Title: Gênero, conservação e participação comunitária : o caso do Parque Nacional do Jaú
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Title: Gênero, conservação e participação comunitária : o caso do Parque Nacional do Jaú
Physical Description: Book
Language: English
Creator: Oliviera, Regina
Publisher: Managing Ecosystems and Resources with Gender Emphasis, Tropical Conservation and Development Program, Center for Latin American Studies, University of Florida
Place of Publication: Gainesville, Fla.
 Record Information
Bibliographic ID: UF00091735
Volume ID: VID00001
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
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C,,
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CUP






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11
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C-,
















i -








- -I


IVRGE
MANEJO DE ECOSISSISTEMAS E RECURSOS
COM ENFASE EM GENERO



Estudo de Caso No. 2
Junho/1999





GENERO, CONSERVAQAO E PARTICIPAQAO
COMUNITARIA: 0 Caso do Parque Nacional
do Jau


Regina Oliveira & Elza Suely Anderson

PublicaqAo: Apoio:


UNIVERSITY OF
OFLORIDA


PESACRE MACARTHUR
lsiehI hagr atD arnitelTiWi dF dan
The John D. and Catherine T. MacArthur Foundation


ior
VT6MA AMQONICAS











GENERO, PARTICIPA AO COMUNITARIA E

MANEJO DE RECURSOS NATURAIS


Serie


Merge (Manejo de Ecossistemas e Rec
com Enfase em Genero),
Tropical C...rni r. li...r and Development F
Center for Llirn American Studies
UrLi .-ril of Florida
P.O. Box Il ,.:1
G. lrl- .ll- FL 32611
E-m ail: I. i l. i fli
Apoio S i nceiro:


F, ri, u .. 3... .hr, D. and C
WIDTECH
Universidade da Fl6rida


l n-rir, T. ',,1 ,. -


Marianne Schmink irn .-rsi.j -j da F16ri
ns o Edi tor ial


Constance Campbell (The Nature Conser
Avecita Chicch6n rl.. 1..-rlir F... ri.j 1.ril I
Maria Cri lir,3 En .ir... i l. : I
Denise Garrafiel P_-._ .r- ,
Susan V. Poats (Flacso Equador)
..1 ir. Rnia. (WIDTFCH


Elena E j i ,jj
Victoria Reyes-Garcia
Ronaldo Weigand Jr.
Amanda'.....I'-


Universidade da Fl6rida
Pesacre Grupo de Pesquisa e Extensao
Sistemas Agroflorestais do Acre
WIDTECH A Women in Development
Technical Assistance Project
FVA Furn.d.. 3... Vit6ria Amazonica
LI' ID Er ri Agencia Americana para o
Desenvolvimento Internacional
Furin.j.. 3... ...hr, D. e C ih-rir,. T. "..13 .-ril
FI:l.. .. E.qui. ...r Faculdade Lilir... Ameri
Cl -r..r s Sociais
F' II D Programa das 'l]:..is Unidas pa
Desenvolvimento
The Nature Conservancy
C ...r,i- r.. ..r i. r 'ri| rr i ..r 1 Peru


Estudos de Caso

A S6rie de Estudos de Caso do Merge sobre
Genero, ParticipagAo Comunitaria e Manejo de
ursos
Recursos Naturais, apoiada por doacbes da
program Fundagco John D. e Catherine T. MacArthur, e do
Widtech, foi planejada para mostrar como um foco
em g6nero tern sido relevant e Otil em projetos de
manejo dos recursos naturais. Os casos enfocam
exemplos concretos de extensao, pesquisa aplicada,
e atividades de planejamento participation
rl ii.r envolvendo comunidades rurais, especialmente
aquelas dentro e no entorno de areas protegidas na
Amrria Latina corn as quais o program Merge tern
colaborado. O format serve para aplicacbes
jd praticas assim como para o treinamento em g6nero e
manejo dos recursos naturais. Os casos sao
publicados em tr6s idiomas (ingl6s, portugu6s e
vancy) espanhol), e estao disponiveis na Internet
(http://www.tcd.ufl.edu).

A seguir, sao apresentados os primeiros Estudos
de Caso da S6rie:
1. Modelo Conceitual sobre Genero e
Conservagao cor Base Comunitaria, por
Marianne Schmink, 1999.
m 2. Genero, Conservag5o e ParticipaGco
Comunitaria: o Caso do Parque do Jai,
Brasil, por Regina Oliveira e Suely Anderson,
1999.




i r
cana de

ra o






Sdrie Estudos de Caso sobre Genero, Participagao
CommunitAria e Manejo de Recursos Naturais, No. 2






GENERO, CONSERVAQAO E
PARTICIPAQAO COMUNITARIA:
O Caso do Parque Nacional do Jau
Regina Oliveira & Elza Suely Anderson


Junho/1999







Genero, Participagao Comunitria e Mliicjr' dos Recursos Naturais, No. 2, 1999


GENERO, CONSERVA(AO E PARTICIPA(AO

COMUNITARIA: O caso do Parque Nacional do Jau.

Regina Oliveira & Elza Suely Anderson


Este texto resultou do esforgo conjunto entire a
1 uJII.L Vit6ria Amaz6nica (FVA) e o Programa de
\ .licj, de Ecossistemas e Recursos com Enfase em
Genero \I.l c.i para tentar descrever a experiencia da
FVA em incluir genero, l.i.liip.ilj.1, comunitaria e
parcerias nas suas atividades de ili-C...iLs..' no Parque
Nacional do Jai (PNJ). Um dos objetivos deste
document 6 servir de exemplo de como a variavel
genero pode contribuir para pesquisas, pianos de
manejo, participaago comunitaria, e outras atividades
basicas para a consolidagAo de areas de ca,,i-c',.j.,I'
ambiental, tais como o PNJ. Este document 6 dirigido a
um piblico alvo composto de organizagOes
'1,'- 1.'..'"'CLill'C'1 i- (ONGs) ambientalistas O lrut
e sociais, agencies governamentais de meio
ambiente, comunidade cientifica, e 1. Comn
organizag6es de base. comunite
A FVA 6 uma ONG sediada em ecol6gic
\.LI,,u-, com a missao de trabalhar para a escalas?
'11i-0 ..ILJI. da biodiversidade e o 2. Quen
desenvolvimento das populagoes direta or
ribeirinhas, com o objetivo de consolidar as sao coma
Unidades de ( i'11-CI ..I.jL da Bacia do Rio niveis d
Negro. O PNJ foi escolhido como exemplo [Andlise
das questoes de ',,-1:.CI..j' e genero 3. Comic
devido ao trabalho pioneiro que a FVA vem metas de
realizando no Parque, em colaboragAo com das part
instituig6es governamentais e nao 4. De q
governamentais, nacionais e internacionais. peoa
Alkm disso, a FVA 6 uma das poucas conhecir
organizagOes locais na Amaz6nia que naturais
incorporam a questAo de genero no nivel [Andlise
institutional, utilizando este conhecimento 5. A
em sua atuagAo no Parque. participc
O Program \'ci .c 6 coordenado locais d
pela Universidade da 1i li...I. e abrange projeto]
quatro paises: Brasil, Equador, Peru e 6. Com,
Estados Unidos. O \'Ici.c desenvolveu-se comunid
no Brasil, em parte, com base no antigo [Andlise
Projeto de Genero em Sistemas Sociais 7. Comr
(Genesys), ambos apoiados pela Agencia conserve
Norte-Americana de Desenvolvimento incorpor
International (USAID), com o objetivo instituci
principal de assessorar os projetos do pesquisa
program da USAID sobre meio-ambiente. participc
O \'ki ,c tenta enfrentar o desafio de


promoter estrat6gias participativas e aprofundar a
iiml',iccil-, sobre genero e manejo dos recursos
naturais em areas tropicais.
O fio condutor do texto baseia-se nas perguntas
definidas no marco conceitual do 'lc.c, listadas no
Quadro I (Schmink 1999).

