Diario de Pernambuco

MISSING IMAGE

Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:08141


This item is only available as the following downloads:


Full Text
Anuo de 1842.
Quata Feira 28
C2M
'Fasta i , muenio* como priaeipiKoi e sereno* aponladus com admirac "entre ai Nacoea maia
-"' (PrncUmaco daAsse'oibUa Geral do iran.)
PARTIDAS DOS CORREROS TERRESTRES.
T.oianna, Paratba e Rio grande do Norte egand*a e sena* feirai.
Koniio s Garanhunc a 40 e 24-
<:.b.> Seriohaem Rio Fonaoi* Pono Caire Macelo c Alagoaa no 4. {4
(Una-vista e Flores 43 e 28. Santo Anuo quintas feiras. Olinda lodoa o diai.
24.
DAS DA SEMANA.
-<*> Se)?. Cvpriano e Justina Mm. Aod. di J. de D. da 2. t.
27 l'-ie. ss. Cosme e Dnmiaolrs Re. Aad. do J. de D. da 4. t.
2S Qjait. Venceslao Duque M. Aud. do J. de D. da 3. .
2! Ouint, i. Miguel Arohanjo
3 1 Sab. ss. Viriasimo, Mxima, e Julia Irs. Mra. Ral. Aud. do J. da D. da J. t.
* Doaa. O SS. Rgi.ii io de H Senhora.
de Setembro. Anno XVIII. INT. 1)9,
O Diario pubra-ee todaa os dia* qoe a3o torras Santificado* : o piafo da assignatura lia
de tres mil reis por quarlel paje* adiaalado*. O* anuncios dos atsignaates sao inseridos
|fr*ti< e o* das que o n;lo forera A raijo de SO reis por linha. A* reclaaacoea deseas ser
_ dirigida* ae*t Trpografia ra das Crutea D. 3, au a praca da Independencia luja de lisro*
' Numero 37 e 38.
CAMBIOS no da 27 de setembro. compra venda.
Cambio sobra Londres 25 Nominal.
Pars SH5 rai* p. franco.
Lisboa 4Uli par 400 nominal.
Moeda da cobre 4 a 5 por 400 d. descomo.
Idea* de letra* da boaa firmas 4 4 j.
Ooto- Moeda de G.400 V. 45,000
N. 4 5.40J
. da 4,000 8,800
PaaT* Pataco** 4,SU.)
PeioColu*nare 4,800
dito Mexicano* 4,800
asiuda 4.C40
45.800
45.600
oooo
,8
4,840
4,84
4,W>
Prtamar do dia 28 de Setembro.
4. 44 horas 42 da nanea.
2. I? horas e 0 n. da tarde.
La Nora
Qoarl. ereac.
Lea ehaia
Quart. mine
PHASF.S DA LA NO MEZ DE SETEMBRO.
a 4 i* 7 horas 22 ai, d* tird.
a 44 a 4 hora* 42 a*. da tara,
a 49 4* 4horas 5 a. da tard.
a 27 -- 0 hora* a 47 as. da lard.
DIARIO DE PEitmAMBLEO.
S.
PARTE OFFICIAL.
GOVERNO DA PROVINCIA.
EXPEDIENTE DO DIA 2i DO CORRENTE.
Ollicio Ao chefe de polica dizendo ,
que tendo sido preso a ordem da Presiden-
cia, e condzdo est a cidade o major Bernar-
do Luiz Ferreira Gozar Loureiro pelo cri-
me d'haver deixadoevadirem-so os presos do
Ex n villa de Flores e sendo este crime
da competencia das autoridades policiaes e
indiciaras d'aquella villa, onde elle Coi com-
mettiilo e he domiciliario o dito major a
caba de ordenar que fique o mesmo major
sua disposgo na priso de corpo de polica .
eni que se acha afim de que S. S.* o. faga
voltar determinando que seja processado
na forma da le.
Dito A cantara municipal d'esta cidade,
participando fim de que faga publico, que
as sessoes do Jury devem ser feilas na casa,
em que esteve o antigo Lyceo e que foi
imarcada para as audiencias de todas as auto-
ridades judiciarias de primeira instincia; po-
dendo os mais juizes darem suas audiencias
as sallas menores da dita casa no lempo ,
cm que a maior estiver oceupada com os de-
bates e nina das outras com o julgamento
das causas submettidas aos jurados.
Ditos Aos juizes de direito do crime da
primeira e segunda vara aos do civcl e
aos municipaes da primeira segunda e ter-
ceira intelligenciando-os deque as sessOes
do jury devem ser feitas na supramenciona-
da casa.
PortaraDeclarando vaga em confor-
midade do artigo terceiro capitulo terceiro da
lei provincial numero 45 de 10 de Junho de
1837 a cadeira de grammatica latina da co-
marca do Limoeiro por baver abandonadj-a o
respectivo prpfessor Manoel Alvares Perei-
ra segundo consta dss participages do
V.\m. director do lyceo e inspector da the-
souraiiadas rendas prnvinciaes : e suprmin-
do-a cm virludedo artigo 12 capitulo terceiro
da lei provincial numero 9i de 7 de Maio do
corrente anno.
Ofilcios Ao Exm e R.m' director do ly-
ceo ao inspector da tliesouraria das rendas
provinciaes e a cmara municipal do Limo-
eiro participando o conteudo na anteceden-
te portara.
Dito Ao inspector da tliesouraria da fa-
zenda autorisando-o vista d'informago
sua pagar os prets que devolve do desta-
camento da guarda nacional do Bonito.
Dito Ao mesmo ordenando que com
urgencia mande satisfazer as requisigoes ,
que Ihe fizer o commandante das armas para
os olficiaes de primeira linha, que embarco
hoj ( 24) para a corte na barca Je vapor =
Guapass.
Dito Ao chefe de polica transmittin
do un olficio do subdelegado nomeado para a
freguesia de Papacara Marcelino Pereira
Guimares fim de que haja de providen-
ciar acerca de sua posse na conformidade do
ollicio da Presidencia de 30 de Agosto ul-
timo.
Dito Ao inspector da thesouraria da fa-
zenda remetiendo copia do ollicio do com-
mand me das armas em que participa ter
contractado acontinuago dos servidos dos
cirurgies, Manoel Bernardno Monteiro,
encarregado da direcgo do hospital regimen-
tal Joo Themolheo da Rocha Galvo, em-
pregado no batalho provisorio e que com
aquelle alterna no servido do mesmo hospi-
tal Joze Soares de Souza nomeado para a
llha de Fernando e dos capelles Antonio
de Farins Noves e Christovo d'llollanda
Gavalcanlc este do batalho destacado e
aquelle do provisorio de caladores de pri-
meira linha ficandn ambos obrigados ex-
ercer suas funeges em o mencionado hospi-
tal ; com a cndilo de receber o primeiro
dos con11 tetados a gratificarn mensal de reis
95$ ; o segundo a de 70ji reis ; o terceiro
de OOj reis e os ltimos a de Cjicoenta
mil reis cada um : determinando expeca suas
ordens, para que na conformidade do que em
o citado ollicio requisita o referido comman-
tlante das armas sejo Ihes taes gratifica-
rles pagas do primeiro d'este mez em diante ,

FL!K]g*T
0 CONFIDENTE
O papel de confidente quer no mundo
qiier no theatro tem muitos inconvenien-
tes e nenlium prazer d. Os confidentes
de theatro servem s para fazer sobresahir e
brilhar as grandes personagens ; os pobres
tem de ouvir longas narraedes terriveis fal
las sem responder palavra ; a princeza cho-
ra ,'e geme nos bracos oa confidente : b he-
me sobre o hombro do confidente e a sua
custa he que os grandes movimentos theatra-
es se opero. Quantas vezes um murro he-
roico os faz vaci llar no meio de um trecho
do versificaco violenta a que devem pres-
tar attenco ; mudando e compondo a physio-
nomia conforme o caso pede e quantas a
nio vigorosa do here ou da herona lhes dei-
xa nos bragos os signaes d* colera dos ciu-
mes e desesperago Recolhendo-se ao basti-
dor certa donzella mostrava a grande nodoa
que Ihe (lzera no braco urna das mais cele-
bres actrizes trgicas.
Olhem disse a pobre rapariga r-is-
aqui o que ella me faz todas as vezes que
me poe as ruaos !
A grande actriz era muito triguera e mi-
tra grande comediante que n8o goslava del-
1 respondeo confidente.
Pois com efleito poe manchas des-
se modo ? parece que se distingue .
A fiego do theatro que s vezes tem suas
realidades d urna idea do que acontece c
por fura ; eo acaso que distribue os papis ,
pQUCas occasies acerta com a vocagu dos
actores. Muitos sujeitos representfio no mun-
do contra sua vontade o papel de grandes
[tersonagens e outros por mais quetr^ba-
lliem para regeitar o papel de confidentes,
cacrego com elle bem que lhes pese.
Mauricio porexemp.o, he um mogo de
merec ment, e nao Ihe falta ambigo ; po-
rcm nunca aiV agora tem podido superar as
circumstancias que Ihe impoein o papel subal-
terne de confidente As confidencias o per-
seguem quer elle queira quer nao e bas-
tantes incoinmodos lem soffrido por ouvir se-
gredos que Ihe nao importava saber.
