Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:07256


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Full Text
ANKO XXXII. Lt 35.
Por meces adiantados 'csO0<>.
Por "> iikv.cs vencidos igflO.
DIARIO DE
;o ni ni. i im iuiiso e use.
Pui auno aduntado l.siMM
Poi le franco para o subsc iptoi.
AMBCO
r.\(;\HUK4;AlK>S O.V SOBSCRIPT.AO' NO NORTE.
Pirahiha, o Sr. Gervuio V. di Natitidade ; Natal, o Sr. Joa-
quim I. Pereirt Jnior: Ar.n-.itv. o Sr. A. de Cemos Br>(.i ;
Cear, oSr. i. lo da Oliveira ; Maraoho, o Sr. Joaquim Alar-
les Kodnguea ; Piauhy, o Sr. Domingos Hercutano A. i'i'.-oi
Oaren.- Para, o Sr. Juiliaoo J. liarnos; Ai
OTTiio da Coata.
Amarom.-. Sr. Jero-
PARTIDA DOS CORREIOS.
Olinda : todos os di".
Caruaru Bonito a Garanliuns : nos das 1 15.
Villa-Bella, Boa-Vista.Eiu' a Onricurj : a 13 28.
(ioianna e Parahiba : segundas e seilas-feiras.
Victoria e Natal : lias quiutas-feiras.
AUDIENCIAS DOS TRIBliKAEK DA API I Al..
Tribunal doenmmercio : quartase aabbados.
Reiavoo lercas-feiras e sabbadoi.
Fa?enda : quartas e aabbados as SO horas.
Jui/o do commercio : segundas as 10 huras e quintas ao mcio-dia.
Juiro deorpbaos : segundas e quintas as 10 hora*.
Primeira Tara doeivel: aegundu e aeitas ao meio-dia.
JSegunda Tara da cirrl : quartaie aabbados ao meio-dia.
EPIIEUEKIDES DO MEZ DE KKVBKEIRO.
6 Laa nova as7 horas,23 minutos. 48 segundos da inanha.
13 Q/uarlorrescente aos 7 minlos e 48 segundos da manfiaa.
O La cheia a 7 hora, SO mioulos e 48 segundos da urde.
20 Ouarlo minguaoteaos VJ miuulose 48 segundosda manhaa.
PREAMAR IIKIIOJK.
Primeira as S horas e 30 minutos da manha.
Segunda as 8 horas e Si minutos da larde.
DAS A semana.
4 Seguuda. S. Andr Corsino b. : S. Jos da Leonissa f.
5 Terc,a. S. gueda v. m.: S. Pedro Itaptista e seus compan.
fi (Juana de Cin/a. S. Ilerollica v. m. ; S. Vidaslo.
7 Quinta. S. Romualdo ab. ,- S. Ricardo rci .* S. Moyses b.
8 Sexta. S. Joao da Malla ; S. Oirinthia m. ; S. Pedro Dainiao.
9 Sabbado. S. Appollinaria v. m. : S. Ansberlo.
10 Domingo. 1. da Quauama. S. Escolstica irma de S. Bento.
ENOARREGADOS DA si HM:itll*< AO HO MI..
Alagoas, o Sr. Claudioo Palcao Diaa Baha, o Sr. D. Uu*a<
Rio de Janeiro, o Sr. Joao Pereira alexiins.
bm faaummma-
O proprieUrio do DIARIO Manoel Figueiroa de lana, na ra
hvrana Praca da Independencia ni 8 e 8.
w
\
v
i
Muilo se tem clamado nesles ltimos I GOZO; por ajuste obteve as Ibas Jnicas,
lempos conlia a ambico da Russia, entre- e por occupacSo, Nova Galles do Su I, Ter-
lanlo que quasi nada se tem dilo conlra a ra de Van Dieinen, ilha de NoiTolk e Iba
da Inglaterra e mesmo da franca, de Talklaude c Sorra l.coa.
lie verdade que os clamores contra aquel- De 1820 para ca lem a Inglaterra ainda
la potencia sao om mu grande parte levan- adquirido o rio Swan, a Australia iiicridi-
lados pelos luglezes e I'rancezes, cuja*in-lona), a Nova Zelandia, a Australia septen-
llucncia ella ameaca aniquilar a vista das ac-trional, a Australia Felis, Labuam o Sara-
quisiedes que na Europa leni ltimamente wah.
roito e intenta faer ; mas como negar-iliel Oque provam todas estas acquisieocs
o direito de estender sua dominscSo quem seno amhiciio desmarcada deque estilo a-
teni praticado c esta pralicando o mesmo ? | turnadas as potencias que as tem feitos ?
Km vez de eni|iregareni os poderosos mei-
os de que dispoem em me Inorar acondi-
'
" "ivnuv t. SjJV'l !< il Lli .1 l lili \l II,, ~..|.r i |
Sera porque se tem ella engrandecido pritvj
plmenle a cusa do naces europeas ao
passo que a Inglaterra e a Franr-a o lem le -
lo maisa cusa de naces asiticas e africa-
nas '.' llavera entilo dous direitos das gontes,
iini para aquellas naces o oulro para estas .'
Podarte as primeiras ser .conquistadas e as
segundas nao .'
Se a Rusta apossou-se da Polonia, niio
apossou-se tambera a Inglaterra e todo o
In tostfio, e a Franca de toda a Algeria* Se os
Hussos cubicara a Turqua, nao cohicam
tambern os luglezes o Egypto e os Francezes
a Blgica '.' lias, dir algucni, a llussia sspi-
ra a domiiiaco universal e as Nutras poten-
cias uao.
Concedemos que a Franca, no estado em
que se acba, nao sonba agora cotn o domi-
nio do inuiido.como u (unipo do scu Garlos
Maguo a do seu Napoleo I. ; nas nao p ide-
inos conceder que lo mouslruoso sonbo
n."i<> cmbalte a Inglaterra assini como em-
balla a llussia.
He por isso que na quadra actual, a pri-
meira, coberla de louros, moslra-sc disposta
a fazer a paz, entretanto que as nutras duas
oslculaiii-se cada ve/, triis obstinadas em
sustentar a guerra, esperando cada urna po-
der alfim bumilhar a sua competidora para
mais liberdado ter cm seus deseuvolvi-
mentos.
A ambiguo das nagocs be como a dos indi-
viduos, vai sempre crescendo e nunca se lar-
la. Quando pequeas o fracas, anibiciouam
pequeas cousas, mas cliegadas a um cerlo
grao de poder c de grandeza, parece qne so
a diiininat-u universal as pode satisl.izcr.
Felizmente acontece a estas o que acontece
aquellos. A Providencia nao tolera qua se
cngraiidegain a cusa das oulras senao para
que depois maior e mais cstrondosa seja a
sua queda.
Que be feito dos lamosos imperios dos
Assyrios, Parlbos eMeJos, (iregos e P.oina-
nos, Cabiram todos debaixo do peso de
-ii.i propriu grandeza. Os que tudo quizeram
ser, de lia muilo que nada sfc.
Gastigo evidente infligido a to desmarca-
da ambicio;:
Oquecram a Russia c a Inglaterra antes
dos celebres reinados de Pedro (irn le c de
Isabel i' Pequeos estados que a muguen*
intiinidavam.
0 que sao ellas agora ? Grandes potencias
a quem lodos respeitam c temen-..
K como procedcraui para cliegar a e*s"
grao de poder e de grandeza ? Intrigando,
opprioiiudo e devastando.
He por estes meios que a liussia lem es-
tendido a sua dominagao por grande parle
pa Kui una e da Asia Sclemptrioual, elevando
a populaciio que I he b sujeila ao espantoso
numero de 60,000,000 de almas, be por estes
meios que a Inglaterra lem estendido a sua
por todo o orbe terrestre. Asia frica, Euro-
pa, America, Decana, nada 1 lio tem escupa-
do : em toda a parte tem ella feito acquisi-
eocs, mais ou meaos importantes, tvitando
coiii cuidado viras mSuscom os poderosos,
n5o lia eslado pequeo a quem nao tenlia
imposto a sua voutade de ferro, 180,000,000
de entes humanos Ihe obedecem boje '
A Austria, a Prussia e os mais estados da
Europa, com cxecpco nica do Piemontc,
niio tem querido tomar parte activa na lucta
Iravada entre os dous gigantes que a todos
trazem assustados. Summa imprudencia se-
ria terem obrado.
Km vez de concerrerem para que um del-
l.s saia victorioso com humilbacao do ou-
lro, convcm-lbes que ambos se enfraquecam
c esgolem, pois s assim podeiio guzar de
socego e liberdade.
Uo seculo passado para ca tem a hussia
adquirido na Europa, a Finlandia com as
ilhas de Aland, a Polonia c a Crimea, e na
Asia toda a regulo caucasiana, a qual lora
subinellida pelo general lermolof de 1817 a
1827.
. A Finlandia lu lhe cedida pela Succia de-
pois de guerras desastrosas parte em 17-21
pelo tratado do paz. de Nystadl, parte em
1743 pelo tratado de Abo, e o resto em ISO')
pelo tratado de FrcdcriUsbamm.
A Polonia, adquino-a ella, parte em 1772,
1793 e 179> pelas mutilaees que desse reino
fez em seu proveil proprio c no de suas
vizinlias, a Austria e a Prussia, co resto por
annexaco em 1831.
A Clnica fora-lbc eucorporada em 1738
depois de ter sido o sulto obligado a re-
nunciara toda a supremaca sobre os la ra-
ros dessa pennsula o sobre os Gossacos do
Mar Negro pelo tratado de paz de koutcbotik
Kaiiiardj concluido em 1777, sendo-lhe ced-
dos uessa Mama occasiao Aol, Kcrtcb, Je-
nicale, a grande e a pequea Kabardab.
As acquisieocs da Inglaterra durante o desesperou ainda.
mesmo periodo de lempo sao anda mais ||_,ffiratem"* yotos i>a
espantosas
^'a Indi
de Ben_
lipam to
Ghittagongo, do obabo do Bengala ; cm
1763, Bailar cOrissa, do imperador de Ue-
lhi, e Jdgbire de Madrasta, do Nababo de
Aacot; em 1775, Zeninday de Henares, do
Visir de Onde; em 1776." b Iba de Salsclb
dos Maharallas ; cm 1778. a cidade c forte
doNagor, do Baja do lemjora, eGualar
Gircar, do Nizam ; cm 1786, Pulo Pcnang,
do rci de Gueda ; em 1792, Malabar, de Tpu
Sulto ; em 1799, Cmara e C'K.ibatur, do
mesmo e Tanjorc, do Raja de lanjorc ;
cm 1800, as provincias Mysor->auas, do Ni-
zam ; em 1801, Carnatico, do Nobabo de
liaruatico, c (iurucbpur e Braeilly, de Visir
de Onda ; em 1802, Bundelcunda, do Peis-
hy*~f^rT~T7j8*;-14i.iUuck c llallasorc, e o
nja:deBarar eo territorio de Delb.do Scin-
dia ; em 1803, parte doGujBrat, do Cuco-
war; em 1818, Kandcsb, do llolkar, Ajoc-
re, do Scindia, Puna co paiz dos Malla-
rattas, do Pcishw e os destlelos de Nerbu-
dade. do llaia de Besar ; cm 182, Singa-
por, do Baja de Jobor ; cm 182'), Malaca,
ote. do re da llollanda ; cm 1826, Aos,
Arracan e lenncsserim, do re de Ava ;
em 183t, kurg, do Baja de Kuig ; em 1841,
Scinde, dos Annrs de Scindc ; cm 1848,
J'unjab, dos Sikbs o cm 1833, l'egu do re
de ,\\a.
Em summa lodo o continente da India, ex-
cepto somente Bhootan e Nepanl, llieesla,
sujeito!
Na Asia pertence-lbes mais llong Keng na '
China por coni|uista.
As acquisicoes fetas as oulras partes do
mundo sao as seguimos.
Cibraltar tomado llespanba cm 170V;
Alio e Baso Canad tomadj atranca em
1739 ; de 1 TOO a 1820 obteve ella anda dos
Frahcezes,' Tobago, Dominica, S. Vicente^
ao de seus subditos, empregam-nos em
oppriniir as uacoos mais Iracas, mportan-
do-lbes tudo a gloria do e>ado, e nada o
bem estar dos individuos que o compoc-
\o passo que o nomc da Russia c da In-
glaterra fa7.e-.n tremer o mundo, um grande
numero de Rasaos e do luglczes vivemem
seu paiz natal no mais alllictivo eslado de!
ignorancia e de miseria.
AservidSo tira aquellos c o pauperismo a |
estes a dgnidade propria do ente racional.'
Mais de um milhiio de individuos careeem
na Inglaterra dos objeclos mais neeesssanosi
a vid*c rec-bem das parocluas. a titulo de \
esmola, os Ircs ()uintos da somma imJispen |
savel a sua existencia.
Se os filhos sao assim tratados, de que
modo o serSo o* servos i A India e a Polonia:
|ue nos rQspondam.
(ianiinliaslen ao('.al\ario
Para mu lodos salvar,
E queris, Juit Elernu.
A nos lodos fiindaninai .'
Nao lie ira pia c rhnslA.l "
Esta Ierra Bnm Jan,
K psle imperio que seme,
.Nao he (t da vosm cruz.".'
I.ave, inen Dos, nossas rinpi .
Vosm sanano precioso,
Seja n Brasil como d'anles
l'in imperio venturnsu.
A' vosso pnvo salvai
l'els qaeKlaa que levasJlea,
Peina rruois bofeledaSi
Pela cruz, que carre^nsle-.
Pela cori de eipinlms
Pur \ossa miirle e pnii.i
Por Maria COM Mai
Misericordia e perdan.
Nos infamas ecrrsceiilar.
Dai rnragem mcu Rom tito
Au povo perii.niibucaiio,
Parn que resi>('a /irme
\ um mal lilo deshumano.
V nin mal lio deshumano
hi'-i-'amo- rom valor :
Seja a rru/. nono eslandarle.
Sj Dos nosso penlior.
X'iirurt ikiirii^i'iiltuii*/.

COMO HE Ql E SE AMA
l'or l I
' solulnmcnlo a rapariga, e apcrlou como em
um torno a mlo d-* Theodulo.
- Oh : lornou recuando alguna pasaos,
'c cruzando os bracos, Vincs. nao me reco
' iibecem, a niiin, Felippe Varnier, amigo do
\ pobre Dclvecourt, cuja morle conlou-me
searam pela ribanecira a sombra dossalguei-
ros o dos alamos sobre a relva rasteira e llo-
rida. varnier dava cortczmciitc o braco a
madama I) lv-,court, ao oasso que Sotana
viva e graciosa como urna gazclla corra adi-
anle colbcndo lloren e folgando com Tbeo-
Junto da Cit Rivcrjn lira um oasis ile
verdura perdida na pane sombra c lodosa
Ida roa de Bondy em Pars. Quem passa asi
duas grades de Ierro, qt" asseinelham-sis a '
portas do prisSo, e o destadero entre dous
uniros elevados, que ttrna-se amcacador,
ve logo a' esquerda uma'longa lileira de c-
sasele modesta apparciKa, corlicns de 1ra-
lialhadores, rojos ilve.>*s dfio para um eco'
vasto, e a' direila bellos vergeis, cujas ar-
I vores de magnilica opiiencia lancam suas
cupolas de folhagem ateta altura dos sump- ]
tilosos palacios de que dfepeudem.
