• TABLE OF CONTENTS
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 Front Cover
 Title Page
 A criacao animal na civilizacao...
 A pecuaria perante as necessidades...
 O factor humano na producao...
 O meio fisico e a pecuaria
 O armentio de Mocambique e a sua...
 Discordancia entre a ocupacao pecuaria...
 Caracteristicas das principais...
 Importacao e exportacao de produtos...
 O melhoramento dos bovinos indigenas...
 A producao de carne
 A producao do leite
 Factores que mais dificultam o...
 Medidas atinentes ao desenvolvimento...
 Index
 Errata
 Tipos mais comuns de gado bovino...














Group Title: Aspectos do problema pecuâario de Moðcambique
Title: Aspectos do problema pecuâario de Mocambique
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Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/UF00073393/00001
 Material Information
Title: Aspectos do problema pecuâario de Mocambique
Physical Description: 108 p., 6 leaves of plates (some folded) : ill. (some col.) ; 29 cm.
Language: Portuguese
Creator: Martinho, Jacinto Pereira
Mozambique -- Junta de Comâercio Externo
Publisher: Junta de Comercio Externo da Provâincia de Moðcambique
Place of Publication: Lourenco Marques
Publication Date: 1956
 Subjects
Subject: Cattle -- Mozambique   ( lcsh )
Dairy cattle -- Mozambique   ( lcsh )
Meat industry and trade -- Mozambique   ( lcsh )
Genre: non-fiction   ( marcgt )
 Notes
Bibliography: Includes bibliographical references and index.
General Note: "Maio de 1956".
Statement of Responsibility: pelo Jacinto Pereira Martinho.
 Record Information
Bibliographic ID: UF00073393
Volume ID: VID00001
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 17134016
lccn - 85840704

Table of Contents
    Front Cover
        Front Cover 1
        Front Cover 2
    Title Page
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    A criacao animal na civilizacao e economia dos povos
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    A pecuaria perante as necessidades da agricultura de Mocambique
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    O factor humano na producao animal
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    O meio fisico e a pecuaria
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    O armentio de Mocambique e a sua producao
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    Discordancia entre a ocupacao pecuaria e a ocupacao agricola
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    Caracteristicas das principais zonas pastoris
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    Importacao e exportacao de produtos de origem animal
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    O melhoramento dos bovinos indigenas por seleccao
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    A producao de carne
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    A producao do leite
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    Factores que mais dificultam o desenvolvimento da producao animal
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    Medidas atinentes ao desenvolvimento da producao animal
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    Index
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    Errata
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    Tipos mais comuns de gado bovino de mocambique
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Junta de Comrcio Externo da Provncia de Moambique


ASPECTS


DO


PROBLEMA PECURIO


MOAMBIQUE





Pelo Mdico-Veterinrio
JACINTO PEREIRA MARTINHO







-MAIO DE 1956-
TIPOGRAFIA SPANOS
-Loureno Marques-


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A criao animal na civilizao
e economic dos povos
A domesticao dos animals foi uma das maiores, talvez a
maior, conquista do home pr-histrico.
Quando os rebanhos puderam garantir ao nosso antepassado da
poca neoltica os alimentos indispensveis ao seu sustento, s ento
ele pde libertar-se das contingncias verdadeiramente trgicas em
que se debate durante longos milnios e da condio que em pouco
diferia da animalidade dos series que caava ou dos que com ele
competiam na luta pela existncia.
Com a criao dos animals em cativeiro, a espcie humana
consegue multiplicar-se mais rpidamente, pois a carne e o leite
dos rebanhos assegura a sobrevivncia de um maior nmero de
crianas e a vida mais longa dos adults. S da em diante pde
o home fixar-se naqueles lugares onde sabia que as plants tinham
um crescimento mais rpido e ali aguardar a maturao das pri-
meiras searas que lhe asseguram um bem-estar ainda maior.
O aumento dos rebanhos faz nascer na sua mente a ideia da
permuta. Os animals que excedem as necessidades familiares, ou as
do seu clan, fornecem-lhe os elements bsicos das primeiras
trocas comerciais, o material permutvel que, mais tarde e por '
muito tempo, havia de desempenhar o papel de verdadeira moeda.
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A riqueza do individuo mede-se, da em diante, pelo nmero de
cabeas dos seus rebanhos.
A pastorcia, tudo o indica, deve ter sido a primeira actividade
econmica do Homem, o verdadeiro ponto de partida para uma
fase mais progressive da sua existncia. E at aos nossos dias no
mais deixou de ser um dos factors primordiais do bem-estar das
sociedades humans e uma das maiores fontes de receita a maior
fonte de receita em numerosos casos que os povos civilizados
obtm do solo.
Dos animals obtm o home, alm de dois alimentos de alto
valor biolgico, que so a carne e o leite, valiosos produtos utili-
zados no fabric de grande nmero de artefactos ou que serve de
matria-prima a diversas indstrias, farmacutica inclusive, com
que ela prepare diversos medicamentos de grande valor teraputico.


A pecuria perante as necessidades
da agriculture de Moambique

A pecuria, embora constitua desde os seus primrdios uma
indstria bem individualizada, explorada, quase sempre, em
estreita ligao com a agriculture, qual fornece os tradicionais
elements de trabalho e o melhor fertilizante das terras de cultural,
ao mesmo tempo que permit a transformao em carne, leite,
ovos, ls, peles, etc., de muitos subprodutos das colheitas que,
de outra forma, no seriam condignamente valorizados.
Infelizmente, em quase todos os passes novos, confia-se dema-
siadamente na fertilidade das terras virgens que se julga inesgotvel,
descurando-se, por isso, a criao dos animals que assegurariam
uma explorao mais equilibrada e mais lucrative das propriedades
agricolas.












Dai result, bem de ver, uma srie de inconvenientes que, sob
o ponto de vista econmico, se traduz pelo inaproveitamento de
rendimentos subsidirios importantes suficientes em numerosos
casos para assegurar um razovel lucro s exploraes -, sob o
ponto de vista agrolgico, pela reduo progressive do potential
produtivo do solo, condio que predispe, como sabido, para a
sua eroso, e, sob o ponto de vista social, pelo fraco contribute
dado pelo agricultor produo de alimentos derivados dos animals,
produo cada vez mais escassa para o nmero crescente de con-
sumidores.
Moambique no tem escapado a esta tendncia da qual derivam
consequncias bem funestas para o solo, que j se evidenciam de
modo alarmante em alguns pontos do territrio. Seja por igno-
rncia ou por comodismo do agricultor, seja por falta de tradio
pastoril de alguns povos nativos ou do prprio civilizado, ou, ainda,
porque a existncia da ts-ts no consent a vida das espcies
animals em grandes reas, o certo que a explorao do solo mo-
ambicano, ou se tem feito quase exclusivamente pela pastorcia,
como sucede no sul, ou exclusivamente pela agriculture, como
acontece nos distritos do norte, raras vezes pelas duas actividades
consociadas. bvio que, encarado pelo lado econmico, este
sistema est errado e, embora as circunstncias no permitam uma
mudana rpida, temos que modific-lo se quisermos produzir
gados e gneros agrcolas em maior quantidade e melhores condies
de economic.
A mosca ts-ts represent, sem dvida, um grande bice
multiplicao das espcies animals. A ela cabe grande parte da
responsabilidade do diminuto desenvolvimento agricola, apesar das
enormes possibilidades que o territrio oferece a esta actividade.
O nomadismo agrcola, hbito to arraigado entire as tribos dos
agricultores do norte, por necessidade compreensvel, dadas as
condies do meio em que vivem e a falta de tradio como cria-












dores, uma das causes que mais contribui para a degradao do
solo. Devido a este sistema, milhares de hectares de florestas so
todos os anos arroteados pelos pretos para ali fazerem as suas
machambas, o que d lugar destruio de numerosas rvores
de grande valor econmico, de que o indgena se desembaraa,
reduzindo-as a cinzas. Ao fim de trs ou quatro anos, o solo dessas
zonas granticas, que no rico, fica exausto para mais colheitas
e a aco destruidora da floresta e da fertilidade que ele tinha
acumulado durante sculos, vai ser recomeada noutros lugares.
Ora, este mal que, infelizmente, h-de perdurar ainda por muito
tempo, s poder ser atenuado, na media em que a ts-ts for
desalojada por persistent combat, e o preto, melhor instruido
nos bons mtodos culturais, disponha do gado suficiente para
produzir os estrumes que as suas terras reclamam. na educao
do cultivador preto, orientada no sentido de o levar a abandonar
esses hbitos ambulatrios, fixando-o definitivamente terra, e a
praticar uma agriculture menos espoliadora do solo, na destruio
sistemtica da ts-ts e na criao das espcies animals mais adapt-
veis ao meio ecolgico e social, que poderemos encontrar a soluo
deste problema, que no s de Moambique, porque tem igual
acuidade em muitos outros territrios africanos.
J no sul, devido configurao quase plana e menor queda
pluvial, o solo est menos sujeito eroso, mantendo-se a ferti-
lidade por muito mais tempo, a ponto de poder ser cultivado durante
geraes consecutivas. As glossinas s se encontram aqui em reas
muito limitadas, razo por que as existncias de gado so maiores
do que no norte.

*

A pecuria de Moambique represent, apenas, uns escassos
25% das suas necessidades mais instantes, se considerarmos que












o indivduo normal deve consumer um mnimo de protenas animals
e a agriculture requer grande massa de estrumes e o auxlio do
trabalho animal, sem o que no possvel melhorar as condies
de produo da maioria dos agricultores pretos e at a de muitos
brancos. E no difcil prever que, num future breve, esta situao
mais se agravar, se se mantiver a progresso do aumento popula-
cional human verificado nos ltimos anos, uma vez que no
possvel conseguir a multiplicao da populao animal em ritmo
idntico.
A natureza muito especial da criao de gado no se presta a
improvisaes nem dela se pode esperar um desenvolvimento muito
rpido. Cada gerao de bovinos a espcie mais vivel em Mo-
ambique exige, at que atinja a idade de procriao, trs ou
quatro anos. A multiplicao desta espcie lenta, no indo, anual-
mente, alm de uns 60% da existncia feminine adulta, descontada
a percentage normal de mortes por acidentes vrios. Finalmente,
nas condies mais favorveis, um boi no atinge a idade de talho
antes dos quatro ou dos cinco anos, a no ser que se lhe d um
trato especial, o que no corrente.



O factor human na produo animal

A execuo de um program de fomento da criao de certa
envergadura exige, consequentemente, uma fase demorada de tra-
balhos preparatrios, mesmo que apaream muitos indivduos ou
empresas interessadas na indstria, com capacidade tcnica bastante
e suficincia de capitals. Captao de gua, construo de tanques
carracicidas, implantao de vedaes, limpezas do mato, aquisio
do gado para a reproduo, etc., etc., so trabalhos demorados e
muito dispendiosos, que no dispensam, tambm, gente capaz de os












orientar e com resistncia moral bastante para suportar a vida
isolada do mato. Ora, o material human com aptido para manter
as exploraes em alto nvel to indispensvel como so os prprios
animals que as ho-de constituir. Mas, neste sector de actividade,
no dispomos, infelizmente, de gente bastante para a grande tarefa
a que preciso meter ombros. H, sem dvida, pessoas que mani-
festam um grande interesse pela criao, muitas delas capazes, at,
de fazerem por ela grandes sacrifcios materials, mas profissional-
mente mal preparadas e de esprito nem sempre permevel aos
ensinamentos dos mais experiences. As excepes so raras. Entre
ns, s espordicamente aparece aquele criador que, tendo tanto
de professional como de artist, pratica este modo de vida com
verdadeira paixo, mais por amor da arte que por amor do lucro.
E tem sido ele o verdadeiro impulsionador do progress pecurio
nos pauses ganadeiros de todo o Mundo, pelo seu exemplo, pela
sua grande intuio e alta competncia professional e pelos sacri-
fcios de que capaz.
O vocbulo ingls breeder no possui equivalent na lngua
portuguesa; da, a confuso que se estabelece entire o simples pro-
prietrio de animals, que os explore como sabe e pode, e aquele
gnero de criador que no s conhece profundamente a profisso
mas possui, tambm, a centelha do artist que consegue moldar
a plstica ou a constituio fisiolgica dos animals, tornando-as
mais belas, mais produtivas ou mais especializadas. So estes os
que, na verdade, criam alguma coisa de novo e de til, bem mere-
cendo por isso o nome de criadores.
Por falta de tradio, por falta de ambiente prprio, ou seja
pelo que for, nunca o aperfeioamento das raas nacionais preocupou
muito o nosso lavrador, de c ou de l. E por essa razo, no outra,
elas no so hoje melhores do que eram h sculos atrs, e estamos
mesmo em crer que nem to boas sero como devem ter sido.
Neste ponto no acompanhmos o progress dos restantes povos












europeus que, depois do sucesso alcanado pelos famosos irmos
Colling, no sculo xvII, se lanaram entusisticamente no aper-
feioamento das suas raas nacionais, seguindo os mtodos desses
geniais criadores ingleses, com resultados brilhantes, quase sempre.
A explorao de gados considerada, entire ns, mais um
negcio do que uma profisso ou um modo de vida. E porque se
trata de um negcio, muitos metem-se na aventura, a tentar a sorte...
Ora, uma profisso, seja ela qual for, no dispensa um perodo
mais ou menos long de aprendizagem, e esta no se adquire com
eficincia em qualquer idade, mas s na idade prpria. A profisso
de criador daquelas que verdadeiramente s se aprendem na
juventude, em contact com os animals e com as pessoas mais
experimentadas, seja nas escolas com os bons mestres, ou no campo
com os bons prticos.
Da iniciativa do preto nada podemos esperar, embora seja ele
o detentor da grande massa pecuria da Provncia. No ser fcil
induzi-lo a colaborar em um largo plano de fomento animal, uma
vez que, para a sua existncia de primitive, o gado tem uma fina-
lidade muito diferente da que tem para o civilizado. Se, para este,
a manada represent um capital que deve produzir um rendimento
mximo em perodos mais ou menos previstos, para o preto repre-
senta, acima de tudo, um factor de prestgio social, utilizando-a
como simples mealheiro, que vai avolumando custa mais da
generosidade da natureza do que do esforo prprio, e ao qual
s recorre quando se v apertado pela necessidade de pagar o
imposto, de lobolar mais uma mulher, de comprar o vesturio
ou o saco de farinha, nos anos de fome.
Fora disso, podem os animals ter atingido, ou ultrapassado,
o limited da maior valorizao, que ele no os vender, deixando-os
morrer de velhice ou de doena, apenas porque possui um conceito
da economic diferente daquele que tem o home civilizado. E

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assim continuar por tempo indefinido, se no o persuadirmos a
mudar de ideias e a disciplinary a sua actividade pastoril em bene-
fcio da colectividade de que ele prprio faz parte.
Ora, nos pauses novos, como Moambique, onde h carncia
de pessoas habilitadas neste ramo de actividade e uma grande
dificuldade em as recrutar fora, no vemos maneira de preparar
bons profissionais da criao a no ser em escolas que facultem
esse ensino. De inicio, temos de nos contentar com escolas rudi-
mentares, cujos programs sejam mais prticos do que tericos,
pois no devemos ter a pretenso de former criadores com a pre-
parao universitria desse genial modelador do famoso boi
S.ta Gertrudes, que Roberto Kleberg.
Por agora, bastariam aquelas noes que todos os bons criadores
no devem ignorar, ou sejam: a higiene geral dos animals, o valor
relative dos alimentos mais adequados a cada espcie e a melhor
forma de os administrar; a importncia dos elements proteicos,
das vitamins e dos sais minerals, na higiene alimentar; a morfo-
logia das raas que mais convenham a cada zona da Provncia
e as bases da seleco sem esquecer a importncia que, na escolha
dos reprodutores, se deve dar sua ascendncia, e os inconvenientes
de se seleccionarem animals com defeitos transmissveis aos des-
cendentes -; a prtica da preparao da silagem e dos fenos, de
modo a conservar-lhe a maior quantidade possvel de carotene;
a cultural das plants forraginosas que mais interessem a cada zona;
o cuidado a ter com a conservao das pastagens naturais e a con-
venincia delas serem consumidas em rotao; a utilidade das
vedaes; os inconvenientes e as vantagens das queimadas; os
perigos da eroso e a maneira de os impedir; a prtica da enfer-
magem e os socorros de urgncia a prestar aos animals; as noes
de profilaxia das doenas infecto-contagiosas mais comuns, par-
ticularmente as medidas que devem ser tomadas em presena das
diarreias dos animals jovens, das mamites, do aborto contagioso,












das piroplasmoses e das doenas carbunculosas; a titulagem dos
banhos carracicidas, etc., etc.
Quem no tiver conhecimentos, ainda que superficiais, de todos
estes assuntos; quem no tenha a noo do erro de certas prticas,
mais generalizadas do que seria desejvel, no pode desempenhar,
bvio, conscienciosamente, a funo que a sociedade espera do
criador.
No tenhamos iluses. O future da pecuria em qualquer pas
que no possua bons profissionais da criao ser sempre precrio.
S os bons criadores so capazes de aperfeioar ou de manter as
boas qualidades das raas, produtos obtidos essencialmente custa
do artifcio imposto pelo home, e que s perduram enquanto
o artifcio se mantiver.
Habilitar, portanto, pessoas capazes de fazerem progredir as
indstrias de criao e proporcionar-lhes condies favorveis para
que elas exeram com entusiasmo a profisso de criadores , em
nosso entender, a maneira mais segura de contribuir para o desen-
volvimento desta grande riqueza dos povos.
De pouco serviro as investigaes dos tcnicos e as quantias
elevadas que o Estado despende nos seus estabelecimentos zootc-
nicos, se no houver quem, fora deles, saiba aproveitar todo esse
esforo atinente ao aumento da riqueza da Provncia e do bem-
-estar das suas populaes.
Possuimos, j, vrias escolas comerciais e industrials cujos
diplomados ho-de fixar-se, de preferncia, nas cidades; poucos
iro para os campos. Necessitamos agora em Moambique de
escolas agro-pecurias que prepare criadores e agricultores,
gente capaz de ocupar as terras virgens do interior, de transformar
o enorme potential de que so dotadas, em valores econmicos,
em prosperidade e em progress. Precisamos, acima de tudo, de
estimular e de amparar os que tudo sacrificam para criar riquezas
e se no limitam a viver parasitriamente do trabalho alheio.












O meio fsico e a pecuria


Todos sabem que os series vivos, sejam animals ou plants,
reagem mais ou menos intensamente aco dos agents exteriores.
A temperature, a humidade, a chuva, o vento, a luz, a gua, a
natureza do solo e o seu relevo, a altitude e a latitude e, quando
se trata de animals, a higiene, a alimentao e outros cuidados que
recebem dos donos, etc., so factors que actuam sobre o seu com-
portamento, imprimindo-lhes certos atributos de natureza morfo-
lgica e fisiolgica que acabam por se tornar especficos, quando
a adaptao tem lugar. Comearemos, pois, por fazer uma rpida
resenha das caractersticas gerais do meio fsico das diversas regies
da Provncia, para que se possa avaliar das condies naturais
que cada uma delas oferece ao desenvolvimento das espcies do-
msticas.

SITUAO GEOGRFICA

Com cerca de 771.125 km2 de superfcie, Moambique estende-se
ao long do Oceano Indico, desde o rio Rovuma at Ponta do Ouro,
entire as latitudes, sul, de 10 27' e 260 52'. A maior parte da superfcie
do territrio encontra-se situada, portanto, dentro da zona tropical.
A distncia da foz do Rovuma Ponta do Ouro de
1.965 km, que represent tambm o seu comprimento mximo.
A largura mxima, entire a cidade de Moambique e o Zumbo, de
1.130 km.
A fronteira terrestre tem um desenvolvimento de 3.784 km, e
a linha de costa, quase 2.795 km. Nela se abrem numerosos portos,
dos quais os mais importantes so, do norte para sul, Porto Amlia,
Nacala, Moambique, Quelimane, Beira e Loureno Marques. Dos
portos de Nacala, Quelimane, Beira e Loureno Marques partem
vias frreas para o interior, terminando as de Loureno Marques













e Beira nos territrios das vizinhas Unio Sul-Africana e Rodsia
do Sul. Atravs delas, fazem grande parte das suas trocas comer-
ciais com o exterior. Esta Provncia , incontestvelmente, o terri-
trio da frica Tropical que dispe dos melhores portos na-
turais.

OROGRAFIA (1)

Em Moambique predominam as planicies. Toda a zona
costeira plana, como plana quase toda a zona situada ao sul do
rio Bzi. Ao norte deste rio o terreno eleva-se gradualmente do
litoral para o interior e, s quando atinge a cota dos 400 metros,
se podem ver as primeiras montanhas, mais ou menos isoladas.
Uma srie de largos degraus caracteriza o perfil do territrio,
a partir do Indico para oeste, correspondendo s cinco zonas
seguintes:
A zona litoral, que ocupa, aproximadamente, 40% da superfcie
de Moambique, toda baixa, no indo alm dos 200 m de cota.
Compreende, essencialmente, formaes tercirias e quaternrias,
parte das mezozicas e uma estreita faixa do complex grantico-
-gnissico do Niassa e da Zambzia, internando-se profundamente
ao long dos vales dos rios que desaguam no Indico, desde o Rovuma
ao Limpopo. No extremo norte, comea por uma estreita faixa que
se alarga at ao rio Zambeze, por cujo vale se prolonga para mon-
tante ainda de Tete, ramificando-se pelo vale do rio Chire, afluente
daquele. Do Zambeze para sul, vai-se alargando at alcanar o rio
Save, prximo da fronteira. Com excepo dos montes Libombos,
todo o territrio ao sul deste rio faz parte da mesma zona.

(1) Elementos extrados do trabalho Dendrologia de Moambique, do Eng.o Agrnomo
Sr. Antnio de F. Gomes e Sousa-Imp. Nac. -1951-e do Esboo do Reconhecimento
Ecolgico-Agrcola de Moambique realizado pela Junta de Exportao do Algodo, com a
colaborao da Junta das Misses Geogrficas e da Repartio Tcnica de Agricultura-
Imp. Nac. 1955.












