Diario de Pernambuco

MISSING IMAGE

Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:07263


This item is only available as the following downloads:


Full Text
ANNO XXXII. N. 41
Por 5 mczes adiantadoe 't.s'lOll.
Por T> mc/.cs vencidos J.s-'iOO.

i
DA "?
DIARIO
F4Cj:
inniiM.il n e \i\m\n de i *.;..
Por auno adjuntado l&fMO.
Porte franco para o snbso ipioi
BUCO

tiNCARREOADOS DA Si:ilSC.IllP<:.\0' \o NORT&
l*arahiba, o Sr. Gtrvazio V. da Natividade ; Natal, o Sr. Joa-
qutm I. I'ertira Jnior; Ar.iraiy, o Sr. A. de Lemos Braga ;
Oara. o Sr. J. Jos de Oliira ; Mar.inh.io, o Sr. Joaqun Mar-
aquea Rodrigues; Piauby, o Sr. Domingo! Berculano A. Pessoa
tearense; Para, o Sr. Juitiano I. Kamos; Amazonas, o Sr. Jer-
nimo da Coala.
PARTIDA DOS CORREIOS.
Olinda ; lodo! ul dial.
Caruaru Bonito e Garanhuns: ooi dial 1 e 1S.
VillaBella. Boa-Vista, Kiu" e Ouricurj : a 13 a 28,
Goianna e Parahiba : segundas e lextas-feiras.
Victoria e Natal : Das quintai-fciras.
AUDIENCIAS DOS Tlllltl \.\t:s ll.V CAPITAL.
Tribunal do comiriercio : quartate tabbados.
Relaco lercas-feiras e aabbados,
r.i/cinl.i : quarlas e aabbados as 10 horas.
J u i/o do commercio: segundas ai 10 horas e quintas ao meio-dia,
Juizo deorpho! : segundas e quintas as 10 horas.
IPrimeira rara do rival : segunda e seitas ao meio-dia.
Segunda Tira da cirel' quarlaie labbadoi ao meio-dia.
BP1IEMERIDESDO MEZ DE !"' Vl.l'.uno.
6 La nova as 7 horas, 23 minutos. Z8 legando*- da manhaa.
13 Quartocrescente aos 7 minutos r 1S segundos da maiiha.
20 La chela a 7 hora, 30 minutos c 48 segundos da tarde.
29 uarlo minguanteaus 19 minutse 48segundosda manhaa.
PREAMAR DE HO.Ib.
Primeira as 2 horas e 30 minutos da tarde.
Segunda as 2 horas a ti minutos da manhaa.
DAS l>.\ SK'.l.WA.
It Segunda. S. Lzaro b. ; Ss. locero, Desidcro e Castrarle, bb.
12 Ter^a. S. Eulalia \- m. ; Ss. .Modesto B Ammonio mm.
13 Quarta. S. Gregorio p. ; S. Catbarina de Kris v. : s. Benigno.
14 Quinta. S. Valenlim ni. : Ss^Auteucio e LTebo .
l.' Seita. Ss. l'anstino e Joxita nim.; S. Quelidionio m.
lli Sabbado. Ss. Porfirio, Samuel, Jeremas e Seleucco mm.
17 Domingo 2. da Quaresma. S. Policromo b.; S. Secundianu.
KXIAHUECADOS l>\ Mlt IllilAO \| M I..
Alagoas, o Sr. Claudtno laico Diai; Babia, o 8r. 1. buprai
Rio de Janeiro, o sr. Joau Pereira Marital.
1 \1 IlBIIHUl
O proprietario do DIARIO Manoel Ftaueiroa de lana, na m*
lirraria Praca da Independencia n. 6 e h.
SITERIOR.
O Es.ni. arcebispo dn Pars acaba de di-
rigir a seguiute circular aos curas dasua dio-
cese :
" Pars 15 de dezeinfaro de 1833.
Sr. cura,
O ministerio da Caridado he suave, o,
nos tempos eni que nos Adiamos, particu-
larmente saudavel. A igreja oeollocon sem-
l>re entre seus importantes deveres. He em
mm ii uno que os diconos o exerciam nos
spcuIos primitivos. Os pagaos nao podiam
deisar de observar e admirar a actividade
de seu zelo no que respeitava aos cuidados
tos pobres. Que abundante eolheila obras o de instituic.es de beneficencia nao
viram os seculos passados sabir do scio da
igreja e llorescer aosopro do espirito ebri.-;-
tiio 0 lempo derrbou csseedilicio da cari-
dado tal como 0 christianismo o construir,
mas o lempo na la pode sobro o principio
que o levantara.
o No ineio das ruinas, esse principio in-
mortal e eternamente fecundo poz-Se a rce-
lilicar sua obra sobre nutras bases u coni
nutras proporooes. lie nosso dover e nossa
missao ajuda-lo. C.omtudo, a caridade he
Dos, Ijeui chantar tsl, e nos somos os seus
ministros Se em outros tempos os sacerdo-
tes votados ao ministerio da palavra e dos
sacramentos, poderam militas ve/es escusar-
se sobre outros dos cuidado; qu? exige o mi-
nisterio da caridade,bc porque a igreja assiin
liavia regulado ; ella mesina bavia distribui-
do as diversas funcees. Mas boje nao be
mais assim : se o sacerdote dcixasse de se
oceupar da caridade, outros sem eile, o tai-
vez contra elle, com grande detrimento da
igreja eda sociedade oceupar-se-hiam della.
tem sabemos que he o cuidado das almas
que Ibediz rospeito directamente; mas co-
mo a alma esta unida ao corpo, soccorrer a
este, he muitas vez.es o ineio mais seguro
para chegar ao allivio da alma e a cura de
seus males.
i Km uenbuma parte a beneficencia pu-
blica faz esforcos mais generosos que em Pa-
rs. Animada por um governo que macha
em seus ttulos primitivos o cmpcnbo de
soccorrer as classes necessitadas e laborio-
sas, (cmpeiilio que elle todos os das preen-
ebe tio fielmente,; ella nao recua diante de
qualquer sacrificio. Mesmo no ineio da ca->
restia dos vveres, que torna aos pobres a
vida material tao pesada, a cidado de Paria
semprcacha em sua munilicencia, cm sua
generosidade o meio de dar o pao a proco
commodo a sua immensa popUlacSo, o deste
modo minora-lhe o peso dessa calamidade.
A caridade privada rivalisa com a beneficen-
cia publica. Ella be tao engenhosa como
fecunda. Ella produz maravillia a nossos
olhos; qual be a indigencia esquocida em
Pars, e que nao acbc soccorro ou cons ila-
Gao* Oh este espectculo nos cons da no
meio de uossas solicitudes l'aj dos pobres!
efliracia, be que no principio do anno, cada
um formulando o orcamento das suas des-
peas, iuscrevcssoa somma das esmulas que
iieva fa/.er no auno, segundo os recursos
que tem, c a urgencia das necessidades Nilo
he mesmo raro verem-se chrisUos esqueci-
dos ilestc capitulo tao importante, auno ol-
ios iguoram ao justo o que dSo, voluntaria-
mente persuadem-se que tifio muito e ciim-
prein a ei da caridade. Elles seriam ajuda-
dus e desengaados pela cunta de suas es-
molas, seas pialicassein fielmente, ileau-
temao as lixassem.
petar dessa mullidfo de obras que
Isrvdoi no meio de nos, nossoas caridosas
nos fizaran! observar urna lacuna que sere-
mos empenhados
este respeito um appcllo porquanto a esmo-
la dos pobres lie do todas a mais agradavel
a Deus
Focamos pois tolos mis, senhor cura,
um sanio esforep. IndilZI nossos oaroehia
nos a virem em soccorro para esta obra,
que he tilo fcil, nada Ibes distara, R que
entretanto he um grande beneficio. Tomai
as medidas que vos indicamos, oque acha-
ris com mais pirticularidade na nota que
ajuntamos a nossa carta. Repoti-lhes estas
palavras tao tocantes do Divino Mestro Eu
eslava n e vi me (lestes de vestir, nudus
eran el ewperuislis me. Scnlior, quaiido
he que cstvestos nu e nos vos demos de
vestir ? Quaildo liz.estes essas cousas ao
mais pequeo dentro os povos, nao me
em preenener.
O pobre pode adiar pao. Ha abrigos pa-! bavieis fito a mi ni mesmo.
ra a Velllice 9 para a infancia. Os bospitae.sl Fazei que ellos entendiio essas palavras,
seabrem para o pobre em suas enfermida-le que compreheiid&o as magnificas recom-
des. Almas caridosas agarram-se mise- I pensas unidas ao menor acto de caridad.
ria sob todas as suaa formas e inuilas vezes
lulam contra ella com bom resultado. Ha
numerosos estabelecimeulos de beneficen-
cia ; os ha para recebar as vestimentas eos
bjectos movis do pobre e Ibe fazer sobre
penboies, que elle be, ah muitissiinas ve-
zes olingado a abandonar, os pequeos cu-
piestunos de que elle tem necessidade. lla-
ja pois, tamben onde-elle possa acharas
vestimentas e os movis que Uie sao absolu-
tamente necessarios. Fundemos as vestia-
rias da caridade. Ilaja a par .los montes
uos onde a necessidade torca a indigencia
a ir se despojar, outros montes-pos onde
ella possa se roves'ir, e achar ao menos com
que cobnr sua nu lez : Talver. fosse pussivel
estabelecer urna destas vostiarias em cada
parociiia. O bom que assm se lizesso seria
coiisiderav. I, e esse bcm. viria muito a pro-
posito no meio dos rigores do invern
i Tem-se tentado cssa obra em mui-
tas cidades da provincia, e olla s litio oflV'ito.
E porque nfio seriamos nos bem succedidos
em Pars? NSo sao as necessidades que nos
faitao, ii-iii a caridade, gracasa Dos.
Muitas assueiuc,Ocs mesmo j.i as paroehi-
as, muitas conferencias de S. Vicente de
Paulo possucm depsitos de roupae vesti-
mentas de que ellas tiro. para arrimo de
seus pobres una grande utijidade. General
usemos essa idea, completmosla. Alargue-
mos seus beneficios, se liar possivol a todas
as parochias. o que se faz raister para sao?
Primeia monte, achar um local paraes-
SCS tlepOSlOi ile vestimentas; confia-los a
guarda, ou das irmes da caridade. ou de se-
nhoras piadosas, ou dos senheres das confe-
rencias de 5. Vicente de Paulo.
Depois, contiguo a esses depsitos, mon-
tar urna fabroa de candado para reparar as
vestimentas ou os movis que para ah se
trouserem. Depois. azer um appelo, nao
so a is liis, mas a todas as almas co.npassi -
vas. para que ellas tragan vestian.1 paro-
chial todos os objoctOS de que ja n ol^e sci -
vem, e que rouiUs vezes os embarac ".o.
Podcriamos lambem dirigir-nos especial-
Uucirei, senhor cura, ler a presente carta
Domingo prximo na predica, c confiar cm
DOSS sentimentos os mas afectuosos.
o Kirie l>omiiiique-\uguste
" arcebispo de Pars
" P. S. Ate o fim do anno, o senhor cura
nos queira fazer conhecero andamento que
lile tenha sido possivel dar em sua parochia
a esta circular relativa ao eslabelecimento
das vesliarias de caridade.
Notado que s fas Misler pira realitur o
pensamcntit i/a.v vcstiunais puoehiat*
i. Procurai um local para se receberem
os objetos depositados. Ie ordinario acbar-
se-lia as casas das ir mos de caridade ; he
aln que se deve quanto for possivel as esta-
belecer.
2 Organisar umaolrlcina contigo i a cada
deposito Havcr alguus obreiros piadosos
para concertar os objectos diversos
3. I'elir que sn tragSo vestaria os objec-
tos fora d" servico. Esses objectos de que
se polo tirar prove lo para os pobres, sao
muito numerosos. Citaremos as vestimen-
tas, a roupa branca, o calcado despresid
os cobertores velhos, as camas velhas, col-
ChflCS, alcatifas, cortinales ; os uteusis de
casa e de cosinln fora de serviQO.os movis,
os guardas-chuvas os aqucnla-quartos e os
tubos que nao serven mais. ludo isso po-
de ter sua uliiidade Nada se deve despie-
zar quando se trata dos pobres.
i Fazer imprimir e distribuir pelas casas
a nota seguinte :
s. Bx. o senhor arcebispo, e o llevm
cura da parochia, em nomc dos pobrss os
mais desamparados, rogSo buinillcmentc
aos habitantes destacasa se ilignem mandar
a vestaria parocliial que acaba de ser fun-
dada na ra de os objectos que podcriao
ter Tora de servico, e que coacertados com
cuidado se tornara i utiis ao allivio dos
pobres.
(iournal des Debis.;
e interprete de seu raconlieci.iiento.abenqo- i mente aos negociantes. Elles achara .lo tal-
amos lodos os seus bemfeitores. Abencoa-1 vez no fundo de seus armazens muitos oli-
mos especialmente com o paz esses grati-| jeclosesquecidosdosquaes naose aproveitao
des exemplos de caridade vindos de tao al- quasi e que poderiao enriquecer os nossos
to, os quaes se esta seguro de encontrar em
toda a p*rtc onde ha lagrimas a enchugar, e
soffrimeotos a mitigar.
' C por tanto, cm vista dos rigores deste
invern que cometa e que se faz j sentir,
um grito solta-se-uos do curasao. Pedimos
a caridade ebristaa. a todas as almas com-
passivas, que redobrem os seus esforgos. O
que caraclerisa a crisc que nos atravessa-
inos, be que ella se faz sentir por toda a par-
te e sobre tudo. A alc,a dos procos cabe so-
1- ? todos os objectos ao ni-smo tempo. 0
comer, o vestir e a morada, tudo lornou-sc
dillicil para o p'bre. Felizmente n.) falla o
trabalho, e devenios louvar essa allasoll-
citude que por toda a parte sabe fazer nas-
cer, conservar e derramar as fonlesdo tra-
balbo.
Todava as circumstancias actuae--,co-
uio o salario do obreiro bastara as uceessi -
dades de sua familia '-' E depois, se aquellos
que trabalbam sao menos a lamentar, lam-
bem ha os que nao podem trabalbar, porque
a idade e as infertilidades paralysum as for.
Ota. Ah saibamos multiplicar os soccorros
a medida que as necessidades se multipli-
can]. Igualemos nos-o zelo aos soOrimen-
los, conservemos, augmentemos todas as
uossas obras de caridade. Distribuimos pao,
legumes, carne, sopa gratis, fornilhos eco-
nmicos, soccorros de toda a uatuieza -aos
enfermos, casas de Irabalho, escolas, asylo
para a infancia, patrocinio sob todas as I or-
inas, estas obras e o a tras muitas existen] em
uossas parochias. Sustntenlo las, c multi-
pliquemo-las ncsle anuo.
Urna boa pralica que a .lodos aconse-
Ibamos, e da qual as almas ca ilativas fa-
zem um dever, e que sena de urna grande
quasi e que poderiao enriquecer
armazens da caridade.
