• TABLE OF CONTENTS
HIDE
 Barao d'agua ize
 As plantacoes de Cacau
 Productos agricolas e industri...
 Uma familia illustre














Group Title: 1.o Baräao d'Agua IzÉ e seu filho Visconde de Malanza.
Title: 1.o Barão d'Agua Izé e seu filho Visconde de Malanza
CITATION THUMBNAILS PAGE IMAGE ZOOMABLE
Full Citation
STANDARD VIEW MARC VIEW
Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/UF00025074/00001
 Material Information
Title: 1.o Barão d'Agua Izé e seu filho Visconde de Malanza
Alternate Title: Primeiro Barão d'Agua Izé e seu filho Visconde de Malanza
Physical Description: 28, 17, 55, 12 p. : ill., ports. ; 22 cm.
Language: Portuguese
Creator: Ribeiro, Manuel Ferreira
Almeida, João Maria de Sousa e
Publisher: E. Nunes & Filho
Place of Publication: Lisboa
Publication Date: 1901
 Subjects
Subject: Cacao -- Sao Tome and Principe   ( lcsh )
Agriculture -- Sao Tome and Principe   ( lcsh )
Industries -- Sao Tome and Principe   ( lcsh )
Genre: non-fiction   ( marcgt )
 Record Information
Bibliographic ID: UF00025074
Volume ID: VID00001
Source Institution: University of Florida
Rights Management: All rights reserved by the source institution and holding location.
Resource Identifier: aleph - 002899506
oclc - 52559618
notis - APD1087

Table of Contents
    Barao d'agua ize
        Page A 1
        Page A 2
        Page A 3
        Page A 4
        Page A 5
        Page A 6
        Page A 7
        Page A 8
        Page A 9
        Page A 10
        Page A 11
        Page A 12
        Page A 13
        Page A 14
        Page A 15
        Page A 16
        Page A 17
        Page A 18
        Page A 19
        Page A 20
        Page A 21
        Page A 22
        Page A 23
        Page A 24
        Page A 25
        Page A 26
        Page A 27
        Page A 28
        Page A 29
        Page A 30
    As plantacoes de Cacau
        Page B 1
        Page B 2
        Page B 3
        Page B 4
        Page B 5
        Page B 6
        Page B 7
        Page B 8
        Page B 9
        Page B 10
        Page B 11
        Page B 12
        Page B 13
        Page B 14
        Page B 15
        Page B 16
        Page B 17
        Page B 18
        Page B 19
        Page B 20
    Productos agricolas e industriaes
        Page C 1
        Page C 2
        Page C 3
        Page C 4
        Page C 5
        Page C 6
        Page C 7
        Page C 8
        Page C 9
        Page C 10
        Page C 11
        Page C 12
        Page C 13
        Page C 14
        Page C 15
        Page C 16
        Page C 17
        Page C 18
        Page C 19
        Page C 20
        Page C 21
        Page C 22
        Page C 23
        Page C 24
        Page C 25
        Page C 26
        Page C 27
        Page C 28
        Page C 29
        Page C 30
        Page C 31
        Page C 32
        Page C 33
        Page C 34
        Page C 35
        Page C 36
        Page C 37
        Page C 38
        Page C 39
        Page C 40
        Page C 41
        Page C 42
        Page C 43
        Page C 44
        Page C 45
        Page C 46
        Page C 47
        Page C 48
        Page C 49
        Page C 50
        Page C 51
        Page C 52
        Page C 53
        Page C 54
        Page C 55
        Page C 56
        Page C 57
        Page C 58
    Uma familia illustre
        Page D 1
        Page D 2
        Page D 3
        Page D 4
        Page D 5
        Page D 6
        Page D 7
        Page D 8
        Page D 9
        Page D 10
        Page D 11
        Page D 12
        Page D 13
        Page D 14
        Page D 15
        Page D 16
Full Text


1.' Baio I a'loua Iz


E SEU FILHO



Visicodle 0e malalza










LISBOA
Offcinas a rapor da Pap. Esterdo Nones & Filhts
Rua Aurea, 56 a 60
1901









Busto do 1. Barao d'Agua Iz6
EM 1852
Tendo pendente ao pescoco a Crux de Chrtsto
e ao peito a commenda da mesma ordem e as risignias de cavallerro da ordem mililar
de Nossa Senhora da Conceicdo e da Torre e Espada
Sobresae aofundo um florao corn as Armas dos Anleidas e dos Leitdes
encimadas por uma bella Aguia Negra, um elmo aberto e guarnecido de ouro
(Carta de Braiao d'Armas de to de julho de 1845)


JOAO MARIA DE SOUSA E ALMEIDA
I o Bardo d'Aua I Do Conselho de Sua Majestade
Da muito nobre, muito antiga e muilo illustre familiar dos Almeeidas e dos Leit6es
cujas armas soube realcar e cuja memorial engrandeceu
Fidalgo Cavalleiro da Casa Real
Tenente-coronel honorario, tendo sr rvido cor superior dislinccdo o ret, a patra e as colonial
por mais de so annos succcessivos
Comnmendad6r da ordem military de Nosso Senhor Jesus Chrslot
por atsignalados services prestados ao Estado
Commendaddr da ordem mililar deNossa SenAora da Conceicdo-Cavalleiro da mesma ordem
Cavalleiro da Antiga e muito nobre ordem da Torie e Espada, do valor,
Lealdade e Merilo pela coragem e risco da propria vida na guerra do Dombe Grande
em Benguella









Contim este volume 4 memories:


I
I.- BARAO D'AGUA IZE
JOAO MARIA DE SOUSA E ALMEIDA

TRA(OS BIOGRAPHICOS
POR
MANUEL FERREIRA RIBEIRO


II
AS PLANTAOESA DE CACAU
NAS
Ilhas de S. Thomr e Principe em 1851 a 1858
PELO CONSELHEIRO E COMMENDADOR
8QaeQ 3-aria de Sousa e AlnmLeida
BARAO D'AGUA IZP


III
PRODUCTS AGRICOLAS E INDUSTRIES
Da Fazenda Porto Alegre

qt6ovo veqetaeJ e novajd ,1)utrlia a Lntrotuzirl ( 894)
PELO COMMENDADOR
Jacintho Carneiro de Sousa e Almeida


IV
UMA FAMILIAR ILLUSTRE
POR
MANUEL FERREIRA RIBEIRO

T'f fl'rffmtf Tf fftl7r1f mT~Tf ffl ITTfffTTTTr'Tf





















1. BARAO D'AGUA IZE

Joao naria de Souisa e Almeida


TRAOS BIOGRAPHICOS
POR
Manuel Ferreira Ribeiro








Alguns cargo, commissOes de service e distinccoes, que teve o
Barao d'Agua Iza e cujos documents se acham competen-
temente registados


Escrih'o deputado na Ilha do Principe, dos 16 aos 18
annos de idade.
Commandante d'umaforca na expediFdo military contra
os indigenas do Dombe Grande, em Benguella, tendo 23 annos.
Offereceu gene e importantes recursos is tropas expediciona-
rias.
Governador do district de Benguella, tendo 25 annos.
Serviu corn distincfdo e cedeu todos os seus vencimentos em
favor do Estado.
Tenente-coronel dos voluntaries da cidade de S. Filippe
de 'Benguella, tendo 26 annos.
Cavalleiro da ordem military de Nossa Senhora da Con-
ceipdo de Villa Vifosa, pelos services prestados ao Estado, ten-
do 27 annos.
Commendador da ordem military de Nosso Senhor Jesus
Christo, tendo 28 annos, sendo tomados em consideracao ndo
sd os bons services prestados ao Estado em differentes cargos
civis e militares, sem vencimento algum pelos cofres publicos,
inclusive o de governador do district de Benguella, mas tam-
bem por ter dado 12:000ooooo ris para a mudanca da cidade
para logar mais salubre.
Carta de Braado d'Armas, tendo 29 annos de idade,
sendo seus paes, advs e mais ascendentes pessoas nobres e como
takes se trataram sempre d lei da Nobrega.
--Carta de Conselho de Sua Magestade, tendo 35 annos,
tomando em consideracdo os bons services que prestou no exer-
cicio de various cargos publicos, na costa occidental da Africa.
Cavalleiro da Torre e Espada, tendo 37 annos de ida-
de, pela singular coragem e grande risco da propria vida, na
guerra do Dombe Grande, em Benguella.
-Presidente da Camara Municipal da Ilha de S. Thome,
tendo 41 annos.














President da commissdo encarregada de promover uima
subscripFdo public em favor dos orphdos e das families que
mais soffreram na epidemia dafebre amarella em Lisboa. Foi
quem subscreveu cor maior quantia.
Commendador da ordem military de Nossa Senhora da
Conceicdo de Villa Vicosa, tendo 46 annos, tomando em consi-
deraddo os esforcos que fez para se construirem estradas e on-
tros melhoramentos de utilidade public na ilha de S. Thomnd.
Tenente-coronel honorario, tendo 46 annos, pelos bons
services prestados, como military, por mais de 20 annos.
-Fidalgo Cavalleiro da Casa Real, tendo 47 annos.
Rardo d'cdgua Ize, tendo 52 annos, tomando em consi-
deracdo ndo so os importantes services prestados no desempe-
nho de diversos cargos e commiss6es de interesse public, mas
tambem os generosos actos de philantropia e de beneficencia
por elle praticados, devendo lembrar-se os que fe\ em favor
das ilhas de Cabo Verde (1863) e ainda os capitaes que distri-
buiu em differences obras e melhoramentos nas ilhas de S. Tho-
md e Principe.
Jodo Maria de Sousa e Almeida, nobre fidalgo, negociante
matriculado na praca de Lisboa, imporlante negociante em
'Benguella, e grande proprietario n'esta mesma cidade, em
cMossamedes, na Ilha do Principe e em S. Thomd, bem mere-
ceu da Patria, e alcancou um nome que ndo pdde nemr deve
continuar esquecido. Falleceu corn 53 annos de idade. Eram
grande os projects, que tinha em favor do progress da Ilha
de S. Thomd. 0 que mais saliente se tornava era o da cons-
truccdo d'uma fortale{a de pedra e cal, d sua custa, bent como
o sustento da respective guarnicao. F6ra approvado e louvado,
poucos meges antes da more de tdo prestante cidaddo, este
patriotic emprehendimento, e era mais um dos relevantes ser-
vicos que elle desejava prestar ao Estado.











1. BARXO D'AGUA IZt


Joao Maria de Sousa e Almeida



TRAQOS BIOGRAPHICOS



PRIMEIRA PARTE

Alguns factos em geral


Esta ainda por escrever a historic das nossas terras de
Benguella, Mossamedes, S. Thomd e Principe, e por isso
mesmo, nao e facil apreciar os valiosos services, que ali pres-
taram alguns benemeritos portuguezes, nem as families mais
illustres que ahi se estabeleceram ou ahi se formaram.
Ha, sem a menor duvida, optimas monographias sobre essas
terras, substanciosas memories, importantes relatorios, bellos
cstudos e mesmo obras de subido merecimento, mas todos es-
tes trabalhos apresentam-se inteiramente isolados. Nao relacio-
nam todos os acontecimentos, subordinando-os as condio5es
dos logares, da sociedade existente, regimen de trabalho, pro-
cessos de colonisaqao e da constituicao da familiar. Nao se oc-
cupam das causes sociaes, que ahi dominam, nem dos seus
effeitos segundo a natureza da colonial, seu progress ou esta-
cionamento. Faltam os facts biologicos e psychologicos mais
caracteristicos ; falta, finalmente, toda a luz que illumina o modo
de ser colonial e que desenha as epochas, nao deixando esca-
par os feitos illustres nem os actos de civic dedicaqao pratica-
dos pelos homes ou families que mais se distinguem ou que
mais concorreram para o progress, civilisacao e bem-estar de
uma colonia nova ou em plena evoluqao.







8

Sao sensiveis todas estas faltas, e, n'estas circumstancias,
nao se p6de fazer complete ideia da nossa colonia de Mossa-
medes, por exemplo, fundada, por assim dizer, nos nossos
dias (1840). Desconhecem-se as condicoes do regimen commer-
cial de Benguella. As ilhas de S. Thomd e Principe, onde a
agriculture se desenvolve maravilhosamente, e onde rapida-
mente se teem feito boas fortunes, nao s6em do empirismo,
que n'ellas domina, nem se cuida dos factos sociaes que me-
Ihor as definem 1.
Deveriam estar escriptos, no entretanto, trabalhos histori-
cos coloniaes por epochas, segundo o respective criterio de
colonisar. Serviriam de p6r em vivo foco as melhores colonies
e preparar por uma solid instruc'ao os novos colonos que
hao de realisar as mais uteis exploraq6es, que, em terras
d'Africa, se podem tentar.
Na historic da nossa provincia d'Angola, de variadissimas
faculdades de colonisac~o, e na das ilhas de S. Thome e Prin-
cipe, essencialmente agricolas, entire os homes de maior valor,
figure o nome de Joao Maria de Sousa e Almeida, important
negociante em Benguella, governador d'este district e nota-
vel agricultor em S. Thome. Seu filho o Visconde de Malanza,
Jacintho Carneiro de Sousa e Almeida, querendo prestar a
seu fallecido pae a mais acrisolada homenagem, entendeu que
o melhor modo de o fazer era publicar os documents, que
possue e submettel-os i public apreciaqao. Eis o que justifica
esta succinta biographia.
SSo honrosos, na verdade, os documents, que se referem
a este prestante cidadao, a quem Sua Magestade a Rainha
D. Maria II e El-Rei D. Luiz deram evidentes provas de muito
apreco, e merecem ser, por isso, escrupulosamente apreciados.
Ligam-se alguns d'elles tao intimamente A historic das nossas
colonies de Benguella e de S. Thome que precise e, para os
avaliar, conhecer a fundo toda essa historic. E ainda na clas-
sifica~io d'esses documents se p6de vacillar sobre a escolha


SForam mandados criar os Annaes do Municipio de S. Thomd, para que
se indicassem os acontecimentos e factos, cuja memorial fosse digna de re-
gistar-se, ber como as aco9es generosas e os nomes dos seus auctores,
que merecessem transmittir-se is gerae6es futures, as tradig6es locaes, &. &.
Nao conheqo os trabalhos, que a Camara Municipal de S. Thome ter
feito n'este sentido. A portaria, que manda executar estes impot tantes re-
gtstos, 6 de 8 de janeiro de 1856 e vem publicada no Boletim Official n. 6
de 7 de novembro de 1857. O que certo e que as lacunas, que se depa-
ram a quem deseja escrever a historic da Ilha de S. Thome, por multas
vezes mal se podem preencher !!






9

dos que teem maior importancia. Seu filho julga--e muito
bem que um dos mais levantados documents que seu fal-
lecido pae deixara, era a Memoria, que esse benemerito agri-
cultor havia escripto a respeito da cultural do cacau, fazendo-a
publicar no 'Bolelim Official de S. Thomd e Principe 1.
Poucos conhecem este trabalho agricola do fallecido Ba-
rao d'Agua Izi, e, comtudo, represent elle um alto servigo
public n'um period em que se impunha o desalento colonial
mais profundo, porque as bellas ilhas de S. Thomd e Principe
a muito custo iam surgindo do extreme abatimento a que ha-
viam chegado.
E para que melhor se conhega o valor que ter esta dedi-
cada propaganda e a importancia dos services por ella pres-
tados, nao s6 a S. Thomd e Principe como a todo o paiz, basta
attentar nos seguintes numerous:
Em 1826 nio se exportava cacau absolutamente nenhum.
Em 1857, a exportacao foi de 12:735 kilos.
Foi, em 1851, que o fallecido Barao d'Agua Izd comecou
a sua propaganda, e, em i853, ensinava elle, corn verdadeira
dedicaqao, o modo pratico de se conservar este fructo afim de
se facilitar a exportacgo, visto ser pouco frequent, n'esse
tempo, a grande navegacao.
Em 1899 a exportacao do cacau attingiu 1i.o28:133 kilos,
constituindo hoje este product uma das maiores riquezas na-
cionaes. Todos estes algarismos e as respectivas datas mos-
tram eloquentemente o valor da iniciativa do Bar5o d'Agua Izd.
Hoje, que a cultural do cacau e uma realidade e mesmo o
nosso melhor ouro, nao se calcula bem o que seria essa epo-
cha de incerteza, em que todos, julgando ter descoberto a
melhor maneira de salvar da ruina certa a agriculture da ilha,
aconselhavam uns a cultural do cafe em melhores condiq6es,
outros a do arroz, alguns o renascimento da canna saccharina
e ainda outros se lembravam, que a pratica ter demonstrado
nao dariam i ilha o enorme desenvolvimento que Ihe trouxe o
cacau.



1 N.o 17 de janeiro de 1858, pag. 67 e n."s 18, 19 e 20 de fevereiro do
mesmo anno, pag. 71, 76 e 78. O primeiro numero do Boletim Oficial
appareceu a 3 de outubro de 1857, e logo em janeiro de 1858 foi publicada
a Memoria do fallecido Barao d'Agua IzU, e reproduzida, em parte, no Bo-
letim de 18 de marco de 1867. A cultural do cacau, n'essa epocha, desco-
nhecida, hoje em pleno desenvolvimento, merecia, pois, a este benemerito
agricultor a mais viva attencfo, e, sob este ponto de vista, sio realmente
dignos de se relembrarem os seus servigos is ilhas de S. Thome e Principe.







10

Mas o Barao d'Agua Izd, corn uma pertinacia admiravel,
com a viva fd de um apostolo, aconselhava e incitava desde
1851, cor enthusiasm, a cultural do cacau como a primeira e
mais remuneradora de todas. Justo 6, pois, que este nobilis-
simo procedimento se patenteie por um modo bem claro para
que nao seja esquecido o nome de um home, que tanto a
peito tomou o renascimento agricola das ilhas de S. Thomd e
Principe e que para isso concorreu cor toda a sua intelligen-
cia e boa vontade.
Obedecendo a esta idea, o filho do fallecido Baraio d'Agua
Iz6, tendo perfeito conhecimento do trabalho, que seu saudoso
pae havia publicado no Boletim Official, a respeito do cacau,
prestou bom servigo, fazendo-o raproduzir, em separado, e
darido-lhe toda a publicidade.
No extraordinario movimento agricola que hoje se mani-
festa por toda a Africa, d'entre os tropicos, Portugal ter a
gloria de ser a primeira naca~o que introduziu, n'essa vasta re-
glao, o cacaueiro, e, ao mesmo tempo, a de ser tambern um
portuguez quem escreveu a primeira Memoria sobre a cultural
d'esta utilissima arvore 1.
Foi profunda, realmente, a influencia do primeiro Ba-
rao d'Agua Izd no renascimento da agriculture na ilha de
S. Thomd.
Nao se limitava d propaganda das suas ideias de viva voz
ou por escripto. Fazia as plantac6es e orgulhava-se em des-
crever no Boletin da provincial o desenvolvimento, que ellas
tomavam, e assim fallava com enthusiasm das suas produc-
6ces de tabaco, das extensas produc6ces de inhames, havendo
colheitas de 5:o00ootuberculos, do augmento progressive das
suas plantag6es de cafd c de cacau, indicando, ao mesmo tem-
po, nio s6 as plants que se tornavam mais uteis como tam-
bem o grande proveito, que se podia tirar de uma boa explo-
racio de madeiras da ilha.





1 O cacaueiro p6de ser estudado botanicamente e sob este ponto de
vista alguns trabalhos ha, muito antigos.
P6de ser estudado tambem sob o ponto de vista agricola, geographic
e commercial.
A Memorial do bcnemcrito Bar5o d'Agua Ize occupa-se do cacau sob
o ponto de vista agricola, e foi publicada em 1858 no 'Boletim Official da
provincia e reproduzida, em separado, em 1898, por seu filho, o Visconde
de Malanza.






11

Sob este ponto de vista sao muito interessantes as obser-
vag6es, que faz ao governador, no seu officio de 9 de julho
de i865 1.
Todos estes factos sao, em geral, desconhecidos, assim
como outros que provam que o nobre Bargo d'Agua Izd tern
um nome distinct na historic agricola das ilhas de S. Thom6
e Principe.
N'este trabalho, onde se rememoram os seus services, tao
distinctos e tao variados em S. Thomd e em muitos outros
pontos, procuro nao s6 prestar ao fallecido a homenagem a
que elle ter direito, como tambem fazer salientar alguns dos
factos mais importantes da sua larga vida public, bem dignos
de nota, quer apreciados isoladamente, quer no conjuncto, que
todo elle se imp6e como verdadeiro modelo a seguir.
Para maior clareza, divido a exposig~o, que segue e na qual
apresento os tragos biographicos do primeiro Bario d'Agua
Ize, em dois periods.
O primeiro comprehend o tempo decorrido desde 1816,
em que nasceu, atd 1853, em que de Lisboa embarcou para a
Ilha do Principe.
-0 segundo abrange os 16 annos de trabalho nas ilhas
de S. Thomd e Principe, estendendo-se este period desde
1853 atd outubro de 1869, em que, ainda muito novo, falleceu,
victim de uma febre biliosa hematurica 2.
Prendendo-se toda a vida do Bario d'Agua Iz ai historic
de Benguella e de Mossamedes, e, muito especialmente, a das
ilhas de S. Thomd e Principe, muito difficil me tem sido re-
unir todos os documents para fazer um trabalho complete no
curto praso de tempo de que podia disp6r para consultar os
archives publicos ou as respectivas publicaqSes officials.
Ficam, no entretanto, desenhados os traqos geraes da bio-
graphia de tio illustre cidadlo, e relembrados alguns factos da
brilhante historic do nosso renascimento colonial.






1 E' este, por certo, um dos documents que bem mostra o vivo inte-
resse que Joaio Maria de Sousa e Almeida tomava pelos progresses agrico-
las da ilha de S. Thom. 'Boletim Official da provincia, n. 31, de 5 de
agosto de 1865.
2 Assisti, como clinic, A conferencia medical que se fez ao extincto,
na casa da sua residencia na cidade.