Km 183... a familia ItlvccourL liabilavaj
uo quarto andar de uniatasa dessa Cit um .
aposento ornado con. citrcm. simplicida-IP' Mex,co 0,l ,,I1,?S a,ltes; c,
.;, ... mesmo com a nica di! urenoa de
um de nossos amigos coinmuus que ha pon-1 dolo, o qual niio poda eximir-sc de urna
co eneontrei ? Olio aunos no Uenico muda-1 preoecupa^So penvel e mysteriosa. Varnier
ram-me a ta! ponto ? Vmcs. fa/.em-me des- admirava ambos,
esperar: Era Um da delicioso, o sol (iltrava sua
Kssa entrada repentina aturdir um pon- : luz a travs das nuvcus de prata, e fazia on-
co a madama Delvocouil, a ijual (cara u n de ir a larga lila de agua que passava entre
Dos j que nao posao ser til a Vnus.
cm oulra cous-i, ao menos tica entendido
que screi sempre scu amigo dedicado.
Nosso amigo nosso mellior amigo '
disse Suzana commovida apparecendo un lt-
muar da alcova da mai.
Ab bem exclamou Varnier eslupclac-
to. Ella escuta va a porta, que horror '
Depois avistando a Theodulo que conser-
va va-se grave c triste atraz Je Suzana, ac-
ei oseen ton com a I urna conlusao :
E elle tambern, que vclhacu Lston
mas rcconliecera per- os lyrios e os cancos. A brisa fresca e per- ] mystificado, e sinlo a necessidade de entrar
Varnier, cujas manc- | fumada entumeca graciosamente as velas la-1 cem pus para baixo da trra.
tiiris das chalupt's une va?avam *nl
momento pasmada
feitaniente a Felippe
ras vivas a eordiaes Imslavam para da lo a j
conbecer. Suzana e llieodulo o linliam lam-1
bem recnnhei-ido logo.
Era um gaiato de triuta e seis a quaren-j
ta anuos, de semblante bello e franco, cor-
.lle ammihfi.
x?ontiit!titcab(t.
i
PRIMEIRA DOMINGA DA QUARESMA.
E*a>gelho de S. Mattaeaa cap. 4.
O Espirito Sauto conduzio Jess Christo
PAGINA AVULSA.
, r?-*^ ,*.,:'-k \. ... ao deserto para o expora tentacrio doldemo-
( orrem de Oltiida.Aquella aulisa e leal me- ..:.. __i:j- ..:
Iropole de l'eriMinbaca era quem fallava enriquecer
a no--1 Pagina com as suas noticias. Com i:oslo as
recebemos por considerarmoa u estado de pobreza e
e-queciiiietitn cm que jaz.
Que licara de ti citlade anlisa '
Se a propria Academia eaclac-cid
As costas volla, le vai dando liga '.'
O seu eslado lie laslnnoso, lie noaca a sua pobre-
za, murria a sede, o a uao erem as at-uas ploviaes.
que uestes dous ulliiuos das ll-u- hvn nos manila-
la, o que seria dos Olindenses'.' Se portum lado
rcuascc em Olinda nina esperancaa de flAn mor-
rerem a lde, por oulro u aen deslino anteaba-a
cruelineule com a leinbran;a da terrivel epidemia,
que sulire nos ja pesa.Aquella cidade niio tero um
medico que a aocoorra : o Dr. I' -.:i inudou-se para
esta capital ; o Dr. Moraes tBfftpre dilraliklo com
os sen. ala/eres nao podera cerlamente ser ponlual,
quando iw precisar de seus sen icos, emlim. all
teui-se apelar de lu lo conlianca em Dcos e no o- j
Yerno, que eerUmente cuidaJo-o como se lem mus-
Irado, niio deiiaru de com lempo soccorrer aquelle
poltra povo, e como S. Etc. teulu deestaiielecea* all i
um hospital, TOS pedimos urna lieenej para lembrar que
o edilicio destinado para
situado uo centro da i-idad
(lenles para alli seren transportado).
No dia 2 do cormile l'oi festejado em sua i^rej.i o
glorioso S. Sebasio a proasto esleve esplendida.
Aipiellc povo lie niiuiaincnte religioso, e pela cou-
cu'neiicia e influencia da Cesta pareca qoe lia-
via entre elle e o seu defensor orna alli.no a : pare-
ca que havia um tratadonao me ahanduueisjjpue
en vos livrarci d.i pesie. ^^^r
IV fien 1 111 oruani-ar alli uina socied.ulc. que lem
por hua ludo cusio enlerramentn dos clioleri-
cos, caso a Divina Providencia determine que M*
fram um lal llaRellui. I,olivamos os pios desejos
desse*, que lo humanos e elirislos se querem de-
dicar a um fin lia magnnimo Csse teslemunlio
de Ir.ilornid.iile hilo desfalcara por rcrlo as burras
dos ricos prupriclarios de Olinda e seus eonlnrnos.
Sr. liscal de Olinda, vede que vos espreilamos com
o nosso hiiiifulo '. Knlao desprezasles a casa do
mercado? Cu e la mas fadas lia...
Islo lie t|tie lie genlc apaixonada pelo eutrud
d'acua N'mna casa na praca da Boa-Vjsla ha urna
devo$lo de iiiolharem quem passa, que so se levando
um i caldeirada he que se pode avahar o liom goslo
d'esses moradores por colisas Irias e irtolhadas!.. um
leva comli^o.. e que clieirinho lem u.s laes iiiiiunda-
ces, -<> quem nao se bauhii a seculos.
Appareceu ao mar, as Ciuco-Poulas. na sevla-
feira. um cadver de prla.
Pedimos i lllma. cmara que mande siislcr os
dohres fnebres das iurejas, at que esta quadra me-
lanclica passe ; cada um. que ajuizc o elleito, que
actualmente cau-a os tristes si^uaes pelos mortos.
Esla desertando o deslacameiilo de brarO*t que
foi para Santo Anto. feHmenie os /tt vam ja em putrefacta>: que lir~io chlo dando a csse
dcslacamento ns mnuicipaes de Macaiii!
No becco tapado lia urna seuhoi'ii viuva.que to-
das as nuiles rene cm sua casa um bando de juga-
dores, que poem em alarma toda vi-iiihnnra com
gritos- iulernaes !
Diga seuliora viu...u..va.
Voc com quem quer caza-a-ai.
Vem ca meu hem
O'iero le contar
Ouc cerla viuva
I i/ vida cm jogar !
II.i nina i lea sublimo na guarda nacional d'esla
mu. A solidao, na qual o Filhodc Dos se
demorou cutre as feras conserva ainda boje
0 nome de deserto ta i/uarenlcii". Depois
de nin inlciro e conslaule jejum por espaco
de VO das e O nuiles, o Reilcmplor senlio
lome, e foi esta flaqueza a que deu molivo
dese-lbe aproximar o demonio ; que pos-
to olliasse aquelle jejum, como cima das
foreas humanas, com ludo de debilidade
em que Via o Salvador, Ihe fazia suppor que
| nao seria o l'ilbo de Dcos. Elle se aproxi-
mou emlim, debaixo da figura humana, e
prcsenlaudu-lbc duas podras, o couvidou
para que se l'usse Ofilho de Dos, as mu-
dasse em pues, e com el les so restabeleces-
sc do abatimcnlo a que o jejum o liavia re
duzido.
Se elle as cotivertesse cm piles ( a usa va
comsigo ) he um signal infallivel deque
be Dos ; se niio as converte oppriJo pela
lome, como elle se acba, he urna prova de
o niio pode fazer, c por consequencia
a Academia, que estando' a Divndadc nao exislc nelle : que 0 liomein
e. paderao farilmenle os nao vive s do pfio, mas do luilo aquillo
que Dos qtiizcr e mandar que Ihe sirva de
a lmenlo.
Esta resposla jlludio o racionio do tentador
e nao lltudcu molivo para poder ajuizar,
se Jestis Christo era ou nao l'ilbo de Dos.
Vendo porem que o Kedemptor o embata-
jcava, respondendo-lhejjpm os lvros Santos,
" procuiou ainda arraiicar-lhe o Segredo por
diverso caminho, e citou tambein oulra
passagem da IJscriptura, mas com um sen-
tido falso. Elle o transportotl ao Templo
de Jeruzalcm alVastado do desello ; segundo
alguns ) onze, ou quasi doze legoas, col-
locou-o sobre o pinculo do Templo, como
o lugar mais elevado, e propo-lhe : Qti(
se era o -ilbo de Dos, se lancasse daquella i,:,.,.:..,, Mb|
l eminencia aba xo, porque nao tiuha nue te- l"-u"* ;,u-"" D"gu MCiWva
11 "- le 1 aposento que a lada Su/.ana sua mi Ksse
de. mas tratado com iftaiavillioso cuidado.
Ah baviam alguns -novel de nogueira tilo
. bem i-atados c p didos. qic reluzam como
espelbos. As cliamius linham ordinaria-
uiHiite por nico adorno is mais frescas e
i mais simples llores da eslacSo cm jarros de
I pode podra. Asjanellas Cirregada -le cai-
xas verdes pregadas a'prete eslavam gra-
ciosamente arreiadas de cbjgas, clematites,
ecainpainhas, alravs das Juaes a vista pai-
rava sobre o amphitheatro'verdejaiite. to-
da essa bella disposQ'.o |iarecia revelara
presenca de alguma boa faJa que com o to-
] que de sua varinha se cortprazia em pro-
duzi-la, ou de alguma mocinlia cuidadosa
e gentil, que tinha por mais agradavel oc-
ciipacao embellecer c poetosresse humilde
asylo.
Dizeni que uo ha mais ladas ; porem an-
da ha donzellas, o que he a mesilla COUSa.
Suzana Delvei-ourt era e.oo oll'eto a fada
desse florido domicilio, linla radidedeza-
seis anuos, csvelta, branda, e um tanto del-
gada, de grandes olhos negros, bellos cabUl
los ondeantes, e roslo 13o ilvo c lao rosado
que os passsriflhos, uuandD por acaso ella
scismava a janella, iouiavain-ua por uina
flor, e vinham sein susto picar os graos de
resoda', lie verdade, quo cnlao Suzana lica-
va oiniovel. relentlo a respirarjio pelo ro-
ceio de espantar os hospedes cantores de
seu jardim suspenso. Amava muilo os pas-
aarinhos ; por isso nunca liulia nenhum em
gaiola : Suzana era de bom BOraoSo.
Os passarinbos- e as llorts nao ejatn .is
nicos amores de nossi linda fada ; nina va
tambem a m, a qual nao era a vil Urgele,
mas urna mulher boa c Jgoa, viuva de um
empragado de administraban, que leudo por
nfelieidade fallecido seis mezes antes do
lempo necessario para sur reformado, nao
deixara a mulher e a lilha outros meios d s
subsistencia que suifboa reputacSo o sen tra-
! balho, o que basta sempre para viver. Mas
felizmente madama Delvecouri, posto que
de aude mu dbil, oca eoratoan, a graoio
isa Suzana era um verdadeir^ dtagdo. lim-
quanto a mai illuminava mis gravuras de
moda, e inspidas devisas dejeonfeileiros, a
lilha bordara com nfaliga*|el intrepidez,
com prestigiosa agilidade, e ; mais bella llo-
ra nascia debaixo de seus d.'dos delicados
como uos raios do sol.
Todo esse trabalho nao te a talvez bas-
tado para lazo-las viver coiimodatnentese
nao fora a participadlo de un mancebo que.
nio era tambem o principe Myrlil ou o fei-
o mesmo
puicnto, de venlre um tanto redondo, e do-
lado de muita viveza e jovialida.de. Partir
voltava o
tica de que tra-
z.ia da liquidacao de seu commercio mais de
diizcnlas mil piastras, das quacs eslava qua-
si totalmente desprovido, quando partir
para a America. Essa carga nao diminuir-
he o bom humor.
Suzana apresentou-lhe una cadeira, c
couvidou-o a assentar-se.
s que vagavam so'ire o
Mame. Era para fazer morrer de desejos de
pasaear em batel. Varnier alugou um, no
qual descerara at Champiguy, onde janta-
ram alegredieute sobre a relva a sombra de
uina grande nogueira. Jautar frugal que
nosso millonario delicado temeu corrom-
per tornando-o mais sumptuoso.
Quando vultaram para Saint Maur, o sol
comecava a annhar se na folhagem do bos-
que de Viticeunes, o somente dardejava raios
enfraquecidos. Era a hora em que toda a
jovialidade fogo para ceder o lugar a um
senlinientb de meditacao irresislivel. Suza-
na e Theodulo, assentados um junto do ou-
lro no batel, eslavam contentes c peusali-
Oh! nao! disse elle. Vmcs. v3o sabir, vos. Madama Oelvecourt guardava o slen-
e nSO quero demora-las. Tornaremos a ver-
nos, pois declaro-Ibes que bei de vir multas
vezes fnipurtuna-los. I'enho esse direito,
porque aniava muilo o excelleute uelve-
court, e pretendo ser sempre amigo da fa-
milia. TerSo Vmcs. a crucldade do recu-
sar-me isso :'
Nao, mcu charo senhor Varnier, res-
pondeu madama Dclvecourt sorrindo. Sem-
pre que Vine, vier visitar-nos, sera bem-
viudo. Lembro-me ainda de que. era ou-
tr'ora nosso incitador.
Cm verdadeiro diabo a qua lio Pois
bem! miiilei : bom pe, boa lingua, bom es-
tomago, e bom co
milta-ine o comp
co, e Varnier, embota pouco inclinado ao
sentimentalismo, pareca experimentar a in-
fluencia da doce melancola cspalbada na
natu reza.
Repentinamente o bateleiro, que era no-
vato, e que Varnier lzcra beber muilo em
Champiguy, lanca urna jura fulminante.
Tinha-se mettido entre as plantas aquaticas
e nao poda mais sabir. Meio embriagado e
furioso ello da uina remada que faz inclinar
o batel. Esse movimeulo sbito faz os nos-
sos quatropersonagens penderem paraum
lado, e ubalel ievira-se no meio das plantas.
0 perigo era verdaderamente terrivel.
ragao do conap'eso, per- i Theodulo voltou a Horda agua pallldo e es-
rimenlo. Ab '- a vida niio i pautado, inicrrogou com um olhar rpido a
he lao longa, c perd) o lempo quem se al- superficie esverduihada, e vio que Varnier e
Uige :... Mas Vmcs. dispunliam-se para sa-' ''meiro tinham ja segurado mada'ma Dcl-
bir e vou-mo.
Oh nao temos pressa, disse Suzana,
iamos jantar sobre a relva uo campo.
Ab de veras j he bella Cousa Conser-
vei tambem o gosto desses recreios, a des-
pelto dos lotos que zumbara disso. Lembra-
se, chara seuliora, das nossas alegres excur- pleotM aquaticas com a energa do desespe
pe amis pequea podra.
Esta passagem do pslamo prmnelli
JudeusaprolecodoCo,raasnio promet-j .ira oru"lro:"s"as formi jb s be que sao
aos gatillos da familia, com unba urna re-
jccila que permiltia fazer pe lenas reservas
te ao imprudente, c ao temenaro que de
propria vonlade, e sera razao sullicienle se
expe ao perigo, porque be islo o que a
Escriptura prohibe, c he sto o que se cha-
ma tentar Dcos.
previdentes.
