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Metodo de Sondeio
para Diagn6stico e Formulacao
Um Curso
Sintese de Pesquisa e Extensao em
Sistemas
Agro-Florestais
(PESA)
20 de Junho de a 02 de Julho de 1988
Organizaqao:
University
of Florida
Patrocmnio:
Fundaqao Ford
Universidade
Federal do Acre
:2, 0 v
SEGMENT COLONOS
S UMARI0
1. Introdugao
2. Metodologia
3. Caracterizagao da Unidade Produtiva
3.1 Propriedade
3.1.1 Tamanho
3.1.2 Area Desmatada
3.1.3 Formas de Obtengao da Terra
3.1.4 Existencia de Agua
3.2 Familia
3.2.1 Estrutura Familiar
3.2.2 Origem
3.2.3 Tempo de Assentamento
3.2.4 Condigoes da Casa
4. Servigos Basicos
4.1 Educagao
4.2 Saude
5. Exploragoes Agrosilvipostoris
5.1 Produgao Vegetal
5.1.1 Sistema de Abertura das Areas
5.1.2 Culturas Anuais
5.1.3 Culturas Perenes
5.1.4 Fruticulturas
5.1.5 Horticulturas
5.1.6 Controle de Plantas Daninhas
5.1.7 Mao-de-Obra
5.2 Produgao Animal
5.2.1 Pequenos Animais
5.2.2 Grandes Animais
5.3 Florestas
5.3.1 Madeira
5.3.2 Borracha
5.3.3 Castanha
5.3.4 Caga, Pesca, Frutas Silvestres, Plantas Medi-
cinais
5.4 Calendario
6. Economia
6.1 Aspectos Economicos Gerais: Renda e Emprego
6.2 Comercializagao
6.3 Transporte
6.4 Armazenamento
6.5 Servigos de Apoio
6.5.1 Credito
6.5.2 Assistencia Tecnica
6.6 Modelo Simplificado do Sistema Produtor
7. Fatores Limitantes
7.1 Fatores Naturais
7.1.1 Agua
7.1.2 Pragas e Doencas
7.2 Fatores Institucionais e/ou Politicos
7.2.1 Assistencia Tecicica
7.2.2 Sementes
7.3 Fatores Sociais
7.3.1 Mao-de-Obra
7.3.2 Saude
7.3.3 Educagao
7.3.4 Estrutura Social
7.4 Fatores Economicos
7.4.1 Falta de Recursos Proprios
7.4.2 Credito
7.4.3 Armazenamento
7.4.4 Comercializagao
7.4.5 Transporte
8. Pretensao dos Pequenos Proprietarios
9. Conclusoes
10. Recomendagoes
1. Introducao
A formacao da ocupagao economic do Estado
do acre, via extrativismo da borracha e castanha do Brasil, de-
terminou a organizacao da produgao agracola atualmente prati-
cada, .onde existe uma predominancia das cultures ditas de sub-
sistencia e/ou cultures brancas, tais como: feijao, arroz, mi-
lho e mandioca, sendo que as areas ocupadas com as mesmas ge-
ralmente nao ultrapassam a 4 ha, com um nivel baixo de utili-
zagao de insumos modernos.
Na decade de 70, com os conflitos surgidos
pela posse da terra, tanto no Acre, como tambem em outros es-
tados brasileiros, surgiram os projetos de assentamento dirigi-
do, hoje chamados projetos de colonizagao. Assim sendo, no Acre
foram implantados os projetos PAD: Pedro Peixoto, Redengao,
Santa Luzia,-Boa Esperanga, -Quixada, Santa Quiteria e.:Humaita
onde foram assentados parceleiros, tanto do Acre como de ou-
tras regioes do pals.
Os projetos Pedro Peixoto e Humaita foram
escolhidos para serem alvo de uma pesquisa informal PESA
(Pesquisa e Extensao em Sistemas Agro-florestdis)= com o obje-
tivo de identificar recomendagoes para resolugao de problems
agro-economicos que interferem na produgao e bem estar das
families de pequenos produtores rurais nos referidos projetos.
O projeto Peixoto foi implantado em 1978, e
e localizado no Km 61, da BR-364, cor uma area de 408.000 ha,
abrangendo areas rurais dos municipios de Rio Branco, Senador
Guiomard e Placido de Castro com um total de 3.714 lotes, onde
estao assentadas 3.700 familias- oriundas das diversas regioes
do pais, com predominancia de pessoas do proprio estado.
Os lotes do referido.projeto tem formatos
retangulares, nao obedecendo a topografia-da area, principal-
mente no tocante 'as nascentes de rios e igarapes com tamanho
nas maioria dos casos, variando entire 50 a 80 ha.
0 projeto Humaita, implantado em 1980, esta
localizado na AC 22, Km 33, no municipio de Rio Branco, com
uma area de 63.000 ha, com um total de 951 lotes ja ocupados
por pequenos produtores. t important ressaltar que ambos Qs
projetos, possuem em suas sedes infraestrutura de apoio, no
tocante a armazenagem, educagao, saude e outros servigos.
SVale ressaltar que o grupo compost para a
realizacao da pesquisa, foi constituido: por profissionais de
diversas areas pertencentes as instituicoes ligadas ao setor
Sagr{cola de orgaos .federais e -estaduais, situados em Rio .Bran-
co-Acre, bem como por professors da Universidade Federal do
Acre-UFAC, Universidade da Florida-UF e estudantes pos-graduan-
dos desta .ultima.
2. Metodologia
A metodologia utilizada teve como base alguns
resultados de experiencia (feitas anteriormente) em diversas
regioes tropicais e a-utilizagao de tecnicas de sistemas agro-
-florestais.-Tanto os sistemas agro-florestais como os sis-
temas agricolas sao metodos de "pesquisa adaptativa" por res-
ponderem a problems concretos e complexes da realidade e nao
a questoes dennatureza puramente teorica e/ou abstrata. Pare
tal, utilizou-se processes continues de entrevistas e dis-
cussoes, entire t6enicos de diversas especializagoes e a popu-
lagao envolvida no process de pesquisa.
0 total de participants foi dividido em dois
grupos de dezoito elements cada, um dos quais trabalhou com
seringueiros e o outro com colonos. Efetuou-se outra divisao
em grupos de tres elements para o sondeio nas propriedades e
seringais. Apos cada dia de entrevista, tries comos colonos e
uma com seringueiros, as equipes se reuniram para discussao dos
problems encontrados na visit diaria. Apos a reuniao, novos
grupos de tras pessoas foram formados para as visits do dia
seguinte. O program de visits durou tries dias e foram entre-
vistados 51 colonos e 13 seringueiros. Apos a avaliagao das
informagces obtidas, formaram-se equipes para elaboragao dos
itens components do relatorio das atividades realizada pelos
grupos.
3. Caracterizagao da Unidade Produtiva
3.1 'Propriedade
3.1.1 Tamanho
0 tamanho das propriedades varia entire 35 a
201 ha, sendo que a maioria tem area entire 60 e 80 ha. As mai-
ores areas sao resultado de acumulo de .2 ou mais lotes -de
terra.
3.1.2 Area Desmatada
0 tamanho da are~r que ja foi desmatada em ca-
da propriedade e bastante variavel, aspumindo valores entire
3 a 70 ha, com media entire 8 e 12 ha. As menores areas des-
.- tadas pertencem -a- pessoas gque chegaram a pouco nos proje-
tos de colonizagao e as maiores estao incluidas nas proprie-
dades que tem 2 lotes ou mais e sao destinadas a pecuaria.
3- 3.1.3 Formas-de. obterigao da'-terra
0 lote pode ter tries formas de obtengao: doa-
gao do MIRAD, compra ou troca. Aparentemente, a maioria das
pessoas que receberam lotes doados -sao originarias..do Acre.
Muitasdestas pessoas tem vendido suas propriedades a outras
que estao imigrando para este estado nos ultimos anos, sendo
estas oriundas de varios estados das diversas regioes brasi-
leiras.
3.1.4 Exist&ncia de agua
A existencia de agua na propriedade consti-
tui-se em um serio problema, assim sendo, fontes naturais co-
mo vertentes e igarapes sao, habitualmente, usados, sendo que
3. Caracterizagao da Unidade Produtiva
3.1 'Propriedade
3.1.1 Tamanho
0 tamanho das propriedades varia entire 35 a
201 ha, sendo que a maioria tem area entire 60 e 80 ha. As mai-
ores areas sao resultado de acumulo de .2 ou mais lotes -de
terra.
3.1.2 Area Desmatada
0 tamanho da are~r que ja foi desmatada em ca-
da propriedade e bastante variavel, aspumindo valores entire
3 a 70 ha, com media entire 8 e 12 ha. As menores areas des-
.- tadas pertencem -a- pessoas gque chegaram a pouco nos proje-
tos de colonizagao e as maiores estao incluidas nas proprie-
dades que tem 2 lotes ou mais e sao destinadas a pecuaria.
3- 3.1.3 Formas-de. obterigao da'-terra
0 lote pode ter tries formas de obtengao: doa-
gao do MIRAD, compra ou troca. Aparentemente, a maioria das
pessoas que receberam lotes doados -sao originarias..do Acre.
Muitasdestas pessoas tem vendido suas propriedades a outras
que estao imigrando para este estado nos ultimos anos, sendo
estas oriundas de varios estados das diversas regioes brasi-
leiras.
3.1.4 Exist&ncia de agua
A existencia de agua na propriedade consti-
tui-se em um serio problema, assim sendo, fontes naturais co-
mo vertentes e igarapes sao, habitualmente, usados, sendo que
3. Caracterizagao da Unidade Produtiva
3.1 'Propriedade
3.1.1 Tamanho
0 tamanho das propriedades varia entire 35 a
201 ha, sendo que a maioria tem area entire 60 e 80 ha. As mai-
ores areas sao resultado de acumulo de .2 ou mais lotes -de
terra.
3.1.2 Area Desmatada
0 tamanho da are~r que ja foi desmatada em ca-
da propriedade e bastante variavel, aspumindo valores entire
3 a 70 ha, com media entire 8 e 12 ha. As menores areas des-
.- tadas pertencem -a- pessoas gque chegaram a pouco nos proje-
tos de colonizagao e as maiores estao incluidas nas proprie-
dades que tem 2 lotes ou mais e sao destinadas a pecuaria.
3- 3.1.3 Formas-de. obterigao da'-terra
0 lote pode ter tries formas de obtengao: doa-
gao do MIRAD, compra ou troca. Aparentemente, a maioria das
pessoas que receberam lotes doados -sao originarias..do Acre.
Muitasdestas pessoas tem vendido suas propriedades a outras
que estao imigrando para este estado nos ultimos anos, sendo
estas oriundas de varios estados das diversas regioes brasi-
leiras.
3.1.4 Exist&ncia de agua
A existencia de agua na propriedade consti-
tui-se em um serio problema, assim sendo, fontes naturais co-
mo vertentes e igarapes sao, habitualmente, usados, sendo que
3. Caracterizagao da Unidade Produtiva
3.1 'Propriedade
3.1.1 Tamanho
0 tamanho das propriedades varia entire 35 a
201 ha, sendo que a maioria tem area entire 60 e 80 ha. As mai-
ores areas sao resultado de acumulo de .2 ou mais lotes -de
terra.
3.1.2 Area Desmatada
0 tamanho da are~r que ja foi desmatada em ca-
da propriedade e bastante variavel, aspumindo valores entire
3 a 70 ha, com media entire 8 e 12 ha. As menores areas des-
.- tadas pertencem -a- pessoas gque chegaram a pouco nos proje-
tos de colonizagao e as maiores estao incluidas nas proprie-
dades que tem 2 lotes ou mais e sao destinadas a pecuaria.
3- 3.1.3 Formas-de. obterigao da'-terra
0 lote pode ter tries formas de obtengao: doa-
gao do MIRAD, compra ou troca. Aparentemente, a maioria das
pessoas que receberam lotes doados -sao originarias..do Acre.
Muitasdestas pessoas tem vendido suas propriedades a outras
que estao imigrando para este estado nos ultimos anos, sendo
estas oriundas de varios estados das diversas regioes brasi-
leiras.
3.1.4 Exist&ncia de agua
A existencia de agua na propriedade consti-
tui-se em um serio problema, assim sendo, fontes naturais co-
mo vertentes e igarapes sao, habitualmente, usados, sendo que
3. Caracterizagao da Unidade Produtiva
3.1 'Propriedade
3.1.1 Tamanho
0 tamanho das propriedades varia entire 35 a
201 ha, sendo que a maioria tem area entire 60 e 80 ha. As mai-
ores areas sao resultado de acumulo de .2 ou mais lotes -de
terra.
3.1.2 Area Desmatada
0 tamanho da are~r que ja foi desmatada em ca-
da propriedade e bastante variavel, aspumindo valores entire
3 a 70 ha, com media entire 8 e 12 ha. As menores areas des-
.- tadas pertencem -a- pessoas gque chegaram a pouco nos proje-
tos de colonizagao e as maiores estao incluidas nas proprie-
dades que tem 2 lotes ou mais e sao destinadas a pecuaria.
3- 3.1.3 Formas-de. obterigao da'-terra
0 lote pode ter tries formas de obtengao: doa-
gao do MIRAD, compra ou troca. Aparentemente, a maioria das
pessoas que receberam lotes doados -sao originarias..do Acre.
Muitasdestas pessoas tem vendido suas propriedades a outras
que estao imigrando para este estado nos ultimos anos, sendo
estas oriundas de varios estados das diversas regioes brasi-
leiras.
3.1.4 Exist&ncia de agua
A existencia de agua na propriedade consti-
tui-se em um serio problema, assim sendo, fontes naturais co-
mo vertentes e igarapes sao, habitualmente, usados, sendo que
3. Caracterizagao da Unidade Produtiva
3.1 'Propriedade
3.1.1 Tamanho
0 tamanho das propriedades varia entire 35 a
201 ha, sendo que a maioria tem area entire 60 e 80 ha. As mai-
ores areas sao resultado de acumulo de .2 ou mais lotes -de
terra.
3.1.2 Area Desmatada
0 tamanho da are~r que ja foi desmatada em ca-
da propriedade e bastante variavel, aspumindo valores entire
3 a 70 ha, com media entire 8 e 12 ha. As menores areas des-
.- tadas pertencem -a- pessoas gque chegaram a pouco nos proje-
tos de colonizagao e as maiores estao incluidas nas proprie-
dades que tem 2 lotes ou mais e sao destinadas a pecuaria.
3- 3.1.3 Formas-de. obterigao da'-terra
0 lote pode ter tries formas de obtengao: doa-
gao do MIRAD, compra ou troca. Aparentemente, a maioria das
pessoas que receberam lotes doados -sao originarias..do Acre.
Muitasdestas pessoas tem vendido suas propriedades a outras
que estao imigrando para este estado nos ultimos anos, sendo
estas oriundas de varios estados das diversas regioes brasi-
leiras.
3.1.4 Exist&ncia de agua
A existencia de agua na propriedade consti-
tui-se em um serio problema, assim sendo, fontes naturais co-
mo vertentes e igarapes sao, habitualmente, usados, sendo que
Sa perfuragao .de pogos se estas fontes nac ,xisterm.
