• TABLE OF CONTENTS
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 Front Cover
 Half Title
 Title Page
 Os indígenas de Moçambique
 Exploradores e naturalistas da...
 O ensino primário em Lourenço...
 A pecuária no sul do save
 Subsídios para o estudo dos amendoins...
 Crónica do trimestre
 A visita de s. ex. o presidente...
 Economia e finanças
 Vida social
 Colonização e fomento
 Livros e publicaçoes
 Back Cover














Group Title: Moc¸ambique
Title: Moçambique
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Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/UF00081146/00001
 Material Information
Title: Moçambique documentário trimestral
Uniform Title: Moçambique (Lourenço Marques, Mozambique)
Physical Description: v. : ill. ; 28 cm.
Language: Portuguese
Creator: Mozambique
Publisher: Govêrno Geral
Place of Publication: Lourenço Marques
Publication Date: 1935-
Frequency: quarterly
regular
 Subjects
Subject: Periodicals -- Mozambique   ( lcsh )
History -- Periodicals -- Mozambique   ( lcsh )
Genre: federal government publication   ( marcgt )
periodical   ( marcgt )
Spatial Coverage: Mozambique
 Notes
Dates or Sequential Designation: No. 1 (março 1935)-
General Note: "Oferta do Govêrno geral Moçambique."
General Note: Vol. for Jan.-July 1961 has subtitle: Documentário.
 Record Information
Bibliographic ID: UF00081146
Volume ID: VID00001
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 10872301
lccn - 2002238235

Table of Contents
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    Half Title
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    Os indígenas de Moçambique
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    Exploradores e naturalistas da flora de Moçambique
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    O ensino primário em Lourenço Marques
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    A pecuária no sul do save
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    Subsídios para o estudo dos amendoins de Moçambique
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    Crónica do trimestre
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    A visita de s. ex. o presidente da república
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    Economia e finanças
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    Vida social
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    Colonização e fomento
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    Livros e publicaçoes
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Full Text







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CUMENTARIO TRIMESTRAL


.o 19 JULHO AGOSTO SETEMBRO 1939



S U M A R I 0

OS INDIGENAS DE MOQAMBIQUE, por Henri Philippe Junod.
EXPLORADORES E NATURALISTAS DA FLORA DE MOQAMBI-
QUE, por Antdnio de Figueiredo Gomes e Sousa.
O ENSINO PRIMARIO EM LOURENQO MARQUES, por Braga Paixio.
A PECUARIA NO SUL DO SAVE, por Jose de Brito Gutterres.
SUBS1DIOS PARA O ESTUDO DOS AMENDOINS DE MOqAMBI-
QUE, por Atouguia Pimenta.
RONDA DA PATRIA, por Ant6nio Palmeira Jdnior.
CRONICA DO TRIMESTRE













IMPRENSA NATIONAL
LOURENCO MARQUES
1939











C

D

NC
SE<
PC


GENAS

MBIQUE

DMEQO DO XVII,
)S DOCUMENTS
POCA DOS DES-
NTOS
(Conclusao dos nfimeros T7 e 18)
ntrodug5o A nova edicgo, publi-
em 1891, da Ethiopia Orien-
.uciano Cordeiro observe:

lade triste: de ser um paiz onde os
;eus classics, onde os seus grandes
*scriptores antigos andam quasi inteira-
nente sequestrados ao conhecimento,
i leitura, por conseguinte ao amor e a
nsfrugio geral.D
:e mais particularmenfe tragica
Scomo Frei JoAo dos Santos.
lor exacto deste escritor quanto
artida, de ha muito tempo con-
cional, do testemunho cientifico
i*













de Frei Joao dos Santos. Excessivamente se tem sido levac
que a observaiAo cientifica e apanAgio dos tempos contempc
vArios autores ten concluido que Frei Joao dos Santos exage,
as suas describes de maneira quasi pueril. Infelizmente, aqi
tem estado em condiq6es de verificar in loco a exactidao das
qoes dadas pelo velho autor portugues sao extremamente pouw
rosos e esta 6 a razao por que muifos sabios modernos mos
dencia a desconflar de uma obra que, em meu juizo, vale o
em ouro.
Eis o que o pr6prio Joio dos Santos diz no seu Proloi

cE porquanto algumas cousas das que digo, sao tio prodi
quasi sio incrediveis, e confadas aos que ter alcangado pouco
maravilhas que ha pelo mundo, corre muito perigo seu credit
elles; por tanto logo no principio duvidava sahir a lume com
historic, enfendendo que se nio deviam contar estas cousas a
pessoas, que ligeiramente as julgam por fabulosas. Mas como r
nio 6 satisfazer a estes, nem contar fabulas affectadas com pala
sitas, e bem compostas, uzando para isso de alto estylo de falla
gem polida, senio confar na verdade as cousas que vi, note
pessoas de credit, por isso nao quiz desistir do intent comega
d'esta singella narragdo, porque a verdade nio ter necessidade
rhetoricas, para se declarar; e sdmente esta acceife de min
leitor, e nao o grosseiro modo que; tenho de a relatar.,




Joao dos Santos nasceu em livora. Nada se conhece que
do nascimento quer da vida deste autor at6 o moment em qi
ordens. em 5 de Novembro de 1584. No ano da araca de













Abril, embarcou em Lisboa, para chegar a Mogambique em 13
;to. De Moqambique passou a Sofala, em Novembro, e ai viveu
inos, com uma breve ida a Moqambique em 1589. De Julho
3 a Julho de 1591 percorreu o pais de Sofala ao Zambeze.
rio atf Tete e neste p6sto avangado do interior passou oito
Esteve, depois, dois meses em Sena donde regressou a Mogam-
Im 1593, nova e curta viagem a Sofala, cor volta a Mogambi-
ide abalou para a India, em 1597. Regressou a Portugal em
de novo largou de Lisboa para a India, falecendo em Goa
;2.
io dos Santos deixou apenas uma obra: a Ethiopia Oriental,
; volumes, publicada em 1609. E 6 este notAvel trabalho que
fazer reviver aqui, escolhendo os seus mais tipicos passes rela-
s indigenas de Mogambique. Na verdade, para se ser complete
;-ia de citar quasi tudo, pois nesta obra nao se nos deparam
notas esparsas mas um trabalho s&rio que, em meu entender,
das bases s6lidas da antropologia contemporanea.
moda do seu tempo, Frei Joso dos Santos comegou o livro por
ma em dedicat6ria e onde se leem os versos latinos que trans-

Aethiopiunque: jubar: tibi flumina grata Cuamae
Semper erunt: te Senna ferax, teque aurea Tette,
Te coeco regnata olim Sofalla Tyranno,
Et Maurussa ferox, et picti membra Machoe,
Cumque pharefratis dives Mocaranga Botongis,
Argentoque auroque potens regnisque superbus.
Manamotapa suis, et nudi corpora Zimbce,
Laetaque palmiferse celebrabunt regna Quirimbae.>












A obra foi dedicada 'Ao Excelentissimo Senhor D. Duarte, M;
ques de Frechilla, e de Malagon, etc.,
O primeiro volume compreende cinco livros: I, descricgo das ter
de Sofala e do rei Quiteve, costumes dos habitantes, fauna terrest
fluvial e maritima; II, Monomotapa e o seu reino, costumes dos ha
tantes; descricgo dos ,c6lebres rios de Cuama>, isto 6, toda a ba,
do Zambeze e dos seus afluentes; III, Mocambique, o reino de Ms
ruca, as ilhas Querimbas at6 Cabo Delgado; IV, descrig~o dos reir
e provincias, do interior de Cabo Delgado ao Egipto, reino de Pre:
Joao, o Nilo, etc.; V, descriglo da costa de Melinde ao Mar V<
melho.
No segundo volume, Frei Joao dos Santos descreve a obra miss
naria da ordem dos irmAos pregadores de S. Domingos; depois, coni
-nos alguns naufrAgios e as suas viagens a Sena e a Tete. A ol
terminal pela descrig~o das Indias portuguesas e pela narrative do f
da viagem do Autor, at6 regresso a Portugal.
8 sobretudo o primeiro volume desta grande obra que nos inl
ressa, embora encontremos tamb6m no segundo muitas informaqC
interessantes sobre a condiqao dos indigenas. Procuremos, pois, resur
o essencial, conflando em que o nosso rApido exame estimularA algu
daqueles que s8bre a Ethiopia Oriental tenham formulado juizo sumA
a rever, mais conscientes do valor dela, essa velha testemunha d
tempos her6icos.


Para o nosso intuito- que 6 o de procurar compreender as co
diq5es de vida dos indigenas de Mogambique no s6culo xvi- 6 o li\
primeiro da Ethiopia Oriental a fonte mais important. Com efei














6 dada descriq5o minuciosa da vida e costumes dos stbditos
!uiteve. Numa outra publicagqo esforcei-me por mostrar qual
Ssido a configuraqgo demografica do pais na 6poca em que
Santos escrevia o seu livro. Os tries chefes sabditos do Mono-


taoele
norm


; deij
irte d
algur
5bre




:abello
le Dei


* que os mais cafres ai
om suas irmts nem fil


ire ae
mento














E interessante observer que estes privilegios da familiar
duram hoje ainda em diversas tribus indigenas que, todavia, m;
nos seus costumes um horror instintivo do incest.
Joao dos Santos descreve a lei da sucessao ao trono, a
de pai a filho mas tamb6m, algumas vezes, de irm5o a irmao
importfncia muito particular das mulheres da familiar real na es
novo chefe, e v8-se ja aqui a posigao especial das uanhac
rainhas, em toda esta regi5o.
Vejamos os pormenores da etiqueta real:

eSe querem os cafres fallar a este rei, logo a entrada d
deitam no chio e deitados entram para dentro da casa arrasta
onde o rei esti, e d'ali deitados de ilharga Ihe fallam sem olharer
e emquanto Ihe vio fallando, juntamente vAo batendo as palma
principal cortezia de que uzam os cafres) e depois de concluido c
cio a que foram, do mesmo lugar se tornam para f6ra do modo
ram, de maneira que nenhum cafre p6de entrar em p6 a fallar a
menos olhar para elle quando Ihe falla, salvo se sio familiares 4
res amigos d'el-rei, ou quando esti em conversaqo com elles.>


indigenas cri


am que a infracqgo da lei toftmica acarretava a pi
entes.

j /













Quando o rei more, 6 enferrado ,numa serra, onde se enferram
todos os reis> e as ,suas mulheres grandes tem obrigacqo de morrer
(...) e para cumprimento desta lei tao deshumana, no mesmo ponto
em que o rei more fomam pegonha, que tem prestes para isso, a
que chamam lucasse, com que morrem>,.
A prop6sito do culto dos antepassados, lemos:

rece a lua nova, sobe a uma serra muito alta situada perto da cidade em
que mora, chamada Zimbaohe, e em cima d'ella faz grandes exequias pelos
reis seus antepassados, que todos ali estfo sepultados: e para este effeito
leva muifa gene comsigo, assim da sua cidade, como d'outras muitas parties
do seu reino, que manda chamar.,

