Citation
Angola e Congo

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Title:
Angola e Congo quatrocentos annos depois ; historia antiga e moderna ; A questão do Zaire ...
Added title page title:
Questão do Zaire
Creator:
Valente, A. J. ( author )
Donor:
Abraham, Donald
Place of Publication:
Lisboa
Publisher:
[publisher not identified]
Publication Date:
Language:
Portuguese
Physical Description:
501 pages : illustrations, map ; 24 cm

Subjects

Subjects / Keywords:
Portugual -- Colonies -- Africa, Central ( lcsh )
History -- Angola ( lcsh )
History -- Kongo Kingdom ( lcsh )
History -- Congo (Democratic Republic) ( lcsh )
Description and travel -- Angola ( lcsh )
Imprint -- Portugal -- Lisboa -- 1887
Genre:
non-fiction ( marcgt )

Notes

Funding:
Funding from Title VI grant and UFAFRICANA.
Statement of Responsibility:
A.J. Valente.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Special Collections, Rare Books
Rights Management:
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Resource Identifier:
033724571 ( ALEPH )
25946852 ( OCLC )
Classification:
DT36.3 .V35 1887 ( lcc )
967.3 V154a ( ddc )

Full Text












ANGOLA E C ONGO
HIST010A ANITIGA E 110DERNA










Retrato do actor




ANG tA E NG
QUATROCEIMS AN110S DEPOIS
HISTORIC ANTIGA E MODERN
QUEST LO DO ZAIRE,.
Braves reflexes sobre os, ports do norte
da costa occidental da Africa Portugueza que fiazern parte
dos Estados Portugue,-es
DE
ANGOLA E CONGO
Coordenacdo
de a1gumas doutrinas e documents relatives aos direitos legitimos;
de Portugal aos memos territories,
consideradas e compiladas por occasion da invas5o
de Brazza e da Associacgo Internacional
AS NOSSAS ULTIXAS OCCUPAQ6ES AO NORTE DO ZAIRE
AS PBETENC6ES DA ASSOCIA(,10 INTERNATIONAL ArRIGANA
EA PENDENCIA COM PORTUGAL '
0 CONGRESS E 0 TRATADO DE BERLIN polt
A. J. VALINTE
Escrivio da Alfandega de Mossamedes, etc.
VOLUME I
LISBOA
TypoGRAPHIA -RUA DA ATALAYA, 40 A 52
-1887







A MUITO SABIA E ILLUSTRE
Wit OADE DE GEOMPHR DE UWA
Pelos scus relevantissimos e auxiliadores trabalhos prestados i causa do Congo c Zaire, c protecclo assidua
no bem c progress das Colonias Portuguezas,
ao desenvolvimento das industries, commercial e nave-acao
COM TODA A CONSIDERAq O
DEDICA H OFFERECE
0 actor







A ILLUSTRE E BENEMERITA
SHIERHE H EHERPM H PHT9
P(,Io scu patriotism
c auxilio ao progress das nossas Colonias c das nossas industries,
-c proteccao ao Commercio c Navegacdo.
CONSAGRA UKA PAGINA SUA BENEXERENCIA
C om as photographs dos dois ministers
que luctaram na quest5o do Congo-Zairc,-quc se esforcaram pela dignidadc do paiz OS CONSELTIBIROS
J. V. Barboza du Bocaga e Manuel Pinheiro Chagag
COM MUITA COXSIDERA4 ,W
0 actor







SIMPATHICA, PATRIOTIC, BENEMERITA E PHILINTROPICA
COLONIAL PORTUGUE ZA
RESIDENT NO IXPERIO DO BRAZIL E geralmente
a todos os portuguezes amigos dedicados e amantes do bern da patria
Uma pagina e o retreat de Sua Magestade El-Rei o genhor D. Luiz I Que f6i offerecido
Ao Rei do Congo, D. Pedro V, Marquez de Catende
DEDICA E OFFERECE
0 actor










Embaixada do Rei do Congoao governor ger l de Angola




Sua Maorestade EI-Rei Senhor D. Luiz 1, satisfazendo aos desejos que por mais de uma vez t&cn-1 sido manifestados pelo rel do Congo, D. Pedro V, Neni-iie-ZuIlo, marquez de Catende, enviou-1he o seu retreat e o de Sua Alteza Real o Principe D. Carlos, herdeiro presumptive da cor6a.
Foram duas magnificas photographs, em tamanho natural, trabalho primoroso da casa Fillon, ricamentc emmolduradas pela casa Margotteau, dois soberbos quadros que estiveram em Lisboa em exposic9o ri esta ultima casa.
As molduras s lo encin-iadas pelas armas portuguezas.
Estes retreats foram acompanhados de um presented especial de Sua Magestade para o rei africana, que muita sympathia e muita estima e affect tem mostrado scmpre pelo nossopaiz, e que realmente 6 dos maiores, dos mais sinceros e dos mais leaes.amigos de Portugal em Africa. 0 rei do Congo mandou a Loanda uma embaixada compost de dois dos seus filhos, D. Alvaro Panzo e D. Alvaro de Agua Rosada, e um dos seus conselheiros, D. Affonso, a fim de comprimentarem e felicitarem o governor geral por haver




terminado a bem, as negociac6cs dcerca do territorio do Congo-portuguez, e estar definido e reconhecido o dominion de Portuaral nos territories do Congo ern que govern aquelle rei nosso vassallo.
Por esta embaixada mandou o rei do Congo uma carta ao governor geral dos-cstados de Angola e Congo, em que Ihe dava as felicitac6es, c renovava o pedido que por varies vezes tem feito, de que o governor portuguez mande, sem perda de tempo, para S. Salvador do Congo, a1gumas auctoriclades c uma forca military. E affirm. que cada vez mais se torna necessary esta forca e auctoriclades para proteger os habitatites c o commercial que ultimamente tem auamentado de um. modo consideravel.
0 retreat de Sua Magestacle EI-Rei D. Luiz, adorna este livro nio s6 pelo facto que se ve no primeiro period d'esta folha, como torque elle figure. em uma parte important na historic do Congo no capitulo IX, oncle vae o retreat do rei do Congo, c se dd conta de Sua Magestacle EI-Rei D. Luiz em Angola, em i86o.




SUA NTIAGESTADE
EL-REI 0 SENIOR D. LUIZ I
Offerecendo aos nossos leitores em geral, e particularmente d COLONIA PORTUGUEZA residents no iMperio do Brail, o retreat do nosso bemquisto monarchs, Sua Magestade EI-Rei D. Luiz 1, justo era que se Ihe consagrasse tambem a sua illustre biographia.
Nio a possuiamos, e grande era a difficuldade para tal acquisiqao e nao possuiamos os dados necessaries nem os dotes e forces precises para a escrever, nem ao menos a carta escripta ao rei do Congo que acompanhou o seu retrato e o de Sua Alteza Real o Principe D. Carlos; estava, portanto, resolvido sair a offerta s6 do retreat, que de per si so era sympathica e patriotic; mas, eis que apparece e vem como em nosso soccorro o prestimoso journal e revista illustrada As Colonias Portuguqas dando 'd estampa o seu retrato e publicando a sua biographia, e de quem, com a dcvida venia, a transcrevemos,-trabalho honroso do sr. AuTusto Ribeiro-a quem saudamos pelo seu trabalho in-




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teressante e patriotic, e tanto mais que estd escripto de molde e d feicdo para ajuntar d nossa obra africana que agora publicamos, Como que, o seu actor, pensando como n6s, trata tambem da Africa, demonstrate ou lembra o nosso poderio africana e anima como quem aconselha toda a actividade e esforcos pela reconquista, exploracio e occupacdo do IMPERIO LUZO-AFRICANO I, o que p6e com confianca em bons auspicious sob a proteccdo e dedicado patriotism de Sua Magestade El-Rei D. Luiz 1; e estas nossas expresses demonstram e manifestam o mesmo modo de pensar, ou, assim traduzimos e interpretamos o pensamento do actor da biographia, e cremos njo vird longe o dia da confirmacgo de uma idda contemporanea, de se dar ao monarchs de Portugal o titulo de IMPERADOR DA AFRICA, que mais do que a nenhum outro qualquer, 1he d devido, e que nao e necessary proclamar-lh'o, elle proprio o p6de tomar e assumir, como a Rainha Victoria tomou e assumiu o titulo de Imperatriz da India.
Ninguem que conheca a historic. -portugueza contestaria. o direito que t&m os monarchas de Portugal de assumirem esse titulo;-os que elles t em jd desde El-Rei D. Jodo II e de El-Rei D. Manuel, de Seiihoi- de Guhze, d'aquem (-, d'alem mar em Africa, e da miquista, naveg-acdo e conzinercio da Ethiopia, Arabia, Persia e da India -1he d6o mais o direito de o assumirem, a par de seus grades feitos de explorac6es e conquistas, e suas vastissimas possesses ern Africa-desde a parte occidental d oriental.
Veja-se o mappa do Imperio Luzo-Africano, no capitulo xvia.




AS COLONIES PORTUGUEZAS
a Sua Magestade EI-Rei o Senhor D. Luiz I
e d invicta cidade do Porto
Cedemos o primeiro lo 'gar da nossa revista ao primoroso trabalho do nosso amigo c college sr. Augusto Ribeiro, sobre os factors que illustram o longo reinado de Sua Magestade EI-Rei o Senhor D. Luiz I e A bella descrip io, que do Atheneu commercial do Porto, nos forneceu o nosso amigo e college sr. F. Patricio.
Queremos significar assim a altissinia consideracdo ern que temos o monarchs, que sabe corresponded as mais grandiosas aspirac6es do paiz e a cidade que sabe amar o trabalho e a liberdade, como principios mais fecundos sobre que assent o verdadeiro progress e engrandecimento da patria.
0 REI
E julgareis qual 6 niais cxcellente
Se ser do mundo rei, se de tal gente.
Lusiadas.
A homenagern que As Colonias Portugztqas vem hoje 'prestar ao principle esclarecido e patriots, que preside aos destines da nacio portugueza, corresponded exactamente ao pensam.ento da restauracgo do nosso antigo prestigious colonial, pela reivindicacdo pacifica dos direitos historicos de Portugal nos vastos territories ultramarines, que actualmente preoccupy todos os homes sinceramente devotados ao bem e d prosperidade do paiz. A nac5o comeca a despertar da




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longa e perigosa indifference, que por muito tempo a dominou, fazendo-a esquecer das suas responsabilidades perante a historic e operate a conscience. E n'cste moment, em que parecemos resolvidos a renovar o cyclo magestoso do nosso deslumbrante poderio de outras eras, em que tdo alto se levantou o nome e a bandeira da patria, aureolando mart res e laureando heroes na defense corajosa e benemey
rita das mais largas franquias da civilisac5o e da humanidade, d natural que o paiz, seguro dos seus destines gloriosos, fixe as suas vistas no throne, no augusto chefe do estado, a quem pertence, et par droit de naz*ssance et par droit tie conque'te, a superior direccqo d'este salutary e efficaz movimento patriotic. E d certo quc ninguem nleste paiz estd mais convencido do que o rei, da opportunidade d'essa nova affirmacio do nosso character national. Quando pelos deveres da alta magistratura de que sc acha revestido, o esc1larecido monarchs dos portuguezes ndo tivesse que ser o primeiro entre os primeiros iniciadores d'esta obra, que bern. se p6de chamar da resurreicao da patria, sel-o-ia pelo scu coracio, torque Sua Magestade nern por um moment tern esquecido o que deve d sua qualidade de cidad5o portuguez. Quando ha poucos annos Sua Magestade, f r do por circurnstancias melindrosas da political internaciona Se dirigio ao nobre duque de Avila e de Bolama 4 firn. de'p rotestar contra boats que se referiam d probabilidade de Sua Magestade acceitar a cor6a de Hespanha, e escreveu:
-portzigpq nasci e portugitq quero nzorre7- escreveu o que sentia real e sinceramente, collocando acima de tudo o que elle consider o mais valioso titulo da sua gloria.
Se outr'ora, quando estava ameacada a independence ou corrie risco imminent a liberdade o povo portuguez appel. lava para a valenfia e para a dedicac5o dos seus reis, para que se collocassem d frente das suas legi6es e o cpnduzissern. d victoria que asseguraria a integridade do solo sagrado, da patria e a autonomia dos seus f6ros e franquezas, se outr'ora, ern crises tgo difficeis e em circurnstancias tio momentosas, a dynastic f6i solidaria com o povo na reivindica-




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cao c na consoliclacdo dos seus direitos e os reis e os principles se davam por honrados batendo-se nas estacadas, cheios de ardor e de fd, dando proves do mais levantado civismo, e da mais imperterrita coragem, ao lado dos mais modestos legionaries da patria, cimentando assim essa sympathica e sincere alliance entre a realeza e o povo, que constitute um dos traces mais characteristics da individualidade politics da nacdo portugueza, e 4ue tamanho applause e 6o justa admiracqo tem merecido da parte de todos os povos e de todas as nac6es lives e cults, hoje, n'uma era de paz, com um objective mais largamente humanitario e civilisador, justo e legitimo que o povo, invocando aquella alliance sete vezes secular, appelle para o rei, pedindo-lhe que se colloquy a seu lado, nao para fazerem juntos as guerras em defense da independence e da liberdade, ndo para se, baterem a peito descoberto um ac, lado do outro, pela integridade do solo national, mas para conquistarem pacificamente novos direitos'e novos f6ros, que-illustrem os fastos da nacdo e renovem os brilhos d'aquella dpoca venturosa, em que a bandeira immaculada das quinas f6i levada aos confines do mundo, franq4eando ainplissimos horisontes. aps dominion da patria, assegurando, operate as nac6es as6mbradas, que njo morreria mais a briosa nacionalidade q e de Ourique atd Malaca, pela audacia do.s seus navegadores e pela bravura dos seus soldados, levou de Victoria em Victoria a boa-nova da civilisacdo pela cruz e da redemp jo pela liberdade.
A pagina mais brilhante da historic modern da nacao serd aquella em que se consagrar solemnemente a realisacdo d'este grande ideal de prospericlade e de engrandecimento da patria, e ella constituird ao mesmo tempo 0 titulo mais irrefragavel do direito que o rei tem ao reconhecimento e ao affect do povo portuguez, torque es-,a serd a obra mais gloriosa do seu reinado de paz. Collocando-se d frentc do patriotic movimento que ha de, ao cabo de tres logos seculos, realisar aquelle sonho de grandeza que levou d Africa n'urn rasgo de supreme audacia e de intemeVOLUME 1 2




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rato valor, um moco rei, cavalleiroso e leal, onde se reflectiam. todas as qualidades nobilissimas d'essa pleaded de fortes e esclarecidos principles, a quem pertence um'logar privilegiado na historic famous. dos assignalados commettimentos, quc constitucm a historic portugueza nos seculos xv e XV1, Sua Magestade o Senhor D. Luiz 1, que aprendeu ce. do, no desempenho escrupuloso dos seus deveres como official da marina real portugueza, a admirer e a honrar as tradic6es d*aquella celebre escola que deu ao mundo os seus primeiros e os seus mais illustres navegadores, mantendo sempre altiva e briosa aquella. nobre divisa Altioi-apeto, que foi o lemma da bandeira das descobertas e conquistas da velha raca portugueza, cumpriu um dever que deve ser por igual gratissimo ao seu espirito de portuguez e ao seu corac5o de patriots. Hoje, como no seculo xvi, a voz que conclama os legionaries para a cruzada benemerita. que ha de augmenter o brilho e a grandeza da patria, solta o grito enthusiastico de:-,4 Africa! d Africa! mas hoje mlo ha divergencias na opinion, os homes bons, os leaes conselheiros do rei, os bispos venerandos, os var6es insignes em letras e em virtues, salvaguarda das instituic6es, servidores dedicados e honestos do rei e da patria, na-o valo, com a forte conscience dc um alto dever a cumprir, aconselhar submissamente ao chefe do cstado que Aesista. dos seus pr6positos, que modern os seus impetus arrojados, que domine as suas ambic6es de gloria e de conquista, torque a audacia da sua empreza p6de comprometter-1he o throne e arriscar a independence da nac5o.
Hoje, todos os homes bons, amantes do seu paiz, que tomarn. a serio a sua missgo social e comprehended a gravidade da situacgo actual, todos os que estudam e trabalharn e, pela analyse conscienciosa das forces vivas da naqio, chegaram a former uma opinjado segura sobre os destinos d'esta gloriosa nacionalidade, comprehendendo bem quaes as responsabilidades que nos imp6c o nosso passado e o nosso presented, todos os que, sem animo afteito d adulacgo ou i lisonja, est5o em circumstances, de manifestar




ANGOLA E CONGO
desassombradamente o seu modo de pensar, sc n56, com a auctoridade dos varies insignes que no scculo xvi procuraram remover D. Sebastijo da temeridade da sua jornada ,d'Africa, pelo menos tjo sincere e patrioticamente como o fizeram os lealissimos conselheiros do moco rei, todos es-ses, se n este moment podessem ser ouvidos por Sua Magestadc o Senhor. D. Luiz 1, serial unanimes em applaudir 6s actos pelos quaes o illustre monarchs manifesto o seu descjo de cooperar active e zelosamente na restauracio do nosso antigo prestigious colonial, rescrvando para si, para o herdeiro da sua cor6a, a invejavel gloria de realisar o pensamento que levou ao angustioso trance de Alcacer-Quibir o sympathico e valoroso neto de D. Jodo 111. 0 rei vio como, na memoravel sessgo da Sociedade dc Geographia de Lisboa consagrada aos celebres exploradores srs. Brito Capello e Roberto Ivens, uma assembled numerous e selecta, onde se achava brilhantemente represented a partc mais esclarecida e mais util da sociedade portugueza, os omens da sciencia e os homes do trabalho, a alta finan,ga, o commercial, a marina, o exercito-, as escolas, as academias,' a imprensa, o saudou calorosa e enthusiasticamente no moment que julgou mais opportune para manifestar a Sua Magestade que desejava e queria vel-o d frente domovimento em favor da renovaclo do nosso character de nacdo colonial. Ngo pense Sua Magestade que aquella solemn iTianifestacio de uma parte importantissima da sociledade portugueza se inspirou cm intenc6es lisongeiras ou serves. Ndo. Nunca, no seu longo e feliz reinado, Sua Magestade f6i alvo de homenagem t5o epontanea e tilo sincere.
0 que a assembled do theatre de S. Carlos quiz significar ao rei n'aquella ovacdo estrondosa, que 0 commoveU atd ds lagrimas, e que constitute de certo uma das mais perduraveis recordac6es de toda a vida pubrica e particular de Sua Magestade, ovacgo que assegurou mais uma vez e por uma f6rma affectuosissima, a leal e sincere alliance entre a nacgo e a dynastic, f6i o dcsejo vivissimo de que ao exito triumphal da travessia de Mossamedes a Quelimane, reali-




