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HIDE
 Front Cover
 Title Page
 Table of Contents
 Preface
 Introdução
 Compreensao das propriedades agrícolas-florestais...
 Diagnóstico dos problemas...
 Planejamento, formulação e condução...
 Recomendacoes
 Questoes e problemas na organização...
 Bibliography






Title: Introducao a pesquisa e extensao de sistemas agricolas florestais
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Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/UF00054331/00001
 Material Information
Title: Introducao a pesquisa e extensao de sistemas agricolas florestais
Physical Description: Book
Language: Portuguese
Creator: Hildebrand, Peter E. ( Editor )
Poats, Susan ( Editor )
Walecka, Lisette ( Editor )
Proenca, Miguel ( Translator )
Rancy, Cleusa ( Translator )
Publisher: University of Florida
 Subjects
Subject: Farming   ( lcsh )
Agriculture   ( lcsh )
Farm life   ( lcsh )
 Notes
Funding: Electronic resources created as part of a prototype UF Institutional Repository and Faculty Papers project by the University of Florida.
 Record Information
Bibliographic ID: UF00054331
Volume ID: VID00001
Source Institution: University of Florida
Holding Location: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.

Table of Contents
    Front Cover
        Front Cover
    Title Page
        Title Page
    Table of Contents
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    Preface
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    Introdução
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    Compreensao das propriedades agrícolas-florestais de recursos limitados como sistemas
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    Diagnóstico dos problemas dos agricultores
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    Planejamento, formulação e condução de pesquisa e extensão em propiedade agrícola
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    Recomendacoes
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    Questoes e problemas na organização e gestão da pesa
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    Bibliography
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Full Text






Introdugao
a Pesquisa e Extensao
de Sistemas
Agricolas Florestais




EdiQ&o:
Peter Hildebrand
Susan Poats
Lisette Walecka
Traduqc o e Revis&o:
Miguel Proenpa
Cleusa Rancy


I




















Introduao A Pesquisa e Extensao de
Sistemas Agricolas Florestais






Edigao:
Peter Hildebrand
Susan Poats
Lisette Walecka



Traducao e Revisio:
Miguel Proenra
Cleusa Rancy













INDICE


PREFACIO vii

CAPITULO I. INTRODUCAO 1

0 QUE E PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS AGRICOLAS-FLORESTAIS
(PESA)? 1

ORIGENS DA ABORDAGEM PESA E SUA RELAQAO COM PESQUISA E
EXTENSAO CONVENCIONAIS 2

ATRIBUTOS PRINCIPALS DA PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS
AGRICOLAS-FLORESTAIS 6

FASES DA PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS AGRICOLAS-FLORESTAIS 8

VISAO ESQUEMATICA DO PROCESS DE PESQUISA DE SISTEMAS
AGRICOLAS-FLORESTAIS 9

SINTESE 10


CAPITULO II. COMPREENSAO DAS PROPRIEDADES AGRICOLAS-FLORESTAIS
DE RECURSOS LIMITADOS COMO SISTEMAS 13

O QUE E UM SISTEMA? 13

CRIAgAO DE MODELO DE SISTEMA AGRICOLA-FLORESTAL DE RECURSOS
LIMITADOS 13

EXEMPLOS DE SISTEMAS AGRICOLAS-FLORESTAIS DE RECURSOS LIMITADOS 14

Asia 14

Sistema corta-e-queima na Asia 14

Sistemas de terras altas umidas na Asia 15

Sistema de arrozal de terras baixas na Asia 17

Africa 18

A regiao da savana Afro-Gambiana agriculturea sedentdria
rudimentar) 18










America Central 21

Um sistema generalizado 21

Um caso especifico de propriedade agricola 22

DESINTEGRAQAO DO AGREGADO FAMILIAR 24

CONSTRUVAO DE UM CALENDARIO AGRICOLA 25


CAPITULO III. DIAGNOSTIC DOS PROBLEMS DOS AGRICULTORES 29

COLETA DE INFORMAQAO PARA A PESA: ESCOLHA DE METODOS EFICAZES 29

M6todos Para Obtencao de Dados 29

A consult de dados secundArios 29

Entrevistas com informants chave 31

Sondagens informais 31

Sondagens formats 31

Observacoes 32

Ensaios 32

Estudos de casos determinados 32

Escolha de M6todos 33

Recursos disponiveis 33

A razao para coletar informagao 33

A natureza da informacao 33

Profundidade Versus Representatividade 33

A Sequdncia dos Metodos 34

SONDAGENS INFORMAIS PARA OBTENQAO DE DADOS EM PESA 34

O que 6 uma Sondagem Informal? 34

Interacao direta entire pesquisador e agricultor 34

Entrevistas nao estruturadas 34

Process dinAmico de coletar dados 34









Trabalho interdisciplinar de equipe 35

Forma de Implementar a Sondagem Informal 35

Determinar os objetivos do estudo 35

Composicao da equipe de sondagem 35

Revisao de informaa&o secundAria 36

Entrevistas com informants chave 36

Obter mapas e cartas de introducao dos orgaos competentes 36

Contactar o pessoal da estacao experimental antes de conduzir
a sondagem. 36

Diretrizes para entrevistas 36

Selecao da Area de estudo 37

Procedimentos de entrevista 38

Relat6rios escritos 40

0 PROCEDIMENTO SONDEIO: UM TIPO DE SONDAGEM INFORMAL 40

0 Relat6rio 43

Notas Finals 43

CONSTITUIqAO DE UMA AGENDA PARA ENSAIOS EM PROPRIEDADE
AGRICOLA-FLORESTAL 44

Identificacao dos problems e determinagao de oportunidades de
pesquisa 44

Anotar os Problemas Principais 46

Determinar as Causas e Examinar Interacoes 46

Ordenar os Problemas 48

Identificar Possiveis Solucoes 48

Examinar as Possiveis Solucoes Atraves de Critdrios
Selecionados 48

Facilidade da Investigacao 48

Facilidade de Adoqao 49


iii










Beneficios Potenciais 49

Estudo de Caso Determinado 49

Forma de distinguir entire problems e solugoes 49


CAPITULO IV. PLANEJAMENTO, FORMULAQAO E CONDUCAO DE PESQUISA E
EXTENSAO EM PROPRIEDADE AGRICOLA 51

CONSIDERAg6ES GERAIS RELACIONADAS COM ENSAIOS EM
PROPRIEDADE AGRICOLA 51

PrAticas de Pesquisa em Propriedade Agricola 52

Relacoes entire pesquisador e agricultor 52

Ouvindo e trabalhando com os agricultores 52

A natureza do relacionamento 53

0 SUCESSO FINAL: ACEITACAO POR AGRICULTORES 54

A IMPORTANCIA DE PLANEJAR TENDO EM VISTA A AVALIAgAO 55

FATORES CHAVES A CONSIDERAR NA DETERMINAgAO DE CRITERIOS DE
AVALIACAO 56

Mao-de-obra 58

Acesso e control de recursos aldm da mao-de-obra 58

Incentives 58

Inclusao 58

Compreender os Incentivos, Objetivos e Estratdgias de Produgao
das Propriedades Agricolas 59

IDENTIFICACAO DOS CRITERIOS DE AVALIAQAO RELEVANTES 60

A Terra Como um Recurso Escasso 61

Mao-de-obra como Recurso Escasso 61

Dinheiro como Recurso Escasso 62

Consideragoes Relacionadas com Riscos 63

Consideracoes Relacionadas com Outras Atividades do Agregado
Familiar da Propriedade Agricola 64









ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRICOLA PLANEJADOS POR PESQUISADORES 65

A Fungao do Ensaio no Processo de Pesquisa e Extensao 65

Ensaios explorat6rios 65

Ensaios de refinamento 66

Ensaios de validade 66

Gestao de Ensaios Partilhada entire Agricultores e Pesquisadores 67

Plantado por pesquisador/gerido por agricultor 67

Plantado por agricultor/gerido por pesquisador 67

Plantado por agricultor/gerido por agricultor 67

FORMULAQAO E ANALISE DE ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRICOLA 68

DETERMINAQAO DO IMPACT DAS TECNOLOGIAS PROPOSTAS SOBRE
OUTRAS ATIVIDADES DO AGREGADO 76


CAPiTULO V. RECOMENDAgOES 79

DIFUSAO DE TECNOLOGIA ATRAVES DE PESQUISA EM PROPRIEDADE AGRICOLA 79

Dominios de Pesquisa 82

Dominios de Recomendaiao 83

Dominios de Difusao 84

A PESA NUM CONTEXT COMUNITARIO 85


CAPITULO VI. QUESTOES E PROBLEMS NA ORGANIZAVAO E GESTAO
DA PESA 87

AS EQUIPES DE CAMPO E AS REGIOES PESA 87

A AREA SERVIDA 87

TAMANHO DA EQUIPE 88

CARGA DE TRABALHO DA EQUIPE 88

NECESSIDADES DE EQUIPAMENTO 89

RELACIONAMENTO COM OS PROGRAMS NACIONAIS DE DISCIPLINES
E DE CULTURES DE MERCADO 89










EQUIPES DE CAMPO, AREAS DE TRABALHO, DOMfNIOS DE RECOMENDAQAO
E APOIO REGIONAL 90

BIBLIOGRAFIA 93
















APRESEWTAgAO


Em terms oficiais brasileiros, Pesquisa e Extensao tem sido
desenvolvidas com mdtodos tradicionais e dissociadas entire si.

A inexist&ncia neste setor de uma metodologia de trabalho, capaz
de integrar e dinamizar os dois segments e privilegiar a participagao
do element fim, o produtor rural, ajuda a explicar a fragmentagao que
caracteriza grande parte da pesquisa agricola e extensao rural.

Como uma das alternatives a este problema surge a PESA Pesquisa
e Extensao de Sistemas Agricolas e Florestais que tem como objetivo,
trabalhar de maneira integrada as possibilidades t6cnicas, ecol6gicas e
de produgao econ6mica da floresta. A PESA e baseada na metodologia
chamada em Ingles "Farmings Research and Extension" ou FSR/E, e tem
origem em atividades realizadas na Asia, America Latina e Africa, nos
iltimos 15 anos, resultando no desenvolvimento de tecnologias,
apropriadas para pequenos agricultores. Esta experidncia vem sendo
usada, como parte complementary do sistema de pesquisa e extensao, em
vArios paises.

A produgao deste document 4 de P. Hildebrand, S. Poats e L.
Walecka, com recursos da Fundacao Ford para Nairobi, no Qudnia. A
versao Brasileira foi traduzida e revisada por Miguel Proenga e Cleusa
Rancy. O objetivo desta publicagao 4 fornecer uma visao geral dos
principios metodol6gicos da PESA A pesquisadores e agents de extensao,
ligados ao process de desenvolvimento e disseminacao de tecnologias.

A organizacao do material foi baseada em estudos detalhados de
treinamentos, desenvolvidos pelo projeto de "Apoio a Sistemas
Agricolas", FSSP/University of Florida, em especial as obras de
Hildebrand, P. E., editor, 1986, "Perspectives on Farming Systems
Research and Extension," e McDowell, R. e P. Hildebrand, 1980,
"Integrated Crop and Animal Production: Making the Most of Resources
Available to Small Farms in Developing Countries."

As fontes, armazenadas em quatro volumes, estao disponiveis em
Ingles e Frances, e maiores informagoes podem ser obtidas atraves da
Media Marketing, P. 0. BOX 926, Gainesville, Florida 32602, EUA.

A versao original deste manual, para uso em regioes da Africa de
Lingua Portuguesa, foi utilizada no Brasil pela primeira vez em Julho
de 1988, por um grupo de representantes de stores agricolas e


vii










educacionais do Estado do Acre, por ocasiao do curso de treinamento da
PESA, ministrado em Rio Branco. Esta atividade constou do "Projeto de
Cooperagao Tecnica-Cientifica entire a Universidade Federal do Acre
(UFAC) e Universidade da Fl6rida (UF), e teve suporte financeiro da
Fundacao Ford no Brasil.

A seguir sao listadas as Instituicoes e stores agricola-
educacionais participants da atividade: EMATER (Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecudria), EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa
AgropecuAria), INPA (Instituto de Pesquisas da Amaz6nia), MIRAD
(Ministdrio do Desenvolvimento e Reforma AgrAria), SDA (Secretaria de
Desenvolvimento AgrArio), CEPA (Comissao Estadual de Planejamento
Agricola), CTA (Centro dos Trabalhadores da Agricultura), SEC (
Secretaria de Educacao e Cultura), CIMI (Conselho Indigenista
MissionArio), Funtac (Fundacao de Tecnologia do Acre), IMAC (Instituto
de Meio Ambiente do Acre), e UFAC (Universidade Federal do Acre), que
coordenou os trabalhos juntamente com a UF e esteve representada por
vArios de seus Departamentos.

Deve-se ressaltar que este material, inicialmente pensado para
realidades na Africa, foi durante o curso adaptado as caracteristicas
da regiao brasileira em que a atividade foi efetivada. Esta versao,
publicada atrav6s do conv6nio UFAC/UF, poderA ser utilizada em outras
regioes do Brasil, resguardadas suas peculiaridades.

O projeto cooperative PESA no Acre prevd continuidade, com um
segundo curso. de metodologia programado para Julho de 1989 e a
definicao e planejamento de sub-projetos interinstitucionais,
projetados para responder problems diagnosticados nas comunidades de
pequenos produtores agricolas e extrativistas da regiao.


viii

















CAPITULO I


INTRODUgAO



0 QUE E PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS AGRICOLAS E FLORESTAIS (PESA)?

A Pesquisa e Extensao de Sistemas Agricolas-Florestais (PESA) ou
FSR/E, que se deriva da expressao Inglesa "Farming Systems Research and
Extension", consiste numa perspective que permit A pesquisa e
extensao agricola uma forma mais efetiva de lidar com problems de
agricultores. E particularmente consistent para tratar dificuldades de
grupos especificos, com carateristicas definidas, tais como recursos
limitados. Esta perspective foi desenvolvida durante os anos setenta,
como resposta a observagao de que os grupos de propriedades agricolas
familiares de pequena escala nao se beneficiavam da pesquisa agricola-
florestal em uso. Embora varios terms e conceitos tenham sido usados
nos iltimos quinze anos para descrever esta forma de abordagem (por
exemplo, FSR, FSR/D, FSR/E, FSIP, FSAR, OFR/FSP, etc.), neste manual de
treinamento serd usado o termo PESA (ou, FSR/E). Isto se justifica
tendo em vista que, o mesmo encara de forma explicit a necessidade de
aproximar pesquisadores e extensionistas, e envolver agricultores no
process de desenvolvimento de tecnologias agricolas apropriadas.

Uma definicao da PESA (ou, FSR/E) 4 apresentada por Shaner et al,
como sendo:


"..... uma forma de abordar pesquisa e desenvolvimento
agricola-florestal que vd a producao agricola como um
sistema que focaliza a interdependencia entire os
components sob o control dos membros do agregado
familiar, e como ocorre a interagao destes com os
contextos fisicos, biol6gicos e s6cio-econ6micos, que
nao estao sob o dominion do agregado familiar. Os
sistemas de producao sao definidos pelas suas
caracteristicas fisicas, biol6gicas e s6cio-econ6micas,
pelos objetivos do agregado familiar e por outros
atributos, como acesso A recursos, escolha de
atividades de produqao, e praticas de gestao (1982)".










E necessario salientar que a PESA 6 uma forma de abordar, e nao um
substitute Dara a pesquisa e extensao agricola convencionais. Atravds
do englobar de ferramentas conceituais e metodol6gicas propoe tornar
mais eficientes sistemas de pesquisa e extensao jd existentes mas nao
substitui-los. A PESA consegue melhorar a eficAcia e efetividade,
devido o fato de pesquisadores e extensionistas nao trabalharem
isolados, com operaa6es exclusivamente pecuArias ou agricolas. Em vez
deste tratamento isolado, o esforgo e desenvolvido por equipes
interdisciplinares e a propriedade agricola 6 vista como um sistema
integral com ligacoes entire os respectivos subsistemas.

A PESA estimula a equipe de pesquisa a ponderar cuidadosamente o
impact potential que uma nova tecnologia poderA ter sobre todo o
sistema de producao. Isto porque um possivel melhoramento num dos
subsistemas poderA afetar de maneira negative os demais a ele ligados
(ou, dependents) e, em ultima analise, o sistema de producao como um
todo. A perspective de sistemas, minimize a possibilidade de produzir e
implementar tecnologias que oferecam solucoes a curto prazo, mas que
causam problems mais dificeis a long prazo. A PESA 6 particularmente
adequada para trabalhar com agricultores com recursos limitados jA que
funciona dentro de sistemas existentes, trabalha com agricultores como
cooperantes, part de oportunidades reais para formular solucoes, testa
caminhos potnciais contra limitacoes e riscos existentes e consider a
adocao de tecnologias por part do agricultor como criterio de 6xito.


ORIGENS DA ABORDAGEM PESA E SUA RELAQAO COM PESQUISA E EXTENSAO
CONVENCIONAIS

E possivel definir pesquisa como sendo a procura criteriosa de uma
interpretagao para conhecimentos novos atravds do testar de hip6teses.
A pesquisa agricola-florestal 6 a aplicacao desta procura aos problems
praticos de produzir, processar, armazenar, e transportar bens
alimentares e outros produtos ata o consumidor. Atd o s6culo XX, o
aumento da produgao agricola deveu-se quase exclusivamente A expansao
das areas cultivadas. No decorrer do seculo atual a agriculture tem se
transformado de "um sector baseado em recursos para uma inddstria com
base cientifica" (Ruttan, 1982). 0 crescimento da producao agricola
"tem uma base cada vez maior nas novas tecnologias mecAnicas, quimicas
e biol6gicas" e depend6ncia da inddstria e instituicoes produtoras de
tecnologia para combinar esta em "formas novas e mais produtivas de
insumos (sementes, fertilizantes, herbicidas, inseticidas, maquinas e
equipamentos)" (Ruttan, 1982). A pesquisa e extensao agricola-
florestais tem sido responsAveis em grande part, por essa mudanga para
um sistema baseado na tecnologia.

Na sua infAncia a PESA foi caracterizada por generalizaoes .
Muitas vezes os pr6prios agricultores, que executavam investigacao com
animals ou cultures, comunicavam diretamente os resultados aos seus
vizinhos. As primeiras escolas agricolas promoveram uma abordagem
generalista. A media que universidades e institutes de investigagao
agricolas foram sendo criados, deu-se uma separacao entire a pesquisa









sobre determinado t6pico e a disseminaoao dos resultados obtidos.
Pesquisa e extensao passaram a ter fungoes separadas. Em algumas
situacoes a pesquisa era exclusivamente conduzida por institutes, e o
ensino deixado As universidades. A extensao, por outro lado, fazia
parte de diferentes entidades para o desenvolvimento. Posteriormente
passou a englobar a pesquisa aplicada, que assim foi separada da
pesquisa "pura" dos institutes.

Pesquisadores de vArias instituicoes concentraram seus esforgos,
atravis de departamentos baseados em areas disciplinares, em cultures
individuals de mercado. O objetivo era um aumento da producao e a
soluqao era buscada na manipulagao de variedades especificas. Ao mesmo
tempo, a extensao limitava o seu objetivo A comunicagao e perdia a sua
fungao privia de pesquisa. Em muitos casos, como nos Estados Unidos, a
extensao era dividida por sexo, sendo os homes vistos como produtores
e responsaveis pelo sustento econ6mico da familiar, enquanto as mulheres
consideradas donas de casa. Tambdm nesta fase os agents de extensao
eram em sua maioria homes.

A criacao dos Centros Internacionais de Pesquisa Agricola-
Florestal (IARCs), a comegar pelo IRRI em 1960 e o CIMMYT em 1966,
seguia algumas destas linhas mestras. Criados para dar um maior impulse
A pesquisa de cultures mundiais basicas, os IARCs ofereciam boas
condioqes para a pesquisa nas regioes tropicais, para que os
pesquisadores conseguissem "grandes avancos" no campo da produgao
vegetal, para paises em desenvolvimento. A justificativa para tal
criacao era a consciencia de que existia uma crise alimentar e, por
outro lado, a necessidade de criar auto-suficidncia de alimentos para
esses paises, com elevados indices populacionais.

Outros avancos, por meio de pacotes tecnol6gicos de alto-
rendimento fisico, vieram a constituir e foram conhecidos como a
"Revolugao Verde" e resultaram num aumento de produgao de bens
alimentares, concretamente nos casos do trigo e arroz. Os resultados
obtidos com outras esp6cies foram menos significativos. Todavia o 4xito
desta Revolugao fez com que As universidades preparassem novos e mais
especializados cientistas, de modo a enfrentar a procura crescente de
cultures de mercado. A 6nfase dada a especializacao, aumentou a
separacao disciplinary entire pesquisadores agricolas e levou &
identificacao e priorizagao de problems de pesquisa com base nas
disciplines (artigos publicados em revistas) e nao nas prioridades dos
agricultores. Como grande parte dos pesquisadores jA nao era oriunda de
meios rurais, estes dispunham de pouca experidncia para considerar ao
tomar decisoes sobre a orientacao da pesquisa. A infludncia de
agricultores s6 existia sob a forma de poderosos grupos de pressao,
representados por agricultores abastados, cujas propriedades agricolas
dispunham de condigoes semelhantes As das estacoes experimentais.










Este estilo de pesquisa especializada em cultures de mercado com
base disciplinary, domina o que 4 conhecido por pesquisa e extensao
agricola convencionais. A 'agenda' de pesquisa 6 gerada em fungao da
pesquisa ja realizada e publicada e 6, em grande parte, conduzida
dentro do laborat6rio ou estacoes experimentais onde maior contr6le de
variAveis nao experimentais 6 possivel. Para alguns agricultores esta
pesquisa fornece avanqos na produtividade de espdcies bdsicos em
relacao A terra e ao trabalho. A atual abundAncia de alimentos nos
paises desenvolvidos, pode ser em grande parte atribuida a estas
tecnologias 'milagrosas'. No entanto, os agricultores que podem e usam
estas sao somente aqueles que controlam ou tem acesso a recursos como
terra, capital, mao-de-obra, e insumos necessarios para que tais
tecnologias faqam 'milagres' na producao de alimentos.

Entre 1968 e 1978, pesquisadores das Areas das ciencias
biol6gicas, ciencias socials e economic agricola iniciaram
simultaneamente a avaliagao das novas tecnologias, e passaram a
considerar a Revolucao Verde de forma diferente. Concluiram que
muitos agricultores com recursos limitados (nessa 4poca chamados
'pequenos agricultores') nao tiravam proveito dessa nova tecnologia. Em
vez de culpar os agricultores pela nao adocao, alguns pesquisadores de
campo, dos IARCs e programs nacionais, comecaram a questioner ate que
ponto essa tecnologia era adequada. Descobriram que estas nao
funcionavam por si pr6prias mas que eram dependents de various
insumos e condigoes infraestruturais e que tal conjunto de fatores eram
desproporcionais ao alcance dos agricultores abastados. (Chambers e
Jiggins,1985). Com insumos e infraestrutura deficientes, e sob
condicoes de recursos limitados, a tecnologia mostrava-se idantica ou
inferior A tecnologia traditional do pr6prio agricultor.

O reconhecer desta realidade levou a iniciativa de produzir
tecnologias mais adequadas As necessidades do agricultor de recursos
limitados. Os pesquisadores com base em suas pr6prias experidncias em
instituicoes, ambientes ecol6gicos e sistemas agricolas-florestais
que desenvolviam, conceberam mdtodos diferentes para gerar tecnologias
mais adequadas a condigoes de recursos limitados. Como os various
esforcos estavam isolados uns dos outros, o resultado foi o
aparecimento de diversas 'marcas' de pesquisa a serem desenvolvidas,
cada uma com o seu lider e grupo de adeptos. Na realidade estas varias
abordagens eram respostas semelhantes ao mesmo problema.

A partir de 1976 os pesquisadores comeqaram a reunir-se -e a trocar
iddias. Devido a interesses pessoais e terminologias divergentes,
maiores conflitos do que acordos foram verificados. Novos terms
t4cnicos passaram a ser cunhados e mudados tao frequentemente quanto
convinha. A troca de informagao era feita de forma extremamente
informal e a fotoc6pia substituia As publicagoes especializadas.
Grande parte dos debates nunca foi publicada. Aquilo que passou a ser
designado por "Sistemas Agricolas-florestais" ou "Pesquisa de Sistemas
Agricolas-florestais" (FSR ou PESA), comecava a ter vida pr6pria,
separando-se cada vez mais dos estabelecimentos de ensino e pesquisa.









Em 1980 os esforcos em torno da PESA comecaram a convergir.
Desenvolveu-se uma maior troca de id6ias entire proponents da PESA e,
tanto bons resultados como diferencas entire participants tornaram-se
mais claros. Trabalhadores no campo da PESA comecaram a publicar em
revistas tecnicas legitimas ou, em publicagoes respeitadas. 0 simp6sio
annual da Kansas State University sobre a PESA iniciado em 1981, tornou-
se um forum international para a divulgacao de resultados (te6ricos e
prAticos) da Teoria. Pesquisadores de paises em desenvolvimento
comegaram a utilizA-la a partir das suas pr6prias perspectives, e a
contar com recursos para participar de confer&ncias internacionais. 0
Program Econ6mico do CIMMYT liderou os esforgos da PESA na Africa e
America Latina. Os documents de treinamento do CIMMYT, produzidos a
nivel regional e national, comegaram a definir a abordagem PESA, a
media que maior ndmero de agents eram treinados para conduzir os seus
pr6prios ensaios em propriedades agricolas. Ambos, CIMMYT e IRRI,
aumentaram a divulgacao sobre a PESA ao criarem mecanismos de
comunicaqao entire participants e a promover atividades na pr6pria
rede.

0 projeto USAID de Apoio aos Sistemas Agricolas-Florestais
(FSSP/University of Florida), criado em 1982, veio fortalecer o
intercAmbio estabelecido entire a comunidade da PESA. 0 FSSP criou
aldm de um folhetim informative, uma s6rie de publicacoes em trds
idiomas, visando estimular a troca de iddias e bibliografias, vencendo
barreiras regionais e tornando acessivel a praticantes do campo a
riqueza de literature da PESA. 0 FSSP adicionou o "/E" A abreviatura
FSR (ou,o "E" A PESA), apelando de forma explicit A necessidade de
ligar os pesquisadores e os extensionistas com os agricultores no
process de desenvolvimento de tecnologias agricolas adequadas. 0 FSSP
organizou e colecionou ferramentas para a formulaqao de materials de
treinamento com vistas a um ensino sistematizado da perspective PESA a
novos adeptos. De especial importAncia foi a troca de experiencias
entire adeptos da PESA que falam Ingles ou Franc6s, ou atravis de
agents poliglotas, tradu9oes simultAneas em "workshops" e
conferencias, ou por meio da traducao de documents bAsicos. A analise
feita por Fresco (1984), sobre as duas tradigoes foi um ponto marcante
que desencadeou um process important de compreensao e reconciliaqao
entire estas perspectives, historicamente separadas.

