Citation
Military review

Material Information

Title:
Military review the professional journal of the US Army
Alternate title:
CAC military review
Place of Publication:
Fort Leavenworth, KS
Publisher:
United States Army Combined Arms Center
Publication Date:
Language:
Spanish

Subjects

Genre:
serial ( sobekcm )
periodical ( marcgt )

Notes

Statement of Responsibility:
publ. by Command and General Staff College.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
This item is a work of the U.S. federal government and not subject to copyright pursuant to 17 U.S.C. §105.
Resource Identifier:
67047476 ( OCLC )
0026-4148 ( ISSN )
ocm67047476
Classification:
89.81 ( bcl )

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PB-100-18 -07 / 08 / 09 Headquarters, Department of the Army PIN: 203582-000 Approved for public release; distribution is unlimited EDIO BRASILEIRA TERCEIRO TRIMESTRE 2018 A U P hp://www.armyupress.army.mil/Journals/ Military-Review/Edicao-Brasileira/ hps://www.facebook.com/MilitaryReviewLATAM hps://twier.com/MilReview_LATAM

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EDIO BRASILEIRA TERCEIRO TRIMESTRE 2018 REVISTA PROFISSIONAL DO EXRCITO DOS EUA TERCEIRO TRIMESTRE 2018 CENTRO DE ARMAS COMBINADAS, FORTE LEAVENWORTH, KANSAS O Retorno do Manual de Campanha FM 3-0, Operaes p3 Gen Div Mike Lundy e Cel Rich Creed, Exrcito dos EUA Que Tipo de Vitria a Rssia Est Obtendo na Sria? p48 Michael Kofman e Mahew Rojansky, JD Capacidades Emergentes de Geoinformao no Exrcito Brasileiro p80 Ten Cel Osvaldo da Cruz More Neo, Exrcito Brasileiro

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Capa 2 Foto da Capa: Os militares srios que desertaram para juntar-se ao Exrcito Srio Livre controlam uma rua em Saqba, um pouco ao leste de Damasco, na Sria, 27 Jan 12. Os diversos grupos livremente associados sob a denominao de Exrcito Srio Livre se tornaram os alvos principais iniciais das operaes russas na Sria, porque ameaavam, de forma mais direta e imediata, a autoridade do Presidente srio Bashar al-Assad. (Foto cortesia de Freedom House, Flickr)ARTIGOS 3 O Retorno do Manual de Campanha FM 3-0, OperaesGen Div Mike Lundy e Cel Rich Creed, Exrcito dos EUAO Comandante do Centro de Armas Combinadas do Exrcito dos EUA e o Diretor da Diviso de Doutrina de Armas Combinadas apresentam o histrico, inteno e uma descrio da mais recente verso do Manual de Campanha FM 3-0, Operations. 11 O Efeito PagonisUma Futura Doutrina para o Posto de Comando de rea de ApoioGen (BG) Michael R. Fenzel e Cap Benjamin H. Torgersen, Exrcito dos EUAOs comandantes devem aplicar a devida liderana e recursos rea de apoio da diviso, de modo que possam permanecer focados no combate diante deles. O conceito de posto de comando de rea de apoio pode prover a necessria segurana para essa rea.

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1 ndice Terceiro Trimestre 2018Tomo 73 Nmero 3 22 GeoeconomiaCel (Res) John F. Troxell, Exrcito dos EUAO autor apresenta uma anlise detalhada sobre a importncia da geoeconomia, especicamente no que tange competio entre a China e os EUA, com base em uma resenha de War by Other Means: Geoeconomics and Statecra, de Robert D. Blackwill e Jennifer M. Harris. 42 A Guerra Contempornea e os Problemas Atuais para a Defesa do PasGen Ex Valery Gerasimov, Chefe do Estado-Maior Geral das Foras Armadas da Federao RussaO Chefe do Estado-Maior Geral das Foras Armadas da Federao Russa, Gen Ex Valery Gerasimov, descreve o estado da guerra a partir de uma perspectiva russa em um discurso proferido durante um congresso realizado na Academia de Cincias Militares de seu pas. Traduo baseada na verso em ingls de Harold Orenstein, Ph.D., com prefcio de Timothy omas, exintegrante do Foreign Military Studies Oce em Fort Leavenworth, Kansas. 48 Que Tipo de Vitria a Rssia Est Obtendo na Sria?Michael Kofman Mahew Rojansky, JDEmbora a campanha russa possa ser considerada um sucesso do ponto de vista dos objetivos prprios do Kremlin, o real desempenho da Rssia, tanto em termos militares quanto polticos, precisa de uma anlise mais profunda. 68 Repensando os Grupos de Combate da Infantaria do Exrcito dos EUAMaj Hassan Kamara, Exrcito dos EUAO autor emprega as dimenses da guerra (operacional, tecnolgica, logstica e social) do Sir Michael Howard para analisar como as mudanas em assuntos militares e na sociedade, bem como as projees sobre a guerra futura, sugerem reconsiderao e mudanas na estrutura atual do grupo de combate da Infantaria.

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2 THE PROFESSIONAL JOURNAL OF THE U.S. ARMY Terceiro Trimestre 2018 Tomo 73 Nmero 3 Professional Bulletin 100-18-7/8/9 Authentication no. 1815011 Comandante, Centro de Armas Combinadas: General de Diviso Michael D. Lundy Editora-Chefe da Military Review: Coronel Katherine Guormsen Editor-Chefe das Edies em Ingls: William M. Darley Editor-Chefe, Edies em Lnguas Estrangeiras: Miguel Severo Gerente de Produo: Tenente-Coronel Andrew White Administrao: Linda Darnell Edies Ibero-Americanas Assistente Editorial: Danielle Powell Diagramador/Webmaster: Michael Serravo Edio Hispano-Americana Tradutor/Editor: Emilio Meneses Tradutor/Editor: Ronald Williford Edio Brasileira Tradutor/Editor: Shawn A. Spencer Tradutora/Editora: Flavia da Rocha Spiegel Linck Assessores das Edies Ibero-americanas Ocial de Ligao do Exrcito Brasileiro junto ao CAC/EUA e Assessor da Edio Brasileira: Cel Alessandro Visacro Ocial de Ligao do Exrcito Chileno junto ao CAC/EUA e Assessor da Edio Hispano-Americana: Ten Cel Carlos Eduardo Osses Seguel Military Review Publicada pelo CAC/EUA, Forte Leavenworth, Kansas, trimestralmente em portugus e espanhol e bimestralmente em ingls. Porte pago em Leavenworth Kansas, 66048-9998, e em outras agncias do correio. A correspondncia dever ser endereada Military Review, CAC, Forte Leavenworth, Kansas, 66027-1293, EUA. Telefone (913) 684-9338, ou FAX (913) 684-9328; Correio Eletrnico (E-Mail) usarmy.leavenworth.tradoc.mbx. military-review-public-em@mail.mil. A Military Review pode tambm ser lida atravs da internet no Website: hp://www.militaryreview.army.mil/. Todos os artigos desta revista constam do ndice do Public Aairs Information Service Inc., 11 West 40th Street, New York, NY, 10018-2693. As opinies aqui expressas pertencem a seus respectivos autores e no ao Departamento de Defesa dos EUA ou seus elementos constituintes, a no ser que a observao especca dena a autoria da opinio. A Military Review se reserva o direito de editar todo e qualquer material devido s limitaes de seu espao. Military Review Edio Brasileira (US ISSN 1067-0653) (UPS 009-356) is published quarterly by the U.S. Army, Combined Arms Center (CAC), Ft. Leavenworth, KS 66027-1293. Periodical paid at Leavenworth, KS 66048, and additional maling oces. Postmaster send corrections to Military Review, CAC, Truesdell Hall, 290 Stimson Ave., Ft. Leavenworth, KS 66027-1293. Mark A. MilleyGeneral, United States Army Chief of Sta Ocial: Gerald B. OKeefeAdministrative Assistant to the Secretary of the Army 80 Capacidades Emergentes de Geoinformao no Exrcito BrasileiroTen Cel Osvaldo da Cruz More Neo, Exrcito BrasileiroOs avanos tecnolgicos das ltimas dcadas ampliaram de forma considervel as possibilidades de emprego da Geoinfo. O Manual de Geoinfo do EB um importante documento que sintetiza de maneira clara e sistematizada conceitos e fundamentos importantes para que os usurios no especializados desempenhem suas funes, tirando o mximo proveito do que a Geoinfo pode oferecer em prol das atividades militares desenvolvidas pela Fora Terrestre.

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3 O Retorno do Manual de Campanha FM 3-0, OperaesGen Div Mike Lundy e Cel Rich Creed, Exrcito dos EUAQuando o Exrcito dos Estados Unidos da Amrica (EUA) revogou o Manual de Campanha 3-0, eraes (M 3-0, erations ) e lanou a Pulicao Doutrinria do Exrcito 3-0, eraes eestres nicaas (DP 3-0, nie an erations), em 2011, o mundo era um lugar diferente A probabilidade de um combate terestre de grande vulto contra um inimigo de poder de combate equiparado parecia remota. Embora os russos houvessem intervindo na Gergia com foras terestres em 2008, havia poucos indcios de que eles se envolveriam em outras condutas sicamente agressivas. As reivindicaes martimas chinesas no Mar do Sul da China pareciam ter pouco a ver com as conside raes do Exrcito. A pennsula coreana permanecia sob tenso, mas um recomeo da uera no parecia mais provvel que em nenhum outro momento desde o armistcio de 1953. As duas brigadas de combate lindadas do Exrcito dos EUA que ainda eavam na Alemanha haviam recebido ordens de retornar para o teritrio continental dos EUA, e a Fora Terestre im plementava uma reduo de pessoal ao mesmo tempo que acelerava o passo rumo a uma deciso que tam bm colocaria uma signicativa parcela das tropas do Exrcito eacionadas na Coreia em sistema de rodzio. O ambiente estratgico mudou consideravelmente desde ento. A agresso russa contra a Ucrnia e a con duta cada vez mais belicosa dos norte-coreanos e ira nianos so excelentes exemplos. A modernizao ace lerada das foras armadas chinesas tambm contribuiu para a impresso de que o Exrcito precisava adaptar-se rapidamente a uma maior possibilidade de um combate terestre de grande vulto contra adversrios considera velmente mais capazes que a Al Qaeda, os insurgentes iraquianos e o Talib. Em consequncia, o Exrcito comeou a se adestrar para operaes de combate de grande vulto durante os exerccios do programa de adestramento de Comando de Misso e nos centros de adestramento para o combate com simulao viva, aps um hiato de uma dcada. Tambm descobriu que a nossa atual doutrina ttica para operaes de combate de grande vulto era inadequada. Em 2016, o Chefe do Estado-Maior do Exrcito [equivalente ao Comandante do Exrcito no Brasil N. do T.] determinou que o Comando de Instruo e Doutrina (rainin an octine oman RADOC ) elaborasse um manual de operaes que

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4 fornecesse a base doutrinria para a vitria no combate terestre de grande vulto contra inimigos cujas capa cidades militares, em contextos regionais, rivalizassem com as nossas. Embora contasse com aluns materiais doutrinrios relevantes ao combate de grande vulto, o Exrcito no possua um manual nico e atualizado que tivesse como foco as tticas de grandes unidades a se rem usadas contra ameaas modernas. Havia tambm a necessidade denitiva de abordar as operaes do Exrcito ao longo do eectro dos conitos e os papis que ele desempenha para a fora conjunta, conforme nossos adversrios desaam o status uo em vrias regies em todo o mundo. As verses anteriores do FM 3-0, eraes e seu precursor, o FM 100-5, continham ideias teis, que so relevantes para os prolemas contemporneos, mas nenhum deles abordou de forma adequada todos os desaos do ambiente operacional da atualidade. Prossionais razoavelmente bem-informados po dem debater e, de fato, debatem quais desaos so os mais graves, mas a maioria deve concordar que eles se enquadram em trs categorias gerais. A primeira e possivelmente mais importante categoria se refere ideia de que a cultura do Exrcito precisava mudar. O foco nos desdobramentos reularmente programados de brigadas de combate (iae comat tea CT), nos comandos superiores e nas tropas de apoio para a conduo de operaes de contrainsurgncia, a partir de bases xas, contra inimigos com capacidades mili tares limitadas, gerou uma viso de combate terestre incompatvel com a realidade de conduzir um combate em larga escala contra uma ameaa com poder militar equiparado. Ream poucos comandantes em nossos escales tticos que tenham uma experincia signica tiva no adestramento ou combate contra ameaas com poder de combate equiparado, e os que tm experincia em escales superiores eavam sem prtica, aps se concentrarem na contrainsurgncia durante uma d cada ou mais. O novo FM 3-0 aborda a necessidade de mudar a cultura do Exrcito ao descrever o ambiente operacional e a ameaa, enfatizar os importantes papis dos escales acima do nvel brigada durante as opera es e tratar de consideraes sobre o adestramento e prontido em cada funo de combate, durante o combate terestre de grande vulto. A seunda categoria de desaos consiste em meho rar a prontido do Exrcito para vencer no combate terestre de grande vulto contra oponentes com capa cidades equivalentes. Nosso Exrcito e nossa doutrina haviam sido otimizados para operaes limitadas de contingncia focadas, principalmente, em operaes nas quais as tarefas de contrainsurgncia e eabiliza o representavam o grosso do que as unidades e os quartis-generais fariam. Desde 2003, raramente alum escalo acima de peloto coreu o risco de destruio por foras inimigas, e nenhuma unidade enfrentou foras inimigas capazes de concentrar fogos ou mano brar foras de grande porte efetivamente. O prolema que a capacidade de efetivamente moldar os ambientes de seurana e prevenir o conito por meio de uma dissuaso convencional convincente ou de consolidar ganhos para alcanar o objetivo poltico pretendido advm da demonstrao de prontido para prevalecer no combate terestre de grande vulto contra as ameaas mais letais. por isso que a essncia do FM 3-0 aborda operaes de combate terestre de grande vulto nos escales brigada, diviso e corpo de exrcito. Descreve as tticas e procedimentos utilizados durante a defensi va e a ofensiva, e os que conhecem as edies anteriores do FM 3-0 ou FM 100-5 provavelmente no caro surpresos com o que lero nesses trs captulos. No h novas tarefas tticas, mas h um reconhecimento reno vado e uma discusso mais aprofundada sobre as tticas necessrias para empregar capacidades dentro e entre mltiplos domnios, a m de possibilitar a liberdade de ao para os escales subordinados. O que novo em relao s edies anteriores, porm, so os captulos focados nas operaes para moldar, operaes para prevenir e operaes para consolidar ganhos. Uma grande parte do Exrcito e continuamente empenhada nessas operaes por todo o mundo, e o desempenho da Fora tem uma inuncia signicativa tanto sobre a probabilidade de um comba te terestre de grande vulto quanto sobre os resultados estratgicos de tal combate, caso ocora. O FM 3-0 aborda, portanto, as operaes que o Exrcito conduz em todo o eectro dos conitos, ao desempenhar seus papis estratgicos como parte da fora conjunta, reco nhecendo que a capacidade demonstrada de vencer no combate terestre de grande vulto que possibilita a execuo ecaz de misses em apoio aos demais papis estratgicos. Assim, o manual tambm contm uma re novada nfase nos papis dos escales corpo de exrcito e diviso para empregar essas capacidades.

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5 Os corpos de exrcito e divises desempenham um papel central no combate terestre de grande vulto, que no nem pode ser um empreendimento centrado na brigada de combate. Quando devidamente constitu dos, adestrados e comandados, os escales de coman do desoneram os escales subordinados ao estreitar seu foco, reduzir seu alcance de controle e manter a perectiva mais ampla no tempo e espao, necessria para um efetivo planejamento. A diviso o primeiro escalo capaz de planejar e coordenar, efetivamente, o emprego de todas as capacidades em mltiplos dom nios ao longo de todo o modelo operacional. O mesmo se aplica ao corpo de exrcito durante operaes que requeiram vrias divises. Cada escalo superior tem uma perectiva que deve considerar o tempo, a geogra a, o processo decisrio e o eectro eletromagntico de um modo diferente. Essa no uma nova ideia militar, mas reete uma mudana signicativa em relao s experincias de formao da maior parte do comando do Exrcito dos EUA, vividas em uma poca que as divises e corpos de exrcito desempenhavam o papel de comando conjunto ou eavam mais focados no nvel operacional, em lugar do ttico. A terceira categoria de desaos se refere realidade de que o Exrcito dos EUA no goza de enormes vanta gens contra todo oponente que possivelmente tenha de enfrentar. O FM 3-0 reconhece que aluns adversrios tm capacidades iuais ou at superiores, que podem co locar as foras do Exrcito dos EUA em uma posio de relativa desvantagem, particularmente em um contexto regional. Alumas capacidades das ameaas, particu larmente os sistemas de defesa antiarea integrados e os fogos de longo alcance supercie-supercie, cobem, seriamente, a liberdade de ao nos domnios areo e martimo, o que signica que as outras Foras Sinulares talvez no sejam capazes de ajudar a resolver prole mas tticos terestres de um modo to rpido ou fcil quanto foi possvel no Iraque e no Afeganisto. Contra aluns oponentes, o Exrcito dos EUA provavelmente ter uma quantidade muito inferior e um menor alcance em artiharia de tubo e fouetes, o que apresentaria um prolema ttico, mesmo que as foras amigas no fossem confrontadas no domnio areo. A possvel combinao de desvantagens relativas nos domnios terestre, mar timo e areo tem implicaes para o modo pelo qual as foras do Exrcito conduzem operaes contra forma es inimigas concebidas com base em sistemas de fogos de longo alcance, que empregam armas de manobra em apoio a fogos com mais frequncia do que o inverso. Portanto, entender os vrios mtodos empregados por nossos adversrios e potenciais inimigos (uera sist mica, isolamento, impedimento, uera de informao e rea seura) essencial para formular planos tticos para derot-los, e importante entender que esses mtodos provavelmente se manifearo de modo diferente em cada situao. Diferentemente do Combate Ar-Tera, que se concentrava em um inimigo, ou de verses anteriores do FM 3-0, que, na verdade, no se concentravam em nenhuma ameaa em particular, ea edio do manual tem como foco os adversrios com poder de combate equiparado ou quase equiparado (Rssia, China, Ir e Coreia do Norte) no atual ambiente operacional. Por essa razo, os desaos operacionais diante do Exrcito dos EUA abarcam todo o eectro das operaes mili tares em todos os domnios, e precisam ser abordados. O FM 3-0 no foi otimizado para um nico tipo de operao ou ameaa, mas foi elaborado tendo como referencial as mais potentes capacidades e mtodos ad versrios que tm se proliferado mundialmente, e leva em considerao o que o Exrcito tem de fazer de conduzir o combate terestre de grande vulto a moldar o ambiente de seurana por meio do engajamento regional, passando por todos os tipos de opera o. O FM 3-0 no muda o conceito operativo fundamental do Exrcito, que continua sendo as O Cel Richard Creed, do Exrcito dos EUA, o Diretor do Combined Arms Doctrine Directorate, em Fort Leavenworth, e um dos auto res do FM 3-0, Operations. Concluiu o bacharelado pela Academia Militar dos EUA e mestrados pela School of Advanced Military Studies e U.S. Army War College. Serviu em misses na Alemanha, Coreia, Bsnia, Iraque e Afeganisto. O Gen Div Michael Lundy, do Exrcito dos EUA, o Comandante do U.S. Army Combined Arms Center e do U.S. Army Command and General Sta College, em Fort Leavenworth, Estado do Kansas. Possui o ttulo de mes trado em Estudos Estratgicos e concluiu os cursos do U.S. Army Command and General Sta College e U.S. Army War College. Serviu, anteriormente, como Comandante do U.S. Army Aviation Center of Excellence, em Fort Rucker, Estado do Alabama, e em mis ses no Haiti, Bsnia, Iraque e Afeganisto.

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6 operaes terestres unicadas. O que ele faz conside rar mehor a razo por trs das operaes que condu zimos, para esclarecer a inter-relao entre objetivo estratgico, planejamento, prontido e as tarefas tticas designadas s unidades.Organizao e PropsitoO FM 3-0 organiza as operaes seundo o propsito, em conformidade com os quatro papis estratgicos do Exrcito. O Exrcito mola o aiente oeracionar, revine confitos, conuz o comate tees tre e rane urto e consonia antos As foras do Exrcito fazem isso como parte da fora conjunta, geralmente em um contexto multinacional, para um comandante da fora conjunta. As verses anterio res do FM 3-0 e do FM 100-5 no enfatizaram, de modo adequado, a ligao crucial entre as tarefas tticas e a consecuo do objetivo estratgico para o qual ns as conduzimos. A classicao dos tipos de operao seundo o propsito e em consonncia com o conceito de faseamento conjunto constante da Pulicao Conjunta 3-0, eraes onbuntas ( P 3-0, oint erations ), ao mesmo tempo que se enfatiza que nem sempre h uma relao linear direta entre essas fases (veja a ura 1) Os captulos 3 (Operaes para Moldar) e 4 (Operaes para Prevenir) do FM 3-0 descrevem as operaes conduzidas que no chegam ao patamar de combate terestre de grande vulto, nas quais os adversrios buscam utilizar mtodos abaixo do limiar do conito armado para abalar o status uo ou subverter naes amigas. Os captulos 5 (Combate Terestre de Grande Vulto), 6 (Defesa) e 7 (Ofensiva) se concentram no combate terestre de grande vulto, e o captulo 8 (Operaes para Consolidar Ganhos) aborda a transio escalonada do combate terestre de grande vulto consecuo nal do objetivo operacio nal ou estratgico. A consecuo do objetivo estratgico das operaes a teoria subjacente da vitria no FM 3-0, sendo abor dada no nal do captulo 1. H poucas solues perma nentes aceitveis para o conito no nvel estratgico. A maioria dos conitos no mundo administrada no decorer de longos perodos, em que cada lado tenta au mentar e explorar posies de vantagem relativa. Com efeito, a fora conjunta e ganhando ou perdendo uma competio que oferece oportunidades para a obteno de resultados positivos durante operaes aqum de um conito armado, durante o conito armado e durante a transio que ocore depois dele. O Exrcito, ao desem penhar seus papis estratgicos como parte da fora conjunta, conduz operaes ao longo de todo o eectro dos conitos para que os EUA mantenham uma posio de vantagem em relao a ameaas reais e potenciais. As operaes para moldar ou prevenir tm sucesso quando derotam o propsito de um adversrio, como no caso de uma tentativa de deseabilizar o status uo desejado ou de subverter um Estado amigo. Vencemos durante o combate terestre de grande vulto ao destruirmos ou derotarmos as capacidades convencionais e a determi nao de resistir de um inimigo. Consolidamos ganhos, efetivamente, quando conclumos aes que garantam que o inimigo no possa constituir outras formas de resistncia para prolongar o conito ou mudar sua Papis estratgicos do Exrcito dos EUA Moldar Prevenir Consolidar ganhos Conduzir combate terrestre de grande vultoVencer0 Moldar 1 Dissuadir 2 Obter a iniciativa 3 Dominar 4 Estabilizar 5 Capacitar a autoridade civil Fases conjuntas Figura 1. Papis Estratgicos do Exrcito e Relaes com as Fases da Doutrina Conjunta(Figura do U.S. Army Field Manual 3-0, Operations)

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7 natureza de alum modo que prejudique nosso prop sito. Em suma, o FM 3-0 fornece um contexto para que os comandantes e seus eados-maiores possam praticar, com sucesso, a arte operacional adequada para o eec tro das operaes militares.O Antigo e o NovoTodo debate sobre uma nova doutrina para ope raes de combate terestre de grande vulto costuma gerar o arumento de que o Exrcito dos EUA anseia pelos dias mais simples do planejamento para a amea a sovitica na Europa como uma forma de escapar do desao representado pela contrainsurgncia. Outro ar umento que o Exrcito e buscando trazer de volta o combate em larga escala como uma justicativa para manter a estrutura da fora. Nenhum deles o caso. O captulo 1 descreve um ambiente operacional bem di ferente daquele de 35 ou at 5 anos atrs. A abordagem intelectual consiste em considerar, eecicamente, os adversrios da atualidade e as amplas categorias de ope raes que o Exrcito conduz para enfrent-los como parte da fora conjunta. Foi fundamental incorporar a diretriz do Chefe do Estado-Maior do Exrcito com reeito a preparar a Fora para o combate terestre de grande vulto contra um oponente com capacidades equiparadas, e o FM 3-0 deixa claro que h uma ligao entre o que ela faz durante operaes que no o conito e o que ela precisa fazer para prevalecer na uera. O FM 3-0 leva em considerao tanto o que permanen temente fundamental quanto o que mudou no con texto das atuais realidades ambientais, organizaes e capacidades do Exrcito. H alumas ideias signicativas que no so neces sariamente novas para as operaes, mas que no foram adequadamente abordadas na doutrina ou experincia recentes. Buscamos, eecicamente, levar em conside rao a importncia das capacidades das foras amigas e das ameaas nos mltiplos domnios e no ambiente informacional. Assim, modicamos o modelo ope racional para aproxim-lo da estrutura do campo de bataha ampliado constante do conceito de combate em mltiplos domnios (veja a ura 2). Essa modicao reconhece as realidades do ambiente operacional, as atuais capacidades do Exrcito e conjuntas e as con sideraes de planejamento essenciais para vencer. O novo modelo operacional acrescenta a rea de apoio estratgico, rea de seurana conjunta (JSA, na sigla em ingls), rea de consolidao e rea de fogos pro fundos s reas anteriormente denominadas profunda, aproximada e de apoio. As reas de apoio estratgico e de seurana con junta abarcam os locais onde as atividades do Exrcito ocorem fora das reas de operaes sob responsabi lidade dos comandantes de nvel ttico da Fora. As foras do Exrcito transitam e operam nessas reas, mas eas cam, de modo geral, a cargo das outras Foras Sinulares, comandantes de comando unicado e comando conjunto, por englobarem, principalmente, domnios que no o terestre. Ns as acrescentamos porque as foras do Exrcito so fortemente inuen ciadas pelo que ali acontece, tendo responsabilidades de planejamento por suas atividades naquelas reas e no ambiente informacional. A rea de fogos profundos aquela parte da rea profunda que ca alm do local onde as foras do Exrcito imediatamente planejariam manobrar com tropas terestres e onde seriam emprega das, de modo geral, capacidades em mltiplos domnios conjuntas e do Exrcito. A rea de apoio estratgico, rea de seurana conjunta e rea de fogos profundos descrevem, na verdade, o que j existia de fato, mas no era explicado na anterior doutrina ttica para grandes unidades. a rea de consolidao que representa a maior mudana no modelo operacional em termos de como as foras do Exrcito consideram as reas de ope raes nos escales corpo de exrcito e diviso. A rea de consolidao foi concebida para resolver um antigo prolema durante as operaes. H muito que o Exrcito enfrenta desaos de seurana atrs de suas foras enquanto mantm o ritmo nas reas aproximada e profunda, particularmente durante operaes ofensivas, quando os limites da retauarda da brigada de combate avanam e aumentam o tamanho da rea de apoio da diviso alm da capacidade das unidades que ali operam para controlar o tereno e populaes ou proteger-se contra foras inimigas desbordadas. A soluo tpica era designar tropas das brigadas empenhadas em operaes nas reas aproximada e profunda brigada de apoio manobra (MEB) [ou brigada de multiplicadores do poder de combate N. do T.] durante os exerccios, o que tinha resultados satisfatrios contanto que a diviso desbordasse apenas pequenas formaes inimigas e o cenrio de ades tramento fosse mensurado para evitar que as foras ini migas fossem agressivas demais. A experincia real contra foras iraquianas durante os primeiros meses da Operao

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8 rai reeom indicou que essa abordagem envolve signi cativo risco tanto durante quanto depois da execuo de operaes de combate terestre de grande vulto. No se pode dar ao inimigo tempo de reconstituir novas formas de resistncia para prolongar o conito e reverter nossos ganhos iniciais no campo de bataha. Contra ameaas mais capazes, precisamos abordar o prolema diretamente por meio do planejamento e emprego do poder de combate aicionar necessrio alm do que for requerido para as reas aproximada e profunda para consolidar ganhos durante as operaes de combate de grande vulto. Durante a Guera Fria na Europa, o Exrcito podia contar com seus aliados para o rpido fornecimento do poder de combate necessrio para consolidar ganhos, con forme o combate em larga escala terminava em uma rea de operaes particular. Embora esse ainda seja o caso na Coreia, e isso provavelmente se aplique quando comba tem como parte da Organizao do Tratado do Atlntico Norte (OTAN), h outros lugares no mundo onde as foras do Exrcito dos EUA precisariam consolidar os prprios ganhos, pelo menos inicialmente. Isso eecial mente importante ao conduzirmos operaes ofensivas rea de consolidao rea de apoio rea de apoio estratgico (Entre teatros de operaes) rea de segurana conjunta (Dentro do teatro de operaes) rea profundaManobra Fogos A rea de apoio estratgico descreve a rea que se estende de um teatro de operaes at uma base no territrio continental dos EUA ou at uma rea de responsabilidade de outro comandante de comando unicado, que contm as organizaes, linhas de comunicao e outras agncias requeridas no terreno. Inclui os aeroportos e portos martimos que apoiam o uxo de foras e sustentao logstica para o teatro de operaes. A rea de segurana conjunta uma rea de superfcie especca, designada pelo comandante da fora conjunta para facilitar a proteo de bases conjuntas e suas linhas de comunicao conectadas que apoiam as operaes conjuntas A rea de consolidao a parte da rea de operaes do comandante designada para facilitar as tarefas de segurana e estabilizao necessrias para a liberdade de ao na rea aproximada e para apoiar a contnua consolidao dos ganhos. A rea de apoio a parte da rea de operaes do comandante designada para facilitar o posicionamento, emprego e proteo dos meios de sustentao da base necessrios para sustentar, facilitar e controlar as operaes. A rea aproximada a parte da rea de operaes de um comandante designada a foras de manobras subordinadas. A zona entre a linha anterior de tropas (FLOT) e a linha de coordenao de apoio de fogo (FSCL) tipicamente, a rea sobre a qual foras terrestres amigas pretendem manobrar no futuro prximo e tambm a rea onde as operaes conjuntas de interdio area so normalmente executadas por meio do centro de operaes de apoio areo/centro de apoio areo direto. Joint Publication (JP) 3-03, Joint Interdiction. Interdio descreve o modo pelo qual os fogos do Exrcito e conjuntos so normalmente empregados na interdio de rea profunda. Uma ao para distrair, desorganizar, retardar ou destruir a capacidade de superfcie militar do inimigo antes que ela possa ser usada efetivamente contra foras amigas ou para alcanar outros objetivos. A rea profunda a parte da rea de operaes do comandante que no designada a unidades subordinadas. Espao, ciberespao e informao rea aproximadaBrigada de combate Diviso Corpo de Exrcito Exrcito de campanhaFLOT FSCL Figura 2. Modelo Operacional do FM 3-0 para as Operaes Terrestres Unicadas(Figura do U.S. Army Field Manual 3-0, Operations)

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9 de ritmo acelerado que desbordem signicativas foras de manobra inimigas para evitar sermos xados enquan to estivermos dentro do alcance dos fogos de canhes, fouetes e msseis de longo alcance inimigos. O FM 3-0 arma que os comandantes de corpo de exrcito e diviso oe designar uma rea de consolidao a um escalo subordinado como uma rea de operaes, para facilitar a liberdade de ao ao desonerar unidades nas reas de apoio, aproximada e profunda. No caso de uma diviso, isso seria executado, normalmente, por uma brigada de combate adicional, que deve ser levada em considerao quando o exrcito de campanha efetuar a adaptao da fora para o comandante da fora conjunta. Um corpo de exrcito designaria a uma diviso a responsabilidade por sua rea de consolidao, que se ampliaria conforme suas divises avanassem e os limites das unidades mudassem para manter a impulso. As reas de consolidao so dinmicas, j que as unidades a elas designadas conduzem, inicialmente, aes ofensivas, aes defensivas e as aes de eabilizao mnimas necessrias para derotar foras desbordadas, controlar acidentes capitais, instalaes crticas e centros populacionais. Com o tempo, medida que a situao amadurecer, a combinao de tarefas tticas ser, prova velmente, metade seurana e metade eabilizao em cada rea de consolidao. Contudo, as tarefas relaciona das seurana so sempre prioritrias. O planejamento e a execuo para consolidar ganhos deve levar em consi derao todos os possveis meios de resistncia inimigos e serem abordados como uma forma de explorao e perseuio, caso queiramos produzir resultados dura douros. crucial evitar dar aos inimigos tempo para se reorganizarem para um tipo diferente de combate. Conforme mencionado anteriormente, as foras de signadas para reas de consolidao so adicionais e no signicam retirar poder de combate da rea aproximada. Quando planejamos operaes e alocamos foras, deve mos considerar o requisito de consolidar ganhos como parte da elaborao de estimativas de eado-maior res ponsveis e exatas. O requisito de consolidar ganhos no desaparece se o ignorarmos, e quanto maior for o atraso em abord-lo, maior ser o impacto sobre a capacidade da fora para manter o ritmo e mais dicil o requisito pro vavelmente se tornar como um todo. O Exrcito sempre foi encaregado de consolidar ganhos. Cumpriu tal incumbncia com diferentes graus de sucesso nas Gueras Indgenas; durante a Reconstruo aps a Guera Civil; durante a Guera Hispano-Americana; durante a Seunda Guera Mundial e a Guera da Coreia; e no Vietn, Haiti, Iraque e Afeganisto. Nosso grau de sucesso inuencia o modo pelo qual os resultados dessas ueras ou conitos so vistos atualmente. Essa ideia tem implicaes bvias. As unidades de acompanhamento e apoio designadas, seundo a com posio de meios, para conduzir as operaes de armas combinadas so essenciais. As unidades podem ear no teatro de operaes, ou consistir em foras que cheuem mais tarde no processo de desdobramento. Unidades da coalizo poderiam, muitas vezes, ser adequadas designa o para reas de consolidao. A maior implicao que mais foras so requeridas e devem ser alocadas para der rotar o inimigo no campo de bataha e consolidar ganhos a m de alcanar um objetivo estratgico do que para simplesmente derotar o inimigo no campo de bataha.Escales do Exrcito e o Modelo OperacionalO FM 3-0 reconhece a importncia das capacidades cibernticas e espaciais, da uera eletrnica e do acira damente disputado ambiente informacional. Incorpora aectos-chave da mais recente doutrina sobre essas reas nas operaes conduzidas por exrcitos de campanha, corpos de exrcito e divises. Fazer essas capacidades convergirem em apoio s foras terestres para obter e explorar posies de vantagem um papel fundamental desempenhado pelos escales diviso e superiores. As brigadas de combate que lutam na rea aproximada geral mente no tm tempo ou capacidade para efetivamente planejar e empregar capacidades nos mltiplos domnios alm das que j estiverem sob seu controle. A mobilidade, a letalidade e a proteo dominam o foco cognitivo nos escales brigada e inferiores durante o combate terestre. Os exrcitos de campanha, corpos de exrcito e divises eo sucientemente afastados do combate aproximado para ter uma perectiva mais ampla ao longo de todo o modelo operacional, e neles que as capacidades perten centes a cada domnio so coordenadas e sincronizadas para convergir no tempo e no espao a m de permitir a liberdade de ao aos escales subordinados. So eles que identicam e exploram janelas de oportunidade. O modo pelo qual pensamos no modelo operacional mudou. A primeira diferena a considerar que deixa mos de discutir a queo de conceitos lineares ersus no lineares. Em vez disso, o FM 3-0 tem reas de operaes

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10 Referncias1. Field Manual (FM) 3-0, Operations (Washington, DC: U.S. Go vernment Publishing Oce [GPO], 2008 [obsoleto]). A Emenda1 a essa verso foi publicada em 2011; Army Doctrine Publication 3-0, Unied Land Operations (Washington, DC: U.S. GPO, 2011 [obsoleto]). 2. FM 3-0, Operations (Washington, DC: U.S. GPO, 6 Oct. 2017). 3. Ibid., gura 1-4. 4. Para obter mais informaes sobre o conceito de combate em mltiplos domnios, veja David G. Perkins, Multi-Domain Bale: Driving Change to Win in the Future, Military Review 97, no. 4 (July -August 2017): p. 6. [O artigo traduzido, intitulado Combate em Mltiplos Domnios: Impulsionando a Mudana para Vencer no Futuro, consta da edio brasileira do Primeiro Trimestre de 2018 N. do T.]contuas e no contuas para considerar mehor a natu reza no linear de todas as operaes, independentemen te das linhas sicas sobre um calco. A prxima e maior diferena que cada rea do modelo operacional tem consideraes sicas teorais conitias e irtuais que se corelacionam com o foco de um escalo em particu lar. Sem um foco eecco a um escalo no tempo e no espao em mltiplos domnios, seria provvel que todos se concentrassem no combate aproximado e operaes corentes. As consideraes sobre o modelo operacional pro porcionam aos comandantes e eados-maiores uma forma de examinar os mltiplos domnios e o ambiente informacional no contexto das operaes terestres. Essas consideraes so to inter-relacionadas quanto os domnios em qualquer situao eecca, tendo diferen tes implicaes para os diferentes escales que operem em diferentes reas do modelo operacional. As consi deraes sicas e temporais dizem reeito ao espao e tempo, e j convivemos com elas h muito tempo. As consideraes cognitivas so aqueles aectos que dizem reeito ao processo decisrio do inimigo, vontade do inimigo, nossa vontade e ao comportamento das populaes. As consideraes virtuais dizem reeito a atividades e entidades situadas no ciberespao, tanto de foras amigas quanto das ameaas. Examinadas em con junto, as quatro consideraes permitem que os coman dantes e eados-maiores reitam sobre a realidade de que todo combate em mltiplos domnios e j assim h muito tempo. As capacidades martimas inuenciam o combate terestre h mais de 2 mil anos. As capacidades areas tambm o fazem h mais de um sculo, ao passo que as capacidades espaciais j existem h mais de 40 anos. At mesmo o ciberespao tem desempenhado um papel cru cial por quase duas dcadas. Ao eender, explicitamente, o modelo operacional alm de um modelo sico de foco ttico, o FM 3-0 considera o emprego de capacidades livres de restries de alcance durante operaes que no cheuem ao conito armado, durante contingncias de pequeno vulto, durante o combate terestre de grande vulto e quando consolidarmos ganhos para obter resulta dos duradouros para nossas operaes tticas.O Caminho FrenteO novo FM 3-0 tem implicaes signicativas para o Exrcito conforme ele se reorienta para o combate terestre de grande vulto ao mesmo tempo que conduz outros tipos de operao em todo o mundo para prevenir que adversrios com poder de combate equiparado e quase equiparado obtenham posies de vantagem estratgica. Muitas das consideraes necessrias para alcanar o xito militar no atual ambiente operacional permanecem fundamentalmente inalteradas, mas o que mudou importante. As foras do Exrcito no podem se dar ao luxo de se concentrarem exclusivamente no combate terestre de grande vulto custa das demais misses que a nao delas requer, mas, aos mesmo tempo, no podem se dar ao luxo de earem desprepara das para aquele primeiro tipo de operao em um mundo cada vez mais instvel. O fato de earem preparadas para o combate terestre de grande vulto gera uma dissuaso convincente e contribui para a eabilida de em mbito mundial. Para se prepararem, preciso que haja uma doutrina adequada, para que os exrcitos de campanha, corpos de exrcito, divises e brigadas conduzam operaes com a combinao certa de foras capazes de executar tarefas tticas para alcanar objeti vos operacionais e estratgicos. Contamos com um animado debate prossional por todo o Exrcito, conforme integrarmos nossa nova doutrina operacional na Fora. Esse debate prossional sem dvida servir de base para outras mudanas no futuro e nos tornar um Exrcito mehor.

