• TABLE OF CONTENTS
HIDE
 Front Cover
 Title Page
 Table of Contents
 Preface
 Introduction
 O que é a pesquisa e extensao de...
 Compreensao das propriedades agro-pecuárias...
 Diagnóstico dos problemas...
 Planeamento, formulacao e conducao...
 Fazer recomendacoes
 Questoes e problemas na organizacao...
 Bibliography






Group Title: IntroducÌao a pesquisa e extensao de sistemas agro-pecuarios
Title: Introdução à pesquisa e extensão de sistemas agro-pecuários
CITATION PAGE IMAGE ZOOMABLE PAGE TEXT
Full Citation
STANDARD VIEW MARC VIEW
Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/UF00055299/00001
 Material Information
Title: Introdução à pesquisa e extensão de sistemas agro-pecuários
Physical Description: vii, 98 p. : ill. ; 28 cm.
Language: Portuguese
Creator: Hildebrand, Peter E
Poats, Susan V
Walecka, Lisette
Publisher: s.n.
Place of Publication: S.l
Publication Date: 1988?]
 Subjects
Subject: Agricultural systems -- Research -- Developing countries   ( lcsh )
Agricultural extension work -- Developing countries   ( lcsh )
Farms, Small -- Developing countries   ( lcsh )
Genre: bibliography   ( marcgt )
non-fiction   ( marcgt )
 Notes
Bibliography: Includes bibliographical references (p. 97-98).
Statement of Responsibility: editado por Peter Hildebrand, Susan Poats, Lisette Walecka ; traduzido por Miguel Proença.
Funding: Electronic resources created as part of a prototype UF Institutional Repository and Faculty Papers project by the University of Florida.
 Record Information
Bibliographic ID: UF00055299
Volume ID: VID00001
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: aleph - 002811232
oclc - 52862686
notis - ANT9720

Table of Contents
    Front Cover
        Front Cover
    Title Page
        Title Page
    Table of Contents
        Page i
        Page ii
        Page iii
        Page iv
        Page v
        Page vi
    Preface
        Page vii
    Introduction
        Page 1
    O que é a pesquisa e extensao de sistemas agro-pecuarios (pesa)?
        Page 1
        Page 2
        Page 3
        Page 4
        Page 5
        Page 6
        Page 7
        Page 8
        Page 9
        Page 10
        Page 11
        Page 12
    Compreensao das propriedades agro-pecuárias de recursos limitados como sistemas
        Page 13
        Page 14
        Page 15
        Page 16
        Page 17
        Page 18
        Page 19
        Page 20
        Page 21
        Page 22
        Page 23
        Page 24
        Page 25
        Page 26
        Page 27
        Page 28
    Diagnóstico dos problemas do agricultor
        Page 29
        Page 30
        Page 31
        Page 32
        Page 33
        Page 34
        Page 35
        Page 36
        Page 37
        Page 38
        Page 39
        Page 40
        Page 41
        Page 42
        Page 43
        Page 44
        Page 45
        Page 46
        Page 47
        Page 48
        Page 49
        Page 50
        Page 51
        Page 52
    Planeamento, formulacao e conducao de pesquisa e extensao em propriedade agrícola
        Page 53
        Page 54
        Page 55
        Page 56
        Page 57
        Page 58
        Page 59
        Page 60
        Page 61
        Page 62
        Page 63
        Page 64
        Page 65
        Page 66
        Page 67
        Page 68
        Page 69
        Page 70
        Page 71
        Page 72
        Page 73
        Page 74
        Page 75
        Page 76
        Page 77
        Page 78
        Page 79
        Page 80
        Page 81
        Page 82
    Fazer recomendacoes
        Page 83
        Page 84
        Page 85
        Page 86
        Page 87
        Page 88
        Page 89
        Page 90
    Questoes e problemas na organizacao e na gestao da pesa
        Page 91
        Page 92
        Page 93
        Page 94
        Page 95
        Page 96
    Bibliography
        Page 97
        Page 98
Full Text
/G, ^97y


Introdugo a
Pesquisa e Extensao
de
Sistemas Agro-Pecuarios








Editado por:
Peter Hildebrand
Susan Poats
Lisette Walecka
Traduzido por:
Miguel Proenga























ITraODUCAo A PESQUISA E EXTENSAO

DE SISTEMAS AGRO-PECURIOS



















EDITADO POR:

Peter Hildebrand
Susan Poats
Lisette Walecka

TRADUZIDO POR:

Miguel Proenca















INDICE



PREFACIO vii

CAPITULO I. INTRODUgAO 1

O QUE A PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS AGRO-PECUARIOS (PESA)? 1

ORIGENS DA ABORDAGEM PESA E A SUA RELACAO COM PESQUISA
E EXTENSAO CONVENCIONAIS 2

ATRIBUTOS PRINCIPAIS DA PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS
AGRO-PECUARIOS 6

FASES DA PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS AGRO-PECUARIOS 8

VISAO ESQUEMTICA DO PROCESSO DA PESQUISA DE SISTEMAS
AGRO- PECUARIOS 9

SNTESE 11


CAPITULO II. COMPREENSO DAS PROPRIEDADES AGRO-PECUARIAS DE
RECURSOS LIMITADOS COMO SISTEMAS 13

o QUE UM SISTEMA? 13

CRIAQAO DE UM MODELO DO SISTEMA AGRO-PECUARIO DE RECURSOS
LIMITADOS 13

EXEMPLOS DE SISTEMAS AGRO-PECUARIOS DE RECURSOS LIMITADOS 14

Asia 14

Sistema corta-e-queima na Asia 14

Sistemas de terras altas hmidas na Asia 15

Sistema de arrozal de terras baixas na Asia 17

frica 18

A regiao da savana Afro-Gambiana (agricultura sedentAria
rudimentar) 18

i










Amrica Central 21

Um sistema generalizado 21

Um caso especifico de propriedade agrcola 22

DESAGREGAQAO DO AGREGADO FAMILIAR 24

CONSTRUcAO DE UM CALENDARIO AGRCOLA 25


CAPTULO III. DIAGNSTICO DOS PROBLEMAS DO AGRICULTOR 29

RECOLHA DE INFORMACAO PARA A PESA: ESCOLHA DE MTODOS EFICAZES 29

Mtodos Para a Obtencao de Dados 29

A consulta de dados secundrios 29

Entrevistas com informadores chave 31

Sondagens informais 31

Sondagens formais 31

Observacges 32

Ensaios 32

Estudos de casos determinados 32

Escolha de Mtodos 33

Recursos disponiveis 33

A razao para recolher informacao 33

A natureza da informaiao 33

Profundidade Versus Representatividade 33

A Sequncia dos Mtodos 34

SONDAGENS INFORMAIS PARA A OBTENCAO DE DADOS EM PESA 34

O que uma Sondagem Informal? 34

Interaago directa entre pesquisador e agricultor 34

Entrevistas nao estruturadas 34

Processo dinAmico de recolher dados 35

ii










Trabalho interdisciplinar de equipa 35

Forma de Implementar a Sondagem Informal 35

Determinar quais sao os objetivos do estudo 35

Composigao da equipa de sondagem 35

Revisao de informacao secundria 36

Entrevistas com informadores chave 36

Obter mapas e cartas de introducgo dos orgos competentes 36

Contactar o pessoal da estacao experimental antes de conduzir
a sondagem. 36

Directrizes para entrevistas 37

Seleccao da rea de estudo 38

Procedimentos de entrevista 38

Relatrios escritos 40

O PROCEDIMENTO SONDEIO: UM TIPO DE SONDAGEM INFORMAL 41

O Relatrio 43

Notas Finais 44

CONSTITUICAO DE UMA AGENDA PARA ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRCOLA 44

Identificacao dos problemas e determinacao de oportunidades de
pesquisa } 44

Anotar os Problemas Principais 47

Determinar as Causas e Examinar Interaccoes 47

Ordenar os Problemas 49

Identificar Possiveis Solucoes 49

Examinar as Possiveis Solucoes Atravs de Critrios
Seleccionados 49

Facilidade da Investigacao 49

Facilidade de Adopqao 49



iii










Beneficios Potenciais 50

Estudo de um Determinado Caso 50

Forma de distinguir entre problemas e solucoes 50


CAPiTULO IV. PLANEAMENTO, FORMULACAO E CONDUCAO DE PESQUISA E
EXTENSAO EM PROPRIEDADE AGRCOLA 53

CONSIDERAQES GERAIS RELACIONADAS COM OS ENSAIOS EM
PROPRIEDADE AGRCOLA 53

Prticas de Pesquisa em Propriedade Agrcola 54

RelacGes entre pesquisador e agricultor 54

Ouvindo e trabalhando com os agricultores 54

A natureza do relacionamento 55

O SUCESSO FINAL: ACEITACAO POR AGRICULTORES 56

A IMPORTANCIA DE PLANEAR TENDO EM VISTA A AVALIAAO 57

FACTORES CHAVE A CONSIDERAR NA DETERMINAQAO DE CRITRIOS DE
AVALIACO 58

Mao-de-obra 60

Acesso e controlo de recursos alm da mao-de-obra 60

Incentivos 60

Inclusao i 61

Compreender os Incentivos, Objectivos e Estratgias de ProduCao
das Propriedades Agrcolas 61

IDENTIFICACAO DOS CRITRIOS DE AVALIACAO RELEVANTES 63

A Terra Como um Recurso Escasso 63

Mao-de-obra como Recurso Escasso 64

Dinheiro como Recurso Escasso 64

Consideracoes Relacionadas com Riscos 65

Consideragoes Relacionadas com Outras Actividades do Agregado
Familiar da Propriedade Agrcola 67


iv










ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRCOLA PLANEADOS POR PESQUISADORES 68

A Fungio do Ensaio no Processo de Pesquisa e Extensao 68

Ensaios exploratrios 68

Ensaios de refinamento 68

Ensaios de validacao 69

Gestao de Ensaios Partilhada entre Agricultores e Pesquisadores 70

Plantado por pesquisador/gerido por agricultor 70

Plantado por agricultor/gerido por pesquisador 70

Plantado por agricultor/gerido por agricultor 70

FORMULAQAO E ANLISE DE ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRCOLA 71

DETERMINACAO DO IMPACTO DAS TECNOLOGIAS PROPOSTAS SOBRE
OUTRAS ACTIVIDADES DO AGREGADO 79


CAPiTULO V. FAZER RECOMENDA ES 83

DIFUSAO DE TECNOLOGIA ATRAVS DA PESQUISA EM PROPRIEDADE AGRCOLA 83

Dominios de Pesquisa 86

Dominios de Recomendacao 87

Dominios de Difusao 88

A PESA NUM CONTEXO COMUNITARIO 89


CAPTULO 6. QUESTOES E PROBLEMAS NA ORGANIZACAO E NA GESTAO
DA PESA 91

AS EQUIPAS DE CAMPO E AS REGIOES PESA 91

A REA SERVIDA 91

TAMANHO DA EQUIPA 92

CARGA DE TRABALHO DA EQUIPA 92

NECESSIDADES DE EQUIPAMENTO 92

RELACIONAMENTO COM OS PROGRAMAS NACIONAIS DE DISCIPLINAS
E DE CULTURAS DE MERCADO 93

v










EQUIPAS DE CAMPO, REAS DE TRABALHO, DOMINIOS DE RECOMENDAgAO
E APOIO REGIONAL 95

BIBLIOGRAFIA 97



















































vi















PREFACIO


Este documento foi compilado e traduzido para Portugus atravs de
uma bolsa da FundaCgo Ford em Nairobi, no Qunia. O objectivo deste
manual fornecer uma visao global dos principios, da lgica e das
metodologas actualmente empregues na PESA. Este documento tenciona
fornecer una introducao bsica & abordagem PESA para pesquisadores ou
agentes de extensio ligados ao processo de desenvolvimento e dissemi-
nacao de tecnologia.>

Grande parte do manual 6 baseada num conjunto de quatro manuais,
mais pormenorizados, de treino, desenvolvidos pelo Projecto de Apoio a
Sistemas Agro-PecuArios (FSSP/University of Florida). Os quatro volumes
estao, presentemente disponiveis em Ingls e no processo de serem tra-
duzidos para Francs. Mais informacao sobre a disponibilidade dos
manuais pode ser obtida contactando Media Marketing, P.O. Box 926,
Gainesville, F1 32602, E.U.A.

Tambm foi extrada informaiao das seguintes fontes:.

Hildebrand, P. E., editor. 1986. Perspectives on Farming Systems Res-
earch and Extension. Lynne Rienner Publishers, Inc., Boulder, Colorado.

McDowell, R. and P. Hildebrand. 1980. Integrated Crop and Animal Prod-
uction: Making the Most of Resources Available to Small Farms in Deve-
loping Countries. The Rockefeller Foundation, New York.





















vii
















CAPTOIu I



InRODCAO





O QUE A PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS AGRO-PECUARIOS (PESA)?

A Pesquisa e Extensao de Sistemas Agro-pecuArios (PESA) ou FSR/E,
derivado da expressao Inglesa "Farming Systems Research and Extension",
consiste numa perspectiva que permite pesquisa e extensao agrcola
uma forma mais efectiva de lidar com os problemas de agricultores:
particularmente efectiva no enfrentar de problemas de grupos de
agricultores especficos, com caractersticas definidas, tais como
agricultores com recursos limitados. Esta perspectiva foi desenvolvida
durante os anos setenta, como resposta observacao de que os grupos de
propriedades agrcolas familiares de pequena escala nao beneficiavam da
pesquisa agro-pecuAria corrente nessa poca. Embora varios termos e
conceitos tenham sido usados nos ltimos quinze anos para descrever
esta forma de abordagem (por exemplo, FSR, FSR&D, FSR/E, FSIP, FSAR,
OFR/FSP, etc.), neste manual de treino usar-se-4 o termo PESA (ou,
FSR/E), porque este encara de forma explcita a necessidade de ligar
pesquisadores e extensionistas, com a participacgo de agricultores no
processo de desenvolvimento de tecnologas agrcolas apropriadas.

Uma definicao da PESA (ou, FSR/E) -nos dada por Shaner et al.
como sendo:


"..... uma forma de abordar pesquisa e desenvolvimento
agro-pecuArio que v a produgao agrcola como um
sistema, e foca em 1) as interdependncias entre as
componentes sob o controlo dos membros do agregado
familiar e 2) como ocorre a interacqao destas
componentes com os contextos fsicos, biolgicos e
socio-econmicos, que nao estao sob o controlo do
agregado familiar. Os sistemas de producao sao
definidos pelas suas caractersticas fsicas,
biolgicas e socio-econmicas, pelos objectivos do
agregado familiar e por outros atributos, como acesso a
recursos, a escolha de actividades de producao, e as
prticas de gestao (1982)".

1
















CAPTOIu I



InRODCAO





O QUE A PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS AGRO-PECUARIOS (PESA)?

A Pesquisa e Extensao de Sistemas Agro-pecuArios (PESA) ou FSR/E,
derivado da expressao Inglesa "Farming Systems Research and Extension",
consiste numa perspectiva que permite pesquisa e extensao agrcola
uma forma mais efectiva de lidar com os problemas de agricultores:
particularmente efectiva no enfrentar de problemas de grupos de
agricultores especficos, com caractersticas definidas, tais como
agricultores com recursos limitados. Esta perspectiva foi desenvolvida
durante os anos setenta, como resposta observacao de que os grupos de
propriedades agrcolas familiares de pequena escala nao beneficiavam da
pesquisa agro-pecuAria corrente nessa poca. Embora varios termos e
conceitos tenham sido usados nos ltimos quinze anos para descrever
esta forma de abordagem (por exemplo, FSR, FSR&D, FSR/E, FSIP, FSAR,
OFR/FSP, etc.), neste manual de treino usar-se-4 o termo PESA (ou,
FSR/E), porque este encara de forma explcita a necessidade de ligar
pesquisadores e extensionistas, com a participacgo de agricultores no
processo de desenvolvimento de tecnologas agrcolas apropriadas.

Uma definicao da PESA (ou, FSR/E) -nos dada por Shaner et al.
como sendo:


"..... uma forma de abordar pesquisa e desenvolvimento
agro-pecuArio que v a produgao agrcola como um
sistema, e foca em 1) as interdependncias entre as
componentes sob o controlo dos membros do agregado
familiar e 2) como ocorre a interacqao destas
componentes com os contextos fsicos, biolgicos e
socio-econmicos, que nao estao sob o controlo do
agregado familiar. Os sistemas de producao sao
definidos pelas suas caractersticas fsicas,
biolgicas e socio-econmicas, pelos objectivos do
agregado familiar e por outros atributos, como acesso a
recursos, a escolha de actividades de producao, e as
prticas de gestao (1982)".

1









necessrio salientar que a PESA ua forma de abordar, e nao um
substituto ~ara a pesquisa e extensao agrcola convencionais. Atravs
do englobar de ferramentas conceptuais e metodolgicas consegue, tornar
mais eficientes sistemas de pesquisa e extensao j existentes mas nao
substitui-los. A PESA consegue melhorar a eficacia e efectividade,
devido ao facto de pesquisadores e extensionistas nao trabalharem
isoladamente com operacoes exclusivamente pecuarias ou agrcolas. Em
vez deste tratamento isolado, o esforgo desenvolvido por equipas
interdisciplinares e a propriedade agrcola vista como um sistema
integral com ligacoes entre os respectivos subsistemas.

A PESA estimula a equipa de pesquisa a ponderar cuidadosamente o
impacto potencial que uma nova tecnologa poder ter sobre todo o
sistema de producao; isto porque um possivel melhoramento num dos
subsistemas poder afectar negativamente os subsistemas a ele ligados
(ou, dependentes)* e, em ltima anlise, o sistema de producao como um
todo. A perspectiva de sistemas minimiza a possibilidade de produzir e
implementar tecnologas que oferecem solucoes a curto prazo, mas que
causam outros problemas mais dificeis a longo prazo. A PESA
particularmente adequada para trabalhar com agricultores com recursos
limitados j que funciona dentro de sistemas existentes, trabalha com
os agricultores como cooperantes, parte de oportunidades existentes
para formular soluc6es para os problemas, testa solucoes potenciais
contra as limitaqoes e os riscos existentes e considera a adopcao de
tecnologas por parte do agricultor como critrio de xito.


ORIGENS DA ABORDAGEM PESA E A SUA RELACO COM PESQUISA E EXTENSAO
CONVENCIONAIS

possivel definir pesquisa como sendo a procura cuidada e
diligente de uma interpretacao para conhecimentos novos atravs do
testar de hipteses. A pesquisa agro-pecuria a aplicacao desta
procura aos problemas prticos de produzir, processar, armazenar, e
transportar bens alimentares e outros produtos et ao consumidor.
Anteriormente ao sculo XX, o aumento de producao agrcola deveu-se
quase exclusivamente ao aumento de reas cultivadas. No decorrer do
sculo actual a agricultura tem vindo a mudar de "um sector baseado ea
recursos para uma indstria com base cientifica" (Ruttan, 1982). O
aumento de producao agrcola "tem uma base cada vez maior nas novas
tecnologas mecnicas, qumicas e biolgicas" e dependencia da
indstria e instituicoes produtoras de tecnologa para combinar esta
tecnologa em "formas novas e mais produtivas de insumos (sementes,
fertilizantes, herbicidas, insecticidas, maquinas e equipamento)"
(Ruttan, 1982). A pesquisa e extensao agro-pecuarias ta sido
responsveis por grande parte desta mudanga para um sistema agro-
pecuario baseado na tecnologia.

Na sua infancia a PESA era caracterizada por generalistas, muitas
vezes os prprios agricultores, que executavam investigacao com
animais ou culturas e que comunicavam directamente os resultados aos
seus vizinhos. As primeiras escolas agrcolas promoveram una abordagem

2










generalista. A medida que universidades e institutos de investigasao
agrcolas foram sendo criados, deu-se uma separacio entre a pesquisa
sobre determinado tpico e a disseminacao dos resultados obtidos.
Pesquisa e xtensao passaram a ter funqoes separadas. Em alguns sitios
a pesquisa era exclusivamente conduzda por institutos, e o ensino
deixado As universidades. A extensao, por outro lado, fazia parte de
diferentes entidades para o desenvolvimento; posteriormente passou a
englobar a pesquisa aplicada, que assim foi separada da pesquisa "pura"
dos institutos.

Dentro de vrias instituicoes de pesquisa, pesquisadores
concentraram os seus esforgos, atravs de departamentos baseados em
reas disciplinares, em culturas individuais de mercado. O objectivo
era um aumento da producao e a solucao era procurada atravs da
manipulacao de variedades especificas. Ao mesmo tempo, a extensao
limitava o seu objectivo & comunicacao e perdia a sua funao prvia de
pesquisa. Em muitos sitios, como nos Estados Unidos, a extensao era
dividida com base em diferenqas de sexo; os homens eram vistos como
produtores, e os agentes de extensao (na sua maioria homens) eram
designados para servir as suas necessidades, enquanto que as mulheres
eram olhadas como sendo donas de casa e competia aos economistas do lar
prestar-lhes assistncia.

A criacao dos Centros Internacionais de Pesquisa Agro-Pecuria
(IARCs), a comegar pelo IRRI em 1960 e o CIMMYT em 1966, seguia algumas
destas linhas mestras. Criados para dar um maior impulso A pesquisa de
culturas mundiais chave, os IARCs ofereciam boas condicoes para a
pesquisa nas regi6es tropicais por forma a que os pesquisadores
conseguissem "grandes avancos" no campo da producao vegetal para os
pases em desenvolvimento. A justificacao para tal criacao era a
conscincia de que existia uma crise alimentar e, por outro lado, a
necessidade de criar auto-sufici6ncia de comida nos paises em
desenvolvimento com grandes populacoes a alimentar.

Outros grandes avancos, por meio de pacotes tecnolgicos de alto-
rendimento fsico, vieram a constituir, e a ser conhecidos como, a
"Revolucao Verde" e resultaram num grande aumento de producao de bens
alimentares, concretamente nos casos do trigo e do arroz. Os resultados
obtidos com outras espcies foram menos espectaculares. Todava o xito
da Revolucao Verde fez com que as universidades preparassem novos
cientistas ainda mais especializados, de modo a enfrentar a procura
crescente de culturas de mercado. Uma maior especializacao aumentou a
separacao disciplinar entre pesquisadores agrcolas e levou A
identificaqao e prioritizacao de problemas de pesquisa com base nas
disciplinas (artigos publicados em revistas) e nao nas prioridades dos
agricultores. Como grande parte dos pesquisadores ja nao era oriunda de
meios rurais, estes dispunham de pouca experiencia em primeira mao para
considerar, ao tomar decisoes sobre a orientacao da pesquisa. A
influencia de agricultores s existia sob a forma de poderosos grupos
de pressao representando agricultores abastados cujas propriedades
agrcolas dispunham de condicoes semelhantes as das estacoes
experimentais.

3










Este estilo de pesquisa especializada em culturas de mercado com
base disciplinar, domina o que conhecido por pesquisa e extensao
agrcola convencionais. A 'agenda' de pesquisa gerada em funcao da
pesquisa jA conduzida e publicada e em grande parte, conduzida
dentro do laboratrio e estacoes experimentais onde maior controlo de
variveis nao experimentais possivel. Para alguns agricultores esta
pesquisa fornece avangos na produtividade de produtos bsicos em
relacao terra e ao trabalho. A actual abundancia de alimentos nos
paises do mundo desenvolvido pode ser grandemente atribuida a estas
tecnologias 'milagrosas'. No entanto, os agricultores que podem usar e
usam estas tecnologias sao somente aqueles que controlam ou tz acesso
a recursos como terra, capital, mao-de-obra, e insumos, necessrios
para que tais tecnologas facam 'milagres' na producao de alimentos.

Entre 1968 e 1978, pesquisadores das reas das cincias
biolgicas, cincias sociais e economa agrcola iniciaram
simultneamente a avaliacao das novas tecnologas, e comecaram a olhar
a Revolucao Verde de uma forma diferente. Concluiram que muitos
agricultores com recursos limitados (nessa poca chamados 'pequenos
agricultores') nao tiraram proveito dessa nova tecnologa. Em vez de
culpar os agricultores pela sua nao-adopcao, alguns pesquisadores de
campo, dos IARCs e programas nacionais, comegaram a p6r em questao at
que ponto essa tecnologa era adequada. Descobriram que as tecnologias
nao funcionavam por si prprias mas que eram dependentes de vrios
insumos e condicoes infraestruturais e que tal conjuntura de factores
estava desproporcionadamente ao alcance dos agricultores abastados de
recursos (Chambers e Jiggins,1985). Na presenCa de insumos e
infraestrutura deficientes, e sob condi.oes de recursos limitados, a
tecnologa mostrava-se idntica ou inferior A tecnologa tradicional do
prprio agricultor.

O reconhecer desta realidade levou A iniciativa de produzir
tecnologas mais adequadas As necessidades do agricultor de recursos
limitados. Com base nas prprias experiencias dos pesquisadores, nas
suas instituicoes, nos seus meios-ambientes ecolgicos e nos sistemas
agro-pecuarios em que desenvolviam o seu trabalho, os pesquisadores
conceberam mtodos diferentes para gerar tecnologas mais adequadas a
condicoes com recursos limitados. Como os varios esforcos estavan
isolados uns dos outros, o resultado foi o aparecimento de varias
'marcas' de pesquisa a serem desenvolvidas, cada uma com o seu lder e
grupo de adeptos. Na realidade estas vrias abordagens eram respostas
semelhantes ao mesmo problema.

A partir de 1976 os pesquisadores comegaram a reunir-se e a trocar
ideias. Devido a interesses pessoais e terminologias divergentes, maior
desacordo do que acordo foi evidenciado sobre as definicoes. Novos
termos tcnicos passaram a ser cunhados e mudados tao frequentemente
como de conferencia a conferncia. A troca de informacao era feita de
forma extremamente informal e a fotocopiadora substitua as publicacoes
da especialidade. Grande parte dos debates orais e escritos nunca foi
publicada. Aquilo que passava a ser designad por "Sistemas Agro-
Pecurios" ou "Pesquisa de Sistemas Agro-Pecurios" (FSR ou PSA),

4










comecava a viver a sua vida prpria, separando-se cada vez mais dos
estabelecimentos de ensino e pesquisa.

Em 1980 os esforcos em torno da PSA comegaram a convergir. Deu-se
uma maior troca de ideias entre proponentes da PSA, e as semelhangas e
diferencas entre participantes tornaram-se mais claras. Trabalhadores
no campo da PSA comegaram a publicar, em revistas tcnicas legitimas
ou, em publicacoes respeitadas. O simpsio anual da Kansas State
University sobre a PSA, iniciado em 1981, tornou-se um forum
internacional para a divulgacao de resultados tericos e prticos da
PSA. Pesquisadores nacionais dos paises em desenvolvimento comecaram a
utilizar a PSA a partir das suas prprias perspectivas, e passaram a
estar disponiveis fundos para que estes pudessem estar presentes nas
conferencias internacionais. O Programa Econmico do CIMMYT liderou os
esforgos da PSA na Africa e na Amrica Latina. Os documentos de treino
do CIMMYT, produzidos a nivel regional e nacional, comegaram a definir
a abordagem PSA, A medida que maior nmero de agentes locais eram
treinados para conduzir os seus prprios ensios em propriedades
agrcolas. Ambos, CIMMYT e IRRI, aumentaram a divulgacao sobre a PSA ao
criarem redes de comunicagco entre participantes e ao promover
actividades na prpria rede.

