• TABLE OF CONTENTS
HIDE
 Half Title
 Title Page
 Dedication
 Bibliography
 Table of Contents
 Duas palavras
 Prenocoes
 Geographia physica
 Geographia biologica
 Geographia politica
 Geographia economica
 Notas














Group Title: Ilha de S. Thomé
Title: A Ilha de S. Thomé
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 Material Information
Title: A Ilha de S. Thomé
Physical Description: 47 p. : ; 22 cm.
Language: Portuguese
Creator: Mello, Alberto de Campos
Publisher: Livraria Acade^mica,
Livraria Acadêmica
Place of Publication: Coimbra
Publication Date: 1904
Copyright Date: 1904
 Subjects
Subject: Sao Tome and Principe   ( lcsh )
Genre: bibliography   ( marcgt )
theses   ( marcgt )
non-fiction   ( marcgt )
Spatial Coverage: SaoTome and Principe
 Notes
Thesis: Thesis (Concurso ao professorado)--Escolas Industriaes.
Bibliography: Includes bibliographical references.
Statement of Responsibility: Alberto de Campos Mello.
 Record Information
Bibliographic ID: UF00080797
Volume ID: VID00001
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 55854751
alephbibnum - 003086924

Table of Contents
    Half Title
        Half Title
    Title Page
        Title Page 1
        Title Page 2
    Dedication
        Dedication 1
        Dedication 2
    Bibliography
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    Table of Contents
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    Duas palavras
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    Prenocoes
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    Geographia physica
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    Geographia biologica
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    Geographia politica
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    Geographia economica
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    Notas
        Page 48
Full Text

O-L $ru^gc C^4^4, U^ ---^J
Q^. cu^ ^^^.^SOCO /A^C ycrL ^
arP T-~b '~JIi~ LLLP C
^fOt^A^c ^ /


A Ilha de S, Thomn






ALBERTO DE CAMPOS MELLO
Bacharel. em Direito


\.-. r\


A Ilha de S. Thom



DISSERTAO PARA O CONCURSO AO PROFESSORADO
DAS ESCOLAS INDUSTRIES













COIMBRA
LIVRARIA ACADEMIC
Moura Marques
EDITOR
1904










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Sempre em fim pera o Austro a aguda proa,
No grandissimo golfo nos mettemos,
Deixando a serra asperrima Lyoa,
Co cabo, a quem das Palmas nome demos;
O grande rio, onde batendo soa
O mar nas praias notas que ali temos,
Picou, co a ilha illustre que tomou
O nome dhum que o lado a Deus tocou.

CAMEs, cant. v, est. xiI.



















BIBLIOGRAPHIA







ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS Colleco de noticias para a historic
e geographic das na es ultramarinas, vol. 4.
ALMADA NEGREIROS L'ile de S. Thom.
-- La Main d'Oeuvre en Afrique.
- Histoire ethnographique de l'ile de San Thom.
ERNESTO DE VASCONCELLOS As colonies portuguezas.
OLIVEIRA MARTINS O Brazil e as colonies portuguezas.
CARLOS MELLO Elementos de geographia geral.
DR. JULIO HENRIQUES Agricultura colonial.
BENTO CARQUEJA O Futuro de Portugal.
ANSELMO DE ANDRADE Portugal Economic.
MANUEL FERREIRA RIBEIRO A provincia de S. Thomd e Priicipe.
PAULO CANCELLA Impresses de uma viagem as ilhas de S. Thome
e Principe (Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa, n. 4 e 6
d'abril a junho de 1901).
DR. Jos FREDERICO LARANJO Theoria geral de emigra(o.
TITO DE CARVALHO Les colonies portugaises au point de vue com-
.mercial.
- Diccionario Universal de Geographia, vocabulo respective (texto e
supplement.
ADOLPHO COELHO Os dialectos romanicos ou neo-latinos na Africa.
Azia e America.
FRANCISCO REIS SILVEIRA MAGALHIES Annuarios da ilha de S. Thom
e Principe.
LOPES DE LIMA Ensaios sobre a estatistica das possess-es ultra-
marinas.
VICENTE PINHEIRO As ilhas de S. Thome e Principe.
CASTRO MOBAES Um breve esboo dos costumes de S. Thom e Principe.
Da. GONALVEZ GUIMARES Elementos de Geologia.








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J, ANDRADE CORvo Estudos sobre as provincias ultramarinas.
A. MAGNO DE CASTILHO Roteiro da costa occidental da Africa.
A, F. NOGUEIRA A provincia de S. Thom e Principe sob o ponto
de vista da sua exploral7o agricola (Boletim da Sociedade de Geo-
graphia de Lisboa, 1885, vol. n." 7).
S, DA COSTA A Provincia de R. Thome e Principe.
PINHEIRO CHAGAS Diccionario Popular (vocabulo respective, texto e
supplemento.
SOUzAMONTEIRo --Diccionario Geographico das possessesportuguezas.
MIGUEL BULRES Les colonies portugaises.
8. XAVIER BOTELHO Memoria estatistica sobre os domnios portu-
guezes na Africa.
J. DE MENDONA Colonias e possesses portuguezas.
LUCIANo CORDEIRO Memorias do Ultramar (descobertas e descobri-
Sdores).
CAMPOS JUNIOn As possesses portuguezas.
CUNHA MATTOS Chronica historic de S. Thomd.
AUGUSTO CASTILHO A provncia de S. Thomd e o golpho de Benim.
ALBERTO GIRARD Portugal em Africa.
JUDIO BIKER A Ilha de S. Thom (Revista Colonial e Martima,
n.' 5 e 6).
GOMES Dos SANTOS As nossas colonies.
ELISEU RECLUS Nouvelle Geographie Universelle.
L. SAUSSURE Psycologia de la colonisation franaise.
J. CHAILLY BERT Les companies de colonisation sous ancient regime.
V. SAINT-MARTIM Nouveau Dictiounaire de Geographie Universelle,
(vocabulo respective ).
D'AVESAC Les iles de l'Afrique.
CH. VOGEL Le Portugal e ses colonies.
VICTOR TERNANT Les colonies Portugaises.
CHEVALIER DE LA TEILLAIS Etude historique, economique et politique,
sur les colonies portugaises.
G. BosMAN Voyaje Guinde.
J. MINUSILEIO Portugal und bine colonien.
- La grande encyclopedie (vocabulo respective).
ABEL IIOVELACQUE La Linguistique.
REVUE DE GEOGRAPHIE (vol. 5., 7., 12. ).
MOUVEMENT GEOGRAPIIIQUE Aine 1901.





















INDICE




PAG.
Bibliographia . . . 11
Duas palavras . . . 14
PRENOES
Historia... ... . . . .. . 17
Linguistica . . .. . . .. . 20
Economia .. ........ ..... 21
PRIMEIRA PARTE (GEOMORPHOLOGIA) GEOGRAPHIC PHYSICAL
Thallassographia . . . . . . .. 27
Climatologia . . .. 29
Geologia. ................ 28
Morphologia no sentido horizontal . . . . 31
Oro-hydrographia . . . 33
PARTE SEGUNDA GEOGRAPHIC BIOLOGICAL
Fauna . . . . . .... 35
Flora . . . . . 36
Anthropologia. . . . . . . 37
TERCEIRA PARTE GEOGRAPHIA POLITICAL
Administrao . . 39
Justia . . . . . . ..
Servios de fazenda . . . 40
Obras pblicas . .
Sade . . 41
Fora pblica . . .
Instruco pblica. .. .
Administrao ecclesiastica . . .
Principaes centros de populao. . . .. . 42
QUARTA PARTE GEOGRAPHIC ECONOMIC
Communicaoes . . . . ...... 43
Commrcio . . . . 44
Indstria. . . . . . . . ... 45


. . . . . . . 48


NOTAS.












