
para assegurar que as contribuioes estejam


dentro do objective de duplicar a sua APD at
2010, assim como a satisfaao dos compro-
missos para 2015. Em nome do Grupo ACP,
agradeo UE os seus esforos.
No entanto, tm de ser dados mais passes ime-
diatamente por todos os doadores e pauses
beneficiarios para reavivar o entusiasmo que
conduziu Declaraao de Paris. Um ponto
important o da propriedade. Os pauses bene-
ficiarios devem poder sentir que sao co-pro-
prietarios do process de prestaao da ajuda. A
Declaraao de Paris indica a quantificaao da
propriedade a alinhar pela Estratgia de
Redudo da Pobreza de um determinado pais.
Um estudo conjunto ACP-UE revelou que este
process limita as oportunidades de reforar a
propriedade**.
A questao saber quem conhece melhor os
problems de um pais que solicita ajuda. As
agncias governamentais, e mesmo os mem-
bros da sociedade civil, conhecem melhor os
problems do que as agncias dos doadores.
Contudo, para assegurar a responsabilizaao,
as agncias doadoras envolvem-se mais no
process do que o necessario. O Grupo ACP, o
maior bloco dos pauses beneficiarios da ajuda,
consider que a propriedade pode ser melhora-
da atravs de um dialogo franco e informado.
Outra preocupaao para o Grupo ACP a
"previsibilidade da ajuda". Os atrasos na
entrega criam problems aos governor dos
pauses beneficiarios. A introduao dos contra-
tos dos ODM da UE um passo na boa direc-
ao para solucionar este problema. Outra preo-
cupaao a necessidade de melhorar a coern-
cia political nos sectors de grande significado
para os pauses em desenvolvimento, como a
agriculture, o comrcio, o investimento e a
migraao. Isto requer alinhamento politico por
parte dos doadores e dos beneficiarios, a fim
de garantir que os esforos para aumentar a


eficacia da ajuda numa determinada area nio
criem obstaculos noutra area.
Na realidade, as questes como a capacidade
de absorio da ajuda, constituem, para os
Estados beneficiarios, limitaoes praticas que
nao podem ser ignoradas por nenhuma das
parties interessadas. No entanto, essa , em pri-
meiro lugar, a principal razao pela qual a
Declaraao de Paris foi adoptada. Os pauses
beneficiarios tambm deveriam fazer mais
esforos, tanto aos niveis bilateral como mul-
tilateral, para sensibilizar os doadores, incluin-
do os novos membros como a China, a Arabia
Saudita e a Venezuela, a aderir e apoiar com-
promissos importantes, como os expresses nas
conferncias de Monterrey e de Paris. S6 desta
forma poderemos reentrar em pista para redu-
zir significativamente a pobreza e realizar as
metas dos ODM. 1

* Banco Mundial, C i .1 .1 1,i .,,,_ i 2008: MDGs
and the Environment, Washington DC, p. XIX.
** Assembleia Parlamentar Paritria ACP-UE: Comit
sobre o Desenvolvimento Economico, Finanas e
Comrcio, 03.03.2008 [DT\704928EN & APP 100.249].


CORREIO












































Trs anos depois de se comprometerem a tornar a ajuda mais eficaz, os praises doadores

deparam-se com um teste crucial de credibilidade: na sua reunido em Acra, no Gana,

terto de mostrar se passam ou no da ret6rica acao real.


or vezes, sao as questes mais sim-
ples que nos deixam perplexos:
"Porque que", perguntava-me uma
jovem numa sessao de apresentaao
a estudantes italianos, "ainda ha pobreza ape-
sar de todos os esforos das political de desen-
volvimento?"
Se a pergunta viesse de uma perito, a resposta
teria sido mais simples. Ter-lhe-ia falado dos
indicadores de pobreza, mencionando que, nos
primeiros cinco anos deste sculo, ha mais 24%
de crianas que vao escola, tentando demons-
trar que foi a political de desenvolvimento que
fez a diferena. Mas o ponto crucial que ainda
existe pobreza absolute em grande escala e
temos que fazer mais e melhor para a reduzir.
Convenhamos que a estudante tinha razao.
E por isso que nao podemos falhar em Acra.
Nao repetindo as promessas que fizemos na
Declaraao de Paris de 2005, dizendo e repe-
tindo que queremos coordenar a ajuda ao
desenvolvimento que o conseguiremos.
Quando os ministros dos pauses doadores e em
desenvolvimento se reunirem de 2 a 4 de
Setembro para abordar a eficacia da ajuda,
terao de passar da retrica acao. Isso sera
um teste crucial para Acra.
Os pauses doadores ainda tm muito que provar.
Mas os nossos pauses parceiros tambm tm de
fazer a sua parte: tm de desenvolver uma visao
do que pretendem mudar nos seus pauses, assu-


mir a liderana dos programs e executa-los.
Mas da nossa maior responsabilidade terms
a certeza de que o dinheiro que gastamos bem
gasto -s6 a Comissao Europeia e os Estados-
Membros gastaram 46 mil milhes de euros em
2007, o que mais de metade da ajuda mundial
official ao desenvolvimento.
E claro que a UE fez progresses consideraveis
nos ltimos tres anos, com inmeros bons
exemplos, especialmente no dominio da coor-
denaao da ajuda. Mas ha ainda muito por
fazer. Temos que passar desta fase de teste
acao concrete numa escala mais alargada.
Mais do que subscrever uma magnifica decla-
raao escrita, preparada de antemao pelos
embaixadores, temos de ter uma discussion
franca que se traduza num plano de acao con-
creto, para ser seguido por todos os pauses,
tanto doadores como parceiros.
Concretamente, a Comissao Europeia propoe
que as acoes se concentrem em quatro areas
essenciais:
A previsibilidade da ajuda: os doadores
devem adoptar sistematicamente programs
plurianuais que reflictam os compromissos
financeiros plurianuais. A anualidade do ora-
mento nao desculpa. E isso que a Comissio
Europeia tem feito na ltima dcada!
Utilizao ao desenvolvimento de sistemas
por pais: para reduzir a burocracia nos paises
em desenvolvimento, os pauses doadores


devem ter mais em conta a situaao do pais
parceiro, adaptando as suas contribuioes aos
seus ciclos oramentais, aos seus quadros
regulamentares e aos seus procedimentos de
adjudicaao.
Uma abordagem baseada nos resultados:
em vez de impor condioes political ex ante
sem deixar aos pauses em desenvolvimento
uma alternative real e espao para discusses
political internal, devemos devolver-lhes o
que lhes pertence. Os programs de ajuda
devem ser orientados para efeitos e resultados
concretos e mensuraveis, com o pais parceiro
no posto de pilotagem.
Diviso do trabalho: para limitar o numero
de doadores a trabalhar nos pauses em desen-
volvimento, os doadores devem ceder o lugar
a quem tenha melhores conhecimentos e coor-
denar o seu trabalho.
Nao sera facil obter o resultado esperado.
Alguns doadores contentar-se-ao com belas
palavras em vez de avanar para acoes concre-
tas, e alguns pauses parceiros contentar-se-ao
com uma retrica alto e bom som conservado-
ra em vez de assumirem a sua parte de respon-
sabilidade e de reformarem sistemas afectados
por uma ma govemaao. Mas para se conseguir
o resultado esperado nao ha outra alternative
senao trabalhar em conjunto, a nivel da UE e a
nivel international, para dar uma resposta posi-
tiva s perguntas dos nossos jovens. M


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008

























niouo foco cultural da



COOPERRRO espanhola


A cultural como objective de desenvolvi-
mento human esta a ser fomentada pelo
Governo do Primeiro-Ministro de Espanha,
Jos Luis Rodriguez Zapatero. J esta a dar
frutos esta estratgia inovadora, lanada
no final de 2007, que marca uma mudana
radical nas relaes entire cultural e desen-
volvimento. A nivel international, a assina-
tura da Conveno sobre a Promoo da
Diversidade da Expresso Cultural da
Organizao das Naes Unidas para a
Educao, a Cincia e a Cultura (UNESCO)
pela Espanha, mostra que o pais acredita
na diversidade cultural como fora motriz
de desenvolvimento.

Os pauses ACP beneficiam do novo destaque sobre a cultural e
o desenvolvimento. O sector uma das onze areas centrais
da political espanhola de cooperaao para o desenvolvimen-
to. Nesse mbito, estao a ser desenvolvidas sete novas areas:
formaao de capital human para a gestao cultural; aspects politicos da
cultural; aspects econmicos da cultural; educaao e cultural, patrimnio
cultural; comunicaao e cultural e direitos culturais. Foram elaborados pro-
gramas especificos como, por exemplo, ACERCA (gestao cultural), FOR-
MART (educaao e cultural) e apoio a empresas recentemente criadas
economica e cultural Esta a ser alargado o program de subsidies coo-
peraao cientifica, visto serem os recursos disponiveis para o program
destinados a encorajar a cooperaao interuniversidades e estabelecimentos
do ensino superior, tanto na Africa como na Amrica Latina.
Com a aplicaao do Plano Africa, esta a ser promovida uma abertura
crescente aos pauses ACP e, especialmente, aos pauses africanos do
grupo. A Rede de Centros Culturais Espanhis no Estrangeiro (151 cen-


tros em 107 pauses) tem sido reforada, uma vez que ha espao para o
intercmbio cultural e o dialogo atravs da criaao da Casa Africa, Casa
Arabe, Casa Asia, Casa Sefaradi (sefardita) e Casa Amrica Catalunya.
Tambm tem sido dado mais apoio a uma rede de bibliotecas arabes e
foi criado o Cinema do Forum de Apoio ao Hemisfrio Sul.
Paralelamente, o Banco de Boas Praticas em projects de cultural e
desenvolvimento recentemente criado recolhe registos de resultados
bem-sucedidos e avalia o impact da cooperaao cultural.
Ha igualmente apoio adicional para instituioes multilaterais centradas
na cultural, tais como as iniciativas financiadas pela UNESCO para as
regies africanas, e para a iniciativa de espao cultural ibero-america-
na, a fim de criar novos programs importantes. A Espanha tambm
aumentou a sua presena nas organizaoes e instituioes internacionais
atravs de agendas culturais.
Alm disso, o Fundo para os Objectivos do Milnio Espanha-Programa
das Naoes Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) fez recentemente
da cultural e do desenvolvimento uma das cinco prioridades basicas,
atribuindo mais de 95 milhes de dlares dos EUA a esse objective.
Entre os seus beneficiarios iniciais, encontram-se varios pauses ACP:
Etipia, Mauritnia, Namfbia, Senegal e Moambique.
A nivel interacional, a assinatura da Convenao da UNESCO sobre a
Protecao e Promoao da Diversidade de Expressao Cultural ilustra a
posiao do pais de que a diversidade cultural uma fora motriz de
desenvolvimento. A nova estratgia tambm esta em sintonia com a
declaraao de political ACP de Dacar de 2003, o plano de acao das
indstrias culturais ACP e a declaraao de Santo Domingo de 2006.
As estatisticas contidas no Relatrio do Comit de Ajuda e
Desenvolvimento, que contm uma avaliaao da Cooperaao Espanhola
nos ltimos cinco anos, mostra que a Espanha esta em posiao ideal para
satisfazer os seus objectives de cooperaao e desenvolvimento e respei-
tar o compromisso do Primeiro-Ministro Rodriguez Zapatero de alcan-
ar o objective de afectar, at 2012, 0,7% do Produto Interno Bruto
(PIB) cooperaao para o desenvolvimento. Isto significa que a Espanha
esta bem posicionada para ser um dos principals fornecedores globais da
Ajuda Pblica ao Desenvolvimento num future prximo. M
* Perito em cooperaao cultural interacional
Para mais informaoes, consultar o sitio web:
http://www.aecid.es/09cultural/02ccult/9.2.1.htm


CORREIO































zida por Tjasa Zivko, em nome da
Presidncia eslovena, esteve em
Fiji, em 19 e 20 de Junho, para ava-
liar a evoluao political, incluindo as medidas
tomadas pelo govemo provisrio com vista a
realizar eleies legislativas em Maro de 2009.
Posteriormente ao golpe de Estado military do
contra-almirante Frank Bainimarama, em
Dezembro de 2006, o governor provisrio assu-
miu, em Abril de 2007, uma srie de 13 com-
promissos na sequncia de conversaoes com
representantes do Grupo ACP (Africa,
Caraibas e Pacifico) e da UE, a tftulo do artigo
960 do Acordo de Cotonu. A deposiao de
Laisenia Qarase, Primeiro-Ministro eleito
democraticamente, foi considerada como
constituindo uma violaao dos elementss
essenciais" do Acordo de Cotonu, de que Fiji
parte signataria respeito pelos direitos huma-
nos, pelos principios democraticos e pelo
Estado de direito.
A delegaao da UE quis ser informada da data
das eleies e da natureza da "Carta do Povo"
em matria de reform constitutional. Foi dito
delegaao, que tambm incluia Patrick
Roussel, embaixador francs, em representa-


ao da prxima Presidncia da UE, e Roger
Moore, director da Direcao-Geral do
Desenvolvimento da Comissao Europeia, que
a elaboraao de uma proposta de "Carta do
Povo pela Reforma e o Progresso" poderia vir
a atrasar o calendario eleitoral. Segundo o Fiji
Times, Aiyaz Sayed-Khaiyum, procurador-
geral interino de Fiji, teria dito tr6ica da UE
que a reform eleitoral era necessaria para que
as eleies em Fiji se processassem por sufra-
gio universal e se distanciassem da institucio-
nalizaao da etnicidade. A delegaao da UE
avistou-se igualmente com Laisenia Qarase,
primeiro-ministro deposto.
Uma delegaao de embaixadores ACP tambm
se deslocou a Fiji de 12 a 16 de Maio para pro-
ceder sua prpria avaliaao. Ratu Epeli
Nailatikau, ministry dos Negocios
Estrangeiros, Cooperaao Internacional e
Aviaao Civil do govero provisrio de Fiji,
declarou, em 13 de Junho, numa reuniao de
ministros ACP em Addis Abeba que "o pais
estava empenhado em realizar eleies demo-
craticas, livres e transparentes em Maro de
2009". Destacou algumas das medidas ja
adoptadas, nomeadamente a nomeaao, no fim
de Maio de 2008, de um novo supervisor elei-


toral e afirmou que atribuira uma dotaao do
Oramento de Estado de 2008 para suportar os
trabalhos preparatrios da eleiao, incluindo a
elaboraao dos cadernos eleitorais. Afirmou
ainda estarem em curso negociaoes com a
Comunidade Britnica, a Assembleia ACP-UE
e o Forum das Ilhas do Pacifico sobre a evolu-
ao political.
Nos bastidores da reuniao da Organizaao das
Naoes Unidas para a Alimentaao e a
Agriculture (FAO) em Roma, Louis Michel,
Comissario europeu, advertiu o contra-almi-
rante Frank Bainimarama que os funds pro-
postos para compensar a queda no preo do
acar vendido UE, decorrente da reform
do sector aucareiro da UE, podiam ser conge-
lados se nao fosse cumprida a promessa de
realizar eleies at Maro de 2009. Louis
Michel, reconhecendo embora os problems
existentes no actual sistema electoral de Fiji,
declarou, numa reuniao franca com o presi-
dente interino, que a reform eleitoral nao
podia servir de desculpa para atrasar as elei-
oes. Segundo informaes colhidas junto de
funcionarios comunitarios, asseverou que em
democracia s6 o eleitorado -e apenas este
podia referendar os politicos. M








Perspective


PREOCUPRfOES COIERCIRIS



pesam sobre os ministros ICP


dos 79 membros da Africa,
Caraibas e Pacifico (ACP), que
se reuniram em Adis Abeba
(Etipia) de 9 a 11 de Junho, tm dvidas se os
Acordos de Parceria Econmica (APE) que
estabelecem zonas de comrcio livre entire
Estados ACP e a UE se adequam s suas
necessidades de desenvolvimento.
"Ha o risco de estes pactos deformarem a inte-
graao regional", disse Mohamed Admed
Awalesh, Ministro da Solidariedade Nacional
de Jibuti, que presidiu reuniao dos ministros
ACP. Esta mensagem foi apresentada com fir-
meza aos seus 27 parceiros da Uniao Europeia
(UE) numa reuniao conjunta, na capital da
Etipia, em 12 e 13 de Junho.
"Embora os progresses feitos at agora em
matria de negociaoes dos APE possam ser
compativeis com as regras da OMC, nos, na
ACP, receamos que elas nao sejam adequada-
mente compativeis com as nossas necessida-
des de desenvolvimento", disse o Primeiro-
Ministro da Etipia, Ato Meles Zenawi.
Enfrentando os condicionalismos de prazo
para concluir os APE at 31 de Dezembro de
2007, os Estados ACP puseram um term
assinatura de acordos provisrios em blocos


comerciais mais pequenos, ou individualmen- mundial e de manter a actual clausula de sal-


te, e nao em grupo como previsto inicialmen-
te, disseram os ministros ACP. O Forum das
Caraibas, CARIFORUM, d o nico organism
ACP que assinou, at data, APE completes
em toda a regiao*.
Os ministros tambm exprimiram a sua preo-
cupaao sobre a posterior erosao das prefern-
cias comerciais em matria de acar e de
bananas nas conversaoes da Organizaao
Mundial do Comrcio (OMC) em curso.
Numa declaraao, disseram que seria extrema-
mente dificil associarem-se a qualquer consen-
so na ronda de negociaoes da OMC em Doha
sem um "tratamento adequado" para estes pro-
dutos. E o alto nivel dos preos do petrleo,
que provocou o aumento dos custos dos trans-
portes, poderia minar a eficincia do montante
de 1,24 mil milhes de euros dos funds
comunitarios ja afectados s Estratgias
Plurianuais de Adaptaao (MAAS) nalguns
pauses ACP produtores de acar, para com-
pensar a reduao de 36% do preo do acar
da UE aplicavel a partir de Outubro de 2009.
Os Estados ACP pediram Comissao
Europeia garantias de que o acar nao sera
incluido como produto tropical na actual ronda
de negociaoes de Doha sobre o comrcio


vaguarda especial para os derivados de acar
com elevado teor de acar. Pediram igual-
mente Comissao uma analise dos riscos
potenciais dos compradores e importadores
que tentam tirar proveito da baixa de 36% dos
preos a partir de Outubro de 2009.
Os pauses ACP instaram os seus parceiros da
UE a rejeitar qualquer proposta de reduao
drastica da actual taxa de 176 euros por tone-
lada aplicada s bananas importadas para a
Uniao Europeia provenientes de pauses nio
ACP. O Dr. Arnold Thomas, Embaixador dos
Estados das Carafbas Ocidentais (ECS) em
Bruxelas, afirmou que a banana era, em todos
os sentidos, uma questao "candente". "Ela
devora os nossos salarios, devora os nossos
meios de subsistncia, devora o nosso empre-
go e devora o nivel de desenvolvimento
socioeconmico que realizamos nas ltimas
quatro dcadas", disse aos ministros ACP.
D.P.
* O Forum das Caraibas (CARIFORUM) do grupo de
Estados de Africa, Caraibas e Pacifico (ACP) inclui:
Baamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana,
Haiti, Jamaica, So Cristovo e Neves, Santa Lcia, So
Vicente e Granadinas,Suriname, Trindade e Tobago e Cuba.
Em 16 de Dezembro de 2007, a Unio Europeia celebrou
um APE com todos os membros CARIFORUM, except
com Cuba.































UE-flFRICH DO SUL


N ovas areas de cooperaao e dife-
renas de pontos de vista sobre as
futuras relaoes comerciais entire a
Africa do Sul e a Uniao Europeia
(UE) eram os temas que figuravam no topo da
agenda da reuniao interministerial realizada
entire as duas parties em Liubliana, capital da
Eslovnia, em 3 de Junho, antecedendo a pri-
meira cimeira UE-Africa do Sul em Bordus,
Frana, em 25 de Julho.
Na reuniao co-presidida por Nkosawana Dlamni
Zuma, ministry dos Negocios Estrangeiros da
Africa do Sul, e por Dimitrij Rupel, ministry dos
Negcios Estrangeiros da Eslovnia, o dialogo
politico cobriu um leque tao vasto de questes
como a situaao no Zimbabu e a cruise no
Mdio Oriente. Nela participaram igualmente
Louis Michel, Comissario responsavel pelo


Desenvolvimento e Ajuda Humanitria, e Jean-
Christophe Belliard, enviado pessoal da Politica
Estrangeira e de Segurana Comum da Uniao
Europeia (PESC) para Africa.
Apesar de a Africa do Sul ser um dos 79 mem-
bros do Grupo ACP (Africa, Caraibas e
Pacifico) celebrou acordos bilaterais de
comrcio e ajuda para o desenvolvimento
separados com a UE. As duas parties mostra-
ram-se empenhadas em prosseguir as conver-
saoes para a conclusao de um Acordo de
Parceria Econmica (APE) reciprocamente
vantajoso -um acordo de comrcio livre
entire os 14 membros da Comunidade de
Desenvolvimento da Africa Austral (SADC) e
a UE. Nao obstante, a Africa do Sul chamou a
atenao para as dificuldades levantadas sua
agenda de integraao regional pelo facto de a


UE ter rubricado um APE "parcial" com os
parceiros da Uniao Aduaneira da Africa
Austral (SACU) -Botsuana, Lesoto, Namibia
e Suazilndia -organizaao de que a Africa do
Sul tambm membro. A UE declarou esperar
que as conversaoes com os Estados ACP que
tinham rubricado os APE parciais culminas-
sem em acordos plenos at ao fim de 2008,
incluindo outros dominios de comrcio como
os servios e os contratos publicos. A Africa
do Sul frisou nao haver do seu lado qualquer
compromisso relativamente a tal calendario, ja
que nao era parte no acordo parcial.
Na mesa da cimeira estarao presents novas
areas de cooperaao bilateral -paz e seguran-
a, cooperaao em matria de ambiente, cin-
cia e tecnologia, regime aduaneiro, energia,
migraao e transport. D.P. R


I I I















S... ii ..l i ..







CRISE IILID1EOIIIR




por Marie-Martine Buckens l I i.....



s "revoltados da fome" lembram 1 ti
aos dirigentes do mundo inteiro, /.Il
demasiado propensos neste
dominio a aplicar a political da
avestruz: a crises alimentar real. de uma tal ( I
amplitude que fora os peritos e os governor a I
repensar as political agricolas existentes. A .a
crise nao result de uma peniria global como .
pretendem alguns, agitando regularmente o
espectro do sobrepovoamento mas de uma
disfunao mais profunda. O mundo descobre Mi
com espanto e particularmente verdade
para a Uniao Europeia a 15, onde os agriculto-
res representam apenas 1,6% da populaao Ii
active, mesmo se esta percentage quase
duplicou com a adeso de 10 Estados da
Europa Central e Oriental que a agriculture
foi sempre a base sobre a qual se construfram
os Estados. A auto-suficincia alimentar das
populaoes uma condiao prvia instaura-
ao de outras political. pois gigantesca a
obra que espera os dirigentes do mundo. Para
alguns (ler a entrevista de Matthieu Calame), a
unica soluao a long prazo passa pela criaao
de uma Politica Agricola Mundial. M







Arroz de Bouak. .i
Fatalphotorush







Dossier


CRISE Sementes da ira,
sementes de mudana



Ap6s as "revoltas da fome", passado o primeiro choque, os analistas fazem as contas.
Sim, os preos atingiram niveis record, mas eram singularmente baixos desde h 30
anos. Sim, certas regies do mundo tm um dfice agricola, mas a penria global
uma iluso. Breve exame da situao com base nos numerous da FAO.


A ntes de mais, ha os numerous que dao
vertigens. Triplicaao do preo do
trigo desde 2000 -130% de aumen-
to s6 em 2007 duplicaao do
preo do arroz e do milho no mesmo periodo. O
arroz prossegue a sua escalada louca, visto que
o seu preo na Asia duplicou novamente nos pri-
meiros tres meses de 2008, atingindo, em Maio,
niveis record no mercado de futures de
Chicago. E estimativas: a Organizaao das
Naoes Unidas para a Alimentaao e a
Agriculture, a FAO, avalia em 107 mil milhes
de dlares o custo total das importaoes de
gneros alimenticios dos pauses mais pobres em
2007, ou seja, 25% mais do que em 2006.
Finalmente, as suposioes: at onde ira o preo
do barril de petrleo? Um barril que, no inicio de
2008,ja ultrapassava os 100 d61ares, ou seja, um
aumento de 72% s6 em 2007, agravando na
mesma proporao o custo da produao de adu-
bos e de pesticides. A isso acresce "o efeito dos
biocombustiveis": o entusiasmo da Europa e dos
Estados Unidos, nomeadamente, por estas cultu-
ras energticas contribuiu para o alinhamento
dos preos dos alimentos pelo do ouro negro.
A escalada dos preos dos alimentos afectou
severamente as economies fragilizadas. No
total, ha cerca de 40 pauses confrontados com
uma crise alimentar, mesmo em pauses tradi-
cionalmente auto-suficientes, como a Costa do
Marfim, ou exportadores, como o Egipto. No
Haiti, no Bangladesh ou nos Camares, as
populaoes exprimiram a sua revolta na rua.
Sem esquecer a Guin, a Etipia, os Camaroes
ou a Mauritnia. Ou ainda o Mxico, onde o
preo do alimento de base, a tortilla de milho,
aumentou 14% em 2006, e a Indonsia, onde o
preo do arroz duplicou num ano.