Por esses meios em breve poder-se-ba
ter por toda a parte vestiarias bem guarneci-
das. Os que tivessem a guarda dolas, sob
a direcro dos scnborcs curas, fariam depo-
is dislribuicoes aos pobres. Que grande be-
uelicio uo seria para elles!
o 0 que reduz as mais das vezes o obreiro
a indigencia, he a impossibilidade de ir pro-
curar o Irabalho. Logo que elle esla vesti-
do, sabe o pode aihda' achar Irabalho c um
salario. Mas quando o seu vestuario de vo-
ltio calle aos pedacos, se Ibe falla roupa, o
sobroludo se nilo esta calcado, ve-se toreado
a hcar ou em casa e as mais vezes com o de-
sespero por companheiro de sua miseria. E
so esse tem mulher e (ilhos, comprehe-i-
dcir.-sc suas agonas? Ah! no seria um
suave peusauento o cuidar-sc que se o po-
derla mingar? Nao soHYera elle o fri du-
rante o invern rigoroso? Pois bem, pare-
ce-nos cruel cuidar que tantos vestidos, que
absolutamente do nada nos prcstSO, ijue a.
podres em em nossos armarioa, ou servem
de pasto a nolillia, poderiam servir, se nos-
sa caridade fosse mais engenhosa e mais ac-
tiva, para cubrir nossos irmos eabriga-los
contra os rigores da BsiacSo.
Sabemos que em muitas casas os vesti-
dos velhos dSo-se aos fmulos.Noquizera-
inos priva-los desla renumerac3u ; mas alem
dos que se ii3o aos criados, lia mullos velhos
objectos que de nada servem e que
a caridide poderia utilisar. Os mesmos
criados, (|ue muitas vezes sao caritativos,
poderiao de sua parle Irazer a vestaria pa-
rochial muitos velhos objeclos que lhe sao
dados, e dos quaes quasi que nonlnim pro-
veiio tirao Nao hesitamos em lhe fazer a
diario be tycmanibnco.
ORIGINAL DO DIARIO DE PERNAMBUCQ.
Como nfio f.ill."io por ah miseraves in-
fatuados de sabios que, ostentando um deis -
nio de qo.e nada entendem, u.o so pejao de
ridiculisar a santa religio de seus pas,
aquella em que nasceram e foram criados,
vamos transcrover para confuso delles o
pcsanienlo intimo do imperador Aapoleo, I
isto he, do maior capitn, ou antes do maior
homem dos tempos modernos acerca do
aullior dessa mesilla religio.
Eis o que se le as Memorias do general
Berlrand a este respeito :
u He verdade que Jess Christo propOe a
nossa fe urna serie de mysterios, ordena
com autoridade que nelles creamos sem mi-
tra rasSo mais do que estas palavras : Sou
Dos.
.- A existencia de Christo be do princi-
pio ao lim um tecido lodo mysterioso ; mas
una mysterin corresponde as dilliculdades
que ha om todas as existencias : se o regei-
tainos, o mundo torna-sc um enigma, ac-
ceitando-o, temos urna uduiiravcl solucio
da historia do homem.
i O christianismo tem urna vantagem so-
bre todos os pliilosophos e sobre todas as
eligios ; os christaos nao se illudem, no
podem ser aecusados de snbtiteza, nem de
v3as dissertacoes,nom de sophimas. Dizera
com simplicidade : Dos rolcvou quem era,
sua revclacSo he um mystcrio ; mas visto
que lieos fallo i, Ijve uo> er I > : crea-
mos.
" 0 Kvangcllio possuc tima virlude secre-
ta, urna cllicacia, um calor que obra sobre
o entendiinonlo o que deleita o coraciio ;
meditando nelle experimenta o homem o
mesmo que sent quando contempla o
ceo. (i l'.vangellio nao be um livro, he um
ente vivo, be urna potencia que invade tudo
aquilloque oppoc-se asna este.silo ; eis
ali esse livro por excedencia o imperador
tocou-o com respeito ) nao me canso do le-
lo, e semprc com o mesmo prazer.
ii Jess Christo nfio varia,nunca hesita em
seu ensino, c a menor allirmacao sua tem
um cunho de simplicidade, e de proflindeza
que captiva tanto o ignorante como o sabio
por pouca attenc'' que lhe decni.
.i Em nenhuma parte se acha essa serie de
bellas ideas, de bellas mximas inoraos que
desfibro como os batalhOes da milicia celes-
te, o que pro luze n cm nossa alma o mes-
mo senlimento que ezporiemenUmos con-
templan to a infinita extensao do cej mati-
zado do estrellasen] bella noite de verta
a Depois de assenhorear-se do nosso espi-
rito, o Evangolbo fiel nos anima. Deo> be
nosso amigo, nosso pai ; a alma seduzida
pela belleza do Evangclbo nao se govema
mais, neos apoderarse della, dirige-lhe os
pensainenlosc as faculdades, ella perlence-
l!io .'
ii Jess Christo he o nico que ousou dizer
e allirmar claramente o som nenhuma hesi-
taQiio : Sou lieos, oque difiero muito dt di-
zer : Son um Dos. A historia nao men-
ciona nenhiim individuo que tenha so qua-
lificado com o litlo do Dos no sentido ab-
soluto. Alejandre dau-se por lilho do Jpi-
ter, masa Grecia rio desso embuste, e a
apotheose dos imperadores romanos nunca
lu cous seria para os proprioi Komanoi,
Jlahoinet e Cunfuccio iucjlcaram-ou por
agentes da divindade.
.i lesus Christo apresenta-se e diz : Sou
Daos, Funda seu culto com as proprias ma -
is. Encorpora a si toda a especio humana,
su pedo-lho amor ; o que he mais dillicil
do obler, o que um sabio pede aos seus a
lingos, um pai a seus lllios, urna esposa ao
esposo, elle o oxigo e obtem Dahi conoluo
sua divindade.
Alsxaodre, Cezar, Luiz XIV com todo o
seu engenho nao conseguiam, c quistaram o mundo, e nao poderam ter um
amigo. Amando nossos llhos, obedecemos
a um instinclo da natureza. Equanlos l-
llios ingratos se vossos filhos vos amito,
general llertrand, nem vossos beneficios
nema natureza podorao infundir-Ibes ura
amorqiMloque oscbrislSos lema Dos!
Se morreaseis vossos filhos se lembrario
de vos despendendo vossa riqueza, porem
vossos netos apenas sabcrio que cxistisles
Christo falla,c dahi om dianteas geracO-
es pertencem-lbepor lagos masestreilos.inas
intnnos que os do sanguo; elle alea as cham-
mas de um amor que jamis si; extingue, e
que prevalece sobre qualquer outro Seu
maior milagic be sem contradiccSo o rei-
nado da caridade. Todos aquellos qne
crem sinceramente, sentem seus milagrosos
efteito, amor o prximo orno a si mesmo,
tornar-so til, consolar es inlelizcs, nilo he
a tarefa que o divino Salvador nos marcou
dando-nos o excm po ? Ah! quo satisfuita
nao tica a coascient ia quando podo ter esse
|gozo I Caridade nduiavel .quo alegra nao
tazas saborear aquellos que sabem pralicar-
te He o fogo sagrado sobre a ierra, que o
tempo. esse grande destruidor, nao pode
gastar, nem limilar-lhe a duracSO. Pela
ininlia parle he o que mais admir, porque
Napoleao, tenhO pensado muitas vozes
culas. .Nao somos mais do que 'chumbo,
general llertrand, o brevemente seroi p.
Tal he o destino dos grandes bomens,
Cezar, Alesandre, nfio sio mais do (jue the-
mas de colleglo ; nossas facanhas cahem
debaixo da palmatoria de um podante que
nos insulta !
Olanlos juizos diversos se tem feito de
Lu/. XIV Apenas inorlo, o grande roi foi
deisada sosinho om sua alcova ; abando-
nado pelos earte/aos, talvez objecto Je seus
motejos, ello no ora mais seu senhor. Era
um cadver c o horror do una deeomposi-
Cao inminente.
Breve chegar a niinha voz; eis o desli-
no do grande Napoleao. De que servio
tanto eslrondo,tantas honras, tanto esplen-
dor :> Que abysmo entro minh.i profunda
miseria o o eterno reinado de Jess Christo,
o qual viven sem fausto, na pobreza, na ab-
ncgac3o, o depois de sua mortc pregado,
incensado, adorado, vivendoem todo o uni-
verso.
c Kis a mortc de Christo, eis a morte de
Dos, a
O imperador calou-sco vendo que o ge-
neral Berlrand guardava tambem silencio,
dase com viveza : Nocomprehenleiaque
Christo be Dos oh cnlao obroi mal om
fazer-vos general.
US MDICOS.OS BOTICARIOS.OS l'KADES.O
ADMINISTRADOR DO CEMITERIO-AS OBRAS PU-
BLICAS.A COMPANUIA LVRICA.
Miseria das miserias! 0 nosso tiabnllio epliemc-
ro, mas conscicncioso, as nossas apreriaeiies
livres, justas, independenlo;, gcueralisando os
faclos, e esquecendo sempre as pessoas e os nomos,
sao recriminadas por certas susceptibilidades do es-
eola ou de syslcma-.
Ccrtos cavalleirosda diguidade alheia se exaltan)
ao pomo de nos amea^ar com um desalio.
Pois bem! Digam oquequizerem. Entretanto,
responderemos de urna vez para sempre a esses es-
forzados anonymos, que s veem em nos urna per-
louil'i^rrt fti^i:''!. um neme, sob o psendony-
nio vulgar de Abdalali-el-Kralif:
A Careira se chama a redacnao do Diario d
Prrnambuco. L
O que ella [icnsa, oscreve, c o que escreve lie
sob toda a sua re-ponsabilidade.
Aecila lodus as conscqueiicia-. l'ei uiancce no
terreno imparcial da opiniao publica.
E sempre prouipta a acolber as racticaoSes ma-
icriaes fillias de algumas infoniineoes impcrfeilas
que lenham desvairado a sua redaccao, repelle o
despreza os desafos o os odios, que urna suscopl-
bilidade cega possa desprender contra si.
Com tudo esla redaccao nao quer obrigar-se co-
bardemente e em segredosob o veo, alias bastante
transparente, do pseudouymo de que usa.
Es'.e nomo he o de um homem, nosso collabora-
dor c amigo.
Escriptor rcsponsavel, lie todava homem, e he
om virtude desla ultima qualidarle, que elle pre-
tende inanter inviolavel em tudo, que declara aos
bravos, aos descontentes que bradam e amencam
que lie Brasileiro, no goso deRodos os di re los ri-
is o polticos, e que a todos individualmente es-
la prompto a responder o a segui-los sobre qialquer
terreno que Ibes aprouver cscollier.
O homem, escudado com a sua consciencia o
digoidade, nao recua diaote de eoaseqnencia algu-
ina dos seus actos.
Ese a publicidado nao be su Hiriente para a sa
lisfarao exagerada dessos Dons Quicholes oftoiid-
dos, o escrifior que iraca asas bobas, aguarda
placido e tranquillo qualquer ataque, o llie-; dar
resposla sem reciiar um passo.
Assiin, o que diremos acerca da cobarda : do
egosmo de urna parle dus nossos mdicos, anda re-
pel remos boje.
Ou seja lardada ou nao, ou seja urna realidade,
ou um puro resultado da vonlaile humana, o que
he inconlesiavol lie que, em certas condicoes da vi-
da, o medico be o allivio, a consolacao, a esperan-
Ca,a providencia lerresire do doenle.
As suas palavras, os seus cuidados, a sua pre-
senea, sao mu balsamo suavissiino para a- 11 o ros
laqueHc qne soflre qualquer perturbacao em sua
saudo.
E esta influencia benfica, salutar o providen-
cial do medico, que so verifica em circumstancias
naturacs, quando um mal be, rigorosamente fal
lando, individual, e Je ordinario urna consaquen-
ca do abuso da liberdude,centuplica d^ interesse
nessas calamidades geraes, llbas de causas deseo-
nbecidas, impalpaveis, e eslranbas vonlade do
homem.
Mas se em urna dossas siliiacoos criticas, plie-
nomenaes, em que as vazes um |vo seaclu collo-
cado, o mlico foge, o Ovil a presenca daquelle-
que elle be ohrigailo f'soccorrer, nao so cm virlu-
de do dever geral e aagraat].. proscripto pela le da
uella.e lie oque prova-me a divindade de
Jess Christo.
Apaisonc mullidoesque morrio por
mim ; mas era mister minba presenca, a
eleclricidade de meu olhar, urna palavra
minha, ento cu aleava o fogo sagrado ,
certa mente possuo o segredo dessa forc
mgica que enle.va 0 espirito, mas nao pu-
de coinmunica-lo aos meus generaos ; mas
n3o teulio o segredo de eternisar meu no me
e meu amor nos corar "ios, e de fazer ah
prodigios som o soccorro da materia.
i Agora eslou cm Santa Helena, plegado
sobre um rochodo. (Jucni combato a agita-
se por mim na Europa Pquein permancecu-
me fiel ? que be fono de meus amigos ? Sini,
tlous ou tres que sua (delidtde immorta-
lisa, coinparlilhao, consolao meu exi-
lio... >.
a voz do imperador tomou enlo um s-
cenlo particular de profunda tristeza.
Nao permita Dos que ou faca ncnhunia
compararlo entre o enlhusiasmo de meus
soldados e a caridade cbrista que differem
cssencialmenlc quanto as cousas, hajlbi |iis-
taioenlo que acbo a enorme diftVenca do
brlho do diadema para o imperio que o
amor de Christo iiniv..- aos liis. Tivo a
existencia mais brilhanto que pode dse jar
um. mortal, o a vossa, Berlrand, relleclia
i>sse brilho assim como o zimborio dos In-
vlidos dourado por nos reflectia os raios do
sol.
Mas chegaram os revezos, o ojio consu-
mu-seecom elle o prestigio. A chaga da
desgraca, e os ultrajes que me sao fe i tos
todos os das consumen! as ultimas part-
O Gymilano l'ernaiiibucano, o mellior eslabe-
lecimento desla genero que possuc a provincia, a
nciiliiim inferior nem no Brasil nem fora detle,
comeca o seguudo anno de sua ovislencia debaixo
de felizes auspicios.
Nao queremos dizer com isso que seja mu anil-
lado o numero dos alumnos que ofrequeniam, nem
tal era de esperar ltenlas as circumstancias me-
lindrosas em que nos adiamos ; mas lie innegavel
que as aecusacoes contra elle levantadas, e os pre-
conceitns entretidos pelos espirilos rotneiros so
lem eompleamanie desvaneeido em presenca da
opiniao publica que 0 aliona o approva.
<^uem lia com oeitoahi que ponlia mais om
questao a evrellencii dessa insiiiuico eminenle-
nienie civlisadora? Quem ha que nao reconheca
bojea superioridaJo Jao.lucacaodada em commuiu
sobre a que recebem os mancabas no scio das fa-
milias 1
Concordamos em que a mullier pode muito fa-
zer pela educaco do menino, cal mesmo pela do
homem ; porem lia ncontesiavei quo na idade que
medeia entre a infancia e a virilidade a autoridade
materna nao basta para calmar esse nao sei que,
como diz um Ilustre escriptor contemporneo, que
nella se desperla, essa independencia que nena se
faz sentir. Para isso obler he necesario que urna
autoridade, com a luales mancebos nao estojan) fa-
miliarsados vigi sobre elles.
