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HIDE
 Front Cover
 Half Title
 Frontispiece
 Preface
 Expedicao do bie: Apontamentos...














Group Title: Coleccao de relatâorios, estudos e documentos coloniais ; 8a. serie: Relatorios, estudos e documentos diversos näao compreendidos nas outras series; Seccao V: Acontecimentos contemporaneos. Diarios. Memorias ; no. 15.; no. 10.; no. 1
Title: Angola
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 Material Information
Title: Angola expediðcäao do Biâe de 14 de outubro a 29 de dezembro de 1890
Series Title: Colecðcäao de relatâorios, estudos e documentos coloniais |8a. sâerie Relatâorios, estudos e documentos diversos näao compreendidos nas outras sâeries|Secðcäao V Acontecimentos contemporãaneos. Diâarios. Memâorias
Alternate Title: Expediðcäao do Biâe de 14 de outubro a 29 de dezembro de 1890
Physical Description: 40 p. : ill. ; 23 cm.
Language: Portuguese
Creator: Rogado, Josâe Francisco Quintino
Portugal -- Ministâerio das Colâonias
Publisher: Divisäao de Publicaðcäoes e Biblioteca, Agãencia Geral das Colâonias
Place of Publication: Lisboa
Publication Date: 1933?
 Subjects
Subject: Description and travel -- Biâe Province (Angola)   ( lcsh )
Description and travel -- Angola   ( lcsh )
Genre: federal government publication   ( marcgt )
non-fiction   ( marcgt )
 Notes
Statement of Responsibility: pelo Josâe Francisco Quintino Rogado
General Note: At head of title: Repâublica Portuguesa. Ministâerio das Colâonias.
General Note: Cover title.
Funding: Colecðcäao de relatâorios, estudos e documentos coloniais ;
 Record Information
Bibliographic ID: UF00072079
Volume ID: VID00001
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: oclc - 38790802

Table of Contents
    Front Cover
        Page 1
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    Half Title
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    Frontispiece
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    Preface
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    Expedicao do bie: Apontamentos de viagem desde o dia 14 de outubro de 1890 a 29 de dezembro, pelo tenente Jose Francisco Quintino Rogado
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Full Text








RepOblica Portuguesa
Minist6rio das Col6nias

Coleci Ao de Relat6rios, Estudos e Documentos Colonials


ANGOLA





EXPEDICAO DO BIE

De 14 de Outubro a 29 de Dezembro de 1890


DIvisao de PubllcaObes e BibMioteca
Ag9ncia Geral das Col6nlas-R. da Prata. 34-LIsBOA


N.o 115
N.o 1- 8.a 36rie Relat6rios, estudos e do-
cumentos diversos nao compreendidos
nas outras series.
N.o 1 -Secq&o V-Acontecimentos contem-
porAneos. Diarios. Mem6rias.














/ili
( f-r



1)2<>










Expedi9ao do 1Di




Apontanentos de viagem
decade o dia 14 de Outubro
de 1800 a 20 de Dezembro,
pelo Tenente Jos Fran,
cisco Quintino Rogado.


(Com gravuras extraidas de desenhos feitos
pelo autor)




































I.:,
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:.~j~
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0 tenente de cavalaria Jose Francisco Quintino Rogado,
autor destas notas


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CI I




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V.a














Dez anos medeiam entire a promogao a official, em 1889,
e a more, em 1899, do tenente de cavalaria Jose Francisco
Quintino Rogado, autor das notas e desenhos que sao
object desta publicag~o.
S5o dez anos de vida intense; valiosa pelos altos servi-
cos prestados ao pais e nobilisima como exemplo'militar.
Dez anos da Africa tenebrosa de entio, repartidos entire
a conquista, a administrag5o e :o estudo das novas terras,
em que a valentia, a abnegagao, a inteligencia e a Fe se
manifestararm por igial neste soldado de raga.
8 passado ja o tempo da ocupagao military e a Africa de
hoje reflect palidamente 'a hostile Africa de outrora, para
que possamos avaliar bem o mdrito de todos aqueles que an-
daram escrevendo, com o pr6prio sangue, o nome de Portu-
gal pelos sert6es distantes. Mas grandes certamente, e gen-
tis espiritos, eram esses que abandonavam a metrdpole numa
epoca de paz .e ociosidade, para buscarem trabalho e riscos
sem esperanga de grossa ou mesma pequena fortune.
0 espirito military nao e uma ficiao, e sao-lhe inerentes
as mais altas qualidades. Assim, esses herdis de Africa, que
o possuiram em absolute, procuraram por uma 'ocupacgo di-
gna de soldados A GUERRA satisfazer a ambigio alta
de acrescentarem ao pequeno Portugal da Europa um torrio
mais, Alem-Mar.
Quintino Rogado, tenente do exercito de Portugal, fre-,
quentou o Coldgio Militar, a Escola do Exercito, e ap6s uma
curta demora no regimento de Lanceiros, partia para Africa
em comissao das Obras Puiblicas. Pouco depois da sua che-
gada a Luanda, organizou-se a expedigao ao Bid. Pede para
fazer parte da expedig5o, mas surgem dificuldades burocra-
ticas, 'por star em comissao civil. Consegue demovd-las,.
sendo requisitado para official as ordens do Governador
Brito Capelo e transitando dai para as tropas da expedigao.
Finda a expedi~ao, e condecorado corn a T6rre Espada e
vem a Portugal com seis meses de licenga. Volta a Africa,
Comandante do Esquadrao de Drag5es do Planalto. Em De-









zembro de 1892 o entao Governador do Distrito de Mossa-
medes, Martinho Montenegro, em carta desta data encar-
rega-o de organizer uma expedigao contra os Hotentotes,
que infestavam o distrito. Dizia assim o Governador Monte-
negro: < a sua petifgo de licenga. Encarrego-o agora de organizer
uma expedicao contra os hotentotes, de ac6rdo cor o Ma-
jor Artur de Paiva... Confio-lhe esta espinhosa comissao...,.
Do resultado da expedigao di-nos noticia o journal 0 Se-
culo, de 9 de Margo de 1893, que diz: mais brilhantes resultados a expedigao enviada contra os
Hotentotes, que constantemente saqueavam as fazendas dos
Europeus do Distrito de Mossimedes.
A expedifao era comandada pelo Alferes Quintino Ro-
gado, comandante do esquadrio de Drag6es>>.


i t
*

Pouco depois de dominar os Hotentotes, sublevaram-se
os Mandombes, fazendo constantes razias pelo Distrito. .
Quintino Rogado quem comanda as tropas que submeteram
os revoltados. Seguem-se uns anos de relative calma, ate
a campanha do Humbe. Quintino Rogado era chefe dos
Campos da Humpata, nomeado pelo major Artur de Paiva,
que desempenhava o lugar de chefe da Colonizafio branca
do Planalto, e dedicava-se A administrag5o e ao levantamento
da carta da regiao. Foi em seguida Chefe do Concelho dos
Gambos, e e nesta situag5o, que o major Artur.de Paiva,
nomeado comandante da expedigao ao Humbe, levou o seu
colaborador que ganhou nessa acgio a medalha de valor
military.
0 Jornal do Comercio de 10 de Margo de 1898, referia-se
assim A campanha do Humbe: Vit6ria do Humbe-o
sr. Ministro da Marinha e Ultramar recebeu ontem Este te-
legrama do sr. Governador Geral de Angola: gou em 23 ao Humbe, tendo derrotado o inimigo, que sorfeu
grandes perdas. 0 Soba fugiu. Foi preso o chefe de guerra
Cuamato. 0 gentio pede paz. Massacres durante os com-
bates>.









