O longo caminho feminino a terra

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O longo caminho feminino a terra
Physical Description:
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Language:
Spanish
Creator:
O povo (Newspaper)
Publication Date:

Subjects

Spatial Coverage:
Brazil

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Source Institution:
University of Florida
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System ID:
AA00016350:00001


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FORTALEZA-CE, DOMINGO, 15 de outubro 2000 )


-. --T R .E V, I, -'. ,:..' "' --. .' ". ''.. .. A ".' :',, "". r. -' '.. ,:. -'- -' "s ."
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I No Brasil as muheres represerifain apenas 12,6% das beneficiaries dire
dias de outro passes da America Latiia e relativan-'nte alto qiiando
-r-- 7.. C.'ai: iin Dee da U.iversidade de Massachusetts, fala do

ima-passagem biblica POVO -Como se deu inicio
talvez seja o primeiro os seus trabalhos.com .aquestao
registry que trata sobre de gpnero e reform agr6ria?
r- :U., mulheres e-'o acesso a Carmen Deere Eu sempre tra-
e-ra. -Duas''irmas exigem -de- -balhei o tema da mulher na reor-
S ois6s a posse das terras deixa- ma agraria.Eu fiz omeu trabalho
das por seu pai.o A alegatao: oho de cainpo para o doutorado, em
tinam i os homes. A ques.- 75 n Peru, que, era a epoca da ..
t' ofoiganhaporelasefezsurgir reforma agrrian revolucionria .
"..,-urn prmcipio juridico, em muiltos- military yamos dmizer assim. Entao,,
passes, sobre a.sucessgoonidirei- neste period eu ji triabalhei a
: to: i os -es independehste-do -divisao- do tribala o po genero "
tsexo doshierdeiros n a-agricultura camponesa. Eu
Sassunto fo i retoimad( em trabalhei em tunma zona leiteira,
outras paginas. Agora, de'urn oiide asmulheres trabalhavam ..
livro resultante dos estudos fei- como ordenhadora. No' entanto,
tos pera pjrofessora Carmen Dia quando fprmavam-se as coopera-
na Deere,do Centro"'de Estudos tivas de produgao, na reform
da Am"rica Latina, iha Unive- agriria,- somehte os homes
rsidade de Massachusetts, nos entravam na cooperative. E as
Estados Uridos, em co-autoria mulheres se r am como mao-de- -"
corn a soci6loga Magdalena obra tempo Era uma coisa ?
Le6n, que professor na Facul- clssica de home que se trans-
dade de Humanidades e Ciuncias formam em propriety' os e de
Sociais, da Universidade Nacio- md o-de-obra feminine endo
nal de Col6mbia. explorada. A justificativa d ue
S0 estudo 6 umn comparativo elas ndo podiam ser s6cias da
Sdas reforms agr0rias e contra- cooperative era que as mulheres
reforms em doze passes latino- trabalhavam apenas 4 horas ao
americanos, entire eles o BrasiL dia porque precisavam cuidar
fora Coedad-que1ha' edos.


l JLJ-L LAL'


no acesso a terra. Este ntimero e pequeno quando comparado as *
niduado por todos os estados brasileiros. Em entrevista ao Delas, t
estudo sobre genero e propnedade nos pauses latino-americanos


movimento aut6nomo de mulhe- tambem dentro do movimento,
res, que data dos anos 80. de sair do papel de coadjuvante.