Entretanto tima cousa
na
vida prevista : isto he, que -vendo debai-
fora sem du-
ses sobre as margeos do Marne, e nos bos-
ques do Ville de Avray .' Ja faz muilo lem-
po, Suzana... eu dev.a di/.or agora seuliora
Suzana...
Souainda Suzana simplesinentc para
os amigos de meu pai, inlerrompeu a moca
com graca exquisita.
l'os seja Suzana, tornou Varnier ale-
gremente, Suzana nao ora cnlao maior do
que miulias botas, mas prometlia ja ser o
que he, urna bella rapariga .' Oh nao core,
mil-ha lilha, direi somente isso, nao gosto
de finezas. Demais he nos moijos que loca
lazer bellos comprimeulos as mocas, nao he
veerjurt, e procuravain salva-la
E suzana '.' mtirnuirot elle com angus-
tia. Nao vejo Suzana
Em poucas bracadas rbdeou o batrl.cuja
qiiilba nao eslava intairamente submrgida;
porm nada acliou. Mcrgulliou debaixo das
ro, correndo o risco de licar la prleso, e
duas vezes reappareceu sosinho, causado,
atciTorisado, mas ainda nao dcsalentuldo.
E uo meio dos grandes perigos que! ma-
nifestam-se as grandes affei(-.is. Iheddulo
tona derramado todo o scu sangun gpla a
gola para salvar a Suzana. Mergulhou- ter-
ceira vez ; mas um minuto um seculo
passou-sesein que elle voliassea superficie.
Varnier e n-.adama Dclvecourt tinham ga-
nhado a ribanceira com muito irab^lbo, e
esporavam com Trio terror, com sombro
desespero. O lialeleii o,tornando a si p-la im-
miuencia do perigo que-rorrera, a iancar-
verdade theodulo Ab : acertei! Theodulo|sc corajosamente a agua, quando Theodulo
lie lindo nome : Mas ha oilo anuos que nao reappareceu nadando com uina mo, o aper-
o pronuncio, o meieco desculpa por to-lo t;,ndo convulsivamente com a oulra tima
esquecido u.n pouco, tanto mais porque cus- Jbra do vest lo de Suzana. Depondo sobre
iosa intimida-
Era lorcendo este sentido da Escriptura
que o demonio ousava ctalo a lesus Christo.
O Salvador de mundo sera dar-se a conbe-
cer, c como se elle nao fosse mais do que
um simples crentc, deslruo esta segunda
tentacSo allegando outra vez a Escriptura
que prohibe aos homens ao Senhor seu
, Dcos, isto he, esperarem soccorros extraor-
dinarios, quando podem empregar por si
I meamos os meios humanos que estilo em
suas mos ; como querendo di/.er-lhc : que
havendo no pinculo do templo urna esca-
capilal: criar urna caita paraeom o resultado d'ella da para descer, nao deveria quem la esli-
cri.ircm por mi-sao do-averno cm cada hospital dos I vesse lancar-se abaixo confiado temeraria- i
ui.n icios um logar para os guarda nacionaes po- mente que a Providencia o salvara.
ser do prngramma. que os medicas dos corpos de ,., "c"'"'" "ao insisti mal ueste prin-1,
gurda nacional scr.io os .|u0 b.lo de Iraiar do; i f.,pi- PO'em elle etnpregou aluda seus ul-
guardas. limos subterfugios, islo he, a esperanca da
Se livor ell'eilo um lal projecto a guarda nacional mais alta fortuna que podesse lisongear um
xo do mesmo tocto, em ileli
de, em afl'ecluosa communl ao de esforgos
para vencerem a miseria iminincut', jovens,
bellos, c bous, theodulo o iuzatia se ama-
ra m. De fado amavam-S', c seu amor
tranquillo, brando, c prolurdo so esperava
um motivo para lancar-se a i dedcaco
i'heodulo se feria feito retall ar por amor de
Suzana, c alias nunca Ihe d ssera que ama-
0 ludo a Theo-
a com mais ex-
iva ambos sa-
1 una alVeieo
ardente at -a
do Itecife, eobre-so de gloria ; sera eternamente
considerada. Nao de-animem os Srs. olliciaes. OSr.
hai.i i da Baa-ViaU certamenlc. que muilo iullui-
ru para que se realise urna Idea de lana philau-
Iropia.
OSr. Dr. Ilrltu ach:i-e istanicmculo idacado
| da epidemia reinante ; fez junta, e esla por ora nao
ra que S. S. poeta com bre-
coraco ambicioso. Transportou o r'ilho de
Dos sobre um monte, mostrou-lhc lodos
os reinos do mundo, fez-lbc ver em um
momento por figuras e iinagcns quo Ihe tra-
Qao no ar, ( segundo S. Crcgorio ) lodo o es-
plendor que os acompanhava e promctteii-
lhe tudo como se fora senhor absoluto;
mas debaixo da condico de que Jess
m Itidadeser rcsi.il.elcci.fo. S.io essesos tropheos do lio- j Christo o reconbeccsse cheo de poder c de
dia obteve ella em 1757 do Nababo : lne,VuVu aed' H huTud*J soberana lancando-se-lho aos ps e ado-
ui.iuihi.vi, Liiaiuiii.i, uoivaiiano, Lonsta-urts. que seaclia recolludo o Sr. cap- rando-o
ala, 27 perguillias; em 1".">K, MaSU-1 Uo Carneiro Mouleiro : nada no.leino- aventurar a '-,,,,' ... ,_ _
do Nizam; em 1760, Uendwan c respailo deata medida do gov.ru., diremos lao ao- _''"o 'c Ucos o denoininou cnlao Sa-
urrn
3e"c
"V
S. Lucia, Mauricia e Seychelles ; dos llol-
landezes, i'rindade, Essequiho, Demeto/.a,
Berbce, Cabo da uoa Esperanca eCeylSo;
dos Dinaraarquezes, Heligolande, Malta o
mente, que a vida de um mililar he eilremamenlc
espiuliosa.
Kecommendamos, que n povo copie u se^uiulc
llemdilo do Senhor dos j'assos, e leiiha-o para sua
devocao : fni-nos enviado da Babia.
Senhor, pelos vossos l'assos
r ra s.dva a humaiiidade
Da cruel pesie livrai
Ao povo deca cidade.
Esla cholera lerrivel
Que nao cede a medicina.
He dos chines o casligo
He a ju-liija Divina.
Ilumilhiiilos e contriclos
Na viusa immortal ptfMUCa
viemos boje ippellar
Da vossa justa senlen^a.
Cheins de fe esperamo-
(.u'ella ser reformada ;
Pois Mara, vossa Mai
fie a uotsa advogada.
ll impo, Nnlior conllcce
O vosso cierno podr,
K hojo so pede vida
P'r.t vos amar e quere.
Sede vos mesmn o sanlelmn
i.iue nesle mar de amargura-
l.ivre do cruel naulragio
As alllicla creatinas.
Keptrai, Jess querido.
Para o nosso littoral
Vede aa horriveis desgraca-,
Cousequencias d'esle mal.
Alllicc^'io, a dnr e u lulo
A vinvez, a orpliandade.
A coinpaixilo vos naoinove
. Ol Senhor Dos de houdadc .'
somos culpados de cerlo ;
l'orem, mea Dos, perdoai
P'ra quem correr an-i lilho
Se nflo Ihe valer seu Pai '
A vossa jaallca brada
Dos criines a puniejilo ;
Mas voisa misericorria
Tambem vos bradaperdi
va-a. Suzana loria sacrifica
dulo. e alias nunca !ho sorr.'
prcssiio do que a todos. Toe
biam que pudiam contar coi
sem limites, com um amo
paixao.
Quando a intimidado nac engendra a ti-
bieza do habito faz nascer os sentimentos
nais robustos e mais vivazis. Esses sent-
mcni.os conservam-se muita. vezes oceultos
no fundo do corai;iio ; mas enlo tem co-i
mo a violeta un perfume q ic os revela.
Nao custava a madama Dilvccourt sentir
esse perfume de-amor, e un dia Com sua
ternura habitual, ella dis-e aos lilhos :
Creio que theodulo o uzana nao des-
goslariam de se verem cas idos i" Aquelle
que pensar o contrario, levaile a mo.
Por lo la a resposta Su/.an abracou a mai
com crl'usao. Theodulo aiipallideceu de
alegra.
Bem l tornou madama ilolvecotirl. sor-
rindo ; as partes estilo perfe tamen'e de ac-
innuz [lalavra que significa iiiimigo dos lio- cordn. Cnlao concuf damos < esdeja em que
meiis) c Ihe disse vai-le porque esta es- quando Suzana Uvct dezasite anuos, isto
criplo: adoraras ao Senhor leu Dos c niio fie, daqui a quatro mezes, llieodulo ser
servirs senfio a elle. sen marido.
O demonio desapareceu immediatamoDle, Theodulo apcrlou forlcmci te as nios de
c os aojos expectadores -le combate c da madama Dclvecourt, c sembr paludo, de
victoria de Jess Christo, o rodearan* co olhos hmidos c de fronte radiante, res-
servram. pondeu com una e-toi-ao r]ue niio poda
o demonio liriiioii as suas lenlaQocs so- conter:
I bre tres motivos poderosos, 1.. era fazer Ab '. inhiba lia, so Vine, oubesse quan-
! com que se sals/.csso urna grande neces- lo amo-a '
isidade; o->. era quo se contenlasse uina Bem o se!, Theodulo. Minlia Suzana
grande curiosidade ; o 8*. ora conduzir a ser feliz comtgo ; pois ter. uobro cora-
. idolatra. Estas tres tcntac/ies encerrara cio.
as tres fontes priucipaes de todos oa pecca-j Suzana, quica pela prmeit i vez, llou no
dos ; a concispuccncia da carne ; a curio- : primo um olhar que rellccta toda a sua al-
,.- idade do espirito ; 0 orgulho do coracSo. i ma, o disse com acecnto nef. vcl -
Urna das razos por que Jess Christo ba-1 Bou tambem procurar, i fazer-tc le-
bitoit alguiii lempo o deserto foi ('segundo li/, Theodulo ; pois bem o ni -reces '.
alguns Padres) para santificar a solidao que llieodulo e Su/.ana cstavaiu dahi oni di-
Idevia ser o refugio detantos justos, contra I ante desposados. Sua vida ci nlinuou ionio
I" perigo quese acba na sociedade dos ho-jd'anles, neiii menos laboros;!, ncm menos
j uiciis. O numero emlim de 10 dase to tranquilla ; smente Suzana scismava mais
imites que Jess Chrslo passou no deser-, tempo a janella de noile, e T icodulo dizia
lo, he um numero mysterioso cnipicgado as ve/es rom um sorriso :
muilas vezes na Cscriplora o que ', segundo No&ei porque, mas pa
l Sanio Agostinho exprime loda a carreira da lempo lem se lomado lento.
i "ida que deve ser destinada a penitencia c a ola prima ?
expiac&o dos peccados. Pelo contrario, primo,
Estamos portante no tempo de appro- limosamente a rapariga, acho
veilarmo-uos dos meios que o Kvangelho se apressado muilo.
nos recommenda como um ellicaz remedio
aos nossos males ; e ja que cncetcmas a pri-
meira dominga do Cuaresma ; appliquemos
uina hora do dia cm profunda o rae 3 o e sin-
cera inorticac.fio; tacamos subir ao Co
nossas supplicas humildes alim de que
o Dos da Clemencia, i-o amercie de nos na
crise lamentavel em que nos adiamos viu-
do um llagello eom todo sen furor ceifando
entre nos tantas vidas.
a niargem a rapariga sem sentidos, elle des
niaiou.
Una hora depois a calera conduzia Var-
nier ea familia Delvecourt pela estrada de
Paria. Suzana leudo a fronte inclinada sobre
o hombro da mi e os olhos exmelos, ape-
nas dava alguns signaes de vida ; Tbeo lulo,
um tanto restabelecido de seusrudes abalos,
linia enlre as niaos urna nio da prima, e
procurara communicar-lhe o ardor vital que
i eslava nelle. Varnier tristemente recostado
em um canto da carruagem contemplava-os
com singular mistura de sollicilude e de
preoccupaeao, e disse coinsigo ;
Jovens o bellos, amara-so sem duvida.
One pena !
IV
Suzana licou muilo tempo doenle. Mada-
ma Delvecourt e'theodulo passaram a's noi-
les acabeceirade scu leito. Mas apenas a
rapariga entrara em convalcscencia, a mai
esgotada cabio de cama. As preciosas econo-
mas da familia Toram devotadas em poucos
com intrepidez, exela- '"ezes, e Varn-ei fez ofTerccimcntos de ser-
os amigos sao' sempre, vicos que forain aceilos.
era excelleute homem esse Varnier ape-
zar da sem ceremonia que alTeclam tantas
pessoas de m educaclo e de ma companhia
que pssam por bom menino. Emgeralde-
ve-se desconnai desses bons meninos : s3o
a especie mais grosseira e ao mesmo lempo
a mais venenosa, sao a peior especie de
reptis,
Varnier era a excepcao da regra. Amara
senpre a familia Dcivecnurl, a qual quan-
do elle era simpes obreiro cm casa de um
ourives, recebia-o com perfeita cordialida-
de. Sua aileiQao dcsenvolvera-se considera-
velmenle nesses tres mezes; niio passava
um dia sem yir saber noticias de Suzana e
da mai. A Cite Itivcrin ebegava toda as ja
nellas e s portas, quando as vezes elle ebe-
gava cm calcca, c as mas linguas fallavam
ja como as cidades pequeas de provincia,
lima larde Vafnier achou somente mada-
ma Delvecourt assenlada a janella de sua al-
ta-mea reconhecer ueste rapago o diabre-
te de quatorze anuos que ganhava-me sem-
pre nos duplos saltos de corda, visto que
nunca pude d ir senao salios simples.
Cometfeito Vine liuha a boudadede,
folgar contigo, respondeu Theodulo; por
isso cor.servei-1 he urna de nimbas melbares
lembrancas.
Ata ab muilo estimo. Costo da gente
moca. Apertc esla uiSo bavemos de sallar
ainda. Entretanto lancera-me pela porta fo-
ra. do contrario nunca me re.
lodos quatro rebi-ularam de rir.
Se eu julgasse quo poda ser-lhc agra-
davel, disse madama Delvecourt, dir-lhc-
hiasem ceremonia: Veolia comuosco.se-
obor.
Se eu uo receasse ser muilo importu-
no, respondera: Isso mesmo be que eu que-
ro, seuliora.
Pois bem tornou Suzana, niio rcccicm
nada, nein um uem oulro, e liqucinos con-
cordea a esse respeito.
Ento aceito
mou Varnier. ,\h !
amigos, e viva a alegra Vamos.
Quando desceram, um pagem, vendo Var-
nier que a adianto, abri a porlinhola de
urna elegante caleca, que eslava a porla
varnier estendeu galantemente a mana ma-
dama Delvecourt estupefacta e f-la subir
quasi a forrea ; Suzana e Theodulo, nao me-
nos espantados, subiram depois.
Onde vamos '.' pei-gunlou Varnier sor-
rind'i pela sorpreza de seus tres amigos. Foi
obligado a repetir a pergunta.