Convencido desla verdade, n legislador provin-
cial, senipra solicito pelo bem desla parle do impe-
rio, .-np rwospoJmtc Ana aocarregado de [iromo-
ver, resolveii dola-la com um eslabelecimento, no
qual os jovens alumnos oncontrassem a perfeic.io
da elucacao, isto lio, a instrucoao misturada com o
pulidez, a scieucia unida virlude, a cultura da
espirito junta do carcter.
E para que nao houresse nenhuma duvida a es-
te respeito assim so exprime nos artigos 114 c lia
da respectiva lei :
A cducac,ao do Intrnalo tender constante-
mente a formar o roraejo dos alumnos o a inspirar-
Ibes o amar da religio e dos bons coslumes, pela
palavra e pelo exemplo.
A nstrucrao do Intrnalo oderecer um sis-
tema de esludos elementares que abrace as lellras,
sciencias e arles, que sao indispensaveis aos que so
lesiinarem a escolas superiores, ou aos que preten-
deren] exercercom vanlagem qualquer ramo de in-
dustria ou ile commercio.
O que mais pode desojar um pai para a felicida-
de de seus lilhos 1 O mancebo que percorrer todo
o estadio do Gymnasio, sahir do estebdeeiroente
com una grande somma de solidos e vanados co-
nhecimoulos.
Liugoas vivas, lingoas sabias, sciencias mate-
mticas, sciencias philosopbicas, scienciasnaturaes,
bellas arle,llie nadaser estranlio Elle poden tam-
bem viver nu mundo em paz com seus semellian-
les, pois para isso se achara preparado por habites
de condescendencia o afleieao contrahidos na socie-
dade de seus jovens collegas.
O que lie com effeilo a educaco em rommuin
sanio um preludio da vida ?
Preparando os mancebos para os costumes o pre
cisnes mutuas da sociedade, ella arranca-Ibes doco-
rarioo feroz egosmo que substitoe pela biMicvolen-
ca, modera-lhes a vaidade, o destine nelles a cu-
lera, a invejac todas as paixoes ardunles.
E seria possivel conseguir-so isso no seio da; fa-
milias, principalmente entre nos rodos pelo can-
cro da esclavatura/ Cerlo que nao.
A educaco solada poderia ser sufiicienie cm
lempos de simplicidade, mas esses sao j passados
o provavelmente nao vollarao mais.
Queramos quo nossos filhos sejam dispostos para
as virtudes da mundo rxclama um doulo escrip-
tor moderno, fanimo-los pois viver no mundo.
O mundo dos meninos be o Gymnasio, Alhe-
en, Collegio, ou como quer que lhe queiram cha-
mar. (I)
Nao se concilla ddqui que, pondo seus lilhos
n um desses cslabelecimcnlos, liquem os pas deso-
brgados de prestar-Ibes outros officios, nao ; a fa-
milia nao deve nunca ces-ar de estar sempre pr-
senle ao menino, qualquer que seja o lugar em que
O lonlia collocado, anda mesmo que seja o mais se-
guro, o mais santo asylo. Sem a influencia natu-
ral do seu amor, o Gimnasio nao lhe poler dar
essa llor de cultura pulida que torna o lioinem dig-
no de ser amado.
lim pliilosopbo moderno, respondendo saecu-
sacoes que de ordinario se fazem a educaco dada
em commiim nos eollegios, assim se exprime .
Muitos m.iljizem dos eollegios, entretanto
cumpriria maldizar anda mais vezes dos pas.
Os pas faltam infancia e mocidade o vin-
gani-se ou consoam-se aecusando a edticaro em
rommum. E por que razo seria essa educaco tao
infeliz ou to impotente'! Sinta-seo menino sem-
pre cercado da influencia da familia, mesmo quan-
do esl della mais apartado; nao lhe falteni asani-
macoes e os bous consslhos ; fara-lhe o pai ouvir
a sua voz de autoridade e a mi a sua do lienevo-
lencia; soja a gravidade de nina temporada pela
ilocura da outra ; nao lhe seja o collegio sobre tu-
do jamis mostrado com> lugar de ponifo; pelo
contrario seja-lhe sempre mostrado como um asylo
ameno; una o mostr a sua inteHigeneia a essa in-
lelligencia cuidadosa e tutelar; baja concurso de
ternas precauces para que o menino deixo desen-
volver sua natureza debaixo da mpressao de tan-
las solicitudes ao mesmo tempo que debaixo do
contacto dos caracteres que se formain pelos mes-
mos exemplos e pelos mesmos conselhos, me pa-
rece que se experimentar que a educaco em
commum nao lie o que se imagina, que pelo con-
trario ella corresponde a todos os votos que pais
desvellados podem fa/.er |iela felicidade de seus cha-
ros lili js.
E quanto costa a um pai para proporcionara
seus lilhos as vantagens que o Gymnasio offerece'.'
Trinis mil reis mensaes, se o matricular como
pensionista, quinze, se quizer sanenle que seja
meio pensionista, isto he, menos que o lucro que
tiramos do servico de um de nossos cscravos !
Cromos que nenliuin pai se escusara a fazer tao
pequeo sacrificio para eolhef to grande bem.
justificarla qualquor acio abitrario do governo, o
qual sob o imperio de um poder discrecionaro po-
da caear-lbes os diplomas, impedir que exercessem
as fullerees inherentes profissao, o votar os seus
nomes ao eslygraa publico. Mas, oslamos persua-
didos que a hondada do governo Ibes poupara estp ves
solijariedade liumaoa.'e sauccionada pela ju-lira
eterna, como cm viriude do juramento de aluicga-
co e devotacao absatota, que presta no momento
solemne om que recebe o diploma, se em una
dessas situacos do pergo universal, dizcinc-. nos,
o medico foge, toroar-se entao dignt) da- maldi-
Cocs unnimes dosboiaeos, e o seu nomo lira ru-
mo um objecto deexeeracao, de opprobrio, do co-
barda absoluta, e urna lieracca vergonhosa para os
seus filbos, innocentes de sameBianje crime,
Em consequencia da ana fuga, elle desanima
aquelles cujas males devia suavisare extinguir,
augmenta o numero das vctimas do flagello coin-
muin, o desenvolve as causas do mal, levando-as
ao mesmo lempo para oponte onde se vaiabrigar;
r, ueste ultimo caso, sua fuga, alm de ser pura
[raqueza e cobarda, ha um rrime, digno do mais
severo castigo.
Com elTeiio, na-, circumstancias anorroaes em
que nos adiamos, o proced monto de cortos mdicos
sacrificio, alias bem merecido.
Por outro lado, nao he smenle om consaquen-
cia Jo modo eda cobarda, que o medico se loma
merecedor das censuras c maldices dos bomens,__
a poltronaria, a preguico, o egosmo, a avareza, o
interesse srdido, sao qualidades qm, o degradam e
avillam sem remisso ; c a nobre missao, e o sa-
cerdocio augusio, que lhe devam graogaat o gra-
decimento dos conlcmpoianeos o a veneraf&O dos
vindouros, se eonvertem n'um vil, execrando, e
abominavel commercio.
0 medico quo dignifica este nomo nao se pe -
tence, he a providencia humana daqueHes que
solTrem; e a abnegaeao o o sacrificio da sua indi-
v'nliialidade be o nico premio o a nica coroa in-
maculada que deve aspirar.
1 onsla-nos quo alguns mdicos se tem negado a
ir ver enfermos para que bao sido chamados sob
pretexto de Inconiinodos frivolos, mi do ser fora do
horas, ou do nao pcrteiicerom a seu diatristo.
I le oslo, com elle to, um proced ment digno de
reiisura, e que a scmclhanra da rub.irdia.c do in-
teresse, torna o medico um. ente inulil e despre-
zivel.
Alem dos mdicos, ha alguns momhros de oulra
rlasse, da classe dos IiDlcarios, que, pela avareza
que os domina, se tem tornado nestaquadra cala-
mitosa credores de igual, se nao de maior desprozo
e aboininaco.
Sea cspecuhiraoenioulroqualquer lempo com
os objeclos que alliviam os padecimentos do ho-
mem, e muitas vezes lhe restiluem a saude, he um
objecto digno decrueis censuras, de maljirjo cier-
na,a especularo desla natureza, em nina qua-
dra de calamidade publica, he um crime inaudito
que chama contra si a punicao da lei o da juslica
humana.
Eniretanto, se tomos criticas amargas 'fiara oslas
vergonbas publicas,se a nossa Nomesis nao se
cans ile a/orragar oslas nigeria.,o nr>-"0 c (ii-
lo agradecido, o nosso cnracu temo e commni,
Jo, sabe lecer coroa: a es* > filhos de Dos.....
apostlos da liumanidado, que nao vacfllam cm sa-
Certaincnte, se alguns padres c frades, entre
nos, desnienlem o carador sagrado de que sao re-
vestidos,existen) outros que nesia calamidade so
tem mostrado verdadeiros discpulos de Jess Chris-
to ; e, pondo de parte os prestrnosos e incansa-
capuri^jjjAs, cujos serviros a
nussiouario-
ri Itit
favor dos
m modos,
alllirlos.
hb,ril.ii|i
nossa moralidada publica e particular uingueni po-
de oscurecer,he inegavel que os religiosos carme-
litas sao superiores a qualquer elogio, oincontesla-
velmentea glorificacao do clero pernambucano,
|>ela |iicdaile e devoco que tem desenvolvido em
favor das victimas da epidemia.
Alm desles religiosos benemritos, varios sacer-
dotes tem dado, ncsla crise, um exemplo de desin-
teresse o [edade, digno dc;ses padres dos mais
bellos lempos da igreja catholica. Honra o gloria
a estes Iteros da f eda caridade, os quaes, como
verdadeiros ministros de lesas Clinslo, nao bao de
arrefecer, um s instante, O santo zelo o devo-
'_ ei quo tem aprsenla !n ein favor dos inelizes
que altualmente sao victimas da epidemia.
Com ludo, sentimos nao poder dizer mitro lan-
I lo acerca dos religiosos franciscanos ; e, posto qne
prestemos ludo o crdito aos motivos que deu o
honrado guardiiio ao governo, julgarflos que esses
padres sonagexai ios anda podem fazer algum ser-
vico.
Com effeto, o arcobispo de nfarsema, que foi
victima docholera, o dedicado o digno froi I.uiz da
ordem Carmelitana, que ha pouco exprou da epi-
demia, o hispo do Rio de Janeiro, o arcebispo da
Baha e outros muitos sacerdotes dignos deste no-
mo, tambem acam o sao da mesma idade que esses
velhos rospeitayeis do nosso convenio do S Fran-
cisco, o todava prestaran! grandes servicosem cir-
cumstancias criticas.
So entre os boticarios da nossa ierra existciu al-
guns espirilos Jesprezveis, vergonba da respecliva
classe, o que so sao susceptvcis das emoces do
nleresso srdido, que so attriidein ao linir doon-
ro,felizinenle para honra o gloria desla mesma
classe, exislem outros em quem impera o senti-
menio da dedicaro e da generosidade, os quaes
na IrislO simarlo em que nos echamos j tem dado
proras riu vordadeiro desinteresse, nffeiecendo era
luilainenle remnlios a ixipiil indigeiil.;, c.n
planto llorar a epidemia.
i'.uiilieiii be dr,no da o i i i~> lo;. io o re
propria vida, (tu paito o administrador lo remiten ( iblii i, o qual
nao s regeilou a gratificarn pecuniariaque o go-
@ ommnnicabot.
nnuivrA fcihiiva i,a ijAiiK^Ji v.
IVANGELIIl' DE S. .MATUROS CAP. 17
Jess Christo Icvoii coinsigo para leslc-
mtinhas de sua gloria tiio somonte Pedro,
Jacob, e Joo sou irmo, com.: pessoas que
estando om nina ordem mais dstincta, eram
por isso mesmo expostas ao ciuine dos 011-
troscompanheiros : c sendo ao mesmo lem-
po tres cm numero, cram suflicieutes para
que teslelicassem o laclo quo haviam pre-
senciado. Nao levou comsigo os outros \-
postolos porque era necessario eteluir Judas
deste grande cspelaculo, mas nao convi-
nha excluilo s c positivamente. Quanto
ao lugar, o Salvador Divino conduzio estes
Iros discpulos ao cunie de um monte eleva-
dissimo quo por tradic'o se julga ser o Tba-
bor, prximo cidado de Nazareth, c confor-
me os interpretes, viole legoas distantes de
Gezareo, aonde atrasliguracao fora promet-
tida
ChcganJoao lugar de-lina lo Jess Cbris-1
lo sepos cm oraeo c cm quanto orava, o seu I
rosto pareca integramente diverso, nao nos
Irados, mas ne esplendor e magestade. Sua
face tomou-se brilhanle e luminosa como o
Sol : seus vestidos penetrados de luz que so
iiitilava do todo o seu corbo, cram seme-
lliantes as uuvens que o sol l'ere com os seus
raios, e se tornao to candid >s c brilliantcs
como a nevo, ostentando urna blancura que
il3o.se podcia imitar sobre a Ierra.
Dosle modo deixou -c ver transfigurado,
c nao foi se nao ainterrupc.'io de outro mi-
lagro anda maior
Esta gloria, deque Jess Christo appare-
ecu revestido por alguns instantes, nao
ora mais do que a consequencia natural
da aniSO da Divindade com a natureza hu-
mana. Csla lorenle de luz do Verbo Divi-
no sobre a sua alma, e da sua alma snlire
seu corpo, ostava como abtala desde o mo-
mento na sua ncarmaejle c c>ta supressio
foi um prodigio anda maior do qne o crlip-
so do sol, que a conteceu na morir .lo Sal-
vador, e que durou tres horas int-iras. A-
lrausligurai;ao foi como urna pequea siis-
petlQao, em que Jess Christo deixou esca-
par alguns raios do sua gloria quo viva
oculta, de baixo dos veos da human, a le.
Os dois mais celebres l'ropbctas do anli-
go lesUmento, Moyses, c tlias, ambos -ni
sou proprio corpo, c com um ar mageslo/o
eslavao om conversacao com o verbo Divi-
no Ihes lallavao do modo pelo qual drveria
terminara sua vida em Jcruzalcm. ledr a
seus,cjnipanlieiros quo se acbavji, nppnmi-
dos pelas fadigas o pelo somno. di-.prrl,Vj
com a brilhaate luz quo Ibes feria os olhos,
o .ola conversacSo dos Prophetas, e o cn-
nbeceram. ou por urna revclaclo liszessc, ou
|or algumas palavras que os iivessc distin-
guir.
