Group Title: Biblioteca pedagâodica brasileira. SÉr 2.a Livros didâaticos
Title: Liðcäoes de portuguães
CITATION THUMBNAILS PAGE IMAGE ZOOMABLE
Full Citation
STANDARD VIEW MARC VIEW
Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/UF00075967/00001
 Material Information
Title: Liðcäoes de portuguães
Series Title: Biblioteca pedagâodica brasileira. Sâer 2.a Livros didâaticos
Physical Description: 4 p. Á., 11-359 p. : ; 20 cm.
Language: Portuguese
Creator: Motta, Othoniel
Publisher: Companhia editora nacional
Place of Publication: Säao Paulo etc
Publication Date: 1941
Edition: 9. ed.
 Subjects
Subject: Portuguese language -- Grammar -- 1870-1949   ( lcsh )
Portuguese language -- Composition and exercises   ( lcsh )
Genre: non-fiction   ( marcgt )
 Notes
General Note: At head of title: Otoniel Mota.
General Note: "Trechos seletos, seguidos dos respectivos comentarios": p. 135-353.
 Record Information
Bibliographic ID: UF00075967
Volume ID: VID00001
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 07418730
lccn - 45042102

Full Text
,)ene 24 LIVROS DIDATICOS Vol. 3
,31BLIOTECA PEDAGOGICA BRASILEIRA










UNIVERSITY
OF FLORIDA
LIBRARY









LIO)ES DE PORTUGUES



























Exemplar Ko 01330 *





BIBLIOTECA PEDAG6GICA BRASILEIRA
Serte 2.a LIVROS-DID ATICOS


OTONIEL MOTA




LICOES DE PORTUGUES



9. EDICAO












COMPANHIA EDITOR NATIONAL
SAO PAULO RIO DE JANEIRO RECIPE --PORTO ALEGRE

PRINTED IN BRA~IL
-l d -.-.--


Vol. 3






72-
V /t










Ilmo. sr. Prof. Otoniel Mota


Capital



Prezado amigo

Seu livro LIQ(OES DE PORTUGUES vem
sendo insistentemente procurado por professors e
alunos de todo o Pals e essa procura ter sido tal
que nos obriga a voltar A sua presenga para in-
sistir na sua publicagdo. Pensamos que o amigo
nao deve privar os estudantes brasileiros de tao
precioso compendio.
Ficamos assim aguardando sua aquiescencia
ao nosso pedido e sem mais, somos corn estima e
consideraggo,

de v. a.
Amos. Atos. Obrgs.
COMPANHIA EDITOR NATIONAL

O. MARCONDES FERREIRA
Director


16C n q I -
U"C I~ :kJ
















Este livro, em virtude de uma pAgina de
Castilho publicada hi um s6culo e transcrita por
mim ha cerca de trinta anos na 1.8 edisgo da obra,
foi julgado inconvenient para o ensino brasileiro.
Em virtude disso, esgotou-se a iltima edigao.
A alunos, professors, diretores de ginasios que
me interpelavam, dei sempre esta resposta: "Estd
esgotado e nao serA reimpresso".
Em virtude, porem, da carta retro, achei que
nio me assistia o direito de lesar o ensino de minha
terra com a ausencia do volume no mercado e con-
cordei em tirar nova edisgo, suprimindo a referida
pAgina.
OTONIEL MOTA


















Algumas explicaq6es


1. O autor deste livro 6 dos que estdo convencidos de que o estudo
do portugu6s se torna cada vez mais antipAtico aos alunos. Convenceu-
-se, mais, de que a razio principal estA no modo por que se ele faz quase
sempre: o mrtodo sint6tico, aliado em geral ao acervo indigesto de material;
a uma terminologia por vezes rebarbativa, dificil de reter e sem utilidade
imediata na pratica; a um ourigado de regras e definig6es; aos pro-
gramas extensos, complicados, mas tambem "machucados", atropelados,
apenas arranhados nos pontos basicos, e isso mesmo ap6s um esforgo im-
'proficuo em que a memorial teve o papel predominante uma tal en-
grenagem vai matando o estimulo para o estudo, sem estancar, felizmente,
o desejo de conhecer a lingua. Ao contrario: este cresce, A media que
cresce na conciencia do aluno a conviccgo de que a lingua e uma neces-
sidade imprecindivel como arma de luta, principalmente nos tempos atuais.
O A. quis entrar por um caminho que nao 6 novo e que se Ihe afi-
gura mais c6mado, racional e eficaz, de acordo corn a experiencia dos
povos mais adiantados em material de educaado.
Este livro 6 um esforgo sincere em favor do m6todo analftico.
Fruto de um meio viciado, e possivel, todavia, que ele proprio ainda
traga consigo uma larga crosta de sintetismo que a critical e a experiencia
irgo tirando aos poucos.
O program do A. cifra-se em poucas palavras: simplificar a material,
suavizar o ensino, selecionar (1) o essencial e insistir, repisar, para que
esse essencial se grave indelevelmente no espirito.
2. Corn esse program diante dos olhos, era impossivel ao A. deixar
de fazer, ate certo ponto, obra revolucionaria.
A sua preocupacgo constant, porem, foi conservar tudo quanto de
sagrado a tradigdo nos legou, isto 6 tudo aquilo que 6 legitimo, ou cuja
permanencia nio pode ser nociva.

(1) Este verbo que tern tanta razao de viver como acionar, cvolucionar, etc., fellz
mente jA se acha registado por G. Viana.






12 Otoniel Mota

3. A obra 6 dividida em dois livros: o primeiro deles, por sua vez
dividjdo em duas parties, encerra material concemrente ao 1.0 e 2.0 anos
ginasiais; o 2.0 contem a seleta de trechos classicos e os comentarios que
lhes sao apensos, Destina-se mais ao 3.0 ano, mas repousa, em absolute,
sobre a primeira parte, isto 6 sobre um sistema de analise quanto pos-
sivel simples e realmente 16gico.
Para evitar o erro funesto de um ensino de portuguts que consistia
quase exclusivamente em anilise tomando-se como fnm aquilo que
apenas 6 um meio ultimamente se enveredou pelo caminho de uma
reago exagerada, que tende a fazer tabua rasa de toda e qualquer andlise.
E' uma campanha insensata que nao vale a pena de uma refutaglo. O
A. procurou o just meio que a experiencia lhe ditou.

4. Esta obra e quasi a coroa de uma series planejada e pressup6e,
portarto, material que nela nao se contem, pelo menos todo o program
para admissio aos ginasios. O fato de o A. comegar quase pelo fim, foi
porque o carter mais geral da present publicag~o poderia estender a
sua influencia para alem dos limits ginasiais, de forma que este volume,
mais facilmente vendido, se tornasse uma garantia para os seus irmios
esbogados.
5. Na primeira parte do primeiro livro, a parte que vai ate a pag. 82
e que 6 destinada ao 1.0 ano, o A. procurou ser o mais infantil possivel
na linguagem : esforgou-se por falar exatamente como faz em aula a pe-
queninos, permitindo-se mesmo o emprego de um estribilho que ele s6i
martelar em classes. Veja-se pag. 34, n.o 81.
E' precise ter isto em vista para se nao estranhar a diferenga de dia-
pasao que se hd de notar entire o principio e o fim da obra, em lig6es que
distam por vezes dois anos uma da outra.

6. Como corolario do metodo analitico, aplicou-se o process ameri-
cano dos diagramas, de cujo valor pedag6gico, admiravel, se convencerA
qualquer professor que Ihe beber o espirito. Mas, como disse um pro-
fessor americano, 6 ele um andaime que se deve tirar logo que a casa esteja
pronta. Contra esse process tern sido formulada a seguinte obje~o :
"O aluno pode fazer apenas "mecanicamente os diagramas". A isto se
responded:

a) Quando tal acontecer, o aluno tera, contudo, atingido o essencial,
que 6 ver claro as relacges que existem entire os various elements
da sentenEa, sem o que nIo fara o diagram de forma alguma.






LiU 6es de portugues 13

b) O fazer ele de modo mecAnico recai exclusivamente sobre o pro-
fessor, que nio cumpriu o seu papel principal: o de fiscal e di-
rigente. O diagram 6 um auxiliar modesto, nio um mestre ou
uma f6rmula mAgica, e a indolencia ou incuria do professor pode
prejudicar e at& anular a eficacia do process.
7. Na organizagdo da seleta o A. levou em vista, o mais possivel,
escolher trechos que formassem um todo. E' por-isso que fez um largo
emprego de cartas. Nem sempre, porem, Ihe foi dado levar a cabo per-
feitamente o desiderato.
A seleta destina-se a ser um estudo preparatorio para os Lusfadas.
8. As notas que se foram ajuntando aos pardgrafos sao de various
teores, sendo que algumas visam mais ao professorado que aos alunos.
O uso delas em classes depend, pois, exclusivamente, do criteria do mestre.














Primeiro livro











PARTE PRIMEIRA





LICAO I

1. Imaginemos que encontramos um pedacinho de papel
cor estes dizeres: . Ai esta uma reuniio de trbs
palavras que final quase nada exprimem. Nao podemos tirar
delas nenhuma conclusio e dizemos, portanto, que nio formal
sentido. Suponhamos ainda que logo adiante achamos outro
pedacinho em que podemos ler isto: 'morreu>. Tambem
quase nada conseguimos dai. Se, porem, reunirmos os dois
pedacinhos, teremos: O meu cdo morreu>. Isto dizemos
logo ter SENTIDO.
Mas por que? Qual a razlo por que um grupo de palavras
forma sentido e outro nao forma?
Reflitamos. No exemplo acima podemos ver que no pri-
meiro pedacinho de papel havia um substantive : cao. No
segundo havia uma afirmagdo categ6rica feita pelo verbo:
morreu. Ora bem, o substantive sem a afirmagio nao formava
sentido; nem a afirmagAo sem o substantive. Foi precise
ajuntar os dois.
2. Para haver sentido, pois, 6 necessario existir um subs-
tantivo unido a uma afirmagSo (isto 6, a um verbo).
3. E a toda reuniao de palavras queforma sentido dA-se o
nome de sentenga.
-4. Em uma sentenga pode haver mais de um substantive;
mas nem todos recebem a afirmaalo feita pelo verbo.
Exemplo: <. Ai
esta uma reuniHo de palavras que forma sentido. E', pois,
uma sentenga. Nela encontramos tr6s substantivos: aluno,
Ginasio, casa, e uma afirmagdo : veio. Dos tr6s substantivos,
entretanto, s6 um aceita a afirmagdo feita pelo verbo. Quem
6 que veio? Aluno.






18 Otoniel Mota

5. O substantive do qual. se faz a afirmaggo chama-se
substantive sujeito, ou simplesmente SUJEITO da sentenga. A
afirmac o que dele se faz recebe o nome de predicado.
NOTA. Na anAlise de uma sentenga, ao aluno principiante
6 mais facil achar o predicado do que o sujeito. Para isso
basta-lhe achar o verbo. Uma vez achado este, 6 s6 dirigir-
Alhe a pergunta quem? ou: o que? e a resposta serA o sujeito
da sentence. Seja a sentenga: Na mangueira do pomar
pendia de um galho um ninho de beijaflor -.
Busquemos o predicado. E' pendia. Fagamos a per-
gunta : O que 6 que pendia ? A resposta 6 pronta : ninho.
Eis af o sujeito da sentence.

QUESTIONARIO
1 Que 6 necessario haver para terms um sentido? (2)
2 Que 4 uma sentenga (3)
3 Quantos substantivos pode haver numa sentence? (4)
4 Qual deles 6 o que recebe o nome de sujeito? (idem)
5 Que 6, pois, sujeito? (5)
6 Quat 6 a maneira mais facil de analisar uma sentenga? notaa)



LICAO II

6. 0 sujeito e o predicado podem constar de uma s6
palavra, como neste caso : Canario canta; ou de mais de uma
palavra, como em : 0 canario, lindo pdssaro do Brasil, canta
admiravelmente em nossas florestas.
No sujeito podemos contar agora sete palavras, no predi-
cado cinco.
7. Mas, se observamos bem, veremos que entire as sete
palavras do sujeito hA uma que 6 indispensavel : 6 canario.
Por semelhante modo, o predicado tem uma palavra indispen-
savel : 6 canta. Ainda quando suprimissemos todas as outras,
elas por si s6s formariam sentido e constituiriam sentena :
canario canta. Pelo contrario, se suprimirmos qualquer delas,
ainda que conservemos todas as mais, jA nio existiri sentence,
porque nao haveri sentido.






Liq6es de portugu s


8. As palavras indispensaveis na sentence chamam-se -
sujeito gramatical e predicado gramatical.
9. 0 sujeito e o predicado gramaticais, unidos com os
demais elements secundarios, formam o sujeito e o predicado
totais ou 16gicos.
10. Os elements que se ajuntam ao sujeito e ao predicado
gramaticais tem o nome de modificadores.
NOTAS. 1. Assim se chamam porque modificam o
sujeito ou o predicado. Modificar quer dizer dar um
novo modo de ser as cousas, dar-lhes uma nova feicao, uqm
novo colorido. Por exemplo, se alguem nos diz: Vi uma
flor -, a palavra flor traz ao nosso espirito uma ideia apa-
gada, de uma cousa que pode ter mil formas e mil cores.
Mas se nos disserem : Vi uma flor pequena, escarlate,
cor quatro p6talas arredondadas -, nao 6 certo que os ele-
mentos pequena, escarlate, cor quatro petalas arredondadas
trouxeram muita luz para podermos ver em espirito a na-
tureza da floor ? E' que esses elements modificaram a primeira
ideia que nos dava a simples palavra flor. 2. Os gramA-
ticos em geral chamam adjuntos ao que n6s chamamos modi-
ficadores.
11. Seja a sentence:
Os meus ricos pessegos hoje cairam desastradamente.
Ai temos como sujeito gramatical o substantive pessegos.
Em redor e press a ele vemos os adjetivos os, meus e ricos.
Estes adjetivos sao, pois, modificadores do substantive sujeito.
12. 0 predicado gramatical e o verbo cairam. Em redor
e press a ele vemos os adverbios hoje e desastradamente. Esses
adverbios sio, portanto, modificadores do predicado grama-
tical cairam.
13. Os alunos repetirio o exercicio acima nas seguintes
sentencas, apontando o sujeito gramatical e seus modificadores,
bem como o predicado gramatical e seus modificadores:
.1. As nossas lindas aves nao cantaram ontem.
2. Esta adoravel menina Ie agora extraordinaria-
mente.
3. Voaram ali muitas rolinhas.
4. Os teus cdes veadeiros passaram aqui depressa.






20 Otoniel Mota

QUESTIONARIO
1 De quantas palavras pode constar o sujeito ou o predicado? (6)
2 Que 6 sujeito gramatical e predicado gramatical? (8)
3 Que 6 o sujeito total? o predicado total? (9)
4 Que outro nome tem o sujeito e predicado totals? (idem)
5 Que nome tem os elements secundarios que se ajuntam ao
sujeito e ao predicado gramaticais? (10)
6 Que quer dizer modificar? (ver a nota 1)
7 Que outro nome se dA aos modificadores? notaa 2)



LICAO III

14. Os modificadores do sujeito podem ser, como vimos,
simples adjetivos. Mas podem ser tambem grupos de palavras
com valor de adjetivo. Seja, por exemplo, a sentenga : cavalo trotgo chegouP. O adjetivo trotao, que serve de modi-
ficador do sujeito, pode ser substituido pela expressio de trote:
o cavalo de trote. Este grupo de palavras comp6e-se da pre.
posig5o de e do substantive trote, e 6 um modificador do sujeito.
E' sempre possivel fazer uma preposicgo prender um
substantive, corn o qual ela forme um conjunto que va modi-
ficar o substantive sujeito. E esse conjunto denominaremos
frase.
15. Frase 6, pois, um conjunto de palavras iniciado por
uma preposiCgo (1).
16. Assim tambem, em vez de dizer : mente,, podemos substituir a adverbio rapidamente, que estf
modificando o predicado gramatical corre, pela expressio cor
rapidez.
Ai temos uma frase formada pela preposiggo cor e o
substantive rapidez. Evidentemente essa frase equivale ao
adverbio rapidamente.
(1) Esta definicBo de frase, altamente simplificadora e c6moda, tomamo-la aos
gramAticos ingleses e americanos. Deve-se, porem, explicar aos alunos tambem o sentido
lato da palavra frase, como sin6nimo de sentence.





LiUges de portugues


17. ,Donde concluimos que as frases sao de duas natu-
rezas : natureza adjetiva e natureza adverbial.
18. Denomind-las-emos, pois, frases adjetivas e frases
adverbiais.
NOTA. A frase adjetiva modifica, alem do sujeito,
qualquer substantive da sentenga.
19. O sujeito gramatical e expresso por um substantive
ou por um pronome que Ihe faga as vezes. Ex.: Pedro cor-
rez, Ele cai.
20. Quando o pronome faz a funcio de sujeito, diz-se
que estA no caso reto.

QUESTIONARIO
1 Que podem ser os modificadores do sujeito? (14)
2 Como se chama o conjunto de palavras que modifica o sujeito?
(14)
3 Que e frase? (15)
4 De quantas naturezas sao as frases? (17)



LICAO IV

21. Analisar uma sentenga 6 descobrir e classificar os
diversos elements que a comp6em.
22. Para mais facilmente conseguirmos uma andlise, re-
corremos ao process dos diagramas, usado na America do
Norte. *
Os diagramas sao figures geom6tricas destinadas a mostrar,
de uma forma visual, palpavel, a relagAo das palavras entire si.
Tragaremos uma linha horizontal e cortd-la-emos por uma
pequena vertical.


Seja a sentenga : tristemente o ninho vazio do beijaflorD.