> Sera um fenomeno temporario?

Nao, pensa a maior parte dos especialistas. E
alguns sublinham que a escalada actual dos


preos sucede a 30 anos de preos particular-
mente baixos, para nao dizer de dumping, a
nivel mundial. "Os tempos da alimentaao a
baixo preo interacional pertencem ao passa-
do", declarava no Parlamento Europeu, em 22
de Abril deste ano, o Comissario Europeu do
Desenvolvimento, Louis Michel, que prosse-
guia: "Os preos dos produtos alimentares nio
voltarao aos niveis do passado e a sua volatili-
dade pode aumentar, se nao forem tomadas
medidas rapidamente." No entanto, os preos
deverao baixar, "mas apenas ligeiramente",
precisa Marc Debois, chefe de sector na
Unidade de Recursos Naturais da Direcao de
Desenvolvimento da Comissao Europeia. E
acrescentou: "A volatilidade dos preos deve-
ria caracterizar-se por picos mais frequentes,
um pouco como o que se verifica, nas devidas
propores, em matria de clima."

> Sera penuria alimentar?

Tambm nao. Nas suas Perspectivas sobre a
Agriculture Mundial no horizonte 2015-2030,
a FAO afirma: "A baixa das taxas de cresci-
mento da produao agricola e do rendimento
das cultures, a nivel mundial (...) nos ltimos
anos nao result da falta de terras nem de
agua, mas do abrandamento da procura de
produtos agricolas". Porqu? Uma populaao
mundial cuja taxa de crescimento comea a
diminuir; mas tambm "o facto de se atingir
hoje, em muitos pauses, niveis de consumo
alimentar por habitante bastante elevados, e
nao se pensa que poderao aumentar muito
mais". No entanto, acrescenta a FAO, "tam-
bm verdade que uma parte da populaao
mundial, que se mantm obstinadamente ele-
vada, continue a viver numa pobreza extrema
e, por conseguinte, nao dispe dos rendimen-
tos necessarios para traduzir as suas necessi-
dades em procura efectiva".
Manifestamente, a procura esta no auge, quer


por efeito de saturaao -nos pauses ricos
quer, mais prosaicamente, porque uma franja
important da populaao mundial nao dispoe
de meios para comprar o seu pao quotidiano.
Por isso, a FAO prev que o crescimento da
procura mundial de produtos agricolas, que
era em mdia de 2,2% nos ltimos 30 anos,
caia para 1,5% por ano nos prximos 30 anos.
Nos pauses em desenvolvimento, o abranda-
mento sera ainda mais spectacular, de 3,7%
para 2%. Isto deve-se, em parte, procura de
produtos alimentares pela China ter ultrapas-
sado a fase de crescimento rapido. Resta esta
"proporao obstinadamente forte" da popula-
ao mundial que nao tem meios para pagar os
alimentos a um preo que, in fine, reflect os
humores comerciais dos grandes exportado-
res: suficientemente baixo, desde ha 30 anos,
para abafar a produao local e torna-la depen-
dente de produtos de base importados, e
demasiado alto actualmente para os poder
pagar. "A globalizaao em matria de alimen-
taao e de agriculture, estima por seu lado a
FAO, da esperanas mas nao descarta proble-
mas. Permitiu, no conjunto, reduzir a pobreza
na Asia." No entanto, reconhece, "tambm
provocou a expansao das sociedades alimen-
tares multinacionais, que tm o potential para
dominar os agricultores em muitos pauses". E
concluiu: "Os pauses em desenvolvimento
devem dispor de quadros juridicos e adminis-
trativos que lhes permitam enfrentar as amea-
as, colhendo ao mesmo tempo os benefi-
cios." Hoje, a noao de auto-suficincia ali-
mentar ganha, enfim, alguns gales.
M.M.B. M



Palauras-chaue
Revoltas da fome; preos alimentares;
penuria alimentar; globalizao; multina-
cionais agroalimentares; Haiti; Camares.


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008









































Prevista h muito tempo, a Cimeira da FAO, que reuniu 180 naes em Roma no
passado ms de Junho, isto , alguns meses apenas depois das primeiras revoltas da
fome, foi uma decepo. O seu fracasso relative revelou a falta de viso a long prazo
das naes sobre a political a adopter em matria agricola. Prevaleceu a defesa dos
interesses a curto prazo: supresso das subvenes para uns, defesa dos biocombustiveis
para os outros. Mas uma s6 reunio no podia dar respostas a desafios piedosamente
ignorados pela maioria das instituies financeiras internacionais. Lado positive: todos
reconheceram, em Roma, que a agriculture um assunto demasiado srio para ser
decidido unicamente atravs de milhares de milhes de euros de ajuda alimentar.


A Sajuda de emergncia
necessaria, mas deve ser
limitada no tempo",
S declarou em 5 de Junho,
em Roma, Louis Michel. O Comissario
Europeu do Desenvolvimento referia-se aos
3,20 mil milhes de euros prometidos por
diversos doadores, nomeadamente pelo Banco
Mundial, pelos Estados Unidos, pelo Banco
Islmico de Desenvolvimento e pela Frana,
sem esquecer os 550 milhes de euros ja mobi-
lizados pela Comissao Europeia. "Estou con-
victo", prosseguiu Louis Michel, "que esta
ajuda de emergncia deve ser limitada no
tempo e que necessario autorizar limits
voluntariosos para assegurar uma transiao
rapida para mecanismos de segurana alimen-
tar de natureza estrutural".
Do mesmo modo que o Banco Mundial em
Abril ltimo, ou ainda o Ministro francs da
Agriculture, Michel Barier, o Comissario do


Desenvolvimento reconheceu: "Aps anos de
subinvestimento -ou mesmo de desinteresse
pelo sector do desenvolvimento rural o
regresso da agriculture assumiu um papel pre-
ponderante." Mas a Comissao Europeia nega
ter sido apanhada desprevenida. "A cruise ali-
mentar empurrou para a actualidade political
dossis preparados ha meses pelo executive
europeu", explica Marc Debois, chefe de sector
na Direcao-Geral do Desenvolvimento da
Comissao Europeia, responsavel pelos recursos
naturais. Um deles, important, o que aborda
a agriculture em Africa (ler o artigo seguinte).

> ljuda europeia

Mais globalmente, retoma-se o Programa
Estratgico da Uniao Europeia para a
Segurana Alimentar. Em 2007, este instru-
mento foi cindido em dois: por um lado, a
ajuda humanitaria de emergncia, entregue


M a ry C h in e ry H e s ..- :.. ..-i ,- i i i .1.


CORREIO








Crise alimentar Dossier


pela direcao ECHO da Comissao Europeia,
por outro um program de financiamento de
actividades regionais ou globais relatives
segurana alimentar. Cada linha beneficia de
cerca de 250 milhes de euros por ano. "E a
titulo desta segunda linha", explica Marc
Debois, "que nos financiamos, nomeadamen-
te, o program de alerta da FAO. Alm disso,
as acoes financiadas devem estabelecer a
ligaao entire ajuda de emergncia e desenvol-
vimento e s6 sao financiadas se existir uma
estratgia operacional com o pais em causa".
O program estratgico foi estabelecido para o
period 2007-2013. Neste quadro, a segunda
linha de actividades regionais ja foi object de
uma programaao at 2010 e beneficia de um
oramento de 925 milhes de euros. "Vamos
utilizar este instrument, pelo menos em part,
para combater a cruise alimentar actual", disse
Marc Debois. Resta a primeira linha, a da
emergncia. "Ja foram gastos 230 milhes de
euros, desde o inicio de 2008, a titulo da ajuda
alimentar de emergncia, independentemente
do pais", indica Marc Debois que acrescenta:
"Para responder aos pedidos, foi solicitado um
aumento de 60 milhes de euros, utilizando a
reserve oramental." Esta ajuda, sublinha ele,
"deveria ser concedida utilizando, se possivel,
a produao local ou regional".

> Uoltar-se para os paises
mais necessitados

T!.ii.iii .l -'. did i', [.Li"C -(C'P Li F plic' i III1111.


evitar que alguns pauses se encontrem 'rfaos'
ou 'demasiado ajudados"'.
"De moment, e aps um rapido inqurito junto
das delegaoes da Comissao nos pauses tercei-
ros -qual foi o impact real da crise sobre os
preos, se houve aumento, se causaram de facto
problems, quais foram as medidas tomadas
pelos govemos e quais sao os riscos de agrava-
mento, tanto a nfvel alimentar como politico -,
identificamos tres dezenas de pauses aos quais
poderfamos conceder ajuda", referiu.

> Prioridade ao desenuoluimento
rural

A mais long prazo, e alertada nomeadamente
por um relatrio do Banco Mundial que, em
2007, fazia mea culpa e insistia na necessida-
de de reorientar os financiamentos para a agri-
cultura, a Comissao Europeia decidiu reabili-
tar este sector. "Apoiar uma political agrfcola
coerente, criar oportunidades, foi tudo descu-
rado desde ha vinte anos", reconhece Marc
Debois, lembrando que a ajuda concedida
anteriormente pela UE representava 20% do
seu oramento total de ajuda ao desenvolvi-
mento, contra 3,4% hoje. O ltimo (e 10.0)
Fundo Europeu de Desenvolvimento progra-
mado para o period 2008-2013, corrige esta
i..iili 1.i I t( dJ.J 'I i'.Ii "i iiliiill i iii i l ,i i i
.' 1! 111!' ... iiiii n ni.i .I IL i. i. ,iil.. il-
.I l i.i .l t l .i i l -' i h ,! ] l1 |1i iiIi.,, n lt -


Europeu do Desenvolvimento. "Seria possivel
diminuir cerca de um tero das pendrias ali-
mentares do mundo", sublinhou ele em Roma,
"melhorando as redes de distribuiao e ajudan-
do a ligar melhor os pequenos agricultores aos
mercados", defendendo uma integraao regio-
nal, indispensavel na luta contra a insegurana
alimentar. Por ltimo, necessario reforar a
governaao alimentar mundial. "Penso
nomeadamente na FAO", declarou Louis
Michel, em Roma, "que tem de voltar a ser
uma agncia de primeiro vulto". E insistiu
numa melhor coordenaao entire doadores: "A
Comissao consider que a resposta da Uniao
devera coadunar-se com iniciativas mais
amplas, tais como a lanada pelo Secretariado
das Naoes Unidas (o CFA -Comprehensive
Framework for Action -Quadro exaustivo de
acao) e o recent apelo da FAO a uma inicia-
tiva global sobre os preos agricolas (ISFP
Initiative for Soaring Food Prices)."
M.M.B. M



Palauras-chaue
Marie-Martine Buckens; Louis Michel;
Jacques Diouf; ajudas de emergncia;
comrcio; OMC; pequeno agricultor.


cihi L [.1 i 'p l d1 .iuj1 .i II Llh .il .'Il .I .i lu qL[iL- F .t it'U'ii 'iIli [.1 IL li u'i


i, 1, ,.D,,, i.d Id. lr..,,,,d., fi .ir., .... O -i

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E .... .. i .,.......... gouernaao
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II^H l lllh' qill, .li'niiii% FIi.i,.> ,,-1u1i.i ,. i, Cima dc [diii. i


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Ulhli lIIIL [Lit i ICe







Dossier 1 rise alimentar


"necessitamos de uma


political agricola mIU DIflL"




Encontro com Matthieu Calame, engenheiro agr6nomo, perito na Fundao Charles
Lopold Mayer e autor de La tourmente alimentaire Pour une politique agricole
mondiale (Ed. CLM,- Abril de 2008)*.


Na sua opinido, quais sdo as raz5es da cruise alimentar que
alastra hd neses nos ACP?

No meu entender, uma das razes que estes passes nao sao
S. Estados, na acepo hist6rica do term. Safram das col6nias.
O problema estrutural. Os que se desenvolveram nao passa-
ram por uma etapa indispensavel que a criaao de mercado
intemo. Tomemos o caso do Japao: a sua primeira preocupa-
'- ao foi erigir direitos aduaneiros para powder produzir.
Inversamente, estes passes, principalmente em Africa, manti-
l' veram-se fornecedores de matrias-primas.
Ora, assistimos a 30 anos de queda dos preos agrcolas,
devido principalmente s subvenes concedidas pela Europa




^abafaram os passes que nao dispunham de meios para subven-
cionar a sua agriculture. Os pequenos agricultores deixaram
de produzir e assistiu-se a constituiao de uma "plebe" urba-
na, pouco produtora. Instala-se um circulo vicioso. Os gover-



S, .. i: _. .., 7 A isto acresce ainda a especulao sobre as matrias-primas, a
que eu chamaria uma doena de oportunidade, porque s pos-
sivel num mercado muito tenso. Outra doena oportuna: os
biocombustiveis, desenvolvidos para absorver os excedentes
:dos passes que subvencionam a sua agriculture, como o caso
tipicamente dos Estados Unidos ou da Europa, onde os bio-
combustiveis emergiram quando foi criado o sistema de poisio
das terras, condiao necessaria a prossecuao das subvenes.
S;- .. Mas existe uma segunda causa da situaao actual, muitas vezes
.. -"mal conhecida: estes pauses nao desenvolveram uma fiscalidade
.- adequada. O aparelho de Estado essencialmente financiado
tpelos impostos sobre os produtos de importaao e de exportaao.
.r Assim, num pafs como o Burquina Faso, a exploraao agrfco-
SC qla, de algodao essencialmente, que financial o Estado, o que o
toma particularmente vulneravel s flutuaes de preos desta
matria. Ora, o que important a riqueza criada intemamen-
te. A UE poderia desempenhar um papel important ajudando
estes passes a criar bons plans de fiscalidade, ajudando-os ao
mesmo tempo a conceber o seu desenvolvimento de outra forma.


6CORREIO








Crise alimentar Dossier


E uma primeira acdo que a UE poderia desenvolver a mdio prazo. E
a curto prazo?

Nao se pode fazer a economic de ajudas a curto prazo, mesmo se forem
mas a long prazo. Resta saber como vao ser distribuidas, e por quem,
estas ajudas. Outra regra important a respeitar: comprar, se possfvel,
produtos locais e associar os sindicatos agricolas, se existirem. Esta
ajuda a curto prazo nao esta isenta de efeitos perversos. A fome existe
tanto nas zonas urbanas como rurais -um produtor de algodao tambm
pode estar em situaao de fome. Mas muitas vezes, por uma questao de
estabilidade political, o abastecimento comea pelas cidades, o que pro-
voca um fluxo macio dos agricultores para as cidades.
Nao tenho nenhuma soluao milagrosa. De um modo global, veria com
bons olhos um sistema -que, alias, existia no sculo XIX na Europa, as
famosas "Oficinas de Estado" -onde cada um esta ligado a um
Municipio, onde a populaao se dirige em caso de crise. Trata-se de um
process de descentralizaao e nao creio que possamos escapar a ele.
Na Europa, vigora este process: porque nao apoiar uma descentraliza-
ao deste tipo nestes pauses?

A long prazo, que preconiza como modelo de relaes entire a UE e os
ACP, em matria agricola?

Antes de mais, recorde-se que estes pauses nao se emanciparam do
modelo econmico que os liga metropole, quando os laos de solida-
riedade com esta se esvanecem. Do lado europeu, nao temos uma diplo-
macia integrada. Perdura portanto, e com frequncia, um clientelismo,
como o caso da "Franafrique" ou do Reino Unido com as suas anti-
gas colnias. Este clientelismo esta no mago do relacionamento entire
os pauses ACP e a UE. Daf result uma falta de vontade de desenvolver
uma produao concorrencial. Estes pauses nao passaram pelas etapas,
primeiro do proteccionismo, em seguida do desenvolvimento, e, por
ltimo da diversificaao da sua produao.
Mas voltemos sua pergunta, partindo da constataao que primordial
reinvestir nos instruments da terra. Nao nos esqueamos que o Estado
sempre se construiu volta da agriculture. A questao : o que pode fazer
a UE tendo em conta a sua histria, em especial a histria da Politica
Agricola Comum (PAC)? Uma PAC relativamente bem conseguida
com as suas fraquezas, nomeadamente sociais e ambientais -porque foi
baseada no principio de um mercado unificado e regulado. E a hipte-
se que fao a long prazo que do interesse de todos criar uma polf-
tica agricola mundial.

Na sua opinido, devia ser criada uma political agricola mundial: mas
como ponderar os interesses de cada um?

Lembre-se das negociaoes entire a Alemanha e a Frana aquando da
criaao da PAC: os Alemaes queriam manter preos elevados para pro-
teger a sua agriculture, quando Paris queria preos baixos para favore-
cer as suas exportaoes. Os Alemaes obtiveram o que queriam, mas, em
contrapartida -foi esse o "preo a pagar" tornando-se no primeiro
contribuidor liquid da Comunidade Europeia. Respeitadas as devidas
proporoes, terfamos de utilizar o mesmo raciocinio a nfvel mundial.
Assim, pode-se imaginary que os pauses ricos paguem para ter um mer-
cado livre -recorrendo aos seus recursos do mercado nao agricola.
E incontestavel que a sua criaao dificil, mas havera altemativa? Se
nao ha organizaao, em caso de crise, por mais pequena que seja, todos
comeam por fechar as suas fronteiras. Assistimos a reacoes rigidas da
Tailndia ou do Vietname que recusaram exportar o seu arroz. Estas
reacoes sao a origem de conflitos enormes. Temos de desconfiar dos


cenarios de retracao nacionais ou regionais. Por isso, a nica altema-
tiva o estabelecimento de acordos interacionais.

De acordo pelo long prazo. Mas o que poderiafazer jd a UE na cena
international?

Talvez a UE pudesse apresentar Organizaao Mundial do Comrcio
(OMC) propostas para ajudar os pauses ACP. Poderia consistir em relan-
ar as negociaoes para permitir a estes pauses, nao s6 beneficiary de exo-
neraoes sobre as tarifas para os produtos como a banana ou o acar
estes produtos "conforto" para nos, pauses ocidentais -mas propor o
alargamento destas negociaoes a todos os produtos agrcolas. E verda-
de, isso pode pr problems, nomeadamente Tailndia, exportadora de
arroz mido para o Senegal, mas porque nao associa-la ao debate?
M.M.B. M

* A fundao Charles Lopold Mayer para o progress do home (ex fundao para o
Progress do Homem, dai a sua sigla fph) uma fundao independent. O seu objective
estatutrio muito vast: financial, atravs de dons ou de emprstimos, pesquisas e acoes
que concorrem, de forma significativa e inovadora, para a evoluo do home atravs da
cincia e do desenvolvimento social.





Palauras-chaue
Marie-Martine Buckens; Matthieu Calame; PAC (Politica Agricola
Comum); subvenes; algodo; Burquina Faso.


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008







Dossier 1 rise alimentar


Questoes BBERTIS




Ao reabilitar a auto-suficincia alimentar, os praises em desenvolvimento deverdo
responder questo fontes de muitos conflitos do acesso terra. E tambm ao
lugar que esto dispostos a conceder aos biocombustiveis e aos OGM.


> 0 acesso a terra, desafio crucial

Em Africa, se cada pais dispe de um regime
fundiario original, ele result o mais das vezes
de um casamento forado entire direito priva-
do, importado pelos colonizadores, e direito
colectivo ou consuetudinario. Cada sistema
fundiario arrasta consigo um modo de produ-
ao: baseado na monocultura (com as cultures
de exportaao, como o caf ou o amendoim),
no model "ocidental"; multifuncional e, mui-
tas vezes, mais respeitador dos equilibrios eco-
lgicos, no segundo caso. Mas o regime fun-
diario nao regular tudo. Outros factors tm
muito peso, a comear pela migraao das
populaoes que fogem dos conflitos e da mis-


ria, ou ainda o conflito que ope os agriculto- colas ainda sao africanos, acrescentando:


res e os caadores e as autoridades dos parques
naturais.
O caso sul-africano. A questao fundiaria faz
parte dos problems que assustam a nova Afri-
ca do Sul. Mas, explica Thierry Vircoulon,
autor de L'Afrique du Sud dmocratique ou la
rinvention d'une nation (Paris, L'Harmattan,
2005), "em vez do problema fundiario, tem de
se falar dos problems fundiarios!" Desde
1994, explica ele, a reform agraria tem difi-
culdade em reequilibrar a repartiao fundiaria
a favor das comunidades anteriormente espo-
liadas: a imensa maioria das quintas ainda sao
hoje propriedade dos Brancos e a imensa
maioria dos trabalhadores de exploraoes agri-


"Esta situaao, que envenena as relaoes inter-
raciais, dissimula um segundo problema fun-
diario negligenciado erradamente: o das terras
tribais." Geridas pelas autoridades tradicionais
mas pertencentes de jure ao Estado, estas ter-
ras sao cobiadas por diversos grupos consti-
tutivos do mundo rural africano, cujos interes-
ses sao divergentes, senao antagnicos. O
segundo problema fundiario da Africa do Sul
-a destribalizaao da terra emerge assim
lentamente depois de dez anos de democracia.
E necessario, pensa Thierry Vircoulon, "ultra-
passar o discurso politico dominant para
compreendermos que a questao fundiaria sul-
africana nao um confront Brancos/Negros,


COERREIO








Crise alimentar Dossier


mas um problema que ope tambm os grupos
sociais de um mundo rural africano que se
debate com uma transformaao rapida e uma
grande pobreza".

> 8 falsa boa idea dos
biocombustiueis?

" necessario gelar as subvenoes e os inves-
timentos destinados produao de biocombus-
tiveis." esse, pelo menos, o parecer de
Olivier De Schutter, nomeado em Maio ltimo
Relator especial para o direito alimentaao
pelo Conselho dos Direitos do Homem das
Naoes Unidas. Alguns esperavam um discur-
so mais diferenciado, mas este eminente juris-
ta belga retomou a iniciativa do seu caloroso
antecessor, o sufo Jean Ziegler. Olivier De
Schutter sublinhava em Junho passado, na vs-
pera da Cimeira da FAO: "Seriam necessarios
cem milhes de hectares para produzir 5% dos
combustiveis em 2015, e isso muito simples-
mente insuportavel. Os objectives dos Estados
Unidos de 136 mil milhes de litros de bio-
combustiveis para 2022 e da Uniao Europeia
de 10% de biocombustiveis para os transportes
em 2020 sao irrealistas. Abandonando estes
objectives, enviarfamos um sinal forte aos
mercados que o preo das colheitas de gneros
alimenticios nao vai subir indefinidamente,
desencorajando assim a especulaao."
A UE, por sua vez, tem uma posiao modera-
da, argumentando nomeadamente sobre os


beneficios que poderiam advir dos biocombus-
tiveis para os pauses em desenvolvimento que
os cultivariam. Se os preos elevados que eles
provocam forem desfavoraveis aos consumi-
dores, reconhece-se na Comissao Europeia,
sao, em contrapartida, muito benficos para os
produtores. "A subida dos preos alimentares
nao deve ser sistematicamente considerada
numa perspective negative", lembrou Louis
Michel, Comissario Europeu do Desenvolvi-
mento, e prosseguiu: "Ela tambm geradora
de oportunidades para os pauses em desenvol-
vimento que tm o potential de exportar gne-
ros alimenticios." Os biocombustiveis torar-
se-iam entao numa nova cultural de renda, ao
mesmo titulo que o algodao ou o caf. Com o
risco de os Estados se desviarem, como no pas-
sado, de uma cultural de alimentos diversifica-
da. Entretanto, varias empresas privadas ja
adquiriram terras em Africa para produzir bio-
combustiveis, principalmente a partir da pur-
gueira (jatropa). o caso, nomeadamente, em
Moambique, na Etipia ou na Tanznia. Pe-
se novamente a questao do fundiario: em certos
casos, as empresas adquiriram as terras por um
period de 99 anos; dificil ao Estado central
recupera-las se quiser aumentar a sua produao
alimentar.

> Que fazer dos OGm?