Telegrama de resposta: El-Rei e o Gov6rno... felicitam
tropas, sua intrepidez, etc...,
Estaua pois vingada a more do valente e desditoso ca-
pit~o de, cavalaria Conde de Almoster e dos seus infelizes
companheiros... 10-3-1898 Jornal do Comercio.
Quintino Rogado volta aos Gambos. Comega a agitar-se
o gentio do Mulondo.
Artur de Paiva encarrega-o de ir em missao official paci-
ficadora ao Sobado do Mulondo. Varios objects entregues
ao Soba, nessa embaixada de paz, estao hoje na Sociedade
de Geografia, porque the f6ram apreendidos depois, em
1906 (depois do desastre do Cunene), pelo Comandante
Alves Rogadas. Mas essa viagem ao Mulondo foi uma ca-
racteristica viagem da' Africa Antiga, cor todas as contra-
riedades e "sofrimentos ingldrios que a civilizagao f[z recuar
e esbater por tal forma, que hoje se nos afiguram inacre-
ditaveis.
Ao clima mortifero juntavam-se as dificuldades sem nit-
mero, e uma das que mais se fez sentir foi a falta de agua,
a ponto de se terem de abrir covas no chio para se conse-
guir a necessaria, para se nao morrer de sdde. Mas essa
agua, que a natureza assim tao avaramente cedia, era suja
e barrenta e os rnicos filtros eram os lengos! Como estio
distantes asses tempos!...
E essa viagem foi a sua more. Chegou aos Gambos e,
poucos dias decorridos, adoece com uma biliosa, a qual su-
cumbiu ao fim de 4 dias, em 19 de Outubro de 1899, intei-
ramente desamparado de assistencia medica e nem sequer
os medicamentos mandados pedir pela familia ao Coronel
Artur de Paiva, que se encontrava na Humpata, chegaram
a tempo de the serem ministrados!
Mas essa doenga nao foi adquirida em servigo de cam-
panha e por isso o Estado julgou-se quite para com o te-
nente Quintino Rogado, abandonando i sua sorte a viiva,
que nao tinha outra riqueza alem de seis filhos menores, o
ultimo dos quais heveria de nascer 4 meses ap6s o seu fa-
lecimento!-.
0 tenente Quintino Rogado foi sepultado na missaio do
Tchiepepe, onde permaneceu ate 1922, ocasiao em que fui
prepositadamente proceder i enxumagao da sua ossada. E







8

a viagem de tres dias atraves o sertio ate a Humpata, que fiz
a cavalo, acompanhado de cinco pretos, dois dos quais trans-
portavam a urna corn a ossada de meu Pai, teve qualquer
coisa de macabro.
S&o passados 34 anos e 6 a primeira vez que um orga-
nismo official, a Agencia Geral das Col6nias, se preocupa
com a sua mem6ria, tomando a iniciativa da publicagao duns
apontamentos ilustrados, da sua autoria e que achou inte-
ressantes!
Por ela a merecida gratidso a Divisao de Publicaq6es
e Biblioteca desse organismo, da viva ,e dos seis [ilhos
do tenente Quintino Rogado.
Lisboa, 9 de Novembro de 1933.


ARTUR QUINTINO ROGADO

Capitao de Engenharia
Antigo Governador do Distrito de Benguela














EXPEDICO DO BIE

Apontamentos de viagem desde o dia 14 de Outu-
bro de 1890 a 29 de Dezembro, pelo Tenente Jos6
Francisco Quintino Rogado.

14 de Outubro.
Ficamos acampados na margem E. do R. Calimahala
por nos constar que a 6 h. de caminho se achava uma f6rqa
de 54 homes, comandada pelo Sr. alferes Fernandes; foram
mandados 1 cabo e 3 soldados do esquadrao para ir de
encontro a f6rga. Houve intimaCio a 3 libatas que estavio
perto para fornecer milho, bois, porcos, etc..
15 de Outubro.
Continuamos no mesmo acampamento do dia antece-
dente. Pelo meio dia avistou-se ao longle a fo6ra e era pas-
sada ja a 1 hora quando chegou ao acampamento, trazendo-
-nos um desertor que nos tinha fugido o qual foi severa-
mente castigado (100).
16 de Outubro.
Levantamos campo as 7 h. da manha, as 10h,10 o acam-
pamento estava formado na margem E. do R. Quando pe-
queno. A 1 hora tornamos a levantar acampamento; assim
que come.mos a marchar .embrenhamo-nos logo numa flo-
resta e s6 as 5 4e que saimos delay, deparando-se entio
cor um enorme descampado que se declinava suavemente
ate o Rio Cunene, que comparado cor a largura e beleza
no ponto onde vimos este rio pela primeira vez, diferen-
gam-se como a noite do dia. Aqui parece o Cunene um ria-
cho cor as suas margens lamacentas, igual a muitos outros
que temos deixado ficar para tris.
17 de Outubro.
Neste dia nao 1evantamos acampamento, porque se gas-
tou o tempo em .arranjar a passage no Rio Cunene.







10

18 de Outubro.
Era meio dia quando se comecou a march e 5 minutes
depois ja o primeiro carro tinha chegado a passage feita
s6bre o Rio Cunene. Atravessou-se a Inhala ou Anhara,
descampado que ficava do outro lado do Rio e talvez 20 mi-
nutos depois estavamos ja na floresta que percorremos ate
as 3 horas, hora a que acampou o primeiro carro. A floresta
era um pouco densa, mas n6s percorremo-la segaindo quasi
a orla. AcampAmos na margem dum pequeno riacho que
forma uma das muitas nascentes do Cunene. Estavamos ji
no Pais do Sambo.
19 de Outubro.
Domingo desoang8mos.
20 de Outubro.
Eram 6 horas da manhd ja eu estava a caminho, pois
sou hoje quem vai na frente para abrir caminho. Assim que
saimos do acampamento entramos numa floresta, atraves-
sando-a encontrAmos various cor palntacges de
mandioca e vestigios de termm plantado milho. As 7 horas e
25 minutes saimos da floresta e achimo-nos numa inha-
la> (1). Fomos percorrendo um riacho de margens lama-
centas, ate o ponto em que n6s poderiamos construir uma
passage e eram 7 horas e 37 minutes quando ai chegamos.
A esquerda e A direita do caminho encontramos uma l
de cada lado: a que nos fica A direita estA muito perto da
passage e o gentio dos nossos homes e neste
moment vEm Eles com (bebida gentilica feita de
milho pisado) e >, para os nossos homes. Con-
cluida a passage, novamente nos metemos na floresta e
estive abrindo caminho ate as 3 horas da tarde, moment
em que entramos numa onde se formou acampa-
mento.
21 de Outubro.
Levantamos o acampamento, eram ja 1 hora e Y da
tarde; assim que os primeiros carros se puseram em march
uma torrencial chuva caiu s6bre n6s e durou talvez / de
hora, mas passado este tempo abrandou um pouco, chu-
viscando ainda assim o resto da tarde e uma parte da noite.


(') Falta no original.







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Durante o trajecto passamos sempre por uma floresta, ora
quasi pela orla, ora embrenhando-nos no meio dela.
Eram 2 horas e 35 minutes saimos da floresta e uma
alegre surpresa contentou a minha vista: A said da floresta
o terreno descia ate ao Rio (1) e ai subia novamente, um
pouco a direita do caminho que seguiamos esta um morro
ou elevagao de terreno nao muito grande onde esta colocada
a do povoa4ao 6 bonito, pois estA colocado em anfiteatro e dA
aspect de uma perfeita Vila. O soba grande soube da nossa
chegada, encheu-se de terror, bem como t6da a gente, pois
tinha sido Ele que nos tinha ameagado fazer guerra. P6s
tudo quanto quisessemos ao nosso disp6r e a sua gente
veio fazer neg6cio vendendo-nos (2) farinha, milho, etc.,

.* *










etc.. Foi intimado a pagar 100 casungais -de milho e 5 bois,
o que cumpriu religiosamente.
Eram 3 horas da tarde e ji estava a expedi4io acampada
perto da .
22 de Outubro.
Neste dia nio marchAmos, porque tinhamos que receber
do soba o milho e os bois que exigimos, e mesmo n6s
precisAvamos de fornecermo-nos de tabaco e outras cousas.
Depois de feito o servigo da manha no acampamento, obti-
vemos licenga do comandante para irmos A > (3).
Eu nio pude center a minha curiosidade; assim que apanhei
ocasiao fui logo. A povoagio interiormente pouco ,em harmo-

(') Falta no original o nome do rio.
(') No original: vendo-nos.
(3) Substitui .







