Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01569


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Full Text
AUNO XXX. N. 124.
QUARTA FEIRA 31 DE MAIO DE 1854.
Por S meses adiantados 4,000
Por 3 mexes vencidos 4,500.
mam
Por Anno adiantado 15,000-
Porle franco para o subscriptor.
ENCARBEGADOS DA SCBSCRIPCAO'. "
Redi fe, o proprieurio M. F. de Faria; Rio de Ja-
neir*. oSr. Joao Pereira Martins; Babia, o Sr. F.
Duprad; Macei, oSr. Joaquim Bernardo de Men-
donca; Parahiba, o Sr. Gervazio Vctor da Nativi-
dade; Natal, o Sr. Joaquim Ignacio Pereira; Araca-
ty, oSr. Antonio tie Lemos Braga ; Gear, o Sr. Vi-
ctoriano AugustoBorges.; Maranbo, o Sr. Joaquim
M. Rodrigues; Para, o Sr. Justino Jos Ramos.
CAMBIOS.
Sobre Londres 26 1/2, 27 d. por 9
Pars, 360 a 365 rs. por 1 f.
Lisboa, 100 por 100.
Rio de Janeiro, 11/2 a 2 O/o de rebate.
Acces do banco 10 O/o de premio.
a da companhia de Beberibe ao par.
da companhia de seguros ao par.
Disconto do lettras 9 a 12 0/0
METAES.
Ouro. Oncas hespanholas. 289500 a 2955000
* Moedas de 69400 velhas. 169000
de 69400 novas. 169000
de 49000......' 99000
Prata. Pataces brasileiros.....19930
Peso columnarios......19930
mexicanos.......108Q0
PARTIDA!
Olinda, todos os das.
Caruar, Bonito e Garanhuns nosdias 1 e 15.
Villa Bella, Boa-Vista, Ex e Oricury, a 13 e 28.
Goianna e Parahiba, segundas sextas feiras.
Victoria, e Natal, as quintas feiras.
Primei
Segund
PREAMAR DE HOJK.
8 horas e 30 minutos da manhaa.
8 horas e 54 minutos da tarde.
. AUDIENCIAS.
Tribunal do Commercio, segundas e quintasfeiras.
Relacao, tercas feiras e sabbados.
Fazenda, tercas e sextas feiras s 10 horas.
Juizo de Orphaos, segundas e quintas s, 10 horas.
1 .* vara do civel, segundas e sextas ao meio dia.
2.a vara do civel, quartas e sabbados ao meio dia.
EPIIEMEBJDES.
Maio 5 Quarto cruente as i horas, 11 mi-
, utos e io Jundos da manhaa.
12 La cheia a 1 hora, 18 minutos e 48
. segundos da tarde.
19 Quarto minguante. as 4 horas, 14
minntos e 48 segundos da manhaa.
> 26 La nova as 6 bous, 28 minutos e
48 segundos da tarde.
DAS DA SEMANA.
29 Segunda. S.Maxiraiano b. ; S. Mximo.
30 Terca. S. Fernando rei ; S. Emilia m.
31 Quarta. S. Patronilla v. m. ; S- Lupicina m.
1 Quinta. Ss. Firmo e Ferino mm. S. Teopezio.
2 Sexta. Ss. Marcellino pres., e Pedio Exorcista.
3 Sabbado. Jejura. (Vigilia) S. I'ergentino.
\ Domingo. Pascoa do Espirito Santo. S. Que
rio b.: Ss. Rollio- e Daciano mm.
.i
1
i
r

'>
PAITE 0FFIC1AL.
TUBUNAL DA RELACAO'.
.SES6A0" RE 27 DE MAIO DE 48.54. -
. f > miima io Bxm. Sr. conulheiro Aztvedo.
A* taboras da manilla achando-se presentes os
Se*. iMffciifgliliiri'ii Villares, Bastos, Leao, Souza,
ReMW, Lana Freir, Talles, Pereira Monleiro,
Valle e Santiaso, o Sr. presidente declara atera a
tent na forma da lei.
EXPEDIENTE.
Koi lido uru olllcio da presidencia, coramunieando
qaa a juiz de direiln de Nazareth, Joaquim, Manocl
Vieira de Mello reasumi no da 23 do correte u
esereieie do aea logar.Foi accosado o recebimenlo.
dem, eommunicando que o juiz de dreilo de
liiitoni Jos Nicolao Rigueira Cosa entrara no ex-
ercieio de ana vara.Foi respondido.
* dem, do juiz de direilu Rigueira Costa, -partici-
pando que tinha entrado em eiercicio do sea lugar
so dia 22 do correte.Foi respondido que se (cava
scieale, e mandou-se archivar na secretaria da re-
lee.*.
Julaamentos.
Appellarao crime.
Apoellanle-Auo'hso Jos de Albuqoerque; appella-
da ajatlira.Apretentou-se o accordam lavrado.
Recurso crime.
Recamle o juiz de diceito do Apudi; recorrido
FraaeitcoEmiliano Pereira.Conlirmou-sc o des-
pacho recorrido.
Appellac.Oes civeis.
Appellautes Joaquim Goucalves Bastos e outros;
' appeltado Jos Pereira de Ges.Sao embargos
que feran recebidos.
Appellantes Luiza Mara de Jess e outros ; appel-
' lados IgoaCin Carueiro de Souza e sua mulher.
Desprezaram-se os embargos.
Appellaates Manoel Pires Ferreira e oulros; appel-
lado Jos Caetano de Barros.Desprezaram-se o*
embargos.
Appallanle D. Anna Joaquina de Almeida ; appel-
'' ladea D. Thareza. Mara de Almeida e ootros.
Em parle. foram .recebidos os embargos de lis. 196,
tedas ot mais desprezados.
' Appellantes os herdeira do finado Antonio Jos
Gaimaraes por aeu procurador; appellado o bacha-
.ral Jato Florines Das Brrelo.Keceberam-se os
argos.
Diligencia*.
.{ppeilaces civeis.
Appellanle Antonio Milita de oimarSes Milla,
eaaao tutor de seu irmao Thomaz ; appellados
Joaquim Kaphael de Mello e sua mulher.Com
vala ao Dr. curador geral dos orphaos.
Appellante o juizo de ausentes ex-ofllcio ; appella-
. do Lniz Gonzaga Catarina.Com vista ao curador
. geral e desembargador procurador'da coroa, sobe-
. raaia e fazenda nacional.
Designar-oes.
Appeila<;Ao civel.
Appellairtes Antonio Luiz Gooralves Ferreira e sua
mallier ; appellado Francisco do Reg Barros de
Laeetda.
Appellares criraes. _
AppeHante o juizo ; appellado, Flix Al ves de A-
raujo.
Appellanla o juizo ; appellado Jos Manoel da Ko-
Retisoes.
Appellares crimes.
na
sembargador Telles a seguinte appellarSo em que
sao:
Appellante Jos 'lavares de Araujo Coito ; appella-
dos Jos de Barros Correa e outros.
Passaram do Sr. desembargador Luna Freir ao
Sr. desembargador Telles as seguales appellares
em que sao:
Appellanle o juizo ; appellado Jos da Silva Neves.
Appellante o juizo ; appellado JoSo Antonio de
Mnnra.
Appellanle Bernardo Duarte Brandao ; appellado
Eslevo Cavalcanli de Albuquerque.
Appellante Jos Manoel da Paixao ; appellado Fran-
cisdo Antonio da Silva.
Appellanle Sebastian Jos de Moracs Bello ; appel-
lados Manoel de Olive ira do Prado e outros.
Passaram do Sr. desembargador Telles ao Sr. de-
sembargador Pereira Monleiro' as seguinles appella-
res em que sao :
Appellante Manoel Jos de Ma'galhaes Bastos; ap-
pellados os herdeiros de Joao Antonio Martins No-
vaes.
AppellantesManuel Pires Ferreira e oulros; appel-
lado Jos Caelano de Barros.Por nao est>
casa o Sr. desembargador Figoeira de Mello.
Passou do Sr. desembargador Pereira Monteiro-ao
Sr. desembargador Valle a seguinte appellarao em
que sao -
Appellante Hermenegildo Coelho da Silva; appella-
do Jos Jacome de Araujo.
Passou do Sr. desembargador Santiago ao Sr. de-
sembargador Villares a seguinte appellarao em que
sao:
AppellarUe Jos ias da Silva ; appellado Joaquim
da Silva Mourao.
Revista civel do Rio de Janeiro.
Passou do Sr. desembargador Leao ao Sr. desem-
bargador Souza o seguinte recurso em que sao :
Recorrenles o Exm. conselheiro Cassiano Speridiao
de Mello Mallos o sua mulher; recorridos -Ma-
riano Procopio Ferreira Lages e sua mulher.
Passou do Sr. desembargador Villares ao Sr. de-
sembargador Bastos a seguiute appellarao em que
sao: .
Appellantes os herdeiros de Ignacio Joaquim Fer-
nandes oulros ; appellado Manoel Claudio de
Qoeiroz.
Levantou-sc a sessSo as 2 horas da tarde.
EXTERIOR.
RECOHDACOES DE UMA VIAGEM NA TARTA-i
RA E NO TUIBET.
Usos a cosame trtaros.
O estado actual da China ameacada de urna revo-
luto que deve ahater a grande muralha e entre-
gar curiosidade e ao commercio do mundo o es-
tado e a exploraco daquella regiSo mysteriosa, da
um novo interesse a essetivro, de queja livemos de
Tallar por uccasulo das testa* do novo anuo. Todos
podeui ir a Londres ou Boma ; lodos pndem ter
a esperance de ver Constnliuopla ou Jerusalenl.
Mas quem lem visto o grande lago salgado do Kou-
kon-Noor '! Quem parou jamis no holsl das Cinco
Felicidades, na cidade de Hia-IIo-Po? Quem po-
de dizer o que be um Tailsi de globo azul, ou um
Tailsi de globo vermelho 1 Ninguem certamente ; e
daqui a muito lempo uiugavem se lembrar de em-
prchender essa prodigiosa viagem de daas mil le-
guas atravex de um paiz desconhecido, onde he
mais raro encontrar urna estrada aberta do que ban-
Pataou do Sr. desembargador VillaresanSr.de- dos de salteadores un de animaes ferozes. Dizemos
sembargador Bastos a seguinte appellarao em que
sia :
Appellanle o juizo ; appellado Francisco Maraede da
Silva.
Pasean do Sr. desembargador Rebello ao Sr. de-
Ktabargador Lana Freir a seguinte appellarao em
qeesto:
Appellante o promotor publico de Saboeiro ; appel-
lado Jlo Correa da Cosa.
Apptllafes civeis.
Pasaou d Sr. desembargador Villares ao Sr. de-
sembargador Bastos a seguate appellarao em que
sao:
. Appellanle Jos Rodrigues do Passo; appellado Joo
Cerdoso A) re.
Passaram do Sr. desembargador Bastos ao Sr. de-
sembargador Leo asseguintes appellaroes em que
sao:
ApaoHanlc o juizo; appellado Joao Antonio de
Monra.
Appellante Jos Pereira Guimaraes ; appellado An-
tonio Jos de Souza Carvalbo.
Appellante Antonio Lopes de Queiroz; appellado
Jos Francisco de Sampaio.
Appellante Gaspar Pereira de Oliveira ; appellado
Aatonio Pires do Nascimento.
Appellanle Felicia Francisca de Jess ; appellado
Manoel Ballazar Pereira Diogenes.
Passou do Sr. desembargador Leao ao Sr. de-
sembargador Sonta a seguinte appellarao em que
sao.:
Appellanle Joq Jos Botelh'o ; appellado D.Anto-
nia Francisca de Oliveira.
Passou do Sr. desembargador Rebello ao Sr.de-
duas mil lejfeas, porque a parle da viagem, que nos
conta M; Hue nao compreheiide mais; porm.sua
uarrarao para no momento em que seu companjieiro
e elle atravessam as fronleiras occidentaes da China,
na capilal da provincia do Sze-Tchoueu, onde por
orden do imperador, el les deviam ser solemnemente
julgados.
Os naturalistas acharao neste livro a descriprio de
animaes, que nao existem mesmo no Jardim das
plaas; os. geographos aprenderlo a verdadeira po-
sii.-ao de cidndes collocadas em nossas cartas quasi
ao ai-caso, c terao de supprimir povos, que nao exis-
tem, nem lem existido no lagar em que nos ensi-
nam, que ellcs formam urna poderosa e lemivel na-
rao. Mas o que ha de mais inlereSsanle nS narra-
de Mr. Une, e he intcrcssanle para lodos, he o qua-
dro vivo dos usos c coslnmes de povos completa-
mente desconhecidos, e. no meio dos quaes os dous
missionaros passaram muilos ancos, segundo seu
costumes e conformando-se'com seus usos. As qua-
Jidadespessoaes dos dous padres, e sobretudo a do
narrador, deixam-se ver bastantemente no enlevb
da narracao; sua modestia faz sobresabir mais sua
Coragem inabalavel. Mr. Hue no contara tao bem,
se as livessse ao lado da delicadeza de seu espiri-
to tanta simplicidade e s vezes mesmo ingenuidade.
Muilas vezes acba-sc prazer em ver nelles, nao obs-
tante o manto amarello dn I.ama mongol, que ellos
tem vestido, o nobre orgulho de serem francezes e
clirislSos.
Em 1846, .terceiro anno da viagem emprehen-
dida por Mrs. Hue e Gabel urna gazela de Ma*-
co publicava as seguinles noticias, datadas de Can-
tao: % '
Os missionaros francezes da nossa cidade recebe-
rarn ullimamente a noticia da chorada morte de
dons padres de sua missao da Tartaria mongolia....
Quando os missionariosse julgaram bem instruidos
na lingua mongolia, adianlaram-se para o interior do
paiz, com a intenro de comecarem sua obra de
conversao. Desde aquella poca apenas se tem re-
cebido delles algumas noticias incertas ; mas em
maio passado se soube que elles, no interior da Tar-
taria mongolia linliam sido amarrados cauda de
cavados e arraslados assim at i morte.
(irans ao co, os dous intrpidos missionaros po-
deraro lar as linhas que precedem, pouco lempo de-
pnisde serem escripia, saos e salvos nasua volta a
Maco, depois de terem escapado ao martyrio e a
mil oulros perigos mais frequentese nSo menos ter-
riveis.
, e Quando se emprehende urna viagem como a
nossa, s se deve temer quatro elementos. Aquel-
lesque lem-medo do morrer no caminho, nao de-
vem passar o balete da porta. 9 He assim que, no
momento em que a caravana vai abrir um caminho
alravez do inmenso pantano semeadoa precipicios e
formado pela innundaraodos oilos bragos do'Hoang
Ho, falla um joven discpulo dos missionaros, que
se fez o servo dedicado d'aquelles, que o converte-
ram.
E Saudadechiamba tem razio ; lodos os elemen-
tos Ihe sao inimigos.
nuando, depois de dous mezes de residencia na
capital do Thibet, lhes foi mislr por-se oulra vez
a caminho, as grandes chagas aberlas pelo fro do
deserto, nao eslavam anda fechadas. Com elfeito
nao he cous rara enconlrar-se na Asia central via-
jantes morios de fro. Ao accordar urna manhaa no
paiz dos Ortous, elles viram que o, lugar em que li-
nliam armado sua barraca no meio da obscuridade,
he cercado de cem poros largos e profundos, de sor-
le que nao poderiam dar cincoenta passos em liolia rec-
ta sem cahir em um daquelles abysmos, alravezidos
quaes ellcs caminharam urna parte da noite, sem
suspeilarem o perigo que corriam. '
Um dia tratava-se de alravessar o Bourhan-Bo-
ta, cajo nome significa coznha de Bouddha ; os ca-
vallos recusam logo avancar ; pouco e pouco os ros-
tos descoram, as pernas dobram-se, e cabo em tr-
ra ; entretanto deve-se levantar e chegar ao carne,
se nao se quer morrer asphyxiado no meio de um ar
envenenado. O Bourban-Bota he a primera e nao
a mais formidavel dessas monlanbas gigantescas,
que delt'euilcui a entrada do Thibet, e onde nao ha
exemplo de que urna caravana nao tenha deixado
bom numero de seus membros asphyxiados pelos
vapores mepestados ou celados pelo fri, ou levados
pela verligem ao fundo do abysmo. Outro dia he
um incendio, que em um abrir c fechar de olhos,
devora as paslagens no meio das qaaes elles arma.
rain sua barraca, cerca-os equeima seus camelos.
Nos habitantes da Europa toda corlada' de ranii-
nlios de ferro, de carruagens, de estradas em que se
encoulram a cada passo estalageus mais o menos
com asertas, como podemos fazer ama idea exacta de
urna viagem alravez da Tartaria mongolia Ella
tem com que ahaler mil vezes urna coragem huma-
na. Ooantas vezes, no meio das dores de lodo o ge-
nero, que os esperam a cada passo, Mrs. Hue o Ga-
bet poderam perguntar a si mesmos: por ventura nos
francezes, estamos aqu presos no Thibet, ou procu-
ramos dormirnos degros de um pagode chinez t
i Eslavamos abandonados a nos mesmo? em urna
ierra inmiga, sem esperanca de ouvir jamis em
nosso caminho urna voz de irmao e de amigo. Mas
que importa? caminltavamos confiados naquelle que
disse: Ide e ensinai a lodas as nac.oes. Eis-aqui,
eu eslou con vosco at a comsumacao dos scalos. Ou
Ira vez preso, prompto para comparecer pecante seu
juiz, serri saber que sorle lhe eslava reservada, e
em todo o caso, preparando-so para o marlyrio o.
piedoso missionario exclama : Que a esperanza
em Dos he urna coosa boa no meio das prova-
coes! a E chcios desla f que os nao abandona ja-
mis, adiando sua consolarlo e sua forra em urna
palavra do evaugelho, livres do perigo, nao coidam
mais nelle, e prosguem seu caminho.
E edm ludo, nao obstaule estas fadigas excessivas,
a fom e a sede, que sao seu solTrimenlo quolidia-
no, elles procurara amar o deserto. A Tartaria nao
occulla em sua immensa exteusao florestas sclvagens;
he urna plair incommensuravel, entrecortada so-
menle de espado a espago, por lagos, ros monla-
nhas immensas ; seus habitantes a chamam a Ierra
das reivas. Perdidos no meio desses vastos prados,
como no meio do ocano, essa solidao iuspirava aos
missionaros francezes um sentimenlo melancolicoe
religioso.
NSo be somenle o deserto com seus perigos e suas
tristes bellezas, que lhes apraz, he tambero a vida
do deserto, e o povo pastor e nmada qao habita, e
cojos costumes lhes fazem lembrar os tempos dos
primeiros patriarchas. Elles se acoslumam mesmo
a esse genero de vida de tal sorle que, quando seu
caminho os leva para perto dos limites.da China, pa-
ra os primeiros accessos da civilisacao (a civilisarao
fliine/.a ) parecc-lhes, que nao podero supportar
essa nova almosphera; elles sa sentem como oppri-
mdos e suOocados, em lagar de proeprarem um
ampio na*jfclageiis, v3o para fora da cidade. e as
estradas a rmar sua barraca, e prepara* elles seu par-
co alimento. lles se cnchom de jubilo se, chegan-
Iram alguma
Ir hospilalda-
olavel, que
os costumes
uao devein fa-
enuas quali-
Duranle eslas ceremonias chegam os convidados,
Irazendo comsig comesliveis econduzindo rebanhos;
i
FOLHETIM.
HEMORUS DE 11 RE. (*)
ni uiaia k ronus, i mu uanc.
TgRCEIRA PARTE.
I.
' Umn viagem a Berlina.
Havia dous ho'meus na carruagem; quando Berr
Sme e O duque cntrram. O duque assentou-se
em dizer nada ao lado do guarda, a carruagem que
era orna berinda d viagem. parti rpidamente, c
pouco depois achou-se fura da cidade.
ato tinha um conheclmcnto assaz pro-
fundo dopil para distinguirem quedirecrao era le-
vada. Fati usa luar esplendido, as aryores fuiiam
dos dous lados da estrada, a viagem tinha alguma
coosa da pnantastica. Mil pensam'enlos alravessa-
ran-lhe ao mesmo lempo b espirito. Qual podia ser
o fimdessa viagem'mysteriosa, e que ordensbaviam
rcehido os homens que o acompanhavara t Nauu-
dor(r examinou-ihes as feicoes claridade da la, e
achoo-es horrendas.
A"s vezes elle pensava que queriam Simplcs-
meute apartadlo do Franca. Sem dtivida sendo sua
preseat julgaila periaosaj qaeriam desfazer-s del-
lc, e enviavam-o> para algum paiz estrangeiro.
< luirs vezes dizia corosiso que seus inimigos dev
pois de o haverem posto naimpossibilidadede pre-
judiear alguem, tomando-lbe os ttulos que prova-
vam sua idenlidade. queriam tem duvda rel-lo per-
to de si para vigU-lo de mais perlo, c sua imagioa-
i-So asaltada evocava tremendo a lembranca terrivel
do Hamem da mateara de ferro '.
Na realidad elle nao sabia que idea abracasse, e
senta o'susto apoderar-se-lhe do espirito, mo grado
eu Tomando o partido de dirigir-se ao conde de
Bergalasse, voltou-se para elle, c dissc-lhe :
Perdoe-me, eenbor conde, se pertarbo-lhe o
somuo, mas desejo- receber do senhor algumas ex-
plicarOes.
Seja feita a sua vontade, senhor duque, res-
Eindeu Bergalasse aempre bem disposlo ; gracas a
eos o olllcio que xerro lem-me habituado ha mui-
los anuos a passar absolulameute sem sorano, quan-
do assia be pre-ciso... Que deseja 1
Algumas respostas francas e fiaras as peraiu-
tas que teuho.de fazer-lhe. .
Vejamos!... '
Pareeo-me que vamos muilo apressados.
"'() Videfono* n.-123.
Com eeilo.
Devemos andar muilo lempo assim ?
At fronteira, senhor duque.
At fronteira.?
Nem maisuem menos...
Entao expulsam-me de Franca 1
Deslerram-no, esle termo he mais polido...
E a quem devo lodos esses rigores ?...
' A urna pessoa que me be vedado noinear.
O senhor be discreto.
Sou obediente quando muilo.
EuJajKqucm lie essa pessoa '.'
Ha^Hesconheculo.
Semanvida. Queta est em sua posirao, se-
nhor duque, guarda-se bem de adevihuar seja d que
for, e qliando poi ventura adevinha alguma cousa,
guarda-se ao menos de dize-la a ninguem.
Sempre os mesmos principios.
Pois que he sempre o mesmo olllcio.
Justamente.'
Houve nqui urna pausa. Urna certa amargura
cnchia o corarao do duque, o qual lameutava quasi
nao Icr defendido enrgicamente a liberdade, e ter
repellido a fgida que lbe,j>ropunha Georgeh?.
Qdanto mais vejo, o senhor conde, disse elle
pouco depois em um lom de irona, com o qual era
iinpossivel niaguem enganar-se, mais o admiro...
O senhor duque he muito bom, interrompeu
Bersalassc inrliuando-se.
Ha poucas horas aiuda o senhor cumulava-mo
de protestos de amisade e de dedirurao... assevera-
va-me...
Oh 1 ph I scVihor duque, -exclamou Bergalasse,
he-mc absolutameute rapossivcl deixa-lo continuar
nesse lom, o qual nao convem a'o senhor nem a
roim !... Se quer, terminaremos aqui esta conver-
sarlo, c procuraremos entregar-uos cada um de sua
parle s doninis do somno.
Dito sin, Bergalasse nao esperou rcsposla deu
meia volta sobre s mesmo, apoiou a caneca em um
dos lados do carro, e fingi dormir.
O duque encarou-o eslupefclo. Era a primeira
vez que Bergalasse usava dessa sem ceremonia com
elle ; o duque expcrimcnlou um terror supersticio-
so. Pensou que Berzalasse considerava-o j perdi-
pido, pois nao tinha mais pata com elle se quer es-
sa sympathia respetuosa que inspira a todos um Ilus-
tre infortunio 1
Elle eslremeceu ; mas repel indo logo lodos esses
pensamenlos que s podiam eulrislece-lo, resolveu
apresen la r-sp de fronte erguida e coracao firme, i
desarara de que eslava amearada!
Todava a|>cnas linliam passado dez minutos, sen-
lio balerem-lhe levemente no hombro. En Bergalas-
do em urna cidade da fronteira,
familia mongolia, qual possara
de e Tallar-da trra das reivas.
Sua sympathia pelos mougesj
quasi nos faz ama-Ios ; e todavi
trtaros umitas particularidades,
ze.r esquecer sem duvida as boas ai
dades desse povo meio selvagem, ais que o faz mui-
to menos lisongeiroj*
Assim os monsltto immundoU o oiior^le sua
barraca he su Untante* foque eu'*.. seas vestidos,.
impregnados dagordura e niiDteiga he tal, que
mnilas vezes faz saltar o coracao : os monges sao
tao sujos, finalmente que os chindes, que estao Ion-
ge de serem acetados, os chajbim trtaros fedo-
rentos.
Sao sobrios, he verdade : raat a^apttite, que do-
seiivolvem diantc de um masjam* exquisito, faria
crer que sua sobriedade ordirarta he menos urna
virlude, do que um habito forrarlo lio meio do deser-
to. Nao procuraremos descrever um guisado trta-
ro feilo de entestiuos de canitiro. Elles nao tem
mezas, loalhas, pratos nem garfos de nenhuma sor-
le : cada um toree o arranca in os dedos urna par-
le desses intestinos fumeganleios devora.com um
prazer voraz, que enja o estomago dos francezes
convidados para essa cmezaua, e que produziria o
mesmo elfeito em outros muilos.
Mas estes festins sab ordinarios. Alguus pastis e
cha, eis aqui o ordinario de su j comida de cada dia;
cha de todos os modos, isto he, com manteiga e com
leite. Ostarlaros nao fazem infundir as folhas lenars
do cha em agua fervendo, que toma uma cor dou-
rada. Todas ai folhas s3o aperladas juntas em um
moble, onde ellas lomam a forma e a grossura de
um lijollo. Para fazer cha os mangues quebram. um
pedaro do seu lijlo, fazem-nosa p e o deitam em
uma marmita com agua fervendo ; a agua 'faz4e a-
vermelhada, e elles lomam esta bebida com deli-
cias.
.0 cha, que he a base principal do alimento tr-
taro, serve tamberapara as permutas; o systmamo-
netario he pouco usado; o cha subslilue a moeda.
Cinco chas representara o valor de urna ouc.i de
prata.
O caf henm laxo desconhecido dos trtaros, mas
elles tomam depois da comida uma ou inuilas pita-
das de tabaco. O tabaco nao faz um individuo me-
nos amavel c gracioso na Mongolia do que em Fran-
ca no lempo do Sganarello. Quer-se mostrar a nm
hospede o prazer que d sua visita '.' nao ha signa!
mais ceilo do que dar-lho a cheirar sua caixa de ta-
baco.
Mr. Hue compara a vida deste povo do deserto
dos patriarchas da Biblia. Todava parece-nos que
a analoga nao lie pcrfeila ; os monges sao pastores
e nmades, mas em nenhuma parte, as Recorda-
ron de I 'iagem o vemos apparecer patriarcha.
Ha na loriara senhores e eseravos. Os senhores,
os Tailsi, os quaes Irazem por -etsna le seu bonete
um globo azul, sao todos prenles do rei ou c befe
da popularan. Elles poseuem o solo ; lem o direi-
to de exgir morte um escravo, mas nao arbitrariamente. A vi-
da dos eseravos ou antes dos servo, difiere pouco da
dos nobres. Cus e outros habitara a niesma barra-
ca e apascentam seus rebanhos ; seas usos sao os
mesmos, e os Tailsi dao aos seus servos o nome de
irmaos. .
Na Tartaria o escravo deita do o ser, tornan do-se
lama, como na idad media Se escapav ao dominio
dos senhores ao entrar na greja.
Os lamas ou padres de Bouddha, os quaes formam
quasi um terco da popularao,guardam (odos!o celibato.
A vida de familia est reservada para os leigos, di-
ramos em Franca para os horneas negros, os quaes
sao assim chamados, porque deitam orscer o cabel-
los,ao passo que os lamas tem a cabeca raspada.
Os monges se cazam muito mocos: os pas arran-
jam o cazamento sem que sabam os futuros esposos,
os qaaes na sao prevenidos senao quando ludo es-
t deliiiilivameule concordaiio. A mulher nao traz
dote, en I reanlo que seus pas recebcmda familia do
noivo dadivas cujo valor foram regulados deuois de
debates, em que* arbitros combaleram pela alta ou
pela baixa ; por isto os trtaros dizem mu natural-
mente : Comprei tal moca para meu Glho.
Quando ludo est convencionado, o. pai e os p-
renles prximos do noivo, vao sentar-se enlre os pais
da noiva na meza do festim, onde elles ouerecem a
cada um, umeopode vinho feilo de leite fermentado,
no fundo dq qual se enconlra uma moeda : bebe-se
o leite e guarda-se a moeda. A isto he que se cha-
ma scellar o pacto.
Tendo chegado o dS do casamento, o noivo man-
da uma dppulacao procurar a nova. Depois de uro
combate simulado, que figura, um rapto, a moca
montada a cay alio corre a grande galope para a nova
habitarao. Depois de se ter entenado, ella se diri-
ge a casa paterna, onde Se proslra diante da imagem
de Bouddha, da lareira e dos prenles de seu mari-
do, emquanlo os lamas recitara as preces consagra-
das. Seu marido cumpre ao mesmo lempo as mes-
mas formalidades em casa do pal de sua mulher.
jai do noivo, sao bastantes
ezas lilas por elle para
festim das nupcias, nota'
de carnes gorilas, de
ardenle, dura uma se-
estes presentes feit|
para o inJemirisar
receber seus
vel por uma
tabaco para fi
mana inlcira.
Os Trtaros* K- mullas malheres. A pri-
meira esposa bJH Ranora da casa ; as pequeas es-
potas lhe devtjB) respailo e obediencia. Sendo mili-
to numerosa a crasse dos lamas, que apoltica cbi-
neza procura desenvolver a polygama, he tal vez, ro-
mo observa Mr. Hue, um obstculo para a lberti-
uagCm no estado actual da Tartaria.
O divorcio he admittido, c de um uso frequenle.
O marido devolve simplesmenlesaa mulher aos seus
pais, mandando-Ihe dizer, que a nao quer mais. Es-
tes nao enlregando-lbe os bois, os carneiros, que o
marido Ibes deu esposando sua filha, nao lem raza
de queitar-se, porque elles esperam fazer unr novo
beneficio, vendendo-a outra vez.
As occupaqes dos homeus sao pouco Damerosas.
Elles vo algumas vezes cay, purera este exerci-
cio nao he uma paixao para elles ; fazem presentes
aos seus reis, de veads ou faisOes, que elles matam
com suas espingardas. Conduzem os rebanhos para
as pstagens feriis. Quando sedescarreia um ani-
mal, elles seguem-lhe pista a galope largo, e cur-
rara al que o tenham adiado. Algumas vezes arma-
dosde uma vara longa e pesada, no lira da qual esta
ama corda disposta em n corredio, precipilam-se
sobre os vestigios de um cavallo bravo ; quando o
alrancam, lomando a brida nos denles, ellbs tomam
a vara com us duas maos, e ioclinando-se para dian-
le, fazem passar o no corredio em- voUa do pescoco
do cavallo ; de ordinario o animal para inmediata-
mente ; algumas vezes a vara e as cordas quebram-se
mas nunca o cavalleiro cali.
Os Trtaros anda enancas aprendem a montara
cavallo. Sao verdaderamente os centauros da fbu-
la ; o hornera e o cavallo nao fazem mais que uma
s cousa, por assim dizer. As mulheres'sabem tam-
bora montar a cavado. Quando us raoogoes viajm,
elles nao deseem mesmo de sua cavalgadura, caval-
lo ou camello, para dormir. >
Quanlo um trtaro se aborrece doguardar seus
rebanhos ou de estar acocorado na barraca a fumar
seu cachimbo ou a beber cha. desprende seu chic-
le suspendido por cima de sua porta, monta a caval-
lo e precipita-so no deserto, seja de qne lado fdr ; e
logo qaeavista ama barraca ou um cavalleiro, diri-
ge-se para elle, e volta para a casa contente de ter
trocado algumas palavras com um eslrangeiro.
As mulheres (em uma vida mais activa. Alm dos
cuidados domeslicos, ellas tem as suas atlribuices
a' confecrao dos vestidos, os corlimentos das pelles e
o apisoamento das laas. Ellas fazem .vestidos com-
pletos desde o chapeo at as botas ; sua obra feila
Lommorosidadc e com instrumentos imperfeliss-
mos, parece indlslrnclivel. Tambera seavantajam,
o que parecer masestranho, em nm trabalho mullo
maia delicado, trabalho de salao : Talvcz nao se
achasse em nenhnma parle da Franca, diz Mr. Hue,
oa amigos para o fundo fas matas ou para o come
das montanhas, e l as aves de rapia e os animaes
selvagens logo os devoram ; no se camiuha muilo
no deserto, sem que se encontr reslos de esqueletos.