SEGUNDA PARTE

Traqos biographicos



PRIMEIRO PERIOD

1816 a 1853

I

Nasceu o i.0 Barao d'Agua IzC, na ilha do Principe, em 12
de marco de 1816, e nada mais triste do que attentar no mi-
sero estado em que, n'aquelle tempo, se encontrava esta viri-
dente ilha-a princeza das ilhas do Mar da Guind.
A familiar do Barao tinha all o seu solar, possuindo seu pae,
o coronel Manuel de Vera-Cruz e Almeida, importantes pro-
priedades e exercendo na ilha grande influencia.
Na ilha do Principe estava entio a capital da provincja e
ahi estavam tambem as auctoridades superiores.
O governor da ilha de S. Thome era, por essa occasiao,
subalterno', e esta feracissima ilha luctava corn as maiores
difficuldades. Faltava-lhe a agriculture, ndo havia commercio
e a navegagao reduzia-se ao minimo a que podia chegar.
O padrinho de Jo.o Maria de Sousa e Almeida, Manuel
Ferreira Gomes, era ouvidor geral e estava na ilha do Prin-
cipe. Tinha ali grande poder. A sua casa era uma das melho-
res da ilha.
Os officials dos navios inglezes, que tocavam no Principe
e mesmo os das outras nac6es, recebiam em casa do ouvidor
Ferreira Gomes as maiores distincc6es.


I A capital da provincia passou de S. Thome para a ilha do Principe
por alvard de i5 de novembro de 1753 e da ilha do Principe para a de
S. Thom6, por decreto de 5 de outubro de 1852. Leg. Nov. pag. 47.






14

A casa, muito ampla, bem situada sobre a margem esquerda
da formosa bahia de Santo Antonio da Ilha do Principe, ficava
muito perto da cidade.
Tive occasigo de a v6r em 1867. Denominava-se Cima-Lo
e todos na ilha fallavam corn deslumbramento das festas e
grandiosas reuniGes que ali'se haviam realisado.
Disseram-me que fora o ouvidor Ferreira Gomes quem do
Brazil trouxera para a Ilha-do Principe a arvore do cacau. Foi
plantada nos terrenos de Cima-L6, sendo considerada, a prin-
cipio, como arvore de ornato. Foi o que succedeu tambem na
Martinica. Os primeiros pes de cacau ali plantados nRo des-
pertaram grande attencgo.
O clima da Ilha do Principe, em todo o caso, foi tao favo-
ravel ao cacaueiro- a esta aurifera arvore-que facilmente
comecou a espalhar-se, embora nao se aproveitasse o fructo
nem para chocolate, nem para o exportar. Esta indifferenqa
continuou por bastantes annos, havendo a certeza de que em
1826 nao houve ainda exportagao nenhumat. Em 1842 mais
de 20 annos depois da importagao de tio bella arvore ape-
nas se exportaram, em navios nacionaes, 33o kilos, e em navios
extrangeiros i:o35. E, em 1857, como acima disse, n5o era
sensivel a cultural cacaueira.
Vivia Joao Maria de Sousa e Almeida na companhia de
seus paes. Teve ali boa educacao, revelando precoce intelli-
gencia e fina observacfo. Descendente de militares, natural-
mente Ihe estava indicada a carreira a seguir. Assentou praca,
e, em pouco tempo, obteve a patente de official.
O oven military, de character bondoso e fino trato, era muito
estimado na ilha. O que desejava era tornar-se sempre util e
agradavel, e, sobretudo, poder occupar-se em alguma cousa.
D'esta f6rma conquistou a confianca dos governadores. E por
isso, apesar de muito novo-16 annos-teve sob a sua intelli-
gente e active direccao, como escrivaio deputado, os negocios da
fazenda public na capital da provincia. Era este, por certo, um
dos primeiros logares a que se podia aspirar na colonia, e pa-
recia que o distinct funccionario deveria star content, mas
nao succedia assim. Olhava em volta de si e nio descobria
amplos horisontes para os seus desejos e largas ambi65es.
Seus pages, que muito o amavam, offereciam-lhe vida des-
cancada, scm necessidade de qualquer trabalho ou mesmo de
qualquer responsalidade.


1 Iopes de Lima, Ensaios Estatisticos das ilhas de S. Thonm e Prin-
cipe, pag. 33.






15

Tudo isto reconhecia Joao Maria de Sousa e Almeida, mas
se ficasse na Ilha do Principe nao poderia alcangar posiCao mais
elevada. O proprio logar de governador, n'esta ilha, nao o fas-
cinava. As desordens, que sempre se levantavam, as luctas que
os liberals all sustentavam contra os partidarios de D. Miguel,
cujo governor, em i83o, all foi proclamar o governador da pro-
vincia Joaquim Bento da Fonseca, nao offereciam sufficient
tranquilidade a quem desejava trabalhar e concorrer o mais
possivel para o engrandecimento da terra da sua naturali-
dade.
Nio o prendiam, aldm d'isso, nem as riquezas de seus paes,
nem o soldo e vencimento como escriv~o deputado, pois todos
estes vencimentos cedia elle cm favor do Estado. Facto 6 este
tao altruista, que bem define o character d'este nobre fidalgo
que o era por successor I e pelas suas elevadas qualidades.
De superior isengio, character affavel, espirito methodico e
alma bem formada, tinha energia que o exaltava. Sentia-se
novo, forte, ambicioso. Queria partir. Para isso informou-se do
movimento commercial nas terras da Africa Occidental. Todos
fallavam cor enthusiasm de Benguella, observando, em todo
o caso, que era terra agreste e muito mortifera. Mas estas
graves informaqocs nao o amedrontavam, c por isso, apesar
de takes advertencias, resolve partir para aquella cidade.


II


Estabeleceu-se em commercio na cidade de Benguella, tor-
nando-se, em pouco tempo, um dos primeiros negociantes2.
Adquiriu importantes propriedades e grande supremacia em
toda aquella regiao. Subiu all ao posto de tenente-coronel de
voluntarios, e mereceu a alta distincqo de governor o distri-
cto. Houve-se, n'este difficil cargo, cor superior intelligencia
e levantada isencao 3.
Todos estes factos dio a just media do character do que
mais tarde se illustrou na guerra do Dombe Grande. Mas outros
ha, nao menos importantes, que muito o engrandecem. Deu,


1 Carta de Brazio d'Armas, de io de julho de 1845.
2 EstW consignado este facto no decreto de 9i de fevereiro de 1844.
3 Estd consignado este facto no mesmo decreto.






10

cor applause do governor da metropole, 12 contos de reis, em
moeda forte, para auxiliar a mudanca da cidade de Benguella
para sitio mais salubre.
Trabalhava-se entao em Benguella corn grande enthusiasm.
Faziam-se exploraq6es de toda a ordem. Lanqaram-se as bases
do presidio de Mossamedes (1840), hoje uma das nossas colo-
nias de povoamento mais interessante. Por essa mesma epocha
fundou-se o presidio de Huilla e affirmava-se por todas estas
terras a nossa benefica acq o.
Sao interessantissimas, em verdade, as Memorias e relato-
rios de viagens, que entao se publicaram, e, por uma d'ellas
p6de tomar-se conhecimento de uma expedicto military em que
entrou Joao Maria de Sousa e Almeida, mostrando-se tio des-
temido na guerra como prestantissimo cidadao na paz.
Revoltaram-se os indigenas do Dombe Grande e o insigne
cidadao e distinct military quiz tomar part em todos estes
trabalhos. Offereceu viveres, gente de guerra e todos os re-
cursos que d'elle dependiam, e deu provas de singular cora-
gem, batendo-se corn grande risco da propria vida.
Foram tao importantes e valiosos os services por elle presta-
dos, que mereceu a alta distincqao de Ihe ser conferido o grau
de cavalleiro da Torre e Espada, pondo-se em evidencia, no
respective decreto, as razSes que determinaram a concessdo
de tao rara mercer.
Subiu Joao Maria de Sousa e Almeida is maiores culmi-
nancias do poder tanto em Benguella como em Mossamedes.
Alma aberta a todos os actos de philantropia, tomava parte nos
melhoramentos publicos, servindo sempre sem pensar em au-
ferir quaesquer lucros pelos trabalhos que fazia.
Todos estes brilhantes services foram conhecidos em Lis-
boa, sendo-lhe concedido entio o grau de cavalleiro da ordem
military de Nossa Senhora da Conceicao de Villa Vigosa pelos
bons services prestados ao Estado 1, e, quasi a seguir, 12 de
fevereiro de 1844, a commenda da ordem military de Nosso Se-
nhor Jesus Christo, consignando-se no Real Decreto alguns fa-
ctos, que sao a confirmacao de tudo quanto deixamos dito a
seu respeito 2.


1 Decreto de i5 de margo de 1843. Tinha entao 27 annos de idade.
2 Declara-se expressamente no decreto de 29 de fevereiro de 1844 que
JoLo Maria de Sousa e Almeida desempenhava em Benguella differences
cargos civis e militares, sempre sem vencimentos nenhuns pelos cofres
publicos.
E' tio extraordinario este facto que nao se encontra, por certo, outrun
egual em toda a historic do ultramar.







17

Jo0o Maria de Sousa e Almeida tinha alcancado em Ben-
guella uma posicao official e social de primeira ordem, e attenta a
impontancia das suas propriedades e superior movimento com-
mercial, parece que nao deveria pensar em qualquer outra
colonial. Mas nao succedia assim. N~o esquecia a miseria 1, a
que tinham chegado as ilhas de S. Thomd e Principe, terra da
sua naturalidade, e so pensava em ali voltar e concorrer, por
todos os modos ao seu alcance, para Ihes melhorar as condi-
coes e lancar as bases do seu progress e do bem-estar da
populacqo. Desejava, no entretanto, visitar Lisboa, o Brazil e
as principles cidades da Europa. Queria v6r, queria instruir-se
e queria, sobretudo, ter perfeito conhecimento dos processes
de cultural que se adoptavam no Brazil, que tanta fama e tanto
brilho haviam alcancado. Era vasto o piano, por certo, mas
este benemerito cidadao, dotado de grande energia e inque-
brantavel forca de vontade, queria augmentar os seus conheci-
mentos sobre o commercio e sobre as melhores cultures a em-
prehender antes de voltar is suas dilectas ilhas.


III


Voltou de Benguella A ilha do Principe, na sua passage
para Lisboa, e ahi se demorou algum tempo pelos annos 1843
a 1844.
Chegou a Lisboa em 1845, e poude reconhecer pessoal-
mente que os seus services em Benguella cram tidos em muita
consideracao. Negociante matriculado na praqa de Lisboa,
sempre bem conceituado, Joio Maria de Sousa e Almeida era
estimado por quantos com elle se relacionavam, e bem sabiam
que era descendente de uma familiar nobre, oriunda da Bahia,
no Brazil", e cujos services ao Estado, 0nos tempos de D. Ma-
ria II e dos Senhores Reys seus antecessores, foram muito
importantes) 3.



1 As ilhas de S. Thom6 e Principe chegaram A maior miseria e assim
se conservaram por largos annos sem poder sair do marasmo em que ha-
viam cahido (Lopes de Lima, pag. 62, 1844).
2 Carta de Brazio d'Armas, de o1 de julho de 1845.
3 Sdo palavras textuaes da respective carta de Brazio d'Armas.







18

Pertencia-lhe de direito o Brazao d'Armas dos Almeidas e
Leit6es, mas, de character firme e independent, nao as quiz
usar sem mostrar por si mesmo que as merecia e fizera real-
car. E assim, sendo tenente-coronel dos voluntarios da cidade
de S. Filippe de Benguella, negociante de grosso trato, grande
proprietario em Benguella, em Mossamedes e no Principe,
commendador da ordem military de Nosso Senhor Jesus Christo
e cavalleiro da de Nossa Senhora da Conceiqao de Villa ViCo-
sa, entendeu que podia trazer e usar o Brazao d'Armas, que
trouxeram e usaram os seus av6s e mais ascendentes, e para
isso tratou de se habilitar, correndo o process n'uma das
varas de Lisboa 1.
Decorriam os annos e o sympathico fidalgo procurava
informar-se do estado commercial das ilhas do Principe e
S. Thomd e todos eram accords em lamentar o abandon a
que estavam lanqadas tao formosas ilhas.
A navegagao escasseiava, o commercio apenas dava alguns
signaes de vida, e a agriculture que, segundo esse eminente
cidadio, era o unico meio de levantar estas colonies, conti-
nuava esmorecida.
Admirava-se Joao Maria de Sousa e Almeida da descrenca
que havia em Lisboa a respeito das colonies, sendo as que
peior fama tinham as ilhas que elle mais estimava. Tudo isto
o animava a voltar a estas ilhas, que tanto precisavam de
quem as auxiliasse. Tratou, por isso mesmo, de fazer a sua
excursao ao extrangeiro, nao esquecendo o Brazil, onde que-
ria estudar pessoalmente os melhores system de cultural.
Na viagem as principals cidades da Europa foi acompa-
nhado pelo celebre pintor e mestre d'armas Henri Petit, bem
conhecido em Lisboa.







1 Corriam os processes, n'aquelle tempo, por uma das varas da comarca
de Lisboa, e assigna o do fallecido Barao de Agua IzW o da 5.a vara, Jos6
Antonio Ferreira de Lima. Tem a datade iode julho de 1845 a carta de Bra-
zio d'Armas, que se refere a este process. Ahi se mencionam os serviqos
feitos por Joio Maria de Sousa e Almeida; sAo indicados os paes, av6s e
ascendentes, e da.se a descripCio das armas dos Almeidas e dos Leit6es,
as quaes constituem um bello florao heraldico, mencionado na obra do
Visconde de Sanches Baena, cor o nome de Jose Maria de Sousa e Almei-
da, e nao de Joao, o que constitute um erro que e bom rectificar.







19



IV


Joao Maria de Sousa e Almeida enthusiasmava-se pela
colonisacqo do Brazil e prestava toda a sua attencn o as cultu-
ras que ali se faziam, principalmente do cacau e do cafd.
Conhecia o benemerito cidadao o commercio d'este imperio
pelas relac6es que a ilha do Principe e Benguella com elle
tinham e era um admirador da sua brilhante colonisacgo.
Possuia no Rio de Janeiro o palacio do Morro do Livra-
mento e ali teve a bella chacara Andarahy. Realisgra os estu-
dos que desejava, e tratou por isso de visitar as mais afama-
das cidades da Europa, gastando 4 a 5 annos n'esta digressao
e voltando pela segunda vez a Lisboa em 185o. Tinha entio
34 annos apenas.


V


Na sua chegada a Lisboa, Joao Maria de Sousa e Almeida
foi habitar um palacio na calcada do Duque. Era ji muito
conhecido, e todos os que d'elle se approximavam muito bem
apreciavam a nobreza do seu character e alta distinccio cor
que sempre se apresentava.
Seu filho, Jacntho, hoje Visconde de Malanza, chegira a
Lisboa para estudar, em 1852, indo viver, em qu-nto nao
entrou no collegio, em companhia de seu pae, na calcada do
Duque. Esteve ali at6 marco d'este mesmo anno, recolhendo
em seguida ao afamado collegio de Nossa Senhora da Con-
ceicao.
Seu pae deu algumas festas no aprasivel palacio que habi-
tava, sendo sempre muito concorridas.
A vida em Lisboa corria-lhe facil, mas o heroe do Dombe
Grande nao podia esquecer-se da terra da sua naturalidade e
queria voltar ali para Ihe consagrar toda a sua intelligencia e
actividade.
No entretanto ia-se demorando em Lisboa, mantendo as
melhores relac6es cor as mais elevadas summidades political.
Todos os seus trabalhos, todos os feitos por elle praticados e
todas as acc6es philantropicas, em que havia mostrado o seu







20

espirito altruista eram superiormente apreciados e assim foi-lhe
concedida a carta de Conselho 1.
Era mais uma distinccgo, que Jogo Maria de Sousa e Al-
meida recebia, mas todos os seus actos eram de tal ordem
que elle muito mais merecia.
Julgou que era chegado o moment de deixar a vida mi-
litar, e, apesar de ter o posto de tenente-coronel, pedia a sua
exoneraqao, allegando que tio bons services podia prestar ao
Estado, nio sendo military, como se continuasse n'esta posicio
que tanto soube realcar. E Sua Magestade, aitentos os bons
services que o nobre fidalgo havia prestado por mais de
20 annos successivos, deu-lhe a exoneracao que pedia, mas
conservou-lhe todas as honras militares 2
Decorriam os annos e cada vez mais Ihe sorria a vida,
vendo-se muito considerado e estimado. A ideia de voltar i
Ilha do Principe impunha-se, no entretanto, ao seu espirito, e,
apezar de todas as honras e distincq6es que recebia, tratou de
obter terras nas ilhas de S. Thomd e Principe, afim de poder
entregar-se all aos seus trabalhos mais dilectos.
Tao grande era a confianca que o fallecido Barao d'Agua
Ize inspirava e tao alta a sua influencia nas regioes officials,
que Ihe foi concedida, na Ilha do Principe, uma larga drea de
terrenos, tendo por condicSo fundamental possuir um porto de
mar 3.
Foi-lhe permittido, o que e, por certo, da mais alta consi-
deracao pessoal, transportar da cidade de Benguella cem ser-
vicaes de entire os que ali tinha 4, o que Ihe permittia dar o
maior incremento possivel As cultures que ia iniciar na ilha do
Principe e na de S. Thome.
Nio havia conselhos que o dissuadissem de voltar is ilhas,
por que tanto se interessava, e cuja fama era entao tio mi quc
todos lamentavam sempre os que para ali partiam!
Tratou o nobre Bario, em todo o caso, de fretar um navio
por sua conta, e seguiu viagem directamente para a Ilha do
Principe, desembarcando ali em maio de 1853.



1 Decreto de 28 de outubro de i85i.
2 Decreto de Ii de novembro de 1821 (Boletim Official de Angola
de 1852, n.0 339, de 27 de marco d'este mesmo anno).
3 Decreto de 25 d'outubro de i853, consignando-se no proprio do-
cumento a condicHo das terras concedidas para a exploracgo agricola te-
rem anat6 :ooo bragas ao long do mar, havendo ahi um porto, rio ou en-
seada.
4 Decreto de 25 d'outubro de 1853, jA mencionado.












SEGUNDO PERIOD


1853 a 1869

I

Chegara, emfim, Joao Maria de Sousa e Almeida A terra
da sua naturaliddde, em i853, depois de uma larga ausencia.
Animava-o a idea de auxiliar por todos os meios ao seu al-
cance os progresses agricolas, e, n'elles, tinha a mais levantada
esperanga.
Para este distinctissimo agricultor, como 6 designado por
quem conhece os seus bellos trabalhos agricolas 1, a ilha do
Principe 6 terra muito apropriada ao cacau, e, n'este sentido,
mesmo de Lisboa, por meio de cartas, pede, insta e roga a
todos os agricultores que prestem a esta cultural todos os cui-
dados. Chama o BarAo d'Agua Iz6 ao cacaueiro-e cor muita
propriedade -a Arvore dos pobres, e mostra o brilhante fu-
turo que as ilhas de S. Thomd e Principe podem alcangar
logo que ali se desenvolva a agriculture.
Nio quer limitar-se apenas a palavras. Quer que todos
vejam e estudem os seus trabalhos agricolas e -so estes que
offerece para ensinamento.
Na ilha do Principe, logo nos primeiros tempos da sua
chegada, tratou de mostrar experimentalmente que o cacau
podia conservar-se em boas condiq6es de embarque por bas-
tante tempo, o que entao se tornava absolutamente indispen-
savel, attenta a falta de navegaco que havia.
P6de imaginar-se a extraordinaria vantage d'este exce-
pcional recurso commercial, e este fact, quando outros nao
houvesse, patenteia a generosa iniciativa d'este benemerito
agricultor. Proclamava por todos os meios ao seu alcance a
vantagem da cultural do cacau, e, visto ser tio demorada a
navegacao, ensinava os meios n'este valioso product agricola
se conservar por muito tempo atd ao seu embarque. Era real-


1 Assim 6 denominado na Historia Ethnographica da ilha de S. Tho-
m6, por Almada Negreiros.








22


mente uma das causes que mais difficultava esta cultural, a
deterioraqio que havia no fructo, pela demora que se dava
por falta de navios para o exportar.
E, de facto, s6mente em 29 de outubro de i858, isto d,
6 annos depois do benemerito agricultor ensinar o system
mais pratico de conservaq o do cacau, e que se iniciou a na-
vegagao regular, mas ainda assim com pessimos vapores e com
viagens muito demoradas.'
NAo havia, aldm d'isso, journal nenhum, em que o distinct
vulgarisador dos bons processes agricolas podesse tornar bem
publicas as suas iddas. E entdo escrevia cartas, e mostrava
praticamente o que mais convinha fazer, e ancioso esperava
que na provincia se fundasse um journal ou publicag~o que
podesse tornar mais publicas as suas ideas. ( primeiro nu-
mero do Boletim Official appareceu a 3 de outubro de 1857,
e logo, em janeiro de 1858, foi publicada a Memoria a res-
peito do cacau.



II


Passou o benemerito agricultor da ilha do Principe para a
de S. Thomd em 1855. Foi habitar as terras que Ihe perten-
ciam da Praia-Rei e ahi deu maior actividade as suas predile-
ctas cultures.
Eta elle mesmo quem dirigia as plantag es. O cafe, o ca-
cau, o tabaco, eram products destinados a exportacao em
grande escala. Prestava a toda a sua attengao aos oleos da pal-
nieira (elces guineensis, L.) e do coqueiro (cocos nucifera, L.),
e por isso os fabricava, em abundancia, na sua roca. Offereceu
todo o oleo precise para a illuminacao public na cidade.
Fazia largas sementeiras de milho (Zea mais, L.) e tinha
singular predilecco pelas industries agricolas de que procurava
tii-ar receita para fazer face is grandes despezas, que sao in-
dispensaveis para se iniciar e manter uma extensa exploracdo
agricola.
Pela estatistica da producqao das terras da Praia-Rei, pu-
blicada em 1861 no 'Boletim Official, facilmente se p6de apre-
ciar o process agricola, que ahi se patenteava sob a intelli-
gente e fecunda direcC5o do seu proprietario.