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nia com o aspect que apresenta ao long; estava muito
pouco asseada e os caminhos que conduziam as diferentes
estavam *em pouca ordem. Debaixo do ponto de
vista estrategico (1) e de defesa nada apresentava de notAvel
e at6 se pode dizer que nenhumas condig6es para isso tem,
cousa que e6 para admirar porque o gentio e muito cuidadoso
na construcgo das suas habitac6es, dando-lhe sempre uma
forma, a maneira de sempre se defenderem bem, causando
grande dificuldade na entrada do atacante. Eu percorri-a
quAsi t6da e fiz neg6cio, comprando mel, tabaco, peles de
onga, cabra, chacal, etc., dando em pagamento moeda cor-
rente do sertdo:


J-';-








Z.b/n 'Qrsn Aff d a d/ Z.edo 1 1,o AO /

Neste dia houve uma pequena alteragdo na boa ordem,
mas foi sufocada com severe castigo. Uns auxiliares maras foram & Libata e roubaram ao gentio algumas rou-
pas, e sendo intimados pelo seu deles jogou o porrinho A cabega fazendo-lhe uma funda
ferida; foram agarrados e rigorosamente castigados.
0 soba do Sambo 6 um home ja de idade madura,
talvez seus 50 a 55 anos, mais alto que baixo, e seco; quando
nos viu mostrou admiraqio e muito receio e a medo nos
falava. Nada mais houve digno de mengao.
23 de Outubro.
A 1 hora menos Y jA todos os carros estavam em movi-
mento e abandonivamos o acampamento formado junto da

(') No original: extrAgico.







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Libata, ,tomando o caminho para o E., atraviessamos sempre
um caminho arborizado, e o terreno apresenta ondulac;es.
As 3,42 horas estavamos acampados numa encosta que
forma uma linha , encontrando-se corn a outra que
nos fica na frente e que temos de subir.
24 de Outubro.
As 6 horas e V comeCou a march, ou a ascencho da
encosta que nos ficava na frente, e eram ja 8,20 .horas
quando a expedicao t6da ,estava no cimo do planalto. 0 ter,
reno que atravessmnos era muito arborizado e pouco havia
em que o mato era espesso. As 10 horas e 20 minutes come-
C;mos a avistar A esquerda do caminho varias libatas. Ao
meio dia estivamos acampados; de uma das libatas veio o
sobeta trazer-nos presents, das outras negaram-se, sofrendo
por isso como castigo o enviar-lhe o capitdo Teixeira da
Silva com uma f6rga, cor ordem de trazer o que lI encon-
trasse, ficando eles sem um grande nimero de cabras, milho,
feij~o, sal, armas, etc.. As 2 horas levantAmos o acampamen-
to, caminhando senpre at6 As 6.30 horas da tarde, hora a
que se acampou na margem E. do Rio Cubango; As 6,19
horas atraviessava o vau o iltimo carro. O caminho per-
corrido durante a tarde apresenta o mesmo aspect que o
da manhg.
25 de Outubro.
Como .estava de servido ou nomeado para abrir caminho,
pus-me em march cor a minha gente As 6 horas da manhi
para o fastidioso trabalho de mandar cortar as Arvores da
floresta e arranjar passagens nos rios. Os terrenos nao tem
sofrido variag6es; florestas, descampados, mas quasi tudo
piano ou cor pequenas elevac6es; avistamos algumas balas>.
As 3 horas e 2 mandei fazer alto aos trabalhos e 1/
hora depois chegavam os primeiros carros, e As 4 horas e
4 estava formado o acampamento.
26 de Outubro.
Domingo descangmos; As 4 horas menos Y da tarde
caiu sabre n6s uma chuva torrencial que durou ate As 10
horas da noite.
27 de Outubro.
A 1 hora da tarde levantamos acampamento debaixo de







14

uma torrencial chuva que comerou as 10 horas da manh5
e abrandando das 2 horas da tarde em diante. A caminho
por algumas pequenas dulacles. Eram 5 Y horas da tarde quando acampamos
numa grande 28 de Outubro.
Foi Este um dia para mim cheio de acontecimentos. Es-
tava na qualidade de official de service ao acampamento e
por isso fui avisado pelo sr. capitao Teixeira da Silva de
que uns tinham (1) entrado no acampamento cor
2 crianqas para vender; muito depressa me levantei e sai da
minha barraca, levando um interprete comigo para dizer ao
gentio que saisse imediatamente do acampamento e que se











Urma e onk yen/ics Joi, o. ?/io Ca/imsaAa/
lA voltassem a querer negociar corn criancas, que o man-
dava chicotear. Eles retiraram-se, mas pouco depois fui pre-
venido de que estavam na floresta pr6xima esperando
algu6m para tentar negociar; mal soube da noticia dirigi-me
para o lugar que era na rectaguarda do sitio onde estava
acampado o a Estes soldados para disfarcadamente os cercar e prender:
assim foi; o gentio caiu no laCo e a maior parte foi prEsa
inclusive um rapaz e uma rapariga que Eles queriam vender
que nao teriam mais de 6 a 7 anos, levei-os a presenga do
comandante que Ihes ordenou que se retirassem imediata-
mente, deixando ficar os rapazes no acampamento. Depois
fui tratar do enterro de dois soldados pretos que tinham
falecido durante a madrugada. Mandou-se abrir duas sepul-


(') No original: Tinha.







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turas a alguma distAncia do acampamento. e cor t6das as
honras (1) militares prestadas, descancaram na < eterna>. Seriam 9 1 horas quando vejo aproximar-se do
acampamento alguns negros trazendo A frente quatro criangas
de 7 a 9 anos (3 rapazes e 1 rapariga), era uma outra comi-
tiva que vinha vender getne; fui logo avisar o comandante
deste novo facto e deu-me ordens de fazer o mesmo que
tinha feito aos primeiros. Mandei um lingua dizer que se
aproximassem de n6s para fazer neg6cio e uma ordem ao
sargento do Esquadrio para que, cor os soldados deste, os
cercassem pela rectaguarda. Eu aproximei-me fingindo que-
rer negociar, para desviar a atencAo dos negros e nio repa-
rarem na gene que se juntava A roda deles. Fingindo con-
tratar dois dos rapazitos, vi a indiferenca cor que um negro
vende o seu semelhante e a resignaCio do escravo que tem
a consciencia que vai ser vendido; foi depois de dar esta
prova bem patente aos soldados brancos e pretos que pro-
nunciei a palavra <. Num moment caiu tudo s6bre
o gentio prendendo-os e apresentou-se ao comandante que,
cor a costumada'prudencia, limitou-se apenas a dizer que
deixassem os rapazes no acampamento e se afastassem para
bem long, e nio viessem mais vender gente. Foram corri-
dos pelos nossos soldados. Estavamos almogando quando
na floresta vimos flutuar a bandeira portuguesa. Era a expe-
dicgo Couceiro que voltava a Benguela depois de ter cum-
prido a missao de que o Governo a encarregou. Tivemos
regozijo no acampamento ,e muito mais por Este official seguir
connosco ate o Bie.
A 1 hora e meia levantAmos campo e acampamos na mar-
grem D. do Rio Cutato, em frente na outra margem ficam ja
as terras do Bie.
29 de Outubro.
Logo pela manha, As 6 horas, estava a caminho para as
libatas pertas (sic) do nosso acampamento para obtermos
milho para a nossa gente. Depois de fazer a vista a duas
libatas e obter o milho necessario cheguei ao acampamento
as 10 horas. Outros oficiais tinham ido para a outra mar-
gem do Rio Cutato corn o mesmo fim e como era ja terreno

(') No original: horas.