Em fins de 1984 comecava a surgir um consenso metodol6gico entire
adeptos da PESA. Os debates deixavam o campo das discussoes sobre as
definicoes e comegavam a abordar de -forma inteligente questoes de
conteddo, resultados, problems de implementacao, crit6rios de
avaliacao, participagao do agricultor, formas de acompanhar o process
PESA e a sua institucionalizaqao. Os adeptos viam a PESA como um meio
de abordar pesquisa e extensao agricola, diferindo da estratigia
conventional e ao mesmo tempo enriquecendo-a, como forma de estreitar
as relacoes com agricultores, ignoradas pela tecnificagao da pesquisa
agricola-florestal. Ainda hoje existe uma quantidade abundandante de
critics da PESA, mas atualmente os adeptos nao s6 toleram melhor essas
diferencas como tambem estao ativamente intercAmbiando experiencias.










Quando olhada do ponto de vista hist6rico a PESA 6 simultAneamente
antiga e contemporanea. E antiga, porque muitos dos seus conceitos
individuals, principios e m4todos tem sido utilizados hA mais de uma
geracao numa grande variedadede de lugares. No entanto, 6 recent na
media em que estes components sao combinados para conferir uma
abordagem sistematica A solucao de problems agricolas-florestais. Este
ponto de vista hist6rico demonstra tamb4m que a estrategia da pesquisa
e extensao agricola convencionais, que sao impulsionadas por cultures
de mercado, components e disciplines, nac obtiveram resultados que
tivessem beneficiado substancialmente os agricultores com recursos
limitados. A estrat6gia conventional assume a defesa de uma base de
recursos satisfat6ria em terms de terra, clima e infraestruturas. Esta
6 essencialmente dirigida a terrenos nao-marginais (Plucknett et al.,
1986) e v6 a escolha para a produgao de artigos de mercado como sendo
pr6-determinada. Torna-se evidence que, sem uma perspective PESA, os
agricultores com recursos reduzidos, explorando terrenos marginais sob
um sistema de baixos insumos, adversos a riscos, para produzir uma
grande variedade de cultures de subsistdncia, podem ser facilmente
esquecidos ou ignorados pelos sistemas convencionais de pesquisa e
extensao.

A PESA pode contribuir de tras formas para a reorientagao de
programs de pesquisa e extensao (P/E) agricola convencionais, no
sentido de trabalhar os problems dos agricultores com recursos
limitados. Em primeiro lugar, a PESA ajuda na determinagao de
prioridades de investigagao entire agricultores de recursos limitados, o
que poderA ajudar na aplicacaode funds escassos aos problems de maior
importAncia. Em segundo lugar, melhora a geragao de tecnologias
pr6prias atravds de ensaios em propriedades agricolas, o que aumenta a
posssibilidade de Axito na difus ao o de tecnologias inovadoras A
agricultores. Em terceiro e ultimo lugar, ajuda a ultrapassar
preconceitos de sexo, idade, origens 4tnicas e classes social, pelo
esforgo desenvolvido no sentido de tornar integrais os seus
diagn6sticos, formulagoes; ensaios, e fases disseminadoras. (Fresco and
Poats, 1986).


ATRIBUTOS PRINCIPALS DA PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS AGRICOLAS
FLORESTAIS

Os atributos principals e pressupostos de base englobados pela
abordagem PESA sao os seguintes: (na sua maioria extraidos de Merril-
Sands, 1985).

i. A PESA visa o agricultor A PESA visa as propriedades
agricolas-florestais familiares como sendo a clientele do
desenvolvimento tecnol6gico e investigagao agricola.

ii. A PESA 4 uma abordagem integral A PESA v6 a propriedade
agricola-florestal como uma unidade integral. Um levantamento global 4
feito dos ambientes humans e naturals em que o sistema opera. A
investigaqao enfoca os subsistemas de produgao, mas a ligaqao destes A









outros 6 reconhecida e a avaliacao dos resultados consider, de forma
explicit, as ligaqoes entire subsistemas (Baker e Norman, 1986).

iii. A PESA 4 uma perspective dinamica. interativa e
solucionadora de problems A PESA identifica em primeiro lugar
limitacoes tdcnicas, biol6gicas e s6cio-econ6micas ao nivel da
propriedade, para depois proper tecnologias ou prAticas plausiveis para
os agregados familiares visados, para diminuir limitacoes. A media
que a compreensao e a comunicaqao com os pequenos agricultores vai
aumentando, ajustamentos vao sendo feitos nas concepcoes tecnol6gicas,
de forma a integrar as mesmas ao sistema.

iv. A PESA 4 interdisciplinary E necessArio haver cooperacao
entire cientistas agricolas-florestais de vArias especialidades e
cientistas socials para compreender as condicoes e limitacoes sob as
quais os agricultores operam, e para desenvolver ou introduzir
tecnologias melhoradas que sao adequadas a essas condicoes.

v. A PESA complement as pesquisas agricolas disciplinares
e de cultures de mercado. mas nao as substitui A PESA vai buscar
informacoes no conjunto de conhecimentos tecnol6gicos e estratdgias de
gestao, originado por programs de pesquisa bAsica e de cultures de
mercado, e adota esses conhecimentos A circunstAncias ambientais e
s6cio-especificas. A PESA tambdm fornece um mecanismo de "feedback"
para estabelecer prioridades para programs de pesquisa bAsica e para
cultures de mercado.

vi. A PESA reconhece a especificidade dos fatores t4cnicos e
humans locais Os agricultores sao frequentemente agrupados com base
em criterios ecol6gicos e diferencas tecnol6gicas, de forma a
facilitar a transferencia de tecnologia (Lightfoot, 1980). Estes
agrupamentos sao frequentemente designados dominios de recomendacao.
Uma vez agrupados, a limitaqao maior de cada grupo passa a ser a meta
da pesquisa.

vii. A PESA avalia as tecnologias por meio de ensaios em
propriedades agricolas Os ensaios localizados em propriedades
agricolas, permitem que haja cooperacao entire agricultores e
pesquisadores, fornecem uma compreensao mais profunda do sistema
agricola-florestal entire investigadores, e permit ainda a avaliaqao de
tecnologias sob o regime ambiental e de gestao, nos quais estas
poderao ser utilizadas posteriormente.

viii. A PESA fornece um canal de "feedback" dos agricultores A
PESA estabelece um mecanismo de "feedback" dos agricultores atravds do
qual os objetivos, necessidades, prioridades, limitagoes e criterios
para avaliar tecnologias podem ser captados. Este "feedback" 4 dirigido
aos investigadores agricolas-florestais em estacoes experimentais e
tambdm aos politicos a nivel regional e national.










FASES DA PESQUISA E EXTENSAO DE SISTEMAS AGRICOLAS FLORESTAIS

A maioria dos que utilizam esta abordagem estao de acordo que a
PESA associa, de forma progressive, agricultores e propriedades aos
dominios pr6prios e destaca quatro fases distintas no desenvolvimento
de tecnologias.

i. A fase descritiva. ou de diagn6stico durante esta fase, os
sistemas agricolas-florestais sao examinados no context do ambiente
global. Os pesquisadores determinam as limitacoes as quais os
agricultores devem superar, e estabelecem a flexibilidade potential,
dentro do sistema da propriedade, em terms de ocupacao do tempo,
disponibilidade de recursos, etc. Sao tambem desenvolvidos esforgos no
sentido de compreender os objetivos e motivacoes dos agricultores,
porque estes fatores poderao influenciar as tentativas de melhorar o
sistema agricola-florestal. No decorrer da fase de diagn6stico,
m4todos, informais, formats, quantitativos e, qualitativos de obtencao
de dados sao utilizados.

ii. A fase de formulacao ou de planelamento Durante esta fase 4
identificado um conjunto de estrategias alternatives de intervengao
(solucoes para problemss, que poderao fazer face As limitaoqes
delineadas na fase descritiva ou de diagn6stico (Gilbert, Norman, e
Winch, 1980). Nesta fase grande dnfase e dada A obtencao do
conhecimento existente. Esta informacao 4 derivada da pesquisa
conduzida em estacoes experimentais, de ensaios de pesquisadores em
propriedades agricolas e dos conhecimentos dos pr6prios agricultores.
Esta fase envolve a avaliagao a priori de uma tecnologia ou pratica em
relacao A viabilidade tdcnica e a aceitacao social numa dada drea em
estudo. Tambrm envolve o planejamento de pesquisa complementary nao
experimental adicional, que poderA acompanhar ensaios em propriedades
agricolas-florestais ou aumentar o conhecimento sobre esses sistemas.

iii. A fase de avaliacao durante esta fase algumas recomendaoqes
potenciais, derivadas da fase de planejamento, sao examinadas sob as
condicoes existentes em propriedades agricolas reals. Isto 4 feito de
modo a avaliar ate que ponto serao as novas prdticas adequadas e
aceitas no sistema agricola-florestal existente. Esta fase tem muitas
vezes dois passes: 1) ensaios orientados por pesquisadores mas
implementados por agricultores; 2) ensaios totalmente sob control e
execuqao dos pr6prios agricultores. Durante esta fase tamb6m 6
conduzida pesquisa complementary, de forma a definir qual serA a melhor
maneira de promover a extensao e disseminacao das informagoes, como
preparacao para a quarta fase.

iv. A fase de recomendacao e disseminacao (extensao) No
decorrer desta fase, As tecnologias ou praticas testadas com &xito, sao
colocadas a disposicao de outros agricultores em circunstAncias
semelhantes.

Na pratica nao existem demarcagoes evidentes entire as vArias
fases. 0 process de pesquisa 4 reconhecido como sendo dinAmico com









ligacoes em ambas as direcoes. 0 pessoal de pesquisa estard planejando
algumas tecnologias e testando outras, enquanto haverd a necessidade de
diagnosticar problems novos, A media que a nossa compreensao do
sistema agricola-florestal vai aprofundando. Cada fase tem um grupo de
metodologias claramente definidas, que os usuArios aplicam
rotineiramente em condicoes de campo. Estas metodologias serao
discutidas em capitulos subsequentes deste manual.


VISAO ESQUEMATICA DO PROCESS DE PESQUISA DE SISTEMAS AGRICOLAS
FLORESTAIS

A natureza interativa e dinamica do process PESA 6 representada
no diagrama esquemAtico da Figura 1.1. Neste, a fase de formulagao ou
planejamento do process PESA constitui o ponto integrador central que
une os quatro components identificados como, pesquisa em propriedade
agricola-florestal, pesquisa em estacao experimental, extensao e tomada
de decisoes ao nivel politico. 0 process comega ao nivel do agregado
familiar da propriedade agricola, onde o sistema agricola-florestal e
descrito e problems ao nivel da propriedade sao identificados, por
meio da utilizacao de ferramentas de diagn6stico. Os resultados sao
analisados a nivel da fase de planejamento e formulacao. Nesta etapa, a
equipe PESA ordena os problems e identifica solucoes possiveis. Para
alguns problems talvez nao existam quaisquer solucoes tecnol6gicas e
torna-se necessario conduzir pesquisas em laborat6rios e estagoes
experimentais, de forma a gerar novas alternatives a serem testadas na
propriedade agricola. Atravds do diagn6stico tamb6m 4 possivel
identificar solucoes derivadas do agricultor e repassar as mesmas A
outros em condicoes semelhantes. Resultados provenientes do
acompanhamento prestado por parte dos trabalhadores de extensao, da
adocao ou nao de tecnologia por agricultores, podem entrar em fases
subsequentes de planejamento e formulagao.

Finalmente, no caso de muitos problems ou limitagoes da
propriedade agricola-florestal, a solucao nao esta na tecnologia, mas
sim ligada a mudangas ou melhoramentos nas political agricolas. Falta
do cr4dito necessario, disponibilidade fora de epoca de insumos tais
como sementes e fertilizantes, ou a falta de infraestrutura adequada
para colocar produtos agricolas no mercado, pode ser tao limitadora
para a producao ao nivel da propriedade agricola como qualquer doenqa
ou inseto. No entanto as solucoes alternatives requerem mudancas e
reorientagoes political.

Uma licao extraida do diagrama 6 que o process PESA nao terminal
com um ciclo de pesquisa em propriedade agricola. Cada novo ciclo de
pesquisa gera uma melhor compreensao do sistema agricola-florestal e
promove maior colaboracao com a comunidade rural. Devido A possivel
mudanga de necessidades dos agregados familiares das propriedades
agricolas, de uma 4poca para outra, o process deve ser continue.









A equipe PESA
inicia o trabalho aqui


Agregados familiares das
propriedades agricolas florestais


Control de



Disseminao o
tecnologia Ado


Diagnstico/Analise PESQUISA Ensaio
EM PROPRIEDADE
AGMRCOLA
FLORESTAL
Demonstraco de tecnologia Coleta de informaqo a nivel
aprovada por agricultores da propriedade

ado*qo
E DIAGN6STICO TOMADA DE
EXTENSAO E DECIS6ES POLITICAL

de
tada
.. Nao-adoao Recomendacqes para intensificar mudanCas na
de control political de adogio e desenvolvimento
PESQUISA EN de tecnologias
ESTACAO
EXPERIMENTAL Tecnologias prdprias
Problems para selecionar
pendentes dominios ambientais


Pesquisa disciplinary,
temitica ou de
cultural de mercado


Figura 1.1.


Visao esquemAtica do process PESA (IN: Susan Poats,
baseado num diagrama anterior de Collinson, 1982)


A andlise dos resultados de uma 4poca de pesquisa serve como dado de
diagn6stico para determinar novas limitagoes ainda nao reconhecidas, ou
como modelo para dar novas prioridades a problems existentes.

Do diagram tamb4m 4 evidence que a PESA nao se mantdm isolada e
que nao opera estritamente dentro da esfera de pesquisa em propriedade
agricola-florestal. Nao 4 um substitute para a pesquisa em estacao
experimental, mas sim um complement que pode servir na orientaqao da
pesquisa temAtica, disciplinary ou de cultures de mercado, de modo a
analisar os problems mais urgentes do ponto de vista do agricultor. O
process PESA pode fornecer uma ligacao necessAria entire agricultores e
circulos politicos. Finalmente, a PESA pode fornecer um elo entire
investigagao e extensao, ao envolver extensionistas no principio do
desenvolvimento de tecnologias, e ao fornecer a estes um mecanismo para
influenciar o planejamento de pesquisa, levando em consideracao fatores
que facilitarao a disseminagao e adogao de tecnologia.










SINTESE


A exposigao nas secoes at4 aqui apresentadas fornece um panorama
geral da abordagem PESA, a sua relagao com a pesquisa e extensao
agricola convencionais, as carateristicas chave da PESA que, em
conjunto a distinguem de outras abordagens no desenvolvimento agricola,
as fases b4sicas das atividades e o process global de sua conducao.
Esta exposicao forneceu as bases para o restante do manual. 0 capitulo
II consider a aplicacao da teoria de sistemas A descricao e
compreensao dos agricultores de recursos limitados e das suas
atividades de producao. Estes 'conceitos de sistemas' bAsicos sao
essenciais para a aplicacao efetiva da abordagem PESA. Os capitulos
III,IV, e V exp oem m6todos associados a cada fase da PESA. 0
planejamento ou formulacao encontra-se no capitulo IV. A secao de
conclusao deste manual discute os problems e questoes associados A
organizacao e gestao do process PESA. Esta requer diferentes tipos de
recursos institucionais para ser eficiente e efetiva, requer novas
maneiras de dirigir pessoas entire diferentes disciplines e cultures de
mercado, apela para novas formas de relacionamento entire agricultores e
o sistema de pesquisa e extensao, e original informagao e resultados que
desafiam os canais de comunicagao existentes. Estas e outras questoes
serao abordadas no capitulo V, como tambbm exemplos de como alguns
programs nacionais se relacionam com estes problems.
















cAPTULO II


COMPREENSAO DAS PROPRIEDADES AGRICOLAS FLORESTAIS DE RECURSOS
LIMITADOS COMO SISTEMAS




0 QUE.E UM SISTEMA?

Um important element caracterizador do process PESA e o "uso
generalizado de uma perspective de sistemas para compreender as
interaqoes e ligagoes entire as complexes circunstAncias fisicas,
biol6gicas, e s6cio-econ6micas dos agricultores de modo a facilitar a
criagao de tecnologia agricola nova" (De Walt, 1985). Esta perspective
de sistemas fornece A equipe PESA uma visao da propriedade agricola
como sendo um todo, com subsistemas interligados. Assim, empresas
agricolas ou subsistemas individuals como campos de milho, hortas ou
animals pequenos, sao vistos como atividades ligadas entire as quais o
agricultor deve distribuir seus recursos para a produgao (terra, mao-
de-obra, insumos, capital, equipamento, gestao, etc.). A partir do
moment em que As propriedades agricolas-florestais sao vistas como um
sistema compost por subsistemas interligados 4 necessArio reconhecer
que uma alteragao em qualquer dos subsistemas trard alteragoes no todo.
A pesquisa em propriedade agricola testa as novas tecnologias dentro da
realidade do sistema agricola-florestal de modo a que os pesquisadores
possam determinar nao s6 as possiveis melhorias resultantes da mudanca,
como tambrm, os potenciais efeitos negatives em outras parties do
sistema.


CRIAqAO DE MODELO DE SISTEMA AGRICOLA FLORESTAL DE RECURSOS LIMITADOS

Um modelo 4 uma forma de descrever e sintetizar um sistema e os
seus components identificados. Ajuda os pesquisadores de forma que
estes consigam compreender a questao em estudo e localizar lacunas no
seu conhecimento. E uma ferramenta dtil a ser utilizada no inicio do
diagn6stico de um sistema agricola-florestal ou para selecionar
solucoes tecnol6gicas alternatives, de modo a prever os resultados em
condigoes da propriedade agricola. Os models representam um primeiro
pass na descrigao de um sistema agricola-florestal e nao sao, de forma
alguma, exaustivos. Na PESA, os models que descrevem esses sistemas
nao s6 retratam as atividades de produCao, como tambem apresentam
comportamentos humans de modo a desenvolver uma compreensao de como os










agricultores gerem as suas propriedades. Os models estruturais, usados
nesta seqao, enfocam os niveis de interaiao e integragao entire vArias
cultures, animals e empreendimentos do agregado familiar realizados
fora da propriedade agricola. Tais models sao importantes para
orientar os esforgos da equipe interdisciplinar. A compreensao do
context global dentro do qual as novas tecnologias serio promovidas,
ajudarA a equipe a avaliar o potential da tecnologia proposta. Por
exemplo, um modelo poderA evidenciar que as cultures nao sao apenas
produzidas para alimentacao e mercado, mas tem tamb4m utilidade nas
construcoes, rituals, forragem para os animals e como mat6ria orgAnica
a ser incorporada. Ao ajudar a familiar da propriedade agricola a
aumentar o rendimento fisico de cereais para sobrevivencia, a equipe
deve assegurar que outras funoqes essenciais dos cereals nao sejam
sacrificadas.
Os exemplos seguintes de sistemas agricolas-florestais na Asia,
Africa e America Central demonstram como os models estruturais sao
construidos e a sua utilidade para as equipes PESA.

EXEMPLOS DE SISTEMAS AGRiCOLAS FLORESTAIS DE RECURSOS LIMITADOS

Adaptados de A Pequena Propriedade Agricola Familiar Pequena como
Sistema, FSSP TMS 203 Peter Hildebrand e J. Dean, Ag6sto, 1983.

Asia

TrAs tipos de sistemas agricolas-florestais sao comuns na Asia: a
agriculture corta-e-queima, sistemas de terras altas Amidas, e
finalmente, sistemas de arroz de terras baixas. Estes diferentes
sistemas refletem as modificacoes produzidas como consequ&ncia do
aumento da pressao populacional, por um lado, e reflexo do melhoramento
de infrastruturas por outro.

Sistema corta-e-queima na Asia

O modelo apresentado na Figura 2.1 represent a agriculture corta-
e-queima que 4 encontrada em zonas isoladas, com pressoes populacionais
pequenas, e com contato reduzido com mercados e infraestruturas.
Algumas vezes parte da producao da propriedade e vendida, e geralmente
sao os animals por estes poderem caminhar ate o mercado. Por vezes
compra-se algo no mercado, um animal, que pode caminhar at6 a
propriedade agricola. Ocasionalmente o agregado familiar venderd mao-
de-obra e comprarA alguns produtos. A grande maioria da mao-de-obra
familiar 6 utilizada no cultivo, e nao nas atividades pecuArias. A
interagao entire cultures e pecuAria 6 minima no sistema corta-e-queima.
Apenas pequenas quantidades das cultures sao usadas para alimentar o
gado e somente detritos orgAnicos acidentais sao utilizados para as
cultures. O fluxo de produtos das cultures para o agregado familiar 6
mais important do que dos animals. Tanto os animals como as cultures
fornecem beneficios rituals, al4m de alimento human. As cultures
tamb6m fornecem materials de construgao para o agregado familiar. A
quantidade de produto que provem do descanso a long prazo ou da
floresta 6 uma das relagoes mais importantes no sistema corta-e-queima.









Os tr4s produtos bAsicos oriundos deste sistema sao a fertilidade para
as cultures, materials de construgao e combustivel para o agregado
familiar.


Figura 2.1.


Sistema agricola florestal corta-e-queima AsiAtico,
agriculture nao-fixa, pouca integragao de cultures e
animals (soltos ou nao)


Sistemas de terras altas Imidas na Asia

As terras altas dmidas (Figura 2.2) representam uma Area com maior
desenvolvimento e presses populacionais do que as Areas de agriculture
corta-e-queima. A maioria das interligacoes sao mais estreitas e a
propriedade agricola como unidade requer um apoio infrastrutural muito
maior. Tanto a venda de animals como de cultures sao importantes e os
insumos para as cultures sao comprados no mercado, embora estas
atividades nao sejam praticadas extensivamente em muitas zonas de










terras altas. 0 uso de mao-de-obra 6 important em ambas as atividades.
Os sistemas culturais tem maior organizagao do que os da agriculture
corta-e-queima. Num sistema mais organizado, as relacoes entire animals
e cultures tornam-se muito mais fortes em sistemas de terras altas
dmidas. A importAncia da floresta e descanso a long prazo torna-se
muito menor, devido A sua crescente escassez nestes sistemas e a sua
fungao essencial de prover o agregado familiar de combustivel. Descanso
na propriedade e bordas de campos adquirem uma importAncia relative ao
fornecer alimento animal, o que contrast com o sistema corta-e-queima.


Figura 2.2.


Sistema agricola florestal de terras altas AsiAticas,
cultivo permanent, integracao moderada de cultures e
animals presss ou em pastoreio)









Sistema de arrozal de terras baixas na Asia


Os sistemas de arrozal em terras baixas (Figura 2.3) representam
uma drea de grande desenvolvimento e pressao populacional, e
caracterizam-se por grande dependencia das infrastruturas e
dos mercados. E important notar, em particular, que grande depen-


fora da prop. agric:


Figura 2.3.


Sistema de arrozal em terras baixas AsiAticas, cultivo
permanent, alto nivel de integragao de cultures e
animals (cativeiros)


dencia entire cultures e mercado e desenvolvida nestes sistemas e ainda
de maior importAncia, que o combustivel deve ser comprado no mercado,
jd que nao estA disponivel dentro do pr6prio sistema agricola-
florestal. Isto, cria uma dependdncia do agregado familiar da venda de
produtos, provenientes da propriedade agricola, no mercado. Devido As
pressoes populacionais hA uma tend&ncia para plantar cultures com maior
valor commercial. Estas cultures requerem maiores quantidades de mao-de-
obra. Isto poderA levar a aquisicao de mao-de-obra fora da propriedade
agricola durante as dpocas altas. Nestes sistemas hA um alto nivel de
integraqao de animals e cultures. Os animals em sua maioria encontram-










se press. Terras ou florestas para descanso sao poucas ou mesmo
inexistentes. A importAncia das bordas de campos 6 reduzida, devido A
pressao intense sobre a terra. Isto explica, parcialmente, a
dependencia que as cultures tem do mercado para As fontes de melhoria
da producao, compradas para aumentar a fertilidade de origem animal.

Um conjunto de relacoes e caracteristicas foram destacados nesta
sequ4ncia de tres sistemas asiAticos diferentes. Por exemplo, a
natureza do sistema agricola-florestal, embora complex em todos os
casos, 6 altamente condicionada pelo apoio infraestrutural disponivel A
propriedade agricola. Se o dnico acesso que a propriedade tem ao
mercado 4 por canoa, pouca dependencia do mercado serd evidenciada pela
propriedade agricola. As pressoes populacionais, reduzidas em Areas
isoladas, permitem, normalmente, aos agricultores obter parte das suas
necessidades na floresta e/ou em terrenos sob descanso a long prazo.
Tamb4m 6 possivel obter fertilidade desta mesma fonte e, nesse caso, o
mercado torna-se desnecessArio para fornecer a mesma. Os recursos
disponiveis nas propriedades dessas Areas, estao, essencialmente, fixos
em quantidade e sao gerados no seu interior. Poucos recursos nao-fixos,
como fertilizantes ou capital, para adquirir outros insumos, estao
disponiveis. Em contrast, em zonas com grande concentracao
populacional, as pressoes sobre a terra, a necessidade de comprar
combustivel no mercado e a maior proximidade da infraestrutura,
resultam num sistema de producao agricola-florestal que tem maior
dependencia dos mercados e de outros apoios infraestruturais.


Africa

A regiao da savana Afro-Gambiana agriculturea sedentAria rudimentar)

A regiao da savana Afro-Gambiana (Figura 2.4) 4 caracterizada por
uma precipitagao annual entire 1000 a 1400 mm, com 90 por cento desta se
verificando entire meados de Junho a meados de Agosto. 0 ambiente
variando entire quente e dmido ou quente e scco, dependendo da estacao
do ano. As temperatures mAximas diArias atingem ou ultrapassam os 30*C,
enquanto que as minimas estao compreendidas entire 15 e 22*C, de Janeiro
atd a dpoca chuvosa, respectivamente.

Uma classificagao da capacidade de uso dos solos evidenciou que 46
por cento destes foram considerados inadequados ou marginais para o
cultivo. Mesmo assim, 10 por cento destes estavam sob cultivo.
Normalmente apenas 20 por cento das terras adequadas para cultivo serao
cultivadas anualmente, ficando as demais Areas em descanso. Ate 1972 a
proporgao de terras cultivadas cresceu para 30 por cento, indicando que
estas Areas aumentaram gradualmente, em detrimento das terras sob
pastagens ou florestas (descanso a long prazo). Aproximadamente 60 por
cento do total de terras cultivadas sao plantados com amendoim e as
demais Areas usadas com cultures de subsist&ncia (sorgo, mandioca,
milhete, arroz e milho). A producao de alimentos para a populacao e
deficiente devido A dnfase atribuida as cultures de mercado.









0 direito A terra nas zonas rurais 6 determinado por leis
tradicionais references aos direitos comunitArios. 0 chefe e o conselho
de aldeia cedem direitos de cultivo da terra aos chefes dos agregados
familiares. Os arrendamentos que dizem respeito a terras para arrozal,
irrigado ou de terras baixas, sao normalmente realizados atravds das
autoridades distritais, jA que tais terrenos constituem parte da "terra
national."


Figura 2.4.