As cerim6nias comecam por grande libacqo e dancas, particular-
nente aquela que os negros chamam, segundo Santos, ,pemberar,:

a principal de que el-rei uza (.. .), correndo de uma parte para
outra, do modo que em Portugal uzam o jogo das canas. Para estas festas
se veste o rei, e mais grandes do seu reino dos melhores pannos de seda que
tem, ou de algodio, e atam pela testa uma fita larga com muitos cadilhos
tecidos n'ella, como franja de alcatifas, os quais Ihe ficam pendurados sobre
os olhos e rosto, como topete de cavallo, e divididos tantos de uma part
como da outra, e todos a p6, remefem uns contra os outros, cor arcos e
frechas nas maos fazendo que atiram, e pelejam, despedindo todas as frechas
por alto, de modo que se nio firam, e d'esta maneira dio mil carreiras e
voltas com muitos momos, atd que cansam e se nio p6dem bulir e aquelles
que mais aturam no campo esses sao os mais exforgados e valentes, e
ganham o premio que estA post no jogo.
Depois que o rei tem festejado oito dias, entfo se p6e em feigio de
chorar os defuntos, que ali estAo enterrados, no qual pranto juntamente














quantos all estao continuam dois aias ou trez, ate que se mete o diabo em
um care d'aquele ajunfamento, dizendo que 6 a alma do rei defunto, pai
do rei vivo que all esti fazendo aquellas exequias, e que vem falar a seu
filho. O care endemoninhado fica logo tal como quem tem o diabo no
corpo, estirado no chio, feio, mal assombrado, e f6ra de seu juizo, e d'esta
maneira falla o diabo pela sua bocca todas as linguas estrangeiras d'outras
nag6es de cafres, que muitos dos que estio presents entendem. E alem
d'isso comega logo de escarrar, e fallar como falava o rei defunto que re-
presenta, de modo que parece ser o proprio, assim na voz como nos meneios
pelos quaes signaes conhecem os cafres que ji 6 vinda a alma do rei defunto
como elles cuidam. Sabido isto pelo rei que all estf fazendo exequias, vem
logo acompanhado de todos os grandes ao logar onde esti o endemoni-
nhado, e prostram-se todos diante d'elle, fazendo-lhe grandes cortezias, e logo
se apartam fodos para uma banda, e fica o rei s6 com o endemoninhado,
fallando amigavelmente como quem fala com seu pae, que 6 defunto, e ali Ihe
pergunta se ha de ter guerras, e se venceri n'ellas seus inimigos, se havera
fomes, ou trabalhos no seu reino, e o mais que d'elle quer saber, e o diabo
lhe responded a todas estas perguntas, e lhe aconselha o que ha de fazer
mentindo-lhe ordinariamente, no mais do que Ihe diz, como also, e inimigo
que 6 do genero human, e nem isto basta para estes cegos deixarem
de lhe dar credit, vindo cada ano a consulta-lo da maneira que tenho
dito. Depois d'esta pratica, sae-se o diabo d'aquelle corpo deixando o
negro endemoninhado muito cansado, moido, e sempre mal assombrado.a


Temos aqui, velha de 300 anos, uma descrigo do fen6meno da


3 mais clara. A descriqao do e
idade de assistir, de visu et a
A que Joao dos Santos descrei
sta Africa (Vol. III, n.0 7), cen;


ia ensinado a falar, t
endemoninhado- nem
ido de transe e flagrar
itu, a umna cena muiti
e que, por minha ve:
wue nao esquecerei nur














Itando a ancestrolafria, Frei Joio dos Santos da cerfos porme-
5bre os dias especialmenfe consagrados aos mortos:

defuntos, e tenho para mim que A honra d'estes seus negros santos guar-
dam estes dias.,


outras informag6es s6bre as ideas da gene de Quiteve:

fez o home, nem que ha inferno para os maus, e gloria para os bons,
mas cor tudo sabem que a alma do home 6 imorfal e que vive eterna-
mente no outro mundo, e cuidam que ia vivem cor suas mulheres, muito
A sua vontade, e levam li melhor vida que n'este mundo, mas nio sabem em
que parte esti este logar da sua habitagio. Perguntando eu algumas vezes a
cares honrados e bem enfendidos, em que logar estavam seus reis defun-
tos, e os mais a quem tinham por santos, se Ihe parecia que estavam no
ceo, me responderam que no ceo nio estava mais que Deus, a quem cha-
mam Mulungo, e que os seus defuntos estavam em umas terras, e logares
mui fartos, alegres e frescos, mas nio sabiam em que parte, aos quaes
logares chamam paraizos de contentamentos, festas e alegrias."


n dos mais interessantes capitulos da Ethiopia Oriental 6 aquele
Frei Joio dos Santos nos descreve as tres diferentes categories
*r. ,_ i~ "


:Tem o Quiteve duzentos ou trezentc
n inficis, que 6 o mesmo que algozes
cor uma corda grossa pelo pescogo
ima machadinha de ferro mui luzente,
de um covado, que sio os instruments


homes de guard, a que
rniceiros. Estes andam cinm
pela cintura, e trazem nas
ma maca de pau de compri-
m que matam a quem el-rei













nanda matar (...). Estes ordinariamente andam gritando ao redor das casas
e cercas d'el-rei, dizendo, inhama, inhama, que quer dizer, came, came, signi-
ficando n'isto, que Ihe made o rei matar alguem e que Ihe de que fazer
no seu officio de algozes.>

HA a notar aqui a palavra infcis que se aproxima de foquis -o
tfrmo hoje empregado pelos indigenas para designer um detective.
Notemos, tambem, inhama (nhama) e toda a atmosfera da descricao
que parece dar, ha 300 anos, uma replica exacta dos habitos dos poten-
tados Ng6ni, como o Gungunhana prova de que estes habitos, tan-
tas vezes julgados como particulares dos Zalus, eram mais gerais, entire
os Bantu, do que se crC. Note-se, ainda, que os inficis tinham jA a
machadinha tipica- santho, xizeze ou mthema- e a maa xigombo.

Tem este rei oufro genero de cafres, a que chamam marombes, que
6 o mesmo que chocarreiros, os quais tambem andam gritando ao redor das
casas reaes, com vozes mui desabridas, dizendo muitas canfigas e prozas,
em louvor do rei, enfre os quaes Ihe chamam senhor do sol e da lua, rei
da terra e dos rios, vencedor de seus inimigos, em tudo grande, ladrio
grande, feiticeiro grande, leio grande e todos os mais nomes de grandeza,
que elles podem inventar, ou sejam bons, ou maus todos Ihe attribuem.
E quando este rei sae f6ra de casa, vai rodeado e cercado d'estes marom-
bes, que Ihe vAo dizendo esfes mesmos louvores cor grandissimos gritos,
ao som de alguns fambores pequenos, e de ferros e chocalhos, que ajudam
a fazer maior estrondo e grita.

E a descrigo do mbongi e do xitale xa tico dos Thongas, o
lisonjeador e o bobo que meu pai observou e descreveu, ele tambem
(Moeurs et Coutumes des Bantou, I, p. 395-399). Mas o grande inte-
resse deste pass de Joao dos Santos estA em que hole ainda existed,























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SOFALA GRAVURA REPRODUZ1DA DA aASIA PORTUGUESA,, DE MANUEL DE FARIA E SOUSA TOMO I 1656


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va-iNaau, uma categona ae espirtos possessores cnamaaos
ou mdrombe, cuja origem parece ligar-se, de modo especial,
da costa. Descrevi a cerim6nia de propiciagAo que lhes 6
im artigo s8bre a possessao entire os VA-Ndau (in Africa,
N.o 3, p. 275). Estes lisonjeadores e bobos podem permitir-se
rambos como os insultos mais extraordinArios, e podem, ate,
ao pr6prio rei cor a mais impudence liberdade. Uma vez
Icamos neste pass que os costumes indigenas pouco variaram
s 300 anos decorridos desde que Frei Joao dos Sanfos os


n quer que duvide da qualidade, sob aspecto cientifico, das
:s que o author da Ethiopia nos deixou deve ler atentamente
nnie vamnq fvns.% rvevv atm nneu Frii TnWn dn.s S~nfnvs nn.q


os xilofonistas e os xilofones i


idigenas:


< erve-se mais o Quiteve do outro genero de cafres, grandes musi-
cos, e tangedores que nio ter outro officio que estarem assentados na
primeira sala do rei e i porta da rua e ao redor das suas casas, tangendo
muita differenga de instruments musicos e canfando a elles muifa varie-
dade de cantigas e prosas, em louvor do rei, cor vozes muito altas e
sonoras. 0 melhor instrument, e mais music de todos em que estes
tangem, chama-se ambira, o qual arremeda muito aos nossos orgios. Este
instrument 6 composto de cabacos de aboboras compridas, uns muito
grossos, e outros muito delgados, armados de tal feigio que ficam todos
juntos, postos por ordem, os mais pequenos e mais delgados, que sio os tiples,
primeiro, postos da mio esquerda em revez dos nossos orgios e logo ap6s
os tiples, se vio seguindo os mais cabagos, cor suas vozes diferentes, de
contraltos, tenores e baixos, que por todos sio dezoito. Cada um d'estes
cabagos ter uma bocca pequena feita na ilharga, junto ao p6 e em cada
Eundo tern um buraco do tamanho de um patacio e n'elle post um espelho,













feito de umas certas teias de aranha, muito delgadas, fapadas e fc
nio quebram. E sobre todas as boccas d'estes cabagos, que esfic
e postos em carreira, cor umas cordas, de modo que cada tecla f
sobre a bocca de seu cabago, em vio, que nio chegue i mesa
Depois d'isto assim armado, tangem os cafres por cima d'estas te
uns paus, ao modo de paus de fambor, nas pontas dos quaes est
dos uns bot6es de nervo, feitos em peloiros, muito leves, do fan
uma noz, de maneira que fangendo cor esfes dois paus por i
teclas, retumbam as pancadas dentro nas boccas dos cabagos, e fa
harmonia de vozes mui consoantes e suaves, que se ouvem tio lor
as de um bom cravo. D'estes instruments ha muitos, e muitos tai
que os focam muito bem.>

Esta descrigao, fiel nos mais pequenos pormenores, mostra
observador que Frei Joao dos Santos era. Ha a notar cor p;
interesse que nos instruments observados por ele a gama dos
nas subia das notas baixas, A direifa, para as altas, A esquerda
todos os xilofones indigenas que encontramos sao construidos e
fAtn ;nvipvcan rtnfvimpmpn i no fvcimvPnftnc PuinThIfC uy vtui


ieus leitores que desejem mais p<


emtpre-ado melos indiqenas. I













f the Chop, in Bantu Studies, III, 3, p. 275-287), em que cuidado-
amente descrevi a manufacture do xilofone e os costumes relatives.
Hoje, os VA-Ndau nao usam mais o xilofone, que estA substituido
elo pequeno piano metflico de que vamos falar. Mas o facto de que
usavam, em larga escala, no sdculo xvI, d& mais crddito ainda A idea
e que em tempos muito antigos existia na costa de Mogambique uma
iga humana provAvelmente diferenfe dos Bantu e de que os Chopes
No hoje os descendentes menos misturados. Para o desenvolvimento
esta tese encontrar-se-ao numerosos elements no meu recent livro
lantu Heritage (p. 4-10).
Joao dos Santos descreve nestes terms o pequeno piano metAlico
spalhado por todo o pais Chona:


tenho dito, mas 6 todo de ferro, a que tambem chamam ambira, o qual em
logar dos cabagos tem umas vergas de ferro, espalmadas, e delgadas, de
comprimento de um palmo, temperadas no fogo de tal maneira, que cada
uma ter sua voz different. Estas vergas sio nove s6mente, e todas estio
postas em carreira, e chegadas umas is outras, pregadas cor as pontas
em um pau, como em cavalete de viola, e dali se vao dobrando sobre um
vio que ter o mesmo pau ao modo de uma escudella, s6bre o qual ficam
as outras pontas no ar. Este, tangem os cafres, tocando-lhe n'estas pontas
que ter no ar, corn as unhas dos dedos pollegares, que para isso trazem
crescidas e compridas; e tfo ligeiramente as tocam, como faz um bom
fangedor de tecla em um cravo. De modo que sacudindo-se os ferros e
dando as pancadas em vfo sobre a bocca da escudella ao modo de berin
bau, fazem todos juntos uma harmonia de branda e suave music de
todas as vozes mui concertadas. Este instrument 6 muito mais music
que o outro dos cabacos, mas nio soa tanto e tange-se ordinariamente na
casa onde esti o rei, porque 6 mais brando e faz muito pouco estrondo.'


