Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01561


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Full Text
'

ANNO XXX. N. 116.
Por 3 mezes adiantados 4,000
Por 3 mezes vencidos 4,500.
SABBADO 20 DE MJtIO DE 1854.
Por Anno adiantado 15,000.
Porte franco para o subscriptor.
ENCARREGADOS DA SUBSCRIPTO'.
Recite, o proprietario M. F. de Faria; Rio de Ja-
neiro, oSr. Joao Pereira Martins; Bahia, o Sr. F.
Duprad ; Maceio, oSr. Joaquim Bernardo de Mln-
donca ; Parahiba, o Sr. Gervazio Vicior 4a Nativi-
dodc; Natal, o Sr. Joaquim Ignacio Pereira; Araca-
ly, oSr. Antonio de Lemos Braga ; Cear, o Sr. Vi-
ctoriano AugustoBorges; Maranho, o Sr. Joaquim
M. Rodrigues; Para, o Sr. Justino Jos Ramos.
CAMBIOS.
Sobre Londres 27 3/4, 28 e 28 1/8 d. por 19
Pars, 340 a 345 rs. por 1 f.
a Lisboa, 95 por cento.
Rio de Janeiro, 1 1/2 a 2 porO/o de rebate.
Accoes do banco 10 O/o de premio.
da companhia de Beberibe ao par.
da companhia de seguros ao par.
Disconto de lettras 12 0/0
METAES.
Ouro. Oncas hespanholas. 289500 a 299000
Moedas de 69400 velhas. 169000
> de 69400 novas. 169000
. de 49000. ..... 99000
Prata. Pataces brasileiros .
Peso columnarios. .
mexicanos '.
19930
19930
19800
PARTIDAS DOS CORREIOS.
Olinda, todos os das.
Caruarii, Bonito e GaranhuM nos dias 1 e 15.
Villa Bella, Boa-Vista, Ex e,Oricury, 13 e 28.
Goianna e Farahiba, segundase sextas feiras.
Victoria, e Natal, as quintes feiras.
PREAHAR DE BOJE.
Primeira s 10 horas e 54 minutos da manhaa.
Segunda s 11 horas e 18 minutos da tarde.
AUDIENCIAS.
Tribunal do Commercio, segundas e qtiintasfeiras,
Relaco, torcas feiras e sabbados.
Fazenda, tercas e sextas feiras s 10 horas.
Juizo de Orphos, segi/ndas e quimas s 10 horas.
1." vara do civel, segundase sextas ao meio dia -
2.a vara do civel, quartes e sabbados ao meio dia.
F.PIIEMERIDES.
Maio 5 Quarto crescente as 7 horas, 11 mi-
nutos e 48 segundos da manhaa.
12 La cheia a 1 hora, 18 minutos e 48
segundos da tarde.
' 19 Quarto minguante as 4 horas, 14
minntos e 48 "segundos da manhaa.
26 La nova as 6 horas, 28 minutos e
48 segundos da tarde.
DAS DA SEMANA.
15 Segunda. S. Izidro lavrador ; S. Dympua.
16 Terca. S. Joao Nepomuceno conego m.
17 Quaria. S. Pascoal Baylo f. ; S. Poasidont a
18 Quinta. S; Venancio m. ; S. Fclix deC.
19 Sexta. S. Pedro Celestino p. ; S. Ivo f.
20 Sabbado. S. Bcrnardino de Sena f.
21 Domingo 5." depois de Pascoa; Ss. Mancob,
Tlieopompo e Valente bb.; S. Hospicio.
===
PARTE OFFICIAL.
DAS ARMAS.
ral de commando daa armas de
i aa Idade de Reeife, em 19 de
i de 1864.
ORDEMUODIAN.89.
O1 marechal de campo, commandanle da armas,
(endo em prescnra commimicarao queeovoillcio
de honlem datado, Ihe fot feila pela presidencia des-
ta provincia,coni referencia ao aviso doministeii" do*
negocios da guerra de 27 de abril prximo lindo, pu-
blica para ciencia da gnarDirao, e devido effeito, a
relajo dos Srs. ofliciaes e pracas de pret, promovi-
dos por decrete de 31 de marco deste anno, paraos
corpos do exordio aqu asientes, e destes para ou-
Iros que seadiam em diflerenles provincias.
2. botalho de infantaria,
Par capiUo, o tenenle quarlel-mestre do mesmo
batalldo, Flix Jos da Silva ; para a segunda com-
panhia.
5. batalhao dcinfanlaria.
Para capao, o tsenle do 9. balalhilo da mesma
arma, Anlooio Manocl de Oliveira Bollas ; para
oilav companhia.
11. osfatto de infamara.
Para capilar, o lente do liV.batalhao da mes-
Ka arma, Antonio Jos lijas Nunes; para a quart
eompaohia.
M batalhao de infantaria..
o, o tenenle do 4." baialho da mesma
ciro, con anliguidade de
i a oilava companhia.
nfanlaria.
| alferes do 10. baialho da mes-
quim da Costa, Jos Marcelli-
Rodrigues Lopes, eManqel **\V Ignarassu he um termo pequeo
i o primeiro com anliguidade
'crrante anno. o os ullimos cum
i julho de 18-V2.
Alfera.
O. cidelc sargento ajudante do 2. baialho,
Jos Ltate Montciro de Mello. O particular 2.a sar-
gento do 8., Joflo Caetano Pereira ;ol. cadete 2."
sargento do 9., llenrique Jos Borges Sido ;.'o 1.
cadete sargento ajdante do 10., Olavo Eloy fcssoa
da Silva; o sargento qurtel-nicstre do 10., Anto-
nio .jures Feitosa ; o 2. cadete 1. sargento do 10.,
Fraoktin Anlvuio de Abreu; todos da mesma
arma.1
Deixaram de, ser promovido.
por nio lerem feito exapies das malcras designa-
das noart. 29 do regulamcnlo do 'M do marco de
1851, et lenles. Alexandre Jos da Rocha e A nIo-
nio Cabral dMello Leoncio, este do 2.. e aquelle
do 10. baialho, ambos de infantaria.
per depender do conselho de inquiridlo, o alferes
do baialho 10. de infantera, Tilo I avio da Silva.
. AsignadaJote Fernandes dos Santos Pereira.
ConformeCandido Leal Perrcira, ajadantc de
ordena cncar regado do de tal he.

HHMMMJft..
,\IIU BEIGIMaSSIT.
16 de malo de 1854.
Meo charo.He anda sob a irapresso de um
aronlecimeUlo bem horroroso, que lem aqui prendi-
do ai iUeocMs, que pego da peona pira dirigir-lhc
a presente piissira.
^^Huda do dia 12 do correle mez, estn-
Franca, pardo casado, no lugar d
xmiao no lerreiro de sua castalia com
le JosRancisco, e Jeronymo, irmao des-
lo em ama rede na sslinha, lre cobardes
assassioos ehegaram sorraleiro ao lugar, e despara-
am tres Uros sobre esses pobres horneas, dos quaes
doas morreram qnasi immedialamenlc, e o outro
Lote' de Franca, oscapon gravemente ferid. Os doos
irmSo* estovan,,segundo me consta, de viasempara
Goianna, e merend aproveitar a madrugada, ti-
nham ido dormir em casa de seu camarada Luir de
Franca, afimde podercm acordar cedo. Viagcrrifoi
locarla, que do somno passaram elernidade!
veo bem denso cobre anda esse aconlecimenlo;
* se lem podido saber qoaes sejam os assassinos, e
a vez publica, que sempre os indigita, nao se lem
feito ouvir. O Dr. juiz municipal, e o subdelegado
o Sr. Amaral, apenas souberain, dirigiram-se com
algentes pessoas' ao lugar do delicio, e apezar de to-
das ai indagacSes, afllrmam-me que nada poderam
colher ; assim como que o Sr. Amaral lem por lodos
osjmeios buscado penetrar nesse myslerio. Confia-
mos em sua aclividade. He bem deploravel anda
entre eos a' segurnca individual ; he para doer o
nono alrazado estado de civilisacao, qoe cousente
que (antas barbaridades, qoaes as que est narrando
lodos os dias o seu Diario, ainda apparcoam cm lao
grande escala.
Seos correspondenles nos qualro mezes prximos
pausados, deramconla de 25 martes, 4 tentativas,
14 rerimentos; ora, nao leudo Vrac. aiuda nslicia-
dorosem lodo os pontos da provincia, nio mencio-
nando eu os alleritados, qu liveram lugar na ca
pila!, muilo bem podando ser, qn% alguns lenham
^correspondentes, pergunto eu: ser essa
cifra que meaclono, a terca parle dos crimes que
temos de laaseoter contra a icgnranca individual? Eu
o*o attjPJms exse mlseravel estado de coasas smen-
le pouca aetividade da polica; porque vejo, que
na capital, oBda ella trabalha. regularmente, ot tero
dado laclas bero horrorosos ; porque observo, queo
Exm. preridente da provincia- lem sido in'cansavsl
em perseguir os criminosos ; cu allribuo i nossa ei-
vilisacio, que faz com que, quando se nao proleja
escandalosamente o malvado, se olhe com indilTecen-
(a para elle : que faz com que lanas fras anda vi-
vara entre nos gozando do titulo de cdados. Por-
tento a civilisacao deve sobre ludo merecer as allen-
COes dos poderes do estado. Este pobre correspon-
dente lamben dseja muilo os beueficios raaleriaes,
e ja o lem dito, e por elles ja lem reclamado ; por
que eu eslou convencido, que sao o livro, em que
l o povo ; embora diga um escriplor francez, que as
paginas mpressas lem a vaotagem de difundir-se.
levadas pelos qualro pontos cartleaes do mundo ; eu
sei, que cssas paginas iinpressas sSu para o sabio, ou
para o iustruido pela menos, e queo livro de podra
da mais gloria, porque Inca inais sensivelmente, e
porque deixa mais beneficios. Sou partidista, repito,
dos beneficios materiaes ; mas naocsquero, antes so-
bre|>onhoo progresso moral, pois nao quero prender
leOej com ligas de ouro, nem encerrar tigres em
sumptuosus palacios.
O quilombo deMonjopeeslaquasiacabado.com
as cnergieas providencias do delegado, que lem pos-
to gente conhecednra dos lugares a baler as maltas.
Julgo, que liaver um ou oolre negro, que anda s#
conserve no mallo. .
. Ten enchido de desgoslos os ndssos malulos a
divisao do termo, que acaba de ser feila pela assem-
blca provincial.- Na verdade Vmc.'no pode fazer
dea de quaoto he mal iraraila es*a lin'ha divisoria,
que para apanliar ccrlw engenhos, e deixar oblros
fora, faz um ziguezague; vindo assim em lugar de
terminar a confusao dos limites desle termo cornos
visnhos, como pedio o Dr. juiz municipal, lorna-la
maior. Se Vine, considerar que em lempo algum
se fez divisao por engenhos, que os engenhos lira-
dos para o Recite ficam cm distancia dobrda da
ao
mesmo'lempo que o Recite he lao grande, que preci-
sa de dons escrivaes de orphos, nao deixar de ex-
tranhar essa divisao, e dizer comisoah hacousa.
Uigam muito embora, qoe a conveniencia da polti-
ca exigjje essa divisao, eu dire, como Vctor Hogo
cm umiscurso,fallando da razio de Estado: Nun-
ca hesilarei, sempre que se procurar inspirarles on
conselhos, enlre cssa virgem chamada Canscieneia,
'. essa prostitua chamada RaSSo de Estado. Tor-
no a dizer : lalet aiigmt in herbis.
Parece,' que mo fado perscgfre este misero Igoa-
rass ; fo condeninado ao olvido ;'ou se se temhram
delle he para...por exemplo par ama divisao, como
a de que acabo de fallar. Tenho gritado,'se assim
me posso exprimir, por alguns melhoramculos de
palpilautc necessdade ; agora grtirei por causa da
noesa ponte, que seacha arruinadissima. Ser pre-
ciso, que caa ella aos pedamos, que fique intercep-
tada urna parle da villa, pan que se faja alguma
coosa t E que entio se compren as peores madei-
ras, e pelos mais allos procos, como succedeu da vez
passada, para qae urna ponte nao dure qualro an-
nos ? Eu tenho medo de fallar nessas cousas, por-
que tomam-so de razes coutra mini. Ainda nao ha
muilo,' que por ler en dito certas ~-erdades no lem-
na las eleicOe*, c por nutras cetotnAas, rebentou 90-|
ore Tflirfl urna utr.^.i. c-MAiniir, ^^. aain capaz oe
amedrontar o mais destituido ; no meio d lempes-
lailc, porem. appareceu um santelmo, e como o po-
bre desle correspondente nao quiz agarrar-se elle,
porque nao teme morrer de caretas, foi m Dos
ndsaccuda : as iras do Senhor se descarregaram, c
eis-me acabrunhado, morlo, privado da presenra
.Ven'ior. Ora, ora, as iras in Senhor } l...
,Felizmente lerminou a entre-subdetegatura :oSrT
JoSo Francisco do Amaral tomou conla da polica
por este lado estamos bem servidos, Assim o nosso
digno delegado lancasse as vistas para um cerlo
districto; que se acha quasi acephalo.
Apparcceram as uomeafcs dos supplcnles de jniz
municipal ; llcamos muilo agradecido a S. Etc.
pela acertada escolha*, e mais porque livrou-nos de
nm pcsaddo, qne nos eslafava. Todos os nomeados
agradara, porque sSo homens probos, e intelligentes!
somenle o nosso Dr. Francisco Joao nao lem adiado
muilo acolhimenlo por causa da parle distincla, que
(omou na decepacao do termo. Injusticas !
Enlrou o mez defnaio, e com elle a devoro
do mez Mariano na cas das recOlhidas, que he feila
com mulla decencia, gratas aos esforcos de seu ca-
pclllo, o Rvd. padr,e Florencio.
Agora mesmo sube, qoe esla noilc (ola fgido
um preso, um Jos que representaran no celebre
aconlecimenlo d Tlapiruss, de que Ihe fallci cm
ama das inhibas anteriores. O delegado, qae aqui
se acha desde honlem, temdado as previdencias quc
o caso pede.
J eslavamos bem desconfiados com as chavas,
pois que (vemos dez dias, que parecern de oulu-
bro ; porem estamos alegres, e eu sobre ludo, por-
que estes dous dias'lcn chuvido bastante, o. os meas
feijOes j im torcendo o focinho com as cocegas do
sol; eslao verdes. Os vveres vo ainda bem mos.
A familia continua a quatro rentos e oilenla res, e
pssima, a carne de dez a doze patacas, e o milho
a Irczcntos e sessenla ris. -
Saudc e felieidade Ihe desejo sinceramente.
( Carta particular.)

C0MARC1 DO BOMTO.
10 da malo de 1854.
Esta em movmento o Sr. maio, um dos doze los
que formara a cadeia do 51, que felizmente vai fa-
ltando sua evnlneAo, sera que ale hoje lenlia desmen-
tido a prophecia de sua fblbinlia; por quauto, depois
que por seu turno vcio elle lomar as redeas da go-
vernanca desse periodo, que comerou no primeiao
de Janeiro e tcm de acabar no ultimo de dezembro, I
nada lem apparecdo que chame sobre si as as iras
dos habitantes do mundo de Cabral; por que cracas
no Altissimo, as cousas v3o bem, e s lem razes de
queizas a gente crimiuosa, contra quem como qoe te
ha levantado nma cruzada, e parece so estar reali-
sando a praga de S. Panto.
Homens malvados,
Se a caso te nao corriges,
Comcr-le-hci aos bocadas.
E de cerlo por toda a parle continan a ser per-
seguidos. Digo pelo que tenho visto e sabido desta
provincia, e pelo qae bei lamben ouvido dizer das
Alagoas, onde me afiirmam eslao as autoridades po-
liciaes na maior aclividade: e, se a pollcia he, como
diz Bonin, a chave da abobada administrativa, por-
que della depende a seguranca do edificio., be claro
que o nosso prometa tenga durajao; assim permuta
Dos. Entretanto el mesmo nao pudem dizer os po-
yos que moran mais perto qae nos do Bosphoro,ain-
da que para alguns dos quaes o 54.
De feia que tenba a cara,
Vai (prnando mais risooha.
J he maoia andar mellendo-me com as consas da
quelle mondo de l, Unto mais quanto esse Irabalbo
cedi ao compadre, caja cartas algumas vezeslherc-
prodnzo; mesmo porque est elle mais em dia com
as historias da trra doMehemet-Ali, que me dizem
lodos, que o envergaran], tnha urna barba clstica
por sera mais acabada e linda prodaccao capilar que
ha creado o solo do propheta.Vamos c: ehegaram
de Capoeiras dous sngeitos, que tem cada qual a ba-
gatella de sua mortesinlia no costado. Ha qasi um
lustro (iiiliam os i/uist/uis feilo essas envaturas, e
estavam colliendoda paz o doce fruclo ;porm o
Sr.-Manoel Antonio, qoe nao este para grabas, co-
nhecendo que ,ambos e dous como dzia om meu mes-
tre de lalim.podiamYepelir a gracola mandou-os para
a cadeia.Um desses malvados matou a um publi-
camente cm Capoeiras, a um Baptista, com quem
Uvera antes urna briga, em cuja occasiao soffreu um
pequeo ferimenlo; entao promelteu viitgar-se, o
que realisou.
Q'u un concierge offense ne par done jamis.,
O delegado da Victoria raandou pira c dous fra-
tellos ; um Joao menino, e mitro Anselmo Jos da
Cruz, de Garuar, ambos da Arcadia, quero dizer sec-
tarios dos passamenlns forrados,id est, adeersus vo-
lntala* da madre natura. Esses dous prximos,
de quem desejo e desejar lamben estar longe, ma-
taran) no Allinho, e aqu.
Na serra da Russa foi ba das atacado um Sr. Bailar
que vinha nao sei de onde, e Ihe tomaran, si vera
est fama,2-.000S,rs. dous o*tres desses qoj) desco-
nliecem a linha que devide-o meu e o leu, ou
chaman a ludonosso.Contaram-me que esserou
bo fora felo por pessoas do lugar d'onde parti o ho-
rnera, que, a lem de spoliado, vfb-se em risco de ficar
fossil, islo he, sem alma, ou antes de passar para o
numero dos que j existirn), porque Ihe derara dous
tiros, dos qoaes scapou e al me jdsseram ficar fe-
udo.
Tamoon.^.. w n/entonca >
Qne a historia lie rm^-tn.,
E como quer que semelhanle acanlecimento podi
moito bem ler lugar, o dou interinamente por ver-
dad eiro, salvo direitode lerceiroeprometto-llicuase-
guinle ratificar a noticia. Todava me nio respon-
sabiliso por algumas baldas qoe corren em desabono
do Sr. rondado; pois moro distante da dita Ierra, e
sei lambem as noticias que nao se passam em roi-
nhapresenca, pelo testemunlio dos homens, que sor-
tee sua guerra a respeilo da iofalibilidade. O que
Ihe aflirinn he que um tal sucesso, alcm de nao ser
virgem, cabe muito as raas da possibilidade, e que
aquella Russa lem muila neceaiidade de urna pe-
quena terca, que alli estacionada proteja os viandan-
tes n'um espacu de mais de 3 leguas de deserto. Nao
sei se j Ihe noliciei ler chegado de Caruar o San-
l'Apna^qae se descartou da Eva.Em aquella vil-
la deu-seha lempos um caso de bolas trocadas; de
urna que malou o marido; E que tal ajqoella bel le
zade que deu Vrac. noticia, que somenle por sonhar
haver visto o esposoem Ihoro alheio ao seuas-
assioou-o 111
Por estas e oulras localidades nao sao raros estes
o oolros desaguisados enlre os casados, oque infe-
lizmente nao he novo, porque j o Felinlo Elisio d-
zia no seu lempo:
Nesses doarados seclos aitgos
Amor e hj mioeu erara amigos;
Mas entre amor e hymeneu tal odio liouve,
Que mal entra hymeneu Cupido foge.
11
Honlem chegoo aqui um ajudante de engenheiro
com mais outro empregado para verem, alm de
oolras cousas, se he possivel Irazer-se o riacho
Bonilinho para desaguar no nosso ; e hoje sahi-
ram os mesmos, olenente-coronel Bezerra, um ca-
marista, c me parece que olJr.tDelfino, e oulras
pessoas, para o tal riacho ; e vollaram pelas duas
horas. A' larde foram ver o lugar para um aco-
de : me disse om dos curiosos, que se julgou a ul-
tima obra mais exequivel e proveilosa; e que o
engenheiro reconheceti a necessdade de um meio
qualquer que nos d agua ; porque a que lemos ne-
cessariamente mingua pelo verao; Oeoa qoeira qae
o rude se faca, pois he urna obra necessaria para
nos. Julgatno-nos com algum direilo a esse bene-
ficio; porque, .entretanto que para oulras villas.se
lem dado acudes, cadeias, dnheiro para matriz,
ele, etc., nada nos tero chegado; e isso nao he de
hoje. Porm estemos animados com essa viada do
FOLHETIM.
MEM(flIS DEJM RE. (*)
pao mona k niH, e pebuo ucuii.
. SEGUNDA PARTE.
VI-
Mnamnch.
( Continuar5o I
Na mesma noile.o duque de Naandorff, depois de
ler pessado alguns instantes nos- salives do principe
le Conde, relirara-se para sen quarto escollado pelo
fiel Massach.
duque eslava triste tanto pelas lembrauras da
vespera, como pelas que evocara de inanhaa na con-
versarao com tais. Elle deu a "Massach ordens pro.
risas para a partida do dia seguinte e "quiz ficar
sosinho.
Maseadioccupavaa aulccamara do duque. Quan-
do yio que scus cuidados nao eram mais uteis a este,
deu-llie boas noitea, e retirou-se para seu quarto,
ute porta fechou. 1
n qnasi Move horas, a tranquillidade reinara
oda a parle, a sombra linha invadido todos os
pateos do casiello, nada mais se uuvia do rumor
,que presidir a Testado diu. '
e o amo eslava triste, a 'Chuta que anda nao o
eslava menos. Era-doum bom natural esc Massilcb.
ra por dedicaran qiictiuhaacomoanbado Naundorfl'
a Franca, foi, era por afiecao que apresenlra-lhe
sempre um semblante conlente e risonho ; todava
so Oe> sabia o que passava-se no rondo desse c
raco! w..;
Desde om anno Massach tinha soffriilo muito sem
fitaernada, sem deixar apparercr nada, sea que ju-
mis urna palavra indiscreta houvesso podido reve-
lar ao amo nem suas saudade nem suas dores !
lio odnqoe hahilava urna cidadei*o criado
snpport I existencia assaz pliilnxiphoRmeute. ()
espertar ulo que olferecia-se enl.lo sua visla, o rno-
() Vide Diarm n. m. .. "
viniente que reinava cm torno dcllc, o rumor que o
ladeava, ludo isso distrahia-lhe o pensamento, e
teixava-Ihe o corarao emVepous. Mas quando um
sitio recordava-lhe repentinamente, posto que de
una inaneira longinqua, os grandes liorisontcs do
paiz que linha dcixado no outro lado do grande rio,
Massach caba, mo grado sen, em modilaecs inde-
liniveis. Urna sombra tristeza, nma melancola
cheia de amargura apoderava-se-lhe do coraooo. e
Massach ficavahoras uteirastendo o cotovelo apoia-
do na janelln, e o olhar lite no infinito do eco...
Militas vezes corriam-Ihe lagrimas pelas faces sera
que cuidasse em rete-las, lem mesmo em euebu-
ga-las.
Nesses momentos o caboclo loria dado voluntaria-
mente a vida para ver urna hora smeule essas poe-
Ucas aldeiasque elevavam-se as margensdo Oliio.
