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 Duas palavras














Group Title: Duas oracoes : proferidas na Associaccao Comcercial de Loanda, em Assemblea Geral de 11 de novembro de 1924
Title: Duas oraðcäoes
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 Material Information
Title: Duas oraðcäoes proferidas na Associacðcäao Comcercial de Loanda, em Assemblãea Geral de 11 de novembro de 1924
Physical Description: 14 p. : ; 22 cm.
Language: Portuguese
Creator: Lemos, Alberto de
Publisher: Tipografia Minerva
Place of Publication: Loanda
Publication Date: 1924
 Subjects
Subject: Commerce -- Angola   ( lcsh )
Genre: non-fiction   ( marcgt )
 Notes
Statement of Responsibility: por Alberto de Lemos.
 Record Information
Bibliographic ID: UF00072095
Volume ID: VID00001
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 52883785

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- ivl.


'I


'Vroferidas na S9ssociaFao eomercial
de 2oanda, em ufssemblia geral.de
II de Jiovembro de 1924


POR


ALBERTO DE LEMOS


TIPOGRAFIA MINERVA
1924


I1


"1


6 Mlbrte! Morte bemfazeja liberta q
minha Patria. dos criminosos d'hontemr





E)uas oraoes,


I~


I k I I I j 1


..


,j1











6 Morte! Morte bemfazeja liberta a
minha Patria dos criminos6s d'hontem.
MARIOTTE.






E/uas oracoes


Ptoferidas na Sissociacao eomercial
de .oanda, em F.ssemblea geral de
ii de WJooembro de 1921

POR

ALBERTO DE LEMOS


TIPOGRAFIA MINERVA
1924
OQQ,"^


1'A




















i(14'l

















Nem sempre fugimos d pressio das ideas que se mani-
fesiam ao redor de nds, e muito faz aquele que algumas ve-
zes sabe elevar-se acima das preocupafjes ou dos interesses
da epoca em que escreve.
HERCULANO Advertencla ao 1, vol. dos Opusculos pag. 17








As vossas ameagas ndo me atemorisam ; estou armado
tam fortemente cor a minha honestidade, que essas ameafas
passam por cima da minha cabepa como um sopro de vento
de que ndo dou fd.
SHAKESPEARE Julio Cesar pag. 142








Nao querem entender esses asnos que a linguagem de pan-
fleto nio se fez para pessoas sexuais, e que a unica formula
jornalistica capaz de, d hora presence, ferir fund. deve ser
aquela que esbofeteie a hipocrisia infame da sociedade
egoista e sifilitica que nos circa.
FIALHO DE ALMEIDA A Esquina pig. 24

















DURS PALAVRfS


Isto e um charco, jd o disse. Antes fosse um
mar tormentoso. Nas grandes virtudes, como nas
grandes perversidades, ha beleza. Uma e a aurora
do Vida, a outra e a treva da more moral.
Onde ndo existe extreme ndo ha grandeza; e isto
So meio termo.
E' o mediocre escarrando s6bre a tunica do ge-
nio, e o rafeiro ladrando d caravana, e o olhar t6rvo
de Judas incidindo s6bre a front radiosa de Jesus.
Eu prefiro Barrabds a Judas, prefiro Jose do
Telhado a tanto canalha que a lei.ainda ndo condu-
ziu, nem conduzird, ds gales. Quero-me defronte do
bandido, carabina aperrada, estrada deserta, e ndo
diante do aperto de mdo de te cavalheiro que, sem-
pre, usa gravata, sorri, afaga, e, ao voltar da esqui-
na, me esfaqueia s6 porque o afrontei com uma vir-
tude, com uma inteligencia, que ndo vikram de mim,
mas de Deus.
Isto e uma terra em cufo futuro para mim e para
meus filhos, ndo creio, porque estagna no lodacal
dos egoismos traigceiros, das ambicdes baixas, por-
que ndo lem character, nem ideas. Ndo 6 religioso,
nem ateu. Ndo e politico, nem deixa de o ser. Ndo
deseja a autonomia, a independencia, mas tambem
ndo repele nem uma coisa, nem outra. Aproveita