Mas se o morlo he rico, seu corpo collocado em p
em uma especie do forno grande, he queimado, du-
rante o que os lamas recilam preces. Quando o fogo
uao lem mais alimento, retirara e reunem os ossos
que sao levados ao grande lama. Esle os quebra em
um p finissimo, roislura-lhe uma certa quantidade
de fermento, petrifica juntamente o fermentoe o p
dos ossos, c dessa massa faz bolas de diversas grossa-
ras, os quaes p6e uns sobre os oulros. formando uma
pequea pyramide. Os ossos assim preparados sao
transportados para o tmulo, que os espera. Os la-
mas gozam sempre deslas honra fnebres.
' Etisle ainda uma especie d sepultura, que pare-
cera indicar nm povo grosseiro e brbaro; ella he
reservada para os reis. Um edificio feito de lijlo,
rnado no etleribr de estatuas de pedra, represen-
tando diversos assumptos, lhes serve de mausoleo.
Nesse monumento ha um grande carneiro; para on-
de se transporta o corpo, e jonto do corpo vestidos,
pedras preciosas, enormes sommas de oaro e prata,
ludo que pode fazer a Vida agradavel. Em p em re,
dor do cadver col loca m-se moros e moras, que. os
mopges matam fazendo-lhes engolir.mercurio ; gra-
ras a esle processo, sea rosto, dizem, conserva a fres-
cura, e elles parecem viver anda. Elles lem em
suas maos o cachimbo, o leque e a caixa de tabaco
de seu senhor. Uma machina-infernal poeostbe-
souros enterrados nesse 'tmulo ao abrigo de toda a
tentativa deroubo; esta machina composta de arcos
numerosos, he disposta de (al sorle que quando a
porta do carneiro se abre, o primeiro arco arremessa
uma flexa e Taz disparar ao mesmo lempo o segun-
do arco e assim por dianle. *
Os monges nao desejam que seas corpas desean.
sem nos campos em qao elles tem armado snas bar-
racas. Certas paizes sao notaveis por dar aos mor-
gola especies de bardos que, semelhanles aos trova-
dores da idade media, percorrem o paiz e vao. can-
tando de barraca em barraca,ao som de ama especie
de rabeca de tres cordas,- as poesas qne elles apren-
dern] e (ransmiltem de geracSo gorarao. O
mais famoso desses cantos patriticos,. 6 caato de Ti-
moar ou Tamerlao, he uma recordacao da guerra e
de conquista, e ao mesmo lempo uma aspirarlo de
ver renascer aquelles lempos gloriosos. Vamos citar
as pr meiras estrophes della:
racas, a naco raoBgoiia era- terrivel e guerreir ; .
seus movimentos faziam pender a Ierra; com um
olhar, elle gefava de terror ot dez mil povos, que o
sol allumia.V .^-^^
. O'divino Timour, la grande alma renascer i
brevemente? Volta, volta, nos te esperamos, Ti-
mour !
o Nos vivemos em teus prados, traaqoHKfebrln-
doscomo cordeiros ; todava Busto corafjnpalpita ;
elle est cheio anda de fogo. A recordacSo dos glo-
riosos lempos d Timour nos acompanha constante^
mente. Onde est o chefe, que deve por-se nossa
frente e fazer-nos guerreiros.
O' divino Timour! tua grande alma renascer
brevemente t Volta. volta, nos te esperamos,
Timour'.
O canto coninuaya no mesmo tom,e termina as-
sim:
a Estamos promptot, os monges estao em p,
Timour!.... E t Lama, faz desear a.felicidade so- "
bre nossas fletas, e sobre-noesas lances..
Ainda que Mr. Hue nao julgtre impossivel qneo>-
monges, respondendo nm dia a voz de nm da seas
padres, selevantera tao impetuosos e lio terriveis
como oulr'ora; entretanto 'estes hyronos guerreiros
al aqui parecem raais uma lembranca de nm poder
etlincto, do que uma excitaeo temida de seos visi-
nbos. Seus prncipes se dirigem cada anno ou en.
viam pomposas embaixadas para os representar,
los
uma boa transmigrarlo, e os pais ou amigos do crte do ranoe Kan de Peking; elles vao depr
morlo emprehendem maitas vezes viagens longas e bnmildemenle sens tributos e toas adoracOes *fc p
difllceis para levarem os cdaver aquelles beneli- do 'brono, em que oulr'ora te sentou um dot seas,
eos paizes. O lugar mais favorecido he o das Cinco I ejolga-se feliz aquelle que, prostrado no camiolio
Torres na provincia do Chan-si.
He a visiuliauca de Bouddba que santifica o paiz'
circumvisinh ; porque depois de alguns seculos, o
dos se relirou para o interior de uma roontanha da-
quolle lugar. Sois bastante devoto para comprar
por algumas fadigar vista do velno Bouddha* po-
dis (eota-lo. Foi justamente o que fez o nobre To-
koura eni 1842. Depois de le,r denosto devotamen-
te nas Cinco Torres os ossos de seu pai e de sua mai,
enmecou a subir de rastos a elevada montan ha. Eis-
aqui como, elle mesmo conta a beniavenlurada visl:
Antes declinar ap cume, encontra-se um prtico
cortado na rocha. Deita-se de debruros e espreita-
se por um pequeo buraco, que nao he maior que o
do tubo de um cachimbo.; e bem lempo se fica oeste
estado antes que se posta distinguir alguma cousa;
pouco a pouco se consegue ficar acostomado a olhar
por esse pequeo buraco, e finalmente tem-se a fe-
oidade de perceber-se completamente no interior
do Santo Mestre, pode entrever a orla de seu man-
ta amarello, quando elle se dirige ao templo, onde
elle adora os espirilos de seas antepassados.
(flluslration.J
INTERIOR.
bordado. tSo helios o \3 perfeito*, como os que live- da monlanba o \elho Bouddha. Elle esto astenlado
se, o qual voltou-se brandamente e dsse-lhe ao oaj
vido:
O senhor duque falla italiano'.'
Sem duvida, respondeu NaundorfT no mesmo
lom.
Eulao, proseguio Bergalasse ceesando de fallar
francez, podemos continuar o fio de nossa conver-
saco. e romper a monotonia desla viagem cora um
dialogo vivo c auimado.
Que significa esta comedia '.' objectou o duque
admirado dessa mudanca de lom. '
.Significa que o senhor duque tem diante de si
os mais linos sanujos da polica de Mr. Decuzes, que
esses inleressantes personagens nao deixariam de re-
ferir ao amo a conversarao que tivemos, e que o
amo dar-se-hia pressa de por-me na ra.
Sempre o mesmo, disse o duque.
Essa gente, proseguio Bergalasse, tem sempre
um ouvido e um olho aborto... Ouvem e veem tan-
to de noite como de dia ; mas como o senhor falta
italiano, lingua que lites he lodesconhecida quanlo
o iroquez, podemos explicar-nos sem receio. Onde
estovamos?...
Eu pergunlava se esta viagem seria Uto longa
quanlo he enfadonha, disse o duque.
E eu respondi-lhc que ella devia leva-lo
fronteira.
E ahi o que farSo de mim "J
Ahi... senhor duque,nutra berinda estar pre-
parada, entrega-lo-hei polica austraca, dar-lbe-
hei bom dia, e nos separaremos.
Mas ludo isso deve ter um fim,
Ha dous.
Vejamos! .
Primeiramente o de aparta-lo...
E o segundo '? "
De te-lo dcbaixo dos ferrolhos.
ljuiao ha uma prisao no fim da viagem ?
Sem duvida nenhuma.
Qual t
Ignoro.* '
Diz a verdade '.'
Fallo italiano, o senhor duque podecrer-me.
NabndorrT caln-se. ludo p que elle tema acon-
lecia-lhe, ia ser laucado em uma prisao louge da
Franra, longe das nicaspessoasque podiam iuteres-
sar-se pr e!,e
Uma viva emocao apoderou-se-lhe do coracao, e
depois de alguns momentos de silencio, lornon :
Eis um triste negocio, eu devera ter fgido.
p Dei-lhe lempo para isso... responden Berga-
lasse.
E agora... j he tarde ?
Demasiadamente larde, senhor duque.
Todava...
. O que ?
Ha lalvez um meia." .
mos occasao de ver enlre os Trtaros.
A hnspijlidade he a virlude do deserto." Quantas
vezes nossos"missionaros tem visto dirigip-se para
elles cavalleiros, que corriam para lhes dizer : a Os
homens lodos sao irmaos e se pertencem enlre si;
viemos para acender vosso fogo; o ou entao: a vin-
de passar alguns dias comnosco; vossa presenca nos
tranca paz e a felicidade?
Os monges tao muito religiosos; he sobretudo
esta disposirao de seu carcter, junta dorara de
seus* costumes, que lhes vale o amor dos missiona-
ros ; entretanto parece-nos que n sentimenlo reli-
gioso nao he muito elevado nelles, e se aproxima
muilo da credulidade do menino, que.duranle certa
lempo, er com a mesma facilidade no bom Dos e
nos genios ou nas fadas.
Os homeos negros lem ama f absoluta nos lamas;
estes padres lhes inspiram uma venerarao sem lmi-
tes, mas nao sem motivos. Os lamas sos com elTeilo
lem em parlilha a vida intelleclu.il. Mas por pe-
quena que seja sua sciencia, elles lem toda, a scien-
cia da Tartaria: os lamas tilo a principio padres, de-
pois pintores, esculptores, architectosiroedicos, feiti-
ceiros, e s elles o sao.
Se algumas de suas obras d'arle merecen) ser ad-
miradas, a maior parte sao imperfeitissimas e muita;
vezes grotescas. Sua medicina he pouco complicada s
n3o empregam outro remedio se nao simplices e pe-
dacnhos de papel, uos quaes escrevem certas pala-
vras, que b doente eugole com uma conllanca etem-
plar. Enganamo-nos, dizendo que elles nao conhe-
,rtam oulros remedios; os que acabamos de enume-
rar sao remedios preparatorios. Como toda a mo-
lestia deva ser imputada n presen ra de um demonio,
os verdadeiros meios de curasao os conjuros e os
exorcismos. As vezes se a doenra he tenaz, .e sobre
ludo se o doente he rico, uma ceremonia infernal
d ao paciente um abalo Iflo violento, que o pe
de p, se o nao manda para a sepultura.
Os lamas poucas vezes prestara seu ministerio ao
publico, se nao esperam tirar grande vantagem de
seus Irabalhos. Por essa razo, a gente pobre se re-
solve a nao chama-Ios' at para os funeras. Os
cadveres sao simplcsmcnle Iransporlados pelos pais
Qual T
Se o senhor fechaste ps olhos.
E os dous sabujos '!,..
Podemos fazer que se callera.
Elles o matariam !...
Ou nos os mataramos. >
Obi... senhor duque, disse Bergalasse erguen-
do os hombros, sao ideas de menino. Julga que
exerce-se a polica com tao pouca maginac/io... O
senhor nao sabe ludo !..,
,0 que ha aiuda ?...
Ha um destacamento de gendarmes qne se-
guem nossa berinda a cincoenta passosdedstaucia...
Diz a verdade "!...
Fallamos ainda italiano, senhor duque.
Houve nova pausa. A carruagem cqnlinuava a
correr com muita rapidez, e os doushomens guarda-
vam ainda o mesmo silencio
E pensa, toruou logo o duque, que meu cap-
tiveiro deva durar, muilo lempo ?.
. Ha de durar em quanlo o senhor for perigoso.
E quando deisare de o ser?
Isso depende...
De quem 1
Das macliinares que organisam-sc ueste mo-
mei'ito.
-* Pelo que vejq o senhor est a par de ludo.
Cada qual faz osen olllcio o mais hbilmente
que pode.
E que machinaces sao essas ?
Sao muito sagazes.
Porin emfim, quaes sao ellas ?
Consistem em suscitar-lhe rivaes...
Que quer o senhor dizer ?
NSo me euteude ?
Do nenhuma sorle.
Para fallar mais claro entao, a polica procu-
ra alguns homens que tenham sua idade, e cujapby-
sionomia asscmelhe-se ao typo de Bourbou. para fa-
z-lbs representar o mesmo papel que o senhor.
Mas para que fim ?...
Um lim fcil de comprehender-se. Como es-
ses homens nao terao; neuhum taro no'passado, nao
despertaran nenhnma sympathia, c Confessarao ci-
tes mesmos suasproprias velhacarias, tornarao assim
impossivel a volla do nico homem que pode repre-
sentar esse papel com algum perigo para os que es-
tao no poder.
i Mas isso he infame I etclamou o duque de
NaundorfT, porm detta vez em bom francez.
Isso lie alia poltica, toruou seu interlocutor
sempre em liimtia eslranha.
Bergalasse e o duque roulinuaram assim a conver-
sar durante uma parle da noile. Einni o somuo
assalloiiios e elles adormeceram. Demais a v iagem
nao foi juircada por nenhum incidente digno de ser
referido, e no dia seguiute noite chegaram fron-
teira. *
Bem como Bergalasse tinha annunciado ao seu
prisioneiro, acharara nesse lugar uma carruagem j
Irrumpa, na qual um oflicial austraco esperava o
duque.
A mudanca fez-se mui silenciosamente, o oflicial
austraco exhibi a Bergalasse os pergaminhos de
que era portador, e Bergalasse depois de l-los exa-
minado, cun iilou Naundorlf a entrar no carro que
o esperava. Esle nao fez-sc repetir u convite, e
deseen logo da berinda; porm antes de subir
nova carruagem voltou-se para Bergalasse, e dis-
sc-lhe ':
Senhor conde, nao quero deixa-lo sem agrade-
cer- lhe sinceramente sua amabilidnde ; crea que
conservare'! della uma cediente lembranca.
Muito bem, respondeu Bergalasse, separmo-
nos bons amigosl
Tornaremos a ver-nos algum da ?
Espero que sim...
S lieos sabe quando.
Talvcz brevemente... mais cedo do que o se-
nhor pensa !...
a Pois, bem! aconteca o que acontecer, declaro
que lerei nm prazer mu vivo em lomar a v-lo.
E toHdo o duque aperlado a mao de Bergalasse,
esle altrahio-o parle, e disse-lhc em voz baixa :
Una ultima observarao antes de separar-nos.
Qual'.' pergunlou o duque.
O senhor est em poder da Austria, conlinaou
Bergalasse, rrcia-me, nao d aos seus- carcereiros
nenhum motivo de queixa.seja particularmente d-
cil, pois a menor infraccao ila disciplina seria pu-
nida com penas severas.
Para onde vao enlao levar-mc ? perguntoii o
duque com alguma inquielaco.
Para o Carcere duro responden Bergalasse.
Depois apertando a mao de Naundorff, saudou-b
com sympalhia e vollou para a berinda com eus
dous homens.
O duque seguo o seu exemplo, e lembrado de
suas ri'Comineuil)ces assentou-se junio do oflicial
segundo a ordem que lhe foi dada.
' As duas carruagens partirn) logo cora toda a ra-
pidez, lomando cada uma uma dirccr'io opposla.
Durante os primeiros instantes, o duque seutio um
violento aperto de coracao. Todo eslava perdido,
elle achava-se dahi em diante' nas maos de uma po-
tencia cstrangeira, ia sem duvida ser tratado como
um prisioneiro de Estado, islo he, como a mais pe-
tigosa especie de prisioneiros. Seu capliveiro seria
provavelr.iente muilo longo, talvcz tambera muilo
duro, e nenhum amigo abraudaria as dores de seme-
Ihanle posiian.
A provaca comecava.
O oflicial auslriaco liuha-se entriucheirado em um
Com as pernas cruzadas,, sem fazer nada. Em redor
delle eslao lamas de Iodos os paizes, os quaes lhe fa-
zem continua proslracao.o
Bouddha nao lie sempre tao difiicl de contemplar,
ou pelo menos", se o vulgo nao pode aspirar- felici-
daije de ver as feijes do velho Bouddha, elle pode
frequentemente ver sua vontade ai feicoes de uma
de suas encarnares. Nao s o Tale-lama, chefe
supremo da reliciao, senao lambem todos os gran-
des lamas, que oceupam uma posic.ao anloga 'i dos
anligos abbades ou hispas calhulicos, cujos vestidos
elles Irazem, (cousa singular, qne enchu deadmira-
q os padres lazaristas) lodos os grandes lamas sao
Bouddhas e participnm da nalareza divina.
Estes homeni sao deoses; por tanto a morte os nao
pode ferir senao imperfuilair.cnte. Quando o corpo
do Bouddha vivo se torna cadver, fazem-lhe as
honras supremas, depois procurara sua alma, que
sempre a encoulram no corpo de um menino, que
he reconhecido grand-lama, e volta a lomar psse de
sua lamaseria, da^qual se llnha apartado momenta
neamenle.
As lmasenos sao aldeias habitadas nicamente
por lamas. Como elles. nao tem a-vida nmade,nao
morara em barracas, edifican) casas. He nestas la-
maserias que se enconlra, como oulr'ora na Euro-
pa, os germens lalvez de ama civilisarao mais desen-
volvida, e na verdade os nicos traros da civilisarao
existente.
Este povo de pastores espalhado em um immenso
territorio, onde elle passa uma vida pobre c misera-
vel, cujos coslumes eslo louge de ser guerreiros, foi
todava.um povo terrivel, que fez tremer o mundo.
Os chinezes nao esqueceram que seus tributarios fo-
ram seusvencedores e seus senhores ; com efleito ha
dous seculos apenas que seus antepassados, para se
defendercm das incarsoet des trtaros, ergaerard es-
sa grande mura I lia, que cahe hoje em ruinas. Mas*Js
descendentes de Gengiskau nao procurara alravessa-
la. Os monges de nossos dias nao tem perdido to-
dava a recordacao de sua gloria passada ; em seus
lougos serues elles contara as campanhas c os despo-
jos de Gengiskau e de Tamerlao, e so'nham ainda va-
gos projectos de invasa e de conquista. Ha na Mon-
WO DE JANEIBO 2 DE MAIO.
O caminho de ferro de mau.
A festa.da inaugurarlo do caminho de farro, qne
honlem noticiamos, he em si um desses aconteci-
raedtos, que marcara indelevelmente uma poca na
historia das naroes, attigoalando o comero da suc-
cessao de prosperidades que delte se derivan).
O publico teve razio de admirar e appladir a esle
primeiro ensato feilo em nosso paiz, desse invento
o mais precioso lalvez da industria moderna. Infe-
liz o povo, que assistitsc sem cmoclo a semelhaole
espectculo, a nao viite o que ha nelle de fecunda
c maravilhoso; isso revelara, que faltava-Ihe a es-
sencial condicao de grandeza futura, islo he, o seu-
limentffloo progresso, e a inlellgencia. instiucliva
daquillo que o constitue. Quando. nas aguas de
Canten surgi o primeiro barco de vapor brlannico,
houve m protesto unnime dosCbins contra o na-
to fumante; e ueste protesto eslava compendiada .
(oda a historia de sua immobilidade, e de seu somno
de quatro mil annos.
Desde as primeiras idades, o homem, a quema
infinidade do lempo e do esparo torna physicamenle
lo pequenino, levava a invejar o ve s aves aerias,
e a velocidade da corrida ao cavallo ; mas eis que
subttitaiudo a arte a nalureza, elle cria o cavallo de
vapor, e accrescentado com este novo poder de lo-
comocao, eugraudece-se repentinamente a am ponto
incalculavel. Nm a aguia, juogida ao carro do sol
carao diz Buffon, nem o corsel rabe da mais pura
rara, igualao a rapidez do cavallo dynamico na soa
marcha ordinaria. O Dr. Lardner, na soa obra re-
cente, The greal Exhibillon, calcula que a mao
de 23 milhas smente por hora he o sed andar
passoj elle faria a viagem roda do mondo em cin-
co semanas.
O quesera nas grandes corridas de 75 milhas por
hora, como algumas vezes se lem vista? A veloci-
dade de uma bala de artilharia do alcance de 9,700
ps, he de 25 segundos, ou 300 milhas por hora: o
cavallt-vapor, fazendo 75 milhas oeste lapso de
lempo, he apenas quatro vezes menos rpido qne
aquelle projectil. Nao he isto caminhar bem de-
pressa ? Se o Judeu Errante nSo eslivesse con-
demuado a /azer a p a sua longa peregrinaeio,
era esta duvida a cavalgadura, que raais lhe con-
vinha.
Superior em/orca ao cavallo de carne e osso(l),
o monstro dynamico corre dia e noile, inacessivel
fadiga e *ao somno, como os cavallos, que condu-
zem as fadas s reunises sabbalicas. Se nao lem,
como o camello do Oriente, a propriedade de sup-
(1) O cavallo mecnico he a forra que em om se-
gundo de lempo levanta 75 kilogramos (163, 39 ar-
ralis) a 1 metroaKMlura (4,54 palmos). O caval-
lo s levanta 'i0\wgramos.
silencio sistemtico, e pareca pouco disposto a osar
de benevolencia ; smenle como em cada mudanca
de cavallos, o duque debrucava-se por curiosidade
fra da porlinhola pana examinar a paisagem, ou go-
zar um instante do espectculo de algumas particu-
laridades dos coslumes dos paizps que atravessava,
seu compauheiro julgou dever dirigir-dhe algumas
observaces a esse respeito.
Perdoe-me, .senhor duque, disse-lhe elle em.
rao francez : mas devo fazer-lhe observar que te-
uho usircccs precisas, das quaes ser-me-hia im-
possivel tolerar a menor infraccao.
O duque nao respendeu, e retirou-se para o fondo
da carruagem.
Foram estas as nicas palavras trocadas. Desse
momento em diante o duque submelteu-se sem a
menor observarao a ludo o que exigiram delle.
Entretanto adiantavam-se rpidamente na via-
gem, dous dias depois, gracas a actividade inaudi-
ta dos poslUhoes, chegaram perlo da cidade de
Hriiun. Bruun he, como se sabe, a capilal da Mora-
via, e he aqui que reside o governador dasduaspro-
vincias de Moravia e Silesia. Esta situada em um
vaUc risonha eutre hldeiras levemente inclinadas.
A paizagem he graciosa, c nao falta de uma certa ap-
parencia de riqueza. Muitas manufacturas, oflicinas,
e estahelecimentus induslriaes que tem declinado de-
pois; florcsciam ahi uessa poca em um estado nola-
vel de prosperidade.
A carruagem que levava Nanndoru" parou duas
leguas pouco mais ou menos distante de Bruun, em
uma das alturas que rodeiam a cidade. Uma mu-
danca de cavallos eslava eslabelccda nesse lugar.
O duque apeou-sc.
Era de manhaa uajanevoa Iranspcrenle eleva-
va-se a essa hora do MMo do valle c encobria um
tantea paizagem, uma certa animacao comee-iva a
reinar Je lodas as partes, e onvia-se ja esse rumor
confuso'que anunncia o despertar de uma popula-
cao industriosa. Esse quadro conlrastava singular-
mente com os paizes que o duque atravessara at
entao.
Elle ficou alegre, e vollando-scparao oflicial aus-
traco, exclamou com uma especie-de cnlhusiasmo :
Eis um bello valle !
Com efleito, respondeu o oflicial.
He a primeira paizagem que sinto-m dispos-
lo a admirar sem reslriccao.
Todava ha uma cousa que a desdoura.
' O que he ?
Olhe... .^
O oflicial auslriaco esteudeu o braro. e designou
ao duque uma pequena montanba situada alguma
distancia de Bruuu, a qual a uevoa nao envolva in-
teirameole. *
O duque olhou, e nao dislinguindo nada a prin-
cipio, vollou-se para o companheiro.
Espere disse^m esle com um ccrlo accento
de tristeza. '
Com efleito alguns instantes depois o vento 'fresco
e puro da manhaa, lvanos ltimos veos que enco4
briam a monlanba.
No carne dessa montanba havia uma fortaleza.
O que he aquillo t pergunlou vivamente o du-
que como locado por um secreto presentimento.
He aantiga residencia dos senhores de Mora-
via. Como o senhor v, a cidadella he assaz forte,
foi bombardeada pelos Francezes, os qaaes apodera-
ram-se. delle no lempo da famosa batalha de Aus-
tcrlilz, nao foi reedificada de roaneira que podesse
servir de fortaleza; porm ama parle de seu recin-
to foi reconstruida, e h boje a prisao mais rigorosa
da monarchia austraca.
Estamos entao em Bruuu ? pergunlou vivamen-
te Naundorff.
He esta cidade que o senhor v...
- E essa lgubre fortaleza?...
He oSpielberff!...
Naundorff estremeceu. Nao era a primeira. let
que ouvia pronunciar esse nome fatal 1... e sabia
j com quo rigor erara tratados aquelles que ahi en-
Iriivain. Era de alguma sorte nm tmulo, onde se
fechavam os homens vivos!...
Todava elle nao teve lempo de ab'andonar-se aos
sombros pensamenlos que esse nome. suggerio-Uie ;
pois os cavallos eslavam promplos, e cnvinha par-
tir. Tornaram a sabir ao carro, e tomaran) a es-
trada de Bruun.
Ahi o oflicial auslriaco parou alguns instantes no
palacio do governador, e depois de .ter rcehido no-
vas ordens, ordenou.ao poslilhao quedomas'se o ca-
minho da fortaleza.
Com quanlo a encosta nao fosee precisamente di-
ficil, a eslrada.era cheia de barrancos qne uaoTier-
miltirara aos cavallos continuar com a mesma rapi-
dez.
Subindo essa collina, NaundorfT vollou mais de
uma vez a cabera para dizer adeos ao mundo ; pois
ignorava se o abysmo que iaengoli-lo se tornara a
abrir jamis para elle...
Eslava sereno na apparencia ; mas o desespero
enchia-lhe o coracSo. Demais essa longa viagem'
que acabava de fazer tinha-o fatigado, elle padeca,
a febre abrazavt-o e quebrava-lhe os membros.
'Emfim a fortaleza abrio-se, a carruagem parou
o meio do pateo, o duque foi entregue ao superin-
tendente do Spielberg. e seu nome foi inscribi en-
lre os dos ladrees I,..
Preenchidas todas as formalidades, tai elle couduzi-
do a urocorredorsublerraneo, onde abrio-se um quar-
to escuro, no qual o fecharam !...
(Cofirtmiar-i-Afl.)


'W,

podara sedee a fome, goza em compensarlo da
vadlagem de le*ar comsigo por loda a parle osen
alimento, sem prejuizo do comblo. '
Ao mais leve movimeolo da mJo, que o menea, o
poderoso corsel ora para 'instantneamente mais d-
cil qne o cordeiro, ora dispara [deslumhrando a avis-
ta, sibillando, famegando, e anniquilando o espaco
debaixo de suas palas de ferro 1... Nao gosta de
encontrar curvas de pequeos raios nem fortes de-
clives ; todava puchado pelo cabresto pretta-se de
boa vontade a subir grandes alturas, como jraos-
trou levando os valles de Mississipi as iouumera-
veis legi&es de trabajadores, e os thesonros da civi-
lisaco por cima dos pincaros dos Allcghanys na ele-
varan de quasi 1,000 ps, e sobre planos inclinados,
leudo lodos por parfll a.linha recia.
Tal he o eavallo de batalha da industria, sobre que
o homemse lance hojea conquista da nalureza, di-
latando seu dominio, e tomando posse inleira do glo-
bo, que Dos lhe den.por morada !
He impossivel encarar sem Orna especie de admi-
rara supersticiosa, os. eSeitos desla acquisicao, de
qne Se eoriqueeeu a aclividade humana; cuida-se
devanear, quando se conta o Damero de milhas, que
a applicacao do vapor as vias frreas, permiti ao
homem percorrer em sua cprta vida. Le-se cm urna
cstalislica do mesmo Dr. Lardner, que no anno de
1830, e na Europa nicamente, as locomotivas per-
correrarn o espaco de 390 milhOes de kilmetros, ou,
amaexlensao quasi igual a dez vezes a circumfe-
rencia do globo, e superior de mais do dobro ao m-
ximo da distancia, que nos separa do sol. S na lu-
PIMO DE PEBMMBUCO, QUATRI FEIRA 31 DE MAIO DE 1854.
vapor as pedras, e o ruido das jindas. O nico meio
que havia de pedir soceorro era un peqoeno sino,
que pareca tocar a agona, eque mal se poderia o-
vir dos navios mais prximos quanto mais de lf rra.
Aburmas pessoas chegaram adispir-sc, dispondo-sea
tentar, nadando, o ultima meio de salvado que pa-
reca reslar.
Porm, por um tuceesso inexplcavel, o vapor pode
a cusi, empregando-se toda a forja de sea machi-
nismo passar as pedras, arraslando-se sobre ellas, e
a esperanza rooasceu por um inslaole. Apenas po-
rm achou-se desempedido verificou-se que nao obe-
deca ao governo por se lhe ter partido de novo o
leme. Deu-se fundo perla da ilha das Enchadas; ha-
via porm o temor muito justificado de que o vapor
fizesse agua ; algumas pessoas que desceran) abaixo
verificaran) que esse perigo nao cxisli. Ningaem
entretanto pdde crer nisso depois do que se acabava
de passar. Os grifos recomecaram, o terror reinou
de novo. ^ *
Duas pessoas lnham tomado o bolo que acmpa-
nhava o vapor a reboque, Hnham vindo Ierra pedir
soceorro. Appareceram dous boles da ilha das fin-
chadas ; embarcaram-se n'um dclles mais duas ou tres
pessoas e vieram al o arsenal de marinha, locando
cm todos os navios que enconlravam, pedindo provi-
dencias ; uns nao ouvraot o pedido, ou fiogiram tal,
outros prestaram promptamenle oque eslava a seu
alcance. Partiram depois as lanchas do arsenal de
marinha e da Cabria, e leve entao lugar a transpor-
tado de todos os passageiros ; foi, como nao poda
deixar de ser, tumulluaria e pergosa : felizmente po-
lalerra ellas Bterara 110 mil milhaspor dia,consu-' rro, nao se deu 'menor sinislro. A' urna hora da
mindo no anno urna quantidade de carvao, que, so-
breposta em columna, leudo de base' dous palmos
quadrados, subira altara de 757 milhas Quando
no Om de algoDS scalos nao houver mais carvao pa-
ra lo extraordinario consumo, haver o incgnito ;
e daqoi al l, o vapor (Tagua e a nieema electricida-
ile eslarao classficadas no numero das anliqaalhas, e
olfateadas por novas descobertas.
Eeonomisando o lempo, que he a materia prima
fe que se compae a vida, segundo a expressao de
Franfilin, e'destruindo as dslancias, aeslradado ca-
vado lo n'att tornoa-se grande instrumento da in-
dustria e da civilisaco das sociedades modernas.
' Por essaatabas de ferro, que serpear, nos vales,
tallamos ros, o atravessam collinas e montanhas,
sao approximados, desenvolvidos e centuplicados os
dous grandes elementos da v:lalidade de qualquer
pato a producto e o consumo. Transportando
com celeridade e economa, ellas aclivam o movi-
meuto da circulado dos hoTiense das cousas, loer-
lam a industria de um flos maiores obstculos, e
augmentara as suas facaldados productivas.
Has nao .he s como meio de prosperidado mate-
rial que a nova via de communicacao he admiravel;
nao ha progresso physico, que tambeni nao contri'
boa para melhorir a condirao moral das socieda-
des.
A descoberia da bussola abri intelligenoja ho-
ritonles deeconhecidos, e levou os Tachos da cvilisa-
ipo do chrislianismo Untos centros de barbari-
dade.
A ama de fago, grecas invenrjio da polyorn,
rompendo a rica armadura db cavalleiro feudal, c
nivenando-o com ozonos carnes de ^^^^^trZ
rraocmeou caminho a liberdade moderna por enlre '-
os destroc; da-aristocracia da forja.
A applicacao dos eylindros da mecnica obra de
liullemberg creou essa voz universal, para a qnal o
sol nao lera occaso,c que traduz toda hora o pensa-
menlo de milhoes de homens, que nanea se calla,qne
nao deixa solitaria nenhuma lagrima, e isolado ne-
nhum offrimeuto.
O cminho de ferro tambem convida o pobre, o
humilde que antes viajava a p, ao sol o a chova, a
lomar assealo na carrnagem junto a qua ronduz o
principe, a movidaa.ambas pela mesma locomotiva.
Nao he islo porveolura promov-lo melhor posi-
8o moral, elevar o seu espirito, augmentar a sua
dignidade conjuntamente com o acrescimo de urna
vantagem material?