DUAS PALAVRAS


Trabalho elaborado entire os afazeres diarios'de
uma vida cheia de obrigaes academics e o curto
prazo do encerramento de um concurso: eis o que pela
fora das circumstncias teve de ser o present estudo.
A indole essencialmente pratica, que deve revestir
a instruco nos estabelecimentos de ensino technico,
faz com que neste ramo de actividade social o esforo
intellectual se reparta qusi exclusivamente entire o
legislator e o professor; aquelle na organizao dos
cursos e na fixao dos programmas, este na escolha
entire o system economic e o pedagogico ou philo-
sophico, por entire os vastissimos caminhos que qual-
quer d'elles offerece analise e critical.
Norteado pelo fim de patentear as qualidades que
me caracterizam como professor de ensino technico,
e attendendo actual organisao deste ramo de servio
pblico em Portugal, parece-me que a opinio abali-
sada do Sr. Conselheiro Francisco da Fonseca Bene-






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vides (') ao affirmar que, o method economic o
que deve ser applicado entire ns a unica defen-
savel.
Assim eu procurei synthetizar em volta de S. Thom
o plano, que manh encarregado da regencia de uma
cadeira de geographia eu desenvolveria, ampliando a
todo o cosmos os principios que exponho a respeito
dessa fertil ilha.
J vae long o tempo em que o ensino da geo-
graphia se limitava para o alumno a aprender de cr
os nomes das cidades, rios, cabos, etc., e para o pro-
fessor a corrigir sisuda e gravemente qualquer in-
correco, que o alumno fizesse no seu long padre-
nosso. Hoje com a orientao Fagio, Hermann Wagners,
etc., entire ns brilhantemente sustentada por Carlos
Mello, o ensino de geographia Iransformou-se comple-
tamente.
O ensino de geographia alargou muito as suas
fronteiras, pois nelle tem de reiiir-se noes to
variadas como as de geologia, thallassographia,
mathematics, historic, biologia e sociologia, sciencias
estas, que uma cadeira frequentada por alumnos que
apenas possuem o exame de instruco primaria, o


(1) Relatorio sobre as Escolas Industriaes e Profissionaes, na
Exposio de Paris de 1889.






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professor obrigado a expor nitida e rudemente nos
seus mais leves contornos, para desta forma powder
acompanhar a necessaria exposio didatica com os
processes pedagogicos modernos.
Fazer acompanhar os factos das indispensaveis
nolas crticas, no smente com fim de amenizar mais
o ensino, mas tambm, e principalmente, porque a
anlise que nos conduz a essas notas esplica e rela-
ciona os mesmos factos e nos orienta mais clara-
mente no caminho que temos de percorrer; tal em
summa o que o professor precisa de fazer, e essa
com efeito a orientao que na Allemanha, na Itlia e
nos pases avanados se est dando ao ensino da geo-
graphia. Affirmar a realidade dum phenomenon, ou seja
a existncia duma ilha, ou duma nao, a alumnos
ainda mal preparados, e no lhe expor ao mesmo
tempo, em linguagem samples e facilmente compreen-
sivel, a ligao natural desses mesmos factos entire si
e com os anteriormente adquiridos, por forma que os
conhecimentos assim gradual e metdicamente minis-
trados vam desde logo fixando no espirito do alumno
como pontos harmnicos de um todo nico: entendo
que para o professor , pelo menos, perder o bom do
seu tempo e do seu trabalho, e para o estado, alm
duma perda de tempo e de dinheiro, um mau servio
prestado ao pas, qusi devido a uma sofisticao.

















PRENOES


HI-istoria

A'ilha de S. Thom foi descoberta aos 21 de dezem-
bro de 1471 por Joo de Santarm e Pedro Escobar se-
gundo uns, e por Vasconcellos segundo outros. Segundo o
costume do tempo S. Thom foi doada a Joo de Paiva, fi-
dalgo da corte de D. Joo II, por carta de 24 de setem-
bro de 1485, o qual cedeu metade da ilha a sua filha D.
Mecia de Paiva. Estas doaes foram mais nominees do
que reaes, pois que s depois de Alvaro de Caminha, a
comear a povoar em 1493, que se tornou effective esse
dominio, que em 1490 j tinha passado para Joo Pereira.
Em 1500 (carta de 4 de janeiro, de D. Manuel) tem
a ilha um terceiro donatario, o capito Fernando de Mello,
o qual recebe do rei os mais amplos poderes. Durante o seu
governor S. Thom prosperous devido principalmente aos ju-
deus, que expulsos por D. Manuel procuravam asylo na
ilha.
Em 1504 existia j na ilha uma freguezia, qual se
deu o nome de Nossa Senhora da Graa.
Em 1520 um navio conduzindo escravos selvagens de
Angola, encalhou nos rochedos das Sete Pedras; os nau-
fragos conseguiram alcanar a costa de S. Thom, onde
foram utilizados pelos judeus como excellentes meios de
colonizao.
O alvar de 10 de agosto de 1520 determinou que os







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mulatos podessem servir qualquer officlo como os brancos,
pondo-se assim termo revolta de escravos, que desde
1517 assolava a ilha.
Como em 1522 a prosperidade de S. Thom fosse no-
toria, a cora assumiu a administrao direct da ilha
empregando serviaes mandados ir da Madeira. Esta pros-
peridade de S. Thom foi sempre crescendo, a ponto de
nos meados do seculo XVI ser habitada por 50:000 almas
e ter em laborao 80 engenhos de aucar, que era ex-
portado na sua totalidade para Lisboa.
D. Joo III em 19 de maio de 1524 da aos habi-
tantes de S. Thom um foral, no qual lhes eram conce-
didas varias isenes e privilegios.
O Papa Clemente VII erige em cathedral a igreja de
Nossa Senhora da Graa.
Em 1567 comeou a decadencia da ilha com uma in-
vaso de corsarios francses, que obrigaram os habitantes
a refugiar-se no interior. Com a perda da autonomia
portugusa na batalha de Alcantara em 1580 esta colonia
ficou ainda mais exposta s incurses estrangeiras, acom-
panhando assim o movimento rapido de decadencia exe-
cutado por todos os dominios nacionaes. Os colonos com
receio das investidas dos hollandses, que commandados
por Pedro Van du Don em 1600 saquearam a cidade,
abandonaram a ilha aos pretos, que em luctas internal e
continues reduziram consideravelmente o seu numero. Para
evitar este despovoamento ainda em vo, em 1606, foram
concedidos aos habitantes da Ilha os mesmos privilegios
dos cidados de Evora.
Seguiu-se uma epocha de continues dissidencias inter-
nas, at que assume o governor da ilha um home superior
- Silva Lagos, o qual em 1800 introduzia a cultural do
caf; oito annos depois os portos da ilha eram abertos ao
commercio universal; em 1822 cultivava-se pela primeira
vez o cacau em S. Thom. Estas medidas economics e







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outras politico-administrativas, como a transferencia da
sde do governor para a actual cidade de S. Thom, favo-
receram bastante os progressos d'esta colonia, mas a prin-
cipal razo da sua prosperidade provm sem duvida da
iniciativa particular.
O decreto de 29 de abril de 1858 aboliu a escravatura
nas colonies portugusas, mas deixou permanecer os li-
bertos, os quaes s legalmente a 29 de abril de 1878 ter-
minaram o servio obrigatorio, estabelecendo-se a tutela
pblica, para os que adquirissem a liberdade, cuja guard
era entregue a um magistrado chamado curador geral.
A 10 de outubro do mesmo anno a cidade de S. Thom
comeou a ser invadida pelos libertos do interior; a 7 de
novembro em nmero de 4:000 dirigem-se ao governador
expondo pacificamente a sua situao, a qual diziam ser
egual dos escravos. Gregorio Jos Ribeiro, governador
de ento, declarou abolido o servio obrigatorio dos liber-
tos, o que foi approvado pelo governor da metropole por
carta de lei de 3 de fevereiro de 1876. Porm desde essa
media, alis altamente sympathica e just, que S. Thom
lucta com a falta de braos, porque o preto s trabalha
intermitentemente, e quando impellido pela extrema
necessidade. Foi essa lei em extremo radical, que causou
um atraso enorme aos progressos agricolas da ilha, por-
que a sua actividade foi subitamente reduzida a um tero.
Desde ento tem-se procurado acudir a essa situao
decadent, j por meio da navegao de cabotagem, j
por meio de vapores com carreiras periodicas e pelo cabo
submarine, que collocam S. Thom em communicao ra-
pida com a Europa, j emfim por meio de outras medidas,
algumas de evidence utilidade, como o abastecimento da ci-
dade com agua potavel; o que tudo isto concorre para que
a ilha tenha deante de si um largo future, se a variao
caprichosa das medidas administrativas no vier impossi-
bilitar a applicao de um plano vasto e uniform.







