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Title: Arquivo de bibliografia portuguesa.
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 Material Information
Title: Arquivo de bibliografia portuguesa.
Physical Description: Book
 Record Information
Bibliographic ID: UF00089414
Volume ID: VID00006
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.

Table of Contents
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Full Text
ARQUIVO
DE


BIBLIOGRAFIA


PORTUGUESA


ANO IX W JANEIRO-DEZEMBRO 4 N.os 33-36


ATLAN TIDA
C OIM BR A- 963


01(0,5
/m'll









Arquivo- de Bibliograjia Portuguesa

(Publicaq~o trimestral)




DIRECAO DE

MANUEL LOPES DE ALMEIDA








S U M A R IO D E S T E N 0 M E R 0


MANUEL ANT6NIO BRAGA DA CRUZ Palito medtrico e macarronea
latino-portuguesa A LfDIA PINHEIRO PIMENTEL Subsidios para uma
biobibliografia dos modernos poetas cabo-verdianos A JORGE PEIXOTO -
Progresso em informafo bibliogrdfica a ROSALINA CUNHA- Manus-
critos do Tribunal da Relafdo de Lisboa A VALLS I SUBIRA La
filigrana del aPeregrinon & ALBERTo IRIA- 0 bibliotecdrio, o livreiro e
o leitor A ALDA LIMA Contribuifdo para o estudo de a0 livro romdn-
tico em Portugal, A ANTERO DE QUENTAL Cartas-IV- A sua irmd
Guilhermma de Quental, publicadas por MANUEL LOPES DE ALMEIDA A
Documents & Epistoldrio A Noticias


Assinatura annual (4 nfimeros) .....
Nuimero avulso . . . .
Nfimero duplo avulso. . . .


Toda a correspondkncia deve ser dirigida ao Arquivo de Bibliografia
Portuguesa, Rua Ferreira Borges, io3-zii Coimbra


50*0o
25*00
40*00




















ARQUIVO
DE
BIBLIOGRAFIA PORTUGUESA




























Op



no





ARQUIVO
DE

BIBLIOGRAFIA PORTUGUESA


ANO IX


ATLAN TIDA
COIMBRA- 1963






Arquivo de Bibliografia Portuguesa

ANO IX W JANEIRO-DEZEMBRO W N.*o 33-36





Palito M6trico e Macarr6nea Latino-Portuguesa

No bem elaborado estudo bibliogrifico que Rocha Madahil
escreveu para servir de pr61logo a iltima edigco da Macarr6nea
(Coimbra 1942), o seu autor regista a existencia duma 2.a edigdo
do Palito Metrico bem como duma edicgo da Macarr6nea, que seria
a 2.a, das quais ndo conseguira encontrar qualquer exemplar em
Bibliotecas pfiblicas ou particulares. Sabia da existencia da 2.a edi-
co do Palito Metrico pela reproducgo do respective pr6logo em
varias edig~es da Macarr6nea; e da 2.a edigio desta, pela descri-
gdo de Brito Aranha no volume XVI do DicionArio Bibliogrifico.
Elementos fornecidos por exemplares da minha colecgdo per-
mitem-me confirmar a existencia daquelas edig6es e sobre elas,
bem como sobre outras edig~es da Macarr6nea, fazer algumas
observag5es.
A 2.a impressao do Palito (10,5 X 15.5 cm) tern um total de
16 piginas nas quais o texto da 1.a impressao 6 antecedido pelo
pr6logo e seguido, nas 3 piginas finals, pelos 5 sonetos da s6rie
que comega corn a Definigio de hum calouro>. Curioso 6 o facto
de haver 2 variantes da 2.a impressio, ambas de Coimbra e ambas
de 1746 ou sejam do pr6prio ano em que foi impressa a edigao
original.
Pelas reprodug6es juntas (figs. 1 e 2) se verifica que uma
das variantes 6 dada como impressa no Real Colegio das Artes da
Companhia de Jesus e a outra na Oficina de Ant6nio Simoes Fer-
reira. Sdo diferentes as vinhetas decorativas do rosto bem como
os tipos de letra do texto.
A edigco do Real Col6gio deve ser anterior a outra, pois
refere a mesma casa impressora que a edigco original.
Apresentamos, tamb6m, a reproducgo do rosto da edigio da
Macarr6nea datada de 1786 (fig. 3), a 2.a entire as conhecidas.
Nas suas 238 piginas cont6m, embora sem a mesma ordem, todas
as composig6es da edicgo anterior (1765) e mais 5 novas compo-
sig6es, entire elas o curioso soneto que o autor do Palito dirigiu
a El-Rei, ao tempo em que era Reitor de Nossa Senhora da
Nazar6, a prop6sito da melhor 6poca para cortar madeira no








PALITO

METRICO

LAVRADO NO L:RVA65 DA
i IL P* a or]n: trinrua ite idetasoniasmm-.
brilhado ro;!tdode re
F d' setterAA P4' atrhel e ipt
U..pwic de hum P ,otsi. g
POR
ANTON O DUARTE FERRAO,
.'#@ad a t s. m nvt eiMadedfrCabik~aMt
-. s I *Ms w^ i;. !s ac. erc(ccn adiaque spriowmsc
i-Qcopketd (fi t'u pdl4ogoem3isl grifa para
[wL t b- ds it Lcxor s wa asguits a a
A 7 ffoPon 6 aIte.o-



C 0 I M B R '
N6 t'all C 5'C gj r ws As Caosaahia de
jF.SLS, A:;i;au d 46.
Cam as- at n cf a a -cr i --


Fig. 1








PALITO

METRICO
LAVR ADO
NO LORVAO DA PACHORRA
Corn a ferramenta da cachimonia embrulhado aO
titulo de Calourtada, e offerecdo aos regaleo
cos do Parnafo no efquiphico pireade hum'
Poe&a meltl"o
P0 A
ANTONIO DUARTE FERRAO,
Oici l de Eftudante na Univei fidade de CoimbraL
Ad* *Vprflas ma, acrvfcevu&4a que a primnwirA
q teunlateda remw fr etwe- 9 Ifrr. g4ifa pwrs
da& a qudadtde 'd Leiroves, e wais alcumar
dMgas em verfo Portuguez e eflyle /orrv
em ordem a que pettfqum todos.



CO IM B R A:
NaOfficina de Antonio Sinoens Ferreirl
Impreffor da Univerf. Anno de t746..
Cow as iarastr wetffari.


Fig. 2






Pinhal de Leiria. No final da 1.a composigdo (Calouriados) insere
uma observagdo sobre o 6xito da edigao original do Palito.
No mesmo volume apresenta o exemplar que tenho, duas
novas composig~es, datadas de 1787, e ambas com paginagao inde-
pendente.
A edigao seguinte, a 3.a, conhecida por ediqgo do Porto, tem
tamb6m 2 variantes, uma datada de 1790 e a outra de 1791. Aparte
a diferenga dos rostos, as 362 paginas do texto sao coincidentes.
Tamb6m os exemplares desta ediqgo que examine apresentam um
suplemento Queixas de Amaro Mendes Gaveta, e Sonetos com
paginagao independent. Este suplemento, com rosto pr6prio datado
de 1790, apresenta-se com 17 piginas nuns exemplares e com 23 em
outros. Nao inserindo o soneto relative ao corte de madeira no
Pinhal de Leiria, esta edigio reproduz todas as outras composig6es
da ediqgo anterior e mais 5 novas composig5es.
A edigao de 1792, a 4.a, reproduz nas suas 238 paginas o
texto da 2.a ediqgo (1786) nao faltando a observagao, jh referida,
no final de . A coincidencia 6 total, atW nos carac-
teres tipogrAficos, o que nao 6 para admirar uma vez que sao da
mesma oficina Francisco Luis Ameno e estUo vdatadas com
intervalo de 5 anos, apenas. A parte suplementar 6 mais desen-
volvida, pois tem, com nova paginagao, mais 8 composig6es, nas
quais estao englobadas as 2 referidas do suplemento da 2.a edi-
gio (1786).
No seu conjunto tem esta 4.a edigio, a mais que a edigio
anterior (Porto), a composigao .
Segue-se a 5.a edigio, datada de 1816 (Lisboa Tipografia
R6gia). Trata-se de uma reprodugAo, em 329 paginas, da edigao
do Porto (3.1). S6 nao public o pr6logo da 2.a impressed do
Palito e include na paginagao normal as 2 composig6es que a edi-
go do Porto apresenta com paginagio independent.
A 6.a edigao (Lisboa- Tipografia Rolandiana) 6 datada de
1843. Inclue todas as composigoes constantes de edig~es anterio-
res e mais 2 novas composig6es: < Pombalensem>>, e < Pelo seu contefido e atW pela sua apresentagio, considero-a
a melhor das 9 edig6es conhecidas.
Corn a designagdo de e nao de aparece, no final do seculo XIX, uma nova edigao, que sera a 7.a.
Nao esti datada e refere como impressora a queo>. 0 tomo XVI do Dicionirio Bibliografico diz-nos que esta
ediqgo fora feita em Coimbra, na Tipografia de Reis LeitAo, em 1890.
Tem um pr6logo pr6prio, em portugues alatinado, e duas com-
posig6es novas: <, e, <>. Compa-










ACARRONEA
TINO- PORTUG U LZA.
QUBER DitFRK-
SAPONTOADO
E VERSOS MACARRONICOS
SLauino-Portuguezes que .Aiguns Poe-
ras de born hmor d4ilarsf do
I. tambique da cachat i ia p Ia
defterro dat mea c oha.
S EGUNDA ftAPR F. f

I- ~ik AItroMtt,


L
Oc. ?tnr.


I S B 0 A
de FRAN ISCO It.ZL AMENO.
M. DCC. JXKIvt.
s 4A Rical Afj4 Ce nffriA


it.


*1
4

~
*


Fig. 3






rada corn a edigco anterior, faltam-lhe 4 composig6es e reproduz
apenas 3 dos 5 sonetos do autor do Palito M6trico.
Os Actos adicionais> reproduzem, com muitos cortes, um
folheto (10 X 16 cm) que tem o titulo Theses ex Universa Sciencia,
publicado sem data e subscrito por Em nota publicada no fundo da p&gina 195 desta edigio esclarece-se
que este Dominicus era o c6lebre , de gloriosas
tradig6es na Academia que j& lI vai.
Fica em aberto o problema relative & data e a identificagdo do
autor (1) deste folhetc.
O texto das , embora com muita graga, mereceu os
cortes dados na transcricgo.
O seculo actual conta ji 2 edig6es da Macarronea>, ambas
editadas em Coimbra, e que sao a 8.a e a 9.a
A primeira destas, tamb6m com o titulo de Palito Metrico,
tem a data de 1912 e reproduz fielmente a edicgo de 1890; atW as
gralhas tipogrificas sao reproduzidas.
Tem a data de 1942 a filtima edigio da Macarronea, organi-
zada com base na edicgo de 1792. Public, nas LI pAginas iniciais,
o referido estudo bibliografico de Rocha Madahil, que Ihe da par-
ticular valor.
As diferentes composig6es, e a ordc m que Ihes 6 dada em cada
edigdo, constam do mapa seguinte:



















(1) Informag6es fornecidas pelo Arquivo da Universidade de Coimbra
referem a existkncia dum estudante corn o nome de Domingos Martins da Costa,
natural de Guimaraes que se matriculara em Medicina em 1840, depois de ter
frequentado Filosofia e MatemAtica.
t provavel que seja ele o autor das celebradas





1765 1786 1790)1 1792 1816 1843 1890 1912 1942


Palito Mdtrico (Calouriados) . . . 1 b) 1 2 b) 1 1 1 2 2 2
Queixas de Ant6nio Duarte Ferrio. . 2 2 3 2 2 2 5 5 3
Bisnaga Escolistica . . . .. 3 3 4 3 3 3 12 12 4
Pr6logo da 2., ed. do Palito Metrico . 4 4 1 4 4 1 1 1
Sabonete Delfico . . . . . 5 8 8 8 7 5 8 8 8
Calhabeidos . . . . . . 6 9 9 9 8 6 11 11 9
Rapaziaticum Certamen. . . .. 7 10 10 10 9 7 26 26 10
Alegratica Descriptio . . . . 8 11 11 11 10 8 27 27 11
Festa Bacchanalia . . . . 9 12 12 12 11 9 28 28 12
Caramunhatio Beberronica. . . . 10 13 13 13 12 10 29 29 13
Jurgium Inexorabile . . . . 11 14 14 14 13 11 30 30 14
Sapateiros Emmendat Furias . . . 12 15 15 15 14 12 31 31 15
Fallacia Marabuti Amatoris . . . 13 16 16 16 15 13 32 32 16
Feiggo a Moderna . . . . . 14 17 20 17 19 22 19 19 17
Conselhos para Novatos . . . . 15 18 21 18 20 23 20 20 18
Carta de Guia para Novatos . . . 16 19 22 19 21 24 14 14 19
Freio Metrico para Novatos . . . 17 20 23 20 22 25 16 16 20
Queixas de Amaro Mendes Gaveta . . 18 21 e) 29 21 28 26 24 24 21
Sonetos do autor do Palito M6trico. 19 23 f)30 23 29 34 g)13 ) 13 23
Brincatio Poetica . . . .. a)20 5 5 5 4 14 6 6 5
Nariz Enganado e Desenganado. . .. a)21 6 6 6 5 15 7 7 6
A. D. Ferronis ad D. Felicem de Negreiros. 7 7 7 6 17 9 9 7
Mendicanimachia . . . 22 24 22 23 27 25 25 22
Soneto sobre o corte da Madeira p.a a Sr., da
Nazard ... .......... 24 24 33 24
Meia Hora de Recreaglo (Lagartiada) . c) 25 18 c) 25 17 19 4 4 25
Elegia em tom de Carta. . . . c)26 17 d)32 16 18 10 10 32
Caloiriados (Par6dia) . . . . 19 f) 26 18 20 3 3 26
Sistema Mdtrico Moderno e Experimental 25 f) 27 24 28 15 15 27
Queixas dum Estudante Doente . . 26 f) 28 25 29 21 21 28
O Sibio em M&s e Meio . . . . 27 f) 29 26 30 22 22 29
Idem (2.a parte A Economia) . .. 28 f) 30 27 31 23 23 30
Boas Festas e Tragicos Sucessos . .)31 32 31
Paliteiro Facessico . . . .. 21 -
Actos Adicionais . . . .. 17 17
As latas, Cidadios! . . . . 18 18
A. D. Ferronis ad Marchionem Pombalensem 16


a) Impresso em 1767 Paginacao independent
b) No final deste Capitulo insere uma observago sobre o 6xito da ediqio original
do Palito Mdtrico
c) Impresso em 1787 Paginacgo independent
d) Sem data de impressio Paginaggo independent
e) Impresso em 1790 Paginacgo independent
f) Paginacgo a continuar a do Capitulo anterior
g) 86 3 sonetos dos 5 de outras edigZes


MANUEL ANT6NIO BRAGA DA CRUZ









Subsidios para uma biobibliografia

dos modernos poetas caboverdianos


INTRODUQAO

Para uma melhor compreensdo deste trabalho, tentaremos deli-
near, a tragos largos, umas nog5es sobre a literature caboverdiana.
Podemos afirmar que a modern literature de Cabo Verde
surgiu em 1936 corn a criagdo do grupo e da revista ,
tendo por base a influ6ncia est6tica do grupo < e da revista
Presenga>, ida do continent, que levava o exemplo da experidncia
modernista. Foi portanto o agent da profunda revolugdo ope-
rada, abrindo-se urn fosso entire a versificagdo escolar ou sentimen-
tal e a verdadeira criagdo po6tica, liberta, viva, surgida no arqui-
pelago, clardo de consciencia e confianga no home crioulo.
Mas os tres n4meros da que entdo sairam, nao
teriam resultado, se os jovens das geragSes seguintes impressio-
nados pelo neo-realismo, lhe tivessem sido indiferentes. Foi mesmo
a partir do aparecimento da folha de letras < fou a verdadeira vitalidade literdria em Cabo-Verde. Isto signi-
ficava que estava encontrado um caminho certo, e ndo foi por
pura coincidencia o nome que em 1944 escolheram os represen-
tantes da nova gerago para a sua revista, como afirmava o escri-
tor Manuel Lopes.
Se a revista < tanto pela posigdo percursora, como pelo nivel dos seus elements,
no lapso de tempo em que esteve suspense a sua publicagdo, o apa-
recimento de , de que sairam apenas dois numeros, ras-
gou novos caminhos est6ticos, preconizados pela corrente neo-
-realista.
Mas na 2." fase da < dos todos estes elements, e aqueles que surgiram depois, mais ou
menos acabaram por ficar <.
No em 1958, e actualmente em revis-
tas e pdginas literdrias, aparece-nos uma geragdo de novissimos.
Ndo podemos deixar de referir-nos, neste trabalho, aos poetas






crioulos que ndo tendo contact corn as correntes modernistas,
representam a expressed de alma do povo caboverdiano os poetas
das <.
Deste modo nos surge no present, uma literature cabover-
diana de raiz aut6ctone e o esbogo de uma poesia de expressed
dialectal, que se afasta dos tradicionais moldes populares e que
ird contribuir para o alargamento da dimensdo do home cabo-
verdiano.
Nela encontramos, em linguagem simples, a nostalgia do iso-
lamento; a paisagem agreste; as secas; a dnsia de libertagdo, ou
pela cultural, ou pela transposigdo geogrdfica, express no desejo
de <>; a luta her6ica pela sobreviv6n-
cia na terra infecunda, mas amada; a saudade amarga das suas
ilhas, em <(terra-longe>>; as < que tdo bem definem o cardc-
ter de <> da psicologia caboverdiana; a libertagdo de
problems rdcicos, de que sao um exemplo de harmonia; etc.
Qualquer semelhanga que possamos encontrar, entire a modern
literature de Cabo-Verde e o mundo da modern literature bra-
sileira, 6 pura coincidbncia, o que 6 natural, tendo em conta o
bilinguismo caboverdiano, onde o dialecto crioulo instrument de
expressdo oral e literdria tern imensas expresses afins dos bra-
sileiros.
Estamos pois, perante um movimento literdrio rico de vir-
tualidades e potencialidades, apesar de surgido num meio pobre-
pobre de pdo, pobre de cultural, pobre de contacts e pobre de
apoio distante, como o definiu o escritor Manuel Ferreira.
Apesar de todo o interesse que votdmos a este trabalho, exis-
tem nele lacunas devidas a caroncia bibliogrdfica e de elements
pedidos para Cabo-Verde, que nunca recebemos.
Somos por isso forgados a limitar-nos a dar apenas ligeiros
apontamentos sobre alguns poetas.
0 que afirmamos sobre Pedro Cardoso, Andrade Sanches,
Eug6nio Tavares e B. Leza, 6 apenas baseado em informag5es
orais. Todavia, o que apresentamos a respeito de Tomaz Mar-
tins, Nuno de Miranda, Jodo Vdrio e Ondsimo da Silveira, corn
quem tivemos oportunidade de comunicar directamente, tern o
valor do depoimento pr6prio.


ESQUEMA GERAL DO TRABALHO

Nome complete do autor
Nome literArio
Pseud6nimo






Noticia biogrhfica e formagio cultural
Iivros de criago poetica, local e data da sua publicacgo
Principal colaboracgo po6tica em jornais e revistas
Livros originals em prosa
Pr6mios ou outras disting6es obtidas.


AZEVEDO (Pedro Corsino)

Pedro Corsino Azevedo
Natural da Ilha de S. Nicolau, onde nasceu em Fevereiro
de 1905 na Vila da Ribeira Brava. Teve como contemporAneos
dos seus primeiros estudos, alguns dos que mais tarde viriam a
tomar parte na formacgo do movimento da .
Adoecendo, foi forgado a vir para Lisboa internar-se num
sanat6rio, donde regressa a S. Nicolau, vindo a falecer em 1942.
A revista Claridade> acolhe os seus versos, nas duas fases.
Entretanto, na revista apareceu o poema
<, glosa do folclore po6tico crioulo, colhido na tradi-
cgo oral de S. Nicolau e que tem sido muito reproduzido.
Esta anunciada a reunido dos versos de Pedro Corsino
Azevedo em volume, sob o titulo <(Era de Ouro.

Colaboragio po6tica:
<
P6stumamente:
em Janeiro de 1947, in , n.0 4
e em >.
Conquista>, , bro de 1947, in Claridade>>, n.0 5.
<, n. 6.


BARBOSA (Jorge Pedro)

Jorge Pedro Barbosa
Nascido em Junho de 1933 na Vila de Santa Maria, na
ilha do Sal, 6 filho do poeta Jorge Barbosa. Passou a infancia
nas Ilhas de S. Tiago e Fogo, onde se familiarizou com o crioulo
e temas do folclore native, cujos elements sao preponderantes na
sua poesia, tanto nas composig6es em portugues, como em dialecto
de sotavento.
Tem vivido em S. Vicente, onde era empregado na Brigada
de Fiscalizacgo de Obras PortuArias.






Ainda estudante liceal, publicou os seus primeiros poemas no
journal acad6mico >, que fundou corn Gabriel Mariano.
Tern colaboraego no < e nos filtimos
nfimeros da revista < vem algumas das suas composi-
g6es em crioulo, corn a correspondent verso livre.
Tem-se dedicado a interpretailo de criag6es folcl6ricas e
musicals, e apresentado nas emissoras locais programs radiof6-
nicos de cultural.
Tenciona fixar-se nos Estados Unidos da America, onde se
encontra actualmente divulgando motives do folclore de Cabo-Verde.
Colaboragio poetica:
<>, < (acompanhados pela
correspondent verso livre) em Maio de 1958, in n. 8.
(>, (com a correspon-
dente verso em portugues) em Dezembro de 1960, in Clari-
dade>>, n.0 9.
< -Verde>, n.0 14.
tim de Cabo-Verde>, n.0 24.
< em Dezembro de 1951, in < Cabo-Verde>, n.0 27.
-Verde>, n.o 31.

BARBOSA (Jorge Vera-Cruz)

Jorge Barbosa
-Nasceu na cidade da Praia, Ilha de S. Tiago, a 22 de
Maio de 1902.
A sua infancia e juventude decorreram no Mindelo, tendo
mais tarde, por vArias vezes, vivido alguns anos na ilha do Sal.
A solidio desta ilha traduz-se numa das constantes da sua poesia.
Vive actualmente em S. Vicente, onde 6 funciondrio da
alfandega.
Acompanhando o movimento est6tico do grupo <, pre-
cendente da e sendo um dos fundadores desta revista,
onde colabora, Jorge Barbosa afirma-se um dos mais representati-
vos valores da poesia caboverdiana, procurando renova-la na comu-
nhao corn as pessoas e coisas da sua terra.
Tern colaboraego em <>, ,
<, <, <, <, < tico>, e outras revistas.






Livros de poemas publicados:
fArquip6lago S. Vicente, 1935
Praia, 1941
Caderno de um ilh6u Ag&ncia Geral do Ultramar, Lis-
boa, 1956.

Colaboragio po6tica:
em Margo de 1936, in <, n.0 1
Vertigem em Agosto de 1936, in Claridade>, n.0 2
em Margo de 1937, in n." 3
Carta para Manuel Bandeira em Janeiro de 1947, in Cla-
ridade>, n.0 4
Simplicidade> em Janeiro de 1947, in Claridade>, n.0 4
n. 5
<, Emigrante>, Banquete> em Julho de 1948, in Cla-
ridade>, n.0 6
Voz intima>, , < em Dezembro de 1949,
in Claridade>, n.0 7
em Maio de 1958,
in , n.0 8
Roteiro da rua Lisboa> em Dezembro de 1960, in Clari-
dade>, n.0 9, e em 1961 in , vol. 9, n.0 1
em Junho de 1950, in < -Verde>, n.0 9
Carta para o Brasibl em Novembro de 1951, in de Cabo-Verde>, n." 26
em Janeiro de 1953, in < -Verde>, n.0 40
<, , Redengo em Maio de 1953, in
, n.0 44
em Novembro de 1953, in < tim de Cabo-Verde>, n.0 50
em Julho de 1954, in < tim de Cabo-Verde>, n.0 58
,
n. 63
em Janeiro de 1955, in
< tim de Cabo-Verde>, n.0 65
iConvite a viagem em Abril de 1955, in < -Verde>, n.0 67
Serei marinheiro> (Galardoada com o Premio Camilo Pessa-

12






nha, no concurso de literature ultramarina de 1955) em Janeiro,
de 1956, in <, n.0 76
< em Maio de 1957, in < -Verde<<, n.o 92
em Setembro de 1957, in n.0 96
< -
em Outubro de 1957, in <, n.0 97
Cristo-Rei em Novembro de 1957, in -Verde>, n.0 98
-Verde>, n.0 115
< em Dezembro de 1959, in < de Cabo-Verde>, n.0 123
de Cabo-Verde, n.0 2 158 (Nova-fase)
<
senga, n.0 35
, e < (Do livro Ambiente) -
em Fevereiro de 1936, in <, n.0 26
< em Fevereiro de 1936, in <>
n.0 10
<
tico>, n.0 4
n.0 8 (2.a S6rie)
,
n.0 206

Recebeu a Comenda de Cavaleiro da Ordem do Imperio.
Foi atribuido em 1956 ao seu livro <>,
o pr6mio Camilo Pessanha de literature ultramarina.