A regiao da savana.Afro-Gambiana agriculturea sedentAria
rudimentar)


Quase todos os ndcleos de habitacao (constituidos por casas,
abrigos para os animals e hortas) mantem de trds a dez ovelhas, tres a
quatro cabras, atd dez galinhas, e algumas galinhas d'Angola. Estas
espdcies sao cuidadas pelas mulheres e original rendimentos econ6micos
ao serem vendidas. As aves sao criadas de forma extensive, enquanto que
as ovelhas e as cabras estao press. Os caprinos e ovinos passam as
noites sob abrigo para evitar que se percam e para acumular estrume
para a horta. E frequent ter bovinos, embora os ndmeros variem
consideravelmente caso a caso, em comparagao com os ovinos e caprinos,
em que existe maior homog4neidade de ndmeros. Nos casos em que existe
um grande numero de bovinos, 40 ou mais, estes sao cuidados por um
pastor contratado (razao da seta a cheio, no diagrama, do mercado para
o component animal), sendo este pago com os funds gerados pela venda










de leite ou, por vezes, em dinheiro. Em casos de existir poucos
bovinos, o "pastoreio conjunto" 4 praticado com o prop6sito de reduzir
As necessidades de mao-de-obra contratada, ou seja, paga.

A maneira principal de obter alimento animal 4 atraves do
pastoreio em, florestas permanentes, pastagens, e terrenos de descanso.
Devido A fragmentacao das propriedades agricolas (muito em particular A
distAncia entire os arrozais e o ndcleo habitacional), A falta de
equipamento para transport e A procura de mao-de-obra para a colheita
do amendoim, pouco aproveitamento e dado ao restolho de outras
cultures, durante a 4poca seca, como fonte de alimento animal. Grande
parte do restolho das cultures 6 pisado ou desperdicado por bovinos
criados soltos, pertencentes a locais ou a rebanhos pastorals,
provenientes do Norte. Durante um period de sete a oito meses o valor
nutritivo dos alimentos bovinos 4 reduzido e, consequentemente, o gado
sofre perdas de peso acentuadas. 0 cultivo de amendoim nas terras altas
e o aumento da producao de arroz nas terras baixas, tem dado origem a
conflitos serios entire agricultores e pastores.

A contribuigao do component pecuAria varia caso a caso,sendo o
nivel,maior ou menor, dependent das medidas usadas. Algum leite 6 para
consume caseiro, ocasionalmente, ovelhas ou cabras sao vendidas para
abate. Devido ao sistema de direito A terra praticado, os animals
tornam-se o meio mais efetivo de gerar capital e reserves. Os animals
tem um papel na distribuigao de receitas dentro do agregado familiar,
ji que estas provenientes das vendas de aves e ruminantes de pequeno
porte se destina As mulheres. Na religiao Muculmana os animals tem uma
funcio nos rituals, especialmente durante a celebracao do Tabaski. 0
recurso da tracao animal estA numa fase de rapida expansao e,
consequentemente, uma proporcao significativa de propriedades rtsticas
depend de animals para aumentar as suas produces agricolas. 0 estrume
dos animals tamb4m contribui diretamente para a produgao agricola.

Sob o atual sistema de direitos sobre a terra, as oportunidades de
aumentar a integracao de cultures e gado sao reduzidas. Maior e melhor
aproveitamento poderia ser feito dos residues vegetais (por exemplo,
atraves de uma maior preservagao do restolho de amendoim de melhor
qualidade). A terra sob descanso a long prazo poderia ser utilizada de
forma mais benefica atraves de uma melhor gestao das Areas de pastagem.
No entanto, os agricultores locais hesitam em investor mao-de-obra ou
capital, tendo em vista o fato de nao haver meio efetivo de negar
acesso aos campos A pastores provenientes do Senegal. Semear esp4cies
forraginosas durante a 4poca chuvosa cria competigao ao nivel da mao-
de-obra, jA que esta 4 necessAria para a colheita do amendoim e de
outras cultures alimentares. Ate que haja mudangas nos fatores ex6genos
As propriedades agricolas (exemplo contr6le de "rebanhos forasteiros",
preqos de care mais equitativos, e decisoes de base relatives A
political de uso da terra para cultivo e/ou pastagens), a oportunidade
para alteragoes 4 reduzida.


Os exemplos acima mencionados tornam evidence que os sistemas









agricolas-florestais pequenos sao altamente variAveis, por serem
complexes e requererem elevado nivel de gestao competent para
funcionarem de uma forma eficaz. Estes sistemas sao melhor
compreendidos ou apreciados como "unidades integrais" por tdcnicos e
planejadores para a aplicaqao de tecnologia. Atravds de uma apreciacao
da interdepend6ncia entire cultures e pecuAria, os tecn6logos conseguem
compreender melhor o pequeno agricultor quando este rejeita a
tecnologia aconselhada, devido ao risco de criar um desequilibrio
insustentAvel no sistema. Por exemplo, a substituigao de um cultivar
local de milho por outro com maior producao, poderd reduzir a
quantidade do restolho de milho, que pode resultar na falta de alimento
pecuArio. Esta situagao nao e toleravel, especialmente quando o
agricultor depend dos animals como forga de tragao. Os exemplos
mencionados tamb4m tornam clara a necessidade de tecnologias melhor
aplicaveis A sistemas pequenos.

Deve ainda chamar-se a atencao para duas funcoes adicionais dos
animals, nao representadas no diagram: (1) sao potencialmente muito
valiosos durante dpocas em que haja escassez de bens alimentares e/ou
dinheiro; e (2) podem diminuir os efeitos de certas contingdncias, como
doenga, falta sazonal de alimentos, ou a necessidade de auxiliar
familiares em situagao dificil.

America Central

Uma anAlise das diferencas existentes entire um sistema agricola-
florestal tipico de terras altas da America Central e um caso
especifico de propriedade agricola.


Um sistema generalizado (Figura 2.5)

A propriedade agricola tem muitas das caracteristicas do sistema
de terras altas asiAtico. HA uma dependencia maior das cultures e menor
dos animals para gerar rendimentos do que nas terras altas da Asia.
Tamb4m existem algumas diferengas entire espdcies cultivadas e o
tipo particular de pecuaria apresentada, send que essas diferencas
podem ser atribuidas A cultural, regiao, solos e clima ai presents.











































Figura 2.5. Terras altas da America Central, culcivo permanence,
alto nivel de integraqio de cultures e animals (em
pastoreio ou press)





Um caso especifico de propriedade agricola

Comparemos agora urn caso especifico de propriedade agricola nas
terras altas da America Central (Figura 2.6) com o modelo generalizado.
Esta propriedade tem tendencias mais fortes para vender produtos
pecuArios e comprar insumos para o gado no mercado do que no modelo
geral. Esta tem tambdm a sua pr6pria floresta e pastagens em vez do
acesso A Areas florestais ou de descanso a long prazo. Uma lista
complete das espdcies cultivadas nesta propriedade inclui aquelas do
modelo generalizado e ainda ervas medicinais, outros produtos
hortigranjeiros e frutas. Nesta propriedade, do milho produzido, 10% 4
vendido diretamente, 19% 4 utilizado como alimento para o agregado
familiar, 70% serve como alimento animal e 1% e utilizado para semente.











































Cobustivel
lenha 100
pinhas too
Mattrlas Priuas
caboa too
umdeira 1oo


Figura 2.6. Modelo de um caso especifico de sistema agricola
florestal nas terras altas no oeste da Guatemala (os
numeros sao percentuais do total do mesmo item)

O restolho do milho d usado como alimento e para forrar os locais de
repouso dos animals, sendo aproximadamente 50% devolvido ao cultivo
misturado cor estrume. Os restos dos sabugos sao usados como
combustivel pelo agregado familiar. O trigo e uma das cultures de
mercado primarias, sendo que 60% e diretamente vendido no mercado, 20%
e usado na alimentacao do agregado familiar e os demais 20% armazenado
como semente. Tal como no caso do milho, a palha do trigo d utilizada
com os animals e, aproximadamente, 50% desta d devolvida ao cultivo
misturada com estrume. Os animals nesta propriedade incluem vacas,
porcos, galinhas, abelhas e caes. Das galinhas criadas, mais da metade
e diretamente vendida no mercado e 42% destinam-se ao consume caseiro.
Um produto secundArio das galinhas, as penas, sao utilizadas dentro do
agregado familiar para fazer flores, que sao depois vendidas no
mercado. Esta aplicacao aproveita 20% das penas. Os restantes 80% sao
utilizados para estrume e devolvidos -as cultures com esterco de










galinha. Do leite produzido pelas vacas, 2% 6 vendido, 10% destina-se
ao consume caseiro e 88% 4 utilizado como matdria prima para o queijo.
Do soro, resultante desta transformagao, 95% 4 utilizado como alimento
animal, 3% 6 destinado ao consume caseiro e 2% 4 vendido. Aldm de gerir
as atividades agricolas e pecuArias, os homes produzem mobilidrio e as
mulheres camisolas e alguma roupa. Dos medicamentos necessArios A
familiar, 75% sao comprados e 25% tem origem na pr6pria propriedade.
Produtos transformados pelo agregado familiar e depois vendidos, sao o
queijo, o soro, flares de penas, mobilia, camisolas e alguma mao-de-
obra caseira.


DESINTEGRAQAO DO AGREGADO FAMILIAR

(Esta secao 4 baseada, em grande parte, na estrutura conceitual
construida por Feldstein et. al., 1987.)

Os exemplos, ate agora mencionados, de models estruturais de
sistemas agricolas-florestais na Asia, Africa e Amdrica Central,
enfocaram essencialmente, o delinear dos vdrios components da producao
agricola e pecudria e das vArias ligacoes, entire, e dentro de cada
empresa. Pouca atengao foi prestada ao component designado 'agregado
familiar'. E muito frequent, no decorrer de projetos agricolas,
assumir o 'agregado familiar' como a unidade de andlise, e os chefes
dos agregados familiares, homes, como sendo os responsdveis pelas
decisoes principals e fonte de informacao. As funcoes dos outros
membros, sao, com frequ6ncia, ignoradas. Tal procedimento pode ser
prejudicial para o diagn6stico efetivo de problems agricolas e, para o
testar de tecnologias alternatives. Mulheres adults, idosos e
criancas, contribuem na producao da propriedade com habilidades
especificas, recursos e prioridades. Ignorar estas contribuigoes e
desconsiderar metade, ou mais, do sistema em que as decisoes sobre
producao agricola-florestal sao tomadas.

Na maioria das sociedades, as relacoes, entire e dentro, dos
agregados familiares exercem um efeito profundo sobre as decisoes que o
agricultor toma. A dinAmica nesses casos baseia-se nas diferengas de
sexo, idade, posiqao social ou origens dtnicas, e fases de
desenvolvimento no decorrer do ciclo da vida. Estas relacoes dos
agregados familiares estao profundamente ligadas aos sistemas
agricolas-florestais e, como nos casos dos subsistemas de cultures ou
de animals, terao um efeito sobre, e serao afetados por estes sistemas.
Em todas as sociedades, homes e mulheres desenvolvem tarefas
distintas, tem acesso a recursos e beneficios diferentes e suas
responsabilidades sao diferenciadas. Exemplo, homes e mulheres podem
ter a xesponsabilidade de cuidar de cultures diferentes, de parcelas
distintas da mesma cultural, ou ainda, de atividades de producao
diferentes para a mesma cultural na mesma parcela. Em muitas regioes,
estas funcoes estao num process de mudanca permanent. E important
observer e registrar estas variaveis, baseadas em diferencas de sexo e
de comportamento e utilizarestes dados como parte da analise que dard
origem A formulacao e ao testar de tecnologias melhoradas.










0 ponto essencial 4 compreender que um agregado familiar nao 4 um
agrupamento indiferenciado de pessoas apenas com funcoes de producao e
consume comuns, reparticao ou acesso igual a recursos para produgao e
respectivos beneficios. Os moldes de tomada de decisao variam de lugar
para lugar. Alguns agregados familiares talvez se insiram no modelo
padrao onde um s6 membro 4 responsavel pelas decisoes, ou seja, um
ditador benevolente. Em alguns casos, todos os membros, ou apenas
alguns especificos, sao consultados. Em outros, os agregados familiares
nao podem ser considerados, de forma alguma, como sendo unidades.
Homens, mulheres e criancas podem funcionar em esferas completamente
separadas na tomada de decisoes relatives a producao, rendimento e
despesas.

Resumindo, a forma do agregado familiar e os padres de tomada de
decisao nao podem ser pressupostos. Os agregados familiares sao
complexes, e nao homogeneos. Mesmo nos casos em que o agregado familiar
forma uma unidade de andlise util, o padrao de atividades, recursos e
incentives dos membros constituintes sao informagoes importantes para o
process PESA, e devem ser determinados atraves da pesquisa. Os
agregados familiares nao se mant&m estAticos no decorrer do tempo,
mudam, em funcao de fases do ciclo da vida, movimentos populacionais e
alteracoes no que diz respeito a bens, terrenos, residencias ou
tradicoes culturais. Por exemplo, agregados familiares com criancas
jovens talvez priorizem A producao de cultures alimentares e A procura
de trabalho feminine, enquanto agregados familiares com criancas mais
velhas e, consequentemente, mais mao-de-obra disponivel, poderao adotar
uma ou mais atividades requerendo maior intensidade de mao-de-obra. A
migracao, tempordria ou permanent, podera levar muitos agregados
familiares a serem dirigidos por mulheres, com menor disponibilidade de
mao-de-obra e um acesso mais limitado A recursos para a producao. Esta
variagao no tipo do agregado familiar podera ser tao important como
diferengas ecol6gicas para determinar limitacoes de producao e para
designer dominios de pesquisa, ou de recomendacao adequados.

Os models estruturais podem ser utilizados para elaborar um
diagn6stico das atividades e interacoes importantes dentro do agregado
familiar. A Figura 2.7 fornece um modelo esquemAtico de um caso do
Oeste da Africa, no qual os homes e as mulheres tem responsabilidades
sobre diferentes cultures e atividades do sistema de producao. Este
modelo difere muito da visao global apresentada, em terms de sistema
de produQao e da forma pela qual as tarefas sao divididas entire os
membros do agregado familiar.


CONSTRUqAO DE UM CALENDARIO AGRiCOLA

Um dos problems ao descrever sistemas agricolas-florestais por
meio de models estruturais 4 que o resultado 4 semelhante a uma
fotografia, ou seja, a uma visao do sistema num moment determinado.
Devido A ausdncia da dimensao tempo, as atividades parecem decorrer de
forma-simultAnea. Os models estruturais nao permitem a compreensao de
como







































0 Ia S Lagnd
J e ARROZAIS
o de anu residues crian;a
:" --- |A adult
1 _F faminino
c. M asculino
terras conunais a maca




Figura 2.7. Modelo hipot6tico de um sistema de produqao do agregado
familiar na Africa


ocorrem mudanras nas atividades ao long dos anos, A media que o
sistema- agricola-florestal passa por diferentes fases de produqao.
Compreender os fluxos de atividades e importance para o process PESA,
particularmente na avaliarao do impact potential que poderd ter a
introduiao de uma tecnologia nova, trazendo alteragoes no calendArio de
atividades, ou A atribuiiao e distribuiiao de mao-de-obra do agregado
familiar.

Uma ferramenta dtil para descrever e analisar o padrao e fluxos de
atividades do agregado familiar no decorrer do ano a o calendArio
agricola. Neste, as atividades do agregado familiar sao anotadas em
cada mds do ano, incluidas as atividades agricolas e pecuArias, como
tambdm outras que contribuem para o bem-estar do agregado tais como
cozinhar, obter agua e lenha, cuidar das criancas e da casa, trans-















rdlgim Cliaca


t quente a seco I quanta lido fresco e eeco
I do
o t. out.
fet. Out. itev. Des. Jan. rev. Hargo Abril Nato Junho Julho *Ao.


\> I

roVi lo

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caser enr ecar/co~hta




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toltawe) precise. 0 nio de ua e6 vet)
AF Cr (amlgums)

ACF


A C? (uMi Yelhas)






AN
construio/repara@ o

AML
obtanio de ateriais, construio reparaqio

AM 0c (umai veihos)


Legenda
S- eriangs
A adulto
r inino
S- masculine


-- ividade onItia

--... ativide inteitn

colhetta estelo "Ieepee refere-se so coctar a empilhar de
caules de plants ainda con grio


Figura 2.8.


CalendArio para um sistema agricola florestal no Sul
de Africa


ACX
raaoio as tcose
AM AT
AN AF AN AF AFAA A? dAbuAhr


to frrnom AC ( transport*


AM AT AM AT AT AM
prepara;io semear colheit
do tarreno

AN ---
preparagioleear coltbait
do terreno A? AC?
eiamc r truusplantr e*puantar pAssaros (12h/dia)
AT Al


A? A? AT
seI a espantar colhelta
pAssares
A? ACT AC?


illho-
tradicienal



sorgo



termentageo
do sorqo
para cervela

ulAhete



foJ604


amendola



batata deco


u mr lar

buscar Aqua


crimes

cosznhar

alinentar
animals
pequenos
construqio/



carcas-

pestorelo


I










former e conservar os alimentos e o emprego fora da propriedade. No
calendArio a execucao de cada tarefa cabe a certos membros do agregado,
sendo a definiiio de quem executa cada uma, determinada atravds do
sexo, da idade e de outros fatores. Em alguns casos, areas completes de
atividades serao segregadas por sexo homess x pecuAria, mulheres x
cultures). Em outros casos, tarefas sequdnciais relacionadas com a
mesma atividade podem ser atribuidas por sexo homess preparaqao da
terra para o plantio e mulheres manter a mesma limpa).

0 calendArio de atividades forma um mapa de tarefas com o qual e
possivel verificar a identidade dos problems, seleiao de prioridades
de pesquisa, designagao de agricultores cooperantes e a formulaqao de
ensaios em propriedade agricola. 0 calendArio mostra os periods de
falta de mao-de-obra e identifica as tarefas que compete para a
atribuicao deste recurso limitado. A anAlise das atividades oferece uma
indicacao sobre quem executa cada tarefa, quem serd afetado por
mudancas eventualmente propostas, quais as tarefas em competigao e quem
precisa aprender novos mdtodos. A Figura 2.8 fornece exemplo de um
calenddrio agricola construido para uma zona no Sul de Africa. Este
pode ser construido A media que o diagn6stico inicial vai progredindo
e nao pretend prestar um relate exato das atividades ao long do
tempo, mas antes ajudar os pesquisadores em propriedade agricola a
compreender o padrao de atividades e a identificar quem estA a fornecer
a mao-de-obra.


Resumindo, as propriedades agricolas familiares de recursos
limitados sao sistemas complexes que tem um grande ndimero de atividades
diferentes e um alto grau de inter-relacionamento entire si. A
dependencia destes sistemas de apoios infraestruturais aumenta A media
que as pressoes populacionais levam a um maior grau de participacao no
mercado.
















CAPiTUlO III


DIAGNOSTICO DOS PROBLEMS DOS AGRICULTORES




COLETA DE INFORMACAO PARA A PESA: ESCOLHA DE METODOS EFICAZES

Metodos Para Obtenqao de Dados

A fase de diagndstico na PESA fornece aos pesquisadores a
informagao necessaria para identificar os problems dos agricultores e
determinar solugoes adequadas. VArias fontes e metodos para a obtencao
de dados estao ao alcance dos pesquisadores adeptos da PESA, que devem
selecionar os que podem fornecer as informacoes mais corretas com custo
minimo. Varios exemplos importantes sao sintetizados na tabela 3.1. Os
metodos nao sao mutuamente exclusivos, por exemplo, pode-se utilizar a
observa9ao durante sondagens formats ou informais. A seguir uma
descrigao suscinta dos mesmos.

A consult de dados secundArios

Dados secundArios sao aqueles jA existentes, que foram reunidos e
sintetizados a partir de fontes, publicadas ou nao. Um exemplo do uso
de dados secundArios nas fases primArias de diagn6stico ou na
elaboragao de hip6teses, esta na comparacao de cartas topograficas e de
titulo da propriedade agricola. No Departamento de Causa, na Col6mbia,
pode-se constatar que as propriedades grandes ocupam os terrenos pianos
enquanto que as pequenas ocupam terrenos bastante acidentados. Uma
hip6tese que poderia ser formulada seria a de que os agricultores mais
ricos cultivam as terras plans. Esta possibilidade poderia ser testada
ao analisarem-se dados references a rendimentos no censo da populacao
por municipio ou por regiao administrative.

Da andlise de levantamentos adreos, observa-se que o milho e
cultivado tanto nos terrenos pianos como nos acidentados. Os registros
dos agents de extensao mostram que ambos os tipos de agricultores tem
problems com o milho. Dos dados de terra e rendimento, pode-se
concluir que os dois grupos, agricultores de terras baixas e os de
terras altas, tem recursos diferentes para trabalhar o mesmo problema.
















Mdtodos e fontes utilizados na obtengco de dados


caracteristica Informagao Sondagem Sondagem Ensalos Observaq6es ou Estudo de Casos
Secundaria Informal Formal Estudos Especiais Daterminados
O mais cedo Antes do comeaar os a sodagea infor Durante o Durante o ciclo Durante o ciclo
Fase Iniclal/ possivel na primeiros ensalos. tal antes de pca ciclo de de crescimento do crescimento
irplermtago tasa do diag- Durants o cico d car o priveiro ano do crescimen- das cultural das cultural
ndstico :roscimento do cul ensaeos. Pods ser to das cul
tura adiada por razies turas
logistics ou
financeiras

ldmero de Inicialmente multo pqueno; enfoca as Huito peque Muito pequeno Pode ser grande,
variaveis grande, mas este variavels determina- no; cada mas a amostra 4
nOmero val sendo das ccmo serdo itor- ensalo ten pequena
reduzido & aedlda tantes na sordagn atd quatro
que a sondagen inforal variAveis
prosseque

Amstra Ua unidade rg Nio aleat6ria. Fornt Amostra aleat6ria Representa- Pode ser alea- Selecionada
Aostra l ou grupos ce uma visio global (sinples, estratifi- tiva, mas t6ria ou sale
especificos das practices agrica cada, etc.) provavelmen cionada
las to nio ver-
dadieramente
aleat6ria

NAo intcractiva QCsto reduzido, rapi-
Vantagens Rrt cacmntos rodu- gina ba infonmAo
zidos qualitativa para for-
nular hip6tescs.

Custo baixo baixo HNdio-alto Balxo a ad- Baixo/madio Mddio a alto
dio


Tabela 3.1.









No future, a coleta de dados procuraria examiner e verificar estas
descobertas, e as fases seguintes da mesma poderd desenvolver estes e
aumentar a efetividade da obtengao de dados primArios e dos trabalhos
de campo subsequentes.

Entrevistas com informants chave

As entrevistas com estes elements, constituem uma escolha na
obtengao de dados no inicio do process PESA, o que poderA tornar a
future coleta mais eficaz. Essas entrevistas, sao discussoes com
individuos que representam, uma instituigao ou tipos de individuos
dentro de uma dada area, e podem ser essenciais para auxiliar no
agrupamento de agricultores, na identificacao de limitagoes, e para
descrever tenddncias nutricionais e esforcos de producao agricola na
area. Esses informants podem tambbm ajudar a explicar o que os
agricultores provavelmente sabem, medidas e pesos locais e quais as
perguntas que, por questoes culturais, devem ser evitadas.

Sondagens informais

Sondagens informais sao estudos de campo nos quais os
pesquisadores fazem entrevisl:as informais com agricultores e visitam
propriedades para desenvolver uma compreensao dosistema ou subsistema
agricola-florestal. As sondagens informais costumam ter custos
reduzidos e muita informacao pode ser obtida num curto espago de tempo.
Estas sao especialmente iteis para aprender sobre valores, opinions,
objetivos e conhecimentos dos agricultores, e para compreender as
razoes basicas das estratdgias de gestao, normalmente complexes. Os
principals pontos fracos destas sondagens sao que a amostra de
agricultores entrevistados pode nao ser representative do grupo que os
pesquisadores desejam caractorizar, e que nao d possivel recorrer a
mdtodos estatisticos para tesl:ar os resultados.

Sondagens formats

Sondagens formats sao aquelas realizadas com processes formais de
amostragem, questiondrios prd-testados e padronizados, e outros meios
que permitem a andlise estatlstica dos dados. 0 tamanho da amostra e
normalmente maior do que nas sondagens informais. No decorrer das
situacoes formais sao, com froqudncia, auxiliares, e nao pesquisadores,
que conduzem as entrevistas com agricultores. 0 tempo necessArio para
concluir este tipo de trabalho pode variar entire alguns meses, no caso
em que a mesma envolve apenas o completar de um questionario de duas
pAginas, numa s6 visit a uma amostra pequena de agricultores, ou
demorar-se por varios anos, se estes forem entrevistados duas vezes por
semana, durante um period de um ano inteiro. Em muitos programs da
PESA, utilizam-se sondagens informais, para ajudar os pesquisadores a
centrar suas sondagens formais num ndmero relativamente pequeno de
variAveis.










Observaoes


Estas sao importantes durante o process PESA, e podem ser obtidas
atravds de processes tais como, fotografia area, imagens video e
levantamentos visuals em autom6vel, ajudando a determinar locals a
serem estudados e comunidades que sirvam de amostra. Durante as
sondagens de diagndstico, os dados de observaqao fornecem informagao
complementary As entrevistas, e podem ser usados para formular hip6teses
iniciais. Estes dados podem incluir estimativas sobre o tamanho dos
campos, as distAncias entire as covas de plantacao, associacoes de
cultures e prAticas de producao. As observaoqes tamb4m podem ajudar a
verificar a existencia de coerdncia nas normas e nos comportamentos.
Por exemplo, os agricultores poderao dizer que as mulheres nao se
ocupam com a agriculture devido a normas da sociedade que assim exigem.
A observacao sistemAtica revela que as mulheres participam da
capinagem, colheita, processamento da mesma e da tomada de decisoes
familiares. A observagao tamb4m pode ser utilizada para avaliar os
dados obtidos nas sondagens e nos ensaios. Por exemplo, obter amostras
de solos ou identificar doengas de plants sao analises que devem ser
feitas para verificar as preocupacoes dos agricultores com a
fertilidade reduzida ou com os baixos resultados fisicos das cultures.
A observacao tambrm pode ser um process rigoroso que original dados
quantitativos sobre aspects tais como mao-de-obra e tempo dispensado
As varias tarefas agricolas. Ainda, a observacao pode ser utilizada
para sugerir aspects fundamentals a serem incluidos em sondagens
futuras.

Ensaios

Os ensaios sao usados para determinar se a intervencao proposta 4,
de fato, .efetiva, de acordo com critdrios de sucesso determinados a
priori. Neste caso podem ser combinados com.estudos 'basicos, em que
alguns agregados familiares ou instituiQoes implementem intervencoes e
outras nao. Nos ensaios nao s6 se acompanham cuidadosamente os
resultados esperados, particularmente aumentos de produtividade e
receitas, como tamb4m se tenta acompanhar consequencias nao
intencionais, como criagao de limitacoes a nivel de mao-de-obra ou
reducao das receitas provenientes dos outros empreendimentos da
propriedade agricola. A implementaao de um ensaio controlado 4 uma
decisao de formulagao experimental. Observagoes, sondagens informais e
formats devem ser usadas no acompanhamento e avaliacao de ensaios.