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inimigo por ser ja terras do Bie, trouxeram como presa de
guerra armas, arcos, flechas, zagaias, etc., que foram ven-
didos em leilao. Depois do alm6go, os carros comegaram a
passar para a outra margem do Rio Cutato para ali formarem
acampamento; o ponto escolhido era uma rampa de 30 me-
tros de comprimento, tendo de alto talvez 10 metros, resul-
tando os carros precipitarem-se, corn grande velocidade, por
ela abaixo, mas como o terreno era arenoso, Ele pr6prio que-
brava grande parte da velocidade. Acampamos do outro
lado e fichmos. Hoje faleceu mais um soldado preto, e, se-
gundo opiniao m6dica, de uma peritonite. O capitdo Cou-
ceiro mandou a sua gente para Benguela e agregou-se A
expedicgo.
30 de Outubro.
Passado o Rio Cutato, ja nos consideramos no Pais do
Bie e, portanto, em territ6rio inimigo. As 9 horas marcha-
mos e atravessAmos terrenos mais ou menos ondulados,
arborizados ,mas cor arborizagio rara ou pouco copada,
e algumas Inhalas atravessAmos.
As 12 horas descansAmos para tornarmos a partir As
2 horas, e As 5 horas da tarde estavamos acampados entire
duas Embalas. O gentio, A nossa chegada, abandonou a Em-
bala que nos fica A direita, recolhendo-se na grande (da E.).
O soba foi intimado a dar-nos 4 bois, mas como se recusasse
terminantemente foi preso, o que causou grande indignacio
na sua gente, a ponto de os resolver a atacar-nos.
Da outra libata tirou-se o mantimento
necessario, tanto em generous como em animals.
31 de Outubro.
As 9 horas marchamos e eram 10 horas talvez, passA-
mos por uma grande Libata e a mais bonita que tenho at6 ao
present visto. O gentio ao ver aproximar-se a expedicao
fugia em debandada, abandonando tudo. N6s entramos la
dentro para nos certificarmos do facto e tivemos ocasido
de a examiner bem. Hortas com tabaco, bananeiras, cana de
agficar, etc.. A 1 hora do dia acampAmos. Eram 8 V horas
quando os auxiliares daniaras trouxeram ao Sr. Comandante
3 pontas grandes de marfim que tinham encontrado enter-








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radas na libata. Acampimos na margem D. do Cuchi. Nessa
manha tinha vindo o Sander cor dois enviados do soba. -
1 de Novembro (Todos os Santos), primeiro encontro
cor o gentio.
Neste dia estava eu nomeado para o servigo de ir na
frente abrir caminho. Pouco trabalho tive porque o terreno
era arborizado, nao formando floresta densa e s6 durante
a primeira hora e mieia de caminho sendo o restante des-
campado ou formando Inhalas. O capitio Couceiro vo-
luntariamente se prestou neste dia a acompanhar-me, no
que Ihe fiquei reconhecido. Seriam 7 Y horas, passando por
um arimo> vimbs uma grande paligada a nossa esquerda,
entrando nela vimos ser um terreno desta forma fechado,
contend dentro tres sofriveis tindo-nos fugia desordenadamente para a floresta pr6xima
ou outras Embalas> pr6ximas, abandonando tudo, e n6s
como vimos.fraqueza abstemo-nos de o atacar; assim fomos
seguindo ate que as 10 A horas tivemos que fazer passa-
gem sobre um riacho afluente do Rio Cuquema. As 11 2
chegimos ao sitio onde deviamos acampar quando o volun-
tArio ingles < me f&z ver que numa encosta A nossa
esquerda via duas bandeiras e uma aglomerag;o de gentios.
Fizemos alto, iexaminando bem se seriam inimigos, mas tal
nao me passou pela mente, pois desde pela manhi que via-
mos as orlas das matas que ficam distantes, cheias de negros
mas que nio ousavam aproximar-se. O sr. capitio Cou-
ceiro tomou a iniciativa de ir parlamentar e preguntar-lhes
a intengSo; eu opus-me mas como a resolugo era inabalavel,
dispus a gente que comandava em ordem, deixando-a en-
carregue aos sargentos e segui juntamente cor Couceiro;
o terreno a percorrer era perfeitamente descampado, vendo-
-se apenas no horizonte a linha da floresta, mas era ondu-
lado, formando muitas linhas talwegs ;chegados A primeira
linha de cumiadas vimos muito gentio que ia recuando e
fugindo corn a nossa aproximagio. Desconfiamos das suas
inteng6es. N6s levamos connosco um soldado negro que
falava a lingua'Bid, para interpreted, e mais 2 buchmans e
1 zulo que volunthriamente nos acompanharam. Quando ja
estAvamos a uns 900 metros de distancia, o gentio comegou a








18

juntar-se e ouvimos o rufar do tambor Couceiro volta-se para mim e diz-me: cges nao sao boas>. , Ihe respondi. Quanto
mais nos aproximavamos, mais os negros se aglomeravam e
descendo a meia encosta. Chegados a meia encosta de ca,
vimos que um rio nos separava e resolvemos ir ve-lo e cal-
cular a sua largura, mas chegados a margem, estariamos a
100 metros do gentio, ouvimos o 2.0 rufar de tambor e dis-
posiiges hostis da parte do inimigo, chegando a apontar
as armas, para s6bre n6s fazerem f6go; eu fiz ver isto ao
capitdo e estAvamos prontos a fazer f6go sabre eles, se nao
f6sse a ordem que tinhamos do comandante de nao fazer
f6go s6bre o gentio senao em 6ltimo caso, em vista de que
retiramos, pelo que fomos alvo de troca e eles fazerem um
berreiro enorme. Chegados ao lugar donde tinhamos par-
tido vimos o capitao Artur de Paiva que vinha caminhando
para n6s; eu dei-lhe conhecimento do facto; imediatamente
deu ordem que seguisse cor le os oficiais e auxiliares
B6ers e buchmans, formando ao todo o nfimero de 12, uns
a cavalo outros a p6, fomos ao lugar onde encontrimos o
gentio de frente.
Tinhamos ordem de nao dar um finico tiro sem que o
gentio nos atacasse primeiro, mas estavbvamos a 500 metros
quando fomos recebidos por uma descarga geral; da nossa
parte a resposta nao se fez esperar e comecou active tiroteio
de parte a parte e como do nosso lado eram, na maioria,
bons atiradores, na fileira inimiga principiou a cair gente
logo aos primeiros tiros, causando logo confusio e come-
garam a recuar, mas fazendo sempre fogo e em um quarto
de hora talvez 200 negros fugiram em debandada, deixando
no campo 9 mortos. Mandaram-se voluntarios buchmans e
zulos perseguir ate a floresta e na volta trouxeram-nos a
noticia dos mortos e de haver muito rasto de sangue pela
floresta. O gentio trazia duas bandeiras de guerra, uma era
branca cor cruz azul e a outra era portu-
guesa. Durante o trajecto, a expediqio foi atacada e tries
negros ficaram no campo; depois de estarmos acampados,
os bSers foram a rectaguarda e numa libata tiveram encon-
tro cor o gentio; mataram 9. No campo ficaram 10.








19

2 de Novembro.
Domingo. Nao marchAmos, mas por causa dos aconte-
cimentos da vespera estivemos de preveng5o, mas nada hou-
ve. Durante o dia choveu e em uma.parte da noite. O dia









19t*Jlo a ..caj. 's ____ __ e6


Ati/^ /erre, o Onijf deg innfra Nreromu
passou-se a arranjar o material de artelharia, carregar as
granadas, etc.
3 de Novembro.
Eram 11 horas ,e 15 minutes quando marchAmos mas a
distancia percorrida foi pequena porque s6 os carros leva-
ram perto de 3 horas a passar o rio Cuquema. Antes dos
carros tinham chegado ao rio t6da a manada de bois, cabras,
carneiros, bem como o esquadrao irregular. Tivemos muito
trabalho em obrigar a atravessar os nossos rebanhos, e quasi
que foram itransportados a um e um. Era um quadro digno
de um bom fot6grafo. Os carrots nio nos deram tambem
pouco trabalho. Enquanto o official estava arranjando a
passage, um tr6go de b6ers foram explorer caminho e num
recontro corn o gentio mataram 7. As 3 horas da tarde ja
estava o nosso acampamento formado no lado esquerdo
do Rio Cuquema.
Eu fui observer o campo da nossa primeira escaramuqa
e ainda vi dois mortos: um home de 40 anos ferido mor-
talmente na cabega e testiculos, e outro, um rapaz de 20 a
22 anos, corn 3 ferimentos, um na perna esquerda e dois no
peito simetricamente dispostos corn a linha do corpo. As
10 horas vieram dois enviados do soba corn uma carta e
duas pequenas pontas de marfim; a carta era dirigida ao
capitao Teixeira da Silva, desculpando-se do mal que Ihe







20

tinha causado, dizendo ser Eduardo Braga. negociante de
Benguela o causador da guerra e da morte de Silva P6rto,
pois este sr. secretamente Ihe tinha mandado um aviso da
chegada ao Bie do capitio Couceiro, enviando-lhe uma an-
coreta de aguardente, um barril de p6lvora para a defesa,
nao mandando carta porque todos podiam saber. O sr. capi-
tio Paiva rejeitou o present dizendo que E1e iria pessoal-
mente A Embala buscar o pagamento. Os enviados retira-
ram-se descorgoados.