A Saint Maur, respom'eu Suzana.
III
A caleca passou o dcsliladeiro, cujos mu-
ros hmidos e arruinados, admirando mui-
to vercm-se costeados por urna bella carrua-
gem, parecern! inclinar-se para sauda-la
com gratid.io, o que poda dar cuidado pelo
seu equilibrio.
i Miando chcgou ao passcio publico foi que
madama Delvecourt tornando a si daeslupe-
Para occullar um bello movimenln,
urna bella ac?ao disse Theodulo cora voz
penetrante. Oh nao, senhor Varnier, Vmc.
deve pelo contrario erguer a fronte; por
quaulo essas cousas honrara aquellos que
as inspirara, e aquellos que as pralicam.
Demais he um nobre excinplo, acrescentou
em lo ni mais baiso.
Se Theodulo nao fosse aq uillo que mais
amo no mundo depois de minha mai, disse
entao Suzana com expressao affecluosa, ou
nao creria que me podesse confiar a nin-
guera melhor do que a Vmc senhor Var-
nier, cujos sentimentos sao Uo nobres e lio
dedicados. Alfeicao e reconhecimento de
nossa parte jamis Ihe l'ailaro, senhor.
Vmc. he adoravcl exclamou Varniei
beijando a alva mSozinha que ella Ihe es-
tendia.
Dsposquc Varnier retirou-sc, Theodulo
apoiou-se ao cotovelo junto da caixa de du-
res da sala de jautar. Eslava profundamen-
te pensativo, o pito erguia-se-lhe oppriuii-
do, e duas lagrimas cahirara-lhe pouco de-
pois dos oaos filos no ceo.
Se eu ntio fora, murmurou elle, minha
prima seria rica, e sua mai vivena na opu-
lencia.
Ficou mais de urna hora mcrgulhido era
uina preoccupaeao mysteriosa. Suzana veio
bater-lhe brandameute no hombro, e per-
guulou com deliciosa genlileza:
Era que peusas Theodulo -
Cm ti, respondeu elle com voz alte-
rada.
V
Depois desse momento no se tralou nui-
da dcclaracio de Varnier, o qual n3o perde-
r um alomo de alegra, mas as vezes rjonlBP
lemplava a Suzana com admiraco, c muA
murava sorrindo : 0.ue pena!
S ThcoJulo nao era o raesn*. Seu exte-
.rior serano e brando que occullava lodo o
ardor da alleico, modificara-se sensivel-
meiitc, a dislrac^fio e o batimento m ini-
festavam-sc por i lisiantes, como se secretas
e falaes inilueucias se exercessem sobre seu
coracao.
Suzana reparn una noile que elle voltou
para a casa com ar absorto, c pergunlou-
ihe com sollicilude:
Que totn vosse, I neo Julo Parccc-me
que desdo alguns das vosso lem u-p pezar
secreto .'... .Nao quer que eu o consol, mcu
primo i
A esse accenlo cheo de alTecluosa melo-
da, Theodulo seutio derreter-se-lhe o cora-
Cao, e leve vmitade de chorar.
Oh : falle I tornou ella.
Elle eouleinplou-a com dor, e respondeu
meneando a cabera :
Nao lenho nada.
Ah! nao negu! replicn Suzana com
viveza. Bem Vejo que vosse padece, e ha de
dzer-rae ja o que o atormenta Assim o que-
ro '.... supplico-lhe'....
A rapariga prouunciou ela ultima pala-
vra com ternura iuexprimivel e pondo as
Sos.
He um sonbo I um raenciiice! respon-
deu theodulo com embaraco. Parece-mc
que urna desgraca ameaca-oie, lenho vagos
presentBMnloa, c como todos os meus peu-
sameulos referem-se a vosse e a sua mi,
digo a mira mesmo que eu seria mu digno
de lastima se as perdesse. Eis ah tudo.
Que idea disse Suzana com sorprc/.a.
Mas nao ha razao para rec dar lal acontec-
ment : minha mili vai cada vez melhor, e
eu lenho boa saude.
Bem ve que he um sonho, urna mene-
ncedequeeu niio devia fallir-lhc, eque
espero se dissipara brevemente.
Suzana nao ficou completamente saltsfci-
ta, porem no ousou pedir mais.
Quando quiz rccolher-sc ao quarto, Theo-
dulo abracou a lia umitas vezes; depois
voltou-se para aprima, e contemplando a
com ar singular, cslendeu-lhc a m.i >, mas
toinando logo outra resolucao, disse com
melancola
E voss Su/.ana, nao permille que cu
abrace-a tambera 1
>3e, meu primo; brevemente quando
forraos casados, respondeu ella.
Theodulo empallideceu, c pareccu lao al-
fectado que a boa Suzana acrecentou apre-
scutaudo-lhe a lace cor de rosa asscti-
uada :
Ah I meu primo, lome
ora.
llieodulo
mulos.
faccSo, dirigi a Varnier algamas palav ras cova era urna poltrona. Suzana acompanha-
misturadas de censuras c de desculpas :
Vmc no nos tinha dito... Se cu l-
vesse sabido... jamis le-lo-bia convidado...
Os prazeres simples do pobre nao podem
mais convr-lhc... e as bellas carruageos nao
nos assenUm.
Tlieudulo e Suzana guaidavam o silencio ;
sentam urna oppressao vaga
Quando a gente esta afi'eta aos hbitos de
urna existencia humilde, ludo o que iuduz corrente elctrica.
da de Theodulo lora entregar obras ja espe-
radas. Quando vdtaram, teniendo acordar
doenle que podia ler adormecido durante
sua ausencia, abriram a porla com precau-
(-iio, e atravessaram sem rumor a sala d
jantar. Suzana ia j entrar na alcova da
mi, quando llieodulo reteve-a repentina-
mente. Acabava de ouvir algumas palavras
une linbam-no impressionaJo como urna
o original diz assim
.voo e de -oo.s os tantos
-me que ii
i/.es, mi-
li
Um domingo que a familia l elvceourl dis-
punha-se a partir para o can po, onde gos-
tavade jantar buclicamente sobre a relva,
a .-lela soou com violencia, c apenas Suza-
na abri a porta, um homem laneou-se na
sala com ar radioso, exelainat do :
Ab ai hei-lhes emlim, o. niuho l'.oin
i ni:I Suzana
, vil I ir. a I uo
dia, chara seniora, bom dia
e a ti tambera, mcu The...
leinbro-nie i.mis desse nome
.Saltou ao pesroi-o de madan >a Delvecourt,
a qual por pouco no suffocow abracou re-
a afaslar-sc repenlinamcntc dolles um ins-
tante causa sempre mais pena do que pra-
zer. Parece que tememos adiar menos do-
ces depois os cosluiucs modestos abandona-
dos por acaso.
Varnier comprehendeu o que passava-se
secretamente nocoracffode seus amigos, c
lez prodigios de jovialidade, para dissipar a
nuvem que os assombrava. Conseguio ma-
ravilhosamonte o que queria, c antes de clie-
gar a Vincenneaj a familia estava familia-
risada cora o seu brilbante vehculo. Mada-
ma Delvecourt gabav*a a brandura dos Co-
xitis, Theoduloadmirava n desenvoltura dos
cavalios, c Suzai.a confessava que una ca-
leca liuha decididamente melhor ar do que
um eoiifou ,1). Quaulo a Varnier, declarara
com sua alegra inexgolavcl que mais de
oiua condessa, baroneza, ou marque/.a fazia
menos honra do que Su/.ana a una carrua-!u
oei"-
O que he a riqueza dizia elle rindo
ondia ma- j de si mesmo. lia oilo anuos que eu era qua-
.e elle tem si pobre como Job ; veio-tne a phautasia ex-
! palriar-mc, c gracas a algumas operacGes
' atrevidas coroadas de insolente xito, vulto
miliouarlo sem valer muilo mais que dan-
tes, e o que he lalvez mais raro, sem valer
muito menos ; perdoem-me anda este com-
primento. Bofe nao estou desgosloso, se
sobretodo, isso i>ode dar-me o verdadeiro
prazer de ser til aos meus volhos conbe-
cidos
lodos apearam-se sobre a raargem do Mai
nc peno do aqueduclo de Saint Maur, e pas-
primo, lome sempre poi
tocou-Ihe com os labios tre-
(I 'C-irruagem grosseira de quatro un
setilo' usada nos arredores ije Pars.
Ah '! se elles nao eslivessem desposa-
dos, cbarasenhora, cu Ihe dira : D-me Su-
zana, prometto faze-la dilosa, e a Vmc.
tambem.
Theodulo reconieccra a voz de Varnier, c
applicou o ouvido respirando apenas. Su-
zana escutava tambem involuntariamente.
Esses pobres meninosamam-se tanto :
tornou madama Delvecourt. Elles jamis
quereriam renunciar s suas esperanzas de
lelicidade.
Ol isso be muinatural. V. alias quau-
lo prazer teria cu cm fazer Vmcs partici-
paren! de minha opulencia, tuna opulencia
de quo uo sei gozar pois sou un verda-
deiro labrcgu apezarde minha calcca e de
mcu domicilio de lidalgo no hairro de .Saint
Cei man. Ah como Meara bem adornada
essa querida Su/.ana com sen ar tiio gentil
exccllculc Na verdade
eu leria tratado com lodo o mimo essa mo-
cinha, e creio que com algum trabalho ella
loria conseguido fazer de mim uina pessoa
solTrivel, palavra de honra !
Aprecie suas boas intcneocs, senhor
Varnier, respondeu madama Dclvecourt com
expressao, e agradeco-lhe de lodo o cora-
cao ; porem nica maior prazer ser unir
meus dous ibos ; pois amo a theodulo qua-
si tanto quaulo a Su/.ana, o estou convenci-
da de que elles convem maravilbosamente
um ao mitro.
IK- verdade. Pois bem,nao rallemos mais
a esse respeito ; retiro meu pedido, llieo-
dulo he bom rapa?, merece a prima cem ve-
zes mais do que eu, e minio me allligiria
que elle fosse penalisado por uma idea to-
la que passou-me pela cabeca. Mas viva
E esla, meu primo".' disse Suzana olle
rcccndo-lhe a oulra lace. Nao convm laze-
la ter citimcs.
Theodulo alii Jepoz um beijo e urna la-
grima.
Suzana apezar rio ar/.nho resoluto que
q o i/era lomar, ficara vermclha como as
cha gas que noreciam em suas janella.
Fechado em seu quarto, Theodulo esterc-
veu duas cartas, e depois lancou-sc vestido
sobre a cama.
Quando rompen a aurora, elle n3o tinha
ainda fchalo os olhos; mas pareca ler
soffrido e chorado muilo. I.ev.iulou-se sera
rumor, percorreu com um olhar Irislc o apo-
sento querido que ate cnlao abrigara seus
peusamentos de amor n seus son los de ven-
tura, depois sabio brandamentc, atravessou
a sala de janlar, e parou a porla da alcova
da lia.
Essa porla eslava cntrcaberla. Elle avis-
lou vagamente a p-allidt claridade da ma-
nhaa o semblante doeno de ma lama Del-
vecourt, e o rosto to Ircsco e lao delicado
de Suzana.
Poz a mfio sobre o concia que palpitas a
a qiiebrar-lheo peito, ccahio de joelhos.
Ab : Suzana Su/ana '. murmurou ele-
vando as mos, compaixao Quaulo te amo,
Suzana
licou um momento assim leudo espirito
abatido, e o COTafSO partido de dor ; dc|>ois
levaiilamlo-se eoni ar resolul.i, disse cntri
SOluoos sullbcados :
Adeos adeos!
E sabio precipitadamente
Poucas horas depois ebegou Varales. 9a
zana estava oceupada cmn o servido domes-
tico, bem como convem a fada da casa.
Oque be que o traz aqu lao cedo "
pergunlou ella.
Quero fallar a llieodulo. lenho tm
emprego magnifico que propor-lhe.
O preguicoso est sem duvida ainda i:a
cama, disse a rapariga .-levando maliciosa-
mente a VOS pala qua o pruno a ouvisv.
Va reprebende-lo, meu charo senhi.i, edi-
zer-lhe que aSr quasi oilo horas.
Varnier entrn no quarto de Iticoilul.-,
e saino logo commovido. Ua/cndo .lu i,
cartas na mouma dirigida a elle, outra a


DIARIO Vi PIRMIlUCff nOMINGO 10 uE FEVERfIRO ll 1856
Susana. Esla, trmula
a sua, e leu oseguinte
o Miulia prima,
Quem ama, segundo O mcu coradlo, est
prompto para muilos sacrificios. Nao de-
venios amar para nos mesmos, e ten.lo em
vista nossa propria l'elicidadc ; mas no in-d
tcrcsse da felicidadc da pessoa que nos lie
chara. Assim he que se ama! Amar do
outra manotea he icr alma cstreita c egosta,
lie nilo sentir o verdadeiro amor .'
Eu antes quizera ficar sepultado dchai-
xo das plantas do Marne do que renunciara
reconduzir-te a ribanceira. Terei tambem
aeoiagcm de fugir de ti para nao impedir-
te de aproveitar a fortuna que tesorri, e que
te esteude os bracos. Dizem quo a fortuna
apresenla-se semprc urna vez no decurso da
vida ; conven) saber apodorar-se della. Co-
nheco-te, querida Susana, e sei que por mi-
rilla causa regeitarias a mais brilhantcopu-
lencia. Mas devoacceitar esso sacrificio?
Nao; por quo quero mostrar-nie digno de ti !
11 So en nao livesse podido apreciar Mr.
Varnier, teria sem duvida hesitado em mi-
nlia resoluco ; porquanto nao crcioquea
riqueza compense jamis para quem a rece-
be os tormentos causados polo mau espirito
de quem a da. Mas Mr Varnier he Uto fran-
co e tilo leal, que aquella que unir seu des-
tino ao ilelle nunca tera de padecer em sua
suscepttbilidadc, em sua delicadeza, lio o
que me decide, e me consola um pouco.
ci Alcm disto es tflo delgada e ti"o mimo
sa, querida prima, que otrabalho a que te
applicas ameaca alterar-te a s.aude Neces-
sitas de urna existencia sem cuidados o sem
eslorcos, a existencia das llores que silo cul-
tivadas, expostas ao sol, e abrigadas do in-
vern. Toa pobre mai necessita tambem
da abastanca que leve em parte outr'ora.
Essa doce influencia lhe restituir s m du-
vida as |lorcas, assim como o tepido calor
avvenla urna planta que dclinha.
Aceita pois mcu sacrilicio assim como
o lago, cotn coragem. Nao te alllijas nom me
lamentes muilo. Resgno-me dizondo co-
niigo: algum da Susana o a mili me beindi-
r3o por que as terei feito ditosas.
Abraca as vezes minha lia por mim, e
conserva um lugarsinho em tou coracao.
Adeus 1
Theodulo.
A carta dirigida a Varnier continha so-
mente algumas palavras Theodulo recom-
mendava-lheque fizesse todos os seus es-
torbos para decidir Susana a casar com elle,
c supplicava-lhe que fosse sempre inaltcra-
vclmentebom para com ella e para com a
mai.