6

oportunidades e quere comer sempre, s6 comer, di-
gerir.
Isto e um charco. 0 servilismo, a intriga, a li-
sonja dominando. 0 orador ter necessidade de pu-
blicar o seu discurso para se saber o que Nle disse,
o escritor tern que imprimir, como editor pr6prio,
para se saber o que escreveu. Ndo import que o
que se disse ndo fosse nem mentira, nem insult,
ndo importa que o que se escreveu ndo fosse also ou
pornogrdfico. A mentira e a pornografia tem lugar
e espaco.

Loanda, 16 de Novembro de 1924.


ALBERTO DE LEMOS.















P. S. Jd depois destas palavras escritas che-
gou ds minhas mdos a reportagem de 0 J ornal. Devo
agradecer aos amigos que conto dentro da redacdo, a
largueza da sua reportagem, a mais field das que sai-
ram a public, sobretudo muito mais fiel que a da
Provincia de Angola que designou as minhas pala-
vras por um 4 desatar de catilinarias),

















Senhor Presidente e meus senhores:


Pedi a palavra para antes da ordem da noite, porque
desejo salientar aqui nesta sessdo t6do o meu desgosto
pela forma como vejo a Direcao da Associaco Comercial
conduzir-se naquilo que enfaticamente e a miude, design
como defeza dos interesses da classes.
Antes, por6m, de iniciar as minhas consideracbes, quero
frizar, para cortar cerce a possibilidade de muitas mais
mexeriquices, intrigas ou desvirtuamentos, em que 6 fertil
este meio de rafeiros, quero frizar, repito, que conto
dentro da DirecCo da Associacao Comercial de Loanda
alguns dos meus melhores amigos, dos mais intimos e dos
mais prestimosos, e que 6 dessa Direccao president um
home que tenho como um brilhante ornamento da classes
commercial, bastante inteligente e bastante culto, cuja sub-
stitui9do no honroso posto se me afigura dificil, No en-
tanto, nern essa circunstAncia nem quaisquer outras, podem
fazer calar no meu intimo, aquelas considerag9es de justi-
ga, que reputo indispensaveis, para urna autentica defeza
dos interesses da classes e dos interesses da Provincia de
Angola
Limito-me pois a proceder coin a correcdo e nobreza
que oxalA sempre os meus adversaries usassem comigo.

Senhor Presidente e meus senhores, -- V. Ex.as conhe-
cem t~o bern como eu a ciise dificilima que as forcas eco-
nomicas de Angola vem atravessando hi jA dois longos
anos, como conseqUincia fundamental e quasi iinica dos
desvarios dum louco que a inconsciencia e a cobardia ge-
rais, deixaram tomar as propor6es que tomou.
V. Ex.as conhecem desde entao, o crit6rio e a orien-
tagdo da Direccao da Associag9o Comercial de Loanda,
quer perante actos que desde logo deviam ter sido repro-
vados, quer perante aquelas situacOes economics, finan-
ceiras ou political que depois se sucederam, criando todas
as dificuldades de que nos queixamos presentemente.