Em algumas propriedades a agua seca totalmen-
te.na epoctade estio e e necessario busca-la em propriedades
vizinhas.
3.2. Familia
3.2.1 Estrutura familiar
0 numero de pessoas varia muito. Os nucleos
familiares tem de 1 a 12 filhos, existindo casos em que o ca-
sal.ou o-homem adulto vive so no lote e sua familiar vive na
aree urbana. Em relagao a idade-dos filhos, a familia tambem
varia muito: casais jovens t&m filhos de pequena idade, casais
-mais maduros tenm filhos desde- pequeninos -a. adults e....casais
mais idosos tem filhos adults.
Ha families que mantem outras pessoas na pro-
priedade, sendo,--em geral, parents e podendo,- inclusive,
existir outras families nucleares no mesmo lote.
3.2.2 Origem
Entre 26 families estudadas no Projeto Humai-
ta tem-se 08 casos de families acreanas e 15 de outros estados
e 03 mistas (mulher acreana e home de outro estado). No pro-
jeto Pedro Peixoto ha 09 families acreanas para 16 de outros
estados, entire 25 families estudadas.
No total da amostra (51 families) ha 17 acrea-
nas, 3 mistas e 31 de outros estados, sendo eles das seguin-
tes regioes: Norte 3 (AM), Nordeste-14 (7 CE, 3 BA, 2 Pe,lPB
e 1 RN), Centro-Oeste 1 (MG), Sudeste 8 (5 MG, 2 SP, 1 RJ) e Sul -
5 (3 PR e 2 SC).
Sa perfuragao .de pogos se estas fontes nac ,xisterm.
Em algumas propriedades a agua seca totalmen-
te.na epoctade estio e e necessario busca-la em propriedades
vizinhas.
3.2. Familia
3.2.1 Estrutura familiar
0 numero de pessoas varia muito. Os nucleos
familiares tem de 1 a 12 filhos, existindo casos em que o ca-
sal.ou o-homem adulto vive so no lote e sua familiar vive na
aree urbana. Em relagao a idade-dos filhos, a familia tambem
varia muito: casais jovens t&m filhos de pequena idade, casais
-mais maduros tenm filhos desde- pequeninos -a. adults e....casais
mais idosos tem filhos adults.
Ha families que mantem outras pessoas na pro-
priedade, sendo,--em geral, parents e podendo,- inclusive,
existir outras families nucleares no mesmo lote.
3.2.2 Origem
Entre 26 families estudadas no Projeto Humai-
ta tem-se 08 casos de families acreanas e 15 de outros estados
e 03 mistas (mulher acreana e home de outro estado). No pro-
jeto Pedro Peixoto ha 09 families acreanas para 16 de outros
estados, entire 25 families estudadas.
No total da amostra (51 families) ha 17 acrea-
nas, 3 mistas e 31 de outros estados, sendo eles das seguin-
tes regioes: Norte 3 (AM), Nordeste-14 (7 CE, 3 BA, 2 Pe,lPB
e 1 RN), Centro-Oeste 1 (MG), Sudeste 8 (5 MG, 2 SP, 1 RJ) e Sul -
5 (3 PR e 2 SC).
Metodo de Sondeio
para Diagn6stico e Formulacao
Um Curso
Sintese de Pesquisa e Extensao em
Sistemas
Agro-Florestais
(PESA)
20 de Junho de a 02 de Julho de 1988
Organizaqao:
University
of Florida
Patrocmnio:
Fundaqao Ford
Universidade
Federal do Acre
:2, 0 v
'3'.-2.3 Tempo de AssentamentQ
Como *os dois projetos'de colonizagao forair
implantados recentemente (Pedro Peixoto-1977 e Humaita-1980)
tem-se families com poucos anos de instalagao, variando desde
1 a 7 anos. HB alguns casos de families que ocupavam a regiao
anteriormente a implantacao do projeto de assentamento.-
3.2.4 Condigoes da Casa
0 tipo de casa e um important indicador do
nivel socio-economico familiar. Assim sendo, observam-se que a
construcao das casas, em geral, e feita com materials da flo-
resta (parede de paxiiuba ou tabuas serradas e cobertura de ca-
vacos ou palha). Existem algumas com telhado de aluminio e ra-
ras sao as casas de alvenaria com cobertura de aluminio ou de
amianto.
Normalmente, as casas sao -construcoes altas,
havendo pequenos animals que vivem sob elas.
Nota-se o desejo e a disposicao que tem as
pessoas que vivem em casas de paxiuba para construlrem casas
de madeira serrada, sendo que, em alguns casos, ha troca de ma-
deiria bruta por madeira serrada.
4. Servigos Basicos
4 .1 Educagao
Aparentemente, h escolas nos dois projetos de
colonizacao. Em certos casos, seria necesssario construir
mais algumas objetivando diminuir a distancia media aos lotes
que., atual-mente,, pode chegar .a mais de -4 .kn.
Em varios casos ha reclampqoes de ausencia do
professor, tanto na escola como um todo,-como para o ensino eir
apenas algumas series.
Em relagao a merenda escolar, alguns dos en-
trevistados reclamavam de falta de merenda ou ausencia de me-
rendeira.
Os pais, em sua maibria, sao analfabetos ou
semi-alfabetizados nao.expressando desejo de continuar seus es-
tudos, nem de que seus filhos estudem mais do que as primeiras
quatro series. Existerr casos, entretanto,.en que, apesar de exis-
tiremi escolas funcionando, os filhos nao sao mandados pare es-_
tudar e, no outro extreme ha casos de criancas que estudam na
area urbana, nao se limitando as quatro primeiras series.
4.2 Saude
As condicoes de saude sao precarias. Alguns
ramais tem postos, mas ha queixas sobre o horario de funciona-
mento, a distancia da propriedade, a ausencia de pessoal espe-
cializado e deficiencia de equipamento apropriado. Muitas das
families se dirigem as sedes dos projetos, onde h6 enfermeiros
permanentes e no projeto Humaita, visits medical peri6dicas.
Outras families, tambem deste projeto, vem a area urbana, in-
clusive para acompanhamento de gestagao. Alguns casos de mala-
ria foram relatados, aparentemente ocorrendo maior incidencia
no projeto Peixoto.
* .. Exploracoes ,Agrosilvipastoris
5.1 .-. Produgao Vegetal
5.1.1 --Sistema de Abertura de Areas
De maneira geral, a abertura .as areas se de
com realizagao de broca, derrubada e queima- de mata, visto
que esta e a unica alternative viavel ao pequeno produtor. pa-
ra incorporacao da area ao sistema produtivo., Em seguida, o
agricultor plant a lavoura branch (milho, arroz, feijao e man-
dioca), por um period que varia de 1 a 3 anos, apos o que efe-
tua a implantagao da pastagem ou de cultural perenes. Ha casos
em que o plantio da lavoura e feito apenas no primeiro ano
ap6s a-derrubada e logo .e -implantado o pasto.- Alguns agriculto-
res, apos 3 anos de cultivo consecutive deixam a terra em pou-
sio (de 4 a 8 anos) para recuperagao natural da vegeLtaao e, em
seguide retornam a brocar-, derrubar e queimar para ...implantar
uma nova sucessao de cultivos. A area de derrubada, praticamen-
te annual, varia entire 1 a 4 ha. Este process de abertura de
novas areas estaciona quando a mao-de-obra e os recursos dis-
poniveis nao sao suficientes para tender a demand.
5.1.2 Culturas Anuais
Nas duas areas de trabalho, tomando como
amostra os produtores visitados, predomina o cultivo annual da
lavoura de subsistencia (arroz, feijao, milho e mandioca) em
proporgoes medias de 2,0 ha por produtor por ano, obedecendo o
seguinte sistema: arroz e milho consorciados ou solteiros, com
freqiuncia maior-de consorcio, no primeiro ano. Apos a colheita
destes, cultiv:a-se o.feijac, e depoi s dest- colheita o produ-
tor utilize a area para cultivar a mandioca, persistindo este
process ate o prazo maximo de tres anos, quando nao e in-
terrompido pelo cultivo de gramineas para a formagao de pasta-
gens.
Alem destas cultures, sao plantados, ainda, o
fumo e o abacaxi, que sao comercializados sem expressao econo-
mica.
As sementes e mudas para cultivo destas la-
vouras sao oriundas na sue maioria, de cultures anteriores e
armazenados em tambores, salvo em casos em que alguns produto-
Sres receberam sementes do Governo do Estado.
Arroz A, entire as cultures anuais, a de maior area culti-
vada e, tambem, o de maior importancia economic para os agri-
cultores dos projetos vi-si tados. Pois nao so represent a. base
alimentar dessas families, juntamente com o feijao e a farinha
de mandioca, como tambem e fator de renda, visto que sua co-
mercializagao no mercado local, seja atraves de atravessado-
res ou diretamente em feiras livres, tem contribuido, a curto
prazo com a receita familiar.
Apesar de ser cultivado em consorcio com o
milho, na maioria das vezes, o arroz ocupa maior area de cul-
tivo, dado o espagamento utilizado para o milbo, o qual nao e
o recomendado pela pesquisa, conforme foi observado. Este sis-
tema de cultivo tende a desaparecer cor o incremento annual do
cultivo solteiro, visto que em plantios de primeiro ano, quan-
do'enrr terras de derrubada novCe, 6 .majoria dos agricultores pre-
fere plantar arroz, reservando o segundo ano para o milho. No
entanto; muitos sao os agricultoresque ainda cultivam o milho
no primeiro ano, porem, em sistema soltejrc.
A produtividade do arroz no sistema consor-
ciado chega a atingir os 1.500 kg/ha, enquanto que em sistema
de plantio solteiro ultrapassa os 3.000 Kg/ha.
A cultivar mais utilizada pelos agricultores
e a IAC-47, que apresenta problems de acamamento devido ao
seu porte alto.
E comum ao arroz cultivado nestas areas, ser
.atacado por pragas que deixamia plant amarelada e comn a folha
do meio solta, sinal provavel da presenga do percevejo grande
do arroz (Tibrac limbativentris) e do percevejo sugador
(Oeballus sp,) provocando _gandes perdas!-na produgao, _caso nao
sejam controlados, logo apos a identificagao dos mesmos no
arrozal.
0 control realizado por alguns produtores e
feito com uso de inseticidas quimicas, adquiridos no comercio
de Rio Branco, sem que sejam efetuada qualquer recomendagao
tecnica.
No armazenamento, tambem e atacado pela "Bor-
boleta" (traga) (Sitrotooa cerealella) e o gorgulho (Sitophilus
oryzae) que, juntos, provocam grandes perdas nos graos arma-
zenados.
Alguns agricultores na tentative de controlar
as pragas, aplicam inseticidas quimicos (MALAGRAN) na forma de
p6 seco, jogando-o sobre os graos, sem os cuidados tecnicos de-
vidos.
Este produto e armazenado nc paoi ern saccs
de 50 kg, dentro de casa a granel ou, ainda,na forma de meda no
campo, coberto ou nao com palha.
Milbo Embora represent pouca importancia na alimentagac
familiar, pois o milho e pouco consumido pelos produtores e suas
families, mas tem economicamente, sua representatividade no
volume produzido na propriedade, pois e a base alimental das
aves e pequenos animals (porcos e caprinos) e, muitas vezes, su-
plemento alimentar do gado.
Quando cultivado com o arroz, apresenta baixa
produtividade (em media 1.200 kg/ha); sendo que em cultivo sol-
teiro chega a produzir ate 4.000kg/ha, atendendo recomendagces
tecnicas da pesquisa.
Comumente, sao cultivadas variedades diver-
sas sem que se tenha conhecimento tecnol6gico das mesmas. Muitos
produtores utilizam o milho h{brido e,por nao conhecerem suas
caracteristicas geneticas,guardam as sementes em tambores la-
crados e cultivam-nos em anos seguintes, obtendo, entao, uma
baixa produtividade.
Nao foi verificado ataque de pragas ou
doengas no milho quando no campo que comprometesse a produgao.
Entretanto, no armazenamento, em condigoes nao adequadas ocorre
a incidencia de pragas, pois, auando sao debulhados (trilhe-
dos), ensacados os graos, sao colocados em paioi nao protegi-
dos dos ratos e insetos (gorgulho e trag~), (Sitophilus zea) e
5. cerealella), provocando uma grande perda na produgao, atrE-
ves da deterioracao dos graos.
Fei'jao Geralmente cultivado na area do milho e/ou arroz
pela maioria dos produtores visitados, o feijao e uma fonte de
protein vegetal de baixo custo e tem bom preco no mercado
quando comparado com as outras cultures de ciclo annual. Por6em,
apresenta baixa produtividade devido a qualidade das sementes
cultivadas aos sistemas de cultivos e a incidencia de pragas e
doengas. As cultivares mais utilizadas sao carioca, rosinha,
jaule e mundubim.
No campc,o feijao comum (Phasolus vulgaris),e
cultivado em maior proporgao que o caupi (Vigna unguiculats),
embora seja consideravel o numero de produtores que esta
plantando esta especie, sem levar em consideragao suas caracte-
risticas varietais. Ambas tem sido atacadas severamente por
pragas e doencas, destacando-se a "vaquinha" (Cerotoma sp e
Diobrotica speciosa), praga bastante rara que destroi as fo-
lhas, deixando-as rendilhadas. Entre as doencas, o "mela" ou
"murcha da teia micelica", tambem conhecida por queima, e cau-
sada pelo fungo Thanatopharus cucumeris; que, quando ataca o
feijao, provoca o secamento das folhas, dando a impressao de
que estas foram queimadas.
A especie V. unguiculatas, apresenta uma
certa resistencia a doenga, o mesmo nao acontecendo com o
P. vulgaris, e, se nao for controlado preventivamente o seu
ataque, dizimara todo o feijoal; o que provavelmente, podera
ter sido o que ocorreu com plantios de anos anterioores, con-
forme depoimento de alguns produtores.
A armazenagem do feijao e feita exclusiva-
mente para o consume e plantio do ano seguinte, em tambores
de ago, pois a maior parte e comercializada logo apos a co-
Iheita.
Segundo informagoes de alguns produtores, nes-
te tipo de armazenamento, nao se verifica ataque de pragas ou
doengas.
Mandioca ou Macaxeira bastante cultivada pelos agricul-
tores entrevistados e tem grande importancia no volume produ-
zido na propriedade, porem sua transformagao em farinha ocupa
un contingent muito grande de mao-de-obra, o qual nao e in-
cluido no prego final do produto, por se tratar na maioria das
vezes, da propria familiar.
A mandioca tem sido, para alguns desses pro-
dutores, um fator de poupanca, apesar do baixo prego do produto
final no mercado, visto que seu periodo de armazenagem no solo
por ate um ano permitir que seja colhida e processada quando
hanecessidade imediata de recursos financeiros para solucio-
nar probl'emas de saude ou de -outra ordem.