1.1 0 Parque Nacional do Jafl
0 PNJ esta localizado no Estado do Amazonas,
nos municipios de Novo AirAo e Barcelos. Com uma
area de 2.272.000 ha, 6 o maior Parque Nacional do
Brasil, e a maior area protegida de florestas tropicais do
mundo. O evidence valor biol6gico da i ;.,i, onde fica o
PNJ comegou a despertar o interesse dos naturalistas no

1: .ltiar, Conceitual do Mlrg-'

o o potential para projetos de conservac(o corn base
iria e limitado ou fortalecido pelos fatores hist6ricos,
os, culturais, socioecon6micos e politicos em diversas
[Andlise politico-ecol6gica]
1 so as parties interessadas envolvidas na :.../L..,
u indireta dos recursos? De que maneira seus interesses
plementares e/ou estdo em conflito? Como seus .', .,
Spoder e recursos afetam os resultados das ;i 9
das parties interessadas]
o a participacdo das comunidades pode contribuir para as
Satingir a conservacdo corn a melhoria de vida? [Andlise
es interessadas dentro da comunidade]
ueforma as relao&es de gOnero 'i, ; ,,,, a conexao das
corn os recursos naturals e sistemas ecol6gicos? (incluindo
nento, uso, acesso, control e impact sobre recursos
e posturas a respeito dos recursos e da conservacdo)
de relao&es de gOnero e recursos]
participacdo das parties interessadas no aprendizado
itivo con foco em gOnero aumenta a habilidade dos grupos
e negociar seus interesses na conservacdo? [Andlise de

o as mudancas no manejo e uso dos recursos por
'ades estdo ligadas a conservacdo da biodiversidade?
de sustentabilidade]
o o aprendizado das parties interessadas contribui para a
cdo a long prazo? De que maneira isto pode ser
ado dentro de uma estratigia mais ampla para mudanca
)nal e parcerias que proporcionem continuidade na
Sintercambio, assistOncia tecnica e outras atividades
tivas corn comunidades locals? [Andlise institutional]







Genero, Participagao Comunitria e M .,licj', dos Recursos Naturais, No. 2, 1999


final dos anos 60, quando Haffer (1969) identificou no
baixo Jai e baixo Unini um pequeno refugio do
Pleistoceno que, segundo a hip6tese dos refugios, 6
uma area remanescente de esp6cies isoladas em refugios
imidos durante condigoes climiticas mais secas que
teriam ocorrido no period Pleistoceno estudando a
distribuigio das aves. Posteriormente, a area do baixo
Jad tambem foi incluida no refugio do Pleistoceno
identificado ao norte de \.Li.,1., com base na
distribuigio de plants (i',.i iC, 1973). Hoje as
evidencias que embasam os refugios estio sendo
questionadas (Salo, 1987), mas o fato 6 que estes dois
estudos fundamentaram a proposta de criacgo de uma
reserve na area (Schubart et al., 1977), com o objetivo


de conservar uma bacia hidrogrdfica de
aguas pretas desde a nascente ate a foz, de
i1ini 11.: i, a interflivio.
As Unidades de ( '.i-:.I,.,,
ocupam um papel central na '11-.ci :.~i'
da biodiversidade porque sao
consideradas a melhor maneira de
preservar a vida selvagem, esp6cies raras,
ecossistemas cenicos, recursos geneticos,
paisagens belas, mananciais de agua, e
patrim6nio cultural (hist6rico ou
arqueol6gico) i.,1 I.J. Padua, 1986).
Porem, o conservacionismo traditional
consegue ver os valores est6ticos e
biol6gicos da floresta, mas nao o povo que
16 estd (Rebelo, 1995).

1.2 Histdrico da Atividade
Humana na Area
A area onde estd inserido o PNJ
tem uma hist6ria de ocupacAo humana
anterior ao period colonial. Ao chegarem
na area no s6culo XVII, os portugueses
registraram a apresenga dos indios Cauari,
os moradores mais antigos de que se tem
noticia. Os Cauari pertencem ao grupo
linguistico Aruaque e representaram um
elo important de uma rota commercial,
trocando produtos com os Yurimaguas dos
rios Japurd e SolimOes e com os


A


acontece e
as areas pr
criadas no
criaC9o
nao lev
consider
present
morado
Parque. E
das ai
protegic
America
exist
morador
ocupam o
d6cadas e
os rece
nature
dispon


Guaranaguas do Rio Branco, que por sua vez, trocavam
produtos com os holandeses do Rupununi (Porro,
1992).
A ocupagio colonial da ic-k.'. teve inicio em
1658 com uma Bandeira dos Jesuitas, said do
M.,,nlLi., que fundou a missio dos T.,uL11m1- (IBGE,
1957). Em 1694, os Carmelitas criaram o povoado
Santo I .lu- do Jai, na foz do Rio Jai. Em 1786, ji
elevada a categoria de aldeia, e denominada Airao, a
li-iC., abrigava indios Aruaques, \I.ii,,u-, Bares e


Tucuns, alem de comerciantes descendentes de europeus
e dos padres. Ao todo eram 148 pessoas em 22 casas
(Ferreira, n/d). Nesta area havia grande atividade
commercial envolvendo produtos tais como: latex
(borracha, sorva e balata), peles de animals (onga, jacare
e lontra), quel6nios e fibras vegetais. O comercio da
ic-ok.'. era controlado na 6poca (inicio do s6culo XX)
pela familiar Vianna. A partir de 1955, Francisco
Bezerra de Vasconcelos, um "pt.,ll.,-' do tempo da
borracha, se dizia proprietario do recem criado
municipio de Airao. Ap6s long period de decadencia
econ6mica e desavengas political entire os velhos
coroneis e o poder politico nomeado pela capital, houve
um deslocamento da populagAo para a localidade de
Tauapessassu (100 km rio abaixo), hoje
conhecida como Novo Airio.


m todas 1.3 A Criagdo do PNJ
otegidas 0 PNJ foi criado pelo decreto n
Brasil, a 85.200, de 24 de setembro de 1980.
Como meta de um convenio de c,-c-t.,L,
do PNJ entire o Instituto Brasileiro de \ l1,'
OU em Ambiente e dos Recursos Naturais
Renovaveis (Ibama) e a FVA, estd sendo
o elaborado um piano de manejo para o
ya de Parque, sob a responsabilidade da FVA.
res no Assim como acontece em todas
as areas protegidas criadas no Brasil, a
m 86% criagao do PNJ nao levou em
areas i- ,cIi1.1i ., a presenga de moradores no
las da Parque. A li il.-.I, atual nao permit a
presenga de moradores em areas
do Sul protegidas. A regra geral consiste em
em desapropriar, indenizar os moradores, e
assim tentar consolidar a ~1,1-c i:..,LJ. da
es, que area. Em 86% das areas protegidas da
local hi America do Sul existem moradores, que
utilizam ocupam o local hi d6cadas e utilizam os
recursos naturais disponiveis.
urSOS Na primeira etapa do Piano do
*ais Sistema de Unidades de ( i'ci- :..jLJi, do
Brasil, em 1979, a area em questio foi
iveis. proposta como Reserva Biol6gica, uma
das categories de manejo mais restritivas a
;pli..l,.,..,, de recursos naturais e a presenga humana.
Em 1982, porem, na segunda etapa do Piano, a unidade
de ~,1'.C-i..jl ji criada figurava como Parque
Nacional do Jai. Os crit6rios que nortearam a criacgo
do Parque foram "a proximidade de \I.1.,u-, centro de
grande t I'1iin1ci. .i turistica, as belezas cenicas da
i cik., e a facilidade de acesso a area" (BRASIL. MA-
IBDF/FB( N, 1982: 58).
A questio da permanencia ou nio de
moradores no PNJ estd sendo muito discutida


IAssim Como







Genero, Participagao Comunitdria e \li.icj' dos Recursos Naturais, No. 2, 1999


ultimamente, devido ao impasse entire a Ic
realidade. A maioria dos moradores ( "
mora em um Parque Nacional, por6m nao sa
objetivos de um Parque. Dentre 29 mor
mencionaram saber, 22 mencionaram
pl-c:..i.Lj, da natureza e ningu6m mencio
outros objetivos listados no C6digo i Ilc-i
que determine que Parques Nacionais
devem ter "objetivos educacionais,
recreativos e cientificos", art. 5, letra a).
A lic5IL, atual nao permit a presenga
de moradores no Parque, mas a realidade 6
que eles continuam vivendo 16, 17 anos
ap6s a criagao do PNJ. Por isso,
contrariamente is determinagoes do
Ibama, a FVA tem se posicionado a favor
da permanencia dos moradores no Parque
e de sua participagao no Piano de \ Ilicj,
A FVA entende que o fato de participar de
um convenio de c,-c-,I,, nao significa
simplesmente executar um conjunto de
determinagOes, mas principalmente
negociar e proper solugOes mais
adequadas, derivadas do conhecimento e
direta no Parque. A questdo da perm
moradores em areas protegidas, na u,,imi,
FVA, tem que ser tratada de forma
dependendo de cada unidade de, ii-oi ... .




