Uma historia de mulheres: uma historia da organizacao do movimento das mulheres trabalhadoras rurais do sertao central d...

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Title:
Uma historia de mulheres: uma historia da organizacao do movimento das mulheres trabalhadoras rurais do sertao central de pernambuco no interior do movimento sindical
Physical Description:
Mixed Material
Language:
Spanish
Creator:
Movimento da Mulher Trabalhadora Rural
Publication Date:

Subjects

Spatial Coverage:
Pernambuco, Brazil

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Rights Management:
All applicable rights reserved by the source institution and holding location.
System ID:
AA00016361:00001


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Sumairio




* Apresentacao

* Orgem

* A Hist6ria da Organizagao do Movimento das
Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertao Central
de Pernambuco no interior do Movimento Sindical

* A Metodologia

* As Dificuldades

* As Mudangas

* 0 que e o Movimento para nos

M A Mulher Trabalhadora Rural e o Movimento
Sindical

* Toque Final

* Cronologia

M Nossas Producoes











N










Apresentagio






Ete livro relata a hist6ria de como se viveu a
organiza(go do movimento das mulheres
camponesas no interior do Movimento Sindical dos
Trabalhadores Rurais, na regiao do Sertao Cen-
tral, no Estado de Pernambuco, Brasil.

Achamos important registrar a hist6ria de como
foi sendo construido nosso movimento. O relato
nao 6 analitico, nem pretend esgotar todo o
context dos acontecimentos. Tenta sistematizar a
experi6ncia da nossa luta e organizacao,
descobertas e dificuldades e os caminhos para a
mudanga da nossa condicgo de mulheres na
sociedade.

Destina-se aquelas que fizeram e viveram esta
hist6ria e aquelas que virAo depois.

Pensamos que ao registra-la, estamos colaborando
corn outras mulheres e homes, que como nos
querem e lutam por uma sociedade, onde todos
sejamos sujeitos com direitos e valores iguais.

E uma hist6ria contada com muitas vozes e algumas
maos...








Origem



A Ausencia da Mulher no Movimento Sindical

Em dezembro de 1982, no Distrito de Caigarinha da
Penha, no Municipio de Serra Talhada, ocorreram as
primeiras reunites cor oito, dez mulheres. As primeiras
foram na igreja, depois na Delegacia Sindical, onde Raimundo
Aquino, que era Delegado de Base do Sindicato, apoiou e
colaborou com esta iniciativa.
As comunidades presents nas primeiras reunites
foram Conceigco de Cima, Caigarinha da Penha, Sao Jose
de Cima e Cacimbinha. Neste inicio, as reunites tinham a
participacgo de homes e mulheres, mas, como na presenga
dos homes, as mulheres noo falavam, as reunites passaram
v a se realizar com a participag-o s6 de mulheres.
A id6ia e a proposta de reunir as mulheres surge da
observacgo sobre a ausencia da mulher na vida sindical,
sentida pela assessora do P6lo Sindical da Regiao... Vanete
Almeida. As mulheres nao estavam nas reunites de base,
nas assembleias dos Sindicatos, nos encontros ou
movimentaoges do P61o. Mesmo quando a reuniao era na
casa dela, ela s6 chegava at6 o corredor onde ficava em pe.
Esta observacgo e este sentiment de identificagco feminine
da assessora do P61o sobre a aus6ncia da mulher
trabalhadora rural na organizacgo e na luta sindical foi
compartilhado cor Hauridete Lima dos Santos, militant do
Movimento Popular e, juntas, decidiram ir ate as mulheres,
reuni-las, ouvi-las para comegar um trabalho.
Neste comego, o program de radio do P6lo Sindical
"A VOZ DO TRABALHADOR RURAL" foi important,
porque ao mesmo tempo que servia para divulgar as reunites
ocorridas e convidar as mulheres para as pr6ximas, anunciava
a toda Regiao que as mulheres estavam se mobilizanao e se
organizando.
Assim nascia o Movimento...
Ricipdo MoVMo ee om l pra9
r ilha d Caiganni an upueq v ass' eres; e ai
iaodeu tempo eu.c.onviarmiuiasa ta ~-eres.
esse tempo a genre nao esrtav aemap xma lneMsa o que ia
azer, o que ia conversar.. Tava,um 'empo? e.multa necess`.da 'de seca."
,S6o que soubemos dizer para a compahfieira Netinha'fo pir trabalho.
r SA gente pedia emergecia a ela, um trabalho para sobreviver.u convidei,
elas se reuniram nervosa, imaginando o que era". '
r,61- -
















Entradado
Distrito de
Caigarinha da
Penha
















Rua principal do
Distrito


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"A VOZDOTRABAL ADORRURA L
Dia 13 de Marpo de 1983

"Lembramos as companheiras agricultoras de
Caicannha eComunidades vizinhas, que a pr6xima reuniao
de mulheres agricultoras, sera no dia 09 de abril.
Aquelas companheiras que' nao participaram da
reuniao ontem, procurem as que participaram para se
informal sobre o queconversamos.
Em Sao Jose deCima, podemprocurarD.Januaria
e D Maria Rosa, a de Cacimbinha, Alice de Peha e as de
Cai9arinha, D. Maria ou D. Leonor.
Queremos realizar reunites de mulheresem outras
comunidades. Sevoc que e mulher que trabalha na roga,
.- .. .. -' .- ,- I S .-
quiserque em sua comunidadeea realizada ua dessas


"Atengao, muita atengo, mulaheres trabalhadoras
rurais de Caigarinha da Penha, a Equipe do Sindicato dos
Trabalhadores Rurais de Serra Talhada, lembra a todas
Svoces que, aranh, as 9:0 horas avera reuniao".
reu"Atengo D. Januaria, D. Maria Rosa de S aa Jose
Cima, D. Leonore Maa e Mara Caimarinoa; D. 'auzhriete,'
Ana Maria de Lira,-de Conceiiao de Cima; AlicePenha, 'e
SJosefa e Luzia,de Cacimbinha, contamos corn a presenga
de vocs e das companheiras que voces convidarem."a
8 ,....^^ "Aten-: 0 D.; Januia d. Mari Rosade S o Jo' de .'-;







SECA
Mulher excluida do Piano de Emergencia

1983 era o 40 ano de seca no Nordeste. Em Pernambuco,
o Piano de Emerg6ncia excluia as mulheres. Os dirigentes
do P6lo Sindical da Regiao do Sertao Central formula um
document reivindicat6rio e encaminham a luta pela
exig&ncia do alistamento das mulheres no trabalho das
Frentes de Emerg6ncia. Neste mesmo ano, 6 conquistada
pelo Movimento Sindical esta reivindicacgo.
As mulheres passaram a trabalhar em Frentes de
Emerg6ncia separadamente dos homes, frentes que
chegavam a aglutinar ate 300, 400, 500 mulheres. Este fato
facilitava o acesso para articular um trabalho, conversar e
descobrir liderangas.
No quadro de uma seca que matou mais de 700 mil
trabalhadores rurais do Nordeste, entire velhos, jovens e
criangas, que traziam consigo as tensoes dos saques e as
dores das migracges forgadas, num quadro em que a vida
demonstrava as ricas contradig6es da luta pela sobreviv6ncia,
pelo direito de se organizer, pelo direito de trabalhar, brotam
fortes impulses de organizagio, no meio da alegria das
mulheres enfim, alistadas e trabalhando como os homes.


"...Voc6s conseguiram conquistar a gente na seca, nas
Frentes de Emerg6ncia, sofrendo muito.
A gente era muito explorada."







1 Encontro das Mulheres Trabalhadoras Rurais
do Sertao Central de Pernambuco



No desejo e na perspective de ampliar o trabalho com
mulheres, a assessoria apresentou em reuniao do P61o
Sindical, a proposta de realizacgo de um 10 Encontro
especifico de mulheres trabalhadoras rurais. A proposta foi
aceita. Da preparacgo do encontro participaram, alem da
assessoria, duas trabalhadoras rurais: Maria Ana, de
Mirandiba e D. Socorro, de Serra Talhada. Chegaram para
o encontro convocadas atrav6s dos Sindicatos, trinta e tres
trabalhadoras de sete municipios. A proposta central do
encontro era fazer o levantamento e analisar os problems
vividos por elas como mulheres e como trabalhadoras e seu
principal encaminhamento foi o planejamento do trabalho
em cada municipio.
O lema do 10 Encontro era: "Somos mulheres e
trabalhadoras, temos valor."
Este encontro foi o primeiro, foi important, bonito e
cheio de emoo9es.
"Eu recebium convite de Netinha, convidando as
mulheres de Mirandiba, ai o Presidente do Sindicato dos
Trabalhadores Rurais me convidou e eu fui. N6s participamos
do palnejamento do 10 Encontro de Mulheres do P61o.
Fizemos o 10 Encontro, tinha, parece dezenove mulhres e a
gente comegou dizendo o que fazia em casa ou na roca, ai
depois falava da exploragco sofrida do marido, em casa, o
que a gente plantava, foi assim que comecamos."
"0 Movimento mesmo surgiu de um encontro que teve em
Serra Talhada, o 10 Encontro de Mulhres. Ai comecou no
Municipio tamb6m. A gente assim mesmo comegou, devagar,
sem saber algumas coisas e repassando as que sabia."
"Comecei a participarpor curiosidade de ver como era
aquela reuniao. Fiquei tao sem jeito que no 10 encontro
chorei. Fiquei participando, gostei muito pois valoriza a
mulher."




N








As Reunibes de Base


As mulheres comegavam a se movimentar, falaram do
10 Encontro, da noticia da organizacgo das mulheres,
comentava-se como uma boa novidade. Falava-se disso
nas cacimbas, nos caminhos das rogas, nos caminh6es de
feira. Surgiam as primeiras reunites de base, onde as
trabalhadoras comegaram a contar o que tinham descoberto
no 10 Encontro do P6lo, sobre o seu valor de mulher.
"As companheiras me convidaram e eu fui para o
Movimento, fui por esforgo das companheiras. Eu fui porque
sendo encontro de mulheres a gente podia at6 desenvolver
mais um pouco, clarear mais a vista como mulher, fui
porque nao tinha nenhuma orienta9go do nosso valor."
Em alguns Municipios se articularam os primeiros
encontros, em fevereiro foi o Municipio de Flores, em
marco, em Sao Jose do Belmonte. Corria o ano de 1985...
Auxiliadora (Auxiliadora Dias Cabral -funcionaria do
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sio Jose do
Belmonte) vinha aqui convidava a gentle para as reunites,
o que mais me chamou aten(go foi a liberdade, porque de
primeiro a gente nao tinha liberdade de sair pra canto
nenhum, s6 quando uma crianga adoecia que ia levar pra o
medico, ou quando ia batizar. Ai quando eu deixei de
produzir filhos vi que nao ia sair mais pra canto nenhum. Ai
fui, me engajei na luta das mulheres pra poder ter a
participagao a liberdade de andar e tambem se libertar. Eu
queria essa liberdade assim como n6s somos, a liberdade
que n6s vem com ela."