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Linguistica

Linguistica o estudo das linguas ou idiomas nas suas
relaes e nos seus principios. Se attendermos maneira
como as raises se combinam, e como se reunem, para tra-
duzir no mundo exterior as idas, as linguas podem classi-
ficar-se em tres typos ou categories.
1) Monosyllabicas. Dentre as differences frmas fun-
damentaes que podem assumir as families de linguas a
monosyllabica a mais simples, na qual as palavras so
unicamente raizes, que do s ideias geraes ; por isso
que as linguas desta classes se denominam monosyllabicas
ou isolantes. Pertencem a este grupo o chins, o anna-
mita, o siams, o bianano, o tibetano, a lngua Kassia e
outras mais importantes.
2) Agglutinantes. As linguas agglutinantes distinguem-
se das monosyllabicas, porque as palavras no so com-
postas de uma raiz unica, mas sim de varias raises, que,
tendo perdido a sua primitive independencia, s podem
figurar englobadas ou conglomeradas umas com as outras.
Daqui a denominao de agglutinantes ou agglutinativas.
Esta famlia de linguas encontra-se principalmente na
Africa; v. g. as linguas dos Hottentotes, dos Bochimanos,
dos pretos africanos, dos Cafres, dos Pules ou Fulas, dos
Nubios. Passando para oriented encontram-se as dos Negri-
tos, dos Papas, dos Australianos. Dirigindo-nos para nor-
dste temos a malaisopolynesica: mais ao norte no extremo
oriented, o japons e o coreano. Voltando para oeste encon-
tram-se as linguas dravidiannas no sul da India; o grupo
uro-altaico na Asia e na Europa; o basco ou vascono
junto aos Pyreneus occidentaes, e atravessando o Atlan-
tico as linguas americanas. Encontramos em fim os idiomas
do Cucaso e outras linguas ainda pouco estudadas e pouco
falladas.
3) De flexo. Chamam-se linguas de flexo aquellas







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em que as relaes que as palavras ffectam entire si po-
dem ser expresses, no unicamente pela annexao de
suffixos e de prefixos, mas tambem por uma variao na
frma da propria raiz. Esta familia subdivide-se em dois
grandes ramos; o semitico, que comprehend o hebreu, o
arabe, assyrio, etc.; e por outro lado o indo-europeu.
Este ainda se subdivide em differences ramos: o indu,
o eraniano, o hellenico, o italico, o seltico, o germanico,
o eslavo e o lettico. O ramo italico parte-se em duas
ramificaes, a das antigas linguas italicas, que compre-
hende o umbrio, o osco e o latim; e a das linguas novi-
latinas, derivadas do latim barbaro, e que comprehend
hoje o romeno, o italiano, o francs, o hespanhol e o por-
tugus.
A lingua fallada em S. Thom geralmente o portu-
gus, havendo comtudo umas excepes insignificantes,
constituidas pelos indigenas, os quaes fallam um dialecto
novi-latino at hoje muito pouco estudado, de que citarei
o seguinte espcimen (1):
S Ma Plant..... Senhora Maria da Apresentao
S Ma jalvo ...... Senhora Maria diabo
Floli blavo ...... Flor brava
Bujanj.......... Bujanj nomee indigena)

Eiconomia

A emigrao d origem colonizao, que Oliveira
Martins vasou em tres typos: 1) as feitorias ou colonies
commerciaes; 2) as fazendas ou colonies de produco
agricola, destinadas exportao (plantaes); 3) as colo-
nias propriamente dictas ou estabelecimentos de populao
fixa, dada cultural de products de consumo local.


(1) Adolplio Coelho: Os dialectos romanicos ou neo-latinos na
Africa, Asia e America (pag. 23).







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As feitorias so escriptorios de commercio estabelecidos
numa regio rica e povoada, mas primitive sob certos as-
pectos, em que o commercio se encontra pouco desenvol-
vido. Dividem-se em particulares, quando o commercio
feito livremente por caixeiros, como, por exemplo, as an-
tigas colonies dos phenicios e os modernos estabelecimen-
tos francses da Senegambia; ou militares, quando o im-
posto defendido pelo poder maritimo-militar da nao
que adquiriu o privilegio, como na nossa colonia de Macau
e em todas as outras estabelecidas recentemente na
China.
As fazendas classifica-as Oliveira Martins: 1) pelo re-
gimen politico; 2) pelo regimen do trabalho; 3) pela pro-
duco.
Pela produco subdividem-se em: 1) mineiras, como
o Cabo e o Transvaal (ouro e diamantes); 2) de cultural
exotica, como S. Thomb (canna e caf); 3) de cultural in-
digena, como as do Oriente (cravo e pimenta). Pelo re-
gimen do trabalho subdividem-se em: 1) fazendas de tra-
balho escravo, por negros importados, frma legalmente
historic; ou por sujeio de raas indigenas, especie que
desappareceu ha muito; 2) fazendas de trabalho servil
sob um regimen feudal, como em Java; 3) trabalho livre
por trabalhadores contractados, como na California e nas
Antilhas. Pelo regimen politico subdividem-se em: 1) fa-
zendas de regimen suzerano, como o dos inglses na India;
2) de regimen absolute, como foi o de todas as naes,
nas ilhas deshabitadas, ou em toda a part onde as popu-
laes indgenas foram escravizadas ou exterminadas
As fazendas differem das feitorias em exigirem gran-
des capitaes e apresentarem frequentemente uma organi-
zao artificial do trabalho, sob as frmas de escravido,
servidio e emigrao contractada. Nestas colonies a ri-
queza multiplica-se com grande rapidez; a populao,
pelo contrario, tem um desenvolvimento menos rapido. E'







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este o typo de colonia que pretend estudar; por isso nelle
me deterei mais.
As oolonias propriamente dictas, so sociedades com-
pletas agricolas e industries sob a dependencia political e
economic da nao a que pertencem, como o Canad,
Australia e qusi todas as colonies britanicas.
Conhecidos os typos de colonizao, necessario se torna
indicar o system na sua realizao prtica. Ha egual-
mente tres systems de colonizao: pelo Estado, como
na India portugusa; por companhias soberanas, como na
Beira, na provincia de Moambique; e por particulares,
como em S. Thom. A escolha de qualquer destes syste-
mas depend das circumstancias em que se encontra a
nao colonizadora, e das circumstancias em que tem de ser
realizada a emprsa colonial. Nem todos os escriptores
so d'esta opinio (mas como no no ensino technico
que se deve discutir este melindroso problema, eu limito-me
a acceitar e a expor as opinies mais geralmente seguidas).
Sob o regimen das terras devo abranger: 1) regimen
de terras vendidas por altos ou baixos preos; 2) regimen
de teras dadas. Sob o regimen do trabalho, problema ca-
pital em S. Thom, as exigencias da grande explorao
fizeram recorrer primitivamente escravido e servido,
e actualmente aos pretos recrutados por meio de um ge-
nero especial de commrcio, chamado vulgarmente o en-
gage. Supprimida a escravido, as fazendas recorreram
emigrao indiana ou chinsa de coolies e nas ilhas do
Atlantico deu-se preferencia aos pretos do interior do con-
tinente, mais livres de direito que de facto. Esta im-
migrao, exercida debaixo de uma forma repellent,
attenuou os effeitos da crise que se seguiu abolio da
escravatura, mas retardou os progressos agricolas impe-
dindo que os processes de agriculture se aperfeioassem,
que as mchinas tivessem o uso que a indstria modern
demand.