Consolidar uma area protegida na
envolve varios segments da sociedade civi
political, financeira e, principalmente, os
dessa area. E de fato uma tarefa dificil. \I
conflitos existentes nas areas protegidas. 1
conflitos ocorrem sobretudo por interesses
uso dos recursos (retirada de madeira,
piabas). Existem moradores que consider
entrada no Parque de "pessoas de fora"
recursos deveria ser proibida. As
administrativas que envolvem fiscalizagao e
de li.i-Lic.L, sobre existencia de moradore
Parque tamb6m sao problemiticas.
Diversas parties interessadas
envolvidas na consolidagao do PNJ, seja de
ou indireta. Podemos dizer que as parties
interessadas sao a FVA, o Ibama e os mi
Parque. As parties indiretamente interessa
Prefeituras locais, os politicos, os turistas pe
piabeiros e os madeireiros. \.II- in
envolvidos estao os legisladores e a
brasileira, que acompanham as questOes d
control da Amaz6nia.


i.-, .,I e a
, sabe que
ibe todos os
adores que
apenas a
nou os tres
. I de 1965,


Varias estrat6gias e agOes estdo sendo
desenvolvidas pela FVA, com o objetivo de integrar os
dclitc1inc- grupos e atuar de forma multi-institucional
para a consolidacgo do Parque. Em uma primeira
instincia, a FVA atuou no PNJ em conjunto com a
I u'1LIJ.LJ,. Nacional de Saude (FNS), com o objetivo de
conhecer a area e seus moradores. Um levantamento
socioeconomico inicial, realizado por


Consolidar uma amostragem em 1990, indicou a
necessidade de se realizar um estudo mais
area protegida na aprofundado sobre a area. Como
Amaz6nia envolve resultado, a FVA props e realizou o
varios segments primeiro Plano de AFgo (em abril de
1992) para o Parque, com a participagao
da sociedade civil, de pesquisadores de instituigoes locais e
cientifica, political, nacionais, como Ibama, Instituto Nacional
de Pesquisa da Amaz6nia (INPA), e
financeira e, Universidade Federal de \luii., Gerais
principalmente, OS (UFMG), que detectaram os principals
moradores dessa problems do Parque.
A pl"ti i'nijr., da FVA em
area. atividades culturais dos municipios aos
quais o Parque pertence contribuiu para
da atuacgo uma maior j.plil'o.I., com as Prefeituras e outros
anencia de segments da sociedade local (escolas, agremiagOes). O
"'icn-., da resultado foi um trabalho conjunto de I uLL.,.,
diferenciada Ambiental para criangas e jovens, que objetivou
conscientiza-los da importancia de areas protegidas.
Com o Piano de Acgo Emergencial (PAE), em
1995, a FVA buscou reunir dhiClCu,11- grupos para
discutir, planejar e realizar diversas atividades, visando
identificar e minimizar os impacts sobre os recursos
SAmazonia naturais e, consequentemente, contribuir para a
1, cientifica, '.,i-iC,..,.,iL' do PNJ. O trabalho foi produtivo, e
moradores resultou na elaboracgo de um document que refletiu um
uLi,-- sao os consenso entire as varias parties interessadas e serviu
No PNJ, os como diretriz para as agOes no Parque enquanto foi
diversos no produzido o Piano de \ .licjI'
quel6nios e Ao long do process, desde o primeiro piano
ram que a de agAo atW a elaboraago do Piano de \.llicj-, al6m do
para retirar trabalho politico com as instituigOes de pesquisa, saude
questOes e gerenciamento do PNJ, iniciou-se um trabalho para o
as questOes envolvimento da populagAo resident no Parque. Esta
s dentro do populacgo foi convidada a participar das discussOes e da
elaboraago do Piano de \.llicj,, e das atividades de
estAo hoje pesquisa s6cio-ambiental, relacionadas com o uso de
forma direta recursos e genero. Dificuldades -i.nll-.ti..i- foram
diretamente encontradas na criagAo de uma rede de moradores do
oradores do Parque comprometidos com a participacgo nas
das sao as atividades de manejo. Por exemplo, quando um
scadores, os representante dos moradores participou do PAE,
diretamente pudemos verificar que ele teve muita dificuldade de
sociedade entender e participar dos assuntos discutidos durante o
e manejo e event, e que houve muito mais dificuldade ainda no
repasse dessas informagOes para os moradores. A partir







Genero, Participagao Comunitria e Mliicjr' dos Recursos Naturais, No. 2, 1999


desse resultado, a FVA, iniciou o process de formagao
e aprendizagem junto aos moradores do PNJ.
Uma outra estrat6gia de colaboragao entire os
grupos de interesse foi a i.-C .i- do estabelecimento de


uma Camara I cL'l1I. para a Unidade de
( ,i-'c:... ,,L,, a ser convocada pelo
Superintendent do Ibama de A\.,i1.,I. A
Camara iria reunir representantes de
instituigOes governamentais e nao
governamentais, com a funcgo basica de
unir os diversos grupos de interesse e
buscar solugOes conjuntas para os
problems que envolvem as UCs do
Amazonas. A Superintendencia finalmente
concretizou essa uc-1 C .i dois anos ap6s o
inicio das negociagOes. A demora na
efetivacgo da (,ii1i., I C'i'i., gerou
instabilidade nas agfes das parties
interessadas, que dependiam da
convocacgo official de reuniies, onde
seriam tomadas as decisOes ligadas a
fiscalizagao da area. Sem meios para se


Parque, relacionadas ao mapeamento das areas
utilizadas pelos moradores para atividades de
subsistencia e comercializagAo. Estas reuniies com foco
no mapeamento das areas de uso dos recursos naturais


Em conversas em
separado com as
mulheres locais,
notamos que elas
se sentiam mais d
vontade
respondendo as
quest6es
formuladas por
mulheres da
equipe


articular e discutir essas questOes, as parties interessadas
acabaram distanciando-se e perdendo contato, o que
dificultou o process, uma vez que o Ibama como i ~.i .
gerenciador era tamb6m o centralizador das agOes. Por
estarem distantes do process de dJi-L .I--.,, pelo fato de
ndo possuirem nenhuma forma de .'l..
representative e porque este process 6 complex, os
moradores do PNJ ficaram fora das discussOes iniciais e
sem a possibilidade concrete de participar da ic, ;,|,,,
de seus interesses e necessidades.
Para envolver os diversos grupos de interesse e
garantir a participagao efetiva da populagao nas
discussOes, a FVA procurou promover reuniies e
encontros dentro do Parque, com temas que diziam
respeito a questOes prioritdrias para a u,,i- -:..,j,, do
PNJ e que eram de interesse para os diversos grupos.
Um exemplo foi a icuil;.ik sobre ci l-:.'c..L. e manejo
de bichos-de-casco, que aconteceu em julho de 1995, na
localidade de Seringalzinho. Durante essa lCti1.i;.,,
foram utilizados m6todos participativos (dinimicas de
grupos) que auxiliaram a expor as questOes aos
moradores, e como resultado surgiram sugestOes de
solugOes com ampla participagao da populagao local.
Essa experiencia levou a FVA a planejar outras
reuniies com temas bem objetivos e relacionados entire
si, evitando assim a dificuldade de tilp,'icci-j., e
aumentando a possibilidade de repasse das informagces
entire os moradores. Atr mesmo esse m6todo, das
reuniies, 6 dificil quando a equipe de trabalho nao se
encontra munida de todas as informagOes e bem
preparada anteriormente.
A FVA realizou tamb6m varias reuniies com
pequenos grupos de moradores em areas distintas do


faziam parte de uma estrat6gia que
envolvia tamb6m uma equipe permanent
de trabalho de campo, com o prop6sito de
capacitar moradores, compreendendo sua
linguagem e trabalhando junto com eles
na identificacgo de problems e solucOes.
Outra estrat6gia utilizada que obteve bons
resultados foi a l.,Ill,.L.I' de reuniies
com as liderangas indicadas pelos
moradores do Parque. Estas reuniies
foram realizadas fora do Parque com o
objetivo de preparar as liderangas para
atuarem em outros f6runs de debates.
Dinimicas, acOes participativas e
trabalhos em grupo resultaram em
discussOes profundas para a i lCicii, -..
do papel de cada morador no process de
elaboracgo do Piano de \ I.,jlicJ


