Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:02864


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Full Text
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%NN DE 18*5, /^ECffjNDA Mnftt 19 DE JANEIRO. NUMERO 584.
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ul!,.Tinfl A ^/i^n-,1.
n tfn iiliiiin^tin
Sirt>t*ree-tte Mfcoalment* al46 rf. tfiatafattas. naTi>ogrrafia
4o Diario, pateo da Matriz de S. Antonio sobrado da porta larga
onde se recebcrn corresuondenqia-s. e anuncjcte,; este rnsirem-se apomado* com adniijacao entre ,aB,Nl^e>|ai? Cultas.
rVtfs endo rfos pVtfpribsasiffnhts spmeute e'vindo assi groados. Pioc\amacao da Astcmblga Qr*l do Jirfil.

Tudo aroradepende de nos m'smos.aa ris pru'dtpci, ma-'i
deraoo,' e*r$?lfer obrtTne*8*oitfdlpriBM^kirtvi.$ e sereuo-
*
T-

'

JMUKrem Setnambttco poiX % a e ilirana
_ '
\
____




i .
DAS da SEMANA.

>utwMi>wn<

4eCi
v. m.
S>-*$'. Canuto Aud. dos Ts. do C. ue m. e de t. Ses.
da Tb. P. eCh.de tarde.
3."- S. Fablao ft'l. Ae m. AudJo J. de Orfos
ae t.
4.*-5YIgnok Ses. da The*. Publica.
5.*-5. Victe Tie!. de ra. uddosJ. d
e de t.
>-S. Ildeons- Ses. da TU. P. de rri.eA.doJ.
deOrfsrlet/
SabBaV- S. B.bils Re. fm. e aud do Vig G. de
t. ,
Domingo SS. Nome de Jefas


ENS SOBRE O DESPOTISMO.