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sada pelos nossos emcritos compatriots, srs. Brito Capello e Roberto Ivens, correspondesse o inicio de uma nova era para os destines da nacdo. Junto ao rei estava o herdeiro da cor6a, esse moco intelligence, esclarecido e sympathico, cheio de nobres aspirac6es e de patrioticos intuits, que 6 o mais seguro fiador da perpetuacio honrada das tradic6es de valentia e de gencrosidade de duas families por igual glorificadas na comprehensdo dos seus grades destines e no cumprimento dos seus grades deve res. No moment em que a nacao, tdo unanime e solemnemente affirmava a sua vontadc & renovar a obr a grandiose dos scus grades navegadores e conquistadores, tomando outra vez a dianteira a todas as nac6cs colonies, dando novos missionaries e novos soldados d cruzada humanitarian e civilisadora da emancipacqo dos povos da Africa, n'esse moment o rei comprchendeu-o e sentiu, torque d pae e pae extremosissimoque a nac o inteira tinha os olhos fixos em Sua Alteza Real o Principe D. Carlos, torque via ri elle o principle a quem poderia caber em legado a rcalidade do sonho'de D. Sebastido o impei-io africana! Toda a nacao entende que chegou a opportunidadc de reivindicarmos o logar que nos pertence entre as grades potencies colonies, e liga a este pensamento patriotic a idda de uma renovacdo do pacto, que para a reconquista da independence e para a I consolidaclo da liberdade, firmaram, em horas solemnissimas, o povo portuguez e a casa de Braganca: d Africa! d Aftica! como no seculo xvi, mas com a conviccado de que n'esta pacifica mas gloriosa empreza ndo correrd risco a autonornia da patria. A Africa! d Africa!
Longe de mim a idda de acompanhar o retreat de Sua Magestadc o Senhor D. Luiz I com um studio biographico do monarchs portuguez. Ndo tenho competencia para chronista de principles, nem tenho indole nem character para as convenc6es da cortezania, que mais 'ou menos andam adstrictas a esta miss6o, convenc6es que muito mais se imp6em em dpocas em que a franqueza e a lealdade nem sempre lo-ram ser bern recebidas e bern julgadas. Memorarei ape0




ANGOLA E CONGO
nas alguns dos factors mais importance do reinado de Sua Magestade, escolhendo de preference aquelles que mais compIctamente podem definir a sua individualidade e que mais illustram o seu trabalho consciencioso e honest, como primeiro magistrado da nacgo portugueza. E certo que o reinado de Sua Magestadc o Senhor D. Luiz I, n'um largo dominion de paz, consubstancia e accentua perfeitamentc a consolidacdo e a consagrac lo do regimen representative em Portugal, e complete aquelle ideal de progress de justice, de ordem e de liberdade, que inspirou os estadistas da rcvolucgo' constitutional, desde Mousinho da Sitveira atd Passos Manuel. Eu n o desejo, nem quero, fazer aqui a historic. do governor de Sua Magestade no lapso decorrido de 1861 a i885-vinte c quatro annos completes CM 22 de dezembro corrente. 0 que desejo d apresentar n estc ligeiro esboco, como 'homenagern de impartial e recta justice ao rei, uma nota succinta dos'factos pelos quacs o monarchs mais assignalou a sua coopFracdo leal no desenvolvimento e prosperidade do paiz. E incontestavel que o reinado de Sua Maaestade o Senhor D. Luiz I tem sido fecundo ern paz, em ordem, em progress e em liberdade, e que a nac.5o portugueza, sob t o animadores auspicious, tem attingido um grau de prosperidade important, que cada vez mais se evidenceia. Ern vinte e quatro annos de governor, Sua Magestadc tern logrado vincular o seu nome a muitos actos que, se glorificam e exalcam a sua miss5o de rei, nio glorificam nem cxalcam menos o seu es irito de portuguez e o seu caracter de homem modern. Sua Magestade tern acompanhado escrupulosamente a evolucilo do cs irito da socicdade 'portugueza e acompanhando-a com plena conscience dos scus deveres.
A chronic do reinado de Sua Mauestade o Senhor D. Luiz I podia fazer-se sob dois points de vista verdadeiran-iente districts o da sua accdo political propriamente dita, como chefe 'do estado, no desempenho dos seus deveres officials, o da sua accdo social da sua influence no desenvolvimento intellectual e moral da nacdo. Mo desejo,




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nem quero, apreciar o modo por que o rei tem entendido cumprir os seus deveres constitucionaes, os -seus deveres politicos, torque me nao seria agradavel ter que manifestar a tal respeito a minha opinion impartial, no moment em que tenho, arenas de prestar homenagem ac, modo esclarecido e patriotico por que Sua Magestade tem procurado sempre cumprir os seus deveres como primeiro cidaddo d'este paiz, e influir efficaz e salutarmente no engrandecimento e prosperidade da patria. Accentuarei, pois, e' arenas, os factors pelos quaes eu entendo que o rei mais1tem assignalado, nos vinte e quatro annos decorridos depois da sua ascencio ao throno, a superioridade do seu espirito, os seus sentiments patrioticos, a sua larga e ponderosa iniciativa. Poucos pr-incipes moderns poderlo desvanecer-se tanto da sua obra, e com tamanha justice, como Sua Magcstade o Senhor D. Luiz 1. 0 augusto &fe do estado 6 incontestavel e incontestadamente um dos principles mais illustrados do velho mundo, e p6de bem affirmar-se que, em popularidade, arenas p6de ser comparado com o rei Humberto de Italia, o illustre chefe, da mais sympathica c da mais popular dynastic de toda a Europa. 0 seu temperament poderd, talvez, ter determinado por vezes uma certa hesitaq lo ou um certo receio no exercicio das suas prerogatives political, mas o que 6 certo d que, f6ra do campo constitutional, nos actos em que o rei tem de ceder o logar ao cidad lo, Sua Magestade o Senhor D. Luiz I tem sido realmente exemplar e tem conquistado, sem favors de adulaq o ou hypocrisies de lisonja, o mais irrefragavel direito ao reconhecimento da nacio.
Todos sabem, que Sua Magestade Senhor D. Luiz I., segundo filho da primeira rainha constitutional a Senhora D. Maria II e de Sua Magestade o Senhor D. Fernando 11, nasceu em 1838 e f6i inesperadamente chamado a presidio aos destines da nac5lo portugueza em. consequence da prematura morte de seu irm o, Sua Magestade o Senhor D. Pedro V (1853-1861), de sempre lembrada memorial. Todos se recordam ainda da dolorosa conjuncture em que Sua Magestade o Senhor D. Luiz I assumiu o governor do reino.




ANGOW. E CONGO z3
Uma enorme desgraca pesava sobre a familiar real em d6is mezes tres sahimentos funebres tinham partido do paco dos nossos rcis em direccio ao pantheon de S. Vicente de F6ra. A segunda victim a fatal doenca, que assaltou o regio solar, f6ra esse nobre e leal Principe que, ern oito annos de reinado, logrdra bem mercer a adoracgo do povo portuguez e o respeito e a admiracdo de todo o mundo. 0 herdeiro da. cor6a viajava, era seu enlevo o mar, enthusiasmavam-n'o as viagrens, desvanecia-o a sua farda de official da marina real portugueza. De repented, o official viu-se obrigado a abandonar a ponte da Bartholoineu Dias para occupar urn logar no throne. Subiu a elle com o corauio alanceado por uma d6r enorme, com os olhos rasos de iacrrimas. 0 moco Principe nunca imaginary que tivesse t lo cedo que experimentar as agruras do arduo qfflcio de rei, como Ihe chamava modestamente o desditoso i=io que acabava deperder. 0 primeiro acto de Sua Magestade o Senhor D. Luiz I, a primeira manifestac6o da sua vida public, f6i a inauguracio da Escola Normal de Lisboa (1862), uma obrade luz, que fez iniciar brilhantemente a accdo salutary e benefice do seu reinado. Depois, Sua Magestade vinculou o seu nome a duas reforms de um grande balance para os destines da nacao portugueza, duas grades affirmac6es liberaes-a abolica-o dos vinculos (1863), a extinccdo do monopolio do tabaco (1864).
Em 1865 Sua Ma,,-estade inau,,urava solemnemente a exposicdo international do Porto, a primeira grande exposiqao portugueza; em 1866 associava-se is grandiosas manifestac6es, realisadas na cidade invicta, em homenagem. a seu augusto av6 o gloriosa rei-soldado-e a seu saudoso irmao Sua Magestade o Senhor D. Pedro V; em 1867 firmava os decretos abolindo a pena de morte e promulgando o codigo civil, e inaucrurava o monument ao insignissimo cantor das glories portuguezas, o immortal Luiz de Cam6es; cm. 1869 assignava o celebre decreto, referendado pelo benemerito marquez de Sd da Bandeira, e de iniciativa d'este famous caudillo da liberdade portugueza, abolindo a escravid5o nas




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possesses ultramarines; em 187o honrava public e solemnemente a memorial do impcrador, seu illustre avo', maugurando o monument que, por subscripqdo national, se lhe erguera em. Lisboa. Em 187 1 solvia-se a divide de reconhccimento national para com a memorial do eminent poeta national Bocage; em. IST) prestava-se igual homenagem ao famous ministry da regencia da Terceira, o honrado, esclarecido e patriotic Mousinho da Silveira; em, 1877 iniciavam-se as explorac6cs africanas, primeira grande affirm,,icgo da nova orientacao do espirito national; em 1878 inaugurava- se o monument ao grande tribune Josd Estcvdo; em 1879 inaugurava-se o caminho de ferro da Rcgua e o comeco dos trabalhos dd linha da Beira Alta (seccio da Guarda), chegavam, a Lisboa os illustres exploradores Capello e Ivens, depois da sua primeira travessia africana, assim. tambem a chegada do intrepid explorador portuguez o major Scrpa Pinto, da sua notavel e famous travessia da Africa; em. i88o realisava-se a notabilissima commemoracdo do centenario de Cam6es, a reunigo dos congresses litterario e dc anthropologia em Lisboa, um dos maiores factors scientific d'este scculo em Portugal; em 1882 celebrava-se o centenario do marquez de Pombal, inaugurava-se o caminho de, ferro da Beira Alta; em 1883 visitava Sua Magestade a c6rte de Madrid, acompanhado por Sua Magestade a Rainha, affirmando assim a cordealidade das relacoes de amisade e sympathia quc ligam Portugal i Hespanha e que hdo de ser a base dc uma political international forte, energica e prestigiosapara as duas nac6es peninsulares.
Durante c, lapso de tempo decorrido dcsde 1861 a 1885 assignalaram. ainda o reinado de Sua Magestade o Senhor D. Luiz I os seguintes factors memoravcis: -a reivindicacdo dos direitos de Portugal sobrc Lourcnco Marques e sore a ilha de Bolama, reivindicacio obtida'pela arbitragem dos presidents dos Estados Unidos e Franca, a vista d c6rte de Lisboa de Suas Magestades os Imperadores do Brazil, da Rainha D. Isabel 11 de Hespanha, de D. Amadeu de Saboya, do Rei Humberto (ent5io principle herdeiro da




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cor6a de Italia), dos Reis de Hespanha D. Affonso XII e D. Maria Christina, do Principe de Galles, dos duques de Saxe Coburgo-Gotha, da Princeza Imperial do Brazil e de Sua Alteza o conde d'Eu, do Principe Oscar da Succia, do ge'neral Ullisses Grant, dofamoso explorador Nordenskiold, dos illustres sabios Virchow, Schaaffhaussen, Cartailhac, Quatrefages, Capellini, Henri Martin e outros que vierarn tomar parte no Congresso Anthropologico de Lisboa,- ainauguracdo dos monuments ao marechal duque da Terceira e ao glorioso general Sd da Bandeira; a realisacdo da notavel exposicio agricola de Lisboa e das exposicoes species do Porto, Coimbra e Guimarges,-a fundacgo da Associacdo dos Albergues, Nocturnos, idda que Sua ?NIagestade adoptou, com o mais decidido empenho e com o mais solicit cuidado, conseguindo assim vincular o seu nome a mais um monument erguido n'esta abencoada terra da patria aos principios salutares da solidariedade e da confraternidade humana, obra piedosa que nobility a iniciativa do rei e que exalca o character do cidadz1o; a fundacao das bibliothecas poputares (iniciativa do ministry de instruccao public, oillustre escriptor o sr. D. Antonio da Costa); das cr xhes (iniciativa piedosa de Sua Magestade a Rainha a Senhora D. Maria Pia); das escolas industries (iniciativa do e5clarecido ministry das obras publics o sr. A. A. de Aguiar); a reivindicaq o de parte dos direitos de Portugal na vasta region do Congo e alargamento da linha de fronteiras da rica ptovincia de Angola- final mente, a notabilissima travessiarealisada no continent negro pelos heroics e intrepidos exploradores portucruezes os srs. Brito Capello e Roberto Ivens e a estrondosa recepq9o que lhes fez todo o paiz e que lhes fez a Europa.
Este ultimo facto constitute, por sem duvida, uma das maiores glories do reinado de Sua Magestade o Senhor D. Luiz I. Ha dez annos a esta parte que a opinion public em Portugal se comecara a preoccupar com as quest6es colonies. Na Europa estabeleceu-se uma vigorous corrente de propaganda em favor de uma larga e active exploracio commercial da




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Africa. A industrial curopea, extraordinarlamente desenvolvida, comecara a senior a necessidade de granger novos mercados para a sua expansdo. A questdo colonial, que primeiro se apresentou sob o aspect de uma simples solucdo economic, ndo tardou, pela concorrencia de ambic6es diversas, a assumir o carecter de uma questjo political. Excitaram-se as rivalidades e n6s, que possuimos um largo dominio na Africa e.que dispunhamos de um enorme prestigio ern todo o grande continent, comecarnos a ser envolvidos nas mais extraordinarias intrigas. Fomos violentamente a(T redidos e calumniados. Essas aggress6es e essas calumnies excitaram o espirito public em Portugal e, desde esse moment, todo o paiz, comecou a comprehended que a sua prosperidade, o seu engrandecimento, todo o future da nacdo, estava na restauracio do nosso grande poder colonial. Ern nenhum paiz da uropa a ques0o colonial foi mais patriotic e mais esclarecidamente estudada, apreciada e definida do que em Portugal. A fundacdo do imperio luso-africano, que ainda ha uma dezena de annos seria uma utopia, tornou-se, pela forca. das circurnstancias, uma solucdo eminentemente pratica, e hoje njo ha uma s6 pessoa em todo o reino que n5o esteja convencida. de que temos todos os elements para restaurarmos o nosso antigo dominio d'alem dos mares e conquistarmos urn primeiro lo-I gar cntre as moderns potencies colonies. Essa conviccio teve a sua opportunidade de manifestacdo em 16 de setembro na grandiose e imponente recep ao aos exploradores e ern i de outubro do corrente anno na unanime, calorosa e enthusiastic ovacgo a Sual Magestade o Senhor. D. Luiz 1.
Querendo fallar de Sua Magestade o Senhor. D. Luiz 1, sob o ponto de vista da sua influence no desenvolvimento intellectual e moral da nacdo, pondo ern evidencia os traces mais salientes da sua individualidade, como homem do seu tempo c do seu paiz, ndo posso deixar de me referir especialmente i vasta illustracdo que Sua Magestade posse e que por vezes tem merecido, a altas capacidades scientific, que tem tido a honra de fallar com o rei de Portugal e, es-




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cripto e publicado as suas impresses, testemunt-los os mais imparciaes e sinceros de admiracdo e apreco. Sua Magestade tern habits de estudioso e 6 em extreme laborious. Conhece a fundo a literature national, cuja evolucao acompanha com escrupuloso cuidado, falla com proficiencia notavel oito ou dez linguas, e sdo-lhe families as litteraturas das principles nac6es do mundo. Sua Magestade tern traduzido e publicado successivamente as principals pecas do famous theatre shakspeareano, destinando aos pores o rendimento total da venda. Estes trabalhos litterarios, de um altissimo relevo classic, de que a critical se nio tem occupado, por uma susceptibilidade que mal se comprehend, torque nunca poderia ou deveria ser suspeita de adulacdo ou lisonja qualquer apreciaclo justa da obra do rei, nem Sua IMagestade, publicando os seus studios sobre a litteratura ingleza pensou, de certo, em eximir-se pela sua posicdo especial de monarchs, is contingencies resultantes da manifestacdo dos scus talents e aptid6es como escriptor; estes trabalhos litterarios, dizia, sgo valiosissimas nacionalisac6es das obras primes do theatre single e revelam no regio nacionalisador um laroo conhecimento da lingua ingleza e um grande e escrupulos6 cuidado na fidelissima reproduccgo do pensamento do'auctor. 0 trabalho da nacionalisacdo do theatro de Shakspeare dos mais completes que a literature portugueza contemporanea posse, podendo perfeitamente collocar-se ao lado das nacionalisac6es das obras de Gctthe, Moli re e de Shakspeare, tdo brilhantemente realisadas pelo illustre escriptor e principle dos poets portuguezes moder-, nos o sr. Antonio Feliciano de Castilho.
E assim tenho ido esbocando muito perfunctoriamente o que se polderd chamar, talvez, um peril biographico de Sua Magestade o Senhor D. Luiz I. Bern ou mal ahi fica prestada homenagem das Colonias Porh quqas ao primeiro magistrado da nacdol o augusto chefe da dynastic reinante, e traduzida, sincere embora rudemente, a intencdo patriotic que a inspirou-manifestar a Sua Magestade em nome de quantos se interessam pelo engrandecimento e prosperidade




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da patria, o vivissimo desejo de que Sua Magestade se colloque francamente d frente do movimento ern. favor da restaurac5o do nosso antigo prestigious colonial, assignalando o seu reinado com a fundac5o do imperio luso-africano. Pela minha parte, enthusiasts pelas cousas africanas, desde muito dedicado ao studio do problema colonial c um dos impressionados corn a notavel viagem dos srs. Capello e Ivens e com os factors inportantissimos que ella poz em relevo, sinto-me feliz por poder associar a minha respeitosa homena(Tem de portuguez, de patriots, de homem d'esta dpoca, que dese)a cumprir leal e honradamente o seu. dever, ao principle esclarecido e benemerito, que ajorificando a nac5o e a dvnastia, e exalcando o seu nome, com. tanta dedicacdo e com tamanha lealdade preside aos destines deste paiz, a que me honro de pertencer, o testeinunho da convicc6o, que nutro de que nas m5os de Sua Magestade estd, n'este moment07 a solucdo da mais palpitante das quest6es que interessam ao future de Portugal. Como D. Joao 1, o valoroso e intrepid restaurador da independence da nacdo, Sua Magestade o Senior D. Luiz I estd destinado a iniciar uma nova era para os destines do povo portuguez.
Como os reis da insigne e patriotic dynastic Joanina, Sua Magestade logrard nobilitar e engrandecer o peito illustre luzitano. Como D. Joao 1, como D AtTonso V, como D. Joao 11, e como D. Manuel, o rei de Portugal bem merecerd da patria e da humanidade. E ndo pense Sua Magestade que se extinguiu de todo da nossa raca aquella extraordinaria abnegacao e aquella a3sombrosa generosidade quc no, seculo xvi levou um gloriosa portuguez a declarer que se julgaria feliz se podesse arriscar um filho por cada uma das pedras das fortalezas de. Diu!
Lisboa, dezembro de t885.
Nada mais ha que dizer, do que o que se Id nesses tracos bern desenvolvidos sobre a biographia illustre do monarcha de Portugal. Sua Magestade EI-Rei D. Luiz, como




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o tem dito a imprensa s6ria d mui estudioso; sabio e litterato, emprega ndo s6 as horas vagas, como todo o tempo que p6de, aos trabalhos litterarios. Os scus ultimos escriptos sdo: Ronzeu e Julieta, o Moiro de Venqa, e estd a traduzir A esquh,,a donzada. Rcv as suas proves, e nem sempre se conform com a orthographia dos scus compositors.
.-Ihe devido o cognome de Rei Litterato.
As Colonies Portugue-as registaram tambem. nas suas pacrinas a Carta 'Regia pela qual S ua Magestadc EI-Rei D. Luiz I se declarou Protector da Sociedade de. Geographic. de Lisboa, prestando assim uma dupla homenagem ao chefe do estado que tem vinculado o seu nome aos mais altos meIhoramentos que uroa nacgo p6de ambicionar, e d benemerita Sociedadc de Geographia de Lisboa, que tjo relevantes e fecundos services estd prestando ao paiz c a todo o nosso vasto dominion do ultramar, e d por isso que, tambem esta obra africana d dedicada a essa illustrada e sabia sociedade.