3. Abordagens UIII Imeto l *c as p aI





3.1 Questiondrios especificos por genero
Antes de ir a campo realizar o censo e o
levantamento s6cioecon6mico de 1992, uma equipe da
FVA passou oito dias no PNJ, realizando um pr6-teste
do questionario. Ao chegarmos nas casas 6ramos
recebidos pela familiar, e as questoes, mesmo ouvidas
por todos, eram em geral respondidas somente pelo
chefe da familiar, em sua maioria homes, cor pouca ou
nenhuma participacgo das mulheres nas respostas.
Observamos que nas questoes relatives ao censo nomee
e numero de filhos, documents e escolaridade) as
mulheres eram consultadas pelos homes. Os homes,
por sua vez, relutavam em responder a questoes sobre o
consume de recursos naturais, principalmente a caca e
coleta de quel6nios e de seus ovos.
Em conversas em separado com as mulheres,
notamos que elas se sentiam mais a vontade
respondendo as questoes quando eram formuladas por
mulheres da equipe. Uma dessas questOes foi sobre
culinaria, e formas de prepare de alguns pratos
consumidos pela familiar. Assim pudemos ter uma
estimativa do consume de caca, com a pergunta:
"Quando foi a ultima vez que a senhora cozinhou...?" e
seguia uma lista de possiveis animals de caca. Por serem
as responsiveis pelo prepare das refeigOes e gerencia do
uso dos alimentos no grupo domiciliar, as informacoes







Genero, Participagao Comunitria e M, I.lcj dos Recursos Naturais, No. 2, 1999


das mulheres quanto ao consume de caga foram mais
completes que as dadas pelos homes, que com medo de
sofrerem represilias (achavam que eramos do Ibama),
omitiram muitos dados com respeito a caca.
Sempre que iniciavamos as perguntas sobre
crescimento e mortalidade populacional, lazer, IllI' .,.,
e consume, imediatamente o chefe da casa chamava a
esposa para responder. Nas casas onde as mulheres eram
os chefes da familiar (1i' il. i|lilic ik as viivas ou as sem
companheiros) as mulheres respondiam tamb6m as
perguntas sobre comercializagAo de produtos, atividade
essencialmente masculina, que elas passavam a assumir.
Concluimos entdo, a partir do pre-teste com os
questionarios, que se utilizassemos questionarios
diferenciados por genero no restante do levantamento,
conjuntamente com outros instruments, como o relate
de 24 horas e de atividades, teriamos mais condigOes de
compreender a forma de vida dos moradores do Parque.
Apesar de que a estrat6gia de aplicar
questionarios separados para homes e mulheres corre o
risco the reforaar as ditilcIk.iiL de genero tradicionais
das *-f.i- do conhecimento, n6s decidimos que ela
serviria como um pass inicial para valorizar o
conhecimento das mulheres e para traz&-las para dentro
do didlogo sobre o Parque. Para efetivar o trabalho de
aplicacgo dos questionarios em todos os grupos
domiciliares do Parque, a equipe de campo foi composta
por quatro mulheres e quatro homes, pesquisadores de


Jcllct1iuc- areas (bi6logos, engenheiros, agr6nomos e
tecnicos de saude). Questionarios diferenciados por
genero foram preparados e aplicados quase que
simultaneamente por um casal de entrevistadores a um
casal de entrevistados. As entrevistas com o dono e a
dona da casa foram realizadas em locais separados pelo
entrevistador e pela entrevistadora, respectivamente,
tentando evitar a contaminagAo das respostas de um pelo
outro e fazendo perguntas de reforgo. As entrevistas
foram feitas do modo mais informal possivel, com uma
pessoa entrevistando (guiada pelo questionario) e outra
anotando as respostas ao lado. Houve moments em que
nao foi possivel manter a metodologia adotada,
principalmente quando estivamos em espagos
comunitdrios. Foi precise evitar que as perguntas
fossem conhecidas, pois em determinados moments, as
pessoas que ainda nAo tinham sido entrevistadas se
aglomeravam nas casas em que estivamos entrevistando
os moradores. Cada entrevista durou em m6dia duas
horas, podendo ser mais extensa quando se tratava de
moradores comerciantes ou aqueles que eram
considerados lideres. Em um period de trinta dias,
entrevistamos todos os moradores que estavam no
Parque, 167 grupos domesticos distribuidos ao long
dos rios e igarap6s que compOem o PNJ (Figura 1).
Entrevistar separadamente homes e mulheres
resultou num quadro mais complete da situagAo dos
moradores do Parque, pois foram contemplados pontos


entomo
10 20 30 40 50 0km ento o
Ns
Escala P J-


Figura 1: Mapa das localidades no Parque Nacional do Jau.


Mapa elaborado con base no Projeto Radarbrasil eno Cerso
e Levartamento Socioeconrtico de 1996
Projecyo corica conforne Lambert
1997







Genero, Participagao Comunitria e M ,iicj' dos Recursos Naturais, No. 2, 1999


de vista dliC IClC1- para os mesmos problems. Um dos
resultados encontrados no levantamento
socioecon6mico 6 que o uso dos recursos naturais do
Parque esta diretamente ligado a sazonalidade da li -.',
e que existed dIliclj',ii1.iL por genero, tanto em relagAo
ao consume quanto a producgo. A forma de i ,.1,,L.i ,
do trabalho familiar, descrita no registro de 24 horas de
uma familiar do Jau (Quadro 2), e tamb6m no relate das
atividades relacionadas a subsistancia e a
comercializacgo, demostram bem essa diferenciagAo.
Alkm dos resultados do censo e do
levantamento socioecon6mico, a experiencia de
conviver com algumas l.III ,. e participar ativamente
com elas no seu dia-a-dia tamb6m serviu como forma de
compreender essa diferenciacgo. Em geral, as tI.niwlu.I
sAo numerosas e os filhos e filhas com mais de oito anos
ji participam de alguma atividade que esteja
diretamente ligada ao trabalho realizado fora da casa
como o trabalho de roga e o extrativismo.

3.2 Mapeamento do uso dos recursos
naturais
Outro m6todo que estamos utilizando com
muito sucesso para obtermos informa6oes sobre o uso
dos recursos naturais 6 o mapeamento junto aos
moradores do PNJ. Esse trabalho de pesquisa e ;:.1 11-.n'
esta sendo realizado em duas etapas: na primeira, uma


equipe de pesquisadores visit cada unidade familiar,
onde conversam sobre o cotidiano das pessoas, o
trabalho de roga, e a producgo, e juntos com a familiar
desenham um mapa de sua area de uso, localizando a
casa, roga, area de caca, pesca e de extrativismo (Figura
2).
Esses locais sao posteriormente
georeferenciados e nominados de acordo com a
informacgo do morador visitado. Os dados coletados sao
processados (incluidos em mapas derivados de imagens
de satelite), e uma equipe similar retorna a area numa
segunda etapa para que, a partir destes mapas, realize-se
um trabalho mais profundo em conjunto com grupos de
moradores.


Figure 2: Morador do PNJ desenhando um mapa
de sua area.