As boas qualidades segundo o estado ac-
tual da socieade sao mais prejudiriacs do
que o defeitos. Ordinariamente abusamos
do que he bom ; e nao tocamos no que he
meo. O castigo dos vicios e a recompensa
das virtudes pertencem ordem moral e
poucas vezes sao effeclivas neste mundo. Mau-
ricio fez se conhecido pela discrigo a pro-
bidade e preslanga que mostrava em todas
as suas aegos e palavras. Com semelhanles
qualidades nao haja medoque llie faltassem
amigos para abusar d'ellas. Um seu condis-
cpulo chamado Anatole de Raillac, disse-
Ihe um da :
Como tu hes meu amigo intimo e o
mais honrado 111090 que eu conhego quero-
e abonem-sc-lhes al o lim tio prximo pas-
sado os vencimentos que pelas suas ante-
riores nomeagOes tinho direito e que dei-
xaro de perceber em consequencia das ulti-
mas ordens do Governo Imperial : e commu-
nicau lo-lhe ter levado este objecto ao conhe-
cimento do mesmo Governo.
Dito Ao commandante das armas in-
telligenciando-o da expedigo da precedente
ordem.
Dito Ao juiz municipal de Santo An-
to scientiiicando-o de ha ver concedido de-
niisso do lugar interno de tahellio o es-
crivo do crime civel e orphos d'aquella
comarca aocidado Felippe Benicio Cavalcan-
te de Alhuquerque.
TRIBUNAL DA RELAQ H>.
SESS.VDE 27 DE SETEMBRO DE 1842.
Na appellagao civel da 1. vara desla cidade
appellantes os Irmos da veneravel ordem 3.
do S. Francisco Bazilio Gongalves Ferreira ,
o outros appellada a meza Regedora da mes-
illa ordem escrivo Jacomo, se mandou ou-
vir ao Dr. promotor publico curador geral dos
orfos.
A carta tes tem un ha vel do Jni/.o do civel da
villa do Aracali da comarca do Cear passa-
tia a requerimento de Antonio de Castro Sil-
va contra Ricardo da Costa Lima escrivo
Jacomo foi provida em favor do recorren te.
O aggravo de petigflo do Juizo tos orfos
desta cidad:*, do Francisco Ferreira de Mel-
lo nao leve provimento.
Na appellagao civel desta cidade appellan-
tes os administradores da caza do falesJido
Manoel Malinas de Freitas appellado Anto-
nio Gomes Villar; escrivo Ferreira, se man-
dou ouvir o Dr. Curador Geral.
Na appellagao civel da cidade de Goianna ,
appellante Antonio da Silva cv Coinpanhia ,
appellado o Dr. Francisco de Arruda Cmara;
escrivo Ferreira se mandou vista ao Dr.
Curador Geral.
VARIEDADE.
A IVSTI1.I1A.
No comego do reinado de Carlos V os In-
te confiar um segredo do qual inteiramentu
depende a felicidade de toda a minha vida.
0 grande segredo encerrava-se nestas pa-
lavras :
Amo a senhora F....., e ella me correspon-
de. A' vista disto bem condeces que a mi-
nha ventura he cercada de perigos de in-
commodos aos quaes porque sou teu ami-
go quero associar-te para me prestares au-
xilio ajiida e consulho confiando na tua
honra e na tua amizade que me has de a-
companhar em todae qualquer occasio.
Ornis ahi o pobre Mauricio obrigado a de-
sempenhar em consciencia o papel de confi-
dente ; portento, urna hora fazia recados,
enlregava bilhetes ; outra favia versos por
que a dama gusta va del I es e Anatole nao era
poeta ; outra servia de escolta de sentinel-
la de vigia. Se os amantes se encontravo
as sociedades convinha que Mauricio dis-
traase a pessoa cuja presenga estorvava os
dous amante ; por consequencia devia fallar
em poltica jogar o whist, oxadrez e se
as circumstancias o exigissem para desempe-
nhar os seus deveres ex-officio perder o seu
dinheiro a proposito, e o mais lempo que fosse
necessario.
Taes voitas ievou aquelle negocio que ,
para desviar as desconliangas da pessoa inte-
ressada obrigro Mauricio a fingir se es-
perdigado pp|a senhora F....., fingimento
perigoso que desgragadamente se oi mu-
liando em realidade. Se entre os na mora dos
haviaalguma desavenga, era elle o medianei-
rc o que recebia o que dava as explica-
glezes inundavoa Franga. Sua presenga ne8-
te territorio inspirava continuos receios ; rC-
solveu-se entodar maior extensiio as mura-
Ili.is de l'.n i/, alim de se comprehenderem os
arrabaldes da cidade dentro de um recinto do
fortiiieago.
A i-1 tle abril de 13i), Mugues Aubriot ,
preboste de Pars e ministro das inancas ,
collocou com gpantie pompa e solemnidade ,
a primeira pedra de um forte castello que
fora destinado pira defender a porta deS An-
tonio : este o castello que servio de priso
de estado e a que chamo a Bastilha.
Ao principio a Bastilh apenas se com punir
de duas torres construidas entrada de Pars,
do lado do suburbio de S. Antonio. Peio de-
curso do lempo outras duas torres seme-
lhanles foro elevadas defronte das primeiras.
Carlos VI mandou levantar outras quatro em
distancias iguaes: construirn-se edificios en-
tre as torres ; talhio-se pon tes na grossura
das muradlas ; e as oito torres foro definiti-
vamente cercadas de um fosso secco do vinte e
cinco pos de fundo. A entrada do castello da
Bastilha, situado sobre o lado direito do Sena,
perto do arsenal era direiU da extremi-
dade da ra de S. Antonio.
Antes do chegar ao grande pateo triste e
l'ormidavel recinto tragado sobr : vinte e cinco
ps decomprido e oitonta de largo passava-
se por duas pontos levadizas e cinco gros-
sas portas tres das quacs tinho corposde
guarda : urna sentinella velava de noite e da
a cada urna des tas portas.
As oito torres da Bastilha tinho cada urna
um nome particular. Chamavo-lhe : a tor-
re de Puits a torre da Basinire, a torre de
la Comi a torre de la Berluudire a torre
du Coi o a torre du Trsor a torre de la
Chapelle e a torre de la Libert. Treze pe-
gas de canho que servio nos das de festi-
vidades publicas estavao assestadas na pla-
taforma que una estas torres.
Na parte inferior das torres dispozero-se
masmorras hmidas e infectas cuja habita-
go era- sempre funesta aos mseraveis que
ero ali sepultados. Havia tres quartos por
cima da masmorr t que licava ao nivel de ra:
o interior da torre terminava um sua parte
gfias o mensageiro de paz. Em nma pala-
vra oemprego de confidente Ihe oceupava
as horas todas todas as faculdades do espi-
rito o afailigava noite e da sem descanco
nem socego.
l'm dia os dous amantesdesaparecaro ,
0 Mauricio que se tinha encarregado se-
gundo as obrigagoes que Ihe ero impostas, de
todos os preparativos de retirada, (eve de ver-
se barba com ooffendido que depois de
tomar as informagO.-s necessarias veio no
conhecimento da sua prestancia em tal negocio,
e como nao se poda vingar nos fugitivos, que
j estavo longe do seu alcance voltou-se
ao mais bem parado. Chamou a desafio o
confidente pregn Ihe urna boa estocada e
o desgravado leve de sotTrer as dores della tres
mezes na cama em quanto o seu caro amigo
se diverta grandemente sem Ihe importa-
re m as consequencias do attentado que havia
com me ttido.
Mauricio era sobrinho de um homem rico,
a quem por delicadeza visitava poucas vezes ,
apesar delle nao ter outro herdeiro Em quan-
to esteve de cama curando-se da frula o tio
o procurou lodosos das em razo da ami-
zade sincera que nao obstante a sua pouca
frequencia conservava ao mancebo. Ose-
nhor Lambert havia tongamente viajado e
as horas da visita contava'lhe s suas aven-
loras. A proposito destas conversajea fez-
Ihe urna involuntaria confidencia.
Nesta poca dizia elle um dia esla-
va na ilha de Guadelupe e linda comprado


superior por urna quarta cmara chamada ca-
lotlo.
Oivsavo-se na Bastilha muilasordens de
quartos ; os mais horriveis era o os que fica-
vo debaixo das torres e a estes denomina-
vao gaiolas ou segredos de ferro ; seguio se
logo as calottes prisoes obscuras estreitas,
ardentes no esto e fras como gelo no invrr-
no. Os quartos de cima situados entre a ca-
lotte e a masmorra do nivel da ra ero
quasi octgonos : a luz penetrava atormenta-
da por urna trplice grade chumbada era cada
janella. Quasi todas as prisoes excepto as
masmorras tinho fornilhos, ou foges bar-
rados de ferro e ero todos numerados. Quan-
do se lancava algum preso em um destes se-
pulchros poda-se dizer que tinha morrido
para o mundo ; pois que exista desconhecido
a seus proprios carcereiros e envolto n'um
mysterio impenetravel : ns era conhecdu
mais do que pelo nome da torre que habitava
e pelo numero do seu quarto.