Ilavia nessas duas cartas urna serenidade
do expresses, um recato de sentimentos,
atraves dos quacs todava senlia-se trans-
pirar a mais pungente magua. Theodulo
esforcra-se por conte-la para nao commu-
nicar um enternecimento mai doloroso, u
pobre rapaz linha todo o herosmo da abne-
garlo.
* Susana chorava, a mii chorava tambem ;
Varnier, cuja libra lacrimal nao era mu i
scnsivcl, devorava urna lagrima comes
torc/>.
Que louco !... exclamava ello.... He
dcploravel o que acaba de lazer !.... he su-
blime de dedicacao Quero dzer, nao,
isso nao tcm sombra de seoso cominum !
Se eu o apanhar dai -Ihe-hei metade de m-
nha riqueza para elle casar com a boa Su-
sana, tflp certo como chamo-mc Varnier .
(.orro a inlormar-me por toda a parte, e hei
do tiazc-lo aqu !.. Sjm, hei do traze-lo!
do contrario nao me apresentarei iliantc do
Vim-s., palavra de homem 1
- Sfthio deixando estouvailaincnte a mada-
ma Delvecourt e a lilha profundamente af-
ilelas, mas eutrovendo ja um clarao de es-
peranza.
Varnier fez estorbos inauditos para adiar
a pista do fugitivo. fiepois de um mez dn
ves pesquizas dirigidas em Indos os senti-
dos, voltou Cit Itverin, .e dsse com sin-
cera pena:
Quebr minha promessa, vulto sem
Theodulo. Julguei inuilas vozes alcanca-lo,
quer em Marsclha, quer cm Brest, quer em
Londres ; mas conhccia depois que aquello,
em cujo encalco eu ia, confiado em algumas
inlorma^oes plausiveis, nao era Theodulo.
Come(0 a dosesperar.
todava fez anda algumas pesquizas, mas
estas nao tiyerara molhor xito, do que as
primeiras. Foi entilo que quiz- tentar o que
rceommcndava-lhe Theodulo na carta de
despedida. Naoeracousa fcil. Susana o
a mai estavam inconsolaveis ; mas elle mos-
trou-sc tao perseverante, tao nobree tiio
bom, que madama de Delvecourt e a hlha
consentirn! por lim cm quo nao (icasse
intil o sacrilicio do pobre Theodulo.
Obra de seis inezes depois Susana casava
com Varnier.
Mais de urna vez nesse dia, mau grado
ilclla, os olhos euclieram-sc-lho de lagrimas
emquanto procurava sorrir aos convidados.
VI.
Decorrido bastante lempo, um homem de
trinta annos, triste c paludo passava lenta-
mente o desliladeiro da Cit Riverin, laucan-
do os olhos cm torno de si com certa curio-
sidade expressiva, o sorrindo melanclica-
mente a vista de alguns muros que ameaca-
vam anda ruina, porem que nao patociam
mais cabidos que outr'ora.
Elles ficaro assim mais lempo do que
cu, murmurou ello meneando a cabera.
Chegando a urna ra de casas que ali-
nham-sc modestamente, por traz de quatro
ou cinco bellos palacios, parou dame de
urna dellas, contemplon-a um lisiante com
interesse nexprimivel, c depois entrou ssm
perceber que era seguido.
Vmc tem um aposento para alugar i'
perguntou elle ao portoiro em tom leve-
mente commovido.
Sim, senhor, respondeu com distracijao
um velho assentado cm urna poltrona foi-
rada.de velludo de Utrecht; mas he muito
larde para ve-lo. Volle amanliSa.
Onde lica o aposento? perguntou o in-
terlocutor.
No quarlo andar, na frente nina sala,
duas alcovas e urna cozinha, mobilhadas.
Posso ceder-lhe a mobila se quzer.
lie o domicilio de madama Delvecourt?
lornou o interlocutor com maior cmocSo.
U velho portero, estranhando osse tom
animado, ergueu o nariz magestosamente
adornado de oculoa, c fitou um olhar de di-
plmala sobre c singular persenagem que
lhe failava. Immediatamenle sUa physono-
mia exprimi a liesitaQo, a duvida, e elle
exelamou :
Oh he ao senhor Theodulo que tenho
a honra de fallar? .
Com efleito era Theodulo. Uioffcva de
Londres, onde depois de algn annos de
liabalho incessantc, nica distraccac- para
profundos enfados, juntara modestas eco-
mas, co:n as quae.s esperava vver dahi em
diante humilde etranquilldmenle om Pars.
Sua saudc abalada pelas fadigas o peto pezar
assim o exigiam.
Sim, sou Theodulo, disso elle, Vmc.
cconhece-me ?
Oh oh respondeu o portero.... um tan-
to mudado, um tanto paludo, um tanto
magro 1.... .Mas donde vem agora Vmc que
foi procurado por toda a parle sem ser a-
chado ? O bonl Mr. Varnier correu em sua
procura dous mezes pelo menos.
Que digno homem '.
Oh I sim, um digno homem i.ontnuou
o portoiro. Emlim quando elle vio quo Vmc.
uo vollava casou- com a senhora Susana, a
qual lio agora urna mulhcr elegante, c nem
or isso licou mais altiva.
Ella vivo feliz, n3o he verdade ?
Assim o ercio tcm una habilitac/o
magnifica no bairro de Saint tiermain, urna
bella eouipageo, e os mclhores vestuarios
de Pars. Lomo isso Iho assenta gentilmen-
te 1 he urna verdadeira jola '. Dcvo dizor-lhe
que ha mais do um auno que nao a vejo
uem tenho noticias della porque viaja com
O marido c a mu, essa chara madama
varnier.
-Madama Varnjcr Theodulo suspirou
involuntariamente ouvindo pronunciar esse
nome. Nunca a chamara senao Susana.
..Mas ludo isso nilo inipede-mc alugar-
lhe seu anligo domicilio, se Vine, assim o
deseja, coiiiinuou o portoiro. Elle acha-sc
quasi no mesmo estado que antiganiculc.
. Com os mesmos movis.' perguntou
theodulo admirado.
Cornos mesmos, charo senhor. Deixan-
do a casa, madama Delvecourt e madame-
sella Susana osderaui a urna pobre familia,
que quena comprar-lh'os. Essa familia reti-
c opprimida, abri rou-se para ama provincia, c estou encarro-
gado do vender os movis.
Quero compra-I os! exelamou Theo-
dulo. He a mim quo elles devom perlencer .'
Sao miulias lembrancas! representan! toda
a felieidado de minha vida. \h accreacen-
tou com urna especie de exalUco, de-me a
chave desso aposento tao sagrado para 1111:11.
Estou undoso por acliar-me no meio do hu-
milde asylo que tanto amava 1
O velho portero nao recusou o que
elle pedia, o Theodulo subi em poucos se-
gundos os quatro andares.
Foi com leve eslromeciment que abri a
porta, o com fortes palpita,oes do coracito
quo entrn no antigo domicilio de sua fa-
milia, como se livesse de encoutra-la nesses
lugares.
I'assou rpidamente de alcova 0111 alcova
como se quizesse abracar todo csse aposen-
to com um s olhar ; depois perconcu-o
novamente a passos lentos
posicao ib moralista bein cumo da Jo mdico ; mas
impedir que o mal reappareca, facultar muios de
previnir, e destruir o germen delle as generes os-
1.1 alcm das obrigaces da medicina e da philosj-
pliij; portonce liygiene publica e i moral uni-
versal. Que de mais elevado, de mais ortico por
exemplodo que as iinlias seguintes do Appen-
dice tinal, onde 11111 dos cancros que roe mais pro-
fundamente a classe operara he tao potentemente
assignalado !
O faci saliente, aquello que com loda a clareza
dcvo ser aprosentado, por isso mismo que em ra-
zo da sua evidencia exclue as llieorias e as formu-
las sysiematcas, lie a desigualdado existente, no
que diz respailo ao desenvolv ment da previdencia,
entre as diversas familias d'uiiia mesina localidade,
o ruesmo entre populachos intuirs porlenrentes
localidades differenies. Os dous typos prinripaes
que a este respcilo se deve iiotir dislinguem-se
necessiilailes e
da peca da mobila vagamc
pela claridade da iioite.
Com efTeito cstava ludo na mesma ordem
que outr'ora.
--sim, dizia theodulo com melancola, eis
aqu a poltrona om que assuntava-so otada
ma Delvecourt, chara doon'e quo sem duvi-
da rccobiou a saude sob a influencia da ri-
queza !.....
l-isaqui o vasto ledo cm que repousava
Susana o a mai, onde vi-as doruiindo quan-
do euseparei-me dellas Cruel esforz '.....
Junto dessa mesa a nobc moca bordava
noite c dia, e cu passava a seu lado os mais
deliciosos momentos. Ah eu a:nava-a
tanto !
Torno achar anda ncslas ancuas as cai-
sas de flores que Susana cultivava. nutras
nflo as cultivaram depois. Por isso raras
changas brulao como com pesar
Colhcn .ligninas, rcspirou-lhes o vago per-
fume Depois entrando na outra alcova:
Salvo, mon iiuarlinh >,confidente discre-
to de minlias primeiras esperaucas, de meo
primeiro 1: nico amor, salve Militas ve-
zes para lo enfcilar Susana despojava seu
ccslinho Por isso cu te tena preferido
enlao as llabitacOos mais sumptuosas Quan-
to ora feliz?
Cruzoii os bracos sobre o peilo, c conti-
nuou a cnnlcuiplar com olhos hmidos cada
objecto desse domicilio, cuja physionomia
fielmente conservada rellectia mil lembran-
cas affectuosas ao corar;no de Theodulo.
Pouco depois loi assenta!-so a 111111 das
jauellas que dao para os bellos vergeis dos
arredores.
Anoite comecava a cstender-se, e r,s luzes
vermclhas da Cit dispertavSo ao mesmo
tempo que as estrellas prateadas do lirma-
mcuto. S o mumurio das arvores branda-
iiuMilc agitadas perturbava o silencio.
Theodulo apoiou-sc ao cotovelo em altitti-
de pensativa teiiilp o rosto undulado, e os
olhos perdidos no espado estrellado. Fcou
assim algunsminutosimmovel, mudo,ahsor
tocm um lluxo desonhos alternativamente
doces e amargos.
Fiz bem em dcixa-lis, dizia elle as vezes;
pois Susana o a mai poderam gozar da feli-
cidadc na opulencia. Juntos loriamos talvez
passado urna existencia cheia de prvaerjes
c de tormentos : quanlo cu loria padecido
vendo-as soffrer Ah! he melhor assim 1
Enlio via em.um sonho consolador Susana
%a mu sorrierm-llie com gralidao, o sentia-
se recompensado.
Mas mudando logo a iiaturcza d; suas
impresscs, dizia eomigo meneando doto-
rozairicnte a cabera:
Quem sabo! talvez ja me tenliao esquec-
doou quando loinhiao-so de mim seja para
estremcccreni ao pensamento da humildad
vida a que comigo teriao sido conleinnadas
sem remedio. Dizem que a opulencia de-
secca o corinjao, o faz com que se tema
a pobreza mais que tudo.
Entilo via a lia e a bella prima passarem
diante delle no meio de um acomp-inhaniciiti.
elegante, ricas, festejadas, e ppriinin 0-0
com urna saudai,-ao do-denhosa.
\h! Susana'. Susana! murmurou elle com
voz lacrimosa, ha possivel que nao lenhas
mais por Theodulo senao esquecimenlo ou
desdeo.
Est|uocimenti> 011 dcsJcm por ti diase
urna vo/. pcnctraule aira/, delle. Cruel ami-
go, quanto desconhcccs a Susana !
Theodulo deo um grito, e voltou viva-
mente a caheca.
Em pe na mcia cscurido do quarlo eslava
una miilher paluda c conmovida. Essa
mulher eslava vestida de preto, e trioclegan-
to e 13o bella que depois de tel-i reeonheci-
1I0 a primeira vista, Theodulo diividou que
fosse Susana.
Nilo me recouheces '. disse a mesma voz
que fez Theodulo estremecer al ao fundo
da alma.
Susana! exelamou elle com louco accesso
de alegra. Es tu mesmo,. Susana, ou he
um sonho, urna hallucinac/io? Nao I vejo-te,
toco-te, sinlo-le. Oh '. I'elicidade inesperada !
como he que ? .. .
Avistei-te por acaso,rcconheci-le,maudc
urna pessa seguir-lc, e sabendo que liuhas
entrado nesta casa, corr logo aqu.....
Chego, accrescentou cija com algunia amar-
gura para ouvir-te aecusur-me de ingrat-
dflo
Theodulo lancoii-se aos ps de Susana ex-
clamando com arrepondimenlo.
Ah perdo-me pcadoa-me Como pude
duvidar de teu coracSo ? Quanto era insen-
sato !
Susana vendo que chorava iiicliuou-sc
para elle, e disso-lhe com ternura.
Tranquillisa-te, Theodulo, eule perd-o.
'Jbrigado, querida Susana, obrigado!
Torno achar-le sempre boa, s-iinprc bella !
t>li ha momentos de alegra quo valem urna
vida iuteira e eu monera neslc instante,
prima, seso inorresse de prazer !
Mais do que nunca deves agora viver,
primo disso Susana levanlando-o com gra-
cioso xorriso. Tudo o exige : minha mai
que licara mu i contente de ver-te, eu que-
amo-te como sempre, teu sacrificio quo me-
rece recompensa, c o futuro que parece con-
vidar-nos al'elcdadc.
Que quores dzer ? perguntou elle com
admiraQo.
Estou livrc.icspondeu Susana gravemen-
te, livrc'ha um auno.
Tambem estas. Theodulo?
l.ivre estas livre ? IIEpo.-ivcl ? L jinda
me amas ?
Se amo-lc dsse ella cun grac,a a.lora-
ve|. E a quem amaria eu senao le amanse?
\h Susana Susana! he embriaguez
isso que sinlo pois nunca amei senao a t '
Pois bem dis^e cllaconduzindo-o para
fora, vem abracar tua ta ou antes tua mai,
a qual comecava a dosesperar de tornar n
ver-le !
lia poucos mezes, que Susaua o Theodulo
liii,"i 1 unidos.
No mesmo dia cm compauhia de madama
Delveourt elles lizero urna romaria ao
tmulo de Varnier.
Esto moriera de congesto celebral. Ins-
tituir a Susana sua herdeira universal, e
dissera-llie antes de morrer.
Minha lha, faze por achar a theodulo,
e se poderes, nao tenhas oulro marido senao
elle.
contemplando I tal ponto por suas neeeesidados e tendencias, que
viva BinoCHO, ca-j05 meiosdi) ndmiiiistrarao que convm um, sao,
cute illuminada Li. .;... .,, :.'__..........:.-........1
primeira ordem das nstluieoes positivas que pro., cerhada na continente pelos abusos quo so tem da-
videneiam respeito dos soecorros da direccao! do na administracao dostes lien-, reclamaquasi por
Jas populaoes iaprevidfltes. He o nico em que loda a parle a alienaran dos que anda subsisten!
(Innuniiem&MW
baseflas nos^iesmo-

laeba&e.
