<%BANNER%>

UFIR



Yudja Pare Abiaha - Historia das Flautas Yudja
http://www.mkb.ch/de.html ( Publisher's URL )
CITATION PDF VIEWER
Full Citation
STANDARD VIEW MARC VIEW
Permanent Link: http://ufdc.ufl.edu/IR00000691/00001
 Material Information
Title: Yudja Pare Abiaha - Historia das Flautas Yudja
Series Title: Yudja Musical Revitalization Program
Physical Description: Digital Catalogue of Musical Instruments
Language: Brazilian Portuguese and Yudja
Creator: Athayde, Simone ( Author, Primary )
Rodrigues, Joana Camejo ( Author, Secondary )
Publisher: Museum of Cultures - Basel, Switzerland
Place of Publication: Basel, Switzerland
Publication Date: 2006
Copyright Date: 2006
 Notes
Acquisition: Collected for University of Florida's Institutional Repository by the UFIR Self-Submittal tool. Submitted by Simone Athayde.
Publication Status: Published
 Record Information
Source Institution: University of Florida Institutional Repository
Holding Location: University of Florida
Rights Management:
This item is licensed with the Creative Commons Attribution License. This license lets others distribute, remix, tweak, and build upon this work, even commercially, as long as they credit the author for the original creation.
System ID: IR00000691:00001

Downloads

This item is only available as the following downloads:

Yudja Musical Instruments Digital Catalogue ( PDF )


Full Text

PAGE 2

CATLOGO DE INSTRUMENTOS MUSICAIS DO POVO YUDJA Portugus Yudja Direitos autorais do Povo Yudja, Parque Indgena do Xingu, MT, Brasil, representados pela Associao Yarikayu. Aldeias Tuba Tuba, Pakisba, Pequizal, Pia rau e Mupad. Autoria dos textos e desenhos : Professores Karin Yudja, Mahurim Yudja, Mawar Yudja Suy, Tarinu Yudja, Xadaha Yudja, Xan Yudja, Xaradu Yudja, Yabaiw Yudja, Yapariw Kaiabi Yudja. Alunos e alunas Aduaza Yudja, Areaki Yudja, Dadim Yudja, Dayawa Yudja, Dubare Yudja, Idiyu Yudja, Kawilu Yudja, Kumanu Yudja, Txapina Yudja, Xadawa Yudja, Yanuwaka Yudja, Yaparim e Yatwara Yudja.

PAGE 3

Traduo dos textos dos alunos para o portugus: Karin Yudja, Mahurim Yudja, Mawar Yudja Suy e Xadawa Yudja. Assessoria para organizao do material, digitao e edit orao grfica : Simone Ferreira de Athayde e Joana Salom Camejo Rodrigues. Colaborao : Paulo Jos Pedroso Junqueira, Paula Mendona de Menezes e Ktia Yukari Ono. Realizao: Associao Yarikayu Presidente: Yabaiw Yudja Vice Presidente: Yapariw Yudja Diretor Financeiro: Karin Yudja Secretrio: Paiaw Yudja Apoio: Instituto Socioambiental ISA, Programa Xingu Coordenador: Andr Villas Boas. www.socioambiental.org ASSOCIAO YARIKAYU Ministrio da Cultura Minc Fundao Ra inforest da Noruega RFN Museu das Culturas Basilia Sua Coordenador do Departamento das Amricas: Alexander Brust. www.mkb.ch F otografias: Simone Ferreira de Athayde, Joana Salom Camejo Rodrigues e Geraldo Mo simann da Silva Basel Sua Agosto de 2006

PAGE 4

SUMRIO Apresentao 01 O Povo Yudja, os Donos do Rio 03 A Associao Yarikayu 10 O Trabalho de Revitalizao Musical 11 14 19 Os Instrumentos Musicais do Povo Yudja 24 Clarineta pequena 24 Taratararu Clarineta grande 25 Duru Trombeta 26 Flauta transversal 27

PAGE 5

Wiru Wiru Flauta trans versal 28 Flauta transversal 29 Flauta transversal 30 Flauta transversal 31 Waruba Flauta Reta 32 Flauta de Pan 33 Flauta de Pan 34 Flauta de Pan 35 Casco de Tracaj Musical e Flautinha de Pan 37 Sese Buzina de Taquara 38 Wbekuata Buzina de Taquara 39 Kamahu Buzina de Cabaa 40

PAGE 6

Eziyaha me wwa Chocalho do Paj 41 Xaa wwa Chocalho de cuia para criana 42 Chocalho de casco de tracaj 43 be Chocalho de semente de pequi 44 Ci nto de sementes 45

PAGE 7

Anexos I Catlogo tcnico para os instrumentos musicais Yudja 46 Organizao: Joana Salom Camejo Rodrigues (2003). 46 2. Wiruwiru 47 48 49 50 6. Waruba 51 52 53 54 55 11. Duru 5 6 12. Pre 58 13. Kamahu 59 14. Sese e 15. Wbekuaata 60 61

PAGE 8

17. Prearahh ou Taratararu 64 18. Wwa 66 19. be 68 69 70 Instrumentos Musicais Yudja extintos ou quase 71 extintos 71 2. Duru Itababa 73 3. Marita 73 4. Txtxb 74 5. Pre Knana Hnak a Nakay 74 6. Txa 75 7. Etaata 75 8. Aw ipak 75 9. 76 II Fontes bibliogrficas de referncia 77

PAGE 9

1 Apresentao O Povo Yudja residente no Parque Indge na do Xingu, no Estado do Mato Grosso, est num movimento de revitalizao de suas festas e de sua msica. Em 2001, os Yudja criaram a Associao Yarikayu, para represent los juridicamente e para fortalecer a organizao dos trabalhos de controle do terri trio e a conservao de seu patrimnio cultural. A comunidade Yudja decidiu que o primeiro trabalh o que eles gostariam de desenvolver seria relacionado com a revitalizao e registro de sua msica tradicional. O trabalho tem contado com o apoio do Insti tuto Socioambiental (I SA) atravs do Programa Xingu com assessoria de Paulo Junqueira e Paula Menezes Desde ento, foram desenvolvidas vrias atividades que incluem a gravao e transcrio de msicas, oficinas de confeco de flautas, ensino de flauta s para os jovens manejo de recursos naturais e documentao de festas tradicionais. Em 2003, como continuidade de uma pesquisa sobre os instrumentos musicais Yudja realizada por Joana Camejo Rodrigues e Simone Ferreira de Athayde, iniciou se um contato entre o Povo Yudja, representado pela Associao Yarikayu, e o Museu das Culturas da cidade de Basilia na Sua. O museu, em parceria com a Associao Yarikayu e com o apoio do ISA, est apoiando o trabalho de revitalizao cultural dos Yudja na promo o de oficinas de flautas e festas. Em setembro e outubro de 2005 aconteceu uma grande expedio terra antral Yudja localizada dentro do territrio Kayap, prximo Cachoeira Von Martius. L, foram coletados vrios recursos naturais importantes para o P ovo Yudja que no existem na regio do Parque do Xingu, principalmente a taquara sagrada chamada o recurso mais utilizado na confeco de flautas.

PAGE 10

2 Em junho e julho de 2006, durante a realizao da aconteceram oficinas integradas de confeco e gravao de flautas e de registro de histrias e informaes sobre os instrumentos musicais Yudja Como resultado destes trabalhos, os Yudja esto entregando ao museu uma coleo completa de seus instrumento s musicais, acompanhadas deste catlogo e de um CD contendo amos tras de cada instrumento O museu convidou representantes do Povo Yudja para realizarem uma visita pessoal de intercmbio cultural ao museu e cidade de Basilia. Os materiais produzidos at ravs destes trabalhos so de propriedade intelectual do Povo Yudja sendo vedada a sua utilizao sem a consulta prvia e autorizao das comunidades Yudja, representadas juridicamente pela Associao Yarikayu Aridamalu Yudja Yawakidu Yudja Kuxinalu Yudja K ux in al u Y u dj a Kux inalu Yudja

PAGE 11

3 O Povo Yudja, os Donos do Rio Texto: Kari n Yudja Os Juruna como tamb m so chamados os Yudja, eram um dos povo s mais importante s do Rio Xingu, porque antigamente a nossa populao era muito grande. Nossos antepassados eram os antigos habitantes das ilhas e pennsulas do baixo e mdio curso d o Rio Xingu, um dos maiores rios da libertaram o rio, que antes ficava preso dentro de um tipo de gel eira ou caixa de gelo. Desenho: Tamaika Yudja.