A faixa costeira formada por terrenos arenosos, a que se
seguem, nalguns pontos, baixas mais ou menos pantanosas -
dambos e machongos -, por vezes salgadas, ou as riqussimas
aluvies das margens dos rios que ocupam superfcies grandes,
nomeadamente as dos rios Ligonha, Nipidi, Licungo, Zambeze,
Pngu, Bzi, Save, Limpopo, Incomti e Maputo.
Em toda esta extensssima zona, a pecuria bovina teria maiores
ou menores probabilidades de se estabelecer e progredir, mas -
descontada a parte sul do rio Save, onde se encontram as melhores
criaes de bovinos da Provncia, e pequenas manchas no litoral
da Zambzia e nos distritos de Nampula e do Lago est densa-
mente infestada de glossinas que impedem a criao. Mesmo na
extremidade sul da zona, na regio de Inhambane, no Sbi e no
Maputo, h algumas manchas de glossinas, embora de importncia
relativamente restrita, sob o ponto de vista sanitrio, por estarem
bem definidos os seus limits e se tratar de espcies com fraco
poder de disperso.
A zona subplanltica, cujas altitudes variam entire os 200 e
os 500 m, ocupa cerca de 30% da superfcie e abrange os baixos
planaltos que se sucedem zona litoral. No norte assenta, geral-
mente, em rochas dos complexos grantico-gnissico e gabro-
-diortico dos sistemas primitivos; no centro e sul, sobre depsitos
mais modernos.
O relevo desta zona de um ondulado suave, s excepcional-
mente acidentado. Os solos so geralmente arenosos, mas aparecem
extensas manchas argilosas de boa fertilidade. uma zona relati-
vamente seca, particularmente na regio de Tete e em alguns pontos
do Niassa, mas razovelmente salubre para o europeu.
Sob o ponto de vista pecurio, as condies no diferem da
anterior, mas a infestao glossnica intense, impossibilitando
a criao, except na Namaacha e em reas restritas dos distritos
do Norte.













A zona mesoplanltica, situada entire as cotas dos 500 e 1.000 m,
ocupa cerca de 25% da superfcie de Moambique. Assenta quase
toda em rochas granticas e gnissicas. Encontra-se melhor diferen-
ciada nos distritos situados ao norte do Zambeze, ocupando uma
superfcie j menor em Manica e Sofala, onde terminal. As cadeias
montanhosas que emergem desta zona so mais frequentes e de
cotas mais elevadas que as da zona anteriormente descrita. Dela
fazem parte os planaltos dos Macondes, Montepuez, Ribu,
Tacuane, Macanga, Marvia, Zumbo, Chimoio, Mavita, Mossurize,
Namaacha e outros de menor importncia.
O clima geralmente saudvel, oferecendo possibilidades
fixao do europeu, mas toda a zona est mais ou menos infestada
de glossinas. Se no fosse este insecto, a pecuria leiteira e a de
engorda teria ali toda a viabilidade, desde que as carncias minerals,
frequentes nos solos dessa zona, quase toda grantica e muito
pluviosa, fossem corrigidas com a adio desses elements s raes
dos animals.

A zona altiplanltica, dos 1.000 e 1.500 m de altitude, repre-
senta, apenas, 4% da rea da Provncia. muito acidentada, mas,
como possui um clima bastante saudvel para o europeu, oferece,
por isso, um grande interesse. Os altiplanaltos mais importantes
so os de Vila Cabral, Maniamba, Unango, Muembe, Massangulo,
Angnia, Chimanimani e Tstserra, onde h manchas de magnficos
solos. a zona que melhor se presta s cultures das regies tem-
peradas e criao das raas exticas de maior especializao, na
engorda e na produo do leite. A fruticultura de espcies europeias,
os lacticnios e a salsicharia tero nesta zona um grande future.

A zona montanhosa representada pelos cumes das serras mais
elevadas, acima dos 1.500 m. As reas prprias para a fixao de
europeus so muito reduzidas, embora algumas delas tenham bas-
tante interesse sob este aspect.


L












O que foi dito sobre a deficincia mineral da zona anterior, tem
aqui igual cabimento.
HIDROGRAFIA

Moambique um dos territrios africanos que possui rede
hidrogrfica mais desenvolvida, em razo da alta pluviosidade que
caracteriza as suas zonas montanhosas e da passage que por
aqui fazem muitos rios nascidos nos territrios vizinhos. Todos
eles so de caudal muito irregular, sujeitos como esto ao regime
torrencial das chuvas, que variam muito de um ano para o outro.
So frequentes as inundaes nos terrenos que marginam o curso
inferior de todos estes rios, onde se produzem fortes enateiramentos,
devido eroso das terras altas. Os grandes desnveis que todos
eles acusam nos seus trajectos, podem ser aproveitados para a pro-
duo de fora motriz e, nalguns casos, para rega.

GEOLOGIA

O territrio de Moambique pode, grosseiramente, dividir-se
em duas grandes zonas geolgicas. A mais extensa, ao norte, ocupa
quase dois teros da superfcie. constituda, fundamentalmente,
por rochas do complex grantico-gnissico a que j fizemos refe-
rncia. Quase todo o Niassa e a maior parte dos distritos de Tete
e Quelimane pertencem a esta formao. Os solos no so, por
consequncia, dos mais ricos, mas encontram-se boas manchas
aluvionares, de boa fertilidade, nos vales dos seus maiores rios, e
terrenos argilo-arenosos de elevado potential, sobretudo nas zonas
subplanlticas e mesoplanlticas. No sendo a mais propcia
criao animal, tem, contudo, bastantes possibilidades, quando a
ts-ts puder ser completamente dominada.
A outra zona de formao terciria ou quaternria, em quase
toda a sua extenso, sendo atravessada por vales aluvionares muito












extensos e frteis: estende-se ao sul da primeira, comeando no
norte por uma estreita faixa, desde o Rovuma ao Ligonha, alar-
gando-se depois para o sul, a princpio ligeiramente- at atingir
o Licungo e, dali em diante, avanando- profundamente para
o interior, de maneira a ocupar todo o baixo Zambeze, grande
parte do distrito de Manica e Sofala, todo o distrito de Inhambane
e a quase totalidade dos distritos de Gaza e Loureno Marques.
Dentro da grande zona dos granitos, aparecem algumas manchas
do sistema do Karroo, a maior das quais ocupa a parte do vale do
Zambeze, da Lupata para montante, at atingir a fronteira com
as duas Rodsias, e a mais pequena, no canto N.O. da Provncia,
junto fronteira com o Tanganhica.
No extremo N.E. do Niassa, aparece uma mancha do cretcico, de
forma triangular muito alongada, que, nalguns pontos, se apresenta
revestida de uma manta de gramneas de grande valor forraginoso,
mas que no pode ser aproveitada pela pastorcia, devido ts-ts.
A outra mancha de igual formao aparece no vale do Zambeze,
entire a Murraa e a Tambara, mas, como a anterior, fortemente
infestada de glossinas.
Rochas bsicas, do complex gabro-diortico, ocupam grandes
reas do distrito de Tete e afloram em alguns pontos junto da fron-
teira da Rodsia. Formaes vulcnicas, juntamente com grs e
riolitos, aparecem na Lupata onde o Zambeze abriu estreita
garganta e corre impetuoso na estao das chuvas.
Nos limits ocidentais da zona do tercirio, servindo de fron-
teira ao Transval, estendem-se os montes Libombos, que so de
formao vulcnica e, paralelamente a estes, a partir do rio Sbi,
alonga-se uma grande mancha do cretcico que, inflectindo para
N.E., vai terminar no vale do rio Bzi. nesta ltima mancha e
na mancha basltica dos contrafortes dos Libombos que se encontram
as melhores pastagens naturais de Moambique, as quais podem
rivalizar com as melhores de toda a frica.












O CLIMA


O clima caracterizadamente tropical em quase todo o terri-
trio, se bem que a sua zona meridional esteja situada fora dos
trpicos.
O regime meteorolgico que prevalece, desde o Rovuma ao
paralelo 16', o das mones do Indico. Ao sul desta latitude
predomina o regime anti-ciclnico, mas pode-se dizer que h uma
zona intermdia, ou central do rio Ligonha ao rio Bzi que
comparticipa da influncia dos dois regimes.
na zona norte que se encontram as temperatures mdias
mais elevadas da Provncia 25 a 26 e com os menores desvios
mensais.
O ms mais quente o de Dezembro, com 27,5, de mdia;
e o mais fresco, o de Julho, com 22,5.
A estao das chuvas coincide com a de maior calor: vai de
Outubro a Abril, correspondendo mono de N.E., e a mais fresca
ou seca, de Maio a Setembro, correspondendo mono de S.O.
A queda pluvial regular por 1.000 mm, distribuda por uns
100 dias do ano. A humidade relative anda volta de 72%.
Esta a zona mais sujeita aos ciclones.
Na zona mdia, compreendida entire o Ligonha e o Bzi, a
temperature annual de 24 a 250, em mdia, mas desce aos 19 e 20
nos planaltos cujas cotas atingem os 1.000 m.
a que tem a pluviosidade mais alta da Provncia, 1.250 mm,
em mdia, distribuda por 100 dias, mas que, nos montes do Gur,
Tacuane e Tumbine, ultrapassa, frequentemente, os 2.000 mm, por
ano. A humidade oscila entire 70 e 74%.
Aqui se encontram as melhores florestas de Moambique.
O vale do Zambeze constitui, na parte a montante da Lupata, uma
sub-zona climtica na qual a temperature mdia de 25 a 27', em
Tete, e a pluviosidade de 528 mm, que cai em 55 ou 56 dias do ano.












A zona ao sul do Bzi est, como se disse, dominada pelo regime
anti-ciclnico e de depresses das latitudes mdias. A temperature
mdia, no litoral, de 22 a 230, mas, para o interior, mais elevada.
A pluviosidade muito irregular. Atinge 1.000 mm ao long
da costa, mas desce aos 600 mm na maior parte da zona, caindo a
menos dos 300 mm junto da fronteira, entire o rio dos Elefantes
e o rio Save. A humidade relative oscila entire 60 e 72%. O vento
dominant o alisado de S.E.


O armentio de Moambique
e a sua produo

Em relao sua enorme superfcie e aos pases vizinhos,
Moambique um territrio extremamente pobre de gados. Ao
passo que a Unio Sul-Africana conta roda de 12 milhes de
bovinos e 30 milhes de ovinos, caprinos e sunos; a Rodsia
do Sul 3,5 milhes de bovinos; o Tanganhica 6,5 milhes de bovinos,
e os pequenos territrios da Niassalndia e Suazilndia, respectiva-
mente, 260.000 e 380.000 bovinos, Moambique arrolou, em 1954,
817.053 bovinos, 76.668 ovinos, 367.353 caprinos e 76.084 sunos.
Os indgenas so os maiores detentores do gado, pois lhe
pertenciam, nesse ano, 581.473 bovinos, 47.846 ovinos, 324.657
caprinos e 50.378 sunos.
Os no-indgenas que incluem europeus, asiticos e assimi-
lados possuiam, smente, 235.580 bovinos, 28.842 ovinos, 42.696
caprinos e 25.706 sunos.
Se convertermos os nmeros representatives das pequenas
espcies em cabeas normais (1), o armentio da Provncia totalizar,
(1) Por cabea normal deve entender-se um animal adulto das grandes espcies pecurias
ou o seu equivalent das pequenas espcies. Assim, em Moambique, podemos calcular que um
bovino adulto equivale a 12 ovinos ou caprinos das raas indgenas, ou a 3 sunos.












apenas, 879.478 unidades, das quais 629.306 so propriedade dos
indigenas e 250.152 dos no-indgenas. Cabe, portanto, aos indgenas
71,6% do gado, expresso em cabeas normais, e aos no-indgenas
smente 28,4%.
A concluso imediata que podemos tirar destes nmeros a
de que eles so insuficientes para garantir as necessidades mnimas
da nossa populao, civilizada ou no civilizada, em alimentos
proteicos de elevado valor biolgico.


A PRODUO DE PROTENAS DE ORIGEM ANIMAL
E AS NECESSIDADES DA POPULAO

Aconselham os nutrlogos (1) o consumo dirio por pessoa, de
peso mdio, de 70 grs. de protenas, das quais metade de origem
animal, fornecidas, portanto, pela carne, o peixe, o leite ou os ovos.
Estes 35 grs. equivalem protena contida em um litro de leite ou
em cerca de 200 grs. de carne.
Para alimentar, nesta base, os 5:800.000 habitantes de Mo-
ambique seriam necessrios 203.000 quilogramas de protena,
diriamente.
Admitindo, com boa dose de optimism, que 65 % desta quan-
tidade se obtenha da caa, da pesca e dos pequenos animals de
capoeira, que apenas 25 % nos seja fornecida pela carne das espcies
pecurias e 10% pelo leite, o nmero de bovinos que precisaramos
de possuir, para fazer face a to grande consumo, no poderia ser
inferior a uns 3:500.000 cabeas ou o equivalent, tratando-se
de animals das pequenas espcies. Isto representaria, quase, o
qudruplo das nossas existncias pecurias. S vacas leiteiras seriam
precisas mais de 100.000, quase vinte e cinco vezes o nmero das
que foram registadas em 1954! A manada bovina precisaria de ter

(1) Do Food and Nutrition Board of the Nattional Research Council-Estados Unidos.












para cima de 1:200.000 fmeas em idade de reproduo e uns
40.000 touros, alm dos animals de outras idades. Estamos, como se
v, muito long de atingir esta situao, apesar de tudo bastante
modest, e o facto tanto mais para ponderar porquanto nada
indica que possamos remediar esta falta, como sucede em Portugal,
com o pescado dos nossos mares, que no abunda ou de difcil
capture.
A carne consumida em 1954, fornecida atravs dos matadouros
da Provncia, foi de 6:950.117 quilogramas -um pouco'mais do
que um quilograma por habitante e por ano. Certo que, no interior,
no s os pretos, mas tambm os brancos, consomem quantidades
apreciveis de carne de caa.
Desde que 25% das necessidades da populao em alimentos
proteicos de origem animal fossem fornecidos pela carne das nossas
manadas, o consumo deste produto subiria para 103:000.000 de
quilogramas, equivalent a cerca de 15 vezes o consumo actual.
Expresso em nmero de cabeas normais, passaria das escassas
48.000, de 139 quilogramas, aproximadamente, de peso limpo, para
as 700.000, se este peso andasse volta dos 150 quilogramas, o que
no difcil atingir.
Pelo que respeita ao leite, a produo, em 1954, foi de 6:468.041
litros pouco mais de um litro por habitante e por ano no
contando com o leite consumido por algumas tribos pastoris, que
o obtm das suas vacas.
Desta quantidade, apenas 4:301.208 litros foram consumidos
em natureza, 1:876.061 litros foram transformados em manteiga,
que produziu 82.324 quilos deste produto, 44.303 litros transfor-
mados em 6.848 quilos de queijo fresco e o restante utilizado em
yougurt, chocoleite, sorvetes, etc.
Desde que o leite fornecesse os 10% da protena alimentar,
a sua produo teria de elevar-se a 203 milhes litros por ano, o
que representaria 34 vezes a actual produo.












Dir-se- que em alguns pases da prpria Europa a deficincia
de alimentos originrios dos animals tambm elevada. Assim ,
de facto.
A fome proteica, quantitativa e qualitativa, dos grandes males
sociais do present como foi do passado e ser, provavelmente, do
future. Mas se os povos mais bem alimentados so os mais saudveis
e os mais activos, se a riqueza dos pases se pode medir pela sade
e a energia de que so capazes os seus habitantes, tudo devemos
fazer para valorizar o potential human de que dispomos, propor-
cionando-lhe alimentos de elevado valor nutritivo, mais sade,
portanto.
Aproveitando os recursos que a natureza nos concede, embora
no possamos dizer que tivesse sido generosa neste campo restrito
da criao, poderemos, em todo o caso, com trabalho e perseverana,
atingir esse alto objective.

AS ESPCIES ANIMALS MAIS EXPLORADAS

A grande massa pecuria de Moambique constituda por
animals da espcie bovina, como indicam os nmeros atrs referidos.
Com efeito, as condies ambientais, aqui dominantes, prestam-se
mais criao dos bovinos do que das outras espcies, excepo
feita aos sunos, que se multiplicam bem em qualquer ponto da
Provncia, desde que disponham de alimentao suficiente e a tri-
panossomase no seja de temer. Todavia, os ovinos e os caprinos
tambm encontram, em algumas zonas, condies favorveis sua
criao.
Na quase totalidade, estas espcies so constitudas por animals
das chamadas raas nativas, criadas pelos pretos desde pocas muito
recuadas.
Os bovinos gentlicos podem dividir-se em dois grandes grupos,
de conformidade com a maior ou menor percentage de sangue












zeb que possuem. Cada um deles ocupa reas diferentes, que tm
por limited comum o rio Zambeze.
Ao norte deste rio predomina o pequeno bovino de grande
bossa, implantada na regio torxica, que faz parte do grupo dos
Zebs Africanos de Cornos Curtos.
Ao sul s se encontra o bovino Landim, que podemos incluir
no grupo dos pseudo-zebs, por ser possuidor duma pequena
bossa implantada na regio cervical, alm de alguns caracteres mais,
herdados do Zeb. O bovino Landim o representante em Mo-
ambique do tipo Sanga, o mais disseminado dos bovinos nativos,
na parte do continent ao sul dos rios Congo e Zambeze.
Ao sul do rio Limpopo existem algumas boas criaes de bo-
vinos Africanders, obtidos atravs do cruzamento, durante gera-
es sucessivas, de touros importados da vizinha Unio com vacas
da raa local, assim como uma srie de mestios de diversas raas
exticas em que predominam os de sangue holands, principalmente
nas proximidades dos maiores centros populacionais, com o fim de
os abastecerem de leite fresco.
Os ovinos nativos caracterizam-se por uma cauda muito volu-
mosa, devido enorme acumulao de gordura neste apndice.
So os carneiros de cinco quartos, como lhe chamaram os pri-
meiros exploradores portugueses aqui chegados, o Ovies aries
laticauda dos zologos. Importados da vizinha Unio, h algumas
pequenas criaes de ovinos Persas de Cabea Preta, que s vingam
bem nas zonas ridas, onde o parasitismo e a pneumonia infecciosa
os no apoquentem demasiado.
Os caprinos nativos so de pequena corpulncia, mas muito
rsticos e prolficos. Existem em maior nmero e adaptam-se mais
fcilmente s diferentes zonas da Provncia que os ovinos.
Os sunos so criados pelos pretos, em menor escala do que as
outras pequenas espcies, e, quando os tm, os animals apresentam-se












quase sempre pouco desenvolvidos, devido deficincia alimentar
e falta de outros cuidados.
Os sunos de melhor qualidade cevatriz so criados pelos
europeus. As raas que estes preferem so: a Large-Black, que
domina em todas as criaes; a Large-White, que muito sensvel
ao eritema solar, mas muito apreciada, devendo ser criada apenas
ao abrigo do sol, e a Tamworth, de introduo recent, mas que
parece ir conquistando, tambm, a simpatia dos criadores europeus.

DISTRIBUIO DO ARMENTIO
PELAS DIFERENTES ZONAS DA PROVINCIA

nos trs distritos do sul que se encontra a maior parte da
massa pecuria de Moambique. Na verdade, Loureno Marques,
Gaza e Inhambane possuem mais de 72% do nmero de cabeas
normais existentes, visto que arrolaram, em 1954, 587.942 bovinos,
38.094 ovinos, 119.781 caprinos e 29.004 sunos. Dos trs distritos
o de Gaza o mais rico em gados, pois s de bovinos possua, nesse
ano, 439.427 unidades, mais de metade da existncia desta espcie.
Por ordem de importncia, segue-se-lhe o distrito de Tete, que
arrolou 125.421 bovinos, 11.042 ovinos, 61.158 caprinos e 17.090
sunos.
Manica e Sofala arrolou 46.274 bovinos, 7.603 ovinos, 73.158
caprinos e 17.090 sunos.
Na Zambzia, as existncias apuradas foram de 46.993 bovinos,
4.003 ovinos, 22.218 caprinos e 11.807 sunos.
Os trs distritos, de Moambique, Cabo Delgado e Niassa, de
todos os de menor importncia pecuria, arrolaram, apenas, 10.423
bovinos, 15.945 ovinos, 89.038 caprinos e 8.416 sunos.
Estes nmeros mostram-nos que a populao animal domstica
se distribui em Moambique, pode-se quase dizer, na razo inversa
da densidade da populao humana. Com excepo dos distritos de












Cabo Delgado e do Lago, e da Angnia so os territrios menos
povoados pelo home e, at certo ponto, os menos favorecidos pelas
chuvas os que possuem uma maior massa pecuria. Assim sucede na
zona ao sul do rio Save e no distrito de Tete, onde a aridez maior
e a densidade populacional mais baixa, mas em que se encontra a
mais alta densidade pecuria muito inferior, em todo o caso, s
suas possibilidades, que so bem maiores.
Duas causes fundamentals explicam este fenmeno. Uma delas
de ordem sanitria: a quase ausncia de ts-ts nestas ltimas zonas
facilitou a criao das espcies domsticas e a sua expanso. Outro
tanto no acontece nas zonas hmidas, que so, geralmente, as mais
flageladas pela mosca. A outra causa pode filiar-se na maior tendncia
que certas populaes nativas manifestam para a criao de gados.
uma questo racial. Os indgenas cujos antepassados tiveram con-
tactos de sangue com as tradicionais tribos pastoris herdaram destas
uma grande inclinao para a criao de gado, em especial da
espcie bovina.
So os povos thongas, os rongas e os b-tsuas (changanes) os
que verdadeiramente se interessam em Moambique pela pastorcia.
Na origem remota de todos eles no impossvel descobrir a influn-
cia do sangue e da cultural do antigo pastor Camita.
Para as tribos pastoris, o gado constituiu, em todos os tempos,
o fulcro da sua estrutura econmica e poltica. Ele lhe fornece a
carne, o leite e, em anos de mais fome, o prprio sangue, de que
se alimentam. ainda o gado que confere aos seus, possuidores
grande importncia hierrquica dentro das sociedades indgenas.
A necessidade de defender as manadas contra assaltos das outras
tribos ou das feras deve ter-lhes aguado o esprito de luta, sempre
mais desperto nestes povos, que chegaram a ter uma organizao
military, ainda que rudimentar. Da a supremacia que mantiveram
sempre sobre as tribos essencialmente agrcolas que, no raras vezes,
foram por elas reduzidas escravido ou feitas suas tributrias.












