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HIDE
 Front Cover
 Half Title
 Title Page
 Os idígenas de Moçambique
 Exploradores e naturalistas da...
 Equinodermes da ilha da inhaca
 Subsídios para o estudo dos gergelins...
 Luiz de Camões
 Crónica do trimestre
 Resumo do ano
 Economia e finanças
 Comunicações
 Colonização
 Livros e publicaçoes
 Back Cover














Group Title: Moc¸ambique
Title: Moçambique
ALL VOLUMES CITATION THUMBNAILS PAGE IMAGE ZOOMABLE
Full Citation
STANDARD VIEW MARC VIEW
Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/UF00081146/00002
 Material Information
Title: Moçambique documentário trimestral
Uniform Title: Moçambique (Lourenço Marques, Mozambique)
Physical Description: v. : ill. ; 28 cm.
Language: Portuguese
Creator: Mozambique
Publisher: Govêrno Geral
Place of Publication: Lourenço Marques
Publication Date: 1935-
Frequency: quarterly
regular
 Subjects
Subject: Periodicals -- Mozambique   ( lcsh )
History -- Periodicals -- Mozambique   ( lcsh )
Genre: federal government publication   ( marcgt )
periodical   ( marcgt )
Spatial Coverage: Mozambique
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (março 1935)-
General Note: "Oferta do Govêrno geral Moçambique."
General Note: Vol. for Jan.-July 1961 has subtitle: Documentário.
 Record Information
Bibliographic ID: UF00081146
Volume ID: VID00002
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 10872301
lccn - 2002238235

Table of Contents
    Front Cover
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    Half Title
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    Os idígenas de Moçambique
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    Exploradores e naturalistas da flora de Moçambique
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    Equinodermes da ilha da inhaca
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    Subsídios para o estudo dos gergelins de Moçambique
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    Luiz de Camões
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    Crónica do trimestre
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    Resumo do ano
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    Economia e finanças
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    Comunicações
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    Colonização
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    Livros e publicaçoes
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Full Text







documenf6rio
trimeJ+ral


'


DEZEMBRO


MCMXX0


1 20
















R /I I I f/


ZUMENTARIO TRIMESTRAL

.o 20 OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 1939


SUMARIO
S U M A R I 0

OS INDIGENAS DE MOQAMBIQUE, per C. Montez.
EXPLORADORES E NATURALISTAS DA FLORA DE MOQAMBI-
QUE, per Ant6nio de Figneiredo Gomes e Sousa.
FAUNA DE MOCAMBIQUE EQUINODERMES DA ILHA DA
INHACA, per Alberto Pelo Lopes.
SUBSIDIES PARA 0 ESTUDO DOS GERGELINS DE MOZAM-
BIQUE, per Atougula Pimenta.
LUIZ DE CAMOES NA ILHA DE MOgAMBIQUE, per Lourengo
Mano.
CRONICA DO TRIMESTRE













IMPRENSA NATIONAL
LOURENCO MARQUES
1939




































































=.- f % uo A< Luo


o Teixeira Feio.
Inf v an O A O wtf -











tumes indigenas. Demonstrado, como acima dizemos, o crddito que
merecem os antigos cronistas portugueses, parece-nos que o trabalho a
realizar agora s6bre os seus textos 6 o de confrontar, comparar esfes.
Um tal trabalho abrira, possivelmente, pistas novas ao conhecimento
da hist6ria dos indigenas.
Assim, por exemplo, o confront das relagces dos naufrAgios, pela
ordem cronol6gica, anotando com cuidado as noticias s6bre armamento
dos indigenas, permite-nos entrever o alastramento, de norte para sul,
da ,civilizagao da azagaia, s6bre a ,civilizag5o do pau tostado,. Nao
podemos agora ocupar-nos miidamente do assunto mas a ele voltare-
mos, de espago.
Entretanto, 6 alguma coisa na ordem do estudo comparative dresses
textos que vamos tentar aqui Os documents que acima indicAmos
pouco mais aumentam o quadro dos costumes indigenas das velhas cr6-
nicas e que os trabalhos dos dois ilustres missionarios Junod puseram
jA em relevo. De inddito, hA na relagao de Vaz de Almada um apon-
tamento s8bre a cerim6nia da circuncisAo.




O naufrigio da S. Jodo Baptista ocorreu em 30 de Setembro
de 1622, e na terra de 33 graus em que tomaram pe se demoraram
os nAufragos at6 6 de Novembro.. Almada descreve assim a gente da
terra:

corpulentos, e se disformam com as unturas de almagra, e carvao, e












mes, e seis dias, que ali estivemos se nao pode entender nunca a
esta gente palavra alguma, porque o seu falar nao 6 como de gene,
e para qualquer cousa, que queriam dizer davam estralos cor a b6ca,
um no principio, outro no meio, e outro no cabo, de modo que se
pode dizer por estes: que nem a terra 6 toda uma, nem a gente
quasi quasi.>

Mais adiante, novas informag6es:

-A gene que nela (a terra de 33 graus) habitat nao se sustenta
mais que de marisco, e de umas raizes como ttbaras da terra, e da
caga. Nao conhecem sementeira alguma, nem outro modo de manti-
mento; e assim andam bem dispostos, e valentes, e fazem cousas
notAveis de f6rgas, e ligeirezas, porque tomam a cosso um touro, e o
tem mso sendo eles os mais monstruosos animals de grandes, que se
podem imaginar.>

A informagao 6 precisa: estamos em presenga de hotentotes.
Bento Teixeira Feio, contando o naufragio das naus Sacramento
e Nossa Senhora da Atalaia, ocorrido em 1647, confirm a indica-
cgo. Os niufragos tomaram terra a cerca de uma 16gua do Rio do
Infante, na margem do qual acharam a latitude de 33 1/3. Chegando
A fala cor a gene da terra,

,nso se achou quem os entendesse por falarem por estalos. Andam
nus, e s6 cobrem algumas peles, nao usam sementeiras, nem vivem
mais que de algumas raizes, caga, e algum marisco, quando descem












sim, pois, em 1622 e em 1647 os habitantes da costa africana
S. eram hotentotes.
Snufragos de 1622, depois de percorrerem, para norte, cinco a
T T 4 V 4


n vacas para resgatar

1I era desert, como


de que ,dali por diante havia vacas e algumas sementeiras,.
'oagao ,lhes deram do que tinham em sua sementeira, que eram
is de carneiro e patecas verdes>. Mais adiante, os habitantes
ram a vender uma pouca de massa feita de umas sementes
liddas que mostarda, de uma ervas que apegam no fato, a qual
nuito bem (...),.
io 6: tendo said de terra de hotentotes em 33 graus, atraves-
uma regiao desert que se estendia para norte e, atravessada
icontraram uma gene caracterizadamente outra, diferente, nAo
te gente bantu.
4m que latitude se acharia esta gene isto 6 os mais avangados,
ii, elements bantu ?
:ntemos um cAlculo, grosseiro embora.












(da terra de 33 graus A Baia da Lagoa, em 26 graus). E curiosa esta
observacqo: os naufragos de 1622 e os de 1647, partindo do mesmo
ponto, gastaram no mesmo percurso o mesmo tempo. Assim:

os nAufragos de 1622 partiram de 33 graus em 7 de Novem-
bro de 1622 e chegaram A Baia em 6 de Abril de 1623- 5 meses;

os de 1647 sairam de 33 1/3 graus em 15 de Julho e che-
garam A Baia em 30 de Dezembro- 5 meses e 15 dias.

Partindo desta base, teremos que a media por mes d~ 1 grau e
20 minutes, mais ou menos; por dia, 2 minutes e 40 segundos.
Ora, a cinco ou seis dias de march do ponto em que haviam
encontrado os primeiros bantu, os nAufragos de 1622 toparam um
grande rio; para o ultrapassar tiveram de o contornar, gastando
nisso 25 dias.
Segundo todas as probabilidades, este rio era o S. Joso ou Umzim-
vulu, cuja boca estf em 310 40.
Apliquemos o cAlculo feito. De 33 graus a 31-40--isto 6, 1 grau
e 20 minutos- os nAufragos deveriam ter levado um mes, mais ou
menos. De facto, tendo said de 33 graus em 7 de Novembro, vamos
encontra-los, no dia de Natal, 25 de Dezembro, na tarefa do contSrno
do rio em que gastaram 25 dias.
Notemos agora: a b6ca do rio, em 31-40 graus, estava a cinco
ou seis dias de marcha- ou seja, pelo cAlculo acima, mais ou menos
15 minutos--para norte dos primeiros bantu. Podemos, assim, a des-
peito do grosseiro do calculo, admitir que esses elements se achavam
n^hry a linha dn 39 crrans.


4 %














A situago, pois, em 1622, seria:



o







)U0








33,








Esb6go n.0 I

Entre hotentotes, a sul, e bantu, a norte, havia uma regiao desert
de 110 quil6metros.
A relagAo de Bento Teixeira Feio naufrigio da Nossa Senhora
da Atalaia nas alturas de 33 1/3, em 1647 confirm estes dados.
Em 33 1/3 a gene 6 hotentote:

SI f c N I I I I


..












por falarem por estalos. Andam nus e s6 cobrem algumas peles, n usam sementeiras, nem vivem mais que de algumas raizes, caga, i
algum marisco quando descem A praia. As armas sao paus tostados i
poucas azagaias de ferro>.

Para norte, a regiao despovoada que Almada assinalara reaparec
na cr6nica de Feio. Durante sete dias de march, o caminho era ,des
povoado, aparecendo sbmente alguns cafres cagadores,. Adiante, encon
traram a fugir,. Mais tres dias de march e acham ,cinco palhotas redonda
e abobadadas A feiqAo de um forno,, abandonadas. A 27 de Julho-
doze dias de marcha- acham uma povoacgo onde os cafres

falavam por estalos e fraziam umas peles corn que se cobriam pela
costas, e o mais corpo nu, assim homes como mulheres, que s6 si
diferengavam em trazerem as mulheres a cabega coberta com barrete
do mesmo couro,.