A conversacao la acabar c os l';upti"..i-
linham de a senla r-se, quando Pedr trans-
portado, c lora de si, pelo que havia presen-
ciado, c saudoso ao mesmo tempo aala au-
sencia dos Prophetas, propoz um meio deo>
demorar.Senhor fdtz elle a Jess Chris-
to I nos aqu estamos bcm, c se vos agrada,
levanleOKM aqu tres pavilhocs um para vn.,
outro para Moyses, c o terceiro para E'ias.
U Apostlo nao sobia o que acabava depro-
por. Jess i'hristo nao se devia demorar
no Tbabor, porque devia ir para Jeruzaleni
concluir por seu sacrilio a missao que liavi
comeando.
Pedro uo sabia mesmo que o. corpe* gkg
liosos, como os do Moyses c Elias. n.V. pn-
cisavao de pavilhOes para livrr-sc dasiuju-
nas do tempo. Nio tinha acabado anida
esla proposico, quando urna iiuvem lumi-
nosa deseen, e os cobiio.
So mesmo instante os dois PropbeUs w
elevaran aaa rese escondern! ncsla nu-
vcm aos olhos dos descipulos que loram
assaltados de espanto e lo temor.
Apenas os l'ropiietas desapareceram, sa-
ino da nuvcm una vos quo pronunciou dis-
lOCtamenta estas dalavras.He ele o
lii/u ij'temio n> qualtcnhi feito e empread*
todita minliu aiteic; Esla ora a voz 00
Eterno l'icque rccotihecia Jcsus Christo por
seu Idilio nico, e quo eoulirmava a eon*-
so que Pedro bavia feito. Bata voz aut"
risava toda a doutrina que Jess Chrislo
bavia pregado o espmnaimpnla ., ., mmor-
.^ 4uvrv.irt uavia prcdiio.
A estas palavras os Apostlo, assaltados
do um grande temor cihiram com ala ce so-
bro a Ierra. Ouando a voz se (as ouvir, o
Prophetas tinham dasapaarajci lo, c Jess
Chuso jaso ochava s, para se couhccei
que era nicamente a elle que se dercgia
osle Cu grandioso tcslemunbo.
O Salvador aprox iiianJo-se cnlao dos tres
descipulos locou-os com suas proprias mitos
para Ihes infundir coulanca bles disse .' -
vantai-vot e nto tentis.
Elles abrirn] os os olhos, e n3o adiando
mais os Prophetas virio incamciit- a Jess
Christo, que dcscendo do monte Ihes im-
poz o preceilo de n.o rclirircni o que ti-
iiliam visto, so uo quando tivesse ressui-
cilado u"enlre os morios.
lerna da provincia lhe mandn dar, em conse-
quenria do acrescmo de servico nocturno que
presentemente esui sugeilo, como pelo zelo o bom
dasempenho com que se tem balido as suas novas
(uocedos.
Em verdade, as previsoes quanto as inliumar.Oes
dos cadveres fciii s pelo cholera, ho sido admira-
volmenle exoculadas.
Lomoresi estes boticarios que olTerocoram os
seus remedios aos pobres, e a oslo embregado pu-
blico que regeilou urna paga a que linlia direilo em
favor dos seus irmos desvalidos.
, A caridade, esta virlude evanglica, u apanago
da civili>ar.io moderna, he um meio de equilibrar
as desigualdades ociaos, una fon le de prazer ce-
leste para as almas bem formadas.
Parece que a natureza seconspirou contra nos.
Alm dos horrores da pesie de quo somos victima-,
lomo, sorprendidos por urna grande ebeia, que nos
causn consideraveis estragos em algumas das nos-
sas obras publicas.
A ponle sobre o rio Camorim j nao existe !
Foi completamente arrazada pela corren te das
aguas, eos cofres pblicossolTreram o prejuizo do
peno de trulla contos de roa.
Este resultado era quasi corto, < antes dcviilo ti
ignorancia humana do quo i lorra das agua-
os pilares tinham trullac lanos palmos do al-
tura a apenas dez do alicoree, oestes j quasi lo-
dos de-coberios pela cheia de IS.">4, om consequen-
cia da natureza das aroas -obre que foram cons-
lruidos.
Assim, Ora impossivol que qualquer elidiente do
rio a respeilasse,
A obra fora primitivamente oreada em irnu
coiiius Jo res, mas em ronsciiuoiicia dos aiiginen-
tos reclamados pelos arrematantes, exceda a qua-
rcnla.
Isto prora que a- obra- de corla importancia, as
ronslriicccs liydraulicas, cuja soguranra dependa
dos procossos -rirnliliro.. da sua boa fundarlo, nao
devem ser arrematadas, devem ser oxcriitadas
por adminislraco.
Ma para esln lioi (..i.-, neri ario qiii< ref i
i pon.;, idas liras publii i i ml i
' ll! '.' '' ni | i pie reun > ln......l
i rato u [dril i .1 le ... Ij.Ii le
inic.ialiva cquezolas-.' o- interesos do pai/.
Sakmos ijuc rom u ordenado do duzenlo- mil
(1) A palavra Gymnasio, groja de origem,
designava primitivamente o lugar em que a moci-
dade se dava a todas as serles de excrcicios corp-
reos, taescomo a corrida, o sallo, o pugilato, ele.;
boje, porem, principalmente na Allemanha, he to-
mada em outra accepeo, o designa o mesmo que
em Franca se enlendc por Collegio, o na Blgica
par Atlicneu; i.-iu he, urna escola que, suppondo
nos discpulos o que eonstitue a instruceo prima-
ria, habilla-os para receberem una inslrucco su-
perior.
Tal be o nosso Gymnasio.
ORACA. O FNEBRE
I5i lilaila pelo IlViii. P.iflrr franriw
l'ei \iiin Dnarle por orcasiiaio' rio Innr
ral. que em memoria alo Ulna *Sr. *r
Joai|iiiiu fia Uva VrAiiin taaa-oa.
uediro-militar, ananriaram rele.ror
sen rolIrgaM na matriz ala Boa-ViM.t
en 31 de Janeiro de 182*.
Aos ouvinlcs
l'ma nraciio fnebre nao be outra coli-
sa, ijuc um processo, que -o forma sotre a
vida, e acc'Oes do here inorlo. O orador el-
poe, e refere os faclos brilbanlos, que o h-
roe pralicou, a verdade preside a esla aaaa-
sicSo. Ho dever do orador.rebater as argin-
C'oos, se algumas se tem feito. o pon escu-
ta, decide; elle he o juiz. Era coslunie en-
tre os povos autigos julgar depois do eaortw
os seus soberanos. Os Egypcins n.o na ae-
pultavam sem que. os jolgassem. .\ morte >
entregava ao juizo do povo, c este Ihes ron
ceda ou uo as honras lumulaies
O Padre rVaacaaec l'cixotu ttunrte.
RecifC ai de Janeiro de I83ii.
Qiti r/uasi fls njrcditnr el mu ~
!rrilur,cl fw/il relal '<'" i .
Job I i
reis mensaes nao se poiiem ler engenheiros : mas
oiitn oeste caso augmente-sc a paga.
Se nao os ha na tena lenham de fora. A coin-
panhia do Mucurv, cuja frente esl o Sr. (Jttoni,
de cujo patriotismo e amor liberdade, nao se
pode duvidar, nao hesitou contratar engenheiros
estrangeiros.
Snb a pressao da calamidade que nos alllige ar-
luilmcnte, liihamcr comiedo um allivio, alguns
momentos de distraceao no delicioso prazer que
nos proporcionavam os arlislas da conipaiilnj l-
rica, mais infelizmente a noio do l lie a ultima
em que nos ser permillido appreciar as notas ma-
viosas de Verdi, BelKnl, Donizzeli, ele. animadas
e vivilicadas pelas vozes desses cisnes emigrados da
palria deanle, Petrarca e Tasso.
Nesta noite destinada tolalmenlo pela empieza
para beneficio da coropanhia, esprame- que os
seus esforcos continuados, para mererer aareoia-
co geral, scro destinctamenic apiceados, c lore-dido.
mus de ouvir vari- trechos do musir nteressan-
tes, segundo o programma publicado pelos artistas
beneficiados.
E o publico roinoiTriido goiierosameiiie para
ilarlhcs um atle-la lo. di-que sabe aprenai O ta-
lento e o rerdadoiro mrito, ira constar que os
IVrnambucauos lambn sabem distinguir o arlisla
do rliarlalao.
Anda cscreiemos estas ludias sob a anta im
pressao me nos detxoa a leproseniacao de atbain
passado, e lemos pira mis que todo- o- e-peel.nl''
res sero da nossa opiniao.
Que oxecueo pcrfcita, que animaran, que in-.-
piraresdivinastiveram naquella nuite Sr.' R---
hussini c o Sr. Hippollito, no inane Hm-.I '
Estes dous artistas no Jesempon'io des|.- p"d*o
de inti.-ica se elevaran a an poeto mu abo da arfe;
mil loiiMires Ibes Iributaiiios, o roiioio.. i i,.],, ami-
oiogeral que iinanimoiiieiiie [irorlinua a maJai
real dos dous arlislas.
A Senhora Itemorini he senpie aSigaaa "ir e-
cdlencia.
O Sr. Itemoiuii. aprzr.r de te trbaf um ana> i
nidi-posio, agradou imniensanienle na ana da ler-
i'.-iro arto: oestylo e o m--tli-nl<> cana voz neqii
llura que p I--U-. ser sempre goralWale applau-
O Sr. Savio, segando vimos no prosnuMn pu-
blicado pelos bonefiriados, i-ireara esta aoile i i
Nulo roinanse da operado Lmjm Vuller fa Var-
di, e \ isla doque lemos observadu n cnsaiu- ka
ile sor iiiui apieria.lo pelo-' amadores.
Jiesia noite om qne os artistas < porba malisa
j rao para agradecer ao paUic i o'ar lliiiui-nie pi hr
V. seremos nos lilhos espurio- do gasto, do sen- ,la prestado, ler.inn- de ouvir a r.iv una de l'dli -
lmenlodu bello, .1" lado artstico e potico da c- '""' llJ Norma, petoSr. liemorini. eni qi......i
vlisacao? artista hrilba divinami-ntc.
Dai-se-ha caso que urna provincia como anos- O doelto qne so senuo da mesma pera rom,
sa, ondeo commercio-o a industria tem um desen- ;Sr." Kemorini, ha excretado po* ""'" danaeaai-
volvimcnto magnilico, onde us mdlioranicnlos ma-1lore* <""i mnila perfeito, e "tamos futa* qoe
loriaos do lodo o genero oaciipain um lugai dslinc-1',a '''' produzir um eflotto a;;radavd no paMito.
lo, nao possa_ manior nina roni|>anbia lyrca. an o r. Ilippolito, i?cantor dotaJoJasgraa.
'queno, quasi anda nasd,.,.xprcsso, nos farai ouir ualiuli ati.nl. IV,
ln\ ik'Telilla, o seu nulo apaivima,! aiooial i
e perfeito.
pa-i
farh
iiaii.1
que o Maranlii
loiio, quasi anda as
do progrcssii, nos da um i lii io s ivera, iiiati-
lir nina companha rompila de canto '
E que ronipanliia '.' Urna das pouras que lem
vindo no Brasil, que rena cm -i iodo- os eleracn-
los pa-a poder i-xecutar qualquer opera moderna.
Alem das ter ona -ens que i oni|io a priipn des
arli-la.de rain... o pieSlimnso emniv/um i -
irouc mu piein si -uograpl i, um.-. n-pui
: ,' i, mu ..-i.lvl. lio lalenlo ai i .
i varia*
n iveisda imprai m de-ie
llio-ObMaranhe:!' :, m n
a fortuita de applr.ndii
iiiij
::; i1
ii iloqll
IX1 propo-uo, deixanos para fallas na uln-n
lii_-.ir na Seuliora Kebussini, itesla arli-ta sinia n
[.moiiii-. Nesta noite eHa nos memo^cara roma
PolaeaAt Verdi na opera la i.-iu-il.-m l.ib-n ,.|..
l'.-lr p -laro d inii-ii i nina
linii uora ilesemp lili I a I
1 ni ni.. i ni bn
lista 'iiihii
' Icded ii la-
nilud d-i i
I-

'

am A *


DIARIO BE PERMIRUCO POMW O 17 DE FVERIIRO ftf I8'B
Senhores !-Se me fosse possivel abrir-1 Olllm. Sr. Dr. Joaquim da
vos ncsto momento meu peito, verieis que o j Amazonas, Il'ho legitimo lo
corado treme... treme le pezar !... Verieis,
que urna mo de ferro, o mais profundo
sentimento parece querer esmaga-lo !...
verieis emim sua mag 'a, seu ludo, e sua
dor :...
E, senhores, ser possivel, que eu, humil-
de ministro do Jess Chrislo, orador do ta-
lento to tenue, de eloqueneia tito pobre,
possa preenehcr o fin, que lioje vos todos
desejais? Possa descrcver-vos o sentimen-
to, o justo sentimento, de que lo profunda-
mente estis possuidos ?
E, urna dnr descreve-se ? Senhores.
F., um pranto amargurido exprimo-se?
E, urna saudade consumidora desenlia-aer
Nao que quatido o coragilo padece, os la-
bios gelam-se, e o espirito immudcce '..
Nao que quando o homcm sent .. sent,
mas nio esprime.
Agora mesmo dizei, senhores, dizei... ex-
plicai, descrevei, essassensagi.es amargura-
das, que mo grade vosso. provocam essas
lagrimas, quo por vossas faces se desligan) 1
Masqae!... immudeceis !! Ah deixai, dei-
xai, que ellas corram !... nao as encliugucis,
que seria forgar a immudecer a voz da ami-
Zade, que seria impr una le a natureza ..
e[Ia, mens senhores, que uestes momentos
tilo solemnes maisse ostenta nos corag >s
de lodos os entes da criagio !
Mas cu vos vejo agora, como, que desejo-
sos, de que anda assim, vos esplique o que
S"ntis. l'ois bem ronde a mo sobre os
vossos coragoes : enmprimi-o. escutai 1...
E oqucouvis'.' Cernidos surdos, lamen-
tos dolorosos, urna agona insuporlavel, r-
pidos tremores, o no meio de todos estes
symptomas occultos o que ouvs i'. A voz-do
coragao, que vos dizAmazonas!...
Oh meu Dos! quo esto nomo... que a
lembranc i desee nome rasga como o buido
punhal libras de tantos comeos !
E, onde, senhores, se oceultou de nos es
se joven, cuja vida era nina serie de dedica-
cOes ? Ondo existe Mojo esse lilho querido,
irmao extremoso, amigo fiel, cidadao pres-
timos^ subdito dcil, o patrono incansavel
da indigencia !
Son corpo confunde-se com a trra, e sua
alma Santo Dos Altos SO os vossos desig-
nios, Scnhor, a Vos cumpre marcar no in-
fallivelrelogio da Providencia o termo de
nossa existencia, e a nos, curvar-nos tremen-
do OS vossos altos decretos !
Sin, senhores, resignemos-nos, pois ni i
h o entre os homens, que a virtude ser le-
vidamente premiada. He preciso morrer'....