O projeto USAID de Apoio aos Sistemas Agro-Pecuarios
(FSSP/University of Florida), criado em 1982, veio fortalecer a rede
estabrlecida entre a comunidade da PSA. O FSSP criou uma folhetim
informativo, uma srie de publicacoes para a rede de participantes e
bibliografias anotadas, em tres linguas, por forma a estimular uma
troca de impressoes que ultrapassasse barreiras regionais e para tornar
acessivel a praticantes no campo a riqueza de literatura formal e
fugitiva da PSA. O FSSP.adicionou o "/E" A abreviatura FSR (ou,o "E" A
PSA), apelando de forma explcita A necessidade de ligar os
pesquisadores e os extensionistas com os agricultores no processo de
desenvolvimento de tecnologas agrcolas adequadas. O FSSP organizou e
coleccionou ferramentas para a formulacao de materais de treino com
vista a um ensino sistematizado da perspectiva PESA a novos
praticantes. De especial importancia era a troca de impressoes entre
praticantes Anglfonos e Francfonos, ou atravs de agentes poliglotas,
traducoes simultaneas em "workshops" e conferncias,ou por meio da
traducao de documentos chave. A anlise feita por Fresco (1984), sobre
as duas tradicoes foi um ponto marcante que desencadeou um processo
importante de compreensao e reconciliaQao entre estas perspectivas,
historicamente separadas.

Em fins de 1984 comecava a surgir um consenso metodolgico entre
praticantes da PESA. Os debates deixavam o campo das discussoes sobre
as definices e comecavam a abordar de forma inteligente questoes de
contedo, resultados, problemas de implementacao, critrios de
avaliacao, participacao do agricultor, adopc9o, maneiras de acompanhar
o processo PESA e institucionalizacao. Os praticantes viam a PESA como
um meio de abordar pesquisa e extensao agrcola, diferindo da
estratgia convencional e ao mesmo tempo enriquecendo a mesma, e como
forma de estreitar as relacoes com agricultores; relacoes essas que

5










foram ignoradas pela tecnificagao da pesquisa agrp-pecuria. Ainda hoje
existe uma quantidade abundandante de acrnimos da PESA, mas
actualmente os praticantes nao s toleram melhor essas diferencas como
tambm estao activamente a aprender com a experincia dos outros.

Quando olhada do ponto de vista histrico a PESA simultneamente
antiga e contempornea. antiga, porque muitos dos seus conceitos
individuais, principios e mtodos tm sido utilizados ha mais de una
geracao numa grande variedadede de sitios.No entanto, 6 recente na
medida em que estes componentes sao combinados para conferir una
abordagem sistemtica solucao de problemas agro-pecuArios. Este ponto
de vista histrico demonstra tambm que a estratgia da pesquisa e
extensao agrcola convencionais, que sao impulsionadas por culturas de
mercado, componentes e disciplinas, nao obtiveram resultados que
tivessem beneficiado grandemente os agricultores con recursos
limitados. A estrategia convencional assume a presenca de uma base de
recursos satisfatria em termos de terra, clima e infraestruturas; esta
estratgia essencialmente, dirigida a terrenos nao-marginais
(Plucknett ae al., 1986) e v a escolha para a producao de artigos de
mercado como sendo predeterminada. Torna-se evidente que, sen urna
perspectiva PESA, os agricultores com recursos reduzidos, explorando
terrenos marginais sob um sistema de baixos insumos, adversos a riscos,
para produzir una grande variedade de culturas de subsistncia, podem
ser facilmente esquecidos ou ignorados pelos sistemas convencionais de
pesquisa e extensao.

A PESA pode contribuir de tres formas para a reorientaao de
programas de pesquisa e extensao (P/E) agrcola convencionais, no
sentido de resolver os problemas dos agricultores com recursos
limitados. Em primeiro lugar, a PESA ajuda na determinagao de
prioridades de investigacao entre agricultores de recursos limitados, o
que poder ajudar na atribuicao de fundos escassos aos problemas de
maior importancia. Em segundo lugar, melhora a geracao de tecnologas
prprias atravs de ensaios em propriedades agrcolas, o que aumenta a
posssibilidade de xito no extender de tecnologas inovadoras a
agricultores. Em terceiro e ltimo lugar, ajuda a ultrapassar
preconceitos de sexo, idade, origens tnicas e classe, pelo esforco
desenvolvido no -sentido de tornar integrais os seus diagnsticos,
formulac6es, ensaios, e fases disseminatrias. (Fresco and Poats,
1986).


ATRIBUTOS PRINCIPAIS DA PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS AGRO-PECURIOS

Os atributos principais e pressupostos de base englobados pela
abordagem PESA sao os seguintes (na sua maioria extrados de Merril-
Sands, 1985)

i. A PESA visa o agricultor A PESA visa as propriedades agro-
pecuArias familiares como sendo a clientla do desenvolvimento
tecnolgico e investigacao agrcola.


6










ii. A PESA 6 uma abordagem integral A PESA v a propriedade
agro-pecuria como sendo uma unidade integral. Um levantamento global
6 feito dos ambientes humanos e naturais em que o sistema opera. A
investigarao foca os subsistemas de producao mas a ligagao destes
subsistemas a outros reconhecida e a avaliacao dos resultados toma em
conta, de forma explcita, as ligagoes entre subsistemas (Baker e
Norman, 1986).

iii. A PESA 6 uma persDectiva dinmica iterativa e solucionadora
de problemas A PESA identifica em primeiro lugar constrangimentos
tcnicos, biolgicos e socio-econmicos ao nivel da propriedade para
depois propor tecnologas ou prticas plausiveis para os agregados
familiares visados, por forma a aleviar limita9oes. A medida que a
compreensao e a comunicacao com os pequenos agricultores vai
aumentando, vao-se fazendo ajustamentos nas concepcoes tecnolgicas de
forma a integrar as mesmas no sistema.

iv. A PESA interdisciDlinar necessrio haver cooperacao
entre cientistas agro-pecuArios de varias especialidades e cientistas
sociais para compreender as condices e constrangimentos sob os quais
os agricultores operam, e para desenvolver ou introduzir tecnologas
melhoradas que sao adequadas a essas condicoes.

v. A PESA complementa as nesuisas agrcolas disci~linar e de
culturas de mercado: nao as substitui A PESA vai buscar informacoes
ao corpo de conhecimentos de tecnologas e estratgias de gestao,
originado por programas de pesquisa bsica e de culturas de mercado, e
adapta essesconhecimentos a circumstancias ambientais e socio-
econmicas especificas. A PESA tambm fornece um mecanismo de
"feedback" para establecer prioridades para programas de pesquisa
bsica e por culturas de mercado.

vi. A PESA reconhece a esoecificidade dos factores tcnicos e
humanos locais Os agricultores sao frequentemente agrupados com base
em critrios ecolgicos e diferengas tecnolgicas, de forma a
facilitar a transferencia de tecnologa (Lightfoot, 1980). Estes
agrupamentos sao'frequentemente designados dominios de recomendacao.
Uma vez agrupados, a limitacao maior de cada grupo passa a ser o foco
da pesquisa.

vii. A PESA avalia as tecnologas por meio de ensaios em
oropriedades agricolas Os ensaios localizados em propriedades
agrcolas, permitem que haja cooperacao entre agricultores e
pesquisadores, fornecem uma compreensao mais profunda do sistema agro-
pecuario entre investigadores e permite ainda a avaliacao de
tecnologas sob o regime ambiental e de gestao nos quais as
tecnologas poderao a vir ser utilizadas posteriormente.






7










viii. A PESA fornece um canal de "feedback" dos agricultores A
PESA establece um mecanismo de "feedback" dos agricultores atravs do
qual os objectivos, necessidades, prioridades, limitacoes e critrios
para avaliar tecnologas podem ser captados. Este "feedback" dirigido
aos investigadores agro-pecuarios em esta6oes experimentais e tambm
aos polticos a nivel regional e nacional.


FASES DA PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS AGRO-PECURIOS

A maioria dos praticantes estao de acordo em que a abordagem PESA
associa, de forma progressiva, agricultores e propriedades aos dominios
prprios e que existem quatro fases distintas no desenvolvimento de
tecnologas.

i. A fase descritiva. ou de diagnstico durante esta fase, os
sitemas agro-pecurios sao examinados no contexto do ambiente global.
Os pesquisadores determinam os constrangimentos aos quais os
agricultores tm de fazer face, e estabelecem a flexibilidade
potencial, dentro do sistema da propriedade, em termos de ocupacao de
tempo, disponibilidade de recursos, etc. Sao tambm desenvolvidos
esforgos no sentido de compreender os objectivos e motivaqoes dos
agricultores, porque estes factores poderao afectar ou influenciar as
tentativas de melhorar o sistema agro-pecurio. No decorrer da fase de
diagnstico, vrios mtodos de obtencao de dados, nomeadamente
informais, formais, quantitativos e, qualitatvos, sao empregues.

ii. A fase de formulacao ou de Dlaneamento Durante esta fase
identificado um conjunto de estratgias alternativas de intervengao
(solucoes para problemas), estratgias essas que poderao fazer face as
limitagoes delineadas na fase descritiva ou de diagnstico (Gilbert,
Norman,e Winch, 1980). Nesta fase grande nfase dada A obtencao de
informacoes do corpo de conhecimento existente. Esta informagao
derivada da pesquisa conduzida em estacoes experimentais, de ensaios de
pesquisadores, de ensaios em propriedadesagricolas e dos conhecimentos
dos prprios agricultores. Esta fase envolve a avaliaao a priori de
uma tecnologia ou prtica em relacao A viabilidade tcnica e econmica
e a aceitacao social numa dada rea em foco. Tamba envolve o
planeamento de pesquisa complementar 'nao-experimental' adicional, que
poder acompanhar ensaios em propriedades agro-pecuArias ou aumentar o
conhecimento sobre o sistema agro-pecuArio.

iii. A fase de avaliacao durante esta fase algumas recomendacoes
potenciais, derivadas da fase de planeamento, sao examinadas sob as
condicoes existentes em propriedades agrcolas reais. Isto feito de
modo a avaliar at que ponto serao as novas prticas adequadas e
aceites no sistema agro-pecuArio existente. Esta fase tea
frequentemente dois passos: 1) ensaios geridos por pesquisadores mas
implementados por agricultores; 2) ensaios totalmente sob controle
execucao dos prprios agricultores. Durante esta fase tambm
conduzida pesquisa complementar, de forma a definir qual ser a melhor
maneira de promover a extensao e disseminacao de informacao, como

8










preparacao para a quarta fase.

iv. A fase de recomendacao e disseminacao (extensao) No
decorrer desta fase, as tecnologias ou prticas testadas com xito, sao
postas ao dispr de outros agricultores em circunstancias semelhantes.

Na prtica nao existem demarcacoes evidentes entre as vrias
fases. O processo de pesquisa reconhecido como sendo dinAmico com
ligacoes em ambas direcoes. O pessoal de pesquisa estar a planear
algumas tecnologas e a testar outras, enquanto haver a necessidade de
diagnosticar problemas novos, medida que a nossa compreensao do
sistema agro-pecuArio vai aprofundando. Cada fase tem um grupo de
metodologas claramente definidas, que os praticantes aplicam
rotineiramente em condicoes de campo. Estas metodologas serao
discutidas em captulos subsequentes deste manual.


VISAO ESQUEMTICA DO PROCESSO DA PESQUISA DE SISTEMAS AGRO-PECUARIOS

A natureza iterativa e dinmica do processo PESA representada no
diagrama esquemtico da Figura 1.1. No diagrama, a fase de formulacao
ou planeamento do processo PESA constitui o ponto integrador central
que une os quatro componentes constituidos por pesquisa em propriedade
agro-pecuaria, pesquisa em estacao experimental, extensao, e tomada de
decises ao nivel poltico. O processo comeCa ao nivel do agregado
familiar da propriedade agrcola, onde o sistema agro-pecuArio
descrito e problemas ao nivel da propriedade sao identificados, por
meio da utilizacao de ferramentas de diagnstico. Os resultados sao
analisados ao nivel da fase de planeamento e formulacao. Nesta altura,
a equipe PESA ordena os problemas e identifica solucoes possiveis. Para
alguns problemas talvez nao existam quaisquer solua6es tecnolgicas e
torna-se necessrio conduzir pesquisas em laboratrios e estacoes
experimentais, de forma a gerar novas alternativas a serem testadas na
propriedade agrcola. Atravs do diagnstico tambm possivel
identificar soluces derivadas do agricultor e extender essas solugoes
a outros agricultores a operar em condicoes semelhantes. Resultados
provenientes do acompanhamento prestado por parte dos trabalhadores de
extensao, da adopcao ou da nao-adopcao de tecnologia por agricultores,
podem entrar em fases subsequentes de planeamento e formulacao.

Finalmente, no caso de muitos problemas ou constrangimentos da
propriedade agro-pecuria, a soluiao nao est na tecnologa, mas sim
ligada a mudangas ou melhoramentos nas polticas agrcolas. Falta do
crdito necessrio, disponibilidade fora de poca de insumos tais como
sementes e fertilizantes, ou a falta de infraestruturas adequadas para
colocar produtos agrcolas no mercado podem ser tao limitadoras para a
producao ao nivel da propriedade agrcola como qualquer doenca ou
insecto; no entanto as soluqoes alternativas requerem mudancas e
reorientaQces de polticas.




9










A Eauoa PESA
InCa o Traoaiho AQui
Agregados familiares das
propnedades agro-pecuarias




Oiagnostco/Anaise Ensaos
PUESUISA
EM PROPRIEOAOe
AGROP.ECUARIA

Oemonstravo da tdcnologia Pedidos de nformao ao nre
aprovada por agricutores da propnedade agricola

Acompanhamento
da adop4o
~ TouADA oC
EXTENSAO PURME A oasaes posNs
FORMULAC9AO. OEEs E o
Oivulgaco da
tcnalogia adoptive

Acompanhamerto ARecomendaoes sobe mudangas de pDoca
da no-adoppgo para melhorar o deseanolvimento
e a adopao de tecnologas
PESaUISA EM
SESTAcAO AGRONOMICA
E LABORATORIO
Problemas TcnoIogias prpnas
nao resolvidos para zonas seaaonada
com base no meo-amoienxe



Pesqusa disciplina.
temtica ou por
culturas de mrcado
Figura 1.1. Viso esquemtica do processo PESA (IN: Susan Poats,
baseado num diagrama anterior de Collinson, 1982)


Ura licao extraida do diagrama que o processo PESA nao termina
com um ciclo de pesquisa em propriedade agrcola. Cada novo ciclo de
pesquisa gera ura melhor compreensao do sistema agro-pecuariq e promove
maior colaboracao com a comunidade rural. Devido A possivel mudanga de
necessidades dos agregados familiares das propriedades agrcolas, de
uma poca para outra,o processo tem de ser continuo. A anlise dos
resultados de uma poca de pesquisa serve como dado de diagnstico para
determinar novas limitacoes at ai nao reconhecidas, ou como paradigma
para dar novas prioridades a problemas existntes.

Do diagrama tambm evidente que a PESA nao se manta isolada e
que nao opera estritamente dentro da esfera de pesquisa em propriedade
agro-pecuaria. Nao um substituto para a pesquisa ea estaCao
experimental, mas sim um complemento que pode servir na orientacao da
pesquisa temtica, disciplinar ou de culturas de mercado, de modo a
focar aqueles problemas mais urgentes do ponto de vista do agricultor.
O processo PESA pode fornecer uma ligagao necessria entre agricultores
e circulos polticos. Finalmente, a PESA pode fornecer ua elo entre
investigaCao e extensao, ao envolver extensionistas no principio do
desenvolvimento de tecnologias, e ao fornecer aos extensionistas ua
mecanismo para influenciar o planeamento de pesquisa, que ter ea

10










consideracao factores que facilitarao a disseminacao e adopcao de
tecnologia.


SINTESE

A exposicio nas secqoes at aqu apresentadas fornece uma
panormica geral da abordagem PESA, a sua relacao com a pesquisa e
extensao agrcola convencionais, as caracteristicas-chave da PESA que,
em conjunto a distinguem de outras abordagens ao desenvolvimento
agrcola, as fases bsicas das actividades da PESA e o processo global
de conducao da PESA. Esta exposicao forneceu-as bases para o resto do
manual. O capitulo II considera a aplicacao da teoria de sistemas
descricao e compreensio dos agricultores de recursos limitados e das
suas actividades de producao. Estes 'conceitos de sistemas' bsicos sao
essenciais para a aplicacao efectiva da abordagem PESA. Os captulos
III,IV, e V expoem os mtodos associados a cada fase da PESA. O
planeamento ou formulacio encontra-se no capitulo IV. A seccao de
conclusao deste manual discute os problemas e questoes associados
organizaCao e gestao do processo PESA. A PESA requer diferentes tipos
de recursos institucionais para ser eficiente e efectiva; requer novas
maneiras de diririr pessoas entre diferentes disciplinas e culturas de
mercado; apela a novas formas.de relacionamento entre agricultores e o
sistema de pesquisa e extensao, e origina informacao e resultados que
desafiam os canais de comunicacao existentes. Estas e outras questoes
serao abordadas no capitulo V, como tambm exemplos de como alguns
programas nacionais lidaram com estes problemas.


























11
















CAPiTULO II




COMPREENSAO DAS PROPRIEDADES AGRO-PECUARIAS DE RECURSOS
LIMITADOS COMO SISTEMAS




O QUE UM SISTEMA?

Um importante elemento caracterizador do processo PESA o "uso
generalizado de uma perspectiva de sistemas por forma a compreender as
interaccoes e ligac.es entre as complexas circunstancias
fisicas,biolgicas, e scio-econmicas dos agricultores de modo a
facilitar a criagio de tecnologa agrcola nova" (De Walt, 1985). Esta
perspectiva de sistemas fornece A equipa PESA uma visao da propriedade
agrcola como sendo um todo, com subsistemas interligados. Partindo
desta perspectiva, empresas agrcolas ou subsistemas individuais como
campos de milho, hortas ou animais pequenos sao vistos como atividades
ligadas, entre as quais o agricultor tem que distribuir os seus
recursos para a producao (terra, mao-de-obra, insumos, capital,
equipamento, gestao, etc.). A partir do momento em que as propriedades
agro-pecurias sao vistas como um sistema composto por subsistemas
interligados necessrio reconhecer que uma alteracao em qualquer dos
subsistemas trar alteracoes ao resto do sistema. A pesquisa em
propriedade agrcola testa as novas tecnologas dentro da realidade do
sistema agro-pecuArio de modo a que os pesquisadores possam determinar
nao s as possiveis melhorias resultantes da mudanga, como tambm, os
potenciais efeitos negativos em outras partes do sistema.


CRIAQAO DE UM MODELO DO SISTEMA AGRO-PECUARIO DE RECURSOS LIMITADOS

Um modelo uma forma de descrever e sintetizar um sistema e os
seus componentes identificados. Ajuda os pesquisadores de forma a que
estes consigam compreender a questao em estudo e localizar lacunas no
seu conhecimento.. uma ferramenta til a ser empregue no inicio do
diagnstico de um sistema agro-pecuArio ou para selecionar solucoes
tecnolgicas alternativas, de modo a prever os resultados em condicoes
da propriedade agrcola. Os modelos representam um primeiro passo na
descricao de um sistema agro-pecurio e nao sao, de forma alguma,
exaustivos. Na PESA, os modelos que descrevem um sistema agro-pecurio
nao s retratam as actividades de producao, como tambm apresentam

13










comportamentos humanos de modo a desenvolver uma compreensao de como os
agricultores gerem as suas propriedades. Os modelos estruturais, usados
nesta seccao, focam os niveis de intera culturas, animais e empreendimentos do agregado familiar levados a cabo
fora da propriedade agrcola. Tais modelos sao importantes para
orientar e guiar os esforgos da equipa interdisciplinar. A compreensao
do contexto global dentro do qual as novas tecnologas serao
promovidas, ajudar a equipa a avaliar o potencial da tecnologa
proposta. Por exemplo, um modelo poder evidenciar que as culturas nao
sao apenas produzidas para comida e mercado, mas tam tambm funcoes
como materiais de construCgo, para rituais, para alimento e cama de
animais e como matria orgnica a ser incorporada. Ao ajudar a familia
da propriedade agrcola a aumentar o rendimento fsico de cereais para
comida e venda, a equipa tem que assegurar que outras funcoes
essenciais dos cereais nao sao sacrificadas.
Os exemplos seguintes de sistemas agro-pecuarios na sia, frica e
Amrica Central demonstram como os modelos estruturais sao construidos
e a sua utilidade para as equipes PESA.

EXEMPLOS DE SISTEMAS AGRO-PECURIOS DE RECURSOS LIMITADOS

Adaptado de: A Pequena Propriedade Agrcola Familiar Pequena como
Sistema, FSSP TMS 203 Pete Hildebrand e J. Dean, Agosto, 1983.

Asia

Tris tipos de sistemas agro-pecuArios sao comuns na Asia: a
agricultura corta-e-queima, sistemas de terras altas hmidas, e
finalmente, sistemas de arroz de terras baixas. Estes diferentes
sistemas reflectem as modificacges produzidas como consequncia do
aumento da pressao populacional, por um lado, e reflexo do melhoramento
de infrastructuras por outro.

Sistema corta-e-queima na sia

0 modelo apresentado na Figura 2.1 representa a agricultura corta-
e-queima que encontrada em zonas isoladas, com pressoes populacionais
pequenas, e com contacto reduzido com mercados e infraestructuras.
Ocasionalmente algo da producao da propriedade vendido. Com
frequncia este algo sao animais que podem caminhar at ao mercado. Por
vezes compra-se algo no mercado; poder ser um animal, que pode
caminhar at a propriedade agrcola. Ocasionalmente o agregado familiar
vender mao-de-obra e comprar alguns produtos ao mercado. A grande
maioria da mio-de-obra familiar utilizada no cultivo, e nao nas
actividades pecurias. A interacvao entre culturas e pecuaria .mnima
no sistema corta-e-queima. Apenas pequenas quantidades das culturas sao
alimentadas ao gado e somente detritos orgnicos acidentais sao
utilizados para as culturas. O fluxo de produtos das culturas para o
agregado familiar mais importante do que dos animais para o agregado.
Tanto os animais como as culturas fornecem beneficios rituais, alm de
alimento humano. As culturas tambm fornecem materiais de construcao


14











para o agregado familiar. A quantidade de produto que provem do pousio
a longo prazo ou da floresta uma das rela;oes mais importantes no
sistema corta-e-queima. Os tres produtos mais importantes da floresta
ou pousio a longo prazo sao a fertilidade para as culturas, materiais
de construcio e combustivel para o agregado familiar.



MERCADO




Scobust.
AGREGADO
ma. con*,. FAMILIAR
mat. cons.

=o o mo-de-obra e
mao-d-obra alimento
i ( o o animal

comida comida
ritual ritual
mat. cona.

CULTURAS T.
1 _ANIMAIS
-----,- alimento -
animal
mixtura: restolho porcos
complexas para aves
nimncaorpor. cabras
ovelhas
estrume -



|ertilidade f axn prop. agric: a mnto
animal

Spredagao de fora da prop. agrie: pousio i
animais s.lvagens M (a longo prazo)




Figura 2.1. Sistema agro-pecuario corta-e-queima Asitico,
agricultura nao-fixa, pouca integracao de culturas e
animais (soltos ou nao)




Sistemas de terras altas hmidas na Asia

As terras altas hmidas (Figura 2.2) representam uma rea com
maior desenvolvimento e pressoes populacionais do que as reas de
agricultura corta-e-queima. A maioria das interligagoes sao mais
estreitas e a propriedade agrcola como unidade requer um apoio
infrastrutural muito maior. Tanto a venda de animais como de culturas

15











sao importantes e os insumos para as culturas sao comprados no mercado,
embora estas actividades nao sejam praticadas extensivamente em muitas
zonas de terras altas. O uso de mao-de-obra importante tanto para
animais como para culturas. Os sistemas culturais tm maior organizacao




MERCADO




S combustival
I AGREGADO
FAMILIAR

mao-de-obra
amio-de-obra alimento
A I
fertilidade t r aniMa


d comida comida
transporte


CULTURAS --- ANIMLIS
i cam a e
Strigo alimento
arro z restolho animal
milo f(arroz =aves1
mandioca milho i estu ca
feiJ6es vi- estrume b- t alos
sorgo b
kenaf tracao
transporte


Fertilidadae r-- a prop. agric: pousio alimento animal


fora da prop. agric: floresta





Figura 2.2. Sistema agro-pecurio de terras altas Asiticas, cultivo
permanente, integracao moderada de culturas e animais
(animais presos ou em pastoreio)





do que os da agricultura corta-e-queima. Conjuntamente com um sistema
mais organizado, as relacoes entre animais e culturas tornam-se muito
mais fortes em sistemas de terras altas midas. A importncia da
floresta e pousio a longo prazo torna-se muito menor, devido a sua
crescente escassez nestes sistemas e a sua funao essencial de prover
o agregado familiar de combustivel. Pousio na propriedade e bordas de
campos adquirem uma importancia relativa ao fornecer alimento animal, o
que contrasta com o sistema corta-e-queima.

16












Sistema de arrozal de terras baixas na Asia

Os sistemas de arrozal em terras baixas (Figura 2.3) representam
uma rea de grande desenvolvimento e pressao populacional, e
caracterizam-se por uma muito grande dependncia das infrastruturas e
dos mercados. importante notar, em particular, que uma grande depen-



MERCADO




combustival
AGREGADO
FAMILIAR

mao-de-obra
mo-de-obra alimento
fertilidad A A animal

comida
comida ritual



CULTURAS i ANIMAIS
S n alimento
animal vacas
arro porcos
legume restolho patos
lequminosas para bfalos
grao-da-bico incorpor. r galinhas
faijo-mungo i tracgo gansos
aestrum
transporte


I | -e prop. agric: bordas de campos| alimanto


fora da prop. agric:


Figura 2.3. Sistema de arrozal em terras baixas Asiticas, cultivo
permanente, alto nivel de integragao de culturas e
animais (captivos)


dncia entre culturas e mercado desenvolvida nestes sistemas e ainda
de maior importancia, que o combustivel tem de ser comprado ao mercado,
j que nao est disponvel dentro do prprio sistema agro-pecuro.
Isto, por sua vez, cria uma dependencia do agregado familiar da venda
de produtos, provenientes da propriedade agrcola, ao mercado. Devido
as pressoes populacionais h uma tendncia para plantar culturas com
maior valor comercial. Estas culturas requerem maiores quantidades de
mao-de-obra. Isto poder implicar a aquisicao de mao-de-obra fora da
propriedade agrcola durante as pocas altas. Nestes sistemas h um

17










alto nivel de integracao de animais e culturas. A maioria dos animais
encontra-se presa. Terras ou florestas para pousio sao poucas, ou mesmo
nao existentes. A importancia das bordas de campos reduzida, devido
pressao intensa sobre a terra. Isto, por sua vez, explica,
parcialmente, a dependncia que as culturas tm do mercado
relativamente As fontes de fertilidade, compradas por forma a aumentar
a fertilidade de origem animal.

