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Uruyp Porongyta - O Manejo do Aruma no Xingu
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 Material Information
Title: Uruyp Porongyta - O Manejo do Aruma no Xingu
Series Title: Programa Xingu - Training of Indigenous Natural Resource Managers
Physical Description: Educational Book
Language: Brazilian Portuguese
Creator: Athayde, Simone ( Author, Primary )
Publisher: Instituto Socioambiental
Place of Publication: Gainesville
Sao Paulo
Publication Date: 2004
Copyright Date: 2004
 Notes
Acquisition: Collected for University of Florida's Institutional Repository by the UFIR Self-Submittal tool. Submitted by Simone Athayde.
Publication Status: Published
 Record Information
Source Institution: University of Florida Institutional Repository
Holding Location: University of Florida
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URUYP PORONGYTA O MANEJO DO ARUM

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URUYP PORONGYTA O MANEJO DO ARUM INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL/PROGRAMA XINGU ASSOCIAO TERRA INDGENA XINGU AIMAREN e professores participantes das atividades de pesquisa e manejo do arum : Jewyt Kaiabi desde 2000 participa em todas as ati vidades do arum; Myauiup Kaiabi plantio e medies de 2002 e 2003; Wetkre Suy medio de 2002; Yasariku Yudja medio de 2002; Tamakari Kaiabi medio de 2003; Professor Kari Yudja medio de 2000; Tani Kaiabi medio de 2000. AIMAREN partic ipantes na expedio para Analndia e plantio de mudas de arum, 2001: Jewyt Kaiabi (Sobradinho); Pirapy Kaiabi (Barranco Alto); Tamakari Kaiabi (Tuiarar); Janin Kaiabi (PI Diauarum); Sirakup Kaiabi (Capivara); Myauiup Kaiabi (Kururu), Tawayku Yudja (Pequ izal), Tawayaku Yudja (PI Diauarum). Assessores no ndios participantes : Simone Athayde, Geraldo Silva, Helder de Souza, Katia Ono, Marcello Rodrigues. Organizao deste livro : Simone Ferreira de Athayde, Geraldo Mosimann da Silva e Paula Mendona de M enezes. Coordenao do Programa Xingu : Andr Villas Boas. Coordenao do Projeto Formao de Agentes Indgenas de Manejo : Marcus V. C. Schmidt. Apoio para a organizao deste livro : Universidade da Flrida Centro de Estudos Latino Americanos Programa para a Conservao e Desenv olvimento Tropical (TCD) Ga inesville, Maro, 2004 Apoio aos AIMAREN: Fundao Floresta Tropical da Noruega RFN PRONAF Programa Nacional de Agricultura Familiar FNMA Fundo Nacional do Meio Ambiente TNC Fundao para a Conservao da Natureza (The Nature Conservancy) FORMAO DE AGENTES INDGENAS DE MANEJO DE RECURSOS NATURAIS AIMAREN DIREITOS AUTORAIS : Comunidades Kaiabi do Parque Indgena do Xingu

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SUMRIO APRESENTAO 01 ANTIGA HIST"RIA DE MARAMUJANGAT 02 TUIARAR QUEM CU IDA DO ARUM 08 URUYP 10 TAQUARINHA 12 ANTES DO CONTATO COM NO NDIO O URUYP ERA USADO 13 NORMALMENTE ATUALMENTE O PESSOAL FAZ PENEIRA MAIS PARA VENDER 14 QUAIS SO AS PARTES DO ARUM? 16 PESQUISA DO ARUM NO MA TO 18 TEXTO SOBRE INVENTRIO DE POPULA'ES NATURAIS DE ARUM 21 EXPERIMENTO DE PLANTIO DE MUDAS DE URUYP 25 RELAT"RIOS DA ATIVIDADE DE PLANTIO DE ARUM NA ALDEIA 29 SOBRADINHO MONITORAMENTO DO PLANTIO DE ARUM EM 2002 33 TEXTO SOBRE AS PARCELAS DE PLANTIO DO ARUM 38 MONITORAMENTO DO PLANTIO DE ARUM EM 2003 41 RESULTADOS DAS MEDI'ES NO MATO E DOS MONITORAMENTOS 43 DE ARUM FEITOS DE 2000 A 2003 1) INVENTRIO DE DUAS REAS NATURAIS DE ARUM 43 2) RESULTADOS DO EXPER IMENTO DE PLANTIO DE MUDAS DE ARUM 63 SUGEST'ES DE TRABALHOS PARA O MANEJO DE ARUM NAS 78 ALDEIAS KAIABI DO PIX

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1 APRESENTAO Os agentes de manejo precisam conversar e explicar para a comunidade o que manejo, fazer eles entenderem, fazer o trabalho para a comunidade, como pode ser usado, como pode manejar e como pode ser tirado para o recurso no morrer. A comun idade precisa colaborar e pensar em reproduzir este recurso, no caso o arum, para o futuro. Tambm a comunidade precisa conversar e procurar a gente para fazer trabalho juntos, porque sem apoio e ajuda da comunidade, a gente no tem fora para levar o tra balho para frente. Precisa pesquisar no ecossistema se tem muito ou pouco arum, se tem pouco precisa saber a caracterstica para poder fazer manejo. Fazer plantio no ecossistema que d bem. Tambm, para manejar, as pessoas precisam parar de usar para o a rum se reproduzir. Quando for tirar tambm no precisa cortar de qualquer jeito, sempre escolher qual a boa para usar, no cortar tudo do mesmo p para no enfraquecer o arum. Pirapy Kaiabi e Tamakari Kaiabi

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2 ANTIGA HIST"RIA DE MARAMUJANGAT OU TUIA RAR Contada por Aukusing Kaiabi Traduzida por Janin Kaiabi Novembro/2000 Assim ele fez muita peneira. O que no prestava para usar, ele toda vez que ele andava, pe dia para a me dele no jogar o lixo que estava embaixo dele. At que um dia ele foi caar e a me dele resolveu jogar este lixo que ficava embaixo da rede e foi varrendo a casa. Ele chegou e viu um monte de lixo e ento ele foi tirando, tirou, tirou, viu e a senhora gritou de susto e ela disse: Desenho: Janin Kaiabi

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3 E a senhora bateu com a vassoura e acabou matando a nora. O filho chegou da caada e viu o que aconteceu. Ele ficou bravo com a me dele, depois disso ele fez c era de pau (araity) como mulher de novo e a me fazia mingau e ele pedia para no mandar ela trabalhar no sol quente, at que ele saiu para caar de novo, a a me dele estava fazendo mingau e o mingau no ficou bom, ela falou para a nora: Voc quer busc ar um pouco de gua para mim? E ela pegou a cabaa e foi andando, no meio do caminho ela sentiu que estava derretendo. Ela andou, andou, acabou se derretendo toda e a sogra ficou esperando a nora em casa. Esperou, esperou e a nora no apareceu e a senhora foi atrs dela e viu a cabaa no meio do caminho. O filho dela chegou da caada e perguntou: Me, cad a minha mulher? A me falou: Eu mandei ela buscar gua para mim e ela foi, mas acabou derretendo no meio do caminho. A ele ficou muito triste com el a e ele resolveu ir embora da me para casar com E ele foi, no dia seguinte chegou na aldeia dos Munduruku. Ele entrou na casa, sentou perto da porta e o munduruku mostrou a rede para ele bem no meio da casa, mas ele no quis deitar na re de. O chefe dos munduruku comeou a conversar com ele. Tinha uma senhora torrando farinha e ela falou: Pessoal, vamos logo matar para a gente! Ele estava desconfiado de que eles queriam matar ele. Ele correu do pessoal, se escondeu no mato e continuou a andar at que ele chegou na aldeia dos Cad a rede da sua filha? E ela respondeu: A rede da minha filha est ali, pode deitar. E ele foi deitar na rede da menina e acabou casando. Um dia passou o povo da mulher que ele estava casado. O pessoal foi caar e eles pegaram o filhinho do macaco. Eles fizeram festa grande mas ele estava s vendo o que o pessoal fazia.

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4 At que um dia, ele levou a mulher dele para fazer caada e ll foi ele com a mul her e encontrou um macaco no caminho e a mulher dele falou: O meu marido, a gente chegou para o branco. A ele respondeu: Este no branco, macaco comida da gente. Ento ele matou dois macacos. Ento ele aprendeu o jogo e pegou macaco e sapecou, ass ou e comeu. A mulher dele no queria comer mas acabou comendo, ele trouxe para casa dela e deu para o pessoal e disse: Este no branco, esse comida. Branco que nem a gente, um dia eu vou mostrar como branco. Ento passaram duas semanas e ele en gravidou a mulher dele. Quando o filho dele estava com cinco anos de idade ele levou o cunhado Desenho: Janin Kaiabi

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5 dele para mostrar como que branco, ele matou um branco e voltou para a aldeia. Depois foram de novo matar mais brancos, voltaram para a aldeia e depois por lt imo o cunhado dele disse para o irmo dele: Ele nunca deixa a gente matar branco. Quando ele vai matar a a gente vai matar ele junto. O sobrinho dele estava ouvindo quando ele chegou da espera o filho dele contou para o pai: Meu tio disse que no va i deixar eles matarem o branco. Ele disse que vo te matar agora junto com o branco. No mesmo dia ele foi embora para a aldeia e disse para o cunhado: O cunhado, seu sobrinho quer voltar para a aldeia, eu j estou levando ele. Eu vou deixar um monte de flechas para vocs. E ele foi embora, dormiu dois dias no caminho e chegou na aldeiae pediu para a mulher dele: Vai buscar milho verde. Quando ele estava preparando a flecha, a mulher foi e o namorado dela foi atrs rapidamente. Ele terminou de fazer fl echa e foi atrs da esposa, quando ele chegou na roa e parou para ouvir se a mulher dele estava tirando o milho. No escutou nada, andou de novo e viu um panaku no meio do caminho. E foi ele acompanhar o rastro da mulher, e el estava a mulher dele com ou tro homem. Ele armou arco e flecha e flechou a esposa dele, depois matou o homem tambm. E ele pegou os dois e cortou o brao e cobriu com folha de pacova, ele colocou o homem que estava namorando com a esposa em cima dela, e ele levou o brao das duas par a casa e colocou em cima da mala do ndio. Quando comeou a pingar sangue, ele falou com a velha que era sogra dele: Vem dar uma varrida embaixo da mala do seu neto. E a senhora falou: Eu estou pensando mesmo em varrer. E ela pegou a vassoura e come ou a varrer, varreu, varreu, pingou sangue, pingou duas vezes e a senhora veio e falou: O que est pingando da mala? E ele respondeu:

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6 Eu matei a tua filha. Quando ele contou, logo ele foi tirar canoa que se chama jutaywapeyat do fundo, tirou um pouc o de gua da canoa e pediu para o filho entrar na canoa e empurrou a canoa no meio do rio e chegou o ex cunhado dele e falou: Voc no trouxe a flechinha do meu sobrinho, traz ele para pegar. E ele falou: Eu j estou indo embora, eu peo para voc lev ar o arco do seu sobrinho depois. T, a gente vai atrs de voc. E ele falou de novo: T bom, mas vocs no precisam ter pressa, deixa eu arrumar toda a minha aldeia e eu vou deixar uma vara no meio do rio para vocs passarem. E ele foi embora, cheg ou para arrumar a aldeia e fez muitas pessoas e comeou a vir para a beira do rio e deixou uma vara no meio do rio, depois disso ele s viajava. Tinha os filhos que ele fez muito antes. Ele perguntou para eles, eu queria saber se vocs ouviram alguma coisa ao redor da aldeia, os filhos falaram que ouviram sim. E eles comearam a mostrar o local das coisas que o pai deles ia transformar. Primeiro transformou kypyjaynget, depois tucum, takwat, ypysing, jawiyp e eles falaram aqui tem um que fez ataraka e tuiu iu e ele comeou a demarcar o caminho para o ex cunhado, por ltimo ele deixou uma vara no meio do rio, depois disso ele s viajava. At que ele veio esperar o pessoal, sido dia eles chegaram. E o pessoal do Tuiarar veio perguntar para filho: Ele j veio ? Ainda no, o filho falou. Passou meia hora ele chegou da espera, o pessoal perguntou: Voc veio, como est o local? Ele disse para o povo: O pessoal chegou, eles esto na beira, logo o pessoal se preparou para atacar e Tuiarar falou para o seu filho:

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7 F ilho, seu tio falou que ele ia matar voc. O filho falou para o pessoal: Olha, no mate meu tio, deixa eu matar. As pessoas vieram para a beira, ele e o povo chegaram na beira e comearam a matar e mataram todos os inimigos que vieram com o ex cunhado do T uiarar. E foi assim que surgiram os Kaiabi antigamente. Assim que aconteceu, eu queria pedir para voc, histria que o Povo Kaiabi conta tudo diferente uns dos outros. Este homem que fez o povo ele tinha um nome primeiro, depois que ele matou a esposa e le escolheu o nome de Tuiarar. Desenho: Janin Kaiabi

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8 TUIARAR QUEM CUIDA DO ARUM Matari Kaiabi O uruyp nasce na cabeceira dos crregos, eu no sei se ele tem semente, mas ele brota na terra molhada, no Kofet e no Yataran. O Kaiabi no planta o arum, ele n ativo da natureza, mas antigamente o deus Tuiarar era quem utilizava o uruyp e cuidava para fazer peneira. Atualmente, creio que ele ainda cuida e planta esse recurso natural que o arum. Ns no cuidamos do arum, talvez o dono que Tuiarar quem cu ida dele. O uruyp tem dono. Quando o Tuiarar utilizava o arum, ele encontrou a dona, uma mulher. O Tuiarar transformou essa mulher em uma mulher humana para ser sua esposa. O nome dela uruywoog (lagarta) que mora dentro do arum. O arum se encontra no crrego, no Kofet, no Yataran. Depende do lugar, tem aldeia que fica longe do ecossistema onde tem arum. Para chegar at o local tem que caar para encontrar, abrir picadinha na beira do crrego at achar. O que usado do recurso a fibra dele, qu e resistente para o produto. Se usa tambm a parte da carne dele. Usamos a peneira feita de arum para coar mingau, peneirar a massa de mandioca e o p do milho para fazer mingau. Guardamos tambm comida, objetos e algodo dentro. Atualmente o uso do ar um (uruyp) mudou, se usa muito e antigamente no usava muito. Antigamente tambm no se vendiam os produtos de arum, mas quando o meu povo veio para PIX comeou a venda. Na rea dos nossos ancestrais tinha muito esse recurso natural e aqui no PIX tinha p ouco. Aqui nas regies do PIX o arum est cada vez mais difcil de achar.

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9 Alguns jovens tambm no utilizam muito o arum, porque no aprenderam a fazer o produto (peneira) tirado desse recurso natural. Dizem que alguns motivos para os mais novos no faze rem peneira so a falta do recurso natural arum, e outro problema a falta de interesse dos jovens ou se envolveram mais em outras coisas. Nesse ano veio um estudioso de So Paulo para pesquisar o arum. Se a pesquisa nos trouxer um bom resultado, tal vez futuramente ns vamos cuidar ou plantar esse recurso natural para que ele no se acabe. Desenho de peneira chamado Yok ou Yogajurat. Foto: Simone Athayde Peneira com variedades de algodo. Foto: Simone Atha yde

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10 URUYP Maure Kaiabi e Awatat Kaiabi Na sociedade Kaiabi usamos muito um recurso natural que chamamos uruyp um tipo de taquarinha que usamos para fazer peneira. As peneiras que fazemos servem para fazer farinha e mingau, para guardar objetos da casa, como fuso e algodo e para enfeitar a casa. Ns tambm fazemos peneiras para vender. So os homens que sabem fazer peneira. Aqui no Xingu no tem bastante, por isso os Kaiabi fazem pouca peneira, falta material. Na rea ancestral Kaiabi tem dois tipos de uruyp: uruywete e uruykuruk, mas aqui no Xingu s existe uruykuruk Para encontrar uruyp muito difcil, porque aqui no Xingu tem muito pouco. Uruyp fica na beira dos crregos, em locais frescos, geralmente muito distantes das aldeias, por isso ns precisamos procurar muito at achar. Desenho: Tangeakatu Kaiabi

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11 A folha dela igual a folha de taquarinha, s que ela bem pequenininha. Quando ns encontramos uruyp cortamos as taquarinhas, depois amarramos com embira. Quando chegamos em casa rachamos com faquinha e colocamos no sol para secar. Depois de seca, tiramos as carnes delas e tranamos. Antes de comear a pessoa precisa pensar no desenho que vai fazer na peneira. An tes de terminar precisa ir novamente ao mato para tirar o cip, para amarrar e firmar a peneira. Para pintar a peneira usamos uma tinta que tiramos de uma rvore. A pessoa que for tirar uruyp deve tirar s a metade, para elas nascerem de novo. Se tirar vr ias vezes, sem cuidado, o recurso fica fraco e morre. Devemos tirar s o que est maduro, deixando o verde para se renovar. Assim teremos para sempre esse recurso. Se queimarmos as taquarinhas, elas no vo crescer mais, correndo o perigo delas se tornarem um recurso no renovvel.

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12 TAQUARINHA Jemy Kaiabi Taquarinha um recurso natural para a sociedade Kaiabi, que o povo nunca deixou de usar. usada para fazer peneira, e chamada por ns de uruyp. Para fazer peneira tem que ir no mato em busca de ur uyp, procurar na beira do crrego, dentro do mato. Uruyp gosta de lugar fresco. Ela no gosta muito de viver no mato bruto, elas ficam amontoadas, s num p. Para cortar taquarinha no pode cortar tudo seno morre tudo. Tem que deixar pelo menos cinco ou d ez ps para taquarinha se renovar. O povo Kaiabi, depois de tirar taquarinha, pode trazer na casa e depois rachar com faquinha e colocar no sol para secar. Depois de secar pode tirar as carnes delas quando acaba de terminar, pode comear a fazer peneira, antes de comear pode pensar qual o tipo de desenho que voc vai desenhar na peneira. Assim que a peneira ficar quase pronta, a pessoa pode ir novamente no mato cortar cip e trazer para amarrar na peneira para firmar. Cip que trazido do mato a gente amarra junto com a peneira, firmando a beira da peneira. Depois que a peneira ficar pronta, a mulher usa para fazer mingau, coar suco de mel, etc. Peneira para guardar algodo com desenho Kwasiaruu feita por Ywafuku Kaiabi, Aldeia Kururu.