Finalmente, a 15 de Agosto, cor um mrs de march, atingem <
rio da nau Bel6dm isto 6, onde se dera em 1635 o naufrigio d;
Nossa Senhora de Belem que Jos6 de Cabreira diz ter ocorride
em 32 graus de latitude. E ai os naufragos de 1647 encontraram
como os de 1635 e como os de 1622, gene caracterizadamente bantu
O desert de 1622 aparece agora, 1647, um pouco mais animadc
A gene encontrada em 27 de Julho parece hotentote. Dir-se-ia que o
hotentotes que em 1622 n5o ultrapassavam, para norte, os 33 graus
teriam, nos 27 anos decorridos, marcado ainda um, embora fraco, movi












e 33 graus uma regiao deshabitada separando os hotentotes, a sul,
dos bantu, a norte.
O interesse de tudo isfo estf em que, em 1593, os bantu haviam
sido encontrados sensivelmente mais a sul da sua linha limited de 1622.
Realmente, os nAufragos da Santo Alberto tinham, em 1593, encon-
trado a tribu ou clan Tizombe entire 32 1/2 33 graus, se n5o mesmo
mais a sul.
Dizemos Santo Alberto naufragou pode ser discutida.
T nivnn in rr*"#n ipv n .Q-r-4- AA-4- /A-**-Anr-n ,-- D -AJ-r -I--












inferior, se este fosse povoado tanto mais que e8e pr6prio, o homent
de Angoche, escape de qualquer anterior naufragio, marchava corn os
naufragos.
Por sua vez, os homes de 1647, apesar de terem entire eles
quem podia achar resgate em menos de um m8s os homes de 1647
seguiram o trilho dos de 1622.
Tudo isto parece confirmar que toda a regiAo, quer a litoral quer
a do pr6ximo interior, se achava deshabitada e como tal era conhecida.
Assim, temos:


Bondu


1593 1622


Esb8co n.o 2

















M '
i-B





~1^YL:I~--.. -1,.~.-- .~-I___ 1_ .._I 1.~1~












Uma das mais noftveis conclusoes recolhidas do exame d
documents 6 a de que a disposigSo das populag5es, ao redor da
da Lagoa e pela costa at6 Sofala, era ji pouco mais ou menos ;
hoje encontramos. Os nomes de entfo perduram hoje ainda.
Para sul da baia, costa dos Fumos e costa do Natal abaixo,
rece-nos, por6m, uma s6rie de nomes que estao ainda por ideni
A terrivel baralhada que as guerras do Chaca provocaram, funi
amalgamando clans, deslocando outros, alguns em migragqes para
long, 6, sem ddvida, um element desnorteador na tentative de
tificago. Todavia, nao sera possivel apanhar-se ainda, aqui e al
ou outro fio ?
Neste sentido vamos apresentar algumas sugest5es.

TIZOMBE

Informa-nos Lavanha da existencia, em 1593, nas alturn
32 1/2 -33 graus, a sul do Rio do Infante (jO acima focAmos este
da tribu ou clan Tizombe, chefe Luspance.
A identificacAo deste nome seria de forte interesse, pois esta
represent, por certo, o element bantu mais meridional e que,
acabAmos de ver, sofreu o choque dos hotentotes vindos de sul
doeste.
Ora, ha uma forte sugestfo na aproximagco da forma portu
Tizombe cor a expressao inglesa Temboes, na grafia de hoje T
(pronincia: Temb6ze, Tembuze). Tizombe foi registada, em 159;
Lavanha; Temboes, em 1685, pelos ingleses nAufragos do Stavt
Ha entire as duas expresses certa analogia que se torna singular
I ... 1 1-1 ni I -- -











1593 pronunciada de modo que entire o T e o e existia z ou
nelhante: Tzemboes (pron6ncia Tzemb6ze- donde Tzombe, Ti-

o 6 tanto mais verosimil quanto se sabe que a troca de t em z
tz 6 um facto fon6tico bem conhecido dos lingiiistas e uma
nifestag6es da linguagem tekedza que 6 uma forma especial de
:ia em certos grupos bantu. Facto semelhante e que se acha
do nas antigas cr6nicas portuguesas 6 este: Zembe e Tembe.
Jlo, em 1554, e Lavanha, em 1593, registaram Zembe. A
'embe s6 mais tarde aparece na cr6nica de Teixeira Feio, 1647.
'oder-se-a admitir que de 1593 a 1647 se operou na pron6ncia
>ulag5es do pais de Tembe uma modificagSo em que o som t se
s nitidamente ao som z? Assim parece. a E nso se teria dado,
facto semelhante cor os sons tz e t? E verosimil. Se, real-
a pron6ncia tekedza pode servir a determinar ramos da raga
<<... one of the distinguishing features of the Lala tribes is this
Speculiarity, which marks them out from tribes of other branches
Bantu race, diz Soga no seu livro ), parece-nos que os antigos cronistas portugueses fornecem
na preciosa pista.
facto de os tizombe de Lavanha se acharem, em 1593, entire
- 33 graus, e os temboes dos homes do Stavenisse es-
em 1685, entire 31-32 graus, nao 6 argument contra. Na
t parte deste estudo vimos, precisamente, o recuo da populaqAo
ie 33 graus para norte da linha de 32 graus. O argument
: assim, de oposto que parecia, favorAvel A sugestfo de identi-
dois nomes Tizombe e Temboes como formas estrangeiras do
2digena dum mesmo povo.














Mclengana 6 o nome, registado por Lavanha, do rio hoje denomi-
nado Maputo. Belingane, o nome que Couto atribue a esse mesmo rio
e a um reino nas suas margens.
Junod, Pai, considerou distintas estas duas expresses e identi-
ficou-as assim:
Mclengana: provivelmente, um monte chamado Nkelengen, pr6ximo
da b6ca do Maputo;
Belingane: sem d vida, o nome do chefe Buyingane que existia
pr6ximo da b6ca do rio Maputo, dando ao pais o nome de CA-Buyin-
gane, e que mais tarde foi absorvido pelo conquistador Maputo.
Ora, primeiramente: a forma Mclengane nao 6 de feicgo muito por-
tuguesa na juncao daquelas tres consoantes iniciais; nas citacges de Lava-
nha que aparecem na Mem6ria do Governo portugues para a arbitragem
de Mac-Mahon e na ,Mem6ria s6bre Lourengo Marques-, Paiva Manso
corrigiu Mclengane para Malengane; no Atlas Colonial Portugues editado
pelo Minist6rio das Col6nias, 1909, figure no recanto formado pelas
fronteiras Mocambique-Suazilandia (veremos adiante as relaqaes que
ha entire esta regiao e as expresses que estamos examinando) a forma
Manhangana; e, melhor ainda, no mapa de Jans6nio em -Mar d'India,
1650, le-se Millangana; assim, 6 muito crivel que Mclengane seja
erro de c6pia, Lavanha tendo querido register Me ou Malengane.
Em segundo lugar, o reino de Belingane nem parece, ao contra-
rio do que opina Junod, situado na b6ca do Maputo (sabemos muito
bem que ai, a um lado e outro, estendendo-se um pela regiao entire
o rio e o mar, outro pelo interior entire esse rio e o Tembe, ficavam
os reinos de Inhaca e de Tembe), nem parece ser um pequeno reino


.i. v















!i~iii!!!i~i!iiiii!!! .........

iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiMiii


m











































































































3



















































































































-1 ---L ----- A -





























LUuL4Ilu yuJ AIl4IIIIA jLu l a ut AV'allJU4U U llJidU4lct yUJI rvvUUv j
ftonga, por Cacalo; a da Mabila, por Mohile; os various
Iainp. -nndiIidn. nY r obl-pc irnmn Cnl nc RPMrhn Mnalr-h,


Aj -i-Al- A4 -v-^- ,A -,,-



































































































)a ti l%, II J CtQ.3IJ LNA ll43I c2, O 11 -. 0 t












do clan da Inhaca que por longos anos iria permanecer inde-
e ao lado dos invasores.
ocorr&ncia, nas antigas cr6nicas, das duas formas Tembe e
6 um sinal da presenqa das duas populacges. Uma dessas
atestara a linguagem dos invadidos nomeando os invasores; a
linguagem destes Ciltimos. A forma Zembe aparece mais cedo:
de 1554 e 1593; Tembe, em 1647. Esta viria a triunfar s6bre
O contrArio se deu cor as formas Suiti e Suizi.
vez, tambdm, possa deduzir-se da ocorrencia das duas formas
nvasao seria, em 1550, de data comparativamente pr6xima. A
esta interpretaqao ha o facto das cr6nicas de 1589 e 1593
m ainda o nome Anzete, Anzate--certamente o nome da
ntes de os invasores se terem apropriado dela (veja-se, a 8ste
H. A. Junod) e correspondendo ao nome Us6tu, hoje ainda
nas populaqces da regiao, do rio Maputo.
) tentemos, por agora, mais do que este largo esquisso. Note-
nas que os angomanes de Couto (veja-se, atrAs, o esb6qo n.0 3)
tbitavelmente os Ngomane, outro ramo comprovadamente Lan-
que tendo estacionado onde Couto indica reiniciou, mais tarde,
a para sul.

MACOMATAS

semos agora ao estudo desta outra expressio. Couto, bem como
Sousa, indicam-nos a terra dos Macomatas nuns passes apa-
a forma, noutros Macomates -em 27 1/2 graus.
a-se Couto corn atenqao:

esta terra (...) chamam os nossos mareantes comummente

27












macomatas, por uns cafres assim chamados que vivem ao redor daqu,
las praias,,
,Toda esta terra dos Fumos 6 do rei chamado Viragune (...)