Entretanto Massach nao linha molher nem fillio que
lamentar... O duque amava-o, elle amava o ddque,
e podia acbar em Franca urna segunda patria se ti-
vesse querido. Mas nao era sso o que desejava o
pobre selvagem Nao eram os homens qne elle li-
nha licitado1 para acompanhar o amo que inspira-
vam-lhe em certas" horas saudades e sombros za-
res. Os homens sao em lodaa parte os mesmos!
Mas ,o que elle lamentava, o qae procurava em
ao eram os grandes aspectos da natureza que s p
mlinilo linjiu... Essas -inmensas florestas virgens
cas de paz e de recolliiiiicnlo, esse co mgico,
Ks nos mageslosos, esse ar livre que elle podia
respirar a vontede.
ledas as noiles Massach assenlava-se no lumar de
' '."J-'flm, as sombras transparentes da noite en-
volvan pouco a pouco o quadro que e Ihe anlollia-
va, a scus ps o rio corra queixoso, ao longo a brisa
jurvava o cimo das arvores copadas, de todos os la-
osreiiiava'unia doce e suave harmona.
sssach yiae esculava !... Eniaoacmocaocahia-
"* por s mesma dos labios commovidos, e suba
Wa Daos como um puro incens... Elle nao tinha
Porlurbacao nem pezares no corarao, era parifico e
I)e manhaa quando o sol assomava radioso sobre o
horisonle. Massach levantava-se... urna pinina oes-
perava, elle parta com sua espingarda esuas redes.
As vezes passava lodo o dia ocrupailo ein pescar e
caiar, e vollava j.'i alia noile. Quasi sempre deta-
ra-se preguicosamenle na piroga, aceudia o longo
idaj
u t
cachimbo cheio de fortes perfumes, o deixava-se in-
dolentemente levar pela crrenle do rio I...
Nunca tristeza nunca enfado 1
Ora, quando no meio dos espectculos raesqui-
nhos de nossa sociedade m Usada, Massach recor-
dava-sc as vezes do que linha visto e esperimentado
outr'ora, seu espirito irritava-se, urna especie de a-
margura encbia-lhe o corarao. Entao um humor
sombro apoderava-se delle, e sob o menor pretex-
to o selvagem ler-se-hia abandonado lodo. Nessa
noile Massach eslava triste... Tinha alravessado de
manhaa o bosque'de Chanlily, e embora nada ah
ofterecesse o aspecto das florestas virgens da Ameri-
ca, com ludo essa solidao harmonios., essas mil ve-
redas abcrlas no bosque vivo, essa vegetaran abun-
dante h aviara recordado um momento, posto que m-
perfeitamente, seu icig-utam, e a lihcrdade Ilimita-
da que perder 1
Quando achou-se sosinho no quarto, abri aja-
nella, c filou usohios no eco. O firmamento res-
planderia de estrellas, a la suba melanclicamente
no horisonle, e divsava-so ao longe aos raosde sua
rliiridade vaporosa, os cimos dasarvorgs que o rento
curvava brandamente.
Massach apoiou-se no cotovelo, c meditou : vol-
va um mundo no coracao. A estas horas, dizia el-
le comsigo, l na patria lao lamantada os pausaros
de mil cores entoan seas cantos harmoniosos, un
vapor transparentee!efa-se do grande rio, mil es-
trellas brilham no co azul, c a vista vai perder-se
nos horsonles infinitos das florestas.
A alma loma seu voo livremente, nenhum obst-
culo a irapede... Os espectculos da natureza sao
urna causa d eterno pasmo...' Nenhuma lassdao
apodera-so do espirite, os dias suc.ccdem-so sen dei-
xiirein jamis no coracao o menor germen de amar-
gara nem de fel.
Desde que es'tava na Europa pelo contrario; Mas-
sach sena-se sempre atormentado por urna surda
liquidaran, era por toda aparte o objeclo da curio-
sidade grtl, e essa curiosidade pesava-lhc c fali-
gava-o...
Quando enlao poderia yollar para sen wig-vam,
quando hara de deixar essa Ierra inhspita, e fria '.'
Talvez nunca.
Massach eslava entregue essas medilaces, o
coracao hau-lhe cum for<;a lembranra d lado
o que perder, eque no havia'seui din ida de (or-

engenheiro, porque elle que no cornteus olhos a
nossa pobre igreja, cadeia, de., etc., ha de sem
duvida informar ao Exm. pnsldento da provincia,
em qaem muito confiamos. Vett assez. O compa-
dre de Caruar escreveu-me urna tenga epstola,
mas fosobre-assumplos parlcolares, caponas Ihe
transcrevo uns versos com qae elle a conclue, que
he por esla mancha:
Meu compadre, pos te toul
Em respeilo as noridMei,
Pois por c nao ha mlldades
Na gente dejjsdotf,-'
por ora nada poz' /
Que nao fosse em seu \*ga<
C'cst-a-dir^ desde il lempo
Daqucllcs rersinhos meas;
Pelo qae gracas a Deua '
Vivando vou descantado;
Abenre ao afilhado
E um abraco meu acaitt.
Au retoir.
12 -
Hoje chegou de Bezerros umiugeilo queespan-
cou a urna pobre crianca de nove a dezannos. A-
manhaa sabe d'aqui urna palrullu a buscar no Bre-
jo um lleltrao. que alli esta prea>, criminoso oes-
te termo. Na cadeia desta eslum filho do mes-
mo por crime de fortes. Esses Belles (uns tres
que moraran neste districto) lera iraa historia pou-
co lisongeira em hateras de coates alheias ; e gos-
tam lambem muilo de acreditar ministros junto
elernidade.
V. B. Remelto-lhe para pnblcar urna pelicao,
que tfi parece muito com o dearuclio, e urna pro-
ducrao indgena do paiz. Seus adores sao pessoas
conhecidas de mim do que dou fe. Ei-la :
I lira. Sr. Dizem .os herdeiros Antonio Sebas-
tio F'rcire Antonio Ferretea da* lima Joaquim de
Lima, qae elles supplicantes te icham sofrendn
um grande grejuizo pelo Inventario de serem lau-
cadas a Escrava ("ertudes com carta de Alforria do
falecidu Vicente Ferreira da Cosa, por esteren
progidicados os mesmos herdeiros na qne o falleci-
do fez, e agora mais prijaizo tem instas Al furrias
bem verdade qoe alei garanta o direjjte de liberdade,
porm tambera alei fraqueia o direito de pelicam
c agravo, porque o que alega as cartas o faleci-
do por dolos ja- n,1o pode V. S. Laucar as ditas
carias porque pedimos que fique Impune srri pro-
vas enem aceitacao at represenUr-mos depuimen-
tos d propostes sobre tal Alforria para ficarmos na
Ioteira dcstribuiro, porque se os nossos votos de
queixa forem allendidnsdus prejuizos Eipostos con-
feridos sejiio convencidos ficaremos ciis entendi-
dos, e daremos ludo por feito na tal cauza, e fica-
rerr.os convencidos; por tanto pedimoi que V. &.
ooca os nossos depuimentos, o licareaios a V. S.
("brisados. Pr lano pedimos o rogames ao Illm.
Sr. juis de Orfos assim enmprir e aceitarE R. M.
Despacho.A visla da Consttuicao d Imperio
e mais teses a respeilo da Liberdade nao (>m lugar
o que requer.Bonito 11 d marco 18... F.
TTJBY DO RECITE.
Sessao' eea 17 de aula de 1*.
Presidencia do Dr. 'Mamut Clementino Car-
, neiro da Cunha.
Promotor interino; a Sr. Dr. Anano Lniz Gaval-
canti de Albuquerque.
Advogado,o Sr. Dr. Joaquim Elvira de Mraos Gar-
valho. ,
Reo, Ignacio Po Paes Barrete.
As 10 horas feila a chamada,ec'iaram-se presentes
4 Srs. jurados, sendo multados em 209000 rs. os
Srs. scguinles :
Dr. Antonio Rangel de Torres Bandeira.
Ignacio Maooel Vegias.
Dr. Filippe'Nery Collaco.
Jos Antonio da Silva Molla.
Jos Vellozo Soares.
Joaquim Antonio Carneiro.
Jos Joaquim Pereira.
Dr. Peqjo de Alhayde Lobo Moseozo.
Antonio Jos Rodrigues de Souza.
Dispensados por apresenlarero scusas legitimas os
seguintes Srs. :
Jos Pedro da Silva.
Dr. Joao Domiogues da Silva.
Antonio Leite de Pinho. *
Dr. Antonio Jos da Coste Rihein.
Antonio Carlos Francisco da Silva, por se achar pro-
nunciado.
Conduidos os debales 1 hora rada da larde, foi
conduzido o conselho a sala das canferencias, d'onde
voltou 1 hora depois; em vista dems respostas foi o
,ro absolvido dq crirae de resistencia previsto na sc-
gonda parte do artigo 116 do cod. penal,
leranlou-se a sessao as3 horas da larde.
As 2.horas concluidos os debales, foi o conselho
conduzido sala das conferencias, donde rolln s 5
horas.
Em visla de suas respostas, foi o reo condemnado
a G3 das de prisao c mulla corrcspondenle a 15 dias,
grao mnimo das penas impostas nos arts. 201 do
cod. penal, c arl.3. da lei de 26 de oulubro de 1831,
nos quaes fora o ros aecusado.
Levanlou-se a sessao s 5 llorase mete, (cando
adiada para a da seguinte s 10 horas da ma-
nhaa. '.
Sessao'do dia
Presidencia do Sr. Dr. Manoe
neiro da Cunka.
Promotor publico, o Dr. Abili
Silva.
Advogado, o Sr. Dr. Joaquim
Carvalho.
Reo, Manod Jos Barbosa.
As 10 horas feila a cha
46 Srs. jurados, sendo m
antecedentes, e dispensa
res:
Dr. Filippe TS'ery Collaco. ,
Antonio Jos Rodrigues de Souza.
Joaquim Antonio Carneiro.
ABsoIridos da mulla em que incorreram.
tttio Car-
Tavares da
de Moraes
| acharam-se presentes
os mesmos dos das-
da sessao os senho-
nar a ver, quando algumas pancadas dadas porte
dislrahiram-lhe a al toncan.
Elle fechou ajanelia, voltou para o qnarlo, e de
pois de nm momento de hesitan apressou-se a
abrir a porte.
O conde de Bergelassc entrn.
O bom do agente de Fouch que tinha o son so
eslereolypado nos labios, deu alguns passos para o
meio do quarto seguido com desconfiara-a por Mas-
sach, e depois que percorreu com a vista todos os
recantos, lancou-a insolentemente sobre o caboclo.
Este quc. havia rccouhccido j Bergalasse por te-
lo visto na vespera no momento de soa ebegada ao
caslello, fez urna careta que testemunhava todo oseo
descontentamente.
O senhor duque de Naundorff? perguntou
Bergalasse saudaiido o criado, o qual depois de ler
andado ao redor do recem-chegado, como urna hiena
andara ao redor de dina preza,*collocra-se dianle
da porta que dava para o aposento do amo.
O senhor duque nao recebe ningoeui esta noi-
te, respodeu Massach sera olhar para Bergalasse.
Todava, prosegoio este' sem descuncerlar-se
o negocio sobre que venho fallar-lhe he urgente
ii3o pode soflrer demora... Eu desejava...
O senhor duque quer estar s.
Se-elle soubesse meu nome ?
He intil.
Est cerlo disso ?
Massach cesseu de responder, assentou-se silen-
ciosamente junio da porta o encaron Bergalasse sem
oizer una s palavra.
Este, que uao estara acoslunjado com maneir as
tao extraordinarias, ficou um momete em p diai i-
(e do sclragcn sem saber realmente a que narlid o
se resolvesse. Forca-lo teria sido, talvez peti-oso
empregar a va da persuasao pareda-lbe intil, e
tcdavia elle desejava mu vivamente fallar ao duque
Repentinamente veio-lhe urna idea. Elle riow
comsigo :
Scguudooque leoho lido o selvagem n3o he
mais lernvel do que outro qualquer hornera imra
quem sabe Icva-lo ; importa somenle usa- u iu_
iia. e uisso sou mestre.
Itemais Mr. de \ ollaire havia escriplo algons eoli-
tos sobre- a A merica, o conde lenibrava-se o llu-
ro* de Candido e de nimios oulros. Com esses fuu-
BEPARTICiAO DA POLICA.
Parte do dia 19 de maio de .1854.
Illm. e Exm. Sr.Participo a V. Exc-. quedas
partea hoje recebidas^ussla reparticAo, consta lerem
sido presos: nrdentjpo subdelegado da fregue/ia
de S. Fr. Pedro lioncalves, Antonio Fernandes
e a pret a Luiza, ambos para correcejio, e prete
africano Pedro, a requerimento de Antonio Baptis-
ta Ribeiro ; e orden do subdelegado da freguezia
de Santo Antonio, u preto cscravo Alexandre, sem
declaraban: do motivo.
Por ofticio de 17 do corren te communicou-me o
delegado do termo de Igoarass, que pelo subdele-
gado do primeiro dislricto da freguezia do mesmo
oome lite fura participado, que cm a noile de 11,
estando Jos Francisco de Salles e seu innao Jer-
nimo Lucio de Mcnezes, com Luiz de Franja de-
lados na casa deste, o primeiro c o ultimo no ler-
reiro da mesma casa, c o segundo em urna pequea
9ala da frente, apenas elles pegaran oo somno ap-
pareceram tres individes quo do mallo os espeila-
vam, os quaes descarregaram sobre lles Ires tiros,
do que resulten inmediatamente aemorle* dos dous
rmos Jos Francisco, e Jernimo, Picando Luiz
de Franja gravemente ferido ; e qne supposto le-
rem logo acudjdo ao lugar do delicio o.respectivo
inspeclor deqarlirao mais duas oulraf pessoas
do lugar, nada poderam fazer, 'porque o* assassinos
se linham posto rpidamente m fuga. Accrescen-
la o mesmo Tlglegado, que so proceder logo aos
competentes autos do velloria, e que se fieavana
mais activa diligencia de capturar os (criminosos,
contra quem se est tratando de instaurar o res-
pectivo summario.
Dees guarde a V. Etc. Secretaria da polica de
Pernamhuco 19 de maio do 1851.Illm. e Exm.
Sr. conselheiro Jos Benlo da Cunha e Figueiredo,
presidente da provincia.Luis Carlos de Paita
Teixeira,- ehcfq 'de polica interino da mema.
***$**
BIOGRAPHIA.
Noticia biocraphfea do Dr. Jos Euataquio
Gomes, pele Dr. Jos Joaquina de Moraes
Sarment. /
-* Transt beneficiendo.
.- S. PAULO.
Dos homens, nua_ pela originalidada de seus
inventos,, pulo numero e excellencia de suas vir-
tudes, *ou pela vasdno de seus conhecimenlos,
se tornaram Ilustres, famigerados, todos procu-
ramos com iusiinctiva
\ |..""'l o pryaJuf iat..t
imposta humanidade, taes vidas devessem ser-
vir de modlate ojei lamento aos bons, e aos ha-
bis, de expttjbrio, e remorso aos ineptos, e aos
perversos;
Este desejo innaio nem sempre he possivel
sa(isfazer-se, porque de muits homens afamados",
nao enr restrictas localidades, mas no orbe intei-
ro, se ignora ainda hoje a paternidade, e at o
lugar do nascimento. Em taes casos a imagina-
cao roma a dianleira aos fados, o cada qual, se-
gundo as ideas, que forma, do meredmento real
de laes homens, invent, ou exagera, dando-os
muits vezes pelo que nunca foram, ou atlribuin-
do-lhes o que nunca fizeram.
Foi isto exactamente o que succedeo a respai-
lo do Dr. Jos Eustaquio Gomes, o qual pouco
fallaya dos oulros, e nada dizia de si. Fallecido
quasi a duas mil leguas a trra natal, e sobre-
vivendo aos amigos, que ainda aqui tivera na,
mocidade, ninguem, em Pernambuco, sabia dos
pormenores de sua vida. Astro'radiante de sa-
ber, e de virtudes s se reconheceo, quando j
perto do seu zenith, e"ninguem podia marcar
no horisonle o ponto exacto, onde primeiro ap-
pareeera.
Foi sem duvida por isso, que entre tantas no-
ticias necrolgicas de 'ignotas celebridades, que os
peridicos nos revelara quoiidianamcnto, nenhu-
ma sabio al hoje relativa ao Dr. Gomes, e to-
dava ninguem tove mais amfgos do que elle, nin-
guem, que eu saib, derramou por esta provin-
cia mais beneficios. Nao foi porem negra ingra-
tidao, indiscu'lpavel olvido, ou fri indiffereniismo
que intorpeceram as vontades. Cumpria tero-
cumentos, informaces exactas, e completas, por-
que nao era o Dr. Gomes homem, de quem se
fallsse nicamente em desabafo da saudade, e
senlimento, e ainda menos por maro ceremonia'
taes documentos e iiiformacoes devendo vir de
gies longinquas, nao podiam chegar com presteza.
Alen disso a biographia de um pratico do qui-
late do Dr. Gomes nao devia ser urna collecij3o de
datas e successos trivies, raas nella cumpria in-
cluir substBcialmente o que legou de mais til i
sciehcia. Esta ultima consideracao, levou-me
tentar preencher este vacuo, a esmerar-me em sa-
tisfazer essa verdadeira necessdade manifestada
pela anciedade palpitante de todos os habitantes
desta provincia, que tiveram occasiao de aprecia-
o, e para Os quaes era elle o medico modelo.
Se tao pezada niao Ihe nao pode delinear as fei-
curiosidade saber vida elEI9veitar nata-a iarrei
Eustaquio,
ecclesiastico
Qes, se meu tosco pincel o nao pode rctraclar ao
vivo, ahi estao, ao menos, dados certos, com as
quaes hbil escriplor, eloquenie panegyrisia pe-
der desempenhar cabalmente, enlre os applausos
de toda este provincia, a ardua tarea de reprodu-
zir com exactido a muliiplicidarie de formas, os
milhares de variedades dos recursos da sua intel-
ligencia, e dos sentimenios do saujpracao
Jos Eustaquio Gomos nasceu na anno de 1783
no lugar de Freira, jermo de Torres-Yedras, vil-
la podcas teguas ao norte da foz do Teja, posto
rpjo pequea, celebre, cm tedas as pocas da his-
toria portugueza por ser ponte estratgico para o
ataque, ou a dofeza de Lisboa, como em nossos
dias se vio durante a invasao tonceza, c'ultima-^
mente as !fmentareis guerratroVs, lffecio
- Seus pais, Eustaquio Gomes, e Briles da En-
carnasao, efam honrados lavfadores d'aquelle tMj
mo, perionccntes classo media dos proprictafi()
que tanta falta faz no Brasil, c_ que na Europa,
evitando tanto os vicios torpes c abjectos Ja plebe,
quanto a molleza luxriosa, e a corruplor^^H
sidado das classes superiores, encerra em sij^^BH
mi a-pureza das virtudes domesticas, e miHTsW
ao corpo social quasi todas das forras vivas que o
animam. Cullivavam os felizes consortes seos bens
pairimoniaas, supprindo o que lhes faliava de vasr
tos com Irabalho e economa.
Foi entre exemplos constantes destas duas vir-
tudes, base de toda S moral pralica, e na innocen-
cia da vida campestre que Eustaquio prindpiou a
sentir e a julgar. Quanto taes exemplosiicaram
indeleveis na sua memoria desdo a infancia, e
quanto inQuiram as accoes Aa sua vida, bem o
presenciamos todos n'esse amor' ao trabalho,. que
o animou at o ultimo suspiro, o n'essa severa
economa para comsigo, que Ihe penniltio ser
tao generoso, c lao saniamente caritativo para
com os outros. :. ,
Naoliavendo escolas em Freira, os honrados
lavradores mandaram o joven Eustaquio aprender'
as primeras letras em Torres-Vedras, e porque
desde logo Ihe descubrirm agudeza e promplidao
no enijenlio, desiinando-o a estudos superiores,
determinaran que fosse cursar as humanidades no
collegio do famoso convento de Mafra, nesse edi-
ficio monstruoso em relajao pequnhez do reino,
e de seus recursos,, que se lie prova da nociva
vaidade de um grande mooarcha, serve ainda ho-
je ao menos para despertar o senlimento do bello
na mocidade, o exaltar a imaginajao de quantos
o contemplan. ,
N'ess magnifico monumento se familiarisou o
joven Eustaquio conr as humanidades, sera o es-
tudo proficuo e aturado das quaes, debalde qual-
quer mancebo se lisonjeia' de sobresabir na idade
viril em qualquer ramo dos conhecimentos hu-
manos- '
Seus pais, e ainda tois um Iio desejavam ar-
dentemente, segundo as ideas d'aquelle lempo,
oraes e
__S?Jciveri
o iam-noHwpellindo para o eslado
com as nsinuajoes mais ou menos
obrigatorias, de qnecostumavam usar nossos bons
avs, cujas tradicoes so conservan mais vivazes
entre lavrsdores solados.
Lutara o joven Eusuquio entre o desejo de
comprazer seus pais, ,e lio, e a nenhuma roca-
cao, que senta, para o estado ecclesiastico. J
chegando a idade de vihte e qualro annos era for-
jado decidir-se : resistir, ou ceder, o sua ndole
naturalmente complceme lera-lo-hia ao sacrifi-
cio, se um successo inteiramente fortuito, e ines-
perado, Ihe nao ministrasse sahida airosa.
Napoleo, que tantas nacionalidades tonlou ex-
tinguir na garras das suas agujas, l no fundo
do seu palacio, decretou clandestinamente a extinc-
cao da mooarchia portugueza, e de repente, em
plena paz; mandn inradir o reino por numeroso
e aguerrido exercit.
A corte espavorida com o exemplo de tantos
potentados vencidos pelo novo, raas epbemero
Carlos Magno, primeira noticia, que tere, da
invaso determinou transferir-se para o Brasil, e nis-
so encontrou Eustaquio propicio cnsejo para fu-
gir das aguias vorazes de Napoleo e para evitar
os desgostos qne a sua reluctancia aos designios
paternos Uro baria "de necessariameme originar
Mas como aproveitar este feliz cnsejo ? Eustaquio
mal podia occorrer s desperas da riagem. Con-
cluida que fosse, como subsistir em ierra eslranha,
sem prnlisso, minguado de recursos, baldo a to-
do e qualquer auxilio ? Como realisar entao suas
grandes aspiracoes scicnliGcas? Como proseguir
nacarreira iitteraria que hara trilhado ? Eusta-
quio vacillava sem poder decidir-se. Triste con-
Ijo dos fillios predilectos Ja natureza serem quasi
sempre, como lhes chama eloquente orador con-
temporneo, enteados da fortuna 1
Eustaquio porem nao desanimou. Denodado
campeao nao teme a lide, embora tenba de contar
s com o rigor do braco. Ser-lhe-ha mais glo-
riosa a rictoris>
Restara Ihe ainda um recurso;implorar a
roleccao de algum ente generoso,mas Eustaquio
^jucado nos principios da mais severa economa,
e n'esse amor ao trabalho, que distingue as clas-
ses agrcolas, c lhescommunica do ordinario nobre
altivez, havia de necessariameme repellir esmolado
beneficio.
Largo he porem o espajo entre a baixeza de
sntimchto, c o amor proprio excesivo, quo bem
. pouco dista do orgulho, Eustaquio soube navegar^
eoue estes dous escolbos, porque jamis dezar po-
dar macular alma rica de nobres aspira(joes,
quando enjertaba da fortuna, pede i sflciedade
meios de realisa-las. 4
Durante os muits annos que Eustaquif. trs-
ra as aulas do convento de Mafra, Bavia^ con-
seguido familiarisar-se com mu i tas das persona-
gens da corte, que.enlao, como ainda boj*; tinha
por costume passar algtarnas semanas djesiio n'a-
qudle gigantesco aeonumenlo.