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13 ANTES DO CO NTATO COM NO NDIO O URUYP ERA USADO NORMALMENTE Sirawan Kaiabi Uruyp nasce sozinho, tambm no tem ningum para criar, tambm no tem pessoa para cuidar de recurso uruyp. O recurso fica no pantanalzinho e na mata alta, ele fica na beira do crrego. Ess e recurso sempre fica longe da aldeia porque meio difcil de encontrar. Tem muito lugar que uruyp gosta, mais sempre o lugar pobre de uruyp. Onde se encontra tem que sempre caminhar pelo caminho ou ir de canoa para chegar at o local. E sempre tem que frequentar o lugar para buscar andando. A parte do uruyp que usamos feito casquinha do caule, isso que pessoal faz para fazer peneira. Tambm precisa s cortar cerca de 20 cm, um pouco alto, assim no morrer. Se cortar no fundo do p do recurso, pode d esaparecer o recurso natural. A casquinha do caule do uruyp pode servir para tranar enfeite da borduna e do cocar. O caule tambm a pessoa aproveita para fazer peneira para coar farinha, coar fub de milho e para guardar algodo. Assim que usamos peneira, outras peneiras pessoa vende, tambm aquele que para vender pintado com jemoreyp. Antes de contato com no ndio o uruyp era usado normalmente. Porque existia muito recurso natural que o povo utilizava pouco, s para consumo. Algumas pessoas controlavam o recurso que ficava perto da aldeia dele. Mas depois do contato ningum quer pensar em controlar mais o recurso. Tem alguns lugares que pessoa no deixa uruyp crescer direito, cortar, cresce e corta. Ento isso perigoso. Isso acontece porque ele preci sa utilizar para consumo dele.

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14 Existe o jeito de manejar este recurso natural para que ele no se acabe, seja extinto. Se ningum aprender a usar este recurso natural mais utilizado, ele poder morrer. Tambm se a pessoa corta de qualquer jeito sem pensar no futuro da natureza vai acabar. Por isso, que bom cortar direitinho uruyp para no morrer. Ele deve ser cortado sempre deixando um metro plantado no cho. ATUALMENTE O PESSOAL FAZ PENEIRA MAIS PARA VENDER Atualmente o arum nasce sozinho deve ter dono s que a gente no conhece, todo recurso natural que existe na natureza tem seu dono ou esprito. Eles tambm cuidam dos recursos naturais. O modo de cortar o arum mudou porque cortamos de qualquer jeito, antes no, cortvamos com faca, so mente quebrvamos para tirar, o jeito de usar era assim. Mas, atualmente, a pessoa que tira corta com faca. Tambm o produto no era vendido. Produzia somente para uso e enfeite da casa, presenteava o sogro quando casava com a filha de alguma pessoa. Agor a no se faz mais isso, porque o uso no mais daquele jeito. A pessoa faz mais para vender. O arum fica mais no brejo, na mata alta, na beira do crrego e tem pouco nas outras matas. Desenho: Myauiup Kaiabi

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15 Este recurso tem pouco, por isso que muitas pessoas procuram mas, d ifcil para eles produzirem. Porque este recurso fica longe, no fica perto da aldeia, mesmo assim a pessoa tem que ir buscar. Se em outro lugar, a pessoa vai de barco, o sofrimento muito para apanhar o recurso natural. A parte que a gente usa do arum tudo, as vezes a pessoa usa o caule para peneira de peneirar farinha, isso para no perder o recurso natural. Tem um jeito certo de tirar uruyp, tem que cortar direitinho, no cortar de qualquer jeito, porque assim ele pode morrer, por isso tem que ter a medida de cortar uruyp. Tari Kaiabi, Jewyt Kaiabi, Sirawan Kaiabi, Wareajup Kaiabi Kaiabi

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16 16 QUAIS SO AS PARTES DO ARUM? Iw Kaiabi

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17 17 Exis tem trs tipos de uruyp: uruyp kuruk uruyp wete uruyp wuu Aqui no Xingu s existe um tipo de uruyp, que o uruyp kuruk. AS PARTES DO ARUM : Professor Tarupi explicando as partes do arum para os alunos na aldeia Kururu. nome geral para galho joelho, diviso princi pal de onde saem os galhos galho que nasce depois do joelho diviso do galho Iypy a perna da planta, que nasce antes de formar o joelho. o caule da planta antes de separar, porque no divide, no separa, sempre fica quando a p lanta cortada. Oop folha Ejujyau broto Ejui gema da folha Apo raiz

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18 18 PESQUISA DO AR UM NO MATO Relatrio de Jewyt Kaiabi No trabalho do arum deste ano, a primeira coisa foi uma conversa com a comunidade da Aldeia Sobradinho sobre o trabalho de manejo. Aps isso fomos para o mato, no lugar do arum. Os pesquisadores levaram GPS para sab er a distncia do arum para a aldeia. Eles tambm prepararam o material para usarmos, como plaquinha, paqumetro, alicate e arame. Comeando o trabalho passamos barbantes para renovar a marcao das parcelas do arum. No dia seguinte o Geraldo e Marcello (assessores no ndios) retornaram para trabalhar nas outras aldeias. No dia seguinte de manh trabalhamos no arum, medimos o talo principal do arum de cada touceira e trocamos as plaquinhas amarelas pelas outras de metal. Todas as vezes que fizemos a m edio, contamos tambm mortos, adultos, jovens e brotos. Assim fizemos para no perder a quantidade de arum na prxima medio. Fizemos esse trabalho na primeira e na segunda rea. Depois disso a Simone pesquisou com os velhos para ter uma idia. A prime ira pesquisa foi com sobre a produo de arum e do lugar preferido. Logo aps levamos Mairaiup conosco para o lugar do arum, a ele mostrou e contou cada tipo de rvore e o nome tambm.

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19 19 Mapa da antiga aldeia Sobradinho e do lugar da pesquisa do arum. Desenho: Jewyt Kaiabi. Terminado esse trabalho, a noite teve uma pequena reunio com a comunidade do Sobradinho sobre o trabalho que est acontecendo na aldeia. Assim o trabalho foi finalizado no perodo do dia 16 at 26/08/01. Esse trabalho importante porque na sociedade Kaiabi existe o costume de usar arum para fazer peneira que usada no preparo de mingau, farinha e beiju. muito importante porque arum est acabando. Se acabar, como que o povo vai manter sua cultura?

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20 20 Tem taquarinhas, b uritis e tucuns. Mas os recursos que do para usar, tambm para fazer produtos so muito poucos. Futuramente no vai mais ter tantos recursos, por isso que muito importante para o povo aprender a manejar os recursos naturais. A comunidade da Aldeia Sobra dinho pode participar mais deste trabalho, conhecendo atravs das explicaes da gente que j trabalha no projeto de manejo. Assim a comunidade conhece o nosso trabalho, por isso que importante a explicao para a comunidade sobre o que ns estamos fazen do. identificada) e Jujywa (aa). Desenho: Jewyt Kaiabi.

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21 21 Este trabalho pode continuar com a colaborao da comunidade com o apoio de uma pessoa profissional, tambm com ajuda do cacique, falando com sua comunidade. Ela pode compreender e dando sua fora para a continuao do trabalho. Assim o trabalho pode continuar. TEXTO SOBRE INVENTRIO DE POPULA'ES NATURAIS DE ARUM Jewyt e Myauiup Kaiabi, 10/07/02 Estas reas ficam a aproximadamen te 100 m do crrego. A rea da parcela de 20X40m. Cada parcela tem 10X10m. Na primeira rea tem 8 parcelas. Na segunda rea tambm tem 8 parcelas. Na primeira poucos troncos. Muitas form meio plana, mas tem poucos morrotinhos. A gua ininda, mas tem canal (ywyakape) para a gua passar, depois ela seca. Tem abelhinhas (Topemong) e um pouco suja. ta rvore meio preto. A rea mais limpa, tem muitas abelhas nesta rea tambm. Tem muitos morrotinhos, arum nesta rea fica nos morrotinhos quando a gua inunda. Nesta rea tem abelha no tronco no meio da parcela. Nesta rea tem mais arum, mas os doi s ecossistemas so iguais (yatarn).

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22 22 A rea de estudo do arum cercada com barbante. Tem estacas marcando as reas. Antes de chegar nesta rea preciso passar no campo e na mata baixa. Os materiais que esto sendo usados so plaquetas com nmeros p ara no perder as plantas de arum que esto sendo medidas, arame para passar nos nmeros, alicate para cortar arame, prancheta para anotaes, faco etc. Essas populaes de arum esto sendo medidas desde o ano 2000 e j est fazendo trs anos. Medimos a rea de cada touceira de arum, comprimento dos talos principais do arum, primeiro n o talo que sai do cho at o primeiro joelhinho do arum, primeiro gomo, quantos ramos tem acima do primeiro n. A grossura do arum que o dimetro est sendo medid a com o paqumetro, total de talos de arum que tem na mesma touceir, tambm ver a quantidade dos brotos e dos mortos. Esses tipos de medies so para quando voltarmos outra vez medir termos uma idia das caractersticas do arum. Broto de arum Flor de arum Touceira e planta com plaqueta

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23 23 Medi o de plantas de arum no mato. Julho de 2002. Desenho: Myauiup Kaiabi. FACO PRANCHETA E FICHAS PLAQUETAS TRENA GRANDE RGUA DE METRO ALICATE PAQUMETRO TRENA PEQUENA Materiais usados para medir o arum.

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24 24 MEDIO DE AR UM NO MATO 2000 2002 Medio arum no mato 2001. Medio no mato e monitoramento do pl antio 2003. Medio arum no mato 2001. Medio no mato e monitoramento do plantio 2002.