E Couto acrescenta que as terras deste rei confinam, por sul, as <
Macalapapa; por norte, as do Inhaca.
A regiao indicada por Couto 6, pois, a dos rios de Santa Luz
(esb6go n.0 3).
No pass acima transcrito ha uma forte sugestgo de, aqui tamb6r
em 27 1/2 graus, se acharem em presenqa ou vizinhanqa duas popi
lag6es distintas: a dos ,cafres naturais> e a dos . De fact
a terra nao se chamava -dos macomatas, por assim se chamarem (
cafres naturals mas sim uns cafres que vivem ao redor daquelt
praias>. E pode deduzir-se que, como ao norte, haveria uma populagi
mais antiga, <,natural,, e outra nao outra invasora.
Sendo assim o rei Viragune serA invadido ou invasor ? A suge
t5o, naturalmente, leva a responder invasor, pois que as terras ji tom;
vam nome dos invasores isto 6, estes dominavam ji aquelas parager
ao contrdrio do que sucedia ao norte, em que o Inhaca permanec
independent.
Foi desta regiio que na primeira trintena de 1800 sairam pa
norte, ap6s o desmembramento dos Nduandu6 causado pelas vit6rias <
Chaca, os matabele, os mangune e os machangana. Toda esta gen
provinha dum grande agrupamento: o povo de Zuide, os Ama-NduAl
due. Formavam os clans ngune, nhumalo e cumalo.
Ora, se com alguma das denominag6es conhecidas de povos qi











iram a regiAo designada por Couto, a expressao Macomafas pode
,roximada, 6, inquestionAvelmente, com Ama-Cumalo Macomalo,
malos e, por um facilimo 6rro, Macomatas.
qos aufores que conhecemos, as genealogias Cumalo ndo atingem
que poucos nomes, o que faria acreditar ser 8sse clan de forma-












gune e Macomatas, merece s6rio exame. Ainda quando se duvide -
pouco levantfmos, acerca de Viragune, essa ddvida de que Vir
e Macomatas respeitam a um mesmo povo, nao fica lugar para 1
cqes ao menos neste ponto: que o agrupamento dos ngtni (Vira
e dos cumalos, nhumalos ou ncumalos (macomatas) data de r
6poca e perdurou at6 que os Nduandu6 (cumalos e nhumalos)
derrotados decisivamente por Chaca.
De que os nhumalos f6ssem ama-languene nao nos parece que
duvidar-se. O Gungunhana invocava como nome de familiar Jam
isto 6, Diamini, um dos nomes que se repete com freqi1Uncia nas
gens de Mlanguene.
Quanto aos ngini, recomendamos (nao nos sobra espaqo par
tarmos aqui o assunto) a leitura da coleccqo de cantos angones
cados por Margaret Read em HA ai uma s6rie de canticos de izibongo que muito podem esci
a questfo. Limitar-nos-emos a apontar aqui o final do cAntico ,Izil
ka Ngwana ka Goqweni no Goqweni :


'Tu que tens a mesma origem que o povo de Mosilicafse.
Tu que tens a mesma origem que o povo de Mpacana, filho de Lidonga.
Tu que tens a mesma origem que o povo de NduAndua.,

Tamb6m num cAntico de inquaia hA uma referencia a Lan.
- -Languene, a nossa grande casa e que a tradutora col
assim: ,refere-se (este cAntico) A aldeia do pai de Zuaguendaba
o inquaia era danqado,.
E note-se: assim como Andrade Corvo e Paiva Manso dao a
de Tembe e Maputo como pertencendo A raca dos SuAzis, assim o












rendo Percival Johnson, estudando os Angones do lago Niassa, diz que
eles apontam .



E tempo de fecharmos este trabalho. Sem a pretensao de que as
sugestBes aqui apresentadas passem a pontos adquiridos na investigaqao
da hist6ria e etnologia bantu, elas mostram, entretanto, que os documen-
tos portugueses de 500 e 600 podem ainda fornecer-nos, por um exame
aprofundado, pistas novas para aquela investigaqao e mat6ria para cui-
dadoso estudo.
A despeito dos juizos depreciativos de Theal, de Soga e outros
autores sul-africanos que ou os leram por alto e A ligeira ou nao
os leram mesmo esses velhos textos encerram muitos e preciosos
dados que os estudiosos autorizados nao aproveitaram ainda completa-
mente. HA ainda muito que aprender neles e por eles honra seja
feita aos seus autores que no meio da pavorosa desgraqa, da trAgica
odisseia de subir pela costa centenas e centenas de quil6metros, a p6,
num pais ignorado e selvagem, conseguiam ter alma para, entire tantos
sofrimentos, apontar nomes, descrever costumes e, como disse o
rev. Junod, fazer etnografia numa 6poca em que a etnografia era ainda
desconhecida.








C. M 0 N T E Z












XPLORADORES

NATURALISTS

FLORA DE MOCAMBIQUE

NATURALISTS PRE-EMINENTLY RECOGNIZE
HOW INTENSELY THE REVERENT STUDY
OF NATURE HAS ADDED, AND WILL ADD,
TO THE HAPPINESS AND PURITY OF LIFE.
LORD AVEBURY 'Peace and Happiness.
(Continuado do nfimero ig)
IOHN FORBES

SASCIDO em 1799 e falecido em 1823,
em Sena, na Zambdzia. Mddico e
botanico. Depois de ter praticado no
Jardim Botanico de Liverpool, foi en-












Dotado de grande espirito aventureiro, John Forbes decidiu, embora
nio fosse da sua obrigag~o, subir o Zambeze at6 o Zumbo, donde
seguiria para o Cabo da Boa Esperanga. Iniciou a sua audaciosa march
mas veio a cair em Sena de fadiga e privaqaes e lA morreu em Agosto
de 1823, apenas cor 23 anos de idade.
No adro da igreja de Chiswick, perto de Londres, onde a Royal
Horticultural Society tem os seus jardins, existed a seguinte inscriAo a
honrar a mem6ria deste infeliz explorador:

tor in the service of the Horticultural Society of London, who died at
Senna, on the Zambezee river, in the 23d year of his age. This tablet
is erected by the Council of the Society, in testimony of their entire
approbation of his conduct while in their service, and of their deep regret
at the untimely fate of a naturalist of so much enterprise and promise.

Presume-se que John Forbes era escoces n2io s6 porque seu nome
6 muito vulgar na Esc6cia, especialmente em Aberdeenshire e Perthshire,
como porque eram escoceses os outros colectores da Royal Horticultu-
ral Society nessa dpoca: George Don e David Douglas, tambdm explo-
radores botAnicos c6lebres.
As suas plants de Mogambique v8m citadas na Flora of Tropi-
cal Africa e na Flora Capensis. Algumas espdcies foram-lhe consa-
gradas, assim como um g6nero, Forbesia Eckl.
S6 depois de publicada a primeira parte deste trabalho obtivemos
informar5es acerca deste explorador, o qual 6, portanto, o segundo na
ordem de antiguidade.
S6bre a sua biografia consulte-se Dictionary of National Biography,











actions of the Horticultural Society of London, 4 iii 1822 e 5 iii 1824.


REV. JAMES STEWART

Entre os mais ce6ebres exploradores e missionarios africanos con-
ta-se o Rev. James Stewart, que Lord Milner cognominou the biggest
human in South Africa-, pois foi na Africa do Sul que ele mais exer-
ceu a sua acqAo.
Seus pais foram James Stewarf e Jane Dudgeon. James Stewart,
pai, era um rico proprietirio de carros em Edinburgh, que depois per-
deu a sua fortune numa exploragAo agricola.
O Rev. James Stewart nasceu em Edinburgh a 14 de Fevereiro
de 1831. Trabalhou primeiro na granja do pai, mas tendo sido esta aban-
donada empregou-se no com6rcio. Em 1850 foi cursar artes na Univer-
sidade de Edinburgh, interessando-se sobretudo pelos estudos cientificos,
especialmente de botanica. Durante a sua vida de estudante publicou
dois trabalhos que por muito tempo foram usados nas escolas como
livros didActicos: A synopsis of Structural and Physiological Botany,
presenting an Outline of the Forms and Functions of Vegetable Life (s. d.)
e Botanical Diagrams (1857). De 1855 a 1859 estudou teologia na
mesma Universidade; em 1859 comegou a estudar medicine na Uni-
versidade de Glasgow, curso esse que s6 completou em 1866, depois
da sua primeira viagem A Africa.
Em 1861, fazendo ja parte da Free Church of Scotland, embarcou
para a Africa, fazendo a viagem cor a esposa do missionario e explo-
rador David Livingstone, a qual vinha juntar-se a seu marido.


--












entao se encontrava Livingstone corn a sua expediego.
Pouco tempo depois, acompanhado por um outro ingles, membro d.
Universities Mission, seguiu a pd para as terras altas de ambas as mar.
gens do Chire, corn o fim de as explorer, visitando entire outras regime,
aquela onde estso hoje a cidade e a Missio de Blantyre. Depois de correi
muitos perigos e sofrer grandes fadigas na sua viagem, regressou ao cabc
de poucos meses A Chupanga, mas passados quinze dias partia de novo
a fim de explorer as margens do Zambeze. Em 1863 voltou para a Esc6ciz
e em 1867 embarcou outra vez para a Africa, indo servir no Lovedale
Missionary Institute, situado a 700 milhas a nordeste de Cape Town
Nomeado superior desse Instituto em 1870, vinculou ali a suz
acgqo por um notfvel desenvolvimento tanto spiritual como material (
a seguir fundou misses no Natal e Transval.
Por ocasigo do funeral de Livingstone na Abadia de Westminster
o Rev. Stewart jurou fundar uma misso, no tipo da de Lovedale, ns
Niassalandia, dedicada A mem6ria de Livingstone. Em 1875 partiu para a
Niassalandia com os funds necessArios, al6m de aquisiao de um barcc
para navegar no lago, o Ilala, que comegou logo a ser construido
Fundou entgo a Missao de Livingstonia, situada no extremo sul dc
Lago Niassa, a qual 6 hoje muito important e tern junto de si urn
florescente povoaao construida em moldes modernos.
Acompanhado do Dr. Robert Laws, explorou em 1876 o Lagc
Niassa at6 o extreme norte, onde entAo nio existia gente branca, e
determinou o seu comprimento, 350 milhas, e a sua largura, entire 16
a 50 milhas. Nesta viagem, assim como nos seus trabalhos missionA.
rios, foi muito auxiliado pela African Lakes Corporation, Limited, a qual
se deve um en6rgico combat A escravatura.

































iglesa na guerra


21 de Dezem-
to de Lovedale.
; ragas da Africa


A&r I/- "I A J 161a s Jauo AvrWW 4L4 r oLIAuuvuu4SI,
r Grammar, 1902.
tragos, a biografia deste notAvel explorador e
se encontra um tanto ligada aos trabalhos d.