Era lempo: tinha soado a hora de voar a
manso celeste aquello espirito benfico e
esclarecido, e o anjo da morto obedecendo e
um aceno do Senhor Dos dos exercitos vi-
brou seu machado fatal, ferio aquelle cora-
go de tantas virtudes ornado.
E quem, senhores, cquem ueste momen-
to solemne sera indiferente a urna peda
tio sensivel'.'
Boque significan! cssa dor, essas lagri-
mas e esses suspiros, que partom do imo
d'alma, senao, que jamis ser extincta a
lembranca desse virtuoso medico-militar o.
Illm. Sr. Dr. Joaquim da Silva Araujo Ama-
zonas, que cerrando osouvidos aos doloro-
so' suspiros de sua familia inconsolavel.par-
ti odeverlevando em seu coralito os
lamentos da natureza ?
Imaginai, senliores, urna respeilavel ma-
trona, trajando negro crep, com semblan-
te, onde esta pintada a cruel amargura, com
seus olhos pisados de chorar, com seu co-
ragin arlando de dr, com suas mos rom-
primindo o coragao, para nao partir-lhe o
peito.. trmula, convulsa, c de joelhos adi-
ante de urna imagem do Senhor*. rodeada
de suas prezadas lilhas, que como ella pade-
cem, choram e lamentam-sc...
He o quadro da natureza...
Imaginai um mancebo transpondo essas
ingremes ladeiras, passando por aquellas
ridas travesas, d'aridos sertrtes onde a
hospitalidadc hedesconhecida... onde a fe-
rocidadehe traduzida pelo nome de-huma-
nidade... passando, dizia eu, inauditas pri-
va,-.. ,-=^''------'----------i----- nnm .lo
- tcos e da le, um inimigo occullo, que a pas-
aos lentos marcha adiante de si destruindo,
imnlacavel, popularoes inteiras, derraman-
do o terror por onde a vontade de Dos guia
seus pa*sos... imaginai, senhores, esse man-
cebo abrasado no santo amor da caridad',
transpondo todas as vantar d'um leito de agonas, um misero
camponez, que luta com as vascas da
morte !...
He o quadro do dever I,..
Pois bem : reun esses dous quadros :
aquelle dedicai a essa familia ioconsolavel
a familia do nunca esquecidoSr. Dr. \ni -
/.onas, e esle Jedicai-oa sua memoria!
Sim, senhores, a morte, que nao respeita
as leis do dever, c os lagos da natureza, em-
bora depois levante-se a aquelle eternos
monumentos de gloria, c por esta line-se um
coragao de mili, foi-quem zombou de tantas
esperancas, de tantos anhelos do porvir bri-
lhaitle, que so anlolliava adianto desse jo-
ven, por quem hojo nesto templo viemos
render os ltimos deveres de amigos, e
ehristos.
Nao ouvis os gemidos dos nossos infelizes
irmos de Papacaga, que ora lutam arca a
arca com o terrivel flagello, que a Dos ap-
prouve pezar sobre elies? Pois entre esses
gemidos ha um mais profundo, mas doloro-
so-o da perda daquellc, que restituira a
inconsolavel viuva a chara porco de sua al-
ma ; ao amigo o amigo ; ao lilho o pai, e a
Papacaga ocidado prest moso, se Dos n3o
quizesse chamar a si.esse joven dedicado
humanidade solFrcdra.
VsnSome respondis, senhores-1 Sim !
Nflo ha liuguagcm mais persuasiva do que
aquella, que parte do corage, o sorc enun-
ciada pelo silencio da dor...
Permitti, que anda por momentos eu vos
record os pontos capitaes da vida publica
desse, que hoje tantas familias desvalidas,
tantos amigos.e parentes, a Ilustrada admi-
nistrago provincial, seus collegas o rmaos
d'annas carpem sinceramente seu precoco
passa ment.
Mas ah .' podere eu ainda pronunciar esse
nome? Poderei encarar os ministros d
Dos vivo trajando negras vestes, sem que
sinta no fundo d'alma marguradasemoedes.'
Poderei ver-vos ainda ensopando vossos len-
cos nessas lagrimas filhas de urna .tilo cruel
quo dur^doura saudade 1 E todo esse f-
nebre cortejo nao dir ludo t N3o dir, que
he fallecido alguem, que fazia a ventura de
seus pais .' Seus virtuosos pais, que hoje
vivem abysmadus na mais profuuda dor !
Sim tudo nos recorda esse dia fatal o a
de Janeiro de 1856, em que perdemos para
sempre, quem deveriamos para sempre ter
junto a nos Sirva-vos porcm, senliores,uin-
da queseja por momentos, de unitivo a vos-
sas magoas a breve porm honrosa biogra-
- phia do illustre tinado, e pre-tundo-me vos
alguma attengo, nio fareis favor a mim,
honrareis, porm, como demonstris, a me-
moria do Illm. Sr. Dr. Joaquim da Silva \-
raujo Amazonas...
Silva Araujo
m. Sr. I.ou
Senhores, quanto me custa encarar para
aquelle tmulo'.'.,, mas sou um ministro
de Jess Christo, e aos homens como eu lio
lorcoso reprimir os impulsos do coragao.
Atteiiilei-me por um pouco.
Nao ha, senhores, quem ueste mundo,
nSo lenha suas illuses ; uns as tera mais
bri Iban tes, conforme o crculo de ouro em
que gyra, oulros mcuos, todas sempre li-
songeiras: atea mesma desgraga lem illu-
soes douradasna morte; pensar nella para
o homem desgranado, he para elle como
,uoi sonho irrealisavel.
O homcm do milhoes quando pensa na
morte, senhores, turba-se.... e desejaria
obter para si, com sou ouro, um privile-
gio para nao pagar esse tributo infallivel,
que a humanidade deposita no altar medo-
nho do genio da morte Em geral, senho-
res, todos alimentam-se em doces esperan-
gas, que os vao embalando at que a pndu-
la fatal vibre o lgubre som do terrivel pas-
samento.
EnUo o homem, que luta com a desgraca
ergue seus olhos ao co como que dizendo
- meu Dos, tao cedo .'! 'Entao o homcm
de milhOes orgue os olhos ao co como .jue
dizendomeu neos... de que me .serve o ou-
ro om .jue nado .'!_ ||c, senhores, que ap-
parece a reaiidade, a presenca da devasta-
dora parca, que forga a conhecer que para a
humanidade so ha um appello urna vida
eterna de penas, ou recompensas .
rengo da Silva Araujo \ma70n1s, o de sua
consorte a E\m.*Sr.< D. Maria liosa do Es-
pirito Santo Amazonas, nasceu na capital da
Babia, em ii de novemhrn do 1830.
Desde seus mais lenros anuos, que sua n-
telligencia fo sendo cuida osamente culti-
vaia por seus pais. e preceptores nos pre-
ceitg de urna educag3o, que nada dcMiien-
tia a civilisagao o religiao le que eram liis
sectarios.
Em 1836 deu cllecomego aos seus estudos
primarios/" desenvolvendo-se sempre como
um dos prjmeiros alumnosdesuas aulas,me-
recendo repetidos e justos elogios dos que
com ta-itawloria lecciouavam-no. No centro
de muios jovons onde c pelas ideas livres do seclo, tunta corrup-
5lo, quasi sempre imitada oSr. Dr. Ama-
zonas sempro so destinguio por seu porte
[grave, man'iras affaveis. e prompla obe-
diencia aos que guiavam a sua educarlo lil-
terara.
Concluidos os seus preparatorios no Rio
de Janeiro, sempre con udmiragao de to-
dos, queran) o progresso desui brilhante
intclligencia, matriculou-se na escola de
medicina daqueila corte em I8i", onde o
tuiiou ol."e2" anuo, viudo terminar a sua
carreira lectiva emsua patria, onde formou-
se a 18 do dozembro de 1S:,>.
Na corte do Itio de Janeiro, senhores, dei-
xou o Ilustre finado nu nerosos amigo-:, o
as pessoas mais gradas o eousi ieravam co-
mo um joven, que derla para a luturo fazer
gloria de sua patria, o ornamento de sua
elasse. ea ventura de su;. fi::iilia.
Avocacao, senhores, que leve o Ilustre
finado para a sciencia do Hipcrates fo o
primoiro clegro, que ello pela mao do aojo
da Providencia subi... foi o primeiro de-
gro do throno celeste, em que hoje, if
que temos lias misericordias do Eterno nos
faz crer, que oslara assentado entre os bo-
mavenlurados, o para que seja ii realisados
estes nossos tro pos votos lie que aquivie-
mos lioje, senhores, orar por sua alma.
Oh I p usemos, pensemos em pensamen-
tos tao felizes! He mistar, que nlo nos ab-
sorvamos novamonte em pensamentos tilo
dolorosos
Nao 1)9 justo, que sobre um painel de tao
brilhante colorido, d. llores t.io vicosas,
qual o de crer-mos, que sua alma ser gene-
rosamente premiada pela mito do Eterno la
no imperio dos justos,., seja apugado por
negras tintas, que far s":ii < 1 uvid > gotejar
feridas lo reeentemento abortas em tantos
coragoes! ''rosigamos pais.
En) 183.1 foi o illustre Uado -^r. Dr. Ama-
zonas par Alagoas, e merecen lo urna con-
fianga Ilimitada do governo foi empregado,
como medico na colonia militar Leopol-
dina.
Foi nessa commisso, bem como foi em
todas, que elle desenvolved urna actividade
e espirito de c iridade, que maravilhou a to -
dos,quejulgavam a juvontude incapaz de
praticar rasgos de beneficencia.
Nomcado depois para dirigir, como medi-
co enguada o hospital regimental da mes-
ma provincia, desompenhou ainda esta com-
missiocom aquelle zelo e dedicarlo, que
tanto o caracterisavam.
Mas, senhores, urna estrella pairou sobre
a caboca desse mancebo virtuoso. Elle a mi-
rn, sorrio para ella, e disselio o meu des-
tino, sigamo-lo.
E, essa estrella penden para o Norte .. ful-
gurou como um meteoro, e desappareceu
ruin pice. Kllenaoa vio mais, porque o
seu destino linha-lho sido revellado, e cum-
pria obedecer, cumpria pan ir para onde a
estrella lluvia pendido, para onde o seu no-
me j tio couliecio tinha .lo licar eterna,
mente gravado nos coragoes dos Pernambu-
canos. para onde Analmente tinha de dar o
mais edificante examplo de tantas virtudes
rceommendaveis.
Em comego de 185* dcixou o Sr. Dr. Ama-
zonas o solo alagoano, viudo para esta ca-
pital.
Podis, senhores, avaliar ato quo ponto
chegou a c insideragao, que ao Sr. Dr. Ama-
zonas prestaran! os nossos bons iimosda
provincia de Aiagua* i a \a ... ....."
e de as correspondencias de quasi todas as
localidades daqueila provincia, e conhece-
rois, quilo profundamente se acham magoa-
dos todos aquelles nossos irmos, que tive-
ranvum dia de entreter relagocs amigaveis
com esse virtuoso mancebo... mas a estrel-
la da sua vida tinha desapparecido... tudo
ia-sc aproximando a um termo, a olle to
incauto, tao entregue as suas llusOes !...
Grande Dos! miligai, Senhor, migai a
consleruagao dessa honrada familia !
Enchugai com o balsamo consolador da
resignacTio n pranto de tantos amigos, de
tantos rmaos d'armas, esciencia, desse,que
boje existe na Eternidado !
ma nova epocha se abre para o Sr. Dr.
Amasonas emsua carreira ja tao recheiada
de facios eminentemente honrosos
Depois de terdeixado a provincia de Ala-
goas, c de ter vindo para cutre nos parti
para a corte, e alli S. M o Imperador houve
por bem nomea-lo por Decreto de28 de Se-
tembro de l854.Cirurgiito do Exorcito, sen-
do-lbe designada esta provincia para nella
prestar seus eVvigos.
De fe to, sen boros, o Sr. Dr. Amasonas pela
segunda vez pisn o nos*n solo ; nos o rece-
bemos de bracos abortos.
O seu destinoo encaminbava ao altar, on-
de tinha de ser coroado !
Immediatamente addido a um dos crpos
da guarnigio, foi nomciio a :i de Fevereiro
do anuo prximo passa do para encarregar-
le da vaccina em alguns municipios d'csta
provincia, tendo terminado sua commissao
em abril desse mesmo auno. Sor vi u no
Hospital Regimental para onde cntrou a 13
de Dezembro desse auno supracitadoe ....
mais que ougo Srs. li mde partem esses
lgubres gemidos? Donde essas vzcs enul-
cluaes ? .
Ei-los queforcejao, ei-Iosque agoni-
sao ei-los que me dizem e .. p "
amor 'le nos veio expirar entre nos quererlas
dar-nos a vida de si pouco lembrou-M Des-
cangai descancai nos tumirios, dorm o
somno da Eternidado victimas da cholera
divina J .Nao perturbis com vossos lamentos
as minhas ideas. Respeitai a vontale de
Dos em quanto qjecu.no poderei oceultar
o momento mais solemne, em que esse
illustre finado sellou com o sen passamento
inopinado o livro de ouro de sua vida Si :n,
senhores.oflagello terivel.qne nos cerca dla-
dos os lados havia assomado as barreirasde
Papacaca.
O governo provincial sempre solicito em
aoodir os reclamos dos seus governados.con-
vida ao Sr. Dr. Amasonas para ir em soc-
corro dos daqueila localidade, e elle anu-
ndo a um convite tao humanitario, nSo
corre, va ao lugar da caifa ; diz-nns um a
dosabraca aos seus amigos do Alagoas...
ergue os cilios ao Ceo, ora com fervor, en-
commeoda a nrotcegao do Ceo a sua incoo-
solavel familia, por quem elle no centro
dos estragos suspira, o chora o tudo
envida, ludo aplaina, tudo fa Uta para sal-
var seus irmaos '
Eis, que um ponto negro se divulga no
horisonte.....era estrella do seu destino,
que sabia do seu leito para vir presidir a hora
do sen passamento. .
Elle a encara, e reconhece-a : rjuer s .riir
conlrahc-se, e morro...
Vida, mooidade, esperangas, llusOes. .
tudo linou se com un) sdpro da morte !
Elle morre>i,sonbores,flcando porem grava-
do em nossos coragoes um nome abengoado!
E digan esses infelizus da Solodade quautas
vezes esse mancebo nao currou-se pura en-
trar no miseravel tugurio do mendigo alini
de lovanta-lo do seu leito de dores, e a i i -
mentar-lbe o corpo
Tudo luou-se como ) um sonho, lud, pas-
sou como a sombra evaporou-se como o
pPulViS et unibra sumus '
Ohomom niio he mais do que una som-
bra fugaz que pasta rpida como o pensa-
inenlo ueste valle do miserias, quo chama-
ni os-muiiuo,
do desvalido. Fortuna, brasoes, sciencia,
tudo desapparecs por ara golpe do seu ma-
chado l'atal. E ti que resla ?
1 ni nome. ou manchado de erimes, ou co
berto da bencSos
Senhores. obro nossis cabegas poza a vin-
ganca doCo,que acaba do ferir-nos em um
oijeelo,que. nos era fio charo !
