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 Homenagem devida
 Com o saber de experiencia feito...
 Acha que e possivel enfrentar a...














Title: Entrevista com o comandante Joao de Figueiredo, antigo gobernador de Cabo Verde.
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 Material Information
Title: Entrevista com o comandante Joao de Figueiredo, antigo gobernador de Cabo Verde.
Physical Description: Book
Language: Portuguese
Publisher: Imprensa Nacional, Divisao de Propaganda e Informacao
Publication Date: 1956
 Subjects
Spatial Coverage: Africa -- Cape Verde
 Record Information
Bibliographic ID: UF00072117
Volume ID: VID00001
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 38539819

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    Half Title
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    Com o saber de experiencia feito atraves de seis anos que V. Ex. governou Cabo Verde poderia seriar por ordem decrescente os problemas essenciais da provincia?
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    Acha que e possivel enfrentar a crises de modo a evitar as suas consequencias funestas, tiran-lo-se proveito do dinheiro que se torna necessario despender por essas ocasioes?
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2ntteviita com o Comandante


Yodo de. Tipaeitedo,

antiao oprvetndot de &4ao Vetd.



















IMPRENSA NATIONAL
DIVISAO DE PROPAGANDA E INFORMACAO
1 9 5 6


AFRI
JQ
3661
.A58
E587
1956

























Entrevista corn o Ex." Comandante


Jodo de Figueiredo













































































Composto e impresso nas oficinas
de IMPRENSA NATIONAL
DE CABO VERDE

















2nteevi-ta cr o a omandante


de fi ueltedo,


antito ovetnador de fabo Verde


















IMPRENSA NATIONAL
DIVISAO DE PROPAGANDA E INFORMACAO
1956


4odo








AR 0-
3661





AFRICA































Separate dos Boletins
Cabo Verde n." 77 e 78














Wameniajam hv!iL6t
(Editorial do uCabo Verde. n.O 77)

Iniciamos neste nimero a publicaqco de um important
depoimento: o de S Ex.a o Capitao de Mar e Guerra Joao
de Figueiredo, antigo governador de Cabo Verde e membro
actual do Conselho Ultramarino.
Tendo governado a Provincia num period particular-
mente dificil em que uma crise de proporc6es invulgares Ihe
absorveu a maior parte das suas possibilidades de acqao,
forcando-o a um combat que se mostrou a altura das cir-
cunstancias peculiares a encarar, o Comandante Joao de
Figueiredo deixou o seu nome bem vinculado as terras e as
gentes do Arquipelago, nao s6 pelo que realizou no aspect
considerado como ainda pelas directrizes tracadas e medi-
das adoptadas na administraQao geral que, apesar de tudo,
nao descurou, agindo nos v6rios sectors com admiravel
perseveranca e dedicaqao a causa pcblica.
Impunha-se ouvi-lo, por isso que, embora incompreen-
dido por alguns e criticado por outros, passada a tempestade,
hoje todos reconhecem o seu esforgo e o valor da sua obra,
sendo certo que da experilncia colhida beneficios de largo
alcance podem resultar para se prosseguir no desenvolvi-
mento da vida do Arquip1lago.--A atestar os factos, alias,



















o muito que ficou por estas ilhas, a assinalar uma 6poca, a
materializar o trabalho levado a cabo.
Homem de rija t6mpera, de uma fortaleza de animo
dificil de igualar, sem olhar a canseiras, alheio a interesses
pessoais, com a preocupacao de satisfazer o bem comum,
a sua actividade nao se limitou ao posto de comando perante
a calamidade que atingiu toda a Provincia. Em cada ilha a
presence do Comandante Joao de Figueiredo marcava o
interesse do governador, do mesmo pass que estimulava os
hesitantes, criando coragem aos que se deixavam arrastar
pelo infortinio. Em cada local a sua observacao direct
indicava o caminho mais seguro para que o etrabalho esti-
vesse a porta e o pao nao faltasse nas bocasn.
Sem tergiversar present sempre-excedendo as
suas pr6prias responsabilidades, a accao de S. Ex." ficou bem
reconhecida no significativo telegrama que o Comandante
Sarmento Rodrigues Ihe enderecou quando da hist6rica via-
gem do Chefe do Estado a Provincia e no qual aquele Ilustre
Ministro, pondo em destaque os sentiments de gratidao
manifestados pela populacao, exprime a sua muita satisfa-
gao em verificar o exceptional esforgo por ele realizado



















nestas Ilhas onde ficaram obras notavels que recordario
por longos anos a sua incansAvel dedicapgo.
O Comandante Joao de Figueiredo nao 6, deste modo,
o chomem que passou. Cabo Verde nao o esqueceu. Na
hora alta de entusiasticas manifestacoes ao Presidente da
Repblica, o Povo esse Povo an6nimo, consciente dos
beneficios recebidos-apontava ao supremo Magistrado da
Nacao o nome daquele que foi um dos seus maiores gover-
nadores,
Na oportunidade da insergao da entrevista com que
honrou o cBoletimr, 6 dever nosso render-lhe tambem, ainda
que modestamente mas com igual sinceridade, as homena-
gens a que ter jus e estamos bem seguros de que inter-
pretamos os sentiments de Cabo Verde agradecido, ao
testemunhar a Sua Excel6ncia pOblica admiracao pelo seu
esforco, pela sua coragem, pelo seu espirito de sacrificio,
pela elevada e magnifica licao de civismo, evidenciada numa
actuaqao que ainda hoje perdura na memoria da populacao
do Arquipelago e continue a reflectir-se no seu progress.

















Convers6mos muito. A um canto do Martinho, descendo a
Rua do Ouro, ou ainda em sua casa, o Comandante
Joao de Figueiredo falou-nos demoradamente dos pro-
blemas de Cabo Verde.
A exposiQco clara dos assuntos, o conhecimento deles adqui-
rido atrav6s de uma acq~o desenvolvida pessoalmente
em period de grave emerg6ncia, aconselhavam que
se nao deixassem perder os pontos de vista de
Sua Excel6ncia.
Demonstrada a necessidade da analise detalhada dos aspec-
tos focados Instamos por que Sua Excel6ncia respon-
desse a um questionarlo.
Organizamo-lo-Teixeira de Sousa e eu. As respostas do
Comandante Joao de Figueiredo, cuja publicaQ5o hoje
iniciamos, constituem um estudo minucioso que inse-
rimos sem soluc6es de continuidade, omitindo o de-
senvolvimento anterior da entrevista, para que este
not6vel trabalho nao perca o interesse pr6prio e se
mantenha o pensamento de quem o produziu.
Ao Ilustre Governador que foi destas Ilhas agradecemos a
honra que nos concede, proporclonando-nos a opor-
tunidade de divulgar o saber que a sua active expe-
rl6ncia Ihe facultou.

















I- com ao ldetr d expetincia 6 elto atavi de
mieL anol aue v ( x. govetnou LaZlIo Vet/e
poetia jetiazt pot otdem dectelcente o4 prto-
Ulema5 e55enclai d'a prtovincila


JULGO que os problems essenciais da Provincia sto os co-
muns a todos os agrupamentos humans e at6 a todos os
individuos; os que dizem respeito ao fortalecimento das suas
virtudes e h melhoria das suas eondiQbes de said, riqueza e
seguranga.
Como o que conta 6 o bem estar geral e este nAo so
alcanqarh so dermos a qualquer dos aspects considerados, ou
aos problems em que so dividem, mais atencao do que aos
restantes, nio vejo que se possam seriar por ordem de impor-
tancia.
Tamb6m nao 6 possivel referir-me a todos eles. Todavia,
nao quero deixar de me pronunciar acerca de algum. Por isso,
e porque me parece quo o da riqueza tem interesse mais visi-
vel, poderemos falar dele.
Permita-me por6m afirmar desde jh, quo as minhas pala-
vras, seja qual for a maneira como me expressar, nao podem











traduzir mais do que simples e respeitosos pontos de vista
duma pessoa que foi forqada pelas circunstancias a contactar
cor assuntos que slo da especialidade de outros.
Posto isto, direi que aquela depend das riquezas naturais
existentes e das possibilidades dos homes para as explorarem
e trocarem em boas condigoes, e que em Cabo Verde, as que
me parece term importancia mais salient slo o Porto Grande,
as terras agricultAveis ou susceptiveis de exploragces afins, os
mares que circundam as ilhas e os dep6sitos de pozolana.
Tentaremos dizer agora algumas palavras acerca de cada
uma delas.


