Annaes da Bibliotheca e archivo publico do Pará

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Material Information

Title:
Annaes da Bibliotheca e archivo publico do Pará
Physical Description:
v.ill.23-25 cm.
Publisher:
Imprensa de Alfrdo Augusto Silva
Place of Publication:
Para, Brazil
Publication Date:

Subjects

Genre:
serial   ( sobekcm )

Notes

General Note:
Pará (Brazil : State) History Sources,Periodicals. Biblioteca e Arquivo Públicos do Pará, Periodicals .Brazil History, Periodicals.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
All rights reserved by the source institution.
Resource Identifier:
aleph - 25722895
oclc - 07545799
System ID:
AA00013075:00004


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Annaes
da
Bibliotheca e Archivo Publico


do Pari



U^ 11g^LVi










ANNAES


DA



BIBLIOTHECA





ARCHIVO PUBLIC

DO PARA


Tomo Quarto


Slcretario de Istado da Justica, Interior e
lnstrucalo Publica
Dr. Amazonas le Figueiredo


Director da Bibliolheca a Arclivo Publico
(do Pard
Arthur Vianna


Par--Brazil
Typ. e Encaderna~go do Instituto Lauro Sodr6
1905

























Bibliotheca e Archivo Publico





SARCHIVO public do Park, creado pelo Dr.
Augusto Montenegro, governador do Estado,
Sentrou este anno em uma nova phase de
,j vida, que se patenteia auspiciosa a esta
publicaqgo. *
Da organisagdo decretada pelo governor derivou a
affluencia do avultado cabedal manuscript de todos
os archives publicos, para a bibliotheca, impondo, como
primeira e urgente tarefa, a < Ilitilt.i:'i, e o acondicio-
namento dos documents.
Consequentemente a maior part da nossa activi-
dade foi absorvida nos annos anteriores por esse grande
trabalho, agora terminado, mas ainda em revisio cui-
dadosa, para escoimar a organisagio feita de faltas que
porventura tenham occorrido pela urgencia do serviCo.
Concentramos, pois, actualmente os nossos esforqos
em ampliar a series d'esta publicaqao, que sera extensa
pelo material jA preparado, e important pelo valor
historic dos manuscriptos.






4 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


Este volume, o quarto da series dos Annaes da B'i
bliotheca e Ardhiro Publico, contindia a publicar a colleccqo
dos alvaris, cartas regias e provisoes, e a correspon-
dencia dos governadores e capit.es generaes do Estado
corn a metropole, subsidies estes de subido valor para
a nossa historic.
Proseguimos tambem na publicaqio dos catalogs
da primeira secmqo de manuscriptos, dos quaes um, o
-Catalogo dos posseiras de sesmarias-figura no terceiro
tomo.
Estampamos agora o-Catalogo das plants, mcappas
e desenhos manuscriptos existentes na primeira secq2o divul-
gando as,sim a. existencia- de curiosos *-- importantes
specimens da cartographia colonial; e o--Catalogo da
correspondencia dos qovernadores e capities generals do Pard
corn o qi,i,,.,, da metropole-17523-1823, trabalho extenso,
meticulosamente feito e de impresoindivel consult aos
estudiosos dos factos paraenses.
Toda a material estampada, comn excepcqo da pri-
meira memorial, 6 inedita e em grande parte completa-
mente desconhecida.


ARTHUR VIANNA


------- -->U~/B-B^--------



















ANTIGUIDADE


da navegacao do oceano. Viagens dos navios de Salomio ao rio
das lImazonas, Ophir, Tardschisch e Parvaim, por D. Hen-
rique Onffroy de Thoron (1)

slN l de provar que os navios de Salomlo
'. I. IHiram fizeram varias viagens ao rio
1l.i-. Amazonas, 6 indispensavel demonstrar
lpiineiro que os povos da antiguidade a
mais remote, conheciam a America.
A Biblia nos diz, 6 verdade, que os Phenicios co-
nheciam todos os mares; por6m este povo 6 mui pos-


(1) Este trabalho foi publicado pela primeiravez no jornalgeo-
graphico-O Globo-de Genova, em Novembro e Dezembro de 1869.
Alguns annos depois o actor fel-o traduzir e o envious ao padre
Theodoro Gabriel Thauby, dando-lle a incumbencia de offertal-o
a municipalidade de Mandos, capital da entdo provincia do Ama-
zonas. Em 15 de Fevereiro de 1876 desobrigou-se o padre Thauby
da sua commissao, remettendo o manuscript a camera.
Esta scm demora mandou dar-lhe publicidade, em um follheto
de 51 paginas, impresso cm Manaos, na typographia do-Commercio
do Amazonas-, de Gregorio Jos6 de Moraes, ainda no anno de 1876.
Do auctor existed ainda publicados dois traballos sobre o
mesmo assumpto: Les Pheniciens a tile d'Haiti et sur le conti ent am,-
ricain. Les vaisseaux d'Tiram et de Salomon ac fleure des Amazones
(Ophir, Tardschich, Parnaim). Lounain, imp. de C. Peters, 1h89, in rS, 141
paiyinas e uma carta; e Voyagos des flotles de Salomon ct d'THiram en Am&-
rique. Position gIographique ded Parvaim, Ophir et Tlarschscih. Paris, imp.
interlntional de (. Townr. (s. d.), gr. in--4 o, 23 poayins. impress em duas
columns.







6 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


terior aos Atlantes que foram seus mais velhos na
arte da navegagQo, e possuiram numerosas frotas no
Oceano Atlantico.
Ao lado dos factos historicos que nos ter sido
transmittidos pelos autores antigos e que havemos de
resumir neste relatorio, mostraremos' quanto a philo-
logia ajuda a historic e a geographia, ji que cor este
precioso auxiliar, chegamos a descobrir os vestigios da
navegagco dos Phenicios e dos Hebreus da epoca de
Salomdo, e a determinar as posiQ5es geographicas de
Parvaim, de Ophir e de Tarschisch.
Temos nos dialogos de Tineo e Critias por Platao,
tradiq5es egypticas anteriores ao cataclysma da Atlan-
tide; remontam i invasaio dos povos Atlantes sobre o
nosso continent
Os sacerdotes egypcios perto de quer se instruia
Solon, contaram-lhe, cor numerosos pormenores, tudo
quanto se referia ao poder maritime dos Atlantes, a
sua invasto e destruiqgo.
Critias era av6 de Platao que escreveu seus dia-
logos cor conhecimentos tirados de varias fontes au-
thenticas. Assiln 6 que, por Solon e Critias, Platao in-
dica primeiro a posicgo da grande ilha Atlantide no
Oceano, em frente ao estreito de Gades ou de Hercules;
em seguida, atraz desta, aponta as numerosas ilhas que
chamamos as Antilhas; atraz destas, diz elle, esta a
grande terra fire: terra fire, diz Critias, umn verdadeiro continente> Eis
ahi, pois, a America! e para que nao haja duvida, Pla-
trio accrescenta que atraz d'esta terra fire, esti o
ya,',lr mar; 6 evidententeete o grande Oceano. Result
dessas tradic;es que antes dos Phenicios, os dois Oce-
anos e a America eram conhecidos dos Atlantes e dos
Egypcios.
A' esta antiguidade se liga a dos Phrygios, unico
povo em que os Egypcios reconheciam ancianidade ca-
paz de rivalisar con a sua. Ora segundo Heliano







NAVEGA(AO DO AMAZONAS


(Hist. 3), Theopompo, poeta e historiador grego, narra
que Sileno ensinou a Midas, rei de Phrygia, que alem e
long da Asia, Europa e da Libia (Africa) que sio, diz
elle, propriamente fallando ilhas, existe um verdadeiro e
unico continent, de immensa extensdo e habitado pelos
Meropios. Theopompo chama este quarto continent
Meropis (1), 6 governado, diz elle, por Merope, filha
de Atlas, rei de Libia. Ha 3210 annos que este reinava;
e sua filha, ha 3129 annos, era contemporanea de Her-
culis, de Theseo e de Laomedonte, isto 6, cerca de 50
annos antes da tomada de Troia.
A lingua Kichua ou dos Antis da America equato-
rial fornece-nos a etymologia de Merope: Marop 6 o
genitivo de imaro, terra; ella 6 da terra dos Meropios
ou nascida da terra, isto 6, autochtona, expressAo que
corresponde ao grego Gheghenes. A rainha Merope tirou,
pois, seu nome ou appellido do paiz que se chama Me-
ropis.
Atlas, nome egypto-lybico, tem sua raiz no egypcio
atl. <,paiz,>> acompanhado da particular egypto-Kichua
as que 6 affirmative, indica a estabilidade. Atlas sig-
nifica, pois, "do paiz, isto 6, indigena, nascido no paiz,
posto que fosse elle descendente dos Atlantes, assim
como os seus subditos estabelecidos na Lybia. Eram
oriundos do paiz de Atlantis, nome que os Gregos trou-


(1) Midas, primeiro rei de Phrygia, existia cerca de 400 annos
antes do diluvio de Deucali~o, pois Nannac,' outro rei phrygio an-
tecedeu este acontecimento de 300 annos segundo Suidas.-O dilu-
vio de Deucaliio que inundou a Thessalia, teve lugar, segundo os
marmores de Paros, 1329 annos antes da nossa 6ra.-Admittindo
que Sileno e Midas tivessem vivido cerca de 100 annos antes de
Nannac, haveria hoje 3800 annos, isso 6, um seculo antes do dilu-
vio de Inacche, rei de Argos e pai de Phoroneo. Tiramos a consequ-
encia que naquella epoca, o continent americano ou uma das suas
parties era chamada Meropis pelos Phrygios, e que este nome foi
tambem conhecido entire os Gregos. Entretanto 6 menos antigo
que o de Atlantis.







8 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


xer~o do Egypto; ora na lingua dos egypcios, anti sig-
nifica .
Anti 6 justamente o nome dos Andes da America equa-
torial, e suas povoaq6es t6m ainda o nome de Antis.
Sileno, dando a descripqgo do vasto continent gover-
nado por Merope, falla dos grandes animaes que 1d se
veem, das grandes cidades, dos costumes e leis dos seus
habitantes e accrescenta que elles possuem muito ouro
e prata. Semelhante narraqio nio se pode referir se-
ndo a America.
Parte da lingua dos Antis se acha nos hieroglyphi-
cos dos monumentos do Egypto, assim como no grego
antigo (1 ). Independentemente das provas philologicas
que possuimos, as quaes demonstram as releases dos
povos de ambos os grandes continents, em a mais re-
mota antiguidade, faremos observer que os antigos
Egypcios se representavam sempre em suas pinturas
muraes como sendo da raca vermelha e imberbe: o.ra
os americanos indigenas sHo os unicos povos que sdo
imberbes e de cOr vermelha, e seu typo 6 justamente
o mesmo que se nota nas esculpturas mais antigas
do Egypto. Conchegando este facto ethnographico is
provas philologicas e d communidade de lingua, tor-
na-se evidence que o element principal da grande in-
vasao dos Atlantes, a qual effectuou-se ao mesmo tempo
na Lybia at6 ao Egypto, na Europa atW a Tyrrhenia,
atW mesmeo Grecia, f6ra fornecida pelos habitantes
dos altos valles da America equatorial, colligados corn o?
da i ha Atlantide. Cfitias conta que os Athenienses re-
sistiram a uma multidao infinita de inimigos armados,
rindos do mar Atlantico.

(1) No vocabulario abreviado do egyptologo Bunsen, temos
apontado grande numero de palavas tiradas dos monuments
egypcios e que existem no Kichua coin seus significados identicos.
Estamos igualmente de posse de muitas centenas de vocabulos
gregos que temos apontado no Kichua, e resultado analogo obti-
vemos comparando o Kichua corn o hindustani,







NAVEGACAO DO AMAZONAS


Faz tambem constar a colligaqgo dos reis do vasto
imperio dos Atlantes, comprehendendo os da parte da
terra fire (d'America) sujeita a sea dominio.
S egundo Platao, a esquadra dos Atlantes se com-
punha de various milhares de navios. Desfalcando a
exageraqao, temos em as narraqaoes que acabamos de
referir, as procas da wir/a,',ij do Oceano por povos cuja
antiguidade sobe alem do cataclysma da Atlantide; e
temos a certeza que os povos dos grandes continents
se conheceram perfeitamente antes da 6poca phenicia.
Os antigos Egypcios e os Pelasgios (1) nio eram
na verdade sendo Atlanto-americanos.
Em algumas palavras, havemos dado a chave das
origens da historic, para fazel-a sahir da sua obscu-
ridade. Collocando-nos a um ponto de vista de tudo
novo, ser-nos-ha facil fazer apreciar e conceber a su-
ccessAo dos factos na sua ordem natural; e os movi-
mentos dos povos de uma 6poca relativamente primi-
tiva, atravez dos mares e dos continents, interessam
tambem A geographia considerada debaixo de seus di-
versos aspects.
R. Festo Avieno que, no quarto seculo, traduziu
varias obras gregas, estabelece que alem do Oceano, lha
t(r a n(argens (de u i outro wundo.
Diodoro de Sicilia, 45 annos antes da era christi,
escreveu grande numero de livros sobre os diversos


(1) Os Egypcios diziam ter recebido seus deuses dos
Atlantes; a invasdo do solo grego 6 da mesma epoca: ora os my-
thos e as divindades pelasgicas, introduzidas entire os gregos e la-
tinos, e de que temos descoberto as origens e verdadeiras signi-
ficaq5es na lingua dos Antis; as construcq6es cyclopeas feitas pelos
Pelasgios na Grecia, na Italia, sendo identicas as que se v6m entire
os Antis; a palavra grega pelagios que significa marinha, o nome
do Oceano que 6 pelagos, e outras raz5es ainda, provam a origem
americana dos pelasgios chamatios cyclopes: por isso Homero diz
serem estes filhos de Neptuno e de Amphitrite; por isso tambem
Herodoto nos diz ser Neptuno divindade de origem pelasgica.







10 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


povos do mundo; em seus escriptos, design clara-
mente a America com o nome de ilha, porque ignorava
a sua extensio e configuraqdo: esta express2o de ilha
6 muitas vezes empregada pelos escriptores da anti-
guidade para designarem um territorio qualquer: as-
sim temos visto atraz que Sileno chama ilhas a Eu-
ropa, Asia e Africa. Em a narra(?o de Diodoro, nio 6
possivel o engano, quando descreve a ilha de que fal-
lamos.
< Esta distant da Lybia, diz elle, muitos dias de
de navegagqo, e situada ao Occidente. Seu solo 6 fertil, de
grande belleza e reqrado de rios naregareis.q> Esta circum-
stancia de rios naveqaveis nao se pode applicar senao a
um continent, pois nenhuma ilha do Oceano ter rios
navegaveis. Diodoro continue dizendo: sumptuosamente construidas;>> ora sabemos que a Ame-
rica possue bellos edificios em ruinas e da mais alta
antiguidade. redos espessos e de arvores fructiferas de toda especie.
A caca fornece aos habitantes numero de various ani-
maes; em fim o ar 6 de tal modo temperado que as
fructas das arvores e outros products ali brotam corn
alundancia durante quasi todo o anno., Esta pintura
do paiz e do clima por Diodoro se refere de todo ponto
d America equatorial. Este historiador conta depois
como os Phenicios descobriram aquella regiao. <(Os
Phenicios, diz, tinham-se feito d vela para explorarem
o littoral situado al6m das columns de Hercules; e
emquanto costeavam a margem da Libia, foram lan-
Qados por ventos violentos mai long no Oceano. Bati-
dos pela tempestade por muitos dias, abordaram em
fim na ilha de que fallAmos. Tendo tornado conheci-
mento da riqueza do solo, communicaram sua desco-
berta a todo o mundo. Por tanto os Tyrrhenios, pode-
rosos no mar, quizeram tambem mandar uma colonia;
por6m foram impedidbs pelos Carthaginezes que re-







NAVEGA(AO DO AMAZONAS


ceiavam que um demasiado numero de seus concida-
daos, attrahidos pela belleza d'esta ilha, desertassem
da patria.>
N'um escripto de Aristoteles (de mirab. auscult.
cap. 84) diz que foi o receio de ver os colonos sacudi-
rem o jugo da metropole carthagineza e prejudicarem
ao commercio da mroe patria, que levou o senado de
Carthago a decretar pena de morte contra quem ten-
tasse navegar para esta ilha.
Aristoteles descreve tambem uma regiAo fertil,
abundantemente regada e coberta de florestas, que
fora descoberta pelos Carthaginezes, alem do Atlantico.
Os Tyrios haviam fundado Carthago 250 annos
antes de Salomdo; ora Strabon diz-nos que esta colo-
nia phenicia fechou o estreito de Gades aos Gregos
para impedil-os que navegassem no Oceano. Por6m as
colonies phenicias na Numidia e ao long da costa afri-
cana remontam a 1490 annos antes de nossa 6ra. Os
Chananeos, expulsos por Josue, embarcavam para a
Mauritania cujas margens sdo banhadas pelo Mediter-
raneo e o Oceano. Tingis (Tanger) era um dos seus
pontos de desembarque; pois Procopio (Vandalic, 2)
conta que no seu tempo ainda se via perto d'esta ci-
dade duas columns cujas inscripQ5es gravadas resa-
vam que ld estavam os povos que o usurpador Josu6,
filho de Nav6 (Nun) tinha expulso de seu paiz. Sallus-
tio, em Jugurtha, diz ter tirado dos archives dos reis
de Numidia o apontamento seguinte: < cios expulsos do seu paiz, tinham vindo, pouco tempo
depois de Hercules, estabeleceram colonies sobre as cos-
tas d'Africa onde construiram cidades>. A exemplo dos
Phenicios, os Carthaginezes fundaram tambem diversas
cidades nas margens da Lybia, do lado do Oceano.
Hannon, almirante carthaginez, fez uma viagem desde
o estreito de Gades at6 d entrada do golfo arabico-
contornando a Africa (Plin. Hist. nat. lib. 2 De rotun-
dit. terrae); embarcou em sessenta navies 30 mil pes-







12 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


soas de ambos os sexos para servirem A fundagco
d'essas cidades e colonies carthaginezas. A frota de
Carthago era de duzentos navios, e na epoca da pri-
meira guerra punica subia a 500.
.A historic esta cheia de narraqoes que provam que
os Phenicios e os Carthaginezes frequentavam o Oce-
ano.
D. P. F. de Cabrera, de Guatemala, mui versado
nos factos da antiguidade, assegura que os Carthagi-
nezes fundaram na America uma colonia durante a
primeira guerra punica. Lendo as narraqbes dos di-
versos chronistas do tempo da conquista e das desco-
bertas na America, adquire-se a certeza que, em di-
versas epocas da antiguidade, este continent fora vi-
sitado e invadido mesmo por povoaq6es estrangeiras
vindas do antigo continent.
Independentemente das tradiq5es, os monuments
com inscrippqes e esculpturas na pedra a mais dura,
provam que instruments de ferro e de ago serviram
para graval-as; ora em nenhuma parte da America
tem-se podido descobrir vestigios de fabric de ferro,
o cobre s6 estava em uso. Artists e operarios estran-
geiros, particularmente os Carios, assignalados na Ame-
rica, teriam, pois, contribuido para a construcqdo e em-
bellezamento dos edificios que nella se admiram.
Ha pelo menos 3500 annos que os Carios ou Cares
estavam estabelecidos nas Cycladas e outras ilhas do
Mediterraneo, donde partiam para navegarem o Oce-
ano; e com razdo Diodoro diz que os Carthaginezes se-
guiram na navegaao os rastos dos Carios nos mares do
Oeste.
Os Carios usavam de pennas a modo dos ameri-
canos; alem d'isto tem deixado em a maior parte da
America seu nome e numerosos signaes archeologicos;
estabeleceram mesmo uma dynastia de sua raqa que
reinava em Quito, capital do Equador.







NAVEGACAO DO AMAZONAS


Plutarco, no Tratado das manchas no orbe lunar, conta,
abrangendo todo o Occidente alem das columns de
Hercules, que o continent em que reinava Mferope foi visi-
tado por Hercules numa p1l'.I7, que fez para o Oeste, e
que seus companheiros ali apuraram a lingua grega que
comeQava a se adulterar. Ora nossos estudos de philo-
logia comparada nos t6m feitd descobrir que a lingua
Kichua ou dos Antis da America equatorial e meridi-
onal contem centenares de vocabulos gregos. Este facto
confirm a viagem de Hercules na America. (1)
Num relatorio a Academia das InscripQ5es e Bellas
Lettras, por M. C. Renan (t. 23, leitura de 9 de Outu
bro de 1857), este sabio < nha feito aos Phenicios emprestimos para seus cultos
os mais antigos, particularmente nos que parecem ter
raizes mais profundas no solo pelasgico. Estes mythos,
diz elle, figuram em Hesiodo e Homero como tradiQ5es
velhas cuja origem ( desconhecida.> Ora temos descoberto
que as divindades pelasgicas, gregas e romanas tem
seus nomes ou suas etymologias exactas na lingua Ki-
chua, donde result que ellas teem sido importadas da
America equatorial em nosso continent: numerosos
exemplos temos consignado-d'isso n'uma Memoria es-
pecial; e sdo outras tantas provas das relaqbes que se
haviam estabelecido entire o Antig6 e o Novo Mundo.
Poderiamos, com exemplos tirados da historic, de-
monstar o contact evidence que tem tido entire si os
povos dos dois grandes continents. Assim a genealo-
gia mythica nos ensina que Inaccho que fundou uma
colonia na Grecia, era filho do Oceano, isto 6 que ti-
nha vindo atravez do Oceano (2). Segundo a historic,

(1) Segundo Plutarco, as origens gregas achar-se-iam na Ame-
rica: os resultados de nossos trabalhos dho-lhe complete razdo.
(2) Inaccho ndo era oriundo de Phenicia, como alguns julgardo;
vindo pelo Oceano, andou pelo Egypto e a Phenicia recrutando co-
lonos para se estabelecer com elles em Argolida, onde fundou Ar-
gos:,Strabon o consider como pelasgio.