Toda a mobilia coropunha-se deste modo :
urna cama, um enxergo, tres colches, duas
mesas, duas quartas para agua um gario
de ferro, urna colher Jeestanho, um copo
do mesmo metal um caslitjal de cobro es-
pivitadeiras de ferro, e duason tres cadeiras.
Cada quarto tiuha tres portas fechadas urna
sobre outra por ferrollos e fechaduras.
O alimento era grosseiro insalubre, e ra-
ras vezes aconteca permiltir-se a um preso
procurar outras comidas alm das que Ihe e-
ro fornecidas pelo castello.
Quatro chaveiros fazio o servico de oito
torres. O estado maior da Bastilha ''ompu-
nha-se da um governador, cujo emprego
renda em vencimentos ou em lucros admi-
nistrativos mas de quarenta mil francos ,
de um tenente do re e de um major com
os vencimentos de quatro mil franoos de
um estado maior, com os sidos de mil e qui-
nhentos francos de um cirurgio e de um
capello com mil e duzentos francos de ven
cimento. Kraesta a organisago que existia
no momento da tomada, e deslruico da Bas-
tilha em 1789.
Para a guarda do castello o Sr. d'Argen-
son havia substituido as companhias de ar-
cheiros e de camponezes assoldadados a ex-
pensas do governador por urna rompanhia de
invlidos de cem homens testa da qual
se achavo dous capites e um tenente.
O intendente geral Ja polica tinha grande
aleada sobre a administrado da Bastilha era
i un poder formidavel aquelle que exercia, po-
rm elle tinha seus limites pois que todas
as vezes que Ihe era ordenado o intendente
geral da polica compareca de |> e descobcrto
a barra do parlamento cujo presidente Ihe
ordenava que respondesse.
O castello da Bastilha longo tempo depois
da sua fundado foi cercado de um fosso de
cento e vinte psde profundeza em que nAo
havia agua senilo na poca de grandes chuvas
e de endientes do Sena.
O castello era guardado com extrema seve-
ridade. A' noite os sargentos rondavo em
todos os quartos de hora. Em cada hora um
toque de sino dado por urna sentintdla do ff-
iiina linda casa de compo em que habitava
ruin a nimba esposa...
Ento meu lio foi casado ?
Bem podia o senhor Lambert disfarcar fa
cilmente aquelle repentino lapso de lingua ;
porm ficou sobresaltado e respondeo :
i He verdade ; e j agora dire tudo, bem
que este segredo seja da maior importancia
para mim e que nunca o communicasse a
pessoa alguma. Portanto has de jurar-me
de guarda-lo eternamente alias nao quera
mais ver-te. E toma sentido que esta con
diQSo he irrcvcgavel. Arraslado por urna
paixo desordenada tinha viute e cinco an-
uos casei com urna crioula mulata ; porem
o meu casamento ficou occulto, e nenhum
habitante da colonia, pessoa nenhuma fi-
nalmente, foi sabedor daquelle desvario.
Anda boje que j la vo quarenta annus de
silencio, me envergonho de o confessar. Po-
rem um casamento setnelhante deviao o ter
consequencias proporcionadas. A indigna
mulher que a minlia cegueira me obrigou a
escolher fugio passados seis mezes cam
certo official da marinha ingleza e pouco
depois daquelle acontecimento, venJi os bens
que possuia em Guadelupe e vim estabele-
cer-me em Franca.
E que he feito de sua mulher ?
7T- Morreo em Plymouth, no anno de
1810 .... Mauricio repara que bes o primei-
ro e nico depositario deste segredo lo ver-
gonhoso para mirr.. Confio pois na tua
discrico.
.Mauricio jurou poi quanlce santos havia
torior adverta os officiaes que elle se conser-
vava vigilante no seu posto. As portas urna
vez fechadas nao se abro seno por urna or-
dem de re.. O intendente geral da polica e
os ministros tinho direito s honras milita-
res. A guarda apresentava-lhes as armas, e
a grande porta se abra para Ihes darpassa-
gem : s a um marechal de Franca era lcito
-mirar com a sua espada.
Todo o preso conduzido Bastilha era mi-
nuciosamente apalpado. S s pessoas dequa-
ldade que alnumas vezes sedispensava es-
ta rigorosa formalidade. Assim despojado o
preso do que trazia lancavo-no em um
quarto : tres portas se fechavo depois da sua
entrada : corrio-se seis ferrolhos ; tres cha-
ves davo -volta em tres fechaduras, e da-
quelle instante em diante mais nenhum ruido
do munjo chegava aos seusouvidos.: elle nao
sabia se devia vver ou morrer neste pavoroso
cativHiro.
.\a Bastilha havia um deposito de archivos,
e um archivista assalariado.
A mesma morte dos presos era multas ve-
zes um mysterio : mandavo-se sepultar na
parochia de S. Paulo debaixo de um nome
supposto.
Quando qualquer preso sabia da Bastilha
o obrigavao a jurar um silencio absoluto so-
bre tudo quanto vira dentro do castello.
0 juramento era sempre muito bem guarda-
do porque o mseravel opprimido com a
lembranga do que sorera,, receava que
menor indscrQo apparecesse de sbito o a-
gente agarrador munido de urna ordem de
priso : portanto urna palavra inconsidera-
da podia ser paga com um novo martyrio.
Urna vez por dia cada preso vinha respirar
no pateo do castello espaco estreito fechado
entre quatro muralhas de mais de cem psde
altura. Sobre urna das muralhas eslava o
grande elogio cujo mostrador era susten-
tado por duas figuras agrilhnadas ; repeta a
hora aos desgranados fazendo-lhes ver que o
tempo nao era mas que um la menta vel sof-
frimenlo : mais em baixo seachava urna ins-
er pcao em letras de ouro sobre marmore
preto dando-Ibes a saber que o relogio fra
collocado ali por oidem do Sr. Haymond Gual-
bert de Sartines.
Tal era avista do centro da Bastilha. 0
homcm arrancado do seio da sua familia ia
terminando lentamente o seu mysteroso sup
plicio militas vezes sem saber a causa I
sempre sem presumir o fim.
Nao podemos aqui recordar a historia de to-
dos os presos que foro encerrados na Basti-
lha. Limitar-nos-hamos, portanto a com-
pilar alguns nomes Ilustres alguns infortu-
nios histricos.
Duas personagens poderosas foro conduzi-
das para a Bastilha e de l nao s diiro se-
no para subirem aocadafalso: ero Luiz de
Luxembour conde de S. Paulo decapi-
tado no largo de Grve aos 19 de de/.emhro
de 1475 eJacques d'Armagnac duque de
Nemours executado no largo des Hules ,
no mez de agosto de 1 i77 ambos aecusados
de conspirado contra Luiz XI. 0 re orde-
iidii que a degollago de Jacques d'Armagnac
de o nao revelar ; mas passados alguns di-
as depois de se achar inteiramente restabe-
lecido recebeo um bilhete do lio concebi-
do nestes termos : Tu bes un homcm sem
o fe. Hontem n nina sociedade anude eu
h me achava alludiro ao meu casamento :
<( s tu me podas alraicoar. Eu te amaldi-
co-o e deslenlo.
Nao obstante esta segunda estocada tai-
vez mais pungente do que a primeira nao
perdeo Mauricio o animo ; e para augmen-
tar os bens que possuia, metteo-se em dif-
erentes especulares, que Ihe dro mais
lucro do que esperava. Poretn querendo
indemnisar-se do mo tempo que havia passa-
do na cama aprovelou os das do carnaval ;
e depois dse divertir no bailo mascarado ,
foi ceiar emeompanhia deoutros mascaras ,
casa de Hardy. Entre as pessoas da com-
panhia duas ou tres smente ero mim co
nhecidas; paiem o Champagne depressa d
coiihecimento. Entre o Iinir dos copos ca
da um fallou no que Ihe veio cabeca e
Mauricio nao teve a lingua presa.
No da seguinte qual foi a sua admira-
rn quando se Ihe apresentou em casa um su-
jeito, que tinha ceiado ao p delle e Ihe
disse :
Meu caro Mauricio eu venho da so-
ciedade que t sabes. Esta noilc hei de vir-
te buscar para seres admittido.
Confesso-lhe, meu caro senhor que
nao o comprendido. Lembra me de ceiar
com o senhor porem mesmo o seu nome
ignoro.
tivesse lugar nao no cadafalsi de pedra que
'exista permanente no meio mas sobre um
patbulo de madeira. Osfilhos dopadecente
foro postados debaixo do cadafalso afim de
que o sangue de seu pai corresse sobre suas
cabecas a travez das fendas das taboas : foi
com este despotismo que Luiz XI comecou a
ruina da feudalidade.
A 15 de junho de 1G02, um barco des-
cendo rpidamente o Sena e vndo de Fon-
tainebleau para Pars chegou trra junto
dos muros do Arsenal. Sahiro muitos ar-
clieiros condii/.indo urna personagem que
sem duvida devia pertencer alta nobreza ,
se acaso se julgasse pela riqueza do seu vestu
ario e pela altivez do seu semblante. 0 preso ,
bem unido escolta que o conduzia atraves-
sou os jardins do Arsenal, foi introduzido na
Bastilha, e mettd na antiga priso do con-
de de Sant-PauL Por decretos do rei, o
seu processo foi commellido ao parlamento ,
a instrucQo do processo confiada ao prmeiro
presidente Achules de Harlay assistido de
Nicolao Poter segundo presidente ; de Es-
tevo Fleury e de Felisberto Thurin rela-
tores.