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11 O Efeito PagonisUma Futura Doutrina para o Posto de Comando de rea de ApoioGen (BG) Michael R. Fenzel e Cap Benjamin H. Torgersen, Exrcito dos EUADesde a Bataha das Termpilas, quando Xerxes atacou a rea de retauarda espar tana e o Rei Lenidas respondeu com 300 de seus mehores uereiros para prevenir o avano persa em direo a Atenas, os exrcitos e seus generais veem a retauarda do inimigo como um alvo atrativo Uma frota de viaturas blindadas e helicpteros embalados aguarda desmobilizao para os EUA aps servio durante a Operao Desert Storm, 17 Jun 91. O enorme sucesso dos esforos logsticos durante a guerra deveu-se, em parte, nomeao do Gen Div William Pagonis como nico comandante das operaes logsticas. (Foto do 1 Ten Gary W. Buerworth, Marinha dos EUA)

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12 e, frequentemente, vulnervel. No campo de bataha moderno, a rea de retauarda e sujeita devastao do terorismo e aos efeitos destruidores de insurgentes estrategicamente posicionados. O objetivo no mudou em 2.500 anos: se for possvel destruir os suprimentos e os meios de sustentao [apoio logstico] do exrcito oponente, h um caminho livre para a vitria. O modo pelo qual um comandante de diviso pensa sobre a defesa de sua rea de apoio [logstico] deve ter uma corelao direta com a bataha desenvolvida nas reas aproximada e profunda. Contudo, nenhum coman dante e interessado em ohar por cima do ombro e desviar o raciocnio, energia ou recursos para defender a operao de sustentao logstica depois de ingressar em um combate. Considerando a atual velocidade do combate, a oni presena dos sistemas areos no tripulados de foras amigas e inimigas e a combinao de ameaas teroris tas e insurgentes atrs das linhas amigas, j no basta simplesmente proteger os meios logsticos da diviso. As foras amigas devem se empenhar vigorosamente em reduzir o crescimento acelerado das ameaas, para prevenir que grandes desaos sustentao logstica se eabeleam. Defendemos que empenhar um comando totalmente funcional, focado tanto em sustentar quan to em proteger as linhas de apoio [logstico] e comuni caes terestres, ao mesmo tempo que se enfrentam foras inimigas de modo enrgico e agressivo, constitui um novo imperativo da uera. A integrao sica e doutrinria das funes de proteo, logstica (susten tao) e combate o mehor mtodo de controlar a rea de apoio. Nesse caso, um subcomandante serve como agente de controle, para desonerar o comandante da di viso. Essas tarefas no consistem em novas obrigaes, e sim em uma variao moderna sobre o antigo tema de que os exrcitos negligenciam a seurana das reas de apoio por sua prpria conta e risco. A histria do posto de comando da rea de apoio [logstico] (PC A Ap) como conceito remonta s legies romanas, quando havia uma estrutura organizacional e um conjunto de princpios que regiam as operaes na rea de apoio. O exrcito romano criou rgos eecia lizados para distribuir e transportar armas, equipamen tos e raes para as tropas da linha de frente. Utilizava vages para levar e trazer suprimentos das linhas de frente com escoltas bem armadas. O exrcito se preo cupava em construir estradas e pontes onde quer que se aventurasse, para facilitar a tarefa de ressuprimento. Os ociais de intendncia e engenheiros tm suas razes nesse perodo Napoleo reconheceu a importncia fundamental de proteger e agilizar sua estrutura logstica para a manuteno de um grande exrcito. Tomando como base o exemplo do exrcito romano, o comandante logstico de Napoleo, Claude-Louis Petiet, criou um sistema formal de requisio de suprimentos e nomeou comissrios militares para supervisionarem os esforos de ressuprimento. Alumas funes de suprimento, como fazer po, processar carnes e coletar alimentos, tinham seus prprios rgos e chefes. Na campanha de 1805 em Austerlitz, essas inovaes, aliadas deciso de Napoleo de organizar seu exrcito em divises com unidades de apoio orgnicas, mostraram-se signicati vas. Estimulado por essa vantagem, o Exrcito Francs cobriu grandes reas teritoriais, superou con tinuamente os inimigos em manobra, suportou um grande nmero de baixas e obteve a vit ria repetidas vezes. O O Cap Benjamin H. Torgersen, Exrcito dos EUA aluno do Maneuver Captains Career Course em Fort Benning, Estado da Gergia. Serviu, mais recentemente, como Ajudante de Ordens do Subcomandante (Apoio) da 82 Diviso Aeroterrestre em Fort Bragg, Carolina do Norte. Antes disso, serviu como Ocial Executivo e Chefe de Peloto de Fuzileiros do 2/325 Batalho de Infantaria Aeroterrestre, 2 Brigada de Combate, 82 Diviso Aeroterrestre. Concluiu o bacharelado pelo Occidental College e formou-se pela Royal Military Academy Sandhurst. O Gen (BG) Michael R. Fenzel, do Exrcito dos EUA, o Diretor de Planejamento (CJ5) da Misso Resolute Support da OTAN e Foras dos EUA no Afeganisto. Serviu, mais recentemente, como Subcomandante (Apoio) da 82 Diviso Aeroterrestre em Fort Bragg, Carolina do Norte. Antes disso, serviu como pesquisador militar snior junto ao Conselho de Relaes Exteriores e Chefe do Estado-Maior da 82 Diviso Aeroterrestre. Fenzel possui os ttulos de doutorado em Estudos de Segurana Nacional pela Naval Postgraduate School e de mestrado pela Harvard University. o autor do re cm-publicado No Miracles: e Failure of Soviet DecisionMaking in the Afghan War (dezembro de 2017, Stanford University Press).

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13 planejamento e proteo de extensas linhas de comuni caes possibilitaram o sucesso de Napoleo. Sua deci so de conceder liberdade de ao a Petiet foi decisiva na articulao dessas vitrias. Na Seunda Guera Mundial, o Exrcito Alemo eabeleceu a seurana da rea de retauarda em sua frente oriental. Essa medida foi tomada para prevenir que o Exrcito Russo desferisse um golpe devastador contra suas linhas de suprimento, que eavam een didas alm do normal. Os alemes designaram uma rea de retauarda atrs de cada unidade da linha de frente e colocaram um nico comandante encarega do de todas as quees de seurana. Os batahes de seurana eram compostos de veteranos da Primeira Guera Mundial; unidades militares dos Estados Blticos; e soldados da linha de frente que haviam retornado, temporariamente, retauarda para um intervalo de descanso Fahas iniciais na proteo das linhas de su primento levaram introduo de um sistema de seurana mais apurado. O sistema se concentrou em definir, claramente, a rede de transporte de suprimentos, incluindo requisitos como jornadas sem escala entre centros de suprimento, rpida dierso de suprimentos e proteo das provises logsticas contra a observao e ataque areo. O sistema ferovirio era a principal fonte de ressuprimento, sendo, frequentemen te, alvo de ataques de ueriheiros. Em consequncia, deacamentos de seurana compostos de fuzileiros e uarnies de armas pesadas instaladas nos vages fre quentemente acompanhavam os trens de suprimento, para prover proteo s unidades logsticas.O Efeito Pagonis e a Evoluo do Conceito de Posto de Comando de rea de ApoioPassando era moderna, a Guera do Golfo apre senta um claro paralelo ao que provavelmente viven ciaremos em futuras ueras. Caraerizou-se por uma transformao fundamental da doutrina geralmente aceita, passando de comandos logsticos divididos para um nico comandante de logstica. Durante a Guera do Golfo, o Gen Norman Schwarzkopf se desviou da doutrina do Exrcito dos Tela : Tela : Tela Carta analgica Expando van Expando vanDCG-S Elementos de Estado-Maior da 82 ABD Encarregados da carga da 82 SB Comunicaes/audiovisual 130 MEB ECPLegenda MEB Brigada de Apoio Manobra ECP Posto de Controle de Entrada ABD Diviso Aeroterrestre SB Brigada de Sustentao (Apoio Logstico) DCG-S Subcomandante, ApoioComandante da MEB Comandante da SB Expando van Expando vanProteo Logstica (Sustentao) Figura 1. Layout do Posto de Comando de rea de Apoio da 82 Diviso Aeroterrestre(Imagem dos autores)

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14 EUA, nomeando o Gen Div Wiliam Gus Pagonis como Subcomandante de Logstica do Comando Central, a m de colocar um nico indivduo da cadeia de comando como responsvel por todas as operaes de sustentao logstica. Pagonis controlou o rece bimento e distribuio de suprimentos por todos os modais no teatro de operaes. Como nico coman dante logstico, ele obteve o fundamental apoio logstico da nao antri ao trabahar estreitamente com o governo saudita para negociar acordos. Ordenou que suas tropas de sustentao eabelecessem bases logs ticas em pontos-chave frente das foras que eavam se deslocando para a linha de contato. Esses depsitos temporrios de suprimentos para categorias consu mveis foram colocados perto das estradas principais de suprimento, com a instruo de que deveriam ser destrudos caso comprometidos. Para cumprir sua misso, Pagonis delegou conside rvel autoridade aos comandantes subordinados dessas bases logsticas, para que efetuassem o devido ressupri mento das foras de combate e protegessem as linhas de suprimento. Essa abordagem inovadora possibilitou que todas as unidades logsticas no teatro de operaes respondessem rapidamente a necessidades prementes e permanecessem exveis o suciente para atender a requisitos da linha de frente A aplicao dessa aborda gem de comando nico para todos os recursos logsticos contribuiu diretamente para a vitria. Ao longo dos ltimos dois anos (2016), as divises do Exrcito desenvolveram, sucessivamente, o conceito de Comando de Misso dentro da rea de apoio. Em cada caso, h importantes conexes com a extraordinria liberdade de ao que Schwarzkopf concedeu a Pagonis. Ao determinar a mehor direo doutrinria para a geo da rea de apoio, a evoluo do conceito de Comando de Misso oferece uma excelente narativa histrica. Cada Diviso tem contribudo para o entendimento e emprego do conceito de PC A Ap ao acrescentar aectos fundamentais durante sucessivos Exerccios artte (WFX). Com efeito, os subco mandantes para o apoio logstico (DCG-S) de cada diviso coordenaram diretamente uns com os outros durante cada um dos WFX descritos adiante, e, quando da redao dee artigo, o dilogo entre eles continuava, no mbito de todo o Exrcito. [Cabe observar que, no Exrcito dos EUA, uma diviso conta com dois generais de uma estrela atuando como subcomandantes, um para operaes e outro para apoio s operaes N. do T.] Elementos da 130 MEB, SB da 82 Diviso Aeroterrrestre e Estado-Maior da Diviso operam em um bem integrado Centro de Comando de Operaes e Inteligncia (gura 1), destinado a possibilitar uma coordenao mais estreita e direta, junho de 2017, em Fort Bragg, Carolina do Norte. (Foto cedida por: Mission Command Training Program)

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15 1 Diviso de Infantaria. O PC A Ap foi uma inovao nascida da necessidade, denida pelo Comandante da 1 Diviso de Infantaria (1 DI) duran te o WFX 16-04. Durante o primeiro exerccio de posto de comando da diviso, o Comandante da Diviso reconheceu a necessidade de um PC A Ap, porque a atividade inimiga dentro da rea de apoio eava desor ganizando o apoio logstico constantemente, obrigando o Comandante a desviar sua ateno do combate nas reas aproximada e profunda. No nal das contas, o PC A Ap da 1 DI conquistou objetivos e combateu foras inimigas na rea de apoio. Isso permitiu que o Comandante ditasse, mais efetivamente, o ritmo do combate nas reas aproximada e profunda. A 1 DI reconheceu a necessidade de empregar as capacidades da brigada de apoio manobra (MEB) [brigada de multiplicadores do poder de combate] da Guarda Nacional agregada Diviso para operar o PC A Ap a plena capacidade sem retirar meios do posto de comando principal da Diviso (PCP Div). Uma fora extremamente capaz da Guarda Nacional ou da Reserva do Exrcito pode prover as capacidades de pro teo inerentes ligadas a uma MEB. Contudo, embora ociais de ligao da MEB houvessem participado do processo de planejamento do WFX 16-04, a brigada no havia atuado no tereno junto 1 DI anterior mente, possuindo, assim, um entendimento muito limitado do papel do PC A Ap no combate. De fato, o Comandante da MEB (para o WFX) s chegou para o incio do WFX 16-04. Apesar desses desaos de inte grao, a MEB foi bastante ecaz em prover planos de proteo de fogos coordenados e patruhas de contrar reconhecimento na rea de apoio para o WFX 16-04. A 1 DI percebeu, rapidamente, que a proviso de recursos e efetivos adicionais ao PC A Ap gerou gran des benecios para a Diviso como um todo. No incio do seundo exerccio interno de posto de comando dentro do WFX 16-04, a MEB e o PC A Ap tinham, cada um, um peloto de sistemas areos no tripulados e meios lindados adicionais. Isso resultou em maior li berdade de movimento na rea de apoio e permitiu que Os veculos extensveis (expando vans) formam um dos principais centros operacionais durante o exerccio de posto de comando Bright Star, no Egito, 04 Out 05. Esses veculos podem ser combinados em vrias conguraes para criar postos de comando extremamente funcionais (Foto do Sgt Alex Licea, Fora-Tarefa Conjunta e Combinada Escritrio de Com Soc Bright Star)

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16 os elementos de manobra operassem com um ritmo e velocidade maiores. Para sincronizar mehor os esforos do PC A Ap com os do PCP Div e do posto de coman do ttico da Diviso (PCT Div), a 1 DI transmitiu as principais reunies (ien de atualizao dirio, ie n de atualizao dos comandantes e quadro de alvos) por sistema de som para o PC A Ap, o que funcionou muito bem, ajudando a aumentar o entendimento compartihado do comando e eado-maior. 3 Diviso de Infantaria. A modicao seuinte do PC A Ap originou-se com a 3 Diviso de Infantaria (3 DI) durante o WFX 17-01. Cabe observar que os presentes autores integraram o comando da 3 DI no WFX, eando, assim, em excelente posio para observar suas bem pensadas mehorias ao modelo da 1 DI. A 3 DI concebeu o PC A Ap como um n de Comando de Misso da Diviso, desenvolvido com base na MEB a ela designada. O DCG-S supervisionou as operaes do PC A Ap para manter sua conformidade com a inteno do Comandante, e o Estado-Maior da Diviso preencheu lacunas de efetivos com reforos de pessoal e equipamentos. Com 176 elementos designa dos, o PC A Ap da 3 DI era bem maior que o modelo da 1 DI, porque houve uma participao consideravel mente maior da MEB que integrava a Diviso. A 3 DI reconheceu, imediatamente, a importncia de integrar a MEB na composio da infraestrutura de sua rea de apoio. Com efeito, o Comandante e o Estado-Maior da Diviso comearam a coordenar e treinar com a MEB quatro meses antes do WFX, o que ajudou a reduzir o inevitvel atrito relacionado integrao de uma nova unidade na composio de meios de uma divi so. Os comandantes de todos os elementos dentro do PC A Ap comearam a reformar a estrutura e a denir processos por meio da contnua coordenao. Na verso da 3 DI, o Comandante da MEB atuou como Comandante do PC A Ap, enquanto o DCG-S conduziu a superviso operacional. Esse foi o padro escohido porque o comando da MEB forneceu a maior parte dos efetivos e equipamentos empregados pelo PC A Ap. A estrutura do PC A Ap da 3 DI era, em es sncia, o Centro de Operaes Tticas (COT) da MEB, com espao adicional para o pessoal do Estado-Maior da Diviso e o DCG-S. A 3 DI tambm reconheceu a importncia dos elementos de ligao de organiza es externas ao Departamento de Defesa focadas em relaes exteriores, como o Programa de Assessoria Poltica, a Agncia dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e entidades das naes an tris. Esses elementos de ligao possibilitaram uma coordenao bem mehor por toda a rea de apoio. Diferentemente da abordagem da 1 DI, a 3 DI de terminou que o PC A Ap teria a capacidade de emitir ordens eeccas rea de apoio e aos elementos de controle que ocupassem o tereno dentro dela. A per cepo da 3 DI de que havia a necessidade de um co mandante mais antigo presente (na pessoa do DCG-S), de grau hierrquico superior a todos os comandantes de brigada na rea de apoio que pudesse facilitar a coordenao mais prontamente do que qualquer ocial de eado-maior da Diviso ou comandante subordi nado do nvel brigada mostrou ser uma importante inovao organizacional. 1 Diviso Blindada. A 1 Diviso Blindada (1 DB) conduziu o WFX 17-02 empregando o PC A Ap como um posto de comando de coordenao, ligado PlanejamentoStatus Quadros Carta Cenrio operativo comum analgico Comunicaes Chat ttico da Diviso Cenrio operativo comum digital Figura 2. Layout de Expando Van, Centro de Assalto Ttico da Brigada(Imagem dos autores)

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17 MEB e Brigada de Sustentao (SB) [Apoio Logstico]. O PC A Ap eava focado exclusi vamente nas operaes corentes e na coordenao direta com o PCP Div, para facilitar a geo das operaes de proteo na rea de apoio. No tinha a capacidade de assumir o controle do espao areo ou fogos. No obstante, o Comandante da SB serviu, com efeito, como comandante logs tico e o Comandante da MEB como comandante de proteo, o que forneceu a estrutura que as subsequentes divises seui riam em termos de facilidade de comunicao e coordenao. Na metade do WFX, determinou-se que ambos os comandantes de brigada fossem posicionados no mesmo local que o DCG-S, no PC A Ap, sentando-se um de cada lado, com o objetivo de agilizar as comunicaes entre os esforos logsticos e de proteo. Realizaram essa mudana aps aluns dias de coordenao mais lenta e atraso na resoluo de prolemas, quando eavam separados geogracamente. Esse foi um passo inovador na evolu o do conceito de PC A Ap, nascido da necessidade. 25 Diviso de Infantaria. A 25 Diviso de Infantaria (25 DI) empregou seu prprio mtodo para estruturar o PC A Ap durante o WFX 17-04, em Schoeld Baracks, no Hava. Foi uma abordagem bem organizada e executada, que integrou um experiente grupo representativo do Estado-maior da Diviso. As responsabilidades do PC A Ap em relao ao PCP Div e PCT Div foram claramente delineadas pelo DCG-S. O PCP Div cou responsvel pelo combate aproxi mado no campo de bataha, enquanto o PCT Div se concentrou no combate em profundidade ou em partes eeccas do combate aproximado, como travessias de curso de ua ou operaes de assalto areo no escalo brigada. O PCP Div se concentrou em elaborar um processo de seleo de alvos que trataria do combate aproximado e do combate em profundidade, enquanto a seleo de alvos na rea de apoio cou sob a coorde nao do Estado-Maior do PC A Ap, mas apenas com meios sucientes para proteger as linhas de comuni caes terestres e uma insuciente capacidade para controlar manobras, fogos e efeitos. A integrao da MEB no foi realizada antes do WFX 17-04 e ocoreu de modo limitado durante o exerccio, porque ela no eava focada nele como um adestramento principal (o comandante da brigada da Reserva do Exrcito no participou). O representante mais antigo da MEB era um jovem e agressivo ocial superior, que no havia trabahado com a Diviso antes. Apesar de todo o empenho do ocial, a falta de um investimento prvio por parte da fora da MEB fez com que fosse impossvel integrar, devidamente, a proteo com o apoio logstico (sustentao). Isso foi exacerbado pelo fato de que a maioria dos recursos necessrios para controlar a rea de apoio era oriunda do Quadro de Organizao e Dotao padro da MEB. Devido a essa decincia na integrao de equipamentos e pessoal, o 130 MEB Estado-Maior da 82 Diviso Aeroterrestre Audiovisual Brigada de Sustentao (Apoio Logstico) da 82 Diviso Aeroterrestre Figura 3. Combinao de Quatro Expando Vans para Criar o Centro de Assalto Ttico do Posto de Comando de rea de Apoio(Imagem dos autores)

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18 PC A Ap da 25 DI s foi capaz de servir como um posto de comando de coordenao durante o WFX 17-04. A reunio de sincronizao do PC A Ap foi o mais valioso componente das atividades dirias do ciclo das opera es (ane rtttm ) em relao coordenao e geo da rea de apoio, servindo como um canal essencial de resoluo de prolemas durante todo o exerccio e como mais um aprimoramento fundamental do conceito de PC A Ap. O DCG-S da 25 DI era o foco da ateno de todo o eado-maior da rea de apoio, e todos os esforos da rea foram coordenados por meio dele, a m de reforar ou complementar os esforos do PCP Div. Estava claro que os meios da Diviso necessrios para tratar das quees de priorizao logstica eavam incorporados ao PC A Ap, funcionando em um nvel elevado. Isso possibilitou a geo completa e eciente da rea de apoio pelo DCG-S. Entretanto, os recursos, pessoal tcnico e sistemas necessrios para controlar plenamente a rea de apoio no eavam disponveis; isto os sistemas necessrios para controlar e coordenar o espao areo e controlar fogos, como o Sistema Ttico de Integrao Aeroespacial, Sistema Ttico Avanado de Dados da Artiharia de Campanha e a Estao de Defesa Antiarea e Antimsseis no eavam disponveis e o pessoal de de fesa antiarea, artiharia de campanha e aviao treinado para operar esses sistemas tambm no eava mo. Entretanto, a capacidade do PC A Ap durante esse exer ccio aproximou-o mais de um papel de controle que em todas as Divises anteriores e eabeleceu os requisitos para que ele se tornasse um PC de controle da Diviso.Nova Doutrina para o Posto de Comando de rea de ApoioNossa experincia na 82 Diviso Aeroterestre durante o WFX 17-05 tomou como base as experin cias de todas as divises anteriores, representando uma integrao intencional de todas as lies aprendidas. A estrutura do PC A Ap foi desenvolvida com a inteno do Comandante em mente. O Gen Bda Erik Kurila deixou claro que todos os postos de comando, incluin do o PC A Ap, deveriam ser menores, mais leves, mais ecientes, mais rpidos, mais capazes e providos de es tados-maiores mais geis. Um princpio elaborado com essa inteno em mente foi o de obter a sinergia entre postos de comando de proteo, logstica (sustentao) e combate mediante a colocao dos COT em um mesmo local. Combinamos elementos da 130 MEB (da Guarda Nacional da Carolina do Norte), da SB da 82 Diviso Aeroterestre (ADSB) e do Estado-Maior da Diviso A 82 Diviso Aeroterrestre estabeleceu seu PC A Ap em junho de 2017 na Zona de Lanamento Holland, Fort Bragg, Carolina do Norte, durante o Exerccio Warghter 17-05. (Foto do Cap Benjamin Torgersen, Exrcito dos EUA)

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19 em uma estrutura de PC A Ap onde os comandantes de brigada e o DCG-S eavam ao alcance da mo uns dos outros. Os principais ociais de eado-maior de cada um dos trs componentes trabaharam, ento, dentro de um grupo essencialmente aberto e contuo de baracas para facilitar a coordenao direta (veja a ura 1). O requisito de mudar para um novo local rapida mente, caso o anterior fosse comprometido pela detec o de um SANT ou identicao sica, foi cumprido com a incorporao de quatro veculos extensveis de cinco toneladas M1087 (exano ans ). Trs deles eavam conurados como cada um dos trs coman dos do COT (MEB, ADSB e Estado-Maior da Diviso, reectivamente). No incio do WFX, pensamos apenas em utilizar um centro de assalto ttico (TAC, na sigla em ingls) do PC A Ap de uma maneira que he conferisse responsabi lidade de Comando de Misso de curto prazo, enquanto o centro principal do PC A Ap se deslocava para o local j eabelecido pelo TAC. Contudo, com o desenrolar da ameaa e prosseuimento das operaes, cou claro que o TAC do PC A Ap fornece, essencialmente, a mesma capacidade que o PCT Div fornece ao PCP Div, ofere cendo maior exibilidade ao comando. As limitaes do TAC do PC A Ap eo efetivamente ligadas ao compo nente de controle do PC A Ap, j que no h, atual mente, suciente capacidade para controlar qualquer combate na modalidade TAC (nenhuma capacidade de controle aeroespacial ou de fogos). No obstante, o poder de coordenao de um TAC de PC A Ap oferece uma tremenda capacidade de rastreamento logstico e uma capacidade adicional de exercer o Comando de Misso. No mnimo, a abordagem que adotamos possibilitou efetivos deslocamentos do posto de comando. Cabe mencionar a estrutura sica do TAC ao se desligar do PC A Ap. Da mesma forma que nas reas aproximada e profunda, a rea de apoio enfrentar circunstncias prementes, que exigiro que o n de comando principal se reposicione rapidamente para reduzir a vulnerabilidade. O modo pelo qual o eado -maior e posicionado para efetuar essas transies, ao mesmo tempo que mantm a conscincia situacio nal, extremamente importante. Independentemente do tipo de diviso em queo (ex.: Infantaria, Blindada, Aeroterestre), o emprego de exano ans pelo menos um dos mtodos viveis (veja a ura 2). A imple mentao requer que se associe um desses veculos a cada uma das duas brigadas e um outro ao elemento de Estado-Maior da Diviso. A incluso de um vecu lo adicional para servir como centro audiovisual para todas as trs unidades forneceu comunicaes seuras redundantes em um ambiente silencioso, afastado da agitao e baruho dos outros trs veculos. Obtm-se uma estrutura vivel eacionando esses veculos de r um contra o outro (veja a ura 3), co nectando-os com um piso de madeira compensada na parte externa e, ento, cobrindo tudo com lona e rede de camuagem. Tambm suciente no s assumir o combate do centro principal do PC A Ap, mas tam bm manter um grau de sobrevivncia com o emprego de redes de camuagem para reduzir a assinatura do veculo terestre. Quando o TAC assume o controle do combate, o centro principal do PC A Ap desmontado o mais rpido possvel e deslocado para a nova posio, a curta distncia do TAC. O posicionamento do DCG-S, do Comandante da MEB e do Comandante da SB em um nico Centro de Comando de Operaes e Inteligncia importante para obter a sincronizao das atividades na rea de apoio e facilitar a coordenao imediata e a resoluo de conitos de responsabilidade durante um engaja mento de rpida evoluo. Devido velocidade das operaes, uma SB s pode apoiar, de modo vivel e ecaz, uma diviso de cada vez em um engajamen to de ao decisiva e ritmo acelerado. O WFX nos mostrou que preservar a capacidade de sobrevivncia dos meios de apoio logstico requer a integrao do COT da SB no PC A Ap, em vez de posicion-lo com um comando de apoio expedicionrio. O acrscimo de um DCG-S ao PC A Ap possibilita a coordenao e resoluo de conitos de responsabilidade, alm de facilitar muito o recebimento de meios crticos do PCP Div. No WFX 17-05, a integrao dos Estados-Maiores da MEB, ADSB e Diviso promoveu um rpido e ecaz processo decisrio mediante a criao de clulas de fuso em todas as funes de combate. Alumas das constataes mais signicativas reveladas duran te a anlise ps-ao do WFX resultaram de uma avaliao minuciosa de onde os principais integrantes do eado-maior se sentaram durante os iens de atualizao dirios e onde suas eaes de trabaho eavam posicionadas na rea principal (em relao aos colegas). O investimento inicial e contnuo na

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20 interao entre os integrantes dos eados-maiores de brigada e diviso o que pe em funcionamento esse esquema conceitual. Durante as fases de planejamento de uma opera o militar, preciso reetir muito bem sobre quais meios, recursos e pessoal-chave permanecero na rea de apoio pelos quais todas as categorias essenciais de suprimentos e provises para o combate uiro e sero controladas. Em um dinmico e acelerado ambiente de ameaas, simplesmente no h tempo de transferir recursos ou deslocar um outro posto de comando para a rea de apoio como reforo contra vulnerabilidades. O desenvolvimento do PC A Ap confere a um n de Comando de Misso as capaci dades e devida superviso (na pessoa de um DCG-S) para enfrentar ameaas conforme surjam, solici tar meios crticos e implementar as prioridades do Comandante. Em uma rea de apoio, a doutrina vigente sugere que seria apropriado montar e pr em operao um PC de SB e um PC de MEB. A nova doutrina sugere que um posto de Comando de Misso de diviso apro priado porque organizar meios, recursos e prioridades do comando requer um n capaz de aplicar as decises j tomadas pelo Comandante e dirigir aes que sejam coerentes com sua inteno Isso eecialmente importante porque a ameaa na rea de apoio provavel mente ser muito diferente da natureza da ameaa nas reas aproximada e profunda. O propsito das foras amigas na rea de apoio con tinuar sendo o de prevenir a interupo das linhas de suprimento para garantir que as foras de manobra no sejam privadas de alimentos, combustvel e munies. As medidas preventivas que forem tomadas devem ser planejadas efetivamente e implementadas vigorosa mente, e a estrutura escohida para sincronizar essas aes deve ser praticada habitualmente.Avaliao Final da Integrao do PC de rea de Apoio em uma DivisoH duas possibilidades para um PC A Ap: coorde nar e controlar. Em um papel de coordenao, um PC A Ap no tem a capacidade de manobrar fogos e for as ou de determinar o emprego de meios adicionais da composio de meios de uma diviso. Por sua vez, um PC A Ap com a funo de controle teria todos os elementos essenciais relacionados a um PCP Div ou PCT Div. Esses recursos essenciais incluiriam sistemas de Comando de Misso que capacitariam o PC A Ap a controlar o espao areo, monitorar o uxo areo e prover fogos de contrabateria. Os sistemas necessrios para executar essas aes incluem o Sistema Ttico Avanado de Dados da Artiharia de Campanha, a Estao de Defesa Antiarea e Antimsseis e o Sistema Ttico de Integrao Aeroespacial, alm de operado res com a exertise requerida para integrar o eeac em um claro cenrio operativo comum. Com base em nossa experincia no WFX de uma diviso, avaliamos o PC A Ap em funo de controle como sendo a op o mais dinmica e ecaz. O PC A Ap deve ser capaz de controlar e dirigir combates que possam ocorer na retauarda das foras de manobra. Em um PC A Ap, seja no papel de coordenao ou, eecialmente, no de controle, o DCG-S aumenta a sincronizao e capacidade do posto de comando. O DCG-S serve, frequentemente, como comandante imediato para o Comandante da Brigada de Aviao de Combate, Comandante da Artiharia Divisionria e Comandante da SB na sede. Essa relao de trabaho j eabelecida e estreita gera oportunidades para tirar proveito do relacionamento preexistente. Por exem plo, caso se identique uma clara necessidade de per seuir um alvo na rea de apoio, mas os nicos meios de artiharia disponveis eejam em apoio geral, mui tas vezes uma simples ligao telefnica do DCG-S ao Comandante da Artiharia Divisionria pode produ zir uma rpida mudana para o apoio direto at que tal alvo seja neutralizado e a ameaa reduzida. Quando comboios logsticos avanando por uma estrada principal de suprimento rumo rea de apoio forem atacados sem nenhuma escolta de avia o de ataque, o relacionamento de longa data entre o Comandante da Brigada de Aviao de Combate e o DCG-S tambm poder levar a uma rpida pres tao de apoio. Uma importante razo pela qual esse conceito funciona to bem o elemento que serve de base ao Comando de Misso: a confiana. No o grau hierrquico ou funo que faz com que essas chamadas para pedir apoio e respectivas respostas sejam rpidas, e sim saber que alum com quem se trabaha estreitamente e em quem se confia precisa de ajuda imediatamente. Essa dinmica humana orienta esse componente do conceito de PC A Ap. H, evidentemente, uma externalidade positiva que

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21 est ligada cadeia de comando formal estabelecida em sede, mas ela sempre suplantada pelo compro misso de ajudar um colega prximo em necessidade. A vulnerabilidade da rea de apoio de uma diviso continuar a ser motivo de preocupao para um comandante caso a arquitetura de Comando de Misso no eeja alinhada de um modo que possa efetivamente lidar com as linhas de ao mais perigo sas do inimigo, particularmente um ataque na rea de apoio. Os comandantes devem aplicar a devida liderana e recursos quele local, de modo que possam permanecer focados no combate diante deles; caso contrrio, os planos de bataha se desarticularo como ocoreu com o Rei Lenidas, quando seus uereiros espartanos se tornaram vtimas dessa vulnerabilidade na Bataha das Termpilas. Apesar da bravura dos , os espartanos perderam a bataha e Lenidas foi morto. Por sua vez, a autoridade e controle concedi dos ao Gen Div Pagonis na Operao esert tor foram sem precedentes, assim como o foram seus efetivos resultados. Em uma era de combate em que as informaes e as tropas se movimentam com veloci dades alarmantes, a delegao de autoridade e contro le da rea de apoio a um DCG-S o que proporciona r a um comandante de diviso a possibilidade de se concentrar no combate sua frente, sem ter de ohar por cima do ombro. A aplicao de uma estrutura semehante de Pagonis a esse antigo desao evitar surpresas trgicas como a das Termpilas na Grcia antiga, possibilitar maior criatividade e criar oportunidades como as aproveitadas por Pagonis durante a primeira Guera do Golfo. Referncias 1. Richard Abels, Armies, War, and Society in the West, ca.300-ca.600: Late Roman and Barbarian Military Organizations and the Fall of the Roman Empire, United States Naval Academy (site), acesso em 1 dez. 2017, hps://www.usna.edu/Users/ history/abels/hh381/late_roman_barbarian_militaries.htm 2. Michael F. Hammond, Army Logistics and Its Historical Inuences, Army Sustainment 44, no. 1 (Jan.-Feb. 2012), acesso em 27 out. 2017, hp://www.almc.army.mil/alog/issues/JanFeb12/Logistics_Historical_Inuences.html 3. Ibid. 4. German Rear-area Security in WWII, Feldgrau. com, acesso em 27 out. 2017, hps://www.feldgrau.com/ WW2-German-Rear-Area-Security 5. Ibid. 6. Greg Seigle, Gulf War 20th: Logistics Mar vels Made the Le Hook Work, Defense Media Net work (site), 23 Feb. 2011, acesso em 27 out. 2017, hp://www.defensemedianetwork.com/stories/ gulf-war-20th-logistics-marvels-made-the-le-hook-work 7. Army Doctrine Reference Publication 3-0, Operations (Washington, DC: U.S. Government Publishing Oce [GPO], 6 Oct. 2017), 4-6. 8. Field Manual 3-0, Operations (Washington, DC: U.S. GPO, 6 October 2017), 2-37.

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22 2060United States111Saudi Arabia Geoeconomia Cel (Res) John F. Troxell, Exrcito dos EUANota do Editor: Quando a Military Review pediu que o Cel John Troxell, do Army War College, zesse uma re senha do livro War by Other Means: Geoeconomics and Statecra, dos ilustres acadmicos Robert Blackwill e Jennifer Harris, a inteno era publicar um ensaio avaliando os mritos e a relevncia do livro. O projeto evo luiu, porm, passando de mera resenha a uma anlise extensa e detalhada, que se expandiu como uma espcie de variao sobre um tema quanto s questes atuais abordadas no livro. Assim, a Military Review em ingls iniciou sua edio de janeiro-fevereiro de 2018 com este artigo hbrido: parte resenha, parte pesquisa independente. O artigo faz-se especialmente relevante, uma vez que sua publicao praticamente coincide com a da nova Estratgia Nacional dos EUA, que identica a China e a Rssia como os grandes potenciais rivais, e ocorre imediatamente aps o debate sobre mudanas na natureza da guerra, sendo conduzido nos mais altos escales da estrutura de defesa russa. (Veja Gen Valery Gerasimov, Chief of the General Sta of the Russian Federation Armed Forces, e Value of Science is in the Foresight: New Challenges Demand Rethinking the Forms and Methods of Carrying out Combat Operations, Military Review 96, no. 1 [January-February 2016]: p. 23-29). [O artigo traduzido intitulado O Valor da Cincia est na Previso: Novos Desaos Exigem Repensar as Formas e Mtodos de Conduzir as Operaes de Combate", foi publicado na edio brasileira de maro-abril de 2016 N. do T.]

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23 2060United States 111 Saudi Arabia Acima: Captura de tela do site Norse que monitora, em tempo real, esforos globais de hackers para entrar em bancos de dados internacionais destaca o conito ciberntico entre a China e os Estados Unidos. Hackers baseados na China tm a liderana mundial em nmero de ataques contra outras naes, incluindo os EUA, que o alvo mais frequente de ataques na internet. A grande maioria desses ataques visam instituies econmicas e nanceiras, rmas de desenvolvimento tecnolgico e departamentos de administrao governamentais. (Foto cedida por Norse, hp://www. norse-corp.com/) esquerda: War by Other Means: Geoeconomics and Statecra, Robert D. Blackwill e Jennifer M. Harris, Harvard University Press, Cambridge, Massachuses, 2017, 384 pginas.