Carta Regia pela. qual Sua Magestade El-Rei
o Senior D. Luix I se declarou
protector da Scciedade de Geographia. de Lisboa
Dom Luiz, por Graca de Deus, Rei de Portugal c dos Algarves, etc.
Faco saber aos que esta minha carta vircm que, Attendendo ao que Me f6i represented por parte da Sociedade de GeograFhia d Lisboa, e Querendo'significar-lhe de urn. modo authentic o Mcu justo agrado pelo z6lo e louvavel empenho com que tem promovido os trabalhos indispensaveis para o desenvolvimento dos studios e explorac6es geographicas, distinguindo-sc n6o menos pelo patriotism e amor da verdade historic com que se tem dedicado A defeza do bom nome e das glories nacionaes: Hei por bem Fazer-lhc merc8 de Me declarer Protector da referida Sociedade de Geographia de Lisboa. Pelo que Ordeno ds auctoridades e mais pessoas a quem o conhecimento d'esta mesrna. carta pertencer, que, indo assignada por Mim e referendada pelo ministry el secretary de estado dos negocios do reino, a cumpram e guarded como n'clla se contdm, depois de authenticada com o s6llo das Armas Reaes e o da Causa Publica, e com a verba do registo nos livros das repartic6es competcrites. Ndo pagou direitos de merc nem emoluments por n5o os dever, em vista da lei. Dada no Paco da Ajuda, em quatorze de novcmbro de mil oitocentos seunta e oito EL-REI Antonio Rodrigues Sanz.Faio. Logar do Ollo das Armas Reaes).










PREFACIO
0 que d da historic pertcnce i historic; escreve-se c roserva-se, para passer d posteridade, como deposit, das acc6es dos homes c mostrar aos vindouros a realidade dos
Historian d narrar os factors verdadeiros, os acontecimentos memoraveis dos tempos passados e do presented. Para i'Sso o escriptor ou historiador soccorre-se com memories c noc6es passadas para se guiar no seu intent, para narrar os successes do preterito e do future, examinando os factors e pondo-os em ordem para vulgar as cousas; por isso se diz que a historic d o testemunho do passado, exemplo e aviso do presented, advertencia no future, a testemunha do tempo, luz e mie da verdadc, vida da memorial, escola da vida, mensageira da antiguidade, emula do tempo, deposit e codigo das access dos homcns.
Mas o actor destas linhas ndo tem a ousadia ncm a pretencdo de queer apresentar-se como historiador, se bem que




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escriptor-historiador seja todo aquelte que trate de historian factors Vamos simplesmente coordenar alauns apontamentos particulars.
Mo pensern, por6m, os que nos lerem, que vamos produzir uma grande obra, desenvolver um grande trabalho historico, uma obra insigne, um trabalho egregio, inna Eneid. Ndo; o trabalho d simples, modesto c humildc.
1 s6 filho da nossa boa vontade como patriots o impulso e amor d'esse patriotism que nos leva e conduz a cooperar, e defender e guardar o que d nosso e que estranhos nos invejam e pretended scm conscience e com audacia: d esse o dever de todo o bom cidaddo.
E assim devem todos os nacionaes unir-se, os portuguezes de lei, de Id e de cd, os patriots, todos os que desejam e estimarn o bern-estar do'seu paiz, o seu florescimento, o seu progress. Toda a imprensa, as associac6es que trabalham, que laboram pela civilisacdo dos povos; os homes de saber, de intelligence, escriptores publics, historiadores, geography's e historiographos; ci-tqada contra os iqfleis; vinde todos cooperar e laborer na grande obra: a causa da civilisacio dos povos e da soberania do paiz. Dilatando, estendendo os dominion da nacdo, cooperando assim para o progress da sociedade geral, & civililsacdo, e adquirir e preparer almas para Deus.
Instar e solicitor atd resolver o governor d realisacdo peremptoria e immediate para effectuar a occupacdo definitive de todos os points territories n esta costa Occidental da Africa, que pertencern a Portugal por todos os direitos legaes, legalissimos, conhecidos e reconhecidos: direitos de descoberta e conquista, de posse e de vassalagem, etc.; matter os seus direitos e sustentar a posse e occupacdo de facto e de direito, sustentar assim a sua soberania, senhorio e auctoridade, e levar a luz da civilisacio dquelles povos rudes, gentios, barbarous.
Para se defender, mostrar e advogar os nossos direitos aos ports e territories do norte da pi-ovincia de Angola, bastard reproduzir e transcrever asfamosas ey-uditas defe-as:




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primeira a do ex.,,," viscondc dc Santarem, que publicou ern 1855, e a segunda a do ex.,,," visconde de Sd da Bandeira, que publicou em folheto, em francez, en-i 1836, e dar-lhe a maxima publicidade: de certo faria a imprensa urn grande service publicando ern POrtUgUeZ C em. francez novamente aquellas duas famosas defezas.
0 nosso desejo e proposition 6 fazel-o, e, se podermos, fazel-o-hemos, Para distribuir d imprensa, Para que ella tome a defeza de ti-to alta questdo.
A nossa vontade enfraquece ao pensarmos na nossa ousadia e na nossa insufficiencia Para entrarmos em assumptos tao elevados, que requeren-i e precisam uma habil penna, e os conhecimentos necessaries que n5o possuimos, mas o nosso proposition 6 charnar e inciter o anirno dos escriptores competentes, Para virern ao campo da question, que d questdo de bonra; venham, pols, os homes de saber occupar o seu e o nosso logar; vinde v6s, 6 sabios escriptores, em nosso auxilio, vinde v6s tomar a defeza da questgo, que a v6s pertence; o tempo urge, a occasion 6 esta, d oppor tuna.
Pcdimos indulgencia da nossa pouquidade; mas cumpre a cada um. contribuir com. o seu pouco cabedal, a firn de que seja aproveitado conform mercer na defeza da causa.
Ndo nos propomos escrever uma obra primorosa, political ou litteraria, que a tanto nAo chegamos, por isso qUC M10 somos, conio era necessary Para tanto, uni versado cultor das letras; nao d mais do que urn brado patriotic, ern que se requer aos poderes publics de Portugal, em. nome dos nossos interesses politicos e economics, e sobrctUdo da dignidade e brio national, a occupac6o immediate, e sem. perda de tempo, do rio Zaire e mais territories adjacentes que demorarn ao norte e ao sul do mcsmo
VOLUME 1 3




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rio: C BREVES APONTAMENros PARA A HISTORIC DE A-,GOI,.\. E CONGO.
Acompanhado OU reforcado com. uma pequena c singela demonstration dos nossos direitos a toda aquella regi o que banha o Zaire, d talvez un-i pensamento vdo e chimerico, ou um moment de calor patriotic que geroU Um devancio vaidoso mas desculpavel, talvcz, attendendo d opportunidade, d occasion, assim, o cremos e contamos corn a absolvicdo e indulgencia dos nossos iliustres leitores pela exiguidade e pobreza do nosso humilde trabalho.
0 moment de occasion reclama do cidaddo todo o concurso do seu trabalho de advocatura e defeza, toda a coopcracdo pelos direitos, dignidade c sobcrania da patria, c todavia, vemos ut-fta frieze de patriotism imperdoavel, em que uns, e esses os mais competentes, se conscrvam no iiidifferentismo, olhando sem enthusiasm para o que succede, outros se rccolhem a sua casa c na poltrona commode Idem o romance voluptuoso, e outros que deviam chamar a attencdo e reunido das associac6es c cameras commerciaes para, ern. bencficio e no interests geral, baterem ds ports dos ministers e acordal-os da lethargic ou inditferentismo, e exigirem do governor que pela dignidade da nacao se proceed jd d occupacdo e exploracdo d'aquella zonadesde o rio Loge atd Mayumba, e dizer-lhc que a naq o ndo consent nem deixa perder, ceder ou desprezar em Africa um palmo de territorio portuguez,-se recolhem a suas casas para se enlevarem no d6ce pensamento de calculos de proprios interesses egoistas!
Yeste estado d, pois, necessary que um qualquer patriota brade dlerta contra a usurpac5o e oppressed estrangeira, dizendo aos cidad5os.-ao civil e ao militar-que nos preparemos para a defeza da nossa casa, dos nossos bens e da nossa patria.
Os nossos direitos de soberania v8em-se atacados, menospresados e offendidos por aventurciros, estrangeiros inficis! t necessary sustentar a nossa dignidade, combatcr as pretenc6es dos intrusos e assumir o nosso direito e exi-




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gir clue a letra dos trataclos seja cumprida c observada, c a nossa dignidade scja respeitacla c defendida!
Assim como o desalento d um mau conselheiro que produz effeitos perigosos qUe faz perder a accito moral, o abatimento dos animos tambeni cria graves iltus6es con-i perficlas suggests para a discordia: aconselliamos, pois, a energica e patriotic defcza dos nossos direitos c da nossa soberania ao -Zaire c mais Fortos do norte em, uni lo c con-I todo o valor de accdo) mas com prudencia, prestigious c rasdo: c a rasao e o direito temol-as n6s ........... ..... ....
Vae corner mundo este pequenino quanto hun-filde c
despretencioso trabalho, incon-ipleto c imperfeito, que s6 eni segunda edic5o se poderd nielhor coordenar.
A escassez d6 conhecin-ientos, a mingua de saber c clas necessaries forces, nos teve, por a1guin temFo, desanimado c vacillante se Icviamos ou ndo dar d publicidade unia mesquinhez litteraria, que talvez f6sse causa de mofa satyrica, c que os ap6dos da critical riclicula c rnorclaz caissem como raios c accrtassem como fleas veneficas sobre a humilde pessoa do auctor;-prevaleccu, todavia, o nosso desejo de pretender prestar aligurn service, se se p6de acceitar c crcr clue d'estc pobre trabalho possarn advir alguns bons resultados; foi, pois, n'cste intuit que o escrevemos, c assifii, d custa de a1gumas facligas, c furtando a1gumas horas a outros misters, o coordenamos; c assim o ousamos offerecer aos nossos concidaddos c amigos, d Sociedade de Geographia de Lisboa, d Imprcnsa, ds Associac6es Commerciae-S de Lisboa c do Porto, a s. cx. o sr. ministry da marina c ultramar, a s. cx. o sr. conselheiro govcrnaclor geral da provincial de Angola, c o faremos distribuir por diversas auctoridades c por alguns jornaes estrangeiros.
E, concluindo, pedimos inclulgencia aos nossos bondosos leitores pela insignificant cooperacgo na defeza de que se trata; c comquanto possa center este peclueno trabalho atguns defeitos na f6rma c na linguagem, confiamos quc clles ser5o relevaclos e Ferdoados, attenduclo a que a origcm,




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d'elle prov m de uni moment de inspiracao patriotic, c pcla i ntenctio merece a indulgencia dos nossos illustres leitores, e tanto mais se deve consider e attender d celeridade com. que f6i coordenado c escripto, e ds difficuldades sern conta com que tivc de'luctar e veneer.
Loanda, marco de 1883.
Foi no firn do anno de 1882, principio do de 1883, que, cm Loanda, colligimos documents respcitantes d nossa dominac5o no Congo, e que demonstrarn factors c proves de exercicio de soberania em. toda a costa, e nosso rio Zaire; ao mesmo tempo, ern Lisboa, outros compatriots, pessoas competentissimas e de muito saber, faziam. o mesmo, como os illustres Luciano Cordeiro e Neves Ferreira, de quem transcrevemos e inserimos com. a devida venia nos capitulOs 4." c 5.", uma parte interessante sobre o object e assumpto de clue se trata.
N6s colligimos e conipilamos, ent6io, uma boa parte de documents que v6o divididos nos capitulos d^este livro,. e demonstram elles a historic do Congo, a dominacdo de Portugal, como tem. exercido actos publics de senhorio, dominio e de soberania, de occupac6o e posse effcctiva.
Foi entdo que comecamos a publicacdo d'este mesquinho e pobre traballio, que f6mos forcados a interromper, n5to tcndo chegado ao mcio, c ficando simplesmente impress uma partc,-trabalho incomplete e imperfeito, que nern mesmo se poderd chamar dquella impressed a primeira cdiCao.
Parou por diversas circumstances e successes, mas principatmente por se ver que nem. centenares de folhctos ou hvros, que, cada um, f6sse um process famous a favor da nossa rasjo e da nossa justice contra a usurpacgo dos estrangeiros, que nos disputavam os nossos direitos, combatiam. com bom resultado o proposition de nos disputarcm arbitrariamente e d nid cdra o que era nosso: nem, centenares de opusculos quc f6ssern famosos libellos dcfensivos, demons-




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trativos e comprovativos dos nossos direitos, nilo produziarn os fins desejados de advogar a nossa justice, torque ndo nos davam justice nem. rasdo! Era tudo contra n6s, pois quc era necessary dividirmos um bocado do bo lo; era contra nos urna guerra injusta, infield, desleal e iniqua! ...
Simultaneamente apparecerarn muitos advogados d questao. De toda a parte appareciam, memorandums, opusculos e folhetos; eram. amontoados de ras6o e de ras6es, de direito e de direitos, clamored e reclarnes patrioticos, e n1o se fartavarn, os que advogavarn a question de honra do paiz, de apresentar protests e demonst6c6es da nossa justice mas nada valia para a iniquidade que estava preparada e de anternito assentc, estabelecida e pactuada: pendia sobre a nossa cabeca a espada da injustice dos phariseus, dos fal'sarios e dos h3,pocritas!.
0 que se havia de fazer era occupar immediatamente, como fizem'os no Alolembo e Cacongo, sem, conferences, sem. satisfac6es nern accord com ninguem, pOis n5o precisavamos disso mas houve muita prudencia, demasiada, que nos fazia muito mal. e que nos prejudicou, e muitas chimeras de que nos deviamos ter desprendido, e... era occupar!
Ah! As cousas passavam-sc t5o tristemente para quem, flie pulsa um. coracdo civic cheio de amor pelo bcm. da patria, e que tenha genio independent e recto observador, que nlo deixa perder, a menor pitanca do seu direito, que atirarnos com, tudo y)ara un-i canto, e bradJmos:
-Miseraveis! Malvados!.. .
Urn arnontoado de papers, parte impress c parte rnanuscripta, jazeu mais de dois annos como esquecido, votado ao mais complete, desprezo, passando por umas poucas de mudancas de nossa residence, e, como se, costurna dizer tres mudancas equivale a um. fogo, perderam-se muitos apontamentos e escriptos interessantes, alem. d'isso, d certo que, esta papellada esteve presses, em. uma occasion de tedio, quando pensavamos nas cousas do Congo e ao ver o modo




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co"Tio se passavati-i, a ser pasto, voluntariamente, das chainmas!
Miseraveis! Malvados! ...
Eram as nossas express6es de d6r, e erarn sufficientes para sentenciar ao desprezo a malvadez dos especuladores que nos desconsideravam c accommettiam atrevidamente sem di middle nem conscience! ...
Appellou Portugal para a conscience de um homem, que se respeita coino vulto, que deve ser sabio e conheccdor da nossa ras -io e da nossa justice; para dois homes, repetimos, para o imperador da Allemanha, e o seu chaiicellei-, o principle de Rsmark.
Depois de tanto teii-ipo dccorrido 6 que tentamos outra vez dar d publicidade este livro com o resultado da conference de Berlim, para dar d historic um livro ou dois de uma chronic mystical em dias nefastos, e nio para satisfazer d vaidade ou valufloria, que n6o ha de que a ter, mas que alguem talvez pensard que pensassemos em'tal.
Tinhamos enfraquecido na tarefa, quando tambem 1.1m dia peiisamos, e com muita rasio, no nosso atrevimemo: que nao attimpamos ao designio do nosso pensamento e aos nossos desejos patrioticos ; alem d'isso que pcssoas competententissimas e socicdades se encarregavam d'isso, de advogar e demonstrar os n ossos dircitos com toda a competencia e proficuidade, com todo o valor c merecimento; c que valerian, pois, a no-.9sa pobrc cooperacio,
Nada.
Voltamos, por6m, agora a fazer a reimpresszto, para que esses tantos documents intcressarites fiquem compilados e archivados na historic de Angola c Congo, produzir assim assim um livro ou dois para ler e para interten4nento das pessoas que gostarem ou deseJarem saber da historic do Congo, e da pendencia iiijusta e guerra infield que os estrancreiros trataram iniseravelrnetite comnosco para nos arn
rebatarem o rio Zaire e o Cong6.
Mio levaram, por6m, elics a melhor, mas ficaraii-i toda-