i
ConinuafSo
t q
o do IV.
563.
WJIAs, no dfjspQt-i, ,e seus exactores que importa .$*-
melhant vilania,? ,Eile carece de huta milicia para
sustentar as $uas re.ndas, inspirar terror, e azer res-
peitar is suas espoliaces : so-lhes prec0ft, dv*ia d'
Aubign, homens majs curiosos de rescticpeiks dpran-
te a soa vida, do que Tinscripeoes depois da sua mo,r-
te
e a sua, v,da, d
carecem de lygioes de cidadostprrivejs
lo sement a os ioimigos do estado, e cammandados
por (.betas respeitados, e dignos de o ser,; o que se
^to,pervertidos, aquelles cpqprados, e to<|os tq Jes-
pidos de eousideraeo.. e aulhoridade reaes,, qu* fcf- j
da pqdero, se nao a favor.4o despotismo, que os as-
sjd.da.
Por isso com ,ps progressos, e -cpnsequencias a am-
bicao dos ministros de todas as antigs dignidades da
monarchia nao nos reslao, se.no ttulos, O o cadver:
a intriga decr.te, o patronato, que pouco falla, para
serem vicios, -qu.asi que recebio as recompensas, de-
vds yiitude : homens v'yi, parem espertos no in-
fame trafico de adular, nao se elevarlo s dignidades, ;
inasfaz,o-as descer aejlcs: lofa des.parecero a es- |
lima, g o i-ffS^iio n-'itl,, e lal rezultado era iwev.ltave! \
porque nda n^n^u^m cxerceo coo gloria bum po^jr
adqu-riJo p; rj^ejo^ :;CnJ;'s. Eni materia de governp
liiim dos "in^ci "es .dcriiioshequerer axire.nar a aulho-
nda h (o'rca .; ,e,t, inraquere V sp aquella chega a ficar.Ue
sima, he part 'queb'r.nr tuo, i
To(^ ^^mpre^^4fses .m'in^lros concorre-
rao para .lin)j)ur Jas da verfIacU-ua authondad^,
despojando, e envfeoeido es particulares, por \quero
I
J era repartida a mesma autlioridade. O amor proprio
menos lisongeBdo; porque os grandes* postes erfio'ab-
soluta,merite desodos de crdito, nao sendo verdadei-
rawente mais, do que obyectos de intrigas enfadonhss,
e perigosas, volveo se para outras fontes, e assump-
tos. A cubica substituto emulaco ; foi preeiio ouro
para contentar oscob'iiosos ; todos se chegaro ao the-
souro das grapas mais facis de obter pela habitscSo das
capitaes do que por srvigos reaes.
Este novo laco, em que todos io cahindo, s por
isso tnrAou se logo a arma.predilecta : dos ministros.
Se o lho do dono da valor trra r, bfl'm se pode MU-
zar qual he o ^i'.o de ham.governo, que poe lora
todos os prcprietrio5, isto he; fora das suas trras,
con vi dad-os' ptira a Grtei Semelhante estratage-
ma deve de destruir, as riquezas territoriaes,. e his
os boas costumes : por issp befo epressa se perdero
esses restos de emuico^ e rerdadera nbrez, que a-
ind-i havia em Franvau Huma multrdo de creados,
condecorados,deilitold* qne infamavo, desveftevo-
se em torno da fortuna, erabargando-.lhe tts avenidas :
a g-avidade, a dignidaoV.dos costumes, a forea mvlitnr,
a severa, e delicada integridad^, unicaa virtudes,* que
cpnstituem bum homem caipaz decommandar, ] nao
abrio o passo pira ..os goyernoS das ^previneias; por
que vz aduladores, q-uetorneavSo o tbrono, oftisr-
pavo : ellesprodiga^isvo lisdnjar'ias; e impertinen-
cias, e por estes meiofefiftlcaBoa'vo esses gnVernos para
seus lho.^ aiuda mu no vos, sefH irteito^ sem: sr-
vicoi, e sem experiencia,; por ondeas dignidades vie-
rao.a ,c.er hereditarias, posto que "relativas ao estado
(invenco, para, o diser de pas-vagenl, to absurda,' o
ridicula, como nunca se vira) habitle longaservi-
do na cprie assegurava recompensas mui Jisorijeifas,
alias s devidas a ser vicos reaes, > hum cerlo numero
de Emilias, raais di*tinctas na or'deiri da nobreza pe-
la profisio de cortezaos, do que por tilubs ^iessoas,
e quasi to viz pof suas profusofs insensatas,'.Como
por sua srdida, eambiciosa cubica. L dizia hum
untigo (Ghilon)que o hornera experimenta-se pelo. oU-
ro: e isso heverdadeem todas as idades, e paizes. Tu
dose pode esperar,, excepto virtudes, de home.4, que
esl5o amarrados a dependencia do interesse.
Para raelhorraente invperarem, davA) os .ministros
.*.

os grandes lugares a mercenarios deconht:ci qu:.es certos estavo, que iuspirafyaQ, e'"ao- raotrer
a seu ;>abor ; pois que aquelles mais quenao seg,irar
huma existencia pecuniaria, e vender os st as difeilo?,
coes, e decretos, a fim den/ida deixar (kf^tjJ^mk:
por isso com bstanle a Rudeza di/.a o pri. r^enio
a Mailboropgh Primriro tpmarieis v<) anc,i,
que os commafiantes da fronteiras, e provincia^ t'ives
se.ro novas da corte por tanto ide* adianto 13e.ro &ar
*
M ITII AHO L
i


i


:.
v .oiis;