23



III


Mas o patriotic ex-governador de Benguella n~o se limi-
tava apenas a dirigir as suas cultures e a mostrar pratica-
mente os bons resultados de uma cuidadosa polycultura.
Achava-se, outra vez, em terras onde podia exercer toda a
sua actividade, mostrar toda a sua fecunda iniciativa e auxiliar
todos os melhoramentos publicos de que a ilha tanto carecia,
e isto muito o animava.
Foi president da Camara Municipal, entrava em todas as
commiss6es de beneficencia, e promovia por todos os modos
ao seu alcance as distracc6es.
Aos bailes, que dava em sua casa, assistiam os governado-
res e funccionarios superiores da provincia. Era o president
da Sociedade Perseveranca, que teve occasiao de realisar al-
gumas esplendidas festas, e is quaes concorria o que havia de
mais notavel e de mais distinct na ilha, em 1862.
Aldm d'isto, promovia a construccao de estradas; auxiliava
a illuminacgo public; animava as cultures em grande escala,
lembrando sempre a do cacau como mais remuneradora; pu-
blicava instrucc6es praticas sobre a maneira de fazer as plan-
tac6es; pedia toda a attencao para a industrial dos oleos de
palmeira e de coqueiro; mandava vir de Mossamedes semen-
tes de algodlo i (Gossy Herb. L.), e, em i858, finalmente, e
nao 1865, como por vezes se escreve, introduziu na ilha as se-
mentes da arvore Fructa-pdo (Arlocarpus incisa, L.)
Toma o insigne agricultor o mais vivo interesse por esta
bella arvore, e da no Boletim Official minuciosas informac6es
sobre a maneira mais until de a reproduzir Estas instruccOes,
concisas, de character agricola, sdo reproduzidas tambem, por
se julgarem de grande interesse, nos Annaes maritimos e co-
loniaes.
Trio brilhantes services publicos, tdo civica dedicac~o, tao
generosos e tio distinctos actos de philantropia e de benefi-



1 P&z as sementes d'este algodao d disposicio de todos os agriculto-
res da ilha, e ensinava o system de cultural, distinguindo-a da do algodio,
chamado de Nova Orleans (Boletim Official, n.0 18, de 3 de maiode 1866
2 Ensina o modo mais pratico de reproduzir esta bella arvore. que in-
troduziu na ilha. (Boletim Official, n.o 12 de 25 de margo de 1865).






24

cencia, nio podiam ser iniifferentes aos govwrnos da provincia
c da metropole.
Recebe, pois, a commenda da Conceic~o e logo a seguir
Sua Magestade El-Rei D. Luiz dd-lhe o foro de fidalgo ca-
valleiro da Casa Real.
Foi esta a epocha aurea de Joao Maria de Sousa e Al.
meida, mas todas estas honras e distincc6es nao ensoberbe-
ciam este distinct fidalgo e primoroso agricultor de S. Thomd.
Pelo contrario. 0 seu animo bom e just tornava-o affavel e
util. Era muito considerado, tendo por muito tempo a su-
premacia political na ilha.
Tinha grande auctoridade em quest5es de agriculture e
sabia captar a sympathia de todos aquelles corn quem tratava.
Todas estas altas qualidades de cidadlo prestante justificam
o titulo de Barao d'Agua Izd, dizendo El-Rei, no respective
diploma, que Ihe queria conferir um testemunho authentic da
consideracio e do apreqo em que tinha os importantes services
que o Conselheiro Joao Maria de Sousa e Almeida havia pres-
tado em diversos cargos e commissoes de service, e concor-
rendo corn os seus capitaes para obras de interesse public 1
Os serviCos expressamente designados no diploma que lhe
confere o titulo de Barao, em 1868, veem ajuntar-se aos que
se acham exarados no dccreto de 29 de fevereiro de 1844, em
que Ihe d concedida a commenda de Christo nas mais distin-
ctas e honrosas condiq6es. E assim se reconhece, por um
modo evidence, que o nobre fidalgo nao deixava nunca de se
tornar o mais until que podia ds colonies, em que trabalhava e
ao paiz a que devotava o seu mais acrisolado amor.


IV


Foram relevantes os services prestados pelo Conselheiro
Joao Maria de Sousa e Almeida, em Benguella e em Mossa-
medes, mas os que prestou as ilhas de S. Thomi e Principe,
desde 1851, teem, sem a menor duvida, muito maior elevacio.
Em Benguella nao duvidou arriscar a propria vida n'uma
guerra, e concorreu para os mais vitaes melhoramentos da


1 Tem este decreto a data de 16 de abril de 1868, e e um document
que muito honra o agraciado. Boletin Oicial da Provincia, n.o 46, de 3
de outubro de t868.







25

cidade. Mas nas ilhas de S. Thom os seus services sao supe-
rior e indelevelmente attestados pela introduc'io da arvore
Fruta-pdo presentemente espalhada por todas as fazendas c
que constitute um dos primeiros e mais economics alimentos
da populacao da ilha; pelo algoddo, que os indigenas colhem,
na epocha propria, e trazem ao mercado; pelas cultures horti-
colas principalmente tropicaes, e ainda pela sua auctorisada
experiencia sobre as cultures que mais recommendava.
Podia esse nobre cidadio cuidar da sua casa agricola e
entregar-se A sua cultural predilecta. Mas ndo procedia assim.
Sempre altruista em todos os seus actos, o que elle mais que-
ria era vdr o progress e a riqueza public e particular nas
ilhas que tanto amava.
Prop6z ao governor a construccio de uma fortaleza de
pedra e cal, feitas todas as despezas A sua custa, assim como
tomava sob a sua responsabilidade o sustento da guarnicao 1.
E tao patriotic offerecimento foi bem recebido superiormente
e approvado o project em portiria regia de 19 de fevereiro
de 18692.
As plantac5es que dirigia, subordinadas a uma sensata
polycultura, tomavam o maior incremento. Seguia os processes
agronomicos que havia estudado no Brazil e para isto mesmo
chama a attencio dos agricultores da provincia.
Grandiosas eram as ideas d'este prestante cidadao, mas a
morte, sempre cega e cruel, roubou-o aos affects da familiar
e aos trabalhos a qu.e elle se dedicava em favor das ilhas.
Achava-se o intelligence e active agricultor em toda a forca da
vida, pois tinha apenas 53 annos de idade.
De todos os seus filhos, de toda esta nobre familiar, rest
apenas o Visconde de Malanza, Jacintho Carneiro de Sousa e
Almeida que tem sabido honrar a memorial do seu fallecido
pae, A qual consagra saudosa e vivissima saudade.
Ahi ficam muito singelamente expostos os principles tracos
da vida de um home, que soube crear pelo seu aturado tra-
balho avultada riqueza e cuidar, ao mesmo tempo, dos interes-
ses das ilhas, a cujo progress se dedicava corn verdadeiro



1 E digno de 18r-se o officio que o Barlo d'Agua Iz6 dirige ao gover-
nador da provincia, fazendo este offerecimento. Boletim Official da Pro-
vincia, n.o i5, de to de abril de 1869. O officio tern a data de 3i de outu-
bro de 1868.
2 A portaria, em que sio louvados tio patrioticos offerecimentos, e
assignada por Jose Maria Latino Coelho. Legislacao Novissima, pag. 153.
Poucos mezes depois, infelizmente, falleceu o insigne cidadLo.







26

ardor. Pae amantissimo, deixou a seus filhos um nome hon-
rado pelas tradic6es da familiar, por acq6es sempre nobres e
por um trabalho insistente, arduo, sempre praticado cor ex-
cepcional fe no future da provincia e cor grande isencao pes-
soal tao rara mesmo que se imp6e i admiracgo de todos.
E, de facto, o funccionario que, em commissoes e cargos
civis e militares, serve o Estado cor zelo e intelligencia, e nada
quer receber pelos cofres publicos, e que al6m d'isso con-
corre cor valiosas quantias para melhoramentos de utilidade
public, e que pratica ainda generosos actos de philintropia e
de beneficencia, mostra bem alto que p6e os interesses do Es-
tado acima dos seus proprios interesses, e o seu nome illustre
deve ser invocado como modelo a seguir por todos aquelles
que- n'este moment historic mais desejam o engrandeci-
mento e a grandeza da Patria querida.
Dos seus contemporaneos recebeu o primeiro Bargo d'Agua
Izd distinccao muito especiaes e muito poucas vezes conce-
didas; dos que vieram depois e encontraram o campo jd des-
bravado por elle e por alguns outros homes da sua estatura
moral, nao sei que galardio Ihe foi dado! Seja, pois, este tra-
balho a primeira homenagem prestada e o primeiro passo para
a complete reivindicaao, a que ter direito o prestante cida-
doo, que se chamou Joao Maria de Sousa c Almeida, i.o Ba-
r~o d'Agua Ize.















ObserYagao Indispensavel





Todos os factos, a que se faz referencia, n'este modesto
trabalho, sao sufficientes, sem duvida, para mostrarem que Jogo
Maria de Sousa e Almeida foi grande cidadao, verdadeiro fi-
dalgo, military valente, funccionario emerito, agricultor distinct,
excellent chefe de familiar e alma sempre aberta a todas as
acc6es generosas, dominada, em todos os seus impulses, pelo
mais acrisolado amor da Patria.
E quem soube conquistar a alta consideraqgo dos nossos
primeiros homes de Estado, e alcancou as mais elevadas atten-
c6es de Sua Magestade a Rainha D. Maria II e d'El-rei D. Luiz,
tinha, por certo, qualidades superiores que o recommendavam
e tornavam digno de tantas honras e distincqSes.
Nio podem invocar-se, em casos d'esta ordem, quaesquer
affirmac6es mais ou menos vagas. E' necessario, ao contrario,
ser muito positive, a fim de que nio venha a menor sombra
empanar a luz, que irradia, pondo em vivo foco a memorial de
t5o prestante cidadao, de tao honrado funccionario.
Relembram-se, por todas estas consideraq6es, tio s6mente
os factos, cujos documents foi posivel contraprovar com os
respectivos originaes. Sao estes os que constituem o texto d'esta
succinta publicacio.
Outros factos se apresentam, no entretanto, que merecem
apurar-se.
Faz-se reference, por exemplo, n'uma ordem a forca ar-
mada, publicada no Boletim Official, de Angola, as raz6es espe-
ciaes, que serve de fundamento para se conservarem as hon-
ras de tenente-coronel ao heroe do Dombe Grande, mas nao foi
possivel encontrar ainda o decreto, a que se allude na referida
ordem a forca armada, e entio apenas se transcrevem as pala-
vras d'este document e nao as raz6es que se indicam no de-
creto em que se concede tao levantada distinccqo.








Ha tambem valiosos testemunhos sobre a importahte quan-
tia, que o fallecido Joao Maria de Sousa e Almeida deu para os
concertos, que se fizeram na nau Vasco di Gama, depois das
avarias, que teve no Rio de Janeiro, em 1849, em consequen-
cia de um violent temporal, que a poz em imminent risco de
sossobrar.
No presidio de Mossamedes, hoje uma das nossas mais sym-
pathicas villas coloniaes, e onde o benemerito agricultor tinha
grandes propriedades, cedeu gratuitamente ao Estado impor-
tantes terrenos para construcc6es.
De todos estes factos e ainda de outros de que ha bons tes-
temunhos, ni~o se fez, n'este trabalho, mencno especial, por isso
que nao houve tempo para se contraprovarem os respectivos
documents. Lembram-se, todavia, como homenagem a tradi-
cao, que tern conservado estes factors, que nao devem ser es-
quecidos.
E o nobre Visconde de Malanza- a quem a Ilha de S. Thom6
deve importantes serviqos tern a ineffavel satisfacdo de ver
a saudosa memorial de seu fallecido pae em plena luz para as-
sim ihe ser feita justice inteira, como merece o cidadao que
tao nobre e honradamente serviu a sua Patria.

Lisboa, 14 de fevereiro de g901.


Matmet Oe-zzeia e'12?Wz A0









Busto do 1. Bardo d'Agua Ize
EM 1852
Tendo pendente ao pescoco a Crun de Chrzsto
e ao peito a commenda da mesma ordem e as insignias de cavalleiro da ordem mililar
de Nossa Senhora da Conceicao e da Torre e Espada
Sobresae aofundo um flordo con as 'Armas dos Almeidas e dos Leit6es
encimadas For uma bella Aguia Negra, um elmo aberto e guarnecido de ouro
(Carta de Bracao d'Armas de 1o de iulho de 184b)

rt 1


JOAO MARIA DE SOUSA E ALMEIDA
I Bardo d'Agua lIe Do Conselho de Sua Majestade
Da muito nobre, muito antiga e multo illustre familla dos A!hneidas e dos Leitoes
ctjas armas soube realcar e cuja memorial engrandeceu
Fidalgo Ca alleiro da Casa Real
Tenente-coronel honorario, tendo servido corn superior distinccid o ret, a patrza e as colonias
por mais de so annos succcessivos
Commendad6r da ordem military de Nosso Senhor Jesus Chrzsto
p.: i '.' i '. servicosprestados ao Estado
Commendaddr da ordent i j.. .. .1 Senhora da Conceicdo-Cavalleiro da mesma ordem
Cavalleiro da Antiga e muito nobre ordem da Torie e Espada, do valor,
Lealdade e Merito pela coragem e risco da propria vida na guerra do Dombe Grande
em Benguella







As plantaCoes


de G2@AU
XA S

Villas deS. Thome e Principe em 1851 a 1858
PELO
CONSELHEIRO E COMMENDADOR
JOAO MARIA DE SOUSA E ALMEIDA
BARXO DE AGUA IZ2I












LISBOA
C&fclnas a r var da Pop. EstIedO Nneas & Flhos
Rua Aurea, 56 a 6o
1901






















fi man inlala ale e


Ps ezc ~ acn5ni sEu FIOz















PES2U IF1LHO

~jitacigao G~zrnrac'P d'~ ~ouSa e ~~Um&ida










Breve explicagao






Escripta esta Memoria sobre as plantaa6es de
cacau e pubhcada pelo meu fallecido pae no Poletim
Lificial da grovincia, em janeiro de i858, ahi se ter
conservado esquecida, e just e que sejam apreciados
os servigos, que meu pae sempre prestou, com o nmaior
enthusiasm e corn a maior dedicaado, ds ilhas de
S. Thome e Principe.


gacintfio Caneiro de 3ousa e Jlmeida.











AS PLANTACOES DE CACAU

NAS

ILHAS DE S. THOMe E PRINCIPE EM 1861 a 1858



SEC9AO I

Ras6es que me levam a dar informag6es sobre as plan-
tag6es de cacau, cultura, colheitas, preparagAo e
conservagqo do fruoto.


O verdadeiro interesse e amor, que sempre consagrei is
ilhas de S. Thomd e Principe, nao s6 como Patria, mas ainda
pelo quanto ellas merecem pela fertilidade do seu solo, beni-
gnidade de clima em relacao aos differences pontos da costa
adjacent, occupado pelas Nac6es civilisadas desde a Serra-
Le6a ate Benguella (Provincia de Angola), e pela belleza
d'aquella singular e espantosa vegeta~go, que se observe em
toda a superficie, e atd sobre as pedras, que Ihe ficam isola-
das no mar-encantos com que infunde na alma dos que a
visitam e dos seus proprios moradores a sympathia e o desejo
vehemente de que ellas possam ser mais bemfadadas... pois
quasi sd a si devem os poucos melhoramentos, que lentamente
vao adquirindo, nascidos do augmento da sua propria impor-
tancia, que produz o lisongeiro facto de ter jA um rendimento
public sufficient para fazer face As suas despezas ordinarias
-esse interesse e amor a estas duas preciosas Ilhas me mo-
veram a louvar pessoalmente, como devia, o digno impressor
do Bolelim OJficial da Provincia, pelo bem concebido dos ar-
tigos, com que ter ornado aquella folha hebdomadaria, corn
satisfa~ao de todos, que tanto desejavam ver estabelecido na
Provincia um orgao da civilisag;o, fonte de infinitos melhora-
mentos, a Imprensa.









N'uma d'essas occasi6es, depois da leitura do artigo do
sr. Oliveira e Castro, prometti esclarecer o sr. Pacheco a res-
peito da cultural do cacaueiro n'estas ilhas, de modo a poder
elle escrever, com maior proveito do Paiz, sobre o assumpto;
pordm, declinando elle de assim o fazer, como se deprehende
do Boletim n. i4 de 9 do correntet, collocou-me ao mesmo
tempo na obrigacao de alguma cousa dizer, comquanto eu te-
nha sempre preferido falar ao public com os factos, que de-
rivassem dos meus trabalhos, como o melhor modo de con-
vencer os inexperientes sobre emprezas d'esta ordem, provan-
do-lhes praticamente as cousas cor resultados palpaveis e
vantajosos e nao cor palavras, que ordinariamente acarretam
controversial, porque nem todos estao no mesmo grau de con-
vicq~o ou veem os objects pelo mesmo prisma.
Comtudo, convencido da importancia dos beneficios que
deve trazer a vulgarisacao das vantagens, que resultam ao
agricultor pobre ou rico, de uma ta! cultural, nao s6 pela eco-
nomia de trabalho e de tempo em relacgo ao cafd, mas ainda
pelo muito que ella excede em product a este, tratarei d'ella
e da preparaggo e conservaciio do fructo, assim como do seu
product, calculado pelo preco de 80 reis provinciaes a libra,
para assim concorrermos a alentar os que airda isso ignoram,
a fim de que desenvolvam na maior escala tao important cul-
tura, como ramo s6 de per si capaz, quando n5o houvessem
outros, de enriquecer a Provincia e eleva-la d maior prospe-
ridade.






1 Esperamos dar, dentro em breve, uma circumstanciada noticia sobre
a cultural, preparafqo e conservapgo do cacau e seu rendimento, culculado
peloprego que hoje (janeiro de 1858) obtem em Portugal.
Deve-la-hemos d generosidade e bons desejos de S. Ex.a o Sr. Conse-
Iheiro Joao Maria de Sousa e Almeida, actual president da Camara Muni-
cipal, negociante, proprietario e cultivador d'esta provincial.
Apesar do caf6 ter sido, e continuar a ser, tfio explorado entire n6s
como sendo o product mais rendoso e seguro, o cavalheiro, a que nos
reterimos, dignando-se conversar comnosco, assegurou-nos que o cacau,
mesmo vendido por metade do custo d'aquelle genero, dA um lucro que
Ihe 6 superior, tanto pela abundancia do fructo de cada arvore, come pelo
pequenissimo trabalho de prepararaq~o que exige depois de colhido.
O sr. conselheiro intitula o cacau -A arvore dos pobres.
(Do Boletim Offiial da Provincia).











SECCAO II

Plantagao, oultura e ouidados agricolas


Para se conseguir urna regular plantacao de cacau, deve ser
abandonado por todos os lavradores o pessimo costume de se-
mearem um a um ou dois a dois os graos de cacau e ficarem
de vez nos terrenos destinados para esse fim. E' esse trabalho
de pouco ou nenhum proveito, porque muitos d'estes grios
ou sementes deixam de nascer, destruidos pelos vermes e in-
sectos, que mais abundam em terrenos ordinarios e nao pre-
parados, e os que d'esses inimigos escapam sao abafados pelo
capim, que n'este solo cresce corn incrivel rapidez, como to-
dos sabem: e se, atravez de todos esses inconvenientes, al-
guns chegam a resistir, vem a occasion da capina e sao corta-
dos conjunctamente com esse capim. em que estdo envolvidos,
dando em resultado o recomeqar-s, a mesma tarefa infructuo-
sa, se o lavrador tem'constancia, perdendo annos n'este traba-
lho pelo desencontrado das estaq6es, ou ao contrario, 6 aban-
donada a empreza, e o terreno aproveitado para a cultural or-
dinaria do paiz, convencido talvez o lavrador de que nao 6
proprio para aquella, quando certamente s6 dependeu o seu
prejuizo do method na plantadco.
Ora, o melhor system para se conseguir corn vantagem
a plantacio, d o lavrador que tiver de a fazer em setembro e
outubro, comeqar logo nos mezes de fevereiro e marqo do
mesmo anno a preparar a necessaria quantidade de plants,
escolhendo para isso um sitio que seja de boa terra fresca e
preta, e all mandard cavar o sufficient para levantar acima
do terreno tantos canteiros quantos sejam necessarios para
center o numero de plants, que calcular precisas para o ter-
reno ou matto rogado, que quizer encher de pds de cacaueiro,
e, n'esses canteiros, dard uns regos superficiaes, cousa de uma
pollegada de profundidade, e na distancia de quatro pollega-
das uns dos outros em quadro, ira plantando os graos de ca-
cau um a um, que tirard das capsulas que tiverem sido colhi-
das no mesmo dia atd, o mais tardar, tres dias antes, a fim
de nao soffrerem fermentacgo na mesma capsula, a qual so-
brevem immediatamente, passado este tempo, e essa alteragao
p6de fazer duvidoso o bor resultado da sementeira. Depois
de estarem cheios os canteiros, os cobrira levemente cor a







10

mesma terra, e dentro de quinze dias estard a sementeira toda
brotada e s6 restar, ao lavrador o trabalho de fazer tirar o
capim, que n'elle apparecer ate chegar a estacao convenient
a transplantago (setembro e outubro), em cujos mezes serao
mudados dos canteiros para os logares da plantaqgo, em que
devcm ficar, e se poder ser em alinhamento, muito vantajoso
serd tanto para a colheita como para a capina, dcvendo na
occasilo da transplantacqo estarem as covas de antem~o aber-
tas, e a enxada, para nao s6 facilitar essa mesma transplanta-
cao, como porque os terrenos, assim abertos, antes de rece-
berem a plant, offerecem melhores condicqes. Deve-se, sem-
pre que possa ser, fazer o trabalho da transplantacao nos
dias chuvosos ou corn o sol encoberto, e muito particular-
mente das quatro horas da tarde em diante, podendo-se plan-
tar todo o dia sem inconvenient, quando o tempo esti fresco
e chuvoso.
Quando as forqas do agricultor nao permitted que haja na
plantacgo do cacau tres limpezas em cada anno, o que e es-
sencial nos dois primeiros, bastard, em tal caso, que nas epo-
chas da capina, haja o cuidado de supprir as mesmas, limpan-
do tao s6mente o terreno a roda do cacaueiro para este ficar
desafrontado tanto de capim e de trepadeiras como de outro
qualquer arbusto ou arvoredo que Ihe possam fazer sombra,
o que muito Ihe prejudicaria, atrazando-o ate anniquila-lo. De-
pois de decorridos os referidos dois annos, o cacaueiro ji terd
uma altura de quatro a seis pes, e nao Ihe fard grande diffe
renca o capim, que, porventura, apparecer na plantacao, que
sera limpa d'ahi em diante uma vez por cada anno, atd que
por fim a mesma sombra dos cacaueiros acaba por extinguil-o
completamente -vantagem esta nao pequena que a cultural
do cacau leva sobre a do caf6. Devem-se collocar as plants
do cacaueiro, nos terrenos ferteis, na distancia de dezeseis pal-
mos umas das outras, e nos sitios seccos a doze palmos : con-
vindo para interesse do lavrador que elle evite, quanto possa,
o fazer a sua plantac~o em terrenos seccos, pois o cacaueiro
s6 se di bem e tern longa duragio em terrenos profundos e
n5o pedragosos, ou nas vargens, onde a humidade reina, nao
sendo pantanosas.
Limpo o terreno, destinado para plantac~o, a qual deve ser
em quadrados para mil cacaueiros, faz-se nos mezes de setem-
bro e outubro, a plantac o, semeando dois grAos de cacau
frescos em cada covinha, que s6 teri de profundidade uma
pollegada, e na qual se lanqam taes grios, cobrindo-se corn
uma leve camada de terra soha, e sem se calcar, para facilitar
a sahida da plant; e para nao ser inutilisada na occasiao da