Ailen: disso, a mandioca e insistentemente cul-
tivada pelos colonos visitados, por ser uma cultural de facil
manejo, ocupar pouca mao-de-obra para sua conducao no campo,
necessitar apenas uma capina e nao sofrer ataque- de pragas e
doencas que necessitem de cuidados especiais, porque estas nao
tem comprometido a produgao.
Sao diferentes as produtividades informadas
pelos colonos, porem a media ficou em 25 toneladas de raizes
hectare/ano. Note-se que este valor esta acima da media do
Estado que e de 18,0 t/ha/ano.
51-3 Cultura Perenes
Em muitas propriedades visitadas (aproximada-
mente 70%), os entrevistados manifestaram o desejo de implantar
ou expandir a area plantada com a introdugao de cultures pere-
nes. 0 cafe eo cacau sao as cultures mais preferidas encon-
trando-se lavouras com ate 7.000 covas dessas cultures. A maio-
ria dos cafezais .e novas e a producao atual e utilizada ape-
nas para consume. As lavouras de cacau ainda nao esta em produ-
cao e o mercado previsto para venda do produto e do Estado de
Rond6nia.
Nas lavouras de cacau e cafe se pratica o
cultivo intercalar de arroz, feijao, milho e frutiferas como a
banana e o mamao sao usados para o sombreamento do cacau. 0
abacaxi tambem e usado como cultivo intercalar. Este tipo de
cultivo, alem de fornecer produtos para coonsumo na colonia,
reduz o custo de implantacao e manutengao da cultural permanen-
te.
Outra cultural, bastante solicitada pelos
agricultores, e a pimenta-do-reino, mas ha muita dificuldade
na aquisigao de mudas.
Nas cultures permanentes, o fator limitante
e a indisponibilidade de mudas ou sementes para producao de mu-
das. No cafe existe o problema da colheita que se da em epoca
chuvosa. Ha necessidade de se obter uma cultural adaptada as
condicoes climaticas da regiao.
5.1.4 Fruticultura
Mbdiante dados obtidos e observagoes reali-
zadas, a fruticultura. praticada pelos colonos entrevistados, re-
sume-se a algumas frutiferas localizadas ao redor da residen-
cia da familia, as quais sao basicamente utilizadas para o con-
sumo e, dependendo da disponibilidade de transport, o exceden-
te e destinado ao mercado consumidor. Na falta de meios de" es-
coamento, este excedente e perdido no campo. Os pomares. que
podem ser bastante diversificados, consistem, exclusivamente,
em fruteiras tropicais tais como pes de manga, mamao, jaca, cu-
puaqu, coco, maracuja, banana, citrus, abacaxi, graviola, aba-
cate e outras.
Apenas cerca de 20% dos agricultores
vistados possuem plantios comerciais de frutiferas
banana, maracuja, mamao e abacaxi). Observou-se que
plantios sao implantados ap6s a retirada das cultures
e que outros sao feitos com o objetivo de minimizar
tos.de implantaqao de cultures perenes como o cacau e
entre-
(citrus,
alguns
anuais.,
Os cus-
o cafe.
Neste ultimo tipo de manejo, o mamao, a banana e o abacaxi fo-
ram plantados entire as fileiras de cultures permanentes.
Foram detectadas algumas dificuldades quanto
a implantacao de pomares comerciais ou nac. S4rios problems
fitossanitarios foram encontrados afetando as mais diversas
frutiferas. Os sintomas de amarelecimento e enrijecimento do
ponteiro e queda drastica da producao sao citados em relagao ao
mamoeiro. Em citrus e abacateiros foram detectadas a queda das
folhas e morte das plants. Na graviola,e comum o ataque da
broca, o equal danifica o.fruto, reduzindo sua qualidade comer-
cial. A maioria das fruteiras encontradas sao de pes francos,
pois existe dificuldade na obtengao e/ou producao de mudas
enxertadas. A intencao de implantar ou ampliar o cultivo de
plants frutiferas foi manifestada por alguns colonos, apesar
dos fatores limitantes.anteriormente citados lembrando que
ocorre, ainda, o agravante da indisponibilidade e alto custo
das sementes e/ou mudas.
5.1.5 Horticultura
A atividade olericola tem pouca expressao
no meio rural pesquisado, consistindo geralmente de uma peque-
na horta domestic, que visa a suplementagao alimentar com
verduras e temperos, principalmeitte couve, coentro, ceboli-
nha e pimenta doce. Esta atividade ganha maior expressao du-
rante o verao, devido as limitacoes provocadas pelas- altas
precipitagoes no inverno, que acarretam problems references a
doengas e pragas, bem como o proprio impediment fisico do Solo
\
devido a sua saturacao pela umidade excessive e acamamento
provocado pelas intensas chuvas tropicais.
A falta de tradigao neste ramo por parte da
maioria dos produtores, bem como as dificuldades- de trans-
porte fazem com que a olericultura permanega como simples ati-
vidade caseira, sem nenhuma expressao economic significativa.
Outros fatores que inviabilizam de forma
acentuada o cultivo de hortalicas sao a carencia de insumos
adequados (sementes, fertilizantes, inseticidas) e tecnologia
compativel.com a realidade edafoclimatica regional.
5.1.6 Controle de Plantas Daninhas
Na quase totalidade das areas o control de
plants daninhas e feito manualmente, tanto para os cultivos
anuais como perenes. Alguns produtores utilizam herbicidas,
principalmente em pastagens.
5.1.7 Mao-de-Obra
As atividades agropecuarias desenvolvidas
pela maioria dos produtores pesquisados sao sustentadas fre-
quentemente pela mao-de-obra familiar, havendo,em alguns casos,
troca de services entire as families. Em outros casos, maisraros,
ocorre a compra de mao-de-obra de terceiros atraves do pagamen-
to de diaries ou empreita ("empleita"). Nas areas onde existe
maior organizagao social,ocorre a formacao de mutiroes, atra-
ves dos quais, grupos de produtores realizam as atividades
que apresentam maiores dificuldades, como broca, derruba,
construgoes,etc.
A mao-de-obra apresenta-se comumente como fa-
tor limitante da expansao agropecuaria na area pesquisada,
visto que o agregado familiar consiste, frequentemente, de um
numero acentuado de criancas que, quando atingem a idade adul-
ta, em grande parte, emigram para a cidade em busca de melhores
condicoes de vida.
A mao-de-obra feminine, na maioria dos casos,
e utilizada nas atividades domesticas, alem do semeio, colheita,
beneficiamento de mandioca e cana de aqucar, criacao de peque-
nos animals e horta domestic. Havendo, no entanto, casos de
participacao feminine nas atividades de tratos culturais como:
capina, control de pragas, etc.
5.2 Produgao Animal
5.2.1 Pequenos Animais
Aves
Todos os agricultores visitados criam aves,
sendo que galinhas e patos sao predominantes, existindo em me-
nor quantidade o capote (galinha de angola).
Tais animals sao criados soltos pela colonia;
sendo que alguns tem galinheiro, mas este e um local onde as
avesapenas dormem,objetivando evitar que outros animals se
alimentem delas (por exemplo: a mucura).
Com este sistema de criacao nao se tem um
control da producao de aves e nao se sabe, com certeza, quan-
tas cabegas de aves possui cada colony, sendo que pelas informa-
czs coletadas, estima-se que cada familiar tenha de 10 a 100
cabegas de aves.
As aves sao alimentadas, basicamente, com mi-
Iho, produtos e sub-produt.oF dE coloni6 tais come mandioca e
frutas.
0 aue excede ao consume familiar e vendido
para o marreteiro que pass em sua propriedade esporadicamen-
te ou, ainda, em feira.
0 fator limitante para tal atividade e o a-
parecimento de doencas (tristeza, cholera e perda de pena).
Tais doengas, quando atacam, chegam a provo-
car uma mortalidade de quase de 80% das cabecas.
Geralmente sao os adults do sexo feminine
e criancas que cuidam das aves.
Suinos
Com maior freqiincia que o gado (bovino)
e menos do que aves sao encontrados os suinos que, em alguns
cases, sao criados soltos mas geralmente permanecem press.
Muitos colonos justificam nao criar tais animals soltos pelo
fate desta atividade Ihes causar problems com vizinhos ou
com suas cultures e de nao cria-los press porque nao t6m
agua nem ragao suficiente para os animals e que, nesta condi-
;ao, tambem ocorre morte per insolagao.
Alguns destes produtores produzem a banha e
praticamente nao compram oleo, outros nao consomem banha per
achar que esta e prejudicial a saude. "
Os suinos, assim como as aves, tambem se ali-
mentam de produtos e sub-produtos da colonia, tais como mandioca e milho.
0 excedente de sua produgao para consume e
levadc a fcira ou vendido para o rmarreteiro que passa, espora-
dicamente, em sua propriedade.
A raga de suinos criados nao e definida.
A mao-de-obra em seu cuidado e familiar com
predominancia de adulto feminine e criangas.
Caprinos e Ovinos
Em uma quantidade muito pequena ,de colonies
foi detectada criagao de caprinos e/ou ovinos, geralmente pre-
sos e algumas vezes soltos.
Estes animals se alimentam de produtos e sub-
produtos da propriedade, e, tambem de pastagem native e/ou
cultivada.
Os produtores informaram que, devido a al-
ta quantidade de chuva,seus animals, apresentam problems nos
cascos. Tambem informam a ocorrencia de aftosa.
A produgao destes animals destina-se ao con-
sumo familiar e nao tem ocorrido venda pois a introdugao des-
tes animals nas propriedades e recent.
Peixes
Poucos colonos visitados possuem acudes em
suas propriedades e criam peixes que,geralmente, sao destina-
d4s ao consume familiar sendo que, raramente, s5o dispensados cuidados com
alimentacao na qual se usa produtos e sub-produtos da propriedade.
5.2.2 Grandes Animais
Os produtores entrevistados que desenvolvem
atividades de criacao de bovinos nas areas pesquisadas podem
ser agrupados basicamente em tres grupos:
No primeiro grupo se encontram produtores
com recursos financeiros, mao-de-obra e acesso a cr6dito li-
mitados e baixo nivel educational. Muitos destes produtores nac
-tn tradicac na criacao de bovinos e portanto, carecem de coonhecimentos
relatives a esta atividade. Estes produtores tem, na criagao
de bovinos, uma reserve de capital para situagoes de emer-
gencia (principalmente em casos de doencas graves) e, tambem,
uma fonte de protein animal para a familiar (leite). No en-
tanto, o alto custo dos bovinos e dos insumos (arame para cerca
e sementes de capim) limitam ou retardam o desenvolvimento da
bovinocultura por estes produtores. Muitos colonos tem pasta-
gens cultivadas formadas, mas encontram dificuldades na aquisi-
cao dos animals e do arame para a construgao de cercas. Al-
guns produtores trabalham como assalariados para os colonos vi-
zinhos em operacoes de broca e derruba da floresta, a fim de
conseguir os recursos necessarios para a construcao de cercas
e aquisicBo dos animals. Neste grupo, o rebanho e de aptidao
mista, sem padrao racial definido, compreendendo uma mistura
das ragas Gir, Holandes e Nelore. 0 rebanho, geralmente, con-
ta com 2 a 5 animals e a area de pastagens oocupa 2 a 5 ha.
Estes produtores nao possuem animals de montaria para condu-
cao do gado (equinos e muares) sendo que am sua maioria, es-
tes colonos nao possuem infraestrutura de manejo (curral).
No segundo grupo estao os produtores com ma-
icr mao-de-obra disponivel, caracterizados por families mai-
ores, com various filhos homes e adults na propriedade. Es-
tas families possuem um melhor nivel educational e tem aces-
so occasional a programs de credit de credit do governor a ju-
ros subsidiados. Geralmente, diversos membros da familiar tra-
balham como assalariados, em operagooes de broca e derruba
da floresta para produtores vizinhos, em ocasioes de baixa
demand de mao-de-obra na propriedade. Esta renda extra permit
former areas mais extensas de pastagens e adquirir maior nu-
mero de animals com padrao racial ligeiramente superior ao do
grupo anterior. 0 rebanho, geralmente, conta com 6 a 20 ani-
mais e a area de pastagens ocupa de 6 a 15 ha. Este gru-
po, a" semelhanga do primeiro, nao possui animals de monta-
ria (equinos e muares), em fungao do elevado custo de aquisi-
gao e da pouca disponibilidade destes animals na regiao. Alguns
destes produtores possuem currais rudimentares.
O terceiro grupo compreende produtores que
tem ou pretendem ter a bovinocultura como a principal ativi-
dade a ser desenvolvida na propriedade. Geralmente. sao fami-
lias provenientes do sudeste do Brasil, com boa disponibili-
dade de recursos financeiros (resultado da venda da proprie-
dade no local de origem) e mao-de-obra e nivel educational
medio. Suas areas, geralmente, sao mais extensas em fungao da
aquisicao de propriedades vizinhas. Estes produtores utilizam
credit ocasionalmente e contriatam mao-de-obra para as opere-
goes de broca e derruba da floresta. 0 rebanho pode ser lei-
teiro (Girolanda) ou de corte (Nelore) e conta com mais de 20
cabegas e a area de pastagens ocupa de 16 a 40 -ha. Geral-
mente possuem animals de montaria (equinos e muares) e infra-
estrutura de manejo dos animai~: (curral).
Grande parte dos colonos entrevistados podem
ser incluidos no primeiro e segundo grupos, sendo que apenas
um pequeno numero de produtore.; podem ser incluidos no tercei-
ro grupo.
Manejo Animal
No primeiro e segundo grupos nao ha divisao
do rebanho em diferentes categories animals em fungao da ine-
xistencia de divisao de pastagens e dos limitados conhecimen-
tos destes produtores sobre a criagao de bovinos. Portanto,
verifica-se a ocorrencia de bezerros com idade acima de 8 me-
ses ainda em amamentacao, prejudicando as matrizes e resultan-
num maior intervalo entire os parts. Tambem verifica-se a ocor-
rencia de touros cobrindo matrizes de sua descendencia, o que
result na degenera5ao do rebanho. No terceiro grupo, o manejo
animal e mais adequado em fungqo da maior disponibilidade de
pastagens devididas e dos melhores conhecimentos tecnicos dos
produtores.
Sanidade Animal
No primeiro grupo de produtores, as praticas de
vermifugacao, control de carrapato e vacinagao contra febre af-
tosa e brucelose sao raros ou inexistentes. Sao raros os pro-
dutores que fornecem sal mineral ao rebanho. Alguns fornecem
apenas sal branco ocasionalmente. Embora os produtores nao
revelem ou desconhegam, existem deficiencies minerals, proble-
mas de verminoses e aftosa, esta ultima ocorre principalmente,
durante a epoca chuvosa, que afetam o:desempenho produtivo e
reprodutivo do rebanho.
No segundo grupo a vermifugagao e vacinagao
do rebanho ocorre ocasionalmente com maior intensidade no pe-
riodo chuvoso. Com freq~encia os produtores fornecem sal bran-
co ou sal mineral ao rebanho.
No terceiro grupo, com raras excessoes, a
vermifugagao, vacinacao e o fornecimento de sal mineral sao
praticas sistematicas.