Discordncia entire a ocupao pecuria
e a ocupao agrcola

o regime das chuvas e, at certo ponto, as facilidades de
transport que tm condicionado a ocupao da terra pela agricul-
tura. E, por ser assim, foi na Zambzia, onde o regime das chuvas
mais regular e a precipitao maior, que as grandes companhias
agrcolas se formaram e muitos pequenos ou mdios agricultores
instalaram as primeiras plantaes de coqueiros e de cana sacarina,
logo seguidas pelas de sisal e, mais recentemente, pelas de ch e
aleurites, estas ltimas nas zonas mesoplanlticas do interior.
A populao indgena teve sempre, na Zambzia, uma densidade
das mais altas de Moambique, vivendo essencialmente da agricul-
tura, e sendo o coqueiro, o arroz, o sorgo, o feijo indgena (vigna
catjang), o milho, o amendoim e a batata doce as suas cultures
preferidas. O algodo tambm por eles cultivado em grandes
reas, sob o estimulo das autoridades administrativas, sendo adqui-
rido pelas empresas concessionrias aos preos prviamente fixados
pelo Governo.
A rea cultivada na Zambzia (Quelimane) pelas grandes empre-
sas e pelos agricultores no-indgenas pode calcular-se em 100.000 ha,
nmeros redondos, o que equivale a cerca de um tero da rea por
eles cultivada em toda a Provncia. No se sabe com rigor quais so
as reas cultivadas pelos indgenas, mas elas so, sem dvida, bas-
tante superiores s dos no-indgenas.
A contribuio dada pelo gado agriculture da Zambzia tem
sido pequena, porque pequena a quantidade dos animals que
possui. Todavia, todos ali reconhecem a grande importncia do
gado, em especial os proprietrios dos palmares, que sabem, por
experincia, quanto ele concorre para a economic e o aumento da
produo, atravs do trabalho e dos estrumes que produz. As estru-












maes a bardo, ali muito usadas, ou com estrumes de curral, so
muito favorveis palmeira, como tem sido largamente demonstrado
nestes ltimos trinta anos. Foi a partir do ano de 1928 ou 1929 que
esta prtica comeou a ter maior expanso, e sabemos de palmares,
em estado de marcada decadncia, que, logo nos trs primeiros anos,
aumentaram quase 70% a produo com este tratamento!
O pouco gado bovino existente no distrito de Quelimane per-
tence, na sua quase totalidade, s grandes empresas agrcolas, pro-
prietrias dos palmares e das plantaes de cana sacarina. Nestas
ltimas emprega-se, ao que nos consta, idntico sistema de adubao
nas terras mais fatigadas pela cultural, com resultados igualmente
muito vantajosos.
Os indgenas no possuem gado bovino. As nicas espcies que
criam so a caprina e a suna, mas em pequeno nmero. natural
que a existncia da ts-ts seja responsvel pela falta de gado bovino
entire os indgenas dessa zona, mas estamos em crer que h uma
outra razo, de natureza racial: a origem da maior parte destes
povos das tribos de agricultores, e no das tribos de pastores do
norte, portanto sem tradies pastoris.
Um grande nmero de manadas, devido frequncia das tri-
panossomiases, tem de submeter-se aos tratamentos peridicos, para
no sofrer perdas srias.
No Niassa, outra das zonas regularmente servida de chuvas,
a agriculture est tambm bastante desenvolvida entire os povos
nativos. As cultures que praticam so idnticas s da Zambzia,
mas a do algodo ocupa ali uma rea muito mais vasta. Os indgenas,
s por excepo possuem algumas cabeas bovinas.
As empresas de europeus cuidam, principalmente, das cultures
dos palmares, do sisal, de algum tabaco e da sumaumeira. O gado
de que dispem em pequena quantidade e circunscrito principal-
mente aos palmares. A ts-ts est muito espalhada, como na Zam-
bzia, e os animals, com poucas excepes, tm de ser tratados












peridicamente. Nos trs distritos Nampula, Cabo Delgado e
Lago a rea total cultivada pelos no-indgenas anda por cerca,
tambm, de 100.000 ha.
Em Manica e Sofala a populao indgena muito mais escassa
do que nos distritos anteriores. Em contrapartida, na circunscrio
de Chimoio, em zona de mdia altitude, razovelmente servida de
chuvas, concentra-se o maior ncleo de agricultores europeus de
toda a Provncia cerca de duzentos que cultivam predominan-
temente o milho, quase todo consumido dentro do distrito. A
existncia de glossinas, nas proximidades, tem sido um dos grandes
obstculos ao desenvolvimento da pecuria nesta important zona.
O gado insuficiente para o trabalho agrcola e a produo de
estrumes. Daqui result o empobrecimento progressive da terra e a
eroso spectacular que se tem verificado em muitas propriedades.
Graas interveno do Governo, este problema est a ser atacado
por uma brigada de tcnicos, que tem feito obra de grande mereci-
mento.
O gado por vezes acusado, e com razo, de contribuir para
a degradao do solo. Mas no caso de Chimoio, de Mogovolas,
da Chemba e de tantos outros locais, precisamente pela falta de
gados e de estrumes que o empobrecimento dos solos se tem produ-
zido, causa predisponente da eroso. Preparar condies para que
o gado ali se possa criar, sem o risco das tripanossomiases, duma
necessidade premente. Quando as condies locais no forem
favorveis criao das grandes espcies, ou o indgena a elas se
no adapte, as pequenas espcies pecurias podem ainda ser-lhe
muito teis, e so, seguramente, de mais fcil manejo para ele.
A rea cultivada pelos no-indgenas, em Manica e Sofala,
anda volta dos 45.000 hectares. A agriculture indgena tem aqui
menos importncia do que nos distritos nortenhos j descritos,
embora se deva salientar que na circunscrio da Chemba que se
encontram as melhores terras de algodo de Moambique e as












melhores produes que os indgenas obtm da cultural desta fibra.
Neste distrito j os indgenas so possuidores de alguns milhares
de cabeas bovinas.
O distrito de Tete tem pouca importncia, pelo que respeita
agriculture, mas o mesmo no acontece pelo que se refere pecu-
ria, uma vez que ocupa o segundo lugar na criao de bovinos, a
seguir ao distrito de Gaza. Muito seco em grande parte da sua
rea, s na Angnia, cuja pluviosidade anda volta dos 950 mm,
a populao numerosa, com cerca de 50 habitantes por km2, na
parte ocupada. O gado bovino pertence, na quase totalidade, aos
indgenas.
No Sul do Save, o regime de chuvas, muito irregular, causa
do fraco progress agrcola, embora nesta zona se tenham feito
muitas tentativas, mal sucedidas quase sempre, quando se trata
de cultures de sequeiro. Sem obras de rega ou de drenagem, a agri-
cultura nesta parte da Provncia um verdadeiro jogo de lotaria.
Acerta-se s por acaso. Tem, no entanto, possibilidades extraordi-
nrias, desde que os seus fertilssimos vales sejam beneficiados pelas
obras de rega ou de enxugo, conforme os casos. Umas e outras j
foram iniciadas no Vale do Limpopo, regio cuja paisagem e fera-
cssimas terras tanto fazem lembrar o Ribatejo, mas cuja superfcie ,
seguramente, dupla desta to tpica provncia do Portugal metro-
politano.
Vo ser regados cerca de 30.000 ha de magnficas aluvies e
distribudos em pequenas parcelas, no superiores a quatro hectares,
por famlias provenientes da Metrpole e das Ilhas e pelos indgenas
que j ocupavam a regio. a primeira grande tentative do gnero
que se faz em territrios portugueses de frica e , por isso, grande
a expectativa que subsiste sua volta. J foram instalados os pri-
meiros colonos brancos e pretos.
Trata-se, sem dvida, de uma grande experincia econmica e
social.











Orientada como est sendo, os seus objectives so essencial-
mente agrcolas, com pouca projeco, pois, no campo da pecuria.
Mas, inegvel que as indstrias da engorda e da recria, assim como
a explorao do leite, tero grande viabilidade na faixa do regadio
que fique ao abrigo das inundaes do rio, mais especialmente nos
parcelamentos que incluam algumas das reas de sequeiro, que lhe
so contiguas.
Cada hectare de regadio, bem tratado e adubado, produzir
forragem suficiente para suplementar a pastagem de uns 15 a 20 hec-
tares de sequeiro, destinada ao gado de engorda, de recria, ou lei-
teiro. bvio que a explorao das parcelas de sequeiro, feita em
conjunto com as de regadio, permitem o melhor aproveitamento de
umas e outras, e em melhores condies de economic.
As reas do Sul do Save que exigem obras de drenagem so
extensssimas, mais extensas do que as que podem ser regadas, e os
maiores prejuizos que a agriculture tem sofrido nestas zonas derivam
mais do excess do que da falta de humidade.
Sujeitos como esto s inundaes, so de pouco interesse para
a pecuria, mas se um dia forem defendidos das enchentes, serviro
magnificamente para a explorao intensive de gado.
curioso o interesse que os indgenas esto tomando pela
agriculture no vale do Limpopo. Quase despovoado h pouco mais
de uma dzia de anos, e coberto em grande parte de mato espinhoso,
encontra-se hoje completamente arroteado e agricultado com certo
carinho pelas famlias nativas, algumas das quais trabalham com seis
e sete charruas, de sua propriedade, auferindo anualmente bons
lucros das colheitas de milho, feijo e algodo.
O antigo preconceito existente entire os pretos de que o trabalho
agrcola aviltante para os homes, sendo prprio s das mulheres,
vai sendo posto de parte em face do bem-estar e do melhor nvel de
vida que a agriculture lhe tem proporcionado nos ltimos tempos.












A ocupao do Vale pela agriculture tem deslocado as criaes
de gado gentlicas para outros locais, o que alis se explica pelo
maior rendimento obtido da explorao da terra. A criao extensive
de gado no pode ter lugar em terras desta qualidade. S a criao
intensive tem aqui cabimento, mas esta forma de explorao no
est ao alcance do indgena, visto que requer instalaes adequadas
e conhecimentos que ele no possui.
Nos distritos do sul, o gado represent, incontestvelmente, a
maior riqueza regional. E, no dia em que por todo o interior o pro-
blema da gua para as manadas for resolvido, maior incremento
tomar a indstria pecuria no Sul do Save, a regio melhor dotada
de pastagens de toda a Provncia. Ser possvel, ento, triplicar,
quase, o nmero de bovinos que presentemente possui.


Caractersticas das principals zonas pastoris

Os animals criados nas zonas mais ridas de Moambique so
os que atingem a maior estatura e peso. Destacam-se pela sua cor-
pulncia os bovinos, ovinos e caprinos criados pelos pretos do
Alto Limpopo, onde a precipitao pluvial no chega a atingir os
300 mm, e os bovinos da parte sudoeste do Maputo, cuja precipi-
tao raramente excede os 600 mm. Por falta de chuvas na regio
do Alto Limpopo, a vegetao das plants herbceas sempre defi-
ciente, mas a sua falta vantajosamente suprida pela abundncia
de rebentos, folhas e frutos de arbustos de grande valor alimentar,
mais resistentes s secas, particularmente do chanate (copaifera
mopani) cujo porte varia, ali, desde o de sub-arbusto ao arbreo
com alguns metros de altura.
A causa determinante do maior peso deste gado no reside,
bem entendido, na menor pluviosidade, mas na grande riqueza dos
solos em elements minerals e, consequentemente, no maior valor












nutritivo das plants que neles vegetam. No raro que os bois
criados nestas zonas atinjam os 300 ou 400 quilos, de peso limpo.
J nas terras granticas do Norte e em toda a orla martima,
onde os solos so quase arenosos, o peso destes animals raras vezes
atinge os 180 ou os 200 quilos. As chuvas mais abundantes nestas
ltimas zonas provocam o arraste das substncias minerals solveis,
o que agrava ainda mais a constituio, j de si pobre, destes solos.
O peso acusado pelos animals das diferentes regies, que os
marchantes locais alis conhecem, do-nos uma ideia bastante
perfeita da riqueza pascigosa, qualitativa e quantitativa, de cada
uma delas, bem como da fertilidade dos respectivos solos.
Nas zonas de menor pluviosidade, os pastos so constitudos
quase sempre por consociaes de gramneas que raramente excedem
os 80 cm de altura e por algumas espcies de leguminosas, algumas
delas com bastante valor alimentar. Entre as gramneas predominam
as eragrostis, digitrias, vrias paniceas, urochloas, setrias, chloris,
cynodons, alguns sorgos, etc. Entre as leguminosas encontram-se as
lystias, tephrosias, cassias, sesbnias, indigophoras e outras, alm das
numerosas espcies de accias arbustivas, ou arbreas (Acacia
arbica, var, kraussiana, Acacia litakunensis, o dicrostachys glome-
rata, etc.), e outras que proporcionam bons recursos alimentares
aos gados, nas pocas de maior escassez.
A flora forraginosa deste tipo denominada pelos nossos
vizinhos de sweet-grass e os campos onde ela se desenvolve de
sweet-veld, que em Moambique correspondem s zonas suficientes
em fsforo e ricas em clcio. O vale do Zambeze, entire a Lupata
e as duas Rodsias, a mancha cretcica do litoral dos distritos de
Cabo Delgado e Nampula pelo menos em alguns pontos e a
quase totalidade da zona ao sul do rio Bzi, com excepo de uma
faixa ao long do mar, pertencem a este tipo de pastagem, ao sweet-veld.
J nas zonas em que a precipitao pluvial atinge ou excede
os 900 mm, mais ou menos, a flora herbcea espontnea geralmente












mais grosseira, lenhificando-se rpidamente e tornando-se imprpria,
mais cedo, para a alimentao dos animals. A maioria das gramneas
atinge nesta zona grande porte, excedendo, por vezes, os dois ou
trs metros de altura. Pertencem quase todas tribo das andropog-
neas, gnero das hyparrhenias. Mas entire elas tambm h espcies
de grande valor forraginoso, nomeadamente o capim elefante,
algumas echynochloas, o capim do Sudo, etc., os dois ltimos apa-
recendo mais frequentemente nas terras trabalhadas pela enxada ou
a charrua.
A este tipo de vegetao chamam os nossos vizinhos sour-veld.
A grande diferena entire o sweet e o sour-veld est em que o primeiro,
mesmo na fase em que as plants atingem a maturao complete,
oferece um alimento nutritivo e sempre apetecido pelos animals,
ao passo que o ltimo s fornece boa pastagem quando as plants
esto verdes e tenras. Apesar disso, em muitas zonas do sour-veld,
corrigidas que sejam as deficincias minerals ali muito frequentes,
a capacidade alimentar das pastagens geralmente mais elevada do
que nas zonas do sweet-veld. A questo sujeit-las a um manusea-
mento adequado. Por exemplo, no incio da poca das chuvas,
convm sobrecarregar a pastagem com um maior nmero de animals,
para que o crescimento muito rpido dos capins seja contrariado e a
rebentao das plants cespitosas, ali dominantes, mais activada.
Deste modo, haver pasto tenro e palatvel durante um perodo mais
long. Mas, em dada altura, quando o crescimento dos capins tiver
sido dominado, deve-se ir retirando o gado em excess para outros
campos de pastagem.
Conhecemos exemplos, na Zambzia, de um hectare de pasta-
gem, de tpico sour-veld, manter um bovino adulto em bom estado
de carnes durante os doze meses do ano, contanto que lhe no
falte o sal e a farinha de ossos ou outras misturas salinas de que a
regio for deficiente. Com as lavouras, de tempos a tempos, tambm
possvel melhorar a composio florstica, pois fazem desaparecer












temporriamente as plants de grande porte e permitem o apareci-
mento das plants mais rasteiras, que so as mais apetecidas pelos
animals.
Se a preparao de reserves alimentares sempre til para
suplementar a pastagem natural nas pocas menos afortunadas, e
manter os animals em bom estado de nutrio, nas zonas do sour-veld
ela quase indispensvel. Mas, aqui, a cultural dos prados perma-
nentes encontra-se muito facilitada pela maior quantidade e regula-
ridade das chuvas, o que no sucede nas zonas do sweet-veld onde
a cultural pratense s pode ser feita com auxlio da rega.
O estudo pormenorizado das carncias minerals nas diferentes
zonas da Provncia um trabalho que se impe. Enquanto se no
fizer, continuaremos a ignorar a forma mais econmica de corrigir
algumas destas deficincias e, consequentemente, de tirar o melhor
partido das suas pastagens. natural que no seja estranho evo-
luo grave, com grande percentage de mortes, que certos surtos
tripanossmicos causam nas manadas dos distritos do Norte, os
estados de carncia mineral em que elas vivem, pode-se dizer, perma-
nentemente. E o facto torna-se ainda mais grave por as infeces
dos tripanossomas exercerem uma forte aco desassimiladora do
clcio, do fsforo, das substncias azotadas e, possivelmente, de
outros elements, dando lugar queles fenmenos de picacismo bem
conhecidos das pessoas que lidam com gado nas zonas de endemi-
cidade tripanossmica. O gado atacado pela doena come terra,
sinal certo de carncia mineral.
Convm recorder que o estudo da nutrio dos animals no
mais do que um aspect do problema da nutrio do home, pois
s para o servir que eles so criados; da a necessidade de ser
feito em profundidade.
Nas zonas granticas, onde devia haver um maior equilbrio
entire a explorao agrcola e a explorao pecuria, esta ltima
quase no existe. Ora, precisamente nestas zonas de solos mais












pobres que os gados se tornam mais necessrios. E porque eles
faltam, as terras so exploradas at ao esgotamento, para depois
serem abandonadas aco dos elements que maior desgaste lhe
causam ainda. S com grande massa de estrumes possvel' manter
a fertilidade destas terras e obter delas razoveis colheitas. Mas
quando ser vivel empregar nestas zonas, como rotina agrcola,
esse famoso mtodo do ley farming que to boas provas tem dado
na Inglaterra, nos Estados-Unidos e at nos territrios vizinhos?
As condies naturais dessas regies nortenhas prestam-se, melhor
do que as do sul, a esta magnfica prtica, que tem por objective
a reconstituio do hmus e da boa estrutura do solo custa das lon-
gas rotaes em que a cultural das plants forraginosas, vivazes de prefe-
rncia, se sucedem, por iguais perodos, s cultures cerealferas anuais.
O pequeno ensaio que pudemos aqui apreciar deste sistema de
cultural verdadeiramente revolucionrio, como foi classificado na
Amrica por tcnicos responsveis, deixou-nos convencidos de que
o mtodo ideal e mais econmico de manter a fertilidade dos solos.
Com ele aumenta a produo animal e, simultneamente, aumentam
os rendimentos das cultures econmicas tradicionais. A grande difi-
culdade da sua aplicao, entire ns, reside na impossibilidade de
criar os animals nas zonas de mosca. E , precisamente, onde as
infestaes pelas glossinas so mais intensas que a prtica do ley
farming seria mais til.


Importao e exportao de produtos
de origem animal

bastante elevada a importao de produtos derivados dos
animals, se considerarmos que, na quase totalidade, so consumidos
pela populao mais civilizada, apesar desta ser ainda diminuta.












Em 1954, a importao destes produtos totalizou 2:497.371
quilogramas, com o valor fiscal de Esc. 46:904.571.
Os gneros de maior tonelagem e valor, importados, foram:
o leite em p, condensado, etc., 1:733.005 quilos Esc. 20:192.660;
a manteiga natural, 323.019 quilos Esc. 12:161.766; o queijo,
290.092 quilos Esc. 8:269.969; as carnes em conserve, fumadas,
etc., 158.516 quilos Esc. 4:669.623; a banha de porco, 75.288 qui-
los Esc. 1:236.133, e os ovos, 9.526 quilos Esc. 198.674.
Em 1940, a importao dos mesmos produtos somou 1:486.419
quilos com o valor de Esc. 15:270.101, tendo, pois, aumentado, em
14 anos, 55% na tonelagem e 200% no valor.
Nesse mesmo ano, a exportao de animals e dos produtos deles
derivados totalizou Esc. 13:024.481, assim discriminados: animals
vivos, incluindo galinceos, Esc. 317.392; carne fresca, em conserve,
fumada, etc., e toucinho, Esc. 3:375.658; leite fresco, condensado,
etc., Esc. 98.280; manteiga, Esc. 79.595; ovos, Esc. 181.520; queijo,
Esc. 67.685; outras substncias alimentares de origem animal,
Esc. 3.334; matrias-primas, incluindo peles em bruto, couros, colas,
ossos, chifres, unhas, etc., Esc. 8:901.017.
Estes nmeros mostram que a importao destes alimentos
essenciais vai em aumento progressive, acompanhando as necessi-
dades cada vez maiores da populao civilizada. Mas o prprio
indgena h-de vir a ser um grande consumidor de produtos lcteos,
principalmente de leite condensado, que ele muito aprecia, assim
como de farinhas de leite, etc. Para ele o leite condensado constitui
uma guloseima que consome tal como se apresenta no mercado.
A necessidade de estimular a produo de todos estes ali-
mentos torna-se bem evidence, tanto mais que possumos condies,
seno ptimas, pelo menos suficientes para abastecer com largueza
o mercado interno e ainda exportar tonelagem important de alguns
deles.












A indstria leiteira e a criao de sunos que lhe anda quase
sempre ligada, interessa sobremaneira que se desenvolvam ampla-
mente, porque s assim teremos a matria-prima suficiente para o
fabric da manteiga, do queijo e da salsicharia, os trs produtos
que mais avultam na importao. No nos faltam recursos bastantes
para alimentar o gado de leite e o porcino, uma vez que dispomos
de extensas reas susceptveis de regadio e de grande tonelagem de
sub-produtos das indstrias de leos vegetais, da moagem, do acar,
do descasque e polimento de arroz, dos quais so exportados, anual-
mente, algumas dezenas de milhares de toneladas.
Quando todos estes resduos industrials forem transformados em
carne, leite ou ovos, teremos conseguido uma grande vitria econ-
mica e, socialmente, teremos melhorado o nvel alimentar da nossa
populao, contribuindo, ainda, para aumentar o nmero dos
colonos dedicados explorao do solo.


O melhoramento dos bovinos indgenas
por seleco

Nenhuma das espcies domsticas criadas pelo preto se destaca
por qualquer atributo especial, a no ser pela enorme rusticidade e
grande poder de adaptao s condies muito several que preva-
lecem nas regies tropicais. O indgena nunca dedicou aos seus
animals os menores cuidados alimentares, higinicos ou selectivos,
se entendermos por estes ltimos os que exercem alguma influncia
no melhoramento e fixao dos caracteres de utilidade econmica.
As regras mais elementares da criao so-lhe desconhecidas por
complete. Da o estado verdadeiramente primitive em que todas
elas se encontram, com rendimentos em carne ou leite muito abaixo
das mdias que se obtm de outras melhor seleccionadas e alimen-
tadas.












Contudo, qualquer das castas nativas so susceptveis de rpido
aperfeioamento, pois possuem qualidades em potential, logo que se
revelam quando as sujeitamos aos cuidados da seleco e as favore-
cemos com um ambiente melhor do que aquele que o preto lhe pro-
porciona. Com efeito, todos os investigadores que ao trabalho do
melhoramento dos bovinos africanos tm dedicado a sua ateno,
so unnimes em reconhecer as possibilidades de progress destes
animals, sem que se torne indispensvel recorrer introduo de
sangue estranho, pois a seleco dos melhores elements e, acima de
tudo, a melhoria das suas condies de explorao, so suficientes para
desencadear a evoluo das melhores qualidades da espcie, que se
encontram apenas adormecidas. A concluses idnticas chegaram os
dois tcnicos ingleses que, no h muito, foram encarregados de
estudar o problema, a fim de orientarem o seu Governo na melhor
poltica a seguir, com vista ao melhoramento da espcie bovina nos
diversos territrios da frica Tropical Britnica. No bem elaborado
relatrio (1) que redigiram pem bem em destaque as vantagens da
seleco das raas nativas, considerando os bovinos exticos de
adaptao sempre precria, a menos que a altitude modifique ofacies
tropical e o clima se torne semelhante ao das regies temperadas.
Excepcionalmente, admitem a importao de Zebs da India,
de tipo idntico ao dos Zebs de Cornos Curtos, nativos da
frica Central Inglesa, quando nesse territrio se pretend aumentar
o rendimento do leite destinado indstria. A preferncia parece ir
para o zeb Shaiwal, considerado o melhor produtor de leite da
India.
Tais foram, em resumo, as concluses a que chegaram os dois
destacados tcnicos, depois da atenta anlise feita aos resultados dos
trabalhos levados a efeito nas Estaes Experimentais do Sudo,
Uganda, Tanganhica, Qunia, Rodsia do Norte, Costa do Ouro e

(1) The Improvmment of Catlle in Colonial Territories in Africa- Colonial Office- Setem-
de 1953. Inglaterra.