PAGE 12

4 A nossa histria est ligada desde a fundao da cidade de Belm. Em meados do sculo XVIII, o resultado mais evidente dos primeiros cem anos de uma histria marcada pelo aprisionamento, escra vizao, guerra e preda o foi o a bandono de toda a regio do baixo Xingu pelos indgenas. As terras dos Yudja e dos seus vizinhos foram invadidas pela sociedade envolvente. Ns sofremos todo o peso do avano dos seringueiros e de outros povos indgenas na nossa terra ance stral, principal mente os Kayap. Parte dos Yudja vivia em uma grande aldeia onde hoje se localiza a cidade de Altamira, no Estado do Par. Ento, h uns cem anos atrs, o Povo Juruna fugiu da briga com os Kayap e com os seringueiros e se dividiu. A maior parte voltou pa ra trs, descendo o rio. Um nmero reduzido de pessoas subiu o Rio Xingu fugindo da briga e encontrou um outro grupo de Kayap, chamado Xikrin. Eles no ficavam sossegados e continuaram subindo o rio, at chegar regio do alto Xingu, atual Parque do Xing u. Vista area do Rio Xingu Parque Indgena do Xingu, Mat o Grosso, Brasil. Foto: Geraldo Silva/ISA.

PAGE 13

5 A guerra continuou, porque os Juruna vieram de longe para uma rea que j era ocupada por outros povos, como Trumai, Suy e Kamayur. Ento aconteceram as brigas entre os Juruna e esses povos. Essas guerras acabaram h pouco tempo, quando a expedi o Roncador Xingu teve contato com estes povos. Os Yudja acharam que era outra briga, e pensaram que eles iam se acabar. Nessa poca, por volta de 1950, a populao Yudja era de somente cerca de 37 pessoas. O nosso povo quase desapareceu. Ento eles disser am assim: Chega de brigar com outros povos, vamos brigar com esta nova sociedade que apareceu, formada pelos carabas ou no ndios. Assim aconteceu com o meu povo Juruna. Atravs dos Juruna, outros povos xinguanos aprenderam a fazer canoa de um tron co s e o cauim, a bebida fermentada de mandioca chamada maritxa ou iyakuha na lngua Yudja. Os Yudja na cachoeira Von Martius com o explorador alemo Karl Von den Steinen em 1884. Fonte: von den Steinen, K. 1942 (1886). O Brasil Central. Expedio em 1884 para a explorao do rio Xingu. Traduo de Catarina B. Cannabrava. Sao Paulo: Companhia Editora Nacional.

PAGE 14

6 Bacia Hidrogrfica do Rio Xingu, nos Estados do Mato Grosso e Par. Fonte: Instituto Socioambiental, 2006. Migraes do Povo Yudja na Bacia do Rio Xingu, do sculo XVI I at o sculo XX. Fonte: Oliveira (1970).

PAGE 15

7 Os Yudja trouxeram outros alimentos para o Xingu, como o milho, o car, a abbora, a melancia, a cana, a bana na, o abacaxi e o mamo. Foi atravs dos Yudja que os Kayap aprenderam a fazer arco e flecha e a dormir em rede. banana mamo Yabaiw Yudja

PAGE 16

8 Atualmente, o povo Juruna vive no Parque Indgena do Xingu localizado no Estado do Mato Grosso, com uma populao de aproximadamente 380 pessoas, em cinco aldeias: Tuba Tuba, Pequizal, Pakisba, Mupad e Piarau. A aldeia principal o Tuba Tuba, localizada no Municpio de Marcelndia, no Mato Grosso. Na nossa aldeia temos a escola de ensino fundame ntal Kamadu, de 1 a 4 srie e os professores somos ns mesmos. Na nossa escola, preservamos a cultura e os costumes como: histrias, conhecimento prprio, sabedoria dos mais velhos, remdios tradicionais, danas, msicas, festas e outros. Tuba Tuba Tuba Piarau Pequizal Pakisba equizal

PAGE 17

9 No nosso dia a dia, vivemos de atividades como a pesca, a caa e temos o nosso prprio alimento da roa. Tambm continuamos promovendo as festas a cada ano, ensinando para os nossos jovens Yasariku Yudja Festa Kuataha de Aba, Aldei a Tuba Tuba, 2004. Fotos: Simone Athayde.

PAGE 18

10 A Associao Yarikayu Texto e traduo: Yab aiw Yudja Am Associao Yarikayu Yudja emtximaha kupahua Kaneah dak epa akrha zaku anuta, idudu da te anu, abi A associao Yarikayu uma organizao indgena do Povo Yudja, criada e fundada em 2001. Tem como objetivo s promover a defesa do patrim nio cultural do povo Yudja bem como represe ntar as comunidades junto sociedade no indgena A associao organiza e executa as atividades econmicas e alternativas de produo auto sustentveis, respeitando os sistemas tradicionais de produo e manejo dos recursos naturais, bem como os modos de organizao poltica tradicionais. Tambm desenvolve atividades de apoio escola e sade, organizando a comunidade para os trabalhos de fiscalizao territorial e a proteo ambiental dos limites do Parque Indgena do Xingu. ASSOCIAO Y ARIKAYU

PAGE 19

11 O Trabalho de Revitaliz ao Musical Texto: Mawar Yudja Suy Traduo para o portugus: Karin Juruna Kuhae udi 2002 he am projeto se kamena de Dak panu ha taha. dak pnu durante Oficina de construo de instrumentos musicais e gravao de msica de flautas. Aldeia Tuba Tuba, junho de 2006. Foto: Simone Athayde.

PAGE 20

12 O projeto de revitalizao cultural comeou no ano de 2002 com a gravao de festas, registro e transcrio da letra das msicas. Atravs do projeto tambm foi realizada u ma expedio para a Cachoeira Von Martius, que fica na regio antiga do Povo Yudja. O pessoal fez a expedio para buscar importante que usamos para fazer flauta. Desenho: Mawar Yudja Suy Basilia, Sua. Foto: Simone Athayde.

PAGE 21

13 Retornando para a aldeia, acon teceu uma oficina de construo de flautas com a participao de toda a comunidade da aldeia Tuba Tuba e tambm de jovens de outras aldeias. Durante a oficina de flautas o pessoal waruba e outros instrumentos musicais. Com a orientao dos mais velhos, os participantes da oficina fizeram uma coleo completa de todos os instrumentos musicais que o Povo Yudja conhece. Homens construindo flautas durante a oficina realizada na Aldeia Tuba Tuba em 2006. Foto: Simone Athayde. Desenho: Mawaid Yudja

PAGE 22

14 P reu X aha Transcrio: Tawaiku Yu dja Traduo e reviso: Karin Yudja Awai ti, kuala hea kahu kani de txasu sawai sewa txa tade kapiku anana, anu tade hi W apa A hida, da hi da su sene yh de xu, aret ka Karia si. Esedju udi karia a hae. Desenho: Txapina Yudja

PAGE 23

15 A hi, suyh de ti da paa xusu, alune a de sebe hae a hida. Da ti h i suduha he idjuse karia de hida p hinaka a de uludju anu ta a hida. Suhidji mad r imama ak r r karia im nu te, a idjuse daa karia su. Desenho: Makuaw a Yudja Desenho: Tawayaku Yudja

PAGE 24

16 Am p r hi xibia ha su. Suduha de hi txi da imasehu te su. Txi aw imama karia kaahu a hi su, suduha de hi txa txabuhu imas ehu p re iwaka be su. Ab kani ha duhade hi w b a ubahu su, p ka b a tade. Su dju pak r m nu, tade hida te hae alune a de anu a hida. Ab a da p ka su. Desenho: Areaki Yudja

PAGE 25

17 Awai duwatxuku w tade hi iya be idjuse txi ka awaek xu taha yube wana. pp karia anu da hida. Kaan h duhade, sesam W alune deda anu. A hi da, tade hida tese hae: Kane ana ulexixi ulube hae. A hida, tade hi kahu ixu txa taha imatx se k daraku kahu iya p su ulumakayu ulube, uludju kakahu, am akayw r anu a dade hanu uludju karia anu a hida. Apaade esedju karia? Desenho: Kumanu Yudja

PAGE 26

18 de, Desenho: Yatwa ra Yudja Desenho: Yanuwaka Yudja

PAGE 27

19 H muito tempo atrs, uma vez quase todos os homens da aldeia saram para caar e ficaram quase um ms. Voc sabe, quando as pessoas saem, a aldeia fica triste e silenciosa. Ento apareceu um grupo de pessoas com as suas flautas. Primeiro, o pessoal da aldeia ficou com medo deles e disseram: Que tipo de gente essa que apareceu de repente? Como eles eram parecidos com os Yudja, o pessoal da aldeia no ficou com muito medo. O chefe do grupo que apareceu foi falar com eles e disse: N s viemos danar e fazer a festa da flauta. Ns vamos danar com vocs. Desenho: Makuawa Yudja Ento a preocupao do pessoal que estava na aldeia comeou: U, que ser que eles vo fazer conosco? Na verdade, eles s danaram com o pessoal, tocan do as clarinetas. Histria de Origem da Flauta P