CARDOSO (Ant6nio Mendes)

Ant6nio Mendes Cardoso
-Nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Conceigio na
ilha do Fogo, em Setembro de 1936. Concluiu o curso complemen-
tar dos liceus em S. Vicente, vindo como bolseiro para Coimbra
em 1956, onde tirou o curso de Direito.
E co-fundador da publicagdo <, em que se estreou
com versos e outra colaboragio.






Colaboragio poetica:

Prosa:
< (Conto caboverdiano)- em Marco de 1960, in < bra-60.
CARDOSO (Pedro)

Pedro Cardoso
-Poeta crioulo, autor de mornas.

Livros publicados:


COSTA (Ant6nio Pedro)

Ant6nio Pedro
-Nasceu na cidade da Praia, em Cabo-Verde, a 9 de Dezem-
bro de 1909. Terminou o curso dos liceus em Coimbra.
Cursou Direito e Letras em Lisboa, e Hist6ria de Arte na
Sorbonne, ndo tendo concluido nenhum dos cursos.
Viveu sucessivamente em Lisboa, Paris, Londres e iiltima-
mente em Moledo do Minho e Porto.
Tem disperse a sua actividade pelo jornalismo, rAdio, televi-
sdo, poesia, pintura, cerimica, teatro, etc.
Foi director da revista e colaborou em muitas
outras, como: , , <, Mundo Literh-
rio>, etc.
Foi chefe de redacgdo dos jornais Popular>, correspondent em Paris do <, tendo
colaborado ainda em virios diarios e semanArios.
Em 1930, organizou com Diogo de Macedo e outros, o
1." Saldo dos Independentes, tendo exposto individualmente e par-
ticipado em exposig6es colectivas de pintura em Lisboa, Porto,
Paris, Rio de Janeiro, S. Paulo e Londres.
Como home de teatro, comegou a dirigir em Lisboa < companheiros do Patio das Com6dias, passando finalmente para
o .

Livros de poemas publicados:
Sio muitos. Faremos apenas referencia ao livro cujo clima
po6tico, foi inspirado pelas ilhas do arquip6lago. -
Praia, 1928, com capa de Jaime de Figueiredo.






FILIPE (Daniel Damdsio Ascengdo)


Daniel Filipe
Raymundo Soares (Pseud6nimo)
-Nascido na ilha da Boavista em 1925, tirou o curso geral
dos liceus e dedicou-se a publicidade.
Reside actualmente em Lisboa, onde trabalha na Siderurgia
Nacional.
Foi co-director da publicago , onde
tern colaboragio, tal como na revista Tivola Redonda.

Livros de poemas publicados:
Missiva Edig6es Gama, 1946
Colec~io Bfzio, 1944
<<0O viageiro solitirio Edig~es Tavola Redonda, 1951
Recado para a amiga distante> Edig~o 0 Crocodilo que
voa>, 1956
A ilha e a solidio (Obra que apresenta sob o pesud6-
nimo de Raymundo Soares) Edicgo de Agencia Geral do Ultra-
mar, Lisboa, 1957
gio Sagitirio

-Livros em prosa:
<<0O manuscrito na garrafa> (Novela) Guimaries Editores,
Lisboa, 1960 Colecgio Horas de Leitura.
(Cr6nicas) 1961, Colecg~o Sagi-
tArio
A Agencia Geral do Ultramar atribuiu o premio Camilo Pessa-
nha de 1957, ao seu livro
.


FONSECA (Aguinaldo Brito)

Aguinaldo Brito Fonseca
Nascido no Mindelo, Ilha de S. Vicente, em Setembro
de 1922, fez ali estudos liceais. Viveu algum tempo na Praia tra-
balhando em organismos de coordenagio econ6mica, colaborando
entio com os seus primeiros versos na revista . Depois
partiu para a Metr6pole, vivendo presentemente em Lisboa empre-
gado em servigo de escrit6rio.
Em Lisboa colabora na , no ,
no e no seu , etc.






Livros de poemas publicados:

Colaboragdo po6tica:
, de 1947, in , n. 5
, , e <
-em Julho de 1948, in , n. 6
(0 poema foi premiado em concurso liter&-
rio, organizado pelo Dikrio Popular. Aparece-nos tamb6m publi-
cado em Margo de 1951, in , n. 18)
, <, < de 1949, in , n.o 7
<, < Maio de 1958, in , n.0 8
, <> em Agosto de 1952, in Cabo-Verde>, n.0 35
em Outubro de 1952, in -Verde>, n. 37
em Outubro de 1953, in
n.o 49
em Junho de 1957, in < Cabo-Verde, n.0 93
em Janeiro de 1958, in < n.0 100
em Junho de 1958, in <,
n.0 105
em Outubro de 1958, in <
Verde>, n. 109
<, , < irmdo ausente em Outubro de 1958, in <
n. 1 ao
n.o 50
<.


FORTES (Corsino)
Corsino Fortes
Nasceu em Fevereiro de 1933 no Mindelo, ilha de S. Vicente.
Empregado de escrit6rio, concluiu o curso secundirio no Liceu
Gil Eanes. Mais tarde foi professor no Liceu da Praia.
Actualmente esti em Lisboa, onde frequent a Faculdade de
Direito como bolseiro da Procuradoria de Cabo-Verde.






Os seus primeiros versos apareceram no < do Gil Eanes>, em 1959.
Apresenta colaboragdo na revista <, 3.a S6rie, e
no .
Tern em preparagio um livro de poemas.
Colaboragdo:
<, <, < < em Dezembro de 1960, in < n.0 9
n.0 136.
em Margo de 1961, in < de Cabo-Verde>, n.0 138.


FRANQA (Arnaldo)

Arnaldo Franga
Nasceu na Praia, ilha de S. Tiago, em Dezembro de 1925.
Concluiu o curso secundirio em S. Vicente.
E funcionirio aduaneiro na Praia. Com outros jovens, per-
tenceu ao grupo da <. Foi um dos fundadores
da folha de letras < onde aparececeram os seus primeiros
poemas, a que a consciencializagdo neo-realista trouxe novo sen-
tido lirico.
Colaborou na revista Claridade, na 2.a fase, e na < Nova>, encontrando-se incluido em colectaneas de poesia ultramarina.
Arnaldo Franca seriamente interessado nos caminhos da cul-
tura, tem-se tamb6m dedicado a produgio radiof6nica, organizando
programs sobre poesia na emissora do arquipblago.
Colaboragio po6tica:
, n.0 4
<
dade, n.0 5
(3 sonetos) em Maio de 1958, in Claridade*, n. 8
em Dezembro
de 1960, in < < em Margo de 1944, in Anti-poema da Bela adormecida em 1945, in Certeza>>,
n.0 3






FRUSONI (Sirgio)


S6rgio Frusoni
Nasceu na ilha de S. Vicente, filho de pais italianos fixados
em Cabo-Verde.
Actualmente reside em S. Vicente, onde vive casado com uma
senhora italiana.
Apesar da sua ascendencia italiana, 6 considerado como um
dos maiores poetas em lingua crioula, a qual domina e senate como
aqueles em que corre nas veias o sangue caboverdiano.
Colaboragao po6tica:
<, < (com as correspon-
dentes verses em portugu6s) em Dezembro de 1960, in < .dade>, n." 9.
LEITE (Janudrio)

Januirio Leite

LOPES (Manuel)
-Manuel Lopes
Nascido em S. Vicente, em 1907, fez os seus primeiros estudos
em Coimbra, tendo em breve regressado a Cabo-Verde, donde foi
para os Agores passados alguns anos.
Vive presentemente em Lisboa.
Foi um dos fundadores e directors da revista onde encontramos a sua quase constant colaboracao. A sua produ-
gio espalha-se tamb6m por outras revistas.
Colaborou nos Col6quios Caboverdianos realizados pelo Centro
de Estudos Politicos e Sociais em Lisboa, em 1959, apresentando
o trabalho tura nos meios pequenos>>.
Como autor de obras de ficgio, 6 um dos nomes principals
da literature portuguesa dos nossos dias.
Livros de poemas publicados:
Edicgo do autor, Faial (Ago-
res), 1949.
(Este volume reune duas colectAneas de poesia, <
e ).
Colaboragio po6tica:
<, n.0 1
< em Margo de 1937, in .n.0 3
Consummatum> em Janeiro de 1947, in , n. 4
< em Dezembro de 1949, in <, n.0 7






>,
n.o 79
<-em Fevereiro de 1936, in <, n.0 26
em Abril de 1935, in <, n.0 8

Livros em prosa:
< (Notas de viagem) S. Vicente, 1932
Faial (Agores), 1951
> (Romance) Edigio do Instituto de Cultura
e Fomento de Cabo-Verde, Lisboa, 1956
O galo que cantou na baia (e outros contos caboverdianos)
Edicgo Orion, Lisboa, 1958, Coleccgo Hoje e Amanhd

Tem em preparacgo um volume de notas, sob o titulo provis6-
rio <.
O pr6mio Ferndo Mendes Pinto, de 1956 e 1959, foi atribuido
respectivamente aos seus livros <> e <<0O galo que cantou
na baia>.

MARIANO (Gabriel Lopes da Silva)

Gabriel Mariano
Nasceu a 18 de Maio de 1928, na Vila da Ribeira Brava, ilha
de S. Nicolau. Viveu alguns anos em Santiago e fez o curso liceal
em S. Vicente.
Desde esta 6poca os seus versos e contos aparecem no < tim de Cabo-Verde, e mais tarde na < folclore po6tico de Sotavento.
Tendo partido para Lisboa a frequentar a Universidade, con-
cluiu ai o curso de Direito.
Apresenta diverse colaboragio ensaistica e poetica em algumas
publicag6es, figurando em pAginas literArias de poesia ultramarina.
Cooperou na organizacgo em Lisboa do < <, editado em 1958.
Participou corn uma comunicagdo nos Col6quios de Estudos
Caboverdianos, organizados pela Junta de Investigagdo do Ultra-
mar em Lisboa, em Maio de 1959.
Deve aparecer em breve um livro de poemas.
Colaboracao po6tica:
<, < - em Julho de 1948, in





em Dezembro de 1949, in Clari-
dade>, n.0 7
<>- em Julho de 1950, in < -Verde>, n.0 10
em Setembro de 1950, in < Cabo-Verde>, n.0 12
< em Outubro de 1950, in < -Verde>, n.0 13
< Cabo-Verde>, n.0 6
de Cabo-Verde>, n.0 93
Nada nos separa> em Outubro de 1958, in < Cabo-Verde>, n. 109
< em 8 de Novembro de 1960, in < cio do Porto>
Aqui e ndo long> em 1961, in <, vol. 9.
(n." 1)
em Setembro de 1960, in <
, Luanda.



MARTINS (Ovidio de Sousa)


Ovidio Martins
Natural da ilha de S. Vicente, onde nasceu em Setembro
de 1928.
Tendo concluido o curso liceal, veio para Lisboa onde fre-
quentou a Faculdade de Direito, que teve de abandonar no segundo
ano, por ter contraido a tuberculose. Devido aos tratamentos entdo
feitos, ensurdeceu.
Desde que esti surdo, tem lutado com imensas dificuldades
para se empregar, o que lhe provoca um estado de alma de angfistia
e inquietagio, que encontramos projectado em alguns dos seus
poemas.
Tem colaboragdo em diversas publicag5es, como na dade> (2." fase), no <, em <<0O Comercio do Porto>, no
< e Suplemento Cultural>, de cuja orga-
nizagdo fez parte em Lisboa, em 1958.
Livros de poemas publicados:
Caminhada> Editorial Minerva, Lisboa, 1962, Colecqgo
Autores Ultramarinos
Em preparagdo: uma < a
ser editada pela Casa dos Estudantes do Imperio






Colaboragio:
, Ignoto Deo>, < -
em Maio de 1958, in <, n.0 8

- em Dezembro de 1960, in , n. 9
-Verde>, n.0 112
O finico impossivebl, Pedido de perdao divino>, Para alum
do desespero> em Outubro de 1958, in n.0 1 ao
em Setembro de 1961, in < tim de Cabo-Verde>, n.0 144
No romper de 1958> em Margo-Abril de 1958, in n.0s 174-175
cio do Porto>.
Livros em prosa:
Estreia-se como contista com: < Divulgagio, Porto, 1962, <

MARTINS (Tomaz)

Tomaz Martins
Tomaz de Monsaraz (Pseud6nimo)
Nasceu na ilha de Santo AntUo, em Julho de 1926. Con-
cluiu o curso liceal em S. Vicente.
Membro da , constituida por alguns jovens
finalists e integrado no movimento neo-realista, participou da fun-
dagio da folha de letras Certeza, de que foi um dos redactores.
Os seus primeiros poemas apareceram em 1943, sob o pseu-
d6nimo de Tomaz de Monsaraz.
A sua produgao poetica estA na revista Claridade> (2.a fase)
e em poucas publicag~es mais.
Vive na Guin6, a cujo quadro aduaneiro pertence.

Colaboracgo po6tica:
< em Janeiro de 1947, in Clari-
dade>, n.0 4
< em Setembro de 1947, in Cla-
ridade>, n.0 5






MELO (Virginio Nobre de)


Virginio Nobre de Melo
Teobaldo Virginio (Pseud6nimo)
Nasceu na ilha da Boa Vista, em Maio de 1924. Tendo
,concluido em S. Vicente o curso liceal, frequentou ali o Seminirio
dos Nazarenos, abragando em seguida a carreira de pastor evan-
gelico, que exerce actualmente na Vila da Ribeira Grande, ilha
de Santo Antdo.
Usa por vezes o pseud6nimo de Teobaldo Virginio.
Apresenta colaboracgo no < e na
revista <
Livros de poemas publicados:
< S. Vicente, 1960.

Colaboracgo po6tica:
<, , , < e Eu> em Dezembro de 1960, in < < -
em Janeiro de 1958, in <>, n. 100
< em Agosto de 1958, in <,
n.o 107
< em Abril de 1960, in -Verde>, n.0 127
< Verde>, n.0 142
< em Dezembro de 1961, in < Cabo-Verde>, n.0 147
em Abril de 1962, in < de Cabo-Verde>, n.0 151
em Setembro de 1962, in < -Verde>, n.0 156.

MIRANDA (Nuno Alvares de)

Nuno de Miranda
Manuel Alvarez (Pseud6nimo)
Nasceu na ilha de S. Vicente, no Mindelo, em Outubro
de 1924. Ai concluiu o curso complementary de letras, entrando
em seguida para um escrit6rio commercial.
Muito jovem interessou-se por problems culturais, sendo um
dos activos components da < de estudo e debate de ideias.






Mais tarde, em 1944, com os camaradas Guilherme de Roche-
teau, Arnaldo Franga e Tomaz Martins, langou a folha de letras
Certeza>, onde apareceram os seus primeiros poemas, sob o pseu-
d6nimo de Manuel Alvarez.
Quando em 1951 partiu para Lisboa, frequentou a Universi-
dade, tendo feito o curso de Ciencias Hist6rico-Filos6ficas.
Aqui colaborou na organizagao de Col6quios Caboverdianos,
levados a efeito, em 1959, pelo Centro de Estudos Politico-Sociais
do Minist6rio do Ultramar.
E um dos principals responskveis pelo nfimero da revista
dedicado a Cabo-Verde, pela Junta de Investiga-
g6es do Ultramar, de que e investigator.
Em 1961, deslocou-se expressamente a Cabo-Verde para apre-
sentar a <1.a Exposigio de Gravura Portuguesa ContemporAnea,
organizada no arquip6lago.
Dividindo o seu tempo por vArias actividades, como ridio,
televised, etc., 6 tamb6m conferencista.
A sua produgdo po6tica encontra-se distribuida por pAginas
literarias de jornais e revistas da metr6pole, Brasil e al6m-mar.

Livros de poemas publicados:
<.

Colaboragio poetica:
< , n.0 5
< em Setembro de 1947, in Claridade>, n.0 5
em 1954, in < < -Verde>, n.0 101
Um poema de Cais de ver partir em Fevereiro de 1959,
in , n. 113
(Sob o pseud6nimo de Manuel Alvarez), <
- em Margo de 1944, in , n.0 1
, n.0 2
em 1961, in >, vol. 9. (n.o 1).

Livros em prosa:
< Ag6ncia Geral do Ultramar, Lisboa, 1961,
<
A sair brevemente:
Compreensdo de Cabo-Verde> na colecgao das edig6es < seriadas>, da Junta das Miss5es e Investiga ges do Ultramar.






Ao seu livro de poemas Cais de ver partir> foi atribuido o
premio <> de 1961, da Agencia Geral do Ultramar.


MORAZZO (Yolanda Maria)

Yolanda Morazzo
Nasceu na ilha de S. Vicente, no Mindelo, em 1928, onde
frequentou o curso liceal. Depois veio para Lisboa, onde viveu
varios anos. Actualmente vive em Angola, residindo em Cambambe.
Encontramos a sua colaboracgo poetica no < Verde> e em outras revistas.
Em Lisboa, participou na organizagio do turab> publicado em 1958, onde vem alguns dos seus poemas.
Tem um livro de poemas a publicar brevemente.

Colaboracgo poetica:
< in <, n.0 13
< -Verde>>, n.0 17
-Verde>, n.0 112
<, ,
de 1958, in , n.0 1, ao -Verde>>
em Julho de 1962, in < de Cabo-Verde, n." 154
<<0O Poeta> em Setembro de 1962, in < -Verde>, n.0 156.

NUNES (Ant6nio)

Ant6nio Nunes
Nasceu em Dezembro de 1917, na cidade da Praia, Ilha de
Santiago, filho de pais europeus ali fixados.
Iniciado o curso secundkrio no Liceu Gil Vicente, teve de
empregar-se entretanto no comercio.
Muito jovem, public o seu primeiro livro de poemas, em 1939,
ainda de inspiracgo romantica.
Parte mais tarde para Lisboa, onde entra em contact com a
corrente neo-realista em formacgo, e da uma nova orientacgo a
sua poesia de raiz caboverdiana.






Colabora entio na , , na colectanea
antol6gica Contos e poemas> (1942), no volume de po6tica a Gomes Leal e na folha de letras Certeza.
Atacado de perturbago mental 6 internado num hospital,
donde sai em 1948. Sendo novamente internado, vem a morrer no
Hospital Jilio de Matos a 4 de Novembro de 1951, por recusar
alimentar-se.
Na <> tem sido publicados diversos in6ditos de Ant6nio
Nunes.

Livros de poemas publicados:
< Praia, 1938
Lisboa, 1945.

Colaboragio po6tica:
Cabo-Verde>, n.0 108
tim de Cabo-Verde>, n.0 120
Crise> em Dezembro de 1948, in <, n. 64
tice>, n.0 107
Poema de amanhi em Julho de 1944, in Certeza>, n.0 2
Puchim Mendi em Maio de 1942, in <,
n.0 6 (2.a Serie)
Mane santo> em Junho de 1942, in < n.0 7 (2.a Serie)
Leal, Coimbra, 1948
<, Titina> em
Contos e poemas>, Lisboa, 1942 (Colecdo Antol6gica).


ROCHETEAU (Guilherme)

Guilherme Rocheteau
Nasceu na Vila de Ribeira Grande, ilha de Santo Antio, em
Janeiro de 1924.
Tendo feito o curso liceal em S. Vicente, foi por escasso tempo
funcionirio pfiblico, encaminhando-se em seguida pela carreira
banciria.
Pertenceu ao grupo da no Mindelo, donde
em 1944 saiu a folha de letras , de sentido neo-realista,






sendo com Nuno de Miranda, Arnaldo Franga e Tomaz Martins,
um dos seus redactores.
Guilherme Rocheteau, espirito aberto as modernas tend6n-
cias s6cio-est6ticas, organizou na Praia um program radiof6nico
regular de arte e cultural <, que constituia uma voz iso-
lada no alheamento e passividade ambiente.
Encontra-se em Mogambique desde 1957, em cuja imprensa
tem colaborado com depoimentos objectives sobre o caso literArio
caboverdiano.
Os seus poemas, al6m dos que vem na , tem apare-
cido em vArias publicag6es.

Colaboracgo poetica:
em Marco de 1944, in < < em Novembro de 1951, in
<, n.0 26
Caminho (Para a Certeza 1944) em Novembro
de 1959, in <


SANCHES (Jodo Baptista Andrade)

Jodo Baptista Andrade Sanches
Nasceu na ilha de S. Vicente, em 1901, onde frequentou os
primeiros anos do curso liceal.
Foi para Angola hi trinta e oito anos, residindo agora na
cidade de Luanda, onde e empregado de escrit6rio na Casa Ame-
ricana.
Tem poesia dispersa, sendo alguma em crioulo.

Livros de poemas publicados:

Luanda, 1951.

A sair em breve:
< (Poemas).



SILVA (Baltasar Lopes da)

Baltasar Lopes
Osvaldo Alcantara (Pseud6nimo que usa como poeta).
Nasceu na Vila de Ribeira Brava, ilha de S. Nicolau,






em 1907, onde iniciou os seus estudos secundarios, que veio a ter-
minar em S. Vicente.
Licenciou-se em Direito e Filologia Rominica, na Universi-
dade de Lisboa. Mais tarde fez o estigio para o ensino liceal,
sendo professor no Liceu < em Cabo-Verde.
Tendo feito parte do grupo em S. Vicente, foi
um dos fundadores e principals colaboradores da revista do mesmo
titulo, criada em 1936, em cujas piginas nos surgem os poemas
de Osvaldo Alcantara, ao lado da ficgio ou do ensaismo de Bal-
tasar Lopes.
A sua producgo po6tica, aparece-nos ainda em revistas, como
< e <.
Encontra-se in6dita grande parte da sua poesia dos filti-
mos anos, que 6 da mais significativa.

Colaboragdo po6tica:
< em Marco de 1936, in , n.0 1
<>-em Agosto de 1936, in , n.0 2
< em Marco de 1937, in <, n.0 3 -
tamb6m em Margo de 1956, in <, n. 78
<, <, <
- em Janeiro de 1947, in , n.0 4
< dade>, n.0 5
<, <, Praia> em Setembro de 1947, in , n.0 5
em Julho de 1948, in ridade>, n.o 6
< <, n. 6
<, <, um poema em Dezembro de 1949, in <, n.0 7
em Maio de 1958, in ridade>, n." 8
< em Maio de 1958, in < dade>, n. 8
<, n.0 9
<, <
- em Abril de 1953, in <, n.0 43
<,
tim de Cabo-Verde>, n.0 45
< em 1946, in <, n. 3
< em 1961, in < Caboverdianos>.






Livros em prosa publicados:
Chiquinho (Romance) Edicges Claridade, S. Vicente, 1948
Cabo-Verde visto por Gilberto Freyre Praia (Cabo-
-Verde), 1956.


SILVA (Terencio Anahory)

Terencio Anahory
Nasceu em, Marco de 1932, na Vila de Sal-Rei, ilha da
Boa-Vista.
Frequentou o liceu Gil Vicente, tendo concluido em 1953 o
curso complementary de letras. Entao, partiu para a Guin6 Portu-
guesa, onde se empregou. Mais tarde veio para Lisboa, onde fre-
quenta a Faculdade de Direito.

Foi um dos organizadores do < em Cabo-Verde, onde tem colaboragio, assim como no Cabo-Verde, na filtima serie da revista e Letras>.
Livros de poemas publicados:
Caminho long> Lisboa, 1962, Colecgdo Sagitirio>.

Colaboracgo po6tica:
Impermeabilidade>, Viagem>, Maio de 1958, in , n.0 8
Carta de apresentagio em Junho de 1957, in < Cabo-Verde>, n.0 93
Sorriso> em Janeiro de 1959, in < n.0 112
em Outubro de 1961, in < Cabo-Verde>, n.0 145
n.0 1, ao <.


SILVEIRA (Onesimo)

On6simo Silveira
Nasceu em Fevereiro de 1935 no Mindelo, ilha de S. Vicente.
Ap6s ter feito alguns anos do curso liceal, partiu para S. Tome,
onde se empregou na Meteorologia.






Na radio local, subscreveu alguns programs culturais sobre
temas caboverdianos.
Mais tarde foi para Angola, fixando residencia em SA da
Bandeira, Luso, e por fim em Novo-Redondo, onde era funcionArio
pfiblico.
Actualmente encontra-se em Coimbra, onde frequent a Facul-
dade de Direito.
Iniciou a sua actividade po6tica em S. Tome, colaborando com
poemas no <, em jornais, em publicaq6es do
ultramar, e iiltimamente na revista Claridade.
Um dos seus poemas, , foi object de tese para defesa
do aproveitamento do idioma crioulo, como lingua literiria, nos
< Ultramar.
Aparece-nos tambem poesia e ficco de On6simo Silveira nos
cadernos da colecgio angolana , fundada por Garibal-
dino de Andrade e Leonel Cosme.
Em Sa da Bandeira tomou parte no <<1.0 Encontro de Escri-
tores>, ai reunido recentemente.