Os organismos geneticamente modificados
(OGM), sustentam os seus defensores, permi-


tirao produzir alimentos em terras marginais,
em especial solos aridos, mas tambm produ-
tos enriquecidos em vitamins, sem contar que
eles necessitam menos de pesticides. Sao argu-
mentos que convenceram varios pauses em
desenvolvimento, mesmo se os cpticos des-
ses mesmos pauses se interrogam sobre o
alcance destas qualidades. Uma coisa parece
certa: os OGM s6 podem desenvolver-se numa
economic agricola ja estruturada, onde os agri-
cultores dispem de funds suficientes para
pagarem sementes caras (e com patentes); o
que explica o seu fracasso nomeadamente
junto dos produtores indianos de algodao, que
acabam muitas vezes na ruina. O que explica,
sem dvida, tambm porque que a Aliana
por uma Revoluao Verde em Africa (AGRA),
financiada por duas fundaoes americanas a
de Bill Gates e a de Rockefeller -e presidida
pelo ex-Secretario-Geral da ONU, Kofi
Annan, declarou, numa primeira fase, nao que-
rer difundir os OGM em Africa. Numa primei-
ra fase, porque a Aliana Verde tenciona recor-
rer a ela na altura pr6pria.
Mas os OGM ja estao bem implantados nal-
guns pauses de Africa. Aps a Africa do Sul,
foi a vez do Burquina Faso que, em 2003, lan-
ava cultures experimentais de algodao trans-
gnico, em colaboraao estreita com a firma
americana Monsanto. Em 2006, sete novos
pauses africanos produtores de algodao
(Benim, Mali, Chade, Camares, Costa do
Marfim, Gana e Togo), apoiados pelo Banco
Mundial, empenharam-se em criar um Centro
Regional de Biotecnologia, decidindo "que
alm dos adubos, tem de se integrar a questao
das sementes e a passage aos OGM". Ali
tambm se trata de apoiar uma cultural de
renda, alias em estado lastimavel face aos pro-
dutores subvencionados da Europa (pelo
menos at 2000), dos Estados Unidos e da
China.
Mas muitos analistas aceitam dizer que a cruise
alimentar acima de tudo political e social e
que a capacidade de instaurar quem permitira
resolver o problema. E alguns receiam o avan-
o tecnolgico que desvia do problema da
repartiao da produao e da capacidade do
poder de compra. o parecer do prprio res-
ponsavel pela FAO, o senegals Jacques Diouf
que, pelo menos em 2006, declarava que os
OGM em Africa "nao sao uma prioridade"
para atingir os Objectivos de Desenvolvimento
do Milnio. M.M.B. M



Palauras-chaue
Marie-Martine Buckens; Regime fundirio;
Africa do Sul; terras tribais; conflito
Brancos/Negros; biocombustiveis; OGM.


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008

































































Adoptado na Cimeira de Maputo no decurso da segunda assem-
bleia ordinaria da Uniao Africana, em Julho de 2003, o
Program Integrado para o Desenvolvimento da Agricultura
em Africa (CAADP) apresenta o program mais conseguido
dos pauses africanos para responder ao desafio da cruise alimentar. Em
Maputo, os dirigentes africanos empenharam-se a elevar at 10% dos
oramentos nacionais o apoio oramental ao sector agricola. Em confor-
midade com os Objectivos de Desenvolvimento do Milnio (ODM), que
visam reduzir para metade a pobreza e a fome at 2015, o CAADP ambi-
ciona 6% de crescimento annual no sector agricola. Para isso, identifica
quatro grandes dominios para os investimentos: terra e gestao da agua,
infra-estruturas rurais e capacidades de acesso aos mercados, alimentos e
reduao da fome e investigaao agricola e vulgarizaao.

> 8 reuoluo uerde segundo a IGRI

O CAADP nao , porm, a nica resposta africana. Entre as mltiplas
respostas sugeridas, ha a famosa nova "revoluao verde" apoiada por


duas fundaoes americanas -Rockefeller e Gates -e presidida pelo ex-
Secretario-Geral das Naoes Unidas, Kofi Annan.
Os promotores desta Aliana para uma Revoluao Verde em Africa
(AGRA) assinaram, na Cimeira da FAO, em Junho passado, um proto-
colo com a FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agricola
(FIDA) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) para a "optimizaao
da produao nas zonas dos 'celeiros de trigo' da Africa".
Esta nova parceria "visa agora fazer a diferena optimizando a produ-
ao alimentar nas zonas que disponham de condioes relativamente
favoraveis em terms de precipitaao, solos, infra-estruturas e merca-
dos", explica um comunicado da FAO. Uma iniciativa que, segundo o
seu president, faz parte da visao estratgica da AGRA para "estabele-
cer parcerias que unam as foras e os recursos dos sectors pblico e
privado, da sociedade civil, das organizaoes de agricultores, dos doa-
dores, dos cientistas e dos empresarios de uma ponta outra da cadeia
de valores agricola".
Alm disso, acrescenta, "fara progredir o objective do CAADP da
NPDA".


CORREIO








Crise alimentar Dossier




> 8 colaborao europeia Na realidade, o document da Comissao prope uma acao simultanea-
mente a curto e a long prazo. Tratando-se do long prazo, o documen-
"Acreditamos profundamente na abordagem do program CAADP da to favorece o apoio investigaao e ao desenvolvimento, prevendo
NPDA", refere Marc Debois, chefe de sector na DG de embora aces para a gestao dos recursos naturais. Mas o curto prazo
Desenvolvimento da Comissao Europeia, que prossegue: "Primeiro, mantm-se auspicioso. Estao previstos mecanismos de gestao de risco,
pelo que ela promove, em seguida, porque, politicamente, ela permite- assim como um program de alerta tecnologicamente avanado, em
nos fortalecer os nossos laos com a Uniao Africana." De moment, a colaboraao com a FAO, que ja dispe de um sistema de recolha de
Comissao Europeia interroga-se sobre o que coloca na "parceria" que informaes, prevendo instruments que permitam ajudar os govemos
prope na sua comunicaao "Promover a agriculture africana" locais, confrontados com uma cruise, a utilizar as informaes recolhi-
(Advancing African Agricultura), elaborada em 2007 e aprovada pelo das. M.M.B. M
Conselho de Ministros da UE. "A ideia", prossegue Marc Debois, "
criar mesas-redondas nacionais onde os intervenientes representantes Palauras-chaue
politicos, industrials, agricultores, ONG, etc. definem uma political Marie-Martine Buckens; AGRA (aliana para uma revoluo verde);
agricola para o pafs. O Gana f-lo". Kofi Annan; arroz.

























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Alteraoes [ iii
Naoes Unidas i.i i.i [.iI
Ror liil I '''


Rop- 11

























a segurana.


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Uma agriculture de subsistncia aliada a recursos haliuticos ainda existentes permit,
por agora, s ilhas do Pacifico no serem severamente afectadas pela subida dos preos
dos gneros alimenticios. Com algumas reticncias importantes, como a incerteza sobre
o valor mercantil das cultures de exportao, nomeadamente o aucar das Ilhas Fiji, ou
os efeitos devastadores dos ciclones.

As Ilhas do Pacifico, como referem todos os peritos, sofrem
essencialmente de tres males: isolamento, exiguidade e fre-
quncia das catastrofes naturais. Trs males que afectam
sobremaneira a segurana alimentar das ilhas, em especial
aq maiq peqiienaq cnmn Tnn-a Niie ni Vanatiii
> Dependncia



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I,' ,!! .... 1 1 i C I i,,' 1i c,,. l.l ",l, ['J. .' hiL F!|! L .,,l,"- I!H c in. .'-.. a ,l '








Crise alimentar Dossier


nimo de recursos naturais limitados e, por isso, de dependncia dos pro-
dutos importados. Uma dependncia que aumentou nos ltimos anos
sob o efeito conjugado de tres factors. Primeiro, a atracao pelos gne-
ros alimenticios importados, acondicionados e, muitas vezes, baratos.
Paralelamente, political governamentais "inconsistentes", segundo
K.L. Sharma, permitiram a determinados gneros importados suplantar
a produao local. o caso do arroz fijiano, cuja produao local passou
de 29.000 para 14.000 toneladas entire 1993 e 2002, "devido principal-
mente", prossegue Sharma, " supressao das ajudas concedidas pelo
Governo em forma de fornecimento de produtos agricolas ou de conse-
lhos tcnicos, nao renovaao dos arrendamentos de terras, desregu-
laao do mercado e, in fine, preferncia pelo arroz importado, que,
alm do mais, mais barato que o arroz local". E apesar dos esforos
posteriormente empreendidos pelas autoridades locais para revitalizar o
sector, o pais continue a ser importador liquid de um gnero cujo
preo atingiu niveis record no primeiro trimestre deste ano. Outro fac-
tor: a devastaao das cultures pelos ciclones. Os Fijianos ainda se lem-
bram do impact do ciclone Ami que, em 2003, destruiu quintas, infra-
estruturas, cultures de arrendamento e de viveres. Custo estimado: 66
milhes de dlares.

> 8 experincia samoana

No entanto, as cultures e criaoes tradicionais -mandioca, taro, noz de
coco, fruta-pao, porco, came de aves de capoeira -mantm-se prospe-
ras em muitas ilhas, a comear pelas Ilhas Fiji, onde a produao dita de
subsistncia -por oposiao produao commercial a grande escala -con-
seguiu mesmo infiltrar os mercados das cidades, alimentando uma pro-
porao nao negligenciavel de uma populaao citadina em rapida expan-
sio. Em 2002, refere K.L. Sharma, "a produao de subsistncia repre-
sentava 6% do PIB e 37% da produao agricola, florestal e haliutica".
Belo desempenho, e Fiji muitas vezes citada como exemplo a seguir
por outras ilhas do Pacifico que, embora possuam uma cultural tradicio-
nal robusta, carecem de experincias em matria de desenvolvimento
commercial. Falta gerir uma incognita de peso: o impact dos ciclones.
"Cultivem tanto inhame quanto puderem e armazenem-no em previsio
dos ciclones. Quando nao houver taro, nem fruta-pao, nem bananas, os
inhames serao a vossa reserve de alimentos." o conselho dado por um
agricultor de Samoa e retomado na ficha tcnica elaborada pela Rede
das Naoes Unidas para o desenvolvimento rural e a segurana alimen-
tar. Com efeito, quanto mais tempo ficar o inhame na terra, maior o
seu rendimento. Este gnero alimenticio nao afectado pelos efeitos
dos furaces. Mas que fazer aps a passage de um ciclone? As pen-
rias de agua e de alimentos podem durar de duas semanas a oito meses.
A brochure passa em revista outras estratgias de adaptaao, tais como
privilegiar as cultures rapidas, como a mandioca e a batata doce.
Quanto ao armazenamento, os agricultores sugeriram um retorno aos
habitos locais, como o de fazer fermentar a fruta-pao e as bananas num
buraco cavado no solo ('biscoito de Samoa'). Conselhos vitais para
uma populaao que depend, na proporao de dois teros, da agricultu-
ra de subsistncia, (incluindo as florestas e as pescas) para sobreviver.
M.M.B. M


Palauras-chaue
Marie-Martine Buckens; Fiji; arroz; cultures tradicionais; ciclones;
inhame; taro.



INa pagina 20: Pimenta vermelha seca.
Fataiphotorush


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008


atraco cacla vez mais acentuada das populaes
do Pacffico pelos cereais, como o arroz ou o trigo,
paga-se a pronto, como testemunham as ltimas
estimativas de K.L. Sharma:
As ilhas Cook, Samoa e Tonga dependem a 100% das impor-
taes de cereais.
A depenclncia de Fiji passou de 79 para 90% no perfodo de
1993-2002 cm virtude, principalmente, do declinio (50%)
da sua procluo de arroz.
No mesmo perfodo, a depenclncia da Papua-Nova Guin
recuou ligeiramente (99 para 97%), quando a das Ilhas
Salomo passou de 91 para 95%.
Todas as ilhas dependem a 100% das importaes para fari-
nha de trigo.
As ilhas Cook, Vanuatu, Samoa, Tonga e Fiji esto dependen-
tes das importaes de arroz numa escala que vai de 65 a
100%.















aro, talo, dalo, dago, aba, anega, aro, ma: nomes to
different para designer a mesma plant que, h
sculos, assegura aos Ocenicos uma nutrio de pri-
meira escolha. Se o seu nome varia de ilha para ilha, os seus
tubrculos e as suas folhas saborosas tm o mesmo valor
nutritivo cm todo o lado. E que valor! Repare-se: fibras, cl-
cio e ferro nos tubrculos; vitaminas A, C, B2 e BI nas folhas.
No entanto, este "tesouro alimentar", como o qualifica a
douta FAO numa das suas fichas tcnicas, est ameaado.
"Em muitas ilhas", explica a FAO, "o taro j no ocupa na
vida quotidiana o lugar important que ocupava outrora. 0
seu preo , muitas vezes, elevado. Os citadinos que traba-
lham todo o dia acham, por vezes, que mais rpido cozer
arroz do que cultivar ou comprar taro e prepar-lo. Hoje cm
dia, muitos insulares preferem comprar arroz cm vez deste
tubrculo nutritivo, pela simple razo que ele coze mais
depressa". certo que o arroz rico cm protefnas e calorias,
mas no se compare com o taro cm matria de sais minerals
e de vitaminas. A FAO confirm: "Os legumes importados a
custos considerveis da Europa no tm comparao com
este saboroso tubrculo, rico cm elementos nutritivos, que se
encontra facilmente na regio". A ficha tcnica da FAO no
se limit a narrar dados meramente nutritivos ou tcnicos.
Inclui igualmente receitas para saborear cm:
http://www.fao.org/WAIRdocs/x5425f/x5425fOl.htm







Dossier 1 rise alimentar


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dencia da iillT.'i' T I. l' u de *c2t.i.-i i lhi.r. ii,. i
O aumerir i. i. lr.i Jde ti l I"I. -Tl tll|e
sobem ao iic t.!i c '"!il ,, i |ii C u il ., J. i- i i
provoca, IT. 'i u i i m111 !! uh 1 i d. Pi c.i "
SJ., pi. 'iit,. alimentares. Raros so os paises
Sda Comunidade das Caraibas que ainda pos-
suem uma verdadeira agriculture. O Dr.
Madramootoo deu o exemplo de Santa Lcia:
ha trinta anos, a agriculture ainda representava
25 a 30 por cento do seu produto intemo bruto
(PIB). Hoje, no represent mais do que 5 ou
6 por cento, sendo ultrapassada pelo turismo.
No Haiti, Jean-Baptiste Chavannes, porta-voz
do Movimento Campesino Nacional do
Congress de Papaye (MPNKP), amplamente
representative dos agricultores, j tocou o
alarme perante o agravamento da factura da
importao de produtos alimentares. Numa
entrevista concedida revista O Correio no
final do ano passado, em Port-au-Prince, capi-
tal do Haiti, declarou: "Nos importamos todos
os anos produtos alimentares no valor de 300
milhine, de dlAire', F iimn ncti-trnfe" N-
i t. l iii i li n tir I l t L 1 iI 111.i i i i l u. i ,,. i i tii

i'ii''." tic i i L T i II *cn lI Je ," i i I It 1i i c-
L'C! 111.1 | 1it'"-' t '" Illilc inrc t!L 1' .I id ,


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> 0 peso da liberalizao




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I, ilIi. iu.i- li .ii'i.- i I. i l, Il .i T I, 1 i i i .l,*i.i

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para lenhn Ji |l| t.Li. ui t rliJ C.i% nfri-
estruturas L.clti 1 1 JUi.i J liiil, %ecror
Segundo -( i. i" .. r i il ni -
nal no rii i el
Para o Dr. N l ii iii i.i.r.... i i ilp nuiria.i ept ra-
dicas, em r Tu. l il i ck ik.jl oeIrIi C' de
arroz, de' -i. i I *i pi.L.ii i iutrunici.nal






Como qu. i ut ii .h c -i i ielo .fc. rio
enfrentar liT. i l ii.i ici. iTri-hleinfI da
agricultur;i Fn. i e Tu i ) N i)adriniutito
cita a dis-i l L l.-i t. -r i .- I ico tnre ;
agricultural c .. iiii d. .l it..c d i let idjde.
com o o t ,-. ,. Jlitn ,. 1m1 1.1 n. ii',tl, i-
mentos pri i... i, l' Iluli. i i lut vi das
explora. 2 Lii i t ilr i du iui.-. le-ob-hm
qualificad i i i iint. i i ... I i r rirti-
r a' de trtiT|..i T i i i u... h c n. c l i iis.e-

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respeito a Cotoln


N0o fcil avaliar uma contribuio individual por pais da Unio Europeia (UE) para
as relaes com os Estados da Africa, Caraibas e Pacifico (ACP) durante os seus seis
meses de presidncia rotativa da Unio Europeia. H sempre um element de
"manuteno do status quo". Como a Eslovnia, que assumiu a sua presidncia em 1
de Janeiro de 2008, pass a pasta Frana (1 de Julho 31 de Dezembro), vamos ver
como que um dos Estados-Membros, no s6 mais pequenos mas tambm mais
recentes da Unio Europeia, sem tradio de political de desenvolvimento national,
imps a sua marca e imprimiu os seus pr6prios conhecimentos ao process.


estava tudo em ordem de march, diz Uros Mahkovec, conselhei-
ro ACP na Representaao da Eslovnia junto da Uniao Europeia.
Isto incluiu a preparaao de conversaoes para transformar os Acordos de
Parceria Econmica (APE) "provisrios" assinados -os acordos de
comrcio livre ACP-UE em acordos "completos" at ao final do ano e
resolver com os parceiros do CARIFORUM* as pequenas dificuldades
remanescentes nos textos juridicos com vista assinatura dos seus APE
regionais completos no final de Julho de 2008, em Barbados. Quarenta e
dois Estados ACP -a maior parte dos quais esta incluida nos Paises
Menos Desenvolvidos (PMD) -ainda nao assinaram os seus APE.
Acompanhar a Cimeira de Lisboa Africa-UE e manter o dinamismo na
consecuao dos Objectivos de Desenvolvimento do Milnio (ODM) na
agenda da Cimeira da UE em Junho de 2008, foram outras prioridades
da Presidncia. E o Secretario de Estado dos Negocios Estrangeiros da
Eslovnia agora um rosto conhecido, aps uma srie de troikass" bila-
terais entire a anterior, a present e a future presidncias da UE, incluin-
do a Nigria, Cabo Verde e Africa do Sul.
O apoio das duas presidncias anteriores, primeiro da Alemanha e depois
de Portugal, foi incalculavel para a Eslovnia, sublinha Uros Mahkovec.
Este trio de pauses elaborou uma estratgia de desenvolvimento conjun-
ta ao long de 18 meses (Janeiro de 2007 a Junho de 2008). A contribui-


ao especial da Eslovnia consistiu em levar os Estados-Membros da UE
a prestar mais atenao aos efeitos dos conflitos armados sobre as mulhe-
res e as crianas nas political dos pauses em desenvolvimento. Duas
Organizaoes Nao Goveramentais (ONG) -Together, o Centro regio-
nal para o bem-estar psicossocial das crianas especializado no aconse-
lhamento psicolgico, e International Trust Fund (ITF), envolvida em
projects de desminagem j sao globalmente reconhecidas pela expe-

"Todos sabem que no ha
nenhuma agenda national
intransponivel."

rincia de trabalho adquirida no terreno nos Balcas.
Uros Mahkovec diz que, apesar da Eslovnia ser um pequeno pais na
UE, tambm contribui para a flexibilidade: "Todos sabem que nao ha
nenhuma agenda national intransponivel." Aponta para os progresses
feitos em matria de Acordos de Parceria Econmica (APE). A
Eslovnia organizou uma reuniao de 30 ministros ACP "importantes"
na sua capital, Liubliana, para debater os APE. Na sua opiniao, a
Nigria, por exemplo, agora menos hostile idea de um APE, desde
que sejam respeitados os receios do pais de perdas fiscais.





























































IDebr Peciv sl I;1.'














































"Nao h 36 concepes do principio de separao do Estado, da presuno de

inocncia ou da liberdade de expresso!" Louis Michel, Comissrio Europeu do

Desenvolvimento, deu o tom dos debates da 152 Assembleia Parlamentar Paritria

UE-ACP, de 17 a 20 de Maro, em Liubliana.


home, com crises do Chade, do
Qunia e as negociaoes dos
Acordos de Parceria Econmica (APE) no
horizonte, desencadearam discusses inflama-
das entire parlamentares da Europa e dos
Estados ACP (Africa, Carafbas e Pacifico).
Sinal positive, a Assembleia Parlamentar
Paritaria (APP) conseguiu chegar a um acordo
sobre o escaldante dossi do Qunia, saudando
o fim da cruise alcanado e a mediaao de Kofi
Annan. Os parlamentares vindos dos quatro
continents solicitaram a Nairobi que as infra-
ces lei eleitoral fossem objecto de um
inqurito imparcial e rigoroso", mas congratu-
laram-se pelo acordo politico alcanado ao mais
alto nivel do Estado numa resoluao de urgn-
cia. A mediaao de Kofi Annan "a prova de
que os Africanos tm capacidade para resolver
eles prprios as suas crises", congratulou-se
Peya Mushelenga, parlamentar namibiano.
Em contrapartida, sobre o Chade, nao se evi-
tou o fracasso. A parte ACP, invocando a
ausncia de qualquer representante chadiano
na sala, recusou-se a votar um texto de com-
promisso que denunciasse a repressao desen-


cadeada pelo Presidente Idriss Dby contra a
oposiao nao armada. Uma oposiao amarga-
mente denunciada por muitos dos seus colegas
europeus, que viram nesta recusa uma tentati-
va de obstruao de Jamena e uma prova da
pusilanimidade de alguns parlamentares ACP,
agora que estavam em cima da mesa questes
relatives aos direitos do home e govema-
ao. Para o deputado alemao Jtrgen Schrder,
" deploravel que eles tenham rejeitado um
texto tao equilibrado", longamente negociado,
que condenava os ataques dos rebeldes arma-
dos contra o Presidente Dby assim como o
comportamento da ONG francesa da Arche de
Zo. "A estabilidade sustentavel do pais passa
por uma abertura political a todas as suas com-
ponentes intemas", advertiu Louis Michel.
Com a sua paixao habitual, lembrou que o
desenvolvimento dos pauses ACP exigia preci-
samente o reforo da boa govemaao e subli-
nhou que a consolidaao dos Estados era um
objective essencial da political da Comissao.
"Reforar as instituies pblicas a priorida-
de da nossa acao", explicou o Comissario,
tomando como prova o aumento important da
parte da ajuda oramental direct, inscrita no
10.0 Fundo Europeu de Desenvolvimento, pre-


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008








Interaces UE-ACP


vista para o perfodo 2008-2013. Doravante,
47% da verba ira directamente para os ora-
mentos dos pauses ACP para que melhorem os
seus servios publicos em sectores-chave
como educaao ou a sade. Trata-se de uma
nova abordagem que tambm implica mais
responsabilidade por parte dos governor em
matria de direitos do home e de democracia
e um verdadeiro dialogo politico com a UE.
A insistncia sobre o papel do Estado visava
igualmente tranquilizar os parlamentares
escaldados pelas negociaoes dos Acordos de
Parceria Econmica (APE). Aps a paixao
desencadeada por este dossi sensivel na ses-
sio anterior em Kigali, Ruanda, em Novembro
de 2007, a pressao baixou ligeiramente em
Liubliana, sem no entanto apagar as inquieta-
oes. "O conflito e a controvrsia perturbaram
o conjunto do process dos APE", lembrou
Glenys Kinnock, Co-Presidente da APP na
sessao de abertura. O seu colega do lado ACP,
Wilkie Rasmussen, das Ilhas Cook, nao deixou
de apontar o dedo s consequncias das sub-
venoes agricolas europeias sobre as econo-
mias dos pauses pobres e de beliscar a estrat-
gia de negociaao da Comissao.
O Comissario virou-se deliberadamente para o
future a fim de convencer os pauses africanos
e do Pacifico a negociar APE completos como
o fizeram os seus homlogos da regiao das
Caraibas. Na sequncia da assinatura de acor-
dos ditos "provisrios" no final de 2007, a fim


de se conformar com as exigncias da OMC, a
Uniao Europeia (UE) convida os pauses ACP a
transformer o ensaio ratificando os acordos
provisrios e concluindo APE completos.
Tranquilizou-os quanto s consequncias
sociais e ao caracter progressive da abertura
commercial. "Nao sou apstolo da liberalizaao
selvagem", disse Louis Michel, que reafirmou
o empenho da UE em acompanhar financeira-
mente os pauses ao long da sua abertura ao
mercado mundial. Beneficiou do apoio do
Comit Econmico e Social Europeu (CESE),
que saudou o capitulo social do APE celebra-
do com a regiao das Caraibas, e convidou os
Estados africanos a seguir esta via. Contudo, o
acesso ao mercado uma condiao "necessa-
ria, mas nao suficiente do desenvolvimento",
afirmou Grard Dantin, representante do
CESE.
Para que as economies ACP possam reforar
progressivamente a sua competitividade antes
de mergulharem no "grande banho" da compe-
tiao global, a Comissao aposta na integraao
regional. Louis Michel prepare uma comuni-
caao sobre o assunto para Setembro e convi-
dou os parlamentares ACP a exprimir os seus
pontos de vista no mbito da consult pblica
em curso. Os APE prevem uma liberalizaao
de 80% do comrcio de mercadorias dos paf-
ses ACP num period transitrio de 15 anos.
Os debates de Liubliana demonstraram que o
assunto estava long do epflogo. "Ficaram sem


resposta inmeras questes", lembrou Ali
Farah Assoweh, Ministro das Finanas de
Jibuti e Presidente interino do Conselho dos
Paises ACP, referindo uma srie de condioes
prvias assinatura de um APE, nomeadamen-
te a protecao dos sectors mais sensiveis da
economic dos ACP e um financiamento com-
plementar que acompanhe o process de libe-
ralizaao do comrcio. "A caminhada para
APE completos sera ainda longa e dolorosa",
concluiu.
A assembleia, que tinha pela primeira vez
como anfitriao um dos "novos" Estados-
Membros que aderiram UE em 2004, muda-
ra de horizonte na sua pr6xima sessao, mas
nao mudara de tematicas. Goveraao, desen-
volvimento ou comrcio, os parlamentares, as
ONG e os comissarios tm ainda muito a dizer
para provar que as relaoes UE-ACP tambm
sao "uma uniao entire os povos", no dizer de
Hans-Gert Pttering, Presidente do
Parlamento Europeu. O encontro ja esta agen-
dado para Port Moresby, na Papua-Nova
Guin, de 22 a 28 de Novembro de 2008. M

* Jomalista em funes em Bruxelas.