OP Tivemos dois tempos destes OP- Como a revoluigabdo movi-'
movimentos no Brasil.- -Podemos, mento feminist .transformou a
entao, tomar dois icones para.cada visao de luta dentro dos movimen-
urn -destes moments: Elizabeth tos rurais? Hoje, a participagao
Teixeira e Diolinda Alves de Souza. feminine e mais ativa? r
'Que lutas esiiveram nas maos de CD- Sem dfivida. E, realmente,
cada uma destas mulheres?:.. :'. term a ver. com todas .estas
CD- Nos anos 60, nao havia nin- mudancas. Mudaram as leis, os
gu4m ou algun movimento que. C6digos Civis'e'is Constituig es.
.dissesse:o.porque&que inulher -E, pooutrlado ovimento....
"n'necessitava dalerfa.-Tudo se feminist se inpos nasociedade.-
l---_defmnia pela -questao -da- fanmflia. Nos anos 80, ji se comegaa falar
Ningubm levantava a questio de de genero. E isto chegou aos
-'. que a mulher necessitava da terra movimentos rurais, mas de uma
em seu nome e nem o que isto, forma lenta. Os avanqos estio
caso acontecesse, poderia signifi- nas mios da nova gerag.o.
car. S6 nos anos 70, pesquisas .
,,". comeqaram a afirmar que a pro- OP- pual a atual situar1 brasilei-
priedade para a mulher era ra na relagao entire mulheres e
important tanto para o bem- acesso a terra?
estar de sua famflia como para CD- At6 88, nao havia atenglo As
chegar a uma igualdade corn o mulheres em relagdo A terra.
b home. 0 empoderamento das Houve uma discriminag o infor-
mulheres era como uma pr6-con- mal contra elas. 0 Incra utilizava
dih o para chegar a uma igualda- o sistema de plotagem para sele-
de real. Elizabeth (Teixeira) tal- cionar os beneficiarios. Entio,
vez tenha lut~do por essa political home recebia 1 ponto e mulher
utgevera.garantir aren.ara s6 0,75,A mulher j saia em des-
^^ ^,^^ ^^ ^ .. ,-'*-*;%' 'Lc:.''<*':-'ga'. :H ,A ',?-. ). .'1 ,.,


Apovo.


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.


9 .


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- 1 ^


..... ". '111L.







; an? a s g ; a Dm ^dor d t i.t0
pauses ja vivenciava a questao'da rse e comecei a aprofundr a
reform agraria, o estudo rendeu questSo do genero. Em 1995, na
umr livro sobre o titulo "Genero, reunigo mundial da Organizapao
Propriedade e Empoderamento das Nag6es Unidas (ONU), em.
Terra, Estado e Mercado na Beijing, na China, onde se orga-
America Latina", que foi publica- nizou uma mesa que tratava
do em espanhol, neste mes, e sobre mulher e acesso A terra nos
deve ter sua versao em portugues diferentes continents, precisa-
no segundo semestre de 2001. vam de algu6m que apresentasse
Carmen Deere, atualmente, esta a situaao na Africa e na America
no Brasil fazendo um novo levanta- Latina. E, nesta ocasiao, convida-
mento de dados.""Em 98, estivemos ram-me para. representar a .
aqui e fomos para Recife, Brasilia, Am6rica Latina devido aos meus .
Sio Paulo e Rio de Janeiro. Nio foi-
fsuficiente. Eu me dei conta que 0 QUE 0 BRASIL
muitas diferengase que necessita-
va de ais pes~isai h-li ainda nao fez, como os'
mulherestepresen am, em media. ---..
'60 F '-- .' 1 outros paises latino-. -.C
muitas yaria'es de Estado para americanos dar -.
Estado Poar exemplo: Rio de -
Janeiro cornm quase,18% e Paraiba O dade para ...
quase 17%, mas CearA corn apenas mulheres chefes de
8% e Parana com 7%", explica a fami ia endo cOre
professor, em- entrevista ao familiar, tend mO
POVO, durante vista a Fortaleza. beneficidrios os filhoS s
Daqui, a professor seguiupara
Jogo Pessoa, Natal e para os esta-.,.
dos do sul. Antes, conversou corn trabalbos anterioies. S6 qtie, no r
o Delas sobre o livro e a situagoo iltimo moment, nao pude corn-
da mulhere seu acesso A terra. Na parecer a reunmio. Resolvi pedir q
conversa- ainda ha espaqo-para -. ajuda a uma parceira de pesquisa- q
falar sobre dois icones do movi- .de. miitos anos, a' soci6loga (
mento feminist ruralista, no pais: colombiana Magdalena Le6n,' q
Elizabeth Teixeira, que foi a ri- ue apresentou ao trabalho.
S reira mulher brasileira a se des- Depois de Beijing. ela .e con-- a
tacar na defesa dos direitos dos ,venceu a seguir corn o tema.: r
7 trabalhadores rurais, nos anos 60, .
e Diolinda Alves de--Souza, OP- Como foi estudada a questo- e
mulher de Jos6 Rainha, do de ginero dentro destes movimen-
Movimento dos Sem-Terra, nos tos rurais? ....... e
anos 90. (AnhaNaddaf) CD- Amnetodologia que usamos