uv urr var
















tional Biography,
h and Irish Bota-


tendente do J
col6nia encarre
nia obter exe
_. .... j.j













mas, tendo sido atacad
bique e Madagiscar, f,
elevada de Berrima, or
As colecgoes boti


EPPE












em Inhambane por Carlo Ant6nio Fornasini, de quem ji falAmi
O professor Ant6nio Bertoloni, doutor em medicine, nas
Sarzana, na Liguria, a 11 de Fevereiro de 1775 e morreu em
a 17 de Abril de 1869. Durante muitos anos foi professor de 1
e perfeito do Jardim Botanico da Universidade de Bolonha. A
como investigator 6 vasta e de alto valor cientifico. Desde 18
em que publicou a 1.a decada das Rariorum Liguriae Plantai
1867 em que concluiu a Flora Italica Cryptogama, o profess
nio Bertoloni cultivou sempre os estudos botAnicos cor a maii
ciencia. Quasi todos os seus trabalhos sao escritos em latim.
A parte que diz respeito a Moqambique encontra-se dist
sua Miscellanea Botanica, 1842-63, publicada nas Memorie deli
demia delle Scienze dell'Istituto di Bologna. Nessa obra des
classifica ou pelo menos faz referencia a vArias plants que lh
remetidas de Inhambane por Fornasini. Na dissertaqAo VIII,
1849, da Miscellanea, o professor A. Bertoloni consagra o n
seu compatriota no gdnero Fornasinia, hoje sin6nimo de Mille
& Wight.
A Miscellanea Botanica 6 um trabalho nio s6 de granm
botAnico mas tamb6m de grande erudiqao hist6rica e humanistii
Na dissertaqao IX, apoiado em exemplares colhidos por F
o professor A. Bertoloni descreve e classifica a mafurreira, bem
cida Arvore oleaginosa do sul de Mogambique, a que di o r
Mafurreira oleifera, e figura-a tambem (tab. 12). O estudo ds
reira, muito interessante pelas consideraq5es que o autor faz,
pletado pelo estudo quimico do 6leo de mafurra, realizado pelo I
Caetano Sgarzi.














30 31' 32' 33' 34' 35' 36' 37' 38' 3S 40' 41


0
S

S


*1


IN HAn/IB/N',
--E ENDA
ITINrGlA O I &sE.SiO VISITA&S4
pe oD C.. lern --.-
Dn JST.Lo6 --
-0 De7? ..S.ecAtLe:, -
ESCALA : 10000.000


- --- -












Nao pudemos saber ao certo qual o n6mero de plants de Mogam-
bique estudadas na Miscellanea, pois que s6 possuimos as disserta-
q5es IX a XV, nas quais existem algumas plants excelenfemente
reproduzidas em litografia.
O professor Giuseppe Bertoloni, filho do precedent, foi, como
seu pai, professor de botfnica na Universidade de Bolonha e sucedeu-
-ihe, ap6s o seu falecimento, no cargo de perfeito do Jardim BotAnico.
Era tamb6m natural de Sarzana, onde nasceu a 16 de Setembro
de 1804, e morreu em Bolonha a 15 de Dezembro de 1878.
A sua obra cientifica, no que respeita ao ndmero de trabalhos
publicados, 6 muito menos vasta do que a do professor Ant6nio Berto-
loni. De entire os seus estudos o que mais interessa ao nosso objective
6 o intitulado Illustrazione di Piante Mozambices, que saiu sob a forma
de disserta~5es nas citadas Mem6rias da Academia de Bolonha, II-1850,
pp. 561-586, III-1851, pp. 249-268, IV-1853, pp. 535-564 e V-1854,
pp. 463-482 e em Rendiconto delle Sessioni da mesma Academia,
1852-53, pp. 22-26 e 1853-54, pp. 33-37.
O numero de plants constantes das Illustrazione di Piante Mo-
zambicesi 6 de 43, das quais 19 sao figuradas em esplendidas litogra-
fias. Muitas dessas plants sao descritas e classificadas como novas
pelo professor Giuseppe Bertoloni. Entre as plants de que tratam as
Illustrazione hA tres que foram object de desenvolvido estudo quimico
da parte do professor G. Sgarzi: Sheadendron butyrosum, Mavea judi-
ciatis e Chibaca salutaris. 0 estudo quimico de Sheadendron butyro-
sum faz parte das Illustrazione, e os das duas iltimas plants foram
publicadas em separado, com os seguintes titulos: Studii Analitici ed
Esperimenti intorno al Mavi del Caffri (Memorie dell'Accademia, etc.
III. 1852, 455-475) e Dalla Chibaca salutaris Bertol. f, analise e












formagSes.
Uma das plants classificadas por G. Bertoloni 6 Encephalartos
rox, cicadicea espontAnea na regiso litoral de Inhambane mas bas-
nte rara. Essa espdcie ainda hoje 6 pouco conhecida (Vide Kew Bul-
tin, 1916, p. 180).
O professor G. Bertoloni tamb6m estudou a fauna de Mogambi-
ie ou antes de Inhambane, perante exemplares enviados por Fornasini.
) fruto das suas investigagaes zool6gicas constitute as Illustrazione dei
rodotti Naturali del Mozambico (Memorie dell'Accademia, etc. II-1850,
165-188 e IV-1853, p. 343-364, e Rendiconto etc. 1854-55).
Sobre a biografia dos professors A. e G. Bertoloni consulte-se
. Bilancioni, Diziondrio di Botanica Generale, Milao, 1906.

DR. R. SCHLECHTER

O Dr. Friedrich Richard Rudolf Schlechter, botanico not~vel e um
os maiores exploradores da flora sul-africana, deixou o seu nome
mbdm ligado ao estudo da flora de Mogambique. Apesar de ter visi-
do esta Col6nia numa curta viagem de tres meses, coleccionou tAo
bundante material que deve ser contado entire os seus principals colec-
res botAnicos. Justo 6, portanto, que digamos neste trabalho o mais
)ssivel da sua biografia cientifica.
Natural de Berlim, onde nasceu a 16 de Outubro de 1872, o
r. R. Schlechter era filho de Hugo Schlechter, lit6grafo naquela
dade.
Estudou no Real Ginasio de Frederico Guilherme atW a peniltima

44





__





TV











e viajante, e iniciou a sua viag<
rompeu durante alguns meses
Em Novembro de 1897


:gresso A Alemanha, que inter-
Svisitar o sul de Mogambique.
u em Durban para Lourengo



-diz o seu bi6grafo Th. von
em relagao a vegetaSgo quer
O pais que deixara era mon-
cor rios peribdicamente secos,
)or baixa vegetago de folhas
m pais onde a chuva 6 apre-


Marques. Nas suas exc
Komafipoort e afravesso
Finalmenfe, por inc
acompanhado por um re











sao ao distrito de Inhambane, a fim de pesquisar as plants p
de borracha, ali existentes, sobretudo Landolphias. Durante es.
sAo ao distrito de Inhambane descobriu uma espdcie de Ficus,
borracha. Devido a doengas pouco p6de coleccionar em Inl
tendo todavia notado que ali havia abundancia de orquideas
mormente do g6nero Angraecum.
Regressando a Lourenqo Marques, embarcou para a Eu
Marco de 1898.
Durante este period de ausencia da patria, de dois anos
publicou Schlechter alguns estudos, dentre os quais 6 digno
cial menAo: Decades plantarum novarum austro-africanarum
Journal of Botany, 1896-98.
Comeqou entao os seus estudos universitArios na Univers
Berlim, ocupando-se sobretudo de botAnica e geologia. Teve c<
fessores, entire outros, Engler, Schwendener, Diels, Lindau, R
Branca e Paulsen.
Durante os seus estudos foi obrigado a interrompe-los du
por ter de fazer duas viagens cientificas. A primeira, com prin
Fevereiro de 1899, As col6nias dos Camaraes e Togo, a p
Kolonialwirtschafflichen Komitees, para estudar a possibilidade
tura em grande escala das plants borrachiferas nessas col6nia:
lat6rio da sua missAo foi publicado em 1900 cor o titulo: W
nische Kautschuk Expedition 1899-1900.
A segunda viagem, tamb6m por encargo do mesmo -Kol
para o mesmo fim, As col6nias alemas da Oceania: Kaiser-1
-Land e arquip6lago de Bismark. Sobre os resultados desta
v'de os artigos na revista Der Tropenflanzer, 1901 e 1902.
Regressando A Alemanha, terminou ent~o os seus estudos
Is n












Sde Berlim. No final, apresentou uma dissertaqao s6bre a flora
a Caled6nia, intitulada Pflanzengeographische Gliederung der
?w Kaledonien, recebendo o doutoramento em filosofia a 3 de
ro de 1904.
seguida trabalhou no Museu Botanico de Berlim, na preparagio
deas e asclepiadiceas.
outono de 1905 fez uma viagem de pouca duracgo a co16-
Camaries (quarta viagem A Africa).
;de Dezembro de 1906 at6 Outubro de 1909 realizou final-
sua ultima viagem: A Nova Guin6, tamb6m para o estudo da
da borracha e por conta do mesmo xKomitee,. No regresso
s Ilhas Celebes, Java e Samatra, onde reaniu apreciAveis colec-
anicas.
principios de 1913 foi nomeado assistente do Museu Botanico
m e em 1921 conservador. Mobilizado para a Flandres durante
e Guerra, ganhou ali a Cruz de Ferro.
sua valiosa coleccao de orquideas pertence ao Museu Botanico
m desde 1913. A respeito dessa colecao, vede I. Urban, Ges-
des Kgl. Bofan. Museums in Berlin Dahlem (1815-1913)
ufzahlung seiner Sammelungen, Dresden--N. 1916, p. 143/4

obra do Dr. Schlechter como bothnico e extraordinAriamente
importance, mas foi sobretudo no grupo das orquideas que ele
balhou, bastando dizer que, al6m dos estudos publicados, des-
iais de 1:000 esp6cies novas!
1914 publicou um importance estudo sobre orquideas da
uinA Alem3. no vnl. o 1 na 6tihlpmMne nm PaAav,.4,,..m ,a.































ncomAti-Rio dos Crocodilos-Ressano Garcia-Lourengo I
.2 de Janeiro de 1898: em Lourenco Marques e proxi
ieanhini-Floresta Macacololo-Incanhini: 23 a 28 de Jan












DR. JAMES STEWART


1870- 1905


EM MOAMBIQUE: 1862


(Foto oferecida pelo Loved,
Missionary Institul


PROF. ANTONIO BERTOLONI


1775-1869


PROF. GIUSEPPE BERTOLONI


1804-1878


(Fotos oferecidas pelo Ex.mo Sr. Prot. Mario Calvino, de San Remo)


4 .