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24 tainiae surea no consiste e anta ce ata ltas, mas sim e ence o inimio se comate.Sun Tzu*Aluns anos atrs, em um depoimento perante o Comit de Relaes Exteriores do Senado, Henry Kissinger ressaltou a frustrao que os Estados Unidos da Amrica (EUA) sentem. Apesar de possurem a maior e mais vibrante economia do mundo e a mehor e mais capaz estrutura militar, o atual am biente de seurana internacional mais preocupante do que nunca. Os EUA se veem em uma situao paradoxal. Seundo qualquer padro de capacidade na cional, eamos em posio de alcanar nossos objetivos e inuenciar os assuntos internacionais. Contudo, ao oharmos ao redor do mundo, encontramos distrbios e conitos. Os EUA no enfrentam um conjunto de crises to variado e complexo desde o nal da Seunda Guera Mundial. H apenas aluns meses, o Secretrio de Defesa James Maris ecoou a assertiva de que a situao de seurana global vem piorando: Nosso desao caraerizado por um declnio da antiga ordem internacional baseada em regras, trazendo consigo um ambiente de seurana mais voltil do que qualquer um dos que eu vivenciei em minhas quatro dcadas de servio militar Algo que agrava essa preocupao o fato de que grande parte do desao geopoltico que aige os EUA facilitada por esforos e mtodos fora dos tradicionais domnios poltico e militar da compe tio geopoltica. Entre os domnios que afetam a competio geopoltica, os que mais se deacam so os da infor mao, ciberespao e economia. Um relatrio de 2017 da entidade Center for American Progress enfoca a transformao da informao em arma, armando: As democracias liberais em todo o mundo eo sob ataque. Esto sendo atacadas no com as tradicionais armas da uera, mas com a desinformao infor maes intencionalmente falsas ou enganosas, desti nadas a enganar os plicos-alvo O sistema poltico norte-americano continua alvoroado por causa da suposta campanha de desinformao russa em conexo com a eleio de 2016 O ciberespao repre senta um domnio ainda mais ameaador. O ex-Secre trio de Defesa Leon Panera advertiu sobre a possibi lidade de um Pearl Harbor ciberntico que chocaria e paralisaria a nao O Diretor de Inteligncia Nacional Dan Coats, em seu depoimento perante o Senado em 2017, citou o ciberespao como principal ameaa global, declarando: Nossos adversrios eo se tornando mais hbeis em empregar o ciberespao para ameaar nossos interesses e promover os deles, e, apesar de defesas cibernticas cada vez mehores, quase todas as informaes, redes de comunicaes e sistemas earo em risco durante anos Por m, os EUA eo enfrentando as consequn cias de uma mudana radical do poder econmico rela tivo. A ascenso da China desde as reformas iniciais de Deng Xiaoping foi algo sem precedentes. A pulicao e conomist chamou-a de exploso mais dinmica de criao de riqueza na histria da humanidade. A China se converteu no pas nmero um em manufatura e comrcio, e seu produto interno bruto o seundo maior do mundo o maior, se mensurado pela pari dade do poder de compra. Esse deslocamento econ mico de poder tem se tornado ainda mais ameaador para os EUA luz da grande crise nanceira de 2008. A recuperao aps a crise tem sido lenta e constan te, mas o dano feito s percepes diminuiu muito a eccia do poder relacional dos EUA a capacidade de comandar ou cooptar f. A China, por outro lado, tem tirado grande proveito das novas circunstncias, sendo descrita como principal praticante da geoeconomia e mestre no novo jogo econmico. A uera de informao, uera ciberntica e com petio econmica internacional no so necessaria mente novas abordagens ou mtodos para os Estados buscarem objetivos de seurana nacional, mas o contexto em que eo sendo aplicadas e a importncia que assumiram so algo signicativamente novo. As conexes das tecnologias de informao e comunica o e das mdias sociais e a economia mais plenamente integrada e globalizada, aliadas ao desejo de evitar o atual poder militar assimtrico norte-americano, tm canalizado para esses domnios no tradicionais uma oposio revisionista e rejeicionista ordem internacio nal baseada em regras apoiada pelos EUA. Os que desaam a ordem existente levaram Sun Tzu a srio e eo tentando vencer sem combater. [*O trecho traduzido foi extrado de Sun Tzu, A Arte da Guerra: Os Treze Captulos Originais, traduo de Andr da Silva Bueno, So Paulo: Jardim dos Livros, 2010. N. do T.]

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25 Esto operando na hoje conhecida rea cinzenta: o espao incmodo entre as concepes tradicionais de uera e paz. Vem sendo feito um grande esforo para analisar e possivelmente neutralizar o impacto das operaes de informao e operaes cibernticas, mas, seundo Robert Blackwil e Jennifer Haris em seu livro a tte eans: eoeconomics an tatecra, de 2016, os EUA, por uma faha em larga escala da memria estratgica coletiva, tm permitido que as condies geoeconmicas globais se voltem perigosamente contra o pas e, a menos que isso seja corigido, o preo em vidas e recursos para os EUA s vai aumentar. Os autores armam, ainda, que mais e mais Estados eo conduzindo a geopoltica com o capital, buscando, com tales de cheques [fundos] soberanos e outras fera mentas econmicas, alcanar objetivos estratgicos que, no passado, eram frequentemente objetos de coao ou conquista militar A perda de memria dos EUA e a maior disposio das potncias em ascenso a utilizar instrumentos econmicos para alcanar ns geopolti cos signicam que os EUA precisam repensar e reo rientar sua poltica externa para obter xito em uma poca denida, signicativamente, pela projeo de poder econmico. Independentemente de como o leitor responda ao arumento dee ensaio, todos os prossionais de seurana nacional devem ler a tte eans. Como observa Henry Kissinger, na contracapa: Robert Blackwil e Jennifer Haris fazem um favor aos for muladores de polticas ao lembr-los da importncia das feramentas geoeconmicas. Em um mundo cada vez mais afetado pelo poder econmico, sua anlise merece uma cuidadosa considerao. Um incentivo nal para que os leitores ampliem seu entendimento do nexo entre economia e seurana nacional fornecido por Leslie Geb: Atualmente, a maioria das naes bate os tambores da poltica externa predominante mente seundo os ritmos econmicos, mas os EUA nem tanto. A maioria das naes dene seus interesses principalmente em termos econmicos e negociam, na maior parte, em poder econmico, mas os EUA nem tanto. A maioria das naes adaptou suas estratgias de seurana nacional para se concentrar na seurana econmica, mas os EUA nem tanto. Washington continua a pensar sobre sua seurana principalmente em termos mi litares tradicionais, respondendo a ameaas com meios militares. O desao central para Washington ento, recompor sua poltica externa com um tema econmico, ao mesmo tempo que combate ameaas de formas novas e criativas. Os EUA devem se concentrar na oportunidade con ferida por uma economia global cada vez mais interco nectada, regida por instituies e conjuntos de regras que ns criamos e na qual os pontos fortes econmicos inerentes aos EUA representam a mehor cartada. Blackwil e Haris abordam quatro quees em sua anlise, destinadas a mehorar o entendimento e a reexo sobre a geoeconomia: 1. O que geoeconomia e por que ela vem crescendo em importncia? 2. Quais so os instrumentos da geoeconomia? 3. Como a China e os EUA vm se desempenhando nesse domnio da geoeconomia? 4. Qual seria uma estratgia geoeconmica mais e caz para os EUA? Este trabaho aprofundar a resposta deles primei ra queo; deacar aluns pontos relevantes sobre seu tratamento bastante detahado dos instrumentos geoeconmicos; resumir a anlise sobre a habili dade geoeconmica da China, com alumas res salvas, discordando com a crtica dos autores em relao ao desempenho geoeconmico dos EUA; e, por m, contear as consideraes nais sobre estratgia geoeconmica por eles apresentadas.O Que a Geoeconomia?Antes de nos concen trarmos em o qu, vale considerar, brevemente, por que o conceito vem crescendo em importn cia. A mudana de nfase O Cel John F. Troxell, da reserva remunerada do Exrcito dos EUA, professor e pesquisador de Segurana Nacional e Estratgia Militar junto ao Strategic Studies Institute, U.S. Army War College. Concluiu o bacharelado pela Academia Militar dos EUA e o mestrado pela Woodrow Wilson School, Princeton University. Concluiu, tambm, o curso do U.S. Army War College em 1997. Foi autor de captulos de vrios livros, alm de artigos nas revistas Parameters, Military Review e junto ao Strategic Studies Institute.

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26 comeou quando a Guera Fria eava chegando ao m. Naquela poca, Edward Lurwark comentava a importncia cada vez menor do poder militar, obser vando que os mtodos comerciais eavam suplantan do os mtodos militares com o capital disponvel em lugar do poder de fogo, a inovao civil em lugar de avanos tcnicos militares e a penetrao de mercado em lugar de quartis e basesf. Aluns anos depois, Samuel Huntington armou que era preciso deacar as consideraes econmicas nas relaes intereatais: A atividade econmica [] com efeito, provavelmente a mais importante fonte de poder e, em um mundo em que o conito militar entre grandes Estados algo improvvel, o poder econmico ser cada vez mais im portante para determinar a primazia ou subordinao dos Estados A nfase no poder econmico ainda mais prevalente com as atuais potncias em ascenso, conforme observaram Blackwil e Haris: As atuais potncias em ascenso eo cada vez mais interessadas em instrumentos econmicos como principais meios de projetar inuncia e conduzir o combate geopoltico no sculo XXI O primeiro fator responsvel pela crescente tendncia de se concentrar em instrumen tos econmicos a pouco promissora alternativa de desaar a primazia militar norte-americana: A lgica de desaar os EUA em uma uera de grande vulto e cando cada vez mais remota Os autores observam os cticos quanto a esse ponto e reconhecem o progra ma de modernizao militar em curso da China e o desao da Rssia na rea cinzenta, concluindo, entre tanto, que nenhum deles sequer e tentando desaar a primazia militar norte-americana de uma maneira abrangente. Um seundo fator o fato de que muitos Estados em ascenso adotaram graus de capitalismo eatal e, assim, contam com os meios econmicos sua disposio para buscar objetivos geopolticos e contear certos aectos do sistema internacional existente. O capitalismo eatal representa uma estrutura econmica hbrida em que grandes segmentos da economia so controlados pelo Estado, mas operam lado a lado com um setor privado predominantemente voltado ao mercado. A China a principal praticante e, seundo a pulicao e conomist os chineses acreditam ter redesenhado o ca pitalismo para faz-lo funcionar mehor, e um crescente nmero de dirigentes dos pases emergentes concordam com eles. O controle eatal exercido por meio de companhias nacionais de petrleo e gs, empresas ea tais ( state-owne enterises OE), campes nacionais patrocinadas pelo Estado, fundos soberanos e bancos eatais. Ao contrrio dos Estados que operam com um signicativo componente eatal da economia, gran de parte do poder econmico ocidental detido pela iniciativa privada. Os clculos de lucro e prejuzo do setor privado, por se basearem no mercado, fazem com que seja extremamente improvvel que essas empresas respondam a objetivos geopolticos nacionais. O ltimo fator a economia cada vez mais integrada mundialmente. Apesar da crescente reao populista contra a globalizao, sua verso do sculo XXI perma nece viva e forte. As determinantes da globalizao continuam a existir: menores custos de transporte; a revoluo da tecnologia da informao e maior inter conexo; mercados de capitais mais exveis; a prolife rao de acordos de livre comrcio; e organizaes que reulam o comrcio internacional, como a Organizao Mundial do Comrcio. De fato, as economias nacio nais eo ainda mais integradas, uma vez que o proces so de manufatura foi fragmentado, convertido em pro duto e feito dependente de cadeias integradas e globais de suprimentos de componentes intermedirios. A interdependncia cada vez maior das economias nacionais por meio da globalizao gera diferentes graus de dependncia e vulnerabilidade e, seundo Joseph Nye, a manipulao das assimetrias da interdependn cia uma importante dimenso do poder econmico. Todos esses fatores atuam juntos para fazer com que os Estados quem mais propensos a empregar instrumen tos econmicos de poder como primeira opo. Para descrever essa nova tendncia de dependn cia eatal em relao ao poder econmico, Lurwark cunhou o termo geoeconomia em seu ensaio de 1990, From Geopolitics to Geo-Economics (Da Geopoltica Geoeconomia, em traduo livre). Arma: Geoeconomia [] o mehor termo que eu posso imaginar para descrever a mistura da lgica de conito com os mtodos do comrcio ou, como teria dito Clausewitz, a lgica da uera na gramti ca do comrciof. O termo cou um pouco confuso desde ento, e Blackwil e Haris quiseram esclarecer o conceito e estreitar seu foco. Assim, eles apresentam a seuinte denio: Geoeconomia: O uso de instrumentos eco nmicos para promover e defender interesses

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27 nacionais e produzir resultados geopolticos bencos; e os efeitos das aes econmicas das demais naes sobre os objetivos geopol ticos de um pas. Os autores indicam que sua anlise se concentra no seundo elemento dessa denio, o uso de instrumen tos econmicos como meios de alcanar ns geopo lticos. Antes de nos aprofundarmos na anlise feita pelos autores sobre os aectos econmicos de statecra [traduzido por poltica, arte de governar ou diplomacia N. do T.], cabe considerar, pelo menos brevemente, o alcance total da relao entre poder econmico e geo poltica. Trs dimenses eeccas so relevantes para essa considerao: o desempenho macroeconmico de uma nao; a poltica econmica internacional; e os instrumentos econmicos empregados na busca de ns geopolticos (a nfase de a tte eans ). Hal Brands observa, no ensaio Rethinking Americas Grand Strategy (Repensando a Grande Estratgia dos EUA, em traduo livre), que a grande estratgia comea e termina com a macroeconomia, e qui o ensinamento mais importante da Guera Fria o de que o xito geopoltico decore da vitalidade eco nmica A anlise histrica clssica desse princpio a obra e ise an a o reat owers [intitulado, O paradigma de desenvolvimento econmico empregado pela China diverge fortemente do utilizado pelos EUA, que se apoia no conceito de crescimento econmico decorrente, principalmente, de investimentos privados. Em contrapartida, a China opera como um Estado corporativo e economia dirigida, que se apoia forte mente em investimentos estatais seletivos para controlar a direo do crescimento econmico e do comrcio. Assim, o governo chins est diretamente envolvido em moldar polticas econmicas estratgicas, que tratam concorrentes econmicos praticamente como inimigos econmicos. (Foto cedida por Wikimedia Commons; imagem de Arin Burgess, Military Review)

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28 no Brasil, scenso e uea as ranes otncias N. do T.], de Paul Kennedy, na qual ele conclui que uma grande potncia precisa de uma prera base econmica. Tanto o Presidente Barack Obama, com sua nfase na reconstruo nacional no mbito inter no, quanto o Presidente Donald Trump, com seu foco em fazer os EUA grandes de novo, reco nhecem a necessidade de manter e construir uma forte economia interna. As polticas para gerar crescimento econmico so comunicadas por meio de decises ora mentrias que orientam a gerao de receita e alo cao de recursos e o cor reto nanciamento das atividades do governo Todos os trs ltimos Chefes da Junta de Chefes de Estado-Maior dos EUA [cargo similar ao Chefe do Estado-Maior de Defesa, no Brasil N. do T.] expressaram preocupao sobre essas quees. O Alte Esq Mike Mulen declarou que a dvida nacional a maior ameaa nossa seurana nacional; o Gen Ex Martin Dempsey observou o surgimento de quees econmicas como uma importante preocupao e, pos sivelmente, um foco de sua geo na Junta de Chefes; e o Alte Esq Joseph Dunford expressou sua preocupao sobre o impacto de futuras dinmicas oramentrias sobre os recursos para a defesa. Nenhuma dessas preocupaes foi resolvida, enquanto a lei Budget Control Act (Lei de Controle Oramentrio) continua em vigor e outro debate sobre a prorogao da dvida e prees a acontecer. A seunda dimenso a poltica econmica in ternacional na qual instrumentos econmicos so empregados em apoio a ns econmicos. A distino entre a busca de ns geopolticos e a de ns econ micos pode ser vaga s vezes. Conforme admitem Blackwil e Haris, os Estados podem e, muitas vezes, formulam polticas geoeconmicas que promovem, simultaneamente, diferentes interesses geopolticos, econmicos e de outra natureza. Ainda que possam ter conotaes geopolticas, alumas das quees mais controversas entre os EUA e a China se concentram, na verdade, em resultados econmicos. Alumas quees que vm imediatamente mente so o roubo de propriedade intelectual facilitado pela espionagem econmica ciberntica, a falta de aplicao da lei sobre direitos de propriedade intelectual (DPI) e polticas autoritrias de transferncia de tecnologia; e o prole ma intimamente relacionado da poltica industrial e do contnuo apoio chins s campes nacionais. Trump anunciou, em 2017, uma poltica de tolerncia zero para com o roubo de propriedade intelectual e a transferncia forada de tecnologia, ordenando uma investigao do impacto das prti cas chinesas sobre o comrcio norte-americano. A China, ao que consta, responsvel pela maior parte dos US$ 600 bihes anualmente em custos de roubo de propriedade intelectual para os EUA. A queo dos DPI e da transferncia de tecnologia se inltra Figura. Instrumentos Econmicos(Grco do autor; IFI: Fundo Monetrio Internacional, Banco Mundial, Bancos de Desenvolvimento Multinacionais, etc.) Positivos Negativos Comrcio Ceder acesso Acordos de livre comrcio Aquisies do governo Licenas Sanes negar acesso Embargo/boicote/quotas Negar licenas Subsdios Resoluo de disputas da Organizao Mundial do ComrcioFinanas Contribuies de instituio nanceira internacional Mercados de capitais abertos Pacotes de resgate nanceiro Perdo de dvidas Congelar ativos Controles de capital Manipulao cambial Sanes nanceiras sanes secundrias Vender ttulos de dvida estrangeira Poltica monetriaAssistncia Assistncia Ocial ao Desenvolvimento Contribuies privadas Programas de sade pblica Ajuda condicional Ajuda vinculadaPolticasRegulamentao

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29 na poltica industrial extremamente ativa da China: Conforme o governo chins tenta transformar a China em um lder mundial das indstrias intensivas em tecnologia, como semicondutores, caros sem moto rista e biotecnologia, o medo de que ele v saquear as joias intelectuais de seus aliados estrangeiros e, ento, livrar-se deles H dois anos, a China deu incio sua mais nova poltica industrial, Made in China 2025, voltada a dez importantes setores industriais, com o objetivo de alar esses setores para os patamares mais elevados das cadeias de produo globaisf. Uma manchete do a treet ournar em 2017, deaca a intensidade da subsequente concorncia global ligada poltica industrial da China: China Unleashes A Chip War: ne Global Semiconductor Industry is Succumbing to Fierce Nationalistic Competition (China Desencadeia Guera de Chips: A Indstria Global de Semicondutores e Sucumbindo a uma Acirada Concorncia Nacionalista, em traduo livre). Os chineses eo empregando um fundo nanciado pelo governo, um dos tpicos meios geoeconmicos mencionados anteriormente, em seus esforos para dominar essa indstria crucial. A cada vez mais intensa compe tio geopoltica, alimentada por meios econmicos, e sendo acompanhada por uma iualmente intensa competio econmica, alimentada por esses mesmos meios. Conforme observado por uma renomada insti tuio de pesquisa australiana em um relatrio recente: Caso se queira entender muitos dos acontecimentos estratgicos mais importantes que o mundo enfrentar nas prximas dcadas, ser preciso dedicar um tempo razovel para pensar no que e ocorendo na econo mia internacional Em um sentido mais amplo, o poder econmico e os instrumentos geoeconmicos reforam a seurana nacional de um pas ao contriburem para uma forte economia, possibilitando uma ecaz poltica econmi ca internacional e retomando o foco dos autores, a terceira dimenso da geoeconomia a aplicao da poltica ( statecra ) econmica consecuo de objeti vos geopolticos.Poltica Geoeconmicatatecra se refere aos meios pelos quais os governos conduzem sua poltica externa, podendo ser categori zado em quatro instrumentos principais: diplomacia (negociaes e acordos); informao (palavras e propa ganda); fora militar (armas e violncia); e economia (bens e dinheiro). Em uma srie de discursos sobre o tema de economic statecra [aqui traduzido por "pol tica econmica"], a ento Secretria de Estado Hilary Rotham Clinton identicou duas partes, sendo a pri meira o modo pelo qual exploramos as foras e utiliza mos as feramentas da economia global para fortalecer nossa diplomacia e presena no exterior o emprego de meios econmicos para alcanar ns geopolticos. A seunda parte transformou os ns geopolticos em meios para ajudar a alcanar os ns de proeridade econmica nacional. Blackwil e Haris enumeram sete feramentas ade quadas ao emprego geopoltico: poltica comercial; pol tica de investimentos; sanes econmicas e nanceiras; poltica nanceira e monetria; assistncia; ciberntica; e energia e produtos bsicos. As cinco primeiras fera mentas so prontamente reconhecidas como atividades econmicas, e energia e produtos bsicos tambm podem ser facilmente considerados como um subconjunto da poltica comercial possivelmente representando uma categoria mais crucial de bens comercializveis. A incluso da ciberntica como um instrumento econ mico parece um pouco prolemtica. Os instrumentos econmicos tpicos so apresentados na ura, deacan do vrias aplicaes normalmente destinadas a fornecer um estmulo positivo (recompensa) ou aes negativas (punio). As aes negativas so comumente denomi nadas medidas econmicas coercitivas. O comrcio continua a ser, possivelmente, a fera menta econmica mais prontamente empregada tanto como um estmulo positivo, pela negociao de acordos de livre comrcio e por meio das relaes comerciais normais conferidas pela liao de quase todos os pases Organizao Mundial do Comrcio, quanto como um instrumento coercitivo, como no caso de sanes que loqueiem o livre uxo de bens. Os acordos de livre comrcio continuam a proliferar, tanto bilateral quanto regionalmente, com objetivos predominante mente voltados a quees econmicas, embora seja sempre possvel que haja efeitos residuais geopolticos de mehores relaes econmicas. As sanes coerciti vas que impem embargos contra o livre uxo de bens e servios continuam a ser um aecto central da poltica econmica, apesar de um forte consenso de que elas no funcionam. Os efeitos humanitrios negativos das

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30 sanes abrangentes impostas pela Organizao das Naes Unidas (ONU) contra o Iraque nos anos 90 le varam criao de sanes dirigidas contra indivduos e grupos eeccos. Essas sanes seletivas, tambm chamadas de sanes inteligentes, incluram congela mento de ativos, proibio de viagens, restries a bens de luxo e embargos de armas. Os uxos de investimentos internacionais hoje ultrapassam, de longe, os uxos comerciais transfron teirios e, seundo a ONU, a posio global de inves timentos diretos no exterior era de US$ 26 trihes em 2016. Os pases em desenvolvimento que preci sam de capital para o crescimento hoje recorem aos mercados internacionais para a grande maioria de suas necessidades. Tom Friedman descreve a combi nao de investidores de curto prazo e multinacionais investindo no longo prazo (investimento estrangeiro direto [IED]) como rebanho eletrnico e os mer cados que intermediam esses investimentos como supermercados. Ele conclui que os supermercados substituram as superpotncias como fontes de capital para o crescimentof. A maioria dos IED se baseia em decises movidas pelo mercado e, assim, sua nica considerao geopol tica a eabilidade do mercado em que eo entran do. Contudo, o aparecimento de grandes e cada vez maiores empresas eatais, fundos soberanos e bancos eatais internacionalmente ativos comeou a afastar do campo de jogo os processos decisrios puramente baseados nos fundamentos de mercado. Blackwil e Haris observam que as empresas eatais so muito mais politicamente maleveis do que a maioria das rmas privadas, e motivaes geopolticas tambm podem ser operantes em certos fundos soberanos. As firmas e naes ocidentais pedem por trans parncia nos processos decisrios financeiros para garantir que os investimentos sejam feitos com base na lgica econmica e baseada no mercado, e os fundos soberanos devem obedecer aos Princpios de Santiago, destinados a aumentar a transparncia e proteger contra investimentos polticos. Entretanto, o grau de participao estatal nessas instituies no pode deixar de conferir-hes especiais alavancas polticas Alm do verdadeiro potencial para a explorao geopoltica associada a investimentos no exterior, o controle de um pas sobre a entrada de in vestimentos pode servir de maneira semehante. Um pas poderia negar acesso a setores crticos; contro lar o grau de participao estrangeira permitido; ou conduzir um processo de aprovao caso a caso para os investimentos estrangeiros com base em conside raes de seurana nacional, que poderiam ser reais ou inventadas As sanes nanceiras representam o pr ximo passo na evoluo de regimes de sanes; destinam-se a restringir o acesso ao sistema bancrio global e aos mercados de capitais internacionais. Aps o 11 de Setembro, os EUA conduziram um esforo concentrado para perseuir os nanciadores do terorismo e acabaram convencendo a Sociedade de Telecomunicaes Financeiras Interbancrias Mundiais (ociet o orlwie nteran inanciar enecomunications WIFT) que um rgo centralizador de mensagens que detm praticamente um monoplio, na qualidade de quadro de distribui o do sistema nanceiro internacional a cooperar. Conforme observa Juan Zarate, em seu excelente livro reasurs a a SWIFT e a onipresena do dlar norte-americano nos mercados internacionais tornaram-se a base de nossa capacidade para condu zir a uera nanceira de maneira mais ampla. Esse tema ser abordado em mais detahe na prxima seo. Do mesmo modo que a fora das sanes nanceiras baseada na onipresena do dlar norte-americano, a eccia de polticas nanceiras e monetrias como uma feramenta da geoeconomia depende, em grande medi da, do papel da moeda de um pas no sistema monet rio internacional. Gueras cambiais so travadas entre bancos centrais, pela manipulao de suas moedas em busca da vantagem competitiva ou pela conduo de polticas monetrias internas no convencionais me diante a implementao de programas de uantitatie easin (exibilizao quantitativa) Outra possibilida de que um banco central, ao discutir o m da exibili zao quantitativa, leve as taxas de juros dos mercados emergentes a aumentar, resultando em prolemas de rolagem da dvida. Uma semehante cadeia de acontecimentos prece deu o colapso do governo de Yanukovych na Ucrnia em 2014, resultando na mais grave crise geopoltica da Europa desde o m da Guera Fria. Esse um tema extremamente importan te e complexo. A atual projeo mundial do dlar norte-americano sustenta, totalmente, a fora da

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31 economia dos EUA e a capacidade de seu governo para manter sua crescente dvida nacional, alm de possibi litar o signicativo emprego de feramentas geoecon micas pelo pas. A moeda chinesa renminbi (RMB; ou yuan) talvez seja a mais promissora rival, mas as probabilidades de sucesso no eo a seu favor. Retomaremos o dlar e o RMB na prxima seo. A assistncia econmica consiste em ajuda militar, ajuda humanitria e assistncia de desenvolvimento econmico bilateral, tambm denominada assistncia ocial ao desenvolvimento (AOD). evidente que pode haver signicativas condies geopolticas ligadas AOD e, alm da China, outros importantes atores geoeconmicos que usam ee instrumento incluem os membros do Conseho de Cooperao do Golfo e o Japo. A China utilizou a AOD para conquistar adeptos poltica de Uma China por toda a frica e Amrica Latina, sendo tambm conhecida pelo forne cimento de assistncia livre de condies, que no im pe consideraes incmodas sobre boa governana ou exigncias de avanos no campo dos direitos humanos. Tambm h vrios bancos de desenvolvimento eatais que comearam a competir com o conjunto existente de bancos de desenvolvimento criados e nanciados pelo Ocidente As polticas nacionais que regem a energia e os produtos bsicos poderiam ser consideradas como um exemplo de poltica comercial, mas Blackwil e Haris optam por deac-las como um instrumento coletivo separado. Recursos energticos como o petrleo e o gs natural decerto representam recursos cruciais, neces srios para movimentar a economia global e, desde a criao da Organizao dos Pases Exportadores de Petrleo (OPEP), as implicaes geopolticas do mer cado energtico tm sido bastante claras. A principal preocupao a seurana energtica: disponibilidade a um preo razovelf. Os Estados dependentes de im portaes buscam mitigar sua vulnerabilidade por meio da diversicao de fontes e da rota de transporte. O maior ator geopoltico dee setor a Rssia, que planejou a suenso do fornecimento de gs natural vrias vezes no incio dee sculo. Contudo, apesar de muitas disputas geopolticas que possam parecer fortes candidatas a aes geoeconmicas, o poderoso e global mente integrado mercado energtico, alimentado por mais ofertas graas contnua marcha da tecnologia e inovao, parece ter dado a primazia s leis do mercado. Isso no signica que a geopoltica eeja com pletamente afastada do setor energtico, mas os grandes fornecedores reconhecem o forte interesse em demonstrar conabilidade aos seus clientes, para no induzi-los a buscar fontes alternativas. Blackwil e Haris dedicam um captulo inteiro geoecono mia da revoluo energtica da Amrica do Norte, concluindo que os EUA earo em uma forte posio para ajudarem aliados e amigos a resistirem presso geoeconmica de adversrios; para interagirem com a China e com a sia em uma infraestrutura energti ca ampliada que incluir a exportao de gs natural liquefeito e petrleo; e para apoiarem a economia global ao longo do sculo XXI. O instrumento final a ciberntica. Os auto res incluem uma longa seo para discutir e ofe recer exemplos recentes de ataques cibernticos. Observam que nem todos os ataques cibernticos so geoeconmicos, propondo, assim, uma definio bem especfica: Os ataques cibernticos geoecon micos so aqueles que utilizam os mecanismos do mercado financeiro ou econmicos e buscam impor custos econmicos como parte de um plano geopol tico mais amplo. Essa definio, porm, parece divergir da abor dagem mais estreita descrita anteriormente: ins trumentos econmicos como meios de alcanar fins geopolticos. A ideia de ataques cibernticos destinados a provocar prejuzos econmicos que, por sua vez, apoiem um objetivo geopoltico parece semehante a um exemplo citado anteriormente em seu livro, de que bombardear uma fbrica deve ser excludo de qualquer concepo de geoeconomia. Um ataque ciberntico contra infraestrutura crtica pode, sem dvida, prejudicar uma economia, mas no representa o emprego de meios econmicos para alcanar um fim geopoltico A preocupao com o roubo de propriedade intelectual j foi abordada, mas, conforme mencionado, esses ataques parecem ser conduzidos para um fim econmico. Os ataques cibernticos representam, claramente, uma signifi cativa ameaa seurana e, em muitos casos, esses ataques visam componentes essenciais da infraes trutura econmica e indstria, mas a anlise desse aspecto da poltica (statecrat ) deve contar com sua prpria plataforma, no devendo ser considerado, necessariamente, um acontecimento geoeconmico.

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32 A China e os EUA na Esfera GeoeconmicaA seo seuinte de a tte eans analisa o desempenho geoeconmico da China e dos EUA. Deve car claro que h vrios atores geoeconmicos exercendo seu papel (isto a Rssia e aluns membros do Conseho de Cooperao do Golfo), mas parece apropriado concentrar-se na China e nos EUA devido ao fato de que o relacionamento entre essas naes provavelmente denir o sculo XXI. Como a China se v a uma distncia menor em relao aos EUA no campo da geoeconomia, a disputa entre essas duas naes se dar nesse mbito. Seundo Blackwil e Haris, h quatro caraersticas estruturais, ou atributos geoeconmicos, que determinam a eccia e o grau de inuncia econmica que os pases podem obter por meio de instrumentos geoeconmicos. A primeira caraerstica a capacidade de controlar in vestimentos no exterior. Os pases com grandes setores eatais (isto empresas eatais, fundos soberanos e bancos eatais) tm uma distinta vantagem A seun da o tamanho e a capacidade de controlar o acesso ao seu mercado interno. Todas as empresas querem ter sucesso nos maiores mercados consumidores, eando, frequentemente, prontas a fazer de tudo para atender a exigncias governamentais, como transferncias de tecnologia, empreendimentos conjuntos e o eabeleci mento de centros locais de pesquisa e desenvolvimento. A terceira a inuncia sobre uxos de produtos bsi cos e energia, e a quarta a projeo global da moeda de um pasf. Conforme ser demonstrado, a China tem alumas importantes vantagens na esfera geoeco nmica, mas talvez no seja to predominante quanto alegam os autores. Blackwil e Haris usam seis estudos de caso para demonstrar a capacidade geoeconmica da China e para coroborar o arumento de que Beijing desen volve e exerce sua projeo de poder no pelo emprego de meios militares principalmente (exceto nos Mares do Sul e do Lee da China), e sim por meio de polti cas geoeconmicas de coero e incentivo para com os pases vizinhos. O caso mais interessante se refere disputa teritorial com o Japo em relao s Ihas Diaoyu/Senkaku. particularmente interessante porque coloca a seunda e terceira maiores economias do mundo uma contra a outra. Em 2010, os chineses reagiram a uma coliso em alto-mar com a suenso da exportao de metais de teras raras para o Japo. A China alegou que se tratava apenas de um atraso no processamento das ordens de exportao devido ao esgotamento de recursos e preocupaes ambientais. Na poca, a China produzia mais de 90% do suprimen to global. Embora essa ao tenha tido um efeito imediato de advertncia ao Japo e outros consumidores de metais de teras raras, o resultante aumento de preo levou, sem querer, revitalizao da produo global de teras raras, diminuindo, assim, o poder de monoplio e de in uncia geopoltica da China. Conforme observou um relatrio do Conseho de Relaes Exteriores: Beijing frequentemente subestima as foras de mercado. O seundo incidente ocoreu dois anos depois, em 2012, quando o governo japons comprou uma das ihas sob disputa, e a China respondeu com manifea es de nacionalistas, que boicotaram os produtos ja poneses e foraram o fechamento de fbricas japonesas localizadas na China. Contudo, como armou Richard Katz, na revista orein airs a interupo foi relativamente curta, antes que comeasse uma rouo mutuaente aseuraa A China precisava urgente mente do que o Japo eava vendendo, porque seu mi lagre econmico baseado nas exportaes depende de importaes. [] A China no pode interomper esse uxo, ou ariscar romp-lo com conitos, sem debilitar sua economia. A interdependncia econmica pode prevalecer sobre a geopoltica. A China tambm tem empregado instrumentos geoeconmicos em seu impasse com Taiwan. Tem usado a ajuda econmica e investimentos para cercar Taiwan, instigando outras naes a romperem relaes diplomticas com a Provncia dissidente e a apoiarem as posturas chinesas nas instituies internacionais, iso lando Taiwan ainda mais. Tambm buscou penetrao ao liberalizar as relaes com o outro lado do Estreito, para aumentar a dependncia econmica de Taiwan em relao China. Contudo, h limites penetrao chinesa, porque os cidados taiwaneses eo cando cada vez mais conscientes de sua crescente vulnerabi lidade presso geoeconmica da China. Entretanto, apesar dessa resistncia, Blackwil e Haris concluem que Beijing inevitavelmente continuar a empregar feramentas geoeconmicas para inuenciar Taip em sua tentativa de conduzir a iha rumo a uma futura reunicao .