30
WMltMi
'u *ogenio, que homens empreados por hum despa-
i*CQstumo ser autoroatos, equenada Jia wm%hiS2^
qaehumi cole, que ludo qqer ordenar, e dirigir.
O bomrei reprime o abuso, que se faz, da authorida-
4& que coaa : mas que titulo daremos a aquelle, que
presuppSe sempre o abuso ?
Ministros, a quem tudo sabia medida de seuJ de-
xejos, forSo obrigados a rodear-se de scribas ; e este
ov modo degovernar pertrbo'u toda a sociedade,
ja levantando de todas as partes pertendentes, j dan-
do frequentes exeraplos de fortunas injustas, e rpi-
das, ora multiplicndoos meros de jectos de lisonja, ora offerecendo s intrigas, e cabal-
las rfofos caminhos ; aqu janeando de novos obstcu-
los as avenidas da justica ; li sufifocando os brados da
liberdade, entrodu/.indo na ordem civil a espiagem, e
denuneia, o que por toda a parte difundi a descon-
fianca, a bypocresia, e a servil lisonja, entregando fi-
nalmente as financas a bum novo desperdicio, capea-
do sob mil formas, e papis, e sovertendo os milita-
res, o que be muito mais singular, altenta a differen-
ca das analogas.
Esia mania de penna, que* data desde Luiz 11, cu-
ja forca todava foi augmentada por Colbert, chegou
a hum ponto qnasi incomprehensivel; a administra-
cao bem longe de mudar a este respeito, tornou-se
roais perada : os papis, e detalhes, tudo absorverSo:
por mais bravo, e experimentado, que fbsse o soldado,
nao passava a sargento, se nao sabia eerever : o ma-
jar hornero de detalhes, jue amigamente nao tinha
caminando, nem traziagola, signa! destinctivo oVOf-
fieial, .agoraheoffioial superior;- O secretario de hura
dsses espioes .igaloados, que se chamao inspectores,
e que iolroduzirao na milicii o despotismo mais minu-
cioso, e ridiculo, tem mais papeada, do que tinha
amigamente bum ministro d'estado dos negocios da
guerra; Com a penna governa-se absolutamente, e
semopeilaconlosasmiliCras, se nao todas asmis
parles da adraistracao.
Dado o primeiro passo neste genero os detalhes vio
sempre crescendo. Cada ham desses detalhes pede
hum homem ;e cada homem pede um posto : multi-
plico-se os papis, de maneira, que sao precisas azas
aos detalhistas 5 e tudo isto subdivide-s infinitamen-
te : por quanto os detalhistas fazem os detalhes
huns negocios fazem outros, os escrivaes fazem es-
crituras. Se no imperio romano, composto de pro-
vincias, que boje sao reinos, tratassern-se Os negocios
comomesmo aparato, e prolixidade, que h boje-
duvidomuito, que*eidadedeRoma, e seusarrebal-
bastassem para eonter, accomodr osrribnnaes: as-
simo diz Mr. Grosleyna sua excellente obra, intitu-
lada Londres,
O marquez de Louvois tinha rfous pnmeiros com-
missarios ; e a repartico da guerra conl'ou ate 17 ehe-
fes, cada um dosquaes tinha pelo' menos dez a doae
amanuenses; e nao duvido, que o numero fosse' cres-
cendo : mas tod'essa multido de papei, dar, ou po-
der dar esses ministros scribas conheri r.entos sobre
a guerra, e aquelle instincto, por assim o diz'er, que
faz com que o veterano, olhando para o soldado bisu-
nto, perceba logo de quanto he. este capaz. ? Essa pa-
pelota inmensa desenvolver o espirito do militar, os
movimenios desu^rroa, seus costumes, seu modo' de
pensar, suasideas, seus prejuizps, sua qnalidade de
Mas isso que importa, huma vez que essas nta< ^
escrituras serven rie pretexto a huma delapid"** di*
raco? Eis entre tanto o'que bem sabe, e descobre
hum milit ir veterano, sera se engaar, e essas molas
metidas sao as que fazem andar a maquina. Por ven-
maread* de dinheiro, nSo menos que de capa sVe-
hacarias dos ministros, e sota-ministros ? O certo
iw, que ninguem quer servir, sem qu se Ihe pague,
