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Correio (Portuguese)
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 Material Information
Title: Correio (Portuguese)
Physical Description: Serial
Language: English
French
Portuguese
Spanish
Publisher: Hegel Goutier
Place of Publication: Brussels, Belgium
Publication Date: 09-2007
Copyright Date: 2007
 Subjects
Genre: serial   ( sobekcm )
 Record Information
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
System ID: UF00095067:00008

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A REVISTA DAS RELAOES E COOPERAAO Er


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CORREIO
A REVISTA DAS RELAOES E COOPERAO ENTIRE
AFRICA-CARAfBAS-PACfFICO EA UNIAO EUROPEIA


Comit Editorial
Co-presidentes
John Kaputin, Secretrio-Geral
Secretariado do Grupo dos pauses de Africa, Caraibas e Pacifico
www.acp.int
Stefano Manservisi, Director Geral da DG Desenvolvimento
Comissao Europeia
ec.europa.eu/development/

Equipa editorial
Director e Editor-chefe
Hegel Goutier

Colaboradores
Franois Misser (Editor-chefe adjunto),
Aminata Niang, Debra Percival

Editora assistente e produao
Sara Saleri

Colaboraram nesta ediao
Marie-Martine Buckens, Sandra Federici,
George Lucky, Joan Ruiz Valero, Tsigue Shiferaw

Relaes Pblicas e Coordenaao de arte
Relaes Pblicas
Andrea Marchesini Reggiani
(Director de Relaoes Pblicas e responsavel pelas ONGs e especialistas)
Joan Ruiz Valero
(Responsvel pelas relaoes com a UE e instituioes nacionais)

Coordenaao de arte
Sandra Federici


L


ENGHOR
'


0 nosso parceiro

priuilegiado:

o ESPACE SE1GHOR

Situado a dois passes das
Instituies Europeias, num
bairro mestiado, o Espace
Senghor criou, no decorreu dos
anos, a sua reputao de centro
cultural important, que prope um
panorama cultural equilibrado
sobre o desenvolvimento.
O centro assegura a promoo de
artists oriundos dos pauses de
Africa, Caraibas e Pacifico e o
intercmbio cultural entire comuni-
dades, atravs de uma grande
variedade de programs, indo das
artes cnicas, msica e cinema
at organizao de confern-
cias. um lugar de encontro de
belgas, imigrantes de origens
diversas e funcionarios europeus.


Espace Senghor
Centro Cultural Etterbeek
Chausse de Wavre, 366
1040 Etterbeek (Bruxelas)
Blgica
Tel: +32 2 2303140
E-mail:
espace.senghor@chello.be
Site:
www.senghor.be


Paginaao, Maqueta
Orazio Metello Orsini
Arketipa

Gerente de contrato
Claudia Rechten
Tracey D'Afters


Capa
Igreja Sao Jorge de Lalibela.
Foto de Franois Misser.


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0 Correio
45, Rue de Trves
1040 Bruxelas
Blgica (UE)
info@acp-eucourier.info
www.acp-eucourier.info
Tel: +32 22374392
Fax: +32 2 2801406


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Editor responsivel
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Gopa-Cartermill Grand Angle Lai-momo
A opinio express dos autores e nao represent o ponto de vista official da Comissao
Europeia nem dos paises ACP.
Os parceiros e a equipa editorial transferem toda a responsabilidade dos artigos escritos
para os colaboradores externos.







O N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007





CORREIO
A REVISTA DAS RELAES E COOPERAAO ENTIRE AFRICA-CARABAS-PACiFICO E A UNIAO EUROPEIA



Indice
O CORREIO, N 2 NOVA EDIO (N.E.)
EDITORIAL NOSSA TERRA
Desenvolvimento A magnificncia do sol 38
i. ;i, ..';. quando tudo evidence! 3
REPORTAGEM
EM DIRECTOR Etipia
Os Grandes Lagos: Aldo Ajello, o arauto da paz 4 O estaleiro do milnio 40
PERSPECTIVA L'UE "principal partenaire de dveloppement" 43
DOSSIER
Florestas tropicais: A Leste, novidades no caminho-de-ferro 45
oportunidades e riscos para os passes ACP
Um tesouro ameaado 10 Combater "a fome verde"
na "Etiopia feliz" 48
Florestas sob alta vigilncia 13
Do mito nova vaga 48
ACP: um mosaico de florestas 17
Os senhores da corrida 51
INTERACES
Nada de especulaao sobre o future dos ACP 19 DESCOBERTA DA EUROPA
Portugal
Empresarios dominicanos. Portugal
A imaginao dos mais novos Portugal: o desejo dos outros serve de bussola 52
A imaginaao dos mais novos 21
JED: manter a meta do desenvolvimento Comentarios sobre a Hist6ria,
face s alteraoes climaticas 22 a cultural e a geografia 54
Jornadas Europeias do Desenvolvimento: Objectivo principal do Algarve:
Clima e Desenvolvimento: que alteraoes? 24 a descentralizaao para melhor desenvolvimento 55
Africa, prioridade da political extema da Encontro com Antnio Pina 58
Presidncia da UE 25
Conservaao de um patrimnio natural e vivo.
Fez: um trao de uniao UE-Africa 27 O cao de agua 57
Migrantes africanos viram-se CRIATIVIDADE
para o desert e para o mar 28 Africa em Veneza 58
Agenda 31
"Pintura popular" de Kinshasa 80
COMRCIO
A negociaao dos acordos de parceria econmica Adoramos... Vida e obra de
ACP-UE saiu do coma 32 Jean-Claude "Tiga" Garoute,
pintor, poeta e demiurgo 61
"Nao existe um plano B", afirma
o Comissario da UE, Louis Michel 33 Le people n'aime pas le people 61
Falando dos APE... 34 Adoramos... A vida e a obra
de Sembne Ousmane 82
EM FOCO
Um dia na vida de Ben Arogundade, PARA OS MAIS JOVENS
londrino de origem nigeriana 38 Clube Cotonu contra a pobreza 63





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editorial


uando tudo evidence. Que um museu de
Arte Moderna -um dos mais prestigio-
sos do mundo, o Tate Modern de
Londres -reserve uma das 15 salas da
sua exposiao "The States of flux (Cubismo,
Futurismo e Vorticismo)" sobre as grandes correntes
da arte que edificaram o pensamento artistic do scu-
lo XX a cinco artists congoleses (RDC), um facto
insolito. Que a apresentaao das suas obras seja alivia-
da com a ausncia de discursos e de interpretaoes
antropolgicos, e sem qualquer comparaao entire
obras de "arte ocidental" e arte de outros horizontes, e
que os grandes do Congo, Chri Samba, Bodo ou
Chri Chrin sejam vistos apenas com o olhar do ama-
dor de arte como Braque, Diego Rivera, Gustav Klimt
ou Rodchenko, um facto animador. Para os respon-
saveis do Tate, a pura evidncia.


Chri Samba,
Little Kadogo, 2004.
Acrilico e lantejoulas em
talagara, 205 x 246 cm.
Com a amvel autorizaao
da C.A.A.C. Collection
Pigozzi, Genebra.
Foto Christian Poite.


" evident" uma forma a contrario da success
story (histdria de sucesso). a referncia do desen-
volvimento e do seu reconhecimento. A luta dos ama-
dores de todas as origens que, ha dcadas, tm reala-
do a modernidade, o "avant-gardisme" da arte africa-
na, comeando pelos icones europeus como Picasso,
Braque e, sobretudo, o apego investigaao artistic,


a perseverana dos artists africanos e o seu gnio
artistic deram os seus frutos.
Nao uma histria de sucesso (success story). E tudo
normal. E evidence. A histria de sucesso (success
story) a excepao a realar, a emergir de um oceano
de malogros, mediocridade ou monotonia. Com a
obviedade reala-se o insucesso.
Num registo pelo menos tao vital como a arte, a procu-
ra e a consolidaao da paz em Africa pelos prprios
Africanos, aquilo que se realava com veemncia ainda
ha bem pouco tempo toma-se agora cada vez mais nor-
mal. Dia aps dia, percebe-se que a Africa do Sul
solicitada pela Uniao para ser o element motor do que
sera a mais important operaao de manutenao da paz
nunca antes conduzida pela ONU, a de Darfur, fora
esta que sera preponderantemente africana. Desta vez,
a Africa nao fomecera apenas os homes, mas tambm
disponibilizara os meios logisticos e os reforos. Ja
estao em Darfur perto de 600 soldados sul-africanos e
100 policies, sob a gide da Uniao Africana. A future
fora sera "hibrida": ONU-Uniao Africana.
Na mesma ordem de ideias, o Conselho de Segurana
pediu Uniao Africana que mantivesse as suas tropas
na Somalia durante seis meses, enquanto a ONU pre-
para a organizaao das suas prprias tropas neste pais.
A fora africana na Somalia devera ser reforada para
responder s misses complementares que lhe sao
confiadas, entire outras, proteger as instituioes de
transiao e trabalhar de concerto com outras institui-
oes na execuao de uma political national de seguran-
a e estabilizaao.
E, uma vez nao costume, os eleitores da Serra Leoa,
aps as eleies ocorridas no seu pais e exemplares
pela sua transparncia, sao magnnimos em elogios
dirigidos aos observadores da Unido Africana pela efi-
cacia das suas intervenoes. Estes intervieram varias
vezes na minima suspeita de fraude ou de manipulaao,
de tal maneira que a nossa homloga Panapress desta-
ca as palavras de um cidadao do pais: "Os observado-
res das eleies nao podem contentar-se em redigir
relatrios, devem tambm evitar os conflitos e tomar
medidas para a organizaao de eleies sem violncia,
a exemplo do que fazem os observadores da UA".
A Uniao Africana protege a normalidade das eleies
em Africa! Deveria ser evidence!
Hegel Goutier


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007
















































o decorrer dos tempos, os lideres da regiao tiveram de se
habituar ao discurso franco e veridico deste anciao da diplo-
macia. Natural de Palermo (Sicilia), onde nasceu em 1936,
Aldo Ajello bem depressa abraou a carreira political, sendo
vice-presidente da associaao national dos estudantes da Italia, sem des-
curar a sua carreira de jomalista no jomal socialist Avanti e no conselho
da agncia Inter Press Service. Membro do comit central do Partido
Socialista, altemadamente senador, deputado europeu e deputado italia-
no, Aldo Ajello foi nomeado secretario-geral adjunto da ONU em 1992.
A sua reputaao ganhou-a sobretudo como Chefe da missao de manuten-
ao da paz da ONU, em Moambique.

Franois Misser: As suas origens sicilianasfacilitaram-lhe a carreira de
diplomat?

Aldo Ajello: Ha uma tendncia humanista bastante forte na Sicilia. Esta
ilha emerge no centro do Mar Mediterrneo. Passaram por ai Fenicios,
Gregos, Romanos, Arabes, Normandos e outros, e todos eles deixaram af
vestigios. O romance Le Gupard de Tomasi di Lampedusa fala de tudo
isso. Reconheo-me perfeitamente nesse context. Isso da-nos uma aber-
tura de espirito que as outras regies da Italia nao tm e, sobretudo, uma
melhor compreensao do mundo a sul do Mar Mediterrneo. A minha
experincia junto dos camponeses da Sicilia mostrou-me que as suas
reacoes e os seus moldes de pensar nao sao muito diferentes daqueles
que eu encontrei em Africa.

FM: Tambm em Moambique?

AA: Foi a maior aventura da minha vida! Uma maravilha absolute, por-
que tive uma sorte monumental. Tomei riscos enormes e tudo o que ten-
tei traduziu-se em sucesso, graas ao Secretario-Geral (Boutros Ghali),
que me deu liberdade absolute de acao. No inicio, tive problems com


a burocracia. Recebia instruoes sem ps nem cabea. A minha mission
era aplicar o acordo de paz entire o govemo e a rebeliao e remediar ao
desequilibrio desfavoravel segunda, que podia levar ao insucesso da
operaao. O risco era que as pessoas que tinham assinado a paz pensas-
sem que tinham sido traidas e recomeassem a guerra. Era portanto
necessario compensar suficientemente os guerrilheiros rebeldes da
RENAMO (Resistncia Nacional Moambicana), para que eles tivessem
muito a perder se recomeassem a guerra. Nao era facil explicar ao
govemo que isolar a RENAMO, sempre que ela agia contrariamente ao
acordo de paz por reacao a este desequilibrio, poderia levar falncia
do process. Tive, pois, que procurar compreender o motivo que levava
a guerrilla a violar o acordo e eliminar as causes destas violaoes.
Conseguimos desarmar 90.000 pessoas em menos de quatro meses. Em
contrapartida, no Congo, com o Banco Mundial, estamos ainda muito
aqum desse resultado.

FM: Porqu?

AA: Em Moambique, a ONU assumiu plenamente a organizaao da
operaao de uma maneira neutra. Foram criados centros de ajuntamento,
onde eram seleccionados aqueles que queriam ser desmobilizados e os
que desejavam entrar no exrcito. Estes centros eram geridos por nos e
conseguimos rapidamente resultados. Mas no Congo, o Banco Mu andial
aplicou os principios da ajuda ao desenvolvimento desmobilizaao dos
soldados, confiando ao govemo o poder de decisao nessa matria. O
resultado foi a criaao de uma maquina burocratica colossal. Por outras
palavras, a decisao sobre este process tinha sido confiada a pessoas que
nao tinham qualquer interesse em fazer progredir o process. Foi um erro
monumental!
Com efeito, o Banco nao tinha a minima ideia de como agir. Primeiro,
assumiu a direcao desta operaao, que envolvia o desarmamento, a des-
mobilizaao e a reintegraao. Em seguida, descobriu que as suas prprias


C*RREIO







m director


regras proibiam-lhe proceder ao desarmamento e, portanto, s6 comearia
a agir aps essa etapa. Criou-se assim um impedimento no inicio, dado
nao ser possivel continuar sem primeiro desarmar os beligerantes. Outro
problema foi a contagem dos soldados. Ora, os responsaveis das foras
armadas nao tinham nenhum interesse em faz-lo, porque ao numero de
efectivos que recebiam um salario regular pertencia um numero incalcu-
lavel de soldados "fantasmas": mortos, pessoas que nunca tinham nasci-
do, enfim, um mundo completamente imaginario, onde os oficiais que-
riam apossar-se do dinheiro dos soldos.

FM: Qual o seu balano dos onze anos de enviado especial na ;. .: ;.
dos Grandes Lagos?

AA: Tive inicialmente problems gigantescos pelo facto de ser um envia-
do especial da UE e como tal ter de representar uma posiao univoca.
Mas essa posiao univoca nao existia. As posioes eram diferentes e, o
mais das vezes, completamente contraditrias, sobretudo sobre o Ruanda,
mas tambm sobre o Burundi. Houve problems srios, porque nao era
facil vender um produto inexistente. Fui obrigado a inventar eu prprio
uma political comum, tendo em conta as sensibilidades de cada uma das
parties. Esta invenao transformou-se pouco a pouco na verdadeira politi-
ca comum na regiao.

FM: Qual a sua visdo dofuturo do Congo?

AA: Isso depend de muitos parmetros. E um pais riquissimo. O
potential existe. Foi eleito democraticamente pela primeira vez um
governor, mais isso nao significa absolutamente nada, porque a demo-
cracia nao s6 eleies. necessaria uma educaao democratic e esta
fruto de flexibilidade e fineza para nao perturbar os espiritos e incutir
em todos os cidadaos a sensaao de plena soberania. Trata-se de um pais
que esteve durante muito tempo sob tutela e que deve aprender a fazer
a sua prpria gestao de maneira democratic. Nao facil. Mas se nos
empenharmos seriamente a ajuda-lo, acho que ha boas perspectives de


xito. Ora, o sucesso no Congo significa estabilidade na Africa Central.
Para isso, a prioridade das prioridades a reform do sector da seguran-
a, sem a qual nao havera nem desenvolvimento nem outra coisa. O exr-
cito mal pago, nao equipado nem alimentado. A discipline nao existe.
Conta sobretudo com oficiais sem nenhuma formaao military, cujo objec-
tivo principal encher os bolsos, e tendo evoluido essencialmente nos
corredores do palacio presidential e nao no campo de batalha. Por conse-
guinte, sera necessaria uma limpeza geral. Ja fizemos muito trabalho com
a EUSEC (NDLR: missao europeia de segurana na RDC). Primeiro,
pondo em ordem a cadeia de pagamento, que era totalmente identificada
com a cadeia de comando. O dinheiro para o sold dos soldados passava
do Banco Central para o Chefe de Estado-Maior Geral, que se servia
antes de passar o restante aos Chefes de Estado-Maior da Marinha, da
Fora Area e a Fora Terrestre. Quando o dinheiro chegava s brigadas,
ja nao havia nada a distribuir. Nos desconectamos completamente a
cadeia de pagamento da cadeia de comando. Doravante, o Banco Central
envia o dinheiro ao gabinete de administraao que o encaminha directa-
mente para as brigadas. Para garantir que esse mecanismo funcione
correctamente, colocamos dois conselheiros europeus em cada brigada
integrada. Hoje, as brigadas recebem o salario integralmente. Estamos
agora a fazer o inventario do exrcito congols e, depois, faremos entao
a maqueta do novo exrcito.

FM: Qual foi o moment mais agradvel da sua carreira?

AA: O dia das eleies em Moambique (NDLR: em 1992), quando
conseguimos convencer o Sr. Dhlakama (NDLR: o chefe da RENA-
MO), que tinha declarado na vspera que nao participaria nas eleies,
porque tinha descoberto que havia certamente trafulhices e anunciado
que nao participaria.

FM: E o pior?

AA: Foi dois dias antes... a


"Para isso, a prioridade das prioridades a reform do sector da
segurana, sem a quai nao havera nem desenvolvimento nem
outra coisa. O exrcito mal pago, nao equipado
i-mn alimentado. A discipline nao existe."
'., ..i:,,-. ,1- iransporte dos soldados no Kivu, RDC.
EUSEC






M erspectiva






URGEnCIA




EmDARFUR


SU para citar a co-Presidente da
Assembleia Parlamentar
Paritaria (APP), Glenys
Kinnock, sobre Darfur, fruto de um intense
debate na Assembleia Parlamentar Conjunta
ACP-UE, em Wiesbaden, para apoiar o
"...destacamento mais rapido possivel" da
fora hfbrida da Uniao Africana-Naoes
Unidas. Espera-se que os 20.000 homes este-
jam no local na Primavera de 2008, para evitar
o alastramento do conflito.
A resoluao da APP exorta igualmente o Sudio
a desarmar as milicias, incluindo os Janjaweed,
e a pr termo aos bombardeamentos de Darfur,
e apela a uma "total cooperaao" entire a
Repblica Centro-Africana, o Chade e o
Govemo do Sudao, a fim de preservar a segu-
rana da regiao.
Pede-se aos pauses terceiros que cessem as
exportaoes de armas para a regiao. Durante o


debate, o Comissario Europeu, Louis Michel,
lanou a ideia de um "roteiro" sobre os passes
estratgicos a dar pela comunidade internacio-
nal a favor da paz na regiao. A resoluao da
JPA solicita a ajuda do Movimento de
Liberaao do Povo do Sudao para reunir os
grupos rebeldes. O papel da China impor-
tante no estabelecimento dessa fora e pede-
se-lhe que use a sua influncia para ajudar o
Governo do Sudao a reunir os grupos rebel-
des mesa das negociaoes.
Parlamentar sudans, Atem Garang, regozija-
se com o "espirito positive do debate e com o
espirito que presidiu negociaao da resolu-
ao". E acrescentou que, tres ou quatro anos
antes, se a comunidade international tivesse
prestado o mesmo apoio que esta agora a dar
ao pais, o conflito nunca teria deflagrado. A
resoluao reconhece que as causes originals do
conflito foram o subdesenvolvimento e a mar-
ginalizaao political e econmica da populaao.


> 8 UE sada a fora
hibrida da UR-nu
"Exorto todas as parties a trabalharem para
uma rapida transiao da missao da Uniao
Africana (UA), no Sudao (AMIS), para uma
missao hfbrida", declarou Javier Solana, o
Alto Representante da Uniao Europeia para a
Political de Segurana (CFSP), em 1 de
Agosto. Isto aconteceu na vspera da adop-
ao da resoluao 1769 do Conselho de
Segurana das Naoes Unidas sobre o desta-
camento de uma fora hfbrida (UA-NU) de
manutenao da paz para a regiao.
"A Uniao Europeia esta disposta a intensifi-
car o seu apoio a este objective", acrescen-
tou, Solana, que colaborou nas negociaoes
de paz com vista a uma declaraao political a
favor de uma "soluao sustentavel".


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Perspective


l DISCORDIAR




Em ZIIBAOBUE


se na Assembleia Parlamentar
Parlamentaria (APP), houve debate
mas nao resoluao. A co-Presidente
da JPA, Glenys Kinnock, disse que nao tinha
sido pedido nenhum visto pelos parlamenta-
res do Zimbabu. Estavam previstos quatro
parlamentares em Wiesbaden, tres dos quais
pertencentes ao partido no poder Sanu-PF,
bem como Nelson Chamisa do partido da
oposiao MDC, que foi violentamente ataca-
do na sua passage pela reuniao de
Bruxelas, em Maro de 2007.
Muitos sentiram mesmo que o debate foi
long demais sem a presena de nenhum
zimbabuense para replicar. Ibrahim Matola
do Malavi estava contra a Assembleia que
baseou a discussao em "relatrios dos
media", enquanto Boyce Sebatala (Botsuana)
afirmou que o partido da oposiao MDC
estava dividido e que "...eles tinham os seus
prprios bandos e que nao tinha havido qual-
quer violncia da parte do partido Zanu-PF".
Atem Garang (Sudao) lamentou o facto de o
Reino Unido ter participado nos problems
do Zimbabu.
O deputado da Repblica Democratica do
Congo, Lola Kisanga, afirmou que a situaao
no Zimbabu envolvia toda a Africa e apelou
a uma soluao pacifica sustentavel. Louis
Straker de Sao Vicente e Granadinas sugeriu
que era mais cmodo para o Zimbabu
ausentar-se da reuniao de Wiesbaden. Nita
Deerpalsing (Mauricia) criticou o regime do
Zimbabu que "...era incapaz de aliviar o
sofrimento da populaao".
Muitos eurodeputados citaram factos e
numeros sobre o empobrecimento do
Zimbabu. Rolf Berend do Partido Popular
Europeu (Alemanha) afirmou que os preos
aumentavam de hora em hora. Ha uma taxa
de desemprego de 80%, disse ele, e um tero
da populaao vive da ajuda alimentar, e
acrescentou que, "se quisermos evitar uma
dissidncia catica, temos que agir". O co-
Presidente da JPA, Ren Radembino-
Coniquet (Gabao), incitou mais um vez o
Governo do Zimbabu a aceitar uma mission


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007


de informaao da APP, um apelo que ja foi em apoiar as iniciativas diplomaticas do
anteriormente rejeitado. Onde os parlamenta- Presidente da Africa do Sul, Thabo Mbeki, a
res ACP e os deputados do Parlamento favor do Zimbabu.
Europeu encontraram um terreno comum foi a




I" Uitria diplomatic

S da China em Darfur "
este o tftulo de um oportuno document de investigao de oito paginas
de Jonathan Holslag, colega investigator no Brussels Institute for
Contemporary China Studies Instituto de Estudos Contemporneos da
China em Bruxelas (BICCS). Publicado em 1 de Agosto, este trabalho analisa ao
microscopio o papel da China nas negociaoes de um acordo politico, entire o
governor do Sudo e varios outros interlocutores, que conduziu ao destacamento
da uma fora hibrida (UA-NU) de 20.000 homes.
"Darfur foi o primeiro caso em que Pequim no podia ficar de lado quando se
trata de pressionar um governor a autorizar a presena de tropas estrangeiras no
seu territorio", pode ler-se no document. E acrescenta: "Com uma banda chi-
nesa de interesses energticos que se estende da Libia at Etipia, em toda a
volta da faixa ocidental do Sudo, a estabilidade regional tornou-se de importn-
Scia capital para a segurana energtica da China".
O document examine os pontos favoraveis do papel da China, ou seja, o poder
amigavel, apoio economic ao Sudo e discusses pragmaticas claras, mas tam-
bm os pontos desfavoraveis, quer dizer, uma abordagem "central do estado",
que no tem em conta os outros interlocutores importantes em Darfur e conti-
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Kaputin,* *cecnad ues m b
dae glba e* *utdsilna emt


Uencedores africanos


do prmio da Comissao


Europeia para jornalistas


Faber, foi a primeira vencedora
africana do prmio Lorenzo Natali
de 2006, que recompensa anual-
mente os jomalistas empenhados na luta pelos
direitos do Homem e pela democracia atravs
da imprensa escrita e em linha. Esta recom-
pensa existe em memria do antigo
Comissario Europeu do Desenvolvimento,
exfmio defensor destes valores.
"The Bulb of Life", conta a histria de Duma
Kumalo, que passou sete anos no corredor da
morte falsamente acusado de assassinio na
Africa do Sul. Beneficiou da suspensao da
execuao e foi libertado no final do apartheid,
mas faleceu em Fevereiro de 2006, deixando a
sua viva a lutar para remir o seu nome a pos-
teriori. "O apartheid pode ter acabado, mas
existem ainda importantes recaidas", disse a
Sra Faber, numa conferncia de imprensa na
cerimnia em Bruxelas, em Maio.
Os prmios de 5.000 euros, 2.000 euros e 1.000
euros recompensam respectivamente tres ven-


Il


cedores de cinco regies: Africa, Asia e
Pacifico, Europa, Amrica Latina e Caraibas, e
o Mundo Arabe, Irao e Israel. O vencedor glo-
bal de 2006 foi a jomalista de Hong Kong, Leu
Siew Yung, por um artigo que relata a histria
de protest de uma aldeia da China rural, publi-
cado no South China Post.
Na regiao africana, Robert Mugagga recebeu
o segundo prmio pelo trabalho "Why it's
dangerous being bom in Uganda", publicado
na The Weekly Observer, sobre a prevenao da
transmissao do SIDA de mae a filho no
Uganda. George Lucky do BusinessDay da
Nigria venceu o terceiro prmio pela sua
srie de cinco artigos numa viagem de cinco
dias pelos pauses da Africa Ocidental sobre os
imigrantes ilegais que procuram uma said
para a Europa.
"Sem liberdade de imprensa, o desenvolvi-
mento nao pode ser sustentavel", disse o
Comissario Europeu, Louis Michel, na ceri-
m6nia de entrega dos prmios. O jri deste
ano, presidido pelo "pivot" Femi Oke da
CNN, inclufa igualmente mem-
bros de Reprteres Sem
Fronteiros e de Amnistia
International. Os trabalho para
2007 devem ser publicados entire
1 de Setembro de 2006 e 31 de
Dezembro de 2007, e serem rece-
bidos at 31 de Janeiro de 2008.
Para mais informaoes e obter a
lista complete dos vencedores de
2006, consulate o sftio web:
. www.prixnatali.eu a


Ihosvanny, Urban Sox, 2007.
Instalaao video, 4 ecras,
#1 1'45",#2 2'05",#3 2'56",#4 0'13".
Com a amavel autorizaao da colecao
africana de arte contempornea
Sindika Dokolo.


CeRREIO


r


4


,






Perspective


Marlne Dumas, Big artists are big people,
1987. Tinta e cera em papel 31 x 22 cm.
Com a amavel autorizaao da colecao africana
de arte contempornea Sindika Dokolo.