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Tese das Mulheres Trabalhadoras Rurais
do Sertao Central ao 4 Congresso Nacional
dos Trabalhadores Rurais




Para o 40 Congresso Nacional dos Trabalhadores
Rurais, promovido pela CONTAG, realizado no period de
25 a 30 de maio em Brasilia, a assessoria do P61o com a
colaboragco de Maria Daiza Amador, assessora em
Educacgo na FETAPE, formulou o texto de uma tese:
"PROPOSTA PARA AUMENTAR A PARTICIPAQAO DE
NOS MULHERES, TRABALHADORAS RURAIS, NO NOSSO
MOVIMENTO SINDICAL."Esta tese, recolhia as analises e
propostas do 10 Encontro das Mulheres Trabalhadoras
Rurais do Sertao Central. Propunha:
Incentivar encontros especificos de mulheres trabalhadoras
rurais;
Promover treinamentos de liderangas femininas;
Levantar e encaminhar as reinvidicag6es especificas das
mulheres;
Incentivar as mulheres a serem delegadas de base e
assumirem cargos de diregco.
V/ Foi defendida diante da diregco da FETAPE pelos
diretores todos homes dos Sindicatos de Trabalhadores
Rurais do Sertao Central, como uma contribuigco de
Pernambuco.
Mesmo tendo sido encerradas as discusses do
Congress no Estado, conforme a comunicaqo da direg&o
da FETAPE, o peso politico da representag&o do P61o
Sindical e a forga do conteudo da Tese se impuseram e o
P61o mobilizou-se para seu encaminhamento direto ao 40
Congress, imprimindo milhares de c6pias da Tese e
distribuindo-as entire os congressistas.
A Tese foi defendida por D. Lia, na Comissio de
Sindicalismo, a mais polemica e maior comissao do
Congress.
D. Lia Maria Lima Ferreira de Souza era a tnica
mulher Presidente de Sindicato de Trabalhadores Rurais no
Estado de Pernambuco (Sindicato dos Trabalhadores Rurais
de Itapetim, Sertao do Paje6).
Foi aprovada por absolute unanimidade e constou nos
anais do 40 Congresso, como unica proposta existente de
incentivar e encaminhar a participagio das mulheres
trabalhadoras rurais, no Movimento Sindical Rural Brasileiro.














































"Foi realmente um moment emocionante, porque so
Pernambuco levou uma Tese daquela natureza pra ser
defendida em um congress de Trabalhadores Rurais em
Brasilia. Fui escolhida para defender a tese, tivemos a
alegria de transmitir aos trabalhadores e mostrar com
garra a necessidade de participagdo da mulher no
Movimento Sindical. Fiquei muito feliz cor essa defesa
porque passou por unanimidade.
Na Comissao de Sindicalismo a unica mulher que
defended a luta, a participacao fui eu."









A Primeira Viagem para Longe

30 Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe
01 a 04 de agosto de 1985 Bertioga-S&o Paulo-Brasil
Por um convite de Celinad doy na 6poca
assessora para assuntos de Mulher OXFAM-Recife, a
assessoria do P6lo decide participar e convida tres
trabalhadoras liderangas do Movimento das Mulheres
Trabalhadoras Rurais dos municipios de Flores e Mirandiba.
Era a primeira vez que participavamos de um Encontro
Feminista, com mulheres do campo e da cidade, de outros
paises, de outras classes, para discutir nossa situaqao de
mulher.
Os depoimentos das mulheres da Nicaragua, das
peruanas e das mineiras da Bolivia, marcaram e deram
outro referencial as trabalhadoras.
Foi um moment de aprendizado e troca de experiencias,
de luta e organizagao.
"Pela primeira vez eu saia do municipio para ir a
Bertioga. Quando eu cheguei 16 eu achei que a gente estava
perdTida porque tinha muita gente de paises estrangeiros.
Achei que a gente nao ia entender a ligua delas e elas n&o
iam entender a ligua da gente. Achava tambem que nio ia
ter espago para as mulheres trabalhadoras rurais. Mas no
segundo dia do encontro a gente ja se encontrou muito bem,
discutimos, fomos entrevistadas. Achei muito important.
Fomos representando as mulheres trabalhadoras e
gostamos muito."


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2 Encontro das Mulheres Trabalhadoras Rurais
do Sertao Central


Este encontro foi um marco significativo na evolug5o
do Movimento das Mulheres. Participaram oito municipios
do Sertao Central Sao Jos6 do Belmonte, Flores, Mirandiba,
Triunfo, Serra Talhada, Salgueiro, Betania e Serrita e
havia representacgo de mais tr6s P6los Pajeu, Araripe e
Sub-Medio Sao Francisco.
A estrategia do convite para a participag5o destes
outros p6los determinou posteriormente a expansao do
trabalho com as mulheres na regiAo sertaneja do Estado.
0 movimento das Mulheres do Sertao Central espalhava
assim a sua forga pelas outras regimes do Sertao, dando
continuidade e expans5o ao desejo das mulheres de crescer
na sua organizacgo e na sua liberdade.







Formaaio da Equipe de Coordenaaio
do Movimento

Continuaram as reunites de base e a organizacgo dos
grupos nas comunidades. Surgiram as dificuldades.
As liderangas que despontavam no trabalho do
movimento passaram a se reunir periodicamente. Estas
reunites se constituiam em moments de capacitag&o,
troca de experiencias, levantamento e busca de supera(go
das dificuldades vividas no trabalho nas comunidades,
avaliag6es e planejamentos. Nestes encontros uma das
preocupag6es basicas era manter o animo destas liderangas
para que enfrentassem as duras dificuldades que Ihes
apareciam e assim manter alimentada sua convicgao de que
era possivel a organizagao da mulher.
Foi este o process que gerou, a partir de 1986, a
existdncia da Equipe de Coordenaqao do Movimento.


Participagdo no 1 Encontro das Mulheres
STrabalhadoras daParaibaj


O conhecimento ocorrido entire a delega.ao do Sertao
Central e do Brejo Paraibano no Encontro de Bertioga
resultou num convite para a participagao do Sertao Central,
no 10 Encontro das Mulheres Trabalhadoras da Paraiba,
Sque culminou com a passeata em comemoragao ao Dia
International da Mulher.
Participaram quatro liderangas do Movimento das
Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertao Central, dos
municipios de Flores, Sao Jose do Belmonte e Mirandiba.






Sa Comemoraq~o do 8 de Marco
no Sertio Central 1986
















Motivadas pelo convite para a comemoracgo do 8 de margo
na Paraiba, as mulheres do Municipio de S5o Jose do
Belmonte festejaram o Dia Internacional da Mulher atraves
da realizagao de uma Assembleia do Sindicato no dia 10 de
margo de 1986, corn 80 mulheres.


3 Encontro do Movimento das Mulheres
Trabalhadoras Rurais do Sertio Central
'E l e6-dezenmbro 'de9-'- em Serra Tilhada

Este terceiro encontro foi revelador das marcas do
avango do Movimento, no tocante a sua expansao.
A expansao internal se expressava na estruturagio do
Movimento nas comunidades, quando as reuni6es de base
que aconteciamja eram assumidas pelas pr6prias liderangas
locals. Neste quadro de expansao internal o Movimento
abrangia os Municipios de Serra Talhada, Triunfo. Mirandiba,
Sao Jos6 do Belmonte, Flores, Bet&nia e Serrita. Nos demais
municipios do P6lo Sindical do Sertao Central Cust6dia,
Salgueiro, Cedro, Terra Nova, Verdejante e Calumbi as
tentativas de expansao do Movimento nao chegaram a
produzir trabalhos locais mais permanentes.
A expansao externa se expressava no calendario de
Encontros de Mulheres Trabalhadoras Rurais nos P6los
Sindicais do Araripe (16/17 de novembro de 1985), Petrolina
(21 de maio de 1986), Sub-M6dio Sao Francisco (16 e 17 de
novembro de 1986), Zona Canavieira (22 e 23 de margo de






1986) e Agreste (19 e 20 dejulho de 1986). A participa5o do
Sertao Central nestes Encontros de Mulheres nos outros
P6los se dava atrav6s da proposta metodol6gica, do mate-
rial didatico e coordenagco destes Encontros.
Um acontecimento de singular significado 6 observado
neste 30 Encontro:
Ap6s os fortes impacts das experi6ncias dos primeiros
encontros expressadas nas emoq6es das Iagrimas incontidas
das mulheres, neste terceiro, tranquilizadas pela aus6ncia
do medo de sair de casa e de falar, do medo de lutar pela sua
organizacgo e sua liberdade, tranquilizadas ainda pela
seguranga de uma esperanga cada vez mais firme, as
mulheres nao mais choravam.




























f RTAl C0 1iTR- L PE


CENTER SOCIAL DA FETAPE Rua Pe. Ferraz.232- SerraTahada-PE 6e7 DE DEZEMBRO Ot 198b







4 Encontro do Movimento de Mulheres
Trabalhadoras Rurais do SertTo Central






4ENCONTRO DE
MULIERKES
TRABflUHDOIOK RLUR45
5~ERTIO-PE
EM PREPARACAO AO 1 ENCONTRO DETADUAL








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-INDICATO D0I TRABALHADOREL' RURAI, FETAPE
COEblf O E.TADUAL COME6i TORRE' -i'ERRA IkAMADA -14 : 5 De MOVE ABRO DE 1967

Este foi o 40 Encontro das Mulheres Trabalhadoras Rurais
do Sertao Central e foi tambem o encontro de todos os P6los do
Sertao, corn o objetivo de preparar as propostas e escolher a
delegagco da regiao para o 10 Encontro Estadual das Mulheres
Trabalhadoras Rurais de Pernambuco.
Neste encontro fizemos uma recuperagco coletiva dos
moments da hist6ria do Movimento das mulheres
Trabalhadoras Rurais de Pernambuco, refazendo pass a
pass o percurso hist6rico de sua construqao ate aquele grande
moment prepara9go do 10 Encontro Estadual.







(10 Encontro Estadual) das Mulheres
Tt-abalhadoras Rurais de Pernambuco


O Sertio Central participou da Equipe Organizadora do
Encontro, formada corn representagio de trabalhadoras e
assessoras das tres regi6es do Estado ZonaCanavieira,
Agreste e Sertio.
Esta equipe foi responsavel pela pauta e por todo o
material, assim como pelo questionario preparat6rio ao Encontro
Estadual. O questionario objetivava tero quadro da participagco
da mulher, nos diferentes ramos da produgco agricola do
estado nas tr6s regi6es.
O Sertio Central esteve nos Regionais preparat6rios da
Zona Canavieira e Agreste, levando sua proposta de trabalho
corn mulheres, seu material didatico e sua participagio na
coordenagco destes regionais.
Eram duzentas e vinte, as mulheres trabalhadoras rurais
presents ao 10 Encontro Estadual.
Foi um moment hist6rico, important na luta das
trabalhadoras. Pela primeira vez, as mulheres trabalhadoras
rurais de Pernambuco se encontraram e apresentaram a
problematica da organizagco e da participagio na produgco
das tr6s areas.
O desconhecimento da realidade das regi6es dificultou o
entendimento entire as participants, porem possibilitou maiores
conhecimentos dos tipos diferentes de explorag5o, que sofrem
os trabalhadores e as trabalhadoras em Pernambuco.
O 10 Encontro Estadual foi coordenado pela FETAPE -
Federaco dos Trabalhadores na-gAicultura do Estado de
Pernambuco a entidade coordenadora do Movimento Sindical
do Estado.
E leal para corn a hist6ria, registrar que esta coordenagao
da FETAPE, expressava uma conquista do esforgo das mulheres
trabalhadoras rurais que, ao long de cinco anos, organizando
seus movimentos por dentro dos P6los Sindicais, formando
liderangas, fortalecendo sua consciencia de mulher e
trabalhadora, conseguiram que a FETAPE assumisse a
cordenag o do Encontro Estadual, reconhecendo assim a
exTistncia e a forga organizada das trabalhadoras rurais de
Pernambuco.
E tambem leal para com a hist6ria dizer que este encontro
significou, por sua vez, o reconhecimento e a legitimidade do
trabalho pioneiro do Movimento das Mulheres Trabalhadoras
Rurais do Sertao Central de Pernambuco.