Livros de poemas publicados:
Hora grande> Publicag5es Bailundo, Nova Lisboa
(Angola), 1962, Colecgio: Poetas e prosadores publicados em
Angola n." 1.

Colaboracgo poetica:
Carta para Mama em Abril de 1959, in < Verde>, n." 115
< Gil Eanes
<
, fecho ao conto: deira (Angola), 1960, Colecgio Imbondeiro, n." 9
Nota: 0 primeiro destes poemas 6 em crioulo, e os outros dois no dia-
lecto de S. Tome.

Livros em prosa:
Sa da Bandeira (Angola),
1960, Colecgio Imbondeiro, n." 9

A sair brevemente:
Consciencializacgo na literature caboverdiana> (Ensaio).






TAVARES (Euginio)


Eug6nio Tavares
Nasceu na ilha Brava, antes da aboliqdo da escravatura,
possuindo apenas como habilitag6es literArias a instru~go primiria.
Sendo funcionArio dos C. T. T. nesta ilha, fugiu para a Ame-
rica do Norte devido a um process que Ihe foi movido.
Mais tarde regressou a ilha Brava, onde morreu em 1928.
2 considerado como dos maiores poetas caboverdianos em
lingua crioula, embora por vezes tamb6m fizesse poesia em por-
tugues. Foi, todavia, um poeta de emoqio puramente individual;
nao possuindo ainda a liberdade de inspiragdo e expresso, que sdo
apanigio dos modernos poetas caboverdianos, e que estes adquiri-
ram em contact corn as correntes modernistas.
A poesia crioula exprime-nos os sentiments de amor e nos-
talgia duma forma quase popular, pelo que as represen-
tam a expresso de alma do povo caboverdiano.
Eug6nio Tavares era, al6m de poeta, o compositor da muisica
das suas <.
A morna Cangdo do Mar>, ainda hoje 6 cantada corn muisica
sua em todas as ilhas, sob o nome de
Livros de poemas publicados:
< Praia, 1916,
15 piginas.
<0 mal de amor (Coroa de espinhos) > Praia, 1916,
16 paginas.
Livraria Rodrigues, Lisboa, 1928.
Este 6 uma publicacgo p6stuma e fruto de insistentes dili-
gencias do escritor e poeta Jos6 Os6rio de Oliveira.


VARELA (Jodo Manuel)

Jodo VArio (Nome literArio e pseud6nimo)
-Nascido em S. Vicente, em 1937, concluiu ali o curso com-
plementar de Ciencias, com classificacgo que Ihe mereceu bolsa de
estudos. Veio para Coimbra, onde frequentou a Faculdade de
Medicine.
Actualmente reside em Lisboa, em cuja Universidade estA ter-
minando o Curso de Medicina.

Livros de poemas publicados:
Horas sem carne> Coimbra, 1958.






Colaboragio po6tica:
< geral a publicar) in <<4xodo>, Livraria Almedina, Coimbra, 1961.



XAVIER (Francisco)

Francisco Xavier
-B. Leza (Pseud6nimo)
Nasceu em S. Vicente, na cidade do Mindelo.
Era paralitico. Foi casado com uma mulher europeia, inspi-
radora da sua poesia romintica em crioulo, e abandonado por ela.
B. Leza foi um autodidacta: como era invalido, dedicava o
seu tempo a cultivar-se, a compor os seus poemas e a mfisica
para os acompanhar.
As suas existem na tradigio popular caboverdiana,
pois sao a expressao da alma do povo crioulo.

LYDIA MARIA MENDES PINHEIRO PIMENTEL




BIBLIO GRAFIA

CESAR (Amandio) Algumas vozes po6ticas de Africa Separata da Revista
<,, n." 9 1962.
CORREIA (Afonso) < Portuguis 1938.
FIGUEIREDO (Jaime de) Modernos poetas caboverdianos Antologia, Edig6es
Henriquinas, Praia (Cabo-Verde), 1961.
FRANCA (Arnaldo) Notas sobre poesia e ficgAo caboverdeanas Centro de
Informagao e Turismo, Praia, 1962.
LANQA (Carlos Alberto) e TENREIRO (Francisco Jos6) Contos e poemas -
(de autores modernos portugueses) -- EdiVqo dos autores, Lisboa, 1942.
LOPES (Baltasar) Antologia da ficgco caboverdiana contemporanea Edig6es
Henriquinas, Praia (Cabo-Verde), 1960.
MELO (Josd de) Antologia da literature portuguesa do s6c. XX.
MENERES (Maria Alberta) e CASTRO (E. M. de Melo e) Antologia da novis-
sima poesia portuguesa 2.a edigdo, Livraria Morais, Editora, Lis-
boa, 1961.
OLIVEIRA (Jos6 Os6rio de) Poesia de Cabo-Verde Lisboa, 1944.
PARREIRA (Carlos) < in < gues>, 1940.
REGIO (Jos6) Pequena hist6ria da modern poesia portuguesa.
RODRIGUES (Armindo) e COCHOFEL (Jodo Jos6) Homenagem po6tica a Gomes
Leal Antologia, Coimbra, 1948.
SIMOES (Gaspar) Hist6ria da poesia portuguesa do s6c. xx.
VASCONCELOS (Joaquim Jose Teixeira de) Antologia poetica.






JORNAIS E REVISTAS (Todos os nfimeros foram consultados)


Artes e Letras (Jornal) Lisboa, 196.1.
AtlAntico (Revista Luso-Brasileira) ed. Secretariado de Propaganda Nacio-
nal, Lisboa.
Aventura (revista) Lisboa, 1942-1943.
Cabo-Verde (Boletim) Praia.
Certeza (2 n.") Cabo-Verde, 1944.
Claridade S. Vicente, 1936-1960.
CITAC Boletim de Teatro, n., 1, Coimbra, 1961.
Coimbra, 60 (Revista) Coimbra, 1960.
Col6quios Caboverdianos Junta de Investigag6es do Ultramar Lisboa, 1959.
Comdrcio do Porto (Jornal), 1960, Novembro 8.
Descobrimento (Revista).
Exodo Livraria Almedina, Coimbra, 1961.
Garcia de Orta Revista da Junta de Investigag6es do Ultramar, Lisboa.
Horizonte (Revista) Lisboa
Momento (Revista)
Mundo Literdrio Lisboa, 1946.
Mundo Portugues
Presenga
Revista do Norte (Literatura, arte, cifncia, filosofia) Porto, 1955.
Seara Nova Lisboa.
Suplemento Cultural (ao Boletim de Cabo-Verde), n." 1 1958.
VWrtice Coimbra









Progresso em Informarao Bibliogrifica (')


A Informago Bibliogrifica possui um grande interesse pra-
tico que ningu6m pode desconhecer, pois afirma-se que < rem-se 51% das quest6es postas na reparticgo de estudos t6cnicos
corn um consequente aumento de vendas ao redor de 18%> 6 na
Informagio Bibliografica que se fundam em grande parte aquelas
vantagens.
Tais ganhos, gragas a InformaQgo Bibliogrifica, cifram-se entire
50 a 80%, o que 6 verdadeiramente spectacular. Ndo dedicam as
grandes empresas 2 a 3% do seu investimento total s6 para a Infor-
magdo Bibliogrifica?
Foi o pr6prio SHERA, presentemente a primeira autoridade
norte-americana em Documentagdo, quem declarou: <
6 um grande recurso national que deve ser tratado como o sdo as
florestas, a Agua, a terra>.
Ora, a Informagdo Bibliografica apresenta, hoje em dia, um
crescimento em flecha, em verdadeira proporedo geom6trica. HA que
dominar e recolher tal Infomagio, sob pena de fugir o melhor dos
esforgos o esforgo intellectual.
Em 1963, o governor federal dos Estados Unidos da Ame6rica
do Norte dispendeu corn a Investigacgo 14 700 milh5es de d61ares.
Destes, 1% destina-se & Informaego, havendo sempre um crescente
aumento de dotacgo para a melhoria da Informagao, tanto mais que
ha um principio bem seguro que diz: A importAncia do equipamento
de um organismo de informacgo deve ser fungao do volume da
informagio oferecida e das informag6es pedidas.
A ausencia de Informagio represent cerca de 10 % de perda
do dinheiro investido na Investigagao.
Portanto, ha que achar processes Ageis que possam acompa-
nhar sempre tal crescimento.
Mas os processes tradicionais de register essa produgao e de


(1) Tese apresentada no XXVII Congresso Luso-Espanhol para o Pro-
gresso das Cilncias Bilbau, 1964.

33





a por imediatamente ao servigo dos interessados persistem os mes-
mos, de ha muito a esta parte. Ha, em nossos dias, uma decalage
entire o crescimento spectacular da Informagao e a rotina que nao
a pode dominar. 2 mesmo questao vital superar essa diferenga 6
ponto de crise.
A Informagao Bibliogrifica consiste fundamentalmente, nao em
dizer onde a informagio se encontra, mas sim, como esta informa!do
serve.
Se o problema de saber onde as coisas estao 6 important,
nao 6, contudo, o essencial, pois o que interessa 6 saber como a
informagdo presta servigo, como se pode utilizar.
E ao servir p5e-se logo o problema da sua utilizagio imediata
e pela forma mais direct.


Os tipos tradicionais de Informagao, que sao, por excel6ncia,
os catalogos o de autores, o de mat6rias e os classificados estao
em crise, pois parecem nao acompanhar o crescimento spectacular
das informag~es e das suas fontes.
De uma maneira geral, tais catAlogos apenas dio uma infor-
magio em sentido linear, nao estabelecendo os nexos, as relag6es,
as implicag6es que hoje se desejam estabelecer quase por um pro-
cesso automktico.
A Informacgo n~o se pode sugeitar a uma s6 dimensdo, sob
pena de servir mal; se ela tiver n implicag5es, teri atingido o seu
6ptimo. E n6s veremos que a tend6ncia actual das classificag5es
a facettes 6 para a multiplicidade de pontos de vista, pois s6 assim
se abririo novos caminhos, que, alias, nao se descortinariam a pri-
meira vista. As n combinag5es que se possam obter sao sempre
fonte de riqueza a riqueza da Informagdo Bibliogrifica.
2 verdade que hoje se procura desenvolver ao maximo os cat&-
logos colectivos, as permutas entire os centros de documentagdo e
bibliografia, as aquisig6es ordenadas e conforme um plano bem deli-
neado, como o Plano Escandinavo, o Plano Farmington.
Mas tais medidas, que sio excelentes e correspondem a umrn
determinado estAdio da evolugdo geral da Informagao Bibliografica,
sao paliativos. Basta dizer-se que nas bibliotecas mais significa-
tivas, como a da Universidade de Harvard, o nimero de volumes
ai existentes duplicou de 16 em 16 anos, de 1920 para cA, indo de
10 000 vols., em 1920, a 6 milhoes, em 1948.
Estamos, pois, vivendo numa sociedade tecnol6gica, onde as
transformagoes sao profundissimas e rApidas. Assim, as esp6cies
bibliograficas na Divisao de Aeronautica da Biblioteca do Congresso
de Washington eram, em 1930, cerca de 3 000; em 1947, passou





para 60 000 e, hoje, por certo que esse nfimero atingiu proporg6es
verdadeiramente astron6micas, podendo dizer-se que, de quatro em
quatro anos, essa quantidade foi duplicando.
Podemos avaliar, ainda de acordo corn a Biblioteca do Con-
gresso de Washington, que presentemente se publicam no mundo
35 000 peri6dicos t6cnicos, editando-se A volta de 2 milh5es de
artigos, o que sio nfimeros por si s6 fabulosos e que mostram as
grandes dificuldades que ha para os dominar, para obter deles todos
os elements de informacgo que cont6m.
Podem os sistemas tradicionais responder is perguntas postas?
Cremos que nio.


Ao recolher-se a Informagco, estio-se a criar potencialidades,
mas 6 precise mais:
que elas passem & acgio, a acto, sempre que a dificuldade
se levante, a pergunta se ponha. A storage, o armazenamento da
InformagIo, 6 o trabalhao essencial do t6cnico da Informagco. Mas
aquela s6 interessa em funcgo do investigator que indaga e p6e ques-
t6es ao t6cnico da Informacao.
Temos, pois, dois tempos: o da InformagIo que se recolhe e
armazena, e o dessa mesma Informacgo que se presta e difunde.
Na primeira parte 6 papel passive chamemos-lhe passive, a falta
de melhor expressAo enquanto na segunda 6 activo, agressivo
mesmo, <> a maior drea informal que 6 possivel.



A Documentagio, discipline que ji foi definida tamb6m como
a <, para ser ideal, deveri obedecer aos
seguintes requisitos:
1) Necessitar de um minimo de trabalho, em especial trabalho
human, na sua elaboragio;
2) Por a disposigAo do leitor os conceitos que os documents
incluem num intervalo de tempo curto e a baixo prego;
3) Permitir a utilizacgo de todos os processes de documen-
taqAo presentemente conhecidos e ulteriores processes que poderao
ser inventados;
4) Cobrir a maior area possivel de informagio, de molde a
nao escaparem fontes essenciais.
RANGANATHAN, o clissico da classificagio a facettes, gragas
a sua Colon Classification, distingue as seguintes categories de
documents:
1) Convencionais- os livros e as publicag6es peri6dicas que
se integram respectivamente no macro e no micro-documento;





2) Neo-convencionais -as normas, os registos;
3) Nao-convencionais as microc6pias, os documents audio-
-visuais;
4) Meta-documentos que excluem a intervencgo humana
direct, os registos feitos por certos aparelhos cientificos.
As fases tradicionais do ciclo de Documentagio sao as
seguintes:
1) Busca: observacgo, investigacgo, prospecgdo de fontes
documentais pelo que hi que estabelecer o piano da Documentagao;
elaboragdo da lista das instituig6es e colaboradores em coordenagao
corn a investigacgo; exames de catilogos, assinaturas e aquisiedo
de obras peri6dicas ou nao;
2) Reunido: Espiolhamento de informagSes, registo, classifi-
cag~o, ordenacgo, conservagio, elaboracgo dos trabalhos documen-
tais. Assim tern de seguir um sistema de classificagao e uma orde-
nagao alfab6tica de mat6rias;
3) Difusdo: Comunicagdo, circulagdo, empr6stimo, produgio
documental: de acordo com um esquema de encaminhamento, hi um
constant envio, corn a difusio de extractos de peri6dicos.
Para prover a todas aquelas dificuldades, hoje em dia, procura
superar-se o atraso na Informagio Bibliogrifica por interm6dio de
dois processes. 0 primeiro consiste em aplicar os progresses da
mecanizagio a bibliografia. 0 segundo consistiri em procurar dar
o maior nfimero de implicag5es ao assunto desejado. Os catalogos
tradicionais o onomastico, o de mat6rias e at6 o da pr6pria clas-
sificagio sao uni-dimensionais. Ora, hoje, tudo se passa a varias
coordenadas e se entende como encarado sob virios pontos de vista,
como atris se acentuou.
A mecanizacgo, que se julgou a panaceia geral da acumulagao
e distribuig~o da Informacao Bibliogrifica, tem os seguintes prin-
cipios fundamentals:
1) Nao utilizar os sistemas manuals actualmente em uso;
2) Saber atW onde a miquina pode apreender e redigir c6digos
de forma inteligivel, que evitem interpretag6es diferentes para a
mesma palavra;
3) Utilizar, para o emprego nas mkquinas, iddntico bom-senso
ao que 6 adoptado pelos classificadores.
A introducgo cada vez maior da mecanizagdo e aparelhos para
a exploragio da Informagio Bibliogrifica procura alcangar o
seguinte:
1) Acr6scimo da velocidade no circuit da Informacgo;
2) Acr6scimo da exactiddo;
3) Facilidade nas situag6es dos pontos de carga;
4) Melhoria na apresentagdo e difusao da Informagio;






5) Acr6scimo do dominio da exploragdo pela melhor e mais
complete utilizagio dos dados recolhidos;
6) Melhoria das condig6es operat6rias;
7) Economia de pessoal, de area dos locais de trabalho, de
mobiliario;
8) Economia nos pregos de revenda.
O pr6prio bit 6 um fitil expediente para alcangar estes desi-
derata.
0 bit, como se sabe, 6 a unidade de Informacgo, ou seja, a
simples resposta nao ou sim do simples digitobinkrio. A Biblioteca
do Congress teria, por exemplo, em 1951, 100 000 bili6es de bits
de Informagao, partindo do principio que cada livro, em m6dia,
tern 40 000 palavras de 5 letras, o que darn quase um milhio e meio
de bits de Informacgo por livro.
Por outro lado, os assuntos, as ideias, que uma esp6cie biblio-
grifica ou documental cont6m, representam uma complexidade que
podemos acentuar pelo seguinte grAfico, que mostra a sua riqueza
e a consequente impossibilidade de os apreender se nao se usarem
t6cnicas de captagdo convenientes, quer as tradicionais, quer as
modernas:

Posigdo em relagao a outros pontos,
expressos ou nAo (Classificag6es)
t

N implicag6es que podem ser
reveladas pela automatizagao
(Cibern6tica), tipo active, e que
resultam do imediato desen-
f volviamento do process


Sugestoes que pode dar (clas- ASSUNTO Significado em si (catIlogo al-
sificag6es modernas, especial- _________ fabetico de materias)
mente d facettes)



z a) Imediatas (catAlogos tradi-
N imnplicag6es ainda desconhe- clonals: materials, autores)
cidas, tipo potential (Cibernd- RELAQOES b) Mediatas (classificag6es de
tica, Classificaq6es modernas) tipo dedutivo)


Os cart6es perfurados procuram tamb6m obviar a tais dificul-
dades, dando igualmente a multiplicidade de informag6es que alias
armazenam.





Sao conhecidas as seguintes vantagens do seu uso:
1) Velocidade na obtengdo de dados, pois 6 esta a principal
razio da invengAo deste tipo de cartoes;
2) Facilidade em realizar as tabulagSes imprevistas ou mais
invulgares;
3) Exactidao, pois, dada a sua automatizagio, os dados sao,
em geral, mais exactos do que os alcangados nos processes manuais.
0 grande problema dos cartoes perfurados, de selecqgo manual
ou mecanica, que podem acumular uma quantidade extraordinhria
de informagSes, esta na respective codificago. 0 cartao perfurado
6, por definigio, neutro. Quer dizer, admite, em principio, todas as
informag6es que ai se queiram introduzir. No entanto, hi um
limited: 6 que o cartao perfurado temr de estar sempre elaborado
de acordo corn um c6digo. Se este for elaborado deficiente-
mente, entao as respostas contidas potencialmente no cartdo per-
furado serao deficientes. Se o c6digo, pelo contririo, for eficiente,
entio o cartio responder a tudo o que em si encerra. Depois s6 ha
que multiplicar neste as respectivas indicag6es que se obtiveram.
Apesar disso, as duas grandes dificuldades dos cart6es perfu-
rados, boa codificago e inclusdo ai do maior nimero de elements
de informagRo prestantes, nem sempre sao vencidas, de onde a solu-
Wgo dos cartoes perfurados nao ser ainda hoje totalmente satisfa-
t6ria. Isto nao quer dizer, por6m, que os cart6es perfurados nao
respondam desde ji & maioria dos problems que se Ihe p5em: reter
o maior nimero de informag5es, responder prontamente e estabelecer
uma s6rie de relagses de tipo mecinico e automitico, que o c6rebro
human nio poderia fazer senao a forga de perder muito tempo e
sempre de resultados bem problemrticos. Contudo, nao 6 uma solu-
gao total, embora ajude de forma decisive e indispensivel.




As classificag6es bibliogrificas estdo igualmente em crise.
E estio-no por virios motivos, entire os quais, como diz VICKERY*.
1.0) A maioria das classificag6es nao permit entrar nos
detalhes, no pormenor que di a exactidio dos assuntos extremamente
compiexos contidos nos artigos e nos relat6rios que a Documentaga~
tern actuaimente de tratar;
z.0) Apesar aa sua exaustividade e da variedade de certcI
esquemas enciclop6dicos, elas nio se quadram plenamente corn os
pontos de vista especiais de cada biblioteca ou centro de informagio;
3.o) Nao oferecem a flexibilidade da combinagdo dos terms
pedidos, dada a alta especializagio destes;





4.) Contudo, se elas sao flexiveis, esta flexibilidade 6 obtida
pelo emprego de uma notagEo cujo comprimento e complexidade 6
quase outra complexidade;
5.0) Falham sempre quando procuram a efici8ncia 6ptima da
classificagco.
0 valor da classificagdo para a investigagdo da Informagio
Bibliogrifica encontra-se nestes dois pontos:
1.0) Para realizar a unidade e a finesse da anilise da indexa-
gio alfab6tica, hi que introduzir t6cnicas classificat6rias;
2.0) Ha uma constant necessidade de construgdo de classiffi-
cag6es especiais para classificag6es detalhadas, em especial em fundidade>.
Assim, os m6todos de busca de informagdo, a information
retrieval, gragas aos meios mechnicos ou electromecinicos (carties
perfurados), e electr6nicos (calculadores), levaram is transforma-
g5es ou codificag6es documentais.
Tendo por base os trabalhos do indiano RANGANATHAN, come-
gou a estudar-se e a difundir-se o sistema & facettes, que 6 uma
classificagco de tipo analitico-sint6tica.
Os assuntos altamente especificados que sao hoje object da
catalogagdo s~o assuntos compostos, que nio podem ter uma s6
dimensdo, como Ihes dA o catAlogo alfab6tico de mat6rias.
Ora, dizem os defensores dos sistemas classificat6rios a facet-
tes, os assuntos s6 podem ser correctamente expresses por meio das
epigrafes mat6rias que combinam dois terms ou mais, pelo que
cada termo pode ser usado corn uma grande variedade de combina-
g5es e corn enorme flexibilidade.
Assim, a classificagio & facettes 6 um quadro de terms nor-
malizados, agrupados em dominios homogeneos.
A novidade deste tipo de classificagco consiste em: decompor
um dominio cientifico determinado em diversos objects de estudo
a partir de categories, que se inspiram na natureza do dominio enca-
rado e nao sio fixas como as de RANGANATHAN (Personalidade,
Mat6ria, Energia, Espago e Tempo).
Andlise por facettes consiste, pois, em decompor o conjunto de
um assunto num certo nfmero de facettes ou categories de coisas; no
interior de cada categoria, as rubricas enumeradas comportam todas
a mesma relag~o em face do assunto no seu conjunto. 0 n4mero e
a qualidade das categories utilizadas variam de um dominio para
outro e a distingdo das categories a reter constitui um dos pap6is
mais delicados dos construtores dos sistemas, donde as solugces nio
serem ainda totalmente satisfat6rias.
Outra grande dificuldade das classificag6es bibliogrAficas
actuais 6 a da notagdo. Por esta entende-se o nexo que se hi-de





estabelecer entire o assunto que a especie bibliografica versa e a
forma de se obter a sua ubicapio em determinado local.
A notagdo tern de ser imediata, nio muito extensa, de forma
a nao constituir s6 por si mais uma dificuldade na busca do que
se pretend. As classificag5es bibliogrificas actuais ddo todas um
lugar de relevancia is notaqges. A simples colocagIo 6 puro expe-
diente topogrifico e nunca nexo essencial: assunto ubicagdo, que 6
a preocupagio dominant da notagio. Dai todas as classificag5es
buscarem uma notagdo cientifica, eficiente e simples, o que nem
sempre se concilia.



Neste breve escorgo pelo campo das dificuldades que & Infor-
magco Bibliogrifica se deparam, quase parecia que se ia perdendo o
objective desta comunicagio o progress em Informagio Biblio-
grafica. Mas o acentuar tais dificuldades visa a um aspect bem
positive: 6 que para 1 delas, a Informagco Bibliografica avanga e
caminha para diante. Podia talvez caminhar mais e melhor. Para
isso teria de superar as dificuldades que erigam o seu caminho e
que n6s deiximos apontadas nas linhas acima. No entanto, o que
ela presentemente tern, o muito que ela hoje ja possui, sho motives
de sobra para Ihe darem a forga de prosseguir.
Para nos decidirmos por uma definigdo capaz do que nos pro-
pusemos, ha que partir de uma nogfo de progress, que podera ser
esta: o que marca vantagem sobre um estddio anterior, com toda a
subjectividade que estes terms possam comportar. Mas as exi-
gencias prementes do instant que passa nao adiiite, pelo menos em
Informagio Bibliografica, que haja a unanimidade de opinioes sobre
materia tdo controversy.
Teriamos, assim, que o conceito de progress em Informagfo
Bibliografica e pomos aqui em relevancia a contingencia da defi-
nigo 6 este: uma relag5o corn um estado anterior; sera decadente,
se tiver um menor nfimero de elements e responder a menor nfimero
de questoes; sera progressive em caso contrario e mesmo ideal se
contiver todos os elements prestantes num determinado moment,
pois ele pode ser mudo para os elements que nao interessem e estao
igualmente recolhidos.
Em conclusdo, o progress na Informagio Bibliografica 6 fun-
gao de tres elements:
1) Quanto maior for o nmmero de elements tornados em con-
sideragio e registados, tanto melhor, sempre corn tendencia, aliAs
ut6pica, para incluir o que seja prestante da materia em questao;
2) Quanto melhor for o tratamento t6cnico da Informagdo, de






forma a esta ser ripida e objectivamente utilizada, tanto mais pro-
gressivo sera o sistema;
3) Quanto mais ampla e veloz for a distribuigto dos elements
postos a imediata disposigdo dos utentes, tanto mais eficiente e
perfeita sera a riqueza que 6 a Informaego Bibliogrifica.
No entanto, estes objectives s6 se alcangardo quando se resol-
verem os infimeros problems que erigam a panoramica que acabi-
mos de esbogar.