Estudos de casos determinados

Os estudos destes casos envolve o segment de um grupo especifico
de atividades do agregado familiar ao long do tempo. Os pesquisadores
examinam a hist6ria das atividades da familiar, e anotam o que acontece
em um period de tempo prolongado. Os estudos de casos determinados
pormenorizados podem fornecer informacoes, dificeis de serem obtidas
por outros m4todos. For exemplo, a obtencao de dados sobre a
organizacao e produqao do agregado 4, normalmente, dificil conseguir-se
atravds de m4todos padronizados. A distribuiqao de tempo pelas varias









atividades agricolas, trabalho, atividades de cada sexo e outras
informacoes, tornam-se evidentes por meio da observacao. A
disponibilidade e utilizacao dos recursos e o fluxo de rendimentos
tambdm podem ser observados por meio do estudo de casos determinados.
Estes, de forma semelhante, podem ser Steis para fornecer informacao
sobre as interfaces culturas/gado.

Escolha de Mdtodos

Normalmente hd mais de uma maneira de obter uma informagao
especifica. 0 pesquisador deve perguntar a si pr6prio sobre qual o
m dtodo mais adequado para obter esta, diante de suas necessidades e
circunstAncias. Trds aspects sao essenciais para a decisao sobre o
metodo mais adequado.

Recursos disponiveis

Nao seria sensato realizar uma sondagem formal, longa e complex,
se nao houver disponibilidade de instalacoes informdticas e/ou de
pessoal treinado para auxiliar na tabulacao e andlise de resultados, ou
na necessidade de obter respostas num espago de tempo reduzido.

A razao para coletar informagao

Se os pesquisadores querem demonstrar aos t4cnicos de melhoramento
do milho que uma percentage significativa de agricultores estd tendo
problems de armazenamento, uma sondagem formal poderA ser mais
eficiente do que a informal.

A natureza da informacao

A informacao qualitativa, ou seja, a relative As opinions.,
attitudes e valores dos agricultores, 4 normalmente melhor explorada em
sondagens informais. Este tipo de informacao, ou seja, aquela que 4
relative a quantidades e caracteristicas mensurAveis, 4 frequentemente
melhor analisada por meio de sondagens formais.

Profundidade Versus Representatividade

A questao base neste caso, 4 "devemos recolher muita informacao
sobre poucos agricultores ou, um nimero reduzido de informagoes sobre
muitos agricultores?" Ambas, profundidade e representatividade, sao
necessArias em vArias fases do process PESA. A sondagem rural rApida
pode ser muito atil no estabelecimento de um program inicial de
intervencao, particularmente se a tecnologia estd disponivel e obteve
resultados positives em testes realizados em estaqao experimental. Uma
sondagem formal, com amostragem, pode entao ser utilizada, de modo a
determinar a proporcao de agricultores que utilizaria esta tecnologia
e, como caracteriza-los.










A Sequencia dos Mdtodos


A decisao sobre qual a ferramenta de obtencao de informacao a ser
utilizada, em determinada fase do diagn6stico, ird variar de acordo com
o objetivo da coleta. Quando se buscam dados relatives a pecudria,
poderd ser recomendAvel, no inicio, obter dados de centros regionais de
investigacao ou organizagoes pecudrias locais. Esta nao serd,
necessariamente, a inica ou a melhor maneira de obt&-los. Estrat6gias
miltiplas de obtengao de dados podem ser aplicadas paralelamente.


SONDAGENS INFORMAIS PARA OBTENQAO DE DADOS EM PESA

0 que 6 uma Sondagem Informal?

Os objetivos das sondagens informais (tamb4m chamadas sondeios,
reconhecimentos rapidos ou sondagens explorat6rias) sao duplos. Umr
atingir rapidamente uma compreensao das' circunstAncias, prAticas e
problems dos agricultores. Outro 4 planejar ensaios ou outras
intervengoes, para solucionar problems identificados.

As sondagens informais tem quatro caracteristicas identificadoras,
que sao apresentadas a seguir.


Interacao direta entire pesquisador e agricultor

Este tipo de sondagen envolve interacao direta e informal entire
pesquisadores e agricultores. As entrevistas sao conduzidas pelos
pr6prios pesquisadores, e nao por auxiliares, como nos casos formais. A
informacao jA existence e a observaqao direta, tamb4m sao fontes
importantes numa sondagem informal.

Entrevistas nao estruturadas

As entrevistas, nestas sondagens, sao essencialmente nao
estruturadas e semi dirigidas, com dnfase no didlogo e na busca de
informagoes. Nunca se utilizam questionarios. Alguns pesquisadores
estabelecem diretrizes por t6picos, para terem a certeza de cobrir
todos os aspects relevantes de um dado assunto; outros recorrem a
apontamentos durante as entrevistas.

Process dinAmico de coleta de dados

Numa sondagem informal o process de obtengao de dados 4 dinAmico,
ou seja, os pesquisadores, diariamente, avaliam a informacao coletada e
reformulam quando necessArio. As entrevistas cobrem, com frequnrcia, as
caracteristicas gerais do sistema agricola-florestal. Subsequentemente,
os pesquisadores concentram esforcos nos problems prioritArios, nas
possiveis solucoes e nas interacoes destes com outros aspects do
sistema.









Trabalho interdisciplinar de equipe


A sondagem informal 4 conduzida por uma equipe interdisciplinar.
Cada discipline contribui com perspective pr6pria para a andlise da
equipe sobre os problems dos agricultores e as solucoes propostas. Por
exemplo, enquanto os cientistas agricolas analisam as prAticas
culturais a serem modificadas de forma a aumentar rendlmentos, o
cientista social pode avaliar a viabilidade e a aceitacao social das
mudangas propostas.

Forma de Implementar a Sondagem Informal

Essas sondagens sao normalmente conduzidas durante a 4poca de
crescimento e tem uma duraqao de uma semana a dois meses. Aspects que
a equipe PESA deve considerar antes, durante e depois da sondagem
informal sao apresentados a seguir (extraidos de Frankenberger e
Lichte, 1985; Hildebrand e Ruano, 1982; Poey e Ruano, 1984):

Determinar os objetivos do estudo

Esta atividade deve ser feita com a colaborarao de todas as
organizacoes e instituigoes envolvidas, ou diretamente afetadas, pela
pesquisa. Esta fase contribui para que todos os grupos percebam os
objetivos da investigacao, e para que a informagao considerada
prioritAria seja coletada pela equipe. Algumas das possiveis
organizacoes e instituicoes colaboradoras (universidades, firmas
consultoras., etc.), missao patrocinadora, organizacoes de pesquisa do
pais anfitriao e organizacoes de desenvolvimento regional.

Composicao da equipe de sondagem

A constituiqao da equipe PESA de sondagem, irA variar em cada
projeto em fungao dos recursos disponiveis e o context da pesquisa.
Seguem-se algumas consideragoes iteis para delinear tais equipes:

i. O tamanho da equipe ird variar de acordo com o objetivo
do projeto (ex. area geogrAfica ou ndmero diferente de
atividades cultura/pecuaria) e com a complexidade do cendrio
ambiental/s6cio-econ6mico. Um nimero adequado 4 de 6 a 7
membros, tendo em vista que esta 4 a lotaQao comfortavel num
jipe ou carros normalmente disponiveis.

ii. A equipe deve ter uma distribuicao igual de cientistas,
sociais e fisico-biol6gicos. Uma boa mistura de disciplines
incluird economists agrdrios, antrop6logos, especialistas das
cultures e cientistas pecuArios. Estes e pessoal de extensao
locals, devem ser incluidos em maior nimero possivel. A equipe
deve contar tamb6m com pesquisadores femininos, de forma a
assegurar que agricultoras sejam entrevistadas, especialmente
em situacoes nas quais nao 4 permitido aos pesquisadores
masculinos entrevistar as mulheres do agregado familiar.










Revisao de informagao secunddria


Uma equipe PESA comega a planejar uma sondagem informal com a
anAlise de informacoes secundarias references A Area em questao. Este
process de revisao deve dar-se pelo menos uma semana antes da said
para o campo.

Entrevistas com informants chave

E possivel obter boa informagao preliminary sobre a Area a ser
trabalhada, dos representantes governamentais locals, pessoal de
projetos e outras pessoas da Area ligadas a recursos naturals. Estes
contatos provavelmente oferecerao, ao pesquisador, dados ateis sobre o
local.

Obter mapas e cartas de introducao dos orgaos competentes

Mapas da Area podem normalmente ser obtidos nos serviqos de
levantamento geol6gicos, na capital. Por vezes 4 possivel obter outros
mais recentes com projetos em desenvolvimento na Area indicada para
estudo. Poderd tamb4m ser :til providenciar-se carta de recomendacao
official da representagao administrative mAxima, visando facilitar a
colaboracao com agents regionais e assegurar o acesso a Area.

Contactar o pessoal da estacao experimental antes de conduzir a
sondagem

Este contato serve para solicitar o apoio do pessoal da estacao
experimental e assegurar informagoes necessarias.

Se a equipe estiver trabalhando em conjunto com a estacao
experimental, deve estabelecer contatos com os administradores, chefes
de departamentos e outras pessoas importantes, para expor os objetivos
e solicitar informacoes. Esta interaiao ajudard a delinear o alcance da
pesquisa e as limitacoes political.

Diretrizes para entrevistas

Alguns pesquisadores acham que 4 important ter listas por
assuntos dos roteiros das entrevistas. Estas listas ajudam o
pesquisador a aprofundar aspects que, de outra forma, poderiam ser
esquecidos. Outros acham que estas listas acabam send usadas como
questionarios, podendo limitar a entrevista apenas a t6picos
selecionados pelos pr6prios pesquisadores. Em casos do uso de listas
algumas consideracoes recomendadas sao:

i. Consultar outros roteiros por t6picos, para assegurar
que seus principals aspects sao considerados (ex. sondeios
anteriores, as diretrizes desenvolvidas pelo CIMMYT, etc.) ver
Collinson, 1981; Frankenberger e Lichte, 1985].

ii. Utilizar fontes de informacao secundAria. T6picos podem










ser derivados de fontes como: 1) relat6rios escritos; 2)
entrevistas com pessoas profissionalmente ligadas a recursos;
3) necessidades de informacao do pessoal de pesquisa e 4)
resultados e conclusoes de investigacoes prdvias.

iii. Os membros da equipe devem chegar a um consenso, em
relacao a todos os assuntos incluidos no roteiro.

iv. O desenvolvimento de um roteiro de assuntos pode ser um
exercicio bAsico na edificacao ou consolidacao da equipe. Este
process permit a cada participate contribuir com opinions,
dando Anfase aos assuntos de particular relevAncia para a sua
discipline. As prioridades da sondagem sao estabelecidas antes
da said para o campo e a equipe comeqa a funcionar como uma
unidade, ou entidade integral.

v. O roteiro de assuntos deve ser testado antes da said
para o campo. Este procedimento permit A equipe determinar a
forma apropriada de incluir certas perguntas, bem como refinar
as tdcnicas de entrevista. Procedimentos adequados que deixam
o agricultor A vontade, sao importantes para se obter a
informagao exata e assegurar que a sondagem informal seja bem
sucedida. Entre os assuntos que uma equipe deve discutir antes
de sair para o campo, alguns dos mais importantes sao: Como se
apresentar ao agricultor; vantagens e desvantagens das
entrevistas em grupo em relagao As individuals; como efetuar a
traduqao; como evitar perguntas preconceituosas, quanto tempo.
se deverA estar com cada agricultor e como abordar t6picos
sensiveis.


Os pesquisadores poderao querer combinar um format estruturado
com um simples nas entrevistas informais. Roteiros de assuntos poderiam
ser usados por alguns membros da equipe, enquanto outros
entrevistariam o agricultor. Tal combinacao originaria tanto a
informagao comparative como aprofundada sobre alguns assuntos (ver
Lynham et. al., 1987).

Selegao da Area de estudo

Com frequdncia a escolha da Area a ser estudada 6 feita antes da
participacao de pesquisadores. Se houver alguma flexibilidade nessa
escolha, a decisao deve ser tomada em conjunto com todas as
instituigoes participants (ex. organizacao de pesquisa, de
desenvolvimento, missao USAID, etc.). Pontos importantes a considerar
na escolha sao:

i. Considerar a Area que pode, razoavelmente, ser
trabalhada com o tempo disponivel. O trabalho sera
influenciado por fatores tais como uniformidade ambiental,
desenvolvimento tecnol6gico, condicoes s6cio-econ6micas,
infraestrutura e acesso durante a dpoca chuvosa. A equipe deve










pensar em permanecer mais tempo nas regioes onde os sistemas
agricolas-florestais sao mais diversificados, do que em
regioes onde os mesmos sao mais uniforms.

ii. Fazer um cronograma, flexivel, especificando o ndmero de
dias para cada Area, bem como o tempo a ser gasto com
deslocamentos, revisao dos dados e relat6rio escrito.

iii. Quando a equipe chega A regiao a ser sondada, deve
contactar em primeiro lugar funcionArios locals, de modo a
estabelecer ligacoes de colaboraiao e solicitar apoio. (ex.
administradores regionais, pessoal de projetos em
desenvolvimento na area, agents de extensao, etc.). Estes
podem ajudar a selecionar locals potenciais a serem
trabalhados, bem como obter respostas e informacoes iteis
para as comunidades locals das quais sao administradores.

Procedimentos de entrevista.

Reconhecendo que os procedimentos de entrevista podem variar,
dependendo do context s6cio-cultural, indica-se um conjunto dtil de
procedimentos a seguir:

i. Ap6s a chegada a vila/cidade a equipe deve, em primeiro
lugar, reunir-se com os lideres locals e explicar, a estes e a
outros habitantes presents, o objetivo do estudo, o que
significa, para que servirao os resultados e a razao porque
tantas perguntas serao feitas. Questoes gerais sobre a
infraestrutura existente no local, como funcionam os direitos
& terra, as fontes de credito e distribuiiao de produtos,
funcionamento dos sistemas tipicos de mao-de-obra e
intervencoes de projetos, podem ser colocadas para o grupo.

ii. Depois de tratar as questoes iniciais com o grupo de
habitantes, a equipe deve dividir-se, em duplas, para conduzir
as entrevistas com os agricultores. Em geral, os membros da
equipe procurarao entrevistar varios agricultores atravds da
area objeto de estudo. E mais prAtico, frequentemente,utilizar
mdtodos aleat6rios, informais, tais como decidir visitar o
quarto agricultor A direita num caminho escolhido. 0 grupo
poderA tambem querer entrevistar, propositadamente, alguns com
caracteristicas particulares, como agricultores que cultivam
determinadas cultures ou um que desenvolve uma certa tdcnica.
No entanto, por vezes, a equipe poderA nao ter escolha na
selegao dos mesmos, devido ao fato de os lideres locals
estarem, eles pr6prios, a fazer as escolhas. Em tais
situacoes, a equipe pode abreviar as entrevistas com estes
agricultores e depois conduzir entrevistas com outros que
considerar mais indicados. Os membros da equipe devem tamb6m
entrevistar pessoas locals, al4m dos agricultores, mas que
interatuam frequentemente com estes (ex. comerciantes,
professors, processadores de cultures, agents de extensao,










etc.).


iii. Devem ser feitos esforcos no sentido de entrevistar o
agregado familiar, e nao s6 o home agricultor. Se possivel,
ambos, marido e mulher, devem estar presents na entrevista.
As mulheres do agregado familiar podem ser responsAveis por
quantidades considerAveis de mao-de-obra nos campos.

iv. As entrevistas devem ser conduzidas em Areas
pertencentes ao agregado familiar, que nao estejam pr6ximos da
sede. Desta forma os membros da equipe podem ver os locals
sobre os quais estao fazendo perguntas e obter respostas e
opinions especificas da familiar entrevistada, em vez de um
consenso de grupo. Alm disso, os pesquisadores inspirarao
maior confianca As families, quanto a caminhos eficazes para
seus problems, se os membros da equipe fizerem o esforco de
percorerem as suas propriedades.

v. Os membros da equipe nao devem trabalhar com o mesmo
parceiro todos os dias (Hildebrand e Ruano, 1982). A rotaqao
diAria dos integrantes oferece a cada pesquisador,
oportunidade de trabalhar e intercambiar iddias cor os
outros. Isto facility a troca e ajuda a estabelecer uma melhor
comunicacao entire a equipe. O ideal e juntar um cientista
social com um cientista natural/bi6logo em cada dupla.

vi. Depois de terem completado as entrevistas numa Area
selecionada, a equipe deve reunir-se para formular hip6teses
sobre os sistemas agricolas-florestais que caracterizam essa
regiao. E important lembrar que o trabalho de revisao e
avaliagao do conteudo das entrevistas requer, pelo menos, o
mesmo tempo que foi necessArio para conduzi-las. Este
procedimento ajuda a sintetizar os atributos e as limitacoes
bdsicas do sistema agricola-florestal e fornece uma base de
comparaqao para trabalhos de sondagem em outros locais. Estas
revises ajudarao a rever os roteiros, por assuntos, para
entrevistas futuras. Este process pode ser um exercicio
fundamental para a consolidacao da equipe.

vii. Uma vez que a sondagem estA complete, devem formular-se
hip6teses relacionadas As principals limitagoes a que os
agricultores da Area enfrentam. Tambem, a equipe, a partir de
um concenso, deve relacionar recomendagoes para amenizar os
problems identificados. Esta atividade oferece a equipe
oportunidade para combinar as vArias especialidades
disciplinares na formulacao de possiveis solucoes. Em alguns
casos, a equipe poderA ser solicitada a atribuir prioridades a
estas recomendagoes. No entanto, este ultimo pass pode ser
tratado pela coordenacao da pesquisa.











Relat6rios escritos


Os resultados da sondagem informal devem ser escritos dentro dos
prazos estabelecidos e de forma efetiva. Pontos importantes, a serem
considerados ao elaborar o relat6rio, sao:

i. 0 format a ser seguido na organizaaqo do relat6rio deve
ser delineado pelos lideres da equipe.

ii. Para facilitar a elaboracao do relat6rio, os lideres da
equipe devem atribuir a cada membro uma parte no mesmo.
Flexibilidade nesta distribuieao de tarefas 4 muito
important.

iii. O relat6rio deve abranger vArios t6picos de components
de descricao da area sondada, (ex. aspects socials, producao
agricola annual, recursos disponiveis, consume do agregado
familiar, etc.), models dos sistemas agricolas-florestais
(estruturais e de processo, identificaQao dos dominios de
recomendacao e uma listagem de limitacoes e recomendacoes.

A discussao acima apresentada fornece uma visao geral dos
procedimentos de sondagem. Na segao seguinte deste capitulo, discutir-
se-A um procedimento especifico de sondagem.


0 PROCEDIMENTO SONDEIO: UM TIPO DE SONDAGEM INFORMAL

0 Sondeio (do espanhol 'Sondeo') 6 uma tecnica de sondagem rApida,
desenvolvida pelo Instituto de Cidncias e Tecnologia Agricola da
Guatemala (ITA) como resposta a restricoes orcamentArias, necessidades
de tempo e outras metodologias usadas, (pesquisa em propriedade
agricola), para aumentar a informacao numa regiao onde a geraqao de
tecnologia agricola nao foi iniciada.

A funcao primAria do Sondeio 4 familiarizar ticnicos com a area em
que irao desenvolver o seu trabalho. Como nao 4 necessario obter
informagao quantificavel, o Sondeio pode ser rapidamente conduzido e
nao sao necessArias analises de dados exaustivas para interpreter as
descobertas. Nao sao usados questionArios, por isso os agricultores sao
entrevistados de maneira informal, que nao os inibe. Ao mesmo tempo, o
uso de uma equipe multidisciplinar ajuda a fornecer informagao- de
pontos de vista diferentes, simultAneamente. Dependendo do tamanho,
complexidade e acesso da Area, o Sondeio deverA ser completado entire 6
a 10 dias com um custo minimo. Neste period, Areas de 40 a 50km2 tem
sido estudadas. Apresenta-se, em seguida, uma descriqao da metodologia
utilizada em uma operacao de 6 dias.

Primeiro Dia.

O primeiro dia 4 usado para reconhecimento da Area, por toda a
equipe enquanto unidade. Esta deve fazer um levantamento preliminary dos









sistemas culturais ou agricolas-florestais mais importantes, que irao
servir como sistema chave, familiarizar-se em terms gerais com a drea
e comegar a procurar as delimitacoes do sistema homogdneo. Depois de
cada discussao com o agricultor o grupo reune-se, fora do alcance do
primeiro, para discutir a interpretaqao que cada um fez da entrevista.
Desta forma cada membro comega a familiarizar-se com a forma de pensar
dos outros. As entrevistas com agricultores devem ser muito gerais e
cobrir uma gama de assuntos, porque a equipe esta numa fase
explorat6ria e buscando um ndmero indefinido de elements
desconhecidos. (Isto nao implica, 4 claro, que falte orientaqao As
entrevistas). A contribuicao, ou ponto de vista, de cada discipline 4
critical em todo o process do Sondeio, porque a equipe nao sabe a
Driori que tipos de problems ou limitacoes serao encontrados. Quanto
maior for o nimero de disciplines participando na interpretaqao da
situacao, maior 4 a probabilidade de detector os fatores realmente mais
graves para os agricultores da regiao. Estabeleceu-se que estas
restricoes podem ser agro-climaticas, ou s6cio-culturais. Sendo assim,
todas as disciplines contribuem igualmente para o Sondeio.

Segundo Dia.

As entrevistas e o levantamento geral do primeiro dia serve para
orientar o trabalho do segundo. As equipes sao constituidas por duplas,
um agr6nomo ou zool6go, da equipe de avaliagao tecnol6gica, e uma
pessoa das cidncias s6cio-econ6micas. As cinco equipes espalham-se pela
Area e reunem-se, outra vez, a seguir ao primeiro meio dia (em Areas
pequenas ou com bom acesso), ou dia inteiro (em Areas maiores onde o
acesso 4 dificil e mais tempo 4 necessArio para viajar). Cada membro da
equipe discute o que observou no decorrer das entrevistas, e hip6teses
sao elaboradas para ajudar a explicar a situaQao na Area. Quaisquer
informacoes relacionadas com os limits da Area sao discutidas para
ajudar na sua demarcacao. As dividas ou hip6teses levantadas no
decorrer da discussao irao servir como base para as sessoes de
entrevista seguintes. Durante as discussoes da equipe, cada membro
observe como as interpretacoes dos outros pontos de vista podem ser
importantes no compreender de problems dos agricultores da regiao.

Depois desta troca de iddias, as duplas sao mudadas, para
maximizar a interagao disciplinary e minimizar os preconceitos dos
entrevistadores, e voltam para o campo orientados pela discussao
pr4via. Mais uma vez, a seguir a meio-dia ou dia de entrevistas, o
grupo reune-se para discutir o que encontrou.
A importAncia destas discussoes ap6s uma sdrie de entrevistas nao
pode ser desconsiderada. Em conjunto, o grupo passa a compreender as
relacoes encontradas na Area, demarca a mesma, e comeca a definir o
tipo de pesquisa indicada para ajudar a melhorar a tecnologia dos
agricultores. Outros problems, tais como a comercializaQao de
produtos, tamb4m sao discutidos e, se solugoes forem necessdrias, as
entidades competentes podem ser contactadas. E important compreender e
considerar os efeitos que estas e outras limitacoes irao ter, no caso
de nao serem corrigidas, sobre o tipo de tecnologia a ser desenvolvida
no process de geraqao.











Durante o segundo dia deve ocorrer uma notAvel converg6ncia de
opinions e uma redugao correspondent de t6picos para as entrevistas.
Desta maneira, os t6picos de maior interesse podem ser melhor
explorados nos dias seguintes.

Terceiro Dia.

Este 6 uma repetigao do segundo e inclui mudangas nos passes de
discussao, necessarios a entrevista para completar esta parte do
Sondeio. No caso da Area nao ser muito complex, estes passes devem ser
suficientes. Se a area for maior e se tome necessdrio um dia inteiro
de entrevistas, entire cada sessao de discussao serao requeridos quatro
dias para completar esta parte do Sondeio.

Quarto Dia.

Antes da equipe voltar ao campo para mais entrevistas neste dia, a
cada membro 6 designado uma parte do relat6rio a ser escrito. Nessa
altura, sabendo pela primeira vez quem 6 responsavel por cada t6pico,
as equipes, reagrupadas na quinta combinagao, voltam ao campo para
fazer mais entrevistas. Para Areas pequenas, a tarefa requer tamb6m um
meio-dia. No restante meio-dia, a seguir a uma sessao de discussao, a
equipe comega a escrever o relat6rio do Sondeio. Todos devem trabalhar
no mesmo local para que possam circular e debater livremente uns com os
outros. Por exemplo, um agr6nomo a quem coube a questao sobre o milho,
podera ter discutido um ponto bAsico com um antrop6logo, e precisa
lembrar o que disse determinado agricultor. Desta forma a interaqao
entire disciplines 6 continue.

Quinto Dia.

A media que os t6cnicos elaboram o relat6rio, invariavelmente
irao encontrar pontos para os quais nem eles, nem ningu6m no grupo tem
respostas. A dnica solugao 6 voltar ao campo na manha do quinto dia
para preencher as lacunas encontradas no dia anterior. Um meio-dia pode
ser dedicado a esta atividade, junto com a conclusao da parte principal
do relat6rio.

Na tarde deste dia cada membro da equipe coloca para os demais a
sua parte do relat6rio, para discussao, corregao e aprovagao. As
parties devem ser lidas pela ordem em que irao aparecer no relat6rio.
Funcionando como grupo, a equipe devera aprovar e/ou modificar o que e
apresentado.

Sexto Dia.

0 relat6rio 6 apresentado, mais uma vez e, a seguir a leitura de
cada t6pic9 sao feitas e registradas as conclusoes. Findo o process,
estas sao novamente revisadas para aprovacao, e recomendacoes
especificas sao anotadas para servir como ponto referencial basico para
futures trabalhos na Area, independent da origem das agnncias que









possam estar envolvidas no process de desenvolvimento regional.

0 produto do sexto dia 4 um relat6rio final que tem como autor
toda a equipe multidisciplinar e que deve ser apoiado por todos os
membros. Alm disso, depois da participagao da equipe num esforgo de
seis dias, cada um deve ser capaz de defender os pontos de vista
discutidos, as conclusoes relacionadas e as recomendacoes feitas.

0 Relat6rio

Atd certo ponto, o relat6rio do Sondeio tem um valor secundArio,
porque foi escrito pela mesma equipe que ira trabalhar na Area. 0 maior
valor reside no fato de a equipe o ter escrito. Ao confrontarem-se com
uma situagao na qual numerosos pontos de vista devem ser considerados,
os participants terao seus horizontes ampliados. Al4m disso, o
relat6rio pode servir como orientacao para nao participants, como o
Director Regional ou o Diretor Tdcnico, ao discutir os mdritos dos
varios tipos de acoes possiveis. No entanto, o relat6rio terA tamb4m o
aspect de um document escrito de forma apressada, por dez pessoas
diferentes, o que 4 exatamente o caso. Nao 4 um estudo exaustivo cor
dados quantificAveis que possa ser utilizado no future para avaliar
projetos. Trata-se antes, de um document de trabalho para orientar o
program de pesquisa e desempenhar papel fundamental simplesmente por
ter sido escrito.