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33 Os incentivos geoeconmicos tambm eo em ao em apoio linha de nove traos no Mar do Sul da China (MSC). A China se tornou a principal parceira comercial de todos os pases vizinhos, suplan tando os EUA na maioria dos casos. O recente pacote de emprstimos e investimentos que a China ofereceu ao Presidente Rodrigo Duterte, das Filipinas, um excelente exemplo da geoeconomia em ao. A China ofereceu Manila mais de US$ 9 bihes em emprs timos a juros baixos para projetos de infraestrutura e de outros tipos, alm de concluir acordos econmicos estimados em US$ 13,5 bihes. Em troca, Duterte con cordou em pr de lado a deciso da Corte Permanente de Arbitragem sobre o MSC e armou que a aliana de defesa de longo prazo com os EUA eava em risco. David Shambaugh oferece uma perectiva adicio nal sobre a posio geoeconmica chinesa no MSC: Considerada de maneira mais ampla, a participao chinesa no comrcio e investimentos regionais e longe de ser predominante. Os investimentos de Beijing em muitos pases do Sudee Asitico so inferiores aos investimentos do Japo, da Unio Europeia ou dos EUA, enquanto seu comrcio no ultrapassa os 30% (cando, normalmente, entre 15% e 20%) do total de qualquer nao asitica individual Alm disso, conforme sustenta John Ikenbery, h limites para os incentivos geoeconmicos: Os pases querem os be necios que advm da ascenso da China. No entanto, tambm querem se proteger contra o domnio chins da regio. Essa, por sua vez, uma importante razo pela qual o sistema de aliana eendido pelos EUA na regio bem-vindo. O estudo de caso seuinte se refere sia Meridional, com uma breve anlise das relaes com a ndia e o Paquisto. Blackwil e Haris sustentam que o desejo da China de evitar intensicar tenses militares nessa regio voltil a estimula a se concentrar mais em feramentas geoeconmicas. O investimento chins a principal feramenta nessa regio, com nfase no Coredor Econmico China-Paquisto como impor tante componente do projeto Um Cinturo, Uma Estrada ( ne ert ne oa BOR). Um excelen te resumo da iniciativa fornecido pelo Lowy Institute, que conclui: O OBOR a mais ambiciosa iniciativa de poltica externa e econmica do Presidente Xi. [] Rea pouca dvida de que o objetivo geral da iniciativa ajudar a China a alcanar ns geopolticos ao vincular os pases vizi nhos mais intimamente a Beijing. Contudo, existem muitos outros objetivos concretos e econmicos por trs do OBOR [tambm]. O Coredor Econmico China-Paquisto prev um investimento de US$ 46 bihes, e a rede in teira do OBOR ter projetos avaliados em mais de US$ 890 bihesf. Alm de signicativas preocupaes quanto ao nanciamento, a falta de conana poltica entre a China e aluns pases do OBOR, assim como ameaas de instabilidade e seurana em outros, so obstculos considerveis Outros pases propuseram semehantes redes de investimento em infraestrutura para a regio sia-Pacco, e a ndia alega que o OBOR uma iniciativa unilateral, qual ela no vai aderir sem uma signicativa anlise Blackwil e Haris sugerem que o empreendimento binacional Coredor Econmico Indo-Pacco dos EUA e ndia, pode ser uma forma de lidar com o receio indiano em relao aos planos da China e constituir uma rota da seda ma rtima prpria da ndia. A Coreia o ltimo estudo de caso. A atual crise, gerada pela mais poderosa arma militar, transfor mou-a em um campo de bataha geoeconmico. A ttulo de contextualizao, a China deveria ter enorme inuncia sobre a Coreia do Norte, j que ela respon de por quase 85% do volume total de comrcio dee pas. Ainda mais importante o controle que a China detm sobre mais de 90% das importaes energti cas do Norte. Apesar dessa posio geoeconmica praticamente insupervel, a China alega no ter uma inuncia efetiva. Seundo um documento de estrat gia da Brookings Institution, a China no tem poder de inuncia para convencer essa nao estrangei ra a cessar seu programa nuclear. Da perectiva norte-americana, Obama chamou a Coreia do Norte de pas mais sujeito a sanes do mundo. Entretanto, a maioria dos analistas conclui que as sanes nunca convencero a Coreia do Norte a desistir de suas armas nucleares. O primeiro tiro da atual ba taha geoeconmica foi disparado pelos EUA na forma de uma formidvel barganha, que propunha facilitar o comrcio com a China em troca de sua presso contra a Coreia do Norte. Recentemente, depois de considera rem esse esforo insuciente, os EUA dispararam uma seunda vez ao iniciarem uma investigao comercial

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34 contra as polticas de transferncia de tecnologia e o roubo de propriedade intelectual chineses. Enquanto isso, a Coreia do Sul concordou com a implantao do sistema de defesa antimsseis balsticos conhecido como erinar it rtitue rea eense (THAAD) em seu teritrio, e foi a vez de a China disparar um tiro geoeconmico. Os veculos de imprensa eatais instaram por boicotes contra produtos sul-coreanos, e agncias de viagem da China continental cancelaram viagens de grupos para a Coreia do Sul. As vendas da Kia e de sua companhia controladora Hyundai Motors Co. caram 61% entre maro e junho, na China, e as fbricas eo operando com apenas 30% de sua capacidade Mais uma vez, porm, o efeito geoecon mico erou o alvo, porque o sistema THAAD j e completamente operacional e a reao sul-coreana ao uin chins no foi nada boa. Pela primeira vez, as pesquisas de opinio indicaram que os sul-coreanos tem menos apreo pela China do que pelo Japof. A atual previso de que os EUA pressionem a China a impor um embargo de petrleo Coreia do Norte f. Para atrelar incentivos a esse pedido, os EUA poderiam impor sanes secundrias para induzir a China a cortar as boias de salvamento econmi cas internacionais da Coreia do Norte. Isso incluiria ameaar loquear o acesso ao sistema nanceiro norte-americano por rmas estrangeiras que faam ne gcios com a Coreia do Nortef. As batahas so sem pre imprevisveis e, assim, no possvel saber, ao certo, como essa bataha geoeconmica vai terminar, mas esse breve relato demonstra, claramente, a tendncia dos EUA e da China a se valerem da presso geoeconmica.Poltica Geoeconmica dos EUAA anlise anterior sobre o impasse em relao ao programa nuclear da Coreia do Norte indica que, ao contrrio das alegaes dos autores quanto indeciso e ineccia norte-americana na esfera geoeconmica, os EUA continuam a ser um ator bastante ativo nessa dimenso crucial. O IED procedente dos EUA o maior do mundo e, ainda que no seja dirigido pelo governo norte-americano para ns geoeconmicos eeccos, a presena global das empresas do pas ajuda a manter seu poder relacional e reputacionalf. Por exemplo, a preocupao expressa quanto penetra o econmica chinesa na Amrica Latina refutada pelo fato de que mais de 53% do IED total na regio em 2016 foi oriundo da Unio Europeia e 20%, dos EUA. A China, por outro lado, contribuiu apenas 1%f. Os EUA tambm eo ativamente envolvidos na vericao de investimentos vindos do exterior por meio do Comit de Investimentos Estrangeiros nos EUA (CFIUS, na sigla em ingls)f. O CFIUS um rgo interagncias encaregado de analisar os investimentos estrangeiros e suas implicaes para a seurana nacional. Devido preocupao de que o crescente nmero de investimen tos chineses possa ser determinado e subsidiado pelo governo chins, incluindo possveis aquisies associa das a tecnologias sigilosas, e a uma falta de reciprocida de em permitir que rmas norte-americanas invistam livremente na China, o CFIUS aumentou, signicativa mente, o rigor de sua anlise desses negciosf. Os EUA so a seunda maior nao comerciante do mundo e, devido dimenso de sua economia de con sumo interna, continuam sendo um mercado extrema mente atrativo para os produtores globais. As polticas comerciais movidas pelo populismo do governo Trump causaram medo a entusiastas do livre comrcio em todo o mundo, e a retirada do pas do acordo comercial Parceria Transpacco (TPP, na sigla em ingls) con siderada por muitos como um revs econmico e mais ainda como um ero geoestratgico. Blackwil e Haris incluem uma extensa anlise do TPP, armando que ele deveria ter sido negociado com um foco muito mais geopoltico f. Contudo, eles concluem, ainda assim, que bem mais provvel que o fato de os EUA no con clurem esse acordo seja visto, tanto por nossos aliados quanto no aliados, principalmente como um fracasso geopoltico e um tee negativo do poder de permann cia norte-americano na regiof. Um estudo recente sobre o comrcio na regio sia-Pacco instou os EUA a reconsiderarem sua posio em relao ao TPP; incentivou outros pases a seuirem os elevados padres constantes desse acordo; e convidou outros pases a tentarem implementar o acordo sem os EUA, se necessriof. O governo dos EUA e ativamente envolvido em vrias iniciativas comerciais; rea saber se suas atuais polticas sero abrandadas. O Presidente declarou: Teremos muitos acordos comerciaisff. O aecto de recompensa do instrumento comer cial pode ear um pouco enfraquecido no momento, mas o de castigo e bastante ativo e cada vez mais ecaz. As sanes econmicas norte-americanas hoje

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35 so associadas, principalmente, a sanes nancei ras. Conforme mencionado acima, essas sanes se concentram em restringir o acesso ao sistema ban crio global. O tamanho dos mercados de capitais norte-americanos e o papel do dlar norte-americano nas transaes internacionais signicam que os EUA tiveram praticamente um monoplio sobre o uso de presso nanceira seletiva nos ltimos dez anos. As sanes nanceiras tambm criaram estmulos considerveis para que terceiros (ex.: bancos) obede am ou se arisquem a sofrer graves consequncias, em termos monetrios e reputacionais. Uma extenso dessas sanes, as denominadas san es secundrias ou sanes extrateritoriais, pode ser imposta a empresas estrangeiras que continuem o co mrcio com o pas visado. Sanes norte-americanas foram empregadas ecazmente contra o Ir e a Rssia recentemente A falta de suciente impacto contra a Coreia do Norte at a presente data se baseia em uma dependncia excessiva em relao s minimamente efetivas resolues do Conseho de Seurana da ONU. Conforme observado anteriormente na discusso sobre o campo de bataha geoeconmico da pennsula corea na, sanes nanceiras abrangentes, incluindo sanes secundrias, podem ajudar na obteno de resultados favorveis A prevalncia e o xito de sanes nanceiras tm gerado importantes atividades de mitigao: os bancos eo eliminando riscos (encerando contas ou retirando-se de relacionamentos com corespon dentes em reas de risco), e aluns pases eo desen volvendo alternativas ao dlar Seundo Blackwil e Haris: Certas sanes nanceiras [] so ecazes apenas porque essas entidades negociam em dlares norte-americanos. Mas os interesses em jogo muda riam, se os pases comeassem a realizar transaes em [] outras moedas. Em termos do atual foco nas possibilidades geoeco nmicas dos EUA e da China, isso leva discusso so bre o papel do dlar norte-americano e do RMB chins. O dlar usufrui de uma posio extremamente privi legiada na economia global, por ser a moeda predomi nantemente utilizada nas transaes internacionais e servir como principal moeda de reserva. A primazia do dlar ilustrada pelas seuintes circunstncias: o preo do petrleo e da maioria dos produtos bsicos xado em dlares; dois teros dos emprstimos bancrios internacionais so em dlares; 40% dos ttulos de dvida internacionais so emiti dos em dlares; e 60% das reservas de cmbio so em dlares A China, entre outras naes, se ressente do ex tremo privilgio concedido ao dlar e da signicativa inuncia nanceira que isso confere aos EUA, tendo iniciado, por isso, um programa para internacionalizar o RMB. A partir de 01 Out 16, o Fundo Monetrio Internacional incluiu o RMB chins entre as cinco componentes de seu conjunto de moedas de reserva. Entretanto, a China continua a resistir ao eabeleci mento de uma taxa de cmbio totalmente determinada pelo mercado, alm de no abrir sua conta de capital para permitir livres uxos de capitais transfronteiri os f. Em um excelente livro sobre a moeda chinesa, ainin uenc Eswar Prasad conclui: [] o RMB tem se deparado com restries que resultam da estrutura de sua economia interna e que limitaro seu avano como moeda de reserva. Ademais, devido na tureza de seu sistema poltico, improvvel que o RMB obtenha o status de uma moeda de refgio. Portanto, embora seja provvel que a ascenso do RMB continue, a ideia de que ele se transformar em uma moeda de reserva global predominante que cheue a rivalizar com o dlar fantasiosa. A capacidade norte-americana para empregar armas nanceiras geoeconmicas parece seura, pelo menos por enquanto. Antes de deixar esse tema, h uma ltima queo a ser abordada, que tem implicaes para a inuncia geoeconmica: a dvida norte-americana em poder da China. A China e o Japo eo emparehados como principais detentores dos ttulos do Tesouro dos EUA e, em junho de 2017, ela ultrapassou, por uma pequena margem, o Japo, com US$ 1,1 triho em ttulos. O cenrio tpico que, em uma crise, a China buscaria abalar o dlar com a sbita venda de ttulos do Tesouro dos EUA. Blackwil e Haris observam, porm, que h um consenso de que, devido fora do mercado de ttulos norte-americanos e prevista contrainterveno pela Reserva Federal dos EUA, o provvel resultado de uma venda sbita pela China seria uma consider vel desvalorizao dos ttulos reantes em sua posse. Assim, os ttulos em posse da China so, no cmputo geral, um passivo para Beijing. Esse relacionamento frequentemente denominado destruio nanceira mtua asseurada que evoca a expresso da Guera

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36 Fria referente poltica norte-americana de destruio mtua asseurada, que envolveria uma macia tro ca apocalptica de ataques de armas nucleares com a Unio Sovitica e bastante parecido com a meno feita anteriormente produo mtua asseurada. Esses conceitos se fundem em uma noo de destrui o econmica mtua asseurada, que reconhece que economias cada vez mais interdependentes tendem a diminuir o poder de inuncia geoeconmica. Tanto a China quanto os EUA so atores ativos na esfera geoeconmica, e cada um deles possui alumas vantagens sinulares. Essa anlise de casos e da aplica o de vrios instrumentos econmicos valida a con cluso obtida por Zarate em reasurs a : Entramos em uma nova era de inuncia nanceira em que feramentas nanceiras e econmicas tm assumido um lugar de honra como instrumentos de seurana nacional. Os conitos dea era provavelmente sero travados com mercados, e no apenas com foras arma das, e nas salas de diretoria, e no apenas nos campos de bataha. A geopoltica hoje um jogo que se joga mehor com armas nanceiras e comerciais.A Grande Estratgia Geoeconmica: Ttica versus EstratgiaBlackwil e Haris concluem seu tou e oce sobre geoeconomia abordando o futuro da grande estratgia dos EUA. Sustentam que os EUA precisam empregar seu poder geoeconmico com muito mais determina o e habilidade para resistir coero geoeconmica sendo praticada pela China e outros Estados com ideias ans Alegam que os EUA eo excessivamente focados na dimenso de seurana da poltica externa norte-americana e, assim, recorem, automaticamente, a instrumentos militares e polticos, em vez de reconhe cerem que vantagens econmicas intrnsecas deveriam ser empregadas mais prontamente em busca de resul tados geopolticos adotando uma poltica externa mais centrada na economia. Alm disso, os EUA eo presos demais ordem internacional baseada em regras, o que costuma refrear sua disposio a empregar instrumentos econmicos em busca de objetivos geopo lticos por medo de que a mera invocao de ameaas existente ordem baseada em regras dar m ao debate poltico sobre o uso de instrumentos geoeconmicos. Os EUA criaram e cultivaram, desde o m da Seunda Guera Mundial, uma ordem internacional baseada no liberalismo comercial, que defendia a disse minao do capitalismo e mercados abertos. Essa ordem mundial gerou o crescimento econmico, proeridade e interdependncia econmica global, sendo respalda da pelo eabelecimento de vrias instituies (Fundo Monetrio Internacional, Banco Mundial e, posterior mente, a Organizao Mundial do Comrcio) e seu conceito operacional baseado em regras, que facilitava a cooperao e a resoluo coletiva de prolemas. O m da Guera Fria ampliou muito a aplicao geogrca da ordem internacional baseada em regras, incluindo at mesmo a adoo de polticas econmicas mais prescritivas a serem seuidas por cada pas, conhe cidas como o Consenso de Washington. Elas incluam slidas polticas macroeconmicas, estruturas nacionais baseadas no mercado e polticas de comrcio e investi mento integradas e abertasf. A ordem internacional baseada em regras e seus componentes econmicos se apoiam na proposio de que a economia um jogo de soma positiva, ao contrrio do jogo de soma zero da geopoltica. Contudo, isso s vale se o papel do Estado na economia for bastante reduzido; o liberalismo naisez-ai re praticado; e as motivaes geopolticas minimizadas, quando se trata de inuenciar a poltica econmica. Entretanto, Blackwil e Haris se opem a esse prin cpio. Armam que a ordem internacional baseada em regras e produzindo cada vez menos resultados e que as potncias em ascenso a tm minado. As restries autoimpostas sobre o emprego de abordagens geoeco nmicas signicam que Washington provavelmente nunca ser capaz de empregar feramentas de comrcio e investimento para promover os interesses de sua poltica externa em muitas das formas coercitivas ou transacionais e curto razo que convm a outros pases [grifo do au tor]. Em seu favor, cabe notar que essa queo am plamente abordada no livro e que os autores fazem um trabaho louvvel ao apresentarem os dois lados do aru mento. Reconhecem que os EUA podem, muito bem, ter um interesse geopoltico maior que outros Estados em manter em um nvel mnimo o uso geopoliticamente motivado de certos instrumentos econmicos e que, talvez, manter o sistema baseado em regras continue a ser a mehor estratgia para maximizar os atuais objetivos geopolticos dos EUA. No entanto, eles permanecem cticos, concluindo: enquanto manter o sistema baseado em regras continuar a ser considerado geopoliticamente vantajoso para os EUA, as formas de poder geoeconmico

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37 precisaro ser, em sua maioria, pelo menos neutras em seus impactos sobre o sistema baseado em regras para serem aceitveis. Seuir esse padro restringir bem mais os EUA do que muitos outros Estados, eecialmente em casos mais coercitivos e de curto prazo. H dois prolemas com sua concluso. Primeiro, sua suposta grande estratgia fazer maior uso de instru mentos econmicos para alcanar objetivos geopolticos (geoeconomia) em prol dos interesses nacionais dos EUA. O arumento do pargrafo anterior capta a nfase nas aplicaes de curto prazo, tticas e transacionais dos instrumentos econmicos. Trata-se totalmente de meios, e no ns estratgicos, e decerto no uma grande viso estratgica. Com efeito, os autores introduzem a analogia de smal bal (ttica) ersus big bal (estratgia) No deve ser uma grande surpresa para o leitor que um livro intitulado a tte eans tenha como foco os meios ( sma a ), e no os ns. Representa uma excelente anli se dos diversos instrumentos econmicos da poltica e sua aplicao, mas contribui pouco para se considerar como empregar essas feramentas em apoio a uma efetiva gran de estratgia. O seundo prolema que seuir apoiando a ordem internacional baseada em regras continua sendo a grande estratgia mais apropriada (i a ) para os EUA. Instrumentos econmicos precisam ser empre gados ocasionalmente em apoio a objetivos geopolticos, mas sua utilizao deve levar em considerao o possvel impacto negativo que isso possa ter sobre a contnua acei tao da ordem internacional baseada em regras. John Ikenbery, provavelmente o mais renomado estudioso da teoria, origens e atual natureza da ordem internacional baseada em regras, apresenta aluns ar umentos convincentes sobre a eccia da atual ordem internacional liberal. Primeiro, os componentes dessa ordem instituies multilaterais, alianas, acordos comerciais e parcerias polticas criaram as capa cidades e feramentas para vencer as lutas do sculo XXI com a geopoltica. Seundo, a China e a Rssia aceitam a lgica bsica da ordem internacional baseada em regras. A abertura hes confere acesso ao comrcio, investimentos e tecnologia de outras sociedades. As regras hes conferem feramentas para proteger sua so berania e interesses Em consequncia, os EUA de vem executar uma grande estratgia que liue [o pas] s regies do mundo por meio do comrcio, alianas, instituies multilaterais e diplomacia. uma estratgia em que os EUA eabelecem a liderana no apenas por meio do exerccio do poder, mas tambm por meio de esforos contnuos dedicados resoluo de prolemas e eabelecimento de regras globais.ConclusoO leitor deve extrair trs conceitos gerais dee artigo. Primeiro, a dimenso geoeconmica ser, muito provavelmente, a esfera mais crucial da competio entre Estados-nao nas prximas dcadas. Assim, importante entender os instrumentos econmicos da poltica e seu emprego na busca de objetivos geopolti cos, mas tambm ter conhecimento de suas limitaes. Seundo, os EUA devem continuar a apoiar a ordem internacional liberal e institucional baseada em regras, ps-Seunda Guera Mundial. Conforme ponderou Cordel Hal, Secretrio de Estado de Franklin D. Roosevelt, no nal da Seunda Guera Mundial: se pudssemos aumentar os intercmbios comerciais entre as naes, com a reduo de bareiras comerciais e tarifrias, e remover obstrues articiais ao comr cio, poderamos ir bem longe em eliminar a prpria uera Para concluir, duas reexes nais de Blackwil e Haris: O poder nacional depende, sobre tudo, do desempenho da economia interna local e da capacidade de mobilizar seus recursos e Nada seria mehor para promover os interesses geoeconmicos e o futuro estratgico dos EUA do que o forte crescimento econmico do pas. A posio dos EUA no mundo no depende do que acontea ou no na China; ela depende da direo e polticas econmicas que eabe lecemos para ns mesmos aqui no pas. RefernciasEpgrafe. Sun Tzu, e Art of War, trans. e Sonshi Group, chap. 03.02, acesso em 20 nov. 2017, hps://www.sonshi.com/original-the-art-of-war-translation-not-giles.html. [*O trecho traduzido foi extrado de Sun Tzu, A Arte da Guerra: Os Treze Captulos Originais, traduo de Andr da Silva Bueno, So Paulo: Jardim dos Livros, 2010. N. do T.]

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38 1. Global Challenges and U.S. National Security Strategy, Hearing Before the Senate Comm. on Armed Services, 114th Cong. (29 Jan. 2015) (depoimento de Henry Kissinger). 2. Department of Defense Budget Posture, Hearing Before the Senate Comm. on Armed Services, 115th Cong. (13 Jun. 2017) (depoimento de James Mattis, Secretrio de Defesa dos EUA). 3. Max Bergmann e Carolyn Kenney, War by Other Means: Russian Active Measures and the Weaponization of Information (Washington, DC: Center for American Progress, Jun. 2017), acesso em 8 nov. 2017, https://cdn.americanprogress. org/content/uploads/2017/06/08052859/RussiaDisinformation-report1.pdf 4. As reportagens continuam sendo produzidas. Para obter informaes sobre as mais recentes, confira Scott Shane, The Fake Americans Russia Created to Influence the Election, The New York Times (site), 7 Sept. 2017, acesso em 8 nov. 2017, https://www.nytimes.com/2017/09/07/us/politics/russia-face book-twitter-election.html?ref=todayspaper&_r=0. Este artigo alega que os ataques informacionais russos criaram contas e identidades falsas no Facebook e Twitter, transformando essas ferramentas em instrumentos de dissimulao e propaganda. 5. Elisabeth Bumiller e Thom Shanker, Panetta Warns of Dire Threat of Cyberattack on U.S., The New York Times ( site), 11 Oct. 2012, acesso em 8 nov. 2017, http://www.nytimes. com/2012/10/12/world/panetta-warns-of-dire-threat-of-cybe rattack.html 6. Worldwide Threat, Hearing Before the Senate Comm. on Armed Services, 115th Cong. (23 May 2017) (depoimento de Daniel R. Coats, Diretor de Inteligncia Nacional). 7. Chinas Growing Pains, The Economist, 19 Aug. 2004, apud Ashley J. Tellis, Chinas Grand Strategy: The Quest for Comprehensive National Power and its Consequences, in The Rise of China: Essays on the Future Competition, ed. Gary J. Schmitt (New York: Encounter Books, 2009), p. 25. 8. Graham Allison, em seu novo livro, comea com um captulo que relata, de forma incisiva, o crescimento da China, particularmente em relao aos EUA. The Biggest Player in the history of the World, chap. 1 in Destined for War: Can America and China Escape Thucydidess Trap? (New York: Houghton Mifflin Harcourt, 2017). 9. Joseph S. Nye Jr., The Future of Power (New York: PublicA ffairs, 2011), p. 10. 10. Robert D. Blackwill e Jennifer M. Harris, War by Other Means: Geoeconomics and Statecraft (Cambridge, MA: The Belknap Press of Harvard University Press, 2016), p. 11; Leslie H. Gelb, GDP Now Matters More Than Force: A U.S. Foreign Policy for the Age of Economic Power, Foreign Affairs 89, no. 6, (November/December 2010), acesso em 8 nov. 2017, https:// www.foreignaffairs.com/articles/united-states/2010-10-21/ gdp-now-matters-more-force 11. Nathan P. Freier et al., Outplayed: Regaining Strategic Initiative in the Gray Zone (Carlisle Barracks, PA: Strategic Stu dies Institute, June 2016), p. xiii. 12. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 1. 13. Ibid., p. 4. 14. Ibid., p. 7. 15. Alm do excelente tratamento sobre o tema no corpo do livro, as referncias detalhadas oferecem farto material para os que queiram se aprofundar no assunto. 16. Gelb, GDP Now Matters More Than Force, p. 35. 17. John F. Troxell, Strategic Insights: Economic Po wer: Time to Double Down, Strategic Studies Institute ( website), 29 Sept. 2015, acesso em 8 nov. 2017, http://ssi.armywarcollege.edu/index.cfm/articles/ Economic-Power-Time-To-Double-Down/2015/09/29. 18. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 8. 19. Edward N. Luttwark, From Geopolitics to Geo-Econo mics: Logic of Conflict, Grammar of Commerce, The National Interest, no. 20 (Summer 1990): p. 17. Em um livro publicado quase uma dcada depois, Luttwark apresenta um excelente resumo comparando os meios e objetivos da poltica de fora geoeconomia, alm de algumas implicaes bastante visionrias sobre a transio de um sistema para o outro. Edward Luttwark, Turbo-Capitalism: Winners and Losers in the Global Economy (New York: HarperCollins, 1999), p. 134. 20. Samuel P. Huntington, Why International Primacy Mat ters, International Security 17, no. 4 (Spring 1993): p. 72. 21. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 33-34. O agrupamento mais conhecido de potncias em ascenso o BRICS Brasil, Rssia, ndia, China e, agora, a frica do Sul. Outras concepes incluem o MIST Mxico, Indonsia, Co reia do Sul e Turquia (criado por Jim ONeill da Goldman Sachs, que tambm criou o termo BRIC). Confira, tambm, Raymond Ahearn, Rising Economic Powers and U.S. Trade Policy (Washington, DC: Congressional Research Service [CRS], 3 Dec. 2012). 22. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 35. 23. Ibid. 24. The Rise of State Capitalism, The Economist ( site), 21 Jan. 2012, acesso em 21 nov. 2017, http://www.economist.com/ node/21543160. Com a China como sua principal praticante e devido sua estrutura autoritria de governo, o capitalismo estatal tambm denominado capitalismo autoritrio. Muitos outros pases praticantes do capitalismo estatal tm tendncias autoritrias, mas nem todos. A Noruega, por exemplo, detm o maior fundo soberano. 25. The Global Economy: An Open and Shut Case, The Economist ( site), 1 Oct. 2016, acesso em 8 nov. 2017, h ttps:// www.economist.com/news/special-report/21707833-consensus-favour-open-economies-cracking-says-john-osullivan 26. Thomas L. Friedman, The Lexus and the Olive Tree: Understanding Globalization (New York: Anchor Books, 2000). Um escritor prolfico, esse livro continua a ser melhor descrio dos vrios elementos da globalizao e como eles afetaram o sistema internacional. 27. Wayne Morrison, China-U.S. Trade Issues (Washington, DC: CRS, 24 April 2017), p. 14. 28. Nye, The Future of Power, p. 55. 29. Luttwark, From Geopolitics to Geo-Economics, p. 19. 30. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 20. 31. Hal Brands, Rethinking Americas Grand Strategy: Insights from the Cold War, Parameters 45, no. 4 (Winter 2015-16): p. 9. 32. Paul Kennedy, The Rise and Fall of Great Powers: Econo mic Change and Military Conflict from 1500 to 2000 (New York: Vintage Books, 1987), p. 539. 33. A alocao de recursos dentro e fora do oramento de defesa, alm das polticas da aquisio de armas e da inds tria de defesa, tem sido o escopo tradicional da economia de defesa. Veja Gavin Kennedy, Defense Economics (New York: St. Martins Press, 1983). Uma excelente discusso sobre o

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39 financiamento de iniciativas de segurana nacional dos EUA consta de Robert D. Hormats, The Price of Liberty: Paying for Americas Wars (New York: Times Books, 2007). 34. Laura Bassett, Adm. Mike Mullen: National Debt Is Our Biggest Security Threat, Huffington Post, last updated 25 May 2011, acesso em 8 nov. 2017, http://www.huffingtonpost. com/2010/06/24/adm-mike-mullen-national_n_624096.html; Yochi J. Dreazen, For Top U.S. Military Officer, Economy Emer ges As Major Concern, National Journal, 9 Dec. 2011, acesso em 8 nov. 2017, https://www.nationaljournal.com/s/579055/ top-u-s-military-officer-economy-emerges-major-concern (assinatura requerida); Jim Garamone, Dunford Discusses Challenges to the Joint Force, Need for Defense Reform, De partment of Defense News, 29 March 2016, acesso em 8 nov. 2017, https://www.defense.gov/News/Article/Article/707639/ dunford-discusses-challenges-to-the-joint-force-need-for-de fense-reform/ 35. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 27-31. 36. Lighthizer, Camera, Action: Americas Trade with China, The Economist, 19 Aug. 2017, p. 62. Veja, tambm, Office of the Special United States Trade Representative, USTR Announces Initiation of Section 301 Investigation of China, press release, Aug. 2017, acesso em 9 Nov. 2017, https://ustr. gov/about-us/policy-offices/press-office/press-releases/2017/ august/ustr-announces-initiation-section 37. Dennis C. Blair e Keith Alexander, Chinas Intellec tual Property Theft Must Stop, The New York Times ( site), 15 Aug. 2017, acesso em 9 nov. 2017, https://www.nytimes. com/2017/08/15/opinion/china-us-intellectual-property-trump. html 38. Lighthizer, Camera, Action. 39. Scott Kennedy, Made in China 2025, Center for Strategic and International Studies (CSIS) (site), 1 Jun. 2015, acesso em 9 nov. 2017, https://www.csis.org/analysis/made-china-2025. 40. Bob Davis e Eva Dou, China Unleashes a Chip War, The Wall Street Journal, 28 Jul. 2017, p. 1. Segundo Robert Gilpin, poltica industrial se refere a esforos deliberados, por parte de um governo, para determinar a estrutura da economia por meio de [] subsdios financeiros, proteo comercial ou aquisio governamental. Robert Gilpin, Global Political Economy: Understanding the International Economic World Order (Prince ton, NJ: Princeton University Press, 2001), p. 154. 41. Eva Dou, Beijing Discreetly Backs a Drive for Chips, The Wall Street Journal, 31 Jul. 2017, B4. O fundo estatal China Integrated Circuit Industry Investment Fund Co. foi anunciado em 2014 com US$20 bilhes em capital. 42. Mark P. Thirlwell, The Return of Geo-economics: Glo balisation and National Security (Sydney: Lowy Institute for International Policy, September 2010), p. 2. 43. Benn Steil e Robert E. Litan, Financial Statecraft: The Role of Financial Markets in American Foreign Policy (New Haven, CT: Yale University Press, 2006), p. 1. O U.S. Army War College transforma, convenientemente, essa categorizao no acrnimo DIME. 44. Hillary Rodham Clinton, Sidebar on Economic State craft, U.S. Department of State (site), 15 Nov. 2011, acesso em 9 nov. 2017, https://www.state.gov/s/d/rm/rls/perfrpt/2011/ html/178731.htm 45. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 49. 46. Zachary K. Goldman e Elizabeth Rosenberg, American Economic Power & the New Face of Financial Warfare (Washington, DC: Center for a New American Security [CNAS], 17 June 2015), p. 1. 47. Elizabeth Rosenberg et al., New Tools of Economic Warfare: Effects and Effectiveness of Contemporary U.S. Financial Sanctions (Washington, DC: CNAS, April 2016), p. 9. O Center for a New American Security publicou uma excelente srie de reportagens sobre sanes financeiras e poltica econmica, disponvel on-line por meio de sua Economic Statecraft Series: https://www.cnas.org/research/ energy-economics-and-security/economic-statecraft. 48. James K. Jackson, U.S. Direct Investment Abroad: Trends and Current Issues (Washington, DC: CRS, 29 June 2017), p. 1. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 53. 49. Friedman, The Lexus and the Olive Tree, p. 114. 50. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 54. 51. Ibid., p. 53-57. 52. Ibid., p. 57. 53. Rosenberg et al., New Tools of Economic Warfare, p. 10. 54. Juan C. Zarate, Treasurys War: The Unleashing of a New Era of Financial Warfare (New York: PublicAffairs, 2013), p. 44. 55. Para entender o papel do dlar norte-americano nas re laes financeiras e monetrias globais, confira Eswar S. Prasad, The Dollar Trap: How the U.S. Dollar Tightened Its Grip on Glo bal Finance (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2014). Outra boa fonte de informaes sobre o dlar e polticas monetrias Benjamin Cohen, Currency Power: Understanding Monetary Rivalry (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2015). Por fim, para uma excelente discusso sobre bancos centrais, confira Neil Irwin, The Alchemists: Three Central Bankers and a World on Fire (New York: Penguin Books, 2013). 56. Benn Steil, Taper Trouble: The International Conse quences of Fed Policy, Foreign Affairs 93, no. 4 (July/August 2014): p. 54. Veja, tambm, Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 21. 57. Blackwill e Harris incluem algumas sees que abordam questes monetrias: p. 74, p. 140, p. 190. 58. Ibid., p. 68-74. 59. What Is Energy Security?, International Energy Agency ( site), acesso em 9 nov. 2017, http://www.iea.org/topics/ energysecurity/subtopics/whatisenergysecurity/. 60. Angel Saz-Carranza e Marie Vandendriessche, Routes to Energy Security: The Geopolitics of Gas Pipelines between the EU and Its Southeastern Neighbors, in The New Politics of Strategic Resources: Energy and Food Security Challenges in the 21st Century, eds. David Steven, Emily OBrien e Bruce Jones (Washington, DC: Brookings Institution Press, 2015), p. 118. 61. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 85. 62. Uma anlise detalhada do setor energtico mundial consta de Daniel Yergin, The Quest: Energy, Security, and the Re making of the Modern World (New York: Penguin Books, 2010). 63. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 219; Kurt M. Campbell, The Pivot: The Future of American Statecraft in Asia (New York: Twelve, 2016), p. 270. 64. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 60. 65. Ibid., p. 28. 66. Ibid., p. 29. Os autores sustentam que um ataque ciber ntico contra a infraestrutura deve ser considerado geoecono mia, mas isso ampliaria muito a gama de possveis instrumentos e aes, a ponto de fazer a distino de geoeconomia perder

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40 o sentido. 67. Ibid., p. 180. 68. Morrison, China-U.S. Trade Issues, p. 27. H uma se o bastante esclarecedora sobre o capitalismo estatal chins, que fornece detalhes sobre empresas estatais e bancos estatais. 69. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 87-91. 70. Ibid., p. 110. 71. Damien Ma, China Digs It: How Beijing Cornered the Rare Earths Market, Foreign Affairs ( site), 25 Apr. 2012, acesso em 9 Nov. 2017, https://www.foreignaffairs.com/articles/china/2012-04-25/china-digs-it. Veja, tambm, Marc Humphries, Rare Earth Elements: the Global Supply Chain (Washington, DC: CRS, 6 Sept. 2011); Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 108. 72. Richard Katz, Mutual Assured Production: Why Trade Will Limit Conflict Between China and Japan, Foreign Affairs 92, no. 4 (July/August 2013): p. 18. 73. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 95-102. 74. Ben Blanchard, Duterte Aligns Philippines with China, Says U.S. Has Lost, Reuters 19 Oct. 2016, acesso em 9 nov. 2017, http://www.reuters.com/article/us-china-philippines/ duterte-aligns-philippines-with-china-says-u-s-has-lost-idUSKC N12K0AS 75. David Shambaugh, Chinas Future? (Cambridge, UK: Polity, 2016), p. 143. 76. G. John Ikenberry, Between the Eagle and the Dragon: America, China, and Middle State Strategies in East Asia, Political Science Quarterly 131, no. 1 (March 2016): p. 17. 77. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 121-25. 78. Peter Cai, Understanding Chinas Belt and Road Initiative (Sydney: Lowy Institute for International Policy, May 2017), p. 17. 79. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 124. 80. Cai, Understanding Chinas Belt and Road Initiative, p. 15, p. 17. 81. O site Reconnecting Asia ( https://reconnectingasia.csis. org/analysis/competing-visions/), apoiado pelo CSIS, mostra vises concorrentes de planos para desenvolver infraestrutura na regio. Concorrentes incluem Japo, Coreia do Sul, Rssia, ndia, ASEAN (Associao de Naes do Sudeste Asitico), Ir e Turquia. Ibid., p. 15. 82. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 177. 83. Ibid., p. 103. 84. Fu Ying, The Korean Nuclear Issue: Past, Present, and FutureA Chinese Perspective, Strategy Paper 3 (Washington, DC: Brookings Institution, John L. Thornton China Center, May 2017), p. 1. Os chineses consideram esse relatrio como a descrio definitiva sobre a perspectiva chinesa. Todos os analistas estratgicos chineses creem que os EUA sobrestimam a influncia econmica que a China exerce sobre a Coreia do Norte e subestimam a resilincia do regime de Kim. (Com base em vrias discusses com o autor durante uma recente viagem de pesquisa a Beijing e Xangai.) 85. David Feith, The North Korea Sanctions Myth, The Wall Street Journal, 27 Mar. 2017, apud Edward Fishman, Peter Harrell e Elizabeth Rosenberg, A Blueprint for New Sanctions on North Korea (Washington, DC: CNAS, July 2017), p. 3. 86. Andrew Browne, Trump Walks Dangerous Line with Beijing on Two Fronts, The Wall Street Journal, 16 Aug. 2017. 87. Javier C. Hernndez, Owen Guo e Ryan McMorrow, South Korean Stores Feel Chinas Wrath as U.S. Missile System Is Deployed, The New York Times ( site), 9 Mar. 2017, acesso em, 9 nov. 2017, https://www.nytimes.com/2017/03/09/world/ asia/china-lotte-thaad-south-korea.html?_r=0. 88. Trefor Moss, Korea-Goods Boycott Hits China Wor kers, The Wall Street Journal, 24 Aug. 2017, A7. 89. Chinas Bullying Is Backfiring in South Koreas Presidential Race, The Economist ( site), 29 April 2017, acesso em 9 nov. 2017, https://www.economist.com/news/asia/21721372-their -hostility-making-front-runner-more-hawkish-chinas-bullying-backfiring-south 90. Jane Perlez, U.S. Desire for North Korea Oil Cutoff Puts China in a Tight Spot, The New York Times ( site), 5 Sept. 2017, acesso em 9 nov. 2017, https://www.nytimes. com/2017/09/05/world/asia/north-korea-china-us-oil-fuel-ex ports.html?ref=todayspaper&_r=0. 91. Fishman, Harrell e Rosenberg, A Blueprint for New Sanctions on North Korea, p. 5. 92. Jackson, U.S. Direct Investment Abroad, p. 1. 93. Economic Influence in Latin America Isnt All About Trade, Stratfor Worldview, 8 Sept. 2017, aces so em 9 nov. 2017, https://worldview.stratfor.com/article/ economic-influence-latin-america-isnt-all-about-trade 94. Andrew Hunter e John Schaus, CSIS Review of the Committee on Foreign Investment in the United States, A Re port of the CSIC International Security Program (Washington, DC: CSIS, December 2016). 95. Kate OKeefe, U.S. Stymies China Deals, The Wall Street Journal, 22 Jul. 2017, A1, A6. 96. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 181-84. Eles sustentam que deveria ter havido dispositivos mais fortes quanto s empresas estatais e proibies contra a manipulao cambial. 97. Ibid., p. 191. 98. Wendy Cutler, Charting a Course for Trade and Eco nomic Integration in the Asia-Pacific (Washington, DC: Asia Society Policy Institute, March 2017), p. 13; um breve resumo das vantagens da Parceria Transpacfico consta de Michael R. Auslin, The End of the Asian Century (New Haven, CT: Yale University Press, 2017), p. 210. 99. Trump Says Plans Lots of Bilateral Trade Deals with Quick Termination Clauses, Reuters, 26 Jan. 2017, acesso em 19 dez. 2017, https://www.reuters.com/article/us-usa-trump-trade/trump-says-plans-lots-of-bilateral-trade-deals-with-quick-termination-clauses-idUSKBN15A2MP 100. Zarate, Treasurys War, p. 385. 101. Rosenberg et al., New Tools of Economic Warfare, p. 10. 102. Fishman, Harrell e Rosenberg, A Blueprint for New Sanctions on North Korea, p. 1. 103. Quanto ao Ir, veja ibid., 8; quanto Rssia, veja Sanctions on Russia: The Punishment Continues, The Econo mist, 5 Aug. 2017, p. 37; Peter E. Harrell et al., The Future of Transatlantic Sanctions on Russia (Washington, DC: CNAS, June 2017). 104. Fishman, Harrell e Rosenberg, A Blueprint for New Sanctions on North Korea, p. 3, p. 8. 105. Rosenberg et al., New Tools of Economic Warfare, p. 34 -35. 106. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 143. 107. Barry Eichengreen, Exorbitant Privilege: The Rise and

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41 Fall of the Dollar and the Future of the International Monetary System (New York: Oxford University Press, 2011). 108. e World Economy: e Sticky Superpower, e Eco nomist ( site), 3 Oct. 2015, acesso em 9 nov. 2017, hps://www. economist.com/econ2015. Este um excelente relatrio especial com 14 pginas sobre o papel do dlar na economia mundial. 109. Eswar Prasad, A Middle Ground: e Renminbi is Rising, But Will Not Rule, Finance & Development, March 2017, p. 30. 110. Eswar Prasad, Gaining Currency: e Rise of the Renminbi (New York: Oxford University Press, 2017), p. 245. 111. U.S. Treasury Department, Major Foreign Holders of Treasury Securities (site), 17 Oct. 2017, acesso em 9 nov. 2017, hp://ticdata.treasury.gov/Publish/m.txt. 112. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 144. 113. Ian Bremmer e David Gordon, Where Commerce and Politics Collide, e New York Times ( site), 7 Oct. 2012, acesso em 9 nov. 2017, hp://www.nytimes.com/2012/10/08/opinion/08iht-edbremmer08.html 114. Zarate, Treasurys War, p. 384. 115. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 256-57. 116. Ibid., p. 25. 117. Ibid., p. 186. 118. G. John Ikenberry, Liberal Leviathan: e Origins, Crisis, and Transformation of the American World Order (Princeton, NJ: Princeton University Press, 2011), p. 61. Veja, tambm, Robert Kagan, e World America Made (New York: Alfred A. Knopf, 2012). 119. Gilpin, Global Political Economy, p. 314. omas Friedman, em e Lexus and the Olive Tree, referiu-se ao Consenso de Washington como a camisa de fora de ouro que as naes vestem voluntariamente para terem sucesso na economia global (p. 101). 120. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 7; Gilpin, Global Political Economy, p. 315. 121. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 14, p. 187. 122. Ibid., p. 14, p. 184. 123. Ibid., p. 15. 124. Ibid., p. 184. 125. G. John Ikenberry, e Illusion of Geopolitics: e Enduring Power of the Liberal Order, Foreign Aairs 93, no. 3 (May/June 2014): p. 88. 126. Ibid., p. 90. 127. Cordell Hull, e Memoirs of Cordell Hull (New York: Macmillan, 1948), p. 84, apud Eduardo Porter, Trump and Trade: Extreme Tactics in Search of a Point, e New York Times ( site), 31 Jan. 2017, acesso em 9 nov. 2017, hps://www.nytimes. com/2017/01/31/business/economy/trump-and-trade-extreme -tactics-in-search-of-a-point.html 128. Blackwill e Harris, War by Other Means, p. 221, p. 226.