Um codigo de conduta


para euitar repetioes

na ajuda europeia

C essar de impedir em vez de cooperar e tirar o melhor partido dos valores acrescen-
tados. a ambiao da Comissao Europeia para aumentar a eficacia da ajuda comu-
nitaria aos passes em desenvolvimento, evitando rplicas contraproducentes. O
c6digo de conduta, de aplicaao voluntaria, que a Comissao props em 28 de
Fevereiro de 2007, deve concretizar esta ambiao, orientando os Estados-Membros e a
Comissao com principios que garantam a complementaridade das suas intervenoes e da cober-
tura equitativa dos pauses que necessitam da ajuda. Isto para evitar que alguns pauses sejam "os
favorites da ajuda" e outros "os rfaos". Fundado com o objective de uma melhor distribuiao
das tarefas, o cdigo de conduta garantira a complementaridade reforada das intervenoes no
interior de um mesmo pais beneficiario, a limitaao das intervenoes de cada mutuante de fun-
dos a um maximo de dois sectors prioritarios num mesmo pais parceiro e a possibilidade dada
a um pais doador europeu de delegar a outro pais a execuao do seu program de ajuda num
dominio especifico.
"Ha demasiados mutuantes de funds activos nos mesmos pauses e nos mesmos sectorss. As
repetioes sao fontes de despesas administrativas inteis. Nao normal que um Ministro das
Finanas num pais em desenvolvimento receba, em mdia, 200 misses de mutuantes de funds
por ano, e que no Qunia, 20 mutuantes de funds comprem medicamentos via os 13 rgaos de
concursos pblicos diferentes", sublinha Louis Michel, Comissario Europeu para o
Desenvolvimento, para explicar a iniciativa. Este cdigo de conduta foi aprovado pelos minis-
tros europeus do desenvolvimento, em 15 de Maio passado, em Bruxelas. a


nao empurrem

os produtores de

bananas lCP contra

a parede, exclama

um membro do

Parlamento

Europeu


U ma contestaao renovada do Equador na
Organizaao Mundial do Comrcio (OMC)
sobre os direitos aduaneiros da Uniao Europeia
de 176 euros por tonelada sobre as importaoes
de bananas provenientes da Amrica Latina -
desafiando a entrada de exportaoes dos pauses
ACP isenta de direitos aduaneiros foi object
de uma forte oposiao nos circulos ACP.
Nos terms do Acordo de Cotonu, as quotas
estabelecidas de bananas provenientes dos pal-
ses ACP entram no Uniao Europeia isentas de
direitos aduaneiros. Segundo os plans de livre
comrcio, estas quotas serao abolidas a partir de
1 de Janeiro de 2008, permitindo a todos os
exportadores de bananas dos pauses ACP quotas
e acesso livre ao mercado da Uniao Europeia.
"Eles (os ACP) sao pequenos interlocutors que


nao ameaam um pais que domina os mercados
mundiais e europeus. A Uniao Europeia deve
lutar na OMC para assegurar que os produtores
de bananas pequenos e vulneraveis nao sejam
empurrados contra a parede", disse a co-
Presidente da Assembleia Parlamentar Conjunta
ACP-UE, a Sra. Glenys Kinnock, na reuniao da
JPA de Junho, em Wiesbaden, Alemanha.
Um declaraao conjunta dos trs organisms
ACP exportadores de bananas CBEA, OCAB e
ASSOBACAM* referindo-se ao movimento do
Equador, express: "O objective eliminar a
produao dos pauses ACP, que, no entanto, s6
represent 19% no mercado europeu, ao
passo que as exportaoes dos pauses latino-
americanos ascendem a 68% do mercado da
Uniao Europeia".
Associaao dos Exportadores de
Bananas das Caraibas Caribbean
Banana Exporters Association (CBEA)
Gem.cbea@btinternet.com
Associaao dos Produtores de Bananas
do Camares Cameroon Bananas
Growers'Association (Assobacam)
Banacam.assobacam@wanadoo.fr
Organizaao dos Produtores-
Exportadores de Ananas e Bananas da
Costa do Marfim Organisation for
Pineapple and Banana Producers-
Exporters of Cte d'Ivoire (OCAB)
ocab@wanadoo.fr a









Florestas tropicais Dossier


> RDC: ateno ao leuantamento
progressiuo das restrioes
de acesso floresta

No entanto, muitas zonas foram preservadas.
Na RDC, a desorganizaao da economic no
regime de Mobutu e as duas guerras de 1996-
1997 e 1998-2003 refrearam a exploraao da
floresta hmida congolesa (110 milhes de
ha), que represent mais de metade da cober-
tura florestal da Africa Central. O congestio-
namento do porto de Matadi e, at Agosto de
2006, a inexistncia de balizagem no rio
Congo e nos seus afluentes tm-na protegido.
A sua taxa de destruiao reduzida: 0,26%
por ano, contra 0,35% para o conjunto da
Africa Central. Mas a reunificaao do pais e o
regresso da paz conduzem a um levantamento
progressive das restrioes, facilitando o aces-
so s zonas florestais.

> ma gouernao

Neste vasto pais, caracterizado por uma longa
tradiao de ma govemaao, actualmente o peri-
go reside na eventual reproduao do cenario
verificado num inqurito realizado em 2002
pelo Fundo Mundial de Protecao da Natureza,
que calculou que metade da madeira dos
Camaroes e 70% da madeira do Gabao era aba-
tida sem autorizaao legal. Em 2000, uma
empresa francesa foi alias obrigada a retirar as
suas maquinas da reserve natural de Lop no
Gabao, onde se introduzira ilegalmente,
enquanto no Congo-Brazzaville o governor teve
de chamar ordem uma empresa franco-chine-
sa que se dedicava a uma "exploraao anarqui-
ca", sem respeitar os assentos de corte.


Ja as florestas do Baixo-Congo, prximas do
Atlntico, sao exploradas em 90%, deplora o
director do Instituto Congols para a
Conservaao da Natureza (ICCN), Cosme
Wilungula. "Observam-se, confia ao Correio,
secas que nunca se tinham verificado at
agora nesta provincia, nomeadamente uma
reduao consideravel do nivel da agua em
todos os ros."

> fgricultura de queimadas,
comrcio de madeira para
combusto, extracao de ouro,
"necrocombustiueis"

Na RDC, as ameaas multiplicam-se: agricultu-
ra de queimadas, caa furtiva, abate de arvores
para produao de makala (madeira para com-
bustao), bem como a invasao do Parque nacio-
nal de Kahuzi-Bihega (Sul-Kivu) pelos garim-
peiros. Fenmeno que se verifica igualmente no
Departamento francs da Guiana. Entretanto
surgem novos adversarios potenciais: a desflo-
restaao causada pela necessidade de libertar
espao para a pecuaria extensive ou para a cul-
tura de biocombustiveis ("necrocombustiveis",
vociferam alguns ecologistas) na Amrica do
Sul e no Bomu, denunciada pelo deputado
europeu Dan Jorgensen.
Em Fevereiro ltimo, em Bruxelas, na
Conferncia Intemacional sobre as Florestas
do Congo, organizada pelo governor belga, o
President da Liga Nacional dos Pigmeus do
Congo (LINAPYCO), Kapupu Diwa, denun-
ciou a distribuiao anarquica no Ituri de con-
cesses pelos chefes tradicionais e a continua-
ao da exploraao illegal e do contrabando de
toros para o Uganda, pelos chefes de guerra
locais.


Abates ilegais de Arvores ameaam o santuArio dos
Bonobos, cujo habitat esta confinado a uma pequena
regiao num nico pais, a RDC.
SGreenpeace


> RDC: fazer respeitar a moratria
sobre a atribuio de nouas con-
cessoes

O Banco Mundial reconhece este risco de
expansao da exploraao illegal. O governor de
Kinshasa instituiu uma morat6ria sobre a atri-
buiao de novas concesses em 2002, confir-
mada por um decreto presidential de 2005 e
pela adopao de um cdigo da floresta. "Um
gesto de governaao forte", comenta o espe-
cialista em florestas do Banco, Laurent
Debroux. Alm disso, em Maio de 2002 o
govemo congols anulou 25 milhes de hecta-
res de concesses atribuidas ilegalmente.
Mas as autoridades congolesas tm dificulda-
de em fazer aplicar as suas decises. A mora-
t6ria foi violada. Das 156 concesses existen-
tes, que cobrem 22 milhes de hectares, 107
foram atribuidas depois da moratria, nomea-
damente a empresas de capitals portugueses e
alemaes. Segundo o Departamento para o


Te bUT llijjJl l c,:


'M'







Dossier Florestas tropicais


Desenvolvimento Internacional britnico,
foram atribuidas autorizaoes atravs de
"acordos" feitos com certas personalidades da
elite political congolesa, no govemo de transi-
ao (2003-2007). E uma empresa pertencente
a um home de negocios libans foi acusada
de abate illegal junto do santuario de chimpan-
zs na provincia do Bandundu e de ter cortado
afromosia nas florestas volta de Kisangani;
uma espcie repertoriada no Apndice II da
Convenao sobre o Comrcio Interacional
das Espcies Ameaadas (Cites). Ora, face a
esta situaao, os agents dos Servios de
Aguas e Florestas encarregados de velar pelo
respeito da moratria dispem de meios irris6-
rios e recebem salarios de misria. Em Bikoro
(Bandundu) nao tm mesmo veiculos para
controlar as concesses.

> Reuisao legal das concessoes:
um risco de branqueamento

Neste context, o Banco Mundial defended
que a moratria seja por enquanto mantida,
mas prev a prazo o relanamento da explo-
raao florestal, aps uma revisao legal da
validade de 156 contratos, que devem ser
convertidos em concesses legais ou anula-
dos. Mas a ONG de defesa do ambiente


Greenpeace receia que a revisao se transfor-
me de facto numa validaao das autorizaoes
conseguidas ilegalmente, portanto no seu
"branqueamento".
Greenpeace tem igualmente dvidas sobre o
volume das vantagens financeiras para o
Congo, resultante da reform da tributaao
das empresas florestais e das melhorias dos
contratos, de que uma parte das receitas deve
em principio destinar-se s provincias e a pro-
jectos de desenvolvimento comunitario. Estes
receios baseiam-se no facto de nos ltimos
trs anos o dinheiro que devia ser entregue s
comunidades se ter "evaporado", segundo a
organizaao ecologista. De acordo com o
Ministrio das Finanas congols, 45% dos
impostos devidos em 2005 nao foram pagos.
E as compensaoes pagas pelas empresas s
comunidades locais sao minimas: a Sodefor
oferece dois sacos de sal, 18 barras de sabao,
quatro pacotes de caf, 24 cervejas e dois
sacos de acar em troca do acesso a uma
vasta concessao.

> Conflitos com as
comunidades locais

Debaixo das altas copas e nas clareiras da
grande floresta tropical, os conflitos crescem


e rebentam. A empresa florestal ITB foi acu-
sada em 2006 pelos habitantes de Ibenga de
lhes ter dado compensaoes irrisrias pela
destruiao com um buldzer das suas planta-
oes de mandioca e de cacau para a abertura
de pistas. As comunidades indigenas quei-
xam-se igualmente de ser esquecidas na defi-
niao das political florestais. O Presidente da
Liga Nacional dos Pigmeus do Congo congra-
tula-se com a vontade de dialogo do Ministro
do Ambiente, mas lamenta o que consider
uma falta de consideraao por parte dos
outros ministrios.
Para alm do caso congols, o desafio da con-
servaao destes ecossistemas preciosos diff-
cil. Por vezes os gritos de alarme, compreen-
sfveis, de alguns defensores do ambiente
poderao incitar ao derrotismo e resignaao.
Mas ainda ha muito para salvar. Na Africa
Central, nas Guianas, nos mangais das
Carafbas, na Papuasia e em muitos outros
sitios.
F.M. M


1 As Florestas da Bacia do Congo: Estado das Florestas em
2006, relatorio co-financiado pela Comissio das Florestas
da Africa Central, pela Frana, pela Comissio Europeia e
pela AID dos EUA, www.cbfp.org
2 Burundi: Lagos que Encolhem e Florestas Dizimadas,
IRIN, 7 de Junho de 2007, www.irinews.org


CbRREIO





Florestas tropicais Dossier


Marie-Martine Buckens




fLORESTOS SOB



flLTH UIGILfinCI













tas, em especial das florestas tro-
picais, constitui uma das grandes
prioridades ambientais dos pauses industriali-
zados. A ltima Cimeira do G8 confirmou este
facto ao adoptar em Junho ltimo, na
Alemanha, a iniciativa "Floresta Carbono",
que ira colocar disposiao dos pauses em des-
envolvimento crditos para combater o aqueci-
mento do planet.
No Rio tentou-se, pela primeira vez, harmoni-
zar desenvolvimento econmico e protecao
do ambiente. Um exercicio dificil, mas que
permitiu a adopao de tres convenes interna-
cionais, consagradas respectivamente ao
clima, biodiversidade e desertificaao.
Curiosamente, a centena de Chefes de Estado
reunidos na metropole brasileira nao consegui-
ram chegar a acordo sobre um texto vinculati-
vo para assegurar uma exploraao sustentavel
das florestas. Limitaram-se a adoptar
"Principios relatives s florestas", principios
estes que se diluiram nas numerosas confern-
cias que desde entio se realizaram. Tal a
importncia do desafio. As florestas sao objec-
to de todas as cobias: dos madeireiros, que as
transformam em madeira para ser trabalhada
ou em pasta de papel; dos industrials, que as
abatem para plantar espcies de elevado rendi-
mento; dos cientistas, que querem subtrair as
suas maravilhas da biodiversidade acao do
home; e, desde ha algum tempo, dos pauses
signatarios do Protocolo de Quioto, prontos a
pagar pelas suas virtudes de armazenamento de
CO para cumprir os seus compromissos clima- i
ticos. Por ltimo, at aqui grandes esquecidos
nas instncias intemacionais, as populaes das
florestas comeam a fazer ouvir a sua voz.


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007






Dossier Florestas tropicais


> Iniciatiuas mltiplas

As political implementadas pela Uniao
Europeia para tentar responder a todos estes
desafios foram e sao multiplas. Para alm da
sua participaao active nos fruns interacio-
nais, a UE foi sobretudo um parceiro essen-
cial no famoso Programa-piloto lanado na
altura pelo G7 (o PPG7) para uma gestao sus-
tentavel da floresta amaznica do Brasil, pro-
grama actualmente parado por falta de von-
tade political. No plano interno, criou uma
srie de programs que abordam direct ou
indirectamente o problema da desflorestaao.
Entre eles, a linha de crdito "florestas tropi-
cais", lanada em 1990 por iniciativa do
Parlamento Europeu, que serve para financial
projects que vao da gestao sustentavel
conservaao, investigaao ou participaao
das populaoes locais. Dois anos mais tarde,
a seguir Cimeira da Terra, a Comissio
Europeia lanou um ambicioso program
regional de conservaao das florestas tropi-
cais (Ecofac), apoiado actualmente no orde-
namento de zonas protegidas em sete pauses
da bacia do Congo. Sob pressao de organiza-
oes nao governamentais ecol6gicas, decidiu
igualmente combater o problema permanent


da importaao de madeira illegal na UE. Em
Maio de 2003, a Comissao adoptou o Plano
de acao sobre a aplicaao da legislaao,
governaao e comrcio no sector florestal,
mais conhecido pelo acrnimo ingls
FLEGT. Por ltimo, as florestas entram cada
vez mais nas negociaoes internacionais
sobre o clima, como testemunha a iniciativa
Floresta Carbono adoptada pelo G8, que sera
aplicada sob a tutela do Banco Mundial, em
concertaao com as instituioes internacio-
nais, nomeadamente a UE.

> Boa gouernaao
e madeira sustentauel

A UE o maior importador em valor de
madeira africana (serrada e em toros) e o
segundo mercado de madeira serrada asiatica,
duas regies do mundo onde a exploraao ile-
gal de madeira pratica corrente. Segundo as
ONG europeias, mais de 50% das importa-
oes de madeira tropical da UE e mais de
20% da madeira proveniente das florestas
boreais de origem illegal. Sendo grande
consumidora de madeira, a UE pode desem-
penhar um important papel na luta contra a
exploraao illegal das florestas e o comrcio
que Ihe esta associado. A questao nao nova.


Na ltima dcada floresceram iniciativas para
certificar a origem "sustentavel", sendo o
r6tulo FSC (Forest Stewardship Council) a
mais conhecida na Europa. Perante a multi-
plicidade de rtulos criados, at aqui a UE
preferiu nao tomar posiao. Em 2003, na
sequncia de presses constantes das ONG
ambientais e sociais, preferiu dotar-se de um
sistema voluntario baseado em acordos de
parceria concluidos com os pauses importado-
res. Nasceu assim o FLEGT, Plano de acao
sobre a aplicaao da legislaao, governaao e
comrcio no sector florestal. Este Plano per-
mite sobretudo evitar um embargo total da
madeira tropical, exigido em ltimo recurso
pelas ONG.

"Sendo grande consumidora
de madeira, a UE pode
desempenhar um important
papel na luta contra a
explorao illegal das florestas"

Os Acordos Voluntarios de Parceria (AVG)
assentam numa srie de compromissos, que
vao de um apoio governaao nos pauses pro-
dutores at criaao de um sistema de
licena que inclui a criaao prvia de uma
estrutura administrative e tcnica fiavel que






Florestas tropicais Dossier


permit identificar a madeira at aos portos e
assegurar que foi produzida de modo "susten-
tavel". Para muitos paises produtores um
desafio enorme. Por isso, para ajudar esses
paises a respeitarem estes compromissos, a
UE prev incluir uma ajuda tcnica e finan-
ceira nos acordos de parceria.

> icabar corn a madeira da
guerra

"O desafio", consider Iola Leal Riesco, da
Rede Europeia sobre as Florestas, FERN,
"consiste em atacar as prprias raizes da
exploraao illegal da madeira: a corrupao,
falta de transparncia, mas political e a
influncia excessive da industria florestal no
process e na criaao de leis. Perseguir as
comunidades locais ou as empresas de explo-
raao no terreno s6 servira para aumentar os
conflitos e a pobreza; portanto, o primeiro
passo no process FLEGT a criaao de um
verdadeiro dialogo politico, com o objective
de introduzir as reforms political e reforar
os direitos das populaoes locais". A respon-
savel da FERN salienta que a exploraao ile-
gal mais dificil de combater porque faz
parte integrante da economic dos paises,
apoiando os partidos politicos, a policia e as
comunidades. E calcula que na RDC, onde
70% da populaao (35 milhes de pessoas)
depend da floresta, a exploraao ajudou a
financial a guerra civil que dizimou mais de
3,5 milhes de pessoas. Lembra por ltimo as
sanoes impostas na altura pelo Conselho de
Segurana das Naoes Unidas contra as
exportaoes ilegais de madeira da Libria,
cujas receitas foram utilizadas para financial
a guerra civil que grassava no pais.

"A explorao illegal
mais dificil de combater
porque faz parte integrante
da economic dos pauses"

At ao moment a UE iniciou conversaoes
com a Malasia e a Indonsia na Asia e o Gana
e os Camares em Africa. Estao igualmente
previstas consultas com o Congo-Brazzaville
e com o Gabao. Em 2004 foram autorizados










A UE participa no financiamento dos "co-rangers"
encarregados de vigiar as zonas protegidas.
Wildlife Direct EU /Filippo Saracco


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007


cerca de 17 milhes de euros para apoiar pro-
jectos-piloto destinados nomeadamente a
assegurar uma verificaao independent das
operaoes de exploraao da madeira. Em
2006 foi criado um program de assistncia
tcnica de 15 milhoes de euros na Indonsia.

> Uma rede de zonas protegidas

Em 31 de Janeiro de 2006, a Comissao
Europeia autorizou a inclusao da Republica
Democratica do Congo (RDC) na lista dos
paises da bacia do Congo que beneficial do
program Ecofac (Ecossistemas Florestais da
Africa Central). Uma decisao aguardada
desde ha muito, uma vez que a RDC tem a
maior cobertura florestal da bacia do Congo,
mas que at aqui nao tinha podido beneficiary
do program devido agitaao political. A
decisao foi acompanhada de uma nova dota-
ao financeira de 38 milhoes de euros, que
consagrou a quarta fase do program. Outra
novidade: a ligaao clara, a partir de agora,
entire os esforos de conservaao e de desen-
volvimento das florestas e a luta contra a
pobreza. Trata-se de garantir s populaoes
que vivem na floresta o seu modo de subsis-
tncia, evitando ao mesmo tempo os abates
ilegais facilitados pela abertura de estradas
por empresas de exploraao de madeira.
O Ecofac abrange agora zonas protegidas em
sete pauses da Africa Central: Camares,
Republica Centro-Africana, Congo, Gabao,
Guin Equatorial, Sao Tom e Principe e
RDC. Com o regresso ao program deste
ltimo pais, que represent metade das super-
ficies arborizadas da regiao, o program


passa agora a cobrir 180.000 km2 de ecossis-
temas de florestas tropicais e de savanas
numa regiao que abriga o segundo sistema de
floresta tropical do planet, a seguir
Amaznia. Mas o Ecofac IV presta igual-
mente mais atenao s populaoes que vivem
nestas florestas. A conservaao destas flores-
tas, reconhece a Comissao Europeia, funda-
mental para o desenvolvimento de 65 milhes
de pessoas. As necessidades das populaoes
locais, extremamente dependents dos recur-
sos florestais, constituem a partir de agora
uma vertente important do program, que
investiu bastante na procura de estratgias e
de meios que pudessem conciliar desenvolvi-
mento human e conservaao com projects
complementares no desenvolvimento rural e
microrrealizaoes.
O program nasceu em 1992, na sequncia da
Convenao Internacional sobre a Biodiversi-
dade, e o seu objective era contribuir para a
conservaao e utilizaao racional dos ecossis-
temas florestais e da biodiversidade da Africa
Central. Uma das vantagens principals do pro-
grama a sua abordagem regional, traduzida
no apoio criaao da Rede de Zonas
Protegidas da Africa Central (RAPAC), cuja
vocaao fazer com que outras zonas protegi-
das da sub-regiao beneficiem da experincia
ECOFAC. Globalmente, ja foram investidos
mais de 70 milhes de euros nas tres primeiras
fases nos 6, 70 e 8 FED. O Ecofac IV repre-
senta a dotaao mais important da UE para a
implementaao do Plano de convergncia ela-
borado pelos paises da COMIFAC (Comissio
dos Ministros das Florestas da Africa Central),
em apoio da Parceria Florestal da Bacia do







Dossier Florestas tropicais


Congo (PFBC), nascida do acordo entire as
entidades financiadoras e as ONG por ocasiio
da Cimeira mundial para o desenvolvimento
sustentavel que se realizou em Joanesburgo
em 2002. Alm disso, esta nova fase prev
igualmente uma participaao no Plano de
acao sobre a aplicaao da legislaao, gover-
naao e comrcio no sector florestal, o pro-
grama FLEGT (ler artigo separado).

> is ambies climaticas

"Devido proibiao de exploraao das nossas
florestas, o nosso pais deixou de ganhar cerca
de 1,5 mil milhoes de dlares", declarou em
28 de Fevereiro Didace Pembe Bokiaga,
Ministro congols do Ambiente, na
Conferncia Internacional sobre a Gestio
Sustentavel das Florestas da RDC, organizada
em Bruxelas. Um montante que o governor de
Kinshasa pretend negociar no quadro da
Convenao sobre as alteraoes climaticas.
Qual a idea? Os servios ambientais ofere-
cidos pelas florestas tropicais ao planet,
devido nomeadamente sua "nao desfloresta-
ao", tm um preo. Um preo que os pauses
desenvolvidos, principals responsaveis pelo
aquecimento mundial, devem pagar. Como?
Atravs dos mecanismos de mercado previs-
tos no Protocolo de Quioto. Um destes meca-
nismos, o MDL (mecanismo de desenvolvi-
mento limpo), presta-se para este efeito, uma
vez que permit aos pauses desenvolvidos
obterem crditos de emisses investindo em
projects sustentaveis nos pauses em desen-
volvimento. Mas, de moment, apenas os pro-
jectos de repovoamento florestal (na maior
parte plantaoes) estao contemplados no
Protocolo. E prossegue: "Outro sistema que
estamos a explorer consiste nas concesses de
conservaao, atravs das quais as pessoas,
empresas e governor do mundo poderao cele-
brar contratos com a RDC e com as popula-
oes locais para arrendar florestas, tendo o
direito de nao as explorer, de modo que pos-
sam ser geridas como zonas protegidas, mas
de forma que as populaoes locais e o governor
congols possam dai retirar beneficios
concretos".

> Uma "facilidade carbon"
para as florestas

Um pedido atendido, pelo menos parcial-
mente. Em Junho ltimo, os oito pauses mais


Amanvi, Blobo Bian l'amant de l'au-del.
SLai -momo 2003


de uma parceria "floresta carbon" para evi-
tar a desflorestaao, responsavel segundo os
especialistas por cerca de 20% das emisses
de gases com efeito de estufa. Esta parceria
consiste numa srie de projectos-piloto reali-
zados inicialmente nalguns paises-chave,
como a RDC, o Brasil ou a Indonsia. Neste
mbito, o Ministro Pembe consider que a
RDC podera receber cerca de 6 mil milhoes
de dlares por ano, uma soma consideravel


bolsa de CO2) previstos pelo Protocolo de
Quioto em 2012, inicio da segunda fase do
Protocolo, em relaao qual ainda pairam
grandes incertezas.
As florestas salvas pelos mercados do car-
bono? Alguns especialistas tm dvidas. Para
Jutta Kill, da organizaao ecol6gica FERN,
este instrument, "que depend de financia-
mentos dos pauses industrializados para fun-
cionar, podera ser um fracasso, uma vez que


industrializados, reunidos na Alemanha, quando se sabe que o oramento total do pais nao ataca as verdadeiras causes da desflores-
deram luz verde a uma srie de iniciativas nao devera ultrapassar os 2 mil milhoes de taao, mas corre o risco, pelo contrario, de
propostas pelo Banco Mundial para reduzir o dlares em 2007. precise dizer que estes aumentar os conflitos na media em que os
impact no clima dos gases com efeito de projects s6 serao realmente integrados nos beneficios nao irao para as comunidades
estufa. Entre estas iniciativas estava a criaao mecanismos de mercado (nomeadamente a locais". a


C*RREIO





Florestas tropicais Dossier


fICP: um mosnico



DE FLORESTHS


As florestas ACP so miti-
plas: das savanas arbori-
zadas at s florestas tro-
picais hmidas da Africa
Central, do Suriname ou
da Papusia-Nova Guin,
passando pelos mangais
tanzanianos, sem esquecer
os milhes de rvores quei-
madas ou transformadas
em m6veis ou em navios
de guerra, que deixaram
para trs, como no Haiti,
paisagens lunares. No
entanto, onde existe,
como acontece na maior
parte dos praises ACP, a flo-
resta represent ainda um
desafio da maior impor-
tncia. Primeiro para os
habitantes, cuja grande
maioria, nalguns praises,
depend directamente dos
produtos da florestas, per-
petuando assim uma eco-
nomia dita de "subsistn-
cia". Depois para as auto-
ridades nacionais, atrai-
das pelos ganhos que
podem retirar da explora-
o industrial das suas flo-
restas e, mais recentemen-
te, da explorao "climti-
ca" destes sumidouros de
carbon.

N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007


> 0 "embondeiro" africano


i1 ,,, r i , i ,1...


Das trs regioes ACP, a Africa parece ter a
part de leao. E o que acontece. Segundo as
ltimas estimativas da Organizaao Mundial
para a Alimentao e a Agricultura (FAO,
dados de 2005), as florestas cobririam 26% do ,Z .
continent, ou seja, cerca de 627 milhoes de
hectares. Com grades variantes segundo as
regioes. Com 278 milhoes de hectares, a
Africa Central e Ocidental esta em primeiro
lugar (45% da superficie), uma vez que abriga
na bacia do Congo a segunda cobertura flores-
tal tropical do mundo. O sudeste africano tem
226 milhoes de hectares, ou seja, 27% de a
superficie florestal, seguido dos passes do
Sahel, que tm apenas 8% de superficie arbo-
rizada repartida por 123 milhoes de hectares.
O essential das aces de conservaao e de .''
gestao sustentavel da UE concentra-se na i'
bacia do Congo (ler o artigo principal).




* e.. . ..- -. .






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Dossier Florestas tropicais


> 0 mosaico das Caraibas

Apenas com 3,8% de cobertura florestal, o
Haiti represent um caso extremo. Nos
outros pauses das Carafbas a situaao varia
consideravelmente. Temos o Suriname e a
Guiana, verdade, ligados floresta amaz6-
nica, que apesar da presena cada vez maior
de madeireiros pouco escrupulosos, se van-
gloriam de possuir uma cobertura florestal
prxima de 94% para o primeiro e de 76%
para o segundo. Segue-se o Belize, na
Amrica Central, onde a Comissao Europeia
financiou um project de gestao sustentavel
das florestas, que cobrem ainda 72% do ter-
ritrio. As ilhas ACP das Carafbas, por seu
lado, tm 6 milhes de hectares de florestas,
ou seja, 26% da sua superficie global.