e sobre tudo o exemplo da ladroice nunea se d impu-
nemente. -?
este modo tudo se fez pelo ouro, e para o ourp.
Com riquezas, diz Montagne, satisfazem-se os servicos
de hum criado, a deligenca de hum correio, o dan-
sar, o voltear, o fallar, e os mais viz ofticios, que se
nos faz : verdadeireroenre ateo vicio, a lisonja, a al-
covitice, a trahico, tudo se paga : eom riquezas sa-
tisfazero se ao depois magistrados, raarechaes de Fran-
ca, fidalgos parentes; ao mrito da honra em fim
substituio-se o ouro ; e foi por tanto mister que este
fizesse as vezes'da authoridade, da emulaco da virtu-
de, de tudo em huma palavra : nao sendo possivel
substituir todas essas riquezas moraes, os homens, qne
das maos dos subditos sbio arrancar o ouro s par-
celias, e em seu proveito, para o vendenem pelo gros-
so, e bem caro ao monarca (funesta ciencia, alias mu
fcil de adquirir, quando he proUgida) esses homens.
se he, quetalnome se Ibes deve dar, ganhro por
mo: a'necessidade, quedellesse dizia ter, seus the-
so.uros, que em realidade nao ero seu, as riquezas,
que eles muflo mais desbaratavao, do que ostentavao,
dero Ibes bem depressa cerU consideraco, e o luxo
voousobre seus passos.
A existencia de hum homem de mrito he critica ma-
is severa de todo o hornero, que o nao tem -r e ete o
motivo dros tollos, e velhacosserem sempre persegui-
dores. O mesmo brilho da virtude, diz Tcito, ir-
rita aos maos; porgue tira-Ibes a mascara, e serve-
Ibes de condemnaco : por issa tornou-se causa peri-
gosa o appareeer com objecros, que devio dar dislinc-
cao real. O despjo de destinguir-se ; paixo indes-
truclivel no coraco humano, resolveoa muitos .1 bus-
ca rem disriccftes frivolas, j qu nao as podio ter
reaes. Toda vez que na b'riinio, e reafdade as ri-
quezas valem mais, que tudo $ toda vez queeSlis a-
brem caminho consideraco, s honras, ao pitrona-
to, anthoridade ; a pobreza ven a ser opprobrio,. a
integridade, e desiiteresse sao virtudes de estpidos,
e tornb-se para os espertos justo objecto d'averso.
Muilas vezes se tem dicto, c assim corre, que nos ma-
is tememos o desprezo, do que o vicio ; pelo que no
payz, ondeointeresse pessoal he to desvergonhoso,
qneo homem desi'nteressado he ti-cto por buco y rara-
mente ha ver quem aspire a ser honrado.
Homem h, diz Monta^ne, que tem grande comiti-
va, grandioso palacio, muitos respeitos, e grossas ren-
das: tudo ito existe ao reor delle, mas nelie nao.
Ortamente: mas em todas as eras, e lugares os ho-
mens apresso-se huns aos'outros por esses ao ied.-
res, tanto, que os mesmesque ca miro contra essa lou-
rura, drixao-se lvaiMhi uso, c\iw aagmenta gra-
dualmente com ti boa fortuna. Tal he m'iito lempo
a nossa rrmierra de vida ; a cujo proposito dizia Pou-
quet,, En tanho todd-' o dinheiro do reino, e foral
de tocias as vinudes. ',,
'Oegrandes proprietarios, em suas provincias fidal-
gos, e magoatas, esporeadds pela basarla, ou por
phnos-de cubica, Irouxero para a capital espwihos
flnnr.i-ln A prccisao, e sede do curo corruuipero
- >, ; ..7^ ,r -.j-j. ,.j;icwmu, e acut u uto corrDpera;;
gona e finalmente os diversos escondrijo*'do seu co- todos os pontos, e estados ; o lnxo produno o dcsar-
racaor^ is entre tanto o nue hem ah o to.^k^ ~n\n .,....:... ~......__________r
ranjo, e ruina geraes, e oempregar homens impro-
prios para os lugares : deo aza a ftccuparem os Itlga-
.......,-..... v. .ir.i- res os mais habis.
lora toda a instruccao possivel, adquirida por notas Essa era todava a gente mais asolapara o intento
rijmva.Ie a essa especie de experiencia ? tfo governo': e por isso esses invadirao quasi todos os-
mi mi a nn l