"Participei da preparacgo do Estadual e do 1O Encontro
Estadual em Olinda. Eu achei um bocado de coisa impoitante,
achei outras negatives, achei important a gente ser filmada.
Foitudoimportante. Sairpara um lugargrande, muitas mulheres
juntas, as canavieiras que n6s nunca tinha estado juntas.
Achei negative a mulher de Arraes dizer que a gente tava
batendo palma alto, que aquilo estragava a "borboleta" do
ouvido, num sei o que... Achei negative o final que houve ate
umas falsidades. N6s at6 choramos. 0 Encontro foi terminado
cor tristeza."

"A gente lembra 6 que foiimportante, valeu a pena porque
nao estava /I s6 o Sertgo, mas todo o Estado de Pernambuco
e /j s6 a gente viu as diferengas de regi6es para regimes e
parece at6 que no nosso v6, as mulheres do Sertao pensam de
uma forma, as mulheres do Agreste pensam de outra forma, as
da Zona da Mata de outra forma, sao todas trabalhadoras
rurais, mas a gente sentiu um pouco de diferenga entire o
trabalho, entire as discusses das "participagco", parece at6
que a gente viu que a zona da mata e o agreste, o trabalho /j
nao 6 um trabalho assim muito preparado, elas ainda estao
precisando de mais trabalho, de mais preparagao para uma
maiorparticipagao no Movimento Sindical e na luta que a gente
quer e precise enfrentar."

"Nao fui ao Encontro Estadual, mas foi feito o repasse. As
companheiras que participaram repassaram pra gente. Eu nao
lembro muita coisa, mas lembro que elas falaram que houve /I
uma divisao. Uma das companheiras achando que 1/ onde
estavam era melhor que no Sertao Teve at6 parece um
quebra-pau, mas detalhadamente eu nao sei explicar nada. Eu
acho que foi muito important pro Movimento porque pela
primeira vez as trabalhadoras rurais se reuniram a nivel de
Estado."

"Participei do encontro de preparagco ao Estadual. E no
1 Estadual o que eu achei important foi a discussao do Sertao
corn as canavierras. eu achei important porque aquela bAign
serviu para a gente entender mais. Pra mim foi important o
Encontro Estadual porque fez entenderque o nosso Movimento
era um movimento s6rio."







5 Encontro do Movimento das Mulheres
Trabalhadoras Rurais


Q UR i mt R
DE tuL MU R r

5ERTAO CENITRA.-PE

K U DC__O "0 TKAgUADORE1 RURAlS


O tema do Encontro foi a
importincia da sindicaliza9ao,
analisada atraves de dados de um
levantamento feito sobre a situaqao da
sindicalizacgo da trabalhadora rural no
Sertao Central e sua localizacgo nas
inst&ncias de diregdo dos Sindicatos. O
tema foi estimulado pela analise e
discussao do Album seriado "NOS
MULHERES, NA HISTORIC DO
SINDICALISMO."
Este foi o encontro em que pela
primeira vez a assessoria n5o
coordenou, ocupando um lugar de
apolo.
As-liderangas trabalhadoras rurais da
Equipe de Coordenacgo do Movimento,
revezando-se nos diversos moments
do encontro, assumiram a
coordenagao. Isto era o resultado de
um process de participacgo, de
aprendizagem e de capacitaqCo. Do
exercicio em dirigir seu proprio
movimento, exercicios que iam desde
aprender a coordenar sozinha uma
reuniao de base, fazer uma pauta e um
relat6rio, utilizar o material didatico,
coordenar uma oficina de corpo, estudar
a hist6ria das mulheres, saber participar
do Sindicato, saber escolher uma
representacgo do Movimento para
viagens, encontros e events ate saber
discutir e tomar decis6es.
Foi todo este process de acumulo
de saberes que gerou, nao so a
capacidade de coordenar um encontro
do Movimento, mas tarfibem novas
qualidades na capacidade de
interferdncia, participacgo e autonomia.







\4 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais
do Nordeste


Este encontro representou o auge da Articulacgo
SNordeste. Os Estados da regiao estavam presents, cor a
unica excecoeSer. e. A prepara5o do encontro utilizou
um questionario que resultou num levantamento dos grupos
de trabalhadoras existentes na area rural desta regi&o. Nele
foi debatida pela primeira vez uma analise da conjuntura
political do pais.
O Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais do
Sertao Central de Pernambuco, fez parte da Articulagao I
Nordeste desde o seu inicio, participando na preparacgo e C
realizac5o de todos os seus encontros.
A proposta desta articulagao surgiu no Encontro de Barueri -
SP e foi uma iniciativa conjunta dos dois movimentos: o das
Trabalhadoras Rurais do Sertoo Central e o das Mulheres do L '
Brejo Paraibano. A sua ideia nascia da necessidade de
conhecer outros movimentos de trabalhadoras rurais, eramos
uma mesma regiao do pais, com fortes semelhancas na
realidade vivida.
Enfrentando os desafios das imensas dificuldades
financeiras e das distancias geograficas, construiamos esta
articulagao, sabiamente unidas nas nossas diferengas e nos
nossos objetivos comuns.







Eninand e Aprendendo
Ensinando e Aprendendo. 18


Por iniciativa da OXFAM-Recife, Pernambuco,
representantes de tr&s Estados do Nordeste, Paraiba,
Pernambuco e Cear6, que trabalham como assessoras de
grupos de mulheres trabalhadoras rurais, realizaram visits
a organiza9ges de mulheres na cidade de Sao Paulo.
O objetivo era conhecera metodologia daqueles grupos
e repassar a nossa. Foram visitadas: Rede Mulher, ANZOL
Associagco de Mulheres da Zona Leste -, Associagco
Comunitaria de Sao Bernardo do Campo, Casa da Mulher
Nora Astorga e SOF Servigo de Orientagao a Familia -.

fACRE 01 a 10 de junho

Por iniciativa da Rede Acreana de Homens e Mulheres.
O Movimento foi convidado para uma visit aquele Estado,
no objetivo de colaborar com o inicio de uma trabalho de
mulheres. Discutimos nossa experiencia e metodologia,
com a assessoria responsavel pela organizagco do_10
Encontro da Mulher Trabalhadora Rural do Acre,
participamos da elaboragco da pauta, da coordenaqgo do
encontro e da definicgo da programacgo para o Estado.
Participaram sessenta mulheres dos seguintes municipios:
Placido de Castro, Xapuri, Brasil6ia, Rio Branco, Cruzeiro
do Sul e Sena Madureira.
Pela primeira vez repassavamos nossa experiencia de
trabalho e metodologia para trabalhadoras de outra regiao
do pais. Duas trabalhadoras e uma assessora foram
representando o Movimento. Tambem realizamos um
intercambio de conhecimento de trabalho cor as seguintes
Entidades:
Centro do Trabalhador da Amazonia
Movimento de Oposiqgo Sindical (Forga Sindical
Ferramenta)
Setor de Comunica9go da Diocese
Federarco dos Trabalhadores na Agricultura do Acre
FETAG-Acre
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Branco
Comissao Pastoral da Terra CPT
Conselho Nacional dos Seringueiros
Repassar nossa experiencia significava ensinar e
aprender.

Quando a gente foipara o Acre, a gente foi fazer uma
troca de experi6ncia e Ia a vida 6 bem mais dificil que aqui."







"Para mim foi uma viagem de muita import&ncia, onde vivi
grandes experiencias para o nosso trabalho.
Quando chegamos /l eu pensei: n6s vamos ser um fracasso
aqui, essas mulheres devem ter um bom trabalho em vista
de n6s do Sertgo.
Com o desenvolvimento do encontro percebi as dificuldades
das mulheres do Acre, que 6 semelhante as nossas do
Sertgo: marido que no deixa a mulher sair de casa, ndo
tem terra, sJo expulsas dos seringais, trabalham doente, e
pouca participagdo nos Sindicatos.
Esta viagem me ajudou a ver melhor as coisas, me deu
experi6ncia para lutar no dia a dia.
Para mim, como pessoa foi uma realizagdo de um sonho,
desde menina que sonhava conhecer o material que fazia
borracha."







08 de Margo de 1990:
('omemorai o do 1)ia Internacional da Mulher

















Em Serra Talhada, duas mil mulheres de seis Sindicatos
festejaram em praga piblica o dia Internacional da Mulher.
Este 08 de margo significava o acumulo de comemorag6es
anuais do Movimento das Mulheres no P61o Sindical.
Na hist6ria destas comemoracbes ressaltamos duas
que ocorreram a nivel de comunidade: Em Tamboril,
comunidade do Municipio de Sio Jos6 do Belmonte e
Trempes, comunidade do Municipio de Serrita.
Comemoraro 08 de margo, Dia Internacional da Mulher,
significa para as mulheres, que temos um dia s6 para n6s,
um dia nao s6 para homenagear a luta, mas tamb6m, para
estar juntas e festejar, porque o dia 6 das mulheres. Estes
08 de margo sempre despertam mais companheiras para o
Movimento.
Eu mesmo ji fui em Belmonte, no dia 08 de margo,
participeisozinha corn a maiorcoragem, o segundo participei
levando sessenta e quatro mulheres e o terceiro participei
levando aproximadamente setenta, uma maravilha.
Tinha delas que chorava de alegria porque era a
primeira vez que saia de casa para participar de uma coisa
bonita daquelas e ficaram empolgadas, nenhuma dessas
que assistiu quer perder mais, disseram que para o ano,
onde houver vao assistir, se Deus quiser."