Um conjunto de relaqoes e caractersticas foram destacados nesta
sequncia de trs sistemas asiticos diferentes. Por exemplo, a
natureza do sistema agro-pecuArio, embora complexa em todos os casos,
grandemente condicionada pelo apoio infraestrutural disponivel
propriedade agrcola. Se o nico acesso que a propriedade tem ao
mercado por canoa, multo pouca dependncia do mercado ser
evidenciada pela propriedade agrcola. As pressoes populacionais,
reduzidas em reas isoladas, permitem, noramalmente, aos agricultores
obter grande parte das suas necessidades na floresta e/ou em terrenos
sob pousio a longo prazo. Tambm possivel obter fertilidade desta
mesma fonte e, nesse caso, o mercado nao necessrio para fornecer
essa fertilidade. Os recursos disponiveis As propriedades nessas reas,
estao, essencialmente, fixos em quantidade e, provm da prpria
propriedade. Poucos recursos nao-fixos, como fertilizantes ou capital,
para poder adquirir outros insumos, esto disponiveis. Em contraste, em
zonas com grande pressao populacional, as pressoes sobre a terra, a
necessidade de comprar combustivel ao mercado e a maior proximidade A
infraestrutura, resultam num sistema de producao agro-pecuaria que tem
uma muito maior dependncia dos mercados e de outros apoios
infraestruturais.


frica

A regiao da savana Afro-Gambiana (agricultura sedentaria rudimentar)

A regiao da savana Afro-Gambiana (Figura 2.4) caracterizada por
uma precipitacao anual entre 1000 a 1400 mm, com 90 por cento desta a
cair entre meados de Junho e meados de Agosto. O ambiente ou quente e
hmido ou quente e seco, dependendo da estacao do ano. As temperaturas
mximas diarias atingem ou ultrapassam os 30*C. As temperaturas mnimas
esto compreendidas entre os 15 e os 22"C, entre Janeiro e a poca
chuvosa, respectivamente.

Uma classificacao de capacidade de uso do solo evidenciou que 46
por cento dos solos foram considerados ou inaptos para o cultivo ou
marginais; no entanto, 10 por cento destes solos estavam sob cultivo.
Normalmente s 20 por cento das terras adequadas para cultivo serao
cultivadas anualmente, ficando as restantes reas em pousio. At 1972 a
proporcao de terras cultivadas cresceu para 30 por cento, indicando que
a rea cultivada aumentou gradualmente, em detrimento das terras sob
pastagens ou florestas (pousio a longo prazo). Aproximadamente 60 por
cento do total de terras cultivadas est plantado com amendoim e a
restante rea est a ser usada com culturas de subsistencia (sorgo,

18











mandioca, milhete, arroz e milho). A producao de alimentos humanos
deficiente devido nfase atribuida As culturas de mercado.

O direito terra nas zonas rurais 4 determinado por leis
tradicionais referentes aos direitos comunitrios. O chefe e o conselho
de aldeia cedem direitos de cultivo da terra aos chefes dos agregados
familiares. Os arrendamentos que dizem respeito a terras para arrozal,
irrigado ou de terras baixas, sao normalmente levados a cabo atravs
das autoridades distritais, j que tais terrenos constituem parte da
"terra nacional."


MERCADO



c_\ abust.
-mat. con.
AGREGADO
SFAMIIAR


alirueeto


I scomida I
mat. cons. comid
mat. primas ritual
p/ procesa. Oa


CULTURAS I i ******* ANMIAIS
alimento
aanimal vacas

cargo galinlas
m oca tracc;o d'Angola
mandioca transporte cavalos
estru me hurros


fertilidad&e | e prop. agric: limnto
S|anina

fora da prop. agric:pouasio (a longo prazo),
bosque

Figura 2.4. A regiao da savana Afro-Gambiana (agricultura sedentaria
rudimentar)


Quase todos os ncleos de habitacao (constituidos por casas,
abrigos para os animais e hortas) mantem tres a dez ovelhas, tres a
quatro cabras, at dez galinhas, e algumas galinhas d'Angola. Estas
especies sao cuidadas pelas mulheres e originam rendimentos econmicos
ao serem vendidas. As aves sao criadasde forma extensiva, enquanto que
as ovelhas e as cabras estao presas. Os caprinos e ovinos passam as
noites sob abrigo para evitar que se percam e para acumular estrume
para aplicacao na horta. frequente ter bovinos, embora os nmeros
variem consideravelmente de caso para caso, em comparacao com os ovinos
e caprinos, em que existe maior homogeneidade de nmeros. Nos casos em

19










que existe um grande numero de bovinos, 40 ou mais, estes sao cuidados
por um pastor contratado (razio da seta a cheio, no diagrama, do
mercado para a componente animal), sendo este pago com os fundos
gerados pela venda de leite ou, por vezes, em dinheiro. Em casos em que
existem poucos bovinos, o "pastoreio conjunto" 6 praticado com o
propsito de reduzir as necessidades de mao-de-obra contratada, ou
seja, paga.

A maneira principal de obter alimento animal atravs do
pastoreio em, florestas permanentes, pastagens, e terrenos de pousio.
Devido fragmentacao das propriedades agrcolas (multo ea particular A
distancia entre os arrozais e o ncleo habitacional), A falta de
equipamento para transporte e & procura de mio-de-obra para a colheita
do amendoim, pouco aproveitamento 6 dado ao restolho de outras
culturas, durante a poca seca, como fonte de alimento animal. Grande
parte do restolho das culturas 4 pisado ou desperdigado por bovinos a
vaguear, pertencendo estes animais ou a gentes locais ou a rebanhos
pastorais, provenientes do norte. Durante um periodo de sete a oito
meses o valor nutritivo dos alimentos bovinos reduzido e,
consequentemente,.o gado sofre perdas de peso bastante acentuadas nesta
altura. O cultivo de amendoim nas terras altas e o aumento da produco
de arroz nas terras baixas, t&m dado origen a conflitos srios entre
agricultores e pastores.

A contribuigao da componente pecuria varia de caso para caso;
esta contribuicao pode ir de pequena a grande, em funcao das medidas
empregues. Algum leite 4 para consumo caseiro; ocasionalmente, ovelhas
ou cabras sao vendidas para abate. Devido ao sistema de direto A terra
praticado, os animais tornam-se o meio mais efectivo de gerar capital e
reservas. Os animais tAm um papel na distribuiCao de receitas dentro do
agregado familiar, ja que as receitas provenientes das vendas de aves e
ruminantes de pequeno porte se destina As mulheres. Na religiao
Mugulmana os animais tm una funcao nos rituais, especialmente durante
a celebracao do Tabaski. O recurso A traccao animal est numa fase de
expansao bastante rpida e, consequentemente, uma proporgao
significativa de propriedades rsticas depende de bois para aumentar
as suas produccoes agrcolas. O estrume dos animais tambm contribui
directamente para a producao agrcola.

Sob o actual sistema de direitos sobre a terra, as opurtunidades
de aumentar a integragao de culturas e gado sao reduzidas. Maior e
melhor aproveitamento poderia ser feito dos residuos vegetais (por
exemplo, atravs de uma maior preservagio do restolho de amendoim de
melhor qualidade). A terra sob pousio a longo prazo poderia ser
utilizada de forma mais benfica atravs de uma melhor gestio das reas
de pastagem. No entanto, os agricultores locais hesitam em investir
mao-de-obra ou capital; esta hesitacao resulta do facto de nio haver
meio efectivo de negar acesso aos pastos a pastores provenientes do
Senegal. Semear espcies forraginosas durante a poca chuvosa cria
competigao ao nivel da mao-de-obra, j que esta necessria para a
colheita de amendoim e de outras culturas alimentares. At que haja
mudangas nos factores exgenos As propriedades agrcolas (por exemplo:

20











contr6le de "rebanhos forasteiros", presos de carne mais equitativos, e
decisoes de base relativas A poltica de uso da terra para cultivo e/ou
pastagens), a oportunidade para alteragoes 4 reduzida.


Os exemplos. acima mencionados tornam evidente que os sistemas
agro-pecurios pequenos sao altamente variveis; sao sistemas complexos
que requerem elevado nivel de gestao competente para funcionarem de uma
forma eficaz. Estes sistemas sao melhor compreendidos ou apreciados
como "unidades integrais" por tcnicos e planeadores para a aplicacao
de tecnologa. Atravs de uma apreciacao da interdependencia entre
culturas e pecuaria, os tecnlogos conseguem compreender melhor o
pequeno agricultor quando este rejeita a tecnologa aconselhada, devido
ao risco de criar um desequilibrio insustentvel no sistema. Por
exemplo, a substituicao de um cultivar local de milho por outro com
maior produgao, poder reduzir a quantidade do restolho de milho, que
pode resultar na falta de alimento pecuario; esta situacao nao
tolervel, especialmente quando o agricultor depende dos animais para
forca de traccao. Os exemplos mencionados tambm tornam clara a
necessidade de tecnologas mais prontamente aplicveis ao sistema
pequeno.

Deve ainda chamar-se a atencao para duas funcoes adicionais dos
animais, nao representadas no diagrama: (1) sao potencialmente muito
valiosos durante pocas em que haja escassez de bens alimentares e/ou
dinheiro; e (2) podem amortecer os efeitos de certas contingncias,
como doenga, falta sazonal de alimentos, ou a necessidade de auxiliar
familiares em situacao difcil.

Amrica Central

Uma anlise das diferencas presentes entre um sistema agro-
pecuArio tpico de terras altas da Amrica Central e um caso especifico
de propriedade agrcola da zona.


Um sistema generalizado (Figura 2.5)

A propriedade agrcola tem muitas das caractersticas do sistema
de terras altas asitico. HA uma dependncia maior das culturas e menor
dos animais para gerar rendimentos do que nas terras altas da
Asia.Tambm existem algumas diferengas entre espcies cultivadas e o
tipo particular de pecuria aqu presente. Tais diferencas podem ser
atribuidas & cultura, regiao do mundo e solos e clima ai presentes.









21













MERCADO




combustivl
AGREGADO
FAMILIAR a


alo-da-obra m o-de-obra


comida comida |
ritual f ibrasI
mat. cons. transporte


CULTURAS m casma o p ANIArIS
alimento
animal
milho mat. cons. porcos
faij oes restolho estrue ovilhas
trigo ipara vaca
batatas incorpor. cavalo
caba9as traccao
transporte
a etrume


iertilidade em prop. agric: pastagens naturais alimento
rtilidad s bordas de campos ani al


fora da prop. agric: floresta -- 1






Figura 2.5. Terras altas da Amrica Central, cultivo permanente,
alto nivel de integraaao de culturas e animais
(pastoreados ou presos)



Um caso especifico de propriedade agrcola

Comparemos agora um caso especifico de propriedade agrcola nas
terras altas da Amrica Central (Figura 2.6) com o modelo generalizado.
Esta propriedade tem tendencias mais fortes para vender produtos
pecurios e comprar insumos para o gado no mercado do que no modelo
geral. Esta propriedade tem tambm a sua prpria floresta e pastagens
em vez do acesso a reas florestais ou de pousio a longo prazo. Uma
lista completa das espcies cultivadas nesta propriedade inclui aquelas
do modelo generalizado e ainda ervas medicinais, outros produtos
hortcolas e frutas. Nesta propriedade, do milho produzido, 10%
vendido directamente, 19% utilizado como comida para o agregado
familiar, 70%serve como alimento animal e 1% utilizado para semente.

22











n=RCAOO




tertilz loo rU ai.jo uupa M a Ccia
p 1tici 0 lo *ilia 10 o-de-oba 3 P3
erra. n so a 100 vaal aoo
*~ten axiolas n vario so
Supa 93 *cbustival
S.ao-da*obra. 5 -AOO velas too
-- rAMULZAR Varios
medicamentos 75 concentrados 1o
tacid' s 10o medicamentos 10a
t ii 10 pintos 0o
roapa so b erras so
io I0 Comida transporta so
trigo o obra 12 madeira 100
baeatas so milho o l
eq.(silv.4 s55 I trigo 1
l.(ho.rta) so fava i-s Comida aml so
taijaos 100 Bo-4d- L.ita to l.ita 2
leaqsilv is ba 20 natas s porcos adultos 97
lq"(hortal se Alioanal porao 3 poreas paquanos 70
ruta 100 oo a galinha 4 ovoes so
Stalhas ovea 4o galinhas vivas os
Cambustival M. O galinas aortas t00
-. macarocas. 100o atrias Primas cachoartiouns o1
iFno Medicamentos ,ii, d u
trigo ervas a pna la (0
bataetas
favae i

lag silveat. Alisena --A ovino

copmosto rs araoh de bamaa so eovCi
ad ultio urad sino


penas ao bacatas coa doenea too
paha trigo so ii_ i iiii--
rSIbtoia 0ha0' o | 11

igMo, (tloractae) v diimuano Aninal
trigo ao20 bovinos aas
batatas o ahelh"s .-
Lavas t-o
combustil
mao no sao pdop. a pari .: toratt ppr tagan
caboa 100
poadira 100


Figura 2.6. Modelo de um caso especifico de sistema agro-pecuario
nas terras altas no oeste da Guatemala (os nmeros sao a
percentagem do total do mesmo iten)


O restolho do milho usado para cama e alimento animal e
aproximadamente 50% devolvido ao cultive misturado com estrume. Os

agregado familiar. O trigo uma das culturas de mercado primrias. Do
trigo, 60% directamente vendido ao mercado, 20% usado na
alimentacao do agregado familiar e 20% armazenado como semente. Tal
como no caso do milho, a palha o trigo utilizada para camas e
alimento animal e, aproximadamente, 50% da palha devolvida ao cultivo
misturada com estrume. Os animais nesta propriedade incluem vacas,
porcos, galinhas, abelhas e caes. Das galinhas criadas, mais de metade
sao diretamente vendidas ao mercado e 42% destinam-se ao consumo
caseiro. Um produto secundario das galinhas, as penas, sao utilizadas
dentro do agregado familiar para fazer flores de penas que sao depois
vendidas no mercado. Esta aplicacao necessita de 20% das penas. Os
restantes 80% sao utilizados para estrume e devolvidos as culturas com

23










esterco de galinha. Do leite produzido pelas vacas, 2% vendido, 10%
destina-se ao consumo caseiro e 88% utilizado como matria prima para
a manufactura de queijo. Do soro, resultante da manufactura de queijo,
95% 6 utilizado como alimento animal, 3% 6 usado no consumo caseiro e
2% 6 vendido. Alm de gerir as actividades agricolas e pecurias, os
homens produzem mobiliario e as mulheres produzem camisolas e alguma
roupa. Dos medicamentos necessrios A familia, 75% sio comprados e 25%
t&m origm na prpria propriedade. Produtos transformados pelo agregado
famililar e, depois, vendidos, sao o queijo, o soro, flores de penas,
mobilia, camisolas e alguma mio-de-obra caseira.


DESAGREGACAO DO AGREGADO FAMILIAR

(Esta secqao 6 baseada, em grande parte, na estrutura conceptual
construida por Feldstein e. aL., 1987.)

Os exemplos, at agora mencionados, de modelos estruturais de
sistemas agro-pecurios na Asia, frica e Amrica Central, focaram
essencialmente, o. delinear dos vrios componentes da producao agrcola
e pecuria e das varias ligacoes, entre, e dentro de, cada empresa.
Pouca atencao foi prestada A componente designada 'agregado familiar'.
muito frequente, no decorrer de projectos agrcolas, assumir o
'agregado familiar' como a unidade de anlise, e os chefes dos
agregados familiares, homens, como sendo os responsveis pelas decisoes
principais e fonte de informacao. As funcoes dos outros membros do
agregado familiar sao, com frequncia, ignoradas. Tal procedimento pode
ser prejudicial para o diagnstico efetivo de problemas agrcolas e,
para o testar de tecnologias alternativas. Mulheres adultas, idosos e
crianqas, contribuem A producio da propriedade habilidades especificas,
recursos e prioridades. Ignorar estas contribuicoes 6 ignorar metade,
ou mais, do sistema em que as decisoes sobre producao agro-pecuAria sao
tomadas.

Na maioria das sociedades, as relacoes entre, e dentro, dos
agregados familiares tm um efeito profundo sobre as decisoes que o
agricultor toma. A dinAmica, dentro de, e entre, agregados familiares
bassia-se nas diferencas de sexo, idade, senioridade, classe ou origens
tnicas, e fases de desenvolvimento no decorrer do ciclo da vida. Estas
relacoes dos agregados familiares esto profundamente ligadas aos
sistemas agro-pecuArios e, como nos casos dos subsistemas de culturas
ou de animais, terao um efeito sobre, e serao afetados por, estes
sistemas. Em todas as sociedades, homens e mulheres fazem coisas
diferentes, tm acesso a recursos e beneficios diferentes e tm
responsabilidades diferentes. Por exemplo, homens e mulheres podem ter
a responsabilidade de cuidar de culturas diferentes, cuidar de
parcelas diferentes da mesma cultura, ou ainda, de atividades de
producao diferentes para a mesma cultura na mesma parcela. Em muitas
regioes, estas funcoes estao num processo de mudanca permanente. E
importante observar e registar estas diferengas, baseadas em diferencas
de sexo e de comportamento e utilizar estes dados como parte da anlise
que dar origem formulacao e ao testar de tecnologas melhoradas.

24










)O ponto essencial 4 compreender que um agregado familiar nio um
agrupamento indiferenciado de pessoas com funcUes de producao e consumo
comuns; por exemplo, com repartico ou acesso igual a recursos para a
producao e respectivos beneficios. Os moldes de tomada de decisao
variam de sitio para sitio. Alguns agregados familiares talvez se
insiram no modelo padrao onde um s membro 6 responsvel pelas
decisoes, ou seja, um ditador benevolente. Em alguns casos, todos os
membros, ou apenas alguns membros especficos, sao consultados. Noutros
casos, os agregados familiares nao podem ser considerados, de forma
alguma, como sendo unidades. Homens, mulheres e criancas podem
funcionar em esferas completamente separadas no tomar de decisoes
relativas a producao, rendimento e despesas.

Resumindo, a forma do agregado familiar e os padroes de tomada de
decisao nao podem ser pressupostos. Os agregados familiares sao
complexos, e nao homogneos. Mesmo nos casos em que o agregado familiar
forma ura unidade de anlise til, o padrao de atividades, recursos e
incentivos dos membros constituintes sao informacoes importantes para o
processo PESA, e tim de ser determinados atravs da pesquisa. Os
agregados familiares nao se mantm estticos no decorrer do tempo;
mudam, em funcao de fases do ciclo da vida, movimentos populacionais e
alterac5es no que diz respeito a bens, terrenos, residencias ou
tradicoes culturais. Por exemplo, agregados familiares com criangas
jovens talvez dim maiores prioridades A producao de culturas
alimentares e A procura de trabalho feminino; agregados familiares em.
que haja criancas mais velhas e, consequentemente, mais mao-de-obra
disponivel, poderao adoptar uma ou mais atividades requerendo maior
intensidade de mao-de-obra. A migracao, temporaria ou permanente,
poder deixar muitos agregados familiares a serem dirigidos por
mulheres, com menor disponibilidade de mao-de-obra e um acesso mais
limitado a recursos para a producao. Esta variagao no tipo do agregado
familiar poder ser tao importante como diferenCas ecolgicas para
determinar constrangimentos de producao e para designar dominios de
pesquisa, ou de recomendagao, adequados.

Os modelos estruturais podem ser utilizados para elaborar um
diagnstico das actividades e interacqces importantes dentro do
agregado familiar. A Figura 2.7 fornece um modelo esquemtico de um
agregado familiar da Africa do oeste, no qual os homens e as mulheres
tm responsabilidades sobre diferentes culturas e atividades do sistema
de producao. Este modelo difere muito da visao global apresentada
anteriormente, em termos de sistema de producao e da forma pela qual as
responsabilidades sao divididas entre os membros do agregado familiar.


CONSTRUCAO DE UM CALENDRIO AGRICOLA

Um dos problemas no descrever de sistemas agro-pecuarios por meio
de modelos estruturais 4 que o resultado semelhante a uma fotografia,
ou seja, a uma visao do sistema num momento determinado. Devido
ausencia da dimensao tempo, as actividades parecem decorrer de forma
simultnea. Os modelos estruturais nao permitem a compreensao de como

25











m ercado oficial de careais mearcado semanal informal
MERCADO
-- r "" --1

"a "i
> e

GADO comida
K AGREGADO FAMILIAR
Sm.d.o. horta
S A1M A? frutas
S- legumres

0 a





CULTURAS DE TERRAS agregado a u cabras
ALTAS familiar o A ovelhas
sorgo
-grao p AROZAIShI PEQENOS
milhete j
amendoim 0 l


j 4' ARROZAIS>
l a 7 alagado
S o de mangua rsius cria
1 A adulto
Su F finino
a. M masculino
terras comunais a maita



Figura 2.7. Modelo hipottico de um sistema de producao do agregado
familiar na frica do Oeste


ocorrem mudancas nas actividades ao longo dos anos, A medida que o
sistema agro-pecurio passa por diferentes pocas de producao.
Compreender os fluxos de actividades importante para o processo PESA,
particularmente na avaliaao do impacto potencial que poder ter a
introducao de uma tecnologia nova, que poder trazer alteracoes ao
calendario de atividades, ou atribuicao e distribuigao de mao-de-obra
do agregado familiar.

Uma ferramenta til para descrever e analisar o padrao e fluxos de
actividades do agregado familiar no decorrer do ano o calendrio
agrcola. Num calendrio agrcola, as actividades do agregado familiar
sao anotadas em cada ms do ano. Incluidas neste calendrio estao as
actividades culturais e pecurias, como tambm outras actividades que
contribuem para o bem-estar do agregado tais como o cozinhar, a obten-

26















Condi6as cLIuatericas
quente seco quante a ianido fresco e seco
Mes do
Ano
Actividade Se. Qut. iov. Dze. Jan. Fev. marQo Abril Maio unho Julho Ago.

roeo _____ACH________
de toos remeoio do tcoas
AM AF

A* MM A A A% AF debulhar
eailh .- /ensacar
hibrido prepara m fetliil aar c (ehe.t5a/
do terrino AC empilhar (teepe") A
o nA~- transporte
aonda

ailho- An AY AM Al A Mr AH
tradicional preparaQio semar eeo' ita
do terreno

AM AX AOC
sergo pt ri-ioc r h--- eta
do terrno fAP AC
oenda!ranplantr espanxar passaros (1ah/iia)
ermentaie AP Al
do soero 1
para cerveja


sem-u-o espane colheta
pesonara
AF ACF AA C
Tijaaier d"ee e "Ae ohar/col. ii





maond

.Al ACl Ar (
taseaental.nis e re (oLhcceit de colheta (4 ~dida que 6
olhu) preciso. e nio de ura *d val)
apanha de Al C (algumas) t
lena '
ACT
bucnsur w |

cuidar de A C (mala voaUi)>
criangas
AF
cozinBa

alimentar AOC
anuaia i
pequenos
construAio/ AY
reparaqio construio/reparaqao
da cass
ACN
cercas obtenFo de materl.ia, con.ozruE o a reparagao

pastoraio AM g (nais velho )

Laganda actividad* continua
C criana ictividada inuararenr.e
A adulto
y tainno colheita astilo "teepee refera-se o cortar epilhar de
8 amaaul.no caulu de plantas ainda com grao






Figura 2.8. CalendArio agricola para um sistema agro-pecuArio no Sul
de frica




27










cao de Agua e lenha, a manutencao da casa, a transformagao de
alimentos, o cuidar das criancas e o emprego fora da propriedade. No
calendario a execucao de cada tarefa cabe a certos membros do agregado;
a determinacao de quem faz determinada tarefa 4 atravs do sexo, da
idade e de outros factores. Em alguns casos, reas completas de
atividade serao segregadas por sexo (homens- pecuaria, mulheres-
culturas). Em outros casos, tarefas sequenciais relacionadas com a
mesma actividade podem ser atribuidas por sexo (homens- preparaCao da
terra, mulheres- monda).

O calendrio de atividades resultante cria um mapa de atividades
com o qual possivel verificar a identidade dos problemas, a seleccao
de prioridades de pesquisa, a designacao de agricultores cooperantesae
a formulario de ensaios em propriedade agrcola. O calendario de pocas
evidencia os periodos de falta de mao-de-obra e identifica as tarefas
que competem para a atribuicao deste recurso limitado. A anlise das
atividades oferece uma indicacao sobre quem executa cada tarefa, quea
ser afectado por mudancas eventualmente propostas, quais sao as
tarefas em compe.ticao e quem precisa de aprender novos mtodos. A
Figura 2.8 fornece um exemplo de um calendario agrcola construido para
uma zona no sul de frica. Tal calendrio pode ser construido a medida
que o diagnstico inicial vai progredindo. O calendario nao suposto
prestar um relato exacto das actividades ao longo do tempo, mas antes
ajudar os pesquisadores em propriedade agrcola a compreender o padrao
de atividades e a identificar quem est a fornecer a mao-de-obra.


Resumindo, as propriedades agrcolas familiares de recursos
limitados sao sistemas complexos que tm um grande nmero de
actividades diferentes. T4m um alto grau de inter-relacionamento entre
as actividades respectivas. A dependencia destes sistemas de apoos
infraestruturais aumenta medida que as pressoes populacionais levam a
um maior grau de participacao no mercado.





















28

















CAPITULO III



DIAGNSTICO DOS PROBLEMAS DO AGRICULTOR





RECOLHA DE INFORMACAO PARA A PESA: ESCOLHA DE METODOS EFICAZES

Mtodos Para a Obtencao de Dados

A fase de diagnstico na PESA fornece aos pesquisadores a
informagao necessria para identificar os problemas dos agricultores e
para determinar solucoes adequadas. Vrias fontes e mtodos para a
obtencao de dados estao ao alcance dos pesquisadores. Os praticantes da
PESA tm que seleccionar os mtodos e fontes que darao as informacoes
mais correctas ao mnimo custo possivel. Vrios mtodos e fontes
importantes sao sintetizados na tabela 3.1. Os mtodos nao sao
mutuamente exclusivos; por exemplo, pode-se utilizar a observagao
durante sondagens formais ou informais. Os mtodos sao descritos a
seguir, de forma sucinta.

A consulta de dados secundrios

Dados secundarios sio aqueles j existentes que foram reunidos e
sintetizados a partir de ifontes, publicadas ou nao. Um exemplo do uso
de dados secundrios nas fases primrias de diagnstico ou na
elaboraqao de hipteses, na comparacao de cartas topogrficas e de
titulo da propriedade agrcola. No Departamento de Causa, na Col6mbia,
pode-se constatar que as propriedades grandes ocupam os terrenos planos
enquanto que as propriedades pequenas ocupam terrenos bastante
acidentados. Uma hiptese que poderia ser formulada seria a de que os
agricultores mais ricos cultivam as terras planas. Esta hiptese
poderia ser testada ao analisarem-se dados referentes a rendimentos no
censo da populagao por municipio ou por vareda (regiao administrativa).

Da anlise de levantamentos areos, observa-se que o milho
cultivado nos terrenos planos e tambm nos acidentados. Dos registos
dos agentes de extensao descobre-se que ambos os tipos de agricultores
tm problemas com o mildio. Dos dados de terra e rendimento, pode-se
concluir que dois grupos tentativos, os agricultores de terras baixas e
os agricultores de terras altas, tm recursos diferentes para fazer
face ao problema do mildio.