Este preso chamava-se Carlos de Gontaut.
duque de Kiron marechal e almirante de
Franca. Foi acensado de ter manejado in-
trigas com os estrangeiros: o marechal era go-
vernador de Bourgogne : elle devia por um
tratado secreto esposar-se Com a terceira filha
do duque de Saboia com condigao porm
de que o re de llespanha Ihe transportara
todos os seus dire los sobre o ducado de Bour-
gogne.
0 processo foi eomecado e rpidamente
instruido. Em todos os interrogatorios, o
marechal manifestou sempre urna violencia
excessiva e proferio palavras injuriosas con-
tra o rei contra as tcstemunhas e contra
os seus juizes. Elle esperava o resultado da
aecusacaoque se Ihe havia feito, quando a
13 de julho de 1602 pelas 10 horas da ma-
nh o Sr. Bellivre ehanceller de Fran-
ca acompanhado de um escrivo do parla-
mento penetra na sua priso. Biron esla-
va declarado e convencido do crime de alta
traico e como tal condemnado a sr-lhe
decepada a cabeca na praca de Grve ; mas .
em consideraco a sua familia o rei Ihe
mandou relaxar a publicidade do supplicio .
ordenou que elle tivesse lugar no pateo da
Bastilha em consequencia do que foi logo
di nessa mesma manh levantado um cada-
falso.
Bastantes vezes Biron interrompeu a leitu-
ra da sua senlenca e pouco faltou que elle nao
batesse com ella na cara do escrivo, cujo
medo era tal que nao se julgou seguro mes-
mo na presenca de urna guarda numerosa. 0
marechal eslava vermelho de furor ; pala-
vras breves, e sacudidas Ihe escapavo dos
labios ; e prosegua as injurias contra o
ehanceller., e contra o escrivo, quando es-
tes sahio da priso ; depois continuou a an-
dar a passos largos exhalando sem cessar a
raiva que devorava a sua alma.
Apenas se tinha passado urna hora depois
da saluda dos agentes da justica quando en-
Eu Ihe disse que me ehamava Hodol-
pho de B.... assim como o senhor me disse
que se ehamava Mauricio.
Muito bem ; agora se quizer explicar
o objecto desta visita far-me-ha favor.
Ento Bndolpho Ihe declarou que elle se ti-
nha obligado a entrar n'uma conspirado ,
depois de ter ouvido as particularidades que
Ihe dizio respeito. Nestas circunstancias,
conlinuou o su jeito ja Ihe nao he perra i t-
tido tornar atraz sem se arriscar vingan-
ga do parlido. Agora veja o que Ihe con-
vm.
Foro baldados os protestos que Mauricio
fe/: da sua ignorancia ; e deste modo contra
voniade, se vio mettido na sociedade de
conspiradores e em continuos sobresaltos ,
Bloquea revolucSo de julho veio tira-lo de
cuidados.
I ni alto funeconario, seu conhecido, cha-
mou-o certo dia ao seu gabinete particular ,
e mostrou-lhe um papel que tinha recebido.
Que Ihe parece este npgocio ? S ama-
nh he que ha de ser publico ; porem eu
posso demora-lo vinte e quatro huras mais ;
especulemos com elle e dar-mc-ha melade
dos lucros.
Mauricio tinha ouvido fallar, daquella mu-
danza e era publica na praga : mas para
nao desgoslar o grande homem respondeo
que o objecto Ihe pareca de alta importancia.
Bem podia eu passar sem esla confiden-
cia dizia Mauricio no outro da contando
vinte mil cruzados que lirava da sua algihei-
ra para levar 4 mo beijada ao alto func-
tra um homem eesle homem era o carrasco.
Senhor j deu a hora o necessa-
rio partir.
Pois ja? diz o marechal. Oh o re
um ingrato ,: e se eu tivesse entre as mi-
nhas mos todos os membros desso maldito
parlamento a todos estrangulara sem pie-
dade.
Depois grtava sem cessar : Eis a recom-
pensa de meus servicos. 0 parlamento es-
t vendido ao rei e o rei trafica com a sua
consciencia. Nao obstante, acompanhou
o ejecutor e os seus guardas e quando teria
dado sete a oito passos achou se sobre o
cadafalso que se havia levantado ao nivel da
janella do seu quarto depois de se haverem
arrancado as grades de ferro que estavo
chumbadas no muro. Oitenta ou cem pes-
soas achavo-se ao p e quando appareceo
o marechal, um estremecimento agitou a
todos os circumstantes.
Que fazem ahi tantos marotos e tanlos
tratantes ? gritou elle com urna voz hor-
rivel.
0 executor Ihe apresentou um lenco encar -
nado elle o temou e vendou os olhos no
acto de se ajoelhar : o algoz deu um passo
atraz. Em um segundo j o marechal se ha-
via levantado. Tirou a venda e pegou no
braco que suslentava o culello continuan-
do anda a gritar: Nao ha, pois, piedade pa-
ra mim ?! O cutello trema na mo direi-
ta do executor porque Biron Ihe apertava
convulsivamente o braco : depois toda a sua
energa pareceo abandona lo : o seu semblan-
te cobrio-se de urna palidez lvida ; tornou a
vendar-se com o lengo e ajoelhou incli-
nando a cabeca para o cepj : o algoz levan-
tou o cutello. Nao nao grita Biron ,
com um accento terrivel; nao eu ainda
quero vero co. Elle fixava no co seus o-
Ihos espavoridos afim de os dirigir para o
executor com urna especie de expresso fe-
roz. O algoz teve medo os espectadores-
tremero porque este homem nao eslava
rnanietado e experimentava os ameacos de
um frenes terrivel. llouve um momento de
incerteza e de silencio momento durante o
qual appareceo este ultimo esforco de um
condemnado que se quer tornara prender
vida. Emfim o marechal, exhaurdo de for-
cas pallido o roslo inundado de um suor
fro deixou-se cahir sobre os dous joelhos :
sua fronte tocou na madeira do cepo. O al-
goz fez um movimento rpido com os dous
bracos : o marechal ainda se levantou mas
eis que a sua cabeca e trez dedos da mo ro-
anlo ao mesmo tempo sobre o cadafalso.
As nove horas da note foi sepultado na i-
greja de S. Paulo.
Durante o reinado de Luiz IIV muitos
nomes Ilustres foro inscriptos no livro do
registro da entrada da Bastilha. A 7 de se-
tembrode lfilii o superintendente Fouquet
ali foi encerrado. O rei tendo ciume da
sua prodigiosa fortuna e do seu luxo inaudi-
to concebeu suspeitas cerja de sua prob-
dade e o mandou aecusar pelo crime de
concusso.
Outros porm conto que Luiz XIV se en-
donarlo ; mas he preciso semear, para re-
Clher.
l!i Ihe disse o homem de importancia,
pois com taes meios ganhou smente qua-
renta mil cruzados Nao quero mais nego-
cios com o senhor.
Tendo adquirido meios bastantes resol-
veo se emfim a casar ; e achando-se com sua
mulhar n'uma grande sociedade ao levan-
ta r-se do jogo em que perdeo algumas loi-
ras chegou-se ao p delle um mancho que
elle nao conhecia tomou Ihe o brago le-
vou-o para o vo de urna janella e Ihe
disse :
J que descobrio o meu segredo peco-lhe
que seja discreto.
Qual segredo ?
Quando aquella senhora loura vesti-
da cor de rosa passou junto de mim eu
mostrei-lhe este bilhete e o senhor bem vio.
Aquella que est sentads ao lado esquer-
do da chamin ?
Justamente ; e j que o acaso permit-
tio que o senhor fosse meu confidente dir-
Ihe-hei que a tenho encontrado tres ou qua-
tro vezes que dansei com ella e presumo
que me tem inclinacAo.
Com efl'eito ?
Palavra de honra Conhece-a ? Queui
he seu marido ?
Sim senhor ; seu marido.. he este seu
criado.
FIM


\
r.ii vecera vista dos felizes saccessos do Fott-
.quet junio das damas da corte ; pois bem pou-
cas havia entre ellas qne nao tivessom sscri-
licado ao bezerro de ouro como nessa poca
so dizia. At dizem que o superintendente
quiz seduzir Mm. de la Vallire. Ach-
ro-se entre osseus papis urna collecgo com-
pleta de escripias amatorios que. deverio aba-
lar a muitas reputacgoas anda vacillantes.
i,am brevidade so fez o processo ao superin-
tendente : e ou s ja porque elle fosse cul-
pado do numerosas malversares ou pelas
iramensas riquezas que possuia o corto he
.que foi condemnado ao banimento por sen-
lenca do parlamento de 20 de de/.embro de
1004. Fallecen no forte de Pignerol aos 2
Plisson seu secretario e preso na Bas-
tilha no mesmo tempo em quo elle o foi de-
veu a sua celebridade aos versos do abbade
Delille.