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Apesar de ter uma populao especifica de 45.6, su-
perior de algumas naes da Europa, a ilha de S. Thom
tem na falta de braos um problema, cuja resoluo as-
sombreia o seu future economic. Porque, se, estando
apenas pouco mais de metade da sua superficie cultivada,
os roceiros teem j difficuldade em encontrar quem lhes
execute os trabalhos agricolas, dispendendo estes annual-
mente com seus serviaes 3.600 contos, o que faz um sa-
lario de 400 ris (1), ananh, quando a cultural occupar
toda a ilha e a actividade industrial comear a exercer a
sua aco, qual ser o preo dos seus products em con-
correncia com os similares das outras regimes tropicaes?
Sob outro aspect mais actual pde a questo ser encarada;
se agora j ha difficuldade em contractor pretos no con
tinente, amanh quando os caminhos de ferro de penetra-
o tornarem Angola, o Congo e a Guin, de simples fei-
torias em fazendas, (o que ha-de acontecer muito em breve)
aonde podero os roceiros ir buscar braos para cultivarem
as suas propriedades?
E um problema simultaneamente economic e demo-
graphico. O centro colonial apontou ao governor tres me-
didas para o resolver: a 1.a) consiste em estabelecer em
S. Thomb um depsito de prisioneiros de guerra, para
onde fossem enviados os das guerras que de future sur-
jam com o gentio das colnias; 2.1) facilitar a acqui-
sio de serviaes das outras colnias pelo mesmo pro-
cesso por que. tem sido feitas at hoje em Angola; 3.a) o
govrno por meio de seus agents dirigir a emigrao que
vae de Moambique para o Transvaal, para S. Thom.



(1) No deminuto para exploraes agricolas, pois que na Africa
austral, nas minas de ouro, onde os perigos do trabalho so maio-
res e se precisa de maiores conhecimentos, o salario regular de 600
a 800 reis para o trabalho do indigena.







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Estes alvitres alguns dos quaes foram aproveitados pelo De-
creto de 29 de janeiro de 1903, que regulando a importao e ser-
vio dos colonos determine, que seja creada uma junta de emigra-
o em Lisboa, presidida pelo Director Geral do Ultramar e outra
local em S. Thom, podendo estas estabelecer agancias ou delega-
es para promover a emigrao. Estabelece desde j delegaes
nas provincias de Angola, Moambique e Macau. Os contracts so
feitos perante os curadores dos serviaes. Tem direito de obter
trabalhadores por contract: 1.o) o proprietario, rendeiro ou foreiro
pelo menos de 5 hectares; 2.0) o commerciante ou industrial esta-
belecido; 3.0 o proprietario de embarcao de mais de 4 toneladas
cada uma.

Estas medidas podem ser object de larga discusso.
Alm dos meios apontados pelo centro colonial e se-
guidos ,pelo decreto citado, aos quaes eu chamarei ex-
ternos, em opposio a outros chamados interns, poderei
indicar os seguintes: 1.0) impedir o alcoolismo, que de dia
para dia definha o preto.
O Regulamento de 5 de janeiro de 1903 prohibe a importa-
o de bebidas alcoolicas destilladas, exceptuando apenas os no in-
digenas, que o podem fazer mediante licena especial do Governa-
dor, com a condio de no serem para consumo dos indigenas ou
de trabalhadores de origem africana.
2.0). Assistencia medical, especialmente s mulheres-
mes e s creanas, nas quaes a mortalidade chega a at-
tingir 80 por cento. 3.a) Execuo ampla e rasgada de
medidas hygienicas, ha muito apontadas pelos technicos.
O Decreto de 21 de janeiro de 1903 estabelece que cada dono
de roa, onde trabalhem mais de 50 serviaes, obrigado a man-
ter enfermarias separadas para os dois sexos, se a 10 ]kilometros
no houver hospital. Estabelece visits medical obrigatorias.
Relativamente ao regimen commercial regulou por muito
tempo o chamado pacto colonial, que tem por fim mono-
polizar o commrcio das colonias em proveito da metro-
pole. Hoje vigoram dois systems, o de autonomia adua-
neira, como o da Australia, pelo qual as colnias podem







26 -

exportar e importar livremente; e o da unito aduaneira,
como o de S. Thom, pelo qual as colnias esto debaixo
do dominio aduaneiro da metropole.
O typo que predomina nas colnias portugusas o
das feitorias, que se encontram tanto na Africa occidental
como na oriental. S. Thom sem dvida a nossa pri-
meira colnia do typo fazenda, egualmente a primeira de
todas as colnias europeias do seu genero na Africa. O
seu desenvolvimento agricola dos ultimos annos, tem feito
incidir sobre a ilha as attenes pblicas, as quaes tradu-
zidas em actividade e capitaes lhe do um bello future.







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PRIMEIRA PARTE

GEOGRAPHIA PHYSICAL

Thallassographia

Thallassographia a sciencia que estuda os oceanos,
o relevo submarine, a fauna e flora que os povoam, e as
foras que os agitam e desenvolvem.
A sciencia sondando o cosmos em todas as direces,
collocou a louza da historic sobre a lenda paga da infinita
profundidade dos mares. Assim o geographo com o auxilio
dos modernos aparelhos de sondagem desce profundidade
de 8:513 metros, como na fossa que se estende de S.W.
a N.E. das Curilas a Oriente da Asia. Elevando-se pelo
contrrio acima do nivel do mar sobe ao Gaurisankar a
8:840 metros, nos montes do Hymalaia, ao norte da India.
Na representao d'estes accidents, faz-se a leitura uni-
formemente, quer se trate de elevaes, isto , mais alto,
mais acima ou simplesmente mais (--), quer de depresses,
isto , mais baixo, inferior ou unicamente menos (-).
O Atlantico de todos os oceanos o que tem maior
diversidade de relvo, assim como o mais recortado
pelos continents. Essa diversidade vae desapparecendo
media que caminhamos para o sul.
Entre os various planaltos e values do Atlantico encon-
tramos o grande valle oriental, formando uma extensa fa-
cha qusi parallel s costas africanas, que acompanha
em qusi toda a sua extenso, afastando-se mais nas se-
guintes regimes: 1.a) o cabo das Agulhas; 2.a) o golfo dos
Mafras, tambem chamado a bahia de Beafra, onde se nos
apresenta a cadeia submarine, que tem por cumes as ilhas
do Anno Bom, Principe, S. Thom e, separada destas por







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um valle de 900 metros, a de Fernando P (estas ilhas so
de origem vulcanica, como se v da grande quantidade
de cratras extinctas); 3.a) o archipelago de Cabo Verde;
4.0) as Canarias.
Tal a thallassographia da regio onde esti situada
a ilha de S. Thom.
Geologia