't ANNAES DA BIBLIOTIIECA E ARCHIVO PUBLIC


Belo que foi estabelecer uma colonia em Babylonia e
o sacerdocio ao modo dos Egypcios, tinha nascido de
Lybia e de Neptuno, isto 6, filho de uma africana e de
um habitante vindo pelo Oceano. O culto de Belo, Bel
ou Baal, estava no principio identificado com o do De-
os-Sol: ora, na America este mesmo culto existia; e as-
sim como em Babylonia se adorou a Belo, assim no
Perui se adorava ao Inca como descendente do Sol.
O novo e o antigo continent possuem igualmente
pyramids, tumulos e construcqGes cyclopeas; de am-
bos os lados do Oceano tem-se as tradicGes dos gi-
gantes e das Amazonas; as ideas mythologicas e o es-
tudo dos astros eram identicos na Asia, no Egypto e
na America. Em quanto ao que mais particularmente
tem respeito aos Hebreos, muitos dos costumes d'elles
se hao observado entire os povos americanos. As ves-
timentas e os attributes sacerdotaes d'esses eram iden-
ticos aos que se notam nos munumentos egypcios. A
circumcisao existia igualmente no Egypto, na Ame-
rica e entire os Hebreos; e, note-se, estes ultimos prati-
cavam esta operacao com pedra afiada, exactamente
como os Indios da America equatorial, posto que a lei
ndo Ihes impozesse a escolha do instrument.
Quando o rei de Portugal Aphonso V autorisou
em 1461, o estabelecimento dos colonos nas ilhas dos
Aqores, achou-se na de Cuervo, a mais distant para
Oeste, uma estatua representando um cavalleiro que
com a mro direita apontava o Occidente, a direcqao da
America. No mesmo rochedo em que tinham talhado
essa estatua, existia uma inscripgao em caracteres des-
conhecidos dos Portuguezes (1). Esta estatua, que foi
chamada Cades ou Cates, tira sem duvida seu nome do


(1) Hist. geral das viagens, tit. 1.-Eddrissi, geographo arabe
faz tambem mengco d'esta estatua, assim como diversos escriptores
d'aquelle seculo







NAVEGACAO DO AMAZONAS


Kichua cati, ( ritimos.
Em fim ndo esqueqamos observer a proximidade
das ilhas do Cabo Verde da costa do Brazil, e a exis-
tencia das correntezas equatoriaes oppostas, que faci-
litam a travessia entire os dlois grandes continents para
ida e volta. Este facto 6 hoje perfeitamente constatado,
e pode se verificar corn o mappa das correntezas do
Oceano.
Em resumo, nossas citaq5es provam que na anti-
guidade, at6 a qu6da de Carthago, 146 annos antes de
Jesus-Christo, o Oceano tinha quasi sempre sido fre-
quentado, que a America era conhecida dos povos na-
vegantes; em ultimo logar, que a facilidade das com-
municaQ6es sempre existiu entire os dois grandes con-
tinentes pelos ventos geraes a as correntezas equato-
riaes, cujo conhecimento possuiam os marinheiros phe-
nicios. Comprehende-se agora porque Salomao pedia
maritimos a Hiram para mandar seus navios a Ophir
e Tarschisch; e vamos mostrar que esses logares ce-
lebres da Biblia, assim como Parvaim, se achavam no
interior do rio das Amazonas.
A choronologia seguinte, do cataclysma da Atlan-
tide atW Salomao, pode ser consultada vantajosamente;
as datas anteriores d era christd, accrescentaremos a
de 1870 depois de Jesus-Christo. A cidade de Sidao,
appellidada cidade dos pescadores, existia ha 4800 annos. Ado-
ptada a data de Herodoto, Tyro que a Biblia chama
Filha de Sidao, foi fundada ha 4620 annos. 0 reino de
Belo remonta a 4000 annos. 0 diluvio que teve logar
no tempo de Phoroneo e de Inaccho, rei de Argos, re-
monta a 3700 annos: este rei pelagico tinha vindo, se-
gundo a historic, atravez do Atlantico, at6 i Grecia. Ha
3399 annos que teve logar o diluvio de Deucaliio, se-
gundo os marmores de Paros.
A data de Cecrops II e de Atlas II, rei de Mauri-
tania, remontram a 3210 annos.







16 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


0 reino de Merope na America e a expedigio de
Hercules sobre este continent atravez dos mares do Oeste,
tern a data de 3129 annos. Segundo Appiano d'Alexan-
dria, ha 3130 annos que Carthago foi fundada. A to-
mada de Troia remonta a 3079 annos, segundo os mar-
mores de Paros. Emfim ha 2880 annos que o templo de
Salomao foi edificado e que reinava Hiram, rei de Tyro;
pouco tempo depois desta mesa epoca, segundo os
trabalhos de Gosselin, o almirante carthaginez Hanndo
teria realisado sua viagem a redor da Africa.
Umra residencia de doze annos na America equato-
rial e meridional, me tern fornecido ensejo de um es-
tudo aprofundado dos territories 'do Perui e do Equa-
dor, assim como em diversas expedicges o de fazer ex-
ploragoes e operacoes geometricas para levantar o
mappa d'esta ri gido. 0 da America equatorial que tenho
publicado em Paris (1) ao mesmo tempo que um livro
com o mesmo titulo, 6 o mais complete que existe, em-
quanto que os meus fragments do mappa do Perui
ainda nao se publicaram. 0 mappa annexo a este re-
latorio sobre as viagens das frotas de Salomio, nio
indicard senao os pontos geographicos indispensaveis
e os que se referem a minha demonstraqio.
Minhas descobertas historicals t6m sido facilitadas
pelo estudo da lingua Kichua, fallada nos Andes do
Perti e do Equador, tenho feito d'ella um vocabulario
nas minhas excursbes.
Os philologos farao bem em adquirir o vocabula-
rio Kichua de Tschudi que me parece ser o mais com-
pleto dos que tem sido impressos at6 hoje, posto que
se possa augmentar.
Tschudi publicou ao mesmo tempo em Vienna, a
grammatica Kichua e um volume d'ethnographia.
Aproveitamos esta occasia1o para dizer aos philo-
logos que o Kichua contem grande parte das linguas

(1) Me. V. Jules Renouard, livreira, rua de Tournon, Paris.






NAVEGACAO DO AMAZONAS


mortas da Asia, do Egypto e da Grecia. Esta desco-
berta 6 devida aos meus perseverantes trabalhos, e
aponto este facto aos philologos para que entrem com-
migo em nova estrea para suas pesquizas historical e
linguisticas; chegardo a resultados que estdo long de
esperar.
David quando morreu, deixou a Salomio para a
construcgdo do templo 7 mil talents de prata e 3 mil
de ouro de Ophir. 0 velho rei nio tinha nenhum na-
vio que navegasse em os mares exteriores; recebia, pois,
o ouro de Ophir pela trafico dos Phenicios que, segun-
do a Biblia, conheciam todos os mares. Salomao, para
p6r.A execugdo os seus grandes projects que exigiam
immensos thesouros, recorreu a Hiram; chegou a inte-
ressal-o nas suas emprezas e a contractor corn elle al-
lianga solida. P
0 receio de excitar a ciosa susceptibilidade dos
povos do Mediterraneo, foi sem duvida o motivo que
decidiu Salomno a mandar construir em Esion-Gaber,
no mar Vermelho, os navios que destinava As viagens
de Ophir.
Hiram Ihe mandou marinheiros experimentados, e
como se hMo de convencer adiante, a frota de Ophir nio
voltou nunca ao mar Vermelho; passou pelo cabo afri-
cano para se reunir no Oceano Atlantico corn a frota
de Hiram, que sahiu do Mediterraneo.
A descoberta que fizemos do caminho seguido pe-
los navios de Salomao e do rei de Tyro, atravez do
Oceano, ha 2880 annos, para irem A America, sera
neste relatorio, provada de um modo irrefutavel. As
conjecturas nem os raciocinios mais ou menos especi-
osos de alguns sabios nao tem podido at6 hoje arran-
car o v6o que cobria a estrea desconhecida que seguiam
as frotas d'esses reis, e ninguem pode precisar os lo-
gares occupados por Ophir, Parvaim e Tarschisch.
Esta question, tantas vezes controvertida, nao foi nunca
resolvida pelos homes mais eruditos que a tratArao,






18 ANNAES DA BIBLIOTHECA IE ARCHIVO PUBLIC


porque sua argumentacao, long de ter base solida, se
assentava apenas sobre hypotheses, e achava-se emba-
racada por crengas erroneas sobre a navegagao dos
antigos. Suas posquizas em todos os pontos do antigo
continent nao tendo trazido solucgo alguma verosimel,
temos seguido march inversa, e foi na propria Ame-
rica, na sua parte mais desconhecida, que temos des-
coberto os celebres logares de Ophir, de Parvaim e de
Tarschisch. Nesses mesmos pontos existem ainda varias
localidades que tOm conservado nomes hebraicos, em
quanto os nomes dos objects trazidos pelos navios de
Salomao e de seu alliado o rei de Tyro, pertencem jus-
tamente A lingua dos indigenas da regiao frequentada
por esses navios: ora estes nomes, segundo confessam
os maiores philologos, pertenciam d outra lingua do que
a hebraica. Havendo os nossos trabalhos chegado A
reuniZo de numerosas provas e circunstancias eviden-
tes, accumuladas nos logares designados, podemos apon-
tar a proveniencia dos objects importados em Jeru-
salem; assim como seus nomes que foram tomados da
lingua Kichua ou dos Antis, a qual ainda se falla na ba-
cia superior do rio das Amazonas: faremos alem d'isso
conhecer os significados e as etymologias exactas; em
quanto As localidades mencionadas neste relatorio, acon-
selhamos aos leitores que examine a sua situacgo em
o mappa que temos levantado para que nossa demons-
tragao seja melhor entendida.
Comecemos por fazer conhecer Parvaim. 0 exame
desta palavra 6 important; ella, por si s6, 6 uma re-
vellago. No livro 2 dos Paralipomenos, cap. 3, v. 6,
diz-se que dras preciosas e que o ouro era de parvaim., Este
rei conseguia, pois, o ouro de outra parte que nao fosse
s6 Ophir e Tarschisch. Parvaim 6 pronuncia alterada
de Paruim, por isso que o antigo alphabeto latino con-
fundia o v e o u, que o iod que 6 a vogal i, muitas ve-
zes se 1I com a pronuncia de ai em hebraico. Por6m no







\AVEGAqAO DO AMAZONAS


texto hebraico o ouro de Paruim esta escripto Zab-Paruim;
em o texto grego dos Setenta l1-se igualmente Paruim,
e sua versdo nos di aqui complete razdo. A termina-
qao im indica o plural hebraico; esti accrescentada a
Paru, porque, como se v& em nosso mappa, existem na
bacia superior das Amazonas, no territorio oriental do
Peril, dois rios antriferos, um com o nome de Paru, outro
corn o de Api-Paru, o rico Paru, e que unem suas aguas
em 100 30' de latitude meridional, para as confundirem
depois no Ucayali que 6 um dos grandes affluentes das
Amazonas.
Ora, dois rios do nome de Paru fazem justamente
u1m plural e ddo o Parit-im dos Hebreos. Eis pois um dos
logares biblicos perfeitamente indicado e por n6s des-
coberto (1). Faremos a respeito de Parvaim as obser-
vaq5es seguintes: 6 que os dois rios Paru e Apu-Paru
descem da provincia Carabaya que 6 a mais aurifera
do Perd. A segunda observaQgo 6 que nao se deve jul-
gar, apezar da quasi-similhanga dos nomes que Peril
venha de Paru. 0 imperio dos Incas tinha o nome de
Tahuan-tin-suyu, isto 6 >.
O nome de Peril 6 modern; Pizarro, arribando
pela primeira vez a esta parte do novo mundo, chegou
ao cabo Biru situado no Pacifico, entire o 80 e o 9 de
latitude meridional; deu ao paiz que acabava de des-
cobrir o nome de Biru e d'elle se fez Piri: esses no-


(1) Paru parece ser contractado do antigo egypcio pa-aru
beira>>; paru significa ribeira entire os Mayorunas da alta Ama-
zonia; por6m esta palavra que cahio em desuso entire as povoa-
95es dos Andes (Antis), devia na antiguidade pertencer ao Kichua;
ainda se acha com forma corrompida de palu ou pelu oribeira>>; cha-
ma-se ainda Pari a maior parte das origens dos grandes rios; em
Kichua para significa a chuva; e para em tupi significa ribeira.
Em tartaro parok 6 a torrente. Os verbos Kichua ara, ala uma fonte>> sdo a origem de ara, ari, aru, alu, elu precedidos do ar-
tigo Kichua pay que tem sido contractado em pa como no egypcio. Palu
originou o latim palus, mar, pantano, porgio d'agua qualquer-







20 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHVIO PUBLIC


mes figuram nos manuscriptos e impressos dos dois pri-
meiros seculos que seguiram a conquista do Peri. Mon-
tesinos, um dos chronistas hespanhoes, por causa da
abundancia do ouro que se tirava do Peru, suppoz que
o Perui podia ser o Ophir da Biblia. Por6m faremos
observer primeiroque o nome de Ophir nao tern nada
de commum cor o de Paruim ou Parvaim; e em se-
gundo logar que Ophir, como se pode ver em nosso
mappa, nio esti no territorio do Peri, mas sim nas
possesses brazileiras e columbianas.
Os rios Paru e Apu-Paru limitam ao Sul e Oeste
um antigo imperio de nome de Inim e que hoje estd
feito legendario; apontam-no os mappas de alguns mis-
sionarios, entire os quaes o mais explicit 6 o do P. So-
breviela.
Inim 6 palavra hebraica derivada de inini ou ineni
< referem ao Kichua inin . Assim o
imperio de Inin 6 bemn o imperio do create ou da f(. Eis
pois, na America um nome cujo feitio 6 todo oriental.
Este imperio ter ainda por limits ao Sul o rio Beni e
a Leste o rio Cayari que chamam hoje do nome portu-
guez ( Beni 6 a palavra hebraica e arabe que tern por si-
gnificado formado do hebraico ca c:rio),, ,> (1). Entre os rios que descem
do Sul ao Norte e atravessam o imperio de Inin se acha


(1) Faremos observer que os Hespanhoes davam ao Ucayali e
outros rios cujas aguas eram brancas o nome de blanco, e os Portu-
guezes o de branch: mas isso nao podia autorisar ao Sr. Martius a
dar ao nome de Cayari o senso de fliaius albus, como o ter dito no
glossario; o Kichua, o tupi, nem dialecto algum das Amazonas pode
fornecer etymologia applicavel a Cayari no sentido de rio branco.
Se existisse essa etymologia, Martius que no seu glossario ter ar-
riscado centenares de raizes inverosimeis, nuo teria deixado de dar
a de Cayari.







NAVEGA(AO DO AMAZONAS


o Hittai ou Jutalhy (1); ora, a palavra hebraica h ta si-
gnifica <(prevaricador), hli. i ou y 6 um vocabulo indi-
gena que significa ,,agua, ribeira: Hutai < varicador,. Este nome, como se v6, quadra bem por seu
contraste, corn o do imperio do crente. 0 Hutai tern
por affluent um rio do nome de Omara: nao sera o
nome judaico ou arabe de Omar, o prevaricador talvez?
Eis, porem, o complement de tantas coincidencias
se referindo ao imperio de Inin: o rio das Amazonas,
desde a embocadora do Ucayali atW a foz do Rio Ne-
gro, traz ainda o nome de Solimoes: nio 6 nem mais
nem menos que o nome viciado de Salomao, dado ao
rio das Amazonas pela frota do grande rei que delle
tomou posse: em hebraico Solima e em arabe Soliman.
Ora, os chronistas da conquista do rio das Amazonas
contam que, ao Oeste da provincia do Pard existia
uma grande tribu corn o nome de Soliman (2), nome
que tinha o rio: pois na America as correntes d'agua
tiram os nomes das tribus que as habitam. D'ahi tam-
bem os portuguezes tem feito Solimao porque costu-
mam mudar o n final em a vogal o.
Nao se torna por acaso de mais em mais evident
que o frota de Salomio reinava soberana nas aguas
das Amazonas, e que foi ella que fundou o imperio dos
Crentes ou de Inim, nos limits que temos designado?
Esta colonia hebraico-phenicia teve uma duragco
temporaria assaz longa; pois as viagens triennaes dos
navios de Salomao e de Hiram se renovaram varias
vezes; provavelmente ndo foi abandonada d propria


(1) Os Hespanhoes escrevem Jutahy, por6m sabe-se que elles
pronunciam Khutai ou Hutai, a lettra J sendo entire elles guttural e
aspirada. Martius (nomina locorum) o escreve tambem Jutahy.
(2) 0 diccionario geographic universal, por Picquet, escreve
Soriman; por6m em portuguz, diz-se indifferentemente Solimao,
Solimoes, Solimoens, Sorimies, porque nas linguas americanas as
lettras labiaes L e R se assemelham constantemente; pode-se ver
estas differengas no vocabulo tupi, por Martius, p. 525.






22 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


sorte senAo no reinado de Josaphat, rei de Judd, no
tempo em que os Carthaginezes todo-poderosos, nao
permittiam a naqgo alguma o sahir do Mediterraneo.
Eis porque Josaphat quiz mandar sahir do mar Ver-
melho para essa mesma regiio uma frota equipada
conjuntamente com Ochozias, rei de Israel, por6m um
temporal hediondo a destruiu completamente.
Passemos a Ophir, logar tao celebrado por suas
riquezas. Devemos lembrar aqui que philologos tem
crido poderem fazer que prevalecesse o nome de Abiria
por ter sido o Ophir da Biblia. Porem levaremos nossa
attengdo sobre os factos seguintes: primeiro, o nome
de Abiria 6 a traducqgo latina do vocabulo grego Sa-
beiria, torado na geographia de Ptolomeu, liv. 7, cap.
1. A licenga do traductor 6 tao grande qudo censura-
vel. Em segundo lugar, Sabeiria se achava situado na
parte occidental da India que chamavam Indo-Scythia.
Porem 6 reconhecido que a India, mormente na sua
parte occidental, n~nca produzio ouro para o commercio;
em quanto que pelo contrario os Egypcios e Arabes
ali traziam seu ouro, para o trocar cor tecidos de l1 e
de algodio. Assim a hypothese que Sabeiria fosse o
Ophir da Biblia cahe por si.
0 Sr. Estevdo Quatremere, no seu relatorio sobre
o paiz de Ophir, diz que o nome de Ophir ficou des-
conhecido aos escriptores gregos e latinos; refuta as
hypotheses de various sabios e geographos que trata-
r~o d'esta questdo; elle nao admitted que Ophir tenha
sido collocado no golfo arabico, na Arabia Feliz, nem
em parte alguma da India; nio admitted mesmo que
podesse ser em Ceyldo, Sumatra, Born6o, ou ponto al-
gum do extreme Oriente, pela razdo muito simples, diz
elle, que os navios de Salomdo e de Hiram gastavam
tres annos em cada viagem. Por6m o Sr. Quatremere cahe
no proprio erro dos que combat, pois que colloca
Ophir em Sofcdalh, na costa oriental da Africa. Nao se
pode admittir que a navegagio das frotas sahidas do






NAVEGACAO DO AMAZONAS


mar Vermelho ou do Mediterraneo para Sofalah, tenha
sido maior que a das ilhas do extreme Oriente; as vi-
agens em Sofalah nio explicariam pois os tres annos
de cada ausencia dos navios de ambos os reis. Entre-
tanto para fortalecer a sua hypothese, o Sr. Quatre-
mere nio hesita na escolha dos meios: assim 6 que
por nao achar paves na Africa, elle quer que os pas-
saros chamados tukins na Biblia, sejam piriquitos ou
picotas.
A argumentacgo do Sr. Quatremere 6, pois, fraca,
e suas hypotheses sem fundamento nao dio nenhuma
verosimilhanga a existencia de Ophir na regido de So-
falah.
Para ter-se uma idea do que era Ophir, 6 procu-
rar 4 significaiao d'este nome; por6m antes de tudo,
6 necessario centificar-se do modo comn que se escreve
em caracteres hebraicos.
No cap. 10 do livro 1 dos Reis, v. 11, acha-se es-
cripto em lingua hebraica de dois modos Apir e Aypir.
No cap. 9 dos Reis, v. 28, este nome esti escripto
Aypira: esta ultima forma accusativa de Aypir tornou-
se um nominativo; mas Aypira naio 6 sendo o nome
mal pronunciado de Yapurd, grande affluent das Ama-
zonas ou do rio Soliman, em consequencia de uma per-
muta de lettras, como por exemplo o Kichua yara < 1hagem>> faz em vasco irgla; um vaso em Kichua Kir(u,
em chaldaico Kiura; sujo em Kichua millay, em hindous-
tani maila; panella em Kichua paila, em persico piala,
etc.; o mesmo se deve dizer a respeito das mudangas
de vogaes, como em Kichua o ar huayra, faz em lapo-
nico huiro, em georgico liairi, em chaldaico hnaiar, em
syriaco oyar, em grego e latim aer; o nome de numero
um em Kichua huc, em hindoustani hlec, em bulgaro hic,
em telegu lhac; lingua em Kichua kalt, em mongol kd(',
em syberiano kil, em filandez kieli; um menino em Ki-
chua (lhri, em velho egypciaco chirn e em egypciaco-
copta chiri. Assim os exemplos de permuta e de sub-






241 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


stituiqces de vogaes nTo alteram a significacqo das pa-
lavras, e nada se oppie a que o Aypira da Biblia te-
nha vindo do nome do rio Yapura.
Este ultimo nome esta composto Y de que signi-
fica , e de apura que 6 o nome de Apira ou Apir,
(agua ou rio de Apir ou de Ophir>. Este logar celebre
esta pois achado e claramente designado; e, apezar de
uma distancia de 2880 annos, este nome nao tern sof-
frido senao a alteragio de uma vogal Yapurd em logar
de Yapira, e isto no meio de povos selvagens que nio
falam hoje o Kichua dos Antis (1). Em sua <~Viagem
ao Brazil e Amazonas, o Sr. Agassiz escreve Hyapura,
Temos dito acima que no cap. 10 dos Reis, ivr. 1-
Ophir em hebraico 6 Apir. Ora este vocabulo pertence
a lingua Kichua, e os mineiros de toda a cordilheira
dos Andes e da bacia superior das Amazonas, tem o
nome de Apir ou de Apiri e em alguns logares de Ya-
piri. Eis pois a origem de Apir ou de Ophir do texto
latino. Apir ou Apiri se refere aos mineiros e logares
por elles cavados, emquanto que Aypir, Aypira ou Ya-
pura indicam que elles .trabalham na agua em que se
faz a lavagem do ouro. Para precisarmos ainda mais o
district mesmo do Ophir, voltemos ao rio Yapura e ve-
jamol-o no mappa. Em sua margem esquerda esta in-
dicada uma montanha: esti tambem no mappa do Sr.
Fritz, outr'ora missionario n'aquellas paragens (2). 0
Sr. de La Condamine usou deste mappa na sua viagem
as Amazonas; e, em sua relaqAo, falando d'aquella mon-
tanha, diz que ella contem prodigio*a quantidade de ouro.

(1) Nos dialectos da bacia central das Amazonas, a agua e o
rio sdo sempre hi, hy, i, y, yg, ig, igh, yh, hu, u, etc. Devemos fazer
observer ainda que no hebraico, as lettras P e PH sao represen-
tadas pelo mesmo signal, e que Ayphira on Aypira, Ophir ou Apir
sio a mesma cousa; que a pronuncia verdadeira e nio Ophir, se-
nao Apir.
(2) Este mappa acha-se depositado na Bibliotheca Imperial
de Paris.