29


















Tabela 3.1. Mtodos e fontes utilizados na obtengao de dados











Informaico Sondagem Sondages Ensaios Observaqbes ou Estudo de Casos
Caracteristica Secundria Informal Formal Estudos Especiais Determinados

O mais cedo Antes de comegar os A seguir & sondagem Durante o Durante o ciclo Durante o ciclo
Altura de possivel na primeiros ensaios. informal e normalmen ciclo de de crescimento de crescimento
comegar/ fase de diag- Durante o ciclo de te antes de comegar crescimen- das culturas das culturas
implementar nstico crescimento das cul- o primeiro ano de en to das cul
tura saios. Pode ser adiA turas
por razses logistl-
cas ou financeiras

o Inicialmente muito Pequeno; foca as va- Mut p Multo pequ to pqueno Pode ser grande
Hmero de grande, mas este riveis determinadas nos cada mas a amostra 4
varlveis nmero val sendo como sendo importqn- ensaio tem pequena
reduzido & medida tes na sondagea in- at& quatro
que a sondagem formal variveis
prossegue

Uma unidade re Nio aleatria. Forna Amostra aleatria Representa- Pode ser alea- Seleccionada
Amostra al ou grupos ce una vis&o global (simples, estratifi- tiva, mas tria ou sele
especificos das prcticas agric cada, etc.) provavelmen cionada
las te nio ver-
dadeiramente
aleatria


tlao 6 iteracti Custo reduzidog rpi-
Vantagens va. Requer deg da (2-3 semanas) ori
locaq6cs redu- gina boa informaeio
zidas qualitatival boa para
formular hipteaea.

baixo baixo MHdio-alto Baixo a mn- Baixo/mdio MIdio a alto
Cueto dio










No futuro, a recolha de dados procurarla examinar e verificar
estas descobertas. As fases seguintes de recolha de dados poderao
desenvolver estes dados e aumentar a efectividade da obtencao de dados
primrios e dos trabalhos de campo subsequentes.

Entrevistas com informadores chave

As entrevistas com informadores chave constituem uma escolha na
obtencao de dados no inicio do processo PESA, o que poder tornar
futuras obtencoes de dados mais eficazes. Entrevistas com informadores
chave sao discussoes com individuos que representam, uma instituicao ou
tipos de individuos dentro de uma dada rea. Os informadores chave
podem ser essenciais para auxiliar no agrupamento de agricultores e na
identificagao de limitagoes, e tambm para descrever tendencias
nutricionais e esforcos de producao agrcola na rea. Os informadores
chave podem tambm ajudar a explicar o que que os agricultores
provavelmente sabem, ou nao, medidas e pesos locais e quais as
perguntas que poderao ser ofensivas.

Sondagens informais

Sondagens informais sao estudos de campo nos quais os
pesquisadores levam a cabo entrevistas informais com agricultores e
visitam propriedades, por forma a desenvolver uma compreensao do
sistema ou subsistema agro-pecurio. As sondagens informais costumam
ter custos reduzidos e muita informacao pode ser obtida num curto
espaCo de tempo. As sondagens sao especialmente teis para aprender
sobre os valores, opini6es, objectivos e conhecimentos -dos
agricultores, e para compreender as razoes que esto na base das
estratgias de gestao, sendo estas normalmente complexas. Os principais
pontos fracos destas sondagens sao que a amostra de agricultores
entrevistados pode nao ser representativa do grupo que os pesquisadores
desejam caracterizar, e que nao possivel recorrer a mtodos
estatisticos para testar os resultados.

Sondagens formais-

Sondagens formais sio aquelas levadas a cabo utilizando processos
formais de amostragem, questionrios pr-testados e padronizados, e
outros meios que permitema a nalise estatistica dos dados. O tamanho da
amostra normalmente muito maior do que nas sondagens informais. No
decorrer das sondagens formais sao, com frequncia, enumeradores, e nao
pesquisadores, que conduzem as entrevistas com agricultores. O tempo
necessrio para concluir uma sondagem formal pode variar
substancialmente. Pode ser tao breve como alguns meses, no caso em que
a sondagem formal envolve apenas o completar de um questionrio de duas
pginas, numa s visita a uma amostra pequena de agricultores. Poder
durar vrios anos, se os agricultores forem entrevistados duas vezes
por semana, durante um periodo de um ano inteiro. Em muitos programas
de PESA, utilizam-se sondagens informais, por forma a ajudar os
pesquisadores a focar as suas sondagens formais num nmero
relativamente pequeno de variveis.

31










Observacges

Dados observacionais sao importantes durante o processo PESA.
Observagces obtidas atravs de processos tais como, fotografa
area/imagens video e levantamentos visuais em automvel, podem ajudar
a determinar reas a serem focadas e aldeias que sirvam de amostra.
Durante as sondagens de diagnstico, os dados de observacao fornecem
informaico complementar a dados recolhidos em entrevistas, e poden ser
usados para formular hipteses iniciais. Os dados de observacao poden
incluir estimativas sobre o tamanho dos campos, as distancias entre
montculos de plantacao, associacoes de culturas e prticas de
producao. As observacoes tambm podem ajudar a verificar a existencia
de coerncia nas normas e nos comportamentos. Por exemplo, os
agricultores podrao dizer que as mulheres nao se ocupan con a
agricultura devido a normas da sociedade que tal exigen. A observaao
sistemtica revela que as mulheres participan na monda, na colheita, no
processamento da colheita e na tomada de decisoes familiares. A
observaago tambm pode ser utilizada para validar tanto os dados
obtidos em sondagens como os obtidos em ensaios. Por exemplo, obter
amostras de solos ou identificar doenCas de plantas sao observacoes que
devem ser feitas para validar as preocuparoes dos agricultores com a
fertilidade reduzida ou com os reduzidos rendimentos fsicos das
culturas. A observacao tambm pode ser um processo muito rigoroso dando
origem a dados quantitativos sobre aspectos tais como mao-de-obra e
atribuigao de tempo para vrias tarefas agrcolas. Adicionalmente, a
observagao pode ser utilizada para sugerir assuntos chave a serem
incluidos em sondagens futuras.

Ensaios

Os ensaios sao usados por forma a determinar se a intervencio
proposta de facto, efectiva, de acordo com critrios de sucesso
determinados a priori. Neste caso podem ser combinados com estudos
chave, onde alguns agregados familiares ou aldeias implementan
intervenoes e outras nao. Nos ensaios nao so se acompanham
cuidadosamente os resultados esperados, particularmente aumentos de
produtividade e receitas, como tambm se tenta acompanhar consequncias
nao intencionais, tais como a criagao de limitagoes a nivel de mao-de-
obra ou uma redu ao das receitas provenientes dos outros
empreendimentos da propriedade agrcola. A implementajo de um ensaio
controlado uma decisao de formulacao experimental. Observacoes,
sondagens informais e formais devem todas ser usadas no acompanhanento
e avaliagao de ensaios.

Estudos de casos determinados

Os estudos de casos determinados envolve o seguimento de um grupo
especifico de actividades do agregado familiar ao longo do tempo. Os
pesquisadores examinam a histria das atividades da familia, observan e
anotam o que acontece ao longo de um periodo de tempo prolongado. Os
estudos de casos determinados pormenorizados podem fornecer informacao
que seria difcil obter por outros mtodos. Por exemplo, a obtencao de

32










informa~ao sobre a organizacgo e producao do agregado familiar
normalmente difcil de obter atravs de mtodos padronizados. A
distribuicao de tempo pelas varias actividades agrcolas, a
distribuicao do trabalho, as atividades de cada sexo e outras
informacoes, tornam-se evidentes por meio da observacao. A
disponibilidade de recursos, a forma de utilizar recursos e o fluxo de
rendimentos tambm podem ser observados por meio do estudo de casos
determinados. De forma semelhante, os estudos de casos determinados
podem ser uteis para fornecer informagao sobre as interacoes
culturas/gado.

Escolha de Mtodos

Normalmente hli mais do que uma maneira de obter uma informacao
especfica. Os pesquisadores t&m de perguntar a si mesmos qual ser o
mtodo mais adequado para obter a informacao, face As suas necessidades
e circunstancias. H que ter em conta tres aspectos na tomada da
decisao sobre qual ser o mtodo mais prprio.

Recursos disponiveis

Nao seria sensato levar a cabo uma sondagem formal, longa e
complexa, se nao houver disponibilidade de instalacoes informticas
e/ou de pessoal treinado para assistir na tabulacao e anlise de
resultados, ou se necessrio obter respostas num espaco de tempo
reduzido.

A razio para recolher informacao

Se os pesquisadores querem demonstrar a melhoradores de milho que
uma percentagem significativa de agricultores est tendo problemas no
armazenamento do seu milho, ura sondagem formal poder dar informacao
mais convincente do que uma sondagem informal.

A natureza da informacao

A informacio qualitativa, ou seja, a informacio relativa as
opinioes, atitudes e valores de agricultores, normalmente melhor
explorada em sondagens informais. A informacio quantitativa, ou seja,
aquela que relativa a quantidades e caractersticas mensurveis,
frequentemente melhor analisada por meio de sondagens formais.

Profundidade Versus Representatividade

A questao de base neste caso, "devemos recolher multa
informacao sobre poucos agricultores ou, um nmero reduzido de
informacoes sobre muitos agricultores?" Ambas, profundidade e
representatividade, sao necessrias em vrias fases do processo PESA. A
sondagem rural rpida pode ser muito til no estabelecer de um programa
inicial de intervencao, particularmente se a tecnologa est disponivel
e obteve resultados positivos em testes realizados em estaqao
experimental. Uma sondagem formal, com amostragem, pode entao ser

33










utilizada, de modo a determinar qual a proporcgo de agricultores que
utilizaria esta tecnologa e, como caracterizar esses mesmos
agricultores.

A Sequncia dos Mtodos

A decisao sobre qual a ferramenta de obtencao de informacao a ser
empregue, em determinada fase de diagnstico, ir variar de acordo com
o objetivo da obtencao de dados. Quando se recolhen dados relativos a
pecuria, poder ser aconselhvel, no inicio, obter dados de centros
regionais de investigacao ou organizagoes pecurias locais. Esta nao
ser, necessariamente, a nica ou a melhor maneira de obter dados.
Estratgias mltiplas de obtencao de dados podem ser aplicadas
paralelamente.


SONDAGENS INFORMAIS PARA A OBTENgAO DE DADOS EM PESA

O que uma Sondagem Informal?

Os objetivos das sondagens informais (tambm chamadas sondeios,
reconhecimentos rpidos ou sondagens exploratrias) sao duplos. Um dos
objectivos atingir rapidamente ura compreensao das circunstAncias,
prticas e problemas dos agricultores. Outro objectivo planear
ensaios ou outras intervenc6es, para solucionar estes problemas
identificados.

As sondagens informais tm quatro caracteristicas identificadoras,
que sao apresentadas a seguir.


Interaqao directa entre pesquisador e agricultor

As sondagens informais envolvem interagao directa e informal entre
pesquisadores e agricultores. As entrevistas sao conduzidas pelos
prprios pesquisadores, e nao por enumeradores, como nas sondagens
formais. A informagao j existente e a observacao directa, tamba sao
fontes importantes de informagao numa sondagem informal.

Entrevistas nao estruturadas

As entrevistas, numa sondagem informal, sao essencialmente nao
estruturadas e semi dirigidas, com nfase colocada no dilogo e no
sondar de informacoes. Nunca se utilizam questionrios. Alguns
pesquisadores utilizam diretrizes por tpicos, para terem a certeza de
cobrir todos os tpicos relevantes de um dado assunto. Alguns
investigadores recorrem a apontamentos durante as entrevistas.






34










Processo dinmico de recolher dados

Numa sondagem informal o processo de obtengio de dados dinmico,
ou seja, os pesquisadores avaliam os a informacao coleccionada e
reformulam as necessidades da mesma,numa base diaria. As entrevistas
cobrem, com frequncia, as caracteristicas gerais do sistema agro-
pecuario. Subsequentemente, os pesquisadores concentram os esforgos nos
problemas prioritrios, nas possiveis soluq6es e nas interacges destes
com outros aspectos do sistema.

Trabalho interdisciplinar de equipa

A sondagem informal conduzida por uma equipa interdisciplinar.
Cada disciplina contribui com a sua perspectiva prpria para a anlise
da equipa sobre os problemas dos agricultores e as solug6es propostas.
Por exemplo, enquanto que os cientistas agrcolas compreenderao quais
as prticas culturais a serem modificadas de forma a aumentar
rendimentos, o cientista social pode avaliar a viabilidade econmica e
a aceitacao social das mudancas propostas.

Forma de Implementar a Sondagem Informal

As sondagens informais sao normalmente conduzidas durante a poca
de crescimento e tm ura duracao de uma semana a dois meses. Aspectos
que a equipe PESA deve considerar antes, durante e depois da sondagem
informal sao apresentados a seguir (extrado de Frankenberger e Lichte,
1985; Hildebrand e Ruano, 1982; Poey e Ruano, 1984):

Determinar quais sao os objetivos do estudo

Esta actividade deve ser feita com a colaboracao de todas as
organizacoes e instituig~es envolvidas, ou directamente afectadas, pela
pesquisa. Esta fase contribui para que todos os grupos envolvidos
percebam os objectivos da investigaCao, e para que a informacao
considerada prioritAria seja recolhida pela equipa. Algumas das
possiveis organizacoes e instituicoes colaboradoras (universidades,
firmas consultoras, etc.), missao patrociniadora, organizages de
pesquisa do pais anfitriao e organizacoes de desenvolvimento regional.

Composicao da equipa de sondagem

A constituiao da equipe PESA de sondagem, ir variar de projecto
a projecto, em fungao dos recursos disponiveis e no contexto da
pesquisa. Seguem-se algumas consideracoes teis para delinear tais
equipas:

i. O tamanho da equipa ir variar de acordo com o oblectivo
do prolecto (p.ex. rea geogrfica ou nmero diferente de
actividades cultura/pecuria) e com a complexidade do cenrio
ambiental/scio-econmico. Um nmero adequado de 6 a 7
membros, dado que tal a lotacao comfortvel num jipe ou
num'land-rover'.

35










ii. A equipa deve ter uma distribuicgo igual de cientistas,
sociais e fisico-bilogos. Uma boa mistura de disciplinas
incluir economistas agrrios, antroplogos, especialistas das
culturas e cientistas pecurios. Cientistas e pessoal de
extensao locais, devem ser usados o mais possivel. A equipa
deve, adicionalmente, incluir pesquisadores femininos, de
forma a assegurar que agricultoras sao entrevistadas,
especialmente em situa;oes nas quais nao permitido aos
pesquisadores masculinos entrevistar as mulheres do agregado
familiar.

Revisao de informacao secundaria

Uma equipe PESA comeCa a planear uma sondagem informal com a
anlise de informacoes secundarias referentes & rea em questao. Este
processo de revisao deve dar-se pelo menos uma semana antes da saida
para o campo.

Entrevistas com informadores chave

possivel obter boa informacao de fundo, sobre a rea a ser
sondada, de pessoas informadas, tais como representantes governamentais
locais, pessoal de projectos e outras pessoas da rea ligadas a
recursos naturais. Estes contactos irao, provavelmente, dar ao
pesquisador a possibilidade de entrar em contacto com ura rede de
pessoas informadas e materiais teis, o que poder dar informaqoes
teis sobre a rea.

Obter mapas e cartas de introducao dos orgaos competentes

Mapas da rea podem normalmente ser obtidos nos servigos de
levantamento geolgicos, na capital. Por vezes possivel obter mapas
mais recentes de projectos a decorrer na rea a ser estudada. Poder
tambm ser til obter cartas de recomendagao de oficiais do ministrio,
de. modo a facilitar a colaboragao com agentes regionais e para
assegurar o acesso rea de estudo.

Contactar o pessoal da estacao experimental antes de conduzir a
sondagem (para solicitar o seu apoio e satisfazer as necessidades de
informacao)

Se a equipa estiver a trabalhar em ligacao estreita com a estacao
experimental, devem ser establecidos contactos com os administradores,
chefes de departamento e outras pessoas importantes, por forma a
clarificar os objectivos e solicitar quaisquer informacoes necessrias.
Esta interacqao ajudar a delinear o mandato de pesquisa e as
limitacoes polticas.






36










Directrizes para entrevistas

Alguns pesquisadores acham que importante ter listags por
assuntos para guiar entrevistas. Estas listas ajudam o pesquisador a
aprofundar assuntos e seus aspectos que, de outra forma, poderiam ser
esquecidos. Outros pesquisadores acham que listas por assuntos acabam
por ser usadas como questionrios, podendo limitar a entrevista apenas
a tpicos seleccionados pelos prprios pesquisadores. Em casos onde
tais listas sao usadas, consideragoes importantes, a ter na construgao
de tais guias por tpicos sao:

i. Consultar outros guias por tpicos, para assegurar que
os tpicos principais e seus aspectos sao considerados [(p.
ex. sondeios anteriores, as directrizes desenvolvidas pelo
CIMMYT, etc.) ver Collinson, 1981; Frankenberger e Lichte,
1985].

ii. Utilizar fontes de informagao secundAria. Tpicos podem
ser derivados de fontes como: 1) relatrios escritos; 2)
entrevistas com pessoas profissionalmente ligadas a recursos;
3) necessidades de informacao do pessoal de pesquisa e 4)
resultados e conclusoes de pesquisas prvias.

iii. Os membros. da equipa devem chegar a um consenso, em
relacao a todos os assuntos incluidos no guia.

iv. O desenvolvimento de um guia de assuntos pode ser um
exercicio chave na edificacao, ou consolidacao, da equipa.
Este processo permite a cada participante contribuir para esse
guia, dando nfase aos assuntos de particular relevAncia para
a sua disciplina particular. As prioridades da sondagem sao
estabelecidas antes das sadas para o campo e a equipa comega
a funcionar como uma unidade, ou entidade integral.

v. O guia de assuntos deve ser testado antes da saida para
o campo..Este procedimento permite a equipa determinar a forma
apropriada de por certas perguntas e refinar as suas tcnicas
de entrevista. Procedimentos de entrevista adequados, que pom
o agricultor vontade, e sao conducentes A recolha de
informacao exacta, sao cruciais para que uma sondagem informal
seja bem sucedida. Entre os assuntos que uma equipa deve
discutir antes de sair para o campo, alguns dos mais
importantes sao, como se devem apresentar ao agricultor, as
vantagens e desvantagens das entrevistas em grupo em relacao
as entrevistas individuais, como efectuar a traducao, como
evitar por perguntas preconceituosas, quanto tempo se dever
estar com cada agricultor e como lidar com tpicos sensiveis.


Os pesquisadores poderao querer combinar um formato estruturado
com um formato nao estruturado nas entrevistas informais. Guias de
assuntos poderiam ser usadas por alguns membros da equipe, enquanto os

37










outros entrevistariam o agricultor. Tal combinacao originaria
informacao comparativa atravs de aldeias, como tambm informacao
aprofundada sobre alguns assuntos (ver Lynham et. al., 1987).

Selecqao da rea de estudo

Com frequncia a escolha da rea a ser estudada feita antes da
participacao de pesquisadores. Se houver alguma flexibilidade na
escolha da rea, a decisao deve ser tomada em conjunto com todas as
instituicoes participantes (p. ex. organizacao de pesquisa,
organizacao de desenvolvimento, missao USAID, etc.). Pontos importantes
a considerar na escolha da rea a estudar sao:

i. Considerar a rea que pode ser razoavelmente coberta no
tempo atribuido. A cobertura ser influenciada por factores
tais como uniformidade ambiental, desenvolvimento tecnolgico,
condicoes scio-econmicas, desenvolvimento infraestrutural e
acesso durante a poca chuvosa. A equipa deve pensar em estar
mais tempo nas regioes onde os sistemas agro-pecuarios sao
mais diversos, ou variveis, do que em regioes onde os mesmos
sao mais uniformes.

ii. Fazer um itinerrio, especificando o nmero de dias a
serem passados em cada rea, como tambm para o tempo a gastar
nas deslocacoes, na revisio dos dados e no relatrio escrito.
Tal itinerrio deve ser flexivel.

iii. Quando a equipa chega A regiao a ser sondada, deve
contactar em primeiro lugar funcionrios locais, de modo a
estabelecer ligacoes de colaboracao e para solicitar a sua
ajuda (p. ex. administradores regionais, pessoal de projectos
a decorrer na rea, agentes de extensao, etc.). Estes
funcionrios podem ajudar a selecionar potenciais aldeias a
serem sondadas. As necessidades de informacao dos
administradores'locais podem tambm ser atentidas.

Procedimentos de entrevista

Reconhecendo que os procedimentos de entrevista podem variar,
dependendo do contexto scio-cultural, indica-se, abaixo, um conjunto
til de procedimentos a seguir:

i. Aps a chegada aldeia /cidade a equipa deve, em
primeiro lugar, reunir-se com os lderes locais e explicar, a
estes e a outros habitantes presentes, o objectivo do estudo.
Neste encontro a equipa pode explicar, o que representam e
para que servirao os resultados e a razao porque tantas
perguntas serao feitas. Questoes gerais sobre a infraestrutura
existente no local, sobre como funcionam os direitos a terra,
sobre as fontes de crdito e distribuicao de produtos, sobre o
funcionamento dos sistemas tpicos de mio-de-obra e sobre as
intervencges de projectos, podem ser postas ao grupo.

38










ii. Depois de ter tratado as questoes iniciais com o grupo
de habitantes, a equipa deve dividir-se, em grupos de dois,
para conduzir as entrevistas com os agricultores. Em geral, os
membros da equipa procurarao entrevistar vrios agricultores
atravs da rea que estao a sondar. mais prtico,
frequentemente, utilizar mtodos aleat6rios, informais, tais
como decidir visitar o quarto agricultor A direita num caminho
escolhido. O grupo poder tambm querer entrevistar
propositadamente alguns agricultores com caractersticas
particulares, como agricultores que cultivam determinadas
culturas ou um agricultor que pratique uma certa tcnica. No
entanto, por vezes, a equipa poder nao ter escolha na selecao
dos agricultores, devido ao facto de os lderes da aldeia
estarem,- eles prprios, a fazer as escolhas. Em tais
situages, a equipa pode conduzir entrevistas abreviadas com
estes agricultores. Depois disto, a equipa pode conduzir
entrevistas com os agricultores que considerar mais indicados.
Os membros da equipa devem tambm conduzir entrevistas com
pessoas locais, alm dos agricultores, mas que interactuem
frequentemente com agricultores (p. ex. comerciantes,
professores, processadores de culturas, agentes de extensao,
etc.).

iii. Devem ser feitos esforgos no sentido de entrevistar o
agregado familiar, e nao s o homem agricultor. Se possivel,
ambos, marido e mulher, devem estar presentes na entrevista.
As mulheres do agregado familiar podem ser responsveis por
quantidades considerveis de mo-de-obra nos campos.

iv. As entrevistas devem ser conduzidas em campos,
pertencentes ao agregado familiar, que nao estejam prximos da
aldeia. Desta forma os membros da equipa podem ver os campos
sobre os quais estao fazendo perguntas e obter respostas e
opinioes especificas da familia a ser entrevistada, em vez de
um consenso de grupo, Alm disso, ser mais provvel que as
familias, das propriedades acreditem que os pesquisadores estao
dedicados A resolucao dos seus problemas, se os membros da
equipa fizerem o esforco de ir at aos seus campos.

v. Os membros da equipa nao devem trabalhar com o mesmo
parceiro todos os dias (Hildebrand e Ruano, 1982). A rotacao
diria de membros da equipa da a cada pesquisador uma
oportunidade de trabalhar e aprender com os outros membros de
equipa. Isto facilita a troca de ideias e ajuda a estabelecer
uma melhor comunicacao entre os membros da equipa. O ideal
juntar um cientista social com um cientista natural/bilogo em
cada par.






39










vi. Depois de terem completado as entrevistas numa aldeia
seleccionada, os membros da equipa devem reunir-se para
formular hipteses sobre os sistemas agro-pecurios que
caracterizam essa regiao. importante lembrar que o trabalho
de revisao e avaliagco do contedo das entrevistas requer,
pelo menos, o mesmo tempo que foi necessrio para conduzir as
entrevistas. Este procedimento ajuda a sintetizar os
atributos e as limitacoes importantes do sistema agro-pecurio
e fornece uma base de comparacao, quando o trabalho de
sondagem for iniciado em outras aldeias. Estas revisoes
ajudarao a rever os guias, por assuntos, para entrevistas
futuras. Este processo pode ser um exercicio crucial de
consolidacao da equipa.

vii. Uma vez que a sondagem est completa, devem formular-se
hipteses respeitantes as limitacoes principais a que os
agricultores da rea tm de fazer face. Adicionalmente, os
membros da equipa devem tambm derivar um conjunto de
recomendagoes para aliviar as limitacoes identificadas. Deve-
se alcanCar um consenso de equipa sobre todos os
constrangimentos e recomendacoes propostos. Esta actividade dA
aos membros da equipa uma oportunidade para combinar as suas
varias especialidades disciplinares na formulacao de soluoes
possiveis. Em alguns casos, a equipa poder ser solicitada a
atribuir prioridades a estas recomendaoes. No entanto, este
ltimo passo pode ser tratado pela organizacao de pesquisa.

Relatrios escritos

Os resultados da sondagem informal deven ser escritos dentro dos
prazos estabelecidos e de forma efectiva. Pontos importantes, a serea
considerados ao escrever o relatrio, sio:

i. O formato a ser seguido na organizacao do relatrio deve
ser delineado pelos lderes da equipa.

ii. Para facilitar o escrever do relatrio, os lderes da
equipe devem atribuir a cada membro una porcao do relatrio a
ser escrito. Flexibilidade nesta distribuigao de tarefas
muito importante.

iii. O relatrio deve abranger vrios tpicos,
nomeadamente, descricao da rea sondada (p. ex. aspectos
sociais, producao agrcola anual, recursos disponiveis,
consumo do agregado familiar, etc.), modelos dos sistemas
agro-pecuArios (estruturais e de processo), identificacao dos
dominios de recomendacao e uma listagem de limitagoes e
recomendacoes.





40










A discussao acima apresentada fornece umna discussao geral dos
procedimentos de sondagem. Na secqao seguinte deste capitulo, discute-
se um procedimento especifico de sondagem.


O PROCEDIMENTO SONDEIO: UM TIPO DE SONDAGEM INFORMAL

O Sondeio (do espanhol 'Sondeo') uma tcnica de sondagem rpida,
desenvolvida pelo Instituto de Ciencias e Tecnologa Agrcola da
Guatemala (ICTA) como resposta a restricoes orgamentais, a necessidades
de tempo e a outras metodologas usadas (pesquisa em propriedade
agrcola), por forma a aumentar a informacao numa regiao onde a geracao
de tecnologa agrcola est a ser iniciada.

A funcao primaria do Sondeio 6 familiarizar tcnicos com a rea em
que irao desenvolver o seu trabalho. Como nao necessrio obter
informaaio quantificvel, o Sondeio pode ser rapidamente conduzido e
nao sao necessrias anlises de dados exaustivas para interpretar as
descobertas. Nio sao usados questionrios; por isso os agricultores sao
entrevistados de uma maneira informal, que nao os aliena. Ao mesmo
tempo, o uso de uma equipa multidisciplinar ajuda a fornecer informacao
de muitos pontos de vista diferentes, simultneamente. Dependendo do
tamanho e da complexidade e acessibilidade da rea, o Sondeio dever
ser completado em 6 a 10 dias com um custo mnimo. Neste periodo, reas
de 40 a 50km2 tm sido estudadas. Apresenta-se, em seguida, uma
descrigao da metodologia empregue para uma operacao de 6 das.

Dia 1.