.hq































ntre elas a de Botfnica pela primeira vez no ano lectivo
A 10 de Janeiro de 1874 foi promovido a lente cate-
i a refer a cadeira de BotAnica. na aual se conser-











completamente descurado quando o Dr. Julio Henriques tomou a re!
cia da respective cadeira. Durante o meio sdculo em que se man
A testa desse ensino conseguiu, mercer de constantes esforgos, melli
e aumentar o Jardim BotAnico. tste f6ra criado pela reform univ
tdria do Marques de Pombal, mas corn tao estreito critCrio que, a
dizer, o seu verdadeiro fundador foi muitos anos depois o Dr. Fdli
Avelar Brotero, botAnico dos mais reputados do seu tempo. No Ja
BotAnico da Universidade procedeu o Dr. J. Henriques a muitos est
da especialidade, entire os quais o da cultural de plants de cars
econ6mico das nossas col6nias. Ao mesmo tempo ia enriquecend
Laborat6rio e o HerbArio corn instruments de investigac~o e vali
colecg6es. Foi corn essas instalaq8es que se constituiu mais tard
Institute Botanico da Universidade de Coimbra, hoje denominado a
tituto Botanico Dr. Jalio Henriques-, excelente estabelecimento de in
tigagio cientifica que tern dado A Nag~ o preciosos frutos.
Falando sbmente da sua acgio como investigator da flora cole
diremos que este grande professor desde remota data se ocupou d
estudo. As suas publicag5es neste gdnero sao as seguintes:

Instrug6es prdticas para a cultural das drvores que ddo a quina (11
Instrug6es prdticas para as cultures colonials (1884), com um a
dice em que trata da forma da colheita e acondicionamento de ph
vivas para remeter a grandes distAncias e da confec o de herbAri
amostras para museus.
Plants da borracha e guta-percha (1901). Trata da culture
virias espdcies e da preparagio dos seus produtos.
Agriculture colonial, meios de a fazer progredir. Mem6ria apre












, no qual aborda o problema da organizaqAo dos services de
ira nas col6nias e dos trabalhos de herborizacgo.
ricultura colonial separatea da Revista Portuguesa Colonial,
Apesar de ser antigo, este livro apresenta ainda hoje grande
:. Cont6m generalidades s6bre agriculture colonial e descriSces
Ividas das principals cultures.
ntribu7ldo para o estudo da flora de Africa. Catdlogo da flora
de S. Tomi (Boletim da Sociedade Broteriana, vol. X).
iduoo do Diciondrio de Plantas Uteis, de F. von Miller.
Ilha de S. Tome sob o ponto de vista hist6rico-natural e agri-
oletim da Sociedade Broteriana, XXVII, 1917).
&rca deste estudo, que 6 o mais important do professor Julio
,es s6bre a flora colonial, escreveu o professor D. Ant6nio Xa.
'eira Coutinho:

3te trabalho do Sr. Dr. Julio Henriques, fruto de esforgos e
persistentes durante tao longos anos, e a que ele inquestionA-
e dedicou particular interesse, tfo harm6nico em todas as suas
escrito cor tanta singeleza e tao belamente ilustrado, s6 por












ofanicas das nossas col6nias, as quais foram esti
.e pr6prio e em parte por sAbios estrangeiros. Nu
iram dedicadas, e at6 um g6nero, Henriquesia.
Sob a sua direeggo, o jardineiro-chefe do
oimbra, A. F. Moller, procedeu a estudos botanico,
ali industriou um colector, Francisco A. Dias (
393 a Mogambique incumbido de trabalhos idi
dlio Henriques foi tambem o colaborador dos Drs
dho e Rodrigues Braga, exploradores da flora de
Os estudos s6bre a flora das nossas col6nias
S 1 4 1


Plantas de Macau,
ilva (vol. II-III).


,lhidas e determinadas


;des botdnicas nas possess
III).
fe S. Tome: Cryptogamic
).
colhidas na Africa Ocide
a de Carvalho e J. Cardos
ritdo para o estudo da florc
los (vol. V).
o da flora da ilha de S.
as Dr. J. Henriques e ou





F.
ry


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Ui


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amenros sore a pora aa zamuezia. axptiragao uo mewco
de Carvalho Dr. J. Henriques (vol. VI).
es aliquot guineenses a cl. Moller e F. Newton lecti in Ins.
Set Princpis Saccardo e Berlese (vol VII).
lles contribution d la flore mycologique des I/es Saint-Thomd
ce recueillies par M. M. A. Moller, F. Quintas e F. Newton
adola e S. Roumeguere (vol. VII).
go das plants da Africa Portuguesa colhidas na Zambizia
de Carvalho, etc. Dr. Hoffmann, A. Cogniaux, R. Rolfe
enriques (vol. VII).
novi Insularum Guineensium V. Brotherus (vol. VIII).
button d la flore mycologique de I'lle de S. Thom Abb6
a (vol. IX).
igo de plants da Africa Portuguesa, colhidas em Angola













e outros (vol. XVI).
Catdlogo de plantas africanas, classificadas pelo Dr. J. Henriq
1 1 I I 14 I. l- J _


colecges de Mogambique de F. C:


fas (1893) e Dr. Rodrigues Br


LzJayc7t_ (WI,"vv u" pura aa. itlnas c~ Laoo verae: %L.


icanl tecri a
rvlrn A(nl_ Y\


AC ArA tfl111 A A V fl


-rnitrfnruP S


r esta enumeraqAo de trabalhos publicados se
que mereceu ao professor Jilio Henriques o e
rina.
Dr. J. Henriques era tamb6m um distinto desen


r virias vezes Ihe foram oferecidas condecoraq50
Contudo, tendo ido A Su6cia representar a U
nas festas do centenArio de Linneu, recebeu o g
o na Universidade de Upsala, cor o anel de c
>S.
mo home, bern o definiu o professor D. Ant6nio
o nas seguintes frases: Era um bom: e a bondade
A sempre a qualidade supreme. Procurou em to
os que queriam trabalhar, cor as suas animal
is, facultando-lhes livros da sua biblioteca e os e
rbArios. Alma ben6fica e despida de quaisquer p












rivalidades, a todos atendia e a ningu6m melindrava, sem entono auto-
ritArio, mas com o seu parecer despretensiosamente exposto.>
S6bre a sua biografia consulte-se: Homenagem ao Prof. Doutor
hilio Augusto Henriques, separate de O Instituto, voL LXV, Imprensa
da Universidade de Coimbra, 1918, e Doutor Jdlio Henriques, nota
biogrifica pelo professor D. Ant6nio Xavier Pereira Coutinho, Coim-
bra, 1958.
JOSEPH THOMAS LAST

Explorador ingles que realizou vArias viagens na Africa Oriental
Inglesa e Madagascar. Em 1885 foi incumbido pela Royal Geographical
Society, de Londres, de estudar a regiao de Mogambique que ter por
centro os montes Namili.
O relat6rio da sua viagem foi lido na sessao de 27 de Junho de
1887 e encontra-se publicado nos Proceedings da Royal Geographical
Society, new series, vol. 9, 1887, pp. 467-478, sob o titulo: One the
Society's Expedition to the Namuli Hills, East Africa.
Os principals objectives da expediqAo de Last foram especial-
mente a determinacao da posiqao geogrAfica da confluencia dos rios
Rovuma e Lugenda, o estudo dos recursos econ6micos da regiao
atravessada por asses rios e bem assim o reconhecimento da regiao
de Namali.
Acerca deste iltimo objective diz Last no seu relat6rio:

-Thence I was proceed to and examine the mountainous districts
in the vicinity of the Namuli Peaks (the remarkable hills brought to
our notice by consul O'Neill, and said to be snow capped), fix the
chief points of interest, and report upon the country, after which the












learn how for it could be used in the interests of civilisation and com-
merce>.

Last determinou a posicao geografica de Negomano (380 01' 55" E.
Gr., 110 25' 25" S). Seguiu depois pelo vale do Lugenda, atravessou
esse rio em vArios pontos, passou pelos lagos Amaramba e Chifta e
alcangou por fim o lago Chirua. Daqui tomou o caminho dos montes
Chiradzulo (Nyassaland) em direcq5o a Blantyre, onde chegou a 13 de
Janeiro de 1886. A 12 de Julho partiu de Blantyre, cor destino aos
montes Namdli. A 3 de Agosto chegou ao sop6 daquele macico mon-
tanhoso e estabeleceu o seu acampamento na povoacao do rdgulo
Ana Gurie, situada na vertente sul. As posiqoes geogrAficas dessa
povoagao e do pico Namili sao respectivamente 370 02' 20" E. Gr.,
150 27' 30" S, 3:000 metros, 370 04' 15" E. Gr., 150 20' 12" S, ambas
determinadas por Last. O seu relat6rio, e em especial a noticia refe-
rente ao macico Nam6li, revela um grande poder descritivo. Last,
extasiado perante a beleza e magnificencia daquelas montanhas, exclama
no seu relat6rio: -Nature seems to have specially exserted herself in
the formation of this mountain mass>.
A 23 de Outubro deixou Namdli e partiu para Quelimane, seguindo
ao long do rio Ana Unaina. No dia seguinte tomou o caminho do rio Ululu, chamado
Lukokokua no mapa de O'Neill, e dirigiu-se para a confluencia do Lu-
manana, que atingiu a 23 de Outubro. A 5 de Novembro passou o
Lugera e a 13 chegou A foz do Licungo. Da aldeia de Maroda, situada
perto da foz, onde acampou, seguiu para Quelimane, onde se demorou
tries semanas. De Quelimane voltou para Blantyre, por um caminho que