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via com parte pela resolucao da conference de Berlim, e pela. cedenci a de Portugaf, e pela sua prudencia. por n5o queer fazer a occupac5o d forca, sem o pacto ou sem a decis5o da conference de Berlim, por tambem esperar d'ella a rasdo e a Justica: que, com toda a integridade f6sse Portugal entrar na posse, no todo do que justamente reclamava, do que legalmente Ihe pertencia e a mais ningucm. .
Enganou-se, pordm, Portugal, como pessoa ingenue e de boa fd, torque ndo nos deram tudo que era nosso. Que import dizcr-se que mto ficamos mal? N6s m-to precisavamos fazer partilhas, o que era nosso d que deviamos occupar. Ningucn-i seria. capaz de nos desapossar da nossa legal occupacdo. Com quern tinhamos a luctar era s6 com a Associacao Internacionall com quem podiamos, a dormir, impor-lhe o quc quizessemos e o que precisassemos fazer: Era occupar pelo 511 recto de oeste para'leste, uma. linha recta que & a linha geographic que marca esse grau.
Foi um'a questdo de ambic5o e inveja, essa guerra que soffren-ios, que aturdmos c combatemos com dignidade e cortezia, n9o f6i pela fd e crenca d'elles c pela rasdo de uma causa justa e digna. Essa. lucta indigna c impropria das nac6es que contetideram comnosco, e associac6es protegidas por ellas por muita intriga. c falsidades cm que acreditaram, ficard, pois, rcgistada nas paginas de uma chronira negra com traces indeleveis, negros c encarnados: negros da c6r do carvao da fogucira ardcnte da injustice, dos residues das' lavas da. mentira, do negro fumo venenoso da intriga, do f6go. maldito dos impios e perversos que tramaram a conspiracAo! Encarnados, pelo sangue vertigo pelos nossos antepassados nas tribulac6es e nos grades sacrificios penosos nas descobertas e conquistas a penhor de sangue e vidds, para darem glories d patria: sangue sacro em que os nossos contenders vieram manchar as mAos e a consciencia!
Como dissemos no principio do prefacio da primeira publicac5o, damos no capitulo 3.1' os interessantes Menzorav




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duns dos srs. visconde de Santarem e visconde de Sd da Bandeira, escriptos em 185 5 e 1856, relativam nte aos direitos de Portugal aos te-.-ritorios entre 5" e 8" de latitude sul na costa occidental da Africa, e por conseguinte aos territories do Molembo, Cabinda e Zaire atd ao Ambriz; obrasinhas tdo importance que todos os moderns escripto. res, advogados d'esta questdo, se t6em servido d*cllis; ndo temos por isso gloria nenhuma, a nio ser a sua republicacao e da qual advem maior conhecimento da nossa justice e dos nossos direitos, e esta historic ficar illustrada com factos e considerac6es tilo importance de que elles se.occupaill, e pensamos que n azemos un-i bom ser ,'iqo
historic de Angola e Congo.
Na capitulO 4-" inserimos un-i escripto interessante do illustre Luciano Cordeiro, advogando os nossos direitos na mesma questao os Iii-nites do Congo e o Padroado portuguez ern. Africa; no 5.", tamben-i importance documents do do Zaire fornecidos por Luciano Cordeiro, sectetario perpetuo da Sociedade de Geographia de Lisboa, transcripts dos B,91,,Iins d'aquella sabia e illustrada sociedade, e um interessante escripto do capivio tenente Neves Ferreira, no qual illucida muito os direitos de Portugal ao Zaire e te*rritonos adjacentes, que transcrevemos dos memos Boletins, e parte da doutrina da historic deste cscripto confirm as nossas doutrinas e a nossa opiniJo, e coincide coin as affirmac6es do visconde de Sd da Bandeira.
,-o patriotism em acqJo, meus senores, este nosso humilde 'trabalho, e ndo a vaidade, que ndo ha de quc a ter.
N. 'esta humilde obra encontram os nossos arnaveis leitores, alern de chimeras e absurdos do actor, historic, geographia e ras lo.
Oh! sim; a rasgo pela qual tennis clamado e reclamamos como lei e ordem, prova, justice e direito; palavra sublime, attribute sob o qual se f6rma a Justica, e 6 hoje t1o desprezada e desrespeitada, principal rqente pelos grandes contra os pequenos, pelos fortes contra os fracas, e pelos invejosos e soberbos contra os humildes, pelos n-iagistrados




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ignaros ou venues e n5o independents e integerriti-ios, como ha n-witos! E d por isso que a sociedade esti irnperfeita, viciosa, corrupt!
Bein iventia-ados os que Mein foine e sMe de justice, po?-que elles sei-do fails. Attended bem n'esta doutrina do Evangelho, e n6s seremos ainda satisfeitos da nossa rasio e da nossa justice, pela reivindicac,-io. Aquelle preceito e doutrina pr6gada ha tantos seculos 6 un-ia licilo para os povos e para os reis; e p6de dizer-se que os povos da terra ainda hoje t8cm necessidade da ordem legal que este sublime pre ceito annuncia.
11, admiravel que, depois de dezoito SCCLIIOS, uma das bells palavris da nossa 6poca, ajustica, esse excellent attribute da perfeiciio da essencia de Deus e do sustentaculo da sociedade, seja o echo fiel de uma palavra evangelical!
Alas, justice? Aonde estA a justice
Nem todos gosam. delta, d'essa virtue sublime, d'essa esscncia das virtues. Nern todos a comprehendern ou conhecem, nern a observarn, nem a respeitam. Eis a desordern da sociedade.
Ora, diz-se do sr. de Bismar'k a sc(,-Llinte sentence:
((A polilica e vlei-na ndo se faT conz thesesJui-idicas.))
S. ex. lo gosta, pois, ou ndo observe, a justice, e naturalmente nen-i a rasdo e o direito- 6 talvez o arbitrio?
0 arbitrio e a vontade propria da forca, indepenclente da legalidade, da lealdade, da ordem, que s.1 ex.' obscrva e attend no logar da rasdo e do direito e da justice! ...
Meu Deus! se dependermos por muito tempo da ordem ou desordem, e das sentences do sr. de Bismark! ...
IMau juiz se escolheu para sentenciar uma causa t9o importante; entregal-a a una juiz que ndo respeita a justice, a jurisprudence aquella sua maxima d o sufficient para se dar de suspeito em. questdo e pendencias similhantes.
Mas concordararn Wella, acceitaram-a, n9o aggravaram do seu despacho, ndo appellararn da sua sentence. Respeite-Se POW.
Mas, a todo o tempo 6 tempo legal, se quizermos ap-




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pillar, justamente por isso mesmo, torque s. ex." n5o obscrva os preceitos c regras da justice.
Podemos, pois, tratar da reivindicac6o da margem dircita do nosso rio Zaire e mais territories que nos pertencem.




CAPITULO I
Reciamacdo pelos nossos dircitos contra a invas-5o de Brazza e de Stanley. civilisac,io dos africanos polos nossos missionaries. 0 bispado do Congo e Angola.-As descobertas dos navegadores luzitanos desde o secul o xiv. Grandeza e potencia-de Portugal. 0 negroafricano 6 livre cidadio. Doutrinas mores sobre a liberdade. Os codigos das nac6es moderns foram constituidos sob estes principios.
- 0 que 6 a Associac5o Internacional ? A civilisaci-io dos povos ultramarinos e a chatecbele c civilisac5o no Brazil pelos missionaries portuguezes.







CAPITULO I
A OCCUPAQ0 DO ZAIRE E MAIS PORTS DO NORTE
Debaixo do ponto de vista civilisador
NIE-MORANDUM DIRIGIDO EM 1883,1 SOCIEDADE i)r GE06HAPHIA DE, LISBOA,
S ASSOCIA .(3ES COMMERCIAES DE LISBOA E DO PORTO, A SUA EXCELLENCE 0 SENIOR MINISTRY DA MARINA E ULTRAMAH, i [MPRENSA, A SUA EXCELLYNCIA 0 SEINHOR CONSELHEIR.0 GOVERNADOR GERAL DA PROVINCIA DE ANGOLA) 1' A ASSOCIA .AO CATHOLICA PORTUGUEZA ETC., ETC.
A soberania das nac6es cults, o seu valor e poder moral depcndc de respeitar e fazer respeitar os seus direitos e ras6o; de occupar e possuir positive e effectivamente todos os territories que formal o seu estado, dominion e senhorio; de gosar essa occupac6o, real de facto e direito, de um modo peremptoric, e so erano. ((0 direito d na sua essencia uma das mais bells concepq6es da rasio; as na6es t&rn, como os particulars, necessidades mores de accdo ou inaccao, c de converter em obriyac6es de facto as obrigac6L-s mores de direitos.))
A bem do progress e da civilisacdo, e a bern da dignidade e soberania do paiz, cumpre que o governor portuguez proceed d effective occupacgo legal do rio Zaire e mais pontos adjacentes ; essa uma media acertada, de grande alcance, de grande importance political.




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A occupacLio do Zaire d un-1 clever de honra da naclo portugueza; a sua effectuac6o d mais tarnbern. por um de(Tresso, c para satis
ver a causa da civilisacao e t, fazer aos
fins c principios exigiveis da 6poca; mais do que a posse exploratoria c lucrative quc por algumas erradas id as, algu ns errados pensamentos se queiram assim talvez entender ou interpreter.
Ndo 6 assim, torque Portugal faz grades despez.s com as suas colonies, prova-o o orcamento d'ellas, que todos os annos oncra o thesouro public da metropolc com grandes sommas dos d ficils resultantes; grades despezas que a metropole faz com ellas a firn de as inStitUir, crear, A mentar, educar c preparar-lhe o desenvolvimento progressivo.
Ha errados e falsos pensamentos a respeito das colonies portu,,uezas:- que o nosso governor nao trata d'ellas c n6o as desenvolve, c ndo auxilia o progress d'ellas como outras nac6cs tratam clas suas, que as desenvolvem admiravelmente; que Portugal, sendo uma nacJo colonisaclora e uma clas primeiras metropolis dos tempos moderns, uma das nac6es quc tem mais possesses e colonies, deve aprendcr ainda com as nac6es estrangeiras, corno d clue se colonial e trata de colonies c dc possess6es! ...
Mas isto sao os proprios nacionaes que o dizcm, os portuguezes s6, por espirito, indole c tendencia natural clue temos de clizer sempre mal de h6s memos, de nossos negocios, das nossas cousas c das nossas casas.
Os estrangeiros nio dizem isso nao nos acoimam (11, tanto, como os proprios nacionacs; mas d fallar muitas vezcs acriamente sem o verdadeiro conhecimento de caus-a; se forms a algumas colonies cstrangeiras, n5io ficarcmos admirados de ver esse grande progress apregoado, pclo contrario, ficaremos ent6o desenganados por ver.mos a realidade ...
A Portugal cumpre a occupaczlo do Zaire c Loango, immediatamente; a elle so lhc pertence, Forque tern a clIcs todo o dircito c scnhorio: s,,-io territories nossos, desde ha se-




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culos reconliecidos o nosso direito e a nossa sobcrania, pelas nac6es da Europa.
E acabar por uma vez com cssa cubic arrojada de alguns cstrangeiros, que arrojaclamente nos pretcndem disputar o qLIC cstd desde seculos reconhecido como nosso
E estabelccer nos points principles auctoridades para protege o commercial c navegacao e prote(Ter e guardar dos gentios e pirates d'aquelles points as feitorias e casas de commercial cle nacionaes e estrangeiros ali estabeleciclos.
Que por cmquanto sejam, isto'd, continue a ser ports francs por certo c cleterminado tempo, c quando n'elles estabelecerem. alfandegas na conformidadc da do Ambriz, com um dircito medico e :nui-rasoavel para as despezas de administraciol nenhuma d'aquellas casas ali estabellecidas, tan to nacionaes como estrancTeiras, nio recusarao nem se desgostar5o, do acto da posse pacifica, nem. d contribuicio, nzio id, mas mais tarde, de um pequeno direito moderato como o da pauta do Ambriz; no entretanto, que o governor ponha ali auctoridades para Ihes protecrer o commercial e navegacio, c res ? uardal-os dos vexames e extors6es que soffrern dos principles c cavalheiros da terra, que continuadamentc pagam, a titulo de direitos da terra; c certamente que melhor serd a esses ne,,ociantes estarern res,,-uardados d'es0
ses vexames c extorsoes n esse pagamento de contribuic o arbitraria, c defendidos c protegidos pelas auctoridades legaes portuguezas.
Todos os neociantes do norte ali'cstabelccidos em diverSOS I points, tanto portuguezes como estranffeiros, clesejam c cstimarn que Portugal occupy os ports do norte, que lhe pertencem, a fim d'elles estarem mais commodamente seguros com. os seus havercs, lives d*essas violencias e extors6es, a que sc vLrn obrigados a annuir, que constantemente lhes fazern esses taes principles e cavatheiros da terra.
A occupacio dos ports do norte d importantissima tanto moral e political como economic, e reciprocal vantagern para o governor e para a provincial de Angola e para o corpo commercial ali estabelecido. Ndo haverd ninguem que




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contest esta assercao tao veridica a ndo se falter d verdade e d conscience; ndo haverd, pois, ninguem, bern o cremos e repetimos, que o contest. A vontade e o desejo e a instancia sdo de todos que v em n*este estado de cousas, no abandon d'aquella parte dos nossos dominion, o maior e mais grave desprestigio politico para Portugal!
Occupe-se, pois, immediatamente o Zaire e os mais portos do norte, que pertencern a Portugal!
Para se levar a effeitc, ndo serdo necessaries grades sacrificios, nern depended de uma esquadra grande, nem de uma forte estac5o naval, o que tambern nos ndo falta se necessary f6ssc: A nossa forca d a maior das forces, 6 a rasdo e o direitol
Loango, Ponta Negra, Maymba, Cabo de Santa Catharina e Cabo de Lopo Goncalves sdo territories nossos onde Portugal tem exercido o seu dominion e soberania, onde os seus direitos sdo reconhecidos desde seculos por actos publics, quc ninguem ousard contester. E, Portugal deve, quanto antes, tomar posse effective de todos esses territories.
Vamos, pois, ali povoar, colonisar e civilisar. E das selvas c dos deserts, surgir o povos para cooperar na conquista da poca, da sublime causa do progress, e da civilisaq o! Crear para a sociedade novos povos, preparer atmas para Deus e d ilatar os dominion da nac56.
As colonies, para quem as tem, sjo certamente, evidentemente, urn grande encargo e pensJo; igUal d da mde de fiIhos e filhas que Ihe cumpre creal-os, educal-os, guial-os e conduzil-os as faculdades do progress.
A. civilisacdo da Africa tem, sido nos ultimos tempos o pensamento querido dos sabios c dos philantropos, e n9o menos o desvelado CUidado de algumas naco-es e principalmente Portugal, que no novo continent, march d testa do progress promovendo o melhoramento da. species humana; Portugal, durantc seculos tem trabalhado n'esta grande obra, contin6a trabalhando com mais animo, tenacidade e obstinac,io.
Portuaal ou os portuguezes, tem sido o povo mais colo-




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nisador do mundo desde que comecaram. as suas descobertas e conquistas; e pois Portugal tem. colonisado e civilisado mais do que nenhuma outra nacdo: a civilisacdo dos novos mundos deve, pois, muito a Portu-at.
0 emprehendimento dos reis de Portugal, desdc o principio das suas descobertas e conquistas, f6i sempre debaixo do- proposition e do intent sublime da civilisacdo dos povos peta propagacdo da religion de Christo, e dominados pelas id6as do progress, da civilisacdo e humanidade, fizeram avassaltamentos de povos ignotos rudes, gentios e selvagens.
Apoz d'isto propagaram o commercial, que d tambern meio civilisador; e pois, debaixo d'estc ponto de vista, a dominac o e a vassallagem f6i e d uma necessidade para o progresso e civilisacdo das genes, e d assim uma vantagcm para Os povos in igenas, por ser a consequence necessary a' sua civilisacdo.
E, quern poderd crer e imaginary, que entre os povos e nac6es onde os discipulos do Redemptor foram tdo corajosamente evangelisar, permariecarn os povos na maioria ern suas erradas crenqas, adorando idols e conservando devoc6es e crencas falsas do paganismo?! Todavia ainda acontece assim ern muitos povos do velho mundo, onde f6i prdgado o Evangelho de Jesus Christo; e se assim. acontcce a esses povos que ja ouvirarn tantas vezes a palavra de Deus e as grandissimas maravithas do seu poder superno, como existirio os espiritos, os conhecimentos, a luz e a relegido dresses povos alern no alto Zaire, onde as guerras dos povos barbarous e ingrates njo deixaram. penetrar e ndo quizeram receber e ouvir a pr6gacio das doutriiias sagradas dos nossos missionaries que ha tres seculos, corn tanta instancia, procuraram. converter, e onde os Evangelistas ndo passaram nem pr6gararn a religion de Christo? E onde Brazza ndo prdgou doutrinas da religion, torque, ndo sendo Evangelista nem missionario, ndo evangelisou, mas espalhou bandeiras francezas, para que tremulem e disp arem fluctuantes, aos vents que sopram de urn quadrant negative, vaVOLUME 1 4




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ravel, falso e especulativo da ignorancia dos povos rudcs.
. . .. . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . ..
No Congo tiveran! os portuguczes grande number de missionaries, ecclesiastics, clerigos, presbyteros, sacerdotes, conegos c bispos; -tivcram. ali a Sd Cathcdral. durantc secuios. rivcram, pois, C tdem, a posse de facto e de dircito.
-- Que vines, pois, buscar, o que pcrtendeis da nossa casa, Mr. Brazza. . Tivemos ali n,to s6 muitas igrejas e a S6 Cathedral, como fortalcza c quarter de troops; e aos vcntos d*essa grande e sublime reform sopranos pclo motor da civilisaczlo, c na posse da paz plena, tremulava e tremula ainda o pavilh5o portugucz: Trophdu de victoria das quinas sacras, e o estandarte da cruz symbol da real e vcrdadcira conquista c da civilisaaio pela rcligido.
Ali, durante mais de dois seculos, o catechism da fd de Christo f6i dcrramado com. fervor, salvando das garras do demonic muitas almas para Dcus, e conquistador para a patria a propriedade d'esscs solos.
IIas, p6de mais sobre os judges gentios c idolatras a astucia do dcmoiiio do que a pr6gaqLlo dos apostolos e a mortc de Christo Redemptor! DC Mancira quc nern os proplictas, nem. o proprio Redemptor, ncm. os martyrs, ncm os apostolos, nem. os samos, ncm os grades doutores da igrcja alcancaram, ndo obstantc scus adDliraveis escriptos e conscience heroic das suas doutrinas, rt o alcancaram quc se convcrtessc a terra ao christianismo.
E, ainda hojc, apesar dos grandissimos csforcos dos sacerdotes catholicos, apesar de quantas fadigas e trabalhos tdcm. emprcgado os christdos para espalhar entre os povos a doutrina dc Jesus Chrkto, ainda hoic existcm. a maior parte dos povos, uns no paganismo ou' na idolatria, outros observando e adorando seitas mais ou menos estravagantes de falso e crradissimo culto, C outros, finalmentc, no mais absurd atheism, No cvangelho arenas alguns milh6es de homes crdem, posto que muito poucos s,-io os que o entendem, havendo-se convcrtido d f uma parte nio muito avultada dos habitantes da terra.