Palauras-chaue
Assembleia Parlamentar Paritria (APP);
ACP; APE; Chade; Eslovnia.







ACP IInteraces


Realar os elements positiuos





SMcAO


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'Afrique: mi roi r?' Foto por Iside Ceronl


S nosso dever corrigir as percepoes negatives e realar
os elements positivos da migraao" disse Sir John
Kaputin, secretario-geral do Grupo ACP. A
"Resoluao do Grupo ACP sobre Migraao e
Desenvolvimento" adoptada na reuniao sera apresentada ao Forum
Mundial sobre Migraao e Desenvolvimento, a realizar em Manila, nas
Filipinas, em Outubro de 2008. A resoluao apela a mais investigaao
sobre o porqu da migraao, incluindo os problems relacionados com
as alteraoes climaticas, e interrupao urgente da descarga de residuos
t6xicos nas aguas ACP -pratica essa que induz a migraao. Outra reco-
mendaao consiste na melhoria da gestao do asilo, da migraao e da
mobilidade pelos governor ACP.
A resoluao tambm incentive o Secretariado ACP a realizar at 2009
um estudo sobre as melhores praticas para a promoao da integraao
dos migrants nos pauses de acolhimento. Apela concepao de solu-
oes inovadoras para a migraao illegal, de modo a fazer parar a "fuga
de crebros" de trabalhadores qualificados dos pauses ACP. A migraao
"circular" que permit uma maior flexibilidade aos trabalhadores de
entrarem em mercados de trabalho no estrangeiro e regressarem aos res-
pectivos pauses de origem com maior facilidade -deve ser levada por


diante -afirmaram os ministros ACP. A resoluao diz ainda que os
governor devem abordar a questao dos migrants que trabalham sem
documentaao e que os Estados ACP devem ratificar instruments jurf-
dicos para combater o trafico de series humans.
Respondendo s perguntas dos jornalistas sobre a recent onda de vio-
lncia na Africa do Sul contra os migrants oriundos do Zimbabu, a
senadora Elma Campbell, ministry de Estado e da Imigraao das
Baamas, que presidiu reuniao em Bruxelas, disse: "Exortamos os
Estados ACP a implementar a legislaao para combater o racism e a
xenofobia e sensibilizar a opiniao pblica para o fenmeno."

> Obseruatorio das migraes RCP

Aya Kasasa, responsavel pelos assuntos culturais e migratrios no
Secretariado ACP, declarou aos jornalistas que esta a ser criado um
"Mecanismo de Migraao ACP" com 25 milhes de euros ao abrigo do
9 Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED). Numa primeira fase,
esta a ser organizado o process de concurso do Secretariado ACP para
escolher um cons6rcio que crie um Observatrio das Migraoes central
e uma rede de observat6rios em seis regies ACP: Africa Ocidental,


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008








Interaces Acp


Africa Central, Africa Oriental e Africa
Austral, Caraibas e Pacifico. Inicialmente,
centrar-se-a na migraao entire pauses ACP e
nao no xodo Sul-Norte. Muito amide, os
migrants nao sao integrados em projects de
desenvolvimento.
O Observat6rio incluira investigadores acad-
micos, a sociedade civil, redes de migrants e
at migrants individuals. Tera por mission
recolher factos e estudar os fluxos migratrios,
a natureza e o volume da migraao, os projec-
tos existentes para migrants, as estatisticas
econmicas e sociais e os efeitos da migraao
na pobreza, no comrcio e na sade. O objecti-
vo fomecer informaao e investigaao recen-
te e propor iniciativas aos decisores. "Nao esta-
mos interessados na duplicaao de esforos,
mas outrossim no reforo da investigaao ja
existent" -disse Andrew Bradley, secretario-
geral adjunto do Grupo ACP para os assuntos
politicos e o desenvolvimento human. Sir
John Kaputin acrescentou: "Enquanto pauses
em vias de desenvolvimento, os Estados ACP
sio chamados a desempenhar um papel activo
para dar forma ao debate sobre migraao."
Numa fase posterior, o Mecanismo procurara


reforar a capacidade dos rgaos regionais
ACP e dos ministrios nacionais em matria
de migraao em 12 paises-piloto: Senegal,
Nigria, Tanznia, Qunia, Repblica
Democratica do Congo, Camares, Angola,
Lesoto, Haiti, Trindade e Tobago, Papuasia-
Nova Guin e Timor Leste. Outra component
do Mecanismo, a realizar posteriormente, sera
reforar o papel da sociedade civil nos debates
sobre questes que afectam os migrants.
Ndioro Ndiaye, director adjunta da
Organizaao Intemacional da Migraao, con-
vidada a falar na reuniao ministerial, disse:
"...a ajuda ao desenvolvimento concedida pela
UE deveria dar mais atenao e mais valor aos
esforos da diaspora dos pauses ACP nos
Estados-Membros da UE, e ao seu potential
para multiplicar a ajuda ao desenvolvimento
atravs de remessas, transferncia de conheci-
mento e experincia professional."
Outra convidada, Annemie Turtelboom, minis-
tra da Imigraao e Asilo da Blgica, aplaudiu
o facto de o debate sobre a migraao na UE ter
avanado desde 2006, quando a "Europa via a
migraao numa ptica defensive".
"Os que pensam que podem impedir ou suster


a migraao com medidas repressivas estio
enganados." Disse que tudo apontava para que
em 2050 a populaao active da Blgica sofres-
se uma reduao de 360.000 trabalhadores. "Se
a Blgica fechasse as suas fronteiras imigra-
ao, o dfice seria de 984.000 pessoas, o que
represent 23 por cento da populaao [ativa]"
-disse aos ministros ACP.
Apelou para que a migraao fosse organizada
e gerida de forma a beneficiary todos: migran-
tes, pais de origem e pais de destino. " o que
designaria por vitria tripla" -disse Annemie
Turtelboom aos seus homlogos ACP. Referiu
que essa ideia se articulava com a proposta de
criar um "cartao azul europeu" para os traba-
lhadores migrants. "O project de organizer a
migraao econmica uma alternative
migraao clandestine e uma das medidas
destinadas a combater o trabalho illegal"
declarou aos ministros ACP.
D.P. M



Palauras-chaue
Migrao; Ministros ACP; Debra Percival.


-n qu

rent qu'on ne j






iqomrcio





Sera que mORIIBIQUE


podera tornar-se num


dragao economic africano?


Em 27 de Fevereiro, o Presidente de Moambique, Armando Emilio Guebuza numa
visit aos Paises Baixos proferiu um discurso dirigido comunidade neerlandesa no
sentido de atrair investimento privado. Na dcada passada, os sucessivos presidents de
Moambique pagaram um tributo regular aos seus principals parceiros econ6micos que
executam a parte que Ihes cabe no process de tornar Moambique numa das
economies mais atractivas de Africa. Nos ltimos cinco anos, as exportaes
moambicanas aumentaram a uma taxa mdia de 10% ao ano e as previses apontam
para 7% em 2008.


D esde o ano 2000, a economic de '
Moambique tem registado uma
taxa de crescimento annual de 8% e
o pais tem beneficiado do aumento
do investimento estrangeiro director, especifi-
camente em recursos minerals, mas tambm na
indstria, na agro-indstria e nos servic, .
passo que a construao de infra-estru iiii.
ainda esta em franco desenvolvimento ,
mesmo tempo, o pais aplicou political fist .i, c
monetarias bem sucedidas. Estas fizeram h. -
xar a taxa de inflaao de 13% em 2002- 4
para 9% em 2005-2007. Moambique tani.hc i
se debate para maximizar a agriculture -
pequenas empresas. Foram introduzidas ali i.-
es aos sistemas fiscal e bancario a favo! i ll i
pequenos empresarios. A Embaixador.i .c f
Moambique no Benelux e nas Comunid.ildc
Europeias, Maria Manuela Lucas, acolii.-
nhou uma visit do seu Presidente aos P.iic,
Baixos e centrou o seu discurso em
Utreque numa indstria financeira
s6lida nas zonas rurais.
Os Paises Baixos sao um bom exem-
plo para Moambique. No seu dis-
curso em Roterdao, o Presidente
Guebuza notou que "em 2006, as
exportaes [de Moambique] para


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008








Comrcio


os Paises Baixos elevaram-se a mais de 1,4 mil
milhes de dlares dos EUA em relaao aos 6,5
milhes de dlares dos EUA em 2001.
Similarmente, as importaoes a partir dos Paises
Baixos passaram de 9,4 milhes de dlares dos EUA
em 2001 para 423 milhes de dlares dos EUA em
2006". Com um investimento de 1 milhao de dlares
dos EUA em Moambique em 2003, a China ocupa-
va a nona posiao na tabela dos maiores investidores
do pais. Em 2007, tinha subida ao sexto lugar com
60 milhes de dlares dos EUA investidos, mas fica
Smuito long do maior investidor, os Estados Unidos
da Amrica, com 5 mil milhes de dlares dos EUA.
Nos ltimos anos, Moambique cresceu na sua
S atractividade como destino de investimento. um
dos pauses cujos investimentos estrangeiros foram
garantidos pela Agncia Multilateral de Garantia dos
Investimentos (MIGA) do Banco Mundial desde
p 1994. Alguns dos sectors da carteira commercial da
MIGA sao: a indstria transformadora, os produtos
agricolas, o turismo, o petrleo e o gas e as infra-
estruturas. O sector do turismo, por exemplo, regis-
Stou, ao todo, 144 milhes de dlares dos EUA em
2006. E as zonas selvagens intactas da Reserva do
Niassa no Norte de Moambique tomaram-se num
grande destino turistico. O Govemo de Moambique
espera obter grandes receitas neste sector durante o
Campeonato do Mundo de Futebol, em 2010 na
Africa do Sul.
A supressao de subsidies, a reduao e simplificaao das tarifas de
importaao e a liberalizaao da comercializaao das colheitas contam-
se entire as reforms econmicas. Foi aplicado um vasto program de
privatizaoes no sector bancario e em empresas estatais do sector da
transformaao. Foram adoptados novos cdigos fiscais para atenuar o
impact da inflaao no passado.
Num future prximo, Moambique tem potential para desenvolver
nichos de mercado importantes em various sectors. S6 foi explorada at
ao present uma pequena quantidade das suas reserves de petrleo e de
gas e o pais dispe de enormes recursos minerals. O Govemo esta a apos-
tar muito no desenvolvimento potential da agriculture, nao s6 para a pro-
duao de alimentos mas tambm de energia. As estimativas do potential
bioenergtico do pais sao de cerca de 40 milhes de litros de biodiesel e
de 21 milhes de litros de bioetanol por ano. Contudo, o Govemo esta
plenamente consciente da necessidade de equilibrar esse potential com
exploraoes agricolas para nutrir a sua populaao. O crescimento econ6-
mico nao parece ter sido afectado pelas inundaoes de 2007 no pais.
Sera que Moambique podera tornar-se brevemente num dragao econ6-
mico africano? A resposta esta relacionada com outra questao. Apesar
da actual taxa de crescimento, quanto tempo levara a baixar os nume-
ros de 50% da populaao moambicana que ainda vive na pobreza? O
Governo de Moambique tambm parece estar a dar toda a sua atenao
a esta questao. H.G. M


I Maputo, publicidade mvel.
Umberto MarinTimeForAfrica Onlus


Palauras-chaue
Hegel Goutier; Moambique; economic; MIGA; Armando Emilio
Guebuza; Maria Manuela Lucas.


COERREIO






, qm foco






Um dia na uida de



DEREK WRLCOTT


POETA, DRAMATURGO, ARTIST E LAUREADO DO PRMIO NOBEL

Derek Walcott membro de um "jet set" literrio. Hoje, o convidado do
Servottefonds Herman* a ler poemas na Universiteit Katholieke Leuven (Universidade
Cat6lica de Lovaina). Na pr6xima semana**, parte para o festival literrio de
Calabash, na Jamaica, para ler um novo poema, 'The Mongoose' que faz troa de
outro escritor caribenho de Trindade e Tobago, V.S. Naipaul. Natural de Santa Lcia,
Walcott foi galardoado com o Prmio Nobel da Literatura em 1992 pela sua retoma
de epic Omeros (1990), que transpe o drama da Iliade e da Odisseia de Homero
para um cenrio caribenho. E tambm um dos acadmicos mais famosos da
Universidade de Boston.


W alcott publicou o seu primei-
ro poema aos 14 anos. Os
danos causados por 400 anos
de regime colonial nas
Caraibas, apesar da celebraao da hibridizaao
das suas cultures com uma busca de identida-
de pessoal, sao temas centrais do seu trabalho:
abundncia de poemas e mais de 20 guides,
nomeadamente Henri Christophe (1950), Ti
Jean and his Brothers (1958) e Dream on
Monkey Mountain (1967). O poema North and
South (1981) trata de uma busca pessoal de
identidade:
"a colonial upstart at the end of the empire,
a single, homeless, ,,. i',,.. satellite."
("um arrivista colonial no fim do imprio,
um satlite nico, sem domicilio, em forma de
circulo.")
Walcott frequentou o Colgio de Santa Maria,
Castries, Santa Lcia, estudou no University
College of the West Indies em Kingston,
Jamaica, e tambm frequentou a escola de tea-
tro de Nova torque (1958-1959). No inicio da
sua carreira foi professor nas Carafbas, tam-
bm trabalhou como jomalista para a Public
Opinion na Jamaica e como escritor e critico
de arte dramatic para o Trinidad Guardian.
Igualmente precoce foi a sua paixao pelo tea-
tro. Com apenas 20 anos, criou o St Lucia Arts
Guild. Em 1966, formou a companhia
Trinidad Theatre Workshop.


> Pintor Santa Lcia: "Estive la ha dois dias e foi um
dia formidavel... espantoso," disse-nos quan-
Na esteira do seu pai, aguarelista amador, do nos encontramos em Lovaina.
dedica agora mais tempo pintura, apreenden- E em Santa Lcia, durante a pausa do circuit
do a essncia da estupenda beleza natural de literario, que a vida se aparenta a qualquer tipo


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008







































de rotina: "Depois de tomar o pequeno-almo- que perdemos e daquilo que ganhamos." A sua
o e de fazer algum trabalho, saio para meia voz melodiosa e isso envolve-nos.


manha de nataao e regresso para o almoo e
uma pequena soneca. Nunca trabalho at
muito tarde da noite, embora s vezes as tardes
de trabalho se prolonguem quando tenho
ensaios de teatro." A alegria da nataao
apreendida numa das suas pinturas, intitulada
O Nadador. Muito simplesmente. Descreve
um home s6, que vadeia no mar quando as
ondas entram em roldao e lhe batem no corpo.
O artist prefer a realidade de uma paisagem
ou de um retrato arte abstract.
Tendo passado varios anos a ensinar escrita
criativa na Universidade de Boston, ainda tem
uma base perto de Nova torque, mas agora
passa mais tempo em Santa Lcia, na sua ponta
norte, o Cabo, de onde se v, de um lado, o Mar
das Caraibas e, do outro, o Oceano Atlntico.

> Riuire Dore

Walcott interrompe a nossa conversa para
sugerir que olhemos pela janela que da para a
velha praa de Lovaina. A universidade
remonta a 1425. Surpreendentemente talvez,
ele nada diz sobre os edificios com empena
magnificentemente reconstruidos.
Provavelmente, ele estara mais inspirado nos
prazeres sensuais naturais de Santa Lcia e das
Caraibas do que na corrente de casas de caf e
de snack-bar porta-sim porta-nao da praa.
Evocara um dos seus locais preferidos em
Santa Lcia, Rivire Dore, perto de Choiseul,
no Sul, uma enseada de pesca escondida,
banhada noite por uma luz dourada.
"Tenho um novo livro de poemas a publicar no
prximo ano. Em geral, falo do que nos aconte-
ce pessoalmente, do que me acontece como
escritor, do que se passa na nossa vida, daquilo


Interagindo com o entrevistado, fica-se com a
sensaao de que se esta dentro da pea. A qual-
quer moment, ele pode deixar "cair" uma
"prola" descritiva.
Voltemos a Santa Lcia. O que ha de tao espe-
cial a dizer da ilha onde nasceu? "A topografia
de Santa Lcia, as montanhas cnicas abruptas e
o mar. Ter isso todos os dias na vida uma bn-
ao." No entanto, ele esta manifestamente preo-
cupado com os efeitos do turismo nas Caraibas,
em geral, e na sua ilha, em especial:
"Quando o espao exiguo, quando as pessoas
sao diferentes e quando se tem de ser delicado
sobre a hist6ria de um determinado lugar, pode-
se ter um grande pressagio. Precisamente agora,
tenho algum que esta a tentar construir um con-
junto de condominios junto minha casa. Esta a
invadir a soleira da minha porta como invadira
as soleiras das portas de muitas mais pessoas."
E ele prossegue: "Ha grandes hotis em cons-
truao e s6 nos resta sorrir e ser felizes, ser
polidos, mas isso perigoso e eu escrevo sobre
isso." O turismo nao um crime, afirmou, mas
senate que os promotores e os govemos deviam
fazer algo mais para desenvolver a riqueza
cultural das Caraibas.
"Tudo o que se pode fazer tomar a mesma
indstria e forar as pessoas a pagarem pelo
que estao a fazer. Por exemplo, construir um
teatro, um museu e obter algumas bolsas de
estudo. Eles tm receio de tributar o investidor
turistico mas, se nao o fizerem, a nossa econo-
mia sera efmera."

> "f minha praia"

Derek Walcott prossegue: "Tinha por habito ir
'minha praia' (Rodney Bay). Sabe, todas as


pessoas caribenhas tm a sua prpria praia.
Tinha... Agora ha la um hotel. Eu sinto-me
deslocado pelo hotel, o que um sentiment
estpido porque posso nadar noutro lado qual-
quer, mas eu penso que aquela praia me per-
tence. Nao penso que um hotel seja uma com-
pensaao suficientemente boa para o que eu
perdi. Esta uma espcie de metafora para
tudo nas Caraibas. Nao se pode ter um pais
com uma barraca para albergar um teatro.
Estou muito desgostoso com a convencionali-
dade dos goveros caribenhos."
Voltemos aos seus plans imediatos: "De
moment, estou a trabalhar em guides.
Vou fazer dois cinemas, espero." Ele diz que um
um guiao de Ti-Jean, o outro uma pea
domstica criada em Port of Spain, Trindade e
Tobago. "Ti-Jean uma fabula sobre um rapaz
e seus dois irmios que se desenvolve em
Soufrire, Santa Lcia. Um irmio fisicamen-
te forte. O outro pensa que intellectual, um
grande advogado que question tudo. Moral da
hist6ria: venha o diabo e escolha!", diz Walcott.
Este Outono, Derek Walcott estara em
Londres para encenar a pea do irlands
Seamus Heaney, The Burial of Thebes, no
Globe Theatre. Ele gosta muito da companhia
e do contact com os outros que o teatro lhe
proporciona.
Na noite seguinte, reencontramo-nos na Passa
Porta, um espao literario na baixa de
Bruxelas. Aps a leitura de Omeros, Derek
Walcott responded s perguntas feitas por um
auditrio bem informado sobre a identidade
das Caraibas, o uso do crioulo na literature,
etc. Manifestamente, aprecia a reverncia pelo
seu trabalho, mas, a dada altura, um olhar de
vulnerabilidade na sua dissecao inexoravel
que um autor da sua envergadura forado a
ter, invadiu-lhe o rosto. Provavelmente, aguar-
da com impacincia a rotina das braadas
matinais na piscina de Santa Lcia, fonte da
sua inspiraao. D.P. U

* 0 Servottefonds Herman foi criado em 2004 em homena
gem ao professor de literature inglesa, Herman Servotte, j
falecido, a fim de promover o estudo da literature inglesa.
** A jomalista encontrou o poeta em Lovaina em 15 de
Maio de 2008.
Sitios web: www.fondshermanservotte.be
www.passaporta.be


No topo: Soufrire, Santa Lcia.
Cenrio para Ti-Jean' 2006.
O Mark Percival



Palauras-chaue
Debra Percival; Derek Walcott; Santa
Lcia; Caraibas; Prmio Nobel; literature.


CORREIO


Em foco







10 lossa terra


SATELITES ao seruio da



erradicaao da pobreza


O vinculo entire a tecnologia dos satlites e a erradicao da pobreza no 6bvio. O
Centro Comum de Investigao (CCI) da Comisso Europeia analisa imagens de alta
definio para este efeito. Um impulso politico concrete para iniciar a investigao
emanou da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo de Africa e da UE em Dezembro
de 2007.


fauna, a expansao das terras agri-
colas e os incndios sao alguns dos
dados que podem ser monitoriza-
dos por imagens de alta definiao provenientes
de satlites instalados a 850 quilmetros da
Terra. Por seu tumo, isto significa melhorar a
gestao dos recursos florestais e evitar os con-
flitos armados, elements susceptiveis de con-
duzir erradicaao da pobreza, afirma Alan
Belward, chefe da Unidade de Monitorizaao
Global do Ambiente do Centro Comum de
Investigaao (CCI) da Comissao Europeia. A
equipa do CCI estuda "a forma de maximizar
a exploraao dos satlites na ajuda ao desen-
volvimento".
A investigaao e a estatistica recolhidas pela
s a equipa de 8-9 cientistas, incluindo um
e;tagiario africano, sedeada em Ispra, Italia,


vm colmatar uma lacuna important em
informaao e ajudam os dadores e os goveros
no planeamento e na formaao das decises.
Centrado actualmente em Africa, nada indica
que nao possa eventualmente ser aplicado nas
Caraibas e no Pacifico, disse Alan Belward.
A tecnologia dos satlites nao nova. O pri-
meiro satlite de comunicaao geoestacionario
foi lanado em 1957 e o primeiro satlite de
observaao em 1972. No entanto, foi s6 nos
ltimos 10 anos que comearam a ser utiliza-
dos na previsao agricola e como instrumento
de desenvolvimento". Entre os contratos con-
cluidos pelo CCI para utilizaao de satlites
figure um com a Organizaao Europeia para a
Exploraao de Satlites Meteorolgicos
(EUMETSAT), que recolhe estatisticas meteo-
rolgicas e monitoriza as alteraoes climaticas.
Em terms gerais, a obtenao de imagens por


satlite pode ser usada em quatro vertentes da
political de desenvolvimento: protecao dos
recursos naturais; assistncia humanitaria e
ajuda ao desenvolvimento; iniciativas para
reduao das catastrofes naturais; estimativas
precoces do rendimento das cultures e avisos
de reduao normal nas colheitas.
Alan Belward mostra-nos imagens de alta
definiao do lago Chade em 1963 para efeitos
de comparaao com uma image mais recen-
te. Revelam a alarmante contracao do lago. A
degradaao do solo, a desflorestaao e a perda
da biodiversidade tambm podem ser monito-
rizadas desta forma.

> Quem escapa aos impostos?