NAVEGACAO DO AMAZONAS


D'ella sahe o Rio del oro cujo nome indigena 6 ikiari:
este nome 6 contractado do hebraico ikir ,precioso,> iari
; co rio precioso>. Corre do Sul ao Norte e de-
semboca no lago Yumaguari; ora yuma 6
palavra indigena unida aos dois vocabulos hebraicos
gqu, centroro>, ari Kcavidade>. O lago de Yumaguari tem,
pois, por nome cavidade centro do ouro native>. O
YapurA desce a sua vez das ricas montanhas do Po-
payan, provincia da Columbia; e um de seus affluen-
tes auriferos tem o nome de Masai ou Masahi. Masai
ainda 6 nome derivado de hebraico masar <, ao
qual o termo indigena i, , esta accrescentado.
Este rio tem, pois, o nome de ( (1).
Os hebreos davam o nome de masaroth aos thesou-
ros consagrados.
Sobre o curso do Iapurd encontra-se uma cacho-
eira chamada pelos Hespanhoes ; po-
r6m seu verdadeiro nome, conservado entire os indige-
nas, 6 Uacari ou Acari (2) expressed que elles ordinaria-
mente applicam aos logares d'este rio onde ha uma
elevaqdo abrupta do Solo. Ora, no hebraico Uacarit ou
Acarit significa Eis pois uma series de vocabulos e nomes hebrai-
cos que fortalecem nossas provas sobre a regido de
Ophir, e 6 a mesma que atravessa o rio Yapura. Diver-
sos outros nomes dos mais significativos confirmam
ainda nossa opiniio: assim v6-se o rio Catuaiari, do Ki-
chua catu -.mercado>, e do hebraico aiari <, do mercado,; o nome do logar Macapiri, das palavras


(1) A elisLo da consoante r 6 de frequent exemplo entire os
povos americanos, oceanicos e africanos: por isso pronuncia-se
Masai em lugar de Masari.
(2) Veja o Glossario de Martius, Nomina locorum. p. 434.


1)anNl~, DA BIaLIoIULcA L AICl~luo-oJo M






26 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


Kichua maca, ; (1) acha-se
ainda os nomes das tribus Apanos < Mlarukeuinis cos socadores de terra>>, os Apapuris cos car-
rega viandantes>>. Como o temos dito, os indigenas
do Yapura, que t6m transmettido esses nomes, nio
conheciam nem o Kichua nem o hebraico; 6 mais uma
prova que antigamente sobre as margens do Yapura, as
povoaq6es Antis se tem encontrado com os Hebreos e
os Phenicios (2).
Diante de tAo grande numero de coincidencias si-
gnificativas, desses nomes hebraicos entire os quaes se
acham Apiri ou Ophir, Y-Apura, ( digiosa riqueza aurifera verificada pelo Sr. de La Conda-
mine, na visinhanQa do rio de Salomio e do imperio de
Inin ou do Crente, podemos determinar os limits da re-
gido de Ophir: ella estd situada no territorio columbiano
e brazileiro, num triangulo formado, de uma parte pelas
montanhas columbianas de Popayan e de Cundinamarca
at6 o lago de Yumaguari cujas aguas alimentam um
dos affluentes do Orenoco (3); de outra parte, pelo rio
Ikiari at6 a montanha aurifera donde desce este rio; e
pelo rio Yapura. A desappariqo das frotas de Salo-
mio e de Hiram durante tres annos, a cada viagem
que faziam, se acha agora explicada, pois que ellas es-
tacionavam no rio que tinha o nome de grande rei. Se
essas compridas estaq5es, varias vezes repetidas, tives-
sem tido logar em qualquer ponto do antigo continent,
a tradiPao ou a historic nao teriam deixado de nol-o
transmittir.
As varias viagens triennaes, a excepCgo de uma
s6, nao se referem a Ophir, pois todas se fizerao em

(1) Maca 6 um prato de madeira que serve para lavar o ouro
e separal-o da areia.
(2) Os Phenicios e os Hebreos fallavam a mesma lingua.
(3) A Cundinamarca possue monuments da antiguidade que
nao tem sido estudados; e de suas montanhas descem rios cujos
nomes revelam a antiga presenCa dos Phenicios ou dos Hebreos.






NAVEGACAO DO AMAZONAS


Tardschisch. David recebia pelos Phenicios o ouro de
Ophir, e a frota construida no tempo de SalomRo para
o mesmo destino, sahio do mar Vermelho onde nunca
mais entrou; fez sua junco no Atlantico com a de
Hiram a qual sahio do Mediterraneo; e ambas tomarao,
depois da unica viagem que fizeram juntamente a Ophir,
o nome de frota de Tarschisch, segundo o texto hebraico,
e o de frota d'Africa, segundo o testo chaldaico. Causas
diversas parecem ter motivado o abandon de Ophir.
Basta lanqar uma vista sobre o mappa, para ver que o
rio Yapura tem varias fozes mal definidas as quaes se
obstruem com facilidade pelos troncos que carregam
as aguas: o que devia ser para os navegantes uma
causa de difficuldade e confused quando se interna-
vam naquelle labyrintho. Alem disso, os Hespanhoes e
Portuguezes hMo reconhecido que a region do Yapura
era mui insalubre. Em terceiro logar, explorando mais
para Oeste o rio das Amazonas, os Hebreos e Pheni-
cios achardo ouro fino em grande abundancia, com o
trabalho mais facil que em Ophir. Em quarto logar,
rio acima, tinha clima bom e navegaqdo mais commoda.
Em quinto logar, approximando-se dos Antis, povo
meio civilisado e laborioso, podiam d'elles tirar bom
proveito e abastecimento para seus navios.
Emfim, nesta regiao superior da bacia das Ama-
zonas, achavam prata e outros objects que as frotas
traziam em Joppe (Jaffa) para Jerusalem; os nomes
dos que estdo no texto hebraico da Biblia, pertenciam
d lingua dos Antis, como ver-se-ha adiante.
Dissemos ha pouco que chegando-se mais aos An-
tis, o ouro fino era abundantissimo; com effeito, os
Hespanhoes tem durante cerca de dois seculos, effe-
ctuado na Alta-Amazonia, a lavagem das areas aurife-
ras, e sua riqueza ndo parece haver diminuido; pois
hoje, um indio, com seu prato de madeira, pode colher






28 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


at6 sessenta francos de ouro fino em uma hora (1).
Foi evidentemente esta regiao que no tempo de Salo-
mao recebeu o nome de Tarschisch: pois a etymologia
d'esta palavra 6 tomada na lingua Kichua, que 6 a dos
Antis. Tarschisch origina-se de tari edescobrir- chichiy
colher o ouro miudo,. Tarschisch 6 pois o logar onde
se descobre e colhe o ouro miudo. O abandon de Ophir,
a visinhanga de Parvaim que foi precise tambem aban-
donar, pois que era necessario se internal considera-
veimente; as facilidades offerecidas pelas novas des-
cobertas, e a etymologia de Tarschisch sio um concurso
de circumstancias que determinam a regiio onde se
achava Tarschisch. Em fim digamos que este nome nio
tern sua etymologia em lingua alguma a nio ser o Ki-
chua. Para ir a Tarschisch, diz a Biblia que o propheta
Jonas embarcou em Joppe: era pois para emprehender
a navegacio do Atlantico,; pois no caso contrario tinha
de embarcar no mar Vermelho.
Eis o que diz o vers. 22 do cap. 10 dos Reis:
chisch, cor a frota de Hiram. Uma vez em cada tres
annos, vinham os navios de Tarschisch, trazendo ouro,
prata, marfim, monos e pavess. Os Paralipomenos con-
firmam essas viagens triennaes, dizendo liv. 2, cap. 9,
v. 21: servos de Hiram: uma vez cada tres annos, vinham
os navios de Tarschisch,>.
Faremos observer que a viagem de Ophir, no rei-
nado de Salomao, nao Ihe rendeu senio 420 talents
de ouro, segundo o cap. 9 do liv. 1 dos Reis: e que os
Paralipomenos, liv. 2, cap. 9, v. 10, completam esta nar-
racao: Os servos de Hiram e de Salomao, que trou-

(1) No anno passado, e este anno ainda, temos visto os relato-
rios dos officials da marinha peruana que estabelecem a verdade
desta asserqio e que apontam, nomeando-os, esses lugares tlo ri-
cos onde as experiencias foram feitas debaixo de seus olhos.






NAVEGA(AO DO AMAZONAS


xeram o ouro de Ophir, conduziam algum e pedras pre-
ciosas,>. As madeiras chamadas algqum deviam necessa-
riamente ser desembarcadas em Joppe que 6 muito
perto de Jerusalem. 0 cap. 9 v. 11 do liv. 1 dos Reis:
< importou grande quantidade de arvores Almug e pedras
preciosas. Notemos que nesta viagem as frotas alliadas
trouxerio de Ophir duas sortes de madeiras, os algum
e os alung, por6m que nio 6 mais question de madeiras
nas viagens a Tarschisch cujo ouro e prata foram o
movel principal.
Se se resume o que tem dito os commentadores so-
bre o nome de Tarschisch, uns suppoz6ram que signi-
ficava o mar, outros pensAram que podia ser Tarso, ci-
dade da Cilicia; uns apontiram Carthago, outros para
Gades; por6m esses logares todos nao produziam nem
ouro, nem prata, nem pedras preciosas, nem tambem
paves e monos. Houve quem sustentasse que Tars-
chisch nao podia estar sendo na costa das Indias ori-
entaes, o que 6 visivelmente impossivel, pois que Jo-
nas, para hla ir, long de embarcar no mar Vermelho,
foi embarcar em Joppe; e que alem disso a frota de
Hiram sahia do Mediterraneo. Em fim outros commen-
tadores disseram que Tarschisch podia ser um porto
da costa occidental d'Africa; por6m a Africa nao tem
pavoes, e os mais ousados admittiram que podia ser
ruma ilha do Oceano. Estes ultimos se tem approximado
um pouco mais da verdade, sem se atreverem, por6m,
a fazer atravessar completamente o Oceano a frotas
bem equipadas, entretanto, e que sahiam para effectu-
arem viagens de tres annos. Independentemente das
provas de navegaq@o que temos dado na introducqao
d'este relatorio, aproveitamos esta occasiio para lem-
brar aos que estdo sob a influencia de uma idea t0o
erronea sobre a passage do Oceano, que em 1867,
americanos o tem atravessado na sua maior largura,
uns corn canoa, e outros em jangada, desde Nova-York.






30 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


Ora basta lanqar os olhos sobre um planispherio
para se convencer que do Cabo Verde ao Brazil, a dis-
tancia 6 a metade da que existe entire Nova-York e as
ilhas Britannicas.
A juncqio dos factos que tom respeito a Tarschisch,
o collocam tanto quanto o seu nome, na vizinhanga
dos Antis, a Oe'ste de Ophir e na parte mais rica da
bacia das Amazonas. A regido de Tarschisch acha-se
pois onde a temos indicado em nosso mappa.
Examinemos agora algum nome dos objects que
traziam os navios de Salomio e de Hiram em suas vi-
agens triennaes; pois excepdio do ouro, da prata e das
pedras preciosas, cousas conhecidas dos Hebreos antes
d'estas viagens, os outros artigos importados a Jeru-
salem ali chegavam coin nomes pertencentes 4 lingua estran-
geira, e esses nomes estrangeiros eram evidentemente
do logar da proveniencia dos artigos importados.
Fallemos primeiro das madeiras preciosas e odo-
riferas que uns julgardo ser o sandalo. Em o liv. 1 dos
Reis, cap. 10, v. 11, diz-se que os navios de Hiram trou-
xeram ouro de Ophir e grande quantidade de arvores
d'alnug, nome cujo plural 6 almughim. Almug pode ter
sua derivacqo do vocabulo hebraico ala ou madeira consagrada>, e do termo Kichua mucki codo-
rifero, cheiro>, e cujo verbo 6 muka ,cheirar; ou en-
tio sua etymologia esta nas duas palavras Kichua alli
. Almug
6 pois gundo a Biblia, que Salomfo mandou fazer as collum-
nas do temple de Jerusalem. Parece que os navios ty-
rios foram os unicos que trouxessem esta madeira; se
6 o sandalo, podemos affirmar que delle ha muito na
Alta Amazonia. Em o livro dos Paralipomenos, cap. 9,
v. 10, l-se: ( trouxeram o ouro de Ophir, trouxeram algum e pedras
preciosas>, donde result que esta ultima sorte de ma-
deira foi trazida por ambas as frotas.






N\AVEGA(AO DO AMAZONAS


No texto hebraico, diz-se no plural algumnin e este
nome nio tendo sido entendido pelos interpretes, tra-
duziram-no em latim por ligna hebeni, ligqna thyina e li-
gna coralliorum. Sua etymologia esti no hebraico: ala
<, e no Kichua kumu ; ou ainda nos
vocabulos Kichua alli , kumu <; os algum
ou algumim sdo pois ou < curvas>. 0 emprego dos iln,,,,li para os pilares nos ex-
plica o dos algim para os arcos entire esses pilares e
para as abobadas do templo.
0 celebre philologo Max Muller diz que um dos
muitos nomes dados ao sandalo, no sanscrito, 6 valgquka.
Este valguka, prosegue elle, 6 claramente o nome que
os mercadores judeos e phenicios teem corrompido em
algum, o que o03 Hebreos teem mudado em almug. Se
assim fosse, o texto hebraico nao ihe teria dado sendo
o nome adoptado pelos Hebreos.
Comparando este vocabulo sanscrito corn as ety-
mologias verdadeiras e expressivas de almug e de al-
gum tiradas do Kichua al-mnucki e al-kuimu, o valguka de
Max Muller nao 6 admissivel e nlo tem recebido as
duas transformagQes que supple; alem de que, apezar
da sua sciencia sanscrita, nunca podera elle. achar
Ophir, nem o ouro de Ophir no Malabar, esta parte da
India por elle indicada: nossa demonstracqo jc o tem
provado.
A frota de Tarschisch levava tambem a SalomAo
aves chamadas tuki, no plural tukum: este nome foi ge-
ralmente traduzido por pavdo. Notemos primeiro que
a America equatorial possue diversas variedades de
paves e de perus: oriundos d'aquella terra, ali vivem
no estado selvagem. Fallamos aqui d'essas duas espe-
cies de aves, porque ambas teem os mesmos modos,
ambas se incham corn orgulho, abrem em leque suas pen-
nas e fazem rodas.
Quem quer que tenha visto os perus fazerem roda,
sabe que neste moment tluk 6 um som um pouco aba-






32 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


fado e muito particular produzido por estas aves para
se fazerem admirar. Pois bem, este tuk 6 justamente a
origem de tuki, palavra Kichua que significa de orgulho, orgulhoso>. Os perus e os pavoes sio as
aves c ou simplesmente tukum sas, como as chama a Biblia. Entre as variedades de
paves do Equador e da Guyana se acha a que na-
quelles paizes chamam ocko; ora por uma similhanga ex-
quisita no epitheto de orgulhoso tirado de tuiki, acha-
mos igualmente que o grego ogkos < 6 tam-
bem tirado do pavdo americano ocko. Este pormenorzi-
nho ndo deixa de ter seu interesse, pois dissemos na
introduccqo d'este relatorio que a lingua grega tern
parte de suas origens na America, mormente na lin-
gua Kichua.
Em presenga da verdade de nossa etymologia, pois
que o tuk biblico 6 palavra Kichua, collocaremos as
de alguns philologos que Max Muller tem posto em
relevo, pois elles suppuzeram que tuki era derivado de
togei <, palavra pertencente a lingua ta-
moula; suppuzerdo ainda a palavra sigi que mais se
afasta de tuki, e tentaram fazel-a derivar do sanscrito
sikkin <. Para cumulo de inverosimilhanQa, o dou-
tor Gundert que se tern entregue ao estudo das lin-
guas dravidianas, applica-se a original togei de to ou tu,
e accrescenta arbitrariamente para segunda base gnu,
a fim de chegar a compor tongu donde faz derivar ton-
gol, vocabulo tamul que significaria ,.
Quantos esforgos, quantas combinag5es engenho-
sas, quantas transicqes forqadas!
Philologos de fama s6 podem-se as permittir. Nunca
teremos a ousadia de dar semelhantes etymologias: fe-
lizmente a clareza, a precisdo do Kichua nos livram
de tal perigo.
Em seus Estudos sobre a sciencia da linguagem, o phi-
lologo Max Muller nos diz que os monos trazidos a
Salomio eram chamados pelos Hebreos koph, no plu-






NAVEGA(AO DO AMAZONAS


ral kophim: teria podido ler kop e kopim (1); e accres-
centa que este nome n o pertencia A lingua d'elles nerm tern
sua t,,,,,7,w,,,;a em lingua alguma semitica. Faremos obser-
var que kop nio se escreve sendo com duas consoantes
kp, e que em logar de interpor a vogal o, se interpu-
zesse a, que teria tido kap e no plurar kapim, o que 6
a verdadeira pronuncia, e entio ter-se-hia achado em
presenQa d'essas palavras o sanscrito kapis ( Entretanto os Hebreos nao foram pedir ao sanscrito
o nome dos monos que vinham de Tarschisch. Kap e ka-
pim tim sua etymologia no Kichua kapi temente corn a mindo, accqo mui particular que com-
mette o mono a moda do home e que mais nos im-
pressiona. Esta origem de kapim 6 evidentissimamente
americana. Uma ponita da ilha de Santa Catharina,
perto da costa do Brazil, tem o nome de Kapi; no inte-
rior das Amazonas, um de seus affluentes que desembo-
ca perto do Para chama-se Rio Kapim (rio dos maca-
cos), e rio acima se acha a ilha de Kapim; v6-se que a
forma hebraica se ha conservado ainda nestes nomes. (2)
Em quanto ao encontro do termo hapis no sanscrito,
explica-se, pois, que notamos no Kichua quinhentas
palavras da lingua hindoustani (3) tendo em ambas as
linguas os mesmos sentidos.
Nao 6 logar entrarmos aqui em explicaQio sobre
a presenQa do Kichua nas Indias orientaes; contentar-
nos-hemos com dizer que neste moment trabalhamos
em uma obra em que, com geral admiragco, demonstra-
se-ha que os Arias e sua lingua sanscrita tiveram seu
berqo na America: temos disso as provas philologicas,
ethnographicas e historical.


(1) Lembramos aqui que no hebraico o P e o PH sdo a mesma
lettra.
(2) Podem ser vistos nos mappas hydrographicos do comman-
dante Tardy de Montravel e outros mappas ainda.
(3) 0 hidoustani 6 formado do sanscrito, de linguas dravidia-
nas, de arabe e de persico; podia-se accrescentar, de Kichua.






3i ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


Entre os objects preciosos que as frotas de Salo-
mio e de Hiram trouxeram, se acha o marfim que 6
designado na Biblia debaixo dos dous nomes de Schan-
abim e de Karnot-schan. Max Muller faz ainda obser-
var que abim nio tem derivacio do hebreo; mas elle
supple que esta palavra possa ser uma corrupgao do
sanscrito ibha precedido do artigo semitico; e com esta
hypothese, pensa que abim deve ter, como ibha a signi-
ficaq5o de elephant. Emprega-se, 6 verdade, no he-
braico o vocabulo schan por . Porem sua ori-
gem 6 americana; 6 o que vemos na bacia das Ama-
zonas, onde na lingua tupi que 6 a lingua geral do
Brazil, se exprime por scan, shaina, shene e sahn;
entire os Panos, diz-se schaina e schaila; no dialecto puri,
diz-se scheh e tschd; em botocudo schoun e dsccoun. Por6m
se schan 6 realmente hebraico, sua presence entire os
povos das Amazonas, que o tem conservado, seria
mais uma prova que Tarschisch estava neste rio, e
que os Hebreos ali procuravam o marfim que se acha
no estado fossil; ora o marfim fossil 6 o mais vulgari
mente empregado nas artes. Tem-se ja descoberto na
America seis variedades de elephants fosseis, por6m
ignoramos si estes pachydermas todos hao sido anni-
quilados num cataclysmo ou se ainda existiam no tempo
de Salomdo; em todo caso, o marfim fossil estava em
estado melhor de conservagdo ha 2880 ou 3000 annos.
Quanto a abin, n~o he corruppao do sanscrito ibha;
6 a palavra egypciaca ab celepharite> pluralisada pelos
Hebreos: ha correlaQgo entire o egypciaco ab, aba e o
Kichua apa < apac (o carregador>; em egypci-
aco abah ou apah, e no Kichua apa significam .
O nome do elephant que 6 por excellencia o animal
carregador, pode ter sua origem tanto no Kichua como
no egypciaco. Alem disso ja temos annunciado que
grande numero de vocabulos Kichua estao na antiga
lingua hieroglyphica dos Egypcios, e que, pelos Atlan-
tes, elles teem origem commum.






NAVEGA(AO DO AMAZONAS


Acima dissemos que na Biblia, o marfim 6 tambem
chamado karnotschan . Tal pobreza
d'expressao leva a crer que o Kichua tem ainda aqui
.o primeiro papel. Corn effeito, faremes observer que
debaixo da primeira lettra hebraica de karnotschan,
tem-se collocado um hmetz, signal massorethico que da
ao K (Koph hebraico) o som da vogal a; ora, como
nos 6 permittido rejeitar este signal de convenqio que
nio existe no antigo hebraico, temos a liberdade de
substituir o a por i. Entdo em logar de karnotschan, ob-
temos kirnotschan. Neste caso dividimos este termo do
modo seguinte: kir-notschan derivado do Kichua kiru
< notchischan e por contracgdo notschan < que 6- apon-
tado, kirnotschan (. Assim para de-
signar o marfim, nao 6 certo que se empregasse pala-
vra alguma hebraica. Os Hebreos puderam ver ele-
phantes no tempo de sua servidio no Egypto e em
Babylonia; por6m na Judea, viram-se s6 165 annos an-
tes de Jesus-Christo: alludimos aos elephants perten-
centes a Antiocho Epiphanio, rei de Syria, quando veiu
acommetter ao povo judeo, e que o valeroso Eleazar,
um dos irmios de Judas Machabeo, pereceu debaixo
do elephant do rei.
Em resumo, depois de nos havermos baseado em
historiadores, para demonstrar que os povos da anti-
guidade navegavam no Oceano e conheciam a America,
acabamos de mostrar que os terms estrangeiros mistu-
rados ao texto da Biblia e que designam os objects tra-
zidos pelas frotas dos dois reis, teem sido tornados na
lingua Kichua ou dos Antis da America equatorial e
meridional.
Fizemos ainda conhecer que palavras hebraicas trans-
portadas nesta parte da America, tem-se misturado aos
dialectos dos indigenas, ou mesmo se hio conservado
intactas. Esta troca de vocabulos entire nacqes de con-
tinentes diversos 6 a prova que os Hebreos e os Phe-
nicios ido ao rio das Amazonas, o qual recebeu d'estes






36 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


navegantes o nome de Salomao. O imperio de Inin ou
do Crente, as posiQges indicadas de Parvaim, Ophir e
Tarschisch, os nomes e particularidades que se ligam
a varies logares e rios, formam uma tal series e reuniao"
de factos grupados em uma unica regido, que a evidencia
de nossa descoberta 6 palpavel, incontestavel. Devemos
pois 6 lingua Kichua terms achado o caminho que se-
guiam ha 2880 annos as frotas de Hiram e de Salo-
mRo; foi ella que trahiu o mysterio de sua navegagao
e nos di explicagQes de suas ausencias de tres annos
para cada viagem, fazendo-nos conhecer que ellas esta-
cionavam placidamente nas aguas das Amazonas.
Para satisfaQRo dos nossos leitores, accrescentare-
mos em fim algumas observaQSes sobre os Antis e sua
lingua. A migraqgo d'este povo da Asia para America
6 anterior ao diluvio alguns seculos, pois que partici-
param da invasdo dos Atlantes antes do cataclysmo.
Alem disso, os Antis em logar de escriptura, usavam
no tempo dos Incas, de quipos ou cordelinhos cor n6s,
uso que existia entire os Thibetanos e Chins at6 o
tempo do imperador Tohi, 600 annos antes do diluvio.
Esses factos provam a remota antiguidade do estabe-
lecimento dos Antis nas cordilheiras da America equa-
torial e meridional e na bacia superior das Amazonas.
Esta naQgo primitive tem sido preservada contra as
invasoes, de toda destruigdo pela altura consideravel
e aspereza do territorio que habitat, por mil leguas de
florestas virgens que a separam do Atlantico e da
banda do Occidente por formidaveis montanhas e a
immensidade do grande Oceano. A lingua Kichua fal-
lada ainda por tres milhbes de indigenas, nao se es-
creve senso cor quatorze lettras: vA-se, pois, que seu
geito inteiramente primitive soffreu poucas alteragces.
O sanscrito pelo contrario, escrevendo-se com 39 signaes,
faz-nos support ter-se appropriado, aperfeigoando-se,
muitas raizes estrangeiras que nelle nao existiam no
principio e de que foi precise conservar a pronuncia.