22 Otoniel Mota

A direita, sobre a linha horizontal, colocaremos o predicado
-gramatical; A esquerda, o sujeito gramatical.

nirh, pendia


Colocaremos agora debaixo do sujeito e do predicado
gramaticais os seus modificadores.
ninho pendia

S\ beijaflor \\ mangueira
\ pomar


23. Observem: a) que as linhas horizontais sao ocupa-
das s6 pelos substantivos e pelo verbo; b) que as linhas
obliquas estao ocupadas pelos adjetivos o, vazio, o, a, copada,
o e pelo adverbio tristemente; c) que os referidos adjetivos
estio todos debaixo dos substantivos que eles modificam, e o
adverbio tristemente debaixo do verbo; d) que por semelhante
modo a frase adjetiva do beijaflor estd ao lado dos adjetivos
seus irmaos, e a frase adverbial da mangueira copada do pomar
esta ao lado do adverbio tristemente; e) que a grande frase
da mangueira copada do pomar comp6e-se de uma preposigao
que a introduz (de), um substantive (mangueira), dois adjetivos
(a, copada) e uma pequena frase adjetiva (do pomar), que por
seu turno se decomp6e em tres palavras (de, o, pomar) ; f) que
as preposig6es de se acham apertadas entire duas palavras,
ligando-as, posiggo essa que.hh de serforposamente a de todas
as preposig6es, onde quer que existam; g) que das duas pa-
lavras ligadas pela preposigco a segunda tem de ser necessaria-
mente um substantivo (ou pronome que Ihe faga as vezes), tal
como se pode observer na sentenga analisada ; h) que foi
necessario desdobrar as contrag6es do e da em de o, de a para
se analisarem as frases do beijaflor, da mangueira.
Observacges como tais sao aplicaveis a toda e qualquer
sentenga.





Li6es de portuguds


QUESTIONARIO
1 Que e analisar uma sentenga? (21)
2 Que diz o n.* 23 a respeito dos substantivos e do veroo ? (letra a).
Dos adjetivos? (letra b). Dos adjetivos e adverbios? (letra c).
Das frases adjetivas e adverbiais? (letra d). Da colocago das
preposigoes ? (letra f).
3 Que parte da sentence tern de ser a palavra que a preposiglo
prende para ligar? (letra g).
4 Que diz a letra h corn relaao a do e da?
24. Analisar por diagrama as seguintes sentengas:
a) Os olhos abrasados da onga brilhavam terrivel-
mente na escurid5o da caverna.
b) Os cges amestrados, de fina raga, acuavam corn
um furor indomavel.
c) O brago da donzela descansava em um velario,
entire jarras de porcelana.
d) Na desert amplid5o dos campos luminosos mugem
sinistramente os grandes bois sequiosos.
NOTA. Colocada que seja em diagram uma sentenga,
deve o aluno submete-la ao seguinte interrogatorio :
1. Todas as palavras que se acham em linhas horizontal
sao substantivos, pronomes ou verbos?
2.0 Todas as que estio em linhas obliquas sao adjetivos
ou adverbios?
3.*- Estao as preposi6Ses todas entire duas palavras?
Qualquer resposta negative querera dizer que houve
erro na andlise.




LICAO V

25. Os alunos ji conhecem certamente a definigio que 6
dada pelas gramaticas a respeito da preposig5o : cPreposigio
6 a palavra que liga duas outras palavras indicando ao mesmo
tempo uma relasao,.






24 Otoniel Mota

Esta definigco 6 boa, mas estA acima da compreensao dos
alunos : a palavra relagao 6 muito alta e traz uma id6ia dificil
de apanhar.
Se os alunos s6 decorassem essa definigio, teriam apenas
na memorial um conjunto de palavras, sem que isso constituisse
um conhecimento. Decorar nao 6 conhecer; decorar f6rmu-
las nao 6 ver as cousas.
26. Na liggo anterior mostramos, de modo material, que
as preposigSes ligam, e que o segundo element da ligacgo ha
de ser um substantive, ou um pronome que Ihe faga as vezes (1).
Por isso, no diagrama, elas nunca podem vir senao entire duas
palavras.
27. Agora falaremos das relag6es que elas expressam. Nao
vamos definir; vamos mostrar o fato.
Quando dizemos : somente liga as palavras casa e Pedro, mas indica que hA
entire elas a id6ia de posse. A casa 6 possuida por Pedro. E'
a relagao de posse.
Na expresso : 4copo de vidro ja a preposiggo de indica
uma relacgo muito diferente: a de qualidade do copo ou
material de que ele e feito.
28. As relagoes principals sao a de posse, qualidade,
material, tempo, lugar, modo, exclusao, fim, posigko, referencia,
companhia, etc., que facilmente os alunos poderio enxergar e
deverao enxergar por si s6s.
29. As principals preposicoes sao 19: a, de, ante, ap6s,
at, entire, para, corn, desde, em, sob, per, por, contra, sobre, sem,
trds, durante e perante.
.7 30. Por vezes duas ou mais palavras se encontram com
o valor de uma preposiggo : por sobre, para cor, etc.
Ex. : . tEle foi
mau para corn o mendigow.
(1) A preposiao junge, como se sabe, um infinite a outras palavras; mas nao se
deve perder de vista que o infinite 6 em sua natureza intima um substantive: O parte no-
minal do verbo. A preposicso pode tambem prender adverbios de lugar ou de tempo. Ex.:
- Foi ate Id e fica por hoje. Esses chamados adverbios sao af verdadeiros substantivos,
que as vezes chegam a fazer funcao de sujeito, como nesta sentenga: Aqul 6 frio -.
Aqui este lugar.





iUbes de portugues


31. A reunifo de duas ou mais palavras fazendo as vezes
de preposigdo, chama-se locuSgo prepositiva.
32. As locug6es prepositivas terminam sempre por pre-
posig6es e exprimem as mesmas relag6esj6 nossas conhecidas.
33. As principals sao : junto de, junto a, perto de, em redor
de, ao lado de, ao pe de, atrds de, em cima de, por baixo de, diante
de. Ha muitas outras que na leitura e analise encontraremos.

QUESTIONARIO
1 Quais sAo as principals relagses? (28)
2 Dizer as preposig5es. (29)
3 Como se chama a reuniao de palavras que equivale a uma
preposicio? (31)
4 Como terminam as locusges prepositivas? (32)
5 Dizer as principals delas. (33)



Damos em seguida um trecho de Ega de Queiroz, no qual
grifamos todas as preposigoes existentes, afim de que os alunos
descubram as relag5es indicadas.
A sua caverna de solitario era no alto de um monte, toda
de rocha avermelhada e nua, sem um tojo ou um musgo que
Ihe amaciasse a aspereza : e de certo outrora abrigara saltea-
dores sarracenos, porque a vasta laje que diante dela se exten-
dia, em eirado, estava cerrada e defendida por um muro de
pedras soltas, enegrecidas pelo fumo de labaredas, e cor seteiras
como as de uma cidadela. Rudes degraus, escavados na pe-
nedia, desciam tumultuosamente a um vale, onde um fio dagua
caindo de fraga em fraga, criara um horto de ervas silvestres,
tamargueiras, terebintos, tres altas palmeiras e mesmo uma
mimosa, que em cada primavera floria e perfumava o ermo.
Para alem, depois de grossos penhascos de p6rfiro, eram as
areas, as imensas areas arAbicas, ondulando atW ao Mar Ver-
melho, lisas, fulvas, como a pele de um ledo.





26 Otoniel Mota

Cada vez que a mimosa se cobria de cachos amarelos,
Onofre, com um ferro de langa encontrado no fundo da sua
caverna, entalhava na rocha um risco, como os que seu pai,
na sua tabera em Afrodite, sobre o Nilo, tragava no muro
para apontar os anos do vinho Mare6tico.
Todos os tres meses, um monje aparecia, montado no seu
dromedario, trazendo em ceir6es d'esparto esses pies de aveia,
duros e mais largos que rodas, que os abades dos mosteiros
distribuiam pelos Solitarios. Sem descer do dromedario, o
monje dava a Onofre o seu plo, bebia uma malga de agua
fresca, contava a nova consideravel dalgum edito imperial sobre
os cristaos, de um outro Cesar aclamado pelas (1) legi6es, ou
de uma heresia inesperada que afligia a Igreja e partia,
desaparecia entire as dunas, curvado sob o seu long capuz, ao
lento badalar dos guizos do seu dromedario. Por muitas luas
Onofre nao avistava outra face humana. E a sua vida re-
comegava sempre igual, como a agua do seu horto, que, cor
o mesmo rumor, escorria nas mesmas pedras.
(1) NOTA. As preposig6es de, per e por que pren-
dem uma frase aos participios passados, indicam quase sempre
a relagao de agent, pessoa ou cousa que faz alguma agao.
I,' o mesmo agent da voz passiva, ou complement de
causa eficiente, consoante nossos antigos gramaticos.



LICAO VI

35. Sabe-se que a palavra adverbio quer dizer junto do
verbo. E, de fato, essa 6 a funcio principal dos adverbios.
Ex. : ~Luiz partiu ontem, voltou hoje e tornara a partir breve-
mente., Vemos af que os tres adverbios estio modificando
tres verbos.
36. Mas o adverbio pode modificar tambem um adjetivo,
como neste exemplo: cCorre a1 um rio mais profundo,. 0
adverbio mais estA modificando o adjetivo profundo.
37. Por vezes o adverbio modifica outro adverbio : cPassa
aqui um rio muito mais profundo Neste exemplo o adverbio





Li6es de portugues


muito estd modificando o adverbio mais, que por seu turno
modifica, como vimos, o adjetivo profundo.
38. Signifiquemos isto, colocando em diagrama as duas
sentengas.

.a rio Corre 2. rio Passa



-^ -4




39. As vezes temos uma reunigo de palavras equivalent
a um adverbio: tanto faz dizer, por exemplo: Fez isto
ocultamente,, como dizer : Fezisto as ocultas,>. E' evidence.
A tais reunites de palavras dd-se o nome de locug5es
adverbiais.
NOTA. As locugses adverbiais quase sempre comegaram
por serem simplesfrases adverbiais que, por muito repetidas no
falar comum, acabaram formando um todo indivisivel ao espirito.
S6 corn a prAtica os alunos irdo distinguindo com seguranga
uma cousa da outra.

*40. Algumas das principals locug6es adverbials sao : de
lado, de parte, de molho, de manha, de tarde, de manso, de roda,
de pi, de carro; a pe, a cavalo, a direita, a esquerda, as claras,
as ocultas, as apalpadelas, as escuras, aos saltos, aos trancos,
aos pinotes, aos bofetoes, a press; pouco a pouco, manso e
manso, p6 ante pi, de gatinhas, etc.
41. Em diagrama as locug6es adverbiais, assim como as
locug6es prepositivas, sao colocadas em uma linha apenas, por
maior que seja o n6mero de palavras que as componham.
Seja a sentenga : pfblica, vivia as ocultas em redor de Sao Paulo.






28 Otoniel Mota

Ai temos a locuggo adverbial as ocultas e a locuggo pre-
positiva em redor de.
Coloquemos em diagrama:

criminoso vivia



oio \ S. Paulo

opiniao




42. Observem ainda a colocaggo da frase pela opiniao
ptblica. Vem ela modificando o adjetivo condenado. E', pois,
uma frase adverbial; porque, se o adverbio 6 que modifica
o adjetivo (n. 36), claro esti que a frase que exerce semelhante
fungo 6 adverbial.
43. Os adjetivos, na forma masculina singular, fazem fre-
quentemente o papel de adverbios : Compramos caro>, demos baratof, .
44. As vezes, mesmo na forma plural masculina ou femi-
nina, eles exercem essa fungao. N6s o veremos depois.

QUESTIONARIO
1 Que fazem os adverbios? (35, 36, 37)
2 Como se chamam as reunites de palavras que equivalem a
adverbios ?
3 Como devem ser colocadas em diagrama? (41)
4 Como se deve classificar a frase per a opiniao ptiblica? (42)
5 Que forma assume o adjetivo para fazer a funsgo de adverbio?
(43)






Lic6es de portugues


LICAO VII

45. JA ficou dito que as preposicges ligam duas palavras
e indicam uma relaggo.
Vamos agora ver outra parte da sentenga que tambem
pode ligar duas palavras entire si: 6 a conjuncgo. Quando
dizemos : , esti claro que a con-
jung5o e esta ligando os dois adjetivos alto, magro.
46. Onde esta, pois, a[diferenga entire a preposicgo e a
conjung5o? Esti em que a conjuncgo nao tern por fim in-
dicar nenhuma das relag6es que jd nos s5o conhecidas : apro-
xima, apenas, uma palavra de outra.
47. Alem disso a conjungao liga elements homogeneos:
adjetivo cor adjetivo, adverbio com adverbio, etc., ao pass
que a preposicgo pode prender um substantive a um verbo
ou a um adjetivo.
48. E assim como ligou dois adjetivos, no exemplo acima,
poderia ligar duas frases adjetivas. Ex.: O meu cavalo de
trole e de sela foi vendido. As duas frases : de trole, de sela
estao ligadas pela conjuncgo e.
49. O diagrama torna claro o que acabamos de dizer.
Seja a sentenga : brancas e de orelhas bem aparadas, passou mui velozmente
com um coelho na boca,.

cao passoU.
e *e-" orelhas b c
\coelho
\ \ \ boca



50. Ai se ve a conjungao e ligando o adjetivo < ao
adjetivo dlanudo, e a frase adjetiva de maos brancas & outra
de orelhas bem aparadas.






30 Otoniel Mota

51. Por em diagram as seguintes sentences:
a) 0 ar macio e ermo cheirava a rosas de vergel e
a flor de laranjeira.
b) Nas ruas tortuosas e sombrias da cidade reinou
naquela noite um silencio de conspiracao e de
morte.


LICAO VIII

52. Analisar as seguintes sentengas, em que vao grifadas
as locugoes adverbiais e prepositivas :
1. Arde a terra abrasada debaixo da candente ab6bada
de um forno.
2. Por vezes uma faisca dura saltava das ferraduras
das eguas.
3. Em cima do monte Nebo (1) um belo astro mais
branco, de uma refulgencia divina, olhava para
mim.
4. Penetramos entire arvoredos, num aroma de po-
mares, atraves de abundancia e frescura.
NOTAS. 1.6) Na sentenga n.o 4 o sujeito esta oculto.
E' necessario p6-lo claro. No diagrama, este sujeito, bem como
qualquei outro sujeito oculto, deve vir entire parentese. 2.&) Ob-
servem a expressao atraves de. Escritores que nao amam a
nossa lingua ou que a nao conhecem, costumam suprimir a
preposigdo de e escrevem : atraves os pomares, em vez de atraves
dos pomares. E' feio erro, uma grosseira imitaglo do frances.
3.a) Depois da conjuncAo e est& oculta alguma expressao que
e precise tambem por clara no diagrama, sem o que as cousas
nao ficam como devem ser. 0 que ?

QUESTIONARIO
1 Como devem vir em diagrama os sujeitos ocultos? notaa 1)
2 Que fazem os maus escritores corn a nossa expresso atravis
de? notaa 2)

(1) A expressSo monte Nebo deve ser colocada como uma s6 palavra no diagrama.
Logo dir-se-d porque.






Li5es de portugu~s


LICAO IX
53. Ja tivemos oportunidade de ver na ligo V que a frase
pela opiniao pdblica estA modificando o adjetivo condenado.
Acontece, porem, As vezes, que um adjetivo vem modificado
por mais de uma frase. Assim, poderiamos dizer : 0O crimi-
noso, perseguido pela opiniao p6blica e pela policia, vivia As
ocultas em redor de Sao Paulo,.
Damos abaixo um modelo para os diagramas em que
entrem sentengas como essa.







17
8
9

Na linha n. 1 vai o sujeito gramatical; na de n. 11 o
predicado gramatical; na de n. 3 o adjetivo modificado; nas
linhas ns. 4, 5 e 6, as preposic6es que funcionam nas diferentes
frases; nas de ns. 7, 8 e 9 os substantivos ligados por essas
preposigoes; nas pequenas linhas pontuadas (10) as conjun-
c6es que ligarem as diversas frases.
54. Coloque o aluno em diagrama, conform o modelo e
as indicag6es acima, a sentenga : cO criminoso, etc.,.
E mais as seguintes :
1. Um barco de vela, cheio de fardos e de gente, deslisava
pelo rio apertado entire pared5es e sombreado pela mata.
2. Nos campos adormecidos e nas arvores quietas nao
vibrava um cAntico de ave naquela hora de calma e
de desconsolo.






32 Otoniel Mota

3. Ao long, entire bosques de laranjeiras prateadas de
suas flores, alvejam, aqui e acold, as ermidinhas ergui-
das pela piedade dos fiMis nos visos dos outeiros ilumi,
nados pelo sol.
55. Quando a preposigco que aparece na primeira frase
6 a mesma que aparece na segunda, pode-se usar outro modelo
em que a preposicgo se escreva uma inica vez.
Seja a sentena : cNa parede estava um quadro com
lindos efeitos de luz e de sombra,.
A formula para o diagrama pode ser esta:

quadro I_ estava

\ efeitos parede
luz

sombra

Esta forma 6 quase sempre preferivel, como a experiencia
provari.



LICAO X

56. A licgo anterior preparou ja os espiritos para um ex-
celente exercicio mental de que agora nos vamos ocupar.
Referimo-nos a supressio de.preposig6es na sentenga. Ela e
muitissimo comum e muitissimo elegant. Assim, em vez de
cquadro corn lindos efeitos de luz e de sombra,, poder-se-ia
dizer : < -se a preposiclo de na segunda frase.
57. Nas sentengas que vamos dar a analisar, o aluno terA
de por claras, entire parenteses e no lugar proprio, as preposi-
gaes ocultas. Eis o excelente exercicio de que falamos acima:





Lig6es de portugues 33

1. Uma mulher, exhaust de l6grimas, jazia em uma pedra,
com a cabega caida nos joelhos e os esplendidos cabelos
louros desmanchados, alastrados atW o chlo.
2. Com os filhos pela mao, o cAntaro esguio ao ombro,
uma fila de mulheres descia, cantando, para a fonte
de Silo6.
NOTA. Na expresso descia cantando podemos consi-
derar o verbo descia como auxiliar do verbo cantando. E, assim,
os dois verbos sao encarados como um s6 e vem juntos, na
mesma linha, no diagrama.

3. O home de cabelos brancos e.sacola As costas ia
assobiando, numa complete indiferenga, atrav6s das
ruas e pragas movimentadas.

58. Modelo. A multidao de homes e mulheres de-
lirava de alegria e entusiasmo pela vitoria alcangada>.

multidao delirava
S.................... ...... ...
homes mulheres \ alegria entusiasmo


Outra forma:

multidao
lhomens victoria

e
\ muUllirea

NOTA. A frase pela vitoria alcancada modifica ao mesmo
tempo os dois substantivos alegria e entusiasmo. Veja-se como
isso estA representado no diagrama.