Nao hesita mais. Recorre aos seulnovos ami-
gos, pede-Ibes um lugar entro a comitiva real, e
o seu patrocinio noiffiardo desembarque- O
podido jeA ^HbHdo coDjpabvras da
'era mxima enlre a nu-
'breza proiH .genio, e dcoroQor o talento. Ahi
parte o jovffl trege a si, e a seu
destind ter a seus
amiga^. ehega ao Bio de Jj
de 1808.
Apenas desembarcado praj
mde podesse continuar os
al alli havia cultivado,
nedictinos encerrava entao el
abalisads ilIusIVaopes da e
de saber tentou aproximar-se quanto
foco da luz, que podia csclarecet-o, e
scus amigos, a rcspetavel corporacao o recehep, e
alli continuou elle a estudar, mostrando sempre essa
sagacidade intellectual, e esse aproveitamento, com
ir toda a prtese dcstinguioentre numerosos
ipulos. Mas Eustaquio locava o vigsimo
(nano anno da sua existencia, e nao tinha profis-
sao : era forcoso abracar nma.
Em 1809; o governo tio Principe regente re-
conhecendo a necessidado de iuslituir no Brazil
ao menos escolas secundarias para os estudos su-
periores, depois de haver fundado o hospital mi-
litar do Rio de Janeiro, creou nelle cadeiras de ci-
-urga theorica e pratrea Seductora opportunidade
para a alma de Eustaquio, que ardia em desejos de -
ser til a humanidade Crear o homem, disse o,
celebro Dr. Graves he aUributo de Daos, conservar-
lhe a vida he a mais nobre prerogetiva que o ho-
mem recebeo do creador Eustaquio cemprehen-
deo loda a excellencia desle ministerio Santo, que
tanto harmonisva com o seo carcter eminentimen-
te bemfasejo, e cil-o qual novo csjtecJjmeno pe-
dindo ser iniciado nos misterios da nova religio.
Eustaquio apxesenta-se como umdos primeiros alum-
nos de -tao proficua creacao, apesar de DSufficiente
para completar urna educaco medica regular,-c
munido de substancial educaco elementar principia
elle o seo tyrocinio cirurgico.
Pouco lempo depois ostava j senhor do quo en-
lao scehsinav.
Mas o espirito de Eustaquio nao era um d esses
espiritos mediocres, que se contentao com illustra-
fq superficial.
Bem conheceo dio todas a^ imperfeicoes d'iira
oiijhio,.cuuii enl.i ,r inf.mm.....lajtoafc. laounaa, '
c foi entao quo expraiando a vista sobre o .vasto
campo das miserias e soffrunontos humanos, vio com
pesar, qu mal podia percorrd-o munido de o
mesquinhas provisocs.
Eustaquio tinha apenas saudado a sdencia no
lumiar do templo, mas isto nao satisfazla seu espi-
rito escrutador.
Eustaquio queria ulirapassar as umbraes do tem-
plo ; queria apoderar-se dos arcanos dq seo San-
Cttiario. Mas ouem lli'ns revelara- '
dos de leitura devia ser-lhe fcil sustentar urna
coftversacao com o caboclo mais selvagem.
Bergalasse rhegou-se pois a Massadi chelo de enn-
lianca : seu thema eslava feito, o negocio ia dahi
em (liante caniinhar por si s.
Oh iuest re Massach, disse elle em um tom de
voz sincero c franco, os rostes paludos nio sao lao
lerriveis como n me. parece crer.
Venho tratar de um negocio da mais alta impor-
tancia para seu amo. Massach foi um grande che-
fe, e dove comprehender isso. Eu mesmo niio suu-
Ihe iuleiramenle eslranho, tenho viajado, teuho vi-
sitado os paizes que banliam os grandes ros, tenho
entrado no wig-wam de seus temaos, e por esse ti-
tulo teuho sera duvida alguns ilireitos para nao ser
rcpdlido... Pois bem digo-lhe, os rostes paludos
querera mal a seu amo, e se eu nSo fallar-lhe hoje,
ainanliaa sera lalvcz j larde... Tema perde-lo pela
sua obslinaco, e nSose esqueca dos sei vicos que el-
le preslou-lhe.
esde as primeiras palavra* de Bergalasse Mas-
sach erguera a cabera ; medida que o conde falla-
ra, elle eseulava-o com mais allenco. e a colera
qu um instante antes ruiioava-lhc no pcito, come-
cava a applacar-sc. Quando seu interlocutor aca-
bou de fallar, elle cncarou-o com udmirarao, .e
perguolou-lhe com voz commovida :
O que o senhor diz he rerdade '? Massach he
fcil de ser engaado porque he crdulo ; porm
nao perdoa jamis aos que o enganaram urna vez.
Se o senhor passou algum lempo as aldeas de meu
paiz, deve saber quanto he terrivd a riuganca de
mcus lucilos, c se lie imprudencia ou n.lo cx|ior-se
a ella... Massadi nao lera colera senao para os que
o oQendcm, mas he bom e dedicado para os que o
amam... Que quer com elle '.'
__ Quero que Massach diga ao seu amo que dse-
te fallar-lhe, respondeu Bergalasse.
__E que uome Ihe aununcarei ? loroou o selva-
gem.
O conde de Bergalasse.
__Seja feilo romo o senhor deseja, afcrcsceutou o
selvagem entrando no quarto do duque.
O conde de Bergalasse linha sido bem surcedi-
( lo !... Massach liava-^e rendido sera grande, difli-
c -uldade, o conde a ser iilrodu/ido no qnarlo do
d uque, o negocio raminhava como em carinho.
Q we nalureza excelteule 1 disse elle vendo desappu-
recer Massach no quarto, o fallerc-re dos selva-
eens !,.. Com dnco ou seis palavras que sao o fun-
do da lingua, como dira Beaumardiais, a gente faz
desses homens ludo o que quer !... O grande chefe,
owig-utam, o grande rio com estas tres palavras
mgicas, qualquer pode atravessar sem recdo as flo-
restas mais virgens da Amcrjca 1 Que natureza ex-
cedente i
Bergalasse fez urna volta sobre si mesmo assobiar urna pequea aria de opera cmica. Toda-
va de vez em quando lancava um olhar para o
quarto do duque, o impacicntava-se por nSo "ver
abrir-se a porta.
O desgrarado nao ,ter podido pronunciar o meu
nome, disse elle comsigo; seria lalvez bom que eu
mesmo me annunciasse.
E dirigia-se j para a porta,' quando Massach ap-
pareceu no lumiar. Bergalasse parou estupefacto.
A physionomia do selvagem havia mudado comple-
tamente, as faces tinhain-se-lhe tornado paludas, os
beicos moviam-se-lhe C deixavan ver de- vez cm
quando duas ordens re denles longos e alvos, em-
fim urna especie de roncara singular pareca sahr-
Ihe do peito.
Massach ficou um momento em p no lumiar, im-
movel c encarando firmemente a Bergalasse.
Esle nao possuia o segredo da colera do selvagem;
todava urna vaga inquielacao apodcrou-sc-lhe do
espirite, e procurou inslinclivamenle com a visla a
porta por oudc havia de sabir-
Mas o conde nao era homem que abandonasse (ao
fcilmente a partida, e apezar da atliludc extraordi-
naria de Massach, drigio-se a elle como se quizesse
culrar no quarlo do duque.
Meu amo nao pode recccebe-lo, disse vivamen-
te Massach sem (irar delle os olhos, e prohihiodo-
Ihe o accesso da porla. O duque ennhece-o lia mui-
lo lempo, e. nao ignora que he ae^teuhor que deve
todas as suus desgranas.
A mim !
O duque assim o disse. _
Engauaram-'uo...
l'odajser !... Mas Massach execula aordens
que recebe, e espera qne oseuhorsi- retire 1 !
Fallando assim, Massach conliniiva a tezer o
vir essa pequea roncara que tanto enredara .
galasse. Be instante em nstente as teces lornavam-
cttiario. Mas quem lh'os revelaria-
Em quanto no Brazil o ensino medico' apresen-
tva nessa epocha um todo informe, e eivado de
defeilos, tocara elle na Europa alio grao de perfei-
ce. A revolucao francesa destruindo thronos, e
quebrando sceptfos havia respeitdo as .scftndas
Proteger sabios he atinar com o consorvar reinos* disse um lilh illuslre do Ins-
tituto de S. Felippe Nery. Napoleo realisava apo-
liticadst mxima profundal No enlamo a no-
ticia do adiantamento, em que se acbavam as dou-
triuas medicas na Europa," ateava ainda mais no
coraoao do joven Eustaquio esse ardor sublime, com
que j amava a sciencia. A Europa tornou-sc pa-*
ra elle o alvo de lodos os seus sonhos doirados ;
todas as suas meditacoes como os raios de um cir-
culo, principiarn a convergir para um ponto nico
adiar o meio de vencer a distancia enorme, que
o separava dos sabios. Eustaquio procura, in-
venta, imagina irabalho baldado, esforcos inu-
teis Mas a providencia nao permittir que
mingoa de cultura dcfinhe.ricpsa seara, que pro-
melle tao abudantecolheita. D'esta rez, como em
outro* lempo, generoso potentado Ihe estender niao
bemfascja.
O talento e tcnacissma applicacao do alumno da
escola cinurgica do Rio de Janeiro nao tardrao em
fazer-se conhecidos, e isto Ihe meroceo a honra de
ser aprosentado por seus meslres ao monanjaa, como
credor dos auxilios do governo para completar na
Europa os seus estudos profissiouaes. O governo
acolheu benvolo a apresentaco do distincto alum-
no, eem Janeiro de 1811 sahia Eustaquio do Rio
dd Janeiro em-direccao a Londres a completar os
seus estudos, como pensionario do Estado.
Chegado a Londres dirigio-se celebre univer-
sidade de Edimburgo. Ahi ove Eustaquio as pre-
leccoes dos mais abalisados professores ; segue-os ..
aos hospitaes; acompanha-os junto a leilo dos
; examina com a mais escrupulosa atietico
cada indivii'ualic'ade mrbida de persi; registra as
olservacoes inais importantes examina o' resultado
se-lhe mais pallidcs ainda, e om fogo sombro sal-a>
lava-lhe dos olhos.
. Bergalasse s linha um defeito, era ser temoso !
I'arecia-lhe ridiculo ceder a um couvile que Ihe era
feilo nessa forraa e por om caboclo; elle julgou ne
poderia sahir cora ho nra dessa siluacjlo, e que in-
sislindo faria-inlervir o duque. Elle nao quera
mais do que isso. Duis palavras ao duque, e nada
mais I
Pois bem disse :ll-com cerlo ar fanfarrao, o
duque me repelle, lem conlra mim injustas preven-
COes, c quero deslrui-la s. Nao se dir qoe*podondo
salva-lo me tenba deixa do desanimar pela soa frieza
ou pela sua iinlilTeren', a. O duque despede-rne !
seja como frde seu goi'to ; mas pode preven -lo*
mestre Massach, de que eslou decidido a passar
aqui a noile para nao pe -der a occasiao de fallarlhe!
Massach mal linha ouvi'do.. Desde as primeras
palavras comprehendera q ne Bergalasse nao quera
relirar-se, uro raovimeu'U> de" impaciencia e de co-
lera linha-llic agitado os miembros. Elle nao res-
pondeu, dirigio-sc silenciosamente ao leilo, levan-
to ii o cotr!ia<>. rou urna enornie maca cheia depon-
tas de ferro, voltou para o ai-ente de Fouch, a-
garrando-lhe no braco" com norgia, dsse-lhe em roz
breve.
Ouca-me, Massach odia-t, e a colera pehe-
Ihe o i>eito, nSo insista mais, te um. bom jonselbo
que elle d-lhe ; pois se o senher nao retirar-se ja o
ja, Massach ajuulafia seus cabellos aos dosnimigo,
que pciiiteiii-ihe do cinto.
Mas isso he terocidade I e clamon Bergalasse
razendo esteraos inauditos para lixrar-se do aperto
do selvagem.
Rlirc-se !
Convem que eu falte ao duque !
Tema o furor de a lassach.
Oh I meu amigo, ludo isso he urna amarga
zombaria, prosegoio Be rgalasse, o qual conseguir
emfiu recobrar a'liherd; ide dos mo>imcBlos; esta-
mos em Franca, aqui mo mata-se mm .^WUi co-
mo urna fera, e nSo eslo u decidido a deixa-lo tezc-
dos poucos cabellos que i ne restan ) un adorno para
seu ciulo de ceremonia. ..'- ,
Torno a dizer, quero e sperar aqu o duque, e an-
da traando teuha de pas sai^a noile en siia compa-
Lnhia, o que certamentei nao sera deteitoso hei
6eespera-io!..... {CotUmiv-u+i.)
#
*!. I t-



p, iv
DIARIO DE PERNAMBUCO, SABBADO 20 DE MAIO DE 1854.
das prescpcoes ; hbil interprete da naturesa nada
Ihe escapa ; e eil-o depois elaborando no seu gabi-
nete todos esses dentemos da arte o do sabor. Mas
os gemidos do interino nao respndelo a todas as
questes da scioncia.
Eustaquio o sabe, o alii vai elle explorar nova
mina. Eil-o junio a banca anatmica d'escalpelo
ua rao seguindo passo a passp as pegadas da mor-
lo, o arrancando aos orgaos o segredo da physiologia
patolgica. Oh! He entio que Eustaquio se
contempla feliz Esto realisadas as suas amb-
coes scientilicas. Ento principia ello a comprc-
hender a sciencia, j ltie conheco a liollesa, j Uie
aprecia os altractivos. Eustaquio nao imaginava,
que esse corpo disforme e mutilado, quo om outro
lempo conhecei-a, fosso susceptivel de ostentar tan-
las gracas o loucania.
O novo tyrocinjo de Eustaquio grangeou-lho no-
va aureola do gloria. Nelle a assiduidado no estudo
era j um liabilo, e o seu aproveilamenlo foi
#iI, que no m de quatro annos recebia ollq nos
pacos universitarios do Edimburgo o grao de Dr.
em Medicina, e era a Inglaterra, nem a Uuiversi-
dade de Edimburgo sao das que vemlom a digni-
dade do sabe'r por vil e srdido inleresse, compro-
meiiendi a seguranea das familias, e illudindo a
lioa fu dos gvenuHpfom ficcpes vcrdadeiramenle
iriminosas.
Nao satisfeito em suas ardenles aspiraces scien-
tificas "cornos louros'rollados em Edimburgo, vol-
tou a Londres, e apresentou-se ao collegio real dos
cirurgioes d'aquella inmensa capital.
Depois de_ oxaraes km cleilo membro d'aquella
limosa eorpracao. Pouco depois nomeou-o seu
socio honorario a sociedade medica de Londres, de
que ere. nto presidente o mais afamado cirurgio
dos lempos modernos, e celebrrimo Aslley Cooper,
o qual ipxvou em caria Smilmente, honrosa as
caiisaes d'essa oleico.
Depois d'laver frequentado as clnicas dos mais
habis pratitosTJe Londres,' em cujos esiabelecimen-
tn aRluera innmeros easof'Wros de ledo os pon-
tos do globoperiencentesiqticlle imrnenso imperio,: jamuro da sociedade, que implorava oseu auxili
depois de haverexharidoasgraduaees medicas que
se podem obter era Inglaterra, quiz alada o joveu
Dr. puf o remate a seus estudos e obeervacoes, c
como que dar vern attico a sua edcacao 'medica
e Iliteraria. Transjpa-se ento a Paris fi nessa
nova_Athnas,..oa4Modo se acha d'tsposto para
P gosto,#kililar o estudo, e multiplicar
n todos os ramos dos conhecimen-
tos rninnlWE- e particulariaeute na medecina, un ve
elle de novo os eloquentes e substanciaos discursos
ilos mais illuslres professores ; frequema os hos-
pilaes sesees, o aqueiles mais preciosos ainda, que
sao destinados a molestias especiaes, cujos mdicos
em chefe, pela maior parte lentes da faculdade, se
esmerara em alargar os limites da sciencia, e em
Iransmittir a seus ouvintes'os mais proficuos re-
sultados da propria ou estranha experiencia.
Munido de tfio completas tabilitacoes, de tantos
ronhecimenlos too raethodicamenie adqueridps des-
de a humilde escola nascente do Ro de Janeiro al
"as mais faraigeradas academias do universo, o Dr.
Jos Eustaquio Gomes bem pudra na sua patria
oeeupar lugar eminente ntreos bons praticos, c
adquirir em qualquer parte do mundo milo mais
do que exigiam suas mui parcas despesas pessoaes.
Mas nao; a nobresa dos sentimcnios do Dr, Jos
Eustaquio Gomes n se deixar macular por um
acto de.ingralido. A trra quelhe havia minis-
irado os meios de satisfaser suas aspiraces scienti-
licas era a sua* verdadeira patria. Devia-lhe os
. seus serrinos.
Era sua |ma eminenlimente agradecida estavam
gravados oAeneucios recebidos, e por, seo apenas
reeoBheceu em# a necessaria somma de couheci-
menlos para de consciencia quieta poder dedicar-se
S oenservaco do mais precioso thesouro de seus
nenie de interinos,, e de portadores, que affluim da
cidado, dos suburbios, das comarcas, o das provin-
cias visinhas, querendo lodos ser oiividos edespa-,
diados. Dcbaldo na previsao de casos urgentes
linha o Dr. na casa urna porta, quo Java para
oulra ra.
Os mais oxperienles j sabiam do sogredo, e
(piando esparava ir, como fugitivo, acudir a algum
amigo, ao transpor a porta acliava-se novamento no
meio de outro enxame de doenies, menos denso,
pprom mais importuno por isso mesmo que' ora
cranoslo de gente mais familiar. Reparlia-se
pelos casos mais urgentes, distribuindo o tempo
com juslica o parcinionia. Do volia ao domicilio
cahia na mesma confuso, em que o deiXrq ao sair
clandestinamonte, o isto nao era urna ou oulra vez,
mas todos os dias, o por espaco de mais de trinla
annos. .
Do noile andavao mensagoiros pelas ras por-
guntaodo se algucm o havia visto passar eem que
direccao, o rara era a casa cm que entrava, a cuja
porta nao achasse ao saiimais de um .portador com
novos chamados.'
Cusa a porceber como um homem mo affeito na
infancia a trabalhos rudes pode supporiar a vida
exlraordioariameme laboriosa, quo leve quasi at
aidade de 71 annos. Era todava de estatura
abaixo da ordinaria, e mi appresentava desenvol-
vimento muscular, que denotasse tanto vigor. Pa-
rece quo as excellentes qualidados do espirito Ihe
redobravam a forca corporal, o aexpresso do sem-
blante era como reftexo com[toslo de bondade o in-
telligencia.
. He ceno, quo em to dilatados annos nunca dcs-
consolou um affliclo com duro nao, e se nimia
compaixo o lefava a promelter o que nao caba no
lempo, nem nos limites das torras humanas, apre-
sontavage no dia i'mmodiato,*pedndo, dcsculpa de
Ihe nao (er sido possivel curaprir a sua promessa.-e
prestondo-se a quanto d'cllc se nocossitasse ainda.
Heroica philanlropiar Porque um din o circulo
dos seus beneficios nao pode abranger mais um
os remedios, a ouiros para compraran alimentos isonbo de bem intencionadas, mas phantaslicas ima-
semelhantes, da saude, som a qual saber o riqueza,
gloria e nobresa nada sao, e nada valem, deixa
Paris, "corre pressurbso a apresentar-se ao. governo
do Rio, pondo ao seu dispor as habtlitoccs, que
havia completado com o seu auxilio. Possa ao
menos este exemplo servir de lico a essa alluviao
de ingratos, que pojara a sociedade, e para os quaes
o dia do beneficio lio ordinariamente a vespera do
esqueejmento, ou de negra retribuiqao
Fiel oxBitoUtaaSrtM
calar informado petos seua lili
Inglaterra dos ttulos gloriosamente adquiridos pelo
beneinevito pensionario do estado, determinou que
se habilitas legalmente cora os chames ordinarios
perate o physico-raor.
Naquelte tempo anda so lomava ao serio o exer-
ckiods* medicina, ainda era elle sagrado direilo, e
rigoroso devr dos quo haviam consagrado a sua
existencia ao estado da mais ardua de todas as sci-
encias, '
Ainda nao era ebegada a poca venturosa do
charlatanismo, na qual lodo aquello que por inopia
de babilitaces nao acha, em que ganhe honesta-
mente a vida, o por maos costo mes perdo seus
meios de existencia, se declara medico de sua pro-
pria autoridaJo, e se alira bolsa saudo do vul-
go ignaro, sem que o governo e seus tribunaes op-
ponham dique enicaz. a .lao immunda crreme, rc-
duzindo-sea proteogjo da sociedade om'artigo to
importante, ao leis sera execurao, a vaas palavras.
Entao anda as artimahas mais ou menos grossei-
ras do inleresse pessoal Sram reprimidas com penas
severas, e ainda linha justo castigo a semeoiiscioncia
homicida d'aqueites que da vida oa da saude de
sous scmelhaQies fazem infame trafico.
Por aquello lempo aehava-so esta provincia pro-
fundamente agilada pela revlueao de 1817, que
lanas e lio preciosas vidas custou. Proparava-
se o governo do Rio para reprimir aquello movimen-
^to tao imprudentemente ropunlcano. Dala d'essa
"epocha a carreira verdadeiramente gloriosa do Dr.
Jos Eustaquio Gomos., Occuppado ata enlao em
resolver os difficeis e intrincados poblcmas da sci-
encia, que-tantos lours lbe, haviam graneado,
era chega'da tambema occasio de receber'as on-
gaos da humanidade. O governo por um acto de
justica, o deferencia ao mrito na organisac da
tropa expedicionaria escolbeo o Dr, Gomes para
medico d^ hospital da diviso, e assim som calculo,
nom prerheditac^io, por urna serie de successos for
mitos, aportou neslas praias, como inimigo, um
dos horneas que mais beneficios n'e'ilas derramou.
DebaUada a revoluco, doyia o Dr. Gomes, na
foriMo^ilrucc3es rajnisteriaes, regressar ao Rio,
mas as qualidades do medico honrado e inleJIigento
nao haviam escapado perspicacia do general Luiz
do Rogo ; a propria experiencia Ibas revelara nos
grandes servicos quo Ihe va prestar to exercilo com
a seguranea de um pralico consumniado nos arcanos
da sciencia, o com um zelo, que Earia inveja aos
amigos palriarchas.
, Luiz do Reg, como babil administrador, que
eVa, conhecia bem as necessidadeti da provincia, o
fto exercito aqu estacionado, a se obedecer as ordens
do ministro, que o reclama va, era privar a popu-
lacho de um anje tutelar, retoA-o sem permisso
era tornar-se reo dodesobedienci a militar, ou quando
menos incorrer no desagrado do governo. Onmor
da humanidade pode mais do que a ajitoridade dos
homens no animo do philan'.ropico general. Em
(|uanto o Dr. Gomes, militar submisso cunipria a
orden do seu supperior, repr esentera Luis do Reg
para o governo do Ro de Jfinoiro a iiecessidade de
conservar na provincia um medico do quilate do
J)t. Gomes. O governo fipprovou a resohteao do
general. Anuo e meio dermis, em Junho do 1819,
eslava o Dr. Gomes nem^ado medico em chefe da
diviso, e aqu domiciliado com mais probabili-
dade de permanencia-
A preferencia do cr.pitao general nao tardou
muito que fosse plonaiMente justificada pelos bri-
llantes successps mediros o ci.ruryicos oceorridos no
Iwspital miliiar. a. noticia desses fados ia.se di-
vulgando pela cidado, e a suiwioridade do medico,
nmcoetaoemPefI).ambue0ii(JU0 observira ocs.
lado da sciencia nos ceiros da civilisacao e presen-
ciara a climcaK !raticog raaig afaraadosd.muI1.