Notas Finais

A especialidade disciplinary de cada membro da equipe de Sondeio
nao 4 indispensAvel, desde que estejam representadas vArias Areas e, se
se tratar de um Sondeio agricola, com um nmero significativo de
participants agricultores e entire os quais, pelo menos alguns,
venham, no future, a trabalhar na Area. As disciplines dos
coordenadores do Sondeio provavelmente tambrm nao sao indispensAveis,
no caso de se tratar de pessoas com boa capacidade de adaptaqao, e
experiencia de sondagens e respectivas t6cnicas. Todavia, os
coordenadores devem ter um alto nivel de tolerAncia multidisciplinar e
a capacidade de interatuar com as diferentes Areas representadas na
equipe.

De certa forma, os coordenadores sao maestros de orquestra que
devem assegurar a contribuigao de todos para a melodia, e que, no final
todos estao em harmonia. Cabe-lhes controlar o grupo e manter a
discipline. Estes, arbitram diferencas, criam entusiasmo, relacionam
hip6teses e iddias dos participants e, em dltima instancia, serao eles
a coordenar o produto na sua forma final. Talvez nao seja essencial que
tenham experi&ncia privia de Sondeio, mas se a tiverem a sua eficAcia
serA, com certeza maior.










CONSTITUIQAO DE UMA AGENDA PARA ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRICOLA
FLORESTAL

Identificaqao dos problems e determinagao de oportunidades de pesquisa

A identificaqao dos problems dos agricultores e a determinagao de
oportunidades de pesquisa sao objetivos principals da fase de
diagn6stico na PESA. A selegao e a atribuicao de prioridades aos
problems e As oportunidades de pesquisa devem ser feitas de uma forma
sistemAtica, para assegurar que recursos escassos de pesquisa sejam bem
aproveitados. No entanto, antes de poder ordenar problems e soluqoes
de uma forma efetiva, 4 necessArio determinar a importAncia das vdrias
atividades que constituem.o sistema agricola-florestal, mantido pelas
families das propriedades agricolas. Os critbrios usados para avaliar
estas atividades devem ser derivados nao s6 dos pr6prios agricultores
como tambnm dos pesquisadores. Embora este procedimento consiga ajudar
a determinar quais as de maior importAncia para os agricultores, os
pesquisadores poderao nao ter escolha na selecao das que irao
trabalhar. O period de realizacao da pesquisa poderA ter certas mormas
political que limited estas atividades a certas cultures. Por exemplo,
um institute national de pesquisa talvez nao possa trabalhar com
empresas pecuArias (ex. CNRADA na Mauritania). Embora esse tipo de
restrigao exista, os pesquisadores ainda podem recorrer a tais
procedimentos para ordenar as atividades que Ihes compete estudar.

Logo que estas estejam colocadas por ordem de importAncia, os
problems e soluc6es possiveis, associados As mesmas, podem ser
selecionados de uma forma sistemAtica. Um procedimento viAvel foi
desenvolvido por McArthur et. al. (1985). Este, composto por nove
passes, pode ser sintetizado da seguinte forma (extraido de Module III,
McArthur et. al., 1985) :

i. Sondeio Condugao de uma sondagem informal para reunir
informacoes sobre os sistemas agricolas-florestais numa Area
prevista.

ii. Identificaqao dos Dominios Preliminares de Recomendagao
A partir da sondagem informal, identificar agricultores cor
caracteristicas ambientais, culturais e s6cio-econ6micas
semelhantes:

iii. Selegao de Dominios de Recomendagao de Trabalho A
selecao desses dominios poderA ser baseada em fatores tais
como 1) problema principal que um grupo representative tenha
em comum; 2) grupo dominant representative da maior parte da
forga de mao-de-obra agricola; ou 3) o dominion estA incluido
numa Area de alta prioridade para o desenvolvimento.

iv. Descricao do Sistema Agricola-florestal Dominante-
Descrigao dos elements chaves, relacionamentos e ligaqoes
primdrias nos sistemas agricolas-florestais predominantes no
dominio selecionado. Desenvolver um modelo para este sistema.











v. Identificacao e Ordenacao de Problemas com Base no seu
Nivel de ImportAncia Os problems serao de alta prioridade
se afetarem toda a sociedade, ou de baixa se atingirem somente
os agricultores locais. Os agricultores devem ser incluidos na
identificacao destes. A ordenacao dos problems dos
agricultores apenas com base nas percepgoes da equipe PESA
podera levar a selecao incorreta dos mesmos.Uma ordem dos
problems deve ser elaborada.

vi. Ordenacao dos Problemas com Base na sua Resolugao
Potencial DA-se prioridade alta a problems cujas solugoes
parecem residir na introducao de tecnologias ja existentes. Os
problems que parecem poder ser resolvidos atrav6s de pequenas
alteracoes de tecnologias jA existentes, recebem uma
prioridade media. Os problems com prioridade baixa tem
solugoes que envolvem a geragao e a adaptagao de tecnologia
nova.

vii. Ordenacao de Problemas com base em Necessidades de
Cooperacao Inter-Institucional Um problema 6 de alta
prioridade se for de interesse para uma instituicao e se a
solugao desse residir exclusivamente no Ambito de pesquisa da
mesma. Tem prioridade media se a solucao se encontra
parcialmente em uma instituicao que necessita de auxilio de
outras E 6 de baixa prioridade se a sua resolucao nao se
encontrar exclusivamente dentre os objetivos da estagao de
pesquisa e se necessitar de auxilio e cooperacao de vArias
ag&ncias.

viii. IdentificaQao e Selecao de Estrategias de Solugao
Alternatives Para cada problema classificado como tendo alta
prioridade, utilizando os critdrios acima mencionados, definir
uma ou mais estrategias. Estas solu6oes pot&nciais devem ser
tecnicamente possiveis, economicamente viAveis, ambientalmente
s61idas, socialmente compativeis, administrativamente geriveis
e politicamente aceitAveis. As estrategias de solucao
possiveis podem ser derivadas dos pr6prios agricultores (ver
estrategias compensadoras IN Frankenberger, et. al., 1985).

ix. Ordenagao de Solucoes Potenciais em terms de
possibilidade de adogao por Agricultores As solugoes sao de
alta prioridade se partirem de prAticas culturais e de
acordos jA existentes e se necessitarem de treinamento e
insumos minimos. Soluqoes de prioridade media sao aquelas que
partem de prAticas culturais e de gestao jA existentes mas que
requerem considerAveis quantidades de treinamentos e de
recursos. Solugoes de baixa prioridade requerem a introdugao
de novos pacotes tecnol6gicos que nao podem ser adotados por
fases.

Outro process para selecionar e ordenar problems e possiveis










solucoes tem sido proposto por Tripp (1986). Os cinco passes seguintes
foram adaptados de uma obra intitulada, "Steps in Planning On-farm
Experiments.":

i. Para um grupo particular de agricultores, ou dominio de
recomendacao preliminary, deve-se anotar os principals
problems enfrentados pelos mesmos.

ii. Determinar as causes provaveis de cada problema e
examiner as interacoes entire estes e as causes.

iii. Ordenar os problems segundo a sua importAncia.

iv. Identificar solucoes possiveis para os problems mais
importantes.

v. Examinar possiveis solucoes atravds de criterios
selecionados para estabelecer As prioridades de pesquisa.

Anotar os Problemas Principals

Os membros da equipe anotam os problems dos agricultores com base
na informacao obtida atravds de dados secundArios e de sondagens
informais e formats. Os problems podem incluir instAncias de fatores
biol6gicos limitantes ou insuficincias no uso de recursos, que limitam
a produtividade do sistema agricola-florestal. Estes devem ser
declarados da forma mais simples possivel. Exemplos de declaracoes de
problems incluem:

"Os rendimentos de milho sao limitados pela baixa
disponibilidade de az6to."

"Devido A falta de alimento animal na fase de preparar
a terra, os animals nao conseguem trabalhar mais do que
trds horas por dia."

Nesta fase recomenda-se nao incluir as possiveis causes de
problems ou solucoes e sim estudA-las mais adiante. E itil distinguir
os problems que limitam a producao dos que refletem um uso
insuficiente de terra, mao-de-obra ou capital.

Determinar as Causas e Examinar Interacoes

Muitas vezes a falta de compreensao clara das causes de um
problema, podem levar a solucoes inadequadas e recursos valiosos de
pesquisa sao desperdicados. Assim, 4 ftil construir diagramas de
cadeias causais de problems tal como 4 mostrado por Tripp. Exemplo, a
cadeia na figure 3.1 mostra que a perda de rendimento fisico no arroz
devido a doenga 4 causada, em parte, pela plantaqao tardia do mesmo.
Isto, por sua vez, 4 causado pela falta de mao-de-obra na 4poca do
plantio.









Deve-se notar que as praticas dos agricultores raramente sao as
causes dos problems. Ao contrArio, as praticas destes trabalhadores
que, aparentemente, limitam a producao sao geralmente as solucoes
destes para outras de suas limitagoes. Exemplo, agricultores no Ruanda
do Norte plantam sorgo com uma densidade muito superior A necessAria
para maximizar a producao. A alta densidade de sementeira, ao limitar o
crescimento de ervas daninhas e a erosao do solo, t uma resposta a dois
problems que estes devem superar.


Figura 3.1.


Cadeia causal dos problems do arroz


Com frequ&ncia, existem varias causes para um problema e um anico
aspect pode gerar vArias dificuldades. Numa area da ZAmbia descobriu-
se que a falta de mao-de-obra na 4poca de sementeira causava ou
contribuia para cinco problems diferentes, incluindo uma doenca nas
plants e baixa fertilidade do solo. Fatores causais que contribuem
para os problems podem incluir praticas de gestao, condiqoes naturals
e circunstAncias s6cio-econ6micas.

Um procedimento para esquematizar causes, problems e suas
interacoes, de forma a aumentar a compreensao dos mesmos, e aqui
mostrado. 0 exemplo de diagrama, baseado na cadeia causal da figure
3.1, e apresentado na figure 3.2. 0 plantar tardio do arroz


Herbicidas nio
estao disponiveis


Cadeia causal mais desenvolvida dos problems do arroz


Figura 3.2.










contribui para o surgimento de doencas e perda de rendimento fisico
devido A seca durante a fase final de crescimento. 0 problema das
doengas estA relacionado con a seca, tendo em vista que esta na fase
final de crescimento do arroz favorece o alastramento das doencas. A
escassa disponibilidade de herbicidas contribui tambem para esse
problema. Para cada dominio de recomendagao, todos os problems e suas
causes devem ser incluidos num s6 diagrama, de modo a considerar as
respectivas interagoes.

Ordenar os Problemas

0 pr6ximo pass 4 a ordenaqao dos problems, de acordo com a sua
importAncia. Esta pode ser definida por uma sdrie de criterios, tais
como: 1) incidencia do problema (ex. o nimero de agricultores
afetados); 2) a importAncia das atividades de cultivo (ex. rendimento
resultante da venda, abastecimento de alimentos, utilizacao de
terra/mao-de-obra/capital); e 3) a gravidade do problema (ex. a
severidade e frequencia do problema). Os membros da equipe avaliam cada
problema de acordo com cada critdrio e, posteriormente, fazem uma
avaliacao sumaria de cada caso.

Identificar Possiveis Solucoes

Neste pass a equipe produz uma listagem de solucoes possiveis
para cada prioritArio problema identificado. A anAlise das causes
torna-se critical neste pass, porque e frequent existir vArias
maneiras de responder a um s6 problema. No caso apresentado na figure
3.2, o uso de fungicidas 4 uma solucao possivel para a questao da
doenca. Contudo, o plantar tardio do arroz contribui para dois
problems (doenca e seca tardia). Variedades de ciclo reduzido poderiam
diminuir os efeitos de ambos. 0 diagrama tamb4m indica que o impact
destes poderia ser menor, se a mao-de-obra na 4poca da sementeira fosse
aperfeiqoada com novas tccnicas ou padres de plantaqao.

Examinar As Possiveis Solucoes Atravis de CritBrios Selecionados

Por iltimo, as possiveis solucoes sao examinadas atravds dos
criterios selecionados pela equipe como sendo critics para avaliar as
alternatives. Estes criterios poderao incluir:

Facilidade de Investigacao

i. Probabilidade de que as solugoes funcionem sob as
condigoes e prAticas do agricultor.

ii. Facilidade de executar o program de pesquisa (ex.
ndmero de lugares necessArios, ndmero de visits por parte do
pessoal de pesquisa a cada local, previsao do ndmero de safras
recomendadas para a obtengao de resultados, etc.)










Facilidade de Adogao


i. Compatibilidade com o sistema agricola-florestal (ex. terao
os agricultores ao seu alcance os recursos, terra, mao-de-obra,
capital, necessarios?)

ii. Apoio institutional (ex. extensao, crddito disponivel,
etc).

iii. Divisibilidade (ex. a tecnologia pode ser introduzida de
forma gradual?)

Beneficios Potenciais

i. Possivel lucro (ex. aumento de rendimentos, disponibilidade
de mercado, etc.)

ii. Estabilidade (ex. qual e o grau de risco associado com a
nova tecnologia?)

Desta forma as oportunidades de pesquisa sao identificadas e, as
que tiverem maior impact potential com menor custo, selecionadas para
serem testadas.

Estudo de Caso Determinado

Forma de distinguir entire problems e solucoes

Numa Area do Qu&nia Central, pesquisadores notaram que os baixos
rendimentos do milho tinham como causa principal uma data de plantagao
tardia. A dpoca chuvosa era curta e o milho plantado tarde era
suscetivel A seca. Os pesquisadores propuseram uma solugao para este
problema, plantar o milho mais cedo, ou seja, antes ou mesmo no inicio
das chuvas. Os pesquisadores conduziram ensaios que demonstraram que o
milho plantado antes do tempo costumeiro, resultava em rendimentos
aumentados. 0 servigo de extensao levou esta mensagem aos agricultores.
Ap6s vdrios anos, a maioria destes continuava a plantar tarde.

Uma equipe PESA iniciou trabalhos na Area e investigou esta
situagao. Descobriu que o plantar tarde por si, nao era problema, mas
sim uma alternative dos agricultores para enfrentar outros problems
existentes. Os agricultores plantavam tarde pelas seguintes razoes:

1. Falta de animals para preparar o terreno. Os
agricultores que nao os possuissem tinham que atrasar
a planta9ao at6 que os donos dos animals tivessem
concluido a preparacao da sua pr6pria terra.

2. 0 milho plantado antes de tempo era altamente
suscetivel a estragos por aqao das formigas.

Estes eram os problems encarados pelos agricultores que os










impediam de plantar cedo. A equipe PESA props vdrias medidas para
amenizar estes problems, entire elas:

i. Eficiencia maior dos animals atravds de
alimentagao melhorada.

ii. Tratamento da semente de milho com inseticida
para impedir os estragos causados por formigas.

Em sintese, o primeiro grupo de pesquisadores tinha identificado o
plantar tarde como sendo um problema, mas de fato este, era uma
solugao do agricultor para dois outros problems: falta de animals e
estrago da semente de milho por formigas. Ao atacar esses problems do
agricultor os pesquisadores esperavam que estes pudessem plantar mais
cedo para aumentarlos rendimentos de milho.

E important .notar que a determinacao das variaveis experimentais,
os niveis destas e dos fatores fixos devem ser estabelecidos com base
nas descobertas de sondagens. Exemplo, nao 4 suficiente afirmar apenas,
no fim do diagn6stico, que o aumento da populacao de plants 4 uma
prioridade important. Antes, deve-se estipular qual a do agricultor ja
que esta ird servir como contr6le experimental. Tambbm 4 necessdrio
caracterizar o padrao de plantagao (ex.filas de 30cm, 2 plants por
buraco) a ser utilizado no ensaio e 4 necessario decidir se o padrao de
plantagao sera igual ao do agricultor ou se se devem tambdm explorer
outros desses. Estas questoes sao retomadas mais adiante.

















CAPiTULO IV


PLANEJAMENTO, FORMUIAQAO E CONDU9AO DE PESQUISA E EXTENSAO

EM PROPRIEDADE AGRICOIA




0 objetivo da PESA 0 o desenvolvimento de novas tecnologias
agricolas dirigidas A problems prioritdrios, identificados e
selecionados, do agregado familiar da propriedade agricola. A media
mAxima do sucesso de uma nova tecnologia e sua aceitaqao, adoqao e uso
sustentado pelos agricultores. A pesquisa neste tipo de propriedade,
usada pela PESA, envolve a participaqao ativa dos membros do agregado
familiar para testar tecnologias alternatives. A andlise e
interpretaqao dos resultados dos ensaios em propriedade agricola
permitem A equipe PESA avaliar o sucesso potential de novas tecnologias
agricolas e fazer recomendaoqes-especificas aos agricultores.


CONSIDERACOES GERAIS RELACIONADAS COM ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRICOLA

(extraido de "On-farm Agronomic Trials in Farming Systems Research" por
P. Hildebrand e F. Poey, 1985, pgs. 9-12)

Na maioria das propriedades agricolas, as praticas de gestao e as
condicoes de campo diferem' daquelas encontradas nas estagoes
experimentais. Qualquer estrat6gia que vise obter resultados
significativos dos ensaios em propriedade agricola deve considerar
estas diferencas. Os ensaios nestas propriedade nao visam transplantar
as condicoes das estacoes experimentais nos campos dos agricultores.
Antes sao formulados de modo a auxiliar na detectacao de diferengas
usando as prAticas de gestao e condigoes meio-ambientais do agricultor
tipico.

A pesquisa em propriedade agricola 6 caracterizada pela
participacao dos agricultores, nas suas pr6prias terras. Esta varia de
acordo com a natureza dos ensaios, sendo que em ensaios explorat6rios
ou em locais especificos, limitam-se a fornecer a terra e parte ou
totalidade dos insumos. Nesta fase a participacao do agricultor no
process de obtencao de dados e tomada de decisoes e secundaria em
rela ao A do pesquisador que control os experiments. Nos ensaios










regionais a participacao do agricultor 4 maior, contribuindo
efetivamente para a interpretagao de resultados e recomendacoes
eventuais. Por iltimo, os ensaios geridos por agricultores sao tamb6m
conduzidos por estes, enquanto o pesquisador passa a desempenhar o
papel de colaborador.

As relacoes entire pesquisador e agricultor, a localizacao dos
ensaios na propriedade agricola, as formulacoes experimentais nestas
propriedades e a gestao dos dados de campo, incluindo o registro,
processamento e padronizacao destes iltimos, sao aspects que devem ser
observados de uma perspective correta quando se executa pesquisa nos
campos dos agricultores com a sua participacao ativa.

PrAticas de Pesquisa em Propriedade Agricola

Relacoes entire pesquisador e agricultor

No process de conducao de pesquisa em propriedade agricola os
pesquisadores estao a perturbar o uso normal da terra do agricultor e a
utilizar o seu precioso tempo. A pesquisa poderA tamb4m estar usando
outros, dos limitados recursos do agricultor. Em fungao disso, 4
important que os pesquisadores atuem sempre segundo os interesses
basicos dos agricultores, tratando-os como seus iguais no process de
pesquisa e considerando-os como components desejAveis, e nao apenas
necessArios, no process de geraiao, avaliacao e disseminacao de
tecnologia. Os agricultores compreendem o que sao os ensaios e estao
prontos a participar deles, se compreenderem os procedimentos usados e
se sentirem que o resultado Ihes sera, possivelmente, benffico. E muito
important que os pesquisadores expliquem com detalhes As razoes de
estarem ali, o que gostariam de fazer, a contribuigao que sera
solicitada dos agricultores e aquilo que estes podem esperar dos
resultados. E da maior importancia explicar aos agricultores porque a
sua participagao no empreendimento terd valor e interesse para eles.

Ouvindo e trabalhando com os agricultores

Desde o primeiro contato, na sondagem inicial ou na procura de
colaboradores, para os ensaios em propriedade agricola ou registros de
empreendimentos, 4 extremamente important que os pesquisadores comecem
a ouvir e trabalhar com os agricultores. Estes ficam resentidos quando
"pessoas do governor" Ihes dizem que estao fazendo as coisas da forma
errada, e que os "forasteiros" sabem qual 4 a melhor maneira de
proceder. Se os pesquisadores comunicarem esta attitude aos
agricultores, desde o inicio a relacao entire ambos, se chegar a
desenvolver-se, serA lenta e com qualidade comprometida.

Os pesquisadores devem ter cuidado ao certificarem-se sobre quais
sao os membros do agregado familiar que tomam decisoes, bem como falar
com os responsAveis por cada cultural. Uma esp6sa poderd saber pouco
sobre a cultural de algodao do seu marido, enquanto ele poderA conhecer
pouco sobre a cultural da mandioca ou amendoim, dela.









A natureza do relacionamento


Os agricultores devem ter conhecimento exato sobre o que esperar
do relacionamento desde o inicio. Sobretudo, devem ser informados que
se trata de um trabalho de pesquisa no qual ambos, agricultores e
pesquisadores, irao aprender e nao uma demonstracao formulada para
demonstrar quantas vezes melhor sao os pesquisadores capazes de fazer
aquilo que o agricultor jA faz. (Na maioria dos casos o agricultor sabe
fazer melhor mas nao tem o capital necessArio para tal.) Os
agricultores precisam estar conscientes de quem deve fornecer o qud,
quem ird correr os riscos e quem receberd qual produto. E essencial que
estes compreendam a sequ&ncia e a fase de cada uma das vArias
atividades e se a iniciativa deverd ser deles ou dos pesquisadores. Ex.
numa zona de milho amarelo, se forem usadas variedades brancas, os
agricultores devem saber se podem esperar receber milho amarelo em
troca do branch que nao irao querer ou se devem estar A espera de
perder o que foi produzido. Os agricultores devem tambem estar de
acordo com o incluir de milho branco e perceber o porque dessa
inclusao. Estes devem ainda saber quem deverA fornecer os
fertilizantes, no caso de serem usados, e quando serd necessario que
estejam disponiveis, quem ird fazer a colheita, como, e quando.

Os agricultores compreendem o que sao riscos e estao dispostos (ou
sao forgados) a aceitA-los como uma parte normal do seu ambiente de
produgao. Se uma experi&ncia for perdida devido a razoes ambientais
normais, estes irao compreender e nao se preocuparao com compensacoes (
embora seja- provdvel que, se ela lhes fosse oferecida eles a
aceitassem). Para evitar paternalismos no process de pesquisa, 4
recomendAvel nao considerar compensagoes nestes casos. Se, por outro
lado, certos tratamentos foram perdidos porque foram mal concebidos ou,
obviamente nao sao adaptados ao ambiente de producao do agricultor,
pode-se esperar que estes pensem que uma compensacao estA garantida, a
menos que tenham sido informados, com bastante antecedencia, desta
eventualidade. Neste caso, o pagamento em generous, da qualidade e
quantidade daqueles que teriam sido produzidos noutras circunstAncias,
6 provavelmente o indicado. E melhor, 6 claro, evitar tal situagao por
meio de intervencoes simples e apropriadas, e envolvimento adequado do
agricultor na formulaqao do ensaio.

Os agricultores precisam tambrm compreender a importancia que o
ensaio tem para os pesquisadores. O risco destes nao se concluirem 4
maior em propriedade agricola do que nas estacoes experimentais, ja que
muito ird defender da cooperarao dos agricultores. HA muitos exemplos
de ensaios em propriedade agricola "perdidos" devido a decisoes do
agricultor sem consultar os pesquisadores. Um aumento no prego de
mercado do produto poderd provocar uma decisao para colher todo, ou
apenas parte, do ensaio. Uma variedade ou cultural nova que seja
considerada especialmente atrativa poderd promover a colheita por
agricultores, ou seus vizinhos, antes que os dados finals sejam
registrados. Em algumas circunstAncias, os resultados preliminares
satisfazem a curiosidade dos agricultores e estes perdem o interesse no
ensaio antes deste estar concluido. Quando estes envolvem mais do que










um ciclo de produrao, ou quando 6 necessdrio avaliar uma rotacao de
cultures, o risco de nao completar uma experiencia em propriedade
agricola aumenta.

Os agricultores que nao compreendam totalmente a natureza do
ensaio poderao entrar em competicao com os pesquisadores. Por exemplo,
um tratamento de contr6le, que 6 suposto similar as praticas dos
agricultores e deve ser conduzido por estes, poderA receber cuidados
especiais, porque eles sabem como fazer melhor e querem provar este
fato aos pesquisadores. Numa parcela pequena, os agricultores podem ter
estas atencoes especiais, mesmo que nao possam ter tais cuidados nos
seus pr6prios campos. Ou, eventualmente, o agricultor talvez nao tenha
percebido completamente que 6 possivel gerir tal parcela da mesma
maneira que cuida dos seus pr6prios campos e, por isso, espera pelos
pesquisadores para executar prdticas que normalmente teriam sido
completadas mais cedo. Em qualquer destes casos, sao erros gerados no
medir do nivel de producao dos agricultores.

Por iltimo, uma revisao peri6dica de todos os aspects do ensaio,
como tamb6m conversas frequentes entire pesquisadores e agricultores, em
relagao ao progress observado, sao essenciais para uma pesquisa bem
sucedida em propriedade agricola.


0 SUCESSO FINAL: ACEITACAO PELOS AGRICULTORES

A avaliagao de novas tecnologias agricolas na PESA tem que se
extender para al6m do simples determinar da viabilidade biol6gica da
empresa em questao. As equipes PESA devem avaliar as novas tecnologias,
considerando-as no context da sua aceitacao por parte dos agricultores
e agregados familiares das propriedades agricolas. As equipes PESA
devem considerar um conjunto de fatores que poderao influenciar, em
ultima anAlise, a aceitacao e adocao de uma tecnologia alternative pelo
agricultor e estabelecer os crit6rios de avaliagao mais adequados.

O objetivo desta parte do capitulo IV 6 ajudar a identificar a
vasta gama de fatores a considerar na determinagao de como avaliar o
sucesso de um ensaio, com 6nfase no envolvimento do agricultor no
process de avaliacao. A PESA depend da participacao de agricultores,
desde o diagn6stico inicial, formulacao, caraterizagao e, avaliagao de
tecnologias.

O estabelecimento de criterios de avaliacao adequados, com base
nos problems identificados num sistema agricola-florestal, irA ajudar
a equipe PESA a avaliar melhor as tecnologias alternatives na
perspective do agricultor.

Uma compreensao ampla dos objetivos, incentives, atividades
agricolas ou nao, recursos disponiveis e limitacoes do agregado
familiar da propriedade agricola, fornece as bases sobre as quais se
pode desenvolver a formulacao e andlise da pesquisa nestas
propriedades. Grande parte do conhecimento serd gerado durante a fase










de diagn6stico da PESA. Adquirida esta compreensao e a participacao
total por parte do agricultor, 6 possivel selecionar os criterios de
avaliagao e procedimentos de anAlise adequados. Embora seja raro
conseguir esta condigao ideal, a utilidade da andlise ird defender de
tal fato. CritBrios de avaliacao mal escolhidos podem original
conclusoes erradas sobre a viabilidade das alternatives a serem
comparadas.