OS OPERARIOS EUROPEUS.
iluto sobre os Irabulltos, a tida domestica e a
ctmdiromoral dns popularles operaras da /;-
ropa, precedidui d'itma exporrSa do mclhodo
d'obscrrarao :
l'OR M. ?. LE PLAy,
Lngeiilieirociii chofo das minas, professor defflc-
lallurgia na e-cola imperial das minas. Coniiuis-
saro geral da e\pos'u;ao univer.-al.
l-.in mu dos nossos nmeros preredonles repro-1 inconUi-lavel de
ilii/imos alguns fragmentos da importante obra de
M. F. Le Play, commissario geral da exposieio
universal, sobre a situacao moral e material das
elasses operaras da Kuropa. Esses importantes
sob muilosaspectos, nieiramenlecontrarios A aquel-
los deque os oulros carecem. Logo que se em-
prcliende o estudo, de algumas familias perteiiean-
les urna e outra caihegoria fcilmente se conce-
be esla verdade cm toda a sua plenilude.
0' individuos previdenles se recommenJaiii ira-
iiiedialaincnlc pelo amorao irabalho e pela tempe-
ranca (1) ; qualquor que seja a crilici comlir;ao
em que cstejam, encontrara sempre em si mesmo
recursos infalliveis para appropriar-sedos ineios de
existencia. E at fcilmente pas-amalm,quan-
do as insliluicoes 011 os cosientes nao se oiqioeni ao
seu impulso : e se ao carcter disnctivo, ellos
reiinem moralijade e intolligencia/ve-se que im-
mediatamenle se elevam cima da condiciio em que
nasceraui, c depois honrosamente gulgam s elasses
superiores da socieJade. Para desenvolver lano
quanlo convin suas qualidadcs inoraos c intellec-
tuacs, os individuos desia cathegoria necesstam
apenas de encontrar na conslituicao social e nos
chefes das olllcinas por coma dosquaeslralialliam,
ao rutilar seu tirocinio, una lirmo direcc.o reli-
giosa o livre disposicao de -na apttdio.
Me nellos quo se onconira e^se amor racional de
independencia que lie a principal furca dos povos,
bom como dos individuos; niulliplicaudo-ie pro-
grcssivamenle as nacpiii occidenlaes siio ellos que
as lein lomado dignas da llberdade que Rozam.
Os individuos impreviilentes podem possutf a
maior parte das virtudes quo contribuom para a fe-
licidadc dos precedentes; co-no esles dislinguem-
se aquellesis mais Jas vezes por eminentes quali-
dadcs do coracao e espirito ; e at mesmo sua m-
previdenci.i se casa fcaquenles vaos bellas o hon-
rosas qualiilades : generosidade, devocao, ao
cnlliiisiasmo, f na bondade divina. Porm ella
apezar do-tas virtudes, nutre um mal esp'anto-o :
he causa da osierilidade na maior parle, e obsia
constantemente que una familia crie por seus
proprios recursos um futuro seguro, pondo-so ao
abrigo das eventualidades quo Je tempes a lempos
accoiiimetleiii inopinadamcn'ea humanidade.
E anja mesmo que, debaixo de lodos os outros
pontos de vista, ella se acho collocada em condices
as mais favoraveisa familia nao poder escapar
s privaces que resultarein desdas eventualidades,
se acaso urna influencia superior nao supprir es-
la insufiiciencia por urna constante solicitulc.
Os operarios imprevidenles, por isso mesmo quo
nao podem por seus proprios recursos veticcr as dif-
iiculdades aeoidentaeS da existencia, sao consiaiuo-
menle arrastados, nao obstante as feli/.es alternati-
vas que se apresenlam, sua condico primitiva ;
o oslado de dependencia em que viven) be necessa-
no c perinancnle, porque o germen existe nellos.
lisia dependencia lorna-se mais rigorosa quando
(alta de previdencia se liga a ausencia das virtudes
sobro as quaes repousa a conserv.ncao das socieJa-
dcs; quando, por exemplo, as populacoes se cn-
trogam sem restriceao ao impulso dos appetites ma-
lcraos, quando se inclinain aos hbitos da vida n-
mada, e mostram pouca tendencia aos traballiosda
vida sedentaria ; quando, sobrciudo, o scntiinenlo
religioso :tan esl assa/. desenvolvido para lites pro-
porcionar um poni Je apoio contra sua propria
fraqueza.
Os individuos pertencentcs esta segunda clas-
se, ac so enli-ogrent s in-ipivaco.'s do seu livre .11-
bilrio, nao podero fruir a seguranca quo lie a
primeira condico das populacoes ; pois que pa-
ra a urdem e a liarmonia so inanlerem na socieda-
proterc/io e soccono, e algunas vezes mesmo urna
direcc.10 elleciiva, 011 um frcio salnlar. Essos ty-
pos constilucm ainda a massa das populacoes do
Oriente; o he principalmente sua imperfcica
moral quo se deve a oonsorvago do antigo rgi-
men da autoridade. O sou oxeessivo numero nos
confmsda Europa he ainda a principal causa dos
obstculos que pe-am boje sobre as sociedades do
Occidente; estas devem. primeiro que tudo, eman-
cipados pela iniciativa previdencia, afim de ob-
tc.r os projuclivos resultados que se nao cnconlram
ainda, senao em germen, em suas insiiluices.
Verdades tao obvias trazein comsigo mesmo as
suas conseqnencias. A seguranza das sociedades
basi''a-se nesta obrigaco de economa e previdencia,
o ellas somenle gozario de calma e prospordade
quando empregarom lodos os seuscsforr.os em des-
envolver as elasses laboriosas o nslincto deslas
virtudes, em crear e fortalecer as nslituicoes de
providencia, em combator as doutrinas que lenta-
rcm substituir as paixoos ao estudo imparci&l dos
tactos. Finahiienle o autor consagra um paragra-
plio especial de suas coiicluscs discussao do va-
lor relativo das inslituieoes e dos coslumes, que,
i'OS diversos paizes da Europa, supprom falta de
previdencia as elasses laboriosas. A.claco tox-
tual deste paragrapbo dar ama idea da importan-
cia das aproeiaeoas que o autor eslabeloce sobre nu-
merosas observacoes do circumstancias particulares
coordenadas em seu livro.
Asnacocseuropasempregam um sem numero
de meos para soccorrer e dirigir as populacoes im-
previdenles : uns repousam exclusivamente na au-
toridade descsannos; outros sao eslabolccidos por
prosoripcoes formaos do goventante; os mais nu-
merosos ligani-se Ss inslituieoes que sanecionam a
inlcrvenco combinada dos coslumes c leis.
A Torca preponderante doscosiumesse revelaso-
breludu pela aJo|w;o de uiiiboni rgimen dascon-
vencoes, nela organisacao espontanea das emigra-
cues peridicas ou porniauenles, pelas garaulias
que a opinio publica exige dos jovens que aspiram
ao matrimonio, pela organisaco inielligentee mo-
ralisadra direccao dada ao padroado o caridade
privada, pelos hbitos quo fazem inclinaros indi-
viduos a appropriar-se de auimaes domsticos o de
babitaces, que se ligam acquisico do vestuarios
de proco, joias ele
Existo aqu o all no l Iccidenie alguns disiriclos
cm que esses coslumes tem adquirido torca bastan-
te para fazercabirem decuso a mor parte das leis
antigs organisando a proteceo cm favor das po-
pulacoes
Acontece O contrario entre os povos do Oriente:
o bem-eslar das elasses inferiores o a prosporda-
de do estado nao podem ser garantidos sono por
leis positivas que mponliam formalmente uns o
grvame do irabalho manual, i outros a incum-
bencia dos soecorros, tirando por tanto a liberdade
todas as elasses da liierarchia social.
Seguranwnte, nao existe, ainda entre as socio-
dados mais civilisadas, urna s importante naco
cm que as elasses improvideaies possam dispensar o
apoio que ellas cnconlram cm corlas nslituicoes po-
sitivas ; mas erra-se grossoiranisote, quando pan
remediar os malos que se manifestam accidculaW
mcu le, propoc-sc recorrer s leis, que entro os po^'
vo- monos i'ivilsados, organi-am imporalitamenle
os soccono.-. Urna tal ncccssidade COUStitUO, en-
tre npo\oeui que ella apparecor, um syinploina
acajeltcia. Os que crean 110 pio-
a solicilude do legislador, coniproheidondotodas as
particularidades da vida *)mesiica, om eomplcta-
iitonic conjurado u eventualidades qie podem com-
prometiera seguranea dal familias.
Mas os inconvenientos deslo relimen esto om
propongo aos seus pros; nos proprios paizes cm
que elle vigora os homeiis Ilustrados nao o consi-
deram senao como urna mcess'nladc temporaria, e
a principal prcuccupac,o ios govemos be de acar
liar com elle.
As csiavels corporaca
d Allcmanha meridional, ha
principios, quo as anliga> cor|orac.r>os Trancezas
d'artes o ollicios, c as eofBWnhia (guildes) da In-
glaterra, lendcm priucipamentr garantir os ope-
rarios dos revezos d'uma eoneurroncia exagerada ;
ellas olitciu este lesuhadu-limiUinJo o numero dos
olliciaos o dos aprendiie); mas dentro essas nsli-
tuicoes as que aiu 11 subastem tem perdido, pela
maior parte, a sua eflicada : ellas nao poderiam
conservar sua amiga orginisacao 6eno nullifican-
do cm gormen a graiuloinduslria, que ronslilue a
fon;a e a gloria das socielades modernas ; domis
estao hoje em completa cadencia. Para consor-
var seus ltimos vestigio as communas allomaos
deven cada dia ir re^ogndo as disposicos restric-
livasque se nao podem (onciliar com as tendencias
;eraes d'uma sociedade ^uo progride.
As corporacoes inineias da Allamanlia allenuam
ou annulam os incoiivooientes que podera acarre-
lar a concurrencia local, explorando, com elevado
calculo de uniao, todos Bs sitios mincraes do um
mesmo dislriclo, ainda pie elles constiliiam diver-
sas propriedades. Ellas auiralisaui, de mais a mais,
a cultura das florestas, a canalisaco das aguas
motoras, a fusao dos minoraos do cominercio dos
metaos, lie com eslas condices que Ihes lem sido
possivel organisarcm favor dos seus operarios um
vasto sysleraa do soccoros ede drecrao, quecom-
preliondetoilas asuvenlinlidados que poderiam corn-
il dir o bem-eslar das fundas. As leis que regu-
lam na Suea a orgaaisaeiodos bergslags
proilitzeni o mesmo resillado, deixando livremcn-
te um sem numero o! particulares o cuidado de
explorar s minas, asflorcsias e a- fabricas ; a sua
inlluencia se faz sontii principalmente na suppros-
sio das lulas que a cqitpra das madeiras o do car-
vao, paderia oecasiorar entre us concurrentes ; os
regulamenlos do- krxjslays garaulom, alm
disso, a veracidaJe d>s qualidados dos metaos alfi-
ancados pola marcada fabrica; e impedom por
unto queas condiQOs d'uma concurrencia leal se-
jain falseadas pela aridez des exploradores.
Convin notar qie estas insiituir9s se appcam
etudos, nao obstante a sabia autoridade que Ihes cipaos inslituieoes
gresso da naciuiialidado a que pertenceni devem eir.
igiiaesciicumsiaucias dirigir seuscsfon;.os, nao pa-
ravar as leis dos soecorros, mas para a refor-
Uma rajiida analvse das prin-
induslrias, cojo dssenvolvimcnlo est subordina-
do aos recursos proieuieittas das minas, das flores-
tas, das aguas, ou n outros termos, cujos produc-
tos sao limitados mamo pela naiuroza das cousas.
Regularisando a proluccao de modo algum se obs-
ta aodesenvolvinn das industrias; apenas ino-
dera-se urna rivalidale que nao podoria oxistir so-
no de nina maneirfesteril. Os regulamenlos que
dizem respeito esle casos especaos sao pela maior
parle sontos dos intonvenieiilcs que offereceriaru
se fossom applicaveii loiadade do rgimen ma-
nufactureiro. Serum inioloraveis na mor parlo
dos dislrictosmetallirgieosdo Occidente, cuja pro-
dcelo, pode augmentar indelinitivamente, pela n-
tervenco das madiinas vapor e pelo omprego do
combuslivcl mineral. Dejle modo urna legislafo
anloga regen por nuilo tempo ecom feliz xito as
fabricas de ferro Ja branca. Esta logislacio sub
sisie ainda como bas; mas, vinle annos esla
parto, ella ni caliinio 0111 desuso pelo prestigio de
innmeros eslabeledinenlos da carvo do podra.
Me de notar, quo al mesmo naquolles paizes
d'Allemanlia o da Suecia, onde a industria mine-
ral continua a emprogar exclusivamente as aguas
motoras e as madeiras, as pessoas esclarecidas ape-
nas loleram o reginun das corporacoes e dos bergs-
lags ; eslas corporice; nao avaliam as cxmsequen
cas directas desse rgimen, a eslabilidaJo da in-
dustria o a seguranea das existencias individuis
pelo contrario praorcupam-so demasiadamente com
hagatella que elle indirectamente oppoa a liberda-
Jo dos ii-nn-,.ci;or.-, e ao^lVogres^o geral da socie-
dade. Parece qts os homens do estado mais in-
fluentes glorian-u em revogar essas legislacoes
excjpeionaes, contcJendo mais liberdade lodos os
ramos da industria. Estas lenjencias manifestara
ao monos urna ad.-ertencia 0111 relacao a xtrema
reserva que conven guardar, 110 que diz respailo
nova admisso ios regulamenlos restrictivos, nos
paizes do Occider onde as populacoes esto ex-
poslas a pressao d'''ma concurrencia exagerada.
A existencia de trras continuos e a eonservaco
de postos esteris ovem ser enllocadas, no estado
actual da Europa,jontro os malos Jo soccorro mais
ellicazes estabolecinos crU favor das populacoes ru-
raes ; umitas ver mesmo, estas lem podido por
este meio escapan is garras de pauperismo, o man-
ter-so em um tal u qual estado de bem-eslar ede
independencia. crias communas, que se acham
em condices exencionaos, tem sabido conciliar
eslas vaniagons cot as conveniencias da agriculiu-
ra; e recorrenilo comliinaciteseiigeuhosas obleera,
de urna certa supe, icie de ierras indivisas, produc-
tos iguaes aos que.se obleria dessaa mesma- larras
no rgimen da prc -riedade privada. Mas na ge-
norahdaJeJos caso d-soo contrario* a cxplora-
rio indivisa, limifndo o numero das culturas,
tendea restringrijnsideravelinente a foica pro-
ductiva do slo, ij'as mono;ra|)lias ahaixo cita-
das apresonta-so inconveniencias proprias aos que
tem jus nsar dosjj pastos, conveniencias que em
muilos casos aconsj ham quo se oouserve momeiita-
uoainonioo regmei actual; mas o interesse publi-
co exigir que esse; bens sejaui alienados, logo
quo o progresso das populacoes permittir a adopcao
d'um melhor rogimm.
Com maioria de razio motivos anlogos condera-
narao ainda a insiituico de pastos esteris, que
maniera na pralica una cultura viciosa, e cujo fun-
damento mesmo tn z comsig um bice permanen-
irrao dcsonvolvmei lo da prospordade individual.
As administraci s municipaes da Alleraaiiha e
Inglaterra, recelienilo os principios adoptados por
suas corporacoes d| irles e ollicios, organigrama
muito tempo de 11 ia maneira formal o soccorro
dos pobres por ino 1 de regula montos que anda, vi-
gorara, at mesmo; las communas onde as antigs
corporacoes j nd xistein. Estas nslituicoes in-
flueni considcravel lente sobre o lodo da constitu-
cao social.