40, tornara-se patente, anda para as intcllgencias
mais acanhadas,
Tevo entao principio a su a clnica 111
; so com a sua raovte acabo a. Collocado official-
merite em um Mjatro eminente, onde abundavam
os fictos, o Dr. Gomes na o adqaiio lenta e pro-
gressivamentc a sua clinici, como sueeedoem toda
a paitas fowns Drs. Passou sbitamente de
recom-chegado .1 medico o mais afamado, eo mais
oceupado, que tem lido 1 'ernambuco desde a des-
coberta do BmsI.
Era verdadeiramente curioso v-lo, como sitiado
a sua casa drt ra Nova, involio era turba perma
ja nesse dia Ihe faltavam as doces emocoes do cus-
turne. Bem' sabia elle que havia praticado quan-
to humanamente ero possivel para Ihe acudir; mas se
isso tranquillisava a sua consciencia, nao Ihe pou-
pava amagoa do saber ser desvalido o infeliz doente.
9eao menos elle pudesso communicar aos oulros um
raio 3 lu/, que Ihe esclareca a mente, a humani-
dade seria mais a tempo soccorrida.
O Dr. Gomes emprchende a realisafao deste
pensamente tao grandioso, quao difTicil de execu-
lar. As nocessidades publicas reelamao maior
numero de praticos. O corajoso Dr. imagina que
he possivel satisfazer esta urgente reclamacao, em-
bora tenhaissode Ihe custar milhares de sacrificios,
eabrasado no santo amor da sciencoa e da huma-
nidade pe maos a obra. He quo saber na alma
do Dr. Gomes nao se assemelhava perola sepulta-
da na profundidade dos mares, nem ao piro recn-
dito as entranhas da trra. Esse saber profundo,
que lanas fadigas e Jucubra^oes Ihe havia custado,
precisava commnnicar-se. Parecia-Jhe de maisquo
o fferocendo aos outros espirites os mesmos elemen-
tos, qtehaviam ficundado o seu, seriara idnticos os
resultados : sania inspiracao j
Prucipiou o Dr. Gomes por instituir no hos-
pital regimental, de que era director, huma es-
cola cirurgica. Mas onde os lentes, onde os de-
raonstradores ? Nao importa, o Dr. Gomes ser
ludo. Os discpulos aflluem, e eil-o que prin?
cipia os seus trabalhos didcticos. As preleccoes
theoricas, o os trabalhos praticos se succedem com
ordem e regularidade admiraveis. Agora he elle
o hbil anatmico revelando .a seus discpulos os
misterios da organisapio humana, logo eminente
physiologsta indicando as leis do dynamismo vi-
tal, ; aqu profundo naturalista explicando os do-
gmas da materia medica, acola clnico consum-
mado entregando aos novos prosolytos o cdigo
da verdades pathologicas e therapeu ticas ; urna
hora antes artista primoso exentando com a maior
destresa os mais dilficcis processos da medicina ope-
ratoria. Parece iacrivel quo um homem s, e ura
homcm, que tinha a vida do Dr. Gomes, pudesse
com esperanca de' bom xito assumir sobre si os
trabalhos variados de semelhanto estabelecimento,
i tos annos. em quanto
Se on)rchendeo, ou nio.^bra til e meritoria,
digam-no os que sabem que ainda actualmente,
n3o obsta_nte oxistirem, lia tanto tempo, escolas
regulares de medicina no Imperio, os nicos fa-
cultativos', que existem as comarcas da Provin-
cia, com excepcao de dous ou tres, sao descipulos
do Dr Gomes. So elle pode, ou uao, resolver o
problema, que era verdade pareca iosolqvol, de
formar por si s praticos habis, digam-no os que
.tem presenciado, e podem aquilatar os feitos m-
dicos de alguns de seus discpulos, que ah exis-
tem entre nos.
So pelo largo espaco de trinta e tantos annos
o Dr.'Gomes aecupou incontestavelmente o pri-
rooiro lugar entre os mdicos de Eersambuco, se
at o fim da sua vida conservou esse lugar, nao
foi s pelo saber e experiencia professional, mas
tambera, por que foi o homem mais bem fazejo
qye tem pisado o solo desta Provincia.
Na distrihqieao do precioso tempo, verdadeiro
e quasi nico patrimonio dos mdicos, nenhuma
distinecao fazia en ir ricos o pobres, fidalgos e ple-
boos: o perigo, a urgencia eram a medida da sua
escala. Por isso era elle verdadeiramente idola-
trado pela plebe agradecida, e nao sei que tenha
havido aqu allioje nome lao verdadeira o cons-
tantemente popular, como o seu. lie que o povo,
quando nao desvairado, nunca he ingrato aos be-
neficios reaes, o paga os servicos receidos com o
amor, o a justica, essa paga, para almas, como a
do Dr. Gomes, tem alto preco, e valia.
D'essa, gratidao popular, entre oWras pra-
vas, leve elle urna bem geral e significativa em
julho de 1824. O Governo revolucionario de-
cretou a demisso dos erapregos pblicos de wd
quantos cram nascidos-em Portugal. O pov
suppondo, como era natural, que o bom Dr. fosse
incluido na lista dos demittidos, assim que pelas
dez horas d dia se divulgou a noticia d'aqueUa
resolucao do Governo, principiott a afluir dos tres
bairros para o largo do Carmo, onde era enlao o
hospital militar, eem cujo servico elle soachava.
foi lal o concurso quo j pareca motim, e cons-
tando na fortaleza do Bium que havia tumulto
largo do Carmo, ocommandante da fortaleza,
era ento o" Illm. Snr. Tenenle Coronel Josl
Maria Ildefonso .locme da Veiga Pessoa, veio in-
dagar causa de tamaita agitacao.
appropriados a suas molestias. Era fiador d/um
sem numero do casas oceupadas por artistas, do
quem tratava gralutamente, o que tendo em diu-
lurrtas informidades j exhaustos seuslimtados re-
cursos, e vendo-se ameacados, com inxoravcl du-
resa, de expuljo por falta de pagamento dos a-
lugues, recorrio sua conhecda caridade, que
nunca se experimentou em vao.
Nao foram ainda assim os indigentes, que a-
bsorverao a maior parto'd produelo de sua im-
mensa clnica, producto avuliado, posto que som
proporcao aljjuma com o seu trabalho c mereci-
mento. pilamos horneras, mesmo do alta jerar-
cha, seachavame.maperlosdodnheiro, por pouco
que dello tivessem leve o recento conhecimento,
l iam bater-lhe porta, e hora da morte, ach-
rp-se-lhe as gavetas entulhadas de vates, quo
pela maior parlo nada valem, e um d'cltes nao
importava em pouco, pois he da somma enorme,
para um medico nesta Provio.cia, de mais do dez
cornos do res !
Oulra classe de necessilados, que tambera abu-
spud nimia bondade do sanio Dr. foi a dos que
precisavam de fiadores. Posto que sua razao es-
clarecida Ihe mostrasse o abuso e o perigo, recean-
do que do sua negativa resultasso a ruina de urna
familia, ou a deshonra do um coohecido, era-lhe
mais penoso nao servir do que arriscar o pouco
que os pobres Ihe haviam deixado. So as dis-
posiQes legislativas exigiam que alm da sua flan-
ea desse caucao, l corra elle mesmo em procu-
ra do um amigo, que o ajudasso, e por sua morte,
alguns ficarara, como eu. em pendencias com a
justica. Basta dizer. a este respeilo quo so ochava
j quasi agonisanlo no leito da morte, e ainda
ludo quanto possuia eslava serviudo do flanea as
intrincadas domandas do fallecido Beranger, seu
amigo doente, cuja infeliz familia lntou de balde
salvar das garras da mizeria. Os ,poucos bens,
que possuia, mal chegariam para garanta de mela-
do dos valores quo estavam om litigio, mas tao geral
e lamanha era af na sua odavra. que al o rigor
dos tribunaes a respeitoolPpoiido-a em perfeila
equacao com a lei. Se nao lora a intelligenciae
achvidade de um dos tresentos e tantos afilhados,
que tinha n'esta Cidade, nao deixaria disponiva
hora da, morto um s viniera, o isto, send'sl-
teiro, naturalmente econmico e at parco para,
coinsigo, e depois de quarenta annos de ncrves
trabalhos, em que qualquer outro tena capiali-
lisado milhes.
Finalmente muitos dos que se acbavam sem
casa para passar urna noile, ou alguns dias, sa-
liendo da bondade do Dr, Gomes, para l se d-
rigjao, o ao vollar por alta noule de suas oceupa-
coes, encontrava ora gente do malo, que apenas
de nome o conhecia, ora.jovens esludantes de
Olinda, que por sahrem tarde do thealro, e nao
poderem regressar a seus domicilios, nao tendo
conhecidos no Recife, l ao pernoitar em casa de
um homem, do qual s por tradicao conheciao a
bondade. Muitos destes hospedes all fiearam,
annos, e annos, usando e abusando do que havia
em ca^sem quo no temblante flo Dr. descu-
brissem em todo aquelle tempo os menores visos
de enfado.*
Que muito que urna alma assim formada, que
um homem que acuda a odas as cTassos de neces-
silados de todas as jerarchas com a bolsa,' O saber,
a oxperioncia, c a proteccao, que ente to bemfase-
jo gozasse de aura popular nunca vista om Pornam-
buco, e que no meu conecito, tarde se tornar a
ver? Nos primetros annos do systema representati-
vo, quando ainda nao liavia partidos, o depois em
quanto ellcs se nao amestraram na arte subtil das
eleicocs arlificaes, em que de ordinario se nao pro-
curara representantes do inleresse publico, o povo,
que em scuinslincto de conservacao v<\ as virtudes
privadas a mais solida garanta da vida publica,
sera olliar para o lugar do seu nascimento, c ape-
sardos violentos preconceilos. d'aquellas pocas,
sempreoelegoo esponianeamente'para todas as fuu-
ccs do|iendenles da sua votaco. Foi sucessiva-
memle e por diversas vczcs*mombro do concelho
geral da provincia, eleitor pfi4*s "legisbiniras gc-
raesc provinciaes, veroador da cmara municipal,,
e membro da assembla provincial.
'"r"!.n..''"raia^"' il'''i''"' ,l""fj""" a exisfc
r^sfe Caiiusimsar-se, o JJr. Gomes, que a lo-
dos amara, o soccorria, a nenlijim su podia tornar
intenso, e como j entao as eleifcbgto eram es-
pontaneas, mas impostas pelos cherePaos partidos
organisados, o nomo do Dr. Gomos apenas urna ou
oulra vez sabia das urnas cleitoracs. Se na execu-
cao dos modernos systemas constitucionaes he isso
urna calamidade, cjue por ser geral parece inevit-
vel, o que obliga a admitlir, que de meios pessj-
mos se possam colher ptimos resultados, inigraa
dflicil de comprehendor; he certo que leve'ao me-
nos para o Dr. Gomes a grande vantagem de Ihe
poupar o tempo, que a mulo custo, o s por con-
viecao profunda do dever, consagrava s funecoos
electivas. Sabia, como todos os mdicos, que nun-
ca o lempo Ibes chega para o oxercicio e o esludo da
profissao, e que.a distrabir a attenco em oecupa-
Ses inteiramente oslraqhas scioncia, quo profes-
sam.ficarao estacionarios por algum tempo, e depo-
is relrogradaram: exemplos d'estes nao faltam, e
nao sao mais do que casos particulares da lei geral
imposta ao pbisco e moral do homem, de princi-
piar a perder assim que deixou de adquirir.
Que o povo honesto tivesso o amor c considera-
cao, que viraos, ao Dr. Gomes, era cousa natural,
era divida que pagava, e nao admira. He porem
singular que at os ladros e assassinios Ihe tribu-
tassem homenagem, e confianca. A esto respeilo
ha na vida do Dr. Gomes tactos, que bem poucas
vozes se enconlram na historia da humanidade..
Quando pouco depois da independencia, se te-
ma alguma rcaccao da metrpoli, os nimos da
mais intima plebe foram de proposito exaltados para
a Jjpar a excessos, -quo afugenlando os porluguezes
tirasse raai-patria p appoio que n'cllcs poderia en-
contrar.
Doserifreada a plelw, o organisada depois em si-
llcro de balalho, ao qual se confiava a polica
cidade, nao houve casia do desatino, que ella
nao praticasse, som quo aos sous directores e exci-
tadores conviesse ir-lhe mao por em quanto. Re-
nava pois silencioso terror no domicilio dos porlu-
guezes, os quaes espera de navios para fugir, ape-
nas do dia ousavam sahir a ra. N'esses dias luc-
rosos, e nefastos, do que ainda os voltios conscr-
vam pavorosa memoria, o Dr. Gomes, senlindo
porfundamente a injiistica perjietrada para com seus
patricios, e manifestando a todos seus sentimentos
Kilo, e os 1 altamente, nunca deixou de sahir a quahiucr hora,
empfegados do hospital certiflcarao ao povo que e quando por alta nouto os bandos di sici rios o en-
o Dr. nao era demitudo, que o Presidente* popu-J
lar o havia excluido da lista dos demittidos. Mos-
irou-se o povo muito satisfeito com esta noticia,
dizendo que assim, su Ihe ovitava ir reclamar cora
elle tumiilinariamente Presidencia contra a sup-
posla demisso, o grande parte d'aquella mullido,
querendo ver p proprio Dr. invadi as salas do
hospital, dando-lhe eslrondosas provas de affecto,
e rngozijo.
Em verdade a divida do3 pobres para cora o Dr.
Gomes era immensa .' Nao se limilava om pon-
sagrar-lhas os develos e consola^es da sua pro-
fissao de boa vonlade, e com paternal carinho.
Tambem Ibes acuda generosamente'em suas pro-
cises Entre infinitos casos, em abono desia
verdade neputestada, ctarei s q que o Exm.
Marecbal do Exercito,' Francisco Jos de Souza
Soares d'Andra exppem era carta de 26 de Mar-
co passado.' Durante a sua residencia em, Per-
nambuco tevo com o Dr. Gomes intima amsade,
a achando-se este em sua casa 110 onno de 1820,
lembrou-se por alia noile, lerrivol de vento c chu-
va, que se esquocera do visitar um pobre, que es-
lava muito doente. Dispoz-se logo para sahir,
o debalde a Exm. Scnhora do Marechal o quiz
demorar om quasio so preparava ura cavallo, ou
urna cadoirinha. Muito familiar na casa vio
n'iiura- quarto grossoiros casacoes novos feitos para
os negros do Marechal; enroupou-se n'hum d'elles,
e sem altender a vento, nem 9 chuva, foi soc-
correr o desvaldo deichando-IIie ainda, diz o Ma-
rechal, algtimas patacas.
Todos quantos entraram no seu gabinete, o
custaria a encontrar alguera .quo l nao tivesse
entrado, viram quo se alguns dos consultantes ro-
tribuiam, como hem Ihes pareca, seuS servicos,
antes de lindar a consulta j o dinheiro, que ha-
via receido, tinha sabido pela maxim% parte re-
partido em partellas entre a mullido de infelizes,
fhe rodeavam, soccorrendo a uns para haverem
contravam, longo de o insultar ou espancar, trihu-
tavam-lhe respeito. e receando-so das consequencias
de algum equivoco davam-lhe guarda, quo o acom-
panhasse, o o protegesse em quanto andasse na ra.
Quera sabe quao violentas coslumam ser as pai-
xoes polticas ua plebe rude e ignara, por este nico
tacto poder imaginar o grao do publica considera-
Qao, a que j'cnto liavia'chegado o Dr. Gomes.
A guarda popular era dada nacionalidade, o nao
aos sentimentos polticos do Dr. Nascido o educado
em urna poca, na qual as doulrinas abstractos dos
modernos philosophos, concentradas ovulgarisadas
na oncyclopedia, io passando do cam()0 das theori-
?s prova arriscada da applicasao, o abalando os
alicorees da amiga sociedade, originavam hum go-
verno poderoso, e violento que nogava verdades ha-
vidas om todos os lempos por indispeusaveis esta-
bihdade, eduiaco dos estados, tora impossivel que
hura homem perspicaz e. bom, como o Dr. Gomes,
obrigado desde a infancia a reflotir nos excessos e
crimes quevia pralicareni nome da libordade, nao
reconhecesse quo na causa primitiva du lao honro-
sos desatinos liavia manifest justica, o que por nao
separar do crimoo legitimo.d'ueito, dcixassede par-
lilhar o amor da libcrdade, distinclivp do scculo,
en que nascco, e viveo. Era effetivamente parti-
dista da possivel liberdade humana, e momhro de
quasi todas as sociedades philanlropicas do mundo)
bem claro via elle que a fratemidado universal era a
tendencia final do seculo. Sua alma caritativa c
providente aiitevendo com jubilo prophclico hum fu-
turo, que as intellrgenclas vulgares mal deslindara
quando j propinquo, regosijava-se com as appllca-
qos das sciencias physicas rapidez da cpmmuni-
cacao dos homens, das cousas, edas idoias, paro-
cendo-lhe que por meio do taes inventos se anticipa-
va a poca, em que o amor do homem pelo homem
deixaria de ter por limitcs'lium to, hura monte, ou
huma praia ; que so bia approximando nm tempo;
em que se tornara jwssivel o que sempre parecer
ginacoes, a saber, quo o globo fosse a patria com-
mum, todo o homem concdado, e lei suprema a
universal fialornidade. He ccito qic se a espada
forte dos mais intelligontes conquistadores nunca
pode realisar pela violenck esse grao cxlrcmo da
civilisaeao, pao he chijBoriiXi espera-lo, sem os hor-
rores baldados de ambiciosas, guerras, dos pacficos
puogressos das sciencias^pplieaveis s nocessidades
do hornera. O bom Dr. aljjjeando em sua ira-
mensa caridade at as goricpesfuturas consolava-sc
do nao poder alliviar as miserias presentes com a
philosophica o transcedeoe provisao da ventura das
goracoes vindouras.
Em quanto estas provas de parlicularissimo
affecto Ihe oram dadas pelo povo, a junta Proviso-
ria do governo da provincia chamava-o ao seu con-
celho cm portara de 6 de agosto de 1822 II
Huma noute voliavr elle de seus trabalhos, j
ra de horas, quando atravessando a ponte da Boa-
visto, Ihesahem de encontr tres ladres. Deo o
que levava na algibe'ra, e como os salteadores exi-
gissom a entrega do relogio, de quo gostava raiio,
estabelocoo um collq'uio com os aggressorcs, r-
presentando-llies com mita lgica, e perfeila sore-
nidade do espirito, qieellcs sem duvida hiam ven-
der o relogio, e naturalmente por muito menos do
quo valia, que bem fbdiam consideral-o comprador
Jo relogio, pelo quil-daria o seu valor real, viessem buscarp dimeiro sua casa, c a nao que-
rerem ir aquella hon, que o madassom receber
de manha. Os ladries, sabendo porfeilaraente com
quom tratavam, annairara sem a mnima reluctan-
cia aoseu pedido. Ao:outro dia veio um indivi-
duo reclamar o valor estipulado, e elle, esclavo da
palavra dada mesmo a facinorosos, salisfez promp-
lamnte o promeltids. Os sous mais ntimos ami-
gos s porcasualidale puderam vir no conhecimen-
to deste tacto, o qm muito o admirou, pmYqtie a
ningucra o havia contado, e 'quando Ihe pafpnMP-
am se conhecera algum dos ladros, sorria e cala-
va-6e.' Immensohe,o poder da virtudc pois que at
assasinos e salteadores venertlram a fe da palavra
dada na pessoa d) Dr. Gomes.
O continuo lidir, em que consumi ~a oxistencia
al o ultimo montnto, leve o lameniavcl resultado
de Ihe nao deixar tempo para escrever, e nos con-
servar suas muilis observacoes, therapeuticas, os
immensos tactos hiportantesde sua dinica, e as con-
sequencias geraes de sua diuturna experiencia.
Dos effeitos das plantas indgenas tinha elle ex-
tenso eonhecimenb, e a perda de suas observacoes
a este respeilo he urna verdadeira calamidade.
Antevendo, e rcicando o que succedeu, o tambera
para de algum irodo Ihe fazer violencia, por vezes
me offereci, sob 1 pretexto do llip facilitar o traba-
lho, para ir escrever o que a este respeilo me dilas-
sc na sua casa decampo no Paco. Va5 tentativa !
A sua extrema modestia nao Ihe permetda acceilar-
me para secretado, *e a meus reiterados pedidos
responda sempre com promessas de redigir algumas
notas e observacos pelo menos. Nao obstante tan-
las e to fepetides instancias nao s minhas, como
tambem do seu intimo.amigo o Exm. Sr. Vicente
Thomas Pires ce Figueiredo Camargo, a morte sur-
prendeu-o neslas rlromessas o adiamontos, e ape-
sar de todos os nossos estoreps l foi J>ara a sepul
tura rico iesoiTO de experiencia, bem rara neste
clima, onde mai poucos mdicos, que reunam im-
meosa clnica "a sufficionte cultura intollectual, e
nolavel espirlo observador, podoro chegar idade
j provecta dt i\ annos.
Para se separar dos pobres doentes, para consa-
grpr apressadamente alguns instantes a redigir um
escriplp, era preciso que dever mais imperioso, e
de inmediata exocucao, a isso o compellisse.
O municipodo Recife al 1817, limpo de mo-
lestias endmicas do grande momento, e dotado de
urna constiluicao medica das mais favoraveis, prin-
cipiou desdo entao a tornar-so mais doentio. As
erysipelas principalmente, que at all apenas havi-
am apresentido a forma sporadica, e pouca gravida-
de, tornaran-so'muito mais frequentes, e como en-
dmicas no municipio. A boa ndole ordinaria da
molestia, \m as mais das veses cede mera expec-
tacao, tinto mudado, e nao poucas vezes se presen^
ciaro ento casos fataes, ora dividos violencia das
reaeces, ora a sbitos e pouco explieaveis rctroces-
s--. ,*. t^.-^-,-----,, ..,u,fa suas_maia
ternveis larimiuicpes, a gamueiu-ocoOTia as ve-
zes disforme da paite, que mais-de urna vez havia
sido envadida pela doenca; constitua o mais benigno
dos seus effeitos, mas tambem o .ma frequenlo. O
facto nao escapou desapercebid^ vigilancia da C-
mara municipal, a em 1837 resolveu ella ouvr
aopiniosdo eximio praticocercadascausas que mais
provavelmente tinliam contribuido para generalisar
a molestia, ebei* assim a respeito dos meios mais
efflcazes de removo-las. Traiava-se do urna questo
de hygieno publica ^ para'o ardente servidor da hu-
manidade era sagjjgdo dever a satisfacao de to im-
portante exigenciu
Tcve de redigir^ao urna memoria que achei
indita entre os eus aponlamentos, o na qual se
revela o espirito inminentemente observador d il-
lustre^linico, e una forca de lgica medica que al-
trahe e dileila. Nlla seacho minuciosamente con-
signadas todas essas innmeras gradaees c cam-
biantes, que a molestia podo apresenr, desde o
simples cryhoma at a> erysipcla a mais gravea
grangrenosa ; jahi se acham doscripias todas as
suas variedades syBiptomatologicas com nolavel pre-
cisao e clareza, oiodavia nao foi esta a parte da
doenca a que elle elaboru cora mais cuidado, O
estudo. das cousas, de ceno o mais importante, ab-
sorveu quasi toda a sua attengo.