Tanto no segundo como no terceiro grupo, as
formas minerals, as quantidades e as formas de administracao
da mineralizagao nao sao as mais adequadas. Freqgentemente, a
vermifugagao e efetuada com produtos, dosagens e a intervals
inadequados, o que result em perdas significativas.
Em pastagens de Brachiaria decumbens verifi-
ca-se a ocorr&ncia de intoxicagao de bezerro (especialmente
durante a estagao chuvosa), cujo sistema caracteristico e a
diarreia.
Pastagens
As pastagens sao formadas com gramineas in-
troduzidas, com predominancia do genero Brachiaria(B.decumbens
e B.brisantha). Em menor escala ocorrem pastagens de jaragua
(Hyparrhenia rufa) e pastagens nativas que consistem em uma
mistura de gramineas do genero Paspalum e leguminosas dos gene-
ros Desmodium Centrosema,Aeschynomene, Calopogonium e Zornia.
A mudanca do ecosistema diversificado da
floresta tropical umida para o ecosistema homogeneo das pasta-
gens cultivadas cria condicoes que favorecem a propagagao de
organismos .(bacterias, nematodeos, fungos e insetos) existen-
tes na floresta em condicoes de equilibrio que se transformam
em doengas e pragas das pastagens.
A ocrrencia de cigarrinha-das-pastagens
(Deois incomplete e Deois flavopicta) nas pastagens de B.decum-
bens (que predominam nestas areas) constitui um serio fator
limitante.a produtividade e a persistencia das pastagens. Es-
te fato, associado a implantagao e ao manejo inadequado das
pastagens (superpastejo) tem resultado na degradacao do solo e
das pastagens. Como conseq~encia, ap6s 2 a 3 anos de implanta-
cao das pastagens, ha um aumento gradual de plants invasoras,
caracterizando um tendencia a regeneragao da vegetacao native,
mais adaptada asi condiqSes de baixa fertilidade do solo. Isto reduz
a capacidade de suporte e onera. o prooesD c mibertGao dbs pStagasr devidb araicr
mao-de-obra utilizada no control das plants invasoras. Al-
guns produtores incluidos no segundo e terceiro grupos utili-
zam o herbicide Tordon (2-4-D) no control de invasooras. A epo-
ca de aplicagao do produto, no periodo chuvoso, reduz a efi-
cacia deste metodo de control.
Os produtores estao substituinddo- as pasta-
gens de B. decumbens formando novas areas de pastagens com a
B. brizentha considerada como resistente a cigarrinha-das-
pastagens.
A maioria dos criadores de bovinos de todos
os tries grupos desconhece a utilizacao de leguminosas como for-
geiras e o potential das leguminosas nativas.
5.3 Floresta
As areas visitadas encontram-se em, regiao
anteriormente ca~abs por seringais. Com o advento da coloniza-
gao official, foi registrada uma redugao consideravel da produ-
gao de borracha e castanha naquelas areas, principalmente em
decorrencia da divisao das estradas de seringueiras entire as
parcels demarcadas, provocando decrescimos consideraveis na
receita do seringueiro. Grande parte dos antigos seringueiros
abandonou as colocacoes e dirigiu-se para outros seringais lo-
calizados na Amazonia. Uma razoavel parcela destes seringuei-
ros, deixou a exploracao da borracha e passou a ocupar parce-
las dos projetos de colonizaqao.
Apesar disso, a floresta continue sendo uma
important fonte de recursos para uma parte dos habitantes do
Estado. No entanto, pode-se verificar, atualmente, que grande
parte dos colonos nao realizam extrativismo. Dentre os produ-
tos florestais mais utilizados nas atividades extrativistas
pode-se citar: madeira, borracha e castanha, alem de outros
recursos quej tambem sao retirados da floresta, porem, em uma
escala menor, tais como: cara, pesca, frutas silvestres e
plants medicinais.
5.3.1 Madeira
A exploragao de madeira e uma atividade mui-
to questionada no Estado do Acre, tanto pelas leis florestais
que regulamentam a exploraqao, pelo custo da retirada da ma-
deira, pelo baixo prego pago pelos comerciantes aos proprie-
tarios e, ate mesmo, pela defesa dos ecologistas na preserva-
gao da floresta Amazonica.
Todos os produtores entrevistados uttilizam a
madeira para construgoes rurais (residencias, cerca, paiois,
currais e ooutros). No Projeto Humaiti, a maioria dos parcelei-
ros entrevistados obtem madeira cerrada da serraria da COLO-
NACRE em troca de varias arvores para uma pequena quantidade
de madeira beneficiada. Alguns proprietirios cortam a madeira,
com o auxilio de motosserra, para seu uso proprio e, em raras
vezes para venda. Grande parte dos produtores utilizam a ma-
deira diretamente como combustivel e poucos exploram para
producao de carvao.
Vale ressaltar que a maioria dos agriculto-
res entrevistados, cortam e queimam a floresta quando da lim-
peza da area para a implantagao de suas lavouras. No siste-
ma do cultivo itinerante, observa-se que esta praticacontribui,
ainda mais, para a redugao da floresta primaria em cada pro-
priedade. Dentre as vantagens, alguns produtores demons-traram
a preocupacao com o desmatamento de acime de 50% de sua pro-
priedade e expressaram que a floresta, em parte, deve ser pre-
servada para o future. t important mencionar que foi encon-
trado somente um proprietario que plant species florestais em
sua propriedade.
5.3.2 Borracha
A produgao da borracha ainda continue sendo
uma razoavel fonte de renda para alguns produtores, desde
que tenham experiencia em tal atividade. Observou-se que alguns
dos colonos, mesmo contando cor um razoavel numero de serin-
gueiras em sua propriedade, nao realizam a exploragao do latex,
por desconhecerem as tecnicas (muitas vezes por falta de tra-
gao da regiao de origem), ou por falta de mao-de-obra. Cons-
tatou-se que, dentre estas pessoas, algumas utilizam explora-
gao de seringueiras atraves do sistema de meieiro. Varios nao
tem interesse por tal atividade. A mao-de-obra utilizada para
exploragao do latex acentua-se nos meses de abril a julho de-
vido a 4poca da seaa na regiao, decrescendo a partir de aiosto
ate novembro. Com a introdugao do novo metodo de coagulagao
do latex, sem a utilizagao do process de defumagao houve a
racionalizagao de mao-de-obra.
5.3.3 Castanha
A castanheira e uma arvore que esta presen-
te em quase todas as parcelas visitadas. Os frutos sao des-
tinados ao proprio consume e para o mercado. Vale ressaltar
que alguns produtores, que tem experiencia na coleta da cas-
tanha realizam esta atividade. Aqueles que nao conhecem a pra-
tica utilizam o sistema de meieiro ou, ate mesmo, nao aprovei-
tam o produto, facilitando que estranhos invadam a area para
coletar. A apanha da castanha esta concentrada nos meses de ja-
neiro e fevereiro.
5.3.4 Caga, Pesca, Frutas Silvestres, Plantas Me-
dicinais
As praticas de caga, pesca, coleta de frutas
silvestres e plants medicinais, sao exercidas por poucas pes-
soas, das entrevistadas. A caga destina-se a obtengao de car-
nes para consume da familiar, sendo que para alguns parceleiros
constituiu-se em atividade de lazer. Alguns produtores entre-
vistados. que dispoe de igarap6s na propriedade ou em areas
proximas a floresta, realizam a pesca pelo menos uma vez por
ano. Este produto tambem e destinado ao consume familiar.Pelas
entrevistas realizadas pode-se observer que poucos colonos
utilizam os frutos silvestres como complement da dieta fami-
liar. Dentre eles, os mais comuns sao: acai, patoa, buriti e
coco auricuri. Em relagao as plants medicinais poucas pes-
soas utilizam recurso da floresta. t important frisar que
quando os frutos siivestres e plants medicinais sao coletadas.
geralmente, os produtores sao acreanos ou de outros estados,
porem,portanto adaptados a regiao.
5.4 Calendaric
De acordo com as atividades relatadas pelos
produtores visitados foj possivel construir um calendarioagri-
cola, como e mostrado na figure 1.
6. Economia
6.1 Aspectos econ6micos gerais: renda e emprego
Em terms economics, as propriedades dos-co-
lonos sao definidas como unidades produtivas onde os produ-
toresieesenvolvem atividades que constituem o seumeio de vi-
da. Para tanto entra em consideragao diferentes fatores tais
como a forga de trabalho, uso de insumos, de capital, que ca-
racterizam o universe produtivo. .
No entanto, as diferentes atividades -de-
senvolvidas (servigos) e os resultados obtidos (produtosagro-
-pecuario beneficiados ou nao), mesmo tendon significado- eco-
nomico nao sao expresses, necessariamente, em terms moneta-
rios, ou melhor, nao dao origem a renda em dinheiro. Isto de-
ve-se a importancia do consume proprio na economic agricola
regional.
Neste sentido, a propriedade rural e uma fon-
te de emprego e de obtencao de renda. O fato desta ultima nao
ser contabilizada exclusivamente em dinheiro nao impede que se-
ja classificada como renda e de ter significado economic no
process de produgao e reprodugao s6cio-economica.
As atividades sao desenvolvidas pelo traba-
Ihos familiar preponderantemente, sendo que, em alguns casos,
se recorre ao trabalho assalariado, pelo menos para certos ti-
pos de servigos. E o proprio nucleo familiar, atraves da es-
trutura de relagoes de hierarquia (esposo, esposa, filhos),
que mantem o sustento de todos. Isto nao significa, obviamen-
te, que o nivel do sustento seja adequado ou respond a um mi-
nimo satisfatorio. Assim sendo, o sustento em algumas fami-
lias 6 precario, sendo que em outras apresenta-se melhor que o
anterior em terms de moradia como de alimentagao.
O nivel adequado do sustento vai defender
da quantidade da mao-de-obra, do grau de capitalizaqaoo da
eficacia e eficiencia destes fatores postos em obra na
propriedade, no-esforqo de produzir para o proprio ou para a
venda no mercado.
Nesse process, as diferentes atividades
(servigos da maotde-obra) bem como os produtos obtidos, con-
tribuem, de um modo ou de outro, para a manutangao do grupo fa-
miliar.
Vale frisar, finalmente, que a propriedade do
colono, de modo geral, constitui-se, tambem, em um patrimonio
que, para alguns produtores, esta sujeito a venda ou hipoteca
para fins de credit.
6.2 Comercializagao
A comercializacao constitui-se em uma etapa
decisive da atividade do colono porque e atraves dela que os
mesmosise apropriam, em maior ou menor media, dos produtos
obtidos ou dos excedentes aerados. Por comercializacao, consi-
dera-se a troca monetaria que ultrapassa os limits do consu-
mo proprio.
Os colonos se vinculam com o mercado pela
venda de seus produtos e subprodutos agricolas,pecuarios, ex-
tivos e pela compra de mantimentos, utensilioos, insumos e
combustIvel.
A .questao nao e a compra e venda, mas o sis-
tema do tipo de comercializacao. Ainda e comum a ligagao com o
mercado atraves do atravessador ou marreteiro. Entretanto,
existem alguns colonos que comercializam seus produtoos direta-
mente, sob o sistema de associagao de produtores. Outros o
fazem diretamente em veiculos alugados ou, inclusive, em vei-
culos proprios.
6.3 Transporte:
0 transport e um dos fatores mais importan-
tes na economic dos colonos da regiao. Os dois projetos de co-
lonizacao sao servidos por rodovias principals, sendo que o
Humaita esta localizado as margens da Ac-10, Rio Branco-Porto
Acre, (que ja se encontra asfaltada) embora existam trechos que
requerem manutengao devido a erosao e ao uso e o projeto Pedro
Peixoto esta localizado as margens da Br-364, Rio Branco-
Porto Velho, que ainda nao esta asfaltada. Em tempo de chuvas
a trafegabilidade torna-se dificil.
Os ramais dos projetos oferecem, geralmente,
pessimas condicoes na epoca de chuvas e mesmo na estiagem.
A importancia das estradas resides no fa-
to delas permitirem o acesso ao mercado e aos servigos pu-
blicos,especialmente aos services de extensao e assistencia
tecnica.
Algumas families disp6em de um ou dois bois,
bem como carroca para transportes de insumos e produtos ate o
ramal ou, ainda, ate a estrada principal. Os produtores vendem,
entao, seus produtos a marreteiros ou os leva em veiculos
ate o mercado.
Existe um sistema de transport motorizado
com onibus para transport public de passageiros. Ha tambem
caminhoes e pick-up para transport de produtos. Alguns co-
lonos usam o servigo de caminhoes da SDA (Secretaria de De-
senvolvimento Agrario) que cobra Cz$ 40,00/km rodado. O custo do
transport represent um gasto significativo no orgamento fa-
liar.
6.4 Armazenamento
Observou-se dois tipos de armazenamento na
area visitada.
O primeiro e o armazem familiar de produtos
que a familiar usa para a-sua alimentacao e no armazenamento
de semente para o ano seguinte. A maioria das families arma-
zenam os seus produtos em latas ("tambores"). Neste caso nao
ha muitos problems de incidencia de pragas e doencas.
0 segundo caso e o armazenamento de colheita
que vai para o mercado. Neste caso, os produtos sao guardados
em paiois e logo ensasados.
Em ambos os casos, os produtos estao sujei-
tos a ataque de insetos e outros animals. Em alguns casos
grande parte do produto se perde antes da venda.
Uma solugao em relacao ao armazenamento e
oferecida pelo governor. No caso do Humaita, os produtores po-
dem utilizar-se do armazem da CAGEACRE, localizado na sede do
Projeto. No caso de nao utilizarem este sistema e devido aos
problems gerais do armazenamento, os produtores se veem na
necessidade de vender os seus produtos tao rapido quanto pos-
sivel, nao podendo aproveitar as flutuacoes de pregos no mer-
cado. Assim, nao ganham o que poderiam ganhar se tivessem um
bom armazenamento.
6.5 Servigos de apoio
6.5.1 Credito Rural
A maioria dos proprietarios visitado. nos
dois projetos nao utilizaram o credit rual, embora considered
o mesmo como um dos fatores limitantes para realizagao de suas
produgoes.
A razao dessa nao utilizagao,
prende-se ao
fato do custo do dinheiro ser elevado, tanto na rede banca-
ria official como na particular, que praticamente, inviabiliza
aproducao agrncola com o uso do referido mecanismo. Assim
I
sendo, o credit ora existente no mercado, sem uma diferencia-
gao para o setor rural ou, mesmo para o pequeno produtor nao
permit, que a renda gerada na atividade agricola, possa fazer
face aos juros e correcao monetaria, cobrados pelo meesmo.
A ekistencia frustrada vivenciada por um
grande numero de produtores que utilizaram credit rural nos
ultimos anos, tambem vem contribuindo para que haja restri-
goes ao mesmo,principalmente pelo medo que eles tem de perder
suas propriedades.
A pequena quantidade detectada de produto-
res que fazem ou fizeram uso do credit rural; o fizeram para
atividades ligadas a aquisicao de motosserras, animals ( ge-
ralmente bovinos) e formacao de pastagens. Porem, os colonos
tiveram, ou estao tendo, dificuldades para quitar seus debi-
tos, junto a rede bancaria, principalmente os que contrairam
emprestimos no periodo do piano cruzado.