AtLV" a jIILIaJ ULOLCLI L tv ic 1 %I U% L ttU L4IV LLtU V %aissltllLU U tOU"t Jal ct
Blantyre. A 14 de Janeiro chegou a Blantyre, donde, pouco depois,
seguiu para Zomba; contornou entfo as margens sul e leste do lago
Chirua, e passou aos lagos Chidta e Amaramba, em direcqo A regiio
do Medo. Depois de atravessar o rio Luleio veio a descobrir as nascen-
tes do extenso rio Messalo, nos montes Tchanguari. A partir desse
ponto at6 ao Ibo o trajecto de Last, segundo o seu relat6rio, 6 vago
e ndo nos 6 possivel traci-lo na carta cor a necessAria precisgo.
Na sua viagem pela regiao do Medo o explorador Last encontrou
o comandante Augusto Cardoso, jA falecido, que tinha partido do Ibo
em direcq5o ao lago Niassa em viagem de exploraggo. O comandante
Augusto Cardoso encontrava-se entfo muito doente, mas foi salvo devido
aos cuidados que Ihe dispensou J. T. Last.
Joseph Thomas Last veio para a Africa Ocidental em 1873 e con-
quistou uma grande reputaggo, devida aos seus variados m6ritos, A sua
energia e conhecimento perfeito da lingua suahili.
Em 1897 foi nomeado comissario da repressao da escravatura na
Ilha de Zanzibar, sob a administracgo de Lloyd Mathews.
Em Zanzibar descobriu as cavernas calcareas de Makunduchi, nas
quais existem grandes estalactites e estalagmites.
Tanto no territ6rio portugues como nos outros territ6rios que per-
correu, J. T. Last fez importantes colecq5es botAnicas, especialmente de
orquideas, que enviou para os Jardins de Kew. Muitas das suas plants
estAo citadas na Flora of Tropical Africa.
Este notAvel explorador faleceu em Shortlands, Kent, a 13 de De-
zembro de 1933, cor 86 anos de idade. A sua noticia obituaria encon-
tra-se publicada em The Geographical Journal, vol. LXXXIII, n.0 4,
Abril, 1934, p. 352.












VUl VvO CA^riIVnl^V n

0 estado de guerra na Europa obriga-nos a suspender ou, pelk
menos, a diminuir as relag6es cor os nossos colaboradores .europeus
em especial de Berlim e Londres, os quais nesfa ocasiAo devem ter .
sua atengao desviada para assunfos infinitamente mais absorventes d(
que o presence estudo. Nos dltimos meses as noticias que recebiamo:
de Londres eram raras, pois que todo o pessoal dos Jardins de Kev
andava ocupado em defender as suas importantes colecg6es botanicas
livros, etc., transferindo-os para lugares mais seguros contra possiveii
ataques de avi6es, conforme nos dizia o seu director em carta de 2t
de Abril 6ltimo, informando-nos de que nao era possivel, em fais con
digqes, tender quaisquer consultas.
Como a tragddia international vai tomando maiores proporq5es <
ameaca prolongar-se por muito tempo, nao podemos continuar o noss<
estudo nem sabemos se nos sera dado o ensejo de o concluir mait


bique










WILLIAM HOWARD JOHNSON


Antigo Director da Reparti~io de Agricultura do Territ6rio da Corn-
panhia de Mogambique. Nasceu em East Guinstead, Gra-Bretanha, a
30 de Agosto de 1875, sendo seus pais Alexandre Howard Johnson e
Lydia Johnson. Estudou nos Royal Botanic Gardens, de Kew, e no
Botanical Laboratory da Universidade de Cambridge e possue certifi-
cados de Botanica e Agricultura do South Harrington Science & Agri-
cultural Department. Antes se ser contratado para a Companhia de
Mogambique exercera o lugar de Director da Agricultura na Costa
do Ouro.
Tomou posse do seu cargo na Beira a 1 de Outubro de 1906 e
foi dispensado, a seu pedido, em 4 de Maio de 1910.
W. H. Johnson fez vArias colecq~es botanicas no territ6rio de Ma-
nica e Sofala, que enviou para os Jardins de Kew e em parte estio
publicadas na Flora of Tropical Africa.


MORLEY THOMAS DAWE

Tamb6m antigo Director da Reparticgo de Agricultura do Ter-
rit6rio da Companhia de Mocambique. Tomou posse do seu lugar
a 18 de Outubro de 1910 e deixou-o, a seu pedido, em 7 de Janeiro
de 1914. E filho de Thomas Dawe e de Mary Dawe e nasceu em
Sticklepath, Southampton, a 9 de Setembro de 1880.
Habilitado corn o certificado de estudos de agriculture dos Royal
Botanic Gardens, de Kew, desempenhou importantes funqSes da sua
especialidade nos dominios ingleses de Ceilgo, Nigeria, Uganda e Chipre,











assim como na Bolivia e em Angola, ee da Linnean Society
ie Londres. Actualmente exerce o cargo de Director da Agricultura na
Palestina.
Durante a sua permanencia no Territ6rio de Manica e Sofala fez
importantes coleccqes botfnicas, que enviou para Kew e, em parte, se
encontram publicadas nos altimos volumes da Flora of Tropical Africa.


JOACHIM JOHN MONTEIRO E ROSE MONTEIRO


Joachim John Monteiro foi um explorador c6lebre de Angola que,
aos iltimos tempos da sua vida, residiu em Lourenqo Marques e aqui
:oleccionou algumas plants. Como explorador-naturalista a sua aca5o
iesenvolveu-se principalmente em Angola e a sua biografia e trabalhos
profissionais pertencem mais A hist6ria cientifica daquela Col6nia do que
4 de Mogambique.
J. J. Monteiro, filho de Luiz Ant6nio Monteiro, nasceu em Londres,
em 1833. Estudou na Royal School of Mines e no College of Che-
nistry, de Londres, tendo sido um dos alunos mais classificados.
Visitou Angola pela primeira vez em 1858, ano em que foi exercer
a sua profissao de engenheiro nas minas de cobre do Bembe. Emquanto
esteve no Bembe estudou a utilizacqo da fibra do embondeiro para pasta
le papel e chegou a obter um exclusive da exploragio dessa espdcie
vegetal.
Nem s6 os trabalhos mineiros o preocupavam. Naturalista na mais
arga acepcAo do termo, coleccionou em Angola muitas plants e aves
iue enviou para o Museu BritAnico de Londres e Jardins de Kew. Entre
as plants enviadas por ele cita-se Welwitschia mirabilis, s6bre cujos












;emplares sir Joseph Hooker elaborou a sua conhecida e esplendida
onografia daquela curiosa esp6cie.
Dos seus trabalhos a respeito de Angola o mais nofavel 6 sem
ivida o que tem por titulo Angola and the Congo River, publicado
n 1875.
Em 1876 J. J. Monteiro veio para Lourengo Marques, mas faleceu
assados menos de dois anos.
A data do seu falecimento, a 6 de Janeiro de 1878, desempe-
hava o cargo de agent da companhia de paquetes e da emigracAo
ara a Africa do Sul.
As suas plants de Mogambique encontram-se nos HerbArios de
Lew e um pequeno nrmero delas pertence ao Museu Botanico de Berlim.
A Senhora Monteiro, esposa de J. J. Monteiro, nascida Rose Bassett,
ontinuou a residir (segundo parece) em Lourengo Marques, pois fez
iais tarde algumas coleccoes de plants e de insects nos arredores
esta cidade que enviou fambem para os mesmos institutos cientificos.
,m Angola, acompanhando seu marido em todas as viagens, foi tamb6m
ma dedicada colectora, sendo as suas colecq~es das mais interessantes
ue ali tenm sido realizadas.
A respeito de Lourengo Marques deixou um livro de impresses
lastante curioso, cor diversas fotografias e desenhos de plants cujas
species haviam sido consagradas a si e a seu marido: Delagoa-Bay:
ts natives and natural history, London, 1891.
S6bre a biografia de Joachim John Monteiro existem algumas
iotas, especialmente acerca dos seus trabalhos cientificos, em Nature,
CVII, pp. 391 e 425 (1878), e Journal of Botany, XVI, p. 128 (1878).
juanto a Senhora Monteiro nao conseguimos ainda obter as suas













Nasceu em Leipzig, a 23 de Junho de 1843. Cursou primeiro uma
escola commercial e desde 1863 a 1866 foi comerciante em Berlim.
Mais tarde possuiu uma fibrica de 6leos essenciais em Leipzig, cor a
qual adquiriu fortune. Entso, deixou a actividade dos neg6cios e fez
uma viagem A volta do globo (1874-1875). Desde 1876 a 1878 retomou
os seus estudos em Berlim e por fim alcangou o grau de Doutor em
Filosofia na Universidade de Friburgo.
Em 1886 fez uma viagem A Rlssia Asiatica, em 1887-1888 As
Ilhas Cangrias, em 1891-1892 A Am6rica do Sul, em 1894 A Africa
do Sul e Oriental, em 1904 a Ceillo, Australia, Nova Zelandia e Ilhas
Sandwich.
Faleceu em San Remo, Italia, a 29 de Janeiro de 1907.
Publicou uma monografia s6bre Cinchona (1878), um relat6rio
com o titulo Um die Erde (1881), Monographie der Gattung Clematis
(1885) Revisio Generum Plantarum, 3 vol. (1891-1898), e Lexicon Ge-
nerum Phanerogamarum, em colaboracgo cor Tom von Port (1904).
As suas plants africanas, incluindo as de Mogambique, pertencem
ao Museu Botinico de Berlim e encontram-se publicadas nas Pflanzen-
welt Afrikas, I (1910) do Dr. A. Engler.
(Informagao fornecida pelo Dr. J. Mildbraed, de Berlim).