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25 25 EXPERIMENTO DE PLANTIO DE MUDAS DE URUYP 2001 Relatrio da atividade de plantio de arum na Aldeia Sobradinho Pirapy Kaiabi Agente de M anejo Aldeia Barranco Alto, Novembro/01 Teve conversa sobre o trabalho que vai ser feito na Aldeia Sobradinho. As pessoas que vo so oito: Pirapy, Tamakari, Yanin, Tawayaku, Sirakup, Tawaiku, Myauiup e Jewyt e tcnicos Geraldo e Marcelo. No dia 17/11/ 01 descemos do Diauarum de lancha passando pelas aldeias Capivara, Pequizal, Pakisamba, Tuba Tuba, subimos pelo Rio Manitsau miu e passamos pelo Kururu. Dormimos no PIV Manito no boca do Rio Arraia. No dia 18/11/01 subimos o rio Arraia, levando os agente s de manejo para a Aldeia Sobradinho. Chegamos s 10:00 hs da manh no Sobradinho. A partir da tarde teve reunio com a comunidade do Sobradinho sobre o trabalho que ns fomos fazer, explicando tudo e eles contaram a experincia que eles tem sobre arum. C om eles discutimos o ecossistema onde vo ser plantadas as mudas do arum. Escolhemos 2 ecossistemas com 2 tipos de entrada de luz, um com luz natural e outro com luz aberta. No dia 19/11/01 samos do Sobradinho para a cidade de Analndia s 15:30 hs, ch egamos na estrada 9:20 hs onde estava o carro da Aldeia Sobradinho. O carro estava com pneu murcho e com pouco gs. Mesmo assimsamos com pneu murcho. Chegamos na

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26 26 serraria 11:00 hs, enchemos o pneu e pegamos gs emprestado do gerente da serraria. Samos 14 :30 hs. A 30 km da serraria o carro deu problema, escapou a mola do pneu, mas conseguimos colocar dentro e andamos mais 10 km. Deu outro problema que no adiantou tentar consertar. A 27 km da cidade de Analndia foram 2 pessoas de carona para a cidade proc urar frete para mandar pegar ns na estrada. O carro chegou 17:30 hs trazendo marmitex porque o pessoal estava com fome e sede. Samos de novo, chegamos na cidade s 21:30 hs, fomos direto para o hotel. No dia 20/11/01 o Cacique Mawut Kaiabi foi atrs da p essoa que conhece onse tem arum e levou ele para ver e depois ns fomos de frete. Samos 11:00 hs para o local do arum, a 3 km da cidade. Andamos procurando o melhor lugar para tirar as mudas. Tiramos 200 mudas em 3 caixas, terminamos s 16:00 hs e ficam os esperando o frete e chegou, chegamos s 16:40 hs na cidade e dormimos para viajar no dia seguinte. No dia 21/11/01 samos da cidade para a beira do rio Arraia de frete s 8:30 da manh, chegamos na beira 13:00hs da tarde, ficamos esperando a lancha, c hegamos na aldeia 17:00 hs. No dia 22/11/01 a partir da manh samos para escolher 2 tipos de ecossistemas com 4 parcelas. Preparamos s 2 parcelas: primeiro na beira do crrego com luz aberta e segundo era na capoeira com luz natural. Voltamos para a ald eia para separaras mudas por tamanho pequeno, mdio e grande. Medimos a grossura e a altura do primeiro n e a altura total, colocamos as plaquetinhas com os nmeros e preenchemos as tabelas com os nmeros.

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27 27 Tambm ns fizemos um tipo de tabela para discut ir como seria plantado na parcela de 10X5m2. Treinamos com a trena como fazer no campo. A partir da tarde terminamos de fazer. No dia 23/11/01 fomos para o mato com as mudas, s medimos 2 parcelas de 10X5m com 5 linhas de 10 mudas. 14:00 hs voltamos para ir procurar mais duas parcelas de luz aberta na capoeira ou na beira do crrego com luz natural. Dividimos em 2 grupo. Outro grupo foi preparar a parcela que faltou, outro foi plantar na parcela j marcada. Terminamos de plantar tudo s 19:30 hs da noite. No dia 24/11/01 Geraldo e Marcelo foram colher solo e tirar fotos do lugar do plantio. Teve atividade para os agentes na casa, medir o arum que Mawut trouxe, o croqui da parcela, arum na parcela, croqui do lugar onde foram pegadas as mudas, croqui da cidade de Analndia. tarde fomos para fazer descrio dos ecossistemas do plantio e encerramos o trabalho. noite teve avaliao do trabalho, cada agente falou o que achou do trabalho. No dia 25/11/01 foram 2 barcos para buscar ns do Diauarum porque a lancha quebrou a pea. Samos 11:00 hs da aldeia Sobradinho, chegamos 16:00 hs no Posto Diauarum. Pirapy e Tamakari ficaram mais um dia para ajudar Aturi e Jemy Kaiabi no projeto sobre arum e resgate da peneira Kaiabi.

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28 28 EXPEDIO ANALNDIA 2001 PARA COLETAR MUDAS DE ARUM

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29 29 RELAT"RIO DA ATIVIDADE DE PLANTIO DE ARUM NA ALDEIA SOBRADINHO Jewyt Kaiabi Agente de Manejo Aldeia Sobradinho, Novembro/01 No dia 18/11/01 o Professor Geraldo e Marcelo vieram juntamente com os agentes indgenas de manejo, para fazer plant ao do arum. Na parte da tarde iniciamos o trabalho. Realizamos uma reunio com a comunidade da Aldeia Sobradinho para decidirmos juntos sobre o lugar onde seria plantado o arum. O lugar decidido foi mais fechado e a luz mdia perto da aldeia, prximo ao crrego. Aps essa reunio, o Professor Geraldo explicou para ns alunos como ser feito o trabalho no ecossistema na hora de tirar as mudas e tambm a nossa ida a Analndia. Foi combinado de sair 4 horas da manh. Assim adiantaramos a viagem para ganh ar mais tempo. No dia 19/11/01 samos da aldeia, chegamos na estrada que sai da lagoa. Ali pegamos um carro que da comunidade, mas o carro estava quebrado e fomos assim mesmo. O sofrimento passamos durante a nossa viagem. Chegamos na Analndia por volta de 21:00 hs. No dia 20/11/01 de manh aps o caf o representante dos agentes foi falar com o homem que faz frete e ficamos esperando at por volta de onze horas, mas durante isso tivemos uma pequena conversa entre ns. Ningum sabia onde era o lugar do arum e na frente foi o cacique com o homem que conhece este lugar, assim conseguimos encontrar. Ento chegou o frete e fomos at este lugar do arum.

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30 30 Encontramos o arum, que era denso e ficamos fazendo servio ali. A fizemos a caracterizao do ecossis tema. No deu tempo para esticar a trena. Tiramos as mudas e colocamos na caixa de papelo com muito cuidado para no sufocar a raiz das plantas. No total tiramos duzentas plantas. No dia 21/11/01 retomamos o caminho de volta para a aldeia Sobradinho. Ch egamos na parte da tarde e no deu tempo de trabalhar. De manh, no dia 22/11/01 pegamos as plantas para separar em trs tamanhos:grande, mdio e pequeno. Aps isso medimos o talo de cada planta, fizemos contagem e j colocamos as plaquinhas juntas, para n o dar confuso entre os nmeros na hora do plantio. Alm disso fizemos a contagem do arum que o cacique trouxe para fazer peneira, isso fizemos: separamos cada tamanho em trs. Aps isso rachamos em pedaos e contamos quantos pedaos que tinha de cada g rossura. Desenho:Tawaiku Yudja

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31 31 Desenho:Tawayaku Yudja No dia 23/11/01 levamos as mudas para plantar. Primeiramente, estudamos a caracterizao do ecossistema. Aps isso esticamos trena: 10X5 a fincamos varinhas de 1 metro e meio para marcar a dis tncia do plantio de uma muda para outra. Isso fizemos em 4 parcelas, cada parcela com 50 plantas; 2 lugares bem prximos ao crrego no lugar de luz fechada e 2 lugares em luz um pouco aberta. Isso foi o nosso trabalho juntamente com os agentes indgenas d e manejo: Janin Kaiabi; Pirapy Kaiabi; Tamakari Kaiabi; Sirakup Kaiabi; Tawayaku Yudja; Tawaiku Yudja; Myauiup Kaiabi; Jewyt Kaiabi.

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32 32 Plantio de arum nas parcelas com luz natural. Desenhos:Janin Kaiabi. Plantio de arum nas parce las com luz aberta.

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33 33 MONITORAMENTO DO PLANTIO DE ARUM 2002 Reunio com a comunidade na Aldeia Sobradinho 10/07/02 Participantes: Homens Geraldo Mawut cacique Yuamin Yasariku (agente de manejo Tuba Tuba) Wetkre (agente de manejo Rik) Rafael (My auiup) Ariup Siraw Parakatu Jewyt (agente de manejo Sobradinho) Mairajup Mulheres Simone Tye Myrung

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34 34 Maria Juna Jerowiat Reai Juap Irete Tete Rywywy Rema Morefw (Capivara) Aldeia Sobradinho Tcnico s: Geraldo e Simone Alunos: Yassariku e Wetkere Conversa com a comunidade da aldeia Sobradinho sobre o trabalho. Pergunta para a comunidade: O que vocs esto achando deste trabalho? Podemos continuar fazendo este trabalho? (ou no?)

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35 35 Respostas da comu nidade Cacique Mawut: Os alunos apresentaram o que aprenderam no curso. Os alunos colaboraram com os tcnicos Preocupao com os recursos naturais e produtos da roa Sirawe: Trabalho dos agentes de manejo Difcil de encontrar arum Comunidade tambm pode cuidar das parcelas que foram criadas na aldeia Este projeto ajuda a trazer de volta a cultura Mairajup: Interessante Passarinho: Que bom que o trabalho foi iniciado aqui Piu Kaiabi Trabalho que eu estou achando bom. Parakatu: O trabalho est indo bem. E os outros falaram tambm. Depois da reunio combinamos Ter uma aula s 14hs.