O lerrivel flagello encara-nos feroz;resig-
n'eino-nos, senhores, e nao mitcmiH a esses
povos freos, o baldos de conliaug nos ho-
mens, no <:o, que aban lonaram seus ir-
maos luclando com a lerrivel ipidemia :
unanw-no*, cerremo-nos para de commu-
aceoriocom o governo soccorrer-mos os
afilelos as horas de seus tormentos, e afi-
nal pegamos para nosMisericordia, e para
os fin los Itc^'iiem elcnion.
lettnta -Hirn $ttiva&4
Ai legendas .la roca cdo cpetho.
Por Pilre-CkevaUer)
N3o hi muidos das qua abrindo-sa em
um caslellu .la Normandia o acafata de urna
linda moga que secas-va, enconlraram-se
dentro entre as cachemiras, rendas ejoias
^" I dous presentes que espantaran) a quantos
os virara.
E am urna roca e um espelho.
A roca, de madeira esculpida rom pacien-
cia, arte e singeleza raras, reprcsenlava
urnas vinle figuras enroladas de alto abai-
xo. A base acaba va em torsal elegante e
o vrtice mostrava urna oval ouca deslina-
da a recebero can hamo ou o lindo.
O espelho de madeira esculpida lambem
apresentava duas faces trabalbadas como
mesmo cuidado. Em urna o pequenn espe-
lho de Veneza em seu caxilbo borissado de
ornatos Na ontra um baixo relevo no qual
via-se o decapitago le llololernes por Ju-
dilh.
Um sabio antipario recbonheceu imme-
dialameule estas duas obras primas do se-
clo k. a primeira era a reprodcelo da
lamosa roca de casamento que se admira
no hotel de Cluny. a segunda era a copia
do bello espelho da rojIeccSo Sauvageot
que ten a honra de lig...ar na Media idade
e no Henasrimenlo
Mas esta descoberta nao explica va a pre-
senca de tacs objectofl em um actate de
noiva.
\ deeifracSo dos dous enigmas eslava oc-
eulla em um manuscriplo que a moga abiio
apressurada, por ter reconhecido a leltra
do esposo.
Essa manuscriptoconlinha o eguinte:
i.
Leyenda da roen.
Origeia ./ roca.Os patriarchas. Os se'cn-
grns.-Luererii.O dHode Ih-nucsclinAs
ri:c,is d' nupcias. .1 histeria da rainha flcr-
Iha retlabelecida segundo a radcea hn-
gara.A sepultura e sella dtPagerne.
A origen) da roca remonta talvez a mi
do genero humano, nu pelo menos a primei-
ra mullier que substituto os cenlos as peles
deaminaes, emseos vestidos e nos de sua
familia,
A roca era o iltribulo essencial da casi
palriarchal.
lie o primeiro instrumento de civilisagao
na tribu selvagem c barbara.
O; antigos Romanosfzism dola osym-
bolo da vil-Unjo domestica. -Todos os elo-
gios estavam coudos ueste retrato de Lu-
crecia :
Dmi-im mansit. I.anam feeU.
Premaneeeu em casa c liou lia.
Em todas as povoac.oes do mundo a roca
be a arma e o broquel da inqlher, a salva-
guarda e abaslanca da casa, a companhei-
ra da solidao, o encanto das vigas em cora-
mu m, o emblema do trabalho paciente e
fecundo.
Todos couhccein o dito do grande con-
destavel Duguesclin, quando prometteu a
Inglaterra o seu regaste. Nao ha em Fran-
ca liandeira alguma. por pobre que seja, que
nao tire da roen um i bolo para resga-
tar-me.
Eslo dito vale urna carta do nobreza na-
cional, i .ni escudo pode ostentar urna de-
visa mais Gloriosa c mais immorUI i
A roca de csame no <-.,.. ludv^ u Snr.it-
das molheres de nossos a vos.
I.cmli emo-uos da loma historia da rai-
nha liertha dos ps grandes, mullier de
Pepino, o Curto, o mili de Carlos Magno.
Os poetas e chronistas modernos tem cor-
tado del la a roca de nupcias. He urna infe-
licidadd, urna barbaridade. Outro tanto
Valeria tirar a flor o seu perfume. Ei-la
aqui em toda sua pureza nativa cssa histo-
ria tal qual a tradiegao hngara a lem con-
servado ; pois segundo a legenda, a rainha
liertha era da Hungra. Seu pai reinan
nessa torra dos bravos, quando Pepino, roi
de Franca lh*a p dio para esposa. Segun-
do conUa !a:n., ella era a princeza mais
Completa de seu lempo.
Nao querendo manda-la s a urna corte
longinqua. Branca Flor, sua mi, fe/, par-
tir com ella u no pobre rapariga chamada
Alista que fora criada em sua companhia e
que com ella se pareca como urna irma
gemea. Desgracadamente os prenles de
Alista acompanharam-na, principalmente
llargista, sua raSi ; muliior capaz do quo
se vai ver..
No momento da despedida, Branca Flor
la a liertha una rac de casamento delica-
damente esculpida como esta, a qual ar-
ma-so o desarma-so por um segredo que
so ella conhecera, obra prima complicada
ile um mecanisno da Bohemia.
Minlia liltia, Ihe iliz ella, nos palacios
bem como as choupanas, o trabalho ho a
partilba da mulher. liaras esta roca pen-
sando em mim; ell dobrar leus nrazeres
e encantara teus enfados. E se lieos nos
aproximar um dia aqui na Ierra, por maio-
ros i|ue sr-jSo as mudencas operadas o ni
entra a forga no quarto da lllha, o qual en-
contra em plena obscuridado. Pcrgiintan-
do a causa disso, Margista respoude-lhc que
assim o prcscreveni os mdicos, porquan-
lo a menor lu matara u oven rainha.
Ao menos ella me fallara'; ed he ouvi-
reiavoz! exclama Branca F.or, iodo seu-
tar-se cabeceira de Alista, a qual repre-
senta seu papel como podo ; mas represen-
ta o to mal que a inii suspeitindo o en-
gao, lanca-se as cortinas, nisg-as, abre as
janellas, arranca acoberta da cama e reco-
nhece alista no bigarda filia.
Entao chamando logo polo re e pela
corte, exclama com forga : Prendo-na,
preudo-na \ nao he minhl lilha que est
aqui deitada, mas a filha de Margista. a
quem Dos amaldice !
A falsa rainha e sua mai reclamara con-
tra Isso edefendera-SO, acensando Branca
Flor de demencia.....E Pepino est ao pon-
to de er-las e mandar prender a esta, quan-
do ella avista sobre una meza um cofre-
sinlio.
A roca de nupcias de Iterlba O' Pro-
videncia exclama ella levantando as raaos
para o Co.
Eabrindo o cofre, tira dolle a roca e diz
a Alista :
So sos a rainha e rainha lilha, provai -o
armando esta roca, cujo segredo Berlha e cu
conhecemos.
O re fica abalado. Alista c a mai empa-
li'Jecem. NSo somonte g-ioram o segredo
da roca, scnio tambem nunca liarini um
novello, ellas que engordan) a custa das
que trabalham !
\ rainha acaba de confundidas, arman-
do ella mesma a roca, c entregues por Pe-
pino s torturas, as duas criminosas confes-
sao a impostura.
Margista hequeiraada em urna praga pu-
blica, Tybers he arrastado pelas ruaseen-
forcado, Alista he inctlida no convento de
Montmarlre c Pepin e Branca Flor partem
para a floresta do Mans.
acharara ellos a rainha abandonado e co-
mo t Sua busca he longa e chela ora de es-
perangas ora de angustias.
Um dia finalmente Pepino, vagando s
ao acaso atravez dos bosques, cncontra urna
rapariga encantadora, simplcsmente vesti-
da, fiando a sombra de um olmciro diante
de urna imagem de Nossa Sen hora e cantan-
do urna nragao pelo hora rei dos Francos.
Elle para, escuta, contempla ; nmu lem-
branca. vaga e doce agita-lhe o corac.3o.....
-Quem sois, anjo desconliecido diz elle
ajoelhando. Eu sou o rei Pepino o amo-
vos.......
Berlha (pois era ella) pertuba-se at ao
fundo da alma.
A humilde liandeira basta-lbc dizei una
palavra para tornar a subir ao throno de
Franca....... mas o voto que lizera levau-
ta-se entre ella co re ___Engaua-o, assim
como engaara a Symons, cdeixa-o para
recolher-se casa......
Todava Pepino nao pode esquece-W......
Conta sua aventura a Branca Flor e logo o
cora cao da mi tudo adevintia.
Mas como forgar Bertba a revelar-so sem
violar a palavra queden a Dos?
Branca Flor com um sagaz present ment
levara a roca de nupcias da filha.....
Urna tarde, essa roca, como por milagro,
acba-sc em casa dos Symons. Todos admi-
ram-na e procurara arma-la, sem o conse-
guir ; depois por consenlimento commum
dam-na a liertha como quem melhor a me-
rece.
A rapariga recebe o tiiesouro com emo-
Coe vai chorar em seuquailo sobre essa
lembranga da infancia, pois iceonbeceru o
presente de sua mai adorada !.
que as negras a respeito do confidente das
gracas. Qnan loahno-sa-em Pimpa o pa-
lacio de Scaurus, act(fHlkc o camarn de Lol-
lia, sua mullier, ehfcid ile, espelhos de me-
tal noli lo, o de vi iro, trazados <1a Sdpn|a.
"s espelho* d crvsbil foram dcscobertos
Veneza no ipcu'lo X.III. A
om
ram
Reculo XIII. Adquirirn) logo
una reputicao universal, O concorreram
milito para a riqueza di cidade dos doges.
Ella conservou esse monopolio at ao lio
do seclo XV|| Entao Colhert Ih'o dispotou.
e por Ora Ih'o rnuhou. Em 1688 Theoari
inventou em Franca o processo dos espelho*
vasados, o que deu-lhes largas dimeusOes.
Ascasquilhaa poderam conteraplar-se em
pe nos espelhos novos. o aproveitaram-nos
para inventar as saias le anqninhas e os tou-
caiios pyramidaes.
Durante todo o seclo XVII! cada mullier
elegante quiz oncher s com sua imagem o
rellectidor de seu vestuario ou de sua cha-
min, o contemplar at no tocto os aunis
que Ihe fazia o cabelleireiro.
lie da importagao das fabricas de vidro em
Franca que datara os loques de espelho, e
mesmo os cintos; porquaoto as francesas
nao esqueceram nenhum meio de se esluda-
rem, quer era parte, quer no todo, edeap-
plicarem o preceito do philosopho anligo :
Conhecc-tc ti mesmo. Toda a sabedoria nel-
le so contm.
A
par* legenda da rainha segunda homena-
gem. Ella era devida a nina das mais bel-
las filhas de Eva, assim como a roca aquella
que tem as piedosas tradigoes da rainha
Bertba.
Lembre-se do que nossa mSi commum s
mirou-se ao sabir do F.den. Nao abuse dos
espelhos como a mullier de Scaurus" ccomo
suas avosdo sequo passado. Isso a dispen-
sar de quehra-los quando ellos Ihe mos-
trarem um cabello branen... no seculo pr-
ximo futuro. Nao faga pois do espelho um
instrumento de incoadlo para os coragOes,
bem como Arelmned -s para os navios, e
cuido as cotovias, na cilada, no lago, e no
pavao symbolico do Espelho da vaidade.
A esposa que recebia estes mimos o estas
ligOes era digna dellas ; por q lano no mes-
mo dia das bodas a roca dcti-lhe a idea de
fundar um premio de trabalho o de virtude
para as lian Iciras de sua aldeia, e quando
contemplousc em seu lindo espelho do Re-
nascimcnt i achou ncllc junto de seu bello
semblanteo sorrizo de approvagao
anj o da guarda.
ilo seu
Carta a minha sobrinha.
Da ordem-eda economa interior.
mor parte dellas raostrarain-se tSo sa-
bias que o pulpito leve de clamar contra es-
ses excessos... piulo-,piucos
Urna casquilha defendeu-se acensando o
proprio clero de ter trazido espelhos. Com
effeito desde o tempo de Carlos Magno al-
guns sacerdotes tinbam adoptado esse uso,
e um antigo cfaronista cita os frades da nr-
dem de S. Martinho de la Tour, que colloca-
vam espelhos at sobro os sapalos para con-
templarem melhor a belleza do habito.
O espelho representou tambem um papel
scicntilico, e mesmo mgico, milito tempo
antes da descoberta do magnetismo o da res-
surreigao das mesas fallantes.
Havia em Londres, no seculo XVI rerto
doutor chamado JoSo De, lilho de um mar-
cador de vinhos, que elevando-se de sciencia
em sciencia, chegou a astrologia judiciaria,
justificando anteeiptdamenle esta dellniCiiO
ile Mr. Affouso Karr : Os sabios sao homens
que se atolain maislongc do que os outros,
porm que sentolara mais. Joilo De aflir-
raava quera o invisivel, a no futuro, e
conjurara os espiritos, tudo por meio de um
espelho que chamara mgico. Elle mesmo
annunclou assim sua descoberta na ('..izci-.
dos mgicos publaada em Praga em 158.
Aprouve emlim a Dos enviar-mo a luz
que eu Ihe pedia des le tanto lempa com
oracSes infatigaveis. Sent que os espiritos
sobrenaturaos tiaham empregado longos an-
nosem instruir-~.e e haviam-me dado um
thesourotal que nenhum homem ous.ria
desojar outro semelhante. ..
Esse tbesouroera simplesmente um peda-
go Je carvao de podra cuidadosamente poli-
do, talhado em forma circular, e lendo um
cabo de madeira.
Tal era o espelho mgico do Dr De. que
tornou-selao celebre na Europa.
Por meio dessa pedrn, diz Elias \shmo-
le no lluntrum chimicuiH, podemos ver to-
das as pessoas quo queremos em qualqu- r
parte do mundo que so achera, embora es-
tejam oceultas nos lugares mais secr.'tos, ou
mesmo as enlranhas da trra.
Foi a grande rainha Isabel, quem den
reputaciio ao espelho mgico do Dr. De.
Em um accesso dezelosclla mandou-o cha-
mar, e perguntou-lhe o que fazia lord l.ei-
cester naquclle momento. O doulor mos-
trou a podra poiida a soberana, a qual vio
, nella... o que tinha no pensamenlo : lord
e oito das, suspeitando um lago | Leicester aos pes de Amy Kobsart, Tendo
urna devassa confirmado esse facto, a gloria
nossas pessoas, esta
de reconiiecimenlo
Berlha
roca sera nesso signal
do rei, ella guarda-se cora terror de ar-
mar a roca.......; mas pouco a pouco pe-
suade-se de que Dos Ih'a restituir, como
o nico e ultimo sceptro que Ihe conven)
dahi pordianie. Dentis aaseguram-lhe
que Pepino retirando-se do Mans, screco-
Ihcra a capital......
Em summa a rapariga guarnece a roca de
Iinno, arma-a com maotermula o vai liar
jnnto da imagem do Nossa Sen'iora.