JORGE PEIXOTO










Manuscritos do Tribunal da Relaq-ao
de Lisboa


A partir de 1913 o Tribunal da Relagdo de Lisboa enviou para
o Arquivo Nacional da Torre do Tombo todos os seus manuscritos,
como consta dos registos deste arquivo, constituidos pelas especies
seguintes:

A Relagdo de Lisboa: 16-1-1913

325 livros do Registo Geral de Testamentos e 130 magos de
livros que teriam pertencido ao cart6rio do notario da comarca de
Lisboa, o Bacharel Bernardino Soares de Brito. Faltavam, na colec-
gdo, 60 livros, entire os quais o 241 que ji ndo existia em 1854.

B PresidOncia da Relagdo de Lisboa: 13-4-1913

Encorporaram-se 13 livros do Registo Geral de Testamentos.

C Secretaria da Presidencia da RelaWdo de Lisboa: 20-5-1920

1- Cart6rio do notario de Lisboa, Noronha Galvio: 85 livros de
notas (n.o 274 a 304); 1 livro encadernado, contend os
documents respeitantes aos mencionados livros.
2- Cart6rio do notArio de Lisboa, Tavares de Carvalho: 79 livros
de notas (n.os 226 a 304); 34 livros encadernados com documen-
tos respeitantes aos mencionados livros.

D Director do Arquivo da Relagdo de Lisboa: 1-6-1932

1 Livro manuscrito dos juramentos dos desembargadores, corre-
gedores das comarcas, juizes de fora e regedores. Encaderna-
gdo em velino, com ,iniciais iluminadas, do s&c. XVI.
2 Livros (8) de leis extravagantes, manuscritas do s&c. XVI e
principios do sec. XVII.





3 Livro manuscrito das leis extravagantes, compiladas por
Duarte Nunes de LeAo (1566).
4 Livro manuscrito dos terms e sinais pfiblicos dos tabelides e
escrivies, comegado em 1578.
5 Cadernos (6) das tengas da infant D. Maria, filha de D. Ma-
nuel I, respeitantes aos anos de 1590 a 1597 e 1627.

Al6m destes documents arquivam-se na Torre do Tombo, rela-
tivos ao Tribunal da Relagio:

1 Tesouraria. Receita das Condenag6es e da Tesouraria.
2 Mesa da Consciencia e Ordens.
3 Desembargo do Pago e Relagao.
4 InquisigAo de Lisboa.
5 Lotarias e Extracg6es.
6 Real Junta do Com6rcio. Real Jardim Botanico.
7 Intendencia da Junta das Dividas Antigas dos Armazens.
8 Tesouraria-mor do Reino. Tesouraria da Relagao. Tesoura-
ria da Casa da India.
9 Almoxarifado da Casa das Obras e Pagos Reais, Almoxarifado
da Ribeira das Naus.
10 Junta dos Tr8s Estados.
11 Capelas da Coroa.
12 Ministros das Cortes Estrangeiras.
13 Contadoria do Mestrado da Ordem de Cristo.
14- Tesouraria de um por cento do ouro e produto do pau brasil.
15 Aposentadoria da Corte.
16 Conselho da Fazenda.
17 Dep6sito do porto franco da Junqueira. Dep6sito pfiblico.
18 Arquivo da Relagfo de Lisboa.
19- ArrematagSes, sentengas civeis e crimes, agravos, apelag5es,
recursos de recenseamento military das comarcas do Funchal
e Vila Nova de Our6m, etc..
20- Casa da Suplicagio.

Ao procedermos, em 1956, a uma investigagio na Biblioteca
do President do Tribunal da Relagao, na filtima prateleira de uma
das estantes que forram as paredes da luxuosa biblioteca e com o
auxilio do encarregado desta, encontrimos uma s6rie de livros
manuscritos que ainda hoje ali se conservam e abaixo descrevemos.
Depois de analisados concluimos pertencerem a colecgo transferida,
de 1913 a 1932, para a Torre do Tombo.
Ignoramos a razio porque estes documents permaneceram
no Tribunal da Relagio e ignoramos tamb6m se a selecgio e remessa






destes documents foi feita por um arquivista (') corn a consciencia
do valor destes papeis velhos.
As consequgncias desta grave dispersdo de documents, infe-
lizmente tho frequent, sao fMceis de prever. Alem de tornar impos-
sivel ao historiador a elaboracgo de estudos definitivos h& ainda
o risco de destruigdo inconsciente dos documents, de desvios pro-
positados ou menos honestos.
Urgente se torna a elaborag~o do roteiro de todos os arquivos
e bibliotecas, oficiais e particulares, a sua inventariago e catAlogos
e a execucgo rigorosa da lei (2) sem condescendencias afectivas.
HA que organizer uma equipe de arquivistas e bibliotecarios
a quem sejam dadas condig5es que permitam e tenham forga moral
para Ihes exigir uma dedicago exclusive a este trabalho,


1 Colecgdo de leis extravagantes

20 vols. Encadernago da 6poca. Papel. Bom estado.
Estes volumes sao a continuagio dos arquivados na Torre
do Tombo (D-2, desta noticia). Contem os decretos, cartas,
portarias, resolugSes, assentos, agravos, alvaras, provis6es,
regimentos, sentengas, avisos, etc. Nos volumes, cuja numera-
gdo desapareceu, damos uma ordenaego indicada por [], res-
peitando a cronologia dos documents.

Vol. 9. 1613-1644. 420 fls. 30,5X20,5 cms.
Vol. 10. 1648-1695. 382+ (32) fis. 35X24,5 cms.
Vol. 12. 1716-1739. 288 fis. 35 X 24,5 cms.
Vol. 14. 1749-1755. 296 fls. 35 X24 cms.
Vol. [15]. 1755-1756. 125 fls. 34,5X24,5 cms.
Vol. [16]. 1755-1765. 299 fls. 34X24 cms. (3).
Vol. 17. 1765-1711. 285 fls. 35X24 cms.
Vol. 18. 1772-1786. 300 fls. 34 X23,5 cms.
Vol. 19. 1780-1786. 295 fis. 35,5X24 cms.
Vol. 20. 1787-1793. 296 fls. 34,5 X24,5 cms.
Vol. 21. 1793-1798. 293 fls. 34X24,5 cms.



(') Ao designarmos arquivista ou bibliotecArio referimo-nos aos diplo-
mados corn o respective curso.
(2) Vejam-se decretos n." 20.586 (4-12-931), 20.985 (7-3-931) e 38.906
(10-9-952).
(3) Este volume encerra, quase exclusivamente, legislagdo relative ao
terremoto de 1755.





Vol. 22. 1798-1804. 285 fls. 34,5X25 cms. (4).
Vol. 23. 1804-1810. 236 fls. 37X25,5 cms.
Vol. 24. 1811-1821. 226 fis. 36,5X24 cms.
Vol. 25. 1821-1822. 228 fis. 37X24,5 cms.
Vol. 26. 1823-1824. 232 fis. 42X27,5 cms.
Vol. 27. 1823-1826. 241 fis. 37,5X24,5 cms.
Vol. 28. 1827-1829. 250 fis. 38,5X25,5 cms.
Vol. 30. 1831-1833. 252 fls. 38,5X25,5 cms.
Vol. [31]. 1833-1835. 248 fis. 34,5X24 cms.

2- Livro dos assentos da Casa da Suplicago

3 vols. 1634-1816. 214 fls. 36X25 cms; 1751-1793. [171] fls.
29,5X21 cms.; 1817-1832. 232 fls. (40 escritas). 37,5X24 cms.
Papel. Encadernagio da 6poca. Mau estado.

3 Livro das eleigdes da festa do Espirito Santo.

1695-1804. 129 fls. 30,5X21 cms. Papel. Portada desenhada h
pena. Encadernagco da 6poca com gravados a ouro. Cont6m
os terms das eleig5es de oficiais que serviram na Irmandade
e assinaram os terms.

4 Lembranga de todos os criminosos e estado dos livramentos
dos press da cadeia da cidade (5) que apareceram na primeira
visit que nela fez o Ex."o Senhor Lourengo de Mendonga, Conde
de Vale de Reis, regedor da Justiga, em 25 de Agosto de 1694.
Ao dito senhor, oferecido pelo desembargador Indcio Lopes de
Moura, procurador da Justiga da Casa da Suplicagdo.

2 vol. 1694-1696 146 fls. (45 escritas). 173 fls. (38 escritas).
30,5X20,5 cms. Papel. Encadernago da 6poca. Portada pr6-
digamente decorado a pena, incluindo o brasio do Conde de
Vale dos Reis(?), assinada por Clemente Billing.

5 Livro que hd-de servir de comissees dos oficios de desembarga-
dores da Casa da Suplicagdo e mais julgadores desta Cidade (")



(') Este volume e os seguintes sdo denominados Livros de Decretos
Avisos.
(") No 2. Vol. a palavra cidade foi substituida por corte.
(') Lisboa.





1712-1793. 288 fis. 30X20,5 ems. Capa de pergaminho simples.
Mau estado.

6- Livro que hd-de servir para nelel se langarem os terms das
posses dos ministros da Casa da Suplicagdo dos lugares da
mesma Casa.

2 vols. 1753-1811. 111 fis.; 1812-1832. (2) + 68 fis. 31 X21 ems.
Velino. Encadernagio da 6poca, decorada a dourado. Portada
primorosamente desenhada & pena e assinada A. J. H.. Sem
legends.

7- Livro das condenagoes que se fizeram na Mesa Grande aos
advogados para as despesas da Relagdo.

2 vols. 1753-1772. 197 fls. 1772-1811. 182 fis. 35X25 cms. Papel.
Encadernago da 6poca.

8 Livro das condigoes dos cativos

2 vols. 1773-1800. 204 fis.; 1800-1833. 147 fis. 35X24 cms. Papel.
Encadernagao da 6poca.

9 Livro que hd-de servir para as condenag6es que se fizeram
na Mesa da Ouvidoria do Crime.

2 vols. 1784-1819, 209 fls., 34,5 X 24,5 cms.; 1819-1833. 222 fis.
(53 escritas). 41X27,5 cms. Encadernagao da 6poca.

10- Livro para servir de registo as portarias das serventias dos
ministros, advogados e mais oficiais da justiga.

1794-1813. 207 fis. 24,5X34,5 cms. Encadernagfo da 6poca.


ROSALINA CUNHA










La Filigrana del Peregrino


Una de las filigranas mks abundantes durante el siglo xvi y
que se encuentra facilmente en todos los archives catalanes, es la
que represent un peregrino dentro de un circulo. Recibe este nom-
bre por verse en ella representado um hombre, muchas veces escue-
tamente dibujado, llevando un bast6n o bAculo parecido a los que
usaban los peregrinos. Hay autores, pero que relacionando esta
filigrana con la industrial papelera, ven en ella dibujado un trapero
con su saco y la biscula o romana apoyada en el hombro. De todos
modos y para evitar confusiones de apreciaci6n dentro de la inge-
nuidad del dibujo de la filigrana los mejores historiadores han
coincidido en darle el nombre de Peregrino, apoyando esta raz6n
ante la inapelable 16gica, pues este fuM el nombre que recibi6 de
los primeros fabricantes de este papel asi sefialado (1).
Generalmente se encuentra esta filigrana en papeles de buena
calidad, pero no es raro hallarla tambien en papeles deficientes
elaborados por fabricantes desaprensivos que se valian del cr6dito
de esta marca para la venta de su papel.
Hasta ahora esta marca era considerada como oriunda de
Italia, y precisamente de los famosos molinos de Fabriano, atesti-
guando esta teoria el Profesor D. Augusto Zonghi en su libro:
I Segni de la carta la loro origine e la loro importanza. Filigranas
1703 a la 1723. (Fabriano, Prem. TipogrAfica Economica. 1911)
Y las encuentra en el period que va de los afios 1549 al 1596.
Por otra parte, el famoso pale6grafo e historiador del papel,
Charles Moise Briquet, dice de esta filigrana lo siguiente en su
magnifica encyclopedia: Les Filigranes, (Leipzig 1933, Deuxieme
edition) en el apartado > pAgina 415: <


(1) Observando el dibujo de las mejores filigranas se ve perfectamente
representakdo un pe'regrino con su ancho sombrero y el baculo o bord6n, tal
como se les representaba en dibujos de la 6poca a los que iban camiflo de
Santiago, o a otros lugares devotos.






repr6sente ces filigranes a pour caractere distinctif un baton, ordi-
nairement termin6 en forme de crochet; ce qui le fait ressembler
. un chiffonier. Le nom de < donn6 en Italie a une sorte
de paper, nom que l'on trouve dans le reglement sur les papeteries
piemontaises de 1613, et qui est encore usit6 de nos jours, ne laisse
cependant pas de doute sur la signification de ce personnage. Les
types les plus anciens son certainement de provenance italienne,
lombarde et genoise mais le marque devint promptement banale
et fut usitee des le commencement du XVIIHme s., peut-6tre meme
avant, en Piemont et Toscane>>. Y present a continuaci6n 45 fili-
granas de este tipo que comprenden desde el afio 1545 al 1565.
(Fils. 7563 a la 7607).
De esta cuarenta y cinco, catorce, o sea de una tercera a una
cuarta parte, son halladas por Briquet en una zona de Francia en
la que Catalufia tuvo siempre una gran influencia; o sea, La Pro-
venga, Perpinyi, y Carcasona.
Los autores franceses consultados (2) no citan en sus obras
esta filigrana, probablemente por no considerarla fabricada en su
pais. Pero esta prudencia que demuestran, no la tuvo Briquet al
declararla alegremente de procedencia italiana basindose solamente
en las filigranas halladas por 6l en Milan y las mencionadas por
Zonghi, a mAs del document sobre las fibricas papeleras del Pia-
monte del afio 1613. A un investigator de la talla de Briquet tenia
por la fuerza que Ilamarle la atenci6n las 14 filigranas halladas
en los documents franceses que 61 cita y en lugares pr6ximos a la
frontera catalana, pero no quiere, y se excusa de no consultar los
archives catalanes de la siguiente manera: < a 6t6 ecartke, parce que dans les regions de France qui l'avoisinent:
A Perpignan, a Tarbes, a Pau, a Bayonne, nous n'avons pas rencontr6
de filigranes espagnoles. De meme dans les nombreux documents
6manant de la chancellerie espagnole qu'il nous a Wte donn6 de voir
en France, en Italie, en Autriche et aux Pays-Bas, il ne s'est trouve
que des papers italiens ou frangais...> (Obra citada, final de la
pigina XIII).
No sabemos si el hombre qued6 tranquilo, pero en conciencia


(2) Henri Alibaux: Les premieres papeteries frangaises, Paris. Les Arts
et le Livre. 1926.
Etienne Midoux et Auguste Matton: Etude de les filigranes des papers
employes en France aux XIV' et XV' ss., Paris 1868.
Andre Blum: Les origines du paper de l'imprimerie et de la gravure,
Paris 1935.
Alexandre Nicolal: Hi toire des moulins a paper du sud-ouest de la
France, 1300-1800, Bordeaux 1935.





sabia suficientemente que escamoteaba a sus lectores una parte
interesantisima y principal de la historic del papel. Cerr6 volun-
tariamente los ojos a cuanta documentaci6n y filigranas podian
orientarle hacia Catalufia y al resto de la Peninsula Iberica. Briquet
no ignoraba el improbo trabajo que estaba haciendo en Barcelona
el entonces Director del Real Archivo de la Corona de Arag6n:
D. Francisco de P. Bofarull y Sans, que era un gran admiradcr
suyo, y que ya en el afio 1901, seis afios antes de la aparici6n de la
primera edici6n de Les Filigranes, di6 a conocer La heraldica en las
filigranas del papel, en cuyo libro se publican una series de filigranas
autenticamente espafiolas, algunas de las cuales habia ya dado a
conocer en la Exposici6n de Paris (3) en el afio 1900, y de la cual,
Briquet tenia que estar forzosamente al corriente.
No somos solamente nosotros quienes hemos visto esta poca
simpatia de Briquet en lo referente al papel espahol. Ya el historia-
dor francs Henri Alibaux critic la omision de Espafia en < Filigranes> del siguiente modo: (4).
< s6v6rance et de m6thode. II releva 66 000 filigranes en Italie,
France, Allemagne, Autriche-Hongrie, Suisse, Belgique et Pays-Bas,
laissant de c6t6, peut-8tre a tort, I'Espagne, mais avec raison l'Angla-
terre, les pays scandinaves, la Turquie et la Grace>>. (pig. 26-27).
Y sobre la exportaci6n de papel catalan a Francia, afiade: < savons du reste qu'ils 6taient vendus dans le Midi par les Catalans,
et que cela durait encore en 1343-1344> (pig. 55).
Es una verdadera lAstima porque el libro de Briquet es un
diccionario de constant consult en la mayoria de archives y biblio-
tecas. La seriedad con que, aparentemente, fue escrito lo ha con-
vertido en libro de confianza. Confianza que ha llevado al error
algunas veces a quienes lo han consultado, dando por italianos algu-
nas veces a papeles que no lo son.
Nos toca hoy pues reclamar para Catalufia la paternidad de
la filigrana del peregrino y para esto se aportan aqui las siguientes
pruebas:
Filigranas: En Barcelona y en el Real Archivo de la Corona
de Arag6n, dentro de la Documentaci6n de la Generalitat de Cata-
lunya, se encuentra la primera filigrana del peregrino (Filg. A.).
Es el afio 1500, o sea, 45 afios de ventaja a la mis antigua, que es
la ya citada por Briquet. El document escrito sobre el papel de



(3) Augustin Blanchet: Rapport .de la Comission d'installation. (Mus6e
r6trospectif de la clase 88. Fabrication du paper. Exposition de Paris, 1900).
(4) Henri Alibaux: Obra citada.





dicha filigrana esti escrito en la misma ciudad de Barcelona. Dos
afios mis tarde, 1502, en el manual del notario Junyent, guardado
en el archivo de la Ciria Fumada de la ciudad de Vic, se encuentra


(Filg. A)

la segunda (Filg. B). Van repitiendose los mismos tipos de dibujo
y en el afio 1516, (Filg. C) aparecen las primeras letras debajo la


(Filg.

(Firg. C)


(Filg. B)





filigrana seguramente iniciales de los papeleros que las fabrica-
ban (Filg. D.-E). En el afio de 1530 se lee en el pie de la filigrana el
nombre de Crous, (Filig. F) mo-
lino papelero, ahora desaparecido
y convertido en casa de labranza,
en la Riera Mayor del Montseny,
en los limits de la provincia de
Barcelona, lindando con la de Ge- _
rona. Es este molino el filtimo de
una series que flanqueaban dicha
Riera, habiendo perdurado algunos
de ellos hasta las postrimerias del
siglo pasado. (Boixons, Fabregas,
La Cantina, etc.).
Es, pero, a partir del afio 1518,
que esta filigrana aparece ya con-
tinuadamente y en abundante can-
tidad, Ilegando a tener archivadas
en el Departamento de Historia
del Papel de los Museos de Arte
de Barcelona, juntamente con las
del Museo-Molino Papelero de Ca-
pellades, mis de 200 filigranas (Filg. D)
cuya fecha va solamente desde
dicho afio hasta el 1520. El haber encontrado una cantidad seme-
jante en este period de dos afios es ya un dato bastante elocuente.





(Fig E)











(Filg. E)





A mas se tiene que considerar que no son estas todas las filigranas
del peregrino que se han encontrado, sino las mis interesantes y
tenidas como prototipo, representando por lo tanto aproximada-
mente un 10% sobre la totalidad.
El renombre de esta filigrana en Catalufia se hace notar
durante todo el siglo xvi, haci6ndose notar por su beleza, y aun-
que sean ya dentro el filtimo tercio del siglo, las bonitas filigranas
del peregrino rematadas por una gran cruz, y luciendo en la base
del circulo el escudo de Gerona.
El papel que luce esta filigrana
es de muy buena calidad. (Fili-
granas G-H-I-J).
Con seguridad, seria toda
esta lista suficiente, para justifi-
car la rehabilitaci6n de esta marca
para los molinos catalanes. Fili-
grana que en un principio qued6
localizada en las ciudades de Cata-
lufia tardando mns de veinte afios
en ser conocida en las ciudades del
sud de Francia, y en Italia donde
fu6 adoptada por algunos moli-
S neros, dando pie, luego del os
siglos que han pasado, a confusio-
nes sobre su procedencia.
(Filg. F) Tambi6n la documentaci6n
es anterior a la que cita Briquet.
Zonghi s6lo se limita a publicar
la filigrana como procedente de Fabriano.
El document mis antiguo sobre esta filigrana se ha hallado
tambien dentro del siglo xvi, y si bien no es con fecha anterior a
las filigranas dadas a conocer en Italia, habla de esta marca como
cosa ya conocida, o sea que se habia usado ya anteriormente.
Dice pues este document cuya parte escrita en catalan tra-
duciremos al castellano para mayor entendimiento del lector:
< Capitula per viam memorialis facta et firmata ac in lingua
vernacula concept et ordinata per et inter Joanne Moner, balis-
terius cive barcinone et bartholomeus Lipora, Jannuensen, in pre-
senciarum loci de Jonqueres, Termini Sancti petri de Tarracia, bar-
cinonencis diocysis residetes ex parte, et magnificos Sebastianum
de Ivarra domicillum barcinone domiciliatur maiordomum drassane
dicte civitatis barcinone, et jacobus burnego mercatore januensen
cive dicte civitatis barcinone ex parte altera,...