PAGE 28

20 Esse pessoal veio de dentro do rio mas tambm vieram alguns espritos do mato, como o calango. Ento, de tardezinha eles saram da casa e foram para o centro da aldeia para tocar e danar. Ento, como eles ficaram algum tempo na alde ia fazendo a festa, o pessoal da aldeia comeou a acostumar com eles e no tiveram mais medo. Como a melodia da flauta era to bonita, comearam a se aproximar desses estranhos pensando que no ia acontecer nada com eles. Os estranhos ficaram quase um m s na aldeia, assim eles terminaram todas as msicas da flauta que eles trouxeram. Eles cortavam e preparavam cada tipo de flauta. Quando acabava a msica de uma flauta, eles cortavam outra e tocavam at acabarem as msicas que eles conheciam. As clarinetas que chamamos de preu essas flautas que a festa terminou. Desenho: Yasariku Yudja

PAGE 29

21 O idoso chefe da aldeia acompanhava todo o processo de construo das flautas e a festa, quando eles convidavam. Aprendeu todas as msicas da flauta, ficava acompanhando os tocadores at amanhecer. Como na verdade esses flautistas eram espritos da gua que chamamos kan, eles adivinharam quando os homens estavam retornando para a aldeia e ficaram com um pouco de pena d as mulheres, porque eles j estavam gostando delas. Na verdade, eles estavam com planos de lev las para a gua com eles. Antes de cair na gua, os espritos cantaram com as suas flautas a msica que fala: Eu tenho d da minha dama. Os homens que saram para a caada j estavam voltando para a aldeia nas suas canoas. Ento os bichos da gua levaram as damas at a beira em fila, tocando as suas flautas. As mulheres disseram: Desenho: Yasariku Yudja

PAGE 30

22 O que eles vo fazer com a gente? Aquelas que perceberam que estavam danando com calango, comearam a fugir e escaparam do calango. Os outros bichos da gua, quando viram algumas damas escapando, apertaram forte o brao das damas com o seu brao, de forma que elas no conseguiram escapar. Assim eles foram entrando no rio com as da mas e as devoraram no fundo do rio. As mulheres que conseguiram fugir disseram: S para fazer isso que eles amanheceram danando com a gente. Fomos enganadas por eles. Mas, como que isso pde acontecer? Os homens da aldeia que chegaram na beira, v iram somente os pedaos do pulmo das damas que foram devoradas boiando. Eles viram as flautas. As mulheres contaram para eles o que tinha acontecido, que tinham sido enganadas. Falaram que os bichos da gua pareciam com os Yudja, que falavam a mesma l ngua, que no tinha diferena entre eles. Contaram que eles danaram com elas e no final da festa levaram as outras mulheres para dentro do rio e as comeram. Elas mostraram as Desenho: Areaki Yudja Desenho: Areaki Yudja

PAGE 31

23 flautas encostadas na porta da casa para eles acreditarem. Com o passar do temp o, depois a tristeza tinha passado, aquele chefe da aldeia que tinha acompanhado a festa comeou a ensinar os jovens a tocar flauta. Ento o pessoal perguntou para ele: Como que o jeito de danar daqueles bichos? Como que eles danaram e tocaram as flautas? Voc aprendeu alguma coisa com eles? O velho mostrou o processo de construo de cada flauta e foi mostrando: Essa se chama Marita, essa Txtxb, a msica delas muito bonita. Essa Taratararu, amos da flauta desse jeito: pode comear a imitar. Ento os homens imitaram a msica da flauta. Foi assim que os Yudja aprenderam a tocar flauta pela primeira vez, para no serem esquecidas. Foi assim que os espritos da gua (Kn) nos deram a sua flauta. Desenho: Tawaiku Yudja

PAGE 32

24 Os Instrumentos Musicais do Povo Yudja Clarineta homens. Foram os espritos da gua que ensinaram o Povo Yudja a tocar esta flauta. As mulheres s acompanham, elas danam com os homens pegando no brao deles. Desenho: Txapina Yudja. O cacique Tin n Yudja da Aldeia Tuba Tuba, com um conjunto d e flautas Preu Foto: Joana Rodrigues. anana su tadei idjai idese karia Texto : Aduaza Yudja Sada da recluso de Akabla, danando com o Cacique Yy. Foto: Simone Athayde

PAGE 33

25 karia seha be elu anana. anana. Suyh hi karia hi di ha anu. Texto : Yanuwaka Yudja Taratararu Clarineta grande Essa flauta de taquara taratararu boa para tocar e sua msica bonita. O pessoal gosta de tocar e danar. Ns jovens tambm gostamos de tocar taratararu. Ou tambm quando os velhos ficam embriagados no caxiri, a eles tocam. As mulheres tambm gostam de danar com eles. Desenho: Areaki Yudja Desenho: Yanuwaka Yudja Pessoal tocando flauta Taratararu no p tio da Aldeia Tuba Tuba julho de 2006 Foto: Simone Athayde Taquara Txuriu, usada para fazer a flauta Taratararu. Desenho: Sedu Yudja

PAGE 34

26 Duru Trombeta Dur hida daa kariaria. Pap asusu ikariku tade hi apetase uraharaha. Texto : Yariatu Yudja A flauta Duru no tocada a toa. S quando o p aj sonha com as flautas, as pessoas podem tocar. Ela pode ser tocada para curar as pessoas. Quando a gente toca toa, sem o paj sonhar, a gente fica doente. Essa flauta perigosa para as mulheres, ento elas no tocam nessa flauta. Quando elas mexem co m essa flauta, podem ter menstruao forte. Desenho: Xadawa Yudja Isabaru tocando a trombeta Duru com seu filho Dubar. Aldeia Tuba Tuba, julho de 2006. Foto: Simone Athayde. Desenho: Tawaiku Yudja.

PAGE 35

27 Flauta transversal ha dade kaahu txa tade, Texto : Tamaik a Yudja S os homens que tocam essa flauta. bom tocar essa flauta quando est a manhecendo o dia para alegrar as pessoas e o novo dia. Essa flauta feita pelos com outro tipo de taquara S os homens que tocam essa flauta. bom tocar essa flauta quando est amanhecendo o dia para alegrar as pessoas e o novo dia. Essa flauta feita pelos homens kamara. Desenho: Txapina Yudja

PAGE 36

28 ha anu, idja be idja asu te anu. Senah Texto: Kawizu Yudja Wiru Wiru Flauta Transversal S os homens que tocam essa flauta. As mulheres no tocam essa flauta, nem fazem. Essa flauta para os homens tocarem quando est amanhecendo, para acordar as mulheres, pode ser para acordar e alegrar as primas. A fazer Wiru Wiru. Eles cortam, depois furam e depois j est pronta para usar. T awayaku Yudja

PAGE 37

29 ha anu. Texto : Are aki Yudja A flauta Arapadka tocada pelos homens jovens e mais velhos. O recurso usado para fazer esta flauta a taquara melodia desta flauta com um pssaro da Amaznia. Desenho: Mawar Yudja Suy Cacique Yy da Alde ia Pakisba tocando a flauta Arapad ka durante oficina na Aldeia Tuba Tuba, junho de 2006. Foto: Simone Athayde. Flauta transversal

PAGE 38

30 Flauta transversal awyai bi udi ubahu te alu. Am ubahu anu. Texto : Yatab Yudja Desenho: T a ra dju Yud ja os homens tocam. Ns aprendemos a tocar com os velhos. As mulheres no fazem e no tocam essa flauta. S os homens que sabem a msica dessa flauta.

PAGE 39

31 Flauta transversal Texto : Xadaha Yudja Quando o dia est amanhecendo, os ho mens gostam dessa msica, mas elas no tocam. Todas as flautas que os homens tocam as mulheres acompanham, elas podem danar com os homens. Essa flauta feita de taquara, velhos dizem que o tero da mulher pode sair para fora da vagina se ela mexer com essa taquara. Desenho: T a ra dju Yudja Tamarik Yudja, agente de sade da Aldeia Tuba Tuba, confeccionando uma flautinha Athayde.