Viagem para Outro Pais
5 Encontro Feminista Latino-Americano
e do Caribe


A Equipe de Coordenacgo do Movimento escolhe uma
trabalhadora para representar as mulheres do Sertao Cen-
tral de Pernambuco. Do Brasil foi tambem uma trabalhadora
do Acre, uma do Par6 e uma da Paraiba, duas assessoras
do Sertao Central e uma do PiauF /
Por iniciativa do Sertao Central, no Encontro Feminista,
foi realizada a oficina "NOSSAS VIDAS, NOSSAS r
ORGANIZAQOES" para troca de experi6ncia, fazendo
constar nas resolug6es do 50 Encontro as propostas desta
oficina.
Foi um encontro com a participacgo aproximadamente
de tr6s mil mulheres. Um pequeno numero de camponesas
latino-americanas participou, contudo, conseguimos reunir
as camponesas e assessoras dos seguintes paises: Argen-
tina, Bolivia, Brasil, Chile, Mexico, Nicaragua, Honduras,
Peru e Uruguai.
Uma das propostas desta oficina foi iniciar uma
articulacgo latino-americana de trabalhadoras rurais. Para
a coordenago foi indicado o Brasil e no Brasil, o Movimento -
das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertao Central.
Este encontro, alem da riqueza de conhecimento da
realidade da mulher trabalhadora rural destes paises,
possibilitou a tentative da articulacgo latino-americana.
"Eu gostei do Encontro da Argentina, j6 era o segundo
encontro feminist que eu participava. S6 que quando eu
cheguei eu me senti quase ninguem, por eu ser uma
trabalhadora do campo, chegar numa cidade como 6 Argen-
tina, nao conhecia a lingua, nio participei muito bem das
reunites, porque nao tinha uma pessoa que tran'smitisse...
Senti muitas dificuldades, o hotel era long de onde era a
reuniao, um dia era em um hotel, um dia era em outro, e a
gente tinha que andar muito a pe, cor os materials que
tinha para distribuir... Mas eu gostei demais porque a gente
andando, participando, e que a gente aprende..."







6 Encontro do Movimento das Mulheres
Trabalhadoras Rurais do Sertao Central


Mais uma vez o Nordeste vivia a dificil situacgo da
seca com os efeitos da fome e da sede e o descaso do
governor frente a esta situago.
Neste encontro, pela primeira vez na hist6ria da
organizag5o e das lutas das trabalhadoras rurais do Sertao
Central, as mulheres analisaram e debateram sobre as
causes e consequencias da seca na sua saide e na sua
vida.
Um outro pass dado pelas mulheres foi entender a
seca como uma quest&o do clima da regiao. Mas deram um
pass mais alem: discutiram a seca como exploragAo dos
poderosos sobre os trabalhadores e trabalhadoras rurais,
buscando entender, que a seca nao e algo mandado por
Deus e que por isso, os trabalhadores e trabalhadoras
tenham que aceitar conformados; buscando tambem
entender, que interessa a certos governantes ter um povo
analfabeto e faminto, carente de tudo, sem compreender,
sem forga, sem animo, sem reac6es, que elegem estes
mesmos governantes para a permandncia no poder.
Pela primeira vez as mulheres analisavam como viviam
esta realidade, procurando uma nova compreenso, da
seca, mesmo sentindo grandes dificuldades de apresentarem
proposta quando discutiam as formas organizadas de
conviv6ncia e enfrentamento com a realidade da seca.







Troca de Experiencias entire as Equipes de Base

O trabalho nas comunidades e a troca de experiencias
entire as equipes de base, do municipio e do p61o, t6m sido
a pratica cotidiana, vital e determinante para a exist6ncia do
Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertio
Central.
A troca de experi6ncias entire as equipes de base
alimenta o trabalho, desenvolve a consciencia do valor de
mulher e sua necessidade de organizagco. Nestas trocas o
repasse do que 6 aprendido nos encontros, nas viagens e
nas prdticas vivenciadas de luta e organizagco ganha um
novo significado e uma nova qualidade, onde, as informag9es
sao repassadas, os direitos das mulheres sao discutidos, e
assim o Movimento vai se construindo.
Em algumas comunidades as mulheres t&m realizado
experi6ncias de hortas comunitirias, rem6dios caseiros,
fabricagco de sabao e comidas alternatives. Estes trabalhos
sao moments onde mulheres se agrupam, e ai conversam,
chamam para reunites e falam do valor da mulher, mas, o
fundamental do Movimento e despertar e organizer as
mulheres, como mulheres e como trabalhadoras, para as
mudangas que todas queremos.
Durante anos e anos n6s, mulheres ficamos reduzidas
a cuidar da casa, nosso trabalho na roga limitado a uma
ajuda.
Vivemos agora uma nova hist6ria, onde estamos
construindo uma nova mentalidade, um novo destiny na
mesma media em que estamos desenvolvendo nossa
consciencia e organizacao no sitio. na comunidade, nos
municipios e no polo.









A Metodologia


0 Jeito Como Fizemos o Trabalho


Esta 6 a nossa metodologia, o jeito de viver e realizar
uma proposta de educacgo e organiza9go de mulheres
trabalhadoras rurais.

PROPOMOS:

1. Acreditar no valor e na capacidade de participacgo da
mulher.

2. Escutar a mulher falar sobre sua vida, seus problems,
seus costumes, seu jeito de viver e pensar.

3. Reconhecer a situacgo da mulher, como mulher e como
trabalhadora, compreendendo que a explorag5o que ela
vive no trabalho esta ligada a exploracao que vive como
mulher. Sem separar esta realidade de mulher, da realidade
de trabalhadora, 6 precise levar em conta estes tres pontos:
a) As relag6es de exploracao capitalist no campo;
b) A participacgo diferenciada da mulher rural nas
diversas areas de proaugao do campo (pequena produtora,
sem terra, assalariada, etc...);
c) A necessidade da sua participacgo na luta sindical,
partindo da posigco de inulher que se auto-valoriza como
pessoa e como classes trabalhadora e que se apossa dos
conhecimentos necessarios para a luta sindical.

4. Buscar as fontes de saber e conhecimento sobre a
realidade da mulher, dentro das seguintes refer6ncias:
Ter sempre como ponto de partida para o estudo, o
nivel de conhecimento e consci6ncia que as mulheres j6
trazem, respeitando suas experiencias de luta e de vida;
Refletir sobre a situaaio da mulher considerando:
A sua individualidade
A situagco coletiva das mulheres
A sociedade
Compreender a sua realidade atraves da hist6ria, nela
buscando o seu lugar, recuperando o passado hist6rico
coletivo das mulheres, para. que estas entendam o seu
present e definam as perspectives do future. Definir as
perspectives du future, para ir descobrindo as pistas de







transformag5o da condig9o de mulher;
SCompreender a sua realidade tamb6m atrav6s do
conhecimento do seu corpo, para que as mulheres recuperem
seus corpos, desconhecidos no seu funcionamento, nas
suas manifestag6es, prazeres e posse.
O corpo da mulher 6 um conhecimento necessario para a
luta pela sua liberdade. Este conhecimento precisa ser
tratado respeitando-se os conceitos, preconceitos e
religiosidade.
Propor a troca de experi6cias como outra fonte de
conhecimento. Trocar experi6ncias para passar a diante o
que aprendeu, para ensinar e aprender umas cor as outras
e alimentar uma pr6tica de socializagio e reprodugao das
transformag6es vividas pelas mulheres. Trocar experi6ncias
para divulgar novas id6ias. As mulheres, tanto quanto os
homes marginalizados, tem direito a id6ias novas.

COMO APLICAMOS A NOSSA METODOLOGIA
Alguns exemplos:

- Uma das apresentag6es das mulheres e feita atraves da
pergunta "QUEM SOU EU?"... Cada mulher apresenta
depoimento sobre o seu nome, idade, onde mora, os
trabalhos que faz, quantos filhos t6m, sua participa(go
sindical. Estas falas sao arrumadas atraves da pergunta
"QUEM SOMOS N OS?", quando entio aparece a visao
coletiva de todas, como resultado da apresentagco. Aqui
aplicamos a orientagco de escutar a mulher e fazer a
integragao do individual e do coletivo.

- Para reconhecer a situag;o da mulher como mulher e como
trabalhadora, no grande grupo sao levantados os problems
que vivem. Dai e selecionado um problema como mulher e
um como trabalhadora, os quais, sao aprofundados em
pequenos grupos, cor as perguntas: por que acontecem,
quais as consequ6ncias e o que fazer para superar? Na
volta do grande grupo procura-se a ligag5o de sua exploracao
como mulher a sua exploracgo como trabalhadora.

- Para buscar o conhecimento da realidade da mulher
atrav6s da hist6ria utilizamos o seguinte material educativo:
Albuns Seriados
HISTORIC DA DOMINAQAO DA MULHER
HISTORIC DE LUTA DAS MULHERES -
CONVERSANDO SOBRE A NOSSA HISTORIC
(Hist6ria do Brasil)
NOS MULHERES NA HISTORIC DO SINDICALISMO
BRASILEIRO
Antes da apresentagco e discussio dos albuns seriados,







procuramos descobrir o que sabem da hist6ria da mulher,
atraves da sua pr6pria hist6ria individual, utilizando a t6cnica
do cochicho ou de pequenos grupos estimulados por
perguntas.
Ao final da apresenta9go dos albuns, perguntamos sobre o
que aprederam de mais significativo naquela hist6ria.

Para buscar nossa realidade de mulher atrav6s do
conhecimento do corpo, fazemos assim:
Eu e minha rela9go com meu corpo (comigo mesma e
com os outros)
Uma "viagem" pelo nosso corpo conversando do que o
nosso corpo tem por dentro
Apresentacgo de cartazes e slides sobre o
funcionamento do corpo
Tecnicas de descontragao corporal
Linha da vida.

Cada um desses exemplos da nossa metodologia tem um
jeito de ser desenvolvido e aplicado. Estas orienta9ges,
vieram da nossa viv6ncia, da nossa pratica, das nossas
reflexes e descobertas, ao long de muitos anos.
Nossa proposta de organizacgo de mulheres leva em conta
a questao de classes, por isso ela acontece no interior do
Movimento Sindical, de forma aut6noma.
Consideramos que a autonomia da organiza0ao 6 necessaria
para podermos com a nossa forga de mulher e trabalhadora,
contribuir nas transformag6es internal do Movimento para
construir uma sociedade onde a mulher seja vista,
considerada e valorizada.


CRITERIOS das equipes de coordenacgo da base, do
Municipio, do P61o.
Tudo 6 discutido cor as trabalhadoras
Nao ter hierarquia internal
As liderangas nio possuem mandates fixos, seja por
process formal, eletivo ou indicative
O que determine sua perman6ncia ou said das equipes
de coordenag9o, 6 sua participagco e seu trabalho na base.
A constatacgo da exist6ncia de um trabalho na comunidade
se da no process das reunites peri6dicas e no process da
ajuda mutua, da troca de experi6ncia, das visits entire as
comunidades e os Municipios. Este jeito de trabalhar,
determine a perman6ncia ou said das mulheres das equipes
de coordenacao.







CAPACITAQAO DAS LIDERANQAS:


Capacitamos as liderangas nos moments das
reunites do P61o, as mulheres aprendem a fazer pauta,
reuniao, planejamento, avaliagco do trabalho, relat6rios,
registro da hist6ria das lutas, se preparam para participar de
reunites ou events fora do Estado e do Pais. Aprendem a
utilizar o material educativo do movimento. Trocam as
experi6ncias do seu trabalho. Exercitam coordenag9o de
grupos e reunites, tomam as decisbes, encaminham suas
propostas.
Consideramos fundamental a capacitagao das liderangas,
no sentido de alimentar as existentes e preparar as novas
para que o trabalho se enraize entire as mulheres, de forma
profunda e democratic.








As Dificuldades



"As dificuldades maior que ter para participar tanto do
Sindicato como no movimento de mulher sao assim:
"transportes", porque pra gente desenrolar essas mulheres,
esse povo todo, nao s6 as mulheres, e a dificuldade maior
que eu encontro e essa".