11

capina, guarda-se a covinha entire tres estacas, vindo a ficar
o arbusto no centro, e assim veda-se que o instrument de
trabalho o inutilise quando envolvido corn o capim.
Deve-se ter sempre limpo o terreno 6 roda de cada plan-
tasinha de cacau, ainda quando se nao possa realisar uma ca-
pina geral; e, para isso se conseguir, bastard que em cada
mez, ou quando o capim crescer, se empregue meia duzia de
trabalhadores, em limpar a roda de cada plant ou arbusto,
todo o capim que o envolver, para the dar assim a circulaggo
do ar e evitar que as trepadeiras e outros inimigos do seu
crescimento o affrontem, e atrazem ou mesmo aniquillem.
A distancia entire um pd de cacau a outro, deve ser mais
ou menos, segundo a fertalidade do terreno, em que se fizer
a plantacio ; de f6rma que, para terrenos humidos e pingues
se necessita da distancia de duas braqas e meia, ou vinte e
cinco palmos geometricos, e para terrenos mais pobres ou sec-
cos, de dezoito a vinte palmos, para se evitar que se cerre a
plantaqco depois do seu maior desenvolvimento, difficultando
o trabalho da colheita, e prejudicando m6rmente a producqao.
Logo que as sementes vinguem, e cresqam um palmo f6ra
da terra, deve-se arrancar uma, se ambas nasceram, ficando
sempre a plant maior, e de melhor apparencia, e aquella que
se tirar, se replantara immediatamente nos logares em que
houver falha, que muitas vezes succede nas covas, em que al-
gum bicho da terra inutilisou os graos semeados.
No fim de um anno comeca cada pd de cacaueiro a ter
maior desenvolvimento, e 6 entdo que se deve ter todo o cui-
dado em arrancar todo e qualquer rebentao que the sobreve-
nha no tronco, desde a raiz atW aos ramos, por quanto o
tronco deve ser um unico, o qual na altura convenient abre
em quatro ou cinco ramos, que devem ser escrupulosamente
conservados, para obter o mesmo desenvolvimento da plant
mae, por serem esses ramos aquelles que maior producqao
veem a dar, e os quaes se devem, no fim de cada colheita,
limpar de toda a ramagem secca, ou de novos rebentos cha-
mados gulosos e os dos troncos ladroes.
A cultural do cacau nao admitted sombra de outra qualquer
arvore, ou mesmo de bananeiras, como a experiencia tem
mostrado, devendo abandonar-se de a fazer, onde cada indi-
viduo d'este vegetal nao possa desenvolver-se sem recursos,
poucos convenientes, e improprios de uma plantaqao regular.
O system de quadrados contend mil pes de cacaueiros
ou de trinta e tres em cada face para prefazer novecentos
noventa e nove, e cercados de estradas largas, tem muitas
vantagens importantes; facilmente se p6de atalhar um incendio






12

que, em poucas horas, destruiria uma grande plantagao, faci-
lita o trabalho da capina, porque no mesmo dia se p6de,
repartindo o serviqo, completar a limpeza de uma porqao
certa de terreno, e conhecer a importancia do service pres-
tado pelos trabalhadores, que assim se estimulam para apre-
sentarem maior resultado, convencidos do effeito da confron-
taqlo do serviCo de uns e de outros; e, finalmente, nas colhei-
tas, reparte-se corn egualdade o trabalho, que assim d mais
facilmente desempenhado, alum de se poder sem difficuldade
saber a importancia da plantacdo, e a producqao relative.
Nao deve o agricultor abandonar o cacaueiro, aos reben-
tSes, que costumam sahir do tronco, e que se chamam ladr6es
os quaes definham a arvore principal sem darem fructo algum
e a seccam; portanto, quantos apparegam serao arrancados
e nao cortados para evitar ainda maior somma de ladr6es,
que sobreviriam nos logares onde os outros foram cortados.
Depois das colheitas e antes da florescencia, deve a arvore
do cacau ser limpa de todos os ramos seccos ou que, por sua
apparencia, indiquem ruina, apresentando uma cbr negra no
exterior, afim de maior somma de fructo poder dar na seguinte
colheita, nao repartindo a sua seiva cor parties inuteis ou affe-
ctadas da arvore; devendo em terreno bom, aberto em matto
virgem, ou em que se nao tenha trabalhado pelo menos vinte
annos seguidos, obter-se aos dois annos uma colheita de libra
de fructo por cada arvore, que ji do terceiro ao quinto anno
produzird cinco libras e aos sete annos dard io a 25 por cada
pe de cacau, e, termo mddio, T~440 rdis provinciaes, offere-
cendo o maximo product de uma arvore de cafd. Nao podem
servir de termo de comparagaoas excepq6es de mui poucos
cafeeiros, que, tendo para cima de vinte annos, chegam a pro-
duzir quinze libras-mesmo no Brazil, onde as estaq6es sao
mais regulars e ainda que tenhamos em comparacgo um solo
fertilissimo pela superabundancia da agua, que a cada pass
possuimos.
No Brazil, pois, onde a cultural do cafd ter tido tanto
desenvolvimento que um terqo d'este genero, que o mundo
inteiro consome, 6 produzido por aquelle Imperio, ahi estA
calculado, para cada individuo d'aquella especie, um product
annual de uma e media a duas libras, ainda que outros preten-
dem, theoricamente fallando, que seja o dobro.






13



SECCAO III

Colheita, pregos do cacau


A colheita faz.se logo que a capsula ou vagem, fructo do
cacaueiro, esteja sobre um verde amarellado, ou amarello
completamente por f6ra, por ser sabido que demorado na
arvore depois d'este estado, grelam os graos dentro da capsula,
e perde todo o merecimento e boa qualidade para a duracao
depois de secco ao sol.
Quebradas depois de colhidas as capsulas, separam-se os
graos, que se depositam n'uma tina ou gamella, por vinte e
quatro ho:as, pondo-se dpoois a seccar ao sol, evitando que
seja esta operagqo feita sobre o chio; mas sim em esteiras, ou
taboleiros de madeira, para se nio impregnareni de terra ou
areia, ou de outro qualquer corpo estranho, guardando-se das
chuvas e do sereno, para se nao alterar, e desmerecer, e reti-
rando-se d'este process, logo que torado entRe os dentes se
parte bem cada um bago, mostrando estar perfeitamente sec-
co, e guardando-se entio para s6 voltar ao sol, na occasilo de
ser definitivamente ensaccado para o embarque.
A maneira de se fazer a colheita do cacau n'estas Ilhas e
actualmente quasi sabido pela maior parte dos que teem al-
guma pequena plantagco; pois muitos agricultores de S. Tho-
me, desanimados pelo baixo preqo que este product obtinha
no mercado, destruiram a maior part dos arbustos d'esta espe-
cie, que haviam plantado entire os cafeeiros, e s6 n'estes ultimos
annos alguns dirigiram a attencdo para tao rica cultura 1. Desde
I851 que a tal respeito tenho particularmente empregado os
meus esforqos, aconselhando os meus compatriotas a que olhas-


1 A bella arvore do cacau (Theobroma cacau, L.) foi introduzida na
Ilha do Principe em 1822, mas pouco desenvolvimento teve, at6 q e, com
verdadeiro enthusiasm, o fidlecido 13ar5o d'Agua IzW, mostrou as gran-
des vantagens da sua cultural.
Em 1844, Lopes de Lima dava sobre o cacau as seguintes informae6es
0O cacau (Theob. cacau) aclimou-se nas ilhas de S. Thome e Principe
em 1822, e desde logo a sua producgio provou que tanto o solo como o
clima Ihe convinha perfeitamente; e o cacau, ali produzido, em nada 6 in-
ferior ao das Indias Ocidentaes. A sua cultural, por6m, tern tido pouco in-







14

sem cor mais interesse para esta cultural, quando de Lisboa,
onde me achava entao residindo, escrevia a alguns amigos,
cujos meios de fortune podiam favorecer a realisacio dos meus
desejos; e quando, em I853, voltei A Ilha do Principe, onde
me demorei perto de dois annos, cor satisfacio vi generali-
sado corn pequenas excepcoes o system apropriado e recom-
mendado para estes climas na preparacao do cacau; e feliz-
mente de tanta vantagem tem sido, que hoje, tornando-se de
melhor qualidade este genero, jA obtem no mercado de Por-
tugal o agradavel e animador preco de 420oo reis por arroba
(sujeito a despezas), valor a que nunca chegou o nosso cafd,
apesar de reconhecido o melhor e o mais grato ao paladar;
assim o process do seu prepare n'esta Provincia, que a esse
respeito jaz ainda na primitive, fosse adequado ou egual ao
que hoje se pratica nas ilhas de Cabo Verde e que tanto valor
di iqueile cafe, muito inferior em qualidade ao nosso, pordm
de melhor apparencia, devido aos meios que seus productores
empregam e que infelizmente ainda desprezamos, cor tao
grande prcjuizo dos nossos interesses.
O cacau ja desde muito que f6rma uma grande parte da
riqueza dos diversos paizes onde se cultiva. As ilhas da Trin-
dade, de S. Ddmingos, da Martinica e de Guadelupe, a Gua-
temala e a Provincia do Maranhao no Brazil, sao urna prova
do que fica dito. O cacau de Caracas, na costa d'este nome
na America, 6 o mais estimado; d da qualidade do nosso, de
grao maior que o de outras parties, differindo do nossoss6 pelo
seu preparo, que fazem colhendo as capsulas ou bainhas da
arvore, extrahindo os grAos e enterrando-os no chho por um
tempo sufficient, mas que nao permitted o desenvolvimento
da germinacao; depois tiram-nos e seccam-nos ao sol para em
seguida o apresentarem no mercado. D'esta operacao result
que o cacau perde o gosto amargo que naturalmente tern e se
torna singular e superior para o fabric do chocolate e de mui-
tos outros objects de que na Europa se faz muito uso.



cremento (1844) por nio ser este genero tio geralmente procurado pelos
estrangeiros que la v5o, como o cafe menos ainda pelos portuguezes de
grosso trato que li nao vao. E por n5o haver na terra negociantes de
grosso trato nem sociedades mercantis, que o comprem aos cultivadores e
o earreguem por sua conta para os mercados da Europa, aonde apenas so
tem visto amostras d'aquelle product ha tio poucos annos africano,
e por isso a sua ex ortaqio pouco excede actualmente de mil arrobas.,
(De LOPES DE LIMA, 184~).







15



SECCAO IV

PreparaSgo, rendimento do cacau


E, portanto, visivelmente superior n'estas ilhas a cultural
do cacau do cafd, e s6 tern tido contra si a pouca demora,
que o productor podia fazer de sua colheita d exposicqo d'ella
a venda, que por assim dizer era forgado a realisar immedia-
tamente e por qualquer prego, para nao ser reduzido a p6
inutil o seu trabalho, mas esse terrivel incommodo ficara re-
mediado corn o emprego de um simples e facilimo process,
pordm tdo necessario quanto importa o perder ou ganhar
os fructos de annos de trabalho, que tanto valem as colhei-
tas, que se obteem decorridos arinos de sacrificios como fica
demonstrado.
Esse process, para evitar ao lavrador o prejuizo na sua
lavoura e colheita, encerra-se no seguinte:
Devem-se colher sempre as capsulas ou bainhas de cacau
na dpoca em que estiverem de vez a apresentar no exterior
uma c6r verde-amarella, nao se deixando para mais tarde,
porque, em alguns logares, promptamente grelam, logo que
essa c6r comeca a passar para o amarello-escuro, e os graos
assim germinados nunca mais obtergo a consistencia que de-
vem ter para evitar a punilha, que naturalmente soffreriam,
como a experiencia ter mostrado.
Colhidas quc sejam as capsules do cacaueiro serao todas
quebradas dentro em tres dias e para maior facilidade n'este
service, de encontro umas ds outras, e o conteddo, mesmo
envolvido na p6lpa que tem, serA lancado n'umas tinas de ma-
deira ou em gamellas, conservando-se assim por tres dias se
e em tempo de calor e por cinco se e na estaqao chamada
gravana, havendo o cuidado de, n'esses dias de fermentaqao,
mecher-se o contetdo, nas tinas ou gamellas, corn um pe-
daqo de pau, revolvendo para cima a parte que estiver.debaixo,
e vice-versa, afim de que os graos, em geral, possam soffrer a
sua parte na fermentacao, a qual e effectuada pela liquefacicio
da p6lpa, por isso que se recommend esta operacao em vasos
que nao delxem perder o liquid que deve curtir os grios, e
livral-os no future de se arruinarem corn a facilidade sabida.
No fim d'aquelles dias de fermentacao d o cacau deitado
ao sol, estendido sobre esteiras ou taboado para evitar que se






16

empregue da humidade da terra ou se suje, que, emn qualquer
dos casos, fiza prejudicado, e 6 sabido que na qualidade e boa
apparencia do genero vae o seu rnaior valor no mercado.
No tim de dez ou quinze dias de born sol, a cujos raios se
deverd exp8r o cacau, assim preparado, retirando-se a tardi-
nha para evitar nova absorpcio de humidade, estard em es-
tado de ser apresentado i venda e de se obter por cada libra
80 rdis provinciaes.
Prescindindo de fazer un calculo sobre a totalidade do
rendimento, o qual poderia parecer fabuloso comquanto ver-
dadeiro, pela sua excessive importancia, reporto-me ao que
vem estabelecido em o n.0 12 do Boletim do Governo da Pro-
vincia, pelo sr. Oliveira e Castro, relativamente ao cafe; corn
a difference, porem, de que send o cacauciro mais productive
do que o cafeeiro, e claro que a dez vezes mais deve montar
a cifra ali demonstrada a favor do caf6, salvo erro n'aquella
conta, e entrando na esphera do meu calculo a superficie da
Illia do Principe, multo apropriada para a cultural em questao,
e onde ella vae todos os dias tornando-se importantissima.
Quem por experiencia souber o que d a cultural do cafe, e
os differences processes a que d forcado o lavrador, para poder
chegar a apresentar o seu genero no mercado e reflectir na
simplicidade do systena demonstrado para a plantacao, co-
lhiita, e prepiraq9o do cacau ate ao mom-nto da sua venda
ou exportagio --nao p6de deixar de reconhecer a verdade, que
ja avancei, ousando chamar a este maravilhoso arbusto-
Arvore dos pobres.


SEC9Ao v

Conservaggo do aocau


Pdde obter-se a conservagio do cacau por long tempo
em deposits n'estas Ilhas, at6 i occasiao da sua sahida, ainda
que indifferent seja para os agricultores, que quasi nunca
teem accommodacoes para deposits, e por isso preferem ven-
der o cacau logo que esta secco, para pouparem o tempo e
attenc5o, que devem a outras urgencias da sua vida agricola;
comtudo, direi que, para accumular, sem inconvenient ou
prejuizo, grande quantidade de cacau, preparado pelo process
referido, bastard que o tenham solto e a granel em casas espa-






17

cosas ou armazens assoalhados, corn janellas engradadas para
evitar extravios, e sempre abertas para conservar ventilacao,
contend egualmente vidracas para a occasiao do mau tempo
ou de muita humidade, sendo da maior utilidade que takes
casas ou armazens sejam o mais claros possivel, por meio de
muitas janellas, como fica dito; e para se destruir essa humi-
dade, que o proprio genero attrahe, muito conviria que, por
meio de canos de ferro, sahidos de fog6es feitos em quadra-
dos, de pedra e cal, construidos junto ao muro ou parede de
takes casas ou armazens, se Ihes communicasse o calor neces-
sario, por ser uma operacao de pouco custo e de nenhuma
difficuldade, e ao mesmo tempo de grande proveito para a
conservacao do genero em quanto se acha debaixo da influen.
cia da zona torrida, cessando esta susceptibilidade para a cor-
rupcao dcsde que chega i temperada, onde se conserve inal-
teravel, admittindo por consequencia toda a demora compati-
vel corn o commercio das pragas europeas, sem prejuizo do
negociante. Temos d'isto a necessaria experiencia, pois ultima-
mente o verifiquei na Ilha do Principe. Tendo eu preparado,
logo que em 1853 ali cheguei, de Lisboa, uma porcao de cacau
pelo system recommendado, resultou que, durante dois annos
que n'ella me demorei, antes de passar para S. Thomr, se
conservou incorruptivel, e d'isso temos n'aquella Ilha um bom
numero de testemunhas fidedignas.
Tratando de uma cultural, que a todos convdm emprehen-
der, nao pude evitar a extensao que certas minuciosidades
requerem; porem, pela importancia do object, espero ser
desculpado.

Fazenda da Praia Preta, na ilha de S. Thomd, em 15 de
janeiro de 1858.


50oi-O Xlaria de Sousa e ('meida.






































q.
C


COMMENDADOR

Jacintho Carneiro de Sousa Fidalgo cavalleiro da Casa Real
por successio de scu fallecido pae, r." bargo d'Agua.lze;

Visconde de aalanza








PRODUCTS



AGRICOLAS E INDUSTRIES

DA

FAZENDA PORTO-ALEGRE


NOVOS VEGETAES
E NOVAS INDUSTRIES A INTRODUZIR
PELO COMMENDADOR

JACINTHO CAIiEIRO DE SOUSA E ALIEIDA
Proprietario .
Agricultor e Expositor na Exposig8o Insular e Colonial
no Palacio de Christal no Forto, emn 1894














LISSOA
OFF. A VAPOR DA PAP. ESTEYVO NUNES & F.0O
Rua do Ouro, 58
1901




























Foram organisados por mim e pelo meu fallecido irmdo,
Bardo de eAgua I6, os products que envidmos a Exposicdo de
Vienna d'Austria, em 7873.
Todos os products, que ahi expugemos, foram descriptos
n'llm livro, que entdo oferecemos ao governor de Sua alages-
tade.
N'esle trabalho apresento agora os products, que organi-
sei para a Exposiaco Insular e Colonial, que se realisou no
Porto, no Palacio de Crystal, em z894, e, ao mesmo tempo,
reprodi~o o requerimento, que, por essa occasido, dirigi a Sua
7Magestade El-qei o Sr. 'D. Carlos I, acompanhando a rela-
cdo das novas plantas, que desejava introdu ir, e das novas
industries, que me proponha criar na ilha de S. Thomi.
Sdo bem conhecidos os trabalhos agricolas, que meufalle-
cido pae, o Conselheiro e Commendador Jodo WMlaria de Sousa
e Almeida, i.o Bardo de eogua Igd, iniciou nas ilhas de S. Tho-
me e Principe, assim como os novos vegetaes, que ahi introdu-
;iu; e eu, mostrando ao public todos os products, que apre-
sentci na Exposicdo Insular e Colonial, no Palacio de crystal




























do Porto, quero seguir os exemplos, que men saudoso pae me
deixou.
Ao governor de Sua -Magestade offerecemos, em 1873, o
livro que pubiicdmos.
E este trabalho, que agora dou d lu da publicidade, pepo
licenla para o offerecer a Sua Magestade a Rainha a Senhora
D. elmelia, a Quem tive a distinct honra de offertar todos
os products, que enviei para a ExposiFdo do Porto, afirm da
Mesma Augusta Senhora Ihes dar o destino que livesse por
mais until.
Possam todos estes trabalhos dispertar a attenFdo do go-
verno de Sua Svlagestade, para dotar as ilhas de S. Thomd e
Principe, corn todos os melhoramentos materials e moraes, de
que ellas tanto carecem, e poderio ellas entdo attingir o logar
superior, que lhes pertence entire todas as colonies do mundo
intertropical.


Jacinffio Carneiro de Sousa e jfmeida.















is(aos das math erieias







Divide-se este trabalho em tres parties:

-Na primeira parte sho reproduzidos, do Vata-
logo feral da Sxaposijdo insular e lgolonial uortugueza, reali-
sada no Porto, em 1894, os catalogs parciaes de
todos os products agricolas e industries da Fazenda
Porlo-Alegre, por classes, segundo a classificaSqo ado-
ptada no programma da mesma Exposi9io.
Na segunda parte fazem-se algumas conside-
raFqes a respeito das cultures em plena actividade na
mesma Fazenda.
--Na terceira parte, 6 transcript o requeri-
mento, dirigido, em 1894, a Sua Magestade El-Rei
o Sr. D. Carlos, sobre os novosvegetaes e as novas
industries a introduzir na Fazenda Porto-Alegre.











PRODUCTS AGRICOLAS E INDUSTRIES

DA -

Fazenda Porto-Alegre


NOVOS VEGETAES E NOYAS INDUSTRIES A INTRODUZIR


PRIMEIRA PARTE

Products vegetaes e industries da Fazenda Porto-Alegre


SEC9AO I

Products mineraes

Uma collecqao de differences qualidades de terras argilosas da
roca Porto-Alegre.
Areia do rio Malanza.
Areia da praia Inhame.
Areia de EnjalI.
Uma colleccao de rochas vulcanicas.
Amostras de lava.
Uma collecq;o de differences qualidades de rochas basalticas.
Cal viva.
Cal extincta, que ter estado ha mais de tres annos exposta
ao tempo.
Esta cal d fabricada, na roca, de conchas apanhadas
nas praias d'esta fazenda.

1 Todos estes products foram preparados e enviados para a Exposi-
9o Insular e Colonial no Palacio de Crystal, no Porto, em 1894, sendo
acompanhados apenas das intormag6es, que a brevidade do tempo permit-
tiu que fossem organisadas.