19













A mbira metflica dresses tempos tinha apenas nove
vam-na cor os dois polegares. Hoje, muitas tribus de
mbira e nalguns lugares a t6cnica foi aperfeiqoada, fambe6
os mdsicos o polegar e o indicador das duas maos, con
habilidade.
Entre os outros instruments de m6sica, que chama
ouvidos,, descreve-nos Joao dos Santos a grande trombe
os tambores

temperam e ordenam de maneira, que uns Ihe responded
nas demais vozes, ao som dos quaes cantam os mesmos
vozes tio altas e desabridas, que atroam toda a terra on,
gem.>



A fim de nos mantermos no essential para f
Frei Joao dos Sanfos haveria que citar tudo deixo de
q5o do ordAlio e nao anotarei sengo de passage a desci
indigenas, suas habifaqges, sua alimentaqao e diversos ou



























tosuo estes cares nao na oIciaes, s5
gaias, enxadas, machados, e umas mei
'as, e tecel6es, que fazem alguns panr
de um lengol meio a que chamam /
ieres (...),.
que muitos cafres d'esta Ethiopia vive
suas choupanas, com suas mulheres e
m tudo os mais d'elles habitam em














espigado (...) Esta palha e folhas seccam os cafres, e depois
seccas as pizam e fazem em p6, e d'este comem uma mao cheia, 4
-Ihe agua em cima, e assim ficam mui satisfeitos, e cor o estomag
tado (...) .. mas se comem muito junto, embebedam-se cor el
modo como se bebessem muito vinho. Todos estes cafes sdo muil
desta herva (... ).)

Conv6m demorarmos-nos um pouco mais, agora, na descr
adivinhaqAo:

cTodos estes cafres primeiro que faqam alguma cousa,
caminho, ou mercancia, ou sementeira, langam sortes para sabere
succedera bern ou mal, e se a sorte Ihe sae diferente do que elle,
nio fazem aquelle dia o que determinavam fazer. Por estas sorl
nham fambem muitas cousas perdidas, ou furtadas, e estes cuide
sio feiticeiros, posto que elles se nio manifestam por taes. As
que todos usam, sio uns pequenos pedacos de pau redondos, es
e furados pelo meio e mais pequenos que fabolas de jogar: a e
chamam os cafres chacatas, e todo o care traz estas chacatas
enfladas em uma linha, para usar d'ellas quando Ihe succeed
cousa duvidosa: nos quaes casos lancam estas sortes do mod
fazem cor dados, umas tantas vezes, e n'ellas dizem elles qt
mostra o que querem saber ou de bem ou de mal e tanto credit
como n6s ao Evangelho (...)
Alguns cafres ha que sio grandes feiticeiros e falam con
(num outro passo, o Autor diz-nos que ao diabo chamam musuca
chamam mestre das feitigarias. E porque os mais d'elles sio i
a este vicio, por tanto e prohibido pelo rei da terra que ninguem
ceiro sem sua licenga, porque s6mente elle e seus amigos quer
d'esta sciencia.

Desejaria poder ocupar-me longamente deste pass. Notem













adivinhos Ndau e cujo uso descrevi num artigo s6bre diversos
nes dos Vi-Ndau (Africa, Vol. X, N.o 2). Sgo as conchas dos
do pessegueiro selvagem chamado mungomo.
k prop6sito do diabo... I provwvel que os indigenas, falando do
spiritual que os anima no exorcismo, empregassem a palavra
(cF. Africa, VII, 3, p. 283-286). Trata-se do espirito dum de-
que toma em possessAo o exorcista, nao para Ihe ser nocivo mas
a proteger.
~io posso deixar esquecidos os dados que Fr. Joao dos Santos
:e s8bre casamento e sepultura dos indigenas:

cOs cafres d'estas terras compram as mulheres cor que casam a
seus paes ou miis, e por ellas Ihe dio vaccas, pannos, contas, ou enxadas,
cada urn segundo sua possibilidade e segundo a mulher 6. Pela qual
razio os cafres que ter muitas filhas para casar, sio ricos e vivem muito
contents cor ellas porque tern muito que vender. Se algum care vive
descontente de sua mulher, pode-a tornar a quem lh'a vendeu, mas fica
perdendo todo o prego que deu por ella quando a comprou, e o pae ou mae
e obrigado a tomar a filha engeitada, e depois de a ter em seu poder fica
descasada do marido que a repudiou e o pae a pode tornar a vender e casar
cor outro marido. A mulher nio se p6de apartar do marido, nem deixal-o,
nem engeital-o, porque em certo modo fica como sua captiva, que Ihe
custou seu dinheiro.>

E depois de register os costumes do casamento e do parto, des-
os dos funerals:

Quando algum cafre more, nio s6mente o choram seus parents
e amigos, mas tambem os moradores do logar ou aldeia em que morava,
e o pranto dura todo aquelle dia em que morreu, e o mesmo dia o levam














a enterrar em cima da esteira ou care em .que morreu: e se
tinha algum panno para sua mortalha, vae amortalhado n'elle, e s
nm como andava sendo vivo. Fazem-lhe a cova dentro no mate
metem quasi assentado e junto d'elle p6em uma panella de as
pouco de milho, o qual dizem que 6 para o defunto comer e beber
caminho que faz para a outra vida, e sem mais ceremonies o c
terra e sobre a cova Ihe p6em a esteira ou o care em que o I
enterrar onde se gastam e consomem corn o tempo, sem mais se
d'elles, ainda que sejam novos, porque teem grande agouro em
esteira ou care em que alguem more, tendo para si que d'aquell
Ihe p6de pegar a more ou algum mal.
Os parents e amigos choram o defunto oito dias, pela n
meio dia, e ao sol post; uma hora de cada vez pouco mais ou
qual pranto fazem bailando e cantando em voz alta muitas lamel
prosas lastimosas feitas ao seu modo, todos juntos em pe, postos
e de quando em quando entra um dos circunstantes no meio d
di uma volta ou duas e logo se torna a seu logar; e depois qui
este pranto assentam-se todos em roda e comem e bebem pela
defunto que choravam. Isto concluido vae-se cada um para sua c
este convite contribuem os parents mais chegados do defunto.,


A descriqno do casamento mostra claramente que o lobolc
jA em 1600 e devia ser ji muito semelhante ao praticado hoje.
vivel que certos terms sejam err6neos. Ainda que o lobolo pa:
uma compra e uma venda, a sua natureza 6, na realidade, mui
rente. Aldm disto, em caso de div6rcio seria de surpreender qu(
rido perdesse o valor inteiro do lobolo. No conjunto, todavia, a
Cgo de Joao dos Santos 6 extraordinariamente clara.
Note-se tamb6m, nas informaqoes s6bre os funerals, o terror
da polui5o da morte.















los capitulos seguindo a descriiAo de Quiteve e sua gene, da
oao dos Santos uma multidao de interessantes informagqes s6bre
qio do reino do Monomotapa e sSbre os habitantes do norte da
ia. Nao podemos reproduzi-las nos limits deste artigo. De rest,
ortante observer que muitas dessas informarqes s6bre o norte slo
lientes doutras fontes. Assim, toda a descrigao dos macuas da
!a 6 literalmente extraida das informaq~es que se acham na hist6-
naufrAgio da nau Santiago e de que jA nos ocupAmos,
lo segundo volume da Ethiopia Oriental trata-se, sobretudo, da
a das misses dominicanas.
Ia, no entanto, a colher ainda um certo ndmero de dados que me
m particularmente importantes para se fazer idea exacta da vida
digenas no sdculo xvi, e para certos pontos de hist6ria da colo-
O.
emos, em primeiro lugar, a questfo, ainda em aberto, da origem
linas do Zimbio: ou ZimbAbod. Tanto se tem escrito s6bre o
o que a questao 6 mais obscura que nunca. Tem-se, todavia,
muito sem conhecer os velhos documents portugueses os















serra estio ainda em p6 uns pedacos de paredes velhas, e umas
pedra e cal, que bern demonstram estarem ali ij casas, e aposeni
cousa que nio ha em toda a Cafraria, porque ate as casas dos re
madeira, barradas cor barro, e cobertas de palha. Dizem os natural
terras, e particularmente alguns mouros antigos, que teem por tr
seus antepassados, que aquellas casas foram -nigamente feitoria
Sabba, e que d'aqui Ihe levavam muito ouro pelos ios de Cuan
atf o mar Oceano Ethiopico, pelo qual navegavam em navios, inc
correndo a costa da Ethiopia, ata o mar Roxo, e entrando por e
navegam ate chegarem is praias que confinam cor as terras d
onde se desembarcava todo este ouro, e d'alli o levavam por tf
corte da rainha Sabbi, a qual diziam f6ra rainha e senhora de m
da Ethiopia do Egypto, e que por este mar Roxo mandava suas
buscar o ouro d'estes rios. No que eu tenho pouca duvida, po
opiniio 6 de gravissimos auctores nossos (. .).
Outros dizem que estas ruinas foram feitorias de Salonr
tinha seus feitores, que Ihe levavam muito ouro d'estas terras, pelo,
rios abaixo, at6 sahirem ao mar Oceano Ethiopico, e pelo me
navegavam, at6 entrar pelo estreito do mar Roxo, e que desembarc
praias da Arabia, junto a Suez, o levavam por terra ate Jerusalem
oitenta legoas de caminho, pouco mais ou menos. Dizem mais, q
de Ophir, que levavam a Salomio, era d'esta terra, a que chair
ou Afura, e que pouca differenga vae de Afura a Ophir, o q
andara ji corrupt pela mudanga dos tempos e edades que de
agora correram. Eu nio sei corn que fundamento estes dizem um;
outra, s6mente sei dizer que ao redor d'esta serra ha muito e fit
que d'aqui podia ir por estes rios abaixo n'este tempo, como agor
via dos portuguezes, e antigamente ia por via dos mouros de Me
e de Quiloa, antes que os portuguezes conquistassem estas terras
4 T













lem tomarmos posiqAo na questAo da origem das ruinas do Zimbio6,
que os velhos testemunhos da colonizacgo africana deveriam ser
:idos antes de se avangarem teorias corn seu que de extraordinario
essa origem. Em todo o caso, 6 tempo de lembrarmos Aqueles
rocuram a solugo do problema do Zimbaio que esta pagina de
oDo dos Santos merece exame profundo. S6 os factos da existen-
. varios lugares todos chamados Zimbaio pelo velho autor e de
sses lugares parecem former geogrAficamente uma linha continue
od6sia do Sul ao Zambeze, vem corroborar de forma notAvel
i de que o Zimbioe foi construido por Semitas, em 6poca extre-
ite remota. E a origem indigena de tais ruinas parece assente
:m fracos arguments.



roltando A vida e costumes dos indigenas no seculo xvi, 6 de
importAncia fazer um apanhado de certas palavras da linguagem
ia, reproduzidas por Frei Joao dos Santos. Eis algumas delas.
udo desta lista bastara a convencer quem quer que seja de que
ua falada ha 330 anos era jA a lingua bantu de hole (damos as
actuais na aliterago portuguesa e naquela em que a linguagem
6 geralmente escrita):

* o xilofone indigena. . hoje mbira
S. o espfrito ancestral ..... hoje mudzimo (mudzimu)
* .. came, a caga. ...... ..hoje nhama (nyama)
* .. o feiticeiro ......... ..hoje mor6, mul6i (moroyi, muloyi)
. a espada . ... hoje lpanga
* o dado para o deitar de sortes hoje hacata (hakata)
L..n.














a- o espirito defunto que ampara hoje bzoca (bzoka)
o exorcista
e ... cinhamo ... ... hoje bangue (mbang)
ibes.. bobo ... hoje marombe
ira o formigueiro .. .. hoje dzara
,enqonna o jacare. . . hoje gona, ngoena (gona, ngwenal
e .. o chefe. .. ... hoje h6ssi nc6ss! (hosi, nkos)
re. .o mensageiro .. ... hoje mutume
.... o hipop6tamo. . ... hole nzoo (nzowu)


E claro que a lingua falada nos arredores de Sofala ha 330 anos
quela que hoje ainda falam os habitantes dessa region.