NAVEGA;AO DO AMAZONAS


O que quer que seja, uma lingua primitive nao pode
ter 39 caracteres. Debaixo doa Incas, a lingua Kichua
tern sido fallada desde o segundo grdo de latitude
Norte at6 o trigesimo quarto grio de latitude Sul; e
em largura, isto 6 desde o Pacifico para o Oriente, nio
se a fallava muito alem de quinhentos kilometros; em
quanto que, nos tempos mais remotos, ella tern sido
usada ao long do rio das Amazonas at mil e duzen-
tos ou mil e quinhentos kilometros do Pacifico. "
Acabemos por uma ultima observacqo. Humboldt
e Klaproth tem dado muito mal a proposito a denomi-
naq o de quicheana d lingua Kichua; com effeito, um
dos dialectos do Mexico que tern o nome de quiche,
nao tern relaqao corn a lingua dos Antis; e 6 ao qui-
ch6 mexicano, como bem se entende, que devia ser ap-
plicada a expressed de quicheana. Nossa observaqdo
tem por fim impedir todo equivoco entire nosso mo-
desto trabalho e os sabios escriptos do Sr. Brasseur
de Bourbourg sobre a historia, archeologia e dialectos
do Mexico. (1)

(1) 0 folheto de que extrahimos esta publicagao nao trazia
appenso o mappa a que se refere o auctor.
























ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES




(Contimlanl(o)



283


Informe o governador sobre o requerimento das dignidades, conegos e mais minis-
tros da cathedral do Para, sobre o augmento da ordinaria da Se.


,---IOM Joao etc. Faqo saber avos Alexandre de
Souza Freire Governador e Capitio General
do Estado do Maranhdo, que havendo visto
i o requerimento que me fizeram as Dignida-
des Conegos e mais menistros da Cathedral da Cidade do
Pard representandome que attendendo a diminuigao
que tinhao nos seus ordenados por selhes pagarem em
frutos da terra, os quaes pelo valor que tern neste
Reyno vem a importar a terva part, fora eu servido
aumentarlhes as suas congruas em dobro; e porque a
ordinaria que mandei consignar para os gastos da Se6,
suposto imported em nove centos, e hum mil rs, com a
reputaqgo da tera part, por ser tambem paga em
frutos da terra, fica em tresentos e tantos mil rs, para


_1

~~
'e :.' ~


I ; .. I
.






40 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


cujas despezas alem de outras excessivas, nao chega
a dita ordinaria; Me pediao lha mandasse aumentar,
por sedar a respeito della a mesma razao, e ainda
maiz preciza que se considerou nos ordenados dos Su-
plicantes: Me pareceu ordenarvos por Rezolucgo de
doze deste present, mez e anno em consult de meu
Conselho Ultramarino informeis neste particular. El
Rey nosso sr. o mandou por Antonio Roiz da Costa
do seu Conselho e o Dr. Jos6 de.Carvalho Abreu con-
selheiros do Conselho Ultramarino e se passou por
duas vias. Antonio de Souza Pereira a fez em Lix.a
occidental em deseis de Mayo de mil settecentos
vinte nove.


284


Ordena a reprehensao aspera do ouvidor geral da capitania de Slo Luiz, Mathias,
da Silva e Freitas, pelo seu procedimento desordenadono caso em que o aver-
bou de suspeito Joao Baptista Machado.


Dom Joao etc. FaQo saber avos Alexandre de Sou-
za Freire, Governador e Capitio General do Estado do
Maranhlo, que a mim me foi present o desordenado
proceedimento com se portou o ouvidor geral da Capi-
tania de Sio Luiz Mathias da Silva e Freytas no caso
em que o averbou de suspeito Jofo Bauptista Machado
em nao conhecer por Juiz ao Provedor m6r da fa-
zenda real para as suspeiqoes que selhe intimardo ao
qual mando declarar que hade observer nesta parte o
disposto no Capitulo vinte, e hum do regimento do dito
Provedor m6r que assim o dispoem e tenho determi-
nado que na residencia que delle se hade tirar inqui-
ra deste excess que he de muy prejudiciaes conse-
quencias e para que tenha entendido o mal que obrou
o chamareies a vossa presenga e da minha part Ihe






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


estranheis muy asperamente este excess com que se
houve nesta material. El Rey nosso Senhor o manlou
por Antonio Roiz da Costa do seu Conselho e o Dou-
tor Joseph de Carvalho e Abreu Conselheyros do Con-
selho Ultramarino e se passou por duas vias. Dionizio
Cardoso Pereira a fez em Lisboa occidental a vinte e
cinco de Mayo de mil sete centos e vinte e nove.



285


N8o emprehenda o governador operagqes superiores is forpas do Estado; nAo Ihe 6
prohibido fazer soldados dentro das capitanias doadas pelo rei; devem ser res-
peitados os privilegios' dos moradores da villa da Vigia; 6 preciso declarar os
effeitos que existem para o pagamento dos mil homes que se pedem. Os pri-
vilegios dos moradores da villa da Vigia foram concedidos pela earta regia de
23 de Dezembrq de 1705, publicada no tomo I d'estes Annaes sob o n. 82.
pag. 124.


Dom Joao etc. Fago saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre Governador e CapitVo General do Estado
do Maranhio que se vio o que respondestes em carta
de quartoze de setembro do anno passado a ord6 que
vos fiz, em que se vos declarava que se tinha recebi-
do a lista que remettestes das companhias que guar-
necem a cidade de Belem do Gram-Pari, e o numero
dos officials e soldados de que se compunha cada hu4
dellas; e que na occasido em que partistes deste Rey-
no se vos enviavao nos soccorros de gente que se mostra-
vio dos que se matriculario para ahy me irem servir
e que nio se mostrando por parte dos Donatarios,
que ahi tem Capitanias, confirmagdo das suas doagges
nem clausulas nellas, porque os. izentem de se manda-
rem fazer soldados nas terras dellas, os possais man-
dar fazer nas ditas Capitanias dos taes Donatarios.
E no que respeita os moradores da Villa da Vigia, e
dos filhos dos cidadios que tem previlegios para se-






42 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


da Capitania do Maranhao, as quaes deveis tambem re-
meter. E quanto a gente paga o que dizeis ser nesse-
rem izentos de serem.soldados os deveis guardar. Po-
rem que havendo cazo, em que pretendio algus inmi-
gos nossos das nag6es da Europa ir invadir os-portos
desse Estado, tenhais entendido que nao ha previlegio
que os izentem deste exercicio: representando-me. que
em virtude da minha ord6, e da vossa primeira obri-
gagao, me repetieis a lista de toda gente que achareis
nesse Estado; fazendome arepresentagdo de que foi
tdo pouco o numero de soldados, que Levastes em
vossa companhia para estarem empregados em todas
as func5es do meu real Serviqo, que eem, quanto nao
houver em cada hua das cidades Gram-Para o numero de quinhentos soldados pagos,
senao podera acudir a elle; para que me conste a aplicagqo
de todos, me fazeies present, que s6 para a expedicao
das tropas de resgates e de descobrimento e por sitios
inundados de barbaros, guarnig5es de Fortalezas co-
mo sdo as que pertencem a essa cidade do Para, e da
barra, e a do Fortim, que esta defronte, e as das Mer-
ces, a da cidade, a de Gurupa, a do Paru, a dos Tapa-
j6s, a dos Paujisis, e a do Rio Negro, guarda Costa,
assistencia dos Missionarios nas Aldeas, guarniedo, das
mesmas cidades muito escaoamente poderdo bastar os
quinhentos soldados em cada hua; e principalmente
achandose na tropa de guerra na conquista do rio Ne-
gro sessenta soldados para onde vos pede agora mayor
numero o cabo da conquista Jodo Paes que la se acha
principiando a guerra do gentio barbaro Mayapena,
que term o seu Reyno nos limits em que acaba o dos
Manaos ja conquistados, armados todos com espingar-
das que Ihe introduzem os Olandezes de Serinharem e in-
trincheirados em eminencias; e vendo o maisque nesta par-
te em expuzeste: Me pareceu dizervos, que se recebeu com
a vossa carta a lista da gente paga, e ordenanqa da Ca-






AtVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


pitania do Para; porem que faltastes em enviardes as
da Capitania do Maranhao, as quaes devieis tambem
remeter. E quanto a gente paga que dizeis ser neces-
saria para guarnecer a dita Capitania, que primeiro
que tudo deveis declarar os efeitos, que ha para o
pagamento de mil homes que pedis; e que entretan-
to nos navios que partirem, se procurarA mandar-
vos algt~ soldados; porem, que deveis medir as vos-
sas operacqes desorte que nao emprendais aquellas
que nao chegarem as forpas do Estado do que vos
avizo para que asim o tenhais entendido. El Rey
nosso Senhor o mandou por Antonio Roiz da Costa do
seu Conselho; *e o *Dr. Joz6 de Carvalho e Abreu, Con-
selheyros do Cbnselho Ultramarino e se passou por
duas vias. Antonio de Souza Pereira a fez em Lisb6a
occidental em trinta e hf de Mayo de settecentos e
vinte e nove.



286


Aponte Q governador as providencias que se podem tomar para augmentar o
rendimento do Maranhao.

Dom.Jodo etc. Fago saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre Governador e Capitao General do Estado do
Maranhao, quepor ser convenient ao men real servigo.
he pareeeu ordenarvos, que aponteis as providencias
que sepodem aplicar para se augmentar o rendimento
do Maranhao e faqais com effeito satisfazer a impor
tancia do cobre que ahy se tomou sem hir encaminha-
do para esse Estado. El Rey nosso senhor o mandou
por Antonio Roiz da Costa do seu Conselho e o Dou-
tor Joseph de Carvalho e Abreu Conselheyros do C on-






44 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


selho Ultramarino e se passou por duas vias. Dionizio
Cardozo Pereyra a fez cm Lisb6a occidental a trinta e
hum de Mayo de mil setecentos e vinte e nove.



287

O governador nio p6de passar patentes de postos que venqam soldo, nem de todos
os que o nao venqam, salvo os casos previstos no seu regimerito ou con-
stantes das ordens r6gias.


Dom Jogo etc. Faco saber a vos Alexandre de Sou-
za Freyre, Governador e Cappitam General do Estado do
Maranhlo, que se vio o que respondestes em carta de
dezaseis de septembro do anno passado a ordem que
vos foi sobre fazerdes por verba a margem do registro
da Patente, que passou vosso antecessor a Joseph Cou-
tinho do posto de Cappitam de Mar e guerra ad hono-
rem para constar em como nao pode ter effeito nella a
ditta Graca por lhe nao ser permittido o poder pro-
ver semelhantes postos; representando-me que ficava
dada a execuqao a minha ordem sem embargo de
various exemplos, que facelitio aos Generaes de todo
o Brazil, poderem fazer estes provimentos dos postos
que nao vencem soldo como eu declaro na proviso
de quatro de Novembro de mil settecentos evinte e
sette, arespeito da Patente concedida pelo dito vosso
antecessor a Francisco de Mello Palheta, expressando
que os Governadores desse Estado nao tem juris-
diqio para passarem Patentes de postos que vendio
soldos deixando assim concedido e declarado por
este modo que os postos, que o nao tiverem pos-
sio ser dados pelos mesmos Governadores. Me pare-
ceu dizervos que se vio a vossa carta, e que tenhaes
entendido que da prohibicgo de passar Patentes que
vencqo soldos sevos nao fica permitido poder passar






ALVARAa, CARTAS REGIAS E DECISOES


Patentes de todos os postos que nao venqem soldos, por
que s6 o podereis fazer d'aquelles postos que expres-
samente vos for permitido pelo vosso regimento ou or-
dens Reaes. El Rey nosso senhor o mandou por An-
tonio Roiz da Costa do seu conselho e o Dr. Joseph de
Carvalho e Abreu conselheyros do Conselho Ultramarino
e se passop por duas vias. Joao Tavares afez em Lis-
b6a occidental em nove de Junho de mil sette centos e
vinte e nove.


288

Extranha ao governador o provimento dos postos da ordenanga quo vagaram e
de outros que vencem soldo, sem as necessarias communicapaes.

Dom Joao etc. Faqo saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre, Governador e Cappittam General do Estado
do Maranham, que sevio a conta que me destes em car-
ta de vinte e hum de Septembro do anno passado, cor
a relagco dos postos da ordenanqa que provestes. Me
pareceo dizervos que se repara muito na dita Rellagio
de os haveres- provide por se acharem vagos sem de-
clarardes por quem vagardo e o tempo em que foi a
sua vacatura e aoccasiam que houve para ella e tambem
em proverdes postos que tem Eoldo, nao vos sendo pre-
metida semelhante jurisdigco, e que assim me deveis
dar conta cor toda a individualiduaqao e expressao
neste particular para que conforme a ella possa eu
mandar dar a providencia necessaria que for conveni-
ente ao meu real servigo. El Rey nosso senhor o man-
dou por Antonio Roiz da Costa do seu conselho e o
Doutor Joseph de Carvalho e Abreu conselheyros do
seu Conselho Ultramarino e se passou por duas vias.
Dionizio Cardoso Pereyra a fez em Lisb6a occidental
em vinte e hum de Junho de mil sete centos e vinte
e nove.






'i6 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


289


Extranha ao ouvidor geral da capitania o ter deixado de tirar devassas dos cul-
pados de tres assassinatos, occorridos em Belem do Pari, e ordena-lhe que as
tjie e prenda os delinquentes.


Dom Joho etc. Faqo saber a vos Alexandre de
Souza Freyre, Governador e Capitam General do. Es-
tado do Maranhdo que se vio o que me representastes
em carta de vinte de Setembro do anno passado de
que poucos dias antes da vossa chegada a cidade cp
N.a S.a de Belem do Gram Pard tinhdo sucedido nella
tres mortes, a primeyra na metade da hora do dia feita
corn uma espingarda por hum negro dos padres da
companhia a outro vassallo meu Indio forro da nasqao
sacaca que estava servindo ao ouvidor Geral dessa
Capitania Francisco de Andrade Ribeyro, e as duas a
dois merinhos um do Fisco e outro da fazenda real
e de nenhua dellas se tem thegora tomado satisfaqgo, a
primeyra porque os ditos Poadres esconderio ao seu negro
(em que os nio culpaVeis) as outras porque como as
devassas que dellas se tirardo se presume afeitadas
pois os mesmos Jluizes ordinarios, quisqi aparentados
com os diliquentes os deixao impuniveis, nao produ-
zindo as justas demonstrates do castigo e que como o
dito Ouvidor Geral vos dizia nao tinha jurisdiqio para
proceter naquellas mesmas devassas vos parecia que
nesta parte selhe devia amplear asua porque de outro
modo ficava a justiQa offendida, -e os meus vassalos
sem o amparo della e attendendo as vossas razbes. Me
pareceo dizervos que ao Ouvidor Geral dessa Capitania
declare que nio pode deixar de selhe extranhar muito
de que cabendo na sua jurisdicao o poder tirar devassas
em semelhantes casos o nao fizesse asim contra a boa
armonia da justiga e igualdade della procedendo contra
os culpados conforme a qualidade das suas culpas e






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


Ihe ordeno tire devassas dos casos que referis e prenda
os culpados dandolhes livramento. El Rey nosso senhor o
mandou por Antonio Roiz da Costa do seu Conselho e
o Doutor Joseph de Carvalho e Abreu Conselheyros do
Conselho Ultramarino e se passou por duas vias. Di-
onizip Cardozo Pereyra a fez em Lisboa occidental a
vinte e sete de Junho de mil sete centos e vinte e nove.



290


Restittia o pedreiro Francisco Miz as diaries que indevidamente Ihe mandou pagar
o governador; o seu contract deverd vigorar apenas para os dias em que
trabalhar nas obras das fortifica;6es.

Dom Jodo etc. Fago saber a vos Alexandre de
Souza Freyre Governador e CapitAo General do Es-
tado'do Maranhio, que eu sou informado de que in-
do para trabalhar nas fortificac6es da Capitania de S. Luiz
hum pedreiro por nome Francisco Miz cor o qual se
ajustou apagar-se-lhe outo centos reis por dia naquelles
em que trabalhasse: v6s Ihe mandareis dar por reque-
rimento que vos fizera os ditos outo centos rs por dia
assim nos em que trabalhasse, como em os mais em
que o nao fizesse: em cuja attengio Me pareceu orde-
narvos procureis empregar este official nas obrigag5es
desse Estado satisfazendoselhe os dias de seu jortal nos
em que se ocupar nas ditas fortificacqes, tudo na for-
ma em que com elle se pacteou, e nfo se ocupando no
meu real service, se Ihe nao satisfaca entendendo-se
que poderA ter que fazer em muitas obras particula-
res, quando as ndo haja nas ditas forticagses; e nesta
considerad(o, como contraviestes, a minha ordem deve-
is obrigar ao dito Pedreiro a restituhir a minha fazen-
da os dias em que nao trabalhou nas ditas fortifaca-
qces que Ihe mandastes pagar individamente, de que






48 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


vos aviso para que fiqueis na inteligencia do que de-
veis observer nesta material. El Rey nosso senhor o
mandou por Antonio Roiz da Costa de seu Conselho
e o Doutor Joseph de Carvalho e Abreu Conselheyros
do seu Conselho Ultramarino e se passou por duas
vias. Antonio de Souza Pereira a fez em Lisb6a occi-
dental em 1. de Julho de mil sette centos e vinte e
nove.


291


Antes de se proceder a demolig5o da engenhoca de Gregorio de Andrade, e precise
ser ouvido este pelos meios ordinaries, visto a posse 'que tern fas terras
por elle occupadas, reservando tambem a Vietoriano Pinheiro o direito de pro-
var em juizo a sua posse.


Dom Joao etc. Fago saber avos Alexandre de
Souza Freyre, Governador le Capitio General do Es-
tado do Maranh-io, que sevio o que me escrevestes
em carta de vinte de septembro do anno passado so-
bre o requerimento que vos fez Victoriano Pinheyro
de Meyrelles. senhor do Engenho do Mearim expon-
dovos quo elle comprara, hud Legoa de terra em que
ndo reedificara hum i-ngenho destruido mis fiz6ra
outro de novo eque contratandose com Gregorio de
Andrade para ficar sendo seu lavrador de canas nas
terras ,de hum dos ditos Engenhos, este pelo tempo
adiante, amparandose por meyos illicitos do patrocinio
dos governadores se fizera senhor da terra que nao
era sua erejindo nella hum molinote de agoasardentes,
contra as minhas ordens, usando de industries para se
Ihe nao demolir por nio ser levantado com as condi-
Q5es que eu determine, causando por este respeito
hum grande prejuiso ao dito Victoriano Pinheyro, o
qual vos pedia que ou Ihe mandasseis demolir a dita
Engenhoca, e outra sua visifiha, por nao estarem feitas






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


per ordem minha, ou sequeria mudar para o Pard de donde
tinhahydo para aquelle citio suposta a perda que padecia
emcujo particular nioquisereis tomar resolugAo sem pri-
meyro me dares parte para vos declarar o que heis de
obrarnelle; e vendoo mais que nesta material me expuses-
tes Me pareceu dizervos que sevio a vossa conta e que
visto 'a posse em que se acha o dito Gregorio de An-
drade deve ser ouvido pellos meyos ordinaries, peran-
te as justigas aonde o dito Victoriano Pinheiro de Mey-
relles p6de deduzir a sua declarandovos que se deve
observer as ordens quo ha nesta material. El Rey nos-
so senhor o mandou por Antonio Roiz da Costa do
seu Conselho e o Doutdr Joseph de Carvalho e Abreu
Conselhyros do Conselho Ultramarine e se passou por
duas vias. Dionizio Cardozo Pereira a fez em Lisboa
occidental a since de Julho de mil settecentos e vinte
e nove.


292


Antonio Machado de Novaes pade edificar no terreno que recebeu em troca do
que deu para ser edificado o palacio dos governadores do Pari e ora desti-
nado so palacio do bispo. Quanto as madeiras que para identico fim se Ihe
tomaram, pague-lhe a real fazenda o tjusto valor.