PAGE 40

32 anu, ipa anu. Kahu w tade senah asu te anana, senah Texto : Mayudi Yudja Waruba Flauta reta Waruba uma flauta reta tocada pelos homens. A msica dessa flauta muito bonita. Os homens tocam essa flauta quando est amanhecendo. S os homens que sabem a msica dessa flauta As mulheres no tocam e tambm no fazem essa flauta. Essa flauta feita Yabaiw Yudja, Presidente da Associao Yarikayu, tocando Waruba durante a oficina de confeco de instrumentos musicais na Aldeia Tuba Tuba, junho de 2006. Foto: Simone Athayde. Desenho: Tawayaku Yudja

PAGE 41

33 Flauta de Pan karar takurare marx, Texto : Yarim Yudja Essa flauta usada pelos homens e mulheres como um colar. Os homens e as mulheres podem tocar essa flauta. Quando tem caxiri (maritxa), os homens usam esta flauta na festa. Ela feita com a taqu ara outras duas taquarinhas para fazer esta flauta. Nakud Yudja tocando a flauta de Pan Foto: Simone Athayde. Desenho: Yatwara Yudja

PAGE 42

34 Flaut a de P an B ha anana. Texto/Text: Kawizu Yudja Essa flauta serve para os homens e para as mulheres tambm. As quando esto tomando maritxa (caxiri). Os homens tambm tocam quando eles esto embriagados. As mulheres mais velhas podem cortar o t S as mulheres mais velhas que tocam essa flauta. Foto: Joana Rodrigues. Desenho: Makuawa Yudja Desenho: Yanuwaka Yudja

PAGE 43

35 Desenho: Mawar Yudja Suy wbi anu ta. imareha tese abb, dawaibe. Eziyaha dube karia esi a dube tade. Sutade hi, awai anase ubahabaha te, sudade hi da ibaba anase tese. Ap, iutahaha itita idju karia iwa dju, anase ixudahaha, karia masehutade. Ida dak eziya dubehae tade, maritxa karika hesi adubetade, maritxa kariku sese, ez Texto: Mahurim Yudja e Mawaid Kaiabi Flauta de Pan

PAGE 44

36 Essa flauta que cortam a taquara para fazer essa flauta. Quando no m outras taquarinhas como o S os homens que tocam essa flauta e as mulheres acompanham. Essa flauta sagrada, ela usada par a chamar os espritos. Por isso ns no usamos essa flauta a toa, sem o paj pedir. O paj usa um manto sagrado na festa, e dois homens vo tocando essa flautinha acompanhando o paj. pessoas. O pessoal f azia esta festa quando tinha doente, para curar as pessoas. Chegava muito esprito quando tinha esta festa, cada esprito j chegava cantando. O paj pode estar sentado sozinho na casa onde tem caxiri. Os espritos chegam atravs do manto para cantar e aju dar o paj a rezar, um de cada vez. Quando aparece esprito ruim, tipo ona ou outros bichos, o paj avisa para o pessoal. Hoje em dia no temos mais o paj, mas esta festa ainda existe, s quando tem caxiri. Flauta de Pan Pixy e Isabaru tocando flauta durante festa Kuataha de Aba na Aldeia Tuba Tuba, maio de 2004. Karapitu acompanhando. Foto: Simone Athayde. Desenho: Mawaid Yudja Kaiabi

PAGE 45

37 Flauta de P an e Casco de Tracaj Musica l u anana, su tadei ba tadei idjai idese y hinaku Texto : Yariatu Yu dja O casco de tracaj musical feito pelos homens e pintado pelas mulheres. Os homens tocam o casco de tracaj junto com a flautinha para chamar a chuva. As mulheres podem danar junto com os homens acompanhando. Dawilu pintando um casco de tracaj musical para a coleo do Museu das Culturas, Basel. Foto: Simone Athayde. Foto: Joana Rodrigues. Desenho: Idiyu Yudja Desenho: Tawaiku Yudja

PAGE 46

38 kariku txa dade hi da anumeta be hu dade hida asususu te. Txuriu ha anu. Idja ikariku te anu, apeta uraharaha hi idja. Texto : Areaki Yudja Esta flauta era usada para a guerra. Diz que quando os homens ia m para a guerra, eles levavam essa flauta. Quando eles voltavam, eles tocavam essa flauta quando estavam chegando na aldeia. As mulheres no podem tocar e nem mexer com essa flauta, porque ela feita de txuriu e pode dar sangramento forte para as mulheres Sese Buzina de Taquara Tawayaku Yudja Mahurim tocando Sese durante exposio de tra balhos na Escola Kamadu da Aldeia Tuba Tuba, julho de 2006. Foto: Simone Athayde.

PAGE 47

39 anu senah ki asusu te anana ta ha anu. Texto : Mayudi Yudja Wbekuata uma flauta dos homens. Quando eles vo para a pescaria eles tocam, e quando eles esto voltando tambm, eles cantam e tocam essa flauta avisando o pessoal que eles mataram muito peixe. O recurso usado para f azer Wbekuata Buzina de taquara Desenho: Tawayaku Yudja

PAGE 48

40 Aridamalu pintando Kamahu. Foto: Simone Athayde Taikap tocando a Buzina Kamahu para gravao durante oficina na Aldeia Tuba Tuba, junho de 2006. Foto: Simone Athayde. Kaahu wtae da maritxa awi a dadeda kamahu asususu da awai be su daatde hi idja ttr daade hida. Texto : Yariatu Yudja A buzina de cabaa feita pelos homens e pintada pelas mulheres. De madrugada, a pessoa toca a buzina de caba a convidando as pessoas de outras casas para avisar que o caxiri est pronto. Esta flauta muito perigosa para as mulheres. Principalmente se a mulher estiver grvida, se ela mexer com o kamahu, pode acontecer um problema na hora do parto e levar morte. Kamahu Buzina de Cabaa Desenho: Xadawa Yudja

PAGE 49

41 Chocalho do Paj. Foto: Joana Rodrigues Eziyaha me Wwa Chocalho do Paj Eziyaha me ha wwa anu, u, eziyaha da eziya ziya yh ha Kahu bi ide ipdku yh pitxi a ibla ha nu. Texto : KarinYudja O chocalho do paj, somente paj pode utilizar. Antigamente, o paj usava o chocalho para rezar. O chocalho do paj tem pena de rabo de arara na ponta da cana br ava que enfiada na cabaa. Na outra ponta, tem amarrao de barbante. Tem sementes que so colocadas dentro do chocalho. O homem faz o chocalho e a mulher pinta. Desenho: Makuawa Yudja

PAGE 50

42 Xaa Wwa Chocalho de cui a para criana O chocalho de cuia brinquedo de criana, ele tocado pela me ou pai da criana quando ela estiver chorando. A me da criana pode tocar o chocalho para o seu filho parar de chorar e dormir. Por isso o chocalho muito importante para as crianas brincar em. imaku kudamaha ha anu ta. Ali ddu kudamaha dama te tadei ali ukaha kaha su dadei iya iya. Su yh dei wwa ali imaku kudamaha ha a anu. Texto : Mawaid Yudja Kaiabi Materiais utilizados na pintura dos chocalhos: urucum e resina de rvore misturada com carvo. Fotos: Simone A thayde. Dayawa pintando um chocalho de cuia com desenhos da pintura corporal. Foto: Simone Athayde. Desenho: Tawayaku Kaiabi Yudja

PAGE 51

43 wwa Chocalho de casco de tracaj O chocalho de casco de tracaj bom para usar para fazer os meninos dormirem. Quando as crianas estiverem chorando, a me ou o pai usam o chocalho. Essa a histria do chocalho de tracaj. Texto : Sedu Yudja Foto: Joana Rodrigues. Desenho: Sedu Yudja.

PAGE 52

44 be w Chocalho de caroo de Pequi O caroo de pequi bom para fazer o chocalho be. Quando os frutos do pequi caem, as mulheres pegam, trazem para a casa, cortam e separam para cozinhar. Elas cozinham o fruto e depois elas raspam com a colher. A el as guardam a semente para fazer chocalho e deixam no sol. Depois de seco, as mulheres e os homens tiram o espinho com a faca e depois furam para colocar barbante e mianga. Depois que terminam de preparar o be, as mulheres guardam para seus filhos e mari dos usarem na festa. anana, sudu ha sudu ha h ei kamem da wduku te anana, tihidji. Karia maku tadei apyu du ha he pe karia txa anana. Texto: Yarim Yudja Chocalho de caroo de pequi sendo usado para festas. Desenhos: Tawaiku Yudja. Foto: Joana Rodrigues.