Geologia a sciencia que faz o estudo especial da terra
na sua frma e dimenses, na sua natureza physical, na
sua composio e estructura, nos seus phenomenos de in-
trinsecos e na sua evoluo ; por outras palavras, a his-
toria natural da terra considerada como um todo unico,
abstrahindo da existencia dos series vivos.
O estudo da terra assim feito comprehend materials
variadissimos, e por isso esta sciencia se tem dividido em
differences capitulos, dos quaes em cada um tem o seu as-
pecto particular.
1) Physiographia, ou descripo da terra na sua ge-
neralidade e especialmente na superficie.
2) Mineralogia, ou tratado geral e especial dos mine-
raes.
3) Lithologia, ou tratado das massas rochosas, tanto de-
baixo d'um ponto de vista independent, isto , como series
especiaes (petrologia), como em relao sua frma geral
e disposio no globo terrestre (geotectonica).
4) G8odynamic, ou tratado das aces e phenome-
nos, que se passam entree as diversas parties components
da terra, e das modificaes, que d'ahi resultam.
5) Geohistoria ou historic da terra, que como que uma
synthese geral de todos os conhecimentos anteriores pela
ordem historic da evoluo da terra, desde a sua origem
at ao estado actual.
Attendendo natureza d'este estudo, a parte da geo-
logia que aqui deve ser estudada em especial a litho-







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logia; porque as outras alem de no terem complete ca-
bimento no ensino technico elementary, pertencem egual.
mente a outros ramos deste trabalho.
O conhecimento que ha da crusta terrestre, pelos ma-
teriaes normalmente existentes superficie, pelas explo-
raes de pedreiras e minas, pelos cortes naturaes e arti-
ficiaes do terreno, pelas sondagens, pelas rochas eruptivas
e emfim pelas substancias divolvidas nas nascentes mine-
raes, abrange apenas uma parte insignificant da espessura
provavel dessa crusta. A part accessivel da crusta da
terra calcula-se, termo medio, nuns 30 a 32 kilometros
de profundidade.
Os elements components do solo, mais importantes,
so a slica livre ou combinada com os metaes; anhydrido
carbonico, sulfuretos e sulfatos, bem como as combinaes
hydrogenadas de carbon, que apparecem largamente dif-
fundidas na maior parte das rochas, em differences frmas,
como asphalt, petroleo, bydrocarbonetos gasosos, etc.
S. Thom , como todas as ilhas do golfo da Guin, de
natureza vulcanica, sendo abundantes as crateras extinctas,
nas bordas das quaes se encontra uma variadissima e
frondosa vegetao; os tufos resultantes destas tem for-
mado uma natureza viva e animada. O slo da ilha ar-
giloso, coberto de humus misturado de areia e saibro;
nas zonas mdia e superior as terras de ocre encontram-
se em grande quantidade, e bem assim o besalto, entire
as fendas do qual correm various cursos de agua, recor-
tando-os caprichosamente.
Os doloritos, trachylitos, besalto, as lavas e o phonolito
so egualmente elements constituitivos do slo de S. Thom.

Climnatologia

A posio de S. Thom, a 0025'5" de latitude N. e 6045/7/?
de longitude E. de Greenwich, a 440 kil. a barlavento







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de delta do Niger e a 285 kil. do estuario, do Gabo,
fazem com que esta ilha, no obstante estar quasi ao p
do equador, tenha uma virao, que muito a refresca,
estando comtudo bastante afastada para que cheguem at
l os miasmas to caractersticos d'aquellas regies. Ga-
rantida assim a permanencia dos europeus, esta garantia
vae crescendo maneira que se prosegue para o interior.
Assim a temperature maxima observada na cidade de S.
Thom tem sido 320 sombra, e na roa de Monte Caf
(696 metros de altitude) j de 25, nas mesmas circums-
tancias; mas no ha nenessidade de subir tanto, porque
a 300 metros j se encontra uma temperature supporta-
vel, e se est livre da influencia nefasta dos pantanos.
Em S. Thom notam-se distinctamente duas estaes;
a das chuvas, de setembro a maio, que cortada s vezes
em janeiro pela falta de chuva, e a estao quente, com
trovoadas frequentes; e a secca, chamada pelos indgenas
gravana, em virtue do vento sul que sopra nesta epocha,
dura de junho a setembro. Nesta epocha a temperature
relativamente fresca. Na epocha das chuvas a temperature
varia entire 180 e 320, e na das seccas de 140 a 270. Pro-
priamente, emquanto climatologia geral de S. Thom,
podemos dividir a ilha em tres zonas parallelas: o litto-
ral sujeito a infeces e com um ar um tanto secco, onde
a temperature da ilha attinge o maximo; a zona de 200
a 500 metros, na qual a tenso do vapor de agua menor,
o que se torna por isso muito mais propria para habitao
humana; e finalmente a zona superior a 500 metros, onde
a temperature tem baixado muito, regulando pela do norte
de Marrocos. O meio aqui j relativamente salubre, posto
que sujeito a nevoeiros continues.
A vida dos europeus no est isenta de graves perigos,
em virtude da enorme quantidade de pantanos, que por
toda a parte se encontram, inclusive na cidade de S. Thom.
De muito proximo da residencia do representante do go-







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vrno parte um pantano enorme, que rodeia qusi toda a
cidade. J foram feitos various projects para sua extinco
mas a incuria dos governor, que tudo em si quer centralizar,
nada tem consentido que se faa.

Morphologia no sentido horizontal

A costa de nordeste da ilha apresenta-se-nos de um
declive no muito rapid, onde encontramos a formoza bahia
de Anna Chaves ou de Alvaro de Caminha, formada pela
Agua (2) ou rio Grande sobre o qual est a cidade de S.
Thom. O esteiro formado por este rio tem uma configu-
rao que faz lembrar uma orelha humana. Seguindo na
direco do norte avistamos a praia do Lagarto, onde ter-
mina o curso do rio Mello ou Agua Palito. Continuando
no mesmo sentido encontramos a bahia de Diogo Nunes,
onde desagua o rio do mesmo nome. Apportaremos de-
pois ao ilheu das Cabras, a duas milhas NE. de S. Thom ,
aonde fomos levados pela luz do seu pharol de aterragem
para esta parte da ilha. Qusi fronteira ao ilheu esti a
praia de Ferno Dias, na ponta do Cruzeiro, onde tem a sua
fz o rio do Ouro. Perfeitamente na part mais septen-
trional da ilha encontra-se a linda praia das Conchas. Em
seguida a costa escava-se para o interior, at apresentar
nova soliencia na ponta do Figo; depois contina sahindo
at ponta de Diogo Vaz, qual se segue a bella enceada
de Santa Catharina, que a separa da ponta do Allemo, onde
desagua a pequena Agua do Contador.
A costa segue qusi em linha recta at praia da
Lemba. Aqui aps um pequeno angulo contina de frma
identica at Ponta Furada, na qual desagua a caudaloso
Cabombey.

(2) Do costume indigena de chamar aguas aos rios, ribeiros e
regatos. Os geographos do esta denominao s correntes Iluctua-
veis da ilha.







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Deixemos a costa fazer duas curvas nos terrenos da
Companhia Agrcola de S. Thom, para depois vermos as
ilhotas do Cco, Joanna de Sousa, Formosa, Gabados, S.
Miguel, que deu o nome ao porto e rio que lhe ficam fron-
teiros. Seguindo na direco S.O. podemos admirar a
bella bahia do Pilar, e em seguida avistamos as costas
com variados recortes at ponta do Homem da Capa,
fronteira ilhota das Rolas, a maior de todas que ficam
em volta de S. Thom.
Mudando para S.E. encontramos a vasta bahia de
logo-logo, a qual depois duns pequenos recortes na costa
se nos reproduz na bahia da Praia Grande, que tem o seu
como no pequeno banco de Quitchiba. Fazendo-nos um
pouco ao largo avistaremos as ilhotazinhas das Sete pedras.
Passado algum tempo de viagem estamos no foz do rio lo
Grande, na praia do mesmo nome, formada em parte por
uma pequena peninsula, na contra-costa da angra de 8.
Joo, onde se eleva a freguesia de Santa Cruz. A costa
segue sempre em caprichosas sinuosidades animadas por
uma vegetao exuberante at Praia do Rei na Ponta
da Lebre, onde terminal o seu curso a Agua do Abbade;
tendo ns anteriormente encontrado as diminutas Agua lz
e ribeira do Affonso. Depois de vermos a ilhota de Sant'
Anna proximo da qual esto a bahia e villa do mesmo
nome, encontramos a bahia do Almoxarife, a Ponta do
Prajao, a parte mais oriental da ilha, formando-se ahi a
Praia do Melmo, onde desagua o rio de Manuel Jorge.
Continuando a acompanhar a costa mudamos para N.E.,
onde vamos encontrar a nossa j conhecida bahia de Anna
Chaves, depois de uma viagem de 150 kilometros appro-
ximadamente.