> Florestas cada
uez menos pacificas

De todos os pauses ACP do Pacifico, a
Papuasia-Nova Guin tem a maior massa flo-
restal (29,5 milhes de hectares, ou seja,
65% da sua superficie). Mas uma massa


florestal ameaada desde ha uma dezena de
anos pela presena de madeireiros que ope-
ram frequentemente na ilegalidade. Neste
pais, a CE financiou um program de desen-
volvimento programa IRECDP) de forma-
ao das comunidades para Ihes permitir reti-
rar beneficios dos recursos florestais. A
situaao nao melhor nas ilhas Salomao (2,2
milhes de hectares de florestas cobrem 78%


das ilhas), onde a UE apoiou um project
que preconizava uma utilizaao alternative
das florestas, a fim de contrariar as praticas
de abate destrutivas, provocando uma grande
degradaao das florestas, prejuizos ambien-
tais e perturbaoes sociais. Ha ainda as ilhas
Fidji e Vanuatu, cujas florestas cobrem res-
pectivamente 55% e 36% do territrio.
M.M.B. a


A ilh de Do.nc -i e -eea
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rruores foraa da floresta"


Para muitos dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento do oceano Pacifico, a
plantaao de arvores fora da floresta, juntamente com as praticas tradicionais de explo-
raao agro-florestal e os conhecimentos tradicionais associados, oferecem meios que permi-
tem contrariar a desflorestaao. Podem igualmente contribuir para a conservaao da biodi-
versidade e para o desenvolvimento sustentavel nestes pequenos Estados insulares em desen-
volvimento do Oceano Pacifico. Em Dezembro de 2001, realizou-se em Nadi (ilhas Fidji) um
seminario regional sobre as arvores fora da floresta. Destinava-se a dar maior prioridade s
acoes de apoio protecao e plantaao de arvores fora da floresta. Os participants debru-
aram-se sobre os documents nacionais da Papuasia-Nova Guin, das ilhas Salomao, de
Vanuatu, de Tonga, da Samoa, de Niue, das ilhas Cook, de Kiribati e de Palau. Tecnicamente,
as arvores fora da floresta compreendem os pequenos bosques que cobrem menos de meio
hectare, a cobertura arborea das terras agricolas, as arvores em ambiente urbano, as arvores
ao long das estradas e dos cursos de agua, bem como as arvores em terras comunitarias,
incluindo as localidades e as exploraoes agricolas. Agrupam espcies variadas: arvore-do-
pao, amoreira-papel, gardnia, casuarina, tuia gigante, pinheiro, mogno, sndalo, coqueiro
e mangal.
International Forestry Review (RU), 2002, vol. 4 (4), numero especial, pp. 268-276. CTA
(Centro Tcnico de Cooperaao Agricola e Rural ACP-UE www.cta.int)




CORREIO









Debra Percival




nfDf DE ESPECUL fiO



sobre o future dos fCP


O debate sobre Darfur e sobre o Zimbabu foi animado. Os temas discutidos no deco-
rrer da 13aAssembleia Parlamentar Paritria (APP) UE-ACP, diziam respeito aos acor-
dos de livre comrcio, migrao, gesto dos recursos naturais e reduo da
pobreza dos pequenos agricultores. A animao do debate abalou a calma do local
onde decorreu a reunio, o casino Kurhaus, em Wiesbaden (Hesse), cidade termal
alem, de 23 a 28 de junho de 2007.


da APP, Glenys Kinnock, apresentou estatisticas sbrias
sobre as desigualdades a nivel global no seu discurso de
abertura. possivel decifrar o genoma human, disse, mas
ao mesmo tempo meio milhao de mulheres more de complicaoes
relacionadas com a gravidez ou durante o parto, 99% das quais nos
pauses em desenvolvimento. Um tero da populaao mundial nao dis-
poe de agua suficiente para viver.
"Ha dois anos, a Cimeira do G8, em Gleneagles, decidiu duplicar a
ajuda s naoes pobres para 50 mil milhes de dlares e anular total-
mente a divida. Lamento dizer que em vsperas da Cimeira do G8, que
teve lugar este ms, ja era bvio que os pauses ricos estavam long de
cumprir este objective," acrescentou.
A APP um organism consultivo, mas tem
cada vez mais peso. As suas actividades sao
seguidas de perto por outras instituies
com poder de decisao da UE que participam
nesta assembleia bianual composta por 79
membros dos parlamentos nacionais dos
passes ACP e 27 parlamentares europeus.
Num debate agendado sobre os Acordos de
Parceria Econmica (APE), os acordos de
livre comrcio para as seis regies ACP
deverao entrar em vigor a 1 de Janeiro de
2008, os pauses ACP e muitos eurodeputa-
dos foram peremptrios quanto necessida-
de de nao tocar no contedo dos acordos.
"As consequncias (dos APE) sao claras
para os pauses ACP, podendo conduzir a um
enorme e perptuo stock de importaes,"
afirmou o co-Presidente Ren Radembino-
Coniquet (Gabao). As Organizaes Nao
Goveramentais (ONG) lanaram um grito
de protest "acabem com os APE" nos jar-


dins do Kurhaus, dizendo claramente que os APE poderiam ter um ele-
vado preo econmico e social, em especial para os 4 agrupamentos
regionais africanos (ver a rubrica "Comrcio").
O President alemao, Horst Khler, defended a opiniao contraria de
que os APE poderiam melhorar a competitividade, o sector de transfor-
maao local e o nivel de vida (ver a rubrica "Comrcio").

> fltrasos na ratificaao
do flcordo de Cotonu

necessaria uma rapida ratificaao do Acordo de Cotonu, exortou o
Ministro dos Negocios Estrangeiros do Lesoto, Mohlabi Kenneth
Tsekoa, sem a qual o 100 pacote do FED (2008-2013) nao podera dar


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007







InteracOes


ACP-UE


um impulso aos funds que apoiam os
APE. S6 13 paises ACP e 9 paises da UE
(de um total de 27 Estados-Membros)
ratificaram o Acordo. Sao necessarias as
assinaturas de todos os paises da UE e
dois teros dos paises ACP.
As alteraoes climaticas nunca estive-
ram muito long das mentes dos partici-
pantes ao long dos events da semana.
O Comissario da UE, Louis Michel, afir-
mou que esta tematica seria uma figure
de proa na parceria Africa-UE a ser lan-
ada no final do ano, numa cimeira Afri-
ca-UE em Lisboa, Portugal. Um semina-
rio para deputados, que teve lugar no
centro de control da Agncia Espacial
Europeia (AEE), em Darmstadt, esclare-
ceu a forma como o control por satlite
das alteraoes climaticas e ambientais
poderia ajudar os responsaveis pelas
decises political dos ACP e UE. Os
deputados ficaram impressionados com a
informaao de que, na China, as emisso-
es de dixido de azoto tinham duplicado
em apenas 8 anos.
Na frente political, uma resoluao relati-
va ao Sudao apelou a uma rapida mobili-


ii ..
q.





Debates ani
O casino de


mento mtuo dos diplomas universita-
rios a fim de evitar o "desperdicio dos
crebros". Os parlamentares insistiram
tambm na necessidade de prever con-
tratos de trabalho flexfveis e de maior
duraao, que permitam facilitar regres-
so ao seu pais de origem daqueles que
trabalham no estrangeiro e, depois,
UE, assim como procedimentos mais
simples para a transferncia de dinhei-
ro.
Um relatrio sobre boa goveraao, a
transparncia e a gestao responsavel da
exploraao dos recursos naturais nos
pauses ACP chamou a atenao para uma
regulamentaao mais estrita em matria
de recursos naturais dos pauses ACP.
Segundo Evelyne Cheron (Haiti), co-
relatora do relatrio, o objective
garantir que os recursos revertam a
favor de todos os cidadaos, para evitar
que "os rendimentos destes recursos
sejam postos de lado num banco e
reservados a um punhado de pessoas",
como o explicou o Presidente alemao,
Khler, no seu discurso de abertura.
Ja existia um organismo de normaliza-


mados em ambiente pacifico.
SKurhaus na estaao termal


zaao de uma fora hibrida UE-NU. de Wiesbaden, Hessen.
Debra Percival
Quanto ao Zimbabu, nao houve nenhu-
ma resoluao por os deputados do
Zimbabu nao terem estado presents, mas o debate travado denotou
apoio aos esforos diplomaticos envidados pelo Presidente da Africa do
Sul, Thabo Mbeki, (ver a rubrica "Perspectiva").
A oradora convidada, Presidente do Parlamento Pan-Africano,
Gertrude Mongella, referiu, que, no context das misses de apuramen-
to de factos nos pauses africanos, o Parlamento Pan-Africano tinha
angariado especiais xitos. A sua presena marcou o inicio de relaoes
mais estreitas entire a UE e os ACP.
Trs relatrios principals desta APP colocaram a t6nica na reduao da
pobreza dos pequenos agricultores dos pauses ACP, nas consequncias
da migraao de trabalhadores qualificados no desenvolvimento nacio-
nal dos paises ACP e na obrigaao de transparncia e boa goveraao
na exploraao dos recursos naturais. Na esteira do debate, as resoluo-
es votadas avanam com medidas praticas.

> "Desperdicio de crebros"

Luisa Morgantini, do Grupo Co-federal da Esquerda Unitaria, tambm
se pronunciou em nome do co-relator, Sharon Hay Webster (Jamaica),
que nao se encontrava em Weisbaden devido a compromissos eleito-
rais, sobre as consequncias da migraao de trabalhadores no desen-
volvimento national. Os deputados avanaram com uma catadupa de
numeros sobre a "fuga de crebros" de trabalhadores qualificados dos
paises ACP, por exemplo. Dos 600 mdicos anualmente formados na
Zmbia, apenas 50 permanecem no pais. Louis Straker (Sao Vicente e
Grenadinas) afirmou que 70% dos mdicos das Antilhas acabam por ir
para o Reino Unido ou para os EUA. 16% do PIB da Jamaica depen-
de das remessas dos emigrantes.
A resoluao da APP defended political que atenuem as consequncias
econmicas e sociais da migraao nos ACP e melhorem reconheci-


ao international, disse Michael Gahler
(Partido Popular Europeu, Alemanha).
Outra resoluao apelava ainda apre-
sentaao de oramentos de Estado transparentes, auditorias indepen-
dentes aos oramentos e a que todos os paises subscrevessem o
Process de Kimberley sobre os diamantes em bruto, entire outras ini-
ciativas, no sentido das empresas trabalharem de maneira mais trans-
parente e se promoverem como "empresas limpas".
Um relatrio sobre reduao da pobreza dos pequenos agricultores nos
paises ACP referia-se necessidade de haver mais processamento
local dos produtos de base, particularmente das frutas, legumes e flo-
res. O relatrio foi redigido pelo membro do Partido dos Verdes, Carl
Schylter (Sucia) e pelo deputado tanzaniano, Kilontji Mporogomyi,
que nao pde estar present em Wiesbaden.
Outra resoluao apelava ainda a uma maior focalizaao por parte do
Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) na agriculture em nome da
segurana alimentar e no interesse da produao local. O document
mencionava tambm a necessidade de evitar a invasao de produtos
baratos, recomendando a abertura selective dos mercados ACP s
importaoes. Os projects de desenvolvimento agricola deveriam
incluir disposioes de luta contra o SIDA, visto que o virus HIV/SIDA
ocupa um espao cada vez maior nas preocupaoes das areas rurais. A
eliminaao de subsidies s exportaoes e a concessao de funds suple-
mentares para rotulagem das embalagens e respeito das regras fitossa-
nitarias foram outros temas debatidos assim como um estudo de ava-
liaao do impact das mudanas climaticas sobre a liberalizaao das
trocas comerciais, a segurana alimentar e os recursos energticos.
"As trocas comerciais standard nao serao suficientes e sera necessario
tomar novas medidas", disse a Sr" Kinnock no seu discurso de abertu-
ra da APP. Esta declaraao resume a determinaao desta APP em
garantir que a mensagem seja ouvida e traduzida em acoes, mas tam-
bm veiculada pela 14" sessao em Kigali, Ruanda, de 19 a 22 de
Novembro de 2007. a


CeRREIO

















: Ip IlS -.. l^


A economic arrancou novamente ap6s trs anos de crise monetria grave, sendo hoje
possivel sentir o novo dinamismo do empresariado. Mas desta vez so as pequenas
empresas que parecem dar provas de imaginao, inovao e dinamismo. O Correio
encontrou-se recentemente com Juan Basanta, que trabalha ocasionalmente com os
grandes "tenores" norte-americanos.


Globalizaao. Participar no filme


uan Basanta cineasta e empresario.
Estudou em Cuba e teve professors como
Francis Ford Coppola, Jean-Claude Carrire
Gabriel Garcia Marquez. Em 1995, abriu a
sua empresa de produao, que cresce desde
entao.

> Situao do sector

E uma indtstria muito jovem, mas significativa.
A tecnologia agora acessivel e permitiu que o
sector crescesse e nos tenha dado a independn-
cia e a liberdade de criar. Temos uma nova con-
fiana.

> 8 sua empresa

Somos uma empresa muito versatil e nao reali-
zamos um nico tipo de filme. O nosso portf6-
lio inclui documentrios e videos musicais.
Num certo sentido, a nossa empresa a maior
neste dominio e, noutros, a mais pequena. Em
terms de videos musicais, temos muito suces-
so. Mas nem tudo depend do tamanho. Os nos-
sos negocios dependem de decises inteligentes
no mercado que consigam abrir novos camin-
hos e permitam a continuidade. isso que me
entusiasma.
Tentamos opera num context mundial. A rea-
lizaao de filmes tem uma linguagem universal.
s vezes falhamos. Temos projects muito ori-
ginais que reflectem o que somos, mas talvez o
dialectt" seja demasiado local para poder ser
apreciado fora do nosso pais.
Somos um grupo independent. Em certos peri-
odos, chegamos a empregar 90 pessoas no est-
dio, incluindo artesaos. 50 families dependem
todos ns mess de n6s


> Sera que os Dominicanos
apoiam a sua propria
indstria national?

Os Dominicanos apoiam realmente a sua inds-
tria cinematografica national e compram os
seus DVD, mas ha uma necessidade constant
de novos tipos de filmes para atrair o public
aos cinemas. Descobrimos que as pessoas com-
preendem melhor o silncio e uma grande ima-
gem mais do que uma palavra, por exemplo.
Temos que fazer tudo para que os filmes nao se
transformed em emisses de radio. Vou dar-lhe
uma copia do meu filme Dominicano, um docu-
mentraio que represent uma image genuine
do que o meu pais, para que perceba de onde
sou. Retrata a minha prpria vida.

> flpoiar a indstria

Sempre foi dificil reunir os funds necessarios.
Se se dirigir a um banco neste moment os
emprstimos hipotecarios estao a 15%-18% de
juros. Tem que se fazer tudo a partir do nada,
comeando por encontrar parceiros compreen-
siveis. uma dinmica completamente diferen-
te. At mesmo as coisas basicas, como a electri-
cidade, tm que ser auto-financiadas. A minha
empresa nao esta ligada rede elctrica nacio-
nal e eu tenho que produzir a minha prpria
electricidade. Os cineastas tm que estar prepa-
rados para tudo. um pais em plena mutaao
em todos os aspects. Durante a poca dos fura-
coes, o tempo pode estar de sol de manha e ene-
voado tarde.
Ja esta tudo preparado. Tenho vindo a trabalhar
com o Govero em dominios tal como o desen-
volvimento de uma escola para cineastas e uma


legislaao que proteja a indstria e crie funds.
Esta a ser criado um conjunto de medidas.
Outro passo important conseguir atrair tra-
balho subcontratado por outras indstrias cine-
matograficas, tal como Hollywood. Possuimos
o saber-fazer tcnico e os midos hoje vao da
escola directamente para o primeiro emprego
no estdio. Esta opao nao existia quando ini-
ciei a minha carreira. O meu primeiro emprego
foi na area da publicidade.

> Para onde se dirige a indstria

Realizamos actualmente cerca de sete filmes
por ano no pais que custam em terms de pro-
duao entire 300.000 e 1 milhao de dlares.
Estes filmes conseguem pagar os custos e ainda
dar lucro. Estao envolvidas na produao cine-
matografica neste pais cerca de 30 pessoas.
Depois existem as produoes interacionais fil-
madas aqui, como Miami Vice de Michael
Mann. Ana Garcia e Robert de Niro tambm
realizaram filmes aqui. Existe ainda um poten-
cial para vender o nosso produto no mercado
regional, por exemplo na Venezuela, Colmbia
ou, mesmo, nos EUA.
Precisamos de uma verdadeira gestao do sec-
tor. E, s vezes, os politicos nio percebem
isso. Precisamos de apoio a todos os niveis,
um apoio para fechar uma estrada sempre que
estamos em filmagens, por exemplo. precise
uma compreensao do mercado de trabalho. Os
artesaos que trabalham no cenario sao cabelei-
reiros ou empregados de mesa comuns.
Estou muito esperanoso relativamente
indstria cinematografica e em breve -talvez
daqui a alguns anos -espero cumprir o sonho
lindo que tenho. H.G. M


Nos prximos numerous do Correio: representantes de uma associao de pequenos produtores de caf, a FEDECARES (Federao de
Produtores de Caf da Regio Sul), cujo project tem uma vocao social e ecolgica, e um gestor, Rafael Diaz, que abandonou uma situa-
o confortvel nos Estados Unidos para iniciar um pequeno project experimental de produo semi-artesanal de biodiesel.


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007






Interacoes ACP-UE


JED: monter a meta


do desenuoluimento face as


OLTERROES CLIMI TICOS


Entrevista com o Comissario Louis Michel


De 7 a 9 de Novembro, rea-
lizam-se em Lisboa as segun-
das Jornadas Europeias do
Desenvolvimento. Evento
nico, que se pretend simul-
taneamente um Porto Alegre
e um Davos do desenvolvi-
mento, reunindo todos os
seus interlocutores... Nesta
entrevista, o arquitecto da
iniciativa, o Comissrio
Europeu responsvel pelo
Desenvolvimento, Louis
Michel, explica os funda-
mentos e as aspiraes e
exprime-se tambm sobre a
actualidade: a pr6xima
Cimeira UE-Africa e os


Que li5es tira da primeira edido das
Jornadas Europeias do Desenvolvimento
(JED)? Porque que decidiu organizer uma
segunda em Lisboa?

A primeira liao que tiro que existe agora
um espao que rene todos os intervenientes
da Familia do desenvolvimento: Chefes de
Estado, ONG, peritos, Comissao Europeia,
sociedade civil, empresarios.
Acrescento tambm o facto de a Europa estar
na vanguard do desenvolvimento e de se
assumir como tal: nao s6 enquanto primeiro
doador mundial de ajuda ao desenvolvimento
(48 mil milhes de euros em 2006, ou seja,
56% do total mundial e 100 euros por cida-
dao europeu), mas sobretudo como lider da
reflexao international sobre a cooperaao
com os seus parceiros. Trocar pontos de vista
sobre as grandes problematicas do desenvol-
vimento com os nossos parceiros, acabar com
o desespero e criar uma relaao construtiva e
equilibrada. Record igualmente as palavras
do Reverendo Desmond Tutu: "A nica pros-
peridade sustentavel a que se adquire em
conjunto".
Porau uma segunda edico em Lisboa?


Acordos de Parceria Porque o mundo tem necessidade de dialogar
a fim de encontrar respostas para os proble-
Econ6mica com os paiSes mas globais e, em especial, para as altera-
ACP. es climaticas..


Declaraes recolhidas pela redacaon


Porqu este tema?

Porque ha urgncia! O fenmeno acelera, as
catastrofes que se perfilam serao sem prece-
dentes. Ha que antecipar estes problems e
agir contra este fenmeno. Falar mais dele
um dever. Nao se podera dizer que nao se
sabia. Cada um tem a sua responsabilidade. A
Europa mostra o caminho a seguir: a acao
com o mercado de direitos de poluir, empen-
hamentos precisos, novas regulamentaoes,
financiamentos para as energies renovaveis,
para a inovaao... Espero que todos os respon-


saveis politicos entendam a nossa mensagem:
"Reajamos agora!".
Concretamente, a Comissao props uma nova
Aliana Global sobre as Alteraoes Climaticas
para ajudar os pauses pobres face ao fenme-
no: instalaao de medidas de adaptaao; redu-
ao das emisses devidas desarborizaao;
ajuda a estes pauses para que tirem partido do
mercado mundial do carbon; ajuda igualmen-
te para que se prepare melhor para as catas-
trofes naturais e integraao das alteraoes cli-
maticas nas estratgias de cooperaao para o
desenvolvimento e de luta contra a pobreza.
As Jomadas Europeias do Desenvolvimento
darao a oportunidade de debater este proble-
ma. necessario, em seguida, desenvolver os
projects inovadores para prevenir e remediar
estas perturbaoes, reduzir as emisses e des-
envolver as energies renovaveis (solar, elica,
biomassa, hidroelctrica). Fazer tudo isto
combatendo a pobreza!
Enfim, nao compete s6 Comissao apresentar
propostas. Elas devem vir de nos todos, da
familiar do desenvolvimento e, para alm des-
tes, da comunidade international.

Na proxima Cimeira UE-Africa abordar-se-d
a questdo da parceria entire os dois continen-
tes. Quais slo as prioridades da Comissdo a
este respeito?

Cada um deve estar consciente de que a Afri-
ca e a Europa devem traar juntas o caminho
do seu future comum: o caminho da paz, da
prosperidade e da solidariedade. necessario
cooperar com os Estados africanos enquanto
parceiros e enquanto vizinhos.
A Africa a prioridade da Comissao em mat-
ria de relaoes externas. Vejamos os numeros:
60% do total da ajuda para este continent
europeia, 85% das exportaoes agricolas afri-
canas sao compradas pela Europa e 65% das
contribuioes pagas ao fundo de luta contra o
VIH, a tuberculose e o paludismo emanam da
Uniao Europeia. As nossas oito prioridades


CeRREIO







ACP-UE I nteraces


sio o reflexo dos desafios que se nos deparam:
paz e segurana; alteraoes climaticas; realiza-
ao dos objectives do milnio para o desen-
volvimento; governaao, democracia e direi-
tos do home; energia; comrcio e integraao
regional; migraao, mobilidade e emprego;
cincia, sociedade da informaao e espao.
Finalmente, a Uniao Europeia deseja reforar
a sua parceria com a Uniao Africana. Porque a
nossa prosperidade na Europa se constr6i com
Estados que decidiram trabalhar juntos. Mas
desejo tambm enviar uma mensagem vigoro-
sa: a Africa esta em movimento, saiamos dos
velhos clichs! A Africa um continent com
recursos naturais unicos, o da diversidade cul-
tural, a tecnologia que progride, a m6sica,


N ,!.. -I cI. deI. .i lit' c il. l 1 i .1 II I t ..I.



S '. -. t. . .. .. -. . .
Si ,.. . 1. . A.



















Louis Dhichel,


OLJIS KliLheI dispeinseo opl>esEntas-es TituLJIi liha tresinci da pa c!i ata do5eiivolvii7ienta
e (ia lu huiiianiti.ri na. Co.niiss.o Eurpei, c.n .seuiu iip r s ..u esil d .....ire .. e ..
nmumeras iiiisscfes no:s quutrc'- contas o I, 9 o, Estilcl que, no Cc. e lIaIeu niesnimc c
cognc mie popiilar 1de 'C apitto Hdilic:>c:k'.
Ele exprime sern rodeiors sUa c'piniM':, n.o Ci-eixan do ninliin indifperente, co:>nic'rieni ou
nAor Rpcindruc 'rcientismno' dru:s ripOsiores ai:s O mosI n iostra-se c ptica mni reldc(, nos
detensres de san.es sistemicas ontra .s pass AC .P sus .... ie re iluli..... ..... cl ..u-
sulas ia C.clel e' di Jl dE i.onL E t 7ianbl, .d.efT'isc-r aC'r1 o d ia aliiat oraniientaI, diemej-
a d.e .Eonabiliuza r h iareiris. E. .ibIeJo. E coniebe a s s.niisso Coriil a dco Ii.nieni



eunUCo politico'', dclIarCu iUiri dia qUaniao de urni cidiso iio Parliniorento Euiopeti
Onutras misseosproqeryninente do n drio globpu Estiliii que, no Contrio, qu Ihe aleur dme
quEle exrie seiniiu tunrodes cnia sue a pin i a belx a ni m 1999, ndiferan se, once m nhrm ou e
asulma s da C.on a favdr C.aon rstaE tmble m inientnso a paz rio da C aiudal uamental, prdo-
fessa 'I c-ptionisnicla vos parcejr Queni sb, ecnh conebe perta sabl que sso com a etd hn ce-
C, ini .o dos Negcissional, nias Langeios e que tenclosna contins: a prs isso a so ua
leuniL politvai'a ieu diao no ParlamEnto E F.pe
colecao prlvada d."e ,:pp.,u e-tete's F.M.


e europeias receiam que eles jig iili:esi ainda
mais as economies dos passes ACP. O que que
1,. responded?


A ajuda nao o alfa e o omega do desenvol-
vimento. E necessario que os Estados mais
pobres se integrem na economic mundial e
tirem proveito dos seus trunfos para erradica-
rem definitivamente a pobreza. Olhem para
os pauses da Asia. Eles foram capazes de
entrar paulatinamente na globalizaao, posi-
cionar-se estrategicamente em determinados
sectors, abrir progressivamente os seus mer-
cados para, finalmente, concorrenciar as
grandes potncias.
A nossa abordagem perante os APE gradual.
Trata-se de construir mercados regionais entire
pauses ACP e abrir mais a Uniao Europeia s
exportaoes destes pauses com uma reciproci-
dade assimtrica, nao automatica, segundo o
ritmo que cada um possa suportar. E uma
abordagem que deve ser inteligente, responsi-
vel e orientada para o desenvolvimento. Com
estes acordos, as nossas relaoes comerciais
com os ACP tornam-se compativeis com a
OMC. A Comissao esta no seu papel, com uma
visao de um mundo globalizado mas regulado,
baseado em regras claras.
A Europa, destroada por duas guerras mun-
diais, soube levantar-se com esta estratgia
regional. Nao o esqueamos. Mas necessi-
rio, evidentemente, acompanhar esta abertura
atravs de uma ajuda consideravel ao desen-
volvimento, uma espcie de Plano Marshall
para estes pauses. Estao previstos dois mil mil-
hoes de euros anuais suplementares de ajuda
at 2010, o 100 Fundo Europeu de Desenvolvi-
mento no period 2008-2013 tera um aumento
de 35%. Sera necessario amortecer o impact
social das transioes e das reforms para que
os beneficios sejam amplamente superiores
aos custos de adaptaao. Uma economic flo-
rescente nao anti-social, ha que criar riqueza
para poder, em seguida, distribuf-la. esse o
sentido dos acordos de parceria econmica.
Sejamos construtivos e optimists. esta a
minha profunda convicao.
Acabo de regressar do Forum das Ilhas do
Pacifico onde assinei, com 13 Estados, os
primeiros Documentos de Estratgia por
Pais. Nao podem imaginar a importncia da
presena da Europa e o quanto bem-vinda!
Com os nossos parceiros do Pacifico, de
maos dadas, tentamos responder concreta-
mente aos problems globais (ambiente,
segurana, biodiversidade, alteraoes clima-
ticas, energia...) e utilizamos tambm a
nossa influncia political para normalizar a
political e o regresso ao estado de direito e
democracia, como nas Ilhas Fiji. a


N 2 N E SETEMBRO OUTUBRO 2007






Interacoes ACP-UE


JORnfIDfS EUROPEIRS DO




DESEnUOLUIMEOTO:cum E


DESEnUOLUImEnTO: QUE fLTERROES?


Lisboa, Portugal: 7 a 9 de Novembro de 2007


As primeiras Jornadas Europeias do Desenvolvimento (JED) realizaram-se em Bruxelas, em
Novembro de 2006. A iniciativa teve muito sucesso e constituir doravante um event
annual important no calendrio dos decisores da cooperao para o desenvolvimento.


O que so as JED?

As JED podem ser vistas como a Davos da
Political de Desenvolvimento. Trata-se de uma
reuniao dos interlocutores mais proeminentes
envolvidos em matria de cooperaao para o
desenvolvimento; as jornadas tm por objecti-
vo uma troca de pontos de vista e de ideias
enriquecedora entire as pessoas empenhadas
no campo da ajuda ao desenvolvimento;
foram concebidas para realar as political de
desenvolvimento e assegurar coerncia e com-
plementaridade nesse dominio; finalmente,
visam reforar a sensibilidade pblica e levar
o pblico em geral a tomar conhecimento do
papel da Uniao Europeia na cooperaao para o
desenvolvimento. O vasto leque das political
da UE, designadamente o Consenso Europeu
sobre o Desenvolvimento, as medidas toma-
das com vista a uma maior eficacia da ajuda,
as estratgias centradas na Africa, Carafbas e
Pacifico, contribuindo todas para a obtenao
dos Objectivos de Desenvolvimento do
Milnio, devem atingir o pblico em geral.
Naturalmente, inquritos recentes revelaram
que, embora os cidadaos europeus considered
que a redu~o da pobreza o objective mais
important da political de desenvolvimento,
nem sempre tm conhecimento das political
activas prosseguidas nesse sentido pela
Comissao Europeia ou pelos seus prprios
Estados-Membros.

AS JED 2006 tiveram como tema principal a
"Africa em plena mutaao". Contaram com a
participaao de um leque impressionante de
estrelas, nomeadamente o Bispo Desmond
Tutu, mais de 20 Chefes de Estado ou de
Govemo africanos e mais de um milhar de
decisores europeus. Reuniram igualmente um
nivel elevado de funcionarios de varias orga-


nizaoes intemacionais, de representantes da
sociedade civil e de peritos competentes na
area do desenvolvimento. O event foi organi-
zado pelo Comissario Europeu responsavel
pelo Desenvolvimento, Louis Michel.

AS JED 2007 tm um novo tema. Desta vez,
discutir-se-ao as Alteraoes Climaticas e o
Desenvolvimento. O debate incidira sobre as
implicaoes das alteraoes climaticas na coo-
peraao entire a UE e os seus parceiros dos paf-
ses em desenvolvimento. Os principals des-
afios que enfrentam os Europeus e os seus par-
ceiros serao abordados atravs de uma srie de
events organizados pela Comissao.


As alteraoes climaticas tomaram-se numa
questao de importncia crucial no mundo
inteiro. A ligaao entire estas e as condioes
atmosfricas extremes bem conhecida.


Desde Julho de 2007, s6 a Comissao Europeia
fomeceu mais de 24 milhes de euros s vfti-
mas de catastrofes naturais no mundo inteiro.
Hoje em dia, admite-se geralmente que pode
nao haver novo progress significativo sem
uma pausa para reflectir sobre os efeitos
nefastos das alteraoes climticas. E por isso
que a Comissao escolheu este tema para este
ano.
Na sequncia de Montreal em 1987 e de
Quioto em 1997, a Comissao tem desempen-
hado um papel activo na promoao de uma
acao intemacional para se atacar s alterao-
es climticas. Em 2003, lanou uma estratgia
e um plano de acao para debater a questao no
context da cooperaao para o desenvolvi-
mento. O Conselho da Primavera de 2007
apresentou propostas concretas com vista a
um acordo intemacional sobre as alteraoes
climaticas ps-2012 e comprometeu-se a
introduzir reduoes significativas nas emisso-
es de gases com efeitos de estufa na Uniao
Europeia. Em Setembro de 2007, a Comissao
props uma Aliana Global contra as
Alteraoes Climaticas (AGAC) para ajudar os
pauses em desenvolvimento mais afectados.
Propoe agora a cria~o de uma nova aliana
entire a UE e os paises pobres em vias de des-
envolvimento mais afectados e com pouca
capacidade para lidar com este novo fenme-
no.
AS JED 2007 proporcionarao a primeira oca-
siao de debater a AGAC com os parceiros dos
pauses em desenvolvimento.