34 Otoniel Mota


LICAO XI
59. Se 6 adverbio, como vimos, modifica um adjetivo e
um outro adverbio, j nos dita o bom senso que deve tambem
modificar uma frase adjetiva ou uma frase adverbial. E assim
6, de fato.
60. Mas, quando tal sucede, o adverbio nao se prende a
uma palavra em particular : governa uma expressao toda. E'
o que se v6 na sentenga : cO veado saltou no campojustamente
na hora da trovoada 0 adverbio justamente nao se prende a
uma palavra:em separado : modifica toda a expresso na
hora da trovoada: justamente na hora da trovoada.
Eis a sua colocagdo no diagram:
veado saltou
0 campo hora
\0 \\ trovoada


NorA. Muitos alunos sio levados a fazer uma frase
modificar um adverbio, o que s6 rarissimamente acontece.
Fiquem, pois, avisados e tratem de verificar o diagrama em
que tal colocagio aparecer. Adverbio modifica frase, mas
PRASE MUI RARAMENTE MODIFICA ADVERBIO.
61. Analisar as seguintes sentengas:
1. Os press, muito sem agasalho, dormiam de modo
miseravel, comumente pelas enxovias infetas.
2. Sobre a bandeja de prata, bordada de flores em
relevo, avultava um alto e antiquissimo copo tam-
bem de fina prata.
3. Ficara o seu precioso relogio de ouro talvez sobre
a mesa do escritorio.

QUESTIONARIO
1 Alem de modificar um verbo, um adjetivo ou outro adverbio,
que mais faz o adverbio? (59)
2 A que palavra se prende entio? (60)






LiU6es de portugues


LICAO XII

62. Os alunos ja devem ter observado que numa sentenga
ora o sujeito vem antes do predicado, ora o predicado antes do
sujeito. Ex.: KUm 6timo pintassilgo cantava na palmeira,.
63. Quando o sujeito vem antes do predicado, a sentenga
esta na ordem direta; quando o predicado vem antes do
sujeito, ela esta na ordem inversa.

64. Uma sentenga em que se afirma alguma cousa de um
modo natural, como, por exemplo : 0 sol brilha chama-se
declarativa; aquela em que se faz uma exclamacgo, cono :
em que se interroga, como em: KBrilhard hoje o sol?, 6
chamada interrogativa.
65. Qualquer sentenga seja declarativa, exclamativa ou
interrogativa analisa-se do mesmo modo.
NOTA. A velha teoria de que para se analisar uma
sentenga interrogativa 6 necessario subentender uma expresso
oculta, principal, 6 uma desnecessidade que s6 serve para com-
plicar o que e simples. Assim n6s o reputamos, pelo menos,
cor os gramaticos ingleses e americanos.

66. Quando em uma sentenga se omite um dos elements,
diz-se que houve elipse desse element. Pode haver elipse do
sujeito, do verbo, etc.
NOTA. Elipse vem de uma palavra grega que significa
Somissao, supressao.

67. Dizer a ordem em que v8m as sentengas abaixo:
1. Margarida vai a fonte. 2. Brotam lirios pelo monte.
3. Seus olhos verdes, risonhos, nunca pousam em ninguem.
4. Ria a clara manhd no ceu sereno. 5. As nuvens correm acoi-
tadas pelo vento. 6. Na desert amplidao dos campos lumi-
nosos, mugem sinistramente os grandes bois sequiosos.






36 Otoniel Mota

QUESTIONARIO

1 Que & a ordem direta? (63)
2 A inversa? (idem)
3 As sentengas podem ser... (64)
4 Como se analisam? (65)
5 Que 6 elipse?



LICAO XIII

68. Analisar as sentengas abaixo:
1. Pelas gretas maljuntas das frestas do andar terreo luzia
o clarAo de um grande braseiro, talvez aceso na cozinha.
2. Em redor, entire canteiros de rosas, orlados de mirto,
resplandeciam nobres vasos de mArmore carintico.
3. Junto a estrada, corn uma piedade osteptosa, caiada de
fresco, reluzia ao sol, entire roseiras, a sepultura do-
m6stica.
4. Por entire a multidgo, em rixas, soldados romanos ron-
davam aos pares corn um ramo de oliveira no capacete,
benignos e paternais.
NOTA. Os adjetivos benignos e paternais podem vir
colocados diretamente debaixo do substantive soldados,, ou
debaixo do verbo, em funCao adverbial. Veja-se o n.0 44.

5. Em torno, mogos robustos, cor as faces infladas e
rubras, sopravam para o c6u furiosamente em trompas
recurvas de bronze.
6. O animal, acossado pelos cges, passou bem perto dos
cagadores estendidos sobre'folhas secas e debaixo das
Arvores frondosas.
7. Apareciam vestigios do crime justamente no lugar dos
passeios feitos por Henrique nas belas tardes de abril.
8. A casa de Gamaliel ficava num alto, decerto por trAs
do temple, sobre a colina de Ofel.






Liq6es de portugu6s


9. No azul da janela uma abelha cor de ouro zumbia em
torno da flor de madressilva.
NOTA. HA aquf uma preposigio oculta. Cuidado I



LICAO XIV

69. Numa oracgo que recitamos, num discurso, numa
carta, ha sempre uma ou mais pessoas, um ou mais series a
quem nos dirigimos. Ex.: cPai nosso que estas no ciu, santi-
ficado seja o teu nome >. Sr. president, pego a palavra Meu
caro Andre, escrevo-te a press .
70. As palavras de que nos servimos, falando ou escre-
vendo, para invocar as series, denominam-se vocativos.
NOTA. Vocativus 6 um adjetivo que significa em latim -
aquilo que serve para chamar. Daf veio a nossa palavra vocativo.
Sfo seus irmlos os nossos verbos invocar, evocar, convocar, etc.
71. O vocativo e a interjeigao sgo elements que nAo
se subordinam a 16gica. Portanto, para analisarmos uma sen-
tenga em que entire um ou outro, ou ainda ambos ao mesmo
tempo, temos de separd-los dos verdadeiros elements da sen-
tenga.
Seja, por exemplo, a sentenga : Ai filho querido, sinto
deveras !I
O diagrama ser :
MAi!
filho

(eu) sin to pio





A sentenga, na realidade, e apenas: (eu) sinto deveras.






Otoniel Mota


72. Os vocativos vtm sempre separados por virgulas.
Vejam os alunos a virgulago que empregamos nas tr&s
sentengas do n. 69. Observem, ainda, estes exemplos :
SAssim como o cervo suspira pelas fontes das aguas, assim
a minha alma suspira por ti, 6 Deusl, (Padre A. Pereira).
SSenhor Deus meu, tu tens feito muitas cousas maravilho-
sas,. (IDEM).
SSenhor, nao me repreendas no teu furor nem me castigues
na tua ira,. (IDEM).
(CAM)ES).
73. Por em diagrama:
Resplandece, belo sol do meu Brasil, por sobre as matas
e os campos I
NOTA. Nesta sentenga ha eclipse de um element. Ver o n.0 66.

QUESTIONARIO
1 Que 6 um vocativo? (70)
2 Como se coloca em diagrama? (71)
3 Qual 6 a sua pontuagao? (72)



LICAO XV

74. As vezes explicamos um substantive por meio de
outro. Ex. : D. Pedro, imperador do Brasil, era um espirito
licido .
O substantive imperador esta explicando quem & o D.
Pedro de quem se fala: nao 6 um conde ou um duque, mas
o imperador.
75. Ao substantive que explica outro substantive (ou um
pronome) dd-se o nome de substantive aposto.
NoTA. A palavra aposto quer dizer : colocado junto.






Lig6es de portuguds


76. Como hd uma certa semelhanca entire os substantivos
apostos e os vocativos, 6 frequent, entire alunos principiantes,
confundi-los. E' facil, porem, evitar isso, observando que o
vocativo invoca ou chama um ser qualquer, ao pass que o
aposto nao invoca.
77. Relendo a sentensa que demos no n.0 74, vera o
alUno que o aposto tambem vem separado por virgulas.
78. Eis como se coloca em diagrama o substantive aposto.
Seja a sentenga : 0 Rio, a mais bela bafa do mundo,
resplandecia naquela doce manhl,..

Rio resplandecia

i manhA
bafa \o


S mundo



NOTA. Nas expresses a ilha Maraj6, o Dr. Eusebio,
o rio Amazonas os nomes proprios, estritamente falando, sio
apostos: Maraj6 k aposto explicativo de ilha. Mas a aposigio
k tao fraca, os dois substantivos jA se fundiram por tal forma,
que o melhor 6 considerA-los pum todo, como uma (nica ex-
pressgo, e assim os colocar em diagrama: isto um ao lado
do outro. O mesmo acontece com a expressAo: a cidade de
Lisboa. Os clAssicos primitives diziam tambem: a cidade
Lisboa. A expressao de Lisboa, contudo, 6 apositiva e explica-
se facilmente, se atendermos a que na passage do latim po-
pular para o portuguts o aposto era expresso pelo caso genitivo.
A preposiglo de 6 um vestigio disso.

Sentengas a analisar:
1. O' Rei, tu brilhards ainda por muitos anos nesse teu
trono, garantia dos fracos.
2. 0 Amazonas, o maior rio do mundo, corre em territorio
peruano e brasileiro.






40 Otoniel Mota

3. O caminho da cidade passava pela enorme ponte de
metal, admiravel construggo, e por cima da colina
fronteira ao edificio do colegio.
4. O batel da vida humana, minha querida filha, deslisa
por entire escolhos ameagadores, semeados As ocultas
debaixo das aguas revoltas.
5. Cesar,.o c6lebre general romano, morreu As mdos de
.Bruto, ardente republican, no corag~o de Roma, a
cidade eterna.

QUESTIONARIO
1 Que 6 um substantive aposto? (75)
2 Como se distingue do vocativo? (76)
3 Como se pontua? (77)



LICAO XVI

79. Antes de avangarmos, a experiencia nos manda fazer
algumas observances tendentes a evitar certos enganos em que
frequetemente caem os alunos principiantes.
80. Comegaremos pelo participio passado.
Uma grande parte dos alunos, mesmo depois de avisados
pelo mestre, colocam o participio passado como predicado gra-
matical, isto 6, como verbo.
Este engano 6 mais que natural. O aluno tem de encontrar
um verbo na sentenga. Topa com o participio passado. Ora,
o participio passado nao 6 verbo? Certamente que 6. Logo,
ai estd o verbo pedido.
81. Mas realmente nao 6 assim. O participio, na sua
natureza intima, 6 mais adjetivo do que verbo. E' chamado
mesmo adjective verbal. E aqui, no 1.0 ano deste Ginasio,
consoante a orientaggo do lente, todas as vezes que na sen-
tenga dada A classes aparecer um participio passado, saibam os
alunos que esse participio estA na fungio de adjetivo e, por-
tanto, deve vir debaixo de um substantive no diagrama.






Liq6es de portugues 41,

82. S6 raramente 6 que o participio se apresenta como
verbo; mas isso os alunos poderdo ver apenas do 2.0 ano em
diante.
83. Outra observaggo 6 com referencia ao a acentuado (a).
Como jA devem saber, esse a 6 contragdo de dois : a + a.
O primeiro 6 preposiao : logo, ha de aparecer no diagram
ligand duas palavras. O segundo 6 adjetivo determinativo arti-
cular; logo, hA de aparecer debaixo de um substantive no
diagram. No diagrama, por conseguinte, o a acentuado des-
dobra-se em dois.
84. EstA claro que esse segundo a, sendo adjetivo femi-
nino, ter de vir modificando um substantive feminine, corn
o qual ele concorda em genero.
85. Daf tambem se conclue que s6 se pode acentuar um
a antes de uma palavra feminine.
86. Donde, em outros terms, esta regra: Nunca se
acentua o a antes de substantivos masculinos,.
87. E' erro, portanto, escrever : Iremos I Sgo Paulo,.
NOTAS. I.s) O infinite de qualquer verbo equivale a
um substantive masculine, e, portanto, nao pode ter a acentu-
ado antes de si. 2.&) Nas expresses as claras, as tontas,
etc., esti oculto um substantive : as claras equivale, por exem-
plo, a a as (horas) claras ou em as (horas) claras.
88. Disso, porem, n9o se pode concluir que se deva acen-
tuar sempre o a antes de palavras femininas. Muitas e muitas
vezes o a antes de palavras femininas 6 apenas a preposigco.
Por exemplo, nesta sentenga: Fomos a uma cidade
do interior,.
Esse a 6 s6 a preposicgo ; pelo que, nio pode ser acentuado.
Que o adjetivo articular definido a nao estA ai para con-
trair-se com a preposicgo, va-se facilmente pela presenga do
articular indefinido uma. 0 definido e o indefinido nao podem
achar-se na mesma sentenga, modicando a mesma palavra.
Ou um ou outro.
NOTA. O artigo definido tambem nao se emprega junto
cor os demonstrativos este, esse, etc.; portanto nao se craseia
o a antes desses adjetivos.
89. A contragio de duas vogais iguais chama-se erase.






42 Otoniel Mota


QUESTIONARIO
1 Como funciona o participio passado? (82)
2 --Que represent o a acentuado? (84)
3 Como se coloca no diagram? (idem)
4 Dar a regra do n.0 86.
5 Deve acentuar-se sempre o a antes de palavras femininas ? (88).
6 Que nome se dd a contragdo de duas vogais? (89)

90. Os alunos acentuargo ou deixargo de acentuar o a
no trecho abaixo : 'Os rios a essa hora andavam cheios e teme-
rosos. De um a outro lado a correnteza rolava furiosamente,
a arrastar grossos toros de madeira. Era necessario, entre-
tanto, irmos a cidade, custasse o que custasse. Tinhamos de
atravessar a nado, um a um, aquela massa de agua revolta,
e isto as nove horas da noite, as escuras. Alguns passaram a
cavalo, agarrados a crina; a estes o perigo era menor. Feliz-
mente chegamos sdos, mas a pingar.
NOTA. Exercicios como este devem ser muito repetidos.




SENTENCES SELETAS

Somos de parecer que os alunos devem exercitar-se o mais
possivel, depois de terem chegado a este ponto, afim de que
o caminho, para diante, nao Ihes oferega a minima dificuldade.
Pelo que, apresentamos aqui uma lista de sentengas colhi-
das nos mais brilhantes escritores, especialmente em Ega de
Queiroz.
1. Ele dorme numa capa esfarrapada, com a nuca sobre
um tambor, A frescura das estrelas e sob a bondade dos luares.
2. Junto a muralha de Bezeta, grandes panos vermelhos
e azues secavam em cordas, as portas das tinturarias.
3. Com ele vinha um home nedio e risonho, de face
cor de papoula, coroado por uma enorme mitra de l negra
enfeitada de fios de coral.






Lig6es de portugues


4. Num cario livido e chupado os seus olhos funds
luziam com a tristeza de lAmpadas de sepulcro.
5. Os cordeiros, deitados nas lages, amarrados pelas patas,
balavam tristemente.
6. Um brilho de neve e ouro vibrava profusamente no ar
mole, irradiado dos claros mirmores, dos granitos brunidos, dos
recamos preciosos banhados pelo divino sol de Nizan.
NOTA. Nizan era o mes de abril entire os hebreus.

7. Nos seus refulgentes olhos umedecidos, no fugitive
tremor de seus labios, s6. transpareceu nesse instant uma
magoa misericordiosa pela opaca inconciencia dos homes.
8. Saimos a um terreiro abrigado pelo muro de um jardim
todo plantado de ciprestes.
NOTA. Todo aqui e adverbio.

9. No rosto magro, requeimado, sob sobrancelhas densas,
unidas num s6 traso, negrejava com uma profundidade infinita
o resplendor de seus olhos.
10. Para alem, por cima dos turbantes alvos, apinhados,
brilhavam pontas de langa.
11. No terrago de uma casa, ao pe das muralhas, uma
figure imovel, abrigada sob um alto guarda-sol franjado de
guizos, olhava para esses longes da Arabia.
12. Sobre uma tripega, incrustada de n6car, num. incen-
sador de bronze, fumegava uma resina aromatica.
13. A sombra das oliveiras os camelos descarregados
ruminavam placidamente.
14. As folhas dos ramos de abril desabrochavam num
azul mogo, tenro, cheio de esperanga.
15. Nas quebradas e recosto das colinas estdo resplan-
decendo ao sol ja meio tropical, as casinhas brancas esparzidas
entire a densa ramada dos hortos e .vergeis.
16. Ao long, entire bosques de laranjeiras prateadas de
suas flores, alvejam, aqui e acolA, as ermidinhas erguidas pela
piedade dos fi6is nos visos dos outeiros iluminados pelo sol.






44 Otoniel Mota

17. 0 agreste dos serros eminentes contrast com a bran-
dura melanc61ica da solidio.
18. O campo de Jeric6, cor tr&s leguas de extenso e duas
e meia de largo, corre pouco distance de Asperas montanhas.
NOTA. Os adjetivos extenso e largo equivalem aos sub-
stantivos extensdo e largura: sdo, pois, aqui, verdadeiros
substantivos.
19. Pelas aleias flexuosas do enorme jardim perpassa o
pequeno tilburi levado a galope pelas tr&s ou quatro parelhas
de ponneys da ilha de Timor, estugados a chicote por um
malaio nu, com o seu largo chapeu em tortulho, de listas de
escarlate e ouro.
NOTA. Chamamos a atengao especial dos alunos para
a riqueza do vocabulario contido nestas sentencas; riqueza
esta que nao deve ser malbaratada.



LICAO XVII

91. Luiz recebeu do seu irmro o seguinte telegrama : -
Papai chegou Nada mais curto, mas tambem nada mais
claro. Esse telegrama 6 uma sentenCa acabada, um sentido
perfeito. Mas 6 porque a afirmacgo feita pelo verbo chegou 6
complete : satisfaz inteiramente ao nosso espirito.
Os verbos cuja afirmaggo por si s6 satisfaz cabalmente
ao espirito chamam-se verbos de predicagao complete.
92. Imaginemos agora um outro telegram dirigido a
Alberto : . E' claro que Alberto, recebido
esse telegrama, vai reclamar do tel6grafo; porque evidente-
mente suprimiram ai alguma cousa. Comprou o que?
E' que a afirmagdo feita pelo verbo comprou 6 incomplete.
Mas se o telegrama for este : ,Teu mano comprou uma
fazenda >, ja nao ha sentido suspense : a palavra fazenda corn-
pletou a afirmagco.
93. Os verbos que necessitam de alguma palavra para
que seja complete a sua afirmagco chamam-se verbos de
predicacao incomplete.