He inconteslavci a conveniencia do soccorrer por
via de instituir-oes lositivasaos individuos cahidos
na miseria, quand causa soceideiitaes proraoverom
inespeailaifientu 1 AJHia\Wsno, ou quando a de-
prayaco dos cosu nos lizer com que as classe3 su-
periores da socieda a nao concorram espontnea-
mente para o soco rro dos indigentes Cora oslas
condices, at boj nada s ha feito que posa sup-
prir a organisaca eslabelecida pelas administra-
c/'ies parochiaes dJ Alleraanha o Inglaterra. Po-
rm os partidario- desto rgimen nao desconhecem
os vicios que ello inoobro om theoria, e os neo 11-
vonientes que offei ce na ortica. Quando os soe-
corros sao prodiga isados Jesmoralisa-so as popula-
coes, que sehabiiu un a pedir, e aosmollar os nielo-
do substancia, que O traballio liles podoria dar ; sob
outro ponto do v .la, o rigor, que se taz preciso
empregar, para p evinir este abuso, eque na In-
glaterra chegou : ionio de quebrar os laces nais
sagrados entro as unilias necessitadas, be lamlieiii
una outra causa 1 e desinorahsaco lano paraos
que do como par os que receben). A manuten-
go da laxj dosp kros Inj mudos symploinas que
melhor caraclerisa, a iuiperfeic.io >|ue anda subsis-
to na lnglatorra;o revogacao deste rgitiiiiilie una
das principar
sos, quo na
systouia socii
lempo
ra a
ma dos Coslumes.
deveria dar um cararier exclusiva mente serio
arliam se cnnitiido assignalados com um certo cu-
nbo de indulgencia e philaiiiropia clirsta, que os
torna lao locantes quo instructivos, e raodilica,
por esse que de lernura que jamis se esgota do co-
racao humanopor mais quo tonliain feito os I10-
mons, o que a experiencia prora de aflliclvo, e
o que a r.i/.o aconselha de severo em lodo e qual-
quor esludo desta ordem. Uescrover o mal e in-
dicar o remedio, nao he senao a primeira parto da
desta
la previdencia assignaladas na
obra pora patente esta vor-
conunuagao
dade.
O rgimen das convencoos forjadas, tal qual so
d na regiao oriental da Europa, deve ser citado na
(1) Para a iniolligoncia dascitajoos faz-so-nos
preciso dzer qiie as assetcOesdo aulor referein-se
conslantcmenle a factos assignalados no corpo da
obra. Essas referencias fnram supprimidas por
nos 110 extracto que a presentamos.
na Inglaterra, pilo contrario, a opinio lio favora-
vel a ni.itiulenco dos que garantem anda os ser-
vidos da igreja, do ensino superior, c dos hospi-
cios.
O soccorro ao-doeiilos, aos enfermse aos ve-
los be organisado em grande escalla em inultas das
cidades do Occidente, medanle hosplacs o hospi-
cios prvidos de inuoensas doacoos, e obrigados a
receber os indigentes de loda o qualquer cathegoria.
Do mesmo modo que a laxa dos pobres na Ingla-
terra, estas insiiluices nao poderiam ser immodia-
lamente substituidas por outras equivalentes. Uffe-
recera coutiudo graves inconvenientes, os quaes so
a moralisacao dos coslumes poder evitar: os hos-
pilaes e os hospicios das grandes cidades dostroera
ince&santeraenlc esse principio salutar da anliga
economa europea, que impo a cada industria o
soccorro dos operarios que empregar, c esta regra
do moral, quo ainda he mais essencial, e quo orde-
na s tamil ia- de cuidar de seus enfermos e velho;;
elles isentam as manufacturas urbanas dos impos-
tes, que continuara pozar sobre as manufacturas
ruraes, o, sob este ponto de vista, estimulara de
mna maneira pcrinanenlo a tendencia mui perigo-
sa, na Franca, que accumula de mais mais as
grandes cidades as populadles necessitadas. O soc-
corro Jos doontes por meio do domicilios, como
aJoplam muitas administradles urbanas, he em
parle seuiode~tos inconvenientes, no que di/, res-
peito a moralidad das familias; porm no ponto
de vista econmico conserva os que sao proprios ao
rgimen dos hospitaes.
As corporacoes allomaos, que conlrahem pan
com as populachos os doveres de soecorros, se creern
auiorisadas limitar os gravantes resiringindo ri-
gorosamente o casamento dos operarios; gcral-
ni.ai le esles nao obtm eslaaiilirisaco senao quan-
do j tom nina lal ou qual posico, ou quando se
approxlmam urna dada avancada ; por vozes
proliibem-no absolutamente aos indigentes. As
corporacoes parochiaes, oncarrogadas na Inglater-
ra de administrar a laxa dos pobres, nspirarr.-sc
dos mesmos principios ; pelo quo se tom visto obri-
gadas romper a cohabilaco de esposos e dos fi-
los, as familias quo pedein soecorros, para os
submetter soladamenta ao rgimen das casas de
trabalho. Porcm eslas tendencias podem sordilTi-
cilmoniejusiificadas: os rcgulamentos que lem era
vista restringir, pela prohibidlo do casamento, o
ilescnvolvimeulo da populacjo indigonte, nao sao
somenle immoraes ; lem de mais mais o incon-
veniente de nunca attingiient o lima, que se propoo.
Muilos d oslas regularaentos nao produzom ou-
lro resultado nao ser o de organisar um escn-
dalo publico.
As communas liespanholas.plenamento prvidas
de bens indivisos, se bem que esla abundancia
mesmo nao comporte o desenvolvimento da indi-
gencia, garantem o bcra-estar da populacao loda
inteira organisando gratuitamente servicos, cm to-
da a parlo explorados litulos onerosos, para as
familias que ellas rercorem : laes sao, indepen-
denlementc da insiruco primaria, aprofsso da
medicina, a arle veterinaria, os estabeleciraentos
de talhos, a construco do fornos e lagares, etc.
Esta organisaco colloca as populacoes om um es-
lado d'abasianca tanto mais seguro, quanlo eslas
pela maior pane appreseuto pouca tendencia a so
multiplicar. Esle estado de cousas que se observa
igualmente com as mesmas condices em qualquer
parle, deve ser sobre ludo aitribuido a vigilancia
cora que os habitantes repeliera toda e qualquer
emigracao de estrangeiros para as communas, e
tambora deve ser aitribuido a forra da opinio que
obsta que os joven se casera imprudente ou pre-
maturamente, c finalmente, muitas vezes tambera,
a esterildade do matrimonio. Em centnpeso aos
bellos resultados qud ellas pruduzem, as comrau -
as ruraes appreseuto em parlo os inconvenientes
quercm proprios s amigas corporacoes urbanas
Tartas o oiBeios, c todos aquellos que resultara do
lodo o rgimen de communliao : este eslado local de
bom-estar. fundado sobre a iminobilidadc e cultu-
ra indivisa do grande quan hilado de bens com-
uiiiiis, be, deliniiivaaieni. obtdo com delrintenlo
Ja iniciativa individual, e por ronsequencia, da
prospordade geral e do poder do Eslado (2)
Para completar osla numeradlo importa men-
cionar um grupo importante d'instituiroos cujo
lim he assegurar o futuro das familias, ou de pro-
vocar pelo allraclivo da pequea propriedade a
enaneipacao das elasses inferiores,- cslabelecendo,
quas sempre coulra a vontade dos proprielarios,
urna corta divso do sulo. Basta apenas men-
cionar aqui as leis c os coslumes que garantem,
do -erario om gcr.ir.ao, a Iransraisso integral das
banneas ; ellas nao so roferom, com clleiio, sanio
as elasses superiores : e lal he o caso, por exemplo,
das siihstituicoes, quo. com caracteres cssencial-
avnte dilferentes, esto ainda om vigor na Ingla-
terra c em muilos paizes do cantinete. A irans-
uiisso integral das pequeas propriedades dos
paizanos he igualmente, para muilos paizes, urna
verdadeira ins'.luicao nacional ; mas acha-sc de
tal modo delineada cora as necessidades das popu-
lacoes, que era exige a pressao de leis especiaes ;
osle rgimen se mantera, na maior parle dos casos,
pela nica forra dos coslumes e como urna con-
sequencia natural do principio da propriedade e
familia. Pelo com rario, lio preciso recorrer por
loda aparte a disposicao imperativas para impors
popnlacoes a partillta das herancas.
le assim que na maior parle das communas
agrcolas da Kussia regulamentos positivos pros-
crevem, cora intervalos de treze a quinao anuos,
una nova p.trtilha quo d as diversas familias
quanlijajo- do Ierra proporcionaos ao numero de
itaglo isto be, do bracos atis de que ellas dis-
poem. Provea da misma fonie as disposicos do
cdigo civil francoz que do aos filhos direilos
iguaes alieanca paterna, eque os auclorso a
disidir entre si, materialmente e por porgues igua-
es, cada una das parodias do Ierra de que ella ss
compozer. He gualmeute n'eslo systoma do lois
que se observan) as prescripces reclamadas pelos
economistas inglezos da escola radical, que, reco-
nhecendo a nocessidade de manter intacto, cora o
dii'eito de testar, o principio inosuio da proprieda-
de, desojavam todava que o soberano ftxassa um
mximum para os valores quo vi liara ser legados
a una mesma pessoa. Estas lois bem como todas
as instiluidles quo restringen) a libordado e a ini-
ciativa individual, tem unta ulilidade temporaria
em relacao a imperfeigo actual das sociedades ;
mas por toda a parte o interesse publico reclama
a revogacao dellas, a medida que o ptogreiso dos
coslumes \ai tornando cada povo mais capaz de
so governar a si proprio.
As leis agrarias, cujas prescripces na Ruara
sao mais formaos quo em outra qualquer parle
do contincnio, ailngom perfoilamenic n'osso paiz
o lira do legislador: esto em harmona com urna
organisaco social que assegura todas as existen-
cias individliaes subordinando-as triplicadamente
ao chofo de familia, ao conselho, o ao senhor ;
com o que procura-so ligar as familias collocan-
do-as era condices iguaes de bem-eslar. Eslas
leis esli, pelo contrario, em opposioao formal com
as conslilui/ies do Occidente, fundadas sobre o
prestigio incestante de tolos os individuos que se
liestinguirera por suas virtudes e tlenlos ; o pro-
greso seria minado om seu fundamento, seapar-
tilha forcada das ierras devesse conslantaraente la-
zer recuar ao nivel das uiassas essas individualida-
des eminente!;.
Entretanto mil circunstancias diversas se
uiosuio entro os povos m'is a balitados do
dente, para quo se svropalliise, nao com ossas
dbposcoes absolutas das |,is agrarias, mas ins-
rlinsto ao ni
Moios auxil...
Mccu[*aoocs de homens genero-I liluices que, com fui milla-mai
lueam de solicitar a reformado
ados por patriotismo e espirito
brandas e menos
obstculos para a libord.i lo individual, deri\am-sc
em sua ossencia, do mesmo principio. Vas gran-
des nadies do Occideuleas ierra- por muilo lempo
s, que repousam sobra institu-' licaram englobadas en immensas herancas, como
oes menos form es rin seu fundamento, tem do-'ainda boje acontece na Russia ; porem a condico
minado, at estes ltimos lampos, nos conventos el das populacoes encarregadas da cultora d'essaster-
congregacoes catr^ >licas da Sespanha e da Italia airas se leminodiiicado por principios diaraelralracn-
dollos ainJa se on. entrara vestigios no imperioaus- i le opposios.
Iriaco. Nunca pr cm apresenlaraiu na pralica as Na Russia, a dependencia psssoal imposta aos
miscraveis circun ilanciasque se tcm celehrisajo na operarios agricultores so tcm aggravado nos dous
Inglaterra com o, rgimen da laxa dos pobres 5 po-, ltimos seclos, ao passo quo os seus direilos
rom a liberalidad! mesmo rom que os soccojsos!---------------------------------
eram prestados li iba o inconveniente de enfraque- (2) Julgamosa proposito repetir aqui que as
cer as populad* a proponso ao irabalho.. Os asserces, queso apprasentam soba forma de um
fundos dos socco. rosque so compunhara de bens succinto* resumo, sao fundadas sobre pariicularida-
de mo mora for. im consideraralmeute redu/.idos des dosestudos, aos quaes o auctor frequente-
nos fins do uliiiu- > sculo. A opinio publica, exa-. mente enva o letor.
propriedade do solo lornam-se mais pronunciados :
esses direilos nunca [orara contestados, e acmaii-
cipaco parcial que tera resultado era favor dos
paizanos do dominio imperial se tem sempre ma-
nifestado pola atlribuieio mais completa possivel,
salvo o diieilocommunaljdas Ierras precedentemen-
te oceupadas.
No Occidente, pelo contrario, a emanr.ip.ico
dos paizanos, rcalisada a muilo lempo, nao arras-
tou geralmente como cousei|Ucnca a propriedade
do solo; a dissoluco dos vnculos feudaes tem
muitas vezes occasionado urna allribuicao do bens
feila definitivamenle s communidades dos paisa-
nos ; mas a admisso d estes ltimos proprieda-
de privada devisa, geralmente, a acquisices espe-
caos, Un conservado, na mor pane dos casos, o
carcter do um faci individual.D'abi resulta
que em toda a parlo onde as grandes herancas se
tom conservado com o soccorro das substituidles
os paisano! se lem pouco a pouco' transformado
em operarios do msticos; em jornaleiros sem fo-
rros.
Esle rgimen se lem conservado at
das sera muila difliculdade, e cm diversas nac.es, I
na Inglaterra, por exemplo, onde as elasses supe-
riores lemcxerrido os seus direilos com modera^aoe
intellegencia, tirando s substituices todo o carc-
ter de privilegio, procurando cnncilia-la por loda
a parte, na applicacao, com o progresso das elas-
ses medias, e bem-eslar das elasses inferiores.
Entretanto estas leis restrictivas combalcm sempre
cortos interesses ; acham-ra cm opposico directa
com muitas consequciicias que se deduzem lgica-
mente, entro um povo livre. dos principios mes-
mo da ronstituir.io social; nao be pois para admi-
rar que sejo vivamente .macados. E, como
sempre acontece, sondo diflicil centor-se a gente
nos limites tragados |>ela rasao e jusiica, appare-
ivm cortos espiritos inclinados a recaadlo c as me-
didas extremas que pretenden comprimir am sen-
tido inverso a vontade dos proprielarios, e peden
que a loi, em vez de conservar a transmisso inte-
gral das herancas, prasenm para o futuro a div-
so dellas.
Eslas tendencias lem lido uns importancia as
nadies em que as elasses superiores, ufieis a seus
deveres c desrespeitando>se a si mesmas, lem por
isso propalado que a manulencao de seus privi-
legios era imcorapalivcl com os direilos e bem-es-
lar das outras elasses da sociedade. Sob esta
influencia foi queso levou a cfleilo na Franca a
rcvoluco de 1789 enareaeco que acorapanha
teda alterarlo precipitada das nslituicoes, tom na-
turalmente acontecido queas leis novas lera provocado
com exageraco a divso das herancas, com re-
cis dos abusos aos quaes linha dado lugar, no
antigo rgimen, o principio das substituices e dos
bens de mo-morta.