HA no segundo volume da Ethiopia, livro III, capitulo XI (De umas
diras, que havia em Tete, as quais fiz desterrar d'esta povoagdo),
narrative extremamente interessante:


Estando eu n'este forte de Santiago de Tete, havia n'esta terra duas
cafras gentias, que fingiam serem feiticeiras; as quaes moravam no campo
em umas serras, que estAo perto da povoagio dos portuguezes. Pelo qual
respeito muitas pessoas, assim dos gentios, como dos christaos da terra,.
iam ter com ellas de noute secretamente, a consultar feitiqos, e a pedir-lhe
que descobrissem alguns furtos, que Ihe tinham feito (...).
Cada uma d'estas feiticeiras tinha um cabago, em que estavam denotes
de homes, de tigres e de bugios, bosta de elephants, cabellos de homes
brancos, e de cafres, retalhos de panno, e carocos de certa fruta, e tudo
isto misturado cor cinza. Na bocca d'estes cabagos tinham um grande
molho de penas de rabo de gallo. E quando alguma d'estas feiticeiras queria
consultar o diabo, punha o cabago sobre uma tripega, onde lhe fallava

32

































que ninguem
Tomava
furados pelo
do nariz, e d
retumbando ,


~c-----












facto de que tanto Andre Fernandes como Jo~o dc
( I cura dag honfqqpfcfcq ni Am n m1rtinfln_ I-Acftn pc-ar~pe


que no contOrno se veem os madziso,
vidente... O conteido 6 tamb6m muit
tudo, raizes medicinais ou mAgicas e ,
cheia dum rem6dio mAgico especial. Em
no subterfugio descrito por Jo~o dos
modulam a voz de tal maneira que juli
stores suigos. Num estudo s6bre este ;
tudo isto em pormenor e creio que, s(
nos m6todos dos vdnhamussoro, estes a
dade das suas imaginagSes, nos seus prc
por que eles pr6prios sio possuidos <
cantar.


lhos, que to
Sdiferente: (
edlebre got
7ez de modify
)antos, os e
amos ouvir c
isunto (Afric
se podem
reditam, mui
:es.so a no


%ue niaa cinainatis entire eles, e megavei mxvias o con)
fen6menos de feitigaria e de possessao merece, provkvelmentc
desd6m e ironia do que lhes 6 concedido por muitos obs<
superficiais. Todas estas manifestaqoes de estados parapsiqi
paran6icos merecem a ateng~o inteligente dos psiquiatras e d<
logos que procuram decifrar cientificamente o enigma do sub-c<
human. Sem se emprestar realidade a fantasmas, 6 provAve
estudo imparcial do transe dos exorcistas e dos estados psiqu
possesses nos de indicag~es preciosas do funcionamento do p
indigena. A analogia, tfo flagrante, entire estes factos e as c
que observamos nos doentes mentais da nossa raga levar-nos-i
preender melhor quanto a humanidade 6 fundamentalmente uma.












a nalavra brofunda de Hamlet: (There are


CtllU IICCii L11411 Uidl UICCI u11LI 111 yuUI pJUiiiUWupnHy". %- CLiUUu
ifestag6es psiquicas tornam-nos mais humildes, embora nao nos
mais cr6dulos.



gado ao termo desta exposiggo que nao tinha por objective
e report A luz o valor, para o conhecimento da hist6ria e da
indigenas de Mogambique, dos velhos documents portugueses
conheqo, pois muitos outros devem existir), 6 natural que pro-
apanhar o flo da meada e condensar em algumas linhas as
es que parecem impor-se.

-Mostrei no meu segundo artigo que a distribui go geogrifica
s e tribus do sul da Col6nia era ji, no s6culo xvi, sensivel-
mesma de hoje. Se juntarmos agora os dados de JoAo dos
;bre o pais que 6 hoje a Companhia de Mogambique, a nossa
Storna-se ainda mais segura.
neiro, deparam-se-nos nomes que nos sao familiares: Sofala,
e, Sabi6, Massapa (Mussapa), Manica, rios de Cuama ou Zam-
iabo, Sena, Tete, serra da Lupata, Quilimane (tambr m cha-
iliman6), Loranga, etc., etc.
segundo lugar, as grandes divis5es das tribus indigenas eram
lente as mesmas. 0 grande reino do Monomotapa, que jA em
ixara de existir como um reino, explica bem a unidade do
;rupo Chona, chamado por Santos Mocalanga. As suas divisees
idem aos grandest clans actuais: Changa, Danda, Teve, parties
itef da frihn cNdan.












Ao sul, achava-se a grande tribu dos notongas. r. e iter
notar que o reino dos Abutua (Vu-Tsua ?) colocado por Jo
Santos a sudoeste do reino do Monomotapa e a norte dum outi
chamado Biri. Isfo parece colocar os Tsua, hoje um dos grandes
da tribu Thonga, mais a norte do seu actual hdbitat.
Quanto ao que respeita ao norte do Zambeze, deixo o ex
situagAo a pessoas mais competentes, esperando poder, um dia,
essa situagio minuciosamente, se nenhum trabalho a esclarecer
de alguns anos.
Pode, entretanto, ver-se ja que, a despeito de diferengas
menor, a demografia do territ6rio da Companhia de Moqambiq
no seculo xvi, sensivelmente a que hoje 6.

2- esfudo das palavras indigenas empregadas pelos velh
nistas e por Joao dos Santos mostra bem que a lingua falada
culo xvI era o Bantu- e mais precisamente, mesmo: o Chona ;
o Thonga-Ronga a sul. 6 indtil enfrarmos aqui em pormenoi
todo o lingiUisfa poderi verificar. O facto mostra que, apesar d&
grag5es subseqUentes, a fisionomia lingiiistica do pais 6 gerain
mesma de hA 300 anos. 1 possivel que hoje a ortografia foneti
mais clara e que o nosso conhecimento da gramatica Bantu n












direita para a esquerda, ao contrArio do principio modern da esquerda
para a direifa, todos os pormenores da t6cnica da mbila mostram que
este instrument se achava ja plenamente desenvolvido. Temos, assim,
prova indubitAvel da origem indigena deste notAvel exemplo de engenho
human.
Podemos observer, tamb6m, que o xilofone do norte, corn as suas
dez6ifo notas, era provAvelmente diferenciado do do sul, na region
vizinha dos BA-Chope em que esteve Andre Fernandes. Com efeito,
este 6ltimo observou que cada nota tinha as suas contrafabord5es. E
provAvel que, ao sul, existissem 'jd os quatro xilofones dos BA-Chope.
Existia ja tamb6m a mbira metAlica. Joao dos Santos julgou mais
bela e agradavel a musica da mbira que a do xilofone: ctste instru-
mento mbiraa) 6 mais mdsico que o outro dos cabagos>. t evidence
que para o nosso ouvido europeu a mtsica doce das marimba, sanza
ou deze chonas (nomes actuais dos pequenos pianos metAlicos) 6 mais
agradavel que o grande desenvolvimento polif6nico das timbila.
As trombetas parapara e os tambores concertados, de que Frei Joao
dos Santos nos nao diz os nomes, existiam igualmente no s6culo xvi.
Se passarmos as armas, verificamos que ao norte havia o arco e
as flechas, de que se nao faz mengo no sul. Actualmente, os VA-
-Ndau e os BA-Chope empregam o arco, desconhecido entire os Rongas.
Por toda a parte havia azagaias, machados e machadinhas, prova
de que os indigenas conheciam o ferro. Tinham, provAvelmente, dificul-
dade na extracqo e por isso langavam-se pressurosos sobre todas as
peas de ferro dos naufrAgios. Parece, no entanto, que, visto existirem
jA ,ferreiros>, os velhos m6todos de extracgco do ferro que hoje encon-
tramos, especialmente entire os Ba-Rgue (BA-Ru6) e os BA-Venda,
existiam jI.













abrico de braceletes. O chefe Inhaca exibia alguns nos bragos.
O ouro, desconhecido ao sul, era bem conhecido no reino do
Vlonomotapa e Frei Joao dos Santos dd-nos interessantes informaqaes
tcerca dos m6todos indigenas de extracgAo (Vol. I, Livro II, Cap. XIII).
rambrm a prata era conhecida, extraindo-a os indigenas das minas da
Chicova (Vol. II, Livro II, Cap. XIV).
Entre as armas conv6m mencionar tamb6m as maaas, hoje deno-
ninadas xigombo.
As palhotas indigenas eram construidas como as de hoje e os cro-
listas observaram bem a diferenga entire a palhota Ngani, redonda e
>aixa,, e a palhota do norte, construida s6bre vigas e paredes, 'como
is nossas choupanas de vinha>. Joio dos Santos descreve as de Qui-
eve )alheiro do campo,.
As aldeias eram circulares e cercadas por uma barreira que englo-
,ava tambr m o curral dos animals.

4 Os costumes agricolas dos indigenas diferiam muito pouco do
[ue sio hoje. As mulheres faziam o trabalho do campo, lavravam A
,nxada. A alimentagAo compunha-se de milho, legumes, frutos selva-
lens, peixe e caqa de toda a espdcie. A cana de aqdcar brava era
amb6m conhecida e apreciada-ou antes, o chicombe de hoje: ,HA
nuitas canas, como as de Portugal bravas, que nascem pelos valados,
is quais de tres em tres anos, e muitas vezes de dois em dois, d"o
, criam umas espigas muito grandes, cheias de grio quasi do modo e
eigao de centeio, de que os cafres colhem uma grande novidade de
[ue se sustentam e fazem dele tanto caso como de milho,. 0 arroz


-v













istia tambem, sobretudo a norte do Zambeze. A cerveja indigena era
uma das bases essenciais da alimentagio, e Frei Joao dos Santos da
descrigo complete do modo de a preparar (Vol. I, Livro I, Cap. XIII).
s feij6es tnhdua (tinyawa) ou timbauene (timbawen) eram ij
Itivados e Andr6 Fernandes comeu-os, com delicia, durante a sua
iga viagem para o chefe Gamba. Nota, tamb6m, que os indigenas
mem graos que crescem debaixo da terra-. Sao os tindluvu ou
vilhas cafres- os timanga ou amendoins.
Levar-nos-ia muito long examiner em- pormenor todas as infor-
acges dadas pelos velhos textos sobre as plants, cereais e legumes
ilizados pelos indigenas para a alimentaoo, assim como sobre ani-
ais, aves, r6pteis e peixes comestiveis. Mas pode dizer-se que a alimen,
;o dos nativos africanos era, no seculo xvi, prAticamente a mesma
_hoje.

5-Do mesmo modo, os costumes da vida social parecem pouco
ter modificado. 0 caricter geral dos Bantu permanece o mesmo:
speito pelos chefes, uma certa cobardia dos subditos, estrita obser-
ncia da etiqueta estabelecida, medo instintivo do desconhecido, terror
nfesso dos espiritos emparelhando cor profunda veneracgo pelos m6-
cos indigenas; e uma crenga nos adivinhos e na adivinhagAo que roga
mais infantil credulidade. Pode encontrar-se nos velhos documents
traga de quAsi todos os principals tabus indigenas. A descricgo das
... .. ... ... I 1,..- J_ ..l.'_; J .. ... _













gena era a mesma: poder dos feiticeiros, horror
more, culto dos antepassados, vaga noglo de un
na sobrevivencia da pessoa humana e num chec
antigos hebreus etc., etc.