Mesmo assim, foi patente que se o credit fos-
se subsidiado para os pequenos produtores, seria uma alterna-
tiva para solucao de grande parte de seus problems, uma vez
que o nivel de capitalizagao dos mesmos, geralmente, e bai-
xisssimo, o que torna muito dificil a expansao de suas ativi-
dades.
Nas areas de estudo, alem de questoes li-
gadas ao credit direto com a rede bancaria, constatou-se,
C
tambem, a existencia de ur numero razoavel de prdutores que
fizeram propostas para a program de credit especial para
reform agraria-PROCERA, via MIRAD-BASA; para aquisigao de ga-
do de leite e trabalho, de arame para cercas e ate mesmpo, pa-
ra construgao e/ou reform de habitacao e, ainda, para a cons-
trugao de acude. Constatou-se,tambem, que alguns produtores
fizeram proposta para o program de microempresa social da
Legiao Brasileira de Assistencia-LBA, para desenvolver ativi-
dades ligadas a producao agricola e criacao de pequenos ani-
mais.
Vale ressaltar que do total de produtores
Clue fizeram propostas tanto para o PROCERA como para a LBA,
raros sao os que ja receberam o dinheiro correspondent, o que
Vem causando um certo descredito por parte- dos mesmos, quanto
a consistencia de ambos os programs.
6.5.2 Assistencia tecnica
Dentre os services prestados pelo Estado as
areas em estudo, um dos que chegou a apresentar algumas infor-
magoes conflitantes, foi a assistencia tecnica realizada pelo
servigo de extensao rural, em fungao da visao do produtor
finalidade, eficiencia e eficacia da mesma. Assim sendo, um nu-
mero consideravel de produtores, em ambos os projetos, chegou
a afirmar que nao sao beneficiados pela assistencia tecnica
e outros chegaram a critical a forma de como a mesma vem sendo
realizada.
Na realidade, o que se percebe e que existe
um certo descompasso entire a forma de organizacao da produ-
gao nas referidas areas e o tipo de servigo oferecido, tan-
to em quantidade, como em qualidade e em eficiencia pelo or-
gao 'besponsavel pela referida atividade.
Mesmo assim, ficou claro que apesar das limi-
tagoes evidentes para tender a content todos os produtores,
pouco deles nao foram beneficiados direta ou indiretamente
pela assistencia tecnica e extensao rural, uma vez que, por
exemplo, a qualidade das sementes utilizadas, a propostas de
financiamento (PROCERA e LBA) e a organizacao de produtores
sao trabalhos desempenhados pela mesma.
Outro fato gue foi constatado ouando das
entrevistas e que, devido as dificuldades enfrentadas pelos
produtores, a assistencia tecnica represent, -para os mesmos,
a solucao de grande parte de seus problems, quandoo na rea-
lidade, a mesma e apenas um dos components necessario para
tanto.
Finalmente, constatou-se que nas duas areas
em estudo, existem escritorios da EMATER-AC, empresa respon-
savel pela assistencia tecnica do estado.
6.6 Modelo simplificado do sistema do pequeno produtor
Constatada que foi a realidade do pequeno
produtor, na area dos projetos Humaita e Pedro Peixoto, pro-
cedeu-se a montagem do model t simplificado do sistema socio-
S-economico que e mostrado na figure 2.
7 Fatores limitantes
Os fatores limitantes aqui listados soa, na
relidade os problems que mais afligem os proprietarios visi-
tados durante o sondeio nos projetos Humrait e Pedro Peixoto.
Eles podem ser agrupados en quaero tipos, sendo eles: econ'-
micos, sociais, naturals e institucionais e/ou politicos que
poden se interre3acionar, conform mos-ra a figure 3.
7.1 Fatores naturais
7.1.1 Abtua
Foi constatado que grande parte das famn-
lias tern diflcil acesso a agua no period de verao da regiac,
pois suas fontes pogoo, vertente, igarapi etc) escasseiam.
Este faror e resultante do mal planejamento
quando das divisoes dos lotes, que nao considerou a rede hidro-
grafica existente.
A deficiencia de agua no verao faz com que
o tempo e a distancia para sue cooleta aumente, interferindo
na disponibilidade de mao-de-obra, tendo em vista as suas ne-
cessidades em rela.io ao consumo familiar e o n rrial e susuti-
lizagao em algumas cultural.
7.1.2 Pragas e doengas
Umn dos fatores que tem limitado a produtivi-
dade dos colonos e a incidencia de algumas pragas e doengas
em cultivos e em animals.
Os mais evidenciados foram insetos em pasta-
gens; uma doenca nas aves, que provoca, em certos casos, uma
mortandade de ate 80%; insetos no feijao, arroz e horta e doen-
cas em arroz, feijao e fruteiras.
Estes fatores se tornam forte limitagao pov-
atingir a base de toda producao do colono.
Ha poucos casos em que existe uma utili-
zagao de insumos para o combat para o combat e control,
principalmente dos insetos; tanto por falta de recursos finan-
ceiros como por ausencia de assistencia tecnica.
7.2 Fatores Institucionais e/ou politicos
7.2.1 Assistencia T6cnica
Em algumas entrevistas ficou claro que ha
falta de atendimento por parte de tecnicos da extensao rural.
'Este fato tem se agravado n6s!casOs em que o -colono nao temr
formagao nem pratica agricola com experiencia em outras ativi-
dades, alem do fato de muitos terem origem em outfras re-
gioes com caracteristicas 'e praticas agricolas diferentes.
Ha casos em que a assistencia tecnica se
faz present, porem nao responded aos problems levantadospelos
colonos.
Alguns produtores sentem a necessidade de
maior acesso as tecnologias que normalmente nao utilizam, tam-
bem percebe-se que ha uma certa passividade na busca das mes-
mas. Nao foi possivel aprofundar, nas entrevistas, os motives
que levam a esta passividade dos colonos Ituanto a busca de as-
sistencia tecnic', bem como dos problems enfrentados pelos
tecnicos da.extensao no atendimento aos colonos.
7.2.2. Sementes
Dentro do sistema produtivo a semente tem
um papel fundamental.
A oferta de sementes selecionadas nem sempre
responded as necessidades do produtor, sendo que em alguns ca-
sos, nao atende tambem a demand de variedades mais adapta-
das, alem da implantagao de novos cultivos.
Alguns produtores nao tem uma preocupacao
corrente-de substituir as suas sementes por outras de melhor
Itualidade, fazendo a guard de graos para novas plantagoes o
que result uma menor produtividade. Outros tem adquirido se-
mentes que,, posteriormente sao identificadas como de menor
qualidade, o que prejudice a safra.
7.3 Fatores sociais
7.3.1 Mao-de-obra
A estrutura da familiar dos colonos e um dos
3fatores limitantes das atividades da- propriedade. Aliado .a es-^
te, temos a falta de recursos, que impossibiilita meios alter[-
nativos (contratagao de mao-de-obra, mecani2zago) para tender
a producao da propriedade.
A mao-de-obra como fator limitante determi-
na a extensao das atividades da propriedade e da produtividade
(desde a--derrubada a colheita, criagao, uso da floresta).
Houve casos de utilizagao do sistema de mao-
-de-obra em mutiroes e uso de adjuntos, porem, em geral, o
sistema nao e viavel devido o fato de nao existfir uma for -
macao comunitaria para o mutirao e, no caso do adjunto da nao
disponibilidade de troca nas 6pocas de maior necessidade.
7.3.2 Sa6de
Algumas families apresentam problem
acometimento por malaria o que influencia na produg
vez que reduz a mao-de-obra.
Alguns postos de saude mais proxim
colonies na maioria das vezes podem-se encontrar fec
em outros, o atendimento nac e satisfat6riwo para o
Com isto a perda de tempo para locomogao para outros
obrigando-os a ir a sede do projeto ou a Rio Branco.
mas
ao,
de
uma
os das
hados e,
colono.
postos,
7.3.3 Educagao
Em alguns casos evidenciou-se a falta de es-
colas e/ou professor proximo a propriedade. Em. outros, o pro-
blema da continuidade dos estudos ate a 8 series provoca a
saida das criangas da colonia para a cidade gerando a evasao
da mao-de-obra.
Com relacao a educagao informal (definida
como conhecimento/aprendizagem das atividades ligadas a ativi-
dadeeecniimica e aproveitamento dos recursos naturais) depa-
rou-se com dificuldades por parte dos colonos em praticas
agricolas, pecuarias, extrativismo, em funcao de sua origem.
7.3.4 Estrutura social
A falta de organizacao em associaaooes
tem contribuido como fator limitante para a produgao, uma vez
que alguns colonos compreendem que atraves dessas oorganiza-
goes aiguns problems como aquisicao de ferramentas, transpo-
te e uso de tratores poderiam ser resolvidos.
Enquanto alguns percebem esta falta de orga-
nizagao, outros acham que esta e impossivel por terem carac-
terit'icas e origens diferentes (acreano, nordestino, pau-
lista, mineiro, paranaense). A procedencia da familia tem
importancia nas relagoes entire colonos, no conhecimento das
atividades e, atelL meMmo no aprdoeitamento de recursos --natu-
rais.
7.4 Fatores economics
7.4.1 Falta de recursos proprios
As families de colonos que vieram para os
projetos descapitalizadas sentem dificuldade em aumentar suas
atividades economics, por falta de recursos proprios e, con-
quentemente, de obtencao de novos recursos, dificultando a
contratacao de mao-de-obra, aquisicao de ferramentas, insu-
mos e animals.
7.4.2 Credito
Ha varios casos de colonos que ja utiliza-
ram o sistema de cr6dito, sendo que parte deles hoje tem re-
ceio de utiliza-lo devido as condicoes de paqamento que mui-
tas vezes nao sao explicitas para ele, e ao elevado custo do
dinheiro.
Percebe-se que o colono tem pretensao de ex-
pandir suas atividades mas que esbarra na falta de oferta de
financiamento compaiivel com suas condicoes.
7.4.3 Armazenamento
As condigoes precarias existentes no arma-
zenamento de graos dos colonos confirmam os problems por
eles identificados, existindo, portanto, a incidencia de in-
setos no milho, feijao e arroz, alem da presenga de roedores.
7.4.4 Comercializagao
Um dos aspects que se verifica em decor-
rencia do problema de transportes e a busca de um mercado in-
termediario ( CAGEACRE, marreteiro) na proximidade da colo-
nia. Por outro lado, a propria organizagao do. mercado leva os
produtores a terem a sua comercializagao via intermediaries,
como se verifica com a maioria dos colonos do projeto Humaita
e com alguns do Pedro Peixoto, que vendem ao mercado de Rio
Branco que, deste modo, se sujeita a um prego mais baixo do
produto mercado, contribuirido para uma menor renda. Entre-
tanto, tambem a casos em que os produtores levam seus produ-
tos para serem comercializados diretamente ao consumidor, a-
traves de feiras instaladas para este fim.
Outro aspects important e o fato da comer-
cializagao ser feita na epocavoferta, tendo como consequen-
cia um menor preco. Isto ocorre pela deficiencia das condi-
goes de armazenamento, pela necessidade de recursos na epoca
e pela falta de recursos para pagamento do armazenamento ade-
quado para uma comercializagao future.
7.4.5 Transporte
Na grande maioria das colonias encontrou-
-se um grave problema de transportes que se evidencia em dois
niveis; em primeiro lugar o acesso aos ramais no periodo de in-
verno e em segundo a dificuldade e /ou as condigoes de loco-
mogao (prego e disponibilidade).
Esta nao trafegabilidade nos ramais durante
o inverno e resultado tambem da falta de consideragao da to-
grafia da regiao, quando do tragado da rede rodoviaria a qual
deveria seguir as curvas de nivel.
Em fungao destes problems alguns colonos
procuram ter uma relagao de comercio mais proxima a sua pro-
priedade (marreteiros Colonacre).
&L Pretensoes dos pequenos prpprietarios
Os proprietarios visitados durante o sondeio se manifes-
tavam sobre suas perspective 'para o future, sendo que suas pre-
tenqoes foram:
Expansia da pecuaria: em alguns casos a pecuaria e a
maior fonte de renda, mas para a maioria e uma forma de poupanca.
Outros produtores identificam a pecuaria como forma de valoriza-
gao de sua propriedade. Assim sendo, a expansao da pecuaria e
uma forte pretengio dos produtores, al6m do, desejo de melhorar o
rebanho.
SD... 'Divirsficacao -do l-'-ist-e 'rodutivo: uma par-te co.side-
ravel dos produtores verifica a necessidade de diversificar as
suas fontes de renda, acomodando-se as condioges de investimento
demaio-de-obra, incluindo os CitiibVs -perenes e a criagaode-ani--
mais.
Introducao de cultures perenes: uma perspective de va-
rios produtores e a expansao e/ou introdugao de cultures perenes
em suas propriedades (caf6, cacau, pimenta-do-reino e fruti-
cultura).
Expansao de cultures anuais:: alguns produtores pensam
em expandir as suas areas de cultivos anuais e ate em uma pos-
S: sivel -mecanizagao para superar o problema da escassez de mao-
-de-obra. Alem de expansao, hi a perspective de melhor adequar as
suas cultures tanto em qualidade como em produtividade.
Construcao de acude: em fungao das dificuldades ofer-
ta de agua, uma boa parte dos produtores pretend construir aqu-
des em sua propriedade para: garantir o abastecimento nas epocas de
estiagem, al4m da facilidade de tender, diariamente, a criacao
de porcos, patos e peixes.
Introducao de pisciculturas: uma das pretensoes verifi-
cada nas entrevistas e a implantagao de um sistema de piscicultu-
ra em sua propriedade, tanto como forma de otimizagao de recursos
hidricos na oferta de alimentos para o seu consumo .como tambem se
constituindo uma nova fonte de renda.
Reserva da floresta: Alguns proprietarios tem claro a.
necessidade de~manter umna reserva-floresta-l para o future, -como
forma de manter a sua forma de vida, de manter a sua renda de
origem florestal, de ter alternatives de future e ate de reserve
de madeira de lei para uso em romentos critics.
Dentre as demais pretengoes colocadas pelos entrevistados cita-
-se, aqui, as de maior importincia:
.Implantagao de eletrificacao rural;
.implantagao de escolas de 19 grau que atendam ate a
8s serie;
.implantacao e/ou efetivagao da associacao de produtores;
.implantacao de serraria e beneficiadora de graos;
.producao de mudas diversas;
.construgao de melhores armazens;
.implantagao de horta;
.melhoria das condicoes de moradia, e
.implantagao de apiario.
09-. Conclusoes
Os problems dos colonos dizem respeito a um conjunto
de questoes estreitamente ligadas e interdependentes cujas solu-
goes, para serem efetivas, exigem agoes integradas e complementa-
res dos diversos agents s6cio-economicos envolvidos: poder p6-
blico a nivel federal e estadual, atraves de diferentes estruturas
institucionais e os proprios produtores rurais.