Sea en nombre de Nuestro Sefior Jesucristo, Am6n.
Por las razones debajo escritas por y entire Joan Moner, balles-
terro, ciudadano de Barcelona y Bartholomeu Lipora, genov6s, del
present lugar de Jonqueres, del t6rmino de Sant Pere de Tarrasa, del
obispado de Barcelona, residents, de una parte; y los magnificos
Sefiores Sebastia de Ivarra, doncel, (hijo) domiciliado en Barcelona,






-O

















(Filg. G) (Filg. H)

mayordomo de la atarazana de dicha ciudad de Barcelona / y Jacob
Burnego, mercader genov6s, ciudadano de Barcelona, de la otra
parte, han estado pactados y concordados los capitulos y pactos y
avinencias siguientes:
Primeramente los dichos Joan Moner y Bartholomeu Lipora en
forma valida y solemne estipulaci6n comuna y en buena fe, prometen
cada uno de ellos in solidu (individualmente) y por todo lo que sea,
a los dichos Sebasti. Ivarra y Jacobo Burnego, que harin para
ellos por espacio de dos afios, contando desde el dia present en
adelante y por el precio debajo escrito, en el dicho lugar de Jon-





queres, tantas resmas y balas de papel como se puedan hacer durante
dicho tiempo, bueno y bonito y acceptable, de la marca, a saber
del peregrino / o de la mano, esto es todo del peregrino o todo de
la mano / o parte de la mano / o parte del peregrino / a voluntad,
elecci6n y arbitrio de los dichos Sebastia de Ivarra y Jacobo Bur-
nego, de la forma, traza y longitud igual a la que los dichos Joan
Moner y Bartholomeu Lipora les han ya mostrado, ensefiado y dado
a los dichos Sebastia de Ivarra y Jacobo Burnego. Ellos prometen


(Filg. I)

y cada uno de ellos <> (en particular) a los dichos Sebas-
tia de Ivarra y Jacobo Burnego que dicho papel seri de dichas
caracteristicas y mejor afin si pueden, y lo harin continuadamente
y sin interferencias de toda otra obra sin excepci6n. Prometen tam-
bien dichos Joan Moner y Bartholomeu Lipora a dichos Sebastia de
Ivarra y Jacobo Burnego, que les harAn tantas balas de papel de
estraza y de papel azul, cuantas como dichos Ibarra y Burnego
querran, y los dichos Moner y Lipora podran, bueno, bonito y reci-
bidero, segin las medidas y tamafios acostumbrados y precio, a





saber, del papel blanco a raz6n de cuatro libras moneda de Barce-
lona por cada bala, y el papel de estraza a raz6n de treinta sueldos
de dicha moneda por cada bala, y el papel azul a razon de treinta
y cuatro sueldos de dicha moneda. por cada una bala de dicho papel
azul...> (Archivo de Protocolos de Barcelona, Notarial, Manual 1.0
Contractas. Legajo n.0 17. Nicolau Molner, notario. Afios 1556-1557).
En el mismo archivo figure una replica casi exacta de este
document, del mismo notario y fe-
cha, en el Registro de < Capitols matrimonials anys 1557-71>,
fol. 1 y siguiente (5).
(Haciendo un aparte, es conve-
niente hacer constar que este molino
de Jonqueres existia ya en dicho lu-
gar en el afio 1158 segfin document
del Archivo de la Corona de Arag6n
(Cancilleria, Pergamino de Ramon
Berenguer IV. n.0 321) y seguramente
era un anexo del Monasterio de Sant
Vicens de Jonqueres. Este molino
papelero, siempre con las debidas re-
formas obligadas, ha fabricado casi
continuadamente papel hasta princi-
pios del present siglo xx).
Leido pues el anterior document,
cuyo final se ha dejado, por ser ex-
cesivamente largo y extenderse en
detalles que se apartan del tema de
este articulo, se pueden extraer de l1
las siguientes deducciones:
1.0: Negativa de la leyenda ne-
gra en la que se afirma la casi nula (FiJg. J)
fabricaci6n de papel en Catalufia du-
rante el siglo xvi.
2.0: Afirma la existencia de papel con filigrana durante el
mismo period.
3.: Apoyo firme de la antigiiedad de la elaboraci6n de papel
con la filigrana del peregrine en nuestro pais, no s6lo comprobado
en este document, sino por las filigranas ya comentadas con el
nombre de Crous, al pie de ellas. Este nombre reaparece en los


(5) El autor agradece al archivero D. Jos6 M" Madurell y Marimon el
habetle facilitado dicho document.






molinos de Sabadell, vecinos del de Jonqueres, en el siglo xviii, junto
con el famoso de Arderius.
Y por filtimo, testimonio de la asociaci6n de papeleros e indus-
triales catalanes, con mercaderes y papeleros genoveses. Esta uni6n
fu6 de gran provecho por los molinos catalanes, en los que se fabri-
caba un papel de caracteristicas inmejorables, como resultado de la
uni6n de las dos tecnicas: las fibras y encolados catalanes, con las
reforms del molde en Italia.
Esta asociaci6n de genoveses y catalanes, para la elaboraci6n
del papel, no es de ninguin modo un caso finico. El molino, cono-
cido con el nombre de <, por haber sido
anteriormente una herreria, enclavado en el pueblo de Reixac, a
unos 15 kilbmetros de Barcelona, junto al rio Besos, encontramos
en afio 1523, a un papelero llamado Thalamo de Fabian: ienuensis, ville de Botri> (Voltri), a quien se encargan: papiri, albi, boni et receptibilis, ad opus facienda misalia...> (6).
Este papel es encargo del impresor alemAn Rosembach, esta-
blecido en Barcelona, para la impresi6n del ahora famoso < de Tortosa, en el que figure la filigrana de la mano, muy corriente
en toda Europa en aquella 6poca (7).
Podria asegurarse en el caso de la filigrana del peregrine, y
con muchas probabilidades de 6xito, que sin duda fueron los mer-
caderes italianos asociados con los molineros espaiioles, los que
dieron a conocer esta filigrana a Italia y que debido a la curiosidad
de su dibujo fuese adaptada por los papeleros de Fabriano.
Creo serAn suficientes todos los datos aportados en el curso
de estas pAginas, para acreditar como nacida en los molinos de Cata-
lufla, esta frlmosa filigrana del peregrino, tanto las filigranas que
ilustran estas notas, como el document transcrito, son los testi-
monios mAs antiguos sobre dicho dibujo que se conocen hasta la
fecha.
Los archives de Barcelona, Vic, Olot y Gerona encierran una
riquisima informaci6n papelera, tanto en filigranas como en documen-


(6) Archivo Hist6rico de Protocolos de Barcelona: Francesc Solsona,
Notario, Legajo 2, aflos 1541-1542.
Archivo Parroquial de Montcada: Manual 1467-1487.
Biblioteca de Catalufia: Pere Janer, Notario. Manuales 24, 25, 26, hasta
el n. 38.
Consultar a: Jose M, Madurell y Marimon y Jdrge Rubi6 y Balaguer:
Documentos para la historic de la imprenta y libreria de Barcelona. (1474-1553).
- Barcelona 1955. Solamente la documentaci6n que hay en esta obra, finica
en su g6nero, sobre la compra y venta de papel durante los siglos XV y XVI,
es de una Importancia capital que obliga a recomendarla.
(7) J. M, March: Un missal notable de Tortosa. E. U. C. VI, 258.






taci6n. Mucho ha salido a la luz hasta ahora, solamente en filigra-
nas se han extraido alrededor de las 10.000, y las sorpresas en rela-
ci6n a la antigiledad de las fechas, asi como el hallazgo de filigranas
de dibujo in6dito, han sido en cantidad muy superior a los cilculos
mks optimistas. Lo mismo ha sucedido en lo relative a la documen-
taci6n tanto en lo referente a los siglos xii y xin, como en tiempos
mks actuales, pudiendo reclamar con justicia el primer puesto para
la Historia Papelera de Europa, lugar que nunca nos debieron
usurpar.

Barcelona-Capellades, 20 Octubre 1964.


ORIOL VALLS I SUBIRA

Conservador del Molino-Museo Papelero de
Capellades, y del Departamento de Historia
del Papel de los Museos de Arte
de Barcelona.











O bibliotecario, o livreiro e o leitor (*)


Como se sabe, o livro 6 denominador comum ao bibliotecario,
ao livreiro e ao leitor, trilogia de um tema apaixonante que, se o
pud6ssemos agora desenvolver, nos levaria demasiado long.
Ja o definiu lapidarmente Julio Dantas: < trumento de cultural e de ideias, o reposit6rio do patrim6nio mental
das gerag6es, alguma coisa que vale pela substincia spiritual que
cont6m, e s6 excepcionalmente pelas condig6es t6cnicas ou est6ticas
da sua apresentago>> (1).
Sem sombra de dfivida, o livro 6 o melhor dos amigos, como
the chamou Campos Monteiro, (2) taria el-Rei D. Manuel H- junto dos quais se aprende a grande
ligdo da vida>> (3).
E ao falarmos do livro, logo nos acodem alguns nomes que,
em Portugal, mais notAvel contribuicgo t6m realmente dado ao seu
estudo, como Ant6nio Ribeiro dos Santos, VenAncio Deslandes, Sousa
Viterbo, Ant6nio Anselmo, Queir6s Veloso, Am6rico Cortes Pinto,
Ant6nio Jos6 Saraiva, e, mais recentemente, o Dr. Jorge Peixoto,
distinto bibliotecario da Biblioteca-Geral da Universidade de Coim-
bra, que, corn a maior profici6ncia, ensina no Curso de Bibliotecario-
-Arquivista, da Faculdade de Letras daquela Universidade, e para
quem, acerca do livro, ainda se nao deu resposta adequada a estas



(*) Palestra proferida no Dia do Bibliotecdrio, na Feira do Livro de
Lisboa.
(1) DANTAS (Jflio), Cr6nlca, A Exposigdo Horaciana da Biblioteca
National, in Anais das Bibliotecas e Arquivos, II strie, vol. XII, n.0 47 e 48,
Janeiro-Junho de 1937, p. 81-83.
(2) CAMPOS MONTEIRO, 0 livro o melhor dos amigos. Confer6ncia reali-
zada, para encerramento da Semana do Livro:, no Saldo Nobre do Ateneu
Commercial do Porto, em 6 de Julho de 1931. Porto, 1931.
(3) Monumentos de Cultura e da Arte Tipogrdfica Partuguesa do
sdculo XVI existentes na Biblioteca de D. Manuel II. Lisboa, 1948, p. 7, pr6-
logo do Prof. Joaquim de Carvalho.





e outras perguntas: prego dos outros generos da mesma 6poca? Determinacgo das prin-
cipais correntes comerciais com o estrangeiro, para a recepqdo de
caracteres tipogrificos, de papel, de tinta materias primas, enfim!
- que serviram para o livro? (...) Quais as tiragens? Tempo gasto
na composicgo? Qual o aspect estetico do livro? A imprensa
hebraica teve alguma infludncia no aspect est6tico do livro nacio-
nal? (...) Que sabemos de concrete da actividade dos tip6grafos
que trabalharam no estrangeiro antes de virem para Portugal? (...)
At6 onde chegou o livro portugues? Quem o 18? Quais os locals -
livrarias particulares, bibliotecas de instituicges, etc. onde ele 6
lido?> (4).
Sdo, todas estas, perguntas bem aliciantes, para tentar res-
ponder. P2 sobretudo apaixonante e oportuna essa questdo de saber
at6 onde chegou o livro portugu eo, no espago e no tempo, embora
ji existam alguns estudos parcelares, e de muita valia, esclarece-
dores desta materia. Ningu6m j& hoje ignora que o livro portu-
gu8s, depois de, pela primeira vez, ter vindo a luz da publicidade logo
nos finals do s6culo XV, nos prelos de Faro, no Algarve, foi tamb6m
impresso em vhrias cidades da Europa e nas nossas provincias ultra-
marinas. E ndo se desconhece que ao menos um desses nossos
livros teve, ate, prioridade no assunto, em relacgo a outros povos,
como foram, em materia m6dica, os Col6quios dos Simples e Drogas
da India, de Garcia de Orta, o primeiro livro de medicine impresso
em Goa, em 1563, de que, por ocasido do 4. Centenkrio da sua
publicacgo, o Senhor Dr. Jaime Walter, infatigAvel e probo histo-
riador da assistencia medico-sanitAria ultramarina portuuesa, pro-
duziu obra notAvel e monumental, em boa hora editada pela Junta
de Investigacges do Ultramar (5).
No entanto, hi alguns aspects fisicos ou materials do livro
national, que ji tem sido object de substanciais estudos. Quero
agora particularmente referir-me a tres deles, por me parecerem
oportunos.
0 primeiro, 6 o de Matias de Lima, no tocante a encadernago
do livro, corn brilhantes e antigas tradicges entire n6s, que consider



(4) PEIXOTO (Jorge), Considerag6es sobre o Regulamento da Livraria da
Uitiversidade de Rvora. Sep. de A Cidade de Rvora, Rvora, 1959, p. 4-5.
(5) WALTER (Jalme), Garcia de Orta- Relance da sua Vida e os Col6-
quios de Garcia de Orta no Tractado de las Drogas, de Crist6vdo da Costa, in
Garcia de Orta, revista da Jtnta de Investigag6es do Ultramar, n.o 4 vol. II
(1963), p. 619 e 799, nfimero especial comemorativo do facto acima referido, de
que foi encarregado o Dr. Jaime Walter.





valiosissimo subsidio para o estudo da est6tica do livro portu-
gu6s (6).
O segundo, 6 o de Ernesto Soares, um dos autorizados mestres
da iconografia portuguesa, precisamente acerca da ilustragdo do
pr6prio livro, faceta est6tica de suma importancia, relacionada, diz
ele, corn a enumeracgo ou o exame dos processes empregados, atrav6s
dos s6culos, por impressores e editorss> (7).
O terceiro, alias na sequ6ncia dos estudos de Tito de Noronha,
Luis Pastor de Macedo e Gomes de Brito, 6 o do meu colega e con-
frade Dr. Durval Pires de Lima, precioso contribute para a hist6ria
do nosso mais antigo com6rcio do livro e dos primeiros impressores
e livreiros de Lisboa, aos quais vem muito a prop6sito render aqui
as mais justas homenagens, pelos grandes e inestimiveis servi-
cos prestados a dignificago e valorizagio dos livros e, atrav6s
deles e da sua Arte, a maior expansio da cultural portuguesa no
Mundo.
Herdeiros de uma tradigio multi-secular, alguns desses livrei-
ros de Lisboa, precisamente os mais humildes e obscuros, foram
aqui, hi trezentos anos, os prestimosos procursores destas Feiras
do Livro que, nunca sera demais encarecer, tdo altos servigos tem
prestado, na sua jA regular periodicidade, a cultural, ao estudo e h
economic nacionais.
Feiras do Livro, escreveu Durval Pires de Lima maneira
imaginosa de levar o livro ao pfblico, aquela esp6cie de pfiblico que
se atemoriza de entrar numa livraria, que nao tern hibito da leitura
ou que, pela magreza da bolsa, se content em ver os titulos por
detris dos vidros dos mostruarios do Chiado e da Rua do Carmo,
os mira na Rua Augusta ou algures; tivestes, a bem dizer, oh Fei-
ras do Livro, um antepassado seiscentista nas tendinhas que nas
imediag6es do Loreto, nas arcadas do Rossio ou no adro da Mise-
ric6rdia os cegos das gazetas dikriamente montavam e desmon-
tavam!
E quem contemplar os escaparates de hoje, ali em Valverde,
perdio, na Avenida, (onde agora nos encontramos) recordar-se-a
das folhinhas, das gazetas, das relag6es avoengas das Hist6rias
da Princesa Magalona e de Joao de Calais, que sorriem aliciantes



(6) MATIAS DE LIMA, A encaderagdo em Portugal (Subsidios para a sua
Hist6ria). Gaia, 1933. 2 o n.* 1 (especial) da colecgao Estudos-Nacionais, das
Ediq6es 'Pdtria.
(7) SOARES (Ernesto), A Ilustragdo do Livro (S8culo XV a XIX). IAs-
boa, s. d., Edig6es Excelsior.






ao lisboeta, como dizia o bom Tolentino, cavalgadas num cor-
del!> (8).
Ora aquele pfiblico que, ainda hoje, 6 triste confessi-lo, se
atemoriza de entrar numa livraria ou, at6, de vir a Feira do Livro,
6 sem dfivida o mesmo que, por igual modo e motivos 6bvios, se
inibe ou dispensa de frequentar tamb6m as nossas bibliotecas. E se
o facto redunda em prejuizo desse pfiblico, certo 6 que tamb6m se
reflete, lamentivelmente, no future da pr6pria Nagio.
Urge, portanto, que bibliotecArios e livreiros colaborem acti-
vamente e conjuguem os seus melhores e mais inteligentes esforgos,
para ganharem, todos os anos, cada vez mais leitores.
A fungdo do bibliotecario, de catalogador, evoluiu bastante, antes e depois da deflagracgo da
segunda guerra mundial, como bem o notou Alvaro Neves, (9) meu
distinto e ji falecido antecessor, na Biblioteca da Assembleia
Nacional.
No mundo civilizado contemporineo, os bibliotecarios sao emi-
nentemente educadores e orientadores, e colaboram, corn seguranga
e efickcia, na documentagdo dos mais diversos problems cientificos
de que sao fontes imprescindiveis os centros de estudo que servem
ou dirigem (10).
0 dinamismo da vida modern transmitiu-se tamb6m aos
biblioteckrios. E os bibliotecarios adaptaram-se com inteligente
compreensio a esse novo ritmo e deram is bibliotecas uma nova
fungio cultural, viva e dinAmica, em proveito dos que por sua ini-
ciativa as procuram ou a elas sao atraidos pelas suas publicagSes,
por confer6ncias, exposigSes, etc. (11).
E ndo hi divida de que, com o livreiro, se passou identica
evolugdo.
E os leitores habituaram-se ja, em grande nfimero, a esta
ideia, de que o livreiro 6, como o bibliotecario, urn amigo de todos os
dias, mais do que isso, um indispensavel colaborador. As livrarias,
tal como as bibliotecas, sao, ate, corn maior ou menor importincia
centros culturais de agradivel convivio intellectual, onde sempre


(8) LIMA (Durval Pires de), Os primeiros livros e livreiros de Lisboa (...),
Lisboa, 1943, p. 23 Das Publicaq5es Culturais, da Cdmara Municipal de Lisboa.
(9) NEVES (Alvaro), Bibliologia. Catdlogo Colectivo das Bibliotecas
Portuguesas. Exemplar n. 3 da Separata em provas do Arquivo Coimbrdo:
1939-1940.
(10) GOICOECHEA (Ces'rio), La Biblioteca al servicio de la Educaci6n.
Madrid,- 1955. R o n. 27 das publicag6es editadas pela Direcci6n General de
Archivos y Bibliotecas, de Madrid.
(11) AGUIAR (Pinto de), Funcdo dindmica das Bibliotecas, Bahia, 1958.






alguma coisa se aprende, sem nunca ningubm se lamentar do tempo
que perdeu.
Aos bibliotecerios e aos livreiros incumbe, portanto, estimular,
por todos os meios possiveis e ao seu alcance, uma maior frequencia
e aflugncia de pfiblico, de forma que, ao leitor, o livro seja sempre
cada vez mais acessivel e se tome fMcil, ripida e conforthvel a sua
aquisigdo de leitura.
E realmente precise encorajar o chamado grande pfiblico, e em
especial a juventude, a frequentar as casas onde o livro se vende
ou os centros onde a sua leitura se facility. E isto, nao obstante
os diversos e bem conhecidos factors negatives da vida agitada e
nervosa dos nossos dias, em que todos se lamentam, mesmo os que
nada fazem e tudo exigem dos que trabalham, da falta de tempo,
factors que desviam o leitor, tantas e tantas vezes, do agradivel
prazer da leitura (12).
E, pois, a juventude, que deste lugar dirijo, corn todo o entu-
siasmo, alias, filho da minha pr6pria e ja longa experi6ncia biblio-
tecaria, estas animadoras, reconfortantes e estimulantes palavras
de um dos nossos mais autorizados professors universitarios e
distinto mestre da historiografia national, o Dr. Ant6nio da Silva
Rego:
< riencia que nao 6. E deve insistir-se na palavra frequentar. E aqui
na frequentagdo de bibliotecas e arquivos, nas suas salas de leitura,
que os estudiosos travam conhecimento director corn livros, catAlo-
gos, inventhrios, ficheiros, encielopedias, documents, etc. E aqui, ao
long de muitas horas de estudo aparentemente improficuo e infitil,
que se adquire a necessiria experiencia. Nao desanimem, portanto,
os que, indo algumas vezes a biblioteca ou ao arquivo, nada apren-
deram, nada colheram, nada trouxeram para casa. 2 assim mesmo
que se principia.>> (13)
A estas palavras do Dr. Silva Rego, eu s6 saberia acrescentar:
e 6 assim, tamb6m, que se inicia o amor ao livro e a leitura, o
repouso mais apetecivel do nosso espirito.
Amor a leitura! Mas quanto se tern escrito ji sobre este
aliciante tema!



(12) EMERENCIANO (Jorddo), Situagdo actual do leitor brasileiro. 0 leitor
e o bibliotecdrio. Formagdo do leitor brasileiro. Informe de (...) para o I Con-
gresso brasileiro de Biblioteconomia (Recife, 18 a 25 de julho de 1954).
(13) REGO (Ant6nio da Silva), Lig6es de Metodologia e Critica Hist6ri-
cas. Lisboa, 1963, p. 31. 1 o n. 65 dos Estudos de Cifncias Politicas e Sociais,
da Junta de InvestigagSes do Ultramar.





Record agora, a prop6sito, estas belas palavras de um ji
falecido Amigo, antigo mestre da Faculdade de Letras de Coimbra,
Dr. Joaquim de Carvalho:
Vila Vigosa, no folhear de alguns livros do Rei D. Manuel II.
Conto-as entire as mais agradAveis no jA aturado trato que a Boa
Fortuna me permit manter desde a adolescencia com livros de
vAria casta, indole e feitio.> (14)
E record ainda estas nio menos admiraveis palavras de Jflio
Dantas, ao ter de evocar um dia os autores dos chamados livros
iluminados da Idade M6dia, autenticas maravilhas de Arte, que
se guardam tamb6m nas nossas bibliotecas e s6 os leitores eruditos
conhecem:
< de livros que ningubm mais lera, manejadores humildes do ouro
opulento e da cor litfirgica, artists sublimes de pequenos nadas,
capazes de amar uma letra corn a ternura com que se beija uma
mulher, como eu vos agradego a doce serenidade que tantas
vezes a minha alma encontrou nas folhas iluminadas dos vossos
livros infiteis!> (15)
Vou concluir.
Cumpre-me, por6m, ainda o gratissimo dever de, em meu
nome pessoal e no de todos os bibliotecarios portugueses, agradecer
ao prestimoso Gremio Nacional dos Editores e Livreiros, do Dis-
trito de Lisboa, a honra que nos deram, em iniciar as suas activi-
dades culturais, nesta Feira do Livro, com o Dia do Bibliotecdrio,
que 6 e sera sempre o mais prestante e humilde servidor dos serves
da Cidncia.

ALBERTO IRIA











(14) Monumentos de Cultura e da Arte Tipogrdfica Portuguesa do
seculo XVI existentes na Biblioteca de D. Manuel II. Lisboa, 1948, pr61logo do
Prof. Joaquim de Carvalho.
(15) DANTAS (Jilio), Escribas e iluminadores, in Anais das Bibliotecas
e Arquivos, II Serie, vol. I, n.o 14, Outubro-Dezembro de 1920, p. 270-271.










Contribuiqdo para o estudo
de ((0 Livro Romantico em PortugalD

Predmbulo


Um simples relancear sobre o titulo deste pequeno opfisculo
levarA com certeza a formular o conceito que nele estari versado:
0 estudo sobre a corrente literaria denominada 0 Romantismo,
num aspect particular em Portugal.
Nao e este o objective do meu trabalho.
No entanto, para manter um piano de estrutura l6gico, aquele
nao poderi ser desprezado, pois seria incoerente estudar o aspect
extrinseco de uma determinada obra, a sua feitura material, sem
nos debrugarmos, embora sumhriamente, na sua parte intrinseca
e sem analisar o espirito que a animou e que foi a causa motora
do seu aparecimento material.
Esta attitude pode, no entanto, fazer suscitar dividas e levar
a indagar se haveri uma coincidencia entire o espirito que criou
os conceitos, as ideias e as imagens que vdo former a obra inte-
lectualmente e aquele que promoveu a sua concretizacgo atrav6s
dos caracteres tipogrdficos, do papel, da gravura e da encadernacgo.
Analisando uma esp6cie bibliogrifica do period que me pro-
ponho estudar, concluo que, se no aspect literirio aparecem novos
temas, novas fontes de inspiracgo, novos generos, houve tamb6m
algo de novo, de reactivo, de caracterizante na apresentacgo external
do livro.
Mas teriam aparecido simultaneamente no tempo esses novos
aspects?
Uma vez existentes teriam formado um arqu6tipo de toda a
produgdo liternria da 6poca em questdo?
Quanto a primeira pergunta, porque o assunto vai ser reto-
mado em capitulo posterior, apenas acrescentarei que talvez nao
tenha havido coincidencia absolute. Em relacgo a segunda questao
aventarei que nem sempre estes dois aspects se mantiveram
ligados, o que, alias, estA inteiramente de acordo com o espirito





romintico renitente a tudo que seja regra, padrao, cerceamento de
liberdade.
E assim, embora parega anacronismo, nao temos que nos
espantar ao cair debaixo das nossas mdos uma obra de Racine,
Moliere, Montesquieu, encadernadas no auge, desta 6poca, por Simier
ou Thouvenin em estilo & Catedral, ou, em contrapartida, uma obra
literariamente romintica corn uma ornamentacgo do seculo xvIII.
E, por outro lado, uma obra de grande voga e valor literario
apenas brochada e um livro de contas corrente com luxuosa enca-
dernago ornada com ferros do seculo xvim.
Evidentemente que estes arguments nao nos poderdo levar
a concluir que nao tivesse aparecido neste period, na arte de
encadernar, dourar e estampar, algo de original, de pr6prio, que
faga distinguir uma esp6cie bibliogrifica desta 6poca de qualquer
outra, nem que o livro literariamente romintico nao tivesse geral-
mente a sua correspondent indumentAria no mesmo estilo.
Estes factos apenas querem traduzir a estabilidade do espirito
romintico, a dificuldade em enriquecer qualquer produgo desta
6poca em normas pr6-estabelecidas.
Vou partir, embora nao peremptbriamente, do postulado de
uma idWntica coincidencia entire o aspect intrinseco e extrinseco
de uma mesma obra, analisando primeiro a vivencia do autor que
a forjou e que a concretizou atrav6s de caracteres grhficos, para em
seguida me debrugar mais profundamente no seu aspect exterior,
nas suas pastas, nos seus ferros, nesse todo cuja finalidade 6 ao
mesmo tempo proteccgo e embelezamento, quando nao projeccgo do
pensamento literario do autor.