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E, pois, n9o se cleve parar, desprezar nem desattender d grandiose causa. da civilisacdo dos povos incligenas. Portugal tem andado na vanguard clas nac6es que se eripenham pela civilisaclo dos povos indigents c selvagens. Nenhuma outra. nacao tem feito mais na grandiose. e sublime causa.
De todos os estados da. Europa, Portugal d o mais poderoso em Africa, e a todos leva a palma. na grande causa da civilisacgo dos povos ultramarines.
((Os progresses e as maravilhas do genio human nio param decerto em n6s; abrimos outr'ora com. a cruz e com a espada. regi6cs vastissimas, oncle a fd ardent dos nossos missionaries e a espada invencivel dos nossos soldados iam, conquistador terras para. a patria. c almas para. Deus, pela pr gac5o das doutrinas da fd de Christo.
((Passou a 6poca clas assombrosas clescobertas e clas gloriosas conquistas: hoje a occupac6o, a colonisacdo, o commercio e o trabalho s9o os clementos poderosissimos que transformam deserts em povoados, terrenos s faros c inhospitos'em regi6es abunclantes c saudaveis; c c mister que os homes que na. aurora da. idade modern, ernpunhando a bandeira das quinas, iam descobrindo novos mares c novos mundos, conserve c mantenham o logar de honra na. vanguard. clas nac6es que se immortalisaram.
(A colonisacdo livre serd na sua amplitude mais sublime uma clas maiores maravilhas e das mais relevantes conquistas da dpoca presented e do future. Ent o dissipar-se-ha completamente aos vents da. reform progrediclora. o montdo de cinzas de systems retrograclos, atd hoje seguidos e observados para com a colonisacao clas possesses ultramarinas.
((A occupacdo e dominacdo dos povos indigents 6, pois, uma necessidade e um clever immediate para. a causa da civilisacdo, regeneracdo c rcdcmp do dos povos que ainda. vivem na obscurida e; levar-lhcs a religiJo, o ensino, o tempo c a escola, o professor e o missionario. Depois o traballio c a inclustria. ((Estudar c'invcstigar, c applicar tudo quanto possa exigir mas faculdades manifests, -as ri-




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quezas latentes d'aquelles solos,-do mundo vegetal, mineral e animal, inquerir tudo, estudar e aproveitar tudo.))
oNotando pordm: aliar sempre os interesses positives do progress com o sublime intuit dc uma veneranda civilisaqdo.)) E, pois, levante-se ali o temple, e arvore-se o estandarte das quinas pelo que mais se torna meritorio, aos olhos de Deus, fazer triumphal o estandarte da cruz no scio de um povo que estd dvido de se converter. ... ...............................................
Portugal, occupando de facto o que lhe portence de direito c de rasio, n1io s6 satisfaz ao seu proprio dever de soberania e suzerania, como cumpre c satisfaz a um legitimo direito para o quc tern faculdade, poder e justice de converter em. obrigac6es de facto, as obrigac6es moraes do direito.
((0 direito, que d na sua essencia uma das mais bells concepq6cs da rasdo, torque d das nccessidadcs mores de accdo ou de inac0o: entre os homes, domino tanto o indiviho como a sociedade.
((T6cm as nac6es, como os particulars, necessidadcs moraes de accio ou de itiacci-to: a rasdo humana sotfre quando as violam, satisfy -se quando as observam.
((Sdo, d verdade, independents as nac6es, n o reconhecem. acima d'ellas legislator para decretar, jurisdiccio para vulgar, nem forca legal para as coagir ao que devem, fazer ou deixar de fazer nas suas relac6es respectivas, e para transformer em necessidade de facto as necessidades mores de direito.))
Estando definitivamente occupado pela auctoridade portugueza o rio Zaire c o porto de Banana, e estabelecida A a competence e necessary auctoridade military, civil e administrativa, d indispensavel regular desde logo o que se ha de observer e praticar com. refereacia ao commercial, tanto national como estrangeiro; e o governor haverd por conveniente determiner medidas uteis, proveitosas, necessaries de proteccdo e equidade ao commercial e navegac6o estrangeira ou national, garantindo aos negociantes ali estabele-




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cidos todo o auxilio e protecc6o, tanto no commercial como nas replaces com os povos, a firn de assegurar-1hes o seu bem-estar, seguranca dos seus negocios, resguardal-os das frequented exigencies que soffrem dos cavalheiros da terra, exigencies que consisted em cobrancas arbitrarias, como pagamento de direitos da terra, e alem d'isso certas multas excessivas ou alcavalas, em que sio aquelles negociantes condemnados on multados continuadamente pelos ditos cavalheiros e principles da terra, pelas mais insignificantes cousas. Certamente que similhantes abuses e arbitrariedades d'aquella gente, tem que immediatamente acabar, e os negociantes ali estabelecidos terdo, pois, toda a seguranca de suas pessoas e propriedades, e todo o auxilio e proteccao no commercial, guardado e protegido pelas auctorida&s portuguezas.
Deverdo estar permanentes no porto do Zaire duas corvetas ou canhoneiras e o vapor Julio de Vilhena feito expressamente para esta commission, e duas lanchas a vapor para andarem policiando nos rios e diversos points do commercio onde hajarn feitorias commercials, protegendo-as em tudo que seja necessary.
Uma estacao scientific para explorac' go do paiz.
Duas estac6es civilisadoras de miss9o catholica
I que ensinem dquelles povos as doutrinas de Christo, e derramem instrucc5o e luz, estabelecendo-se ali escolas e seminaries.
Uma administracgo de concelho, cuja auctoridade por emquanto accumule ao respective cargo o de juiz de paz e o de juiz ordinario.
Uma igreja e um cura de almas, da freguezia de Banana (invocacgo a Santa Maria ou a S. Luiz).
Um hospital, uma botica, um medico, um pharmaceutical e enfermeiros.
Uma estacgo de correio.
Uma estaqao fiscal on aduaneira, por emquanto, s6 para registar os navies e passer guias e passes e despachos lives.
Porto franco a toda a navegacgo de qualquer nacionalidade por tres annos, e acabado este tempo, estabelecer um




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modico e favoravel direito temporary que simplesmente d8 Lima receita que satisfaca s6 aos encargos das aUctoridades terrestres estabelecidas ali, estabelecidas mais pelos principios da civilisacdo c de satisfazer aos fins e exigencies da poca do que a mira na posse lucrative e gananciosa ou exploratoria,-pois que todos sabem que Portugal n o tern colonies n'estas condic6esl e qLIC gasta com ellas mais' do que a receita d'ellas. E quando se estabeleca definitivarneiite urna alfandega e uma pauta de direitos na-o serJ i nunca urn direito maior do que o que se cobra actUaln-iente no Arnbriz; estas duas pautas devcrdo, pois, ser en-I tudo iguacs corn direitos limitados, de equidade.
E n1o s6 o governor dard tres annos de porto frailco e livre, conforine succedeLl COITI o Ambriz, corno permittird e deverd permittir e decretar tres annos de isenclo de pagarnento de decimals e de quaesquer outros impostor divectos a todos os habitantes de Banana e mais sitios do Zaircl e points annexes ad)acentes, e quaesquer outros ainda ao norte onde se estabelecer a auctoridade portugueza.
o que suggere de passagem,-o que fica escripto n'estas primeiras linhas, a quem pensa no progress do seu paiz e que deseja ver o seu florescimento e o bem-estar dos habitantes d'aquellas paragons.
E, pois, n'este intuit devern todos auxiliary e trabalhar para a realisacdo immediate de tdo transcendent object. Aos ministers d'estado; ds associac6es que trabalham, que laborarn pelo progress; aos homes de saber, de intelligencia; d imprensa, aos escriptores, ao nobre, ao plebeu., a todos, emfim, cumprc cooperar na grande causa patriotica, promovendo por todos os meios a prompt realisacdo da occupacdo dos nossos territories na costa Occidental da Africa desde o rio Loge atd Loango Luzo cm 5(' reto: vamos mesmo mais alem, vamos atd Cabo de Santa Catharina e Cabo de Lopo Goncalves, onde temos os nossos direitos reservados ............. ..................
Eia! vamos, senores, cumprir e satisfazer corn urn dever da nossa propria dignidade!




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sii.
r
Armas portuguezas do episcopado no Congo
Armas portuguezas




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A quest Brazza-Macoco era e d uma cousa sern merecimento, um object sem. valor; ninoruern deu consideraqio dquella celebre cedencia ou doacdo phantastica de um soba do Macoco, que ndo 6 mais do que um imaginario objecto para os fins e effeitos que tacitamente os francezes pretendiam e pretenders conseguir, ninguem Ihe deu valor, nenhum, except os francezes.
E agora a political e os parliaments estrangeiros occupam-se com os nossos territories da Africa Occidental ao norte do Congo. Interpellam o ministry single alguns deputados na Camara dos Communs; importam-se, se Portugal occupy ou n1o os seus territories que Ihe pertencern na Africa ao norte do Congo, onde tern legaes e legitimos direitos adquiridos e reservados: se os p6de, deve occupar ou n1o occupar?
Discute-se largamente na imprensa estrangeira a nossa posse e occupacio ou nqo occupacio dresses territories; os nossos direitos legaes e legitimos ou n6o direitos legitimos e validos.
Que os nossos direitos de descobrimento caducaram,pretendern alguns politicos inglezes,-porque nqo occupamos em devido tempo esses territories! ...
0 commercial estrangeiro pretend tambem oppor-se, como Ihe f6sse'isso 7um acto muito legal, pensando que, por sua opposic o nao reivindicarcmos os no-;sos direitos, e, pois, dirigem protests aos seus governor como o fez a camera do commercial de Manchester, representando ao govcrno inglez contra (?) a approval o de qualquer tratado entre Inglaterra e Portugal, pelo qual nos f6sse reconhecido o direito e soberania do Zaire inferior, a que a mesma camera chama neutron! ... t extemporanea similhante pretencado certamente que f6i um pensamento imprevisto; pois precisamos n6s, porventura, de mais algum, tratado que nos reconheca o nosso direito ao Zaire?
Reconhecido 6 ali positivamente o nosso direito senhorio e suzerania por todas as nac6es, se nao quizercm agora negarem-nos esses direitos; e com a Franca e Ingla-




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terra e'std evidentemente reconhecido nos tratados e convenc6es.
Emfim, avancam ainda a1guns estrangeiros a perguntar para que Portugal quer o Zaire?!. .
Nealtro UA09 W10 46 nentloo.
Protestamos pela partc que nos pertence.
1 nosso, 46 s6 portaigaiez, Estd evidentemente csclarecido e, determined nos tratados e convenc6es com a Franca e Inglaterra. Ao Zaire e Loango e outros points do norte, temos direitos adquiridos e reconhecidos desde seculos, que n9o podem ser negados nem occultados, e por muitos actos publics de soberania temos d'elles posse e occupacdo, ndo d necessary terms ali fortalezas e quarters de troops e alfandegas para se consider a nossa occupacdo eff ectiva.
0 governor portuguez tem deixado esses ports francs ao commercial e gosar-se ahi a perfeita liberdade do commercio cosmopolitan, e por isso, certamente que mio tem perdido os seus dircitos.
uma condescendencia nossa, 6 uma cortezia prejudicial da parte de Portugal em dar satisfac5o d Inglaterra ou a outra qualquer nacdo estrangeira, se vamos occupar ou ndo os nossos territories do norte. N6s ndo temos que dar satisfacao a ninguem dos actos que temos a praticar em nossa casa, pois que tomando n6s posse e occupac5o dos nossos territories ou ao norte ou ao sul, collocando as necessarias auctoridades, n1o praticamos mais do que exercer e satisfazer a uma obrigacdo propria de nosso dever e do direito que temos e que podemos e devemos gosar; e usaremos d'esse direito e faculctade quando bem nos aprouver.
E assim, por isso, quem d que tem direito e ras o de pedir-nos qualquer satisfac6o? S6 os philauciosos, s6 o amor proprio e egoismo, s6 a soberba dresses nossos amigos francezes e inglezes d que n6to querem que uma nacao pequena 'tenha mais e maior poder colonial que elles! ...
E a emulacdo e ciume!
0 governor portuguez deve immediatamente mandar pro-




5S ANGOLA E CONGO
ceder A occupac5o legal de todos os nossos territories ao norte e ao sul da provincial de Angola, e nk tem por isso Z.7
que dar satisfacdo a ninguem.
Est5o ji ahi os francezes a apossarem-se do que nosso: jd se acamparam no Loango e em Ponta Ncgra! ... Praticando uni abitso de poder e de foi-ca -- wn crinie eniffin!
E u7na violencia d soberania de J)orlitpl, e unia transgressSo iniqu--i contra o direito dos grentes e dos tratados 14gentes entre os gomrnos de Portug-al, Eranca e Inglaterra.
Elles d que nos deviam dar explicac6es e satisfac6es, porque rasao e com que dircito v6em tonier posse e occupac5o de tcrritorios nossos ; mas n5o acontecc assim, as cousas andam ds vcssas; elles v em com toda a, sem-ceremonia e apossam-se dos nossos territories! e n o querem saber dos nossos direitos e da soberania. Sabem bern os direitos que temos, mas finger que nJo, e cavilosamente negam os nossos direitos e a nossa soberania. Por outro lad'o um assalariado do governor francez, Mr. de Brazza, explica a seu modo e a seu bel-prazer o simulado e ficticio contrato de cedencia de um soba do Macoco: uma cedencia de umas miseras nove milhas on tres leguas de terrenos para estabelecimentos commercials com o pomposo nome de estac6es civilisadoras; c no entretanto toma agora um caracter politico de occupacdo official military.
Emqaanto Portugal se entretern trocando notas diplomaticas com o gabinete single Acerca dos nossos direitos ao norte do Congo, os francezes apresentam-se philauciosos e soberbos atrevidos a tomarem posse arbitraria e violentamente dos nossos territories do Loango c Ponta Negra!...
E, emquanto no parliament single se debate e disputam as nossas pretenc6es e os nossos direitos legaes,- ( pretendendo alguns deputados inglezes negaram-nos os nossos direitos, ddo todavia occasion aos francezes virern tomando a dianteira e irem tomando posse de territories, aos quacs nunca tiveram direitos nenhuns.))
Mas nio 6 possivel que a Inglaterra deixe de dar-nos todo o apoio e accio, e nio reconlieca os nossos direitos




ANGOLA E CONGO 59
para deixar que a Franca occupy e se posse dresses territorios a qLic rido teri-i direitos nerilions, e aos quIaes Portugal, mais-do que outro estado, tem os seus direitos adquiridos e reservados.
Os nossos direitos de soberania e suzerania nos territorios ao norte do Congo, n5o d object agora de occasi io: sdo direitos adquiridos desde seculos; all o nosso direito, dominion, f6ro e seiihorio 6 um facto incoritestavel, e uma realidade evidence e public.
Mas, negaiido-se, se negarem, os nossos direitos, Como se reconheceram d Franca para se consentir que occupy e tome posse dresses territories? ... Que dircitos, que titulos poderd a Franca exhibit, mostrar, qUe sejam legaes? Nenhuns, n5o tem nenhuns. E no entretanto jd no Loango e Polita Negra fluctua o Paiillon tricolor, o pavillon da Aauia-negra, o Pai)illon-negro como Ihe chamou um egcriptor de fama: oFluctua ali esse pavilion neWo que offusca e escurece a honra e magestade d'esse tro phdu de fama da Franca, convertendo-se assim em GuiLlo de bandoria.))
Ha actos que edificam, illustram, que nobilitam.
Ha acc6es que aviltam, deshonram, deslustram quem as pratica.
Neste ultimo caso estd a violencia dos francezes occupando os nossos territories pela forca de poder!
E, pois, devemos n6s operate este estado de cousas cruzar os bracosi e deixar-nos espoliar dos nossos territories, e deixarmos ahi em paz os audaciosos aventureiros? Nio.
Pela nossa dignidade, pela dignidade da nacao, cumpre e urge que immediatamente o governor portuguez tome as necessaries providencias, e tome a competence satisfacio d Franca e presented o seu protest forte e energico pelo attenta o contra a nossa dignidade, contra os noss6s direltos e a nossa soberania; pela usurpacdo forcada que nos fazem! usurpacdo inflame, inaudita pela violencia, I tran.sgredindo-se a lei dos tratados e o direito das genes.
Para que queremos o Zaire? nos perguntam alguns estran-




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geiros. mais urna affront indigna, um sarcasm, um insulto ridicule, s6 digno de desprezo!. .
Qaseremol-o poi-que 16 nosso, s6 nosso e de mais ninguern; que audacia 6 essa vossa, que cae no ridicule e no desprezo public, que quereis saber das nossas access, do que fazemos do que praticamos em nossa casa?! ... Vamos occupal-o e n5o temos que dar d'isso satisfacdo a ninguem.
Qvieremol-o, Para levar ali a colonisacio e a civilisaqlo, Para ali estabelecermos feitorias de commercial e estac6es scientificasi civilisadloras, seminaries e escolas, e dissimilar por toda a parte a religion de Christo a esses povos gentios, Para se converterem d santa religion, e d'elles fazer povos civilisados e uteis d sociedade.
Quei-emol-o, Para crear ali novos mercados consurnidores dos products europeus, e preparer por todos os meios o consume dos products da industrial europea, ou national ou estrangeira.
Qittei-emol-o, Para arrotear c agriculture, aproveitando os seus ferteis terrenos, as suas fecundas campinas, os seus frugiferos mattos e as suas florestas ubertosas. Creando consumo 6s machines e artcfactos das industries da europa.
Nfio queremos a sua occupac6o e posse, Para uma exploracgo lucrative, gananciosa ou exploratoria; pois muito bem s&m os que conhecem a nossa historic colonial, que Portugal nao tem colonies n'estas condic-esi e que gasta com ellas mais do que a receita d'ellas. Os estrangeiros pensam que Portugal, occupando o Zaire e mais territories do norte d'esta costa, que seja talvez Para exercer uma explorac6o de rendimentos indirectos; estabelecendo alfandegas com pautas onerosas Para as industries estrangeiras, (pois 6 este preconceito que infelimente existed no animo dos estrangeiros, a respeito das nossas possessess, e que protejam s6 o commercial national. subrecarregando, talvez com direitos maiores, o commercial estrangeiro
Encranam-se certamente, n5o 6 assim como pensam: Portugal JaT graiides despe-as cont as coloiiias a fim de as