Nigria, e da discusso do problema com os tcnicos que nelas
trabalham.
Registamos com satisfao o seu modo de ver, que vem ao
encontro das opinies que sempre defendemos acerca das possibi-
lidades de aperfeioamento das castas nativas.
No temos, pois, razo para dar por mal empregado o trabalho
de seleco do gado Landim que, a ttulo experimental, inicimos
na Estao Zootcnica Central em fins de 1940, quando para esse
efeito adquirimos algumas dezenas de vacas, escolhidas nas criaes
dos europeus, ncleo que foi mais tarde reforado com outras
adquiridas aos indgenas. Os primeiros resultados demonstraram,
por forma inequvoca, que seguamos o bom caminho.
Ainda que as crticas no tenham faltado, como era de esperar,
o facto que essa iniciativa vem agora demonstrar que os Servios
Zootcnicos da Provncia, apesar dos seus minguados recursos, no
se deixaram atrasar neste campo de investigao, antes se antecipa-
ram a muitos outros territrios africanos, podendo apresentar resul-
tados bastante sugestivos de uma experincia que j conta quinze anos.
Procura-se neste moment dar uma maior amplitude ao trabalho
selectivo do gado Landim, utilizando para esse efeito os terrenos
da reserve do Mazinchopes, cujos recursos pascigosos permitem
sustentar mais de dois mil bovinos.
-nos grato salientar esta feliz deciso do Governo e dos seus
Servios Zootcnicos, que no deixar de repercutir-se favorvel-
mente no future da criao bovina em Moambique, no s porque
a ideia tenha conquistado maior nmero de adeptos entire os tcnicos
responsveis, mas porque, envolvendo a experincia um maior n-
mero de unidades, maiores sero, tambm, as probabilidades de se
conseguirem resultados mais amplos e imediatos. E o que se faz com
o Landim, dever repetir-se com o pequeno zeb das zonas nor-
tenhas, outro ecotipo de grandes qualidades que muito interessa
aperfeioar, to bem adaptado ele se encontra quelas regies cujo












ambiente climtico e alimentar bem diferente do que prevalece
no sul da Provncia. Consta-nos que a experincia, iniciada h anos
no Posto Zootcnico da Angnia, com o gado da raa local, perten-
cente ao tipo dos zebs africanos de cornos curtos, est, tambm, a
patentear os seus frutos. Parece-nos convenient alarg-la a Tete e
ao litoral do Niassa, onde existem alguns ncleos importantes de
zebs afins. Ficar-se-ia, assim, a conhecer o seu comportamento nas
zonas de altitude, nas zonas ridas e nas hmidas do litoral.
Torna-se necessrio fazer compreender a todos quantos se inte-
ressam pela criao, que a seleco dos tipos nativos constitui o
trabalho preliminary indispensvel, a primeira fase do melhoramento
que no possvel efectuar de jacto, visto que ter, infalivelmente, de
acompanhar a evoluo econmica da Provncia. Melhoramento
animal pressupe, sempre, melhoramento agrcola. No possvel
conceber-se um grande aperfeioamento do animal que tenha de
subsistir apenas da pastagem natural. Os elevados rendimentos al-
canados no matadouro, ou no balde, andam intimamente ligados a
uma alimentao, quantitativa e qualitativamente equilibrada, de-
pendendo, por consequncia, da cultural das plants forraginosas
que, entire ns, mal esboada se encontra ainda.
Ora, na fase de pioneirismo agrcola e pecurio em que estamos,
com uma populao animal diminuta para as necessidades cada vez
maiores do consumo, falta de criadores experimentados, grande
dificuldade em canalizar os capitals para a pastorcia, pois procuram
actividades mais rendosas, a circunstncia de 70 % do armentio estar
na posse dos indgenas que dele no cuida capazmente, as doenas
parasitrias e tantas outras causes que impedem ou dificultam a
sobrevivncia das raas exticas de alta especializao, de aconse-
lhar que se d a primazia s castas locais, que sendo rsticas e
prolficas, e susceptveis de aperfeioamento por seleco, do
maiores garantias de rendimento econmico.












Em tais circunstncias, a preocupao da quantidade deve
sobrepor-se da qualidade. Qualidade, sim, mas que esteja de
harmonia com as possibilidades do meio, e nas condies actuais
da nossa agriculture s gado muito rstico poder garanti-la, ainda
que isso no dispense, bem entendido, a escolha dos melhores
indivduos, que sejam mais robustos, mais precoces e mais prolficos,
que tenham mais leite para as crias e resistam melhor s secas. S
esses devem ser seleccionados, independentemente da estatura ou
das malhas da sua pele. A estatura e o peso dependem, principal-
mente, do trato que for dado aos animals na idade mais nova, pois
no com a fome e a sede peridicas que podemos criar animals
de grande estatura. O tamanho no , alis, o que mais deve preo-
cupar o criador, mas a adaptao perfeita do animal ao ambiente
em que vive. A reduo da estatura represent muitas vezes uma
forma de sobrevivncia, portanto de adaptao. O animal torna-se
mais pequeno para melhor resistir s condies do meio em que o
foram a viver.
A economic de uma explorao de gados no deve ser avaliada
pelo peso absolute dos animals, mas pela maior capacidade que
estes manifestarem de transformar a pastagem sua disposio, ou,
por outras palavras, interessa menos o peso individual dos animals
que o nmero de quilos de carne ou o nmero de litros de leite
que determinadas quantidades de forragens, ou determinada rea de
pastagem, possam produzir pelo mais baixo custo, seja com esta ou
aquela raa.
H, sem dvida, condies em que os animals mais corpulentos
so os mais econmicos, mas em outras so, precisamente, os de
menor estatura e peso os de explorao mais rendosa. Por exemplo,
nas regies de solos ricos, os animals a adaptados, se bem cuidados,
atingem sempre elevada estatura. J nas regies pouco frteis eles
sofrem uma reduo de estatura, ao adaptarem-se. Sucumbiriam, se
possuissem grande corpulncia.












Estas condies variam tambm com o clima. Nos climas tem-
perados, havendo alimentao abundante, os animals de boa casta
crescem rpidamente, atingindo grandes pesos, ao passo que nos
climas quentes os animals de mdia ou pequena estatura tm maior
viabilidade, resistem melhor, so portanto mais econmicos. Claro
est que tudo isto relative porque, para ajuizar completamente do
valor econmico de uma dada raa, h que tomar em considerao
muitos outros factors, como mais adiante teremos ocasio de
apreciar.
Com estas breves consideraes pretendemos smente demons-
trar que o trabalho do verdadeiro criador, como o do zootecnista,
s consciencioso e profcuo, quando executado de acordo com a
natureza do meio em que os seus animals tm de viver.


A produo de carne

A criao das espcies domsticas deve ter sido praticada pelas
tribos indgenas do sul de Moambique desde tempos muito recuados,
a avaliar pelo tipo bovino que predomina nesta parte do territrio e
nos territrios vizinhos, que teve por antepassado o antigo boi do
Vale do Nilo, cujas caractersticas dominantes eram o perfil rectilneo
da front e os longos cornos levantados, em forma de lira ou de
crescente. Este animal, depois de ter sofrido a mistura com o pequeno
Bos braquiceros, ali chegado posteriormente, foi provvelmente o que
mais cedo imigrou do Egipto, nos velhos tempos faranicos, para os
diversos pontos deste continent.
Quando os portugueses chegaram extremidade sul da frica e,
pouco depois, Ilha da Inhaca e Baa do Esprito Santo, j encon-
traram, na posse dos Hotentores e dos outros povos que habitavam
esses locais, gado bovino, ovino e caprino. Mas os efectivos pecu-
rios dos indgenas, at que a ocupao da frica pelo branco teve
lugar, eram, necessriamente, muito reduzidos, sobretudo em Mo-












ambique, onde as ms condies sanitrias, provocadas pela infes-
tao glossnica e pelas carraas, os ataques dos felinos, a frequncia
das secas e das guerras tribais, seguidas das habituais rasias, devem
ter constitudo poderosos factors inibitrios da multiplicao
normal das espcies criadas pelo preto.
Com a vinda do branco, cessam as lutas sanguinrias entire as
tribos rivais, identificam-se as epizootias e tomam-se providncias de
natureza sanitria para impedir o seu alastramento, de que result
o crescimento, lento, mas contnuo, das manadas. Todavia, se a
situao sanitria melhorou considervelmente nas reas no
ocupadas pela ts-ts, naquelas j ocupadas por esta muscdea
pouco de prtico se conseguiu. que os lugares de onde foi expulsa,
por iniciativa do Estado ou dos particulares, custa, diga-se de
passage, de grandes sacrifcios materials, foram excedidos em
extenso por outros que ela tem invadido e nos quais, em tempos
ainda relativamente recentes, havia boas criaes de gado. Citaremos,
como exemplo, a invaso do Vale do Zambeze, na rea do Zumbo
e nas zonas da Benga e da Matema, fronteiras a Tete, algumas reas
do Bru, do Vale do rio Save, etc.
Mais de 70% da rea da Provncia est interdita criao das
espcies pecurias, em consequncia da infestao glossnica. Apenas
uns escassos 30% da rea do territrio se encontram, por enquanto,
livres desta grande inimiga dos gados, mesmo assim incapacitada
de aproveitamento total, seja porque o mato espinhoso, muito denso,
ocupe grandes extenses, seja por insuficincia de gua, seja ainda
porque os terrenos de formao mais recent esto sujeitos a inun-
daes ou a demorados alagamentos.

MTODOS DE EXPLORAO
A explorao do gado feita pelo preto pelos processes mais
primitivos. As manadas s so apascentadas nas curtas horas do
dia que o mufana pequeno pastor de 10 ou 12 anos de idade -












lhes consent. As noites, e grande parte dos dias, passam-nas nos
currais, que mais no so do que pequenos recintos delimitados por
ramos de espinhosas, onde os estrumes se acumulam durante anos
consecutivos, transformando-os na estao das chuvas em lodaais
pestilentos. Ali jazem os pobres animals enterrados at ao peito, a
respirar os gases mefticos provocados pelas fermentaes, ali con-
traem as doenas infecciosas mais comuns e ali permanecem as
melhores horas do dia em que deviam ser apascentados, sofrendo os
ardores do sol, pois nem sempre gozam da sombra do arvoredo.
Durante os frequentes perodos de seca emagrecem por falta
de pastos ou por falta de gua, que chegam a beber smente em dias
alternados, depois de muitos quilmetros andados. Para completar
o quadro de misria, a multido de carraas que aflige as manadas
que ainda no disfrutam do banho peridico e mais as debilitam,
sugando-lhes o sangue. Pois a tudo isto os animals tm resistido com
uma tenacidade admirvel, e causa espanto como rpidamente se
reconstituem e se cobrem de gordura, logo que voltam as chuvas e,
com elas, os bons capins.
Nas exploraes europeias melhor orientadas bem poucas,
infelizmente os animals vivem permanentemente em grandes
cercados, onde tm sua disposio pastagem suficiente, gua e
sombras, s dali saindo uma vez por semana, para irem ao banho
que os liberta das carraas. o mtodo ideal de criao quando se
trata de exploraes do tipo extensive. Pena que no esteja mais
generalizado entire ns, porque os animals assim criados do, segu-
ramente, um rendimento 25% superior ao que se obtm nas condi-
es usuais de encurralamento durante a noite. Os maiores encargos
provenientes da instalao de vedaes, bebedouros, etc., so com-
pensados com este aumento de produo.
Pode dizer-se que, com excepo de alguns animals, no muitos,
explorados pelo leite, o gado, desde que nasce at que vai para o
matadouro, tem por nico alimento o pasto espontneo, permanen-












temente sujeito, portanto, s alternatives de abastana e de escassez,
pois o criador no adquiriu ainda o bom hbito de preparar reserves
de forragem para suplementar a falta de pastagem nas pocas de
maior penria alimentar.
O mtodo de criao mais generalizado entire os europeus no
difere, prticamente, daquele que o indgena sempre usou. Neste
captulo, o criador civilizado, quase sempre sem experincia anterior
e que vive de outras ocupaes, limitou-se, com as raras excepes
j referidas, a copiar aquilo que viu fazer ao criador no-civilizado,
ou a confiar a este a explorao da sua manada. Aprendeu, no
ensinou, o que de lamentar porque se, na verdade, pretendemos
ter uma indstria animal progressive, no com mtodos gentlicos
que o havemos de conseguir, mas com aqueles que de h muito tm
prestado as suas provas em toda a parte onde a pecuria tratada
com o carinho merecido, como uma grande riqueza dos povos que .
No ignoramos que a falta de estmulo, a falta de capital a juro
acessvel e a pequenez do mercado mais por deficincia de trans-
portes baratos do que de consumo so, em parte important,
responsveis pelo atraso da indstria, mas a falta de criadores, em
nmero e qualidade, no o menos.
Se a forma de explorao mais usual a que requer menor
dispndio de capital e de trabalho, , tambm, a menos favorvel
produo. Sendo a mais remuneradora para quem a explore, no deixa
de ser, tambm, a mais prejudicial por agravar, cada vez mais, as
ms condies de aproveitamento das pastagens naturais e as do
prprio solo. Exploram-se ambos como se exploram as minas, at
nada mais darem, a no ser com redobrado trabalho e despesa.
As operaes da recria e da engorda, como actividades comple-
mentares da indstria animal, so inexistentes. Contudo, no faltam
condies exepcionalmente favorveis para que ambas concorram
com quota important para o aumento e melhoramento da produo.
As reas de pastagem natural que agora esto ocupadas pelos ani-












mais no reprodutores, podem vir a ser reservadas, essencialmente,
para as fmeas de criao. A recriao e a engorda, praticada mo
por pessoas experiences, ser ento deslocada para as pequenas pro-
priedades onde a cultural intensive das forragens tenha viabilidade.
Quando tal desdobramento de actividades tiver lugar, haver um
nmero bem maior de fmeas em produo e o animal, criado e
engordado manjedoura, ter um crescimento mais activo, dar,
com menos idade, maior quantidade de carne e esta ser de melhor
qualidade.
Aqui, no Sul do Save, temos tudo o que necessrio para des-
dobrar as fases da criao, da recriao e da engorda por outras
tantas actividades especializadas, pois no faltam as magnficas
pradarias naturais to propcias criao, nem as facilidades para
a cultural intensive de forragens que so indispensveis recria
e engorda. Poucos pases possuem, lado a lado, como ns, condi-
es to vantajosas ao desenvolvimento destas actividades.
Zonas verdadeiramente de criao podem considerar-se as
manangas de Magude, Guij e Alto Limpopo, as terras da Moamba,
em especial as da margem esquerda do Incomti e as reas do Maputo,
entire o rio deste nome e os Libombos. Correspondem s manchas
dos basaltos ou do cretcico, que j referimos, e as suas pastagens
podem rivalizar com as melhores deste continent. Para a recria e a
engorda dispomos dos magnficos terrenos de aluvio das margens
dos rios, cujas possibilidades de rega, por gravidade ou por bom-
bagem, permitem intensificar a cultural forraginosa. No se deve
perder de vista a incluso das operaes da engorda e da recria do
gado bovino nos esquemas de explorao das terras que venham a
ser beneficiadas pelas grandes obras de rega, at porque permitem
a melhor valorizao dos produtos residuais das colheitas e a pro-
duo da grande massa de estrumes que essas terras no dispensam.
Se as possibilidades imediatas da explorao animal no so
grandes, de facto, em relao s necessidades da populao, permi-












tem, no entanto, o aumento substantial de algumas classes de animals,
uma vez que se promova o integral aproveitamento das melhores
zonas pascigosas, em conjugao com as reas que forem sendo
entregues ao regadio. E ainda que a explorao do gado leiteiro deva
ter a primazia, sempre que as condies do meio lhe sejam favor-
veis, isso no quer dizer que se deva contrariar a produo intensive
da carne, se o produtor tiver maior interesse em se dedicar a este
ramo de actividade.

RESULTADOS DA INTRODUO DE RAAS EXTICAS

O animal de talho tem sido, essencialmente, o boi nativo. Mais
de 90% da carne consumida fornecida por esta espcie, tendo
contribudo os sunos, caprinos e ovinos, em 1954, apenas com 7,5%
do peso total das reses abatidas nos matadouros.
Por se tratar de animals incultos, cujo rendimento em carne
bastante inferior ao das boas raas europeias de talho, muitos cria-
dores europeus, e as prprias estaes zootcnicas, tentaram o
cruzamento do gado nativo com essas raas exticas, no intuito de
conseguirem reses mais precoces e de maior peso. Os resultados no
corresponderam, porm, ao que deles se esperava. Os mestios do
primeiro cruzamento os hbridos dos geneticistas mostram,
sem dvida, uma conformao mais apurada e um crescimento mais
activo, mas logo que a percentage de sangue extico vai alm
do 50%, aparecem as manifestaes degenerativas que se evidenciam
pela quebra do vigor, diminuio da fertilidade, menor actividade de
crescimento, maior percentage de leses oculares, maior sensibli-
dade s doenas enzoticas e maior percentage de mortalidade.
Muitos dos mestios com 3/4 de sangue extico tm um crescimento
mais retardado que os prprios nativos. E, na media em que a
percentage do sangue melhorado aumenta, mais se acentuam
neles os fenmenos de degenerescncia.












Numerosos exemplares ilustram o que acabamos de dizer, aqui
e em todos os outros pases que tentaram a experincia. Mas, de
todos, o mais sugestivo o da Argentina. Nas zonas temperadas dos
seus famosos pampas, nenhuma das raas de lite, europeias, teve
dificuldade em se adaptar, no estado puro. O clima e a alimentao
magnfica que lhe fornecem os seus extensssimos campos de alfalfa,
como ali chamam luzerna, contribuem para que essa adaptao se
faa sem sobressaltos, os animals crescendo e engordando rpida-
mente, ao abrigo das doenas das carraas que, nos pampas, no
conseguem proliferar, no se sabe bem porqu.
J nas zonas ridas do norte do pas, de clima sub-tropical, as
carraas pululam, transmitindo a tristeza e outras hemo-parasi-
toses; os pastos so menos nutritivos e mais fibrosos, porque a
luzerna no vegeta em sequeiro como na pampa, e essas raas, que
fizeram a riqueza e deram fama pampa Argentina, no conseguem
ali vingar, como no vingam aqui, na frica tropical.
Mais rstico era o gado da Pennsula, que foi levado pelos
descobridores espanhis e portugueses, e ele, ao adaptar-se, dege-
nerou. Foi esta a origem do seu gado crioulo.
No Brasil acontece outro tanto. Nos pampas riograndenses, de
clima temperado, possvel manter razoveis criaes de gado
Hereford, Shorthorn ou Aberdeen-Angus, embora de nvel
inferior s da Argentina, por falta de boa pastagem, mas, mais ao
norte, em plena zona tropical, s o gado crioulo, e, melhor do que
este, o zeb ou as suas cruzas, conseguem progredir. O gado crioulo
brasileiro , em rigor, o gado portugus, degenerado por efeito da
adaptao que sofreu a um clima mais quente e a um meio muito
diferente do da sua terra originria. Adaptou-se, mas perdeu quali-
dades. Para ajustar a fisiologia do gado vida do trpico, entenderam
os brasileiros, e muito bem, cruzar o crioulo com o boi indiano,
por ser o zeb um animal que suporta as temperatures elevadas,












tira a maior vantagem dos pastos pobres e mostra grande tolerncia
s doenas enzoticas mais comuns dos trpicos.
Desde que no podia criar as raas europeias de talho, o Brasil
resolve, inteligentemente, o seu problema, aproveitando o zeb,
embora tenha de contentar-se com uma carne mais grosseira, mas
que , no fim de contas, a de mais econmica produo.
certo que nem todos os tcnicos brasileiros se mostram de
acordo com a introduo indiscriminada do zeb nas manadas do
seu pas. Preferiam estes que o doseamento do sangue indiano no
fosse alm de determinada percentage. Talvez tenham razo. O
excess de sangue indiano, levado at absoro complete do crioulo
em numerosas exploraes, provvel que tenha inferiorizado, um
tanto, a qualidade e a sapidez da carne do primitive gado. A difi-
culdade, no entanto, estava em fixar uma nova casta a partir de duas
raas inteiramente distintas. Conseguiu, certo, o famoso criador do
Texas, Kleberg, moldar o S.ta Gertrudes, produto misto derivado,
tambm, do Bos taurus e do Bos indicus, mas sucessos como este
no tm sido frequentes, talvez porque no seria fcil utilizar tantos
milhares de animals numa experincia, como pde o genial criador
americano.
CAUSES DA INADAPTABILIDADE
DAS RAAS EUROPEIAS NOS TRPICOS

So hoje bastante conhecidas as causes que inibem o desenvol-
vimento das raas finas da Europa nas regies tropicais. Na base
de todas, figure a dificuldade delas poderem regular a prpria tem-
peratura com a do meio exterior, dado que, nos trpicos, a tempera-
tura aproxima-se muito, e por vezes excede, a temperature normal
dos animals. A constituio anatmica e fisiolgica das raas euro-
peias est melhor preparada para reter do que para expelir o calor
gerado pelas combustes internal. Da, a sua incapacidade para se
desembaraarem do prprio calor, quando a temperature do ambiente












ultrapassa determinado limited. Gera-se, por esse motivo, um estado
verdadeiramente febril com todo o cortejo de fenmenos que lhe
andam ligados: aparecem as perturbaes do metabolismo, reduz-se
o appetite, criam-se estados de verdadeira anemia, aumenta o trabalho
dos rgos da respirao e circulao, reduz-se a funo anti-txica
do fgado, alm de outros fenmenos menos aparentes, mas igual-
mente prejudiciais.
Os animals exticos, quando no sucumbem nestes climas,
perdem muitas das melhores qualidades, acusando uma acentuada
reduo de estatura e do peso, multiplicando-se com dificuldade, e
sofrendo sempre mais do que os animals das raas locais, quando
so atingidos por quaisquer estados patolgicos. Defendem-se do
aumento das combustes internal e, consequentemente, do aumento
da temperature do prprio corpo, comendo menos. Deste modo,
no crescem nem engordam.
No necessrio que os animals sejam de pura raa extica
para que estes fenmenos se denunciem. Nos mestios, com mais
de 50% de sangue extico, j se manifestam acentuados sinais de
degenerescncia, comeando as perturbaes a serem notadas logo
que a temperature ultrapassa os 26 C. Quando as temperatures
elevadas coincidem com um alto grau higroscpico, as perturbaes
do metabolismo, da respirao e da circulao so ainda mais
acentuadas.
A morfologia dos animals que conseguem adaptar-se ao meio
tropical modifica-se de acordo com as leis fisiolgicas da adaptao.
O tipo digestivo caracterstico das grandes raas de engorda,
originadas nos climas temperados, evoluciona para o tipo respiratrio,
dominant nas- raas dos climas quentes. O corpo torna-se mais
estreito e alongado, o trax mais achatado lateralmente, o venture
mais reduzido, as massas musculares menos volumosas em parte
por ser menor a acumulao da gordura intersticial -, os membros
alongam-se, a pele cobre-se de um plo mais curto, liso e brilhante.