Feitas todas esfas verificag5es, somos levad<
lada por meu venerando pai no fim do seu art
dos naufrAgios:

-A minha conclusio d que devemos ser m


paragao ae nomes ae
vezes sobrenomes ou j
passam de designa5-es
4^ ,t,, /R^ P~f^^t ->


ibus e ilusoria, pois ta
o tem a mesma signify
os pontos cardiais, sign
n^^a /RA--F^1.^(-'


casam com as mulheres d<
:ntre os nio-civilizados, os
as dialectais podem ocasior
de certos clans.
>das estas raz5es, convido
Sesplndidos mapas mostran
is, desde o tempo em que
ento em que atingiram o se
5 sAo muito, muito antigas













ga no ceu, sao realmente primitivos e r
era a conclusao do meu estudo -A v
ito-me feliz por after encontrado nestes d
iago dessa impressao,.

mesmo, que a situa~go descrita pelos
e por Joao dos Santos representasse ji
igo. Assim, devemos precaver-nos de s(
bantuistas revelam, de proper precipita
dos Bantu.



ultimo toque a este estudo -- long d4
6es da minha pr6pria documentago--
ida homenagem de respeito e admira~go
;ses xvar5es assinalados,, a esses prim
da civilizagao

c ... em perigos e guerras exforgados
Mais do que promettia a forga humanap


emelhantes aos deles--e, acrescento, um inte
avisado e inteligente como o de Joao dos Sar
ossa 6poca em que, retinindo todas as energia












zadora, possam as testemunhas dos tempos her6icos da conquista animar
desse sopro novo os esforgos de hojet E possam, tamb6m, os africanos,
descendentes dos antigos habitantes do pais, desembaragados das supers-
tig5es m6rbidas e dos costumes nocivos, conscientes, por outro lado, de
todos os valores do seu patrim6nio, tomar o seu lugar de cidadAos lives
no seio da grande comunidade lusitana, sblidamente baseados na sua
cultural latina feita de finura, ordem, coragem e fd


PHILL IPE


H E R


I U 0









































I %J 1Al~ L iLEnmiKJ.-oJ rIU rujiq s i iJr

LORD AVEBURY Peace and Happit


(Continuado do ndm,


T T"r7 IrVKTT T T X I nX rTrtT YX T T/T TITC/If-T













sofreu grandes privaqSes, devido ao carActer rebelde dos indigent
mA vontade dos Arabes negociantes de escravos.
Estabeleceu-se primeiro em Muembe, nas terras do regulo I
onde mais tarde foram mortos, por ordem do mesmo r6gulo, o
Valadim e o funcionario aduaneiro Almeida. Um dia, atacadc


angou Lanm


Em 1881 voltou para o Niassa,
0 J.-_- _- -- / 1 z ---- -f?


aua um pouco ao none uo actual pouto aumu
margem do lago e em frente, sensivelmente, d
Nas suas excurs5es pelo interior do nosso Niaf
lorou muito as margens do Rovuma e do Lugend
3 situada a sueste do lago Chirua, tendo sido e
conhecimento public pela Royal Geographical S,
Em 1884 partiu para a Inglaterra, levando cons
hist6rico-natural coleccionado.
Regressando, pouco tempo depois, A NiassalAn
novo A Inglaterra, em 1886, devido a ter perd
a grave doenca que o atacou em Quelimane. Re
6lho e nesse estado veio outra vez para a i
ante onze anos seguidos, percorreu com freqainci
Sterrit6rio portugues, pr6gando, abrindo escolas, fi
raduzindo a Biblia em chinianja.
Em 1888 o rev. Johnson e o vice-c6nsul ingli
:hanan, foram aprisionados por um comerciante
3 salvos da morte por alguns Arabes de Zanzibar,
Devido aos seus altos services e grandes mdr












canons da cathedral de Licoma e -Doctor of Divinity,, na Univer-
idade de Oxford, em 1911.
As colecg5es botAnicas do rev. Johnson sao oriundas, principal-
nente, das margens do Rovuma, do Lugenda, do lago Niassa e das terras
Ssueste do lago Chirua; pertencem aos HerbArios de Kew. Muitas das
uas plants constam da Flora of Tropical Africa, mas a maior parte
:stAo ainda por publicar.
Da sua vida missioniria deixou dois livros muito interessantes que
:onstituem preciosos subsidies para o estudo hist6rico, etnogrAfico e
igricola do nosso Niassa: Nyassa- The Great Water, O. U. P., 1922,
My African Reminiscences (1876-1895), U. M. C. A., 1925.
O rev. William Percival Johnson, que era natural de St. Helens,
lha de Wight, nasceu a 12 de Margo de 1854 e faleceu na povoago
le Liuli, s6bre a margem leste do Lago Niassa, em 11 de Outubro
le 1928. A sua noticia necrol6gica encontra-se publicada em Church
Times, Outubro, 26, 1929, e Kew Bulletin, 1929.


CHARLES FRANCIS MASSEY SWYNNERTON


Explorador ingles. Nasceu a 23 de Dezembro de 1877, em Lowes-
toft, onde seu pai era capelao de um regimento, e faleceu a 8 de Junho
le 1938, de um desastre de aviao na regiao de Dodoma, Tanganhica.
Educado no Lancing College, partiu, apenas corn 19 anos de idade,
para a Rod6sia do Sul, estabelecendo-se na regiao de Melsetter, onde
se dedicou A agriculture.
Dotado de grande vocagao para as ciencias naturais, mereceu-lhe
,-rl-:,1 *A-t-- -. --A..A- J- A- k A, flftvn Ant












Machonalandia. Muitos anos depois, em 1918, entregou-se tambdm a<
estudo da m8sca ts& tsW, investigando principalmente as relates entr4
este insecto e os ruminantes selvagens. Nesse ano, estudou, durant,
tres meses, a distribui~o das glossinas na regiao portuguesa de Mos
surize e territ6rio ingles limitrofe.
Em 1919 foi nomeado conservador de caga (game-warden) ne
Tanganhica e quando, em 1921, foi criado o Tse-Tse Research Depart
ment, Swynnerton passou a ser o seu director. Acerca deste flagelc
publicou em 1936 um trabalho denominado Tse-Tse Flies of Eas
Africa, no qual dedica especial ateng~o ao estudo da ecologia vegeta
em relagao As glossinas.
A grande influencia que Swynnerton teve no conhecimento d
flora de Mogambique reside numa longa excursao que fez, em 1906
na regiio de Melsetter e no territ6rio portugues de Manica e Sofala
quer ao long da fronteira, nos montes Chimanemane, quer noutra.
regioes, como por exemplo Ziniumbo (margem direita do rio Macequece)
Chibabava, Baixo Bazi e Beira. No decurso dessa viagem reiiniu unu
important colecqgo botanica acompanhada de uma interessante noticih
geogrAfica da regiio Chimanemane e de algumas observag5es meteoro.
16gicas.
A colecgAo botanica de Swynnerton, estudada pelos notAveis bota
nicos ingleses Edmund G. Baker, Dr. A. B. Rendle, S. Moore e A
Gepp, saiu publicada no Journal of the Linnean Society (Botany)
vol. XL, n.o 275, com o titulo: A contribution to our knowledge o
the flora of GazalancL Um elevado ndmero de plants coleccionadas
incluindo algumas novas, pertence ao territ6rio portugus.
O nome de .1 ... ........ .1.- ._..... _.. J- J--I --- I A-- A-- !L-- .

























































Chi/ore

Hi/ls coucu
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MAPA DAS VIAGENS DE C. F. M. SWYNNERTON NA RODESIA DO SUL

E MANICA E SOFALA

(Reproduzido do Journal Linn. Soc., Bot., vol. XL, pl. 7).












que se estende desde Lourengo Marques at6 os rios Umvumvumvu,
Lusite e Bdzi, limitado a leste pelo Oceano indico e a oeste pelo
rio SAbie.
-This collection diz um dos classificadores no referido prefAcio -
has proved rich in novelties, especially among the Gamopetalous orders
of Dicotyledons, to which belongs one new genus, Swynnertonia, a
member of order Asclepiadaceae,. Muitas das espdcies classificadas
foram tamb6m dedicadas a Swynnerton.
A colecqio foi oferecida por Swynnerton ao Museu BritAnico, em
cujo herbario se encontram os tipos e outros especimes. Os esp6cimes
repetidos foram distribuidos pelos herbArios dos Reais Jardins de Kew
e Jardim BotAnico de Berlim.
C. F. Massey Swynnerton era s6cio de importanfes institutes cientifi-
cos, como por exemplo Linnean Society of London e Zoological Society.
As suas notas biogrAficas estfo publicadas em Nature, vol. 142
(Julho 1938), p. 198, e Journal of Botany n.0 907 (Julho 1938), p. 212.


THOMAS R. SIM

Silvicultor escosses, que viveu durante muitos anos na Africa do Sul.
Nasceu em Northfield, Aberdeen, a 25 de Julho de 1858, sendo seus
pais John Sim e Isabel Robertson Sim, e faleceu em Pietermaritzburg
a 23 de Julho de 1938.
Thomas R. Sim iniciou a sua longa carreira no Dominio sul-afri-
cano como conservador do Jardim BotAnico de King-Williamstown, em
1889. Em 1895 ingressou, como conservador, nos servigos florestais da
Col6nia do Natal, dos quais chegou a ser director.












Notivel como silvicultor, nao o foi menos como bothnico
se pode avaliar por varios estudos que deixou s6bre estas e!
dades. Era uma autoridade como pterid6logo e um profundo c
dor de hepiticas e musgos. S6cio da Linnean Society of Londc
Royal Society of South Africa, T. R. Sim recebeu tamb6m o
doutor em Ciencias pela Universidade da Africa do Sul.
Entre as suas obras mais conhecidas ou que mais iriteres
estudo da flora de Mogambique citaremos: Forest Flora ane
Resources of Portuguese East Africa, Aberdeen, 1909 (Taylor
derson), Handbook of Kaffrarian Ferns, The Ferns of South
The Forests and Forest Flora of the Colony of the Cape o
Hope (1908), The Flora of Portuguese East Africa--A genera
(in South African Journal of Science, May, 1910, p. 294 e seg.)
Timbers of South Africa, 1921.
Em 1908, o Governador Geral de Mogambique, Freire de 1
convidou Sim para fazer um reconhecimento floresfal nesta
Sim percorreu entfo algumas regimes dos distritos de Louren<
ques, Gaza, Inhambane e Quelimane, especialmente as do litf
quais formou uma colecggo botanica.
O resultado dos seus estudos s6bre a flora lenhosa de M
que consiste no citado livro Forest Flora and Forest Resot
Portuguese East Africa.
Na elaboracgo deste estudo foi o silvicultor Sim auxilia
professor de botfnica da Universidade de Aberdeen, James W. I
O autor da na primeira parte do seu livro uma idea g
florestas de Mogambique sem, todavia, entrar em considerai
caricter ecol6gico, hoje tfo necessArias para a identificagao do&
T.kT 0 1 I--- ---A 4 nn A












e plants, A pena, feitos pelo autor, representando 158 esp6cies.
oom para a sua epoca, perdeu em nao ser actualizado e reedi-
elo que o seu valor, hoje, pouco mais 6 do que hist6rico.


DR. FRANZ STUHLMANN


Dr. Franz Stuhlmann foi um dos mais reputados naturalists
itaram Mogambique. Era natural de Hamburgo, descendendo de
distinta. Nasceu a 29 de Outubro de 1863 e faleceu a 19 de
bro de 1928.
,ndo cursado ciencias naturais em Tubingen e Freiburg, tomou
o grau de doutor em filosofia.
n 1888 veio para a Africa Oriental, percorrendo entfo a regiao
da antiga col6nia alemg, bem como a nossa regiao de Queli-
em 1889. Dedicou-se, especialmente, ao estudo da zoologia, o
o impediu que as suas colecsqes e observag~es de carActer
: alcangassem elevada importAncia.
uando se deu a revolta dos Arabes na antiga Africa Oriental
em 1888, o Dr. Stuhlmann encorporou-se, cor o p6sto de
, as forcas de Wissmann encarregadas de sufocar a revolt.
n 1890 seguiu para o interior de Africa onde se relacionou cor
>re Emin Pacha. No ano seguinte, fez na companhia de Emin
uma notAvel expedicgo hist6rico-natural aos montes Ruwenzori
oleccionou grande quantidade de plants. Essa exploragio causou
finAria sensacgo no meio cientifico, em conseqiuencia das novi-
que deu a conhecer.
imbem acomnanhado nor Emin Pachi visitor a region do TLad













Alhpvrfn- epdiCmnrl n maie fnayil<


ulrl~ rvrrr~


Jahrbuch der Hamburgischen Wissenschaftlichen Anstalten, X,
p. 71 e seguintes.