Ouasi nos lins do auno de 1671 corrro
em Paris os mais sinistros boatos. A cada
canto de ra fallava-se de personagens tene-
brosas experlas em materia de feiticeiria e
que tinho aprendido de um Italiano a arte
funesta de compr os vonenos. Margarida
d'Aubray espoza de sire Gobelin marquez
da Brmvilliers foi aocusada deste crime e
conduzi la Bastilha a 27 de Janeiro de 1072.
A marqueza de Brinvilliers segundo os
boatos quo nessa poca oorrio entrelinba
urna intriga amorosa com o Snr. Godin de
Ste. -Croix capito de cavallaria e enve-
nenador como ella. Bastantes vezes tentn ella
envenenar seu marido para se esposar como
seu amante : porero Ste.*-roix cuidando
mu pouco na posse eterna da sua amad* fa-
zia tomar contra venenos ao marquez de Brin
villiers todas as vezes qne era envenenado ,
porem elle por fim surcumbio. Accusada e
convencida Margarida do crime de envenna-
melo na pessoa de seu pai e de seu marido,
foi condemnada a ser queimada depois de
se Ihe cortar a eabega na praca de Greve aos
!7deju!hodelG76;
A este processo scguirao-se muitos outros
semelhantes, entre os quaes se distingui
particularmente o da mullier Deshaies( mais
conhecida pelo nome de La Voisin ) o de
Filastre Vigoureux e de tres padres que fo-
ro queimados vivos na praga de Greve. Es-
tas accusago-s foro julgadas por um tribunal
instituido expressamente para os envenenado-
res o qual se denominava Cmara ardente.
O negocio do jansenismo pouco depois da
minoridade do rei Luiz XIV e a revogaeo
do edito de Nantes em outubro de 1085 po
voro a Bastilha de grande quantidade de
victimas: militas d'entro ellas morrro as
prisoas depois de urna longa detenco. As-
sim Jean Chandel nascido em f ours, foi
conduzido para a Bastilha por heresia em
4 de agosto de 1690, e falleceu ao cabo de
trinta anuos : seu Cadver eslava carregado
de* sessenta e tres libras -de Ierro. Francisco
du Boulay doutorda universidade de Paris,
sleve preso quarenta e oitoannos. Isaac Ar-
met de la Motte cadete no regiment de
Pampierre soffreu uma detanciSo de cincoen-
ta e quatro annos, e seis mezes e vinto dias.
A peona recua ao escrever todos os horrores ,
todos us sollYimantos accumulados nessa pri-
so de estado polo despotismo e intolerancia
religiosa. E uma nomenclatura to terrivel ,
que ella espanta tanto quanto desanima.
A 18 de setembro de 1698 o Snr. Saint-
Marsconduzio das ilhas de Santa Margarida
Bastilha um preso conhecido pelo appellido
do Homem da mascara de ferro : he o hroe
de un inyslerio poltico sobre o qual de-
pois de Voltaire todo o mundo lem escripto,
<; aoqual eslava reservaba a triste honra de se
lomar uma personagem mediocramente his-
trica e mediocremente Iliteraria de um me-
lodrama-
O homem da mascara de ferro morreu re-
pentinamente aos 10 de novembro de 1703 ,
e foi sepultado do manha na igreja deS. Pau-
lo deba i so do nome de Marehialy.
Durante o tempo da regencia a Bastilha
quasi que mudou de destino. A poltica e a
religiao loro desthronisadas pela devassido
e o deboche e encarcerava-se desapiadada-
mente a todo e qualquer que se atrevesse a
boquejar contra a desordam dos eostumes
da corle, e Ihe zesse a mais ligeira cri-
tica.
Um moco de 22 anuos foi conduzido Bas-
tilla cm 17 de maio de 1717 por suspei-
tas do ser o autor de uma satyra contra o
regenta e seus libertinos. Este mop era
Voltaire : restituido liberdade en 1718
foi preso novamente em 1719, por causa
de uma contenda com o cavalleiro de Bohan
Uiabot.
Tembem a priso foi nesta poca muilas
vezes o desenvolvimento obrigado do uma
intriga amorosa ; e mais do uma personagem
illuslreexpiava assim suas riqueza< ou suas
infidelidades. Era diiTicl o aventurar-se
sobre um terreno desusado pela libertina-
gem sem ferir s vezes os escrpulos con-
jugaes de alguma grande personagem ou
o crime theatral de alguma nobre dama que
pretendesse perder ocostum* de mudar de
amantes; e ent manilos e amasias se in-
colerisavo, agentes e ofliciaes de polica
punhfto-se em campo a vinganca eslava a
espreita ; e alguns fidalgos sorprendidos de
improviso io fazer versos durante o es-
paco de seis mezes debaixo dos ferrolhos
da Bastillia.
As rivalidades e os duellos tambem se ter-
minavo por uma ordem de priso. Uma noi-
te em que no bailo da opera o duque do Bi-
chelieu ridiculamente adornado manei-
ra doscavalleiros de Salamanca, conversava
familiarmente com uma joven o bella prince-
za Gac outro libertino celebre tomou a
liberdade de dirigir ao ouvido da dama Iguns
galanteios relativos inconstancia e perfi lia
do bello mascarado. A um signal de Bicheeu,
Gac sabio com elle ehegados ra de S.
Thomas do Louvre, despediro-se cortezmen-
te, tazeudo um ao outro uma cortezia ; porm
o duque libertino rerebeu uma estocada, que
foi curar na Bastilha : era esta a segunda vez
que havia sido preso.
Todos conhecem a historia de MM. d'Aligre
e Latude que fugiro milagrosamente da
Bastilha na noitft de 25 para 26 de fevereiro
de 1750. M. de Latude escreveu uma memo-
ria em que elle mesmo cunta esta pnrigosa
aventura, meditada e preparada durante mui-
tos annos.
A 0 rodeada de uma numerosa escolta sahio da
Bastilha : os soldados da ronda dos destaca-
mentos de infantaria estavfio postados em to-
dos os cantos das ras : a sege seguio a grande
trote pela ra de Santo Antonio do lado do
rio e pelo caes at Pon te-a u-Change ; dali
voltando arrebatadamente s parou sobre o
caes des Morfondus ao p da torre da Con
ciergerie.
Da segedesceu um velho : era Thomas-Ar-
thur de Lally gro-cruzda ordem real e mi-
litar de S. Luiz e tenente-general dos exer-
citos do rei. Apezar das muitas victorias que
havia ganhoaos Inglezes o Snr. de Lally foi
aecusado de haver compromettido e perdido
por uma m adminislrago quasi lodosos es-
tabelecimontos francezes as Indias. Indigna-
do por uma semelhante accusacfto e pouco
Ihe importando o futuro, o desgranado se en-
tregou voluntariamente priso e enlrou
na Bastilha no l.'de novembro de 1762.
Depois de ter posto o p em trra u Sr. de
Lally, e cercado pelos seus guardas, atraves-
sou o pateo estreito que deitava para o caes :
desceu os seis degros que io dar ao sombro
vestbulo da Conciergerie : os dous chaveiros
Ihe fizero signal com a mao : elle os seguio
para a horrivel abobada formada em arcos ,
que estava esquerda da entrada e foi intro-
duzido na prizo que deita para um pequeo
pateo cujos elevados muros nao Ihe deixa-
vo ver mais do que um canto do co. A por-
ta tinha ficado aberta ; alguns minutos de-
pois o escrivo veio ler-lhe a sentenca de mor-
to dada pelo parlamento. Mas que tenho eu
fcito ? Gritou o Sr. de Lally, com uma voz,
em quedava a conhecer que elle jeslava mais
possuido de resignago quede desespero: seus
olhos fitavao-se na porta em cuja soleira o es-
moler da priso se havia conservado immovel.
O sacerdote conduzio o condemnado para o
oratorio onde o exhortou a receber as ulti-
mas consolacoes da religio.
Por favor senhor deixai-me s um
instante e o Sr. de Lally foi sentar-se em u-
ma das extremidades do oratorio curvado
sobre os joelhos com o rosto inclinado sobre
uma de suas raaos, em atlitude de um homem
que reflecte.
Alguns minutos depois duas pessoas dis-
simuladas pela obscuridade precipitr-se
sobre o condemnado e Ihe pegro no braco
direito, que conservaro noar: este braco
achou-se armado de um compasso agudo ; um
fio de sangue correo sobre o lado esquerdo de
seu peito j o Sr. de Lally estava ferido.
Isto causou grande rumor r.a priso. E se
morresse de um suicidio aquelle que havio
destinado ao suplicio ? Era profunda a feri
da ? Teria a ponta do compasso penetrado at
Tivemos pelo vapor S. Salvador jornaes do
Rio at 10 do corrente que muito pouco a-
diantio as noticias que tinhamos e que che-
gavio at 5. Nesse dia chegou a corte na
fragata sarda S. Mirhel o Principe Adalber-
to da Prussia. No dia 7 foi publicada a
aoooraco ? Chegou no mesmo instante a or-l proposta do exemto.
que o sangue corra sempre sobre o peilo do
Sr. de Lally, e era muito necessaro que o po-
to tivesse o seu espectculo a justica o seu
curso, eoalgoz a sua gratficac,o.
Chegado praga de Grve subi ao cada-
falso o velho dirigi um olhar tristo mul-
tido qua a seus ps fazia grande susurro.
\ mordaga o suffocava e o impedia do pro-
ferir uma palavra.