Como muitos dos problems apontados sao de ordem estru-
tural, as agoes do poder-publico sao condiqoes necessarias para
a superacao da referida problematica. Cita-se, a seguir, alguns
pontos important:
No que tange a questao dos recursos naturais, consta-
ta-se, em muitos casos, um desconhecimento do potential destes re-
cursos e do manejo inadequado dos mesmos. Do mesmo modo, os sis-
temas agropecuarios desenvolvidos nao sao compativeis, sobretudo
a medio e a long prazo, com as caracteristicas do solo;
S-- .. .os projects de colonizacao, quando foram implantados,
tambem nao levaram em conssideracao a disponibilidade de agua em
cada propriedade;
os produtores nem sempreidispoem no -mercado ou nos
orgaos de fomento os insumos necessarios tais como as sementes;
os servigos de assistencia tecnica realizados peia ex-
tensao rural, mesmo presents em muitas areas, sao insuficientes
no atendimeto aos produtores;
o inadequado estado de manutencao do sistema viario
vicinal significa condicoes precarias de trafegabilidade, especial-
mente na 6poca das chuvas. Isto incide negativamente na fluidez
das atividades s6cio-econ6micas, tais como transport de produ-
tos e passageiros e acesso aos servigos do governor;
o transport, em veiculos nem sempre adequados, e o
armazenamento precario, provoca:- grnades perdas;
o sistema de comercializagBo represent, ainda, uma
cadeia de intermediagao que distancia o produtor do mercado con-
sumidor. Assim, os pregos do mercado nao repercutem, em sua tota-
lidade, sobre a renda dos colonos;
o credit rural, sobretudo da rede particular, nemn
sempre oferece condicoes aceitaveis racionalmente para os peque-
nos produtores. Assim sendo, o credit, como instrument de de-
senvolvimento, nao tem participado do meio do colono. Restam as
aqoes crediticias do governor, na PROCERA e LBA que, mesmo vantajo-
sas, ocasionam temor ou relutancia;
os servings de saude rural-sao-precarios, -sobretudope-
la falta de agents especializados, equipamentos e medicamentos e
a oferta educational, apesar do esforco ja empreendi-
d6, continue sendo. um problema nos projetos de colonizagao.
S 10. Recomendagoes
As recomendacoes apresentadas a seguir buscam tender as
necessidades ou fatores limitantes levantados pelos produtores das
areas pesquisadas. Entretanto, 6 essencial que se tenha em mente
os aspects ecol6gicos e de se buscar que os produtores tenham me-
Ihores cohdig5es de vida que garantam a sua fixagao na area rural:
Implantar um servigo continue de construgao de acu-
des com prioridade para propriedades com recursos hidrograficos
limitados;
criar linhas de credit agricola acessiveis aos peque-
nos agricultores, cuja liberagao obedega ao calendario agricola
regional;
incrementar o program de produgao e 'distribuigao de
sementes e mudas de boa qualidade de cultures adaptadas as condi-
goes edafoclim6ticas do Estado;
Sincentivar ou desenvolver ages objetivando sensibi-
lizar e conscientizar os produtores da necessidade e importan-
cia do associativismo como forma de organizagao;
treinar formalmente extensionistas em cooperativismo
(associativismo) a fim de permitir uma agao maior e melhor para
uma possivel organizagao dos produtores em associagoes que Ihes
permitam superar problems;
adequar o sistema educational de primeiro grau a rea-
lidade e as necessidades do meio rural {por exemplo: programs, e
calendario);
desenvolver atividades no sentido de incentivar acoes
integradas e multidisciplinares pelas instituig6es ligadas ao se-
tor agroflorestal buscando tender as necessidades dos produto-
res;
melhorar o servigo de transport flcondiiao e acesso)
tornando-o acessivel e disponivel aos produtores durante todo o
ano;
desenvolver pesquisas em sistemas agroslvipastoris;
.-desenvolver metodos praticos e -economicos para o con-
trole de pragas e doengas de arroz, feijao, fruteiras, pastagens e
hortaligas;
identificar doengas de pequenos animals, estudando,
com enfase, aquela-.de maior incidencia nas aves;
desenvolver e adaptar metodos praticos e economics de
control de doencas em pequenos animals;
..-adaptar e introduzir. metodos apropriados de .armazena-
mento a nivel de propriedade;
estudar e aplicar metodos praticos e economicos de
control de pragas e armazenamento de sementes e graos;. .
incentivar e adaptar metodos de criagao apicola ade-
quados a realidade do pequeno produtor;
:. o incentivar a piscicultura a fim de otimizar a utiliza-
cao de recursos hidricos;
incentivar a pesquisa e a utilizagao da biofertiliza-
gao na agriculture;
desenvolver estudos objetivando maximizar a utilizacao
dos recursos e o rendimento dos sistemas de consorcio existentes e
cultures integradas;
.desenvolver estudos de utilizagao e
manejo
racional
dos recursos naturais;
incentivar a participagao de extensionistas rurais e
pesquisadores nas escolas, objetivando o ensino sobre nutrigao,
saude, agriculture, pecuaria e utilizacao de recursos naturais.
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* OK 64
SEGMENTO SERINGUEIROS
S U M A R I 0
1. Introdugao
2. Objetivos
3. Metodologia
4. Sistemas Produtivos
4.1 Atividades Extrativistas
4.1.1 Borracha
4.1.2 Castanha-do-Brasil
4.1.3 Caca e Pesca
4.1.4 Outras
4.2 Atividade Agropecuarias
4.2.1 Agricultura
4.2.2 Pecuaria
5. Aspectos S6cio-Economicos
5.1 Saude, Educagao e Lazer
5.2 Associagao de Classe
5.3 Fluxo Migratorio e Posse da Terra
5.4 Mao-de-Obra
5.5 Relagao com o Intermediario
Diversificagao da Atividade (Extrativismo X Agricultura)
Conclusao
Recomendagoes
Anexos
- Modelo do Sistema Produtivo
- Calendario do Sistema de Produgao do Seringueiro
- Mapa de localizagao
1. Introdugao
Nos dias 23, 24, e 27 de junho de 1988, uma
equipe multidisciplinar e inter-institucional, composta por 16
tecnicos e 03 orientadores desenvolveram atividades de campo, em
treze colocacoes de seringueiros, sendo dez delas pertencentes
ao Seringal Triunfo na Estrada AC 40, Km 77, e as outras tries
no Seringal Pira de Ra, na BR 317, a 32 Km de Rio Branco.
As areas visitadas caracterizam-se por apre-
ser-.r=re; uma floresta de baixa acao autropica, constituidas por
Sf ligueiras, castanbeiras e species madeireiras diversas, como
mogno, cumarv, jatoba dentre outros; alem de frutiferas come
agai, pataua, bacaba, bacuri, etc. A disponibilidade dos re-
cursos hidrict se faz present, sendo portanto, um dos fatores
favoraveis a vida dos seringueiros nessa regiao. Outro aspect
relevant e a grande diversidade faunistica existente nas areas.
Quanto ao tipo de solo predominate, embora
nao seja conhecido suas caracteristicas quimicas, pode ser men-
cionado que suportam plantios continues por mais de tries anos
com produgoes razoavelmente satisfatorias.
0 sistema de produgao identificado nos se-
ringais visitados, se constitui em uma familiar de seringueiro
localizado no interior da floresta, habitando uma casa rusti-
ca, normalmente construida de paxiuba e palha, denominaEd barra-
ca.
Exploram em media, tres estradas com serin-
gueiras e coletam alem do latex a castanha-do-Brasil, sendo
estas, suas atividades principals enquanto fonte de renda fami-
liar. Conjugado ao extrativismo da borrocha, da coleta de fru-
tos silvestres, plants medicinais, caqa e pesca, desenvolvem
nos seringais uma economic agricola voltada para a subsisten-
cia (milho, arroz, feijao, mandioca, algumas frutiferas, criam
animals de pequeno porte com maior frequencia e raramente de
grande porte).
Sua relagao commercial e mais intense com a
sede do barragao, do marreiteiro as margens de estradas e ainda,
em mneocr escala, nos centro urbanos mais proximos.
2. Objetivos
Examinar os sistemas de produgao do seringal
em correlagao com aspects sociais para determinar suas varia-
veis as limitag6es mais significativas e, uma vez caracteriza-
da as praticas mais comuns, as circunstancias em que acontecem
organiza-las em dominios de recomendagao e identificar a neces-
sidade de introdugao ou melhoria de tecnologias, definir linhas
de pesquisas e ages culturais que influenciam tanto a infra-es-
trutura (relagoes de produgao) quanto a super estrutura ideolo-
gica, apontando para um saldo qualitative na vida de seus ha-
bitantes.
3. Metodologia
Como metodologia do sondeio no campo, foram
estabelecidas os seguintes passes:
1. Foi-constituido um grupo de 16 profissionais de diversas
instituigoes;
2. dividiu-se o grupo em equipe menores de areas distintas,
havendo para cada sondeio alternancia na composigao dessas
equipes;
3. previamente foram selecionados dois seringais para reali-
zagao do sondeio (entrevista);
4. as entrevistas foram realizadas em 13 colocagoes durante
tries dias uteis nos seringais Pira de Ra e Triunfo;
5. ao final de cada sondeio as equipes se reuniam para dis-
.cussao, visando a-.identificagao e correiao de problems
comuns que podessem interferir na avaliagao seguinte;
6. vencidas as etapas de sondeio, as quatro equipes inicia-
ram a fase final de discussao, avaliagao -e elaboragao do
modelo representative do sistema produtivo do seringueiro;
7. apos definido o modelo (sistema produtivo do seringueiro)
e lelaborado o relatorio-f-inal, estes foram apresentados em
plenaria, para discussao e analise das conclusies e re-
comendacoes.
4. Sistemas Produtivos
4.1 Atividades Extrativistas
4.1.1 Borracha
Periodo de exploracao Nas atividades de san-
gria, coleta do latex e fabric da borracha, gasta-se umr perio-
do de nove a dez horas/dia, compreendendo um turno de trabalho
das 05:00 horas as 15:00 horas, iniciando-se estas agoes em
abril e prolongando-se ate dezembr, navendo casos em que este
tempo se reduz aos meses de abril a,,agosto.
A concentracao de seringueiras por estrada es-
ta em torno de 110 a .200 arvores (madeira) sendo -a media de
tries estradas por colocagao com producao variando de 30 a 70
quilogramas por semana. A pratica de limpeza ou rocagem 'das es-
- -- tradas -e realizada anualmente durante o mes de marco.
Tecnologia de corte e processamento do latex -
As seringueiras na sua quase totalidade apresentam deformagao
(necrosidades) e ataque de microorganismos diversos, a altura
normal de cortes. Vale salientar que a deformagao do painel
ocorre devido a exploragao prolongada e excessive da madeira;
a rotagao frequent de seringueiros nas colocagoes e a falta de
manejo adequado re sangria. Dessa forma, os seringueiros mudEam
o sistema de snagria, passando a explorer o sistema de corte ascendente,usan-
do o p-de-burro, muta ou pontao. *Em consequencia, surge -o problema de baixa
produtividade e implica num inaior gasto de tempo na exploraa6 extrativista'
do -litex. -
Observa-se a adogao de duas formas de proces-
samento de coagulagao da borracha atraves dos metodos natural e
estimulada.
Coaqulacao Natural ou Espontanea
0 latex e coletado no mesmo dia da exploragao
e colocado em deposit de madeira (caixote) que recebe a produ-
gao dos dias de corte da semana. Com este process a borracha
coagulada e transformada em pranchas que embora ,apresentando um,
alto teor de umidade e comercializada imediatamente.
Coaqulacao Estimulada
Neste.processo sao utilizadas duas formas de
estimulagao, uma com uso de substancia vegetal e outra com pro-
duto quimico.
."Estimulagao con -susbtancia-;vegetal o latex-. colocado no
mesmo dia das exploragao e depositado tambem, -em um recipient
de madeira (caixote) onde e adiconado a substancia vegetal (la-
tex de caximguba) -que funciona como acelerador da -coagulacao.. A
partir da adigao da substancia coagulante, as demais etapas
sao iguais as utilizadas no process de coagula o natural ou
espontanea.
SEstimulacao quimica e uma tecnologia que foi introduzida
pelo servigo de Extensao Rural a nivel de demonstragao em al-
guns seringais do Estado na d&ecada'de 70, sendo praticadas ainda
hoje pelas mesmas colocagoes originalmentes contempladas com a
tecnologia. Neste process o seringueiro utiliza uma pequena
quantidade de solucao de acido acetico a 4%, podendo ser colo-
cada na -tigela no ato da sangri ou no deposit (caixote) junto
com o latex colhido no dia. Quando a solugao 6 colocada na tige-
la a coleta e feita no dia do novo corte, neste caso a borra-
cha coagulada toma a forma de coagulos denominados biscoitos. Os
biscoitos recolhidos sao l-avados para retirar as impureza (in-
setos, toolhas etc) bem como o excess da solucao. Apos a lim-
peza sao arrumados um a um em camadas sucessivas em um deposi-
to de madeira chamado de prensa. As camadas de coagulos sao re-
presentadas pela producao de cada corte que sao prensadas para ,
posterior comercializacao. Embora o teor de umidade dessa bor-
racha seja inferior as de coagulacao espontanea ou as de es-
.'--_ -t-imulacao cm -substanCia vegetal, nao hi diferena 7significati--
va de prego.
Observou-se tambem que com a excessao da bor-
racha coagulada quimicamente,nas demais e usual a adigao de uma
parte de latex de caximguba para dez parte de latex de serin-
gueira como forma de aumentar o peso da borracha.
4.1.2 Castanha-do-Brasil
Periodo de Extragao A coleta e quebra da
t- *astanhth'sio -realizadadle jwnrei'ro'a fevereiro. Esta- --aetividad.e
participa na geragao de uma fonte de renda no period da entre-
-safra da borracha.A produgao media varia em torno de 110 latas
de 18 litros por safra.
4.1.3 Caga e Pesca
a) Caga
Constata-se hoje que existed uma escassez des-
ses recursos devido a varios fatores, dos quais podemos consi-
derar: o crescimento populacional tanto nas colocagoes, como
pela formagao de projetos de assentamentos em areas circunvi-
zinhas, o tempo de exploragao do seringal e a pavimentagao de
estradas, que facilitou consideravelmente a caga predatoria, por
pessoas que moram nas cidades vizinhas e matam os animals, mui-
tas vezes para comercializar ou para o proprio consume, fase a
subnutrigao que vivem na cidade. O uso de caes de caga, tambem
contribui para afugentar os animals a outras regioes mais dis-
tantes, onde a interferencia do home ocorre em menor escala.
Embora existindo poucos animals para a caga, os
seringueiros ainda mantem esta atividade por todo o ano, sendo
mais frequent em epocas de frutificagao de algumas plants sil-
vestres ou cultures existentes no rocado, que possam atrair uma
ou outra especie, sehdo as de maior freqiuncia: tatu, paca, co-
tia e alguns macacos. Eventualmente conseguem matar porco do
mato, viado-roxo, inambu e jacu. Convem salientar que esta ati-
r--vidade e realizada, princ-ipa-lmente, pelos homes adults e. so
acontece com afinalidade de complementagao alimentar e nao com
fins comerciais.
b) Pesca
Devido a escassez de cursos d'agua nas areas
visitadas constatou-se uma baixa atividade pesqueira. Com esta
configuracao a populagao ressente-se da falta de peixe na sua
alimentacao tendo em vista que as varias families existentes
naquelas colocacoes utilizam-se dos igarapes Rapirra (Seringal
Triunfo), Pira-de-ra e cafezal (Seringal Piri-de-Ra), para con-
seguirem alguns pescados, sendo portanto, insuficientes para
atenderem a demand.