ANGOLA E CONGO
inslituir, crear, alimentary, educar e preparar-1he o seu progresso; prova-o o orcamento d'ellas pelos deficits que todos os annos onerain o Aesouro public da inetropole.
Portugal ndo tem, pois, as colonies para exercer sobre ellas uma exploracdo gananciosa.
E temos a prova d'isto nas pautas clas alfandegas do Ambriz e Mocambique que, a da primeira n9o dd proteccdo nenhuma nem. exclusive As mercadorias nem. d navegacao, nacional, c a da segunda tambem. nio onera a nave(Tacao estrangeira nem. dd exclusive d national. 13orlugal, occupando o Zaire e os mais ports do norte, conthward a dei.var portosfi-ancos, abertos a todo o connizercio cosinopolita ou universal; e quando estabelecer pautas aduaneiras, nunca scrao de modo a clizer-se que exerce uma exploracdo sobre o commercial estrangeiro, e que favorece s6 a inclustria portugueza.
Estcjam, pois, certos d'isso os estrangeiros, c nio tenham. medo ou. reccio de ndo poderem, competir n'estes mercados corn a navegacio e commercial portuguez.
0 intuit do governor portuguez em occupar o Zaire e mais ports do norte, d debaixo do ponto de vista civilisador, dominado pela id6a da civilisacgo dos povos. Asseveramos isto com. toda a nossa conscience, torque estamos bem. possuido de que esta nossa assercdo 6 inclubitavel, que a real e verdadeira intencio do govcrno portuguez Como tem. sido sempre atd hoje:-occavp.ar para colonisaie civilisai-.
E se ndo f6ra assim, queriamos c instariamos que se deixassem, se abandonassem. toclas as nossas pretenc6es e desistissimos dos nossos dircitos e dos nossos intents; e que ((se dei.ve ao gentio a sua J16resta, ao indio a sita area, e ao iieg-ro a sua cubata, a sua c6r, a sua liberdade!.. .
Ha poucos annos, e no espaco de pouco tempo, teve Portugal duas quest6es interessan es, importance, que decerto nao passaram desapercebidas a nenhuma nacgo, sobre direitos de proprieclade deterritorios no ultramar, sendo essas penclencias com. a Inglaterra: a primeira sobre a ilha'




6i ANGOLA E CONGO
de Bolanla, e submettida a um juizo arbitral, sendo dc accordo entre as duas parties escolhido para arbitro o presidente dos Estados Unidos da America, o qual, por sua sentence de 2 1 de abril de 1870, reconheceu a Portugal todo o direito e rasgo, e mandou que Ihe f6sse entregue e entrasse na posse e dominion.
Uma das ras6es a nosso favor e direito que nos assistia, apontados n'essa sentence, f6i o direito de descobrimento:
oAttendu qzi'il est pi-oupi que I'ile de Boulania, et ladite po?-t tz on de tei -itoh-e ei face ow iledecouvei-tes pai- un navigatew- poi-tuggai s en 1446; que bienavant Fann& 1792 Ics Portugais avaient fait un dtablissement d Bissau, etc. - .))
A segunda f6i em 1873, tambern com a Inglaterra, sobre a bahia de Lourenco Marques, e submettida tambern a juizo arbitral, sendo & accord entre as, duas parties escolhido para arbitro o president da republican franceza. Esta pendencia foi tambern decidida a favor de Portugal; recoiihecendo-se-lhe tambern todo o direito e rasgo.
Yestas duas pendencias bem se reconhcceu da partc da Inglaterra essas pretenc6es forcadas, illegals, injustas e de violaq !o do direito das agents.
Ora, estes dois acontecimentos nlo passaram, certamcnte, despercebidos a todas as nac6es, e devia ter servido de licdo e correccdo, e todavia os francezes n5o aprenderam n essas duas slices como ensino e preceito. Corntudo, aquellas sentences constituent um direito dc caso julgado em quest6es similhantes e os direitos que temos ao Zaire, Cabinda, Mulengo e Loango sio tantos ou mais como os que tinhamos a cada uma d'aqucllas parties quc vimos de fallar, que deram causa ds duas pendencias com a Inglaterra.
Ainda agora, recenw-nente, a distin cta Sociedade de Geographia de Lisboa acabou de publicar um MEMORANDUM erudite, sobreexcellente, no qual bern se denonstram cvidente c claramente os direitos, senhorio e soberania de Portugal dquelles territories (Inchiindo o ]Loango).




ANGOLA E CONGO 63
AGORA OS FRANCEZES
S6o agora os francezcs que querem brincar con-inosco, questioner os nossos dircitos!
E, pois, cumpranmos com o nosso devcr, d expulsal-os, fazel-os evacuar dos nossos territories: ainda ha portugutzes de lei, da raca primitive, e da raca dos heroes de 1640, C dos que desallrontaram Portugal nas guerras peninsulares do principio do secuio xix contra os janizar6s francezes!
Rccorramos aos mcios,-d arbitragcm ou d guerraapesar de que, para actos d'estes, ndo ha ceremonies nem diplomacia, d a guerra, o combat: oppor forca. contra a forca!
ara expulsar os francezes do Loango nio d necessario mandar vir do reino uma grande forca, a necessary e sulliciente temol-a cd na provincial. Temos ahi cinco vasos de guerra, scndo tres caiihoneiras, uma corveta e o vapor Julio de Vilhena; mas nern tanto era necessary, dois on tres que f6ssem, cram sufficientes; e com as pracas-marinheiros de bordo se podia effectuar um born desembarque, alern dc que se podia levar de Loanda um batalhdo bem organisado. Alem d'isso os natures do Loango coadjuvamnos, instam pela nossa ida para a posse.
No meado do seculo xvii, por varies vezes, diversos governadores geraes expulsaram dos nossos ports de Benguella, Ambriz, Zaire, Cabinda e, Loango os intrusos estrangeiros, francezes e Outros, que tentavam usurpar-nos alguns d'estes territories, c sempre foram derrotados, vencidos e expulsos; e a forca armada, terrestre c naval, mlo era tanta. como agora.
Os governadores gcracs, nesses tempos, nunca esperavam orders de Lisboa nem forca para. isso: n6s tinhamos sempre forca, e a maior era e e a rasdo e o direito que ainda hoje possuimos. E hoje tambem, alem d'essas faculdades ou forca. moral, parece-nos terms aqui a for a




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material necessary para nos desaggravarmos e sListefitarmos o nosso brio c a nossa dignidade; o ponto 6 que haja da nossa parte a forca de vontad.c c o brio pela dignidade national! Vamos, pols, provar-lhes que somos ainda os mesmos portuguezes, e da mesma raca dos que, no principio do seculo actual, expulsaram de Portugal por tres vezes o poderoso exercito franccz!
Vamos provar mais uma vez, aos francezes, que ndo degencrou a raca d'aquelles portuguezes que em i8oS rechacaram as troops francezas nas memoravcis batalhas de Roiica e Vinieiro, e na do Bussaco em i8io, onde elles, francezes, tiveram consideraveis perdas' e foram corridor atd alem dos Pyrendus!
Eis o protest quc envia um cidaddo, dos balc6cs da sua industrial, cmquanto os defensores valorosos c de merit, escriptores publics c cstadistas, as associac6es quc se interessam e laboram pela prosperidade do paiz, Ddo chcaam e sc apresentam na tribune da defeza advogando com. valor a causa, a dignidadc da nacio
Avassallar e occupar para civilisar, cis o ponto fixo cm que os rcis christdos de Portugal tem tido os olhos desde o principio das suas occupac6cs; pois t cm os christios o devcr restrict de contribuir com os maiores esforcos para a conversdo dos inficis e dos id6latras, c adopter os mcios melhores que podem facilitar a conversa-o, pois que d contra a civilisacdo c progress dos povos que continue a vegetar desamparados da luz do evangelho c para sempre fiquen-i nas trevas das falsas crcncas tantos milhares de creaturas que ainda jazem. no erro.
Cumpre-nos, pois, cmpregar todas as nossas diligencias paraas arrancar d ignorancia; c essa missjo em Africa cumpre mais a Portugal do quc-a outra qualquer nacdo.
((Asseveram' os doutores da igreja, que nos ndo basta professor a fd e seguir a doutrina moralissima de Christo: que d demais precise trabalhar com todo o afan por introduzir esta fd, esta crenca e doutrina no seio dos povos que at6 hoje ndo poderam receber essa luz benign e prodigio-




ANGOLA E CONIGO 65
sa* C Unia obrigac
lo que todos os ficis tLm, c a que n, Ito podetTios nem devemos falter, sob Pena de sermons accusados como malvados e minutes d sociedade. E que melhor testemuAo podemos dar a Deus e d sociedade do que observando os benignos preceitos da relegilo e o amor do proximo, tirando-o da escuriddo das trevas. E quantos c quantos rmlh6es de homes ndo ha ainda ao presente-, que estgo suspirando torque Ihe abramos os olhos da rasio, e Ilies ensinemos a purissima C sublime doutrina e luz do Christianismo? Eia, pois, n1o hesitemos, torque n6s temos a indizivel ventura de ter soldados de Christo, e mlo desistamos de quanto antes converter os-nossos similhantes que vivem no erro e na ignorancia torpe e dCLestavel, mostrandoRies o grave resultado dc scus erros e as sublimes vantagens da conversion d fd.
A religion, christd ha de um dia triUmphar em toda a Africa e ha de supplanter todos os outros falsos cults, PClos esforcos dos civilisadores, se os invejosos n lo viewed cstorvar a nossa causa e a nossa obra, impedir a nossa tarefa; pois ter,-to elles em vista a mesma mission tio sublime c philanthropical ou sdo os interesses ganancios do commercio? ...
((A doutrina de Christo favorece e coadjuva a civilisacido c progress dos povos, c d o que Portugal tem. feito, &rramando-a pela Africa desde o principio das SUas occupac6es; e nio venham coin subterfugios ambiguous e enganosos itludir a Europa e ajudar s suas mystificac6es deslcaes contra os direitos de soberania que tem Portugal ao Congo e Zaire.
Quem tem colonies, tern filhas a crear e educar, mandaIhes a religion, o ensino, d i-lhes os temples e as escolas; cis a civilisacdo e o progress, mas Para isso d necessary, occupar definitivan-lente com. auctoridade.
((Portugal ndo tem as colonies Para exploracio exclusive da metropole, ((principio c fim de todo o antigo system colonial)), actualmente condemnad6 pelas esclarecidas iddas liberaes e opini6es, e iddas de livre cambio do commercial e VOLUME 1 5




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nave,,acdo mercantile. Nem as quer para as conservar nas trevas L ignorancia; quere-as para ter a gloria de Ihes preparar o seu progress, a sua emancipacao, danio-assim d humanidade em. cada uma d'ellas uma nova irmi c a Deus urn. novo povo.
(A civilisacio estabelece-se quando se identifica com a educacgo e as leis que formarn os bons costumes; estes aperfeicoam as leis c policiarn os povos. Qucm ous-ird duvidar do born system de cotonisacao e civilisacio que Portugal adoptou e sabe applicar ds suas colonies?.
E serd, a einibp-ac fo e colonisacdo 1hwe o ((principio c a crencal o breviario e a enxada dos presents e futures infatigaveis arroteadores dos deserts, dos valleys c montes c campinas, e motor do progress e civilisacdo dos territorios e dos estados.
,xColonia livre c protectorado que alcancard a sua oi)ulencia c independence pcla liberdade propria do seu trabaIho, pela sua indole, pelo scu genio propriamente pacifico e colonisador, como sio os portuguezes, e pela applicaca-o completamente arbitraria dos seus capitals e das suas faculdades, c na elaboracAo exclusivamente sua, da sua constituic6o c das suas leis)); cis ahi o que'tem. de ser justamente a colonial e os colonisadores de dmanh! quando csses obreiros do progress c jornaleiros do future amanliccerem nos descampados de continents e territories virgins para fundarem ahi a fanzilia, primitive sociedadc do homem, da fanzilia a communal, c um povo, c do povo a provincia, e da provincial o estado, c de diversos estados a confederac6o, modo de ser incontrastavel c neccssario da unilo de todas as encorporac6es e aggregac6es na successor dos tempos, se.por acerto como se deve crer, a evolucio his torica ndo d um crigano nem um privilegio da civilisacdo da nossa idade
I Vieira de Castro. Colonias




ANGOLA E CONGO 67
0 bispado de Congo e Angola foi credo em 1597, por bulla do papa Clen-iente VIII, dC 2o de maio: atd esta data, os territories da baixa Guin estavarn sob a jurisdicq o da diocese de S. Thoinj e Congo, erigida por bulla do papa Paulo 111, de 3 de november de 1554Depois mudou de titulo e cornecou a ser diocese de Angola e Gongo, desde j63i, atd d Lta actual.
Numerosas bulls de diversos papas ou pontifices rcconhecem e authenticam solcmnemente o padroado portuguez na region do Congo.
Um filho do rei d*aquelle estado africana f6i nomeado bispo de Utica, invaro'bus, cm 3 dc maio de 15 18, a instancias do rci de Portugal.
Uma bulla do papa Leiio X, dirigida a el-rei dc Portugal D. Manuel, dd conta da cleiclo ao episcopado do Congo ou S. Thonz e Conggo de D. Henrique, filho do rei do Congo em 3 de maio de i D- t8. (Vid6 capitulo x.)
Os papas, ou a Santa Sd, t&m sempre confirmed as prerogativas espirituaes do bispado de Angola e Congo, e actualmcntc Portugal assim continua a pretender, e exigir da Santa Sd. t uma questdo de direito quc o governor portugucz pretcnde m2nter.







70 A'NGOLA E CONGO
pac o dresses prizes e povos selvagens para granger e adquirir almas para Deus, propaganda e derramando abundantemente as moralissimas doutrinas da religiilo de Christo, com grande gloria sua e da naq -io, triumph da religi5io e progress da civilisaq o, a par da grande vantage. moral para Portugal, tornado as gloriosa e celebres Quinas do pavilUo portuguez estimadas, temidas e respeitadas desde o extreme occidente da Europa at6 Africa de alem, d India, d China e Japao, d Oceania, e d America do norte e SUI ; e ainda hoje se v por toJa a parte, e por todas as partes do mundo, estabelecimentos das miss6cs: igrejas, conventos, mosteiros e hospicios, e ruins de grades e esplendidos edificios, levantados e consagrados i educaq -to e civilisacio dos povos e propagact-to da religion christal; e ainda se encontrarn a par d'essas ruins muitos hospicios, estabeIccimentos de carid*ade c da religion que foram construidos e edificados pelos portuguezes, como acontece no Congo; e esses estabelecimentos 6 que sao as mais verdadeiras estac6es civilisadoras; mas tudo o que os portuguezes fizeram e t em feito a bern da humanidade e da civilisacdo dos povos pretenders agora encobrir e negar d face da verdade historic.
Mas por toda a parte do Congo, e do interior de Angola, e de toda a Africa, onde tern chegado a influence dos portuguezes,-o que acontece atd points bastantes internados do continent africana, -os pretos fallam portuguez e sabern diversas praticas da religion christd, que t6ein aprendido com os nossos missionaries. 0 mesmo acontece na America e na Asia; e isto mesmo tern sido confirmed por muitos viajantes e escriptorcs estrangeiros, aquellcs que sao imparciaes, que nos fazern justice.
Dobrado o Cabo das Tol'inentas, que actualmente se chama da Bo_7 Espei-anca pcla boa esperanca que tdo feliz descoberta occasionou de se estudar o dominion de Portugal, por essa via, atd a prizes longinquos, como felizmente aconteceu corn admiracio do mundo todo.
(.)s missionaries portuguezes ern Affica t6em produzido




ANGOLA E CONGO
maravilhas e prodigies na cathechese da doutrina de Christo, *e sempre a constancia e permancncia de seus trabalhos e de sua sublime missa-o tem. produzido satisfactorios e louvaveis resultados.
A civilisaclo derramada pelas misses portuguezas ern. Africa tem illustrado, civilisado e conduzido ao gremio' da santa religion de Christo mais de 5-ooo:ooo de individuals indicrenas; s6 em 1838 tinharn. sido enumerados 100:776 escravos a que se deu complete liberdade por lei de 29 de abril, passando estes individuals a ser tutelados por juntas protectors das quaes era president o bispo de Angola e Congo, e passando elles d'aquella condicdo a serern. cidad5os morigerados, instruidos e civilisados.
Ninguem, mais do que Portugal, tem. ern. Africa trabalhado e cooperado mais para a educacio e civilisacdo dos pretos e salvacdo-dos indigents, conduzindo-os ao gremio da reliaido catholica.
Se em. a1gum. tempo desanimAmos na propagacao de t5o sublimes'principios, foram os estrangeiros os culpados que, por ambicio e inveja, comecaram a invader os nossos territorios e a indispor contra no's os indigents africanos, que comecararn a desattcnder as praticas religious dos nossos missionaries e a provocar e prati car insults contra elles. Todavia, a nossa dominacgo chegou a tal ponto que se firmou em. bases bern. solids, que ainda hoje 6 firme e continuard a ser; e o nosso poderio e dominion, f6i grande entre estes povos; e nio nos enganamos dizendo que ainda actualmente d poderoso.
Depois de feitos tio afortunados, como foram as descobcrtas dos portuguezes e as suas conquistas n'e'stas paragens, ern virtue das quaes desde logo se comecaram a converter A christandade esses tantos milh6es de gentios e pagdos, enfraqueceu-se a sua audacia heroic, sendo os effeitos das guerras: t.0 a usurpacdo da Hespanha e a sua dominacdo durante sessenta annos; 2.0 as guerras da independencia, as dissenc6es political e as natures consequences de calamidades tao terriveis, que produziram o -seu peso ern




AS MISSES PORTUGUEZAS
PFLOS NOVOS IMUNDOS
Foram os-portuguezes os primeiros de entre as nacoes curopeas qLIC mandaran-i missionaries a convert-2r os pa-gaos e os gentios ao christianismo, em cLija grandissima tarefa 0io nobre, pia c santa, manifestarani c provarani inclubitaveli-nente grande z lo pela felicidadc spiritual e temporal dos povos clue elles procuraram illustrar corn as divines doutrinas de Christo c a instrucci o da civilisac5o; c sJo surpreliendentes os grades effeitos permanentes e continuos dos scus exforcos. Seria bem ardua se tomassemos a tarefa de clescrever c mostrar"n'esta pequena obra o grandissimo progress obticlo c os maravilhosos resultaclos alcancados pcla grande diffusgo da doutrina c da propauacao do Evangelho entre os povos obscures, c que existiam incognitos vivendo nas trevas antes clas descobertas dos portuguezes.
Foi sempre o intent dos reis de Portugal as descobertas ou (tescobri-mentos de prizes il-notos c incogmtos, c a occu-