A IMPORTANCIA DE PLANEJAR TENDO EM VISTA A AVALIAQAO

Planejar, tendo em vista a avaliacao, antes da formulacao dos
ensaios 4 ftil por varias razoes:

i. Auxilia a ligacao entire diagn6stico e formulacao, ao
organizer a informacao sobre a produgao, os papdis dos diferentes
membros do agregado familiar e seus objetivos, numa matriz baseada nos
tratamentos propostos para o ensaio.

ii. Contribui para identificar quais sao os dados necessArios
para avaliar o sucesso ou nao de um ensaio.

iii. Ajuda a avaliar as relacoes entire os varios membros
interessados. Podera ajudar a equipe na tomada de decisoes mais
adequadas sobre quais os tratamentos que deverao ser incluidos ou
desconsiderados em ensaios posteriores de validaqao e/ou refinamento.
Podera tambdm ajudar a equipe a tomar decisoes mais adequadas sobre o
recomendar de uma nova prAtica ap6s esses testes. Informagoes mais
completes sobre as relacoes entire os various interessados poderA sugerir
recomendagoes para political e programs em Areas relacionadas (ex. a
reducao do tempo gasto pelas mulheres no transport de agua).

iv. Facilita a ligacao da fase de testes com a formulacao. de
forma retroativa. Jd que os tratamentos sao avaliados atravds do seu
impact sobre diferentes membros do agregado familiar, as avaliagaes de
custos e beneficios podem ser comparadas com os objetivos desses
membros. Estes objetivos, na forma identificada na sondagem informal,
foram a base para a formulagao inicial. A comparagao entire os
resultados dos ensaios poderA original uma reformulacao da pr6xima
sdrie dos mesmos. Esta ligacao entire o teste e o formular 4 uma parte
essencial da PESA.

v. Colabora na documentagao do progress a long prazo no
sentido de obter uma solugao aceitavel para os problems de prioridade
do agregado familiar. Os ensaios do primeiro ano poderao parecer ter
sido mal sucedidos, jd que os tratamentos considerados nao aceitdveis
sao eliminados. No entanto, no decorrer do tempo, estes resultados
podem ser vistos como um pass necessArio na identificagao da
tecnologia aceitdvel. Ao usar um modelo de avaliacao de forma
sistemdtica, em intervals pr4-determinados, para uma serie de ensaios
realizados ao long de varias safras, o valor dos ensaios anteriores
para os posteriores pode ser documentado.












FATORES CHAVE A CONSIDERAR NA DETERMINAQAO DE CRITERIOS DE AVALIAAAO

i. os objetivos do agregado familiar e dos membros individuals

ii. a escasses de recursos (tempo, mao-de-obra, dinheiro, terra,
animals, etc.)

iii. a probabilidade de os rendimentos econ6micos ficarem aqudm de
um nivel minimo aceitAvel (risco)

iv. contr6le e distribuicao de insumos e beneficios

v. o possivel efeito sobre a produqao e outras empresas, o
consume e bem-estar do agregado familiar

vi. oportunidade de emprego assalariado

vii. acesso a credito, abastecimentos, informaqao

viii. objetivos da comunidade

ix. fat6res socials e culturais

x. political governmental

Evidentemente, poderao ser necessarios mais do que um critdrio
para a avaliaqao.

Reconhecimento dos Papdis Individuals nos Procedimentos da Propriedade
Agricola

Poucas vezes uma empresa de uma propriedade agricola e resultado
de esforgos de uma s6 pessoa. Os membros do agregado familiar, e
outros, participam de formas diferentes ou sao interessados do
resultado final. Estas pessoas podem ser classificadas de ac6rdo com os
pap4is que desempenham. Os responsAveis pela tomada de decisoes
recorrem A prAticas de gestao e/ou autoridade para decidir o que irao
produzir, quando e como. Os investidores fornecem recursos tais como
tempo, mao-de-obra, terra, capital e traQao animal. Os beneficiArios
recebem compensaoqes pela atividade de producao. Exemplos podem
incluir, uma porgao da colheita, parte do dinheiro resultante das
vendas ou tempo livre. E normalmente assumido que os beneficiarios
tenham vantagens mas, com frequdncia, situacoes contrarias tamb4m sao
verificadas.

0 nivel de envolvimento de cada uma destas funcoes de producao
estA, com frequencia, associado a idade, sexo e/ou posigao dentro do
agregado familiar ou comunidade.










Para assegurar uma consideracao adequada das perspectives
individuals e das circunstAncias dos sistemas agricolas-florestais, os
adeptos da PESA devem perguntar constantemente, "quem?". Quem participa
da decisao de produzir? Quem participa da empresa produtora? Quem
recebe os beneficios da producao? Este questionamento permit
identificar As necessidades e papdis dos diferentes membros do agregado
familiar atravds da sequAncia do process PESA.

Uma maneira de sensibilizar os que utilizam a PESA para
incorporarem fatores inerentes a sexo e ao funcionamento interno do
agregado familiar, nas suas avaliacoes dos ensaios em propriedade
agricola, serA adquirir novas tdcnicas analiticas. Estas t6cnicas
apresentadas na obra "Case Studies on Gender and Intra-Household
Dynamics in Farming Systems Research and Extension". Feldstein e Poats
(1985) desenvolveram um modelo para estudo de casos determinados, que
visa fornecer as linhas-mestras norteadoras dos aspects relacionados
com as interfaces entire, e dentro de, agregados familiares, sexos e
sistemas agricolas-florestais que podem ser obtidos, analisados e
aplicados a formulacao de tecnologias melhoradas para sistemas de
cultivo e pecuAria. Abrange a informacao necessAria para modelar um
sistema agricola-florestal e o process pelo qual os agricultores
homess e mulheres) sao incluidos nas atividades de extensao e pesquisa
numa dada Area. Alguns dos temas e das questoes basicas fornecidas no
modelo sao sintetizados a seguir, em relacao A avaliacao de ensaios em
propriedade agricola.

Em primeiro lugar, o que sao as dinAmicas dentro de um e entire
agregados familiares, e quais as suas variAveis? Em que media
contribuem para a andlise e avaliagao de ensaios em propriedade
agricola?

A nocao de base que esta por trAs destes terms 6 que um "agregado
familiar" nao 6 um agrupamento de pessoas estranhas entire si, apenas
com funo6es de producao e consume em comum. ex. id&ntico acesso e
partilha dos recursos e beneficios da produqao. Antes, os membros
individuals dos agregados familiares ou as families, partilham alguns
objetivos, vantagens e recursos, tem independencia em alguns e estao em
conflito em outros. Os individuos sao tambdm membros de outros grupos
atrav6s dos quais poderao vir a ter acesso a recursos produtivos ou a
beneficios, bem como tambdm responsabilidades. Os agregados familiares
rurais pobres dependem, frequentemente, de um nimero de atividades
dentro e fora da propriedade agricola, e de aliancas, para poderem
sobreviver. Decisoes de gestao da propriedade sobre qualquer das
empresas sao afetadas pela interacao das funcoes e recursos dos
individuos ligados a essa empresa. A ligagao de tais individuos A
propriedade pode dar-se enquanto investidor, trabalhador ou
beneficiArio. Entao, hA padres de atividade dentro do agregado
familiar, e entire agregados familiares, que estao relacionados com as
maneiras pelas quais os membros fazem escolhas e executam atividades.

0 que se apresenta 6 complexidade e nao homogeneidade. Em um
sistema agricola-florestal especifico ou de uma s6 empresa dentro










deste, o padrao de recursos e incentives deve ser claro, e nao
pressuposto. 0 modelo estA formulado para ajudar nesta descoberta e
funciona atrav6s da andlise das quatro seguintes areas de conhecimento
fundamentals para a PESA, que sao: mao-de-obra, recursos outros aldm
desta, incentives, e o process pelo qual os agricultores sao incluidos
no program, de modo a contribuir para a dinAmica dentro do agregado
familiar. Estas areas sao consideradas em cada fase da PESA
(diagn6stico, formulacao, ensaios em propriedade agricola, avaliacao, e
recomendacoes) atraves de questionamento. A seguir sao focalizadas
apenas questoes relatives As atividades de ensaios e avaliacao tais
como:

Mao-de-obra

Quais sao as mudancas na atribuicao de mao-de-obra, em terms de
tempo ou tarefa, que estao de fato associadas aos ensaios em
propriedade agricola? Podem estas contribuir ou dificultar os aumentos
de produtividade ou de rendimentos numa dada empresa? Mudangas na
atribuicao de mao-de-obra poderao gerar impact sobre outras empresas,
inclusive na producao do agregado familiar? Estarao enquadradas da
forma prevista na formulacao?

Acesso e control de recursos aldm da mao-de-obra

Como e a quem foram fornecidos os novos recursos? Quem tem ou nao
utilizado os novos? Quais foram os meios e ou influincias usados para
obter os recursos necessarios? Sera "possivel identificar outras
limitag6es, ligadas ao acesso a recursos, por meio dos testes?

Incentives

0 que motiva as pessoas a tomar decisoes sobre a atribuigao de
mao-de-obra e outros recursos A producao da propriedade agricola, a
residencia, e a usos alternatives? Quais os incentives (pr6s e contras)
existentes para que os agricultores homess e mulheres) modifiquem
praticas ligadas A empresa em questao? Quais sao as vantagens
associadas as modificacoes especificas a serem testadas? Existem
estimulos para um agricultor ser cooperante? Como as tecnologias a
serem testadas afetam os fluxos individuals de rendimentos?

Inclusao

Serd que, tanto mulheres como homes, sao incluidos como sendo
agricultores cooperantes na pesquisa em propriedade agricola? Para
empresas especificas? Nos campos? Na gestao de ensaios? Sao
incluidos(as) nas entrevistas para avaliar os ensaios? Havera fatores
que inibem a participagao de certas categories de agricultores?

Este model e flexivel e pode ser usado para descrever um sistema
agricola-florestal ou as variaveis que afetam uma dada empresa. As
pessoas sentem-se sobrecarregadas quando sao confrontadas com uma nova
lista de questoes, consideradas A media que vao analisando e avaliando










uma situagao. As perguntas apresentadas nesta secao sobre cidncias
socials e perspectives dos agricultores nao estao formuladas para
saturar os participants da PESA com detalhes interessantes mas sem
relevAncia para o caso em estudo. Pensa-se sim em fornecer as
ferramentas e a capacidade necessAria para uma melhor compreensao da
natureza e dos processes dos sistemas agricolas-florestais, de forma a
identificar melhores soluqoes para os problems que hoje atingem os
agricultores.

Compreender os Incentivos, Objetivos e Estrategias de Producao das
Propriedades Agricolas

A meta geral procurada pelo agregado familiar da propriedade
agricola pode ser considerada como sendo o melhoramento ou a
manutenaco do bem-estar e da seguranca global dos seus membros. No
entanto, aliada a este fim global, existe uma complexidade de objetivos
dos individuos e do agregado familiar. Alguns destes, como a obtengao
de alimento para consume reciproco, sao comuns ao agregado familiar,
enquanto outros, como aumentar os recursos sao controlados por um
responsAvel e poderao ser perseguidos por membros individuals mesmo
com o risco de entrar em conflito com os objetivos comuns ao todo,
send as estrategias, mrtodos usados por este para tentar alcanqar seus
objetivos.

Os agregados familiares e individuos, considerados como sendo
unidades de producao da propriedade agricola, sao geralmente colocados
em duas categories. Os que produzem para consume domdstico sao
classificados como send de subsistencia. enquanto aqueles que produzem
para venda ou troca sao considerados de mercado ou, comerciais. No
entanto, e na realidade, a maioria dos produtores das propriedades
agricolas seguem estrategias com caracteristicas de subsist&ncia e de
comdrcio, ao mesmo tempo. Na maioria destas propriedades, as cultures
sao tanto para consume pr6prio como para o mercado. Da mesma forma, a
pecudria e mantida para fornecer produtos para o consume bAsico
familiar enquanto alguns animais/produtos pecuArios sao vendidos.

Para empresas de cultures de subsistencia bAsica ou de animals a
estrat6gia seguida pelas families e de produzir para satisfazer as
necessidades minimas de consume. Atingir pelo menos um nivel de
subsistencia da producao tem maior importAncia do que ter maiores
rendimentos das cultures. Estrategias gerais para diminuir o risco de
ficar aqudm do nivel minimo incluem o intercultivo, o cultivo de
parcelas localizadas em micro-climas e zonas ecol6gicas diversificadas,
e a manutencao de rebanhos mistos de animals com diferentes idades. E
frequent a substitui9ao de recursos produzidos na propriedade agricola
como mao-de-obra, forragem, estrume, semente de cultures prdvias, etc.,
por recursos exteriores A propriedade que requerem compras a dinheiro,
tais como mao-de-obra contratada, forragem para os animals,
fertilizantes quimicos e sementes hibridas. No entanto, normalmente hA
uma necessidade de rendimentos minimos do dinheiro para assegurar a
compra de produtos essenciais ao consume e de alguns produtos agricolas
que nao sao produzidos na propriedade agricola.










Para cultures e pecuaria basicamente comerciais, a estrategia
seguida pelos produtores 4 a de alcancar os rendimentos maximos sobre
os recursos investidos, normalmente na forma de lucro ou rendimento
liquid. Isto pode ser conseguido atraves do aumento da produtividade
das cultures, do melhoramento da qualidade dos produtos, mudando a
quantidade de insumos ata o rendimento econ6mico mAximo por unidade de
terra, ou atravis de outro recurso relevant. Muitas vezes, plantacoes
e rebanhos comerciais sao geridos como casas de comdrcio, um pouco A
parte dos assuntos do agregado familiar. Como resultado a preocupacao
com o minimizar de riscos 4 menos intense do que sob uma estrategia de
subsistdncia em que o fracasso significa fome para a familiar.

Fatores do agregado familiar como prefer&ncias de consume,
recursos como tempo, mao-de-obra, dinheiro, e atividades como a
preparacao e processamento de alimentos, refletem o estabelecimento de
objetivos e estratdgias de producao. Ex. a decisao de comprar materials
para um telhado novo para a casa poderA limitar os recursos disponiveis
para comprar fertilizantes. Em outro caso, uma preferencia de consume
por um tipo de galinha local leva a uma decisao contra a criacao de
outras esp6cies que poderiam original mais ovos e care. Os rendimentos
de milho podem estar send limitados por capinagem fora da dpoca
indicada. No entanto uma recomendacao para que mais tempo seja dedicado
a esta atividade poderia nao ser aceita se este for considerado
necessirio para obter madeira para combustivel, carregar Agua para o
agregado familiar ou se as ervas sao necessdrias como forragem para os
animals ap6s a colheita.

0 compromisso do agregado familiar para com a agriculture 6
afetado por outras atividades de producao al4m da propriedade agricola.
oportunidades de emprego assalariado, e a distribuicao de custos e
beneficios dentro do agregado. Alguns destes s6 se dedicam A
agriculture como atividade secundAria, enquanto seus rendimentos
econ6micos basicos sao oriundos de atividades de processamento caseiro
tais como a confeccao de tortilhas ou cerveja para venda. Outros
agregados poderao estar dependents dos salArios de um ou mais membros,
que trabalham, em tempo integral na pr6pria comunidade ou fora dela. A
avaliacao bem sucedida dos melhoramentos agricolas propostos e
concebida como consideracao geral dos possiveis efeitos das atividades
de producao al4m da propriedade agricola.


IDENTIFICAQAO DOS CRITERIOS DE AVALIAqAO RELEVANTES

Os textos seguintes, A Terra como um Recurso Escasso; Mao-de-Obra
como Recurso Escasso e Dinheiro como Recurso Escasso, sao adaptados de
Hildebrand e Poey, pAginas 74 a 78).

A identificaqao dos crit6rios de avaliacao pr6prios para analisar
os resultados de ensaios em propriedade agricola 4 um pass critic da
pesquisa nestas propriedades. Critbrios de avaliacao sao medidas
biol6gicas, econ6micas ou sociais -usadas para avaliar o nivel de
aceitagao de uma ou mais alternatives. CritBrios pr6prios, que sejam










relevantes para os agricultores, devem ser identificados. Estes
fornecem uma base para comparar as praticas destes com as alternatives
propostas e para avaliar os resultados de cada uma.

Adeptos cuidadosos da PESA comecam a identificar os critdrios ao
considerar a perspective e As prioridades de cada interessado dentro do
context global do agregado familiar.

A Terra Como um Recurso Escasso

0 criterio de avaliaqao mais utilizado pelos agr6nomos a o
rendimento por unidade de Area de terra, frequentemente o kg/ha. A
utilizagao deste criterio significa que a terra 4 o recurso critic na
propriedade agricola e que a produtividade da terra 4 o criterio de
avaliacao mais important. Este nem sempre 6 o caso. Em muitas
propriedades agricolas pequenas, com pouca terra, esta nao 4 a maior e
nem dnica limitacao para diferentes atividades de producao.

Por exemplo, pequenos agricultores de Narino, no sul da Col6mbia,
plantam as suas escassas sementes de batata com uma grande distAncia
entire si, para maximizar a produtividade de cada semente. A quantidade
de semente determine o tamanho do campo para este produto. Neste caso,
a terra nao 6 o recurso mais limitante da produgao de batata nestas
pequenas propriedades. No entanto, o restante da terra nestas
propriedades agricolas 6 usada para produzir cereals. Para estes a
terra jA 4 um recurso limitante. Por esta razao, no caso das batatas,
mudangas tecnol6gicas que aumentam a produtividade por unidade de area
de terra mas que diminuem a produtividade por unidade de semente, nao
serao atraentes para os agricultores. Por outro lado, a mesma
tecnologia no caso dos cereals poderia ser aceitAvel. A importAncia de
utilizar um criterio relevant na avaliaqao dos ensaios em propriedade
agricola torna-se 6bvia neste caso.

Mao-de-obra como Recurso Escasso

Em algumas areas da Africa, a terra nao 4 um recurso limitante.
Os agricultores podem plantar a Area de terra que sao capazes de gerir.
No entanto, nestas mesmas Areas, a chuva 4 de tal forma escassa que o
cuidado dos terrenos cultivados, para minimizar a competigao entire
cultures e ervas, para a reduzida quantidade de Agua existente no solo
passa a ser um fator critic. Estes agricultores tendem a plantar a
quantidade de terra que conseguem preparar de forma efetiva porque o
plantar a mais constitui um desperdicio de esforco se nao for possivel
proceder o cuidado efetivo que a mesma requer. Neste caso, a mao-de-
obra para esta tarefa torna-se criterio de avaliagao important e
mudanqas nas prAticas de produCao das cultures tamb4m devem ser
consideradas. Um criterio relevant poderia ser os kgs. de produto por
dia de trabalho utilizado na preparagao do solo.

Em certas regioes como no Leste da Guatemala, as cultures devem
ser plantadas -a-mais rApido possivel quando do inicio das chuvas. 0
plantar tardio reduz os rendimentos, devido a um period de seca










durante o ciclo de crescimento, e aumenta os problems de pragas,
porque a cultural nao amadurece antes de acabarem as chuvas. Neste caso,
a mao-de-obra disponivel para plantar passa a ser um criterio
important e a media relevant poderia ser os kgs. diArios plantados
por pessoa.

Dinheiro como Recurso Escasso

Na agriculture commercial, o dinheiro pode substituir, de forma
efetiva, a maioria dos outros insumos. Se mais semente for necessaria,
6 comprada com dinheiro (ou crddito, que 4 outra forma de dinheiro). Se
for necessario obter mais mao-de-obra, tambrm 4 comprada com dinheiro.
No entanto, em muitas situacoes de propriedades agricolas pequenas, com
recursos limitados, a maioria destes, utilizados no process de
produgao sao gerados dentro dela pr6pria. Somente um ndmero reduzido de
insumos 4 comprado. Nas propriedades agricolas onde os agricultores nao
estao habituados a fazer compras com dinheiro, 4 necessario ter grande
cuidado para avaliar os rendimentos econ6micos resultantes das
quantidades adicionais de dinheiro necessArias para implementar
tecnologias alternatives. E important considerar tais quantidades
adicionais, por mais reduzidas que sejam, se estao ou nao disponiveis
ao agricultor, e a sua origem.

Em propriedades agricolas comerciais, onde o dinheiro nao e
essencialmente um fator limitante, o critdrio da maximizacao de lucro
poderd ser relevant. 0 aumento deste 4 verificado quando o valor do
produto obtido da iltima unidade de insumo 4 igual ao custo dessa
unidade adicional. Os agricultores comerciais terao, com frequencia,
outros objetivos e limitacoes que irao condicionar o cumprimento do
criterio de maximizacao de lucro.

Os agricultores com quantidades de dinheiro limitadas nao estarao
normalmente interessados em empregar numa s6 empresa os valores
necessArios para maximizar os lucros provenientes dessa mesma empresa.
Em vez disso, os agricultores estarao A procura de maneiras para
conseguir os rendimentos econ6micos maximos por unidade de capital
investida. Nesta situagao, a quantidade de produto por unidade de
dinheiro passa a ser um criterio de avaliagao relevant. Contudo, mesmo
os agricultores comerciantes terao, com frequencia, outros objetivos
al6m de maximizar o lucro e outras limitacoes que irao condicionar o
cumprimento do criterio maximizacao do lucro.

Como o dinheiro pode ser convertido em formas diferentes de
insumos, torna-se mais critic priorizar o uso alternative do dinheiro,
especialmente nas pequenas propriedades agricolas onde as necessidades
da familiar compete diretamente com os limitados recursos monetArios.
Se os pesquisadores apenas considerarem o rendimento econ6mico
resultante do investimento na cultural de mercado que Ihes interessa,
poderao descobrir que o que parece ser uma tecnologia "boa" nao 4
aceitAvel para as families das propriedades agricolas que prefeririam
utilizar-o dinheiro para um casamento ou para reparos na casa.









Consideragoes Relacionadas com Riscos


As medidas utilizadas em pesquisa de campo sao, com frequancia,
baseadas em medias. E normal, por exemplo, considerar as diferengas
entire as mddias dos rendimentos fisicos de dois ou mais tratamentos de
um ensaio ou experincia. Utilizam-se tdcnicas em andlise biol6gica,
inclusive a de varig ao para determinar se as diferengas entire
rendimentos fisicos de dois ou mais tratamentos sao, realmente,
significativas.
As medias sao um ponto de partida itil, mas nao dizem tudo. Os
agricultores tamb4m querem saber quais sao as probabilidades de os seus
rendimentos fisicos e econ6micos ficarem aqudm de um limited minimo
aceitAvel no caso de adotarem uma pr.tica alternative usada por eles.
Em outras palavras, qual serA o risco desta adogao?

Ao enfocar a avaliacao de tecnologias alternatives nesta segao,
"risco" pode ser considerado como sendo a probabilidade de os
rendimentos provenientes de uma atividade agricola ficarem abaixo de um
nivel minimo aceitivel para os agricultores. 0 risco, na forma aqui
definida, 6 avaliado pelos agricultores dentro do Ambito das suas
propriedades. Para alguns agricultores, a possibilidade de passar fome
poderA ser o fator de risco mais important que encaram. As equipes de
campo da PESA devem considerar esses aspects para os agricultores, em
grupo, dentro dos dominios de recomendacao, como tambdm os riscos
associados as propriedades agricolas individuals.

Risco, da forma considerada pelo agricultor, result da variedade
de alteracoes que o mesmo muitas vezes deve proceder, dentro do
context de sua propriedade.

Alguns aspects de variAveis consideradas por agricultores na fase
de estimativa de risco, incluem:

i. mudancas no rendimento fisico ou na qualidade do produto
causadas por fatores tais como variagoes climAticas que
ocorrem ao long do tempo, mesmo quando as prAticas agricolas
nao mudam;

ii. mudancas nas praticas agricolas ao long do tempo,
mudancas na qualidade de insumos, nas quantidades a serem
usadas no moment de aplicagao e mudandas de cultivos;

iii. mudancas dos precos dos insumos flutuagoes sazonais e
tend&ncias a long prazo dos pregos, devidas a inflagao ou a
varios ciclos e outras circunstAncias, tais como mudancas nas
political governamentais;

iv. mudangas nos precos conseguidos pela venda dos produtos
flutuacoes sazonais e tendencias a long prazo dos precos
devidas a inflacao ou a vdrios ciclos e ainda outros fatores,
tais como mudangas nas political governamentais.










Mudangas relacionadas com o ndmero i, acima apresentado, ocorrem
devido a efeitos bioclimAticos que diferem de ano para ano. Estes
efeitos estao fora do contr6le do agricultor. Contudo, com os seus anos
de experiencia local, os agricultores fazem uma iddia sobre a possivel
extensao destes. Mudancas relatives ao ndmero ii, acima apresentado,
sao resultantes de diferenqas de gestao, ou seja, do fator human. Os
agricultores normalmente acreditam no bom resultado das mudancas de
suas praticas, mesmo antes de as mudarem. No entanto, a possibilidade
de erro permanece. Alteraqoes relacionadas com os ndmeros iii e iv,
apresentados, resultam de condicoes econ6micas que, em grande part, ou
na sua totalidade, estao fora do contr6le dos agricultores. No entanto,
eles estao conscientes de tendencias prdvias dos custos e pregos, e
utilizam esta informagao para fazer uma estimativa de risco. As equipes
de campo da PESA devem considerar todos estes fatores que contribuem
para a variacao no context de uma dnica propriedade agricola, ao
avaliarem as alternatives.

Ao mesmo tempo, a equipe de campo necessita incluir a variacao
entire agricultores num dominion de recomendaqao a considerar. Diferentes
agricultores recorrem frequentemente A praticas tambdm diversificadas
para a mesma cultural. Os custos dos insumos variam entire agricultores
em funcao da distAncia do fornecimento, da disponibilidade de
transport e da proporcao de insumos produzidos na propriedade,
relativamente aos que sao comprados. Os precos obtidos pelos diferentes
agricultores variam de ac6rdo com fatores como a qualidade do produto,
a epoca de comercializacao e a distAncia do mercado.

Consideracoes Relacionadas com Outras Atividades do Agregado Familiar
da Propriedade Agricola

Com frequencia, ocorrem efeitos secundArios da introducio de
tecnologias alternatives em outras empresas da propriedade agricola,
empresas estas que nao estao diretamente envolvidas na mudanca. Por
exemplo, a producao de fruta num pomar poderd ser aumentada atraves do
contr6le das ervas, pois se essas fossem arrancadas nao estariam
diponiveis para alimentar o gado. 0 aumento da densidade de plantio
de uma cultural numa situacao de cultivo intercalado poderd diminuir o
rendimento fisico de outra esp4cie.

Do ponto de vista da producao, consume e bem-estar globais do
agregado familiar, a mudanca de uma prAtica agricola passa,
frequentemente, a ser vista de forma diferente, ou seja, uma pratica
apropriada para uma empresa, pode nao ser adequada quando enquadrada no
context global do agregado familiar da propriedade agricola, e vice
versa. Se uma prAtica alternative propoe que a quantidade de um
recurso, utilizado numa das empresas da propriedade agricola, precisa
ser aumentada, de onde vird tal aumento? Qual serA o efeito sobre a
atividade onde o referido recurso e atualmente usado? Por exemplo, uma
recomendacao para aumentar a quantidade de estrume no cultivo para
obter maiores rendimentos fisicos, poderd entrar em conflito com a
necessidade de utilizar o mesmo como combustivel para cozinhar.