"As maiores dificuldades sao "as criticss, muita gente
que nao entende, acha que n6s estamos querendo ser mais
do que o home, mas n6s estamos querendo direitos
iguais. Isso acontece no Sindicato, no local de trabalho e
acontece nas comunidades e dentro de casa."

"Na comunidade tem critical quando a gente vai sair,
dizem: "oxen" menina, pra onde tu vai? Que tanta viagem 6
essa, chama de vadia, desocupada, perdeu o amor dos
filhos, do marido, de tudo, nao 6 mais aquela mulher
responsavel que era antes, e as companheiras, algumas
dizem: ah! aquela nao respeita mais o marido nao nessas
alturas, mas a gente explica a elas o que 4 que a gente
faz nesse movimento, de qualquer maneira, nao e o que
algu6m pensa, e sempre t6m as critics, mas o movimento
n&o deixa de crescer por causa disso."

"Uma dificuldade 6 a "financeira" 6s vezes atrapalha
um pouquinho, mas nao deixa de realizar as coisas, mas e
uma. Como mulher eu tinha "medo", hoje nao, mas no
comego eu tinha medo de falar, ficava nervosa na hora de
falar, as viagens eu achava dificeis, hoje eu nao acho."

"O movimento viveu muitas dificuldades. Primeiro 6 as
mulh6 cor "medo" de se organizer, 6 uma dificuldade muito
grande. E a falta de uniao, discriminagco dos outros, faz
cor que as mulhe se retire de uma reuniao com medo de
alguem que "discriminam mulhe". isso e uma grande dificuldade
pra o movimento de mulhe."

"Antes era o maior sufoco para mim assistir uma
reuniao porque o "marido nao deixava". Ainda hoje ele e
macho Mas eu fago tudo e vou. Fago o possivel e o
impossivel. Embora ele prometa at6 de me matar as vezes.
Tem ciume, diz que a gente se junta com as outras mulheres
e para arrumar macho, para botar ponta, diz que tem
sapatao no meio, inventa tudo."







"Muita gente As vezes nao acha que aquilo 6 certo e a
gente fica sem saber se 6 certo ou errado, mas, eu sempre
continuando como certa. A gente comera a mudar e comega
a surgir as critics. Mas, sempre sustentando a barra pra
nao cair."

"Nas dificuldades eu acho que primeiro vem a pouca
cmpreensao das mulheres, e a segunda, a nossa situa9go
financeira, pra se deslocar pras reunites, porque 6 obrigado
t& dependendo de um e de outro, pra mim isso 6 uma grande
dificuldade."

"A nossa dificuldade que eu acho 6 que o povo "nao
acredita na gente". S6 tem fe no santo de fora. Dizem que
santo de casa nao obra milagre."

"O que eu acho dificil na luta da gente como mule e a
correria da casa da gente. Porque a gente precisa de
trabalhar, e os meninos precisam de estudar, principalmente
eu que nao tenho gente para tomar conta da luta de casa.
Isso ai tudo e coisa dificil para a batalha da gente. E na hora
de meio dia tem que t6 em casa pra botar agua pros porcos,
pras galinhas e as vezes olhar uma galinha doente. Isso ai
tudo e luta pouca e cansativa. Vou para o mato buscar
lenha, porque eu nao tenho madeira pra fazer carvao.
Meu marido nao me ajuda. Amanhece o dia, amola a
rocadeira dele, se for rocar bota a rocadeirinha nas costas
e vai pra roca dele. Se for trabalhar de enxada, pega a
enxada bota nas costas e some no mundo. Ele quer o
almocinho 16 na roca. Agora quem fica em casa que se
rebole. Porque a gente tem que ir pra roga tambem, que nao
pode ficar em casa. Tem que fazer o "trabalho de casa e da
roga".'

"E tantas dificuldades que sofri como mulher dentro do
Movimento Sindical que fico ate sem saber como me
expressar pra dizer quais foram as maiores, primeiro sinto
que em alguns moments as pessoas nao acredita que as
mulheres tem condig6es de participago, porque nao
acredita na forga, na capacidade, no nosso entendimento,
essa foi a maior que eu encontrei, tem outras, mas a mais
important a mais fundamental da hist6ria da participagco
da mulher 6 esta."

"No comego minha dificuldade era "timidez", n6, que
nao me deixava... Sei la, na hora que precisava dava um
branch, e nao lembrava de nada, nio falava nada. E o
nervosismo nao deixava falar. E agora eu nao sinto mais
isso e digo tambem a minha filha que ela fale muito."





MMTR



SUMA

HISTORIC

DE

MULHERES

Uma Hist6riada
Organ iza5o do Movimento
das MulheresTrabalhadoras Rurais
do Sertoo Central de Pernambuco
no Interiordo Movimento Sindical


E 0RA FORTAL- A
Cr.UJMEN ACAO
EI ^ Q_


laEdiQao
1994
L-\








As Mudangas


"Perdi esse medo de conversar, tinha vergonha do
rico, e hoje eu nao tenho mais, hoje para mim, tudo que
eu falo 6 aproveitado e 6 direito, naquele tempo tudo
quanto eu falasse, eu falava errado, porque naquele
tempo eu pensava que quem vale 6 formado, 6 riqueza,
mas hoje eu j entendi que quem vale muito somos n6s,
trabalhador rural, principalmente n6s que tira a
alimentagao para todos da terra. Eu j ponhei na minha
cabega que n6s somos os maiores do pais."

"Eu aprendi tanta coisa important, eu aprendi at6
a viver, eu aprendi a fazerreuniao que eu tinha vergonha,
eu aprendi a andar que eu tinha medo, e aprendi a
conquistar as trabalhadoras, n6, nao sabia nem pra
gente, e agora a gente sabe conversar com as
trabalhadoras, com governador com deputado, at6 com
o president se for precise conversar a gente conversa,
sou uma trabalhadora rural e as outras companheiras
eu to vendo que tao do mesmo jeito, a gente nao tem
mais medo de conversar com ninguem, a gente aprendeu
sobre o corpo."

"Na roca o que mudou foi que a gente se organize
melhor, a gente tem um modo assim de uma organizagco
que s6 faz aquilo desorganizado se quiser. S6 se a
gente nao quiser se organizer, mas em conjunto mesmo
a gente se organize melhor.
0 que eu acho que mudou, 6 que eu me encontro
mais aproximada das mulheres, sou mais conhecida
nas regimes, nos municipios tambem, eu achei que
mudei muito."

"No trabalho da roca o que mudou 6 que quando a
gente vai trabalhar com as companheiras a gente
comenta muito do Movimento, no trabalho, a gente
canta, conta piada, faz brincadeiras, e tudo isso j6 vem
do Movimento. Quando a gente comega a falar de um
encontro a gente ndo para mais e fica divertido o
trabalho, parece que fica mais leve."

"Como mulher eu me sinto otima. Me sinto
encorajada, com mais forga. A vista do que eu era antes
de entrar no Movimento, agora eu me sinto outra mulher.








Uma mulher mais forte com mais coragem para enfrentar
a batalha."

"Na roga eu mudei, assim por exemplo, porque
aonde moro as mulheres ganhavam uma ninharia.
Quando eu comecei a assistir reunites, encontros, eu
vi que n6s mulheres tinha direitos igual ao home,
entao eu passed a compreender que eu tinha direito de
ganhar igual, porque se eu trabalho igual ao home,
entao eu tenho direito de receber o meu sal6rio igual.
Entao eu falei que s6 trabalhava pra ganhar igual ao
homem"

"Aprendi muita coisa. Aprendi a me valorizar, coisa
que eu nao sabia. Porque eu nesse tempo que eu
comecei a participar eu nao dava meu valor, pensava
que mul6 nao valia nada, do jeito que eu tivesse (I
vivia, mas nao 6 assim nao. E muito diferente, depend
da pessoa querer se valorizar."

"Nos primeiros encontros eu achava dificuldade,
tinha medo de falar, e hoje eu j6 fago reuniao e nao
tenho medo de nada."

"Na roga mudou porque eu entendo que se eu
ajudo na roca tudo bem, se eu nao ajudar na roga, em
casa eu t6 vendo que t6 ajudando em tudo."

"Aprendi tanta coisa, muito, muito mesmo. Eu
aprendi a me libertar, a nao ser discriminada e lutar
contra essa discriminag5o. Mudei muito, para melhor,
eu era escravizada e acomodada, tudo para mim eu
dava am6m! E agora nao, se eu sentir que t6 sendo
discriminada eu tenho que lutar e saber porque e nao
aceito a discriminagio."

"Na roga a gente trabalha demais e o patrao nao
valoriza. Meu comportamento mudou no local de
trabalho. Eu tinha viol6ncia dentro de mim, mas depois
da gente trabalhar todos juntos, a gente v6 como pode
se comportar e eu mudei meu comportamento. Eu agi
pra ganhar o valor do home e t6 continuando a isso
ai, eu nao vou ganhar mais pela metade, porque se eu
tenho o mesmo valor que ele, trabalho oito horas,
porque eu vou ganhar pela metade? Tem que ganhar
igual. Eu nao sou metade, eu sou inteira."

















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Movimento para N6s


"No meu entendimento o Movimento serve para
libertar gente, tirar da discriminacao, como eu sai da
escravidao e da discriminagao e pra gente aprender
muita coisa, clarear a vista, como a gente no 10
Encontro. A gente diz: pronto! Agora, eu sai com minha
vista clara, eu agora sou outra, eu tenho mais coragem
pra conversar com meu marido, cor algumas
companheiras, e dizer como e que eu t6 me sentindo
agora. Eu nao sou mais aquela de antes de assistir o 1
Encontro."
Maria Jose dos Santos Juca Canad-Triunfo-PE

"0 Movimento serve pra gente se desenvolver e
entender muitas coisas. Pra gente ter esperanca de com
esse trabalho melhorar a situacgo de saldrio e de muita
coisa.
Aprendi a me desenvolver mais, participarjunto, aprendi a
falar, aprendi a amar mais as companheiras, a me comunicar, a
saber que somos iguais e muitas, muitas coisas.
Me sinto feliz, porque antes disso eu era lesa, pra mim
eu estava assim passando pela vida e nao vivia, porque nao
andava, nao conhecia ningu6m, nao tinha amiga, minha
amiga era o cabo da enxada e hoje, eu tenho amigas e me
sinto muito feliz. Pra mim o mundo existia mas nada havia,
nao tinha future."
Inds Paulino Cacimbinha-Serra Talhada-PE

"Pra mim o Movimento de Mulher 6 muita coisa, 6
educaqao, 6 tudo, porque o Movimento de Muher, ensina
tudo pra gente, ensina a andar, ensina a comer, ensina a
viver, ensina a trabalhar, ensina a ter uniao, eu digo que 6
tudo pra mim.
A gente trabalhava pro patrao, era escravizada, a
gente aceitava de todo jeito que ele queria, aceitava isso
antes do Movimento de Mulher. N6s'mulheres nao quer
mais serescravizada nao, e nem cantada porpatrao. Patrao
canta a gente, a gente j6 sabe dizer a ele: voc6 tem a terra,
o corpo 6 meu."
Maria Ana da Silva-Serra Talhada-PE