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Portugal; mas poder5o objectar-nos n6o ser este motive bastante para que uma nacio t5o forte e emprehendedora se desanimasse, por quanto tinhamos ainda meios de nos livrar-mos facil e promptamente dos nossos embaracos, gracas aos nossos grades recursos, tanto no reinde nas ilhas adjacentes, como nas nossas vistas colonies, que, de per si S6, pela sua riqueza e importance, sdo ccrtamente bastante preciosas para constituirem. o podcrio e a riqueza de qualquer estado; sem ainda se notar, alem d'isso, c especialmente attender que d urn facto incontestavel que Portugal ainda hoje d, pelo menos, a segunda nac5o colonial, ou um dos estados mais importance pelas suas possesses ultramarinas. Mas a nossa muita ou demasiada modestia e muita prudencia, que chega a acanhamento, tira-nos a maior parte ao valor real e verdadeiro, fazendo-nos um povo fraco ou enfraquecido e timid!
Depois de serenades as guerras no reino volveram, outra vez os monarchs de Portugal as vistas, cuidados e attenOes aos territories ifricanos; c f6i no principio da dynastia reinante, pelos annos de 1641 Ou '(42, que Portugal mandou edificar a igreja da Santa Sd e collocar as armas portuguezas e as'do BISPM)O DO CONGO E ANGOLA gravaclas em pedra com a era em tetra roman M.D.XC.VII (1597) que d a era da creacdo deste, bispado por bulla do papa Clemente VIIII dC 2o de maio de 1597; e n'este tempo jA ali haviam mais outras igrejas e symbols da reliaiio, ali plantadas e firmadas por Portugal, que s5o outros tantos monumentos historicos e irrefutaveis que provam os dircitos dc soberania de Portugal ao Congo, (Vi& capitulo xx.)
Portugal instituiu no ultramar, con-1 auctoridade e approvacao da Santa Sd, muitos bispados, no occidente e no Oriente, e aqui o padroado das Indias com arcebispado.
E tem sido t5o efficazes os seus esforcos em favor da civilisacgo e do christianismo, que s5o verLdeiras maravilhas
0 clue elles fizeram.
1 uma confirmacio irrefutavel da efficacia dos trabalhos dos nossos missionaries catbolicos ronianos segundo a causa




ANGOLA E CONGO -,3
provavel de um resultado tio vantajoso e t o admiravel. pelo z6lo e traballios constants dos enviados da igreja catholica, muitos dos quaes t&m sido homes eminentes em piedade e coragem, e sobretudo no seu ardent e incancavel z6lo em. dar impulse A important obra de que t ern sido incumbidos.
As causes de urn t o satisfaction e perfeito trabalho, que slo urn complete triumph na propagacio da religion christ5, sao sufficientes ras6es para nos congratularmos por um tjo complete triumph da igreja catholica e da civilisacao; e ainda mais os esforcos de tenaz trabalho d conver&qo dos povos, produzindo sempre resultados efficazes, s9o ras6es bastantes ainda mais para nos regosijarmos com. o que as misses catholicas tftrn produzido e alcancado. t de grande monta este object, e 6 por isso que o apresentamos aqui, torque como este hosso trabalho se envolveu n'este ponto da question, necessariamente d precise que se illucide, que em Africa ninguem. tern feito tanto sobre este ponto, onde os esforcos dos nossos sacerdotes catholicos rornanos t&m. feito e produzido t5o grades e sublimes resultados, convertendo milh6cs e milh6es de gentios e pagdos ao christianismo desde ha seculos que se cmpenham em. t io heroic e santa. inissio.
Em. Angola tern o governor portuguez estabelecido esco!as por toda a parte, nqo havendo menos de uma ern cada concelho do interior, e em. algumas parties tambern escolas do sexo feminine. No Congo Id terns uma miss5o Z)
e duas escolas de instruccdo primaria, e ern toda a provincia temos trinta e tantas onde recebern a luz da instruccqo e da civilisaq io mais de mil mancebos.
Os portuguezes foram os precursors de antigos e modernos viajantes e exploradores. Foram os primeiros que levaram o santo symbol de redempqio, aos povos ignotos e corn elle a religion e a civilisacqo; e das SELVAS fizeram brotar povos, villas e cidades, e germinar tantos e tantos povos com, proveito immense para o progress e civilisack da Europa. Na historic estdo marcados com tra-




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cos bern profundos e em letras de ouro os gloriosos feitos dos
Lusos ARGONAUTAS.
Era no scculo xiv da era christi, o Occano era um encanto e uma maravitha e Lim segredo, que era horroroso devassar, e corntudo novos mundos, novas genes e novas racas existiarn alem occultas na immensidade dos mares!
Antes dos descobrimentos e conquistas dos portuguezes na Africa, e 6s quacs succederam as da India, Anterica e Ociania, do velho mundo era s6 conliecida a Europa, Asia e parte da Africa atd 260 de latitude N., pela parte Occidental, e limitado pelo norte pelo mar Mediterraneo, e a leste pelo isthmo do Suez, mar Vermelho, e o estreito de Rab-el-Mandel, era o que se chamava e chama, o velho mundo, o mundo conhecido dos antigos.
0 limited ou confirm conhecido da Africa e da navegacdo Occidental era o Cabo-Ndo, que dista aproximadamente io' dquem (ao sul) de Lisboa; e para se avaliar quanto era temerosa e arriscada a navegacdo alcm d'essas barreiras conhecidas, dizia um proloquio d'esse tempo: Quent dobrar o Cabo-Ndo, ou Poltard ou ndo. (Este cabo estd CM 280 45' de latitude N.-Lisboa estd ein 3S" 4-,>' latitude N.)
Ninguem ousasse veneer a passage do Cabo-Ndo, nem descobrir o maravilhoso segredo do ultramar e quebrar o encanto, cuja vigilancia estava a seu cargo desde a obra de Hercules! ...
Mas, ousou quebral-o e vencel-o um dos audazes navegadores portuguezes (em 1412), os primeiros que se arrojaram d hydra temerosa! E fica sendo ainda a barreira inexpugnavel o Cabo Bojador: o gigante, a sentinella vigilante invencivel, que guardava e velava pelas riquezas do Oriente, pelas maravillias do Oceano e dos -novos mundos ignorados. E os intrepidos navegadores lusitanos miravam d'alem., d'aquella orla da Europa Occidental, todo o horisonte immensuravel dos mares, e o prescrutavam com attencdo e




ANGOLA E CONGO 75
avidez, conhe-endo que ao longe e alem. d'aquelles mares deviam. existir ainda outros nunca d'antes nawgaios, terras novas, e novos muiidos ainda d'antes n6o conhecidos, e que com. effeito estavam. vendo; n6o com a vista, mas com. a rasdo e a intelligence: sciencia bebida na famous escola de astronomia e nautical do sabio infante D. Henriq e.
Era entdo o Occano, esse gigante Neptuno, tido como um abysmo medonho, que ninguern ousava passer Avante de um horisonte que distaste da costa mais de 12" aproximadamente. Dizia-se, fazia-se crer, e queria crcr o povo insciente e ignorance que quern passasse alem. do Cabo Bqjadw- ndo voltaria! ...
Era ahi a hydra com. milh6es de b6cas que devorava tudo que f6sse animal vivente! (na concept io das intelligencias mediocre d'aquelle tcmpo); que se cairia n'um abysmo, n'uma qu6da medonha, pavorosa! que era ali o fim. do mundo!... Outros conccbiam que o mundo c o mar ndo tinharn fim!. .
Era a i,,norancia a rudez do povo, o atraso de civilisacao n aquelles tempos, que deixava assim. pensar e fallar estolidamentc! .
Mas, esclarecida pela sciencia a mente e a ras6o dos alumnus do infante D. Henrique, cscolhidos hydropotentes szientes na hydrographia, mathematical e astromonia, arrojaram-se aos mares, ao abysmo, d hydra horrorosa, impellidos por uma valentia natural do credit de navegadores animosos, e pelo desa6o das magical ondas com. a sua argentina espuma de prata, que os desafiava, como que dizendo-lhes nos sons bramidos seductress: )vinde brincar conmosco, vimle a nds em Possos navios'qwe Pos letaremos a descobrit- nwos continents, e por uma vontade de ambicdo de praticarem feitos grades sempiternos, que illustrassem, os seus nomes e nobilitassem. a patria, arremessavarn-se com toda a cora,,cm aos immensos mares, confiados no seu saber maritime nautico geographico, e na pericia de manobra das suas naus, e com. tanta conflanca, que passaria alem. do abysmo medonho se o houvera, que as vdlas enfunadas das




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suas naus os fariam navegar como ierostaticamente, para veneer esse colosso dos colossus do mundo, essa barreira inacessivel e temerosa!. . Tal era o impulse do seu animo aventureiro, cora0em e arrojamento! ...
Prepara-se a expedicio: empreza temeraria!
Foram, pols, aos mares immensos para veneer ou morrer, como quem vac para o ffin do mundo, torque n'esse dia que sairam para a intrepid e arrojada empreza dobraram. os sinos como a finados, e venceran-1 a passage da barreira invencivel, e trespassaram, o fabulous e imagitiario abysmo!.. (em 143o).
E comecaram a descobrir, avassallar e conquistar tantas e tantas terras novas, que disperses se occultavam no meio dresses mares immensos e magestosos, que os receptavam, como querendo viver longe do grande movimento e agitactto da civilisaqa-o europea.
E, essas terms eram. achadas, como o geology mineiro infatigavel acha nas entranhas da terra agreste os brilhantes, no meio das arias e das argillas, que, ali occultos existem c ndo brilham ncm tem. valor sem a mac,do homem os limpar, polir c lapidary, e que depois occupam os logares mais illustres c nobres; o mesmo p6de dizer-se d'esse number immense de terras, prizes c povos achados, descobertos, conquistadors e avassallados, que viviam e vegetavam na ignorancia, que existiam no ignoto, e assim vieram ao grernio da civilisaq lo pelas descobertas e conquistas dos lusos, com provcito- immense para as nac6es da Europa.
Jd cancados os lusos argonautas do descobrimento de tantos pai7es ultramarines, iam estabelecendo o seu dominio, enriquecendo e nobilitando a patria e os seus nomes, que passaram d posteridade; e nio descancaml proseguem, na tarefa heroic, torque descobrir era avassallar, era estabeleccr dominion, e ficam sendo Senhores d Oceano! No seculo xv, abrem as ports do Oriente d Europa, descobrem essas tantas ilhas no ocean Atlantico, toda a costa da Africa Occidental, dobram o Cabo da Boa Esperanca, ciitram no mar das Indias, desco.brem toda a




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costa oriental da Africa, a ilha de Madagascar, I-ou'rcnco Marques, Sofala, Aklocambique; descobrcm novos mares nunca d'antes navegados, muitas ilhas no ocean Austral e no randc occano Equinocial, entram no mar dc Oman, no de Ormuz, golfo Pcrsico, no Tigre c no Euphrates; descobrem a India, Ceyl,to e a Indo-China, e passing ainda alein da Tayi'obana; entram no golfo de Bengala e no Gan?es, 0 rio Sagrado; passam Malaca, cntram no golfo de Siam c no mar da China; descobrcm a America ou Novo 1X1undo, Terra Nova, a Nova Hollanda, Arabia, Persia, India, China, Siam e o Japao! e dcram uma volta A roda do globo tcrrestre! ...
Vio uns ap6s outros, corno que para se auxiliarern e soccorrer, e senores da arte de navegar sdo audazes, c jd cada qual pretend adquiriv fama e gtori.a, para si e para a patria; jd sendo vassallos muitos regulos africanos, izi feudatario o -rande Alani-Congro, id 6 dorado o Cabo das Toi-nientas, e ld surge dvante o sonhado Mocarribique, e d o fundo ali as naus c caravelas portuguczasl &scancando. das fadigas tormentosas, e disparan-i aos vents do oriented o pendao de Affonso Hewriques!
Avante vio singrando e devassando o occano oriental as naus portuguezas; e nesses mares e nesses reins entram triumphantes, rriostrando dquelles povos o luso pavilhdo, sempre troplidu de victoria, e por cima o penddo da Santa Cruz da redempq.-to ... Levam alem a cruz da f6 de Christo, a religion, c civilisacdo da Europa.
Singrando v;io ja sern destiny, deixando na esteira um lusente clar o, e urn sulco profound que marcou perpetua*mente os dircitos e gloria dos primeiros! a Cambaya, Ormuz, Calicut e Goa, imp6em. obrigac io de tributary d portu-ucza cor6a.
SCII'Lliam dvante, ovaries destemidos, o triumph arrojado CrIlbria,,ava os cerebros dos audazes navegantes! deixando pela theta ap6s de si muitos principles c reis estupefactos, a olhar adn-iirados, pavorosos, para a esquadra qudo potent d'antes nunca viram!




ANGOLA E CONGO
V6o ainda alem, sulcando as ondas, cumprindo a intrepida c nobre mission, a Macau, Pegd, Java, Moluca c Ceyl5o, e passam. ainda alem do gigante c respeitavel promontorio, Siam, China c Jap5o, e estabelecem. tratados e levantam, padres e fortalezas, e arvoram. o luso pa-* vilhAo.
No Ganges c alcm-Ganges, em. Malaca c Ceyh1o, ahi imp6em. auctoridade do direito de possessed: urn imperio emfim, gloriosa monument levantado, dos Gama,, Pacheco c Albuquerque!
Na volta v6cm. os lusos argonautas ref-azendo a sua obra, cheios de gloria e fama, o Indostdoa China c o Jap o, tributam o Tigre c explorarn o Euphrates.
Outros lusos nautas, exaltados por glories, pensarn descobrir c devassar todo o orbe terrestre, e novos mundos procuram. ainda com. ardor, e demandando o norte, o nortc americano, sem. sabcrem da existence d'clle, descobrem, a Terra Nova c o Labrador; outros toniam ao sul e descobrem. as terras de Santa Crzq; era immense e temeraria a audacia, c a felicidade lhes coroava as facanhas c proezas; e nas terras do Amazonas cravarn. o gloriosa pen&o bicolor, trophdu das victorias portu,,,uezas!. .
E do Tejo ao Zaire, do Amazonai ao Ganges, se ouve 0 nome valoroso do velho nome lusitano: memories dc Diogo Cant, Corte-Real de Cabral, Gaina e Albuquerque.
Rendeu-se Ormuz, Diu, Malaca, Mascate c Goa, ao fogo, das luzentes armas lusitanas, com. que o Albuquerque venceu o indio c o persa altivos, e formou o imperio portuguez no Oriente.
Da India namorada, o Gama invicto singrando vcm. para o seu patriot Tejo; c o Tejo recebeu do Indo c Ganges preito rendido c tributario feudo! ... ....... ..........
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
0 que cram n'csse tempo a1gumas nac6es, quc hoje nos dcsrespeitani c nos querem aviltar!
Nada perante n6s.




ANGOLA E CONGO 79
Quando o immortal cantor dos Lusiadas canton:
,,Cesse tudo o que a musa antiga canta, oQue outro valor mais alto se alevanta.
Era o splendor, a fama, a gloria, alto valor e potencia de Portugal; e ainda hoje temos jus a sermons respeitados e considerados, torque temos por n6s rasL-io, a verdade e c, direito! ...
Era o tempo de gloria e da cruz, Os valentes da India, do Oceano, Possuidos de valor sobrehomano
Levaram at6 ao oriented a luz; A divindade e as leis de Deus, Elles pr6garam hit aos atheus;
Seas altos fcitos cd vinham troar,
Nossa estrella era ent-5o resplendent,
Portugal era o Icio do occidente,
Que rugia d beira do mar;
IA do oriented a cruz envolta em gloria, Protegia os reis lusos, e a lusa historic.
Pelos annos de 1485, dcpois do descobrimento dc toda a costa da Africa Occidental e posse de Angola e Congo por, direito de descoberta, acrcscentou el-rei D. Jodo 11 aos seus titulos c, de Senhor de Guind, intitulando-se Rei de Portit,-(,ral e dos Allgari,,es, d'aquenz c d'alem mar enz Aftica, Senhoi- de Guine.
Ern 1499, logo que Vaszo da Gama entrou em Lisboa, depois de haver dorado c, Cabo da Boa Esperanca e ter Idescobcrto a India, acrescentou el-rei D. Manuel os seus titulos., e denominou-se ou intitulou-se Rei de Portugal e dos Al,,arves d'aquenz e d'alem mar enz Afi-ica, Senho)- de GuiW, e da conquista, naieg-aCdo e commercial da Ethiopia, Arabia, Pei-sia e India, etc. (Titulos tdo honrosos, diz Damilo de Goes, quanto o d a mesma conquista.)
((A cada um d'est, s titulos, pois, correspondia um descobrin-iento e uma conquista -feita pcla intrepidcz e valor




80 ANGOLA E CONGO
lusitano; de sorte que em toda a Europa n9o lia monarclia cujos titulos tcnham todos t5to real e verdadeiro fundamento como os de el-rci de Portugal.))
Ainda us,--am mais dos titulos seguintes: e senhoi- do veino e senhorio de Malaca, e do reino e senhorio ie Goa, e cio i-eino e senho)-io de Oi-nzwil etc.
E agora podem augmenter, IMPERADOR DA AFRICA OU 0 titulo de IMPERADOR Dr-. ANGOLA E CONGO. (Vide capitulo xiii in filli.)
E, Cam6es, o principc dos poets, o grande epico e immortal cantor das glories portuguezas do seculo xv exaltava os grandiioquos feitos dos lusitanos, na grandiose epop6a, fcitos quc nobilitaram a patria, vencraram e exaltaran-i a religiJo de Christo e propagaram a civilisacdo europea por rernotas c longinquas paragons:
,,As armas, e os barges assignalados,
,Que da occidental praia lusitana
Tor mares nUnca de antes navegados ,,Passaram ainda alem da Taprobana; ,,Ern perigos, c ern guerras esforca dos,
"Mais do que promettia a forca humana;
,,L entre gente remote edificaram
,,Novo reino, que tanto sublimaram:
(,E taiinbern as memories gloriosa
,D'aquelles reis, que foram dilatando "A fc, o imperio; c as terras viciosas
,,I)e Africa, e de Asia andaram devastando;
,,E aquelles, que por obras valorosas ,,Se vdo da lei da morte libertando;
,,Cantando espalharci por toda a parte,
-Se a tanto me ajudar o engenho, e artc.
Vastissimo dominion chcgou a pertencer, i nacdo portugueza que, em todas as cinco parties do mundo, teve vastos territories e dominion, e na America fundou um rico im-




ANGOLA E CONGO 81
perio; era ent o grande c o que auctorisou Cam6es a dizer: que o sol logo quando nascia no Oriente alumiava terras de Portugal, e tambern no meio do hemispheric, c quando descia no occidente, cram as que deixava derradeiro.-Dirigia-se a el-rei D. Sebastido:
(A'6s, poderoso rei, cujo alto irnperio
cO scl, logo e n nasce.ido, v primeiro,
(A' -o tambern no mcio do hemisplierio,
,(!Z, quando desce, c, dei'xa derradeiro : . . .. .. . I . ... . . .. .. . . . . ..
VI
(,E v6s, 6 bern nascida se-uranca
oDa lusitana antiga liberdade,
uE n5o menos certissima esperanca
(,Do augment da pequena christandade
(A"6s, 0 novo temor da Moura lanca,
vNIaravillia Iatal da nossa idade,
vDada io mundo por Deu, 1, que todo o minde,
(Tara do mundo a Deus dar parte grande.
Vil
((V6-,;, tenro c novo ramo floresccnte
al)c Lima arvore de Christo i-nais amada 2,
aQue neahurna nascida no Occidente, (,Cesirea, ou christianissima chamada:
(Ncle-o no vosso escudo, que presented
(Xos amostra a victoria izi passada 1,
aNa qual vos deu por irnias, c dcixou
aAs que elle pira si na cruz tomou.
Portucral era entio forte, potent e respeitado, os scus territorios de alem mar se foram dividindo por outras nac6es,
1 0 rei couquistadGr.
1 0 rei D. SeWsti5o.
3 Victoria de Campo de Oarique, ou de Ceuta
VOLUME 1 6