Remontar dos fados palhologicos observados
para a existencia de urna dialhese, que elle cha-
raou crysipclalosaj de um estado de prodisposico"
incarnado no organismo, e que lbe comraunicava
tao grande aplid mrbida, quo em presenca da
menor causa a molestia se manifeslava, ou se're-
produzia ; foi no Dr. Gomes ura acto rpido do,
seu entendmenlo' jmminontimente perspicaz A
experiencia Ihe bayPmoslrado, que a molestia ra-
ras vezes se li*^a a Orna s invasao ; que urna
vez .declarada ernrqualq'iior localiilade nenhuma re-
giao peryphorica Relava depois ao abrigo dos seus
ataques ; qu^hjjwias frequentes repetiepes varia-
va ella muilafj K de sede ; c que tanto neslas,
como em suajjleira -apparicao as causas occa-
sionaes ou dejerrninanjfc escapavam quasi sempre
s mais fortes rontensq|p do seu espirito observa-
dor. He por que a^Buse, disse elle, colloca o
organismo em tao grans propinquidade de adoe-
ccr, que a mais pei|upria causa, a de menos im-
portancia i'apnarencia ha sufficiente para realizar
o acto mrbido. Porm como achar os elementos
d'essa dialhese, d'essa predisposicao 1
Conliecedor das relaces sympalhicas quo Irgam
a pelle com a mucosa gasiro-cnleslinal procura ahi
a explicacao do faci. ola a frequente coinci-
dencia da molestia com as inllammaccs chronicas
do tubo intestinal, e entranhas abdominaes, ospe-
cialmoute do ligado, e- comparando depois o phe-
nomono com a robustez e saudo florida dos indivi-
duos, nos quaes o canal intestinal, e visceras ab-
dominaes se achavam isenlas.de soffrimnlo, oon-
cluio, que nisto havia nao urna simples coinci-
dencia de facto com facto, mas urna perfeila rela-
co de causa cora o cITcilo. Bom sabia elle j que
oulros oslados palhologicos podiam engendrar a
diatlieso erysipeltosa. A aeco dos vicios orgni-
cos, c a dos virus ospecificos na produccao da mo-
lestia era evidente de mais para que elle a des-
conhecesse, ou Iho desse pousa importancia. Es-
t'outra causa porm a irratagao chronica do tubo
intestinal e ontranhas abdominaes, especialmente
do figado foi considerada pelo Dr. Gomes como a
causa mais- frequente e a mais poderosa na produc-
cao das erysipelas nsla localidade.
Reslava,lhe poim apoderar-se dos elementos e-
tiologicos primitivos, de cuja rcmoQo e.a de es-
perar senao o completo desapparecimenlo do mal,
pelo menos a sua maior dimiouico e benignidade,
principal mira, que o bom pralico nha cm visla
no sou trabalho.' Urna longa pralica, e o-repe-
tido contracto coin todas as classes da sociedade Ihe
haviam ministrado oSHlados precisos para a4 reso-
lucao do grande problema.
O habito das carnes salgadas, o abuzo da pi-
menia, a preversto ik alimentos, do que por min
goa de"1 recursos se utilisavara os pobres o os es-
clavos muitos deltes s vezes j tocados de putre-
facto ; a impureza das agoss, entiio transportadas
em inmundas canoas, e expostas ao ardor do
sol, e o abuso das bebidas espirituosas especial-
mente da garapa picada, parecaram-lhe fados da
maior importancia palhogenicapela aeco imnwdia-
ta, que exorcem sobre o canal intestinal, e por con-
tiguidade de tecdo no aparelho biliario.
Mas como explicar a iscncao de que" gosavaln
e gozara aioda celtas localidades, os nossos ser-
toes por ex, alRogeits aos mesmos abusos, e
consoguintcmenle s mesmas causas d'insuluj)ri-
dade? Eil-o quejM0'18 P"3 ,s circumslancias
meteorolgicas di-Jade, e auxiliado dos melho-
res insirumentosoe phisica interroga aathmos-
phera, consulla o tliermometro urna e mais vezes
ao sol, sombra, em diversas localidades. A es-
cala marca-loe em Farenhoit. 88." graos como
mximo d'ascenso, 70." o mnimo. A resposla
nao o satisfaz, quo idntica he ella em outras pa-
ragens, som que por isso estejam sujeilas ende-
mia. Recorre enlao ao_hygrometro, c mais feliz
em suas pesquisas ahi encontra elle novo elemento
mrbido especial localidadeO mximo d'humi-
dado correspondendo ao mximo de temperatura,
necessaria consequuncia da posigu lopographica
de urna cidade rodeada d'agua por todos os lados,
situada em um terreno baixo, e com urna boa
parte de suas casas construidas sobre terrenos rou-
badbs aos rios, cm prias lamacentas, que pouco
antes eram deposito das imraundices e do lixo
da cidade.
No peusar do Ilustre pratico tambem Jic pode-
rozo auxiliar da dialjicse erysepelatosa o pernicio-
so habito de muitos mes do familias de se nega-
rcm ao 'sagrado dever de araamentar seus ilhos,
entregando-os a mercenaiias pela maior parte immo-
raes, e infectadas de molestias raais bu nenos Irans-
missiveis, observando que estas amas, ora para se
pouparem, ora para so onttegarem- a reprehensi-
vis divertimemos, introduzera forcj excessiva
quantidade do alimentos nos debis estmagos
dos meninos, provindo d'abi vmitos, diarrhas,
o inflamaces intestinaes, que depois se tornara
chronicas, o dispoe assim o organismo para as in-
vasoes da molestia. *
Tem depois as absurdas pi-aljcas do povo con-
cernentes ao tratamcnlo das diversas enfermidades,
os erros do charlatanismo, e o dcscaramonto, com
que qualquer analphabeto c|icir)c questes de tlie-
rapeutca, e o louco desembarazo, com quo applica
a torto'e a direilo, sem pezo, nem medida, sem
conhecimento das indicaepes remedios violentos, ca-
bacinho [wra a syplilis, mercurio para bobas, qin-
na para sezoens &c.
Todas estas platicas grosseiras, parto da igno-
rancia c da audacia, irmas gemeas, que sempre
andam de mos dadas, eilludera algumas vezes o
vulgo com tranzitorias e cphemeras gracas, levo
em alta dse aos orgaos substancias j d si muito
activas, e ujos primeiros estragos vao cstampar-se
no apparclho gastro-hepatico.
Seguornpse os abusos do cha c do caf, que cnto
principiram a ser do moda, e o frequente uso dos
espartilhos as senhoras, que n'aquella poca se
vuigarisou tambem em razao dos saraos e bailes
mais amiudados do que nunca haviam sido, tendo
estes usos c abusos por effeilo ineviiavel a constante
excilajao das visceras abdominaes.
Finalmente os sustos, os trabalhos, as paixocs
vilenlas, e todas essas aflteecpes nervosas, que for-
mao parle do cortejo lgubre das guerras civis, as
quaes de 1817 em (liante se tornaram infelizmente
mui frequentes, foixao a resenha das causas, que
mais favorecum o desenvolvlraento das molestias gas-
tro-intestinaes e hepticas, e por isso mesmo raais
contribuem, segundo o nosso pralico, para a pro-
dueo o generasaco do flagoll entre nos. Se bem
queoslas ultimas causas entro por um mecanismo
mais recndito no phenomen da dialhese erysipe-
ltosa, nem por isso he megos evidente, nem menos
fatal a sua accao.
. Eil^o agora em busca de outra ordem de causas,
d'essas reputadas como causas geraes d'insalubri-
dade, mas queem sua opiniao prestao tambem
nao pequeo contingente, quer ao desenvolviraeu-
to da dialhese erysipeltosa, quer realisacao da
molestia, tornando-so tiesta forma ausas occasio-
naes. Cumrrre porm nolar-sc, que todas -essas
causas, que ficam innumeradaicomo simplesmen-
te predisponentes, o Dr. Gomes as considera tam-
bem como causas determinantes, no momento' cm
que accrescer a sua intensidade, ou se achar reu-
nido maior numero d'ellas conbinando assim
seu poder pathogenico. Apona entre aquellas a
miiuwsjr do i. a pouca ou uno"-----"" "*
''a? casas. rr^rm*-a-tfl'iceSsar't> dos delfeitos do
jystema ii5 oitiMfo^K fegoido por nossos maio-
'ros najidade do Recite, aeste respeito so expressa
elle cora bastante graca e verdade quando fallando
especialmente no bairro do Recife nos diz, que ahi
a maior parte das ras sao boeos; o a maior parte
das casas calaboucos. Alem d'isto presta muita
altcnco falta d'esgotaraento das aguas pluviaes,
cnsequencia tambem necessaria 'das imperfeices
do melhod no calramcnto das ras, ou da sua
dderiorac. ; a accao do absurdo pantano artifi-
cial de Olind, edas aguaseochacardas existentes
nos suburbios da cidade, por ex. entre a Solidade
e o Manguirv'io, entre o Maguinho e Tacarun, as
imediaees da Magdalena, do engenho da Torre, e
dos AITogados, irregiilaridade dos despejos as
praias, ao habjto pernicioso das- inhumacoes den-
tro das Igrejas c carneiros adjacentes, c finaltirn-
ta milaco inconsiderada e sirvil dos habites da
Europa no vico.
J se v que esta nova ordem de causas, pela
sua amplido, energa e modo d'acco, sao vagas
de mais para explicarcm' o apparecimenlo o fre-
queucia de um facto mrbido nico e singular ;
sao antes, romo disse, causas geraes d'insalubri-
dade, cujos limites se lhes nao podem assgnar na
ordem etiologica, e cujos effeitos podem ser to
variados, quanto sao variadas-as diversas entidades
mrbidas. O proprip Dr. Gomes reconheceo esto
verdade, tanto que a ellas attribuio s diversas
febros intermiltentes, remitientes, c continuas de
nuio caractgr, chlorosis, hydropisias. &c. que
observou em. diversas localidades ; mas pansa
tambem que dado o concurso do outras causas mais
especiaos e^ mais intensas para certa e determinad^
individunldade mrbida, estas podem servir-lhe
como du auxiliar- ft.queurna vez realisada apti-
dao patliologica, dialhese erysipeltosa neste caso,
ellas farao apparecer antes esta molestia do que
oulra qualquer, salvas disposicoes individuaos de
maior alcance.
Assim encarada a patbogenesia da molestia
cumpre o Dr. Gomes a segunda parle da sua me-
moria, indicando cmara municipal os meios que
julga mais appropriados, alim de conseguir-se a
romoco dessas'causas d'insalubridade, quer ge-
ra#, quer especines.
Recommenda a maior flsealisacao nos'gneros
alimentares de primeira necessidadexpostos ven-
da, e para isto acpnselha repetidas vizilas de poli-
ca sanitaria aos esiabolecimenlos desta ordem,
priheipalmente aos que sao mais frequentados pe-
las classes indigentes, ou pouco abastadas ; recor-
da a urgente necessidadede prover ao encanamen-
lo das aguas para consumo da populacao. Se o
plnlantropico observador escrevesse hoje a sua me-
moria, teria essa necessidade menos a lembrar, e
enf lugar della, consignara um voto de gracas
patritica adminislraco do Exm. barao da Boa-
Vistn, a cujos esforcos se deve a remoc.o de tao
poderosa causa de insalubridade publica. Estig-
matiza com vigor, que n mais nao chega o seu po-
der, essas misdosnaluradas, quesera motivo jus-
to escondem o seto do seus lllhinhos, e ps entregara
sem compaixo, nem d a urna alimcntaco, ora
insufficiente, ora demasiada, rouias vezes' impro-
pria, e quasi sempre polluida do nojenla enlermi-
dade. Clama contra a tolerancia do ceg e audaz
empirismo, cancro, que lamas vidas abrevia, e
tantas condemlia a diulurnos e incuraveis soBri-
inentos. Deplora que o sexo fominino troque as
dihcias da vida domestica e recalada pelo tamnllo
dos bailes, e pelos tormentos da vaidado, origera
certo do soUrtmentos, que Ihe, oncuriam'os dias de
vida.
Do quadro sanguinolento das rovolucoes 6
que desvia os olhos o Dr. Gom, symbolo da paz
e da bondade, Hsoriogrpho exacto indica rpi-
damente a influencia funesta, quo ellas exercem
sobre a saudo publica, mas a sua remocao nao he
da cpinjielencia.da medicina ; elle a dei'xa ao cui-
dado dos estadistas, que prevende e satisfazendo a
tempo as nocessidades reaes da sociedade. eliminara
prompiamenle a causa verdadeira, ou o pretexto
seductor dos abates terriveis do corpo social, como
os mdicos com a benigna' hygiene previnem, ou
restabelecem com rapidez o dcsarranjos incipien-
tes da economa. PropSe o aterro do pantano
de Olinda, e das agwas encharcadas xiswntes nos
suburbios da cidade falla no encanamento das
aguas pluviaes, e nivelamento das ras ; indica
que se desigoem lugares para o despojo das mun-
dicias as praias mais ermas, e a certas horas da
qoite ; insiste na construccao de um cem'uerio pu-
blico fra da cidade, necessidade esto que tambem
j se acba remediada,' gracas a braco forte, supe-
rior intelligenill^eyontade farrea do Exm. vis-
conde de Paran, quando presidente desta provin-
cia, o qual em pro da humanidade venceu os ha-
bites seculares do povo, os prejuizos religiosos, a
falla de recursos pecuniarios, e o que mais era, a
opposicio interessada de, poderosas corporaepes.
Finalmente pira obviar aos inconvenientes do uso
do apefttdas roupas de la.que adoptamos com ser-
vil^incpnsiderada e' npciva imilacao dos hbitos
europeus, cerno se vivramos em paiz fri, o afim
do subtrahir a populacho s fadigas, e exienuacao
do trabalho operado as horas mais improprias do
dia, julga muito necessaria a transferencia do ser-
vicp das estaces publicas para horas mais appro-
priadas, assim como a imposicao aos empregndos
de uniformes de accordo com as exigencias hygie-
nicas do clima. *
A terceira parle deste trabalho refere-se ao tra-
lamenw, como addicSo complementar, e pode re-
sumir-so assim :Se a dialhese erysipeltosa de-,
rivar da inflammacs-do algum orgao parenehy-
matoso :tratamento antiphlogistico, ao menos
no principio,So do examo resultar certeza, ou
grande probabilidade de molestia especifica, escro-
phulosa, syphililica, escorbtica, etc., trala-
mento destas molestias :se a erysipela resistir,
roelhodo i vulsivo Tornando-se estacionaria,
uso interno e externo das aguas mineraes, via
gens a paizes frios.
Com estos prescripces aflirma o honrado Dr.
Gomes ter curado ou melhorado grande numero
de doentes afleclados de erysipelas, mas conlessa,
que algons levaram dous e mais annos' era rata-
mente, sem experimentaren! medrara alguma nos
primairos rriezes. Ora aqui, pnde o vulgo enten-
de quo a medicina deve e pode curar tndo de su-
petao, onde parece que bom poucos admiltem com
o sapientissimo Limo,, que a natureza nao d pil-
los, s um Dr. Gomes poderia inspirar bastante
confianca para induzir os doentes a insistir tan-
to tempo em applicaQes methodicas, princi-
palmente nao apparecendo melhoras, j nao drei
nos primeiros raezes, mas nos primeiros dias. Es-
,la errnea disposicao dos espirilos conslitue aqui
o mais rico patrimonio dos empricos, e charla-
les.
Nos raros momentos do repouso parece, que o
Dr. Gomes se lembrava dos seus classicos de Ma-
5ra, e que na contemplacao das inimiiaveis belle-
zas da litteraturalatina achava doce refrigerio a
suas fadigas. Entre os seus papis se acharan)
tradneces das mais lindas odes de Horacio e das
mais eloquentes allocucpes imaginadas por Tito-
Livio.
Deixou tambem um trabalho completo sobre a
ergotina, desde a sua descuberta, analysehimica,
e proprieddes therapeuticas at as formulas mais,
adecuadas para ser administrada interna e externa-
mente. Se este opsculo nao encerra ideas ori-
ginaes, acha-so em dia com o estado da sciencia, e
mostra com que ardor o consciencioso pratico pro-
curan j em cansada idade., ter mao os mais re-
canes recursos da iberapeulica ateo CraWa sua
vida.
Eleite presidente da sociedade de medicina na
ausencia do Exm. consolheiro Maciel Monteiro,
leve por vezes na forma dos estatutos de nos diri-
gir a palavra. Parece que o penalisavam, e lbe
nao sahiara da memoria as causas de insalubridade
deste municipio, como se no proprio discurso, que
nos estova proferindd, nio exhaurisse elle a lisia
das causas, que no estado dual dosconhecimentos
physicos se podem reconbecer, limiteu-se a certi-
ficar-nos a maior frequencia de certas molestias,e a
dizer-nos que o mais interessante, e raais abalisa-
do servi?p que podiamas fazer provincia, e ao
imperio, era congregar nossos esforcos para ar-
rancar natureza- o segredo das causas exactas e
completas d'essa maior frequencia.
Em cumplimento do preceito dos estatutos da
sociedade leve no anno seguinte, em que foi ree-
leito presidente, 'de nos dirigir novamento a pala-
vra --v Tomoupnr Iheiria da sua allocuca v "-"
epidemias varionca?, ilire unserara m sua long3
pratioa riesia provina*. Estos epidemias mort-
feras correspondern! a outras tantos revolucpes,-!
confirmando o triste, mas verdadeiro rifo, que a
pesie he o lgubre cortejo da guerra. Em 1818,
minada apenas a guerra civil, appareceu a pri-
eira epidemia de bexiga confluente, que elle aqui,
vou, e que ceifou milhares de villas.
Era 1825, ainda nao bem restabalecida a ordem
publica, violentamente abalada em 1824, reapare-
ceu novo assalto do terrvel flagelo, que assolou ao
mesmo lempo as provincias da Parabiba, Rio
Grande do Norte, e Cara, cbn tal violencia e
cncarnicamenlo, que a tornando ermas e desertas
estas regios, j extenuadas pela fome e sede, cn-
sequencia de rigorosa secca. '
Nao erao menores os horrores n'esta cidade ;
basta mencionar, que de 866 bexiguentos, que
entraram no hospital militar,fallecerara 203, mor-
tandade espantosa, a quarta parte dos doentes !
De 400 recrutas embarcados do Cear para o Rio
de Janeiro apenas meia duzia escapou horrivel
epidemia!
Quando ara 1834 a guerra doscabanos asso-
lava esto provincia, rebentou a varila confluente
epidmica, fazendo espantosos estragos, particu-
larmente entre os Indios indfgeitas; Ignora-se
donde vioramas duas primeiras epidemias, mas da
terceira seguio o Dr. Gomes passo a passo o desen-
volviraento, airaffirraa, que se declarara spoala-
neamente entre os revoltosos. Os officiaes mi-
litares, rompendu malas virgens em procura dos
cabanos, encontravam a muitos destes cobertos de
raedonhas bexigas, e outros moribundos, ou j
morios. Aqueiles desgracados nao linliam rela-
cao alguma com as cidades, villas, e portes da
provincia. Viviam sos embrenhados as maltas,
nutrindo-se de caca,'pesca, frutas, e raizes selva-
gens. Era Pernambuco e as Alagas nao havia
enlao ura s caso de bexigas. Tambem as nao
havia enlre a tropa, que por todos os lados cer-
cava os revoltosos, e alem d'isso, estova n'aquelle
tempo realmente extincto o infame cimnercio da
escravatura, vehculo corto da importacao deste
virus. A nao ser pois da exponianeidade, don-
de veio a epidemia que ceifava os cahanos? Os
que esto ao fado das antigs e modernas discus-
ses, c encontrados pareceres acerca da palhose-
nesia das bexigas, podero julgar o real valor o
summa importancia do um fado lao completamen-
te observado em todas as suas circumstancias.
Rendendo homenagem ao immortal Jenner pelo
valioso presente, com que brindou a humanidade,
lamento que o povo mais rustico por inveterados
prejuizos o cfassa ignorancia fuja.de se vaccinar, e
que em alguns dos oncarregados da vaccina fal-
lasse o zelo, c sobrasse o duleixo no curaprimento
de seus deveres, baldando e fmsiand > assim a so-
liciludQ e osdesvellos.com quo o governo provincial
procurara n'aquelle tempo propagar o precioso
preservativo por toda a provincia. Era todas as
pocas encontrou o Dr. Gomes a varila em pes-
soas vaccinadas, e vio em outras desenvolvea-se
simultneamente a bexiga e a vaccina; mas aties-
ta que em toes casos foi a bexiga sempre benigna.
No anno do ',8i3 suscilou-se na sociedade de
medicina, e entrou na ordem do dia das discus-
soes a quosto das molestias cancerosas do tero,
e das causas da sua frequencia nesta provincia.
Ultimados os debates, a sociedade propoz com
unaniroidadedosmombros presentes para assump-
tos de un dos premios, que se haviam de confe-
rir em 1844, a delorminacao das cansas d'essa
frequencia com indicacao. dos meios hygienicos e
llierapetilicos que a taes molestias mais conviesse
bppor n'este clima. t
Succedeu, porem, 'que fra do recinto da socie-
dade, um membro, que nao assislia s discussdes,
impugoasse a frequencia dos cancros uterinos
nesta provincia, e por isso mesmo o objeclo prin-
cipal do premio proposto pela sociedado.
Nao tinha o Dr. Gomes tomado a palavra as
disemines, por que concordando com os pareceres
dos collegas que ouvira, julgou por modestia o
economa do tempo, desnecessario ampliar as
mesmas doulrinas com novos fados, e anlogas
consideracoes. Vendo porem aquella eorporaeao,
nica scientiflea, que tem tido esla provincia, tra-
tada cora poiico melindre, nao quiz que seu silen-
cio deixasse em duvida qual a sua opiniao acerca
dos pontos cardeaes da questo, e deu-nos" o vali-
oso peso de sua diulurna experiencia em abano da
opiniao sanecionada pela sociedade, dequeera pre- ,
siderita.
Aflirma, que desde o anno de 1818 tratara
constantemente de molestias cancerosas uterinas
n'esta cidade :* d os pormenores de casos oceor-
ridos em pessoas de mais elevada condicao, que
observara com outros collegas,, e de que se recar-
dava, e diz que se aponlasse as pobres, quo havia
examinado ou tratado, a lista seria raedonha pelo
seu tamnho, asseverando que o> numero de taes
casos tinha ido om progresivo augmento, particu-
larmente n'aquelles ultimo cinco annos.
Ha vendo tambem sido impugnada a utilidado
da applicacao'de bichas no eolio uterino, impu-
lando-se-Ihe ser ella causa de molestias, e attriba-
indo-se-lhe a maior rapidez do andamento das af-
fecces orgnicas uterinas, inscreveu-ee igualmen-
te o JDr. Gomes contra taes impugaaepes, e ap-
pofcdo cm innmeros fados declara, que nunca as
doentes, ^mesmo aquellas a quera mais repugnava
a applicarao de bichas no' eolio uterino, sa Ihe
queixram do mnimo incommodo, e que at mul-
las nao acreditavam, que as bichas tivessem pegado
por a>io sonlirem dor alguma. Assevra que as
applicra sempre com proveto das doentes nao s
as inflammacpes, mas tambem nos cates de can-
cro, quando erao' complicados de symptomas in-
flaramatorios, e as doentes ainda podiam suppor-
iar evacuaepes sanguneas, conseguindo assim
constantemente nolavel diminuicao das dores e
peso, que de ordinario acompanbsm aquellas mo-
lestias. Parece-lhe com este roelhodo iherapeu-
tico auxiliado pelos raeios aniiphlogiiicos, urnas
vezes ter fcito abortar molestias cancorosas do te-
ro, outras vezes demorado o seu progresso, e era
confirraacao de seus dizeres -xpe cases intores-
santes e summamente instruciivos
- Havendo-se tambem negado, ou posto em duvi-
da que a inffecco syphililica fosse causa de mo-
lestias orgnicas do ulero, em refuiacao de taes
ntfgaees ou duvidaa deixou-nos- o Dr, Gomes
consideracoes para miro-de alta valia. Cora a
perspicacia a probidade, que ninguem coro Justina
he contestar, declara que no catalogo geral das en-
fermidades neste paiz as molestias venreas e seus
resultados frmo pouco mais ou menos a quarta
parte, e to espantosa frequencia he por pite atri-
buida inevitavel iramoralidade da escravatura, e
seus terriveis effeitos no interior das familias,;
falta de polica medica a este respeilo, e incuria
com que sao tratados osJmptomas primitivos,
particularmente pelos fiihw familias que preten-
dem oceultar o seu estado.