"0 Movimento... E uma luta. E uma tarefa que a gente
t6 nela e tem que cumprir, tem que trabalhar, batalhar pra
chegar I6. 0 Movimento 6 uma luta que a gente tem."
Maria G16ria Vieira-Sitio Jerusal6m- Sao Jos6 do
Belmonte-PE

"Pra mim 6 assim: a gente fica previnido para preparar
nossa familiar e eu gostaria que as outras mulheres se
juntasse para n6s conseguirmais coisa dentro do movimento.
Eu aprendi que a mulher que participa de reuniSo tem
mais liberdade. Eu me sinto outra."
Maria Benedita da Silva-Fuxica-Serra Talhada-PE

"0 Movimento de mulher 6 uma coisa muito important
pra mim... E uma organizagao de mulheres atrds de um
direito que 6 negado, 6 uma organizagao, uma uniao, e a
gente tem esperanga que melhore daqui pra frente."
Maria Helena de Souza-Vila Delmiro-SAo Jose do
Belmonte-PE

"0 Movimento 6 como a gente faz mesmo, levar em
frente o valorda mulher e a gente vaise libertando cada vez
mais."
Maria Expedita de Lima-Sitio Riacho dos Barreiros-
Flores-PE

"0 Movimento 6 as mulheres organizadas procurando
seus direitos, as vezes tem direitos que elas nem ao menos
sabem que existe, elas nao procuram, o movimento 6 para
organizer pras mulheres aprenderem a procurar os direitos
delas."
Maria do Carmo Gomes Pereira (Carminha)-Sitio
Umburana D'agua-Mirandiba-PE

"Eu acho que o Movimento de Mulher significa uma
luta em defesa do nosso direito e do nosso valor."
Maria Pereira-Sitio Cavalhada-Flores-PE

"0 Movimento 6 muito important. Eu acho que foi
important a participacgo da minha filha, ela disse que tem
vontade de estudar bem muito e quer ser uma advogada do
Sindicato. Ela tem 11 anos."
Maria Gomes Neta (Liquinha)-Sitio Soares-Betdnia-PE

"0 Movimento de Mulher para mim eu acho que e
primeiro uma organizacao para mulheres, segundo uniao, 6
porque a gente se unindo, combinando tudo, di certo. E
acho tamb6m que esse Movimento de Mulher 6 um meio
assim para gente nao di muito pass errado, como a gente







j6 deu antes, para gente ir comegando a acertar as coisas."
Maria do Desterro (Maria de Laudelino)-Sitio Fonseca-
Mirandiba-PE

"Para mim o Movimento de Mulheres Trabalhadoras
Rurais significa a conquista de um espago melhor na
sociedade, porque na media em que as mulheres
trabalhadoras rurais comegam a descobrir o seu valor a sua
capacidade de ser gente, a sua condiggo de participar de
tudo aquilo que deve participar, aprofundar o seu
conhecimento eu acho que isso 6 um dos grandes passes,
dos grandes valores, que tem essa participaago, esse
entrosamento, toda essa luta, porque sem luta ningu6m vai
v6 a vit6ria, entao eu acho que vale a pena o trabalho e a
participagco porque cada encontro que a gente participa 6
um pedaco de riqueza que fica dentro da gente."
Maria Lima Ferreira de Souza (D.Lia)-Angico Torto-
Itapetim-PE

"Eu acredito que o Movimento serve para uma
necessidade da gente, pra um dia na precisao a gente ter o
apoio. Ndo sei se 6 dojeito que eu to pensando. Eu trabalho
nesse Movimento, 6 imaginando na precisao a pessoa ter o
apoio."
Maria Quiteria da Conceigco(Odete)-Sitio Jerusalem-Sio
Jose do Belmonte-PE

"0 Movimento hoje serve pra gente aprender a lutar,
pra gente ter mais uniao, construir alguma coisa que sirva
para o bem de n6s todos."
Maria Lenira de Souza-Sitio Jerusalem-Sao Jose do
Belmonte-PE

"0 Movimento de mulher pra mim... 6 ur moment em
que eu me sinto muito alegre. Porque eu acho que a gente
nesse Movimento vai crescer cada vez mais. 0 valor da
gente, os direitos que muitas vezes os outros 6 que tao
usando. A gente tern e nao ta usando, quem tM usando 6 os
outros. E a gente depois que se descobriu como mulher nao
vai deixar que usem a gente como objeto."
Francisca Alexandre da Silva-Sitio Mata Verde-Sio
Jos6 do Belmonte-PE








A Mulher Trabalhadora Rural


e o Movimento Sindical


As mulheres foram excluidas da hist6ria tal como tem
sido escrita at6 agora. Mas, estavamos la, participando de
tudo, mesmo enfrentando a nossa exclusao de diversos
espagos da sociedade.
No movimento sindical nao foi muito diferente.
No mundo do trabalho rural, as estatisticas nos
relegaram a uma mao-de-obra familiar onde nao 6ramos
contadas e nosso trabalho reduzido a uma ajuda.
O Movimento Sindical aprova isto aceitando e
colocando a trabalhadora rural como dependent do marido,
negando-lhe o direito de associaQco sindical independent
do home, negando-lhe assim o reconhecimento como
trabalhadora.
Quando iniciamos as discusses entire n6s. era evidence
a aus6ncia da mulher na vida dos sindicatos e nas direg6es
sindicais, consequentemente estavamos ausentes das
decisoes e encaminhamentos das lutas dos trabalhadores.
Acreditamos nos sindicatos como lugares importantes
e estrat6gicos da luta pelas transformag6es da sociedade.
Sabemos quejunto com os homes trabalhadores sofremos
a mesma exploracgo de classes. Mas sabemos tambem que
sao as mulheres, por sua condi9go feminine, as que sofrem
a opressao de sexo e esta opressao nao 6 compreendida,
nem assumida e nao 6 enfrentada no movimento sindical.
Por isto a nossa luta e o nosso Movimento de Mulheres
Trabalhadoras Rurais se desenvolveu por dentro do
Movimento Sindical.
Ate aqui nossa luta nao foi f6cil. Uma luta marcada
pela resist6ncia da dominagqo masculina, por profundos e
dolorosos preconceitos socials contra a mulher. Estas
resist6ncias e preconceitos, estas dificuldades nio estao
totalmente superadas, mas estao sendo enfrentadas por
n6s. Precisamos discutir e enfrentar este desafio.
Precisamos divulgar e ampliar a preocupagio de que somos
exploradas como trabalhadoras e, por sermos mulheres,
somos ainda mais exploradas. Esta situacao vem de muitos
seculos, 6 hist6rica e acontece em todas as parts do mundo.
Nossa luta e nosso Movimento por dentro do Movimento
Sindical e para romper com esta situagco de exploragco e
opressao, de desigualdade e injustiga e construir um novo







moment no Movimento Sindical, com nossa palavra e
nossa participa9go respeitadas.
Na produ9go lutamos pela valorizagdo do nosso
trabalho. No sindicato a luta 6 para introduzir nossas
reivindicag6es de mulheres trabalhadoras e no nosso
movimento 6 fazer o trabalho especifico que desperta nas
mulheres o gosto pela vida e a forga da luta pela liberdade.
Ou atuamos dentro dos sindicatos ou nossa situaqao
de mulher e trabalhadora no Movimento Sindical nao vai
mudar. Queremos participar da vida sindical, queremos,
inclusive chegar a direq6es, mas trazendo novas qualidades
a luta sindical.
A permanent luta pelas transformag6es da sociedade
passa pela reconstrucgo das relag6es entire os homes e as
mulheres, que comega em cada trabalhador e em cada
trabalhadora e que, para n6s, passa pelo cotidiano das
nossas organizaoges: os Sindicatos e o nosso Movimento
de Mulheres.








Toque Final


Era uma vez... nossa hist6ria nao terminal aqui, o que
esta contido neste livro 6 um resume hist6rico da saga destas
mulheres que, cansadas de s6culos de desvalorizagao,
maltrato, explorag5o e desrespeito, resolveram comegar a
mudar esta situarco.
As mulheres que viveram e vivem esta hist6ria de luta
em busca do verdadeiro valor a que t6m direito, continuar5o
passando para suas filhas e filhos a experi6ncia vivida e
sentida na pr6pria pele, com as dificuldades de todo process
pioneiro.
Como uma terra que para ser cultivada e precise
primeiro preparar, limpar e depois colocar as sementes,
assim foi corn o nosso Movimento. Os primeiros frutos ja
foram colhidos com o sabor que s6 contem os frutos cuidados
com suor, dificuldade e amor.
Esperamos que nossa hist6ria possa exprimir com
clareza e profundidade a quem dela tomar conhecimento,
toda a garra, a vontade, o valor, a crenga e a beleza que ela
traz, possa fazer perceber tambem que a hist6ria da
humanidade foi injustamente escrita no que diz respeito a n6s
mulheres, mas que 6 possivel, desde que se tenha vontade e
forga, mud6-la e reescrev6-la n6s mesmas.
As Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sert&o Central
de Pernambuco continuario fazendo e reescrevendo sua
hist6ria, cada vez mais seguras, menos medrosas, com
emo9co, enxergando mais e mais, certas do que precisam e
do que desejam para tornar suas vidas cada vez mais dignas
e respeitadas, direito de todo o ser human.
A luta das Mulheres Trabalhadoras Rurais continue no
Sertao Central, no Brasil e no mundo.





















Cronologia da Nossa Hist6ria


1982/1983 Reuni6es de Base
Comunidade Caigarinha da Penha
Serra Talhada-PE-Brasil


1984 Comunidade Caigarinha da Penha
Serra Talhada-PE-Brasil

Comunidade Cacimba Velha
Betania-PE-Brasil

Reuni6es nos Sindicatos de trabalhadores Rurais de:
S&o Jos6 do Belmonte, Serra talhada e Terra Nova-PE-Brasil

10 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Polo Sindical
Sertao Central-PE
Serra Talhada-PE-Brasil
15 e 16 de dezembro


1985 Tese: "Proposta para aumentar a participagco de n6s mulheres,
trabalhadoras rurais no nosso Movimento Sindical"

4 Congress Nacional dos Trabalhadores Rurais-CONTAG
Brasilia-DF-Brasil
25 a 30 de maio

10 Encontro Municipal de Flores-PE-Brasil
24 de fevereiro

10 Encontro Municipal de Sao Jose do Belmonte-PE-Brasil
16 e 17 de marco







Reuni6es de Base


Repasse do 1 Encontro nos municipios de: Flores, Sao Jos6 do
Belmonte, Serra Talhada, Triunfo, Salgueiro e Mirandiba-PE-
Brasil

10 Encontro do P61o do Sertao do Araripe Ouricuri-PE-Brasil
16 e 17 de novembro

III Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe
Bertioga-SP-Brasil
01 a 04 de agosto

1 Encontro Municipal de Itacuruba-PE-Brasil
01 de novembro

2 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais
do P61o Sindical do Sertao Central Serra Talhada-PE-Brasil
23 e 24 de novembro



1986 1 Encontro das Mulheres Trabalhadoras da Paraiba
Guarabira-PB-Brasil
07 e 08 de margo