Dia em que foi atacada a Embala Grande do Bi, -
4 de Novembro de 1890 (3,5 horas da tarde).

Logo de manhi, seriam 7 horas, jA estavamos a larger o
nosso acampamento na margem esquerda do Rio Cuquema,
afluente do Cuanza e dirigiamo-nos para o Embala grande
do Bi6; A 1 e meia da tarde estavamos acampados numa en-
costa de um mameldo. O campo a 50 metros de distancia
dos carros em roda do nosso acampamento nio nos era
muito favoravel porque era arborizado, nio cor grandes
arvores, mas corn arbustos copados, e algumas arvores pe-
quenas, de modo que dava a vantagem ao inimigo de se
aproximar sem ser visto. Meia hora depois de acamparmos
vieram hordas de gentios a passar atraves o mato, e at&
chegou a propalar-se o boato de que o acampamento ia
ser atacado; imediatamente 28 b6ers a cavalo foram man-
dados para o lugar indicado e efectivamente pouco depois
se ouviram tiros que duraram talvez 8 minutes e cessaram.
Chegaram dois b6ers dizendo que tinham encontrado um
magote de gentios que se dirigiam A Embala grande para
coadjuvarem os outros e que vendo os nossos comegaram o
fogo, mas pouco depois estavam em debandada; nesta oca-
siio 28 b6ers estiveram cercados porque send o gentio em
grande nijmero tinham querido cortar a retirada; seguiram
para a Embala grande os bbers, e assim que 1A chegaram
foram recebidos por um tiroteio vivo, chegando os negros
a sair fora da palissada para atacar os nossos; entao houve
da parte das families, grande panico, vendo-se lagrimas das
senhoras que tinham ou o pai ou o marido ou filho ou
irm2o no sitio do combat e a t6da a press se pedia arte-







21

Iharia porque sustentar o fogo com o gentio que estava bem
fortificado seria loucura. O plano do sr. A. de Paiva era
magnifico mas nao p6de ser realizado devido As circuns-
tincias; era o seguinte: como tinhamos chegado tarde a
Embala e nio sabiamos o tempo que poderia durar o ataque,
resolve que no dia 5 de manha se marcharia corn t6da a
f6rca disponivel *e corn a artelharia e fazer-se um bombar-
deamento em forma, ficando as f6rgas b6ers a guardar o
lado oposto da Embala para cair s6bre o gentio que fugisse,
portanto havia ordem para durante a noite se p6r todo o
material ,de artelharia fora dos carros e colocA-lo em ordem,
mas como o gentio se tornava ameagador e o ataque estava
serio nao houve outro rem(edio senao dar-se o ataque nesse
dia e por isso muito A press e cor confusao se organizou
o material pezado .e levaram-se, depois de tres quartos de
hora de caminho, duas peas < e uma de campanha a
500 metros de Embala. Como da boa pontaria e tiro certeiro
da artelharia dependia a decisao do ataque, o comandante
determinou que eu dirigisse uma pega <, o capitgo
Couceiro uma pega meida a de campanha B. c 8.a. Os tiros foram felizmente
bem dirigidos, indo as granadas rebentar t6das dentro da
Embala e duas mesmo no Lombe do Soba, causando no ini-
migo destrogos formidAveis. Aos primeiros tiros da artelha-
ria o gentio responded cor um tiroteio, was (creio eu),
vendo o seu terrivel efeito recuou porque nos iltimos tiros
ja pouca gene se conservava nas palissadas, e os b6ers
que guardavam o lado oposto da libata comegavam a dizi-
mar os que fugiam. Como na primeira palissada nao se fazia
jA fogo, deu-se ordem ao assalto e imediatamente a f6rga de
cagadores, de calada, avangou, bem como os da-
maras le mais gene; ao aproximarmo-nos da palissada um
dama foi ferido *em pleno peito, o resto ocupou-se em arran-
car os paus -e abrir as portas. Mal tinhamos entrado dentro
rompeu um rtiroteio de todos os lados e muito principal-
mente do Lombe do Soba, que estava ainda cheio de gente:
o gentio de dentro das Cubatas resistia mas corn certeza
que a coragem e entusiasmo da nossa gente os amedrontou
muito e obrigou-os a porem-se em fuga; mal se ouvia um tiro





























, A


ri'


Lomie 4do doIa, r/o n/rs/no d/s defip ads/oaue
Lido N.W.







23

ou descarga, os nossos, em vez de hesitarem, resolutos cor-
riam para o local. Um moment houve que o tiroteio era
enorme e como nao viamos donde partiam os tiros resolvemos
larger fogo as cubatas para assim obrigar o inimigo a sair
a campo. Meia hora depois, espessos rolos de fumo subiam
ao ar, cousa que produziu grande contentamento no nosso
acampamento; era sinal de que a Cubata estava tomada.
Quando se atacou o Lombe do Soba o gentio viu que nio
estavamos dispostos a recuar e foi ,entgo que a retirada foi
geral. O soba, segundo se conta, s6 fugiu quando lhe caiu
perto a segunda metralha, que rebentando produziu um
grande nimero de mortos e feridos. Ao percorrermos a Em-
bala deparavamos cor imensos mortos atulhados em pogas
de sangue e quasi na totalidade feridos corn estilhagos de
projecteis de b6ca de fogo. Quando se entrou em Lombe
do Soba encontrou-se uma cadeira que continha em cima, o
manto; esta (cadeira) estava A porta da sua casa. Quando

A ; 11 I. :i I ,
... .. T wi. l.i







6homo r'a j s ,r, /" o' 'o js o ', e o.n... /o"
jZ'/ado p// cJr, Cd pdo Coocebro e como e /eJr 9',do".re

ja uma part da Embala ardia ie o tecto abatia, sentia pouco
depois o estampido de uma explosio: -era a pl6vora que o
gentio tinha dentro de suas casas. Os despojos de guerra
foram grandes. Os bienos tinham quantidade enorme de
mantimentos, quantidade enorme -de p6lvora, o que se certi-
ficou vendo-se a que foi apreendida e o grande nfimero de
explos6es que se deram; muitas armas e em grande nuimero
delas de carregar pela culatra corn cartuchos metAlicos, tais
como Sneyder de calibre 12mm e muitos instruments de mu-
sica, alguns relativamente aperfeigoados, e mantimentos em







24

quantidade extraordinaria, bem como muitos objects e armas
gentilicas. Na casa do soba encontrou-se um grave ni-
mero 'de oficios, livros de Capitania e correspondencia par-
ticular e official dirigida a Teixeira da Silva. O document
mais important foi uma carta escrita pelo soba e dirigida
ao Teixeira da Silva e parece escrita na manha do dia em
que foi o ataque. Esta carta' era uma declaragco em forma,
acusando Eduardo Braga de ser o causador dos aconteci-
mentos que se deram por Ihe ter escrito primeiro enviando
um portador secret de Benguela contando-lhe tudo e dizendo
que Couceiro> era official e ia ao Bie fazer fortaleza, que
ele se acautelasse, caso contrArio ficaria sem as suas
terras. Nesta mesma carta dizia star pronto a pagar os
prejuizos causados aos brancos residents no Bie e citava
o nome do portador da carta. Dizia tambem ter posto fora
do seu servigo os dois negros que insultaram Silva P6rto,
puchando-lhe pelas barbas. Uma destas cartas foi tirada e
a assinatura de todos os oficiais bem como dos comandan-
tes dos Bbers confirmaram a referida c6pia e o original ira
para o Ministerio da Marinha.
do Bie era enorme; medindo 2.500 me-
tros de perimetro, continha dentro talvez 16.000 habitantes.
O gentio corn a aproximagao da nossa expediqco tinha-na
fortificado e reparado as palissadas corn madeira nova, de
modo que estava em perfeito estado de defesa e se nao f6sse
a > custaria sangue aos nossos toma-la de assalto.
No centro da Embala havia uma nascente de agua que
corria na direcgio S 0; esta nascente era grande e for-
necia Agua a todos os habitantes para t6das as suas neces-
sidades. Passada a nascente para o lado sul (S) encontra-
va-se o Lombe do Soba que era um cerrado contend 3
casas, uma para ele, outras duas para as suas mulheres.
NEste recinto tinha uma pequena porgco de terreno cor
bananeiras e no recinto central diversos objects para as
artimanhas de feitico, pois ele, soba, era tambem feiticeiro,
motivo para os negros Ihe terem um duplo respeito.
Antes de entrar no lotado o seu nome era cunha>, depois tomou o nome de , quere dizer
. Era -segundo informa,6es -um home de







25

elevada estatura e aguerrido; puseram-no no estado cor
receio dele e corn o fim de o matarem. Tinham medo dele
e pouca era a simpatia que gozava no Bie.