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42 A Guerra Contempornea e os Problemas Atuais para a Defesa do PasGen Ex Valery Gerasimov, Chefe do Estado-Maior Geral das Foras Armadas da Federao RussaTraduo baseada na verso em ingls de Harold Orenstein, Ph.D.; Prefcio de Timothy omas Gen Valery Gerasimov, Chefe do Estado-Maior Geral das Foras Armadas da Federao Russa, parabeniza militares e veteranos durante discurso no Dia das Foras Terrestres da Rssia, 01 Out 16, ressaltando sua signicativa contribuio proteo dos interesses nacionais. (Foto cedida pelo Ministrio da Defesa da Federao Russa)

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43 Prefciom mao e 2017, o tee o stao-aio erar uso aner erasimov iscoeu sore o tea uea onteornea e os robneas tuais ara a eesa o as urante uma conerncia reanizaa na caeia e incias initares. resente trauo aseaa e uma erso ireta o ruso ara o inns (se aatao ara o inns coente) erasimov exaina ios eneentos ue caraeiza a uea atuarmente e uais tareas eve se aoaas. imeiro, ene enumera os eneentos ue caraeiza os confitos minitares conteorneos. ntre enes eo as oeraes se contato, o custo e aras, o uso a roti ca, as ias oras e ereo e oas e o uso e eeitos inoracionais sicoricos e inoracionais tcnicos, an e outros atores. euno, ene aoa as oeraes tias e o outro nao, ue ene ctaa e nova eceo os teos e az, e ue a seurana e a soerania so aeaaas o outros meios ue no as meias ionentas (isto o meios no minitares). eceiro, ene renaciona as tareas a sere estuaas ena caeia e incias initares, incruino as atuais oras e enrentaento e os mtoos ara comat-nas; a ciao e contraeias ara os meios e uea tia utinizaos ero ciente contra a sia; a enaorao e oras e mtoos e oeraes e ias conies; e os robneas renacionaos oranizao e rea ruaentos a oa. uarto, ene oserva ue as caaci aes minitares a sia ora aereioaas o meio o esenvorvimento euinirao e toas as oas inunares e e toas as aras, uaros e servios. ne eaca cinco reas eecicaente: o esenvorvimento e aras e arta tecnoroia, novos meios e comunicao, ntenincia, comano e controne automatizao e uea raioenetrnica. uinto, ene enatiza um ensaento e ias ocasies: ue o ereo a oa minita aina a melto ora e escreve a uea. n iso, erasimov averte ue os estuiosos minitares no t eicao suciente ateno a certos teas, incruino oeraes e comate contra troas ieunares inimias; ereo e aruaentos comostos e oas reunares e eacaentos e mincias nacionais; comate e conies uranas, incruino rocais one os comatentes etenta ciis como escuos tumanos; e noranizao s-confito. o m, ane oserva ue o iscurso e erasimov oe receu um om exero e como ensa como um ociar ruso, ois ene menciona imortantes eneentos renacio naos cincia minita o as: tenncias; revises; a coenao entre tios e ruta; e oras e mtoos. ae nota, e eeciar, o moo ero uar erasimov caraei za oeraes tias como uma atiiae os staos nios a mica (UA) e a ranizao o ratao o tnntico orte (TAN) e uea tia como uma exreso seno romovia eros ecuros e comunicao e masa, cubo ereo como tero con sarao, no momento, aro reaturo. sinicatio ue, ao ara ue o xcito ruso te eonstrao tainiae [na ia] e conuzi o novo tio e uea, entene-se o novo tio e uea a escio ue e surino ara o ensaento ruso sore ena. Timothy nomas, Foreign Military Studies ObceComentrios do Gen Ex Valery Gerasimov, A Guerra Contempornea e os Problemas Atuais para a Defesa do PasA uera sempre foi uma companheira constante da humanidade. Nasceu antes do surgimento do Estado e um dos fatores de seu desenvolvimento. natural que o prolema de denir a natureza e essncia da uera sempre tenha sido foco das aten es de estudiosos nacionais e estrangeiros. Clausewitz deacou a natureza poltica da uera, tratando-a como uma continuao da poltica por outros meios. Entendia outros meios como meios violentos. Comparou a uera a um duelo em grande escala, denindo-a como um ato de fora para obrigar o nosso inimigo a fazer a nossa vontade*. Snesarev e Svechin ilustres tericos militares rus sos e soviticos do incio do sculo XX contriburam de maneira signicativa ao desenvolvimento da cincia da uera. As principais tendncias da conduo da uera, que so fruto de relaes no apenas polticas, como tambm econmicas e sociais, so um exemplo de sua pesquisa. No comeo dos anos 90, havia se formado um slido entendimento da uera como um meio de alcanar ob jetivos polticos exclusivamente com base no emprego de meios de luta armada. A uera como fenmeno ocupa as mentes de eecialistas militares nacionais e estrangeiros. Atualmente, os EUA tm uma classicao de conitos [*Trecho da obra Da Guerra, de Clausewitz, extrado da traduo do ingls para o portugus de CMG (RRm) Luiz Carlos Nascimento e Silva do Valle, a partir da verso em ingls de Michael Howard e Peter Paret. N. do T]

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44 militares, que inclui a uera tradicional e a uera no tradicional. No incio do sculo XXI, os tericos norte-americanos propuseram a incluso da uera hbrida nessa classicao. Isso se refere a aes que ocoram em um perodo que no possa ser associado puramente com a uera ou com a paz. Na cincia e na prtica nacional russa, eabeleceu-se uma abordagem mais convincente em relao classicao dos conitos militares contempo rneos. Ela leva em considerao um nmero maior de atributos das ueras e conitos armados. Seundo a outina inita a eerao usa, as ueras, assim como os conitos armados, constituem o contedo geral dos conitos militares. So uma forma de resolver conitos intereatais ou intraeatais com o emprego da fora armada. Ao mesmo tempo, no h uma denio de uera em documentos ociais internacionais ou nacionais. O termo uera utilizado na cincia militar na cional. denido na ncicroia inita Atualmente, a comunidade militar e cientca e debatendo, vigo rosamente, quees relacionadas a um esclarecimento do conceito de uera. Aluns estudiosos e eecialistas seuem o trata mento clssico da natureza e contedo da uera. Nesse contexto, a objetividade do desenvolvimento evolutivo da uera como fenmeno e a necessidade de introdu zir mudanas em sua teoria no so rejeitadas. Outros recomendam uma reviso fundamen tal de perectivas sobre a natureza e contedo do conceito de uera, levando em conside rao o fato de que a luta armada no um atributo obrigatrio. Atualmente, possvel encontrar, em pulicaes e no debate plico, expresses como uera de infor mao, uera econ mica, uera hbrida e uma multiplicidade de outras variantes do emprego da palavra uera. Tudo isso precisa ser ana lisado e discutido. evidente que um saudvel debate acadmico certamente seria algo bom para a cincia militar do nosso pas. O Estado-Maior Geral tem dedicado a necessria ateno resoluo dessa queo. Em 2016, um debate sobre a natureza do conceito de uera nas condies contemporneas foi realizado na Academia Militar de Estado-Maior Geral. Uma reunio da seo de assuntos de seurana militar do comit cientco do Conseho de Seurana tambm examinou essa queo. Durante o debate, foram desen volvidas diretrizes gerais sobre a necessidade de analisar as caraersticas e elementos dos conitos militares contem porneos e esclarecer sua origem e evoluo. Os conitos militares do nal do sculo XX e incio do sculo XXI divergem uns dos outros com reeito composio de participantes, armas empregadas e formas e mtodos de atividades das tropas. Ao mesmo tempo, os conitos militares no ultrapassaram os li mites da natureza convencional da uera; seus com ponentes so tipos de luta como a luta armada direta, a luta poltica, a luta diplomtica, a luta informacional, etc. Surgiram novos aectos neles, como uma mudan a do grau de contribuio de cada tipo de luta em rela o a outro para o sucesso poltico geral de uma uera, a superioridade sobrepujante de um dos lados em fora militar e poderio econmico, etc. H uma srie de elementos que so caraersticos dos conitos militares contemporneos. A experincia das operaes da OTAN na Iugoslvia, que anunciaram a era da chamada uera sem contato ou remota, no recebeu ampla circu lao. H uma razo objetiva para isso: restries de natureza geogrca e econmica foram impostas consecuo dos objetivos da uera. O fator custo das armas e da uera passou a exercer um importante papel na seleo de mtodos para a conduo de opera es militares. Um aecto considervel dos conitos militares contemporneos o crescente emprego dos mais recen tes sistemas robticos e veculos areos no tripulados, com vrias designaes e aes. Surgiram novas formas de emprego de diferentes foras e meios. Por exemplo, durante as operaes na Lbia, uma zona de excluso area foi eabelecida e um loqueio naval executado juntamente com as operaes conjuntas de empresas O Gen Ex Valery Gerasimov o Chefe do Estado-Maior Geral das Foras Armadas da Federao Russa e Vice-Ministro de Defesa. Cursou a Escola Militar Superior (Carros de Combate) de Kazan, a Academia Militar de Foras Blindadas Malinovsky e a Academia Militar de EstadoMaior Geral das Foras Armadas da Rssia. Serviu em vrias funes de comando e estado-maior antes da atual designao, incluindo o comando do 58 Exrcito durante as operaes de combate na Tchetchnia.

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45 militares privadas de pases da OTAN e grupos arma dos da oposio poltica local. Os pases lderes do mundo tm declarado que obter a superioridade de informaes uma condio indiensvel para as operaes de combate em seus conceitos sobre o emprego de foras militares. Para cumprir essa tarefa, so utilizados recursos das redes sociais e meios de informao de massa. Ao mesmo tempo, as foras e os meios de efeitos informacionais psicolgicos e informacionais tcnicos so envolvidos. Assim, em conitos no Oriente Mdio, as capacidades mobilizadas pelas redes sociais aceoo wie e outros efeitos informacionais tcnicos foram ampla mente utilizados pela primeira vez. O conflito na Sria foi um exemplo do empre go de mtodos hbridos de operao. Operaes tradicionais e no tradicionais, de natureza militar e no militar, foram utilizadas simultaneamente nesse conflito. Em seu primeiro estgio, os conflitos internos da Sria foram transformados em ataques armados pelos grupos de oposio. Ento, com o apoio de assessores estrangeiros e efeitos informacio nais dinmicos, essas aes adquiriram um carter organizado. Em consequncia, organizaes teroris tas, abastecidas e dirigidas do exterior, uniram-se oposio ao governo. Os EUA e pases da OTAN vm introduzindo, efetivamente, as operaes hbridas no mbito internacional. De modo geral, isso foi condicionado pelo fato de que essa variante operacional no se enquadra na definio de agresso. Os veculos de comunicao em massa esto cha mando esses mtodos de uera hbrida. Entretanto, o emprego da expresso uera hbrida como termo consagrado no momento, algo prematuro. Uma anlise dos conflitos do incio do sculo XXI aponta para uma srie de tendncias com respeito sua transformao. Atualmente, o obscurecimento da distino entre eado de uera e de paz bvio. O outro lado das operaes hbridas consiste em uma nova percepo do tempo de paz, quando medidas militares ou outras medidas violentas visveis no so empregadas contra um determinado Estado, mas sua seurana nacional e soberania so ameaadas e podem ser violadas. O espectro de razes e abordagens para o empre go da fora militar est se ampliando. Vem sendo usada, com uma frequncia cada vez maior, para apoiar os interesses econmicos de um Estado, sob o sroan de proteger a democracia ou incutir valores democrticos em alum pas. A nfase no contedo dos mtodos de enfrenta mento e mudando em direo ao amplo emprego de medidas polticas, econmicas, diplomticas, informa cionais e outras medidas no militares, implementadas com o envolvimento do potencial de proteo de uma populao. Formas e meios no militares de luta tm sido objeto de um desenvolvimento sem precedentes, adquirindo um carter perigoso e, s vezes, violento. O uso prtico de mtodos e meios no militares pode provocar um colapso nas dimenses energtica, ban cria, econmica, informacional e em outras reas das atividades dirias de um Estado. possvel citar, como exemplo, os resultados dos ataques cibernticos contra a infraestrutura energtica do Ir em 2015. Uma anlise dos elementos, atributos e tendncias caraersticos na evoluo dos conitos militares con temporneos indica que um aecto geral intrnseco a todos eles, de uma maneira ou de outra: o emprego da fora militar. Em aluns conitos, como nas duas uer ras dos EUA contra o Iraque ou na operao da OTAN contra a Iugoslvia, isso foi quase a luta armada clssica. Em outros conitos, como na Sria, a luta armada conduzida por um lado na forma de operaes antiter roristas e, pelo outro, na forma de operaes por grupos armados ireulares e ilcitos e organizaes teroristas. Assim, o contedo principal da uera contempo rnea e uera do futuro prximo continua a ser iual ao de antes, e seu principal indicador ser a presena da luta armada. Levando todos esses fatores em considerao, ainda prtico manter a denio de uera conforme apre sentada pela ncicroia inita Alm disso, a queo de determinar a essncia da uera no e encerada; atual e requer contnuo es tudo e cuidadosa considerao. Com esse objetivo, uma mesa redonda sobre o tema, A Guera e os Conitos Armados Contemporneos: Elementos e Atributos Caraersticos, ser realizada em agosto dee ano [2017], no contexto do programa do frum tecnolgico militar internacional ARMIIA-2017. Os estudiosos da Academia de Cincias Militares devem participar vigorosamente dessa mesa redonda e desse frum.

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46 necessrio continuar o trabaho de padronizao inter departamental de termos e denies poltico-militares e militares. O crescimento do potencial de conflito no mundo enfatiza a urgncia de uma srie de tarefas no campo da defesa do pas. A principal continua sendo a mesma de antes: a repulso garantida de uma possvel agresso vinda de qualquer direo ao relacionamento da Federao Russa e seus aliados. Em tempo de paz, ao se executarem medidas de dissuaso estratgica, necessrio efetuar a neutra lizao de ameaas seurana do pas apoiando-se nas foras e meios disponveis. Nesse sentido, o papel e a importncia de prever e avaliar perigos e ameaas militares esto cres cendo. vantajoso implement-los junto com uma avaliao das ameaas econmicas, informacionais e de outra natureza Federao Russa. As capacidades das Foras Armadas esto sendo aperfeioadas por meio de um desenvolvimento equilibrado de todas as Foras Sinulares e de todas as armas, quadros e servios e por meio do desen volvimento de armas de alta tecnologia, meios de comunicao modernos, Inteligncia, comando e controle automatizado e uera radioeletrnica. Atualmente, est em curso um aparehamento em larga escala das Foras de Fouetes Estratgicos com modernos complexos de msseis. A Marinha est adquirindo novos submarinos atmicos com msseis balsticos e de cruzeiro sem paralelo no mundo. As aeronaves da aviao estratgica nos sos lendrios U-160 e U-95S esto sendo modernizadas. Isso possibilitar que, no total, 90% das foras nucleares estratgicas estejam dotadas de equipamentos modernizados at 2020. O potencial de ataque das armas de alta tecno logia nas Foras Armadas ser quadruplicado at 2021. Isso tornar possvel defender a seurana da Rssia ao longo de todo o permetro da fronteira. A porcentagem de armas e equipamentos militares modernos nas Foras Terestres atingir no menos que 70% at 2021. As Foras Aeroespaciais vo ad quirir aeronaves de nova gerao, o que aumentar as capacidades de combate da aviao em 1,5 vezes. A Marinha ser provida de navios modernos, equipados com fouetes de alta tecnologia e longo alcance. A robtica desempenha um papel significativo na ampliao das capacidades de combate. O empre go em larga escala, mas razovel, de vrios tipos de sistemas robticos aumentar a efetividade das operaes das tropas e possibilitar uma reduo considervel de perdas de pessoal. As Foras Armadas tm, hoje, uma oportunidade nica para verificar e testar novos modelos de armas e equipamentos militares sob complexas condies climticas. necessrio continuar a expandir a experincia de combate dos meios da luta armada nos aconteci mentos na Sria e extrair lies para aperfeio-los e moderniz-los. A vitria, em qualquer uera, obtida no apenas pelos recursos materiais, mas tambm pelos recursos espirituais da nao, sua coeso e tentativas por todas as foras de se opor agresso. Portanto, a liderana poltico-militar da Federao Russa vem envidando considerveis esforos para restaurar a f do povo no Exrcito. Hoje as Foras Armadas esto alcanando um nvel fundamentalmente novo de aprestamento para o combate, e isso tem recebido o apoio integral da sociedade russa. Para aumentar ainda mais o prestgio das Foras Armadas, importante forjar laos entre o Exrcito e a sociedade. Para tanto, preciso mehorar os sistemas de instruo dos militares e de educao patritica militar dos jovens. Sem um estudo cuidadoso e avanado das atuais tarefas para proteger a seurana militar do pas, a resoluo delas impossvel. Ao mesmo tempo, como tem demonstrado a experincia na Sria, hoje realizamos muitas tare fas por meio da experincia prtica, sem termos a oportunidade de nos valermos das recomendaes da cincia militar. Assim, os estudiosos militares no tm dedicado a necessria ateno aos prolemas da conduo de operaes de combate contra foras ireulares ini migas; emprego de agrupamentos compostos de for as reulares e destacamentos de milcias nacionais; combate em condies urbanas, incluindo locais onde os combatentes detenham civis como escudos humanos; e normalizao ps-conflito. Durante a operao para eabilizar a situao na Sria, as misses que eram novas para as tropas foram

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47 frequentemente resolvidas imediatamente, levando em considerao a experincia que havia sido adquirida e a convenincia. Nesse aecto, o Exrcito russo tem demonstrado habilidade em conduzir esse novo tipo de uera, organizar coalizes e atuar com aliados. O crescente poder de combate da Rssia e as ca pacidades das Foras Armadas para executar misses estratgicas em um teatro de operaes distante foram demonstrados perante a comunidade mundial. Adquiriu-se experincia prtica no planejamento e conduo de operaes areas, lanamentos macios de fouetes e ataques areos e emprego de armas de alta tecnologia de base area, martima e terestre. As aeronaves do navio-aerdromo rmirante uznetsov participaram pela primeira vez das opera es de combate, concluindo mais de 60 sortidas. Sob a orientao de assessores militares rus sos e com o contnuo apoio da aviao das Foras Aeroespaciais da Rssia, grandes ganues foram sobre pujadas nas Provncias de Latakia, Alepo e Damasco. Foi reabelecido o controle sobre Palmira. extremamente importante que a experincia de combate adquirida seja usada ao mximo no desen volvimento e preparao para o combate dos rgos de comando e controle e das tropas. No todo, o papel da cincia militar continua a ser, como sempre, fundamentalmente importante, devendo-se recorer aos seus resultados na prtica. Nesse aecto, gostaria de me alongar sobre as tarefas prioritrias da Academia de Cincias Militares e da cincia militar como um todo. Em primeiro lugar e o estudo de novas formas de enfrentamento intereatal e o desenvolvimento de mtodos efetivos para combat-las. preciso dedicar eecial ateno denio de medidas preventivas para combater o desencadeamen to da uera hbrida contra a Rssia e seus aliados. necessrio estudar, efetivamente, os elementos dos conitos militares contemporneos e, a partir disso, desenvolver formas e mtodos ecazes de operaes de tropas e foras sob vrias condies. Os prolemas de organizar e implementar reagru pamentos de foras em teatros de operaes distantes requerem uma pesquisa parte. Tampouco as tarefas gerais da cincia militar perderam sua urgncia. Tambm requerem trabaho adicional, desenvolvimento de novas ideias e aquisio de novos conhecimentos. Estou certo de que os estudiosos da Academia de Cincias Militares, junto a representantes dos comple xos de cincia militar da Rssia, eo fazendo uma importante contribuio resoluo desses e de outros prolemas, o que possibilitar aumentar as capacidades defensivas e a seurana de nosso pas. Referncia1. Sovremennaia voiny i aktualnye voprosy oborony strany [A Guerra Contempornea e os Problemas Atuais para a Defesa do Pas], Journal of the Academy of Military Sciences 2, no. 59 (2017). Traduo baseada na verso em ingls de Harold Orens tein Ph.D. O artigo aparece sob o tpico geral de Conferncia Cientca Militar na Academia de Cincias Militares.

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48 Que Tipo de Vitria a Rssia Est Obtendo na Sria?Michael Kofman Mahew Rojansky, JDA uera na Sria tem se arastado por mais de meia dcada. Centenas de mihares de pessoas tm morido, cidades e municpios inteiros tm sido destrudos e bihes de dlares em infraestrutura tm sido dizimados. Mihes de refu giados tm inundado os Estados vizinhos do Oriente Mdio, que mal conseuem abrig-los, enquanto outros tm buscado seurana em lugares longnquos como a O Presidente da Repblica rabe da Sria Bashar al-Assad (segundo esquerda), o Presidente russo Vladimir Putin (centro), o Ministro de Defesa russo General de Exrcito Sergei Shoigu (segundo direita) e o Chefe do Estado-Maior Geral das Foras Armadas da Federao Russa General de Exrcito Valery Gerasimov ( direita) se renem em Sochi, Rssia, para discutir as fases nais do apoio russo s operaes na Sria, 21 Nov 17. (Foto cortesia do Governo da Rssia)

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49 Europa e a Amrica do Norte, exacerbando as contro versas disputas sobre a imigrao, o emprego e a identi dade cultural nas democracias ocidentais. A Sria tem teado todos os lderes mundiais, de forma individual e coletiva, e tem exposto o fracasso das instituies internacionais em lidar, efetivamente, com os prolemas que essas instituies foram plane jadas para controlar e prevenir. Apesar do prolongado comprometimento de recursos militares e diplomticos dos EUA no conito, uma resoluo pacca permane ce distante, e o regime sanuinrio de Assad permanece rmemente no controle dos centros populacionais ao longo do litoral mediterneo. A iminente derota do Estado Islmico (EI) no campo de bataha, no interior desrtico da Sria e do Iraque, justicada pelo fato de que seus combatentes tm se juntado e inspirado evasi vas clulas teroristas fora da regio. Entretanto, a coalizo liderada pela Rssia, incluin do as foras srias, o Ir e vrias milcias aliadas, parece ear atingindo seus prprios objetivos militares e po lticos. provvel que o conito na Sria embarque em uma nova fase em 2018, conforme tanto o EI quanto a oposio sria deixem de ser foras relevantes e as duas coalizes busquem negociar uma resoluo ps-coni to. Embora eeja longe de ser asseurado que qualquer resoluo aceitvel para os principais atores domsti cos e internacionais possa ser possvel, por enquanto, o resultado principal dea uera que o Presidente Bashar al-Assad ir continuar no poder, mas a Sria que existia antes da uera no voltar a existir. A Rssia envolveu-se diretamente nee coni to somente a partir de setembro de 2015, mas a sua interveno tem mudado radicalmente o resultado da uera. A perunta natural se a Rssia tem, de fato, conseuido uma vitria. A resposta a essa perunta depende, primeiro, do que Moscou planejava realizar em outras palavras, como a Rssia denia e atual mente dene a vitria na Sria, quais so seus interesses permanentes l e se esses interesses tm sido asseura dos ou alavancados? Embora a campanha russa possa ser considerada um sucesso do ponto de vista dos objetivos prprios do Kremlin, o real desempenho da Rssia, tanto em ter mos militares quanto polticos, precisa de uma anlise mais profunda. Como que os russos alcanaram seus sucessos, tanto no campo de bataha quanto nos mais amplos palcos diplomticos e polticos? Finalmente, armado com uma mehor conscincia de como a campanha da Rssia na Sria foi medida em termos de objetivos russos e capacidades, quais lies os EUA devem aprender para engajamentos futuros na Sria, no Oriente Mdio e alm?As Origens da Interveno Russa uma ecie de acidente histrico que os poderes militares dos EUA e da Rssia tenham se encontrado no solo e nos cus da Sria, em 2015. O pas no era, nem de perto, o ponto central da estratgia global ou mesmo das reectivas polticas regionais de qualquer um desses Estados. As relaes entre a Rssia e a Sria tm suas origens no legado da Guera Fria, desde que Moscou comeou a apoiar a Sria, depois da Guera do Suez, em 1956. No entanto, at 1971, a Sria no tinha se tornado um Estado cliente da Unio Sovitica. A Unio Sovitica ganhou uma bem localizada base naval em Tartus, na costa mediternea da Sria, para apoiar sua Quinta Eskadra uma frota operacional junto com instala es de coleta de informaes no continente. Depois da queda da Unio Sovitica, em Mahew Rojansky Diretor do Kennan Institute no Woodrow Wilson Center, em Washington, D.C., e Professor Adjunto na School of Advanced International Studies, da Johns Hopkins University. bacharel pela Harvard College e possui doutorado em direito pela Stanford Law School. Anteriormente, era Vice-diretor do Programa da Rssia e da Eursia, na Fundao Carnegie para a Paz Internacional. Serviu, tambm, com especialista de polticas de embaixada na Embaixada dos EUA em Kiev, Ucrnia, e como acadmico convidado na Diviso de Pesquisa, do Defense College da OTAN. Michael Kofman cientista pesquisador senior da CNA Corporation, onde serve como Diretor do Programa de Estudos Russos. Tambm, bolsista global do Kennan Institute, em Washington D.C., e bolsista a distncia do Modern War Institute, em West Point, Nova York. Anteriormente, trabalhou como gerente de programa na National Defense University. Sua pesquisa se concentra em assuntos de segurana na Rssia e na antiga Unio Sovitica, espe cializando em anlise militar e de defesa. bacharel pela Northeastern University e mestre pela School of Foreign Service da Georgetown University.

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50 1991, as frotas soviticas partiram do Mediterneo, e a importncia das bases srias rapidamente diminuram. Moscou tinha bem menos fundos disponveis para sustentar sua rede de patrocnio de Estados clientes e a Sria se tornou, decididamente, um parceiro tran sacional, conforme a Rssia exigia o pagamento pela contnua venda de armas. Os navios russos continua vam a explorar o porto de Tartus como um ponto de reabastecimento menor, mas com pouca importncia militar. Tartus era, de qualquer forma, inadequada para a atracao dos navios russos e, por um perodo prolon gado, havia pouca atividade naval russa para justicar seu uso. Isso mudou na sequncia da interveno russa, em 2015. Agora, o porto expandido de Tartus muito mais capacitado para apoiar as operaes e reabastecer a frota mediternea russa, que foi reativada, em 2013, com a nalidade de apoiar a Sria. Em geral, a Rssia no conquistou bases na Sria, ela teve que eabelec-las e expandir a infraestrutura exis tente para salvar o regime srio. Encorajada pelo notvel xito, e desejando car, a Rssia assinou um contrato de arendamento do porto de Tartus por 49 nove anos, em 2017. O porto, ainda e no processo para ser trans formado em uma base naval utilizvel. O que a relao com a Sria realmente ofereceu Rssia ps-sovitica foi uma posio no Oriente Mdio, que a ajudou a conferir o status de um grande poder nas polticas in ternacionais. A conuncia de eventos levou ao que se tornaria o empreendimento militar mais signicativo de Moscou fora do espao ps-sovitico imediato, em mais de um quarto de sculo. Embora a Rssia tivesse interesses permanentes na Sria, o contexto varivel das relaes entre os EUA e a Rssia, a partir de 2011, foi o fator mais inuente sobre como Moscou veria aquele conito. A resposta da Rssia interveno liderada pelos EUA na Lbia, naquele mesmo ano, era totalmente negativa e Moscou queria riscar uma linha no cho, na Sria, opondo-se ao emprego da fora pelos EUA para avanar o que a Rssia considerava uma agenda de mudana de regime. O Ministro do Exterior Sergei Lavrov aplicou diretamente a lgica da Lbia Sria, em maio de 2011, quando disse, O clculo que os atores estrangeiros caro envolvidos com esse prolema e no apenas iro condenar o pas violncia, mas, subsequentemente, iro repetir o cenrio lbio, incluindo o emprego de fora O ponto central da poltica russa na Sria se tornou evitar que os EUA realizassem uma interveno do tipo lbio para derubar Assad. Lavrov avisou, Aluns lde res das foras da coalizo e, depois, o secretrio-geral da OTAN, chamaram a operao na Lbia de um modelo para o futuro. Quanto Rssia, no permitiremos que algo como isso ocora de novo no futuro. O medo de mais uma interveno militar dos EUA, ea vez muito mais prximo prpria Rssia e sendo o alvo seu nico cliente reante no Oriente Mdio, parece ter sido justicado quando o Presidente Barack Obama exigiu que Assad renunciasse. A Rssia eava determinada a impedir o intervencionismo dos EUA, inicialmente ao fornecer armas e equipamentos ao regime e ao lo quear esforos para pressionar o regime no Conseho de Seurana da ONU. Iualmente importante era a convico rme entre as elites russas de que a queda de Assad resultaria na as censo dos aliados do EI e da Al Qaeda ao controle do pas, signicando um desastre para a regio e a criao de uma autoestrada potencial para extremistas sunitas entrarem na Turquia e no Cucaso. Essa preocupao foi conrmada, em parte, conforme a uera civil em andamento se combinou com o deslocamento de civis, devido ao surgimento do EI, resultando em um uxo massivo de refugiados para a Turquia, pases vizinhos e Europa central, causando incerteza e ameaando a eabilidade da regio (veja a Fiura 1). Diferente da longnqua Lbia, uma imploso completa da Sria no medo [da Rssia] de mais uma interveno militar dos EUA, esta vez muito mais prximo prpria Rssia e sendo o alvo seu nico cliente restante no Oriente Mdio, parece ter sido justicado quando o Presidente Barack Obama exigiu que Assad renunciasse.