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36 36 Na aula: Explicao da viagem para Analndia, como que essas mudas de arum vieram para a aldeia. Depois da explicao, passamos a estudar um pouco o que ns vamos observar nas parcelas de arum e porque foi feito o plantio e etc. Depois falamos das partes do arum como folha, haste, flor, ineto, gomo, joelho, touceira, broto e raiz, demos os nomes na lngua tambm. No dia seguinte, ns fomos no lugar das parcelas para medi r a altura, grossura, quantidade de mudas, nmeros de vivos, brotos e mortos, terminamos em um dia. A noite, conversamos sobre o que ns vamos fazer na outra parcela do mato. O Manu explicou para ns como foram feitas as parcelas que eles marcaram no mato Ns ficamos todos alerta para o que ns amos fazer. Terminamos o trabalho em quatro dias, segue datas que ns trabalhamos no mato. 13 e 14 de julho de 2002 terminamos 1 a rea 15 e 16 de julho de 2002 terminamos 2 a rea (final) Terminamos s 15:35hs, quando terminamos resolvemos tirar uma foto de cada grupo, a equipe carrapato foi campe e a equipe campe. Myauiup Kaiabi

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37 37 Jewyt, Simone e Myauiup. Equipe carrapato Wetkere, Geraldo e Yasariku Julho de 2002

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38 38 TEXTO SOBRE AS PARCELAS DE PLANTIO DO ARUM Wetkre Suy e Yasariku Yudja No dia 09/07/02 chegamos na Aldeia Sobradinho. No dia seguinte fomos para as parcelas fazer o monitoramento do plantio de arum. E ns comeamos a ver como medir o comprimento total e como medir o dimetro com o paqu metro, que a grossura. Tambm medimos o comprimento do primeiro n e do segundo n e quantos galhos existem no talo principal acima do primeiro n. Se tem alguma planta morta, ou se tem broto vivo ou morto, ns anotamos nas fichas. As medidas que ns fizemos foram: vivos, mortos, nmero de brotos, sade das plantas, dimetro do talo principal, altura do primeiro n e comprimento do primeiro gomo. Ver nas plaquinhas, e uma morreu, nos trocamos as placas no outro principal e alguma nova apareceu na pa rcela. Ns colocamos novos nmeros de placas que entre algumas placas que foram plaquetadas e na quarta tem uma abelhinha escura de bunda amarela, que suy chama mben saporrm, em parcela nmero 4, ecossistema de luz natural, bem na beira da roa e tem ma is abelhinha para o lado da parcela nmero 3. Na primeira parcela (luz natural) vimos que as plantas esto com pouco problema, com pouca morte. Na parcela nmero 2 (com luz natural), tinha 50 plantas de arum, haja que no a terra no dela, muito seco por isso morreu algumas plantas. Na parcela nmero 3 (do crrego com luz natural) est muito bem, tambm tem 50 mudas de arum.

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39 39 Na parcela nmero 4 (luz natural) tambm tem 50 mudas de arum tambm, so muito bonitas as plantas, e algumas morreram tamb m. Trocamos as placas nessas parcela tambm. Aps isso encerramos nossos trabalhos. A parcela nmero 1 na mata da beira do crrego, onde alaga (Huru weng). A parcela nmero 2 est na mata baixa depois da roa (Huru satumu). A parcela nmero 3 est na beira do crrego onde no alaga(Ware jamkat) e a parcela nmero 4 est na capoeira de terra vermelha. Relatrio de Jewyt Kaiabi sobre monitoramento de plantio No dia 10/07/02, de manh, teve a reunio com a comunidade da aldeia Sobradinho s obre o trabalho com arum, porque nesta data vieram os tcnicos: Geraldo e Simone, tambm vieram dois agentes indgenas de manejo de recursos naturais (AIMAREN) junto com eles. Discutiram sobre o trabalho feito aqui nesta aldeia, perguntaram o que a comu nidade estava achando sobre o trabalho dos AIMAREN, eles disseram que o trabalho muito bom. Os AIMAREM tambm se apresentaram; Wetkere Suya e Yassariku Yudj. Aps a reunio, aproximadamente s 14hs fomos para a escola estudar como vai ser o manejo do ar um, tambm ensinamos para os novatos como usar os materiais para medir o arum e falamos tambm como vieram as mudas de Analndia para a aldeia Sobradinho. No dia 11/07/02 de manh, fomos l no planto do arum ver como elas estavam se desenvolvendo, and amos em todas as parcelas observando as plantas. Voltamos para casa. tarde retornamos l

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40 40 junto com os velhos Sirav e Piu, mostramos como est sendo feita a nossa experincia com arum. noite teve conversa com os agentes sobre a rea de arum nativa inclusive eu contei um pouco para eles como medir a altura do arum, contar os mortos, dimetro, etc. Alm disso, a discusso foi sobre arum adulto, jovem e broto, anulamos os jovens e s discutimos sobre adultos e brotos. No dia 12/07/02 de manh, fo mos nas parcelas de plantio de arum. Primeiro nos dividimos em grupo, o primeiro grupo com o professor Geraldo e o segundo com a professora Simone. A segunda parcela fizemos todos juntos e ali os colegas de trabalho praticaram as medies no arum. De ma nh at a hora do almoo terminamos s uma parcela. Na parte da tarde voltamos l e fizemos o trabalho em grupos, a Simone com o grupo dela foi para a parcela 1 e Geraldo com o grupo dele foi fazer a 3 a parcela. Essas parcelas terminamos com um dia de trab alho, no total encontramos 16 mortos das 200 plantas, 9 plantas mortas de luz aberta e 7 plantas mortas de luz natural. No dia 13/07/02 depois do caf fomos l no mato medir as populaes do arum no ecossistema, comeamos o trabalho na 1 a rea e depois fomos para a 2 a rea. Esse trabalho levou quatro dias, medimos arum com metros, isto comprimento do talo principal e o dimetro a grossura de todo o arum. Tambm foram numerados os arums que estavam crescendo e terminamos o servio aproximadamente s 14:30hs. Este trabalho levou quatro dias, do dia 13 a 16/07/02. Waukare Jewyt Kaiabi

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41 41 MONITORAMENTO DO PLANTIO 2003 Relatrio de Myauiup Kaiabi Agente de Manejo Aldeia Sobradinho 28/06/03 Ontem ns fomos para fazer o monitoramento de arum Primeiro ns fomos na parcela kofer com luz aberta. Observei que essa parcela estava indo muito bem. Tinha mais ou menos 3 mudas mortas nesta parcela. Medimos a altura estimada, grossura, contamos ramos acima do primeiro n. Se tem broto ou mortos, qua ntos vivos, isso que ns fizemos. Passamos para a outra parcela de kofer com luz natural, fizemos a mesma coisa que ns fizemos nas parcelas com luz aberta. Depois fomos para as outras parcelas do outro lado do crrego. Na parcela de yatarn com luz nat ural do outro lado do crrego, eu observei que essa parcela estava meio triste. Terminamos essa parcela, fomos para a outra parcela que se chama yatarn com luz aberta e eu observei que essa parcela estava indo bem, alguns morreram mas a sade das plantas estava muito bem. Terminamos s 17:00 hs. Nossa merenda foi biscoito, queijo e suco. Esse trabalho ns fomos fazer no dia 27/06/03. Nome da equipe: Simone, Ktia, Myauiup, Tamakari e Jewyt.

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42 42 Relatrio de Jewyt Kaiabi Agente de Manejo Aldeia Sobradinh o No dia 27/06/03 aconteceu o monitoramento do arum na Aldeia Sobradinho. As pessoas que trabalharam foram Simone, Ktia, Tamakari eu e Rafael. Primeiro comeamos a trabalhar na parcela kofer com luz aberta, medimos esta parcela os 4 juntos. Aps, div idimos o grupo e assim trabalhamos. Quando terminamos esta parcela, lanchamos. Aps o lanche passamos para a parcela kofer com luz fechada (natural), depois parcela yatarn com luz fechada e yatarn com luz aberta, assim finalizamos o trabalho. Jewyt Tamakari

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43 43 RESULTADOS DAS MEDI'ES NO MATO E DOS MONITORAMENTOS DE ARUM FEITOS DE 2000 A 2003 1) INVENTRIO DE DUAS REAS NATURAIS DE ARUM NA ALDEIA SOBRADINHO, NOS ANOS DE 2000, 2001 E 2002. Participantes Assessores no ndios: Helde r Rocha de Souza (2000 e 2001), Geraldo Mosimann da Silva (2000, 2001 e 2002) e Simone Athayde (2001 e 2002). Professores indgenas e agentes de manejo de recursos naturais: Jewyt Kaiabi Agente de Manejo, Aldeia Sobradinho (2000, 2001 e 2002). Karin Yud ja Professor, Posto Indgena Diauarum (2000). Tani Kaiabi Aluno, Posto Indgena Diauarum (2000). Myauiup Kaiabi Agente de Manejo, Aldeia Kururu (2001 e 2002) Wetkere Suy Agente de Manejo, Aldeia Ngojwre (2002). Yasariku Yudja Agente de Manejo, Aldeia Tuba Tuba (2002). Ns realizamos esta pesquisa do arum em duas reas na regio da antiga aldeia Sobradinho porque queremos conhecer melhor as caractersticas, o jeito do arum. Para poder manejar o recurso, precisamos conhecer as suas caracterst icas ecolgicas, como por exemplo: em que tipo de mato ou ecossistema o recurso gosta mais de morar, como e quanto ele cresce, como ele se reproduz, se por semente, pela raiz ou por muda,

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44 44 se ele cresce mais onde tem mais luz ou mais sombra; em que tipo de solo ele cresce mais, se tem algum tipo de doena ou inseto que gosta de atacar este recurso, deixando ele fraco ou matando a sua planta, qual a parte do recurso que utilizada, se usa muito ou pouco, se precisa matar o recurso para tirar ou no, como que os mais velhos fazem o manejo do recurso: como que eles tiram e preparam o recurso. Ns fizemos as medies das touceiras de arum e entrevistamos as pessoas mais velhas para poder conhecer melhor esta planta, e conhecer as suas caractersticas e t ambm como ela usada e manejada pelo Povo Kaiabi. Ento, comparamos duas reas com arum, uma onde as touceiras haviam sido cortadas um ano antes, chamada de REA 1 e a outra onde as touceiras no tinham sido, ou tinham sido muito pouco cortadas, chama da de REA 2. As duas reas ficam perto uma da outra, e ficam num ecossistema de pantanalzinho, que alaga na poca da cheia, perto de um crrego. Na rea 1, tem menos luz e menos matria orgnica (folhas cadas, galhos podres etc) do que na rea 2.