GEORGES LE TESTU

Agr6nomo frances. Veio A Zamb6zia em 1904, encarregado por
um industrial de Mulhouse de estudar a cultural do algodao nos terri-
t6rios da Companhia do Luabo. Le Testu estacionou em diversas loca-












lidades do Baixo Zambeze Marromeu, Nhandoa, Cundine, etc. e
voltou para Franga em 1906.
Durante a sua viagem pela Zamb6zia fez uma colecqgo botfnica
de 600 ndmeros, que entregou ao Museum Nationale d'Histoire Natu-
relle de Paris.
Em 1907 entrou na administraqo colonial francesa e continuou
a fazer colecqes botfnicas at6 1934. Serviu na Africa Equatorial Fran-
cesa, quasi exclusivamente no Gabso. Em 1919 foi eleito correspon-
dente daquele Museu.
Algumas das suas plants de Mogambique vem citadas na Flora
of Tropical Africa e Pflanzenwelt Afrikas.





















ANTONIO DE FIGUEIREDO GOMES E SOUSA

Ae- *











FAUNA DE MOZAMBIQUE


!UINODERMES DA


HA DA INHACA

MBORA de formas muito variadas, os
equinodermes constituem um con-
junto muifo homog6neo de animals
marinhos, corn o tegumenfo incrus-
tado de places ou espiculas calcareas
e corn um sistema especial de canais
em comunicagao com o exterior (apa-
relho ambulacririo). S6 dois equi-
nodermes tem interesse econ6mico:
ourigos do mar e holotdrias. Os pri-
meiros consomem-se, comendo-se
:ozidos, na Arg6lia, C6rsega, NApoles e costas da Mancha, etc.
irias, tambdm conhecidas por lesmas, bichos do mar ou pepinos
sao desprezadas na Europa mas em compensagao os chineses
mnnas uma das suas iguarias mais delicadas. A China 6, assim,
so e infatigivel mercado para as holotarias.
ora haja vArios centros exportadores destes equinodermes, tais
izibar, Sud5o, Eritreia, costas da Arabia, G6lfo Pdrsico, algumas
Arquip6lago da Melandsia, Novas Hdbridas, Nova Guind,
nd, Japao etc., Mocambique tamb6m exoortou. nos tltimos











UmllU CUlUb, VOJUiVV qULjUo, iiVu V ui. U Cutio ,uiiJUx.m.o %
sendo a exportagao deste ano, at6 Agosto, de 138:427 quil
para os cofres da Col6nia algumas cenfenas de contos proved
direitos de exportagao (12 por cento ad valorem).
A apanha e a preparacgo sao ainda muito rudimentares.
6 feita pelos indigenas que procuram as holotdrias na praia,
-mar, havendo no note da Col6nia uma esp6cie vulgar--
mauritiana que se encontra nas pedras a certa profundidade.
a colleita feita, 6 extraido o aparelho digestive, por dois
numa especie, fazem-lhe um simples golpe numa das exti
noutra, um golpe longitudinal.
Quianto a preparacgo, as holotdrias sao cozidas em Agu
durante algumas horas, para sofrerem nova cozedura no dia
Sao, depois, postas a secar ao sol, s6bre esteiras, durante, al
mente, cinco dias. Cor estas operagSes a holotaria fica r
metade do seu primitive tamanho e estA pronta a ser export
se faz, geralmente, em sacos de 75 a 80 quilos.
A cotagAo, actualmente, 6 muito variavel, devido ao estad
da China; mas atingia normalmente 100 a 200 libras est4
mil quilos, conforme o tamanho e esp6cie.
E interessante notar que a esp6cie mais pequena 6 con
Norte da China, ao pass que a grande, cor cotag~o muito
vada, 6 consumida no Sul, sendo a importag5o, na China
direitos.
A holotfria, denominada pelos indigenas ,Macajojo>, 6,
preparada, conhecida pelos franceses por por nnvvanl~l~f. an AKO cUtInC.














































































A. PEXo LOPES JUNIOR -Des. do nat.


1. Luidia savignyi (Andouin)
2. Linckia multifora (Lamarck)





























a costa.
Para propagar e proteger a holotiria, 6 necessArio former abrigos
com montes de pedras colocadas em linhas perpendiculares A costa, a
diferenfes profundidades, estabelecendo-se zonas reservadas e devendo
reprimir-se de forma eficaz a pesca nesses abrigos artificiais.


LISTA SISTEMATICA DAS ESPECIES COLECCIONADAS

ASTEROIDEA
FAMiLIA LUIDIIDE
Luidia savignyi (Andouin).
FAMILIA ASTROPECTINIDE
Astropecten monacanthus Sladen.
FAMILIA OREASTERIDE
Oreaster linckii (Blainville).
Oreaster mammillatus (Andouin).
FAMILIA OPHIDIASTERIDE
Linckia multifora (Lamarck).














FAMfLIA CIDARIDE
Prionocidaris pistilaris (Lamarck).
FAMILIAR TEMNOPLEURID&E
Salmacis bicolor Agassis.
FAMILIA ECHINIDA
Tripneustes gratilla (Lin).
FAMILIA SCUTELLIDAE
Echinodiscus bisperforatus Leske.

HOLOTHURIOIDEA
FAMILIA HOLOTHURIIDME
Holothuria atra Jaeger.
Holothuria scabra Jaeger.

ASTEROIDEA
LUIDIA SAVIGNYI (ANDOUIN)
Com sete ou mais raios.
Central spineleto alargando s6bre muitas paxilas; as tiltimas, corn uma coroa estre-
ada; places supermarginais nulas.
C6r: castanho claro cor manchas pretas muito irregularmente dispostas.
9 conhecida no Mar Vermelho, Mauricias e Zanzibar.
Pouco abundante na Inhaca, onde s6 se colheram dois exemplares, encontrados
8bre as pedras que a mare baixa deixa a descoberto.

ASTROPECTEN MONACANTHUS SLADEN

Placas supermarginais bem desenvolvidas, dispostas horizontalmente em relao
cada raio; espinhos submarginais pequenos.
C6r: amarela.
Nio e muito abundante.




















































































1 e 2. Oreaster mammillatus (Andouin)


A. PEAO LOPES JUNIOR Des. do nat.









































































'E PIEO LOPES JUNIOR Des. do nat.


1. Prionocidaris pistilaris (ILamarck)
2. Tripneustes gratilla (Lin.)















Raios bem desenvolvidos; dois ou tries espinhos bem salientes, supermarginais,
ada lado de cada bravo; uma sirie de espinhos elevados no meio da parte superior
ada raio, formando uma especie de coroa no disco central.
C6r: todas as elevag6es slo dum vermelho vivo s6bre ocre e muitas vezes s6bre
ento.
Vulgarissima na Inhaca, quer nas pedras, quer na area que a mar6 baixa descobre.

OREASTER MAMMILLATUS (ANDOUIN)

Raios bem desenvolvidos; pequenos espinhos supermarginais mais ou menos
is, s6bre places mais desenvolvidas nos interrAdios.
C6r: esta esp6cie 6 muito variivel, encontrando-se exemplares de varios tons de
relo, castanho e verde, sendo freqiiente exemplares cor manchas pretas dispostas
'tricamente.
Encontra-se nos mesmos locais da especie precedent, sendo vulgarissimo encon-
-m-se, em determinados locais, envolvidas nas algas que a mar6 revolve, ao encher.

LINCKIA MULTIFORA (LAMARCK)

Tegumento granuloso; bragos relativamente compridos e delgados.
C6r: cinzento ou esverdeado, irregularmente manchado destas c6res.
Esta esp6cie, abundante, e muito andmala, muitas vezes cor mais de cinco bragos,
reduzidos outros mais desenvolvidos. Em alguns exemplares, urn dos bragos 6
:ssivamente comprido, tendo a configurag~o dum cometa.


ECHINOIDEA

PRIONOCIDARIS PISTILARIS (LAMARCK)

Peristoma coberto com numerosas e pequenas places. Tubrculos primirios perfu-
)s. Espinhos cor um anel na base, c6r de pdrpura e todos denteados em linhas
jitudinais, atingindo alguns deles mais de cinqienta milimetros de comprimento.













SALMACIS BICOLOR AGASSIS

Casca profundamente esculpida. Os espinhos primirios sao tracejados de verde
e vermelho, tornando-se vermelhos os restantes.
Encontra-se cor freqiiencia.

TRIPNEUSTES GRATILLA (LN)

Casca nio profundamente esculpida, corn cinco sulcos. Poros ambulacrarios em
cinco series verticais, formando largas superficies poriferas. Espinhos brancos e fracos.
B abundante.
ECHINODISCUS BISPERFORATUS LESKE

Casca discoidal cor duas perfurac6es obliquas.
E todo coberto de pequenos espinhos, sendo a c8r geral lilaz.
E esp6cie bem conhecida em Madagascar, Zanzibar e Mauricias, encontrando-se
tambem no Mar Vermelho.
Encontra-se corn freqiiuncia e atW muitas vezes rolados na praia.


HOLOTHURIOIDEA

HOLOTHURIA ATRA JAEGER

Tenticulos ampulares. A c8r 6 mais ou menos negra. E uma esp6cie comum no
Indo-Pacifico, mas na Inhaca e muito menos abundante do que a H. scabra.

HOLOTHURIA SCABRA JAEGER

TentAculos ampulares; bot5es protuberantes. E uma esp6cie de ficil reconheci-
mento pelo seu grande desenvolvimento, pela coloraAo verde e branca e as caracteris-
ticas particulares calcAreas.
Encontra-se na praia, na baixa-mar, e 6 vulgarissima.