Quadro 2: Um dia de verio de uma familiar do rio Ja6

Essa familiar tem oito membros: o home, a mulher (:-ij. iJ.i e seis filhos (dois meninos com idades de
11 e 4 anos, e quatro meninas com idades de 8 a 2 anos). A familiar vive a beira do rio Jai e possui seis areas de
rogados de Llitciolni-c anos. O menino de 11 anos 6 responsavel por pescar, descascar cip6, cuidar da roca e dos
irmAos menores. A menina de 8 anos 6 responsavel pelo cuidado dos irmAos menores, al6m de fazer o fogo para
cozinhar, limpar o peixe, descascar cip6, capinar a roca e o quintal, cuidar das galinhas, etc.
As 6 horas da manhA o home sai para pescar, acompanhado do filho maior. A mulher vai para a beira
do rio lavar roupa e a filha maior fica cuidando dos outros irmAos menores (um menino e tras meninas). A mulher
retorna da lavagem, estende a roupa e vai para a roca junto com os outros filhos, para fazerem a capina. Eles
trabalham at6 11 horas, retornam a casa e esperam o retorno do home e do filho maior. Comem alguma fruta do
quintal e a mulher vai preparar sua caieira (local onde preparam .xi. ..): com o auxilio dos outros filhos, ela
coleta alguns paus e troncos espalhados pela proximidade da casa, cava com a enxada um buraco raso e
retangular, de aproximadamente 2 x I m, arruma todos os paus coletados, ateia fogo e cobre com terra. Depois vai
capinar o quintal com ajuda dos outros filhos. As criancas ficam pelo quintal comendo alguma fruta ou farinha.
Entre as 14 e as 15 horas, o home e o filho maior retornam da pescaria, a mulher e a filha maior vao
para a beira do rio limpar o produto da pesca, salgar o que nao sera utilizado para o almoco e iniciar o prepare do
fogo, no i,-.,, a lenha. O peixe 6 preparado cozido com caldo e temperado com sal e cebolinha do canteiro. Se
tiver arroz ou feijao, tamb6m sao preparados, e toda a familiar se refine para o almoco. Em geral, almogam
sentados no chao da cozinha onde as panels e pratos sao colocados. Ap6s o almoco, a mulher ou a filha maior
varrem o chao, juntam as lougas em uma bacia ou balde, e lavam tudo na beira do rio. Isto muitas vezes implica
em descer e subir rampas escorregadias carregando bacias e baldes cheios.
A tarde, a mulher, o home e os filhos maiores vao desfiar cip6, ou vAo para a roca capinar, onde ficam
at6 as 16 horas. No inicio do entardecer todos banham-se e carregam agua para a casa (tarefa realizada pela
mulher e filhos maiores). Entre 18 e 19 horas o jantar 6 preparado e servido pela mulher, com ajuda da filha.
Todos jantam, e a mulher e filha mais velha varrem o local, juntam os utLci'l-il- que serdo lavados no dia
seguinte, e as 20 horas as criancas se recolhem para dormir. O home, a mulher e os filhos maiores desfiam cip6
at6 as 22 horas, quando tamb6m se recolhem.







Genero, Participagao Comunitria e M, I.cjI dos Recursos Naturais, No. 2, 1999


A metodologia 6 simples. Na primeira etapa, a
dos mapas individuals, sdo utilizadas cartolinas e lapis
(l.ii', e colorido), al6m de um aparelho GPS
(Geographical Positioning System, utilizado para
fornecer as coordenadas geograficas), e os moradores
participam na media de seu interesse e habilidade com
o uso de lapis. Na segunda etapa a FVA criou mapas de
regioes :.l'cI Ik.i-. do Jai, mostrando grande parte dos
igarap6s e lagos. Estes mapas foram levados ate
determinadas localidades, onde reuniam-se grupos de
moradores, e as informagOes foram checadas e
complementadas com o seu auxilio.
Alem dos mapas, a equipe da FVA criou cones
(desenhos feitos no computador) representando recursos
ou priticas, como casa, porto, casa de farinha, roga,
caca, pesca, pesca de peixes ornamentais (i'll',.,
bichos-de-casco, seringa, copaiba, cip6, etc. (16, no
total). Para cada icone foram feitas varias bandeirinhas
(2cm x 2cm) tamb6m no computador, que foram
recortadas e montadas em um alfinete de tamanho
adequado. De um lado da bandeirinha ficava o icone, e
do outro ficava a cor da familiar, sendo que cada familiar
ou grupo domestico escolhia uma cor J it 111Cu Os
membros da mesma familiar receberam um cracha com a
cor que os identificava e uma pequena bandeja
(aproximadamente 10cm x 25cm) cheia de bandeirinhas
ja montadas. As bandeirinhas ja indicam espagos e uso
dos recursos por genero, uma vez que a divisao de
atividades ja havia sido identificada nas entrevistas do
levantamento socioecon6mico.
O trabalho consistiu de explicar para eles sobre
os cones, mostrando-os primeiro em papel tamanho
oficio, e depois sentar-se com eles ao redor dos mapas,
no chao, instruindo-os sobre o exercicio, para que eles
pudessem colocar as bandeirinhas nos lugares certos.
Com isso, foi possivel localizar os varios locais de roga,
caca, pesca, e outras atividades ligadas ao extrativismo
animal e vegetal. Foi possivel tambem estimular a
participagao dos moradores, e discutir temas complexes
tais como piano de manejo, zoneamento e -'.II ,.',,, L
comunitaria.






4.1 A populaio do Parque Nacional do Jaui
Atualmente, existed 984 moradores
(aproximadamente 159 grupos domesticos) no Parque,
sendo 54% homes e 46% mulheres de todas as idades.
A populagao se distribui desigualmente no PNJ, a
maioria vivendo na pl',ciU.j. (ri',I, que inclui as
comunidades do rio Unini, os moradores isolados do rio
Paunini e do rio Negro. Vivem no interior do PNJ 41%


dos moradores, incluindo os moradores do rio Jai, do
rio Carabinani, e dos igarap6s Papagaio e Guariba.
A populagao que permaneceu no PNJ se
distribui de forma mais ou menos linear nas margens dos
principals rios, habitando sobre barrancos de terra-firme
que Ihes permitem usar os rios e igarap6s para pescar e
como via de transport, e a terra-firme para plantar as
rogas e exercer as atividades ligadas ao extrativismo.
Quase todos sao amazonenses (1'i'",), muitos
nascidos na area do PNJ. A populagao 6
predominantemente jovem, com a idade media de 18
anos. Se tomarmos 15 e 20 anos como indicadores de
juventude, 55% e 64% da populagao, respectivamente,
sao jovens (Figura 3). Ha 50% mais homes que
mulheres entire a populagio de jovens entire 15 e 20
anos, sugerindo que haja uma .ia,.,.,l,' de mulheres
jovens do PNJ. As mulheres comecam a ter filhos e
constituir familiar com 16 anos, e estas tl.miliI. podem
vir a se instalar onde as mulheres nasceram ou nao.






"


-l



Nurmro do Indlviduos
Figura 3. Dados demograficos dos moradores do
Parque Nacional do Ja6 (piramide etaria).
A taxa de fecundidade media das mulheres do
Parque, que corresponde a soma do nimero de filhos
nascidos vivos e nascidos mortos, 6 de sete filhos por
mulher. Essa taxa 6 mais do que o dobro da fecundidade
das mulheres brasileiras no seu conjunto, que 6 de
menos de tres filhos (Rebelo, 1995). Por6m, a
expectativa de vida 6 bastante limitada devido aos
continues riscos aos quais os moradores estio
submetidos no Parque, e as condigOes de sadde bastante
precarias.

Tabela 1: EvoluViio da densidade demografica na
area do Parque Nacional do Ja6

Ano No de No de Densidade
families moradores (hab/ km2)
1977 3536 0,13
1990 225 1530 0,07
1992 167 1019 0,04
1996 159 984 0,04







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Nos ultimos vinte anos, os registros oficiais e
os dados cientificos indicam uma diminuigio
progressive da populagao que historicamente tem vivido
na area (Tabela 1), a qual foi decretada como unidade
de %.ii- o i. ..L.h ha 17 anos.
A atual densidade demogrifica de 0,04
habitantes/km2 verificada no PNJ 6 ainda menor que as
densidades populacionais dos municipios de Novo Airao
(0,37 habikm2) e Barcelos (0,09 habikm2), e muito
menor que a densidade populacional do estado do
Amazonas (1,34 i1.1,h loi1-, que 6 uma das mais baixas
do pais (IBGE, 1993).