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51 era apenas demasiadamente prxima, mas mihares de civis russos e outros mihares de falantes do Russo entorno j tinham se juntado a militantes de grupos ex tremistas combatendo no pas. Moscou temia que, no caso de uma vitria do EI, aluns desses combatentes entrariam na Rssia e juntar-se-iam a insurgncias no norte do Cucaso ou pla nejariam ataques contra o ncleo central da Rssia. Consequentemente, aluns russos descreveram a entrada no conito na Sria como o lanamento de uma uera preventiva contra o terorismo. Os interesses e os objetivos russos na inter veno sria se originam, tambm, da queda dos laos entre a Rssia e o Ocidente aps a invaso do lee da Ucrnia e a anexao da Crimeia por Moscou, em 2014. Nesse sentido, as sanes e a presso diplomtica dos EUA e da Europa desen cadearam a deciso russa de intervir na Sria. Ao invs de ceder presso ocidental e oferecer con cesses sobre a Ucrnia, Moscou ohou para a Sria como um motivo de ampliar o confronto em termos mais favorveis para eles. Consequentemente, a Rssia eerava que sua interveno na Sria foras se o abandono das sanes relacionadas Ucrnia e o isolamento diplomtico por parte de Washington e seus aliados europeus, baseado no interesse de conseuir uma resoluo negociada com a Rssia sobre a Sria. As consideraes polticas domsticas da Rssia foram tambm um fator, embora seu papel no deva ser exagerado. As Foras Armadas da Rssia desferiram um duro golpe na Ucrnia na bataha de Debaltseve, em fevereiro de 2015, levando ao seundo acordo de cessar-fogo de Minsk, que parecia ser uma vitria poltica para Moscou. O acordo, contudo, rapidamen te fracasso e as sanes ocidentais permaneceram em pleno vigor, sobrecaregando a economia russa, durante um tempo de preos da energia continuamente baixos. Ao lutar para eabilizar a situao econmica em casa e com uma poltica na Ucrnia progressivamente deriva, havia pouca probabilidade de que a liderana russa obtivesse mais vitrias domsticas e nos pases fronteirios da Rssia. Embora Moscou dicilmente considerasse a entrada em uma sangrenta uera civil no Oriente Mdio como um caminho para ganhos fceis, a tolerncia russa para os riscos ligados com a interveno cresceu drasticamente, em face dessas presses domsticas e internacionais. Uma interveno limitada na Sria, calibrada para reduzir o risco poltico domstico, se tornou a proposta menos perigosa. Em meados de 2015, Moscou tinha poucas alternativas ao uso de fora se quisesse sustentar Figura 1. Srios em Pases Vizinhos e na Europa(Grco cortesia da BBC; ltima atualizao dos dados em 3 Mar 16. Fonte: Alto Comissrio das Naes Unidas para os Refugiados)

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52 o Regime Assad, seu aliado em Damasco. Em abril, a situao para as foras de Assad era grave. O aliado da Al Qaeda na Sria, Jahat al-Nusra, tinha reunido uma coalizo de combatentes em um Exrcito de Conquista, que repeliu as foras do regime no noroee e ameaou os grandes centros populacionais mais ao sul. Ao mesmo tempo, o EI es tava avanando para o oee e ti nha capturado a cidade histrica de Palmira. As foras de Assad eavam sendo espremidas e recuando em quase todas as frentes. Naquele vero, o chefe da Fora Quds do Ir, Qassem Soleimani, junto com autoridades de alto escalo da Sria, zeram vrias viagens a Moscou em um esforo para coordenar uma interveno militar russa. J em agosto da quele ano, havia indicaes claras de que a Rssia eava se preparando para intervir, e quando a aviao ttica russa comeou a chegar Base Area Hmeimim, em setembro de 2015, a deciso j eava tomada. A Fiura 2 mostra a situa o aproximada na Sria, em termos de teritrio con trolado pelos participantes no conito, perto do incio das operaes russas em apoio ao Regime Assad.O Enquadramento da Interveno RussaEmbora limitada pelas necessidades tticas, a entrada de Moscou no conito srio foi, tambm, estrategicamente ambiciosa. Uma interveno bem-su cedida poderia oferecer a vitria em trs frentes: pre venir uma mudana de regime apoiada pelos EUA na Sria; sair do isolamento poltico e forar Washington a tratar a Rssia como um parceiro iualitrio; e demons trar para seu prprio povo que a Rssia era uma grande potncia no palco principal das polticas internacionais. Moscou eerava que a Sria oferecesse uma frente nova e mais favorvel, onde os Estados Unidos pode riam ser superados estrategicamente no confronto mais amplo, o qual, at 2015, se concentrava quase exclusiva mente nas aes russas na Ucrnia. Uma vez iniciadas as operaes militares, como frequentemente o caso com as campanhas militares, a interveno abrangeria objetivos adicionais, reetin do interesses declarados secundrios ou tercirios. O lento crescimento da ambio uma doena comum que aige a maioria das grandes potncias quando Figura 2. Guerra Civil Sria: Mapa de Controle Territorial em Novembro de 2015(Grco por edmaps.com; Twier, @edmapscom; 2017 Cristian Ionita)

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53 desdobram foras militares. A Rssia talvez no tenha entrado na Sria com eerana de reconquistar poder e status no Oriente Mdio como sua prioridade, mas as aspiraes regionais cresceram com cada sucesso no campo de bataha. Como consequncia, a Rssia tem se tornado um potencial detentor de poder e, talvez, um fator de equilbrio contra a inuncia dos EUA, mesmo se no que no tenha embarcado na campanha sria com essas metas em mente. Quaisquer que fossem as expectativas russas de sucesso e h indicaes que a liderana sria enga nou Moscou no incio sobre as verdadeiras condies das suas foras (historicamente, isso no uma prtica incomum para Damasco) Moscou conduziu uma campanha com os objetivos polticos e militares em alinhamento bastante estreito. Esses esforos se forta leciam mutuamente, mas um caminho para a vitria tinha que superar desaos signicativos. No tereno, as foras russas tinham que encontrar uma maneira para alterar, de forma rpida e dramtica, o equilbrio em favor de Assad, ao destruir a capacidade da oposio de continuar a luta, enquanto trabahando sob severas limitaes de recursos. Paralelamente, a Rssia tinha que mudar as expectativas e as polticas dos seus principais oponentes nesse conito, incluin do a Turquia, os Estados Unidos e a Arbia Saudita, enquanto entrava em acordos com outros atores po tenciais na regio. Caso contrrio, os ganhos militares rapidamente desapareceriam na areia, e uma vitria poltica seria efmera. Ao mesmo tempo, a Rssia pre cisava, tambm, de um processo poltico em vigor para consolidar os ganhos militares no tereno, tendo em vista o que Mao Ts-Tung escreveu, o poder poltico cresce do cano de uma arma. As relaes com aliados, como o Ir e cobeligeran tes na forma de milcias locais, e com potenciais fon tes de prolemas, como Israel, tinham de ser cuidado samente controlados. Os riscos de incentivos polticos e objetivos operacionais conitantes entre esses interessados criaram um campo de bataha complexo. O risco da situao escalar at um conito direto en tre os poderes intervenientes era considervel, como Os militares srios que desertaram para juntar-se ao Exrcito Srio Livre controlam uma rua em Saqba, um pouco ao leste de Damasco, na Sria, 27 Jan 12. Os diversos grupos livremente associados sob a denominao de Exrcito Srio Livre se tornaram os alvos principais iniciais das operaes russas na Sria, porque ameaavam, de forma mais direta e imediata, a autoridade do Presidente srio Bashar al-Assad. (Foto cortesia de Freedom House, Flickr)

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54 ressaltado pelo uso de armas qumicas pela Sria, em maro de 2017, resultando em um rpido ataque de msseis de cruzeiro dos EUA, ou o abate de um Su-24M2 russo pelos turcos, em novembro de 2016. A Rssia liderou a coalizo, mas nunca a controlou. Assim, ela tinha que car confortvel com a incer teza e o risco associado de ter tipos como Sria, Ir e Hezbolah na sua equipe. O xito para a Rssia envolvia a obteno de um compromisso dos outros participantes para seuir uma resoluo poltica baseada principalmente em seus termos. Isso signicava que a Arbia Saudita e a Turquia tinham que ser convencidas de que seus representantes tinham pouca chance de vitria na uera e que os Estados Unidos tinham que abandonar suas polticas que favoreciam uma mudana de regime. Ao longo do tempo, Moscou obteve sucesso tanto nas frentes militares quanto polticas, coagindo advers rios e negociando mudanas das suas posies, uma a uma, embora o caminho para esse resultado no fosse nem um pouco fcil ou bvio. O xito da Rssia no injusticado, mas quando da redao dee artigo, parece que se a campanha na Sria no uma vitria para a Rssia, certamente uma derota para aqueles contrrios coalizo liderada pelos russos.A Estratgia Russa na SriaPara conseuir esse sucesso, a Rssia tinha que obter aluma vantagem na Sria, que, por sua vez, dependia da capacidade de destruir a oposio sria e compelir seus oponentes a mudarem suas polticas, forando-os mesa de negociaes, juntamente com seus represen tantes no conito, em termos favorveis para a coalizo da Rssia. Ainda, Moscou aproveitou a oportunidade para se identicar como uma fora positiva na bataha contra o terorismo e pressionar os Estados Unidos a entrarem em uma cooperao militar. As autoridades russas eeravam que, com o tempo, isso rompesse a Combatentes militantes islamistas deslam nas ruas da Provncia de Raqqa, no norte da Sria, para comemorar a declarao de um califado islmico, depois do grupo ter capturado territrio no vizinho Iraque, 30 Jun 14. As foras russas, depois de apoiar Assad na sua vitria sobre as foras do Exrcito Srio Livre que contro lavam Alepo, uma cidade no norte, voltaram a maioria da sua ateno derrota do Estado Islmico. (Reuters stringer)

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55 coeso ocidental relacionada s medidas punitivas im postas sobre a Ucrnia e concedesse ao Presidente russo Vladimir Putin reconhecimento como um participante proeminente em assuntos internacionais. Esses eram os objetivos desejados, porm a estra tgia russa no era uma estratgia deliberada. Pelo contrrio, a Rssia seuiu uma estratgia emergente ou eciente. Essa um mtodo caraerizado pelo princpio de induo de negcios fracassar rpido, fracassar barato, com repetidos ajustes operao. O ponto central dessa estratgia era a exibilidade, com preferncia para a adaptao em vez de uma estratgia mais estruturada. Nas estratgias emergentes, o xito produz xito, enquanto o fracasso nunca nal ou excludente. Vrios vetores so seuidos simultanea mente e, s vezes, podem parecer at contraditrios. Os recursos so acrescentados ao mtodo que mostra o maior progresso, enquanto outros so descartados, sem sofrer com custos irecuperveis. Para ser bem-sucedido na implementao de uma estratgia eciente, a liderana precisa ser gil, no limitada politicamente e no comprometida com qualquer mtodo particular no campo de bataha (i.e., disposio para improvisar e ajustar). No caso da Rssia, realmente ajudou o fato de ser um sistema autoritrio e possuir relativamente poucos aliados ou outras limitaes geopolticas sobre a tomada de decises. No entanto, a Rssia, tambm, tinha poucas outras opes. Considerando as limitaes de recursos e os altos nveis de incerteza, incluindo informaes decientes fornecidas por seus aliados sobre a realidade no tereno, a Rssia no eava em posio de seuir uma estratgia mais deliberada. No nal, essa limitao jogou em favor da Rssia em relao s outras potncias, que gastaram considera velmente mais sanue e dinheiro por meio de mtodos mais estruturados e deliberados, mas, no nal, me nos bem-sucedidos. A estratgia eciente da Rssia funcionou porque, quando as premissas fahas foram provadas eradas, durante o conito, ela pde mudar rapidamente e adaptar-se. No entanto, as limitaes das Foras Armadas russas impunham limitaes duras sobre sua operao geral. As Foras Armadas Russas tinham quase nenhu ma experincia com operaes expedicionrias depois da retirada do Afeganisto, em 1989; a prpria Sria tinha capacidade limitada para acomodar uma grande presena militar; as capacidades logsticas de longo alcance e de apoio eram fracas; e as Foras Armadas Russas eavam passando por grandes reformas e mo dernizao. A coordenao com o Ir e as suas mil cias xiitas, como o Hezbolah, era uma complexidade adicional em um campo de bataha j lotado, enquanto os comandantes russos tinham, em geral, uma opi nio negativa sobre o desempenho das foras srias em combate. Em resumo, no cou claro como as foras que a Rssia poderia desdobrar causariam o impacto necessrio para inverter o conito. Desde o incio, ob servadores externos duvidavam da possibilidade de que a Rssia viesse a intervir, eecialmente considerando as experincias recentes do Ocidente em operaes expedicionrias no Oriente Mdio. A campanha prevista pela Rssia seria baseada em uma pequena presena para manter sua exposio baixa, reduzindo as chances de ser envolvida paulati namente em um conito onde os participantes locais obtm vantagem progressiva sobre um benfeitor internacional mais forte. Em vez disso, a liderana russa buscou aluma margem de manobra, mantendo a exibilidade e a opo de uma retirada rpida, no caso da situao piorar. Nos dias iniciais da interven o russa, as restries sicas limitaram sua presena. Tartus no era uma base naval de verdade. Na Base Area Hmeimim faltava espao na rea de eaciona mento para um grande contingente de aeronaves rus sas. As outras bases srias eavam expostas, cercadas ou inadequadamente equipadas e haveria limitaes de trfego para o apoio logstico russo. Em resumo, a realidade ajudou a determinar uma abordagem mais conservadora e no final mais inteli gente, para o campo de bataha. No foram a habi lidade ou a experincia de Moscou, mas a ausncia de abundncia de recursos e as opes limitadas que fizeram com que as Foras Armadas russas fossem mais cuidadosas em como lidavam com o conflito. Dito isso, mesmo depois de expandir a base area s ria e fazer grandes investimentos na instalao naval, o Estado-Maior Geral da Rssia continuou a cali brar a presena militar, no mnimo necessrio. J em 2017, ficou evidente que, apesar da aumentada capa cidade local para acomodar as foras russas e a me horada infraestrutura, Moscou estava relutante em utiliz-la. A oportunidade para expandir os meios adjudicados a esse conflito existia, mas a Rssia no

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56 queria isso, avaliando que a campanha da Sria no seria vencida com um mtodo baseado em meios, a bem conhecida escola filosfica mais mais. A estratgia russa se baseava no combate realizado pelas milcias srias, iranianas e xiitas enquanto os rus sos forneciam apoio, no o contrrio. A campanha da Sria continuou a mostrar as preferncias da Rssia em usar, primeiro, as foras locais; seundo, mercenrios e representantes russos; e, no nal, suas prprias foras, apenas para o efeito decisivo no campo de bataha. O poder militar russo pulsaria, atingindo o seu auge quan do necessrio em apoio s misses de ataque, e retiran do-se, quando desnecessrio.As Operaes de Combate Russas na SriaQuando as foras russas chegaram Sria pela primeira vez, em setembro de 2015, elas introduziram inerentemente uma nova dinmica, implementando o que se tornou um dilogo sobre aranjos de resoluo de conitos com os Estados Unidos. Vrios caas de mltiplo emprego Su-30SM eavam expostos na pista na Base Area Hmeimim enquanto os bombardeiros Su-24M2 comeavam a ser desdobrados. Ao apro veitar uma cpula vindoura da Assemleia Geral do Conseho de Seurana das Naes Unidas, Moscou pressionou para uma reunio bilateral de alto nvel entre Putin e Obama uma ruptura do que tinha sido mais de um ano de isolamento diplomtico imposto pelos EUA contra a Rssia, depois da sua anexao da Crimeia. Embora o Governo Obama se iritasse com a apa rncia de que fora coagido a reaurar o dilogo militar, o risco de um incidente militar entre as duas maiores potncias nucleares nos cus acima da Sria sobrepujou as outras consideraes. Durante uma discusso de 90 minutos, os dois lados concordaram em continuar os esforos para resolver os conitos das operaes. Em poucos dias, a Rssia tinha alcanado seus primeiros ganhos polticos da interveno, ainda que no tivesse conduzido uma nica sortida. No entanto, foi evidente que no havia nenhum acordo sobre o caminho poltico a seuir na Sria e a escoha inicial de alvos pelos russos na campanha area, que foi lanada em 30 de setembro de 2015, mostrou que a Fora Area da Rssia se concentraria na oposio sria moderada, sob a rubrica da luta contraterorista. As regras de engajamento de Moscou eram relativamente simples: havia pouca ou nenhuma Um caa-bombardeiro Su-34 russo lana uma KAB-500S, uma bomba guiada por satlite, contra uma posio inimiga na regio de Alepo ou de Raqqa, na Sria, 9 Out 15. (Foto cortesia do Minis trio de Defesa da Federao Russa)

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57 distino entre os vrios grupos armados no gover namentais na Sria, considerando que todos, menos os curdos e as milcias pr-regime, seriam considerados teroristas. Putin declarou na Assemleia da ONU, Pensamos que um grande ero recusar cooperar com o Governo Srio e as suas foras armadas, que lutam co rajosamente, cara a cara, contra o terorismo. Devemos nalmente reconhecer que ninum, alm das foras armadas do Presidente Assad e das milcias curdas, e realmente lutando contra o Estado Islmico e as outras organizaes teroristas na Sria. Isso no era apenas um assunto de convenincia, pela queo de eabelecer uma zona de fogos livres. De fato, pela perectiva russa, no existia algo como uma oposio moderada na Sria, e o termo era uma inveno ocidental equivocada, visando a legitimar os extremistas opostos a Assad. As estratgias polticas domstica e externa da Rssia eram enquadrar o con ito como binrio apenas o regime de Assad tinha legitimidade, e todos os outros eram, de fato, grupos teroristas de vrios tipos, aliados ao EI ou a Jahat al-Nusra f. Ao longo do tempo, a Rssia buscaria, tam bm, criar uma oposio sistmica, juntando foras que seriam receptivas ao compartihamento de poder com o regime Assad. No aproveitamento do xito, em 2015, a Rssia estabeleceu um centro de compartihamento e de coordenao de Inteligncia em Bagd, que inclua Sria, Ir, Iraque e Israel. O objetivo do centro era resolver os conflitos entre as operaes areas russas e os pases vizinhos. Ainda, Moscou esperava criar o sentimento geral de que ela estava liderando uma coalizo de pases em um esforo de contrateroris mo, no menos legtima do que a coalizo liderada pelos EUA contra o EI. A liderana russa buscou aproveitar essa posio e o dilogo de resoluo de conflitos entre os EUA e a Rssia para obter reco nhecimento mais formal da cooperao entre os dois pases, na Sria. De fato, Moscou solicitou de Washington o reconhecimento da coalizo liderada Uma captura de tela de um vdeo do YouTube mostra o lanamento de msseis de cruzeiro de uma frota russa no Mar Cspio. O Ministro de Defesa russo Sergei Shoigu reportou o lanamento de uma salva de 18 msseis de cruzeiro, atingindo sete alvos terroristas na Sria. (Captura de tela de vdeo RT YouTube)

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58 pelos russos como um parceiro legtimo no conflito srio, que teria sido o equivalente do reconheci mento da Rssia como um ator geopoltico iual a Washington, pelo menos nesse contexto. As operaes de combate iniciais da Rssia foram planejadas para mudar o ritmo no campo de bataha, proporcionando um impulso significativo moral das foras srias e das milcias aliadas. A Rssia esperava, tambm, que os Estados Unidos cedessem o espao areo do campo de bataha, pelo menos por omisso, concentrando-se nas suas prprias ope raes de combate contra o EI no norte do Iraque e nos seus aliados curdos na Sria. Isso significaria o rpido abandono do apoio dos EUA oposio moderada e a outros representantes que buscavam a queda de Assad, que seriam incapazes de lidar com o poder areo russo e o progressivo isolamento no campo de bataha. Em muitos aspectos, esse objetivo foi alcanado, conforme a Rssia e os Estados Unidos estabeleceram uma diviso do trabaho na Sria e nas campanhas complementares. O primeiro desdobramento de foras russas na Sria consistia em 33 aeronaves e 17 helicpteros. Essas incluam 12 bombardeiros Su-24M2, 12 caas de ataque Su-25SM/UB, quatro caas-bombardeiros Su-34, quatro caas pesados de mltiplo emprego Su30SM e um avio de reconhecimento Il-20M1. O con tingente de helicpteros consistia em 12 helicpteros de ataque Mi-24P e cinco transportes Mi-8AMTSh. Depois, em 2015, esse nmero cresceu com mais quatro caas-bombardeiros Su-34 e mais quatro caas de superioridade area Su35S. Os helicpteros de ataque Mi-35M e os transportes Mi-8 chegaram nos meses seuintes. Uma esquadra no mediterneo Um homem srio carrega suas duas lhas para segurana atravs de escombros causados por um ataque de bomba contra rebeldes que controlam o bairro de Al-Kalasa, em Alepo, uma cidade no norte da Sria, 7 Set 2015. Antigamente o motor econmico da Sria, Alepo foi devastada por combate depois dos rebeldes cap turarem a parte leste da cidade, em 2012, connando as foras do governo no oeste. Como resultado das mortes de civis divulgadas devido a bombardeios como esse, a Rssia e a Sria receberam uma condenao global pelos ataques areos contra Alepo e outros alvos urbanos. (Karam al-Masri, Agence France-Presse)

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59 liderada pela Frota do Mar Negro apoiaria as opera es do mar, embora a marinha russa se preocupasse principalmente com o fornecimento de suprimentos logsticos interveno, por meio de navios de de sembarque de tanques, durante o que foi chamado do Expresso da Sria [Syrian Express]. Para suplementar a limitada capacidade de transporte pelo mar e os equipamentos trazidos pelo ar, por meio de carueiros Ruslan An-124, a Rssia comprou oito navios caruei ros turcos e utilizou quatro deles nesse esforo. Os objetivos iniciais russos se concentravam na retomada do acesso s estradas principais, conectan do infraestrutura, rompendo o cerco de bases srias isoladas e debilitando as foras oponentes, ao destruir o mximo de equipamentos possveis muitos dos quais capturados anteriormente do Exrcito Srio. Embora nos meses iniciais a Rssia tivesse, suposta mente, apenas ajudado a Sria a reconquistar o con trole de 2% do seu teritrio, j em fevereiro de 2016, cou evidente que a campanha area tinha provocado um grande efeito na preparao do campo de bataha e, com isso, mudado a sorte poltica da oposio sria. Com o ritmo de combate da oposio quebrado, a mo ral sria comeou a se recuperar. O controle teritorial na Sria era sempre efme ro, conforme os lderes locais se juntavam a quem estivesse vencendo. Assim, o controle podia oscilar rapidamente para o lado que tinha a vantagem clara, e as foras russas supervisionaram mltiplos acordos de cessar-fogo entre as foras srias e os lderes dos vilarejos. Na realidade, as foras de Assad tinham controle sobre a maioria da populao da Sria, enquanto grandes reas do teritrio controlado pela oposio e pelos extremistas eavam despovoadas devido aos combates. Por isso, levaria menos de dois anos para a coalizo liderada pela Rssia dar o salto de controlar apenas 2% do teritrio para parecer ser o vencedor do conito. As tripulaes areas russas realizavam sortidas em um ritmo acelerado, em uma mdia de 40 a 50 por Engenheiros militares russos removem minas das rotas de acesso antiga cidade de Palmira, 2 Abr 16. A Rssia enviou poucas tropas terrestres para a Sria para manter uma pequena presena russa. Em vez disso, dependia das foras do Exrcito da Sria, milcias xiitas e voluntrios iranianos para atuarem como as foras terrestres principais nas operaes interaliadas, planejadas, preponderantemente, pelos russos. (Valery Sharifulin, TASS)

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60 dia, mas atingindo o auge de 100 sortidas durante os perodos de pico do combate, como em janeiro de 2016. Duas tripulaes por cada aeronave foram necess rias para manter a intensidade das operaes, junto com uma pequena cidade de civis contratados para apoiar as plataformas mais novas que eavam sendo enviadas para a Sria. O poder areo russo na Sria nunca excedeu 30 a 50 aeronaves de combate e 16 a 40 helicpteros de vrios tipos, um desdobramento muitas vezes menor do que o grupo de aviao de combate que a Unio Sovitica desdobrou no Afeganisto. O ndice de fahas mecnicas ou de perdas em combate era, tambm, em magnitudes muito menores do que as operaes areas russas ou soviticas anteriores. Durante o conito, as foras aeroespaciais russas eram apoiadas por aproximadamente 3.000 comba tentes terestres, com talvez 1.500 sediados apenas em Hmeimim. Esses incluam Fuzileiros Navais da 810 Brigada sediada na Crimeia; elementos da 7 Diviso de Assalto Aeroterestre; companhias lindadas com car ros de combate T-90A; artiharia rebocada MSTA-B; e uma variedade de unidades de defesa antiarea, in cluindo as Buk-M2, Pantsir-S1 e S-400. Equipamentos sosticados de uera eletrnica tambm foram distri budos, junto ao Comando de Operaes Eeciais da Rssia. Depois da captura de Palmira, na primavera, e de Alepo, no outono de 2016, a Rssia introduziu uni dades de remoo de minas e unidades eecializadas de Polcia do Exrcito oriundas do norte do Cucaso. O Comando de Operaes Eeciais da Rssia mos trou-se proeminente por todo o conito, conduzindo operaes diversionrias, eliminaes seletivas e reco nhecimento. Mais de dois mil contratados militares Cidados de Alepo exibem retratos de militares russos mortos em combate na Sria durante um desle em Alepo, Sria, 22 Dez 17. Os srios demostraram gratido pelas contribuies da Federao Russa durante o primeiro aniversrio da captura da cidade. (Foto cortesia da conta de Twier da Embaixada da Rssia, @EmbassyofRussia)

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61 privados (CMP), dos quais o maior grupo conhecido como o Wagner Group, fortaleceram as foras srias e sofreram a maioria das baixas no campo de bata ha. Com o poder areo russo em apoio, os veteranos transformados em CMP zeram a diferena contra as milcias inadequadamente adestradas, assumindo o risco por um salrio de US$ 4.000.000, por ms. De modo geral, Moscou buscou manter uma presena pequena. A fora inicial no inclua defesa an tiarea de longo alcance ou caas dedicados superio ridade area; em vez disso, a chegada desses meios foi provocada por um incidente ineerado com a Turquia, quando um Su-24M2 russo foi abatido por um F-16 turco, em novembro de 2015. O bombardeiro russo eava atacando milcias turcomanos na Sria e tinha entrado por engano em espao areo turco. De fato, a Fora Area Russa violava, repetidamente, o espao areo turco, em um esforo para coagir a Turquia a mu dar suas polticas na Sria e chegar a um modus vivendi com a coalizo liderada pela Rssia. Pode-se arumen tar que a crise entre a Rssia e a Turquia foi o momento mais perigoso de toda a interveno e, provavelmente, o mais prximo a um conito militar com a Rssia que um pas da OTAN chegou em dcadas. A reao russa ao incidente foi impor fortes sanes econmicas e polticas contra a Turquia, enquanto mostrou no campo de bataha que as foras apoiadas pelos turcos tinham pouca eerana de uma vitria so bre Assad. J no vero de 2016, Ancara cedeu, emitindo uma meia desculpa para reaurar relaes normais com Moscou. Um por um, a Rssia buscava mudar as posies dos grandes atores que apoiavam as for as anti-Assad na Sria. Primeiro, Moscou pressionou Washington a conceder que uma poltica de mudana de regime no era apenas irealista, mas que seu apoio para a oposio sria no tinha chance de sucesso. Tudo isso ao mesmo tempo que ofereceu a possilidade de um cessar-fogo e de ajuda humanitria aos civis no con ito. Os Estados Unidos se moveram lentamente para uma aceitao tcita da interveno russa e da vitria de fato de Assad sobre os radicais, bem como sobre a oposio apoiada pelos EUA. As ambies russas eavam, tambm, bem servidas pela competio entre os aliados dos EUA na regio, que discordavam vocalmente, e com frequncia, contra a abordagem de Washington. A Turquia eava mais hostil contra os combatentes curdos na Sria do que contra Assad ou o EI, porm os curdos eram o aliado principal de Washington contra o EI, no tereno. Da mesma forma, Washington no tinha interesse em apoiar os grupos extremistas sunitas, preferidos pelos sauditas e pelos outros Estados rabes, tampouco os extremistas eram considerados como uma alternativa vivel para o sangrento regime srio. No nal, depois de esmagar os representantes apoiados pelos turcos na Sria, a Rssia conseuiu a cooperao que buscava com Ancara. A Arbia Saudita tambm comeou a mos trar exibilidade e, em outubro de 2017, o rei saudita visitou a Rssia, pela primeira vez, em reconhecimento crescente importncia de Moscou no Oriente Mdio. Ainda, a Rssia considerava a Sria como um campo de provas para novas armas e plataformas, conceden do, tanto quanto possvel, s suas foras armadas a oportunidade de participar no conito. Isso inclua o rodzio de inmeras tripulaes pelo teatro de opera es, dando a navios e bombardeiros a oportunidade de lanar msseis de cruzeiro, bem como o desdobramento de uma pequena fora terestre. Aps um perodo de reformas militares, entre 2008 e 2012, e um grande programa de modernizao, iniciado em 2011, Moscou queria tear sua fora area durante um conito. A campanha da Sria tem tido um impacto profun do nas Foras Armadas Russas, conforme inmeros ociais tm passado pela campanha, em rodzios de trs meses, para obter experincia em combate. Seundo o Chefe de Estado-Maior Geral da Rssia, Valery Gerasimov, os comandantes dos distritos militares; dos corpos de exrcito de armas combinadas; dos exrcitos da fora area e da defesa antiarea; e muitos dos co mandantes de diviso tm obtido experincia na Sria. As promoes de 2017 privilegiaram mais aqueles que serviram na Sria. A experincia moldar o pensamento militar russo e as decises sobre os recursos humanos pelos anos vindouros. Junto com esses objetivos de treinamento, a Rssia usou a operaes de combate na Sria como uma demonstrao tecnolgica para a venda de armas no exterior, exibindo a ltima gerao da tecnologia russa ao lado dos equipamentos soviticos conveis tradi cionais, que realizavam a maioria das aes de combate. Ao comear com um ataque inicial, em 7 de outu bro de 2015, no decurso do conito, navios e subma rinos russos lanaram numerosos msseis de cruzeiro de ataque terestre Kalibr do Mar Cspio e do lee

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62 Mediterneo. Da mesma forma, a aviao de longo alcance da Rssia entrou na luta, em novembro de 2015, e, desde ento, os bombardeiros estratgicos Tu-95MS e Tu-160 tm feito uma grande quantidade de sortidas, disparando os msseis de cruzeiro lanados do ar Kh-555 e os mais novos Kh-101 contra alvos na Sria A fora de bombardeiros mdios Tu-22M3 suplementou as sortidas de combate a partir da Base Area Hmeimim, embora essas aeronaves lanassem exclusivamente as bombas no dirigidas FAB de mdia a alta altura. Depois, Moscou distribuiu os sistemas de mssil balstico Iskander-M de curto alcance, os msseis antinavio Bastion-P e outras armas avanadas, em um esforo para demonstrar sua capacidade. Embora as munies uiadas de preciso envolvi das no conito representassem uma pequena parte do conjunto total das armas usadas, talvez menos de 5%, a Rssia demonstrou a capacidade de empregar armas uiadas de longo alcance de vrias plataformas. A Sria foi um palco para exibir os avanos que as foras do poder areo russo alcanaram desde sua performance deplorvel durante a Guera Russo-Georgiana, em 2008, bem como as limitaes ainda existentes das Foras Armadas Russas. Muitos dos bombardeios foram feitos pelas aeronaves mais antigas Su-24M2 e Su-25SM e quase todos com munies no uiadas de efeito por rea. Com a exceo dos sistemas do Su-34, que foi usado para lanar a bomba uiada por satlite KAB-500S, entre outras armas de preciso, os avies de asa xa russos, como um todo, careciam de feramentas de designao de alvos (targeting pods), para empregar efetivamente as munies uiadas de preciso. A aviao naval russa no foi impressiva. O grupo de aviao enviado a Sria, transportado pelo antiquado navio-aerdromo Kuznetsov, em 2016, era um desastre pulicitrio, perdendo um Su-33 e um MiG-29K devi do a fahas de equipamento. Fora disso, notrio que poucas aeronaves russas se perderam, com a maioria das baixas entre as tripulaes de helicpteros. Os tc nicos russos mantinham as aeronaves no cu, tanto as da antiga gerao quanto as da gerao mais nova, com apenas um Su-24M2 perdido devido faha tcnica. Sem dvida, os ataques areos eram ecazes, mas incrivelmente custosos em termos de baixas civis e de danos colaterais inigidos, aluns dos quais pareciam intencionais. Muito do material blico usado era para efeito por rea e a ogiva era grande demais para os alvos na Sria. As Foras Aeroespaciais da Rssia, como um todo, ainda eo limitadas a uma forma de combate dos anos iniciais da dcada de 1990 (embora tenham pulado uma gerao desde 2008), mas dependiam qua se totalmente das armas no uiadas e, mais importante ainda, careciam dos meios de inteligncia, reconheci mento e vigilncia (IRV) necessrios para conduzir operaes de combate baseadas em informaes. As Foras Aeroespaciais da Rssia careciam, tambm, dos meios para engajar pequenos alvos em movimento com preciso uiada, dependendo das armas e muni es no uiadas, que realmente destroem mais do que necessrio Da mesma forma que sua antecessora, a Unio Sovitica, as Foras Armadas Russas trituram brutalmente outras foras no combate aproximado, mas continuam tendo diculdades em encontrar e ver seu alvo. A Rssia recoreu em grande medida aos veculos areos no tripulados (VANT) para suplementar sua campanha area tripulada, conduzindo avaliaes dos efeitos e reconhecimento. H rumores que os VANT russos realizaram mais sortidas sobre a Sria do que a aviao tripulada. Os mehores VANT eram variantes de produtos licenciados de modelos israelenses um produto da cooperao em defesa entre os dois pases. Apesar dos gastos substanciais no desenvolvimento, a Rssia ainda no possui VANTs armados e, assim, carece de uma opo de reconhecimento e ataque em tempo real para suas plataformas VANT (tipo drone). A Sria ressaltou a necessidade para as Foras Armadas Russas de investir mais no desenvolvimento de sistemas no tripulados de ataque e desenvolver um maior re pertrio de armas uiadas para as Foras Aeroespaciais, em particular para o emprego ttico. Independente dessas limitaes, Moscou usou a campanha sria efetivamente como parte de um engajamento diplomtico e poltico mais abrangente com os Estados Unidos, demonstrando a capacidade e a determinao de utilizar armas uiadas de longo alcance, muitas das quais possuem variantes com ogivas nucleares. As aes na Sria zeram muito para elevar a credibilidade da coero russa, pintando um quadro claro sobre a capacidade de ressurgimento das suas for as armadas, sua capacidade de inigir danos na OTAN em um conito convencional e da capacidade de atingir alvos, a longo alcance, colocando, assim, grande parte da Europa em risco, se for necessrio. Os ataques de longo

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63 alcance feitos por bombardeiros estratgicos, navios e submarinos no devem ser considerados simplesmente como tees de combate para obter experincia; eles fo ram planejados, tambm, como mensagens estratgicas para aumentar a credibilidade russa em geral.Vai Levar Muito Mais TempoAo entrar no conito, as Foras Armadas Russas descobriram rapidamente que a interveno levaria muito mais tempo do que inicialmente eerado ou desejado. O Exrcito da Sria tinha se degenerado em milcias armadas que eavam unicadas formalmente sob a bandeira de Assad, mas j no representavam uma fora de combate coesa. O comando russo cou espantado com a grande quantidade de equipamentos srios e iraquianos capturada pela oposio e por vrios grupos militantes, enquanto o regime Assad mal con seuia controlar 10% do teritrio. Alumas unidades srias ainda eram capazes de combater, mas ociais rus sos tiveram que ser incorporados a essas unidades para conduzir as operaes militares e comear a reconstruir o potencial de combate do Exrcito Srio. Apesar de um uxo de tropas iranianas e do Hezbolah, em outubro de 2015, foi evidente que os dois lados em conitos eavam maximizando o uso de seus representantes no campo de bataha com uma baixa densidade de foras. Sua eccia de combate era inadequada e as foras srias pediam, continuamente, Figura 3 Guerra Civil Srio Mapa de Controle Territorial at Novembro de 2017(Grco por edmaps.com; Twier, @edmapscom; 2017 Cristian Ionita)

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64 ataques areos russos, avanando um pouco e se retirando primeira vista de contraofen sivas pelo bem motivado Jahat al-Nusra ou por outros grupos combatentes. Com o tempo, a Rssia treinou os ociais srios de baixo escalo e eabele ceu o 5 Corpo de Exrcito de Assalto de Voluntrios, liderado por comandantes russos e munidos com equipamentos russos mais avanados. O 5 tem sido a fora de assalto principal da Sria durante o ltimo ano. A combinao de combatentes srios, de CMP e da liderana russa para montar ofensivas tem produzido vitrias no campo de bataha, com custo mnimo. Os objetivos operacionais russos eavam adequados para sua estratgia: obter ganhos decisivos onde for possvel, fragmentar a oposio sria e buscar traduzir as vitrias na Sria em objetivos polticos mais amplos com os Estados Unidos. Para esse m, o EstadoMaior Geral russo buscou evitar as batahas exaustivas pelos centros populacionais, ee cialmente considerando que as foras srias no tinham as tropas necessrias para manter qualquer coisa que capturassem. Tal aborda gem iria resultar em ter que reconquistar o mesmo tereno vrias vezes, e isso realmente ocoreu, como no caso de Palmira. Tambm, a Rssia realmente queria direcionar a luta para o lee, para o EI, em um empreendi mento para solidicar seu esforo de coo perao com os Estados Unidos. A Sria e o Ir no eavam interessados. Em vez disso, buscavam a vitria quase completa sobre a oposio e a recaptura de todos os principais centros populacionais, no ocidente. Enquanto a Rssia mantinha a imagem de um detentor de poder e do lder da coalizo, na realidade, seus aliados e co-beligeran tes no aceitavam tal estratgia, tampouco Moscou podia compeli-los a aceitar. Nee sentido, a Rssia sofreu do mesmo dcit que os Estados Unidos. Ambos eram poderes ex ternos, que eavam intervindo na Sria, sem a inuncia necessria sobre os aliados locais e regionais para mediar grandes acordos. NS RECOMENDAMOS Para aqueles interessados em pesquisar a motivao da liderana russa em relao deciso de conduzir operaes de combate na Sria, lhes convidamos a prestar ateno aos comentrios feitos pelo Presidente Vladimir Putin na Assembleia Geral da ONU, em 28 Set 15, como divulgados pelo gabinete do presidente russo. Para ver a transcrio ocial, publicada como um artigo na edio January-February de 2016, da verso em ingls, visite hp://www. armyupress.army.mil/Portals/7/military-review/Archives/English/ MilitaryReview_20160228_art007.pdf Para uma verso em por tugus, veja hp://www.armyupress.army.mil/Portals/7/military-re view/Archives/Portuguese/MilitaryReview_20160430_art008POR. pdf Outros artigos que discutem os pontos de vista evolutivos sobre a guerra moderna e o envolvimento na Sria so destacados no site Hot Spots, da Military Review, disponvel em: hp://www. armyupress.army.mil/Special-Topics/World-Hot-Spots/Russia/ ou hp://www.armyupress.army.mil/Special-Topics/World-Hot-Spots/ Russia-Syria/.