.Contra a opiniao de autoras de grande iota, que
nao admittemovirussyphiliticos
transmitiir, aflirma o honrado
mes, quenesle clima ao menos njo*
menlos contra os tactos. Obse ^^Eros
casos de symptomas secundarioi ho-
nestas, que nunca hviao tido rni-
tivos, mas cujos maridos t'phao f, infectados.
Destas consideracoes, e dos casos circuDistancia-
dos, que expoe em prova do suas assoredes,
conclue, que o virus syphiliiico, ora patente, ora
latente, d origem a muitos cancros uterinos.
Depois de ter combatido a inflammacao coelu-
raava cauerisar as molestias ulcerativas do eoHo
uterino, recorrendo de ordinario ao nitrato.de '
praia, algumas vezes ao nitrato acido de mercu-
rio,/ o raras vezes potassa caustica. Como me-
diife que -so respeilara a si, e aos outros,
s wpunba os casos, em que toes molestiasfin-
davam pela morte dos doentes, mas at declara,
que por meio d'essas cauterisaepes s conffiguio
a cura de ulceras superficiaes, de excoriaepes
do eolio em muilas das doentes, que linho
as ipflammaopes chronicas, que precedera as mo-
lestias orgnicas ; porem que nunca tivera a for-
tuna de curar cancros confirmados nem por este,
nem por qualquer oulro raelhodo therapeulico. ,.
as mui pobres deixas scientiBcas, que to rico
observador .nos legou, entre outras receilas que
ha de sua fettra, existe urna relativa s mordedu-
ras de caes damnados, a qual, pela analoga
de composieao, que segundo me asseveram, dv'e
ter com ceno remedio, conservado secreto n'uma
familia desta cidade, acho til publicar, embora
na pareca este o lugtfr mais progrio. He a re-
ceita do iheor seguinte : Urna colher das de
sopa de thriaga magna, em po, e oulra de quina
do Per, misturadas com .urna pitado^lc mercu-
rio doce as .ires quarlas partes de urna chicara
de vinho branco ; para beber pela maohia, e
larde. Dieta absoluto.Infelizmente nenhuma
observagao pude encontrar nos seus papis era a-
bono, ou desabono desta mistura, mas isso nada '
admirar a quem presenciuu a vida do Dr. Go-
mes.
Educado nasdoutrinas medicas da universida-
de de Edimburgo, que sempie Mram eclcticas, o
que erao n'aquelle tempo representadas pelo cele-
bre Cuiten, o qual desembarazando as theorias
medicas do grosseiro humorismo no fim do secu-
lo passado, nos encaminhou para a excitabilidade
e puro dynaraismo' dos nossos dias, ficu o Dr.
Gomes por croacao e pela ndole-natural de seu ge-
nio to desviado do absolutismo dos' systemas,
quanto da incrdulidade na therapeutic. A phi-
losopbia pralica da sua clnica era evidentemente
o eclectismo. De todos colhia o que a consciencia
esclarecida pela razao, e pela experiencia lbe djc-
tava, e por isso levou todos os systemas a nica
pedra de toque, onde se podara aquilatar, isto he,
ao leito do doente; nao com o emhusiasmo de
acrios idelogos alambicados, que nenhuma du-
vida tem em admittir tactos contrarios s leis da
gravitacao e do calculo, nico conhecimento in-
coo testa vel do hornera, e ainda menos com o fin-
gido ardor de interesseiros e descarados charla-
les, nao rompendo, como o ignorante audax, era
tudo o por tudo com o saber tradicional dos secu-
losj, nica fonte da perfeicao a qne chegou a hu-
manidade em todos os ramos das sciencias, e das
arles, mas to somente cora a vonlade honesta e
sumisamente louvavel de tudo experimentar era
si, e por si, na nica inlencao de ampliar seus
recursosiherapeuticos. Qual foi.a conviccao, que
de tanto labor, de to diuturnas experiencias Ihe
ficou, bem vimos todos no modo porque se tra-
tava as suas molestias, inclusivamente n'aquella
de que falleceu'o eclectismo, sempre o eclectismo
al o ultimo suspiro.
Modesto por extremo'nunca reconlieceu o valor
Itie teria a publicaco desuas ohservacCes potado
e bondade, que bem se podealciinhar irexces-
siva, as complacencias, os trabalhos' pela maior
parte gratuitos, absorveram-lhe lateralmente a exis-
tencia, e estas qualidades alias excellentes, e bem
raras, foram justamente a cansa, que o impedio
deadquerir nome scientilico transmissivel aos vin-
douras, Deixou porem no corceo de urnas pou-
cas de goracoes a fama mais Ilustre c meritoria,
a nomeada, quo mais se deve ambicionar p'esie
mundo, a geral reputacao de hornera euma^"lea-
te caritativo, indulgente e bom.
Destas qualidades nos deu elle bem patentes e
bem raras provas na indulgencia, de queosava
para com alguns zoilos, verdadeiros zantres da
scienera, a quem nenhuma virtude, nenlfcm saher,
nenhuma idade pod comer, t^lan(,0. nos u,1"
mos annos da sua vida os amigo' Ihediziam, que
fulano ou sicrano Ihe censurara em paWt
ou aquello feito clnico seu, limltava-sc a lamen-
tar, que fossera acabando os tempos do exeercicip
honrado da medicina, e pedia aos seus amigos,
quo naofizessem caso de somelhautes dicterios, que
nenhuma attenco Ibes presiassem, que no eram
os desgracados zoilos, que fallaxam, que era a to-
me, que eslava orando em descompassadas gasna-
das pela bocea d'elles, e que o nicoflehtimenl
quo ello tinha era nao os poder remediar a todos.
Al depois de raorto iivemos no sen testamente
a prova do desvelo, o mui singular constancia
com que procurava oceultar os erros da nweida-
de, quando poderiam oflender a repuiaco de ou-
Irem. Ninguem suspeilava em Pernambuco que
o Dr. Gomes tivesse urna filha, e a nuraerq-
sa-cohorto de seus afilhados com algum jus so
devia achar sua lembranca. Aborto porem o
'testamento, que se vio ? Todos os cscravos forros,.
os poneos bens patrimoniaes, queJiavia herdado
em Torrear Vedras de seus antopassados, para "nao
sahirem da.Jemilia legitima, deixou-os a seusso-
brmhos,^flmos de Joo Eustaquio Gomes, eos
bens que havia adquirido ou para raalhor dizer,
o resto doS bens, que os pobres ihedeixerw **-
gou-os lllma. Sra. D. Msria Jos Gomes de
Miranda eMotta, sua fi\ha natural, deonjaaxis-
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DIARIO OE PERNMBUCO, SUBIDO 20 DE MAIO BE 1854.

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teora ninguem sabia, e de quera nem os mais in-
timas ds seus amigos tinham suspeilado a existen-
cia at aquella dia, fallecendo o Doutor com niais
da 71 annos, e tendo a sua Bllia perlo de 30 I 1
. A raio da tio diuturno silencio, o motivo occul-
10 de segredo tqo bem guardado est patente na
levada cndilo socia da raai de sua tlha, o nos
motivos, que se oppozeram legitimacSo durante
a vida. Colocado j no leilo da morte entre os
deveres agrados de pai, e considerarles, posto
qu delicadas, puramente mundanas, de certa .nao
hesitava a sua comcieneia, mas querendo respeitar
anda alem do tmulo o que to poucos respeitam
na vida, tentando combinar elementos moraes tao
oppostos, declara no testamento a sua paternida-
de de um modo, se Lera que sulBciente para ga-
rantir a honrosa heranca de seu nome e bns,
tao pouco explcito", e de taes formas acompanhado
jue anda agora a ninguera seria licitoafrmr posi-
tivamente o facto d'essa palernidade.
Esta extrema delicadeza, este fino tacto moral,
:om quesoubeannular sempre o desgosto, que o
afeliz encemtra muitas vares at no beneficio quo
focebe, foi urna das eminentes qualidades", que
mais goral, e constantemente o tornaran* credor
do alto apreco, em.que todos o tiveram desde o
plebeu inculto e pobre al o sabio nobre, e rico.
Pode-se allirmar sem risco de contradiccao que
wam geraes ncst'a provincia as vehementes ex-
irassoes de lonvor s suas virtudes, o de gratidao
aos seus servicos. Ogoverno porem, rom magua
> digo, ^como que nao galardou dignamente tio
elevado o raro mrito. Verdade lie que o npmeou
phvsico-mr da provincia, e quando esta especie
le magistratura medica foi extincta, nao querendo
jue a le tivsse consequencias injustas para tao
Jtil servidor do estado, Iba conferio e titulo de
inspector geral dos hospitaes militares da provin-
cia. Mas quem nao v que estas nomeacoes,
nexos accessos adquiridos na vida militar, eram
todas emproveitp do governo, que as dava, e to-
das contrarias aos interesses do Doutor que as
leeitava. O governo utilisava assim os profun-
dos eoohecinien tos do Ilustro pratico, e sua con-
summada experioncia noseryco militar; elle pelo
contrario assumHFum verdadeiro onus, que lhe
augmentara o trabalho, e lhe roubava o tempo
insuficiente para seus numorososdoentes. Re-
compensa pessoal, e sem relacao com a utilidade
do aervteo nunca ogoverno Ih'a dcu. Apenas em
1849, n'uma distribuicao jeral de litas, lhe to-
cn, quando j com ps para a sepultura, a
ordem da Rosa, gra i.Jsem tarda, e bem mes-
quinha, orno sao de ordinario as que se outor-
gam a mdicos, raormenie quando as nao soli-
citan).
umava usar da insignia d'esta ordom,'
modestia, ou porque entendesse
la. pessoa a dignidade da clas-
| e de que era elle o principal
represe a eidade. He reno quezelou
coro o os interesses dos seus collegas.
Das familias, a quem servia de graca, exigia
sempre aretribuicao dos collegas, qua o ajuda-
vam. Este espirito de classe impoz-lhe algumas
te* bem contrarios sua ndole essencial-
mcnie desinteressada e caritativa.* Quando entre
cotlagas, a particulares refractarios, ou-pouco ;e-
naraaos, setfava questo judicial acerca do quan-
titativo das retrib'uieoes, os tribnaes, e as parles
conscias da sua probidade, escolhiam-no para -ar-
bitro, ou desempatador. Elle, que nunca exigi
retriboirao alguma, nem amigavel, nem judjat-
mente ; elle, que muitas vezes, sem attendWaos
servicos qua bavia prestado, sabendo das posses
da* familias, redozia es pagamentos que Ihes
faziam ; elle, que de ordinario pouco .ou nada
recebia, e frequentemente soecorria pecuniariamen-
* Mm. .proPfl0S. d.09n,es> nunca foi de encontr
requisicao judicial de um colleja, dizendo que
albora pawcesso avultada a somma exigida, for-
coso era,' e oonsentaneo com os principios da ca-
ridad* fue os abastados eln bes de fortuna ha-
biliussem os facultativos para soccor^r os indi-
lentas gratuitamente. .
Em o .l)r. Gomes de accesso fcil, e de tracto
franco, de carcter affavel e generoso. Tendo vis-
to nascer a geracao presente, conheeia quasi toda a
gente da provincia. Itiro^Ie iostrueco,' e dolado
de noiavei perspicacia, era a sita cAmptibia snm-
mameule agradavel e interssante- Observador pe-
netrante, posto que inoffensivo, desprenda em con-
versa familiar divertidas gracinhas, sem prelences,
e assim con quem nao d apreso ao*que diz ; po-
ro nao que taes faceeias pudessem ofTender a re-
putaba ou os interesses de alguem, e a sua inti-
niidade ora deleitava, ora instrua.
Nos ltimos mezes do anno passado sentio-so ata-
cad decatarrho Ja bexiga, o desde logo me disse,
i, com resignacao verdaderamente estoica,
a dudo a sua ultima hora; que poco
lhe poaava largaruma atistencia, em que desdo
milito tempo nao acliava encantos, e que se Iho ie
tornando cada vez mais pesada ; porem que senta
ultimar seus dias nos tormentos d'aquella borrivel
molestia, e que s pedia a Dos acabar sem as do-
res qoe olla costuma occasionar.
As preces do bomem bom foram ouvidas pela
juanea eterna; as dores cessaram, e o catarrbb
jue so quera extinguir. Mas a hora eslava
ente chegada, como elle presentir com o linOj
lado que todos lhe presenciamos ao Ril dos doen-
tes, mas de que bem poucos mdicos so servem so-
bre si mesmos com exactido e pleno conhecimen lo
de seu estado. Sobreveio urna apoplcxia fulminan-
te : cabio paralysado. Nao obstante achar-so no
Poco, na distancia de perlo de urna legua dacidade,
mm|*Mtnutoa depois do'ataque l nos adiamos o
Exm. conselheiro Maciel Monleiro, ceu. Porom
que valem os traeos artificios humanos contra as ir-
rcsisliveis leis da natureza? Conseguio-sc [>or algu-
nos Semanas obstar ao progresso da- paralvsia, e
como lite dessemos algumas esperances, derradeiro
cnoaoto, que por sagrado dever lodos deixamos aos
. infelizes moribundos, ello.que nem so Iluda, nem
quiz parecer elludido, virando-so para Sr. vigario
do Poco, seu amigo, que lhe havia prodigalisado
todos os consolos da religio, repelio-lhe o rifo la-
tino, que tambera appropriadg era ao seu estado
paulaiim deambulando longum conlicitur iter..
Constou por transmissao de voz popular com in-
cnvel rapidez at nos mais remotos e ermos sertoes
que o Dr. Gomes se acliava prximo sua ulti-
ma liora, e logo de todos os pontos da provincia
convergiram successivamente para a pequenina casa
de campo do Poco os collegas de todas as cremas,
:-Tadueces, e idades, a densa legiao de seus anilla-
dos e compadres, as pessoas de mais elevada con-
dajao social, os Exm. hispo diocesano, e presi-
uVnteda provincia, e por enlreos carros e cavallos
dos mais Aastados em bens da fortuna, innumera-
f*iurba pedestre, que pela estrada ia contando 3s
obrigaepes^que Ibe devia. Bosengenhos, e do in-
terior da provincia .afluia un sera numero do ca-
valieiros a esH*tomaria da gratid|o, e dir-se-hia
que tao pobre casinha era sao.
J em euire molestia, qWtivera, ha poucos amfts,
e que foi o primeiro annnciu da delerioracao do
* vigoaea saude, tamanho se lornou o encurso
do povo, que os assistentes no interesse bem enleu-
*do do doenle mandaram fediar as portas, conso-
lando seus innmeros amigos com a promessa de
publicar todos os dias nos peridicos o estado da
sua saude. Em quanlo houve perigo do vida sabio
iIbi efleUvunenic um bolelimquotidiano das pha-
' u.M'>','^*, esses 00'el'ns n*"> eram fellezcs
mulacros de satislacao a anciedades, qno nao exis-
m, como clles eostumam ser pela maiorpaiic, e-
aspiaram logo honra de Uie tributar os ltimos
Declaro que lado quanlo disse relativamente ao
nassadlo, c ncoiilecimenlns da'patacho Arrogante,
foi por pedido de varias pessoas residente* nesla ci-
dade do iterilV, ni quaes para este fim me franquea-
ra m quanto eu quiz; o que depois de servidas me
abandonaran sendo por fim soccorrido pelo Illm.
Sr. Joaquim Baptista More.ira, conml de Portugal
nesta cidade, o qual me faz transportar para miuha
patria ; fazendo eu a presente por miulia livre e es-
pontanea vontade.
Recite 11 de maiodo 185i.Scbattio Bnlelhn de
Sampaio Anuda. Como lestcmunhas, Prederco
Lopes Guimanle*.Oeorge Sesbitl.
Kcrnnlieen verdadeiras as firmasdasdiias lestcmu-
nhas da dectaracto retro: dou f.
Cidade do Recifo 10 de mai;de 1854.Em leate-
munho de verdadeSignal publico. O labeliao
publico interino, ut; do Cotia Porloearreiro.
desfallecida nao pude attingir, e dequjjLs a f
tradicional nos d consoladora oxplicacao.
Se fora licito penetrar nos bsconditos designios
da s-upmma inlelligencia, bemaventurado podiria-
mos jaTuppor to virtuoso e prestante varaq, por-
que d'elle se pi'xle humanamente dizer o que o apos-
tlo dizia do justo dS juslos-transiit beneliciendo-
palavias santas, em que verdadeira e completa-
menta se resume a vida toda do Dr. Jos Eustaquio
Gomes. *
DIARIO DE PERNAMBUCO.
f
vantado na Hungra, no Servan Woywodate, cm
Banal, Galicia, Cracow e Bukowina, depois do Io de
maio. Isfn he ollicial.
Espalhou-se oboalo mui provavelque a Austria
propoe Pruaria, considerar a pagcm do Danubio
coma,um casas belli.
As esquadras combinailas^laquearam Odessa.
L"m despacho particular diz dj|piessa foi lomada
no dia 14, mas islo'he dnvjdoso.
O Lucqsor refere que a expulsilo dos Gregos ia
continuando em Constanlinopta ; mas um despacho
particular annuncia que foi concedido aos subditos
greRo calholicosromanos firarem.
Toda a esqaadra est agora no Mar Negro. O no-
vo muphli foi insultado *> dia 3 de abril. A de-
claradlo de guerra chegou em Conslantinopla a 5.
Em consequencia a Porta eslava para publicar um
manifest. Lord Slratfort havia enderecado aos cn-
sules inglezes urna circular, condemnando a insur-
reicSo grega.
Um correspondente de Compenhague diz o eguin-
te : A fragata Tribune chegou do esquadro do almi-
rante Plumridge, tendo fcilo cinco presas russas e
grande numero de prisioneiros. *
PIBLICAC.VO A PEDIDO.
deveres, e de pssuir seus despojos mortaes n'csse
cemiterio, para cuja existencia tanto havia contri-
buido com hygienicos conselhos antas de se projec-
Uir, compeninaz trabalho, quando memoro da com-
missao que lhe determinou o local, e o delineou.
A itroandado de Nossa Scnliora da Sadc do Poco,
em ra/.ao do lugar do passainont, algum jus pa-
recia ter em sua louvavel preienoo,- mas a confraria
do Sacramento da Boa-vista por ser da freguezia
da sua residencia maior direit appresenlava ainda
honra, a que aspira va, e tal foi o ardor com que
tao louvaveis desejos so debaieram as poucas horas,
que media rain entre o bito o a deciso deste pleito
singular, que se lornou necossaria a interferencia
do Exm. bjspo diocesano, o qual conforme a ordem
jerarchicada igrrja dccidioqueirmandadedoglorioso
S. Pedro Principe'dos Apostlos competa a pre-
ferencia debatida.
Ao outro dia, om torno do um sarcophago mo-
'deslo, que suslinha forctro nao menos simples, s
cuherto por Idnga tela negra, oin que debalde se
procuravam os distinctivos, que custumam revelar
por parte d6s governos a ospliera dos varoes cons-
picuos, em roda de sous restos inanimados, se ob-
servou dentro e fora da igreja de S. Pedro, a maior
concuHencia de assistentes, que hei presenciado em
Pornambuco. Nao eram vaac fallazes deraons-
traces de affecto dadas aos monos cm altenco- aps
vivos, pois nenhum prente tinha noRecife, e seus
mais ntimos amigos eram os pobres, e os desvali-
dos. Nao era ingente apparato de extraordinaria
pompa, quo mova tao. denso concurso em torno do
tmulo de um medico velho, c pobre. No sem-
blante dos assistentes claramente sodevisava o sem-
timenlo, que all Os congregara fe otriste ponsamen-
to, quo ali os preocupava. Era o ultimo, espon-
taneo e puro tributo da gratidao, era o derradeiro
ajpos da saudade.
Assim findou ossa vida do perpetuo lidar, e ih-
comprehensiveis fadigas ; assim sahio deste mundo
de torpezas e de miserias urna das almas mais bom-
fazejas, eme se hao visto, nao era Pcniambuco s,
mas no orbe inleiro. Para deparar com homens,
'como o Dr. Gomes, fora preciso remontar igreja
primitiva, aos tempos heroicos do christianismo
nos quaes uarece'ter-se esmerado a natureza om pro-
duzir assombrosos prodigios do virtudo, com que
romisso a hum'anidade.
Se, qo findar do perverso, so entristece, carpe,
c geme a natureza pela destruicao da sua obra mais'
perfeita, respiraao menos a humanidade, como se
mortifero espinho se lhe extrahira, do seio ulcerado.
Porem ao leito do justo agonisantc, pugente flor
iraspassa e dilacera ocoracaodo circumstante ;como
que llie eramudece a razao ; mas logo sublimes pen-
samentos se atropclam na mente absorta anda do
mais impio observador. Debildo procura este na
trra a razao final de tantas accoes benficas, de
tao perennes sacrificios. Exhausto em vaos o pe-
nosos esforcos, com involuntaria rapidez se lho vol-
vem os%hos para o firmamento, e l vai desenga-
ado por enire as regies ethoreas om basca da in-
cgnita do enigma da vida, em procura da solucao ra1, que. na M aPreeia seno por considcraQes hu-
do intrincado problema da existencia, que a ra/.o^ manilarias' tslrbas ao que o vulgo chama o juizo
SfIEMIAS E ARTES.
ESTUDOS MORAES SOBRE O SECULOX1X.
Idolatra humanitaria.
Muilos trazem o thyrso; mas
poucos s3o inspirados pelo Dos
" que o agita.
{ferio orphico.)
(ContintiacSo.) -
Assim formou-se urna escola do myslicisma revo-
lucionario, que pretende manifeslamciilc substituir
a soberana do fim a soberana do bem. Ella aceita
como seu o famoso adagio sobre a indiferenca dos
meios, e o apnlica ao juizo dos homens e dos fados
com complacencia mais liberal que razoavel. Essa
escola fez i\ ua imagem e prasau uso umafcorte de
moralidade qne nao lera regra senao r.o interesse ae-
Obsequiaram-nos com qm numer do Liverpool
Mercury.it 18 de abril, dn qual extrahimos lagumas
noticias inlressanles.
A inda parece incerto se o gabinete de Vienna es-
capar as intrigas que os agentes da Prussia partida-
rios da Russia eslo oceupados em tecer ; a coad-
juva^o cordial da parle da Austria parece mais do
que nunca duvidosa.
Jil foi annanciado que se eslava tratando de urna
convencp do muUa allianra entre a Austria e Prus-
sia, e que Ulvez j se ache amignada. Entrelanlo,
parece qn anlesita oudusao esse tratado,ogover-
noprussiano procurou inlroduir nqllc copdicBes c
limilaroes que o bargo lies, o enviado aasmaco,
nao eslava aotorisado a adoptar. Com ludo aceilou-as
ad-referendum, em urna copia separada, eo coronel
Ruff parti com esta communicarno para Vienna.