Face a grande concentragao de pescadores nesses
igarapes, ja e pouco a incidencia de peixes, podendo ainda se-
'rem encontradas -algumas species como:-.urimata, -branquinha,
piau, mandim e as vezes o surubim.
Vale salientar que esta atividade dentro da
"colocat'o 46 reaizada-principalmerite pelas mulheres e-;criana.s,
e se faz no period seco (verao), devido a facilidade de acesso
aos locais, bem como a formagao de pequenos pocos no curso dos
igarap4s, onde ha concentracao de peixes.
4.1.4 Outras
-. Frutos silvestre sao explorados-como base para- a comple-
mentacao alimentar. Os mais usados sao: acai, bacaba, patua e
buriti.
S=- =--P-lantas medicinais-o seringueiro, pelas dificuldades .de
acesso a medicamentos farmaceuticos, recorre a plants da flo-
resta consideradas com poderes medicinais. Dentre as variedades
-" l"-teif"'usadaf," 'dfes ti&rams: andiroba, copaba,--j atoba, cumaarli :e
quinino.
SMadeira apesar da riqueza da floresta em madeira de lei,
o seringueiro usa muito pouco dessa alternative, resumindo
apenas a exploraqao para construgao de habitaqao, lenha e car-
vao, aproveitada das areas brocadas para rogados.
4.2 Atividades Agropecuarias
4.2.1 Agricultura
Culturas Anuais
As cultures anuais predominantes nos seringais
da regiao visitados, sao a mandioca, feijao, milho e arroz. To-
das preenchem um papel important na alimentacao do agregado
familiar.
A cultural annual mais important de mercado e a
mandioca, cujo excedente da farinha quando ocorre e vendida.
O milho (Zea mays) e a cultural utilizada por
todos logo ap6s a derrubada. -Serve de alimento para ,o agregado
familiar e aos pequenos animals. Nao foram detectadas doengas
que pudessem comprometer a produgao.
O arroz (Oiza-- satina) utilizado na regiao 4
de sequeiro, semeado no inicio da epoca chuvos. Dois tipo de
arroz, agulhinha e agulhao, sao os mais cultivados.
0- :f ij7o, em -todo&s os rogado um plantio de Ro-
sinha e/ou Carioquinha (Phqreolus vulgaris) e cultivado. O cul-
tivo intercalado, com milho ou mandioca, e frequinte. A se-
mente de feijiao provem da"colf'eita do ano anterior, ou em -casos-
onde existem problems de armazenamento de semente, esta e com-
prada ou emprestada por vizinho. Os problems de armazenamento
foram raramente mencionados. fitosanitarios mais comuns sao a
mela e a vaquinha. Nao foi possivel determinar se estes dois
fatores reduzem ou nao a producao de feijao.
O feijao de corda (Vigna unguiculata)tambem foi
encontrado em algumas rocas. A area cultivada e normalmente
menor que a do Phoseolus.
A mandioca (Manihot esculenta) e normalmente
plantada no primeiro ano agricola, a seguir ao milho-arroz-
feijao.
Culturas Perenes
As plants frutiferas de um modo geral nao
representam uma fonte de ingresso economic, no entanto entram
como complement alimentar na dieta do seringueiro e de sua
familiar. O sistema de plantio geralmente nao segue uma orienta-
gao racional. Por vezes sao plantadas por volta da casa ou in-
tercaladas com cultivos anuais ou e comum encontrar nas pequenas
propriedades, em menor ou maior quantidade, as seguintes espe-
cies: abacate (Persis americana), graviola (Amona muricata)
goiaba (Psidium guayaba), citrus sp, urucum (Bixa orellana),
banana (Musa sp), mamao (Conica papaia), cafe (Coffea arabica),
manga (mangifera indica), caju (Anacardium ocidentale), Inga sp,
cacau (Theobrema cacao), cupuacu (Theobrama grandiflonum), jaca
(Artocorpus integrifolia),entre outros.
Todas estas frutas sao consumidas "in natural"
com excegao do urucum, que e utilizado macerado na culinaria.
A banana, embora apresentando grande importan-
cia para alimentagao da famlia e pequenos animals e cultiva-
da em pequena escala, porem sendo frequente em todas as pro-
priedades.
4.2.2 Pecuaria
Animais de Peouenos Porte (Aves, Suinos e ovinos)
A criacao de animals de pequeno porte, como ga-
linhas, patos, ovelhas, porcos, se constitui uma important fon-
te de proteinas alem do reconhecido e facil valor de reserve pa-
ra complementary o rendimento economic da familiar. Diferencian-
do-se muito pouco na produgao de-uma ou outra especie, todas as
propriedades possuem criatorios destes animals.
Galinha Os seringueiros se assemelham na forma de cria-
gao de galinhas soltas no campo, produzindo sempre um numero de
cabegas suficientes para abastecer,sistematicamente de ovos e
care, a despensa da famiilia. Os cuidados se restringem ao ma-
nejo da alimentacao a base de milho, residuos de mandioca e res-
tos de comidas e frutas produzidas na colocacao, alem de contro-
lar os ataques de gavioes e outros animals predadores. 0 indi-
ce de mortalidade -e geralmente baixo-, nao ocorrendo doengas que
represented maiores prejuizos.
SPatos Criados em menores quantidades que as galinhas, os
patos-servem apenas de componentes-complementares na criagao
de animals de algumas colocagoes, nao Ihes send destinado mais
tempo e oferecidas melhores condigoes de desenvolvimento do que
aos demais. o manejo nao se diferencia daquele dispensados as
galinhas.
Porcos A exemplo da criacao de patos os porcos sao produ-
zidos em baixissima escala, com a finalidade principal de com-
por o potential de alimentagao animal da familiar e em raros
casos destinados a venda. Sao criados soltos e as vezes press
em chiqueiros.
Ovelhas A produgao de ovinos e bastante reduzida, nao
sendo possivel generalizar a sua presenga em todas as coloca-
9oes. Nos casos em que ocorrem sao-criados soltos junto com o
rebanho bovino. Fazem parte da resevra alimentar do agregado fa-
miliar.
Animais de Grande Porte
Varios fatores determinam a criagao de animals
de grande porte pelos seringueiros. Um dos principals a se considerar
e uma condicao estavel advinda de boas produgoes durante o ano,
fornecendo saldo para aquisicao de animals de carga, de sela,
ou gado de aptidao mista.
SGado bovino 0 gado criado na regiao em estudo, e uma
mistura de raga bastante adaptada as condigoes de ambiente,
aprensentando alta rusticidade e resistencia a varias zoonoses
comuns a especie.
O manejo destes animals consiste na adocao de
pastoreio livre. Os pastos sao formados a partir de areas de
cultivos abandonadas ap6s o period de uso de 3 4 anos. Qe
ralmente a especie de capim utilizada e a Brachiaria sp.
A melhoria do rebanho e feita comumente atra-
ves da troca de animals machos por femeas promovendo assim tam-
bem um consequente aumento deste rebanho.
Na maioria dos casos a mulher e jovens se en-
carregam dos tratos aplicados ao gado como arrebanhar para o
curral e fazer a ordenha.
.Equinos e Muares Sao animals criados com o fim exclusive
de servir ao tansporte de produtos e pessoas. A criacao e feita
em pastoreio 'livre. Os pastos sao formados a semelhanga do que
ocorre nas colocacoes que tem gado. Sendo animals rusticos nao
exigem tratos muito refinados.
Nem todos os seringueiros possuem animals de
grande porte, se restringindo a pratica da pecuaria aqueles
que tem um minimo de condigoes, como recurso para sua aquisicao,
direito de posse da terra, mao-de-obra dispon-vel.
5. Aspectos socio-economicos
5.1 Saude, educagao e lazer
.Saude
As revelacoes dos seringueiros nas colocacoes visitadas
quanto a doencas, apontam no sentido de que na atualidade as in-
cidencias sao poucas.
Contudo, os mesmos tem consciencia dos reflexes ne-
gativos que podem acontecer nas colocagoes nos casos concretos
de se adquirir qualquer doenca, pois represent diminuigao da
mao-de-obra do agregado familiar e consequentemente no process
de producao.
Para os serincueiros, das doencas mais graves a mala-
ria continue send a de maior incidencia, seguida de outros ti-
pos de febres, gripes e diarreias, onbde ao contrair qualquer des-
tas, resta-lhe tries opcoes que sao: recorrer a propria flores-
ta na busca de colher ervas medicinais.capazes de sanar o mal,
isto, nos casos nao graves; comprar rem6dios farmaceuticos na
sede do barracao; ou entao, abandonar o serjngal por determina-
do period e partir as cidades mais proximas buscando assisten-
cia m6dica, principalmente nos casos graves, o que nem sempre e
possivel devido a problems de transport ou ate mesmo pelas
condigoes financeiras jlpreCo do onibus 4 alto para os seringuei-
ros).
Revelam ainda os seringueiros, a inexistencia de qual-
quer preocupacao por parte dos seringalistas ou do Governo quan-
to ao process de melhoria no atendimento de saude nas areas de
seringais. Por sua vez, sozinhos acham-se "incapazes" de poder
chegar a quem de direito "as autoridades governamentais" para que
possam cobrar os direitos possu{dos, basicamente, acarretado pe-
los tramites burocraticos existentes nas cidades, e ate mesmo,
no proprio poder de ingerencia pelos seringalistas junto aos go-
vernantes, visto que podera diminuir seus lucros pela nao venda
dos remedios na sede do barracao entire outros aspects.
Dos servigos de saude hoje existentes, o unico a apa-
recer nas colocagoes e o da SUCAM, que na opiniao de alguns se-
ringueiros, as aplicagoes procedidas as vezes sao mais prejudi-
ciais as pequenas. criagoes de galinhas e patos do que aos insetos
que sao o objetivo fim. Deve ser ressaltado entretanto, que ape-
sar dessas declaragoes, ao mesmo tempo sao unanimes em afirmar
que a incidencia de malaria. pequena. quando comparada a outras.-
epocas.
Entendem os seringueiros, que a instalagao de postos
de saude nas colocagoes ou em- reas proximas do seu alcance,
em muito poderia contribuir, pois nestes, alem da orientagao
medical quanto a doengas e servigos odontologicos, poderiam rece-
ber melhores orientagoes de higiene, trazendo reflexes positi-
ves na mao-de-obra do agregado familiar.
.Educagao
Embora seja consideravel o numero de criangas nas colo-
cagoes, assim como o interesse'pelo aprendizado conforme .revela-
ram seus pais, o que predomina nestas, e a ausincia.- de escolas
onde sequer possam aprender a alfabetizagao.
Varios fatores tem colaborado para a manutengao deste
problema, destacando-se a dificuldade imposta por alguns serin-
galistas inviabilizando a abertura de escolas, provavelmente pe-
lo que estas poderao provocar, tais como, diminuigao da mao-
-de-obra'na colocagao provocando o exodo rural no future e pos-
siveis cnflitos com estes a partir do moment que passam a ter
melhor- compreenqao das condi;oes intern-as do seringal e das con-
digoes externas do mercado ( preqos principalmente). Constatou-
-se inclusive seringueiros dispostos a sair do seringal em busca
de melhor condigao de-ensino para seus filhos.
Mesmo com dificuldade, e possivel ser encontrado em
alguns seringais estruturas onde funcionam como escolas, na maio-
ria das vezes apenas para alfabetizagao "aprender a fazer o nome"
onde o professor e uma pessoa do meio rural, tambem pouco escla-
recida e pago pelos proprios seringueiros. Mencionam os serin-
gueiros que em tais casos sofrem presses contraria a manutengao
do ensino por parte dos seringalistas.
Acredita os seringueiros que a criagao de escolas, alem
de possibiliar conhecimento para os filhos, evitaria a said
destes as cidades (no caso'de ocorrer) em moments precisos, bas-
tando que para tanto fossem obedecidos certos criterios como
exemplo, calendario de ensino condizente com a realidade do meio
que vive.
Esse sistema perdurou durante muitas decadas, onde com a
implantagao da agropecuaria, a exuulsao do seringueiro de seu
habi-ca-t tornou intensive. Dai surgiu agoes que vieram a defender
os seringueiros de instruments vitais para sua sobrevivencia e
posterior criagao dos sindicatos .de trabalhadcres rurais.
Conforme relagoes de seringueiros com a criacao do sin-
dicatos dos traalhadores rurais, os seringueiros passaram a usu-
fluir das melhorias trazidas por esta entidade, onde cada serin-
gal possui mais de uma Delegacia Sindical e que estao sempre tra-
balhando em-conjunto com as cornunidades eclesiais de base.
As tomadas de decisoes aleatorias por parte do patrao
Sja sofrem resistencia por parte dos seringueiros, influenciados
pelo sindicato sendo desta forma um grande aliado para permanen-
cia na colocagao com direito de posse, victoria esta conseguida
atraves da luta de resistenrcia entire sindicato e seringueiro
tornando-o mais seguro em sua terra.
A atuacao do Sindicato se faz present na preservacao do
meio ambiente, visto que seringueiros a presenciarem areas desma-
tadas partem para denunciar ao sindicato, com o objetivo que seja
paralisado o desmatament, ficando o sindicato restrito em sua
atuagao a determinadas areas, sofrendo senpre resistencia do pa-
trao. No seringal apesar de constantes reinvidicagoes por part
do sindicato ainda nao se conseguiu instalar uma escola e postos
de saude.
Encontramos porem casos em que o seringueiro
salientou
Apesar de esforgos que vem sendo empreendidos pelos se-
ringueiros na possivel conquista de escolas, em alguns casos con-
tando com o apoio dos sindicatos, como verificado para saude, na
questao educational os seringueiros tambem esbarram na burocra-
cia dos stores governamentais, faltando portanto, ainda encon-
trar os caminhos mais viaveis a sua implementagao.
.Lazer
-Entre as atividades destinadas a pratica do lazer, o
futebol e o mais adotado nas colocagoes, verificando-se espora-
dicamente festas nos dias de folga, assim como arraiais por oca-
siao das festas tradicionais (santos pradoeiros, natal, ano novo,
feriandos-nacionais). Tamb6m nos finals de semana deixam suas co---
locagoes para procederem visits uns aos outros ou vao ate as ci-
dades mais proximas constituindo-se isto como lazer.