Dom Jodo etc. Fago saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre, Governador e Capitdo General do Estado
do Maranhdo, que sevio o que respondestes em carta
de dezasseis de Septembro do anno passado a ordem
que vos foi sobre informardes com vosso paresser no
requerimento que me fez Antonio Machado de Novaes
em que me pedia selhe ndo impedisse, nem embaragas-
s3 a edificacao das casas que pertendia fazer. em huns
chaos que lhe foram dados a troco de ou.tros que
deu para o Palacio dos Governadores desse Es-
tado, e que selhe mandasse liquidar o vallor das ma-






50 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


dsyras que seihe foram tomadas, e as perdas e damnos
que ao suppliceante selhe tern originado deste negocio,
e que tudo selhemandasse satisfazer pela minha fazen-
da, representandome que tudo o que o dito Antonio
Machado de Novaes me insinuou he a mesma verdade e
selhetem ath6 aqui embaraqado edificar as casas nos
chaos que Ihe foram dados pelos que seihetoma-
rao entao para o Palacio dos Govern adores e
hoje destinado para o do Bispo do Parka, por tomar
algua parte da vista das casas dos Governado-
res em cuja attenao. Hey i, 'n que Antonio de Ma-
chado de Novaes possa., eI as casas nos chaos
que Ihe forao dados pelas casas que selhetomarao e
av6s vos ordeno que por nenhu caminho se ihe impi-
da o edificallas, porque do contrario se Ihe farA human
in Justiga notoria, e quanto as madeyras que selhe to-
marao mandareis que se liquid o vallor dellas pa-
gando selhe pola minha real fazenda, e sua importan-
cia, o que vos hey por muy recomendado. El Rey nos-
so senior o mandou por Antonio RoLz da Costa do
seu Conselho e o Doutor Joseph de Carvalho e Abreu
Conselhyros do Cdnselho Ultramarino e se passou por
duas vias. Joao Tavares a fez emn Lisboa occiden-
tal om sette de Julho de mil sette centos e vinte e
nove. :.


293

O capitgo da fortalesa dos Pauxis (Obidos) Ignacio Leal de Moraes ndo podia pro-
duzir a sua defeza emquanto estivesse fugido da prizio em que o haviam
encerrado. Se, porfm, for absolvido da culpa que Ihe 6 imputada, ngo o
prenda o governador.


Dom Jo0o etc. Fago saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre, Governador e Capitam General do Estado
do Maranham, que sevio o que respondestes em carta
de dezasseis de Septembro do anno passado a ordem






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


que vos foi sobre fazerdes prender a Ignacio Leal de
Moraes Capitam da Fortaleza dos Pauxis, que havia
fugido da prisao representandome as resoes que se-
vos offereciao para a nao executareis. Me pareceu di-
zervos que devieis nesta parte cumprir a ordem que
sevos remeteo, porque nao podia Ignacio Leal de Mo-
raes ser admitido a alegar sua defeza sem estar posto
na prisao de que fugio, e nella devia mostrar a sua
inocencia; porem que quando por sentenqa legitima seja
absolute da culpa o nao mendais. El Rey nosso senhor o
mandou por Antonio iiolz da Costa do seu Conselho
e o Doutor Joseph de iarvalho e Abreu, Conselhyros
do Conselho Ultramarino e se passou por duas vias.
Dionizio Cardozo Pereira a fez em Lisboa occidental
a doze de Julho de mil sete centos e vinte e nove.



294


Apezar da difficuldade allegada na entrega dos indios As dignidades e conegos
da Sd, faqa o governador a reparti(So pelos que de novo baixarem do sertAo,
pagando os padres aos indios os salaries communs.


Dom Jodo etc. Fago saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre Governador e Cappitam General do Estado
do Maranhdo, que se vio o que respondestes em carta
de vinte e tres de Septembro do anno passado a ordem
que vos foi sobre mandar dar a cada hud das Digni-
dades e conegos da s6 do Para, (por ora em quanto
nao mandar o contrario) dous Indios e a cada hfi dos
Benf.dos hd Indio para os servirem, representando-me
que antes de dareis a execuqgo a dita ordem, vos era
precise exporme o embarago que achareis para se darem
das Aldeyas os dittos Indios dos quaes s6 sepodem tirar
e que assim vos paressia, que a destribuiqCo delles se






52 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUB.ICO


fizesse dos novamente descidos pelas razoes que me
insinuareis, e supposta a difficuldade que reconheceis
de se darem aos ditos conegos e Benef.dos para o seu
servigo os Indios das Aldeyas. Me paresseo ordenarvos
fagaes repartigio pelos que de novo se baixarem do cer-
tio como apontaes com a declaraqgo que ser'o obri-
gados a pagarem aos dittos Indios que se Ihes d6r aquelle
estipendio que h6 estillo e satisfazem os p.res El Rey
nosso senhor*o mandou por Antonio Roiz da Costa do
seu conselho e o Doutor Joseph de Carvalho e Abreu
Conselheyros do Conselho Ultramarino e se passou por
duas vias. Joao Tavares a fez em Lisb6a occidental em
quinze de Julho de mil sette cents e vinte e nove.



295


Nfio obstante as razoes apresentadas em sua informaQiao contra a melhoria dos
vencimentos do parocho de Itapicuri, made dar-lhe o governador dois indios.


Dom Joao etc. Fago saber a vos Alexandre de Sou-
za Freyre. Governador eqCapitam General do Estado do
Maranhao que se vio d que informastes em carta de
onze de septembro do anno passado sobre a represen-
taqco que me fez o Bispo da Capitania de S. Luiz do
Maranhao a respeito de se acrescentar ao Parroco da
Igreja de Nossa Senhora do Rozario do Itapecurfi a
sua congrua o darem-selhe quatro Indios para o seu
service representandome que achareis que este vigario
podia passar cor a mesma congrua que tem todos os
Vigarios das mais Igrejas; e pela grande falta corn que
se achava de Indios, se Ihe podia dar dous ou tres:
Me pareceo ordenarvos, suposto o que informais no re-
querimento deste Padre a respeito da falta que tem de
Indios para o seu servigo Ihe fagais dar para este






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


effeito dous Indios. El Roey nosso senhor o mandou por
Antonio Roiz da Costa do seu conselho e o Doutor
Joseph de Carvalho e Abreu conselheiros do Conselho
Ultramarino e se passou por duas vias. Antonio de
Souza Pereira a fez em Lisb6a occidental em dezouto
de Julho de mil sette centos e vinte e nove.



296


Restitue a liberdade aos indios Pedro, Ignez e Germana, que voluntariamente havi-
am descido das suas terras nos sert6es do rio des Amasonas, e indevidamento
se viam reduzidos no captiveiro; e eselarece que os religiosos podem utilizar
os indios das aldeias nas suas fazendas e feitorias, uma vez que os tratem
como livres e lhe paguem os seus salaries.


Dom Jodo etc. Faco saber a vos Alexandre de Sou-
za Freyre, Governador e Cappitam General do Estado
do Maranhdo que se vio o que respondostes em carta
de dezaseis de septembro do anno passado, a ordem
que vos foi sobre informardes no requerimento que
me fizerdo os Indios Pedro, Ignes, e Germana, naturaes
do certio do Rio das Amazonas, em que elles me ex-
puzerao que voluntariamente descerdo das suas terras
como livres [e izentos de todo o captiveiro, e que nao
deviao por este respeito ser sugeitos a ninguem, nem
ser reputados como captives, e que muitas vezes, ainda
que semelhantes se achem izentos e forros, os conventos
desse Estado os passa para as suas fazendas sem at-
tenQao a serem livres com grande prejuizo da sua li-
berdade e que nesta attenqeo, constandovos ser ver-
dade o que me referirao os fizesseis conservar na ditta
sua liberdade, representindome que he tal o abuso
que se observa entire todos os Missionarios dottados de
grandes fazendas e feitorias, que so achgo nas Aldeas






5o ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


que me portencem, sendo todos compostas de Indios
forros exhauridos da mayor part dos que as povoavao
porque os mesmos Missionarios absolute o dispotica-
mente os tiraio da dittas Aldeas para mais naocendas
fazendas aonde nio s6 trabalhio como captives mas
tambem os casio corn escravos e escravas dosmesmos
Religiosos, todo esteprocedimento en control as minhas
Leis, que sendo-lhes tro necessaries vallerense dos taes
Indios para as expedicqes do meu servigo; como se
achio deminuhidas sondo sempre os molhores os que
os Padres tirao para o service das takes fazendas, re-.
sulta hum grande prejuizo na exeeuqe comr que se deve
proceder em todas as materials pertencentes ao meu
real servigo, e se os Governadores desse Estado por
senio malquistarem corn os dittos. Religiosos se acomo-
dio com as suas disposiQces e que assim em virtude
da minha rozoluqdo, nao s6 senao procedera contra es-
tes pobres Indios, mas que em virtude della determi-
nareis mandar recolher para as Aldeas todos quantos
Indios se acharem destribuidos pelas fazendas, e feitorias
particulares dos Missionarios ainda quo desta obser-
vancia resultem quoixas; e attendendo as vossas razbes,
sou servido ordenarvos faQaes conservar na sua liber-
dade a Pedro, Ignes e Germana; e no que respeita aos
Indios que os Padres tirao das minhas Aldeas para o
trabalho das suas fazendas e feitorias quo nesta parte,
sevos declara que tratando os como a livres, e pagando-
selhe o seu estipendio na forma que hW estillo, e o mais
que se pratica corn semelhantes serviqo o possdo fazer
como qualquer senhor, com advertencia que sempre
nas ditas Aldeas ficard aquelle numero de Indios que
dispoem as minhas Leis. El Rey nosso senhor o mandou
por Antonio Roiz da Costa do seu conselho e o Dr.
Joseph de Carvalho e Abreu conselheyros do Conselho
Ultramarino e se passou por duas vias. Jodo Tavares
a fez em Lisb6a occidental em vinte de Julho de mil
sette centos e vinte e nove.






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


297

Communica que o rei mandou ao padre provincial da Companhia de Jesus conhecer
dos abusos dos seus subordinados, castigando-lhes os erros e fazendo-os
comprehender que vae uma grande distancia da occupaqA.o de missionaries i de
senhores ou negociantes.

Dom Joao etc. Faqo saber a vos Alexandre de
Souza Freyre Governador e Capitio General do Es-
tado do Maranhao, que sevio a conta que medestes
sobre alguns excesses que teni obrado nas Aldeas
desse Estado os Padres da Companhia de Jesus a
quem estao entregues as suas administracqes. Me pa-
receu dizervos que ao Padre Provincial da Companhia
de Jesus mandey participar a qneira que ha contra os
seus suibditos, e que mando conhiecer dos sens procedinientos, e os
faga emmendar e castigar pondo em seu lutgar outros que refor-
mem os seus erros e que se deixem persuadir que a ocu-
paego de Missionarios que se lhes encarrega dista muito
da de Senhores que se abrogao e muito mais da de ne-
gociantes que con- escandalo da Religiao ha noticia
exercitdo. El Rey nosso senhor o mandou por Antonio
Roiz da Costa do seu Conselho e o Doutor Joseph do
Carvalho e Abreu Conselhyros do Conselho Ultrama-
rino e sepassou por duas vias. Dionizio Cardozo Pereira
a fez em Lisboa occidental a vinte e outo de Julho de
mil settescentos e vinte e nove.


298

Ordena que se reparem as fortificarqes do Estado e que se constrtda na cidade do
Parda uma casa para a polvora, ficando entendido que suspende-se qualquer
remessa d'esta atW a conclusao do referido deposit.

Dom Joao etc. Faqo saber a vos Alexandre de
Souza Freyre, Governador e Capitao General do Es-
tado do Maranhao, que o Sargento m6r desse mesmo






56 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


Estado Carlos Varjao Rolim me fez present em
cartas de quinze de Junho e quatro de Outubro do
anno passado o estado em que se achavio as for-
tificaqges das Fortalezas assim das da Capitania de
S. Luiz, como das da Cidade de Belem do Gram-Pard
e em terms de se arruinarem brevemente, se senao
acodisse ao seu reparo sendo muy necessario que se
fizesse hua casa para Armazem da polvora que se
acha no Pard por esta em hua de barro, e tdo hu-
mida, que toda a que nella se recolhe, se converted
em lama; e que bem se mostra que houve grande
omissao nos Governadores ndo mandarem acodir logo
no principio ao reparo das ditas fortificaqces porque
por este meyo seria menor a despeza que se experi-
mentasse nested particular: em cuja consideraqo, Me
pareceu ordenarvos procureis cor toda a eficacia
que se reparem as fortificacoes das duas Capitanias,
principiando primeiro pelas que forem mais neces-
saria para a defense dellas; e da mesma maneira.
ponhaes todo cuidado e diligencia a que se faqa a
casa que aponta o engenheyro para serecolher nella a
polvora escolhendo sitio para a dita obra em que se
possa melhor conservar, tendo entendido, que en-
quanto nao constar que esta feita a dita caza como
he convenient que nao espereis que deste Reyno
se vos remeta polvora algua por se nio experimentar
o dano de se perder ficando inutil para o ministerio
para que se envia. El Rey nosso senhor o mandou por
Antonio Roiz da Costa do seu Conselho e o Doutor
Joseph de Carvalho e Abreu Conselheyros do Con-
selho Ultramarino e se passou por duas vias. Antonio
de Souza Pereira a fez em Lisb6a occidental vinte e
outo de Julho de mil sette centos e vinte e nove.






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


299

Cumpra o governador o capitulo do seu regimento que prohibe aos religiosos cul-
tivarem corn os indios, cannaviaes e tabacos, ou pEEsuiicm CrgCLhcs, inti-
mando-os ao cumprimento da lei e remettendo certidao para ulterior delibe-
raqao, no caso de persistencia.


Dom Joao etc. Faqo saber a vos Alexandre de
Souza Freyre Governador e Capitdo General do Es-
tado do Maranhio, que sevio a conta que me destes
em carta de vinte e cinco de Septembro do anno
passado, que obrigado dozello de observardes em tudo
o que manda o regimento deste governor me fazieis
present que no cap. cincoenta e tres do ditto regi-
mento sou servido ordenar aos Governadores des-
se Estado, que a Religiam que houver de ter as
MissOes nao poderd Lavrar coin Indios Canaviaes,
Tabacos nem Engenhos de nenhuma maneira em
tempo algum de que estareis advertido, e como os
Padres da Companhia em todas estas lavouras tern
occupado Indios, pertendieis saber de mim se heis de
consentir, ou nao no quebramento desse mesmo cap.
e que modo de procedimento heis de ter quando
eu made observer, e se despois de notificados os
mesmos Padres, pelas ordens que eu vos remetter,
elles contintiarem no quebramento dellas na part
allegada no dito regimento o que heis de obrar. Me
pareceu dizervos, que deveis em tudo observer o
vosso regimento, e mandareis notificar os Prellados
que tiverem Missao corn os Indios, nao Lavrem ca-
naviaes, Tabacos, nem Engenhos, nao vos apresen-
tando especial 'ordem minha, que derogue o dito cap.
do Regimento, e nao obdecendo a notificacqo, dareis
conta corn certidao della para eu mandar prover de
remedio, e sevos declara, que a observancia do dito
cap. do vosso Regimento, nao ha s6 de comprehender






.8 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


os Padres da Companhia; mas todas as mais Religioes
que ha nesse Estado. El Rey nosso senhoi o mandou
por Antonio Roiz da Costa do seu Conselho e o
Doutor Joseph de Carvalho e Abreu Conselhyros do
Conselho Ultramarino e se passou por duas vias. Joao
Tavares a fez em Lisboa occidental em o primeiro de
Agosto de mil settecentos e vinte e nove.



300


Guarde-se on revogue-se a ordem de apresentagpo prdvia de folha corrida para ir
buscar os generous do sertao, conform houv6r on nao disposiqio legal e an-
terior sobre ella; impeta-se que os missionaries se apossem dos alludidos ge-
neros e tenham qualquer ontra negocianao, nao express em lei; vede-se aos
francezes passarem dos sous limits, observada a divisa da paz do Utrecht.


Dom Joio etc. Faqo saber avos Alexandre de Souza
Freyre Governador e CapitIo General do Estado do
Maranhao que sevio a conta que medestes, em carta
de quinze de Septembro do anno passado, em como
chegastes coin quarenta e dous dias de viagem a cidade
de SBo Luiz, em vinte e nove de Mayo e no primeiro
de Junho tomareis posse do Governo de todo o Estado
ahonde the o present vos tendes empregado em dar
providencia em todas as materials pertencentes ao meu
real serviqo e ao de Deus com todo o zello e que
achareis ao povo da cidade de Sao Luiz do Maranhao
reduzido a grande pobreza e mizeria e o mesmo os
mais povos circunvezinhos e as fortificaq5es todas, huas
arruinadas, e outras totalmente destruhydas, nascidas
todas estas ruinas, nao s6 da falta de operarios, mas
tambem pello embarago, que occaziondo aquelles mora-
dores os Padres da Companhia impossebilitando-os
na introdugqo do Cacau vedandolhes a passage dos
rios resultando disto hum notorio prejuizo a minha






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


real fazenda, remettendome outrosim o Mappa da gente
da mesma Cidade capaz de pegar em armas, e que
passando a Cidade do Pard ahonde presentemente vos
achaveis, achareis a villa do Caytd totalmente destru-
hyda, sendo o motivo da imposebilidade dos seus
habitadores nao terem hum s6 Indio, ou India que os
servisse, e sustentasse assim nas roqas, na pesca, na
cassa, e quem ihe fosse no matto buscar hua pouca de
lenha para cubrirem as suas casas e brevemente se
acabardo de extinguir essas probrissimas reliquias da
ditta villa se o Padre Messionario da Aldea desta mesma
villa despresar ag providencias que deixasteis, negan-
dolhes os Indios e Indias que eu pellas minhas reaes
Leys mando repartirlhes, nao sendo ella estabelecida
para outro fim, entendendo que o titullo, que tern de
administradores 1hes da insolidum todo o poder da
aplicaqdo dos mesmos Indios e Indias empregando-os
em seus services na colheyta do cravo que manddo
tirar nas mattas do rio Guripi, e tambem no sal das
salinas pertencentes a mesma villa do Cayt6; e que na
dita villa fizereis caminho por terra a casa forte do
rio GuamA, e no dito rio observareis que sepodia esta-
belecer nelle hua Aldea, cujos Indios, nao tivessem
mais empregos que o de fazerem canvas para o serving
desse Governo impedindosse por este meyo o pedillas
emprestadas, ou compradas feitas por quatro centos e
quinhentos mil reis cada huma o que nao sucede aos
Padres da Companhia, porque to'das quantos querem
tem, porque as fasem corn os Indios das Aldeas para
o seu servico, e para as venderem por negocio de que
se original hum grande clamor nos povos, e sahindo da
qobredita casa forte, navegareis tres dias the a cidade
de Belem do Gram-Pard, notando em alguas parties
alguns cacoaes e em hum citio em que aportareis
contavaqo jfi sete mil p6s, cujo dono hM Agostinho


(iN ru\NAC 1)4 F3:LIQOE~C( A EtCIIIv 0 01)0 II






60 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


Gomes Domingues;e em outros logares separados dizem
que completava o numero de trinta mil; e em havendo
mayor numero de serves sera grande augmento deste
genero, que vos parese podera competir com o Cacau
de caracas; e que nao s6 neste rio GuamA mas tambem
no do Capim sevio estabelecendo estas mesmasfazendas
e entire todos havera duas ou tres pessoas que tenhao
cada hua dezasete e trinta mil p6s de cacau, represen-
tando, que chegando ao Pard vesitareis logo ao Bispo
em que achareis taes virtudes que o constituhido hum
grande Prelado e que nao sabieis se por omissdo ou
por zello emcaminhado a que nenhum morador passe
ao Certgo a colher os generous sem. que apresente suas
folhas corridas hua pello Ouvidor Geral e outra por
hum particular Livro das pesquizas achareis notadas
culpas fantasticas de que se seguiao hirem s6 quarenta
e duas canvas vazos mui diminutos para trazerem a
grande safra que houve de cacau ficando todo perdido
no matto por nao haver embarca6Ses que o trouxessem
por nao caberem em quarenta e duas o que vinha
em cento e sincoenta com grande damno da minha
fazenda sendo o motive de tudo isto que os Indios que
se havido de destribuir pelos moradores ficassem cre-
cendo para os Missionarios, aproveitandose elles deste
enteresse, e vendo tambem o mais que me represen-
tastes e carta que tivestes do General Frances que
asiste em cayana sobre a devisdo dos governor, e o
que tinheis achado a respeito dos marcos que se man-
darAo por para a sobredita divizlo. Me pareceo di-
zervos que havendo regimento ou ordem minha em
que esteja determinado que os que forem ao CertAo
colher e conduzir os fructos sejdo obrigados a mos-
trarem folhas corridas que se observe inviolavelmente
a dita disposigqo, porem que nao havendo o dito regi-
mento ou ordem especial se extinga o dito abuso e
possam passar ao Certam livremente por se evitar a
introdugqo de levarem os officials de justiga os emolu-






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


mentos que por esta forma percebem e que tenhaes
particular cuidado de impedir que os Missionarios que
vivem nas Aldeas do cert~o sesenhoreem dos gene-
ros que a terra produz impedindo o commercio aos meus
vassallos e Ihes nro permittaes terem outra alguma nego.-
ciacQo das expressadas nas Leys para o sustento dos
Indios e os repartio para o meu servigo na forma das
minhas ordens e todo o Missionario que as contravier,
mandareis recolher na Aldea em que residir e notificar
ao Prelado da sua Religiio para que made outro
que o substitua, e quanto a divisAo de territorio que
pertence ao dominio de El Rey de Franca necessa-
riamente vos heis de reger pello capitullado na paz de
Utreque e vos recommend que po.r todos os meyos que
for possivel impedaes o passar os Francezes dos seus
limits. El Rey nosso senhor o mandou por Antonio Roiz
da Costa do seu conselho e o Doutor Joseph de Car-
valho e Abreu Conselheyros do Conselho Ultramarino
e se passou por duas vias. Dionizio Cardozo Pereyra
a fez em Lisboa occidental a vinte e sete de Septembro
de mil sete centos e vinte e nove.



301

Informe o governador, ouvindo a respeito o ouvidor geral, sobre o procedimento
do dr. Antonio Troyano, governador do bispado, a vista da carta do vigario
geral da capitania de Sao Luiz do Maranhlo, Jos6 de Tavora de Andrade.


Dom Joio etc. Fago saber avos Alexandre de Souza
Freyre Governador e Capitdo General do Estado do
Maranhdo que vendo se o que me escreveu o vigario
Geral da Capitania de Sao Luiz Jos6 de Tavora de
Andrade em carta de outo de Julho do anno passado
de que corn esta sevos remote acopia assignada pelo
secretario do meu conselho Ultramarino sobre o proce-






62 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


dimento do Governador do Bispado dessa mesma capi-
tania. Me pareceo ordenarvos informeis sobre o que
conthem a dita carta, ouvindo ao Ouvidor geral. El
Rey nosso senhor o mandou por GonCallo Manoel
Galvao de Lacerda e Alexandre Metello de Souza
Menezes Conselheyros do seu Conselho Ultramarino e
se passou por duas vias Antonio de Souza Pereira a
fez em Lisboa occidental em nove de Janeiro de mil
settecentos e trinta e hfi. O secretario Manoel Caetano
Lopes de Laire a fez escrever.

Carta do vigario Jose de Tavora de Andrade

Muito alto e poderoso Rey.