O governo austraco immediatamente recusou ac-
ceder a condicoes prussianas, as quaes sao artera-
mente inventadas para inulilisar o objecto que a
Austria (em principalmente era vista,isto he; a unan
activa das duas potencias nllemaes na questao orien-
tal. No apndice que a Prussia anncxou ao tratado,
era estipulado que a guerra devia sempre ser aujs-
lada entre as duas partes. A acclode ama,deala sor-
te (Icaria sempre dependente da acsaq da oulra ; e
porlanto, se a Prussia quizesse, neutralizara o |Ki-
der d'Austria, impedindo que proseguisse na guer-
ra conlra a Ruasia.
Nao obstante aa objeccoes da Austria, diz a semi-
oflicial Corresponden:, que as oegociai;Ocs dentro de
poucos dias serao concluidas de um modo salisfac-
rio.
Urna noticia official annuncia,quo o almirante Na-
picr deixou a bahia de Kioge, fim de fazer lodos os
arranjos necessarios para bloquear todos os porlos
russns no golfo de Bothnia e no golfo de Finland.
Nada novo be mencionado relativamente crise em
que se ada o ministerio dnamarquez.
Em Berlim pensava-se quea esquadra inglcza par-
tir para I.ibac na costa oriental de^fipurland, com
dircccAo bahia de Itiga.ilim ile atacar as tres illias
que (icam defronle daquelle porto, e qne -e-esrun;a-
r para destruir as forlilicacfws de Revel.
As ultimas noticias do Revel annunciam.quc a na-
vegado uaquclle porto anda se nao acliava definiti-
vamente abena, porque ainda havia grande quanli-
dade de gello no canal navegave).
A Gazetle National de Berlim observa que a reti-
rada de todo o ministerio dnamarquez coincide com
a presenta em Compeuhagae do almirante Napier,
com a entrevista, que o almirante, depois de varias
tentativas infructferas, obteve de el-rci Frederick.
Segundo o mesmo jornal Sir Churlos Napier, quei-
xou-se de que a rigorosa neutralidade eslabelecida
pelo ministerio dnamarquez obstava, entre oulras
cousas, que pilotos dinamarqnezes servissera a bor-
do de urna nao injiera. Quando, a despeilo da re-
sistencia do gabinete, que era favoravcl Russia, o
almirante foi admittido a urna entrevista com el-rci,
os ministros se demilliram.
A Oazelto de Frankforl da o segointe acerca da
Grecia : A resposta dada pelo governo ao ultim-
tum da Porta Ottomana produzio o maior entusias-
mo em Alhenas. O arrolamenlo he leito .iberiamen-
te: o o lenle coronel Corsini est orgaaisaudo urna
nova legio por ordem-doembaiador russo, e como
conscu timen lo do ministro da gueira. Esta legiao
ser armada e fardadascgundn o modello das tropas
russas. No meip do movimento bcllenico, o partido
russo se faz noUvel sob a direceio do ministro da
guerra, Susso. Esle partido desoja elevar um grao
duque russo ao (rhouo da Grecia.
Noticias de Conslantinopla de 5 de abril dizem.que
l houve urna illuminacAo peral por ciuco nuiles con-
secutivas em honra das ultimas victorias ganhadaS
sobre os llussos,depois que estes passaram o Danubio.
G.vapor ioglez Samson que voltou das cosas da
Circaisia.-lrouxe a noticia de urna completa victoria
ganhada pelos Circassianos sobre os Russo.
No principio do marco, os Circassianos, prvidos
da conscicncia, a.sauccao da razan. J jueliiicarodo
individuo, nao esta mais no te^temunlio intimo, como
o suppOe urna religio pueril' c urna estreita philo-
sophia, nao ; ella csl (oda inteira na vantagera, no
progresso da especie, vantagem "muilas vezes equivof-
ca, progresso moilo arbitrario, muito conlestavel e
muito precario. Onde vai parar esla doulrna, sa-
bem lodos. A realisacao desses pretendidos princi-
pios lie que he o grande negocio : ludo marcha bem,
com lano que o principio earanhe direilo a seu fim,
servindo-sc mesmo do crima para ajiressar seus pas-
sos, ou1 pedindo, no interesse do pregresso, o auxilio
de mos deshonradas c sanguinolentas. O cadafalso
esla prestes a ser invocado como nutro Sinai. Saja-
rnos porin justos ; elle nao ser iuvocado no futuro ;
eses homens desvairados sao homens ; nao podemos
porem negar que elle csl justificado no passado, e
lodosos dias vemos que os grandcsjuir.es da historia
absolvem em seu tribunal os persougens para sem-
pre nefarios, s porque seu nome se tom associado,
por um conselhn mysterioso do Dos, conquista das
nslituiees modernas. Deploravel illuso do espirito
de seita, que quer, a todo cusi, crear para si urna
genealoga, procurando anlepassdos nf historia, e
jue, ureMw nlspawado quer dcaculpar lurio, mes.
mo ocrime, explicar, mesmo a louoUra A que ues-
te systemo ludo fica reduzidoMlbom todos. Esse jury
myslico desnatura ao mesmo tempo a historia o a
moral; a historia fazendo forjadamente enfilar nelia
as suas concepcoes plianla-lcas, e nao vendo mais o
passado senao alravez de um espelho ; a moral, des-
virtuando as ideas vulgares do bem e do mal em pro-
veito de seus imaginarios antepassados, os precurso-
res da seila, trislcs hroes na verdade I .
Urna moralidade vaga, geral, indeterminada, subs-
tituida i moralidade clara e precisa da consciencia
individual ; o acto hamado subordinado ao resultado
e esperando de urna evenliialidade, sempre incerl,
a- condemnarao e a indemnidade ; a vergooha e a
gloria ; o livre arbitrio tornado in-esponsavel cm
nome do progresso; taes sao os dogmas, dessa escola
histrica, em cojos traeos a philostpnia espiritualista
de armas e de muniroes, aicaram os Russos, e, de-
nudo de contar o povo em demonstra-'U*i,,,c umaoatalha muicbnleslada.accommetleram-
<;<_,, posto que justas 9 ,nUrto honrosas, nocivas
luelle. caso. Nem antes, nem depois se deu urna
a necessidade de taes publicaces n'esta pro-
Profftedia lenta, maa tenaz, a paralvsia do nfeliz
' c!C1hafusl0 to ^ lr ella, e pelo decubi-
jnmtivri, o,-se exnguindo pouco a pouco sem
I Vooo do Poco com a rapidez do raio atriste no-
<* a sua morte, e como se fora urna oalamidade
Pwica,espalhou-se pela cidade todan'um rooiaen-
to' 'i? uvia """^ laG,imas>e 'estemunhcM fa
m*s profuiida e verdadeira affliccao, morrett o ma(
WfWor, morreu o pai dos poprci.
onfrarias e irmandades religiosas.'a quopw-
*,> poucas haveria a que nao pertencesse, por-
q de to se seharam os ttulos entre seus 'oTc-
nos ate os seus castellos na cosa. Estes castalios fo--
ram ccrcudus i> repetidas vezes atacados por espago de
qualro dias successivos. Finalmente, os Russos. re-
celando ser desbaratados completamente, (ocaram fo-
goaoi paioes deTwlvora, e ae abrigaram nos navios.
O capilo do .Samson refere, que quando alguns
Russos abandona^em duas casas bloqueadas situadas
em um ouleiro, os'Circassianoscorreram sobre ditas e
os lizeram cm pedPCos. O mesmo vapor fallou com
um navio russo quf ia para Sebastopol, carregado de
soldados- fugilivos.k A perda dos Russos tinha sido
consideravel. A cd|ta da Circassia presentemeole
at livre do inimign.
O Morning Chronifk d;' < seguintes despachos
(elegraphicns:
a Todos oa porto r^3s9 no Bltico se acham blo-
queados. '
a esquadra de p'escrva, consultado d9 Auster-
1il7 r do oulros navii"' w' na bahia de Kioge.
- r-i~ mr *ae oulros nav^'rsl'',,a "H,,, ^tote yttCU s diTulgoo, todas vtai.*. a Tal*1.-0 lado da sitio ser le-
na&rccoiihece os verdadeiros principios da historia.
ne% os verdadeiros caracteres da liberdade.
O que he o progresso cm si mesmo? Eis ahi urna
dessas palavras de que o nosso secuta abusa impu-
dentemente. Essa palavra entrou lardo na lingoa ;
mas que bella desforra tomn! Ella participa agora,
com a mysteriosa divindade da Idea das honras dos
novos cultos. Os dlbyrambos que lhe lem sido de-
dicados em prosa e verso, nao podem ser nem esti-
mados, nem contados, nem medidos. He lempo j
de rhegar a um acord sobre a causa, visto como
lem-se feilo da palavra um emprego (So abusivo.
He tempo que os nossos prophetas uos digam o quo
he progresso em s, e em toda a exlensao da pbrasc ;
oOde comega, conde acaba; seo desenvolvimento
da civilisarao material e industrial de um paiz ou' de
urna poca basla para constituir a superioridade iii-
conlestavel dessa poca'ou dessa naco. Seria bom
que todos os' Iluminados da historia declarassem
sinceramente se pensam, aiTinnaliva ou negativa-
mente, que toda a evoluea da humanidade he um
progresso, toda instituirlo nova una conquista,
toda a revolurao um beneficio.
. Deslo modo cslabclccer-se-hia, cm prnveilo de to-
dos, um inquerto instructivo c serio sobre o sentido,
objecto, e limitas do verdadeiro progresso. Como lo-
dos devem saber, nao temos a presumpro de eluci-
dar, em algumas rpidas paginas, essa questo tao
vasta; exporemos apenas algumas ideas summarias.
No ultimo secuto foi que a crensa no progresso
tornou-se tima sorlo de religio. Cousa cslranha, e
que prova at que ponto o coracoo tem necessidade
de um ideal, e a razao de um infinita! Nos annos
de scepticismo o de irania, em quo arrebalava-se aoj
homem o divino objecto de seu psusamcnlo e dftscu
amor ; ua mesma data que serve de assigualarq en-
soalismo Iriumphanle na opiniao, na escolas, nos
livros, foi que brolou, no seio dessa soriedade incr-
dula, a fe mais ardaule era um chimerico futuro.
S a Ierra resla ao homem; a qual n.1o he mais
para elle um exilio, scuflo a nica habitarn, a sua
patria. Pois sr-ja assim ; ao menos elle a saliera
aformosear, e enfeilar com os mais bellos sonhos. A
vida actual he a nica-que Ibes podo quadrar a pro-
pria nature/a; nao lie mais urna prova.be o lempo da
felicidade para quem sabe ser feliz. Seja embora
assim, os momentos sao preciosos; elle os hade mul-
tiplicar pelos requintes exquisitos do gozo, por uina
arle delicada e conhecedora da voluplUosidade;
inventar pra/.cres dosconhecido?, dotar a dbil hu-
manidade de novos sentidos, achara segredos maravi-
lhosos para ampliar as bausas da existencia ; trans-
portar nesle mundo a felicidade suprema ; far o
seu paraizo na trra, nSoesperando encontrado em
oulra parle. ludo islo afinal de contas nao pasta-
r de urna deslocaco de destino.
lie deste modo que de um sensualismo desenfrea-
do pode nascer a doutrina do progresso Ilimitado.
O homem tem necessidade de um ideal, seo ceo
he vasio para elle, se all nao ha oulra vida, na qual
elle crea e espere, infallivclmentc ha de applicar a
idea do infinito vida prsenle, e engrandecer, pelo
esforc.0 da imagnalo, o horisuntc eslreilo em que
circumscrcve-o o destino terrestre. Elle nao ere na
immorlalidade da alma; mas faz da roalidade confu-
samente presentida de urna existencia citerior, o
romance da vida actual, da vida no lempo c no es-
pago. Elle nao er cm Dos; mas faz da idea vaga
ila perfeigao divina a chimera da humanidade do
futuro, o sonho de urna perfeigao sem limites, e de
urna plenilude de existencia no sajo do universo
IrauJiauradn. Por iiso nao nos llevemos- admirar
mais, quando adiamos na lista dos mais ardenles
apostlos dn progresso Ilimitado nomes lo expressi-
vos como odeOondorcetem Fraoca.e o de Prjwlley
cm Inglaterra ; nem lo pouco nos deve maravilhar
o ver qne essa f verdadeiramente Iluminada, essa
chimenea religio do futuro leve o seu berro no pro-
priu suncluario do sensualismo. Dcsla sorlo a chi-
mera nao he quasi sempre oulra cousa mais que o
ullmo protesto do idaLe'pes'n''auO' comprimido
sobre um poni, e que nSo afilando saluda natural
para o lado da verdade al lerada c da razao degrada-
da, enclic a imaginario de>*111usoes c de sonhos. O
homem tem neeessidl|e do sobrenatural em alguma
parte ; quando o nao cha no eco, eslabelece o pro-
digio na Ierra.
Nao ha alguma cousa de sobrenatural,na verda-
deira significago da palavra,' nessa idade do ouro
pomposamente annuncia la por lodos os prophelas do
ultimo secuto o lodos os reveladores da idade pr-
senle? Nao ser um grande prodigio o ver a natu-
reza humana transformada a ponto de ser como cs-
lranha miseria, ao solTrimeoto, doenga, o quasi i
morte como expressamente o consignara os decretos
ilo futuro, assignados com o nome dos nossos mais il-
lustress reformadores ? E reparai como o dogma
do progresso infinito guarda religiosamente, em to-
das as seilas de nossa poca, a que poderramos cha-
mar o cunho da fabrica, o rotulo de sua origem
sensualista. Alravez do todas essas grandes pala-
vras de um mentiroso esplritualismo, ipparcrc ama
s idea clara, ama aspiracao;distocla, a idea da
felicidade material, a cubica inflammad do bem es-
tar. Tudo o mais, orengas, principios, nokreza inal-
(eravel dos seDlimenlos, lnviolavel dignidade das
conviegoes, aosleridade religiosa dos caracteres, sao
boje cousas cm que se falla rnenos que se pode;
muitas vezes ninguem falla nellas.
Para exaliar urna gerago, ninguem pergunla por
seus verdadeiros (lulos, por sua verdadeira legilimi-
dade, por sea direilo, seus lilulos de moralidade,
ou pelo direilo que contare a um secuta urna incon-
lestavcl superioridade de inlelligencia c de genio :
para que urna: poca seja louvada cusa basta que lenha realisado no mufldo do' tempo e do
esparo incoutestaveis progressns, liasn que lenha
augmentado, fra urna proporga sensivel, a somma
do bem estar, o total da .vida phisica ; basla final-
menle qno (cuba convertido em vanlagem do ho-
mem algn* ageoles.e ten ha feilo alguma dessas des-
coberlas atis c pralicas que sao como os golpes de
oslado do homem sobre a natureza. A' scmelhanle
geranfio ninguem pedir mais. Ella poder serscep-
lica, immoral, alafdeadora de vicios, indillercnle
toda a virlude que lhe nao (rouxcr beneficios, posi-
tiva em seus calculo, c ao mesmo lempo, desen-
freada em suas paixoes; poder ser ludo isso, e ain-
da mais; mas nem por isso dcixar de'scr saudada
como a era sublime do novo mundo, c o secuta que
a produzir ser incensado em dilhyrumbos de um es-
Iranh eslylo como um secuto missionario e como
um Banjamim- da historia. Essa adirmagno do pro-
gresso, em que nao ha mais que um desenvolvimen-
to da industria e do commercio, nao prova por si s
que a moralidade he de um interesse muito secunda-
rio no novo dogma, eque o grande negocio he o rae-
lhormeoto da vida nhysica ? Nessa ordem de coli-
sas nao podemos procurar nem ao menos a sombra
de urna doutrina espiritualista. O esplritualismo
nao pode subscrever a apotheose exclusiva da civili-
sagao material. Para que baja verdadeiro progresso,
cumpre que antes de ludo nao haja decadencia da
alma, diminoigo da vida moral, degradago do ho-
mem immaterial. Ora, sem embargo dos caminhos
de ferro e dos lelegraphos elctricos, "qae se mull-.'
plcam, ha na existencia moral da humanidade urna
decadencia irrecusavel, orna decadencia mais deses-
perada qu todas as oulras, a que se r de si propria..
Qucrcr porem isto dizr que tendamos a lem-
branga de negar o progresso? nao certamenle ; quer
dizer smenle que o entendemos na sentido compl e-
xo da palavra, na extensao total da natureza huma-
na ; que o entendemos no mundo das ideas e dos
sen i enlos, assim como no mundo das scnsagOes ;
que o entendemos finalmente do homem moral, as-
sim comu do homem material. Alm disso, cm ma-
teria de progresso, nao acreditamos na lindas recias,
seno as curvas e as obliquas. He um estrunfto
fatalismo o da nova escola que iropde humanidade
a necessidade de uao dar um passo sem fazer urna
conquista. .Em nossa opiniao, o progresso he em
grande parle, a obra das faeuldades do homem, e,
como ludo quanlo he humano, elle est sujeito s
vicissitudea e aos desvos; ha horas dolorosos, em
pie a especie, assim como o udr. iduo, tica tacic-
nario, assim como ha oulras ainda mais dolorosas,
em que ella retrograda. Para que admirar essa or-
dem de cousas, se o proprio homem he o artista de
sua fortuna e o obreiro do progresso? O contrario
disso he que se deve admirar. As novas doutrina,
sb o pretexto de honrar a humanidade mpondo-lhe
a. falalidade do progresso, liram-lhe todo o mrito,
tirando-lhe toda a liberdade. Fazera da humanida-
de urna machina maravilhosa: mas quem nao v que
o homem rom cus desvos, muilas vezes lamcnla-
veis, com os ecclipses de sua moralidade e os desfal-
lecimcRlos de seu genio, vale muilas vezes mais do
que o mais admiravel autmata? A humanidade,
as mos desses fatalistas de^fea especie, nao pode
nem parar, nem recuar. Certamenle, mas a que
prego ? ella obedece ao progresso, como a pedra
tai da gravilago.
Finalmente, para indicar, com urna s palavra a
mais gravo dessideocia que separa-nos desses mil
sectarios, basta dizer. que elleaMem f no progresso
absoluto, e que nos nao podemos crr nelle. Admit-
idnos, com a philosophia espiritualista, c com o
christianismo libcralmcnle interpretado, que a natu-
reza do homem e a sociedade silo perfecliveis; ne-
gamos porra que o sejaui alm de certa medida.
A Humamos pelo contrario que urna e oulra tem
sous limites naturaes, sua rircumscripgao definida,
tragada antecipadamente pelo] pensamenlo do Crea-
dor, .seu desenvolvimento regulado, determinado
pelos mesmos elementos que- o constituem. Que o
homem pelo esforgo perseverante de urna vonlade
recta e de urna inlelligencia applicad, pnssa chegar
a aperfeigoamenlos de detalh'e ; que possa desenven-
cilhar-se d alguns embaraces, abalcr obstculos,
atenuar resistencias, corrigir abusos; eis o que he
urna verdade. Esta obra he j bastante grande para
que elle so lhe consagre com autor, esta causa he
bstanle bella para excitar sanlaKmulages e gran-
des dedicagOcs. Anniquar-porWi csses obstculos,
siipprimir essas resistencias, Brmonisar perfeila-
meiilc. a nalureza c o fim do I Wk, seus desejos c
suas faeuldades; realisar sohijHErra a idaao me-
Ihor que o a' menla' sem trefols ; inventar um
bomem que i conhecesse, mais a dor, urna sorie-
dade donde d apparecesa^Knizeria com a desigual-
dade das con goes; IuMHBo suppe que a nalure-
za est mudada, qu aiJpa'ixSes desappareceram,
que a propria Providencia poz-se ao servigo de to-
ldos esses sonhadores, dislribuiudo igualmente por
lodos os homens a belleza, a Torga, o talento, a vir-
lude, o genio; que as leis do mondo, doscorpos e os
pheno'menos regulados da materia nao aceilam mais
a sua'palavra de ordem, senao dos caprichos edas
fauta-i.is humanas, e que os agentes pbysicos, tor-
nam-se, como no" con tu das facas, outro lautos es-
era vos inlclligeutes c doris: em oulros termos, lu-
do isso he o souho do orgalho e a utopia das imagi-
nagfies sensuacs.
Tocamos perfonctoriamenlc nessas ideas, disposto
a fallar deltas para o dtanle com mais ampios desen-
vniv men tos. Definidas assim com trago rpido as
doutrinas dos novos prophelas, larda-nos fazer ver
como essa Immensa desordem de principios incohe-
rentes (em-so encarnado em urna lilleratura eslra-
nba, que lomada em seu lodo, nao passa de una ex-
travagancia de estylo, de um genero tumultuario c
falso.
Todos os grandes syslaBias de philosophia teem pa-
ra seu uso certas formaste exposigalo. cerlos proces-
sos de lngiiagcm que consliluero o seu carcter pro-
prio, e dao-lhe una sorlc de originalidade lillcraria,
se bem que a quesiao do lilleratura o de estylo seja
para elle- cousa inteiramcnle secundaria.
Todos sahem do que forma imperivel revestir ani-
se as ideas de Pialan ; que lingoa austera e lumino-
sa falla Descartes ; em que eslylo simples e grandio-
so intcrprela-nosMalchrauche as maravilha da vi-
sao em Dos; lodos sahem igualmente em que idio-
ma inlciramenle pessoal Hant mostrou-no os seus
fortes c sublimes pcusamenlos.
Todos esses philosophos, porm, apezar da diversi-
dade de seu geniu e de seus syilemas, (endiam so-
lenle para um fim nico, que era demonstrar por
um raciocinio seguido o que acrcdilavam ser ver-
dade. A esse costo bem naluraj pela verdade junta-
vam elles una humildadesincera, urna modestia ad-
miravel, urna desconfianga de si mesmo, a qual he
um encanto de mais as obras do genio. Os nossos
prophetbs philosophos seguiram raminho muito di-
verso. 'Inventaran! urna especie de' demonslraro
i'nleij'amenlenova, a qual poderia muido nem cha*
mar-sc demonstradlo pelo enthuiiasmo; ou para
expSmii-nos com mais eiaclidSo, elles oecuparam-
se menos em demonstrar do que em assombrar o lei*
lor, deixaudo-o prostrado de admiracSo. Nada pode
dar idea dessa prelengao inaudita,edigamoassim,'
desse esforgo perpetuo e estril, para conseguir em
cada phrase um grande efl'eilo. Elles nao te sujcila-
ram jamis a fallar como vs e eu fallamos. Di-
zem com mageslade as cousas mais vulgares, e sa-
riam capazesde conlrafazer a voz do orgo para di-
zer a um fmulo, que Ihes traga os sapato. Co_
nhece-se pcrfetantejile que elles lomam como cou-
sa seria a sua apotheose e que desempenham
conscienciosamente as suas divinas fuDccoes. Ou-
vi-09 : elles commttngam na verdade; scnlem pas-
ar dianto de sua face o sopro do Dos vivo, e o re-
colhcm em trago de fogo. Tudo quanto se aproxi-
ma delles se engrandece e se amplia ; seus amigos
oceultam o infinito debaixo da vasta fronte, todas as
mulheres, cora especiatidade as Baechanles, sobem
i Iripode, e so tnrnam sybillas. Todas a suas pala-
vras sao orculos mysleriosos. Nao vos sorpre-
dais pois so a inspirago emana, ou ante precpila-
ac-lhes dos labios sublimes em caracteres de mela-
phoras. Sua imaginagao ferve como a lava de urna
crtera ; he a erupgo de um *Doos. Elles (ralam
muito mal os seus adversario, os sceplicos e incr-
dulos ilo culto novo ;"com a injuria e com o desdora
nos labios he que se dignam de responder anlecipa'-
damentes objeeges, ou mesmo declarar por cau-
tela, na maior parle das vezes,que Ibes nao dar
resposta alguma. Podis ficar perfeilamenle cerlos
que as (dividas as mal razoaveis da rrilijp obre o
valor de (odas essas cousas, as objecgfes as mais fun-
dadas nao podero jamis abalar o propheta na se-
renidade olympica de suas revelarnos. He preciso'
pois renunciar a ama argmentago em regra : dis-
cutir com um Dos seria um acto de louco; cumpre
nao ser urna ocm oulra cousa. Assim he que to-
dos os livros da escola propdclica respiram nao sei
que fatuidad!- beata, heroica, radiante, que de, bal-
de faria acreditar que cada um desses apostlos ar-
rebalou Dos a seus confrades, apropriando-sa ma-
gestosamente da parle^ lodos.