4.2 Uso dos recursos naturais para
subsistencia
%Ilui-L- das atividades desenvolvidas no PNJ
estao diretamente relacionadas com a sazonalidade da
liC .I'., area de uso dos moradores, e distribuigao dos
recursos existentes no local em que vivem. Assim,
dlitiClCiiC tecnicas de uso de recurso existed no PNJ,
diversificando tamb6m as relagOes de genero nas
atividades de uso dos recursos naturais, tanto para
subsistencia como para o dia-a-dia de uma familiar do
Parque. Os pap6is exercidos pelos homes, mulheres e
criangas no uso dos recursos naturais, se dlItCIii.,II11i de
acordo com suas necessidades, conceitos e attitudes
relacionadas a estes. Homens e mulheres do PNJ team
interesses variados nos recursos naturais do Parque, no
que diz respeito ao seu uso, seja para consume,
medicamentos, lpiJiuLi"I,. commercial ou sobrevivencia
familiar. Pesquisas de etnobotanica, realizadas no
Parque em 1995, revelam interesses diferenciados por
genero no uso de plants medicinais, o que caracteriza
tamb6m seus usudrios (rezadores, parteiras, benzedeiras
e curadores).
Os dados sobre as principals atividades de
agriculture e extrativismo praticadas, ji coletados pela
FVA, contribuiram na elaboraago de um calenddrio
agricola para o Jai. Para tanto, realizamos reuniies
com os moradores para que eles confeccionassem um
mapa de suas rogas, o que contou com a t IL"Cipj" L~"
tanto dos homes como das mulheres. Em geral os
homes desenhavam o mapa sob ,io.'miL.'. das
mulheres, que indicavam os locais onde foram plantados
os produtos.
Pesca: No PNJ sao praticadas vArias t6cnicas
de pesca, que dli clC1m por genero, tanto para pesca de
peixes como de quel6nios. Em geral, os homes saem
para pescar pela manha, quando utilizam espinhel ou
flecha, t6cnicas utilizadas durante o period de escassez
de peixes periodo de cheia do rio). Eles utilizam grilos
e gafanhotos como iscas para o espinhel, que sao
coletados vivos pelas criangas no quintal da casa e
armazenados. Quando os homes estao na floresta


exercendo outras atividades de extrativismo, os meninos
maiores e as mulheres ficam responsiveis pela pesca, e
utilizam como t6cnica preferencial o canigo, com o
mesmo tipo de isca. Em geral, as mulheres saem para
pescar com seus filhos menores, inclusive os bebes, no
caso de nao ter filhos em idade de deixar "tomando de
conta".
No period de cheia (de maio a agosto), a
t6cnica de pesca utilizada 6 o "fachio" que consiste em
sair a noite (em geral na "boca da noite", a partir das 19
horas), utilizando a focagem com lanterna e capture com
zagaia. Essa atividade pode ter duragAo de at6 oito
horas, dependendo da quantidade de peixes desejada. E
mais praticada pelos homes, embora em algumas
.LiI-,. as mulheres a exergam. Tratar o produto da
pesca 6 tarefa quase que exclusivamente feminine e
tanto as mulheres quanto as filhas menores (acima de
oito anos) e jovens a executam. Esta tarefa consiste em
limpar todo o pescado e salga-lo para conserve.
A capture de bicho-decasco 6 uma atividade
exclusivamente masculina. Por6m a coleta de ovos 6
desempenhada tanto pelas mulheres quanto pelas
criangas, principalmente no period de seca (de agosto a
setembro). Preparar o bicho-de-casco 6 tarefa masculina,
embora alguns pratos sejam preparados pelas mulheres.
Os homes sao responsiveis por prepard-lo assado ou
cozido. O prepare dos currais, que sao pequenas areas
onde os bichos de casco ficam guardados como
reserves, 6 uma atividade exclusive dos homes.
Ca;a: A caga 6 mais acentuada durante o
period de cheia, quando ha maior area alagada, e
consequentemente a escassez de peixes 6 maior. As
t6cnicas utilizadas sao armadilha, espera e p'i .-ci'.iL.J
A armadilha consiste em deixar a espingarda armada e
montada em locais onde previamente ji se viu ou se
encontrou rastros de algum animal. A armadilha 6
deixada por at6 um dia, para verificar mais tarde, se
houve sucesso ou nao. A caga de espera consiste em
aguardar pela chegada no animal em um local em que
sua passage seja previsivel, como junto a uma arvore
que esteja produzindo frutos dos quais o animal se
alimente. A caga por pli '-cuij', consiste em seguir
pegadas ou rastros, em geral acompanhados pelos cAes.
Esta atividade pode ser planejada para garantir
o alimento durante o prepare da roga ou atividades
extrativistas, ou simplesmente acontecer ao acaso,
quando saem para fachear ou coletar produtos da mata,
quando entAo levam as espingardas. Os principals
animals utilizados para ,lihiiniouL,' sAo: paca
(Cuniculus paca), porcos-do-mato (incluindo as duas
esp6cies do genero Tayassu), e anta (Tapirus terrestris),
entire outros.
A caga 6 desempenhada pelos homes, embora
em algumas Imil,.- as mulheres a exergam. O trabalho







Genero, Participagao Comunitria e M?,iicjr' dos Recursos Naturais, No. 2, 1999


de tratar e preparar a caga 6 tarefa tanto dos homes
quanto das mulheres.
Ro;a: Desde o prepare da area a colheita, toda
a familiar participa. Cabe ao home, com ajuda dos
filhos maiores, fazer a broca (que consiste em cortar as
arvores menores e abrir o local) e a derrubada (que 6 o
trabalho feito com o machado, onde sao cortadas
arvores grandes e conservadas as castanheiras, que sao
protegidas por lei federal). Para fazer coivara
(empilhamento dos troncos maiores) e queima, o home
ji conta com ajuda dos filhos menores (a partir de oito
anos). %luitr- moradores do PNJ fazem acero, que
consiste em abrir urn caminho com cerca de 2m de
largura em torno da area que vai ser queimada, evitando
assim que o fogo se alastre para outras areas.
Ap6s a queimada inicia-se o trabalho de plantio
mandioca, milho e fruteiras, o que tem a participagao de
toda a familiar. A li elc" J'.. ,' da roga, plantio e colheita
tem a participagao tanto dos homes como das
mulheres. As mulheres plantam, al6m da mandioca, os
produtos alimenticios, como batata doce, card, aria e
macaxeira. Os homes plantam os produtos comerciais
como a banana, e os dois plantam a mandioca. O
cuidado do rogado, em geral, 6 feito pelas mulheres e
criangas. Os filhos menores sao levados para a roga
quando nao ha com quem deixi-los. O trabalho inclui
capinas (limpeza do rogado, retirando os matos, com uso
do tergado), feitas em geral quatro vezes durante o ano.
Da colheita da mandioca participam o home, a mulher
e os filhos maiores.
Para fazer farinha, toda a familiar participa
(Figura 4). Parte da mandioca colhida vai para a agua e
outra parte 6 descascada, e nisso trabalham as mulheres,
velhos e criangas. Na casa de farinha, a mandioca 6
ralada e cevada por mulheres, homes e criangas. Este
iltimo trabalho 6 feito pelos homes e requer muita
forga fisica para colocar a massa na prensa e retirar toda
a agua. Uma vez prensada a massa 6 peneirada
(atividade realizada pelos filhos menores e mulheres) e
colocada para torrar no forno. A lenha 6 carregada por
homes e mulheres, e o process de torrar, que consiste
de mexer e revirar constantemente toda a farinha jogada
no forno, 6 tarefa tanto dos homes quanto das mulheres
adults.
No caso do prepare dos subprodutos derivados
da farinha, como a tapioca, o tucupi e o beiju, as
mulheres sao as encarregadas do prepare, junto com os
meninos e meninas de faixa etiria entire 8 a 16 anos.

4.3 Uso dos recursos naturais para
comercializa(co
As atividades de extrativismo commercial
tamb6m sao sazonais e variam de acordo com o prego de
mercado.


Cip6: 6 um produto do inverno. Em geral os
homes vao para seus "centros" (local dos
acampamentos na floresta), onde permanecem uma
semana ou mais. Eles procuram deixar comida com as
I.,11 I.I,., em geral came de caca. Podem ir aos "centros"
sozinhos ou em parceria com vizinhos pr6ximos.
Quando estao no centro, o beneficiamento do cip6 6
feito pelos homes, com a autorizagao do vizinho mais
pr6ximo ao local (que pode pertencer a uma terceira
I.I11,II.iI Segundo relato de um morador, esta pritica
ocorre principalmente quando existe necessidade de se
pagar dividas ao patrao, e a coleta de grandes
quantidades do produto 6 necessdria.
Quando eles coletam o cip6 nas areas pr6ximas
a casa, ao retornarem, cabe is mulheres e criangas o
process de descasque e beneficiamento. O descasque 6
feito com as maos, ou com facas. Uma vez descascados,
os cip6s sao cortados no tamanho de cerca de 40 a 50
cm. O beneficiamento, que 6 o process de desfiar o
cip6, 6 feito por mulheres, homes e os filhos maiores, o
que pode ser realizado a noite.
Do cip6 sao confeccionados alguns
uici-l liii, ,como paneiros (cestos grandes utilizados para
carregar mandioca da roga, ourigos de castanha, etc.),
al6m de vassouras e balaios. Os paneiros sao
confeccionados pelos homes, as vassouras e balaios
pelas mulheres, por6m alguns homes tamb6m fazem
esses iiutni-ili. dom6sticos. A comercializagao do cip6
para ser usado como mat6ria prima 6 feita
exclusivamente pelos homes, em geral os chefes de
familiar. Os produtos confeccionados pelas mulheres, tais
como cestos e vassouras, sao por elas comercializados
diretamente com o patrao.