<*as)
emprcgos: a authoridade as roaos de hum enlruso
f-fo insolente, ainda que d'ates o nao fura. O no-
tntm insolente be prompto en agastar-se e mu fcil-
mente toma hqm certo ar e querer absoluto : esses su-
jeilos novis, coja authoridade a cada passo era cflsga-
d,; qufzerao governar sem regraaguraa,. por terror,
por cartas brancas, por ordens arbitrarias, de arte Os FranCez9, pvo generoso, fiel, e guerrei.ro,
u as formalidades/oro a ultima, e bera fraca trin- sacodirao o iuto dos lolezes sob o reinado de Carlos
cheira contra os golpes d'aulhoridde, trincheira
sempre entrada fcilmente; roas todavia sempre odio-
sa ao visires, e mais smi-vsres. O abalo geral mu-
tplicou-se, epoztudoem movimenlo : mas que ce-
gos sao os nossos juizos em atribuir-mos todas essas
eousas a alguns tractantes subalternos, ero cujas mos
fluctuara o temi dos riegocios l Supoharoos, que hu-
ma opeira fura a parde, que rtinha hm grande
assude : a agoa esco-i-se, alaga, e destre os campos
viziuhos: por ventura a cauza desses eslrrgos foi a to-
peFa r1
Verdadeiraa topeiras sao aquelles, que'assim olho
para os objectos, tomando por cauzas os efeitos; quan-
do ludo nasce do desperdicio do dinheiro, da intro-
ducco da cubica, do fermento da corupco, apadri-
nhada pelo governo, o qual, anda querendo, j nao
tem forcas, nem talento para remedear os males que .
causou. Vendo-se na necessidade de comprar tudo,
e assoldadar, lodos os seus cuidados exgoto-se em
procurar o metal, que asua propendi tem dissipado ;
ealem disto a ignorancia dos administradores nao Ihe
deixa lancar mao d pessoa, que lh*b poderiao gran-
gear ; porque gs estratagemas d'aquelles, longe de a-
trahir dinheiro para oUmsouto, empedem-os de ne-
gar la ; e o nico recurso he vender ludo que he pos-
si vel do capital da naco : mas como nao se acho ou-
tros compradores, se nao os mesmos, que tem enri-
quecido com os despojos pblicos ; com estes he, que
se negoca ; edepois.de se Ih haver franqueado o
passo para roub-.r metido do reino; anda terri-se o
governo por muilo feliz de qoererm elles comprara
outra raelade com ascondicofs, que be,m Ihes pareca.
Nao lie pois de admirar, que taes homens hajo-se
constituido snhores de quasi ludo, e anda menos,
que o,governo veja-se na precisan de bigodear, e de-
pennar aos mesmos, que por tanto tempo o roubirao.
Eis-aqui o que he o fisco : he hum leo voraz, e
insavravel, comoqualno deve de haver condescen-
dencia : ou a destruieodesle 011 a do estado : huma
das duas he inevilavel.* Todos os tertipos, climas,
payzes tem passado pelas meimas desgracas, produzi-
das por puplicanos : sempre elles estro se pela vi-
lania sempre torno-se jnizesem sua propria causa,
e acdbo em oppressQreS descoberlos da humanidad*,
destruidores dos bons rqstnmes, e delapidores do es-
tado por officio : metellosem caza ; como poueo fez
orei da Frussia, he crear hum lobozinho no redil, ou
equivalle a por em pratiea sobre todo hum povo desa-
venturado qu< ll terrivel imprecaco, que contra os
Troya nos fulmina va a enfurecida Juno,, Achcronia
moveb'j. ,,
Eisaqui oulro simo que he huma aulhordade cu-
bicosa, e insensata, que cava o seu sepulcro com as
propria* mos, e expoe o seu ppvo ao bico devorador
do abutre, da qual'aulhordade este far logo a sua
rel por que a final d con tas os principes, bem como
Os Otilios humen*,'e mais, que lodos os homens, so
tem de existencia relativa aquella, que reeebem de
seus emlhants. Nada hemaioi^ nm mais peque-
o; do'qo hum re: nao sei quem disse esta verda-
de : mas o certo he, que todos os principes dvero a