Porto Grande

As condiges naturais, o facto de se encontrar sobre uma
importantissima linha de navegagno, e em posigco mais central
do que qualquer outro em relagao a navegacqo entire a Europa
e a Am6rica do Sul, conferem ao Porto de S. Vicente uma ri-
queza natural, sem divida, deveras notavel.
Contudo, ela s6 poderA ter a desejAvel utilidade se con-
seguirmos atrair a navegagAo, agradar ao client, e isto implica
que sejamos capazes de proporcionar aos navios resultados superio-
res aos que obteriam se recorressem a outros portos. Tanto exige
que se atenda devidamente a tudo o que se relacione cor eles,
desde que comecem a demandar o porto at6 tirarem o rumo
para o novo destino.
Nao vamos agora apreciar este problema em todos os sous
aspects, mas sim em relapos aos dois que nos parece terem










maior peso: o do prego dos combustiveis e o da rapidez de
desembarago.
Sobre o primeiro, nao nos 6 jA dificil oferecer vantagens
salientes, pois a maior parte da navegagpo queima combusti-
veis Ifquidos, e estes sao postos em S. Vicente a menor prego
do que nos portos concorrentes, mercer da sua menor distincia
a uma das fontes, e dos navios tanques nio receberem carga de
retorno.
Assim, para que, sob este aspect, sejamos preferidos
bastara que nIo criemos on mantenhamos exigencias A navega-
vao que possam anular ou mesmo reduzir shriamente esta im-
portantissima vantagem.
A significagio da rapidez de desembarago reconhece-se
logo que nos lembremos do elevadissimo prego de aquisigio de
um navio; de que este se amortizara tanto mais depressa
quanto menos tempo estiver parade; de que as demoras nos
portos agravam pesadamente as despesas de exploragRo, e mais
especialmente ainda, quando se trate de paquetes.
Tudo se devera pois fazer no sentido de os navios nao se
demorarem nos portos senao o tempo indispensavel para pode-
rem ser realizadas todas as operagoes que li os levem.
Os meios existentes e as obras em execugo ou projec-
tadas muito poderno contribuir para este efeito. No entanto,
cremos que sem a decidida boa vontade e cooperagao de todos
os intervenientes na exploragao do porto, e uma direcRo
competent e corn possibilidades de aplicar o principio da auni-
dade de direcCao tudo o que contribute para am fim deve
estar subordinado A mesma entidade nio se poderao alcansar










sob o aspect rapidez de desembarago, vantagens superiores
as proporcionadas pelos concorrentes.
Seremos capazes de as conseguir ? Afigura-se-me que isso
dependera muito das possibilidades da Junta Aut6noma.
Resumindo estas consideragoes, diremos que o objective a
ter sempre present 6 ser agraddvel ao client, e que isto exige
velocidade, moderagao nas exigencias e boa direcgqo de tudo o
que se relaczone corn a explorapgo do porto.


Terras agricultdveis
ou susceptiveis de explorag;es afins
Terras nao regdveis

Nao me 6 possivel falar em terras agricultaveis de Cabo
Verde sem que me venham ao espirito a lembranga de que estao
a produzir ha centenas de anos sem que tenham recebido abo-
nos, quase esgotadas de chumusi, portanto; de que este retem
oito vezes mais Agua do que a areia, e que a cede oportunamente
as plants; de que as colheitas, para a mesma pluviosidade,
terio, assim, de ser cada vez mais pobres.
Os que assistiram a 6pocas de pluviosidades inferiores
A geralmente necessaria viram junto das habitaces espalhadas
pelas vertentes das montanhas, onde o (humus existe em bas-
tante quantidade, milhos vigosos, e os restantes raquiticos, in-
capazes de produzir.
Queremos dizer que se toda a terra estivesse nas condi-
cges da que cerca tais habitagFes, alguns anos que foram de
crise, certamente, nao teriam sido.










Da pobreza em que se encontram as terras cabo verdea-
nas se dno alihs conta os que sabem que a m6dia da produgRo
de milho entire os tr6picos anda a volta de 2.400 litros por
hectare, e que em Cabo Verde ela 6 de 1.100 litros de milho
e 5.000 de feijio, nos anos bons.
Os caboverdeanos vangloriam-se da feracidade das suas
terras citando, para se justificarem, o nfimero de sementes quo
obtAm. Esquecem-se, por6m, de que num hectare semeiam
10 litros de milho, e de que o quo marca nRo 6 o nfmero de
sementes, mas a produgAo por unidade de superficie.
A falta de mat6ria orgRnica nas terras de cultu,a de curto
period afigura-se-me o pior mal da Provincia.
Para se valorizarem tais terras cremos ser indispensivel
a intervengco de tecnicos muito experimentados no combat a
erosAo co que nio experimentares, nio julgues que'o sabes
bem, aconselhava Sa de Miranda- e depois, da aplicagio de
medidas que, em grande part, nao poderao deixar de ser com-
pulsivas.
Algumas delas obedecerlo, por certo, is directrizes: se-
gura as terras onde estiverem, e as dguas onde cairem; consisti-
rao na construgAo de arretos em terrenos corn declive superior
a 12 0/o, segundo as linhas de nivel, e corn diferengas de cota
de 3 a 3,5 metros, e de diques, de pedra solta, nas pequenas
linhas de Agua, cor descarregadores, mais geralmente, a 1 metro
acima da superficie do terreno. Tamb6m nio serio esquecidas
as ciaturas de abrigo que reduzem a velocidade do vento e
a evaporagAo, melhoram a humidade relative e aumentam algu-
mas colheitas em 30 /o--os macigos de Arvores nas separantes










das linhas de Agua mais importantes, e os metodas mais aces-
siveis de oproduzirs fertilizantes, entire os quais, o de Indore-
-Lambert me parece ser o mais recomendAvel para a generali-
dade dos agricultores de Cabo Verde sobretudo quando o
combustivel possa ser lenha.
Mas a valorizagao das terras caboverdeanas requere
ainda, a meu ver, que se definam as destinadas a pastagens e
a plantavges.
Para o primeiro fim ficariam especialmente aquelas que
nos periods mais convenientes melhores pastes fornecem. Ne-
las se deveriam entao praticar os beneficios necessarios, entire
eles, os atinentes a proporeionarem-se bons cabeberamentos,.
Os restantes seriam destinados a plantagoes, mas s6 se
aproveitariam, naturalmente, os que reunissem as condigces in-
dispensaveis para neles se plantarem, com sucesso, esp6cies
judiciosamente escolhidas. Entre tais condigbes haveria a consi-
derar Agua acessivel, em quantidade bastante para rega, plu-
viosidade nao inferior a 100mm no periodo vegetative das plan-
tas, e protecgio contra os ventos mais intensos. Chamamos a
atengno para este iltimo aspect para que se evite plantar nas
eachadas,. 0 insucesso da tentative feita na aachadaD da Tr'n-
dade, na Ilha de Santiago, corn a qual se tinha em mira criar
um centro de reabastecimento de lenha a cidade da Praia, e
para o que se plantaram mais de 65:000 espinheiros (acAcia
arAbica), parece aconselhar a que nao se fagam oatras em ter-
renos tao expostos a ventos intensos.
Por nos ter vindo agora h lembranga, ponderaremos ainda
que se as necesshrias condigoes se verificarem em bacias ali-