A reuniao realizar-se-a em Lisboa a convite da
Presidncia Portuguesa da Uniao Europeia. Os
dados dos participants, seminarios, pavilhes
promocionais e restante informaao sobre o
event encontram-se disponiveis no sitio web:
www.eudevdays.eu a


C*RREIO








































> flcerca dos pontos importantes
da agenda da Presidncia portuguesa

uma agenda carregada com assuntos politicos e institucionais e com
questes ligadas Justia e aos Assuntos Internos e Externos. Mas a
primeira prioridade, para resumir, a elaboraao do future Tratado da
Uniao Europeia. Recebemos da Presidncia alema o mandate para o
elaborar at ao final de Dezembro e queremos respeitar esse mandate.
Nao apenas respeita-lo, que essa a nossa vontade e vamos cumprir
este mandate.
Sobre as Relaoes Externas, o nosso dialogo reforado com o Brasil
constitui uma prioridade. Organizamos aqui a Cimeira Uniao Europeia-
Brasil, uma iniciativa da Presidncia portuguesa, que teve grande
sucesso. Tencionamos fazer o mesmo com Africa em Dezembro.
evidence que as questes sociais e as questes ligadas energia, ao
ambiente e s alteraoes climaticas ocupam um lugar de destaque na
agenda. Tal como as questes relatives imigraao, legal ou illegal.
Uma agenda carregada, portanto, de que saliento especialmente as rela-
oes com o Brasil e Africa.


> Paralelamente aos encontros da UE
com o Brasil e com flfrica, assiste-se a
uma aproximaao Brasil-ffrica. Portugal
teue a alguma interueno?

Portugal tem relaoes especiais com o Brasil. O Brasil um grande
pais que pertence Histria de que fazemos parte. um pais que fala
a nossa lingua. Actualmente uma potncia que tem uma liderana,
por exemplo ao nivel do dialogo energtico e igualmente ao nivel das
negociaoes comerciais. Mas o Brasil tem o seu pr6prio caminho.
bom que o Brasil, tal como Portugal, se empenhe em Africa, que ten-
ha interesse por Africa. O Brasil esta muito interessado. importan-
te tambm que as relaoes globais sejam mais equilibradas. Portanto,
s6 nos resta apoiarmos todas as iniciativas de dialogo que o Brasil
quer ter com o grande bloco regional, com o continent africano.
Para nos important, para terms uma globalizaao mais regulada
e mais equilibrada. O facto de o Brasil falar portugus reveste-se
para nos de um significado ainda mais especial. uma questao sen-
timental para nos.


> Os pontos promouidos pela Presidncia portuguesa > Sobre a penetraao da China em lIfrica


Eu diria todas as questes ligadas ao novo ciclo da Estratgia de Lisboa
que dizem respeito ao enquadramento do desenvolvimento econmico
e social e s relaoes com a Europa. Temos de preparar a revisao da
Estratgia de Lisboa. E tambm as questes ligadas energia. Mas o
que verdadeiramente da iniciativa de Portugal a primeira Cimeira
UE-Brasil e a segunda Cimeira UE-Africa. Como se sabe foi com a
Presidncia portuguesa em 2000 que se realizou a primeira Cimeira
UE-Africa, no Cairo. este compromisso que se renova. Foi precise
esperar sete anos para ter esta nova cimeira em Dezembro, outra vez
por iniciativa portuguesa. Isto sublinha, creio, a importncia do empen-
hamento que Portugal atribui questao africana. E tudo faremos para
que toda a Europa se empenhe em relaao a Africa e tambm, bem
entendido em sentido inverso, que a Africa se comprometa num dialo-
go estruturado com a Europa.


evidence que cada pais, cada regiao, cada continent tem o direito
de escolher os seus parceiros, de fazer a sua political externa. Mas
creio que a Europa, graas aos seus laos especiais com Africa, s
suas relaoes muito estreitas, tem obrigaao de manter relaoes mui-
to especiais com Africa. A Africa esta mais prxima da Europa do que
da China. Penso que os africanos, quando decide viajar ou fazer os
seus estudos, vao antes para a Europa do que para a China. Em
Portugal, os nossos empresarios viram-se mais para Africa do que
para a China. Para nos constitui uma obrigaao tudo fazer para que
estes laos tio antigos, tio estreitos, tio humans entire a Europa e
Africa sejam preservados e desenvolvidos. natural que Africa diver-
sifique as suas relaoes e se comprometa com outros parceiros. Mas
para alm disso a Africa deve continuar a considerar a Europa como
um parceiro indispensavel.


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007






Interacoes ACP-UE


> Sobre a falta de conscincia na
UE do desejo que hd da Europa
no mundo

Pode ser que de facto a Europa nao tenha bem
conscincia de certas coisas. E que hoje esta-
mos em pleno choque da globalizaao.
Precisamos todos de nos adaptar a esta reali-
dade. Eu quase diria que esquecemos um
pouco Africa e que nao lhe prestamos toda a
atenao que lhe deviamos dar. Talvez seja
perante uma certa indiferena que Africa pro-
cura outros parceiros ou que outros se viram
para Africa. Foi porque tera havido um certo
vazio, que s6 pode ser colmatado com um
empenhamento mais fire da Europa.
Tambm nossa intenao chamar a atenao
dos nossos parceiros para isto. Este esqueci-
mento nao deve continuar, precise agarrar as
coisas em mao com urgncia. Pessoalmente,
analiso mais as relaoes com Africa pelo
ngulo desta globalizaao. A Africa ficar de
parte nao pode acontecer e bater-me-ei contra
isso. E um novo desafio da globalizaao.
Sobretudo a sociedade civil, a juventude afri-
cana, os intelectuais, os africanos. E precise
fazer um grande esforo neste sentido, a
Europa tem interesse nisso.


I Miquel Barcelo, Noyau Noir, 1999. Os mdias misturados em talagara, 230 x 285 cm.
Com a amavel autorizaao da colecao africana de arte contempornea Sindika Dokolo.

> Sobre as boas nouas a propsito tos graves e problems srios de desenvolvi-
da economic africana mento. Ainda temos conflitos no Darfur, na
Somalia, etc. que continuam a constituir des-
Reconheo que existe uma situaao um pouco afios e problems lamentaveis.
paradoxal. Se verdade que existed alguns Ha coisas que avanam e que avanam no bom
p6los de excelncia, coisas que estao a andar, sentido. Mas os contrastes ainda estao bem
a sociedade civil que se refora, a democracia presents e sao estes contrastes que vamos ten-
que se consolida, infelizmente ainda ha confli- tar eliminar. H.G. M


f Presidncia de 2007 da Europa
www.eu2007.pt

Encontros de political international mais importantes
conarndn n Droctidnrin i rtainaiocn


C*RREIO















































perto. Mas sera que se compreendem? Basta estender a mio
para que dois povos renam dois mundos, dois universos
apenas separados por 14 km. Como o mar e o oceano, duas
superficies de agua substancialmente idnticas, dois sangues idnticos.
No entanto, periodicamente jangadas cheias de humanidade deriva
correm todos os riscos em busca de um mundo melhor, tendo muitas
vez o pior por resultado.
Apesar disso, um pouco mais a sul, em Fez, todos os anos na mesma
altura desde ha 13 anos, ha uma luz que brilha. Trao de uniao geo-
grafica entire a Uniao Europeia e Africa, o Festival de Fez e os seus
encontros sao igualmente uma ponte estendida com base na esperan-
a e na dignidade entire o Norte e o Sul.
Debaixo de um carvalho milenario nos jardins do Museu Batha de
Fez, artists de todo o mundo sucedem-se a homes de boa vontade e
solicitam o melhor em cada um de nos. Actualmente esta manifesta-
ao reconhecida como sendo um dos acontecimentos mais importan-
tes da cena musical e cultural international.
Se Fez a cidade mais santa, a mais venerada, ainda se mantm fiel
sua histria.
Desde o sculo IX, o grande Ibn Rushd apelou capacidade dos
homes para se comportarem de forma responsavel. No ano de 818,
20.000 refugiados politicos expulsos de Crdova fundaram o bairro
andaluz. Alguns anos mais tarde, 300 famflias tunisinas (originarias de
Kieron) instalaram-se em Fez e deram o seu nome ao bairro Karauin.
Celebrada como uma das maiores medinas do mundo mediterrneo,
residncia de dinastias prestigiadas, Fez continue a fascinar, a intrigar.
Lugar onde os extremes se tocam, aqui, sucedem-se ordem e desor-
dem como o requinte e a pobreza, enquanto da maior parte das casas
se liberta uma atmosfera intemporal.
Nesta cidade, onde se encontra a mais antiga e prestigiada universidade
islmica, os dias do festival celebram, atravs da arte, da msica e de con-
ferncias, a beleza interior das cultures tendo por referncia o sagrado.
Ao introduzir razes espirituais e culturais no debate ligado globa-


lizaao, o espirito de Fez vai raiz do mal-estar mundial suscitado
pela problematica econmica e social. No moment da globalizaao e
face a homes que se sentem impelidos para o ltimo sacrificio, o
Festival de Fez e os seus encontros sao um laboratrio de reputaao
mundial incontornavel.
Globalizaao significa igualmente informaao em tempo real para
todos. A identificaao da legitimidade ou da ilegitimidade dos meios
utilizados pelas relaoes internacionais e portanto da responsabilida-
de de quem os inicia, contribui para um mundo pior ou melhor. Neste
context, sem dvida que Fez deixara "marcas de luz".
O Homem reduzido a uma simples condiao de consumidor ou reduzi-
do a uma identidade religiosa rigida por definiao parcelar. Quando
hoje a noao de universal sinnimo de articulaao entire identidades
plurais e na nossa moderidade ja nao existem zonas tampao: nem
desertos, nem montanhas, a rapidez de circulaao dos homes e da
informaao deixa cada vez menos tempo para a reflexao.
O Festival de Fez e os seus encontros criaram um espao em que a dife-
rena sobretudo fraterna. Esta manifestaao releva assim os desafios
de um mundo melhor pelo conhecimento e pelo reconhecimento.
Nesta perspective tudo se torna coerente: sair do tringulo antropol6-
gico sagrado-verdade-violncia ou de uma escola que reproduz as
ignorncias institucionalizadas (ver Prof. Mohammed Arkoun, profes-
sor emrito de Histria do Pensamento Islmico, Presidente do
CCEFR), mas tambm um passado que nao podera existir sem um
future melhor.
Nao se trata de optar por uma litania de bons sentiments para ter uma
conscincia facilmente sossegada, mas sim de contribuir para um
ensino em que as ignorncias deixarao de ser reproduzidas, onde o
sagrado, qualquer que seja, se tornara num santuario e onde, sob o
pretext de possuir a verdade absolute, ningum recorrera violncia,
estrutural ou economicamente organizada ou baseada no desespero
absolute.
"O modus operandi compreender as diferenas e agir a partir das
semelhanas" (Andrius Masando, Congresso Nacional Africano). M


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007





Interacoes ACP-UE


George Lucky


migrants africanos



UIRARI -SE


IwSlq TAIMCMT!%$ L0i4= DE Fqkr 0 L& "W wme mEnwkbI 2W4 I
L1E UtQLQ! s.L42JsVe. S>&S. LT L.CSWJ LA NAIT ... j
IJE MOUR LJE vsm wP&ciLL&=Mb urir..


4 JI-Y
_
,4!


O jornalista nigeriano, George Lucky, faz
uma descrio pessoal da dificil situao
dos habitantes da Africa Ocidental em
busca de uma vida melhor na Unio
Europeia (UE). George Lucky foi galardo-
ado com o prmio Lorenzo Natali 2006
da Comisso Europeia pela sua reporta-
gem sobre os Direitos do Homem e
Democracia num artigo que seguiu o
rasto dos que arriscam as suas vidas para
chegar s costas da UE.

Ilustraaos
Faustin Titi, Une ternit Tanger.
Lai momo


N estes l61timos tempos, o nmero de Africanos que saem
para o estrangeiro duplicou. Por todo o continent, por
toda a Africa Ocidental e, sobretudo, na Nigria, poucas
sio as families que no tm um familiar a viver no estran-
geiro, legal ou ilegalmente. Alias, um simbolo de estatuto social ter
um familiar a viver no estrangeiro.
As contribuioes daqueles que partem para as economies dos seus
pauses, especialmente as remessas, crescem diariamente. Um relatrio
publicado recentemente pelo Banco Central da Nigria (BCN) prova
que os Nigerianos da diaspora enviaram para o seu pais natal 8 mil
milhes de dlares s6 no primeiro semestre deste ano, um montante
que devera duplicar at Dezembro de 2007.
Ha dcadas atras, implorava-se ou faziam-se ofertas aos Africanos
para irem para o estrangeiro adquirir uma formaao ocidental. Foi o
caso nos anos que precederam e aps a independncia, quando os
Estados precisavam de mao-de-obra para gerir os seus negocios e ofe-
reciam bolsas aos jovens africanos mais inteligentes.
Hoje a tendncia diferente. A porta para o mundo ocidental deixou de


C*RREIO


I I ~~ '


=w







ACP-UE I nteraces


O Acordo de Schengen, assinado em 1985, aboliu os controls
fronteirios entire os Estados-Membros signatarios. Trinta Estados
- entire os quais os Estados-Membros da UE e os pauses no per-
tencentes UE, como a Islndia, Noruega e Suia, e exceptuando
a Repblica da Irlanda e o Reino Unido, que pertencem Uniao
Europeia assinaram o Acordo at data. Quinze Estados-
Membros estao a aplicar disposioes proprias que passam por
controls fronteirios comuns e uma political de vistos unificada.
Todas as zonas no europeias de Portugal e Espanha, incluindo
Ceuta, Melilla e Ilhas Canarias, aplicam o Acordo.


ser a prerrogativa dos Africanos formados, e agora acessfvel a todos
os Africanos que possam pagar "a conta".
Todos sabem na Africa Ocidental que o dinheiro e a fortune nao caem
das arvores na Europa. O que os migrants procuram a abundncia
de oportunidades que faltam em Africa, tanto para os mais qualifica-
dos como para os menos qualificados. A dificil situaao econmica
o principal factor que leva muitos jovens africanos a emigrar a todo o
custo. Os poucos que o conseguiram vivem melhor do que aqueles
que ficaram.
Desde os inicios da dcada de 80, tm afluido em grande numero e
voluntariamente Europa trabalhadores nao qualificados provenientes
da Africa Ocidental por razes econmicas: a Espanha, a Italia e Malta
encabeam a lista dos pauses preferidos. Existem tambm os deslocados
voluntarios, que fugiram guerra e cruise na Libria, na Serra Leoa e,
mais recentemente. na Costa do Marfim.


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Interaces


ACP-UE


> 8 ousadia do sonho

Muitos destes viajantes, que nao podem obter vistos directamente nas
embaixadas dos pauses ocidentais, optam agora pela travessia do
desert ou do mar. Correndo todos os riscos, acreditam que a UE, nos
terms do Acordo de Schengen, nao os quer. Dai que tenham optado
por pauses que, no seu entender, proporcionam um terreno de igualda-
de para todos aqueles que ousam sonhar.
O novo conjunto de imigrantes, homes e mulheres, compost por
carpinteiros, pedreiros, mecnicos com muito pouca ou nenhuma for-
maao. Segundo a embaixada da Nigria em Espanha, dos 18.000
Nigerianos que se encontram no pais, cerca de 10.000 nao sabe ler
nem escrever ingls, que a lingua official na Nigria. Sao completa-
mente analfabetos. O mesmo valido para o Gana, Senegal,


Camares e Mali, os principals pauses da Africa Ocidental, que sao
uma fonte important de imigraao clandestine.
Muitos imigrantes africanos, que sao hoje considerados um risco para a
segurana da Europa, entraram aps inmeras dificuldades. Ou entio
pagaram montantes exorbitantes para obterem vistos, ou seguiram dife-
rentes rotas terrestres e maritimas. Para se lanarem ao caminho, muitos
venderam as suas propriedades ou contrairam emprstimos que tm de
ser reembolsados num determinado prazo. O incumprimento deste prazo
acarreta muitas vezes graves consequncias para a familiar que deixaram
na terra natal. Para evitar que tal acontea, os imigrantes vem-se mui-
tas vezes forados a optar pela "via rapida" em Africa: actividades cri-
minosas, prostituiao e trafico de drogas duras.
Estes imigrantes ilegais, analfabetos e na sua maioria sem qualquer for-
maao, tm dificuldades em se integrar. Debatem-se com problems lin-
guisticos e culturais que toram a integraao dificil, quando nao impos-
sivel. Apesar da ameaa de prisio, do racism, das
barreiras culturais e do estatuto de cidadao de
segunda classes nalguns paises de acolhimento,
muitos ousam ainda embarcar nesta viagem para
melhorar a sua situaao econmica.

> Desassossego na UE

A imigraao de Africanos aos milhares esta a
inquietar as autoridades da UE. A tendncia torou-
se num tema das campanhas eleitorais tendo alguns
partidos proposto medidas mais drasticas para
maior control do fluxo de imigrantes.
Correm rumors que various barcos-patrulha terio
deliberadamente afundado barcos imigrantes ilegais
para impedir que chegassem Europa, assim como
uma revelaao mais recent sobre a brutalidade em
relaao a crianas africanas nas Ilhas Canarias, o
que certamente nao resolvera o problema.
Para que tenhamos uma Europa mais segura,
necessario prestar assistncia e dar emprego a essas
pessoas, evitando-se assim que enveredem pelo
caminho da criminalidade por essa Europa fora. Na
Smesma ptica, a exigncia de visto Schengen deve-
ria ser menos rigorosa se realmente a Europa quer
que os imigrantes que chegam de Africa estejam
sob menos pressao.
Quer se trate de trabalhadores qualificados, quer se
trate de nao qualificados, algumas das melhores
inteligncias abandonaram o continent em busca
de uma vida melhor no estrangeiro, criando dessa
feita um vazio a todos os niveis.
Os lideres africanos sao responsaveis pela enor-
me fuga de capital human para o estrangeiro.
Nao vale a pena dizer que a vida em Africa ma,
curta e cheia de brutalidade. A estabilidade polf-
tica, a segurana da vida e a propriedade, a infra-
estrutura de primeira classes, as oportunidades
para realizar os sonhos de cada um sao algumas
das coisas que atraem os Africanos Europa,
Amrica e Asia.
Um ambiente conducente diminuiria nao s6 a vaga
como encorajaria os Africanos da diaspora a
3 regressar aos seus pauses para levarem o continen-
te para voos mais altos. a


C*RREIO






Agenda Initeracoes


Agenda

Outubro Dezembro 2007


Outubro de 2007


> 8-10 Reuniao dos Ministros do
Comrcio ACP.
Bruxelas, Blgica
Ocasido para os seis grupos
regionaisfazerem o balano
sobre os APE.
www.acp.int

> 22-26 Reuniao dos Ministros ACP
responsaveis pelos APE
e pelo Comrcio.
Cotonu, Benim

> 25-26 28" Conferncia dos Ministros
da Justia, organizada pelo
Conselho da Europa sobre
"O acesso justia pelos grupos
vulneraveis, inclusive os migrants
e os requerentes de asilo".
Lanzarote, Espanha
www.coe.int

> 28-2/11 12" Conferncia Mundial dos
Lagos. Jaipur, India
Da cincia cultural dos lagos,
a India acolhe a 12" Conferncia
Mundial dos Lagos, organizada
pela (, n..,.-..; .;. ndo
governmental Comissdo ambiental
international dos lagos.
www.taal2007 .org

> 31-2/11 Conferncia international sobre
a gestao costeira.
Cardiff, Reino Unido
Um encontro a no faltar pelos
governor e engenheiros civis, numa
poca de mutado climdtica e de
presses exercidas sobre as zonas
costeiras.

> 23-7/11 8" Sessao da Conferncia das
Partes na Convenao sobre a
luta contra a desertificaao.
Madrid, Espanha
www.unccd.int


nouembro de 2007


> 7-9 Jornadas Europeias
do Desenvolvimento de 2007,
consagradas nomeadamente ao
estudo dos efeitos da mudana
climatica sobre os pauses em
descenvolvimento.
Lisboa, Portugal
dev-days@eu.europa.eu
www.eudevdays.eu

> 14-16 10" Sessao da Assembleia
Parlamentar ACP.
Kigali, Ruanda

> 17-22 14" Sessao da Assembleia
Paritaria ACP-UE.
Kigali, Ruanda
www.acp.int

> 23-25 Reuniao dos Chefes de Estado
do Commonwealth.
Kampala, Uganda
l .. r. i ........ as sociedades do
Commonwealth para realizar o
desenvolvimento politico, econdmi-
co e human" o tema da reunido
semestral dos 53 ( i,. de Estado
do Commonwealth. Estdo previstas
tambm sessoes para os homes de
negdcio e os jovens.
www.chogm2007.ug
www.thecommonwealth.org


Dezembro de 2007


) 3-4 Conferncia "Diasporas
e comunidades transnacionais".
Wilton Park, Reino Unido
De que maneira as didsporas
contribute para o desenvolvimento
dos seus pauses de acolhimento e
dos seus pauses de origem.
www.wiltonpark.org

> 8-9 2" Cimeira UE-Africa

> 9-13 Reuniao dos Ministros ACP
responsaveis pelos APE.
Lugar a c..,r,, ,,..,

SA confirmar
86" Sessao do Conselho
de Ministros ACP
Bruxelas, Blgica a


Oladl Bamgboy, Stilllife, 2003.
Srie de 4 impresses digitais, 122 x 91.4 cm.
Com a amavel autorizaao da colecao africana
de arte contempornea Sindika Dokolo.


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007










Aminata Niang


f nEGOCIRlRO DOS RCORDOS


de parceria econmica fCP-UE


saiu do coma
Recta final antes da concluso


rrar a negociao dos Acordos de Parceria Econmica
A luz ao fundo do tnel. A todos aqueles que pretendiam ente-
rrar a negociaao dos Acordos de Parceria Econmica
(APE) entire a UE e seis subconjuntos regionais ACP (Afri-
ca, Caraibas e Pacifico)*, quase num ponto morto desde
2005, a sessao do Conselho de Ministros conjunto ACP-UE de 25 de
Maio de 2007, em Bruxelas, deu-lhes uma resposta negative.
Nesta data, que deve ser considerada memoravel na histria das nego-
ciaoes extremamente complexes, iniciadas em Setembro de 2002 com
o conjunto do grupo ACP, os ministros dos 27 Estados-Membros da UE
e os seus homlogos dos 77 pauses ACP confirmaram que tudo fariam
para concluir a tempo, ou seja, at ao final de 2007, APE compativeis
com as regras da Organizaao Mundial do Comrcio (OMC). O objecti-
vo que estes novos acordos de comrcio, postos ao servio do desen-
volvimento dos pauses ACP, possam entrar em vigor em 1 de Janeiro de
2008, data em que caducard a derrogaio s regras da OMC que autori-
za os Estados ACP a beneficiarem de preferncias comerciais unilaterais
para o acesso ao mercado europeu, no quadro do Acordo de Cotonu.

> Liberalizao progressiua

Mais: os ministros subscreveram conjuntamente a oferta formal que a
Comissao Europeia tinha feito em 4 de Abril. Esta oferta, revelada por
Peter Mandelson, Comissario para o Comrcio, permit que todos os paf-
ses que negoceiem um APE terao acesso, a partir de 1 de Janeiro de 2008,
ao mercado europeu com direitos aduaneiros nulos e sem contingentes
para quase todos os seus produtos -incluindo os produtos agricolas como
a care de bovino, os produtos leiteiros, os cereais e todos os frutos e
legumes. Estao no entanto previstas excepoes, a titulo transitrio, para o
arroz e para o acar. Em resumo, os ministros ACP e europeus deram o


seu acordo a um regime muito prximo daquele de que ja beneficiam
quarenta Paises Menos Desenvolvidos (PMD), baptizado "Tudo menos
armas". Estes acordos nao serao acordos convencionais de comrcio
livre, uma vez que a oferta nao pressupe a abertura reciproca dos mer-
cados. Prev, antes e sobretudo, o desenvolvimento de mercados regio-
nais entire os ACP, como condiao prvia para a liberalizaao progressi-
va das trocas comerciais com a UE, com perfodos de transiao muito lon-
gos, que poderao ir at 25 anos, clausulas de salvaguarda que permitirao
aos pauses ACP protegerem da concorrncia europeia os seus produtos
mais sensiveis e uma flexibilizaao das regras de origem. Sera conve-
niente encontrar nas negociaoes, no entanto, uma soluao que assegure
aos pauses ACP que as suas vantagens garantidas at aqui pelos protoco-
los sobre os produtos de base, de importncia vital para eles -como o
Protocolo do acar, ameaado de desmantelamento unilateral pela UE
-sejam bem preservadas, como determine o Acordo de Cotonu no n 4
do artigo 360. Os ministros ACP reivindicaram isto e a Uniao Europeia
comprometeu-se, sem no entanto dar indicaao das modalidades.
Em 15 de Maio, o Conselho de Ministros da Cooperaao para o
Desenvolvimento da UE ja tinha declarado, em concluses escritas
unnimes, a determinaao da UE em concluir o process dentro do pra-
zo e tinha confirmado a vontade de mobilizar 2 mil milhes de euros
por ano para a ajuda ao comrcio a favor dos pauses em desenvolvimen-
to a partir de 2010, tendo ficado claro que os pauses ACP serao os prin-
cipais beneficiarios. a


* Africa Ocidental atravs da CEDEAO, Africa Austral atravs da SADC,
Africa Central atravs da CEMAC, Africa Oriental e Austral atravs da ESA,
as Caraibas atravs da CARICOM e o Pacifico.


C*RREIO






Comrcio


"nDO EXISTE um PflRO B",





LOUIS miCHEL

Com a data de entrada em vigor dos Acordos de Parceira Econ6mica (APE) a aproxi-
mar-se e os acordos de livre comrcio com as seis regies ACP, a Assembleia
Parlamentar Paritria ACP-UE (APP) em Wiesbaden, reunida entire 25 e 28 de junho,
constatou enormes diferenas entire os participants sobre o a importncia destes
acordos para os pauses ACP.


M uitos deputados ACP estao pre-
ocupados com o facto dos
calendarios para a liberalizaao
de bens e servios serem ainda
desconhecidos. Por um lado, receiam que haja
uma corrida desenfreada para assinar os acor-
dos at final do ano e, por outro lado, se os
APE nao forem finalizados at essa data,
receiam que se percam as preferncias comer-
ciais existentes contempladas pelo Acordo de
Cotonu, quando a clausula de renincia da
Organizaao Mundial do Comrcio (OMC),
referente s disposioes, terminal em 31 de
Dezembro de 2007.
Sendo os calendarios para a abertura dos mer-
cados e os pacotes de ajudam que os acompan-
ham ainda desconhecidos, o deputado Boyce
Sebetela (Botsuana) afirmou nao saber o que


dizer neste Parlamento sobre as consequncias
de uma APE para a Africa Austral. De acordo
com o eurodeputado espanhol (Socialista),
Josep Borrell, "uma liberalizaao precipitada
aniquila a possibilidade de um pais que tenta
desenvolver-se poder participar na economic
mundial".
Coube a Peter Thompson, Director Comercial
na Comissao Europeia, dissipar os receios.
Peter Thompson delineou aquilo que ele pensa
ser as vantagens dos futures acordos. Disse
APP que, de acordo com as propostas da UE
de Abril de 2007, as mercadorias provenientes
das seis regies ACP, excepao do arroz e do
acar, fariam parte da zona franca UE e
dariam a possibilidade aos ACP de "determi-
nar o seu prprio future livre da clausula de
renincia da OMC."


O deputado Nita Deerpalsing (Mauricias) afir-
mou recear que o seu pais perca a quota garan-
tida e o preo do acar no mercado da UE.
Thompson disse ainda que as novas propostas
referentes ao acar iam no sentido de distri-
buir os beneficios de uma forma muito mais
just, ja que outros Paises Menos Desenvolvi-
dos (PMD), tal como a Repblica Dominica-
na, e outros passariam a ter a possibilidade de
exportar acar para os 27 Estados-Membros
da EU.

> Pnico de Outono?

Em Novembro, sera o pnico, afirmou o euro-
deputado Carl Schylter (Verdes, Sucia), a res-
peito da ausncia de evoluao nas negociaoes
de APE. O eurodeputado disse ainda que os


:1


"0 meu mundo
de comrcio just"
Cabelos em forma de banana e umbi-
gos de chocolate: sao apenas duas
das fotografias tiradas por crianas para
promover o comrcio just em toda a UE.
Estas crianas participaram num concurso,
"My fair trade World" ("O meu mundo de
comrcio justo", organizado pela Rede
Europeia de Lojas do Mundo. O vencedor
do primeiro prmio, anunciado pela
Ministra alema da Cooperaao e
Desenvolvimento Econ6mico, Heidemarie
Wieczorek-Zeul, durante a APP, foi Levy
Hanekamp de Dronten, Paises Baixos,
com oito anos de idade. a


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007






Comrcio


pequenos agricultores seriam os mais dura-
mente afectados pelo novo acordo. Esta afir-
maao despoletou um pequeno debate filosfi-
co com o Comissario do Desenvolvimento da
UE, Louis Michel, sobre os principios da polf-
tica de desenvolvimento.
"Quando se abre o mercado, todos beneficiam
a nao ser que se pense que a auto-suficincia
permit aos pauses sobreviverem," replicou
Louis Michel. "Se nao vencermos o desafio,
sera talvez melhor continuarmos a trabalhar
com as obras de caridade."
O Comissario afirmou ainda durante a APP:
"Nao existe um plano B. O crescimento de um
por cento nos pauses em desenvolvimento o
equivalent a todos os subsidies atribuidos".
Louis Michel deixou igualmente uma alusio
velada de que a Comissao podera vir a atribuir
funds adicionais aos ja previstos para ajudar
a sustentar os APE.
A Ministra alema da Cooperaao e
Desenvolvimento Econmico, Heidemarie
Wieczorek-Zeul, sossegou os pauses ACP,
dizendo que os textos dos respectivos APE
seriam acompanhados de perto, a fim de asse-
gurar que estao alinhados pelos objectives da
political de desenvolvimento. A ministry disse
ainda que os acordos tm ja previsto um meca-
nismo de revisao.
Algumas organizaoes nao governamentais
(ONG) ficaram indignadas, manifestando-se
nos relvados do Kurhaus, local onde decorreu
a APP, o que deixou a entender que os pauses
africanos estavam a ser coagidos a assinarem
os APE. Num dos inmeros documents anti-
APE das ONG, distribuidos durante a semana,
Alexandra Burmann da organizaao alema
"Pao para o Mundo", descreve de que maneira
as importaoes de care de galinha barata e de
tomate ja estao a forar os produtores locais a
sairem dos seus prprios mercados na Africa
Ocidental. As indstrias dos diferentes secto-
res nos pauses ACP sofrerao as consequncias
assim que as suas rivais da UE chegarem e se
apoderarem de servios tais como bancos,
telecomunicaoes, energia e fornecimento de
agua. Ha estudos a afirmar que as exportaoes
dos ACP aumentarao pouco se a UE abrir os
seus mercados, visto estes ja estarem na sua
maioria abertos aos produtos ACP, confirm
ainda o document Burmann. A liberalizaao
dos servios e as questes chamadas de
"Singapura", tal como o investimento, a polf-
tica de concorrncia e os contratos pblicos,
afectarao igualmente os ACP da pior forma.


www.ec.europa.eu/trade
www.brot-fuer-die-welt.de


FILfIIDO



dos flPE...