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Castanha: Tamb6m 6 um produto do
inverno. Da coleta dos ourigos participa toda a familiar,
que pode se deslocar para outras areas do Parque, onde
ocorre a castanha, e construir pequenos abrigos. Entrar
na mata e coletar ouricos 6 tarefa dos homes, que
utilizam os paneiros para carregar os frutos. A quebra
dos ouricos 6 feita com terpado, e dela participam as
mulheres e os filhos maiores. As castanhas retiradas
dos ouricos nao passam por nenhum process de
beneficiamento, e sao ensacadas e comercializadas
pelos homes.




Com os resultados do Levantamento
Socioecon6mico de 1992, realizado com apoio do
Projeto (I l S YS, a FVA pode iniciar seus primeiros
trabalhos com os moradores no Parque. Os trabalhos
anteriores referiram-se diretamente ao conhecimento
da area, atrav6s de pesquisa basica sobre o
funcionamento do sistema ecol6gico. O levantamento
de 1992 possibilitou a formagao de equipes de
pesquisa de diversas areas, e a pi, i, .'l., do PNJ
junto ao Ibama. O levantamento contribuiu ainda para
a FVA realizar o PAE, conseguir recursos para a
impl'li11Cilt. i..I de projetos e, sobretudo, optar pela
permanencia dos moradores na area e t&-los como
possiveis aliados para a consolidagao e .i.1-c i,..L.L do
Parque.
Utilizando questiondrios diferenciados por
genero, a FVA obteve informa~go vital sobre a
popula~go do Parque, o que ajudou a definir atividades
futuras do projeto. Sobre o tema da educagao,
mediante informagao obtida do questiondrio feminine,
a FVA constatou que 74% da populagao do parque,
entire adults e criancas em idade escolar, 6 analfabeta.
Entre o percentual de alfabetizados, 61% sao homes.
Outro exemplo de informagao obtida por meio do
questiondrio feminine 6 que para mantermos um
sistema de comunicaago com os moradores, este
deveria ser atrav6s do program de radio que passa os
avisos e 6 amplamente ouvido pelos moradores.
As mulheres sao tamb6m as responsaveis, em
grande parte, pela saide da familiar. Em geral elas
mantmr um pequeno canteiro com plants medicinais,
que utilizam quando necessitam. A partir da
informa~go das mulheres pode-se conhecer algumas
formas de uso dessas plants, e tamb6m de pessoas que
cuidam da saide dos moradores como rezadores
homess e mulheres), curadores (somente homes) e
parteiras (somente mulheres).
Ao long das entrevistas domiciliares, a equipe
da FVA aprendeu bastante sobre a dinimica social das
pessoas vivendo no Parque atrav6s do contato didrio


ConstrugSo do Centro ComunitArio Seringalzinho
Foi necessario fechar temporariamente as areas
laterais do Centro para que as aulas nAo fossem
prejudicadas pelo sol, que atinge o local em algumas
horas (pela manha e pela tarde). Reuniram-se pais e
maes e t6cnicos da FVA, e juntos discutimos qual seria a
solugAo mais viavel para esse problema. Surgiram ideias
como fazer paredes de palha, como nas casas. Esta
opgAo foi descartada devido ao fato de que quando
houvessem reuniies ou festas seria dificil remov&-las, e
sua durabilidade tamb6m foi contestada. Finalmente, por
-i C -1.1., de uma das mulheres participants, resolveu-se
optar pelos tup6s. Segundo Dona Joelina, os tup6s
poderiam ser removidos desde que ficassem sobre
suportes, e imediatamente as mulheres foram apontando
outras icl I., que poderiam e sabiam tecer tup6s.
Surgiram entao novas questOes: Onde coletar o
aruma (fibra vegetal utilizada para tecer o Iupli '
Quando e quem coletaria? Quem faria os tup6s? E
sobretudo, quanto deveria ser retirada? Um dos
moradores, Seu Ber6, cedeu uma area sua pr6xima da
casa, e neste local eles ja haviam trabalhado com aruma
e cip6.
Ficou entAo marcado para o pr6ximo dia ir at6
a mata e tirar o aruma e ali mesmo ja se iniciaria o
trabalho de prepara-lo para ser utilizado. Saimos em
cinco canoas de madeira com um total de trinta pessoas
(dez mulheres e vinte homes) e remamos at6 o local,
caminhamos por uma hora e meia e chegamos ao local
do arumanzal (local na floresta onde se concentram os
.ii l11. 1 Os homes trataram de coletar os J,,u11iii-, as
mulheres e alguns meninos de retirar a polpa, e outros
de arrumar em feixe. Um outro grupo, composto de tres
mulheres e quatro homes, permaneceu no local do
Centro para cuidar do pescado e garantir o almoco.
Permanecemos na area at6 as 16 horas. Carregamos todo
o aruma para o Centro Comunitario, para posteriormente
distribui-lo entire as iC l.,- para serem confeccionados
os tup6s. Ap6s alguns dias, os tup6s foram trazidos e
colocados pelos moradores no centro comunitario. Esta
experiencia demonstrou compromisso com o
trabalho comunitArio, participaciio efetiva das
mulheres nas decis6es, doac;o de recursos para o
Centro, e capacidade da comunidade para o
planejamento.

com seus moradores. As observaoes feitas durante o
process de ,i-I1-11iL.I' do Centro Comunitario no
Seringalzinho, que contou com a participagao de
moradores do Parque homesn, mulheres, jovens e
criangas), revelaram que pode-se planejar atividades
futuras junto com os moradores. Eles coletaram palha
para cobrir o Centro, pescaram em grupo para garantir
almoco para todos, e coletaram aruma, fibra utilizada







Genero, Participagao Comunitria e M\. ilicj dos Recursos Naturais, No. 2, 1999


para tecer tup6s (tapete), para fazer as paredes do
Centro.
A utilizagao da andlise de genero para as
atividades do Parque ligadas a i u 1 i..-c ,
principalmente no que diz respeito ao Piano de I.,licj, ,
ainda nao 6 uma pritica constant na FVA. Acreditamos
que muitas das respostas sobre a participagao
diferenciada de mulheres e homes em questOes como
manejo e ii :..LJ.I dos recursos do PNJ, pl" 'e ij, ser
ampliadas na media em que se adquira mais confianga
na relagao com os moradores. Acreditamos que a
permanencia de uma equipe em campo, que tenha mais
contato e participe das atividades didrias dos moradores,
pode contribuir para uma avaliacgo mais correta sobre o
nivel de participagao de mulheres e homes. O tempo de
permanencia da equipe na area atualmente esta em torno
de oito meses ndo consecutivos, o que 6 insuficiente
para fazer uma avaliagao complete dessa dinimica.
A andlise de genero pode contribuir para se
entender de que formas e como sao utilizados os
recursos naturais em areas protegidas, na media em que
os projetos propostos funcionem reconhecendo os
pap6is dos homes e mulheres. Para a FVA, a questdo
de genero em relacgo aos recursos naturais esta
evoluindo, a media em que se ampliou as atividades da
equipe de trabalho de campo, garantindo assim um
maior interesse e participagao da comunidade local em
questOes relacionadas com o Piano de \.ljicj, do
Parque.



quecom inatrenamnt


Quadro 4: 0 Projeto Fibrarte.
Como exemplo da aplicagao de genero, a FVA
desenvolve o Projeto Fibrarte, na area de influencia do
Parque, que tem como objetivo apoiar o grupo de
ji..'-[ .C que utilizam fibras vegetais para a confecqao de
seus produtos. Capaciti-los em ,, .,;ii,.i.,',I,
comercializagao e gerenciamento de seus produtos 6
meta deste projeto. A populagao que vive no PNJ extrai
e comercializa algumas dessas fibras. A relagao do
projeto Fibrarte com a estrat6gia para o Parque esta na
pesquisa sobre sustentabilidade ecol6gica de uma das
fibras (cip6 titica), comercializadas pelos moradores, e
tamb6m no fortalecimento de uma alternative econ6mica
que 6 sustentivel do ponto-de-vista ecol6gico. Durante o
mapeamento realizado no Parque, pudemos identificar
os i'.l-.i'- no rio Jau por genero, as principals fibras
que utilizam, e o que produzem. Esta informagao foi
obtida por meio de questionario com perguntas abertas e
dirigidas tanto ao chefe da familiar, quanto a mulher.