mentadoras de nascentes de regadios cor apreciavelimportgncia,
antes de se decidir arboriza-las, convem recorder que quando
a pluviosidade for inferior a 300mm, talvez mais em Cabo Verde,
a quantidade de Agua transpirada pelas plants 6 superior A que
se infiltra em consequencia da sua existOncia.
Quero dizer mais que se me afigura pouco recomendavel
a pretensao de se arborizar cor o fim de se aumentar a pre-
cipitagio; que os objectives, em men entender, deveriam ser:
combater a erosao; produzir 61eos vegetais, e lenha e madeiras
para satisfagco das necessidades da provincial e, sendo possivel,
para exportagAo.
A adopgso do primeiro crit6rio poderia levar i ocupagto,
com matas, de terrenos indispensaveis para cultures alimentares
ou de boa pastagem, e isso parece-me ser de evitar.
Por outro lado poderia dar lugar a que nao se fizessem
as podas e desbastes como a boa tecnica manda para que as
plants mais capazes possam alcangar o mAximo valor no tempo
minimo.
Por outro ainda, julgo que, prhticamente, nao se obteriam
resultados vantajosos senio nos pr6prios locals de florestagio
e nos imediatamente adjacentes, e ainda assim, s6 quando aque-
les se encontrassem a determinadas altitudes-cOrca de 600
metros -das vertentes das encostas expostas aos aliseos. Nao
me lembro das razoes que me levaram a former esta idea. Re-
cordo-me apenas de que me servi de conhecimentos elementares
de meteorologia e do cr6dito que me mereceram alguns teste-
munhos, como sejam os de que no interior da floresta, e no
tempo quente, a temperature 6 inferior em 2 ou 3 */ & que










exista no exterior, a mesma altitude; de que a humidade rela-
tiva no interior da floresta 6 superior em 4 a 1201o a que se
verifique no exterior imediato; e de que a influencia da floresta
na precipitacto 6 maior no terreno montanhoso do que no piano;
e de que 6 a 600-700 metros de altitude que se vem nevoeiros
corn mais frequencia.
Vinhamos n6s dizendo que os terrenos nao aproveitAveis
para cultures alimentares ou que nao forneoam as melhores
pastagens nas respectivas 6pocas, deveriam, em principio, ser
valorizados corn plantaQges adequadas.
Parece assim ever p6r-se imediatamente a questao de se
definirem as zonas destinadas a plantagbes de oleaginosas, a
matas para reabastecimento de lenhas, e a florestagAo cor
essencias florestais. Poderemos n6s fazer isto, e depois, agir
cor acerto e continuidade ? Apesar de me parecer pouco ade-
quada a actual redo de postos pluviomdtricos, para este e
outros fins que interessam diroctamente a provincial, os ensina-
mentos que se podem colher da observagao dos trabalhos de
plantagao ja realizados e a convicgCo, que tanto me auxiliou
sempre, de que o que 4 indispensivel 4 possivel, levam-me a res-
ponder afirmativamente.

Terras regdveis

Em Cabo Verde, mesmo nos dias mais caliginosos,- nem
tudo sno terras chAs ou montes empinados e de ameacadores
cumes onde a desdita campeia; 6 ainda possivel encontrar um
ou outro recondite lugar em que o brilho e a amenidade das
cores de uma vegetagao luxuriante e a frescura e suavidade










dos ares arredam do espirito ate a pr6pria desolagao. Sio os
regadios.
A sua importancia 6 maior na ilha de Santo AntAo, mas
hA-os tamb6m, relativamente muito interessantes, nas de S. Ni-
colau, Santiago e Brava.
Neles se encontram Arvores e arbustos de varias species
-laranjeira, fruta-pao, mangueira, jaqueira, abacateiro, cafe-
zeiro...- e diversas cultures horticolas --feijoes, bongolio
e sapatinha, ervilha, batata, inhame...-mas a bananeira e, mais
acentuadamente ainda, a cana sacarina, sio as plants que pre-
dominantemente os povoam.
0 que haveria a fazer para efeito de melhoria de situag~o
dos que deles vivam? A resposta parece dever ser: fortalecer
caudais e impedir perdas de Agua por infiltragio, e de tempo;
cultivar as plants mais susceptiveis de proporcionarem boa
compensagao. As actuagoes a adoptar em relagio ao primeiro
fim considerado podem divergir num on outro caso concrete.
Todavia, cremos que nunca se procederA mal se se construirem
arretos e diques de retenglo de carrejos a montante das nas-
centes, nos terrenos das respectivas bacias hidrograficas as
geol6gicas nAo sao fAceis de definir. Quanto a obstar-se a per-
das de Agua por infiltragio, e de tempo, o caminho a seguir 6 o
da construgAo de levadas de alvenaria e de tanques.
Pronunciar-me-ei agora sobre asituagoesD referentes a
algumas plants cujo cultivo se me afigura mais para considerar
em Cabo Verde a laranjeira, a cana sacarina e a bananeira.
Comegarei pela primeira, por ser a produtora dos frutos que
a humanidade mais consomo.










As 4pocas de floracao das laranjeiras variam, natural-
mente, com a altitude. Em Cabo Verde, a primeira colheita
inicia-se em Outubro e vai at6 Janeiro; a correspondent a
segunda floraCao faz-se em Fevereiro e Marco. E, por6m, nos
meses de Novembro e Dezembro que os frutos sio melhores e
mais abundantes, o que nio quere dizer que os colhidos nos
meses restantes team confrontos cor os de outras origens,
pois, efectivamente, eles sao sempre mais ou menos excelentes.
Acontece tamb6m ser especialmente no mes de Outubro
que a laranja menos abunda no grande mercado que 6 o dos
passes do norte da Europa.
Estes aspects da situagao sto deveras auspiciosos, sobre-
tudo em relagno aos laranjais mais temporaos -nos quais ainda
se poderia avanuar a produgo de muitas laranjeiras mediante
a aplicagao de enxertos tirados das mais precoces; tornariam
ficil o sucesso dos plantadores caboverdeanos se nao tivessem
passado os tempos de navegagio A vela, quando Aquele mer-
cado s6 podiam concorrer os frutos produzidos nos paises me-
diterranicos, ACores e ilhas, digamos, africanas do Norte do
Atlantico. Sucede, por6m, que a rapidez das viagens resultante
dos progresses alcangados em relagao ao fabric de motors
mecanicos, e a descoberta de m6todos adequados A boa conserva-
gvo da laranja originaram o estabelecimento de extensos laran-
jais em regioes mais distantes e, por vezes, com excepcionais
condigbes de produgo ; uma luta em que a vit6ria dificilmente
podera sorrir aos que nao possam dispor de meios equivalentes
aos dos melhores concorrentes bons frutos, muitos frutos ;
boa tdcnica de apanha, preparagRo e embalagem, e econ6mica
produgAo de caixas.