Liq6es de portuguis 45

94. As palavras que completam a afirmag~o feita pelo
verbo denominam-se. complementos.
NOTA. Quando um verbo, pois, deixa o nosso espirito
a perguntar co que?, 6 verbo de predicago incomplete;
e a palavra que-acode a essa pergunta 6 o complement.

95. Dirijam os alunos a pergunta co que ?> aos verbos
abaixo e depois os classifiquem entire verbos de predicagao
complete e verbos de predicageo incomplete.

96.- 1. O rio corre... 2. O cdo ladra... 3. O gato mia...
4. O gaviAo devorou... 5. O papagaio'estd... 6. O elefante
6... 7. O carneiro tern... 8. Os cavalos comem... 9. As
maes amam... 10. A casa parece... 11. O dia ficou...
12. O trem apitou... 13. 0 ar tremia....

QUESTIONARIO
1 Que 6 um verbo de predicago complete? (91)
2 Que 6 um verbo de predicaggo incomplete? (93)
3 Como se chamam as palavras que completam a afirmagao
feita pelo verbo? (94)
4 Como se conhecem os verbos de predicagao incomplete? notaa)





LICAO XVIII

97. Tomemos agora dois verbos de predicagao incomplete:
o verbo ser e procurar.
98. Formemos a sentena : . Laura 6E...
o que? Boa. Eis ai : boa 6 o complement do verbo e. Mas
6 facil de ver que esse complement 6 uma simples qualidade
do sujeito Laura. Tanto 6 assim que podemos colocd-lo como
mero modificador do sujeito, dizendo: amiga ,.






46 Otoniel Mota

99. Quando o complement 6 qualidade do sujeito, da-
-selhe o nome de complement atributo.
NOTA. A palavra atributo nro quer dizer nada mais
do que qualidade.

100. Aos verbos que pedem tais complementos chama-
remos atributivos.
NOTA. Costumam chamar-lhes: predicativos ou
verbos de ligaEio.

101. Formemos agora uma outra sentenga : KLaura pro-
cura o seu livro,. Procura o que? Livro. Eis ai o comple-
mento. Mas desta vez o complement nio. 6 qualidade do
sujeito : livro nio 6 qualidade de Laura.

102. 0 complement que nao e qualidade do sujeito de-
nomina-se complement objeto.

103. Aos verbos que pedem objeto chamaremos verbos
objetivos.
NOTAS. 1.*) Os nossos gramiticos chamam a esses
verbos: verbos transitivos,, porque dizem eles in-
dicam em geral uma agco que se dirige para um ponto, que
transit para um objeto. A ag o de procurar, feita por Laura,
dirige-se para o objeto livro. E assim se explica tambem por
que o complement de tais verbos recebeu o nome de objeto
do verbo; e, por assim dizer, o ponto terminal da agao. -
2.1) Aos verbos de predicagio complete e aos de predicasgo
incomplete atributivos dao os gramaticos o nome de intransitivos

104. Ponhamos em diagrama as duas sentengas:

Laura 4 \ boa Laura procura I livro


105. Observe que colocamos os complementos imedia-
tamente ap6s os verbos; mas o complement atributo vem
separado por um tracinho obliquo apontando para o sujeito.
0 complement objeto, porem, vem separado por um tracinho
em p6.






Lic6es de portuguis


NOTA. Esses tragos sao uma linguagem. A razvo de
vir o trago do atributo apontando para a esquerda 6 indicar
que a qualidade volta para o substantive sujeito. Outra colo-
cagdo desvirtuaria esta linguagem.
106. Chamamos agora a ateng~o especial dos alunos para
o seguinte: os verbos atributivos sao apenas cinco : ser,
estar, parecer, ficar, permanecer; os verbos objetivos sao
inumeros.
NOTAS. 1..) Nem sempre os verbos ser, estar, etc.
pedem um atributo. 2.4) O atributo pode ser expresso por
uma frase. Assim: O cafe estA sem acucar,. ,Sem acucar 6
o mesmo que desacucarado.
107. Colocar em diagrama, observando cuidadosamente
o que ficou dito nos numerous 94 (e nota), 95 e 105 :
1. Naquela hora tao agradavel de passeio, o mar, coalhado
de navios, era sereno.
2. Pelos campos abertos, sem o menor sinal de vida, o
ar estava parade.
3. O animal, horrivelmente maltratado, trazia no dorso
uma chaga sangrenta.
4. O c5o de caga, estendido ao patamar, parecia muito
doente.
5. A mae do menino, aflita com a demora, punha na
estrada os seus doces olhos umedecidos.
6. Com aquele curative, feito por maos tao delicadas, o
poldro ficou inteiramente quieto.

QUESTIONARIO
1 Qual t o complement atributo? (99)
2- Como se chamam os verbos que pedem atributo? (100) Como
costumam chamar-lhes? notaa)
3 Que e o complement objeto? (102)
4 Como se chamam os verbos que pedem objeto? (103)
5 Que nome dao os gramaticos a tais verbos? (ver a nota)
6 Onde se colocam os complementos no diagrama? (105)
7 Como se distingue no diagrama o complement atributo do
complement objeto? (105)
8 Quantos sao os verbos atributivos? Os objetivos? (106)





48 Otoniel Mota


LICAO XIX

108. O complement atributo quase sempre & expresso
por um adjetivo. Ex.: .
- As vezes, pqrem, pode ser expresso por um substantive ou
pronome. Ex.: um excelente porto,. Eu nao sou ele>.
109. O complemento objeto s6 pode ser expresso por um
substantive ou pronome : nunca por adjetivo.
NOTA. Por desconhecerem isto ou por nio quererem
guardar de memorial esta observagao, caem os alunos frequente-
mente em erros que fapilmente se poderiam evitar.
110. Os casos da primeira pessoa que serve de objeto
sao : me e nos; os da 2.8 te e vos.
Os casos pronominais da 3.a pessoa que serve de objeto
sao o, a, os, as, e se. Ex. : Ontem fui procurA-lo>, feriu-se>.
111. Os casos retos eu, tu, ele, n6s, v6s, eles serve de
sujeito ou de atributo. Ex. : c Eu noo sou ele >. No servem,
porem, de objeto. E' feio erro, pois, dizer : ( curei ele>.
As formas Ihe, Ihes, igualmente nao podem servir de
objeto. E', portanto, muito errada a expresslo, que alias se
ouve e se 1 frequentemente : ,Ontem fui procurar-lhe'.
112. As formas Ihe e Ihes equivalem as expresses a ele,
a eles, para ele, para eles, e funcionam como frases adverbials,
modificando os verbos. No diagrama, por conseguinte, elas
nao aparecem em cima da linha, mas debaixo do verbo.
113. Eis aqui tres models de diagram :

(Eu) procurei lo Ricardo I feriu I se Igu) levei I livro



Na terceira formula Ihe 6 igual a a ele ou para ele. Substi-
tuam-no os alunos no diagrama por essas expresses.






Liq6es de portugues 49

114. Tambem as formas me (= a mim), te (=a ti), se
(= a si), nos (= a n6s), vos (= a v6s), slo colocadas como o
foi the na 3.a f6rmiula dos diagramas acima : um livro .
115. As vezes as formas me, te, lhe, nos, vos equivalem
aos adjetivos possessivos meu, teu, seu, nosso, vosso, e como tais
devem ser tratadas. Ex. : Feri-lhe a cabega; 6 o mesmo
que eferi a sua cabega>.
116. Todas as formas pronominais que nio servem de
sujeito sao chamadas obliquas.
117. Substituir as reticencias abaixo pelo pronome o ou
lhe, conform o caso, e colocar as sentengas em diagrama.
1. Amigo, amanhi irei visitar... 2. Quero contar...
uma historic. 3. Saudo... com todo o respeito. 4. Envio...
muitas saudades. 5. Oferego... os meus'pr6stimos. 6. Consi-
dero... muito. 7. Rogo... mil perd6es. 8. Desafio... para
um duelo. 9. Feri... na face. 10. Dei... uma ligo.
NOTA. Irdi visitar, qudro contar, sao locuWoes verbais e
v0o colocadas em diagrama como se cada uma delas fosse um
s6 verbo.

QUESTIONARIO
1 Como pode ser expresso o complement atributo? (108)
2 Como pode ser expresso o complement objeto? (109)
3 Qual 6 o erro em que caem muitos alunos? (109 e nota)
4 Quais sio as formas pronominais da 3.a pessoa que podem
servir de objeto? (110)
5 Quais as que nfo podem? (111 e 112)
6 A que equivalem as forms Ihe e Ihes? (112)
7 Onde v6m elas no diagrama? (idem)
8 E' correta a expresso : 9 Como se deve dizer? (110)
10 Como se colocam em diagrama as formas me (= a mim), te
(= a ti), etc.? (114)
11 Que diz o nlo 115? 0 n.o 116?






50 Otoniel Mota


LICAO XX

118. Ja vimos que 6 grave erro usar das formas ele, ela
como objeto, dizendo : Vi ele,, cPedi ela>. Diz-se cvi-o,,
usarse as formas a ele, a ela: Nesse caso, a ele e a ela sio verdadeiros objetos, e no dia-
grama vem em cima da linha, como as formas o e a.
119. A preposiggo a em tais construcges de nada vale:
6 como se nao existisse.
120. Eis o diagrama:
(Eu) I pedf [ a ela (==a)

121. Por vezes As formas pronominais me, te, se, o, a, etc.,
servindo de objeto, se acrescentam ainda as formas a mim,
a ti, a ele, etc. Ex. : Ofendeu-me a mim,. Essas segundas formas sio pleondsticas e, portanto, nao
se analisam.
No diagram elas ficarlo de fora.
NOTA. Pleondstico vem de pleonasmo, que quer dizer -
repeticao de uma idiia, uso de palavras que podem ser suprimidas
porque sobejam.
Estas formas pleonAsticas is vezes sio usadas com um
substantive. Ex.: 122. Quando o objeto e PESSOA, tambem pode vir com a
preposig~o a. Assim, tanto faz dizer: Amo Antonio, como
dizer : . Nesta sentenga igualmente a prepo-
siggo 6 um simples expletive.
NoTAs. 1.*) DA-se o nome de expletive a certas particular
que slo usadas sem um valor apreciavel, As vezes como mero
recurso para impedir confusao, como sucede no caso acima.
HA um exemplo clAssico de confusAo de sentido que teria sido
evitada se o escritor tivesse langado mao desse a expletive.
Ei-lo: ou o rei que ama ao povo? 2.*) As vezes, mesmo quando o
objeto e cousa, nao pessoa, emprega-se corn o a expletive para
impedir obscuridade de sentido. N6s veremos isto quando
comentarmos os autores.






Liq5es de portugu~s


Diagrama da sentenga supra :
(Eu) amo I (a) Antonio


QUESTIONARIO
1 Podem usar-se as formas a ele, a ela como objeto? (118)
2 Como se colocam no diagrama? (118)
3 Qual e o valor da preposigAo a em tais casos? (119)
4 Como se empregam as vezes as formas a mim, a ele, etc.? (121)
5 Que 6 pleonasmo? notaa)
6 Em que outro caso se usa a preposigao a com o objeto? (122)
7 Que 6 um expletive? notaa 1)
8 Que diz a nota 2



LICAO XXI

123. Os alunos jA estao habituados a falar em 1.* pessoa
do singular, 2.* do plural, etc.
124. Considera-se 1.* pessoa aquela que fala; 2.x pessoa
aquela corn a qual se fala; 3." pessoa aquela da qual se fala.
125. A 1." pessoa do singular 6 representada pelos pro-
nomes eu, me, mim, comigo; a do plural pelos pronomes nds,
nos, conosco.
126. A 2.* pessoa do singular 6 representada pelos pro-
nomes tu, te, ti, contigo; a do plural pelos pronomes v6s, vos,
convosco.
127. A 3.' do singular pelos pronomes ele, ela, o, a, lhe,
se, si, consigo; a do plural por eles, elas, os, as, lhes, se, si,
consigo.
128. Alem disso a terceira pessoa 6 representada por todo
substantive que aparega na sentenga.
129. Seja a sentenga : a primeira pessoa : eu; a segunda, representada pelo pronome
te; a terceira, representada pelo substantive livro.






52 Otoniel Mota

130. Os adjetivos possessivos que acompanham a 1.- pes-
soa (do sing. e do plur.) sao : meu, minha, nosso, nossa.
131. Os que acompanham a 2.8 sao : teu, tua, vosso, vossa.
Teu acompanha o tratamento tu; vosso o tratamento v6s.
132. Os possessivos da 3." pessoa sao : seu, sua.
Seja a sentenga : . Como
se v6, a 2.- pessoa recebe ai o tratamento tu. Por isso encon-
tramos reunidas as formas irmas : tu, te, tua.
133. Se mudarmos para o tratamento vos, teremos : V6s
vos feristes com a vossa faca >. Ai vemos as formas irms :
v6s, vos, vossa.
134. Seja agora a sentenga : forme o seu proceder A primeira pessoa acha-se representada
por eu. A segunda nao esti express : pode ser toda pessoa
que ler ou ouvir essa sentenga. A terceira 6 o substantive
home, que 6 objeto do verbo tratava.
135. Ora, se quisermos substituir qualquer substantive
por um pronome, estA claro que esse pronome hi de ser da
3.a pessoa, porque o substantive o 6, (n. 128). E se o substan-
tivo for objeto do verbo, hd de ser substituido pela forma pro-
nominal o (n. 110).
136. Facamos, pois, essa substituiglo na sentenga acima :
tEu tratava-o conforme o seu proceder>.

QUESTIONARIO
1 Qute a primeira pessoa? a segunda? a terceira? (125)
2 Como se represent a primeira pessoa? (125)
3 Como se represent a segunda? (126)
4 Como se represent a terceira? (127)
5 Quais sao as formas do possessive para a 1.* pessoa? (130)
6 Quais sao as formas do possessive para a 2.a pessoa? (131)
7 Quais sao as formas do possessive para a 3.* pessoa? (132)
8 Que diz o n.o 135?

137. Os alunos passario para o tratamento v6s o exercicio
seguinte :





LiU6es de portugu~s


e inconstancia ? Acaba de crer que de ti nao podes nada, nem
levantar do chao uma palha, se Deus te nao ajudar. E's
estatua com pes de barro : se a pedra de qualquer ocasigo te
toca, estis desfeito em p6. E's cana fragil que qualquer vento
a dobra. Se te funds em ti, edificas sobre areia, e, em vindo
a tempestade, padecerAs ruina >. (BERNARDES).





LIWAO XXII

138. A 2.& pessoa, aquela com quem se fala, pode ser
tambem express pelos pronomes chamados de tratamento
e que sao tio pronomes como os outros. Sao eles: Voce,
v.& exc.a, v.a s.a, o sr., etc.
139. Mas aqui sucedeu uma curiosidade na lingua portu-
guesa. Essas expresses originariamente eram da 3.a pessoa
ngo da 2.a. Como foi, entio, que passaram a representar a
2.a? Vejamos.
140. A nossa palavra voci, por exemplo, 6 contracgo de
vossa merce.. Ora, vossa mercer ou a merc6 de v6s 6 3.- pessoa,
como vosso cachorro, vossa familiar. E isto porque os substan-
tivos mercer, cachorro, familiar, sio da 3.a pessoa (n. 128).
E assim como se dizia: ,
dizia-se : .
141. E' como se diss6ssemos <
Aqui temos a 3. pessoa representada pelo substantive mercer;
a 2.a pelo pronome vds, e a 1." pelo pronome me.
142. Pouco a pouco a expresso vossa mercer foi ocupando
o lugar de v6s; a ideia do substantive mercer foi-se apagando,
ao ponto de se gerar o pronome voce.






54 Otoniel Mota

143. Mas assim como se dizia : finos dentes me mordeu dizia-se: boa vontade me nomeou,.
NOTA. Os adjetivos possessivos, que na expresslo vossa
mercg assumiam as formas da 3.a pessoa, para concordarem
cor o substantive mercS, continuam nessas mesmas formas
corn a expressao vocS:
144. Por isso 6 que se diz tambem : Vossa excelencia no
seu artigo asseverou uma verdade,.
E' disparate dizer : 'Vossa excelencia no vosso artigow.

QUESTIONARIO
1 Como se pode ainda representar a 2.* pessoa? (138)'
2 Qual 6 a curiosidade de que fala o n.o 139?
3 Que sucedeu com a expresso vossa mercV? (142)
4 Qual 6 a forma dos possessivos com a expresso voce? (143, nota)
5 Qual e o disparate de que trata o n.O 144?




LICAO XXIII

145. Todas as vezes que as formas da 2.* pessoa te e vos
servem de objeto, sdo substituidas pela forma o na terceira.
Salvo nos casos em que os verbos forem pronominais (1). At
a forma da 3.I pessoa 6 se.
146. Seja a sentenga : tenho na conta de um estudioso infatigavel>. Passemos para
o tratamento da 3.* pessoa : 6 um benemerito; eu o tenho na conta de um estudioso in-
fatigavel,.
147. Seja agora a sentena : VV6s vos feristes cor a
vossa faca Como estdo vendo, o verbo ferir 6 pronominal

(1) Esta liclo pressup3e o conhecimento dos verbos pronominals e sua conjugadio.






Ligbes de portugu~s


neste caso. O pronome vos e o seu objeto. Na 3.* pessoa temos :
.

148. Quando te e vos equivalem a a ti, a v6s, isto e a
uma frase adverbial (n. 114) ou ao possessive (n. 115), sao
substituidos por lhe. Ex.: cEu concedo-te o perdao,. Isto
e o mesmo que : Eu concedo-lhe o perdao>.