8



SECCAO II

Produotos florestaes

MADEIRAS:

P6 muala (S. Thomd), Zungui (Angolar).-Arvore de 30 me-
tros de altura, e o diametro de Im,20.
Serve para esteios, sendo a madeira rija em logares
seccos. Floresce depois da gravana.
Paga-ue (S. Thome), Milende (Angolar).-Arvore de 35 me-
tros de altura, e um diametro na base de Im,50.
Di um lactex, que, cahindo nos olhos, produz sdrias
inflammac es, acompanhadas de dores intensas. Os
indigenas servem-se do leite de mulher e emolientes,
como o azeite de palma, para curar essas inflamma-
c6es. Da madeira fazem embarcac6es, gamellas e
tAboas.
Marapiao preto, Marapiao qui6, Marapiio creoulo, (S. Thome),
P6 pimrn (Angolar).-(Zanthoxillon rubescens, Planch).-
Grande arvore, adquirindo consideraveis dimensoes, pois
chega a ter 40 metros de altura, e o diametro de ",8 o a
2 metros.
A madeira 6 aproveitada para todas as construcq6es,
maritimas e terrestres. Desenvolve-se mais que o
Marapi~o branco. Floresce em janeiro e fevereiro.
Soa-sod (S. Thome e Angolar).-(Alsodea ardisejflora, Welw.)
-Pequena arvore com a altura de to metros e o diametro
de o0",3o.
Serve para caibros de habitacges, pentes e colheres.
Floresce em janeiro.
Inh6 b6bb (S. Thomb e Angolar.)-(Xilopia africana, Oli-
ver.)-Arvore corn 40 metros de altura e I metro de dia-
metro.
Serve para vigamentos, remos, etc. Explendida madeira,
resistente, notavel pela sua elasticidade e rijeza, po-
dendo-se exp6r d chuva.
Pesco (S. Thomd e Angolar).-Corrupcao evidence de pecego.
--(Chytranthus Mannii Hook.)-Pequena arvore de 7 me-
tros de alto e o0,25 de diametro.
S6 o fructo e que e empregado como alimento. 0 fru-
cto tern a f6rma de um tricorne.






9

C61a, K61a (Cola acuminata, R. Br.)- Arvore de 12 a
15 metros de altura, e um diametro de om,5o.
A madeira nao ter usos industries. A parte internal
do fructo, a que chamam vulgarmente No{ de colla,
6 bem conhecida pelos seus usos e propriedades to-
nicas.
Muandi branco ou Muandim branco. Arvore attingindo de
35 a 40 metros de altura, c um diametro de i a t",5.
Madeira excessivamente resistente e boa para construc-
q5es. DA umas vagens compridas.
Na-u&-ud (Angolar), P6 sum Mdil vldm6, Pau Senhor Manuel
vermelho (S. Thomr). Arvore de 26 a 30 metros de al-
tura e o diametro de i metro.
Serve para remos, tdboas, caibros, etc. A florescencia
indica o comeco das chuvas (lenda Angolar). Flo-
resce de junho a agosto, e da uns fructos, que ser-
vem de alimento aos macacos (Cercopithecus mona,
Schreib) e aos pombos.
P6 sum Male branco, Pau Senhor Manuel branco (S. Thome),
Macua cuA (Angolar), Calumga c6 undalo, Morre pelo fogo
(Angolar).-Arvore de 3o a 36 metros de altura e I",2o de
diametro.
Tern esta madeira a propriedade de harder bern, mesmo
debaixo de chuvas torrenciaes, estando secca, ou
mesmo verde. E' um grande recurso para os indi-
viduos que vivem no matto, ou que se vhem sur-
prehendidos por uma trovoada durante os trabalhos
agricolas. Serve para vigamentos. Floresce em ja-
neiro, e os fructos sao procurados pelos pombos e
rolas.
Inhd plato, 'Inh preto (S. Thomd), Quimdjumdju (Angolar.-
(Oxymitra patens, Bth.) Arvore de 35 a 40 metros de al-
tura, e Im,2o de diametro.
Serve para remos de embarcag6es.
Gudgue falso. Arvore de 35 metros de altura e um diame-
tro de Im,60.
Da madeira tiram-se tdboas, gamellas e canvas. Flo-
resce em marqo e abril, e os fructos sio procura-
dos pelos passaros.
P6 m&-me, Pau md md, CossA-cossa (Angolar).-Arvore de
25 metros de altura, e Im,5o de diametro.
Nio ter usos industries. As folhas, em contact cor
o corpo, produzem uma irritacao similhante a das
ortigas. Flosrece em marco, e os fructos servem de
alimento aos macacos e pombos.






10

P6 mole, Pau mole (S. Thome), N'guemgur (Angolar).--Ar-
vore de 3o metros de altura, e o diametro de om,8o.
A madeira serve para fazer gamellas. Tern usos medi-
cinaes, e floresce no principio da gravana.
Fid piquina, Folha pequena (S. Thom6), Camu suem (Ango-
lar).-Arvore de io metros de altura por 5o centimetros
de diametro.
Madeira muito rija e resistente, empregada para esteios
de habitac6es. Floresce em agosto, e di uns fructos
que sao procurados pelas rolas.
Ungdni qui6, Ungi6n creoulo.-Arvore de 12 a 15 metros
de altura, e um diametro de om,3o.
Madeira resistente, servindo para esteios, caibros e ar-
chotes. Os Angolares chamam-lhe tambem Cdit
cuti blanco. O fructo e procurado pelos pombos e
rolas:
Obdti (S. Thorn), N'bita (Angolar).-(Ficus, sp.)-Grande
trepadeira destruidora dos colossos do reino vegetal. Ar-
vore de substituig o. Attinge grande altura, tomando as di-
mens6es da arvore que destroy.
Produz um lactex, que p6de ser aproveitado. A diffe-
renga que existe entire esta e a Mussandd e que a
Obdit attinge maiores dimens6es e as folhas sao
maiores; nao di filamentos.
Belamb6 (S. Thome), Goqui (Angolar).-(Santiriopsis balsa-
mifera), Engl.)-Arvore de 35 metros de altura, e um dia-
metro de im,5o a im,8o.
Produz o bem conhecido Balsamo de S. Thomne. N'ou-
tros pontos da ilha de S. Thome chamam-lhe Pau
Oleo.
Muxtild (S. Thomd e Angolar). Arvore de 30 metros de al-
tura por Im,80 a 2 metros de diametro.
Serve para canvas, tAboas e gamellas. Floresce em
agosto, e os fructos adquirem o seu grau de matu-
racio em janeiro, sendo muito procurados pelos
macacos.
Pau f6dd.-Arvore de 35 metros de altura, e o diametro
de 1~,5o.
Esta madeira exhala um cheiro nauseabundo, quando
secca, e quando queimada chega a ser cm extreme
desagradavel. S6 o cerne d que exhala o cheiro, que
4 devido a um principio active muito volatile. Depois
de queimada, produz boa potassa para fazer sabao.
Os Angolares fazem canvas d'esta madeira. Os fru-
ctos sao aproveitados pelos pombos.







11

Oleo barao (S. Thome), Quing8 (Angolar.) (Symphonia glo-
bulifera, L.)-Arvore de 28 a 30 metros de altura e o
diametro de om,8o.
Da madeira fazem-se apenas taboas, canvas e gamel-
las. Floresce na gravana, e os fructos s5o procura-
dos pelos macacos e pelos pombos.
Pau cabra.-(Trema affinis, Planch.)-Arvore de 20 metros
de altura e o,m5o de diametro.
Da madeira fazem-se apenas taboas, e as folhas servem
para a alimenta9go do gado caprino. Floresce na
gravana.
Cavold (Angolar e S. Thomd).-- Arvore de 35 a 40 metros, e
um diametro de im,5o a im,8o.
A madeira serve para construcqao de casas, ubas ou
cercados. Floresce em agosto e setembro, sendo os
fructos procurados pelos macacos e rolas.
G6fer, e nao G6fe, como erradamente se diz em S. Thome,
Mussimga (Angolar). (Musanga Smithii, R. Br.)-
Arvore de 20 metros de altura e it,50 de diametro.
Madeira inatacavel pelo salale, termites ou cupim.
Da madeira fazem-se taboas, canvas, boias para
redes, etc. Produz tambem um bom filamento.
Segundo uma lenda biblica, foi d'esta ma-
deira que se construiu a area de Nod, por
ser em extreme leve. O fructo d procurado
pelas Cecias, especie de columbideas.
Quime.-(Newbouldia Ievis, Seem.)-Arvore de 12 a i5 me-
tros de altura e um diametro de o,50.
Serve para esteios de casas e para demarcacao das
propriedades, dos f6rros e cercados, pela facilidade
cm pegar de estaca. Floresce em agosto. As fl6-
res sao vermelhas, e os fructos umas vagens oblon-
gas.
Mucumbli. -Arvore de 40 metros de altura, aproveitada para
fazer canvas. Tem o diametro de Im,80 a 2 metros.
Floresce em agosto, e os fructos sao procurados pelos
pombos e cecias.
Estrala-estrala (S. Thomd), Bue-bu6 (Angolar),-Arvore de
30 metros de altura por 0,80 a I metro de diametro.
Serve para caibros, gamellas e can6as. Floresce em
agosto, e os fructos sao procurados pelas rolas.
Mil6nd6 (S. Thomd), Lembi (nas villas de Sant'Anna e Trin-
dade, em S. Thome), Mizond6 (Angolar).-Pequena ar-
vore de 8 a Io metros de-altura e um diametro de om,lo
a o0",i2.






12

A Madeira serve para construc95es sobre pedras. Em
logares seccos i muito duravel, e enterrada no s.lo
n~o resisted. Floresce em agosto, e os fructos sao
avidamente procurados pelos passaros e macacos.
O macaco come este fructo para fortalecer o peito
(lenda Angolar).
Cata izaquente ou Cata pequena.-Pequena arvore de 8 a io
metros de altura, cor um diametro de o',8o.
Cor varas d'esta madeira tornam os indigenas opuree
de Isaquente mais compact. Floresce em agosto, e
os fructos servem de alimento aos pombos e cecias.
Jdca (S. Thomd), Zaca (Angolar). -(Artocarpus integrfolia,
L.)-Arvore de 15 metros de altura e om,60 a o',80 de
diametro.
Madeira esplendida, de linda cor amarella, extrema-
mente resistente. Poderia ser empregada com resul-
tado na marceneria. Floresce em agosto, e os fru-
ctos servem de alimento.
Mangue d'6b6.-(Coryanthe paniculata, HWclw.)-Arvore de
15 a 24 metros de altura, por I metro de diametro.
Madeira resistente, muito duravel, servindo para es-
teios de habitac6es. Floresce em agosto e fructi-
fica em janeiro, sendo os fructos procurados pelos
passaros.
Umgniit r mg6b6 (S. Thomd), Macud cua (Angolar). Ar-
vore de 30. a 35 metros de altura e um diametro de o"',4o
a om,50.
Serve para fazer canvas. Floresce em agosto, e o fru-
cto d procurado pelos passaros e morcegos.
N'bamgo ou Quibamgo (Angolares), Cdlu-cilu (S. Thom).-
Arvore de 30 metros de altura, por i',5o a m",80 de dia-
metro.
As folhas sao medicines, em banhos, assim como a
casca.
Cd cr6c6t6 ou Ca-cl6c6t6 p6sm. (Angolares.)-Arvore de 20
a 25 metros de altura e o diametro de om'40 a om,50.
Serve para esteios de habitac6es. Floresce em agosto,
sendo os fructos aproveitados pelos passaros.
Pau visco ou Pau cadeira--(Kickxia africana, Benth.)- Ar-
vore de 35 a 40 metros de altura, por I metro de diame-
tro.
Serve para canvas, gamellas, tiboas, etc. O lactex so-
lidificado serve para visco. O fructo, depois de aber-
to, solta as sementes, em extreme leves, que o vento
dispersa.









Nespera d'6b6 (S. Thomr). Quimdembid (Angolar). -(Ster-
culia tragacantha, Lindl.) -Arvore de 25 a 30 metros de
altura e o diametro de im,7o a Im,5o.
Boa madeira para tdboas, refractaria as termites, talvez
por causa de um principio amargo que contdm o le-
nho. E' muito empregada por causa da sua resis-
tencia. Boa para todas as construcc6es. Fructo gran-
de, rugoso, contend sementes com um gosto sal-
gado. Os porcos bravos e os macacos teem grande
predilecqco por estes fructos. Floresce em agosto.
Gog6.-(Sorindeia acutifolia, Engl.)--Arvore de 30 metros
de altura, por im,8o a 2 metros de diametro.
Madeira de primeira ordem, boa para todas as cons-
trucq6es. Floresce em agosto. 0 fructo d amargoso,
cor propriedades medicines. As cabras braves e os
macacos procuram-n'o com avidez.
Amoreira branca (S. Thomd), Mucumba blanco (Angolar).
-Arvore de 40 metros de altura, e um diametro de 2m,20
a 2n,5o.
Boa madeira para tdboas, canvas, etc. Floresce em agos-
to, sendo o fructo procurado pelos macacos e guem-
bis, especie de morcegos.
Pau caixio-(Orophrllum insulate, Hiern.)-Arvore de 40 me-
tros de altura, por Im,50 a lm,8o de diametro.
A madeira d boa para tdboas. Floresce em agosto e
fructifica em janeiro, sendo o fructo procurado pelos
passaros.
Bubo-bubo e tambem Bugo-bugo (S. Thomd), N'bomb6 (An-
golar).-Arvore de 15 metros de altura e um diametro de
on,40.
Floresce em agosto e dd uns fructos, que sao procura-
dos pelos passaros.
Azeitona preta ou P6 pleto, Pau preto.--(Polyalthia acumi-
nata, Oliv.)- Arvore corn 30 metros de altura e um dia-
metro de o0,80 a I metro.
Floresce em agosto.
Mitchd Zochi, Remedio do Jorge (Angolares).-Arvore de 35
a 40 metros de altura e o diametro de 1m,20.
A madeira e branca, mas, depois de cortada, torna-se
preta. Rica em tanino. Floresce em agosto e dd uns
fructos amargosos, que sao procurados pelas aves.
Azeitona.-(Sideroxylon densiflorum, Baker.)-Grande arvore
de 40 metros de altura e o diametro de im,50 a 2 metros.
Esplendida madeira para construcc6es, dando optimos
esteios. Floresce em agosto e o fructo e purgativo.







14

VldmE (Vermelho).-Arvore de 40 metros de altura e o diame-
tro de ir,5o a 2 metros.
E' excessivamente abundante e muito empregada em
construcc6es, taboas, etc. O aroma que o lenho
exhala, depois de cortado, e parecido um pouco
com o do pinheiro. Floresce em agosto, e di uns
fructos, que os passaros e macacos procuram.
P6 ana ou pau agua.-(Grumilia venosa, Hiern.)-Arvore de
30 metros de altura e o diametro de om,80 a i metro.
Da madeira fazem caibros. Floresce em agosto e os
fructos servem de alimento aos passaros.
Capitango, pau capitio ou Viro branco.-(Celtis integrifolia,
Lam.)-Arvore de 40 a 45 metros de altura e o diametro
de il,5o a 2 metros.
A madeira serve para tiboas e vigamentos interns,
sendo muito duravel, quando nao estd exposta i
chuva. Floresce em agosto e os fructos servem de
alimento aos passaros.
Codco branco.-Arvore de 36 a 40 metros de altura e o dia-
metro de om,8o a i metro.
A madeira serve para vigamentos. Floresce em agosto
e os porcos bravos e macacos gostam muito dos
seus fructos.
Uncuin4 ou Cata grande (S. Thomd), Sangd (Angolar).-(Or-
chipeda, sp.) Arvore de 25 a 3o metros de altura e o dia-
metro de im,2o.
A madeira serve para fazer taboas e canvas.
Engleld (S. Thome), Axim-gud, Pau de alguem (Angolares).
-Pequena arvore de to a 15 metros de altura por om,15
de diametro.
Madeira muito rija. Floresce em agosto.
Ml1616 (Angolar), Margue do rio, branco.-Arvore de io me-
tros de altura e o diametro de om,5o.
Floresce em agosto e os fructos sao procurados pelos
macacos, rolas, falc6es e maqaricos.
Pau alho (S. Thom)), Levanti gainoh (Angolar).-Arvore de
20 a 25 metros de altura e um diametro de o,m80.
O cerne, queimado, exhala um cheiro sulfuroso e acti-
vo, que afugenta as gallinhas (lenda Angolar). Flo-
resce em agosto e os fructos servem de alimento as
rolas.
Gudgue (S. Thomd).-(Pseudospondias microcarpa, Engl.)-
Arvore de 15 a 20 metros de altura e o diametro de om,8o.
Floresce em outubro e novembro e fructifica em janeiro.
Os fructos sao acidos.






15

Pau sangue (S. Thomd e Angolar), Unttnti (villa de Sant'An-
na, em S. Thomd). (Haronga madagascariensis, Chois).
Arvore de o2 metros de altura e um diametro de om,6o.
Floresce em agosto, e produz uns fructos, que as rolas
e pombos procuram.
C6lima dodo, C6lima doida.-(Lonchocarpus formosianuts, D.
C.) (L. Sericeus, H. B. K. var B.) --Arvore de 25 metros
de altura e um diametro de om,50.
Chamam-lhe C61ima doida, porque as folhas, pisadas e
espalhadas na agua, intoxicam o peixe, c, quando
misturadas com as do BAnkd, matam-n'o. As suas
flares sao de um vermelho arroxado e teem un
ar6ma agradavel. Habita de preferencia o littoral
nos sitios humidos.
Zamumo (S. Thomd).-Arvore de 3o metros de altura por
Im,2o de diametro.
Serve para tdboas e gamellas. Floresce em agosto e das
sementes alimentam-se os macacos e rolas.
Bengue d'6b6 (S. Thomd), Mucudemgueud (Angolar).--Ar-
vore cor 25 metros de altura por om,80 de diametro.
Serve para caibros e taboas. Floresce em agosto, e os
fructos servem de alimento aos macacos e rolas.
Obd.-(Irvingia gabonensis, H. Bn.)-Grande arvore de 40
metros de altura (attingindo muitas vezes mais) e o diame-
tro de im,80 a 2 metros.
Madeira de lei para esteios, vigamentos, obras hydrau.
licas, etc. Floresce em agosto e setembro. O fructo,
vulgarmente chamado Macd de dbd, contim p6lpa
amarella, bastante acida, de que se faz d6ce. A
parte externa do fructo 6 c8r de castanha.
Mussand6.-(Ficus, sp.)-Grande trepadeira, muito vulgar
em S. Thome, que destroe as maiores arvores. Attinge a
altura da arvore que destruiu. Di um lactex.
Os fructos sio procurados pelas rolas e macacos.
Figo ploco, Figo porco, Figo de porco.-(Ficus, sp.)-Arvore
de 25 a 3o metros de altura e o diametro de 1",5o. Assim
chamado, porque os porcos teem predileccSo pelos seus
fructos.
Floresce em agosto e setembro. Da casca d'estas arvo-
res fazem os indigenas bainhas para facas.
P6 sandjia, Pau sardinha, Vila sandjia, Vara sardinha (Angola-
res).-Arvore de 36 metros d'altura e I metro de diametro.
Floresce em agosto e setembro, sendo os seus fructos
procurados pelos macacos e passaros. Da madeira
fazem-se canvas e tAboas.







16

Inhd muala (S. Thomd), Ganzi (Angolar).-Arvore de 30
metros de altura por om,8o de diametro.
Boa madeira. Floresce em agosto e setembro, e os fru-
ctos sio procurados pelos macacos e passaros.
Bungd.-(HCernandia beninensis, Welw)-Arvore de 25 a 3o
metros de altura regular, de largas folhas de lindo aspect,
tehdo um diametro de Im,2o a 1,50o.
Floresce em agosto e setembro. Serve a madeira para
tdboas, canvas, gamellas, boias, etc.
Goiabeira ou Goiaveira.-(Psidium pomiferum, L.)--Arvore
bem conhecida pelos seus fructos, chegando a attingir 8
metros de altura e um diametro de om,3o.
A madeira d muito rija e muito empregada para caver-
name de navios. Fructifica todo o anno, mas nos
fins de fevereiro a maio d que dd fructo em maior
abundancia.
Micond6 (S. Thomd), Imbomdeiro (Angolar), Baobab, dos
arabes, Monkey, fruit tree, dos inglezes.-(Adansonia di-
gilata, L.)-Arvore de 20 metros de altura e o diametro
e 2 metros a 2m,50, sendo estas dimens5es references aos
raros exemplares que se encontram ao sul da ilha, onde
d rara.
No norte desenvolve-se maise 6 mais vulgar. Floresce
em dezembro e janeiro. A entrecasca dd-se o nome
de Liconte.
Isaquente.-(Treculia africana, Dcne.)-Bem conhecida ar-
vore. Notavel pelos seus fructos de extraordinarias dimen-
soes, que sao aproveitados como alimento dos indigenas.
Tem a arvore de altura 25 a 3o metros, e na base chega
a ter o diametro de 1m,5o.
A madeira e apenas usada pelos Angolares para a ma-
nufactura de bocetas, onde guardam os objects
mais indispensaveis a vida.
C6lima fio ou Cl6ima fria.-Arvore de 25 melros de altura e
um.diametro de om,8o.
A casca e a.raiz sao medicines.
Pau milho (S. Thome), Mitch6-fd-dm ou Mitch6-fi-im (Ango-
lares). -Arvore de 25 a 30 metros de altura e o diame-
tro de om,8o a i metro.
A madeira serve para esteios de habitac6es e para cu-
nhas, corn que os Angolares abrem as madeiras. Flo-
resce em agosto e os fructos sao procurados pelos
passaros.
SAft. -(Canarlum edule, Hook.)-Arvore bem conhecida em
S. Thome pelos seus fructos.