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45 45 F oram marcadas 8 parcelas de 10X10 m na rea 1 e 8 de mesmo tamanho na rea 2. Em cada parcela, foram marcadas e numeradas todas as touceiras de arum que tinham altura igual ou maior do que 50 cm (1/2 m). Foi colocada uma plaqueta de metal em cada talo pri ncipal da touceira. Foi decidido que as medidas seriam feitas somente no talo principal, e que os outros talos da touceira seriam somente contados, dizendo se eles eram brotos, mortos ou vivos. No comeo, estvamos contando os jovens e adultos, mas depois percebemos que era muito difcil para os participantes saberem dizer se o talo era adulto ou jovem. As medidas feitas em cada touceira foram: Altura do talo principal em metros, desde o cho at o final do caule. Esta altura foi tirada com uma rgua d obrvel de 2 m. Quando a planta era muito alta ou estava enrolada, as outras plantas e rvores e com a nossa prpria altura. Altura do primeiro n em centmetros, tirada desde o cho at o primeiro joelho ou n da planta. Comprimento do primeiro gomo em centmetros, comprimento do ramo maior que sai do primeiro n, desde o n at a sua ponta. Dimetro ou grossura do caule em centmetros, tirado a 20 cm do solo com um paqumetro, aparelho especia l usado para medir a grossura de plantas.

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46 46 Nmero de ramos saindo do n principal contamos quantos ramos saam do n principal daquele talo. Outros talos na touceira contvamos o nmero de talos da touceira, quantos mortos, quantos vivos e quantos broto s. Medidas feitas em cada talo principal nas touceiras de arum. Desenho: Myauiup Kaiabi. Comprimento do primeiro gomo Altura total do talo principal Altura do primeiro n Nmero de ramos acima do primeiro n Dimetro do caule a 20 cm do s olo

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47 47 Tipos de talos nas touceiras do arum: vivos, mortos e brotos. Desenho: Yasariku Yudja. As medidas foram feitas com um intervalo de um ano, sem pre no ms de julho, em julho de 2000, 2001 e 2002. Quando o talo principal que havia sido medido morria, isso era anotado na ficha e a plaqueta era transferida para outro talo principal, aquele que era o mais alto da touceira. No ano de 2002, percebem os que haviam muitas rvores cadas e muita abertura de clareiras na rea 1. Isso no aconteceu na rea 2. Vrias touceiras morreram por causa disto.

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48 48 Em 2002, encontramos uma lagarta (yok) atacando algumas touceiras de arum. O pessoal comentou que essa lagarta deixa o arum fraco e come toda a parte mole de dentro do caule. O caule fica meio podre e morre. Por isso, para tirar o arum preciso ver se a haste ou caule est com sade por dentro. Lagarta (Yok) encontrada nas touceiras de arum, que estava comendo o miolo dos caules. Caule tipo raiz do arum que fica embaixo da terra e produz brotos, aumentando a touceira.

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49 49 Distribuio das touceiras de arum nas reas 1 e 2. Cada ponto uma touceira de arum que foi marcada e medida.

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50 50 RESULTADOS Para podermos analisar todas estas informaes coletadas nos 3 anos de medio do arum, passamos os dados das fichas de campo para o computador, usando um programa que faz clculos de matemtica. Este programa, chamado Excell, o mesmo pro grama que o pessoal da ATIX usa para fazer a contabilidade dos projetos da Associao. No computador, fizemos os seguintes clculos, diferenciando REA 1 e REA 2, para cada ano separado: Nmero de touceiras vivas e mortas em cada ano; Nmero de touceira s em que o talo principal morreu; Mdia das alturas do talo principal somando todas as alturas em cada ano e dividindo pelo nmero de touceiras; Mdia dos dimetros do talo principal somando todos os dimetros e dividindo pelo nmero de touceiras; Mdi a dos comprimentos do primeiro gomo somando todos os comprimentos e dividindo pelo nmero de touceiras; Mdia do nmero de ramos que saem do primeiro n; Nmero total de talos vivos, brotos e mortos em cada ano.

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51 51 TABELAS E GRFICOS Tabela geral de mdias das medidas feitas para a rea 1 e rea 2 de 2000 a 2001. AREA 1 AREA 2 Medidas 2000 2001 2002 2000 2001 2002 Touceiras vivas 178 133 116 140 110 108 Touceiras mortas 0 45 17 0 30 03 rea da Touceira em cm2 221.97 160.78 201.43 378.13 242.25 345.56 Dimetro a 20 cm do solo (cm) 0.73 0.68 0.64 0.87 0.81 0.79 Altura do primeiro n (cm) 37.35 38.54 36.91 43.54 45.75 44.45 Comprimento do primeiro gomo (cm) 36.56 36.25 36.26 52.31 52.47 51.83 Ramos acima do n principal (nmero) 2.24 2.55 3.02 1.57 2.23 2.57 Altura estimada do talo principal (m) 1.67 1.79 1.71 2.55 2.63 2.44 Broto (nmero) 17 13 64 5 26 30 Talos vivos (nmero) 323 304 392 358 316 345 Talos mortos (nmero) 93 100 126 110 74 104 cm medidas feitas em centmetros. m medidas feitas em metros.

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52 52 INTERPRETAO DA TABELA E DOS GRFICOS Nmero de touceiras vivas e mortas Esta tabela nos mostra as diferenas das duas reas ao longo do tempo. Enquanto na rea 1 existiam mais touceiras do que na rea 2 no primeiro ano do levant amento, no terceiro ano as duas reas estavam com quase a mesma quantidade de touceiras. Isto aconteceu porque morreram mais touceiras na rea 1 ao longo do tempo. Em 2002, vimos que vrias rvores haviam cado na rea 1, fazendo muito estrago em algumas p arcelas. As chuvas fortes e a queda de rvores podem provocar a morte de touceiras de arum. Mas, tambm podem ajudar o arum a crescer porque com a abertura destas clareiras entra mais luz para as touceiras. Talos principais mortos e quebrados Uma coisa que aprendemos sobre o arum que as touceiras vo mudando com o tempo: os talos morrem ou quebram e nascem outros que brotam do caule tipo raiz que tem embaixo da terra. Ento, mesmo que os talos da touceira no sejam cortados para fazer peneira, eles v o acabar morrendo ou quebrando mais cedo ou mais tarde. Os talos quebram porque caem rvores ou galhos em cima, ou porque eles vo se enroscando nas rvores e galhos tentando encontrar luz e acabam ficando fracos e quebram. Em 2002, observamos 23 talos qu ebrados na rea 1 e 55 na rea 2. Tambm, haviam 12 touceiras com talos principais mortos em cada uma das reas em 2002. Estas touceiras no foram consideradas para fazer as

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53 53 mdias das medidas, porque quando um talo principal morre, no podemos comparar su as medidas de um ano para o outro. Dimetro do talo principal O dimetro mdio na rea 1 foi de 0,70 a 0,60 cm e na rea 2 de 0,80 cm. As plantas estavam mais grossas na rea 2. Isto aconteceu porque talvez os talos maiores na rea 1 foram colhidos um ano antes da medio. Tambm, o dimetro diminuiu um pouco de 2001 para 2002. Isto pode ter acontecido por vrios motivos: em 2002 usamos paqumetros melhores, mais profissionais, de metal, para medir, porque os outros quebraram; s vezes era difcil medir a planta exatamente a 20 cm do solo, porque o arum ficava nos morrotes; s vezes, o talo de arum pode crescer para cima e afinar embaixo. Grfico mostrando a variao das medidas do dimetro do talo principal para as reas 1 e 2 de 2000 a 2003.

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54 54 Altura do primeiro n O comprimento mdio do primeiro n foi de mais ou menos 35 cm na rea 1 e de 52 cm na rea 2. Parece que o comprimento do primeiro n fica mais ou menos igual, depois o talo morre ou quebra. Tambm, o grfico mo stra que na rea 2 as touceiras estavam mais desenvolvidas. Comprimento do primeiro gomo O comprimento mdio do primeiro gomo dos talos principais no variou muito de um ano para outro. Foi de cerca de 36 cm para os talos principais da rea 1 e de mais ou menos 52 cm para os talos principais da rea 2. Isto mostrou que o crescimento do primeiro gomo das hastes lento e quase no variou num perodo de 3 anos. Tambm, na rea 1 o comprimento foi menor, porque provavelmente muitos talos maiores foram cortado s em 1999.

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55 55 Ramos acima do n principal O nmero mdio de ramos que saem do n principal nos talos do arum foi de 2 a 3 ramos na rea 1 e de 1,5 a 2,5 ramos na rea 2. Isso interessante, porque mostra que quando o arum colhido ele produz mais ramos, ele ramifica. Tambm, o nmero de ramos aumentou de 2000 para 2002. Quando o talo quebra na ponta, ele ramifica.

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56 56 Altura mdia do talo principal A altura mdia na rea 1 foi menor do que na re a 2. A altura mdia na rea 1 foi de um pouco mais de 1,50 m. Na rea 2, a altura mdia foi de 2,5 m, ou seja, 1 metro a mais do que na rea 1. A altura aumentou um pouco de 2000 para 2001 e depois diminuiu de 2001 para 2002. Isto pode ter acontecido porqu e muitos talos quebraram na ponta. Quando o arum cresce muito, muitos talos quebram por causa de galhos que caem, tempestades, ataque de insetos (como a lagarta passando.