De envolta com os producios do trabalho viajan)'
noscaminhos de ferro as ideas, os scnlimenlos, oi'ie
vo destruir ao Inngc os erros e os preconeclos, e
disspar os antagonismos sociaes e polticos pela fu-
tan dos interesses.
Eram estas ultimas sobretodo as reflexSet, que nos
occorrianl domingo, quando vamos benzer ocavalr
lo-giganle da mecnica ( o trilho nao foi benzido,
porque he simplesmente a sua ferradura ). A pala-
vra religiSo vem de religare, unir a familia humana
e consagra-la: e .nesle ponto de vista ninguem me-
lhor qoe elle concorre para a missao sublime do
chrislianismo, ouseja realisaod em parte a fraterni-
dade evanglica, ou seja subordinando a materia ao
imperio da parte divina do homem.
A festa de Man de 30 de abril, a Testa da sanlifi-
cajao da industria, produzio impressoes, que diffl-
ctlmente serio apagadas da memoria dos numerosis-
me espectadores, qoe a ella assisliram. Quandp aos
sonsdas gyrandolas e da msica militar entrn ono-
bre eavallo altivo, imponente e silencioso, no vasto
local da eslarao preparado para a solemnidade da
bencao religiosa, expresases de admirado e esperan-
a debachavara-se em todos os semblantes. be a machina do progresen, e de nossa opulencia no
porvir. Sem ella de qoe nos serve a vaslido de nos-
aepait, nossos Ihesouros subterrneos, ifosias im-
inensas soldoes coberlas de florestas luxur.ianles,
nosw tole privilegiado, a que os grandes movmentos
detuvian, e os depsitos accumnlados dos detritus
vegetaw^deram tao nolavel fecunddade ?.
Es o que se dizia, ou o que se pareca dizr ; e
em verdade era j lempo, que deixasseroos a monta-
ra d^o burrinho para'anlrarraos tambem no carro de
Iriompho da industria moderna. Me*de-se hoj em
dia os graos de eivilisaco de cada 'povo pelo nume-
ro das milhas de vas Terreas, que possue. Urna s
nao havia no mundo para locomlivas, ha apenas 25
aonos; e boje conlam-se em aclividade 26,551 ; e
em breve este numero ser duplicado :4at he a per-
suasSo dos immensos beneficios produzMos por este
novo meio de communica;So e de transporte, que
para obte-los nao aa olha a sacrificio algum.
Todos se bouveram dignamente nella fes la ; a lo-
comoljva correu sem troperar 18 milhas em 43 mi-
nutos ; o publico comprehendeu a transcendencia do
espectculo, a que foi chamado ; e o monarcha, que
realcen com sua pretenda esta solemnidade, den
urna nova prova de allada intelligencia e de drdica-
rao causa dos progresaoso aria, escolhendo esle
entejo aproprositado paratonftg^baronalo ao Sr.
Irioeu, a qacm rabem ashoJVo a gloria de ler
construido o primero caminho ,de ferro do Brasil.
Quanlo. observaedea critcasAue suggere esta
constructfiasas gordareme para onira occasiao, nao
querendo e nem devendo mistara-las com as
ses do conlenUmento
dura em nosso espirito.
i expres-
da Inauguracao que anda
T. //.
A fasta da inaugurado docaminho de ferro de
Man qne comecra sob (ao bellos auspicios ia lendo
um fim desastroso, quo s a Providencia podo evi-
tar. O ultimo vapor que largou da ponte de Mau
foi o tuarany, que trazia a seu bordo mais de 200
pessoas, sendo um terjo ou mais, aenhoras. Deven-
do partir das 6 para 7 horas, s pdde o vapor largar
s 9 ) da noile, em consequencia de se lhe ter par-
tido a canna do leme, que foi preasa caldeada e re-,
composla na offleina da eslacSo. Emquanlo esse Ira-
balholnia lugar, uraoulro accidente mullo lamen-
tavel veio ?crescen(ar um mo agonro viagem do
GnaroHy, O Sr.viteonde de Monl'Alegre, qne fu-
mava na proa, conversando com algnns amigos, ata-
cado de urna vertigem, segando se pensa, cabio pela
abertura do porao e esteve alguna minutos sem senti-
doe: o Sr. Dr. Ferreira de Abreu.que se achava em
lerrae que Toi immediatamenta chamado prestou-
lhe os soccorros da scieneia, c tranqillisou os eir-
cumiUnles a respeito do estado do Sr. viaconde. Hea-
Ubcleeida o socego eguio o vapor sem oulro acci-
dente, a nao ser o abalroamento com urna canda qne
vogavasem gente, e j todos se lisongeavam do es-
larem em trra denlroem om quarto de hora, quan-
do onv.ram-se os gritos do mestre que mandava pa-
rar, e scnlio-se o embale do vapor sobre podras :
eram ai bem conhecidas Feiticeiras, qoe se achm
adianle.da ilha das Enchadts.
Teslemunha occular.do quesepassou, nao pode-
mos descrever o que presenciamos: i angustia e o
terror lomaram todas as suas triste manifeslaroes: o
alordoamento cm una, as lagrimas em oulros, oestes
os gritos desabridos, naqueileso murmurar convulsa) -
das nraces; os pas abraravam-se aos Ollios c espo- I"
sas, os amigos proeuravam-se. Algn coraje* pro-
curavam animar oa maisacabrunhados, desvartecen-
doa inminencia do perigo : ella era porm patente
a lodos, pois bem e senliam os embates e o ror-ar do
note ludo eslava terminado.
Nao citamos nomes : militas pessoas portaram-se
com abnegarlo e coragem : nao se vio que dominasse
o egosmo da conservaco.
O vapor S. Domingos, que partir pouco antes do
Guarany, encalhou. tambem no boqueirao de Pa-
quel.e l esleve at a madrugada, quando foi soccor-
rido, por outro vapor mandado da cidde, sem agua
e semluz I
O qne resta fazer, compete s autoridades. Vere-
mos como ellas se por la ni. *
( Correio Mercantil.)
PERNAMBIM
CM.IRQ DElliltUMlJS.
16 de malo de 1854.
Como se me depara um portador seguro e mil ve-
zes mais expedito, do que os ronceiros pedestres da
reparlic.o do correio, aproveitn-o, fim de noticiar-
Ihemais algmna cousa desteUaranhuns.
Ha qualro das que recolheu-se a villa o delegado,
depois de urna excrsao que fez l para as bandas de
Correnle o de Papacara : residente em lugar mui
afaslado da dita villa, nao' poss ser informado de lu-
do quanto se paisa, e por esla rzao ale agora ignoro,
se o delegado trouxe alguns dos criminosos dessas
duas localidades, por onde audou. *
Acham-sc presos dous dos mandantes do assassinio
do meu charo e infeliz amigo o cidadao Jos Bazilio,
delegado e juiz municipal que fura'ueste termo, de
que mais de urna vez hei fallado a Vmc. Tres me-
zes ha que duram as diligencias para a captura des-
ses mizeraveis ; nao se poupra esforz algum, sa-
crificio, qualquer, aleo mais immineple risco de vi-
da, porque os laes assassinos, (3) de bacamarte em
Irelantn os mais recnditos e inacessiveis escondri-
jos, que essas mallas virgeos dos limites entre esta
comarca e a provincia das Alagoas, ofiereeem a in-
nmeros malfeitores.
No diasegunte quelle emque foram presos, par-
liam esses malvados encorporarem-se a quadrilha
do acelerado padre .Macario, as Alagoas, (Caruaru-
sinho.) Fui effectuada a diligencia por um inspec-
tor de quarleirao, cuja Iedicario he por sem duvida
digna de lonvor. Bem fue soja eu um simples e hu-
milde particular deste municipio, dirijo um voto de
agradecimenlo por esta importante diligencia ao de-
legado de polica dcsle termo, oSr. cap tao Carlos de
Moraes Camisao; ao subdelegado da villa, o Sr. Flo-
rentino Cypriniin da -Costa ; ao Sr. tenenle Moraes
Reg ; ao Sr. Alferes Jos Mara do Nascimenlo ; ao
Sr. capitao Cardozo.delegado do termo da Assembla,
nas Alagoas : loaos cumpriram louvavelmente o seu
dever, que na actnalidade he cousa rara, prestndo-
se com toda a dedicaban e a melhor vontade. Agra-
dece cordialmente ao merilissimo magistrado o Sr.
Dr. Luiz Carlos de Paiva Teixcira, chefe de polica
desla provincia, a solictude com que se digoou de
expedir ao Sr. chefe de polica das Alagoas as reqo-
s{Scs, que acerca desla diligencia Toram deprecadas
a S. S. pelo juiz de direilo interino e delegado deste
termo : honra e'louvor aoSr. chefe de polica desla
provincia.
Senhores do Diario, quando, parase levar a eei-
lo urna diligencia,'como esla de que trato,* em urna
cidade, onde a auloridade conla e lem a seu lado lo-
dos os recursos, sendo o principal a propria morali-
dade de (im povo cvilissfdo, posta em prova nessas
occasines pelo expansivo e iustinctivo senlimenlj de
reprovrao que o crime naturalmente d.esperta, o po-
der publico lula em serios embarazos,' como ha pon-
eos mezes aconleceu nessa capital por occasiao das
diligencias contratos assassinos do infeliz Fidi,%ie
de difhculdades nao se apresentam a qualquer aulo-
ridade policial desles serldes, que tem, alem do mais
contra si, a ndole desles povos, commiimmenlo
avessa a loda idadeordem, dejnsti;a, de punicao*
Com honrosas exccpcOes, cada um he um acnutador,
senao um cmplice 1
O invern conlna,e prometle-nos fartura : assim
aeja.
y ale.
(Carta particular.)
Finge-semuito sentida,
Busca com outro casar
Para o Candido deixar.
VIH.
Sabida tao boa nova,
Arranjonse um casamento
Do Romeiro a aprasimento,
E vao buscar a menina
Que p'ra o primo se deslina.
IX.
Conduzida a Genpapo
> Por sua livre vontade,
Nao leve ao menos piedade
Dos seos primeiros amores,
Que curta magoa c dores.
X.
Eis o caso, meu Honorio,
Tal qual se lem passdo,
Foi bem (riste o resultado,
Furtar mora? levar pao '
Perder moga e o mais.... babao.
Eis o que me narra o 'amaceno, c parece-meque
deve merecer crdito, por ser anillado do proprie-
lario do Engenho Sibiro, onde se recolheram os f-
gidos e invlidos.
No da 8 de maio foi encerrada a primea sessao
do jury dtsle termo, scudojulgado nicamente o reo
Manoel Joaquim Pereira do Espirito Sanio, conhe-
cido por Caipora, aecusado ele ter assassinado sua
mullier ; foi condemuado a Uaiinos de prisaosim-
ples, apezar dos esforcos que em seu favor empre-
gou o seu advogado, o Dr. Manoel de Barros Wan-
derley : de Serinliaem nada mais sei. Agora trata-
rei desla minha fregueza onde lem apparecido de
cerlo tempo a esta parle Jiem boas novidades. No
dia 15 de abril, foi prezo JostjAlexandre.coiihecido
por Cabra-preta, por se adiar armado com um fundo
de granadeira. lendo alcmjjjcommellido no ter-
mo de Uiirrcros, o crimeJ| HaUliva de morle
depois de etar pronunciada aseo de bexgas. Ja
q' fallei em bexigas, levfl wlhe, que esta pesie
esta grassando r.esta cidadeJH jilo enumeras vic-
timas e os pobres prezos teflH o aecoinniellidos
aqu nao ha recursos, e se S. Em. o hincar suas
vistas sobre esles miseraveis. ficlrlo reduzidos aos
cuidados da holla enfermeira Anna-calangro.
No dia 22 de abril foi prezo Manoel Frauciseo Pe-
reira, por ter assassinado a Jos Franci-co Fernan-
des ; e sendo processado, foi alinal desprnnuociado
pelo supplenle do delegado deste termo, na occasiao
em que este senhor esleve no Kecife ; a despronun-
cia foi sustentada pelo juiz municipal em exercicio,
e o prezo foi poslo em liberdade, apezar da parle
queixosa interpnr recurso para o juiz de direilo.
Dou-lhe parte que o Lopes nao esla gosloso com o
Wanderley e segundo diz-me 0 Sanios Vilal, he
devido a ter este senhor a requisirao do fiscal e do
propretaro do engenho Machado, ( que he o meu
simpathco subdelegado ) aberlo urna porleira que,
no lugar Deslilac-ao esa serviiiao publica, e que por
Lopes foi lapada. J que fallei no Sanios Vital, di-
rei queso acha procesado por crime He falsidade, e
diz-me o meu compadre sollicilador, que para hoje fo-
rametadasas teslcmuuhasque devem lepor no pro-
cesso;esle senhoresl lambemsendo responsabilisado
por ler abandonado o seu lugar sem motivo juslifi'-
cavel. Finalmentecommunico-lhe, que no dia 15 do
correnle foi aberla a correir.ao neste termo, onde
compareccram todos os empregados do foro e at o
reverendo vigafo da fregueza ; nada sei do que se
lem feto, e afirma-rnc o meu compadre sollicilador
que i tem visto portaras para procederem-se ex-
ames cm mllios, lvrosetc, e como tambem me di-
zem que no dia do encerramento he que as mazellas
sao poslus no olho da ra, aguardo-me para assistir
a esse dia, e do que houver lhe enviare circunstan-
ciada enforrairpo, pois desejo que esleja a par do
que por aqu se passa. Escrcve-me o Teixera de
Una, e cummunica-me o seguinte. No dia 7 do
correnle, o porlnguez Julio Jos Lopes indo em
companhia de um seu patricio Antonio de Magalhaes
Bastos ao engenho Coqueiro, de Francisco Marinho,
nao encontrando este Sr. em casa, voltaram para
Barreiros, roas na passagem de um riacho Julio dis-
para urna pislolla em seu companhero e felizmente
o nao ferio, e vendo que a victima lhe escapara, cor-
re para cravar-lhe urna faca que traziarmasesle ler-
rvcl designio nao foi levado a eflelo por terem ap-
parecido urnas mulheres que acudiram' aos gritos da
victima, depojs desla boa obra recolheu-se Julio
esla cidade, onde dizem-me que se acha occullo.
Da Barreiros communica-me o meu agente, que
foram apprehendidas tres granadeiras, e que foram
balidas as mallas adjacenles villa de Agoa Preta,
para desmane bar-sc um quilombo que se eslava for-
mando, e foram prezos dous escravos, os quaes con-
fessaram que j-se achavam em uumero de oito.
NolugarCampos-Verdes, Clara de tal foi ferda por
Alsela de tal. Finalmente fi prezo Jos Pereira
por ter tentado maltar a Manoel Aripibu'.
Tcnho concluido a presente missiva, epece-lhe que
diga ao escrptor Lele do Liberal que nao nos masse
ka paciencia com suas pergunlas, as quaes s serao sa-
lisfeitas, islo lie, respondidas se por-ventura largar
acapa do anouymo. O. Reslitui;3o melleu-se no
silencio, nada diz e ltimamente deo parte de do-
ente no jury com receio de ser chamado para defen-
der um reo. O Damasceno envia-lho os seus adeo-
zes, e o mesmo fazem os cujos que compieni a aris-
locraca da probidade desla comarca.1 Dispona
"o eu Honorio da Pilla.
(dem.)
COMARCA DO RIO F0RM0S0.
36 ele mala da 1854.
lia muilo que u3o lhe eterovo a espera de receber
noticias dos meus agentes, e s agora he que posso.
Iransmiilir-lhe as recebidas, e principiare! por Seri-
nhaem. No dia primero do mez passado foi esbor-
doado Candido Theodoro Rodrigues Pnlo em Ierras
do engenho Anjo, e a voz publica indigila como au-
tores desse fado a um filho de Manoel Romeiro de
Gooveia, que lem o mesmo nome do pal e a nm es-
clavo, cojo norte se ignora, esse fado leve como lem
lodos os eueilo de urna causa qne o produzio e vai
-/' fide Damasceno, aqu narrado.
Aproximando-se a estacan invernosa, sabendo o
Candido que por estes lugares o Irio he intenso, pro-
curou na sua homeopathia o meio de se por salvo de
semelhaote incommodo, e entendeu qne nada mais
approprado para esse fim era do que os sacros laces
do dos Copido, e como o fogo junto da plvora pro-
doz a explosao, morando elle nerto da casa de Ro-
meiro, onde exercia o cargo de professor homeopa-
thico, princpiou a dirigir suas missivas amorosas a
urna das filhas, as quaes foram acceilas com'especial'
agrado, j cansados estes dous amantes do doce en-
leio emque vivan, lencionaram realisar exabrup-
ie*o seu desidertum, e assim preparados, fugio esla
nova Helena com o seu formoso Paris qu a deposi-
to u no engenho Sebir, perlencenle ao major Fran-
cisco da.Bocha Barros Wanderley.
O Romeiro filho nflo gestando da grac.a, e nao
querendo a entrada desse novo Adonis para sua fa-
milia, nrocurou-desafrontar a desfela e injuria que
lhe tirilla sido feila, e encontrando com o roubador
de sua irma em urna travessia do engenho Anjo,
foi-lhe chegando roupa ao couro tem caridade. As-
sim esbordoado Candido, foi levado lambem para o
engenho Sebir, onde as dores que soffria eram mi-
tigadas cora a presence do bem amado'. osse entre-
tanto resolve-se a rapariaa fugitiva casar-se com um
seu primo filho do fiama Romeiro, o foi realisar esle
negocio no engenho Genipapo, para onde foi condu-
zida por seusparenles e amigos de seu pai, deixan-
do o Candido entregue aos solTrimenlos das dores
physicas, provenientes do geral em paos que levou e
das dores moraes mais lerriveis que aquellas, prove-
nientes da sepirac,ao e desamparo em que o deixa-
ram.
O Damasceno narra-mc o fado em verso eda ma-
neira seguinte:
I.
L no Anjo habita-um cujo
Que osla do seu namoro,
Sendo no olllco calouro,
Sabe o que fez o bregeirot
Furtou a filha do Romeiro.
H.
I.evou para Sebir
A minina logiliva.
Por ser certa a negativa
Quedava o pai a uniao,
Que quera o magano.
III.
Maldizia-sc o Romeiro
Da sorte sua, l\ ramio,
Chelo de rava do zanga
Busca o Candido encontrar,
E'o manda esbordoar.
IV-t
'! Maneal. que he Ho seu,
Vai o Lamlido cscovar.
Enconlrando-o a passciar,
Foi-lhe dizendo, brejero
Veja meu pao se he certeiro.
V.
Candido lendo apanhado, .
Todo coberto de p,
Foi levado a Sebir
Cheio de dores gema
- E chorando assim dzia :
* VI.
9 Analta nieu bem me acode,
Por teu respeito he que morro,
Se me djis o teu soceorro,
Inda aqui mesmo apanhado
Sempre son leu bem amado.
VII.
Mas da fuga a bella Anana
Ja de todo arrependida,
C0MMU1CAD0.
HOMEOPATHIA
No afligo antecedente prometlemos fazer a eom-
paragao das vantagens, que a homeopalhia leva no
ira lamento la febre amarella sobre a allopalhia.
Vamos, por tanto, cumprira nossa palavra, torne-
ra ndo pela apreciadlo dos resoltados obtidos por am-
bos os systemas. Entretanto lembraremos anda; al-
guma cousa acerca do que j dissemos anterior-
mente.
Em nm dos nossos artigos anteriores referimos o
que aconteca ordinariamente ao doenles de febre
amarella, quando esla se apresenlaya com feigo be-
nigna, ou porque 'molcslia Ironxcsse esle carcter,
ou pela energa incontestavel das doses homeopalhi-
cas, e por isso nao se desse tempo a que ella tomas,
se conla do organismo, e produzisse subsequente-
menle lesoes difliceis ou impossiveis de curar.'
Ja se v que, tudas as vezes qoe a molestia se a-
presenla com bom carcter, he curada om poneos
das, sem que odoenle soll'ra qnasi nada, e apenas a
dieta, e observancia dos precelos hygienicos por al-
guns das, poem-o a alvo das recahidas, quas sem-
pre. funestas em" tal molestia, c que nao sao pouco
frequenles quando o doenle usa da outra medi-
cina.
Nem sempre, porm, a febre vem com tao favo-
raves symptumas, e apezar do tratameuto, om ou
oulro doente torna-se perigoso ; e anda assim vere-
mos a homeopalhia triumphar solemnemento da foi-,
ga que intenta "destruir o organismo.
Nos caso em que a molestia vem de sua origem
com symptomas graves e aterradores, ver-se-hamul-
las vezes o acnito por si s combaler a febre, e re-
duzir a molestia a um estado simples ; e, quando de-
pois das prmeiras applicares desle podernsissimo
medicamento, d'essc agente medicinal de certeza mar
Ihematica, sesc pode dar esla certeza em alguma
c?uta que diz respeito ao organismo humano, per-
sislem os symptomas cerebraes ou estes aggravam-'
se, a belladona he, senao tnfallivel. ao menos de
grande proveilo na maiora dos casos, o dentro em
um ou dous das o doente oblem melhoras conside-
raveis, e fica fra de perigo.
Eis-ahi o que alcanea quas infallvelmenle a ho-
meopalhia nos casos, em #qoe a febre vem logo com
symptomas de gravidade, ou quando os adquire al*
gum tempo depois da invasao da moleslia.
A homeopalhia, por tanto, cura rpidamente os
doenles,em que a moleslia apresenla-sc com carc-
ter benigno, e a mor parle daquellesem que ella lo-
ma urna forma grave, ou vem com ella desde prin-
cipio ; vejamos o que acontece com a allopa-
lhia.
J dissemos que, pelas suas applicaciies, baldas de
fundamento, a allopalhia nao consegua curar mes-
mo grande, numero dos doenles, em que a molestia
se apresentava com carcter benigno, porque todas
as suas vistas se dirigem a obter a lrantprac.ao abun-
daulc, que ho sempre o que se deve ter em mais
considerarSo, quer por meio dos chamados sudorfi-
cos,quer por meio dos vomitivos :. tanlQ uns como
outros, se chegam a fazer transpirar, he mais por uqJ
meio mechanico que por um esforc natural do prin-
cipio vilal; e he por esta razio que tanto uns como
oulros deixam as mais das vezes de fazer apparecer
t transpirado, e a moleslia passa ao segundo pero-
do, sem qoe a possam conter.
Assim, chegando a moleslia a aggravar-se, he um
espectculo digno decompaixao o contemplar os re-
cursos de que se vatem os mdicos alopalhas para
debcllar a moleslia, que ellcs consenlirara que crc-
asse profundas razes ; cm cujo caso ei-los perplexos
a ponto de perderem o juizo.
Seria um nunca acabar o querer ennumerar os
meios Sem cdnia, c cada qual mais absurdo e dis-
paratado, de que lautas vezes se servem os mdicos
chamados racionaet para curar um doenle de febre
amarella, que appresenta gravidade ou perigo. An-
da no ha muitos das ouvmos um d'onlre elles
zurzr deshumanamente e cm doses allopalhicas a
oulro de seus collegas, por ler fcilo, pouco mais ou
menos, a um docute a seguale applicacao: po-
cjio anli-emelica de Rivier' cha de tilia com xaro-
po de nao sei que, balsamo tranquillo para fomen-
tar o venire, e bexigas de gelo para por por cima,
agua sedativa para applicar na cabeca e por cima
gelo, e mais urnas (res ou quafro comas de qua nao
nos lembramos; porm que todas junlas vem dr
na mesma couta, contraria contrariit curantur,
islo he, que para se curar urna molestia lie preciso
dar remedios contrarios nns aos outros, os quaes,
siibmcltidos acc,ao do estomago, que nao fara m-_
nao o papel de urna retorta ou outro apparelho chi-
mico, bao de exercer urna aegao mulua de aflinida-
de, decomporem-so e recomporem-se, e dar em re-
sultado alguma cousa nova, que produza urna hy-
perdiacrisia, que certamente acairelar comsigo os
maos humores, que islam no sangue e nos demais
(luidos, etc., ele.
lamos fallando do diversos recursos do que lau-
ca raao a allopalhia para combaler a febre amarel-
la : a visla pois. da pequea receila que cima men-
cionamos, pode-sejolgar qual ser o numero e qua-
lidade de cousas, que oa doenles de febre amarella
sao brigados a tragar quando a molestia loma ca-
rcter grave.
Nas sangras e bizas nao fallaremos mais, porque
os doenles ou pessoas a quem elles perlencem nao
as querem mais: os vomitorios, que devriam ter ha
muito cahdo no mesmo esquecmenlo, anda con-
tinala a mandar muita gente para..o cemilerio.
Depois desse arsenal de mzerias, o que ta? Taa
cousa que he impossivel descrever : um ptlconisa o
sulfato de quinina, oa hydroferro-cyanatfomo o
remedio infallivel; outro diz que s se deve dar ca-
lomelanos, porqoe he remedio muilo asmado pelos
Inglezes ; oulro no cura a febre sem gelo : oh ge-
lo na cabeca, gelo no ventre, gelo pela bocca...etc,
ele, vem mais un que manda ungir o doenle todo
de pomadu, de fomntases, do summo de limao
assado, de esfregaeScs de vinagre aromtico ; outro
manda cubrir o doenle de sinapismos, e nao falla
algum que s se, b em seis ou oito custicos, cada
qual maior, anda que venham a cahr em gangrena
todas as parles atormentadas por esses remedios des-
organisadores.
Fagaiquem quizer a combiMpMe todas oslas rfp
plicasoes sem syatema e sem relcSafte ouse alguem
dizer qual he a'idca que os mdicos lem em visla
para procederem por tal guisa. S a moleslia he
epidmica, .ou pelo menos endmica, no que anda
se nao esl de accordo, sua natureza deve ser sem-
pre a mesma, com a modifica;es que lhe faz o
temperamento do individuo ; e sendo a natureza a
mesma, como se pal cooceber, e menos por em
.pralica meios tao dili'erenlcs e tao oppostos '.' o que
se pode concluir dabi he, ou que se ignora a na-
tureza da enfermdaie, ou qne apezar de conhecl-
da, nao ha o menor escrpulo de desmenti-la por
um tratamenlo extraragante, ou ostentar sempre
a- mesma falla de principios e de coherencia entre
o juizo que se faz di. eofermidade,. e o tralamenlo
que se applica.
Dr-me-hao, porm que apesar de ter a molestia a
mesma nalureza, seus symptomas variam conforme
os individuos, e de mais, conforme os periodos ou
phases que decorre ; ou em bom portaguez, con-
forme os symptomas que aprsenla porque 0 que
mais afllgc aos mdicos da antiga escola, he o dzer-
se que ella cura por symplomas. Oh! nan, porque
este defleito s cabe aos horoeopathat.
Todava, consola rao-nos com elle, porque.lio mais
urna prova de que obramos conscienciosaraente, vis-
to como o sympUma he a expressao da lesao ; e
nao podendo haver symploma sem lesao, segue-se
que combalido o syraptoma.estar destruida a lesao:
e se possivel for que haja lesjo, que nao aprsenle
symplomas, ninguem he obrigado a cura-la, porque
0 medico nao he adevithador,ead.impoMiia tierno
tenlur.
Fallavamos da evasiva de que se poderam soccor-
rer os mdicos do syslema allpathico para defende-
rem a dversidade de appUcacoes, baseando-se na
diversidade dos symploaias; pedmos-lhes veniapara
fazer-lhes urna au duas pergunlas ; Sura dos symp-
tomas mais constante na febre amarella he o vomito,
ou pelo menos a vontade de vomitar, porque lhe
applicaisos vomitorios? Nao ser islo confirmar o
aphorismo timilia limilibut curantur que vos,
apesar de reconhecerdes como urna verdade evange-
Ihica, luis por pos e por pedras para o contestar, e
sem o quererdes,# o comprovais lodos os das com
as vossas applicasOes, uuicas de qne tiris proveilo
real queris porventura tmente augmentar os v-
mitos com u doses enormes de trtaro que adminis-
tris, estragar o estomago, complicar as lesoes, para
ao depois poderdea applicar a vossa porao anli-eme-
lica de Revieri ? O acreditar nisso seria tuppor-vos
inleiramente fallos de consciencia.
Se consideris a febre amarella como- dependente
de urna alleracao dos lquidos (e por conseguinte dos
solidos) e umadsposiioimrainente desorganisisao,
como he que empregais tanto medicamento on re-
medios, qoe coulribuem directamente para augmen-
tar essa diiposijao* Como he que empregais os
sinapismos, os custicos te. etc. ? Como he que
oo poupait esses meios, que mesmo em casos sim-
ples produzein a mortificasao di lecidos 1
Se consideris a molestia como dependente de my-
asmas, como he que nao usis desde o principio da-
quelles recursos, que a yotsa experiencia no doen-
te j vos tem entinado que sao proprios para ajudar
a reaceo, que o organismo faz por expedir de si os
myasraas ou principio mrbidos ? Como he qu de-
bilitis o doente ao ultimo ponto, e depois andis
loa sem saber onde vos seguris, e por ultimo,
quando nada |ia mais com que contis, recorris ao
gelo, e pobre do doenle ; leva gelo por_ loda a par-
te, pela cabeca, pelo estomago, pelo ventre ele. ele,
c depois esfregacoes de limao assado ?
Qoando menos pensamos aehroo-nos demasiada-
mente longedo nosso proposito ; mas'uo ha remedio,
porque urna cousa puxa outra, o emquanlo os Srs.
mdicos alopalhas nao nos lizercm conhecer em que
classe tem collocaJo a febre amarella, a que genero
de molestias ella perlence; em urna palavra, qual he
a sua nalureza e sede, (eremos de andar de Heredes
para Pilatos, estrauhando sempre as desconcertadas
applcasoes da allopalhia, as quaes tem por fim t-
mente povoar os cemiterios com os pobres infelizes
que Ihes cahem nas maos.
A visla do que lemot dilo, *em'se pode ver quaes
devem ser as vantagens do tratamenlo homeopalhi-
co sobre o alopath'icq.
De ludo quanlo temos dito se deduz: primeiro,
que nos casos simples, ou que parecer taes, a ho-
meopalhia faz desaparecer a febre e lodo o cortejo
de symptomas em dous ou tres das, e odoenle levan-
ta-se da cama como te nada houvcra sourido.: se-
gundo, que nos casos quo se torna m graves, em geral,
m poacos dias conseguc-se debellar a enfermidade,
quas com a mesma certeza que no casos simples:
lerceiro, que quand a molestia, alem da febre ar-
dente.appresonta symptomasque dnolam que o cere-
bro se acha gravemente compromeltido, ainda he o
acnito que se cosluma empregar, c que na mor
parte dus casos produz muito bons elfoitos; e que
quando no fim de-24 horas a febre continua no
mesmo estado, e o delirio, a agitarlo, a anciedade
precordial etc. contuuam, recorre-se belladona,
que muias vezes em poucas horas tem produzdo
efleilo siillicienic para tirar lodo o suslo e receio de
que a moleslia tenha um fim funesto : quarto, que
he justamente n'cste periodo 'que a allopalhia se v
mais alrapalliada, licando-lhc por ultimo recurso o
mortificar "os doenles com synapismos, custicos, e
mais meios marlyrisanles quo cosluma empregar
nessas apuradas circunstancias.
Vejamos agora qual deve ser o resoltado de somc-.
1 lia oles applicadics: o syslema nervoso acha-se so-
breraaneira irritado, o que bem denotam a agitaran.
a ancdade, o delirio, e o estado dos sollrmienlo
que mesmo o doente nao pode definir: esta irrita-
cao ha de ser necessaramenle augmentada por hado
qnanto prodozir dores: as dores sao de lodos os sof-
frinientos os que mais consumem as forras vitaes: a
ennsumpeao das forras eo augmento da irritaran
sao duas causas poderossimas, que acluam em sen-
tido contrario do que se pretende : a consequencia
inevilavcl de Indo islo Ije o collanso, triste precursor
de urna morle infallivel: eis-ahi o que se baplsa
com a apavouada alcunha de racionalismo de me-
dicina racional: quousque (audem abulrc patenlia
no-Ira !
Agora vamos a dizer alguma cousa, poslo <|ue
succinta, acerca de cerlossymplomas, como o vomito
prclo, as hemorragias, a ictericia etc. ele. c ficar
para ontra vez.
C. H. ra do Collcgio n. 25,1. andar. Dr. L*bo
Motcos,
me lem instaurado, prometiendo levanta-la logo que
fique judicialmente ventilado lodo esse negocio que
aulorisou mnha delenro, e que por minha propria
honra o desejo ver discutido hoje com inleiro esmero
e imparcialidade.
Na pretensan de opporlnnamenle debulhar pela
imprensa a materia sujeila, conlento-me de prsen-
le em esgolar o clice do marlyrio e da injustica
servindo-me apenas de lenitivo no retiro cm que me
acho, todas quanlas demonslraces particulares e so-
lemnes olliciotamenteteme lemdado, oque muilo
me peuhora. *
Son, Srs. redactores, com inleira considerarlo.
nn Joao Pirito.de Lemos Jnior.