corapreheuder, meditar, e conservar nt memoria : o
rci, que tem-ae por tudo, e aseus subditos por nada,
ra
i inmediatamente desriga-se do interesse da naca O
-rhfdm estado para tudo ha remedio, meuos paja
mudanca no modo d pensar dos subditos, que real-
mente sao mais submissos ao imperio da opinio, do
que a nenhum outro, a que qulquer homem sajba fpr
rar-se. huma vez que o qheira.
7 ; porque os Francezs d'ento envergQnhavao-se de
viver sgeitos a outro, que nao fosse,aqueje, a qviem
as leis feilaspor etls mesmos os submeltia: nesses tem-*
pos jurarlo elles sobre a espada, penhor do mais res- '*
peitavel juramento, fidelidade inconcussa ao seu re.
Se algum espirito profetico, descorlinasse ento o futu-
ro, bem pbdera dizer o rei as seguintes rasoes.
(^ A espada dos vossos subditos que vos poz oulra
^ez no throno, saber manter-vos i\e\\e : saber^e-
fender-vos de tudo, e contra todos: mas se nos ave-
zarem a obedecer de hum modo puramente passivo;
ser-nos- indifferente dar obediencia a qulquer cu-
tro. O estado cahir em ruina, e nos com issa nos .
nao importaremos : o espirito de dscontentamenlo,
desgosto bem depressa riscar da lembranca es males
do e?trangeiro ; at delies faremos alarde, a fim de ao
menos indirectamente, vingar-nos da administraco
desmascarando-lhe asfaltas; e em breve finalmente
veremos os Inglezes, tantas vezes rechacados, e co-
udos, dando ordens nos portos de huma naco, de
que elles nem rivaes deverao ser.
Perdoai, meus eros compatriotas o nao ter podido
conter a minha justa indgnacao pela impunidade de
tal afronta : a recordacSo destes'factos est anda fres-
ca, o pezo do nosso opprobrio me esraaga. Porque
nao sahir do tmulo oorgulhoso, e desptico Luiz 14
para contemplar o espantoso paralello dosFrancezs no
governo de Carlos 7 expulsando os Inglezes do reino,
resgatando-lhe a coroa custa de seu sangue ; e esles
mesmos Francezs lio ludibriados em seus portos por
sua propria administracao, como pelas ordens de hu-
ma potencia rival I O remorso de haver predisposto
semelhanle revolueao seria para elle a furia implaca-
vel, que eu desejara desprender contra os tyran-
nos.
Eu disse pouco,, que as formalidades ero iraca
trincheira contra os golpes da authoridade, e a rapi-
dez da gradaro, que quiz descrever, toiheo-me de
proseguir sobrVste principio : mas fcil he de perce-
ber, que a resistencia, ealavonlade de resistir aos
golpes do_despotismo debilitao-se em hum estado pro-
porco que a authoridade desptica ah faz maiores
progressos. Tudo se corrompe ; a firmeza desmaia,
morre a coragem, e a indutria nao entende, se nao
nos meios d*empol{ar o maior quinho de despotismo,
que he possivel Jnjuriam fortis nonfacit% ingenuus
nonferivdhsc Sneca; e proferio huma mxima
mu btl!a, e verdadeira. Siro ; osatrap* Otanez pen-
savr-, como homem, quando renunciou o imperio
com a condiio de ser independenle : em hum estado
desptico elle nao quera commandar, nem ser coro-
mandado ; e certa mente qjiem sabe prezar a honra he
to incapaz de atacar a liberdade de outrem, quanto
de deixar, tranquilamente, "que Ihe sujeitem a sua:
roas honra em governo despolico he quasi hum ente
de rasao, ou quando muito hum ente intil, e ridicu-
lo, se accaso o nao julgo perigoso, he huma plaa
extica, que a temerem-lhe a fecundidade, fra no
mesino ponto arrancada.
No despotismo o nico meo d'escapar ao captivei-
ro he ser satlite da yrannia : fra disto o desejo de
mando, epidemia mu commum humanidade,-4avra
por todos os empregos, e lugares. Os corpos inler-
,-