/ PPFa do Royado (/(r)opu )
'/ 2 Couce/ro ( ,. )
5 't A/me/do (CLrmoa.)e/modi
N. 2 .- CoCoadores (o/cadoJs ,Jros)
/ye 3 /Ar/r de Pa/'
/Y.4 } arrcs
i.' 5 6_ B ers cor */a~ do a are/aoo
N 6. Porl/o do7 Em,&a/a
/'* 7 OndP" se arseu oso s /s e Awr
N' 8 Lornm e do SJoJ


N93
"':" N.*2 Ntl


3 2
Dia 5 de Novembro.
Continua o incindio e tambem o transport para o
acampamento dos despojos de .guerra e mantimentos. Tem
vindo muitas armas gentilicas, instruments de mnsica,
alguns relativamente perfeitos e do , arti-







26

gos pertencentes so capitao Teixeira da Silva que encon-
trou quasi toda a sua mobilia, correspondencia official e par-
ticular, regulamentos e mais pap6is que estavam na antiga
capitania do Bie. O capitio Couceiro tamb6m encontrou
uma grande parte da sua correspondencia e <1 botho de
punho> que era de urm par que deixou em sua casa quando
foi obrigado a retirar do Bie. Encontraram-se cartas do major
Serpa Pinto de 1871, e muitos outros pap6is de pouca im-
portancia. Viu-se logo quem tinha sido o ladrao.
Neste dia veio outra vez Sander missionario americano,
com palavras rdoces, a querer livrar o soba e trazendo 3
negros que diziam ser dos principals da-terra que vinham
pedir a paz, e nao querer guerra cor o branco. O sr. Artur
de Paiva respondeuwlhes que estava disposto a nao sair
das terras do Bie sem que tivesse apanhado o se em 4 dias n.o o entregassem continuava fazendo fogo
s6bre t6das as outras Embalas.
Nisto comeqou a remoCgo dos mortos para um sitio fora
da Embala, de todos os mortos encoritrados dentro dela;
eu fui vC-los corn o Teixeira da Silva e vimos que todos
os ferimentos tinham sido com estilhagos de granadas e
alguns houve .que foram horrivelmente mutilados. Entre
8les estavam os dois embaixadores enviados pelo soba ao
nosso acamparmnento (os que levavam as duas pontas de
marfim), e um velho important no estado, segundo a opi-
nigo do Teixeira da Silva, que se chamava <.
O sn'dmero de mortos chegou pouco mais ou menos (en-
contrados dentro da Embala), a 23. Depois fui ver a Em-
bala por dentro; era enorme e cor boa disposiaio para uma
defesa e media de perimetro 2.500 metros. Em todos os
pontos se viam palissadas reforgadas cor madeira nova e
que agora o incendio devorava corn nsia. Causava horror
tanta destruicgo!
Lembravamo-nos de que era a Embala do Grande soba
do Bie, um potentado dos mais fortes e ricos da nossa
Africa e mesmo do pais africano, o ponto infalivel por onde
passaram, e continuariam a passar os grandes exploradores
portugueses e estrangeiros, era agora destruida e arrazada
para o castigarmos severamen'te de tantos crimes e abusos
cometidos, por se julgar invencivel e invulneravel! Ficou







27

bem vingada a more do nosso bom velho compatriota Silva
P6rto e a ofensa feita a bandeira portuguesa nas pessoas
do capitAo Teixeira da Silya e Paiva Cou'ceiro. A vinganga
foi deixar o *gentio 200 homes no campo e perder uma
grande povoag;o corn grande part da sua riqueza.
Durante a noite continua-se vendo o enorme clar~o com
uma densissima coluna d.e fumo.
Dia 6 de Novembro.
Continue o acampamerito ao lado da Embala e hoje o
incendio tem' lambido mais de' urn' terio da povoagoo, os
nossos homes encoritraram uma mulher ferida por um es-
tilhaio de uma granada..qu e the atravessou de lado a lado
as duas pernas no sitio da c6xa'partindo-a por ai e de uma
velha que ndo teria menos de 120 anos e era uma perfeita
mfimia; a cabega coberta de carapinha completamente branca,
parecendo estopa, o corpo ':de.-extrema magreza, apenas
a pele encobrindo 6o osso. Segiindo o que ela dizia era neta
de um dos sobas mais antigos do estado do Bie chamado
Cagombe e que esteve no poder talvez nos anos de 1815.
O soba Cangombe foi ,psto no poder pelo governor.
Procedeu-se hoje ao leilao de armas de'fogo e gentilicas,
instruments de muisica e muitas outras curiosidades encon-
tradas dentro das libatas. e tudo foi comprado cor avidez,
pois todos n6s queriamoso possuir uma reliquia para nos
lembrarmos do dia 4 de Novembro. No mato, na direcgio
-em que o gentio tinha fugido, foi encontrada uma barraca
de campanha de lona. impermeavel corn a marca Benjamin
Edgington / Maker /:2 Duke S. "Boro / London. Tinha
sido um present do missionari Arnot ao soba do Bi6. No
Lomba encontraram-se as principals reliquias da realeza
bieana. ::. .
Dia 7 de Novembro.;:
Continuamos acampaldos junto da libata. Hoje jh o
incendio tern destruido quasi tudo e nada mais se pode
colher de dentro dela. S6 se ve a destru'igo.
A jornada neste dia foi seguir o caminho que nos leva
a Missgo Americana onde ,est -o missionBrio <.
Quando levant&mos campo eram'-pouco mais ou menos 12
e meia horas di tarde. Na Embala grande do Bie as ulti-
mas casas estdo send reduzidas a ciizas, comunicando o











































4CAc~Od~"'P'/O dl8 ~zpedp~ o ro pC'c S L1~u'g~ n,9t'7, nd d,;i sag/~/ o dol 9u K~ik~ do arcp~nusm~i~ d~os~
rp d~ or/








29

fogo A palissada exterior. -Deixamos em cinzas a casa do
algoz e seguimos em direcqco A vitima, Quando chegAmos ao sitio em que deviamos acampar,
um grande largo no centro de um grupo de 4 libatas que
d'emoram a 5 minutes da Missio Americana, encontramos
esta completamente desert e abandonada. Como tinhamos
dado treguas at& segunda-feira foram respeitadas e de pe as
deixAmos.
Dia 9 de Novembro.
Domingo, estivemos parados, 'continuando portanto o
nosso acamnpamento entire as



foe








Missao Americana. Ao escurecer fugiram-nos 2 prisioneiros
e um deles foi agarrado, sendo punido corn 100.
Dia 10 de Novembro.
As 7 horas .da manhl levantamos o acampamento junto
da Missao e seguimos o caminho para Belmonte, casa do
Silva Pdrto. As 2 e meia da tarde estavamos acampados e
pouco depois tivemos a vilsita de Arnot, que corn a sua in-
fame political vinha ver se conseguia alguma cousa em be-
neficio do soba do B'i, mas voltou prometendo interceder
para corn o gentio para o prender.
Hoje morreu-nos um voluntario damara que foi ferido
no ataque a Embala dado no dia 4. Feita a aut6psia viu-se
ser causada a morte por uma bala seneyder-barnet> que
tendo partido o externo penetrou ate a coluna vertebral,
tendo no trajecto rompido a aorta. Estava alojada sobre o
diafragma. Foi enterrado com t6das as honras devidas a
um home morto em campanha.