O primeiro da passado num reconhecimento da rea, por toda a
equipa enquanto unidade. A equipa tem de fazer una determinacao
preliminar dos sistemas culturais ou agro-pecurios mais importantes,
que irao servir como sistema chave, familiarizar-se em termos gerais
com a rea e comeCar a procurar as delimitacges do sistema homogneo. A
seguir a cada discussao com o agricultor o grupo reune-se, fora do
alcance do agricultor, para discutir a interpretagao que cada um fez da
entrevista. Desta forma cada membro comeca a familiarizar-se com a
forma de pensar dos outros membros. As entrevistas com agricultores
devem ser muito gerais e cobrir uma grande gama de assuntos, porque a
equipe est numa fase exploratria e A procura de um nmero indefinido
de elementos desconhecidos. (Isto nio implica, claro, que falte
orientacao As entrevistas). A contribuic9o, ou ponto de vista, de cada
disciplina 6 crtica em todo o processo do Sondeio, porque a equipa nao
sabe a priori que tipos de problemas ou limitacoes serao encontrados.
Quanto maior for o nmero de disciplinas a participar na interpretacao
da situagao, maior a probabilidade de encontrar os factores que na
realiadade sao os mais crticos para os agricultores da regiao.
Estabeleceu-se que estas restricoes podem ser agro-climticas,
econmicas ou scio-culturais. Sendo assim, todas as disciplinas
contribuem igualmente para o Sondeio.



41










Dia 2.

As entrevistas e o levantamento geral do primeiro da servem para
orientar o trabalho do segundo da. As equipas sao constituidas por
pares: um agrnomo ou zologo da Equipa de Avaliacao Tecnolgica e una
pessoa das cincias scio-econmicas que trabalham juntos nas
entrevistas. As cinco equipas espalham-se pela rea e reunen-se, outra
vez, a seguir ao primeiro meio dia (em reas pequenas ou areas com bons
acessos), ou dia (em reas maiores onde o acesso 6 difcil e mais tempo
6 necessrio para viajar). Cada membro da equipa discute o que aprendeu
no decorrer das entrevistas, e hipteses sao elaboradas para ajudar a
explicar a situacao na rea. Quaisquer informagoes relacionadas com os
limites da rea sao discutidas para ajudar na sua demarcacao. As
dvidas ou hipteses levantadas no decorrer da discussao irao servir
como guias para as sessoes de entrevista seguintes. Durante as
discussoes da equipa, cada membro aprende como as interpretagoes dos
outros pontos de vista podem ser importantes no compreender de
problemas dos agricultores da regiao.
A seguir A disscussao, os pares da equipa sao mudados, por forma a
maximizar a interaccao disciplinar e minimizar os preconceitos dos
entrevistadores, e voltam para o campo guiados pela discussao prvia.
Mais uma vez, a seguir a meio-dia ,ou dia de entrevistas, o grupo
reune-se para discutir o que encontrou.
A importancia destas discussoes a seguir a una srie de
entrevistas nao pode ser sobre-estimada. Em conjunto, o grupo comega a
compreender as relacoes encontradas na regiao, demarca a mesma e comega
a definir o tipo de pesquisa que ir ser necessrio para ajudar a
melhorar a tecnologa dos agricultores. Outros problemas, tais como a
comercializacao de produtos, tambm sao discutidos e, se soluoes forem
necessrias, as entidades competentes podem ser contactadas.
importante compreender o efeito que estas e outras limitacos irao ter,
no caso de nao serem corrigidas, sobre o tipo de tecnologa a ser
desenvolvida, por forma a levar estes efeitos em conta no processo de
geracao.
Durante o segundo dia deve dar-se uma notvel convergencia de
opinioes e uma reducao correspondente de tpicos para as entrevistas.
Desta maneira, os tpicos de maior interesse podem ser explorados mais
profundamente nos dias seguintes.

Dia 3.

Este dia uma repeticao do segundo e inclui uma nova mudanca na
ciclos de entrevista por discussao sao necessrios para completar esta
parte do Sondeio. No caso da rea nao ser muito complexa, estes ciclos
devem ser suficientes. claro que, se a rea for tao grande que se
torne necessrio um dia inteiro de entrevistas, entre cada sessao de
discussao, serao necessrios quatro dias para completar esta parte do
Sondeio.




42










Dia 4.

Antes da equipa voltar ao campo para mais entrevistas no quarto
dia, a cada membro 6 designado uma parte do relatrio a ser escrito.
Nessa altura, sabendo pela primeira vez quem 6 responsvel por cada
t6pico, as equipas, reagrupadas na quinta combinacao, voltam ao campo
para fazer mais entrevistas. Para reas mais pequenas,tal tarefa requer
tambm um meio-dia. No restante meio-dia, a seguir a uma sessao de
discussao, a equipa comega a escrever o relatrio do Sondeio. Todos os
membros devem trabalhar no mesmo local para que possam circular e
debater livremente uns com os outros. Por exemplo, um agrnomo a quem
coube a seccao sobre o milho, poder ter estado a discutir um ponto
chave com um antroplogo, e precisa de refrescar a mem6ria sobre o que
disse determinado agricultor. -Desta forma a interacQao entre
disciplinas continua.

Da 5.

A medida que os tcnicos escrevem o relatrio, invariavelmente
irao encontrar pontos para os quais nem eles, nem os outros dentro do
grupo, tm respostas. A nica solucao 6 voltar ao campo na manha do
quinto dia para preencher as lacunas encontradas no dia anterior. Um
meio-dia pode ser dedicado a esta actividade, conjuntamente com a
conclusao da parte principal do relatrio.

Na tarde deste dia cada membro de equipe 18 ao resto do grupo, a
sua parte do relatrio, para discussao, coreccao e aprovacao. As
seccoes devem ser lidas pela ordem em que iro aparecer no relatrio.
Funcionando como grupo, a equipa dever aprovar e/ou modificar o que
apresentado.

Dia 6.

O relatrio 6 lido, mais uma vez e, a seguir leitura de cada
seccao, sao tiradas conclusoes e procede-se anotacao das mesmas.
Acabado este processo, as conclusoes sao novamente lidas para aprovagao
e recomendacoes especificas sao feitas e registadas, para a equipa que
ir trabalhar na rea e quaiquer outras agncias que possam estar
envolvidas no processo de desenvolvimento geral da zona.

O produto do sexto dia um nico relatrio, que tem como autor
toda. a equipa multidisciplinar e que deve ser apoiado por todos os
membros. Alm disso, depois da participacao num esforCo de equipa de
seis dias, cada membro deve ser capaz de defender todos os pontos de
vista discutidos, as conclusoes tiradas e as recomendagoes feitas.

O Relatrio

At certo ponto, o relatrio do Sondeio tem um valor secundrio,
porque foi escrito pela mesma equipa que ir trabalhar na rea. A maior
parte do seu valor reside no facto de a equipa o ter escrito. Ao
confrontarem-se com uma situagao na qual numerosos pontos de vista tm

43











de ser levados em conta e reunidos, os participantes terao tido os seus
horizontes grandemente alargados. Alm disso, o relatrio pode servir
como orientacao para nao-participantes, como o Director Regional ou o
Director Tcnico, ao discutir os mritos dos vrios tipos de accao
possiveis. No entanto, tambm claro que o relatrio ter o aspecto de
um documento escrito de forma apressada, por dez pessoas diferentes, o
que 6 exactamente o caso! Nao um estudo exaustivo com dados
quantificveis que possa ser utilizado no futuro para avallar
projectos; trata-se antes, de um documento de trabalho para orientar o
programa de pesquisa e desempenhou um papel fundamental simplesmente
por ter sido escrito.

Notas Finais

A especialidade disciplinar de cada membro da equipa de Sondeio
nao 6 indispensvel, desde que estejam representadas varias disciplinas
e, se se tratar de um Sodeio agrcola, desde que um nmero
significativo dos participantes sejam praticantes de agricultura, e
entre os quais, pelo menos alguns, venham a trabalhar na rea no
futuro. As disciplinas dos coordenadores do Sondeio provavelmente
tambm nao sao indispensveis, no caso de se tratar de pessoas com boa
capacidade de adaptacao, e experincia de sondagens e respectivas
tcnicas. Todavia, os coordenadores tm de ter um alto nivel de
tolerancia multidisciplinar e a capacidade de interactuar com todas as
outras disciplinas representadas na equipa.

De certa forma, os coordenadores sao maestros de orquestra que tm
que assegurar a contribuicao de todos para a melodia, e que, no produto
final todos estao em harmonia. Cabe-lhes controlar o grupo e manter a
disciplina. Os coordenadores arbitram diferencas, criam entusiasmo,
recolhem hipteses e ideias de cada participante e, em ltima
instancia, serao eles a coordenar o producto na sua forma final. Talvez
nao seja essencial que tenham experiencia prvia de Sondeio, mas se a
tiverem a sua eficacia ser, com certeza,aumentada.


CONSTITUIQO DE UMA AGENDA PARA ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRCOLA

Identificacao dos problemas e determinacao de oportunidades de pesquisa

A identificacao dos problemas dos agricultores e a determinagao de
oportunidades de pesquisa sao objectivos principais da fase de
diagnstico na PESA. A selecgao e a atribuiCao de prioridades aos
problemas e As oportunidades de pesquisa devem ser feitas de uma forma
sistemtica, para assegurar que recursos escassos de pesquisa sao
utilizados de forma ptima. No entanto, antes de poder ordenar
problemas e solucoes de uma forma efectiva, necessrio determinar a
importancia das varias empresas actividades constituintes do sistema
agro-pecurio mantido pelas familias das propriedades agrcolas. Os
critrios usados para avaliar estas empresas devem ser derivados nao s
dos prprios agricultores como tambm dos pesquisadores.Embora este
procedimento consiga ajudar a determinar quais as actividades com maior

44










importancia para os agricultores, os pesquisadores poderao nao ter
escolha na seleccao sobre quais irao trabalhar. A estacao ou
organizacao de pesquisa poderao ter certos mandatos de poltica que
limitem as actividades de pesquisa a certas culturas. Por exemplo, um
instituto nacional de pesquisa talvez nao possa trabalhar com empresas
pecurias (p. ex. CNRADA na Mauritania). Embora tal tipo de restrigoes
exista, os pesquisadores ainda podem recorrer a tais procedimentos para
ordenar as actividades que lhes coube estudar.

Logo que as actividades estejam ordenadas por ordem de
importancia, os problemas e soluQ6es possiveis associados as mesmas
podem ser seleccionados de uma forma sistemtica. Um procedimento
vivel foi desenvolvido por McArthur e. al. (1985). Este procedimento,
composto por nove passos, pode ser sintetizado da seguinte forma
(extrado de Module III, McArthur et. al., 1985)

i. Sondeio Condugao de uma sondagem informal para
recolher informagao sobre os sistemas agro-pecuArios numa rea
visada:

ii. Identificacao dos Dominios Preliminares de Recomendacao
A partir da sondagem informal, identificar agricultores com
caractersticas ambientais, culturais e socio-econmicas
semelhantes:

iii. Seleccao de Dominios de Recomendacao de Trabalho A
selecqao do dominio de recomendacao poder ser baseada em
factores tais como 1) problema principal que um grupo
representativo tenha em comum; 2) grupo dominante
representativo da maior parte da forga de mao-de-obra
agrcola; ou 3) o dominio est incluido numa rea de alta
prioridade para o desenvolvimento.

iv. Descricao do Sistema Agro-Pecurio Dominante-
Descricao dos elementos chave, relacionamentos e ligagoes
primarias nos sistemas agro-pecuArios dominantes no dominio
seleccionado. Desenvolver um modelo para este sistema.

v. Identificacgo e Ordenacao de Problemas com Base no seu
Nivel de ImportAncia Os problemas serao de alta prioridade
se afectarem toda a sociedade, ou de baixa prioridade se
afectarem somente os agricultores locais. Os agricultores tm
de ser incluidos na identificaao destes problemas. A
ordenacao dos problemas dos agricultores apenas com base nas
percepqees da equipa PESA poder levar identificacao
incorrecta dos problemas. Deve serdada uma ordem aos
problemas.

vi. Ordenagao dos Problemas com Base na sua ResoluQao
Potencial D-se uma prioridade alta a problemas cujas
solucoes parecem residir na introducao de tecnologias j
existentes. Os problemas que parecem poder ser resolvidos

45










atravs de pequenas alteracoes a tecnologias j existentes,
recebem uma prioridade mdia. Os problemas com prioridade
baixa tm solucoes que envolvem a geracao e a adaptaqao de
tecnologa nova.

vii. Ordenacao de Problemas com base em Necessidades de
Cooperacao Inter-Institucional Um problema de alta
prioridade se for de interesse para uma instituicao e se a sua
solugao desse residir exclusivamente dentro do mandato de
pesquisa da mesma instituicao.Um problema de prioridade
mdia se a sua solucao se encontra parcialmente dentro do
mandato de uma instituicao e necessita de auxilio de outras
institui9oes. Um problema de baixa prioridade se a sua
resolugao nao se encontrar exclusivamente dentro do mandato da
estacao de pesquisa e se necessitar de auxilio e cooperacao de
vrias agncias.

viii. Identificaco e Seleccao de Estratgias de Solucao
Alternativas Para cada problema classificado como tendo alta
prioridade, utilizando os critrios acima mencionados, defenir
uma ou mais estratgias alternativas de solucao. Estas
solucoes potenciais devem ser tecnicamente possiveis,
economicamente executveis, ambientalmente slidas,
socialmente compativeis, administrativamente geriveis e
politicamente aceitveis. As estratgias de solucao possiveis
podem ser derivadas dos prprios agricultores ( ver
estratgias compensadoras IN Frankenberger, et. al., 1985).

ix. Ordenagco de Solucoes Potenciais em termos de
Possibilidade de Adopcao por Agricultores As solucoes sao de
alta prioridade se partirem de prticas culturais e de gestao
jA existentes e se necessitarem de treino e de insumos
minimos. Solucoes de prioridade mdia sao aquelas que partem
de prticas culturais e de gestao j existentes mas que
requerem considerveis quantidades de treino e de recursos.
Solucoes' de baixa prioridade requerem a introduc~o de novos
pacotes tecnolgicos que nao podem ser adoptados por fases.

Outro processo para seleccionar e ordenar problemas e possiveis
solucoes tem sido proposto por Tripp (1986). Os cinco passos seguintes
foram adaptados de uma obra intitulada, "Steps in Planning On-farm
Experiments.":

i. Para um grupo particular de agricultores, ou dominio de
recomendacao preliminar, anotar os principais problemas
enfrentados pelos agricultores.

ii. Determinar as causas provveis de cada problema e
examinar as interac9oes entre problemas e causas.




46










iii. Ordenar os problemas segundo a sua importancia.

iv. Identificar solucges possiveis para os problemas mais
importantes.

v. Examinar as possiveis soluces atravs de critrios
seleccionados para estabelecer as prioridades de pesquisa.

Anotar os Problemas Principais

Os membros da equipa anotam os problemas dos agricultores com base
na informacao obtida atravs de dados secundarios e de sondagens
informais e formais. Os problemas podem incluir instancias de factores
biolgicos limitantes ou insuficiencias no uso de recursos que limitam
a productividade do sistema agr-pecurio. Estes devem ser declarados da
forma mais simples possivel. Exemplos de declaracges de problemas
incluem:

"Os rendimentos de milho sao limitados pela baixa
disponibilidade de azoto."

"Devido falta de alimento animal na altura de
preparar a terra, os bois nao conseguem trabalhar mais
do que tres horas por dia."

Nesta fase 6 melhor nao incluir as possiveis causas de problemas
ou solucges. Ser melhor lidar com as possiveis causas mais adiante.
Ser til distinguir entre: 1) problemas que limitam a producao e, 2)
problemas que reflectem um uso insuficiente de terra, mio-de-obra ou
capital.

Determinar as Causas e Examinar Interaccoes

Ao menos que se compreendam claramente as causas de um problema,
talvez sejam testadas soluces inadequadas e desperdigados recursos
valiosos de pesquisa. til construir diagramas de cadeias causais de
problemas tal como mostrado por Tripp. Por exemplo, a cadeia na
figura 3.1 mostra que a perda de rendimento fsico no arroz devida a
doenca 6 causada, em parte, pela plantacao tardia do arroz. Isto, por
sua vez, 6 causado pela falta de mao-de-obra na altura de plantar.

Deve ser notado que as prticas dos agricultores sao raramente as
causas na origem dos problemas. Pelo contrArio, as prticas dos
agricultores que, aparentemente, limitam a producao sao geralmente as
soluCoes destes mesmos para outros problemas a que tm de fazer face.
Por exemplo, agricultores no Ruanda do Norte plantam sorgo com uma
densidade muito superior necessria para maximizar a produccao. A
alta densidade de sementeira, ao limitar o crescimento de infestantes e
a erosao do solo, uma resposta a dois problemas a que os agricultores
tm de fazer face.



47













Falta de mo- Arroz 4 Perca de rendimento
de-obra na plantado fsico devido a
altura de tarde doencas
plantar





Figura 3.1. Cadeia causal dos problemas do arroz



Com frequncia, existem vrias causas que contribuem para um
problema e um nico aspecto pode estar a contribuir para vrios
problemas diferentes. Numa rea da ZAmbia descobriu-se que as faltas de
mao-de-obra na poca de sementeira causavam ou contribuan para cinco
problemas diferentes, incluindo uma doenca das plantas e baixa
fertilidade do solo. Factores causais que contribuem para os problemas
podem incluir prticas de gestao, condicoes naturais e circunstAncias
scio-econmicas.

Um procedimento para esquematizar causas, problemas e suas
interacqces, de forma aumentar a compreensao dos mesmos, aqu
apresentado. Um exemplo de diagrama, baseado na cadeia causal da
figura 3.1, apresentado na figura 3.2. O plantar tardio do arroz



Herbicidas nao
esto disponiveis

Falta de Cmo- Arroz Perca de rendimento
de-obra a na p plantado fsico devido a
altura de tarde doencas
plantar

Perca de rendimento
fsico devido a
seca tardia


Figura 3.2. Cadeia causal mas desenvolvida dos problemas do arroz




contribu para a perda de rendimento fsico devido A seca durante a
fase final de crescimento e a doencas. O problema das doencas est
relacionado com o problema da seca, dado que as condicoes de seca na
fase final de crescimento do arroz fornecem boas condicoes para o
alastramento da doenca. A escasa disponibilidade de herbicidas
contribui tambm para o problema da doenca. Para cada dominio de

48










recomendagao, todos os problemas e suas causas devem ser incluidos num
s diagrama de modo a levar em conta as respectivas interaccoes.

Ordenar os Problemas

O prximo passo a ordenaCao de problemas, de acordo com a sua
importancia. A importancia pode ser definida por uma srie de
critrios, tais como: 1) incidencia do problema (p. ex. o nmero de
agricultore afectados pelo problema); 2) a importancia das actividades
de cultivo (p. ex. rendimento resultante da venda, abastecimento de
comida, utilizacao de terra/mao-de-obra/capital); e 3) a gravidade do
problema (p. ex. a severidade e frequncia do problema). Os membros da
equipa avaliam cada problema de acordo com cada um dos criterio e,
posteriormente, fazem uma avaliacgo sumaria de cada problema.

Identificar Possiveis Soluqces

Neste passo a equipe produz uma listagem de solucoes possiveis
para cada um dos problemas identificados como sendo os mais
importantes. A anlise das causas dos problemas torna-se critica neste
passo, porque frequente haver varias maneiras de fazer face a um s
problema. No caso apresentado na figura 3.2, o uso de fungicidas uma
solucao possivel para o problema da doenca. Contudo, o plantar tardo
do arroz contribui para ambos os problemas (doenca e seca tarda).
Variedades de ciclo reduzido poderiam reduzir os efeitos de ambos os
problemas. O diagrama tambm indica que o impacto de ambos os problemas
poderia ser reduzido atravs do aumento de eficincia da mao-de-obra na
poca da sementeira, por meio de novas tcnicas ou padroes de
plantacao.

Examinar as Possiveis Solucoes Atravs de Critrios Seleccionados

Por ltimo, as possiveis solucoes sao examinadas atravs dos
critrios seleccionados pela equipa como sendo crticos para avaliar as
alternativas. Estes critrios poderao incluir:

Facilidade da Investigacao

i. Probabilidade de que as solugces funcionem sob as
condiqoes e prticas do agricultor.

ii. Facilidade de executar o programa de pesquisa (p. ex.
nmero de sitios necessrios, nmero de visitas por parte do
pessoal de pesquisa a cada sitio, previsao do nmero de pocas
necessrias para a obtencgo de resultados, etc.)

Facilidade de Adopqao

i. Compatibilidade com o sistema agro-pecurio (i.e. terao os
agricultores ao seu alcance os recursos, terra, mao-de-obra,
capital, necessrios?)


49










ii. Apoio institucional (p. ex. extensao, crdito disponivel,
etc.)

iii. Divisibilidade (i.e., a tecnologa pode ser introduzida de
forma gradual?)

Beneficios Potenciais

i. Possivel lucro (p. ex. aumento de rendimentos,
disponibilidade do mercado, etc.)

ii. Estabilidade (i.e. qual o grau de risco associado com a
nova tecnologa?)

Desta forma as oportunidades de pesquisa sao identificadas, e as
que tiverem maior impacto potencial com o menor custo possivel sao
seleccionadas para serem testadas.

Estudo de um Determinado Caso

Forma de distinguir entre problemas e solucoes

Numa rea do Qunia Central, pesquisadores notaram que os baixos
rendimentos do milho tinham como causa principal uma data de plantacao
tarda. A poca chuvosa era curta e o milho plantado tardio era
susceptivel seca. Os pesquisadores propuseram uma solucao para este
problema: plantar o milho antes de tempo, ou seja,-antes ou mesmo no
inicio das chuvas. Os pesquisadores conduziram ensaios que demonstraram
que o milho plantado antes do tempo resultava em rendimentos
aumentados. O servico de extensao levou esta mesma mensagem aos
agricultores. Aps vrios anos, a maioria dos agricultores continuava a
plantar tarde.

Uma equipe PESA entrou na zona e investigou esta situaao.
Descobriram que o plantar tardo por si, nao era um problema, mas sim
uma solucao dos agricultores para fazer face a outros problemas
presentes. Os agricultores plantavam tarde pelas seguintes razoes:

1. Falta de bois para preparar o terreno. Os
agricultores que nao tinham bois tinham que atrasar a
plantacao at que os donos dos bois tivessem acabado
a preparacao da sua prpria terra.

2. O milho plantado antes de tempo era altamente
susceptivel a estragos por formigas.

Estes eram os problemas encarados pelos agricultores que os
impediam de plantar cedo. A equipe PESA props vrias medidas para
atacar estes problemas:

i. Eficincia melhorada dos bois atravs de
alimentaQao melhorada.

50










ii. Tratamento da semente de milho com insecticida
para impedir os estragos causados por formigas.

Em sintese, o primeiro grupo de pesquisadores tinha identificado o
plantar tardio como sendo um problema, mas de facto, o plantar tardo
era uma solucao do agricultor para dois outros problemas:falta de bois
e estrago da semente de milho por formigas. Ao atacar estes problemas
do agricultor os pesquisadores esperavam que os agricultores poderiam
plantar mais cedo por forma a aumentar os seus rendimentos de milho.

importante notar que a determinacao das variveis experimentais,
os niveis destas e dos factores fixos tm de ser fixados com base nas
descobertas de sondagens. Por exemplo, nao suficiente afirmar apenas,
no fim do diagnstico, que o aumento da populacao de plantas uma
prioridade importante. Antes, tem de se estipular qual actual
populacgo de plantas do agricultor j que esta ir servir como controle
experimental. Tambm necessrio caracterizar o padrao de plantacao
(p. ex.filas de 30cm, 2 plantas por buraco) a ser utilizado no ensaio e
necessrio decidir se o padrao de plantacio ser igual ao do
agricultor ou se se devem tambm explorar outros padroes de plantacao.
Estas questoes sao tratadas de forma aprofundada mais adiante.

































51
















CAPITULO IV



PLANEAMENT, FORMULAVAO E CONDUgAO DE PESQUISA E EXTENSO

EN PROPRIEDADE AGRICOIA





O objectivo da PESA 4 desenvolvimento de novas tecnologias
agrcolas dirigidas a problemas prioritrios, identificados e
seleccionados, do agregado familiar da propriedade agrcola. A medida
mxima do sucesso de uma nova tecnologa 4 sua aceitacao, adopcao e uso
sustentado pelos agricultores. A pesquisa em propriedade agrcola,
usada pela PESA, envolve a participacao activa dos membros do agregado
familiar da propriedade agrcola para testar tecnologas alternativas.
A anlise e interpretacao dos resultados dos ensaios em propriedade
agrcola permitem equipa PESA avaliar o potencial sucesso de novas
tecnologas agrcolas e fazer recomendacoes especificas aos
agricultores.


CONSIDERACOES GERAIS RELACIONADAS COM OS ENSAIOS EM PROPRIEDADE
AGRICOLA

(extrado de "On-farm Agronomic Trials in Farming Systems Research" por
P. Hildebrand e F. Poey, 1985, pgs. 9-12)

Na maioria das propriedades agrcolas, as prticas de gestao e as
condicoes de campo diferem daquelas encontradas nas estacoes
experimentais. Qualquer estratgia que. vise obter resultados
significativos dos ensaios em propriedade agrcola tem de tomar estas
diferengas em conta. Os ensaios em propriedade agrcola nao sao
supostos tentar simular as condigoes das estacoes experimentais nos
campos dos agricultores. Antes sao formulados de modo a auxiliar na
deteccao de diferengas usando as prticas de gestao e condicoes meio-
ambientais do agricultor tpico.

A pesquisa em propriedade agrcola caracterizada pela
participacao dos agricultores, nas suas pr6prias terras. Esta
participacao varia de acordo com a natureza dos ensaios; em ensaios
explorat6rios ou em locais especficos, limita-se a fornecer a terra e
parte ou totalidade dos insumos. Nesta fase a participacao do agricul-

53










tor no processo de obtencao de dados e tomada de decis6es secundria
relativamente & do pesquisador que controla os ensaios. Nos ensaios
regionais a participacao do agricultor maior, contribuindo
grandemente para a interpretacao de resultados e recomendagces
eventuais. Por ltimo, os ensaios geridos por agricultores sao
conduzidos pelo prprio agricultor, enquanto o pesquisador passa a
desempenhar o papel de colaborador.

As relao6es entre pesquisador e agricultor, a localiza~ao dos
ensaios na propriedade agrcola, as formulacoes experimentais em
propriedade agrcola e a gestao dos dados de campo, incluindo o
registo, processamento e padronizacao destes ltimos, sao algumas das
muitas facetas que tm de ser observadas de uma perspectiva correcta
quando se executa pesquisa nos campos dos agricultores com a sua
participacao activa.

Prticas de Pesquisa em Propriedade Agrcola

Relac6es entre pesquisador e agricultor

No processo de conducao de pesquisa em propriedade agrcola os
pesquisadores estao a pertubar o uso normal da terra do agricultor e a
utilizar o seu precioso tempo; a pesquisa poder tambm estar a usar
outros, de entre os limitados recursos do agricultor. Em funcao disto,
ser importante que os pesquisadores actuem sempre segundo os melhores
interesses dos agricultores, tratando-os como seus iguais no processo
de pesquisa e considerando-os como componentes desejveis, e nao apenas
necessrias, no processo de geracao, avaliagao e disseminagao de
tecnologa. Os agricultores compreendem o que sao os ensaios e estao
prontos a participar neles, se compreenderem os procedimentos a ser
empregues e se sentirem que o resultado lhes ser, possivelmente,
benfico. extremamente importante que os pesquisadores expliquem
pormenorizadamente o porqu de estarem ali, o que gostariam de fazer, a
contribuicao que ser pedida aos agricultores e aquilo que os
agricultores podem esperar dos resultados. da maior importAncia
explicar aos agricultores porque que a sua participacao no
empreendimento ter valor e interesse para eles.