DR. HANS SCHINZ


O Dr. Hans Schinz, professor de botAnica e director do
Bothnico da Universidade de Zurich. antico erlnriador nafnral












Calakri e um dos maiores sAbios contemporAneos nessa especialidade,
desempenhou important papel no estudo da flora de Mogambique e,
dum modo geral, da flora africana. A ele se deve o estudo das colec-
goes do Padre Ladislau Menyharth, da regiao de Boroma, e do Rev.
Henri-A. Junod, da regiao de Lourengo Marques.
Pertencendo a uma familiar distinta e das mais antigas de Zurich,
o Dr. Hans Schinz nasceu naquela cidade a 6 de Dezembro de 1858
e, felizmente, ainda vive.
Cursou a Escola Politdcnica Federal de Zurich e ap6s o seu douto-
ramento em Filosofia seguiu para Berlim onde continuou os estudos
botfnicos, sob a direcqao do professor Ascherson.
Em 1883 fez uma viagem de estudo pela Asia Menor e em 1884,
tomando parte numa pequena expedigao cientifica, partiu para Lude-
ritzland, eom o fim de explorer o Sudoeste Africano. Mas, decorridos
apenas dois meses, separou-se dos seus companheiros e passou a viajar
sbzinho. Percorreu entfo a Great Namaqualand, a Hereroland e a
Amboland e por flm atravessou o rio Cunene e foi ter A missao cat6-
lica portuguesa de Oncumbi, situada ao sul de Mossamedes.
Nessa ocasiao os indigenas assaltaram e queimaram a missao e
mataram os dois missionarios que l existiam. O Dr. Schinz conseguiu
retirar-se a salvo e voltou para o Sudoeste Africano, estabelecendo o
seu acampamento em Ondongue, na Amboland. Ali permaneceu durante
alguns meses, fazendo colec5es botanicas atd que, sabendo que os
indigenas queriam desembaragar-se dale, se retirou daquele sitio e con-
tinuou a sua viagem de exploragao.
Finalmente, em 1887, voltou para a Suica e pouco tempo depois
foi nomeado professor de botanica da Universidade de Zurich e mais
tarde director do Jardim Botanico da mesma Universidade.












A obra cientifica do Dr. Hans Schinz 6 de extraordiniria impor-
ancia e de tal modo vasta que a simples citaggo dos seus estudos
mblicados iria muito al6m dos acanhados limits deste trabalho. Siste-
natica, anatomia, flora africana, flora suica, floristica, geografia, viagens,
,iografias, tais sao os campos onde 8ste grande botanico ter exercido
sua actividade cientifica. Na impossibilidade de citar todas as suas
iublicag6es, limitar-nos-emos As que versam sobre a flora africana. Entre
stas contam-se os estudos das colecg6es do Padre Menyharth e do
Lev. Junod. Sao as seguintes:

1887 Beitrdge zur Kenntnis der Flora von Deutsch Siidwest-
-Africa und der angrenzenden Gebiete, I -IV. Abhandl. des
Bot. Ver. der Prov. Brandenburg XXIX (1887), 44 64, XXX.
(1888), 138-186 und 229-276 und XXXI (1890), 179-229,
Taf. III.
1891 Observations sur une collection de planes du Transvaal.
Bull. Soc. Bot: GQn6ve, VI (1891) 65-71, 1 planche.
1897 Zur Kenntnis afrikanischer Gentianaceen. Vierteljahrsschr.
d. Naturf. Ges. in Zurich XXXVII (1891), 306-339.
1892 Beitrag zur Kenntnis afrikanischer Passifloraceae. Engler's
Botan. Jahrbaicher XV (1892), 1-3.
(cor Durand). Conspectus Florae Africae. Vol. I, pars 2,
Bruxelles 1898 (pp. 1-160): Oct. 1895; pp. 161-208: Oct.
1897; pp. 209-262: Avril 1898); vol. V. Bruxelles 1893 (pp.
1-142: 1892; pp. 465-959: 1894).
1893-1931 Beitrdge zur Kenntnis der afrikanischer Flora (Neue
Folge) I-XXXIII. I-X, XIII-XVI, XIX u. XXI erschienen in
Bulletin de l'Herbier Boissier, XI u. XII in M6moires de l'Her-








































FRANZ STtliI.MIANN

1863-1928 PROF. I)1. 11

d MOZAMBIQUE: 1889 18!
(Foto olcrecida pelo Sr. 1Ir .1. 1
Mildbr.eid)








I2
















F'1


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Iml. 'dA
















































1).
-h












Senckenberg, Naturforsch. Gesellsch., Frankfurt a. M. MX
I (1897), 77-91.
1899 (com Junod). Zur Kenntnis der Pflanzenwelt der De,
-Bay (=Beitrage zur Kenntnis der Afrikanischen Flora-
Folge, X, XI). Bullet. de L'Herb. Boiss. VII (1899), 87(
Mem. de L'Herb. Boiss. nr. 10 (1900), 25-79.
1903 (com Junod). Nachtrag zur Kenntnis der Pflanzenwi
Delagoa-Bay, Bullet. de L'Herb. Boiss., 2e. sir. III (:
653-662.
1905 Plantae Menyharthianae. Ein Beitrag zur Kenntni
Flora des Untern Zambezi. Denkschr d. Mathem.-N,
Klasse der Kaiserl. Akademie der Wissensch. Wien, LX
(1905), 367-445.
1911 Deutsch Sidwest-Afrika (mi Einschluss der Gre
biete) in botanischer Beziehung. Vierteljahrsschr. d. Naturf
Gesellsch. in Zurich LVI (1911), 51-109.
1933 Geographische Namengebung Sidwestafrikas. Petert
Geographische Mitteilungen (1933), 190.

Al6m destas publicacges devemos ainda mencionar, porque se
cionam corn o objective do nosso trabalho, o estudo da family.
Amaranthaceas, nas Naturl. Pflanzenfamilien dos Drs. Engler & 1
(2 Angl. 16 e 17-85), 1934, e o estudo, que tamb6m j citam,
tratar do explorador Rev. Junod, s6bre a contribu!iao da Suiga
o conhecimento e civilizaAo da Africa.
Dentre as suas numerosas biografias destacaremos a do Dr. I
Oliver (1830-1916), fundador da obra monumental que 6 Flora of
i_1 A.C.'_ D--.1 'T--..z4L D- /_ VVVTIT fA%,' At%^ 4rtf fA












Jm filho do Dr. Hans Schinz, professor de medicine na Univer-
Sde Zurich e distinto radiologista, esteve ha pouco tempo em
a, onde fez uma conferencia da sua especialidade.


REV. HORACE WALLER


lissionario da Universities' Mission to Central Africa em 1861-1862,
mb6m um important collector botanico da Zamb6zia.
Nasceu em Londres, em 1833. Educado em Brook Green, seguiu
incipio a carreira commercial, o que Ihe deu uma grande prepara-
ara a vida.
Companheiro de trabalhos de Livingstone e do bispo de Licoma,
es Frederick Mackenzie, percorreu varias parties do vale do Zambeze
regi5es da Morrumbala e do Chire, onde fez as suas coleccqes
icas.
Em seguida A more do bispo Mackenzie, em 1862, retirou-se
Inglaterra onde exerceu varios cargos eclesiAsticos, entire os quais
reitor de Twywell, Northantshire (1874-1895).
A repressao da escravatura constituiu um dos principals objectives
da do rev. Horace Waller. Em 1867 tomou parte na conferencia
ritish and Foreign Anti-Slavery Society, em Paris, e em 1870 tor-
e membro do Committee of the Anti-Slavery Society. Quando a
ra dos Comuns decidiu, em 1871, fazer um inqudrito sabre o
rcio de escravos em Zanzibar, foi por influencia do rev. Waller e de
nd Murge escolhido o Dr. John Kirk, important explorador bota-
de que jA neste estudo nos ocupAmos (v. n.0 18 de Mogam-
). nara desemnenhar o caroo de acrente nolitico into do sulfto.












O seu interesse pela political colonial africana nunca al
Entre os seus mais intimos amigos contava-se o c6lebre general (
governador do Sudao, que o visitava cor frequincia em Twywe
Em 1864, o rev. H. Waller foi eleito s6cio da Royal (
phical Society.
Depois da more de Livingstone, foram os diArios do grande
rador missionArio entregues ao rev. Waller, para publicaAo.
reUniu-os em dois grandes volumes, em 1874, cor o titulo: T
Journals of David Livingstone in Central Africa from 1865 u
death.
Alem desta importance obra, publicou ainda as seguintes: C
African Entanglements of Great Britain, 1888; Nyassaland: Grn
tain's case against Portugal, 1890; Ivory, Apes and Peacocks: c
can Contemplation, 1891; Heligoland for Zanzibar, or one Isle
of free men to two full of Slaves, 1893; Health Hints for
Africa, 1893 (five editions); Slaving and Slavery in Our Brit,
tectorates, Nyassaland and Zanzibar, 1894; The Case of our
bar Slaves: why not liberate them?, 1896.
As colecq es botanicas do rev. Horace Waller estgo nos HI
de Kew. Na Flora of Tropical Africa vem citadas muitas d;
plants. O seu nome foi consagrado no g6nero Walleria J. Kirl
O rev. Horace Waller faleceu em E. Liss, Hants, a 22 d<
reiro de 1896. A sua noticia biogrAfica encontra-se publicada
ctionnary of National Biography, LIX., 129 (London, 1899), Joi
Botany, 1896, p. 190, etc.
(ContinuarA no nfmero seguin












O ENSINO PRIMARIO

EM LOURENQO MARQUES

M Novembro do ano findo, prestaram
provas de admissAo ao Liceu, na ci-
dade de Lourengo Marques, 135 exa-
minandos, e do ensino primArio ele-
mentar (terceira classes) muito perto
de tres centenas.
NAo 6 muito distance no tempo
a realizaqio dos primeiros exames
de instrug~o primAria, na capital da
Col6nia.
Datam de 9 de Setembro de
1907 as primeiras provas. Prestou-as Ant6nio da Gama L6bo Salema,
que segundo consta do respective t&rmo concluiu exame, entgo cha-
mado da 1.a classes de instrug5o primiria, no dia seguinte Aquele,
e foi aprovado.
Os exames desse ano foram feitos de harmonia corn a portaria
n.o 502, publicada a menos de um mes da prestaqgo das provas,
mediante parecer favorAvel do Conselho Inspector de Instruqao Publica



Vinha este organismo da organizagao do ensino nas Provincias
Ultramarinas, decretada em 14 de Agosto de 1845, sendo Ministro














Nem sob a primitive composiqo, nem sob a proveniente desta
reorganizag~o, o Conselho teve em Moqambique actividade de que
se verifiquem vestigios. Certamente nto Ihe eram ao tempo favor -
veis as condig6es da Col6nia, sobretudo as vicissitudes do final do
sdculo, de tao decisivos efeitos para a consolidato da soberania por-
tuguesa.
A actividade exceptional de Freire de Andrade nao deixou, como
era natural, de se fazer sentir no ensino pdblico. No seu tempo, d~
sinais de vida o Conselho Inspector de Instruqao.
Refundiu-o o decreto de 10 de Maio de 1907, da iniciativa daquele
grande Governador Geral, e cor a referenda de outra notAvel figure,
Aires de Ornelas.
Finalmente, se manifesta a existencia de um organismo instituido
sessenta anos antes, para epreparar todos os regulamentos necessarios
para a instruqAo primAria, e solicitar as providencias que dependessem
de resolugAo rdgia.