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Comecarei por dizer que essa orientacgo foi sempre
ma, errada, contraproducente, e quasi s6mente se inspirou
em m6ras paixoes pessoais, atribiliarias, dentro dum parties
pris condenavel, dentro dum egoismo pr6prio de vontades
que em regra se esquecem dos outros para s6 se lembrarem
de si mesmas.
Quando da reuniao magna das associac6es comerciais,
agricolas e industrials da Provincia, a posigio da DirecFdo
da AssociaCdo Comercial de Loanda e at6 da mesma reinido
magna que promoveu, era desesperada e dificil.
Isolada de quaisquer reladoes diplomaticas quer corn
o Governo da colonial, quer corn os ministros da Repii-
blica, quer com o Banco Emissor, quer at6 corn o Chefe do
Estado, o caminho que restava as f6rgas econ6micas era
positive e logicamente o da revolugao A mdo armada.
Foi necessario estabelecer nova plataforma de nego-
ciagces quer dentro da colonia, quer f6ra. E estas solu-
9es vieram de elements extranhos & Direc9Io da Asso-
ciagio Comercial de Loanda, que imperita e lamentavel-
mente cridra um tal gachis, provando mais uma vez o seu
pouco tacto e habilidade.
O problema das transferencias mereceu por parte da
Direcqao da Associagco Comercial um vivo tiroteio que
nem sempre foi just e poucas vezes foi habil ou pr6prio
de homes de saber, Falando e escrevendo a Direcg~o da
A. C. L., quer por si, quer pelo seu Presidente, chegou
a sustentar verdadeiras heresias financeiras, que ndo po-
dendo atribuir a falta de inteligencia ou sciencia em ho-
mens que tenho seguramence como cultos e inteligentes,
tenho que as registrar como filhas da paixao que lamen-
tavelmente ter cegado tam belos espiritos.
Em vez de tais heresias e em vez de pretensas falen-
cias do Banco Emissor, o assunto conduzido no finico sen-
tido em que 6le podia ter solucAo imediata, visto o mani-
festo desequilibrio da balanga de pagamentos da Provincia,
-a entrega. por parte dos exportadores de 50 ou 75 por
cento das suas cambiais e a funqgo dum primio de trans-
ferencia flutuante a regular a oferta e a procura, teria
trazido resultados reals, positives, em favor da classes que
represent.
Mas, ha mais. Agora mesmo que ura outra dificul-
dade mais grave, mais seria, de piores consequencias, surge
a aniquilar o esf6rco das classes economics, a cessacqo
absolute, por parte dos Bancos, de t6da a funcgo de cr6-
dito, que Ihes pertence exclusivamente; agora que o cam-
bio desce e desce rapidamente, quebrando, sem tempo







9

para grandes defezas, 50 o/o dos valores do active comer-
cial, agricola e industrial, quando, na maioria dos casos, o
seu passive se conserve no mesmo valor poi ser constituido
em escudos; agora que o problema das transferencias 6
ainda um problema irresolvido; agora que o Gov6rno e
os Municipios, inoportunamente, pensani na actualiza9go
dos impostos, agora que a capacidade tributiria das f6r-
gas economics deminui consideravelmente; 6 neste mo-
mento que a Direc9ao da A. C. L., alheiada dos nossos in-
teresses e das nossas dificuldades, se lembra de reniir uma
assembly a geral para Ihe inpingir um project de lei que
mais vem embaragar a nossa situag~o, talvez apenas
inspirada, como sempre, naquelas razoes pessoais e apai-
xonadas que nao sao as razoes da classes, nem da nacio.
A Direccao da A. C. L. 6 incapaz de perceher que to-
dos os factos apontados ameagam de ruina iminente as
f6rcas economical cujos interesses represent; nao percebe
que a ruina das f6r9as economics 6 a ruina da col6nia,
porque embora pese ao nosso sentimentalismo romantic,
nao 6 corn o lucro dos pensionistas do Estado ou dos Mon-
tepios que se faz a prosperidade dum pais, porque aqueles
nao representam actividades produtoras, mnas apenas acti-
vidades consumidoras de riqueza.
Um gov6rno bem esclarecido nunca p6de alheiar-se da
situagdo das f6rcas economics: e, estas. em Angola, estio
a caminho da ruina.
A brusca valorizacgo do escudo, a suspens-o do cre-
dito, a inexistencia das transferencias, a rarefacqao da
moeda, apenas beneficiam o argentario, o avarento e o
agiota. Os homes de trabalho, aqueles que tem sempre os
seus valores-dinheiro empregues em coisas, em coisas que
ora sao as terras para a cultural agricola, as fabrics para
a transformacn o da mat6ria prima, os estabelecimentos co-
merciais para a distribui~go dos produtos; os homes que
pela sua actividade e iniciativa criam, transformam e dis-
tribuem a riqueza, esses perdem, e, corn 6les, perde a pr6-
pria na9Co.
Apesar desta verdade axiomtica em que pensa a Di-
recq9o da Associagao Comercial de Loanda, que s6 agora
se lembra duma assembl6a geral para tratar do agrava-
mento duma contribui5o ?
Parece que, dominada por um extranho horror das
mesmas assemblies, dispensa o seu parecer e a discussao
corn os seus consocios, nos quais nio posso admitir pretend
ver entidades nulas ou passivas. E se assinj nao e, porque
6 que a Direc9io da Associa go Comercial de Loanda que,