Imagens de estradas em zonas florestais
podem identificar actividades de abate de


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008








Nossa terra


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arvores, fornecendo assim informaes as
autoridades sobre desflorestaao illegal e sobre
quem deve ser tributado. Alan Belward frisa a
necessidade de os pauses africanos disporem
destas estatisticas. Estas podem ser transmiti-
das a organismos como o Observatrio das
Florestas Africanas (FORAF) que abriu novas
instalaoes em Kinshasa ao abrigo da parceria


florestal da bacia do Congo e pretend desen-
volver a monitorizaao das actividades de
abate de arvores ao long da bacia do Congo.
As imagens analisadas pelo CCI mostram que,
em Africa, desde os anos setenta, 50.000 qui-
1metros quadrados de vegetaao natural
foram transformados em terras agricolas o
que equivale a uma vez e meia a superficie da
Blgica, embora seja apenas um quinto da taxa
de perda registada no Sul da Asia e metade da
verificada no Amazonas. Alan Belward disse
que a taxa actual de desflorestaao nos pauses
da bacia do Congo -Camares, Gabao,
Burundi, Repblica do Congo apenas de
0,17%, o que se deve melhoria na gestao dos
recursos florestais.
Uma outra image da area conhecida por
"Park W", que se estende do Benim, passando
pelo Burquina Faso, ao Niger, identifica as
manchas de actividade agricola no perimetro
do parque. As imagens por infravermelhos
detectam as zonas onde ha incndios. Os guar-
das florestais sao directamente avisados atra-
vs de mensagens enviadas por SMS ou por
correio electrnico para que investiguem os
incndios. O desenvolvimento de sistemas de
alarme automatico contra incndio pode vir a
ter repercussoes enormes em sectors como a
gestao dos recursos florestais, aponta Alan
Belward.
As ameaas biodiversidade tambm podem
ser registadas como dados espaciais de siste-
mas de informaao geografica. O CCI monito-
riza o desaparecimento da biodiversidade em
741 zonas protegidas em Africa, que abrigam
280 espcies de mamiferos, 381 espcies de
aves e 930 espcies de anfibios. Os dados
actualizados de dez em dez dias sao recolhidos
pela Uniao Internacional para a Conservaao


da Natureza (IUCN). Foi criado um sitio web
para divulgar os resultados ao pblico.
Para alm da conservaao, os satlites podem
ser teis na assistncia humanitaria. As ima-
gens de alta definiao podem monitorizar os
campos de refugiados em zonas de cruise como
o Darfur, permitindo calcular o numero de
refugiados no campo e a necessidade de assis-
tncia. O CCI cooper com o Banco Mundial
e outras instituioes na definiao de uma
metodologia que permit observer e, eventual-
mente, prever riscos como sismos, com vista a
limitar a devastaao normalmente gerada.
As cultures tambm sao monitorizadas com
models agrometeorolgicos desenvolvidos
em mais de 30 pauses vulneraveis a crises e
penrias de produtos alimentares. Devido s
repetidas situaes de insegurana alimentar e
falta de monitorizaao regional, o Coro de
Africa alvo de observaao atenta. Entre Abril
e Outubro, sao publicados relatrios mensais
sobre o estado das cultures, as colheitas, as
perspectives e as provaveis penirias, sendo a
informaao transmitida s delegaoes da UE e
aos parceiros das NU.
D.P. M




No topo:lmagens de satlite mostrando o abandon da
agriculture em Angola. esquerda, anos 70 note-se a
mancha verde-brilhante ao centro. A partir de 2000, ela
desapareceu JR cispra

esquerda: Imagens do Lago Chade agora (no topo) e
em 1963 (em baixo), uma massa de agua mais extensa.
SJRC Ispra


Palauras-chaue
CCI; Africa; florestas; conservao;
Debra Percival.


COIRREIO



















































Dossier por Francis Kokutse,
Debra Percival, Hegel Goutier


Body Este numero e dedicado ao Gana, considerado
como uma das estrelas cintilantes no firmamento africa-
no, pais que, entire 30 de Setembro e 3 de Outubro
deste ano, acolhe a sexta cimeira dos 79 membros do
Grupo ACP (Africa, Caraibas e Pacifico) na sua capital,
Acra. A popularizaao da democracia multipartidaria, o
firme crescimento economic, o aumento da taxa de
pessoas alfabetizadas e um sector no estatal muito
active sao alguns dos seus atributos amplamente reco-
nhecidos. Ganeses altamente qualificados para referir
apenas um, o antigo Secretario-Geral das Naes
Unidas (NU), Kofi Annan destacam-se no plano inter-
nacional em todos os sectors de actividade. A perma-
nente diaspora national, dentro e fora do continent,
continue a enviar remessas financeiras para o pais, con-


tribuindo para o seu desenvolvimento economic. Os
soldados ganeses sao procurados para misses de
manutenao de paz regionais e da ONU.
Aproveitando o facto de John Agyekum Kufuor, actual
President, terminar o seu segundo mandato em
Dezembro de 2008, data em que tero lugar as eleies
presidential e legislative, damos a conhecer a historia
do pais e o que o future politico Ihe reserve. Analisamos
se podera continuar a beneficiary do forte dinamismo
das exportaes de produtos de base, pese embora o
crescimento acentuado em duas das suas principals
importaes petroleo e produtos alimentares e
como a ajuda da Unio Europeia (UE) contribui para a
consecuo dos Objectivos de Desenvolvimento do
Nlilnio (ODM).








eportagem Gana


HISTRIA DO GANA


long do Gana antigo


simbolismo forte. Em 1957,
quando a Costa do Ouro era o
primeiro pais africano prestes a
ganhar a independncia do poder
colonial, os lideres foram colher ao passado o
prestigioso nome de Gana. Tal como o antigo
Gana, a modern naao deve a sua riqueza ao
ouro. Na realidade, o Gana actual nao tem
nada a ver com o Gana do passado, que cobria
as zonas setentrionais do actual Senegal e as
zonas meridionais da actual Mauritnia. O
Gana modemo situa-se 600 quilmetros para
sudeste. Nao s6 o local diferente, mas tam-
bm sao poucos os laos tnicos entire as popu-
laoes do Gana antigo e modern.
Foi provavelmente no dealbar do primeiro
milnio D.C. que varios clas de povos Soninke
foram reunidos por Dinga Cisse para criar a
naao ganesa. O verdadeiro nome do pais era
reino Soninke, enquanto Gana era o titulo do
rei. Os escritores arabes retiveram-no, porm,
como o nome do Estado.




O antigo Gana era rico em minas de ouro, de
acordo com as descrioes de varios escritores
arabes como Al-Hamdani. Prosperou tambm
com o comrcio de sal e cobre e, em menor
escala, com o trafico de escravos. A capital,
Kumbi Saleh, tirou partido da sua localizaao
como ponto final das rotas do desert do Saara
percorridas por comerciantes magrebinos.
Foram as relaoes comerciais que trouxeram o
Islio ao pais. Os muulmanos que viviam em
Kumbi Saleh comearam por morar long do
palacio do rei mas mais tarde alguns deles, os
mais instruidos, integraram a administraao
local.
Por uma multiplicidade de motivos durante os
dois primeiros sculos do segundo milnio, o
Gana entrou em declinio. As causes principals
foram os longos periods de seca e a abertura
de novas rotas para outras minas de ouro des-
obertas em Bure, na actual Guin. O Gana foi


entao ocupado pelos Almoravides; nao certo
se invadiram o pais com o seu exrcito ou se a
sua influncia foi gradual. Posteriormente, o
rei dos Sossos, Sumanguru, ocupou o pais mas
em 1236 foi derrotado por Sundiata Keita e,
quatro anos depois, o Gana foi absorvido pelo
seu imprio, o Mali.




Escavaoes arqueolgicas indicam que o Gana
modern ja era habitado no principio da Idade
do Bronze, cerca de 4000 anos A.C. Mas no
inicio do sculo X, a modema populaao do
Gana comeou a fixar-se na actual localizaao
do pais. No entanto, foi s6 no fim do sculo
XVII que a maioria dos grupos tnicos que
constituem a naao ganesa se reuniu, entire
eles o povo Akan, Twifu e Mande, sendo este
ltimo proveniente da modema Nigria (na
altura os Estados Hausa). Um dos ramos do
povo Akan, os Asante, seria chamado a
desempenhar um papel proeminente na consti-
tuiao do Gana modemo. Os Asante forma-
vam grupos mais homogneos e, antes do
meio do sculo XVII, passaram por uma
expansao rapida, estabelecendo uma naao
forte. No fim do sculo XVII, o seu soberano,
Osei Tutu, foi proclamado Asantehene, rei dos
Asante. Os Asante conquistaram muitos outros
Estados Akan. O seu imprio deu autonomia
suficiente a cada Estado, embora o interesse
comum fosse sempre preservado, resultando
num Estado muito bem organizado a partir do
meio do sculo XVIII e inicio do sculo XIX.




No inicio do sculo XVI, os habitantes da
Costa do Ouro, especificamente os Akan,
comearam a comerciar com os Portugueses,
que chegaram em 1471. Aventureiros de quase
todos os pauses europeus tentaram fixar-se na
Costa do Ouro. Os Holandeses seguiram-se aos
Portugueses e, mais tarde, vieram os Ingleses,


os Suecos e os Dinamarqueses. Os Britnicos
criaram em 1750 a Companhia de Mercadores
Afro-Britnica. O trafico de escravos suplan-
tou o comrcio aurifero na Costa do Ouro com
o estabelecimento de grandes plantaoes nas
Amricas. A costa ocidental de Africa tomou-
se rapidamente no primeiro fomecedor de
escravos para o continent americano. No
sculo XVIII, 4,5 milhes de escravos foram
mandados da Africa Ocidental para a Amrica.
Em 1844, os Britnicos assinaram um acordo
politico com os chefes tribais da etnia Fante.
Em 1873, prenderam o chefe Asante, Kumasi, e
estabeleceram uma colnia na Costa do Ouro.
Ao contrario dos Franceses que formaram gran-
des colnias administradas por um govemador-
geral, a Gra-Bretanha optou por colnias sepa-
radas com uma autonomia relative.
No fim de uma longa guerra Anglo-Asante, os
Britnicos converteram o reino Asante num
protectorado em 1896. A administraao local
foi subdividida entire os chefes tradicionais nas
autoridades nativas e os representantes eleitos
pelo povo nas cmaras e assembleias munici-
pais. Em 1902, os territrios setentrionais
foram proclamados um protectorado britnico.
O fim da Primeira Guerra Mundial ditou a
mudana de poder no Togo alemao, que pas-
sou para o control britnico em 1919.
Durante a Segunda Guerra Mundial, as tropas
africanas da Costa do Ouro lutaram, na
Etipia, contra as foras italianas e, na
Birmnia, ao lado dos Britnicos e dos
Indianos, contra o exrcito japons.




O primeiro movimento nacionalista a optar
pela emancipaao da Costa do Ouro, se nio
pela independncia total, foi a Convenao
Unida da Costa do Ouro (UGCC), criada, em
1947, por um grupo de intelectuais dos quais o
secretario-geral era Kwame Nkrumah, politico
visionario e activist. Depois de ter estudado
nos Estados Unidos da Amrica e na Gra-


CORREIO
















































Bretanha, Kwame Nkrumah foi um dos parti-
cipantes, em 1945, no Congresso Pan-
Africano em Manchester. Em Junho de 1949,
Kwame Nkrumah rompeu com a UGCC, que
considerava muito conservadora, e criou uma
organizaao pr-independncia, a Convenao
do Partido Popular (CPP). Entretanto, Kwame
Nkrumah tomou-se um dos "Veranda boys"
(um grupo de jovens mais prximos do povo
do que da elite). Foi preso e encarcerado e tor-
nou-se num dos mais populares lideres do
pais. Em 1950, a CPP lanou uma campanha
de "acao positive" (acao nao violenta.
Kwame Nkrumah foi de novo preso, bem
como muitos outros lideres, transformando-o
num simbolo, num martir, num heri. Quando
ainda estava na cadeia, em Fevereiro de 1951,
foi eleito membro da assembleia nas primeiras
eleies legislativas ao abrigo da nova consti-
tuiao e o seu partido, a CPP, ganhou com uma
maioria de dois teros.
O partido da comunidade Asante, o
Movimento de Libertaao Nacional (NLM),
criado em 1954, ops-se CPP, que reclama-
va a independncia imediata, e a assembleia
foi dissolvida em Julho de 1956. O governador
concordou em conceder a independncia se
aprovada por dois teros dos membros da
assembleia. A CPP venceu mais uma vez com
uma maioria de dois teros. Antes da eleiao,
foi organizado um referendo pelas Naoes
Unidas sobre o future da Togolndia Britnica
(ligada Costa do Ouro) e da Togolndia


Francesa. Este referendo levou reunificaao
das duas parties do Togo sob regime francs.
A independncia da nova naao, o Gana, foi
celebrada em 6 de Maro de 1957. O pais pas-
sou a repblica por referendo em 1 de Julho e
Kwame Nkrumah converteu-se num dos mais
proeminentes lideres do Terceiro Mundo. Em
1964, o Gana foi proclamado um regime uni-
partidario. Dois anos depois, um golpe de
Estado military derrubou Kwame Nkrumah
durante uma visit China. O Partido de
Libertaao Nacional tomou o poder.





O Partido do Progresso, presidido por Kofi A.
Busia, ganhou as eleioes de 1969 e este tor-
nou-se Primeiro-Ministro. Mas um golpe de
Estado organizado pelo general Ignatius
Acheampong em Janeiro de 1972 trouxe ao
poder o Conselho de Salvaao Nacional
(NRC), uma junta military. O NRC foi substi-
tuido em 1975 por outra junta military, o
Supremo Conselho Militar (SMC), tambm
presidido por Ignatius Acheampong. Em
Junho de 1979, foi organizado um violent
contra-golpe de Estado por jovens oficiais
comandados pelo tenente Jerry John
Rawlings. Muitos membros do SMC foram
executados e expulsos oficiais superiores do
exrcito. Hilla Limann tomou-se Presidente da
Repblica em Julho de 1979 mas a administra-


ao pblica ficou sob a tutela do "Movimento
de 4 de Junho", um grupo military. Uma taxa de
inflaao muito alta e o aumento do custo de
vida dai decorrente fez Hill Limann perder o
apoio dos trabalhadores e de alguns segments
do exrcito. Jerry John Rawlings lanou o seu
segundo golpe de Estado no fim de 1981.




Manteve-se como president do Conselho
Provisrio de Defesa Nacional durante 12
anos at restaurar um regime multipartidario
em 1990 e organizer eleies, que venceu em
Janeiro de 1993. Deixou o poder em 7 de
Janeiro de 2001 aps dois mandates e foi subs-
tituido por John Agyekum Kufuor que ainda
ocupa o lugar.
A partir do moment em que Jerry Rawlings
estabeleceu um regime multipartidario, o
Gana parece ter consolidado a sua democracia
e ter adoptado os principios da boa govema-
ao. A boa reputaao de que goza nas instn-
cias intemacionais, bem como junto dos inves-
tidores, vem confirmar este facto. H.G. I




Palauras-chaue
Hegel Goutier; Gana; Costa do Ouro;
Togolndia; Dinga Cisse; Soninke; Asante;
Kwame Nkrumah; Jerry Rawlings; Kofi
Busia; Ignatius Acheampong; Hilla
Limann; John Kufuor.


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008





eportagem Gana


as eleies

de Dezembro


Francis Kokutse*, Debra Percival


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Gana | eportagem


As eleies presidenciais e legislativas esto marcadas para Dezembro do ano em curso
e todos os olhos esto postos num successor do actual Presidente, John Agyekum Kufour,
no poder desde Janeiro de 2001, no termo dos dois mandates autorizados pela
Constituio do pais. O Gana, em anos recentes, tem vindo a ocupar os lugares
cimeiros nas classificaes internacionais para o continent africano no que se refere a
reforms econ6micas, respeito dos direitos politicos, liberdades civicas e liberdade de
imprensa**. Durante a sua presidncia, o pais registou um elevado nivel de crescimento
econ6mico. A critical formulada pela oposio que o Presidente Kufuor limitou-se a
beneficiary dos aumentos dos preos dos produtos de base como o ouro. O partido da
oposio Congresso Democrtico Nacional (NDC) acusa o governor de clientelismo
partidrio e diz que, quase no termo da sua presidncia, John Agyekum Kufour j no
goza do apoio do Novo Partido Patri6tico (NPP), partido que o levou ao poder.


pais regista fortes taxas de cresci-
mento desde 2000, apesar da
subida dos preos do petrleo. O
crescimento do PIB em terms
reais no period de 2000 a 2005 foi de 3,7 por
cento para 5,9% e para 6,2 % em 2006. Isto
deve-se aos assinalaveis resultados da produ-
ao e comercializaao do cacau, construao,
ouro, recursos florestais, transportes, armaze-
namento e comunicaoes, segundo os dados
estatisticos da Comissao Europeia.
Nos primeiros dois meses de 2008, diz Paul
Acquah, govemador do Banco Central do
Gana, as exportaoes de mercadorias ascende-
ram a 868 milhes de dlares, em comparaao
com 690,3 milhes de dlares para o mesmo
period em 2007. O ouro tem tido um papel de
realce, nas palavras de Paul Acquah: "As
exportaoes de ouro foram de 404,4 milhes
de dlares para os primeiros dois meses de
2008 contra 263,71 milhes de dlares regista-
dos para o mesmo perfodo em 2007." Segundo
ele, as exportaoes de graos e produtos base
de cacau sofreram, porm, um ligeiro declinio,
rondando 227,4 milhes de dlares para os pri-
meiros dois meses de 2008 em comparaao
com os 247 milhes de dlares registados para
o mesmo period em 2007.
No moment em que as subidas nos preos do
petrleo e dos produtos alimentares dao ori-
gem a um ciclo de grandes transformaoes
econmicas escala mundial, John Kufuor fez
notar recentemente que "devido sua fora e
resilincia natural, a nossa economic foi capaz
de suportar o terrivel impact do mercado".
Isso nao significa que o pais esteja ao abrigo
dos efeitos da crise mundial. Segundo John
Kufuor, no ano transacto, o valor das importa-
oes de petrleo bruto passou de 500 milhes
de dlares em 2005 para os actuais 2,1 mil
milhes de dlares.


O President afirmou recentemente: "Certos
efeitos dolorosos da escalada do preo do
petrleo incluem o aumento da gasoline e do
gasleo nas bombas de abastecimento e o
agravamento do custo dos transportes que
afectam a distribuiao dos produtos alimenta-
res e dos bens em geral, e vm dificultar a vida
dos cidadaos." Mas para contrariar esta ten-
dncia "a agriculture teve bons resultados no
ano passado e, em consequncia, estao dispo-
niveis nos mercados locais certos produtos
como milho, inhame, banana-pao, cassava e
taro" e o govero vai nao s6 dar mais atenao,
mas tambm aumentar o investimento na agri-
cultura. John Kufuor apressou-se a intervir
para serenar os nimos dos ganeses quanto ao


levantados os direitos

de importao aplica-

veis ao arroz e ao 6leo

vegetal

aumento dos preos dos alimentos. Foram
levantados os direitos de importaao aplica-
veis ao arroz e ao leo vegetal por forma a
diminuir o preo desses produtos.
Frank Agyekum, vice-ministro da Informaao,
afirma que o inqurito ao nivel de vida da popu-
laao revela que este o mais elevado dos lti-
mos oito anos, mas Elvis Efriyie Ankrah, vice-
secretario-geral do NDC (partido da oposiao),
contest a afirmaao. Diz que o baixo nivel de
vida "foi ignorado a favor de valores que nio
reflectem o nivel de vida real da populaao".
Outros argumentam que, tendo em conta o
crescimento das exportaoes de produtos de
base, o Gana deveria estar "numa posiao


invejavel" o que nao o caso. A agriculture
ainda muito artesanal. Ha incertezas quanto ao
regime de propriedade, acesso limitado a insu-
mos e estradas em mas condioes. Acresce que
o sector industrial dominado por pequenas
empresas com baixa produtividade. Em 2005,
o investimento director estrangeiro foi apenas
de 156 milhes de dlares de acordo com a
Conferncia das Naoes Unidas sobre o
Comrcio e o Desenvolvimento (Cnuced).
Tony Aidoo, um antigo ministry da Defesa,
membro do NDC, diz que o NPP "chegou ao
poder no moment em que a economic estava a
crescer e prestes a recuperar a vitalidade. Em
1982, o Conselho de Defesa Nacional Provisrio
(PNDC), que se transformou no NDC, tinha
registado uma taxa de crescimento negative de
oito por cento. Este valor subiu para uma taxa de
crescimento positive de sete por cento e estabili-
zou nos cinco por cento em 2000".
Nas palavras de Tony Aidoo "o governor tem
beneficiado de um period de prosperidade no
que se refere aos produtos de base", acrescen-
tando que os impostos e os preos dos servios
pblicos continuavam a aumentar, agravando
assim a vida da populaao. Aditou ainda: "Este
governor tem-se caracterizado pelo clientelis-
mo partidario, pelo espirito vingativo e pelo
tribalismo a um nivel inaudito neste pais."
Faz concretamente referncia ao facto de os
membros de um anterior governor do NDC
terem sido julgados e press a coberto da
famosa lei sobre "prejuizos financeiros ao
Estado". Convira dizer, a propsito, que a dita
lei foi promulgada pelo NDC quando estava
no poder. Frank Agyekum faz notar que "nin-
gum esta preso hoje sem ter passado pelo tri-
bunal". Aditou que o govero era elogiado
escala mundial pela sua boa gestao. "O gover-
no rejeitou a lei sobre difamaao e actualmen-
te as pessoas gozam de liberdade de expressao,


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008































o que pode ser comprovado pelas intmeras
estaoes de radio em FM espalhadas por todo
o pais com os seus programs de linha aberta
que permitem que o comum dos ganeses parti-
cipe emitindo os seus pontos de vista."




A influncia da sociedade civil no process
decisrio esta a aumentar. Os movimentos de
agricultores, os sindicatos e as associaoes
profissionais mantiveram-se sempre em cena
mas outros como associaoes de desenvolvi-
mento local, grupos de defesa dos direitos das
mulheres, associaoes de solidariedade, asso-
ciaoes de pais e professors e organizaoes
religiosas dao uma nova ressonncia socie-
dade civil.
as palavras de Steve Manteaw, coordenador de
campanha da ISODEC, uma organizaao nio
governmental (ONG) de desenvolvimento
social integrado: "A nica tentative de oposi-
ao real no pais nos ltimos sete anos tem
vindo da sociedade civil." Steve Manteaw diz
que o parlamento fraco por causa dos que o
compem. "Alguns sao ineptos e nao tm
capacidade para analisar cabalmente os assun-
tos." Afirmou ter sido contactado pelo gover-
no para reforar as capacidades dos membros
da Cmara este ano, por exemplo, realizando
um seminario de formaao para 30 parlamen-
tares.
Segundo Steve Manteaw, a ISODEC tem sido
apoiada pelas autoridades eclesiasticas nos
esforos para reforar a pratica democratic.
Menciona, nesse context, o Conselho Cristio
que tem participado activamente na Campanha
Mundial contra a Pobreza e a Conferncia dos
Bispos Catlicos que desenvolve muito traba-
lho no dominio da boa governaao.
A lentidao dos progresses em terms de igual-
dade de oportunidades entire homes e mulhe-
res vem obscurecer a image modelar do
Gana a nivel international. As mulheres estio
sub-representadas na vida pblica e quase nio
tm acesso a bens econmicos. Ha legislaao


para proteger os direitos das mulheres e crian-
as como a Politica Nacional para as Mulheres
e as Crianas de 2004 e a Politica de Apoio
Primeira Infncia, mas a implementaao avan-
a com dificuldade, segundo os observadores.