A L B E R T 0 PEAO LOPES
TAXIDERMISTA DO MUSEUM














-





























































A. PEXo LOPES JUNIOR Des. do nat.







1. Salmacis bicolor Agassis
2. Echinodiscus bisperforatus LesLe































































A. PIl o LOPES JKNIOR-

2




1. Holothuria scabra Jaeger
2. Holothuria atra Jaeger












U I5 3 1 I U

PARA O ESTUDO DOS

(GELINS DE MOQAMBIQUE

GERGELIM 6 uma plant annual, da familiar
das pedaleiceas, muito cultivada no
Levante, India, China, Turquia da
Asia, paises do G6lfo P6rsico, Africa,
Indo-China, etc. Conhece-se uma s6
esp6cie (o Sesamum indicum L) mas
o n6mero de variedades parece ser
grande. Semler fala de catorze. Na
revista The Indian Journal of Agri-
cultural Science, os botAnicos Ali
Mohammad e Zafar Alam publica-
im notivel artigo, -Types of Sesamum Indicum>,, os caracteres
iais dos diversos tipos de gergelim (ndmero de flores em cada
3res das sementes, cor da corola, etc.). Para estes botanicos, hi
quatro tipos de gergelim, emquanto para Walter Leather havia
ro; Zaitev classifica tamb6m o s6samo do Turquistgo em trinta
o tipos. Como se ve, sob o ponto de vista taxin6mico o ger-
iferece ainda hoje grandes dificuldades e discusses.
ta plant 6 originAria da Asia tropical. A india 6, desde a mais
antiguidade, o pais do gergelim. Ainda hoje lhe pertence











1 metro a 1 metro e meio de alto, chega na India a atingir
metros de altura e a- grossura de um brago. 0 fruto, que e
cApsula, encerra numerosas e pequenas sementes, de c6res div
pretas, avermelhadas, amarelas ou brancas. As sementes do ge
da India sao maiores que as do de Mogambique.
O gergelim nao se classifica segundo os portes da plant,
sucede, em geral, corn o amendoim Brunchs type, e -Runner
dos americanos; o carActer que condiciona a classificagao 6, p
indianos, a c6r da semente.
HA, assim, tres tipos:
1.0 uffed-til ou vel-ellon: semente clara, cultivada nos te:
inundados das planicies; fornece um 6leo muito fino e claro;
2.0 Tille ou per-ellon: sementes negras, cultivadas nas r<
mais altas; cont6m grande quantidade de 6leo, o que o forna
rido; e deste tipo a maior parte do gergelim da India;
3.0 Kala-til ou kour-ellon: semente avermelhada, cultivad
terrenos pobres; o 6leo 6 inferior.
O gergelim 6 uma planfa dos climas quentes, exigindo uma
peratura de, em media, 20, pouco vento e humidade nos prir
tempos do desenvolvimento.
Emquanto o amendoim 6 cultivado em toda a Col6nia, e
trando-se nao s6 no litoral como no interior, o gergelim quAsi
cultivado ao Sul do Save, sendo as provincias mais produtivas
Zamb6zia e do Niassa.
Parece que Inhambane foi das primeiras regi5es a ser cult
as semenies teriam sido trazidas pelos primeiros asiAticos que hA s,
ali se fixaram; hoje, pordm, a cultural estA quAsi abandonada.














BAND)AR (P(RTO AMILIA),

DE UM INDIAI








































SCORRENDO













Em Mozambique o gergelim cultiva-se s6 ou associado com milhc
algodao, etc. Quando as cApsulas esfao maduras, os indigenas colhen
as plantas e dispoem-nas aos molhos, para secar; passado tempo
quando as capsulas estao abertas, sacodem as plants e, por fim, pisam
-nas com malhos para separarem toda a semente. Como esta lftim;
operacAo se realize sobre a terra, sucede que as sementes de alguma;
regioes vem misturadas com poeira terrosa (especialmente as semente:
de Mozambique). Daqui o ftifulo em cinzas ser muito elevado nesta,
sementes, como se verA nas analises apresentadas. HA, pois, que modi
ficar este process de colheita ou entao peneirar as sementes num crive
ou lavd-las e secA-las, como se faz nalguns paises.
Damos a seguir a composiqao de doze amostras de gergelim culti
vado em vArias regi5es da Col6nia:

ANALISES DE DOZE AMOSTRAS DE GERGELIM DA COLHEITA DE 1938

Por cento
Proveni8ncia
Humidade Cinzas Gordura Azote Protelna

1.o Gergelim branch, de Inhambane . 5,541 5,830 46,oo 3,867 24,168
2. Gergelim branch, de Inhambane . 6,000 4,833 47,22 3,3 19 20,744
3.o Gergelim branco, de Cabo Delgado 5,323 4,880 46,45 3,o63 19,144
4.0 Gergelim branco, de Cabo Delgado 6,112 5,078 46,82 3,313 20,706
5.0 Gergelim preto, de Cabo Delgado 6,140 5,255 46,80 3,503 21,956
6.0 Gergelim branco, de Mogambique. .. 5,324 4,889 49,86 3,007 18,793
7.0 Gergelim mixto, de Cabo Delgado. 5,846 5,r12 44,82 3,4oo 21,250
8.0 Gergelim mixto, de Cabo Delgado 4,978 5,633 47,51 2,800 17,5oo
9.0 Gergelim mixto, de Cabo Delgado. 5 5,536 5,557 47,38 3,177 19,856
10.o Gergelim branco, de Mogambique. 5,419 8,780 39,93 3,253 20,331
11.o Gergelim branco, de Cabo Delgado 5,873 5,262 50,52 2,756 17,225
12.0 Gergelim preto, de Cabo Delgado. 5,570 5,035 47,80 3,205 20,o3i
Midias das 12 anfilises . 5,638 5,51o 46,75 3,223 20,142











Comparemos cor a composiqio, dada pelo Dr. Zeather, de tres
variedades hindus (Plantes d huiles, Yves Henry, p. 74):
Percentage em Tipo Tipo Tipo
branch negro vermelho

Humidade ..................... . 4,87 542 5,37
Oleo ................. .... ...... 48,13 46,50 46,20
Cinzas . . .. . . .. .. 596 6,67 7,35
Azote. .. .. .. ... .. .... .. ..... .. 3,6o 4,13 3,37


O titulo em 6leo varia muito com a proveniencia, indo de 46 a
56 por cento. Nas variedades da fndia 6 de 46 a 51 por cento. Para
as variedades do Levante 48 a 56 por cento e de 46 a 56 por cento
nas da Africa.
Conclue-se, assim, que 6 bom o tifulo em 6leo do gergelim de
Mozambique.

OLEO DE GERGELIM


Parece que nas epocas passadas os indigenas desta Col6nia usa-
vam na sua alimenta~io 6leo de gergelim por eles extraido.
Ainda hoje, na India, se extrai o 6leo de gergelim por processes pri-
mifivos, usando de moinhos rudimentares, e na Indo-China e Java os
naturais extraem o 6leo pilando primeiro as sementes em almofa-
rizes de madeira e tratando, depois, corn gua quente a massa assim
obtida.
No interior das provincias da Zambezia e do Niassa encontram-se,
As vezes, esses moinhos primitivos, pertencentes a indianos, e de que
damos fotografias.








r








rrp




I' I!t


FLOR
Tam. natural

PLANT FRUTO
1/5 do fam. natural Tam. natural













Actualmenfe, o indigena cultiva o gergelim s6 para neg6cio, nAo
utilizando, em geral, na alimentagAo, e quando necessita do 6leo
ompra-o ao com6rcio local.
A maior parte do gergelim produzido 6 exportada, a outra part 6
omprada pelas fAbricas de 6leo da Col6nia.
Damos a seguir a composiCAo de oito amostras de 6leo, quatro
a produgao de 1934 e quatro da produgao de 1938. Estas amostras
>ram fornecidas pelas fAbricas: Amarshi Gokaldas & C.a, S. E. Ginwala
)il, Esmail Aboobakar & C.a, Sociedade Industrial de Oleos e Osman
,boobakar.
Tal como sucede cor o 6leo de amendoim, como se mostrou no
rtigo publicado no nimero anterior deste DocumentArio, alguns 6leos
e gergelim tem uma acidez excessive: 7,501

ANALISES DO 6LEO DE GERGELIM
COLHEITA DE 1934

Acidez: dice indice
Acidos lives ndice refractom- saponifica.
ProveniEncia Densidade expresses de iodo trice qpoi
a 15C em (Metodo lny-Zeiss (Nmero
Acido oleico Hb-Wijs) aeis (N ero
Kcettstorfer)

SAmarshi Gokaldas & C.a .
De semente de gergelim sortido P6rfo
Amelia . . ... 0,9257 3,89 113,7 69,6 195
SS. E. Ginwala Oilh
De semente de gergelim branco Mo-
gambique .. . .. 09235 7,5o I 1,3 69,2 192
Esmail Aboobakar & C.a:
De semente de gergelim branch Cabo
Delgado. . . ... 0,9236 3,04 111,8 69,4 195
Sociedade Industrial de Oleos:
De semente de gergelim sortido. 0,9231 3,78 o09 69,3 194

Midia. .. . 0,9239 4,55 1114 69,3 194


















Acidez: Indice
acidos livres indice Indice de
Densidade expresses de iodo lefractcme- saponifica-
ProveniEncia a 05"C em (Metodo trico ao
acido oleico Hiibl-Wijs) Wolny-Zeiss (Numero
a 250 de
Kcettstorfer)


S. E. Ginwala Oil:
De semente de gergelim sorfido -Prto
Amelia .. . .. 0,9215 5,81 110,3 68,3 191
Osman Aboobakar:
De semenfe de gergelim branco Cabo
Delgado. . . .0,9225 3,27 112,0 69,0 192
Esmail Aboobakar & C.a:
De semenfe de gergelim sorfido 0,9235 5,41 112,4 69,o 192
Sociedade Industrial de Oleos:
De semenfe de gergelim sortido 0.9239 4,12 1Iz,6 69,0 195

Media ..... . 0,9228 4,65 I 1,8 68,8 192




A composicgo do 6leo de gergelim dada por Giovani Issoglio e

[. Kling e:



indice
Densidade Indice Indice de
a refractome- de iodo saponificaqco
15 C trico (Metodo (Nurmero
Wolny-Zeiss Hfibl-Wijs) de
Kcettstorfer)


a 250
Issoglio . . . ... 0.920-0,924 66,2_69 o3-15 187-195
a 6 103-11 18-t195

Kling . . . .. 0921-0924 6a006 3-i2 18-195



FAcilmenfe se ve que nao ha desvios notfveis na composioio do

leo de gergelim de Mozambique.







A ADAPTAq(AO DO MOINHO INDIANO
FEITA PELOS UA-IAO (AJAUAS)






U


PORMENOR DO MOINHO
DOS UA-IAO


U




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