I










0 que nos competiria fazer para nela entrarmos cor pro-
babilidades de Oxito ?
Temos condigoes para produzir bons e muitos frutos, e
nao ha dfvida de que poderemos vende-los em oportunidade
muito favorAvel; creio ser-nos fAcil produzir, a bom prego,
excelente madeira para embalagens o eucalipto saligna, por
volta dos oito anos de idade, fornece-a magnifica; a sua cultural
ji foi experimentada em Santiago e os resultados, at6 onde n6s
sabemos, sao encorajantes. Nestas condigoes, falta considerar
as possibilidades quanto ao combat as pestes que atacam as
laranjeiras; ao tratamento a dar-lhes para efeitos de producio
abundant de bons frutos, e h aplicagRo da boa tecnica referida,
e que consist: em se colherem os frutos quando estejam bem
formados mas ainda nao bem maduros, cor todo o cuidado para
nio serem magoados, e em dias secos ; em se p6rem num telheiro,
em-prateleiras, durante o tempo precise para que lhes desapa-
rega da pele toda a humidade, e assim se descbbrirem ligeiras
magaduras on outros pequenos defeitos, que logo os eliminariam;
em se selecionarem por calibres, cores e graus de maturac.o,
os destinados a cada caixa; em se embalarem em papel pr6prio
e, finalmente, se acondicionarem em caixas tipo, de modo a
pouco on nada sofrerem cor transported.
SerAo os agricultores caboverdeanos capazes de se orga-
nizarem para estes efeitos?
Forti nihil difficile.


Digamos agora algumas palavras rolacionadas cor a cana
sacarina.










Embora de um hectare de terreno se possa obter cana
capaz de fornecer 10 toneladas de acfcar commercial, e a beter-
raba cultivada em Area igual nao proporcionar mais de 4 tone-
ladas, como m6dia, nao hf divida de que, merc6 de um conjunto
de circunstgncias inelutaveis, originadas por esta quenopodiAcea,
a produgio de agficar de cana, em principio, s6 pode compensar
satisfatbriamente os que possam cultivar essa graminea em grande
escala, e dispor dos grandes capitals necessarios A montagem
das correspondents instalag6es industrials. Dissemos, em prin-
cipio, porque tambem hA casos em que pequenos e m6dios agri-
cultores obtem compensagoes aceitAveis. Isto acontece quando
todos juDtos possam fornecer algumas dezenas de milhar de
toneladas de materia prima a uma grande fhbrica de aficar.
Em Cabo Verde afigura-se-me nao ser viAvel a producao
de agfcar commercial. Todavia, parece que a simples garantia de
colocagFo na Metr6pole de algumas dezenas de toneladas de
aguardente jA proporcionaria apreciAvel desafogo aos plantado-
res da Provincia. E isso, nio obstante a concorrencia da aguar-
dente de figo, talvez se pudesse conseguir, uma vez que a
produgo tivesse as necessarias caracteristicas. Foi efectiva-
mente esta a impressao corn que fiquei quando, ha anos-creio
que durante a guerra me ocupei deste assunto. Sendo assim,
que caracteristicas deveriam ter as aguardentes de Cabo Verde
para que os grandes compradores da especialidade pudessem
interessar-se por ela ? Estariam os produtores em condicges de
se organizarem e de obterem o concurso de uma instalaiao ade-
quada para as alcancarem? Conhecidas as respostas, se elas
fossem favoraveis, s6 haveria que ter em conta o prov6rbio Arabe
que diz:









* *


Chega agora a vez de me pronunciar em relagpo h banana.
Direi, desde jh, que as condigies do solo, drenagem, tempera-
tura, humidade e abrigo desejhveis se encontram, prkticamente,
em todos os regadios de Cabo Verde; que a Provincia deve
poder exporter anualmente, mais de 35.000 toneladas deste
fruto, e que s6 Santo Antio tem condigoes para produzir cerca
de 25.000 tons; que a banana caboverdeana 6, duma maneira
geral, magnifica, certamente melhor que a da Madeira, o que
significa nio poder faltar-lhe mercado desde que nele se apre-
sente em boas condigbes.
Isto, por6m, nao 6 muito fAcil de conseguir, por se tratar
de um fruto extremamente delicado, que se arruina merc6 de
uma contusio aparentemente insignificant ou, apenas, do sim-
ples contact cor a ruina do outro. Na sua ess6ncia, o problema
da colocagno compensadora da banana nos mercados da Europa
parece consistir em ser-se ou nao capaz de a colher oito on dez
dias antes do amadurecimento; de evitar a mais insignificant
contusao a qualquer fruto desde que o cacho 6 retirado da mAe
at6 chegar hs mRos do retalhista, e de p6-la nos mercados
dentro dos oito on dez dias que se seguirem a colheita. Nave-
gagAo regular; pessoal consciente e bem adestrado para a co-
lheita, transport, empalhamento e indispensdvel engradamento,
parece-me serem os requisitos fundamentals a tender para que
a produgAo da banana possa proporcionar excelentes cresulta-
dos aos interessados nos regadios caboverdeanos. Tamb6m
me parece que os produtores aumentariam as suas possibilida-
des de exito, se se organizassem, corn firme espirito de disci-










plina, como quem 6 capaz de se elevar acima do interesse
egoista, em homenagem aos objectives do conjunto, e cooperas-
sem cor organizacges madeirenses, em justos terms, natural-
mente, pois de tanto Ihes adviriam ensinamentos importantes
e outras vantagens que a concorrencia nao consent.
Finalmente, permito-me lembrar, que nao 6 nos actos do
governor que reside a base do progress, mas sim no espirito
de iniciativa e de desenvolvimento pr6prio dos individuos, nos
seus impulses criadores. na sua energia... e na capacidade de
associag o que tiverem.


Mares que circundam as ilhas

SAo muito numerosos os produtos do mar susceptiveis de
com6rcio, mas n6s limitaremos as nossas consideragbes, que aliAs
serao poucas, aos peixes, e tendo em vista a ocupagRo de bra-
cos caboverdeanos.
Os peixes nao abundam em profundidades superiores a
350 metros, e as maiores captaCes verificam-se em funds infe-
riores a 200 metros.
Como nos mares do arquipelago slo pouco extensas as Areas
cor estas funduras, nao 6 de esperar quo eles sejam zona de
grandes pescas.
Mas se assim nao fosse, e os funds consentissem o arrasto,
pouco ou nada ganhariam com isso as populagbes caboverdeanas.
Seriam entAo percorridos, continuamente, por grades arrast5es
que s6 visitariam portos da provincial para desembarcarem
algum doente e, talvez, para embarcarem combustivel.










Por6m, o facto de os mares do arquip6lago nao serem zona
de grandes pescas nao significa que nao contenham Areas deve-
ras interessantes. Estas existem, especialmente em redor da ilha
da Boa Vista. Mais ou menos apreciAveis elas encontram-se tam-
b6m nas adjacAncias de todas as outras ilhas, e nelas vivem
peixes de virias esp6cies e em relative abundancia.
Uma vez que nao ha o perigo da intervengao de arrastoes,
aquela nao se alterara em consequencia duma pesca intense,
pois a prolificacao dos peixes 6 assombrosa sio numerosas
as especies em que cada fSmea poe centenas de milhar de ovos
em cada estag~o de postura; as de algumas species poem de
4 a 8 milhies, e as de outras crca de 30:000 e entire a multi-
dao dos seus inimigos, o home, desde que nao destrua a flora
maritima, 6 o menos devastador.
Queremos dizer, que em redor das ilhas ha peixe para se
poderem ocupar continuamente numerosos bragos e melhorar
notavelmente as dietas das respectivas populacnes.
Porque nao se exerce entro a pesca cor grande intensi-
dade?
Podem apresentar-se numerosas razoes, muitas delas de
natureza local dizer-se que faltam embarcag~es e at6 material
para a sua construgRo; que ali nao ha varadouros e quo acola
as condigces de mar s6 excepcionalmente permitem desembar-
ques; que teriam de ir on voltar dos pesqueiros a remos, e que
isso Ihes nio 6 sempre possivel...
Todos estes arguments, mais ou menos, sro dignos de
consideraclo, permitindo-me eu, em relaglo ao da falta de em-
barcagoes, lembrar desde jA, que a acacia arabica e o eucalipto
maculata-que, infelizmente, se deu mal em S. Jorge dos OrgRos,