Rccife 30 de maio d> 1854.
ERRATA.
Na correspondencia do Sr. Dr. Alcanforado, pu-
blicada hontem, onde diz ludose arranjaria bem
leia-sese arranjaria em bem.
CORRESPONDENCIA.
Srs. redactores.Aobando-me ainda em reclusao
sirvam-sc Vmcs. de fazer publico pelo seucnuceituado
jornal, que entendo conveniente nao aceitar a luva
Jne me foi lanjada pelo Sr. Dr. Carlos Augusto da
ilveira Lobo, em quanto pender o procetso. que se
PDBUCACAO A PEDH).
NECROLOGA.
Tudo n'este mundo he transitorio : he esla urna
verdade, que ainda ninguem pode eonleslar. A vi-
da, esse bem, que maisapreciamos;passa 13o tigera-
menle como nm raslo de nuvem. e te delvanece
como um nevoeiro dessipado pelos raios do sol:
ella he o caminho da morle, A morle I Monslro
devorador, que cada momento nos rouba a vida
de um prente, de um amigo, a quem mais amamos
n este mundo ; e todava (triste sorte humana !) so-
mos forrados a enchermo-nos de resignaran,, por
que ella he inexoravel, a ninguem poupa. E o que
nos resta ? Resta-nos apenas a consolaran de con-
servar no coracao enlutado a viva imagem do ente
amado, que deixou d'cxslir, anos lagrimas de dor
derramadas sobre o seu tmulo.
J nao existe a Illma. Sra. D. Anua Margarda da
Conceicao Kamaltio Pnentel : morta na villa de
Quixcramubim da provincia do Cear a 26 de abril
do correnle anno, foi sepultada na igreja matriz
d aquella mesma villa, lendo setenta annos de idade.
Casada aos vinle aonos com o Illm. Sr. Jacinto
Jos de Souza Pimenlel, viveu vida conjngal cerca
de cincuenta annos. Dez (lirias, a quem como ver-
dadera mai prodigalisou os mais terno cuidados,
foram os fruclos d'essa uniao, que nem ao menos
por momentos foi jamis perturbada. Esposa fiel e
honrada, mai carinhnsa e extremosamente desvela-
da na educaeao da seus filho, ella tibia bem re-
partir o tempo para o cumprimenlo de aeus deveres,
de sorle que a neiihum d'elles fallava, ainda mesmo
com detrimento lesna saudc. A caridade,essa cha-
ma do co, a virlode, que nos he mais recummen-
dada pela nossa sania religiio, foi de todas a mai
exercilada pela Sra. Anna Margarida da Con-
ceica'o Ramalho Pimenlel. Sempre aberlas as suas
portas para os infelizes, nenhum a prcurava, que
nao fosse logo aliviado da sua desgraca, quanlo ca-
ba em suas Torcas. Mullos innocente, que tinbam
a infelicidade.de perder seus pas, erBo por ella aco-
lhidos, e esmerava-se em sua educagao, como se
fossem seus proprios filhos. Duas orphas, e um
orphao, a quem ltimamente tinha prestado o seu
ipoio, ainda eran por ella educados ; masah! que a
morle nao lhe deu tempo de continuar um lo lou-
vavel empenho. privando assim aquelles infelizes
desua prolec(3o, quetanlo os aoimava na pralica
das virtudes.
A religiao, que faz lembrar ao homem todos os
seus deveres, a religiao, que nao' s regula as ac-
Qoes e palavras, como purifica o pensamenlo, ti-
nha (al imperio em seu corceo, que nada fazia,
que nao fosse conforme com os seus divinos pre-
ceitos. Toda entregue assim pralica de semelhanles
virtudes, ella.se lornava, por vida 13o exemplar, a
admiraco, e espanto do todos aquelles, quo a conbe-
ciam. Finalmente chegando ao termo de seus das,
ella soube morrer resignada como verdadeira rhris-
laa, deixando inconsolaveit seu esposo, seus filhos,
e seus prenles e amigos.
Resta-nos hoje nicamente a lembran^a d'esse
ente (ao puro, lambem fasejo, qne na morada dos
justos goza o premio de suas alias virtudes. Urna
dor, urna saudade eterna infunde-nos a sua peda.
Recife 30 de maio de 1854.
gadoras do homem, nem na miseria e nos soffri-
mentos da mullier do povo. Antes de lanjar o ana-
Ihema contra urna le que rege urna melada do an-
ligo mundo, antes de nos deixarmos arrestar em nos-
so enlhusiasmo pelas odaliscas, deviamos observar q
papel assignado s mulheres musulmanas na fami-
lia, e pedir ao proprio texto do Alcorao o tegredo das
disposices de Mabommed a sea respeito. Nao de-
vemot chegar a nenhuma concluso com os dados
fornecidot por algamas criticas que temos para en-
cher essa lacuna. Tal nao he a nossa prelcoc,ao. O
nosso desejo he expr smenle algumas considera-
coes que nos foram soggeridt por urna leitura l-
tenla do Alcorao durante ama tonga residencia nat
nacOes musulmanas. O interesse destas notas talvez
esleja na comparatao que se deve etlabelecer entra
a vida pralica dot orientae e os preceilos consigna-
dos em seu livro sagrado.
He verdade que mulher musulmana,por falta
de cultura inlellectual, pela apalhia de urna vida de
redusao nas classes abastadas e pela condemoasao
aos mas penosos trabalho nas classes pobrestem
perdido quasi toda a acco sobre a sociedade, sof-
frendo sempre urna opprcssao mais ou menos dura.
Todava cumpre reconhecer que, desde a origem do
islam, as instituises religiosas lem-se esforcado em
crear circundan, ik ^ Z ------"". >inunaneamente civil e religioso. O nume-
lo di vda eda TmTl T T-?T nTlr,men- ro da,esPs 'egUimasfokredzido aquatrojelle
lo da vida eda familia. Se o legislador nao lem declarou porm que aquelles que nao dewotaUm
sido sempre vencedor nessa lula he porque encon- mais que umamulher serian. L,
trou em seu povo urna cega resistencia. Os vellios servados da injustica.
coslumes oppozeram urna barreira invcnevel s
mais generosas disposices do Alcorao. E, como o
Prophela deu a seu lvr'o um carcter divino, nin-
guem pdde volver anda batalha perdida e fazer
LITTERATURA.
O Alcorao' e a mnlhere* arabas.
Ha j vinle annos, que as relacSs da Europa com
us povot que segoem a le do Alcorao tem-te multi-
plicado ronsideravclmente. Conhece-se porm pou-
co o que diz respeito vida privada dos massulma-
nos, e especialmente condico social das mulhe-
res. E com efieilo, be materia difllcl de estudar,
nao s por causa da reserva generosa que protege
o lar domestico' e do isolameulo completo imposto
s mulheres em sas r'elaroes com as pessoas que
nao perlencem a seu mais immedialo parentesco ;
mas tambem em virlude de documentos inexactos,
de opnie anticipadamente formadas, de phanta-
sias poticas, e de supposiecs com que a maor par-
te dos viajantes tem procurado suppir a verdade :
eslraiiho complexo de prejuizos e de preven(Oes !
Todos aquelles que tem procurado apreciar a si-
tuasao das mulheres mussulmanas, tem-no feito sob
o ponfo de vista de nossos coslumes e eren cas sem
attender a differenea de civilisaco, influencia do-
clima, e aos costuraes tradiccionaes. He o islamis-
mo que ordinariamente carrega com a responsabi
lidade do estado social do Oriente; ninguem pro-
cura saber qual era a condico das mulheres, na
Arabia, anlcs de Mabommed, o que a lei nova fez'
em seu favor, nem o que pode-se esperar que fa-
ca, permanecendo fiel este genio proprio das na-
oes orientaes.
Quasi sempre contideram-se as mnssolmanas co-
mo mulheres sensuaes, estranhas a todo o seoti-
menlo de decencia e de pudor, poslasde algum mo
do fra da lei religiosa,.que apenas conhecem, in-
capazes de sentircm urna afleicao duradoura, coo-
demnadas em fim a urna sujeco eterna por, suas
inclinacoes, por sua educaeao, e pela ausencia le-
tal de todo o desenvolvimeolo moral. Os mais en-
Ihusiaslas, osjovense poetas,nao acharan) que ad-
mirar ncllas senao aquelle instincto maravilhoso
que as arrasla para a volupluosidad e para as ln-
guidas delicias do laxo, e que faz com que ellas
adivinhem o amor atravez das muralhas do harem,
nao obstante os espesaos veos com que se cobrem
quando apparemem publico. Amam a temeridade
descuidosa com que aflromtam os perigos quando
querem satisfazer toas movis paixoes; sempre so-
licitas pelo gozo; mais preoecupadas da grandeza
que da duraeaq da felicidade ; vivendo breve, co-
mo se para ellas nao Tost a vida oulra cousa mas
que1 rpida juventddc.
A odolisca doJ palacios imperiaes, cercada das
magnificencias da riqueza e da embriaguez do prazer,
tem sido cantada pelos poelas, como o lypo das
mulhores folizes do Oriente. Ellas tem sido divi-
nsadas, por assim 'dizer, acelando-se como reali-
dades vivas as honris celebradas pelo Alcorao:
Fruclos preciosos reservados piedade dos crentes ;
virgeos do oihar modesto, de grandes Qlhos negros,
de soio d alabastro arredondado e palpitante, de
lez brilhanle como urna perola na concha. Senta-
das jonto da fonle Seltebil, i sombra do Touba, a
arvore da felicidade, ellas assemelham-se ao jacinto
e ao coral, reprodozlndo todas as cambiantes da
belleza, Ou entao. encerradas em saherbos pavi-
Stes. repousam sobre assentos ornados de ooro e
pedreras, encostadas em tpeles de seda lachana-
dos de ouro, ornadas de braceletes de ouro e de
perolas, vestidas de setm e brocado. Infaligaveis
no gozo do prazer, inexgotaveis em ternura, a sua
virgndade ser immorredoara I
Mas esse paraso, lodo cheo dos prazeres'e das
paixdes da Ierra, essas promessasde um prisma tao
deslumbrador, que excltavam a admiraco de nns,
despertaram n'oulros invenciveis repuguancias.Q'uan-
to mais os primeiros, levado por urna ardente tyra-
palhia, exaltavam seus dolos, tanto mais os segun-
dos senliam crueis sua averso pelas voluptuosida-
des de um senssalismo banal. Nao so pode dcsco-
nhecer o Iraro dessas preveiicoes c dessa rcvulla no
examo que se lem feilo da siluacao moral da mu-
lher musulmana. Despresando-se o poder e a legili-
midade desses coslumes consagrados por seculos,
nao admitlindo-se que Dos possa medir os deveres
e os direilo, segundo as ra^as e os climas, condem-
nou-se urna religo que produzio urna ordem so-
cial lo imperfoila. Tcm-se lamentado a degrada-
ran das musulmanas e a injusliea do legislador que
nao assignou sua existencia oulro fim mais que
servir de brinco a todas as lubricidades.
A pridelecao de uns, assim como a hosllidade de
oulros nao drigiam-sc mais do que simples appa-
reucias. Ninguem havia determinado se a religiao
tinha realmente deixado as mulheres Tora do alcan-
ce de seu movimento de regenerajao. Ninguem mes-
mo linh definido o seu papel e sua posicao 'na Ta-
milia. nem esludado as circunstancias que tem po-
dido favorecer ou combaler a aeco das leis novas.
O velho Orient, inimutavel em sua mageslade, p-.
parece, como urna arvore gigantesca, sempre viva,
apesar das revoluc.oes religiosas c polticas ; elle
(em razes lo profuudas nos coslumes, e nos pro-
prios hbitos do espirito, que nenhuma reforma pode
ainda pciiclra-lo seriamente, conservando em con-
scqacncia dsso a sua popularlo, fraccionada ao in-
finito em reinos, seilat, c racas diversas, por (odas
as parles c em (odos os lempos, nm grande cuuho de
homogeneidade. Por isso levemos rouilas vezetuo
esludo do lodo procurar a explicasao do delalhe.
A verdade nao est nem nas Telecidades embrla-
com que ot coslumes seguissem o progresso que Ibes
havia sido pramalurameute pedido.
Com o fim de Tazcr. succeder aos povos organisa-
dos, segundo o principio das rajas e das casts,as na-
5e chamadas Trateroidade o as-ociarao, o chrsti-
antmo rompeu o Tei'xe e da familia patriarcal, e
subslituio-lhe urna ordem nova.
Na antiga familia a mulher fazia somnle o papel
de escrava do esposo, e de ama das filha; na fami-
lia chrisUa assumio o titulo de esposa; tornou-se a
companhftira do homem e o seguio nova casa que
elle fundn ao lado da casa paterna. Esta muden-
ca continUa o germen da emancipar*) e da grande-
za das sociedades modernas. O homem ficou fren-
te da familia; porm como protector e nao como
senhor; a mulher tomou posse de seus filhos. Tor-
nou-se a par, em nome de Urna allianca mais fecun-
da entr Dos e a humanidade. As creucas, as leis,
e a educaeao, e logo depois os coslumes, concorre-
ram para tornar a molher mais digna do bello nome
de companheira do homem, e para lrac,ar-lhe os de-
veres e facililar-lhe o seu comprimento. Para que
segundo a proraessa do senhor, a poslcridade de A-
brahao se tornar-se mas numerosa que as estrellas
do firmamento, cumpria destruir a noidade absor-
venle da familia patriarcal, e afaslar da sombra da
arvore secular os tenros pimpolhos que reelamavam
para medrar e multiplicar 'ao infinito, urna trra
menos exhausto e urna parte mais larga dos raios do
sol. .
Conhece-se perfeitamenle que debaixo de um
clima temperado, depois do. trabalho de selccrao,
porque a phitosophia fez passarem os hbitos intimo
se podesse emanicipar a mulher das paixoes brutaes
conlra as quaes nem o (iluto de mai a deTendia sem-
pre, conseguindo-se igualmente proscrever a volup-
luosidad, mortificar os tentidos e faier speceder
s licenijas da antiga lei a monogamia indissoluvel.
Anles de ser inlrodazida nosancaaro da igreja nas-
cen(e, onde Jess assegurava-lh a igoaldade espi-
rilual, ella rompeu inteirainente com os costme
que teriam perpetuado o seu aviltamenlo. A revo-
lucao foi radical. Mas o seu triumpho, no Oriente
foi lento, dfilcil e rstriclo. Quando Sao Paulo ex-
rlamava: A carne he o pecado e exduia. as mulhe-
res da vida publica, para que ellas acabassem de pu-
blicar-se no lar domestico, era fiel ao pensamenlo
do meslre e preparava a rehabilitacao dellas. Por
sua% ousadas interpretacOei, elle alargava o hori-
sonte da revelarao ehrislaa. Fructo divino, cqnfiado
e glorificar
Muitos esrriptores lem pretendido que 'o islamis-
mo nao passa de ama heresia christa. Sem diseu-
lir nesle artigo essa opinio, de um interesse pura
-------1-------------------------------- ----------~, ...u... niiviioj ua
Pennsula arbica abrajaram o judaismo ou o chris-
lianismo. No annos que precedoram o apostolado
de Mahommed, muilbe rabes, assignalados por sua
inlelligencia e nobreza, caminbavam, ora para a In-
dia, ora para a Syria, com o fim.de ettudar at dou-
trinas philosophicas e religiosas das nacSes as" mais
afamadas, c procurar erenras mas
paras que as de seas compatriotas,
lindo mesmo que o prophela de M
gumas de suas inspiraciSes nas tradicoe
christaas, deve-se reconhecer que elle moduTcou es-
ses preceilos, muilas vezes anlipathicos s popula-
cues orientaes, que os haviam ou absolutamente re-
galado, ou alterado em schismas numerosos. Nos
annaes dessas tribus judaicas e christaas nada asse-
gura que as suas pralicas moraes fossem mellioradas
pela adopeo do Pentateuco bu dos Evaogelhos.
Afastando-se da Asia, berco dos povos organisado
segundo as ra^as e castas he que o chrislianismo pd-
de solapar a ordem antiga, proclamar a associaco e
a igualdade. O prophela devia encontrar no velho
continente as mesmas resistencias obstinadas conlra
a instilujao de urna familia nova, mais favoravel s
mulheres. Sem arrestar o carcter e os coslumes do
rabes, elle quiz traze-los a erenras mai sabias o a
pralieat mais humanas. A familia patriarcal per-
manecen intacta; a condirao das mulheres foi toda-
via melhorada. Ellas nao cessaram de Ser submel-
tidas estrictamente aos homens; mas Dos mesmo,pe-
los versculos do Alcorao, collocou-as sob a ava-
ifuarda da generosidade e da afleico do seu esposo.
O laces de familia foram purificados e eslreitados.
A maternidadefo honrada de urna maneira brilhan-
le. I.e-se no capilulo IV, das mulheres, vers. 1:
ti Retpeitai at entranhat que vo> trouxeram. B
mais odiante, capitulo XLVl. Alahkaf, ters. 14;
Recommendamos ao homem a beneficencia para com
seu paiesua mai. Sua tnOio traz no ventre com
dr; desde esse tempo al aquelle em que o desma-
ma vio trinta mezes.
Quando depois de quinze annos passados no retiro
Arrancavam-se s mais os filhos para aerifica-I
aos idolo ; as rapariga eram as. victimas preer
das. A que eram oderecidas em holocausto Inler-
ravam-se vivas. A mulher nao Jierdava deseuspais;
fazia parto da successSo de seu marido roorto. Po-
dem chamar-se sociedade essas massas confusas, que
vivem na deeordem de toda aa sortea, e que pare-
can) ter repudiado os bont instinctos qoe a propria
natureza nao recusa ao animaes t
Para ligar osa imaginac.oes rdanles a urna crti-
ca nica e impor-lhes o freio da disciplina e da des-
obediencia, o prophela falln a sen Dos com tanta
magnificencia, e deu a teus preceilos lal mageslade
qoe a nova t tubjugon o, corajoes pela admiraba,
pelo terror e pela etperaoca. Ot mai orgulhoaos. e
os mais forte corvaram a fronte, sem mormurar, di-
anle desse Dos Todo Poderoso que os cereava com
os.lestenmnho de toa grandeza e bo'ndade. A li-
berdade humana, encadeiada, abjuren osteos direi-
to em presenca do arrestos do fatalismo. O regfes-
so idolatra lornou-se impossivel, a a autoridadjs di-
vina conquitou loda a sua energa. A conslituico
da unidade rabe nao era realisavel, senao debaixo
da condico dessa abnegaeao da individualidades, e
por meio de urna vasta guerra de conquista. '
Mahommed dea ao casamento um carcter sacra-
mental, simultneamente civil e religioso. O nume-
ao principio a alguma almas de escolh. da rara v6s oZla^ZT^^ vMUo'att!m "T*
judaica, mas que out.o, povo,, maj, receatemea- T r ?r\ ^"""'T ^ ~* *" *
u :,.m.rf~ u. -SE: cvcu":"leu auxilios) Dos sabia que fostes transgnssores jo-
te iniciados na vida religiosa, deviam amadnrecer i,.... _^,i ,rj,. ,.
nlnrifiMP l .ore esse respeito. Vede como vossas mulheres etn-
penham-seemcolherosfrvetosaue vos suoreser-
vadns.As mulheres sao o vossp cpmpo. Ide a vose
campo como qnizerdes; mas fasei antes alguma
menle dogmtico, devenios notar que.Tor aito """""rWiierotwiiitesi. As mueres para
tempo antea do stimo secuto, tribus inteiras da """ "' mando<> ert P0" as mulheres de-
Peninsula arbica abrasaran) o judaismo ou o chris- """ ob*erKar um ^'0 proceiimefiio. Amparai
rosta mvQer, tratai-t, eom benignidad^, e se a en-
^----------r-------,--------------.,.v ,>,.>, au.. i/ uyueixt yi armitam em-lieos, e no dia 4-
e na meditaeao, Mahommed comecou o seu apotlo- juizo, nos anjos, nos licro*,enos prophetat; que vres-
lado, a Arabia achaia-seem irranrio narip ni, a lo, i~ -________i. r,- ___-.-. .
lado, a Arabia achaw-se em grande parle sob a de-
pendencia dos imperios vsinhos.
O Irak e a Mesopolamia eslavam submettidos aos
reis da Persla; as tribus mas prxima da Syria re-
conheciam a auloridade dos imperadores romanos;
o Vaiuau, depois de ter sido conquistado pelos Ahyt-
sinios, tinha cabido sob o poder dot Persas; o He-
djar e o Nadj contavam muitos pequeos estados in-
dependenles. Hostilidades incessantes dlvidiam os
principe, at tribus, e at as familias. As rivalida-
des e os odios enfraqueciam as popalacSes, arruina.
vam o seu commercio e os punham a ab/rlo das
invases eslrangeiras. Algumas tribus liBm abra-
cado o judaismo, oulraso chtislianismo ^fc sabeis-
mo, mas a maior parle, mSgulbadas Pldoialria,
(inham-se dado s superstiettes as mais grosseiras.
Tresnlo dolos cnchiam o templo de Mecca. consa-
grado desde a origem a um Dos nico. Cada fa-
milia tinha seus deoses particulares. Nenhuma le
civil ou religiosa regulava as relaces dos homens e
das mulheres. A maior parle dos chefes importan,
tes tinham 8 ou 10 mulheres e as tralavam com urna
brulalidade revollanle. Os caprichos de urna liher-
tinagem desenfocada presidiam aos casamento e aos
divorcios. As mulheres repudiadas, despojadas por
seas maridos, que as repclliam ignominiosamente,
nao podiam tornar a casar-se. Todos os graos do paren-
tesco eram confundidos em monstruosos incestos.
Havia boment que desposavam suas irmaas, suas
avs, suas filhas, esua mai! Emlim a mulher, con-
siderada como urna besla de carga, despojada de to-
do o'direilo social, via* at conleslarem a immortaii-
dc le sua alma 1 (1)
1) kitaquio quadro da Arabia trocado por um
doscompanheirosde Mahommed, levado presen-
ta do reda Persia, no tempo do califa Ornar.
Quem e, perounlou-'ne o monarcha, que assim an-
das em nosso imperio ? De todas as nacSes do mun-
do, pertences a mais pobre, mais desunida,
mais. ignorante, mais eslranha s artes, que s3o
a fonte da forca e da riqueza. :< O Beduino re-
pondeu-lhe: a O que disseste de nossa pobreta, de
notada divves, de nosso estado de barbari, era
verdade hontem. Com^ffeito, ou(r'ora eramos tSo
mizeraveis, que alguns dos nossos apaziguavam a
fome comeado insectos e serpentes, outros matavam
at filhas para nao partilhar com ellas o teu ali-
mento. Mergulhados nas tretas da idolatra, sem
lei nem freio, oceupacamo-nos somenle em rou&ar,
em deslruirmo-nos un* aos oulros. Hoje tomos um
povo novo, b
riardet para a casapaterna, fazei-o eom owiert-
dade.Podis procurar com o owr8 esposas que
deveit manter em bons coslumes, ecilando toda a es-
pecie de escndalo. ( Cap. 11. da vocea, v. 183,
223, 228, 229 e 28.) O que nao for So rico que nao
possa cazarse com mulheres honettas e ctentet, d-
te procurar escrotos erentet. Dos conhece vossa
f. Vos lodos procedis de Adao, que he o paicom-
mum. Nao despozeis as escravat, se nao orno per-
missao de seus senhores. Dotai-at equidosamente ;
sejam ellas caitas, evitan a devattidao e nao te-
nhamamantet. (Cap. XV. v.29.) Felizet too os
erentet que fazem a supplica com humildade, que
ocitam toda a palotea deshonetta, que obttrtamo
preceilo da esmola, quetabem dominar teus apeti-
lites carnaes, e limilmusem gozos s suat mulheres
e s escrotos, que titerem adquirido com reetid'io.
(Cap. XX1I1, Dos renles, v. de la 67
Os rabes arraslavam em sua' patria, urna. asis-
tencia rude e diflicil; a vida nova, em que os iniciou
Mahommed, nao foi ao principio outra couta que
privarles e soflrimentos. Toda a t que procura
fondar-se, tppella para a dedicacao e pega a toa da-
vida cqni promessasda vida futura. O islam, mai
particularmente,' glorificou a resjgnacao, para ani-
mar as coragens, como consolarlo s longinquas x-
patriacOes, o prophela conloo as maravhas do jar-
dundo Edn. A recompensa eslava na altura dos
sacrificios, que se reelamavam. Sata* esplendidas
descripces deviam produzr ama irppressAo lano
ma,is profunda, quanto mai absoluto contralto fizes-
sem com arealidade, nos paizet crestados da Arabia,
e com os coslumes violentos e miseraveis de seus
hblantes. Nao era porm isso um albaclivo offe-
recido sensualidade. EtcDtai:
c A virtude nao consiste em que folien ot ne-
tos para o Oriente ou para o Occidente; t'irlue-
tot Jo aquelles que aeriditam em Dos, e no dia 4-
tam, por amor de Dos, auxilio ao prximo, aos
orphaot, aot pobres, aot tiajentet, t a aquelle* que
pedem; centurasos toosfue retgatam os emptitos e
obseream'a suppHea, dio etmola, cumprem os em;
penhos que coiitrahem e mostram-s* pacientes- na
adversidade, nottempot dyrocacaoe de violencia'
(Cap. II, v. 172.)
Ordeno aos fiis que abaixem ot orno e sejam.
castos. Ser por isso mais puros. Ordeno s
mulheres que abaixem ot olhos, sejam *catlat, cu-
bramo teio com um veo, que no deixem ver o rosto
senao a seu-marido, a teus filhos e aot filhos de seu
marido, a seus,irmaos ou aot filhos de seut -aiaos,
aot fUhosdetuat iudos ou s mulheres desles, ou
aot eterovte fmulos que nao tirerem neeessidade
de mlheret, ou aot meninos que nao dfttinguirem
ainda sexos. Sunca jamis agilem ellas ot pee de
modo que deixem apparecer encantes que detem
ettar cobertot. Aquellas, a quem a indigencia
apartar do calamento, que vteam na continencia
at que Deot lhe d riquezas. 'v*> forceit coate
fmulas a proslituiremse para ganhar o tem ca-
ducos deste mundd. Cap. XXIV. da Luz, v. 30, 31 e
33) d
Quaudo comparamos os coslumes rabes aite do
islamismo, com estas dispusieses do Alcorao, nao
podemos nutrir mais illusao alguma sobre o pensa-
menlo de Mahommed. Elle quiz reagir contra a
liecnca dos coslumes, constluindo a inviolabilida-
de do harem; por oulro lade, catas leu novas de
caslidade eram mais ama garanta para a dignidade
da molher, do que ama salsfaco-aos impulsos do
cjume. O harem (santuario, cousa interdicta pela
lei) foi a principio ara retiro religioso, favoravel
moraiisaco do homem e da mulher. Muilo tem-
po depois, quando a fe amortecen, a separasao'oas
mulheres tornou-se orna precaucSo e urna sorte de
refugio'contra o ciume e orgolho do homem.
Ha na vida de Mahommed um fado bem signifi-
cativo que indica o papel directo e adivo qne as
mulheres representaran) -no deseWvolvimenlo da re-
ligiao massulman.' Quando enfraquecido pela
molestia, sentio o apostlo de Dos, que as (a fa-
cutdades se obsofereciam, Aicha, a sua esposa pie-
dilecta, de idade de vinte annos, foi* a nica que
leve a permissao de Bear junio dclle. Nenbum de
seos rompanheinw, npjn de ens discpulos de pre-
*
$
fcilmente pre-
Ordenou a benevolencia pa-
ra cora as mutilares. Tracando as dispoticoe que
regem d divorcio, oppoz ama barreira aos habitoi
desregrados do rabe, e ao seu humor inconstan-
te. O marido que jurava nao ler commercio algum
com a mulher, devia deixar passarem qualro mezes e
10 dus antes de envia-la para a casa paterna pas-
tado esse termo, a esposa repudiada esperava tro
mez.esanlcs de tornar se a-casar. O doto assignado
no mSento do casamento, assim -como t seut bens
palrimoniaes, eram lidos eomo propriedade eiclusi-
*a da esposa ; por morte do marido, o doto devia ser
reembolsado a mulher smlenlada por espejo de
um auno' cusi da soceeso. Emlim,em toda as
prescripses relativa do casamento, o prophela, ar-
restante os cosime e o prejuizos, tomou a peilo a
causa do fraco, fim de astegurar mulher urna sor-
te mais doce.
Pelo aue diz respeito s unies entre prente, eU
le levou as prohibieses mais longe do que o fez a
mesma igrejaeatholica:
Nao desposis ai mulheres que fot can ai\ upo-
tas de-voitotpait, porque commelterea una torpe-
za e urna abominacuo. (Cap. n, at MULHERUS,
v. 26V Ue-totprokHrido catar com vottat mais, tos-
sos filhas, vossas irmaai, tomas tiatpalernas e ma-
ternas, vossas tobrinhat, filhas de vossos irmaoi ou
de vottat irmaas, vossas amas, vossas irma de
leite, as mait de costas mulheres, as raparigas con-
fiadas votta Mella, e naseidat de mulheres om
quem tenhais cohabitado. .Vao desposis tambem
at raparigas dos filhot, que hacis serado, nem
atuatirmaai. (Capit. IV, o VI.
Estas prohibieres descobrem-no a odiosa prorais-
cuidade em qne vivan) entao as tribus rabe. Era
ama restaurarlo completa do respeito aoa latjaa do
sangue, e o legislador nao receion exagera-h), es-
tendendo-o at s amas, e s irmaas, de leite. No'
he intil acrescenlar que a lei mnstnlmana nao ad-
mille, em nenhum grao, dispensas para es casamen-
tos prohibidos.
O apostlo dos rabes nao pode lancax contra os
prazeres da torra, os mesmo analhemas qne o chris-
lianismo ; mas reprovou todos os. exceatos. Elle ex-
allaas virtudes que contrihuem para cimentar a Uniao
enlre os homens; preconisa a felicidade da vida fu-
tura, eomo pretor i vel s riquezas mundana; i no'
primeiro grao das felicidades do pnrtizo, calloca o
favor de vi ver na complacencia de Deot. Basta abrir
e Alcorao, para que nos convengamos da injustica
da aecusarao de sensualismo articulada conlra o is-
lam. No que diz respeito especialmente s mulhe-
resj o livro sagrado saneciona primeirarnenle a legi-
timidade das inclinacoes do coracao afim de ter i
mais* auloridade, qoando condemnasse es abusos.
As mulheres tao o votso vestido, assim como

1

1
V
i
i
'-.'


di!ee$!o entre os Mohadjers (emigrados de Mecca
com elle) os nsar(auxiliares de Medina) que
Ihe haviam dado lautas proras de dedicarse nos'
diverso lance* de aeu apostolado, foi julgado digno
** anUlir a seus ltimos instantes e vcroliomem
divino, em lata com o delirio e com a agona. Elle
confiou-se nesse momento f ei ternura de sua
esposa bem-amada. Ella o ouvio eielamar: Dos, fortficai-me contra a perturbarlo da alma as
approxmacSes da morta I E exalou o ultimo sus-
piro com a caneca appoiada nos joelhos de Aicha,
recitando o capitulo XIX do Alcorao, consagrado
glorificaelo da .vrgem Mtria e dos prophetas qne
precederam.
Logo que e*palliou-se a noticia de sua morte, as
raolheres davam demonstrado das mais vivas do-
re*. Em quanto Ornar, entregue ao mais vivo fu-
ror, amaacava matar aquella que dissesse que era
morco e propheta ; e quando os Deis disputavam
com vehemencia para saber se Mahominet seria se-
paludo em Jcrusalem, em Mecca, oa em Medina,
Aicha trazia a -sen pai Abou-Iteer -esta palavra do
apodlo de Dos : c Utn propheta leve ser enter-
rado no lugar em que morreu. Prtvaleceu esta
soluci*. Logo depois. Salla, urna das tas de Ma-
Itomraed, 'reunia suas prenlas e amigas para cele-
brarem os funeraes. Ellas levantaran) urna tenda
na cmara mortuaria e collocaram nellaqmorto.
Depois embalsamaram e aromalsaram os' mem-
bros que tocam era trra durante a oraco, envolve-
ram-no em treslencoes de eslofos do Vamsm ; de-
pois, Salla entoou os Ionvores do libertador de seo
scie. Esse elogio, inspirado por urna gratiriSo fer-
vente, foi a origen) das praticas de veneradlo, com
que os muisulmanos honram o propheta.