30









/RusinJ da cada do Cap/iFao Telreirs da dicf/v ZLado NE
{., -o/o /./Ioo
Dia 11 de Novembro.
Veio Arnot pela manha dizer que o Soba se vinha en-
tregar, anas at6 a noite ainda nao apareceu. 7 homes da
nossa gente, tendo said fora do acampamento, tiveram um
encontro corn um gentio, ficando destes 3 fora do combat.
Morreu um prisioneiro hoje (o que itinha sido castigado
cor 100). Chegaram-nos mais cavalos vindos do Cabo.
De todos os lados vem cartas dos importantes da terra,
prestando-nos homrenagem e jA estgo os principals cabegas
da revolt press.
Dia 12 de.Novembro.
Chegada a Belmonte. Seriam 12,5 horas da tarde quan-
do chegAmos a um descampado onde se avistava as ruinas
de uma casa de adobo; era a casa do capitdo-mor Teixeira
da Silva.



Cosa Mid& Ke ,J1/c1foo ^ Ja Pwor/0













..o.a.. -N.oo
u ;," ,, '"" ': ";"/- r "" ^-.


,. C L l







31

Dia 13 de Novembro.
Continuamos corn o nosso acampamento em Belmonte.
Hoje saiu gente nossa .procura de gado e marfim, eram
35 homes a cavalo.
Dia 14 de Novembro.
Chegaram os nossos homes As 4 horas da tarde e trou-
xeram: bois, marfim e ovelhas. Nada de important.
Dia 15 de Novembro.
Fui mandado a casa do missionArio se alguma noticia havia a respeito do soba do Bit; nao
estava; tem estado ausente desde teroa-feira.
As casas da Missio sao bem feitas e corn elegancia. San-












Jumu/o de S/, rPor no c -m/-r/o d- 1su7 caa2
d.sco/o = 1:10
der vive corn sua esp6sa e uma missionAria irlandesa, uma
j6vem de 19 anos.
Dia 16 -de Novembro.
Domingo em Belmonte. 17 e 18 idem.
Dia 19 parti As 6 da manh5 cor um carro que trans-
portava uma pega < para me reiinir A gente a cavalo
que estava em procura do Soba; dia 20 continue a march
e 21 acampamos, na margem E. do Cuquema. Dia 22 pas-
samos o Cuquema e acampamos na Eihbala Tunda do
ex-soba Jamba Emina que esteve como soba no Estado
do Bie.
Dia 23. Ficiamos A espera de noticias. No dia antece-
dente veio gente com um bilhete do Amado dizendo ja n5o
ser precisa a pega ,e que voltasse.
Dias 24 e 25, retrocedemos pelo mesmo caminho e neste
iltimo dia, a noite, (7) chegamos ao acampamento.







32

Dia 26 chegou a gente a cavalo. O soba- no foi apa-
nhado; fugiu outra vez para o territ6rio do Bie.
Ate ao fim do mes de Novembro nenhuma novidade
houve e continuamos acampados em Belmonte. Amanha,
(1-12) vai-se proceder A exumarAo e dissecagao do cadaver
de Silva P6rto.
1 de Dezembro.
Segundo as ordens dadas na vespera, hoje As 6 horas
da manha o medico da expedicgo o Dr. Ant6nio Bernar-
dino Roque, mandou proceder ao desenterramento do cada-
ver de Silva P6rto, para a dissecarao; As 9 horas foram
chamados os oficiais para presenciarem o corpo que estava
j& fora da sepultura. O cadaver na realidade nio se apre-
sentava muito decomposto; apenas em algumas parties do
corpo e muito principalmente no lugar onde tinha recebido
os ferimentos quando se itentou suicidar e no crAnio, parte
que mais decomposta estava, a ponto de ji nao se Ihe conhe-
cerem as feic6es. Durante o dia e todo o di'a seguinte levou
o Dr. Roque a preparar o corpo para o por em estado de
ser transportado para Portugal, segundo as instruc6es do
Ministro da Marinha. No segundo ficou pronto para o
atafde o receber e como este ainda nio estava pronto,
ficou o corpo envolvido em pano humedecido em Acido
f nico.
Dia 3 de Dezembro.
Procedeu-se a colocaqgo de Silva P6rto no esquife e
fecha-lo e lacra-lo. Seriam 11 horas da manha quando uma
noticia chegou ao acampamento, que em todos causou gran-
de impressio: foi a de que o soba do Bie estava prEso e
vinha ja a caminho para nos ser entregue e que um grande
nimero de gentio armado o acompanhava. 0 sr. Artur de
Paiva com a sua longa IprAtica e prudencia mandou sempre
colocar 2 metralhadoras em posicoo, do lado donde o gentio
devia chegar ee a guarniqdo restante da artelharia pronta
com as 2 peas <.
Ao meio dia chegou uma grande comitiva conduzindo
o Soba ique vinha numa tip6ia. Chegado ao acampamento
foi logo apresentado ao nosso comandante pelos missioni-
rios Sander (americano) e Arnot (ingles), que o acom-
panhavam. O Soba 6 um home muito robusto e de ele-








33

vada estatura, na face esquerda um grande lobinho; vinha
corn ar resignado e muito receoso; escoltavamrno uns ne-
gros de Zanzibar que corn um arabe tinham vindo para
negociar em marfim. Os bienes cortaram todos os caminhos
por onde o soba pudesse fugir mas como ele goza da fama
de. feiticeiro nio o quiseram prender cor medo: ent2o, o
missionario Arnot que tinha tomado o encargo de o prender
recorreu aos zanzibarinos para o prenderem. Pouco depois
chegava outra comitiva compost de s&culos importantes
para serem convocados para a nomeagio de um soba novo


//'s 7 cJo 3a Caooco

e o velho Capoco. (chamado pai da terra, sem cujo con-
sentimento ndo se nomeia um soba), tambem veio -e ficou
resolvida a reiihio' para daqui a 5 dias.
Coincidencia notivel, no dia 1 de Novembro, dia em
que tivemos o primeiro fogo cor o grentio; dia 1 de De-
zembro dia da exumag~o do cadAver de Silva P6rto; dia 3
de Dezembro fechou-se o esqtiife de Silva Porto; neste dia
o Soba foi preso!
Os damaras vieram fazer o seu cumprimento de guerra
ao soba.







34

Dia 4 de Dezemnbro.
As 9 Y .estava uma f6rca de 2 pelot6es de Cacadores
e uma pega corn a guarnigco, ja formadas para prestar as
honras fsnebres a Silva P6rto. Marchamos ,para junto da
porta da Embala onde estava ja o caixio em cima de uma
carreta de artelharia, coberto cor a bandeira portuguesa.
A f6rga formou dando-lhe a direita. O comandante chegou
acompanhado pelo medico e outros oficiais e em seguida,
foi trasladado o esquife para o acampamento. Deram-lhe
as salvas do estilo, 3 salvas de Artilharia intercaladas cor
3 descargas de Infantaria. No centro de Africa os portu-
gueses prestaram as fltimas honras ao seu benemerito com-
patriota Silva P6rto.


terraa oB










Aspc& q'ea/rn/hrbir dd [mi'r/a e c/ai ,'o rA

Dia 9 de Dezembro.
Comesa a desmembrar-se a expedicao. Hoje ja recolhe-
ram a Benguela indo por Cacondo 60 soldados de caBa-
dores e 1 sargento e fez-se a escolha de oficiais, sargentos
e soldados que ho de ficar na fortaleza de Belmonte, em
terras do Bie.
Dia 10 de Dezembro.
SNeste dia apresentou-se uma comitiva para participar
que o seculo Capoco>' tinha sido eleito pelos grades da terra. Passou-se-lhe um auto de vassa-
lagem ae deu-se-lhe 2 ielungas e 1 machadinho, que faziam
parte da realeza.
Dia 15 de Dezembro.
Neste dia fez-se a entregia da Capitania do Bie ao te-







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tente Evaristo Simpliciano de Almeida. As dez horas estava
formada uma f6rra de 100 soldados de Cagadores e 4 peas
de artelharia do lado N. da Embala de Silva P6rto. O
comandante leu & frente da f6rca e de todos os voluntarios,
que para isso foram convocados, o auto da entrega, em
seguida o novo capitgo-mor prestou juramento de fidelidade
ao Rei e bandeira portuguesa. Acabada a leitura o pendio
das quinas foi hasteado e firmado cor uma salva de 21
tiros de artelharia.