Poz-se de joelhos estendendo o pescogo:
um pnmeiro golpe do cutello Ihe parti o cr-
neo. Foi uma falta de destreza do lilho do
carrasco, joven ainda e sem experiencia : seu
pai orepellio com olhar ameagador, e pegan-
do immediatamente com as duas mos no cu-
tello ludo que restava dessa eabega acoima-
da rolou no mesmo instante sobre as ta-
boas do cadafalso.
A multido retirou-se silenciosamente pelas
ras que conino com a praga de Grve : as
tristes emogoes daquolle dia havio ennegre-
cido o semblante de todos. Enterrro o jus-
tigado cuja metade da cabga ainda trazia a
mordaga ; e noite o lilho do carrasco fui s-
peramente reprehendido por seu pi.
O Sr. de La Chalotais procurador geral do
parlamento do Bretan'ia foi encerrado na
Bastilha noanno de 1700 na oceasio das
sedigoes que havio rebenta lo na sua provin-
cia. Voltaire relata na sua correspondencia
que o Sr. de La Chalotais escrevra as suas
memorias com um palito, e uma pouca de fer-
ruzem desfeita n'agua.
Luiz XV era morto e seu successor lutava
em vo contra uma reaego incessante ; o
throno ia a ser derrubado pela tempestade nos
est idos geraes de Versailles durante o mez de
maio de 1780.
J o terceiro estado tornava se poderoso po-
la resistencia. O destino de M. Necker che-
ga a 11 de julho ; a presenga las tropas em
roda de Paris determinro o movimento que
ia fazer reviver ideas sobre os acontecimen-
tos.
A 14 de julho de 1789 a elTervescencia che-
gou ao seu auge : todos se armo : todos se
reuoem lodos se precipilo o povo est em
roda da Bastilha e passadas quatro horas de
assedio s cinco horas e tres quartos depois
do meio dia entra vencedor na fortaleza. 0
gnvernador Delaunay assassinado as esca-
das do Hotel-de-Ville ; e a sua eabega cortada,
e levada pelas ras na ponta de uma langa.
Eis o resultado official on trabalhos da com-
misso nomeada depois da tomada da Bas-
tilha.
Morios........... 8o
Morios em consequencia de feridas. 15
Feridos........... 00
Mutilados........., 15
Vencedores que nao foro feridos G.'J4
Viuvas............ 18
Orphos ........... 3
Total ... 849
Foro adiados muitos presos em masmor-
ras : ero os Snrs. Tavernier, Laroche, Pu-
jade o conde de Whyte, o conde de Solage,
etc.
Um dentre elles, um velho macilento, ma-
gro coberto de cas e quasi louco foi con-
duzido pelo povo ao Hotel-de-Ville. Uma bar-
ba espessa dava um aspecto ainda mais sinis-
tro a esta figura to carecterisada pelo signal
forte do padecimento e da desgraga. Este ve-
lho chamava-se o conde de Lorges. Havia
mais de trinta annos que elle nao tinha visto
nem o co nem os homens. Esta gerago
nova e seus semblantes desconhecidos Ihecau-
savo uma profunda tristeza : suas palpebras
se fechavo como fatigadas pela luz. (Juando
conheceo perfeitainente que estava livre e
qmudo soube que todos os seus estavo mor-'
tos pedio um retiro obscuro e solado, onde
nao tardn que morresse.
Muitos esqueletos foro encontrados du-
rante a demoligo da Bastilha e foro pa-
mente sepultados nocemiterio de S. Paulo.
(Jornal do C.)
u poras armas na presenra do Subdelegadn
do Arraval de Maiiosinbos junto con os
principaes cheles militares. Est por tanta
tudo acabado em Minas.
Falleceo no dia 6 o conselbeiro Eu/.ebio de
(^ueiroz Coutinbo da Silva um dos primeiros
membros do supremo tribunal de Justica, or-
namento da magistratura Brasileira o co-
nhecido nesta provincia por sua probidade in-
corruptivel por suas manciras urbanas
por suas muito distin tas virtudes domesticas.
Da Babia contamos por nada o que nos
do os Jornaes porque nao passo de 17 do
crrante : nnio be a appuraco de 50 colle-
gios condecidos em lo < que quasi nada al-
terou a ultima que publicamos
COMMEKCIO.
ALFANDEGA.
Bendimento dodia27de Setemb. 5:8i6jifi8 DESCARRF.G.V HOJE 28 DE SETEMBRO.
Brigue Francez = Bey sa Vinho e fazen-
das.
Polaca Sarda =s Somariva = Marmore.
Patacho = Flor do Maroim = Charutos e
barricas va/ias.
MOVIMENTO DO POBTO.
NAVIO ENTRADO NO DIA 27.
Bremen ; 52 dias Patacho Bremense Catb.i-
ruia delOi tonel Capito John Henry
Schaer r equip. 8 carga oreu vidros ,
garrafo.'s e mais gneros : a J. O. Elster
& Companhia.
DECLABAC AO.
ts^O Vapor de guerra Ipiranga recebe a ma-
la para o llio de Janeiro boje 28 as 4 ho-
ras e meiada tarde.
AVISOS MARTIMOS.
Para Lisboa a sabir nos principos do
Induro mez de Outubro a barca Beal Prin-
cipe D. Pedro commandante Jernimo Ro-
mero da melhor e mais magnifica cons-
truego e muito veleira pode receber algu-
ma carga a frete a prego commodo e tam-
bera recebe passageiros para o que tract-se
no consulado de Portugal na ra de Apollo,
ou com o commandante a bordo
C^ Para o Bio de Janeiro segu no dia 50
do corrente o brigue escuna Bella Mara rece-
be passageiros, e esreravos a frete e para car-
ga de pequeo volume dirija-so a Gaudino
Agostinho de Barros pracinha do Corpo Santo
D. 07.
LE LOES.
nmiiii m \\\ mu cu,
dera de se apressar a xecugo. Pegro no
padecente amarrro-lhe as mos com cor-
das mettro Ihe uma mordaga que Ihe en-
trava na boca como se fosse o freio de um
cavallo; e o sentro sobre um tamborete
Tudo se fez arrebatada e rpidamente por-
Sobrc Minas le-se no Jornal do commer-
co
= Ocorredor Oliveita continuar sba-
do 1." d'outubro s 10 horas da manha, no
primeiro an iar da casa onde existo o tanque
d'agoa prximo ao ihealro a venda de
grapde e valiosa porgo de mobilia de casa ;
um piano, e de muitos outros objeclos de bom
costo e utilidade os quaes licro em ser
do ultimo leilo por falta de tempo, e que por
issosero vendidos por pregos mais diminu-
tos para final liquidago.
ar Johnston Pater e Companhia farSo
leilo por intervengo do corrector Oliveira ,
para fechar aLurnas cotilas de grande por-
go de fazendas In.glezas de mui prompta ex-
trago pelas suas boas qualidades principal-
mente de saus excellentes e bem condecidos
pannos de l os mais proprios para o prxi-
mo tempo do festa : boje 28 de Setembro as
10 horas da manh no seu armazem ra da
Madre Dos.
AVISOS DI VERSOS.
tsr SahiooCarapuceiro N. 52, e nelle
se v transcripta a Acta interessante da 2.a
sesso da cmara legislativa das Snr." depu-
tadas e a discusso d'um projeeto que re-
gula as materias de amor. Traz em segn*
do lugar, o dilemma d'um padre cura; econ-
cluecom uma mui jocoza ancdota. Vende-se
na praga da Independencia N. 57 e 38.
tsr Para negocio de grande nteresse do
Snr. Joze Wenceslao Affongo Regueira Pe-
H.Neste momenlofe horas e meia da tarde de reir Bastos preciza-se saber qual o seo cor-
< 22 de Agoslo ) 700 homens que ainda rs-
tavo dos rebeldes, que no dia 20 l'oro ba-
lidos pelas tropas iroperiaes acabao de respondente n'esta cidade e por isso se roga
a quem quer que o fpr faga favor annuncia'.*
sua morada.


.4


;


O abaixo assignado faz publico que
seu caxero Antonio Domingues de Souza se
ausentou de sua caza pelas 8 horas da noitc
do dia 26 do corren te, e por isso o abaixo as-
signado nao se responsabelisa por qualquer
transasSo que o mesmo faca; assim como nao
erar em conta a seus devedores qualquer re-
cibo passado pelo mesmo desde o relindo dia
26 do cerrento. Joz Domingues de Souza.
tsr Tomou-se a um moleque urna caixa
da prata de uzo de tabaco : quem for seu
dono dirija se a praca da Independencia lo-
ja ile Hvros n. 37, e38 que dando os sig-
naes lhe ser entregue.
tsr Joio Joze de Mello subdito Portu-
guez relira-se para a provincia da Paraln-
ba com sua familia.
Eduardo Comber, Subdito de S. M.