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Oro-hydrographia

A ilha de S. Thom formada por uma serrania vul-
canica qusi continue, que tem o seu centro a N.O. do
monte S. Thom (2142 metros de altitude), em cujo cume
do qual se eleva um triangulo de 7 metros de altura. O
monte de S. Thom d origem ao rio do Contador (3), que
corre no fundo do valle formado por este monte e pelos
baixos contrafortes do monte de Santa Maria, e vae desa-
guar a oeste da Ponta do Figo. Na direco-E.S.-N.E.
est o referido pico de Santa Maria (1456 metros), dis-
tante do primeiro 8 kil. Nasce neste monte a Agua do
Abbade, que aps um precurso de 17 kil. desagua na
Ponta da Lebre. Os montes de Santa Maria e S. Thom
{ppoiam o macio montanhoso do interior, formando-se
assim um declive quc se vae gradualmente esbatendo at
costa maritima. Um planalto notavel se nos apresenta
nesta regio formada por doleritos, trachylitos, provenien-
tes das primeiras erupes e de basaltos e lavas dos pos-
teriores, hoje cobertas por tufos de cres variadas. Esta
regio d origem a numerosos rios, que se dirigem para
nordste, d'entre os quaes poderemos destacar o rio do
Ouro, que nascendo na Lagoa Amelia (1439 metros) tem
um precurso de 15 kilm. at praia de Ferno Dias.
Este rio torna-se notavel por causa das suas formosas cas-
catas e das lendas extraordinarias que envolvem. O Diogo
Nunes, nasce no morro do Mongo perto da roa (4) do
Novo Destino, e tem a sua foz na bahia do mesmo nome.
O Mello ou Agua Palito nasce na propriedade de Monte
Caf, e desemboca na praia Lagarto. O rio ou Agua Gran-



(3) Differe da que fallamos adiante pelo nome da ponta onde
terminal.
(4) Centro de explorao agricola...







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de nasce na roa da Saudade (800 metros) crca de 11 km.
a sudoste da cidade, formando a 8 km. do seu curso a
catarata de Blu-Blu, a mais notavel da ilha, desagua na
bahia de Anna Chaves, formando o melhor porto de S.
Thom. O rio de Lemos ou de Manuel Jorge serve de
escoante a E. na laga Amelia, e com um curso de 17
km. vem desaguar na praia do Melo.
Se abandonarmos o interior da ilha para desembarcar-
mos no Canal das Rlas, tomando em seguida a direco
N.S. encontraremos successivamente os montes Bello, Co
pequeno, Co grande, Cabombey, important centro oro-
hydrographico da parte sul da ilha. As aguas d'este macio
de montes encontram vazante na vertente S.E. para o
rio Grande ou Io grande; as de N.O. vazam no Cabom-
bey, que desagua na Ponta Furada. Apparece-nos depois
o pico de Anna Chaves, onde nasce o rio de 8. .',,,.,. 1,
que dirigindo-se para S.O. entra no mar palo porto do
mesmo nome; e por ltimo encontramos o pica de Maria
Pires qusi ao centro da ilha.
Tal a configurao oro-hydrographica de S. Thom,
que com o seu solo argiloso e vulcanico continuamente
embellezado pelas Pontes que Deus fez, especie de arcos
caprichosamente cortados no basalto pela impetuosidade
das correntes que de cascata em cascata veem do interior
ao mar, do-lhe uma belleza extraordinaria e larga mar-
gem a exploraes industries.







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SEGUNDA PARTE


GEOGRAPHIA BIOLOGICAL


Fauna

A fauna de uma regio formada pelo conjunto das
species animaes que povoam essa regio. A natureza do
local e as condies em que vive cada especie constituem
o seu habitat.
Finalmente, a parte da superficie do globo ocupado
pela especie exprime-se pela distribuio geographic.
As faunas terrestres dividem-se quanto sua disposi-
o em oito regies zoologicas, que se resume em quatro
grupos: a polar, nas zonas frigidas, comprehendendo as
zonas arctica e antarctica; a holarctica, na zona tempe-
rada do norte, formada pelas regies paleoarctica e neoar-
ctica; a tropical, na Africa e A sia tropicaes, abrangendo
as regimes ethiopica e indica ou oriental; e a antarctica,
na Oceania ou America do sul, comprehendendo as regimes
australiana e neo-tropical.
A ilha de S. Thom pde ser povoada por qusi todas
as species animaes, e se apenas l existem quai que ex-
clusivamente as europeas, isso devido ao seu isolamento
geographic, em virtude do qual s podem ser transpor-
tadas para l por meios extrinsecos, taes como os ventos,
as aves e o homes, tendo ns que excluir as correntes,
porque a de Angola j no exerce influencia em S. Thom.
Esta ilha conta como species particulares suas: 5 mam-
miferos dos 12 l conhecidos; 19 de aves das 64; 4 de
batrachios dos 5; 21 de moluscos dos 27.







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Flora

Flora de uma regio a associao das species vege-
taes que se encontram nessa regio.
O habitat e a distribuio geographic difinem-se como
atraz fica dito a respeito da fauna.
Assim as floras terrestres dividem-se em 14 reas,
dispostas em 8 grandes grupos: o boreal, que comprehend
5 floras; e o tropical, que se subdivide em paleotropical e
neotropical, comprehendendo: a) as floras da Africa tro-
pical; b) as ilhas da Africa oriental; o) a indica e a
neotropical.
A ilha de S. Thom pertence ao segundo grupo da
sub-zona paleotropical.
Poucos pases teem uma flora to variada e bella, a di-
versidade dos tons chromaticos, e a abundancia de arvores e
arbustos, que tem attrahido para S. Thom as attenes de
grande nmero de botanicos, desde o allemo Carl Weiss,
em 1847, at ao Sr. Dr. Julio Henriques, cuja viajem acabou
de ser effectuada com o mais ser feliz resultado (6).
S. Thom apresenta o prototype da colonia de planta-
es, pois brotam naturalmente do seu slo o algodo, o
ananaz, a bananeira, e o tabaco; so abundantes as cultures
de: cacau, caf e quinas; do-se bem na ilha a canella, a
nz moscada, a coca, o aafro da India, a cola, a gen-
gibre, o cajueiro, etc.; deu bellos resultados a tentative da
cultural de borracha, e experimentou-se a da vinha, embora
com resultados at hoje pouco apreciaveis.
Palmeiras (andim), coqueiros, pimenteira e grande va-
riedade de madeiras, taes como, marapio, g-g, azeitona,
amoreira (muito empregada nas construcos urbanas e


(6) Antes da recent viagem o sabio Professor j havia publi-
cado A Flora de S. Thomii no Boletim da Sociedade Broteriana-
vol. 4, 5 e 10 e posteriormente em separate.







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na construcno de canvas), pau capito (que chega attingir
de 2 e 5 metros de diametro), pau cabra, pau candeia, pau
milho, pau ferro, etc.
Taes so os principaes vegetaes de S. Thom. A esta
lista teria de accresoentar muitos, se pertendesse fazer
uma relao complete.