S- '.. '
.. .. ...


Professora Ca n Deere:a tgsTdo sur o'..to. u g .,us ise tmo,.mud rcq
emprego ou. b ens. Nos ans 80,a nmudana a Constiriao; qu
estudos mosfravam que no era a: dizia que a reform' agrria tinha
mesma coisa entregar a terra ao qe beneficial home, mulher ou
honiemn chefe de famflia, que isso casual. Acho que a maioria destas
ndo garantia o acessoda. mulher A beneficiArias sdo dos anos 90. 0
-terra. Neste periodo, os progra- que o Brasil ainda nio fez, como
Professor Carmen Deere: estudo sobre gdner6 e propriedade naa AL mas de reform agrAria, que que- os outros paises latino-america-
riambeneficiar a famflia, davam a nos (coma a' Col8mbia 'e a
foi um pouco. inovadora. ds nmistas eram de. homes. A terra no nome do home. A Nicarigua, onde as mulheres s7o
Comesamos por tratare cs politi- doerena surgiu nos anos 80 pela nmulher nao era dona da terra. 30 e 40% das beneficiArias), dar
cas pfiblicas que favoreciam o poOesso internaci6nal de finan-.' Diolinda aparece jA dentro de umrn prioridade para mulheres chefes
acesso da mulher a terra e comr cimento. A maioria das organi- tempo de mudangas. O conceito de faminflia, tend como beneficia-
entidadesligadas aomdovi.ento zaqoes sindicais criam comiss5es rios os fihos. Outro aspect e a
finista que faiii-atiam.a pro- dmulher, mas nada iinai do que_ titulao a casal, no somente a
cessocorn a mulber do campo. A para captar recurso's.Nio patia7- NOS ANOS 60, EM homes, masumreconhecimento
metodologia foi de fazer oficinas delas. Mas acabou servindo de que deve sei home e mulher,
com,estas mulheres, convocadas c6mo abertura de-urnm pequeno-- toda luta pela terra, as como legalmente acontece -em .
pelas entidades feministas locais, espaqo para que, asmulheres mi-rlh es esaamr urn casamento. casual deve figu-
conYidando tambem pesquisado-- co-mecassem a part ipa -l'- _,'. ... t i: -._' .-' -'.. rartno-cadastro, no assentamento,
res, pessoasdos minist&rios, ins- .--.- .: .. aUSentes.Pelo menos, na cooperative.
itutos ligados a imulhere lideres OP.-sso acontece- .o Brasil. tam-- ficialmente Ma- --
camporieses de butr6s movimen- ban? -. OP- Isto e fcil de implementar?
tos sociais rurais. Foi interessan- cD- 0 Brasil um caso diferen- elas estavam l m em CD- E legalmente possivel, mas
:e confrontar os trOs stores: pes- te'deste padro geral.. Aqui, nos ual r ocua o .:-.ainda- nao concretizaram este
quisa, governor e movimento anos 80, se dcio ambos os proces- qualquer ocugP A ponto no BrasiL E talvez jAcola-
social. Isto foi oimcio.do estdo. so~ de. uria.6 e.- Vai sendo enfrentavam a policia bore para a grande diferenqa que
S criada, denitro 'dos-sihdicatos, '- existed entire o-Brasil e urn pais
OP- No perfodo que voces comea- uma.intengo de se incorporar e como a Colmbia, onde, as
am a pesquisa, as mulheres dos iricementar a partricipaqao da de chefe de famflia, como se mulheres ja sao 45% das benefi-
movnmentos rurais j& discutiam mulher, quando criam-se as conhecia, foi derrubado. Isto em ciarias. Isto e um primeiro passo
questo de g6nero juntamente corn conuss6es das mulheres dentro favor da igualdade formal entire p- ara- oa empoderamento das
questOes de terra e propriedade? -da dntag e da CUT tambm.-Ao mulher e bomem dentro da fami--, mulheres- e represent muito
CD-Vimosque, nosanos60e70, mesmbltempo, se da a discussao lia. Mesmo corn asnovas leis mais Como uma agricultora,
quando a maioria dos paises da-au nomia e se cria o 'agrarias, as unicas mulheres daqui, me' disse:-"agora, n6s
ivenciava a question da reform Movuim nto as a Mulheres beeficiadas erain aquelas que se somos geite". como se, antes,
igrria, today luta pela terra, as Tralbalh does Rurais, tanto no portavam como chefes de famflia. "houvesse uma exclusao da'opi-
muiheres esitava ausentes. Pelo Nordest- cpomp o -Sul. Em Na maioria dos passes, as iulhli- nioo e da participaqao da nmulber.
ienfos oficialmente. Mas, elas trs rganizacoes, comoa-o-- res representavam apenas 10%9 Parece que e um aval para ela ter
estavami laem-qualquer ocupa- MST,- s6 agora, no fim dos anos--- dos beneficiArios, ate -mesmo direito-a reclamar seus direitbs,
,ao, enfrentavam a policia, .90, que 5o dar uma 'atengqo As quando elas ji chegavam a repre- de participar de assembl1ia. Mas
erguiam armas. Formalmente, quest6es de genero. 0 que acon- sentar como chefes de famflia de ter seu nome como beneficiaria e
odas as organizaqaes considera- -tec-u mais cedo, no Brasil, foi .. 15% a 20%.- A lust estava-, agara, apenas o primeiro passo.. .