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em tam long period de ger6ncia, ainda nio registou ne-
nhum triunfo, nenhuma solugco para as imensas reclama-
C6es da classe,-nao convocou a assemblea para sincera-
mente Ihe exp6r a causa dos seus insucessos e pedir-lhe as
directives ?
Ah !, sempre, sempre, a paixdo, o pessoalismo, levado
a extremes em que o raciocinio, a ponderacao, e a justice,
deixaram de ter dco em suas consciencias.
Eu desejaria, pois, que a Direcqco me explicasse o
acerto dos seus ditames, para que eu nio tenha razao no
que digo. Eu desejaria saber o motive porque sistematica-
mente acusa o Banco Emissor, fazendo afirmac6es gratui-
tas, acusando sem fundamento, espalhando heresias finan-
ceiras que eu nao posso admitir como sinceras em homes
que sei conhecedores da materia e quando at1 me nao seria
dificil demonstrar que ja haviam afirmado, por escrito,
principios diametralmente opostos.
( 0 Banco Emissor ten defeitos ? A Direcqao da A C.L.
nao os ter menores. A razio nao esteve sempre deste lado.
Estou disposto, aceitaria cor agrado uma controversial em
assemblea geral, em demonstragco do que afirmo.
Mas ainda que isto assim nao fosse, eu pergunto, ba-
seado em que raciocinio e em prol de que interesses con-
vird sustentar uma luta que logicamente a nada nos p6de
conduzir, que praticamente a nada nos levcu ?
Eu j~ fui acusado de receber avultada soma do Banco
Emissor para Ihe fazer nio sei que defeza. Estou habituado
a tais infamias.
Os suinos nao podem compreender a beleza soberana
dum ceu estrelado, porque a natureza condenou-os a fuCa-
rem esterqueiras.
Passo sereno e continiio o meu caminho.
Lamento ter de censurar a Direcqio da Associacao
Commercial; preferiria fazer o elogio do seu esf6rco. Nao
posso. Reconhe9o que ter agido mal. agido contra os in-
teresses da classes que tinha por obrigacao defender, e, por
isso, desejaria ter nesta assemblea o scu depoimento sincere
e claro.
Disse.


















Como a Provincia de Angola reconstituiu a resposta do
sr. Galileu Corr6a, que aqui transcrevo, para facilitar a
compreensdo da minha replica, que sendo uma resposta ao
que &le disse, referir-se-ha poiventura a pontos que nao
estio nesta reportagem:

0 sr. President da Direca0o, expondo o que tem
sido o trabalho e os esforgos desta

0 sr. Galileu Corria, que tem torado notas de algumas passa-
gens da interpela9ao do consocio orador, responded em nome da Di-
recaio da A. C.
Congratula-se pelo ataque porque Ihe proporciona fazer um
pouco de his.oria dos esforgos e trabalhos da Direciao para ate-
nuar e evitar as circunstancias presents.
Refuta o c6rte de relacocs corn o Gov6rno e corn quaisquer
entidades. A Direco tern sido uma fiel tradutora dos interesses
da clause. Tem promovido todos os esforcos ao seu alcance para
os remover e o insucesso de que 6 acusada demonstra simples-
mente a gravidade da situacio e a irredut+bihdade de quem a po-
dia modificar ou atenuar.
Rebate depois que a Direc9io da A. C. tivesse afirmado al-
guma vez ou em qualquer altura que o Banco Emissor estava
falido. Pelas actas se vera que a Direcy9o teve sempre o cuida-
do, a prudencia, de nao fazer afirma96es dessa natureza. mas s6
as que tambem frisou um ilustre parlamentar que o sr. Alberto
de Lemos muito bem conhece, no seio da DirecgAo da A. C. e
constantes do sea ]ivro de actas.