Antlhropologia

Geographia anthropological a parte da geographia
que estuda a distribuio das raas humans superficie
do globo.
Os caracteres anthropologicos so os caracteristicos do
globo.
As raas humans dividem-se fundamentalmente em (7):
1) branca; 2) preta; 3) amarella, e 4) raas mistas, que
se subdividem em americanas e oceanicas.
Para o estudo ethno-geographico da Africa centro-
austral, grupo a que pertence a ilha de S. ThomB, podemos
dividir as raas em quatro typos: 1.0) grupo do Senegal ao
Equador; 2.") do equador Hottentotia; 3.0) Ilottentotia;
4.0 Cafraria.
De todos os animaes o home aquelle, cuja distri-
buio geographic mais vasta, e comprehend assim
diversidade de raas. Assim vemo-lo nas zonas polares
vivendo sobre o gelo e tendo um long dia de seis mezes
e uma noite do egual durao; vemo-lo nas zonas tem-
peradas e nas torridas, nas quaes, como o seu nome
indica, qusi constant uma temperature excessive. O
home muda constantemente as suas condies de exis-
tencia, adaptando ao seu proprio viver as foras da natu-
reza em beneficio das suas proprias necessidades.
A populao de S. ThomB , segundo o ultimo recen-

(7) Limito-mc a leaves noyes attendcndo indole d'este tra-
balho.







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seamente, de 37:776 almas, assim divididas: brancos,
1012; mestios,'273; pretos, 36491. Populao do muito
differences raas, porque entire os pretos se encontram
indigenas de qusi toda a Africa, qie os roceiros vo bus-
car para os trabalhos agricolas. Os chineses, cooles, fo-
ram introduzidos na ilha em 1895 pelo governador Cus-
todio Borja, sem resultado prtico.











TERCEIRA PARTE

GEOGRAPHIA POLITICAL


Adininistrao

A ilha de S. Thom juntamente com a ilha do Prin-
cipe e o Forte de S. Joo Baptista de Ajud, no conti-
nente, formam uma provincia sob a direco de um go-
vernador, a quem pertence egualmente a administrao pri-
vativa da ilha de S. Thom. Junto do governador funcciona
uma secretaria de governor, de que chefe o secretario
geral da proviucia; esta secretaria consta de duas repar-
ties, uma civil e outra military. A provincia d um de-
putado s cortes. Qusi todas as providencias, que no
sejam de mero expediente, para terem execuo, necessi-
tam da approvao do ministerio da marinha. Os corpos
consultivos que auxiliam o governador no desempenho da
sua misso so : o Conselho do Govrno, presidido pelo
governador, com um secretario geral e tendo por vogaes:
pro-vigario capitular, juiz de direito da 1.a vara, delegado
do procurador da cora e fazenda, inspector da fazenda,
president da cmara municipal, chefe do servio de sade,
curador dos serviaes e colonos, e official do exercito mais
graduado; e o conselho da Provincia, que tem por presi-
dente o governador, por secretario o secretario geral e
por vogaes o delegado da cora e fazenda e mais dois in-
dividuos nomeados pelo govrno.

.Tustia

S. Thom constitute uma comarca com duas varas, di-
vidas em julgados municipaes e estes em freguesias, per-
tencentes Relao de Loanda. A superintendencia dos


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serviaes exercida por uma magistratura especial, cha-
mada Curadoria geral dos serviaes e colonos.

Servios de FIazenda

A desorganizao dos servios de fazenda do continent
avoluma-se no ultramar, isto mesmo o accentua o Ministro
da Marinha, o Sr. Raphael Gorjo, nas consideraes que
faz ao apresentar o oramento colonial para o anno de
1903-1904. O mesmo diploma fixa as receitas para a pro-
vincia de S. Thom e Principe em 653:1005000 ris., Com-
parando esta verba com a do triennio anterior, v-se suc-
cessivamente prepassar de 423:470;$000 ris, a 526:1400000
e a 639:870W000 ris. Este augmento to rpido tem tres
causes principles, a primeira o augmento da riqueza da
provincia, o segundo a maior perfeio introduzida neste
important ramo de servio pblico, especialmente nos im-
postos director, e a terceira o agravamento das contri-
buies. A despeza para o exercicio corrente eleva-se a
403:7495813 ris, assim dividida.
Administrao

Geral Fazenda Justica Ecclesastica Militar Marinha
81:8934 46:0374 19:880 8:0484334 120:67o5800 13:6758800
Encargos geraes: 13:413'015 ris-Despsas diversas:
20:938,;000 Exercicios findos 600,000 ris. Havendo
um saldo positive de 249:3605187 ris.

Obras Pblicas

O servio de Obras Pblicas est a cargo de um en-
genheiro director e tres conductores de 2.a classes. Para
fiscalizar e auxiliar o servio do obras pblicas existe um
Conselho de obras pblicas, o equal se reune sob a presi-
dencia do governador.







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As verbas autorizadas no se teem esgotado neste ramo
de servios pblicos, e ao mesmo tempo que isto se d, o
sul e o centro da ilha esto quasi incommunicaveis, as pou-
cas estradas que existem em S. Thom esto ao abandon,
os pantanos, cuja extinco urgente, so numerosos.

Sade

O Servio de sade e hygiene desempenhado por um
guarda-mr (medico de 1.a classes) o qual exerce essa func-
o cumulativamente com a direco do Hospital provin-
cial, tendo s suas ordens os medicos do quadro da pro-
vincia em nmero de 6 de 2.a classes e 2 pharmaceuticos.
As doenas que ali mais abundam so: as febres, a
diarrhea e ulceras; a tuberculose rara.

Adniniiistrao ecclesiastical

Os servios ecclesiasticos esto confiados superior-
mente a um vigario capitular, junto do qual funcciona uma
camera ecclesiastica, que superintende em todas as fre-
guesias da ilha.

Instruc-o pfiblica

Os servios de instruco pblica so de todos os ser-
vios pblicos os mais deficientes, pois se reduzem a uma
escola principal, com um unico professor, e a escolas pri-
marias nas freguesias seguintes: Graa, Conceio, Santo
Amaro, Trindade, Magdalena, Sant'Anna, Neves, Guada-
lupe e Angolares.

IF'oral 1ptl ica.

Em virtude da ultima organizao do exrcito ultra-
marino, S. Thom ficou tendo uma companhia de infantaria







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na fora maxima de 366 homes e um corpo de policia
com organizao military.
Existe na cidade de S. Thomb uma fortaleza denomi-
nada de S. Sebastio, a qual no tem condies algumas
como praa de guerra. Nella esto installados os callabouos.

Principles centros de populao

A cidade de S. Thom, capital da provincia, onde esto
centralizados todos os servios pblicos, important centro
commercial, com uma populao de 6128 almas, sendo 283
brancos e 2714 africanos, acha-se situada sobre a bahia
de Anna Chaves. Os outros nucleos de populao, so as
freguesias de: Trindade, perto da Agua Grande, a 250
metros do altitude; Magdalena, junto da Agua Palito;
Sant'Anna, na do mesmo nome; Santa Cruz, na Angra de
S. Joo; Nossa Senhora das Neves, na Ponta do Figo;
Santo Amaro, entire as Aguas Macung e Telha na zona
baixa; Guadalupe a 15 kilometros da cidade; e finalmente
S. Joo dos Angolares.