Os ndices das diversas regies do corpo sofrem acentuadas
alteraes por efeito da reduo dos seus dimetros transversos.
Em concluso: o format alonga-se, aproximando-se do format
.dos antelopes; o volume tende para a reduo. Em contrapartida,
a superfcie do corpo aumenta na razo inversa, o que assume grande
importncia, porque permit um melhor funcionamento do aparelho
da termo-regulao.
Verifica-se, portanto, que econmica e fisiolgicamente
invivel nos trpicos a absoro das raas locais por elements de
provenincia europeia, a menos que o factor altitude corrija os
defeitos das baixas latitudes.
Em Moambique, o animal de talho tem de possuir, acima de
tudo, uma enorme rusticidade em face do meio climtico, alimentar
e patolgico. Possuimos duas raas nativas, ambas muito rsticas
e admiravelmente adaptadas aos respectivos meios, que muito diver-
gem entire si. Quando as pastagens so ricas e o trato cuidado,
qualquer delas atinge bom desenvolvimento e peso bastante razovel,
mais especialmente o boi landim, que disfruta de pastos de melhor
qualidade. Desde que lhes proporcionem a oportunidade, que nunca
tiveram, de manifestar todas as suas qualidades, bvio que evo-
luiro para tipos morfolgica e fisiolgicamente mais perfeitos, o
que, alis, comprovado pelas experincias de alm-fronteiras e da
prpria Estao Zootcnica Central.

O GADO AFRICANDER

Muitos criadores do Sul do Save tm dado preferncia ao gado
Africander, de que j possuem boas criaes de alta cruza. Tratando-se
de uma raa tambm originria de frica, a sua adaptao s melho-
res zonas pascigosas do sul, que so de ambiente relativamente seco,
no oferece dificuldade alguma. O ambiente natural do Africander o
da estepe, de clima sub-rido. Nos climas mais hmidos, os bovinos












locais levam-lhe vantagem, por resistirem melhor ao calor hmido
e aguentarem-se melhor no trabalho, nos dias de sol mais ardente.
Sendo certo que o Africander um animal que nos merece
muito apreo, no teramos objeces a fazer-lhe, se no houvesse
alguns aspects econmicos que importa considerar. No poderemos
abstrair de que mais de 70% do armentio bovino pertence aos
indgenas e, neste caso, se pretendessemos alargar a to grande
massa animal a aco melhoradora do Africander, isso acarretaria
um dispndio de capital muito elevado, pois seriamos forados a
importar do pas vizinho muitas centenas de touros, todos os anos.
Seriam milhares de contos a sobrecarregar a nossa economic, sem
grandes vantagens imediatas, at pela razo de no dispormos de
fmeas nativas escolhidas em quantidade bastante para tirar-
deste ou de outros cruzamentos o maior proveito, alm de que
os animals importados teriam de suportar uma mortalidade no
inferior a 15 ou 20%.
Nas exploraes em que o gado boer foi j introduzido, com-
preende-se que se persista no cruzamento de absoro, mas no
parece aconselhvel, pelas razes que apontmos, generalizar o uso
deste gado no nosso territrio mais do que j est. Nas zonas hmidas
do Natal, Transval, Suazilndia, etc., o Africander vai desaparecendo
para dar lugar ao gado nativo Nguni, que progride melhor nestas
regies.
Ao contrrio do que geralmente se pensa, o peso dos mestios
Africander-Indgena, das primeiras cruzas, no sensivelmente supe-
rior ao do prprio Landim pelo menos at aos quatro ou cinco
anos de idade se forem ambos criados em condies ambientais
semelhantes, e a percentage de nascimentos tambm no superior
deste ltimo, havendo razes para supor que at inferior, nos
anos em que os perodos de cobrio coincidem com chuvas muito
fortes e prolongadas.












Com algumas geraes de seleco bem conduzida, poderemos
levar a seleco do nosso boi nativo ao nvel do Africander e, quanto
a ns, esse trabalho constitui para o criador national um imperative
ao qual no deve furtar-se, se quiser prestar um bom servio a
Moambique e a si prprio.

APRECIAO DO RENDIMENTO ECONMICO
DAS RAAS DE TALHO

Comete-se frequentemente o erro de apreciar o valor econmico
de uma raa de talho apenas pelo rendimento obtido de alguns
animals no matadouro. Nada mais falvel. Um juzo complete da
questo s pode ser feito pela anlise, no de um, mas de vrios
factors.
Para melhor ilustrar quanto tm de enganadoras certas apa-
rncias, citaremos duas experincias, muito completes e sugestivas,
levadas a efeito nas Rodsias do Norte e do Sul, que vm em apoio
do que acabamos de dizer (V. relatrio referido, pgs. 129 e 135).
No primeiro destes territrios, realizou-se o estudo comparative
dos rendimentos produzidos por diversas raas e seus cruzamentos,
no qual se apuraram os seguintes resultados: a maior percentage de
natalidade foi obtida do cruzamento do Africander com vacas j
mestiadas, extico-nativo. O peso mdio mais elevado, aos quatro
anos de idade, foi dado pelo cruzamento Shorthorn-Africander.
A maior mortalidade de entire os vitelos verificou-se nos cruzamentos
do Hereford e do Sussex com fmeas mestias, nativo-exticas;
o peso total da carne produzida pelas diferentes raas e cruzamentos,
em funo da percentage dos novilhos que atingiram os quatro
anos de idade, foi maior nos cruzamentos de touros Angones
(zeb de pequenos cornos) com vacas j mestiadas, extico-nativo,
que deram 67.438 libras de peso; o segundo lugar coube ao Afri-
cander puro, com 62.300 libras; o terceiro lugar, ao cruzamento do












Africander com vacas mestias, com 61.965 libras; o quarto lugar,
ao Angone puro, com 60.500 libras, e, muito distantes destes, os
cruzamentos entire raas exticas, dos quais o que menos carne pro-
duziu foi o cruzamento de touros mestios, Hereford-Africander,
com as vacas nativo-exticas, que deu, smente, 22.628 libras.
Esta experincia, muito elucidativa, demonstra a enorme impor-
tncia do factor rusticidade na produo da carne nos trpicos.
Resta, contudo, apurar se econmico utilizar naqueles territrios
a raa Africander, que tem de ser importada por alto preo, dada
a pequena diferena da sua produo em relao raa native
Angone, apesar da seleco desta ser de data muito recent.
Da segunda experincia, levada a efeito na Estao de Matopos
(Rodsia do Sul), concluiu-se que a quantidade, mdia da carne
produzida pela descendncia de todas as fmeas nativas, puras, foi
de 287 libras (130 kg), e pela descendncia das vacas provenientes
do cruzamento de touros nativos com fmeas j mestiadas, extico-
-nativas, 269,5 libras (122 kg).
Estes resultados foram mais favorveis ao gado nativo puro,
devido sua maior natalidade (62,24%), e menor mortalidade,
embora o peso individual, mdio, obtido no matadouro, fosse de
todos o mais baixo, apenas 510 libras (231 kg). O peso mdio mais
elevado foi alcanado pelo cruzamento extico-africander, 559 libras
(253,3 kg), mas a natalidade deste foi, apenas, de 59,62% e a morta-
lidade mais elevada que no primeiro.
Estes dois exemplos do-nos a media do erro que se compete
quando se aprecia o valor de uma raa, ou de um cruzamento, em
funo, apenas, dos pesos alcanados no matadouro e se no tomam
em conta outros factors, como sejam: a natalidade e a mortalidade,
a frequncia de doenas que obriga a uma assistncia mais assdua,
o custo dos reprodutores, o perodo de tempo que eles se mantm
ao servio, as suas maiores exigncias alimentares e higinicas,
etc., etc.












J. C. Bonsma, referindo-se aos touros das raas europeias, chegou
concluso de que, nas condies da Estao de Mara (Transval
do Norte), a sua capacidade reprodutora no vai alm de 39 meses,
em mdia! Basta este facto para que o custo de produo da carne
do bovino mestio seja bastante sobrecarregado, pois temos ainda
que adicionar ao preo dos reprodutores uma percentage elevada,
correspondent mortalidade que estes animals sofrem no nosso
territrio.
A SELECO E O CRUZAMENTO

Para se conseguirem bons resultados da seleco do gado nativo,
mais no preciso do que imitar aqueles mtodos j muito experi-
mentados pelos criadores mais famosos de todo o Mundo, que nada
tm de misteriosos, pois se baseiam, fundamentalmente, na escolha
criteriosa dos reprodutores e nos cuidados alimentares e higinicos.
D-se aos pobres animals a oportunidade que nunca tiveram de
revelar toda a sua capacidade transformadora, e aos bons criadores
no faltar matria-prima com plasticidade bastante para se deixar
moldar at ao limited consentido pelas verdadeiras possibilidades do
meio.
Nos casos em que se torne indispensvel recorrer ao cruzamento
com as raas de maior especializao, como acontece quando se
procura a produo do leite, por falta de raas leiteiras adaptveis
aos trpicos, no indiferente que a fmea native, que funciona de
porta-enxerto, descenda de uma linha bem seleccionada ou de uma
que o no foi, uma vez que o sucesso dos cruzamentos depend
essencialmente da qualidade dos indivduos a cruzar. Quanto melho-
res estes forem, tanto maiores sero as probabilidades de produzirem
descendncia capaz. Do mesmo modo, a produo do hbrido indus-
trial para carne no dispensa a escolha de reprodutores de qualidade,
de ambos os sexos.












As fmeas indgenas com boas qualidades maternais e suficincia
de leite, para que as crias tenham, logo de incio, um desenvolvimento
rpido, so to necessrias como a boa linhagem do touro padreador.
E em ateno a esta qualidade, mais do que perfeio do seu
fsico, que se deve tender, quando se escolhem vacas destinadas
produo do hbrido industrial. E, ao falarmos do cruzamento
industrial, com vista produo das reses de talho, interessa saber
se tal prtica ter, por agora, ambiente econmico que justifique a
sua adopo entire ns, e dizemos por agora, porque, muito embora
os meios-sangues, europeu-nativo, sejam aqui viveis sob o ponto
de vista econmico, no nos parece aconselhvel que ela seja adoptada,
enquanto as nossas existncias pecurias forem to modestas como
na realidade so.
J o dissemos, mas no nos parece demais repetir, que o aspect
do problema pecurio que mais interessa considerar, por ora, o da
produo quantitativa, mais do que da qualitativa. E, nesta ordem
de ideias, a preocupao mxima de todos os interessados na matria
deve ser, naturalmente, a de procurarem o aumento dos efectivos
animals pela forma mais rpida e econmica, a fim de que tenhamos
carne suficiente e ao alcance de todas as bolsas. Interessa, por agora,
menos a carne de alta qualidade, para uso de poucos e com sacrifcio
das futuras criaes, mas tambm sacrifcio do consumidor de menos
posses. Demais, a care de alta qualidade, geralmente muito gorda,
no a mais grata ao paladar do consumidor national, por uma
razo bem compreensvel. Tenhamos bem present o que sucedeu h
uma boa vintena de anos, em Portugal, quando ali se tentaram os
cruzamentos industrials para talho, utilizando touros Aberdeen-
-Angus, Hereford, e no sei se de outras raas, importados da Ingla-
terra. To bizarre ideia teve, como natural, a oposio das donas
de casa, que se obstinaram na recusa de a comprar, devido ao excess
de gordura. S os hotis do Estoril a consumiam, quando l havia
abundncia de turistas ingleses.












A razo do hbito e do clima bastante para explicar a averso
do latino pela carne muito carregada de gordura. Com maior soma
de razes, maior ser a repulsa do habitante do trpico em a utilizar
na sua alimentao.
Acresce ainda que o nico destino do hbrido deve ser o mata-
douro, depois de engordado, seja macho ou fmea. Deste modo, as
fmeas meio-sangue ficam interditas reproduo e, se o no
ficassem, das duas uma, ou voltariam a ser cruzadas com os touros
exticos e, nesse caso, a degenerescncia no se faria esperar, ou
seriam fecundadas por touros das raas rsticas e teramos, ento,
a empregar o cruzamento alternative, a inevitvel confuso zootc-
nica, a variao desordenada dos velhos zootecnistas.
Ningum acreditar que o esprito simplista da maior parte dos
nossos criadores admita a necessidade da elaborao de um registo
rigoroso de todos os tipos de animals que iriam surgir da prtica do
cruzamento alternative, aparentemente to simples, mas que, sem um
controle cuidadoso, redundaria numa verdadeira miscelnea, de
baixo valor zootcnico, como muitas que por a se encontram, a
atestar a ingenuidade dos seus proprietrios, felizes, em todo o caso,
por viverem na iluso de que possuem animals de raa...
H pases, e a Itlia um deles, que proibem a produo do hbrido
industrial, para evitar a prtica desastrosa dos cruzamentos mal
orientados, uma vez que esto empenhados em seleccionar, e no em
abastardar, as suas raas nacionais, cujo progress nestes ltimos
tempos tem sido deveras admirvel, graas seleco intensive ope-
rada sob a orientao de tcnicos competentssimos. Entre ns,
parece-nos que vai tambm sendo tempo de pr um forte travo
importao de tantos reprodutores que todos os anos compramos
l fora, pagos por muitas libras, os quais, na maioria dos casos, so
lanados s manadas, que vivem nas matas de espinhosas, com uma
inconscincia de assombrar. No admira, portanto, que muitos deles
sucumbam ao fim de poucas semanas, atacados pelas molstias das












carraas, envenenados pelas plants txicas ou, quando se no sabe
ao certo de que morreram, a suspeita da mordedura de cobra!
A experincia dos ltimos quarenta anos parece-nos bastante
sugestiva para que no tenhamos mais iluses acerca da funo
melhoradora das raas europeias de talho que temos para aqui
importado. Exceptuados os touros das raas de leite cuja importao
ainda se justifica, uma vez que no nos damos ao desporto proveitoso
de seleccionar as prprias vacas nativas para leite, como esto fa-
zendo os ingleses do Sudo, do Qunia, do Tanganhica ou da Uganda,
com resultados muito interessantes, o que tem ficado dessas muitas
centenas de reprodutores, Shorthorns, Herefords, Sussex, Red-Poll,
Aberdeen-Angus, e de tantos mais, que economic da Provncia tm
custado milhares de contos? Experincias desta natureza s pessoas
com conhecimentos suficientes as devem fazer, no o leigo, que
supe que efectuar um cruzamento de raas, mais no do que
misturar sangues, cujos efeitos se graduam vontade do criador
como os temperos se podem ajustar ao paladar do salsicheiro.
Vamos at mais long. Estas experincias s nos estabelecimentos
oficiais devem ser levadas a efeito e, se os resultados o justificarem,
divulgadas, ento, pelos criadores. Quem ignore as leis fundamentals
da hereditariedade e os modernos mtodos da criao; quem no
possua bastante experincia e um apurado esprito de observao,
digamos mesmo, intuio, aquela intuio que tornou famosos os
criadores ingleses do sculo xvim, ser incapaz de praticar com efi-
cincia certas formas de cruzamento. Quando pensa que melhora,
degrada, o que ainda mais nefasto.
A forma de cruzamento mais acessvel ao leigo e de resultados
mais uniforms , sem dvida, o industrial. Mas, praticado como
deve ser, tem os seus inconvenientes e os seus perigos. Inconvenientes,
porque, como frismos, inutilizar as fmeas mestias para a funo
reprodutora, alm de obrigar o criador a importar todos os touros
sementais que neste clima no podem ser criados e cujo elevado












preo lana sobre a produo um pesado nus. Perigos, porque
encaminharia ainda mais rpidamente o criador para o abastarda-
mento da espcie, pois lhe seria muito difcil resistir tentao de
utilizar as vacas meio-sangue na reproduo.
Felizmente que o indgena, com todos os seus defeitos, tem
sabido conservar esse patrimnio valioso, que o seu rstico gado,
oferecendo tenaz resistncia s mltiplas solicitaes feitas para o
levarem mestiagem com raas estranhas, na inteno boa, mas
errada, de por este meio se promover o seu melhoramento. Se persis-
tissemos nessa ideia falsa, tornaramos invivel, a breve trecho, a
criao desta espcie em Moambique, a no ser que a voltssemos
a. reconstituir custa de vizinhos, mais avisados do que ns. Tal
perigo parece sustado por agora e confiamos em que no surja, no
future, uma nova ofensiva contra a integridade biolgica do boi
nativo, povoando, mais uma vez, os postos de reproduo oficiais,
de finalidade alis muito discutvel, com touros de raas, na verdade
muito famosas em outras latitudes, mas que nada teramos perdido
se aqui nunca tivessem entrado.
As castas africanas, graas seleco natural, secular, puderam
libertar-se dos genes inadequados a este ambiente. Reintroduzi-los,
atravs do cruzamento, seria erro indesculpvel sob os pontos de
vista biolgico e econmico.
Os ingleses, com a sua longa experincia de criadores, e que
dispem do melhor grupo de raas precoces do Mundo, esto neste
moment mais interessados em aperfeioar as castas africanas do que
em introduzir as do seu pas, e eles tm boas razes para o fazer.
Assim, nos seus territrios da frica Oriental, seleccionaram,
para leite, a pequena vaca Nandi, nas zonas de altitude, e para
carne o Boran nas zonas mais ridas e de menor cota, mas de
melhores pastagens. Ambos pertencem ao grupo dos zebs africa-
nos de cornos curtos. O Boran um magnfico animal, de boa
estatura, que num future prximo vir a ser um grande competitor












do Africander. Na Rodsia do Sul, seleccionam o Mashona e o
Tuli, do grupo Sanga, ambos para talho. Na Rodsia do Norte,
o bovino Angone este tambm do ramo dos zebs de cornos
curtos -, o Tonga e o Barotze, dois tipos diferentes, ambos do
grupo Sanga; na frica Ocidental ao pequeno boi Ndama, da
Guin Francesa, que do a preferncia, em consequncia da sua
grande resistncia s tripanossomases, factor que ali tem uma enorme
importncia; na Zululndia, Suazilndia e naqueles locais mais hmi-
dos da frica do Sul, onde o Africander no progride to bem,
selecciona-se o gado Nguni, irmo gmeo do nosso Landim.
No temos dvidas de que os nossos amigos ingleses, dentro de
alguns anos, tero, com a sua vocao nata para a seleco das
espcies, conseguido aperfeioar as raas nativas, elevando-as a um
alto nvel de progress. Se no lhe seguirmos as pisadas acabaremos
por ser seus fregueses, comprando-lhes por elevado preo os touros
indgenas seleccionados que no soubemos produzir...
O cruzamento Bos taurus-Bos indicus praticado por brasi-
leiros e americanos, para conseguirem animals melhor adaptados s
condies dos seus pases, encontra-se feito h muitos sculos em
frica, onde todos os bovinos criados ao Sul do Saar (com excepo
do pequeno braquiceros e do boi Ndama) so produtos derivados
da mistura daqueles dois tipos.
Talvez por essa razo eles se mostram muito tolerantes ao clima
tropical.
O boi S.ta Gertrudes, fixado h duas dezenas de anos na Am-
rica; o Sanga e o prprio Zeb africano, este ltimo embora com um
maior doseamento do sangue indiano, so todos produto da mesti-
agem do Bos taurus com o Bos indicus.
Na Estao Zootcnica Central, conseguiu-se, logo na primeira
gerao, um aumento de peso bastante sensvel do gado Landim,
o que atribuimos mais ao regime de criao a que foi submetido, do
que prpriamente seleco dos reprodutores. As novilhas, aos trs












anos, pesavam cerca de 40 quilos mais do que as fmeas adults
adquiridas aos indgenas. Pode calcular-se em 20 a 25% o aumento
de peso conseguido, exclusivamente, pela melhoria dos mtodos de
explorao, o que deveras important. Os criadores da Rodsia
do Sul esperam que, com mais alguns anos de seleco, os bois de
casta Mashona atinjam, aos trs anos de idade, pesos superiores
a 250 quilos de carne limpa! Na Estao Zootcnica, fmeas estreis,
de casta native, que ali foram abatidas, renderam, em carne limpa,
60% do peso vivo. Outras vacas adults ultrapassaram os 450 quilos
de peso vivo, algumas tendo mesmo atingido os 500 quilos.
Se um dia o nosso armentio bovino tiver aumentado ao ponto
de no nos fazer diferena sacrificar um bom nmero de fmeas
nativas na produo do hbrido industrial, poderemos, ento, satis-
fazer paladares mais exigentes e bolsas mais ricas, desde que o preo
compense o produtor dessa classes de animals. At l, no nos parece
sensato enveredar por esse caminho.

AS CATEGORIES DA CARE DE CONSUME

Para estimular o criador a produzir gado de melhor categoria,
a carne deve ser-lhe paga de harmonia com a qualidade, e esta
determinada de acordo com os padres regionais que importa fixar
e no com os padres de outros pases, cujas caractersticas ambien-
tais so muito diferentes das nossas. Assim, por agora, devemo-nos
contentar com trs categories, estabelecidas de conformidade com
a idade, o peso e o estado de engorda dos animals e, bem assim, com
o aspect e a distribuio da gordura nas carcassas.
O grande objective a atingir num future mais ou menos prximo
ser conseguir que o criador, ou o recriador, apresente nos mata-
douros reses com quatro anos de idade e determinados pesos, em
bom estado de engorda, e isso no impossvel com seleco e trato
mais cuidados. Temporriamente, porm, justifica-se que este limited












se alargue at aos cinco anos. Mas a partir de razovel moment,
a idade mxima dos quatro anos, o peso limpo, mnimo -que pode-
mos arbitrar em 220 ou 230 quilos, bom estado de engorda, boa
distribuio e colorao da gordura (da intersticial, inclusive) deve
ser, numa primeira fase, o padro a exigir das reses que se classifi-
quem na primeira categoria, independentemente da raa ou do sexo.
Na segunda categoria classificar-se-iam as reses, de idade no
superior a seis anos e bom estado de engorda, de peso igual ou supe-
rior a uns 200 quilos, limpos.
Na terceira categoria, seriam classificadas as reses de qualquer
idade e peso, em condio de gordura aceitvel, no includas nas
categories anteriores.
Quando os nossos criadores ou as pessoas que venham a dedi-
car-se engorda apresentarem nos matadouros uma percentage de
reses de primeira categoria nas condies que acabmos de indicar,
teremos conseguido um progress bastante razovel da nossa pecu-
ria bovina, embora ela seja susceptvel de progress bem maior.
Nas zonas do Norte, onde os animals no atingem os pesos que
so frequentes no Sul da Provncia, reduzir-se-ia o limited, mnimo,
do peso a 180 quilos, nas reses classificveis na primeira categoria
e a 150 quilos na segunda.
S fixando com rigor possvel as caractersticas a que devem
obedecer os padres qualitativos da carne de consumo, de modo a
reduzir, seno a eliminar, o critrio pessoal do agent classificador,
ser possvel fazer compreender ao criador o que julgamos legtimo
exigir dele e a maneira como a sua explorao deve ser orientada
para que atinja os resultados desejados.
Reina ainda uma grande confuso nos espritos acerca dos
princpios em que deve assentar o melhoramento do nosso armentio
bovino, cada um pretendendo ter a este respeito a melhor opinio.
Mesmo entire pessoas responsveis, no h ideias bem definidas, e












isso tem, sem dvida, sido prejudicial. Mas l fora tem acontecido
outro tanto e s agora a situao comea a ser esclarecida.
Um ponto h, todavia, em que no legitima a controvrsia
e em que, portanto, todas as opinies se devem encontrar: o da
indispensabilidade da seleco dos tipos nativos como base funda-
mental desse melhoramento ou a sua primeira fase, se acha-
rem prefervel. Mas, para que os resultados da seleco se possam
evidenciar e atingir o mais alto nvel, de igual modo indispensvel
a presena de mtodos de explorao mais racionais que as raas
mais selectas tambm no dispensam no demais repeti-lo. E,
enquanto se no assentar neste princpio e se no avanar profunda-
mente na sua execuo, nada de prtico se ter conseguido na evolu-
o da nossa pecuria, tenhamos disso a certeza.
Ainda que as castas locais no fossem, de facto, as mais teis
nossa economic, elas teriam de ser reconhecidas como o material
bsico em que teriam de enxertar-se as raas vindas de fora. E, sem
cavalos fortes e bem escolhidos, no fcil obter boas enxertias.