PAGE 53

45 Foto: Simone Athayde Pit Cinto d e sementes Karia he da pekaria Ana Texto : Karin Yudja As mulheres fazem o cinto de sementes e colocam tucunzinho e pena de arara e os homens usam o cinto para danar na festa. Desenho: Tawaiku Yudja. Desenho: Tawaiku Yudja

PAGE 54

Anexo I Catl ogo tcnico para os instrumentos musicais Yudja Organizao: Joana Salom Camejo Rodrigues (2003). 46 2. Wiruwiru 47 48 49 50 6. Waruba 51 52 53 54 55 11. Duru 56 12. Pre 58 13. Kamahu 59 14. Se se e 15. Wbekuaata 60 61

PAGE 55

17. Prearahh ou Taratararu 64 18. Wwa 66 19. be 68 69 70 Instrumentos Musica is Yudja extintos ou quase 71 extintos 71 2. Duru Itababa 73 3. Marita 73 4. Txtxb 74 5. Pre Knana Hnaka Nakay 74 6. Txa 75 7. Etaata 75 8. Aw ipak 75 9. 76 Anexo II Fontes bibliogrficas de referncia 77

PAGE 56

46 1. Classificao : flauta transversal Descrio : flauta de taquara, fechada de ambos os lados, com dois buracos para os dedos da mo esquerda. Medidas : Comprimento (C): 56.3 cm; Dimetro (D): 2.2 cm. Inf ormaes : Este instrumento feito e tocado por qualquer homem. Vrias msicas diferentes so tocadas com esta flauta. tocada em qualquer dia, geralmente de madrugada, mas tambm pode ser tocada em qualquer hora. Por vezes tambm tocada durante o caxir Aw mato), e existe uma estria que fala sobre como os Yudja conheceram e aprenderam a tocar esta flauta. Recursos Naturais : (substitutos: kamara ; Txuriu mas no muito bom)

PAGE 57

47 2. Wiruwiru Classificao : flauta transversal Descrio : flauta de taquara, fechada de ambo s os lados, com trs buracos para os dedos da mo esquerda e um pequeno buraco do lado direito (depois do buraco da boca) para o dedo indicador da mo direita. Medidas : C: 60.4 cm; D: 2.3 cm. Informaes : Este instrumento feito e tocado por qualquer ho mem. Vrias msicas diferentes so tocadas com esta flauta. tocada em qualquer dia, geralmente de madrugada, mas tambm pode ser tocada em qualquer hora. Por vezes tambm tocada durante o caxiri. No tocada em nenhuma festa especial. Esta flauta pare ce no ter estria especial. Recursos Naturais : (substitutos: kamara ; Txuriu mas no muito bom)

PAGE 58

48 3. Arapadka ou Classificao : flauta transversal Descrio : flauta de taquara, aberta no fim do tubo, com trs buracos para os d edos da mo esquerda. Medidas : C: 41.0 cm; D: 1.8 cm. Informaes : Este instrumento feito e tocado por qualquer homem. Algumas msicas diferentes so tocadas com esta flauta. tocada em qualquer dia, a qualquer hora. Por vezes tambm tocada durante o caxiri. No tocada em nenhuma festa particular. Esta flauta no tem esprito dono nem estria. Recursos Naturais : ( substituto : kamara ) Observao : Arapadka Arapadka era o nome que esta flauta tinha quando tocav a uma msica que foi aprendida pelos Yudja escutando a cantiga de um pssaro que no existe na zona do PIX, mas que existia na zona de Altamira Par. Esse pssaro costumava cantar no caminho que os antigos Yudja tomavam para ir coletar borracha. medida q ue o tempo foi passando, os Yudja adoptaram o nome de Arapadka como o nome usual desta flauta.

PAGE 59

49 4. Txuk Classificao : flauta transversal Descrio : como Arapadka mas mais pequena. Medidas : C: 36.1 cm; D: 1.9 cm Informaes : Este instrumento feito e tocado por qualquer homem. Algumas msicas diferentes so tocadas com esta flauta. tocada e m qualquer dia, a qualquer hora. Por vezes tambm tocada durante o caxiri. No tocada em nenhuma festa particular. Esta flauta no tem esprito dono nem estria. Observaes : Algumas pessoas disseram que esta flautas usada para tocar as mesma msic as que a flauta Arapadka mas num tom mais alto. Esta informao deveria ser confirmada no futuro. Recursos Naturais : ( substituto : kamara )

PAGE 60

50 5. Classificao : flauta transversal Descrio : como mas mais pequena. Medidas : C: 26.4 cm; D: 1.6 cm Informaes : Este instrumento feito e tocado por qualquer homem. Algumas msicas diferente s so tocadas com esta flauta. tocada em qualquer dia, a qualquer hora. Por vezes tambm tocada durante o caxiri. No tocada em nenhuma festa particular. Esta flauta no tem esprito dono nem estria. Observaes : Tal como em algumas pe ssoas disseram que esta flautas usada para tocar as mesma msicas que a flauta Arapadka mas num tom mais alto. Esta informao deveria ser confirmada no futuro. Recursos Naturais : ( substituto : kamara )

PAGE 61

51 6. Waruba Classificao : flauta vertical Descrio : superior (a da boca), com 4 buracos 2 para os dedos da mo direita e 2 para os dedos da mo esquerda. Medidas : (no foram tomadas) Informaes : Este instrumento feito e tocado por qualquer homem. Vrias msicas diferentes so tocadas com esta flauta, mas tm de ser tocadas na ordem correcta. tocada em qualquer dia, a qualquer hora. Por vezes tambm tocada durante o caxiri. No tocada em nenhuma festa particular. Waruba parece no ter esprito dono, mas foram relatadas duas estrias em que parece existir alguma relao entre esta flauta e um esprito dono. Observaes : Esta flauta no deve ser tocada por homens que tenham bebs pequenos. O homem s pode tocar esta flauta quando o cordo umbilical do beb j secou. Recursos Naturais : (substitutos: kamara ).

PAGE 62

52 7. Classificao : flauta de pan Descrio : 5 pequenos tubos juntos lado a lado (com barbante), de comprimentos diferentes, abertos por cima e fechados em baixo. O lbio inferior encostado parte superior dos tubos e o sopro sai pelo lbio superior, sem ta par a abertura. Medidas : C: 1 tubo (mais pequeno) 12.2 cm, 2 tubo 13.5 cm, 3 tubo 15.2 cm, 4 tubo 16.5 cm, 5 tubo 18.2 cm; D: individual 0.9 cm, total 4.5 cm. Informaes : Este instrumento feito e tocado por qualquer homem. No passado algum as mulheres tocavam tambm esta flauta. Vrias msicas diferentes so tocadas com esta flauta. tocada em qualquer dia, a qualquer hora. Por vezes tambm tocada durante o caxiri. No tocada em nenhuma festa particular. Esta flauta no tem esprito don o nem estria. Observaes : Cada tubo tem seu nome: 1 tubo Itxia ; 2 tubo Itxia ; 3 tubo Yukame amenah ; 4 tubo ; 5 tubo Itupa Recursos Naturais : Tubos: T (substitutos: (na ordem do melhor da o pior) T kamara Takurare Marx Tarukawa Peuk ). Fio: algodo.

PAGE 63

53 8. Classificao : flauta de pan Descrio : 3 pequenos tubos, 2 deles juntos lado a lado (de comprimentos diferentes) e o terceiro separado, mas todos ligados com barbante. Tubos abertos por cima e fechados em baixo. O lbio inferior encostado parte su perior dos tubos e o sopro sai pelo lbio superior, sem tapar a abertura. Medidas : C: 1 tubo (separado) 18.5 cm, 2 tubo (agrupado) 21.0 cm, 3 tubo (agrupado) 22.7 cm; D: (cada) 1.0 cm. Informaes : Este instrumento feito e tocado por qualquer h omem, com exceo do paj. Apenas uma msica esprito  er a festa. O paj tambm pode decidir fazer esta festa quando algum precisa de ser curado por estar muito doente. Durante a cerimnia da cura, dois homens tocam esta flauta (um homem tocada os dois tubos juntos e o outro toca o tubo separado), enquanto q ue o paj vestido com o manto, canta e dana (com os outros homens e mulheres da aldeia). Observaes : Atualmente j no existe paj Yudja, ento outro homem pode usar o manto durante a cerimnia. Recursos Naturais : Tubos: (substituto: kamara ) Fio: algodo.

PAGE 64

54 9. Classificao : flauta de pan Descrio : 3 pequenos tubos (de comprimentos diferentes), ligados lado a lado com barbante. Tubos abertos por cima e fechados em baixo. O lbio inferior encostado parte superior dos tubo s e o sopro sai pelo lbio superior, sem tapar a abertura. Medidas : C: 1 tubo (pequeno) 16.9 cm, 2 tubo 19.3 cm, 3 tubo 22.3 cm; D: individual 1.0 cm, total 3.6 cm. Informaes : Este instrumento feito e tocado por qualquer homem. Parece que ape nas uma msica tocada com esta flauta. tocada sempre em conjunto com outro instrumento (casco de Tracaja). Por vezes estes dois instrumentos so tocados durante o caxiri. Estes instrumentos so tambm tocados no fim da poca seca, com o obje ctivo de chamar a chuva (quando as chuvas esto atrasadas no incio da poca das chuvas). Nessa altura um homem toca a flauta em conjunto com outro homem que toca o casco de Tracaj, enquanto duas mulheres os acompanham danado de brao dado com os homens que tocam. Observaes : Cada um dos tubos tem um nome: 1 tubo Itxia ; 2 tubo Itxiarahh ; 3 tubo Itupa Recursos Naturais : Tubos: (substituto: kamara Tarukawa ). Fio: algodo.