QUARTA PART

GEOGRAPHIA ECONOMIC


Commnunioaesi

Uma nao como Portugal, cuja independencia em
grande part assegurada pelos seus vastos dominios ultra-
marinos, porque principio indiscutivel em economic, que
para possuir colonies necessario ter marinha, necessita
de uma numerosa marinha mercante, para transportar os
products da sua nascente indstria (qusi que exclusiva-
mente creada pela pauta proteccionista de 1892) e as per-
mutas dos products agricolo-mineraes das suas colnias.
Infelizmente, a marinha national vae arrastando uma crise
terrivel, apesar da ltima lei estimuladora d'este ramo da
actividade lhe dar larga proteco e dos progressos do
nosso commrcio colonial.
A ilha de S. Thom visitada 3 vezes por mes por
paquetes da carreira, segundo o contract feito entire o go-
verno e a Emprsa Nacional de Navegao (12 de dezem-
bro de 1900). O movimento do porto de S. Thom no anno
de 1899 foi de 50 navios nacionaes de vapor; 6 de vela;
e 24 navios estrangeiros de vapor.
So causes da ilha no ser mais frequentada por na-
vios, a sua situao fra das grandes linhas das derrotas
africanas; o mau estado em que se encontra a bahia de
Anna Chaves; a falta de uma ponte-caes, que possa com
o guindaste mechanic, que existe ha muito na Alfandega,
e, finalmente, o commrcio ser qusi exclusivamente feito
com a metrpole em navios nacionaes. A navegao de
cabotagem faz-se com pequenos vapores, que torneiam a
ilha duas vezes por mes. Estes vapores sahem da bahia


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de Anna Chaves, tem escala nos portos do Almoxarife,
Sant'Anna, Praia do Rei, Praia da Ribeira, Ponta Furada,
Angra de S. Joo, Praia do Peixe, Praia Grande, Iogo-
logo, ilhota das Rolas, S. Miguel, Pedra Furada, Santa
Catharina, Ponta de Diogo Vaz, Neves, Planca, Praia das
Conchas, Ferno Dias e ilhota das Cabras.
As communicaoes terrestres sno deficientissimas; via-
no acelerada pblica no existed, apesar de ser ha muito
uma necessidale a ligao rpida do interior com a cidade.
Ha pequenas vias Decauville para servio interno das ro-
as, nas de Monte Caf, Monte Macaco, Agua Iz, Ba
Entrada, Porto Alegre, etc. Estradas ha 3, que alis no
merecem este nome e que partem da cidade para a Trin-
dade, Magdalena, Santo Amaro e Guadalupe. O resto so
pequenos caminhos vicinaes de 1 metro de largura. A falta
de pontes um dos elementos que mais prejudice a facili-
dade das communicaes, pois que as cheias dos rios col-
locam as roas em verdadeiro estado de stio.
A communicao de idas faz-se em S. Thom pelo
cabo submarine, que a liga indirectamente Europa, e
por meio de servio postal em todos os paquetes da Em-
prsa Nacional (8).

O coniiir io

O commrcio de S. Thom cresceu rapidamente no
ltimo quartel do seculo passado. Assim, a exportao em
1885 era representada approximadamente por 600 contos
de ris e a importao por 300; em 1890 j os dados esta-
tisticos officials nos marcam a exportao em 1.707:74` '0iCi,
ris, e em 1899 attingia ella a avultada somma de ris


(8) O decreto 11 de outubro de 1903 tende uniformizar os ser-
vie!os postaes do nltramar com os do continent, o que 6 do grande
vantagem para o commercio.







- 45 -


5.349:894?000; nos ultimos 9 annos principalmente o
augmento foi verdadeiramente assombroso, pois que attin-
giu a percentage de 213 O/o. Asceno to rapida poucas
colnias apresentam nas suas estatisticas.
Em seguida d-se a'crise dos products tropicaes, em
virtude de serem lanados no mercado os enormes stoks,
existentes nos mercados europeus, e o movimento commer-
cial decresce. Assim, a exportao em 1903 apenas figure
no mappa, que junto para melhor comprehenso, com a
somma de 4 611:485$073 ris.
Os servios bancarios e de irculao monetaria esto
regulados no contract celebrado entire o govrno e o
Banco Nacional Ultramarino, em 30 de novembro de 1902.
Por esse contract o Banco obrigou-se a ter em S. Thom
uma caixa filial, que deve fazer todas as operaes ban-
carias, taes como as transferencias, descontar leftras, ne-
gociar papis de credit, empretar dinheiro sbre crdito
real e nominal, a juro nunca superior a 2 0/o da taxa do
Banco de Portugal, emittir obrigaes prediaes, etc.; e
conjunctamente desempenhar as funces de thesoureiro
do Estado. A circulao monetaria feita fiduciariamente,
tendo o Banco o previlegio por 10 ainos, e dever ser
sempre do capital circulante do mesmo Banco.
O commrcio feito qusi exclusivamente com Lisboa,
por navios nacionaes, e tende a desenvolver-se muito, agora
que os effeitos desastrosos da crise commercial se vo
attenuando ds dia para dia.

Industria

Alm da agrcola, e essa mesma feita de uma frma
bastante rudimentar, de que me occupei na geographia
biological, apenas, em grau limitadissimo durante a grava-
na os indigenas extraem rudimentarmente o sal. Tambm







46 -

se faz a extraco de petroleo bruto em quantidade insi-
gnificante e por processes primitivos, nas roas da Cachoeira
e de S. Miguel; fabricam-se bebidas espirituosas, especial-
mente vinho de palma simpless seiva de palmeira), que
bebem assim, que se recolhe.
Os restantes products industries reduzem-se s aguas
mineraes-gasosas da roa Rudia, extraco de pedras para
diversas indstrias, etc.













Movimento commercial na alfankwega de S. Tliom


Em navios nacionaes..........
S> (re-exportlaio)
1902-De janeiro a dezembro estrangeiros.....

\ Total dos 12 mezes .....


1902-De janeiro a outubro.







1903-De janeiro a outubro.


Importao


1.616:0824~90
595:378i731
83:8193861

2.295:281082


Exportao


4.611:3723073
-3-
113:000

4.611:485U073


Re-exportaco


2:7514300

350M000

3 i' l i l"i


'Em navios nacionaes......... 1.332:064867 3.628:4895010 1:6664000
re-exporlao) 537:3264222 -4- -
S estrangeiros..... 72:17,2871 1134000 3504000

Total dos 10 mezes ..... 19'1:563,960 3.628:6024010 2:0165000
1 1 1raio3 7:2~~2 L--$


Em navios
ta

Total


nacionaes.........
S (re-exportaico)
estrangeiros.....

dos 10 mezes.....


1.313:2841454
461:4324891
104:7453304

1.879:4623619


3.912:571,268
--
-3-


1:9733300
-f-
-3-


3.912:5713268 1:973W300


---













N OTCA. S


(a) As cartas de Lopes de Lima, Wilson e Boteler, que apenas
conheo por trabalhos nellas baseados, affirmam todos os que se
tem occupado da Ilha estarem muito erradas. A de Almeida Ne-
greiros e a que o Ministerio da Marinha publicou, baseado nos dados
fornecidos pelo Almirantado inglez, tambem no podem merecer
confiana alguma; foi todavia destas que me servi com mais ou menos
correces. Por esta razo no posso garantir os factos expostos na
geomorphologia e muito especialmente os que se referem mor-
phologia no sentido horizontal e orohydrographia. Consta-me qua
um distinclo engenheiro civil trabalha no levantamento de uma carta
exacta da ilha de S. Thom.
(b) No concordo com os economists que no consideram o
commrcio como uma indstria; mas como para melhor compre-
henso costume entire os geographos classificar assim aquelle ramo
de actividade, no me atrevi a quebrar a tradio.
(c) Incluo neste trabalho a bibliographia da ilha de S. Thom,
para assim poder prestar algum servio a quem de future venha
occupar-se d'ella.
(d) Como claro resalta de todo este trabalho no tive a menor
ida de fazer uma monographia, mas unicemente delinear a orien-
tao de um curso de geographia geral commercial; omitindo a part
de geographia mathematics, por absolucta impossibilidade de a po-
der incluir no them geral d'este trabalho.
(e) Na parte de linguistic transcrevo o dialecto de S. Thom
tal como o Sr. A. Coelho o apresenta na sua obra, mas o illustre
africanista Dr. Carreiro do Rego affirmou-me ser erronea a escripta
da palavra diabo, a qual dever ser djiabu.
No long vocabolario, que Almada Negreiros apresenta no seu
livro no vem tal palavra.




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