A restriSao de crdditos tem sido, depois das transferencias, a
preocupa.go mAxima da Direccao. Quantas cogitay5es, quantas
d6marches junto do Gov6rno, no Conselho Legislativo e junto das
associa9ies cong6neres! At6 hoje a DirecAo depois de ter feito
sentir ao Estado que a sua divida aos fornecedores orga por
28:000 contos, s6 conseguiu que f6ssem aceites os titalos por li-
quidar no pagamento de direitos alfandegarios e dos fretes do
Caminho de Ferro. Faz notar que s6 agora essa concessdo foi fa-
cultada a exportado e que pela primeira vez 6 concedida no Ca-
minho de Ferro, na carga descenac;nte.
S6bre a critical situagio das pragas comerciais da col6nia,
ainda a instancias suas. o Sr. Governador Geral mandou na se-
o gunda-feira ultima um telegrama para o Sr. Alto Comissario.
Tambem ja tratou a Direc9o junto do Governador da proibi-
cao do livre com6rcio das cambiais e do firnecimEnto das mes-
mas dele Gov6rno, tendo-lhe sido ponderada a falta de oportu-
nidade paia tratar, nesta altura, dresses assuntos.








T2


Mas ha outro caf.o mais grave, a que o sr. Lemos nao alu-
diu e vem preocupando a Dirccqro. Nao sabe porqu6 estao para-
lisadas as rela9es comerciais dumas pragas para as outras. da
Provincia. Nao sabe o qne gira em volta deste caso de alta gra-
vidade, nem cogita os seus objectives. Sabe que vem asfixiar por
complete as transa96es !

Quanto is rcsolugoes da Reuniao Magna: as suas delibera-
cbes foram cometidas a um organism que saiu dessa reunion -
0 Conselho Econnmico, cujas actas foram mandadas imprimir para
serem tornadas publicas.

O sr. Lemos p6de nio concordar corn a orientagio da Di-
reccgo por a nio julgar a melhor. Mas ela ter satisfeito os com-
promissos da classes e as outras as-ocia6^es cong6neres, como
prova o telegram que a Direcqao acaba de receber das Assocla-
q9es Comerciais de Benguela e Lobito-Catumbela, que pede para
ser lido.

A perspective dum novo movimento 0 apilo
das Associaq6es do Sul

Diz o telegrama, recbiido no dia To do correne :
Governador Banco responded. textualmnenle: Circulafdo fiducid-
ria havendo atingido limit' legal man grado nosso iorposo manter
todo rigor determinaFpes dadas. Sentimos transtorno causado comnr-
cio mas Banco carec. conmptencia para adoptar qualquer outro pro-
cedimento. Cumprimentos. SiituaC o gravissima. Banco izdo hesita
lanfar comdrcio na ruina complete. Por outro lado o Govero abso-
lutamente indtferente ndo procure solucdo. Convem tcmar resolupdes
as mais inergicas e coagir quem competir a adopter medidas conve-
nientes para obrigar o Banco ao cumprimiento dos contralos e da sua
missdo, Alvitramos Provincia suspender todas as transacdoes corn o
Banco limitando ao absolutamente indispensavel o despacho nas al-
fandegas e as relap6es corn as outras report.Pdes do Estado. Peds-
mos a essa Associapdo exponha modo de vEr e oriented movimento,
Associaqdes Comerciais de Benguela, Lobito-Catumbela.






Ncta LUmos no journal A Epoca que o sr. Ministro
das Colonias, declarou que a circulagao do B. N U. em An-
gola atingia ji 52.000 contos, Portanto, a circulaco estd
excedida em 2.000 contos, o que com os 30,000 contos em
c6dulas perfaz 32.000 contos.

