-- .. ..S-i .' ...... .. .-_.. .. -.... --. ..- .-.. -, '_- :. -



BAN.j0 DE DADOS -
Elizabeth Teixeira fofa primeira niulher. Diolinda Alves de Souza- sua entrada
brasileira a se destacar na defesa dos direitos dos no MST (Movimento dos. -
trabalhadores rurais, na d&cada de 60 A lider Trabalhadores Rurais Sem Terra) foi'
camponiesa paraibana "entrou para aluta",coofi. aos 15 anos, em uma ocupai6 de uma'
ela mesmo diz, quando seu mafido, J.6o Pedro, fazenda, no Espirito Santo. A primeira
umrn dos lideres do movrmentro,fobiasassinado, "luta" foi ao lado da mle Diomara-
em 62, por umrn latifundianrio. Depois disto, .. Maria Rosa. Juntou-se, definitivamente:-.
Elizabeth era a inica mulher na luta com cerca ao mvimeno quando u irmo deu-
de 2 mil homes. Elizabeth permaneteu presa, na lIhe uma surra para impedi-la de atuai .
Paraiba, por quatro meses. Foi obngada a se no MST. Nos anos 80, casou-se com.'
separar dos filhos e se refugiar no seitl o do Rio Jos6 Rainha Jr., dirigente do MST na'.,
Grande do Norte. ViveU quase 20 anos sob o regiio do Pontal do Paanapanema.'
nome falso de Marta Maria da Costae a familiar (S). Depois de presa por quatro vezesm.a '
ja tinha como morta. Sua hist6ria foi contada no. e de de muitas ocupa6es, a mineira
filme."Cabra marcado para morrer", prestigioso Diolinda 6 considerada uma das
documentirio do cineasta Eduardo Coutinho,. principals lideres do MST, de S'o
datade de 1984."' .- ~: Paulo, aoladodo marido.' .


1'


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