Com quauto recoiihcca-se em Mahommed ome-
nto de um legislador, e de um conquistador, toda-
va lasn-se pretendido que a ambicio e a hbil ida-
de peiilica linham suflocsdo nelle os sentimenlbs
doces e temos. He esse unkerra que convem aca-
bar. Vimos ja que elle recommendou aos rabes
a mixericordi e a benevolencia para com as mulhe-
re o prximo. Eusinou-lhes a decencia e a mo-i
destia nos praieres ; o amor pode tornar-se grate
honesto sem perder de sua intensdade.Depois da mor-
te deKhadidjt, sua prroeira esposa, elleeseolheu suc-
eeeuvamentequinze mulheres, a qoem a affabilida-
, de de sea carcter manteve sempre em boa harmo-
na. Elle pastara alternadamente as noile* com
faaa dallas, conservando-as sempre em habitacoes
separadas. O aeu traje era de rara simplicidade ;
tas Mea per isso deixava de usar de certa casqui-
Iharia esa seus vestidos de laa ; em falta de espe-
to**, mirava-se ero um vaso cheio de agua, quando
quera arranjar o turbante. Generoso al a prodi-
galidade, amnva e honrava os pobres. Era aeces-
sivel a lodos e o* ateutava com paciencia. Da urna
wbrisJade de aMcoreta, nntria-se com algumas
tmaras, e passavam-se muitos metes sem que se
aruidanu foca nj sua casa, oem na de suas mulhe-
res. Elhj sarria se a si mesmo. Em fim, mostra-
ra ter para com suas filhas e netos urna afieicao
ekeia de bonhemia, comecaodo pelo proprio ex-J
aaple, ama reaccso salotar para, rehabilitar o amor
{Contina.)
DIARIO DE PERNAHBUCO, QURTA FEIRA 31 DEMAIO DE 1854.
VARIEDADES.
UMA BRASILEIRA NA EUROPA.
Le-seno Heraldo de Madrid de 28 de fevereiro
a A reuniao da Sr. eondessa de Monlij, antehonr
tem nelte, foi urna das mais brllhantes que 'leem
sidodadas nosseuesplendidos saines. Sem ter sido
anunciada como um grande baile, foi no enlamo
do grande a concurrencia, e Lio nolavel a riqueza,
elegancia e o bom goslo com que se presentaran)
asdamas, que s pequeas nnaneas diflerencavam
esu reaaiso dasumptuosa fesla da noile de 29 de ja-
aeiro, da qt*l se conservan) tao agradnve lera bran-
cas. A Horda nossa aristocracia e da nossa boa so-
ciedade poveava, como de coslume, os encantadores
o palacio da praca del ngel, mans3o habi-
I do bom tona e dos maiores attractivos. As da-
mais elegante* e as bellas mais seductoras brir
. lnavaa ahi. A doqnexa cVAlba atlrahia, Cerno sem-
pre, a alinele pelas suas grecas, a que davam maior
realce en rico bando, e a* lindas e abundante* flo-
re* ase ornavam aeu traja brinco. All ettavam tam-
ba as Sra*. de Caroarsaa, de Armildes, de Tole-
do, de Vilches, de Torcno, d I.ese, Lalorre. Aira-
re, Moli, San Felices. Ricr Molino, Bnschental,
eoatrosil typos de elegancia e bom goeto, eujos
"eeae* a memoria nao pode reter. Ao fallar na Sra.
aVisafcaartal, devemos accrescentar queattrahia a at-
ienes, e se fazia notar pela riqueza e eleganaia de
en traje e por seus delicados e graciosos enfeite*.
Era sem davida urna das damas mais ricas o elegan-
temente Irajadas do baile.
A historia do Mxico anlrior dominaso dos I um lenfblo magnifico no Mxico ; mas Telzcallipoca
o Mxico TenochlilUn, nao he por assim | triumphara sempre de seu antagonista antigo na im-
dizer.senSo urna narracao.continua de guerras e re-
voluc/es causadas pelo antagonismo religioso. Des-
dea origtm da civifisacaotolteca, veem-se empresen-
ta urna da outra duas rlgioe* rivaes, a de Quetzal-
colma lie a de Telzcallipoca. (juetzalcohuatl (ser-
pente de pennas verdes ou reaes) symbolu da mansi-
dao, da Justina, da paz c da abundancia, aborrecaos
sacrificios humanos : elle nao recebia outras offr'en-
das que serpenles ou passaros, perfumes de llores e
copal; todava aceitava os jejuns e a abstinencia,
exiga dos sacerdotes a continencia com macerarles,
cuja principal consista em picar voluntariamente o
corpo com grandes e9pinhof,qiie eram oll'ercci Jos de-
pois tintos de sangue sobre os altares.
O pontfice supremode seu culto chamava-se Quet-
zalcohuall como um Ululo sacerdotal, e bem assim os
vestidos de*se dos, do qual era como urna especie
de personificacno viva ualerra. Telzcallipoca (es-
pelho ardenle ou fumegante), adversario 'eterno do
Ouelzalcohuall era peto contraro considerado como
o dos da discordia e da guerra ; chamavam-no tam-
bem J'aoti'n, o inimigo, ou yecoc-Tuell semeador
de discordia.
Desde o melado do seculo VIII de nossa era, a
cidade de Culhuacan, situada as margen* do lago
do Mxico e melropol enUo do Anahuac e da ci-
visacae tolteca, estevadespdacada por dissensoes
religiosas. Um seculo mais Urde, Culhacan com Tulla
e Olumpam formava, como depois o Mxico e Tla-
copau no lempo da conquista, lima contedericao po-
derosa, que durante vinte annos solTreu a influencia
do que quetzalcoliuatl-Topltzin-Ceacall, rei de
Tulla. Esse principe, cuja magnificencia e brandura
todas as Iradisoes exallam, apparce como o mais
celebre de lodosos antigos monarchas do Aahuac e
quelle cuja lembranca permanecen por mais lempo
gravada na memoria dos povos desses paizes. Elle
proscreveu os sacrificios humanos em toda a eslensfo
da dominacSo tolteca e fez florescer no mais alto
grao a religiao de que era chele supremo ; mas pe-
vida, os mos comecaram a mur-
flu* de sua
hurar.
(Crrelo Mercantil.)
>a a idolatrU India oapats da i
asista.
I.
Qeaado es Hespanhoes pisaran) pela primeira vez
o solo do Mxico, ficarara impressionados pela seme-
Ihanca que acharam no* ritos da religiao do paiz com
da religiao christaa: por laso o horror que senti-
na, ao verema barbaria stpersticiosa que prenda
ao holocausto* sanguinolentos do* Mexicano foi an-
da mair.
Na obstante a dureza desse seculo ^e ferro, era
.para spanUra ehrislos o acharem a par de urna es-
pade da baplismo ede umamoltidSo de nstituicoese
ceremonia* em apparencia adoptadas do christianis-
asa, a immola^o de victima* humanas e os festins
abaatinaveis de canibalismo.Analosias e dissimelhan-
ea*ta aoU veis nao escaparam aos escriptores que se
tasa acenpadoda historia da America. Elas tem s-
do para todo* um assumplo de graves e profundas
iavestigacee*. A maior parle se lem esforrado por
achar nella* despojos de um chrislianismo desfigura-
do, cama oque nossos missionaros acrediUram ver
hadatilamii reformado do Thibel. Algn* fundan-
do-* na* drcuimUneias curiosas que cercam o per-
saaasai myslico do primeiro QueUalcohuatl e sobre
cetias pasta gaida escriplura sanU, tem al escrip
te I*najas e sabios commentarios tendentes a provar
aae a America fdra evangelisada pelo proprio apos
' aato 8. Thsme. Oulros. persuadido* das mtsmas
ideas, porra mal* judiciosos, reconhecendo a impos-
"da canciliar a poca em quo viva esie
can a que a tradicao americana assigna a
> d* perssnagem, ao qual So allribuidas as
ia* qp* ella* deven a existencia nao a S. Thom apos-
Mo, asas a entro S. Thom, hispo de Meliapur, no
ladostia, sqaal viva do quinto para o sexto s-
cate.
Hee Iba alo ha investigar te realmente o chris-
liaaismo M aanunciado na America antes da deseo-
berta deChtistovao Colombo. Os numerosos escriplo-
res regisso* profano* que lem tratado esta ques-
Ue, nada milltrtm do que poda esclarece-la ; mas
lodo* o* netos que elle* tem reunido, os parallelos
cari"** jue lem esUbeleddo entre as ceremonias do
rilad mexicano e a*do ritual ehrisUo oriental,nada
que esU jdemondrado, isto he, ana-
nolaveis na parte material dos dons cultos.
Seado dogmas e osrilosamigos dos povos da planu-
ra azteca a origem de nagualismo a dasoulrassupers-
, ttc*a aindajboje earalzida em taograndenumero de
provincias, parecen-no* til dizer ilguma oousa so-
breas theoria* a que deram lugar ; mas ante* de en-
trar aattaaUria c de contar as pilases diversas que
tevedesaffrera idolatra mexicana depeis doestabe-
ladaaealo do chrislianismo, acreditamos dever lan-
car uau visU d'olho rpida sobre sua historia ante-
riorateoU a descobarta da America.
Deesa poca para ca, tem-se publicado na Europa
ara grande uamero de escriplos, nos quaes se lauta
a cea*ara e o despreso sobre os conquistadores do
Mxico a do Per, -nos qaaes aecusa-so sua tiitole-
nncU e eo fanatismo, a'cabrunliam-se coro os mais
dioso* epithetosusrciigiosoje bispos que evange-
lisaram esse* paizes. e b,tram^e sj,,, ceflr .
tholicos como os mais cruels, per,gUd0res dos In-
dio*. Me emprehenderemos de nenhma sortedes-
eulparas violencias que foram commctldas -, mas,
Telzcallipoca, sacudindo o jugo de seu rival, le-
vanlou sua cabera sanguinolenta : depois de algn*
annos de urna lula intil, o quetzalcoliuatt Topilt-
zin, obrigado a abandonar Tulla a seu adversario,
parti para o exilio e foi morrer na trra mysteriosa
de Tlapallan. Os dous cultos continuaram, nao obs-
tante isso, a disputar um ao outro a supremaca. No
seculo II o conUgo dosodios religioso* apoderou-se
de -todas as cidades toltecas. AV guerras de religiao
ajuntaram-se entao pestes efomes, o abandono de
toda a cultura, urna mullido de outras -calamidades
que acabaram de aniquilar a civilisiriio com o poder
tolteca.
Foi enlflo que o Anahuac foi invadido pelos Chi-
chimecos barbaros. Insensivelmente estes secivilsa-
ram pelo contacto dos Tolleques escapados ruina
cemmum e dos Acolhuas, originarios das margens
do mar da California, o* quaes fundaram o reino de
Acolhoacan, do qual TeUcoco veio a ser capital. Das
tres metropoles ha pouco confederadas na dominara0
dos Toltecas, smenle Culhuacan se levenlou. l'o-
voada outra vez palus colonos viudos das bordas do
ocano Pacifico, ella recobrou com as cidades de Ar-
eapotzalco e Xaltocan o primeiro lugar entre as ci-
dades- do Anahuac.
EIU conservou sua preeminencia at poca da
fundado do Mxico no meiado do seculo XIV; mas
com os elementos da cvilsacao tolteca, Culhuacan
conservava o gosto das disputas religiosas, as quaes
renovaram-se com mais forcea que nunca no reinado
de Coxcoxlli. Os Mexicanos por muilo lempo capti-
vos em Colhuaean, depois de tongas emigracOes c de
serem derrotados em Chapollepec em 1,240 acaba-
ram resUbelecendo sua influencia sobre seus venced
dores. Sustentados pelos sectarios de Telzcallipoca,
cujascrenras sanguinosas e misteriosas haviam abra-
cado, obtiverara a mo da fllha de Coxcoxtli para
Acamapich seupriucipe, o qualherdou assim o Ihro-
no de Culhuacan; mas alguus annos depois a seita
rival recobras bstanle forra para acudir o jugo
desses estraogeiros.
Um principe-culhuaco, chamado Achilme!! urdi
urna conspiraran o Acamapich perecea assassinado
com todos o seus mesmo em seu palacio. A raaba
escapou com um filho pequeo chamado Acama-
pich como seu pai,o qual depois foi o primeiro re do
Mexico-TenochUtlao. Achitometl apoderou-se 'do
sctptro, mas nao o conservon por moito tempo. No-
vas facrocs, suscitadas pelo antagonismo religioso, le-
vanUram-se de loia* as partes no reino de Culhua-
can, o qual cabio emfim para nunca mais levantar-
se, no anno 11 Acatl, 13*7 de nossa err,
O* ctilliuacos,abandonando suamelropole arruina-
aauji-se pelos estados vizinhos. O Merico-
erdou mais. tarde sua supremaca.
quarto de seculo as ilhetas do lago
aduasli Wh de Culhuacan, essa nova cidade sacu-
di o*fugo dos sacerdotes que a governavam, para
adoptar a forma mooarchica, e foi procurar em seu
exilio a rainha Hancucill com seu filho Acamapich,
os quaes adopten para seus soberanos.
Estes calamidades nao fizeram cessar as divisoes
religiosas. O Mxico aceitando coma heranca. dos Cu-
ihuaeos o culto de Tdzcallipoca, unido entao ao de
IIuilzilopochtl, augmentu seus barbaros holocaus-
tos^ De outro lado os Colhuacos exilados, animados
deum espirito de proselilismo fantico, Irabalha-
ram com ardor em espalhar por toda a parle o culto
de Telzcallipoca. A senhoria de Quauhtillan, cojos
vassallos n3o linham conhecido at enlao oulros
deoses que o Sol e Mili, hroe devinisado, em honra
do qual roatava-se lodos os anuos a frechadas um
prisioneiro amarrado em forma de cruz a urna arvo-
re, abracou enlflo o novo culto. Xaltemoclzu, so-
berano dos Chichimecos de Quauhtillan edificou nos-
sa cidade um templo sobarbo elevado em cima de
cinco ordens de lerrassos, no qual o sangue humano
correo logo cm jorros em honra do inimigo. Toda-
va um grande numero de Chichimecos houve caja
consciencia repugnen a essa religiao barbara. Nos
primeiros lempos elle*, nao foram iocommodados,
mas depois da queda do poder lepaneco de Azcapot-
zaleo, quando o Mexico-Tenochtillan conquisten
com Totacoco a supremaca sobre as outras cidades
do Anahuar, no meiado do seculo 15, prelendeu im-
por a lodos os vassallos de seu imperio os ritos san-
guinolentos de seus deoses. Empregaram-se amea-
eas para constranger aquelles que tiveram a cora-
geni de recusarla a isso ; djpois ^as amcacas
molaao do* captivos, cojos corarocs anda palpitan-
tes eram offerecidos sobre os altares do dos da
brandura e da paz.
Na tomada do Mxico pelos Hespanhoes, no mez
do agoste del521 .quando a nacionalidade azlea des-
morenou-se na* chamas que devoravara seus sanctu-
arios.lodos os cultos idolatras foram iovollos cm urna
proscripto commum. Um anno depois, a melro-
pole do Anahuac sahia de suas ruinas mais bella que
Tantes ; sobre ds despojos de seus templos, os reli-
giosos, convidados pelos conquistadores para traha-
Iharem na convcrsSo desses vastos paizes, levan lar.uii
igrejas christaas. Doze franciscanos, tendo lisua fren-
te o veneravel 'Marlinho de Valencia, chegaram da
Hespanha a TeUcoco no mez de junho de 1524. Cor-
lez recebcu-os com as maiores honras, afirn de ins-
pirar deantemao aos Indios urna alte ideada religiao
que eram exortedos a abracar ; elle assignou-ihes
por morada no Mxico nm dos palacios de Monte-
zuma.
Foi ahi que ellos edificaran] depois o sumptuoso
mosteiro do San-Francisco, que anda hoje existe.
Em algumas grandes cidades e principalmente em
Tlaxcala, oude' o nomo dos Mexicanos fora sempre
horrorizado, a populado acostumou-se cedo com os
Hespanhoes ; submetleu-se com mais empenho as
doulrinas do chrislianismo, e um grande numero de
nobres indios curvaran) a caneca com alegra para
receberem as aguas do baptsmo. A-mansidao dos
primeiro* missionaros, e a caridade cheia de forca
com que elle* defenderam UnUsvezes os interesses
dos indgenas conlra a rapacidade brntal dos vence-
dores, ganharam-lhe anda muilo* proselytos : mas
muilasvezes a submissao foi o efleito do terror. Os
religiosos hespanhoes acostumados a nao obrar em
sua patria senao de accordo con*"o poder secular, re-
correram. freqnentemente a etse meio na obra da'
conversan dos Indios.
Estes nao oppozeram todava senSo urna fraca re-
sistencia aos esforcos do* missionaros, por 6so que
estavam dominados pela ascendencia da superiori-
dade dos Europeos.
0* escriptores hespanhots.sobre ludo Torquemada,
eslenderam-se com complacencia sobre a mansidao
dos indgenas,sobre a facilidade com que ficaramper-
suadidos das verdades chrstaas,e sobre o enlevo com
que se disposeram para o baptsmo, desde os .primei-
ro* momelos da conquiste'; mas esse* escriptores nao
allenderam, como convinha, ao desanimo que se
apoderara dos neophitos, era duplicidade que he
o fundo do carcter dos Indios. Os senhores mexi-
canos linham um interes.se directo em conservar o
favor dos Hespanhoes, principalmente as cidades
visnhas da capital; por isso dobraram-se fcilmente
a ludo o que delles se exigi, afim de permanecc-
rem na posse de cus bens e de suas propriedades.
TeUcoco, entao a mais policiada cidade do Auahu-
ach, foi oceupada desde o principio do cerco do M-
xico : era nelte que o espirite lio vencedor devia in-
filtrar-se mais profundamente.'
Os franciscanos tendo ahi parado, este cidade foi
depois de Tlaxcaln a primeira que submetleu-se i
lei do Evangelho. Ixtliliochitl, rei da Acuilmaran
devia a cora a Cortez ; i frente de seus irmos e de
o m-grande numero de fidalgos de sua crfe, elle re-
cebeu solemnemente o baptsmo em urna das salas do
palacio de Nezalimalcoyoll, transformada em igreja.
As massas seguindo o cxemplo dos grandes, adopta-
ran igualmente as praticas da vida christaa, mas
estas formas exteriores serviram para um grande nu-
mero de mascaras occullarem seu amor idolatra.
L'm sabio jcsuila mexicano, o padre Fabregat no
commenterio tao erudito que escreveu sobre o codex
meiicano do museu Borgia, faz observar que a Ame-
rica hespauhola he o nico paiz em que a lei evan-
glica foi estebelecda por meios decididamente con-
trarios a suas sublimes inslituicOes. Essas palavrat
applicam-se justamente ao Mxico. All deu-se o
baplismo aos indgenas sem os lersuflicienlcmenle
instruido e fortificado na lei christaa, acostumando-
os assim a misturaren) a* crenras e as praticas do
chrislianismo com as sopersiiooes da idolatra.
Para extirpar com mais seguranca esas supers-
efles, os franciscanos jujgaram nao poder fazer cou-
sa melhor do que destruir os templos consagrados
aos dolos. Os da cidade do Mxico linham desappa-
recdo. no desastre geral ; mas os de Tetzcoco e de
superslico, cujo norae quasi que nao he conhecido
oa Europa, parlicipava ao mesmo lempo da magia e
dos ritos secretos em quo eram iniciados os nobres
mexicanos.
Os missionaros acharam-na eslahelecida de urna
cxlremdade oulra do Mxico o de Guatemala: dous
secutes e meio depois da conquista, os bispos da Nova
Hespanha deploravam anda os tristes eOeilns de sua
influencia, e at hoje ella nao tem cessado de ser o
maior obstculo converso efllcaz dos indgenas.
Oa chefes daaeete, chamados em hespanhol nagua-
lUtat, perlencem as familias sacerdotaes. Sua pro-
fisso ostensiva he a de medico* ou curandeiros : he
nessa'qualidade que se apreienlam ordintriamente
as casas, logo que ha nella* alguem doente. Na-
quellas, cujos chefes faziam parte das reunies ido-
latras, ellesapresentevam-sc logo qiie nascia alguma
enanca para o fim de consagra-la ao nagual, con-
sulUndo primeiro que ludo seus livros astrolgicos
para comparar a hora eo da debaixo de cuja influen-
cia a crianca tinha nascido.
Esses livros eram provawelmente o Tonalamall,
ou livro do sol, de que falla longamenle Sahagun no
primeiro volume de sua Hitloria 'dan coma* da So-
va riapanha. Cada da era assjgnalada nesse liVro
por dm nome dilferente de passaro, de reptil, de
amphibio ou de animal feroz, bem como os santos
no calendario catliolico. O menino recebia o nome
correspondente ao da em que nascia; he isso o que
se chamara tomar o nagual. Entrando na vida, a
crianca era ssim votada a um animal qualquer, o
qual sua imaginarn supersticiosa cria sobrenatural-
menle animado de um demonio familiar, que ella de-
via considerar, segundo a expressaodo bispo de Chu-
pas, do mesmo modo que os carblicos considerara
seu anjo da guarda. Desde, esse momelo at mor-
te, esse nagual tornava-se seu prolector visivet ou
invisiyel. O mestre nagaalista abria depois no me-
nino urna veia por Iras da orelha ou em baixo .da
lingua, lirava algumas gotas de sangue por meio de
"ancetinha, oa com a unha do ndex a qual de
nata qae os bispo* e o religiosos da Nova Hespa
ha aso ces*arair>nunca de levantar a voz em favor
des indgenas, os quaes deveram a seus. esforc* o
ai*eremcondemuailos escravido. Sede outro
lado o rio ceg de alguna fez desapparecer rnonu-
aseaios preciosos para a historia mexicana, cumprc
afnniir. que he i sciencia e luzes dos oulros que te
fcvem em grande parte osethesouros que escaparam
.i inspirarnos fanticas dos primeiros conquistadores.
O qae a igofra he, que os Mexicanos que se deplo-
ra tent teremaidn victimas do fanatismo hespanhol,
tido sectarios mu inlolerante* da A-
exilio, a confiscacno dos bens? a propria morte nao
pareceram penas mui rigorosas contra os recalci-
trantes. EnconUa-se um exemplo nolavel disso na
historia de Quauhtillan.
Muilo* nobres Chichimecos leudo recasado tomar
parle no grande jejnm e as feslas sagradas que os
Culhuacos linham estebelecido entre si, foram arras-
lados presenca de Itzcobuatl, rei dos Mejicanos, c
como recusassem adherir ao culto nacional, foram
condemnados ao ultimo supplicio, sendo seus bens
confiscada depois emproveito do estado/
Este^fceguic.ao estendeo-se a um grande numero
de famojklao distinctas por seu nascimenlo como
por suanHrtuna : oulras exilaram-sc voluntaria-
mente para os cantdes mais inaccessivais das mon-
Unhas. Isso nao he ludo ; Itzcohuatl, receiandu
que as antigs historias toltecas inspirassem ao povo
ideas funestas para a auloridade e pan a religiao
do estado, de accordo com sua nobrezajBiandoo unir
todos os anlgos documentos histricos que poderam
ser descobertes e enlregou-ns s chammas.
Por urna poltica asss anloga a de Roma antiga,
o Mxico adrnitlo todava o direito de cidade
maior parle das divindades veneradas entre os povos
por elle conquislados. Bem como os Romano*, os
Mexicanos convidaran] oulras divindades a viren) ha-
biter entre asile*, i promeltendo-lhes templos, mag-
nficos: foi isso o que fizeram com Mixcohuall Xo-
coyll, o hroe divinisado de Cuitlahuca, cujas reli-
quias essa cidade foi obrigada a ceder, lendo sido an-
tes incendiado seu templo. A esse* deoses estran.
geiros pelos quaes as narOes do Anahuaca tantes ve-
res se linham despedazado nos horrores da guerra
falla* de Las-Casas, que he mu conhecido, di- y|, os Mexicanos elevavam sanctuarios e assigna-
vanr tondas o collegios de sacerdote* numerosos; en-,
tao por um eawtrasle e*lranho,viram-se pela prmei-
s nimigos enconUarem-se as
varias outras cidade* do Anahuai que se submette-
ram sem combate, estavam anda em p e eram fre-
quenlados durante a noite, sem mbargo da prohi-
bs3o do Cortez. Os conquistadores, mais oceu-
pados do cuidado de amontoar ouro do 'que com os
interesses espirituaes dos indgenas, fecharam os
olhos sobre as nfraeces desse genero. Certos da
impuoidade, os Indios contentavam-se com assislir
durante o da s iustrucces dos missionaros, mas
de noile iovollos no veo das trovas iam sacrificar
seus dolos. ,0s ofllcios nocturnos dos franciscanos
eram muilasvezes perturbados pelos ruidos lgubres
do Teponazlti (tambor de pao uuco) e pelo sussur-
ro surdo e cadenciado da dansa sagrada que se ou-
viasahir dossancluarios da cidade dos Acolhuans.
Aobra^de dstruijao comesou pelo grande tem-
plo edificado por Nezaliudcpyotl, cujo esplendor nao
ceda ao da nenhum eulro no Novo Mundo. O* re-
ligiosos, ajudados por ama mullido de jovens Indios,
discpulos das escolas christaas, lanearam-lhe fogo no
1 de Janeiro de 1525. Era um diade tianguiz, ou
feira dos indgenas. A' viste das chamas que so ele-
vavam cima desse bello edificio, grandes e pequeos
concorream com seus sacerdote* dando gritos de
futor; mas vendo os franciscanos em p sobre os
degros da pyramide, a coragem fallou-llies. Os gri-
to* mudaram-se em lameulac/5es : elles contentaram-
e com gemer tristemente sobre a ruina de suas di-
vindades. Eslaluas, idoloj, vasos, ornamento pre-
ciosos, movis e vestidos sacerdotaes, ludo /oi abys-
mado ao mesmo tempo nesse incendio, o qual foi
seguido do dos oulros templos de TeUcoco e cidades
visinhas.nas quaes bem de mais pressa n3o restou ne-
nhum vestigio do antigo culto. Se algns monumen-
tos religiosos escaparam a essa deslrui^ao, foram
edificios solados nos bosques ou as monlanhas, das
quaes se fez descer os habitantes para eslabelece-los
na planicie.
A pouca resistencia opposta pelos Indios ao esla-
beleciroenlo da raligiao cathnlica* illudio muilo os
primeiros missionaros sobre as dispos;5es dos mes-
mos. Em poucos annos igrejas numerosas, vastes
mosteiro* substituirn! em todas as proviocias os
templos idolatras. Os dominicanos, depois os au-
guslnhos c a ordem da Misericordia Uansplanteram-
separao Mxico em seguimento dos franciscanos ;
Tlaxcala foi erigida em bspado, depois o Mxico
fui elevado mais larde ;i dgnidade de metropjle
com novassssuffraganease no decurso de um pe-
queo numero de annos, a igreja calholica achou-
se cannicamente Instituida, estebelecda. e dotada
em (oda a estensao da Nova Hespanha.
A forca que esseveslabelecimenlo deu ao clero foi
de grande soccorro para os indgenas, os quaes as leis
protectoras provocadas pelo? bispos e soperioros das
ordens pozeram pouco a pouco ao abrigo da cobica
dos vencedores ; mas elles nao sentram por isso mais
sympalhi pela religiao quo diclara essas leis. Quan-
do a primeira eflervescencia da conquiste foi acal-
mada, e elles comejaram a respirar, foram voltendo
insensivelmente s praticis supcrstciosas.que o terror
do nome hespanhol lites linha feito abandonar mo-
mentneamente. Os mais afoutos, com esse espirito
de astucia que caraclersa o Indio, imaginaram cons-
truir, sem que o cura o soubesse, pequeas escava-
SOes'por baixo dos aliaros de suas igrejas parochiaes,
as quaes collocaram seus dolos. Ueste modo quan-
do o cura os julgava orando devotamente diante da
cruz, era a suas antigs divindades que se dirigiam
suas homenagens.
A grande materia dos indgenas parecen assim ter
entrado em poucos annos no aprisco da igreja. A
maior parle mesmo dos ministros da idolatra linham
sido baplisados; mas recebendo a agua sagrada, elles
pretendan) nao cumprr senao urna formalidade ne-
cessara em sua opiniao para permaneccrem em paz
cornos conquistadores. Privados dos templos onde
estavam acostumados antes a venerar os deoses da pa-
tria, reuuiram-se as grutas as cavernas cavadas
nos flanco* do* rochedos, das quaes fizeram oulros
tantos sancluaros. Dessas reuniOes sahram sem du-
vida os myslerios do nagualitmo (|) Essa eslranha
mu
mesmas procis6es, lerem oslas e <*rrficios asigna-
dos no mermo ritual. Este apparenle (terancla po-
da Iludir o* olhos do povo ; mas o cuite dessgsdj,
vindades estrangeras, qualquer que fosse sua ori-
gem, era invariavelmenle subordinado s regras do
culto nacional,como reis tornados tributarios por nm
rival poderoso, ellas vinham fazer cortejo em redor
de Huitriiopoclitli e de Telzcallipoca. O sangue
humano sellava admissao das mesmas no Patheon
roexicin. o proprio Quetzalcohaatl teve timbera
(1) Este palavra he de origem castelhna: ella vem
de nhuatl ou nahual. que as populacoes de Chiapas
e oulras regioes meridouaes davam ios Mexicanos :
dahi cerlamenle nasce lambem o Ululo das sele tri-
bus nahnalUcas dado is Iribus da lingua azteca. Na
poca sua accepcao ordinaria, homenTpu.,0n"e falla ;l sua
lingua com pureza. Em sua siguncaSo prirnlv
parece derivar de nahual. secreto, mvslerioso, dissi-
mulado ; dahi a palavra nahualli para exprimir um
feilire.ro. um mgico, nm homem hbil as sciencias
Tn^lT- riVempode fonaf dla VeBa. bis
de uuapaa, isio he, no comeco do secute XVIII, a
proposite deisjiva crescer desmedidamente, oerecia
esse sangue ao demonio invisiyel como um signal
de servidao e urna prova do pacto que o menino con-
traclave com sen nagual.
Anles.de.o deixar,,o mestre designava ao pai do
menino a floresta ou a caverna em que este, chegan-
doa idadede'razSo, devia ir afim de ratificar pes-
soalmenle com o nagual o contrato concluido em'seu
nome. Era smente depois que o mestre nagoalista
se linha retirado, que se ia participar ao curav da pa-
rochia o nascimento do menino-; o baplismo era con-
siderado por esses sectario* como urna ceremonia sem
efleito, masa qual ninguem se poda ubtrahir.
o Quando o menino chega ,idade de razab, diz o
padre Burgoa. o mestre nagoalisU vem in'slrui-lo,
fazendo-llie longos discursos e mettendo-lhe na c*-
beca mnumeraveiserro*. Elle persuade-o que he o
mesmo Dos que Ihe deu a vida e marcou o da de
seu nascimenlo, que vem agoraprocura-Io como ami-
go, e que se deslina a vigiar sobre elle debaixo da
figura deeu nagual. Queelledeve por tanto n-
mar-se de coragem, e leitemunhar a esse dos toda
sua gralidaopor laoassignatadobeneficio.indo visitar
o animal, coja sorte e fortuna deve comparlilhar.
Ordinariamente o mancebo consente, e entao o mes-
Ir nagoalista o leva ao lugar que fora indicado no
dia do nascimenlo. Heahi que no meio do horror
da noile ello oflerece un, sacrificio ao demonio, o
qual faz vir o seu nagual debaixo da forma do ani-
mal, cujo nome tem, leao, se'rpcnte, ou crocodilo,
mas o qual mostra-se tao manso, Uto dcil que o
mancebo nao pote deixar de acaricia-lo e de fallar-
Ihe como ao amig mais inlimo. Este enlrevista,
cheia de tornara, he como o sello do pacto concluido
como demonio. Desde esse momento a sorte de
amos he de tal modo ligada, que por ama permias3o
de Dos, e por um castigo positivo do co sobre estes,
homens cegos, elles sao abandonados inleiramente ao
inimigo da salvacao; pois enlregam-se a elles com
urna vontade Uo complete qu Dos permute que
Salanaz Ihes faca sentir osdamoos e feridas que -po-
de receberseu animal amigo e nagual.
Urna passagem entre onlras muitas do mesmo ge-
nero, contadas por scriplores e religiosos serios em
pocas,tempos e lugares dflerentes, far comprehen-
der melhor qne ludo o mais a naturza das retacees
que se suppSe existir entre o nagual e seu protegido.