Pessoas familiarizadas com as negociaes dos APE -
tcnicos e politicos do a sua opinio sobre os temas
mais delicados at agora das conversaes sobre os
APE: perda de taxas de importao, cumprimento do
prazo de 1 de Janeiro de 2008 e pacotes de assistncia
para apoiar as novas medidas comerciais.



Gilles Hounkpatin Director do Comrcio, Turismo e Alfndegas
da Comunidade Economica dos Estados da Africa Ocidental (CEDEAO)* e
responsavel pelas negociaes em nome desta regiao.

Um bom acordo
Um bom acordo pe a tnica na integraao regional e na melhoria da competitividade ao
nivel da sub-regiao, para nos permitir ter acesso ao mercado europeu.

Integrar-se na economic mundial
Os APE permitiran a nossa integraao na economic mundial. Neste project precisamos
antes de mais de nos integrarmos a nivel regional. Devemos ter acesso ao mercado europeu
e depois ha a questao das normas sanitarias e fitossanitarias, etc.

Recursos de acompanhamento?
A tnica deve ser colocada a nivel das empresas/inddstrias e na melhoria das nossas infra-
estruturas para nos podermos empenhar no desenvolvimento.

Reduo das taxas de importao
Num primeiro moment havera uma diminuiao das receitas. O oramento dos nossos
Estados-Membros depend das receitas fiscais. E preciso resolver tudo isto, senao havera
uma cruise social. Somos de opiniao que precise fazer um esforo a nivel econmico e no
plano da reestruturaao. Devemos antever a transiao fiscal, isto , a passage para a fisca-
lidade dos impostos internos e indirectos, mas tudo isto exige um acompanhamento.

Respeitar o prazo de 31 de Dezembro de 2007
Eu prefiro sobretudo um bom acordo.

*Benim, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gmbia, Gana, Guin, Guin-Bissau, Libria, Mali, Niger,
Nigria, Senegal, Serra Leoa e Togo. M



Mohlabi K. Tsekoa Ministro dos Negocios Estrangeiros do Lesoto
e o actual Presidente do Conselho ACP.

IPrurid 1 d,111. I I

N.i" plJni min'' Jii "I I -' l .uP p 'c iii1i.' .LI. ii pI n'i TLIJ' i ic in piiii N p J -
qu-l.ii i .il ill ii il' ii iI inieullm i- . ii i. l.ii il i n i' u n ili i lbI i i i inci l 1 PI


() q f i iii t I ii i Ili, i
t i b.iil l h rE m I ci i ll a.1i 1i.ll. qI de Jie.ii' .l ii ..ii i 1.l i. i i i L., i ii i. iu. .'. id dd '. dJu *CT '.
.I iplc s.' i J .d p|i' .1' .1 p.1 C I .'i, .l l r, I 'I'r.'I Jic Ill li. I "c l ... Ii. ,ll Illl ll o "
p ,s.i rc.Ii ...ir illuni I Iln.i prr i..I 1


CORREIO






Comrcio





Billy Miller Ministro dos
Negocios Estrangeiros dos Barbados.

Repriitii n prt.o
, 's q.1. 1 ll. ,1 iI1.1, ,C' l' L* '.ir l l. lllll.- ll l.lj. l'- lI ll

i l. i.-tlri fi.-ii l i. p. ir. i ,i.llt r! r, i. rJ., .in j l i.l..i'



IIin.t l' .lr.l% it 'h ll% ACF tiL.' I II ltI, II. L I.I% Li i i.i

iu ii'.cLIIlll~~i hi 111 APE

I t111.1s htr, l fr i i n' L I \\1 11u 1 1 .1\PI.'
Nc'nipri Ti'.tl', 4 'il i' t', c. iC l_,nic
A ',Id [c'llll I I, -. ',ld tc C.l llLI l. L 1 jt h-
%I, ,le 2 2' i -., A-PE ii.i> p.ir.i ilcni .Ic "'
E iiii pI.1'n Il111,.tiiiL qtiu [Ii lil. A d iI J i 1l.i
eillr'ui ii Ii lLlIl L I A I' l hrc -


l'iith'i il il% \PE facim ( )lidiiii.d(hd fi


II I > tr rT 'lU[il l iLi .iiLit I' 1i0 l .ij i l.ii.i c


Entrevislas realizadas pir H G


Junior Lodge representante em
Bruxelas dos 16 Estados membros do
bloco de naes das Caraibas,
Cariforum*.

Aspiraes de desenvolvimento
Queremos um APE que corresponda s nossas
aspiraoes de desenvolvimento e de resposta
aos objectives politicos de Cotonu de erradica-
ao da pobreza, desenvolvimento sustentavel e
um novo regime commercial. Precisamos de um
pacote de cooperaao para o desenvolvimento
para aumentar a competitividade, a inovaao e
para um ajustamento fiscal e empresarial.

Servios
As Caraibas sao muito fortes em servios e pre-
cisamos de maior acesso. Uma das questes
uma quota para trabalhadores qualificados e
nio qualificados virem para a Europa. Isto mel-
horara a prestaao de servios aos consumido-
res europeus e permitira que os trabalhadores
das Caraibas regressem ao pais com maiores
competncias.

Perdas de taxas de importaao
Para os pauses das Caraibas Orientais, as taxas
aduaneiras representam 60% das receitas do


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007


govero. As Caraibas tm alguns dos pauses
mais altamente endividados do mundo. No
context de elevado endividamento e de perda
de receitas fiscais, os pauses estao receosos.
precisamente por causa desta preocupaao com
os impostos, mas tambm com praticas comer-
ciais internal e desleais da UE que negociamos
um period transitrio de 25 anos para os pro-
dutos mais sensiveis das Caraibas. Estamos
tambm a assegurar que associamos as abertu-
ras de mercados aos europeus com o seu apoio
reform dos nossos regimes fiscais.

( iiplariHliddth com a OMC
Para garantir o acesso ao mercado tivemos de
assegurar-nos de que compativel com a
Organizaao Mundial do Comrcio (OMC) e
que nao ficamos sujeitos a litigios futuros na
OMC. Ja tivemos isso com as bananas e com o
acar. Nao podemos permitir que nos afastem
da cadeia de valor global. o que acontece
quando se tem uma ameaa de litigio. Quando
temos contratos com supermercados, eles que-
rem ter a certeza de que os mesmos sao respei-
tados. Como recurso, temos de usar algumas
das flexibilidades actualmente estabelecidas
nas regras da OMC e na jurisprudncia para
ensaiar essas flexibilidades.


Pacote de assistncia
Trata-se de uma negociaao de pacotes. Por um
lado, queremos acesso aos mercados -porque
estamos dependents do comrcio e a UE um
important destino para as nossas exportaoes
-e por outro, precisamos de assistncia tcni-
ca, de empresas comuns e de acesso s tecnolo-
gias relevantes.

Prdticas desleais
Devemos poder resolver as praticas comerciais
desleais e ter um mecanismo especial de salva-
guarda em que um aumento brusco de importa-
oes possa ser resolvido pelos produtores inter-
nos de bens.

Prazo
Temos de evitar pedir uma derrogaao e sujei-
tar as exportaoes das Caraibas a um Sistema
de Preferncias Generalizadas (SPG) em que
sejam aplicadas taxas de importaao adicionais.
O risco para nos demasiado grave para
apoiarmos a ideia de nao concluir as negocia-
oes a tempo.

*Antigua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Cuba,
Dominica, Repblica Dominicana, Granada, Guiana, Haiti,
Jamaica, St Kitts e Nevis, Santa Lucia, Sao Vicente e
Granadinas, Suriname, Trindade e Tobago. M


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HUI .I Iondoin




de,,prigeIm naI[igernianar
Pro .0o esrl .u seco raro
so smtqe de.0 si


T em apenas 34 anos e atris de si ji
tem uma carreira de arquitecto, de
manequim, de actor, de jomalista,
cantor quando lhe agrada, escritor e
escritor de livros raros. Autor do best-seller
Black Beauty, o ltimo livro que acaba de
publicar como "director criativo", coordenan-
do o trabalho de outros criadores famosos,
consagrado ao lendario futebolista Pel. Nio
pense muito nisso, porque poucos leitores do
Correio se poderao oferecer esta jia da edito-
ra atipica Gloria. A tiragem maxima limita-
da a 2.000 exemplares, custando 2.500 euros
cada um. Para os mais afortunados, os 150
exemplares do nec plus ultra da ediao "car-
naval" esgotaram-se nas primeiras semanas
de venda ao preo de 4.500 libras esterlinas
cada livro. Alguns ja sao revendidos a 10.000
libras em mercados asiaticos.
Para o grande public em todo o mundo, Ben
Arogundade o autor de Black Beauty, consi-
derada uma obra de referncia. A ediao origi-
nal, datada de 2001, foi actualizada quando a
BBC difundiu tres emisses sobre o livro.
Mas foi de pintura que Arogundade comeou a
falar. O encontro foi marcado no Tate Modem
Museum para visitar a sala dedicada aos pinto-
res congoleses (RDC) numa das alas que acol-
he a colecao permanent do museu com o titu-
lo "States of flux". Depois falou do segundo


livro-objecto de arte a publicar pela Gloria e no
qual trabalha, que sera consagrado aos iates. E
um pouco do terceiro apenas esboado, que tera
como vedeta a grande maa, Nova torque.
Eram dez horas da manha na Tate Modem, na
zona de Bankside, ao long da qual corre o
Tamisa, com as longas horas de imobilidade
dos artists de rua a transforma-los em estatuas
vivas e a multidao, de que uma parte passara
diante de uma construao de Ben Arogundade
no Southbank, no tempo em que ele se dedica-
va arquitectura.


Um dia na vida de Ben Arogundade uma
oportunidade para descobrir como esta figure
pblica, primeira vista extrovertida, final
reservada. Provavelmente estara vontade
nos acontecimentos mundanos, cultivando ao
mesmo tempo muitos segredos, a intimidade
e quase a timidez. O dia do nosso convidado
comeou muito antes da Tate, s 6h30, para
fazer a sua corrida diaria, umas boas 5 milhas
em Wandsworth, volta do grande terreno
municipal, antes de regressar para tomar o
pequeno-almoo em casa, em Battersea.
Depois da Tate e de um rapido pequeno-
almoo, Ben Arogundade tinha de entrevistar
um desses multiplos proprietarios de iates
que tem de encontrar, antes de passar pela
editor Gloria, em Kentish Town, nos bairros
do norte de Londres, onde um pequeno grupo
de uma dezena de criadores trabalha sob a
sua direcao nestes barcos de luxo. Ao fim da
tarde voltara a casa para trabalhar no guiao
de um filme a partir do seu romance indito,
Loveless, em colaboraao com o actor de
Hollywood Laurence Fishburne.
De tudo isto, da sua vida de manequim, dos
seus talents de cantor, o home pblico
falou de modo muito privado ao Correio,
com um pudor que contrast com a sua ima-
gem de estrela extrovertida que aparece na
imprensa.


C*RREIO






Em foco


> "Identidades eclcticas"

Nasci e cresci em Londres, mas sou de ori-
gem nigeriana. Gosto, de certa forma, de ter
esta dupla personalidade, ao mesmo tempo
inglesa e nigeriana, num corpo de bano O
meu nome nigeriano e muitos dos meus
valores vm da Nigria. O que interessante
a luta para ser duas coisas. E-se totalmente
ingls, -se inteiramente do pais de origem,
ou as duas coisas? E essa actualmente a gran-
de questao cultural/racial para as minorias
aqui em Londres e tambm em muitos outros
sitios no mundo, especialmente desde os ata-
ques de 11/9 e de 7/7 em Londres.
O grau de preparaao para mudar de cultural
algo que cada individuo tem de decidir por si
prprio. Depende muito do que se faz na
vida. Se estamos em certas profisses, como
a comunicaao social, a msica ou qualquer
dos dominios criativos, nao havera a mesma
pressao para nos conformarmos. Na verdade,
nestas areas o que precise diferena. Mas
se estivermos na banca ou em qualquer dos
sectors mais conservadores, nesse caso
havera maior pressao para assimilar valores,
os valores estticos e culturais das pessoas
que dominam esses sectors.

> Simplesmente uma celebridade
nos meios de comunicaao
britnicos?

A imprensa s6 se interessa em saber de onde
sou, em terms biograficos normais.
Normalmente as pessoas nao me entrevistam
sobre a minha origem nigeriana... De certo
modo bom para as pessoas estarem preocu-
padas simplesmente com a questao sobre a
mesa. Quando se escreveu uma obra como
Black Beauty, as pessoas estao interessadas
em saber de onde veio a ideia do livro e nao
em mim como nigeriano.

> Black Beauty

Penso que o problema da image para os
negros em todo o lado forte. Centrei-me
nas estrelas negras dos EUA porque os leito-
res podiam relacionar-se com elas... Se fala-
mos de representaoes da beleza utilizando
Sidney Poitier como exemplo, ou Halle
Berry, etc., isto rene maior interesse. A
mensagem chega a mais pessoas do que
quando falamos de gente que nio se conhe-
ce. Tudo aquilo de que falo em Black Beauty
atravs do prisma da celebridade o mesmo
que acontece aos negros no dia-a-dia em
todo o lado.


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007


> Falta de autoconfiana
de alguns migrants

Acertou numa coisa que muito important, a
correlaao entire falta de uma confiana estti-
ca especifica nas escolas e no local de trabal-
ho. Se olhar para a posiao das mulheres em
geral, elas sao mais oprimidas. Olhe para as
mulheres negras... estao a ser oprimidas nio
s6 pela cultural do home branco, mas tam-
bm pela cultural do home negro.

> Continuidade entire
Black Beauty e Pel
e arquitectura e escrita

Pel de certo modo um tipo de proposta
completamente diferente e por outro lado
semelhante. Pel foi uma das primeira pesso-
as que comeou a perceber que os desportis-
tas podiam ser tao poderosos como os politi-
cos, o que acontece ainda mais hoje em dia:
Michael Jordan no basquetebol, etc. As pes-
soas do desporto tm agora o poder, a
influncia e o dinheiro dos politicos e de
alguns lideres industrials. Tive de produzir
este livro com uma equipa de pessoas e pes-
quisar o melhor material. Para mim uma
extensao da arquitectura... A mecnica criati-
va do que estou a fazer a mesma... Pel foi
como construir uma torre em terms de volu-
me. muito arquitectnico.

> Project de filme Loueless

Foi um afastamento de Black Beauty e eu que-
ria fazer qualquer coisa que me afastasse


daquilo a que tinha estado associado antes...
O romance esta agora a ser concluido, junta-
mente com um guiao do mesmo projecto... E
sobre toda a cultural de relaoes disfuncionais
na Londres modern, um drama de relaoes
psicolgicas.

> Como manequim e cantor

A actividade de manequim foi algo que fiz
para me ajudar financeiramente a escrever
Black Beauty... e tambm para estar numa
posiao que me permitisse fazer face hierar-
quia esttica na passage de models e for-
ma como a esttica determinava quem fica
com que trabalho... e utilizar isto para com-
preender a political desta indstria.
Durante muito tempo tive grande interesse
em cantar e estou interessado em fazer qual-
quer coisa do ponto de vista lirico, tanto
como vocalmente. Por agora nao tenho dema-
siadas ambioes nesta area, mesmo que me
sinta atraido pela ideia de fazer algo musical-
mente criativo.
H.G. M


I I No ii ^B


Ben Arogundade, Black Beauty, Pavilion
Books Limited, Londres, 2000
www.pavilionbooks.co.uk







1, lossa terra





f magnificncia do SOL


O queniano, John Maina, foi premiado com o trofu da sustentabilidade, Energia
Global 2006, entregue este ano nas imediaes do Parlamento Europeu em Bruxelas.
o principal galardo dos trofus atribuidos anualmente aos melhores projects ami-
gos do ambiente e que contribuem consideravelmente para preservar os recursos ener-
gticos depauperados.


A o usar o sol para
secar frutas e legu-
mes, o secador solar
fabricado no Qunia
pela sua empresa, SCODE, nao
s6 poupa energia como tambm
melhora a segurana alimentar e
o regime alimentar, e tem um
enorme potential de exporta-
ao, afirma o seu criador,
Maina. Tudo isto sem prejudi-
car o ambiente. Os agricultores
aumentam os seus lucros sem
terem que utilizar recursos
aqufferos adicionais.
Os prmios, fundados pelo
engenheiro austriaco e ambienta-
lista, Wolfgang Neumann, um
SRuth Sacks, Don'tpanic, 2005. Video, 4' 54"
pioneiro no dominio da poupan- Com a amvel autorizaao da colecao africa
a de energia, foram atribuidos,
at ha data, nove vezes em ceri-
m6nias realizadas cada vez em cidades diferentes do mundo inteiro. O
trofu essencialmente atribuido a projects de pequena escala, com
escassos funds, que prevem uma utilizaao econmica e racional dos
recursos com a ajuda de fontes energticas alterativas. O project do
secador ficou entire os primeiros dos 732 projects de 96 pauses.
"Faltam dois minutes para a meia-noite e temos que agir," insistiu Hans-
Gert Pottering, Presidente do Parlamento Europeu, a respeito da "emer-
gncia ambiental" que o mundo enfrenta.
Um elenco de personalidades conhecidas pelo seu empenho na luta em
prol do ambient, incluindo o actor norte-americano Martin Sheen, o
cantor britnico Robin Gibb, o ambientalista indiano Maneka Gandhi e
o escritor somaliano Waris Dirie, entregaram os prmios. Foram premia-
dos tres campees em cinco categories: Terra, Fogo, Agua, Ar e
Juventude. Para alm de ter ganho o primeiro prmio do grupo Terra,
Maina foi igualmente o vencedor total.

> Concepo simples

As paredes laterais da caixa do secador sao feitas de madeira, o fun-
do de tapete de papiros e o tecto de uma pelicula de politeno tratada
contra os UV. O tapete de papiros esta coberto com um material que
absorve o calor. A pelicula de politeno tratada contra os UV permit
aos raios solares penetrarem na caixa, criando um efeito de estufa no
interior do secador. Os produtos a secar sao colocados no secador em


cima de um tabuleiro de madei-
ra e uma rede de plastico.
Quando as colheitas de fruta e de
legumes ocorrem nos 3-4 meses
da poca das chuvas, o excedente
dos produtos com elevado grau
de humidade, ou seja ananas,
mangos, tomate, couve, papaia,
banana e mandioca, que de outra
maneira seriam desperdiados,
pode ser seco e colocado no mer-
cado local durante a estaao
quente e seca quando os lucros
sao mais baixos.
Maina afirma: "Os Quenianos
nao tm por habito comer fruta
e/ou legumes secos. Contudo, o
project encorajou com xito um
de arte contempornea Sindika Dokolo. ndmero cada vez maior de fami-
lias a incluir fruta e legumes no
seu regime alimentar".
A construao simple do aparelho barata e facil de realizar, manusear
e manter. Custa apenas 3.000 xelins quenianos (ksh) ou 31,25 euros. A
verso commercial secador em format de tinel vendida a 15.500
xelins (ou seja 161,50 euros). Incluidos estao os seis tabuleiros e adere-
os para cargas mais elevadas, que permitem, por exemplo, secar at 18-
20 kg de ananas fresco cortado s fatias de uma s6 vez.
Maina pretend agora exporter o secador: "Devido falta de recursos
para comercializar a tecnologia, nao temos sido capazes de chegar a
outras regies do Qunia. Estamos procura de investidores para nos
ajudarem a fazer o marketing dos secadores mais amplamente no Qunia
e na regiao da Africa Oriental. At agora, ainda nao vendemos nenhum
secador fora do Qunia, porque as pessoas de fora das areas piloto nio
conhecem as maquinas de secar."
Maina esta igualmente procura de s6cios para comercializar a fruta e
legumes produzidos no Qunia, e assim penetrar no mercado de produ-
tos biol6gicos da UE em crescimento: "Quando estive em Bruxelas para
a cerim6nia de entrega do prmio Globo de Energia, conheci pessoas
muito interessadas nos frutos secos para fabricarem um eco-chocolate na
Europa. Estamos a dar um srio seguimento a estes contacts, com vis-
ta a exportar frutos secos para as empresas interessadas onde quer que se
encontrem."
D.P.
E-mail: scode @africaonline.co.ke
Website: www.energyglobe.info a


C*RREIO


na














































I II


emasiadas vezes massacrada pelas guerras ou
enfraquecida pela fome, a venervel Eti6pia, fil-
ha mais velha da Africa independent, acaba
de celebrar um outro 11 de Setembro, simbolo de
esperana, este: o da entrada do pais no terceiro mil-
nio do seu calendrio.
Estas festividades, que se prolongaro ao long de ium
ano, so para os seus visitantes uma ocasio unica de
explorarem este pafs, santurio de vrios tesouros clas-
sificados patrim6nio da humanidade, e a sua cultural,
e de prestarem homenagem aos seus artists e aos


seus ilustres atletas que conquistaram varias medalhas
de ouro olfmpicas.Mas este grande pais tem melhor a
oferecer ao mundo do que a nostalgia de um grande
passado: a demonstrao da sua capacidade de se
transformar e de erradicar os flagelos da pobreza, que
em parte se devem forte presso sobre os recursos,
e ao fatalism, imposto por dcadas de ditadura. A
vontade de vencer existe, como o prova uma econo-
mia dinmica, que o ser tanto mais quanto a liberda-
de de empreender acompanhar a de falar e de proper.
O Correio foi ao encontro desta Etipia fecunda.






eportagem Etiopia


0 ESTALEIRO








Em 11 de Setembro ltimo, a Eti6pia festejou a sua entrada no terceiro milnio do
calendrio juliano. O pais esta em festa durante um ano e aproveita a ocasido,
segundo o Ministro de Estado das Finanas e do Desenvolvimento, Ato Mekonnen
Manyazewal, para fazer o ponto da situao e indicar os objectives de desenvolvi-
mento de um pais em pleno boom.

Imveis em construao em frente da igreja
Medhanielem de Bole (Adis Abeba).
Franois Misser


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inmildn peic- hc-mein mini iis i dc- pai';, Sheikh Nitli.iniUieJ AlhAiiniJi.
dniiu Jd Slhe tiiun c di, gript, MidJruc.
MiL. L 'in pclinnitnii, liu qu. Adis Abt'bi dit n e'cpi'cliculii de u nm luen-
su ist.ileirn. O niussil hclel. situiLtJ-o iii hiLinn Jd Biil.e, peiltu Jc acitpir-
Lii, .' l i;L a rc-L'JalJ dc t p l,' cm uLiinsIrui t,, 11.1 iiin.iuiri.i J s 'is t pJuiiL
niLus icLsciiliino. sinuliis di dcscu tiiil iTiniinii Li uii'iiiiiiLc. C'i111 eluci-
LOii, i Lc:cinieiiiln clii PIB cli ElioJpiJ cl.'vi-se J L9.' r c'i 21i11i-2 (i"7
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LiiquiLnio calpitil da llniii .AIri t an i iL d' Js umniltlk', Lin iiis di liii
ciih.iixad;.st, Lctiiiiinins de "Brnuxc'iiL.s J.i liici"a i Chinaiii ci i iii. i 's-
lir 15:(I inilh es de JilJiL'; iL liiinr;iu.lii Jdt, IL''ii di U[A. TeLnd' .i
Liillsiiuilii il [ Cll i il J.1 CdL.iilidl, iL. S clniprt'ils cLhjnii .sis .1-Jbiah i de'
iitb r 6(1'.- dls Lc ItLIJicit'i J.i ELhlpi.in RIuJds Auhll ilyv. Pi1 su.i >'c/, i
AdJis A. bt lit Lhusu i' De'el ipiii'en Pi(,.Iucl OfliceL pivIC' ii % il 'liu.iiiloi
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ACl bs ba luLUlUL'l nt c' lm s' u p.ip'11 de plIu iil a lii u.''tiliileit'Iil
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miL' d' iiL'tii'itL.is L"IL' aJ o i. i .e scriI pl('c L'iii .1ii l.. J(i j Iiii i aLni'l.


0RREIO


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Etiopia eportagem


Donald Yamamoto, e por muitos outros, como a melhor de Africa.
Mas este crescimento spectacular, arrastado pelos investimentos direc-
tos estrangeiros que passaram de 149 a 365 milhes de dlares/ano des-
de 2001, gera tambm os seus prprios riscos. Em Julho, a incapacida-
de da Ethiopian Telecoms em satisfazer a procura tornava impossivel a
compra de um cartao SIM. O nico recurso era aluga-lo. Os engarrafa-
mentos em Adis Abeba, e sobretudo na estrada de Debr Zeit, a 50 km
a sul, geram permanentemente a sua overdose de CO2, em virtude do
trafego intense na direcao do porto de Jibuti, a partir das zonas indus-
triais ao long da estrada, onde proliferam fabricas de curtumes, de tx-
teis, de calado ou de mobiliirio de capitals chineses, paquistaneses,
etiopes e turcos, e mesmo uma unidade de montagem da Fiat Regata.
Aps Debr Zeit, rumo a Nazar, a estrada toma-se francamente peri-
gosa, uma vez que, para recuperar o tempo perdido, os condutores dos
"Al Qaida", os pequenos camies Isuzu, circulando prego a fundo rumo


baixos rendimentos agricolas e o parcelamento das exploraoes num
pais que tem de alimentar anualmente dois milhes de bocas suple-
mentares, bem como a insuficincia da produao de sementes.
Mas para o delegado da UE na Etipia, Tim Clarke, esta situaao nao
inelutavel. "O pais pode ser auto-suficiente", afirma. Uma das con-
dioes a melhoria da gestao do seu bem mais precioso: a agua.
Todos os anos, durante quatro meses, o keremt (estaao das chuvas)
abate-se sobre as terras altas como um verdadeiro dilvio que engen-
dra o milagre das cheias do Nilo, sem as quais nao haveria Egipto.
Mas este mana subutilizado.
Citemos, contudo, este emprstimo recent de 100 milhes de dlares
concedido pelo Banco Mundial a um project de irrigaao de 20.000
hectares na regiao do Lago Tana ou a decisao da India de investor 640
milhes de dlares em diversos projects agricolas, na captaao das
aguas da chuva e no aumento da capacidade de produao da indstria


Operarios da constru""o nu estaleiro de Adis Abeba. Franois Msisser


a Jibuti ou ao Qunia, provocam muitas vezes acidentes mortais. A
penria de cimento outro ponto de estrangulamento. Mas isso nio
devera persistir: estao em construao 14 cimenteiras em Dire Dawa, em
Wuchale e noutros lados.
E hi espao para melhorar o desempenho, porque apenas se utiliza
54,3% da capacidade do sector da transformaao, devido a constrangi-
mentos como a penria de matrias-primas ou de abastecimento de
agua e electricidade.





No entanto, o boom nao podera ocultar os problems crnicos do pais,
cujo PIB per capital apenas de 170 dlares, onde imperou a fome e
onde a segurana alimentar continue a ser o desafio principal. Com
efeito, mantm-se um dfice cerealifero de cerca de 600.000 tonela-
das por ano, uma das causes da inflaao (19% em Fevereiro de 2007,
segundo o FMI), apesar da produao ter passado de 8,7 para 11,6 mil-
hoes de toneladas entire 2001/02 e 2005/06. Entre as causes estao os


aucareira. Outro paradox do reservatrio de agua etiope: se a taxa
de acesso agua potavel de 70% em Adis Abeba, esta percentage
cai para 16% na regiao Afar, 13% no Ogaden e 18% em Gambela.
Mas o potential agricola consideravel. Graas ao acordo concluido
em Maio com o corretor americano Starbucks, a Etipia, primeiro
produtor africano de caf com uma colheita mdia de 300.000 tonela-
das, abriu uma via para maximizar os seus rendimentos, porque
reconhece a propriedade intellectual dos plantadores e o certificado de
qualidade das arabicas "Sidamo", "Harar" e "Yirgacheffe". No ano
passado, em Harar, a produao aumentou 20% ap6s a organizaao dos
camponeses em cooperatives.
Os oleaginosos e a horticulture tm um desenvolvimento espectacu-
lar, em particular a floricultura que emprega 50.000 pessoas, na maio-
ria mulheres, volta de Adis Abeba e em Rift Valley: as receitas de
exportaoes duplicaram para 60 milhes de dl6ares no ano passado.
Segundo Anat Harari Degani de Jericho Plc, o sector tem potential
para um future risonho, com uma qualidade equivalent do Equador,
um dos lideres do mercado mundial, e custos inferiores aos do rival
queniano.