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65 Essas diferenas vieram tona em maro de 2016, quando a Rssia declarou sua retirada da Sria, enquan to voltou a ateno das suas foras para Palmira. De fato, Moscou no tinha inteno de se retirar, simples mente queria diminuir sua exposio e se preparar para uma luta mais longa, enquanto Assad se concentrava na reconquista de Alepo. Com essa declarao feita em maro, a Rssia buscou redenir a interveno na Sria como uma presena de seurana sustentvel de longo prazo, em apoio a uma resoluo poltica, em vez de combate, per se. A ideia era normalizar as operaes aos ohos do plico domstico da Rssia e declarar a vitria, de aluma forma. Medahas foram entreues e um pequeno contingente foi enviado de volta para casa, mas, entretanto, a Rssia se preparava para transfor mar a campanha sria em uma srie de campanhas menores para evitar a percepo de que a interveno poderia levar anos. O primeiro segmento foi conclu do com a captura de Palmira pelos russos, em maro de 2016. As foras srias e iranianas depois se volta ram para Alepo, uma bataha que, no nal, afundou as tentativas russas de negociar um grupo de integrao conjunto com os Estados Unidos. A seunda conclu so ocoreu em janeiro de 2017, depois da captura de Alepo, e uma terceira vitria tem sido eabelecida ao nal de 2017, conforme as foras srias capturaram Deir ez-Zor e o EI parecia se encontrar beira da derota. Essa ltima declarao de vitria, antes da eleio presidencial de maro de 2018, e repleta de risco, considerando que as foras russas no apenas caro, mas iro expandir ainda mais a infraestrutura em Tartus e Hmeimim. Como Gerasimov disse durante uma entrevista recente, no vamos a lugar alum. Um pouco depois, em 31 de dezembro, um ataque de morteiro danicou vrias aeronaves e matou um certo nmero de militares russos na base area de Hmeimim. Isso foi seuido por um ataque de VANT executado por grupos militantes contra ambas as bases, em 6 de janeiro. Os dois ataques foram uma lembrana vvida de que os desles de vitria so um pouco prematuros e que as foras russas no teatro de operaes permanecem em perigo. A Fiura 3 mos tra a situao aproximada na Sria, em novembro de 2017, em termos de teritrio controlado pelos par ticipantes do conito, perto da concluso ocial das operaes russas iniciadas em apoio ao regime Assad (veja a Fiura 1, para uma comparao da situao no incio da campanha).Uma Resoluo Ps-conito e AlmAgora que a maioria do teritrio srio e dos centros populacionais foi tirada das mos de grupos de oposi o ao regime, a Rssia pode prear toda a sua ateno resoluo ps-conito. verdade que Assad tinha se comprometido a retomar cada polegada de teritrio srio e que, mesmo que a Rssia no apoie essa ambio, ter pouca escoha alm de respaldar os esforos con tinuados do regime para controlar os recursos de ua e de energia no norte e no sul do pas. Contudo, o foco principal tanto das aes militares quanto das polticas da Rssia se concentrar na resoluo diplomtica e nas condies de apoio no teritrio. Mais importante ainda, aparentemente a Rssia tem obtido a aceitao de Washington sobre seu papel como um intermedirio principal no futuro da Sria. Durante sua reunio de cpula no Vietn, em no vembro, os Presidentes Trump e Putin conrmaram no apenas a continuao do dilogo de resoluo de conitos entre os EUA e a Rssia e de apoio para zonas de desescalada, uma iniciativa principalmente russa, mas tambm ressaltaram a centralidade do processo poltico para a negociao de um futuro ps-conito na Sria. Esse processo e alinhando-se com os principais interesses estratgicos da Rssia. Primeiro, a Rssia tem rompido o monoplio do processo de Genebra e da liderana diplomtica dos EUA. Ela tem integrado, com sucesso, ambas as nego ciaes baseadas em Astana, que ela iniciou em 2016, no processo internacional formal respaldado pela ONU e tem reularmente convocado reunies de vrios gru pos da oposio na tentativa de fomentar a formao de um agrupamento comum da oposio, que ser mais receptivo a compromissos com o regime de Assad. O progresso de Moscou na frente poltica intermitente, mas a altura dea escrita esse parece ser o nico cami nho plausvel a seuir. Seundo, a Rssia tem conseuido manter ligaes produtivas com cada um dos outros principais par ticipantes regionais, variando da Arbia Saudita em um lado do eectro ao Ir, no outro. De fato, apesar dos desacordos contnuos com a Arbia Saudita sobre a composio da oposio sria legtima, que ser

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66 representada em Genebra, e com a Turquia sobre o pa pel das foras de autodefesa curdas, a diplomacia russa (respaldada pela fora militar) tem obtido reconhe cimento de ambas, um fato que eecialmente bem visto em Moscou, na vera da eleio presidencial da Rssia, em maro de 2018. O Ir tem sido um aliado di cil para a Rssia; contudo, a relao entre os dois pa ses permanece, em grande medida, evel, desde que aceita a expectativa iraniana de manter sua dominncia do tereno, de fato, em grande parte da Sria, solidi cando seu coredor de poder do Iraque ao Lbano. Finalmente, a Rssia manter seu aliado em Damasco, porque em um futuro previsvel, o regime Assad parece ter reconquistado o controle. De fato, sua sorte tem crescido tanto desde a interveno russa, h dois anos, que ele pode, em grande medida, eabelecer os termos da sua participao no processo de Genebra. A oposio pode gritar em proteo, mas o regime tem simplesmente recusado a se engajar em negociaes se a queo da sua prpria sada estiver na agenda. Isso tambm, claramente uma vitria para a Rssia, considerando que Moscou tem tirado proveito das suas conquistas para obter contratos de aren damento de longo prazo de instalaes militares em Hmeimim e Tartus, bem como a posio das empresas russas para exercer potencialmente papis proeminen tes e lucrativos na reconstruo sria, eecialmente nos setores de energia e de transporte de produtos de energia. A Rssia no precisa dessas bases apenas para continuar seu apoio s foras srias, mas o conito atualmente parte, tambm, de uma tentativa maior de tornar-se um detentor de poder no Oriente Mdio, e um contrapeso para aqueles que busquem uma opo contra a inuncia dos EUA. A principal rea na qual a campanha na Sria eava aqum dos objetivos iniciais era no esforo para ampliar a plataforma para engajamento diplomti co com a Europa e os Estados Unidos, na eeira da crise ucraniana e das sanes do Ocidente associadas. Embora Moscou conseuisse romper a poltica de iso lamento eabelecida no governo Obama, ao forar que Washington conduzisse negociaes para resoluo de conitos, essas negociaes no tm se expandido at a completa cooperao entre a Rssia e os EUA eerada pelo Kremlin. Alm disso, no tem havido nenhuma vontade por parte das capitais ocidentais de pensar na Sria e na Ucrnia em termos ui ro uo. Embora as pessoas do Ocidente lamentem muito a taxa de mor talidade e a inundao de refugiados da uera civil sria, o conito na Ucrnia simplesmente muito mais perto e os governos europeus tm se mantido rmes em seu apoio s sanes vinculadas aos acordos de Minsk, enquanto os Estados Unidos tm, na realidade, aumentado drasticamente as sanes, aps as aparen tes tentativas da Rssia de intrometer-se na eleio norte-americana de 2016. Em resumo, parece que a Rssia tem conseuido uma vitria parcial na Sria, e tem feito isso com ecincia, exibilidade e coordenao impressionan tes, com aes militares e polticas. Por um lado, a aceitao pela Rssia do Regime Assad e de seus aliados iranianos, sua relativa indiferena s baixas civis e sua hostilidade geral para os grupos de oposi o ao regime so, fundamentalmente, conitantes com as posies gerais dos EUA sobre a Sria. Por outro lado, a estratgia eciente, tticas adaptveis e coordenao entre as iniciativas militares e diplom ticas da Rssia oferecem lies importantes para a conduo de qualquer interveno militar em um ambiente to complexo e voltil como o Oriente Mdio. Depois de mais de uma dcada e meia de envolvimento norte-americano no Iraque e no Afeganisto, com conitos continuados na Lbia e Imen e inmeros outros focos de tenso que pode riam desencadear um conito regional mais amplo, que ameaaria os interesses dos EUA, Washington deve prear muita ateno interveno russa e como Moscou atingiu seus objetivos na Sria. Referncias 1. Sergei Lavrov e Russian Media, On Syria and Libya, Monthly Review (website), 17 May 2011, acesso em: 15 dez. 2017, hps://mronline.org/2011/05/17/on-syria-and-libya/. O texto um extrato da Transcript of Russian Foreign Minister Sergey Lavrovs Interview to Russian Media Following Aendance at Arctic Council Meeting, Nuuk, May 12, 2011, publicada no website do

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67 Ministrio do Exterior russo, em 13 Mai. 2011. 2. Sergey Lavrovs Remarks and Answers to Media Questions at Joint Press Conference with UAE Foreign Minister Abdullah Al Nahyan, e Ministry of Foreign Aairs of the Russian Federation (website), 1 Nov. 2011, acesso em: 10 jan. 2018, hp://www.mid. ru/en/vistupleniya_ministra/-/asset_publisher/MCZ7HQuMdqBY/ content/id/186758. 3. Macon Phillips, President Obama: e Future of Syria Must Be Determined by Its People, but President Bashar al-Assad Is Standing in eir Way, White House Press Oce (website), acesso em: 19 dez. 2017, hps://obamawhitehouse.archives.gov/ blog/2011/08/18/president-obama-future-syria-must-be-determined-its-people-president-bashar-al-assad 4. Vladimir Frolov, Signing In is Easier than Quiing, Vedomosti (website), 29 Sep. 2016, acesso em: 19 dez. 2017, hps://www.vedomosti.ru/amp/a00d6a64/opinion/ articles/2016/09/29/658952-voiti-legche-viiti 5. Iran Quds Chief Visited Russia despite U.N. Travel Ban: Iran Ocial, Reuters, 7 Aug. 2015, acesso em: 19 dez. 2017, hp://www.reuters.com/article/us-russia-iran-soleimani-idUSKCN0QC1KM20150807; Michael Kofman, A Tale of Two Campaigns: U.S. and Russian Military Operations in Syria, Pathways to Peace and Security 1, no. 52 (2017): p. 163. 6. Michael Kofman, e Moscow School of Hard Knocks: Key Pillars of Russian Strategy, War on the Rocks (website), 17 Jan. 2017, acesso em: 19 dez. 2017, hps://warontherocks.com/2017/01/ the-moscow-school-of-hard-knocks-key-pillars-of-russian-strategy/ 7. Teresa Welsh, Obama, Putin Meet in New York, U.S. News & World Report (website), 28 Sep. 2015, acesso em: 19 dez. 2017, hp://www.usnews.com/news/articles/2015/09/28/ obama-putin-meet-in-new-york 8. Washington Post Sta, Read Putins U.N. General Assembly speech, Washington Post (website), 28 Sep. 2015, acesso em: 19 dez. 2017, hps://www.washingtonpost.com/news/worldviews/ wp/2015/09/28/read-putins-u-n-general-assembly-speech/?utm_ term=.48d2be2b7823. 9. Nikolas K. Gvosdev, Moscows War in the Air: Russia Sends a Message in Syria, e National Interest (website), 1 Oct. 2015, acesso em: 19 dez. 2017, hp://nationalinterest.org/feature/ moscows-war-the-air-russia-sends-message-syria-13983. 10. Ruslan Pukhov, Russian Military, Diplomatic and Humanitarian Assistance in Syrian Frontier, ed. M. U. Shepovalenko, 2nd ed. (Moscow: Center for Analysis of Strategies and Technologies, 2016), p. 105, acesso em: 9 jan. 2018, hp://cast.ru/upload/ iblock/686/6864bf9d4485b9cd83cc3614575e646a.pdf 11. Ruslan Pukhov, e War that Russia Won, Izvestia (web site), 13 Oct. 2017, acesso em: 10 jan. 2018, hps://iz.ru/652856/ ruslan-pukhov/voina-kotoruiu-rossiia-vyigrala. 12. Valery Gerasimov, We Broke the Back of Terrorists, entrevista por Victor Baranets, Komsomolskaya Pravda (websi te), 26 dez. 2017, acesso em: 10 jan. 2018, hps://www.kp.ru/ daily/26775/3808693/. 13. O emprego inicial da aviao de longo alcance foi uma resposta ao atentado terrorista ao voo da empresa area russa MetroJet, saindo do Egito. 14. Pukhov, e War that Russia Won. 15. Ruslan Pukhov, Polygon Budushego, Russia in Global Affairs (website), 8 Mar. 2016, acesso em: 10 jan. 2018, hp://www. globalaairs.ru/number/Poligon-buduschego-18032.

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68 Repensando os Grupos de Combate da Infantaria do Exrcito dos EUAMaj Hassan Kamara, Exrcito dos EUA

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69 Integrantes da 25 Diviso de Infantaria participam em um exerccio no terreno de armas combinadas, em Schoeld Barracks, Hava, 6 Dez 17. O exerccio permitiu que os militares adestrassem com mltiplos elementos das armas combinadas, incluindo artilharia, apoio areo e morteiros para estabelecer poder de fogo superior no campo de batalha. (Sgt David N. Beckstrom, Exrcito dos EUA) Repensando os Grupos de Combate da Infantaria do Exrcito dos EUA o eveos consiera uarue coisa o asao como saraa, exceto o conceito a itia. estrutura e a oranizao o noso xcito, tanto a oeracionar uanto a institucionar, oe mua raicarmente, e eveos se imaciais nesa muana.Gen Ex Mark A MileyAs mudanas na uera, no pensamento militar e na sociedade, desde os anos 40, bem como as projees sobre o combate do futuro, inva lidam substancialmente muitos dos arumentos, fatos e premissas fundamentais que deram origem ao grupo de combate (GC) tradicional da Infantaria, justicando, assim, uma reforma. Este artigo ressalta isso e recomen da uma alternativa para reformar o GC. O Exrcito dos EUA adotou o GC de nove fu zileiros em substituio ao GC de 12 fuzileiros que usava durante a Seunda Guera Mundial, com base nas discusses e nas descobertas da Conferncia sobre Infantaria ocorida em 1946, no Fort Benning, Gergia Embora tenha se evoludo um pouco, o GC atual ainda composto por 9 militares (duas esquadras de quatro integrantes, incluindo seus comandantes, subordinadas ao comandante do GC). O Gen Ex

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70 Robert B. Brown concorda que o GC tem permanecido fundamentalmente o mesmo ao longo do tempo, com pequenas alteraes, ao declarar que apesar dos novos equipamentos dos soldados e dos avanos tecnolgicos que empregamos no Afeganisto e no Iraque, os grupos de combate operam da mesma maneira do que seus predecessores no Vietn e na Coreia. O eecialista em mudanas John Korer deaca a importncia da avaliao e do controle de sistemas organizacionais, estruturas [como o grupo de combate] e conceitos para acompanhar o ritmo das mudanas no mundo atual. Korer escreve, O mundo e mudando em uma velocidade em que os sistemas bsicos, estru turas e culturas construdos ao longo do ltimo sculo no conseuem acompanhar as novas exigncias impos tas a eles. No caso do GC, a armao de Korer su gere que os prossionais e acadmicos militares devem analisar a estrutura do GC tradicional para vericar se ela continua relevante. Ento, quo relevantes so os arumentos, fa tos e premissas fundamentais que deram origem ao GC em relao s evolues na uera, nos assuntos militares e na sociedade, desde 1946, bem como s projees sobre o combate do futuro? Essas evolues invalidam sucientemente muitos dos arumentos, fatos e premissas fundamentais que sustentam a conurao atual e o emprego dos grupos de com bate de fuzileiros, justicando a necessidade de uma reorganizao e reforma. Sendo assim, por que se concentrar no GC, que apenas uma pequena parte da grande estrutura orga nizacional para o combate? Este artigo se concentra no grupo de combate de fuzileiros bsico da Infantaria (no nas diferentes variaes da Infantaria Stryker e lindada [coresponde Infantaria mecanizada N. do T.]) porque a formao bsica da fora decisiva do futuro. Alm disso, considerando as mudanas no com bate desde que ele foi adotado, provvel que a conu rao atual do GC passe por prolemas desnecessrios nas operaes futuras, que podem ser mitigados se o GC for reconurado e readaptado antes de ser empre gado (a Fiura 1 mostra a conurao atual do grupo de combate de fuzileiros). Essa desconcertante possi bilidade j e se manifeando conforme as mudanas continuadas na tecnologia e na uera tm acrescen tado novas capacidades, equipamentos (e.g., veculos areos no tripulados [VANT] e uera eletrnica) e funes de combate estrutura do GC tradicional. Ao ressaltar essa preocupao relativa base da for a decisiva do futuro, ea anlise ajudar a promover estudos subsequentes que iro analisar, criticamente, toda a estrutura da fora tradicional ou a ordem de Sd Atdr Soldado atirador L GrLana-granadas/granadeiro Fuz Fuzileiro CbCabo 2o Sgto Sargento Cmt EsqComandante de Esquadra Sd Soldado 3o Sgto Sargento Cmt GCComandante do grupo de combateLegenda Esquadra Alpha Esquadra Bravo Cmt GC, M4-Srie 2o Sgt Cmt Esq M4-Srie 3o Sgt L Gr M203 Cb Sd Atdr M248 Cb Fuz M4-Srie Sd Cmt Esq M4-Srie 3o Sgt L Gr M203 Cb Sd Atdr M248 Cb Fuz M4-Srie Sd Figura 1. O GC de Infantaria Moderno (Formaes Blindadas e Stryker Modicam o GC para Operaes com as Viaturas)(Grco da Army Techniques Publication 3-21.8, Infantry Platoon and Squad, April 2016)

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71 bataha do Exrcito dos EUA (incluindo conuraes dos GC lindados, aeroterestres, Stryker e aerom veis) para avaliar o grau de obsolescncia, baseada nas mudanas ocoridas no combate e no pensamento militar, desde que essa estrutura e ordem de bataha foram adotadas. As dimenses da uera (operacional, tecnolgica, logstica e social), de Sir Michael Howard, so usadas como unidades de anlise para ressaltar como as mu danas nos assuntos militares e na sociedade ocoridas desde a criao do grupo de combate, bem como as projees sobre as ueras futuras, do motivos para uma reconsiderao e mudana. Este modelo, alm de englobar as dimenses militares tpicas (operacional, logstica), invoca a considerao das dimenses social e tecnolgica da uera, que so to intrnsecas uera quanto as dimenses operacional e logstica. Pode-se arumentar que esse modelo o mehor para ressaltar, de forma abrangente, como mudanas nos assuntos militares e na sociedade, desde os anos 40 bem como as projees sobre a uera do futuro justicam uma reavaliao institucional e uma reforma do GC.As Dimenses da GuerraUma breve discusso sobre as dimenses da uera necessria para enquadrar e entender a subsequen te anlise. Howard emprega as dimenses da uera como um modelo para analisar a estratgia militar, mas elas so, tambm, feramentas adaptveis, teis e transformadoras da Fora para avaliar, holisticamente, o impacto das alteraes operacionais, logsticas, so ciais e tecnolgicas a longo prazo nas organizaes de combate. A dimenso operacional. Pela perectiva de transformao da Fora, a implementao cuidadosa do planejamento e das mudanas na dimenso ope racional mehorar o emprego decisivo das foras e de suas capacidades contra um adversrio. Porm, ao planejar e implementar as mudanas nas organiza es de combate, as foras militares precisam asseu rar que se concentrem em todas as dimenses da uera, no apenas na dimenso operacional. A dimenso logs tica. Quando o modelo usado para analisar a transformao militar, a dimenso logstica ajuda a identicar e ressaltar as consideraes de mudan as crticas na logstica (abastecimento, manu teno, apoio de sade, etc.). A dimenso so cial. Quando o modelo Cmt do GC Esclarecedor Esclarecedor Soldado atirador Fuzileiro Fuzileiro Fuzileiro Fuzileiro Fuzileiro Fuzileiro Fuzileiro SCmt do GC Figura 2. O GC de Fuzileiros com Arma Automtica durante a Segunda Guerra Mundial(Grco do Field Manual 22.5, Infantry Drill Regulations, July 1939)O Maj Hassan Kamara, do Exrcito dos EUA, componente do Grupo de Estudos Estratgicos do Comandante do Exrcito, atuando no grupo de Estudos Futuros do Exrcito e na Fora-Tarefa de Modernizao do Exrcito. bacharel em Cincia Poltica pela Arizona State University e mestre em Estudos de Segurana pela U.S. Naval Postgraduate School e mestre em Aquisio pela Webster University. um graduado com distino do U.S. Naval War College Comand and Sta Course. Comandou uma companhia de Infantaria Stryker no Fort Bliss, Texas, e uma companhia blindada em Kirkuk, Iraque.

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72 das dimenses da uera aplicado transformao da Fora, a dimenso social deaca a interao das organizaes de combate com as sociedades, culturas e ambientes (considerando superpopulao e mega cidades) na execuo das ueras e na tentativa de conclui-las. Essa dimenso tambm provoca peruntas como, Quais sero as implicaes para as organizaes militares no caso de uma convocao militar em massa, que caraerstica da uera convencional? A dimenso tecnolgica. Pela perectiva de trans formao da Fora, a dimenso tecnolgica fomenta considerao e comprometimento aos desenvolvimen tos tecnolgicos que podem proporcionar a superio ridade operacional contra adversrios potenciais ao mesmo tempo que facilita a logstica e a interao estra tegicamente benca com a populao local em uma zona de conito. Seundo Howard, desde o Sculo XX, o papel da tecnologia como uma dimenso indepen dente e signicativa, j no pode ser desconsiderado .O Grupo de Combate e as Transformaes das Dimenses da GuerraA uera e os assuntos militares tm evoludo consideravelmente desde 1946, apresentando trans formaes que motivam uma reavaliao e uma reforma na estrutura tradicional do grupo de combate da Infantaria. Ressaltadas dentro de cada uma das dimenses da uera, tais descontinuidades mudam sucientemente e (na maioria dos casos) invalidam os arumentos, fatos e premissas por trs da criao do GC de infantaria.O GC na Dimenso Operacional da GuerraA Conferncia sobre a Infantaria de 1946 foi organizada para estudar as experincias do Exrcito durante a Seunda Guera Mundial pela perectiva da Infantaria e compilar lies que ajudariam a superar os prolemas organizacionais, de treinamento e de equi pamentos, bem como estimular a inovao e a reforma institucional. O Cel A. O. Connor concordava com isso e, durante seu discurso na conferncia, disse, O pro psito dessa Conferncia sobre a Infantaria chegar a decises slidas em relao resoluo dos muitos pro lemas atuais e futuros da Infantaria. Ociais e praas de todos os teatros de operaes da Seunda Guera Mundial participaram da conferncia. Os participantes foram organizados em comits; o Comit A se concen trou sobretudo nos equipamentos, enquanto o Comit B sob a liderana do Gen Bda James M. Gavin focou principalmente nos assuntos organizacionais. Naturalmente, a doutrina foi debatida extensivamente nos dois comits. Os comits votaram nas propostas de transformao da Fora, que foram apresentadas no relatrio nal da conferncia ao Comandante da Escola da Infantaria Gen Bda John Wilson ODaniel, o Mike de Fero. A base do Grupo de Combate Tradicional. O Comit B recomendou mudar o GC de 12 fuzileiros, da era da Seunda Guera Mundial, para um de nove fuzileiros com base em arumentos relacionados ao comando e controle; sobrevivncia organizacional; e fo gos e manobra.8 O GC de 12 fuzileiros usado durante a Seunda Guera Mundial inclua um comandante, um subcomandante, uma pea de arma automtica com posta por trs combatentes (atirador de metrahadora, assistente do atirador e remuniciador) e sete fuzileiros, dois dos quais eram designados como esclarecedores (veja a Fiura 2)f. O GC proposto de nove fuzileiros inclua um comandante, dois esclarecedores, um atira dor de arma automtica (operador de metrahadora), um assistente do atirador e quatro fuzileiros (incluindo um granadeiro) O comit props a nova organizao do GC porque acreditava que essa era a quantidade mxima de militares que um comandante de GC podia controlar, durante o combate. A conferncia deniu o GC como um grupo de praas organizado como uma equipe: a menor unidade ttica, consistindo em apenas quantos homens que um comandante possa comandar facilmente no campo de bataha, e com base nessa denio, ela escoheu limi tar o tamanho do GC ao nmero de homens que um comandante possa controlar pessoalmente com sinais verbais ou com a mo. No seu relatrio, o Comit B declarou claramente que um homem sob condies favorveis no pode controlar mais do que oito homens no campo de bataha. A sobrevivncia do GC como uma organizao de combate exposta a alto atrito foi outro fator por trs do recm-proposto GC, mas foi secundria em relao ao comando e controle. Os participantes da Conferncia da Infantaria observaram que os GC operavam tipi camente com nmeros abaixo do efetivo completo

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73 durante a Seunda Guera Mundial e buscou garantir que qualquer mudana no GC de 12 fuzileiros permi tisse que ele fosse capaz de sobreviver e manter efeti vidade aps sofrer um pouco de atrito. Coerente com esse fundamento lgico, o comit decidiu que o GC de nove homens era a estrutura que tinha o maior poten cial de sobrevivncia que um comandante de GC podia controlar com sinais verbais e com a mo durante o combate. Em outras palavras, os participantes da confe rncia concordaram em sua maioria que o GC propos to, de nove homens, embora menor, ainda seria capaz de apoiar as manobras de peloto, depois de passar por alum atrito no campo de bataha. Alm disso, com base na sua experincia obtida durante a Seunda Guera Mundial, os participantes da Conferncia de Infantaria acreditavam que a menor unidade capaz de fogos e manobras orgnicos era o peloto. Os proponentes do novo GC que eram na maioria do Comit B arumentaram que durante a Seunda Guera Mundial o grupo de combate de fuzileiros nunca empregou manobras tticas duran te o ataque, i.e., os elementos Ale, Baker e Charlie [do veho alfabeto fontico, signicando os aectos bsicos N. do T.] de esclarecedores, base de fogos e manobra Durante seu discurso sobre a organizao da Infantaria, Connor declarou que as ueras so vencidas pelos pelotes e acrescentou que no com bate, o fogo e movimento um trabaho do peloto. Subsequentemente, os participantes da conferncia consideravam que o GC tinha capacidade de fogo e manobra apenas includo no peloto ou eabelecen do uma base de fogos para apoiar a manobra de outros Integrantes do 501 Regimento de Infantaria Paraquedista disparam um morteiro de 81mm para apoiar militares afegos, durante a operao Maiwand 10 na Provincia de Helmand, Afeganisto, 26 Dez 17. Os militares dispararam mltiplos foguetes de iluminao para esclarecer a rea vizinha de Marjah, onde militares afegos haviam sofrido uma emboscada noturna. (Sgt Justin T. Updegra, CFN dos EUA)

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74 GC dentro do peloto, ou manobrando como um todo, enquanto outro GC proporciona apoio de fogo. Muitos dos participantes da conferncia, eecialmente aqueles no Comit B, no acreditavam que o GC era capaz de realizar fogo e manobra no nvel grupo de combate (uma esquadra apoiando as manobras da outra esqua dra, com os fogos). Assim, eles racionalizaram que era desnecessrio manter o GC de 12 fuzileiros devido sua maior capacidade de fogo e manobra. As transformaes desde 1946 e as preocupaes futuras. Muita coisa tem mudado na dimenso opera cional desde 1946 que invalida os arumentos, fatos e premissas mencionados anteriormente para a adoo do GC de nove homens. Em termos de comando e contro le, os equipamentos modernos de comunicao pessoal disponveis aos infantes hoje em dia fazem com que seja possvel para os comandantes de grupo de combate se comunicar e orientar os comandantes subordinados e se necessrio qualquer integrante do GC. Capacitados pela tecnologia, por comandantes de esquadra capazes e pelo amadurecimento da losoa do Comando de Misso, os comandantes de GC da atualidade podem controlar as manobras de mais de oito homens. Alm disso, as feramentas que ajudam a obter o conhecimen to da situao disponveis aos militares, sob iniciativas como o programa Warghte Inforation Network Taical possibilitam que comandantes possam contro lar as manobras de formaes bem alm dos alcances verbais, visuais e dos sinais com a mo. Embora considerado irelevante durante a Conferncia de 1946, o fogo e manobra de nvel GC uma parte integral das manobras de Infantaria nos dias atuais e as mehorias obtidas na preciso do tiro pelos ad versrios dos EUA de poder de combate equiparados pa recem exigir ajustes para garantir o emprego do GC como a menor unidade principal de manobras em batahas no futuro. Esse ltimo exigiria uma expanso do tamanho do GC para aumentar os fogos durante manobras e inva lidaria qualquer necessidade de manter o GC pequeno para que possa ter mais mobilidade, como um elemento monoltico nico, no fogo e manobra do peloto. O VANT Joint Tactical Autonomous Air Resupply System lana um pequeno pacote durante o exerccio Maneuver Fires Integrated Experiment, no Fort Sill, Oklahoma, 12 Abr 17. (Foto por Monica Wood)

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75 Com reeito dimenso operacional, os aru mentos, fatos e premissas fundamentais para a criao do GC de nove fuzileiros eo desatualizados ou invalidados. Em outras palavras, as preocupaes da Conferncia sobre a Infantaria de 1946 que levaram ao desenvolvimento da estrutura do GC tradicional tm sido invalidadas, em grande medida, pelas mudanas na uera, nos assuntos militares e na sociedade. Isso exige uma reavaliao total da sua estrutura e sua sub sequente reforma.O GC na Dimenso Logstica da GuerraComo mencionado anteriormente, essa dimenso trata do recrutamento, dos equipamentos e dos aec tos de sustentao do esforo de uera. Pela perecti va de transformao do GC, se concentra na alocao de pessoal, no equipamento e no ressuprimento. A base do Grupo de Combate Tradicional. Com reeito transformao do GC, a alocao de pessoal e os equipamentos eram os aectos predominantes dessa dimenso durante a Conferncia de Infantaria de 1946. Em termos de alocao de pessoal, a integrao de substitutos durante o combate parecia ser a principal preocupao logstica que sustentava a recomendao de um GC de nove homens. A logstica do GC em ter mos de apoio continuado (suprimentos, manuteno, etc.) no parecia ser parte do dilogo da conferncia, o que era compreensvel porque os comandantes de Infantaria na poca tinham uma perectiva centrada no peloto para as operaes de pequena unidade. Os participantes da conferncia pareciam gravitar em torno do GC de nove homens porque eles racio cinaram que seria mais fcil para novos recrutas e substitutos entenderem e lutarem em um GC menor. Os participantes eavam inuenciados em grande me dida pela sua observao, em tempos de combate, da di culdade experimentada pelos graduados oriundos do alistamento em liderar o GC de 12 fuzileiros durante a Seunda Guera Mundial. O consenso parecia ser man ter a estrutura do GC simples, com nove pessoas, para que os recrutas e os substitutos de um exrcito mobili zado em massa pudessem rapidamente entender e lutar dentro da nova organizao, no combate. O Marechal Omar Bratley citou essa preocupao durante sua pa lestra na conferncia. Bratley apoiou a recomendao para o GC de nove homens, citando observaes sobre os prolemas dos sargentos que no eram de careira que tinham que assumir o papel de comandante de grupo de combate devido ao alto atrito. Ele disse, Com a promoo rpida devido s baixas, encontramos, s vezes, com pessoas em comando dos grupos de combate que tm bastante diculdade em comandar um grupo de combate de tal tamanho. As transformaes desde 1946 e as preocupaes futuras. A uera, os assuntos militares e a sociedade tm evolvido sucientemente com reeito a essa di menso para minar o fundamento lgico para a cria o do GC de nove homens. Restringir o GC a nove pessoas para que seja mais fcil integrar os conscritos, no caso de uma mobilizao em massa, j no um arumento vlido. Alm do treinamento prtico em campanha, que tipicamente intensivo em termos de recursos (e.g., munio, combustvel) e, assim, no po dendo ser realizado frequentemente, o Exrcito atual tem simulaes de realidade virtual que utiliza para o treinamento. Pode-se arumentar que esse mtodo de treinamento econmico capacita o Exrcito a adestrar os soldados com mais efetividade do que podia du rante a era da Seunda Guera Mundial, porque pode proporcionar a eles a prtica continuada (repetida) nos ambientes de combate imersivos e simulados. Isso ajuda a mitigar a preocupao que o Exrcito seria menos capaz de treinar e integrar os conscritos, se o GC fosse aumentado. O assunto de ressuprimento no nvel GC, embora ausente do dilogo da Conferncia de Infantaria de 1946, pode crescer e dicultar a infraestrutura logstica do Exrcito devido aumentada dierso de foras possivelmente at o nvel GC nos campos de bataha do futuro. Por exemplo, os desenvolvimentos em senso res, seleo de alvos e fogos precisos de longa distncia por potenciais adversrios equiparados em poder de combate provavelmente provocaro a necessidade de aumentada dierso das foras dos EUA, nos campos de bataha do futuro.O GC na Dimenso Social da GuerraO alistamento em massa foi um importante fator para a vitria dos EUA na Seunda Guera Mundial. As leiras do Exrcito dos EUA engrossaram relativa mente rpido com cidados-soldados que eram extre mamente inexperientes, em comparao com soldados reulares, mas que eavam vidos para treinar e lutar.

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76 A base do Grupo de Combate Tradicional. A experincia em tempos de uera com o treinamen to e a integrao dos conscritos no Exrcito Reular compeliu muitos dos participantes da Conferncia sobre a Infantaria de 1946 a exaltarem o GC menor, de nove homens. Com base em suas prprias experincias pessoais, esses veteranos acreditavam que seria mais fcil treinar e integrar os conscritos ao novo GC de nove homens do que ao GC de 12 homens, da Seunda Guera Mundial, simplesmente porque o comando e controle dos conscritos inexperientes seria mehor no GC menor. Assim, os participantes escoheram o GC de nove homens. As transformaes desde 1946 e as preocupa es futuras. Graas s capacidades inerentemente maiores de aprender na era da informao, pode-se arumentar que o Exrcito e mais capaz, hoje em dia, de efetivamente treinar conscritos no caso de uma mobilizao em massa para uma uera do que eava na ocasio da entrada dos EUA na Seunda Guera Mundial. Isso elimina a necessidade de manter o GC com nove pessoas para mehor ajudar o civil comum alistado a aprender rapidamente como ele opera. Alm disso, a Tecnologia da Informao na forma de jogos e de mdias tem exposto o povo americano ao combate em um nvel muito maior do que expe rimentava durante os anos entre ueras (o perodo entre a Primeira e a Seunda Guera Mundial). Graas tecnologia, o jovem norte-americano comum no Sculo XXI tem, na mdia, gastado mais tempo em alum tipo de combate aproximado simulado (jogos, realidade virtual, paintbal, etc.) do que seu equivalen te durante o perodo entre as ueras. Em seu estudo de como os artistas de nvel mundial se desenvolvem, Geo Colvin mostra, de forma convincente, pelo uso de estudos de caso sucessivos sobre os mehores artistas altamente bem sucedidos, em campos diferen tes, que o desempenho excepcional desenvolvido por meio da prtica continuada ou deliberada. Isso sugere que, com base na prtica continuada ou deliberada que eles obtm, pelas simulaes em realidade virtual de combate antes de juntar-se ao Exrcito, os jovens atuais talvez sejam inerentemente mais capazes de ser treinados (em termos de habilidade tecnolgica e de instintos de combate) do que seus equivalentes do perodo entre a Seunda Guera Mundial e a Guera da Coreia. Esse interessante desenvolvimento da sociedade norte-americana pode servir bem Nao, no caso de mais uma uera em que seja necessrio empregar a mobilizao em massa, e mais uma razo para reconsiderar o raciocnio de 1946, de limitar o GC a nove pessoas, pela queo de treinamento e integrao rpidos de conscritos. O crescimento da populao como um fator determinante. Alm disso, mudanas na sociedade, particularmente o crescimento de megacidades, desa am a deciso da Conferncia de Infantaria de reduzir o tamanho do GC para conseuir mehor comando e controle. Ao ohar para o futuro, o surgimento e a cres cente onipresena das megacidades por todo o mundo signicam que as ueras futuras provavelmente sero travadas em ambientes urbanos, extremamente con gestionados e restritos. Seundo o Exrcito dos EUA, bem provvel que as megacidades sejam o acidente capital do tereno estratgico, em qualquer crise futura que exija a interveno militar dos EUA. Isso ocore principalmente porque os fatores como a populao, a urbanizao e as tendncias relacionados aos recur sos que contribuem ao surgimento das megacidades no tm mostrado sinais que eo diminuindo ou revertendo f. Parece que o Gen Ex Mark A. Miley compartiha dessa perectiva, declarando que quase certo que as ueras do futuro sero travadas principalmente nas cidades, o que tem implicaes signicativas para as Foras Armadas. Essa evoluo dos ambientes urbanos aumentar o atrito de pessoal, equipamen tos e munio nas operaes de combate do futuro. A bataha pela cidade alem de Aachen, em outubro de 1944, durante a Seunda Guera Mundial, proporciona discernimentos sobre como o combate urbano futuro contra um adversrio convencional, nas megacidades, pode afetar os grupos de combate. John C. McManus escreveu que apesar dos admirveis esforos dos enfer meiros do Exrcito em Aachen: As baixas ainda eavam erodindo o poder de combate das companhias de fuzileiros. Em poucos dias, a maioria operava com a metade ou dois-teros do efetivo. Cada noite, as equipes de logstica de pessoal forneciam substitutos para as companhias. Isso manti nha as companhias de fuzileiros em operao, mas sempre abaixo do efetivo total, em uma constante necessidade de reforos.

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77 Em Aachen, os GC de 12 homens provaram, decididamente, que sua maior sobrevivncia organiza cional (capacidade de sobreviver e manter eccia no combate em situaes de atrito) era uma vantagem no combate urbano de alto atrito, contra um adversrio convencional muito competente. Da mesma forma que em Aachen, bem como em outras batahas travadas no tereno densamente urbanizado, no combate futuro contra um adversrio de poder de combate equiparado em uma megacidade, os GC provavelmente perdero bem mais pessoal do que perderam contra os insurgen tes nas cidades iraquianas. Ento, eles precisaro ser maiores para permanecer efetivos aps sofrer atritos. A sobrevivncia organizacional provar ser eecial mente importante nesse sentido, porque o sistema de substituio de tropas durante o combate no tem sido teado de tal maneira, desde a Guera do Vietn, h mais de meio sculo.O GC na Dimenso Tecnolgica da GuerraA tecnologia deve ser um fator relevante na estrutu ra e na operao do GC do futuro. O desenvolvimento tecnolgico e a automao tm aumentado a capacida de de maiores cargas de trabaho enquanto reduzem a necessidade de pessoal, no setor comercial. No entanto, o oposto a verdade para o GC de fuzileiros. Parece que a tecnologia e a automao tm aumentado a carga de trabaho do GC nos campos de bataha contempo rneos, com mais equipamentos para os mesmos nove homens controlar e operar, alm das funes de comba te tradicionais. A base do Grupo de Combate Tradicional. Os participantes da conferncia apoiaram a recomendao de um GC de nove homens com base nas premissas sobre a tecnologia. Aluns raciocinaram que os avanos contemporneos e futuros nos sistemas de armas, como os fuzis e metrahadoras aperfeioadas e mais leves, eli minaram a necessidade do poder de fogo fornecido pe los trs integrantes adicionais de um GC de 12 homens. Em outras palavras, os participantes acreditavam que o mehor sistema de armas atual equipararia o poder de fogo de um GC de nove homens ao de um GC de 12 homens, que usavam armas mais antigas, assim justi cando sua recomendao de um grupo de combate menor. Por exemplo, durante seu depoimento na con ferncia, Bratley declarou que ele pensava que o GC da Seunda Guera Mundial era demasiadamente grande e era favorvel nova estrutura menor, declarando, Com mehores armas, poderia ser mehor no ter muitos [fuzileiros] em uma equipe. Como projetado em 1946, as armas do GC mehoraram e o poder de fogo do GC aumentou. Contudo, devido proliferao de avanos semehantes entre os adversrios potenciais, tais avanos j no so justicativas vlidas para manter o GC de tamanho reduzido, de nove pessoas. As transformaes desde 1946 e as preocupaes futuras. Embora a tecnologia militar desde 1946 tenha ajudado a aumentar o poder de fogo do GC ao seu nvel atual e, sem dvida, continuar a aprimor-lo no futuro, j no razo suciente para manter o GC com seu efetivo atual ou reduzi-lo. De fato, muito pelo con trrio, a tecnologia militar emergente que ir crescer e aprimorar a capacidade do GC, como VANT armados e outros sistemas robotizados, um arumento convin cente para o aumento do nmero de soldados no grupo de combate de infantaria, com mais uma esquadra de fuzileiros.As Razes para MudanaAs transformaes ressaltadas nos assuntos mili tares e na sociedade, bem como as projees sobre a uera do futuro, exigem que repensemos e reforme mos o grupo de combate. Pela perectiva operacional, j que o comando e controle agora possvel para um GC maior, o Exrcito deve aumentar o GC para expan dir sua capacidade de sobreviver destruio completa durante combates de elevado atrito com adversrios de poder de combate equiparado. Em termos de logstica, o combate dierso nos campos de bataha futuros, para neutralizar a preci so do tiro do inimigo, exigir maneiras inovadoras para reabastecer os GC remotos, sem sobrecaregar a infraestrutura logstica no teatro de operaes. A adaptao do GC para aproveitar novas tecnologias, como os VANT para suprimentos e logstica, pode ajudar o Exrcito a lutar diersado e dicultar a pre ciso do tiro pelo inimigo, nos conitos convencionais futuros. Curiosamente, antecipando tais desenvolvi mentos futuros, o Exrcito experimentou mltiplos prottipos de veculos areos no tripulados chama dos Joint Taical Autonomous Ai Resuply Systes (Sistemas Tticos Conjuntos de Ressuprimento Areo), em abril de 2017.