O Governador e Capitam General deste Estado me
fez entregar hua carta por 2 vias que V. Magestade
foi servido mandar escrever para o Governador deste
Bispado ao Rev.mo Dr. Antonio Troyano; e como este
se achava auzente na capitania do Piauguy, aonde por
orde de V. Magestade havia ido atomar posse no espi-
ritual pela anexaqo que nella se fez para este Bispado
e eu por sua auzencia ficasse ocupando nesta cidade
o cargo de vigario geral entendi ser precise abrir hui
das vias para ver se nella ordenava V. Mag,e alguma
couza, que carecesse da promptiddo a seu real serving
para com a mesma dar aella a devida execucgo. Nella
vejo extranharlhe V. Magestade o modo cor que proce-
dera na visit que tirou na villa de Tapuitapera,
representado pela queixa que lhe fizerio os officials
da Camera da mesma villa, e visto que o dito Gover-
nador do Bispado se nao acha nesta cidade para poder
dar os seus descargos a tdo injusta queixa me permit
V. Magestade licenca para poder dar por elle com a
verdade e a sinceridade que h6 assis notoria.
Havia muitos annos que aquella villa nao era vi-
sitada e indo em visit o dito Governador do Bispado,






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


e visitador achou tao repleta de perniciosos vicios, es-
candalozos peccados, e publicos concubinatos, es que
achou precisado a dezembainhar a espada da Igreja
para apartar das occasioes os rebeldes e pertinazes nas
culpas, uzando corn elles do rigor que s6 bastasse
para a emenda destas, assim como uzou de brandura
e suavidade corn os obedientes e humildes, mesclando
asim a justiga e a mizericordia corn as mesmas letras,
e prudencia de que he dotado, demodo que nerm obrou
excess nos castigos, nem deixou de exercer muitos ac-
tos de piedade, sendo as condenag6es que fes pecuni-
arias tao parcas, que escassamente chegavio para as
muitas despezas que fazia para a sustentaqdo de sua
familiar e comitiva, o que se poderia facilmente justifi-
car, se V. Mag.: se dignasse mandar tomar de tudo conhe-
cimento por pessoa de sAa consciencia; e acharia nio
haver obrado acQio que merecesse ser estranhada, an-
tes somente Louvaveis e dirigidas a mayor servico de
Deus e bem daquellas almas.
He propenqgo natural ainda dos mais culpados jul-
garemse pelos mais innocentes; e como alguns dos
officials da dita camera estavio na raiz da culpa con-
siderandose entdo no estado da innocencia brotario
em ramos de queixas, a que os incitou e provocou o
Ouvidor Geral desta Capitania Mathias da Silva e
Freitas, inimigo acerrimo, e portal declarado do dito
Governador do Bispado por ihe estranhar os excesses,
e injustiqa que obrava naquella villa indo a ella em
correycpo geral estando 3 e 4 mezes nao podendo estar
mais que 30 dias, oprimindo aos pobres moradores, corn
condenaQoes e degredos, obrigamdoos por forga a esta-
rem na villa, f6ra das suas lavouras e para que os
officials da camera e moradores sendo queixassem delle,
os induzia a formalas contra o Governador do Bispado
encarecendolhes as injusticas enfeitandolhe innocencias
e o quo mais ha offerecendolhes a sua proteqfio como
juizo da Coroa para ondo fez agravar a algus, aquem






61 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


logo deu provimento no recurso, e deste procedimento
injusto naceo a queixa que fizerio a V. Mag.e tendo
maiz justificada razio para o fazerem contra o dito
corr.0o que os assolava e nao contra o seu Prelado
que como medico Ihes hia curar as enfermidades de
suas almas, e que nio he novo nomundo, pois janelle
se fez o mesmo a Christo nosso Senhor (como diz
S. Agostinho) Invaricartes in medicun, qui venerae
curare eos> E para mais atrahir os animos assim
do Padre Vigario daquella Villa, como os Camaris-
tas e moradores, os aconcelhou, persuadio e induzio
a huns e outros a que negassem a obdiencia como
negardo na occasiao em que tomei posse do cargo de
Vigario Geral que estou ocupando por proviso do
dito Governador do Bispado, aseverando que este nao
tinha jurisdigio para fazer esta nomeaqqo, que o Illm.0
Cabido da See oriental dessa Corte confirmou em mi-
nha propria pessoa e da erronea doutrina deste me-
nistro se hiio originando absurdos inauditos, se o
Governador e Capitdo General Alexandre de Souza
Freyre se nio intrometesse e cor sua muita prudencia,
e respeito sem coacgdo maiz que a razio e direito a
fazelos reduzir a todos a minha verdadeira obediencia
que me derdo, indo eu visitar logo a dita Villa, aonde
tambem neste tempo se achava este menistro que
tendo natural orgulho para inquietaq5es, nio teve co-
migo o minimo dissabor, nem competencia ou porque
entendesse que eu obrava com a recta intengco de fa-
zer o que Deos manda e seu santo serviQo ou porque ja
via Ihe aproveitavao pouco os inventos da sua astucia.
Nesta visit que tirei na Villa de Tapuytapera,
achei com provado tudo o que tenho exposto a V.
Mag.e sobre o justificado procedimento que o dito Go-
vernador do Bispado teve na visit que na mesma
Villa tirou assim pelos proprios autos da visit como
por muitas informac5es juridicas e veridicas que to-
mei de muitos religiosos e pess6as dignas de fM, deza






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


paixonadas, e tementes a Deos que uniforms citam
nio haver obrado o minimo excess digno de nota
nem de poder de algu resultar queixa, e a que os
officials da Camera fizerao a V. Mag.e se deve ter
mais por affectada que verdadeira.
He tao escandalosa a paixa5 com que este menis-
tro procede contra os procedimentos do dito Governa-
dor do Bispado; e meus que nos recursos que inter-
poem para o Juiso da Cor6a os agravantes de que
elle he Juiz, em que tern algui justiQa, os despacha
logo com muita brevidade, e os em que acha ser o
nosso procedimento justificado, ou em que nao con-
cordao corn elle os adjuntos, ihe poem pedra em sima,
e se passTo muitos mezes e ainda annos sem os des-
pachar, afim de nao aprovar cousa que obrasemos, re-
sultando de tio perniciosas demoras, gravissimos detri-
mentos e prejuizos a boa execugio da justiqa eclesias-
tica porque entire tanto os agravantes que sao os culpa-
dos, ficao perseverando nas culpas contra o servico
de Deos e intenqgo da Santa Igreja, demodo que o
cartorio do juizo da Coroa he o cartorio do juizo ecle-
siastico porque os autos que desteviio para aquelle, al
ficao sem determinacQo final quando se ha de julgar
que nao sio agravados os recorrentes ainda nos cazos
de correcqfio de costumes em se nuo di app.am e
agravo em que agravou para a Coroa hu dos morado-
res de Tapuytapera, culpado por relapso, tanto na vi-
sita do Governador do Bispado como na minha por
nao cumprir vez algua com o.preceito da Igreja, e ouvir
missa nos Domingos e dias santos, em 8 mezes que o
deliquemte interpoz este recurso, ainda este ministry
nio teve hora de o julgar so porque entende a Jus-
tiga do meu procedimento e o relapso entanto esta
presseverando na resistencia da culpa sem ouvir missa
e sem execuqao dos mandamentos dos seus Prelados.
Esta representacao me pareceo muito precisa por
na real presence de V. Mag.e e a quem com a mais






(i( ANNAES DA BIBLIOTHECA 'E ARCHIVO PUBLIC


profunda reverencia; suplico e rogo pelas entranhas
da mizericordia de Deos nosso senhor'se digne man-
dar prover de remedio prompto a tantos danos, orde-
nando por seu real decreto corn penas Graves ao Juiz
e adjuntos do Juizo da Coroa desta cidade que den-
tro em o tempo perentorio determine os agravos da
Coroa para que assim nem se demore a justiga ecle-
siastica digo das parties, nem se falte na execugao da
mesma Justica eclesiastica em se retardar por tempo
tio prolongado o service de Deos aquem instante-
mente peco guard a real pessoa de V. Mag.e S. Luiz
do Maranhao 8 de Julho de 1830. O vigario geral do
Maranhlo, Jos6 de Tavara e Andrade (Assignado) Ma-
noel Caetano Lopes de Laire.



302


Fez mal o governador em nao cumprir a ordem sobre a prohibiqgo de lavrarem os
missionaries cannaviaes e tabacos e possuirem engenhos, pois ella se encon-
tra em capitulo do seu regimento, o que dispensa toda e qualquer consult.


Dom JoAo etc. Faco saber avos Alexandre de
Souza Freyre Governador e Capitam General do Es-
tado do Maranhao, que vendose o que me escrevestes
em carta de trese de Mayo do anno passado, represen-
tandome os fundamentos porque nao executareis a or-
dem que se vos expediu em primeyro de Agosto de
mil setecentos e vinte e nove sobre observardes o
vosso regimento e mandar notificar aos Prelados que
tiverem Missoens com Indios, nao lavrem canaviaes,
tabacos, nem emgenhos nio vos apresentando especial
ordem minha que derrogue o dito regimento. Me pa-
receo dizervos que nio obrastes o que devieis, emdei-
xar de cumprir a ordem que se vos enviou a qual
nao necessita de declaracio porque se refere ao capi-






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISO)ES


tulo do vosso regimento. El Rey nosso senhor o man-
dou por Gongallo Manoel de Galvao de Lacerda e o
Doutor Alexandre Metello de Souza MIenezes, conse-
Iheyros do seu conselho Ultramarino e se passou por
duas vias. Dionizio Cardozo Pereira a fez em Lisb6a
occidental a honze de Janeiro de mil setecentos e trinta
hum. 0 secretario Manoel Caetano Lopes de Laire a
fez escrever.



303


Entendeu o governador multo mal a earta rdgia de 20 de Julho de 1729, cumprindo-
Ihe executar sem mais delongas o que ella ordena, e procurando onde se en-
contram os indios Pedro, Ignez e Germana, para restituil-os a sua liberdade.


Dom Joao etc. Fago saber avos Alexandre de
Souza Freyre, Governador e Capitam General do Es-
tado do MaranhAo, que vendose o que respondestes
em carta de treze de Mayo do anno passado a ordem
que vos foi sobre os Indios, que os Missionarios tirio
das Aldeyas para o trabalho das suas fazendas e fei-
torias expondome que nao podieis deixar demerepre-
sentar que a dita ordem de roga dous Alvards do regi-
mento, e Leys das Missoes pag. dezasette, desouto e
dezanove, e pag. vinte sette por hud parta escripta a
Junta das Miss6es do Maranhio=-ibi= que nenhu Mis-
sionario deixard ficar os indios das Aldeyas nas fazen-
das dos seus Conventos, e ainda que pela mesma
ordenacQo do Reyno seacheprohibido este procedi-
mento, contudo como eu determinara agora o contra-
rio, vos abstinheis por hora de todo o procedimento
ath6vos declarar se haveis de continuar o consen-
timento de que result nao s6 a infracQo dos subre-
dittos Alvaras, mas um grandissimo prejuizo ao meu






68 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


service, ou haveis de mandar restutuir as Aldeyas nao
s6 todos os Indios, que se Ihes ter tirado, mas as mu-
Iheres, e os maridos, que sendo escravos dos Missiona-
ries, estio casados com os Indios, e Indias das Al-
deyas. Me pareceu dizervos, que entendestes muito
mal a ordem, que recebestes, e de que daes conta pois
por ella senio revogdo Leys, nem Alvards alguns,
nem se entendem de rogadas sem dellas se fazer
express derogagqo, e que mandeis as copeas dos
Alvaras, e Leys que dizeis estao a pagina dezasete,
desouto, e dezanove, e entendeis derogadas, porque se
estas paginas sao de impressao do regimento das
Misses, nellas senao encontra disposigdo algui, que
fique duvidoza corn a ultima ordem a que respondeis,
nem comella se pode entender derogada a disposigco
da carta de vinte e hu de Abril de mil sette centos e
dous de que transcreveis as palavras pois senao per-
mite por ella aos Missionaries poderem deixar ficar os
Indios das Aldeyas nas fazendas dos seus Conventos;
e o que sevos declarou, foi que os missionaries sepo-
diao servir dos Indios pagandolhes o seu estipendio
na forma do estillo, e como o podem fazer os seculla-
res, o que nao deroga, antes h6 conforme as Leys, e
ordens anteriores, segundo as quaes deveis entender
as declaraq5es que vos forem, cumprindo sempre o
regimento, e Leys sem que vos possaes valler da dita
ordem, para desculpardes as vossas ommissbes, e fareis
deligencia por,saber aonde estao os Indios, Pedro
Ignes, e Germana, e os conservareis na sua liberdade,
como se vos ter ordenado. El Rey nosso senhor o
mandou por Gongalo Manoel Galvao de Lacerda, e o
Doutor Alexandre Metello de Souza e Menezes, conse-
Iheyros do seu conselho Ultramarino e se passou per
duas vias. Joqo Tavares a fez em LisbOa occidental a
doze de Janeiro de mil sette centos e trinta e hum.
O secretario Manoel Caetano Lopes de Laire a fes
escrever.






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


304

Em vez de ter os pardos e os bastardos reunidos separadamente em corpos de in-
fanteria, corn officials e cabos proprios, mais convenient serai que os mora-
dores de cada district sejam aggregados sem distincq6es aos corpos existen-
tes, ficando extinctos os taes corpos de pardos e bastardos.


Dom Joao etc. Fago saber avos Alxeandre de
Souza Freyre Governador e Capitao General do Es-
tado do Maranhdo, que por parte de Antonio Telles de
Albuquerque se me representou que o Governador
das minas D. Lourenqo de Almeida oprovera no posto
de Capitio dos Pardos e Bastardos da passage morro
e outras parages visinhas a villa do Carmo, pedindo-
me o confirmasse no seu posto: Me pareceu dizer-vos
que no meu conselho Ultramarino se reparou muito
que nesse Estado haja corpos de infanteria da Orde-
nanqa separados de Pardos e Bastardos o que pode
ser com grande prejuizo desse Estado e muito contra
a quietaqito e socego desses Povos, o que se faz digno
de todo o cuidado e attenqdo; e que se entende que
o mais convenient sera ndo separar esta gente dan-
dolhes officials e cabos que os governem separada-
mente e que parece mais acertado que todos os mora-
dores de hu district sejio agregados aquella compa-
nhia ou companhias, que houver naquelle district,
sem que haja corpos separados de pardos e bastar-
dos, com officials privativos e que assy o deveis exe-
cutar conformando-vos com o regimento das ordenanqas
que assim o dispoem. El Rey nosso senhor o mandou
pellos D. D. Manoel Fernandes Varges e Alexandre
Metello de Souza e Menezes, Conselheyros do Conselho
Ultramarino e sepasou por duas vias. Antonio de
Souza Pereira a -fez em Lisboa occidental em quatorze
de Janeiro de mil setecentos e trinta e hu. 0 secreta-
rio Manoel Caetano Lopes de Laire a fez escrever.






70 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


305


Informe o governador sobre a petiqao de Custodio de Souza Guedes que deseja
a baixa de soldado visto star aprendendo o officio de alfaiate e ser o arrimo
de uma irman orphan.


Dom Jodo etc. Faqo saber avos Alexandre de
Souza Freyre Governador e Capitdo General do Es-
tado do Maranhdo, que por parte de Custodio de Souza
Guedes se me fez a peticgo cuja copea com esta sevos
remette assignada pelo secretario do meu conselho
Ultramarino, em que pede se Ihe d6 baixa de soldado
por estar aprendendo o officio de Alfayate e ter eu
vos ordenado sejao estes izentos de tal exercicio. Me
pareceu ordenarvos imformeis com vosso parecer. El
Rey nosso senhor o mandou por Gongalo Manoel de
Galvio Lacerda e o Doutor Alexandre Metello de
Souza e Menezes conselheyros do seu conselho Ultra-
marino e se passou por duas vias. Bernardo Felix da
Sylva a fez em Lisboa occidental a trinta de Marco
de mil sete centos e trinta e hum. 0 secretario Manoel
Caetano Lopes de Laire a fez escrever.

Petigdo de Cnstodio de ASousa Guedes

Senhor.

Diz Custodio de Souza Guedes, natural da Ci-
dade de Santa Maria de Belem do Gram-Pari, que
na Real ordem express na carta inclusa escripta
ao Governador e Capitam General do Estado do Ma-
ranham, cujo traslado se offerta, se encomenda e man-
da por se fazer present pelos officials da Camera
daquella cidade a falta que havia dequem para bem
commum da republican exercesse os officios machani-
cos, por serem uns falecidos, e outros por velhos iiq-






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


ptos, e aos que denovo aprendiam os obrigavam a
militarem em resam do que ficava a dita Republica
deminuta dos referidos operarios, aos aprendizes de
semelhantes officios os nam ocupem na milicia: e por
que o suplicante nam obstante estar aprendendo a
alfayate como consta da certidam junta, alem de
orfam, pobre com uma irmi solteyra a seu cargo, e
hum irmio unico, e o mais velho ser jd soldado pago,
tambem elle o he da Companhia do Capitam Joseph
Rodrigues de Affonceca, onde contra sua vontade e o
disposto na real ordem que apresenta se Ihe assentou
praqa. P. a V. Magestade se digne que em virtude da
mesma ordem Real se -de baixa de soldado no assento
do suplicante para desempedido, em utilidade do povo
para seo remedio e da irma orfA trabalhar pelo sobre-
dito officio de Alfayate E. R. M. (Assignado) Manoel
Caetano Lopes de Laire.



306

*
Restitfia o provedor da fazenda da capitania do Parai a importancia da polvora que
indevidamente cobrou dos fiadores de Jos6 Antonio, e no caso de nao se
achar a referida quantia carregada em receita ao provedor, made o gover-
nador autoar este funccionario e o suspend das funcqces do seu cargo.


Dom Jodo etc. Faqo saber a vos Alexandre de
Souza Freyre Governador e Capitfo General do Es-
tado do Maranhdo que por parte de Joseph Antonio
procurador do navio Nossa Senhora da Conceygdo e
Santa Anna nessa cidade se me representou que sendo
costume em todas as conquistas quanto os Navios
Mercantis necessitam de algua polvora para sua de-
fenqa selhes emprestao dos meus armazens com a
fbrigagao de restituirem na mesma especie; o capitdo







72 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


do dito Navio Antonio Roiz Chaves tomara por este
modo deseseis quintaes dando por fiadores ao capitdo
Manoel de Goes, e ao Sargento m6r Bernardo do Rego
Barboza, ambos moradores nessa cidade, o Almoxarife
Francisco Ferreira Souto com conhecido damno da
mesma seguranga obrigara aos fiadores dos ditos
dezeseis quintaes de polvora aque Ihe pagassem a di-
nheiro pelo exorbitante preqo de sinco tost5es que
com effeito embolsara delles; pedindome Ihe fizesse
restituir como procurador do dito navio todo a im-
portancia que se cobrou dos seus fiadores pelos de-
zeseis quintaes de polvora, recebendose esta do sup-
plicante na mesma especie enxuta, e bem acondici-
onada. Me pareceu mandarvos dizer, que ao Provedor
da fazenda da Capitania do Pari ordeno faca restituir
Logo toda a importancia desta polvora, que o almo-
xarife obrigou a pagar aos fiadores do Supplicante
recebendo delles em especie a mesma quantidade de
polvora, que Ihes foi emprestada, sendo boa e de
receber mandando examinarse se acha carregada em
receyta ao almoxarife a ihesma importancia em di-
nheiro; que recebeu dos fiadores do supplicante, e
quando a dita quantia se ndo ache inteyramente,
carregada em receita ao dito almoxarife o autue, e
suspend na forma do seu regimento, e desse conta
de tudo o que achasse nesta material, de que vos aviso
para que assim o fa ais executar, e me deis conta.
El Rey nosso senhor o mandou por Gongalo Manoel
Galvdo de Lacerda e o Doutor Alexandre Metello
de Souza e Menezes, Conselheyros do seu Conselho
Ultramarino e se passou por duas vias. Jodo Tavares
a fez em Lisboa occidental a trinta de Marco de mil
sete centos e trinta e hu. O secretario Manoel Caetano
Lopes de Laire a fez escrever.






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


307


Declare o governador a ordem em que se fundou para crear o posto de capitao dos
descimentos da aldeia de Santa Rosa de Viterbo.


Dom Joio etc. Fago saber a vos Alexandre de
Souza Freyre Governador e Capitao General do 'Es-
tado do Maranhao que Manoel da Sylva Franco re-
quereu no meu Conselho Ultramarino a confirm aao
da patente do posto de Capitao dos descimentos da
Aldeya de Santa Rosa de Viterbo em que o provestes
por patented vossa, de trinta. de Outubro de mil sette
centos e vinte nove: Me pareceu ordenarvos imfor-
meis corn o vosso parecer declarando a ordem que
tivestes para crear este novo posto. El Rey nosso
senhor o mandou pellos Doutoures Manoel Fernandes
Varges e Alexandre Metello de Souza Menezes Con-
selhyeiros do seu Concelho Ultrainarino e sepassou
por duas vias. Bernardo Felix da Silva a fez em Lis-
boa occidental a dous de Abril de mil setecentos e
trinta e hfi. 0 secretario Manoel Caetano Lopes de
Laire a fez escrever.


308


Informe o governador sobre o requerimento do sargento-m6r Carlos Varjao Rolim
em que pede licenqa para passar a praqa que tern na capitania de Sgo Luiz
para a do Pard.


Dom Joao etc. Faco saber a vos Alexandre de
Souza Freyre, Governador e Capitao General do Es-
tado do Maranhao que por parte de Carlos Varjao
Rolin sargento m6r de Infanteria, com o exercicio de
Engenheyro das fortificaq5es desse mesmo Estado, se






74 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


me representou que elle viera por ordem vossa da
capitania de Sao Luiz para a do Pard, adonde assisted
a mais de dous annos para effeito de se repararem as
fortificaQ6es da dita capitania, e fazerse nella hum ar
mazem de polvora, e porque elle tem sentado praca
na capitania de Sao Luiz a onde nao faz assistencia
por ser esta mais presisa na do Para, nao s6 pellas
razoens referidas mas tambem para asestir o concerto
que se ha de fazer nas Fortallezas de Gurupa, Parfi,
Tapaj s, e Rio Negro, que todas estas estam arrui-
nadas. Me pedia Ihe fizesse mercer de Ihe conceder li-
cenqa para passar a praga que tem na capitania de
Sao Luiz para a do Pard aonde he mais necessaria,
a sua assistencia. Me pareceu ordenarvos informeis
cor o vosso parecer. El Rey nosso senhor o mandou
pellos D. D. Manoel iFrnandes Varges e Alexandre Me-
tello de Souza Menezes, conselheyros de seu conselho
Ultramarino e se passou por duas vias. Dionizio Car-
dozo Pereira a fez em Lisboa occidental a seis de
Abril de mil setecentos e trinta e hi. O secretario
Manoel Caetano de Laire a fez escrever.


309

Informe o governador a petiqpo de Raymundo de Azevedo e outros, que pretendem
o privilegio de uma fabric de solla por espaqo de dezeseis annos.