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007







eportagem Etiopia


A Etipia esta absolutamente decidida a tirar partido do seu potential
hidroelctrico consideravel entiree 30.000 e 40.000 MW), o segundo do
continent aps o da bacia do Congo, que lhe permitira satisfazer as
necessidades de uma economic em pleno boom e acorrer s necessida-
des dos seus vizinhos (Sudao, Jibuti, Qunia). Segundo o Ministro das
Minas e da Energia, Alemayehu Tegenu, as quatro centrais em constru-
ao (Gilgel Gibe II, Amerti-Neshe, Takeze e Anabeles), com uma potn-
cia total de 880 MW, permitirao duplicar a capacidade de produao
actual at 2010. A partir de Setembro, a sociedade italiana Salini
Costruttori vai iniciar a construao da central de Gilgel Gibe III (1870
MW), um investimento de 1,6 mil milhes de dlares. No dominio da
distribuiao, o Banco Mundial acaba de conceder um emprstimo de 130
mil milhes de dlares para a electrificaao de 295 cidades e aldeias.




A Etipia, cuja estrutura geolgica apresenta semelhanas com o Sudio
e o Imen, aspira, por sua vez, a tomar-se numa provincia de petrleo e
de gas. A sociedade malaia Petronas efectua exploraoes nas bacias do
Ogaden (onde foram identificadas reserves de 113,2 mil milhes de
metros cbicos de gas) e do Gambela, enquanto a empresa britnica
White Nile procede a um estudo geofisico na regiao do rio Omo, no Sul
do pais. Marcam presena igualmente as sociedades Pexco, de capitals
malaios, e Lundin East Africa (Sucia), detentoras de varios blocos no
Ogaden, bem como a companhia americana Afar Exploration, no Norte
do pais. Com o tempo, o Centro do pais e a regiao de Mekele, no Norte,
tambm serao abertos exploraao, admite o director do departamento
das operaoes petroliferas do ministrio, Abyi Hunegnaw. Mas a valori-
zaao do mana do Ogaden s6 sera possivel quando a regiao estiver paci-
ficada.
Num ano, as receitas de exportaao provenientes do sector mineiro
duplicaram, em parte graas incorporaao, pelo ministrio, dos garim-


Etiopia
Ini .-.r i .f-^. c lci- I^.,Cr


peiros no sector formal. Subexplorado durante muito tempo, o subsolo
object da avidez de sociedades indianas, chinesas e etiopes, procura
de ouro, platina, carvao, tntalo e pedras preciosas como a olivina. Foi
concedida uma vintena de autorizaoes no ano passado, afirma o direc-
tor das operaoes mineiras do ministrio, Gebre Egziabher.
Em 2005/06, as exportaoes atingiram 1,08 mil milhes de dlares. E
este ndmero foi ultrapassado em 11 meses no exercicio seguinte. Estes
bons resultados deverao melhorar nas mesmas proporoes que o clima
dos negocios, graas s reforms introduzidas no dominio da regulaao
em diversos sectors, prev o Banco Mundial. O concurso da diaspora,
cujas remessas representaram em 2006/07 mais do que as receitas das
exportaoes (com 1,1 mil milhes de dlares nos nove primeiros meses),
outro trunfo important, corolario do xodo, durante a ditadura marxis-
ta do Derg, de indmeros intelectuais, um tero dos quais mdicos.
O turismo outro sector de expansao, favorecido pela riqueza cultural,
mas tambm pela diversidade excepcional da fauna e da flora do pais. A
persistncia de tenses na regiao Afar ou na fronteira com a Eritreia, que
explicam em parte o facto de 8% do oramento se destinar defesa, pas-
sa quase despercebida na capital e no resto do pais, onde nao ha muita
criminalidade. Dai result um aumento do numero de visitantes, que pas-
sou de 139.000 para 227.000 entire 1997 e 2005, e a triplicaao das recei-
tas para 134 milhes de dlares.
E tambm objective do Govemo tirar partido do principal factor de des-
envolvimento -o home elevando a taxa de escolarizaao primaria de
79% para perto de 100% at 2015, mas tambm investindo a fundo na
formaao e no ensino universitario. O numero de universidades passou
de uma para oito desde 1991 e ha 13 em construao. O pais esta em ple-
na transformaao, nomeadamente em virtude da political de devoluao
do poder s regies empreendida pelo Govemo que, em 2007/08, conce-
deu quase um tero do oramento s provincias, ou seja, mais de 55%
que no ano anterior.
F.M. l

1 EmAbril de 2007, um ataque de um sitio petrolifero levado a cabo pelos rebeldes da
Frente Nacional de Libertaao do Ogaden (FNLO), forou uma empresa chinesa a inte
rromper os seus trabalhos de prospecao por conta da Petronas.

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CeRREIO






Etiopia eportagem


l UE i




DO DESEnUOLUIMEnTO"


Primeiro parceiro da Eti6pia, que por sua vez a primeira beneficiria da ajuda aos
passes ACP, UE mantm com o Governo deste pais estratgico um dilogo politico
franco sobre todas as questes, incluindo as mais delicadas.


egundo o Ministro de Estado das
Finanas e da Economia, Ato
Mekonnen Manyazewal, "a UE o
principal parceiro de desenvolvi-
mento da Eti6pia", atravs do seu apoio ao 50
plano quinquenal lanado em 2005. Ao mes-
mo tempo, a Etipia a primeira beneficiaria
ACP da ajuda europeia, com uma dotaao de
540 milhes de euros para o 90 Fundo
Europeu de Desenvolvimento (2002-2007) e
um montante indicative na ordem de 650
milhes para o 100 FED (2008-2013).
As infra-estruturas representam o primeiro
sector de concentraao da ajuda europeia
(211 milhoes provenientes do 90 FED) e a
tendncia devera prosseguir, dando relevo a
projects que facilitem a integraao regional.
"O objective criar os alicerces que facili-
tem os investimentos director para nos tor-


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007


narmos mais competitivos reduzindo os cus-
tos de transporte, indica Ato Makonnen,
tendo em mente a conclusao prxima do
Acordo de Parceria Econmica entire a UE e
Africa Oriental e Austral (ESA).
Alm da reabilitaao do caminho-de-ferro
Adis Abeba-Jibuti, os principals projects
dizem respeito s estradas. Aps a construao
do eixo Adis Abeba-Awasa, ja concluido, e o
do ainda em curso na direcao de Jima, no
Norte, o objective agora construir os prin-
cipais eixos rumo ao Norte (Adis Abeba-
Debre Sina e Kombolcha-Gondar), especifi-
ca Ato Makonnen. Alm do mais, o Banco
Europeu de Investimento (BEI), que financial
a construao da central hidroelctrica de
Gilgel Gibe II (428 MW), estuda a possibili-
dade de financial igualmente a construao de
uma das maiores barragens do continent


(Gilgel Gibe III, 1870 MW) cujas obras
deviam arrancar em Setembro.
O apoio macroeconmico (96 milhes de
euros ao abrigo do 90 FED) o segundo sec-
tor de concentra~o, visando, como explica
Ato Makonnen, financial a promoao dos
servios de base agriculturea, educaao, sa-
de, agua) nas woredas (distritos), a fim de
acompanhar o process de devoluao do
poder do Estado federal s regies. Por lti-
mo, o desenvolvimento rural e a segurana
alimentar (ver caixa), que absorveram 54
milhes de euros ao abrigo do 90 FED, man-
ter-se-ao prioritarios. A estes programs jun-
tam-se outros que dizem respeito aos agents
nao estatais, boa governaao, prevenao
dos conflitos, desminagem, ao apoio ao
sector do caf e preservaao do patrimnio
cultural.







eportagem Etiopia


A cooperaao esta em constant evoluao,
passando de uma abordagem-projectos para
uma abordagem sectorial, mais institutional,
com montantes superiores. Uma viragem
apreciada por Ato Makonnen, o parceiro etio-
pe. " bom para nos na media em que ela
reduz os custos de transacao e contribui para
uma utilizaao mais flexivel dos recursos",
comenta.
Mas a repressao pelas autoridades das mani-
festaoes de Junho e Novembro de 2005, que
causaram 193 mortos, segundo uma comissio
de investigaao do Parlamento etiope, na
sequncia das eleies de Maio, manchadas
por irregularidades segundo a missao dos
observadores europeus, levaram a Comissio
Europeia a rever a forma como concedia o seu
apoio oramental: "Passamos a ser muito
mais rigorosos na forma como concedemos os
recursos canalizados atravs das instncias
govemamentais", explica o delegado da UE,
Tim Clarke.
No mbito do 100 FED, a Comissao tenciona
entabular um verdadeiro dialogo politico com
o Governo, em torno do apoio ao seu Plano
para o desenvolvimento acelerado e sustenti-
vel de reduao da pobreza (PASDEP). O gran-
de desafio a vencer para atingir os objectives
do milnio para o desenvolvimento at 2015
duplicar a ajuda externa para reduzir a propor-
ao da populaao que sofre de subnutriao
(15%), sublinha Tim Clarke.
Os doadores estao desejosos de aumentar a
sua ajuda, mas sao necessarios progressos em
matria de boa governaao, consider o dele-
gado da UE. "O sistema judiciario tem ainda
muitos pontos fracos. Em certas prises, 80%
dos reclusos nao foram julgados. A segurana
dos contratos um grande problema para os
investidores europeus. Mas ha que fazer justi-
a ao Governo, que se envolveu num tal pro-
cesso de reform, publicando um guia com
indicadores precisos. verdadeiramente
impressionante!", exclama Tim Clarke. Por
sua vez, Ato Mekonnen lembra que a Etipia,
que aderiu ao mecanismo africano de revista
pelos pares da gestao govemamental, desde a
sua criaao, afirma: "ningum compreende
melhor do que nos a necessidade da boa
govemaao". "Se tivssemos uma percepao
de estabilidade e de segurana e se fosse cria-
do um ambiente favoravel, cobrindo todos os
aspects nao s6 econmicos, mas tambm
politicos, estou persuadido que se abririam
mais as torneiras dos financiamentos", pensa
Tim Clarke.


Visto de Adis Abeba, um dos escolhos a
suplantar nas relaoes com a UE a attitude do
Parlamento Europeu que, em 21 de Junho,
votou uma resoluao deplorando a sentena de
culpabilidade pronunciada contra o president
da Coligaao para a unidade e a democracia
(CUD), Hailu Shawel, e os seus 37 co-argui-
dos, apelando ao Conselho Europeu que infli-
gisse sanoes contra os responsaveis govema-
mentais etiopes. Mas a sua libertaao, em 20
de Julho, podera ter degelado o ambiente.


Pit


C*RREIO


Tim Clarke estima necessario "estabelecer
vinculos". Nao possivel que o Parlamento
Europeu seja visto como "anti-desenvolvi-
mento". Admitindo haver na Etipia proble-
mas de nao respeito dos direitos humans, o
delegado consider tambm que o ministry da
Justia um home que deseja verdadeira-
mente "alterar as cosias". Por sua vez, Ato
Makonnen consider "desleal", a votaao dos
eurodeputados, baseada na "desinformaao, e
que nao result de uma "analise concrete e
equilibrada", esperando, no entanto, que acabe
por prevalecer "uma melhor compreensao da
situaao". " necessario ter em conta que esta-
mos a criar instituioes, provavelmente imper-
feitas, mas o nosso objective a long prazo
construir um sistema politico democratic e
inclusive", defended o ministry.







"A Etipia um pais orgulhoso, com 3.000
anos de histria e penso que os etiopes tm
razao para nao aceitarem que os estrangeiros
Ihes dem lioes. As eleies realizadas em
2005 foram as mais democraticas alguma vez
organizadas no pais", consider Tim Clarke.
"Ao mesmo tempo, prossegue, ha principios
universais em matria de direitos humans a
respeitar. Por ter falado muito com o Primeiro-
ministro, sei que ele pretend instaurar normas
intemacionalmente reconhecidas, tanto nesta
matria como na da boa govemaao".
Clarke insisted igualmente na necessidade de ter
em conta o papel estratgico da Etipia. Adis
Abeba a capital diplomatica da Africa e a
Etipia desempenha uma papel important no
seio das instituioes pan-africanas. "Ao mesmo
tempo, a Etipia um interveniente considera-
vel a nivel regional. Este pais tem uma funao
relevant a desempenhar no plano religioso e
cultural", prossegue o delegado. Os diplomats
acreditados em Adis Abeba sublinham que o
pais dispe do exrcito mais poderoso da
regiao e que se apresenta, aos olhos da NATO,
como aliado na luta contra o terrorism, em
especial jiadista (desde o final de 2006, o exr-
cito etiope instalou-se na Somalia para apoiar o
Govemo de transiao contra os islamitas da
Uniao dos tribunais somalianos). Qualquer que
seja o prisma por onde se vejam as coisas, con-
clui Clarke, a Etipia um interveniente
important.
F.M. l

Em cima e em baixo:
Obras de reabilitaao numa linha de caminho-de-ferro
Adis Abeba-Jibuti, na zona de Metahara.
Franois Misser



























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pesar de um crescimento annual do
PIB de 10%, a Etipia continue
confrontada com o desafio da
insegurana alimentar, em espe-
cial na regiao de Ogaden onde pairava a
ameaa de fome no inicio de Setembro. O pais
potencialmente auto-suficiente, segundo o
delegado da UE em Adis Abeba, Tim Clarke.
Mas a demografia galopante tem por efeito
diminuir a superficie das terras disponiveis por
familia nas zonas rurais, onde cada familiar tem
6 a 7 filhos. De repente, a necessidade de ajuda
alimentar mantm-se: em 2006, a Comissao
Europeia, juntamente com os seus Estados-
Membros, fomeceu 30% do total concedido
Etipia, sendo 90.000 toneladas destinadas s
pessoas mais vulneraveis, comprando uma
parte no local para nao deprimir o curso dos
gneros alimenticios.
Mas a resposta ao desafio incide cada vez mais
nas acoes de desenvolvimento, no dominio da
segurana alimentar strict sensu, mas tambm
no da diversificaao, da comercializaao de
outros produtos caf, flores, especiarias) e da
criaao de infra-estruturas, margem da
melhoria da gestao dos recursos hidricos, em


apoio s acoes govemamentais. "Estamos a
divulgar, junto das families de camponeses,
tcnicas de recolha de agua e de organizaao de
lagos, para que os camponeses possam cultivar
as terras nos anos de seca e diversificar as
cultures produzindo frutos e legumes, graas a
projects de pequena irrigaao", explica o
Ministro de Estado das Finanas e do De-
senvolvimento, Ato Mekonnen Manyazewal.
Desde 2005, um program concebido pelo
Govemo e doadores permitiu criar redess de
segurana" que proporcionem alimentos e
dinheiro aos habitantes em dificuldade em
contrapartida da sua participaao em trabalhos
pdblicos. Em 2006, beneficiaram deste
program de 220 milhes de euros, financiado
a 60% pela UE e seus Estados-Membros, cerca
de 7 milhes de pessoas.
O paradox que, mesmo nas zonas mais
produtivas, encontram-se bolsas de sub-
nutriao. o caso na regiao Sul onde, com
financiamento da UE (817.760 euros), a ONG
francesa Inter Aide apoia um program de
desenvolvimento integrado nas woredas
(distritos) de Damot Gale e de Kacha Bira. Por
vezes chamada "Etipia feliz", esta regiao


C*RREIO







Etiopia eportagem


frtil e com boas possibilidades de rega, com
colinas cultivadas em socalcos, sofre no
entanto do que se chama a "fome verde". O
habitat aqui disperse, mas a densidade
muito forte (300 a 600 habitantes/hectare) e as
exploraoes exiguas (meio hectare em mdia)
nao permitem garantir a segurana alimentar.
Em Damot Gale, metade das families tem um
rendimento annual compreendido entire 30 e
100 euros. Devido altitude (2.000 metros), a
agriculture assenta tradicionalmente na cultural
do ensete, "falsa bananeira" planta
miraculosa desempenhando um papel
important na alimentaao humana e animal),
dos cereais e numa pequena horta. Os cereais
e leguminosas desempenham o papel de
cultures de rendimento. Mas a associaao
destes sistemas de cultures a uma pequena
criaao, indispensavel para assegurar a
renovaao da fertilidade, tomou-se hoje dificil
devido fraca disponibilidade da forragem. A
pratica do pousio desapareceu e as tcnicas
sio arcaicas.
Os camponeses vivem numa situaao de
extrema precariedade. Varias families
partilham entire si um boi ou um burro, alugam
umas s outras a sua fora de trabalho e, em
period de penmria alimentar, tm de vender o
capital, que o seu gado, cuja taxa de
mortalidade atinge 40% no primeiro ano! O
regime fundiario (a terra pertence ao Estado, o


seu usufruto aos camponeses) constitui um
obstaculo porque os camponeses s6 podem dar
de garantia a sua colheita future ou o seu gado
para obterem emprstimos de campanha,
muitas vezes a taxas usurarias.
Face a esta situaao, Inter Aide criou um
program integrado. Por um lado, 1.800
families beneficial da vertente agricola do
project, com base na colaboraao com as
iddirs, sociedades mtuas tradicionais
camponesas. Com a assistncia da ONG, os


I l l...i.. : i ,


camponeses abrem valas e erigem diques nas
bacias hidrograficas a fim de quebrar as
inclinaoes e prevenir assim a perda de terra
frtil arrastada pelas chuvas. Cultivam o
vetiver para estabilizar os diques. Isso permit
alimentar o gado na estaao seca, diminuir o
endividamento e aumentar a produao leiteira
e a de adubos naturais. E incentivada a
conservaao das sementes e a introduao de
sementes melhoradas (triticale). A experincia
concludente. Segundo Christophe Humbert,
chefe do project, os rendimentos duplicaram
no primeiro ano em Damot Gale.
O project comporta igualmente uma vertente
hidraulica rural. No inicio de Abril de 2007,
mais de 14.000 pessoas e de 5.000 cabeas de
gado beneficiavam da instalaao, a partir de
sistemas de gravidade, de 31 pontos de agua
geridos por um numero idntico de comits
que se toraram autonomos dois anos depois,
cujo resultado esperado a melhoria da sade
dos homes e do gado, seu capital. Enfim, o
program comporta uma vertente de
planeamento familiar, em conformidade com a
estratgia national de sade reprodutiva. O
objective contribuir para a reduo do rdcio
populaao/recursos e permitir mulher, agent
de desenvolvimento, ser senhora do seu
destino. partida, as maes mais idosas,
desejosas de prevenirem novas gravidezes,
eram as mais numerosas entire os clientses,
mas ha cada vez mais jovens mulheres
interessadas: em Abril de 2007, estavam
recenseadas 1.500 novas beneficiaries. O
mtodo utilizado a injecao de Depo-Provera
que suscita menos oposiao por parte dos
padres, pastores ou imas da regiao que o
preservativo masculino.
F.M. l


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007






eportagem Etiopia


Do




a



A Eti6pia ocupa um lugar excepcional na hist6ria da humanidade. Das origens do
povoamento human nova vaga de artists que prosseguem a sua libertago da
carapaa imposta durante 17 anos pela ditadura marxista do Derg.


este pais, viajar no espa-
o tambm viajar no
tempo", repete de bom
grado o pintor Geta
Makonnen. Com efeito, foi a poucas centenas
de quilmetros de Adis Abeba, no Vale do Rift,
que viveu Lucy, nosso antepassado comum
australopithecus afarensis, cujo Museu
Nacional etiope acaba de encontrar testemun-
hos de um ascendente longinquo, um homini-
deo de 3,9 milhoes de anos. ainda no Norte
do pais, abrangendo a Eritreia e a regiao do
Tigray, que se desenvolve, no III milnio antes
de Cristo, a civilizaao de Pount, cujos baixos
relevos egfpcios glorificam a mirra, o incenso
e o marfim. Segundo a tradiao etiope, ainda
no Tigray que Menelik I, fruto dos amores da
rainha do Sabi e do rei Salomao, fundou a
civilizaao de Axum, no I milnio antes de
Cristo, cujas estelas e obeliscos, talhados num
bloco, continuam a desafiar as leis da gravida-
de. A estela que o exrcito de Mussolini havia


levado em 1937, com 24 metros de altura e
pesando 170 toneladas, restituida em 2005,
acaba de se juntar s suas irmas. ainda sobre
estas terras altas que, aps a conversao do rei
Ezana, cerca de 330 depois de Cristo, que a
Etipia se tornou num dos beros da cristanda-
de, com os seus prprios ritos, a sua prpria
doutrina dita monofisita, que afirma a unido do
divino e do human em Cristo numa nica
natureza, o seu pr6prio alfabeto Geez e o seu
prprio calendario juliano, enriquecido pela
contribuiao dos Sirios, dos Armnios e dos
Coptas egfpcios. Mas tambm no Reino de
Axum que os discipulos de Maom, expulsos
da Meca, encontraram refgio no sculo VII.
Nao long dali, na provincia actual do Wollo,
no sculo XII, o rei Lalibela, da dinastia dos
Zagou, mandou construir as clebres igrejas
monoliticas, classificadas desde 1978 pela
UNESCO patrimnio da humanidade, e cujos
trabalhos de preservaao sao financiados pela
Uniao Europeia.


De longa data, Axum e o reino do Padre Joao
exerceram um poderoso fascinio sobre
Europeus, Gregos, Alemaes e Portugueses.
No sculo XVI, o Vaticano adquiriu os
manuscritos de que, juntamente com outros
tesouros, o historiador de arte Jacques
Mercier se obstina a fazer o inventario, com o
auxilio financeiro da UE. que, quem diz
patrimnio inestimavel diz igualmente tenta-
ao irresistivel para os traficantes. Este fasci-
nio tambm se traduziu na solidariedade que
testemunharam os Portugueses que, com os
seus arcabuzeiros, utilizaram a plvora para
salvar o reino dos assaltos do emir de Harar,
Ahmed Gragne, cognominado o "Canhoto",
no sculo XVI. Deles veio a inspiraao para
os esplndidos castelos de Gondar, com
ameias nas suas muralhas.


C*RREIO






Etiopia eportagem


Mas nao se pode resumir o patrimnio cultural
unicamente contribuiao crista. A Etipia
tambm um dos mais antigos centros das duas
outras grandes religies monoteistas: o Islao e
o Judaismo, cujos membros da comunidade
falasha seriam os prprios descendentes da tri-
bo perdida de Dan, segundo o rabino Ovadia
Yosef. A Etipia deu igualmente guarida ao
reino muulmano de Shoa entire os sculos X e
XVI, cujos vestigios foram descobertos em
2006. O encanto da cidade de Harar, cidade
santa do Islao, com as muralhas ainda preser-
vadas, maravilhou Rimbaud.
A rica paleta cultural do pais engloba as tradi-
oes dos pastores afar, afastando os seus came-
los para as planicies mais aridas, dos Somalis,


e


."
"E.


dos bailarinos surma dos confins do Sudao,
cujos ritos animistas remontam igualmente a
tempos imemoriais. Nada menos de 80 etnias
povoam este vasto pais de paisagens variadis-
simas e da depressao escaldante do Danakil no
monte Ras Dashen (4.620 metros).

>



Mas nesta Etipia etera que festeja o seu
segundo milnio da era crista (calendario julia-
no), a espiritualidade subjacente, no sinal da
cruz furtivo do motorist de taxi ao cruzar cada
igreja, vive formas novas, tipicas do sculo
XXI. A sua maneira, o que incarna este mar-
chador da paz, agricultor de 23 anos, arvoran-
do a bandeira etiope e uma bandeira branca na
sua mochila, que tinha percorrido mais de
1.600 km desde a sua aldeia natal de Humara,
no Tigray, quando cruzimos a sua rota na pla-
nicie de Metahara, ao exprimir a aspiraao de
muitos dos seus compatriotas de ver o fim do


ciclo das guerras que enlutaram a regiao.
A Etipia ainda a terra santa dos rastas, como
o testemunha a comunidade de Shashemene, a
"-r 240 km de Adis Abeba, e o grande concerto de
Fevereiro de 2005 em homenagem a Bob
Marley, ao qual assistiram cerca de 300.000
rastas, fas e curiosos, em Meskel Square de
Adis Abeba. Mesmo se a devoao para com o
defunto Negus Hail Slassi, venerado como
um deus, deixa perplexos muitos aut6ctones.
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e do calipso, com a criao da Escola de Belas
Artes, em 1957, de que uma das figures de proa
foi o Armeno-etiope Skunder Boghossian, fun-
dador da arte abstract national. Mas com o
Terror Vermelho imposto pelo regime do Derg
(comit) de 1974 a 1991, um recolher obriga-
t6rio ps termo efervescncia das Noites de
Adis Abeba, narrada pelo romancista Sebhat
Guebre-Egziabher e inibiu por complete o
progress da criaao que se manifestara nas
ltimas dcadas do imprio. As nicas formas
de arte a partir de entao autorizadas tm a mar-
ca do socialism real, ilustrado por este quadro
de Gebre Luel Gebre Mariam (1979) represen-
tando uma patrulha revolucionaria, que esta
para a pintura como o destacamento feminine
vermelho esteve para a opera maoista...





Mas desde entao, assiste-se eclosao eclctica
de uma srie de expresses que vao da arte
naf, inspirada pelos icones e aplicada a temas
profanos como estes quadros de Getachew
Berhanou, ele prprio filho de um mestre da
iconografia, que pinta tao bem a luta com pau-
litos (donga) entire os Surma como uma supos-
ta cena de embriaguez um tanto ou quanto bre-
jeira do pintor Rimbaud, a cenas da vida quo-
tidiana nos engarrafamentos de Adis Abeba ou
nos mercados de Harar e com formas mais
diversas (simbolismo, impressionismo, neo-
cubismo, etc.). A evoluao tem uma relaao
com a da outra grande naao ortodoxa, a
Rssia, com quem a Etipia partilha muitas
caracteristicas: arte iconografica, tradiao
imperial e estalinismo, antes de conhecer uma
"nova vaga aps o final dos anos 90". Uma das
obras mais originals a de Geta Makonnen, de
que o auto-retrato, paginas impressas da
biblia, espelhos, revestidos de uma kalachni-
kov e de um esqueleto, simbolizam o medo e a
intimidaao que caracterizam a identidade eti-
ope contempornea.



a

Francis Falceto, autor de inmeras obras
sobre a msica etiope, deplora que, desde o
fim do period negro do Derg, a msica
modern esteja long de ter reencontrado o
seu brilho de entao, e em especial o swinging
Addis. Mas a existncia de uma indstria do
disco local que distribui as obras do veteran
Mahmoud Ahmed, cuja mistura de jazz e de
msica oriental lhe valem desde ha muito
tempo a estima dos seus confrades e de
inmeros admiradores no estrangeiro, bem


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007


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um dos luqgres (de perer-irinacaii mais impiortantes para os Elilpes As colinas circundantes bIplizadas
lonte Tabor, Nl ae dos Oli.seiras e Monte Sinai, bem como o rin dc: local ,:rdanos, testenlunhaim unia von- .
adce real le criar nests ipragens inma 'sequnda terra santa a fii dle poupar aos interessadc:s :os risicis de uma
,,igenm a Palestina, numa p(ioca em que cruzadc's e muculnianois se afrontasam neste pais Klanifestamnente ,. .
influencliaados pelo estilc, a NMas com C: andar dos sculos, este complexc.'i de l cals de ciulict, interliigados par passages subterrineas foi
alvo das agressoes do vento, dlas chliuas e das mudancas dle clima, c-ausanldo dieradacces graves aos monun-
mento' A tai ponto que, apos ~4lias tentative' de restauro, o Cverno etiope pediu lajiuda Unijo Europeia fIl
para os salvaguaidai. ,As obras cio ustotal est avaliado eni 9 rmillies de euios. execiutdas pela empresa
italiana Teprin, forain ilnuguLJIadas pelo patriarch Abiun Paulos, em Feveieiro de 2n07, e deverdo ficar concluidas no fim deste nno. As obras cori-
preendem a construLJa de nonas coberturas para o' imonumrentos. a eiecio de colunas de apoio, a con'trujo de LJIum iinoV center de conferncia!
e de bdarireas de sequrana rm toilno dos locais. O piograma pieve tambm acces de con'ervao, a criao de umi centio de documiientado e a
integjao da populado local ineta mrisso de sadlaguaida.