A descentralizao

tambm esta

atrasada


A descentralizaao tambm esta atrasada devi-
do s preocupaoes com a capacidade local.
Embora o oramento de 2007 tivesse autoriza-
do uma transferncia significativa de funcio-
narios pblicos dos servios e repartioes dos
ministrios para os rgaos distritais para apli-
caao em 2008, as reforms political a nivel
local continuam a ser problematicas. Um tero
dos membros das Assembleias Distritais e os
chefes dos Executivos Distritais sao nomeados
pelo Presidente em vez de serem eleitos. Alm
disso, os litigios de cunho tribal sobre questes
relacionadas com transmissao e sucessao por
herana podem dar origem a conflitos locais.
"Nos ltimos sete anos, o govemo nao tem
sido claro relativamente ao que pretend em
terms de governor local," diz John Larvie,
coordenador de programs do Centro de
Desenvolvimento Democratico, expressando o
seu ponto de vista: "Ainda que seja suposto o
govemo local ser nao militant, o governor
viciou o process com a nomeaao dos chefes
dos executives distritais segundo bases parti-
darias. Mesmo os 30 por cento de membros
das assembleias distritais nomeados pelo
govemo foram escolhidos segundo bases par-
tidarias e as decises continuam a ser tomadas
a partir do centro, o que invalida toda e qual-
quer tentative de descentralizaao."
Quanto s perspectives de future, alguns
observadores politicos no Gana receiam que o
pais adopted a via queniana -referindo-se aos
confrontos que se seguiram ao anncio dos


resultados das eleies no Qunia, diz
Vladimir Antwi-Danso, um investigator
senior do Centro de Assuntos Internacionais
da Universidade do Gana. Adverte que "hi
focos de conflito que podem J..Ic!. ni. de um
moment para o outro se os politicos nao
derem a devida atenao s eleies".
Frank Agyekum concorda que "a segurana da
naao esta em causa e, por isso, o governor
reforou a Comissao Eleitoral para que organi-
ze eleies crediveis e justas de tal modo que
os proveitos conseguidos pelo govemo nio
sejam destruidos pelo rancor e a violncia
durante e depois das eleies".
Pelo seu lado, o Presidente prometeu que: "A
Comissao Eleitoral teria sua disposiao
todos os recursos necessarios para que pudes-
se organizer eleies crediveis e justas."
At data, os partidos politicos lanaram as
suas campanhas sem qualquer dificuldade mas
tal nao significa que o govemo nao enfrente
problems, diz John Larvie: "O Presidente
Kufuor nao parece ter mao firme sobre os
ministros, o que se deve s frequentes remode-
laoes de govemo."
Elvis Efriyie Ankrah do NDC disse que pare-
cem existir sinais de dissidncia entire a presi-
dncia e o partido no poder. "Quando o
President apoiou Stephen Ntim no ltimo
congress de delegados nacionais, os mem-
bros do partido decidiram votar nos candidates
de sua escolha. Estes foram seguidos pelos
delegados votando contra Alan Kyermanten,
que era a escolha do Presidente Kufuor como
seu herdeiro. Presentemente, o partido esta
contra ele por ter designado Evans Atta Mills,
o candidate presidential do NDC, para uma
distinao national."
Nas ltimas eleioes, o Presidente John
Kufuor obteve 52,45 por cento dos votos e
John Atta-Mills, do Congresso Democratico
Nacional, 44,64 por cento numa corrida eleito-
ral, que, no Gana, tradicionalmente disputa-
da por dois partidos.
Elvis Efriyie Ankrah acrescentou que os elei-
tores mais argutos "iriam votar para escolher o
candidate que julgassem mais apto a govemar
o pais". *

* Jomalista em funes em Acra.

** Nos iltimos relat6rios anuais do "Doing Business"
(Banco Mundial, 2006) o Gana conta-se entire os 10 maio
res reformadores. Em 2005, o Gana era o quarto classifica
do em Africa no que se refere ao indice de crescimento
competitive do Banco Mundial.



Palauras-chaue
Ghana; politique ; president John
Agyekum Kufuor ; Francis Kokutse,
Debra Percival .


CORREIO







Gana | eportagem


prudncia e planeamento




A estabilidade political passada e present vai de par com uma economic robusta que
tem permitido um bom planeamento e crescimento econ6micos. As novas jazidas de
petrdleo so um bom pressgio para o future.


e todos os pauses da regiao, da a
impressao que a Providncia esco-
lheu o Gana para o recompensar da
sua gentileza. O pais passou por
todo o tipo de dificuldades mas saiu ileso.
Como outros pauses da regiao, teve a sua
quota-parte nas roturas da sua vida political
com intervenoes militares. Felizmente, foi o
nico pais que nao esteve envolvido em
nenhum conflito civil grave.
Beneficiando da acao do governor do
President John Agyekum Kufuor, tem-se
registado um crescimento da economic que se
mantm robusta. E com a recent descoberta de
enormes jazidas de petrleo, ha sinais de que o
pais se prepare para dar um salto gigante. O


President Kufuor nao conseguiu disfarar o
seu sonho de um Gana melhor quando disse,
numa recent comunicaao naao, que a subi-
da dos preos globais do petrleo era apenas
um moment decisive e que "as dificuldades
presents podem ser apenas temporarias. Por
isso, confiemos no future com esperana".
Kufuor tem razao. Com as descobertas de
petrleo superiores a 3,9 mil milhoes de barris,
pode-se dizer que os Ganeses sao abenoados
nesta altura do seu desenvolvimento e que o
facto poderia dever-se Providncia que sorri
s pessoas. Contudo, alguns analistas discor-
dam que seja tudo devido Providncia. O pais
vem preparando a sua prosperidade future
desde a dcada de 60, advertem. "Tem sido


feito muito trabalho nessa direcao", disse Fred
Sagoe, um antigo empregado da Ghana
National Petroleum Corporation. "Foram fei-
tas prospecoes de petrleo em todo o pais e os
resultados estao vista. O pais tambm conse-
guiu former um grande numero de engenheiros
do petrleo que estao a trabalhar em todo o
mundo, o que da a impressao de que o pais pre-
parava o seu future em silncio", acrescentou.



Vladimir Antwi-Danso, um alto assistente de
investigaao do Centro de Negocios
Internacionais da Universidade do Gana, diz
que "as bases da economic do pais foram lan-


mir,

. 1. ......
1.ii a







































adas na primeira legislature do govero de
Kwame Nkrumah". Na altura, poucas pessoas
acreditavam que a maior parte das political
postas em pratica beneficiariam o pais mais
tarde. Houve os que criticaram Nkrumah, mas
as suas political foram orientadas na direcao
que o pais esta a tomar.
Antwi-Danso disse no inicio que o Gana era
uma economic fechada. Foi post em march
um important program de substituiao que,
na altura, foi considerado uma opao errada.
No entanto, "permitiu a construao de infra-
estruturas que estiveram na base de uma taxa
de emprego elevada no pais", afirmou. Um
bom exemplo disso o Projecto Hidroelctrico
do Volta, em Akosombo, que hoje a principal
fonte de energia do pais. Alm disso, Tema Port
e toda a sua area concelhia, que fazia parte do
plano de industrializaao de Nkrumah, mante-
ve-se um dos principals legados que Nkrumah
deixou ao pais.
Antwi-Danso disse que, na altura, o Governo
tambm embarcou num program educational
acelerado atravs do Ghana Education Trust
que criou. Isto conduziu construao de mais
escolas em todo o pais. "O efeito desta politi-
ca que o pais tem recursos humans altamen-
te qualificados, que at export para alguns
paises desenvolvidos e beneficia actualmente
das respectivas remessas", disse.
O Governador do Banco do Gana, Paul
Acquah, confirmou o aumento das remessas.
As transferncias privadas provenientes do
estrangeiro atravs de bancos e empresas
financeiras elevaram-se a 1,380 mil milhoes
de dlares dos EUA nos primeiros dois meses
de 2008, o que represent um aumento de
48,7% em relaao aos 927,9 milhoes de dla-
res dos EUA registados no period correspon-
dente de 2007. "Segundo os dados das trans-


Nouakchott Opus incerto, obra de Philippe Bernard.
Philippe Bernard (wwwafriqueinvisu org)




ferncias totais no final de Fevereiro de 2008,
houve um aumento de 275,5 milhoes de dla-
res dos EUA para os individuos, em compara-
ao com os 202,3 milhoes de dlares dos EUA
em Fevereiro de 2007", disse Acquah numa
conferncia de imprensa recent em Acra.
Seja qual for o crescimento de que o pais des-
frute actualmente, a sua base de sustentaao
esta no passado. Alguns analistas econmicos
dizem que o pais, entire a dcada de 70 e o final
da dcada de 80, viveu tempos dificeis. E, por
isso, atribuido muito mrito ao antigo
President, Jerry Rawlings, que conseguiu
manter a estabilidade political no pais numa
altura em que muitos dos seus vizinhos se
anrruinavam com todo o tipo de conflitos civis.

>

Jacob Fredua, um motorist de taxi em Acra,
lembra que, "na altura em que a Libria e a
Serra Leoa estavam debaixo de fogo,
Rawlings conseguiu manter o Gana intacto.
Quando o Togo estava em guerra durante a
ltima presidncia de Gnassingbe Eyadema, o
Gana concede refgio aos Togoleses. Quando
os Costa-marfinenses decidiram matar-se uns
aos outros, utilizou-se o nosso pais para
encontrar uma soluao ao problema na Costa
do Marfim".
Isto nao significa que o Gana nao tenha tido
problems para resolver. Houve focos de inse-
gurana nalgumas parties do pais. No Norte, na
Regiao Este Superior e, ultimamente, nas
regies do Volta, houve alguns tumultos civis
que nao perturbaram a paz, muito embora
tenha havido vitimas a lamentar.
Antwi-Danso diz que foi a estabilidade politi-
ca que deu ao Gana uma vantage sobre os
seus vizinhos, permitindo ao pais crescer. "A


Li i


melhoria da situaao do pais deve-se ampla-
mente a uma injecao macia de capital",
acrescentou.
Antwi-Danso tem razao. Quando o Gana apli-
cou um Programa de Ajustamento Estrutural
(PAE) em meados dos anos 80, o capital
estrangeiro serviu para revitalizar uma econo-
mia doente. "O actual regime, que vigora ha
sete anos, pde prosseguir o process de
reconstruao atravs de political econmicas
prudentes", prosseguiu Antwi-Danso. O actual
governor tambm conseguiu gerar investimen-
to estrangeiro substantial ao incluir o pais na
lista dos Paises Pobres Altamente Endividados
(PPAE). Isto proporcionou uma reduao multi-
lateral da divida. "Foram perdoados cerca de
6,2 mil milhes de dlares dos EUA, graas ao
estatuto de PPAE declarado pelo pais", disse
Antwi-Danso.
Assim, os funds gerados localmente, que
podiam ter sido afectados ao pagamento da
divida, foram, em vez disso, utilizados para
financial projects de infra-estrutura, gerando
empregos no tecido econmico. Isto permitiu
ao pais manter o seu crescimento e controlar a
inflaao at este ano, quando os aumentos glo-
bais dos preos do petrleo e a inerente crise
alimentar afectaram parte do crescimento
modesto granjeado nos ltimos seis anos.
Apesar disso, Antwi-Danso diz que o Governo
tambm foi fiel justeza econmica e da mri-
to ao "Banco do Gana, que tambm soube
crescer e caminhar com a sua political moneta-
ria". F.K. I



Palauras-chaue
Francis Kokutse; Gana; political;
President John Agyekom Kufuor; crise ali-
mentar; petrleo.


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eportagem


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CORREIO


e de saneamento. Este financiamento corres-
pondera a 2000 microprojectos previstos nos
FED anteriores, principalmente no dominio da
educaao, da sade e da agua. Uma avaliaao
recent descobriu que o envolvimento das
Assembleias de Distrito era crucial para o
sucesso de tais projects.
As verbas reservadas govemaao serao utili-
zadas para reforar a sociedade civil (8 milhes
de euros) e instituioes de governaao nao exe-
cutivas (4 milhes de euros) para que ambas
possam encetar o dialogo com o govemo local
e agir como "guardias". O financiamento no
mbito do 10.0 FED destina-se especialmente
as organizaoes basicas e rurais. O financia-
mento tambm podera ser afectado, eventual-
mente, a instituioes de govemaao nao execu-
tivas, como o Ghana Audit Service, para ajudar
a reforar as relaoes com o parlamento.

>T


Foram reservados 76 milhes de euros para os
transportes. O sector dos transportes visto
como essencial para a reduao da pobreza. A
UE tem apoiado a elaboraao de um Plano
Nacional de Integraao dos Transportes que
abranja portos, instalaoes portuarias, cami-
nhos-de-ferro e estradas. Com a nova t6nica
na integraao regional, o 10.0 FED tomara em
consideraao a beneficiaao e a construao de
estradas nacionais de modo a fazer do Gana
um centro de transportes regional. Esta ora-
mentada a reabilitaao de estradas nacionais
no Oeste do Gana, mas uma nova construao
s6 sera efectuada aps uma avaliaao social e
ambiental. Se os beneficios forem considera-
dos insuficientes, as atenoes podem ser des-
viadas para outras estradas nacionais, como a
continuaao do corredor leste, indicam os fun-
cionarios da UE.


> e


Dos 21 milhoes de euros remanescentes, espera-
se a afectaao de 9 milhes de incentive ao
comrcio, tendo o Gana assinado recentemente
um acordo de parceria provisrio com a UE.
Espera-se que os funds ajudem o pais a ser
mais competitive em matria de exportaoes nao
tradicionais e possam igualmente ser canaliza-
dos para melhorar a documentaao aduaneira.
Sao afectados 8 milhes de euros da quantia
remanescente gestao dos recursos naturais,
incluindo o reforo dos organismos basicos de
regulaao envolvidos na gestao dos recursos
naturais, e tambm ao apoio da Aplicaao da
Legislaao, Governaao e Comrcio no Sector
Florestal (FLEGT) da UE para limitar a explo-
raao florestal illegal.


Sao tambm afectados 2 milhes de euros do
oramento total migraao, diaspora e
segurana.
Um project como este, referem os funciona-
rios da UE, poderia consistir na compilaao de
um directrio dos profissionais ganeses, regis-
tando os dados das respectivas empresas com
endereos e-mail de acesso facil. Esta igual-
mente prevista assistncia tcnica para melho-
rar a capacidade das agncias de policia e de
migraao na aplicaao da legislaao.
Cinco por cento da populaao do Gana faz
parte da diaspora, calculando-se que, s6 em
Africa, reside um milhao de Ganeses (citado
em Twum Baah 2005) e 189.461 inscritos na
base de dados da migraao da Organizaao de
Cooperaao e Desenvolvimento Econmicos,
nio incluindo a Alemanha. Outros estudos
apontam para a existncia de 600.000 Ganeses
s6 no Reino Unido e na Uniao Europeia.
A diaspora igualmente uma fonte de divisas
substantial, tanto atravs das remessas para o
Gana como do turismo. Muitos Ganeses sao
altamente qualificados e trabalham no sector
da sade no estrangeiro. A construao no Gana
o principal sector de crescimento e parcial-
mente financiada pelas remessas. A lei foi
recentemente alterada para permitir a dupla
nacionalidade aos Ganeses e alargar o voto aos
que vivem no estrangeiro. Em 2006, tambm
foi criado um Ministrio do Turismo e das
Relaoes da Diaspora. Ha tambm mais dois
milhes de euros para um mecanismo de coo-
peraao tcnica.
Alm do pacote conhecido como o pacote 'A',
estao oramentados mais 6,6 milhes de euros
para os dois primeiros anos do 10.0 FED no
pacote 'B', que cobre necessidades imprevis-
tas, como assistncia de emergncia, iniciati-
vas de reduao da divida internacionalmente
aceite e apoio para mitigar os efeitos secunda-
rios da instabilidade nas receitas da exporta-
ao. Como membro da Organizaao Regional
da Africa Ocidental, a Comunidade
Econmica dos Estados da Africa Ocidental
(ECOWAS), o Gana tambm beneficiary do
10.0 program indicativo regional da UE para
a regiao da Africa Ocidental e elegivel para
posterior financiamento, tanto ao abrigo das
facilidades de Energia e Agua da UE como da
parceria UE-Africa no campo das infra-estru-
turas. D.P. I







Palauras-chaue
Gana; FED; ajuda oramental; governa-
o; Debra Percival.








epo


POi


eve haver qualquer coisa que tem
proporcionado ao Gana desempe-
nhar um papel de liderana na
Africa Ocidental, muito embora
nao seja um grande agent econmico. Os
Ganeses orgulham-se de ser muito pacificos e
isso tem-se reflectido no facto de o pais ter
escapado a todos os traumas de guerras civis
que afectaram os seus vizinhos.
Em Abril deste ano, a African Business, uma
revista pan-africana publicada em Londres,
colocava a Nigria em terceiro lugar numa
lista das empresas de pauses africanos mais
cotadas no continent. Entre as 200 empresas
mais cotadas de Africa, trinta sao nigerianas. E
as estatisticas regionais da revista para a Afri-
ca Ocidental sao ainda mais reveladoras. Na
classificaao das 50 maiores empresas da Afri-
ca Ocidental estabelecida pela revista, a
Nigria tem 45 empresas e o Gana apenas
duas. Mais ainda, estas empresas -o Standard
Chartered Bank e o Ecobank Ghana Limited -
nao sao exclusivamente ganeses.
Assim sendo, poder-se-ia pensar que fosse a
Nigria, mais do que o Gana, a desempenhar
um papel de liderana no context regional
dos negocios na Africa Ocidental. Nao isso
que se verifica. Um analista radicado em Acra,
Jos Anyima-Ackah, afirma que, enquanto o
Gana se pode ufanar de estabilidade e cresci-
mento econmicos no interior de um sistema
democratic sustentavel, ja o mesmo nao se
pode dizer da Nigria.
Anyima-Ackah observou que o Gana conseguiu
desenvolver no continent africano e na sub-
regiao um papel central em matria de investi-
mento commercial, o que a Nigria nao tem sido


capaz de realizar. Estes factos incomodam
alguns nigerianos que vem o seu pais como um
gigante incapaz de se assumir como tal.
Vladimir Antwi-Danso, alto investigator do
Centro de Assuntos Internacionais da
Universidade do Gana, diz que "a razao pela
qual o Gana ainda atrai negocios srios, apesar
da falta de grandes agents comerciais, se deve
percepao de que a Nigria um pais corrup-
to. Isso nao significa que nao haja corrupao
no Gana. Ela existe mas de forma subtil, ao
passo que, na Nigria, a corrupo descara-
da, e isso tem ajudado o Gana a exercer um
papel de liderana na sub-regiao, fazendo dele
o exemplo a seguir".

>0

Em toda a histria do pais, o Gana tem sido
um porto de abrigo seguro para a maior part
dos seus vizinhos. Durante as guerras civis da
Nigria, foi em Aburi, uma pequena cidade
fora de Acra, que as facoes antagnicas
encontraram a paz. O Gana concede refgio a
togoleses, costa-marfinenses, serra-leoneses e
liberianos em fuga durante as guerras civis nos
seus various paises. Foi isto que proporcionou
ao Gana algum efeito de alavanca sobre os
outros pauses nos negocios do agrupamento
regional -a Comunidade Econmica dos
Estados da Africa Ocidental (ECOWAS).
Segundo o joralista nigeriano Laide Thomas,
" parte a paz que os Ganeses tomam por
adquirida, o Gana o nico pais da regiao com
capacidade para fazer avanar as coisas. Ha
aprovisionamento de agua sem interrupao na
maior parte das cidades do pais, podendo


dizer-se o mesmo da electricidade. Logo,
quando os responsaveis do Gana falam do rumo
a seguir para qualquer pais, os responsaveis dos
outros pauses ouvem-nos com atenao".
Nao surpreende, portanto, que Antwi-Danso
afirme: "O Gana torou-se num destino para o
estabelecimento de empresas." Dai que a
Comunidade Econmica dos Estados da Africa



o Gana o unico pais

da regio com

capacidade para fazer

avanar as coisas



Ocidental (ECOWAS) tenha decidido implan-
tar o Banco Central do organism neste pais. O
Institute Monetario da Africa Ocidental esta
sedeado no Gana e tudo isto veio demonstrar
que o "Gana desempenha naturalmente um
papel primordial na agenda da ECOWAS".
O papel que continue a desempenhar tem feito
gradualmente do pais um centro commercial da
Africa Ocidental. Tema Port, fora de Acra, tor-
nou-se na base de trnsito para os Estados inte-
riores, como o Burquina Faso, o Mali e o
Niger, e isto "porque o pais abriu as suas por-
tas circulaao de mercadorias e de servios".
F.K.


Palauras-chaue
Francis Kokutse; Cooperao regional;
Gana; ECOWAS; finanas.


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008








eportagem Gana


pouo simpatico (at demais)



Alguns ganeses julgam-se demasiado simpticos. Esta expresso traduz-se por
"Akwaaba" na lingua local, o Akan, e significa "bem-vindos". Reflecte-se no acolhimento


incondicional reservado a quem entra em qualquer casa
nctar que atrai os visitantes estrangeiros quais insects.


no Gana. Esta simpatia o


ara preparar o pais para o subito inte-
resse enquanto destino turistico, as
autoridades avanaram com um
plano ambicioso para atrair pelo
menos 700.000 visitantes at finals do prxi-
mo ano. Tm motivos para estar esperanadas
porque, desde 2005, quando o pais registou
um total de 450.000 visitantes, os nmmeros
tm aumentado anualmente, segundo E. V.
Haean. director do Ministrio do Turismo e
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vras de Wilhelm Koch: "Nao estou desaponta-
do com a minha visit porque as pessoas sao
muito simpaticas e nao parece que estamos
long de casa. Falta um plano coordenado
para tomar o turismo mais aliciante."
Segundo E. V. Hagan, o governor "vai utilizar
os prximos quatro anos para melhorar as ins-
talaoes em todas as atracoes turisticas, de
modo a alcanar este objective. Nesse sentido,
estamos a desenvolver todas as atraccoes turis-







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veis para que o sector do turismo assuma cada
vez mais peso na economic.
"Os hotis existentes cobram demasiado pelos
servios prestados que, de qualquer maneira,
nio sao topo de gama" -referiu Osah
Thompson-Mensah. "Alm disso, as instala-
oes nao satisfazem as necessidades dos visi-
tantes. Trata-se de areas que merecem a aten-
ao das agncias envolvidas no desenvolvi-
mento turistico."


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Gana eportagem
Praa Nana Kobina Gyan, Elmina desde Elmina. Apoiando-se
no passado para criar um future melhor, por E.van
?B Steekelenburg (ed.). www.kit.nl/publishers


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sta dispe de outros trunfos notaveis,
nomeadamente a sua aposta no future
para o seu desenvolvimento econmi-
co: 30% da sua energia de fonte sus-
tentavel com o objective de ser a primeira terra
no mundo a atingir os 100%. Sem contar com
a heleva daq ua paiagent que tantn veqtem






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deviam solicitar os tavores das raras mulheres
ao alcance do seu desejo e estatuto. As origens
variadas das mulheres e a convivncia, desde o
bero, de religies diferentes e estruturadas -
catolicismo, crenas tradicionais malgaxes, hin-
duismo e, mais tarde, islamismo constituirao
o alambique de onde saira uma essncia de cul-
turas, que culminou em esbatimento de precon-
ceitno E-ta miscigenacan rediindnii nima hele-

' .I .. ti .L I l l i' l i i I. i I1

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humans mas tambm uma relative tolerncia,
senao uma abertura religiosa.




A maioria dos chineses da regiao catlica
emhnra cnntinie a praticar certnq ritiiai dn
!11. i i L i i lh NIi.I.i 1.11.1 i lii.l l .i llh h i eilh IiL


LLI .i "i r 'i i l .i ,. i l' ,. : i. ii ii I.iii .i I>.i < il .-i


|ii I.i l j I lus I .il.i i i| ill-.i 11 i jii .%i i t 'i1.1
Il.ili.il ih. 1 .!ii, h ii.! i N .i .i,.ic. ili. i.i .' i . *E
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Illc l I l I I l ril l.l I.j 1 1k l l -
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lili .i j l i i i'i .l.i i C. t i i i l ti i .i 1 ii.i i il i I .iI


F.' ,, l,. -,,:I. H.. ll. . l, ll l ,ll .I,.. l .,1 . .



i "ihll1** ll'i.i i iI.i .' *.i .l h i. 1. i I i .i ,i i ~ lic i1.i
, Hl Il' id .l '. licill jh't il .1 11l1 th .l'IIl t .l

lill.il --*Il[ C1.I .1, 11.1, IL '." C .1 1,!!'.,"
destas, o lanche da tarde de domingo. O que
seria shocking em muitos locais. E proprietaria
de uma loja de roupa interior fina na cidade.
Testemunho mais que eloquente da simpatia e
da hospitalidade dos reunionenses e tambm
da abertura de espirito nas praticas religiosas.
Os mais belos exemplos desta aculturaao reli-
giosa sao provavelmente as mais de 500
peqiienaa capela- de Santo Expedito e-palha-





!hiil h, i l n 1i 1.1.1 ,, lI L il *, Isi !J
i .i i j ** L i. li. i L l L i.1. ii lil' i.i l i ii .i i ill I i.I -.i










1 t i '' i ii i 't iii.' | .i .ii'' ll i i i.l'' .i
, I. i i. il.i. -,, 'N i 11 p c i l... .,i,., 1.1.1
Me.