17

Da madeira fazem-se canvas e tirantes de agua. A re-
zina terebenthinosa 6 empregada pelos indigenas
para fazer suppurar os tumores. A arvore chega a
ter a altura de 25 a 30 metros c o diametro de I"',20.
Tabdque, pau tabdque.-Arvore de 20 metros de altura por
M",50 a im,80 de diametro.
Serve para boias, taboas, canvas, gamellas, tambores,
caibros, etc. Do liber fazem-se cordas e tiram-se fila-
mentos. E' uma madeira muito leve e muito resis-
tente na agua. Floresce em agosto e setembro, sendo
os fructos aproveitados pelos pombos bravos.
Ldnza matto, Laranjeira das florestas ou Laranjeira brava.-
Chega a ter 12 metros de altura e um diametro de om,30
a om,40.
A madeira 6 muito rija e os fructos sio amargosos e
bastante acidos. Abunda nas florestas:de Porto-Ale-
gre.
Oca (S. Thomd), Mufumr ou Mafumeira (Angolares).-(Erio-
dendron anfi-actuosum, D. C.)-Grande colosso do reino
vegetal, chegando a attingir a altura de 40 a 5o metros e
um diametro de 5 a 6 metros, no tronco, e de to a 12 me-
tros nas abas.
A madeira e aproveitada para fazer canvas. As folhas
sao comestiveis. E' d'esta arvore que provem a Ld
de dcd, especie de sumaima.
P6 quentchi, Pau quente, Pau ferro.-Arvore de 25 a 30 me-
tros de alura e um diametro de om,5o.
Madeira das mais rijas que se conhecem na ilha, sendo
sobretudo empregada corn born proveito para cabos
de machado. Floresce em agosto e setembro.
Ungundl, Umguenti (Angolares).-Arvore de 25 metros de
altura e om',8o de diametro.
A madeira serve para caibros, cunhas, esteios, etc.
Existe uma lenda Angolar, que os macacos curam
as d6res do peito, usando do fructo d'esta arvore. Os
Angolares tambem come os fructos corn o mesmo
firn. Madeira rija. Floresce em agosto e setembro.
Cr6c6t6, Cl6c6t6.-Arvore corn a altura de 30 a 36 metro e
i metro de diametro. Serve para esteios.
Floresce em agosto e setembro. Os fructos sao apro-
veitados pelos macacos e passaros.
Coqueiro.-(Cocos nucifera, L.)- Altura maxima no sul da
ilha, 15 a 20 metros. Diametro, o'",4o a o',5o.
Palmeira, Pema.-(Elaeis guineensis, L.), (DOndem, o fructo).
-Altura maxima, 25 a 3o metros. Diametro, o0",40 a om,50.







18

Figueira.-(Ficus, sp.)-Altura, 4 a 5 metros. Diametro, om, o.
A casca serve para fazer cordas. Floresce em agosto e
setembro. Os macacos procuram avidamente os seus
fructos.
Umcungd (Angolar). -Altura, 25 a 30 metros. Diametro, om,80
a i metro. Diametro das abas, I",60.
E' esta arvore aproveitada pelos Angolares para canvas,
gamellas e taboas. Floresce em agosto e setembro.
Fructos procurados pelos macacos, pombos, etc.
CdnhAtd (Angolar). -Arvore pequena, de tronco esguio. Al-
tura, 1o a 12 metros. Diametro, om,6o.
Serve para esteios, caibros, e cunhas para rachar ma-
deiras. E' muito rija. Floresce em agosto e setembro
e o fructo nio e aproveitado. O exemplar que se
acha exposto 6 dos maiores que se podem obter na
ilha.
Dji6g6mbi (Angolar). -Altura, 25 a 30 metros. Diametro, o0,60
a om,8o.
Serve para canvas, gamellas, tiboas, etc. Floresce em
agosto e setembro. O fructo 6 aproveitado pelos ma-
cacos e passaros.
Toni Faxico, Antonio Francisco, Vila n'bud, Vara-cao (Ango-
lares).-Pequena arvore erecta, com a altura de to metros
e o diametro de om,o8.
Floresce em agosto e setembro e os fructos serve de
remedio.
Z6m G6me, Joio Gomes (Angolares).--Arvore de pequenas
dimensoes, chegando a attingir 15 a 20 metros de altura e
um diametro de om,40.
Serve para caibros, e sobretudo para esp6ques de des-
cascar c6cos. Floresce em agosto e setembro, e o
fructo nao 6 aproveitado.
Captivo azeitona ou Pau leite. -(Cephelis spatacea, Hiern.)
Altura, 20 a 25 metros. Diametro, om,8o a i metro.
Serve para tAboas, remos, vigas, etc. A florescencia in-
dica o comeqo das chuvas (lenda Angolar). Floresce
em julho e os fructos serve de alimento aos ma-
cacos e passaros.
MarapiAo preto (S. Thom6), Ido-ido, MidjApl8 (Angolares).-
Altura, 8 a to metros. Diametro, om,20.
A madeira nao tem serventia. A casca 6 medicinal.
Catchina gueca, Cacthina (Angolares), Catharina. Arvore de
pequeno porte, pegando bem de estaca e servindo para
cercados.
O fructo 6 parecido corn o do Gudgue.






19

MWtOt6 (Angolar).-Arvore de porte regular, servindo para es-
teios, caibros, etc. Muito resistente. Attinge a altura de I5
a 20 metros e um diametro de om,8o.
Floresce em agosto e setembro. O seu fructo tern as
dimens6es do da Goiabeira e s6 e procurado pelos
macacos.
Dumo (Angolar e S. Thome) (Gomphia reticulata, P. de
Beauv.)-Madeira rija, aproveitada para maos de pilao e
construccSes. Altura, 25 metros. Diametro, om,3o a o0,4o.
O aspect da arvore 4 similhante ao da Goiabeira, e o
fructo e aproveitado pelos passaros. Floresce em
agosto e setembro.
Lib6 (S. Thomr), Meleilu (Angolar).--(Vernonia amygdalina,
Delile.)-Arvore de pequeno porte, servindo para cercados.
Altura, 6 a 8 metros. Diametro, o'",i2 a om,25.
Floresce em agosto e setembro. As folhas slo tonicas e
amargosas.
Limoeiro bravo.- Tem a altura de 6 a 8 metros e o diame-
tro de om,io a om,i5.
Encontra-se em estado selvagem nas florestas de Porto-
Alegre. Fructos arredondados c muito aromaticos.
Fructa-pao.-(Artocarw us incisa, L.)-Chega a attingir 40 me-
tros de altura, na Polynesia, e 2 metros de diametro.
Produz os bem conhecidos fructos tao usados pelos
indigenas da Polynesia. Esta utilissima arvore foi
introduzida em S. Thomd no anno de 1856, pelo
primeiro Bargo de Agua Iz6. Em S. Thome desen-
volve-se muito bem.
Mdj6mb6 (Angolar). Chega a ter a altura de 3o metros e o
diametro de i metro a Im,20.
Arvore erecta, regular, cor various usos industries.
Serve para fazer gamellas, tAboas, canvas, etc. Os
fructos sao aproveitados pelas rolas e outras aves
silvestres. Floresce em agosto e setembro.
Pau branco, ou Pau gamella. (Hasskarlia didyrmostemon,
Baill). -E abundante e chega a ter 30 metros de altura por
m,20 It Im,5o de diametro.
Como o nome o indica, esta arvore, de lindo port, ser-
ve para fazer gamellas, canvas e taboas. Floresce em
agosto e setembro, sendo os fructos aproveitados
pelas rolas e pombos.
Muandim vermelho ou Sucupira.-(Pentaclethera macroph)l-
la, Benth.)-Altura, 30 metros. Diametro, im,50.
Boa madeira, resistente, corn various usos industries.
Floresce em agosto e setembro.







20

MP-piam, P6-pigm, Ma-piam blanco (Angolares), Marapiao da
praia.- Altura 6 a 8 metros. Diametro, om,60.
Esta arvore nio se desenvolve tanto como o Marapiao
preto. Floresce em agosto e setembro. Fructos apro-
veitados pelas rolas e pombos.
Gl6m ou Purgueira.-(Jatropha Curcas, L.)-Bem conhecida.
Linza mucambti ou Laranja mucambd.--Altura, Io a 12
metros. Diametro, om,I5 a o0',20. Madeira rija.
Buji-buji (S. Thome e Angolar).-(Claoxylon Molleri, Pax.)-
Altura, 15 metros. Diametro, om,3o.
A madeira nio ter usos industries. Floresce em agos-
to e setembro. Das folhas tiram tambem uma tinta
anilada e sio um bom alimento para o gado caprino.
Pau sabao (S. Thom6), Tondo (Angolar). -(Draccena arbo-
rea, Link.)-Chega a attingir 20 a 25 metros de altura e o
diametro de Im,5o.
Serve para demarcaggo de propriedades agricolas. Flo-
resce em marco, abril, agosto e setembro. Os fru-
ctos sao procurados pelos passaros.
P6 luculd (Angolar).-Altura o1 a 12 metros. Diametro, om,50
a om,6o.
Da casca extrahem os Angolares uma tinta vermelha
corn que pintam o corpo na occasiio das festas ou
batuques. Floresce em agosto e setembro. Fructos
aproveitados pelos macacos.
Bdnd mudla.-(Chestis oblongifolia, Baker.)-Pequena arvore,
muito abundant, dando uns fructose que passam por pei-
toraes. Contem muito tanino. A florescencia e continue.
C61a branca, Quizu ungndlla (Angolares).-Altura, 3 metros.
Diametro, o"',Io. Pequena arvore, muito fina e muito rija.
O exemplar exposto e dos maiores que se podem obter.
Floresce em agosto e setembro.
Quidit6 d'6b6.-Altura, 3 a 4 metros. Diametro, om,15.
A madeira s6 serve para vedagqes. Floresce em agosto
e setembro, e os fructos sao procurados pelos pom-
bos e outros passaros. As folhas e a casca sao me-
dicinaes.
Muxdid branco.-Altura, 6 a 8 metros. Diametro, om,1o.
Serve para esteios de casas, tirantes de agua, caibros,
etc. Floresce em agosto e setembro. Fructos procu-
rados pelos pombos.
Quidit6 pld ou Quidto6 da praia.-Altura, 6 a 8 metros. Dia-
metro, omio a om",2.
Floresce em agosto e setembro. As folhas sio medici-
naes, e os fructos procurados pelos passaros.







21

VAla'n'bud.-Pequena arvore erecta, corn a altura de io me-
tros e o diametro de om,o8.
Floresce em agosto e setembro e os fructos serve de
remedio.
Pau vum ou preto.-Altura, 3o metros. Diametro, om,8o.
Serve esta madeira para fazcr remos, caibros, etc. Flo-
resce em agosto e setembro e os fructos sao apro-
veitados pelos macacos e passaros.
Ussubi.- Arvore de 3o a 35 metros de altura e o diametro
de Im,5o.
A madeira serve para esteios. Floresce em agosto e se-
tembro e os fructos sao procurados pelos macacos
e passaros. Deve-se experimentar esta madeira, pois
tern a dureza da Sucupira, nao estando exposta ao
tempo.
Pau moqo. -Altura, io metros. Diametro, om,3o. A madeira
d'esta arvore serve para fazer remos e caibros. Floresce
em maio e fructifica em agosto.
Guig.--(Bridelia stenocarpa, Mull Arg.)-Tem esta arvore a
altura de 30 a 35 metros e o diametro de om,50.
Pega muito bem de estaca. Floresce em agosto e se-
tembro, e os fructos sao procurados pelas rolas,
pombos, etc.
Ungind branco ou Ung6b6.-Arvore de 30 metros de altura
e o diametro de om,40.
A madeira serve para caibros de casas. Floresce em
agosto e setembro, e os fructos serve de alimento
aos passaros.
P6 pleto plP, Pau preto da praia, Inhe preto. -Arvore de 25
a 3o metros de altura e o diametro de i metro.
A madeira serve para remos, caibros e taboas. Floresce
em agosto e setembro, e os fructos sio procurados
pelos passaros e macacos.
Ucuddano. Pequena arvore, de 8 a Io metros de altura e o
diametro de om,25 a om,3o.
A madeira nio se utilisa. Floresce em agosto e se-
tembro, e as folhas servem para banhos medici-
naes.
Fructa sele 1l.-(Leea linctoria, Lindl.)--Altura, 4 a 5 me-
tros. Diametro, om,o5 a om,o8.
A madeira nao serve e os fructos sao muito procura-
dos pelas aves.
Amargoso.-Arvore com um diametro de o",2o a om,25.
Mangueira.-(Mangifera indica, L.)-Cheg a attingir uma
altura de 15 metros e o diametro de I metro a I ,20.






122

E' bem conhecida esta arvore, originaria da India; pro-
duz fructos saborosissimos.
Luba.-(Parkia intermedia, Oliver.)--Arvore de to metros
de altura e i metro a im,2o de diametro.
Marimboque.-Pequena arvore de 12 metros de altura e om, 15
de diametro.
Abunda na zona baixa, principalmente nas proximida-
des da capital da provincia. DA umas flares brancas
aromaticas, e os fructos, depois de seccos, servem
para tabaqueiras.
Salambi.--(Dialium guineensis, Willd.)-Arvore de 15 metros
de altura e um diametro de om,50.
Nona concha.-(Anona paluslris, L.)-Pequena arvore, attin-
gindo de 5 a 8 metros de altura e o diametro de o0,15.
Os fructos sao comestiveis e agradaveis ao paladar.
Prefere a zona do littoral.
Tamarindo.-(Tamarindus indica, L.)-Arvore muito vulgar,
sobretudo ao norte da ilha de S. Thome. Attinge uma al-
tura de o1 a 12 metros e o diametro de I metro a im,5o.
As vagens sao muito acidas, empregam-n'as como con-
dimento; usam-n'as como refrigerant nas febres
inflammatorias e teem propriedades laxativas. A ma-
deira e muito rija, serve para o cavername das em-
barcaqces,
Cajueiro.-(Anacardium occidentale, L.)- Ber conhecida ar-
vore, propria da zona baixa, onde e abundante, sobretudo
nas proximidades da capital da provincia.
Os fructos sao adstringentes e d'elles se faz vinho. Ter
propriedades depurativas de primeira ordem, espe-
cialmente o Cajueiro branco. Chega a ter a altura
de 8 a to metros e o diametro de o'",80 a i metro.
Cacumi.-Arvore pequena, com o diametro de o0,Io a om, 2.
Sap-sap.-(Anona muricata, L.)-Pequena arvore de Io me-
tros de altura, e om,5o a om,6o de diametro.
Produz os fructos conhecidos por Coradco da India ou
Sap-sap. D'estes fructos se fazem limonadas refri-
gerantes, cor que os indigenas combatem a icte-
ricia. E' muito vulgar.
Bimb6 (Angolar).--Pequena arvore de to metros de altura
e o diametro de om,25 a Om,40.
Serve para armacgo de canvas e para vedaq6es. Flo-
resce em agosto e setembro, e os fructos sao pro-
curados pelos passaros, rolas, etc.
Mer ddngua ou Falso m6le-m6le.-Pequena arvore de 7 a o1
metros de altura e o diametro de om,25 a om,3o.







23

Floresce todo o anno e os fructos sao procurados por
uma pequena avesinha chamada Dingua, de onde
provdm o nome i arvore-Mem dangua, Mae do
Dingua.
Amoreira vermelha, Mucumba vleme (Angolares).-(Chloropho-
ra excelsa, Benth e Hook.)-Altura, 40 metros. Diametro,
2 metros a 2m,50.
Os fructos sao procurados pelos porcos bravos, maca-
cos e passaros.
Jambeiro.-(Eugenia Jambos, L.)-Pequena arvore, de lindo
aspect quando carregada de flores, cujos fructos, de sa-
b6r a rosas, sao pouco aproveitados. E' vulgar e prefer
os sitios humidos. Chega a ter de 8 a io metros de altura
e om,3o a om,4o de diametro.
Mafundji ou LembA.-(Ficus, sp.)-Trepadeira vulgarmente
chamada Corda mafindji. Chega a attingir o0,3o de diame-
tro.
Floresce em agosto e setembro
Corda d'agua vermelha (Trepadeira). -(Pleclroria Henriqui-
siana, K. Sch.)-Floresce em agosto c setembro.
Os fructos servem de alimento aos passaros.
Corda Anna (Trepadeira).-Floresce em agosto e setembro.
Corda b6b6 (Trepadeira).-Floresce em agosto e setembro.
Fructos procurados pelas rolas, passaros e pombos.
Corda clbngl6 (Trepadeira).-Floresce em agosto e setembro.
Fructos procurados pelas rolas, passaros e pombos.
Corda mafundji ilna ou Falso mafundji (Trepadeira).
Zem-zd. -Arvore de 36 metros de altura e 2 de diametro.
Os Angolares servem-se apeaas da madeira para fazer
gamellas. Floresce em agosto e setembro. O fructo
d parecido cor ura azeitona de cor arroxada, es-
cura exteriormente e tendo o grao interior um pouco
amarello. E' procurado pelas rolas e cecias.
Md-lanzdla ou Vinte e quatro horas. Cip6, drastic, que,
cortado em pedagos, em infusao (maceratgo) na cerveja,
em vinho de palma, ou mesmo em agua, 6 um purgante
violent.
Giba -Pequeno arbusto.
Mdtri ou MAli. -Trepadeira de pequeno porte.
Unind ou Pau esteira. -(Pandanus thomensis, Henrq.)-Ex-
cessivamente abundante no sul da ilha, nas proximidades
do mar.
Tern various usos, sendo as folhas muito empregadas no
fabric de esteiras.
Palmeira matombe, Bordao (Angolar).







24

MAcaid ou Ma-cAid.
Corda prego (Trepadeira).
Corda qud (Trepadeira).-(Paullinia pinnata, L.)
Corda fi sandjia (Trepadeira).
(orda f6n6 Mello (Trepadeira).
Otagi.
Corda pimenta d'6b6.-(Culcasia angolensis, Welw.)
Corda mnandji muala (Trepadeira).
Milond6.
Quibondd.
Mil home.-(Acridocarpus Smeathmanni, Guill et Per.)
Corda chund, Unha de gato (Trepadeira).
Corda d'agua branch (S. Thome), Corda veado (Angolar),
(Trepadeira).
Mangue do rio, vermelho.-(Rhigophora Mangle, L.)
Quib616.-Arvore sem usos industries, porque racha muito.
Talvez possa ser aproveitada, serrando-se conveniente-
mente. Serve para cercados.
Corda unbibfi (Trepadeira).-Floresce em agosto e setembro.
Fructos procurados pelas abelhas.
Toro cortado a i metro da forquilha do pau Z8m-z6.
Toro cortado a I metro da forquilha do pau Codco branco.
Toro cortado a i metro da forquilha do pau Ussubi.
Toro cortado a i metro da forquilha do pau P6 quentchi, Pau
quente, Pau ferro.
Toro cortado a i metro da forquilha do Marapiio preto, Ma-
rapiao qui6, Marapilo creoulo (S. Thomd), P6 piam (An-
golar). (Zanthoxyllon rubescens, Planch.)
Toro cortado a metro da forquilha do BElmb6 (S. Thom6).
Goqui (Angolar).-(Santtriopsis balsamifera, Engl.)
Toro cortado a I metro da forquilha do Mucumbli.
Toro cortado a i metro da forquilha da Azeitona preta ou
P6 pleto, Pau preto.-(Polyalthia acuminata, Oliv.) -
Toro cortado a I metro da forquilha do pau P6 sum Mil6
branch, Pau Senhor Manuel branco (S. Thome), Macua
cua (Angolar).
Toro cortado a i metro da forquilha da Nespera d'6b6
(S. Thome), Quimd6mbia (Angolar)-(Sterculia traga-
cantha, Lindl.)
Toro cortado a i metro da forquilha do Ca-cr6c6t6 ou Ci-
c16c6t6, Posmi (Angolar).
Toro cortado a i metro di forquilha do G6g6. -Sorindeia
acutifolia, Engl.)
Toro cortado a i metro da forquilha da Azeitona.-(Sidero-
xylon densiflorum, Baker.)







25

Toro cortado a i metro da forquilha do Pau branco ou Pau
gamella.-(Hasskarlia didymostemon, Baill.)
Toro cortado a i metro da forquilha do Mangue d'6b6. -
(Coryanthe paniculata, Welw).
Toro cortado a I metro da forquilha do Pau capitango ou
Viro branco.--(Celtis integrifolia, Lam.)
Toro cortado a i metro da forquilha do Figo pl6co, Figo
porco, Figo de porco. --(Ficus, sp.)
Toro cortado a I metro da forquilha do Mangue do rio, ver-
melho. (Rhi;ofora Mangle, L.)
Toro cortado a I metro da forquilha da Linza mucambi,
Laranja mucambi.
Toro cortado a i metro da forquilha do P6 muala (S. Tho-
me), Zungi (Angolar).
Toro cortado a i metro da forquilha do Inhi b6b6 (S. Tho-
me e Angolar).--(Xilopia africana, Oliver.)
Toro cortado a i metro da forquilha do Vlime, ou Ver-
melho.
Toro cortado a i metro da forquilha do Muxilhi (S. Thome e
Angolar).
Toro cortado a i metro da forquilha do M~1616 (Angolar),
Mangue do rio (branco).
Toro cortado a i metro da forquilha do Quib6le.
Toro cortado a I metro da forquilha da Fia piquina, Folha
pequena, (S. Thome), Camu suem (Angolar).
Toro cortado a I metro da forquilha do Uncu6ne ou Cata
grande (S. Thome), Sanga (Angolar).
Toro cortado a I metro da forquilha do Inhe pleto, Inhe preto
(S. Thom6), Quimdjumdju, (Angolar). -(Oxymitra pa-
tens, Bth.)
Toro cortado a i metro da forquilha do Muandim vermelho
ou Sucupira. (Pentaclethra macrophylla, Benth.)
Toro cortado a I metro da forquilha do Ob~. -(Irvingia ga-
bonensis, H. Bn.)
Toro cortado a i metro da forquilha do Zamumo (S. Thomd).
Toro cortado a i metro da forquilha do Cavole.
Toro cortado a i metro da forquilha da Amoreira vermelha.
-(Chlorophora excelsa, Benth et Hook).
Toro cortado a i metro da forquilha do Coqueiro. -(Cocos
nucifera, L.)
Toro cortado a i metro da forquilha do Obitd. -(Ficus, sp.)
Toro cortado a i metro da forquilha do SoAsod. (Alsodeia
ardisafJora, Welw.)
Cinco grandes troncos com raizes adventicias de figueiras africa-
nas, abraqando-os.