ORRE]O






Etiopia eportagem


Tsigue Shiferaw









da cor

e a Etipia conseguiu impor a sua
marca no mundo do atletismo, foi
graas sobretudo a Abebe Bekila.
Em 1960, ao ganhar a maratona dos
Jogos Olimpicos de Roma, este soldado foi o
primeiro atleta africano a oferecer uma
medalha a Africa.
Quatro anos mais tarde ganhou uma segunda
medalha de ouro na maratona dos J.O. de
T6quio, torando-se o nico atleta do mundo
que at hoje ganhou duas maratonas olimpicas.
Desde ai foram varios os atletas das terras
altas da Etipia que se distinguiram nos
10.000m, nos 5.000m, nos 3.000m e na mara-
tona. As figures lendarias multiplicaram-se,
tanto nos homes como nas mulheres: Hail
Gbrselassi, Derartu Tulu e Berhane Adere
entire os homes com mais de 30 anos,
Kenenisa Bekele, Turunesh Dibabaw e
Meseret Defar para os mais jovens.
Este sucesso deve-se Federaao de Atletismo
da Etipia (FAE), criada em 1949, a federaao
desportiva mais eficaz do pais. Entre 2003 e
2007, o seu oramento passou de 777 dlares
para mais de 3 milhes de dlares!
Elshaday Negash, porta-voz da FAE, explica
este fenmeno pelo facto de ser a nica federa-
ao desportiva etiope a nao defender do finan-
ciamento governmental. absolutamente
auto-suficiente, graas s bolsas da Federaao
Interacional de Atletismo (IAAF) e ao apoio
do seu principal patrocinador, a Adidas.
Para alm das suas proezas, todos estes atle-
tas gozam de enorme popularidade, graas
nomeadamente s suas actividades caritati-
vas. A maior parte sao embaixadores da UNI-
CEF ou do Programa Alimentar Mundial e
sio conhecidos pela sua generosidade,
demonstrada ainda no ano passado a favor
das vitimas das inundaoes de Dire Dawa.
Contrariamente aos seus predecessors das
dcadas de 60, 70 e 80, os corredores actuais
ganham muito dinheiro e beneficiam disso.
Dantes os ganhos dos atletas iam para os
cofres do Estado. Actualmente, pagam um
imposto de 10% e recebem prmios do
Estado quando tm vitrias nos grandes cam-
peonatos internacionais. Alguns decidiram
por isso entrar nos negocios.


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007


O Negus da maratona, o atleta Ghebray Haile Selassie, sada a multidao.
Nahom Tesfaye


Hail Gbrselassi foi pioneiro neste domi-
nio. Proprietario de uma sala de desporto, de
um cinema e de various imveis em Adis-
Abeba, o seu imprio esta calculado em 75 mil-
hoes de birr (cerca de 8 milhes de dlares).
Kenenisa Bekele lanou-se no sector imobilia-
rio. Calcula-se que este corredor inigualavel
tenha ganho 1 milhao e meio de dlares nos
trs ltimos anos. Tenciona construir um com-
plexo desportivo em Sululta, a cerca de 30 km
da capital, com pista para corridas, piscina e
dormitrio. Sululta um dos muitos locais
onde os corredores treinam antes de participa-
rem nas grandes competioes. As mulheres
nao querem ficar para tras, mas sao muito
mais discretas quanto aos seus investimentos.
Sabe-se, no entanto, que Turunesh Dibabaw
ganhou em 2005 uma fortune de 450.000 dl6a-
res, quando tinha apenas 19 anos!
Mas ha ainda alguns problems que persis-
tem. O porta-voz da FAE consider insufi-
ciente o numero de jovens atletas talentosos.
Segundo ele, nao ha clubes nem projects
privados e regionais suficientes.
No entanto, o atletismo national porta-se
bastante bem e esta transformado num verda-
deiro fenmeno de massas, no qual partici-
pam jovens e velhos que treinam regular-
mente. Todos os anos, desde 2001, se realize
a Grande Corrida ("The Great Run"), um
percurso de 10 km que tem por objective
recolher funds para actividades humaniti-


F. *m


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/


\ t,


\I


Kenenisa Bekele.
SNahom Tesfaye


rias. Na sua stima ediao, a do milenario,
aceitaram correr nas ruas montanhosas da
capital por uma boa causa nada menos de
30.000 participants. E os senhores da corri-
da etiopes esperam ainda brilhar nos campe-
onatos africanos de atletismo que se realiza-
rao neste pais em 2008.






escoberta da Europa


BUSSOLH

Portugal foi durante muito tempo a porta para a Europa e o Algarve e a porta de
Portugal: para partir para os cinco continents e trazer para a Europa as ideas, as
tcnicas e os sabores dos povos do planet. Uma cultural de escuta e tolerncia, com
vocao de casamenteira de civilizaes e temporizadora de diferenas. Portugal
exerce actualmente a Presidncia da Unio Europeia, e o objective partilhar com os
seus parceiros as suas ambies sobre a consolidao do continent e sobre um equi-
librio mais harmonioso do mundo. Mas tambm dar a conhecer as suas riquezas
intrinsecas, a beleza dos seus territrios, assim como as paisagens oniricas do Algarve,
a sua cultural e sabedoria.


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R l~iC'i~ 1iii I Liii II [ii ill' J.i i 'r ,' Cili r'.r rI' Alci' ii 'il I i I


CORREIO







Portugal escoberta da Europa


A dinastia de Avis, que sucedeu em finais do sculo XIV e que reinara
durante dois sculos, sera a dinastia dos grandes descobrimentos. Foi a
poca de ouro deste pequeno pais, cuja populaao nao ultrapassava 2 mil-
hoes de habitantes e que criou nos cinco continents um verdadeiro imp-
rio nos limits do qual o sol nunca se punha. Demasiado poucos para se
imporem, foi necessraio convencer, compreender, ouvir, criar e seduzir. E
fazer valer a sua political atravs dos seus novos sbditos. A aventura
comeou em 1385 com a chegada ao trono do primeiro dos Avis, Joao I,
heri da guerra de libertaao contra Castela. As condioes da expansion
estavam criadas. Primeiro, em 1415, com a conquista de Ceuta e, em
seguida, a conquista dos oceanos com Henrique o Navegador, filho de D.
Joao, que reuniu em 1417 os maiores navegadores da poca em Sagres -
novamente no Algarve para a uma reuniao de discussao de ideias sobre
a viabilidade de expedioes para la do sul do Atlntico.
Seguiram-se a Madeira, os Aores e Cabo Verde. No reinado de D. Joao
II, que subiu ao trono em 1481, os navegadores portugueses chegaram
Namibia e a Angola, em 1487. Em 1488, os navegadores portugueses
passaram o Cabo das Tormentas, rebaptizado Cabo da Boa Esperana.
Em 1492, Portugal, na corrida contra os espanhis pela Amrica, perdeu
uma important batalha porque apesar de ter sido o primeiro pais a ser
abordado nao foi capaz de confiar em Crist6vo Colombo. No entanto, os
Portugueses levantaram a cabea rapidamente e partiram em todas as
direcoes, nem sempre com xito, e instalaram-se no Brasil, no oceano
Indico, no Qunia, em Ceilao, em Ormuz, em Goa e em Macau. O imp-
rio portugus s6 desaparecera com a chegada relativamente recent da
democracia, no ltimo quarto de sculo XX. Em finals do sculo XV ou


principios do sculo XVI, floresceu a arte manuelina tipicamente portu-
guesa, cujo nome Ihe advm de D. Manuel I, o Venturoso, e cujo simbo-
lo arquitectnico a coluna entrelaada.
Mas o perfodo glorioso de Portugal estava a chegar ao fim. As aventuras
ousadas dos cruzados vao dar o golpe de misericrdia metropole mirra-
da. E, em 1580, a insistncia de Espanha deu frutos, Portugal passaria a
estar sob o seu jugo durante 60 anos. Liberto de Espanha em 1640,
Portugal vai procurar um contrapeso atravs da assinatura de um tratado
de amizade com a Inglaterra, que nao continha apenas vantagens, e cujo
testemunho actual nao se cinge apenas s denominaoes inglesas dos vin-
hos do Porto. Napoleao passara a factura a esta amizade em inicios do
sculo XIX, forando o soberano portugus a exilar-se no Brasil.
Entretanto, o sculo XVIII foi marcado pelo terramoto de 1755 e pelo
terrfvel tsunami que se lhe seguiu e que causou a morte a centenas de mil-
hares de pessoas, especialmente no Algarve onde se encontrava o epicen-
tro, e toda a zona costeira, nomeadamente a capital, Lisboa. De frisar ain-
da a determinaao e o gnio do Marqus de Pombal no seu esforo de
reconstruao do pais. Este sculo XVIII viu igualmente o apogeu do


Pequeno dlclondrlo da

AZULEJO: Portugal fez da sua pobreza uma riqueza; os telhados de telha
sao erigidos core se de uma obra de arte se tratasse; o pavimento das ruas
- verdadeiras obras de arte onde se evita utilizar materials caros, os azu-
lejos das obras-primas, artesanato de origem mourisca fazendo jus meti-
culosidade local pensando na limpeza inicialmente, adoptado em seguida
por gnios, e posteriormente expoente maximo da criaao artistic. Entre os
milhares de obras patrimoniais, que devem ser visitadas, esta o Palacio das
Necessidades, edificio onde se encontra o Ministrio dos Negocios
Estrangeiros em Lisboa, se conseguir ser convidado.

BACALHAU: o bacalhau o prato national em torno do qual se desenro-
lam longas discusses familiares e amistosas sobre a arte e a vida.

LUIS DE CAMOES: poeta e aventureiro (por volta de 1524 a 1580),
autor dos Lusiadas, poema pico, um dos pilares da cultural e da perso-
nalidade lusa.

FADO: se encontrar uma definiao, avise. Espicaa os humores e os amo-
res doceis do Brasil, de Macau e de Moambique, e de todas as antigas
feitorias, envolto na bruma da lusofonia, tudo isto acordado com lngui-
das e monotonas melodies. Ver e sobretudo escutar, Amalia Rodrigues,
Mariza, Misia, Carlos Paredes, Madredeus.

FEITORIAS: os postos avanados de Portugal nos cinco continents,
encruzilhadas de cultures e de negocios.

FUTEBOL: expressao que pode surgir nas conversas mais eruditas.
Sinnimos: Seleco Nacional, adulaao, meia-final do Mundial 2006;
Luis Figo, o entao capitao; Eusbio, um icone; Benfica, record do
Guiness do numero de adeptos afiliados.

GULBENKIAN (Fundaao): transform o dinheiro em belezas artisticas
para todos os sentidos. Fundada em Lisboa, em 1956.

ANTONIO LOBO ANTUNES: escritor, suave mesmo quando escreve
sobre temas aridos. Muito apreciado pelos seus compatriotas. Escreveu,
inter alia, Fado Alexandrino (1983) sobre os 20 anos posteriores
Revoluao dos Cravos; O esplendor de Portugal (1997) sobre os amores e
desamores entire Portugal e Africa.

MANUEL DE OLIVEIRA: simbolo dos cineastas portugueses, discreto,
muitas obras-primas e muita admiraao em troca por parte dos espectadores.

MANUELINA (arte): o barroco portugus, conheceu o apogeu no sculo
XIX, simbolizado nomeadamente pelas tipicas colunas entrelaadas.

MOSTEIRO DOS JERONIMOS: patrimonio mundial da arquitectura
eclesiastica. Ver igualmente Alcobaa, Batalha, entire muitos outros.

FERNANDO PESSOA (1888-1935): universe complex em si mesmo,
muitas pessoas e personalidades reunidas num nico ser, cada uma com a
sua psicologia, as suas proprias ambioes artisticas e literarias reunindo-
se todas elas numa entidade autodenominada "heteronomia". Um para-
digma estudado em todo o mundo. Para Alexander Search, Alberto
Caeiro, Ricardo Reis, Alvaro de Campos, Raphael Baldaya, ver Fernando
Pessoa ou vice versa.

JOS SARAMAGO: Prmio Nobel da Literatura em 1998.

VINHO: ver a seguinte classificauo: Verde, do Dio, do Douro, do
Alentejo, da Bairrada, etc. Se gostar do Vinho do Porto ou do Vinho da
Madeira, consulate um dicionario ingls pois estes foram inicialmente fei-
tos para o paladar e mercado britnico.


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007






escoberta da Europa


barroco portugus em todas as artes, teatro, msica e arquitectura.
O sculo XX ficou marcado pela ditadura military, simbolizada pelo tira-
no Salazar e o seu successor Caetano.
Seguiu-se a Revoluao dos Cravos em 1974. Sob um sol de Primavera,
ressurgiu a esperana em Portugal com as notas de uma msica popular
proibida pelos ditadores "Grndola Vila Morena" de Zeca Afonso, que foi
o sinal para os militares progressistas sairem rua seguidos de perto pelo
povo que os condecorava com cravos nos canos das suas espingardas.
Num s6 dia, a vit6ria, sem derrame de sangue, na metropole e nas col-
nias. Liberdade!
O resto sao o regresso dos exilados, os moments habituais de incerteza
aps uma tal reviravolta, a consolidaao da democracia e, doze anos
depois, a adesao Comunidade Econmica Europeia. O renascimento de
uma Naao!




Apenas 560 km de comprimento e 220 km de largura. Com as costas
viradas para o seu nico vizinho terrestre, a Espanha. A olhar para o
oceano. O Tejo divide o pais em dois numa boa parte deste comprimen-
to de norte a sudoeste onde desagua no mar em Lisboa. As montanhas
do Norte sao a sua nascente, tal como o sao de dois outros rios do pais,
o Douro e o Guadiana. A Serra da Estrela culmina a cerca de 2.000
metros. A sul do Tejo comeam as planicies do Alentejo que vao culmi-
nar a sul, junto dos contrafortes montanhosos do Algarve. O Norte ver-
dejante mais povoado e concentra as cultures de cereais, de legumi-
nosas e as vinhas. O centro e o sul mais aridos sao um campo continue
de oliveiras, amendoeiras, citrinos e figueiras, sem contar com a arvore
fetiche, o sobreiro, que oferece um carnaval de cores aquando da flora-
ao na Primavera. Neste cenario, necessario imaginar as mais varia-
das flores e plants aromaticas, lrio branco, limoeiros, alfarroba, pal-
meiras para perfazer o cenario perfeito. A fauna igualmente das mais
ricas. Ouvem-se os cantos e as msicas de infindaveis variedades de
passaros. Os parques nacionais sao numerosos, como a magnifica Ria
Formosa no Algarve ou a floresta de Sintra na regiao de Lisboa, escol-
hida por Lorde Byron para gozar a sua reform.



O clich do Algarve de cimento, que acolhe o turismo de massa, des-
proporcionado. Para ficar convencido, basta deambular pelas praias
paradisfacas da Ria Formosa perto da capital regional, Faro, ou da
romntica antiga cidade mourisca de Tavira. As mais pequenas cidades
como Olhao, na costa, ou Monchique, nas colinas, encerram surpresas
e encantos. Mesmo nas zonas mais turisticas do sudoeste, a selva de
cimento nada tem de comparavel com os bunkers da costa belga ou de
grande parte do Mediterrneo espanhol.
Alias, a regiao opta cada vez mais pelo turismo de terceira idade, consti-
tuindo pequenas e mdias aglomeraoes com casas de luxo novas onde
os jovens reformados dos pauses do Norte podem viver a alguns passes
dos seus barcos e dos seus clubes de golfe, para os mais afortunados. o
caso de Vilamoura, onde se cruzam reformados da classes mdia com
estrelas do mundo do espectaculo ou com os reis de Espanha.
As cidades sao verdadeiros encantos. Faro, noite, um verdadeiro cena-
rio de opera onde qualquer pessoa pode passear e sonhar com toda a segu-
rana, de viela em viela, entire praas magicas, num ambiente barroco ou
mourisco, arte nova ou neoclassica. O campo idflico e os parques natu-
rais verdadeiros encantos.


comEnTHRIOS


Victor Reia-Batista, professor da
Faculdade de Comunicao da
Universidade do Algarve


xiste uma cultural no
Algarve muito prxima
hoje da cultural da Africa
do Norte. Isto pode ver-se na
arquitectura ou no termo
"Algarve", por exemplo, que sig-
nifica o Ocidente, a ponta mais
ocidental da Europa neste
moment. Temos por isso uma
posiao privilegiada para dialo-
gar sobre estas coisas e trocar
experincias. Esse podera ser um
objective a prosseguir, aproveitar
esta posiao formidavel de dialo-
go que existia aqui na Idade
Mdia, ao contrario de muitos
outros pauses da Europa. uma
posiao diferente, aqui ha uma
postura de dialogo.
Depois da Revoluao de 25 de
Abril de 1974 houve um grande
movimento de pessoas que
regressaram a Portugal, algumas ,, '" ,,', :
vindas das colnias com ideas
colonialistas, outras refugiados
com compromissos diversos, o que criou um grande problema. Eu
tinha sido obrigado a exilar-me na Sucia, fui desertor. Quase todas
as families tinham casos de separaao, de um lado ou do outro.
Conseguiu-se fazer uma integraio das diferentes posioes. Hoje
em dia, ha uma ideia bastante democratic e liberal deste proble-
ma.
Houve um period em que se verificaram graves tenses depois da
Revoluao. Felizmente que foi relativamente curto. E este period
nao teve consequncias decisivas na evoluao political do pais.
Actualmente, o problema antes o desaparecimento da memria
da Histria. Nao facil criar interesse nos estudantes por uma pers-
pectiva histrica destas questes. Talvez porque tenhamos tendn-
cia para ocultar os aspects tragicos da nossa histria.
Sobre a integraao de Portugal na Europa, se, por exemplo, consi-
derarmos o Algarve, existem problems no que se refere situaao
da agriculture ou das pescas, mas a identificaao com a Europa e
os seus valores faz parte da idiossincrasia da populaao.


CeRREjO


Portugal






Portugal escoberta da Europa


Clara Borja Ramos, diplomat,
porta-voz da Presidncia
portuguesa da UE
Clara Borja exprime-se aqui mais como
diplomat de carreira e intellectual do que
enquanto porta-voz da Presidncia portu-
guesa da UE.

s caracteristicas essenciais de Portugal
tm origem nestes sculos de intercm-
bios diversificados com o rest do
mundo. A cultural e a civilizaao portuguesas
enriqueceram-se em contact com outros conti-
nentes, com a Africa ali pr6xima evidentemen-
te, mas tambm com a Amrica do Sul e mesmo
com a Amrica do Norte. Alias, os primeiros
navegadores que desembarcaram na Amrica do
Norte teriam sido portugueses, muito antes de
Crist6vao Colombo.
Os Portugueses foram, e af nao ha qualquer
dvida, os primeiros europeus a explorer o
Japao, dai a influncia do portugus na lifngua
japonesa, a que emprestou palavras essenciais
do vocabulario como a palavra "obrigado" ligei-
ramente transformada.


Sem contar com tudo o que Portugal trouxe das suas expedioes e disse-
minou pela Europa, tanto conhecimentos como objects. Como o cha da
India e da China, que os ingleses descobriram graas rainha Catarina
depois do seu casamento com o rei de Inglaterra.
Hoje em dia as relaoes entire Portugal e as suas antigas colnias nio
conhecem qualquer tensao.
As virtudes de Portugal serao devidas falta de meios? Por nao ter for-
a bastante para dominar as colnias? Claro que ha um fundo de verda-
de nisso. Evidentemente, Portugal nao possuia meios para dominar,
nem em terms financeiros e monetarios, nem em terms de pessoas
disponiveis. Com uma pequena populaao, para manter estas colnias
durante sculos foi precise integrar-se. Mas nao creio que seja essa a
nica razao, ainda que haja muita gente que partilha essa analise. Penso
que existe tambm esta mentalidade de acolhimento e de integraao,
que creio dever-se a um espirito de tolerncia.
Portugal, o pais que fez tudo para nao se parecer com Espanha? No
entanto, Portugal ou a Lusitnia tinha sido uma colnia romana ja inde-
pendente, singular. E uma raa diferente, evidentemente com caracteris-
ticas comuns como a invasao arabe. Nos dias de hoje Portugal mantm
excelentes relaoes com todos os paises do outro lado do Mediterrneo.
A capital mais prxima de Lisboa nao Madrid, mas Rabat, a pouco
menos de 600 quilmetros. Os portugueses sentem-se bem em
Marrocos e os marroquinos em Portugal. Ha tanto em comum, a arqui-
tectura, as raizes arabes de palavras portuguesas! Os laos tambm sao
estreitos com os pauses lusfonos de Africa, sao laos do coraao. E
actualmente esta compreensao esta a tornar-se ainda mais forte.


Objectiuo principal do :


a descentralizaao para melhor desenuoluimento


Entrevista com Jos Apolinrio, Presidente da Cmara Municipal de Faro


Presentemente, a prioridade para o Algarve a
preparaao do prximo quadro de aplicaao do
program estrutural para o period 2007-2013.
Como deixamos de pertencer s regies do
Objectivo 1, j nio recebemos apoio dos Fundos


Estruturais europeus. Consequentemente,
somos obrigados a nos apoiar na iniciativa pri-
vada para lanar novos projects de financia-
mento de objectives pblicos.
A histria de Portugal uma histria de muni-
cipios fracos e um poder concentrado em
Lisboa. Encontramo-nos agora num process
de criaao de estruturas
descentralizadas. No
Algarve, pretendemos
criar uma estrutura bas-
tante forte a nivel dos 16
municipios. O terceiro
nfvel de trabalho o
quadro regional para os
pr6ximos anos at 2015,
sobre as estratgias de
desenvolvimento e de
ordenamento do territ6-
rio na regiao.


A qualidade da agua important, pois
temos um problema de seca. Os investimen-
tos feitos com os Fundos Estruturais nestes
ltimos anos foram muito importantes para a
construdo de barragens, que permitam
regiao beneficiary de uma quantidade sufi-
ciente de agua.
A agriculture biolgica igualmente impor-
tante, sendo a principal actividade econmi-
ca da regiao. A inovaao tecnolgica
important enquanto objective de desenvol-
vimento. Mas, por ora, ainda nao dispomos
de investimentos significativos na area da
nova economic. A este nivel, ha duas regies
em Portugal que tm uma importncia signi-
ficativa: Lisboa e Porto. As outras estio
alheias s decises relatives a investimento
apoiado pelo governor central.


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007







escoberta da Europa Portugal







Faro a capital da regiao. Temos a principal porta de entrada no Sul, o
aeroporto intemacional de Faro, que favorece grandemente o turismo,
sobretudo atendendo ao desenvolvimento das tarifas areas a baixo custo.
Possuimos um important crescimento econmico. O turismo aumen-
tou nestes ltimos anos e aumentara ainda este ano cerca de 5 a 6%.
Sobretudo com o turismo residential e o turismo do golfe e, em menor
escala, os desportos nauticos. As receitas da regiao provm essencial-
mente do turismo. A agriculture muito menos important e a pesca
ainda menos. Em terms de turismo, o nosso objective nao s6 atrair
os estrangeiros, mas tambm pensamos no turismo local. Promovemos
igualmente o turismo ambiental, desportivo, cultural e o que tem a ver
com a qualidade de vida.
Temos um problema que importa solucionar rapidamente: a circulaao
em Faro.
Faro uma cidade com 60.000 habitantes, mas uma zona de influn-
cia de cerca de 300.000 habitantes. Muitos vm trabalhar em Faro ou
transitam pela cidade. O transport public regional, regido a nfvel
national, nao oferece uma resposta adequada. A regiao precisa de uma
autoridade prpria neste dominio semelhante que vigora em Lisboa.
Esperamo-la, que a descentralizaao no-la traga at aqui.




Regra geral, o poder de compra nos municipios do Algarve situa-se na
mdia das cidades nacionais mais bem cotadas. Isto esta em contradiao
com a situaao de pobreza das pessoas sem formaao e educaao e com
as populaoes migrants. No passado, as situaoes dificeis eram vividas
sobretudo pelos nacionais de pauses africanos lusfonos. Estas populao-
es estao hoje mais integradas. O problema actual coloca-se sobretudo a
nfvel dos migrants provenientes dos pauses da Europa de Leste.





Os laos estruturais entire os pauses do Mediterrneo e de Africa tecem-
se a partir de Lisboa. No Algarve, juntamente com a Universidade e os
municipios, temos muitas geminaoes com cidades de Marrocos e
Norte de Africa e com algumas cidades africanas que tm o portugus
como lingua official. A Universidade possui centros de estudo especiali-
zados sobre o Mediterrneo e Africa.
Varias cidades algarvias atribuem grande importncia s relaoes cul-
turais com Africa. A cidade de Faro organize, por exemplo, um festival
annual e tem um program cultural, muito bom todo o ano, com grande
participaao de artists africanos.




O que que temos aqui de diferente em relaao a outras cidades da
Europa? A minha resposta a luminosidade. Ela influencia a cidade,
as pessoas, apesar de a populaao se queixar bastante. Esta luminosi-
dade nao existe em mais lado nenhum. As pessoas de Faro tm sem-
pre uma porta aberta. Sempre atribufram uma grande importncia ao
estatuto social e cultural. uma cidade de poesia. O Algarve uma
regiao aberta e com a sua musicalidade. E a identidade regional bem
marcada e unida sobretudo quando esta em causa critical o centralis-
mo de Lisboa (risos).











*V snvgdrspria doAgrepr *ursm loca. am consd o imortne
*ecbie a *ia afda o Jpo e aor acec ao do urso no AlaveI
Cia -oje os tnos e coni do Alavesr o urso sei noncbv
Alav ae eeo mlorlg p a o de- init Atno ia
oli no do trso n uopa A vontd ovdnemne c or o rso de ros
* d e o maorma o mlor om e onoi bsa nmio scor
oec e8%d e on i do Agreasn Esaos atnos so, rzo oeaqa p omo
tmdrcaou idrtaeeno trso.Et veos ntis sobr o ontra i ova
*eo morat no conjno d Portgl a rep aor do amine oo o nr
msoAgreoup o prmio lua o qu olr et polt ,d a prord e ao

oaer o ar io deLs oa ntosiv iteor ones enonr m si o mi
oioe onaule u isaa ou oocia o ao r pato areaa o, ih


*e a do Nort ou do Ceto d uopa nomaed nosacl mdl o nos



















Parque Natural du Ria Form osa


arla Peralta fala da sua paixao na
sua casa, que nao tem nada de um
canil. O seu filho, de apenas trs
anos, enrola no chao, vencido por
trs cachorros, bolas de pelos aveludados e
sedosos, de mbar negro, como "caniches" de
grande porte. Estes ltimos e alguns mais, adul-
tos ou pequenos, de fratrias diferentes: um
patrimnio a conservar. Carla Peralta explica
isso com muita paixao.


O parque natural da Ria Formosa, na Quinta de
Marim Olho, acolhe o Centro de Educaao
para o Ambiente de Marim, que uma grande
amostra do ecossistema do parque: pntanos
salgados, salinas, dunas, florestas de pinhos e
agriculture traditional. Ha ali igualmente uma
quinta traditional, um auditrio, uma biblioteca
e um laborat6rio de investigaao.
neste context que Carla Peralta cria caes
de agua. Com os seus ps palmados, estes
caes tmt hatante hahilidade para relnir n


|.i l'.Ci j i .i i ii 1 Ii i c iiC -


Actualmente, ha apenas 3.000 representantes
da espcie contra centenas de milhares ainda
ha pouco tempo. Como sao caes muito inteli-
gentes, calmos quando for o caso, activos se
for necessario, e de boa companhia, muita
gente quer fazer deles tots. "A moda nao
boa para as espcies. Ela implicaria uma
variaao da raa."
"Nao se trata de caes que obedecem para rece-
berem uma recompensa. Tambm nao quer
dizer que eles gostem de nadar, mas unica-
mente que tm conscincia de colaborar com
o pescador. Fazem-no para ajudar o pescador
e ndo o fardo se ndo se sentirem respeitados.
Um cdigo important entire os caes de agua
, por exemplo, os cachorros nao poderem
ficar na presena de outra fmea que nao seja
a sua mae. Isso pode ser-lhes fatal. O cao ja
nao teria o mesmo comportamento de coope-
raao com um home que tivesse violado esta
regra." Estranho animal!
Hoje, as grandes embarcaoes estao equipa-
das de sonares para detectar cardumes e de
maquinas para os captar. Que importa se sao
rejeitadas a cada passo toneladas de peixes
asfixiados! "A pesca ecol6gica com os caes?
Porque nao? Entao nao ha agriculture biol6gi-
ca? Vou pensar nisso".


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007



















Sandra Federici



AFRICO



em UEnEZ








Intemacional de Arte da Bienal de
Veneza foi considerado como uma
das maiores inovaoes da ediao de
2007 deste important event. Nascida no final
do sculo XIX, a Bienal atrai nao s6 a atenao
dos especialistas de arte, mas igualmente um
grande numero de visitantes. O Pavilhao
Africano suscita varias questes: porqu colocar
Andy Warhol e Miguel Barcel num pavilhao
africano? Porqu atribuir espao a um nico
coleccionador de arte? E onde que estao as habituais empresas patro-
cinadoras?
Mas comecemos pelo principio: o Director da 52" Bienal, Robert Storr,
queria expor o continent africano. Durante a semana para profissionais
da Bienal Dak'Art em Dacar, Senegal, Storr visitou varias exposioes,
incluindo algumas perifricas -que constitufram o designado "progra-
ma off" -e participou em numerosas conferncias. Tambm recolheu
catalogos e publicaoes. O resultado destas pesquisas a representaao
variada de artists africanos e afro-americanos na Exposio
International da Bienal, intitulada "Pensar com os Sentidos -Sentir
com a Mente. Arte no Presente".
Esta exposiao esta marcada por um grande numero de obras de arte de
natureza political, centradas em questes como a guerra, o terrorism, as
migraoes, as fronteiras e a morte. A exposiao caracteriza-se por uma
sucessao lenta e profunda de obras de arte: fotografias bem colocadas,
pinturas e videos com uma organizaao clara e simples, em que os tra-
balhos dos artists africanos mantm um dialogo com as obras expos-
tas volta, criando significados mutuamente enriquecedores.
Os letreiros em non azul do artist Adel Abdessemed, colocados junto
das saidas nas salas do Arsenale, indicam Exile (Exilio), em vez da
esperada Exit (Saida). A abstracao geomtrica do pintor nigeriano
Odili Donald Odita evidencia-se fortemente com as cores de Africa. As
pinturas de Chri Samba contam hist6rias tristes com uma ironia amar-
ga. Os maravilhosos retratos a preto e branco feitos por Malian Malick
Sidib, premiado com o Leao de Ouro pela Obra de uma Vida, repre-
sentam os participants orgulhosos num project de arte para lutar con-
tra a SIDA.