1a Comemoraqco de 08 de Margo Dia Internacional da Mulher
Sao Jose do Belmonte-PE-Brasil
10 de margo

1 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Ruraisda Zona Canavieira
de Pernambuco Carpina-PE-Brasil
22 e 23 de marco

10 Reuniao de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Petrolina-PE-
Brasil
21 de maio

10 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Agreste
Garanhuns-PE-Brasil
19 e 20 de julho

10 Encontro de Parteiras Rurais
Sao Jos6 do Belmonte-PE-Brasil
25 e 26 de julho

80 Encontro Nacional Feminista
Petr6polis-RJ-Brasil
07 a 10 de agosto







10 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Ruraisdo P61o Sindical
Sub-M6dio Sao Francisco-PE-BA
Petrolandia-PE Brasil
30 e 31 de agosto

1 o Encontro da Equipe de Coordenacao do Movimento de Mulheres
Trabalhadoras Rurais do p6lo Sertao Central-PE
Serra Talhada-PE-Brasil
05 de setembro

1 Encontro Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais
Barueri-SP-Brasil
25 a 28 de novembro

30 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do P61o Sindical
do Sertao Central
Serra Talhada-PE-Brasil
06 e 07 de dezembro



1987 08 de Margo Dia Internacional da Mulher
Sao Jose do Belmonte-PE-Brasil

10 Encontro das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste
Joao Pessoa-PB-Brasil
04 a 07 de maio

20 Encontro da Mulher Trabalhadora Ruraldo p61o Sindical do
Sub-M6dio sao Francisco-PE-BA
Petrolandia-PE-Brasil
29 e 30 de agosto

40 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertao de
Pernambuco
Preparat6rio ao 10 Encontro Estadual
Serra Talhada-PE-Brasil
14 e 15 de novembro

20 Encontro de Milheres Trabalhadoras Rurais da Zona Canavieira
de Pernambuco
Preparat6rio ao 10 Encontro Estadual
Rio Formoso-PE-Brasil
24 e 25 de outubro

10 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Ruraisdo Agreste de
Pernambuco -Preparat6rio ao 10 Encontro Estadual
Garanhuns-PE-Brasil
21 e 22 de novembro






1 Encontro Estadual da Mulher Trabalhadora Rural de
Pernambuco
Olinda-PE-Brasil
11 a 13 de dezembro

Encontro: A Mulher e as Leis Trabalhistas
Brasilia-DF-Brasil
24 a 26 de novembro


1988 Reuniao da Equipe Estadual das Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Carpina-PE-Brasil
18 de janeiro

Reuniao da Equipe Estadual das Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Recife-PE-Brasil
01 de fevereiro

Comemoracao do 08 de Margo do p6lo Sertao Central
Sao Jose do Belmonte-PE-Brasil
06 de margo

Debate promovido pela Faculdade de Formac.o de Professores
de Serra Talhada
Praga de Serra Talhada-PE-Brasil
08 de margo

Comemoraqco do 08 de Margo Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Serrita
Comunidade de Trempes-PE-Brasil

Comemorac.o do 08 de Margo Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Sao Jos6 do Belmonte-Comunidade de Tamboril-PE-
Brasil

2 Encontro da Equipe de Coordenacgo de Mulheres
Trabalhadoras Rurais do P61o Sertao Central
Serra Talhada-PE-Brasil
11 de abril

20 Encontro da Articulac5o Nordeste
Joao Pessoa-PB-Brasil
07 e 08 de abril

Reuniao da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Recife-PE-Brasil
26 de abril







30 Encontro da Equipe de Coordenacgo do Movimento de
Mulheres Trabalhadoras Rurais do P61o Sertao Central
Serra Talhada-PE-Brasil
01 de junho

Reuni&o com a Equipe da OXFAN- Recife
Olinda-PE-Brasil
08 de junho

Encontro do Sert&o Preparat6rio ao 10 Seminario Nacional da
Mulher Trabalhadora Rural-CONTAG
Serra Talhada-PE-Brasil
19 de junho

Encontro Estadual Preparat6rio ao 10 Seminario Nacional da
Mulher
Trabalhadora Rural-CONTAG
Carpina-PE-Brasil
08 a 10 de julho

10 Seminario Nacional da Mulher Trabalhadora Rural-CONTAG
Brasilia-DF-Brasil
27 a 29 de julho

10 Reuniio de Mulheres Trabalhadoras Rurais Pequenas
Produtoras de Goiaba
Municipio de Flores Comunidade Saco dos Henrique-PE-Brasil
07 de agosto

10 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Municipio de
Triunfo-PE-Brasil
20 e 21 de agosto

Reuniao da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Serra Talhada-PE-Brasil
27 e 28 de agosto

30 Encontro da Articulag5o Nordeste
Olinda-PE-Brasil
12 a 14 de agosto

10 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do P61o Sertao do
Paje6
Afogados da Ingazeira-PE-Brasil
17 a 19 de agosto







40 Encontro da Equipe de Coordenagco do Movimento de
Mulheres Trabalhadoras Rurais do P61o Sertao Central
Serra Talhada-PE-Rrasil
01 de setembro

30 Congress da CUT
Belo Horizonte-MG-Brasil
07 a 11 de setembro

Encontro Sobre Dupla jornada de trabalho
Jaboatao-PE-Brasil
28 a 30 de setembro

20 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais
do Municipio de Serra Talhada-PE-Brasil
18 de outubro

Encontro para troca de experiencias entire os P6los:
Sertao Central, Sertao do Araripe e Petrolina
Comunidade Santa Filomena, Municipio de Ouricuri-PE-Brasil
20 de outubro

Reuniao da Equipe de Mulheres Trabalhadoras Rurais de
Pernambuco
Garanhuns-PE-Brasil
10 e 11 de dezembro

50 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais
do P61o sertao Central
Serra Talhada-PE-Brasil
16 a 18 de dezembro



1989 20 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais
do Municipio de Triunfo-PE-Brasil
21 e 22 de janeiro

Assembleia para referendara Equipe de MulheresTrabalhadoras
rurais do Municipio de Sao Jose do Belmonte
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de SAo Jose do Belmonte-
PE-Brasil
28 de janeiro

50 Encontro da Equipe de Coordenagco do Movimento de Mulheres
trabalhadoras Rurais do P61o Sertao Central
Serra Talhada-PE-Brasil
15 de fevereiro








Reuniao da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras
Rurais de Pernambuco
Serra Talhada-PE-Brasil
11 e 12 de fevereiro

Comemorago do 08 de Margo P61o Sindical Sertao Central
Sao Jose do Belmonte-PE-Brasil

Visitas a Organizagces de Mulheres em Sao Paulo
Sao Paulo-SP-Brasil
10 a 15 de margo

Reuniao da Articulacio Nordeste
Fortaleza-CE-Brasil
11 e 12 de margo

Encontro: "A Mulher Trabalhadora Rural na Irrigag~o"
Recife-PE-Brasil
29 e 30 de margo

60 Encontro da Equipe de Coordenacgo do Movimento de
Mulheres Trabalhadoras Rurais do P61o Sertao Central
Serra Talhada-PE-Brasil
21 de abril

Encontro Intermunicipal do Movimento de Mulheres
Trabalhadoras Rurais do Sertao Central cor o CENTRU
Flores-PE-Brasil
30 de abril

40 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste
Picos-PI-Brasil
25 a 28 de maio

Visitas a Entidades do Acre
Acre-AC-Brasil
01 a 10 de junho

70 Encontro da Equipe de Coordenacgo do Movimento de
Mulheres Trabalhadoras Rurais do P61o Sertao Central
Serra Talhada-PE-Brasil
25 e 26 de junho

10 Treinamento de Sindicalismo
Carpina-PE-Brasil
01 e 02 de julho







Reuni&o da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Carpina-PE-Brasil
03 de julho

Seminario sobre a sa6de da Mulher
Recife-PE-Brasil
08 e 09 de julho

10 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Municipio de
Mirandiba-PE-Brasil
08 e 09 de julho

1 Encontro de rem6dios Caseiros
Sao Jos6 do Belmonte-PE-Brasil
29 e 30 de julho

20 Seminario national das Mulheres Trabalhadoras Rurais-
CONTAG
Brasilia-DF-Brasil
25 a 28 de julho

Reuniao da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Carpina-PE-Brasil
10 de setembro

10 Encontro das Colhedoras de cafe
Sitio ISanto Antonio
Municipio de triunfo-PE-Brasil
10 de setembro

80 Encontro da Equipe de Coordenagco do Movimento de
Mulheres Trabalhadoras Rurais do P61o Sertao Central
Serra Talhada-PE-Brasil
24 e 25 de setembro

Reuniao da Equipe de Coordenacgo do Nordeste
Recife-PE-Brasil
28 e 29 de outubro

20 Treinamento de Sindicalismo
Carpina-PE-Brasil
11 e 12 de novembro

Reuniao da Equipe de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Polo de
Garanhuns
Garanhuns-PE-Brasil
28 de novembro







Reuniao da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Recife-PE-Brasil
02 e 03 de dezembro

90 Encontro da Equipe de CoordenaAo do Movimento de Mulheres
Trabalhadoras Rurais do P61o sert&o Central
Serra Talhada-PE-Brasil
09 e 10 de dezembro


1990 100 Encontro da Equipe de Coordenagco do Movimento de
Mulheres Trabalhadoras Rurais do P61o Sertao Central
Serra talhada-PE-Brasil
10 e 11 de fevereiro

Reuniao da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Carpina-PE-Brasil
16 de fevereiro

30 Treinamento de Sindicalismo
Carpina-PE-Brasil
17 e 18 de fevereiro

Comemoragco do dia 08 de margo P6lo Sindical do Sertao
Central
Serra Talhada-PE-Brasil

Encontro da Equipe de Coordenacgo Nordeste
Cabedelo-PB-Brasil
06 a 08 de abril

110 Encontro da Equipe de coordenagco
do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do P61o Sertao
Central
Serra Talhada-PE-Brasil
21 e 22 de abril

Reuni&o da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Ouricuri-PE-Brasil
28 e 29 de abril

10 Encontro de Mulheres de Uniao dos Palmares
Uniao dos Palmares-AL-Brasil
05 e 06 de maio







Reuniao da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Recife-PE-Brasil
27 de maio

120 Encontro da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras
Rurais de Pernambuco
Serra Talhada-PE-Brasil
16 e 17 de junho

5 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste
Natal-RN-Brasil
06 a 08 de julho

13a Reuniao da Equipe de Coordenag&o do Movimento de
Mulheres Trabalhadoras Rurais do P61o Sertao Central
Serra Talhada-PE-Brasil
28 e 29 de julho

Reuniao da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Carpina-PE-Brasil
25 e 26 de agosto

40 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Municipio de
Sao Jos6 do Belmonte-PE-Brasil
20 e 21 de outubro

Encontro da Equipe de Coordenagco Nordeste
Fortaleza-CE-Brasil
24 e 25 de outubro

140 Encontro da Equipe de Coordenagco do Movimento de
Mulheres trabalhadoras Rurais do P61o Sertao Central
Serra Talhada-PE-Brasil
27 e 28 de outubro

5 Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe
San Bernardo-Argentina
18 a 24 de novembro

Reuniao da Equipe Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais
de Pernambuco
Carpina-PE-Brasil
04 e 05 de dezembro

60 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do P6lo Sertao
Central
Serra Talhada-PE-Brasil
14 a 16 de dezembro







Nossas Produgoes


Albuns Seriados Nos Albuns Seriados, conta-se uma hist6ria cor frases
curtas e desenhos. Sao usados em grupos e incentivam de
uma forma dinamica, a participagco entire a hist6ria e quem
est6 ouvindo a mesma, construindo um espago rico de
repasse e informagoes.