PAGE 65

55 10. Informaes : Este instrumento feito e tocado por qualquer homem. As mulheres tambm podem fazer ou tocar este instrumento, se souberem. Vrias msicas so tocadas com e sta flauta, e at existe uma msica que s tocada com o tubo maior e acompanhado por mulheres cantando. Muitas das msicas tocadas com esta flautas so acompanhadas por mulheres cantando. Esta flauta tocada durante o caxiri, para alegrar o pessoal. Est a flauta no tem esprito dono, Observaes : Tal como nas outras flautas de pan, cada um dos tubos tem um nome: tubo mais pequeno Itxia ; tubo maior Itupa Recursos Naturais : T ubos: (substituto: kamara Tarukawa grosso). Fio: algodo. Classificao : flauta de pan Descrio : 2 tubos (de comprimentos diferentes), ligados lado a lado com barbante. Tubos abertos por cima e fechados em baixo. O lbio inferior encostado parte superior dos tubos e o sopro sai pelo lbio superior, sem tapar a abertura. Medidas : C: 1 tubo (pequeno) 30.0 cm 2 tubo 32.7 cm ; D: individual 1.2 cm, total 2.3 cm.

PAGE 66

56 11. Duru Classificao : trombeta Descrio : tubo de taquara grossa, totalm ente aberto na ponta final e com um buraco de mais ou menos 2 cm de dimetro no incio do tubo, que foi cortado mesmo no n da taquara (deixando ficar o n). O som produzindo por presso dos lbios e tapando todo o buraco, soprando de forma que os lbios criam uma vibrao. Este instrumento musical constitudo por dois elementos separados, de diferentes tamanhos, cada um criando um tom diferente. Estes dois elementos so tocados em conjunto, alternadamente (por homens diferentes), de maneira a criar a v ariao de tom ao longo das msicas. Medidas : C: elemento mais pequeno 45.5 cm, elemento maior 61.5 cm; D: elemento mais pequeno 7.0 cm, elemento maior 7.4 cm.

PAGE 67

57 Informaes : Duru um instrumento musical Yudja sagrado, apenas tocado durante a cerimni Duru Qualquer homem pode tocar, durante a festa, desde que saiba tocar, menos o paj, que tambm no pode fazer estes instrumentos. Es te instrumento tem uma maneira especial de ser preparado: depois do tubo cortado nos tamanhos desejados e depois de fazer os buracos nos ns, os vrios elementos Duru so colocados numa jirau, com fogo por baixo, de maneira a tirar a gua dos tubos e a fic arem secos. Duru um instrumento musical associado ao Deus o Deus contacta com o paj durante os sonhos e ordena ao paj para dizer s pessoas para fazerem esta festa (expl icando tudo sobre como deve ser feita a festa: durao, que msicas devem ser tocadas, que tipos de ofertas quer dos Yudja, etc.); 2 as pessoas da aldeia querem fazer a festa e ento pedem ao paj para ele sonhar com o Deus e pedir permisso para fazer a festa. Apesar de hoje em dia os Yudja j no terem um paj tradicional Yudja, as pessoas da aldeia fazem ainda esta festa, com a mesma seriedade de antigamente: durante a festa ningum deve brincar, namorar ou fazer amor, o que, se no for respeitado, prov Maritxia que prepararam para oferecer ao Deus e depois bebem o caxiri. Observaes : 1 Cada um dos elementos tem um nome: elemento mais pequeno Itxia ; elemento m aior Itupa 2 Parece que a criao desde instrumento musical foi atravs do Deus, que, pela primeira vez, mostrou e ofereceu o a um paj Yudja durante os sonhos, e lhe ensinou a tocar as msicas. Quando o paj acordou ele pediu aos outros homens para cor tarem a taquara correta e lhes ensinou como fazer o instrumento e tocar as sua msicas. Recursos Naturais : Txuriu

PAGE 68

58 12. Pre Observaes : Parece que o nome correto deste instrumento Pre No entanto o nome de Kamahu tambm pode ser dado a este instrumento. Recur sos Naturais : Txuriu Classificao : corneta/buzina Descrio : o mesmo que Duru mas s 1 elemento. Medidas : o mesmo que Duru Informaes : Pre o mesmo ob jecto que Duru mas no sagrado e no tocado numa festa especial. Pre feito e tocado por qualquer homem e usado como um sinal sonoro. usado para chamar e convidar as pessoas para um ajuntamento ou atividade de grupo, ou, mais frequentemente, para informar/ convidar a aldeia de manh quando o caxiri j est preparado para ser bebido. Este instrumento no tem estria.

PAGE 69

59 13. Kamahu Classificao : corneta/buzina Descrio : cuia grande e comprida, limpa por dentro, com um buraco na parte superior da parte mais estreita da cuia, por onde se sopra, e outro no outro lado da cuia, na extremidade, por onde sai o ar. Medidas : (no tomadas). Informaes : O kamahu feito e tocado por qualquer homem, e usado para produzir um sinal sonoro (para a mesma funo que Pre ). Observaes : 1 Todos os Kamahus presentes na aldeia no tinham o tamanho sufic iente para produzir o som adequado. No passado os Yudja conseguiam obter nas suas roas cuias muito grandes e compridas (cerca de 1 metro), as quais eram as ideais para fazer Kamahu No entanto hoje em dia essas cuias grandes so muito raras. Hoje em dia o s Yudja ainda fazem Kamahus mas pequenos, que vendem como artesanato. Estas peas de artesanato so pintadas pelas mulheres (que pintam os padres Yudja tradicionais) com as tintas usadas tradicionalmente. 2 Como j no existem cuias suficiente grandes p ara fazer um Kamahu bom que produza o som desejado, hoje em dia os Yudja usam o Pre Recursos Naturais : Cuia grande e comprida.

PAGE 70

60 14. Sese e 15. Wbekuaata Classificao : cornetas/buzinas Descrio : Tubo de taquara, com um buraco lateral numa ponta, por onde se sopra, e aberto no lado afastado da boca. Os instrumentos so colocados na horizontal quando tocados, e o tocador no tapa todo o buraco com a boca mas sim encosta o queixo perto do buraco e com presso nos lbios sopra. Estes dois instr umentos musicais so muito semelhantes, sendo apenas diferentes no fato de Wbekuaata ter uma ranhura ao longo do tubo, na face contrria ao buraco da boca. Esta ranhura coberta ou descoberta pela mo e produz variao no som. Medidas : SESE C: 32.0 cm ; D: 3.7 cm. WBEKUAATA C: 31.3 cm; D 3.4 cm; Comprimento da ranhura: 5.5 cm. Informaes : Estes instrumentos so feitos e tocados por qualquer homem. Estes instrumentos podem ser tocados em qualquer dia ou quando h caxiri, mas eles tm uma funo esp ecial: eram usados por um homem para avisar a sua famlia quando regressava da pesca com peixe, ou por um grupo de homens para avisar a aldeia quando vinham a chegar de expedies de guerras com outras tribos. Parece que estes instrumentos no esto associ ados a nenhum esprito dono e no tm estria. Observaes : Estes instrumentos parecem j no serem usados actualmente. Recursos Naturais : Wbekua (substitutos: grosso; Txuriu )

PAGE 71

61 16. Preu Classificao : clarinete Descrio : Tubos feitos de taquara. Este instrumento composto de 4 elementos separados de tamanhos diferentes. Cada tubo aberto dos dois lados mas com um n perto da ponta da boca. feito um pequeno buraco nesse n, por onde colocado um pilha (ou palheta) fei ta de taquarinha. Nessa pilha feita uma racha de modo a produzir som de vibrao

PAGE 72

62 Medidas : (em cm) Itxia (tubo + pequeno) Itxia Itxiarahh Itupa Comprimento total 23.5 30.1 42.0 52.9 Comprimento at ao primeiro n 8.2 8.2 7.4 8.1 Comprimento do primeiro n at ao fim do tubo 15.3 21.7 34.7 44.7 Comprimento da pilha 8.5 8.3 8.6 8.3 Dim etro 1.6 2.0 2.5 2.9