Primeira parte

O LIVRO ROMANTIC COMO PRODUCAO LITERARIA

I CAPITULO


0 termo romintico nem sempre teve o mesmo significado.
Podemos mesmo afirmar que no sentido que tern presente-
mente s6 foi utilizado a partir da primeira d6cada do seculo xix.
Ja era conhecido nos seculos xvi e xviii, tendo sido usado
para caracterizar um certo tipo de criagdo poftica, de narrative
de heroismo, aventura e amor ou no sentido de oposigco ao clAssico.
Alias, nesta filtima acepgdo 6 ainda utilizado por Gongalves
de Magalhies no preficio a trag6dia < Se no seculo xvi o termo j& era comum na giria dos pensadores





ingleses, antes de 1766 nao hi vestigios de ter sido utilizado em
Franga.
Nesse mesmo ano, o Marqu6s de Girardin emprega-o mas
corn grafia inglesa, explicando o motivo por o ter adaptado desse
modo.
Rousseau, que havia estado em Inglaterra, vai adapti-lo no
sentido < sobretudo a emogdo suscitada naquele que a contempla ou 6
int6rprete>.
Outros significados foram atribuidos ao termo em question,
como por exemplo <<0 dominio do liberalism na arte (V. Hugo),
(Heine), etc.
Rousseau interpreta-o, pois, como uma attitude, um estado de
espirito passageiro do individuo.
A este sentido podemos acrescentar como sendo, nao s6 um
estado de espirito passageiro do individuo, mas um estado que pode
tamb6m ser permanent nao apenas do individuo mas duma 6poca,
do qual resultou um movimento est6tico, um estilo de vida e de
arte que dominou a civilizacgo ocidental durante o period com-
preendido entire a segunda metade do s6culo xvm e a primeira
metade do s6culo xix.
Determinar corn precisao marcos para o aparecimento de
qualquer movimento cultural, social, ou politico 6 dificil ou mesmo
ut6pico. Se somos levados a afirmar que o movimento romantico
comegou em ItAlia em 1816, na Alemanha em 1795, na Inglaterra
em 1789, na Pol6nia em 1822, em Portugal em 1825 6 apenas porque
nesses anos teria aparecido qualquer facto considerado como not6rio,
como marcante para o comego do novo movimento.
A dificuldade esta bem patente na diversidade de opiniaes
que surgem quase sempre nos pensadores quando estes se propiem
marcar uma determinada data cronol6gica para a eclosAo de deter-
minado movimento.
Ao afirmar tdo long period para o aparecimento e fim do
romantismo, inclui nele essa fase de incubacgo, de formago que
normalmente se denomina pr6-romantismo.
Os periods, preparacgo, auge e decadencia nao apareceram
simultineamente em todos os paises europeus. Mas 6 inegbvel
que durante esse long period limited ele floresceu em todos eles,
ainda que nuns mais precocemente do que em outros.
Ha quem prefira a designagdo de period de formacgo para
aquele em que os laivos do romantismo sao esporidicos, em que
o prosador adivinha algo de diferente mas que nao chega a cons-
ciencializar aquilo que vislumbra. Estdo incluidos nestes Macpherson,
Young, Gray, Collins, Goldsmith, Herder, Goethe, Novalis, Rousseau,





Bernardin-Saint Pierre, Klopstock, James Thomson. Uma primeira
geragio em que o romantismo ainda nao estA completamente for-
mado, notando-se ainda certas influencias classicas, localizando-a
nas figures nascidas por volta de 1770, e uma segunda geracgo, em
plena posse das novas ideias, libertada de toda a influencia clAssica
e racionalista, representada por Brentano, Lamartine, Schopenhauer,
Vigny, Leopardi, Lenan, V. Hugo, Garrett, Michelet, George Sand,
Stendhall, Balzac, Sue, Herculano, etc. Acrescentando ainda uma
terceira geracgo com Musset, Poe, Stendhal, Balzac, indo desem-
bocar estes novos pensadores numa nova viragem do pensamento,
num realismo de um Ega, Antero, Baudelaire, Flaubert, Proudhon, etc.
Assim nos vai aparecendo a evolucgo do pensamento roman-
tico, primeiro titubeante, depois, a pouco e pouco, definindo-se.
E 6 este ou aquele facto que, sobressaindo da gama de todos
os outros, ser6 aproveitado pelos pensadores posteriores como ponto
de apoio ao procurarem reconstruir e estruturar o pensamento dos
homes que os precederam.
Dai a subjectividade de toda a esquematizagco.

Este movimento literario nao 6 estranho As novas concepg6es
ideol6gicas trazidas pelas ideas revolucionirias dos fil6sofos dos
seculos precedentes.
Locke, reagindo contra o. racionalismo cartesiano public no
Ensaio Sobre o Entendimento Humano uma nova teoria do conhe-
cimento atrav6s dos sentidos, negando as ideias inatas de Des-
cartes. 0 saber, a moral, fundamentam-se a partir da experi8ncia,
e reflexdo.
O pensamento de Locke 6 decisive e de mfiltiplas consequencias.
O real passa a ser object de observacgo e experiencia. As
verdades de facto opiem-se as verdades de razdo.
A literature aproxima-se do real. A mente humana desce
ao concrete, A observagao direct dos factos.
A poesia lirica apoia-se no real subjective, assim como o
teatro no A teoria mecanicista cartesiana 6 aproveitada por La Mettrie
e outros fil6sofos para explicar, por um process exclusivamente
materialista, os fen6menos biol6gicos, psicol6gicos e sociais.
Darwin, Buffon, e Lineu nessa linha de pensamento tem uma
teoria acerca da origem das especies.
O grande fil6sofo alemio Kant tecia as suas concepg5es filo-
s6ficas abrindo caminho A teoria < sociedade>>.
J. J. Rousseau nao fica apitico as convulses sociais, deixando
bem assinalado no Contrato Social e no Emilio a sua adesio As





novas ideas, que vao abalar profundamente as teorias centrali-
zadoras.
As novas concepg6es vdo-se desenhando: deismo, tolerAncia
religiosa e political, religido natural, bondade natural do home,
acqdo malffica da sociedade, teoria do progress e direito natural
imanente a natureza comum de todos os homes, direito esse que
devia reger as relag5es civis, political e internacionais.
Qudo distant estava esta nova concepcgo de direito natural
daquela que Pombal definia na Dedugdo Cronol6gica: 0 poder
r6gio fora emanado do mesmo Deus directamente e qualquer ten-
tativa de o limitar, quer pelas Cortes, quer pelo direito can6nico
ou pela autoridade do Papa, seria <.
A media que estas concepg6es se vao firmando, fomentam
um embate entire a velha Europa centralizadora, classica e uma
j6vem Europa turbulenta, inadaptada, reagindo a todas as influen-
cias anteriores.
Dai se considerar o romantismo como um movimento que se
op6e ao Classicismo, mas nao 6 apenas isso, 6 um estado do espirito
inconformista em relacgo ao intelectualismo, ao absolutismo, ao
convencionalismo.
Atitude pessoal e intima, um estado de alma provocado pela
observagio do real atrav6s da personalidade do artist.
Di-se a hipertrofia do <, vibrant de emogio pessoal que
se expand sem peias. A razdo puramente discursiva di lugar i
imaginagdo, a paixdo, a intuicgo, a liberdade pessoal.
Essa insia de liberdade, de fugir a esquemas, a normas, d.
lugar a uma attitude que seria considerada de ilogismo pelos clissicos,
que 6 a diversidade de cores e estados de alma opostos num mesmo
g6nero. Mistura prosa e verso, grotesco e sublime, divino e terrestre,
vida e morte, alegria e melancolia.
R atraido pelo mist6rio da existencia, que se torna em tema
de inspirago.
Porque vive numa 6poca de crise, de agitagio, de inadapta~go,
procura fugir da realidade que o nao aceita, para um mundo ideal
criado a sua maneira. Tece o seu mundo de sonho, onde encontra
projectados e realizados os seus anseios, outras vezes procura na
natureza o seu reffigio, ou no retorno ao passado, ao medievalismo.
A hist6ria 6 por isso valorizada e estudada.
0 pitoresco e longinquo atraem-no tamb6m. 0 gosto pelas
florestas, pelas terras selvagens de fisionomias e costumes dife-
rentes tem para ele um sabor cativante. 0 home que vive long
da civilizacgo, nao corrompido por ela, 6 do agrado do romAntico.
Atala, Paul et Virginie concretizaram essas ideias e dai terem
tido tanta aceitacgo pelo home de entio.





Desperta no home o sentiment de individualism e de
nacionalidade que faz procurer nas tradig6es elaboradas pelo povo,
no folclore, na hist6ria national, novos models e fontes de ins-
pirago.
A arte passa a ser para o home o seu reffigio dentro do
ambiente de lutas em que vive. Outras vezes, o artist arvora-se
em divulgador das novas concepg6es da natureza, de Deus, do home,
da vida, da sociedade. Passa a ser o padrio e orientador literario.
social, politico das novas ideias. 0 jornalismo, o artigo de fundo
que trata de todos os problems 6 o ponto de contact. 0 pfiblico
projecta-se nele, estabelecendo-se um elo entire o artist e a sociedade.
Termina o mecenato aristocritico, o artist deixa de estar
condicionado ao rei, a uma nobreza de sangue, ao salao, para estar
dependent do editor e do pfiblico. Os problems culturais dis-
cutem-se no cafe, no botequim e raramente no salao.
A literature adapta-se As circunstancias.
O g6nero de epopeia e trag6dia sdo esquecidos, aparecendo
o drama e o romance hist6rico.
O pfblico sem preparagdo literfria ignora as regras, os padres
classicos, a mitologia, aprecia o realismo descritivo, a lingua-
gem simples e nao o estilo nobre e pomposo. A metonimia tao do
agrado clkssico 6 substituida pela metAfora e pelo gosto das hip6r-
boles.
Na poesia as odes, elegias e cang6es deram lugar ao poema
e ao lirismo.
No preficio a obra de Victor Hugo Crommwel, aparece intei-
ramente descrita a doutrina romintica.
Se a Revolugdo Francesa 6 o triunfo, na political, das ideas
liberals que t6m como substracto a liberdade de pensamento, de
expressao, de consci6ncia, da igualdade originaria de todos os
homes, da democracia, e se na estrutura social marca a ascensdo
da burguesia que vai ser a ess6ncia das sociedades posteriores, o
romantismo, como movimento literArio 6 por excelgncia o reflexo
e a adesdo A nova viragem da hist6ria do pensamento human.


II CAPfTULO

As circunstancias atrAs mencionadas fazem nascer em toda
a Europa certo nfimero de factors que permitem o aparecimento,
primeiro na Alemanha e Inglaterra e, mais tarde, na Franga, do
movimento romintico.
Portugal nao forma uma excepgdo em relagao a elas. Vamos
encontrar no pensamento portugu6s a mesma linha de conduta.





Primeiro na fase preliminary, de gestacgo, seguida de um moment
de pleno florescimento para terminar numa fase de decadencia.
Para iniciar a nova 6poca literiria aceita-se mais comummente
a publicagdo, em Paris, da obra Cam5es, em 1825.
Garrett nao invoca nela as divindades pagis nem cristds, mas
apenas o seu estado de alma, o saudosismo de emigrante, dando
largas a sua vivencia pessoal de exilado.
A saudade 6 a nova divindade> inspiradora dos romanticos.
Ela 6 a eleita porque lhes satisfaz a propensio a divagacgo, e,
enfraquecendo a vontade, fornece ao romAntico aquele estado que
Ihe 6 tdo querido, abandon e voluptuosidade est6tica.
Outra data aparece is vezes mencionada, 1770, estando incluido
nela o grupo de pensadores denominados pr6-romAnticos.
Tern aparecido ainda a corrente que afirma que antes de 1836
os adeptos do romantismo em Portugal sao apenas casos isolados
como Garrett com as suas obras D. Branca (1826), Adozinda (1828),
o Arco de Santana (romance hist6rico inspirado por V. Hugo),
e Jos6 Maria da Costa e Silva que inspirado por W. Scott e Byron
da ao prelo o romance popular Dom Martinho de Avisado ou a
Donzela que vai 4 guerra.
Esse ano de 1836 6 marcado pelo aparecimento das obras de
Castilho, a Noite no Castelo e Cigmes do Bardo e a Voz do Profeta,
de Herculano.
Quanto ao fim do romantismo tamb6m sao mfiltiplas as opi-
nibes. Uns dizem que em 1865 com a Questdo Coimbrd, que 6 con-
siderada o prenfincio da primeira rebeliao is normas romanticas.
Outros aceitam a distingdo entire Romantismo e Ultra-Roman-
tismo apresentado este como uma fase final daquele, caracterizada
pela desagregagio da pr6pria escola.
Para finalizar, outros ainda, prolongam este movimento lite-
rario atW aos nossos dias interpretando o realismo, o simbolismo
e todas as outras correntes posteriores, apenas como tonalidades,
um aspect do pr6prio romantismo.
n dificil nao encontrar um paralelo entire um ultra-romantismo
de Soares de Passos ou de Jodo de Lemos e a Noite do Castelo de
Castilho ou alguns aspects que tomam as trag6dias familiares
garrettianas.
Daqui se conclui, mais uma vez, a dificuldade de marcar
etapes a complexidade do pensamento human.
Ao tentarmos perscrutar as origens do romantismo portugues
e ao estabelecermos um paralelo entire ele e o romantismo euro-
peu, pode assaltar-nos a divida se ele e apenas uma imitaqdo ser-
vil, um eco daquilo que se desenrola alem-fronteiras ou deriva
espontAneamente de um estado de alma portuguesa condicionado





por um clima national, inteiramente fechado a qualquer influencia
estranha.
Esta segunda posicgo, por mais nacionalista que seja, nao
pode ser mantida pois ha, de sobejo, arguments irrefutiveis que
nos atestam que para al6m de todas as barreiras criadas pelos
governantes ciosos das suas ideas conservadoras, as novas ideo-
logias political e as novas formas literArias foram-se infiltrando
licita ou ilicitamente na mente e no espirito portugues, prepa-
rando-se para nele poderem eclodir quando as circunstancias o per-
mitissem.
n patente essa influencia alemd, inglesa, italiana e principal-
mente francesa nas citag6es feitas pelos escritores portugueses nas
suas obras e na grande producgo literAria estrangeira existente
em Portugal, quer no original, quer traduzida directamente ou indi-
rectamente do frances.
JA no denominado period Pr6-romAntico, Bocage traduz Paul
et Virginie, Les Jardins de Delile e deixa-se impregnar pelas novas
ideias.
Alcipe traduz o Cemitdrio de Gray, o Eremita de Goldsmith,
Darthula de Ossian, Spring de Thompson e imita este nas suas
Recreagaes Botdnicas e nao 6 estranha k influencia de Young uma
Cantata feita sob a sugestao duma visit ao tfimulo do marido.
Os seus sales de Benfica marcam o elo de passage entire
o arcadismo e o romantismo. Herculano frequentou-os na sua
mocidade.
Em casa de Jos6 AnastAcio da Cunha sdo apreendidas obras
de Shakespeare, Milton, Young, Pope, Sturn.
A Garrett, nao 6 estranha, entire outras, a influencia de Young,
de Chateaubriand, dos italianos Maffei, Manzoni e Leopardi como
tamb6m nao desconhece a escola de Gessner apesar de se referir
a ela corn ironia, confessando mesmo, em Dona Branca, seguir o
exemplo de Wieland no Oberon. Em 1854, mantinha relag6es epis-
tolares com o conde sueco Gustavo Zetterguistin e em 1847 era
traduzida pelo conde de Luckner, em Frankfurt, a sua obra Frei Lwis
de Sousa.
Herculano nao 6 alheio a Klopstock, a obra de Goethe Gotz
von Berlinchigen, drama hist6rico tendo como her6i um cavaleiro
salteador do seculo xvI, a Chateaubriand, a Augusto de Lafontaine.
0 seu romance hist6rico nao se subtrai a influ8ncia de W. Scott,
ao Paradise Lost, de Milton. 0 Abade e o Rei de Bruger, na sua
opinido, 6 dos contos mais conhecidos, nas noites de inverno, das
lareiras portuguesas, inspirando-lhe este autor cenirios t6tricos e
atmosferas fantasticas. As suas relag6es com Heine levam este a
traduzir-lhe a sua obra Eurico.





Ha um intense labor de tradug6es de obras de Baculard,
d'Arnaud, Madame Genlis, Sophia Lee, Anne Radcliffe, Madame
Stael, Victor Hugo, W. Scott, Voltaire, Rousseau, Richardson.
Fazem-se tradug5es atrav6s da Sociedade Propagadora dos Conhe-
cimentos 17teis, cujo 6rgdo 6 o Panorama, criado em 1837.
Traduz directamente do ingles Winter ou Daphne, de Pope,
o estudante Jos6 Maria Os6rio Cabral no Jornal de Coimbra corn
o texto em ingl6s ao lado. Sao ainda traduzidas as obras Essay
as Man e Moral Essay, de Milton, o Oberon de Wieland que cria o
gosto pelas novelas de cavalaria, Der Messias de Klopstock, Botani-
cal Garden de Darwin.
Seria verdadeiramente quim6rico afirmar que essa tao longa
produgo estrangeira que corria em Portugal, eivada de espirito
romantico, nao tivesse inculcado na alma portuguesa os germens
que trazia.
A sensibilidade portuguesa que se encontrava hipersensibili-
zada pelo ambiente de mau-estar em que se debatia a nagao, encon-
trava-se em condig6es 6ptimas de receptibilidade a tudo aquilo que
se lhe oferecesse de original.
Nao fica indiferente a influ6ncia mitol6gica e melanc6lica
escocesa patente no poema Fingal, is suas paisagens de castelos
e ruinas invadidos por musgos, tfimulos abandonados, colinas soli-
tArias cobertas de espessa bruma, nem ao conteudo terrific e fan-
thstico dos claustros assombrados de horror, ao romance cavaleiresco
de aventura e emogdo tao dominant na prosa inglesa, assim como
ao sofrimento amoroso, exaltado, apaixonado e melanc6lico, ao par-
ticularismo, a angfistia e ao pessimismo que emanam da literature
alemd, e bem assim ao amor do pitoresco, do selvagem, do ex6tico,
do distant, da natureza, express na prosa francesa.
Estes novos estados de alma, estes caminhos de evasdo que
se Ihe apresentam calam bem no espirito portugu6s.
Mas nao podemos concluir daqui que a nossa literature v&
apenas fazer uma imita~go servil dos models que se lhe apresentam.
Esses germens estavam latentes nos pensadores de entdo e s6 assim
podemos compreender que eles tenham tao rhpidamente triunfado
na literature portuguesa.
Se interpretarmos o romantisme como uma forma de sensibi-
lidade e attitude perante a vida, como afirmava Rousseau, esta nova
corrente literdria nio tem as suas origens nem nos fins do
s6culo xvm nem no primeiro quartel do s6culo xlx, mas mais remo-
tamente, podendo-a entroncar nos Cancioneiros Portugueses, em
Manuel Bernardes, no fatalismo e lirismo de Cam6es.
Se a Garrett nao sao estranhas as influencias estrangeiras,
tamb6m nio Ihe 6 estranha a influencia de Cam6es e Gil Vicente.





Ele mesmo procura estabelecer um paralelismo entire a sua
vida e a de Cam6es.
Herculano e Garrett lamentaram os efeitos das novelas fran-
cesas, considerando-as como factors de corrupqao da linguagem
e da antiga moral portuguesa.
Mas o pfiblico continuou ligado a literature francesa, e vamos
encontrar ainda Rebelo da Silva traduzindo o Angelo de V. Hugo,
Pinheiro Chagas, a Dama das Came7ias, Gongalves Crespo traduz
Daudet e Gautier, etc.
Em Portugal houve pois um movimento continue que se vai
diferenciando, sofrendo, como 6 not6rio, as influencias externas que
o vdo metamorfoseando.
Solidirias corn o movimento romintico estdo, sem sombra
de divida, as ideas e os acontecimentos politicos que se desenrolam
no principio do s6culo x=x em Portugal.
As invas5es e permangncia da soldadesca francesa vinda corn
Junot, Soult e Massena, as associagSes secrets organizadas pelos
primeiros adeptos das ideias liberals, os emigrantes entiree eles
podemos apontar Filinto Elisio), a vit6ria do liberalism corn a
revolugio de 1820, o triunfo dos Miguelistas que obriga a uma nova
vaga de emigracgo (Garrett, Herculano), o espirito das reforms
das instituigSes, podem ser apontados entire outros factos.
A prepotencia do dominio estrangeiro quer por parte dos
franceses, quer de Beresford, arreiga no espirito portugues o senti-
mento de individualism, aviva-lhe a consciencia national; a mis6ria
do ap6s-guerra, o descontentamento e mal-estar devido a ausencia
do rei faz nascer a hnsia de justiga, a saudade dos tempos passados,
e a literature de panfletos clandestinos vindo dos emigrados exalta
na alma portuguesa, traumatizada pelas lutas civis e ideol6gicas,
o desejo de liberdade, a efervescencia religiosa, o amor pelos her6is
e temas nacionais, o gosto pelas tradig~es e folclore popular.
Garrett e Herculano sofreram as agruras do exilio e na sua
obra deixaram bem vinculada a saudade da PAtria, a inquietude
religiosa, a angistia da opressdo que sofreram, o inconformismo
politico e a inquietude pessoal.
Herculano reage contra o absolutismo, pois ele mesmo sentia-se
esmagado por essa ideologia political. Dai defender a liberdade
do individuo e do grupo 6tico dentro da sociedade e do Estado.
Ndo se consegue adaptar, assim como Garrett e tantos outros, a
rigidez da 6tica political vigente na Patria. Longe dela, em contact
corn mentalidade onde os novos credos politicos tinham triunfado,
deixam desabrochar e fortalecer as suas crengas political.
A literature comega a ter uma tarefa civica e pedag6gica.
Transforma-se em instrument social e arma de combat political.





E 6 o caf6, o clube, o journal, o elo de ligagAo entire os pensadores
e o povo.
Alias, ji no s6culo xviii, era no Botequim que se reunia a
bo6mia intellectual da 6poca.
No <>, no <> discutia-se a musa
clAssica a mistura com as noticias das gazetas, as teorias political,
os poemas dos exilados, os versos sediciosos do Bocage.
Corn a acalmia que se segue is lutas civis, o triunfo do libe-
ralismo, a onda do movimento literario vai conquistando novos
adeptos, uns seguindo Garrett, outros as novelas hist6ricas de
Herculano como Rebelo da Silva e Arnaldo Gama.
Nas d6cadas de 40 e 50 os versejadores dividiam-se em dois
grupos, o do Trovador (1844) corn Jodo de Lemos e Ant6nio Lopes
Pimenta e o de 0 Novo Trovador com Soares de Passos e Alexandre
Braga.
Mas o pensamento romantico vai sofrendo modificag6es, pri-
meiro, pelo exagero a que vao levar certos pensadores, as fontes
de inspiragdo, o lirismo, e a sensibilidade dos primeiros rominticos,
caindo ora numa attitude piegas e doentia, ora no exagero do ambiente
de terror, de maldig6es paternais, do romance negro, do egocentrismo
e da hipertrofia do eu. Segundo, apesar do romantico partir da
observacgo do real, este 6 apenas suporte de um mundo de evasdo,
de imaginacgo onde tece todas as suas conjecturas.
A primeira reacgdo 6 marcada pelos artists que tocados pelo
espirito cientifico procuram realizar corn rigor a observacgo do
mundo que os rodeia 6 o realism e o naturalismo na arte.
Antero de Quental e Ega de Queir6s sio figures proeminentes
e influenciados por Musset, Balzac, Stendhal vao procurar realizar
o , e projectar nos seus livros os quadros
vivos da vida cotidiana.
Ega ridiculariza o romantismo e preocupa-se mais corn o
caracteristico do que corn o emocionante, desviando-se da estrutura
do movimento romintico. Antero vai interessar-se nao pelo indi-
viduo mas pela sociedade e repudia o ultra-romantismo.
0 realism 6 a agora a expressao literaria e artistic da nova
corrente filos6fica, o positivismo. Balzac na Com6dia Humana,
Flaubert em Madame Bovary, Zola no Sonho, sao expoentes miximos
dessa corrente literaria.
O socialismo e positivismo trazem a ideia de um cosmopoli-
tismo eivado de certo cepticismo que se opunha ao particularismo
e individualism optimista dos romanticos.
Antero filia-se na esquerda hegeliana e defended o socialismo,
Te6filo Braga, o positivismo, enquanto que levados pelo pessimismo
sobre a sociedade em que vivem, Guerra Junqueiro e Ramalho





Ortigdo se fecham dentro duma pacificagdo spiritual sio os ven-
cidos da vida.
Gongalves Crespo influenciado pelo naturalismo apresenta-se
como um representante tipico do parnasianismo.
Michelet, Proudhon, Hegel, Darwin, Augusto Comte, Schope-
nhauer, fazem sentir as suas influencias na literature portuguesa.
As conferencias do Casino a partir de 1871 fomentam um
movimento politico e social, o partido republican socialist.
A literature nao fica indiferente a esses movimentos, deixa-se
impregnar por eles, tomando novos rumos, realismo, impulsionismo,
naturalismo at6 chegar ao modernismo dos nossos dias.