Reunio 1 escoberta da Europa



administraao francesa nesta ilha durante um
long perfodo. Aps a aboliao da escravatura
(1848) e depois de a colnia ter recorrido ao
servio de "engajados" do Sul da India, da
regiao de Bombaim, da China e, mais tarde, do
Vietname e nao s6, tudo era feito para evitar n
enrailamentn de cnmiinidadeq ciilturnir A Ifn-
'. I11 1 II. l |l l. ~. I 1.1 .** il .I l '.''*ll' .l l ' _,,





-i 'iii.ii .l''i iiI.i' L .i .i ii- iiil.iL .ii i ,i i .i, .i t i iil!!-
Ilii!ii lii 'l li i lrt i i i .i.i .ii i.!i l Ir. i .It i' 'i II itI

.i liii i .i 'l ii. I i I.'i. l 'I I.I '



lilil.i' iI. i ii t i. ijii.il jiii .-! lii c, i iii t a.i




, illi .,,i ,, r11.1 , j i.ii. l .i i' l ' _iah ,' !1 ii i .L .
|.1 h.' .I ld. .llC l 1c '_. .II l .l .l'i l ll' l, t l -
!lll iI, si dC. 1 I .11 l' j l .' ! i c I .' -_ lc '"


mdia para os zori .ii I, i.li .ii .'" '! .'"
filhos de zorys e clie ,, iii s .ii. s cl.inhi Li',
Christophe Tzier icl die C ldi.Li -.i' .lc iii
dos dois diarios !.i. .t i ..'ic i.iii.cl iii .i.-ciii
entende que "a hai iih i.i !l.ic. !ii..i c iiil !.lti
Como prova, ha brancos ricos e brancos
pobres. Na zona mais carenciada da ilha, s6 ha
brancos, os descendentes dos novos cortadores
de cana-de-aciicar ap6o a ahnlicao da e-crava-

"ll!. l ( l .l C.l l!Il!l ll Ihll!l! .I l C *.''lh lll


' i. .1 L i JiiL I l i t- . i i l. i. i .l |ill H [ i. li i .'
cii i i l *.1' i tiii I . I 1 .1 I 111 'i i


j l I II 'IIIC n I,, l c j lPl III \C C,


drii .'ii .li i L t.l h ii. .i!l I

i,. Itc '...... .l . . T p.I.i .

I.11,I, dc ., U. .i ,. i.Fl i iE ,








escoberta da Europa Reunio


Cidade de Saint-Paul. Estatua da Virgem.
Para evitar a distinao cultural da
comunidade: lingua francesa, religiao
catlica e cdigo napolenico imposto a
todos, 2008. Hegel Goutler


Reuniao oficialmente habitada
desde 1663, data da fixaao dos
primeiros colonos propriamente
ditos. Na verdade, os primeiros
habitantes da ilha tinham sido deportados de
Madagascar em 1646 por Jacques de Pronis,
administrator da Companhia Francesa das
Indias, a quem tinham criticado as malversa-
oes em proveito de uma amante malgaxe.
A ilha nao era porm desconhecida. Primeiro,
navegadores arabes, provavelmente egfpcios,
tinham arribado por volta do sculo XII. E a
Dina Morgabim ou Mghrebin dos primeiros
portulanos. Mais tarde, os portugueses, ao
explorer a rota do cabo da Boa Esperana para
as Indias, nao tardam a seguir-lhes as pisadas.
O primeiro deles, no regresso da viagem a Goa
de 1512 a 1516, Pedro Mascarenhas. Donde
o nome de ilhas Mascarenhas partilhado pela
Reuniao com Mauricia e a ilha irma
Rodrigues.
Os navegadores farao ai escala regular, apre-
ciando a beleza da flora e a variedade da
fauna. Em 1638, o capitao Goubert, em nome
de Luis XIII, estabelece a soberania francesa
na ilha entao denominada em francs
Mascarin. Quatro anos depois, a Companhia
Francesa das Indias, criaao do cardial
Richelieu, obtm deste uma concessao por 10
anos tendo, como administrator, Jacques de
Pronis, instalado no Forte Dauphin, em
Madagascar. Em 1649, o capitao Roger
Lebourg, sempre em nome do Rei, apodera-se
da ilha e rebaptiza-a "ilha Borbom". E ele
quem encontrara de boa sade os exilados
dados por mortos que recuperara.




Em 1654, Flacourt, que sucedeu a .ic
Pronis, retoma o velho habito de se
desembaraar dos inimigos. Desta ,
vez a vitima Antoine Couillard
acompanhado de sete volunta- S
nos franceses e de seis criados
malgaxes. Permanecerao quatro "
anos em Borbom antes de fugi-
rem num barco em escala. E,
em 1663, instalam-se
Louis Payen mais um <
companheiro e 10 cria- ./


dos malgaxes. Verdadeiros colonos porque
comearam a desenvolver uma agriculture e
uma pecuaria embrionaria. Posteriormente,
Etienne Regnault, nomeado governador de
Borbom, fixa-se com uma vintena de colonos
em 1665. Tambm sao enviados malgaxes.
O desenvolvimento da colnia faz-se muito
lentamente de inicio. a introduao em 1715


do caf, com plntulas provenientes do Imen,
que a vai acelerar. A Companhia Francesa das
Indias entao um Estado dentro do Estado,
controlando toda a economic de Borbom e
todo o negocio entire a colnia e a metropole,
acumulando lucros fenomenais. a poca em
que o clebre pirata Olivier Le Vasseur conhe-
cido como O Falcao, entire outros, percorria as
aguas do oceano Indico. Em Abril de 1721 ter-
se-a apoderado do navio "Vierge du Cap",
naufragado por um ciclone, e saqueado ouro,
diamantes e pedras preciosas que tera enterra-
do nos arredores da cidade de Saint-Gilles
antes de acabar no cadafalso em Borbom em
1727. Ocasionalmente, diz-se na ilha, certos
proprietarios enriquecem devido s obras de
terraplenagem realizadas na regiao.
Durante quase um sculo, o caf sera respon-
savel por uma fase de grande crescimento
econmico. Depois do caf, a ilha virar-se-a
para as especiarias introduzidas por Pierre
Poivre em 1767.


Entretanto, chega a Revoluao Francesa. O
C6digo Negro, em vigor desde 1685, continue a
assimilar o escravo a um bem m6vel. Ao invs
das Antilhas, nao ha sobressaltos em Borbom
em 1789. O decreto de 4 de Fevereiro de 1794
sobre a aboliao da escravatura aplicado nas
Antilhas, sobretudo em Santo Domingo (Haiti),
foi aqui ignorado. Mais precisamente, ditou uma
"uniao" movida por uma vontade independen-
tista. E isto at ao restabelecimento da escrava-
tura por Napoleao em Maio de 1802. Para coroar
eqte epi~;din em 186 a ilha muda de nome,
pi.i.iii.l.-- .i i.. i.i. "ilha Bonaparte".
r D>)c!i|, !. I c .'i!.i ientativas, os ingleses,
qlc eIuIcI.i.Iii. se instalaram em
Mhl.iii ..i R.drigues, conseguiram
,. uili.~d.Ii .i ilha Bonaparte em
SI 'Il .niiic de a retroceder no
:niili 1.. ..1 Tratado de Paris em
I -1 i i realidade em Abril de
I. I i i.ita em que a ilha reto-
S i.i .i .li.iominaao de Borbom,
,Iii.indo a Frana regressa
.1 monarquia. Mauricia
e Rodrigues permane-
cem inglesas.


rZA


COERREIO

















Durante o sculo XIX, a agriculture evoluiu
para a monocultura da cana-de-acar. O que
causou um crescimento exponencial da popu-
laao que quase duplicou de 1848, ano da ver-
dadeira aboliao da escravatura, a 1869. Ap6s
um period de grande prosperidade chega a
crise aucareira por volta de 1860. Ciclones,
epidemias de cl6era e perturbaoes sociais
contribuem para instalar o desalento. A partir
de 1880, ha uma perda de interesse da Frana
pela Reuniao em proveito de Madagascar.
Opera-se uma tentative de diversificaao, do
acar para a baunilha e as plants aromaticas
para perfume, sobretudo o gernio de que a
Reuniao se tornara o primeiro exportador
mundial de essncia.


Mesmo sem recrutamento os reunionenses
participarao em massa na Primeira Guerra
Mundial: 15.000 voluntarios dos quais 3000
mortos. Na Segunda Guerra Mundial, o poder
local apoia o regime de Vichy, o que lhe acar-
reta o bloqueio ingls. A ilha sera libertada em
1942 pelas Foras Francesas Livres. Mas a
regiao entao subdesenvolvida.
O Partido Comunista Reunionense, liderado pela
familia Vergs, e o sindicato dos ferroviarios
lutarao pela departamentalizaao. Uma estratgia
concertada entire a Reuniao e a Martinica, com
Aim Csaire como porta-bandeira, a Guadalupe
e a Guiana culminara na lei da departamentaliza-
ao de 19 de Maro de 1946.
Os anos 60 serao os da modernizaao. A
Reuniao recuperou o atraso. Tem a aparncia
da sociedade europeia modera, com as suas


Reunio 1 escoberta da Europa



redes viarias, o desenvolvimento das teleco-
municaoes, etc. A Reuniao a unica regiao
monodepartamental de Frana. Existe actual-
mente um project de bidepartamentalizagdo
apoiado pelo partido comunista e uma parte da
direita. Saint-Pierre sera a segunda sede de cir-
cunscriao. Actualmente, Paul Vergs, reeleito
pela esquerda em 2004, preside ao Conselho
Regional (departamento), a instncia que gere
os plans de desenvolvimento da ilha, e
Nassimah Dindar (UMP) preside ao Conselho
Geral (departamento). Um comunista e uma
mulher muulmana. H.G.



Palauras-chaue
Hegel Goutier; Dina Morgabim; Mghrebin;
Ilhas Mascarenhas; Madagascar; Ilha
Borbom; Paul Vergs; Nassimah Dindar;
Ilha Bonaparte.


Uocabulario para compreender a


Crioulos: Gros Blancs, Petits Blancs e Cafres.
Gros Blancs (descendentes dos grandes fazen-
deiros ricos). Petits Blancs (pequenos agricul-
tores das montanhas). Cafres, os negros reu-
nionenses (do arabe i.orI infiel). A distinguir
dos negros nao crioulos, comorianos e maio-
tenses. Os crioulos representam dois teros da
populaao.

Malbars: Indianos (de religiao hindu), os che-
gados depois do meio do sculo XIX como
"engajados" para trabalhar nas plantaoes de
cana-de-acar. Representam 20% da popula-
ao. Na realidade, sao principalmente tmules


da regiao de Madrasta. Sobretudo pequenos
fazendeiros. Alguns enriqueceram.

Zarabes: +/- 5%. Indianos muulmanos princi-
palmente da zona de Guzarate (norte de
Bombaim). Chegados no inicio do sculo XX.
Controlam perto de metade da economic da ilha.

Chineses: Por volta de 1860-1870 e no decur-
so do segundo decnio do sculo XX. Provm
principalmente da regiao de Cantao. Pequeno
comrcio, mercearia e grande distribuiao.
Apenas 3% da populaao. Catlicos e de mis-
cigenaao religiosa.


Zorys: Metropolitanos, quadros e funciona-
rios, peritos num horizonte temporal de curto e
mdio prazo. 6% da populaao.

No alto da pirmide social, os Gros Blancs e
os Zarabes. Em baixo, os Petits Blancs e os
negros nao crioulos. H.G.




Palauras-chaue
Hegel Goutier; crioulo; malbar; zarabe;
zory.


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008































e e. S. d o l o I*









^I 4W ff5ILiJ I lJ I










Surpreendente!


Conversa com Paul Vergs, Presidente do Conselho Regional


home igual a si prprio, do
paleio cultural, nas suas confe-
rncias de imprensa muito apre-
ciadas pela retrica que mantm
em suspense mesmo os seus detractors.
Nesse dia, Paul Vergs manifestava a sua gran-
de preocupaao quanto situaao da Reuniao
que consider "em estado de alerta maximo"
devido ao estado global da Terra. Para concre-
tizar as soluoes que preconiza: o investimen-
to nas tecnologias do future em que a Reuniao
jogou todos os seus trunfos e o co-desenvolvi-
mento com os vizinhos do oceano Indico.
Comeou por cativar a audincia com uma
dialctica subtil sobre os elos existentes entire
a contestaao difusa, aqui e ali, por todo o
mundo, as incidncias planetarias da dicoto-
mia Clinton-Obama, as prximas eleies para


a presidncia da Comissao Europeia, a demo-
grafia mundial, o aumento do numero de tor-
nados nos Estados Unidos e outras perturba-
oes climticas, a mais recent na Birmnia, e
o preo das matrias-primas e do petrleo. A
acrescer s negociaoes dos acordos de parce-
ria entire os Estados ACP (Africa, Caraibas e
Pacifico) e a Uniao Europeia e a mundializa-
ao da economic.
"Perante isso, a Reuniao deve desenvolver-se
rapidamente quando ao mesmo tempo sofre
em cheio os efeitos da mundializaao." Os
agricultores receiam que os acordos de parce-
ria econmica (APE) tragam a concorrncia
dos seus vizinhos e porm parceiros do co-
desenvolvimento preconizado por Paul
Vergs. O sector privado teme a aboliao do
octroii de mer" que autoriza as autarquias


locais da ilha a aplicar direitos de importaao
por mar a certos produtos. E o que acontecera
ao famoso project "Comboio-Elctrico" que
vinha revolucionar a circulaao na ilha, afecta-
do directamente pela subida vertiginosa do
preo da energia e das matrias-primas?
Para nos fazer compreender melhor as suas
estratgias de desenvolvimento para a sua
regiao, a Reuniao, Paul Vergs concede uma
entrevista exclusive ao Correio.

Perante as constatafes a que chega sobre a
situago global que pesa sobre un pequeno
territorio como a Reunido, disp5e de que mar-
gem de manobra?

Uma evidncia para nos na Reuniao a mods-
tia do nosso territorio e a modstia da nossa


CORREIO












populaao. Para a nossa estratgia de desenvol-
vimento, observamos as grandes correntes pla-
netarias e permanentes. Concentramo-nos no
crescimento demografico. ramos 300.000
habitantes em 1946, temos hoje uma populaao
de mais de 800.000. E de um milhao em breve.
Depois, vm as alteraoes climaticas. As nossas
praias sao muito apreciadas, mas ignora-se que
50% dos nossos recifes coralinos morreram e
que, sem eles, as praias desaparecerao. O tercei-
ro grande vector reside no comrcio. A activida-
de primaria da Reuniao incide no ciclo da cana-
de-acar, desde a plantaao extracao do
acar. Como consequncia dos acordos entire a
Uniao Europeia e a OMC, espera-se uma queda
de 36% no preo do acar at 2013. Que fare-
mos depois? Para exportaoes que oram por
400.000 euros, importamos 4.300.000 euros,
tudo isto agravado pelo preo dos transportes.

Nesse caso, quais sao os seus trunfos?

Somos uma regiao intertropical. Esquematica-
mente, o sculo XXI sera o do espao e do
mar. Por um lado, estamos, semelhana da
Guiana, na posiao mais favoravel para a con-
quista do espao. Aqui necessario menos um
tero de energia para lanar um satlite do que
numa base americana. Por outro lado, o mar
o ponto de partida de todas as alteraoes cli-
maticas. Nele existem nichos de investigaao e
inovaao sobre os recursos haliuticos e a bio-
diversidade, por exemplo. A Reuniao uma
regiao ultraperifrica da UE e um departamen-
to francs, por isso temos beneficiado de
apoios estruturais e de transferncias educa-
cionais. Estes tm sido aplicados na formaao
tcnica e universitaria. E avanamos o mais
possivel na tcnica e no conhecimento. Um
dos 10 ciclotres franceses utilizados na inves-
tigaao em oncologia encontra-se aqui. Fomos
afectados por uma epidemia causada pelo
virus chikungunya. Criamos um centro de
investigaao sobre patologias emergentes.
Vamos instalar um sistema de satlites que nos
permit conhecer a evoluao ambiental num
dimetro de 2500 km e prever, assim, as catas-
trofes climaticas como a seca e a erosao do
litoral, a temperature do mar a diferentes
niveis e o estado das colheitas.
Conseguimos que o parlamento francs votas-
se uma das nossas propostas de lei que torna a
adaptaao s alteraoes climaticas uma priori-
dade national. Quando se analisam os resulta-
dos das cimeiras nacionais do ambiente, a
Frana atingiu o nosso nivel de ha dez anos.
Nessa altura, ja querfamos a autonomia ener-
gtica. Antecipamo-nos s disposioes de
Quioto. A Reuniao sera a primeira regiao do
mundo a fornecer 100% da sua energia. Ja


chegamos a 30%, trs vezes mais do que a
mdia da UE. E isto incluindo, entire outras, a
energia hidraulica e a biomassa.
Comeamos a investigar as ondas ocenicas
que "viajam" do Antarctico at virem morrer
nas nossas costas. Apenas Portugal segue
actualmente a mesma pista. Vamos estudar o
dinamismo das correntes para a instalaao nos
funds marinhos do equivalent s turbines
e6licas. Duas experincias similares estao a ser
realizadas, sendo a primeira na Bretanha, em
Frana, e a segunda numa outra regiao euro-
peia. Utilizamos ainda uma outra fora de reac-
ao dinmica, o gradiente de temperature entire
o fundo marinho e a superficie, de 5 a 20 graus.
Alm disso, possivel explorer os cursos de
agua potavel subterrneos que correm a cerca
de cem metros de profundidade. Temos essa
agua. No Havai, ja comercializada em garra-
fa. Encarregamos uma missao de estudar no
local como passar pratica.

Qual a posido dos vossos vizinhos do ocea-
no indico relativamente a estes trunfos no con-
texto do co-desenvolvimento que promove?

A partir da situaao objective exposta, temos
de fazer face mundializaao: ha que transfor-
mar as relaoes entire a Uniao Europeia e os
pauses ACP. Como consolidar a nossa integra-
ao na UE ao mesmo tempo que a do nosso
espao geoeconmico? Por isso, desenvolve-
mos o conceito de co-desenvolvimento. Nao o
de cooperaao que pressupe o estabelecimen-
to de contacts entire um pais desenvolvido e
outro em vias de desenvolvimento. Quando
Madagascar tinha 4 milhes de habitantes, a
Reuniao contava 250.000. Hoje, Madagascar
tem 19 milhes e a Reuniao 800.000. Em
2025, seremos 1 milhao e Madagascar 30
milhes. La para 2050, Madagascar tera 43,5
milhes de habitantes, ou seja 11 vezes a
populaao de 1940. Teremos, pois, s nossas
portas um pais mais populoso do que a Frana
no meio do sculo XX.

Segundo o Instituto Francs de Investigaao
Maritima, os pauses nao ribeirinhos (Europa,
Pacifico) sao responsaveis por 97% da pesca
de grandes pelagicos no oceano Indico. Ora o
nosso desenvolvimento demografico determi-
na uma grande necessidade de proteinas. ,
pois, dever da UE ajudar os pauses do oceano
Indico a construir a sua frota. Passamos assim
do global ao local. Queremos, com os nossos
vizinhos de Madagascar, Mauricia, Seicheles e
Comores, exercer uma actividade de pesca que
seja capaz de suprir as necessidades proteicas
de 40 milhes de malgaxes no prazo de 40
anos. H.C.


Reunio 1 escoberta da Europa



* Artigo 140, no 1, Verso consolidada do Tratado da Unio
Europeia (Tratado de Lisboa) 9.5.2008 PT Joral Oficial da
Unio Europeia C 115/13.
"O Parlamento Europeu exerce, juntamente com o
Conselho, a funo legislative e a funo oramental. O
Parlamento Europeu exerce funees de control politico e
funees consultivas em conformidade com as condiees
estabelecidas nos Tratados. Compete-lhe eleger o
President da Comisso."


Palauras-chaue
Hegel Goutier; Paul Vergs; APE; tecno-
logias; Reunio.









SOIIBRfS H


OBSCURECER


0 SOL

problema mais srio da
Reuniao a taxa de 30% de
desempregados, o que explica,
consider o socilogo Laurent
Mda, uma juventude por vezes desorienta-
da. A maioria das receitas da ilha provm da
ajuda financeira da metropole. As empresas
sao muito amide apoiadas financeiramente
por ajudas da Frana e da Uniao Europeia, o
que redunda na sua falta de competitividade.
Um outro flagelo, frequentemente denuncia-
do pela imprensa local, reside na economic
subterrnea -droga, caa e pesca furtiva,
jogo illegal.
Os motins de Chaudron em 1991 contra a
corrupao, para defender a estaao de radio
e televisao "Freedom", sao expresses de
descontentamento popular. Seguiu-se-lhe
uma "operaao maos limpas". Varios diri-
gentes politicos foram condenados prisio.
Foram atingidas praticamente todas as fami-
lias political. Camille Sudre, simbolo da luta
pela transparncia, foi eleito Presidente do
Conselho Regional em 1992, mas a sua elei-
ao foi invalidada por questes processuais.
Maggie Sudre, sua esposa, foi eleita como
suplente em 1993.
A Reuniao conta 63.000 utentes do rendi-
mento minimo de inserao (titulares de pres-
taoes sociais) e 100.000 analfabetos numa
populaao de 800.000 habitantes. H.C.


Palauras-chaue
Hegel Goutier; Camille Sudre; Laurent
Mda.


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008







escoberta da Europa Reuni o


"Ziskakan?" do crioulo "At quando?". A pergunta era feita pelos artists h 30 anos
quando os pilares da cultural crioula e popular eram mal vistos, a lingua crioula
proibida nas escolas, a msica e a dana traditional (maloya) afastadas dos grandes
teatros, o tambor maldito, assimilado selvajaria. Gilbert Pounia um icone no seu
pais, mas dificil arrancar-lhe um "eu" na converse porque de tudo o que fez, criou
e revolucionou, esbater o prestigio por trs de um "algum" ou de um "nos"
modesto, como uma oferenda a todos os que se aglutinaram sua volta. Trata-se de
extremo requinte mais do que modstia.


xplica que Ziskakan uma corrente vinda de todo o lado, India, panheiros foram ensinar a msica s pessoas do povo, consciencializa-las,
Asia, Europa e nao apenas uma justaposiao. "Como em todas projectando por exemplo diapositivos sobre a Africa do Sul em luta con-
as ilhas, a nossa cultural feita de violaao e violncia, mas o tra o apartheid. "A msica era um suporte da acao. O falar crioulo tam-
que resultou belo, fruto do sofrimento, de varios sofrimentos bm, mesmo para dizer que a montanha era bela, mesmo para jogar a carta
paralelos, que acabaram por se juntar. O Ziskakan reflect o pais." do tradicionalismo e do folclorismo." a lingua em si que era vitima de
Mais do que uma banda, o Ziskakan um movimento. Criado ha trinta um ostracism que a perseverana do Ziskakan e de outros grupos, que
anos, o grupo de Gilbert Pounia comeou por tocar as msicas locais, seguiram as suas pisadas, iria obrigar a atenuar e depois a desaparecer.
sega e maloya. Antes disso, esta mal era tolerada, quase proibida. Graas O Ziskakan trabalha desde o inicio em muitas vertentes, desde a difu-
a uma mobilizaao que envolveu cada vez mais reunionenses, "a nossa sao musical, a ediao de livros de poesia, de contos tradicionais, adap-
cultura saiu da clandestinidade". poca, era um escndalo ver o tam- taao para o teatro de muitas obras do acervo traditional. E logo a par-
bor numa cena official. Seria considerado como uma provocaao. tir das primeiras oportunidades, Gilbert Pounia ia beneficiary do movi-
No inicio, o grupo tocava nos canaviais de cana-de-acar. Ele e os com- mento das radios livres para dar a palavra a todos, retirar a mordaa


CORREIO








escoberta da Europa


imposta cultural popular. Aproveitou para dar a conhecer artists de
outras parties como Joby Bemab da Martinica, Toto Bissainthe do
Haiti, Patrick Victor das Seicheles.
Um grande colquio organizado pelo Ziskakan sobre a cultural reunionen-
se, em 1981, cristalizou as vontades numa nova compreensao da nature-
za profunda desta terra. E, na senda da chegada ao poder da esquerda em
Frana, o movimento amplia-se, mas a part mais important estava feita.
"Quando a esquerda chegou, o caminho estava desbravado. No entanto,
a vitria da esquerda encheu-nos de esperana."
O Ziskakan optou entao pela experincia political? "Caso se refira
Jimmy Hendricks Experience, sim, sorri Gilbert Pounia. Nao, somos ape-
nas guitarristas. Continuamos a fazer o que faziamos antes, tocar, traba-
lhar o crioulo e criar imagens ainda mais belas nesta lingua tao colorida."
Em contrapartida, os politicos adoptaram o Ziskakan a partir de 81. Antes,
s6 o Partido Comunista o tinha ousado. Daf em diante, as portas das salas
de espectaculos comearam a abrir-se. "E depois, Philippe Constantin da
Polygram gostou do nosso trabalho e foi o primeiro a editar-nos em gran-
de escala. O seu interesse era surpreendente porque nao s6 nao entro em