O padre Diogo, diz anda Burgoa, era um reli-
gioso de muila coragem e sangue trio. Aperar de
sua dadeavancada, .nada o intimidara ; elle cen-
surava sem temortudo e que Ihe pareca reproben-
sivel as pessoas que o cereavam. Desse numero foi
um indio que commetteu um dia urna falte mui
grave q ue o padre casgou com rigor. O indio sen -
lio por sao um vivo resenlimento. Para vingar-se,
foi poster-e em um rio-que sahe do lago, pelo qual
o religioso devia passar para ir confesar um mori-
bundo. O padre Diego tomou um dos cavallo do
convenio e parti tranqullamenle rezando pelo ca-
minho o officio de N. Senhora. Apena* entrn no
rio com o cavdlo, o religioso seutio-se preso, fazen-
dosua cavalgadura inuteis esforco* para andar.
Tendo abaxado a cabera para reconhecer a' causa
dessa residencia, avistou nm jacar que procurava
arrastar o animal para debaixo d'agua. O padre
Diogo,' invocando entao o soccorro divino, esporeon
o cavallo com tente forja que este arrastou o jacar
para fora do rio. Os cofes do eavallo e algns
golpes dados com um basteo ferrado sobre a cabea
do jacar obrigaram-no a largar a preza, e o religioso
continen seu eaminhodeixandVo animal alordoa-
do na margem do rio. Cliegando ao logar era que
era esperado, seu primeiro cuidado foi contar n qae
Ihe linha acontecido. No momento em que acaia-
va deconfessar o doenle vieram annunciar-lhc que o.
Indio que punir algns dias ante* acab*va de mor-
rer das consequencias, segundo elle proprio decla-
rou, dos golpes qne recebera do cavsllo do padre
Diogo. O religioso fot tirar informar,oes, e com ef-
fete achou-se o jacar morto margem do rio, e ve-
riBcou-sc que o indio tinha eflectvamente as.mareas
daseridas de que eu nagual havia morrido.'i
Aconleceu-me a mim proprio, screscenta mais
longe Burgoa, examinar a este respeitoum mancebo,
o qual confessou-me francamente que linha o seu
nagual. Como eu o reprehendesse vivamente por
isso, elle respondeu-me Mea padre, he com essa
sorte que nasci, nao a procorei. Desde a infancia ve-
jo ncessanleraenle esse animal junto de mim ; cos-
lorao comer do que elle come, sentir os males que
elle solTre, e elle nao me faz damno algum. Esse
desgracado eslava lo profundamente nbysmado em
seu erro, bem como urna mullido de oulros; eslava
tao persuadido de que essa sociedade brutal, em vez
de ser um mal, era pelo contrario urna graca e um
favor, que nao havia meio de desalmsa-lo. Compre-
hendam bem os ministros de Dees as suas obrfga-
cOes; a elles perlence destruir as obras de Satans,
que Irabalha assim por corlar pela-raz a sement
da f I Esforcem-se elles por chamar os pas f em
nome da qual baptisam seus filho* ; pois e o* pri-
meiros forera privado* ddla e comearen) oflerecen-
do os filhpsao demonio, com que in lenca o podero
depois envia-los igreja para hapl isa-Ios?
<)>escriptores hespanhoes doIT" 18secutes quefal-
laram Jn nagualismo reTerem dclle cousas as mais
extraordinarias. Nunes da Veiga, bispo de.Chiapas, e
um dos prelados mais distinctos de sua poca, faz
delle o assumplo de uro grande numero de iuslruc-
Oes aos curas de sua diocese ; elle exhorta-os inces-
antemente a trabalbar ns deslrucjio da. idolalria.
Em uma pastoral particular sobr o nagnalismo
dirigida aos Indios, elle moslra-lhes que est peifei-
tamente informado acerca dessas pralicas. He dessi'
pasloral que extrahiroos a narragao circumslanciada
dos ritos empregados pelos meslrea naguralSjUs para
iniciarem os mojos em sua arle Essa classe, diz
o bispo, he a peior de todas ; elles nlroduzem-se as
villas debaixo do titulo especioso de mdicos, de cu-
randeiros de males, o-e phlebotoinislas ; mais real-
mente nao sao seno dadores de maleficios, feilirei-
ros e encantadores, que debaixo de pretexto do curar
produzem molestias e matem os doenles, applican-
do-lhes hervas, etc. acompanhadas de insuflajes, de
palavras internaos, com o soccorro das quaes invn-
cam o demonio e fazem-uo executar suas vontedes
em virlude do pacto pelo qual estro compromettidos
para com elles.
O oflicio dos mestres nagualistes consista princi-
palmente em presidir ao culto secreto que irapunbam
a seus adeptos, e'a consultar o horscopo dos meni-
nos na occasao do nascimenlo ; elles encarregaram-
se alm disso de vingar de seus i ni migo* aquelles que
recorriam aos seus encantamentos. .Oque he nolavel
he que jamis a iuiciarao nao era conferida a umneo-
phrTos.aCurapresemprcaccrcsccnte Nunes da Veiga
que baja tres, afim de que se nao possa descobrr sem
extrema dfficuldade o nigualista que livesse lanrado
sorte sobre uma villa ou sobre urna cata. De outro
lado he prohibido ao nagualisla, logo que he rece-
bido mestre, obrar sem o concurso de seus dous com-
panheiros.
Ante* de admittir o porelulante inieiacao, o
meslrc nagualisla o fazia renegar o Salvador e de-
testar a invocaco de N. Senhora e dos santos ; teva-
va-lhe depois a cabee_a e as diversas partes do corpo
em que havia recebido as uncc/le* do baplismo,
afim dizia elle, de apagar lodos os vestigios dasmes-
irias; exhortava-o a armar-se de coragem, pois o te-
mor e a pusillanimidado podiam ser obstculos a que
fosso iniciado em lodos o> "myslerios. Em segui-
mento dessas inslruccf.es le va va o discpulo a uma flo-
resta sombra ou|s profundidades deum precipicio.
All collociwa-s com o aspirante sobre um formi-
gueiro de formigas grandes, e depois por meio de
uma formula mgica chamava a si a cobra pintada
de prelo branco e vermelho, da especie chamada
mSi das formigas>,a dual sabia com efleito acom-
panhada dessas insecto* e de rauilas cobrinhas. To-
dasjuutas cereavam o adepto, enlravam-lhe pelas
juntes da mao eiquerda e sahlam depois pelo nariz,
pelas orelhas e pelas juntas da mao direila. Termi-
nada essa operacio, a cobra grande lancava-se de um
salto na bocea do neophito e sahia pela parle poste-
rior do corpo ; as outras, urnas aps as outras, fa-
ziam o mesmo, e depois todas juntes tornavam a
entrar no buraco formigueiro,
a O mestre levara depois o discpulo a um cami-
nlio ouco e solitario. .Una monstro de'aspeclo terri-
vel laucando fogo chammas pete guela e pelas ven-
las apreseiiteva-se'ajante delles, etigola o mancebo
e o lancava peta parte inferior do corpo. Esses ritos
repetiam-se treza das saccessivos, cada vez da mes-
ma maneira. Somenle onlao o mestre Ihe revelar*
seas segredo*. as obras do bispo de Chiapas,
das quaes eilrahimos estes particularidades, diz-se
expressamenle que esse prelado as obtivera de mui-
tos mestres nagualistes couvertidos comosquaes con-
versn familiarmente, mis o canelar dissimulado
desses sectarios e os aconlecimentes que seguirn) a
morta de Nones d* Veiza.noi fazem duvidar da sin-
ceridade de suas con versocs.e por conseguinte dadas
revelaje feilas por esses pretendidos conversos.
Apezar da aclvidade e dos esforcos desse bispo para
extirpar a idolalria, e principalmente o nagualismo
na provincias de sua vasta diocese, nada em suas
obra. nos persua) de que elle eslivesse exactamen-
te informado sobre a constitu;ao hierarchica dessa
seita e da immensa extensflo de suas retacees. Somos
levados crer que os nagualistes com que elle con-
versn, narrando esses ritos estravaganlesque ofle-
recem tanta relacAo com a feiticeria europea na meia
idade, procuraram desviar a attenco do prdado de
uma iniciarlo mais lerrivel. O que parece eerlo to-
dava he, que nao era. senao depois de 1er passado por
diversas proras que o adepto era admlltido livre-
mente rA assembla dos mestres nagualistes, onde
elle adorava o Dos protector da seita, o qual nao
era por toda a parle o mesmo. .
Na* provincias da intendencia de Chiapas chama-
vam-no Poxlon, e representavam-no como um globo
de fogo ou um cometa alravessando os ares. Muilo
lempo depois da conquiste os Indios da villa de Or-
chue.na provincia em que se aeham as ruinas de Pa-
lenque, tinham fielmente conservado um quadro em
que esse Dos era pintado assim: para' esconde-lo
doschrisliros, elles o tinham enllocado com oulros
dolos na propria igreja da parocha era cima de uma
Irave mui elevada, e ahi elle recebia de longo suas
homenagens, sem que u cura o soubesse. Essa qua-
dro permanecen nesse lugar al 1687. O bispo Nu-
nes fazerido entao sua segunda visita pastoral, des-
cobrio esses dolos, e mandou desc-los pelos proprios
Indios. Tendo-lhc depois ordenado que recilassem
em voz alta o Credo, obrigou-os a escarrar sobre
esses signaes de sua idolatra, os quaes entregou s
chammas na praca publica.
Entre as virtudes que os mestres nagualistes eom-
municavam a seos adeptos, conferindo-lhes o mes-
Irado, contava-se o poder myslerioso que exercam
sobre as pessoas directa ou indirectamente entregues
pratica da idolalria. Cm uma palavra, com nm
lance de viste, o mestre nagualisla poda, entrando
em uma c-isa, subjugar a vontade de seus habitantes,
e principalmente das mulheres. As pessoas assim
fascinadas senliam-se tomadas'de um tremor convul-
sivo em todo o corpo, de modo, diz Torquemada,
que parecan) possessas como o eram na realidadeo
Ellas aliravam-se por Ierra, muitas vezes Uncando
espuma pela bocea-, e asaim-ncavam pelo lempo que
apraza ao mestre. Elle a* fazia capacitar de que re-
cebia m a influencia divina, objecto de seus desejos,
e parlcipavam da amizade dos deoses, acrescentan-
do que aquelle que fosse insensivel a esses efleito* ma-
ravilhosos, era indigno dos bens promettdos do co.
Eraquaolo elle os mantinha nesse estado singular,
oblinha ludo quanto quera, sendo ellas at empe-
nhadas em concedc-lo. *
Lendo esses pormenores, ninguem pode deixar de
ver nelles uma certa analoga com algumas das ma-
ravillas allribuidas a magnetismo moderno. Ha
porm outras no nagualismo que fazem lembrar fre-
quenteniente as torpezas censuradas aos feiticeiros da
media idade. Alm das communicaces cm seus
oaguaes podiam* sua vontade tomara figura do ani-
mal que linham por genio toldar, Iranaportar-se a
distancias immensas, e tornar-se invisivel a todos os
olhos. ncubos ou suecubos, esses demonios toma-
vara igualmente todas a4 formas, que quedara, seu*
'amigos, para salisfa^ao dos sentidos.
(Mnitevr.)
COMMERCIO.
PRACA DO RECIFE 30 DB MAIO AS 3
H01US DA TARDE.
Hoje nao houveram colaces.
ALFANDEtiA.
Rendimenfo do dia 1 a 29 .230:67*8839
dem do dia 30........W:341J084.
245:0159923
Detcarregam lioje 31 de maio.
Barca inglezal'alparaizomercadorias.
Barca inglezaBeatricecannos de ferro.
Brigue hamburguezOUomercadorias.
CONSULADO GERAL.
Readimento do dia 1 a 29.
dem do dia 30
39:642J193
1:395S8I8
11:0383011
DIVERSAS PROVINCIAS. '
Rendmento do da 1 a 29.....5:6318175
dem do dia30.........It)151>
5:7320297
Esportacao'.
Rio Grande do Sul, barca Santa. Mara Boa Ser-
te, de 226 toneladas, conduzio o segu nte : 500
barricas, 100 ditas pequeas e 858 gralftes com
10,895 arrobas e 187 libras de assucar, 400 meios de
vaquetas.
Rio de Janeiro, patacho Valenle, de 130 tonda-
das, conduzto o segninte :979 sacros e 3 ditos com
lascas com 4,902 arrobas e 5 libras de assrcar, 200
duziasde cocos para agua, 24 taimas de amarello, 2
pipas mel, 20 barris dito de 4., 65 ditos dito de 6.,
182 molhos courinhos de cabra, 771 meios de sola,
2,500 cocos verdes, 12'saccos ilgodao.
dem, patacho nacional Bom Pim, de 104 tonela-
das, conduzio o seguinle :600 barricas bacalluio,
200 barris e 200 meios ditos manteiga, 30 caixas ca-
nda, 30 lates agun-raz, 165 duzias de cocos para
aeua, 1 caixao annies, 10 barris espirito, 100 saceos e
50 barricas cora 893 arrobas c 7 libras de assucar, 2
quartolas jarras equarlinhas.
Paco de Camaragih, hiale nacional oco Desli-
uo. de 24 toneladas, conduzio 6 seguinle:638 vo-
lumen gneros estraogeiros, 349 ditos dito* nacio-
naes.
RECEBEUOR1A DE RENDAS INTERNAS GE-
RAES DE PERNAMBUGO.
Rendimenfo do da 30......414:806
CONSULADO PROVINCIAL.
Rendimentododiai a 29. .42:0281501
dem do dia 30 ........ 1:929793
43:9580294
MOVIMENTO DO PORTO.
palavra nahual ou nagual era synonimo de genio, ou
demonio familiar : era simultamcule o demonio par-
lji*nlir de lodos aqudles que entravam no nagua-
lism,?-e "demonio, em um sentido gral, multipli-
cado "debaixo de todas as formas de animaes, compa-
nheirc" nagualistes.
A' .o entrado no dia 30.
Terra Nova3Tdas, brigue inglez Runnymede, de
200 lonela/as, capiujo Samoel Provtse, equipagem
13. carga/bacalho ;& James Crabtree & Corripa-
nhia. /
taes.
EDITAES
O nim. Sr. rnnladnr-.^rvindo de inspector da
Ihesoururia, provincial, em Ct-Jiprimonl" da ordem
do Exin. Sr. presidente da provincia do l'do cor-
rente, manda fazer publico, que rt'os das- 6, 7 8 de
juube prximo vindoiiro, perante a'junta da fazen-
da da mesma Ihesonrari, se ha 'le arrematar a
quera por menos fizer, os reparos a Iigr-J" "a fa-
aa destinada para cadete na villa do(--..rv g,yi-
Itedos em 2:7500000 rs. ^ncorS^
A arrematado ser fdla na lorma dM <.
27 da lei provincial n. 286 do 17 de "fifi^'t1,
e sob as clausulas especiaes abaxo opi,d34.
As pessoas que se propozorem a este arrema(a;3o
comparecam na sala das sessoes da mesma junte,
no da acim* declarado, pelo meio dia, competente-
mente habilitadas.
E para constar se mandou afflxar o presente e
publicar pelo Diario.
Secretaria da thesouraria provincial de Pernam-
buco 2 de maio de 1854.O secretario) Antonio
Perreira da Annunciac&o. .
Clausula! tspeclae para a arrematacSo.
1. Todas as obras serio feilas de coufo'rmidade
com o orea monto e planta nesta dala apreseutados a
approvacao do Exm. presidente da provincia, na
importancia de 2:7500000 rs.
- As obras sero principiadas no prazu de dous
mezes, e concluidas no de oito ntezes, ambos conta-
dos de confurmidade c^ra os arligos 31 e 32 da lei
provineial n. 286 de 17 de maio de 1851.
3. O pagamento da importancia destas obras ser
feito .cm uma so presUcSo qoando ellas eslive-
rero coucluidas, que sero logo retenidas definitiva-
mente.
4. Para ludo o maisjue nao.esver dderminado
as prsenles clausula, seguir-se-ha o disposto na re-
ferida lei n. 286.Conforme.O secretario, Anto-
nio Perreira da Annunciaeo.
O Illm. Sr. inspector da thesouraria provincial
em comprimento da ordem do Exm. Sr. presidente
da provincia de 12 do corrente, manda fazer publi-
co que, no dia 14de junho prximo vindouro.vai no-
vamenle a praca para ser arrematado a quem por me-
nos fizer a obra dos concerlos da cadeia da' villa de
Garanhuns, avaliada em 2:4740208 rs.
A arrematacao ser feita na forma dos arls. 24" e
27 da lei provincial n. 286 de 17 de maio de 1851,
e sob as clausulas especiaes abaixo copiadas.
As pessoas que se propozerem este arrematacao
comparecam na sala das sessoes da mesma junta no
dia cima declarado, pelo meio dia, competentemete
habilitadas.
E para constar se raaudou aflixar o presente e pu-
blicar pelo Diario.
Secretaria da thesouraria provincial de Pernam-
buco 16 de maio de 1854. O secretario,
Antonio Perreira ' Clan fula* 'etpeciaet para a arrematarao.'
!. Os concerlos da cadeia da villa de Garanhnns
far-sc-ho de conformidade com o ornamento appro-
vado pela directora em consclho, e aprescnUdo a
approvacao do Exm. presidente da provincia na im-
portancia de 2:4740208 rs.
2.a O arrematante dar principio s obras no pra-
zo de 2 mezes e deveru concluir no de 6 mezes, am-
bos contados na forma do art. 31 da lei n. 286.
3.a O arrematante seguir nos seus Irabalhos tudo
o que llie for determinado pdo respectivo engenhei-
ro, nao s para boa execujao das obra* como em or-
dem de nao innulilizar ao mesmo tempo para o ser-
vico publico toda* as partes do edificio.
4.a O pagamento da importancia da arrematacao
lera lugar em Ires preslacOes iguaes :a primeira, de-
pois de feita a metade da obra; a segunda, depois
da entrega provisoria, c a lerceira, na entrega defi-
nitiva.
5.a 0 prazo de respoosabilidade ser de 6 mezes.
6.a.. Para ludo o que nao se acha determinado na*
presentes clausulas nem no ornamento, seguir-se-ha
o que dispoe a respeilo a lei provincial n. 286.
Conforme.O secretario,
Antonio Perreira a" Annunciarao.
'O Illm. Sr. contador servindo de inspector da
thesouraria provincial, era virlude da resolu^ao
da junte da fazenda, manda fazer publico que
em cumplimento da lei, se ha de arrematar peran-
te a mesma junta no dia 1 de junho prximo vn-
donro a renda do sitio do Jardn) Botnico da cida-
de de Olinda, avaliada em 1510000 rs.
A arrematacao sera feita por tempo le 3 arnos,
a contar do 1 de julbo de 1854, ao fim de jnnho de
1858. .
As pessoas que se propozerem a este arrematacao
comparecam na sala das sessoes da mesma junte no
dia cima indicado, pelo meio dia, competente-
mente habilitadas.
E para constar se mandou aflixar o presente e
publicar-pelo Diario.
Secretaria da thesouraria provindd de Pernam-
buco 1 de maio de 1854. O secretario. Anto-
nio Perreira da AnnunciacOo.
O Illm. Sr. inspector da thesouraria provincial,
em virlude da resolucao da junta da fazenda, man-
da fazer publico, que peraale a mesma jante vai no-
vamente a praga para ser arrematado a quem mais
der no dil 1. de junho prximo viudouro, os impos-
tes de 20500 rs. e dizimo do gado vaceum, 20 % de
agurdenle do consumo, e imposto a cargo dos
collectores nos seguinle* municipios:
Flore e Floresta, avahado annud- >
mente por........ 4:004J080
Boa-Vista e Ex, avaliado animal-
mente por ...*.... 4:0700000
20 % sobre o consumo de agurdenle nos muni-
cipios segointee:
Olinda, avaliado annuafmente por 8100000
Limoeiro. a 900000
Este* arrematacees serao feita* por tempo de 3
anuos,, a contar do te de julbo do corrente anno, o
30 de junho de 1857, e sob as mesmas coudic,oes dos
anteriores.
Vai igualmente a praca para ser arrematado ron-
juntamente com o imposto do gado vaceum, o di/.i-
mo do gado caVallar nos municipios abaixo declara-
do por tempo deum anno, a contar do Io de julbo
de 1856, a 30 de junho de 1857.
Florase Floresta, avaliado por anuo
em. ........ '3260000
Boa-\ isla eExii, avaliado por anno
em......... 1990000
kAs pessoas que se jiropozerem a estas arremata-
ntes comparecam na sala das sessees da mesma jun-
te nos dias cima indicados pelo meio dia, compe-
tentemente habilitadas.
para constar se mandou aflixar o presente e pu-
blicar pelo Diario.
Secretaria da thesouraria provincial de Pernam-
buco 24 de maio de 1854.O secretario, Antonio
Perreira d'Aniiunciaro.
O Illm. Sr. inspector da thesouraria provin-
cial, em cumprimento da ordem do Exm. Sr. presi-
dente da provincia de 17 do corrente, manda fazer
publico, que no da 27 de julho prximo viudouro.
vai novamente praca pra ser arrematado a quem
por menos fizer, a obra do acude na Villa Bella da
comarca de Paje de Flores pelo novo orcamento de
416040600.
A arrematacao sem feita na forma dos arligos 24
e 27da lei provincial n. 286 de 17 de maio de 1851,
e sdb as clausulas especiaes abaixo copiada.
As pessoas que se propozerem a esta arrematacao
comparecam oa sala das sessoes da mesma junte, no
da cima declarado, pelo meio' diu, competente-
mente habilitadas.
E para constar se mandou afiliar o presenta e pu-
blicar peto Diario.
Secretaria da thesouraria provincial de Pernambu-
eo 26 de maio de 1854. O secretario,
* Antonio Perreira d" AnstunciacBo.
Clausulas especiaes para a arrematacao.
i." As obras deste apide serao feilas de oonformi-
dade com as plantase orcamento apreseutados ap-
provacao do Exm. Sr. presidente da provincia, na
importancia de 4:6040600.
2^ Estas obras devero principiar no prazo de
dous mezes, e serao concluidos .no de dez mezes, a
contar conforme a lei provincial n. 286.
3.a-A importancia deste arrematacao ser paga
em tres preslacOes da maneira seguinle: primeira
dos dcjus quintos do valor total, quando liver con-
cluido a melado da obra; a segunda igual primei-
ra depois de terrado o termo de reconhecmento
provisorio; e a lerceira finalmente de um quinto de-
pois do recehimento definitivo.
4." O arrematante ser obrigado a communicar
repartirao das obras publicascom antecedencia de
30 dia, o dia fxo em que lem de dar principio
execucan das obras, assim como trabalhar seguida-
mente dorante 15 dias, afim de qne possa o enge-
nheiro encarregado da obra, assislir aos primriros
Irabalhos.
5. Para tudo o mais que n3o estiver especificado
as presentes clausulas, seguir-se-ha o qne determi-
na a le provincial n. 286 de 17 de maio de 1854.
Conforme.O'secreterio, entonto Perreira iAn-
nunciarao.
O Dr. Angelo Henriques da Silva, joiz de orphaos
e asentes, sopplente em ejercicio, nesla cidade do_
Kecife'de Pernamboco c seu termo etc.
Faro saber aos que o presente viren), que tendo a
lei provincial n. 335 de 26 de Abril deste anno,
creado mais um escrivao para este juizo, coUvida aos
prelendentes do referido lugar, para que no prazo
de 60 dias, contados dapublicarao desde, apresenlem
seus requerimenlo acompanhados dos documentos
exigido* pelos arts. ll.e 14 to reglame uto n." 817
de 30 de agosto de 1851.
E pata que chegoe noiicia de lodos, mandei
nassar o presente que ser aflixado no lugar do cos-
ime, c publicado pela imprensa.
Dado e passado nesta cidade do Recite, aos 29 de
maio de 1854. Eu Guilermino de Albuquerque Mar-
tin* Pereira, escrivao interino o fiz escrever.
Angelo.Henriques da Silca.
O Dr. Custodio Manuel da Sjlva Guimaraes. jeta de
direito da primeira vara do commercio nesta cida-
de do Recite de Pernambuco, por S. M. Imperial
e constitucional, que Dos guarde ele.
Fac.o saber aos qae o presente edita! virem, qne a
requerimento de Anate Jos de Azevedo, estebe-
cido com teja de miudeza* na ra do Queimado n.
49, se acha por este juizo aliena a sua fallencia pela
sentenca do theor seguidlo : A' viste d exposirao
constante da peticao, folhas 2, declara aberta a fal-
lencia do coinraercujeto Antonio Jos de Azevedo,
estabelecido com loja de miudezas na ra do Quei-
mado.fixando o termo legalda existencia de sua fallen-
ca a contar do dia, 11 do corrente. Ordeno que po-
nham sellos em todos os bens, livros e papis do falli-
do, e nomeio para curador fiscal o nesoctanle Vctor
I.aine. que prestar jurament na forma da.lei, ex-
pedindo-se desde j participantes ao respectivo joiz
de paz, acorapanhado da copia autlientica desla sen-
tenca, afim de proceder posicao dos sellos e cus-
tas.Recife 15 de maio de 1854.Custodio Manoelda
Silva Guimaraes.
Em comprimento do que todos oseredores presen-
tes do referido fallido compareefcrao em casa ''
nha residencia, na ra da Concordia n.....sol
um andar no bairro de Santo Antonio do Re
da l.o de junho, pelas dez hora* da mayhia, afim de
procederem a nomcaao de depositerio ou deposita-
rios, que ho de recebereadministrar provisoriamen-
te a cata fallida.
E para que chage noticia de todo*, mandei pas-
,er o presente, quesera publicado pela imprensa, e
Ttaufcmh locares designados no art. 129 de regula-
mente n. 738. de 25 de itevembre de 1830.
Dado e passado nesta cidtde do Recite aos 30 de
maio de 1854.Pedro Tertuliano da Cunhs, escrivao
interino.Custodio Manoei da Silea GuimarSet.
DECLARARES.

Real companhia de paquetes ingleze a
vapor.
No dia 3) deste mez
espera-*e da Eurpa,
um dos vapore* da real
companhia, o qual de-
pois da demora do
costume seguir para o sul: para passageirs trata-
se com os agentes Adatnson Howie & C, ra do
Trapiche Novo n. 42.
Companhia de Liverpool.
Espera-se a qualquer
hora o vapor Lusita-
nia, commandante J.
Brown, e aegoir im-
raediatemente para os
porlos d su!: agencia em casa de Deane Youte &
C, ra da Cadeia Velha n. 52.
COMPANHIA DE BEBERIBE.
t O caixa da companhia de Beberibe
a'cha-se autorisado pela assembla geral
da mesma, a pagar o 12 dividendo na ra-
zio de 2#500 por accao.
CoRselho administrativo.
O conselho administrativo, em virtud* de autori-
saco do Exm. Sr. presidente da provincia, tem de
comprar os objeclos seguinle* :
. Para a botica do hospital regimantel*
Resina de angcok libras 8, espirito de vinho, ca-
adas 5, azeite doce, garrafas 24, alambique de zu-
co, segundo Soubeiran 1, balanza de pedestal, com
pesos 1, machina para estender emplastro i, tbesou-
ra grande para cortar raze* 1.
Quem quizer vender tee* objectos, aprsente a*
suas propostas em carta' fechada, na secretaria do
conselho s 10 horas do dia 1 de junho prximo futro.
Secretaria do conselho administrativo para forneci-
mento do arsenal de gerra, 24 de maio de 1854.
Jos de Brito tnglez, coronel presidente. Bernar-
do Pereira do Carmo Jnior, vogal e secretario.
Pela mesa do consulado provincial annonca-
se que a cote-anca, bocea do cofre, da 'decima dos
predios urbanos das freguezias deste cidade do se-
gundo semestre do anno linanceiro de 1853 a 1854,
principia no 1. de junh prximo futuro, e que os
30 das uleis lem principio do referido dia 1. efe ju-
nho, findo os quaes licam i ocurso na mulla da tres-
por ceote todos os que deixarem de pagar tea* de-
bito*.
Em virlude da reqniicfo feita pela directora
do banco, he convocada a awwbla geral da mes-
mo banco para reuailo axlraordinaria, qae lera la-
gar no dia 3 de junho prona* hora*, a ae lugar
do< costume, afim de proeeder-ee aeleico da com-
missao de exame de conte*, que tem de servir no se-
mestre correte. Recite 30 de raaip de 1854.
Pedro Francisco de Pauta Catalcanti de Albuquer-
que, presidente. Jote Bernardo Galtio Alcan-
forado.
O arsenal de guerra precisa de dous ofiiciaes da
corrieiro.
^^m^i
Ql'AKTVFEiRA SI DE MAM VE-1854.
Vai seena o espectculo que foi transferido por
molestia do ponto da companhia : primeira repre-
sntelo do magnifico drama em um prologo e tres
actos, ornado de msica
FERNANDO
OU
E a mufo engranado terca
Oa artistas que formara a actual companhia dram-
tica a favor de quem reverte o producto deste reci-
te, mploramla prolecro do Ilustre publico desla ci-
dade
N. B. Nesla recite tem entrada, os bheles de ca-
marotes e platea vendidos para sabbado 27.
AVISOS MARTIMOS
Rio Grande do Sul.
Seguir em pouco* dias para o Rio-Grande do
Sul o patacho nacional Regulo, o qual tem espacos
commodos para passageirs : llata-se na ra da Ca-
deia do Recife n. 1>, ou com e capitao a bordo.
Rio de Janeiro.
O brigue nacional Elvira sigue na presente se-
mana; anda pode recebar alguma carga miada, pas-
sageirs e escravos a frete, para os quaes oflerece
ptimos commodos: trate-se com Machado & Pinhei-
ro, na ra de Vigario n. 19, segundo andar.
ParaBaha seaue impreterivelmenj no dia 8
de Jurdi, a sumaca Hortencia: para o resto da car-
ga trata-se com seu consignatario Domingos Altes
Malheos, na ra da Cruz n. 54.

LEILOES.
Quinta-feira 1. de junho do corrente, o agente
Vctor far leilito no seu armazem, ra da Cruz n.
25, de um completo sorlimento de obras de marei-
neira novas e usadas, de diSerenles qualidades, am
reloaio de ouro com trancelim para aigibeira, ditos
dourados, varas obras de ouro. oeulos de alcance,
candieiros para meio de sala, candelabros, linternas
ps de casquinho, quadros com estampas coloridas,
fumo, uma cadeirinha de arruar em bom uso, vinho
branco de Lisboa -engarrafado, doce da difirante*
qualidades em barris, chapeos branco* de castor, di-
tos de merino com mola e sem ella, do Cbili, umt
porcao de navaltus, aliadores, uma porfi de cac-
eas de arroz com casca, bolachinha ingleza em lat-
as, vinho engarrafado de superior qualidade de ci-
dra e inacaas, um cavaRo rudado, bom andador
baixo, maiio novo, e outros muitos arligos, que es-
tarao mostra na occasao do leilSo.
O agente Oliveira far leilao por ordem do Sr.
cnsul da Franca, e em presenta do seu chancellar,
das partes da casa n. 17, ra "du AragJo do bairro da
Boa-Vista, perteucentes -massa do finado subdito
francez Pedro Vctor Eustaquio Lamare, por ate
compradas em 9 de julho de 1815, e 14 de agosto de
1847 como consta das
do dito agente.a Ate!
Jos Joaqnimdo
na Mara da
tes herdadas
segundo o in
pelo juizo de
co Joaquim P
tes podem ludo
feira 5 de j'
e na referid,
LEI
Quinte-feira i d
dasescripturas em poder
ira do Carmo Lepes,
osaa mulher Joan-
os Lopes, e por-es-
Carloe Jos Lopes,
, que se procedern)
cidade, escrivao Francis-
arvalhn, onde o* pretendeo-
lecipadamenle : segunda-,
', ao meio dia em ponto,
LIMITE.
e Borja Geral-
des far leilSo em seu armazem, ra do Collegio n.
14, s 10 horas em pnlo, de um completo,soruoierf-
to de obras de marcioeiria. nova e usadas, de diffe-
renles qualidades. um riquissimo re|ogio com caixa
de vidro para cima d mesa, ditos de ouro prata
para algibeira, ditos para parede, don* ocules de
alcance, varias obras do ouro e prata, candieiros in-
glezes de molla para vetes, ditos francezes e d ou-
tras qualidades, lanternas, serpentinas, candelabros,
lustres, casticaes de dilferentes modelos, quadros
com ptimas estampas e.ricas molduras, chapeos
prelos francezes, ditos do Chile, ditos de fellro, bo-
nels de oteado, figuras de peilr para jardlm, ditas
de porcellana, jarros e vasos para eafete de sala,
pedras marmore de diversas cores e temanhos, pa-
ra mesas redondas, consolos, lavatorios, uma grao-
de porjao de vinho engarrafado de superior quali-
dade, bolachinhas, biwoitos francezes, um ptimo
carneiro moito manso e bastante gordo, proprio pa-
ra menino, grande porco de sapatos e borseguins
ingieres para homens, meninos e seuhoras, uma
porr-So de queijos de prato de superior qualidade,
etc., e outros muilo objecto qne *o com a vte
se podem apreciar, o quaes estenio no mesma ar-
mazem em o da do leilao.