Se a utilizacao de um certo recurso numa empresa agricola 4
diminuida perante uma mudanca proposta, onde e como serA o recurso
disponivel usado? Uma recomendacao para aumentar a densidade de
plantagao de uma graminea podera reduzir a quantidade de terra
necessAria para obter um dado rendimento fisico. Se a terra liberada
passa a nao ser utilizada devido A falta de tempo que seria necessario
para gerir uma nova empresa nessa mesma terra, a mudanca podera nao ter
valido a pena. Se esta terra 4 utilizada para aumentar a Area plantada
de outra cultural, como ira essa Area afetar os custos e beneficios
globais do agregado familiar? Quem, entire os seus membros ird ter que
investor mais tempo de gestao, mao-de-obra e capital, e quem ira
receber os varios rendimentos econ6micos provenientes dessa cultural?

Com tal variedade potential de criterios de avaliagao, como poderA
uma equipe PESA identificar quais os decisivos para a avaliaqao? Uma
consideragao a destacar no atribuir de valor a (e no ordenamento de)
criterios 4 a importancia para cada parte interessada. Um dialogo
continue com as parties interessadas 4 esencial. A observagio das
fungoes e o questioner de cada tipo relevant da parte interessada,
(agricultor masculine, agricultor feminine, chefe do agregado familiar,
dona/o de casa, adult idoso, jovem, etc.) estabelecerao um mecanismo
de retroagao pelo qual se pode destacar a importancia de, e ate que
ponto serao apropriados, determinados criterios, para cada um dos
membros participants. A formulacao de perguntas que tratam de mudangas
propostas nas prAticas agricolas tambrm ajuda a estimar os possiveis
efeitos sobre outras empresas e o bem-estar global do agregado
familiar. 0 modelo basico dos sistemas agricolas-florestais 4 atil ao
considerar as interacoes entire components das cultures, da pecuAria,
do agregado familiar e aqueles externos a propriedade agricola, e para
analisar os possiveis efeitos das mudancas de prAticas agricolas.


ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRICOLA PLANEJADOS FOR PESQUISADORES

A Fungao do Ensaio no Processo de Pesquisa e Extensao

De acordo com a sua fungao no process de pesquisa/extensao, os
tipos de ensaios seguem uma tend&ncia sequencial geral. Para cada tipo
de ensaio, analises e formulacoes especificas, sao comuns.

Ensaios explorat6rios

Trata-se de ensaios realizados quando pouco 4 conhecido sobre o
dominio ou sobre os possiveis efeitos dos tratamentos dentro deste.
Podem ser complementares da caracterizacao do dominio,ou fazer parte
dele e, normalmente, preceded os ensaios de refinamento. Estes,
geralmente, avaliam os efeitos qualitativos de varios fatores, em vez
dos quantitativos. Com frequ&ncia, dois niveis de cada fator sao
incluidos e poucas repeticoes sao usadas. As formulacoes mais comuns
incluem a fatorial 2n e ensaios de adicao ou de subtracao. Este tipo de
ensaio pode, por vezes, ser sobreposto nos campos dos agricultores sem
haver necessidade de preparar especialmente a area experimental.











Ensaios de refinamento


Dois tipos de ensaios podem ser incluidos nesta fase: ensaios em
local especifico e ensaios regionais.

i. Os ensaios em local especifico sao aqueles realizados
numa s6 propriedade agricola. Enfocam, com frequ6ncia, os
efeitos quantitativos. Possuem uma formulacao semelhante A dos
ensaios convencionais, mas, normalmente, envolvem menor namero
de tratamentos. Poderao ser incluidos de 20 a 25 destes,
embora um ndmero tao elevado nao seja recomendado, a menos que
se recorra a um tipo de formulacao mais complex (ex. lattice
ou, quadrado Latino), de forma a manter o erro experimental
num nivel aceitavel. Dada a necessidade de gestao intensive
pelo pesquisador, apenas um ndmero reduzido deste tipo de
ensaio 4 conduzido num domino determinado. A formulacao mais
comum 6 o Bloco Completo Aleat6rio com quatro repeticoes.

ii. Ensaios regionais sao os realizados em mais de uma
propriedade agricola, mas analisados como sendo um s6 conjunto
de dados. Estao ao alcance de andlises agro-s6cio-econ6micas.
Sao formulados de forma a expor os melhores tratamentos dos
ensaios em local especifico a uma gama maior de ambientes
dentro de um dominion. E possivel incluir seis tratamentos, e
podem ser utilizados de cinco a dez locals. Uma formulacao
recomendada 6 a de blocos completes aleat6rios ou blocos
incompletos com duas a quatro repeticoes em cada sede. Para a
andlise dos resultados podem ser usadas a andlise de varianca,
regressoes ou a analise de estabilidade modificada. A anAlise
combinada usando local como uma origem de varianga pode ser
utilizada nesta para quantificar as interacoes entiree os
tratamentos e o ambiente.



Ensaios de validade

Estes ensaios proporcionam aos agricultores e aos agregados
familiares das propriedades agricolas a oportunidade destes gerir e
avaliar a(s) intervencao(oes) evidenciada(s) como sendo as mais
recomendadas para os ensaios regionais ou em local especifico. 0
objetivo destes, 6 possibilitar aos agricultores a comparacao destas
intervencoes com as suas pr6prias, de modo que as prAticas existentes
possam ser incluidas como um dos tratamentos da formulaqao. Esta
parcela de contr6le com a prAtica do agricultor 4 mais itil aos
pesquisadores do que aos agricultores, jA que estes dltimos poderao
avaliar os resultados com base nos seus pr6prios campos. Se os
pesquisadores quiserem avaliar os resultados das praticas dos
agricultores, podem obter uma amostragem dos campos destes. No entanto,
e necessArio manter registros econ6micos e agron6micos das prAticas do
agricultor, para conseguir a informacao necessAria. Se possivel, 4









desejAvel ter pelo menos 30 agricultores a conduzir estes ensaios num
dado dominion, embora por vezes um ndmero reduzido como 10 seja
aceitAvel. Um ndmero mais elevado de agricultores aumentard a precisao
da avaliagao de credibilidade da nova tecnologia por parte dos
agregados familiares das propriedades agricolas.

Gestao de Ensaios Partilhada entire Agricultores e Pesquisadores

A participagao relative de agricultores e equipes
multidisciplinares de pesquisa no desenvolvimento de ensaios original
outra classificaqao que ira influenciar o nAmero destes em cada tipo,
numa situacao de tempo e recursos. HA uma correlacao estreita entire o
tipo de gestao e a funcao dos ensaios.

Plantado por pesquisador/gerido por agricultor

Esta categoria inclui os ensaios que representam um alto risco
econ6mico para os agregados familiares das propriedades agricolas, aada
a natureza imprevisivel ou desconhecida dos tratamentos de intervengao
nas condicoes de gestao traditional do agricultor. Em geral estes
ensaios sao conduzidos na estaQao experimental ou, se executados nos
campos dos agricultores, o custo total de mao-de-obra e insumos deve
estar coberto pelo projeto. Estes ensaios sao mais comuns na fase de
testes explorat6rios ou de refinamento. Um exemplo seria o testar de
vArios herbicidas novos.

Plantado por agricultor/gerido por pesquisador

Esta categoria inclui ensaios "sobrepostos" nos quais os
tratamentos sao colocados em campos que jA estao plantados e que estao
sendo geridos pelos pr6prios agricultores. Os tratamentos sao marcados
com estacas ou outros meios e instalados tanto pelos pesquisadores como
pelos agricultores. Estes pesquisadores fazem a colheita em conjunto
quando a cultural estiver madura. A formulagao de um ensaio sobreposto
deve ser simples. Em cada local deve-se usar repeticoes, embora os
resultados de formulagoes sem estas, possam ser incorporados em
anAlises e interpretagoes regionais. Estes ensaios sao tambdm os mais
comuns na fase de testes explorat6rios e de refinamento, como a
aplicagao lateral as filas de fertilizante.

Plantado por agricultor/gerido por agricultor

Ensaios que sao completamente desenvolvidos por agricultores devem
incluir as seguintes caracteristicas: 1) a tecnologia deve ser
suficientemente simples que possa ser compreendida e gerida por
agricultores; 2) os agricultores utilizam os seus pr6prios recursos
para que possam compreender todas as implicagoes das alternatives; e 3)
a formulagao do ensaio deve ser simples para permitir que os
agricultores possam observer e avaliar as diferengas nos tratamentos
com seus pr6prios meios. Estes ensaios sao os mais comuns nos testes de
validade. Um exemplo seria testar uma tdcnica nova usando as prAticas
normais de plantacao e cultivo dos agricultores. Estes pagam seus










custos normais acrescidos do custo da semente da variedade nova.


FORMULAqAO E ANALISE DE ENSAIOS EM PROPRIEDADE AGRICOLA

A Pesquisa Biol6gica em Propriedade Agricola 6 uma das ferramentas
principals na abordagem dos sistemas agricolas-florestais de
desenvolvimento de tecnologias, para as propriedades agricolas
familiares de pequena escala, com recursos limitados. A pesquisa nestas
propriedades, tambrm original alguma informacao bAsica para a
caracterizagao continue das propriedades agricolas, das families ai
presents e da drea na qual a pesquisa estA sendo desenvolvida.

Para que o pesquisador consiga avaliar a tecnologia de forma
adequada, e necessdrio que os ensaios sejam conduzidos nas condicoes
reals dos agricultores para quem a tecnologia esta sendo desenvolvida.
Isto oferece aos pesquisadores oportunidade para compreender as
condicoes encontradas pelo agricultor e a estes a chance de participar
ativamente no process de avaliacao.

0 treinamento estatistico mostra ao pesquisador como controlar as
fontes de variacao provenientes de fatores que nao tem um interesse
imediato. Esta variagao natural ou aleat6ria 6 agrupada no que se chama
o termo de erro na anAlise de varianca. Visando reduzir a margem de
erro, os pesquisadores sao levados a tornar a Area experimental o mais
uniform possivel. Isto normalmente implica a aplicacao de
fertilizantes ou cal, irrigacao e medidas de contrl6e de insetos ou de
doengas para que estes fatores nao limited o potential da produqao. 0
resultado 4 que os pesquisadores criam um meio-ambiente superior para a
producao da cultural em estudo. Estes procedimentos padronizados sao
importantes para a avaliacao do potential mAximo da tecnologia em
desenvolvimento e fornecem conhecimentos critics para o process de
aperfeicoamento tecnol6gico.

No entanto, a maioria dos agricultores familiares de pequena
escala com recursos limitados nao sao capazes de aplicar os insumos
necessArios para obter o mesmo alto rendimento que 4 possivel nas
estacoes experimentais. Como a resposta da tecnologia pode ser muito
diferente nestas condicoes menos ideals ou nos ambientes mais pobres,
reals na maioria das propriedades agricolas, e tamb6m necessArio
avaliar a tecnologia nessas condicoes.

Na abordagem dos sistemas agricolas-florestais, uma sdrie de
passes envolvem o process de avaliacao tecnol6gica. Estes passes sao
formulados de forma a proteger os agricultores dos riscos, quando
participam na avaliacao de nova tecnologia, e, ao mesmo tempo, para
completar a fase de avaliacao o mais breve possivel. Inicialmente os
ensaios sao geridos por pesquisadores mas, os agricultores participam
tanto quanto possivel. Nas etapas finals, os ensaios sao muito simples
e a sua gestao pode ser feita pelos pr6prios agricultores. Nestas
etapas, os agricultores sao os avaliadores principals. Muitas vezes,
estes podem decidir, com base no que observam, se gostam ou nao de uma









tecnologia, sem terem que recorrer a analise de diferengas de
rendimentos fisicos. Os pesquisadores obtem a informagao dos ensaios
geridos por agricultores, mas este process nao deve interferir com a
avaliagao destes iltimos.

A natureza e formulagao dos ensaios em propriedade agricola devem
mudar, A media que passam, de ensaios geridos por pesquisadores a
experidncias coordenadas por agricultores. Muitas destas mudangas criam
problems para um pesquisador que estA habituado a trabalhar em
condicoes de estacao experimental. Por esta razao, muitos nao gostam da
iddia de trabalhar em propriedade agricola onde nao podem controlar as
condigoes como desejariam. No entanto, ap6s verem as vantagens que
podem resultar da exposicao das tecnologias A grande variedade de
ambientes existentes nas propriedades agricolas e de incluir o
agricultor no process de avaliacao, a maior parte dos pesquisadores
ficam satisfeitos com os resultados. Um dos aspects mais importantes
da pesquisa neste tipo de propriedade e a oportunidade que e fornecida
de feedback da informagao para o pesquisador sobre o process de
desenvolvimento tecnol6gico. Tudo isto faz parte da' continue
caracterizagao da propriedade agricola, das suas families e da regiao.

Ao long da sequencia formada por pesquisa em estacao
experimental, ensaios em propriedade agricola geridos por pesquisa-
dores, por agricultores e posteriormente extensao e produgao em
propriedade agricola, a complexidade dos ensaios em cada localidade
diminui. Isto 6, os ndmeros de repetigoes e tratamentos tornan-se
menores. Ao mesmo tempo ambos, tamanho de parcelas e nimero de
localidades, aumentam. A.medida queeestas mudancas ocorrem amplia-se a
gestao de ensaios por parte do agricultor e diminui a necessidade de
gestao da pesquisa. Estas mudancas tornam possivel um maior ndmero de
locals para a pesquisa mas a capacidade de controlar as fontes de
variagao diminui. No entanto, a necessidade de controlar essas fontes
de erro diminui tambbm porque a possibilidade de medir as fontes de
variagao aumenta. A precisao biol6gica e a discriminacao entire
variaveis diminuem enquanto que a capacidade para testar as interacoes
s6cio-econ6micas nas condicoes dos agricultores aumenta. As mudangas
acima apresentadas amplia o ndmero de agricultores envolvidos no
desenvolvimento tecnol6gico e os investimentos diretos que os mesmos
fazem nesse process. Em tltimo lugar, A media que o nimero de
agricultores aumenta, a interagao da extensao com a pesquisa tamb6m
cresce.

Uma experidncia padronizada num dado local de uma estagao
experimental 6 formulada com a fungao de estabelecer diferengas entire
tratamentos. Isto e, espera-se que a variagao entire tratamentos seja
grande o suficiente, de modo que o tratamento, com esta fonte, tenha
aplicacao estatistica. A analise de varianca 4 frequentemente usada
para detectar este tipo de diferenga.

Os ensaios em estagao experimental sao, com frequ4ncia, formulados
para procurar os efeitos potenciais ou seja, mdximos de uma tecnologia.
No entanto, este potential s6 4 medido para um local. Dois ou mais










locals podem ser usados com o mesmo tipo de formulagao experimental e
analisado de forma a medir os "Desvios do Potencial" em diferentes
locals. A mesma analise pode ser conduzida de forma independence em
cada local. Este tamb6m pbde ser considerado como fonte de variacao. Ao
utilizar um conjunto de locals, torna-se possivel estudar a variagao
regional de forma a fazer inferdncias sobre a estabilidade dos
tratamentos. Este tipo de ensaio, quando conduzido em vArias Areas de
uma regiao, e quando tanto os efeitos de bloco como de local sao
considerados como fontes de variarao, poderia ser chamado "Pesquisa
Agro-T4cnica Regional".

Locals diferentes implicam, com frequencia, meio-ambientes
distintos e as respostas de uma tecnologia a estes sao, muitas vezes,
diversificadas. Devido a isto, ha uma tenddncia para manter os
ambientes a um numero reduzido. Uma alternative 6 escolher locals que
sejam o mais parecidos possiveis. Uma terceira forma que 6,
frequentemente, utilizada, no caso de o mesmo ensaio ser repetido em
diferentes locals, 6 controlar ao mAximo todas as possiveis fontes de
variagao. Mais uma vez, tal procedimento, implica normalmente, a
aplicacao de cal ou fertilizantes, irrigaqao e medidas de control de
insetos ou doengas, o que usualmente cria um meio-ambiente propicio
para a produgao de uma cultural.

A criagao de ambiente adequado na pesquisa em propriedade agricola
elimina um dos objetivos principals deste tipo de ensaio na abordagem
de sistemas agricolas-florestais. Tal objetivo 6 o submeter da
tecnologia a ser desenvolvida a todos os pr6s e contras que os
agricultores detectarem quando, e se, adotarem essa tecnologia. Para
assegurar que esta 6 avaliada adequadamente, 6 necessario reduzir o
control sobre muitos fatores diferenciados e medir seus efeitos sobre
tecnologias que podem ser calculados. Ou, com maior importAncia, os
efeitos de tratamentos podem ser medidos na presence destas e de outras
fontes de variagao. Se nao for possivel verificar estes efeitos por via
experimental nas condicoes reals da propriedade agricola, os
agricultores tamb4m nao coseguirao detectar diferengas. Sem isso, sera
pouco provdvel que venham a adotar a tecnologia pensada.

0 meio-ambiente no qual os agricultores produzem 6 o resultado de
todos os fatores que afetam a produgao. Solos e clima estao normalmente
associados ao meio-ambiente. Outros recursos como capital e mao-de-obra
tamb6m influenciam o tipo de realidade na qual uma cultural 6 produzida.
A gestao, que 4 responsavel pela distribuigao dos recursos pelas
diferentes empresas da propriedade agricola 6, em iltima analise, um
dos determinantes mais significativos do ambiente de producao da
cultural.

Para que se possa avaliar a infludncia da gestao do agricultor
sobre as tecnologias, 6 precise dar-lhes oportunidade de participar
ativamente, mesmo nos ensaios geridos por pesquisadores. Para verificar
os efeitos das limitagoes s6cio-econ6micas sobre as tecnologias, 6
necessArio utilizar parcelas maiores. Sem isso, s6 se poderao incluir
um nimero reduzido de tratamentos no ensaio, normalmente sem









repeticoes. A incorporaqao do agricultor significa que as condicoes em
que os ensaios estao a ser conduzidos devem ser pr6ximas das
tipicamente encontradas. Deste modo, 4 possivel identificar a "Resposta
ProvAvel da Propriedade Agricola" A tecnologia.

A formulaqao de um ensaio gerido por agricultor deve ser
suficientemente simples para que o agricultor possa fazer toda a
gestao. Este deve fornecer todos os recursos necessArios, para poder
fazer uma avaliacao complete da tecnologia. 0 pesquisador obtem dois
tipos diferentes de informagao nestes ensaios. No decorrer do period
do ensaio 4 possivel determinar a "Resposta AlcancAvel ou Prdtica" A
tecnologia. Esta resposta 4 obtida quando a tecnologia esta
completamente nas maos dos agricultores. Pode-se obter amostras do
rendimento fisico ou usar as estimativas dos agricultores. No ano
seguinte ao do ensaio gerido por agricultor, o pesquisador pode voltar
para determinar se o agricultor utilizard a nova tecnologia com base na
pr6pria iniciativa experimentada no ano anterior. A partir de uma
sondagem rApida dos colaboradores do ano anterior, pode-se calcular um
"Indice de Aceitabilidade". A tecnologia que for considerada aceitAvel,
isto 6, com alto indice de aceitacao, poderd ser incorporada em
programs de extensao com confianga de ser bem recebida por
agricultores em condigoes semelhantes.

Sendo assim, a sequdncia dos ensaios em propriedade agricola 6
formulada de maneira a permitir aos pesquisadores convergir o mais
breve possivel com tecnologia adequada para uma clientele definida e
minimizando os riscos para os agricultores que participaram dos testes
e avaliaqao dessa tecnologia. Quando se utilizam procedimentos
analiticos pr6prios, os agricultores podem ser divididos em grupos
homog&neos com o objetivo de fazer recomendagoes. Na PESA, estes grupos
sao designados dominios de recomendacao.

Uma tecnica analitica muito itil, que pode ser usada com dados
provenientes de ensaios conduzidos com grandes variacoes de ambientes,
tem sido usada por melhoradores de plants hA quase 20 anos. Uma
rApida modificacao desta t4cnica result num m4todo analitico adequado
para analisar dados provenientes tanto em ensaios geridos por
pesquisadores como por agricultores. Esta t6cnica 4 designada anAlise
de estabilidade modificada.

Quando um ensaio 4 realizado em varios locals, um indice ambiental
para cada local 4 defenido como send o rendimento fisico m4dio de
todos os tratamentos nesse local. Por exemplo, se hA quatro tratamentos
e o rendimento fisico de cada um r 30, 35, 25 e 38, entao o rendimento
fisico m4dio nesse local e o indice ambiental "e", 4 32. Este indice
pode refletir as condigoes que criam o meio-ambiente em cada local. O
resultado de um bom clima sera maior do que um pobre, ceteris paribus.
Um bom gestor criard um melhor ambiente do que o mau gestor e a sua
propriedade terA um indice ambiental mais elevado.









Cada um dos tratamentos individuals ira responder de forma
singular aos diferentes ambientes. A figure 4.1 apresenta a resposta
do milho a um tratamento ou tecnologia de amplos ambientes na area de
RENDIMENTO 4
T/ha
(Y)
3



2. .



1


0
0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5
INDICE AMBIENTAL (e)
Figura 4.1. Resposta do milho ao ambiente onde N-40 e P205-40 kg/ha.
Ensaios em propriedade agricola, projeto de
Desenvolvimento Rural de Lilongwe, Malawi, 1982
Lilongwe do Malawi. A curva ou linha de resposta 6 calculada por meio
de regressao linear simples usando.o rendimento fisico do tratamento em
cada local como variavel dependent e o indice ambiental nesse local
como variAvel independence. Isto 6, o rendimento fisico de tratamento
Yt 6 funcao do indice ambiental "e", ou Yt a + be. Como se verifica
para todos os casos de regressao, quanto maior for a amplitude de
observacoes, melhor serA a estimativa. Em outras palavras, uma
amplitude de ambientes grande 6 melhor do que uma amplitude de
ambientes pequena.

A figure 4.2 mostra os resultados do mesmo ensaio conduzido em
estacao experimental na mesma area do ensaio anterior. Devido aos
procedimentos experimentais utilizados na estaqao, a amplitude de
ambientes 6 pequena e todos estes sao superiores. Aqui para cada
repeticao 6 calculado um indice ambiental. No entanto, como uma
amplitude pequena de ambientes superiores foi criada na estacao, a
extrapolacao de resultados atd ao nivel ambiental da maioria das
propriedades agricolas nao seria satisfat6ria. Isto nao quer dizer que
os resultados obtidos na estacao experimental nao devam, ou nao possam,
ser usados na avaliacao da tecnologia. Pelo contrdrio, os dados da
estacao devem ser combinados com os dados provenientes dos ensaios em
propriedade agricola, de forma a conseguir-se uma amplitude ambiental
maior.

A figure 4.3 mostra o resultado da combinacao dos dados obtidos em
estacao experimental e em propriedade agricola. Mostra tambdm as
respostas da mesma tecnologia ou tratamento ao ambiente. Uma equacao









semelhante de regressio pode ser calculada para cada tecnologia ou
tratamento incluido no ensaio. Os distintos tratamentos podem ser
comparados pelas suas diferentes respostas aos diversos ambientes.
5
RENDIMENTO
T/ha
(Y) 4.



3.
oo




2 *





0
0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5
INDICE AMBIENTAL (e)

Figura 4.2. Resposta do milho ao ambience onde N-40 e P205-40 kg/ha.
Estagao Experimental de Chitedze, Lilongwe, Malawi, 1982



A figure 4.4 mostra dois tratamentos ou tecnologias
diversificados. Um para ambiences pobres e outro adequado para
ambientes bons. Este tipo de interaqio ambiental proporciona uma base
para dividir as propriedades agricolas da area onde o ensaio foi
conduzido, em dois dominios de recomendaqao. Para as propriedades com
ambiences pobres procederia-se una recomendagio, enquanco que para as
com bom ambience se faria outra.

Corn vistas a facilitar as atividades de extensao, os dominios de
recomendaiao podem ser diferenciados corn base nos rendimentos fisicos
ou nas caracteristicas relacionadas com ambient. Se uma das
tecnologias for a traditional, esta poderd ser comparada com uma
melhorada. Na figure 4.5, a tecnologia cradicional 4 superior a
melhorada para propriedades agricolas cujos rendimentos fisicos cor a
tecnologia traditional sao inferiores a 1.5 toneladas. Para esces
agriculcores a tecnologia "Melhorada" nao 4 tao boa como a sua
traditional. Para propriedades agricolas cujas cecnologias tradicionais
produzem mais do que 1.5 toneladas e, consequentemence, sao as que tem
melhor ambience, a tecnologia melhorada, ou nova, 4 melhor.







RENDIMENTO
T/ha
(Y)


Figura 4.3.


EU


S 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5
INDICE AMBIENTAL (e)
Resposta do milho ao ambiente onde N-40 e P205-40 kg/ha.
Estagao Experimental de Chitedze ( ) e ensaios em
propriedade agricola ( a ), projeto de Desenvolvimento
Rural de Lilongwe, Malawi, 1982


RENDIMENTO
T/ha
(Y)


Figura 4.4.


N U


I I I 1
0 1 2 3 4
INDICE AMBIENTAL (e)

Resposta do milho ao ambient sem fertilizantes. Estaiao
Experimental de Chitedze ( ) e ensaios em propriedade
agricola ( U ), projeto de Desenvolvimento Rural de
Lilongwe, Malawi, 1982


e cCI










RENDIMENTO








1.5


Figura 4.5.


e

Diferenciaqao em dominios de recomendaqio cor base nos
rendimentos fisicos da tecnologia traditional


Se os agricultores sao capazes de dizer ao pessoal de extensao
quais sao seus rendimentos fisicos habituais, entao este 6 um mdtodo
simples para dividir os dominios de recomendagao e sugerir caminhos
mais apropriados As condigoes das propriedades agricolas especificas.
No entanto, ha agricultores que nao sabem quais sao os seus
rendimentos. Uma forma alternative de dividir as propriedades agricolas
em dominios de recomendacao 6 atravds da identificacao das
caracteristicas que classificam os ambientes como pobres ou bons.
Declive ou outras condicoes do solo podem, por vezes, estar associadas
com o ambient, e a proximidade da habitacao pode influenciar este,
enquanto a presence de animals, especialmente se o estrume for
utilizado na cultural, tambdm pode ter um efeito important sobre o
ambient.

Em sintese, a pesquisa agron6mica em propriedade agricola oferece
aos pesquisadores a oportunidade de exporem a sua tecnologia a uma
maior amplitude de ambientes do que 6 possivel na pesquisa em estaiao
experimental. Assim:

g formulada para incorporar o agricultor ativamente no process
de avaliacao e ao mesmo tempo mantem o risco para o mesmo num nivel
minimo. Tal fato pode reduzir a quantidade de tempo envolvida no
process de desenvolvimento de tecnologias porque a comunicacao, por
"feedback", do client para o pesquisador, 6 imediata. Os problems de
comunicacao sao minimizados.









Em vez de tentar, artificialmente, controlar o ambiente, a
pesquisa em propriedade agricola 4 formulada para utilizar uma
amplitude de condicoes ambientais capaz de beneficiary a andlise. Isto
melhora a compreensao da resposta da tecnologia e ajuda a agrupar a
clientele em dominios de recomendacao.

Oferece metodos estatisticos, simples e efetivos, para analisar
os dados dos ensaios em propriedade agricola. Estes metodos requerem
apenas calculadoras de bolso e por isso sao adaptdveis a qualquer
regiao onde 4 conduzido o desenvolvimento de tecnologia.

Por dltimo, como o procedimento inclui tantos agricultores de
uma area, as atividades de extensao seguem, os esforgos de pesquisa, de
forma natural e informal. O pessoal de extensao pode ser diretamente
incorporado na pesquisa e os pesquisadores podem participar ativamente
em acoes de extensao.