Em 25 de Julho daquele ano, teve o Conselho a sua primeira
sessao, a que presidiu o pr6prio Freire de Andrade. Logo se tratou da
necessidade de se fixar a 6poca dos exames de instrugio primarian, e
de se escolherem as localidades em que se haviam de realizar. Ficou
assente que s6bre esta mat6ria se redigisse um regulamento que o
Conselho posteriormente apreciaria.
Em 29 de Agosto foi a segqnda sessAo, na qual o Governador
r^Awni P j-tt j Mniiia nl eIt~ 1^ir vcp( A A -


11--^ V %A A- A 4"In ^Ilkb r







A ANTIGA MORADIA DO PAROCO, ONDE
COMECOU A FUNCIONAR A PRIMEIRA
ESCOLA OFFICIAL DE LOUREN9O
MARQUES








m


UMA DAS ACTUAIS ESCOLAS OFICIAIS
DE LOURENCO MARQUES





A ESCOLA REBELO DA SILVA


A SEGUNDA ESCOLA PAROQUIAL NO
LOCAL ONDE HOJE SE ENCONTRA
A ACTUAL ESCOLA DO MESMO
NOME




i-
'"


A ACTUAL ESCOLA PAROQUIAL
DE
LOURENCO MARQUES






*


OUTRA DAS ACTUAIS ESCOLAS
OFICIAIS DE LOURENCO MARQUES

*

A ESCOLA CORREIA DA SILVA
(PAQO DE ARCOS)


A SEDE DA COMISSAO DE BENEFI-
CENCIA E ASSISTENCIA PUBLIC.
PRIMEIRO EDIFICIO ESCOLAR, EX-
PRESSAMNENTE CONSTRUIDO EY
LOURENCO MARQUES




*


lot
.r mrT, Ifmrif


FF*~~oj












se efectuarem exames de instrug5o primAria em Lourengo Marques, a
tempo de os alunos aprovados seguirem para os liceus da Metr6pole.
Isto, 6 claro, por nao haver ainda ao tempo ensino secundArio official
na Col6nia, pois s6 doze anos mais tarde veio a ser instituido o Liceu
que tem hoje o nome de Salazar.
Desde Fevereiro do ano antecedente, estabelecia uma portaria do
Governo da Col6nia, de harmonia cor o que representara a Prelazia,
que f6ssem de fdrias os meses de Dezembro e Janeiro. Como os exa-
mes finals tinham de preceder este period de repouso, realizando-se
portanto em Novembro, nao era ja possivel aos alunos aprovados segui-
rem estudos no mesmo ano na Metr6pole.
Daqui nasceu uma 6poca premature de exames, fixada para Se-
tembro.
O respective regulamento foi discutido e aprovado na referida
segunda sessio do Conselho Inspector. E o constant da portaria
n.0 502, de que acima falo.


Havia, nesse ano de 1907, na cidade de Lourenqo Marques apenas
uma escola official, a distrital do sexo masculine, criada em 1904,
mas de funcionamento ainda mais recent, pois s6 naquele mesmo
ano se instalara, a titulo transit6rio, numa dependencia da moradia do
pAroco de Nossa Senhora da Conceigco, ainda hoje inica freguesia da
cidade.
Para instalagao definitive desta escola, se construiu expressamente
o edificio, fronteiro A igreja, em que estfo funcionando actualmente os
servigos administrativos da Assistencia Piblica. Foi este o primeiro edifi-
cio escolar de Lourengo Marques.













N61e permaneceu a Escola distrital do sexo masculine atW para
ele passar a do sexo feminine, como diremos adiante. Esta tomou-lhe
a instalaqgo, e a do masculine pode dizer-se que andou depois aos
bald6es. Comegou por passar para o antigo hospital, onde estao hoje
os Services VeterinArios. Ai esteve ela, juntamente com a Escola 5 de
Outubro, tentative do ensino complementary tdcnico, que final veio a
dar o Liceu... Dai mudou para um pr6dio, no cruzamento das ave-
nidas 24 de Julho e Manuel de Arriaga, em que houvera um cinema,
e em cujo local estA presentemente um hotel. Como este pr6dio hou-
vesse de ser, durante a Grande Guerra, utilizado como hospital, foi
temporariamente acomodar-se em parte do pr6dio -Avenida Buildings-,
da Avenida Aguiar. Em 1920, uma portaria deu-lhe o nome de An-
t6nio Enes.



Outros institutes havia ji, por6m, em Lourenco Marques, A data
em que se realizaram os primeiros exames. O lugar de honra per-
fence A Escola das Missoes Cat6licas, ainda hoje conhecida pela desi-
gnaqgo de Paroquial. Destina-se actualmente A populacio indigena,
mas foi por muito tempo a tnica que a brancos e a pretos era dado
freqiientar, pois nao havia outra na cidade.
Existiam ja tamb6m, ao tempo de que estou falando, a Escola
Primeiro de Janeiro, mantida por uma associacgo particular, e o Insti-
tuto de ensino Aquela havia sido fundada em 1900, e funcionava em depen-
dencias do edificio que 6 hoje sede do Almoxarifado de Fazenda.
0 Institute, cuja fundacao vinha de 1893, 6 uma das grandes
iniciativas do Bispo D. Ant6nio Barroso, o excelso missionario cujo
















0 Estado tornou-a official em 1918 (portaria n. 1:003). Ful
ela a Escola Muito mais recent 6 a Escola fundago municipal, ainda que sob a designaqAo de Alvarc
Para sua instalagio se construiu expressamente edificio I
veio final a ser ocupado pelo Museu. Assim ficou C
instalagao que se destinara A escola, e Ihe tomou tamb6
Para o estabelecimento escolar construiu o Estado, em tr


respeita, I













rITUTO DE

AMELIA ,
1CNICA IDE
RA
































OUTRA VISTA DC
DE ENSINO (RA
ACTUAL REPAIR
AGRIA
















DE DEU









































ACTUAL



.0 DE DEUS






x_












final, tudo uma hist6ria quasi de ontem, e por isso de fMcil
raqAo, pois estAo ainda vivos muitos dos que nela intervieram e
,ontaram cor as dificuldades dos tempos a que ela se refere.
a de ontem, 6 certo, mas que parece de dpoca muito distant -
erentes sao as condiq8es actuais desta cidade e deste meio, e
iidas foram a modificago das circunstancias e a sucessao dos
imentos.


























D A 0 A D A T Y A












P PECUARIA


O0 SUL DO SAVE


PASTORiCIA pratica-se no Sul da Save
desde tempos imemoriais. Mais ou
menos florescente, conform os in-
dividuos que dela tratam e a abun-
dancia maior ou menor das pradarias
naturals, constitute a principal riqueza
desta provincial, send para os indi-
genas o melhor meio de existencia.
O sea desaparecimento, a sua ruina,
constituiriam para os aut6ctones a
misdria, al6m de uma regressio
nportante. Por toda a part em que a criaego dos animals dom6sticos
possivel, a pastoricia constitute a primeira fase de evolu o de um
ovo, seguindo-se-lhe, eom largos anos de intervalo, a exploraoo agricola
umo corolArio da domesticidade animal. O desaparecimento dela provo-
tria, impreterivelmente, o regresso ao primitivismo, A era em que o
omem servia de animal de carga, e muitas vezes de No Sul do Save, a criaggo de animals dom6sticos estA desenvol-
da em quantidade entire os aborigenes e tenta-se o seu melhoramento
stemAtico nalgumas explorac5es da inddstria animal de europeus,
i4fA/^.^{ ftA1 A/if n A.. inn~ t"Afmwnv fTfiinlTi~tA'AAp y n TotA4iAC!












mantidas e criadas atrav6s dos imensos vales do Limpopo, Incomiti e
Umbelizi, sobreleva em importAncia a bovina, pela sua quantidade e
pelo seu elevado valor. Possue J uma importAncia muito grande, sem
a compararmos As dos paises onde se cuida atentamente do seu desen-
volvimento como necessidade imprescindivel para maior riqueza econ6-
mica e para melhor sustento do povo.
A densidade dos bovinos, em certas circunscrig5es que marginam
os rios, 6 muito grande, devida, seguramente, ao facto dos naturals da
regiao viverem exclusivamente do armentio e da agriculture.
O 6ltimo censo dos animals domesticos mostra-nos claramente a
importAncia que atinge a pecuAria desta provincia, subindo a esp6cie
bovina a cerca de meio milhao de individuos, num valor de mais de
uma centena de milhares de contos, nAo sendo para desprezar a avicul-
tura, que incide s6bre alguns milhoes de bicos e que os indigenas muito
apreciam: columbideos, galinAceos e palmipedes encontram-se sempre,
em abundancia, em volta de qualquer povoaqAo cafe, por mais insigni-
ficante que seja. Europeus hi, tamb6m, que a praticam.
Os indigenas hi muitos s6culos que exploram os bovideos pela
care e pelo leite e, hltimamente ap6s as campanhas agricolas
levadas a efeito pelo Governo da Col6nia- olham para os bovinos
como miquinas indispensAveis ao aumento da sua riqueza pessoal,
havendo ja bastantes que sabem escolher um boi de trabalho.
A espDcie bovina 6 a que mais contribute para a manutengao e
perpetuacgo do povo ao Sul do Save. Apesar disso, este deixa-a viver
sem nenhuns cuidados higi6nicos e alimentares, sem selecgao de esp6-
cie alguma, abandonando a reprodugAo ao acaso, permitindo que touros
bons ou maus, velhos ou novos, vivam em liberdade no meio das
manadas, melhorando-as ou piorando-as conforme as suas qualidades
















Uvu, iUV

DE 200:000














) ZOOTECNICA
3ELA








IU











iraInsmIIIl el aos VC seU5s UCbClUCILCb, oUIllIlUUIIIUU ca 1lUIla pari
s animals dom6sticos desta terra adquiram uma rusticidade invul-
uxiliada pelas condiq5es naturais climiticas e agrol6gicas dos vales
e estendem a perder de vista ao long dos rios.
) boi cindigena, 6, por vezes, um belo animal, apresentando
,o curto, garrote elevado e largo, peito amplo, dorso direito, rim
upa largos, espiduas e coxas bem musculadas, membros atarra-
variando o peso entire 300 a 450 quilos, atingindo alguns 550

Ls vacas sao, em regra, mAs leiteiras mas algumas hA que pro-
1, na sua melhor 6poca, sete litros e mais de leite. tste 6 de boa
ade, rico em manteiga, corn uma m6dia superior a 40 gramas
fro. E alimento que os indigenas muito apreciam e que consomem
rga escala, permitindo, por isso, que as crias se amamentem s6
:e o period em que as mais estAo recolhidas nos currais, ficando
idas destas durante as horas de pascigo, para que as possam orde-
no moment precise.
) n6mero de animals abatidos anualmente para consume nos mata-
5 municipals (destinados quasi exclusivamente A alimentaqao de
:us e assimilados) anda em volta de 8:000. Os indigenas, por
'ez, abatem nas povoaqSes, para seu consume exclusive, nunca
s de 16:000 bovinos.



duitos colonos europeus tem dedicado a sua atenqAo, o seu tra-
e o seu capital A indistria animal e seus derivados, principal-
A exploraqSo da esp6cie bovina nas suas diferentes vocaqoes:
leite e manteiga, e trabalho.