/ -
















*Se Silva P6rto estivesse vivo teria um dia de grande
felicidade; via os seus sonhos dourados realizados: A sua
propriedade transformada em fortaleza.
Dia 16 de Dezembro.
Um acon/tecimento pouco agradavel se deu de noite e
que felizmente foi logo remediado:
O Soba deposto tem sido tratado com t6das as ateng6es
pelos nossos e todos os seus desejos possiveis de ser
realizaveis t6m sido satisfeitos. Durante o dia estf sem-
pre s6lto, mas acompanhado sempre cor uma sentinel s
vista e s6 depois das 8 V horas 6 que se Ihe punha a cor-
rente ique o prendia durante a noite. Nesta noite quando







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se Ihe ia p6r a prisio ele pediu para fazer a cama, o que
Ihe foi concedido, mas levantando-se, em vez de fazer a
cama de um salto se achou fora da porta e fugiu vertigino-
samente pelo acanmpamento. A sentinela deu logo brado
gritando: > e seguiu correndo atras dele. Os
oficiais que se achavam no outro extreme da Barraca sairam
para fora e em altos gritos de prevenia as
sentinelas e t6da a g'ente do acampamento; o brado passou
r4pidamente at' ao fim do acamipamento e em um segundo
corria gente em t6das as direco6es, uns descalos outros em
mangas de camisa, sem chapeus, enfim,. um borborinho me-
donho, que foi impossivel ao fugitive realizar os seu in-
tento, eem menos de, 10 minutes estava recap'urado e bem
amarrado. Seria para n6s um desg6sto grande se conseguisse
fugir, porque ndo s6 nos poderiam acusar de descuidados
mas tambem porque todo o povo do Bie vivia em alvor6go
por causa do mal que de future este salteador viria a fazer.
Nada lucrou -e p6s-nos de atalaia.
Dia 22 de Dezembro.
Partida da ExpedigAo para Huila. As 7 horas da manhi
estava tudo pronto para a expediago comeaar a march da
retirada. As 7 1 horas da mariha uma salva de 21 tiros
de artelharia dada na fortaleza Silva P6rto anunciava a
march da expedi;io. Os boers tamb6m corresponderam;
conforme os carros iam passando pela frente da fortaleza
cada um disparava a sua espingarda duas ou tres vezes;
era a manifestagio da despedida aos que ficam no Bie para
manter o dominio portugues e tambem o contentamento
de irem para suas casas abragarem suas families e amigos.
N6s despedimos-nos ,do nosso camarada tenente Simpliciano
de Almeida, desejando-lhe do fundo do coragao todas as feli-
cidades e ventures de que na realidade este official e digno.
Marchamos ate As 12 horas, paramos na margem esquerda
do Rio Cunene para almorarmos, e como a passage do
Cunene esta.va dificil, o acampamento seguinte foi na outra
margem e As 10 Y e que o filtimo carro passou. O terreno
que atravessamos era arborizado e leviemente ondulado.
Dia 23 e 24. Inhara do Bulo-bulo. a um extenso pla-
nalto a mais de 1870 metros de altura, donde nascem quasi
-todos os Rios que ao norte vio desaguar ao Cuanza e ao







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.p Cfl.iAM /Ai / _
mis/i c /rsor,/o 1a di l/a Oeyden/d/

Sul ao Cubango e Cunene. Seriam 7,40 horas da manhi
do dia 23 quando entramos nesta extensa planicie, apenas
coberta de relva verdejante e completamente despida de
Arvores ou arbustos. Magnifica para se organizer uma ex-
tensa col6nia, pois o clima aqui e esplendido, tendo Agua e
muitissima caga. A monotonia da paisagem foi quebrada
pelo prazer da caia que e aqui abundantissima. Logo que
entramos no descampado deparAmos cor uma manada de
. Cabras de mato de todos os lados nos sal-
tavam e para Ihe darmos caga nao era precise desviarmos-
-nos do caminho que seguiam os carros. Estes dois dias
levamos atravessando o planalto.
25 de Dezembro.
Natal. Viajamos ate as 10 Y horas a que chegamos &s


ik/a do Jua oro m B.N/emonle,/ k dbo .1do X
(parfe do lado osqueido)







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margens do Rio Cutato Pequeno. Depois do alm6go atra-
vessAmos para a outra margrem ,e como uma iminente tro-
voada nos ameagava nao marchamos mais; a viagem da
manha foi ainda atraves da Inhara do Bulo-bulo. A noite
os boers fizeram uma pequena festa para lembrar que era
o dia 25, dia de Natal, mas passado no meio do sertao.
Dia 26 e 27 de Dezembro.
No dia 26 jornadeamos todo o dia, ora atravessando
floresta, ora por Inhara e nada de notavel houve. Dia 27
o terreno apresenta o mesmo aspecto e as 10 acampAmos














emis/, ai cf/dir 73r/o em, .e/oon/e ,s/s n -1o A
parte do lade direlto)

a 1950 metros de altitude. Nesta noite tres le6es vieram ao
acampamento e mataram-nos 3 cabegas de gado. Fizeram
proezas A vontade porque ninguem os esperava e nesta
regaiao nao sdo vulgares. No dia seguinte sairam homes
nossos la persegui-los mas nada -encontrararm.
Dia 27 de 'Dezembro. Domingo. Descango.
Dia 28 de Dezembro.
Domingo. .No- marchAmos e contihur'mos acampados na
paragerm da vespera que era um itrerreno bastante arbori-
zado. Como na noite antecedente os le6es nos tinham morto
duas vacas e ferido dois bois tomnAmos precaug6es pondo
uma armadilhla feita com 3 armas Martini e a uns 100 me-
tros do acampamento na frente e um pouco a direita um
palanque de 2,5 metros de altura encostado a uma Arvore







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onde se colocara~i 3 pessoas para esperaremi o Selvas>. Segundo nos contaram A. Saraiva e P. Ramalho
que at&e meia noite estiveram no referido palanque A espera
que logo As 9 horas da noite 4 le6es rondavam o nosso
acampamento mas desviando-se sempre do lugar do palan-
que, pressentindo gente. At6 a meia noite nada mais fizeram
do que rondar a frente do acampamento e espreitar ocasiio
para apanhar alguma presa. Eu fiquei no acampamento,
e seria perto da meia noite quando de repente um enorme
alarido se levantou no acamnpamento e uma confusAo e ba-
rulho causado pelo berreiro da gente do acampamento que









'Lt's/ do Lucrrc" (Ciai.ndB )

gritava: e os bois que fugiam desordenada-
mente para todos os lados. De todos os lados vinha gente
corn as suas espingardas para darem caga a tio perigoso
visitante, mas ele espantado com o alarme retirou-se para
o mato: Tres vezes durante a noite repetiram c ataque e
passAmo-la em constant sobressalto ate que veio a manha
para p6r cobro a este estado de cousas. As 3 e Y ouviu-se
um tiro fora do acampamento, um dos le6es tinha caido
na armadilha e viu-se no dia seguinte que f6ra ferido. Logo
de manhi foram no seu encalce e conseguiram dar corn ele
e mata-lo. Era um enorme animal, tinha lm,20 de altura,
1m,90 de comprimento, medido da testa ao prinicipio da
cauda, e 2m,70 ate ao fim dela, pesava 145 a 150 quilos.
29 de Dezembro.
Nesta manha foi a morte do leao e condugao dele para
o acampamento. Os oficiais, por bricadeira, mandaram cor-
tar um pedago de came do leao e transforma-lo em bifes
que foi um dos pratos do nosso alm6go.







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A came do lego tern um sabor quasi semelhante ao da
vaca, podendo mesmo confundir-se, nao tem cheiro nenhum
particular, diferindo na c6r, que 6 um pouco mais clara, e
um pouco mais dura. Neste dia levantamos o acampa-
mento As 12 horas da tarde e encontrAmos o P." Lecomte,
da Missio cat6lica francesa de Caconda que ia para o Bie
ver se era possivel colocar uma missao.
A 1 e d'aa noite tivemos novo ataque de le6es ao acam-
pamento e as 3 horas repetiu-se; de ambas as vezes causou
grande confusao. Os bois fugiram alguns para fora do
acampamento.




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