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57 57 Este grfico nos mostra a distribuio de talos principais de arum por altura na rea 1, durante os 3 anos. Haviam muitos talos menores, de 0.5 a 1.0 metros no primeiro ano e mais talos acima de 1.0 m no segundo e no terceiro ano. Haviam mais talos maiores de 2.0 m no segundo e no terceiro ano. Os talos cresceram, mas poucos atingiram mais de 3.0 m.

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58 58 Aqui temos o mesmo grfico de distribuio de alturas, s que para a rea 2. Vemos que na rea 2 a distribuio m ais igual. No tem tantos talos mais baixos, de 0.5 a 1.0 m, como na rea 1. Tinham mais talos de 1.5 a 3.0 m. Os talos foram maiores na rea 2, mas poucos atingem mais de 4.0 m. Parece que quando eles crescem mais de 4.0 m eles quebram ou morrem. Isto tam bm mostra que quando o arum cortado, novos talos pequenos nascem, mas demora at que eles cresam de novo, ficando maduros para o corte.

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59 59 Nmero de talos vivos, brotos e mortos Olhando o grfico, percebemos que o nmero de brotos fo i maior na rea 1. Isto pode ter acontecido tanto por causa do corte de talos que aconteceu em 1999, como pela queda de rvores e maior entrada de luz na rea 1 de 2001 para 2002. Tambm, haviam mais talos vivos na rea 1 e a quantidade de talos vivos aume ntou de 2000 para 2002. Na rea 2, a quantidade de talos vivos diminuiu um pouco. Parece que na rea 1 houve mais produo de talos e mais mortos tambm. Mas o jeito da distribuio dos tipos de talos na touceira parecido para as duas reas. BROTOS VIVOS MORTOS

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60 60 RESUMO DAS CARACTERSTICAS DE ARUM OBSERVADAS PELO LEVANTAMENTO DAS POPULA'ES NATURAIS FEITO NAS DUAS REAS Os resultados deste levantamento de populaes naturais de arum ajudam a compreender melhor as caractersticas ecolgicas do arum, e tambm como a respo sta do arum quando feito um corte. As principais caractersticas que pudemos observar com esta pesquisa foram: O arum vive em touceiras que mudam de jeito com o passar do tempo. O caule tipo raiz que fica embaixo da terra vai produzindo talos de arum que nascem como brotos, crescem e morrem. Assim a touceira vai se renovando sempre. Os talos no crescem rpido, eles demoram para crescer e muita coisa pode acontecer antes de eles ficarem bem altos. Eles podem quebrar ou morrer, por cause de rvores q ue caem ou de insetos que atacam, ou mesmo porque este o jeito, ou a Os talos no engrossam muito, a grossura ou o dimetro dos talos quase no muda com o tempo. Quando os talos mais grossos so cortados, demora para os talos nov os engrossarem de novo.

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61 61 O corte dos talos de arum acima do primeiro n faz ele ramificar mais, dar mais ramos e talvez crescer menos em altura. Se cortar muitos talos em uma s touceira, ela demora muito para se recuperar. Isto tambm acontece porque a touceira precisa de talos maiores para aproveitarem a luz e darem fora para o caule tipo raiz produzir mais caules com o tempo. Na rea 1, que foi cortada um ano antes da primeira medio, as touceiras estavam menores do que na rea 2. Tambm, na re a Mesmo tendo diferenas entre a rea 1 e 2, o jeito de crescer e de produzir talos foi igual para as duas reas. Isso mostra qu e as duas populaes de arum medidas tem um jeito parecido de crescer, e que o corte feito na rea 1 no afetou ou no mudou muito a maneira como as touceiras vivem. Parece que o corte foi feito acima do primeiro n, sempre deixando outros talos na toucei ra. Deste jeito, as touceiras continuam vivendo e produzindo. Mas demora para elas ficarem em ponto de corte de novo. Talvez demore at uns 5 anos para elas crescerem. Isso, delas (mudana de cli ma, chuvas, rvores cadas, ataques de insetos etc).

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62 62 Mesmo se os talos de arum no forem cortados, eles acabam morrendo quando ficam muito altos ou velhos. Isso a gente observou muito na rea 2, porque os talos medidos quebraram muito ou ficaram secos. E nto, no tem problema fazer um corte planejado respeitando o manejo que os mais velhos sempre fizeram na terra ancestral dos Kaiabi, onde tinha mais arum. Os talos vo morrer ou quebrar mesmo, ento o corte deles pode at ajudar a touceira a produzir mai s talos. S que no d para cortar todo ano na mesma rea. que nem a roa, o arumzal tambm precisa de tempo para ficar forte de novo. O problema que no Parque do Xingu no tem quase nada de arum. Ento, se as comunidades no se preocuparem em melh orar o jeito de tirar o arum que ainda existe, este recurso pode diminuir muito mais no Xingu, e no futuro pode ser muito difcil conseguir um pouco de arum para fazer peneira. Por isso que to importante o trabalho do agente com as comunidades. O t rabalho do agente de manejo para melhorar o manejo do arum pode ser discutido com os tcnicos no ndios e com as comunidades.

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63 63 2) RESULTADOS DO EXPERIMENTO DE PLANTIO DE MUDAS DE ARUM NA ALDEIA SOBRADINHO DE 2001 A 2003 Participantes Assessores n o ndios: Geraldo Mosimann da Silva (2001, 2002 e 2003), Marcello Rodrigues (2001), Simone Athayde (2002 e 2003) e Ktia Ono (2003) Agentes de manejo de recursos naturais: Jewyt Kaiabi Agente de Manejo, Aldeia Sobradinho (2001, 2002 e 2003). Myauiup Kaiabi Agente de Manejo, Aldeia Kururu (2001, 2002 e 2003). Pirapy Kaiabi Agente de Manejo, Aldeia Barranco Alto (2001). Tamakari Kaiabi Agente de Manejo, Aldeia Tuiarar (2001 e 2003). Janin Kaiabi Agente de Manejo, PI Diauarum (2001). Sirakup Ka iabi Professor, Aldeia Capivara (2001). Tawayku Yudja Agente de Manejo, Aldeia Pequizal (2001). Tawayaku Yudja Agente de Manejo, PI Diauarum (2001). Wetkere Suy Agente de Manejo, Aldeia Ngojwre (2002). Yasariku Yudja Agente de Manejo, Aldeia Tu ba Tuba (2002). Moradores da aldeia Sobradinho (debate sobre caractersticas e manejo do arum, 18.11.2001) Mulheres: Mori Kaiabi, Juina Kaiabi, Juap Kaiabi, Yuiryp Kaiabi, Rywewe Kaiabi, Homens: Mawut Kaiabi, cacique, Jyamim Kaiabi, Jywaj u Kaiabi, Parakatu Kaiabi,

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64 64 No ano de 2001, foi feito o primeiro experimento de plantio de mudas de arum no Parque do Xingu. Com a participao dos agentes de manejo, assessores no ndios e comunidade da aldeia Sobradinho, foram plantadas 200 mudas de arum trazidas de Analndia, pequena cidade prxima do limite do Parque na regio do Rio Arraias. Roteiro para plantio experimental de arum Caractersticas do arum, a serem confirmadas: Resposta melhor em solos melhores Locais brejosos, prximos a crregos Sombra, cresce lentamente Propagao vegetativa; pouca semente / flores Ciclo de vida da touceira efmero Oportunista na luz / clareiras Propostas para o trabalho a campo 1. Separar touceiras com +_ 20 x 20 o u 30 x 30 cm 2. Transporte: serrapilheira + sacos aniagem, em caixas 3. Inventrio do local de tirar mudas: transecto 50 x 2 m, mais de um se necessrio: 4. Avaliar as mudas e ter uma idia da densidade (n touceiras / n mudas) 5. Vai escolhendo as mudas para tirar 6. C oletar amostra de solos, a 3 profundidades / classificao ocidental 7. Caracterizao do ecossistema / botnica (roteiro) 8. Luz caracterizar pelo esquema de Nazakano (2000) Esquema de plantio proposto Plantio em dois locais: yatarn e kofet, ambos perto do crrego LUZ: duas situaes: natural / abertura (cf esuqema figuras)

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65 65 So 2 tratamentos em dois locais = 4 parcelas. Cada parcela: 50 mudas (5 linhas com 10 repeties) x 4 parcelas = 200 mudas Cada local ficar como aparece na figura abaixo: Dist entre linhas: 1 m x x x x x x x x x distncia de uma planta para outra na linha: 1 m 1m 1m 1m Foram coletadas 200 mudas de uruyp ete em uma mata de terra firme prxima do crrego. As mudas foram c uidadosamente trazidas em caixas de papelo com folhas de Analndia para o Parque do Xingu. Na aldeia Sobradinho, a comunidade ajudou a escolher os ambientes para as mudas serem plantadas. Foram escolhidos quatro locais, prximos do crrego que passa atr s da aldeia. A idia era serem duas reas de yatarn e duas de kofer, com luz aberta e luz natural. Nas parcelas de luz natural, no foi feita nenhuma abertura das rvores mais baixas e arbustos para entrar mais luz para o arum. Nas parcelas de luz ab erta as rvores e arbustos mais baixos foram cortadas para entrar mais luz para o arum. Isto se chama bosque, ou corte somente de algumas rvores, para entrar mais luz.