Ouvindo e trabalhando com os agricultores

A partir do primeiro contacto com os agricultores, na sondagem
inicial ou na procura de colaboradores, para os ensaios em propriedade
agrcola ou registros de empreendimentos, extremamente importante que
os pesquisadores comecem por ouvir e trabalhar com os agricultores. Os
agricultores ficam reesentidos quando "pessoas do governo" lhes dizem
que estao fazendo as coisas da forma errada, e que os "forasteiros"
sabem qual a melhor maneira de proceder. Se os pesquisadores
comunicarem esta atitude aos agricultores desde o inicio, a relacao
entre pesquisadores e agricultores, se ghegar a desenvolver-se,
progredir lentamente.



54










Os pesquisadores tem de ter cuidado, certificarem-se de quais sao
os membros do agregado familiar que tomam decisoes, e falar com os
membros responsveis por certas culturas. Uma esposa poder saber pouco
sobre a cultura de algodio do seu marido; ele por seu lado poder saber
pouco sobre a cultura de amendoim, ou mandioca, dela.

A natureza do relacionamento

Os agricultores devem ter uma conscincia exacta sobre o que
esperar do relacionamento desde o inicio. Sobretudo, tm de ser
informados de que se trata de um trabalho de pesquisa no qual ambos,
agricultores e pesquisadores, irao aprender e nao uma demonstracao
formulada para demonstrar quantas vezes melhor sao os pesquisadores
capazes de fazer aquilo que o agricultor j faz. (Na maioria dos casos
o agricultor sabe fazer melhor mas nao tem o capital necessrio para
tal.) Os agricultores t&m de estar conscientes de quem deve fornecer o
qu, quem ir correr os riscos e quem receber qual produto.
essencial que os agricultores compreendam a sequncia e a altura de
cada uma das vrias actividades e se a iniciativa dever ser deles ou
dos pesquisadores. Por exemplo, numa zona de milho amarelo, se forem
usadas variedades brancas, os agricultores devem saber se podem esperar
receber milho amarelo em troca do milho branco que nao irao querer ou
se devem estar & espera de perder o que foi produzido. Os agricultores
devem tambm estar de acordo com o incluir de milho branco e perceber o
porqu dessa inclusao. Os agricultores devem ainda quem dever fornecer
os fertilizantes, no caso de serem usados, e quando ser necessrio que
os fertilizantes estejam disponiveis, quem ir fazer a coheita, como, e
quando.

Os agricultores compreendem o que sao riscos e estio dispostos (ou
sao forcados) a aceit-los como uma parte normal do seu ambiente de
producao. Se uma experincia f8r perdida devido a razoes ambientais
normais, os agricultores irao compreender e nao se preocuparao com
compensacoes ( embora seja provvel que, se ela lhes fosse oferecida
eles a aceitassem). De forma a evitar paternalismos no processo de
pesquisa, melhor nao considerar compensacoes nestes casos. Se, por
outro lado, certos tratamentos foram perdidos porque foram mal
concebidos ou, obviamente nao sao adaptados ao ambiente de produgao do
agricultor, pode-se esperar que os agricultores pensem que uma
compensacao est garantida, a menos que estes tenham sido informados,
com bastante antecedncia, desta eventualidade. Neste caso, o pagamento
em gneros, da qualidade e quantidade daqueles que teriam sido
produzidos noutras circunstancias, provavelmente o indicado.
melhor, 6 claro, evitar tal situacao por meio de intervencoes simples e
apropriadas, e envolvimento adequado do agricultor na formulacao do
ensaio.

Os agricultores tm de compreender a importancia que o ensaio tem
para os pesquisadores. O risco de nao se concluirem ensaios maior em
propriedade agrcola do que nas estagoes experimentais, j que muito
ir depender na *cooperagao dos agricultores. H muitos exemplos de
ensaios em propriedade agrcola "perdidos" devido a decisoes do

55










agricultor sem consultar os pesquisadores. Um aumento no preCo de
mercado do produto poder provocar uma decisao para colher todo, ou
apenas parte, do ensaio. Uma variedade ou cultura nova que seja
considerada especialmente atractiva poder promover a colheita por
agricultores, ou seus vizinhos, antes que os dados finais sejam
registados. Em algumas circunstancias, os resultados preliminares
satizfazem a curiosidade dos agricultores e estes perdem o interesse no
ensaio antes deste estar concluido. Quando os ensaios envolvem mais do
que um ciclo de producao, ou quando 6 necessrio avaliar una rotacao de
culturas, o risco de nao completar uma experincia em propriedade
agrcola aumenta.

Os agricultores que nao compreendam totalmente a natureza do
ensaio poderio entrar em competicao com os pesquisadores. Por exemplo,
um tratamento de controle, que suposto simular as prticas dos
agricultores e deve ser conduzido pelos agricultores, poder receber
cuidados especiais, porque os agricultores saben como fazer melhor e
querem provar este facto aos pesquisadotes. Numa parcela pequena, os
agricultores podem ter estas atencoes especiais, mesmo que nao possam
ter tais cuidados nos seus prprios campos. Ou, eventualmente, o
agricultor talvez nao tenha percebido completamente que suposto gerir
tal parcela da mesma maneira que gere os seus prprios campos e, por
isso, espera pelos pesquisadores para executar prticas que normalmente
teriam sido completadas mais cedo. Em qualquer destes casos, sao erros
gerados no medir do nivel de producao dos agricultores.

Por ltimo, uma revisio peridica de todos os aspectos do ensaio,
como tambm conversas frequentes entre os pesquisadores e agricultores,
em relacao ao progresso observado, sao essenciais para una pesquisa bea
sucedida em propriedade agrcola.


O SUCESSO FINAL: ACEITACAO POR AGRICULTORES

A avaliacao de novas tecnologas agrcolas na PESA tem que se
estender para alm do simples determinar da viabilidade biolgica da
empresa em questao. As equipas PESA tm que avaliar as novas
tecnologas, considerando-as no contexto da sua aceitacao por parte dos
agricultores e agregados familiares das propriedades agrcolas. As
equipes PESA tm de considerar um conjunto de factores que poderao
influenciar, em ltima anlise, a aceitaqao e adopcao de uma tecnologia
alternativa pelo agricultor e establecer os critrios de avaliaao mais
adequados.

O objectivo deste parte do capitulo IV ajudar a identificar a
vasta gama de factores a considerar na determinacao de como avaliar o
sucesso de um ensaio, com nfase no envolvimento do agricultor no
processo de avaliacao. A PESA depende da participagao de agricultores,
desde o diagnstico inicial at formulacao e caracterizacao e, por
ltimo, para a avaliagao de tecnologas.



56










O estabelecimento de critrios de avaliacao adequados, com base
nos problemas identificados num sistema agro-pecurio, ir ajudar a
equipa PESA a avaliar melhor as tecnologas alternativas na perspectiva
do agricultor.

Uma compreensao ampla dos objectivos, incentivos, actividades
agrcolas e nao-agrcolas, recursos disponiveis e limita6ces do
agregado familiar da propriedade agrcola fornece as bases sobre as
quais se pode desenvolver a formulacao e anlise da pesquisa em
propriedade agrcola. Grande parte do conhecimento ser gerado durante
a fase de diagnstico da PESA. Adquirida esta compreensao e a
participagao total por parte do agricultor, possivel seleccionar os
critrios de avaliacao e procedimentos de anlise adequados. Embora
seja raro o conseguir desta visao, a utilidade da anlise ir depender
de tal facto. Critrios de avaliacao mal escolhidos podem dar origem a
conclusoes erradas sobre a viabilidade das alternativas a serem
comoaradas.


A IMPORTANCIA DE PLANEAR TENDO EM VISTA A AVALIAQAO

Planear, tendo em vista a avaliacao, antes da formulacao dos
ensaios til de vrias formas:
i. Auxilia a ligacao entre diagnstico e formulacao, ao
organizar a informacao sobre a produccao, os papeis dos diferentes
membros do agregado familiar e os seus objectivos, numa matriz baseada
nos tratamentos propostos para o ensaio.

ii. Ajuda a identificar auais sao os dados necessrios para
avaliar o sucesso ou falta de sucesso de um ensalo.

iii. Ajuda a avaliar as relacoes entre os vrios membros
interessados. Poder ajudar a equipa na tomada de decisoes mais
adequadas sobre quais os tratamentos que devero ser incluidos ou nao
em ensaios posteriores de validagao e/ou refinamento. poder tambm
ajudar a equipa a tomar decisoes mais adequadas sobre o recomendar de
uma nova pratica aps os testes de validagao. InformaCoes mais
completas sobre as relacoes entre os varios interessados poder sugerir
algumas recomendacoes para apoios de polticas e programas em reas
relacionadas (p. ex. a reduccao do tempo gasto pelas mulheres a
transportar Agua).

iv. Ajuda a lizar a fase de testes com a formulacao. de forma
retroactiva. JA que os tratamentos sao avaliados atravs do seu impacto
sobre diferentes membros do agregado familiar, as avaliacaes de custos
e beneficios podem ser comparadas com os objectivos dos membros do
agregado familiar. Estes objectivos, na forma identificada na sondagem
informal, foram a base para a formulacao inicial. A comparacao entre qs
resultados dos ensaios poder dar origem a uma melhor reformulacgo da
prxima srie de ensaios. Esta ligacao entre o teste e o formular uma
parte essencial da PESA.


57










V. Ajuda a documentar o Drogresso a longo brazo no sentido de
obter uma solucao aceitvel para os problemas de prioridade do agregado
familiar. Os ensaios do primeiro ano poderao parecer ter sido mal
sucedidos, ja que os tratamentos considerados nao aceitveis sao
eliminados. No entanto, no decorrer do tempo, estes resultados podem
ser vistos como tendo sido um passo necessrio na identificacao de
tecnologa aceitvel. Ao usar um paradigma de avaliacao de forma
sistemtica, em intervalos predeterminados, para uma srie de ensaios
levados a cabo ao longo de varias pocas, o valor dos ensaios
anteriores para ensaios posteriores pode ser documentado.


FACTORES CHAVE A CONSIDERAR NA DETERMINACO DE CRITERIOS DE AVALIAQAO

i. os objectivos do agregado familiar e dos membros individuais

ii. recursos escassos (tempo, mao-de-obra, dinheiro, terra,
animais, etc.)

iii. a probabilidade de os rendimentos econmicos ficarem aqun de
um nivel mnimo aceitvel (risco)

iv. contrle e distribuicao de insumos e beneficios

v. o efeito possivel sobre outras empresas e sobre a produco, o
consumo e bem-estar do agregado familiar

vi. oportunidade de emprego assalariado

vii. acesso a crdito, abastecimentos, informacao

viii.objectivos da comunidade

ix. factores sociais e culturais

x. poltica governamental

Evidentemente, poderao ser precisos mais do que um critrio de
avaliaqao.

Reconhecimento dos Papis Individuais nos Procedimentos da Propriedade
Agrcola

Poucas vezes ser uma empresa de uma propriedade agricola o
resultado final dos esforCos de uma s pessoa. Os membros do agregado
familiar, e outros, participam de formas diferentes ou sao interessados
do resultado final. Estas pessoas interessadas podem ser classificadas
de acordo com os papis que desempenham, embora cada um deles tenha
mais do que um s papel. Os responsveis pela tomada de decisoes
recorrem a prticas de gestao e/ou autoridade para decidir o que irao
produzir, quando e como produzir. Os investidores fornece. recursos
tais como tempo, mao-de-obra, terra, capital e traccao animal. Os

58










beneficirios recebem beneficios da actividade de producao. Exemplos de
beneficios poderiam incluir uma porcgo da colheita, parte do dinheiro
resultante das vendas ou tempo livre. normalmente assumido que os
beneficirios recebem beneficios positivos mas, com frequncia,
acontece receberem beneficios negativos.

O nivel de envolvimento com cada uma destas funcoes de produco
est, com frequ6ncia, associado com a idade, o sexo e/ou a posicao
dentro do agregado familiar ou comunidade.

Para assegurar uma consideracao adequada das perspectivas
individuais e das circunstancias dos sistemas agro-pecurios, os
praticantes da PESA tm de perguntar constantemente, "quem?". Quem
participa na decisao na decisao de produzir? Quem participa na empresa
produtora? Quem recebe os beneficios da producao? Este questionar ajuda
a assegurar o ter em conta as necessidades e papeis dos diferentes
membros do agregado familiar atravs da sequAncia do processo PESA.

Uma maneira de sensibilizar os praticantes da PESA para
incorporarem factores inerentes a sexo e ao funcionamento interno do
agregado familiar nas suas avaliagoes dos ensaios em propriedade
agrcola ser adquirir novas tcnicas analticas; tcnicas estas
presentadas na obra "Case Studies on Gender and Intra-Household
Dynamics in Farming Systems Research and Extension". Feldstein e Poats
(1985) desenvolveram um paradigma para o estudo de casos determinados,
que visa fornecer as linhas-mestras pelas quais os aspectos
relacionados com as interaccoes entre, e dentro de, agregados
familiares, sexos e sistemas agro-pecurios podem ser obtidos,
analisados e aplicados formulacao de tecnologas melhoradas para
sistemas de cultivo e pecuaria. Abrange a informacao necessria para
modelar um sistema agro-pecuario e o processo pelo qual os agricultores
(homens e mulheres) sao incluidos nas actividades de extensao e
pesquisa numa dada rea. Alguns dos temas e das questoes chave
fornecidas no paradigma sao sintetizados a seguir, em relacao
avaliacao de ensaios em propriedade agrcola.

Em primeiro lugar, o que sao as dinmicas dentro do agregado
familiar e entre agregados familiares, e quais sao as suas variveis?
Em que medida contribuem para a anlise e avaliacao de ensaios em
propriedade agrcola?

A nocao de base que esta por trs destes termos que um "agregado
familiar" nao um agrupamento indeferenciado de pessoas que tm
funcoes de producao e consumo em comum, i.e. com acesso igual e
partilhado aos recursos e beneficios da producao. Antes, os membros
individuais dos agregados familiares ou as familias, partilham alguns
objectivos, beneficios e recursos, tm independencia em alguns e estao
em conflito em outros. Os individuos sao tambm membros de outros
gruos atravs dos quais poderao vir a ter acesso a recursos
productivos ou a beneficios; grupos esses, para com os quais os membros
poderao ter certas responsabilidades. Os agregados familiares rurais
pobres dependem, frequentemente, de um nmero de actividades na

59










propriedade agrcola e fora dela, e de aliancas, para poderem
sobreviver. Decisoes de gestao da propriedade agrcola sobre qualquer
das empresas sao afectadas pela interaccao das funcoes e recursos dos
individuos ligados a essa empresa; a ligaCo de tais individuos A
propriedade pode dar-se enquanto investidor, trabalhador ou
beneficirio. Entao, ha padroes de actividade dentro do agregado
familiar, e entre agregados familiares, que estio relacionados com as
maneiras pelas quais os membros fazem escolhas e executam actividades.

O que se nos depara complexidade e nao homogeneidade. Dentro de
um sistema agro-pecurio especifico ou de uma s empresa dentro desse
sistema, o Dadrao de recursos e incentivos tem de ser descoberto, e nao
pressuposto. O paradigma est formulado para ajudar nesta descoberta.

O paradigma funciona atravs da anlise das quatro reas de
conhecimento importantes para a PESA, de modo que o considerar da
dinmica dentro do agregado familiar possa contribuir: mao-de-obra,
recursos alm da mao-de-obra, incentivos, e o processo pelo qual os
agricultores sao 'incluidos na PESA. Estas reas sao consideradas para
cada fase da PESA (o diagnstico, a formulacao, os ensaios em
propriedade agrcola e sua avaliacao, e as recomenda9oes) atravs de
uma srie de questoes. Vamos considerar aqui apenas as questoes
relativas As actividades de ensaios e avaliacao.

Mao-de-obra

Quais sao as mudancas na atribuicao de mao-de-obra, en termos de
tempo ou tarefa, que estao de facto associadas aos ensaios ea
propriedade agrcola? Ser que estas contribuem ou detraiem aos
aumentos de productividade ou de rendimentos numa dada empresa? Ser
que mudancas na atribuicao de mao-de-obra tm um impacto sobre outras
empresas incluisiv na producao do agregado familiar? Estarao
enquadradas da forma que foi prevista na formulacao?

Acesso e controlo de recursos alm da mao-de-obra

Como e a uem foram fornecidos os novos recursos? Quem tm ou nao
utilizado os novos recursos? Quais foram as redes de conhecidos ou, de
troca, usadas para obter os recursos necessrios? Ser possivel
identificar mais limitacoes, ligadas ao acesso a recursos, por meio dos
testes?

Incentivos

O que motiva as pessoas na tomada de decisoes sobre a atribuicao
de mao-de-obra e outros recursos A producao da propriedade agrcola, ao
lar, e a usos alternativos? Quais os incentivos (positivos ou
negativos) existentes para que os agricultores (homens e mulheres)
modifiquem prticas ligadas A empresa em questao? Quais sao os
incentivos (positivos ou negativos) asociados As modificag~es
especificas a serem testadas? Existem incentivos, positivos ou


60










negativos, em relacao a ser um agricultor cooperante? Como que as
tecnologias a serem testadas afectam os fluxos individuais de
rendimentos?

Inclusao

Ser que, tanto mulheres como homens, sao incluidos como sendo
agricultores cooperantes na pesquisa em propriedade agrcola? Para
empresas especificas? Nos campos? Na gestao de ensaios? Sao
incluidos(as) nas entrevistas para avaliar os ensaios? Haver factores
que inibem a participacao de certas categoras de agricultores?

Este paradigma 6 flexivel e pode ser usado para descrever um
sistema agro-pecuArio ou as variveis que afectam uma dada empresa. As
pessoas sentem-se esmagadas quando sao confrontadas com uma nova lista
de questoes a ter em consideracio medida que vao analisando e
avaliando uma situagao. As perguntas apresentadas nesta secQao sobre
ciencias sociais e perspectivas dos agricultores nio esto formuladas
para sobrecarregar os praticantes da PESA com detalhes interessantes
mas sem relevancia para o caso em mao. Em vez disso, trata-se de por ao
disp6r dos praticantes as ferramentas e as capacidades necessrias para
uma melhor compreensao da natureza e dos processos dos sistemas agro-
pecuarios de forma a identificar melhores solucoes para os problemas
com que hoje se confrontam todos os agricultores.

Compreender os Incentivos, Objectivos e Estratgias de Producao das
Propriedades Agrcolas

Os fins gerais procurados pelo agregado familiar da propriedade
agrcola podem ser considerados como sendo o melhoramento ou a
manutencao do bem-estar e da seguranCa global dos seus membros. No
entanto, por tras destes fins globais, existe um complexo de objectivos
dos individuos e do agregado familiar. Alguns objectivos, como a
obtengao de alimento para consumo mtuo, sao comuns ao agregado
familiar, enquanto outros objectivos, como aumentar os fundos
controlados por um individuo, poderao ser perseguidos por membros
individuais e mesmo entrar em conflito com os objectivos comuns a todo
o agregado familiar. Estratgias sao os mtodos usados pelo agregado
familiar na tentativa de alcangar os seus objectivos.

Os agregados familiares e individuos, considerados como sendo
unidades de producao da propriedade agrcola, sio geralmente colocados
em duas categoras. Os que produzem para consumo caseiro sao
classificados como sendo de subsistencia. Aqueles produzindo para venda
ou troca sao considerados de mercado ou, comerciais. No entanto, e na
realidade, a maioria dos productores das propriedades agrcolas segue
estratgias que tm caractersticas de subsistncia e de comrcio,ao
mesmo tempo. Na maioria das propriedades agrcolas, as culturas sao
para consumo caseiro directo e para o mercado. Da mesma forma, a
pecuAria mantida para originar produtos para o consumo caseiro e
alguns animais/produtos pecuArios sao vendidos.


61










Para empresas de subsistancia primariamente de culturas ou de
animais a estratgia seguida pelas familias de produzir de forma a
satisfazer as necessidades do consumo caseiro. Atingir pelo menos um
nivel de subsistncia da producao tem maior importancia do que passar a
ter maiores rendimentos das culturas. Estratgias geris para diminuir
o risco de ficar aqum do nivel mnimo incluem o intercultivo, o
cultivo de parcelas localizadas em micro-climas e zonas ecolgicas
diferentes, e a manutencao de rebanhos mistos de animais com diferentes
idades. frequente a substituicao de recursos produzidos na
propriedade agrcola como mao-de-obra, forragem, estrume, semente de
culturas prvias, etc., por recursos exteriores A propriedade agrcola
que requerem compras a dinheiro, tais como mao-de-obra contratada,
alimento animal e forragem comerciais, fertilizantes qumicos e
sementes hibridas. No entanto, normalmente h uma necessidade de
rendimentos mnimos do dinheiro para assegurar a compra de produtos
essenciais de consumo e de alguns produtos agrcolas que nao sao
produzidos na propriedade agrcola.

Para culturas e pecuria primariamente comerciais, a estratgia
seguida pelos produtores a de alcancar os rendimentos mximos sobre
os recursos investidos, normalmente na forma de lucro ou rendimento
liquido. Isto pode ser feito atravs do aumento de rendimentos das
culturas, do melhoramento da qualidade de produtos ou mudando a
quantidade de insumos at o rendimento econmico mximo por unidade de
terra, ou atravs de outro recurso relevante. Multas vezes, plantacoes
e rebanhos comerciais sao geridos como casas de comrcio, um pouco A
parte dos assuntos do agregado familiar. Como resultado a preocupagao
com o minimizar de riscos 6 menos intensa do que sob uma estratgia de
subsistencia em que o fracasso significa fome para a familia.

Factores do agregado familiar, tais como prefer&ncias de consumo,
recursos tais como tempo, mao-de-obra e dinheiro, e atividades tais
como a preparacao e processamento de alimentos, tAm peso no
estabelecimento de objectivos e estratgias de producao. Por exemplo, a
decisao de comprar materiais para pr um telhado novo sobre o lar
poder limitar os fundos disponiveis para comprar fertilizantes. Noutro
caso, uma preferencia de consumo por um tipo de galinha local leva a
uma decisao contra a criacao de outros tipos de galinha que poderiam
originar mais ovos e carne. Os rendimentos de milho podea estar a ser
limitados por capinagem fora da altura ptima, mas uma recomendacao que
requira que mais tempo seja dedicado A capinagem poderia nao ser
aceite se esse tempo fr necessrio para obter madeira para
combustivel ou para carregar Agua para o agregado familiar ou se as
infestantes sao necessrias como forragem para os animais aps a
colheita.








62










O compromisso do agregado familiar para com a agricultura
afectado por outras actividades de producao alm da proDriedade
agrcola e oportunidades de emprego assalariado, e a distribuicao de
de custos e beneficios dentro do agregado familiar. Alguns agregados
familiares s se dedicam A agricultura como actividade secundaria,
enquanto que derivam os seus rendimentos econmicos primrios de
actividades de processamento caseiro tais como a confecqao de tortilhas
ou cerveja para venda. Outros agregados poderao estar dependentes dos
salarios de um ou mais membros, que trabalham, a tempo inteiro ou nao,
localmente ou como emigrantes. A avaliacao bem-sucedida dos
melhoramentos agrcolas propostos levada a cabo com uma consideracao
total dos possiveis efeitos das actividades de producao alm da
propriedade agrcola.


IDENTIFICAQAO DOS CRITRIOS DE AVALIACAO RELEVANTES

O texto seguinte, at Dinheiro como Recurso Escasso", adaptado
de Hildebrand e Poey, pginas 74 a 78).

A identificaco dos critrios de avaliaao prprios para analisar
os resultados de ensaios em propriedade agrcola 6 um passo critico na
pesquisa em propriedade agrcola. Critrios de avaliacao sao medidas
biolgicas, econmicas ou sociais que sao usadas para avaliar at que
ponto sao aceitveis uma ou mais alternativas. Critrios prprios, que
sejam relevantes para os agricultores, tm de ser identificados. Estes
critrios fornecem ura base para comparar as prticas dos agricultores
com as alternativas propostas e para avaliar os resultados de cada uma.

Praticantes cuidadosos da PESA comegam a identificar os critrios
ao considerar a perspectiva e as prioridades de cada interessado dentro
do contexto global do agregado familiar.

A Terra Como um Recurso Escasso

O critrio de avaliacao mais utilizado pelos agrnomos o
rendimento por unidade de rea de terra, frequentemepte o kg/ha. A
utilizacao deste critrio implica que a terra o recurso critico na
propriedade agrcola e que a produtividade da terra o critrio de
avaliacao mais importante. Este nem sempre o caso. Em multas
propriedades agrcolas pequenas, com pouca terra, a terra nio a maior
limitacao. Nem sequer a mesma limitacao, necessariamente, a mais
limitante para diferentes actividades de producao.

Por exemplo, os pequenos agricultores de Narino, no sul da
Colmbia, plantam as suas escassas sementes de batata com uma grande
distancia entre cada uma, por forma a maximizar a productividade de
cada semente de batata. A quantidade de semente determina o tamanho do
campo de batata. Neste caso, a terra nao o recurso mais limitante no
caso da produc9ao de batata nestas pequenas propriedades agrcolas. No
entanto, a restante terra nestas propriedades agrcolas semeada com
culturas arvenses. Para as culturas arvenses, a terra j um recurso

63










limitante. Por esta razao, no caso das batatas, mudangas tecnolgicas
que aumentam a produtividade por unidade de rea de terra mas que
diminuem a produtividade por unidade de semente, nao serao atraentes
para os agricultores. Por outro lado, a mesma tecnologa no caso das
culturas arvenses poderla ser aceitvel. A importancia de utilizar um
critrio de avaliacao relevante na avaliacao dos ensaios em propriedade
agrcola torna-se bvia neste caso.

Mao-de-obra como Recurso Escasso

Em algumas reas de Africa, a terra nao um recurso limitante. Os
agricultores podem plantar a rea de terra que sao capazes de gerir. No
entanto, nestas mesmas reas, a chuva 6 de tal forma escassa que a
monda dos terrenos cultivados, por forma a minimizar a competicao entre
culturas e infestantes, para a reduzida quantidade de gua existente no
solo passa a ser um factor critico. Estes agricultores tendem a plantar
a quantidade de terra que conseguem mondar de forma efectiva porque o
plantar de mais terra constitui um desperdicio de esforCo se nao for
possivel proceder A monda efectiva da mesma. Neste caso, a mao-de-obra
para a monda torna-se num critrio de avaliacao importante e mudangas
nas prticas de producao das culturas tambm devem ser avaliadas contra
este factor. Um critrio relevante poderia ser os kg. de produto por
dia de pessoa passado a mondar.

Em algumas reas, como no Leste da Guatemala, as culturas tm de
ser plantadas o mais rapidamente possivel, a seguir ao principio das
chuvas. O plantar tardo reduz grandemente os rendimentos de culturas
devido a um periodo de seca a meio do ciclo de crescimento, a ui
aumento de problemas de pragas, ou porque a cultura nao amadurece antes
de acabarem as chuvas. Neste caso, a mio-de-obra disponivel para
plantar passa a ser um critrio multo importante e a medida relevante
poderia ser os kg. por dia de pessoa passado a plantar.