A obra mais extraordinaria: dois tapetes incrfveis
feitos de latas e de capsulas de garrafas por El
Anatsui, artist nascido no Gana mas que vive na
Nigria. Os tapetes estao habilmente expostos no
"Arsenale" entire duas filas de enormes colunas
de tijolos, que cintilam com sal marinho, criando
........ uma instalaao gigantesca nica. Todos os visi-
tantes pararam para a admirar.
Outro acontecimento extraordinario foi a apre-
sentaao de bandas desenhadas africanas, pela
primeira vez nesta Bienal. Uma histria triste da
migraao foi o tema das 46 chapas do album Une ternit Tanger
(Uma eternidade em Tnger), de Faustin Titi e Eyoum Ngangu. Foi
atribuido a este album o "Prmio Africa e Mediterrneo" para a mel-
hor banda desenhada nao publicada de um autor africano, pela asso-
ciaao que tem o mesmo nome.
Storr fez outra escolha fundamental para a Bienal: a criaao de um
Pavilhao Africano. Embora seja verdade que Africa tinha tido algumas
presenas individuals e colectivas na Bienal desde 1920, at aqui ape-
nas o Egipto tinha tido tradicionalmente um pavilhao national.
Para preparar o Pavilhao Africano, Storr lanou um "concurso de
ideias", que foi criticado mas reuniu mais de 30 projects e suscitou
enorme expectativa. Um jri constituido por curadores e artists africa-
nos e afro-americanos decidiu atribuir a responsabilidade do pavilhio a
Simon Njami e Fernando Alvim.
Njami um critico camarons, escritor, fundador da Revue Noire e
curador de "Africa Remix", uma important exposiao sobre "o conti-
nente". Alvim um artist angolano, curador da Galeria "Camouflage"
em Bruxelas e da exposiao interacional de arte Trienal de Luanda. O
seu project consistiu em mostrar uma selecao, uma check list, da
colecao de arte de Sindika Dokolo, juntando-lhe outras obras de arte
encomendadas para Veneza. O nome deste jovem home de negocios
congols comeou a ressoar no mundo da arte contempornea. As pri-
meiras crfticas vieram daqueles que no passado lanaram importantes
iniciativas sobre a arte africana em Veneza e que agora se sentiam des-
tronados. Depois apareceu um artigo de Ben Davis, publicado na Art
Net, uma revista nova-iorquina de arte na web, que acusou o coleccio-
nador de negocios suspeitos durante as guerras de Africa.


C*RREIO






Criatividade


Resposta de Alvim: "Se vamos para o campo da tica, sao muitos os
que se devem sentir envergonhados: a Italia e os EUA, que atacaram
o Iraque sem justificaao; os bancos, proprietarios da maior parte das
obras de arte, graas aos seus investimentos duvidosos; e os grandes
coleccionadores, com fortunes misteriosas. Vamos pr a tica de lado
e embrenhar-nos profundamente nos projects artisticos. Pela primei-
ra vez vemos um project totalmente africano, gerido e financiado por
africanos em Africa."
Dokolo ja possufa uma colecao international de arte contempornea.
Em 2003 Fernando Alvim persuadiu-o a comprar a colecao de
Bruxelas de Hans Bogatze, para impedir que a sua famflia a vendesse
a galerias de arte europeias depois da morte do coleccionador. Dokolo
e Alvim envolveram algumas empresas e bancos angolanos, que
financiaram a aquisiao, criando a colecao privada mais important
de arte contempornea em Africa. Esta colecao constituiu a base da
Trienal de Luanda, realizada em 2005/2006.
"Acrescentamos 'Luanda Pop' ao titulo initial 'Check List'", expli-
cou Alvim durante a conferncia de imprensa, "para sublinhar a liga-
ao direct com a energia que brota da aventura da Trienal de Luanda
de 2005".
"Nao se trata apenas de um project cultural, uma afirmaao political ,
acrescentou Simon Njami durante a conferncia de imprensa. "Nao pre-
tendemos mostrar um retrato exaustivo nem de todo o continent, nem
da 'arte contempornea africana', um conceito algo indistinto.
Propomos simplesmente a nossa escolha. Por isso que os cartazes
volta do Pavilhao mostram pessoas como Franz Fanon, Bob Marley e
Gandi. Nao sao africanos, mas pessoas que falaram de uma Africa livre
e que construfram Africa, nao como um local mas como uma filosofia".
Tambm por isso que estao expostas obras de arte de Andy Warhol e
de Miguel Barcel no Pavilhao Africano, lado a lado com obras de
jovens autores angolanos, como Yonamine e Ihosvanny, ou de artists
reconhecidos internacionalmente, como Yinka Shonibare, Marlene
Dumas e Kendall Geers. "Isto nao uma colecao de arte contempor-
nea africana", indica Sindika Dokolo, "mas uma colecdo africana de
arte contempornea. Uma visao africana. Consider a criaao da minha
colecao como um gesto politico, porque Africa nao pode aceder sua
esttica passada, cujas melhores obras foram retiradas do continent.
Comparado com as necessidades basicas de Africa, a arte talvez nio
seja a prioridade, mas penso que temos de agir sobre os series humans
de Africa. Se nao sabem de onde vm, se nao aprendem como exercer
a sua capacidade critical, nao havera progress. Agora temos de pensar


pr-m-- mm-m


I

I

I

I

I

I
I.


como conseguir um impact director nas pessoas. Isto apenas o inicio.
Somos nos prprios que temos de avanar, tanto artists como pblico,
incluindo governor, educaao, museus, galerias, coleccionadores. Se
nao conseguirmos dizer ao mundo quem somos, se nao mostrarmos o
melhor de que somos capazes, nunca poremos fim incompreensao,
condescendncia e aos preconceitos".
Aqui, finalmente, Africa que escolhe, Africa que v. a

Pagina 58:
Em cima: Yinka Shonibare MBE, How to blowup two heads at once, 2006.
Instalaao, 175 x 245 x 122 cm.
Em baixo: Bili Bidjocka, A escrita infinita #, 2007. Instalaao, dimensao variavel.
Pagina 59:
Andy Warhol, MuhammadAli, 1978. Duas impresses em papel, 114 x 89 cm.
Imagens publicadas com a amavel autorizaao
da colecao africana de arte contempornea Sindika Dokolo.


------


52" Bienal de Arte de Ueneza. Exposiao Internacional de Arte

CHECK LIST LUANDA POP Pavilhao Africano Arsenale
Ghada Amer, Egipto Kiluanji Kia Henda, Angola Chris Ofili, RU / Nigria
Oladl Bamgboy, Nigria Ihosvanny, Angola Olu Oguibe, Nigria
Miquel Barcel6, Espanha Alfredo Jaar, Chile Tracey Rose, Africa do Sul
Jean Michel Basquiat, Estados Unidos Paulo Kapela, Angola Ruth Sacks, Africa do Sul
Mario Benjamin, Haiti Amal Kenawy, Egipto Yinka Shonibare, Nigria
Bili Bidjocka, Camares Paul D. Miller Aka DJ Spooky, Minnette Vari, Africa do Sul
Zoulikha Bouabdellah, Arglia Estados Unidos Viteix, Angola
Loulou Cherinet, Eti6pia Santu Mofokeng, Africa do Sul Andy Warhol, Estados Unidos
Marlne Dumas, Africa do Sul Nastio Mosquito, Angola Yonamine, Angola
Mounir Fatmi, Marrocos Ndilo Mutima, Angola
Kendell Geers, Africa do Sul Ingrid Mwangi, Qunia
-----------------


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007






Criatividade





"PInTURI POPULAR"



KInSHAlS


Exposio "The States of flux" Tate Modern Museum, Londres


S ob este titulo, o Tate Modem, um dos
locais mais prestigiosos do mundo
para a arte modern, dedica uma das
15 salas da exposiao "The states of
flux" "pintura popular" de Kinshasa. A expo-
siao concentra-se nos grandes movimentos
artisticos que marcaram a arte do sculo XX,
mais precisamente o cubismo, o futurismo e o
vorticismo, considerado como um cubismo
ingls que incorpora na sua esttica as ferra-
mentas da tecnologia e da indstria. Expoe
uma parte da colecao do museu e durara at
Maro de 2008.
"A escola de pintura popular" de Kinshasa,
como a designara o seu criador, Chri Samba,
composta por cinco figures de proa, que expo-
em todas no Tate: o prprio Chri Samba, Cheik
Ledy, seu irmdo, Bodo, Chri Chrin e Moke.
As oito peas expostas sao o maior testemunho
da modernidade destes artists e da acuidade da
sua visao em relaao s questes que perturbam
o mundo, e nao s6 o seu. Todos estao em osmo-
se com as correntes artisticas mais importantes
do sculo, tanto na sua liberdade da forma
como na do pensamento, em harmonia, e ao
mesmo tempo em ruptura, com as preocupao-
es da sua poca. Como qualquer vanguard.
Mundo em turbilho. Para onde vamos? de
Bodo, numa composiao panormica densa,
descreve, numa alegoria ps-11 de Setembro, o
desventramento, o rasgamento e a exsudaao do
planet mostrando o seu flanco africano, por


uma sequncia de veiculos e de maquinas de
alta tecnologia, deixando adivinhar a obscurida-
de de bombas humans lobotomizadas e o sibi-
lo do servio de mensagens electrnicas. Tudo
isto num desbordamento de cores, mas, parado-
xalmente, quase numa encenaao serena. a
tcnica do home violentando a sua terra-mae
e suicidando-se. Ali, talvez, poderia procurar-se
uma permeabilidade com os vorticistas ingle-
ses, com o excess de presena da tcnica.
"Para onde vai o mundo?", questiona-se tam-
bm Chri Chrin, mas com uma obra um
pouco mais impressionist, embora de forma
tao "cataclismica", visto que de cataclismo
moral que se trata, tendo como fundo, apesar
de tudo, o @ de Internet.
Chri Samba aborda a violncia da guerra fra-
tricida que devastou a RDC e a tragdia das
crianas-soldados. Mas nao esquece nas outras
duas peas suas de se representar ele mesmo,
como costumava faz-lo, e de maneira muito
simblica numa pintura a defender, onde faz
para-vento do seu corpo numa posiao cristica
para defender uma tela. Uma tela, ou a pintu-
ra, ou a arte muito simplesmente?
A arte ancestral do Congo, a que o mestre se
devota em Homenagem aos antigos criadores,
onde faz o seu pr6prio retrato perante esculturas
tradicionais, como se rendesse aos criadores de
entao a parte que lhes cabe da consideraao atri-
buida hoje arte contempornea da Africa.
H.G. M


Bodo, Mundo em turbilhao!!! Para onde vamos,
2006. Acrilico em talagara, 153 x 440 cm.
Com a amavel autorizaao da C.A.A.C.
Collection Pigozzi, Genebra.
Fotografia Maurice Aeschimann.



Chri Samba, Homenagem aos antigos criadores,
1999. Acrilico em talagara, 151 x 201cm.
Com a amavel autorizaao da C.A.A.C.
Collection Pigozzi, Geneva.
Fotografia Patrick Gries.


C*RREIO











Rdoramos...


Jean-Claude "Tiga" Garoute,


pintor, poeta e demiurgo


C omparada homenagem
prestada por Andr Malraux
no seu livro L'Intemporel,
quando ambos estavam
ainda vivos, seguido de outros, como
Breton e Jean-Paul Sartre, que partiram
em peregrinaao a Haiti para o encontrar,
sem contar as intimeras distines rece-
bidas durante a sua vida, qualquer outra
homenagem s6 podera ser imodesta.
L'Intemporel consagra piginas a fio a
explicar que o movimento s6cio-pictu-
ro-filos6fico-esotrico que ele animava
nos pincaros de Santo-Sol, no Haiti,
tendo por discipulos ou piblicos outros
artists, doentes mentais e jovens, repre-
sentava talvez o movimento artistic Tiga, Martine e Liane, 1999.
SEsboo num guardanapo de papel, 14 x 14.
mais inovador do mundo. "Herdeira de Hegel GoutIer
tantos gnios malditos, esta pintura ins6-
lita uma pintura abenoada. E como se a liberdade se aclimatasse aqui at ao mais intimo das
suas aventuras ins6itas, a experincia mais cativante e a unica controlavel de pintura
magica no nosso sculo: a comunidade de Santo-Sol. Daf advm a continuidade, a prolifera-
ao de uma independncia das pinturas nao menos perturbadora que a independncia conquis-
tada pelas tropas de Toussaint Louverture, ao exrcito de Napoleao. (...) O Sr. Tiga e a Sra.
Robart (companheira de Tiga) tinham fomecido queles, a quem convm chamar seus adeptos
e nao alunos, as cores fundamentals, as telas, o papel, os plans de peas e nao conselhos.
Pinturas e peas destinadas aos amigos da regiao. Os pintores entregavam as suas obras na
casa-mae, onde eram guardados confidencialmente at sua exposiao no museum, e iam voltar
a s-lo". E assim de pagina em pgina.
O Tiga nunca foi um guru, ou entao foi o guru da liberdade, porque ele nunca tentou influen-
ciar um jovem artist criador que o contactava. Adoptava-o, acarinhava-o, dava-lhe apoio e
confiana em si, mas nao lhe dava conselhos nem models. Acreditava na sua filosofia harmo-
niosa da existncia da terra e do ser. Acreditava que "o ser Sonho, Possessao, Criaao e
Loucura". Era isso que ele tentava descodificar em toda a criaao humana, na sua pr6pria cria-
ao, na dos seus proximos, na dos doentes mentais e na das crianas. Para isso, embebeu-se de
filosofias diversas, adquiriu conhecimentos especificos, como os do c6digo gentico, praticou
diferentes artes, sendo a msica o seu ponto de 6rgao. A sua pintura era ritmo, ritmo de vida.
Eram comoventes estes texts e as suas improvisaoes sobre a msica de Rachmaninov, da
qual ele se impregnava profundamente. Comoventes eram as encenaes espontneas de apre-
sentaao das suas obras na sua sala de star. Ser convidado para esse fausto idflico era um pre-
sente Tnico e inesquecivel.
Em suma, o gnio das suas obras inscreve-se no mago do surrealismo maravilhoso da
Amrica chamada latina. Os seus "s6is ardentes" inspiram o ardor que cria a luz da sombra, as
cores do ardente e a alegria serena do cinzento da alma.
Tiga partiu em Dezembro passado vitima de um carcinoma, ele que tanto tinha reflectido sobre
a gnese e a influncia da criaao artistic seguindo, entire outras pistas, as mensagens, os sinais
e as informaes contidas no acido desoxirribonucleico e no seu control ou perda de contro-
lo sobre o corpo human, que ele considerava misteriosos.
Deve ter partido com o seu sorriso peculiar colado no canto da boca, cunho quase impercepti-
vel do seu humor em rasgos teatrais, que tanto prazer nos deu quando admiravamos as suas
pinturas e nos inebriavamos com as suas palavras ao saborear os seus rums raros.
So long Tiga-son! H.G. M


LE PEOPLE


n'aime pas le people





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N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007


4.1: ,: Criatividade






Criatividade


Adoramos


fdoramos... f uida e a obra de




SEImBEnE ousmnInE


ria pretender ter criado o cinema de fico na Africa Subsariana.
S embne Ousmane, que nos deixou em 9 de Junho de 2007, pode-
ria pretender ter criado o cinema de ficao na Africa Subsariana.
O seu tftulo de "Pai do cinema africano" plenamente merecido.
Mas nao esta anterioridade que inspira tanto amor, respeito e
apego a tantos afeioados da sua arte. meramente o facto de Sembne
Ousmane ter sido um grande escritor, um grande realizador de cinema e
um produtor astucioso. E, sobretudo, o ter compreendido que o cinema
era um instrument de desenvolvimento cultural, mas tambm -e muito
antes de muitos outros -um motor de desenvolvimento economic.
Este cineasta tinha quase 40 anos quando iniciou o seu percurso artistic,
que o iria revelar ao mundo inteiro. Em 1960, ji com 37 anos vividos, foi
estudar para o Instituto Gorki de Moscovo. Seis anos depois, criou o seu
primeiro verdadeiro filme de ficao La Noire de..., que ficara gravado na
histria como o primeiro filme realizado por um Africano. O festival de
Canes atribuiu-lhe o Prmio Jean Vigo, que constitui a primeira de uma
longa srie de distinoes. Na verdade, Sembne Ousmane tinha realizado
anteriormente tres filmes que ficaram praticamente no anonimato. O
filme La Noire de... conta a histria de Diouna, que partiu do seu pais, o
Senegal, para trabalhar como criada na Frana. Seguiu-se o seu suicidio
e, para se justificarem e tranquilizar a sua conscincia, os seus patres
franceses partiram para Dacar a fim de contarem a indizivel hist6ria aos
seus pais. Ja neste filme, Sembne Ousmane soube mostrar ponderaao e
saber. Militante da causa negra, compreendeu rapidamente que a nica
maneira de o ser verdadeiramente na sua arte era mostrar compaixao face
a todo o sofrimento do ser human e nao fazer rimar militantismo e


fanatismo. E, sobretudo, nao transformar as suas obras em cartazes, tao-
somente em fases da vida humana. S6 e somente isso.
Nos anos 70, a sua honestidade, do que deu provas no seu filme Ceddo
(1977), que fustiga os vendedores de escravos africanos, criou-lhe alguns
dissabores pessoais e at mesmo a proibiao do filme no seu prprio pais.
Na sua carreira de cineasta, Sembne Ousmane realizou perto de quinze
filmes, sendo os mais conhecidos La Noire de..., Ceddo, Xala em 1974 e
Faat-Kin em 1999. A sua ltima obra, Moolad, data de 2004.
Alguns destes filmes foram adaptados dos seus romances, como La Noire
de..., Xala e Taaw. A sua carreira de romancista tinha comeado cerca de
dez anos antes da carreira de cineasta. O Le docker noir, que o seu
primeiro livro, foi publicado em 1956. Tinha entao Ousmane 33 anos.
Antes, tinha vegetado na sua Casamance. Aluno mdio, tinha frequentado
a Escola de Cermica de Marsassoum e passado por muitos biscates
desde os seus 15 anos, para suplementar os magros recursos de pescador
de seu pai. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi incorporado, muito
jovem, nas foras francesas livres de 1942 a 1944, ano em que chegou
Frana com os seus companheiros de fortune.
Artista conhecido e mesmo venerado, nunca negou a sua disponibilidade
nem recusou tender todos aqueles que o consultavam ou lhe pediam
ajuda pessoal ou em prol de uma causa just.


Um grande artist! E mais ainda, um grande home!


H.G. M


Em cima:
Yonamine, The best of the best, 2007. Instalaao + video.
Com a amavel autorizaao da colecao africana de arte contempornea Sindika Dokolo.


C*RREIO






Sara os mais jovens







Clube Cotonu



COnTRA f POBREZA


W~~1 FBXrnt LPAI~


entire os Estados ACP e os Estados
da UE um pouco como pertencer a
um clube em que estao os melhores
amigos, s6 que estao espalhados por todo o
mundo, em Africa, nas Carafbas e no Pacifico
(ACP) e nos Estados da Uniao Europeia
(UE). Para todos serem amaveis uns com os
outros, da-se-lhes e partilha-se com eles coi-
sas especiais que nao se dao a outros.
A maior parte dos Estados ACP que
assinaram o Acordo com a UE eram antigas
colnias, isto , eram dirigidos por um dos
agora 27 pauses da UE, como o Reino Unido,
Frana, Espanha, Portugal e Blgica.
Nos ltimos 50 anos, os pauses ACP
tornaram-se independents. Mas a UE queria
manter algumas das suas ligaoes comerciais
especiais e manter a amizade com as suas
antigas colnias e ajuda-las a crescer.
Para isso, decidiu fazer varias "Convenoes"
com todos os Estados ACP. A actual
"Convenao de Cotonu" foi assinada na
capital do Benim, na Africa Ocidental, em
2000.
"Cotonu" vai durar at 2020. Agrupa alguns
dos pauses mais ricos do mundo, como a
Finlndia, onde as pessoas ganham em mdia
29.251 dlares por ano*, e alguns dos mais
pobres, como a Serra Leoa, onde uma pessoa
tem apenas 561 dl6ares. Isto significa que
acabar com a pobreza o objective de
Cotonu.
Para o atingir, a UE concede ajuda atravs do
designado Fundo Europeu de Desenvolvi-
mento (FED). Cada Estado-Membro da UE
contribui com uma parte para este envelope
financeiro. "Cotonu" tambm tem uma
component commercial para assegurar que a
maior parte dos bens e produtos vendidos
pelos pafses ACP possam entrar no mercado
da UE sem pagar direitos aduaneiros
pagamentos que podem encarecer os
produtos importados e fazer com que os
comerciantes deixem de os comprar.


N 2 N.E. SETEMBRO OUTUBRO 2007


> Rosas frescas,
bananas does

E possivel comprar rosas frescas e coloridas
do Qunia -razoavelmente baratas -em
florists da UE em qualquer altura do ano. Isto
principalmente porque nao se aplicam
quaisquer direitos aduaneiros sobre as rosas do
Qunia no quadro de Cotonu. O Qunia
fornece agora aos pauses da UE metade das
suas rosas, em comparaao com cerca de um
quarto ha dez anos! E aquelas pequenas
bananas que cabem exactamente nas
lancheiras para a escola sao expedidas ao
abrigo das disposioes comerciais de Cotonu
de isenao de direitos para este produto. Tal
significa um salario minimo para os
agricultores das ilhas de Barlavento das
Caraibas e de outras naoes africanas onde sao
cultivadas.
De moment, os Estados ACP e a UE mantm
conversaoes sobre como que Cotonu pode
melhorar o comrcio entire os ACP e a UE e
mais rapidamente. O plano consiste em haver,
a partir de 1 de Janeiro de 2008, acordos
comerciais, ou "Acordos de Parceria
Econmica", com as 6 regies do grupo ACP:
Carafbas, Pacifico e Africa Ocidental,
Oriental, Austral e Central.
O envelope financeiro para ajuda da UE aos
ACP ou 90 FED (2002-2007) distribui
actualmente 13,5 mil milhes de euros para
todos os pauses ACP durante cinco anos. O
dinheiro vai para projects de ajuda
individuals nos pauses ACP, como a construao
de hospitals, escolas, estradas e aeroportos
para ajudar os pauses a conseguirem um
desenvolvimento mais rapido e para facilitar o
seu comrcio. Atribui igualmente alimentos,
abrigos e ajuda mdica de urgncia quando
ocorrem catastrofes naturais como terramotos
ou inundaoes ou conflitos, como no caso de
Darfur. No novo 100 FED (2008-2013)
existem 22,7 mil milhes de euros.
Ha muitos outros projects mais pequenos


Fotos do concurso "My Fair Trade World".
SDebra Percival


que obtm dinheiro do FED, como programs
de formaao e exposioes comerciais. Nem
todo o dinheiro vai para os governor
nacionais, mas tambm para os governor
locais e para a sociedade civil, como
organizaoes nao goveramentais. A UE nio
decide sozinha como quer gastar o dinheiro,
discutindo esta matria com os seus parceiros
ACP. por esta razao que a UE tem muitas
delegaoes nos Estados ACP.
Ha tambm as reunites em Bruxelas, quando
os ministros dos ACP e da UE se renem para
discutir o que esta a correr mal e bem no
Acordo Cotonu e como melhorar as coisas.
Falam tambm de temas politicos, por
exemplo como acabar a luta em Darfur e os
direitos humans. Muitas vezes nao estao de
acordo.
Trata-se de uma questao de respeito pelo
nosso melhor amigo, ouvi-lo e ajuda-lo a
avanar da melhor forma possivel.
D.P. M
* Estatisticas de 2004 do Programa das
Naoes Unidas para o Desenvolvimento
(PNUD)









JORnADIS DO DESEnUOLUIMEnTO:

Clima e desenvolvimento que alteraes?

Lisboa, Portugal: 7 a 9 de Novembro de 2007J
















EUROPEAN DEVELOPMENT DAYS
Journes europennes du Dveloppement Ijornadas Europeias do Desenvolvimento audevdays.e

s.grm provs s s


> QUARTA-FEIRl, 7 DE IOUEMBRO
9.00-10.00 CERIMONIA DE ABERTURA
Introduao por Louis Michel
Jos Socrates
Primeiro-ministro de Portugal, pais anfitriao
Jos Manuel Barroso
President da Comisso Europeia
Maumoon Abdul Gayoom
President das Maldivas
Gertrude Ibengwe Mongella
President do Parlamento Pan-africano

10.00-10.30 ALOCUAO ESPECIAL
Yvo de Boer Secretrio da CCNUCC

10.30-13.00 PAINEL:
DESAFIOS E PERSPECTIVES
CONVERGENTES
Moderador Chris Landsberg
Ogunlade Davidson
Co-Presidente do Grupo de Trabalho III do GIEC
Michel Jarraud
Secretrio-Geral da OMM
Joao Gomes Cravinho
Secretrio de Estado, Portugal
Stavros Dimas
Comissrio Europeu do Ambiente
Philippe Maystadt
President do BEl
Orador a confirmar

13.00-13.15 CERIMONIA DE ASSINATURA
Declarao de Intenes dos PALOP

13.15-13.30 CERIMONIA DE ASSINATURA


> QUIInT-FEIRI, 8 DE IOUEIIBRO
9.00-9.30 ALOCUAO ESPECIAL
Arkalo Abelsen
Ministro da Saude e do Ambiente
Gronelndia
Georges Handerson
Ministro do Desenvolvimento Sustentvel
Polinsia Francesa

9.30-10.10 ALOCUAO ESPECIAL
Kemal Dervis PNUD

10.30-13.30 MESAS-REDONDAS

VULNERABILIDADE E ADAPTAAO
AS ALTERAES CLIMATICAS
Proteger e responsabilizar
os mais pobres

BENS PBLICOS MUNDIAIS
E ALTERAES CLIMATICAS

POBREZA, AGLOMERADOS
HUMANS E MIGRAES
Promover uma abordagem
holistica e centrada no home

MITIGAAO, OPORTUNIDADES
E FINANCIAMENTOS
Colocar as alteraes climbticas
no centro das estratgias nacionais

14.00-19.00 EVENTS PARALELOS


> SEXTI-FEIRO, 9 DE IOUEMBRO
9.00-11.00 PAINEL:
PARCERIAS E GOVERNANA
AMBIENTAL MUNDIAL
Moderadora Tumi Makgabo
Louis Michel
Comissrio Europeu
Achim Steiner
Director Executivo do PNUE
Valentine Sendanyoye Rugwabiza
Directora-GeralAdjunta da OMC
Heidemarie Wieczorek-Zeul
Presidncia do G8
Ousmane Sy
Director do Centro de Pericias Politicas
e Institucionais em Africa (CEPIA)
Glenys Kinnock
Co-Presidente da Assembleia
Parlamentar Paritria UE-ACP
Nuno Ribeiro da Silva
Vice-presidente da AIP Business Europe
Orador a confirmar

11.30-15.00 EVENTS PARALELOS

15.00-16.00 CERIMONIA DE ENCERRAMENTO

James Michel
President das llhas Seicheles
Luis Amado
Ministro das Relaoes Externas de Portugal,
Presidncia da UE
Andrej Ster
Secretrio de Estado da Eslovnia
(proxima presidncia)









Il Il'.
Paiss deHffia -Caraias Pacfic


PACIFICO
Cook (llhas) Fiji Kiribati Marshall (llhas) Micronsia (Estados Federados da)
Nauru Niue Palau PapuAsia-Nova Guin Salomao (llhas) Samoa Timor Leste Tonga
Tuvalu Vanuatu


As listas dos pauses publicadas pelo Correio nao prejudicam o estatuto dos mesmos e dos seus territrios, actualmente ou no future. O Correio utiliza mapas de inmeras fontes.
O seu uso nao implica o reconhecimento de nenhuma fronteira em particular e tao pouco preludica o estatuto do Estado ou territrio.


CARAIBAS
Antigua e Barbuda Baamas Barbados Belize Cuba Dominica Granada Guiana Haiti
Jamaica Repblica Dominicana Sao Cristvao e Nevis Santa Lucia Sao Vicente e
Granadinas Suriname Trindade e Tobago


AFRICA
Africa do Sul Angola Benim Botsuana Burquina Faso Burundi Cabo Verde Camaroes
Chade Comores Congo (Repblica Democratica) Congo (Brazzaville) Costa do
Marfim Djibouti Eritreia Etiopia Gabao Gmbia Gana Guin Guin-Bissau Guin
Equatorial Lesoto Libria MadagAscar Malawi Mali Mauritnia Mauricia (llha)
Moambique Namibia Niger Nigria Qunia Repblica Centro-Africana Ruanda Sao
Tom e Principe Senegal Seicheles Serra Leoa SomAlia Suazilndia Sudao Tanznia
Togo 1.i ll I -. Illl. l. l


UNIAO EUROPEIA
Alemanha Austria Blgica BulgAria Chipre Dinamarca Eslovaquia Eslovnia Espanha
Estnia Finlndia Frana Grcia Hungria Irlai ii Li ..ia Litunia Luxemburgo
Malta Paises Baixos Polnia Portugal Reino .il.i,,, I f.-iLii.L. Checa Romnia Sucia














EUROPEAN DEVELOPMENT DAYS
Jg mt a eums;r.p.nna du IniopvlDpoma l IJoan ed;as Euiwc li DeC TvoElivimrn o emla i.,d









..


r^^ a'


Venda proibida
ISSN 1784-6862