A estrat6gia utilizada pela FVA para integrar
,,ii-c,:...i, L e genero inclui diversas atividades, entire as
quais destacam-se treinamentos, pesquisas, mapeamento
de uso dos recursos, fortalecimento institutional
mediante capacitacao de equipes de trabalho, elaboraago
de pianos de manejo participation, e monitoramento e
avaliagao.
A partir dos treinamentos recebidos pela equipe
da FVA por meio do Projeto Genesys, iniciaram-se na
FVA os trabalhos com os moradores no PNJ. Os
treinamentos abordaram temas como \lct.'Il.I, .Ij- de
Pesquisa Socioecon6micas, Sondeio (i-i.jii-.j Rural
Rapida) e \.lIL.cIJ e ( ,1i e C i I;l',Lj,, de Produtos
ii.h.c-L. Nji.-\lj llcci i.- Entre os treinamentos
posteriores, realizados em conjunto pelo Genesys e
\'l ci, destaca-se principalmente o curso em Rio
Branco, em 1994 que enfocou os Instrumentos para
AnBlise de Genero, onde foram-nos apresentados
m6todos de mapeamento participation. Aquele curso foi
muito relevant para a FVA, e serviu de base para todo
o trabalho de mapeamento que agora realizamos. O
aprendizado adquirido por meio dos treinamentos
oferecidos pelos Projetos Genesys e \I.lci foram
utilizados no levantamento realizado pelo Projeto
Fibrarte junto aos moradores do PNJ e nos questionarios
realizados pela equipe de educacgo ambiental da FVA,
em suas atividades na cidade de Novo Airdo.
A participagao da populacgo local nos projetos
da FVA tem se manifestado de forma ainda preliminary.
Em geral as reuniies sao convocadas pela I u'lL,.,l. A
populacgo do rio Jau tem participado de atividades junto
aos pesquisadores, atuando como mateiros, fazendo
medigOes de alguns aparelhos, guiando os pesquisadores
pelos rios e acompanhando em acampamentos
avangados. Participam tamb6m de atividades de
iiltif C-tii llu[ como a I1-tii uiL.. do centro comunitdrio
e refeit6rio da escola e durante as atividades do
mapeamento. A populacgo do Parque, atrav6s de seus
representantes, propuseram um zoneamento para o PNJ,
participaram das oficinas que definiram os programs de
manejo para Parque e atualmente participam das
reuniies em [l.i.ilu, no Ibama, para definir as
propostas do Piano de \.ilicjr
E political institutional da FVA trabalhar com
parcerias. A 1 uIlcliI.i, tem clareza que nao seria
possivel atingir seus objetivos sozinha. Por meio de
estrat6gias de trabalho que envolvam e garantam a
participagao das varias instituigOes que atuam na area,







Genero, Participagao Comunitria e M I.llcjI' dos Recursos Naturais, No. 2, 1999


acreditamos poder atuar para a 4,'-l'CI:.jiI' de areas
protegidas na Amaz6nia. As organizaFces com as quais
temos efetivado parcerias sao: Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecudria (Embrapa), Instituto Nacional de
Pesquisa na Amaz6nia (INPA), I u1,L.l ,i Oswaldo Cruz
(Fiocruz), I ud.iJjL., Nacional de Sadde (FNS),
Universidade do Amazonas (UA), Instituto Brasileiro do
M l c. Ambiente e dos Recursos Naturais Renovaveis
(Ibama), e %IilmjiCJ de Ecossistemas e dos Recursos com
I tl.,-c em Genero 1,Icli -cj.
A consolidagio do Parque Nacional do Jai 6 a
meta da 1 ulI.IL.i' Para que esta meta seja alcangada
entendemos ser fundamental a participagio dos
moradores para o pleno uso da area, garantindo a
'1i1- ,..Ic.i L da biodiversidade. Essa c -t.,, ambiental,
democritica e participativa, deve incorporar nao
somente elements da ciencia modern e etnocultural,
mais constituir-se num process de ,i' -A i.l.,'Jl que leve
em conta as aspiragOes locais, os modos de vida e a
contribuigao hist6rica das populagOes tradicionais para a
Sii-ci .. C .,L, e manejo ambiental. A incorporacao destas
populagOes no process democritico de manejo
ambiental resultard na descoberta de aliados locais
fortes e constantes para a ,,i-C:..i.,'1,, contra grupos
especuladores de fora das reserves, que sao os
verdadeiros devastadores da biodiversidade.



Brasil MA/IBDF/FB( N


1982 Parques Nacionais Brasileiros.
IBDF.


Brasilia:


Ferreira, A R.
(s/d) Viagem Filos6fica ao Rio Negro. Belem:
t lu -c t Paraense I ,11 11. Goeldi. (apud Victor
Leonardi)
FVA (I u'ij.Ljl,, Vit6ria Amaz6nica)

1998a Genese de um Piano de I.Miilcji O Caso do
Parque Nacional do Jai. ',.i,1.ti. FVA.
FVA (I u'ij.Ljl,, Vit6ria Amaz6nica)

1998b Piano de I.licji do Parque Nacional do Jai.
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Bacca, L.E.; Amorozo, I i. %I Reis, N.R.; Dantas, ,1
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Silva, R. O.


1996 AnotagOes do
(manuscrito).


Didrio de Campo


8. I I.ss I o r I,

Arumi Planta da familiar das \I.,L.,,im, Lcc, que ocorre
em terra-firme e junto aos igarap6s onde hA bastante
sombra. E mat6ria prima utilizada na confecqao de
tup6s.
Bicho-de-casco Termo utilizado no Amazonas para
designer todos os animals da Ordem Quel6nia.
Caieira Local preparado pelos moradores para fazer
carvAo.
Caniqo Vara feita de plants arbustivas, com cerca de
1,5m de comprimento, utilizada para pescar.
Espinhel I cL liI. de pesca que consiste de estender
em uma linha de pesca com cerca de 5 metros ou mais,
varias outras linhas de pesca com 0,50m, no sentido
perpendicular a linha grande, com anz6is e isca. O
espinhel em geral 6 utilizado para pesca de bichos de
casco.
Fachio Pescaria realizada a noite, onde a t6cnica
empregada consiste em usar uma lanterna para focar os
peixes e captura-los com uma zagaia.
Patrio Dono do seringal e/ou pessoa que compra a
borracha do productor e fornece as mercadorias
necessdrias para ele
Piabas Dohiml,iL.,, usada pelos moradores para os
filhotes de peixes e para peixes ornamentais.
Piabeiro Como sAo chamadas as pessoas que coletam
e comercializam as piabas.
Tucupi Liquido extraido da massa da mandioca
utilizado como tempero na culinAria regional.
Tupes Tapete tecido com fibra de arumA.
Zagaia Esp6cie de arpdo, coma ponta de metal em
forma de tridente, utilizada para a pescaria.



Embrapa Empresa Brasileira de Agricultura e Pesquisa
AgrAria
Fiocruz I ut1I.IL ,- Oswaldo Cruz
FNS I ul.,iJ.I,, Nacional de Sadde
FVA I utJl., ,,, Vit6ria Amaz6nica
Gk Ilc .. Genero em Sistemas Economicos e Sociais
Ibama Instituto Brasileiro de M\Icl Ambiente e dos
Recursos Naturais RenovAveis
INPA Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz6nia


MERGE \.licj' de Ecossistemas e Recursos Naturais
com I iltj-c em Genero
ONG ( 'n lc.'1 iL..1 N. -Governamental
PAE Piano de Acgo Emergencial
PNJ Parque Nacional do Jai
Supes Superintendencia Estadual (i Clpi c-C .,.iiiL Ibama
no Estado do Amazonas).
UA Universidade do Amazonas
UC unidade de -ii ,1-c c,..,LjL
UFMG Universidade Federal de \11.I,. Gerais
USAID Agencia dos Estados Unidos para o
Desenvolvimento Internacional




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