a 350 metros de altitude, mas que talvez se possa dar bem nou-
tras altitudes ou zonas -forDecem madeiras excelentes para,
s6 cor elas, se construirem as precisas.
Podem apresentar-se numerosas razies, famos n6s dizendo,
mas no fundo, a grande razdo 6 serem poucas as pessoas que
dispoem de dinheiro para comprarem peixe cor regularidade
e a prego suficientemente compensador.
Primordialmente, 6 disto e s6 disto que result serem re-
lativamente poucos os pescadores que exercem a profissno corn
a desejAvel assiduidade, e nenhum deles dip6r de meios ade-
quados para se aventurar ao mar em condigSes de tempo aliAs
bastante frequentes.
A situagio seria, sem ddvida, muito diferente, se o exer-
cicio da agriculture, que 6 do que vive a enorme maioria das
populagoes do arquip6lago, proporcionasse boa remuneraglo,
compensasse melhor os que se Ihe dedicam.
Que caminho haverA entio a seguir para se aumentar o
nimero de pescadores que exergam a pesca cor continuidade ?
Se hA materia prima e os homes abundam; se nunca
faltaram mercados, nem para peixes conservados em azeite ou
em salmoura, nem para peixe seco, nem para as respectivas
farinhas on 61eos, desde, evidentemente, que a qualidade e
apresentagio sejam boas, parece haver apenas necessidade de
capital para quo se possa realizar o fim em vista.
E o que haverA a fazer para que ele ocorra ? O dinheiro 6
muito cauteloso 0 capitalist prefer rendimento grande, se-
guro e uniform; a maior seguranga de maxima mais valia;
impostos, responsabilidade e riscos minimos; possibilidades de










controlar a inversio do seu dinheiro para que se nao va al6m
do que deseja; dirigir o servigo...
Por outro lado, a inddstria em causa 6, de si, bastante
aleat6ria, e nessas paragens, slo parcos os meios logisticos,
cada um tern que se bastar a si mesmo.
No entunto, dada a abundancia e qualidade da mat6ria
prima, e a modicidade do prego da mAo de obra, creio que o
capital aparecera se promovermos no sentido de se poder con-
seguir uma regular e rApida colocag o nos mercados dos pro-
dutos preparados; nao pusermos peias as empresas, Ihes der-
mos, antes, todas as possiveis facilidades, e mais especialmente,
ainda, Is que apresentem maior nimero de embarcagoes de
pesca e de outras que as reboquem, e... evitarmos privilegios.
Estes, num ou outro caso, e em determinado moment, talvez
tenham razao de ser. Nao se justificaria, por6m, que se manti-
vessem indefinidamente. Eles matam, a breve trecho, o espirito
de iniciativa, levam depressa a preferir-se o repouso a conve-
ni6ncia piblica; impede a accao dos que nao temem aceitar a
vida como ela 6; alternative de encorajamentos e decepgbes,
de alegrias e lagrimas; luta constant, em que os mais fortes,
mais industriosos e cor maior capacidade de resolugAo, sao
os que, naturalmente, t6m mais probabilidades de veneer.

Dep6sitos de pozolana

Pouco tenho a dizer a este respeito. Sei s6 que em Santo
Antio e Santiago abundam as pozolanas; que, pelo menos as
daquela ilha, sao excelentes; que os romanos, desde antes da
nossa era, as usaram de mistura cor cal para formarem concre-










tos que provaram ser deveras duradoiros; que, na 6poca actual,
sao largamente empregadas em trabalhos hidriulicos... e que
se trata de produtos muito pobres.
Sendo assim, afigura-se-nos que a sua exploragRo s6 po-
derA empregar muitos bragos se f6r possivel p6-las a bordo do
navio cor um minimo de despesas.
E se assim for, nao valeria a pena considerar este o as-
pecto mais important da situagRo para efeitos da implantagio
de uma ponte que permitisse a atracagno de navios no S. da-
quela ilha ?
















0 Comandante Joao de Figuelredo conclue no present nO-
mero as suas respostas ao questiondrlo que Ihe apre-
sentamos e que constituem um trabalho de grande
m6rito sobre v6rios dos problems de Cabo Verde.
O Interesse despertado pelas afirmagpes anteriores, como
por certo vai suceder cor as que hoje publicamos,
impunha-nos o dever de Insistir pela competent opl-
niao do nosso Ilustre entrevlstado acerca de outros
aspects focados nos demais quesitos.
Sua Excel6ncia nso deseja, todavia, prosseguir e seria Im-
pertinencia da nossa parte abusar da gentileza que
teve j6 para cor o Boletim.
Deste modo, s6 nos resta voltar a agradecer-lhe a bri-
Ihantlssima colaborago que tao amavelmente prestou
ao *Cabo Verde) e register o grande aprego corn que
a sua eloquente dissertaqao foi recebida.
















2- -tCka gue e posaivel enftentat aS ctiel de
moo& a evitat a5 5uad conde unci'a 6une~taj,
titan /o-5e ptoveito dbo ineito &ue de totna
nece6adtio Z (eenAet pot eaS. ocadiie.?7



A PRECIARIA muito ler a resposta que dariam a esta pergunta
quatro ou seis pessoas, das mais representatives de
Cabo Verde, que tivessem assistido, mais ou menos como espec-
tadoras melhor seria das formadas na escola da experiencia,
que as ha, infelizmente a uma crise.
Teria eu entao possibilidades de corrigir algumas id6ias,
e a minha intervengao, tamb6m por isso, perderia grande parte
da delicadeza que agora teria, e que veem todos os que
sabem que fui, nao apenas um dos actuantes no combat a
61tima grande crise, mas tamb6m o sen dirigente.
Poder-se-h, porem, contar cor que aqueles se pronun-
ciem? k melhor colher do que semear. Julgo que nao.
A questao resume-se pois a escolher entire o que o ele-
mentar bom senso aconselha nao responder -- e a certeza dos
vfrios inconvenientes que a resposta originaria dos quais, o
menor final, seria o de se me atribuirem intengoes de defesa










on ataque, quando efectiva e felizmente estas nAo estno, nem
podiam estar, no men espirito.
Porque me lembra que das minhas palavras podera resul-
tar oportunamente algum beneficio p6blico, resolve optar pela
segunda alternative.
Sera possivel enfrentar as crises de modo a evitar as snas
consequincias funestas ? Parece ser esta a primeira pergunta
a considerar.
Se a verdade esta nos factos, conv6m lembrar o que se
passou em vArias crises, nto naquelas que a hist6ria regista
como tendo sido excepcionalmente duradoiras e monstruosa-
mente destrutivas, mas s6 em algumas relativamente recentes,
e cuja duracio nao ultrapassou dois anos.
Lembraremos, assim, as que se deram na Algdria, em
1867, e 1920, e na Russia, em 1921.
A primeira fez 500.000 vitimas, destruin 25 o/ da popular
Cgo daquela provincia francesa, a segunda ocasionon grandes
mis6rias e ndmero elevado de vitimas, desconhecendo n6s, po-
r'm, a quanto este montou; a terceira, nao obstante os socor-
ros de toda a esp6cie, e da maior magnitude, que a Rdssia
foram entao prestados por varios pauses, o em especial, pelos
Estados Unidos da Am6rica, vitimou 5 lo da populagno afectada.
No entanto, algumas das regioes flageladas pelas secas
confinavam cor outras em quo as pluviosidades haviam sido
normais; tinham alguns rios comuns cor estas, o que Ihes teria
permitido manter algum regadio, e as respectivas populag6es
viviam em cidades, vilas e aldeias, o que muito facilitava a
assistnncia.