AS PEQUENAS ESPCIES PRODUTORAS DE CARE

Falmos at agora da produo da carne de bovinos, mas as
espcies porcina, caprina e ovina tambm podem contribuir com
contingentes bem mais avultados que os actuais para o abastecimento
pblico, mais particularmente as duas primeiras.
Pelo que diz respeito aos sunos, no temos, prticamente,
problems de clima a resolver. Seja nas zonas mais quentes e hmidas,
seja nos terrenos pantanosos do litoral ou nas terras montanhosas do
interior, em qualquer parte eles podem ser criados, desde que dispo-
nham de alimentao capaz. Nas prprias zonas de ts-ts no
impossvel criar sunos em regime industrial, se forem colocados em
condies de defesa contra possveis ataques da tripanossomase.
Em qualquer recinto, ou simplesmente no chiqueiro, como alis se












usa geralmente nos pases onde a indstria das conservas de carne
de porco est mais desenvolvida, pode haver grandes criaes desta
espcie. Em liberdade que de modo algum convm mant-los.
O maior problema da criao porcina o da alimentao, mas
ele pode ser resolvido com os recursos locais, que nalgumas regies
so at bastante abundantes e podem s-lo ainda mais. Onde possa
fazer-se a cultural da luzerna, alimento de grande valor para os sunos
como para outras espcies domsticas, ou das leguminosas nativas,
ou naturalizadas, de aproximado valor alimentar, onde o emprego
dos bagaos das oleaginosas no seja proibitivo e, bem assim, de
outros resduos industrials que possam suplementar os gneros de
produo local (milho, mapira, abboras, pastagem, etc.), a criao
do porco no ter dificuldade de maior. Impe-se, todavia, o condi-
cionamento da exportao destes resduos industrials para que no
faltem no mercado, como disso se queixam os criadores.
A criao dos caprinos das castas nativas, ressalvados os incon-
venientes de algumas doenas parasitrias que com algum cuidado
se podem evitar, no tem dificuldades a vencer, a no ser pelo que
respeita a algumas estirpes de tripanossomas, no todas, pois das
espcies mais tolerantes a estas infeces. Em todos os lugares em
que abundam os arbustos, seu alimento preferido, possvel criar
caprinos, que so animals sfregos de alimentos ricos em substncias
taninosas.
aconselhvel manter rebanhos desta espcie animal ao lado
das manadas de bovinos quando a isso se no oponham razes de
ordem sanitria, uma vez que, tendo exigncias alimentares dife-
rentes, no haver concorrncia entire ambos, com a vantagem de os
primeiros contriburem para dificultar o reaparecimento do mato
arbustivo nos locais onde j se tenha efectuado o seu desbaste.
Quanto aos ovinos, as possibilidades de criao so mais res-
tritas. A grande sensibilidade desta espcie s parasitoses do aparelho
digestivo e s pneumonias, doenas bastante frequentes nas zonas












mais hmidas, dificulta a sua criao fora das zonas ridas ou sub-
-ridas, como so as da parte central do distrito de Tete, quase toda
a rea da circunscrio do Alto Limpopo de todas a melhor -
e, ainda, de uma parte important da circunscrio do Guij e de
algumas reas do distrito de Inhambane.


A produo do leite

Idnticamente ao que sucede com as raas de engorda, as raas
exticas especializadas na produo do leite no encontram em
Moambique clima favorvel para se multiplicar e manter as
elevadas produes que do nos seus pases de origem, a no ser,
talvez, nas zonas planlticas situadas acima dos 1.000 metros de
altitude, cujas reas so, contudo, muito limitadas. Por esse motivo,
o animal aqui explorado pelo leite tem de possuir grande rusticidade
e razovel adaptao s condies locais, embora com algum sacri-
fcio da produo.
Ainda que o clima no seja ideal para esta classes animal, isso
no quer dizer que seja impossvel produzir todo o leite e a quase
totalidade do lacticnio que a populao consome. Somos at de
opinio de que o alimento proteico de origem animal que podemos e
devemos produzir em maior quantidade precisamente o leite, uma
vez que no dispomos de grandes reas livres de glossinas onde se
possa fazer a criao extensive do gado para corte, e a vaca leiteira,
alm de ser o animal que produz protenas de melhor qualidade e em
maior quantidade, , tambm, aquele que as fornece pelo mais baixo
custo. Acresce ainda que a produo do leite anda quase sempre
ligada a um regime intensive de produo forraginosa, ajustando-se,
por isso, muito bem s pequenas ou mdias propriedades, quando
disponham de condies favorveis ao regadio. Com as limitaes
impostas pela ts-ts s grandes criaes de bovinos, de supor que












a vaca leiteira venha a ocupar lugar preponderante em todos os
lugares onde a sua explorao no encontre dificuldades de ordem
climtica ou alimentar.

O VALOR ALIMENTAR DO LEITE

Os especialistas da nutrio so unnimes em reconhecer no
leite o alimento ideal para todas as idades, pelo seu contedo pro-
teico, vitamnico, mineralizante e energtico. A casena e a lacto-
-albumina possuem todos os cidos aminados indispensveis elabo-
rao da substncia protoplsmica da clula animal. Por isso elas
podem corrigir as deficincias das protenas dos vegetais em alguns
cidos aminados, como sejam a lisina, o triptofano e, por vezes, a
metionina, que faltam nas farinhas dos cereais e na mandioca, ali-
mentos bsicos de muitos povos deste e de outros continents. A
adio de determinada percentage de leite fresco, desnatado, ou
em p, suficiente, dizem os nutrlogos, para equilibrar as dietas
com base nessas farinhas.
A verificao deste facto em relao ao home vem, final,
corroborar aquilo que os antigos zootecnistasj haviam observado em
relao aos animals, isto , que as protenas do leite, quando adicio-
nadas s farinhas dos cereais, promoviam um crescimento bastante
mais rpido dos sunos e das aves e faziam aumentar as posturas
destas. Por essa razo recomendam que, junto das fbricas de lacti-
cnios, se faa a criao e a engorda destas espcies, desde que no se
utilize outra forma mais remuneradora de aproveitar os subprodutos
da indstria.
J tivemos ocasio de salientar que a produo do leite na
Provncia quase insignificant, razo por que se importam grandes
quantidades deste gnero, condensado e em p, alm de diversos
lacticnios. Interessa, por isso, dar indstria leiteira o maior desen-
volvimento possvel, pois ser por meio dela que poderemos obter












uma grande parte da alimentao proteica de qualidade, a totalidade
da manteiga e a quase totalidade do queijo que nos vem de fora.
O leite desnatado, subproduto do fabric da manteiga, ter,
deste modo, para os sectors mais pobres da populao um valor
alimentar aprecivel, seja consumido em fresco, depois de conden-
sado ou reduzido a farinha.
A vaca de leite o animal que mais se est difundindo em todo
o Mundo, pela razo compreensvel de ser um grande produtor de
alimentos de alta qualidade. Mesmo que se trate de animals de fraca
produo, a vaca numa s lactao produz tanta ou mais protena
que a contida na carne de um boi de talho, de peso normal. Por
este motivo, sempre que as condies do meio no sejam adversas,
deve preferir-se a explorao da vaca leiteira a qualquer outra classes
animal.
O desenvolvimento da indstria leiteira ter ainda a vantagem
de contribuir para a fixao de um grande nmero de novos colonos,
que nesta actividade encontraro um magnfico apoio econmico,
e esta circunstncia no pode deixar de merecer todo o nosso inte-
resse, por razes bvias.

NECESSIDADE DA CULTURAL DE FORRAGENS

Produo de leite em escala industrial significa intensificao da
cultural forrageira, pois a classes de animals que o produz bastante
exigente na qualidade e na quantidade do alimento que tem de
transformar. E transform-lo- tanto mais rpida e eficientemente,
quanto melhor e mais palatvel for a forragem que lhe derem a
comer.
Em regime de semi-estabulao, pode calcular-se que um hectare
de forragem, em cultural intensive, seja bastante para fornecer a umas
seis vacas, durante o perodo de lactao, o suplemento da pastagem
natural, administrado sob a forma de verdura, feno ou silagem, que












pode, ou no, ser ainda completada com a adio dos chamados
alimentos concentrados, conforme a produo de cada animal. Nos
perodos de pastagem abundante e de boa qualidade, s as vacas de
alta produo necessitam de alimentos concentrados.
Onde for possvel cultivar a luzerna, deve destinar-se a esta rica
forrageira uma rea proporcionada ao nmero de vacas que houver
em explorao. Nos vales aluvionares do Sul do Save, constitudos
por terras funds, de median consistncia, ricos em clcio, ou corri-
gidos, quando forem deficientes neste element, a luzerna vegeta
admirvelmente, chegando a dar 10 e 12 bons cortes por ano! Em
terras prprias e bem trabalhadas, podem obter-se 60, ou mais, tone-
ladas de forragem verde, por ano e por hectare. A rega mensal,
melhor se for com intervalos de duas semanas, indispensvel
quando se procura obter o maior rendimento, mas em lugares
frescos, bem drenados, a luzerna pode tambm produzir sem rega,
embora d um menor nmero de cortes.
No se deve perder de vista que a cultural de forragens em
particular da luzerna ou de outras plants vivazes de alto valor
alimentar - no s uma das formas mais lucrativas de explorao
da terra, quando so transformadas, no local da produo, em carne,
leite ou ovos, mas tambm o meio de produzir por hectare a maior
quantidade de unidades alimentares utilizveis pelo home.
Vejamos o seguinte exemplo: Um hectare de luzerna, tratado a
preceito pode, aqui no sul, produzir forragem suficiente para susten-
tar, por si s, quatro vacas em produo leiteira. Ainda que cada vaca
produza apenas 7 litros de leite por dia, teremos 28 litros de leite
diriamente ou 10.220 por ano. Com um teor de 3,5% de substncias
proteicas, esta quantidade de leite dar-nos- um total de 357 quilo-
gramas de protena da melhor qualidade, por hectare e por ano,
alm de uma quantidade, aproximadamente igual, de manteiga, de
uns 550 quilogramas de lactose e sais minerals, e de vitamins diversas.
Comparando a cultural da luzerna com a de um cereal de alta












produo, o arroz, por exemplo, do qual em condies excepcional-
mente favorveis se pode aqui obter uma produo de 7.000 quilos
em casca, por hectare, ou cerca de 4.550 quilos descascado, a quanti-
dade de protena digestvel nele contida no superior a uns 300
quilos, com a desvantagem de se tratar de uma protena incomplete,
de valor biolgico muito inferior protena do leite. Mas as vantagens
da cultural da luzerna so ainda mais evidentes, desde que se tomem
em linha de conta outros factors, tais como: a aco que uma e
outra plant exercem na estrutura do solo, a quantidade de elements
fertilizantes que dele retiram ou que nele fixam, etc. A luzerna, com
o seu profundo enraizamento, vai buscar s camadas profundas do
solo uma grande parte dos materials de que se nutre, provocando,
assim, o arejamento da terra e beneficiando a sua estrutura fsica;
a funo nitrificadora da simbiose bacteriana, caracterstica das
leguminosas, fixa no solo um teor elevado de azote que ser muito
til s cultures que lhe sucederem.
Com o cereal, nenhuma destas vantagens se verifica. A estrutura
da terra no favorecida, antes pelo contrrio; a aco espoliadora
da plant do arroz muito acentuada e a funo nitrificadora no
existe. Do cereal, alm da palha nada fica na propriedade, pois
geralmente vendido ao comrcio, ao passo que da luzerna, quase
sempre consumida no local da produo, ficam parte muito impor-
tante das substncias fertilizantes, que sero devolvidas ao solo sob
a forma de estrumes. Mas, para acrescentar ainda maiores vantagens
forraginosa, podemos referir a menor despesa de cultural, pois s
se semeia de quatro em quatro, ou de cinco em cinco anos, por vezes
maiores perodos, por se tratar de uma plant vivaz, ao passo que
o cereal tem de ser semeado todos os anos. O que deixamos dito
a respeito da rainha das forrageiras, como chamam luzerna,
pode aplicar-se a certas gramneas vivazes, embora as maiores van-
tagens caibam, incontestvelmente, leguminosa.













AS RAAS EXPLORADAS PELO LEITE


A maior dificuldade que enfrenta a indstria leiteira dos trpicos
, como referimos, a que deriva da inexistncia de raas capazes de
razovel produo, adaptveis s condies climticas, sanitrias e
at alimentares, peculiares destas zonas. fenmeno de frequent
ocorrncia a produo das vacas especializadas nesta funo baixar
extraordinriamente, quando so deslocadas para estes climas. A
fecundidade baixa, igualmente, a ponto de atingir a prpria esteri-
lidade, temporria ou definitive. Por isso, os animals que abastecem
de leite os maiores centros consumidores so, quase sempre, produtos
derivados da mestiagem de touros das raas europeias mais especia-
lizadas nesta funo da holandesa sobretudo com vacas nativas,
mas em numerosos casos a prpria vaca native que abastece a
famlia do proprietrio ou concorre mesmo para o abastecimento
pblico.
Durante muitos anos fez-se a importao, do Transval, das
vacas que forneciam o leite aos maiores centros populacionais do
sul da Provncia. Eram, quase sempre, animals altamente mestiados
de Holands, cuja produo, sendo relativamente elevada, ficava
todavia por alto preo, por tais motivos. Raro era o ano em que os
produtores de leite no importavam algumas vacas para preencher
as baixas que o clima e as doenas haviam causado nas que haviam
chegado no ano anterior. Mas, com as restries impostas pelo
Governo da Unio, a partir da ltima guerra, s exportaes de gado
que no possua pedigree, os nossos leiteiros viram-se obrigados
a criar as prprias vacas de leite, recorrendo ao cruzamento Holands-
-nativo, para o que apenas importam, agora, touros de raa pura.
E no h dvida de que muitas destas vacas 1/2 sangue ou 3/4 -
do apreciveis quantidades de leite e mostram adaptar-se melhor
ao clima do que as vacas high grade que dali nos vinham.
Na Estao Zootcnica Central, onde tem sido experimentado
o cruzamento do gado holands com o landim, no raro


L












aparecerem vacas 1/2 sangue que quarta ou quinta lactao produ-
zem 2.800, 3.000 e mais litros de leite, em perodos de 300 dias,
mantendo esta alta produo at idade muito avanada. Tais resul-
tados comprovam a possibilidade de produzir aqui o gado leiteiro
de que necessitamos, limitando a importao, apenas, aos touros de
pedigree, com a vantagem da maior rusticidade e menor custo dos
animals aqui nascidos.
Os ensaios feitos com os cruzamentos Jersey-Landim, na Esta-
o Zootcnica, deram resultados idnticos, se atendermos capaci-
dade produtiva do Jersey, em confront com a do Holands, sempre
menos elevada que a deste ltimo. Em todo o caso, nas fmeas
mestias Jersey-Landim, 1/2 sangue, eram frequentes as lactaes
de 1.800, 2.000 e mais litros, o que se pode considerar bastante
razovel, se atendermos s diminutas exigncias alimentares destes
animals e sua longevidade.
Estas produes, s podemos atribui-las alta qualidade dos
touros utilizados nas experincias e, muito possivelmente, excep-
cional tendncia leiteira das vacas nativas por eles fecundadas.
As vacas com maior percentage de sangue extico, s por
excepo igualam as produes das suas mes, 1/2 sangue. E, na
media em que aumenta nas fmeas mestias o doseamento do
sangue melhorado, menos vigorosas se mostram e menor tambm
a produo. A par disso, tornam-se mais sensveis ao calor e s
enzootias locais, diminuindo a sua capacidade reprodutora. Em todo
o caso, os fenmenos de degenerescncia so menos acusados nos
mestios leiteiros do que nos mestios de engorda. A conformao
especial destes ltimos e a maior tendncia para acumularem gordura
explica, quanto a ns, esta diferena de comportamento.
O gado Jersey passa por ser mais adaptvel aos climas quentes
do que o Holands, mas ignora-se se tal qualidade provm de um
factor hereditrio ou est correlacionada com a sua reduzida cor-
pulncia. natural que seja devida a uma e outra coisa. Originria













de uma ilha muito ensoalhada, em consequncia da sua exposio
predominantemente ao sul, a vaca Jersey habituou-se aco direct
dos raios solares e a uma forte luminosidade, por uma espcie de
seleco natural, uma vez que a seleco feita pelo home, que
naquela ilha muito rigorosa, no pode deixar de ter sido influen-
ciada pelo comportamento dos animals no seu prprio ambiente.
Aos mais robustos e produtivos, aos que melhor progrediam
no ambiente caracterstico da ilha que, naturalmente, foi dada a
preferncia da escolha. Mas fora de dvida que a pequena corpu-
lncia, caracterstica da raa, permite-lhe um melhor funcionamento
do aparelho da termo-regulao, quando comparada com a maior
estatura e maior volume das raas originrias dos Pases-Baixos.
A experincia americana demonstra, alis, de forma bem clara,
em que condies, uma e outra deve ter a preferncia. Nas zonas de
clima mais fresco, domina em absolute o gado holands, mas, nas
zonas mais quentes e ridas dos estados do Sul, a preferncia vai
toda para o pequeno Jersey, que em todo o caso, ao adaptar-se,
adquiriu maior corpulncia naquele novo ambiente.
Entre ns, o criador leiteiro tem maior preferncia pelo gado
holands ou, antes, com sangue holands. Quando o leite se destina
ao consumo, no estado fresco, convm que o seu teor gorduroso
no seja muito elevado. Para isso est mais indicada a vaca mestiada
de holands. Mas, quando se trata de exploraes muito afastadas
dos centros consumidores e o leite tenha de ser industrializado,
talvez deva preferir-se a vaca Jersey, ou com sangue desta raa, cujo
leite tem uma maior percentage de nata. Esta qualidade, associada
sua frugalidade, concedeu-lhe a fama de ser o animal que produz
o leite mais rico e por mais baixo custo. Trata-se, contudo, de
animals que exigem certos cuidados, especialmente quando muito
jovens. Mas depois dos trs ou quatro meses de idade, so tanto ou
mais robustos que os de origem holandesa e tm uma vida talvez
mais longa.


I i-- ~~ ~~~- -~-~:~~~--~~ ~-~-~~~~~~-----~ ------L-- I,












Na falta de raas leiteiras tropicais, muito se tem conseguido
dos cruzamentos com as raas exticas, mas devido s limitaes
que esta prtica impe e falta de fixidez hereditria dos mestios
- enquanto se no procurar fixar novas raas de tipo intermdio,
em execuo de um program de fomento leiteiro bem definido -
o problema da produo do leite nos pases tropicais continue sem
soluo dentro dos moldes ambicionados pelos produtores.
Depositam-se grandes esperanas no potential leiteiro de algumas
raas zebunas, nomeadamente das Shaiwal, Shind e Tharparkar,
entire as quais tem sido possvel seleccionar algumas fmeas de
magnfica aptido leiteira. H quem acredite, no sem razo, que
elas ho-de ser as verdadeiras raas leiteiras dos trpicos, do future,
mas, antes que tal esperana se concretize, muito tempo h-de
passar, porque, infelizmente, so ainda pouco numerosos os animals
de boa produo e a formao de uma raa especializada no
trabalho que consiga realizar-se em poucos anos. Convm no
esquecer que as boas castas leiteiras da Europa contam sculos de
seleco muito rigorosa. Apesar disso, ainda aparecem entire elas
numerosos animals de qualidade mediocre. No se deve, todavia,
deixar de tentar aqui a experincia com algumas delas, logo que seja
possvel, uma vez que se originaram em ambientes perfeitamente
distintos e, por isso, tero, possivelmente, exigncias tambm
distintas.
A raa Shaiwal, de todas a melhor leiteira, tem por solar as
zonas de median altitude e as frteis plancies do Pundjab, em plena
zona sub-tropical, onde a precipitao pluvial anda roda dos
550 mm, com perodos de grande secura; a Tharparkar, ou simples-
mente Thar, originou-se nos limits da regio desrtica do mesmo
nome, ao sul do Pundjab, tendo uma precipitao annual no superior
a 300 mm. Seria, talvez, a raa ideal para as zonas mais ridas, de
Tete e do Sul do Save; a Red-Shind, criada no baixo Indus, vive
numa regio muito quente e hmida. de interesse saber como se












comportar esta pequena raa nas zonas litorais da Zambzia e do
Niassa.
Nas zonas sub-planlticas e planlticas, seria de tentar a raa
Shaival, quer no estado puro, quer como element de cruza com o
pequeno zeb da Angnia ou dos distritos nortenhos com os quais
possui grandes afinidades de tipo. No Qunia, um cruzamento
semelhante tem dado resultados apreciveis, conseguindo-se o au-
mento da produo leiteira nos mestios Shaiwal-Zeb nativo.
A grande dificuldade consiste em adquirir reprodutores de boa
linhagem leiteira. Poucos so ainda os animals de boa produo e os
governor dos pases de que eles so originrios dificultam, ou mesmo
proibem, a sua exportao.
A par destas experincias com os zebs, e sem esquecer o bfalo
leiteiro da ndia que pode ser til nas zonas mais quentes e hmidas
do Norte, deve encarar-se a possibilidade de fixar um tipo de gado
misto, europeu-nativo, de caractersticas intermdias, uma espcie de
turino local. O turino da Metrpole teve, certamente, uma origem
semelhante, pois resultou, muito provvelmente, da fuso de ca-
racteres do gado holands com os do gado national, dos arredores
de Lisboa. No deve ser difcil encontrar, supomos, nas vacarias
do sul da Provncia, duas ou trs centenas de vacas, mestias de
holands, entire o 1/2 sangue e os 3/4, de constituio bastante
robusta, com produes acima dos 2.000 litros em cada lactao,
boa fecundidade, etc., que sirvam de base a um srio trabalho de
mestiamento, tendo em vista a fixao de um tipo leiteiro local.
Parece-nos intil salientar as vantagens da existncia de uma casta
leiteira capaz de suportar o ambiente tropical. Desde que no nos
falta a matria-prima para empreendermos a experincia, s preciso
que se conjuguem as boas vontades e aparea quem se disponha a
orient-la e a dar-lhe vida.
Mas porque no tentar tambm a introduo do turino portu-
gus, animal to rstico e sbrio, que vive to bem nas zonas hmidas,












de clima martimo, da regio aveirense, como nas semi-ridas do
Alentejo, de clima quase continental?
O problema da produo econmica do leite de tal transcen-
dncia que tudo deve ser tentado para o resolver. Ao Estado cumpre
realizar todas as investigaes necessrias, pois bvio que os parti-
culares no dispem de recursos materials ou de capacidade tcnica
para os levar a bom termo.
Os estabelecimentos zootcnicos da Provncia tm um papel
muito important a desempenhar no estudo dos problems do leite.
Trabalho muito til tem j sido realizado neste sector, mas impe-se
uma segunda fase de pesquisas, com base na introduo das raas
indianas e do turino. sua orientao deve ser ainda confiado o
trabalho de mestiamento acima referido, no qual devem colaborar
os criadores deste ramo, que possuam animals seleccionveis para
esse fim.
Salvo melhor opinio, o objective principal da Estao Zoo-
tcnica e dos Postos Zootcnicos da Inhamssua e da Angnia, por
agora, deve ser o estudo deste problema instant da produo eco-
nmica do leite, uma vez que podem ser deslocadas para a nova
Estao do Mazinchopes outras investigaes que estavam centra-
lizadas no primeiro desses estabelecimentos. A vastido do program
obriga, bvio, a que seja executado por parties.
Simultneamente com estes trabalhos, de grande interesse que
se estudem as possibilidades da cultural forraginosa nas zonas mais
favorveis vaca leiteira, e bem assim os tipos de arraoamentos mais
adequados a cada uma delas, tendo principalmente em vista o apro-
veitamento dos recursos locais, a fim de fornecer aos criadores
indicaes prticas sobre a forma racional de alimentarem os seus
animals.
Nestes ltimos 16 anos tm sido registados na Estao Zoo-
tcnica Central elements muito elucidativos sobre o comporta-
mento das raas Holandesa e Jersey, no estado puro ou nos diversos













graus de cruzamento com o gado nativo, assim como a aptido
leiteira da vaca native e da Africander tem sido tacteada.
Trabalhos semelhantes esto neste moment em execuo em
diversos pases da zona tropical. Assim, na Jamaica, os ingleses
procuram fixar uma nova casta leiteira a partir do cruzamento
Jersey-Zeb (Shaiwal). Na Nigria, no Qunia, na Uganda, no
Tanganhica, selecciona-se o zeb nativo de cornos curtos dos tipos
Nandi, Sokoto, Shuwa e o prprio Boran, ou o zeb de grandes
cornos, Fulani, ou Fula, das regies sudanesas, todos com o mesmo
objective.
ABASTECIMENTO DE LEITE
AOS MAIORES CENTROS DE CONSUMO