Dinheiro como Recurso Escasso

Na agricultura comercial, o dinheiro pode substituir, de forma
efectiva, a maioria dos outros insumos. Se .mais semente for necessria,
comprada com dinheiro (ou crdito, que outra forma de dinheiro). Se
for necessrio obter mais mao-de-obra, tambm comprada com dinheiro.
No entanto, em muitas situaqoes de propriedades agrcolas pequenas, com
recursos limitados, a maioria dos recursos utilizados no processo de
produgao sao originados na prpria propriedade agrcola. Somente um
nmero reduzido de insumos comprado. Nas propriedades agrcolas onde
os agricultores nao estao habituados a fazer compras com dinheiro,
necessrio ter grande cuidado para avaliar os rendlmentos econmicos
resultantes das cuantidades adicionais de dinheiro necessrias para
implementar tecnologias alternativas; importante considerar se tais
quantidades adicionais de dinheiro, por mais reduzidas que sejam, estao
ou nao disponiveis ao agricultor, e a sua origem.




64










Em propriedades agrcolas totalmente comerciais, onde o dinheiro
nao 6 essencialmente um factor limitante, o critrio da maximizacao de
lucro poder ser relevante. A maximizacio do lucro 6 atingida quando o
valor do produto obtido da ltima unidade de insumo igual ao custo
dessa unidade adicional. Os agricultores comerciais terao, com
frequnca, outros objectivos alm da maximizacao do lucro e outras
limitacoes que iro condicionar o cumprimento do critrio de
maximizacio de lucro.

Os agricultores com quantidades de dinheiro muito limitadas nao
estarao normalmente interessados em empregar numa s empresa a
quantidade de dinheiro necessria para maximizar os lucros provenientes
dessa mesma empresa. Em vez disso, os agricultores estarao procura de
maneiras para conseguir os rendimentos econmicos mximos por unidade
de capital investida. Nesta situacao, a quantidade de produto por
unidade de dinheiro passa a ser um critrio de avaliacio relevante.
Contudo, mesmo os agricultores comerciais terao, com frequncia, outros
objectivos alm de maximizar o lucro e outras limitacoes que iro
condicionar o cumprimento do criterio da maximizagio do lucro.

Como o dinheiro node ser convertido em muitas formas diferentes de
insumos, torna-se mais crtico olhar as utilizacoes alternativas para o
dinheiro, especialmente nas pequenas propriedades agrcolas onde as
necessidades da familia competem directamente com os limitados recursos
em dinheiro. Se os pesquisadores apenas considerarem o rendimento
econmico resultante do investimento na cultura de mercado que lhes
interessa, poderio descobrir que o que parece ser uma tecnologa "boa"
nao aceitvel para as familias das propriedades agrcolas que
prefeririam utilizar o dinheiro para um casamento ou para reparaCoes na
casa.

Consideracoes Relacionadas com Riscos

As medidas utilizadas em pesquisa de campo sao, com frequncia,
baseadas em mdias. normal, por exemplo, considerar as diferencas
entre as mdias dos rendimentos fsicos.de dois ou mais tratamentos de
um ensaio ou experidcia. Utilizam-se tcnicas em anlise biolgica,
inclusiv a anlise de variAncia, para determinar se as diferencas
entre rendimentos fsicos de dois ou mais tratamentos sao, realmente,
significativas.
As mdias sao um ponto de partida til, mas nao dizem tudo. Os
agricultores tambm querem saber quais sao as probabilidades de os seus
rendimentos fsicos e econmicos ficarem aqum de um limite mnimo
aceitvel no caso de adoptarem uma prtica alternativa correntemente
usada por eles. Por outras palavras, qual ser o risco envolvido em tal
adopcio?

Ao focar-se a avaliac~o de tecnologas alternativas nesta seccao,
"risco" pode ser considerado como sendo a probabilidade de os
rendimentos provenientes de uma actividade agrcola ficarem aqum de um
nivel mnimo aceitvel para os agricultores. O risco, na forma aqui
definida, avaliado pelos agricultores dentro do Ambito das suas

65










prprias propriedades agrcolas. Para alguns agricultores, a possibi-
lidade de passar fome poder ser o factor de risco mais importante que
encaram. As equipas de campo da PESA tm que considerar aspectos de
risco para os agricultores,em grupo, dentro dos dominios de
recomendagao, como tambm os riscos associados a propriedades agrcolas
individuais.

Risco, da forma considerada pelo agricultor, resulta da variabi-
lidade e da mudanga, a que o agricultor tem de fazer face, dentro do
contexto da sua prpria propriedade.

Especficamente, algumas facetas de variabilidade considerados por
agricultores na altura em que fazem uma estimativa do risco envolvido
incluem as seguintes;

i. mudanqas no rendimento fsico ou na qualidade do produto
causadas por factores tais como variagoes climatricas que
ocorrem ao longo do tempo, mesmo quando as praticas agrcolas
nao mudam;

ii. mudancas nas Drticas agricolas ao longo do tempo,
mudancas na qualidade de insumos, nas quantidades a serem
aplicadas,no momento de aplicacao e mudancas de cultivares;

iii. mudancas dos precos dos insumos flutuacoes sazonais de
preco, tendencias, a longo prazo, dos pregos, devidas a
inflaccao ou a vrios ciclos e outros factores, tais como
mudangas nas polticas governamentais;

iv. mudancas nos precos conseguidos pela venda dos produtos
fluctuacoes sazonais de prego, tendencias, a longo prazo, de
pregos devidas a inflaccao ou a vrios ciclos e ainda outros
factores, tais como mudanQas nas polticas governamentais.

Mudanqas relacionadas com o nmero i, acima apresentado, ocorrem
devido a efeitos bioclimticos que diferem de ano para ano. Estes
efeitos e-stao fora do controle do agricultor. Contudo, com os seus anos
de experincia local, os agricultores fazem ura ideia sobre a possivel
extensao de tais efeitos. Mudangas relativas ao nmero ii, acima
apresentado, sao o resultado de diferencas de gestao, ou seja, do
factor humano. Os agricultores normalmente fazem uma boa ideia dos
resultados esperados da mudanca das suas prticas, mesmo antes de as
mudarem. No entanto, permanece ainda a possibilidade de que estivessem
errados e de que as mudancas possam produzir resultados negativos.
Mudancas relacionadas com os nmeros iii e iv, acima apresentados, sao
o resultado de condicoes econmicas que, em grande parte, ou na sua
totalidade, estao fora do controle dos agricultores. No entanto, eles
estao conscientes de tendncias prvias dos custos e precos, e utlizam
esta informagao para fazer uma estimativa do risco. As equipas de campo
da PESA tm que considerar todos estes factores que contribuem para a
variacao no contexto de uma s propriedade agrcola, ao avaliarea as
alternativas.

66










Ao mesmo tempo, a equipa de campo tem que incluir a variacao entre
agricultores num dominio de recomendacao a considerar. Diferentes
agricultores recorrem frequentemente a prticas muito diferentes para
cultivar o mesmo tipo de cultura. Os custos dos insumos variam
grandemente entre agricultores em fungao da distAncia origem de
fornecimento, da disponibilidade de transporte e da proporgao de
insumos produzidos na prpria propriedade agrcola, relativamente aos
que sio comprados. Os precos obtidos pelos diferentes agricultores
variam de acordo com factores como a qualidade do produto, a altura da
comercializagio e a distancia ao mercado.

Considera9oes Relacionadas com Outras Actividades do Agregado Familiar
da Propriedade Agrcola

Com frequncia, ocorrem efeitos secundarios da introduco de
tecnologias alternativas em outras empresas da propriedade agrcola,
empresas estas que nao estao directamente envolvidas na mudanga. Por
exemplo, a produco de fruta num pomar poder ser aumentada atravs do
contrle das infestantes, infestantes essas que, se fossem mondadas,
nao estariam diponiveis para o pastoreio pecurio. O aumentar da
densidade de plantaqao de uma cultura numa situaco de cultivo
intercalado poder diminuir o rendimento fsico da outra cultura.

Quando olhada do ponto de vista da producao, consumo e bem-estar
globais do agregado familiar, a mudanca de uma prtica agrcola passa,
frequentemente, a ser olhada de forma diferente; ou seja, uma prtica
que 6 apropriada quando olhada do ponto de vista de uma s empresa,
pode nao ser adequada quando enquadrada no contexto global do agregado
familiar da propriedade agricola,e vice versa. Se uma prtica
alternativa propoe que a quantidade de um certo recurso, utilizado numa
das empresas da propriedade agrcola, precisa de ser aumentada, de onde
vir tal aumento? Qual ser o efeito sobre a actividade onde o referido
recurso 4 correntemente empregue? Por exemplo, uma recomendagao para
aumentar a quantidade de estrume a incorporar no cultivo por forma a
obter maiores rendimentos fsicos, poder entrar em conflito com a
necessidade de utilizar o estrume como combustivel para cozinhar.

Se a utilizacao de um certo recurso numa empresa agrcola
diminuida perante uma mudanca proposta, onde e como ser o recurso
disponvel usado? Uma recomendacao para aumentar a densidade de
plantacao de uma gramnea poder reduzir a quantidade de terra
necessria para obter um dado rendimento fsico. Se a terra libertada
passa a nao ser utilizada devido falta de tempo que seria necessrio
para gerir uma nova empresa nessa mesma terra, a mudanga poder nao ter
valido a pena. Se a terra libertada utilizada para aumentar a rea
plantada de outra cultura, como ir a rea aumentada desta cultura
afectar os custos e beneficios globais do agregado familiar? Quem,de
entre os membros do agregado familiar ir ter que investir mais tempo
de gestao, mao-de-obra e capital, e quem ir receber os vrios
rendimentos econmicos provenientes dessa cultura?



67











Com tal variedade potencial de criterios de avaliaCao, como poder
uma equipa PESA identificar quais sao os mais decisivos para a
avaliagco? Uma consideraCqo a ter em conta no, atribuir de peso a (e no
ordenamento de) critrios a importncia para cada parte interessada.
Um dilogo continuo com as principais partes interessadas esencial. A
observagio das funcoes e o questionar de cada tipo relevante de parte
interessada, (agricultor masculino, agricultor femenino, chefe do
agregado familiar, dona/o de casa, adulto idoso, jovem, etc.)
estabelecerao um mecanismo de retroaccao pelo qual se pode determinar
a importancia de, e at que ponto serao apropriados, determinados
critrios, para cada uma das partes interessadas. O por de perguntas
que tratam de mudangas propostas nas prticas agrcolas tambm ajuda a
fazer uma estimativa dos possiveis efeitos sobre outras empresas e o
bem-estar global do agregado familiar. O modelo generalizado dos
sistemas agro-pecuarios 6 til ao considerar as interaccqes entre
componentes das culturas, da pecuria, do agregado familiar e aqueles
exteriores A propriedade agrcola, e para estimar os possiveis efeitos
das mudancas de prticas agrcolas.


ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRCOLA PLANEADOS POR PESQUISADORES

A Funglo do Ensaio no Processo de.Pesquisa e Extensao

De acordo com a sua funcao no processo de pesquisa/extensao, os
tipos de ensaios seguem uma tendencia sequencial geral. Para cada tipo
de ensaio, tipos de anlise e formulacoes especificas, sao comuns.

Ensaios exploratrios

Trata-se de ensaios conduzidos quando pouco conhecido sobre o
dominio ou sobre os possiveis efeitos dos tratamentos dentro do
dominio. Podem ser complementares da caracterizacao do dominio,ou fazer
parte dela e, normalmente, precedem os ensaios de refinamento. Estes
ensaios, normalmente, avaliam os efeitos qualitativos de varios
factores, em vez de efeitos quantitativos. Com frequncia, dois nveis
de cada factor sio incluidos e poucas replicacoes sao usadas. As
formulacoes mais comuns incluem a factorial 2n e ensaios de adicao ou
de subtracao. Este tipo de ensaio pode, por vezes, ser sobreuosto nos
campos dos agricultores sem que haja a necessidade de preparar
especialmente a rea experimental.

Ensaios de refinamento

Dois tipos de ensaios podem ser incluidos nesta fase: ensaios em
sitio especifico e ensaios regionais.

i. Os ensaios em sitio especifico sio aqueles levados a
cabo numa s6 propriedade agrcola. Focam, com frequncia, os
efeitos quantitativos. Tm uma formulacao semelhante A dos
ensaios convencionais, mas, normalmente, envolvem menor nmero
de tratamentos. Poderao ser incluidos de 20 a 25 tratamentos,

68










embora um nmero tao elevado no seja recomendado,a menos que
se recorra a um tipo de formulario mais complexa ( p. ex.
lattice ou, quadrado Latino), de forma a manter o erro
experimental num nivel aceitvel. Dada a necessidade de gestao
intensiva pelo pesquisador, apenas um nmero reduzido deste
tipo de ensaios conduzido num dominio determinado. A
formulaqao mais comum o Bloco Completo Aleatrio com quatro
replicacoes.

ii. Ensaios regionais sao os levados a cabo em mais do que
uma propriedade agrcola, mas analizados como sendo um s
conjunto de dados. Estao ao alcance de anlises agro-scio-
econmicas e agronmicas. Sio formulados de forma a expr os
melhores tratamentos dos ensaios em sitio especifico a uma
gama multo maior de ambientes dentro de um dominio. possivel
incluir seis tratamentos, e podem ser utilizados cinco a dez
sitios. Uma formulao recomendada 6 a de blocos completos
aleatrios ou blocos incompletos com duas a quatro replicacoes
em cada sitio. Para a anlise dos resultados podem ser usadas
a anlise de varincia, regressoes ou a anlise de
estabilidade modificada. A anlise combinada usando sitio como
uma origem de varincia pode ser utilizada na anlise de
varincia para quantificar as interaccoes entre os tratamentos
e o ambiente.


Ensaios de validacao

Estes ensaios dao aos agricultores e aos agregados familiares das
propriedades agrcolas a oportunidade de serem eles a gerir e a avaliar
a(s) intervencao(oes) evidenciada(s) como sendo as mais prometedoras
nos ensaios regionais ou de sitio especifico. O objectivo destes
ensaios 6 o de possibilitar aos agricultores a comparacao destas
intervences com as suas prprias,de modo que as prticas existentes
sejam ser incluidas como um dos tratamentos da formulacio. Esta parcela
de controle com a Drtica do agricultor mais til aos pesquisadores
do que aos agricultores, ja que os agricultores poderao avaliar os
resultados com base nos seus prprios campos. Se os pesquisadores
quiserem medir os resultados das prticas prprias dos agricultores,
podem obter ura amostragem dos campos dos agricultores. No entanto,
necessrio manter registos econmicos e agronmicos das prticas do
agricultor, por forma a conseguir a informagno necessria. Se possivel,
desejvel ter pelo menos 30 agricultores a conduzir estes ensaios num
dado dominio, embora por vezes um nmero tao reduzido como 10 seja
aceitvel. Um nmero mais elevado de agricultores aumentar a precisao
da avaliagao do grau de aceitabilidade da nova tecnologa por parte dos
agregados familiares das propriedades agrcolas.






69










Gestao de Ensaios Partilhada entre Agricultores e Pesquisadores

A participagao relativa de agricultores e equipas
multidisciplinares de pesquisa no conduzir de ensaios origina outra
classificacao que ir influenciar o nmero de ensaios de cada tipo,
numa dada situacao de tempo e recursos. H ura correlacao estreita
entre o tipo de gestao e a funcao dos ensaios.

Plantado por pesquisador/gerido por agricultor

Esta categoria inclui os ensaios que representam um alto risco
econmico para os agregados familiares das propriedades agrcolas dada
a natureza imprevisivel ou desconhecida dos tratamentos de intervengio
nas condicoes de gestao tradicional do agricultor. Normalmente estes
ensaios seriam conduzidos na estacao experimental ou, se executados nos
campos dos agricultores, o custo total de mao-de-obra e insumos deve
estar coberto pelo projecto. Estes ensaios sao mais comuns na fase de
testes exploratarios ou de refinacao. Um exemplo seria o testar de
vrios herbicidas novos.

Plantado por agricultor/gerido por pesquisador

Esta categora inclui ensaios "sobrepostos" nos quais os
tratamentos sao colocados em campos que j estao plantados e que estao
a ser geridos pelos prprios agricultores. Os tratamentos sao marcados
usando estacas ou outros meios e os tratamentos individuais sao
instalados ou pelos pesquisadores ou pelos agricultores. Os
agricultores e pesquisadores fazem a colheita em conjunto quando a
cultura estiver madura. A formulacao de um ensaio sobreposto deve ser
simples. Em cada local devem-se usar replicaqoes, embora os resultados
de formulacoes sem replicagao em cada local possam ser incorporados em
anlises e interpretagoes regionais. Estes ensaios sao tamba os mais
comuns na fase de testes exploratrios e de refinacao; por exemplo, a
aplicacao lateral as filas de fertilizante.

Plantado por agricultor/gerido por agricultor

Ensaios que sao completamente levados a cabo por agricultores tem
de incluir as seguintes caractersticas: 1) a tecnologia deve ser
suficientemente simples que possa ser comoreendida e gerida por
agricultores: 2) os agricultores utilizam os seus prprios recursos
para que possamm compreender todas as implicacoes das alternativas; e
3) a formulagio do ensaio tem de ser suficientemente simples para que
os agricultores possam observar diferengas nos tratamentos e/ou medir
essas diferengas com os seus prprios meios de medicao. Estes ensaios
sao os mais comuns nos testes de validacao. Um exemplo seria testar um
cultivar novo usando as prticas normais de plantacao e cultivo dos
agricultores. Os agricultores pagam os seus custos normais acrescidos
do custo da semente da variedade nova.




70










FORMULIAQO E ANLISE DE ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRCOLA

A Pesquisa Biolgica em Propriedade Agricola 6 uma das ferramentas
principais na abordagem dos sistemas agro-pecurios ao desenvolvimento
de tecnologas para as propriedades agrcolas familiares de pequena
escala com recursos limitados. A pesquisa em propriedade agrcola
tambm origina alguma da informacao bsica para a caracterizacao
continua das propriedades agrcolas, das familias a presentes e da
rea na qual a pesquisa est a ser desenvolvida.

Para que o pesquisador consiga avaliar a tecnologia de forma
adequada, necessrio que os ensaios sejam conduzidos nas condicoes
reais dos agricultores para quem a tecnologia est a ser desenvolvida.
Isto d aos pesquisadores uma oportunidade para compreender
completamente as condicoes encontradas pelo agricultor e ao agricultor
a oportunidade de poder participar activamente no processo de
avalia9ao.

O treino estatistico ensina ao pesquisador como controlar as
fontes de variacao provenientes de factores que nao tm um interesse
imediato. Esta variacao natural ou aleatria agrupada no que se chama
o termo de erro na analise de varincia. De forma a reduzir o termo de
erro, os pesquisadores sao ensinados a tornar a rea experimental o
mais uniforme possivel. Isto normalmente implica a aplicagao de
fertilizantes ou cal, irrigago, e medidas de controle de insectos ou
de doengas para que estes factores nao limitem o potencial da producao.
O resultado que os pesquisadores criam um meio-ambiente superior para
a produccio da cultura em causa. Estes procedimentos padronizados sao
muito importantes para a avaliagao do potencial mximo da tecnologa em
desenvolvimento e fornecem conhecimentos crticos para o processo de
desenvolvimento tecnolgico.

No entanto, a maioria dos agricultores familiares de pequena
escala com recursos limitados nao sao capazes de aplicar os tipos de
insumos que sao necessrios para obter o mesmo alto potencial que
possivel nas estaqces experimentais. Como a resposta de tecnologia pode
ser muito diferente nestas condicoes menos que ideais ou nos meios
ambientes mais pobres, presentes na maioria das propriedades
agricolas, tambm necessrio avaliar a tecnologia nessas condicoes.

Na abordagem dos sistemas agro-pecuArios, uma srie de passos
estio envolvidos no processo de avaliagao tecnolgica. Estes passos
sao formulados de forma a proteger os agricultores colaborantes de
riscos, quando participem na avaliagao da nova tecnologia, e, ao mesmo
tempo, para completar a fase de avaliacao o mais rapidamente possivel.
Inicialmente os ensaios sao geridos por pesquisadores mas, os
agricultores participam tanto quanto for possivel. Nas etapas finais,
os ensaios sao muito simples e a sua gestao pode ser feita pelos
prprios agricultores. Nestas etapas, os agricultores sao os
avaliadores Drincipais. Muitas vezes, os agricultores podem decidir,
com base no que vem, se gostam ou nao de uma tecnologa, sem terem que
recorrer a medicoes de diferengas de rendimentos fsicos. Os pesqui-

71










sadores obtm a informagao que podem dos ensaios geridos por agricul-
tores, mas este processo nao deve interferir com a avaliacao por parte
dos agricultores.

A natureza e formulaCao dos ensaios em propriedade agrcola devem
mudar, A medida que passam, na sequncia, de ensaios geridos por
pesquisadores a geridos por agricultores. Muitas destas mudancas criam
problemas para um pesquisador que est somente habituado a trabalhar em
condicoes de estacao experimental. Por esta razao, muitos pesquisadores
nao gostam da ideia de trabalhar em propriedade agrcola onde nao podem
controlar as condicoes como desejariam. No entanto, aps veren as
vantagens que podem resultar da exposigao das suas tecnologas grande
variedade de diferentes ambientes presentes nas propriedades agrcolas
e de incluir o agricultor no processo de avaliacao, a maior parte dos
pesquisadores ficam satisfeitos com os resultados. Um dos aspectos mais
importantes da pesquisa em propriedade agrcola a oportunidade que
assim fornecida de retro-accao de informacao para o pesquisador sobre o
processo de desenvolvimento tecnolgico. Tudo isto faz parte do
continuar da caracterizacao da propriedade agrcola, das suas familias
e da regiao.

Ao longo da sequncia formada por pesquisa em estacao
experimental, ensaios em propriedade agrcola geridos por pesquisa-
dores, ensaios em propriedade agrcola geridos por agricultores e
posteriormente extensao e producao em propriedade agrcola, a complexi-
dade dos ensaios em cada localidade diminui. Isto os nmeros de
replicacoes e tratamentos diminuem. Ao mesmo tempo ambos, tamanho de.
parcelas e nmero de localidades, aumentam. A medida que se dio estas
mudancas, aumenta a gestao de ensaios por parte do agricultor e diainui
a necessidade de gestao da pesquisa. Estas mudanQas tornam possivel un
maior nmero de locais para a pesquisa mas a capacidade de controlar as
fontes de variagao diminui. No entanto, a necessidade de controlar
essas fontes de erro diminu tambm porque possibilidade de medir as
fontes de variagao aumenta. A precisao biolgica e a discriminagao
entre variveis diminuem enquanto que a capacidade para testar as
interaccoes scio-econmicas nas condicoes dos agricultores aumenta.
Todas as mudangas acima apresentadas aumentam o nmero de agricultores
envolvidos no desenvolvimento tecnolgico e aumentam os investmientos
directos que os agricultores fazem nesse processo. Em ltimo lugar,
medida que o nmero dos agricultores aumenta, a interaccao da extensao
com a pesquisa tambm aumenta.

Uma experiencia padronizada num dado local de una estacao
experimental formulado com a fungao de detectar diferencas entre
tratamentos. Isto esperado que a variagao entre tratamentos ser
suficientemente grande de modo a que o tratamento, como fonte de
variacao, tenha significAncia estatistica. A anlise de varincia
frequentemente empregue para detectar este tipo de diferenga.

Os ensaios em estacao experimental sao, com frequncia, formulados
para procurar os efeitos potenciais ou seja, mximos de uma tecnologa.
No entanto, este potencial s medido para um local. Dois ou mais

72










locais podem ser usados com o mesmo tipo de formulagio experimental e
anlise de forma a medir os "Desvos do Potencial" em diferentes
locais. A mesma anlise pode ser independentemente conduzida em cada um
dos locais. O local tamb pode ser considerado como fonte de variagao.
Ao utilizar um conjunto de locais, torna-se possivel estudar a variacao
regional de forma a fazer infer&ncias sobre a estabilidade dos
tratamentos. Este tipo de ensaio, quando conduzido em varios locais de
uma regilo, e quando tanto os efeitos de bloco como de local sao
considerados como fontes de variagao, poderia ser chamado "Pesquisa
Agro-Tcnica Regional".

Locais diferentes implicam, com frequncia, meios-ambientes
diferentes. Aa respostas de uma dada tecnologia a diferentes meios-
ambientes sao, multas vezes, diferentes. Devido a isto, h uma
tendencia para manter os ambientes a um nmero reduzido. Uma solucao
alternativa 6 escolher locais que sejam o mais parecidos possivel. Uma
terceira forma que 4, frequetememente, utilizada no caso em que o mesmo
ensaio 6 repetido em diferentes locais controlar o mais possivel
todas as possiveis fontes de variagao. Mais una vez, tal procedimento,
implica normalmente, a aplicaco de cal ou fertilizantes,irrigacao e
medidas de controle de insectos ou doengas, o que usualmente cria um
meio-ambiente superior para a produico de uma cultura.

A criagao de ambientes superiores na pesquisa em propriedade
agrcola elimina um dos objectivos principais deste tipo de ensaio na
abordagem de sistemas agro-pecurios. Tal objectivo o suieitar da
tecnologa a ser desenvolvida a todo o bem e mal que os agricultores
lhe irao impor quando, e se, adoptarem essa tecnologa. Para assegurar
que a tecnologa adequadamente avaliada, necessrio reduzir o
controle sobre muitos factores. Em vez de controlar, estes factores
diferentes podem ser medidos e os seus efeitos sobre a tecnologa podem
ser calculados. Ou, com maior importancia, os efeitos de tratamentos
podem ser medidos na presena destas e de outras fontes de variagao. Se
nao for possivel .detectar os efeitos dos tratamentos por via
experimental nas condices reais da propriedade agrcola, os
agricultores tambm nao coseguirao detectar diferencas. Se os
agricultores nao conseguirem detectar diferengas, nao ser provvel que
venham a adoptar a tecnologa a ser desenvolvida.

O meio-ambiente no qual os agricultores produzem o resultado de
todos os factores que afectam a produccao. Solos e clima estao
normalmente associados ao meio-ambiente. Outros recursos como capital e
mo-de-obra tambm influenciam o tipo de meio-ambiente no qual uma
cultura produzida. A gestao, que responsvel pela distribuicao dos
recursos pelas diferentes empresas da propriedade agrcola em ltima
anlise, um dos determinantes mais significativos do meio-ambiente de
producao da cultura.

Para que se possa avaliar a influncia da gestao do agricultor
sobre as tecnologias, preciso dar aos agricultores a oportunidade de
participar activamente, mesmo nos ensaios geridos por pesquisadores.
Para avaliar o efeito das limitacoes scio-econmicas sobre as

73










tecnologas, 6 necessrio utilizar parcelas maiores. Tal significa,
normalmente, que s se poderio incluir um nmero reduzido de
tratamentos no ensaio, normalmente sem replicagoes. A incorporacgo do
agricultor significa que as condicoes em que os ensaios estao a ser
conduzidos tm de ser prximas das que o agricultor tpicamente
encontra. Deste modo, possivel detectar a "Resposta Provvel da
Propriedade Agrcola" tecnologia.