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66 66 No incio, uma das reas foi chamada de yatarn com luz n atural, mais um ano depois percebemos que na verdade aquele Ento, foram plantadas 50 mudas em cada tipo de ambiente, em 5 linhas de 10 mudas cada, com um espao de 1 m entre as mudas e entre as linhas. Foram colhidas em quatro tipos de mudas: pequenas, mdias e grandes (sem as folhas), do arum rugoso, I schnosiphon. gracilis Como a colheita foi realizada sob forte chuva, foram colhidas mudas pequenas de um tipo de arum muito similar ao anteri or, porm com a pgina inferior da folha de cor avermelhada e tala lisa o que s foi percebido mais tarde. Por isso, estas mudas foram agrupadas parte. Antes do plantio, as mudas foram medidas e plaquetadas. A seleo das mudas para serem plantadas em cada tipo de ambiente foi feita por sorteio. As medidas tomadas antes do plantio foram: 1. O comprimento da base da planta at o primeiro n. 2. A altura total (considerada da base da planta at a ponta da ltima folha do ramo mais comprido). 3. O dime tro da tala a 10 cm da base da planta. Nos casos em que o comprimento do primeiro n era menor que dez centmetros, a medida foi tomada logo aps acima do primeiro n.

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67 67 Ambientes Caractersticas do local Luz natural Lugar m ais seco, em um morrotinho perto do rio Luz natural, meio fechada P2. Yatarn luz aberta Lugar que alaga na cheia. Foi aberta uma clareira para entrar mais luz P3. Kofern luz natural Lugar de solo melhor, terra meio preta com areia, que no alaga na che ia Luz natural, mas com mais entrada de luz do luz natural P4. Kofern luz aberta Lugar de solo melhor, terra meio preta com areia, que no alaga na cheia Foi aberta uma clareira para entrar mais luz

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68 68 Arranjo das linhas e mudas em cad a ambiente 1. pl 10 pl 1 L1 L2 L3 L4 L5 2. Yatar da beira do crrego com LUZ ABERTA pl 10 pl 1 L5 L4 L3 L2 L1 crrego N S crrego N 25 E

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69 69 3. Kofer da beira do crrego com LUZ NATURAL L1 L2 L3 L4 L5 pl 1 pl 10 4. Kofer da beira do crrego com LUZ ABERTA p l 1 pl 10 L1 L2 L3 L4 L5 N S crrego N S crrego

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70 70 RESULTADOS DOS MONITORAMENTOS DE 2002 E 20 03 As mudas plantadas em novembro de 2001 foram medidas em julho de 2002 e julho de 2003. As medidas tomadas durante o monitoramento das mudas foram parecidas com as medidas feitas para as populaes naturais, para podermos comparar: 1) Altura do primeiro n do solo at o primeiro n, em centmetros, medida com rgua. 2) Dimetro do caule principal a 20 cm do solo medido com paqumetro. 3) Comprimento do primeiro gomo do ramo maior do talo principal em centmetros, medida com rgua. 4) Nmero de ramos acima do primei ro n. 5) Altura total da touceira, em metros, medida com a rgua. 6) Nmero de brotos, talos vivos e talos mortos na touceira. 7) Sade da touceira. A sade da touceira foi verificada pelo jeito da planta, se as folhas estavam verdes e alegres ou enroladas, trist es ou comidas por insetos. Se as folhas estavam manchadas ou no, tambm observamos se a planta estava cada ou bem firme. A sade foi classificada em boa, mdia e ruim. Todas as informaes foram passadas das fichas de campo para o computador, usando um programa que faz clculos de matemtica.

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71 71 No computador, fizemos os clculos diferenciando as parcelas ao longo dos anos nos 4 ambientes: KaLN 2.Yatarn luz aberta YLA 3.Kofern luz natural KLN 4.Kofern luz aberta KLA Cl culos feitos no computador: Nmero de touceiras vivas e mortas em cada ano; Mdia das alturas do talo principal somando todas as alturas em cada ano e dividindo pelo nmero de touceiras; Mdia dos dimetros do talo principal somando todos os dimetros e dividindo pelo nmero de touceiras; Mdia dos comprimentos do primeiro gomo somando todos os comprimentos e dividindo pelo nmero de touceiras; Mdia do nmero de ramos que saem do primeiro n; Nmero total de talos vivos, brotos e mortos em cada ano. Sade das mudas, se boa (B), mdia (M) ou ruim (R).

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72 72 EXPLICAO DAS TABELAS E GRFICOS Tabela geral de medidas feitas nas touceiras das parcelas do plantio de mudas de arum de 2001 a 2003. ANO 1 2001 ANO 2 2002 ANO 3 2003 Parcelas P1 P2 P3 P4 P1 P2 P3 P4 P1 P2 P3 P4 Medidas tomadas KaLN YLA KLN KLA KaLN YLA KLN KLA KaLN YLA KLN KLA Touceiras vivas 50.00 50.00 50.00 50.00 41.00 46.00 45.00 41.00 36.00 42.00 44.00 39.00 Touceiras mortas 0.00 0.00 0.00 0.00 9.00 4.00 5.00 9.00 5.00 4.00 1.00 2. 00 Dimetro mdio 0.35 0.37 0.41 0.47 0.23 0.27 0.24 0.26 0.29 0.29 0.34 0.35 Altura mdia do primeiro n 24.68 26.89 24.21 30.59 15.45 13.73 17.24 16.69 15.92 14.97 17.26 15.90 Altura mdia do talo principal 0.69 0.67 0.70 0.69 0.39 0.43 0.41 0.38 0.42 0.44 0.43 0.44 A tabela mostra os valores mdios de dimetro, altura do primeiro n e altura do talo principal para os 4 ambientes no ano do plantio 2001 e nos monitoramentos feitos em 2002 e 2003. Observando a tabela e os grficos que vem a seguir, podemos ter uma idia do crescimento do arum nos diferentes ambientes. A gente percebe que do primeiro ano para o segundo h uma queda na altura e dimetro das plantas, e depois um crescimento de 2002 para 2003. Muitos talos principais plantados em 2001 f icaram secos e quebraram, ou brotou um novo talo principal.

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73 73 Tambm, do ano do plantio para o segundo ano morreram mais touceiras, o que natural, pois as mudas sofrem com o transplante e as novas condies encontradas. A a ltura mdia dos talos comeou com 70 cm em 2001, depois passou para 40 cm em 2002 e subiu um pouco em 2003. Por que no kofern de luz aberta. O crescimento em altura de 2002 para 2003 foi: 1) K aLN 3 cm 2) YLA 1 cm 3) KLN 2 cm 4) KLA 6 cm

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74 74 Olhando somente para a altura das mudas, no d para dizer com certeza de qual ambiente as mudas gostaram mais para crescer. Elas cresceram mais de 2002 para 2003 no kofern de luz aberta. O dimetro tambm seguiu o mesmo jeito da altura. Diminuiu bastante do ano do plantio para o ano seguinte e recuperou um pouco em 2003. Tinham mudas mais grossas no kofern de luz aberta. O crescimento em dimetro de 2002 para 2003 foi: 1) KaLN 0.0 6 cm 2) YLA 0.02 cm 3) KLN 0.1 cm 4) KLA 0.09 cm

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75 75 Estes dois grficos comparam a sade das touceiras de arum em 2002 e em 2003, classificando em ruim, mdia e boa. Enquanto o Yatarn luz natural, o Kofern luz natural e o kofer n de luz aberta tiveram sade melhor em 2002, no

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76 76 O nmero de touceiras com sade ruim cresceu de 2002 para e no kofern de luz natural. Em 2003, o nico ambiente que tinha mais touceiras boas do que mdias e ruins foi o kofern de luz aberta. Este grfico mostra a mortalidade das plantas de arum do ano do plantio para 2002 e de 2 002 para 2003. kofern de luz aberta do ano do plantio para 2002. Depois, no ano seguinte, continuaram a morrer mais mudas no A mortalidade de mudas f oi menor de 2002 para 2003 nos dois koferns. A mortalidade tambm foi alta no yatarn de luz aberta.

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77 77 RESUMO DOS RESULTADOS DO PLANTIO EXPERIMENTAL DE MUDAS DE ARUM NA ALDEIA SOBRADINHO ANTIGA As mudas de arum tiveram uma queda na sua altura e dimetro do ano do plantio para o ano seguinte. Isto porque sempre as mudas sofrem com o transplante e com o novo local encontrado. O crescimento das mudas em altura est sendo lento, de cerca de 2 a no mximo 6 cm por ano. A s mudas cresceram mais de 2002 para 20 03 no Kofern de luz aberta (6 cm). Para o dimetro, quase no d para perceber uma diferena entre as reas. O maior crescimento de dimetro de 2002 para 2003 foi no kofern de luz natural, de 0.1 cm, seguido pelo kofern de luz aberta, com 0.09 cm. Mas a s mudas j eram mais grossas no kofern de luz natural no ano do plantio, ento no d para dizer que os talos realmente engrossaram mais neste ambiente. Em 2003, o nico ambiente que tinha mais t ouceiras boas do que mdias e ruins foi o kofern de luz aberta. luz aberta do ano do plantio para 2002. Depois, no ano seguinte, q ue nos outros ambientes. A mortalidade de mudas foi menor de 2002 para 2003 nos dois koferns.

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78 78 Esses resultados mostram que as mudas de arum no seca demais e com pouca luz para o arum. As mu das esto se desenvolvendo melhor nos dois koferns, de luz natural e aberta. Parece que o arum gostou mais do solo de terra meio preta do kofer. Parece que a sade das plantas est melhor no kofern de luz aberta. O crescimento das mudas est sendo lent o do segundo ano para o terceiro, de 2 a 6 cm por ano. Precisamos continuar medindo o plantio de arum para saber o que acontece com o passar do tempo e ter resultados que mostrem com certeza qual o ambiente preferido para o arum crescer e o quanto ele cresce com o tempo. ANOTA'ES E SUGEST'ES PARA O TRABALHO DE MANEJO DE ARUM NAS ALDEIAS KAIABI DO PIX ________________________________________________________ ________________________________________________________ ______________________________________ __________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ________________________________________________________ ______________ __________________________________________ ________________________________________________________

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