26

Raiz de G6g6.-(Sori'dtliai acutifolia, Engl.)
Raiz de Na uu-ud (Angolar), P6 sum MWle, vldm, Pau Se-
nhor Manuel, vermelho (S. Thomd).
Raiz de Fedd.
Raiz de Amoreira branca (S. Thome), Mucumba blanco (An-
golar).
Raiz de Azeitona. -(Sideroxylon densiflorum, Baker).
Raiz de Fico ploco, Figo porco, Figo de porco. -(Ficus, sp.)
Raiz de Vldme, Vermelho.
Raiz de Izaquente. (Triculia africana, Dcne.)
Raiz de P6 sandjia, Pau sardinha, VAla sandjia, Vara sardi-
nha (Angolares).
Raiz de Umgdin emg6b6 (S. Thomd), Macua cur (Ango-
lar).
Raiz de P6 m6le, Pau mole (S. Thome), N'guemgu6 (Ango-
lar).
Raiz de Mangue d'6b6. -(Cotyanthe paniculata, Welw).
Raiz de Pau Caixao.-(Uroph)'llum insulate, Hiern.)
Raiz de Oleo barao (S. Thomd), Quimgo (Angolar). -(Synm-
phonia globufifera, L.)
Raiz (exemplar curioso) de Mussandi.-(Ficus, sp.)
Raiz de P6 quentchi, Pau quente, Pau ferro.
Raiz de Nespera d'6b6 (S. Thomd), Quimdembia (Angolar).
-(Stericulia Tragacantha, Lindl.)
Raiz de Safd.- (Canarium edule, Hook.)
Raiz de Amoreira vermelha, Mucumbd vlmeC (Angolares) -
(Clorophora excelsa, Benth et Hook).
Raiz de Coqueiro. -(Cocos nucifera, L.)
Raiz de de Tabdque ou Pau tabique.
Raiz de Marapiao preto, Marapiao qui6, Marapilo creoulo
(S. Thomd), P6 piam (Angolar).-(Zanthoxyllon rubes-
cens, Panch.)
Raiz de C61a, Kola.-(Cola acuminata, R. Br.)
Raiz de Pau Capitango ou Viro branco. -(Celtis integri/olia,
Lam.)
Raiz de Jaca (S. Thomd), Zica (Angolar).- (Artocarpus inte-
grifolia, L.)
Raiz de Fid piquina, Folha pequena (S. Thome), Cami sudm
(Angolar).
Raiz de Marapiio preto (S. Thome), Ido-ido, Midjd pie (An-
golares).
Raiz de L~nza matto, Laranjeira das florestas, Laranjeira
brava.
Raiz de Blinmb6 ou Pau Oleo (S. Thom6), Goqui (Angolar).
-(Santiriopsis balsamifera, Engl.)







27

Casca de Lib6.-(Vernonia amygdalina, Delile.)
SP C6ima doida.
Muxdlii.
S Nespera d'6b6. -(Sterculia tragacantha, Lindl.)
Cita pequena.
SCalunga c'unddla.
S Oc.- (Eriodendron anfractuosum, D. C.)
SFructa pio. (Artocarpus incisa, L.)
Coqueiro. -(Cocos nucifera, L.)
Pau cadeira.-(Kickxia africana, Bth.)
Pau milho.
n Pau Oleo.- (Santiriopsis balsamifera, Engl.)
) Pau ferro.
n Inhd preto.--(? Oxymitra patens, Bth.)
n Pau Vermelho.
Zamumo.
,Pau mole.
S Umbungi.
S )> Coaco branco.
S, Pau preto. -(Polyaltia acuminata, Oliv.)
S Pau caixao.-(Urophyllum insulare, Hiern.)
SCavold.
Pecegueiro. -(Chitranthus Mannii, Hook.)
S D'jungii.
S Goiabeira. -(Psidium pomiferum, L.)
n Mucumbli.
> Muandim ou Sucupira.--(Pentaclethra macrophyl-
la, Benth.)
Casca de laranja Mucambd.
SPau Vum-vi.
> Mangue do rio.--(RhiTophora mangle, L.)
S C61a d'6b6. -(Cola digitata, Masters.)
S Pau capitango.-(Celtis integripholia, Lam.)
S Safi.--(Canarium edule, Hook.)
S Pau gamella.-(Hasskarlia didrmostemon, Baill.)
S Pau alho.
S Sod-soA.--(Alsodeia ardisieflora, Welw.)
S C6cl6t6 ou Cocl6c6t6.
S C61a. -(Cola acuminata, R. Br.)
t ObAti. -(Ficus, sp.)
P Folha pequena.
Gbd-gbe.
> Amoreira.-(Chlorophra excelsa, Benth. et Hook.)
SC61a preta.
S n ,Azeitona. (Sideroxrlon destnflorum, Baker.)









Casca de G6fer. -(Musanga Smithii, R. Br.)
> Bungd.-(Hernandia beninensis, Welw.)
Marapi~o. (Zanthoxyllon rubescens, Planch.)
> Marapilo branco.
Inh6 b6b6.- (Xylopia africana, Oliv.)
Pau cabra.-(Trema affinis, Planch.)
S Pau sangue.-(Haronga madagascariensis, Chois.)
n > Pau Bugo-bugo.
S) Mussand. -(Ficus, sp.)
a a Muindo. -(Morinda citrifolia, L.)
I Izaquente. (Treculia africana, Dcne.)
Quime.-(Newbouldia Levis, Seem.)
Estrdla-estrala.
a Micond6.
> B Bugi-bugi.-(Claoxyllon Molleri, Pax.)
> ObA. (Irvingia gabonensis, H. Bn.)
B Cata grande.-(Orchipeda, sp.)
> Calunga c'unddla.
> a G6g6.-(Sorindeia acutifolia, Engl.)
Couro vegetal.
Chama-se assim A casca da arvore, que na ilha d co-
nhecida pelo nome de Figo porco (Ficus, sp.)
Uma amostra de madeira, mostrando os estragos produzidos
pelo Teredo navalis.

As informaqSes relatives is arvores d'esta roqa devem-se
ao expositor.


SEC(AO III

Products de caga e pesoa


Seis tartarugas vivas, apanhadas no mar pelos servigaes da
roca.
Uma colleccqo de differences species de peixes em alcohol,
pescados pelos servicaes, no mar que banha as praias da
roqa.
Differentes species de crustaceos em alcohol, entire elles encon-
tram-se as species:
Cardisoma Guanhami, Latr.
Occipoda cursor, Lin.
Lupa spinimosa, Learn.






29

Thelphusa margaritaria, A. Milne-Edw.
Atya scabra, Leach.
As duas ultimas species sao de agua d6ce e abundam
nos rios de S. Thome.
Camar6es dos rios de agua d6ce. -(Palemon Olfersi, XWied.)


SECCAO IV

Products vegetaes diversos nao alimentares


Coconote partido.
Coconote inteiro.
Coconote descascado.
Coconote em casca.
Chama-se Coconote a semente da Palmeira de oleo ou
Dendem. (Eleis guineensis, L.)
Oleo de coconote purificado.
Este oleo 6 extrahido da amendoa da semente da Pal-
meira de oleo ou Dendem.- (Elais guineensis, L.)
O oleo de coconote ter hoje largo consume na Euro-
pa-e America do Norte, em varias industries, e prin-
cipalmente na da saboaria. Dos residues, que ficam
da fabricacao d'este oleo, fazem-se uns bolos, que
sao um bom sustento para o gado, e que tambem
se empregam para adubar a terra. Em Africa ji
este oleo vae tendo applicaq6es, empregando-se nas
luzes, no fabric do chamado sabdo da terra, e na
medicine caseira, como emoliente. Ainda nao ha
muito tempo que este oleo s6 se fabricava na Eu-
ropa, e que das nossas possesses s6 se exportava
o coconote.
Oleo de coconote purificado.
Oleo de palma.
Este oleo, a que tambem se di o nome de azeite de
palma, 6 extrahido da parte carnosa do fructo da
Palmeira de oleo ou Dendem.-(Elaeis guineen-
sis, L.)
O oleo de palma 6 um product valioso, e que, tanto
na Europa como na America do Norte, ter grande
applicacao em varias industries, como por exemplo
na da saboaria. Em Africa mesmo, tern elle grande






30

consume, pois e usado nos usos culinarios pelos in-
digenas, e atd por muitos brancos. Tambem ali se
emprega na medicine caseira, como erroliente.
Oleo de palma, purificado.
Oleo de coco.
Este product extrahe-se por compressao ou por deco-
ccao da amendoa do fructo do Coqueiro (Cocos nu-
cifera, L.) O oleo de c6co ter applicacao em mui-
tas industries. Em Africa, 6 usado nos usos culina-
rios e nas luzes.
Oleo de c6co, purificado.
Amido de mandioca.
Algodao.-(Gossrpium herbaceum, L.)
0 algodgo de S. Thomd e de boa qualidade, send
para sentir que a cultural d'esta preciosa plant nao
se tenha ali generalisado mais.
Upa ou L5 de palmeira.
E' extrahida da nervura das folhas da Elamis gumeensis,
L. E' excellent para obra de colchoeiro e estofa-
dor. Os indigenas servem-se d'ella como isca para
accender o lume.
Sumaima ou La de coqueiro.-(Cocos nucifera, L.)
Tern a mesma applicacao que a antecedente.
Palha de coqueiro, obtida das fibras da base das folhas do
Coqueiro.-(Cocos nucifera, L.)
Filamento de Micond6 ou Imbondeiro. (Adansonia digi-
tala, L.)
Servem para corn elles se fabricarem cordas e para te-
cer um panno grosseiro, que p6de utilisar-se para
enfardar differences generous coloniaes.
Filamentos de Ot6t6.-(Urena lobata, L.)
Servem para fabricar cordas.
Filamentos de Inhi muala ou Ganzd.
Servem para corn elles se fazerem cordas.
Filamentos de Ananaz.-(Ananassa sativa, Lindl.)
Servem para cor elles se tecer panno, fabricar cordel
e cordas, assim como para se fazer papel.
Filamentos de Linho da Nova Zelandia.-(Phormium tenax,
Forst.)
Sao muito empregados no fabric de papel e tambem
serve para tecer panno e fabricar cordame.
Filamentos de Urtiga.-(Boehmeria nivea, Hook.)
Cor estes filamentos se fabric, ao sul da ilha, o fio
de pesca. Os filamentos d'esta plant sdo de pri-
meira qualidade para se tecer panno; pordm, atd






31

hoje, ainda se nTo descobriu um process pratico e
barato para os extrahir em grande escala. Com elles
tambem se p6de fabricar papel e cordas.
Fava de S. Thome.
Palha de Andim.
E' a p6lpa do fructo da Elceis guineensis, L., secca ao
sol, depois de extrahido o oleo de Palma.
Cocos seccos (fructos de Coqueiro).-(Cocos nucifera, L.)
Cocos descascados.
Cocos descascados e limpos.
Cocos com a agua.
Fructos de Coqueiro (Cocos nucifera, L.), serr.idos a meio e
privados do miolo, para esfregar o soalho das casas.
No commercio sio conhecidos pelo nome de Cocos para
esfregar o soalho.
Carvao feito da madeira de azeitona.-(Sideroxylon densiflo-
rum, Baker.)
Carvao feito da casca do fructo do Coqueiro-(Cocos nucife-
ra, L.)
Carvio feito da casca da semente de Palmeira de oleo ou
Dendem.-(Elceis guineensis, L.)
Um mdlho de varas de Pau leite (Cephcelis spathacea, Hiern.),
para fabricar archotes.
Latex da arvore chamada Pau cadeira.-(Kickxia africana,
Benth.)
Este latex dd uma especie de caoutchouc de qualidade
inferior.
Leite ou succo do ObatA.-(Ficus, sp.)
Latex de Amoreira.-(Clorophora excelsa, Benth. et Hook.)
Rezina de Cajd.-(l4nacardium occidental, Lin.)


SECCAO V


Substanoias e products alimentares nos seus
differences graus de preparagao


Cafd (Goffea arabica, L.) despolpado.
Cafe descascado.
Cafe em cereja, secco.
Cafe em cereja, conservado em alcohol.










Cafe escolhido.
O cafezeiro 6, sem duvida, a plant que hoje mais se
cultiva em S. Thome; foi alli introduzida, em 18oo,
pelo governador J. B. da Silva Lagos, corn semente
que mandou ir do Brazil. O cafezeiro cultiva-se
n'esta ilha desde o littoral ate 1:4oo metros de alti-
tude approximadamente. O fructo do cafezeiro cul-
tivado a altitude superior a 600 metros, 6 ali, no ge-
ral, de muito melhor qualidade do que o creado em
altitudes inferiores. Em 1889-1890, S. Thome ex-
portou cerca de 179:900 oirrobts de cafe, e em
1890-1891, 141:626 arrobas.
Cacau.
Cacau (Theobroma cacau, L.) secco.
Depois do cafezeiro, a cultural mais important em
S. Thome 6 a do cacaueiro. Cultiva-se desde o litto
ral ate cerca de 65o metros de altitude. Segundo a
opiniao de alguns agricultores dos mais entendidos
em assumptos agricolas, nas rocas que tenham ter-
renos adequados i cultural do cacaueiro, vale mais
a pena cultival-o do que ao cafezeiro, pois di me-
nos trabalho e menor despeza, tanto na cultural como
na colheita. O cacaueiro aos quatro ou cinco annos
ja nao requer tantos cuidados e dispensa mais as
capinas. Bastam seis ou oito dias para se seccarem
as sementes (cacau), o que nao acontece com o
cafe, que demand grande trabalho e despeza ati
ao ponto de ficar em estado de se poder ensaccar.
Em egualdade de circumstancias, na area de terreno
plantado cor qualquer d'estas duas plants, a que
estiver povoada corn cacaueiros di maior producqio.
A exportaqdo de cacau pela alfandega de S. Thomi,
nos ultimos annos, foi:

Annos Arrobas
1887-1888............... 94:791
1888-1889........... .. z 12:643
1889-1890.............. i58:o93
1890-i89 ............... 202:828

Por aqui se ve que a cultural do cacau tem-se desenvol-
vido bastante n'esta ilha, e que os agricultores, que
teem terrenos apropriados para ella, preferem-n'a i






33

do cafezeiro, pelos motives expostos, embora o cafe,
nos ultimos annos, tenha mantido preco elevado no
mercado.
Sementes de Izaquente.-(Treculia africana, Dcne.)
Estas sementes constituem um bom alimento e podem
substituir o feijio.
Acafr6a.-(Carthamus tinctorius, L.)
Milho bronco em espiga.
Milho amarello em espiga.
Milho vermelho em espiga.
Milho em grio (branco e amarello).
Farinha do fructo da bananeira Pao.-(e WMsa Paradisica, L.)
Farinha (Fuba). Idem, idem.
Farinha (Fuba) de raiz de mandioca.-(Manihot utilissima, Pohl).
Farinha (Fuba) de milho.-(Zea mats, L.)
Xarope de manga, de segunda qualilade.
Xarope de ananaz, de primeira qualidade.
Xarope de ananaz, de terceira qualidade.
Mel de abelhas.
Este mel 6 extrahido das colmeias das abelhas selva-
gens, que muito abundam nas florestas ao sul da
ilha. Fazem as suas colmeias nos buracos dos tron-
cos das grandes arvores.


SECCAO VI

Vegetaes ou seus products, e animaes, que se tor-
nam distinctos pela sua belleza ou utilidade e se
ndo acham comprehendidos nas classes preceden-
tes
ProductoM vegetaes

Fructos de I6bo.-(Monodora grandiflora, Benth., da familiar
das Anonaceas).
Fructos de Cacauzeiro.-(Theobroma cacau, L., da familiar das
Butteneraceas).
Fructos de Mamalonga.-(Lzffa cylindrica., Rcem., da familiar
das Curcubitaceas).
Fructos da Arvore do Pao.-(Artocarpus incisa, L., da fami-
lia das Artocarpeas).







34

Fructos de Sap-sap. -(Anona muricata, da familiar das Ano-
naceas).
Fructos de Maracuji. .-(Passfylora quadrangularis, L., da fa-
milia das Passifloreas).
Fructos de Jaca.-(Artocarpus integrffolia, L., da familiar das
Artocarpeas).
Fructos de Palmeira de oleo ou Dendem. (Eleis guineen-
sis, L.)
Cachos cor fructos da mesma palmeira.
Fructos de Mamoeiro.-(Carica Papaya, L., da familiar das
Papayaceas).
Fructos de bananeira PRo. (Mlusa paradisica, L., da familiar
das Scitamineas).
Fructos de bananeira Prata. (Musa sapientum, L.)
Fructos de bananeira Quitibai.-(Musa, sp.)
Fructos de bananeira Maga.-(? Musa seminifera, Lour.
var.)
Fructos de bananeira Ouro ou Roxa. -(? Musa Hermandii,
Ipse.)
Fructos de bananeira Muila.--(Musa, sp).
Fructos de bananeira GabLo. -(? Musa seminifera, Lour.)
Fructos de bananeira Homem.-(? Musa corniculata, Rumph.)
Raizes de Mandioca.-(Manihot utilissima, Pohl., da familiar
das Euphorbiaceas).
Raizes de Batata dgce.-(Batatas edulis, Chois., da familiar
das Convolvulaceas).
Baringellas. (Solanum esculentum, Dun., S. Melongena, L.,
da familiar das Solanaceas).
Fructos de Mangueira.-(Mangifera indica, L., da familiar
das Anacardiaceas).
Fructos de P6 piam-pld.
Fructos de Midjd pie.
Fructos de Cajueiro.-(Anacardium occidental, L., da fami-
lia das Anacardiaceas).
Fructos de Maracuji pequeno.-(Passiflora edulis, Sims., da
familiar das Passifloreas).
Fructos de Safueiro. -(Canarium edule, Hook., da familiar das
Burseraceas).
Fructos de Paga u0 pie.--(Leea tinctoria, Lindl., da familiar
das Ampelideas).
Fructos de Selele.
Fructos de Limoeiro. -(Citrus Limonum, Risso.)
Fructos de Nona ou Fructa do conde. -(Anona squamosa, L.,
da familiar das Anonaceas).
Tuberculos alimenticios de Ot6ni.







35

Fructos em cereja de Cafezeiro da Liberia. -(Coffea Liberica,
Bull.)
Este cafezeiro p6de-se cultivar em pontos onde o cafe-
zeiro commum nao se da muito bem, como s~o os
terrenos de pouca elevacio junto A costa, onde o
calor d intense. Sobre tudo, pordm, o que elle tern
de vantagem sobre o cafd commum (Coffea arabi-
ca, L.), e que os fructos, depois de maduros, con-
servam-se por mais tempo na arvore. Esta vanta-
gem e grande, onde ha escassez de braqos, e os
agricultores, se a colheita e boa, luctam cor diffi-
culdades para a poder fazer a tempo. O cafr da
Liberia (Coffea liberica, Bull.) permitted prolongar a
colheita sem que o fruto caia e se perca a semente,
como muitas vezes acontece com o cafezeiro com-
mum. Aldm d'isso, o cafezeiro da Liber;a parece
ter certa immunidade contra os ataques do Cenios-
toma Coffeellum, insect que causa bastantes estra-
gos nos cafazeiros de certas regi6es, e tambem d
menos affectada pelo Hemileia vastatrix, pequeno
cogumello que ataca as folhas d'estas plants, occa-
sionando-lhes prejuizos consideraveis. O cafezeiro da
Liberia foi introduzido em S. Thomd pelo fallecido
agricultor Alfredo dos Santos Pinto, no anno de 1878.
Fructos de ananaz -(Ananas sativa, Schult., da familiar das
Bromeliaceas).
Uma collecqdo de cogumellos, pertencentes aos Hymenomy-
cetes (Telephorei, Polyporei, Agaricini).
Uma collecqco de algas marinhas, pertencentes is Caulerpeas,
Lemanieas, Dictyoteas, Cystoclonicas, Sphcerococceas e
Chondrieas.
Qu:tro coralliarios, apanhados nas praias do mar, junto i roca.
Um d'estes exemplares e de grande valor scientific,
principalmente pelas suas dimens6es, pois mede de
altura o",64 e de diametro om,59.

PLANTS VIVAS:
Plantas de Coqueiro. -(Cocos nucifera, L.)
Plantas de Untind ou Pau esteira. (Pahdanus thomensis,
Henrq.)
Plantas de Palmeira de oleo ou Dendem. (Elacis guineen-
sis, L.)
Plantas de Mangue do rio.-(Rigophora racemosa, Mey.)
Plantas de Arvore do pao.-(Arlocarpus incisa, L.)








36



Productos animaes

Uma colleccdo de conchas. Encontram-se entire ellas as se-
guintes :

TERRESTRES:

Achatina bicarinata, Brug.--(A. sinistrosa, Pfeiffer.)
Bulimus exaratus, Niller.

MARINHAS:

Mactra Adansoni, Philipp.
Mitilus Senegalensis, Lam.
Spondylus gacderopus, L.
Conus papilionaceus, Brug.
Conus testudinarius, Martyn.
Cleurotoma diadema, Kienner.
Harpa rosea, Lam.
Oliva acuminaza, Lam.
'Pseudoliva sepimana, Brug.
Purpura neritoidea, Lam.
Purpura hemastoma, L.
Tritonidea viverrata, Kienner.
Cyprrea lurida, L.
Cyprea annulus, L.
Cyprcea stercoraria, L.
Cyprrea spurea, L.
Pyrula morio, L.
Cassis crumana, Brug.
Triton ridens, Reeve.
Sirombus bubonius, Lam.
Cerithitum guiniceum, Philipp.
Estas conchas foram classificadas pelo sr. Augusto No-
bre.
Cascas de ostras.- (Ostrea guineensis, Dunker.)
As cascas d'este mollusco sao bo.is para fazer cal.






37



SECgAO VII

Products chimicos e pharmaceuticos, perfumaria,
saboaria, adubos, especimens de processes de
lavagem, tinturaria, etc.

Balsamo de S. Thome.
Esta substancia obtem-se por incis6es feitas no tronco
da arvore chamada Pau Oleo (Santiriopsis balsanmi
fera, Engl.) da familiar das Burseraceas. Das inci-
s6es exsuda urn product myroleo-resinoso, que se
chama Terebentina ou Balsamo de S. Thomd. Ou
tr'ora o Balsamo de S. Thome era exportado den-
tro do endocarpo do Cocos nocifera, L., tal qual era
extrahido das arvores. Hoje, porem, e purificado, e
deitado em frascos ou garrafas. O Balsamo de S. Tho-
md 4 um soberbo medicamento. Externamente, emr
prega-se como topico nas feridas recentes e tambem
se p6de usar corn vantage na cura de certas ulce-
ras. Internamente d applicado nos catarrhos de be-
xiga e nas bronchites chronicas ou nas agudas, que
tendem a passar Aquelle estado. O seu preco re-
gula entire iiooo a 30ooo rdis a garrafa, conforme
o seu estado de pureza,
C6ca ou C6ca do Perti. -(Erythroxyton Coca, Lam.)
Esta plant medicinal foi introduzida na ilha, ainda hi
poucos annos, pelo sr. J. da Costa Pedreira.