Estes simples factos nao nos podemos alargar em cita-
goes mostram que, em principio, nao sera ficil evitar que as
crises, mesmo que relativamente pouco duradoiras faCam vitimas.
Em Cabo Verde, hA a considerar que nalgumas ilhas 6
complete a ausencia de regadios, e que, noutras, estes sofrem
enorme redugao durante as crises; que todos os mantimentos
tmr de vir de muito long, que numerosos habitantes vivem
dispersos pelas encostas das montanhas ou de ribeiras, e que
muitas destas sao de acesso dificil aos transported a dorso e
irregular o que causa por vezes grandes demoras pelo lado
do mar; que os transports a dorso rareiam A media que a
crise se prolong; que ningu6m abandon a sua casa, e ainda
bem, senio em casos extremes; que entire o moment em que,
normalmente, se reconhece haver crise e aquele em que aca-
bar as provisoes a grande maioria das populagoes medeiam pou-
quissimos dias; que lA, como em toda a parte, nao serA fAcil,
em periodos graves, fazer desaparecer totalmente, consequen-
cias de amizades...
Julgo que estas consideragoes bastarAo para justificar a
minha convicc~o de que em crises several nao se poderto
evitar em Cabo Verde consequencias funestas.
Todavia, uma coisa 6 evita-las, e outra 6 reduzi-las ao
minimo possivel.
Como se poderh limita-las a esse minimo?
Lembra-me, a prop6sito, que um general c6lebre pronun-
ciando-se sobre arte da guerra, disse nIo se poderem estabe-
lecer regras precisas; tudo defender do caricter do general,
das suas habilidades e fraquezas, da qualidade das tropas e do










alcance das armas; do tempo,.e ainda de um milhar de outras
circunstancias que nunca se repetem.
Quero dizer, corn esta citacgo, que duas crises sempre
diferirRo em numerosas circunstAncias, e tamb6m que, talqual-
mente acontece na guerra, ha factors constantes de cujas carac-
teristicas muito depend o sucesso.
Referir-me-ei, agora, a qualidade das tropas e ao alcance
das armas.

As itropas, no nosso caso, sao, principalmente, a SAGA
e os Administradores dos Concelhos. Para serem da (precisa
qualidadeD, aquela deve estar dotada de pessoal cheio de dedi-
cagRo e isengLo, inteiramente id6neo, no ser e no parecer;
estes, devem ser homes corn saide e vigor fisico, de vontade
reflectida e firme, corajosos para serem capazes de assumir
as responsabilidades que o bem priblico Ihes imponha; expe-
rimentados nos servings de administragqo de Cabo Verde, e
bonds conhecedores dos homes mais utilizhveis, e de todos os
recantos dos concelhos em que sirvam. Lembraremos, desde
ji, que a tais homes devera ser dada a just compensacgo
para os enormes sacrificios e responsabilidades que entao Ihes
tem de ser exigidas.

As earmas) serao, agora: as destinadas A aprevisnoD da
cruise; as disponibilidades monetarias; o amonop61ioD (como
regra, devera pedir-se apraas corn dois, on ainda melhor, tres
meses de avango, quando se trate de navios que escalem
Angola ou Mogambique) da compra e da distribui~io dos man-
timentos; os meios de transport por mar e por terra, e facili-










dades de desembarque, as quais, especialmente em relagco a
algumas ribeiras de Santo Antao, precisam de ser muito me-
lhoradas.
Para que os seus calcancess sejam os indispensAveis,
6 necessario : quanto a prevzsdo da cruise, que ela se faga at6
aos primeiros dias de Setembro, o que, digamos de passage,
nos parece possivel mediante a existencia de postos pluviome-
tricos nas zonas mais importantes de producAo de sequeiro (preo
ferivel seria, tamb6m para efeito de povoamentos florestais, te-
rem-se cinturas de postos, pr6ximo do nivel do mar, a meia
altitude e ao nivel m6dio superior das ilhas); quanto a dispo-
nibilidades monetdrias, que a SAGA e os Corpos Administrativos
tenham as precisas para pagarem o reabastecimerto das popu-
lag6es durante os quatro primeiros meses de crise; quanto a
monopdlio de eompra e distribuiao de mantimentos, que ele esteja,
sem a minima hesitagoo, nas mAos da SAGA ; quanto a mefos
de transport maritimos, que so disponha de um barco a motor
mecenico, capaz de, pelo menos, dar 8 a 10 n6s, carregar 100
tons de milho, e de pegar, cor os sous paus de carga, em pe-
sos de 4 toneladas; em relagio a transportes terrestres, que os
caminhoes-4 em Santiago e 2 no Fogo-sejam do tipo de
4 tons de carga.
0 caso da previsio poder fazer-se at6 principios de Se-
tembro parece-me fundamental. Efectivamente, s6 assim os rea-
bastecimentos poderio chegar a Cabo Verde ainda nesse mrs ;
se proporcionara A populagao a confianga precisa para que
todos so mantenham nas suas casas; se evitario, logo de inl-
cio, como conv6m, muitas e mAs consequencias de vrrias ordens,










entire elas, enfraquecimentos que, depuis, s6 em hospitals pode-
riam ser tratados.
Julgamos que se at6 aquela data a pluviosidade nas zonas
de producio nao tiver atingido determinado ndmero de milime-
tros (100 ? 130 ?)--conv6m muito esclarecer, o mais possivel,
este ponto em relagio as diferentes zonas nio hi que hesitar
na importagao de milho cor base na m6dia de consume de
700 gramas por dia-pessoa da regiao on ilha afectada. De tal
procedimento nunca podera resultar perigo muito s6rio, atentas
as necessidades certas de S. Vicente.
Nao menos important 6 que a SAGA disponha sempre
das precisas reserves que eu estimo em 9 a 10:000.0005 -
para se poderem enfrentar cor sucesso os quatro primeiros
meses de uma crise geral, pois tanto sera, como regra, o tempo
necessario para comegarem a chegar recursos monetarios, da
metr6pole e dependencias ultramarinas. Parece muito tempo,
mas 6 assim mesmo. Havera sempre pessoas em Cabo Verde,
algumas vezes influentes, que mais ou menos convictamente,
nao acreditem logo na crise, afirmem ter ja havido anos agri-
colas excelentes s6 corn abundantes chuvas em Outubro.
Por outro lado, a burocracia e os bancos tem os seus m6-
todos.
Importa, tamb6m fundamentalmente, que a SAGA tenha
o emonop61ioz da compra e distribuiglo dos mantimentos -
milho, feijao, aqicar, farinhas de trigo e de mandioca, e 6leos
vegetais e animals. Diz-mo a experiencia, alias, fortalecida
pela leitura do que consta, sob o titulo, cAlguns aspects da
crise das subsist6nciass, no Boletim da Faculdade de Direito











da Universidade de Coimbra Ano Iv, n." 34, 35 e 36. A ex-
periencia ensina tamb6m, que quando o com6rcio, abastecido
pela SAGA, cooper nas distribuigoes, deverA fazO-las por meio
de senhas fornecidas por delegagoes daquela.
JA agora, direi aqui tamb6m, que, em meu entender, as
importavges dos g6neros atraz referidos deverRo ser feitas pela
SAGA, mesmo em tempos normais, e por ela entio distribuidos
aos retalhistas. Assim, terA sempre os seus servigos treinados,
prontos a agir acertadamente no caso de crise, e ira consti-
tuindo as necessarias reserves. Cabo Verde nao pode dispenser
os auxilios da Metr6pole e das outras Provincias Ultramarinas
durante as crises. Eles nao Ihes serAo negados, em caso algum,
mas parece just e moral que Cabo Verde nao se dispense de
fazer tudo o que estiver ao sou alcance para libertar os sens
compatriotas de outras naturalidades, de responsabilidades
muito graves, e essa libertagRo depend, fundamentalmente,
da existencia de tais reserves, como jA mostramos. E isso nao
prejudicarA mais de meia dizia de pessoas todas elas com
outras fontes de receita. Isto 6 tudo quanto de essential tinha-
mos a dizer para, em nosso conceito, se poderem reduzir ao
minimo as consequ6ncias funestas das crises.