149. O outro caso: mesmo que : cEu quebro o teu orgulho,. Na 3.* pessoa : Ihe quebro o orgulhoa.

QUESTIONARIO
1 Qual 1 a forma da 3.* pessoa que substitute as formas te e vos
quando estas serve de objeto? (145)
2 Qual e a excegio? (idem)
3 Qual e forma da 3.* pessoa que substitute te e vos quando estes
equivalem a uma frase adverbial ou ao possessive? (148)

150. Os alunos passargo para a 3.* pessoa o exercicio
abaixo. Vao grifadas as palavras que tem de sofrer alterag6es.
'Nao fagas a outrem o que nio queres que te fagam. St
tolerante para que os outros te tolerem. Segue os conselhos de
teu pai, que te conduzirao A felicidade e te prepararao uma doce
velhice. Nao te rebels na adversidade, mas sofre resignado
que os sucessos te contrariem, sem te deixarem por vezes um
moment de treguas. S6 home. Oferego-te o meu apoio e
abrago-te efusivamente. Elogio-te sem reserves a attitude que
assumiste hd pouco. Adeus,.
NOTA. Exercicios como estes devem ser feitos amiuda-
damente. Consideramo-los como os MAIS EFICAZES para o
manejo da lingua, e porisso, em nossos aulas, os estendemos
ate o 4.0 ano. E por mais que os repitamos, por vezes se en-
contram alunos, felizmente raros, que no proprio 4. ano ainda
vacilam. Tais exercicios exigem uma trenagem frequent
na conjugaCio dos verbos irregulares, e forgam por isso os
alunos a desviarem de diante de si, pela repetigao das formas,
o maior escolho de nossa lingua.






56 Otoniel Mota


LICAO XXIV

151. Analisar as seguintes sentengas
1. Nas eiras brancas os bois, enfeitados de anemonas,
pisavam o trigo da colheita, da Pascoa.
2. O braco erguido, calcado at6 o cotovelo numa luva
inteira, em pregas de castor bordado, segura um bi-
n6culo A altura,dos olhos
3. Ao fundo uma casa de banhos, modern, uma Terma
romana, estendia com ar de luxo e ociosidade a longa
arcada de seu p6rtico de granite.
4. Na fulva aridez asperrima dos montes,
Entre as cintilag6es narc6ticas da luz,
As Arvores antigas, atl6ticas mendigas,
Levantam para os cus os grandes bragos nus.
5. Na sala azul, de teto de cedro, perfumada de mal6-
batro, o austero doutor jA nos aguardava estendido
no diva de correias brancas, com os p6s nus, as largas
mangas arregacadas e pregadas no ombro, e ao lado
um bordao de viagem, uma cabaca de agua e uma
trouxa, emblemas da said do Egito.
NOTAS, 1.') O adjetivo estendido estf em funcao ad-
verbial. Ver o n.0 44, e o n.o 68, sentenga 4, nota. 2.,) A
locugio adverbial ao lado estA em fungao adjetiva. Explica-se
isso pelo fato de que essa locugso, como quase sempre sucede
com as locug6es, vem de uma simples frase: a o lado ; e por
isso neste exemplo assume antes o carter de frase adjetiva,
como neste outro exemplo : zinho de lado o. NAo 6 raro o proprio adverbio assumir o papel
de adjetivo, como neste caso: iSomente Pedro ficou em casa,
em que o adverbio somente equivale ao adjetivo sozinho. -
3.1) Para se colocar bem no diagrama a expressao: emblemas
da said do Egito'- deve-se ter em conta o que ficou dito em
o n.0 78, nota.
6. Cand de Galil6ia foi antigamente uma boa cidade, le-
vantada em um pequeno outeirinho de rocha fire,
aformoseada ao poente por um pequeno e fresco vale
Se rodeada por todas as outras parties de cabegos Aridos.





Liq6es de portugues


LICAO XXV

152. 1. Algumas vezes temos uma afirmagao feita com
referencia a dois substantivos, ou mais, em vez de um s6. Ex.:
Com a tempestade morreram o pombo e o velho papagaio>>.
HA entao o que se chama um sujeito composto. Eis
o modelo de diagrama:
pombo



Spap I tempestade
papagalo



153. 2. Outras vezes temos com um s6 substantive duas
ou mais afirmagoes.
E' o predicado composto. Ex.: morreu>.
Modelos de diagram :
pesteou

pombo
0
\ morreu
Joao 16 e escreve admiravelmente.


Joao






58 Otoniel Mota

NOTA. O adverbio admiravelmente modifica ambos
os verbos e nio um em particular. Observe' a colocaeio no
diagrama.
154. 3. Ha tambem casos de objetos e atributos com-
postos. O touro atacou o cavalo e o cavaleiro, ; O livro 6
caro e mau,.
cavalo

touro atacou

cavaleiro
\o
caro

livro \

mau

155. 4. Finalmente, ha casos, ainda que mais raros, em
que temos sujeito composto, predicado compost e objeto ou
atributo composto, tudo na mesma sentenga.
mordomo,.

rei chamaram camareira



rainha puniram mordomo


Qutando o sujeito, o predicado, o atributo ou o objeto sgo
compostos de mais de dois elements, as formulas para dia-
gramas sao estas.



\i\._ __






Li~6es de portugues


156. Analisar:

1. A cada pass, ao long das grandes naves flexuosas,
surpreendem-nos retiros umbrosos, formidaveis grutas
de um recolhimento sagrado, ou amplos lagos dor-
mentes.
2. As servas pressurosas estenderam A sombra das game-
leiras as alvas esteiras de airi, e colocaram sobre elas
os ur6s cheios de farinha dagua.
3. Frutas de varias species, cachos roxos de assai, os
rubros croas e os fragrantes abacaxis, enchiam o girau
levantado no meio do terreiro.
NOTA. Conforme o modo por que os alunos encararem
este exemplo, pode aparecer no diagrama, uma novidade que
exige uma forma nao encontrada nos models conhecidos atW
aquf. Mas a said 6 tao simples que nos abstemos de a men-
cionar, deixando, como e nosso costume, A iniciativa do aluno
o que pode ser alcancado cor o simples exercicio da sua propria
inteligencia.
4. Diante de uma cabana feita de ramos de loureiro, um
velho obeso apregoava o vinho fresco de Siquem, as
favas novas de abril.
5. O medico veio apressadamente e conseguiu salvar ao
menino.
6. Cor uma rija bengala na mao, avancei para o c5o
bravio e feri a ele na cabega com um golpe de mestre.
7. O nosso fornecedor, sempre amavel, presenteou-nos
cor um cestinho de figos ,e ainda nos deu algumas
garrafas de agua mineral.
8. Meu querido professor, um verdadeiro amigo, remeteu-
-me ontem dois excelentes livros e convidou-me para
um jantar em familiar.
9. Desejo-te muita saude e felicito-te pelos brilhantes
exames feitos no Ginasio.
10. Oscar alcangou a Livio na rua e tomou-lhe o
papagaio.





Otoniel Mota


157. MODELO :
Depois de procelosa tempestade,
Noturna sombra e sibilante vento,
Traz a manha serena claridade,
Esperanga de porto e salvamento>.

(CAMOES).
claridade
manhi I traz I


Outra forma :


claridade






Liq6es de portugues 61


LIcAO XXVI

158. O adjetivo concorda com o substantive em genero
e nimero. Quer dizer que um substantive masculine pede o
adjetivo na forma masculina: substantive no plural pede o adjetivo na forma plural: cachorros bravos>. Isto 6 sabido de todos. Quando, porem,
um s6 adjetivo se prende a "dois substantivos de generos di-
ferentes, isto 6, um masculine e outro feminine, esse adjetivo
toma a forma masculina plural : uum cachorro e uma
cachorrafuriosos>. A regra 6 a mesma tanto para o adjetivo
que vem como simples modificador do sujeito, como para o
adjetivo que serve de atributo. Ex.: eram furiosos .
NOTA. Quando os pronomes vocg, v." ex.a, v.a s.&, etc.,
se referem a individuos do sexo masculine, o adjetivo aparece
na forma masculina: cva. ex." 6 digno,.
159. O verbo ou predicado gramatical concorda corn o
sujeito em nGmero e pessoa. Eis uma regra muito conhecida.
Ela quer dizer que o verbo vai mudando de forma conforme
o sujeito 6 da 1., 2.a ou 3.a pessoa, e conforme 6 do singular
ou do plural. Se tomarmos o verbo andar, vemos que o sujeito
eu (1.a pessoa do sing.) pede a forma ando; o sujeito tu (2.a pes-
soa do singular), a forma andas, etc.
160. E' frequent os principiantes violarem esta regra,
pondo o verbo no singular e o sujeito no plural, ou viceversa.
Por exemplo : <, em vez de cchegaram
muitos livros>. O sujeito livros 6 da 3.1 pessoa do plural e por
isso pede a forma chegaram, que 6 da mesma pessoa e do mesmo
n6mero. A forma chegou 6 da mesma pessoa (3.a), mas nAd
6 do mesmo n6mero : 6 singular. Pelo que, nao hA concor-
dancia de ndmero, ainda que haja de pessoa.
Esses erros graves recebem o nome de solecismos.
161. O sujeito composto vale por um sujeito simples, mas
do n6mero plural. Pede, pois, o verbo no plural. Assim,
diz-se Pedro e Jogo vieram>.






62 Otoniel Mota

162. As vezes, porem, com o sujeito composto o verbo
pode vir no singular, principalmente se o sujeito estiver depois
do verbo: E passard o ceu e a terra. Como se ve, o sujeito
6 o cu e a terra. Devia ter o verbo no plural: passarao
e e assim que quase sempre se diz. Mas como vinha depois
do verbo, este ficou no singular : passard.
163. Tambem quando o sujeito composto tem os seus
elements ligados pelas conjung6es. ou e nem, pode o verbo
vir no singular ou no plural. Nem Pedro nem Joao faz isso,.
- Nem Pedro nem Joao fazem isso,.
NOTA. HA ainda casos mais curiosos que os alunos
saberao depois.
164. Quando o sujeito 6 composto da primeira pessoa
(do singular ou do plural) com a segunda ou terceira (do
singular ou do plural), o verbo vai para a primeira do plural :
Eu e tu iremos a Santos>. tEu e ele fizemos um contrato.
- 'N6s e eles fomos iludidos.
165. Quando o sujeito 6 composto s6 da 2.* pessoa (do
singular ou do plural) corn a 3&a, o verbo vai para a 2.* pessoa
do plural : Tu e ele ireis a Santos). Ele e v6sfareis isso,.

QUESTIONARIO
1 Que sabem a respeito da concordancia do adjetivo cor o sub-
stantivo? (158)
2 Como 6 que concorda o verbo com o sujeito? (159)
3 Qual 6 o erro comum em principiantes? (160)
4 Como se chamam esses erros? (idem)
5 Em que nimero deve estar o verbo de um sujeito composto?
(161)
6 HA excegses? (162 e 163)
7 Que sabem dizer do sujeito composto da 1.* pessoa com a
2.* ou 3.-? (164)
8 Que sabem dizer do sujeito composto s6 da 2.* cor a 3.1? (165)

166. Os alunos completar5o as sentencas abaixo:
1. Meu tio e eu... 2. N6s e o vizinho... 3. Tu, o Pedro,
os filhos do vizinho e eu... 4. O coronel Felicio, v6s, os vossos
irmAos e n6s... 5. Os colegiais, tu e meus amigos... 6. Tu,
teu pai e n6s... 7. V6s e os vossos protegidos...





LiU3es de portugues 63


LICAO XXVII

167. JA os alunos devem ter bem clara no espirito a
nog5o do verbo de predicaCo complete e a do verbo de pre-
dicagao incomplete. E' tempo de Ihes advertirmos que fre-
quentemente esses verbos trocam de categoria entire si. Assim,
o verbo cheirar significa em primeiro lugar langar cheiro;
de modo que dizemos: A rosa cheira bem,. Como se estd
vendo, esse verbo, tornado em tal significaSCo, 6 de predicacao
complete. Mas isso nao nos impede de dizer igualmente : cheiramos a rosa,. Imediatamente o verbo mudou de sentido
e de categoria, e ficou sendo de predicacio incomplete, objetivo
(ou transitivo).
168. Por outro lado, o verbo comer, por exemplo, 6 de
predicacdo incomplete: quem come, come alguma cousa. Esse
verbo aceita sempre a pergunta : o que ? Mas podemos suprimir
o objeto, indicando apenas, vagamente, a aglo. E, assim,
dizemos: mos: A ag5o de comer ele a faz perfeitamente,.
169. Eis aqui ainda uma sentenga com um verbo de pre-
dicacao complete empregado como verbo objetivo: gemia a sua miseria, porventura a perda do seu escravo,.
Diagrama :
gemia miseria

Camoes
\x
j (gemia) I perda


\ eseravo


NOTAS. 1.9) Fomos obrigados a repetir o verbo, porque
o adverbio porventura, que se casa perfeitamente cor o verbo
gemia quando este govern o segundo membro do objeto com-






64 Otoniel Mota

post, nao se casa quando ele govern o primeiro. Esta obser-
vagio 6 de capital importancia no uso dos diagramas, pois
frequentemente os alunos ficam embaragados com exemplos
semelhantes. 2.a) A pequena cruz entire os membros do
predicado indica a ausencia de conjungco, a qual, no texto,
como se pode ver, esta substituida por uma virgula. Donde
podemos mesmo tirar uma regra : < Quando os various membros
de um sujeito, predicado, atributo ou objeto compostos nao
sao ligados por conjungdo, sao separados por virgula .

Sentengas a analisar:
1. Por entire estas alas de homes prostrados, um grande
velho emaciado vinha descendo devagar os degraus,
cor um incerisador de ouro nas mios.
2. As eguas de Pereia, cor as patas entravadas, pendiam
a cabega sob a espessura das longas crinas.
3. Os finos linhos, ensopados nas essencias ardentes de
ambar, de mal6batro e de bacaris, enchiam o ar de
fragrancia e de moleza a alma dos homes.
NOTA. Bdcaris era uma erva reputada como antidote
contra feiticos.

QUESTIONARIO
1 Que sucede As vezes com os verbos de predicagao complete?
(167) Com os de predicagio incomplete? (168)
2 Por que se repetiu o verbo no diagrama? notaa 1)
3 Dar a regra da nota n.o 2.




LICAO XXVIII

170. JA dissemos aos alunos, em o nCmero 64, que hA
sentencas chamadas interrogativas, porque nelas se faz uma
pergunta. Dissemos mais (n. 65) que essas sentengas se ana-
lisam do mesmo modo que as declarativas.
171. Hoje vamos ver. que nelas funcionam os adjetivos,
pronomes e adverbios interrogativos.






LiU6es de portugu~s


172. Assim quando dizemos : Que home passou ali ? >,
esse que & um adjetivo interrogativo, que modifica o substan-
tivo home e que no diagrama, por conseguinte, vem debaixo
dele.
173. Na expressed : interrogativo, que esti servindo de sujeito.
174. Nas sentengas : Como foi esse desastre ? >, K Quando
aconteceu tal cousa ? >, como e quando sao adverbios interro-
gativos e como os outros adverbios se colocam no diagrama'
sem a menor dificuldade.
175. Os pronomes interrogativos podem funcionar como
sujeito, objeto ou atributo.
176. Colocar em diagrama:


1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.


Que home passou ali?
Quem vem 1l?
Como foi esse desastre?
Quando aconteceu tal cousa?
Amigo, feriste a quem?
Quem 6s tu?
Quem disse semelhante calunia?
Por que vieste tio tarde?
Onde estaveis ontem?


LICAO XXIX

177. Na sentenga : temos um
verbo objetivo (ou transitivo) : ama. Tris cousas estio ai
indicadas : a) que hi uma agio express pelo verbo (ver o
n. 103, nota); b) que o sujeito e quem faz a ago ; c) que hA
um objeto (irmiozinho) que sofre a agco feita pelo sujeito.
178. Quando o sujeito faz a ,ago indicada pelo verbo,
diz-se que ele e ativo, porque ativo significa o que age ou o
que faz alguma cousa; e diz-se tambem que o verbo estd na
voz ativa.






66 Otoniel Mota

179. Seja, porem, a sentenga : < irmaozinho 6 amado
por Maria >. Vemos logo que irmaozinho que na sentenga
acima era objeto do verbo na voz ativa passou agora a ser
suieito. Mas, embora como sujeito, ele apenas recebe a agao
indicada pelo verbo amar : ele nao 6 quem ama; ele & amado.
180. Por outro lado, Maria, que, como sujeito da voz
ativa, fazia a acgo verbal, perdeu o lugar de sujeito e foi fun-
cionar numafrase adverbial que modifica o verbo. Mas, apesar
dessa mudanga de colocacgo, ela continue a fazer a ag~o in-
dicada pelo verbo; 6 ela ainda quem ama.
181. Quando,o sujeito, em vez de fazer, sofre a acio
verbal, diz-se que ele 6 passive, e que o verbo estA na voz
passiva.
182. E o ser que, na voz passiva, funcionando embora
numa frase, continue a fazer a acgo verbal, denomina-se -
o agent da passiva.
183. A frase do agent 6 introduzida pelas preposig5es
por, per e de. Ex.: cClovis foi ferido por Mario>;
foi escrita pelo secretario >; .Adelina 6 querida de todos.
NOTA. Nem sempre, com a voz passiva, uma frase
adverbial introduzida por essas preposig6es indica o agent:
As vezes indica instrumentalidade ou meio.
184. A voz passiva forma-se regularmente no portugues
com o participio passado do verbo objetivo que se quer apas-
sivar, mais o verbo ser: e amado, e conhecido, etc.
NOTA. Dai nao se conclua que infalivelmente havera
uma voz passiva sempre que encontrarmos participios passados
unidos a formas do verbo ser.
185. Nas formas passivas, o verbo ser e o participio
passado sao considerados como uma inica locugao verbal e,
portanto, colocam-se no diagrama sem trago algum de se-
paragdo.
186. Apresentamos dois diagramas:
Maria ama I irmaozinho irmrozinho 6 amado

SMaria






Liq6es de portuguis 67

187. Confrontando a forma da voz ativa corn a da pas-
siva, vemos desde logo que o objeto da primeira passou a ser
sujeito da segunda, e o sujeito da primeira foi figurar debaixo
do verbo, na frase do agent, regido pela preposigfo por, que
nao existia na voz ativa.
188. Transformar em voz passiva as sentengas do n. 151
(menos a de n. 6) e a do n. 157.
NOTA. A esta ligao deve seguir-se uma recordago dos
verbos conjugados na voz passiva.