Segunda Parte

AS CARACTERISTICAS EXTRINSECAS DO LIVRO ROMANTIC

I CAPITULO

A encademagco, afirmava Vigneul de Marville, 6 uma arte
e tem de ser olhada como tal.
Esta idea express no principio do s6culo xvmn nao 6 nova,
pois j& se manifestara no cuidado que desde a antiguidade os
homes sempre tiveram em escolher belas pastas que deviam prote-
ger e alindar as suas obras.
Essa preocupacgo surge quando o manuscrito perde a forma
de rolo e o artist passa a sobrepor as folhas umas sobre as outras,
cosendo-as de um lado e cobrindo-as com tecido ou protegendo-as
com duas tabuas de madeira &s quais se aplicavam brochas de metal
e fechos.
Dessas primeiras encadernag6es podemos observer as que ser-
viram as Epistolas de Cicero e que se encontram na Biblioteca
Laurenciana de Florenga.
Da Baixa Idade M6dia, dos s6culos v e VI, podemos ainda
apreciar trabalhos feitos em marfim com cenas esculpidas da vida
de Cristo ou motives em alto relevo feitos em latdo, como um
medalhdo com Cristo pregado na Cruz.
Carlos Magno cultivou a encadernagio de luxo deixando como
vestigio o rico Evangeliario que ofereceu a abadia de Saint-Riguier,
que 6 um dos mais belos models da encadernago metalica.
0 gosto pelas tabuas forradas de tecido precioso com incrus-
tag~es a marfim, prata e pedras preciosas, talvez de influ6ncia
marroquina, tem muita voga na Idade M6dia, principalmente nos
nos livros litfirgicos como no Evangeliaire de Saint-Lupicin, do





seculo xiv, tendo como titulo Cristo, e que se encontra na Biblioteca
Nacional de Franga.
Chama-se a esta encadernagdo , mas nio possui
ainda t6cnica, nWo segue normas, era uma aplicagdo avulso, corn
engaste, dos motives que encontravam.
No s&culo xv aparece uma encadernagao de chapa tendo como
tema S. Jorge e em que j& aparece uma incipiente composigdo.
Os seculos xv e xvi marcam um grande avango na arte da
ilustragdo e encadernagao.
Ea Italia e principalmente Veneza o seu centro principal.
Aparece a decoracgo do couro dourado a ferros, que tern a
sua origem no Oriente, nos persas e arabes. Sdo os manuscritos
mugulmanos trazidos pelos cruzados da volta da Terra Santa, a
Nipoles e principalmente a Veneza que vdo inspirar os melhores
impressores italianos nas composig6es tipogrificas e nas vinhetas.
Da celebre familiar dos Aldos de Veneza, o mais famoso
deles, Aldo, 0 Velho, vai, influenciado por eles, criar os conhecidos
ferros aldinos ou floroes venezianos.
Joio Grolier, tesoureiro do Estado de Franga, vai a Veneza
e tern ocasiao de ver essas encadernag6es vindas da P6rsia corn
gravagdo a ouro. Entusiasmado por esta novidade, leva para a sua
Pitria artists venezianos que tinham aprendido corn os persas.
A partir desta altura passa para a Franga a supremacia desta
florescente arte tao de acordo corn a subtileza do espirito frances.
A chapa 6 substituida pela decoracgo de ferros soltos, a petit
fer, de tio do agrado de Grolier, a roda, que ja era conhecida desde o
seculo xu, para tragar filetes simples, passa a ser usada, a partir
do seculo xvi, pelos douradores, corn motivos gravados no mesmo
estilo dos flor6es.
Grolier que tinha como divisa terra viventium e adoptado no seu ex-libris a tao famosa e conhe-
cida frase muito pr6prio, de barras pintadas corn uma especie de esmalte feito
com cera e tinta e com entrelagados de linhas geom6tricas. Emprega
ferros aldinos plenos, vezados e tracejados.
Nesse mesmo seculo aparece uma nova decoragdo que sera
retomada e apelidada pelos rominticos de reserves preenchidas de complicados ferros No seculo xvn encontramos novos tipos, o dominio da linha
recta, da simetria, da simplicidade e austeridade corn Luis XIV e,
como reacgdo a este, o triunfo da assimetria raminhos de flores,
amorzinhos correndo ou langando setas, cestinhos, passarinhos -,
da curva, dos contornos retorcidos, do movimento, cujo espirito





trazido por Luis XV, vai projectar-se na ilustracgo, nos pr6prios
m6veis, c6modos, adaptados ao corpo ou a uma finalidade, como os
conhecidos confidentes e inconfidentes, as cadeiras para descansar,
para jogar, para namorar, etc.
Aparecem dois tipos caracteristicos de ornamentagdo: << den-
telle> quando os ferros formam uma esp6cie de filigrana, e
cada> que se obt6m chifrando a pele e colocando os motivos a cores
sobre um fundo base. Os mais ilustres encadernadores sao Padeloup
e Mounier que se distingue fhcilmente do primeiro pelos motives
do g6nero oriental que utilizou. Padeloup prefer ir buscar a inspi-
ragdo &s rendas, tecidos e tapetes.
Nao tarda uma nova viragem, desta vez defendida pelos enci-
clopedistas contra o excess de comodidade, de sensualismo de que
enfermavam os costumes e se projectava na arte e preconizavam
o retorno ao clAssico que se mant6m atW ao romantismo.
A descoberta de Pompeia e Herculano em 1750 e a ida do
arquitecto ingles Adam & Italia tiveram um papel important no
renascer da paix5io pelo antigo na Europa Central e N6rdica.
Madame Pompadour, que era o padrao da moda em Franga,
foi a primeira a adopta-lo.
Mas o classicismo nio se mantem sempre identico desde o seu
aparecimento atW a decadencia, mas, pelo contrArio, vai sofrendo
modificag6es no estilo, nos motivos, mantendo no entanto a mesma
estrutura e fonte de inspiragdo.
Assim, em Luis XVI aparecem-nos as folhas de agua e acanto,
as fitas enroladas, as voluptas interceptadas corn folhinhas. 0 estilo
Imp6rio nao se inspira no classico como o anterior, mas copia os
pr6prios models. David que e o padrdo da moda, manda arque6-
logos fazer escavagoes para decalcar, nos vestigios antigos, os seus
models. Nao cria, copia.
Inspira-se tamb6m nao s6 na antiguidade mas na civilizacgo.
Apresenta como motivos nas suas encadernag~es, a aguia, simbolo
da forga, esfinges, palmetas, faiscas, folhas de videira, cachos, estre-
las, setas e abelhas, simbolo e gl6ria da actividade do Novo Imp6rio.
E natural que alguns ferros tenham sido copiados das coroas e
grinaldas de folhas de loureiro e castanheiro que ornavam o sump-
tuoso manto de veludo usado por Napoledo, no acto da sua coroagdo.
As figures proeminentes desta 6poca sao Deforge e Bozerian
tendo este filtimo aplicado nas ornamentag6es caracteristicos pontos
a preencher funds de motives florais e ainda, na regencia do
governor de Napoleao, inicia o tipo de encadernago romhntica que
se acentua na Restauragdo corn os trabalhos de Duplanil e Didot.
A representacgo em Paris de Hamelet, a que assistiram entu-
siasmados Victor Hugo, Gautier e Delacroix, tern um 8xito tdo





retumbante que pouco tempo depois vinha a lume nio s6 a traduqdo
desta obra como o .Fausto de Goethe traduzido por Gerard Nerval.
Delacroix 6 o ilustrador dessas obras e sao elas que abrem deci-
didamente o caminho a ilustracgo da escola romAntica.
0 Fausto, ilustrado por Delacroix e Hernani, de Vitor Hugo,
tem a mesma importAncia fundamental para o movimento romantico.
O primeiro para a ilustracgo, o segundo para a literature.
Os percursores da gravura estio representados jh no
saculo XVIII por Binet que ilustrou as obras de Restif de la Bre-
tonne e Prud'hon.
Chegamos assim a uma nova corrente artistic que tern como
object a ilustracgo e a encadernaqdo denominada romantismo.
Imp6e-se-nos determinar quais sao as particularidades que Ihe
conferiram o direito de poder ser considerada como uma nova etape
na evolucgo artistica do pensamento human.
Analisando-o vamos supreender-lhe caracteristicas herdadas
de outros s6culos, outras iniciadas nele e que subsistiram posterior-
mente e ainda aquelas que se formaram e que se nao projectaram
para al6m da 6poca que as fomentou.
Mas em primeiro lugar e imprescindivel, para compreender o
aparecimento dos novos elements, dissecar a 6poca hist6rica em que
eles se formaram.
Entre outros vou procurar apontar aqueles que consider fun-
damentais.
Os novos g6neros e temas de inspirag~o projectados na
literature como o culto pelo passado, principalmente pela Idade
Media, pela natureza, o gosto pelo exotismo, os estados de alma de
angfistia e inquietagdo.
A ruina das antigas concepg6es de unidade, regra, padrao,
que cerceavam o g6nio do artist e o triunfo da liberdade na arte
e na political.
-0 xito das ideias liberals e da burguesia que leva ao alar-
gamento da cultural a todas as classes sociais.
A crise econ6mica resultante das lutas civis e ideol6gicas
que assolaram toda a Europa.
0 grande desenvolvimento tecnico e subsequent aplicacgo
a indfstria que abre novas perspectives & economic.
A moral, gostos e costumes da 6poca.
Os aspects considerados nao sao inerentes a um ou outro
pais mas podemos dizer que eles foram um clima Europeu que vai
fazer surgir dentro de cada nag~o movimentos paralelos.
Mas, 6 indiscutivelmente em Franga que esta arte se realize
corn maior brilhantismo e e la que Portugal vai buscar a maior parte
dos elements que necessita para satisfazer corn maior galantaria





os anseios e as exigencias que os factors atris indicados suscita-
ram. Mas incute algo de particular, de diferente aos models de
que se serviu.
E como este movimento artistic que 6 objective deste tra-
balho 6 apenas uma etape ou antes um retorno em alguns aspects
da evolucgo que se vai firmando a partir do s6culo XVI, nio pode
deixar de se fazer uma ripida resenha das virias fases que o prece-
deram.

CAPITULO II

A pressdo das coordenadas political, sociais, econ6micas e lite-
rkrias ji mencionadas no capitulo anterior, embora concomitantes,
nao se projectam indistintamente nos dois elements fundamentals
a considerar: a encadernago e a ilustragdo.
Umas, vio influenciar mais de perto a encadernago, outras a
ilustraco.
Para facilidade de estudo analisarei separadamente os dois
aspects, dando primazia ao primeiro.
0 cansago pelos estilos anteriores, o culto pelo passado e
nomeadamente pela Idade M6dia, que tamb6m era expresso nos
temas literirios, foi fomentado na encadernago principalmente pela
publicago, em 1820, por Charles Nodier e o bardo Taylor, do pri-
meiro volume das Voyages romantiques et pittoresques dans l'an-
cienne France e em 1823 por uma maravilhosa serie de monografias
de catedrais francesas acompanhadas por textos de Jolimont e de Du
M6ge, do arque6logo Chapins, fazendo renascer o gosto pelo estilo
g6tico.
Comegam, depois destas publicag6es, a aparecer em pfiblico,
uma variedade de velhos contos e fibulas impressos alguns deles corn
caracteres g6ticos e ilustrados com ogivas flamejantes das catedrais,
arcadas, arcobotantes, piniculos, rosiceas, girgulas que sdo apro-
veitadas para servir de modelo e former enquadramento dos mais
variados feitios.
As parties rominticas corn ornamentag6es deste tipo ddo lugar
ao denominado estilo << catedral ou neog6tico.
Em 1835 Banzonnet faz substituir este estilo pelo < fazendo assim um retorno a 6poca de Luis XV.
Com este encadernador di-se tamb6m o renascimento da orna-
mentago simples e s6bria, feita a base de filetes de oiro usados
no s6culo XVIII por Boyet, o que fez com que ele fosse cognominado
o Boyet do seculo XIX.
Um dos mais c6lebres encadernadores deste s6culo, Thouvenin,
que tinha j6 imitado Bozerian e usado places a cathedral, vai fazer





reviver de maneira prodigiosa o estilo de na ornamentagdo de um exemplar de uma obra de 1613 Fanfares
et Courve6s Abbadesques de Roule... e teve tao grande voga que
subsiste com pequenas variantes at6 1900, passando a ser conhecido
desde esse facto pelo estilo fanfaree.
O romantismo faz, pois, apelo aos ferros usados em 6pocas
passadas, como, por exemplo, &queles que foram utilizados por gran-
des mestres como Grolier, Les Eve, Le Gascon, que tern a sua melhor
6poca em 1640 e que e caracterizada pelo trago do ferro que em
vez de linha recta seguida era constituida por minfisculos pontos
seguidos uns aos outros dando a idea de filigrana e feitios compli-
cadissimos, , e As places de chapa douradas que subs-
tituem os ferros soltos.
Foi essencialmente uma 6poca sem grande poder criador carac-
terizada por ter recorrido A pastiche, mas nWo podemos negar
que tenha acrescentado um cunho pessoal aos models que utilizou.
O triunfo das ideas liberals e da burguesia, a crise econ6mica
resultante das guerras civis e political, o desenvolvimento t6cnico
e a sua aplicacao a indfistria marcam novos rumos na arte de enca-
dernar.
A concepqio da igualdade originiria de todos os homes destroi
o regime de casta, de apanbgios sociais e culturais restritos a uma
determinada elite aristrocitica para os alargar a todas as classes.
A cultural e o valor pessoal passam a ser o process de aferigio
de direitos e por isso o desejo e necessidade do alargamento da
cultural a todas as classes.
O livro tern de se adaptar aos gostos e As possibilidade do
grande pfiblico.
A crise econ6mica, a escassez de clientele requintada e a
necessidade de produqgo em grande escala levam a que aparecessem
dois tipos distintos de encadernago. Uma, em nfimero mais res-
trito a encadernago de luxo que utilizava o marroquin>>, o
basane (carneira pintada de preto) e o chagrin, e a pele estriada
obtida pelo uso da calandra 6 uma das particularidades desta 6poca
e um meio de a distinguir de todas as outras utilizadas nos periods
anteriores.
Nas encadernag~es que tinham por object, em geral, o povo,
usaranm-se as nio menos tipicas pastas marmorizadas, as que apre-
sentavam desenhos imitando raizes denominadas racinage>>, as ori-
ginais capas cartonadas ou emprensadas criadas por Bradel, algu-
mas destas filtimas tornadas tao graciosas corn a aplicacgo de vis-
tosos cromos em relevo, florinhas, grinaldas etc.
Os problems econ6micos fazem ressurgir ainda um g6nero
de encadernago que tendo sido usado no s6culo XVII tern agora o





seu apogeu -a meia encadernagio, ou meia amador. Pretensiosa,
mas adaptada singularmente is circunstancias. Apenas 6 ornamen-
tada a parte visivel na vitrina, a lombada, mas esta 6 tao cuidado-
samente tratada que da ideia de uma encadernagao inteira.
Distingue-se facilmente da utilizada no s6culo XVII pela estrei-
teza da pele aplicada nas parties, pois cobre apenas um quinto a um
sexto da mesma e os cantos estao em identica proporgao.
Filetes duplos a seco ou a dourado circundando as nervuras
ou em substituigio destas, orlas feitas com rodas de motivos de
estilo romantico. Nas casas ou entre-nervuras colocam-se normal-
mente tipicos ferros rominticos a dourado.
Mais tarde surge a idea de imitar as encadernag6es inteiras
cobrindo as pastas dum tecido de percalina imitando o marroquim
que os franceses denominaram toilee chagrin6e>.
O papel das guards corn desenhos do s6culo XVIII, alguns
assemelhando-se a carac6is, sao abandonados e substituidos por
desenhos lembrando veios os mais famosos sAo fabricados em
Inglaterra: os Os fabricantes servindo-se de uma esponja ligada a um pincel
salpicavam o papel corn a cor desejada misturada corn goma de
amido. Outras vezes projectavam sucessivamente varias cores por
meio de uma esp6cie de brocha.
Estes mesmos pap6is sAo postos a secar em frio, nao horizon-
talmente, mas pendurados verticalmente.
Os efeitos resultantes da aplicaago deste process vao dar
a denominada pasta romnmtica, a < Langam ainda nas cores terebintina, petr6leo ou Alcool metilico
tendo estes produtos a propriedade de former cambiantes, dando
marmorizados ineditos, corn veios sombreados, fundo Agata,
verde, etc. Produzem tamb6m pap6is monocromaticos brilhantes
e lagos que oferecem aos encadernadores grande quantidade de
pap6is marroquim, moir6s, gaufr6s, etc.
Outra inovaago deste period ligada a nova clientele sao as
obras publicadas em fasciculos.
Cada fasciculo tinha uma capa e para a obra complete uma
cobertura externa quase sempre ilustrada, o que constituia uma
novidade.
Hoje temos poucos exemplares dessas primeiras capas pois os
encadernadores na maioria das vezes nao as conservavam e s6 excep-
cionalmente as mantinham.
Em Franga, houve grande produgAo de obras em fasciculos
e entire elas podemos destacar < publicada em 1838, e ilustrada por Baron, Janet-Lange, Gavarni,
sendo um dos livros mais importantes do s6culo XIX, nao s6mente

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pela ilustragio requintada em ago, mas pelo relato minucioso que
faz dos costumes da 6poca romAntica.
O prot6tipo desta 6poca em Franga 6 a obra Paul et Virginie
de Bernardim de Saint-Pierre editado por Crumer e ilustrada livre-
mente com gravuras em madeira.
Com o aburguesamento da sociedade, a encadernagio vai per-
dendo os seus requintes para dar lugar a uma mistura de g6neros
e estilos de decoragio a ouro e seco, procurando efeitos ripidos e vis-
tosos que caiam no agrado do pfiblico sem se importarem corn o
anacronismo de utilizarem virios estilos na mesma obra.
O aparecimento da miquina vai tamb6m influenciar o gosto
da 6poca. Os resultados da sua aplica~go sio tio estrondosos que
nasce um verdadeiro culto por ela.
0 ideal do s&culo XIX deixa de ser a graga e a subtileza na arte
de encadernar e ilustrar para ser substituida pela perfeigdo, que
era atingida pela maquina. 0 trabalho mecanico passa a ser mais
apreciado e mais caro, tornando-se o padrdo de beleza e de bom
gosto da 6poca.
Mas seria muito pouco restringir o papel da miquina a este
aspect.
A actividade industrial mecaniza-se e vai sofrendo aperfeigoa-
mento corn o desenvolvimento da tecnica.
As places douradas ou a seco passam a ser impressas por
prensas mechnicas e substituem definitivamente os ferros soltos.
Aparece a miquina de cortar papel, < Ihotina corn a forma que se mantem ainda hoje, o torno para fazer
as lombadas e a maquina de coser os livros.
O requife ou sobrecabeceado era a principio feito manualmente.
Alguns editors incumbiam os seus operirios nas 6pocas de menos
trabalho de fazer esses rolos de linha de algoddo ou seda que eram
aplicados ao long de bandas para serem utilizados quando fossem
necessirios. Um retroseiro vai mecanizar este process e passa a
fornecer aos encadernadores todas as especies de requires imitando
os manuals.
Estes processes mecinicos vio permitir um trabalho mais
rapido e em s6rie o que torna possivel satisfazer, a pregos acessiveis
a todas as bolsas, um pfiblico mais numeroso.
A encadernago industrial vai resolver os problems que a
produgdo manual ndo permitia.
A ilustragio tamb6m vai usufruir beneficios da mecanizagdo,
pois permitindo um elevado nimero de exemplares em cada tiragem,
intensifica a venda pela possibilidade de diminuigdo do custo, o que
leva os editors a entregar aos melhores artists da epoca as ilus-
trag6es dos seus livros.





Em Franga aparecem grandes mestres como ilustradores; entire
eles, podemos mencionar Grandville, Gavarni, Johannot.
A ilustragao que sera o segundo element a estudar, para cum-
prir o plano que propus, tem um papel important nas obras do
s&culo XIX.
Alias, ela teve sempre um valor primacial para qualquer inves-
tigador que queira analisar uma determinada 6poca.
Atrav6s da estampa pode aquilatar-se da moralidade dos cos-
tumes, dos gostos, dos trajos, dos estados de alma pessimistas ou
optimistas manifestados nas expresses dos rostos das figures e ainda
o nivel artistic e econ6mico de uma sociedade.
Confrontando, por exemplo, as gravuras da 6poca de Luis XIV,
Luis XV, corn aquelas que aparecem posteriormente aos enciclope-
distas e ainda corn as do period romantico, as diferengas saltam-nos
A vista.
As primeiras tem como tema, cenas licenciosas, levianas, er6-
ticas, como mundanos eram os costumes da 6poca.
Os enciclopedistas preconizam a reform nao s6 das institui-
5ges como tamb6m dos costumes.
Rosseau, na sua obra Emilio, versa os problems relatives A
educagao dos jovens, defended a bondade natural e o amor da natu-
reza.
Nas estampas encontramos projectados os novos ideas. Os
meninos rechonchudos sao temas de inspiragco, aparecendo sempre
rodeados de ternura, junto das mies e nao das amas como no s6culo
anterior, outras com cenas familiares, onde nao falta o cdo, a casa,
cenas campestres de amor, moinhos, rebanhos, etc.
Maria Antonieta levada por essas novas ideas, forma .nos
Jardins de Versailles um recanto, >, onde se diverted corn as
suas damas, vestidas de camponesas, fazendo rodas, brincando corn
cabras de chifres pintados de oiro.
Um dos livros mais maravilhosamente decorados do s6c. XVIII,
6 a obra Les Baisers, de um poeta mediocre, mas c6lebre pelas suas
estampas gravadas sobre o cobre, feitas por Eisen.
No s6culo XIX sao os problems que martirizavam os pensa-
dores que se procuravam concretizar na ilustraego.
O mist6rio da existencia vai ser tema de inspiracao de Alfred
Rethel na gravura em madeira <> e a Deve-
ria na <>.
O amor da natureza sugere a Villeneuve uma litografia sobre
os montes suigos. Tony Johannot da-nos uma litogravura de sabor
tipicamente romAntico, pensador solitArio ao luar, junto da cruz
de uma sepultura e de ruinas cobertas de hera.
Uma das particularidades da gravura do s6culo XIX 6 ser um





meio de concretizar as ideias expresses pelo autor na obra que
ilustra.
Obedecem a umrn verdadeiro men de Artigas Sanz. A estampa aparece precisamente ao lado das
palavras cujo contefido vem ilustrar.
Boutigny foi o promoter dessa ideia aplicada a encadernago,
usando places douradas reproduzindo o assunto do livro.
Grandville realizou uma sugestiva ornamentacgo corn ferros
alusivos para a sua obra O triunfo da liberdade permit ao artist todas as inovag6es.
O ilustrador na posse dela abandon as regras anteriores da
estampa ou cul-de lampe.
Permite-se usar o seu gosto pessoal espelhando a seu belo
prazer as estampas e as vinhetas pelo texto, no principio ou fim
dos capitulos, nas margens, servindo de fundo as capitals, combi-
nando trabalhos gravados em cobre e em madeira, etc.
A novidade mais sensacional deste period na ilustracgo 6 a
aplicago da litografia & gravura, dando-lhe grande desenvolvi-
mento.
Deve-se a Aloys Senefelder a sua descoberta.
Em 1799 foi consagrada pela pr6pria Academia das Ci6ncias
da Baviera.
Espalha-se corn o romantismo. Em 1815 entra em Franga,
em 1819 em Madrid, em Portugal por decreto de onze de Setembro
de 1824. A Italia s6 a aceita mais tarde, mas ja em 1870 tinha as
melhores cromolitografias da Europa.
A litogravura 6 muito rica em matizes e detalhes, formando
contrastes muito apreciados em circulos mais restritos, no entanto,
do que a xilogravura.
A estampa gravada em metal vai perdendo terreno atW ser
quase totalmente substituida pela litogravura e xilogravura que
tinha ja sido usada no s6culo XVI. Estas acabam por ser abando-
nadas corn o aperfeigoamento feito A fotogravura, em 1860, por
Gillot, hoje largamente usada na tipografia apresentando o aspect
da gravura em madeira.
Podemos encontrar ainda no livro romantico outras caracte-
risticas, que sem serem decisivas conv6m mencionar.
Comegam, a partir do segundo quartel do s6culo XIX, por
influ6ncia inglesa, a dourar as caneluras dos livros, primeiro sem
motivos depois nas edig6es de luxo corn motivos romanticos feitos
< roda. As seixas tamb6m passam a ser douradas e decoradas
cuidadosamente. Executam este trabalho comprimindo fortemente
o livro numa prensa e aplicando seguidamente um mordente e sobre





este, por meio de uma >, o ouro ou a roda corn os motivos
desejados.
Durante algum tempo empregam, antes de passar o ouro, acido
nitrico diluido process abandonado pouco tempo depois por se
concluir que era nocivo, para a conservagio do ouro.
Na lombada do livro surge tamb6m uma inovagao express
nesta frase... < a l'6querre>>.
Este objective conseguia-se amolecendo a pele com uma ras-
padeira em ferro de dentes afilados e cobrindo-a totalmente na parte
anterior corn uma consistent pasta de cobre e reforgando-a em
seguida corn uma tela abandonando ao mesmo tempo o uso das ner-
vuras. Alias, ji Bozerian as tinha abandonado, pois estas dificulta-
vam o uso dos seus ferros na lombada.
As nervuras nao se apresentaram sempre da mesma maneira.
No s6culo XVI nio s6 o iltimo nervo era colocado no extremo
inferior da lombada como tambem os encadernadores, corn uma
dobra faziam, a volta delas, um vinco muito pronunciado que se
prolongava nas pastas em forma de triAngulo.
No fim do seculo XVIII era uso o emprego de cinco nervuras
para na 6poca romintica serem reduzidas a quatro, deixando de ser
usadas com as lombadas plans. Mais tarde reaparecem juntamente
corn a lombada arredondada.
Com a aplicaego da miquina de coser os livros a nervura desa-
parece mas os encadernadores procuram em algumas edicges, prin-
cipalmente de luxo, por meio de aplicagio de bandas de cartao ou
couro, imita-las.
Quanto ao format do livro nao houve um tamanho determi-
nado, utilizando-se o in 4., in 8.0, in 12.0, in 32.0, etc., mas o in f6lio
aparece raramente em Portugal, tendo predominancia muito acen-
tuada o in 8..
P muito caracteristico no frontispicio romintico o retrato do
autor, o que tinha j6 sido usado nos s6culos XVI e XVII e, tendo
decaido posteriormente, atinge o seu auge neste period.
Nem sempre 6 o autor o retratado podendo ser substituido pelo
biografado, no caso de se tratar de uma biografia ou atW da pessoa
a quem o autor dirige a obra. Este hibito mant6m-se at6 aos
nossos dias.
Os titulos das portadas slo, regra geral, breves e s6brios, apa-
recendo nelas virios tipos de letra desde o Romano, Didot quadrado,
Normando, Alongado, G6tico, Bastardo, e letra de fantasia roman-
tica.
Numa mesma obra pode aparecer apenas um tipo ou virios
tipos combinados.