ria, em explorag5es mixtas. Uns e outros contribuem para a
econ6mica da Col6nia e para a diminuiYAo, nas importag5es,
dutos derivados da indistria animal--leites, manteigas, banha-
ensacadas, ovos, etc. sendo dignos dos maiores elogios e dc
auxilio do Governo.
Ao contrario dos indigenas, praticam o melhoramento das
pecuarias por selecgAo e por cruza, continue ou nAo.
Sao dignas de mengio as empresas pecuarias do Lumane,
banza, do Impamputo, da Mailana e tantas, tantas outras.
Os europeus manuseiam cerca de 60:000 bovinos-aldm
tos animals doutras espdcies domrsticas que, pode dizer-se
mente, se encontram todos melhorados por intermedio de ragas
importadas. Shorthorn, Hereford, Friesland, Jersey, Ayrshyre, Al
etc., sio ragas que bem ou mal temr contribuido para o melh(
bovino do Sul do Save, valorizando em duas cabecas, pelo n
ndmero de animals propriedade de europeus.
A indLstria pecuAria explorada pelos colonos data, em I
que, de hA muito poucos anos, mas alguns frutos se tem colh
bem dos habitantes, da economic rastica e do desenvolvim
Col6nia.
HA empresas trabalhando em condicges modernas e higieni4
vimentando por ano muitas centenas de contos e arrecadando
brutas que orgam por cerca de meio milheiro de contos.
A produg5o manteigaeira 6 representada por vaias exploria
contrando-se A frente a do Lumane, que em 1937 atingiu urma I
de 34 Q23 pacotes de 1 libra de peso, no valor de 25&91i2$50
produqao digna de registo e de encorajamento para todos, at





























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se iniciou em 1927 cor uma producao annual de 3:600 pacotes
leiga.
Chibanza (e tantas outras empresas cong6neres) regista, tambem,
ande producio de leite e manteiga.
timamente, foi inaugurado ur edificio modern e pr6prio da Coo-
Sdos Criadores de Gado, que se dedica ao neg6cio de gados e
s derivados, tendo montado aparelhagens e utensilhagens para
;aao do leite e producao de carnes ensacadas. O edificio estA
iado com boas camaras frigorificas para conserve e guard dos
s. Nao descura a Cooperativa a produgio de natas frescas, man-
yougart, queijos, etc.
seu primeiro e principal objective foi o neg6cio de carnes verdes
entes dos animals de talho fornecidos pelos seus associados--
o quasi todos os europeus que exploram os diferentes ramos da
a pecuaria de forma a valorizar-lhes os produtos e a defen-
s econbmicamente as exploraSges animals.
producqo leiteira localizou-se, necessAriamente, em volta do
.1 ntcleo urban do Sal do Save: Lourenqo Marques. E ex-
em grandes e pequenas vacarias, tentando algumas corres-
as exigencias higidnicas actuais. A produg~o atinge anual-
vArias centenas de milhares de litros de leite, alimento indis-
4 A vida humana e principalmente a criangas, doentes e velhos,
6 vendido por today a cidade em garrafas apropriadas, embora
-om6rcio ainda nAo esteja convenientemente regulamentado e fis-

raqa mais explorada nesta vocaAo e a Friesland.
leite colhido diariamente atinge o valor de alguns milhares de















Os suinos sao explorados, exclusivamente e nalguns <
larga escala, por europeus, muitos dos quais possuem varas de
de animals.
A ceva 6 praticada pela maioria dos criadores, melhor
conforme os seus conhecimentos pecuirios e os seus maiores
nores interesses.
Na Mohambe Chibuto a engorda 6 feita racionalment
dela 6pfimos resulfados o seu proprietario. Alguns criadores
tado o melhoramento cor ragas selectas importadas, princi
cor a Yorkshire.
A exploraoo ovina e caprina encontra-se em embriso,
assegurar-se que, prAticamente, s6 de hA dois anos para cA s
o seu melhoramento. E possivel que, se f6r ajudada, em breve
as necessidades do mercado local, hoje tgo deficitgrio destas
dom6sticas.



A explora5ao dos bovideos 6 indispensivel ao Sul do S,
ela nao haverA agriculture possivel, porque Ihe faltarao a '
animal e os adubos de curral indispensaveis A ferfilizacgo d,
Sem ela n5o sera possivel a vida das populag6es colonizadora:
nizadas, por lhes faltar a base da alimentaoo: came e leite.
Um element tao importance na vida de uma Col6nia fore
teria de ser encarado pelos poderes constituidos no sentido
pr6xima valorizaqAo. S. Ex.a o Ministro das Col6nias, D
Machado, dedicou-lhe verbas especiais no seu piano qiUinqi








CNICA DE CHOB





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i-lhe dedicado um carinho muito especial, pr6prio de um beirgo
eriormente inteligente, dotando no ano findo a Esta~io Zootdcnica
itral cor a verba extraordinaria de 1:300.000$, alem de outras, e
erminando que aos Postos Zootecnicos de Gaza e Inhamissua f6s-
i atribuidos, a cada um, 150.000$, para fazerem as obras de adapta-
indispensAveis de forma a, em breve, iniciarem os seus trabalhos
erimentais.
Na Chobela, onde estA situado o principal estabelecimento zoot6-
:o da Col6nia, hA ja alguns anos que se iniciaram trabalhos impres-
liveis para o bom desenvolvimento do fomento pecuario da Provincia.
esp6cie bovina importaram-se as raqas Friesland e Ayrshire, produ-
is de leite; a Jersey, produtora de manfeiga; a Africander, produtora
trabalho; e as Shorthorn, Hereford e Aberdeen-Angus, produtoras de
ie, tendo vindo da Argentina os dois padreadores desta iltima raga,
los de figurarem em qualquer certame: aos 22 meses de idade pesa-
i um 505, outro 528 quilos. Estas racas importadas tem sido ensaiadas
pureza e em mestigagem, obtendo-se cor algumas delas resultados
to apreciAveis.
Da esp6cie ovina iniciaram-se hA pouco ensaios cor a raqa Persa,
,>ea Preta, como produtora de came e com resultados 6ptimos, ultra-
sando as previsoes.




Tanto os estabelecimentos zoot6cnicos oficiais, como muitas empre-
pecuArias, cuidam tamb6m da alimentag~o dos animals selectos e
horados, por terem maiores exigencias alimentares que os 4cindige-












nas, arragoando-os com forragens verdes das mais variadas e cultivade
nos vales do Sul do Save, onde tenha sido possivel montar sistenm
de irrigagio: a luzema, o milho, a cevada, a aveia, o cow-pea, o tir
golocoxo, o teocinto, a beterraba e a batata doce sao esplendidos alimer
tos que vemos crescer na Chobela ou em qualquer exploragao pecuri
important.



A luta contra as doengas tern sido sistemitica, por part dos Sei
vigos VeterinArios.
A criagAo do Laborat6rio de Patologia VeterinAria veio contribu
muito para os bons resultados de defesa contra as enzootias e epizootia
quer cor os seus diagn6sticos quer com o fabric de soros e vacina
0 seu pessoal superior 6 constituido por um director e dois assistente
medicos veterinArios portugueses especializados.
A assist&ncia ao armentio 6 mantida pelos Servigos cor resultadc
apreciaveis, tendo-se conseguido debelar certas epizootias e localize
tanfas outras, evitando que dizimem livremente os animals das diferente
explorag8es pecuArias.
0 nmmero de tanques carracicidas publicos atinge jA um numer
muito considerAvel, conseguindo-se banhar centenas de milhares de ani
mais, lutando-se por este meio contra a multiplicago dos ixodideoi
transmissores de vArias enfermidades e os maiores inimigos dos animal
dom6sticos nestas paragens africanas. Os banhos sao gratuitos para
gado dos indigenas e a vinte centavos por cabega para o gado dc












rf / t U L.M\ /F U%, V VII-NA r U FN v I Il- I" / l UV U/ %i / I &-
1936
438.029

1.478 38.979 72.481 48.449 74.900 19.742
















\ ---------




+ an -do




+ caqu< ue>-, ,
+ / \ LEGEND
+ B L .ielo 0 Sede de Delega
VO0 m de Sonidade Pecudria
+ /' lAD+IIF Limites da Provnci












BOVINOS BANHADOS EM TANQUES
CARRACICIDAS EM 1938 NO
DISTRITO DE LcP MARQUES


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\ \876.897
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709.994
7.248
--* 361.239
To-al 3.955.310

















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DISTRITO DE INMAMBANE
MANICA E SOFALA
VILANCULOS













MANHI
1 E
:..::-*.11 I ORRUMBENE,






..*. I RIM
/~~~ 11v>^3^ccir












da Col6nia. Ainda tlfimamente se procedeu A vacinagao geral
5 os bovinos das terras do Bilene.
os indigenas soubessem aproveitar-se da assistencia que por
Governo da Col6nia 6 dispensada ao seu gado, ha muito que
lo teria um valor muito superior Aquele que actualmente Ihe 6

Governo, os colonos e os nativos tem contribuido, embora dife-
nte, para o desenvolvimento da maior riqueza econ6mica do Sul
.: a pecuAria.





















SE DE B R I TO GUTTERRE S













SUBSIDIES

PARA 0 ESTUDO DOS

AMENDOINS DE MOCAMBIQUE

ROSSEGUINDO o estudo que iniciAmos no
n.0 17 deste Documentdrio, examinare-
mos agora mais algumas sementes e
passaremos ao estudo quimico do 6leo
do amendoim produzido na Col6nia,
comparando os dados obtidos com os
que noutros paises t&m sido apurados.
E waste um estudo cuja impor-
tdncia sob aspects quimicos, agri-
colas e econ6micos se torna desne-
cessArio encarecer. Na verdade, a
questio das oleaginosas"tomou uma fase nova nestes iltimos anos. Tanto no
Congress de Quimica Industrial (Lille, 1934) como no Congresso de A. F.
A. S. (Marselha, 1936), B. Favier e H. Reyband tem mostrado as varia-
96es dos caracteres dos 6leos de amendoim segundo a origem das sementes.
Nestes iltimos anos, o Laborat6rio Nacional das Mat6rias Gordas,
de Marselha, em colaboraqSo com a Faculdade de Ciencias, Instituto
T6cnico e Instituto Colonial, de Marselha, tern procedido a estudos no
sentido de melhorar os amendoins das Col6nias francesas, e H. Reyband,
subdirector do Laborat6rio das Matdrias Gordas, vem publicando, desde
1 Pt 11 '. I Xjf "i /1 1 1















analises. Tem este quimico mostrado enormes variacges na composiio
dos amendoins de diferentes proveniencias, assim como nos 61leos, sobre-
tudo no que diz respeito ao indice de iodo (Bulletin des Matieres
Grasses, n.o 1, 1937).


No n.O 17 de MoZambique registAmos catorze anilises de amen.
doins s6bre onze amostras do Sul do Save, uma de Tete e duas de
Mogambique. Ampliando esse quadro, daremos agora tres novas anda
lises: uma em amendoins de Tete, duas em amendoins de Cabo Delgado:

Por cento
Proveniencia
Humidade Cinzas Gordura Azote Proteina


Amendoim de Tete, colheita de 1939 .. 6,4421 2,8621 4,48 4,379 27,368
Amendoim sorftido, de P6rto Amelia, co-
lheita de 1938 ................... 6,8010 2,5711 42,49 4,596 27,718
Amendoim Virginia, de P6rto Am61ia,
colheita de 1959 ................. 7,9304 2,6400 44,70 3,030 25,187

M6dia das 17 anilises..... 7,0974 2,4897 44,41 4,417 27.414


Media das analises feitas a dez6ito amostras de amendoins do
Senegal, por H. Reyband, publicadas no Bulletin des Matieres Grasses,
n.O 1, 1937:
Por cento
Minimo Miximo Media
Humidade ...................... 4,11 5,94 5,21
Gordura ........................ 48 51,9 49,5
Protefna ........................ 20,0 25,6 23,87
Cinzas......................... 1,97 2,38 2,21
I1 7" J' A -7&A n
























UMA FABRIC DE EXTRACAO DE OLEOS, EM LOUREN(O MARQUES


FABRIC DA SOCIEDADE INDUSTRIAL DE OLEOS, LIMITADA
EM LOURENCO MARQUES


SEC(AO DE EXTRACC(AO DOS OLEOS PELA BENZINA




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