QUESTIONARIO
1 Quais sao as tres cousas indicadas na sentenga do n.0 177?
2 Quando 6 que o sujeito se diz ativo? (178)
3 Por que Ihe deram essa denominagao? (idem)
4 Que 6 a voz ativa? (idem)
5 Quando 6 que o sujeito 6 denominado passive? (181)
6 Que 6 o agent da voz passiva? (182)
7 Quais sao as preposigaes que introduzem a frase do agent ? (183)
S8 Que outra cousa indicam As vezes essas preposisges? notaa)
9 Como se forma regularmente a voz passiva em portuguas? (184)
10 Como se colocam em diagrama as formas passivas? (185)
11 Que sucede na transformaaio da voz ativa na passive? (187)




LICAO XXX

189. Queremos esforgar-nos nesta ligio para impedir aos
alunos uma confusio muito natural.
Como ji vimos, a passiva 6 composta do verbo ser mais
o participio passado do verbo que se apassiva : 6 amado, e
querido, etc. Mas ji vimos tambem que.o verbo ser liga um
atributo ao sujeito. Ex.: . Como distinguir
entio a forma da voz passiva da forma atributiva?
190. Em primeiro lugar, na forma passiva o participio
passado se une ao verbo ser para former cor ele uma finica






68 Otoniel Mota

expresso verbal, indicando que a agdo, em vez de ser feita
pelo sujeito, 6 sofrida por ele.
Ha linguas que tmr formas especiais para isso, e dizem
cor uma s6 palavra aquilo mesmo que n6s dizemos com duas.
Assim, por exemplo, amo se diz em latim exatamente como no
portugus : amo; mas nossa expresso sou amado ja se
diz em latim cornuma unica palavra : amor. Bastou acrescentar
um r A forma da voz ativa para esta se transformar na passiva.
191. Mas isso bem nos esta mostrando que as nossas
duas palavras sou amado valem por uma 6nica expresso verbal:
6 como se fossem um s6 verbo.
192. Com as formas atributivas nada disso acontece. O
Satributo nao precisa ser participio passado : pode ser um ad-
jetivo qualquer (branco, alto, bom, 'etc.), ou um substantive,
que qualificam o sujeito e se prendem a ele nao s6 pelo verbo
ser, mas tambem pelos verbos estar, parecer,ficar e permanecer
(6 branco, estd branco, ficou branch).
193. Porem a maneira mais pratica e mais segura de
enxergar a voz passiva 6 : a) observer em primeiro lugar se
ha, com o verbo ser, um participio passado, pois sem este
n5o pode existir voz passiva;- b) procurar o agent, claro
ou oculto, fazendo ao verbo a pergunta : por .quem ? ou por
que cousa ? Ex.: . < Por quem ?,, < todos,' ou por suas colegas>. Eis ai dois agents.
As formas que nao sao passivas nao admitem essa,pergunta.
194. Oferecemos dois diagramas, um com a voz passiva
(o 1.0), outro com a forma atributiva:
Pedro aado Pedro feio

195. Dizer, nas sentengas abaixo, quais sao as forms
passivas, quais as atributivas; mostrar os agents claros e
buscar agents ocultos.
a) O cavalo 6 negro. b) Silvio 6 louvado pelo mestre.
c) Oscar foi lavrador. d) Mario foi nomeado pelo governor.
e) Rosa era mais morena. f) Paulo era estimado de todos.
g) Carlos sera colocado nesse lugar. h) Henrique serA orador.






Liq6es de portugues 69

i) Jorge foi mestre por muitos anos. j) Ele foi classificado em
.segundo 'lugar.
196. Analisar, ap6s interpretag~o cuidadosa e observando
cautelosamente as letras a e b do n. 193.
1. Sem as ilus6es da nossa imaginagdo o capital da feli-
cidade humana seria muito diminuto e limitado.
2. Os espiritos met6dicos sao ordinariamente os menos
sublimes e transcendentes.
NOTA. Nesta sentenga houve elipse de um element.
Por esse motivo hA um adjetivo substantivado. No diagrama,
pois, ou se poe claro o referido element e nesse caso o ad-
jetivo vai ocupar o seu posto ou se deixa oculto e nesse
caso o adjetivo assume o papel que competia ao element
oculto.
3. Os tolos muitas vezes sao promovidos a grandes em-
pregos em utilidade e proveito dos velhacos.
4. Os homes sem m6rito algum, brochados de insignias
e de ouro, sao comparaveis aos maus livros ricamente
encadernados.
5. Naquela regigo baldia, pelo tempo das chuvas, os
chapad6es eram transformados em atoleiros quase
intransitaveis.
6. Grossas vigotas estavam prontas e foram colocadas por
sobre o pequeno rio enfurecido e empolado com a
tempestade.

QUESTIONARIO
1 Que diz o n. 190?
2 Que diz o n.0 191 acerca da expressao csou amado,?
3 Qual 6 a maneira prAtica de achar a voz passiva? (193)


LICAO XXXI
197. Vamos falar dos chamados verbos impessoais.
Sao os que se usam na 3." pessoa do singular, sem sujeito :
chove, troveja, neva. NAo se pode perguntar ao verbo cover :







70 Otoniel Mota

198. Entre esses verbos existem dois que merecem especial
atengco : sao eles haver e fazer. Merecem especial atengco
- dizemos porque a cada pass sao empregados no plural,
de modo inteiramente errado. Por exemplo: KHouveram
20 mortos no desastre,; cFazem 5 anos que fui ao Rio,. -
Deve dizer-se: 199. Esse erro nasce de uma falsa andlise : vem de se
pensar que mortos 6 sujeito do verbo haver. Ora dizem -
se o sujeito esta no plural, o verbo tambem deve estar, porque
o verbo concorda cor o sujeito em n6mero e pessoa. Mas
acontece que esses dois verbos sao empregados impessoalmente,
e, portanto, nem podem ir para o plural, nem podem ter
sujeito, conforme se disse no n. 197. Mortos nro 6 sujeito,
mas objeto.
200. Em diagram :

X | houve mortos

desastre



201. A 3.* pessoa do plural tambem pode ser empregada
de modo semelhante, sem sujeito expresso. Ex. : ai coisas horriveis>. Neste caso temos um sujeito indetermi-
nado, que tambem se represent em diagrama pelo sinal X.
202. A diferenga estA em. que nas expresses impessoais
acima nao pode haver sujeito; ao pass que nas expresses de
sujeito indeterminado 6 sempre possivel determinar-se o sujeito.
Exemplifiquemos. Um certo journal noticia o seguinte: rNa
praga da Repfblica apunhalarani ontem a noite um individuo
de cor parda,. Apunhalaram? Mas quem 6 que apunhalou?
Nao se nos diz. Houve, entretanto, alguem que fez a aggo de
apunhalar. Ha, pois, um sujeito, que 6 possivel descobrir.
No dia imediato; porem, o mesmo journal acrescenta : < Sabemos
que o individuo de cor parda, apunhalado na praga da Re-





Liq6es de portugu~s


pdblica, foi vitima da vinganga de Jos6 Silva Podemos n6s
agora determinar o sujeito.
203. Outra maneira de indicar o sujeito indeterminado e
empregando um pronome indefinido, como, por exemplo, a
gente:: eA gente ouve cada cousa !>

QUESTIONARIO
1 Que 6 um verbo impessoal? (197)
2 Quais sao os dois verbos impessoais que merecem atencgo
especial? (198)
3 Por que merecem? (idem)
4 Quais s0o as duas expresses erradas que se mencionam ? (idem)
Corrijam-nas. ,
5 Donde vem esse erro? (199)
6 Que outra pessoa pode ser empregada de modo semelhante, sem
sujeito? (201)
7 Qual 6 a diferenca, entretanto? (202) Exemplifiquem.
8 Que outra maneira existe de expressar o sujeito indeterminado?
(203)
204. Analisar as sentengas abaixo:
1. Nas festas de Sao Jogo havia fogueira acesa durante a
noite, caf6 bebido na cuia e bolo de frigideira para todo
o pessoal reunido.
NOTA. Cuidado cor a frase: para todo o pessoal ret(nido.
2. Armaram uns palanques muito vistosos, com seus
toldos de sedas amarelas e carmezins, em redor da teia
guarnecida de arcos e galhardetes de todas as cores.



LICAO XXXII

205. Os alunos jA conhecem, certamente, um verbo pro-
nominal: 6 aquele que se conjuga corn dois pronomes da mesma
pessoa: eu me firo, tu te feres, etc. Se o pronome obliquo 6
objeto do verbo, diz-se que o verbo 6 reflexivo. A razao do
nome reflexivo n6s veremos agora.






Otoniel Mota


Vamos estudar duas sentencas que aparentemente muito
se parecem. Ei-las : ; (Pedro batizou-se no
dia 30. -
206. No primeiro caso temos uma voz ativa, porque o
sujeito faz a ago indicada pelo verbo. Mas o que ha de curioso
e que o sujeito mesmo 6 quem sofre a agao por ele feita : a agao
do verbo ferir se exerce no proprio Pedro, que se acha repre-
sentado pelo pronome se servindo de objeto (o verbo 6 reflexivo).

207. Quando os pronomes pessoais me, te, se, nos, vos,
funcionando como objeto, recebem a acao verbal e a fazem
voltar para o sujeito denominam-se pronomes reflexivos.
NOTAS. 1.a) Reflexivo 6 o que reflete. Refletir 6 fazer
voltar aquilo que ia numa certa direggo. 2.a) Os gramaticos
costumam chamar de voz reflexa a esse caso particular da voz
ativa em que o sujeito nao somente faz, mas tambem sofre a
agco verbal.
208. Estudemos agora o02;.o caso : dia 30 Quem 6 que fez a agco verbal? Foi Pedro? Pedro
batizou-se a si mesmo? Certo que nao. E' claro como a luz
do dia que equivale a >.
Ai esta, portanto, uma verdadeira voz passiva que, em vez de
ser formada com o verbo ser mais um participio passado, se
formou cor o pronome pessoal.

209. O pronome, nesse caso, recebe o nome de particular
apassivadora, em vez de pronome reflexivo.

210. A funggo apassivadora pode ser express pelos pro-
nomes me, te, se, nos e vos: >,
etc.
211. Tora-se ainda mais evidence a voz passiva se puser-
mos.claro o agent, dizendo: Antonio>. Em Jogo de Barros, um classico portugues, lemos :
cobriu-se a ilha Formosa per um Fernando do,P6>.
NOTA. No tempo de Barros empregava-se a preposiggo
per em certos casos em que hoje empregamos a preposioo por.






LiU6es de portugu~s


212. Tais formas passivas aparecem quase sempre com
sujeitos que nao sao pessoas, mas sim animals ou cousas.
Ex: , , chapius .

213. No diagrama, o pronome que serve de particular
apassivadora coloca-se ao lado do verbo sem nenhum dos
tragos que indicam o objeto ou o atributo. Mas os alunos
ainda devem explanar as formas pronominais pelas formas
corn o verbo ser, postas entire par&ntese, conforme o diagram
abaixo.

214. Vejam-se os diagrams :

'Pedro feriu I se Pedro batizou-se (=foi 'batizado)

dia


NOTA. O pronome, em tais formas passivas, 6 um ver-
dadeiro sufixo apassivador, semelhante ao de que falamos em
o n.o 190. Em alguns dialetos italianos, em que ha tambem
o mesmo process de apassivar, o pronome se fica reduzido a
um simples s e aglutina-se corn o verbo: perdres (perdersi)
(DIEZ).

QUESTIONARIO

1 Quando e que um verbo se chama reflexive? (205)
2 O que hA de curioso na sentenga cPedro feriu-se 3? (206)
3 Qle sao pronomes reflexivos? (207)
4 Por que lhes deram esse nome? notaa 1)
5 O que k que os gramfticos chamam voz reflexa? notaa 2)
6 Qual 6 o outro modo de former a voz passive? (208)
7 O que 6 que se chama particular apassivadora? (209)
8 Quais sao os pronomes que exercem essa fungAo? (210)
9 Quando 6 que aparece especialmente a passiva pronominal?
(212)
10 Como se colocam em diagram os pronomes apassivadores?
(218)





74 Otoniel Mota

Analisar as seguintes sentengas:
1. Por tris de grossas caixas gradeadas encruzavam-se os
cambistas cor uma moeda de ouro pendente das
orelhas entire as melenas s6rdidas.
2. Os homes fuscos do desert apinhavam-se'em torno
dos gigos de fruta.
3. Na casa mortuaria, toda fechada, cantavam-se rezas
tristes em redor do ataude.
4. No alto da colina, entire mangueiras copadas, edificava-
-se um espacoso sobrado.
5. O poldro, fustigado pelo l6tego e sofreado por um pulso
de ferro, ergueu-se completamente nas patas traseiras.
6. Para a festa, com ansiedade esperada, armaram-se ele-
gantes barracas enfeitadas de mil modos.
7. Ali bebia-se agua pura.
8. No armazem da esquina vendem-se lindas castanhas.




'LICAO XXXIII

215. Ha casos em que costumamos atribuir a atividade a
certos series que por si mesmos nao podem ser ativos. Assim,
dizemos frequentemente: negras, A porta fechou-se ruidosamente Ora, 6 claro que
o sol n5o se levanta por si mesmo, nem tgo pouco. a porta se
fecha por si mesma : o sol levanta-se por causa de uma forga
da natureza, e a porta se fecha por qualquer causa exterior,
como o vento, por exemplo.
216. Mas, como essas causes que atuam sgo forgas cegas
da natureza, e nao pessoas, era indiferente ao espirito human
atribuir a agao verbal As forgas que atuam sobre os series, ou
aos proprios series inanimados movidos por essas forgas.
217. Em tais expresses, pois, n6s estamos empregando
verdadeiras metdforas, isto 6 uma linguagem figurada que






Liq6es de portugu~s


empresta aos series qualidades que eles nao possuem. E' cousa
muito comum em todas as linguas.
218. Assim, os series inanimados vieram a ser considerados
sujeitos dos verbos objetivos, como se eles proprios pudessem
agir : e o pronome se funciona entgo como objeto ou pronome
reflexive, nio como particular apassivadora.

QUESTIONARIO
1 Os series inanimados, como sol, port, etc., sao capazes de agao,
de movimento por si mesmos? (215)
2 O que 6 que os pie em movimento? (idem)
3 Que fez o espfrito human? (216)
4 O que 6 o pronome se nas sentengas em que os series inanimados
sao tidos como sujeitos? (218)
5 -.Que 6 met4fora? (217)
219. Analisar as seguintes sentences:
1. No tope do monte erguiai-se os vigorosos cedros.
2. Derribam-se os cedros a golpes de machado.
3. Um tapete vigoso de relva bem lisa estendia-se
em declive at& uma aleia de alfazema.
4. A barca, repleta de passageiros, deslisava-se sua-
vemente por sobre o rio turvo e parade.
5. Viam-se lindos cisnes brancos nas aguas azues e
profundas do lago.
6. O mar encrespava-se A hora da partida.
7. Por causa da seca, naquele ano se comprava
milho por um prego elevadissimo.



LICAO XXXIV

220. Estudemos a expresso de Joao de Barros : Des-
cobriu-se a ilha Formosa per um Fernando do P6>. Ai temos
a voz passiva com os seus tres elements : o sujeito (ilha), o
verbo apassivado (descobriu-se = foi descoberta), o agent (per
um Fernando do P6).






76 Otoniel Mota

221. Foi assim, isto 6, corn esses tres elements claros, que
comegou a passiva pronominal na lingua portuguesa. Cam5es
escreveu : mar que dos feios focas se navega >, isto 6 :- mar
que 6 navegado dos feios focas, ou pelos feios focas.
NOTAS. 1.a) Foca era masculine no tempo de Cam6es. -
2.a) No portugues atual nao se usa mais apassivar com o pro-
nome as expresses em que hd um agent claro. Nao se diz:
SNavegam-se os mares pelos focas*, mas: 222. Mas aconteceu que se comegou a ocultar o agent,
e entgo dizia-se : , Entretanto, como se pode ver, o sujeito ainda ficava claro:
mares, rio.
223. Afinal, deu-se um pass alem : ocultou-se tambem
o sujeito, e comecou-se a dizer apenas : Navega-se com bons
ventos>, Come-se bem>.
224. Eis um diagrama elucidativo:





225. 0 sinal X quer dizer que nao ha sujeito: a ex-
pressao 6 impessoal.
NOTA. Muitos alunos por vezes cpnsideram os verbos
como passivos e ddo-lhes um objeto. Mas a voz passiva nao
ter objeto. Quando os alunos estiverem riessa tentago, refli-
tam e hdo de ver que o termo que Ihes paredc objito 6 o sujeito
da sentenga.
226. Temos, pois, uma passiva pessoal (quando ha su-
jeito claro), e uma passiva impessoal ou simplesmente ex-
pressao impessoal (quando nao ha sujeito).
NOTA. E' perfeitamente o que se dA em latim. Petrus.
amateur e expresso pessoal: Pedro 6 amado; mas amateur,
simplesmente, 6 expressao impessoal: ama-se.
227. Essas expresses impessoais principiaram com os ver-
bos de predicagao incomplete objetivos, mas corn o tempo se
estenderam aos verbos de predicacao complete e ate aos de






Liq6es de portugues 77

predicagso' incomplete atributivos : de come-se, navega-se
passou-se a dizer : anda-se, estd-se.
Elas, podem, portanto, receber um atributo : cEstava-se
pronto para a luta .