Dom Jodo etc. Fago saber a vos Alexandre de
Souza Freyre, Governador e Capitam General do Es-
tado do Maranhao, que por parte de Raymundo de
Azevedo e outros se me fez a petiqo cuja copea corn
esta se vos remete e assignada pelo Secretario do meu
conselho Ultramarino, em que pedem se Ihe concede a
fabric de solla corn as condiqces que apontio por
tempo de desaseis annos. Me pareceu ordenar-vos o
informeis corn o vosso parecer, ou vindo as Camaras.






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


El Rei nosso senhor o mandou pelos Doutores Ma-
noel Fernandes Varges e Alexandre Metello de Souza
Menezes conselheyros do seu conselho Ultramarino e
se passou por duas vias. Bernardo Felix da Silva a
fes em Lisboa occidental a seis de Abril de mil sete-
centos e trinta e hu. 0 secretario Manoel Caetano Lo-
pes de Laire a fez escrever.


Peti~io de Raymundo de Azevedo Ccrvalho e outros.

Senhor.

Dizem Raymundo de Azevedo Carvalho, Manoel
Furtado de Mendonga e Paschoal Geraldes de Azevedo
todos da cidade de Sdo Luiz cabeQa do Estado do Ma-
ranhio, que elles intentdo estabelocer hua fabric de sol-
las em a mesma cappitania e suas anexas, da qual re-
sulta nao s6 util dos direitos de V. Mag.de que por nIo
havellas se perdem, e sdo consideraveis, mas tdo bem
utilidade public, e comercio grave para os moradores
.dellas, o qual estabelecimento pode ter seu devido ef-
feito quando V. Mag.e seja servido conceder-lhes para
o cortume dos coiros quinze indios capazes e effectivos
para auctualmente trabalharem sem intropalaqdo de
tempo, pagandolhes os suplicantes os seus jornaes e
salaries conforme o uzo commum da terra: ordenando
ao Governador actual do dito Estado, e seus susses-
sores faqao inteiramente cumprir esta condicgo para
que nao haja mora algua no exercicio da dita fa-
brica e havendoa por algum incident, se supra a falta
dos ditos Indios corn alguns do que ha alforriados nas
mesmas capitanias; a qual fabric se obrigdo os ditos
suplicantes a sustentar com condicio deque por espacio
de tempo de dezasseis annos nenhua pessoa de qual-


(5) .ANNAE, i ..DISUOT UCa. ElI\CLVO--ToMO IV






76 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


quer condiqco e estado que seja ngm tambem as Rel-
ligi6es possam vender couros em cabellos, sendo s6 a
elles para a dita fabric, nem tambem alterarlhes o
prego porque actualmente correm pelo qual serao por
elles sobre ditos suplicantes muito bem pagos e que
nos ditos annos nenhumas das sobre ditas pessoas, e
Relligioes facgo cortimento de sollas ou contratem nella,
supena de perderem os couros assim vendidos e embar-
cados, e de contrato para a dita fabric a qual tao so-
mente toca a este contrato pelo dito tempo de desaseis
annos alem da dita condiQco mais principal da conces-
sdo dos ditos Indios, e serao obrigados os mesmos sup-
plicantes a pagar os direitos de V. Mag.e do embarque
da dita solla, que toda seri marcada corn marca parti-
cular que haverd na dita fabric; e porque os direitos
hio de ser inumeraveis porhaverem ji hoje muitas fa-
zendas de gados em aquelle Estado e a utilidade co-
mum aos moradores della pelo que se esti mostrando
do referido, e padece todo aquelle Estado notorias faltas
de comercio e contratos a que se nio animno os inora-
dores delle por falta de meyos para os conseguirem, e
nao parece just fique sem effeito o pertendido con-
trato pelos suplicantes. = Pedem a V. Mag.e Ihe faqa
merce conceder o estabaiecimento da dita fabric pelo
tempo referido e condiqges apontadas, mandandose
de tudo expecificamente a sua devida execugao por sua
real grandeza e piedade. E receberdo merce. (Assig-
nado) Manoel Caetano Lopes de Laire.


310

Manda fazer editaes para o provimento dos postos de capitaes da fortaleza da
Ponta da Areia e do rio Itapicurid.

Dom Jodo etc. Fago saber avos Alexandre de Souza
Freyre Governador e Capitio General do Estado do
Maranhio, que por falecimento dos dous capitaes da






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


Fortaleza de Ponta de Areia e do Rio Itapecurfi, que
hi na capitania de Sao Luiz, foi servido mandar por
editaes para o provimento destes postos e por ser con-
veniente ao meu servigo. Me pareceu ordenarvos infor-
meis sobre a necessidade que ha destes capitdes. El
Rey nosso senhor o mandou pelos D. D. Manoel Fer-
nandes Varges e Alexandre Mettello de Souza e Mene-
zes, Conselheyros do seu conselho Ultramarino e se
passou por duas vias. Joao Tavares a fez em Lisb6a
occidental a nove de Abril de mil setecentos e trinta
e hum. O secretario Manoel Caetano Lopes de Laire
a fez escrever.


311

Informe o governador o requerimento em que Joao Barreyra de Macedo, cirur-
gido-m6r da capitania de S~io Luiz, pediu o augmento do seu ordenado para
20$000 rs. mensaes.

Dom Joao etc. Faco saber a avos Alexandre de
Souza Freyre Governador e Cappitdo General do Es-
tado do Maranhdo que por parte de Joao Barreyra de
Macedo cirurgiao m6r dessa Capitania de Sao Luiz, se
me fez a petiqdo atraz escripta assignada pelo secre-
tario do meu conselho ultramarino, em que pede que su-
pusto nao haver medico algu nessa dita capitania, seja
servido acrescentarlhe o ordenado, que prefaca a quan-
tia de vinte mil reis por mez. Me pareceo ordenarvos
informeis cor o vosso parecer, ouvindo o Provedor da
fazenda. El Rey nosso Senhor o mandou pelos D. D.
Manoel Fernandes Varges e Alexandre de Mettello da
Souza Menezes, conselheyros do seu conselho Ultra-
marino e se passou por duas vias Joao Tavares a fez
em Lisboa occidental a treze de Abril de mil setecen-
tos e trinta e hum. O secretario Manoel Caetano Lopes
de Laire a fez escrever.






78 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


Petigo de Jodo Barreyra de Macedo.

Senhor.

Diz Joao Barreyra de Macedo que V. Mag.e foi ser-
vido fazer mercA ao supplicante do cargo de cirurgiao
m6r da capitania de Sdo Luiz do Maranhao corn obri-
gaqdo de curar a infantaria da dita cappitania que
consta de sinco companhias declarandose na sua Pa-
tente que haveria os ordenados que tiveram seus
antessores como consta da sua carta pella certidao
junta; e por quanto o ordenado he muy limitado, que
apenas importa em tres mil reis cada mez como consta
da certidao iiclusa e a dita capitania he terra muy
pobre, e dilatada muyto mais que a praca de Santos cujo
cirurgiao tern de soldo quinze mil reis por mez, como
consta de outra certidao junta e sendo o trabalho do
supplicante muy mayor parece ser merecedor de avan-
teja e sellario pello que P. a V. Mag.e em consideraqao
do expedido e nio haver medico algum na dita capitania
seja servido acresentar ao supplicante o ordenado que
prefaga a soma de vinte mil reis cada mez, para asim
o supplicante poder cumprir corn a dita ocupaiao em
utilidade daquelle povo e servico de V. Mag.e pois o
cirurgido m6r que servio antes do supplicante largou a
dita ocupaqio pelo limitado sallario que tinha. E. R.
M.ce-(assignado) Manoel Caetano Lopes de Laire.


312

Preste o governador o seu parecer, ouvindo o provedor da fazenda, sobre a pe.
tiggo em que as dignidades, conegos e mais ministros da S6 do ParA solici-
taram uma porqgo de peixe, igual a quo se da aos meirinhos da ouvedoria e
provedoria, aos demais ministros e aos soldados.

Dom Joio etc. Fago saber avos Alexandre de Souza
Freyre, Governador e Capitio General do Estado do
Maranhao, que por parte das Dignidades, Conegos,






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


e todos os mais Menistros da Cattredral do Pard se
me fez a peticgo atraz escripta assignada pelo secre-
tario do Meu conselho Ultramarino, em que pedem lhe
made dar a cada conego e Beneficiados hua porqgo
de peixe, como seda aos Meyrinhos da Ouvedoria e
Provedoria; e aos mais Menistros e soldados. Me pa-
receo ordenarvos informeis com vosso parecer, ouvindo
ao Provedor da fazenda que dard a sua resposta por
escripto. El Rey nosso senhor o mandou pelo Doutor
Manoel Fernandes Varges e Gongalo Manoel Galvdo
de Lacerda, conselheyros do seu conselho Ultramarino,
e se passou por duas vias. Jodo Tavares a fez em Lis-
b6a occidental a dezeseis de Abril de mil sette Centos
e trinta e hum 0 secretario Manoel Caetano Lopes de
Laire a fez escrever.


Petici(o das (dignidades conegos, e ministros da Su .


Senhor.


Dizem as. Dignidades Conegos. e todos os mais
Ministros da Cathedral de Santa Maria de Belem do
Gram Pard que V. Mag.e costuma por ser precise
para conservaqio daquelle estado mandar dar porgco
de peixe da canoa que vem todos os mezes de Joanes
ao R.do Bispo, Governador, Ministros e soldados sem o
que ninguem pode passar por quanto ainda para os
que o querem comprar o nao hadevenda em a terra,
e porque os supplicantes pela sua tdo grande ocupagio
da Igreja necessitao, mais que ninguem desta esmolla
para o que ja fizerio requerimento a V. Mag.e e tive-
rdo noticia viera do governador daquelle estado infor-
maq o a seu favor mas nao conseguirdo despacho.
P. a V. Mag.e Ihes faga merco mandar dar a cada
conego e beneficiados hua porcgo de peixe como s6 da






80 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PU8LICO


aos meyrinhos da ouvedoria e provedoria e aos mais
Menistros porqao como seda aos soldados. E. R. M.e
(assignado). Manoel Caetano Lopes de Laire.



313


D6 o governador a sua opinigo sobre o protest dos filhos e netos dos cidadgos
de Belem do Parf contra o alistamento de um home que foi ferreiro public
na companhia da nobreza.


Dom Joao etc. Faqo saber avos Alexandre de Souza
Freyre Governador e Capitdo General do Estado do
Maranhao que os Officiacs da Camera da cidade de
Belem do Gram Pard em carta de vinte e tres de Se-
tembro do anno passado, me representardo a duvida
quesemoveu entire os filhos, e nettos dos cidadaos dessa
cidade sobre querer ser alistado na companhia da no-
breza hum home, que foi ferreiro public, e ainda
hoje tem em sua casa tenda aberta, concorrendo nelle
outras circunstancias, porque se faria indigno deste
emprego, e impugnando os ditos filhos, e nettos o pas-
sar este home para a dita companhia, acentario se-
guir o que eu ordenasse por abreviar algua dezor-
dem; e porque esta companhia 6 composta da nobreza
dessa cidade parece ndo dove ser admitido semelhante
sugeito: pedindo me senio admita este, nem outros se-
melhantes. Me pareceo ordenarvos informeis com o
vosso parecer. El Rey nosso senhor o mandou pelo
Doutor Manoel Fernandes Varges, e Gonqallo Manoel
Garvio de Lacerda conselheyros do seu conselho Ul-
tramarino e se passou por duas vias. Joao Tavares a
fez emLisboa occidental a vinte e um de Abril de mil
setecentos e trinta e hum 0 secretario Manoel Caetano
Lopes de Laire a fez escrever.






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


314

Informe o governador, juntando os pareceres do reitor do collegio da Companhia
e do procurador dos indios, sobre a apprehensao que o sargento-m6r do Ma-
ranhao Joao de Almeida da Matta fez em uma can6a cor vinte e seis indios
descidos, e sobre o mais que a respeito se passou.

Dom Joao etc. FaQo saber avos Alexandre de
Souza Freyre Governador e Capitdo General do Es-
tado do Maranhdo. que o capitdo m6r do Pard me deu
conta em carta de trinta Setembro doanno passado
cuja copia com esta sevos envia, assignada pelo secre-
tario do conselho ultramarino a respeito da preza que
o sargento m6r daquella praqa Joao de Almeyda da
Matta fizera em hua canoa que trazia vinte e seis peas
de que era cabo hum Mathias de Espindolas, as quaes
prezas se havido entregue a Manoel de Goes, o qual
dahy a tempos mostrou por hua justificacao, que huas
fallecer;o; e outras fugirdo de sorte que se izenta da
entrega dellas: Me pareceo ordenarvos informeis cor
o vosso parecer, ouvindo por escrito o Procurador
dos Indios e ao Padre Reytor do collegio da Compa-
nhia Jos6 Lopes. El Rey nosso senhor o mandou pelos
Doutores Manoel Fernandes Varges e Alexandre Me-
tello de Souza e Menezes conselheyros doseu conselho
Ultramarino e se passou por duas vias. Antonio de
Souza Pereira a fez em Lix.a occidental em trinta de
Abril de mil setecentos e trinta e hu. O secretario Ma-
noel Caetano Lopes de Laire a fezescrever.


Informa(:do do reitor do collegio da Companhia.

Exmo. Senhor General

Manda Sua Magestade que V. Ex.eia imforme sobre
hua cania de pessas de que fez aprehenqao o sargento
m6r desta praga Jodo de Almeida da Motta no anno






82 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


de 1730 de que deu conta o Capitam m6r Antonio
Marreiros ouvindome por escripto.
0 que posso dizer, h6 que sendo eu, nesse tempo
superior das Missies, tanto que tive nota desta toma-
dia, e ainda antes de chegarem a esta cidade a pess6a
de que trata as requeri ao dito Capitam m6r Antonio
Marreiros, que governava a praqa; em virtude do Al-
vara que se acha no regimento das misses, a fls 36
mas mandase entregar para as mandar para hua das
Aldeyas, como Sua Mag.e manda no dito Alvard; e me
responded, que tinha outra ordem contraria do Gover-
nador Alexandre de Souza Freyre antecessor de V.
Ex.a aquem primeiro que tudo devia obdecer, e como
eu foce para fora da cidade antes que chegasse as di-
tos pessas, ordenei ao padre Jos6ph de Souza reitor
deste collegio que tanto que ella chegasse em meu no-
me as tornasse a requerer em virtude do dito Alvard
para os mandar para hua Aldeya o que fez por pa-
lavra e por escritto; porem o dito Capitam m6r antes
os quis entregar a Manoel de Goes, do que ao padre
reitor do Collegio contra as ordens e Leys reaes. E
succedeu que em breves dias os fizerdo mortos e fugidos;
por estarmos em uma terra, aonde cada hu prova
quanto quer, conforme, a sua boa, ou ma consciencia;
he isto, o que succidia em similhantes requerimentos,
isto o que me consta e o que tio bem confessa o Ca-
pitam m6r na sua conta. Deos Guarde a V. Ex.a mui-
tos annos etc. Collegio de Santo Alexandre do Pard 17
de Agosto de 1732. De V. Ex.a o mais humilde servo.
Jos6 Lopes.

Carta do capitao mbr Antonio Marreiros

Copia. Por portaria do Governador e Cappitam do
Estado, de 25 de Junho do anno de 1729 me foi ordenado
pelo' dito que todas as pessas do Gentio da terra em
que se fizese aprehencqo por serem feitas contra as






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


ordens de V. Real Mag.e as entregasse ao Procurador
dos Indios desta capitania para este ter todo o cuida-
do dellas athe avinda do senhor Governador da cidade
do Maranhao aonde se achava para esta e como neste
present anno de 730 fosse apanhada hud canoa dellas
pelo Sargento m6r desta Praca Jodo de Almeida da
Matta que desta cidade hia para a Tropa dos Manaus de
cuja canoa era cabo hu Matheus de Espindola, e traziio
nella vinte e seis pessas, nas quaes o dito sargento m6r
fez aprehenso, e na canoa, deixan doas entregues na
Fortaleza de Gurupi, ao capitgo m6r della, e ao mesmo
cabo preso me fez aviso para as mandar buscar, o que
cor effeito fiz, e vierdo 22 pgr terem fallecido quatro
dando neste meyo part da preza ao dito Governador
a cidade do Maranhio e chegados que fordo a esta ci-
dade as entreguey no corpo da guard ao procurador
dos Indios na forma da sobredita portaria, e como
dahy a pouco tempo me chegasse ordem do mesmo
Governador por carta para que se fizesse Junta de
Misses e que quando estas sahissem forras os reme-
tesse a casa forte do Guamd; fis logo present a dita
ordem ao Illm.o Bispo e mais deputados da Junta das
Misses, e como este ficasse comigo se faria breve-
mente vendo se tinha passado alguns dias Ihe torney
a requerer a mesma Junta ao que me responded tinha
dado parte ao Governador para que esta se ndo fi-
zesse depois de sua chegada do Maranhio a esta ci-
dade, e 'como assim se demorasse a dita Junta e as
pessas fossem morrendo no corpo da Guarda, e ou-
tras enfermas, me requereu Manoel de Goes, que e o
que as sustentou, que Ihe concedesse levalas para sua
casa Fara tratar dellas obrigandose dar dellas conta
todas as vezes que o dito Governador viesse para se
fazer a sobredita Junta, a vista do que Ihe deferi, as
levasse cor a dita obrigagqo que assignou recibo, e
juntamente pelo padre Reitor do Collegio da Compa-
nhia de Jesus Jos6 de Souza, me requereo tambem as






84 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PBI.LICO


entregasse porque nao estivessem padescendo para es-
te as mandar para as Aldeyas, mas como tinha prece-
dido as sobredittas raz6es e nao hir contra as dispo-
siq5es na forma sobredita dahi alguns tempos tirou o
dito hua Justificaqco em que mostra que huds falles-
cerio, e outros fugirao de sorte que se izenta da en-
trega dellas, cauza porque dou esta carta a V. Mag.e
para ordenar o que for servido. Belem do Pard 30 de
Septembro de 1730, Capitania m6r da Capitania do
Para. Antonio Marreiros. (Assignado). Manoel Caetano
Lopes de Laire.


315

Mande o governador restituir a cadeia o ourives Francisco de Andrade e Moura e
devassar d'elle palo arrombamnento da prisio de onde fugiu. Preste o auxilio
de brago military ao vigario geral para prender o padre Jos6 Guntardo Be-
ckman, e informe sobre as reclamacnges do referido vigario geral.


Dom Jodo etc. Fago saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre Governador e Capitmo General do Estado
do Maranhao que se vio a conta que me deu o viga-
rio geral da Capitania de Sdo Luiz, Joseph de Tavora
e Andrade, em carta de seis de Agosto do anno pas-
sado, cuja copia com esta sevos envia assignada pelo
secretario do meu conselho Ultramarino, sobre as pan-
cadas que umn soldado daquella deu em lugar public em
hft clerigo de ordens menores e desacato e desprezo
que aquella Igreja term experimentado nas sensuras
publicadas contra hium Francisco de Andrada e Moura official
Ourives o qual sendo prezo arrombara a cadea donde
fugira com outros press da Justiga secular que nella
estavdo; e do mao procedimento do padre Joseph Gnumtardo
Bequemam, orgulhoso, inqu6to por natureza sahindose
da prisio em que o tinha o dito vigario geral por va-
rias causes graves, e escandalosas andando armado






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


para effeito de ndo ser preso, e ultimamente do que
tendes usado corn o Escrivao dod Jit io cLclesiastico Gregorio
de Abreu Vilela.
SMe pareceo ordenarvos informeis corn o vosso pa-
recer, fazendo restituir logo a cadea ao Ourives Fran-
cisco de Andrada e Moura e em bargalo pela Jasti'a oe-
cular e devassar delle pelo arrombamento da cadea e dareis
ajuda de bramo military ao vigario Geral para poder prender
ao Padre Joseph Guntardo Bequeman. El Rey nosso senhor
o mandou pelos D. D. Manoel Fernandes Varges e Ale-
xandre Metello Souza e Menezes conselheyros do seu
conselho Ultramariuo e se passou por duas vias. JoAo
Tavares a fes em Lisboa occidental a nove de Maio de
mil setecentos e trinta hil. 0 secretario Manoel Caetano
Lopes de Laire a fez escrever.


Carta do rigario geral JTos de Tavora e Andrade

Muito alto, e muito Poderoso Rey e Stir.