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78 Com base nas mudanas na dimenso social da uera o crescimento da populao e as megacidades e na possibilidade real de se envolver em combate urbano de alto atrito nas megacidades, uma ampliao no efetivo do GC aumentar sua capacidade de sobreviver no combate. Alm disso, os desenvolvimentos tecnolgicos no treina mento e a aumentada exposio ao combate entre os cida dos civis chamados para o servio obrigatrio eliminam a necessidade de manter o GC pequeno, j que os recrutas aprendero de maneira mais fcil como o GC opera. Pela perectiva tecnolgica, o acrscimo de mais uma esquadra ao GC pode otimiz-lo para obter as capacida des de realizar reconhecimento por meio de sistemas no tripulados armados, de ciberntica e de uera eletrnica. Junto com a crescente losoa do Comando de Misso, a expanso do GC para aproveitar as tecnologias mencio nadas acima ir mehor prepar-lo a operar independen temente dos escales superiores (peloto e companhia), nos campos de bataha do futuro. No conito futuro entre Estados, contra um adversrio de poder de combate iual ou equivalente, os lderes do Exrcito visualizam campos de bataha onde as pequenas unidades (muito provavel mente os grupos de combate) lutaro diersas para di cultar a preciso do tiro das armas e dos fogos do inimigo enquanto mantm a capacidade de se reagrupar, quando necessrio. Seundo Miley, haver forte utilizao de sensores nos campos de bataha do futuro e, com sensores em todo lugar, a probabilidade de ser visto muito elevada ... se puder ser visto, ser atingido. Ento isso signica que, simplesmente para sobreviver, nossas forma es provavelmente tero que ser pequenas. Tero que deslocar-se constantemente. Tero que agrupar e diersar rapidamente. Pode-se arumentar que a capacidade orgnica de combate mais essencial que os GC precisaro, quando lutarem independente dos escales superiores (peloto e companhia), o reconhecimento. Em um campo de bataha futuro cheio de sensores, a importncia de loca lizar o inimigo primeiro, por meio de reconhecimento, e rapidamente empregar fogos para destru-lo, no pode ser subestimada.RecomendaesO Exrcito deve considerar a reaurao de uma forma modicada da equipe de reconhecimento de esclarecedores que usava durante a Seunda Guera Mundial, para que o GC tenha mais capacidade de so brevivncia no combate de alto atrito, fornecer meho res recursos a ele para controlar a carga de trabaho das novas capacidades que eo sendo integradas (VANT, ciberntica e uera eletrnica) e ajud-lo a operar e lutar independente dos escales superiores, nos campos de bataha do futuro. Conceitualmente, uma equipe ciberntica/reconhecimento de trs pessoas, composta de infantes treinados em sistemas areos no tripula dos e em sistemas robticos, acrescentar capacidades permanentes de reconhecimento por meio de sistemas armados no tripulados, ciberntica e uera eletrnica ao GC. Essa mudana pode aumentar a capacidade de sobrevivncia (quantitativamente) do GC como um pequeno elemento dierso no campo de bataha e facult-lo a combater em mltiplos domnios [terestre, areo aproximado e ciberntico]. Alm disso, a mudan a pode prover aos GC a capacidade para aproveitar os VANT e a tecnologia robtica para ressuprimento nos ambientes de combate diersos, do futuro. Essa reforma ir, tambm, criar uma estrutura organiza cional exvel no GC para a integrao continuada e o emprego da tecnologia militar de VANT e de robtica que e em rpida evoluo.ConclusoAs mudanas da uera, dos assuntos militares e da sociedade desde os anos 40, bem como das projees sobre o combate do futuro, invalidam sucientemente muitos dos arumentos, fatos e premissas fundamen tais que produziram o grupo de combate tradicional de infantaria e, assim, justicam uma reavaliao e uma reforma institucional. A era atual a mais oportuna para essa mudana, no momento em que conforme a Instituio considera as mudanas organizacionais que seriam mehores para capacit-la a lutar em mltiplos domnios (terestre, martimo, areo, espacial e ciberes pao), coerente com o conceito de combate em mlti plos domnios. Apesar de ser um tipo de vaca sagrada institucio nal, est na hora de reavaliar e reformar, de forma ousada e adequada, o grupo de combate ao aumentar seu tamanho, para otimizar sua capacidade de sobrevivncia e seu desempenho. Seundo Miley, mehor para ns [o Exrcito dos EUA] abater nossas vacas sagradas ns mesmos, em vez de perder uma uera porque estamos demasiadamente inflexveis

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79 para pensar no impensvel. Consequentemente, os estudos subsequentes no devem apenas ousadamen te explorar e analisar novas estruturas organizacio nais para o GC de todos os tipos de tropas (incluindo os GC de Stryker e de Infantaria lindada), mas tambm para a ordem de bataha inteira do Exrcito dos EUA (do peloto at o nvel de exrcito de campanha). O fomento dessa discusso essencial para garantir que a estrutura e a organizao do Exrcito dos EUA sejam otimizadas para o conflito, apesar das transformaes surgidas nas dimenses da uera. Referncias Epgrafe. Mark A. Milley, AUSA Eisenhower Luncheon, 4 Oct. 2016, (palestra, Association of the United States Army [AUSA], Washington, DC, 4 Oct. 2016), p. 15, acesso em: 7 dez. 2017, ht tps://wpswps.org/wp-content/uploads/2016/11/20161004_CSA_ AUSA_Eisenhower_Transcripts.pdf 1. Report of Commiee B on Tactics and Technique (Fort Benning, GA: e United States Army Infantry School, 1946), p. T-18, 6. 2. Robert B. Brown, e Infantry Squad: Decisive Force Now and in the Future, Military Review 91, no. 6 (November-December 2011): p. 2, acesso em: 12 dez. 2017, hp://usacac.army.mil/CAC2/ MilitaryReview/Archives/English/MilitaryReview_20120630MC_ art004.pdf 3. John P. Koer, Accelerate: Building Strategic Agility for a Fas ter-moving World (Boston: Harvard Business Review Press, 2014), p. vii. 4. Army Techniques Publication 3-21.8, Infantry Platoon and Squad (Washington, DC: U.S. Government Publishing Oce [GPO], 2016), p. 1-13. 5. Michael Howard, e Causes of Wars, 2nd ed. (London: Maurice Temple Smith, 1983), p. 105. 6. Ibid., p. 104-5. 7. A. O. Connor, e Infantry Conference: Lecture on Infantry Organization (transcrio, U.S. Army Infantry School, Fort Benning, GA, 10 Jun. 1946) p. 1, acesso em: 11 dez. 2017, hp://cgsc. contentdm.oclc.org/utils/getdownloaditem/collection/p4013coll8/ id/441/lename/431.pdf/mapsto/pdf 8. Report of Commiee B on Tactics and Technique, T-18. A capacidade de sobrevivncia usada neste artigo para referir-se capacidade do grupo de combate de manter eccia de combate em face do atrito. Isso coerente com a denio doutrinria da capacidade de sobrevivncia na Joint Publication 4-0, Joint Logistics (Washington, DC: U.S. GPO, 16 Oct. 2013), p. I-10: A capacidade de sobrevivncia a capacidade de uma organizao de obter a vitria apesar de impactos adversos ou de ameaas potenciais. 9. Field Manual (FM) 7-10, Infantry Field Manual: Rie Company, Rie Regiment (Washington, DC: U.S. Government Printing Oce, 1942), p. 130, acesso em: 11 dez. 2017, hps://ibiblio.org/ hyperwar/USA/ref/FM/FM7-10/FM7-10-6.html; FM 22-5, Basic Field Manual Infantry Drill Regulations (Washington, DC: Gover nment Printing Oce, 1939), p. 57, acesso em: 11 dez. 2017, hps://ia800308.us.archive.org/13/items/Fm22-5/Fm22-5.pdf 10. Report of Commiee B on Tactics and Technique, p. T-18, 6. 11. Ibid, p. T-18, 3. 12. Ibid, p. T-18, 5. 13. Ibid, p. T-18. 14. Report of Special Commiee on Organization of the Infantry Division (Fort Benning, GA: e United States Army Infantry School, 1946), p. 3, acesso em: 11 dez. 2017, hp://cgsc.cdmhost. com/utils/getdownloaditem/collection/p4013coll8/id/418/lename/408.pdf/mapsto/pdf 15. Connor, e Infantry Conference: Lecture on Infantry Organization, p. 8. 16. Warghter Information Network-Tactical (WIN-T), Ge neral Dynamics Mission Systems (website), acesso em: 11 ago. 17, hps://gdmissionsystems.com/c4isr/warghter-information-net work-tactical-win-t/. O Comando de Misso uma losoa que defende a prtica de conceder o poder de deciso aos subor dinados para executar misses dentro da inteno dos escales superiores, empregando a iniciativa disciplinada. 17. e Infantry Conference: Report of Special Commiee on Organization of the Infantry Division (testimonial of Omar Bradley), p. 8. 18. Geo Colvin, Talent is Overrated: What Really Separates World-Class Performers from Everybody Else (New York: Penguin Group, 2008). 19. Marc Harris et al., Megacities and e United States Army: Preparing for a Complex and Uncertain Future, Chief of Sta of the Army Strategic Studies Group, U.S. Army paper, June 2014, p. 5, acesso em: 11 dez. 2017, hps://www.army.mil/e2/c/downloads/351235.pdf 20. Milley, AUSA Eisenhower Luncheon, p. 12. 21. John C. McManus, Grunts: Inside the American Infantry Combat Experience, World War II through Iraq (New York: NAL Caliber, 2011), p. 120. 22. e Infantry Conference: Report of Special Commiee on Organization of the Infantry Division (testimonial of Omar Bradley), p. 8. 23. Monica K. Guthrie, Amazon-style Drone Delivery the Future of Military Resupply, U.S. Army press release, 14 Apr. 2017, acesso em: 11 dez. 2017, hps://www.army.mil/article/186115/ amazon_style_drone_delivery_the_future_of_military_resupply 24. Milley, AUSA Eisenhower Luncheon, p. 15. 25. Ibid.

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80 Capacidades Emergentes de Geoinformao no Exrcito BrasileiroTen Cel Osvaldo da Cruz More Neo, Exrcito BrasileiroA evoluo tecnolgica das ltimas dcadas im pactou diretamente os processos e atividades de mapeamento. A consolidao dos sistemas globais de posicionamento por satlites, o aumento e a diversicao do nmero de sensores remotos para imageamento e o avano dos sistemas computacionais Ilustrao de um satlite em rbita (Imagem cedida pelo National Executive Commiee for Space-Based Positioning, Navigation and Timing)

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81 para armazenamento, processamento e disponibiliza o das informaes resultaram em solues tecnolgi cas chamadas de geotecnologias. A disponibilizao de coordenadas terestres em tempo real, de forma contnua e com alta preciso uma realidade comum hoje em dia, porm nem sempre foi assim. O processo de estimar coordenadas era algo custoso e extremamente demorado, tendo em vista que, antes dos sistemas satelitais, elas eram medidas por meio da astronomia de posio. Fazia-se necessria a observao direta dos astros, tornando o levantamento de coordenadas de pontos desconhecidos uma tarefa demorada e dependente das condies atmosfricas. O transporte de coordenadas era outro grande desao. Determinar as coordenadas de um ponto a partir de outro exigia condies muito eeciais, uma vez que o transporte delas era feito com equipamentos que mediam nulos e distncias. Com isso, era preciso criar condies para que houvesse a visada direta entre eles, fazendo com que as campanhas de mapeamento demandassem grandes equipes para caregar e montar tores e plataformas de observao, de modo a propor cionar intervisibilidade entre os pontos. Os desaos das campanhas baseadas nas observa es astronmicas e na medio de nulos e distncias caram para trs na medida em que surgiram os sis temas de posicionamento por satlite. Diversas cons telaes hoje eo disponveis, possibilitando que os usurios tenham capacidade de estimar sua localizao de forma imediata, por meio do rastreio dos sinais emi tidos pelos satlites que compem os Sistemas Globais de Navegao por Satlite (GNSS). O sensoriamento remoto, por sua vez, engloba um conjunto de geotecnologias que proporcionou a mul tiplicao da quantidade e da qualidade das imagens utilizadas no processamento e gerao de produtos de Geoinfo. Baseados na capacidade de levantar as carac tersticas sicas de um objeto sem toc-los, os sensores remotos embarcados em plataformas terestres, areas ou orbitais passaram a oferecer dados digitais que per mitem a distino de alvos com centimtricas, mesmo sob nuvens ou cobertura vegetal, gerando imagens ricas em informaes a serem utilizadas na produo de mapas. A obteno de coordenadas precisas em tempo real e a multiplicao da quantidade e do poder de identi cao de alvos por meio de imagens tiveram efeitos potencializados com os servios via e Em primeiro lugar porque por meio da e os dados espaciais que haviam crescido exponencialmente em termos quan titativos e qualitativos passaram a ser disseminados via rede mundial de computadores. Isso fez com que o desao para o usurio deixasse de ser a obteno da Geoinfo e passasse a ser a capacidade de ltrar e iden ticar a informao espacial mais adequada para suas intenes. Em seundo lugar, a Geoinfo disponvel na forma de bases cartogrcas na internet passou a ter um carter interativo e dinmico, possibilitando ao prprio usurio no s visualizar o dado geopespacial, mas tambm atuar modicando ou mesmo inserindo informaes, criando verdadeiras bases colaborativas, em que a din mica dos eventos depende do prprio usurio, confor me os exemplos dos aplicativos oone artt e aze A disponibilizao de bases cartogrcas digitais via internet, acessadas na forma de protocolos de comu nicao, deu origem aos Geoservios. Atravs deles eo disponveis representaes da supercie terestre, sobre as quais podem ser espacializados fenmenos ou eventos, no havendo a necessidade de se ter a base cartogrca armazenada sicamente. Diante dessas evolues e em meio conjuntura atual, as geotecnologias eo permitindo uma reviso no emprego da Geoinfo por parte de usurios no eecializados e para os mais diversos ns. Ou seja, a e proporcionou processos mais interativos e dinmicos, reestru turando a relao com os mapas, permitindo ampliar a possibilidade de utiliz-los cada vez mais para visualizao e an lise dos mais diferentes fenmenos.A Democratizao da GeoinfoA importncia de conhecer o tereno algo inerente s atividades O Ten Cel Osvaldo da Cruz More Neo graduado pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), na arma de Material Blico. Graduado em Engenharia Cartogrca pelo Instituto Militar de Engenharia (IME). mestre em Engenharia Cartogrca tambm pelo IME. Foi gerente do Projeto Radiograa da Amaznia no perodo de Maro de 2015 a Fevereiro de 2016. Atualmente instrutor da Escola de Comando e EstadoMaior do Exrcito, onde exer ce a funo de Coordenador do Curso de Direo para Engenheiros Militares (CDEM).

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82 de natureza militar. O sucesso do planejamento e da conduo das Operaes Militares e intimamente relacionado com o conhecimento do tereno, tendo em vista que todas as atividades militares, de certa forma, tm pelo menos um ponto em comum: elas dizem res peito a atividades ou fenmenos que ocorem em alum lugar no espao geogrco, isto no tereno. A visualizao espacial do tereno e do que e ocorendo sobre ele essencial para o planejamento e para a realizao das operaes militares, bem como para a tomada de deciso e compreenso da dinmica de determinados eventos temticos. Esse processo, que anteriormente era calcado somente no uso de mapas em papel e realizado com apoio de pessoal altamente eecializado, vem sendo desmisticado na medida em que a Geoinfo e se popularizando como uma das consequncias da evoluo tecnolgica das ltimas dcadas (Department of the Army, 2000). O uso de computadores na construo de mapas e consolidado. A disponibilidade de um taware com aluma capacidade de processamento grco e um soware que trabahe com dados cartogrcos suciente para constru-los. A disseminao das geotecnologias e a possibilidade de consulta e visua lizao de informaes espaciais por meio da e tambm estimularam a aproximao de usurios no eecializados com os temas relacionados Geoinfo (MENEZES, 2013). O estmulo ao emprego da Geoinfo no somen te decorente do processo de simplicao de seus recursos, mas tambm pela sua eccia em transmitir informaes. Isso ocore porque seus produtos podem ser considerados to importantes quanto a linuagem escrita, caraerizando uma forma de armazenamento e comunicao que possuem caraersticas eeciais, a ponto de ser possvel armar que: Se uma imagem vale mais do que mil palavras, um mapa vale mais do que mil imagens (MENEZES, 2013). Dessa forma, a simplicao na manipulao e o baixo custo das geotecnologias, bem como o potencial de comunicao proporcionado pela Geoinfo, abriram um leque de opes que permitem utiliz-la de ma neira decisiva em diversas situaes, impulsionando o Exrcito Brasileiro (EB) a atualizar seus manuais e a vislumbrar a aplicao das novas geotecnologias na modernizao de antigos processos. Figura 1. Manual de Geoinformao do Exrcito Brasileiro Fundamentos Tecnologias Processo de produo Produtos e servios Capacidades Emprego da geoinformao Infraestrutura de geoinformao

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83 O Manual de Geoinformao do Exrcito BrasileiroA disseminao das geotecnologias e a profuso da quantidade de dados disponveis podem gerar no usurio no eecializado a sensao de que no h necessidade de fundamentar seus conhecimentos. Todavia, isso pode levar a eros com srias consequncias para a atividade que estiver sendo desenvolvida com base na Geoinfo. O Exrcito Brasileiro buscou nivelar o conhecimen to de seu pessoal no eecializado em Geoinformao e balizar de forma adequada o emprego da Geoinfo, lanando o Manual de Campanha EB20-MC-10.209, 1 Edio, em 2014, cuja capa e estrutura eo representa dos na ura 1. A Geoinfo possui aplicao direta ou indireta em todas as Funes de Combate, sendo amplamente em pregada no planejamento e na conduo das operaes, quer seja pelos comandantes ou por seus eados-maio res. Por isso, aectos relacionados com os fundamentos, tecnologias, processos de produo, produtos e servios, capacidades, emprego e a infraestrutura so apresentados no manual, proporcionando o nivelamento de conhe cimento em todos os escales da Fora Terestre, desde os mais elementares at os nveis da Fora Terestre Componente (BRASIL, 2013). Quanto aos conceitos e fundamentos de Geoinfo. Um conceito fundamental traduzido pelo Manual para os usurios que os produtos de Geoinfo so represen taes da realidade e, por isso, so construdos seundo modelos e regras de abstrao. Desse processo, surgem os produtos, que so categorizados seundo a forma, a classe e os tipos, permitindo aos usurios uma coreta identicao do que mehor pode ser utilizado para atender suas necessidades. Em termos de valor agregado, por exemplo, verica-se que quanto mais elaborados eles forem, maior exibilidade de emprego tero, porm mais tempo e recursos sero necessrios para produzi-los. A ura 2 representa a relao entre produo e exibilidade para o emprego de aluns produtos de Geoinfo (BRASIL, 2013). Verica-se no grco que as imagens so de fcil obteno, porm com aplicao limitada, tendo em vista que, se no forem georeferenciadas, s permiti ro a identicao de alvos, sem que seja possvel obter coordenadas. Por outro lado, os Sistemas de Informaes Figura 2. Valor agregado dos produtos de GeoinfoIlustrao do autor Valor AgregadoImagem Imagem Geo MDE SIG Carta Topo Custo & Tempo (Produo) Visualizao do Terreno Comando e Controle Roteamento Simulao Posicionamento Identicao AlvosMatricial Vetorial

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84 Geogrcas (SIG) exigem mais tempo e recursos para serem implementados, porm podem contribuir com diversas atividades e apoiar a tomada de deciso. Quanto aos tipos de apoio de Geoinfo. O Manual de Geoinfo prev que, independentemente do tipo de operao, o apoio realizado seundo trs formas: indireto, direto e centralizado. O apoio indireto con siste no apoio em rede, para prover as bases de dados, modelos, instalaes, manuteno, produo de dados, mapas, cartas e reproduo de material de Geoinfo, sendo baseado nos produtos providos pela Diretoria de Servio Geogrco (DSG), por meio do Banco de Dados Geogrco do Exrcito (BDGEx). O BDGEx visa disponibilizao dos produtos cartogrcos produzidos pela DSG no apenas para o plico militar, mas tambm para o plico civil. Ele permite a visualizao e obteno de produtos de Geoinfo, incluindo imagens, ortoimagens, cartas topo grcas e modelos digitais de elevao, que podem ser baixados via internet. Atualmente, o Banco conta com mais de 15.000 produtos, sendo que o acervo armaze nado de forma distribuda entre os 05 (cinco) Centros de Geoinformao, que so Organizaes Militares Diretamente Subordinadas ao Servio Geogrco. A previso no Manual de que os apoios centrali zado e direto devem ser preados por meio de equipes subordinadas aos escales do Teatro de Operaes (TO), consistindo em uma capacidade inovadora para o Exrcito Brasileiro. Uma possibilidade seria a concep o de uma estrutura similar utilizada pelo Exrcito Norte-Americano, baseada em mdulos veiculares com capacidade de produzir Geoinfo em apoio direto s operaes, contando com equipamentos e pessoal voca cionado para atender de forma tempestiva s necessida des no TO. Esses mdulos so exemplicados na ura 3 (Department of the Army, 2000). Portanto, verica-se no contexto do Exrcito Brasileiro uma preocupao da instituio em se manter atualizada quanto ao tema Geoinfo, conforme exemplicado pelo lanamento do Manual EB20MC-10.209, cabendo ainda um amadurecimento e aprofundamento de aectos relacionados com o desen volvimento da doutrina, Organizao, Adestramento, Material, Educao, Pessoal e Infraestrutura, de modo a se explorar da mehor forma os novos potenciais das geotecnologias em apoio s Operaes Militares. Figura 3. Visualizao de um mdulo do Digital Topographic Support System (DTSS)Ilustrao do autor a partir de imagens extradas do U.S. Army FM 3-34.230, Topographic Operations

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85 As Novas Geotecnologias e os Antigos ParadigmasO estrategista e filsofo chins Sun Tzu j estabe lecia em sua obra mais conhecida, rte a uerra, que: A superfcie da Tera apresenta uma varieda de infinita de ruares Deves fugir de uns e buscar outros. Todavia, deves contece toos os terrenos com perfeio, indicando que a importncia de conhecer o tereno est relacionada com as atividades de na tureza militar desde os tempos mais remotos (SUN TZU, 2011). Provavelmente naquela poca a forma de conhecer o tereno eava baseada nas atividades de reconheci mento e ocupao de postos de observao, alm do estudo dos mapas e croquis que representavam a regio de interesse. Essas eram as fontes e produtos de Geoinfo que serviam de base para que os comandantes militares pudessem compreender as caraersticas da rea onde haveriam de combater, realizando a visualizao do tereno e as anlises espaciais que balizariam o planeja mento para o combate. A habilidade de visualizar o tereno de forma indireta, muitas vezes sem t-lo visto realmente, considerada desde sempre um atributo de liderana essencial para o comandante militar. Trata-se de um processo por meio do qual o comandante militar cria sua concepo do tereno e analisa seu impacto nas aes a serem desenvolvidas, sendo que a construo mental do ambiente operacional feita com base em re presentaes da realidade, por meio de mapas, croquis e relatrios de informao, levando em conta aectos doutrinrios e a experincia do decisor. A necessidade de realizar a visualizao e as anlises espaciais do tereno nunca deixaram de existir desde os tempos de Sun Tzu. A mudana e na forma como esses processos podem ser feitos atualmente, levando-se em conta as novas geotecnologias disponveis. A visualizao do tereno no Planejamento das Operaes Militares. No mbito do Exrcito Brasileiro, so empregados processos para a soluo de prolemas baseados em uma anlise metdica, que considera a misso e as condies de tempo e espao. O Processo de Planejamento e Conduo das Operaes Terestres (PPCOT) utilizado no nvel ttico com a nalidade de planejar, preparar, executar e reavaliar o cumprimento das misses atribudas a todos os escales da Fora Terestre (BRASIL, 2014). O PPCOT compreende os nveis conceitual e detahado. O Planejamento Conceitual, constante da Metodologia de Concepo Operativa do Exrcito (MCOE), visa a obter uma compreenso inicial do ambiente operacional e do prolema. O planejamento detahado, denominado de Exame de Situao, desti na-se a eabelecer o ordenamento de diversos fatores que envolvem o processo decisrio, sendo eles a misso, inimigo, tereno e condies meteorolgicas, meios, tempo e consideraes civis (BRASIL, 2014). A coreta compreenso do ambiente em que sero desenvolvidas as operaes depende da criao de uma conscincia situacional adequada no que diz reeito ao Teatro de Operaes. Para isso, a visualizao do tereno uma etapa importante do processo cognitivo do comandante militar, pois cria uma imagem mental do tereno e dos meios nele desdobrados, fazendo uma projeo do eado atual e das fases a serem seuidas at o eado nal desejado (BRASIL, 2014). Durante as fases do planejamento, a anlise do tereno compreende um processo de visualizao do Teatro de Operaes feito na carta impressa em papel e que pode ser complementado e enriquecido com representaes tridimensionais do tereno em ambien te digital. Para isso, podem ser empregados produtos e feramentas para visualizao do tereno, aumentando a rapidez da percepo espacial do TO. O exemplo mais conhecido de feramenta para visua lizao digital tridimensional do tereno e com alta capa cidade de interao so os globos virtuais, cujo primeiro e mais conhecido aplicativo dessa natureza o oone artt Um globo digital um modelo 3D simulado por programas computacionais para representao da Tera e que proporciona ao usurio a habilidade de se mover livremente pelo ambiente virtual mudando o nulo de viso e posio. As visualizaes podem ser de caraers ticas geogrcas, articiais ou de representaes abstra tas como quantidades demogrcas (RAMOS, 2005). Globos virtuais interativos permitem a represen tao de objetos e eventos. Com isso, possvel espa cializar no ambiente digital smbolos que indicam o posicionamento de peas e estruturas dos Escales da Fora Terestre, criando uma camada de informaes a ser visualizada em conjunto com outras camadas, que, ao serem combinadas e observadas sob diferentes pontos de vista, contribuiro para as anlises e decises do planejador das operaes militares.

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86 Alm dos globos virtuais, existem diversos aplicativos que podem ser utilizados para manipulao de Geoinfo, contribuindo para o processo de visualizao do tereno, sendo que um deles o aplicativo Quantum GIS (QGIS). Mantido pela Open Source Geospatial Foundation (OSGeo), o QGIS uma feramenta para manipulao de Geoinformao de cdigo aberto (gratuito), compat vel com diversas plataformas computacionais e que tem sido utilizado no mbito do Exrcito Brasileiro como soluo capaz de permitir aos usurios no eecializa dos a possibilidade de manipular a Geoinfo. No QGIS, possvel trabahar com mapas de base de imagens areas, mapas e estradas usando as plataformas do oone (artt as e treet iew ), dentre outras, permitindo economia de recursos e exibilidade para os usurios. No mbito do Exrcito Brasileiro, exis tem Estgios de Geoinformao para Corpo de Tropa, baseados no QGIS e que so oferecidos para usurios no eecializados, com a nalidade de apresentar os conceitos da geoinformao e as suas potencialidades de utilizao prtica, por intermdio de um SIG, nas atividades de preparo e emprego da tropa. Assim, o avano tecnolgico mencionado pro porciona geotecnologias que so feramentas indis pensveis para anlises integrativas, espacializao e visualizao de dados geoespaciais. Tradicionalmente, a visualizao do Teatro de Operaes feita a partir de mapas bidimensionais em papel, porm j existem feramentas que podem facilitar a anlise do tipo e das condies do tereno, oferecendo ao comandante uma viso tridimensional em ambiente virtual, de tal modo que ele possa ver sua rea de atuao por diferentes pontos de vista. A Geoinfo em apoio ao acompanhamento de conjuntura. Os Sistemas de Informaes Geogrcas (SIG) so uma feramenta que rene pessoas, soware taware procedimentos, dados, permitindo e facilitan do a anlise, geo ou representao do espao e dos fenmenos que nele ocorem. Eles constituem solues tecnolgicas que separam a Geoinfo em diferentes camadas temticas, permitindo a manipulao rpida e simples, bem como o relacionamento e a integrao de dados, com a nalidade de gerar nova informao (LONGLEY, et tal, 2013). A localizao oferece em muitas situaes uma chave comum entre conjuntos de dados, possibilitando a descoberta de relaes e corelaes entre eventos. Esse processo denomina-se anlise espacial e constitui um importante recurso de Geoinfo, capaz de revelar coisas que, de outro modo, seriam invisveis. O SIG uma feramenta que pode incluir todas as trans formaes, manipulaes e mtodos que podem ser aplicados Geoinfo para adicionar valor a ela, visando a apoiar a tomadas de deciso e a revelar padres e comportamentos que no so facilmente perceptveis (LONGLEY, et tal, 2013). O conceito de SIG para anlise espacial, associa do com os Geoservios disponveis na internet eo servindo para inspirar a criao de um Geoportal na Escola de Comando e Estado-Maior do Exrcito (ECEME), com a nalidade de aperfeioar trabahos de acompanhamento de conjuntura realizados por meio do Observatrio Militar da Praia Vermeha (OMPV). O Observatrio Militar da Praia Vermeha (OMPV), criado por diretriz do Comando da ECEME, tem por finalidade realizar o acompanha mento do cenrio geopoltico definido em reas temticas de interesse da Fora, sob a tica das Cincias Militares, produzindo e divulgando conhe cimento de modo contnuo e oportuno, constituindo uma forma sistematizada de explorar e apresentar a perspectiva da Escola diante de assuntos de interesse nacional e internacional. As reas temticas relacionadas como sendo de interesse para o OMPV so: Conitos blicos, misses de paz, crime organizado internacional e seurana plica, recursos naturais e fontes de energia, uera ciberntica, movimentos populacionais, terorismo e sistemas de armas. A composio do OMPV visa a desenvolver, de forma sistmica, a produo de estudos estratgicos, valendo-se para isso do capital intelectual permanente e temporrio existente na Escola, consti tuindo-se, dessa forma, em mais um elemento integra dor das Divises e Sees. Os produtos gerados pelos grupos de trabaho que realizam o acompanhamento dos diversos temas consistem, basicamente, em anlises estratgicas de cenrios, resenhas, alm de mapas e grcos. Os resul tados obtidos com os trabahos dos grupos temticos por si s j possuem alta qualidade, principalmente em decorncia do potencial intelectual dos integrantes dos grupos. Todavia, a possibilidade de associar a geoinfor ma o aos produtos e ainda de utiliz -la no processo de anlise constitui uma soluo que pode e deve ser

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87 explorada, aproveitando a capacidade que a Geoinfo tem de agregar valor ao processo analtico e aos produ tos dele decorente. A dinmica dos temas a serem estudados poder ser mais bem compreendida e ilustrada se a compo nente espacial for explorada. Para isso, torna-se neces srio representar os eventos e ocorncias sobre bases cartogrcas, de modo a criar uma nova perectiva de anlise. Duas solues para emprego de Geoinfo foram concebidas, visando a potencializar e agregar valor aos produtos do OMPV: capacitao em geotecnologias e desenvolvimento de um geoportal. A soluo capacitao em geoferamentas consiste em treinar integrantes das reas temticas para tra bahar com aplicativos que viabilizem a manipulao de Geoinfo, com o propsito de permitir que as reas temticas realizem anlises e produzam seus mapas, sendo que a feramenta escohida foi o QGIS. Dessa forma, uma vez que se tenha pessoal habili tado na feramenta QGIS, os temas podero enrique cer seus produtos nais pelo caregamento, combi nao e anlise de camadas de dados, contribuindo para o estudo analtico do tema. Alm disso, podero tambm construir seus prprios mapas temticos, de modo a representar eventos ou fenmenos dos temas. O resultado nal dessa soluo a capacidade de gerar mapas temticos por parte dos grupos de trabaho de cada tema. O Geoportal do OMPV, por sua vez, ter por na lidade espacializar eventos relacionados com as reas temticas, associando a eas representaes de infor maes relevantes de cada evento. O Geoportal ser uma plataforma on-nine baseada em geoservi o e com capacidade de interagir com os usurios. As informa es relativas a cada evento sero armazenadas em um banco de dados e depois espacializadas sobre uma base cartogrca, permitindo a compreenso da dinmica dos temas, bem como a inter-relao entre eventos de temas distintos. A concepo do geoportal prev que os eventos sero representados por smbolos do tipo ponto, lanados sobre uma base cartogrfica digital. Os smbolos sero especficos para cada tema, de modo que a plataforma dever ter a capacidade de permitir Figura 4. Geoportal do OMPV Ilustrao do autor

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88 uma visualizao especfica de eventos relacionados com um determinado tema ou da combinao de diferentes temas, sendo que o usurio definir o que deseja visualizar, tomando por base os critrios de busca por tema, por localizao, por janela de tempo ou por uma combinao deles. Portanto, espera-se que a Geoinfo venha a con tribuir com as atividades de acompanhamento de conjuntura, possibilitando a realizao de pesquisas mais amplas e profundas ao viabilizar que a compo nente espacial dos eventos seja considerada, abrindo uma nova dimenso para a realizao de anlises da relao entre temas de diferentes naturezas, de forma integrada.ConclusoOs avanos tecnolgicos das ltimas dcadas ampliaram de forma considervel as possibilidades de emprego da Geoinfo. Nesse contexto, o Exrcito Brasileiro vem procurando manter seu pessoal atua lizado e capacitado para lidar com as novas possibili dades proporcionadas pelas geotecnologias. O Manual de Geoinfo do Exrcito um importante documento que sintetiza de maneira clara e sistemati zada conceitos e fundamentos importantes para que os usurios no eecializados desempenhem suas fun es, tirando o mximo proveito do que a Geoinfo pode oferecer em prol das atividades militares desenvolvidas pela Fora Terestre. A capacidade que a Geoinfo tem de agregar valor aos processos de anlise, por meio da criao de novas perectivas e da representao espacial integrada de eventos de diferentes naturezas, oferece como desao a necessidade de conceber sistemas capazes de repre sentar adequadamente a dinmica dos temas propos tos para o OMPV. Esse objetivo ser alcanado com a implementao do Geoportal e com a capacitao em feramentas livres para manipulao de Geoinfo. Assim, a Geoinfo, sob a tica das capacidades emergentes, que aos poucos eo sendo internalizadas, abre novos horizontes em termos de emprego, poten cializando as atividades realizadas no mbito do EB, constituindo em vasto campo a ser explorado em proveito da Fora Terestre. Referncias BRASIL. Exrcito Brasileiro. Diretoria de Servio Geogrco: evoluo histrica, legislao, estrutura de construo e disponibilizao de Geoinformao. Geoportal do Exrcito Brasileiro. 2018. Disponvel em: hp://www.geoportal.eb.mil.br Acesso: 22 FEV 2018. BRASIL.Exrcito Brasileiro. Manual de Campanha EB20MC10.209: Geoinformao. Braslia, 2013. BRASIL. Exrcito Brasileiro. Manual de Campanha EB 20-MC10.211: Processo de Planejamento e Conduo das Operaes Terrestres Braslia, 2014. BRASIL. Exrcito Brasileiro. Manual de Campanha EB20MC10.301: FTC nas Operaes. Braslia, 2014. Department of the Army. US Army. Field Manual FM 3-34.230 Topographic Operations. Washington, 2000. LONGLEY, P. A; MAGUIRE, D. J.; GOODCHILD, M. F; RHIND, D. W. Sistemas e Cincias da Informao Geogrca, 3 Edio, Porto Alegre, 2013. MENEZES, P. M. L.; FERNANDES, M. C. Roteiro de Cartograa So Paulo: Ocina de Textos, 2013. MONICO, J. F. G. Posicionamento pelo GNSS: Descrio, fundamentos e aplicaes. So Paulo. UNESP, 2008. RAMOS, C. S. Visualizao cartogrca e cartograa multimdia: conceitos e tecnologias. So Paulo: Editora UNESP, 2005. SUN TZU. A arte da guerra. Traduo de Sueli Barros Cassal Porto Alegre: L&PM, 2011.

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O Coronel Danilo Mota Alencar retorna ao Brasil aps cumprir sua misso como Ocial de Ligao do Exrcito Brasileiro junto ao Centro de Armas Combinadas do Exrcito dos EUA e Redator-Assessor da initar eview em Fort Leavenworth, Kansas. Durante os dois anos que conviveu conosco, o Cel Danilo evidenciou um elevado grau de pros sionalismo e dedicao, bem como as qualidades de cidado e de soldado de que possuidor. Dotado de grande experincia prossional e cultural, sua contri buio foi de valor inestimvel para elevar o conceito da initar eview Sua personalidade mpar tornou-o um grande diplo mata ao relacionar-se com os representantes de outros exrcitos, com os quais teve a oportunidade de traba har durante sua misso. A partir de junho de 2018, o Cel Danilo assume a funo de assessor de doutrina do Departamento de Educao e Cultura do Exrcito, DECEx, no Rio de Janeiro. Eeramos que sua experincia em Fort Leavenworth tenha sido compensadora, tanto do ponto de vista prossional como pessoal. A equipe da initar eview militares e civis e, em particular, da Edio Brasileira, aproveita ea oportunidade para agradecer sua dedicada e valiosa co laborao, enviando-he os mais sinceros votos de pleno xito e de felicidades no desempenho de suas novas e importantes funes no Exrcito Brasileiro, extensivos sua dignssima famlia.Coronel Danilo Mota Alencar