*
Pronunciar-me-ei agora sobre algumas medidas a adop-
tar para que em futuras crises se possa levar a efeito o mi-
ximo de obras com projecgio no future, sem se prejudicar,
naturalmente, a satisfagco do objective fundamental--evztar
perdas de vidas.










Antes, por4m, de o tentar fazer concretamente, permi-
to-me ponderar que tais obras ficarAo sempre muito aqu6m do
que todos desejariamos. t que, por um lado, nto 6 possivel
encontrar nas proximidades de todas as casas as condicges in-
dispensiveis a sua realizaqAo, e a defesa de vidas impoe que,
especialmente as families rurais, se mantenham unidas e
a viver nos pr6prios lares; por outro, os trabalhadores sofrerio,
pelo menos, de fome qualitativa, o que os impedirA de dar o
rendimento que em condigoes normais seria de esperar.

AcontecerA tamb6m que faltario sempre multos cencarre-
gadosD corn conhecimentos e outras qualidades necessArias ao
bom desempenho das respectivas funqies; que poucos traba-
lhadores se ocuparAo em trabalhos da sua profissao, e que em
algumas ilhas Santiago e Fogo, principalmente a necessi-
dade de que os reabastecimentos se possam fazer, em qualquer
moment, atrav6s de estradas que em longas extensoes cortam
terras cor grades declives, exigirA, muitas vezes, a ocopagno
de numerosos braqos na construgao ou reparagao de muitas
dezenas de quil6metros de muros, de paredes, cuja utilidade,
passada a crise, poucos apreciarAo. Conv6m recorder tamb6m
que algumas vezes sera impossivel, e que sempre serA impru-
dente, dotar de uma s6 vez principalmente as obras cuia rea-
lizagao implique consume avultado de materials de importagIo
- 6 dtsejAvel, no entanto, dota-las em duas on tres partidas
- e que em muitos casos surgirao dificuldades, sobretudo no
que se relacione com transportes, para, a tempo, se term no
lugar pr6prio materials necessArios ao regular andamento dos
trabalhos. Nao deveremos esquecer ainda que nao passario de











duas on tres as ilhas em que se poderno fazer represas, e que
em cada uma delas serao pouquissimos os locals com condicges
para se poderem levar a efeito; que os terrenos das bacias das
respectivas ribeiras e afluentes terAo quase sempre declines
muito elevados; que as terras estao desprovidas de matdrias
coloidais, e que, consequentemente, antes de se executarem
trabalhos importantes da natureza dos considerados, havera que
promover no sentido de quase sempre, mediante a construgao
o de arretos e de diques de retencno de carrejos, nao de plan-
tag6es se evitarem entulhamentos que rApidamente os inutili-
zariam.

Lembraremos mais, para justificarmos a afirmagao que
fizemos, que em Cabo Verde a Area de terra que se preste
para a producAo de g6neros alimenticios nao irA apreciAvel-
mente al6m de 4.000 m por babitante, quando conviria que
fosse, pelo menos, de 9.000 m2; que em tal terra nio convem
que se estabelegam florestas; que os locals para florestacio
existem em poucas ilhas, sAo poucas em cada uma destas e
estAo em zonas priticamente desabitadas; quo em cada ano nio
se pode plantar mais que o conseatido pelo factor minimor ,
o qual, umas vezes, sera a Agua esta, em regra, terA de dar
tamb6m, pelo menos, para part da plantagqo feita no ano ante-
rior outras, a mao de obra. Efectivamente, esta sera sempre
precAria quando se trate de fazer uma operagno essencial, que
6 a de se arrancarem cor oportunidade, se nao as rvas de
todo o terreno da plantaCgo, as do correspondent a cada cova-
cho, e serA assim, porque tal oportunidade coincide cor a de
se mondarem as cultures alimentares..










Estas considera~ges nada adiantam em relagTo aos homes
que s6 veem o que tem na idea, on aos que estio sempre pron-
tos a condenar tudo o que se fizer diferentemente do que eles
pr6prios recomendariam digo, recomendariam, porque cuna
cosa es predicar y otra dar trigoD mas nio quis deixar de as
referir porque creio que ajudarao a realizar o sen desejo a
todos os que oportunamente pretendam fazer critics justas,
aliAs sempre de encorajar, e mais especialmente ainda quando
permitirem substituir o erro pelo acerto, e, por outro lado,
porque permitirAo que alguns reconhegam que foram plena-
mente justificadas as homenagens que, na altura devida, prestei
Aqueles dos meus colaboradores a quem a Providincia consenting
uma mais feliz utilizagno das disponibilidades que, durante a
ultima crise, administraram directamente.
Voltando agora ao tema, comeCarei por dizer que entire
as medidas a adoptar, para que se possa realizar o mAximo de
obras cor projecclo no future, hA duas que se me afigura
terem a maior importincia, e que slo as seguintes:
nao se especificar em decreto a aplicagao das disponibi-
lidades monetArias destinadas a enfrentar-se a crise;
fazerem-se as distribnigies, mensalmente, em diploma da
Provincia, cor base nas informagoes e propostas que fizerem os
administradores dos concelhos, ap6s terem visitado os locals
que interessem, e s6 na media que se julgue satisfat6ria para,
durante o mes que se segnir, se poderem enfrentar as situagzes
previstas.
Na verdade, a distribuigno em decreto poderia ser perigo-
sissima, at6 s6 porque nio seria fAcil altera-la. Em linguagem










de marinheiro, uma tal decisgo equivaleria a de se querer que
se fizesse uma long viagem a navegar sempre corn o mesmo
rumo.
No nosso caso, os perigos poderiam ser: nao se conside-
rarem obras importantes e dteis, algumas delays jA em anda-
mento; dotarem-se excessivamente trabalhos que nRo fosse
possivel levar a efeito senio num on outro local de uma on outra
ilha, e esquecerem-se outros cuja execugao teria de preceder
a de alguns daqueles; influirem na distribuigao entidades es-
tranhas, e estas sugerirem a adopgAo de medidas aparentemente
recomendAveis, e at6 de entusiasmar, mas cuja execugio, no
fim, poderia redundar, umas vezes, em estes e aqueles parti-
culares receberem quantias importantes sem proveito para
quaisquer outras pessoas; outras vezes, em beneflcio de
populagoes s6 deste on daquele concelho... e sempre, em
prejuizo grave para a satisfaQio dos objectives a que se desti.
nam as disponibilidades que nunca serAo excessivos dos
quais, o fundamental, nao nos cansamos de o repetir, 6 salvar
vidas de habitantes, nRo apenas deste ou daquela ilha, mas de
todo o arquip6lago, de todas as povoagces e de todas as nume-
rosissimas casinhas espalhadas pelas montanhas e pelas ravinas
das ribeiras.