5.2 Associagao de classes
No sondeio realizado com os seringueiros entrevistados
em sua quase totalidade, sentem a sua importancia de sua parti-
cipagao nas reunioes dominicais do sindicato, onde reconhecem os
espagos concebidos em relagao a outrora onde o sindicato nao se
fazia present. 0 dominion das terras pertencia ao seringalista,
que concedia ao seringueiro a posse efetiva sobre determinada a-
rea denominada de colocagao, para.que produzisse a borracha, re-
compensando o seringalista pelo uso da terra com a borracha pro-
duzida pelo seringueiro.
que o sindicato nao trazia melhorias, e sim uma divergencia en-
tre os proprios scringueiros visto que nas reunites estao sempre
presents as Comunidades Eclesiais de Base.
5.3 Fluxo migratorio forigem/perspectiva) Tipo de posse da
terra
No espago amostral em que trabalhamos 4lseringais Pira-
-de-rao e Triunfo) verificamos no Triunfo razoavel incidencia de
seringueiros procedentes do municipio de Tarauaca; a maioria se
encontra na area- ha pelo menos 14 anos, havendo alguns que nas-
ceram la mesmo.
Existe seringueiros que migram para a Bolivia onde exis-
tem latex e caca em amior quantidade, porem, em fungao de isola-
mento, sao mais explorados e o atendimento a saude pior ainda,
o que os leva a retornar e trabalhar nas mesmas condigoes do se-
ringal de origem; outros tentam a sorte inC para as cidades, ou
indo trabalhar nas fazendas em derrubadas I rincipalmente), tam-
bem retornando, na maioria dos casos. Existindo ainda os casos de
filhas de seringueiros que na perspective de poderem estudar,
vao para a cidade trabalhar como domesticas e, em geral, nao
retornam mais a seringal.
No Pira-de-ra o corte de seringa foi retomado este ano,
pois fora suspense hi cerca de 10anos; dos seringueiros que la
estao trabalhando, quanse todos ja haviam trabalhado anterior-
mente no mesmo seringal em atividades outras, como vaqueiros,
derrubadas, diaristas, etc.
Neste seringal o seringueiro nao paga nenhuma espe-
cie de renda ao seringalista, como antigamente, porem se obrigan-
do a vender-lhe toda sua produgao.
Aqui existe a peculiaridade de o seringalista :'lum dos
poucos, dos antigos, que nao tem posseiros em suas terras) siste-
maticamente evitar a permanencia do seringueiro ou outros durante
muito tempo num mesmo lugar para evitar a caracterizagao da pos-
se-da terra. Nessas condicoes, a perspective do seringueiro ai
e instavel em relacao a posse; no que diz respeito a area de
educacao, existe escola no seringal e como as colocagoes nao se
iocalizam muito long, nao ha problems com relacao a educagao
de criangas.
No seringal Triunfo, em fungao das alteracoes que vem
ocorrendo na maneira de explorer o seringal (na relagao patrao x
empregado) o seringueiro vem parcialmente alterando sua atividade.
" que a antiga, o seringalista centralizava tudo no Barracao,
enquanto que, de uns tempos para ca, esta relagao vem sendo esfa-
celada em razao da construcao de estradas que permitem o acesso
do seringuiro a outros mercados (o seringueiro comegando a se
organizar enquanto classes atraves de sindicatos, alargando sua
visao de mundo, esbarra em necessidades que na condigao anterior
nao havia), a queda na produgao de latex nas seringueiras a
questao da sobrevivencia, a queda do poder aquisito, isso tudo
leva a diversificar suas atividades.
Tendo isso em mente, o seringueiro, no geral,
t'em como
-perspectiva continuar esplorando o seringal, cobrando por6m in-
fra-estrutura educationall e de saude como pontos fundamentals.
No seringal Triunfo a posse da terra e complicada: o
seringalistas arrendatario do seringal e os seringueiros admi-
tem que a posse e dos ultimos, nao tendo estes, vinculos com
o seringalista, inclusive vendem sua produgao para quem quiserem
e compram taimbem de quem quiserem. Ja houve tentative de despejo
em algumas colocagoes, porem nao se concretizando em fungao de
intervengao do sindicato, atraves de advogado. Legalmente existem
impecilios; a media padrao dos lotes do INCRA nao e adecuada
as condigoes das estradas de seringas, visto ser a area ocupada
por estas bem maior. Dessa forma, juridicamente, o seringueiro
nao tem a posse da terra. Vale ressaltar que os seringueiros do-
minam muito bem as suas estradas, porem nao sabem dizer exata-
mente os limits das suas terras.
Aqui entendemos que o grau de organizagao do seringuei-
ro ainda e incipiente, podendo melhorar bastante desde que se
trabalhe na direcao de tecnologias de processamento do latex,
eliminagao de arravessadores Ilmarreteiros, seringalistas e
usineiros), necessitando que se organized em cooperatives e,
atraves destas, conseguir vender o seu produto diretamente para
Sao Paulo, como ja acontece no Icuria, na regiao de Brasileia.
5.4 Mao-de-obra
Foi observado que a forga de trabalho efetiva em quase
toda a totalidade e a mao-de-obra familiar, onde o chefe de fa-
milia se repete com a sua forga de trabalho em todas as tarefas
do conjugado, tais como, corte e coleta da seringa, da castanha,
derrubada da mata para posterior cultivo, caca e pesca. A mulher
alem de servigos domesticos e a forga de trabalho mais expressi-
va no trato com pequenos animals e tambem contribui em quase to-
das as tarefas de cultivo de cultures permanentes e tempora-
rias. Os filhos dos seringueiros, na maioria criangas, ajudam
a mao, enquanto os jovens seguem o pai no corte da seringa ou em
outras atividades.
Na maioria das vezes essa mao-de-obra 6 limitada oca-
sionando desta maneira a troca de dias de trabalho, ou seja,
S quando existe a necessidade do agricultor cultivar produtos
agricloas para sua subsistencia nao tendo mao de obra disponi-
vel, recorre ao seringueiro mais proximo de sua colocagao para
ajuda-lo no desenvolvimentode suas. atividades. Em menor escala,
se verifica a compra da forga de trabalho, onde se process a
troca do dia de trabalho por diaria e a divisao das estradas de
seringa com o meieiro, ficando o produto dividido entire os dois.
A maximizagao do uso produtivo da mao-de-obra nos serin-
gais foi motivada pela introdugao de novas tecnologias no proces-
samento do latex. 0 uso de coagulantes 1llcaximguba ou acido)
permitiu a redugao da jornada de trabalho no fabric da borracha,
possibilitando o deslocamento destas horas para outras atividades
principalmente para a agriculture.
Outros fatores que provocam a escassez da mao-de-obra
sao:
SAusencia de escolas, motivando o exodo de membros do agre-
gado familiar a procura de estudo nos centros urbanos.
Precariedade do atendimento de saude nos seringais visi-
tados, com excessao da SUCAM, nao existed nenhum outro tipo de
saude preventive, e o atendimento curativo e precario. A ocor-
rencia de doenga, sempre frequente em um agregado familiar, re-
sulta em:
a) perda de mao-de-obra por period long;
b) deficiencia da mao-de-obra (alejoes, dores constan-
tes ou instabilidade do estado de saude);
Sc) perda de mao-de-obra com altos indices de morta-
talidade.
5.5 Relagoes cor intermediaries
Uma caracteristica do sistema social de produgao go-
mifera no vale do Rio Acre e a quebra dos lacos de dependencia
do seringueiro, produtor direto, corn o.patrao, o intermediario.
0 resultado do dilaceramento do sistema de aviamento
traditional, no entanto, nao resultou em um model unico.
No caso .(Imicro regiao formada pelas margens da rodovia
AC-40) pode se observer tres formas de relacao seringueiro, in-
termediario, ou melhor dizendo, tres niveis de dependencias.
a) Relagoes de Autonomia
Os seringueiros autonomos encontram-se nas margens da
rodovia majoritariamente ou, em pequenissima quantidade, no "cem-
tro" quando possuem animals de caga.
Vendem o produto J.borracha, castanha e, eventualmente,
excedentes agricolas) ao "marreteiro da estrada" semanalmente.
O pagamento e em dinheiro e a vista.
Os produtos de consume dos seringueiros, nao produzidos
na colocagao, sao comprados diretamente na cidade mais proxima
*IPlacido de Castro) garantindo muitas vezes pregos mais vantajo-
sos.
A relagao do seringueiro autonomo com o "marreteiro de
estrada" e rica em mecanismos de defesa do primeiro em decor-
rencia do fator concorrencia. Na estrada transitam various marre-
Leiros, podendo o seringueira procurar o melhor prego ou- deixar
de vender aquele que rouba no peso, por exemplo.
( mais frequent entire os seringueiros autonomos a exis-
tencia de saldo. Sobre eles incide tambem o maior numero de sin-
dicalizados.
Um dos elements chaves do sistema traditional, a di-
vida, tem boa acolhida por parte dos "marrteiros". Os adianta-
mentos sao nao so facilitados como incentivados para assegurar
ao int'ermediario algum control sobre a "freguesia".
Um ponto de estrangulamento para os seringueiros auto-
nomos e o transport para os, centros urbanos. A titulo de ilus-
tragao para se romper uma distancia de 22 km asfaltados-os serin-
gueiros pagam altalmente Crz-250,00.
b) Relagao de autonomia relative
Frequentemente as relagoes de autonomia relative ocorre
entire marreteiro, que no passado foi seringalista ou arrendata-
rio de um seringal e os seringueiros dos "centros" ou aqueles que
mesmo morando na margem, devem favorse" ao "patrao". Alias,
o fato de chamarem o marrteiro de patrao ( como era feito com os
seringalistas) explicit a manutengao de fortes lagos de depen-
dencia.
Predominantemente neste tipo de relagao, os seringueiros
possuem saldo. Quando ocorre, o mantem com pequena folga, insu-
ficiente para cobri-la as despesas de doengas ou outras necessi-
dades evientuais. Nestes casos-, -o reSurso e o "adiantamento"- do
"patrao", que nem sempre ocorre.
A transagao commercial caracteriza-se pelo monopolio do
"patrao" na compra e venda de produtos. Entretanto, esta relagao
nao se fundamental em amarras rigidas ou leis formalizadas. A de-
pendencia e mantida por sutis mecanismos.
No seringal Triunfo, onde este tipo de relagao e mais
frequent, a existencia de um enfermeiro-dentista pratico, numa
regiao despovida de atendimento .medico- funciona como um desses
mecanismos. Da mesma forma, a realizagao de festas no Barracao
a concessao de favorses, o adiantamento de dinheiro ou merca-
doria e, sobretudo o control de -um comboio de burros, por parte
do "patrao", para transportar as mercadorias, funcionam na manu-
tengao do "lago invisivel" de submissao.
Estes elements fortalecem a figure do "patrao", fazen-
do com que a relagao com seus "fregueses" ultrapasse a mera com-
pra e venda de mercadorias. Ele procura impedir o funcionamento de
escolas no seringal, favorece o roubo de madeira das coloca-
o6edde seus fregueses, mantem uma diferenga de ate quatro qui-
los por prancha de borracha em sua balanga ou, simplesmente,
procura expulsar seringueiros de colocagoes. Agoes desta nature-
za o aproxima, em autoridade, do modelo traditional. Mesmo por-
que os "patroes" ainda mantem junto as autoridades das pequenas
cidades .Opoliticos, 6rgaos publicos e forga policial), ficando
em suas maos as decisoes sobre a liberagao de professors, amea-
gas de prisao ou, como ocorreu em passado recent bloqueio da
venda direta da COBAL a seus fregueses.
Estas medidas nao ocorrem sem resistencia, fato que de-
fine-elementos de autonomia dos seringueiros. Muitos vendem seus
produtos ao .-marretiro da estrada" mesmo a contra gosto do "pa-
trao". Ou para compensar o prego das mercadorias e o roubo no
peso colocam na borracha as .Pimundices" .Qpilha, maizena, caucho)
para aumentar o peso. Atualmente a resistencia dos seringueiros
ganha novos contornos com atuagao do Sindicato dos Trabalhado-
res Rurais. Articulado-com entidades-nao governamentais como o
Centro de Defesa dos Direitos Humanos, empreende agoes contra
tentativas de expulsao e o corte de madeira em posses de se-
ringueiras.
c)Relagoes de Dependencia Plena nao Convencional
Verifica-se no seringal Pira-de-ra a existencid de re-
lacoes de dependencia plena, ou seja, relacoes que tem como ba-
se o uso da forga de trabalho de seringueiros que nao det6m a.,
posse de suas colocagoes.
Trata-se porem de uma relacao diferente do sistema de
Aviamento Tradicional.
Em primeiro lugar os seringueiros nao pagam renda e o
seringal nao tem divida redutiva continue. Para evitar que os se-
ringueiros adquiram o direito de posse o seringal 6 ativado e de-
sativado periodicamente. Em segundo lugar, os seringueiros nao
possuem a infra-estrutura que o sistema traditional garante, co-
mo mao-de-obra contratada pelo seringalista para limpar varadou-
ros e rogar estradas.. Al4m disto nao_ existe o... aviamento -~pr6vio
de todos os concilios necessarios em uma colocagao. 0 seringueiro
deve possui-los previamente, recebendo do Barracao apenas as ti-
gelas.
Neste caso detectou-se um maior indice de exploragao.
A borracha recebe o menor preco e o seringueiro 6 obrigado a re-
cuperar as colocagoes abandonadas por 8-10 anos por conta pr6-
pria, contraindo dividas no Barracao at6 comegar a produzir.
TIPO DE SERINGAL
RELAQAO INTERMEDIARIO PRECO/KG (CR)
.Autonomia "Marreteiro de Estrada" 170,00 180,00
.Autonomia Relativa Birroque" -: 150,00
.Dependencia Plena
nao traditional Damasceno 120,00 140,00
6. Diversificagao da Atividade (Extrativismo X Agricultura)
Nao foi detectado no geral, um desejo de troca
de atividade, ou seja, abandon do extrativismo pela atividade
agricola-e sim uma tentaiva de conciliacao de ambas as ativi-.
dadesvisando uma melhoria das condicoes de vida destas pessoas.
A opgao pela introdugao da agriculture, se
mostra como uma atividade mais de subsistencia que visa a uma
aminizacao da despesa na compra de generos alimenticios, fa-
zendo com que a geraqCo do capital promovido pela venda do la-
tex seja direcionado para outras necessidades dentro do agrega-
do familiar.
Entre os various fatores responsaveis por esta
"opgao agricola" esta o baixo rendimento da extragao do latex
em virtude dos sucessivos anos de uma exploragao intensive das
estradas. Ha tambem o baixo prego que e pago pelo produto ex-
traido associado a um certo monopolio do barracao e a acao
dos atravessadores.
Neste context podemos apontar algumas solu-
goes como:
SUma melhor e mais efetiva da Assistencia Tecnica, no compo-
nente agricola da colocaqao, visando uma produgao- associada a
uma maior produtividade das cultures praticadas.
0 fim do monopolio 'do barracao, bem como da agao dos atra-
vessadores.
.Um preco mais just para o produto extraido (latex).
Posse da terra.
SCredito subsidiado.
SLinha de pesquisa na area de Manejo Florestal
enriquecimento das areas onde ha seringueiras mais
Assistencia social, visando um enriquecimento
dieta basica, de acordo com os recurso disponiveis
visando um
jovens.
maior da
na colocaqao.
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