Pela obrigacqo do cargo de vigario geral que me
deixou nesta cidade o governador do Bispado o Doutor
Antonio Troyano hindo por ordem de S. Magestade, e
por virtude da Bulla Pontificia tomar posse do espiri-
tual da capitania do Piauguy que se anexou a este
Bispado, me acho precisado a Representar a V. Mages-
tade o ignominioso Estado em que se consider esta
Igreja do Maranhio com desacatos, e disprezos de suas
cenguras para que se digne de aplicarlhe o remedio
mais convenient para sua veneraQlo e respeito.
Sucedeu nesta cidade que hum soldado desta praca
deu attrevidamente huls pancadas em lugar public
em hui clerigo de ordens menores, que andava em
habito clerical adduto a hum Beneficio da Thesouraria
da See desta cidade, mandey logo prender ao clerigo, e
tio bem mandava prender ao soldado por ser em fla-






8(i ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCIIIVO PUBLIC


granted delicto, e se nao quiz dar a prizao, rezestindo
corn notoria desobediencia aos meos mandados: de que
tendo noticia o Cappitam mor da praqa Damido de
Bastos o mandou prender pelo desacato sobredito e
sendome preciso mandalo citar para hum auto e ter corn
elle o procedimento que o direito em tal caso dispoem,
tanto que o Governador e Cappitam General deste Es-
tado Alexandre de Souza Freyre foy sabedor desta ci-
tacio e do procedimento que eu intentava ter, nao s6
mandou logo soltar o soldado, mas ainda estranharme
a aucqo por mandar prendelo seon sua ordem, e re-
solveu por sy como se fosse juiz competent para jul-
gar de censuras, nao ter o soldado incorrido em algui;
sem attender a ser esta de direito pello cap.0 si quis
suadente.
E por me nao implicar corn o dito Governador
nesta material ficou o clerigo corn as pancadas, o soldado
passeando, o grave delicto impunido, a Igreja ultrajada,
a sua censura desprezada, e o mandado do prelado
sem respeito, resultando de tantos escandalos o mau
exemplo que he a total ruyna dos Povos; nao obstante
haver V. Magestade resolvido por sua real carta de
seis de Marco de 1699 escripta ao Governador que foi
deste Estado, Antonio de Albuquerque Coeolho de Car-
valho que quando os eclesiasticos podem prender os
soldados, nao necessitam de licenga do Governador
nem tdo bem quando 6 preciso jurar e podendo eu
mandar prender neste caso ao soldado como bem se
deixa ver, mo impedio o dito Governador, poreste meyo,
fazendoseme mais sencivel disprezo de censura em que
incorreu ipso facto pelo que corn a mais reverente sub-
missao suplico, e rogo a V. Magestade se sirva por ser-
vigo de Deus mandar que se d0 a Santa Igreja a con-
digna satisfaqgo que o caso merecer e que se proceda
pelo auto para se dar ao soldado nao s6 o castigo
devido a sua culpa, mas tambem para que depois de
declarado estar incurso na censura, seja absolto della






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


publicamente depois de satisfeita a parte para que o
exemplo sirva de terror aos mais, para nao se attre-
verem a cometer tam escandalozos delictos e tambem
para que os Governadores nao impiddo aos prelados
as prysoes que mandarem fazer aos seos soldados ja
que para isto nao hM bastante a sobredita ordem de
V. Magestade.
O mesmo desacato, e desprezo tern esta Igreja
experimenttado nas censuras contra hum Francisco de
Andrade Moura natural desta cidade official de ourives
home vil por natureza e sangue pessimo por seus
depravados costumes, nao sendo menos de quatro as
porque estava declarado por escomungado vitando a
primeira pela contumacia de nao querer dar alimento
a mulher cor quem andava em divorcio, a segunda
por nao querer contrariar o libello que Ihe poz a dita
sua mulher para separar matrimonio por causa de
adulterio, em que o dito canonico nanda contrariar
ao marido o Libello corn pena de excomunhdo por ser
caso except; sendo estas duas censuras postas por sen-
tenga do Governador do Bispado, de que eu sou mero
executor. A terceira post por mim, por nio lanqar
fora a concobina cor quem estava ja relapso em ter-
ceira e quarta vizita, a quarta declarada pelo parocho
por nao cumprir o preceito da Igreja e sendo confessar
e commungar pela Paschoa da Ressurreiq o. Com este
home assim ligado com tantas censuras, e por tal
public vitando esti o dito Governador tratando, admit-
tindoo em sua casa publicamente a falas com seus
criados e familiares como tdo bem o seu Cappitam da
Guarda Lourenco Pereira de Azevedo e sua mulher
e familiar buscandoo em sua propria casa cor publici-
dade e escandalo fazendolhe muitas obras de ouro, e
prata, afirmando o dito Governador nao estar incurso em
censura alguma, como se fosse ou podesse ser Juiz
della, donde tem resultado o mayor despreso das ditas
censuras na gente popular, e ignorant para a imi-






88 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


tacQo do que obram o dito Governador e seu Cappi-
tam da guard e familiares, uzam dos mesmos dezacatos,
tratando tao bemn corn esse home como se excomun-
gado nao fosse e corn tanto empenho favorece, e pa-
trocina o dito governador a este home que pedin-
dolhe eu ajuda de bravo military para fazer hud prison,
me perguntou positivamente, quem era o que havia de
ser preso, e por nao faltar a verdade, declare que era
o dito Francisco de Andrade Moura, e as causes por-
que e logo entdo me dizenganou, que para prender
esse home nao dava auxilio military e emfim corn
muito risco por andar prevenido com armas o pren-
derdo os meus officials na inxovia aqual arrombou
por hum buraco que fez na parede e corn limas tirou
os ferros de outros press da Justiqa Secular, que esta-
vdo por delictosgraves, e todos fugirao sem que o dito
Governador puzece em os colher diligencia alguma,
concrescendo a mais o excess de que partindo para
o Pard deixou muito recomendado ao Capitam mor da
praca que se eu lhe pedisse adjutorio melitar para
prender o dito Francisco do Andrade, mo nao desse.
E assim patrocinado este excomungado, e estribado no
publico favor do dito Governador zomba e coin elles
menos tementes a Doos zomba tao bem das censuras
da Igroja Sam o temor, e respeito, que se Ihes deve
ter; sobre o quo tao bem suplico e rogo muito a V.
Magestade se digne mandar fazer neste particular a
demonstraQdo mais convenient ao servigo d'o mesmo
senhor e ao respeito e decoro das censuras da sua
Igreja, attendendo corn sua muito catholica, e leal
attengqo a serem estas terras habitadas do gente rus-
tica, plebea e ignorante e de Neophitos, Indios, Negros
que vendo assim ultrajadas as censuras da Igreja por
aquelles que mais obrigacao tem de as fazer respeitar
e temer, cahiram no mesmo absurdo de desprezo e
ignominias em notorio dis servigo de Deos, o perigo
da f6e a que V. Magestade deve aludir como Rey e






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


Senhor tho pio, ji que os Prelados Eclesiasticos nesta
terra o nao podem evitar por nao andarmos em in-
quietaqies corn os Governadores, e telmos a V. Mages-
tade a quem recorramos, como recorro a seus reaes
p6s para o remedio de tantos danos.
Tao bem se me offerece representar a V. Mag.e
que nesta cidade se acha um clerigo o Padre Joseph
Guntardo Bequeman natural della orgulhoso, inquieto
por natureza por ser filho de hum Thomaz Bequeman,
e sobrinho de hum Manoel Bequeman, este que pade-
ceo pena de more natural de forca, e aquelle de more
civil de degredo e apadeceria natural se Ihe nao va-
lece a Igreja a que se contou ambos por cabeqa de
hua sublevaqco -que o povo desta cidade fez conspi-
rando contra V. Magestade negando a obdiencia ao
Governador doBispado expulsando aos P. P. da Com-
panhia de J E S U S; este tal clerigo, meu sobdito
sem mais causa, que a demoestar paternalmente seu
procedimento judicial alargar hua mulher casada coin o
porteiro do consellio corn a qual estava actualmente
concubinado de portas a dentro, impedindoa fazer
vida corn seo marido, como este me significou por
queixa. uzou atrovidamente a injuriarme de palavras
ignominiosas em minha presenCa por cuja causa o
mandey prender na cadeya e autoar, e citar por ter
o procedimento que o direito em tal caso dispoem e
vendosse asim preso, e autoado intentou fazer human
conjuraqco semelhante a que ja fizerao seo Pay e Thio
para se me negar a obdiencia de Prelado: e para evi-
tar as damnosas consequencias que deste absurdo
podiio resultar, o mandey premudar desta prizam para
a Fortaleza do rio Itapecurd, e dandolhe vista do auto,
nZo quiz dizer de sua defeza e o sentenciei final em
pena de degredo e pecuniario de 40 cruzados; 20 cruza-
dos para a confraria do Santissimo Sacramento, e 20
cruzados para o das Santas Almas e appellei da sen-
tenga por parte da Justissa para a Rellacqo Ecclesiastica






90 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


dessa corte; e o dito clerigo aggravando para o juizo
da Coroa desta cidade aonde ainda pende o aggravo sem
determinacq'o final; e tanto que interpos o agravo sem
ainda haver ordem minha para a soltura se sahio da
pris~o da dita fortaleza, e se veyo por apasseiar nesta
cidade corn toda a liberdade na minha face sem temor
nem respeito as justissas, sobre o que formei novo
auto; e intentando mandalo recolher a prisao, foy in-
formado que este clerigo se jactara que tinha ordem
do dito Governador e do juiz da Coroa Mathyas da
Silva Freytas para que passeiasse livremente, porque
ninguem o havia de prender, no que eu muito duvi-
dava por me haver o dito Governador antecedente-
mente aprovado todo este meu procedimento; porem
o effeito logo provou a virtude por human carta que
me escreveo o dito Governador a que dei resposta, cu-
jas copeas corn estas seram para que se venha no co-
nhecimento do empustor corn que o dito Governador
concorre para o dezacato dos Prelados, mas para pro-
var a verdade roguei ao Governador por carta cuja copea
tambem corn esta serd para me dar auxilio de brago
melitar para prender a este clerigo e me naodeurespos-
ta, e confirmou mais o seu empenho em me escrever a
carta de que tio bem remeto a copea para que se ve-
nha no conhecimento da verdade corn que o dito Go-
vernador e o Juiz da coroa procedem nos dezacatos
feitos aos Prelados, nio obstante fazer-lhe present a
real ordem de V. Mag.e expedida a favor do Governa-
dor do Bispado o Doutor Antonio Troyano para o Go-
vernador do Estado dar toda ajuda de brago secular
que Ihe for pedida a que menos deu cumprimento por
pretesto de inteligencias inadequadas. Intentei man-
dar prender a este Clerigo pelos meus officials de
Justisga e o nao tenho executado por constarem de
hum meyrinho e hum escrivdo, homes seculares frou-
xos e puzilanimes e incapazes de fazerem similhantes
deligencias pello temor tanto do dito Governador como






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


das armas offensivas de facas e pistolas corn que se
afirma andar este clerigo armado para evitar as ru-
inas que desta prizao podem resultar confiando na
muita piedade de V. Mag.e made prover de remedio
neste caso como entender mais util ao servigo de Deos,
da sua Igreja, e do decoro dos Prelados.
Ponho justamente na real presenqa de V. Mag.e
outra nao menor desatencqo que o dito Governador
teve corn o escrivao deste meu Juizo Ecclesiastico Gre-
gorio de Abreu Villela, este havia sido Escrivao da
Ouvedoria que cor este Ouvidor Geral Mathyas da
Silva Freytas que o expulsou do officio por nao con-
descender com elle nas injustissas e falsidades, que
queria fizesse, sendo alias o dito Escrivam home
muito honrado casado cor a netta de hum Governador
que foy deste Estado, e havia sido capital m6r cor
pleito e homenagem na Villa de Icatu muito bom Chris-
tao temente a Deos, bom latino, e em tudo com justifi-
cado procedimento e ja na idade de sincoenta e sinco
annos e servindo de escrivao o foy de huas suspeiq5es
de hum Joao Baptista posta ao dito Governador que
iradamente rasgou huma peticam em que estava hum
despacho do Provedor m6r Mathias da Costa e Souza,
que procedia como Juiz das ditas suspeig5es e de cuja de-
satengao deu o dito provedor m6r conta a V. Mag.e
que servio de ordenar ao dito Governador estranhace
severamente em seu real nome a refferida dezattengao
ao dito ouvidor o qual estimulado da reprehencao e
que esta se fundava na certidao que o dito Escrivam
passava em verdade de haver rasgado a dita petigao
e despacho; provocou e incitou ao dito Governador
para o mandar prender (como mando logo) na enxovia
desta cidade aonde s6 se prende negros, e facinorosos
sem mais exame que a falsa queixa desse odiozo mi-
nystro, sem tam bem attender nao tanto as sobre ditas


(u) A NSLC~ An 5 [201 HE[A 40ICA1[O -O'I0 IY






92 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


qualidades do dito Gregorio de Abreu mais muito es-
pecial a de estar exercendo o officio de Escrivam deste
juizo Ecclesiastico que por tai goza do previlegio do
foro e nao pode ser preso sem licenia minha sem se
encorrer em censura como he disposto por direito.
Neste lamentavel estado se acha esta Igreja do
Maranhao, suas censuras e Prelados suportando o ti-
rano jugo de tantos ultrajes, ludibrios e dezacatos, e
notorious escandalos, causados pelo dito Governador e
Ouvidor geral que ambos por dependencia hum do
outro concorrem igualmente para todos estes e outros
muitos disturbios e pertubacqes da paz da Igreja que
nao uza desembainhar a espada para sua defeza por
nio malograr o fruto que espera conseguir da pie-
dosa e christianisissima benignidade de V. Mag.e que
mandard prover em todos estes particulares o que en-
tender ser para maior service, honra e gloria de
Deos que guard a V. Mag.e por felizes annos. Sao
Luiz do Maranbho 6 de Agosto de 1730. O vigario
Geral do Maranhao, Joseph de Tavora e Andrade.



316

Informe o governador sobre o motive que houve para ser creado o posto de teo
nente da casa forte do Iguara, e porque se o fez triennal.

Dom Joao etc. Faco saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre Governador e Capitao General do Estado do
Maranhao que Valerio Alz Ribeiro requereo pelo meu
conselho Ultramarino confirmagco da Patente do posto
de Tenente da caza forte do Iguard em que o proveo
vosso antecessor Joao da Maya da Gama; e que delle
nao fosse tirado, nem reformado em quanto for capaz
de me servir. Me pareceo ordenarvos informeis com
vosso parecer, dando a razao que houve para se crear






ALVARAS, CARTAS REGIAS 1 DECISOES


este posto corn soldo, e o motivo que ha para ser tri-
enual. El Rey nosso senhor o mandou pelos Doutores
Manoel Fernandes Varges e Alexandre Metello de Sou-
za e Menezes Conselheyros do seu conselho Utramari-
no e se passou por duas vias. Antonio de Souza Pe-
reira a fez em Lisboa occidental em des de Mayo de
mil settecentos trinta e hfi. 0 secretario Manoel Cae-
tano Lopes de Laire a fez escrever.



317


Preste o governador o seu parecer no regimento para se evitarem as diminuiq6es
da fazenda real, que foi visto pelo conselho ultramarino. Ouga a respeito o
ouvidor geral do Pard.

Dom Joao etc. Fago saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre Governador e Capitio General do Estado do
Maranhdo que sendo visto no meu Conselho Ultrama-
rino o Regimento para se evitarem as deminuicqes de
minha fazenda, cuja copia corn esta se vos envia, as-
signada pelo secretario do dito Conselho, que se pro-
poz para se examinar, e aprovar sendo convenient.
Me pareceo ordenarvos informeis corn o vosso parecer
ouvindo sobre o mesmo Regimento por escripto,' ao
Ouvidor Geral do Pari, e declarando o que ha na
material de cada hum dos cap.os deste Regimento pro-
posto, e sendo certas as faltas, que se diz haver no meu
servigo deis a razao, por que se cometem, e se Ihe nio
poem cobro. El Rey nosso senhor o mandou pelos D
D. Manoel Fernandes Varges e Alexandre Metelo de
Souza e Menezes, Conselheiros do seu Conselho Ultra-
marino e sepassou por duas vias. Joaio Tavares a fez em
Lix.a occidental a onze de Mayo de mil settecentos e
trinta e hi. 0 secretario Manoel Caetano Lopes de
Laire a fez escrever.






91 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


Inforima~.io do ouridor geral do 'arnd.

Senhor General

Vi o Regimento que V.a S." me Remete e sua Ma-
gestade me manda ver os capitollos delles, me parece
estdo conformes para a boa expedicio de sua Real fa-
zenda, sem que necegitem de diminuiqCo, em acreqen-
tamento mais do que declararse que nas tropas que
se expidirem, o mesmo provedor da fazenda examine
corn toda exacqfo os Rolos de panos, tabacos, ferra-
mentas, e os mais aprestos a que terao pelos seus Li-
gitimos pregos com respeito aos que geralmente correm
nesta cidade por me constar o grande prejuizo que
result a fazenda Real nos exorbitantes pregos por-
que Ihos em campdo, e a mesma diligencianos paga-
mentos que fazem aos militares e mais pessoas a que
he obrigado a mesma fazenda Real cominandose pen-
na, ao mesmo provedor na sua Residencia; na omissRo
com que se escreve na sua sempre a melhor indaga-
Oqo de V.a S.a Belem do Pard de Agosto 14 de 1732.
Luiz Barbosa de Lima.


318


NWo devia nem podia o provedor da fazenda real da capitania do Para tomar os
lanqos de varias pessoas que davam mais pelos contracts dos dizimos, pois
jA estavam estes feitos. Fique o provedor advertido para nao repetir a
incivilidade e o governador para nao renovar a ordem que lhe deu.


Dom Jodo etc. Faqo saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre, Governador e Capitdo General do Estado
do Maranhdo que o Provedor da fazenda real na ca-
pitania do Pari me deu conta em carta de vinte e
dous de Setembro do anno passado dos motives porque






.L.VARAS, CARTS REGIAS E DECISOES


hVie mandates tomar os langos de varias pessoas, que davao
mais pelos contratos dos dezimos da dita Capitania
sem embargo de estarem rematados neste Reyno em
cuja consideraqho Mepareceo dizervos, que ao dito Pro-
vedor mando responder ndo devia nein podia tomar os
lanqos dos contratos que se achava arrematado, ainda
que ros 1he dicesseis corn elle Piocedor arizo e que bem se
reconhece serem os langos afetados; porque se os lan-
qadores quizessem o contrato pelos lancos que ago-
ra fazem, podiao te-losfeito no ado da arrematacqo que
era o tempo em que se Ihes podiao admitir; e que elle
Provedor fique advertido a nao fazer semelhante in-
civilidade; de que vos aviso para nao tornardes a
mandar tomar semelhantes langos. El Rey nosso se-
nhor o mandou pelos Doutores Manoel Fernandes Var-
ges, e Alexandre de Souza e Menezes conselheiros do
conselho Ultramarino e se passou por duas vias. An-
tonio de Souza Pereira a fez em Lix." occidental em
onze de Mayo de mil settecentos e trinta e hi. 0 se-
cretario Manoel Caetano Lopes de Laire a fez escrever.



319


Repara-se muito no indesculpavel descuido do governador, negando indios para as
obras da casa forte do Mearim e fortaleza da Ponta da Areia, no MaranhAlo,
porque taes obras nio admitted demoras.


Dom Joao etc. Faco saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre Governador e Capitho General do Estado do
Maranhao que vendose o que me escreveo Mathias da
Costa de Souza Provedor m6r da Fazenda, que foi des-
se Estado, em carta de doze de Mayo do anno passado
em que fazendo vos por muitas vezes requerimentos
para Ihe dares Indios para trabalharem na reedificaqao
da casa Forte do Mearim, Fortaleza da ponta da Area,







96 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBLIC


cujo armazem, se acha tao damnificado, que as muni-
6oes ter padescido grande prejuizo por senao repa-
rar esta casa; e consertar a da polvora dessa cidade;
e que vos nao resolveis a dar os dittos Indios, nao
obstante as grandes efficacias, cor que volos pedia pa-
ra que acudindose a tempo as takes reedificaqoes se
sustasse o damno de se fazerem mayor despezas. Me
pareceo mandarvos dizer se repara muito neste vosso
indisculpavel discuido, por que ainda na falta de Indi-
os, sempre se devia aplicar os que ha aesta obra tan-
to do meu servigo que nao admite as demoras, e des-
cuidos com que vos tende havido. El Rey nosso senhor
o mandou pelos D. D. Manoel Fernandes Varges e Ale-
xandre Metello de Souza e Menezes, conselheyros do
seo conselho Ultramarino e se passou por duas vias.
Joao Tavares a fez em Lix.a occidental a dezeseis de
Mayo de mil settecentos e trinta e him. O secretario
Manoel Caetano Lopes de Laire a fez escrever.



320


Mande o governador dar baixa do posto de tenente coronel a Domingos Serrao
de Castro, por ser o mesmo posto creado contra as reaes ordens, uma vez
que nao deve sor observado no Brazil o novo regimento pelo qual ficaram
creados os postos de tenentes coroneis.


Dom Jodo etc. Fago saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre Governador e Capitao General do Estado
do MaranhAo que se vio a conta que me destes em
carta de vinte e sinco de Septembro do anno passado,
das razoes, que vos moverdo para proverdes no posto
de Thenente coronel das ordenancas a Domingos Serrao
de Castro. Me pareceo ordenarvos Ihe mandeis dar
logo baixa deste posto por ser creado contra as mi-
nhas ordens, e por que vos o nao podieis prover por






ALVARAS, CARTAS REGIAS E DECISOES


senao praticar no Brazil o regimento novo em que se
admitiao os postos de Thenentes Coroneis, e enviareis
sertidio de assim o terdes executado. El Rey nosso
o. mandou pelos D. D. Manoel Fernandes Varges e
Alexandre Metello de Souza e Menezes, Conselheyros
do seu Conselho Ultramarino e se passou por duas
vias. Joao Tavares a fez em Lisb6a a dez e sette de
Mayo de mil sette centos e trinta e hii. 0 secretario
Manoel Caetano Lopes de Laire a fez escrever.



321

Execute o governador a ordem precedent e fique na intelligencia de que nio
p6de suspender o provedor da fazenda, nem proceder contra elle.

Dom Joao etc. Faqo saber avos Alexandre de Sou-
za Freyre, Governador e Capitfo General do Estado
do Maranhdo que eu sou informado, que vos proveste
a Domingos Serrio no posto de Thenente Coronel das
ordenanQas o qual nunca houve, cujo provimento 6
contra o que eu tenho determinado por proviso mi-
nha de 15 de Mayo de mil sette centos e vinte e hum,
nesta consideraqo Me pareceo ordenarvos deis cum-
primento a ditta proviso que por copia sevos remete;
e sou servido declararvos que nio podeis suspender, nem
proceder contra o Provedor da Fazenda na forma do seu
regimento, que tambem deveis dar inteiro cumprimento
e quando tenhaes queixa contra elle deveis dar conta.
El Rey nosso senhor o mandou pelos D. D. Manoel
Fernandes Varges e Alexandre Mettello de Souza e
Menezes, Conselheyros de seu Conselho Ultramarino e
se passou por duas vias. Jodo Tavares a fez em Lix.a
occidental a dez e outo de Mayo de mil sette centos e
trinta e hum. 0 secretario Manoel Caetano Lopes de
Laire a fez escrever.






98 ANNAES DA BIBLIOTHECA E ARCHIVO PUBItCO


Provisdo de 15 de Maio de 1731.

Copia. Dom Jodo etc. Fago saber avos Bernardo Perei-
ra Berredo Governador e Capitdo General do Estado do
Maranhao, que o provedor da fazenda da Capitania
do Para Francisco GalvAo da Fonseca, como vedor ge-
ral me deo conta em carta de 16 de Julho do anno
passado que assim vos cor vossos antecessores havido
creado tanto na capitania de Sao Luiz, como na do
Pard various postos phantasticos, e imaginarios de Coro-
neis e Thenentes Coroneis, Capitdes e Sargentos mores,
e outros muitos sem o permitir o regimento, nem se
me haver dado parte da necescidade que havia para a
introduqo dos ditos postos, e eu aprovar as suas ex-
posiQos abrogando asy human regalia, que por nenhum
caminho Ihe hU dado nem pode competirlhe ou por
mostrarem o seu poder ou para satisfazerem alguns
particulares, e pessoas a obrigagio de algum serving
que Ihe fizerao em materials muito contrarias a rezAo
e a meu serviQo; e porque me nao convem se continue
este abuso. Me pareceo ordenarvos examineis corn o
mais efficax cuidado e individuaqo os postos que se
achio provides por este caminho sem haver para isso
ordem minha e aos takes faqaes logo dar baixa envio-
lavelmente mandando que se ponha verba a margem
dos assentos dos livros em que se houver feito asentos
dos ditos postos; e no registro das patentes que esti-
rem registadas asim na secretaria desse Governo como
nas vedorias da Capitania de Sio Luiz do Maranhao e
na do Pard declarandose que do tal servigo que hou-
verem feito e tempo que servirio nos ditos postos se
Ihe nao ha de levar em conta nem disso se Ihe passe
fe6 de officios e tdo bem que nao logrario os previle-
gios que podiam ter pelos ditos postos como nullos e
nomeados sem ter os governadores para isso poder
porque esta demonstraco sera a que acautele e enti-




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