PAGE 73

63 Informaes : Este instrumento musical tocado numa festa especial, tambm com o nome de Preu Esta festa organizada por um homem que decide fazer a festa e que por isso considerado o dono dessa fe sta. Ento, o dono organiza as expedies para coletar as taquaras necessrias para fazer estes instrumentos, faz os instrumentos (pode fazer com ajuda de outros homens), decide quando acabar a festa e no final guarda os instrumentos na sua casa. Vrios ex emplares so feitos de cada tamanho, menos o mais pequeno do qual s feito um. Cada tamanho produz um som diferente dos outros. Vrios homens e jovens tocam estes clarinetes todos juntos. Vrias msicas so tocadas por este instrumento, nas quais a varia o no som feita pela combinao dos vrios tamanhos diferentes. Os homens tocam estes clarinetes danando em linha, em que os homens que tm os clarinetes mais compridos vo no incio da linha, seguidos pelos homens que tocam os de tamanho um pouco meno r, e acabando num homem que leva os dois tamanhos menores. Os dois tamanhos menores podem ser tocados ambos pelo ltimo homem, ou podem ser tocados por dois homens diferentes. Esta festa pode ser feita em qualquer poca do ano, quando algum decide fazer. A festa pode durar vrios dias, ou mesmo semanas, at o dono decidir acabar. Durante os dias da festa os homens juntam se ao fim do dia para treinar as vrias msicas e ensinar aos mais novos. Os jovens e os meninos tambm participam e aprendem com os mais velhos. No ltimo dia da festa todas as pessoas participam, os homens danando e tocando e as mulheres danando e cantando, e fazem uma representao da estria sobre a origem deste instrumento. Para acabar a festa feita uma grande quantidade de caxiri que bebida ao longo da ltima noite. Este instrumento tambm pode ser tocado fora desta festa, se for planejado, para praticar. O esprito Kan a origem deste instrumento (como os Yudja descobrira Kan Recursos Naturais : Tubo: (substitutos: kamara ; Txuriu ; Wbekua ). Pilha: Takurare Marx (substituto: Tarukawa )

PAGE 74

64 17. Prearahh ou Taratararu Classificao : clarinete Descrio : como Preu mas mais comprido. Informaes : Este instrumento musical tambm tocado numa festa especial, que se chama de Prearahh As informaes sobre este instrumentos s o as mesmas que de Preu Este instrumento tambm foi trazida pelo Kan e est includo na mesma estria que Preu Observaes : 1 Foram trazidos 5 tamanhos diferentes para este clarinete (confirmar se existem 4 ou 5 tamanhos diferentes de P rearahh) 2 Este instrumento musical tambm normalmente chamado de Taratararu nome que imita o som de vibrao deste instrumento.

PAGE 75

65 Medidas : (em cm) 1 (pequeno) 2 3 4 5 Comprimento total 87.2 99 125 144 175 Comprimento at ao primeiro n 9 .3 9.3 9.7 9.5 12 Comprimento do primeiro n at ao fim do tubo 77.9 89.7 115.3 134.5 163 Comprimento da pilha 10.5 9.3 Dimetro 1.9 2.7 3.7 4.5 4.5 Nota: Este instrumento no foi feito durante a oficina porque j existia na aldeia. A maioria j no tinha pilha por isso no foi possvel medir. Recursos Naturais : Tubo: grosso e largo, ou Txuriu Pilha: Takurare Marx (substituto: ).

PAGE 76

66 18. Wwa Classificao : chocalhos Descrio : 1 Cuia redonda, limpa por de ntro, com pequenas sementes ou pequenas pedras dentro para produzir o som. Um pau passa por dentro da cuia e fixado cuia com cera de abelha nativa. O instrumento ornamentado com barbante e pequenas penas de arara, e a cuia pintada com os desenhos t radicionais Yudja. 3 Casco de Tracaja pequeno, com sementes ou pequenas pedras dentro para chocalhar. Tambm com um pau que passa por dentro e fixado ao casco com cera de abelha nativa. O instrumento ornamentado com barbante e pintado de modo a imitar u m pequeno Tracaja. Informaes : 1 Apenas os homens podiam fazer este chocalho Wwa paj. O paj usava este chocalho para curar uma pessoa que tivesse uma doena grave. Primeiro o paj sonhava com o E lhe para este lhe ajudar a curar a pessoa; depois, o paj organizava uma cerimnia onde ele tocava este chocalho e dizia rezas, enquanto os outros homens e mulheres da aldeia cantavam, danavam e agitavam ramos da NOTA: Com o nome de Wwa existem 3 variedades diferentes: 1 Wwa 2 Wwa de cuia para os 3 Wwa de casco de Tracaja para os bebs.

PAGE 77

67 planta Unh Esta cerimnia podia continuar durante todo um dia ou mais, at a pessoa doente recuperar a sua alma e acordar j melhor. Durante esta cerimnia o paj e outro homem tambm costumavam fumar para evitar Makuru (feitios maus). Este instrumento sagrado e est relacion instrumento. Foi descrita uma estria sobre o uso deste instrumento no passado. 2 e 3 Wwa Wwa normalmente usados pelas mul heres, para acalmar e embalar o beb. Estes instrumentos so feitos, principalmente, pelas mulheres, mas os homens tambm podem ajudar. Normalmente so as mulheres que usam estes chocalhos, mas os homens tambm podem usar para acalmar os bebs, ou tambm c rianas mais velhas que estejam a cuidar dos bebs. Tal como para o instrumento Waruba (ver atrs), homens que tenham um beb pequeno no devem usar este chocalho (mas as mulheres podem), s podendo quando o cordo umbilical do beb j est seco. Estes doi s instrumentos no esto associados com nenhum esprito dono nem tm estria. Recursos Naturais : Wwa Wwa de cuia para os Wwa de casco de cuia redonda Casco de Tracaja pequeno milho, outras sementes milho, outras sementes, pequenas miangas, ou pedrinhas de barro wla kat wla barbante pena de arara vermelha comprida pequenas penas de arara Huriba

PAGE 78

68 19. be Classificao : Chocalho de sementes Descrio : vrias sementes de Pequi vazias por dentro, ca da uma ligada ao fio de barbante de maneira a chocalhar umas contra as outras. Este instrumento colocado por debaixo do joelho. Medidas : (no tomadas) Informaes : Este instrumento pode ser feito e usado tanto pelos homens como pelas mulheres. usado em qualquer festa, atado debaixo do joelho (um apenas, ou dois, um em cada joelho). Ao chocalhar o be a pessoa marca o ritmo com o passo enquanto caminha e dana. Este instrumento musical no est associado a nenhum esprito dono nem tem estria. Obser vaes : existe essa semente na regio onde vivem os Yudja pelo que tiveram de a substituir por sementes de Pequi. Recursos Naturais : nte. Recursos Artificiais : pequenas miangas.

PAGE 79

69 20. Pit Desenho: Tawaiku Yudja Classificao : Cinto tipo chocalho de sementes Descrio : Cinto feito de uma tira de barbante tecido, com sementes penduradas que chocalham umas contra as outras quando o homem usa o cinto. Observaes : Este objeto talvez no seja um verdadeiro instrumento musical e nem sequer foi referido durante as entrevistas. Parece ser mais um objeto de ornamentao corporal. No entanto, se vrias sementes forem colocadas no cinto e muito prximas, ento ele vai produzir som quando chocalhado pelo movimento do corpo. Informaes : Apenas os homens usam este cinto nas festas. Contudo so as mulheres que fazem estes cintos. Este cinto pare no estar associado com nenhum esprito dono nem ter estria. Recursos Naturais : barbante; semente de Akri (substituto: semente de Kumarep ); penas de pssaro. Recursos Artificiais : pequenas miangas; pode ser usada tambm linha clea colorida comprada na cidade.

PAGE 80

70 21. Clas sificao : Instrumentos de Frico Descrio : Casco de Tracaj, vazio e limpo, com uma camada de cera de abelha nativa no zona do pescoo (por debaixo) do casco. tocado friccionando a palma da mo pela cera, produzindo um som que amplificado pela cma ra do casco. Medidas : Comprimento do casco: 35.5 cm; Comprimento da camada de cera: 6.5 cm. Informaes : Tal como referido anteriormente, este instrumento apenas tocado em conjunto com Pr Ver Pr acerca das informaes registadas para est es dois instrumentos. Este instrumento no est associado com nenhum esprito dono nem tem estria. Observaes : 1 O Tracaja comum no rio Xingu e parece ser capturado em grandes quantidades durante o perodo do Vero, quando o rio est baixo e as fmea s de Tracaja vm para deixar os ovos. 2 Hoje em dia este instrumento bastante vendido como artesanato, pelo que as mulheres pintam os cascos com os padres tpicos dos Yudja, com tintas indgenas. Recursos Naturais : Tracaja; cera de abelha nativa: wla (substituta: cera da abelha kat wla ); tintas indgenas: urucum, ezw carvo vegetal.