rnpey

&m ti >pos:lar,?s- Ia ''^"-dade publica ...Ja
tornSo-se escravos, ou despticos; servioo aoSes!
&^W?'.' aS-"d0 Pr "darrnWoit
este pfoceHimento he quasj inevlavel.
.^0erP'SC|U-eopo , '?,fat pf r,SS0 .e Para citadnos hura elemplo
ls pa pael, e catiro adirta-Sc, que em FrX
. ta,m e polticas sao contradichas em scu^!
pello. A le, cml superabunda em formalidades pres-
criptas para segur.nca dos bens, pessoa, do. ida-
t* eX^"'&-S ,em em VSU a P"l* te-
coca., e obediencia cega, sen, attenca-o a direitns,
qaandO balanca podesse eqmbbrar, o que nao be na!
ZZ ,T W'*a en!re s du<* porces da lei tor-
na o estado do Franeer. pior, queo do Turco: porque
Oopr,nie,ro teme de bunia parte todos os males' !o Z-
pousmo e de outra as vagareis republicanas: ose-
ondo pofem corre com outros em tumulto a pedir a
Mbeca do v.s.r, que os opprime, e obtem-a. P
(Continuarse h.)
-
Ai

. Llaga-se urtoa caza com muito bons comroodospa,
ra urna familia, assobradada e um sitio que perttnL.
a Maiheus Vieira da Silva no pateo de i pa |
nos Aflojados: fallar com Antonio Joaquim deFa-
m Patricio na praca do Corpo Santo ema uro loia ana




lirenda-se o Trapixe Uimpanhia cora todos seus
perteces, inclusive escravos ; as pessoas que ppr-
tenderem podero entenderse com Francisco Caral-
cante de Mello de quem podero saber o preco e as cO-
dices1 domesmo arrendamento.


ANNUNCIO.
Ir Erra se para o Corpo dos Municipaes Perma-
nentes de quSrfn.a cavallos, capados, novos de seis
Rif tfiS bodos de rt c6t>e de 3 p'1-
renl mil r manhf sem defeitos; dar-se-h qna-
,ffifr'rll,^"lln'' o Coliman-
do nX Golrn COrP-1"6 Se a,h" aulh"'
uo pelo uoverno para contratar.
\>
s
/9abto3 a Carga.
1 ,
Para Amserdam.
,
Mhircoma roaior brevidade possi
cr::rata">N-OBi^^W':reuaado:
)l-----------------------1_____ i 5** *
atoib$ i&arcicttlatfcis-.
Il( A foja de.panos na ra do Collrgio, ha um carta
vinda de Vianna para entregar ao Srir. Antonio Xa-
vier Vianna, ou a sua Senhora Mara das Neves Xt-
vier.
fc^ Quem anda carecer de listas dos premios da
primeira parte da dcima Lotera, que acaba de cor-
rer, pode havellasdo Reitor do Seminario gratuita-
mente.
. JW Quem precisar de urna criada pira caza, di-
rija se a ra da Roda D. 15.
$3* Qualquer Europeo q' se ache na circunstcis
de querer acommo lar de eitor em um sitio, e que
saiba plantar, e tratar de lavoras ; queira comparecer
na ra dos Quarleis D. 5, no segundo andar, para
tratar dtjseu ajuste; ten do porem com quem usti fi-
que a sua conducta..
^SH.OSnr. Manol Venceslao Ribeiro qhetra por
obzequio mandar receber um carta no atierro da Boa-
vista D. 63. .

_


cieitas.
UMa mulata de 19 ar



ti f.r renda, ^K'rf^?*! ffi t
do Padre Floriano 23 Uma ^ '' "a rua

J

a annun
t3- Btlhetes da atinja parte
tnS i.:..; blv'' e fM 1 Senl.t.r Coim-
de doTXUaainfarn,'a ^ "^i00'1 Pr mTOda -( 20 rs.
m- uoi> a iiindd oue nan oUl(; i i
mP<** alq^rfL" v i?"0, Ra' q'""e
1M,,|, j y i -I're meait!!, C||1H jPm cof_
2 i'X L : I?0r und ada na pra,a do Collegio, ou em cas,' de Man,
I .
Oze, naci mocambique, estatura regular, 25 an-
n&, fgido no fim keNovembro passado: rua da
Cruan. 56, ou Boa'^l^' rr delraz da Matriz
ti. 8. i
WS"
!BB*a
ionio.


NOTICAS MARiTlS*,
Xavibs entrados no din 1G.
i fnUDELPHIAj^Hias; B^rganlim America-
no Independencia, M. Sa.^el Dorby : arinba e
t*n gneros: A Ferreir & ansfieid. fon. 250
PORTO;3Gdias5Poflu,uezS.M,upeI,Ca,.
Manuel Alves da Cimha : s,l, (> ti's ^eneros: a
lltan! Jaquim Rms e Silva. Ton 30 Passa-
Keiros'16. "**
f. Cap. Jacoi JebWn : v;ui Luttk.ui
Gomp. Pssatros2. l?
(Yinj rfl
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II


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