A cidade da Provncia melhor abastecida de leite Loureno
Marques. Diriamente entram na cidade de 7 a 9 mil litros que, na
quase totalidade, vendido pela Cooperativa de Criadores de Gado,
depois de pastorizado numa instalao muito modern, provide
de aparelhagem muito complete. Foi este organismo que, no ano
de 1937, instalou em territrio portugus a primeira oficina de pas-
torizao.
O leite no vendido em natureza transformado em manteiga,
queijo fresco e outros produtos consumidos na cidade.
A capitao do leite muito baixa. O seu elevado custo no
facility, antes contraria, o aumento do consumo. Com um preo
mais acessvel, de supor que este magnfico alimento entrasse em
maior quantidade na alimentao, com o que muito lucraria a popu-
lao, porque se trata de um dos alimentos mais completos ao dispor
do home. Para o produtor, o aumento do consumo seria tambm
de grande vantagem, pois lhe garantiria, no fim de contas, melhor
preo de venda.
Na zona abastecedora de Loureno Marques encontram-se duas
das exploraes leiteiras mais importantes do territrio portugus -


~












o Chibanza, em Xinavane, e o Lumane, prximo de Vila de Joo Belo.
Cada uma delas produz diriamente cerca de 1.500 litros.
A cidade da Beira conta tambm algumas exploraes leiteiras
nos seus arredores, mas o abastecimento de leite ainda bastante
deficiente. Nos outros centros populacionais, a situao ainda mais
precria, recorrendo, por isso, o consumidor ao leite enlatado, que
importamos de outros pauses.
Factores diversos concorrem para a reduzida produo do leite,
mas pode-se dizer que um dos mais importantes a falta de capitals
a juro mdico, ou a possibilidade destes auferirem maiores lucros,
quando aplicados em outras actividades.
Uma explorao leiteira, ainda que pequena, exige instalaes
dispendiosas, um trabalho constant, vigilncia permanent. A cons-
truo de estbulos, bebedouros, silos, armazns para forragens, a
instalao de regadio, a compra de reprodutores, etc., comprometem
quantias muito elevadas e os lucros destas exploraes, comparados
com os auferidos pelo comrcio, so bem menores e no dispensam
um trabalho bem mais rduo.
Acresce ainda, na maioria dos casos, a falta de preparao pro-
fissional do criador, mais particularmente quando se trata de gado
especializado e mais exigente, como o leiteiro, e todas estas razes
faro compreender o motivo por que a indstria leiteira no est mais
desenvolvida em todo o nosso Ultramar e o custo de produo do
leite excepcionalmente elevado, em comparao com os pases
vizinhos, sem que isso traduza maior soma de lucros para o produtor.
Produzimos leite caro, porque as vacas so geralmente mal seleccio-
nadas, mal alojadas e mal alimentadas, desde que nascem at que
morrem. S um pequeno nmero de produtores possui instalaes
adequadas e higinicas para alojamento dos animals, mas menos
numerosos so os que alimentam artificialmente os vitelos, cultivam
forragens, possuem silos ou preparam bons fenos para suplementar
a pastagem natural, alimento quase exclusive das vacas leiteiras de
Moambique.












AS ZONAS MAIS FAVORAVEIS PRODUO DO LEITE

As zonas de clima mais favorvel para a vaca leiteira so,
incontestvelmente, as altiplanlticas que descrevemos, cujas cotas
ficam acima dos 1.000 m. Esto nestas condies, a Angnia, a Serra
Cha, o Chimanimani, a Tsetserra, Vila Cabral, etc., onde a indstria
leiteira h-de, certamente, vir a ocupar um lugar preponderante,
logo que sejam servidas por transportes rpidos e econmicos. A seguir
a estas podemos mencionar as zonas mesoplanlticas dos 500
aos 1.000 m de altitude nos lugares que disponham de gua para
a rega de prados.
Todavia, no Sul do Save, onde as glossinas esto circunscritas
a pequenas manchas, que a indstria leiteira pode tomar um incre-
mento mais imediato. Tem ela a seu favor a existncia de ricos vales
aluvionares em que a rega, por bombagem ou por gravidade, pode
ter lugar e onde, portanto, possvel intensificar a cultural forrageira.
O clima, se bem que no seja ideal, no to imprprio como o das
outras regies litoreanas mais ao norte, e a existncia de um porto
magnfico favorecer, sobremaneira, a distribuio dos produtos
pelas demais regies da Provncia.
At agora, o produtor tem procurado servir, apenas, o mercado
de leite fresco, pela razo compreensvel de ser o mais remunerador.
As pequenas quantidades de lacticnio fabricadas provm do leite
que no tem consumo no estado fresco, ou de algum que adquirido
aos indgenas por preo mais baixo. Mas no h dvida de que o
future da nossa indstria leiteira no pode basear-se exclusivamente
na produo do leite para ser consumido em natureza. Ela tem de
trabalhar principalmente para o fabric do lacticnio, no apenas do
produto nobre mas tambm do secundrio, que o aproveitamento
integral do leite permitir sem prejuzo do primeiro. Mercado para
qualquer desses dois produtos no faltar, dentro das prprias
fronteiras.












de desejar, por isso, que se intensifique cada vez mais a produo
do leite, de modo a possibilitar a indstria do lacticnio que, prtica-
mente, no existe, por falta de matria-prima a preo convenient.
H toda a convenincia que se faa, sem demora, o inventrio
das possibilidades do Sul do Save, em matria de explorao do gado
leiteiro, com vista ao desenvolvimento desta actividade, tendo por
base a fixao de novos colonos que possuam experincia bastante
do trato desta classes animal, portugueses de preferncia, mas sem
excluir alguns estrangeiros com prtica desta actividade, que queiram
aqui fixar-se. H magnficos tratos de terrenos nas margens dos nossos
rios, ainda virgens de ocupao. H, tambm, algumas boas proprie-
dades que se mantm abandonadas, ou quase, pelos seus proprietrios,
cujas provas de competncia podem considerar-se negatives. No nos
parece injusto que, em nome dos superiores interesses da Provncia,
se expropriem pelo seu just valor e se repartam em reas mais
pequenas, embora suficientes para uma explorao remuneradora,
entregando-as a famlias de leiteiros. A produo do leite , em toda
a parte, uma indstria iminentemente familiar.
Muitos desses terrenos prestam-se criao e explorao desta
classes de gado, que , seguramente, uma das formas mais rendosas de
explorao da terra. E que assim , mostram-no bem alguns pases
mais progressivos do Mundo, para os quais a vaca leiteira tem cons-
titudo um dos mais slidos alicerces da sua prosperidade.


Factores que mais dificultam
o desenvolvimento da produo animal

A mosca ts-ts, a deficincia de gua para as manadas e o
problema do mato invasor so os factors naturais que mais contri-
buem para dificultar a ocupao de grande parte do territrio de
Moambique pela pecuria. A eles podemos ainda juntar as queima-












das, lanadas por pretos e no-pretos, quase todos os anos, que
destroem reas enormes de pastagem, causando prejuzos avultados
s criaes.
A MOSCA TS-TS
A ts-ts, ou glossina, pode considerar-se o inimigo n.o 1
do progress, no s em Moambique, mas tambm de quase todos
os outros territrios da frica Tropical. Calcula-se que a rea de
disperso deste flagelo, do home e dos animals, v alm de 12 mi-
lhes de quilmetros quadrados. E, pelo que toca a Moambique,
cerca de 70 % da sua rea est infestada de glossinas, o que represent
mais de 500.000 km2 interditos criao das espcies domsticas, mais
especialmente da bovina.
Desde o Rovuma ao rio Save, com excepo, apenas, de pequenas
reas em cada um dos distritos de Porto Amlia, Niassa e Nampula,
de parte da Angnia, da Serra Cha e da rea do concelho de Tete,
no distrito do mesmo nome, toda esta extensa regio est, prtica-
mente, infestada de ts-ts, ou suspeita de tripanossomase. A nica
zona onde ela aparece circunscrita a pequenas manchas, de limits
mais ou menos conhecidos, a do Sul do Save. Talvez por isso, ela
possui mais de dois teros de todo o gado bovino arrolado na
Provncia.
A falta de gados responsvel, em grande parte, pelo atraso das
populaes indgenas que tm de fazer a sua agriculture enxada,
nica alfaia de que dispem, pois esto privadas do auxlio prestimoso
do boi de trabalho, assim como da carne e do leite de que a sua ali-
mentao deficiente. E, como se isto no bastasse, em muitos
lugares a mosca encontra-se contaminada pelo tripanossoma Rode-
siense, agent da mortfera doena do sono que ela transmite ao
home e qual um maior nmero de indgenas sucumbiria, se no
fossem os cuidados da Seco Mdica da Misso de Combate s
Tripanossomases, que realize um trabalho exaustivo para descobrir
os indivduos atacados e sujeit-los ao tratamento.












Os animals que a necessidade obriga a manter nas zonas infesta-
das, depressa se contaminam e sucumbem s doenas dos tripanosso-
mas, a menos que sejam tratados precocemente. Nas zonas de
endemicidade tripanossmica, mesmo sem a coexistncia de glossinas
(transmisso mecnica), os animals, s custa de tratamentos peri-
dicos conseguem sobreviver. Conhecem-se, todavia, raas bovinas
que mostram uma enorme tolerncia a estas infeces.
O problema s pode ser solucionado pelo combat ts-ts em
grande escala, tal como o empreenderam os nossos vizinhos da
Rodsia e da Zululndia, com resultados bastante favorveis, embora
custa de somas importantes. A experincia ganha, ajudar, todavia,
a reduzir as despesas em futuras campanhas.
No possvel eliminar a mosca, ao mesmo tempo, de toda a
Provncia, mas devem, preferentemente, libertar-se dela as regies
que tenham de abastecer as populaes urbanas ou as que j possuam
maior ocupao agrcola.
Em muitas circunstncias, a ts-ts no de difcil erradicao,
nem este trabalho se torna dispendioso, desde que se tomem em
considerao os benefcios que da derivam.
A glossina um animal muito selvagem, e o mais leve contact
com a civilizao basta para criar condies adversas sua existncia.
Em muitas zonas de floresta pouco densa, uma leve limpeza do mato
arbustivo, a destruio das velhas rvores meio apodrecidas, sob as
quais a mosca vai depositar as suas pupas, acompanhada de
algumas batidas caa, , quase sempre, quanto basta para que ela
abandon esses locais. A questo que, uma vez limpos, sejam
ocupados imediatamente, a fim de se evitar o retorno do insecto.
Temos, claro est, de considerar a erradicao da mosca em reas
relativamente extensas e no, apenas, em propriedades isoladas, para
que o sistema result eficaz. Na periferia, devem manter-se zonas de
proteco sob rigorosa vigilncia, que se iro alargando, na media
em que a progresso do saneamento for tendo lugar.












Foi assim que se conquistaram ts-ts, recentemente, algumas
dezenas de milhares de hectares de terra na regio de Mambone,
para serem ocupadas por indgenas, das reas sobrepovoadas da
circunscrio de Govuro, com os seus gados, trabalho executado
pelos tcnicos da Misso de Combate s Tripanossomases, com o
maior entusiasmo e sucesso, pois a glossina morsitans, que ali
dominava, parece ter sido totalmente eliminada da regio.
Em quase todos os distritos h grandes manchas de territrio
que podem ser, igualmente, libertadas da ts-ts, com um reduzido
dispndio. Menciono, para exemplo, na Zambzia, a regio do
Marral, onde em contiguidade com a grande plancie aluvionar da
Marrabala quase totalmente despida de vegetao arbrea h
uma extensa floresta bastante aberta, do tipo parque, semeada
de numerosas clareiras, algumas delas com dezenas e centenas de
hectares, formadas por terrenos um tanto compactos e onde na
poca das chuvas a gua se acumula, mantendo-se, por vezes, todo o
ano nos pontos mais baixos. A tais clareiras, que so depresses em
forma de concha, chamam os indigenas dambos. As gramneas
locais atingem ali grande desenvolvimento, mas, queimadas em
tempo oportuno, rebentam imediatamente, podendo fornecer magn-
fica pastagem, na poca mais seca do ano, aos bovinos, como agora
a fornece s enormes manadas de bfalos ou de antlopes que a
povoam, pouco depois de os fogos anuais terem sido lanados pelos
pretos.
A regio, ainda que muito infestada de glossinas, afigura-se-nos
de saneamento fcil e relativamente pouco dispendioso, bastando,
para tanto, um leve desbaste da vegetao arbustiva e a destruio
pelo fogo das velhas rvores cadas. A floresta transformar-se-ia,
assim, num vasto parque com condies magnficas para a pecuria,
e l esto os bfalos e outros animals selvagens a atestar a capacidade
alimentar da regio. A perseguio caa e a vedao das reas
assim tratadas completariam o trabalho do saneamento.












O parcelamento desta vasta rea e a sua ocupao pelas grandes
ou pequenas empresas agrcolas da Zambzia, com a ajuda do
Estado em material prprio para as limpezas do mato e mo-de-obra,
poderia, em poucos anos, transform-la num important centro de
criao de gados. Pode estimar-se que trs hectares de pastagem
sejam ali suficientes para sustentar dois bovinos adults.
Como o Marral, outras regies da Zambzia oferecem condi-
es de fcil recuperao, podendo dizer-se outro tanto pelo que se
refere aos restantes distritos.
Assim, em Manica e Sofala, as regies de Sena e da Tambara, na
margem direita do rio Zambeze; a de Chimoio, onde a erradicao
da glossina de vital importncia para a agriculture; as plancies das
margens dos rios Muda, Pngu e Bzi; a peninsula da Ampara;
a regio de Mambone; a faixa costeira entire os rios Pngu e Save -
so as mais prprias, na opinio dos tcnicos que melhor as conhecem.
Vila Cabral, Amaramba, Maniamba, Mogovolas, Malema,
Imala, e outras, todas precisam de gados para a agriculture e so das
que oferecem, para j, tudo o indica, melhores condies para a
pecuria, especialmente as trs primeiras.
No pode o agricultor modesto ou mesmo a grande empresa
agrcola lutar szinho contra este daninho insecto, do qual deri-
vam tantos males. A sua erradicao um problema demasiado
vasto e bastante complex, e, para o resolver, indispensvel mobilizar
os esforos no s do particular nele interessado, seja branco ou
preto, mas tambm do Estado, com os seus tcnicos, os seus plans
de ataque e os seus recursos materials.
Nos territrios da frica Ocidental Inglesa, Nigria, Costa do
Ouro, Senegambia, etc., tem sido experimentado o bovino Ndama
- pequena raa originria da Guin Francesa nas zonas infestadas
de glossinas, com bastante sucesso, segundo se informa no relatrio
official ingls que j citmos. O boi Ndama provm, muito provvel-
mente, de um antigo cruzamento do Bos taurus asiaticus, de Sanson,












com o Bos braquiceros e, ainda que de pequena corpulncia, presta
bom trabalho na lavoura e na traco. As suas afinidades raciais com
o boi da nossa Guin parecem ser grandes, at na extraordinria
resistncia que este tambm possui s doenas dos tripanossomas.
de recomendar uma experincia com qualquer destes animals, nas
zonas de glossinas do Norte da Provncia, desde que sejam tomadas
todas as providncias de ordem sanitria para impedir a introduo
de qualquer molstia grave dali proveniente. Tomando a precauo
de os vacinar contra a peste bovina, ao desmame, e de os evacuar,
a seguir, para local no contaminado, sujeitando-os, ao chegarem
aqui, a um largo perodo de quarentena numa das ilhas do litoral,
parece-nos que a experincia poderia tentar-se sem receio.
E, no h dvida de que, verificada a tolerncia destes animals
perante as estirpes locais de tripanossomas, grandes benefcios pode-
ramos esperar da utilizao do gado bovino nas regies infestadas
de glossinas.
A criao das espcies selvagens resistentes s tripanossomases,
nomeadamente o bfalo, o eland, o boi-cavalo e a namerriga ou
gondonga, com o fim de produzirem carne para consumo dos ind-
genas ou dos civilizados, nas zonas onde no seja possvel criar as
espcies domsticas, , tambm, uma possibilidade a encarar, qual
nunca foi dada a importncia que merece. O boi-cavalo tmo-lo visto
em manadas, dentro de cercados, no Orange, ao lado de outros onde
se apascentava gado bovino. No seria de tentar, nas zonas suspeitas,
a criao de algumas destas espcies, habituando-as a viver em gran-
des cercas, vedadas com rede prpria, num estado, pelo menos, de
semi-domesticao? Por esta forma bastante cmoda, seria possvel
produzir grandes quantidades de carne com um pequeno dispndio,
dentro das prprias zonas suspeitas.
O nmero destes cercados pode ser quase ilimitado, e o modo
de capturar os animals, quando houvesse necessidade de os abater
para consumo, seria estudado de forma a causar a menor perturbao












possvel s manadas, para que se habituassem presena do home
e acabassem por se domesticar completamente.
Em tempos tentmos, na Zambzia, a domesticao do bfalo.
Conseguimos um casal destes animals que no tiveram dificuldade
em viver em comum com os bovinos, fosse em manada, em complete
liberdade, fosse manjedoura, onde chegavam a estar press durante
semanas consecutivas e a ser tratados como vulgares animals doms-
ticos. No pudemos acompanhar a experincia por muito tempo
porque tivemos de sair de Quelimane, mas soubemos que os bfalos
chegaram a procriar em cativeiro. Um deles veio, mais tarde, para o
Jardim Zoolgico de Loureno Marques, onde morreu com cerca de
24 anos de idade, manifestando grande mansido at final.
Sabemos que o Governo da Rodsia do Norte vai tentar a
criao do bfalo, do cudo e do eland, com o objective de aumentar
a produo de carne para consumo. No h dvida de que se trata de
um grande recurso a aproveitar, e s de estranhar que se no tenha
pensado nele h mais tempo.
A domesticao dos primeiros animals no foi feita, segura-
mente, pelas raas humans mais atrasadas, mas pelas mentalmente
mais evoludas, embora num estado de civilizao ainda embrionrio.
Os indgenas africanos s conheceram os animals domsticos,
quando os povos provenientes da sia imigraram para este conti-
nente com os seus gados.
Com eles aprenderam a ser criadores, pois nada haviam feito
para domesticar qualquer das espcies selvagens africanas. Se os
europeus a isso se abalanarem, realizaro um trabalho de indiscutvel
valor econmico, pois quanto maior for o nmero das espcies ou
das raas domesticadas, tanto mais fcil ser encontrar aquela que
melhor se ajuste s condies de cada zona ecolgica. Um animal
que seja, por exemplo, tolerante tripanossomase, ter um valor
incalculvel onde a ts-ts exista. Eis uma experincia digna de tentar
a audcia da gente moa e aventureira.











Em concluso: a destruio da ts-ts representar a maior
batalha a travar para a conquista econmica de Moambique, mas
a imensidade do trabalho de tal forma grande, que ele ocupar
algumas geraes de homes, que tero de despender muita energia
e usarem de muita persistncia, se quiserem venc-la.