DETERMINACAO DO IMPACT DAS TECNOLOGIAS PROPOSTAS SOBRE OUTRAS
ATIVIDADES DO AGREGADO

S6 pelo fato de uma mudanca tecnol6gica poder ser lucrative ou
desejada numa empresa da propriedade agricola nao quer,
necessariamente, dizer que o seu efeito seja favorAvel quando se
consider a producao, o consume e o bem-estar global do agregado
familiar da propriedade agricola. A andlise de alternatives
tecnol6gicas at4 aqui apresentada s6 as considerou do ponto de vista da
empresa em questao. Iremos agora considerar formas de examiner os
efeitos das mudanqas tecnol6gicas sobre as outras atividades
desenvolvidas dentro ou fora da propriedade agricola.

Nem sempre 4 fAcil para a equipe PESA avaliar os possiveis
impacts que uma mudanqa numa empresa terA sobre as outras atividades
internal ou externas da propriedade. A decisao final, que determinarA
como serao feitos tais ajustamentos, deve partir dos responsAveis pela
tomada de decisoes da propriedade agricola. No entanto, isto nao quer
dizer que a perspective total da propriedade deva ser ignorada pela
equipe de campo. Julgamentos preliminares visando as alternatives
tecnol6gicas sob consideraqao devem ser feitos pela equipe, mesmo antes
de a tecnologia ser passada aos agricultores, para ser testada e
avaliada por eles.

t dtil para os membros da equipe questionarem-se sobre algumas das
questoes postas anteriormente no process (Planejamento para
Avaliacao). Estas mesmas questoes poderiam, perfeitamente, ter sido
levantadas durante a formulacao das alternatives a serem testadas pela
pesquisa. Durante a conclusao e avaliagao desta, questoes relevantes
como as que seguem devem ser novamente consideradas:









i. Se a quantidade de um recurso necessArio numa empresa da
propriedade agricola 4 aumentada por uma alternative proposta, de onde
vira esse aumento?

ii. Como ird essa mudanca afetar a atividade onde esse recurso e
atualmente utilizado?

iii. Se o uso de um recurso numa empresa da propriedade agricola 6
diminuido por uma pratica alternative, onde e como serA usado esse
recurso liberado?

iv. Como ird esse recurso disponivel afetar a(s) atividade(s) onde ird
ser usado?

v. Se maior quantidade do produto em questao 4 produzida, que efeito
tera tal aumento sobre a propriedade agricola como um todo?

Os calendArios do uso da terra e das atividades agricolas
(Capitulo II) podem ser iteis para responder a estas questoes. Por
exemplo, no calendario agricola ( ver Figura 2.8) 4 possivel observer
que Abril e Maio sao meses muito ocupados na preparagao da terra, e que
o final de Junho e principio de Julho sao dedicados ao plantio. Assim
pode-se concluir que novas praticas que liberem mao-de-obra durante
este period serao aceitas por esses agricultores. Se as novas praticas
necessitarem de grandes quantidades de mao-de-obra nestes periods,
serd pouco provdvel a sua adocao por parte dos agricultores. Estas
possibilidades devem ser consideradas na formulaiao e avaliacao de
alternatives.
E possivel utilizar t4cnicas sofisticadas para analisar os
impacts potenciais que uma nova tecnologia terA sobre a propriedade
agricola. Tais t4cnicas podem ser, orgamentos parciais e/ou totals, e
programagao linear, curvilinea ou estocastica. No entanto, estes
procedimentos podem, com frequencia, necessitar de mais tempo e
recursos do que os, frequentemente, disponiveis As equipes de campo.

Simportante lembrar que, mesmo os m4todos de analise mais
sofisticados, sao apenas instruments para auxiliar as equipes a
avaliar os caminhos tecnol6gicas que serab testados pelos agricultores.
E por isso que devemos ser exaustivos na andlise, para apresentar o
maximo possivel de questionamentos que os agricultores colocariam, se
pudessem ver os resultados. Em iltima andlise, sao os agricultores que
decide adotar ou nao uma tecnologia, dai a importAncia de incorpord-
los As avaliacoes e experidncias.

Felizmente, 4 possivel As equipes de campo conduzir sondagens
direcionadas dos agricultores numa drea, de forma a envolver estes no
process e aumentar outras anAlises. Algumas dessas sondagens, como no
caso de uma questao especifica, podem ser conduzidas num s6 dia. Um
exemplo poderia estar relacionado com o surto epiddmico de algum inseto
que a equipe de campo nao esperava. Num dia seria possivel A equipe
certificar-se se isto 4 uma ocorrdncia regular e o que os agricultores
costumam fazer diante de tal situacao, se 4 que fazem. Outras questoes,










mais complexes, poderao demorar vArios dias mas as respostas podem ser
obtidas de forma eficaz e com custos reduzidos. Este tipo de diAlogo
com agricultores pode muito bem ser a tccnica analitica mais important
a disposicao da eauipe PESA.















CAprnTUA v


RECOMENDAC6ES




A pesquisa em propriedade agricola fornece um caminho direto para
passar da pesquisa para As recomendacoes e a difusao. Os agricultores
desempenham um papel direto na adaptacao e avaliaqao de tecnologias e
praticas, e incorporam novas iddias ao process. Ao trabalhar com os
tecnicos de extensao e pesquisa, os agricultores dispoem de uma
oportunidade para experimentar a nova tecnologia e estao numa posicao
privilegiada para auxiliar os tecnicos a fazer recomendacoes sobre
quais as praticas ou tecnologias que parecem ser mais adequadas As suas
condicoes na comunidade. As prAticas recomendadas por agricultores
podem passar para o process de difusao com uma alta probabilidade de
que serao adotadas por outros destes com recursos e sistemas agricolas-
florestais semelhantes. 0 process de pesquisa em propriedade agricola
6, entao, uma forma eficaz para fazer recomendacoes a uma comunidade de
propriedades agricolas, ou seja, "Dominio de Recomendacao".

O seguinte texto 6 adaptado de Pesquisa em Propriedade Agricola
Difusao e Aprendizagem


DIFUSAO DE TECNOLOGIA ATRAVES DE PESQUISA EM PROPRIEDADE AGRICOLA
FLORESTAL

Durante o process de conduqao de pesquisa em propriedade
agricola, que ajuda a adaptar tecnologia As condicoes agro-s6cio-
econ6micas de uma comunidade ou de um Dominio de Recomendagao, os
agricultores tamb4m estao familiarizando-se ou aprendendo a nova
tecnologia. Esta aprendizagem apresenta duas formas, a primeira
prAtica, ou atrav6s da experiencia, dos inovadores ou de outros que
utilizam a tecnologia. A segunda 6 a aprendizagem observacional, ou
seja, por meio de informacao obtida por observagao e outras formas de
estudo, por aqueles que nao estao ativamente envolvidos no uso da
tecnologia. Uma curva de aprendizagem, como a apresentada na figure
5.1, relaciona o sucesso no sentido de alcangar resultados potenciais,
taiss como o rendimento fisico potential de uma nova tecnologia), da
experiencia com essa.

Durante o process de adaptaqao comunitAria, ajustamentos na
tecnologia, taiss como a escolha de um subconjunto de components,










modificagao de niveis de insumos ou fazer com que a tecnologia se
insira mais nas tradigoes comunitdrias), tem o efeito de facilitar a
aprendizagem. Esta attitude de tornar a tecnologia mais familiar, mais
simples ou facil de aprender a utilizar, faz com que a curva de
aprendizagem seja deslocada para a esquerda (Figura 5.1). 0 potential
final da tecnologia, adaptada desta forma, poderd ser mais baixo do que
para o "rendimento fisico maximo" ou para o pacote tecnol6gico


RENDIMENTO
OU
OUTRO
RESULTADO


Figura 5.1.


I 2 3 4 5 6
NTMERO DE TENTATIVAS DE USO DE UMA TECNOLOGIA





Desvio da curva de aprendizagem para uma tecnologia
adaptada










complete, como 4 demonstrado. 0 contrArio tamb4m 4 possivel mas,
provavelmente, num ndmero reduzido de casos.

0 movimento ascendente na curva de aprendizagem ocorre atravds da
experiincia, mas um movimento comparAvel pode dar-se por meio da
aprendizagem observacional. Se, ao comecar a utilizar uma tecnologia,
um agricultor jA a conhece por meio de aprendizagem observacional, tal
fato equivale tambem a um deslocamento da curva de aprendizagem para a
esquerda (Figura 5.2). Se o potential tecnol6gico nao 6 alterado,
resultados semelhantes sao obtidos num espaco de tempo mais curto.


RENDIMENTO
OU
OUTRO
RESULTADO


Figura 5.2.


Potential da forma adaptada
-- -- *





/ Cva de aprendizagem para
/ / quem dtao mais taxde
/Desvio em
relagao/

observaiao/

/ aprendizagem para
Squeak adotou rais edo
/ (tecologia adaptada)
/


/




) 2 3 4 5 6
N&MERO DE TENTATIVAS DE USO DE UMA TECNOLOGIA





Desvio da curva de aprendizagem devido A observaiao










A curva da direita na Figura 5.2 represent um agricultor que adotou a
tecnologia mais cedo, equanto que a da esquerda represent algu4m que
usou-a mais tarde com o conhecimento obtido atraves da aprendizagem
observacional, equivalent ao que o primeiro aprendeu ap6s uma
tentative de utilizacao.

A abordagem PESA no desenvolvimento de tecnologias 6 uma maneira
de formalizar a aprendizagem e adaptacao comunitArias. A PESA coloca ao
alcance de uma comunidade os recursos adicionais do conhecimento e
especialidades cientificas externas. Ao combinar os esforcos de
cientistas de varias disciplines com os dos agricultores dentro da
comunidade, a adaptaago As condicoes locals 4 acelerada e a
disseminacao 4 mais rapida.

Na abordagem PESA, alguns agricultores ajudam na adaptacao de uma
tecnologia enquanto obtem experincia com a mesma (Figura 5.1). Outros,
aqueles que nao estao diretamente envolvidos com as experi&ncias em
propriedade agricola, aprendem por observacao (Figura 5.2). De
relevAncia particular para a eficAcia inerente A PESA 4 que os
deslocamentos para a esquerda da curva de aprendizagem, por experi6ncia
de adaptacao (Figura 5.1) e por aprendizagem observacional (Figura
5.2), podem ser cumulativos (Figura 5.3). Para ajudar a compreender a
relagao da pesquisa em propriedade agricola com a difusao de tecnologia
6 atil considerar o conceito de dominion bio-fisico de pesquisa que 4
compost por um ou mais destes agro-s6cio-econ6micos de recomendacao. O
domino de pesquisa tambrm pode ser compost por um ou mais dominios de
difusao que poderao ou nao coincidir com o/os dominio/s de
recomendacao.

Dominios de Pesquisa

Um dominion de pesquisa, semelhante ao que Byerlee et al. (1980)
chamam uma "regiao homogfnea visada" 4 uma designacao exata de uma
zona bio-climAtica ou agro-climdtica aproximadamente homogenea que
abrange uma amplitude ambiental na qual poderia se esperar que
tecnologias selecionadas tivessem uma aplicabilidade potential. Para a
maioria das tecnologias "o mesmo program experimental pode ser
implementado em toda a regiao" (Byerlee et al.,1980, pAg. 61). Em
muitos casos, todas, ou quase todas, as propriedades na Area visada
atingem o dominion de recomendacao. Um exemplo sera uma nova variedade
de cultures resistentes A doencas, da qual se espera que demonstre
resistdncia em toda a Area. Uma excecao seria o caso de um novo
instrument para tratores numa Area onde alguns agricultores tem
tratores grandes e outros nao tem tratores. Neste caso o dominion de
recomendaqao para o novo instrument incluiria apenas os agricultores
da Area cor tratores grandes.






































0 I 2 4 5 6
NMERO DE TENTATIVAS DE USO DE UMA TECNOLOGIA

Figura 5.3. Desvios cumulativos da curva de aprendizagem devidos A
adaptaqao e A observaiao

Dominios de Recomendagao

Num dominion de pesquisa, as tecnologias alternatives novas passam
a ser incluidas em experiencias e ensaios para pesquisa em estacao
experimental e/ou propriedade agricola. Se a pesquisa conduzida neste
tipo de dominio envolver vdrios locals e for formulada para obter
resultados da analise de estabilidade modificada (Hildebrand, 1984),
entao a pesquisa biol6gica poderd resultar na defini domino de pesquisa, de um ou mais dominios de recomendagao, com base
na resposta biol6gica dos tratamentos As condicoes agro-s6cio-
econ6micas dos agricultores individuals (Figura 5.4). Nesse caso, um
dominio de recomendagao pode ser definido como um grupo de propriedades
agricolas ou agricultores com sistemas agricolas-florestais
aproximadamente homogineos, para os quais uma tecnologia melhorada estA
de acordo com as suas exigencias bio-fisicas e s6cio-econ6micas de
adoqao.











Outras pesquisas agro-s6cio-econ6micas conduzidas simultaneamente
com a pesquisa biol6gica no dominio de recomendaqao, (por exemplo,
sondagens direcionadas, levantamentos de solos, ou orqamentos das
empresas agricolas), fornecem a informa.ao necessAria para caracterizar
as propriedades agricolas em cada dominio de recomendagao, de forma que
possam ser identificadas para pesquisa adicional e/ou para dominios de
difusao.





AMPLITUDE DE a NO DOMINIO DE PESQUISA


RENDIMENTO
OU
OUTRO
RESULTADO


AMPLITUDE DE e
NO DOMINIO DE


RECOMENDAAO A


AMPLITUDE DE e
NO DOMINION DE
RECOMENDACAO B

a AMBIENT


Figura 5.4.


Divisao do
recomendacao
modificada


domino de pesquisa
utilizando a andlise


em dominios de
de estabilidade


Dominios de Difusao

Os dominios de difusao sao redes de comunicacao interpessoal
atravds das quais os novos conhecimentos de tecnologias agricolas sao
naturalmente divulgados. Na sequ&ncia de adaptaqao tecnol6gica, o uso
desses dominios pode ajudar a situar os ensaios de validade. Estes
ensaios, geridos por agricultores, que sao usados para confirmar a










aceitacao das tecnologias por parte destes, serao mais eficientes na
promocao da aprendizagem observacional e da disseminacao, quando forem
estrategicamente situados dentro dos dominios de difusao relevantes
atraves do dominion de recomendaqao.


A PESA NUM CONTEXT COMUNITARIO

Ata o ponto em que uma comunidade estA dentro de um dominion de
pesquisa, ou em que este pode ser considerado como sendo uma
comunidade, a PESA torna-se um sistema organizado e estruturado de
aprendizagem e adaptacao comunitArias para a inovacao de tecnologias
agricolas. Como uma sistema organizado e utilizando este tipo de
metodologia, a PESA 4 altamente eficiente no realgar da inovacao
tecnol6gica em agriculture. Em primeiro lugar, tendo em vista que a
andlise de estabilidade modificada aproveita a utilizagao de uma grande
amplitude de ambientes, os agricultores que eram anteriormente
considerados "inovadores", "adotadores antecipados", "adotadores
tardios" e "nao-adotadores" podem e devem ser incluidos na pesquisa em
propriedade agricola. As estimativas de regressao, melhoradas, da
resposta das tecnologias aos ambientes na andlise de estabilidade
modificada, resultam da inclusao de uma grande amplitude de
agricultores. Tal fato pode melhorar a eficdcia da inovagao tecnol6gica
para os ambientes superiores (ambiente dos inovadores) enquanto que, ao
mesmo tempo, fornece tecnologia adaptada para os adotadores tardios ou
nao-adotadores nos ambientes mais pobres. Nesse caso, a adaptacao
comunitaria estA ocorrendo simultaneamente para todos os segments da
comunidade. Em contrast com os dados da adaptacao s6 por inovadores,
os deslocamentos da curva de aprendizagem resultantes da adaptaqao numa
perspective PESA irao beneficiary tanto os agricultores em ambientes
favoraveis como os que estiverem em situagoes contrarias.

Ambas as aprendizagens, observacional e experimental, recebem
tamb4m uma maior distribuigao dentro da comunidade, a partir de uma
perspective PESA, do que a adaptaqao comunitAria expontAnea da
tecnologia de desenvolvimento centralizada. Quando a pesquisa
adaptativa ou de experimentaqao esta sendo conduzida por um inovador da
comunidade, os agricultores mais pobres desta podem muito bem estar
apreensivos em obter informacoes do inovador. Ao conduzir ensaios em
propriedade agricola sobre uma grande amplitude de ambientes e em
dominios de difusao de uma comunidade, a PESA facility o process de
obtencao de informarao e de experiencia prAtica com uma tecnologia.
Enquanto um agricultor estd obtendo dados sobre determinada tecnologia,
esta pode tamb4m estar no process de adaptacao As condigoes da
comunidade. Se a pesquisa em propriedade agricola 4 conduzida em todos
os dominios de difusao de uma comunidade como tamb4m em todos os
ambientes, a distribuicao dos beneficios da pesquisa e extensao serd
mais equitativa e rApida. Em sintese, a PESA complement e torna mais
eficiente um process de inovagao tecnol6gica em agriculture que ocorre
naturalmente atraves da adaptacao, aprendizagem e difusao
comunitArias.
















CAPiTULO VI


QUESTOES E PROBLEMS NA ORGANIZAQAO

E GESTAO DA PESA




Cada pais e instituigao sao diferentes, e a organizagao e gestao
das equipes de campo, para desenvolver as atividades da PESA, devem ser
formuladas de acordo com as necessidades, a estrutura e os recursos de
cada organizacao. No entanto, quando um program 6 contemplado, 6 util
ter um modelo para servir de base A criacao da organizaqao e da gestao
das equipes da PESA. Neste capitulo, serA discutida uma forma de
organizer tal operacao. Esta e baseada em casos reais e por esta razao,
pode ser considerada como um modelo Atil para funcionar num pais tendo
recursos escassos, mas que quer criar um program eficiente para
desenvolver e disseminar tecnologias aos seus agricultores.


AS EQUIPES DE CAMPO E AS REGIOES PESA


De Hildebrand et al., 1986

As equipes PESA estao em contato diArio com agricultores e tem
como responsabilidade conduzir a pesquisa em propriedade agricola e
outros tipos de atividades que envolvam visits multiplas, tais como
sondagens direcionadas de verificaaao ou documentacao de empresas. A
organizagao das equipes ira necessariamente variar em fungao de
diferentes condigoes. No entanto, e possivel visualizar um esquema
geral para a organizagao destas e inclui uma Area selecionada, o
tamanho da equipe e sua carga de trabalho, necessidades de equipamento,
interagao com as equipes nacionais de cultures de mercado e a
distribuigao dentro dos dominios de pesquisa.


A AREA SERVIDA

A equipe de campo deve residir na Area em que trabalha, para
evitar desperdicio de tempo com deslocamentos entire o local de
resid&ncia e o de trabalho. DeverA ser possivel A equipe encarregar-
se de uma Area com um raio igual a uma hora de viagem. Tal Area nao










sera necessAriamente circular e irA variar tanto de acordo com o
terreno natural como tambbm com o local e as condicoes das estradas ou
caminhos. Se o transport for feito por jipe, camionete, ou veiculo
semelhante, a distAncia fisica poderA ser de 40 km em cada diregao. Se
o deslocamento for por animal, entao a distAncia poderA ser de apenas
4km. 0 limited de uma hora permit aos membros individuals da equipe
viajar at4 as zonas mais distantes da sua Area de trabalho e executar
as tarefas necessdrias em vArias propriedades agricolas antes de voltar
ao local da sede. Se a Area for circular e o raio de 4 km, incluirA
aproximadamente 5 000 hectares. Por outro lado, se o raio for de 40 km
e a Area 4 aproximadadmente circular, 500 000 ha. seriam abrangidos.

TAMANHO DA EQUIPE

Para ter impact suficiente, um tamanho ideal para a equipe 6 de
aproximadamente 5 membros, dos quais um 6 o chefe e tem autoridade
administrative limitada. Tres membros provavelmente, 4 o tamanho
minimo efetivo. Estes podem ter o bacharelado e/ou preparagao
professional, se nao estiverem disponiveis pessoas com maior nivel de
preparacao. No entanto, o chefe da equipe, tambrm considerado membro da
mesma, deverA ter recebido preparagao especializada em sistemas
agricolas-florestais e deve ter experiencia de trabalho em propriedade
agricola com uma equipe PESA.


CARGA DE TRABALHO DA EQUIPE

Uma equipe desta natureza pode ter a responsabilidade simultAnea
de conduzir ensaios em propriedade agricola, geridos tanto por
pesquisadores, como por agricultores e obter registros da propriedade
ou outras informacoes que demandem visits miltiplas A agricultores
colaboradores. Uma meta que poderia ser esperada de uma equipe de cinco
membros com um ou dois anos de experiencia seria a seguinte:

i. Poderia esperar-se que quatro membros da equipe tivessem, cada
um, atividades em 16 propriedades agricolas com um total de 24
atividades de ensaio. Isto corresponderia, aproximadamente, um ensaio e
meio por propriedade agricola. Desta forma, seria possivel a equipe
acompanhar at6 96 ensaios.

ii. Do quinto element do grupo poderia esperar-se que tivesse os
registros de 50 empresas. Se apenas uma cultural de mercado estA sendo
estudada, isto corresponderia a 50 registros sobre essa cultural de
mercado. Se cinco dessas cultures estao sendo estudadas, isto poderia
significar 10 registros por cada uma.









iii. E provavel que at4 dois tergos dos ensaios possam ser geridos
por pesquisadores, podendo este nimero aproximar-se de um meio. Os
restantes ensaios seriam geridos por agricultores.

Uma organizagao alternative dentro da equipe, e talvez uma forma
superior de conseguir os mesmos objetivos gerais, seria a de todos os
membros terem atividades de ensaio com no mAximo 12 agricultores, com
18 atividades nessas 12 propriedades. assim cada membro seria
responsAvel por um nAmero nao superior a 10 registros de empresa.

Esta carga de trabalho 4 equilibrada e foi implementada pelo ITA
na Guatemala. E baseado na iddia de que as equipes passariam quatro
dias por semana no campo e que poderiam visitar quatro agricultores em
cada dia. O quinto dia da semana seria dedicado ao trabalho de
gabinete. O nimero de visits e a sua duragao mudam durante fases da
estqao, tais como nos periods do plantio e da colheita.


NECESSIDADES DE EQUIPAMENTO

De maneira a poder realizar este tipo de atividade, 4 necessArio
que todas as pessoas na equipe tenham os seus pr6prios meios de
transport, tais como bicicleta, motocicleta, animal, etc. Em alguns
casos sera possivel que dois membros da equipe possam partilhar uma
camionete ou um jipe. Ainda, o chefe da equipe deve ter, pelo menos, um
veiculo adicional, como um jipe ou similar, para poder transportar
trabalhadores, fertilizantes, sementes, etc. Para facilitar o trabalho
em condicoes isoladas, 4 altamente recomendAvel que cada equipe tenha
tambdm um radio transmissor-receptor para comunicar-se com o pessoal de
apoio e com as sedes regionais ou nacionais.


RELACIONAMENTO COM OS PROGRAMS NACIONAIS DE DISCIPLINES E DE CULTURES
DE MERCADO

A necessidade de apoio professional para as equipes de campo
depend da natureza e complexidade do trabalho a ser desenvolvido. Cada
equipe deve contar com esse apoio em cada component empreendidos. Um
agent de apoio, 4 claro, poderia cooperar melhor. Um professional de
apoio poderA facilmente organizar-se de forma a prestar ajuda adequada
A cinco equipes de campo. Este tipo de suporte, normalmente fornecido
pelos programs nacionais de cultures de mercado e de disciplines, e
considerado apoio "regional".

As equipes de apoio regional, que devem ser constituidas por
profissionais com o nivel de licenciatura ou mestrado, tambdm devem
poder contar com o apoio nationall" dos profissionais de mais alto
nivel disponiveis no pais. Como no caso do apoio regional, um membro de
um program national de cultures de mercado ou de disciplines deve
poder apoiar atd cinco equipes regionais. A nivel national serA
necessArio haver mais pericia especializada que nao 4 possivel dispor a
nivel regional.










Uma das possiveis falhas da pesquisa de sistemas agricolas-
florestais A a falta de integraqao entire as equipes em propriedade
agricola e as de cultures de mercado. Geralmente os problems
respondidos pelas equipes de campo PESA sao os de solucao a curto
prazo, tais como populagao e disposicao de plants, cultivo
intercalado, niveis e colocacao de fertilizantes ou uso de herbicides.
No entanto, os problems principals a que os agricultores devem
responder, e para os quais as equipes PESA podem identificar possiveis
solucoes, sao, frequentemente, medidas a longo-prazo tais como
variedades de ciclo curto, resistentes a doencas, insetos, adaptadas
para solos Acidos, que compete com ervas, variedades que toleram
periods secos ou de palha curta resistentes ao derrube. Estas
tecnologias s6 podem ser fornecidas atraves da participacao das equipes
de cultures de mercado. Isto requer que a integracao, entire estas
equipes e as de pesquisa em propriedade agricola, seja essencial.

No entanto pouca atengao tem sido prestada a esta ligagao
important, talvez devido A espectativa de que esta serd estabelecida
automaticamente. Tal tipo de ligagao nao ocorre por acaso, ou se
desenvolve ate o nivel necessArio, simplesmente atraves dos contatos
informais entire os membros das duas equipes. Esta deve ser
especialmente construida e requer esforgo substantial, com lideranca e
autoridade, para intercAmbiar diferentes disciplines e personalidades
(de ambas equipes) a trabalhar na diregao de um objetivo comum,
entendido como geraqao de tecnologia agricola adequada aos problems
dos agricultores e que estes possam e estejam dispostos a adotar.

A integraiao da equipe e uma ligagao funcional e necessAria para
resolver problems, que requerem disciplines diferentes, a nivel da
propriedade agricola. Os melhoradores de plants com orientacao em
cultures de mercado, por exemplo, devem reconhecer que o trabalho das
equipes nessas propriedades pode contribuir, oferecendo informagoes ao
nivel destas, diretamente as equipes de cultures de mercado para serem
usadas no planejamento das suas pesquisas. Pode ajudar tambdm a
direcionar os esforcos. dos pesquisadores de cultures de mercado, ao
mesmo tempo que os membros das equipes em propriedade agricola devem
reconhecer a importAncia vital das tecnologias a serem oferecidas como
potenciais solucoes nos dominios de pesquisa em propriedade agricola.
Membros de ambas as equipes partilham informaqoes e trabalham juntos
para produzir tecnologia adaptada As necessidades dos agricultores.
Esta estratigia comum deve ser profundamente compreendida por todos os
membros, de maneira que a integracao cooperative de equipes de cultural
de mercado e de propriedade agricola formem uma combinagao substantial
de pesquisa mitua, apoiada e direcionada As necessidades urgentes dos
agricultores.


EQUIPES DE CAMPO, AREAS DE TRABALHO, DOMINIOS DE RECOMENDAQAO E APOIO
REGIONAL

A Figura 6.1 pode. ser usada para demonstrar como uma equipe
regional podera ser distribuida. A Area representada tem trds dominios,




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