NOTA. O mesmo sucedeu em latim, lingua em que se
dizia curritur, statur, sem sujeito, expresses essas que sao
tambem la denominadas passives impessoais.
Assim, va-se que a nogao da passividade, por uma evoluglo
gradual que nos 6 dado determinar na corrente dos seculos,
foi-se obliterando ao ponto de, em dizeres como vive-se, estd-se,
etc., as expresses verbals como que se apresentarem ao nosso
espirito perfeitamente iguais as ativas de sujeito indeterminado.
De forma que vive-se por af.a Iarga e o mesmo que vivtem
por at a larga.
Ora, dessa equipolencia de sentido era apenas umn pass
para um caso de contaminag~o sintAtica, de modo que se co-
megasse a dar um objeto As expressSes impessoais com o pro-
nome se, assim como se da aos verbbs ativos de sujeito indeter-
minado : dizem por at uma coisa triste, diz-se por ai uma cousa
triste.
E o espirito popular, enxergando nas palavras uma cousa
triste, nao mais o sujeito de diz-se, mas o objeto, nao recuou
de Ihes dar um plural: diz-se cousas tristes. Nada mais 16gico.
E' um fen6meno curioso que podemos rastrear no latim
e no grego. No latim a apassivacgo se estendeu pouco a pouco
ate o verbo stare, que jA foi usado por Comelio Nepos, se nao
nos enganamos, na forma statur. Dizia-se mesmo: statur bene,
expresslo impessoal, SEM SUJEITO, correspondent ao nosso:
.estd-se bem.
Porem o portugues foi alem : nao s6 diz estd-se bem, mas
estd-se bom. E' um caso de ampliagCo que o latim provavel-
mente teria atingido se vivesse mais algum tempo como lingua
falada.
Entretanto, em latim, na expressloimpessoal, a iddia de pas-
sividade nao chegou a obliterar-se ao ponto de se dar ao verbo
um objeto. Dizia-se amateur, expressao igual ao nosso ama-se;
mas amateur hominem seria uma verdadeira monstruosidade na
lingua de Vergilio.
O grego, porem, nao trepidou em ir aonde o latim nao
foi: a passiva impessoal comegou a reger um objeto: timeteon
esti ten aretEn (RIEMANN).
No PORTUGUES LITERARIO a evolug~o foi ao ponto de dar
A expresso impessoal um atributo (ver o n.0 227), mas nao
um objeto. Castilho nao vacilI em dizer: Estd-se pronto ;
mas evita em absolute uma expresso como ama-se-o. Castilho
nao diria : < Ama-se aquele home ; ama-se-o pelos seus modos






78 Otoniel Mota

bondosos P; mas sim : expressAo evidentemente passiva, com o sujeito claro.
Essa repugnancia e tAo grande que ate os escritores menos
escrupulosos, como Ega de Queiroz, frequentemente a mani-
festam. Ega escreveu: cOs impios do seculo XVIII foram
insaciaveis bebedores de caf6 e, na primeira mesa do bote-
quim do Procopio, onde ELE se bebeu...
Onde se o bebeu, 6, pois, um aleijdo linguistico no moment
atual. Mas se-lo-A no future? Nao sabemos. Estabelecemos
os fatos, como cumpre fazer em gramAtica, e deixamos que a
lingua continue o seu curso natural, sem querermos contribuir,
corn o nosso dogmatismo, para que ela siga este ou aquele rumo,
consoante nosso pendor individual. Missdo que seria, aliAs,
sobre violent, -improficua. De qualquer modo, porem, que
encaremos o intrincado fen6meno, o que sempre nos pareceu
uma violencia gramatical 6 o tal SE SUJEITO. Como se as ex-
press5es com o pronome se, consideradas pelo espirito popular
ativas e capazes mesmo de reger um objeto, deixassem por
isso de ser impessoais, isto 6, sem sujeito


QUESTIONARIO

1 Quais sao os tres elements contidos na sentenga do n.0 220?
2 Como foi que surgiu a passiva pronominal no portugues? (221)
3 Que se comegou depois a fazer? (222)
4 E logo mais? (223)
5- Que quer dizer o signal X? (225)
6 Quantas formas passivas temos? (226)
7 Como principiaram as expresses impessoais? (227)

228. Sentengas a analisar:
1. Quase sem nariz e beigos, vesgo e da altura de um
rapaz de nove anos, nao mostrava no rosto ponta
de barba.
2. Sobre as Arvores imoveis, os pAssaros, quietos e
mudos, erigavam a plumagem aos ventos cor-
tantes.
3. Defronte dele, em uma mesa encrustada de madre-
perola, entire vasos de barro com flores pintadas,
agafates de filigrana de prata cheios de fruta e
pedagos cintilantes de gelo erguia-se um can-
delabro em forma de arbusto.






Liq6es de portugues 79

4. Langaram-se os fundamentos da casa do Senhor
no quarto ano, no mrs de zio.
5. Horteldos com um ramo de amendoeira preso ao
carapugo apregoavam grinaldas de anemonas ou
ervas amargas da Pascoa.
6. Naquelas festas nacionais dormia-se ao relento
e nao se ficava doente.
7. A pertinacia da tentagio s6 se vence com a
constancia da resistencia.




LICAO XXXV

229. O governor nomeou Pedro coletor estadualh, cEu
considerei-o capaz disso >. Eis ai duas sentengas que encerram
alguma novidade para os alunos.
V&-se que os dois verbos (nomeou e considered) sio objetivos :
o primeiro tem por objeto o substantive Pedro; o segundo,
o pronome o.
230. Mas 6 evidence que ao objeto Pedro se prende estrei-
tamente o substantive coletor, e ao pronome o o adjetivo capaz.
231. Essas duas palavras (coletor e capaz) estao quali-
ficando os dois complementos objetos. Constitue cada uma
delas um novo complement que, visto servir para qualificar
o objeto, poderemos denominar subatributo, por ser, como
se percebe logo, muito semelhante ao atributo.
NOTA. Hi varias outras maneiras de denominar este
complement.
232. Dissemos que estaduals; mas poderiamos dizer tambem : nomeou coletor a Pedro >. Ve-se, pois, que o subatributo tende
a acostar-se ao verbo, formando coin ele como que uma s6
expressAo quase indivisivel ao nosso espirito.






80 Otoniel Mota

233. Dai duas maneiras de coloca-lo em diagrama:
governor nomeou I Pedro \ coletor *


governor nomeou/ coletor Pedro


NOTA. Observem que o trago obliquo fica sempre apon-
tando para o objeto, ao qual o subatributo se refere.
234. O subatributo, bem como o atributo, pode ser ex-
presso por um substantive ou por um adjetivo, como se vb
nas duas sentengas acima.
. 235. Quando ele 6 expresso por um adjetivo, e vem no
meio de outros adjetivos que apenas modificam o objeto, torna-
-se As vezes um tanto dificil aos alunos descobri-lo. Ha, porem,
um modo facil de achi-lo : e 6 ver qual dos adjetivos procura
colar-se ao verbo. Esse hA de ser forgosamente o subatributo.
Vejamos, por exemplo, a sentenga : valo preto, gordo, caido na estrada >. Ai temos, em redor do
objeto cavalo, quatro adjetivos : aquele, preto, gordo e caido.
Mas deles somente um, caido, procura acostar-se ao verbo:
encontramos caido. Eis ai o subatributo.
236. Como ji vimos, transformando-se a voz ativa em
voz passiva, o objeto da ativa passa a ser sujeito da passiva
(n. 187). Logo, o subatributo, que qualifica o objeto na voz
ativa, ird qualificdlo quando ele estiver como sujeito da voz
passiva.
237. Passemos para a voz passiva a sentenga : <0 governor
nomeou Pedro coletor estadual FicarA : < coletor estadual pelo governor >.
Em diagram :
Pedro oi nomeado \ coletor

S governor





Lig6es de portugues 81

238. Esti claro que o subatributo se encontra tambem
cor a passiva pronominal: navio .
239. Podemos, portanto, dizer que o subatributo 6 um
substantive ou um adjetivo que qualificam o objeto na voz
ativa, e o sujeito na voz passiva.
NOTA. O subatributo pode vir acompanhado das pre-
posigoes em, por. por morto Tambem a palavra como neste caso uma verda-
deira preposigio serve para prender o subatributo: escolheu-me como juiz Nos diagramas estas particular devem
ser postas entire par&ntese, como expletives.




LICAO XXXVI

NOCOES DE PONTUACAO

240. Os adjetivos qualificativos e as frases adjetivas em
geral se prendem diretamente aos substantivos : homes de bem sao raros .
241. Esta regra, porem, 6 violada quando se quer dar
forga especial ao adjetivo ou A frase : nesse caso virgulam-se.
242. Quando dois adjetivos qualificativos ou duas frases
se unem ao mesmo substantive, vmr separados por virgula :
; de bem, sem mancha na vida p6blica ou privada, sao raros>.
243. Os substantivos apostos e os vocativos sio separados
por virgula.
244. Os diversos elements que formal um sujeito, um
predicado, um atributo ou um objeto compostos vem separados
por virgula, se entire eles nio ha conjuncgo. Ver o n. 169, nota 2.
245. Os terms press pela conjungco e em geral vem
sem virgula : Pedro e Paulo foram e voltaram sem novidade.





82 Otoniel Mota

Contudo, se os dois elements sgo muito extensos, podem
separar-se por virgula. A virgula nesse caso chama-se virgula
de respira~io, porque 6 usada s6 com o fim de dar tempo para
respirar Aquele que e1. Ex. : a press A cidade indicada pelo nosso ilustre amigo, e voltaram
sem novidade alguma .
246. Os adverbios e as frases adverbiais em geral se
prendem diretamente aos verbos e aos adjetivos. Ex.: Ele
corre velozmentev; 247. Quando, porem, se quer dar forga especial ao ad-
verbio ou A frase, entdo p6e-se entire virgulas. Ex.: cMarcos
asseverou, veementemente, que era alsoo.
248. Quando dois adverbios ou duas frases adverbiais
modificam o mesmo verbo, vem separados por virgula. Ex.:
Ele fala cor forga, com clareza, cor eloquencia .
NOTA. Corn as frases adverbiais hA excegses: isto 6 -
duas frases podem estar modificando o mesmo verbo, sem
serem separadas por virgula.
Tambem se virgula, muitas vezes, quando se faz uma
inversgo da ordem. Ex.: passou por sobre n6s>.
Nisto, porem, vai muito do gosto particular de cada
escritor, e nio se podem dar regras absolutas.
Os casos mais particulares os alunos aprenderio depois,
e aprenderao, especialmente, lendo e observando.
NOTA. Aos professors, mormente aos novatos, 6 autor
se permit a liberdade de observer que esta ligao deve ser apli-
cada imediatamente em trechos faceis, de autores modernos,
e nos exekcicios de composigao, especialmente em cartas.

249. Os dois pontos serve para indicar uma citagio.
Ex.: 0 home disse : A bolsa ou-a vida Servem tambem
para indicar que o que se segue explica ou complete o que
ficou dito: Ex.: caminho era intransitavelb.
250. Nao se separam por virgula o sujeito, o objeto e o
atributo.








PARTE SEGUNDA




LICAO XXXVII

251. Temos falado em complement objeto. E' tempo
agora de dizermos que o que ate aqui chamamos objeto, em
geral se denomina objeto direto.
252. Assim o denominaram pelo fato de vir preso ao
verbo diretamente, isto 6 sem que haja entire ele e o verbo
nenhum element intermediario.
253. Mas isto jd nos estA mostrando que os gramaticos
conheciam um complement a que chamaram objeto indireto.
E esta claro que assim o qualificaram porque viram entire ele
e o verbo alguma coisa de permeio.
254. De fato, hA complementos que se ajuntam ao verbo
por intermedio de uma preposiDco : esses s5o os objetos in,
diretos.
255. Certos verbos aceitam ambos os complementos : o
direto e o indireto. Assim, podemos dizer: KEu perdoei o
homem, ou o objeto direto, sem preposigdo ; no segundo o indireto, corn
a preposigio a.
256. As duas construg5es sao oorretas; mas a do objeto
indireto 6 mais antiga e mais usada pelos clAssicos.
257. Os verbos que pedem objeto indireto s5o chamados
objetivos indiretos ou transitivos indiretos.
258. Quando a preposigSo a 6 a que aparece com o subs-
tantivo que serve de objeto indireto, podemos ver desde logo
que, se quisermos representar esse objeto por um pronome da
3.8 pessoa, devemos usar a forma Ihe. Por exemplo : ao home; perdoei-lhe de todo o coracgo,.
NoTA.-Conforme o n.0255, tambem se pode dizer: ,perdoel-os






84 Otoniel Mota

259. Os principals verbos objetivos indiretos sgo : per-
doar, obedecer, desobedecer, socorrer, aspirar, suceder (no sentido
de assumir o lugar deixado por alguem : a D. Pedro I ), acudir, assistir, resistir, presidir, usar, precisar,
necessitar, carecer, gozar.
260. Coloquemos em diagrama duas sentengas: cEu
precise de dinheiro> ; Carlos acudiu.ao pai>.

Eu preciseo \ Carlos acudiu I

Sdinheiro pai


NOTAS. 1.") Observem que o objeto indireto vem colo-
cado DEBAIXO da linha horizontal do predicado, e DEPOIS do
pequeno trago vertical que indica o objeto direto. Assim fica
ele diferengado das meras frases adverbiais. 2.a) Se em vez
de < Carlos acudiu ao pai, tivkssemos: Carlos acudiu-lhe,,
esse the seria colocado debaixo do verbo, como no 2. modelo
do numero 113, mas tambem depois do traco vertical. 3.&) A
passiva impessoal pode reger um objeto indireto: se a lei,. 0 mesmo sucedia em latim : Invidetur potentibus,.
Aos senhores professors que porventura compulsarem o
present livro, julgamos de utilidade algumas explicag6es como
defesa de nossa maneira especial de encarar este assunto. -
1. Sendo este um dos pontos mais dificeis de ensinar aos
meninos, porque a tendencia deles, muito natural, 6 confundi-
rem o Ihe objeto indireto corn o Ihe equivalent a uma simples
frase adverbial (n. 113, modelo 3), afastamos esta ligo das
lig6es XVIII, XIX, e seguintes, com o intuito pedag6gico de
permitir que as nog6es all ministradas se depositassem comple-
tamente no espirito infantil. -2. Limitamos o objeto indireto
aos complementos dos verbos enumerados no n. 259, por
julgarmos que ir alem 6 querer penetrar no intrincado das
distinCges desnecessarias e, sobre desnecessarias, impossiveis
de apanhar por um aluno do 1. an6 ginasial. E' missao quase
desesperadora fazer o menino enxergar alguma diferenga entire
as expresses : ,Levei o livro a Pedro>, e mesa. Instintivamente ele consider da mesmissima forma






Lig6es de portugues 85

as expresses a Pedro, a mesa, isto 6 considera-as como frases
adverbiais, perfeitamente irmls. E, de fato, buscar fazer af
uma distingio 6, segundo pensamos, querer transportar para
o dominio do portugues nog6es sutis de gramitica latina : 6
introduzir, prejudicialmente, aqui, aquilo.que somente la ter
uma razgo de ser. Ainda melhor do que n6s andaram os
ingleses e americanps, que desconhecem por complete o objeto
indireto, remetendo tudo para o dominion das frases adverbials.
O objeto indireto era, em latim, o termo que, post no
dativo, recebia indiretamente a acgo verbal. No latim, por-
tanto, havia o caso para servir de criterio gramatical : a flexao
nominal tirava toda dfivida. Mas aconteceu que jA em latim,
cor os verbos de movimento, o dativo e o acusativo corn ad
equivaliam-se ; tanto se podia dizer: como ~Vexi librum ad Petrum ; cVexi librum ad mensam*,
como cVexi librum mensae>.
Estava, pois, quase apagado o criterio que separava o
objeto indireto de qualquer modificador adverbial que se
ajuntasse ao verbo.
Ora, no latim popular, cor a morte do dativo, substituido
em todos os casos pelo acusativo cor ad, a distinsgo ainda
mais se apagou, de forma que no portugues nio 6 possivel
rastrear-lhe sequer vestigios.
-De maneira que os gramaticos, segundo pensamos, se
metem a fazer teoricamente uma distingdo que nIo nos 6
possivel tornar palpavel nos exemplos que nos 6 dado analisar
corn a classes.

QUESTIONARIO
I Que 6 objeto indireto? (253)
2 Que 6 objeto direto? (251)
3 Que acontece cor certos verbos? (255)
4 Qual 6 a construgao mais antiga? (256)
5 Como se chamam os verbos que pedem objeto indireto? (257)
6 Que sucede quando a preposigdo a 6 a que aparece corn o ob-
jeto? (258)
7 Quais sao os principals verbos objetivos indliretos? (258)
8 Como se coloca em diagrama o objeto indireto ? (259, notas 1 e 2)






86 Otoniel Mota


LICAO XXXVIII

261. As sentengas ate aqui analisadas continham um s6
sujeito e um s6 predicado. Por esse motivo todas elas sao
chamadas sentengas simples.
262. Mas, como vimos, o sujeito podia constar de um
6nico substantive (sujeito simples), ou de mais de um subs-
tantivo (su'jeito composto). Da mesma forma, o predicado
era simples (quando s6 havia um verbo), ou composto (quando
havia mais de um verbo).
263. Ora bem, sempre que tivermos um sujeito ou um
predicado composto, 6. possivel desdobrarmos a sentenga em
duas ou mais parties, conforme o n6mero de substantivos no
sujeito, ou de verbos no predicado.
264. Assim, a sentenga cAs ruas e as pragas estavam
apinhadas de povo pode ser decomposta em duas : estavam apinhadas de povo0, xAs pragas estavam apinhadas
de povo>. Repetiu-se, como se ve, o predicado.
265. Seja agora a sentenga :
menino,. Desdobrase em : A arma disparou e a arma feriu
o menino,; ou ainda : :A arma disparou e ela feriu o menino'.
A repetigao foi do sujeito, que no segundo caso apareceu em
forma pronominal.
266. Cada,uma dessas parties de que passa a compor-se
a sentenga recebeo nome de clausula.
267. Costuma definir-se clusula como sendo a part
de uma sentenCa que tern o seu sujeito e o seu predicado.
268. A sentenga que contem duas ou mais clausulas de-
nomina-se sentenga composta.
269. As mais das vezes as clAusulas nao sio o fruto de
um desdobramento de sentenga simples. Assim, quando
dizemos :' 0 home p6e e Deus disp5e ha ai duas clAusulas,
mas nao hd desdobramento algum : nem se repetiu o sujeito,
nem se repetiu o verbo.






Li~Ges de portugu6s 87

270. As clausulas podem constituir sentidos independents
entire si, como na sentenga que acabamos de considerar; 0O
home poe Deus disp6e Nesse caso, cada cl6usula tem
sua vida propria, e, separada das outras, forma por si s6 uma
pequenina sentenga.
271. Quando as clausulas formal sentido independent,
chamam-se clausulas coordenadas.
NOTA. Coordenar significa por as cousas em ordem,
uma ao lado da outra. Chamando, pois, algumas clausulas co-
ordenadas, queremos dizer que elas estao apenas reunidas, mas
sem que uma depend da outra. Dat se conclue que ha clAusulas
que NAO FORMAM SENTIDO INDEPENDENT. N6s logo falaremos
nelas.