A formulaco de um ensaio gerido por agricultor tem de ser
suficientemente simples para que o agricultor possa fazer
essencialmente toda a gestao. Os agricultores tm de fornecer todos os
recursos necessrios, para poderem fazer uma avaliacio completa da
tecnologa. O pesquisador obtm dois tipos diferentes de de informagao
dos ensaios geridos por agricultores. No decorrer do ano do ensaio
possivel determinar a "Resposta AlcanQvel ou Prtica" A tecnologa.
Esta a resposta obtida quando a tecnologa esta completamente nas
maos dos agricultores. Podem ser tiradas amostras do rendimento fsico
ou podem-se usar as estimativas de rendimento dos agricultores. No ano
seguinte ao do ensaio gerido por agricultor, o pesquisador pode voltar
para determinar se os agricultores utilizaram a nova tecnologia com
base nas suas prprias iniciativas aps a terem experimentado no ano
anterior. Com base numa sondagem rapida dos colaboradores do ano
anterior, pode-se calcular um "Indice de Aceitabilidade". A tecnologia
que considerada aceitvel, isto aquela com um alto indice de
aceitabilidade, pode ser incorporada em programas de extensao com a
confianCa de que ser favoravelmente recebida por tipos semelhantes de
agricultores.

Sendo assim, a sequncia dos ensaios em propriedade agrcola
formulada de forma a permitir aos pesquisadores convergir o mais
rapidamente possivel com tecnologa que ser adequada para una
clientela definida e minimizando, ao mesmo tempo, o risco para os
agricultores que participam no testar e no avaliar dessa tecnologia.
Quando se. utilizam procedimentos analticos prprios, os agricultores
podem ser divididos em grupos homogneos com o objectivo de se fazerem
recomendaoqes. Na PESA, estes grupos homogneos sao designados dominios
de recomendacao.

Uma tcnica analtica muito til, que pode ser empregue com dados
provenientes de ensaios conduzidos com grandes variagces de ambientes,
tem sido usada por melhoradores de plantas h quase 20 anos. Una
ligeira modificacao desta tcnica resulta num metodo analtico muito
adequado para analizar dados provenientes tanto de ensaios geridos por
pesquisadores como por agricultores. Esta tcnica designada anlise
de estabilidade modificada.

Quando um ensaio conduzido em vrios locais, um indice ambiental
para cada local defenido como sendo o rendimento fsico mdio de
todos os tratamentoas nesse local. Por exemplo, se hA quatro
tratamentos e o rendimento fsico de cada um num local 30, 35, 25 e
38, entao o rendimento fsico mdio nesse local e o indice ambiental
"e", 32. O indice ambiental pode reflectir todas as condicoes que

74









criam o meio-ambiente em cada local. O resultado de um bom clima ser
um indice maior do que o de um clima pobre, ceteris paribus. Zn bom
gestor criar um melhor ambiente do que um mau gestor e a sua
propriedade ter um indice ambiental mais elevado.

Cada um dos tratamentos individuais ir responder de forma
diferente aos diferentes ambientes. A figura 4.1 apresenta a resposta
de milho a um tratamento ou tecnologa ao longo de uma amplitude de





RENDIMENTO4
T/ha
(Y) 3
3


2
:* *






0 0.5 1.0 5 2.0 2.5 3.0 3.5
FNDICE AMBIENTAL (e)


Figura 4.1. Resposta do milho ao ambiente onde N-40 e P205-40 kg/ha.
Ensaios em propriedade agrcola, projecto de
Desenvolvimento Rural de Lilongwe, Malawi, 1982



ambientes na rea de Lilongwe do Malawi. A curva ou linha de resposta
calculada por meio de regressao linear simples usando o redimento
fsico do tratamento em cada local como varivel dependente e o indice
ambiental nesse local como varivel independente. Isto o rendimento
fsico de tratamento Yt funcao do indice ambiental "e", ou Yt a +
be. Como se verifica para todos os casos de regressao, quanto maior for
a amplitude de observaaoes, melhor ser a estimativa. Por outras
palavras, uma amplitude de ambientes grande melhor do que uma
amplitude de ambientes peauena.




75










A figura 4.2 mostra os resultados do mesmo ensaio conduzido em
estacao experimental na mesma rea do ensaio anterior.




RENDIMENTO
T/ha
(Y) 4



3 *



2-
*


1 -



0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5
rNDICE AMBIENTAL (e)

Figura 4.2. Resposta do milho ao ambiente onde N-40 e P205-40 kg/ha.
Estacao Experimental de Chitedze, Lilongwe, Malawi, 1982



Devido aos bons procedimentos experimentais utilizados na esta~io,
a amplitude de ambientes pequena e todos os ambientes sao superiores.
Aqui para cada replicaao calculado um indice ambiental. No entanto,
como uma amplitude pequena de ambientes superiores foi criada na
estacao, a extrapolacao de resultados at ao nivel ambiental da maioria
das propriedades agrcolas nao seria muito satifatria. Isto, no
entanto, nao quer dizer que os resultados obtidos na estacao
experimental nao devam, ou nao possam, ser usados na avaliacao da
tecnologia. Pelo contrrio, os dados da estacao devem ser combinados
com os dados provenientes dos ensaios em propriedade agrcola, de forma
a conseguir-se uma amplitude ambiental ainda maior.

A figura 4.3 mostra o resultado da combinacao dos dados obtidos em
estacao experimental e em propriedade agrcola; mostra tambm as
repostas da mesma tecnologia ou tratamento ao ambiente. Uma equagao
semelhante de regessao pode ser calculada para cada tecnologia ou
tratamento incluido no ensaio. Os diferentes tratamentos podem ser
comparados pelas suas diferentes respostas aos diferentes ambientes.



76










RENDIMENTO
T/ha *
(Y) 4 *
**




m m *
2






0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5
INDICE AMBIENTAL (e)

Figura 4.3. Resposta do milho ao ambiente onde N-40 e P205-40 kg/ha.
Estagao Experimental de Chitedze ( e ) e ensaios em
propriedade agrcola ( U ), projecto de Desenvolvimento
Rural de Lilongwe, Malawi, 1982


A figura 4.4 mostra dois tratamentos ou tecnologias diferentes. Um
dos tratamentos melhor para.os ambientes pobres e o outro melhor
para os ambientes bons. Este tipo de interaccao ambiental proporciona
uma base para dividir as propriedades agrcolas da rea onde o ensaio
foi conduzido em dois dominios de recomendaao. Para as propriedades
agrcolas com ambientes pobres far-se-ia ura recomendagao enquanto que
para as propriedades com bom ambiente se faria uma outra recomendaao.

De forma a facilitar as actividades de extensao, os dominios de
recomendago podem ser diferenciaods com base nos rendimentos fsicos
ou nas caractersticas relacionadas com ambiente. Se uma das
tecnologias for a tradicional, esta poder ser comparada com uma
tecnologa melhorada. Na figura 4.5, a tecnologia tradicional
superior tecnologa melhorade para propriedades agrcolas cujos
rendimentos fsicos com a tecnologa tradicional sao inferiores a 1.5
toneladas. Para estes agricultores a tecnologa "Melhorada" nao tao
boa como a sua tecnologia tradicional. Para propriedades agrcolas
cujas tecnologas tradicionais produzem mais do que 1.5 toneladas e,
consequentemente, sao as que tm melhor ambiente, a tecnologa
melhorada, ou nova, melhor.

Se os agricultores sao capazes de dizer ao pessoal de extensao
quais sao os seu rendimentos fsicos habituais entao este 6 um metodo
simples para dividir os dominios de recomendaqao e fazer recomendacoes



77









5
RENDIMENTO
T/ha
(Y) 4
*

3 *



2-


1 E



0 1 2 3 4
(NDICE AMBIENTAL (e)
Figura 4.4. Resposta do milho ao ambiente sem fertilizantes. Estadao
Experimental de Chitedze ( ) e ensaios ea propriedade
agrcola ( a ), projecto de Desenvolvimento Rural de
Lilongwe, Malawi, 1982




RENDIMENTO
















e

Figura 4.5. Diferenciaqo em dominios de recomendacao com base nos
rendimentos fsicos da tecnologia tradicional


78










que sao mais apropriadas as condicoes das propriedades agrcolas
especificas. No entanto, ha agricultores que nao sabem quais sao os
seus rendimentos. Uma forma alternativa de dividir as propriedades
agrcolas em dominios de recomendagao atravs da identificaqao e
deteccao das caractersticas que criarao os ambientes pobres ou bons.
Declive ou outras condicoes do solo podem, por vezes, estar associadas
com o ambiente, a proximidade da habitacao pode influenciar o ambiente
e a presenca de animais, especialmente se o estrume utilizado na
cultura, tambm pode ter um efeito importante sobre o ambiente.

Em sintese, a pesquisa agronmica em propriedade agrcola dA aos
pesquisadores a oportunidade de exporem a sua tecnologa a uma muito
maior amplitude de ambientes do que possivel na pesquisa em estaQao
experimental.

formulada para incorporar o agricultor activamente no processo
de avaliacao e ao mesmo tempo mantem o risco para o agricultor num
nivel mnimo. Tal facto pode reduzir a quantidade de tempo envolvida no
processo de desenvolvimento de tecnologas porque a comunicacao, por
"feedback", do cliente para o pesquisador, 4 imediata. Os problemas de
comunicacao sao minimizados.

Em vez de tentar, artificialmente, controlar o ambiente, a
pesquisa em propriedade agrcola formulada para utilizar uma
amplitude de condicoes ambientais para beneficiar a anlise. Isto
melhora a compreensao da resposta da tecnologa e ajuda a agrupar a
clientela em dominios de recomendagao.

Estao disponiveis mtodos estatisticos, efectivos mas simples,
para analisar os dados dos ensaios em propriedade agrcola. Estes
mtodos requerem apenas calculadoras de bolso e por isso sao adaptveis
a qualquer parte do mundo onde conduzido o desenvolvimento de
tecnologa.

Por ltimo, como o procedimento inclui tantos agricultores de
uma rea, as actividades de extensao seguem, os esforgos de pesquisa,
de forma natural e informal. O pessoal de extensao pode ser
directamente incorporado na pesquisa e os pesquisadores podem
participar activamente em accoes de extensao.


DETERMINACAO DO IMPACTO DAS TECNOLOGIAS PROPOSTAS SOBRE OUTRAS
ACTIVIDADES DO AGREGADO

S6 pelo facto de uma mudanca tecnolgica poder ser lucrativa ou
desejada numa empresa da propriedade agrcola nao quer,
necessariamente, dizer que o seu efeito seja favorvel quando se
considera a producao, o consumo e o bem-estar global do agregado
familiar da propriedade agrcola. A anlise de alternativas
tecnolgicas at aqui presentada s as considerou do ponto de vista da
empresa em questao. Iremos agora considerar formas de examinar os
efeitos das mudanCas tecnolgicas sobre as outras actividades levadas a

79










cabo em, ou fora da, propriedade agrcola.

Nem sempre 6 fcil para a equipa PESA avallar os possiveis
impactos que uma mudanca numa empresa ter sobre as outras actividades
na, ou fora da, propriedade agrcola. A decisao final, que determinar
como serao feitos tais ajustamentos, tem de partir dos tomadores de
decisoes da propriedade agrcola. No entanto, isto nao quer dizer que a
perspectiva da propriedade agrcola inteira deva ser ignorada pela
equipa de campo. Juizos preliminares visando as alternativas
tecnolgicas sob .consideracao tm de ser feitos pela equipa de campo,
mesmo antes de a tecnologia ser posta nas maos dos agricultores, para
ser testada e avaliada por eles.

til para os membros da equipa questionarem-se sobre algumas das
questoes postas anteriormente no processo (Planeamento para Avalia9o).
Estas mesmas questoes poderiam, perfeitamente, ter sido levantadas
durante a formulacao das alternativas a serem testadas pela pesquisa en
propriedade agrcola. Mas aps a conclusao da pesquisa, e durante a
avaliaao da mesma, estas questoes devem ser novamente consideradas. As
questoes relevantes sao:

i. Se a quantidade de um recurso necessitado numa empresa da
propriedade agrcola 6 aumentada por uma alternativa proposta, de onde
vir esse aumento?

ii. Como ir essa mudanca afectar a actividade onde esse recurso
presentemente empregue?

iii. Se o uso de um recurso numa empresa da propriedade agrcola
diminuido por uma prtica alternativa, onde e como ser usado esse
recurso libertado?

iv. Como ir esse recurso libertado afectar a actividade ou
actividades onde ir ser usado?

v. Se maior quantidade do producto em questao produzida, que efeito
ter tal aumento sobre a propriedade agrcola como um todo?

Os calendarios do uso da terra e das actividades agrcolas
(Capitulo II) podem ser teis para responder a estas questoes. Por
exemplo, do calendario a'o linear, curvilnea ou estocastica. No
entanto, estas tcnicas podem, com frequ&ncia, necessitar de muito mais
tempo e recursos do que as tcnicas que estao, frequentemente, ao
dispr das equipas de campo.

importante lembrar que, mesmo os mtodos de anlise mais
sofisticados, sao apenas instrumentos para auxiliar as equipas de campo
a avaliar as alternativas tecnolgicas que serao testadas pelos
agricultores. por isso que temos de ser exaustivos na nossa anlise,
por forma a representar o nmero mximo possivel das perguntas dificeis
que os agricultores colocariam se pudessem ver os nossos resultados. En
ltima anlise, sao os agricultores que tomam a decisao de adoptar ou

80










nao uma tecnologa. por isso que as equipes de campo precisam de
incorporar as avaliacoes do agricultor e das partes interessadas na sua
anlise.

Felizmente, 6 possivel As equipes de campo conduzir sondagens
direccionadas dos agricultores numa rea, de forma a envolve-los no
processo e aumentar outras anlises. Algumas sondagens direccionadas,
como no caso em que 6 focada uma questao especifica, podem ser
conduzidas num s dia. Um exemplo poderia estar relacionado com o surto
epidmico de algum insecto que a equipe de campo nao esperava. Num dia
seria possivel equipe certificar-se se isto uma ocorrncia regular
e o que 6 que os agricultores costumam fazer perante tal situagao, se
que fazem. Outras questoes, mais complexas, poderao demorar vrios dias
mas as repostas podem ser obtidas de forma expedita e com custos
reduzidos. Este tipo de dilogo com agricultores pode muito bem ser a
tcnica analtica mais importante ao distdr da equina PESA.







































81

















CAPTUWL V



FAZER RECOMENDAVES






A pesquisa em propriedade agrcola fornece una forma directa para
passar da pesquisa para o fazer de recomendaqoes e para o processo de
difusio. Os agricultores desempenham um papel directo na adaptacao e
avaliaqco de tecnologas e praticas, e apercebem-se de novas ideias no
processo. Ao trabalhar com os tcnicos de extensao e pesquisa, os
agricultores dispoem de uma oportunidade para aprender na pratica sobre
a nova tecnologa e estao numa posicao vantajosa para para auxiliar os
tcnicos a fazer recomendacoes sobre quais sao as praticas ou
tecnologas que parecem ser mais adequadas as condicoes dos
agricultores na sua comunidade. As praticas recomendadas por
agricultores podem passar ao processo de difusio com uma alta
probabilidade de que serao adoptadas por agricultores com recursos e
sistemas agro-pecuArios semelhantes. O processo de pesquisa em
propriedade agrcola entao, uma forma eficaz para fazer
recomendacoes a uma comunidade de propriedades agrcolas, ou seja,
"Dominio de Recomendagao".

O seguinte texto adaptado de: Pesquisa em Propriedade Agrcola:
Difusao e Aprendizagem


DIFUSO DE TECNOLOGIA ATRAVS DA PESQUISA EM PROPRIEDADE AGRICOLA

Durante o processo da conducao de pesquisa em propriedade
agrcola, que ajuda a adaptar tecnologa As condicoes agro-scio-
econmicas de uma comunidade ou de um Dominio de Recomendacao, os
agricultores tambm estao a familiarizar-se com, ou aprendendo, a nova
tecnologa. Esta aprendizagem toma duas formas. A primeira a
aprendizagem prtica, ou atravs da experiencia, dos inovadores ou de
outros utilizando a tecnologa. A segunda a aprendizagem
observacioal, ou seja, por meio de informagao obtida por observagao e
outras formas de estudo, por aqueles que nao estao activamente
envolvidos no uso da tecnologa. Uma curva de aprendizagem, como a
apresentada na figura 5.1, relaciona o sucesso no sentido de alcancar
resultados potenciais (tais como o rendimento fsico potencial de uma

83










nova tecnologia) com o nmero de tentativas a usar, ou a experiencia
com essa tecnologia.

Durante o processo de adaptacao comunitria, ajustamentos na
tecnologia (tais como a escolha de um subconjunto de componentes,
modificacao de niveis de insumos ou fazer com que a tecnologa se
insira mais nas tradicoes comunitrias) tm o efeito de facilitar a
aprendizagem. A aprendizagem facilitada, ao tornar a tecnologia mais
familiar, mais simples ou fcil de aprender a utilizar, faz com que a
curva de aprendizagem seja deslocada para a esquerda (Figura 5.1). O
potencial final da tecnologa, adaptada desta forma, poder ser mais
baixo do que para o "rendimento fisico mximo" ou para o pacote tecno-





Potencial cientifico
RENDIMENTO --
OU
OUTRO
RESULTADO
Potencial da forma adaptada




Curva da aprendizagem
para tecnologia /
adaptada
/ Curva de aprandizagea para
o pacote cientfico

/Desvio em
relaco
adaptaao











O 2 5 4 5 6
NHMERO DE TENTATIVAS DE USO DE UMA TECNOLOGIA



Figura 5.1. Desvio da curva de aprendizagem para uma tecnologa
adaptada


84










lgico completo, como demonstrado pela figura. O caso contrrio
tambm possivel mas, provavelmente, num nmero mais reduzido de
casos.

O movimento ascendente na curva de aprendizagem ocorre atravs da
experiencia, mas um movimento comparvel pode dar-se por meio da
aprendizagem observacional. Se, na altura de comecar a utilizar uma
tecnologia, um agricultor jA a conhece por meio de aprendizagem
observacional, ta.l facto equivale tambm a uma deslocacao da curva de
aprendizagem para a esquerda (Figura 5.2). Se o potencial da tecnologia
nao 6 alterado, resultados semelhantes sao obtidos num espago de tempo



RENDIMENTO
OU
OUTRO
RESULTADO Potencial da forma adaptada
--





/ Cura de aprendizagam para
/ / para quem adoptou mais tarde
/Desvio em
Srelagao/

observaao/


S/C:aude aprenditagem para
para quem adoptou mais cedo
(tecnologia adaptada)









0 1 2 3 4 5 6
NMERO DE TENTATIVAS DE USO DE UMA TECNOLOGIA




Figura 5.2. Desvio da curva de aprendizagem devido observaCao





85










mais curto. A curva de aprendizagem da direita na Figura 5.2 representa
um agricultor que adoptou a tecnologa mais cedo, equanto que a curva
da esquerda representa algum que adoptou a tecnologa mais tarde com o
conhecimento obtido atravs da aprendizagem observacional equivalente
ao que o primeiro aprendeu aps uma tentativa de utilizacao.

A abordagem PESA ao desenvolvimento de tecnologias uma maneira
de formalizar a aprendizagem e adaptacao comunitrias. A PESA poe ao
alcance de uma comunidade os recursos adicionais do conhecimento e
especialidades cientficas de fora. Ao combinar os esforcos de
cientistas de vArias disciplinas com os dos agricultores dentro da
comunidade, a adaptacao As condicoes locais acelerada e a
disseminacao mais rpida.

NA abordagem PESA, alguns agricultores ajudam na adaptacao de una
tecnologa enquanto obtm experiencia com a mesma (Figura 5.1). Outros,
aqueles que nao estao directamente envolvidos com a experimentaao o em
propriedade agricola,tm a oportunidade de aprender por observacao
(Figura 5.2). De relevAncia particular para a eficacia inerente A PESA
que as deslocacoes para a esquerda da curva de aprendizagem, por
experiencia de adaptacao (Figura 5.1) e por aprendizagem observacional
(Figura 5.2), podem ser cumulativas (Figura 5.3). Para ajudar a
compreender a relacao da pesquisa em propriedade agrcola com a difusao
de tecnologa til considerar o conceito de dominio bio-fisico de
pesquisa que composto por um ou mais dominios agro-scio-econmicos
de recomendagao. O dominio de pesquisa tambm pode ser composto por um
ou mais dominios de difusao que poderao ou nao coincidir com o/os
dominio/s de recomendacao.


Dominios de Pesquisa

Um dominio de pesquisa, semelhante ao que Byerlee et al. (1980)
chamam uma "regiao homogenea visada" uma designagao ex-ante de uma
zona bio-climtica ou agro-climtica aproximadamente homognea que
abrange uma amplitude ambiental na qual poderia ser esperado que
tecnologas seleccionadas tivessem uma aplicabilidade potencial. Para a
maioria das tecnologias "o mesmo programa experimental pode ser
implementado em toda a regiao" (Byerlee et al.,1980, pg. 61). Em
muitos casos, todas, ou quase todas, as propriedades na rea visada
tocam o dominio de recomendacao. Um exemplo ser o de uma nova
variedade de uma cultura que resistente a doengas, da qual se espera
que demonstre resistencia em toda a rea. Uma excepcao seria o caso de
um novo instrumento para tractores numa rea onde alguns agricultore
tm tractores grandes e outros agricultores nao tm tractores. Neste
caso o dominio de recomendagao para o novo instrumento incluiria apenas
os agricultores da rea com tractores grandes.






86











Potencial cientfico
RENDIMENTO
OUT Potencial da forma adaptada
RESULTADO
Curva de aprendizagem
para quem adoptou
mais tarde



Curva de aprendizagem para
o pacote cientifico



Curva de aprendizagea para
para quea adoptou mais cedo












0 1 2 3 4 5 6

N~MERO DE TENTATIVAS DE USO DE UMA TECNOLOGIA

Figura 5.3. Desvios cumulativos da curva de aprendizagem devidos
adaptacao e A observacao



Dominios de Recomendagao

Numdominio de pesquisa, as tecnologias alternativas novas passam
a tratamentos a ser incluidos em experiAncias e ensaios para pesquisa
em estacao experimental e/ou propriedade agrcola. Se a pesquisa
conduzida no dominio de pesquisa envolver vrios locais e for formulada
para tirar partido da anlise de estabilidade modificada (Hildebrand,
1984), entao a pesquisa biolgica poder resultar na defini9ao, dentro
do dominio de pesquisa, de um ou mais dominios de recomendagao, com
base na resposta biolgica dos tratamentos as condicoes agro-scio-
econmicas dos agricultores individuais (Figura 5.4). Nesse caso, um
dominio de recomendacao pode ser definido como um grupo de propriedades
agrcolas ou agricultores com sistemas agro-pecurios aproximadamente
homogneos, para os quais uma tecnologa melhorada est de acordo com
as suas exigencias biofisicas e socio-econmicas para adopcao.

87










Outras pesquisas agro-scio-econmicas conduzidas simultaneamente
com a pesquisa biolgica no dominio de recomendacao (por exemplo,
sondagens agro-scio-econmicas direccionadas, levantamentos de solos,
ou orcamentos das empresas agrcolas) fornecem a informagao necessria
para caracterizar as propriedades agrcolas em cada dominio de
recomendacao, de forma que possam ser identificadas para pesquisa
adicional e/ou para identificar os dominios de difusao.




AMPLITUDE DE e NO DONfNIO DE PESQUISA
RENDIMENTO
OU
OUTRO
RESULTADO










SAMPLITVDE DE e
NO DO0INIO DE
RECOMEMNDAAO A



.AMPLITVDE DE e
NO DOMINIO DE
RECOMENDAAO B


e AMBIENTE



Figura 5.4. Repartigao do dominio de pesquisa em dominios de
recomendagao utilizando a anlise de estabilidade
modificada





Dominios de Difusao

Os dominios de difusao sao redes de comunicagao interpessoal
atravs das quais os novos conhecimentos de tecnologias agrcolas sao
naturalmente divulgados. Na sequncia de adaptacao tecnolgica, o uso
de dominios de difusao pode ajudar a situar os ensaios de validagao.
Estes ensaios, geridos por agricultores, que sao usados para confirmar

88










a aceitaqao das* tecnologas por parte dos agricultores,serao mais
eficientes na promocao da aprendizagem observacional e da disseminagao
quando forem estratgicamente situados dentro dos dominios de difusao
relevantes atravs do dominio de recomendagdo.


A PESA NUM CONTEXO COMUNITRIO

At ao ponto em que uma comunidade est dentro de um dominio de
pesquisa, ou em que um dominio de pesquisa pode ser considerado como
sendo uma comunidade, a PESA torna-se num sistema organizado e
estruturado de aprendizagem e adaptagco comunitrias para a inovacao de
tecnologas agrcolas. Como uma sistema organizado e utilizando a
metodologa acima descrita, a PESA 6 altamente eficiente no realgar da
inovacao tecnolgica em agricultura. Em primeiro lugar, dado que a
anlise de estabilidade modificada aproveita a utilizacao de uma grande
amplitude de ambientes, os agricultores que eram anteriormente
considerados "inovadores", "adoptadores antecipados", "adoptadores
tardos" e "nao-adoptores" podem, e devem, ser todos incluidos na
pesquisa em propriedade agrcola. As estimativas de regressao,
melhoradas, da resposta das tecnologias aos ambientes na anlise de
estabilidade modificada, resultam da inclusao de uma grande amplitude
de agricultores.. Tal facto pode melhorar a eficacia da inovacao
tecnolgica para os ambientes superiores (ambiente dos inovadores)
enquanto que, ao mesmo .tempo, fornece tecnologa adaptada para os
adoptadores tardios ou nao-adoptadores nos ambientes mais pobres. Nesse
caso, a adaptacao comunitria est ocorrendo simultaneamente para todos
os estratos da comunidade. Em contraste com os resultados da adaptacao
s por inovadores, as deslocacoes da curva de aprendizagem resultantes
da adaptacao numa perspectiva PESA irao beneficiar tanto os agriculto-
res em ambientes favorveis como os que estiverem em ambientes desfa-
vorveis.

Ambas as aprendizagens, observacional e experimental, recebem
tambm uma maior distribuicao dentro da comunidade a partir de uma
perpectiva PESA do que a adaptacao comunitria espontnea da tecnologa
de desenvolvimento centralizado. Quando a pesquisa adaptativa ou
experimentacao estao a ser conduzidas por um inovador da comunidade, os
agricultores mais pobres da comunidade podem muito bem estar apreensi-
vos em obter informacao do inovador. Ao conduzir ensaios em propriedade
agrcola sobre uma grande amplitude de ambientes e em todos os dominios
de difusao de uma comunidade, a PESA facilita o processo de obtencao de
informacao e de experiencia prtica com uma tecnologia. Enquanto um
agricultor est obtendo informacao sobre determinada tecnologa, a
tecnologia pode tambm estar no processo de adaptacao As condicoes da
comunidade. Se a pesquisa em propriedade agrcola conduzida em todos
os dominios de difusao de uma comunidade como tambm em todos os
ambientes, a distribuicao dos beneficios da pesquisa e extensao ser
mais equitativa e rpida. Em sintese, a PESA complementa e torna mais
eficiente um processo de inovacao tecnolgica em agricultura que ocorre
naturalmente -- a adaptacao, a aprendizagem e a difusao comunitrias.


89




University of Florida Home Page
© 2004 - 2010 University of Florida George A. Smathers Libraries.
All rights reserved.

Acceptable Use, Copyright, and Disclaimer Statement
Last updated October 10, 2010 - - mvs