Ora no momento em que o fuso Iho relava
cnire os dedos, no momento era que .-ua
boca repeta o cntico em honra do roi
tranco, um grande ruido de passos, de lo-
zinas e trombetas retumba era torno della
no fundo do bosque. Pepino e toda sua
corte, a familia Symons. "S habitantes do
do mgico elevou-se at s nuvens. Elle veio
a ser o valido de Isabel, c seu conselheiro
intimo al ao dia em que ella esqueceu-o. e
deixou-o morrer de miseria...
O doulor nao vira isso em seu lamoso es-
pelho : ,(,
iodavia essa obra prima sobreviveu-lhe, e
OS ricos amadores de Londres a tem dispu-
tado entre si at nossas dias. Ella figurn
ao principio na colleccSn do condo de Pe-
tersboroug, em tuj > catalogo era assim
inenci mada : Pedra preta, por meio da
qual o Dr. De evocava os espiritos. Do ga-
binete do conde passou ao camarn de lady
Elisabeth Cername, depois foi comprada
por lord John, ultimo duque de A
e's f ave?il'!l,i'mlra"c F,or PreciPitn,-.f|: neto, lod'^SS^TTS^Z "ao&Dre
do sie verde emboscada, cercam a humil- i.HoracioWalnole
de liandeira consternada, proclamam-na re-
aos
nha com grandes brados" c Cihem-lhe
ps, ou langam-sc-lhe DOS bragos ....
O primeiro homcm que ella vo a seus pes
he o rei Pepino ; a primeira mulher que a-
peita ao coragao he sua'mi '
Dos assim o quizera, Berta nao podia des-
mcnli-lo. A roca revelara a rainha de Fran-
ca e tornara a eleva-la ao throno desobri-
gando-a de seu voto.
Bem te dizia eu, minha filha, exclama
(ranea Flor com transpone, nos palacios <-i opera de Marmonlel e de'liretrv
sim como as choupanas o trabalho he a part- I nel|e pe|0 ,neil04 |
"l't.rtt:-, 1?J& eiia pensando ilU0 le sao mais chinos no n!undo.
co Walpole.
Em abril e em maio de 181-2 fora-n vendi-
das em leilo as curiosidades e objectos de
arle reunidos por esle era Sirawberry llill.
O espelho do Dr. De subi no calor da con-
currencia at somraa de trezenlos e vinle
o seis francos.
Era pouco para um thesouro superior a
todos os thesonros da trra ; mas era bel-
lo prego para um pedago de carvao de pedra
lapidado.
Costo anda mais do espelho de Azor na
Zeinira v
os entes
em mim ; ella dobrar teus praseres e encan-
tar teus enfados. E se eo< nes aproximar a-
i/iii na Ierra, por matares que sejdo as mudancas
per irlas em nossas pessoas, eslii roca ser nosso
osignal de riconhfciineuto.
''. a rainln Bertba, t-ndo ao lado su'a roca,
tornou a entrir em Parla no meio das ben-
gaos do povo.
Eis aqui como se passavo as cousas,
No lempo em quo a rainha liertha liara,
como diz a cantiga moderna.
Uuando ford s a l'ayerne, pequea cidade
do cantSO de Vaud, la vos mostrarlo a sc-
pujtura da mulher de Pepino, descoberta em
1817 o a sella em que foi montada quando fez
sua entrada em i'aris.
A sella est suspensa na'.igreja direita do
orga >. O sacriste
Ah eis o espelho mgico, de que a scien-
cia ea industria deveriam dolar as familias
Um fio de ferro leva nosso pensamento de
um a outro lado do universo em poneos se-
gundos. Um carro de logo nos couduz onde
queremos ir com rapidez que excede as bo-
tas de seto leguas. Fizomos do gaz o sol da
noite, da electricidade nosso corrcio, >a
luz nosso pintor instantneo ; rea Usrnoslos
contos do ScbebCrazade, de Perrault o de
madama do Auln .y. Mas quanlos dariara to-
das essas maravilb.is pelo simples espellli
em que vissem a um amigo ausente :
O espelho deveu seu papel scientilico ao
grande mechanico de Syracusa Arcbimodes.
Desse inslrumenio de casquilharia elle fez
i instrumento de destrugao para o servi-
Quando se suppa mais choiode vida he
quando a morte se filtra om sen coragao.
Uuando pensa, que vivo. elle nao pas-
sa de u .. cadver. Se tem nina esperanca
de vida lera nina elernida le de esque lmen-
lo.
Todos os ilias todas as horas, lodos os
instantes ouve-se um lamento de agonas,
um brado doloroso. He ella, que Ierren lia, e
de horrenda catadura invade o douiado
palacio do potentado, e a humilde choga
'arte, choga a Franca e seu casa-
mento com Pepino celebra-so ; mas no dia
segrale nao he ella que sobe ao throno, he
a amiga que todos confunden) cora ella, he
Alista que a velha Margista substituir a
rainha.
Quanto a verdadoira rainha, garroteada
e acalmada, pelo hngaro Tybers, sobrinho
c cmplice de Margista, foi arrasta la ate a
floresta do alano e abandonada ahi aos ani-
maos ferozes........ou a graga de Dos.
Depois de nina noito passada debaixo de
um lelo do folhas, as angustias qne he
lacil de imaginar-so, Berlha er ser o ob-
jecto de urna provaga.. do evo c pronicllc
acabar os das no retiro sem revelar jamis
o seu nascimento o sua desgraca, se Dos
Ihe conservar a vida.
Cobrando animo enlo, ella poe-se em
marcha e chega porta de um eremita.
Osancto hornera, a vista do sua belleza, lo-
ma-a porum enviado do demonio, recusa
dar-lhe asilo, e atirando-lhe um pedago de
pilo, indica-lbe o carainbo de urna habi-
tculo.
Rorlha acha a hospitadade christaa na
casa de Symons pai de familia honesto e
rico. Ella ajuda a Constancia, mullier de
Symons nos cuidados da casa e ensna a suas
filhas Aislante e Isabel todas as artes da ro-
ca, da agulln edo teiar. Em urna palavra,
ella lorna-sc o ido'o dos donos da casa e
seus amigos.
Pie] ao vol que lizera, Bertba guarda o
seu segredo e da-se por urna pobre Alsaci-
ana expulsa pelos rigores de una ma-
drasta
Entretanto ?. rainha firanea Flor inquieta
pela .-.or.- da lidia, de quem nao recebe
noticias .senao por longos intcrvallos, deci-
de-se a ir v-|a o a braga-la era Franca ,
mas por toda a parlo ness- paiz lie. ella re-
cebida por mccrlo de maidigoes
Bertba, a princeza tao boa e tio amada, lie
urna rainha avaronta e sera piodade, queso
cuida em enriquecer a cusa le seus vas-
salios oprimidos por suas exaccOes o capri-
chos.
A cada passo, Blanca Flor he dolida por
urna victima da lilha Ella ilravessa assim
todo o rei'io, crendo so o ludibrio do um
sonho horroroso e finalmente chega a Pa-
rs om casa do Pejino, o Mirlo.
i.mei < orer logo a abracar a lilha, mas o
rei a dclem con. aucloridadc, dizendo que
Bertba seuljra tanta alegra ao saber de sua
viuda que adoecera.
Branca Flor vai ter com Margista, a qual
ap*rta-a ainda mais cruelmente, porcm
quem poderla cncadear urna mai ? a do
Bertba. depois de don--, dias de combates.
b desce-a como um lustre lCo de sua patria sitiada pelos Romano
?o n CUnoSos1 &l\be loriada de Ierro, madeira o fe-ro rodos pe- '
los seculos ; mas o que vo* recommeado
quo observis alienta
maneira que desse aos
peliios do
seus refloxos urna
forga incendiaria, reduzio a cinzas urna es-
mente o o que vos ira- qUadra lormidavel impellindo urna mola do
press.onara mais que ludo, he o buraco pra-|Fndo de seu gabinete Este facto prodigio-
so referido por ilion, Diudoro, /.ornaras, o
ticado no lado esquerdo c no qual a boa rai-
nha assentava o cabo da sua roca.
Por que razo se tem exilado do aca-
fatc de casamento esse terno attributo da
mullier ?
Se eu o torno a por no vosso, senhora,
nSo he porque queira fazer-vos voltar a ro-
ca, mas para rendor-svresso viitude a borne-
nagem mais pura e m.s elevada.
Tzetzes, confirmado por Anthomius deTral-
ies, architecto do templo de Santa Sophia,
loi negado por Descartes o discutido pelos
sabios ate que a experiencia demonslrou
sua possi bil dado.
O padre Kircher foi o primeiro que tontn
construir um espelho ardente Com cinco
yidros langou fogoa cera ps da distancia.
Assim acabara o primero ,n nisuipto de ,.,..,, !tli,ton, nosso grande naturalista
' Eis aqu agora o segundo que acompanha- ?^"nd.0C0.m "?nta.v.drosuo seis polle-
va cesplicava o espelho.
II
LEGENDA DO ESPELHO
floiiieiiijiji'in belleza.
O primeiro espelho Nuciso-Eva-As ne-
gras As damas romanas Espelhos de
VenezaColhert l'hevard Ccnh'.ce-te a
li mesmo Os espelhos dos frades de S.
MartinhoO espelho mgico do doutor
Dec espelho d'AzorUm votoO espe-
lho ardente d Arcjiimedes O Espelho4a
vaidade, de mademosella de Fauvcau
Concluso.
O primeiro espelho foi o de Narciso, a
agua clara das fontes.
Tornada casquilha depois do ter comido o
fructo prohilido, Eva mirou-se no regato
quo corra a porta do Edn.
A' esseespelhoelementar a arte substituto
logo um metal polido, rellectidor insulli-
ciento, quo trouxe invengan do vidro.
As negras vendem suas familias i or una
placa de cobro ; vendem-se a si mesraas por
um pedago de espelho.
O major Denham, passando por Veddic no
Mandara, escreveu a seguate curiosa pa-
gina :
" Vi peito de cem negra-, entre as quaes
algumas mu lindase do urna ingenuidade
encantadora. V3o tinha m.ns qu un epe-
Iho para mostrar -Ibes. Era provavetmentc
isso o que liles podara dar o maior pra/.er.
lima insisti em Lrazer a mi, nutra a ir-
maa afira de ver-sa ao lado daqueila a quem
amava, o que causava-lhe nina alegra inef-
gadas de altura o oilo de largura, queimou
a setenta pes urna prancha de l'aia alcatroa-
da, com cont e vinte c oilo vidroa abrazou
era um minuto a cont e cincoenla ps urna
prancha de pinteo, com duz ratos o oitcnia a
quarenla pes fundi e volatisou una salva
do prata. Emliui Peyrard, traductor de Ar-
cbimedes, construio em 1807 e submetteu a
approvagao da primeira classs do Instituto
um espelho ardente, o qual demonslrou :
que com quinhentos e novanta vidros de
cincuenta centmetros manobi idos por cin-
coenta homens quodirijam todos os rellexos
para um s ponto pode-so realmente incen-
diar una armada a um quarto le legua de
distancia.
Quem sa'.ic se as guerras martimos reco-
mecadas no Oriente nao ressuscitarao o es-
pelho de Are limedes, psra dareui razo a
Diod jro.o a Peyrard .'
A cousa he mais para temer quo para de.
sejar.
Voltemos ao confluente das gragas. o
mais bello espelho moderno depois dos de
a e do Kenascimento he aquelle. que
madracsclla do Faiveau esculpi, e expoz
em Pars em 1839. Ella mesma dou-llie o ti-
Espelho da vaidade. Pode ser ol
fe-
e
lulo de : hspelho da vaidade. Pode ser ofl'e-
recido a arlo como tvpo o casquilharia
minina como lieao.
-No alto do quadro ergue-se um pavo os-
teslaudo seu leque matisadn de (ledras e
sustendo com os ps collares, diademas,u:e
dalhase.miras joias. De cada Jado duas
pessoas ferinando carvatides, um tepaz o
urna rauariga com os mais bellos vestuarios
ravel. vendo a inngein relleetida no espe- do lempo de Luiz XIII acaban) de ataviar-se
Iho, ellasabracavara o original com efluso.
lima, mu, moca e do Semblante mais seduc-
tor, obteve a permissao de buscar o lilho, e
voltou I jgo trazendo-o nos bragos. Sua ale-
gra parecia delirio. Saltaram-lbe lagrimas
dos olhos quando vio o rosto do menino no
espelho, e este de sua p.irte batia ptimas em
signal de jubilo, a
as romanas 090 eram mais sensatas do
e conteraplam-sa no espelho. ao mesmo
lempo na base do uadro um diabretc dis-
fargado em satyro enlaca os ps da casqui-
lha, eBrma urna cilada ao Adonis. Emlim
outros martyres da vaidade completara a
obra e o ensiuo da artista S3o pobres co-
tovias moras que deixaram se levar como
mulheres do aitract-.vo fatal do espelho.
Fis-ahi. senhora, tudo o que pude sobar
Vos me dizeis, minha chara menina, que fostes
nomeada por vosso pai minislrodo interior; eslimo
milito esla nomcagio, pois ella prova toda a conli-
ama que elle um en) vosso juizo, om vosso bom
senso em vosso espirito de ordem. Releva que con-
sideris como um dever de consaimcta tornar-vo)
digna della mas auendei dataisirar bem urna
cosa nao he cousa tao fcil como primeira vista
parece. Se nao quizerdes ser empregada, i nipona
que peneis mais nos devores qua este alto comman-
do impoe do que no poder que d.
O prinwtm poni mu importante, quo cumpre
RstaheleoM e principalmente seguir, he o equilibrio
Dxo o invariavel no l.nlanro entra vossa despeza a
recolta, e rrede que se nao Gcardes persuadida da
importancia desio consellio, se nao lomantes romo
regia constante de vossa conduela, ludo ir muilo
mal em vossa casa.
A fortuna das familias dependo da economa das
mulheres : os homens oeoupados de graves inters-
ses, de negocios e trabalhos i mponan tes, s,io en-
carroados de grangear o dinlu-iro necesjario a na-.
QUleocao da casa ; as mull.tos por seus cuidados, por uas virtudes domesticas fa-
zeui fructificar essedinheiro, o garanten) seus filiaos
das iliisgragas inseparaveis da miseria. A primei-
ra por tanto de todas as virtudes he a economa do-
mestica, pois que ella traz em seu seguimento lodas
as nutras.
l.ma mullier economi.a lie boa lilha, porquanto
toiii nieios de sustentar suas mais, se esta nao so
acha em posigao tbaslada, ; isso sem lesar sua no-
va familia.
He boa mai, pori|uanto assegura o futuro de
seus filos.
Be boa esposa, porque iutroduz ein soa i asa .a
proqioridade, a ordem a 0 dcscanco.'