O PROBLEMA DA GUA PARA AS MANADAS

, indubitvelmente, dos mais importantes em todo o Sul da
Provncia o problema do abeberamento dos gados. Nos anos de
poucas chuvas, quando secam as lagoas, onde o gado dos indgenas
e os prprios indgenas costumam beber, a situao assume, por
vezes, propores de verdadeira tragdia, com as grandes distncias
a percorrer a caminho de bebedouros distantes, em que homes,
gados e animals selvagens disputam, entire si, o lquido precioso.
Este, em pouco tempo, acaba por se transformar num espesso caldo
lamacento, mesmo assim sfregamente utilizado, falta de melhor.
Nestas deslocaes, efectuadas quando os animals atingiram j es-
tados avanados de misria fisiolgica, muitos sucumbem de fraqueza
pelos caminhos, ou morrem intoxicados pelas plants venenosas que
a fome obriga a comer. Em situaes menos aflitivas, mas que se
repetem quase todos os anos, as manadas, nas pocas mais secas, s
bebem em dias alternados, depois de muitos quilmetros andados.
A falta de gua acarreta prejuzos enormes pecuria, pelas
mortes a que d lugar, pelo atrofiamento dos animals novos e a
perda de peso que todos sofrem e leva tempo a readquirir.
Os primeiros trabalhos de pesquisa de guas subterrneas, ini-
ciados h uma dezena de anos com pequenas sondas que no podiam
atingir grandes profundidades, tiveram pouco sucesso. Da grande
maioria das sondagens s foi possvel obter gua de elevado teor
salino, imprpria para o consumo dos animals, que a recusavam.
Felizmente, agora, os Servios de Indstria e Geologia dispem de












algumas sondas mecnicas que podem trabalhar a grandes profun-
didades, assim como de pessoal tcnico muito competent, razo
por que os resultados do seu trabalho passaram a ter xitos inespe-
rados. Em vrias sondagens alm dos quarenta metros, no Vale do
Incomti, o artesianismo revelou-se complete, e em outras, que
alcanaram pouco mais dos oitenta metros de profundidade, apareceu
gua potvel por debaixo da toalha de gua salgada, em regies onde
j se havia perdido a esperana de a encontrar. Nesta zona da
mananga, o artesianismo no complete, mas a gua aproxima-se
bastante da superfcie, permitindo a sua extraco por meio de aero-
-motores. As esperanas de muitos comeam agora a ter realizao.
Hoje, h quase a certeza de encontrar lenis aquferos em toda a
parte, prprios para o home e os animals, e logo que o servio
respective disponha de um nmero mais elevado de sondas e possa
realizar um trabalho mais vasto de prospeco, no temos a menor
dvida de que muitas reas, ainda inaproveitadas, ho-de transfor-
mar-se em magnficos centros de criao animal.
O aproveitamento das guas de superfcie, sempre que seja
possvel, uma outra forma de ajudar, tambm, a resolver o problema
do abeberamento das manadas. Raras sero as propriedades onde
no seja possvel construir uma ou mais represas de pequena ou
grande capacidade, com o fim de armazenar gua das chuvas. O
exemplo da Estao Zootcnica, onde supomos que foram constru-
dos os primeiros destes reservatrios no Sul do Save, em 1941, tem
sido aproveitado por alguns particulares que, nas suas propriedades,
armazenam j grandes volumes de gua, para abeberamento dos
gados e ainda para a rega de importantes reas cultivadas, principal-
mente de arroz.
Tambm no Norte da Provncia o Governo tem promovido a
construo de algumas dezenas de represas, com o duplo objective
de sustar o erosionamento que se estava verificando nalguns lugares
e de armazenar gua para a rega de terras que foram distribudas












pelos indgenas, onde eles j cultivam o arroz e outros produtos.
Com maquinaria apropriada, o custo das barragens relativamente
pequeno.
Muitas mais represas so necessrias, e, enquanto no for criado
um servio prprio, os tcnicos das Obras Pblicas podem dar boas
indicaes aos particulares sobre a melhor forma de as construir.
Quando as condies topogrficas do terreno se no prestarem
construo de represas, ou a massa lquida esteja sujeita a excessive
evaporao, esta pode ainda ser armazenada em escavaes feitas nos
pontos de escoamento natural das guas. Este trabalho sempre
de custo mais elevado e exige o emprego de maquinaria pesada -
scrappers e angledozers que s o Estado ou as grandes
empresas podem adquirir.
Cremos que se justificaria a criao de um servio privativo
para estudar e resolver estes problems da prospeco e abasteci-
mento da gua para gados e humans e que prestasse toda a ajuda
possvel aos particulares, ainda que estes contribuissem com a parte
mais important das despesas nas obras efectuadas nas suas pro-
priedades.
No Norte da Provncia, as necessidades de gua no so, por
via de regra, to prementes como no Sul, a no ser na parte central
do distrito de Tete, o Bru includo, que sofrem muito com a sua
falta. Os rios so mais numerosos e de maior caudal, as chuvas mais
regulars e os caudais subterrneos encontram-se a menor profun-
didade.
Mas no h dvida de que o problema comea a ter, felizmente, a
melhor soluo.
A INVASO DO MATAGAL

O bush encroachment, como designada pelos nossos vizinhos
ingleses a invaso progressive das terras de cultural, ou de pastagem,
pelo matagal, constitui um srio problema africano, pelas somas












elevadas que preciso despender para o destruir ou manter sob
controle. Pensa-se que o excess de gado contribua para o desen-
volvimento do arbusto e, na verdade, aqui no Sul, onde existem
antigos currais, os terrenos prximos esto quase sempre ocupados
por mato muito denso. O excess de gado em determinadas reas
, para alguns autores sul-africanos, a causa deste fenmeno. A des-
truio dos bons capins que da result, seja pelo consumo excessive,
seja pelo pisar contnuo do animal, permit que o arbusto se instale
e se desenvolva rpidamente, por se encontrar liberto da concorrncia
das plants herbceas que lhe roubavam a humidade e a luz de que
ele precisa na fase primria do crescimento. Por sua vez, o arbusto,
uma vez instalado, cria condies adversas ao retorno das boas ervas.
Grandes reas, antes povoadas por magnificas espcies forrageiras,
vo sendo ocupadas pelo matagal, que se adensa cada vez mais at
se tornar impenetrvel, inutilizando-as para a pastorcia. E o mal
progride cada vez mais.
Na opinio autorizada do Dr. Esteves de Sousa, distinto biolo-
gista da Misso de Combate s Tripanossomases, so os prprios
animals que disseminam muitas espcies arbreas e arbustivas, pois
se alimentam dos seus frutos, cujas sementes so, depois, expulsas
com as fezes. A passage pelo tubo digestivo do animal torna os
tegumentos das sementes mais macios, facilitando deste modo a sua
germinao. Quanto s espcies no consumidas pelos animals,
natural que a sua disseminao se faa de conformidade com a
explicao dada pelos autores sul-africanos.
Por todas as razes e mais esta, a rotao das pastagens deve ser
praticada em todas as exploraes de gado. Mas, para isso, torna-se
indispensvel dividir a pastagem em vrios blocos, vedados, que o
gado consumir alternadamente. O nmero de animals deve estar
em relao com a capacidade alimentar dos blocos que lhe forem
destinados, nunca devendo exced-la, sob pena de prejudicar a pro-
duo future da pastagem e abrir o caminho eroso.












O ordenamento das derrubas tem de obedecer a algumas regras,
porque, feitas indiscriminadamente, os resultados so muitas vezes
contrrios ao que deles se esperava. Nas melhores terras de pastagem,
a derruba total no de recomendar, a no ser que se pretendam
lev-las cultural uma vez por outra. Se destinadas apenas ao pascigo,
a limpeza deve limitar-se aos arbustos que no possuam interesse
alimentar para os animals, poupando-se, tanto quanto possvel, as
rvores de grande e median porte, que lhes do til abrigo nas horas
mais calmosas do dia ou nas noites de muita cacimba. Desde que as
copas fiquem afastadas umas das outras, cinco ou seis metros,
quanto basta para que a luz do sol penetre durante algumas horas
do dia e os bons capins se desenvolvam suficientemente, apreciando
alguns deles a meia sombra das rvores sob as quais se desenvolvem
melhor e se mantm verdes por perodos mais longos. Deixando
grandes espaos entire as rvores, sobretudo nos lugares antes ocupa-
dos pelo mato, o retorno deste parece ser mais rpido, em especial
de certas espcies de maior tendncia invasora, que alastram no
terreno como ndoa de azeite.
de recomendar a poda dos ramos das rvores que impeam
os animals de aproveitar o pasto subjacente. Com grandes intervalos,
podem deixar-se, sem inconvenient, antes com vantagem, pequenos
ncleos de rvores que nestas matas aparecem com frequncia, cuja
sombra os animals muito apreciam e seriam de desbaste dispendioso.
Em concluso: o verdadeiro objective das derrubas transfor-
mar a mata espessa, quase sempre composta de espinhosas, de onde
a vegetao herbcea til tinha desaparecido, em verdadeiros par-
ques, que sejam, ao mesmo tempo, bons prados. Nesta consociao
do povoamento arbreo pouco denso com a vegetao herbcea, a
primeira protege a ltima, evitando a rpida dissecao do terreno;
protege os animals da ardncia dos raios solares, proporcionando-
-lhes um ambiente mais agradvel, e o prprio terreno encontra-se
protegido da aco erosiva dos ventos e da destruio do seu poten-












cial de fertilidade, porque a sombra das copas impede, em certa
media, a decomposio rpida do hmus, que animals e plants
ali vo acumulando. vegetao constituda pelo emaranhado das
espinheiras, de aspect verdadeiramente selvagem e destituda de
qualquer valor econmico, sucede-se a paisagem civilizada, de aspect
atraente, que ser, tambm, fonte de riqueza e de prazer para quem
execute essa transformao e no tenha da vida uma concepo
exclusivamente materialista.
Para contrariar o desenvolvimento dos arbustos que voltem a
reaparecer, aconselha-se a manuteno de caprinos a par da dos
bovinos, dada a preferncia que eles tm pelas folhas e rebentos dos
arbustos onde vo procurar, alm de alimentos mais nutritivos, as
substncias taninosas de que so vidos. So duas espcies com
exigncias alimentares diferentes, no se prejudicando grande coisa
se viverem conjuntamente nas mesmas propriedades, e proporcio-
nando at melhores resultados s exploraes, por virtude do melhor
aproveitamento dos recursos de que dispem.
Em numerosos territrios africanos, as questes relatives uti-
lizao, conservao e multiplicao das pastagens so object de
intenso estudo, em estabelecimentos prprios. As melhores espcies
forraginosas so divulgadas pelos criadores, logo que se tornam
conhecidas, assim como os seus processes de multiplicao. E pelo
que a este assunto respeita, a frica o continent que dispe, talvez,
da maior coleco de plants forraginosas adaptveis aos climas
ridos ou sub-ridos e a uma grande variedade de solos, razo
por que muitas delas tm sido levadas para a Amrica e Austrlia.
Na vizinha Africa do Sul e nas Rodsias, h mais de uma dzia de
estaes oficiais dedicadas ao estudo do important problema das
pastagens e das relaes que ele tem com os problems no menos
importantes da eroso e das queimadas.
No possuimos ainda em Moambique estabelecimentos oficiais
onde se proceda a esta classes de investigaes, mas convm cri-los.












H aspects muito particulares que s podem ser estudados local-
mente, e uma das questes que necessita de ser investigada com todo
o interesse , precisamente, a maneira de destruir mais econmica-
mente o mato espinhoso e de dar o melhor aproveitamento, depois,
s reas limpas.
S no Sul do Save, pode avaliar-se em muitas centenas de
milhar o nmero de hectares ocupados pelo mato, que precisa de
ser desbastado para ter aproveitamento na agriculture ou na pas-
torcia. Para o Norte da Provncia, o estudo deste problema no
de menor interesse, dada a importncia que ele pode vir a ter no
saneamento das reas infestadas pela ts-ts.
Espera-se que a aplicao de hormones especficas possa con-
tribuir para a destruio de muitas espcies arbustivas, embora reste
saber por que preo ficaro, comparado com os mtodos de desbaste
actualmente usados.
AS QUEIMADAS

Trata-se tambm de um dos factors que prejudice sriamente a
criao animal e para o qual a aco das autoridades administrativas
se tem mostrado pouco menos do que impotente. Todos os anos so
queimadas, com uma regularidade confrangedora, enormssimas
reas de pastagem, que arrastam o gado a situaes, por vezes, de
grande misria. O preto, para caar um pequeno antelope ou um
simples coelho, no hesita em lanar fogo a uma moita, que depressa
alastra, queimando os pastos de grandes reas, que iro depois
fazer falta aos seus prprios animals. Tal estado de coisas no pode
deixar de exigir solues adequadas, ainda que tenham de ser apli-
cadas sanes com certa dureza, porque os prejuzos que causam
todos os anos so bastante elevados.
Entendemos que devem ser estabelecidas medidas de represso
rigorosas contra os fogos em todas as reas onde haja criao de
gados, sejam eles lanados por pretos, brancos ou amarelos. Temos












razes para crer que as autoridades gentilicas, nesta questo dos
fogos, podem desempenhar um papel important, talvez decisive.
Uma das causes frequentes das queimadas a falta de disposi-
tivos nas locomotives dos caminhos de ferro para recolha das cinzas,
quando em viagem, visto que, lanadas para as bermas da linha,
pegam fcilmente fogo aos capins secos. um assunto que deve
merecer todo o interesse da Direco dos Servios dos Caminhos de
Ferro e nos parece de fcil remdio.
A queima annual dos capins tem sido combatida por uns e defen-
dida por outros, em quase todos os pases tropicais. Afirmam os pri-
meiros que os fogos deterioram as boas espcies forraginosas, quando
deles se abusa, reduzem a cinzas grandes quantidades de matria
orgnica, que so depois arrastadas pelas enxurradas para os rios e
para o mar e desnudam o terreno que, cada vez mais empobrecido,
se torna fcil presa da eroso.
Dizem os ltimos, que os fogos promovem a rebentao dos
capins, fornecendo aos animals alimentos suculentos e mais nutritivos,
por perodos mais longos, destroem as plants lenhificadas ou apo-
drecidas que j no tm valor alimentar e prejudicam a rebentao
das toias, assim como destroem muitos arbustos, diversos parasitas
dos animals, etc.
Devido a esta controvrsia, o assunto tem sido estudado em
vrios pases e as concluses a que chegam os investigadores de
que as queimadas, no geral, so mais prejudiciais do que benficas,
embora em determinadas condies se justifiquem. Tudo depend da
poca em que forem feitas e das espcies a queimar. Se h espcies
que beneficiam com as queimadas, feitas de anos a anos, outras so
por elas prejudicadas, ao ponto de desaparecerem, sendo substitudas
por espcies de qualidade inferior.
Num ponto esto de acordo quase todos os investigadores: a
melhor altura de queimar os capins, ou antes, a altura em que os
fogos so menos prejudiciais s boas espcies forraginosas e ao solo,












imediatamente a seguir s primeiras chuvas. Mas, esta prtica, se
um ou outro criador europeu a executa conscientemente, com o
propsito de proporcionar melhor alimento aos seus animals ou
de beneficiary as suas pastagens; o preto, ao queimar os capins, no
pensa no gado, nem nos capins, nem nos prejuzos que possa causar
seja a quem for.


Medidas atinentes ao desenvolvimento
da produo animal

As indstrias de criao no representam apenas um valor eco-
nmico. Elas tm de considerar-se tambm um valor social de pri-
meira grandeza. E, porque assim , os Estados de h muito que
chamaram a si a organizao dos servios de defesa contra as molstias
que afectam a sade dos gados e os que investigam os problems
relatives economic da sua produo.
Nos pases africanos, mais do que nos outros, a interveno do
Estado no fomento da produo animal pode dizer-se que impres-
cindvel. Sem o seu auxlio, demasiado lento seria o progress desta
e de outras actividades, porque, como algum escreveu, a frica
no um continent de fcil conquista econmica, quando se no
disponha de capitals de vulto e de uma tcnica aperfeioada.
Assim , de facto. O grande atraso deste continent deve-se
existncia de numerosos problems que so desconhecidos em outros
pontos do Globo e para cuja soluo se requerem, por vezes, labo-
riosas investigaes ou a criao de novas tcnicas apropriadas s
circunstncias.
A peculria no escapou a esta regra. Teve e continue a ter
grandes problems, resolvidos j uns, outros ainda por resolver, mas
que, mais tarde ou mais cedo, ho-de encontrar a soluo convenient.
Assim, a patologia animal africana compreende numerosas doenas












infecto-contagiosas, de alta letalidade, que so inexistentes fora deste
continent. Antes que se conhecesse a sua etiologia e se pudessem
combater os malefcios a que davam lugar, foi necessrio realizar
um exaustivo trabalho, no campo e no laboratrio, levado a cabo
por homes de grande envergadura cientfica, de inesgotvel esprito
de sacrifcio e verdadeira devoo professional. Deve-se compe-
tncia dos investigadores da patologia e da zootecnia e organi-
zao bastante eficiente dos Servios de Veterinria em todos os
territrios africanos, apesar das dificuldades do meio geogrfico e
psquico, o progress que as indstrias de criao tm alcanado
nestes ltimos cinquenta anos. Se no fosse este trabalho laborioso
de pesquisa e a vigilncia permanent, exercida sobre os efectivos
animals pelos servios de sanidade, a pecuria africana no teria
atingido a situao que hoje desfruta, apesar das grandes deficincias
existentes.
Certo que a interveno dos Estados nos problems da pro-
duo animal no se limitou a instituir os servios de pesquisa e de
vigilncia. Foi mais alm: criando organismos de crdito agrcola
que facilitam emprstimos aos criadores a juro mdico, concedendo
bnus de produo e facilidades nos transportes pblicos, comparti-
cipando nas despesas fundirias essenciais, fornecendo gratuitamente
ou a preos reduzidos vacinas e outros produtos dos seus laboratrios,
para prevenir e combater as molstias das espcies domsticas,
fixando os preos aos produtos industrials que so empregados na
alimentao destas, etc., etc., os Estados tm dado, no h que
neg-lo, um largo contribute ao desenvolvimento das actividades
pecurias dos respectivos pases. Tambm em Moambique o Estado,
desde a publicao do Diploma Legislativo n.o 918, de 29 de Junho
de 1944, consigna certas receitas, criadas por este diploma, compar-
ticipao, em percentage important, nas despesas de instalao das
vedaes, construo de silos e indemnizao dos animals rejeitados
por tuberculose nos matadouros.












que a instalao de uma explorao de gados em frica, por
muito modest que seja, exige um capital elevado de que poucos
dispem e do qual nem sempre possvel obter rendimento compen-
sador. Por isso mesmo, as melhores exploraes pecurias da Pro-
vncia foram inicialmente subsidiadas, pode dizer-se, pelos capitals
ganhos em outras actividades, principalmente no comrcio. Esta,
uma das razes por que s um pequeno nmero de criadores possui
instalaes condignas e trabalha em moldes progressivos.
At h poucos anos, as necessidades mais imediatas das popu-
laes urbanas, com relao carne e ao leite, foram razovelmente
satisfeitas pela produo local. A carne, no sul e em Tete, excedia,
por largo, a capacidade do consumo, de onde resultava que o gado
se vendia a preo vil. A populao civilizada era escassa e a no-
-civilizada, com a alimentao baseada nas farinhas dos cereais ou
na mandioca, satisfazia-se com algum pescado ou com a carne dos
animals selvagens que caava, os quais, em pocas ainda recentes,
abundavam por todo o territrio. Mas o aumento da populao
tem-se acentuado nos ltimos tempos, as espcies selvagens sofrem
perseguio mais aturada e os animals domsticos no se tm mul-
tiplicado na proporo do consumo, embora os efectivos pecurios
acusem um constant aumento.
Parece-nos chegado o moment do Estado intervir mais directa-
mente na questo, estabelecendo as bases em que deve assentar a
poltica do Fomento da Criao Animal em Moambique, a fim de
que se consiga o aumento substantial da respective produo.
As bases dessa poltica no podem deixar de ter em ateno os
seguintes pontos capitals:
a) Parcelamento dos terrenos destinados pastorcia em unidades
de explorao econmica, e concesso de facilidades sua
ocupao, de preferncia pelos que j possuam gados ou
disponham de suficientes recursos financeiros, embora
sujeitando-os a determinadas obrigaes que, a no serem












cumpridas, determinaro a perda dos direitos a essa
ocupao;
b) Cuidada reviso das actuais reserves indigenas e criao de
reserves pastoris destinadas s manadas indgenas, tendo
em vista o disciplinamento das actividades pecurias do
preto e o melhoramento das condies ambientais em que
o seu gado deve ser mantido, base indispensvel do seu
progress;
c) Maior comparticipao do Estado em todas as despesas fun-
dirias, reconhecidamente indispensveis a cada explorao,
mais particularmente as relatives pesquisa de guas
subterrneas, construo de represas, de tanques banheiros,
desbravamento parcial do mato, alm das que j so sub-
sidiadas pelo Fundo do Fomento Pecurio e, bem assim,
nas que respeitam ao beneficiamento das reservas pastoris
que forem institudas para o gado dos indgenas;
d) Intensificao do estudo dos problems zootcnicos, alar-
gando-se a experimentao respeitante produo do leite
e suinocultura e investigando as questes relatives
utilizao, conservao e melhoramento das pastagens, em
ordem a prestar a assistncia tcnica indispensvel para
que as exploraes atinjam o grau de eficincia mais conve-
niente aos interesses da Provncia e dos prprios criadores;
e) Aumento do capital mutuante e alargamento do actual regime
de crdito a outras modalidades de emprstimos, feitos
directamente aos criadores ou s suas cooperatives ou
grmios;
f) Fixao das cotas dos subprodutos industrials que anual-
mente devem ser reservados para o consumo das espcies
pecurias e animals de capoeira;
g) Fixao do just preo produo animal de harmonia com
a qualidade.












As facilidades a conceder ocupao dos terrenos destinados
pastoricia devem defender de um estudo prvio das zonas que forem
consideradas mais aptas ao estabelecimento das indstrias de criao
e do seu parcelamento em reas que permitam uma explorao
econmica. Casos haver em que alguns milhares de hectares sero
insuficientes para garantir vida desafogada a uma famlia que
depend apenas da criao do gado, ao passo que, em outros, algu-
mas dezenas sero bastantes para assegurar uma explorao lucrative.
Tudo depend da qualidade do terreno, do grau de pluviosidade, das
possibilidades de rega, etc., etc.
Nas zonas mais ridas, onde s as criaes de tipo extensive tero
lugar, as concesses no podem deixar de atingir a ordem dos milha-
res de hectares, pois, nas condies actuais da indstria de criao,
no consideramos reas de explorao econmica as que sustentem
menos de uns 800 bovinos.
O parcelamento prvio dos terrenos, executado pelos Servios
Geogrficos e Cadastrais, prestar aos novos ocupantes da terra
uma inegvel ajuda, porque lhes poupar tempo precioso, muitas
canseiras e dinheiro.
A constituio de brigadas compostas de botnicos, ecologistas,
pedologistas, veterinrios, engenheiros hidrulicos e topgrafos po-
dem, neste particular, realizar trabalho de grande utilidade, seja delimi-
tando as zonas pastoris que devem ter prioridade na ocupao, seja
reconhecendo as possibilidades da captao das guas de superfcie,
ou dos lenis subterrneos, seja, finalmente, efectuando o parcela-
mento das reas fixadas para cada unidade de explorao, de acordo
com as condies topogrficas e ecolgicas locais. A disperso das
actividades pecurias por extensos territrios, como agora se verifica,
tem inmeros inconvenientes, razo por que deve ser contrariada.
A utilizao das reas destinadas ao apascentamento do gado
manadio, no em sistema intensive de explorao, ser feita inicial-
mente, em regime de arrendamento, podendo ser concedidas defini-


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