O que dissemos quanto a distribuigoes em diplomas da Pro-
vincia diremos agora quo conviria que elas fossem quinzenais,
e que, infelizmente, isso nao nos parece ser praticivel- po-











derA parecer a alguns uma extravagancia de marinheiro. Efec-
tivamente, este nao pode subtrair-se h influencia das marcas
impressas no sen espirito pelas preocupagoes de nunca deixar
de alcangar o destino marcado ao seu navio, e pelas, ainda
maiores, que sio as que se relacionam corn a seguranga do
mesmo; ele nao consegue impedir exteriorizagoes de hAbitos
que Ihe foram criados pelas necessidades, quer de evitar con-
sumos que nRo se imponham, quer de aproveitar todas as opor-
tunidades e todos os meios a que possa recorrer mbrmente
quando navegue nas proximidades de maiores perigos para
marcar o apontoD, e corrigir, em seguida, o rumo; quer, fnal-
mente, e para este pendlt;mo efeito, de nRo utilizar cmarcasv
que nao reconhega estarem perfeitamente identificadas. Nao ha,
por6m, fantasia alguma no caso. E' que uma cruise tern maitas
analogias corn uma long e perigosa viagem maritima. Na ver-
dade, o seu fim nunca poderA ser considerado pr6ximo, e as
ameagas a seguranga das populagbes e tambdm ao regular
andamento dos trabalhos algumas delas resultantes de alas
condiciones de la depravada naturaleza nuestram s~o numero-
sas, variadas e surgem constantemente, ora aqui, ora acola.
Imprem-se, portanto, as necessidades de nao se desperdiear
dinheiro; de, corn base em elements certos e quanto possivel
actuais, se definirem nposigCesc cor a desejavel frequencia;
de se escolherem, de cada vez, os caminhos que se antolhem
mais capazes de oferecer seguranga, e simultaneamente, de per-
mitirem que se levem a efeito, sem atrasos evitaveis, os tra-
balhos que se recomendem. As dist-ibuiqges deverio, pois, ser
feitas mensalmente, e cor base nos elements indicados, entire










os quais, 4 imprescindivel que constem tamb8m os referentes
a mortalidades por freguesias.
Para o efeito em apreciagao fazer-se o maior n6mero
de obras... tamb6m indispensavel que as operavSes de
aquisigQo e distribuigio de ferramentas e materials de constru-
Cgo estejam centralizadas num organismos A mAo do Governo,
o qual nio pode ser senao a SAGA.
No entanto, se em relagAo a mantimentosjulgo ser abso-
lutamente indispensdvel que as importagOes sejam feitas exclu-
sivamente por tal organismo, e que os generos que outros,
nio obstante, imported nio entrem no mercado corn prejuizo
para os importados pela SAGA, nem sejam vendidos por m6-
todo diferente do que esta usar; se julgo de ndo transigir, de
modo algum, sobre tais pontos, sejam quais form as pressOes
que se exergam, as ameagas que se faram, as perturba-
goes que se causem, o desamparo que se sinta, ou as campanhas
que se levantem e levantar-se-Ro sempre e sempre corn
violencia pelo menos igual as verificadas em 1921, 1941 e na
6ltima crise, as quais foram jA suficientemente duras para que
os governadores sentissem at6 os ossos ameagados de Ihes se-
rem roidos; se julgo absolutamente indispensivel que no res-
peitante a mantimentos se proceda assim, tamb6m entendo que,
tratando-se de material, se devera recorrer ao com6rcio im-
portador, e at6 que conviria predispor as coisas de modo que
os concursos se pudessem fazer cor a possivel antecedencia,
para assim nRo poder haver perigo para o bom andamento
dos trabalhos, nem para a conveni~ncia de nRo se pagarem
percentages de lucro superiores As normais.











As medidas a que acabamos de nos referir concorreriam,
sem dfivida, para que se pudesse levar a efeito o maior nimero
de obras de interesse, mas elas significam, mais especialmente,
precaugbes a tomar para que as disponibilidades nao possam
deixar de ser utilizadas, oportunamente, a favor dos necessi-
tados e das obras em que eles possam ser empregados, e,
tamb6m, para que aumentem as probabilidades de estas pros-
seguirem sem interrupgoes ou evitiveis demoras.

Para so responder mais directamente a pergunta-me-
didas a tomar para que se possa levar a efeito o maior nimero
de obras cor projecRgo no futuro-haveria que comegar por
definir essas obras, bem concretamente, e que considerar depois,
a preparagdo dos meios, isto 6, os aspects, elements de trabalho,
recursos materials e disponibilidades monetdrias.

Fundamental seria, porem, defini-las, e para isso nao vejo
que so pudesse recorrer a melhor base que a que ofereceria um
aplano para o desenvolvimento econ6mico e social de Cabo Verdep,
piano que, merco provbvelmente da minha demasiada ignoran-
cia, nao me parece ser de elaboragRo dificil nem muito morosa,
pelos menos, quanto a definicio de linhas mestras e correspon-
dentes especificag6es imediatas. Na verdade, nao seria entio
dificil seleccionar nem os trabalhos exequiveis sem mais antece-
dentes, nem os que poderiam ser estudados, projectados e orga-
mentados cor elements existentes na provincia, nem, conse-
quentemente, aqueles cujos estudos exigissem intervengSes do
especializados. E seria entao fhcil evitarem-se esforgos dispersos,
os quais se perdem em grande part, conseguir-se sempre uma











melhor utilizagio de pessoal disponivel, uma coordenagpo, diga-
mos mesmo, uma administracgo mais frutuosa.

Nio se dispondo de um tal piano, atrevo-me a dizer que
conviria que ele fosse substituido por uma relaQao de traba-
Ihos, feita corn base no que constasse em todos os relat6rios
das Missbes que t6m visitado Cabo Verde; no que dissessem
os Servigos, nos pareceres que as autoridades administrativas
expusessem-depois de, sem ideas perconcebidas on perguntas
sugestivas, terem ouvido os elements mais representatives das
populaqbes e, finalmente, na opiniAo do Governo da Provin-
eia.

Afigura-se-me que os pareceres dos Senhores Adminis.
tradores deveriam, entao, merecer muito especial interesse,
porque conhecem, melhor do que quaisquer outras entidades,
todas as situagoes que se verificam nos respectivos concelhos;
terao de ser executores; tem valiosa experiencia e nao desco-
nhecem que o entusiasmo pode ser contraproducente se nRo se
basear em s61ida cultural. Seguir-se-iam os estudos, a elabora-
,go dos projects cuja necessidade se verificasse, consideragbes
relatives a elements de trabalho ...
Permito-me lembrar ainda que, ao ouvirem-se os Senho-
res Administradores, conviria que se aproveitasse a oportu-
nidade para os convidar a pronunciarem-se tamb6m sobre me-
didas a adoptar para se poderem enfrentar, cor grandes
probabilidades de sucesso, outros aspects das crises.
E, ao menos por agora, coisa alguma mais se me oferece
dizer sobre este assunto.












* *


Ainda que nio fosse senao para ser agradAvel ao mea
caro amigo, Dr. Bento Levy, que tIo boa cooperacgo me pres-
ton durante os anos que servi em Cabo Verde, e que, depois,
sempre me distinguiu corn a sua penhorante amizade, gostaria
agora de responder As restantes perguntas que, oportunamente,
me fez. Cor esse objective, passed muitas horas a reunir ele-
mentos, a redigir lembrangas e a meditar sobre uns e outras.
Verifiquei, por6m, que as respostas nao poderiam propor-
cionar real utilidade a quemquer, e seriam susceptiveis de me
colocar em posigvo indesejAvel se, amanhR, dispondo de novos
elements, tivesse que me pronunciar sobre os mesmos assuntos.
Desisto, pois, de continuar a responder. NIo quero, po-
r6m, terminar, sem pedir a S. Ex.a o Governador, Dr. Abran-
tes Amaral, o grande obs6quio de nao ver no que deixo dito
a mais insignificant sombra de falta de respeito on considera-
gAo pela sua ilustre pessoa, a cujo aprumo e nobreza, inteligen-
cia, zelo e dedicagio pelo interesse plblico, me 6, alias, sempre
gratissimo prestar as minhas mais sentidas homenagens.




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