O agente Oliveira nao tendo podido ultimar,
por falla de lempo, o leilao dos salvados do brigue
sardo Carolina, continuar o mesmo por autorsa-
SSo d alfandega desla cidade, coosistindo tra nuv
(n< grande, dito d traquete, |mastaros de gavia,
ditos joanete, vergas grandes, ditas de gavias, ditas
joan ele c sobre, paos deculellos, dito* de gavias etc.,
1 retranca, 1 bolincle com 2 barras, 1 lancha, 1 bo'-
te, 1 ferro grande, 2 amarras ,de ferro, 2 ancorte*,
ele.-, sexla-feira, 2 do corrente, a* 10 horas da ma-
nida, na dte alfandega.
AVISOS DIVERSOS.
Precisa-se de nata ama que saiba cozinhar bem:
na ra do Queimado n. 40.
- O abaixo anignado previne ao respeitevel pn-.
Mico, que a tetlra annnnciada no Diario de Per-
nambuco d 23. 24 e 28 de malo do correBte anuo,
he da quanliu de 274s<0 e nao 2979100 como se
acha no* annuncios, e foi vencida em 1> de junho
de 1853.Seraphiro Alves da Bocha Bastes.
Precisa-so de uma ama forra ou escrava. que
faca lodo servir de uma casa de duas pessoas de fa-
milia ; paga-se'b*m : na ro da Conceicao ti. 9.
__Aluea-se om escravo que saiha andar com car-
roca : na praca da Bo-VWa n. 12.

-
-'i 'w>-..
-
,'J*'


'"Has*1"5---'"
DIARIO DE PERNAMBUCO QARTA FEIRA 31 DE MAIO DE 1854.

FllLICACAO DO IISSTITLTO HOKEOPATHICO DO BRASIL.
THESOURO HOMOEOPATHICO
O
VADEMCUM DO H0KE0P1THA.
Mrthoiio confino, claro, e seguro de curar homueopalhiearaenle todas as molestias, que aluigem a
e|iccie humana, e particularmente as molestias que reinain no Brasil.
PELO
, DR. SABINO OLEGARIO LUDGERO PINHO.
Acaba de sabir a luz esta obra utilissima os mdicos, que quizerem experimentar ou exercer a
verdadeira medicina, e niuito mais anida aos pais de familia, quer das cidades, quer do campo, cheles
de estabeleciraenls, sacerdotes, capitaes de navios, viajantes, etc., etc., que por si mesmos quizerem co-
nliecer os prodigiosos effeito* da homo-opathia. -
Dou volumes em brochura, por. ........ 10JO000
Encadernados.............. 11)000
Os Srs, assignantes tero a bondade de mandar receber seos ejemplares em casa do autor, ra de S.
francisco (Mando Novo! n. 68 A.
BOTICA CENTRAL HOMEOPATHICA.
. Niuguera poder ser feliz na cura das molestias, sem que |fcssua medicamentos verdadeiros, ou de
boa qualidade. Por isso, e como propagador da honiceopathia no norte, e inmediatamente iuleressado
em sea* benficos successos, temo autor do THESOURO HOMOEOPATHICO mandado preparar, sob
soa imroediata inspeerflu, todos os medicamentos, sendo incumbido desse Irabalho o hbil pharmaceulico
professor em homceopalhia, Dr.- F. de'P. Pires Hamos, que o tein cxeculado com lodo o lelo, lcalda-
de e dedicarlo que se pode desejar.
A efllcacia destes medicamentos he attestada por todos que os tem eiperimentado; elles nao preci-
san! de maior recouimendacao; basta siber-se a fonte donde sahiram para se nao duvidar de seus pti-
mos resultados.
Urna carteira de Ido medicamentos da alta e baixa deluico em glbulos recom-
mendados no THESOURO HOMOEOPATHICO, acompanhada da bbrave de urna
caixa de 12 vidros de tinturas indispensaveis j
Dita de 96 medicamentos acompanhada da obra e de 8 vidros de tinturas .
Hila de60 principan medicamentos recummeudados especialmente na obra, e com
urna caita de 6 vidros de tintinas ....... ,
Dita de 48 ditos ditos..............
Dila de 36 ditos acompanhada de vidros de Unturas. .* .
Dita de 30 ditos, e 3 vidros de tinturas.- "
Dita de 24 ditos ditos. '. .'.-'.
Dita de 24 tubos pequeos com a obra e 2 vidros de tinluras. \ "
Tubos avulsos grandes. M.........
; pequeos ^ ; \
Cada vidro de Untura.
100SOOO
90OO
609000
503000
409000
358000
308000
20000
18000
9300
25000
i. """"".............. ajwuu
iviam-se quaesquer eocoramendas de medicamentos com a maior promptidao, e por precos commo-
iroos.
Vendaje o tratado de FEBRE AMARELLA pelo Dr. L. de C. Carreira, por. 2S0Q0
Ra dff S. Francisco (Muudo Novo) n. 68 A.
Jo*o Pinto Regis de Sonza exporta para o
Rio de Janeiro o seu escravo Anastucio, cabra, ida-
de 30 annos.
Precisa-se de urna ama forra ou captiva, para
o servico diario de urna casa de pouca familia : na
ra Direita n. 76.
lRJ!AS2i*DE W DIVINO ESPIRITO SANTO,
. ERECTA NA IGREJA DA CONCEICAO DOS
MILITARES.
A mesa regedora festeja este anno o seu divino
padroeiro om a costumada decencia, arvorando-se
. competen te bandeira na madrugada desa bbado pr-
ximo, celebrando-se na oite do mesmo dia, vesperas
solemnes, e no domingo fesla e Te-Deom, sendo o
orador o Rvdm. pregadorda capella imperial padre
J0S0 Capistrano de Mendoza ; roga por tanto, a lo-
dosos seus irmios bajaro de comparecer aos referi-
dos acto*. No fim da festa se* distribuir a esmola
do costume, lodos os pobres que se ai-harem' por-
ta da igreja.
1"ene-se a pessoa que no dia 12 do rorrete,
recebeu de um prcto duas caixas eom enxofre, as
quaes iam ser entregues na botica dos Srs. Mo-
reira folha, ou entrega-las aos'seuhores cima, na travessa
da Madre de Dos n. il armazem de Joaquim l'inhei-
ro Jacome.
HOMEOPATHIA.
0 Dr. Casanova, medico francez. d con-
aultaa lodos, os das no seu consultorio
RlADASrRIJZES\.28.
No mesmo consultorio acha-se venda um
grande sortimento de carleiras de todos os
lamanhos por precos commodi*simos.
CIRCO MIL RIS.
1 carteira com 24 tubos a escolha.
1 tubo grande de globulosavuls. 500
1 dito mediano. ..... 400
1 dito pequeo ...... 300
W oncade tintura a escolha 18000
Elementos de homeopathia 2 volumes 2.a
ediccio......... 53OOO
Pathogenesia dos medicamentos
brasileirosl volume...... 2jO00
Tratado das molestias \enerms
ira se tratar a ai mesino. 18000
O Dr. Joio Honorio Itezerra de Menezes, _.
0 formado em medicina pela faculdadc da Ba- $
fio hia, offerece seus prestimos ao respeitavel pu- **
9 blico deata capital, podendo ser procurado a @
qualquer hora em sua casa ra Nova n. 19,
$ segundo andar: o mesmo se presta a curar S$
~ gratuitamente aos pobres.
Orferece-se ama erioula para ama de casa de
pouca familia, ou homem solteiro: qdem quizer d-
rija-sea ra de Aguas-Verdes n.-92.
AO PUBLICO.
. O abano assignado, lllho do finado Prxedes da
honseca Coutinho, csmproii o hotel eslabelerido no
Cachanga com o jogo da bolla e outros mais di-
vertidos, e tem sortido o seu eslabelecimentodebons
vinhos, sardinhas de Nantes, presuntos, bolachiphas
e acha-se munido de camas para dormida: espera o
ipesmo abaiio assignado proleccao dos amigos de seu
finado pai, dos estrangeiros e coro especialidad dos
seus patricios, Francelino da Fonseca Coutinho.
*vfe'*Me alagar urna criada, livre ou escrava,
que saiba eugommar bem, e cuidar de enancas, em
urna familia pequea: quem esliver nesle caso, e
quizer conlralar-ae, dirija-se a casa n. 83 da ra do
Pilar das 8 s 9 horas da manhaa, ou das 4 da larde
as8dauoite; nao se duvida pagar generosamente^
sendo petsoa activa no servico, o hbil.
Homoeopathia.
CLNICA ESPECIAL DAS MO-
LESTIAS NERVOSAS.
Hyteria, epilepsia ou gota co-
ral, rheumatismo, gota, paraly-
sia; dfeitos da falla, do ouvido e
dosplhos, melancola, cenhalalgia
ou dores de cabera, enenaquec,
dores e tudp mais qu o pvo co-
nhece pelo nome genrico de ner-
voso-
As molestias nervosas requeren) muitas Ve-
es, alm dos medicamentos, 0 emprego de
f outros meios, qoe despertem ou abatam a
seusibilidade. Estes meios possuo eu ago-
ra, e os ponho a disposicao do publico.
Consultas lodos os dias (de graea para os
pobres), desde s 9 horas da manhaa, at
I as duas da tarde, ra de S. Francisco (Mon-
do-Novo, n. 68 A.Dr. Sabino Oleqario
aero Pinho.
-Sexta-reir 2 de junho, a 1 hora da tarde, depois
a audiencia do Sr. Dr. juta de direito daprimeira va-
ra do civel, se arremater urna armario toda envi-
diada, com balcao, da loja n. 30 da ra Nova, um
relogiode parede olho de boi, e um espelhu de pare-
de, por execuco de Galdino Antonio Alves Fer=
reir, contra Carlos Gillain: he a ultima prara.
Desappareceu do eugenho Taqnari, comarca
de S. AnISo, no dia 24 de dezembro de 1848, um es-
cravo de oome Manuel, cnoulo, natural do serlilo
Sirid, tem os signaes seguidles: lio, bom corpo,
andar um pouco balanjado, cor Tula, cabellp pou-
1-0 carapinho, barbado, temas maceas um ponco sali-
entes, denles limados,,
do p6 tem urna cicatriz,'
enlc d um talho, e su
do lado opposto junto
vintee tantos a trala
intitula-se por cabra,
me mudado, e dizend
hender lera a~gratiliea
1 regulares, nopeilo
-se ler sido proveni-
fqj|e as costas da mao
oulra, idade
rhetorico,
la de no-
a appre-
ia do Dr.
a casa ter-
por execu-
No dia 2 de junho
jota da civel da primeir
rea oro sonto, att na ri.
fio de Jos Moreira da Silva, cootra THanoel Aulcro
de Souza Reis, coja casa foi avallada por 70()000 rs.
e a execurao corre pelo carloriWb escrivo Cunta.
Desappareceu do sitio onde mora o Sr. Miguel
Bryan, no Monteiro, um cavallo russo lirado a pe-
drea, pequeo,' bastante sellado, teodo urna ferida
no beieo superior: gratifica-se Bem a quem o levar
no mesmo silio. ou na cocheira do Sr. Pedro Al-
lain defronte do arsenal de marinha.
GALERA DE RETRATOS
OLEO E DAGERREOTTPO.
Cincinalo Mavignier, retratista e pensionista de S.
M. o Imperador, tendo feito ludo quanto est ao
seu alcance para desempenhar as obrgurOes de seu
ministerio, annuncio portanto ao respeitavel publi-
co'desta capital, que contina a Irabalharno seu'es-
lab||ecimen(o a contento das -pessoas que o honra-
rem. Oaulunciante propOe-se a fazer os retratos
de pessoas fallecidas, indo com a machina at ca-
sa de quem quizer possuir a' verdadeira semelhanca
do objecto finado: pode ser procurado lodos os dias
no seu estabelecimento, atrro|da Boa-Vjsla n. 82,
primeiro e segundo andares.
TTENCAff.
Traspassa-seoaluguelde nmacasanasCincoPonas
n. 83dealuguel-de 60000 rs., a quem comprar a arma-
rio que existe na dita casa que com ella tw'far todo
o negocio ;. esta casa oHerece muitas vantagens a
um rapaz que queira principiar, nao s por ser seu
aluguel milito barato, romo por ser em um dos me-
Ihores locaes desla ra; he muilo propria para
taberna, retinara ou deposito de fabrica lie charu-
tos etc., ele.: quem a pretender dirija-se 1 fabrica
de chapeos da ra Nova n. 52, a cntender-se com
Boaventura Jos de Castro Azevedo.
O abaixo assignado, faz sciente ao publico, e
principalmente aos seus devedores, tanto da prara,
como os de lora, que tem desta dala em dianle, en-
carregado ao Sr. Jos Xavier Faustino Ramos J-
nior, para agenciar todas as cobrancas de sua casa, e
mesmo autorisado a passar recibo a toda e qual-
quer quanlia que receber.
Firmiano Jos ludriguts Ferreira.
Precisa-se contratar por einpreita-
da, aconstruccao de urna coberta de te-
llia, sobre pilares de t'fjolo ou columnas de
ferro, em um terreno murado., na ra de
Santa Rita prximo a* Ribeira.pertencen.-
te a' com pan hia brasileira de paquetes de
vapor: quem estive*)bas circumstancias
de fazer este contrato -com as necessarias
garantas, queira apresentar sua proposta
AA V. 4-^^ J ^- A t_ __^--_ J-J _I 1* J
com
com
. C. STARR & C.
respeitosamente annunciam que no sen extenso es
labelecimento em Santo Amaro, continua a fabricar
com a maior perfeirao e promptidao,toda a qualidade
de marhinisinji para o uso da agricultura, navega-
Cao e manufactura, e que para maior commodo de
seusinumerosos freguezes e do publico em geral, lem
oerto em um dos grandes annazens do Sr. Mesqui-
u na roa do Brum, atraz do arsenal de marinha.
DEPOSITO DE MACHINAS
conttrnidas no dito sea estabelecimento. *
AUi acharao os compradores um completo sorti-
mento de moendas de janna, com todos os melho-
ramenlos(alguns delles novos eoriginaes) de que a
experiencia de mmtos annos tem mostrado a neces-
sidade. Machinas de vapor de baixa e alta pressao,
taixas de lodo tamanno, tanto batidas como fundidas,
carros de mo e dilos para conduzir formas de assu-
car, machinas para moer mandioca, preusas para di-
to, tornos de ferro batido para farinha, arados de
aerro da mais approvada conslruccao, fundos para
alambiques, critos e portas para fornallaas, e urna
infinidade de abras de ferro, que seria enfadoubo
enumerar. No mesmo deposito existe ama pessoa
inlelligente e babililada para receber todas as en-
roromemtas, etc., He., que os annunriaiiles conlau-
do coro a capacidade de suas ofliriuas e machinismo,
r pericia de seos ofliciaes, n- rompfomettem a fa
rxeealar, coro a maior presteza, perfeirao, e exacta
conlormidnde com os modelos ou descuhos, e iustrnc-
joei que Ihe fotenl fornwidis.
t toda a bre'vidade ao agente da dita
tpanhia: na ra do Trapiche n. 40 sf-
gunclo andar, aonde tambem se dar'
qualquer esclarecimento.
GALLERA DE RETRATOS A
CHRYSTALOTYPO.
O artista abaixo assignado, convida o respeitavel
publico a visitar o seu estabelecimento sortido de
esplendidos quadros e riqusimas caixas, e outros
opjectos, chegados prximamente da America do
Norte: no aterro da Boa-Vista n. 4, lerceiro andar.
Joaquim Jos' Pacheco.
J. Jane dentista,
contina rezidir na ra Nova, primeiro andar n. 19.
Attencao.
O abaixo assignado participa aos sena amigos e fre-
guezes, que acaba de estabelecer a sua casa de bar-
beiro na ra estreila do Rosario n. 6, aonde sempre
prompto o achario a exercer a sua arte com a per-
reijo costumada.Antonio Rodrigues da Costa.
' Roga-se ao Sr. Francisco de Paula Cordejro,
morador na povoacao do Pilar de Ilamarac, que
lenba a boudade de apparecer na ra'do Bangel n.
36, segunda andar, para se tratar da eulrega do ca-
sal de escravos de Manoel Gomes dos Reis.
Quem precisar de um porluguez para feitor de
algum sitio ou eugenho, dirija-se i ra do Hospicio
n. 15,
Precisa-se de urna ama que saib engommar c
coznar, para urna casa de'pouca familia, paga-se
bem: quem esliver nestas circumstancias dirija-se a
ra Augusta u. 17, casa da quina.
Precisa-se de urna mnlher de raeia idade, par-
da ou prela, queseja sizudpara servir a dona ho-
mens e um menino em um sitio no lugar da Casa
Forte : quem a isso se quizer prestar, dirija-se ;i ra
estrella do Rosario u. 28, primeiro andar.
Aluga-se urna sala com um gabinete, dous
quartos e cOzioha, para um rapaz solteiro: a procu-
rar na ra das Cruzes n. 20.
Precis-se de irma escrava para o servico de
urna casa de pouca familia : na roa do Hospicio 3
casa nova direila depois de passar o quarlel. ,
'Arrenda-se um sitio no llospcio,
tendo- casa com commodos para nella re-
sidir duas familias, casa para pretos, es-
tribarla para quatro cavallos, cacimba
com agua de bober, coqueiros, saputisei-
ros, larangeiras, mangueiras e outras ar-
yores de frutos, baixa para capim, com
proporrao de conservar dois cavallos a
comer animalmente com fartura; arren-
da-se por um ou mais annos, e com as
precisas garantas para seguranca do ar-
rendamento: a tratar com Antonio da
Cunha Soares Guimaraes na ma da Ca-
deia de Santo Antonio casa n. 9# das 9
horas da manhaa as' 4 da tarde.
Em a cidade de Olinda, sobrado defronte da
Se. ensina-se a Doulrina Chrislaa,' ler, escrever,
anlhn.elica e grammatica nacional: assevera-stque
I ha esmero nodesempedho de deverts.
-- Manoel Jos da Fouceca Marta, subdiio brasi-
leiro, irelira-se para a Europa tratar de suafjsaude.
OHercce-se um Porluguez sadio para feitor de
qualquer sitio fora desla prara ou mesmo para qual-
quer oulro serviro, menos de enxada : na ra das
Innrheiraa 11. 36, loja do sobrado onde mora o Dr.
Manoel Jos Pereira de Mello.
Lava-se e emgomma-se com perfeirao, e preco
commodo, a contento das pessoas que se quizerem
ulilisar do seu presumo : dirija-se i ra do Mundo
^ovo ao entrar pelo pateo do Hospital n. 32, casa
Desappareceu no dia 30 do rorrele ama ne-
gra erioula de nome Lutaa.alta. gorda etem a barri-
ga bastante grande, e quaudo falla gagueja, represen-
ta ter 28 anuos; levou vestido de chita com pintas
encarnadas ja desbotado, e camisa de madapoln e
panno da Costa, novo, suppOe-se que fugio para o Ci-
quiii para casa da senhora que a creou ; roga-se. por
taulo a quem a pegar de a levar na ra da Cadeia
do Recife n. 15, segundo andar, que se recompen-
sara generosamente.
Aluga-se o priaaeiro andar do sobrado da roa
do Vigario n.5, propilo para morada de familia, ou
para um grande escriptorio ; tratar na mesma ru
n. 7.
Roga-se a algum dos senhores ourives.que te-
nha comprado nm cordSo de ouro, nao de lei com o
pezo de quatro oilavase amquarlo. emendado cora
linha em diversas parles, d-se o mesmo por quanto
Toi vendido ; podendo levar a roa fu Cadeia do Ke-
cife n. 24, ou na Soledade, na casafdaSr. Vieira.
Tnl!? ImPeriil1 "167- lira quem d 30j>
ou 40J000 rs. a premio sobre nm preto canoeiro.
O abaixo assignado faz sciente ao publica, que
lem vendido' nesladata, livree dcsembaracada.a sua
taberna sita na ra da Senzala Velha n. 15, aos Srs.
Braudao & Cruz.Josc Joaquim da Cunha.
Boaventura Jos de Castro Azevedo, estabele-
cido com fabrica de chapeos na ra Nova n. o2,jun-
lo i casa da illustrissima cmara muuicipal, lem a
salisfajiio de annunciar ao respeitavel publico desta
cidade, que comprou em lcilao um grande sorlimen-
to de chapeos, miudezag e calcados de lodas as qua-
lidades, e queos esl vendendo como diminuto lu-
cro de tres por cenlo ; e como julga islo urna gran-
de pechincha, que nao deve passar desapercibida,
convida ao mesmo publico, c especialmente aos seus
reguezes e amigos, para quevenham ao seu estabe-
Iecimeulo munidos de dinheiro, prver-se dosobjec-
tos cima mencionados, e de outros muilo* que nito
menciona, para nao toruar-se fastidioso ; mas espera
que a visla delles, edo prero commodo o freguez ha
de decidir-se a compra-Ios.
; O Sr. oapitao Francisco Xavier Car-
neiroLins, morador no Cachanga', quei-
ra dingir-se ao segundeo andar do sobrado
da praca da Boa-Vista que volta para a
ra do Aragao, a negocio de interesse.
Maria dos Prazeres, brasileira, relira-se para
fra do imperio.
_ Quem annunciou precisar de um preto para
vigiar e Irabalhar em um silio, procure no pateo do
Carino, taberna o. 1, que achara.
LOTERA DO RIO DE JANEIRO.
Espera-se a todo o momento o va-
por ulmpcratriz, e novamente declara-
mos, que logo que fi/.er signa! se lacrara'
0 que restar por vender, da lotera quinta
da Gloria, porque se o vapor nao ti ver
transferido, de'maneira qfte. possa trazer
as listas geraes, trara' ao menos imprete-
rivelmente a noticia dos maiores premios,
por isso que o vapor estava annunciado
para as 3 horas da tarde, e a loteria cor-
a nesse mesmojdia.
Contina-se a dar dinheiro a juros sob penho-
resde prata e ouro,.na ra da tiloria n. 67: na mes-
ma casa avisa-se ao Sr. J. T. A., a Sra. I). A.... e
oatros que leem penhores vencidos, de os virein res-
galar no praso de 4 dias, lindos os quaes serio os
mesmos vendidos p&ra pagamento du principal e
juros, e nao se admitlir depois desse dia qualquer
reclamadlo sobre os mesmos.
- O Sr. j; F. C. B. morador no Limoeiro. tenba
a bondade de mandar rescatar osjjeidiore* de ouro
que deixoa em poder da abaixo asonada, pela quan-
lia de 1509000 rs. e seus joros, constante do docu-
mento qoe pawou, visto estar vencido o prazo estipu-
lado desde23 de novembro de 1853, ruando euteji-
dido de que, se o nao lizer dentro de 15 dias contados
da dala deste, serio vendidos os mesmos penhores
para pagamento da abaixo assignada, segundo a
clausula consignada no dito documento.liedle 27
de maio de 1854. -
^nna Maria Theodora Pereira Durao.
ODerece-se para ama de casa de homem soltei-
ro ou de pouca familia, urna mnlher capaz de e.ncar-
regar-se de lodo o servico interno de urna cfca ; na
ra de Uorlas n. 49, loja.
Arrenda-se um engenho d'agua, situado a urna
legua e meia desta cidade, com porlo de embarque e
proporrfles para safrejar 1,500 pies annuaes, lendo
alm dislo excellentes baixas para capim, boa borla,
ptima casi de vivenda, e lodas as mais obrase nOi-
cias de alvenaria, e em perfeito estado de conserva-
do ; negocia-se tambem a safra pendente, alguns
boi* e vaccas, quartos, carinas e carrora-, ludo novo
on em bom. uso : os pretendentes dirijam-se ao Sr.
Ignacio Francisco Cabral Canlanil.
O caulelisla SalusUano de Aquino Ferreira dei-
xou de vender cautelas das loteras do Bio de Janei-
ro desde dezembro de 1853, e tem marcado'o prazo
deum anno que se ha de lindar no dia 27 de maio de
1855 para a liquidado das referidas cautelas que an-
da existem por pagar.
GABINETE PORTliGlEZ DE LEITRA.
Por nrdem da directora convoca-se extraordina-
riamente 1 assembla geral dos senhores accionistas,
para domingo 4 de junho, pelas 11 horas do dia.
Aluga-se a casa terrea do Mondego n. 99, com
muilo bous commodos para grande familia : a tratar
na ra Nova n. 53,-boUca.
Precisa-se de 2 a 3 coutos de ris, a premio de
1 % ao mez, e pelo lempo de 4 a 6 annos; aceitam-
se leltras e d-se as garantas que forera exigidas,
excepto penhores de prala e ouro : quem quizer ef-
fectuar semelhante negocio, annuncie para ser .pro-
curado.
Na ra deS. Francisco sobrado n. 8, precisa-se
alugar urna preta escrava para fazer o servico de urna
casa de ponca familia,, com prefereucia saliendo lea-
lar de urna crianza, pagando-se at 12SJ000 rs. men-
saes : quem a tiver dirija-se ao mesmo sobrado.
Precisa-se de nma ama para o servico interno
e externo de una casa de homem solteiro : quem
pretender dirija-se a pra^a da Independencia n. 34,
que se dir quem precisa.
Aluga-se urna casa terrea com muilo bous com-
modos para urna grande familia, sita na' ra da U-
uio, oa Boa-Vista : a tratar na ra da Aurora n.
26, primeiro andar.
Aluga-se ama casa terrea na ra do Sebo 11.
54, por 98000 rs. mensaes : a Iralar na ra da Au-
rora n. 26, primeiro andar.
COMPRAS.
Compra-se prata brasileira e bespa-
nhola : na ra da Cadeia do Recife n-
24, loja de cambio.
Compra-se urna cabra (bicho) que d bom lei-
te e em quanlidade : n ru Nova n. 11, loja.
Compram-se cllectivamente cobre,
latao e bronze velho : na fundicao de fer-
ro da ruado Brum n. 6, 8 e 10, passan-
do o chafariz.
Compra-se eucetivameute bronze, lati e co-
bre velho: no deposito da fundirao o'Auror, na
ra du Brum, logo na entrada n. 28, e na mesma
fundirao em S. Amaro.
Compram-se escravos de 10 a 20 annos de am-
bos os sexos, para so exportar, e paga-se bem : na
ra Direita n. 66.
Na roa do Qoeimado n. 9, compra-se urna ba-
lanza de pedestal, propria para botica.
VENDAS.
os gneros
ATTENCAO'.
Na ra Direita n. 19, ha para vender
seguinlcs:
Manleiga ingleza superior. 560 i
Ameodoas descascadas. ,, 320
Bolachinhas de aramia em latas de (i 5300
Hila ingleza. 240 d
Talherim, macarrSo e aletria. 280
Cha Insson muilo superior. 29240
Dito hrasilciro. 19501) 11
Espcrmacele a 9000 720
Viuho do Porto engarrafado (sem casco). 640
Dito de Lisboa.
Toucioho de Lisboa.
Tijollo de limpar laceas.
Faltaba de araruta.
De tapioca.

400
400
140
200
140 i>
Todos estes gneros se responde pelas qualidades
Palitos Trancezes.
Vendem-sc palitos trancezes d brim de li-
nho a 39OOU, ditos braneo* d brelanha a 40,
dilos de alpaca prela e de cores a 80000. dilos
de panno lino venje escuro e preto a 149, I69
e I89OOO, ludo da ultima muda o bem araba-
dos : na ra .Nova, loja de fazeudas n. 16, de
Jos Luiz Pereira & Filbo.
0 Dr. Sabino Olegario Ludgero Pinho mu- @
i dnu-se para o palacete da ra de S. Francisco $
1 (mundo novo) a. 68 A. A
Attencao.
, Jos tioucalves Braga, faz sciente a todos os
; seus freguezes e mais pessoasquedo seu pres-
j timo se quizerem utilisar, que mudou o seu
1 estabelecimento de barbeiro para o primeiro
! andar, aonde sempre o encontraran prompto
para os servir, assim como tambem oflerece
muilo boas bichas de Hamburgo, mais baratas
do que em oulra qualquer parte : na ra da
; Cruz primeiro andar n. 48. defronle da mes-
ma loja.
CHITAS BARATAS. .
Veudein-se chitas de cures lixas, padrOes claros e
escin-os a 120,110,160, 180 e 200 rs. o covado, dn-
dose amostras com peulior : na ra Nova, luja n.
16, de Jos Luiz Pereira & Filho.
VESTIDOS BARATOS.'
Veiideni-se corle (le vestido* de cambraia de j>ar-
ra a 39000, dilos de 1 a 5 babadus a 49, 49500 e 59,
castas IVaucezas de cores lixas e bonitos padroesa 360
a >ara, 01 tes de dila a 29 e 29500, dilos de barra e
baadoscout 11 1|2 varas a 59000, ditos de cambraia
Ue seda a 129000, dilos de la escoceza, fazeuda no-
va e de goslo, com 14 covados a I19OOO, e outras fa-
zeudas de goslo que s veudein barato, daudo-se
amostras com peulior; na ra Nova, luja de fazeu-
das n. 16, de Jos Luiz Pereira i Filho.
ROMEIRAS CAPOTTNHOS.
Vendem-sc rumeiras de cambraia e tilo bordado a
39OOO, capoliuhos de'cambraia bem enleilados a 69,
dilos de seda prelos e de cures a 129 o 159000 rs.;
na ra Nova, loja n. 16, de Jo.-e Luiz Pereira
Filho. *
Vendem-se 6 cadeiras dfc Jacaranda e 2 ban-
quinhas'de pao d'oleo, em bom usu : na; ra de Jau-
la Rita, casa delrouie da u. de 54.
Lei te puto.
Vende-se leil lao puro comu sabe do peilo da
vacca, a 200 rs. agarrafa ; e para, que em caniiqbo
os portadores nao pussam deilar agua, ubriga-se'o
veudedur a maudar em tlandres separados e tranca-
dos com cadeadus de leltras, para as freguezias que
furem de duas garrafas para cuna, sendo eulregue o
leile sempre muilo cedo : quem quizer, dirija-se ao
aterrada Boa-Vista, taberna u. .Si, oude poder dei-
xar o nome da ra e uumero da casa em que murar,
assim como a quanlidade de leile que precisar, e no
da seguinla lera leile puro.
Vende-se urna taberna na ra das Aguas-Ver-
des 11. 48, muilo afreguezada para a Ierra, com 01
fundos a vonlade do comprador; tazendo-se lodo o
negocio, e se preciso fr vende-se a armaran semen-
t, por causa, de iu Ingas.
Vende-se com cavalios ou sem elles um
carro de 4 rodas com 6 asientos, multo
forte e com pouco uso, e um idbury em
liom estado : a fallar* ua praca da Inde-
pendencia n. 18 e 20.
Vcude-se para liquidar jo urna das melboresc
mais acreditadas tabernas da ra do Collegio, propria
para um priucipihiile por se fazer vaulageus que cer-
tamente agradarfio ao comprador: a tratar na ra do
Amorim n. 48, armazem de Paula & Sanios.
Bichas de Hamburgo.
No auligo deposito das biclias d Hamburgo, ra
estrella do Rosario u. 11, vendem-se as memores bi-
chas de Hamburgo aos ceios e a relalho, e tambem
se alugam por menos du que em oulra qualquer
parle.
Vende-se sola muilo boa, da nielhor que ha
no mercado, em pequea e grandes porches, pellos
de cabra e esleirs de pallia de carnauba, chegado
ludo ltimamente do Aracalv: na ra da Cadeia du
Recife u. 19, primeiro andar.
Cera de carnauba.
Vande-se cera d carnauba du Aracalv: na ra
da Cadeia dn Recife n. 49, primeiro andar'
KELOGIOS INGLEZES DE PATENTE :
vendem-se por-preco commodo : em casa
de Barroca & Castro, na ra da Cadeia do
Recife n. 4.
Vende-se rap de Lisboa, chegado ltimamen-
te, em frascos a 39500 rs.: na ra do Crespo,loja ama-
relia 11.4.
Vende-se" chocolate de Paris, o me-
lhor que tem apparecido at boje neste
mercado, por preco commodo : na rita
da'Cruz n. 'ti, primeiro aatdar.
Precisa-se de urna ama de leite que lenha bas-
tante leile e que seja sadia : na ra do Amorim
11.25.
AO PUBLICO.