Asopinioes que provoca rain a Icgislaceao nova do-
minam ainda hoje. se bem que a amiga ordem de
rousas lenha soffrido profundas modfica$es.
Com effeito, em todas as provincias em que o
antigo rgimen desenvolveu nos paisanoso amorao
trabalho c a tempornea, era todas asprovincias em
que por outra parte, o rgimen das subsluiaes
transm'ittia integralmente em certas farailiasas tr-
ras que setas adquiranlo novo rg'unon inaugurava
urna era de progesso : o princp> fecundo da peque
na propriedade, ferlilisando o solo e elovaudo a
condigo dos paisanos, produziu todas as maravi-
Ihas assignaladas pelo escriplores que se votaram
grorificajod'esle rgimen. Mas, ha sessenla annos
esta parte, todos os resultados d'esle genero que
comportava o estado inielloclual e moral das popu-
lacoes foram obtidos, o quasi geralmente os resul-
tados excederammuitoa expectativa. Atcidassuc
cesses tom expressamonte dado, pesar a volitado
dos paes de familia e sem o verJict da opinio, tr-
ras herdeiros incapazes de as cultivar com discer-
nimento, especuladores imprevidenles e mal in-
tencionados tem excitado o desejo do propriedade
no meio de populacoes quo nao eslo preparadas
tirar vantagens d'ella ; o nico resultado d'nssas
creacoes facticias da lei mi da* cspeculac/io tora silo
de -ulieavr.',; ir os dlcnlores do solo rom O olius
da hypolhcca e da usura, e desenvolveu cora pro-
porces gegaulescas esles dous llgalos cm muilos
disiriclos ruine- da Franca.
A'esle eslado de cousas, e quando i muito as
ri'UNqucncias do amigo rgimen das suhstiluices
t rnfit^ abolidas, as leis que provocam a diviso
forjada do solo nao produzom mais os resultados
que experara os partidarios systematieos da peque-
a propriedade. Cora eSeite, nenlium solo por
mais extenso quo seja pode resistir a ansie dos
paisauos cstahelecidos na \ i-inhanr 1 e que pos-uem
em alto grao as qualidados de pequeo proprielario,
be suflicionlc para que seu xito seja feliz, que a loi
estabeleca a liberdade das Iransaces. Por outra
parte, os afforamonios de ierra que por muias ve-
zes se ha tentado roalisar em relacao populacoes
desprovidas d'ossa mosmas qualidados, por exemplo,
na occasio das partillta do- lien- comiiiuns, nao tcm
lido outros resultados senao excitar momentnea-
mente a inlemperanca, ou provocar empresas
nial planeadas, ede fazercom que estes proprieta
ros do um da recaiara em una situacao inferior
aquella era que se achavam amigamente.
Muias vezes leraos dito que o novo rgimen
presentemente produz resultados oppostos aquclles
que outr'ora produziu, e cm allenco dos quaes
esle foi creado.
Nos paizes em quo cxislem smente as condices
das grandes propriedades cm curios intervalos succe-
dem-se os proprielarios ; muitas vezes esta instabi-
lidad tem terriveis conseqnencias, quer para as cul-
turas, plantadles, e llorestas.quer para as populacoes
mesmo: porem ella nao allera a sluaco das cul-
turas, e nao augmenta as pequeas culturas do
paisanos.Pelo contraro, 11 js territorios oceupa-
dos por paisanos proprielarios, a inslahilidade se
manifest nao s no complexo das culturas 1*01110
tambera 11a posse ; na- familias em que nao a | no re-
co o espirito de perviJencia, ella multiplica rpida-
mente o typo, especial Franja c Allemanha
oriental, do proprielario indigente ; nao so conciba
porem com o bem oslar permanente dos propriela-
rios so nao as localidades, que na verdade de dia
cm da se tornara mais numerosas, onJe esles a-
doplam cumo principio d'economa social a osieri-
lidade do casamento. Em tuna palavra, sera esla
influencia, a pequea propriedade nao se maniera
sono com detrimento da moral e da nacionalidadc.
Em resumo, as theorias que reclamara a divisan
forcada do territorio sao raras vezes justificadas pela
situacao real das popularles. As leis lilhas dVsias
llieorias podem ler urna ulilidade momentnea em
um povo cuja constituidlo lenha sidb viciada pelo
abuso do systoma opposlo : por outro lado, verifi-
cando-so a conservad!" Jas sulislituices para unta
parle do propriedade territorial entro o povo o mais
livre da Europa, nSo se pode allirmar, ainda assim
que a abolirao d'esse rgimen occasionasso pro-
gessos.
Purera admiltindo- uiesiiw sobre c-!e poni im>
llieorias da escola radical, como 110 continente es-
to dsposlos lazer, d'abi nada resulta que l<-
lugar a reslabolecer-se outra cousa nao ser o dt-
reito coiniuum, quo na Inglaterra c nos Estados-
Unidos so resumo na liberdade dos proprielarios e
noverdict da opinio. Na falla d'uma profun-
da discussao,que nao cabo no ipjadro d'cstajtbra, as
considoraces proceJnles fazem ao menos entrever
que lodo obstculo que so opo, noque diz lespoi-
|ieiio divso do solo, solicitiidc eaodiscerni-
inento dos pas de familia, he nina causa d'inl-a-
bilidade paia os individuos c do decadencia para os
Estados.
Sontos |inis levados a concluir sobre c-lo objecto,
coniojd o fizemos respailo das mitra- leis restric-
tivas estabelecidas em proveito das elasses impre-
\ denles, quando as analvsantua, que: ende os
povos que se achara em corlo grao de inoialidade
e do ililolhgencia. o molhor regilDOO da proprieda-
de territorial ha aquella que garante jos proprie-
larios a maior somma de liberdade.
A esta analvse, que mostra a levogaco das lois
restrictivas iriumnhante com o progesso da civil-
saco, pode-so objectr que a Inglaterra, depois
de ler deixado ahir em desuso as leis relativas a
organisaco do trabalho uiauufactuieiro, voltou,
oestes ltimos lempos, ao rgimen restrictivo. Ella
promulgOU leis rigorosas para regularisar o iraba-
lho dos inenoios e das mulheres as minas e as
manifacturas, e esle exemplo lera sido seguido por
muilos povos do Occidente. As causas desta ano-
mala sero expostas era urna nota especial. -A dc-
ploravel condico era que o novo rgimen manufac
turairo colloca as mulheres e os mennes, ligasse a
circunstancias deque a historia nao ollerece prece-
dentes, cujo alcance nao pode ser logo olelijo,
e que tera surprehenddo as so>-iadades. Depois
la descorberla da machina a vapor c da ap|ihrari
do carvo de |iedra a todas as necessidades da in
duslra as populacoes operaran vivera em Ul eoa-
Iji to rom as caldciras, que as .mugas relace-es en-
tre os clicfes d' oflidna e os operarios quebraram-
se prerpiadaroeuie. A miseria e a degradar.- no-
nti, que para os ulmos he a consequenria do tsoU-
meiiio, constiiuiam urna verdadeira decadanna da
civisaco : era pois natural s leis da ira-h.*.
eurofiea, que para remediar asa mal, se ie<-oires-
se momenlaneamente a urna agnvacao do rgi-
men restrictivo e regularaentar. Mas i os costu
mes privados, consolidados |jr essas preserpcue<,
-.ilutares, comecam auiecipar o pensamento rl.
legislador novamente ; nao est longe o iuooi.-ui .
em que o progresso lomando eomecar spii curso
recular a este respeito, ellas bastarao para na-
nuleiu-o da harmona social.
Inde|iendenioineiitc deslas meos de sncorrus e
I direccao rujo emprego lem um carador local, e
nossos que rc|iousam exclusi vintenie quei sobre oscoaiu-
mes, quer sobre lois positivas, associdade- appoi-
ani-se desde quo o mnndo be mundo sobre Iras ia*--
tiiiiicos tutelares-, a familia a assodafa e
padroado, que dorivam-se nccossariamenlu do-
mis jioderosos afleclos c mais imperiosa- nocca-
sidadcs do genero humano. Cada urna ^lesu
iiisiitiiiroe-, considerada uin seu principio e em
sua organisaco, he d' alguma sorte o resaaw c
a represeotacao fiel da sociedade toda inteira ; a
influencia da lei nu dos costamos, a iulcrvaocao
da aucloridade ou ila liberdade, se fazem sentir com
as xesmas propordies relativas que no lodo <|o
syslema social. As populacoes imprevideales, en
particular, cnconlram nellas um apoio sem for-
mal, porem cujo carcter esla e-aendalntent.- -u-
bordio.-ido ao eslado da civilisacao.
As queslen sociaes e polilicas, da que a MBH
poca se preocupa lao excessivanicnie, eslo inti-
mamente, ligadas cm cada poro ao estado de suas
instituidles : ellas consisten! sobre ludo eui lariui-
nar a organisadioque eslas devem rareber para q*-.
-is leis o os costuraos, a audioridade ea liberdade
cslejam em justo equilibrio.
os tres paragraplios seguintes, o auctor esbor.
em largos traces a organisacio da familia.d'a.-ori-i
ejo e do padroado as diversas regies da Europa;
bascand'ie samprc sobre Tactos cooMgiiadus em
sua obra, elle especlica as causas de progesso e de-
cadencia que resullam para os diversos povo d
oslado dos coslumes ou das instituidles.
Eslas citacoes por nos eacoHiidas, o que o- lei-
loircs nos bao de agradecer, convenccr-lhes-lijo
mais urna vez que S. >i. o Imperador, ordenan-
do que a bolla obra d; M. F. Le Play fosse inpro-
sa na typograpbia imperial, previo o que 11'ella
se contera do verdadeira e alia -Meiin.i social, o que
justifica o afln cora que lodos os homens cowpe-
toutes procuravam i."l-a. Sentimos porem qae
una edicao mais popular e mais porttil, que
luagnifico infolio da lypographia impnrial, nao
enerah-e mai- os estudos de M. F. Le Plav.
Quando se falla, como auctor, alto bastante pa-
ra ser ouvido ds muito longe, dcTe-mo*nos leat
brar que a aurlorida le de um suueesso nas sobe-
ras elevadas nao exime obrigaco, mais agradavrl
talvez, de levar a luz s mais humildes regies
1I0 trabalho e da meditarn; e que as elasses opera-
rias ganbara mais, quando ronhocendo-se a sua
linguagem e suas neccessidades, a genle se dirige
|iessoalmenle ellas, do que quando sabern que n
lera oceupado do seu estado, ainda mesmo que se
lenha em vistes tanto bem. quanto o que esta o-
bra lhe bade proporcionar. Na -donca da mettio-
raco das elasses laboriosas nada deve ser indiffe-
role, nada deveexislir nao ser urna preocupa-
dlo constante, nada he indigno de urna intelhzmi-
cia superior -. e eis porque o auctor, acumulando
em sua obra lodos os documentos relativos i* ins-
lituieoes fundaraentaes do trabalho, da ordem c da
previdencia, c indicando os meios os mais tttkt-
tes para garantir-Ibes o progresso c prevunir-lhes
a decadencia lem bem merecido de todas ,-i_. elasses,
e adquirido o direilo de Jirigir-sc lano ao mai:
baixos, como aos mais elevados.
.1. Pascal.
( Wonileur l'nivcrsrl )
SABBADO.
Esle dia he dedicado a Virgen Scohora : I.*
por ser mais que martyr na paixo desse Dimim
Filho ; e assim como a sexu-feira, se dadicou a
Qiristo, o a sua paixo ; assim o sahhado, se de-
dicou Mi de Dos, como aos martyrcs odia do
seu luarlvrio : 2.* porque medanlo o sabhado
enlre a sexta-feira, que he dia da paixo a peni-
tencia, e o domingo, que hodu de descaiico e ale-
gra, se dedicou este dia entre a pena e o gozo, a
NOSSA SENHORA, por ser roedunetra cnir..
Dos, e os horneas, entre a jusiica e a misericor-
dia, entre a paixo, que ocasionaran! as noesa-
culpas, o entre a gloria de perdoa-las : 3.* poi
que no -alnado e no domingo cstivussen sera di-
vidi os applausos da Mi com as veneradles do
Filho : i.*, porque o sabbado be o ultimo di* da
semana, que reprsenla mysticjinonteo ultimo dia
do nossa vida, cdojuizo final ; ededicoii a igreja
o sabbado \ rgcm Nossa Senhora, como esperia-
lissim-f advogada e protectora, que lia de ser nossa
naquclla hora, naquelledia.
ligara
Ocii-
0 Sr. presidente do conselho de salubridad ,
arontpanhado pelo Sr. rirurgo Frandsco Jos
da Silva, foram sexta-feira examiuar o estado da
salubridade da cidado de Olindi, que adiaram ser
excellente. Tambera examinaram os oace'Ui que
se esto fazendo no amigo hospital da Miserkoi-
dia, para recebar os docntes caso, a epidemia por
alli apparoi;a, os quaes parece que vo morosa-
mente.
r
Limooiro 7 de fevereirodc 18;" Cada dia e a cada momento, se vo multiph-
cando os casos da moleslia, c ainda buje inm >
quatro victimas. Muilo lem assusudu a |>apuU-
co os estragos da cidado da Victoria, d'oade ha
chegadn grande numero de pessoas emigradas. Ao
mesmo lempo que catana por esta villa e arrabalde-
possoas feridas do mal. acaba do chegar o offido
de l im-.larilim. o qual diiquc a molestia lem-e
manifestado cm grande escalio, c com carcter
violento, nao hes a molestia, he tambera a fume,
lomos falla dos prinripaes gneros, os malulos ja
nao vao a cidado, e nao sei o que ser do nos.
Os nos Beberihe c Capibaribe, tivera-n
grande elidiente de quinta I ira para ra, ru-
mo costu mam trazer nos meza de tnaioi
invern ; sendo tantos o.s destroc* e agua
que tcm o segundo, que den lug.r a descer
tres esteios da ponte da Magdalena.
O r.everendo Sr. Er. Scraliiu, missionano
capnch>:iho, depois de se dcscuuQar de sua
salvacSo appresonla melhoras, e os reedito
o suppoc salvo.
OSr. I)r. Brito, que voltou da lclona a-
tacadoda epidemia, perigou na noite de 8a
9 do crrenle, c ainda se aclta mal.
O Reverendo Sr. Fr^iierculano, religii-^
Carmelita, e igualmntn o seu companheir*
ambos viudos da-Victnria, acham-sc me-
lliorados.
temos carta da idade da l'.waiulu de I
do correnle, que noticia acltar-se alterada,
a salubridade, leudo-ae dd> alguns rasjs
ue lebreamarclla e inultos de ntcriniteulcs
OSr. chele de polica achava-sc ciavcnteiilt
enfermo.
St.NTENCAS.
Morrer pralcando virtudes lie merecei aaaJn-
maia">es do Divino.
-1/arc. cap. -i...
Morro o ignorante; porque nao deixa do si me
moras para o futuro, nem ainda vestigios do pen-
sado .
Psat. 36.
DEoCLLPA.
Ainda neslc numero nao iSdemos dar a Car-
letra.por nao ler ficado proaipia a tempo.
FEKN.: TYP. DB M. i. DB FARlA. 1M*


Full Text
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