PLANTS MEDICINES INDIGENAS:

Fid glja. Folhas.
Milond6. (Acridocarpus Smeathmanni, Guill.) Raiz.
Mosquito do campo.-(Ocimum Basilicutm L. var. pilosum.)
Toda a plant.
Malva de S. Thome. Folhas.
Cinza feita das capsulas do cacau.-(Theobroma cacau, L.)
Esta cinza contem grande quantidade de potassa.
Potassa extrahida das capsulas do fructo de Cacaueiro (Theo-
broma cacau, L.) a que na ilha se dd o nome de Ocali.
Sablo fabricado cor oleo de palma.







38

Sabio fabricado corn oleo de palma e embru!hado em folhas
de bananeira.
Este sabao fabrica-se em bolas corn a f6rma espherica,
tendo cerca de 6 a 7 centimetros de diametro. E de
c6r escura e pouco agradavel a vista, mas d macio,
bastante espumoso e lava bem.
Sabao fabricado cor oleo de c6co.
Nio e bonito, mas d macio, espumoso e lava bem.
Sabao fabricado corn oleo de coconote.
E muito similhante em qualidade ao feito corn o azeite
de palma.


SEC9AO VIIi

Machines, machinismos em geral, instruments de
preoisSo, material relative a engenheria em todos
os seus ramos e a architectural civil e naval,
ferramentas, utensilios, material para caga e
pesca, etc.


Dois models de habitac6es indigenas.
Tres maos de pilao feitas de Amoreira.-(Chlorophora excelsa,
Benth. et Hook.)
Dois pil6es da mesma madeira.
Cinco basti6es feitos de G6fe ,'Musanga Smithii, R Br.), pelos
services da fazenda.
Column feita de Azeitona. -(Sideroxylon densiflorum, Baker.)
Rolhas feitas de Bunga.-(Hernandia beninensis, Welw.)
Seis machines.
Instrumento que serve para capinar, podar, etc.
Seis machados.
Serve para cortar arvores, apparelhar madeira e ra-
char lenha.
Quatro machadinhas.
Empregam-se para limpar as palmeiras.
Duas enx6s.
Servem para desbastar madeira.
Duas enx6s curvas.
Empregam-se para escavar os troncos das arvores de
que se fazem as canvas ou pirogas.







39

Doze ganchos para cortar os fructos do cacaueiro.
Quatro azagaias, empregadas na caca do porco bravo.
0 porco bravo que habitat em S. Thome, d de origem
domestic. Sao porcos que outr'ora fugiram das ro-
gas para o matto, propagando-se e tornando-se bra-
vios. O mesmo se deu cor as cabras e as gallinhas,
que tambem se encontram na ilha no estado selva-
gem.
Quatro harp6es, empregados na pesca da toninha, tubarlo,
cachalote, etc.
Dois harp6es para fisgar tartarugas.
Quatro fisgas para pescar ao candeio.
Dois pannos de rede para pescar barbudos.
Uma tarrafa para pescar sardinha.
Uma tarrafa para pescar barbudo.
Nove tchiangas, feitas de Palmeira de oleo ou Dendem (Etceis
guineensis, L.); sao usadas pelos Angolares para a pesca
do peixe miudo.
Dezesete quissaclis feitos de Palmeira de oleo ou Dendem;
empregam-se na pesca do camaraio.
Duas mutdtes (armadilha para pescar peixe pequeno), feitas
da Eleis guineensis, L.
Quatro mussuis.
Apparelho de pesca feito de Palmeira de oleo ou Den-
dem. Um d'estes mussuAs, nao esti atado na base,
para indicar que ter de ser tapado cor folhas na
occasiio de se usar; s6 entao 6 que se amarra defi-
nivamente.
Doze archotes de Andalla ou folha de Coqueiro.-(Cocos no-
cifera, L.)
Estes archotes servem para pescar ao candeio, quando
se quer apanhar o peixe voador, o peixe agulha, etc.
Dezenove archotes de Pau Leite.-(Cephcelis spatacea, Hiern.)
Serve para o mesmo fim que os antecedentes.
Um archote de Zungfi.
Tambem serve para o mesmo fim.
Dois tirantes de agua feitos de Marapinha, pelos Angolares da
roga.
Servem para tirar agua do fundo das pequenas embar-
caqoes. Sao muito similhantes aos vartedores, que
na metropole se usam para o mesmo fim.
Seis tirantes de agua feitos de Muxulh, pelos Angolares da fa-
zenda.
Dois tirantes de agua feitos de Gg6.--(Sorindeia acutifolia,
Engl.) pelos Angolares de Porto-Alegre.







40

Um tirante de agua feito de Pau branco.-(Hasskarlia didy-
mostemon, Baill.)
Um tirante de agua, de Sangi ou Cata grande.-(Orclype-
da, sp.)
Dois tirantes de agua, de Amoreira.-(Chlorophora excelsa,
Benth. et Hook.)
Dezenove remos para canvas.
Seis remos de canvas de madeira da arvore chamada Macuimd.
Oito remos de madeira da arvore denominada Na-uu-ue.
Um remo de madeira da arvore chamada Zungd.
Dois remos de Pau preto.-(Polyalthia acuminata, Oliver.)
Tres remos de madeira da arvore Zamumo.
Dois models de canvas dos Angolares, feitos da madeira de
Gog6.-(Sorindeia acutifolia, Engl.)
Tres miniaturas de canvas dos Angolares, feitas de Obd. -
(Irvingia gabonensis, H. Bn.)
Uma can6a ou piroga feita do tronco de uma arvore denomi-
nada Figo porco.-(Ficus, sp.)
Dois cocos lavrados, cor cabos de madeira: serve para tirar
agua dos potes, cantaros, etc.
Dois pares de cordas para trepar ds palmeiras e coqueiros, a
fim de os limpar, apanhar os fructos e extrahir o vinho de
palma.
Uma cubata rectangular, de tamanho natural.


SECCAO IX

Materials textis em flos e tecidos


Tres cordas feitas de peciolos da Palmeira Dendem.
Tres cordas feitas de peciolos de Coqueiro.-(Cocos nucife-
ra, L.)
Quatro cordas feitas de Ot6t6.-(Urena lobata, L.)
Sete cordas de differences grossuras, feitas de cascas e liber
de Figueira.-(Ficus, sp.)
Cinco cordas de Pau tabaque.
Tres cordas de casca G6fer.-(Musanga Smithii, R. Br.)
Cinco cordas feitas de folhas de Palmeira de oleo.-(Eleis
guineensis, L)
Oito cordas feitas de fibra de Urtiga.-(Boehmeria nivea,
Hook.)







41

Fio de corda feito de fibras extrahidas de folhas de Ananaz.
-(c4nanas sativus, Schult.)
Duas cordas de Inhi muala ou Ganzd.
Cordas feitas de fibras de Micond6 ou Imbondeiro.-(Adanso-
nia digitata, L.)
Doze amostras de fio feito de fibras de Urtiga ('Behmeria
nivea, Hook.); d'elle se fazem redes de pesca.


SEC9AO x

Artigos de.vestuario e objects diversos de uso pessoal
nAo incluidos n'outras classes

Doze sementes de Palmeira de oleo (Elcis guineensis, L.) la-
vradas; servem de ornamento.
Fructo de Mamalonga (Luffa cylindrica, Rcem.) secco e la-
vrado na casca.
Dois cachimbos para fumar liamba.-(Cannabis sativa, Lin.)
Tabaqueira de chifre de boi.


SEC9AO XI

Mobilia e armagqo, papeis pintados, objects de xarao,
obras de esteireiro, cesteiro, etc.

Cesto feito de Mateba ou Ulha, Palmeira de leque.-(Boras-
sus ctiopium, Mart.)
Dois coales (especie de cestos) para transportar peixe, feitos de
Palmeira de oleo ou Dendem.--(Elcets guineensis, L.)
Coale para transporter cafe, cacau, milho, etc.
Quatro quindas ou cestos, feitos de Palmeira de oleo ou Den-
dem.--(Elceis guineensis, L.)
Cesto cor tampa, a que os Angolares dao o nome de Quitd.
Cesto cor p6, feito da Eleis guineensis, L.
Dois coadores para tomatoes, feitos da mesma palmeira.
Dois coadores para tomatoes, feitos de coqueiro.--(Cocos nuci-
fera, L.)







42

Tres tabaqueiras de Canna dos charcos (Graminea), feitas pelos
servicaes da fazenda.
Seis bolsas cor tampa, feitas de peciolos de Palmeira de oleo
ou Dendem. (Eleis guineensis, L.)
Sete bolsas feitas de Inhe de palmeira.
Sere vassouras de Palmeira de oleo.-(Elceis guneensis, L.)
Duas gamellas para lavar roupa, feitas de Bungd.- (Hernan-
dia beninensis, Welw.)
Gamella de Pau cadeira ou Pau visco, cor desenhos a fogo.
-(Kickxia africana, Benth.)
Seis gamellas pequenas de Pau cadeira ou Pau visco. (Ki-
ckxia africana, Benth.)
Gamella de madeira de Figo porco.-(Ficus, sp.)
Gamella pequena de Amoreira. (Chlorofora excelsa, Benth.)
Quinze gamellas de Pau branco ou Pau cadeira. -(Hasskar-
lia didymostemon, Baill.)
Cinco gamellas pequenas da mesma madeira.
Gamella de madeira da arvore chamada Estrala-estrala.
Seis gamellas de Amoreira branca.
Gamella de madeira de Pagi-u8.
Tres gamellas de Amoreira. (Chlorophora excelsa, Benth.)
Duas colheres de madeira de Cata-izaquente, feitas pelos ser-
vigaes da roca.
Colher de madeira de Untu6.
Colher de Pau cdta ou Cita grande.- (Orchipede, sp.)
Tres colheres feitas de Sod-sod. (Alsodea ardisasflora,
Welw.)
Doze pentes de Sod-sod, feitos pelos servigaes da roca.
Oito esteiras feitas de folhas de Pau esteira ou Unnnin.--(Pan-
danus thomensis, Henrq.)
Seis esteiras grandes, tambem feitas de folhas da mesma
plant.
Esteira pequena, feita tambem de folhas da mesma arvore.
Quissanda. Esteira que serve nas roqas para seccar cacau, ba-
nanas, etc.
Vinte e quatro abanadores, feitos de Pau esteira ou Undni.-
(Pandanus thomensis, Henrq.), usados pelos Angolares da
roga.
Oito abanadores feitos do mesmo pau.






43



SEC9AO XII

Instruments musicos


Dois tambores feitos de G6fer. (Musanga Smithii, R. Br.),
usados nos batuques pelos servicaes da fazenda Porto-Ale-
gre.
Dois tambores feitos de G6fer. (Musanga Smithii, R. Br.),
fabricado pelos services da fazenda.
Tambor de Pau tabaque, feito pelos Angolares da fazenda.
Pifano de Canna dos charcos (Graminea), feito pelos Angola-
res da fazenda.
Cinco violas feitas de Bungi (Hernandia beninensis, Welw.),
sendo os tampos de Pau caixAo (Urophyllum insulare,
Hiern.) e as cordas, ou xingas, de Palmeira de oleo ou
Dendem (Elceis guineensis, Lin.)
Quissange. Instrumento musical dos services da fazenda.
A madeira do instrument d Amoreira (Chlorophora
excelsa, Benth. et Hook) e a cabeqa d o fructo de
uma Curcubitacea privado do miolo.
Dois tchimdumda, timdunda ou guind. Instrumento musical
dos services da fazenda.


SEC9AO XIII

Vidraria e ceramic


Tres panellas de barro feitas pelos Angolares da fazenda
Porto-Alegre.







45




OBSERItVA OES GERAES



No livro que publicdmos, em 1873, sobre os products, que
manddmos para a Exposiqgo de Vienna d'Austria-eu e meu
fallecido irmao, Barao de Agua Izd, cor o maior enthusiasm,
escrevemos (pag. 64) o seguinte:

fO governor provincial e o governor da metro-
pole apreciarao, como f6r de justiga, a exposigCo,
que n6s julgamos necessaria para se dar uma idda
approximada da producq~o da ilha, sendo certo que
os rendimentos publicos chegargo a quadruplicar se
a agriculture f6r convenientemente dirigida e auxi-
liada i.,

Sao decorridos ji 21 annos 1873 a 1894 e faltam,
por complete, todas as estradas publicas; nao se organisou a
navegacao em volta da ilha, e, comtudo, os rendimentos publi-
cos teem crescido extraordinariamente.
Podia eu comparar os products, que entao organisa-
mos (1873) corn os que colleccionei agora para a Exposicao
do Palacio de Crystal do Porto (1894), mas seria demasiado
longa esta comparacgo, e por isso limito-me a reproduzir aqui
o que entao escrevemos (pag. 45) do referido trabalho.
E' do theor seguinte:

aA posigao geographic da ilha de S. Thom6,
em relacdo d provincia de Cabo Verde e de Angola,
dd-lhe grande importancia: d como um ponto de
descanco para os navios, que navegam pelos mares
da Costa d'Africa, e offerece-lhes boas aguas, bons
refrescos e mantimentos e tambem boa carga, a qual
tende sempre a augmentar.s


1 Algumas consideraq6es acerca dos products remettidos para a Ex-
posiqLo de Vienna d'Austria no fim de janeiro de 1873, offerecidas ao go-
verno de Sua Magestade, pelo Barao de Agua Ize (filho) e Commendador
Jacintho Carneiro de Sousa e Almeida.








46

Na pag. 47 dissemos mais o seguinte:

rA agriculture, dirigida corn method e prote-
gida pelos poderes publicos, trard 6 ilha de S. Tho-
md o menor grAu de insalubridade, a que ella pos-
sa chegar, ou a maxima salubridade compativel com
o clima equatorial sob que elle se acha. E' esta a
nossa crenca, sao estas as illaq6es que os factos e o
estudo dos terrenos da ilha nos teem auctorisado a
affirmar!b

Deu-me sempre o meu fallecido pae as provas de maior
confianga, entregando-me importantes trabalhos agricolas a di-
rigir, e assim me fui educando nos campos e ao lado das cul-
tures, tendo conhecimento director, persoal, dos melhores terre-
nos da ilha e das cultures, que esses terrenos mais favorecem,
e posso affirmar ao governor quc nao ha terrenos por toda esta
zona da Guind que possam egualar-se aos da ilha de S. Tho-
m6! Dizia-o e escrevia-o meu saudoso pae nos trabalhos, que
deixou publicados no 'Boletim Oficial da Provincia, e verho eu
confirmar agora o que elle referia sempre corn o maior enthu-
siasmo.
Promoveu meu fallecido pae as grandes cultures; intro-
duziu importantes plants uteis, e eu lance as bases da explo-
ragco agricola, ao sul da ilha, cedendo todos os terrenos de
que pude disp6r, aos differences europeus, que os teem culti-
vado corn bom resultado e mostrando a toda a evidencia que
se poderia tentar, por toda esta regiio meridional da ilha, a
colonisacao europeia, se estas brilhantes e heroicas tentativas
fossem bem dirigidas e sempre convenientemente auxiliadas
pelos poderes publicos.
De todos estes assumptos me occuparei em occasigo mais
opportuna.











SEGUNDA PARTE

Culturas ein plena aclividade na Fazenda Porto-Alegre

Os products, que foram enviados da Fazenda Porto-
Alegre e que constam dos catalogs parciaes, que formam a
primeira parte d'este trabalho, para a Exposicao Insular e Co-
lonial do Porto (1894), mostram que os terrenos, que consti-
tuem esta fazenda, sao muito aptos para as mais ricas e mais
valiosas cultures, que podem fzer-se em paizes inter-tropicaes.
Nao houve tempo para fazer acompanhar cada product das
informag6es mais indispensaveis, mas ha, em todo o caso, suf-
ficientes indicac6es para poder apreciar-se a importancia agri-
cola e commercial dos que foi possivel enviar aquella Exposi-
Cao. Formam todos elles, apesar das faltas que se notam, um
indice bem seguro da fertilidade do solo e do estado progres-
sivo das respectivas plantac5es na Fazenda Porto-Alegre, umas
jd em largo desenvolvimento ou em cuidadosas experienclas e
ensaios, havendo um bom horto agricola, em que se vao re-
unindo as plants uteis mais conhecidas n'outras colonies in-
ter-tropicaes.
Estio em plena actividade as cultures do cafe (Cofea-ara-
bica L.) e a do cacau (Theobroma cacau, L.) que e, por certo,
uma das mais cuidadas e bem desenvolvidas.
Abundam as palmeiras (Elmis guineensis L.), em todo o lit-
toral e nos terrenos que Ihe sio mais adequados. Ha muitas
praias e sao grandes alguns palmares que lhes correspondem.
Ha grandes untiniaes, apresentando-se lindos typos de ar-
vores tao singulares (Pandanus Thomensis, Henrq.) e os man-
gues (Rhigophora Racemosa, Mey) nas margens do formoso
Malanza, que 6, por certo, a mais bella bacia d'agua (maritimo-
fluvial, que ha em toda a ilha de S. Thome-formam densa
floresta, recortando todo este immense lencol d'agua de mean-
dros agradaveis e que tornam encantador um passeio, em ca-
noa, por este rio acima.
As plantac6es das melhores species de bananeiras, que
crescem quasi expontaneamente por toda a fazenda, fornecem
farto alimento aos serviqaes e bellas fructas para sobremeza,
sendo procurado na propria fazenda, cujo porto muito facility
a entrada de canvas, que acostam maito 4 vontade, A praia,
procurando a Banana-pdo (Musa paradisiaca, L.)







48

Acclimam-se muito bem os melhores fructos de entre-os-
tropicos, e apresentam-se variadas localidades e differences cli-
ras, subindo os terrenos a media e d proporgdo que se vao
affastando do littoral, o que permitted variar as cultures, que se
tornam mais uteis e mais aproveitavels.
Ha muitas fontes, boas nascentes d'agua, algumas de re-
conhecida mineralisacao e sao frequented os rios, que fertili-
sam as terras, formadas de grandes camadas de humus, que,
em algumas localidades, teem formidavel espessura, e se tor-
nam fortemente favoraveis as plantac6es do cacau.
Ha larga plantacAo de borracha... e ha, por toda a fazen-
da, madeiras de lei, que se aproveitam em toda a ordem de
construccoes.
Escreviamos em 1873:

As matas estao abandonadas, assim como as
derrubadas se fazem ao acaso, o que no future p6de
ser prejudicialissimo. O arvoredo represent n'esta
ilha um grande bencficio, por se opp6r d sua maior
insalubridade, e por ser uma valiosissima riqueza, ja
pelas madeiras, .) por outros products que se po-
dem obter.
(Em officio de 9 de junho de i865 dirigido ao
governor provincial, Joao Maria de Sousa e Almei-
da, nosso saudoso pae, chamava a attencdo do go-
verno da provincia para um assumpto de verdadei-
ro interesse, o qual era a classificacqao das madeiras
da ilha e as informac6es que de Timor se podes-
sem obter icerca da conservacao da Fructa-pdo
durante todo o anno.
((Ha muitas arvores, que se reproduzem por
meio de estaca, ha outras, que precisam de ser se-
meadas; umas teem crescimento rapido, e outras
mais demorado. E' precise attender a todas estas cir-
cumstancias para a conservacao das boas madeiras.
((Torna-se, pois, necessario attentar na reprodu-
cao das arvores, que se reputam uteis por qualquer
circumstancia. 0 c6rte das matas ndo deve ser feito
ao acaso. Nio deve tambem ser indifferent a classi-
ficaq~o das madeiras para se destruirem as mas e ir
aproveitando as boas. Essa classificaqco deve fazer-
se em presence das amostras remettidas para Lis-
boa. Ficamos depois habilitados a escolher as arvo-
res, e quando, por forca de circumstancias, f6rmos
obrigados a destrui-las, procuraremos reproduzi-las






49

n'outro logar. A conservacao das arvores de rapido
crescimento, a das arvores de porte elevado e de
pouca ramagem sao boas para se conservar o am-
biente fresco, a regularidade das estacoes, e oppor
uma grande barreira a continuacao da insalubridade
da ilha, pois estd no exaggero da forca ou potencia
vegetativa da terra uma causa geral da insalubrida-
de, e nao na existencia das arvores de bello porte,
que cobrem a ilha por toda a parte,

Sao estas as informaq6es, que demos, em 1873, a respeito
das madeiras da ilha da S. Thomr. Posso reproduzi-las hoje,
pois teem today a razao de ser, agora como entgo.
Mas p6de a ilha de S. Thome limitar-se s6mente As cultu-
ras do cafd e do cacau, e, mesmo as da quina, das suas bel-
las madeiras, palmares, canna saccharine?
P6de viver esta formosa ilha apenas da agriculture?
Pertence aos poderes publicos tomar todos estes factos em
muita consideracgo.
A par das plantac6es, ja em plena activid de, ha industries
nascentes, que sio animadoras, e algumas d'ellas de imme-
diata utilidade para a ilha de S. Thomn.
E reconhecendo eu, quando estava colleccionando os pro-
ductos para a Exposicao Insular e Colonial do Porto, quanto
urgia dar todo o impulse a todas estas industries, tomei a re-
soluqao de me dirigir a Sua Magestade El-Rei o Sr. D. Car-
los, enviando-lhe a relacao das industries, que mais convinha
introduzir e ensaiar desde js, e, n'esse sentido, fiz o compe-
tente requerimento, fazendo-o acompanhar das mais indispen-
saveis informac6es, a fim de que fossem bem comprehendidos
os meus melhores intentos e os mais enthusiasticos desejos de
concorrer, cor todas as minhas forqas, para o progress da
ilha de S. Thome.
Julgo de toda a necessidade reproduzir, na sua integra, o
requerimento, a que me estou referindo, pois mostro assim
que sei comprehender o que seria a ilha de S. Thom6, se, a
par das prosperas cultures que ja se acham em plena activi-
dade, se criassem novas cultures e novas industries, como as
que eu, corn a mais viva dedicacao a esta ilha e A Patria, tan-
to desejava iniciar em larga escala e por f6rma a poder offe-
recer vantagens As outras nossas colonies e mesmo aos prin-
cipaes hospitals de Lisboa.
Todas estas affirmativas se tornam bem evidentes a vista
do requerimento, repito, a que me refiro e que vae publicado
na Terceira parte d'este trabalho.




University of Florida Home Page
© 2004 - 2010 University of Florida George A. Smathers Libraries.
All rights reserved.

Acceptable Use, Copyright, and Disclaimer Statement
Last updated October 10, 2010 - - mvs