No armazem de fazendas bara-
tas, ra do Collegio n. 2,
vende-se um completo sortimento
de fazendas, linas e grossas, por
precos mais baixos do que em ou-
tra qualquer parte, tanto em por-
c6es, como a retalho, amanendo-
se aos compradores um s preep
para todos : este estabelecimento
ahrio-se de combinacao com a
maior parte das casas commerciaes
inglezas, francezas, allemaas e suis-
sas, para vender fazendas mais em
conta do que se tem vendido, epor
isto offerecendo elle maiores van-
I' tagens do que outro qualquer ; o
proprietano deste importante es-
talfelecimento convida a' todos os
j. seus patricios, e ao publico em ge-
ral, para que venham (a' bem dos
seus interesses) comprar fazendas
baratas, no armazem da ra do
Collegio n. 2, de
Antonio Luiz dos Santos & Rolim.
Casa da afericao, na ra das Aguas-
Verdes n. 25.
O aferidor participa, que a revsilo leve principio
no dia 1" de abril correte, a linalisar-se nn dia 30
de junho prximo futuro: segundo o disposlo no
art. 14 do regiment municipal.
, Paulo Gaignou, dentista,
pode ser procurado a qualquer hora em sua casa
na ra larga do Rosario 11. 36, segundo andar.
v"iV" .7'"'"' "'a'wwwew"iw
*s> i ur. 1 nomassin, medico francez, da ron- @
sullas todos usdias uteis, das 9 horas dn ma- tt
S nhaa al o meo dia. em sua casa ra da Ca- 6
"* deia de Santo Antonio n. 7. A
Precisa-sc de urna preta escrava, que cozinhe e
faca o mais servico de urna casa de pequea familia,
naga-sebera: a tratar na roa da Cadeia do Recie
p. 23. *
Quem precisar de um pequfrV3j|om pratica de
taberna: Irale na ra da Cadoti/jo Rkcifc n. 23.
MADAME MILLOCUAU BUESSARD.
Modista franceza, aterro da Boa-Vista n. 1.
Aisa s suas freguezes, que pelo navio Fernam-
buco, Ihe chegou um grande sorlimento de objectos
de modas de Pars, como sejam: chapeos de seda, e
de palha para senhoras /manleleles, ricos toucados,
e enfeiles para bailes 'visitas; vestidos de blondc e
de bico para noivas; camisinhas de bico* e de cassa
lina bordadas de yonlo inglez, manguitos dito ;Vo-
meiras de bico, oaracesde bico, liras bordadas de
ponto inglez ;-filia bordados e lisos, bicus de linho c
,t"'la>aJ)>aTli>? ,|B bico r""> Para caberas ; bicus de
'"vliranco Prelu- 8 '''iodao um'r,"|d> sortimento de flores linas
Para todi^^iusos; esparlilhos, luvas de joiivin, li-
las de seda Vende-se no paleo do Carmo, liberna n. 1, um
escravo, crioulo, de idade 25 a 26 aunos, bonita fi-
gura, proprio para todo o servico.
Vende-se superior, kirechs e abscin-
tlie : na ra da Cruz n. 26, primeiro
andar.
Vendem-se 3 moradas de casas ter-
reas cm Olinda. urna na ra do Coixo,
oura naf ra do Carmo, e outra na ra
da praia de S. Francisco: a fallar no
aterro da Boa-Vista n. lo.
Para senhora.
Vendem-se superiores e modernos chapeos de se-
da para senhoras, chegados recenlemente : na praca
da Independencia 11. 24 a 30.
Toda attencao aos precos do novo sorti-
mento de fazendas baratas, na ra do
Crespo lado do norte loja n. 14, de
Dias & Lemos.
Vende-se alpaca prela, fazeuda de duas largaras
pelo baralissimo preco de 400 rs. cada covado, dita
muilo mais fina com lastre a 680 rs. o covado, sarja
de laa prela de superior qualidade por ser muilo en-
corpada a 520 rs. o covado, chitas escuras de b.ons
pannos e cores li va-* a 160 rs. o covado, ditas aara'go-
ranas escuras e outras mais cores com novos dese-
nlies a 18 rs. o coyado, as verdadeiras bretanhas
de rolo muilo encorpadas a 1Q800 rs. a peca, peci-
nhas de brelanha de linho fazenda muilo lina a
33300 rs. cada urna, corles de meia casemira escura
de quadros e listras a 18500 rs. o corte, .ditos de
brim de quadrinhos iniudos fazerfda de bom gosto a
19140 rs. cada corte, riscadioho de linho e listras
miudinhas a 200 rs. o covado, os verdadeiros cober-
loresde lgodo branco da fabrica de Todos os San-
da Baha a 5G0, e grandes a 640 rs. cada um: as-
sim como mais outras fazendas por menos precu do
que em outra qualquer parle, sendo a dinheiro
vista.
Vendem-se as casas terreas n. "2 da ra de
Santa Rila, e n. 67 da do Jardiin ou Copiares: na
na Direita 11. 40, segundo andar.
Chumbo.
Vende-se cliurrAo cm barra e lencol : no arma-
zem de Eduardo II.- Wvalt, ra do Trapiche Novo
n. 18.
Vende-se nma canoa de carreira, nova, de ama-
relio, interica, com embonos, pintada e prompla :
no fim d ra da Concordia, no estaleiro de carpin-
teiro, a fallar com u Sr. Jos Carvalho da Funseca.
, Veode-se'uraa mobilia de Jacaranda, conteodo
um sof, urna banca de mfio de sala, urna duza de
cadeiras, urna cadeira d nalancn.dous cunsolos com
pedra, dous espelhos, ama baoquinha, um candieiro,
dous pares de lanteroas: na ra da Sania Cruz 11. 30,
se dir quem vende.
Vende-se um cabriole! rom sua competente
coberta earreios, ludo quasi novo ; assim como 2
cavallos do mesmo j ensillados e mansos : para ver,
na cocheira do Pedro ao p do arsenal de marinha, e
para tratar, na roa do Trapiche Novo n. 14, primei-
"ro andar.
CHAPEOS A 6$000. R|
SuperioVes chapeos de JSm^.
seda francezes, modernos, pelo barato
preep de G$000_:' na loja e fabrica de
chapeos de Joaquim de Oliveira Mai'a,
na praca da Independencia n. 24 a 50.
Bordados a ouro para os Illms- Srs.
acadmicos.
Vendem-se ricas gorras de velludo bordadas aonro
fino, por preco muito barato a vista da sua boa qn
lidade: na prara da Independencia, loja e fabri
de chapeos de Joaquim de Oliveira Maia.
em Fura de Portas ra
Vende-se um bom cozinheiro e de boa conduc-
ta, assim como duas escravas moras : na ra Direila
u, 66.
Vendem-se 4 escravos, 1 mualo de 20 annos,
1 moleque de 17 annos, 1 preta lavadeira e engom-
madeira, 1 prelo de 40 annos e 30 travs de pao dar-
co : na roa larga do Rosario n. 25.
Vade-mecum dos homeopathas ou
oDr. Heringtraduzidoem por- (A
tugue/.. f*
Acha-se a venda esla imporlantissima o- '
bra do Dr. liering no consultorio homcro-
palhiro do Dr. Lobo Moscoso rna do Colle-
gio 11. 25, 1 andar.
650
Vendem-se na ra da Mangueira n. 5,
650 tijolosdemarmore; baratos eem bom
estado. ,
0 POTASSA BRASILEIRA.
(^ Vende-se superior potassa, fa-
f^, bricada no Rio de Janeiro, che-
gada recentemente, recommen-
da-se aos senhores de engenh os
seus bous efeitos ja' experimen-
tados : na ra da Cruz n. 20, ar-
mazem de L. Leconte Feron &
Companhia.
&
a-
fabrica
Vende-se urna escrava
do Pilar o. 103.
' LOTERA DO RIO DE JANEIRO.
Aos 20:000$000. >
Na casa feliz dos quatro cantos da ra do Queima-
do n. 20, estao venda os felizes bilheles, meios em
cautelas, quartos, bitavos e vigsimos do acreditado
Vendem-se relogios de ouro e prata, mais
barato de que em qualquer outra parte :
na praca da Independencia n. 18 e 20.
Chapeos pretos francezes
a carij, os melhores e de forma mais elegante que
lem viudo, oatros de diversas qualidades por me-
nos prego qoe em oulra parle : na ra da Cadeia do
Recife, n. 17.
Beponto da fabrica de Todo* o* Santo* na Baha.
Vende-se, em casa de N. O. Bieber &
da Cruz n. 4, algodao trancado d'aqu'
muilo proprio para saceos de assucar e roupa
cravos, por prego commodo.
Vendem-se em casa de Me. Calmont & Com-
panhia, na praca do Corpo Santn. 11, o seguinte:
vinho de Marseilleem caixas de 3 a 6 duzias, lindas
em nvellos ecarreteis, breu em barricas muito
grandes,'aro de milao sortido. ferro inglez.
AGENCIA
Da Fundicao'. Low-Moor. Ra da
Senzala nova n. 42.
Neste estabelecimento continua a ha-
ver um completo sortimento de moen-
das e nietas moendas para engenho, ma-
chinas de vapor, e taixas de ferro batido
e coado, de todos os tamauhos, para
dito.
AOS SENHORES DE ENGENHO.
O arcano da invencao' do Dr. Eduar-
do Stolle em Berln, empregado as co-
lonias inglezas e hollandezas, com gran-
de vantagem para o melboramento do
assucar, acha-se a venda, em latas de 10
libras, junto com o. met iodo de empre-
ga-lo no idioma portuguez, .em casa de
N. O. Bieber & Companhia, na ra da
Cruz, n. 4.
Vepde-*e um carro de roo bem seguro, por
preco commodo : na ra dos Cuararapes n. 36.
Vende-se um.eicellente carriuho de 4 rodas'
mu bem construido, embonvestado; est exposto na
ra do Aragao, casa do Sr. Nesme n. 6, onde podem
os prelendenles examina-lo, e tratar do ajuste eom
o mesmo senhor cima, 00 na na da Cruz oo-Recifa
o. 27, armazem.
SEMENTES NOVAS.
Vendemrso. no armazem de Antonio
Francisco Martins, na ra da hCtuz n. 62,
as melhores semientes recentemente ebega-"
das de Lisboa na barca portUgueza Mar-
garida, como sejam t epuve trunchada,
monvarda, saboia, fej56 carrapato de
duas qualidades, ervilha torta direita,
coentro, salsa, nabos e rabbnetes "de todas
as qualidades.
PLITO'S DE ALPACA FRANCEZES.
Grande sortimento de palitos de alpaca e de brim:
na ra do Collegio n. 4, e na roa da Cadeia do Reci-
fe n. 17 ; vendem-se por preco muilo commodo. '
Moinhos de vento
'ombombasderepuxopara regar horfaso baital
de capim. na fundicao de D. W.Bowman : na ra
do Brum ns. 6,8 e 10.
VINHO DO PORTO MUITO FINO.
Vende-se superior vinho do Porto, em
barrisde4., 5* e 8. : no armazem da ra
do Azeite de Peixe n. 14, ou tratar no
escriptorio de Novaes 4 Companhia,1 na
ra do Trapichen. 34.
Padarta.
Vende-se urna padaria muito afreguezada: a Iralar
com Tasso & Irma os.
Aos senhores.de engenho.
Coberares escoros de algodao a 800 rs.; ditos miji-
to grandes e encorpadoS a 1J400: na roa do Crespo,
loja Devoto Chcistao.
Sabio a Inz a 2. edicSo do livrinhodeoomihado
voto Christao.mais correcto e acrescentado: vende-
toicameate na livraria n. 6 e 8 -da praca oa In-
dependencia a 640 rs. cada exemplar.
. Redes acolclioadas,
brancas e de cores de nm s panno, muilo grandes e
de bom goslo : vendem-se na rna do Crespo, loja da
esquina que volta para a cadeia.
M COKSILTORIO HOMEOPATHICO
v DR. P A. LOBO 10SC0Z0.
Vende-se a melhor de todas as obras de medicina
""'"opalhica ts&- O NOVO MANUAL DO DR.
JA1IR _S tradnzido em portugnez pelo Dr.P.
A.LoboMoscozo, cociendo um accreseime de im-
portantes explicaroes sobr* a applicacjo das dses, a
dieta; etc., etc. pelo traductor : quatro volantes en-
cadernados em dous 20g000
Diccionario dos termos de medicina, cirurgia, ana-
toma, pharmacia, ele. pelo Dr. Moscozo: eoeader-
nado 49OOQ
Urna carteira de 2i medicamentos com dous fras-
cos de linduras indispensaveis ^ 409600
liDila de 36......... 45a000
Dila, de 48.........509000'
Urna de HOtuboscom 6 frascos detincluras. 608000
Dita de 144 oora 6 ditos...... iGOtfOO
' Cada carteira he acompanhada de um exemplar
das duas obras cima mencionadas.
caulelisla Faria quinta lotera da nova freguezia de N. S. da Gloria,
cuja lisia deve vir no dia 30 pelo vapor brasileira,
Arados americanos.
Vendem-se arados americanos chegados ni-
limameale dos Estados-Unidos, pelo barato
prero.de 40SO00 rs. cada um : na ra do Tra-
piche n. 8.
FARINHA l)E MANDIOCA.
Vende-se a melhor farinha de mandioca
3 que ha no mercado, a bordo do brigue nacio-
K nal Inca, e da escuna Zeloza chegada de S.
Calharina para por(0es, no que se fari aba-
R leem pre;o': Irata-se com os consignatarios
lS andar. lis
[ N. B. Para maior vantagem dos comprado--
2J res< pdem dirieir-se au Forte do Mallos e
g junto ao trapiche do algodao chamar para
jRl>oio'oquej . Vende-se nm mulatinhode 16 a 18 annos de
idade, proprio para qualquer servico ; d-se em con-
ta por haver precjsao de dinheiro: no becco Largo
u. 1, lerceiro andar.
NO ARMAZEM DE CJ.ASTLEY
EGOlPAKHl., RA DO TRAPICHE R 3,
ha para vender o seguinte :
Cal branca franceza.
Folha de Flandres.
Estnhoem barra.
Cobrede28-e30.
Azeite de Colza. -
Oleo de linhaca em latas de 5 gales.
Champagne,; marca-A. C.
Oleados para mesas. .
Tapetes de laa para forro desalas.
Formas de folha de.ferro, pintadas, para
fabrica deassucar.
Ac de 'MilSo sortido.
Lonas da Russia.
Lazarinas ca vinotes.
Papel de .paquete, inglez.
Brim de vela, da Russia.
Graxa ingleza de Vrniz para arreios.
'Arreios para um e dous cavallos, guarae-
cidoA^de prata e de latao
Chicople lampeoes para carro e cabriolet.
Couros de viado de lustre para cobertas.
Cabecadas para montara, para senhora.
Esporas de aro prateado.
>'a ra Imperial n. 167, veude-se bom fumo da.
Ierra para charutos, assim como da Balda de supe-
rior qualidade.
Vendem-se foges americanos chegados ltima-
mente dos Estados-Unidos: na na do Trapiche
n. 8.- r
Capachos. ,
Vendem-sc os melhores capachos que leem viudo
a este mercado: na ra da Cadeia Velha, esquina da
Madre de lieos.
Veude-se um bom carro de quatro rodas, com
assento para 4pessoas, cum todos os seus pertences.
e tambem um cabriolet, rom coherda. e um bom ca-
vallo : trata-se -na ra do Trapiche u. 48.
Pianos. .
Os amadores da msica ai.ham continuadamente
em casa de Bruno Praeger & Companhia, rna da Cruz
n. 10, um grande sorlimento de pianos fortes e forles
pianos.de diflerentes modeltos, boa construccSo e bel-
fas vozes, que vendem por mdicos precos; ssim co-
mo toda a qualidade de instrumentos para msica,.
;Vende-se azeite de nal: o clarificado,
proprio para candieiros de mola por ser
muilo lin, a i'800rs. a medida: no t /\
mazem de C. J. Astley & C, ra dp^r"
piche n. 5. f^r&"
NEGOCIO VANTAJOSO PARA PRINCI-
PIANTE QUE TEM POUCO DINHEIRO.
Veude-se a contento, com alguma parle a crdito
com boas firmas, ou com qualquer objecto de valor,
urna das melhores loja de calcados luda envidrara-
da, muito afreguezada, e com surrageta de couros,
lia mu tos annos con hecida pelo centro desta cidade,
sita no meio darua do Livramento.inlitulada Estrel-
la 19 : s 117 surrauem de couros lem de lucro dia-
riamente li rs., fura as vendas do calcado, e pre-
paras para oflicina de sapaleiro, e ludo mais que
queiram por a venda : na mesma loja lem commodo
independenle para familia, com cozinha, bom quin-
tal cercado de algrele para plantar flores, boa
caeimba, e ao p um grande tanque para banho ; na
frente da loja una rotula deveneziana para recreio
nos domingos e dias, sanios, e gozar lodas as pro-
cissoes da quaresma ; lem enlra'da, e sahida que-
rendo por fora da loja; com ludo islo paga mensa-
mente 10& rs. E quereudo o sobrado de um andar
que flea por cima da mesma, ceder-se-ha no com-
prador da loja, ludo commodamenlee desembaraza-
do que nada deve a praca. O dono desfaz-se por*se
achar doeulc, e lem de retirar-se a tratar de sua
saude : quem pretender dirija-se mesma, que acha-
ra quein faca, todo negocio,
Navalhas a contento e tesouras.-
Na ra da Cadeia do Recife n. 48, primeiro an-
dar, escriptorio de Augnsto C. de Abreu, conlinn-
ain-sc a vender a 89000 rs. o par preco fizo) as j
bem condecidas e afamadas navalhas de barba feitas
pelo hbil fabricante que foi premiado na exposicAo
de Londres, as quaes alm de durarem extraordina-
riamente nao se seulem no rosto na acrio de cortar ;
vendem-se com a condico de, nao agradando, pode-
rem os. compradores dcvolve-las al 15 dias depois da
compra,, reslituindo-se o importe : na mesma casa
ha ricas lesoarinhas para'uuhas feitas pelo mesmo
fabricante.
OPtlMO VINQOIDE COLLARES,
era barris de 7 em pipa : no escriptorio de Augusto
C. de Abreu, na ra da Cadeia do llecife n. 48, pri-
ineiro audar.
. Acha-se a venda, ou a ser dado do
emprazamento por tempo de i 2 annos,
para se levantar nm engenho, conforme
as condicOes adoptadas pelos interessados,
urna porco de terreno, que se separou
do engenho Aldeia, da freguezia do' Rio
Formoso, e forma hoje por si s urna
propriedade distncta, com a denomina-
cao de Palmeira tendo meia legua
de fundo ou mais, e 650 bracas de fren-
te, poco mais ou menos, e confrontan-
com os engenhos Sipo, Cabera de Por-
| Paraizo e Floresta, sitos na mesma
freguezia. Assgura-se, que dita proprie-
dade Palmeira-:- ofPerecida ao neg
co indicado, alm de nao ter sido culti-
vada em tempo algum, em razan de icar
muito distante do engenho de que se des-
membro!, e conter em si grande e im-
portantissima mata-virgem, he de mais
amis de muito boa-qualidade, e tem
todas as proporroes para se tornar um
excellente engenho: a quem convier, se
dir' nesta typographia, onde deve d-
rigir-se.
SA PAI
Vicente Jos de lirito, nico agente em Pernam-
buco de* II. J. D. Sa'nds, chimico americano, faz pu-
blico que tem chegado a esta prac.a urna grande por-
jao de frascos de salsa parrilha de Sands, que sao
verdadeiramcnle falsificados, e preparados no Rio
midores de lio precioso talismn, de, cabir nesle
engao, tomando as funestas cemsequencias que
sempre costumam trazer os medicamentos falsifica-
dos e elaborados pela mao daquelles, que aulepoem
seus interesses aos males e estragos da bamanidade.
Portanto pede, para que o publico se possa Jivrar
desla fraude e distiogua a verdadeira salsa parrilha
de Sands da falsificada e recenlemente aqu chega-
da ; o annunciante faz ver que a verdadeira se ven-
de unicamente'emsua botica, na ra da Conceirao
do Recite n. 61 ; e, alm do receiluario qu aco'm-
panlia cada"frasco, lm embaixo da primeira pagina
seu> nome impressu, e se achara sua firma em ma-
nuscripto sobre o involtorio impresso do mesmo
freos.
. Na ra do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas mu-
sicas para piano, violao e flauta < como
sejam, quadrilhas, valsas,'redowas, scho-
tickes, modinhas, tudo modernissimo-,
chegado do Rio de Janeiro.
FARINHA DE TRIGO.
Vende-se no armazem de Tasso Irmi
Irigo de lodas as qualidades, que
cdo.
cima mencionadas.
Carleiras de 24 tubos pequeos para algi-
te'ra ............ 88000
Ditas de 48 dilos......... 16a000
Tubos avulsos de glbulos..... 18000
rseos de meia om;a de linctura .' 20000
H tambem para vender grande quanlidade de
tubos de cryslal muilo fino, vasios e de diversos u- v
manilos.
A superioridade destes medicamentos est hoje por
todos reconhecida, e por isso dispenso elogios.
N. B. Os senhores que assignaram ou compraran) -
obra do JAHR, antes de publicado o 4- volume, p-
dem mandar receber este, que ser entregue sera
augmento de preco.
Vende-se ama negra erioula de idade 92 annos,
bonita figura com liabilidade, e um moleque de 10
annos; o motivo por quete vende se' dir ao com-
prador: na ra Direita n. 29, junto a botica que fui
do Sr. Nery da Fonstca.
ATTENCAO'.
Na ra Direila n. 27, vende-se manleiga superior,
ingleza, a 500 rs., dita a 560, dita a 640, dita a 720, .
dila mais baua a 320 e a 400 rs., loicinho de Lisboa
a 360 e a 400 rs., cha hyssou a 8200, dito brasileiro
a 18600 e a 18500, gomma muito alva a 120 e a 140
a libra, espelmacelea 720e.800 rs.. milho a 160 e
180 a cuia, assucar refinado a 130, 120 e a 100 rs.,
cevada a 120 a libra, dita a 140.
ESCRAVOS FGIDO. '
Superior farinha de mandioca
JH Vende-se farinha de Santa Calharina muilo
nova, e de superior qualidade, por prero @
' commodo, a bordo da escuna ciZelosa ; para $p
J-5 pnrnics, irata-se no escriptorio da roa da Cruz
n. 40, primeiro audar.
\
Vendem-se espingardas francezas
de dous cannos fingindo tronxad, mui-
to bonitas, e por pre^o baratissimo : na
ra da Cruz n. 26, primeiro andar.
Vendem-se latas com o, 0 e 12 li-
bras de ameixas francezas de superior
qualidade: na ra da Cruz n. 26, primei-
ro andar.
Milho novo.
Vendem-sc saccas cora milho uovo, pelo barato
preco de 18000 rs. cada urna: na ra do Passeio Pu-
blico n.17.
Malas para viagem.
Cramlc sorlimento do todas as qualidades por pre-
co razoavel: na ra do Collegio n. 4.
DEPOSITO DE PANNO DE ALGODA'O
DA FABRICA DE TODOS OS SANT
NA BAJIIA.
o superior panno de algodao.
desla fabrica, proprio para saceos e roupa
de escravos : no escriptorio de Novaes &
Companhia, ra do Trapiche n- i, pri*
meiro andar.
Na rna do Vigario n. 19 primer
ra vender-se chapeos de castor bram
precu,
Vende-se um mulato de 23 aS4 annos de tda-
de, sapaleiro, e por preco commodo: na roa' de San-
la Rila n. 18.
Agenciado Estarla Kaw.
Na roa de Apollo n, 6, armazem de Me. Calmon
& Companhia, acha-se constantemente bons surli-
menlos de taixas d ferro coado e batido, tanto ra-
sa como fondas, moendas inetiras lodas de ferro pa-
ra animaes, asoa, etc., ditas para a rmar em madei-
ra de lodos os lamanhos e modelos os mais modernos,
machina horisontal para vapor cora" forra de
4 cavados, cocos, passadeiras de ferro eslanbado
Cara casa de purgar, por menos preco que os de co-
re, esco vens para navios, ferro da anecia, e fo-
1 has de flandres ; tudo por barato preco.
Vende-se urna negra de meia idade, por prec-
sao: no paleo do Terco n. 20 segundo andar, se di-
r quem vende.
Venderse bolachinhas de Hamburgo
em lalas, chegadas no tintine Olio: assim cumo
queijns londnnos e presuntos ipglezes vindos no
ultimo navio, e conservas porlugnezas :. no largo do
Corpo Santo n. 6, armazem de Palmeira & Bel-
tro.
Vende-se um prelo Hoco, de bonita figura, sa-
dio e sem vicios, cozinha e serve para qualquer ser-
viro : na ra da Cadeia Velha n. 45.
Vendem-se pregos americanos, em
barris, proprios para barricas de assu-
car, e alvaiade de zinco, superior quali-
dade, por precos commodos : na ra do
Trapiche Novo n. 16.
Na ra da Cadeia Velha n. 52, em casa de
Deane Yonle & Companhia,
vende-se um carro americano de i rodas ; pode ser
visto na cocheira de Poirrier, no aterro da Boa-Visla.
Vende-se um completo sorlimento. de fazenda
prelas, como : panno Uno preto a 39000, 48000
58000 e 63000, dito azul 38000, 48000 e 58000, ca-
semir prela a 28500, Mi i m prelo muilo superior ,
:!.jt)00 c 4*000 o covado, sarja preta hespanhola 28 e
2-3500 rs., setim lavradu proprio para vestidos de se-
nhora a 28600, muitas mais fazendas de muitas qua-
lidades, por preco c,ummodo : na ra do Crespo loja
Velas de carnauba.
Na ra da Cruz n. 15, segundo andar, vendem-se
velas de carnauba, puras c compostas, feilas no Ara-
calv, por menos pre^o do que em oulra qualquer
parle.
Vendem-se cobertores brancos de algodao gran-
des, a 18440; ditos de salpico tambem grandes, a
18280, ditos de salpico de tpele, a lj-00 : na' ra do
Crespo luja n. 6.
tacas para engenhos.
Na fuTOicao' de feryo de D. W.
Bowmann, na ra do 'Brum, passan-
do o chafariz continua haver um
completo sortimento de taixas de ferro
fundido e batido de 3 a 8 palmos de
bocea, as,quaes acham-se a venda, por
preco commodo e com promptidao' :
embarcam-se ou carregam-se em carro
sem despeza ao comprador.
Vendem-se cobertores de algodao grandes a 640
rs. o pequeos a 560 rs. : na ra do Crespo nume-
ro 12.
Deposito de vinho de cham
mgne Chateau-Ay, primeira
idade, de propriedade,
de Mareui 1, rua_jtra'/Cruz do He-
C|te n. JjftTeste vinho, o melhor
a champagne vende-
se a 56S000 rs: cada caxa, acha-
se nicamente emeasa de h. Le-
comte-Feron & Companhia. N. B.
As caixas sao marcadas a fogo
Conde de Marcuil e os rtulos
das garrafas sao azues.
Ausenlaram-se do Recife s 4 ) horas da ma-.
drugada de hontem, Ires escravos sendo o preto Jo-
s, estatura alta, idade mais de 30 annos, com falla
do olho esquerdo ; Joig, cor fula,, alto, de boa fi-
gura, idade 25 annos, ponco mais ou meuos, com
um pequeo talho em um dos cantos da bocea ; Luiz
amulatado, de boa estatura, de 25 a 30 annos, meio
aparvalhado, lodos crioulas Cilios do serlaO: leva-
ram urna pequea trouia de rodpa de sea uso cada
um, ha alguns dados de irem em companhia de om
i(ro Benedilo, escravo do Sr. tenente-coruoei Leal,
de terem seguido a estrada de Pao'd'Alho agrega-
dos a um comboyo que segla para alm d Pajeii:
pede-se pelo prsenle a quem iuteressar possa, a cap-
tura dos. mesmos trazf i.doros a ra de Apollo n. 12
armazem de Antonio Marques de Amorim, que ge-
nerosamente recompensara.
Anlonio, moleque, alio Jbem parecido, cor
avermelfiada, narjo congo, rosto comprido e barba-
do no queixo, Descoco gaosso, pea bem feilos, tendo
o dedo ndex da mao direita aleijado de um talho, e
por isso u traz sempre fechado, cora lodos os denles,
bem ladino, ofilcil de pedreiro e pescadqr, levou
roupa de algodao, e ama palliora 'para resguar-
d seduzido por alguem; desappareceu a 12 d maio
crrenle pelas 8 horas da manhaa, lendo obtido li-
cenca para levar para S. Antonio ama bandeija com
roupa: roga-se portanto a lodas as autoridades e ca-
pitaes de campo, hajam de u appreliender e leva-lo
a Anlonio Alves Barboza na rna de Apollo n. 30,
on em Fra de Portas na ra dos Guararapes, onde
se pagarao todas as despezas.
Fugio no dia 3 do correte, urna escrava eri-
oula de udme- Bemvinda, de estatura ordinaria, lem
bastantes marcas debecbigas noroslo; levou v&sfi-
do de chila desbolado: quem a pegar leve-a na roa .
do Queimado loja de fazendas n. 61, que ser re-'
compensa po.
Do lugar do Peres, desappareceu nanoile' do
dia 27 gara 28 do correte, um moleque de nome
Damio, crioulo, que foi do major Manoel Antonio
Viegas, e hoje perlcucente "ao bacharel Hetculano
Gon^nlves da Rocha, que o honve por compra, com
os signaes segunles: espigado e secco do corpo, mos%
e ps graudes, e quaudo auda bola os ps e joelhos
um pouco para dentro, bem preto. com, lodos os den-
tes, olhus grandes, na ponta do hombro orna costa-
ra de urna queda, representa ler de 16 a 18 an-
uos de idade, desappareceu com calca de casemira
de liitra ji usada, camisa, de madapoln nova e
chapeo de palha tambem novo, foi encontrado ao
amanhecer do dia 28 no engenho Giqui, e foi pe-
gado ainda por um soldado, i quem pode elle Ilu-
dir, e presume-se ler sido seduzido nesta praca, on-
de tem mili e irmos: .quem dellc tiver noticia ou o
appreh'ender, dirija-se a ra da Alegra casa u. 5,
que ser generosamente recompensado.
Desappareceu na madrugada de 22 de maio
deste anno, o escravo Manoel, por alcalina raaun-
za, por se fazer muilo moleirao, uaco Angola, idado
40 anuos pouco mais ou menos, alto, secco, levou
toda a roupa de seu uso, e entre ella urna camisa de
bsela encarnada muilo comprida e usada, traste es-
to que elle gosla muilo ueste lempo, tem mareas pe-
las rstelas que parece ser de facadas-c na caroco
abaivo do joelho, jalla muito descansado, e di-lbe ar
de riso; esle escravo foi do serlilo e aqui com-
prado a Domingos Alves dn Costa, suppe-se estar
por algum sitio na Boa-Vista, on t9r ido aggregado
a um dosdouscornbovos que nesse mesmodia sahiram
para o serla.- quem o pegar leve-o a Olinda, refina-
$ao de assucar no Varadouro, que ser generosa-
mente recompensado.
No dia 24 demarro do rorrele anno, fugio
do abaixo assignado o seu escravo de afio, de no-
me Sebastin, idade quarentae tantos annos, pouco
mais ou menos, alio, cheio do corpo, ponca barba
denles limados, pese mam grussas, auda e falla mui-
lu descansado; levou-camisa ft algodio trancado de
lisia azul, e calca de algodao Aaal trancado, cujo es-
cravo foi comprado Sra. 1). Marianna da Concei-
rao Pereira, c ha' toda certeza de andar na Boa-Via
gem, ouem S. Amaro de Jaboatao, donde ha pouco
chegou da dila fgida, tendo all se conservado oilo
mezes denlro dcquclla malla :- recommenda-se s
dignas' auloridades daquelle lugar, ^-eapttae de
campo a captura do mesmo.quejaeSogenerosamenle
reruni|)ensados na roa do CpeSpo n. 40.-^oc fm-
fdlres Malvexra.
10Q8000 rs.
Uesaonareteu no dia 30 de abril proimo passado.
onreWcnoulo de nome Amaro, que representa 30
tinos de idade, levou camisa de algodao tuda azul
e cal^a de algodao branco, he grosso do 'corpo at
os ps, e qnando anda d estallos as juntas: quem
o pegar leve-o ra do Apollo n. .26, ou oa ra da
Cruz n. 2.
Fugio no dia 25 do crreme o escravo crioulo
de noma Vicente com os signaes seguales, repr-
senla ter 30 annos,bem preto, olhos grandes, cam-
bado das pernas, he muito prosita : levou vestido
camisa de meia j rola, calca de riscadioho j saja
poriii he de suppor que mudasse de Irage, esle es-
cravo he propriedade do Sr. Paulo de Amorim Sal-
gado, senhor du eusenhu Cocal da freguezia de Una,
quem u pegar uu der uutiria na roa da Rosario lar-
ga n. 24 ou no dito engenho que ser bem recom-
penssado.
*----------------------------------->----------------------------------- -
Pera,Tjv, M. F, Parta.IM*.
I
.-


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