Senhor Presidente e mcus senhores:


V. Ex.as ouviram as palavras do sr. Galileu Correa,
ilustre Presidente da Associagao Comercial de Loanda.
Por elas, se V. Ex.as nao fosser, alkm de ouvintes neste
moniento, testemunhas presenciais dos factos corn que
acusei a Direcgao da A. C. L,, --- teriam a impressed de
que eu false~ra a verdade.
V. Ex,a, senhor Presidente desta assembl6a, faz parte
duma comissao que saiu duma proposta minha, reforcada
depois cor outra do delegado da As:ociacao Comercial de
Benguela, para se entender diiectanente corn o Gov6rno
da col6nia ou < e isro foi assim
escrito para nao assustar o horror do sr. Galileu Correa ao
Banco Nacional Ultramarino, mas as outras entidades nao
eram senao &ste, -cujas demarches, pela forira conio f6-
ram conduzidas, morreram ap6s tr6s palestras com o En-
carregado do Gov&rno Geral de entdo. V. Ex.a sabe bem
que nunca mais fomos convocados, apesar dos factos que
se sucederam e apesar de nada ainda se ter realisado no
sentido de satisfazer inteiramente o mandate que nos foi
confiado. E quem tinha o dever de convocar essa comis-
sdo, visto que era o seu Presidente, senao o sr. Galileu ?
Diz este senior nunca ter afirmado a falncia do
Banco Emissor. E eu replicarei que, se a memorial me nao
atraicoa, li essa afirmacao ou insinuacao ou ainda coisa que
o valha, na tese por ete senhor apresentada na assembl6a
da reunido magna das Associag6es Comerciais e Agricolas
de Angola, que lamento nao ter a miao para reproduzir
exactamente.
Disse mais o senhor Presidente que a DirecCdo da As-
socia~go Comercial de Loanda, muito tem cogitado e deli-
genciado para resolver o problema das transferencias, do
credito, etc. E pena que Suas Excelencias tenham perdido
tanto fosforo nessas cogitag6es, sem que at6 hoje n6s re-
gistemos alguns resultados desse dispendio. V. Ex.as nao
duvidario, ao menos, que devem ter cogitado mal, muito
mal nwesmo, para que, ap6s dois anos, nada tenham con-
seguido, nem nada esteja a caminho de conseguir-se ?








14


Afirmou o sr. Galileu que por virtue de certas restri-
c5es do Banco Emissor nas transferencias dentro da pro-
vincia, Ihe parecia que este queria piovocar a ruina do
com6rcio de Angola. Permitam-me que eu nao acredite.
O Banco Nacional Ultramarino ter hoje tantos interesses
em Angola, representados nao s6 pelas suas funces ban-
carias e de emissor, mas tambem pelos seus interesses nas
companhias, emprezas e sociedades seguintes:
Compa-nhia Agricola de Cazengo,
Companhia Agricola e Industrial da Quijia,
Companhia do Amboim,
Companhia do Acucar de Angola,
Companhia de Cabinda,
Companhia do Congo Portugues,
Companhia do Fomento Geial de Angola,
Companhia Nacional de Navegaio,
Companhia Pescarias de Angola,
Companhia do Cuanza-Sul,
Companhia do Sul de Angola,
Sociedade Agricola da Ganda,
Companhia do Caminho de Ferro de Benguela,
Companhia de MossAmedes,
Companhia dos Diamantes de Angola,
Companhia Pesquizas Mineiras,
Companhia do Petr6leo,
Companhia Minas do Bembe; na enorme Divida de
Angola, que o facto representaria um contrasenso, uma
estupidez que nao 6 de presumir nos seus dirigentes, ho-
mens cultos e inteligentes.

V. Ex.a senhor Presidente e meus senhores, estdo a
ver que em tudo continia a dominar a paixdo, a cegueira,
o tal pessoalismo, que vira forcar V. Ex.as a uma delibe-
raqco mais energica, porque importa nto deixar passar com
justiga a classificacao de carneiros de Panurgio corn que,
no intimo, a Direccao da Associacio Comercial de Loanda,
nos esti designando.
Disse.




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