I HIST6RIA DA DOMINAQAO DA MULHER

Vanete Almeida/Hauridete Lima dos Santos
1982 (65x46) 25 paginas

Resumo: Conta a hist6ria da humanidade, como viviam na
sociedade primitive, tribal, capitalist e as transformag~es
ocorridas cor as descobertas da agriculture, o trabalho, no
decorrer do tempo. Assinala as mudancas que foram
acontecendo nas relac6es entire homes e mulheres, a
distribuicgo das fungies e trabalhos de cada um, o
surgimento da propriedade da terra, e como as mulheres
foram perdendo seu poder e ficando em uma condigco de
dominion.


II HISTORIC DE LUTA DA MULHER

Vanete Almeida/Hauridete Lima dos Santos
1985 (65x46) 28 paginas

Resumo: Retoma um pouco a hist6ria da humanidade em
suas origens para depois relatar alguns moments onde
mulheres, em diferentes parties do mundo lutaram para
modificar a condicgo feminine.


III CONVERSANDO SOBRE NOSSA HISTORIC

Vanete Almeida/Hauridete Lima dos Santos
1986 (65x46) 28 paginas

Resumo: Relata a hist6ria do Brasil, a colonizacgo
portuguesa, a escravidao. Localiza o sertao, os Quilombos,
os coron6is, o surgimento da industria e em cada moment,
como foram as relag6es entire as pessoas. a formacao das
classes sociais e o papel da mulher nessa hist6ria







IV NOS MULHERES NA HIST6RIA DO SINDICALISMO
BRASILEIRO

Vanete Almeida/Hauridete Lima dos Santos
1988 (65x46) 40 paginas

Resumo: Apresenta uma breve hist6ria do sindicalismo
brasileiro. De onde vinham as diferentes ideias, como foi-se
estruturando a organizacgo sindical. Denuncia a ausencia
da mulher na organizacao sindical.


Livros COMO FAZER REUNIAO Livro n* 1

Vanete Almeida, Sonia Correa, Celina de Godoy
Hauridete Lima dos Santos (colaboradora); Auxiliadora Dias
Cabral (colaboradora) 1 Edig o, junho de 1986; 20 edig o
1989. Recife-PE-Brasil. 18 paginas. Ilustrado.

Resumo: E ur livro sobre como chamar a reaiizar reunites
de base. Orienta sobre o papel da coordenagao, da
secretaria, a anima95o e avaliag o das reunites.


A SINDICALIZAqAO DA MULHER TRABALHADORA RU-
RAL livro no 2
Vanete Almeida, Daiza Amador (colaboradora); Auxiliadora
Dias Cabral (colaboradora); Maria do Carmo Souza Ramos
(colaboradora) 10 Edig5o 1987. Recife-PE-Brasil. 14
paginas. ilustrado

Resumo: Trata do que e sindicato e da importancia da
sindicaliza9go da mulher.

POR QUE TRABALHAR COM MULHERES

Conselho Editorial; Denise Faure: Associa(co Recife/OX-
FORD para a cooperagao ao desenvolvimento
(representagao da OXFAM no Brasil)
Ines Bassanezi Movimento de Mulheres Trabalhadoras do
Brejo Paraibano
Josefina Lemos CEAS-Recife-PE
Maria da Penha Nascimento Silva Sindicato dos
Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande-PB
Sonia Correa SOS Corpo-Recife-PE
Vanete Almeida Movimento de Mulheres Trabalhadoras
Rurais do Sertao Central de Pernambuco MMTR, Sindicato
dos Trabalhadores Rurais, FETAPE






Primeira redacgo Ana Paula Portela
Segunda redacgo S6nia Corr6a
10 Edicgo 1990, 106 paginas. Recife-PE-Brasil

Resumo: O livro traz o relate das experiencias de diferentes
grupos de mulheres, rurais e urbanas, localizadas no context
nordestino. E rico em dados estatisticos, apresenta os
dilemas e desafios do trabalho com mulheres. Argumenta
com peso, a importancia de fazer um trabalho especifico.



Relat6rios Os relat6rios tom-se constituido em um instrument
important, nao s6 como registry da hist6ria que vimos
construindo, senao, tamb6m, como um material chave de
trabalho nas maos das mulheres, seja para um repasse de
informag6es do pr6prio Movimento, como para ter linha de
trabalho nas reunites das comunidades.

Al6m dos relat6rios dos Encontros de Mulheres do P6lo,
existe um grande numero de relat6rios de encontros, sejam
municipals, da coordenaggo do Movimento, de viagens,
visits e das reunites de Base, escritos pelas pr6prias
trabalhadoras.


1" Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertio
Central-PE
(Dezembro de 1984)
Vanete Almeida/Maria Daiza Amador/Hauridete Lima dos
Santos 30 edig o 1987 Recife-PE-Brasil, 40 paginas

2 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertao
Central-PE
(Novembro de 1985)
Vanete Almeida/Hauridete Lima dos Santos 20 Edicao 1989
Recife-PE-Brasil, 32 paginas

30 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertao
Central-PE
(Dezembro de 1986)
Vanete Almeida/Hauridete Lima dos Santos 1 edic o 1987
Recife-PE-Brasil, 60 paginas

40 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertao
Central-PE
(Novembro de 1987)
Vanete Almeida 10 Edicgo 1988 Recife-PE-Brasil, 42
pdginas







50 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertao
Central-PE
(Dezembro de 1988)
Vanete Almeida/Auxiliadora Dias Cabral 10 Ediqgo 1989 -
Recife-PE-Brasil, 54 paginas

60 Encontro de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertao
Central-PE
(Dezembro de 1990) Em elaboragao

10 Encontro de Parteiras Sao Jose do Belmonte-PE
(Julho de 1986)
Vanete Almeida/Auxiliadora Dias Cabral 1 Edicao 1987 -
Recife-PE-Brasil, 22 paginas


Material Ser Mulher no Campo
Educativo
Vanete almeida/Ana Bosch/Alexandre garcia Mosca
Pasta com 28 fotografias dezembro de 1989 Recife-PE-
Brasil

Resumo: Sao 28 fotografias que registram a vida das
mulheres com o objetivo de levantar a reflexao sobre a
condig9o feminine. Tem duas propostas de uso uma 6
descrever na organizagco das fotos (dando uma sequencia)
a nossa vida cotidiana. Outra forma 6 refletir sobre nosso
ciclo de vida, dando uma nova sequencia as fotografias.
Existem outros materials como: Fantoches, bonecas, slides,
que sao usados em formas diversas no repasse de
informag6es, peas de teatro, oficinas de corpo, etc...

Cartazes








HTIMO
ENCONTRO
DEM mIHELRH

RURM j 1
POLO SINDICAL SERTAO CENTER E
SINDICATOS DOS TRABALHAD RURAIS FETAP


DA EAP
2.3a=mICa 1992


, F -T i








CECGUND'Y EICOaTRO



5ERTAO CENTRAL-PE .


POLO SIND'CAL SERPTA CEhTRA S;NDICATOS uJS FRABALHADORES RURAIS FETAPE
LOCAL SERRATAt ADA )ATA 23-24 NOVEMBRO1985





Videos


08 de Margo Pele Video Produc6es 1989 VHS
Document a comemoragco do Dia Internacional da Mulher
do P6lo Sertao Central em Sao Jos6 do Belmonte-PE-Brasil

08 de Margo Pele Video Produc6es 1990- VHS
Documenta a comemoracgo do Dia Internacional da Mulher
do P61o Sertao Central em Serra Talhada-PE-Brasil

A Mulher e a Luta Negra Conceico das Crioulas, Salgueiro-
PE-Brasil 1990. Roteiro Movimento de Mulheres
Trabalhadoras Rurais de Pernambuco
Produqao: Vanete Almeida/Auxiliadora Dias Cabral/Gunter
Sch fer
Texto: Vanete Almeida
Filmagem: Pele Video Produc6es VHS

Resumo: Documenta uma comunidade iniciada por mulheres
negras, fugidas da escravidao, que corn o trabalho de
fiag5o, adquiriram a propriedade da terra. Denuncia como o
registro dessa hist6ria foi se perdendo atrav6s dos tempos.



Outros Materiais Fotos O Movimento tem sido registrado fotograficamente
nao s6 nos seus grandes events, como tambem, no cotidiano
da vida das trabalhadoras. Muitas dessas fotos t6m sido
usadas nao s6 nos relat6rios, como tamb6m, em exposig6es
sobre diferentes assuntos e moments do Movimento.

As mulheres do Movimento tem produzido poesias, musicas,
que constam nos relat6rios dos Encontros e no Arquivo do
Movimento.

Receitas: Existem algumas Farmacias de remedies caseiros
e varias receitas de remedies. Trabalham tambem, no fabric
de sabao caseiro. Todas as receitas s&o repassadas
organizadamente, realizando corr: elas, um verdadeiro
intercambio de "SABERES".

































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Este livro teve como base os depoimentos de 15
trabalhadoras rurais:
D. Lia, Lenira, Maria Ana, Maria Juc6, Maria
Pereira Expedita
Odete,Maria de Laudelino,Carminha,Benedita,
Francisca,ln&s
Liquinha, Helena, GI6ria

Foi discutido e escrito por:
Vanete Almeida (Netinha)
GiseldaAmancio Frazao
Auxiliadora Dias Cabral
Maria Daiza Amador
Ana Bosch
Contou inicialmente com a particpagAo de
Hauridete Lima dos Santos

As entrevistas cor as trabalhadoras foram
feitas por:
Vanete Almeida
Ana Bosch
e Auxiliadora Dias Cabral
A transcricgo das fitas foram feitas por:
Adenilda Pereira do Nascimento
e Maria Cleonice de Souza

A datilografia:
GiseldaAmancio Frazao

Programagao Visual:Geraldo Mendes Filho -
DinimicaComunicagco-DIC (222.1061)

Apoio Financeiro:
OXFAM:Associacqo Recife/Oxford para a
cooperagao ao Desenvolvimento

NOSSOS AGRADECIMENTOS
.A OXFAM Associagao Recife/Oxford para a
cooperagao ao desenvolvimento pelo apoio
contribuindo assim cor o registro hist6rico e
organizagao do Movimento das Mulheres
Trabalhadoras Rurais no sertao Central/PE.
Marlice de Souza Ferraz Carvalho pelo seu apoio
moral, solidariedade e carinho que muito
contribuiu para a realizagao deste trabalho.

Fotos
Ana Bosh
Alejandro Garcia Mosca
Vanete Almeida
Frances Rubin
Foto capa: Arquivo Oxfam




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