82 ANGOLA E CONGO
mas ainda hoje a naqao que posse mais colonies e possess6es ultramarines.
Os portuguezes foram os precursors dos moderns viajantes, e descobridores de novos mundos epovos ignotos. Foram os primeiros que levararn ali a civilisacgo e a religijo aos povos rudes e selvagens; assim como foram elles os primeiros que possuiram colonies ultramarines, foram tambem os primeiros que comecaram a dar a liberdade aos indigents e a libertar os escravos; grandissimo passo para a civilisac6o e educacdo dos povos que a recebiam, pelo que, advinha naturalmente prosperidade ds nac6es da Europa, e foram os principles protectors c redemptores de tanto.s milh6es de infelizes sujeitos a similhante condic5o.
a grandiose empreza que Portugal sempre teve em vista, da occupacao dos povos ignotos e selvagens, para a sua civilisacgo andava sempre ligada esta com a religion, porque-se sabia que a religion d a base e sustentaculo da sociedade e o mais important element do progress.
Ndo nos accusers injusta e deslealmente. Onde tre i mular o pavilhao portuguez, ahi se encontra hospitalidade e proteccdo e a maxima liberdade, tanto para nacionaes como, para estrangeiros, sem excepq9o de c6res.
Ngo sejam ingrates pela liberdade que Portugal tem con,sentido e dado ao commercial, a tudo e a todos, nas suas, colonies em geral, e particularmente no Zaire e territories adjacentes, que muito bem sabeis que nos pertencem. Sdo' os nossos estados do ANGOLA E CONGO.
SaM patria minha, pela tua liberdade!
Alegra-te selvagem! tu ds tambem um livre cidadio; gozas das regalia e immunidades da justice e da d6ce liberdade onde estiverem portuguezes, pertences i familiar, d sociedade, vem receber os carinhos, o amor e beneficio, a sciencia e a illustracgo; jd s livre cidad9o; s8 illustrado, que assim querem teus padrinhos., que da Europa illu'trada te mandaram a liberdade!
Vern recebcr o balsam salutary da civilisacgo, recebe as




AIGOLA E CONGO 83
aguas santas do baptism, o bafo da divinclade de Deus; vem, ndo desprezes os beneficios, nem regeites a caridade do povo sabio c livre que te chama ao seu gremio!
Alegra-te, selvagem, recebe a civilisacdo da Europa! De cada vez mais e mais claros brilham os astros do progress; v8 os horisontes, espacos tdo limpidos e fulaurantes; id n6o existed o negro vdu espesso, horroroso, que offuscava os reverberos scintillantes da salutary e vivificante luz da liberdade!
De cada vez mais e mais claros brilham os astros da civilisacdo; jd n5o ha o nevoeiro nern o furno tenebroso que offuscava o brilhantismo da liberclade querida! jd n6o ha os negros ferrous do opprobio, da ignominia, jd chegou a toda a gente a santa liberdadel
De cada vez mais brilham lim-pidos os horisontes do progresso, o poder da civilisacdo caminha, progride e obra, jd nqo ha a horrenda phrase & escravo, que bradava aos cdus, 6 justice divinal Jd n o mais essa conclic o horrivel; agora todo o homers d livre cidaddo, seja qual ior a sua c6r, a sua condic9o; atd mesmo que seja um barbaro rude e selvagem! Desceu dos cdus para todos essa Deusa-a liberdade: 6 a divisa, o emblem d'esse povo livre de que Cam6es canton os feitos maravilhosos. ,
Salv pois, patria minha amada; nac o heroica e livre; lei, amor e liberdade, eis a tua bussola, a tua estrella, a tua guia!
Ndo ha para com Deus excep do de pessoas. Eis urna licao sobre a igualdade pr gada por S. Paulo aos romans. 6s homes de natureza sdo todos iguaes em dircitos, isto 6, o direito natural, divine c sagrado; s6 o orgulho d que p6de fazer crer que o n6o s6o. Perante Deus e operate os homes n9o ha distinccdo alguma, sen o a que se tem pela intclligencia e sentiments, torque s6 a intelligence nos ensina os preceitos da moralidade, a igualdade e os direitos do homem.
Ha perto de dois mil annos que aquellas palavras de justica divine e de liberdade se fizeram ouvir per toda a terra!




84 ANIGOLA E CONGO
(Como durante tantos seculos as instituic6es sociaes rigo tdem, at6 hoje entendido e cumprido esta maxima t5o subli-Me? Como o genio infernal de dominacdo tem podido fazer Ae uma palavra que s6 diz igualdade, un-i poderio de privite,gio e de escravidio? Conhecarn. todos que o evangelho annun-ciou a resurreicio legal e necessary da justice e da moral, que devia comecar LIM mundo novo, instruindo os povos, reis, nobres e plebeus.
Devenzos sei- humildes, Wfo sd pelo 7-eceio da punicso, mas tambem pela conscience, prd,,ava S. Paulo aos romans. Esta intelligence submiss5o ds leis exige-se tanto dos governos como dos governados; e na falta de intelligencia 6, ainda ao coract-io que o evangelho ou a escriptura falla. Este sentiments de obrigac6es entro os cidaddos, e esta consciencia de sua liberal& religious e political, costurna qer represented e desempenhada por constituic6es sabias; e d sobre ella que as nossas instituic6es actuaes tomam a sua forca e duracrio.
Beinaienturados os que ICenz foine e sede-de justice, poi-que elles serTo fiwtos. (S. Matheus, cap. V, v, 6.
Eis outra lic.-io para os poios e para os ivis. P6de dizer-se que os povos o mundo ainda hoje t&m necessidade da ordem legal que este preceito annuncia. E d admiravel que depois de dczoito seculos uma das bells palavras da nossa dpoca, a justice' seja o echo fiel de uma palavra evangelical.
Beinaventurados os pacificos, porque elles ser, o chamados filhos de Dens. (S. Matheus, cap.'Y', v. q.)
Se os homes f6ssem penetrados destas verdades, principdlmente aquelles em cujas m5os a fortune mette o poder, a terra m-io teria de chorar e lastimar os desastres san.guinarios das discorJias hut-nanas e os Ila gellos das guerras formidaveis que esgotam umas nac6es contra as outras. A maior desgraca n5o e o sangue espalhado, ou derramado; nao so isso, porque so o sangue horrorisa, mas ainda a profunda escravidio necessary zo despotism military que fiz do homem uma machine que causa indigna,- -io aos homes J ustos, liberals e philanthropicos.




ANGOLA E CONGO 85
NiTo nzatard, jV0?-qIIe 47quelle que nzatar serd j1dgatio. A
morte d tambem proscripta pelo evangelho (S. Matheus, cap. V, V. 2 1.): tit ndo inatards: S6 a ignorancia p6de chamar a. si o direito de matar um homem conio castigo: ainda &!& rests da ignorancia e de uma justice humana, que n5o co nhece nem a sua dignidade, nem a sua missed. Aquelle que inatar serijulgaio, esta d a sentence da justice divine. Se, ao pronunciar uma sentence fatal, cada juiz se lembrasse: de taes palavras, e sonhasse que elle tinha de dar contas de suas decis6es operate o juizo de Deus, s6 o pavor, na falta de logical, o impediria de ser absurd. A igreja horrorisa-se com o divorcio, e n5o p6de tolerar a morte, isso seria um ultrage feito ao santo Evangelho.
As religi6es sdo muitas e diversas, conform a indole dos povos, usos c costumes adoptados e tolerados, e conformc suas leis promulgadas por seus primeiros chefs e governantes; mas, mais ou menos, todas ellas w1o dar ao mesmo ponto, ao mesmo fim.
Ha os christdos da Syria que s5o assaz numerosos e t6em scus bispos ha mil e trezentos annos, que sio nomeados pelo patriarch de Antiochia, e teem uma exacta chronologia, e -,em pouco differed dos romans. Elles pretended que Jesus fallava o syriaco.
Estes christ5os viviam tranquillos qUando o grande Vasco da Gama, em i 5o3 se introduzio na Syria, e deu conta d curia roman, que se apressou a pol-os debaixo do seu do, minio.
A religion d o sustentaculo da sociedade, a bussola da civilisacgo e seguranca da ordem e da lei, c garantia do direito das genes; assim as leis primitives foram fundadas, nos principios da religion, do que nasceu a sciencia do justo, e do injusto, que fiaz distinguir as cousas divines e humanas que cada um tem a fazer, a observer e adopter, e d'aqui nasce o direito. 0 direito d o object dajustica, isto d, dar o que pertencc a cada Lim. A justice d a coniormidade. das access com o dh-eilo: dar e -conservar a cada um a sua 'Propriedade. 0 direito dictado pela natureza, ou estabe-




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lecido pela. auctoridade divine. ou humana. Por estes principios a justice. 6 a regra que d necessary seguir invariavelmente.
Pelos principios da. justice. e do direito d necessary garantir e respeitar os bens o proprietario, a soberania. e direito dos povos, e os territories dos estados, segundo o direito international.
Corn que direito a Associacdo Intet-nacional pretend assenhoriar-se de territories no Congo e clas margins do Zaire?
Esses povos teem os direitos e soberania. dos seus territorios, e ndo podem ser clesapossados e esbulhados d'elles pela. ambicio da Associacdo, e por um modo de proceder t5o 41legal'e injusto. I
As nac6es da. Europa teem os seus codigos de leis sabias e civilisadas, e em nenhum se encontrard que seja legal o que pretencle a Associacgo, e o que estd praticando; que n6o s6 quer usurper territories dos povos do Alto Congo e clas margins do Zaire, como pretencle apoderar-se de territorios que estgo sob o protectorado e debaixo da soberania da cor6a. de Portugal! ...
Ias, quem d a Associacdo Africana.
E algum estado que possa. questioner com Portugal?
Ngo; n5o 6.
Ella n5o tem exercito, ella. n9o tern navies de guerra, nqo tem governor definiclo nern constituido, n5o tem rei nem presidente, torque n6o d reino nern republican.
No entretanto ella pretencle adquirir prerogatives e f6ros
-de estado! ella pretend adquirir direitos de soberania. no Congo ern. terrenos aforados aos pretos!.
Realmente 6 admiravel! ...
Ella d a republican, mas a verdadeira. republican, confor-me muita gente pensa. Uma republican. sem i-ei nem i-oque!...
Ella 6 uma fabula, 'a ficcgo artificiosa, cousa inventada. sem fundamento, a mythologia, irrisdo, a phoenix, a hydra. do Congo, nascida. da cabeca. do senior Stanley! ... Aca-




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lentada pelo senior Strauch e protegida pelo rei dos belgas I
t admiravel como se pretend fazer, t o singularmente, de uma Associacgo que f6i creada para studios do Congo e para exploracao scientific e commercial, urn estado colonial!
Onde estd a sua constituic5o?
D'onde provdrn a sua autonomia?
Onde est o os seus codigos, as suas leis, 0 seu governor, o seu corpo politico, o seu exercito, os seus soldados, os seus navies de guerra, os seus povos illustrados e civilisados de que se ha de compor a familiar, a communal, os cant6es, os departments, as provincial, e das provincial o estado ?! ...
AM ... Comp6e-se e constitue-se de selvagens?
Onde estgo as suas miss6es catholicas, que v o exuberantemente espalhar as doutrinas de Christo por esses sert6es dos gentios selvagens? Se as tem, 6 matter mdos J obra, educar esses povos rudes e gehtios, que 6 o primeiro passo que ha a fazer; mas quantos annos gastarao ern t6o ardua tarefa? Ndo d em meia duzia de annos que podereis preparer essa gente para que pertenca 6 grei de um estado civilisado: hdo de ser cento e cincoenta, duzentos e mais annos, e depois de gastar MUitOS milh6es de libras.
Mas, acima de tudo, deveis respeitar os direitos de Portugal.
Vede os codigos das nac6es da Europa: o da Franca, o de Allemanha, da Belgica, e as leis romans sob as quaes se formaram. os. codigos das nac6es civilisadas, e vereis como se reservam. e guardam. os aireitos de propriedade e de possess6o, os direitos de posse, os dircitos internacionaes, os direitos dos povos, os direitos das genes.
Sobre as bases das leis romans se instituirarn as leis das nac6es moderns, e serd tambem. sob estes principios que se h6o de formula e reger as leis para o novo estado que a Associacgo Africana pretend crear e instituir no alto Congo? No seio de povos sem civilisac5o e sem. instrucc5o e educa-




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q9o, um estado corn subditos selvagens, ou, melhor diremos, urn estado sem, subditos, torque o gcntio c os selvagens n6o se subordinario nem se consideration nunca subditos d'este estado que se pretend ali estabelecer com. um. rei hranco!.
E, o tempo o ha dc mostrar, sem ser necessary esperarmos muito, sena irn-ios muito alcm.
Ngo se considerargo nunca subditos d'esse estado, ainda repetimos, os naturals, os indigen-as; guerreando sempre e fugindo constantemente, tergo sempre a victoria pelos favors da natureza, pela proteccio da posic9o dos terrenos c por muitas circumstances que sdo tdo vantajosas para elles como desvantajosas e prejudicialissimas para os curopeus.
Educae-os, civilisae-os primeiro, para d'aqui a cern ott duzentos annos terdes as cousas mais bern preparaclas para se poder entdo crear un-i estado com as suas leis, com. a sua constituicdo liberal.
Pois nos, clue ha quattrocentos annos traballiamos corn afinco na civilisacdo de Angola, e ainda ella nio se acha preparada c apta, habil, convenience e idonea para a transformarmos, ou para se instituir cm estado independent; c v6s, jd d primeira vista, ao primeiro passo, pretenders e quereis crear um. estado indepenclente corn selvagens!
Realmente d o maior disparate, d a cousa mais absurd quc repugna d rasgo, que o bom. senso condemn!
Tristes, tristissimas consequences hio de advir de simiIhante loucura I
Loucura, sim, estultice, fatuidade c iniprudencia dresses obreiros e pensadores sem. rasdo!
Eumaphenix nascida do cerebrodo senior Stanley, creada pela Belgica, pelo, senior Strauch e rei Leopoldo, e protectorada pela Allemanha I
D'aqui d que v5o nascer os culpados c os cumplices, as milhares de desgracas e victims que vao acontecer no Alto Congol ...
N6s n5o civilisamos? v6s 6 que civilisaes ?...
A nossa civilisaclo tem-se estendido a todas as cinco par-




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tes do mundo: trouxemol-a d Africa, levamol-a d Asia, d America e d Oceania. ., E por todo o mundo se encontram nao so os vestigios como os fructose sublimes da civilisaclo ali levada pelos portuguezes, ali plantada pelos nossos missionaries.
Vejamos o, que escreveu um brazileiro illustre c grato d metropole torque a ella, a Portugal, se deve a civilisacgo do Brazil, d'esse grande e rico imperio que os portuguezes arrancaram das selves. Foi o senior J. Noberto dc S. que ha perto de trinta annos escreveu, encarecendo, engrandecendo os trabalhos e os esforcos dos nossos missionaries jesuitas na grandiose. empreza da propagac5o da religion da. fd de Christo c da civilisacklo dos povos d'aquelle imperio:
oEmquanto a Europa condemn os jesuitas, lembrandose dos males que a1guns lhc causaram, nio vendo n'elles, ou ndo pensando d'elles, sena-o os inimigos da liberdade dos povos, ou monopolists da instruccao public, os arbitros da conscience dos reis, as molas secrets de suas access ou regicides quando os reis se ndo dobravarn a seus caprichos, o Brazil, que rccebeu dos jesuitas missionaries portuguezes os maiores beneficios, s6 tern que pagar uma. divide. de gratiddo, devendo aos que de entre elles mais se distinguiram, como Nobrega e Anchieta, estatuas que perpetuem o seu nome entre n6s e incitern novos missionaries d continuacdo da obra da civilisacio.))
E nos acrescentamos:
Mo so a civilisacao do Brazil, como a civilisac lo de Angola e de outras possesses ultramarines d devida na maior parte aos nossos, missionaries, que logo desde o principio das descobertas d'estas possesses, ha tres e ha quatro seculos, comecaram na grandiose sublime tarefa da propagac6o da rcligigo e dacivilisacgo dos povos.
aO quadro dos trabalhos dos jesui tas no Brazil s6 teve por model o que apresentou o christianismo em seu berco; s6 teve por model a vida. ascetic dos apostolos do veiho mundo, esses venerandos anci6es cujos vultos se destacam da antiguidade engrandecidos pelos seculos, para ainda vive-




ANGOLA E CONGO
rem na nossa imaginac5o, com as suas cabecas resplandecentes pela alvura de suas cas aos raios da sapiencia com que os laureou a m6o de Deus. E como foram tgo grades penetrando na choupana dos pores enfermos, quaes hospedes bem, vindos, consolando-os na sua miseria c humildade, repartindo com. elles do pdo da caridade que esmolavam. de porta em porta, entrando nos palacios dos riCos, similhantes a uma apparicgo sinister, humilhando-os cm. sua grandeza de dissoluco-es e prevaricac6es) soffrendo com. resignacdo as injuries que lhes cuspiam em. premio de propagarem os symbols da fd entre os povos do Universo! ...
aComo elles, os primeiros jesuitas abandonaram todas as commodidades de seus convents e vieram. passer por todas as privac6es amargas, que experimentaram os apostolos no velho hemispheric, sem exceptuar o proprio martyrio! ... Que lucta renhicla, prolongada e sempre gloriosa com. os primeiros colons portuguezes, para manterem. illesa a liberclade dos filhos clas florestas! Que de obstaculos para chamarem. nac6es inteiras ao gremio do christianismo! E que trabalhos para implantarem. a civilisacdo no novo mundo, fundando pobres aldeias que sdo hoje 4orescentes cidades!
((Collocada sob a constellac5o do Cruzeiro, a terra brazileira parece predestinada a representer ainda um. dia importante papel no mundo christdo. 0 christianismo sellout. com o seu cunho grandiose e sublime todos os acontecimentos clue deram. -em, resultado o seu descobrimento, e que se Ihe seguiram depois. 0 marco da sua conquista f6i a Cruz de que id tinha derivado o seu nome. Ao constituir-se nacdo livre e independent, o novo imperio respeita a tolerancia religious, graces d philosophic do seculo, mas abracando-se com a cruz plantada nas praias de Porto Seguro, aponta para o seu c u, submette-se d tiara c beija o annel do pescador, commungando na lei apostolic roman.
cO seu primeiro governor toca nas praias da Bahia, precedido, como Cabral, do estandarte da civilisacgo moderna, hasteado por seis homes vestidos de negras roupe-