B. retra-se para fora do Imporia.
PlLl'LAS VEGETAES E LNIVKItS.VES \MEKICANAS.
tsr 0 nico deposito dellas he em caza de
D. Knoth, agente do Author, na ra da Cruz
n. 57.= N. B. cada cahtinha vai embrulha-
da em seu receituario com o sello da caza
em lacre prelo.
tar Joaquim Joze Gil, subdito portuguez;
retira-se para Aiagoas.
tsr O crurgio Francisco Joze Cirilho Le-
al mudou a sua residencia para o pateo de
S. Pedro sobrado da quina D. 1.
tsrMonseur Tas-Prei chegado a esta Cida^
de com escala por Maranbo, e A caraca, aviza
ao publico que dlic/ies d'aula de Commer-
cio e m lis algumas habilidades raras; nao
pode mostrar attcstados do Maraniio Gran-
ja e Acarar por serem trras pequeas on-
da nao quiz mostrar seus altos conhecimen-
tqs, e onde sua admiraco subi de ponto por
ver frustrados seus bons desejos i quem do
seu prestimo se quiser utilisar procure a V.
S. que tem dado proras de nao temer em-
boscadas tanto na ponte da Boa-vista como
emoutros lugares alias ao menino do coro
ra do Vigario ou ao que fez o tremendo ju-
ramento das barbas rapadas ra dos Quarteis
casa 0.
tsr O abaixo assignado faz sciente que
ninguem contrate negocio algum com a mi
do abaixo assignado a Snr." Francisca Xavier
do Espirito Santo moradora na ra do Cano
do bairro de Santo Antonio sobre urna es-
erava de noijie Mariana de idade de 18 anuos
poiso abaixo assignado protesta anular qtial
quer venda ou hypotheca que poracazo possa
aparecer.
Francisco Antonio Bastos.
= Joze Miguel dos Santos subdito portu-
guez relira-se para Lisboa a tratar de sua
saude.
tsr Dezeja-se falar com os Snrs. Joze Fran-
cisco do Reg Barros e Jos Aprigio Pereira
da Silva Castro Sicupira a negocios de seus
inieressea na ra Nova D 35.
tsr Quem quiser alugar duas atbe 6 mora-
das de cazas no alterro dos AITogados da par-
te da mar pequea proprias para qualquer
eslabelecmenlo ou officina de fogo com
bom porto de embarque e desembarque, tem
canoa de agoa d-se quintal a satisfaco da
pessoa que quiser :
mesmas cazas com
Chagas.
cr Joaquim Gonsalves Ferreira, na m-
possibilidade de solver seus dbitos vencidos
e a vencer, eonvidou os seus credores por car-
tas particulares para comparecerem na ra
da Cruz n. 51 a lim delhes patcntiar o ver-
dadeiro estado da sua caza, e como os pon-
eos que se reuniro nada resol ve rao defini-
tivamente de novo os convoca para urna
juneco geral na referida caza em o dia 50
docorrenle Setembro pelas l horas da ma-
nila istocom o intento de tomar urna deli-
beraco final e positiva.
tsr* Faz sciente ao respeitavel publico Ma-
demoiselle Zo Popon, profesora de pianno,
que nao he verdade o boato arteiramenle es-
palbado ( por pessoa interessada a isto ) d*
que a annunciante pretenda retirar-se destu
Cidode ella pelo contrario declara positiva-
mente, que sobremaneira penhorada do bom
acolhimento pretende aqui morar e conti-
nuar as ligues de pianno e cantoria ; ella mo-
ra no alterro da Boa vista no primeiro an-
dar da caza onde foi o Collegio Pernambu
cano.
tsr Aluga-se um primeiro andar com bas-
tantes com modos e juntamente se aluga um
armazem no fundo do mesmo com a frente
para a ra da senzala velha ; os pretndenos
dirijo-se a mesma caza na ra da Cadeia ve-
lha do Recife n. 57 loja de fazendas a tratar
com Manoel Joze de Magalhes.
iSf" OSr. quedeo urna meza dejantar pa-
ra consertar em Janeiro ten ha a bondade di-
ir a buscar no praso de 3 dias, lindos os quaes
a tratar em urna
Francisco Xavier
das
das
icr vendida para pagamento do coaserto ,
na rna do Arago D. 29.
tsr A pessoa que tiver urna escrava boa
vendedeira de ra que a queira alugar. dP'"
ja-se a ra do Cotovello D. 50, ou anouncie.
tsr Precisa-se alugar urna preta para, o
servico de Urna caza : na Boa vista ra do
Sebo n. 2i.
tsr Antonio Felis Gerard relira-se para
a Franca.
tsr Precisa-se fallar a senhora D. Mara
Joaquina dos Anjos flha do fallecido Joa-
quim Gomes de Sequeira queira anniinciar
a sua morada para se lhe fallar ou dirija-'
se a ra das Flores D. 12 de meio dia as 3
horas.
cr 0 Sr. Joze Mara de Seixas mande
receber duas carias vindas do Rio de Janeiro ,
na ra do Collegio n. 12 primeiro andar.
Curso da lingoa Franceza por Carlos Tur-
quais, professor do Collegio da San-
ta Cruz.
Este curso feito por meo methodo novo
simples e fcil he especialmente consagrado s
pessoas que ja poderr. traduzir o Francez, ou
que fallo incorrectamente.
Os exerciciosprincipaes do curso ss com-
pe de :
i. Leitura Prosa e Verso.
2. Applicaco por meio de exemplos das re-
gras da grammatica.
5. Analyses grammalicaes e lgicas.
4. Conversaco.
5. Discusso.
6 Narrado.
Por este methodo se pode em muito pouco
lempo fazer rpidos progressos.
A di/ersidade dos exercicios, a modicidade
do prego e a hora devom ser tantos maiores
altratvos para aquelles que desejo instruir-
se ou que tem necessidade de faze-lo. 0
curso ter lugar todos os dias nao feriados de
(i horas e meia athe s 8 da note. O prego se-
r por subscripeo a 5,1000 mensaes por pe-
soa.
Todas as pessoas que se quserem nscrever
podem dirigir-se morada do professor na
ra larga do Rozario n. 1 primeiro andar to-
dos os dias uteis de 8 horas da manh ao meio
dia. O mesmo professor d licoens particula-
res quer em caza quer fora.
tsr D-se 500 a premio de 2 por cento
ao mez, sobre pinhores de ouro ou prata : na
ra do Collegio D. 10 segundo ou tercero
andar.
tsr" U primeiro secretario da sociedade
theatral Philo-Thalia, convida a todos os sis.
socios para reunido geral hoje (28) pelas 6
horas da tarde na caza do costme.
93T D-se 5QQ* rs. a premio com hypothe-
ca ; a 2 por cento ao mez pagos mensal-
mente : quem quiser annoncie.
tsr Quem annunciou as Luziadas de Ga-
mites em dous tomos dirija-so a ra do
Collegio D. 8.
tsr Rebate-se urna letra da quanlia de
200,y000 reis de principal, ja vencida e acei-
ta pelo Snr. Dr. Joaquim de Saldanha Ma-
chado empregado na provincia do Cear ;
este negocio annunce para
VENDAS.
i i o
W pma preta Je angola de 24 annos ,
sem habilidades propria paran servico de
ra ou campo ; e um mulato para fora da
provincia: na ruadas Cruzes caza de Sanios
J Neves.
tsr Cpptinua-se a vender as boas chitas
finas mofadas a 200 rs., ditas com defeito
com assento escuro a 220 e 240 cortes de
cambraias adamascadas a 64 rs. casemiras
Jo cores finas a 1800 chales de cadaco es-
curo a 2a rs. paninhos lirios a 5.>20(), brim
pardo transado de puro linho a 800 rs. a vara,
ealem destasum completo sortimento de fa-
zendas de goslo moderno: na ra doQuemado
D. 1 viudo da ruado Crespo primeira loja.
or Um escravo de nago, anda meio bu-
gal bonita figura para fora da provincia :
na ra da Cruz n. 4 segundo andar.
tsr Barricase meias ditas com farinha ,
sacas comarroz novo de vapore da fabrica, pre-
suntos condegas, balaios, latas com as ver-
daderas punas da familia bichas Hambur-
guezas barris com tinta em masssa verde,
branca e amarella: na ra estreita do Ro-
zario padaria de Francisco Al ves da Cunha.
*tsr Um anela, um aderesso e transelim
para senhora um transelim para homem ,
um par de brincos de bom goslo um relo-
gio de caixa de ouro sabonete muito chato,
bom regulador um resplandor e titulo para
iiiiagem do Sr. urna bride urna faca apa-
relhada de prata colheres de soupa e de
cha, e muitas mais obras de ouro e prata sem
feitio : as 5 ponas D. 23 venda do lampiSo.
tsr Utn prelo mogo robusto sem acha-
ques nem defeito algum : na ra do Fagun-
des D. 17; assim como uns alicoreas no atierro
dos Afogados ja atterrados, e divididos pa-
ra duas moradas de cazas
frente nvenla de fundo
tal.
com 50 palmos de
e 60 para quin-
ados, sapa tos de marruquim, couro de lustro ,
selim e duraque para Senhora sapalinhos
para menina, de couro de lustro duraque
e marruquim em fim um completo sortimen-
to de calgado trance/., como de Lisboa on-
de o comprador achara alem da ootnmodidade
dos pregos a vantagem de ser ludo muito fres-
co e por consequencia de mais duraco.