As portadas e frontispicios sao muitas vezes enriquecidos corn
imagens alusivas ao titulo ou aos assuntos do livro.
Usou-se anteriormente nas letras a cor preta e vermelha. Mas
esta, a pouco e pouco, e eliminada para dar lugar a portadas s6brias
corn caracteres a tinta negra, o negro betum ou negro em virias
tonalidades. Outras vezes, toda a classes de tintas usadas nas minia-
turas medievais acrescentando ainda a prata e o ouro.
Nas orlas utilizaram tinta azul, verde, s6pia formando agra-
dfveis decorag5es.
No texto os caracteres utilizados sao o tipo elzevir.
A indistria do papel nio consegue satisfazer as necessidades
dos editors em consequdncia das continues tiragens corn grande
nfumero de exemplares.
Assim teve de se recorrer a substancias vegetais para a sua
fabricacgo como a madeira, palha, esparto, pois a produgdo de papel
em trapo de algodao ou linho era, alum de restrita, cara.
0 papel aplicado em Portugal por excelencia, no period
romantico, nos livros de maior luxo foi o de algodao ou linho e nos
livros de novelas, de publicacgo peri6dica, de qualidade inferior
fabricado de madeiras diversas e muito pouco resistente.
Tamb6m se empregou mas em nimero muito restrito um papel
mais consistent parecido com o <>, mas sem brilho. Para
essas obras escolhiam-se para as guards cores suaves com desenhos
esmerados.
Ao procurar dar uma ideia da evolucgo das caracteristicas do
livro romantico nao o restringi a este ou aquele pais, pois elas sur-
giram, embora adaptadas aos gostos nacionais, quase idgnticas nas
linhas gerais em todos eles, sendo, no entanto, a Franga a orienta-
dora da tecnica e da arte de encadernar e ilustrar o livro neste
period.
Os encadernadores, ilustradores e douradores franceses fizeram
escola e mesmo deixando-se influenciar por um ou outro g6nero
ingles ou italiano assimilaram-no e superaram-no. V6mo-los em
muitas cortes estrangeiras servir o rei ou os particulares.
Portugal foi influenciado fortemente pela escola francesa,
embora se nao possa negar um ligeiro contact corn as escolas ita-
liana e inglesa. Varios mestres franceses executaram obras, por
encomenda, para portugueses, como Simier para D. Miguel; outros
vieram para Portugal trabalhar para os reis, bibli6filos ou funda-
ram oficinas.
Ha, no entanto, uma nota a acrescentar: o period auge da arte
romAntica francesa coincide em Portugal com uma acentuada deca-
dencia.
A justificago desse antagonismo talvez esteja nas lutas civis





e na crise econ6mica que o pais atravessava e que vem retardar o
aparecimento e o desenvolvimento deste novo aspect da arte em
Portugal.
O nosso period iureo foi o s6culo XVIII, no reinado de
D. Jodo V.
Aparecem belas pastas ornamentadas corn ferros curvos, ren-
dados, lembrando os ferros < e << l'6ventailb.
Utiliza-se o marroquim, peles de animals como a pantera, o
crocodile e a serpente.
Funcionaram oficinas de encadernago no Convento de Xabre-
gas e Alcobaga. Existiram livrarias de valor no convento do Carmo,
S. Francisco, S. Domingos e outras particulares como as dos Duques
de Aveiro, Lafoes, Ericeira, etc.
Trabalharam para D. Joao V italianos e, da c6lebre familiar de
encadernadores franceses, Antoine Michel Padeloup e seu filho Jean
Padeloup, que nos deixaram couros lavrados a dourado, ornamenta-
56es a seco, ferros de floroes, etc.
O francs Francisco Mariette introduz o habito dos encader-
nadores darem paternidade aos trabalhos mediante marcas impres-
sas ou coladas nas guards das encadernag5es.
O uso de ex-libris, quer por parte das bibliotecas ou dos escri-
tores, 6 bastante mais remoto, parecendo recuar ao s6culo XVI, mas
s6 se tornando habitual a partir do s6culo XVII. Dos rominticos
temos, por exemplo, Garrett que utilizou tr6s ex-libris todos heral-
dicos diferenciando-se pouco na sua composigio geral e o de Jodo
de Lemos tamb6m heraldico.
As primeiras encadernag6es do s6culo XIX seguem o estilo do
s6culo anterior e nao vdo al6m das que cobrem os Brevikrios, os
Almanaques das Academias a excepgao da obra Recueil de Musi-
ques corn pastas em marroquim, ferros a ouro, duas cercaduras corn
motivos romanticos e seixas douradas e na lombada o nome do seu
autor.- Simier, relieur du roi.
Nao foi apenas esta obra que Simier realizou para D. Miguel.
Na 6poca pr6priamente de divulgagdo do livro romintico desa-
parecem quase todos os ferros na decoracgo das pastas a excepgdo
de uma ou outra encadernago que cobre as obras de algum bibli6filo
ilustre, revivendo nestas as places neo-g6ticas & cathedral, <,
mas muito simples, e um falso Luis XV.
Alexandre Braga (pai) entrega os seus melhores livros em
marroquim ao seu encadernador Leonardo para neles gravar minu-
ciosamente a ouro, floroes e cercaduras de gosto romantico.
A encadernago romantica portuguesa, por excelencia, 6 o tipo
meia-encadernago corn lombadas a marroquim ou chagrin, conm-





orlas circundando ou imitando as nervuras e corn simples ferros
romanticos nas entre-casas.
Algumas vezes, o titulo na lombada 6 metido numa oval feita
por roda simples e as pastas mosqueadas ou marmorizadas.
Foram encadernadas neste estilo a maior parte das obras dos
nossos romfnticos, como Cam5es, as Viagens da Minha Terra, Eurico,
0 Monge Cister e nio fugiram a esta regra as tradug6es, editadas
neste period, de autores estrangeiros.
Distinguiram-se como douradores e ilustradores, neste period,
Vier, Cabeau, Cerqueira, Manuel de Macedo, Simon que foi o pro-
pulsor da encadernagio artistic no norte.
Ant6nio Henriques de Matos, em Braga, fazia luxuosas e artis-
ticas encadernag6es a ouro.
A gravura em madeira, denominada tamb6m xilogravura,
estava esquecida entire n6s. Tern um papel important no seu renas-
cimento, nos fins do s6culo XVIII, principio do s6culo XIX, Jos6
Maria Baptista Coelho.
Nao se pode tamb6m deixar de mencionar outra figure que
esteve ligada a esse movimento, Bordalo Pinheiro, que foi grande
artist, nao s6 como pintor mas como gravador. Ilustrou grande
nfmero de obras e trabalhou com Herculano na fundacgo do Pano-
rama.
A litogravura foi trazida para Portugal por Frei Domingos
Sequeira, de Paris, e protegida por D. Jodo VI que cria a Oficina
R.gia Litografica, em Lisboa, por decreto de 11 de Setembro de 1824.
O primeiro lit6gtafo portuense foi Jodo Baptista Ribeiro.
HA quem afirme que o introdutor da litografia em Portugal foi
Luis da Silva Mouzinho de Albuquerque mas o que nao pode suscitar
dividas 6 que o primeiro que litografou tenha sido Sequeira e que a
litogravura tenha dado ao artist portugu6s uma nova forga de
expressed.
Um dos livros mais curiosos do romantismo portugues, nao s6
literariamente mas tamb6m pela sua ilustragio, 6 a obra Ruy
e o Escudeiro de Luis da Silva Mouzinho de Albuquerque, impressa
em Lisboa, em 1848.
Nao obedecendo ji as regras e padres clAssicos da disposigio
das gravuras e vinhetas, a spa decorago 6, no entanto, ainda de
forte influgncia neo-clfssica, tendo muitos pontos de contact com
os motivos dos c6dices de Alcobaga.
0 canto primeiro e o canto terceiro t8m no cabegalho uma
chapa rendilhada e no p6 da folha do primeiro canto, fazendo de
fundo a letra capital inicial, uma vinheta de complicados entrela-
gados e, na parte posterior da folha em que comega o terceiro canto,
outra corn umn ex6tico pavio.





Manuel Macedo notabilizou-se nao s6 nas belas ilustrag5es
romanticas que coroam a Hist6rica de Portugal, como tamb6m nas obras de Garrett e Her-
culano. Salienta-se n'O Arco de Sant'Ana a composigio do populacho> e nas Viagens na Minha Terra da edicgo Obras Com-
pletas, volume n, nas estampas alusivas aos assuntos do texto.
1@ muito sugestiva a que represent a janela meia aberta de
uma habitago antiga...> onde o artist projectou a tipica casa
portuguesa de um s6 piso, lojas em baixo com a nao menos caracte-
ristica videira fazendo alpendre, escada de laje tendo como acesso
um atalho sinuoso e cavado entire terra pedregosa e carvalhos
frondosos, nao esquecendo o her6i amoroso esgueirando-se pela
janela meia aberta.
No capitulo XH da obra de Herculano 0 monge de Cister,
o artist deixa mais uma ilustragio que marca bem o seu espirito
sagaz, relative a Mem Bugalho Pataburro na tavolagem do Beiteiro,
na cena <!. Tamb6m a primeira parte do
Romanceiro, composto por Inicio Pizarro, apresenta interesse, nao s6
pela portada com uma decorago a chapa muito sugestiva, formada
por um enquadramento corn cercadura de estilo romintico inter-
ceptada nos Angulos por medalh5es neo-g6ticos, como tamb6m pelas
ilustrag6es que acompanham as principals paisagens dos virios
romances ali compilados, como a cena do peregrine, as pelejas, etc.
Uma das obras que apresenta maior profusio de gravuras
e mais tipicas pelo seu cunho pessoal, sugestivo e atW humoristico,
pela disposicgo no texto, 6 a edigqo das Obras Completas de Nicolau
Tolentino de Almeida, editada, em Lisboa, pelos Editores Castro & C.a,
em 1861.
n uma publicaedo mais tardia mas nem por isso deixa de ser
uma das mais notiveis obras ilustradas portuguesas.
Podemos ainda falar, embora sendo posterior ao period auge
do romantismo, mas mantendo as suas caracteristicas, na segunda
edigio portuguesa de Atala, corn pastas e lombada em percalina
verde, pr6digamente decorada a ouro com desenhos alusivos a
flora tropical e corn maravilhosas litogravuras de grande poder
expressive.
Os frontispicios das obras portuguesas sao geralmente muito
simples e s6brios, em letras quase sempre a negro, variando, no
entanto, este desde o negro betum ao negro esfumado, as vezes
dentro da mesma obra.
Quanto ao tipo dos caracteres predomina o Didot alongado
mas aparecendo tamb6m no titulo, embora corn mais frequ6ncia
nos subtitulos e p6 de imprensa, a letra normanda ou o romano e,
mais raramente, o g6tico ou letra de fantasia romintica.





Sao muito caracteristicos pela sua sobriedade os frontispicios
da obra Camoes, publicada em 1825, em Paris, e o Monasticon,
editado pela tipografia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos
Oteis em elegant Didot alongado.
Ja na primeira edigdo, em Paris, da obra D. Branca, em 1826,
se mistura o g6tico no titulo e a letra normanda nos outros elements
da portada.
Na Tosquia d'um Camelo de Ant6nio Feliciano de Castilho,
editada pela Tipografia Urbanense, de 1853, ji aparece misturado o
Didot de caracteres cheios com a letra de fantasia puramente
romantica.
Tamb6m no frontispicio aparece, com grande voga entire n6s,
o retrato do autor.
Podemos apontar, como exemplo, o de Jos6 Maria da Costa
,e Silva no volume Isabel ou Heroina de Aragon, tendo subscrito
o local e a data do nascimento do autor e o de Castilho em Os Amores
de Ovidio NasAo.
Podemos concluir, pelo exposto, que o livro romintico portu-
gues 6 um reflexo apagado do period aureo da ilustragdo e enca-
dernagio principalmente francesa, prejudicada em grande parte
pela 6poca de incerteza e luta que Ihe e contemporanea.
Isto concorre para que o movimento chegue tardiamente a
Portugal e que mesmo depois do seu aparecimento nunca tenha
atingido o esplendor que teve em outros paises nem tao pouco
conseguisse equiparar-se ao brilhantismo que essa arte teve no
s6culo anterior, com D. Joio V.
Nao podemos, contudo, negar o seu aparecimento nem os
esforgos que se fizeram para acompanhar a evolucgo artistic
europeia, fomentando mesmo a vinda de estrangeiros atrav6s de
privil6gios que lhes concediam, process ji utilizado por D. Manuel I,
que chega a dar-lhes liberdades e honras anklogas aos cavaleiros
da sua Casa Real.
Mas faltando o culto por esta arte, escasseiam os estimulos
e a procura.
Esta s6 podia ser realizada por uma sociedade requintada
e endinheirada.
Corn a queda do antigo regime e com ele o poder da nobreza,
a perseguicgo das ordens religiosas, fica apenas a sociedade portu-
guesa reduzida a um nficleo muito restrito de pessoas que pudessem
cultivar esta arte esmerada e sibarita.
Em Franca, o triunfo das ideias liberals levou apenas a uma
transposigio da supremacia de uma classes para outra, sendo as
duas igualmente poderosas, diferenciando-se apenas nas suas estru-
turas. Uma assentava na nobreza do sangue, nas tradig6es, outra





na sua riqueza vinda do com6rcio, da indfistria e na sua formagdo
intellectual.
Em Portugal, arruinadas as antigas classes, ji por si um pouco
abaladas, a excepgdo das ordens religiosas, nada existe estruturado
ou organizado com possibilidades de as substituir.
A elite intellectual que se forma, um ou outro bibli6filo que
surja, salvo raras excepg5es, nio se baseiam num substracto econ6-
mico que Ihe permit estimular e cultivar esta arte.
Talvez essa falta de recursos econ6micos aliados a escassez
de cultural, tenham sido os principals factors que nao permitiram
former no espirito portugu8s esses requisitos de esmero e subtileza
que sao a base da predilecqdo por essa fidalga arte.
Nas modestas realizacges que se fizeram, pois s6 excepcional-
mente aparecem encadernagSes de luxo, nao nos limitAmos a copiar,
mas algo de particular, de pr6prio, incutimos nos models que impor-
tAmos.



ILUSTRADORES E ENCADERNADORES IMPORTANTES
DO PERIOD ROMANTIC EM FRANCA

- Bauzonnet Ilustrador.
-Bellang6, Hippolyte- (1800-1865) -Grande lit6grafo e ilustrador.
- Boilly, Louis Leopold- (1761-1845) -Ilustrador. Trabalhou corn
Daubigny na ilustracgo de
-1842.
-Boutigny Encadernador-ilustrador. Estilo s6brio de composi-
g5es corn filetes.
- Bozerian Dois irmdos cujos prenomes sao desconhecidos. Enca-
dernadores de luxo, de estilo elegant e simples dentro do gosto
de Percier e Fontaine.
- Courteval Deixa luxuosas encadernag~es assinadas. Faz renas-
cer a quadriculagem a frio, la gaufre>.
- Crumer (1801-1870). Editor e ilustrador.
-Compagnon Ilustrador dos >
- Daubigny, Charles Frangois (1817-1878) Ilustrador. Traba-
Iha corn Boilly na ilustragdo da obra Populaires>> 1843.
-Daumier, Honor6 (1808-1889). Ilustrador e pintor.
- Dauphin, Frangois-Gustave (1804-1859). Encadernador.
- Delacroix, Ferdinand Victor Eugene (1799-1863) Figura
genial na litografia. Executa ilustrag6es nas obras: Hamlet,
Fausto, etc..





- Duplanil Encadernador.
- Gavarni, Sulpice Guillaume Chevalier (1804-1866) Lit6grafo
e desenhador, ilustra corn figures em ago <
de Balzac- 1838- em colaboragao corn Baron, Janet-Lange.
- Ginain Ilustrador.
- Grandville, Jean-Ignace-Isidore (1803-1847) Tern uma obra
vastissima, podendo apontar-se a encadernago corn ferros espe-
ciais para as cenas da vida animal corn carochas, cigarras, rds,
passaros, etc., a das Fables de La Fontaine, Viagens de Gul-
liver, etc..
- Lardi6re Encadernador e ilustrador.
- Lamy, Eug6ne Louis (1800-1890) Lit6grafo. Tern uma belis-
sima encadernago imitando uma iluminura feita para a obra
< (1830). Possui
figures a cores, ferros tipicos em rendilhado.
- Monnier, Henry (1805-1877). Ilustrador
- Moritz von Schwind Desenhador a pena. Uma gravura impor-
tante pelo seu cunho romantico 6 a que executou sob o titulo
< (Gabi-
nete de estampas Bale).
-Nanteval, Celestin (1813-1873) Ilustra frontispicios,
cenas, etc., para as obras de V. Hugo, Te6phile Gautier,
Petros Borel, etc.. As suas litografias sio impregnadas de
movimento romantico, fantasia e graga.
- Prugold Encadernador.
- Rethel, Alfred Estampou em madeira gravada, na obra Mort sur la barricade>, a ilustraqgo <, corn
muito gosto romantico.
- Richebois, I'Ain6 Estampa intitulada < familiar).
Simier Encadernador. Assina as suas obras corn a Jegenda
. Cultiva o estilo de Bozerian, sofre
influ6ncia inglesa e usa places - Thouvenin, I'Ain6 Notabiliza-se como encadernador e gravador
a buril. Aceita os estilos de Bozerian, Grolier, Boyet, Du Seuil.
Inspira-se ainda no G6tico e no estilo ingl8s.
Executa, corn mestria, o dourado que se mant6m fresco como
no primeiro dia.
Toepffer, Rodolfo- (1799-1846) -Ilustra as pr6prias obras. Entre
elas Voyages en zigzag>, corn paisagens, testemunho dos seus
grandes passeios que corn seus alunos fazia todos os anos, a
p6, nas montanhas suigas.
Tony Johannot Lit6grafo (1803-1852). Inaugura a ilustra-
cgo dentro dos livros, como por exemplo em




teux>, <. Sao notAveis as suas vinhetas de et Virginie>, Les Fables> de La Fontaine, ,
de Nodier, tine. As suas aguas fortes sao delicadas e ligeiras.
- Trimolet, Joseph- (1812-1843).
- Victor Hugo Ilustrador, al6m de genial escritor. Por exemplo,
e - Vozel Encadernador.
- Xavier, Le Prince Ilustrador.



ENCADERNADORES, ILUSTRADORES, DOURADORES, TIPO-
GRAFOS E BIBLIOFILOS MAIS IMPORTANTES LIGADOS AOS
LIVROS ROMANTICOS PORTUGUESES


- Bernardes, Vicente de Jesus Encadernador com carta de privi-
16gio da Universidade de Coimbra de 1824.
-Braga, Alexandre Jose da Silva Bibli6filo, poeta e jornalista.
- Cabeau Dourador que trabalhou na casa de Jos6 Baldino da
Silva Lisboa.
- Carregal, Joaquim da Costa Tip6grafo no Porto. Especializa-se
na impressio de gravuras. Os seus trabalhos podem rivalizar
com o que se fazia lI fora. A sua edicgo <
constituiram verdadeiro 8xito na tipografia e gravura. Inventa
um process de impressio a cores que envia h exposigio de
Paris em 1889, onde foram considerados trabalhos litogrificos
e como tal premiados.
- Carvalho, Luis Jos6 de Encadernador em Lisboa. 1840.
- Cerveira Encadernador notAvel.
- C6sar, Joao Dourador que trabalha com o encadernador Verol
Senior.
-Costa, Agostinho Rebelo Ilustrador.
- Coutinho, Manuel de Macedo Pereira 1839. Irmao mais velho
do Conde de Macedo. Escritor, pintor e cen6grafo, trabalhou
com Roque Gameiro. Ilustrou edig6es de luxo como a
de Camilo, as <, romances de Campos
JInior, obras de Garrett e Herculano. As suas ilustrag5es da
tradugdo de de lesage sao uma maravilha.
- Dinis, Jodo Cardoso Grande artist. Tip6grafo e encadernador.
Passam por sua casa grandes artists como Hyppolite Petet
e Eduardo Sacramento.
- Ferin, Augusto Ndo sendo encadernador, foi grande propulsor
da encadernag~o artistic. Em 1840 funda a casa Ferin onde





trabalharam o francs Hyppolite Petet e Eduardo Sacramento
como encadernadores e os douradores Manuel Saguim, Jacinto
Trovao e o frances Neunez.
- Fernandes, Serafim Dourador que trabalha corn Verol Senior.
- Freire, Augusto Encadernador.
- Guerra, Tomks de Jesus Encadernador. Lisboa 1820.
- Guimardes, Matias Gongalves de Oliveira Obtem carta de enca-
dernador em 1818.
- Hausser, J. Ilustrador.
- Legrand, Henri Grande artist na arte de burilar. Lit6grafo
frances que trabalhou em Portugal. Autor de virias estampas
finas e graciosas. T6cnico experimentado na arte.
- Leonardo Encadernador primoroso que ilustrou as obras de
Alexandre Braga.
- Marinho, Manuel Encadernador no Porto. 1822.
- Marques, Jos6 Gongalves Encadernador.
- Martins, Francisco Encadernador.
- Matos, Ant6nio Henriques de Encadernador de obras luxuosas
e a ouro, em Braga.
- Maurin, Ant6nio Lit6grafo- (1793-1860). Executou estampas
muito coloridas e procuradas.
- Mora, Anchez Dourador espanhol que trabalha corn Reis Verol.
-Oliveira, Paulo Jos6 de Encadernador.
- Petet, Hyppolite Encadernador.
- Philippoteaux, Henri Emmanuel Ilustrador.
- Sacramento, Eduardo Encadernador.
-Saguim, Manuel Dourador.
- Sanches, Jos6 Lourengo da Costa Porto 1826.
- Senior, Ant6nio Miximo Verol Italiano domiciliado em Lisboa
em 1836.
- Silva, Francisco Augusto Nogueira Gravador em madeira e
jornalista (1830-1836). Desenvolve e reform a gravura em
madeira em Portugal. Deixa a sua arte bem marcada no
, colocada a par de obras identicas estran-
geiras. Public as Celebridades Contemporhneas> imitagdo
do que se publicava em Paris corn as caricaturas de Gavarni.
- Simon, Jean Baptista De nacionalidade francesa, domiciliou-se
no Porto em 1860. Propulsionou a encadernagdo artistic na
capital do Norte.
- Trovao, Jacinto Dourador que trabalhou em casa de Augusto
Ferin.
- Vier Dourador que trabalhou para Jos6 Baldino da Silva Lisboa.

ALDA NETO DAVID DOS REIS NEVES LIMA




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