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moldes como nao estava disposto a formatar a minha musica de modo a
caber nos tres minutes regulamentares para passar na radio."
Volvidos trinta anos, o Ziskakan tem o mesmo sucesso na Reuniao.
Gilbert Pounia continue a ser venerado. O grande actor francs, "o nosso
amigo" Richard Bohringer, anda em digressao com um dos seus espec-
taculos de contos, Ti Jan, criado em crioulo e adaptado para francs. O
Ziskakan edita e produz tambm artists de todo o Oceano Indico, como
o poeta Michel Ducasse e a escritora Shenaz Patel da Mauricia. Prepara-
se para editar um livro de um filosofo malgaxe. H.C.


litimo album dos Ziskakan: "Banjara", Ziskakan, Maio 2 '- .., ,**,
ce.com/ziskakan
Contact em Frana: lesboukakes@hotmail.com
Na Reunio: mkm.wazis@wanadoo.fr


Palauras-chaue
Gilbert Pounia; Ziskakan; crioulo; Richard Bohringer; Toto
Bissainthe; Joby Bernab; Patrick Victor; Michel Ducasse; Shenaz
Patel; Reunio; Hegel Goutier.


v,.. ,


i'li


i J' Comentrios de Patrice Louaisel* apresentados por Hegel Goutier


Il%,, .,, ,.I,' CI Iill! Il .ie l_.Itl., LI], t..l
,' i d t1 I ll !' .l! lII Li I Pi .ll

i iill I. t ill ** i 1 .C i i 11. in .id .l'.1 1
.II J ll.F lhli!i cl C 1.1 IIL ** i c I ll .illi
.Ii llii.iiih.iJd u Eliii!ci. Rci !.iii !i ll il t iiii 111i

I., dn i!hicli ,ii ,I!, I N .i. I i.' cin .- ri il lnii -
111.1 i ll11 *i' .11 .111.i 1 I .1 111.11 I i [ l l tIIl -.i l .1 Cil
I.I ll 'l !, ',! J l .llh ll, .I h .1 C' lll ,.Id.I T1 l Ih

!* il, .! t .ii ii ili i t. i I l. iii i. .l.l i N' i.l t llh l i


'.i1r.i11 .ii t ( )I ..ii i' I Ii .ii, ,

i'1.1 tii C il11 .1, t i. l i ,, .clit i 11.1 !!' i,! .
ti. i .i1 .li (' i .i I lh l'. l '.i Iil i '1 F iii. .''

i..i 1 1i1. i I 11i.i 1 l1 i .l11l.ii l i 1 I I l ll.i .l I 11.11
I1"' I ll i. i' |i .1 Ill l C i' ll. i . i l i Illi l c l. -


'-1.11 F i .I !l l. i'lllh .l l ll. Lt n 1|..l 1.l .111 j
( ,,lh 1 i .li .ld .i .1 bi ll ll i .h .l' l Td, 1- h
i. J T l! .c I.i I
C'.lJ .I l\ Lt >, p.Il,. ,il I c! IIh 11 .1 l !. 1 1 .111
l.i/i.. r .l illlllhrIli.' i i .l.i .4A '.i !!! i ..i !i -
I.iil!.ii.ii. i r.il .l 'r., |ii 'i .,! l., l' Ih -'nl .
!i .111 1 .l i i. i I i111 i.ih i c 'i i .i dei A!! I .i

> Santo Expedito uenerado,
inesperadamente, por cristaos e
hindus


! ill ii Li i .i i i ii t JL I i ii [ i -'tI L. t t.ii i .i



l11 I*l' i *l I ll 1 1 *III. l 'I 1 '' I l ll .1 II l l.1
'.,d ii ll l!' I .1 h I'I ,.,l :hlul h ,I ,Ii th i i !' ,,! ,,..-


llii. ll ni" l i l, | ..i m r li C, r P. l.. .. .l
li 1'iii I .ii l ii l i' . l il .i! i. .l li t 'l. c -

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escoberta da Europa Reuni o


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imagine, no que parece um circulo de perto casse tumulto quando se viram bloqueados pela no conhecido como Ging blitri. edificios
de 200 quilometros, praias abrigadas em policia com receio de derrocadas. elegantes e magnificos locais de culto, a cate-
enseadas que se reflectem na superficie Logo, na montanha, neve... ou fogo. O Piton dral, a mesquite, os templos tmules, os pago-
espelhada da agua ou dissimuladas como de la Fournaise fervilha, o vulcao esta activo des budistas, igrejas varias. Os Hauts de Saint-
piscinas por tras das linhas rochosas que as pro- ha anos. A lava da ltima erupao, vai para Denis estao repletos de espaos tranquilos
tegem da ondulaao. E, distncia de alguns dois anos, ainda esta rubra em certos locais. entire imveis de prestigio com vista para o
hectometros, outras com vagas impetuosas Nao deixe de ver a igreja de Santa Rosa, que mar, como os da universidade.
desafiando a audacia dos surfistas mais aguerri- escapou milagrosamente ao monstruoso rio de No Sotavento, a Oeste, magnificas paisagens
dos. Volte as costas ao mar e suba montanha lava da erupao de 1977. Como testemunho, campestres parecem protegidas do burburinho
sempre prxima, onde corre uma brisa fresca preservada a lava consolidada, recolhendo a modero, como o Moulin eau (moinho de
entire a folhagem como nos pauses temperados. devoao dos peregrinos. agua) de Saint Paul, situado numa aldeia em
Tambm cai neve no Piton des Neiges, como o Todas as parties da ilha sao dignas de uma visi- que o tempo parece ter parado. Um pouco mais
prprio nome sugere, ainda que de 20 em 20 ta. A comear pela capital Saint-Denis, simul- adiante, estendem-se belas praias, das quais
anos. A ltima vez, no ano passado, pouco fal- taneamente francesa, indiana e mestia, com Saint-Gilles-Les Bains uma das preferidas. E
tou para que a grande afluncia de curiosos que as suas belas cases (casas) crioulas, vivendas basta subir um pouco para ficar inebriado com
faltaram ao trabalho para admirar a neve provo- coloniais (construidas num belo estilo vitoria- o perfume dos gernios. Ainda mais acima


56 CO6"RREIO








escoberta da Europa


encontram-se trs bacias vulcnicas que consti-
tuem o Piton des Neiges com as suas mltiplas
cascatas, como o Voile de la Marie (vu da
noiva). E basta subir um pouco para ficar ine-
briado com o perfume dos gernios. Ainda mais
acima encontram-se trs bacias vulcnicas que
constituem o Piton des Neiges com as suas ml-
tiplas cascatas, como o Voile de la Marie (vu
da noiva). Entretanto, nao deixe de admirar
Sainte-Suzanne, frente das eventuais brumas
e das chuvas torrenciais de Salazie, com os seus
campos de cana-de-acar prostrados sombra
de majestosos templos tmules.
Para a baunilha, a variedade Borbom, a
melhor do mundo segundo se diz, ha que ir
mais para sudeste do lado de Basse Valle e
aproveitar para admirar os multiplos nos de
lava do vulcao. Mas os magnificos aromas e as
belas cores da natureza persegui-lo-ao onde
quer que va, a fantasia das minsculas flores da
antigona cor-de-rosa ou branca, hibiscos, todo
o tipo de fetos, vetiveres, orquideas -familia a


que pertence a baunilha -sem esquecer as
notas magicas e capitosas do ilangue-ilangue.
Todas estas visits abrem o appetite. Quanto s
curiosidades gastronmicas, podera parar em
Saint-Paul perto do moinho para provar um
tanreque, mamifero da familiar do ourio, gui-
sado ou com caril. Tudo isto regado com vinho
da regiao de Cilaos, ou com a sua agua mine-
ral. Pode confiar nos tibars ao long das ruas
ou das estradas. A qualidade e a limpeza sao
garantidas. Um outro caril original o de
bichiques, alevins de caboz ou de bouche
ronde ("boca redonda") que vivem no mar e
sobem os cursos de agua. o caviar local, pro-
duto relativamente caro que as papilas gustati-
vas muito apreciam. H.G.


Palauras-chaue
Hegel Goutier; Piton des Neiges; Piton de la
Fournaise; baunilha Borbom; tanreques;
bichiques.


Quase 2 mil milhes da UE para


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Bamaco.





























ue: miroir.?


Ndary L, Green wall, Dak'art
2008 'Afrique: miroir?'
Foto por Valentina Pen


Como em todas as bienais de arte, o encontro no Senegal com o Dak'art o nico
project pan-africano de arte contempornea no mundo um project
extraordinrio a no perder e um magnifico pretexto para visitar um dos centros
culturais mais palpitantes de Africa. Criado pelo famoso poeta, intellectual e fundador
senegals, o Presidente Lopold Senghor, que foi o author do "Festival des Arts Ngres"
em 1966, para promover a cultural afro-central modern em confront director com o
colonialism europeu, o Dak'art foi redinamizado no final da dcada de oitenta.


A ediao deste ano, intitulada 'Afrique: Miroir?' ("Africa:
Um Espelho?"), abriu de 9 de Maio a 9 de Junho e foi
maior e mais interessante do que nunca. Incluiu nao s6
artists provenientes de toda a Africa, mas igualmente pro-
jectos paralelos envolvendo o design, a moda e a msica de Africa,
assim como conferncias e debates sobre um vasto leque de projects
culturais intemacionais, inclusive os novos meios de comunicaao
social.
> 130 exposies para um project senegals
A "vernissage" official no Museu T. Monod (IFAN) foi inaugurada pelo
prprio Presidente Wade, que defended eloquentemente a importncia
da cultural contempornea no Senegal como um instrument de coope-
raao intemacional e de desenvolvimento national. Naturalmente, este
project senegals, financiado e organizado por um Comit Directivo
chefiado por Ousseynou Wade e presidido pelo recm-chegado Grard
Senac, coleccionador e protector de arte, director da Eiffage, uma das
empresas mais importantes do Senegal, e patrocinador do Dak'art.
Fazem parte do grupo: Gilles Hervio, Chefe da Delegaao da Comissao


Europeia, Thierry Raspail, Director da Bienal de Liao, em Frana,
Goran Christenson do Museu de Malm, na Sucia, bem como muitos
especialistas e artists africanos, tais como Abdoulaye Konat,
Sithabile Mlotshwa da Fundaao Thamgidi, o professor de arte,
Maguye Kass, e o maestro agit-prop, Issa Samb.
Com mais de 130 exposioes em toda a cidade e nas regies perifri-
cas, a exposiao foi dividida em sitios oficiais 'in' (IFAN, o Museu
Nacional de Arte, e a recentemente restaurada Galrie Le Mange), que
inclui uns 35 artists estabelecidos, como Fathi Hassan e Ndary Lo,
assim como uma mirfade de situaoes 'off', assistidas por Mauro
Petroni, resident ha muito tempo. Um novo complex arquitectnico
extraordinario criado em Cornice foi o local para uma retrospective
important para o grande mestre senegals Iba Ndiaye. Este ano tam-
bm foi interessante, com "Regards sur course onde abriram ao pbli-
co durante o fim-de-semana cerca de 50 courtyards privados (incluindo
a vivenda de George Soros!) na Ilha de Gore, cada um acolhendo um
artist. Foi estimulante uma acao paralela na oficina do famoso artist
M. Dim, em Gore, mostrando jovens artists de Dacar, em video,
ligados Dimensao Livre, uma plataforma international que liga as
comunidades artisticas justia social.


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008


1u1


'fi


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Criatividade



> Um ponto de encontro uerdadeiramente
international

A base das operaoes deste ano foi uma "aldeia" hospitaleira, construi-
da na ex-IFAN, onde jornalistas e pblico podiam encontrar-se e cum-
primentar-se, ver uma srie de videos e participar em varios encontros
com personagens notaveis, como o conservador de museus e escritor
Simon Njami (criador de "Africa Remix", director de "Rencontres afri-
caines de la photographic" em Bamaco, Mali), o angolano Femando
Alvim (organizador do pavilhao de Arte Africana na Bienal de Veneza
do ano passado), e Salah Hassan do Forum dos Artistas Africanos.
Igualmente interessantes foram os contacts com artists e jomalistas
do Senegal, como o famoso cartonista T.T. Fons, criador de
"Goorgoorlou". A vivenda de arte Ker Thiossane acolheu um festival
interessante intitulado Afro Pixel, baseado na participaao de artists
africanos que utilizam a Internet e meios multimedia digitais. Elio
Grazioli, de Milao e "Lettera 27" chefiou um debate sobre a criaao de
WikiAfrica Art concebida para a Wikipedia.
Dak'art um local verdadeiramente intemacional e houve exposioes
de artists provenientes de Espanha, Alemanha, Frana e Ilhas
Canarias, bem como de Israel, em muitos locais. Obviamente, o
Senegal e os seus artists foram protagonistas importantes: uma das
exposioes mais qualificadas foi instalada e executada por uma s6 pes-
soa -V. Diba -na galeria de Joelle Le Busy Fall.
Como nos anos anteriores, a extraordinaria designer de moda Oumou
Sy organizou, nao apenas um, mas tres espectaculos de moda separa-
dos, com jovens designers senegaleses, bem como a sua prpria obra
tudo no seu espao Metissacana. O "Thtre National Daniel Sorano"
apresentou uma obra original, "La Mort et l'Ecuyer du Roi", de Wole
Soyinka, e varios clubes nocturnos, como Just for You e Pen'Art, foram
destinos para os que desejavam terminal a noite com msica e dana
locais. M

*Perita de arte e director da Galeria de Arte "Sala 1", em Roma (Italia)


Palauras-chaue
Dak'Art 2008; arte contempornea; Senegal.




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CORREIO







Criatividade


1~A PIANTM~iON


1 Joshua Massarenti


Capa da ediao italiana de I
"A Plantaao", por Calixthe Beyala |


os HnTI-HEROIS


do Zimbabu em



p de igualdade


A PLANTAAO*


C olocar Clark Gable e Vivien Leigh,
protagonistas inesqueciveis do
filme E tudo o vento levou, na capa
de um romance africano sera uma
escolha editorial no minimo inesperada. E, no
entanto, na sua vontade de ilustrar a obra de
Calixthe Beyala, La piantagione (traduao de
La plantation, Albin Michel, 2005), com o
mais clebre dos beijos cinematograficos, a
editor italiana Epoch limita-se a insinuar o
que, paginas a fio, surge como um dos temas
centrais do livro da romancista camaronesa: o
destino de uma jovem africana branca, Blues
Cornu, confrontada com a derrocada de um
mundo de privilgios erigido sobre os mean-
dros da discriminaao racial. A semelhana de
Tara, avassalada pela Guerra de Secessao dos


Estados Unidos da Amrica (1861-65), a fami-
lia Cornu tera, tambm ela, de passar pelos
sobressaltos da Histria. No Zimbabu do
presidente democraticamente eleito por toda
a vida" (o seu nome nunca citado), o ano
2000 anuncia o fim prximo dos riquissimos
agricultores brancos, forados a abandonar o
pais para ceder o lugar aos negros africanos. E,
tal como Scarlett O'Hara, Blues prefer as ter-
ras aos homes, convencida de que "amanha,
sera um novo dia". Mas as semelhanas ficam-
se por ai. Enquanto na produao de Hollywood
os negros nao sao mais que acessrios, La
piantagione nao atribui aos brancos os primei-
ros papis. E certo que Calixthe Beyala,
conhecida pela sua luta contra o racism euro-
peu, toma desta vez o partido dos colonizado-
res, mas isso corresponde sobretudo a um
designio manifesto de descrever um panorama


onde "s6 ha anti-heris". Os desastres acumu-
lados por Mugabe no process de expropria-
ao dos fazendeiros brancos levaram a escrito-
ra a nao retratar um mundo maniqueista.
"Nenhuma personagem", assegura, " limpi-
da. Alias, todos os series humans tm zonas
de luz e de sombra". Com La piantagione,
Calixthe Beyala fugiu armadilha das identi-
dades raciais, traando retratos de homes e
mulheres unidos pelo amor ao continent afri-
cano. Para o bem e para o mal. M
* No moment da recent publicao em Italia do ultimo
romance de Calixthe Beyala, La piantagione, Epoch, 2008
(La plantation, Albin Michel, 2005).

Palauras-chaue
Calixthe Beyala; Zimbabu; literature;
racism.


ftletismo jamaicano:



um model para o MUrDO


medalhas de ouro, vinte e quatro de

Desde 1948, a Jamaica ganhou sete
prata e dezanove de bronze em
Jogos Olimpicos. Neste ano olim-
pico, o jamaicano Patrick Robinson examine,
num livro que vem mesmo a propsito, o que
fez dos Jamaicanos atletas tao excepcionais.
"O que foi realizado com poucos ou nenhuns
recursos", disse Robinson por ocasiao do lan-
amento da sua publicaao em Bruxelas do
Jamaican Athletics: A model For the World
(Atletismo jamaicano: um model para o
mundo). Robinson juiz do Tribunal Criminal
International de Haia, mas um fervoroso adep-
to do desporto. Robinson afirmou que o siste-


ma que tem sido desenvolvido na Jamaica,
atravs do Interscholastic Championships
(CHAMPS), a mola do sucesso a nivel junior.
A nivel senior, antes dos anos 70, muitos atle-
tas jamaicanos promissores costumavam ir
para os Estados Unidos. O College of Arts
Science and Technology (CAST), antes de se
tornar na Universidade de Tecnologia
(UTECH), preencheu o vazio. "Vejo uma enor-
me oportunidade para a Jamaica se tornar num
centro do desporto e servir como centro des-
portivo global", disse o autor. D.P. M

Jamaican athletics a Modelfor the World por
Patrick Robinson.


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008




















































H a tempos, Dany Laferrire dera-
nos esta resposta: "Escrevi livros
para ter mulheres e ganhar dinhei-
ro. Tive muitas mulheres e ganhei
muito dinheiro, nao agora que me vou limi-
tar a ser escritor."
O autor de sucesso de Comment fire l'amour
avec un .'. '.* sans se fatiguer impression
favoravelmente mais uma vez. Depois da srie
de obras em que tanto fez rir como chorar,
inventando um romantismo sem pieguice, sem
crinolina, que vai de L'odeur du caf ao
Charme des aprs-midi sans fin, votara-se a
outros exercicios: conjugando guiao, livro e
filme como o seu Vers le Sud. Mas, sobretudo,
ilude o leitor.
Antes de mais, faz crer que s6 fala de si pr6-
prio. Em Je suis un crivain japonais, ele -ou
a personagem que fala na primeira pessoa
como numa autobiografia -responde a um
funcionario da Embaixada do Japao que lhe
perguntava se estava mesmo a escrever sobre
o Japao: "Escrevo sempre sobre mim prprio."
E isto passa-se depois da morte de uma baila-
rina japonesa que se lana da janela do seu
apartamento. Os agents da policia montada
canadiana tambm investigam. O autor (ou a
personagem) fala da sua vida no Haiti, no
Canada. Em primeiro lugar, o que o levou ao


project de um livro, cujo titulo seria Je suis
un crivain.japonais. Para receber um adianta-
mento de dez mil dlares do seu editor, atirou-
lhe de chofre o primeiro titulo que lhe passou
pela cabea.
Depois, teve de escrever. Visita locais suspei-
tos, o caf Sarajevo com as suas trridas baila-
rinas japonesas quase perversas, quase
demiurgas. Acaba por adoptar Basho (1644-
1694), cuja obra tinha vagamente estudado no
passado, fazendo sua a narrative de La Route
troite vers les districts du Nord. Entra literal-
mente no livro. Ou talvez este monge ardiloso,
poeta vagabundo, tenha encamado nele. De
resto, pagara caro as suas divagaoes entire
Basho e as japonesas do "Baisers
Incorporation" no Sarajevo. Suspense!
Quando Laferrire -ou a personagem a que
chama eu -fala de si, fala da vida, do essen-
cial, do amor, da morte. Fala sobretudo de
todos nos. Improvisando. Ao som de um jazz
cadenciado com muito swing como um xtase,
um prazer. Embala e intimida.
Quis falar do livro sem ter lido as ltimas pagi-
nas, nao correndo, pois, o risco de revelar a
chave do enigma, se houver enigma. Por isso,
nao sei em que histria me meti. Mas que his-
t6ria! Desculpe, vou acabar de ler o livro.
H.G. M


DlANY L H 1 !! p I




Je suis un

ecrivain jal)ontiIs


Je suis un crivain japonais, Dany Laferrire,
268 pp., 2008 Editions Grasset, Paris, Frana


Palauras-chaue
Hegel Goutier; Dany Laferrire; Haiti;
literature; japons.


CORREIO






e ara os mais jovens


TEMOS FOME!


Por Didier Viode


CAROS TrESPECTAtORE, ..*A SU91VA P5;r=NFFrRFA 17s PREOS 17O0 6MPIRO5
ALIMENTIC1OS PC-SfCAV'AOP MANipISTACOr=
VIOLENtAS rcf1 VARIOUS PAISE5 Pr: APRICA...
______ ______ ______ __ .,


OS PRCOS PO PETR61-9O, PO
ARROZ PO 1M'ILHO E lVO TRI6O
i PARAM PE SUpIR.


-MO mOmEf'4tO cm fi Que CUL IVAM
CC-RFAIS PARA CIRCLILAR LIMPAMEPIEc..


N. 6 N.E. JUNHO JULHO 2008







forreio do leitor







l palaura



oos leitores!


Achei os artigos sobre Timor-Leste muito
teis. Ando ha algum tempo a fazer alguma
pesquisa sobre Timor e a leitura destes artigos
tem-me ajudado bastante. Estou convict de
que o apoio ao desenvolvimento dos pauses do
sol levante a melhor maneira de ajudar.
Obrigado pela publicaao.
Yurithzi

Acho os artigos publicados na Ediao Especial
n. 1 ("50 Anos de Cooperaao ACP-UE")


muito instrutivos. Infelizmente, no meu pais
natal, tanto quanto sei, nao ha publicaoes
sobre estes temas e, em geral, as pessoas nio
sabem quase nada de Africa. Mesmo agora
que integramos oficialmente a UE, nao creio
que haja quaisquer iniciativas destinadas a aju-
dar os pauses ACP e, no meu entender, a razao
disso que, pondo de lado a arrogncia de
alguns politicos, as pessoas costumam consi-
derar o pais como um beneficiario de progra-
mas de assistncia e nao concebem que possa-


Estamos interessados
na sua opinio
e nas suas reaces aos
artigos desta edio.
Sendo assim, diga-nos
o que pensa deles.

mos ser um pais doador e que possamos real-
mente "exportar" a nossa experincia para
executar um project. De qualquer forma,
penso que o primeiro passo, e provavelmente
o mais important, procurar conhecer os paf-
ses ACP.
Rumyana Dobreva

Obrigado por tudo o que estao a fazer.
Crescent Mwebaze


Ene.eo 0e Crei 4, u d-e Trve 1040 1040 Brxea (Bic.
Sii e b: .. S S S euouie.if Sori Slcr io ww .ScpeuS S.n


flgenda

Junho Julho 2008


flgosto de 2008
> 19-21 Reuniao Anual do Forum do
Pacifico, Niue

Setembro
> 1-4 Forum de alto nivel sobre
a eficacia da ajuda,
Acra, Gana

> 8-11 13" Sessao da Assembleia
Parlamentar ACP
Encontro dos parlamentares da
Africa, Carafbas e Pacifico.
Bruxelas, Blgica

> 12-13 Forum "Media e
Desenvolvimento"
Ouagadougou, Burquina Faso

> 15-18 4' Reuniao dos Ministros das
Finanas ACP,
Bruxelas, Blgica


1 '1


EUROPEAN DEVELOPMENT DAYS
luiS*ourg t 15.17 isvuibel 20e ouIe.*mTs .&


Outubro
> 2-3 Cimeira dos Chefes de Estado e de
Governo ACP, Acra, Gana

> 16-18 Cimeira da Diaspora Africana,
Africa do Sul

> 27-30 Segundo Forum Global sobre
Migraao e Desenvolvimento
Manila, Filipinas

nouembro
> 15-17 Reuniao em Estrasburgo das
Jornadas Europeias do
Desenvolvimento de 2008
Estrasburgo, Frana, a cidade
anfitria da terceira ediao das
Jornadas Europeias do
Desenvolvimento (JED).
O forum annual organizado pela
Direcao-Geral do
Desenvolvimento da Comissao


Europeia. As autoridades locais e o
desenvolvimento o tema do even-
to deste ano. www.eudevdays.eu

> 24-27 16" Sessao da Assembleia
Parlamentar Paritaria ACP-UE
Reuniao bianual dos parlamentares
ACP com os seus homlogos do
Parlamento Europeu
Port Moresby, Papua-Nova Guin

> 29-3 Conferncia sobre o Financiamento
do Desenvolvimento: revisao do
consenso de Monterrey, Doha, Catar

Dezembro
> 4-5 Chefes das Organizaoes dos ACP
para a Integraao Regional,
Bruxelas, Blgica

> 11-12 88" Sessao do Conselho de
Ministros ACP, Bruxelas,
Blgica M


CORREIO