= Urna caza de tijollo e cal, com duas sa-
las quatro quarlos cozinha telheiro para
recreio cacimba de beber perto do banho
do caldeireiro : tambem se aluga por 80*000
reis. Dous escravos boas figuras, de 20 e 24
annos trabalho em todo o servico de campo,
e as caldeiras de engenho de assucw: na ra
do Rozario larga sobrado de 4 andares que
tem botica.
tar Urna molata com idade de 25 anno >
engoma cozinha e faz renda urna preta
crioula com idade 34 annos, propria para
todo o servico ; na ra da Cadeia do Recife
loja de Joo Joze de Carvalh Moraes.
v tsrNa ra do crespo do lado do sul loja D. 6
de Berilo Magalhes-, ha para vender ricos
cortes de lanzinha para vestido Je sen horas,
Je muito lindos p:idr0es chales adamasca-
dos de cores a i mi taga de seda, guarniges
de franja para camas e janelas, Damascos de
la n para col xas de cama e coeros cassas e
cambraias lizas o mais superior que pode ser,
para vestidos de senhora e oulras muitas fa-
zendas de bom gosto o modernas.
tsr Urna escrava por preciso ao com-
prador se dita as habilidades : no atierro dos
AITogados padaria D. 17, defronte do Muniz.
ESCRAVOS FGIDOS.
a quem convier
ser procurado.
tsr O continuo da Relago Lucio Candido
Pereira de Carvalho, reintegrado no exercicio
de corrector de folhas pelo imperial avizo de
29 de Agoslo p. p. faz certo ao respeitavel
publico que se acha morando na ra do Fo-
go pordetraz do Rozario do lado dopoente
D. 25 onde pode ser procurado a qualquer
hora.
tsr Aluga-se o segundo andar do sobrado
da ra do Fagundes D. 15 : a tratar no pri-
meiro andar do mesmo.
tsr Roga-.se ao Sr. J. M. M que haja de
ir pagar urna conta em certa venda do con-
trario se publicar o seu nome por extengo.
sr A pessoa que lhe faltar um boi de lote,
dirija-se ao lugar da Palmeira Ierras do en-
genho da Torre que dando os signaes lhe
ser entregue.
COMPRAS
tsr Urna morada de caz*, terrea nesta Ci-
dade : no atierro da Boa vista n. 29 sobrado
de Manoel de Souza Rapozo.
tsr Urna vara ou vara e meia de cordo de
ouro de le sem feitio equeo peso nao ex-
ceda de 5 oilavas : na ra do Collegio D. 10
segundo andar.
*~tsr As fbulas de La Eontatne novo ou
uzado : em fora de portas n. 109.
tsr Um escravo de meia idade sem vi-
cios nem achaques : na ra do Arago venda
da quina que volta paraS. Cruz D. 22.
^tsr Fivellas de casquinha dourada para
sapatos : quem tiver annunce logo com o
prego.
Um cavallo gordo russo de estribara
com bons andares no quartel da Soldade.
tsr Urna cadeirinha em bom uzo por pre-
go commodo : na ra do Cotovello D. 50.
tar Para pagamento de urna divida urna
bonita escrava recolhida de 20 annos com
as ablidades precizas para o arranjo de urna
caza de familia e alianga-se a sua conducta :
quem quiser annunce.
tsr Um terreno rom 32 palmos de frente
para a ra dos Coelhos 125 para a ra dos
Prazeres um terno de pezos de bronze de 8
libras at meia quarta, 200 at 400 garrafas
vazias: a fallar com Joze Fernandes Lima na
venda da ra de S. Cruz que faz quina para a
ra d'Alegria.
tsr Urna escrava muito moga que en-
gomma bera cozinha e cose : na ra do
Qucima 'o, caza de Antonio da Silva Gusmo.
ssr Espadas de rocauu sem ella praliadas,
e pequeas de bom gosto por prego commo-
do e tambem se troca por de ferro uzadas dan-
do o dono a diferenga : na ra Nova loja de
seleiro D. 3.
tsr Por prego commodo um sitio no lugar
da Boa Viagem que bota a frente para o mar ,
tem 100 ps de cajueros e 80 de coqueiros ,
12 de massaranduba alguns ps de oity da
praia tem milita trra para a plantar e bai-
xa para melancia ou melo tero caza nova de
tacaniga que est coberta e o mais est por
acabar, anda queseja a troca de algum'escravo
ou caza; a pessoa que quzer Jirja-se a ra do
Livramento defronte das catacumbas sobrado
numero 12.
tsr Que i jos do Certo e lingo iras muito
bem feitas : na praga da Boa-vista venda D. 9.
> tsr Finissimas meias de fio da escocia para
senhora o mais suprior que he possivel :
na loja de Carioca & Sette ra do Queimado
Decima 13.
or Tinta vrde a 240 oleo de linhaga a
300 res a libra em botijOes a 2* o galo ,
tapioca a 100 reis, sevada a 100 reis, boiOes
de graxa n. 97 a 140, cartas de jogar portugue-
zas e francezas, tabaco semonte a 280 a libra
em latas a 520 manteiga de porco a 440 ,
dita franceza e mais gneros por prego com-
modo ; urna negra de bonita figura coze en-
gomma e cozozinha o ordinario : no pateo do
Tergo venda n. 7.
tsr Chocolate vndo do Maranho : no ar-
mazem de assucar defronte do Corpo Sanio,
tsr Na ra do Queimado loja nova D. 11 ,
acha-sea venda por prego mais commodo que
No dia 25 do corrente do engenho
Muribequinha Freguezia de Muribeca fugio
um mulatinho de 16 a 18 annos secco e
muito desbarrigado rosto descarnado na-
riz afilado, com muitas marcas de bixigas as
pernas finas e um tanto arquiadas os ps
alguma cotiza apalhetados e falto de unhas
no mesmos ps : quem deile scuber o remeta
ao dito engenho que ser recompensado ge-
nerozamenle, levou carniza de riscado largo ,
j desbotado, e ceroulas chapeo de palha
velho.
tar Roga-se as aulhoridades Policiaes e
capites de campo a aprehenso de um mula-
tinho de nome Jacob que fugio no dia 9 do
crreme me/., de 13 a 14 annos com os si-
gnaes seguntes : cor natural cabello
bom e cachia Jo com um signal de urna feri-
da na maga do rosto reforgado lio corpo ps
curtos e grossos bem feito de corpo t mui-
to esperto, com caiga de algodozinho en-
trangado de 280 a vara de barguilha e carni-
za de algodo pos protesla-se contra quem
o tiver occullo com todo o rigor das leis de
l,> por dia ; quem o pegar Jeve-o na ra
do Fogo loja de alfaiate de Vicente Alves Ri-
beiro que ser bem gratificado.
or No dia 18 docorrenle fugio o escravo
Joze Quarema de nago africana, de 48 an-
nos estaturaegrossuraordinaria, cor fula,
tem amos os ps e mios foveirasou malhadas
de branco falla desembarassada : quem o
pegar leve a botica de Bartholomeo Francisco
de Souza na ra larga do Rozario que se-
r recompensado.
tsr Do engjnho novo de Angustias co-
marca de Nazareth da malta fugio no dia 5
do corrente um escravo de nome Cacimiro ,
de nago angola de 20 a 28 annos cor fu-
la bonita estatura corpolet.to, bem barba-
do e deixa tambem crescer a barba por bai-
xodoqueixo ao uzo tem um dente fallo na
frante, rosto largo pernas finas, ps gran-
des bastante ladino : quem o pegar leve a
ra Novaem Olinda caza da qu na que vol-
ta para o convento da Conceigo, ou no mes-
mo engenho que ter 50* rs. de gralificago.
" Do engenho Jundi comarca de Naza-
reth da malla fugio no dia 12 de Agosto di
corrente anno urn negro de nome Rafael ,
crelo de 25 anuos beigos grossos e vira-
dos principia a barbar rosto largo per-
nas finas, altura menos que regular bem
fallante eum tanto rouco, levou vestido camisa
e ceroulas compridas de algodo; qut-mopegar
conduzaao mesmo engenho de Jundi que
ser bem recompensado.
tsr Um escravo de nago angola por no-
me Francisco foi escravo do Sr. Joze Bitan-
t. hera canoeito de canoas de lijlo de
em outra qualquer parle borzeguins gaspiados |* f>" toffl olhos arregalados o maior si-
para homem e Senhora ditos sem ser gaspi- S""' tlue lem ,,e ter um dedo do p dreito cor-
tado ; quem o pegar 011 deile souber le.ve-oao
Mundo Novo na caza do Sr. Eiras
^ tsr Um sobrado novo de
ra do Padre Floriano D. 77
ns
e
mu andar ,
, com sotao ,
muito sseado eem chaos proprios gran-
de quintal murado e cacimba: na ra dos
Quarteis por cima do botequim primeiro an-
dar.
recompensado.
que sera
RECIFE NA TYP. DE M. F. DE F. =1842


Full Text
xml version 1.0 encoding UTF-8
REPORT xmlns http:www.fcla.edudlsmddaitss xmlns:xsi http:www.w3.org2001XMLSchema-instance xsi:schemaLocation http:www.fcla.edudlsmddaitssdaitssReport.xsd
INGEST IEID EH47H707M_IN22NB INGEST_TIME 2013-04-26T21:51:48Z PACKAGE AA00011611_08141
AGREEMENT_INFO ACCOUNT UF PROJECT UFDC
FILES