272. A sentenga composta de clausulas independents ou
coordenadas denomina-se sentenga composta por co-
ordenacgo.

QUESTIONARIO
1 Que 6 sentensa simples? (261)
2 Que se pode fazer sempre que hA um sujeito ou predicado
composto? (263)
3 Que nome recebe cada parte de uma sentenga desdobrada ? (266)
4 Definam a clausula (267).
5 Como se denomina a sentenga que contem duas ou mais clAu-
sulas? (268)
6 Como se chamam as clausulas que formam sentido indepen-
dente? (271)
7 Como se chama a sentenga composta de clAusulas indepen-
dentes? (272)




LICAO XXXIX

273. As cliusulas coordenadas podem ligar-se umas as
outras por intermedio de conjuncges. Ex.: O home p6e
e Deus disp6e); ou s6 pelo sentido : 0 home p6e, Deus
dispoe ,.






88 Otoniel Mota

274. Se a ligag5o se faz por intermedio de uma conjungdo,
a clausula recebe o nome de coordenada sind6tica.
NOTA. O adjective sinditico significa no grego aquilo
que conjunta uma cousa cor outra.

275. Se a ligaio se faz apenas pelo sentido, a cliusula
denomina-se coordenada assindetica.
NOTA. A particula a posta antes de urn adjetivo diz o
contrario da ideia express por esse adjetivo: acat6lico 6 o
contrario de cat6lico, assindetico o contrario de sinditico.

276. As conjuncges que ligam as cliusulas coordenadas
chamam-se coordenativas. Dividem-se em:
277. 1. Copulativas : e, tambem (em certas expressess.
NOTA. Muitas outras existem, que na pratica mostra-
remos. Por exemplo: isto e, a saber, demais, outrossim, etc.

2. Disjuntivas : ou, nem, ora (quando empregada repe-
tidamente : 3. Adversativas : mas, porem, todavia, contudo, ndo
obstante, antes, senao.

4. Conclusivas : logo, pois.
NOTAS. 1.a) Pois 6 conjungco coodernativa conclusive,
quando vem POSPOSTA a qualquer palavra da clAusula por ela
introduzida: <0 home, POIs, partiu. Convem notar que
somente quando pospositiva 6 que ela aparece entire virgulas,
como no exemplo acima. Se; porem, vem logo no inicio da
clausula por ela introduzida, ndo recebe virgula e pertence a
outra categoria, de que logo falaremos. 2.a) Cumpre ainda
observer que a mesma conjungao pode variar de categoria
conforme o sentido. 0 aluno deve procurar descobrir a categoria
pelo sentido expresso, e nao colocar logo a conjungao em uma
certa e determinada categoria. A conjungdo e, por exemplo,
que 6 quase sempre copulativa, passa a ser adversativa nesta
expressed de Camoes: Preso da Egipcia linda e nAo pudica'
isto 6, MAS nao pudica*.

278. Coloquemos em diagrama a sentenga : sereno, o mar dormia; mas uma vaga inquietag~o perseguia
a alma'do velho marinheiro>.





Lic6es de portugues 89


ar era \ sereno



\o
mar dormia


mas
inquietagpo perseguia alma

S \ marinheiro



279. Ai temos uma sentenga composta por coordena-
cao. A 1.* clAusula recebe o nome de principal, pelo fato de
vir em 1. lugar ; a 2.* 6 coordenada assind6tica ; a 3.* coorde-
nada sind6tica adversativa. O sinal X indica ausencia de
conjungao. Tambem poderiamos usar a f6rmula seguinte,
quase sempre preferivel por facilitar a colocaggo das cldusulas,
mas nao tao expressive como a primeira:
Ar era \ sereno
\0

mar dormia


inquietagio torturava alma

P marinheiro



280. As linhas devergo partir de verbo a verbo, porque
o verbo 6 a alma da sentenga.






90 Otoniel Mota


QUESTIONARIO
1 De quantos modos podem as clausulas coordenadas prender-
se umas as outras? (273)
2 Que 6 cldusula coordenada sinditica? (274)
3 Que 6 cldusula coordenada assinditica? (275)
4 Como se chamam as conjungces que ligam as clAusulas co-
ordenadas sind6ticas? (276)
5 Quais sio elas? (277)
6 Que diz a nota 1 a respeito de pois?
7 Que diz a nota 2 a respeito das conjung6es?




LICAO XL

281. Analisar as sentengas:
1. O tempo correu admiravelmente bem; o trabalho foi
feito corn a maior regularidade; logo, a colheita deve
ser esplndida.
2. A riqueza doura a sabedoria e o talent, mas nao os
constitute.
3. Pedagos de area reluziam em seco e a agua baixa
arrastava-se cor um marulho brando, toda enrugada
do rogar dos seixos.
.4. A agua abundava; sobre as colinas erguiam-se forta-
lezas novas; pedras sagradas delimitavam os campos.
5. A espada de bainha preta e copos de roca descansava
fora do boldriM a seu lado, e a alabarda, insignia do
posto, viase encostada da outra parte.
282. As conjungSes ora, ou e nem, usadas repetidamente,
oferecem casos curiosos em que a' conjungao nao liga, mas
simplesmente introduz uma clAusula, ou um elementoqualquer
da clausula. Assim, na sentena :
Ora o sol se mostrava risonho em uma nesga de c6u azul,
ora uma borrasca violent vergastava as folhas.






Liq6es de portugu6s 91

283. Em diagram:
Ora
sol mostrava se risonho

o nesga
\\


borrasca vergastava ftihas



284. Seja ainda a sentenga : O0 rapaz, nervoso, atirava
a cada pass ora o livro, ora a pena, e punha-se triste .

livro

rapaz atirava I ora
.. pena


(ele) punha | se \ triste


285. Repetindo-se o sujeito na forma pronominal, con-
sideramos a sentenga como composta, contend duas clausulas.
Mas podiamos fazer de outro modo.


atirava






Otoniel Mota


286. Neste caso consideramos a sentenga como simples,
de predicado composto. Esta segunda maneira de analisar
6 quase sempre preferivel, nao s6 porque simplifica muito, como
porque solve dificuldades series.
NOTA. HA casos, porem, em que o desdobramento e
forgoso: quando, por exemplo, vem corn o sujeito um modi-
ficador que ele s6 aceita quando funciona como sujeito de um
dos verbos, mas nro do outro.




LICAO XLI

287. Nas sentengas compostas por coordenago chama-
mos principal a clAusula que vem em primeiro lugar. A razio
do nome 6 fraca, mas 6 convenient, como a experiencia mos-
trari.
288. Agora, porem, vamos ver outra especie de sentences
compostas em que ha uma clausula chamada principal, nio
pelo simples fato de vir em primeiro lugar, mas porque ocupa
realmente um papel superior. E', por assim dizer, a clAusula
comandante.
289. Em redor da principal se reunem outras clausulas
secundarias, que s6 vivem quando ligadas a ela; que estgo
como que debaixo de suas ordens e por isso se denominam -
clausulas subordinadas.
290. A sentence que contem uma clausula principal e
outras que sao subordinadas a esta, chama-se sentenga
compost por subordinaggo.
291. Estudemos, por exemplo, a sentenga cEu irei quando
ele vier .. V&-se logo qual 6 a principal : Eu irei. Ela tem vida
propria, o que nao acontece com a outra : quando ele vier.
Esta, se a separarmos da companheira, fica a pedir ao nosso
espirito que a liguemos de novo, para que possa former sentido.





Liq6es de portugues 93


QUESTIONARIO
1 Qual a razio por que se dA o nome de principal a uma das
clAusulas da sentenga composta por coordenagao? (287)
2 Que e sentenga compost por subordinagao? (290)
3 0 nome de principal dado agora a uma das clAusulas
ter a mesma razao de ser que na sentenca compost por
coordenacao? (288)
4 Que sAo cldusulas subordinadas? (289)



LICAO XLII

292. At6 aqui, nas sentengas analisadas, jogamos quase
que s6 corn os pronomes pessoais, tambem chamados pro.
nomes substantivos.
293. E' tempo agora de encararmos a outra classes de pro-
nomes chamados pronomes adjetivos. Este nome Ihes
foi dado pelo fato de que eles em geral pressupbem um subs-
tantivo ao qual se referem.
294. Por exemplo, na sentena : 0O home, que n6s
vimos, faleceu essa palavra que e um pronome adjetivo que
se refere ao substantive home.
295. Os pronomes adjetivos dividem-se em:
1. Demonstrativos : isto, isso, aquilo, o.
NOTA. O 6 pronome adjetivo demonstrative em expres-
sdes como esta: Dizem isso, mas eu nao o creio isto 6 nao
creio isso que dizem. E' tambem pronome demonstrative na
expressao o QUE quando o element o pode ser transformado
em AQUILO.
2. Interrogativos : quem. Ex.: KQuem fez isso ?
3. Relatives : que, o qual, cujo, quem, onde ou aonde,
quanto, o que.
4.- Indefinidos : tudo, nada, alguem, ninguem, algo.
NOTAS. 1.') Quem quando 6 pronome relative, n~o faz
interrogacgo alguma. Ex.: c Quem diz o que quer ouve o que






94 Otoniel Mota

nao quer,. ( Quem quer vai, quem nao quer manda,. 2.a) Onde
e chamado pelbs gramAticos em geral adverbio conjuntivo.
E de fato, embora a sua fungco principal seja a de pronome
relative, nao deixa ele de exercer uma funSgo adverbial modi-
.ficadora do verbo. 3.1) Quanto 6 pronome relative nas ex-
pressies tudo quanto, todos quantos, tanto quanto. 4.a) O que
e pronome relative quando nao se pode separar em dois ele-
mentos, de modo que o fique equivalent a AQUILO. (Ver 295,
1, nota).
296. O substantive ou pronome que antecede os pro-
nomes relatives chama-se por isso mesmo o antecedente.
Na sentenga : home 6 o antecedente do pronomer relative que.
NOTA. Obedecendo ao criteria geral que nos guia, a
saber a simplificagdo das teorias gramaticais, nao fizemos
distingdo entire pronomes relatives e adjetivos relatives, nao
s6 por julgarmos desnecessaria e portanto inconvenient -
semelhante distingco, como porque em gramatica hist6rica
geralmente s6 se fala em pronomes relatives. Nao queremos
dizer, estA clarg, que qual, por exemplo, nSo exerga a funcgo
adjetiva em expresses como : c Avistei o home, o qual home,
etc. Mas mesmo ai ele nao perde completamente o seu carter
de pronome. E como 6 pronome adjetivo, cumpre apenas aos
profess6res salientarem a funcgo adjetiva incidentemente as-
sumida.
Em latim qui 6 pronome, e como tal 6 classificado: o que
nao impede os gramaticos de ensinarem que as vezes qui fun-
ciona como adietivo. Foi esse o nosso criteria.



LICAO XLIII

297. A ligio anterior preparou os espiritos para o que
vamos hoje dizer.
298. As clausulas subordinadas podem ter tres fungSes.
a) Funrgo adjetiva.
b) Funsao adverbial.
c) Funggo substantive.
299. As clausulas de natureza adjetiva so, introduzidas
pelos pronomes relatives (n. 295, 3). Na sentenga : O home,





Liq6es de portugues


que n6s vimos ontem, faleceu,, ha duas cliusulas. A principal
6: 0 home faleceu>. A outra (eque n6s vimos ontem )
6 subordinada adjetiva, introduzida pelo pronome relative que:
que nds vimos e, igual a avisto> por nds.
300. O pronome relative que ou faz a fungAo de sujeito
ou a de objeto : raramente a de atributo.
NOTA. Por aqui se ve que o relative que, NUNCA PODB
VIR NA LINHA PONTUADA. O MESMO SUCEDE COM OS DEMAIS
RELATIVES.
301. Em fung~ o de sujeito: < A vida que corre tranquila
nao cria caracteres viris .
Em diagrama :
vida C cria caracteres (Cidusula principal)



Sque core (clAusula subordinada adjetiva)




NOTA. Tranquila pode ser colocado tambem como atri-
buto, ficando o verbo correr na fungAo de verbo atributivo ou
de ligacSo. HA ocasi6es em que um adjetivo pode ser colocado
como simples modificador do sujeito, como adverbio, ou como
atributo, indiferentemente.
302. tEm funsgo de objeto: xVinha do alto um sopro
de brisa, tepido e perfumado, que ele hauria com sofreguido ,.
sopro I vinha ~

brisa I.elto

*\


ele I hauria I que

0' sofreguidao





Otoniel Mota


303. Em fungao de atributo : KO bom amigo que ele
era foi a causa da minha confianga ilimitada>.

amigo foi \ causa
0. N confianga



ele era \ que


,r! 304. Os pronomes relatives podem vir regidos de pre-
posiso. Ex.: KE' muito pouco o tempo corn que contamos>.
Nesse caso eles formam cor a preposigao uma frase que vai
modificar um element da clusula subordinada adjetiva. Colo-
quemos em diagram esta sentenga : rosto da enferma, sobre o qual a morte batia a asa eterna >.


sorriso


morte
9^


I


alumiou I


rosto


\ en!erma "



batia aa !'


305. A tendencia dos alunos principiantes seria colocar a
frase sobre o qual debaixo de rosto, na clusula principal. E'
um erro que se repete em certos casos mesmo depois de varias
advertencias.
306. Dai o tirarmos esta regra absolute : 0 pronome
relative nuncafunciona na cldusula em que se acha o substantive
a que ele se referee .





Liq6es de portugues 97

LICAO XLIV
307. Sentengas a analisar:
1. Os homes que nao se vingam sao sempre os mais bem
vingados.
2. A ventura dos maus tem o brilho e a duragio do
relampago que precede e anuncia o raio.
3. O elogio que mais saboreamos 6 de ordinario o que
menos merecemos.
4. O sol declinava no horizonte e deitava-se sobre as gran-
des florestas, que iluminava cor seus iltimos raios.
5. Agora o spl irradia, inunda a terra, torna rutilantes as
paredes das casas, que, vistas de long, parecem salpi-
cadas de neve.
6. A cigarra, na grande luz t6pida que dourava o colmo
da casinhola, entrou a cantar.
7. Eu nao te sei dizer o que era aquela mfisica sobrenatural.
NoTA. Esse o depois do verbo dizer 6 pronome demons-
trativo. (Vide o n. 295, 1, nota.) Equivale a AQUILO.
8. Toda aquela sombria Diana esguedelhada, que se
chama a floresta, dormia sob a opressio da neve, triste,
silenciosa, estoica, soberba.
9. No portal havia um nicho com um santo de pedra, que
lia uma biblia, tambem de pedra.
10. 0 mUindo latino, em todos os seus aspects politicos,
sociais, literarios, cientificos, morais e econ6micos,
governa-se ainda irifelizmente pelas normas e ditados
de uma antiga sociedade, em que a desigualdade e o
privilegio, na sua mais imoderada aspiragao, consti-
tuiam o principio dominant da vida national.
11. Um sol ardente, implacavel, de que result uma tem-
peratura de 45 graus A sombra, dardeja fogo pelos
rasg6es da folhagem sobre a agua dormente.
12. Um corpete, dos que entao se chamavam Mimosos, de
seda preta cor guarnigces singelas, e cintura curtissima,
desenhava mal a rara elegancia daquele corpo esbelto,
moldado pelas gragas.





98 Otoniel Mota


LICAO XLV

308. 0 pronome relative quem e igual a aquele que. Para
analisar-se, 6 preciso desdobra-lo nesses dois elements.
309. Com ele aparecem sempre dois verbos; de modo que
o primeiro element (aquele) funciona com o segundo verbo,
e o segundo element (que) funciona com o primeiro verbo.
310. Seja a sentenga: c dobrando o quem, temos: KAquele que cala consente. Aquele
6 o sujeito de consent, e que 6 sujeito de cala.
NOTA. Aquele 6 um adjetivo substantivado, devido a
supressao da palavra home.
311. Coloquemos em diagrama a sentenga : Quem diz
o que quer ouve o que nao quer>.
Aquele gu1ee 1
.... ......
............ ....
que diz o ( 1e) quer (ouvir) I que


(ele) quer (dizer) que

312. Quando, porem, o pronome relative quem esta regido
de preposiSgo, as vezes nao se desdobra nos dois elements
acima mencionados. Por exemplo : tantos favors devo>.
Paulo I \ home


(eu) devo I favors

quem
.. ....... ....





LiUqes de portugues 99

NOTA. Quem, servindo de objeto, vem sempre regido
da preposigdo a, que, em analise, nao 6 tomada em consideraCao,
como em o n.0 122. Ex.: 0O home a quem sirvo 6 generoso
e honesto-.
313. Analisar as sentengas:
1. Quem nao tern medo, vive sem resguardo e acaba cedo.
2. Quem nao grato, menos serd pagador exato.
3. Quem mais estudou o passado melhor sabe e pode ler
o future.
4. Quem arma o seu inimigo a si proprio se desarma.
5. Nao espereis moralidade em quem nio ter pontuali-
dade.
6. Para quem ama e teme a Deus nao hd neste mundo
complete desgraga.
7. Esse home, para quem nao hA piedade na terra, e
o chefe altanado da oligarquia do Norte.
8. Em larga roda de nov6is guerreiros
Ledd caminha o festival Timbira
A quem do sacrificio cabe a honra.



LICAO XLVI

314. FOs pronomes relatives o qual, onde, cujo, nao oferecem
grande dificuldade. Ex.: O desconhecido empurrou a can-
cela, a qual range nos gonzos,.
desconhecid empurrou cancel


.a qual range

gonzos


NOTA. 0 qual, a qual colocam-se como um todo em
diagrama, isto 6, sem se separarem os elements, o, a, e qual.






100 Otoniel Mota

315. pressao, tinham aquele tom bago e frio de pupilas que revela
quase. sempre as almas traigoeiras>.
olhos tinham ) tom

\ \jV a \ol


316.
.


senhora reside

7"" Rio
e0

L(eu) more

..casa
i.-


"317...Te......'o ps s s
317. Tenho profundas saudades do


lugar onde nasci.


(Eu) tenho I saudades

Sugar


(en)J nasef


NZ .




University of Florida Home Page
© 2004 - 2010 University of Florida George A. Smathers Libraries.
All rights reserved.

Acceptable Use, Copyright, and Disclaimer Statement
Last updated October 10, 2010 - - mvs