Niio pode, minha filha, fazer una idea jus-
ta do encanto o da felicidade que relleetein como
un benfico raio do sol, sobre tudo o que corea
urna mulher que ajuma s pialidades lirilhanles da
sociedade as virtudes mais humildes que laxen) del-
la urna dona de casa laboriosa e regrada. Ella .no-
venia sem despotismo sendo seu jugo suave a car-
roar ; domis a ordem lie tao bom cstalwlecida era
rasa dola que pouca cousa basta para mantc-ta.
Primeiro quo ludo cada um tem soa emprego tifo ;
isso evita as difficuldades entre os criados, e fieai
corta do que quando entre ellos nao reina a paz, nao
existedescaugo na casa.
Tendo por tanto cuidado dolles, tralai-os bom;
a caridade e a propria dignidide assim o eigem;
fallaiIhes sempro com brandara fim de tirar-lhes
todo o direito impertinencia. O orgulho he com
elles lo deslocado quanto a familiarida le. Si-de
pois somonte boa, que assim conservareis sempre o
vosso lugar e obriga-los-beis a conservar o dolles.
Veilesi' riimprem seus devores de religiao. Seos-
quoceroii' o quo de,:.n a Deo;, como queris que se
lembrom do quo vos dovoin a vos mesma.
Dai tojas as manhas as orden* para o dia, se
quizerdes que o trrico seja bem feilo ; os criados
imito os amos e exageram-lhes os defeito;.
Urna hora consagrada regularmente cada ma-
nha aos cuidados da casa basta cninpleaifgute pa-
ra nella eslabelecer ludo o que do vs exijo. As-
sim todas as manhas, deveis contar cora vossos
criados e lodas noites com vosco mesma. Nada
faz a gente '.ao econmica como escrever toda su.i
lespeza ; percebe-se entao quanto dinbeiro se gas-
ta em bagalellas insignificantes, em cousas super-
finas o pouco a pouco, quasi mesmo sem o perceber,
e principalmente -em sa privar acaba a gente por
osgotar o curso desses riaehinhor"que sem esse ac-
to de prudencia leriam um dia formado esses gran-
des rios chamados dtsperd'cios; rios lorriveis que
.iriaslam e f.izein sossobtir mudas ve/es as mais so-
lidas fortunas.
Eis um quadroinais earregado quo espantoso,
diris vs, sobre as consequencias que pode ira/.er
comsigo a m administraro linaiiccira lac.ua. Pois
bem, asseguro-vos que este pensamento lie um
erro, e seria sem razio que vos capacilarieis le que
exagero a importancia que so deve dar ordem om
vossas despezinhas diarias.
Queris que para prova vos d como um eveni-
plo urna historia mui verdadeira da qual Vollaire
foi o hroe'.' Creio que concordareis contigo que.
poslo esse liomein celebre tpnha sido desgragada-
menlo aecusado e com razio das mais graves fallas,
niiiguem poz nunca om llovida nem sua penotraro
i "ii seu talento. Isso .lito o compreliendido, pas-
semos a nossa historia.
lima senhora mui distincla de outr'ora, intiga
amiga de minha ar, disse-me muitas vezes pie
ouvira contar a marqueza da Villcie com quem fora
mui unida em sua mocilade, que no dia de seo
casamento, antes de ir para a groja le Ferney.
Vollaire que a dotava e c.isava, Ihe lera entre uu-
tras cousas um magnifico aden-go de diamantes com
o qual pessoalnwnle llie nrnou a caboga, o pescogo,
as orelhas e os bragos. Acabada esta ceremonia, a
admirago foi geral ; a joven e bella noia brillen a
tanto por essas joias romo por todo o orgulho do
sua nova posico.
Minha chara lilha. disse-lhe enlo Vollaire,
acabo de dar-vos bagalellas, puerilidades, emlim
ninharias; osverdadoiros Ihesourosqne rasdesfino,
as \.u" laden.i. ri-pe-'.as, i-i-! is agora !
V. olfereceu mui galantemente i oncanladora
marqueza ara grande livro com rapado marroquin
encarnado, toda dourada e fechado por um clchete.
Em um dos lados ilcssc livro liam-te estas pale-
ras : Receita das rendas do Sr. maryuez de
Villete, e no nutro, oslas : Despeza da casa do
Sr.de Vi! lele.
Eis aqui, continnou \oltairo, o verdadeira
adorno de urna esposa e do urna mi; nao esqnecais
pois jamis o uso diario leste livro; fa/e que lelle
so mantonlia o balango sempre evado e otcrupulo-
samenle, o seris sempre rica e feliz.
A marqueza le Villelo, aceresceulou ainda, a
amavol senhora, que isso contara, por suas Jispos-
coes naluraes, era mais quo mitra qualquei piopria
para apreciare aproveiiar este conselho saluiar lado
de um modo lao paternal e lao temo ; por isso foi
ello o regulador do sua vida, o que Ihe permittio
vencoi'inbaragos de fortuna ero que urna mulher
menos afilada e menos providente loria dcixado
naufragar sem nenluima duvida assim sua propria
existencia material como a existencia de seusGlbos.
Nao consideris tambera nanea, minlii lilka, co-
mo cousa iiidiena de vossa aitencao, y- poquenas
particularidades da vossa casa, sabei sempre o que
nella se passa ; credo-nio, a falta de ordem nao he
nina pona de talento, seria antes o contrario. As-
si u para nao ciiar-vos senao um excmplo ao acaso,
di/ei-me onda acharis mais conhecimento dos ne-
gocios domsticos, mais economa, mais amor da
i-asa do que na espirituosa marqueza a quem sua
pena collocou no primeiro lugar entre as mulheres
Ilustres e encantadoras do seculo de Luiz XIV?
Madama de Sevign, depois da morte fatal do
marido, achara sua fortuna nu peior estado possivel,
o foi em virtude de sua corajosa resolugjo, em vir-
tude mesmo de suas privacoes que os lilhos acham
u m dia o mal reparado, ariqueza restaurada.
A propria madama de Mainienon, no auge de
seu poder, escrevii a sua runhada para eosinar-lhe
como, com quinze mil libras de renda, se pdia ssr,
nfio s independente, eno ainda bastante rica na* |
ra fazer figura no mundo. Eu vi essa carta curi-
osa, ella perlencea urna amiga minha, em cuja ca-
sa faz parle de urna ecollecgo de autograpbos pre-
ciosos.
Se o nao tendes ainda, buscai cootrabir gostn
em ornar o vosso interior ; conhego muitas nulhc-
rese mulheres de condicao elevada, que, por falta
do criado proprio, arranjam as cortinas,' guarne-
cem as cliainins, ornan) os movis, ara orna pala-
vra fazem essas milcozuinhasquedo immediala-
mente elegancia e distinceau a em apozento. Ile-
sejai imita-las que cora um pouco de paciencia u
eonssguireis.
Urna mulher he juleada a vista da ordem que
rei-na em sua rasa : nao doeanseis por Mato jamis
sobre vossos criadus, langai urna, vista d'olhos de
vigilancia sobre tudo, que s Mao bastara para
manter o bom servico.
Ooxo do dono enyorda o enrollo, diz um
proverbio napolitano : anplicai-o cm vossa casa c
veris as consequencias.
Madama Campan contava que runhecia um ho-
mem de alta posicao social, o qual para fixar sua
opinio sobre as mulheres cm ruja casa era recla-
lo, nao se achava jamis t em um aposento sem
levantar as almofadas das cadenas, dos cana|s.
emlim sem examinar os mais retirados cantos, a se
alii descobria uro bordado comecado, um lauro ma-
cluicado, urna fita, um diario despcdagaH, dizia
logo comsigo. Eslou em casa de urna mnlb-i
negligente, em casa de urna pessoa sem ordem aa
em aceio E nada podi.i faze-lo reformar .*
j uizo.
Visto que comer! a apoiar meus conselho) coni
a opinio de mulheres muilo mais importantes que
eu para insinuar-vos o que se diz eo que se faz
em casa de urna pessoa verdadeiramenle distincla,
quero encerrar minhas ctacoes pelo* eonseihot qw
a marqueza le Sainl-Lamberl dirige Tilha sobre a
conduca que deve ter para com us criados.
< Acostnmai-vos a tratar -om Imndadc a hu-
manidade aquellos pie vo* servom e vosso servigo
com isso andar melhor. l.m amigo diz que de-
venios considerar os nossos criados como amigo*
dosgragadoN : isso pode ser um pouco exagerado .
mas todava pensai sem censar rae nao deveis senao
ao acaso a extrema differciica que ha entre vi$ e
elles ; por lano nao Ihes fagis sentir a humildade
de seu estado : nao aggraveis a sua dor; emfim lom-
brai-vos que nada ha mais vil como ser altivo para
coro aquelles que nos esto sugeitos.
Nao usis de termos duros ; ha Icrmos que
devem ser ignorados de urna pessoa poiida c deli-
cada. Sendo o servico eslabelecido contra a igual-
dade natural dos homens, cumpre procurar adoca-
lo. Temos por ventura o direito de querer nossos
criados sem defieilos. mis que lodos os dias Ih'o*
mostramos ? Releva pois solfre-loscom paciencia
e procurar corrigi-los por nosso exemplo. Quando
vos mostris cheia do zanga e de colera. |>oi mui-
tas vezes a gente tira a mascara diantc dos criados,
que espectculo, que exemplo offereceis entao a seos
oll.es !
Corrisi-vos jiois a vos mesma para ter o di-
reito de reprehende-los. Nao deveis ler com He*
urna familiaridade de mao gosto, mas deveis-llies
soccorro, bons ronsellios o beneficios proporrioaa-
dos ao vosso estado e a* suas necesslades.
Cumpre conservar a auloridade na casa, mi-
urna auloridade branda e protectora ; a autoridad.-
da naide familia em urna palavra. Tambem nin
se deve aincarar muitas vezes um criado em despa-
di-lo, e ainda quo isso vos custe nao deveis hesitar
em ile-fazer-vos delle em ca*o de reincidencia, par
pie vossas ameagas se nao lornem despreziveit dian-
te dos oulros : mas tambem nao devei; empregar a
antoridade severa seno quando a persuasao falha,
pois leinbrai-vo* de que a humanidade e o ehristia-
uismo vos recommendao antes de ludo a indulgen-
cia. A impaciencia e o ardor da mocidade junla-
falsa idea que urna mulher moca faz muitas veze*
de sen poder nos leva a considerar os criados como
pessoas de urna nature? i difireme da nossa. Au '.
minha chara filha, quo contrarios sao estes senti-
mento* modestia que devemos a nos mesmas, c a
caridade que devemos aos outros !
Nao caas entretanto no excesso contrario
nao lamis gosto na lisonja daquelles que vos ser-
ven! ; pos de*te modo elles ot governariam e *
vos sul metteiieis a um jugo lao vergonhoso quanto
insiipportavel. Para impedir impreasao |ue os
discursos lisongeiros e muius vezes repetidos le
vossos criados podem fazer em vosso espirito, lem-
brai-vos de que sao pessoas pagas para servir vos-
sas fraquozas e vosso orgulho.
O comprmeme desla carta nao me permute, -
nha filha, ajuntar minhas observacoes como con-
cluso d:sesconselbos lao sabios qua madama de
Saint Lcmbert d a filha ; mas se o permitliroes,
espero piosesuir no mesmo assumpto no prximo
correio : enuio vos direi ainda muitas cousas sobre
este capitulo lo imprtanle, pois que elle conten
toda a felicidade das mulheres nesie mundo ; pois
aquella que nao tem ordem em sua casa nao a lera
jamis em sua conducta.
Adeos : cu vos abrigo romo vos amo, isw be d*
lodo o coragao.
Condessn de BassancilU.
PERIAHBnCQ.
PAGINA AVULSA.
ISffiSC EA S
Quousqui- tndem t Al quando mereuiw
carne em periodo lgido, e .i vinto pataqui-
nhas ?
Se fosa' carne viva... transiirl. mas carne de
boi mono,ou bom, que amanhece Mtt
Veris rato amarrar vrato.
Voar umboi lanihein veris.
Morrer boje vivo o boi...
Cana tal nao comcrci*.
Se nao lives-omo* oslas chavas poderia ser qo-i
eomessemos melhor carne, porque n.e. morrena! i
tantos aminaes vaceuns, mas os rornnt!'. coruns nem lcaat prelos nem alados, vendem
por pre.o bem cholenco '. Aqu e*l que rom estes
que a Ierra ha de comer vi venler-se a 10 Int.. pn-
nhas carne de boi, que amanheceii morlo em
um curra! de ceno matodouro. (iteren! por fon;a
que sejamos arabais, ou cachorros de mulbe* l-
disla !
Queixam-se pie o medico, que usa .nrumbiiio
da ra Imperial mora no Japo ; te asnm he. he
milito longo para ii'um ca*o rcfieniio acidir aoc-
doenle .
Q.ioi\un-s! lambeiu, pie quando ki^aiii
para cjuii/irem um doenlepara o liospiui.cooda-
zem j um adaver: se assim he, he mcJIoi que
v logo a cama ambulante.
Consta-nos, que lem havido pharmaciinii
lo cuidozinhos que mandan) comprar por lai\o
prei;u as drogas, e as veodem.... ora, islo la esu
lito!...
Oh! la... oh 1 siai senhores -.unmaihiame*
decompanbias, senhores sargentos!... sie ve-
nham c 1.^ olliemque temos urna rapaziada lava-
da, que vo deizaras iaspeclonas de -ortos quar-
ieir."ws; logo que deixem, ou sejain denulhdos quat
It/icacwnemme fet; esses mogr* oh'lo! tem,
pre-Lado servicos um !... fufo com elles no Uno
das malricaUs.
No dia 11 de fevereiro, di/ < nosso corre-
pondenle de Balen, cabio ; l.o*arinho. da r-
n/ia-remanf uma escrava, e urna senhora leve lo-
go ao saber nina es|>eciede estopee Cambridge, que
quasi a rapa.
:Os habitante* da eslradi de .loas derW,
anda reclamam providencias sobre os focos
micos alli existente*.
Agradecemos cordialarente em nono dos de-
valhdosdeBeberibe o oirtrecimenie do Sr. Moura
ptiarmaceutico de minblrar-lhes graloilamenle me-
dicamentos.
O Sr. Joaquim Ignacio Ribe.ro umsera
pharmaceutico na loa-visu.. nao sa exime de st
prestar aos pobres.
__ Al
ajane-
A Coroa nos Res na0 af he insignia umbere
lia |hso : se fugiron. com acal ao* cuidados,
parderao a honra da insignia.
injusta,
A tribulago nao he cruel nem
compre proveiiosa.
____________D- Aug I Me cap
UN. TVP. D M. F. UkTaha'.'- 18K
KAtri ur\n
\/l"A ji-m
K I /\/\
al


Full Text
xml version 1.0 encoding UTF-8
REPORT xmlns http:www.fcla.edudlsmddaitss xmlns:xsi http:www.w3.org2001XMLSchema-instance xsi:schemaLocation http:www.fcla.edudlsmddaitssdaitssReport.xsd
INGEST IEID ET9PGTZY4_C5KNGQ INGEST_TIME 2013-04-24T20:29:27Z PACKAGE AA00011611_07263
AGREEMENT_INFO ACCOUNT UF PROJECT UFDC
FILES