PAGE 81

71 Instrumentos Musicais Yudja extintos ou quase extintos 1. Classificao : provavelmente uma corneta/buzina Descrio : Este instrumento feito de um tronco de rvore que cortado em duas metades e de cada metade escavado cada metade (longitudinalmente, com uma ponta estreita e outra mais larga) do instrumento. Depois de o tronco bem escavado e confirmado se as duas metades coincidem, elas so jun tas com cera de abelha nativa, palha e barbante. Um buraco feito no incio (parte mais estreita) do tubo, por onde se sopra. Informaes : feito e tocado pelos homens. Este instrumento no foi feito e usado desde h muitos anos. No entanto, os Yudja ai nda sabem para que era usado este instrumento. Primeiro,era usado para produzir um sinal sonoro para chamar/convidar a aldeia para o caxiri (tal como Kamahu e Pre ). Segundo, este instrumento era levado pelo pescador quando ia pescar e era tocado o bicho d a gua (transformado num grande peixe) aparecia. Para meter medo ao bicho da da gua tem medo. Desta maneira o pescador podia se salvar e podia salvar algum colega pescador. Finalmente, tambm podia ser usado pelo pescador quando estava regressando da pesca com peixe, para avisar sua famlia. Parece que este instrumento no est associado com nenhum esprito dono nem tem estria. Observa es : 1 Provavelmente j passaram muitas dcadas desde que os Yudja deixaram de fazer e usar este instrumento. Sabemos que h umas dcadas, quando o Pixanha era jovem, o pai do Pixanha ensinou ele e o Tarinu a fazer este instrumento. Mas esse instrumento, no final, no produzia o som desejado. Ento, podemos pensar que no presente possivelmente j ningum sabe fazer corretamente este instrumento. 2 O Lafussia tem uma imagem retirada de um livro antigo com homens Yudja desenhados e um deles tocando ata Recursos Naturais : Tronco da rvore Pahakha (substituto: rvore Lapika ); palha de Inaj cera de abelha nativa; barbante.

PAGE 82

72 Desenho 1 de uma festa Yudja por ocasio do seu encontro com Karl von den Steinen em 1884, em que um 1 Livro: von den Steinen, K. 1942 (1886). O Brasil Central. Expedio em 1884 p ara a explorao do rio Xingu. Traduo de Catarina B. Cannabrava. Sao Paulo: Companhia Editora Nacional.

PAGE 83

73 2. Duru Itababa Classificao : trombeta Descrio : como Duru (ver anteriormente) mas com uma cuia no final do tubo, que amplifica (aumenta) o som. Informaes : Este instrumento foi apenas referido numa entrevista. Parec e que este instrumento era usado como Duru Duru pois o Deus ordenava ao paj, durante o seu sonho, para fazerem Duru com cabea. As informaes apresentadas para Duru deveram ser, ento, aplicadas a Duru I tababa Recursos Naturais : TUBO: Txuriu Instrumentos musicais que j no existem na aldeia, e que ningum sabe fazer ou tocar: 3 Marita Como Preu e Prearahh este instrumento um clarinete, com 4 tamanhos diferentes. Um exemplar de cada tamanho foi feito durante a oficina, cujas medidas so as seguintes: (em cm) 1 2 3 4 Comprimento Total 80 99 127 143 Comprimento at ao primeiro n 8 7.8 7.7 8 Comprimento do primeiro n at ao fim do tubo 72 91.2 119.3 135 Dimetro 3.2 3.1 3.6 4.2

PAGE 84

74 Este instrumento era usado da mesma maneira que os outros clarinetes, em festa especial (chamada de Marita ), e pertence mesma estria do bicho da gua, se ndo tambm associada a Kan Como os comprimentos dos tubos so diferentes dos outros clarinetes, o som produzido deveria ser um pouco diferente. Mas o fator que mais diferencia os diferentes clarinetes talvez fosse tocarem msicas diferentes. Este instr umento era feito com Txuriu (o tubo do clarinete) e de Takurare Marax para a pilha. Apesar de os homens ainda saberem construir os diferentes tamanhos de Marita todos disseram que j no sabiam tocar as msicas da Marita Assim, se os Yudja de outras ald eias tambm j no souberem tocar essas msicas, este instrumento musical pode considerado extinto. 4 Txtxb Este instrumento parece que era tambm um clarinete. Foi dito que tinha tambm 4 tamanhos diferentes e pilha, e que tambm era tocado em fes ta especial. Parece que era parecido com Prearahh mas que tocavam outras msicas diferentes com Txtxb 5 Pre knana hnaka nakay Durante a oficina foi dito que este instrumento musical como Preu (tambm clarinete) mas s com 2 tamanho s diferentes, e tambm era tocado em uma festa especial. Apesar de no e sido confirmado, este instrumento deve tambm estar includo na estria do bicho das gua e relacionado com Kan tal como os outros clarinetes.

PAGE 85

75 6 Parece que este instr umento musical era tambm um clarinete, como Preu com 4 tamanhos diferentes, mas com os tubos mais compridos. Este instrumento era tambm tocado numa festa especial, e era provavelmente tambm includo na mesma estria que os outros clarinetes e ass ociado tambm a Kan que os Yudja costumavam fazer esta festa antigamente, mas que comearam a morrer pessoas cada vez que faziam esta festa, pelo que os Yudja decidiram deixar de fazer a festa, e assim este instrumento ficou extinto. 7 E taata A nica informao que se sabia acerca deste instrumento musical era que foi usado quando o av do Karand  di era menino. 8 Aw Ipak Este instrumento musical era feito de osso de perna de pessoa (inimigos mortos em batalhas). Era um instrumento de sopro e parece que tinha os mesmos buracos para os dedos que Aw Pr

PAGE 86

76 9 Aw taba pr Parece que este instrumento era parecido com Duru Itababa com um tudo comprido de bambu, mas em vez de ter na ponta uma cuia tinha um crnio humano, enfiado pela boca (por confirmar). Foi dito que era usado apenas para produzir um sinal sonoro para cha mar/convidar as pessoas para o caxiri. [Brito, Joaquim Pais de (coord.). 2000. Os ndios, Ns Museu Nacional de Etnologia. Lisboa.], onde atribudo a este instrumento diz que este exemplar foi doado ao Museu Nacional do Rio de Janeiro por D. Pedro II (MNRJ: 3009).

PAGE 87

77 Fontes bibliogrficas de referncia: Athayde, S. F. 1998. Organizao social, aspectos econmicos e sustentabilidade ambiental: perspectivas para a potencializao do comrcio de artesanato no Parque Indgena d o Xingu. Relatrio tcnico. So Paulo, Instituto Socioambiental/The Norwegian Rainforest Foundation/ATIX. Athayde, S. F. (org). 2001. Arte Indgena Parque do Xingu Kaiabi, Yudja, Suya Catlogo de divulgao cultural e comercial. Inclui trs cadernos e um pster. So Paulo : Instituto Socioambiental/Associao Terra Indgena Xingu. Athayde, S. F. e Rodrigues, J. S. C. (orgs.) 2004. Yudja Ikaria A Festa Yudja Livro ilustrado de divulgao cultural sobre os instrumentos musicais Yudja. Verso prelimi nar. So Paulo: Associao Yarikayu /Instituto Socioambiental. Instituto Socioambiental ISA. 2005. Povo Yudja recebe apoio de museu suo para projeto com msicas tradicionais. Notcias Socioambientais. So Paulo : ISA. On line: http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2044 IZIKOWITZ K.G. (1935). Musical and Other Sound Instruments of the South American Indian s. Gteborg: Eleander Boktryckeri Aktiebolag. Lima, T. S. 1995. A vida social entre os Yudja (ndios Juruna) : elementos de sua tica alimentar. Rio de Janeiro : UFRJ, 1986. 173 p. (Dissertao de Mestrado) Lima, T. S. 1995. A parte do cauim : etnografia juruna. Rio de Janeiro : UFRJ Museu Nacional, 1995. (Tese de Doutorado) Lim a, T. S. 2005. Um peixe olhou para mim. O povo Yudj e a perspectiva. Rio de Janeiro : Instituto Socioambiental/ Editora UNESP/Nuti.

PAGE 88

78 Lima, T. S. 2006. Os Yudja. Verbete do Povo Yudja na Enciclopdia de Povos Indgenas no Brasil Instituto Socioambiental ISA. http://www.socioambiental.org/website/pib/epienglish/yudja/yudja.shtm MENEZES BASTOS R. and PIEDADE A.T. (1999). Sopros da Amaznia: sobre as msicas das socieda des Tupi Guarani Mana vol. 5 (2): 125 143. Ribeiro, B. G. 1988. Dicionrio do artesanato indgena So Paulo : Editora da USP. Rodrigues, J. S. C. 2003. The survival of Musical Instruments amongst the Yudja People In Xingu Indigenous Parl (Southern Br azilian Amazon) Dissertao de Mestrado em Etnobotnica, University of Kent, Canterbury, Inglaterra. Rodrigues, J. S. C. e Athayde, S. F. 2003. Relatrio tcnico: Os instrumentos musicais do Povo Yudja, Parque Indgena do Xingu, Amaznia Brasileira. Cant erbury : Universidade de Kent. Oliveira, A. E. 1970. Os ndios Juruna do Alto Xingu Rio Claro : Fac. de Filosofia de Rio Claro, 342 p. (Tese de Doutorado) Vidal, L. e A. L. Silva 1998. O sistema de objetos nas sociedades indgenas: arte e cultura mat erial. In: Silva, A. L. e L. D. B. Grupioni. 1998. A temtica indgena na escola: novos subsdios para professores de 1. E 2 Graus. So Paulo : Global/MEC/MARI/UNESCO.