Comprehende-se coftw a infatuacao levada al o
delirio devia levar a ampliase al o burlesco, quando
algum pussuc oin/nt'o,'por bem ou por mal ha de
faze-lo enlrai no estylo. Rousseau, o Iyrico e I.e-
brum oPindaro empallideceriam dianle deses tra-
pos andaciosos com qac se robrem esses escripias
divinos. Cada pagina desenvolve urna epopea, ou
pelo menos canta um dilhyrambo. Cada bhrase he
um monumento. A urna grande palavra ajun(a-se
oulra ; he Pelion sobre Ossa, e sobre o gigantesco
pedestal dessas pbrases amonloadas, Icvanta-se o eu
humano, Dos enfermo e mesquinho, Titn despre-
zivel que ameaga escalar o co.
Da ampliase i profanagao nao ha mais do que
um passo. O repertorio da imaginagao humana nao
foi sufllcientc para esse espantoso comsumo de meta-
phoras, Foi nescessario ir adianle ; abrio-sa o vo-
cabulario da igreja ehristaa, e fez,e ahi um roubo
escandaloso. Era fcil de prever : o Chrislo huma-
nitario tinha levado ao sepulcro o Chrislo do Evnnge-
lho, era-natural por isao que elle eveslisse de seas
despojos, e lenlassc Iludir o publico cMfetermos
bebidos as supersligoes.do passado. AhfWoje lodos
criam que era de mo gosto herdar daquelles a
quem assassinamo. O novos prophelas nao sao
deste parecer. A nova liturgia produz-se a nossos
olhos, como nma parodia monstruosa da liturgia
consagrada. Sua lingoagem, simultneamente mys-
lica c sensual, paramenta-se com eitravagalile orgu-
lho com os relalho arrancados lingua catholica-
Escutai os seu dldy nimbos,'abr os aeus livros, e ve-
de que mistura burlesca do sagrado c do profano,
qoe prodigioso abuzo das palavras asmis sanias,
prostituidas petas cousas as mais banaes c as mais in-
fames, veris as expressOes as mais elevadas da ado-
rara, convertidas na lingoagem pomposa da ode
humanitaria, ou na linguagem equivoca de un can-
to cpcurisla. Dous amigos nao podem conversar,
I sem partir junto o pao da alma. nesse livros
estranhos ninguem pode enlregar-se s suas medita-
gOes e a 6eqs sonhos, sem con-mungar no infinito.
Toda a exposicao dos dogmas pi iphelicos ha a Eu-
charistia da verdade ou o Gnesis da Idea. *
Todo artigo, ainda mesmo apdemero, nao he oulra
eoosa raai que oEncholegio ,da liberdade. n Ouvi
esses myslico revolucionarios exi louiarcm, em toda
a vehemencia do exisui. que a democracia he a
segunda entrada do Chrislo em Jerusalem ; qu
(i o Terror he a monlanha do Calvario. Acredita-
ra-so por moilo lempo que a revolucao tinha sido
prodiga do sangue alheio. Engao Foi o proprio
angue que ella derramo como o Chrislo : foi su-
bindo ao Calvario, como elle, que ella igualmente
eucarnou e divinisou sua tai nos espirites. Gyria sem
nome que desfigura a lingua, como essa philosophia
de hallucinados desfigura o bom tenso! Simolagao
triste como urna profanagao, mascarada impura em
que os termos-os mais respeilavis servem de orna-
mento s realidades mal vulgares, quando nao ser-
vem de desfarce a verdadeiras infamias de pensa-
menlo! He o Apocalypse novo dizem os,inicia-
dos ; oh i certamenle, he o Apocalypse, sem S. Joao
e o Espirito Santo. Tudo isso he o producto de ima-
ginages exhaustas que atormenlam-se para fazer bro-
tar o interesse do escndalo, e para despertar por lo-
dos os meios o gosto embotado do publico.
Cousa maravilhosa neste fado, as palavras eslo
na razao inversa da ideas; he urna prodigalidade
de termos santos ou de expressesda mais alta roys-
licidade para disfargar o materialismo mais triste
de lodo, o materialismo vergonhoso de si mesmo,'
e que veste a sua liudez com os farrapos arrancados
religio. Quem pode porm enganar-se vista
disso J Algum tolo.
Orgalho olympico, emphase burlesca, audacia sa-
crilega de profanagao. taes sao os signaos cerlos pe-
los quaes reconhecereis a lilleratura dos prophetas-
Esse genero Iliterario esta alm disto om perfeila
harmona com o dogma. Se a adoragao do homem
conslifuc o fundo do culto interior, o que ha mais
natural do que ajunlar-Ih o culto exterior da phra-
se? O naturalismo desonfreado da doutrina influir
necessariamenle no eslylo, o qual nao ser, nem po-
der ser oulra cousa mais que um grosseiro mate-
rialismo de imaginagao. Em breve meamo o cuite
exterior absolver o outro. O cuidado do estylo ha
de invadir tudo. Ninguem escrever mais para
pensar, para raciocinar como Indos, senao para brin-
car comapenna, assim como oulros artistas brincam
com a pndula sobre a corda dura. Mas fallando
em boa f, o que e pode ver nesses salios de equilir
brisla, mais do que o exercicio eslerl de ama inlel-
ligencia agonisantc
ralyo, cl por ven
nao; esl porm a coulorso que he o arremedo da
tarca. Nada fadiga mais do que essa emphase laborio-
samente sublime, que disfarra mal a pobreza do fun-
do, a ausencia lamculavel da ideas, cujo recurso fi-
nal parece um appelto desesperado para as iraagens
forgailas, para a melaphora incoherentes, para es-
se luxo material de urna imaginagao mal regulada,
esgotada, oflegantc. Os systemaseas doutrinas que
vivera nao teem necessidade desses prestigios, e nao
recorrem a essa embriaguez. Nem a razao, nem o
goslo publico enganam-se mais com essas cousas.
Todos saliera que nada he mais eslranho aos delirios
sagrado do que essas furiosas epilepsias do eslylo,
o que nada assemelha-se menos ao enlhusiasmo de
Platao do que essa orgia dos espiritas embriagados
de si mesmos. Para ser um verdadeiro propheta,
ou smenlo um grande philosopho, cumpre ler ins-
pirages differeules das ideas enfermas que agitara o
cerebro na tebre. Para ser um grande cscriptor,
cumpre ter recursos muito diversos das hallucina-
gflos sensuaes de un grao sacerdote da humanidade.
Algumas vezes pergunlamos a*ns mesmos, se essa
cslranha lilleratura he ou nao urna loucura, lou-
cura seguramente a mais enjoaliva, pois que he seria
e declama. ou se nao passa de una dessas pro-
postas taita pela excentricidade ao bom senso de
urna naca. Se o novo genero tomar um nome na
historia das Icllras, chamar-sc-ha o genero courul-
cionario, se suppozermos que as Icllras volverlo
pela calma ao bom senso, c ao goslo pelo amor.do
natural, do simpes c do verdadeiro.
Serao a lilleratura e o dogma humanilarins cousa
novas? Nlo podaremos discernir as figuras debaixo
das mascaras que as disfargam ? Se valcsse a pena,
quao fcil seria expor as causas pueris c contar o
incidentes extravagantes que urna vez deram lugar
allianra dn San Simonismo, perseguido pelo ridi-
culo, com o romanlismo desacreditadol Ambos jul-
garam fazer cousas maravilhosas, associando'sqa in-
dustria e confundiudo seu destino. A San Simonis-
mo linda ponca lilleratura ; mas o romanlismo ti-
nha ainda menos idea. Houve urna curiosa mndan-
ga : os discpulos alrazado do velho dogma huma-
nitario turnaram-se artista da eslylo, e como ordi-
nariamente se diz, gravadores de primeira nota ; os
romnticos reformados comprehendendo que era tem-
po de cuidar em por alguma cousa em suas phrase,
inlroduziram nellas o culto do homem. Allianra
maravilhosa I nada eouvinha melhor i farga que pa-
rodia o sublime do que o materialismo que se arvora
em religio. Trille pensamenlo qila nao nos dei-
xou emquanto escreviarao estas paginas I O secuta
he velho em loocuras, em decepgoe e soffrimentos,
quando nao seja em annos. O secuto he velho e n
fazemos de mogos! Queremos engaar o senlimenlo
amargo da experieucia ou atordoar nossas tristezas,
como fazem os meninos, por meio de movimento e
bulla que tomamos por urna recuperacito.de raoci-
dade, quando tudo isso em realidade nao he senao
a carantonha de urna velhice enervada ou urna II-
bertinagem de idea, triste consolago do vigor per-
dido. (Heme Contempdraine.)
COMMERCIO.
PRAGA DO RECIFE I9J3E MAIO AS 3
HORAS DA TARDE.
ColagCes oflciaes.
Cambio sobro Londres a 27 d. 60 d|V.
Dito sobre ditoa 26 I \i d|v a praz.
Desconlp de leltrasde 1 mezt2*J ao anuo.
AI-FANDEGA.
Rendimenlo do dia 1 a 18 .
fdem do dia 19...... I:63I#M2
157:5289313
Descarrcgam hoje'2fdemaio.
Galera inglcza.Vioorrf Fishmercadorias. .
Barca inglczaMirandababalho.
Barca inglczaMidasidem.
Sumaca brasileira-rllortenciafcSho e charatas.
CONSULADO GERAL.
Rendimenlo do dia 1 a 18. 30:5749676
dem do dia 19......7>. 1:1289077
31:7029753
DIVERSAS PROVINCIAS.
Rendimenlo do dia I a 18 .' .
dem do dia 19.........
4:6019568
1429138
4:7439706
/"eronajens.
Mrquez .
Guilherme. .
Jorge .* ,
Marqucza. .
Moleira de Marly.
A seena paasa-se em Gaudelope, na Anlilha.
Dar fim o espectculo com a nova comedia em
1 acto.
4 MOLEIRA DE MARLY.
Adora.
, Srs. Coate.
. o Monleiro.
. a Rozendo.
. Sra. D. Amalia.
. D. Gabriella-
Em consequencia da grave esfermdade dasenho.
ra I). Orsat, a senhora I). Gabfiella preslou-se da
boamente a fazer o papel da moleira de Marly.
Eis o espectculo que o actor Amodo oflerece ao
publico deste cidade assegurandc-lhe urna belfa es-
colha, como em lodo o seus espectculo, e espe-
rando do mesmo toda a proteegao.
Os bilheles acham-se disposigao do publico na
ra Relian. 28, e no dia do espectculo no biihe-
Iheiro do Iheatro,
Priucipias s horas do cosame.
AVISOS MARTIMOS--
Exportagao'.
Marsclha, polaca franceza Mara, de 228 tonela-
das, conduzio o seguate :50 caivas e ,1,903 saceos
com 11,990 arrobas e 16 libras de assncar.
Ameslerdao, escuna hollandeza Pollux, de 177
toneladas, conduzio o seguinle :1,800 saceos e 61
caixas rom II ,934 arrobas .le assucar.
KECEBEDOKIA DE RENDAS INTERNAS GE-
. RAES DE PERNAMBUCO.
Rendimenlo do dia 19 .' 3609515
CONSULADO PROVINCIAL.
Itendimenlododia 1 a 18......30:8989627
dem do dia 19........1:7789459
32:6779086
MOVIMENTO DO PORTO.
Sacio entrado no -dia 19.
Camaragibe24 horas, liiate braiileiro loeo Desti-
no, de 21 toneladas, meslre Esle>ao Ribeiro, equi-
i Dagem 3, carga assucar ; a Jos Manoel Martin.
Passageiros, Francisco Barboza de Mascarenhas,
Jos Joaquim do Reg, Joao Faustino do Reg,
Manoel Joaquim de Mello, Gregorio Jos de Ma-
cedo Mello, Evaristo Antonio .de Maxedo, Joa-
quim Pedro da Sjlva, Manoel Paulino da Silva
Corlar.
Naci sahido no mesmo dia.
CotnguihaHiale braiileiro AragUo, meslre Hen-
rique, de Souza Maffra, carga bacallio e mais g-
neros.
EDITAES.
Pela inspecgaodaalfandcga se faz publico, que
no dia 23 do correte, a hora e lugar do cosime, se
ho de arrematar cm hasta publica de conformidade'
com o dispnslo no artigo 273 e segointe do regula-
menln de 22 de juuho de 1836, combinados com os
artigo 17 do decreto n. 708 de 14 de outubro de
1850, e 4. do de n. 811 de 13 de outubro de 1851,
diversos objecto salvados, pertenecntes ao apparelho
dnbrigiie sardo Carolina, os quaes se acham depo-
sitados nesta alfandega em virlude da apprehencao
que delles fez o ex-chefe de polica e auditor de ma-
riuha Dr. Jos Nicolao Rigueira Coste. Alfandega
de Pcniambuco 19 de maio de 1854.O inspector,
. Sent Jos Fernandes Barros.
O Dr. Castodv) Manoel da Silva GaimarSes, juiz de
direilo da primajra vara do commercio nesta ci-
de do Recite de Pornambuco por S. M. I. e-C. o
Senhor I). Pedro IT que Dos guarde etc.
Faro saber que por este jodio se h3o de arrematar
por venda em praga publica, que lera lugar na caa
das audiencias, no dia 22 do corrcnle mez depois de
urna hora, v.m relogio de prata u*ijbWMiado por
209000, urna cadeia par* o mesmo por 10*000, urna
commoda de conduni usada, por 4000, urna ban-
quinhft de amarello por 28000, um loucqdor da1 mes-
ma madeira por 19000, duas cadeiras de pinho com
assentos depalha por I9OOO. urna peqnena armago
de pinho por 49OOO, e um taiio velho de cobre por
29OOO, penhorado a I.uiz Antonio de Araujo por
execugao de Manoel Pereira de Souza.
E para que ehesue a noticia de todo mandei pas-
sar o presente edilal que ser publicado pela impren-
ta, e dous do mesmo Iheor qoe serao afiliados na
praga do commercio e na casa das audiencias.
Dado e passado nesla cidade do Recite de Per-
nambuco aos 17 de maio de 1854.Ea Manoel Joa-
quim Baptista, escrivSo interino o escrevi.
Custodio Manoel da Silva Guimaraes
DECLARCO'ES.
Pela administraran da mesa do consulado pre-
cisa-se comprar para o expediente da mesma, para o
anno faanceiro de 1854 a 1855 o seguintes objecto,
a saber :60 resmas de papel de divenas qualida-
des, 2dilas.de dito hollanda, 1 dita de dito raala-hor-
ro, 4,000 peonas de secretara, 2 grosas de lapis,
400 raassos de obreias, 2 espanadores e mais diversos
objecto miudos etc. etc.: as pessoas que tiverem di-
tos genero c se quizerem encarregai* de fazer esle
fornecimenlo, compargam na mesma reparligo nos
dias iileis, das9 horas ilamanliaa as 3 da tarde, mu-
nidos das competentes amostras e seus pregos. Mesa
do consulado de Pernambuco 19 de maio d 1854.
O escrivao', ./arome Gerardo Mara Lumaclii de
Mello.
Consulado de Portugal. .
No sahbado 20 do crrante, ao meio dia lera lugar
com as formalidades da tai, na porla deste consu-
lado na do Trapiche n. 6, a arreinalacao do resto
dos bens do tinado subdito portugus JoSo Rodri-
gues das Nev, consist/ido em urna alvacenga ainda
em eonstruccao, que se acha no,Forte do Mallos,
o cstalleiro do Pinto, e em um porgo de cobre
em vergilimes, depositado no mesmo consulado.
Consulado de Portugal em Pernambuco 17 de maio
de 1854.Joaquim Baptista Moreira, consol.
COMPAN'HIA DE BEBERIBE.
O Sr. director pela terceira vez convoca
os genitores accionistas para se reunirem
cm assemblc'a geral no d|gteiTa-fera, 23
do corrente, ao meio dia, afim de se pro-
cedera eleic&o da npva administrado, e
deliberar sobre o pa<;amento do 12. di-
o evercicio osieru no una miel- |j .' i '.
? Nesso esforgos obstinados do ,VI 'i P e''a Hm'n"i,l'a<;af! ^^
mlura a forga? Ccriamenlo que termin?do, ann0 d *",a gerencia. Es-
criptorio dacompanlna de Beberibe 19 de
maio de 185 i.-O secretario interino,
Luiz da Costa Portocarreiro.
Para o Rio de Janeiro, o brigue na-
cional Elvira segu com brevidade por
ter parte do seu carregamento prompto :
para o resto da carga, passageirote escla-
vos a frete, trata-se com os consignatarios
.112:896J97I do mesmo-Machado & Pinheiro, ala ra
do Vigario n. 19, segundo andar.
PARA A BAHA
segu brevemente o veldo hiate For-
tuna, capitao Pedro Valette Filho: para
carga trata-se com os consignatario-A-
de Al incida Gomes & C* ra do Trapiche
n. 16, segundo andar.
Para o Rio de Janeiro segu em
poucos dias o patacho nacional Bom
Fim>; ja' tem a maior parte da carga
irompta : para o restante e escravos a
rete, trata-se com o consignatario Jos
Baptista da Fonseca Jnior, na ra do
Vigario.xxv^. prij^roandar.
eal companhia'de paquete inglezes a
vai=_
No dia 22 deste roaz
espera-se do lulo vapor-
Great Western, o qual
depois da demora do cos-
ie seguir para a Eu-
ropa; para passageiros irala-se com os agente* Adam-
soh Howie C. na ra do Trapithe Novo u. 42.'
Para o'Rio de Janeiro, vai sabir com
a maior brevidade possivel. patino Nacio-
nal Valente ; quem no mesmo quizer car-
regar, embarcar escravos afrete ou ir de
passagempara o que cu?recebon)r"co'mor
dos, dirija-se ao capitao do mesmo patn
Francisco Nicola'o de Araujo na praca do
commercio, ou 90 escriptrio de Novaes
&. C- na ra do Trapichen. 5*. 1. andar.
Para o Rio de Janeiro sabe por estes 8 dia o
brigue Feliz Destino por ter parte do carregamen-
to prompto; para o resto da carga e passageiros, tra-
ta-se com o Sr. Manoel Gougalves da Silva, on cOm
o capitao a bordo. '.
Rio Grande do Sul.
Seguir em poneos dia para o RiorGraode do
Sul o patacho nacional Regulo, o qtul lera opacos
commodos para passageiros: lrata-e na roa da Ca-
deia do Recita n. U, ou com o capiUo a lwrda.
Para o Rio de Janeiro dever seguir por estes
dias o patacho (alante Mara* ", anda pode reerber.
alguma carga miuda, passageiros e escravos. a frele ;
ia (rajar na roa da Cadeia do Recite, toja n. 30.
LEILO'ES~
O agente Oliveira tara leilio por ordem do Sr.
Cnsul de Franca, e em presenga do sepbanceller,
do expolio e mais arligos do estabeteciraento do Aa-
do subdito francez Declamar, consislindo empegas de
mohilia, roupa, dous relogio, sendo um de prata e .
ouiro ile ouro, um liuguado de prata,muitas ferragens
para fabrico e concertos de carros, como sejam: mar-
tello, bigomas, forja e foles em bom estado, fieiras,
compassos, e militas oulra novas para dito officio;
e de carpinteiro, rodas para carro completas, e ou-
lras em acallntenlo, e algom rarvao para ferrara,
etc. : lerga-feir, 23 do corrente, as 10 har da ma-
nha, na ra do Arago n. 17, onde se comegar o
leilao com osobjeclos nella existentes, conlinuaado-
se o mesmo com os restantes artig no lelheiro, sito
no lugar de Campo Verde.
GRANDE LEIL&O SEH LDIITE.
Irrga feira '2:1 do corrente. as 10 horas da ma-
nb.la no armazem da ra doXollegio n. 14, haver
um grande leilao de obras de roarcenera nova e
usadas de diOerenles qualidades, urna grande por-
go Je chapeos linos de fellro sortidus, dito do Chi-
li muito flnos, varios apparelho novo de louca, o
de porcelana, para almogo e janlar, vidros para ser-
vico de mesa, relogios de ouro e prata para algibeini,
ditos de oulras qualidades, candieiro franeeies, in-
glezes de modelo novos, lanterna, candelabros,
serpentinas, castigae etc., rica caixas de charao pa-
ra costura, dita de moguo. ditas pequea de jaspe,,
em quanlidade, estampas Cnas colorida, a em fumo,
ditas em quadros com ricas* molduras, urna grande
porgAo d( miudezas differentes, sapato e borzeguins
francezes de varios tamanhos, vinho engarrafado su-
perior de cidra e raagAas, e de oulras qualidades, bts-
coilos, e bolachinhas finas francezas em Utas etc., e
urna armagao envidragada para taja : alera desles
objectos haverfio oulros muito que estarSo patentes
no mesmo armazem.
^0DE
S,
SABBADO 20 DE 11 VIO DE ,834.
RECITA 4 FAVOR DE
L. C. Amodo.
Logo que os professore da orcheslra derem prin-
cipio coro urna brilhante syraphouia, subir secna
o novo e magnifico drama em 5 aclq.
A ESCRAVA ANDREA.
DENOM1NACO DOS ACTOS.
1. O insulto do marinhiro ao commandante.
2. A escrava Andrea.
3. A orgia na vespera do cmbale.
4. O duello rom machado.
5. O combate navalExplosao do brigue Pirata,
A moatallia lo capitao Rennnil.
A exptosao do brigue Trala ser teila avista do
espectador, para o que nao se poupa as despeza.
Personagens. Actores.
O condo Reuaud (commandante
da fragata).......Os Srs. Rezcrra.
Anlonio (marinhiro) Amodo.
Lamberlo (contra meslre). Mendos.
Plok (laberneiro) ...... Pinta.
1. marinhiro....... Sania Rosa.
2. marinhiro....... Pereira.
3. marinhiro....... Rozendo.
Andrea, escrava......Sra. I), (jabriella.
lim menino ....... N.' N.
Ofliciae de marinha, marinlvtros e pwo.
0 AGENTE B0RJ4 GERALDES
far o leilao dos objectos cima mencionados, do eu
armazem, batendo o marlello sem recusa de qual-
quer prego que fr offerecido no acto do lefUo.
Terca feira 23 do correnle,_ 10j heraa da
manha o Agente Vctor, far, leilao no seu arma-
lem ra da Cruz n. 25, de grande sorlimelo da
oliras (le marecneria, consislindo em mesa redondas
ib? amarello, consolos, sotas, marquezas, cadeiras de
balango, de (rago de Jacaranda, c de a.niarello.usuaes
de Jacaranda e ((e amarello, guarda 1 cuica, aparado-
ras, carleira, commoda, mesa para janlar, lavato-
rio, toacadore de Jacaranda, e de amarello, berras
de Jacaranda e de amarello, um rico violau de jaca-
randa com caixa, dous arados, dous relogios novos
patente suisso, quadros com eslampa coloridas e fu-
mo, vinho branco do Porto engarrafado de superior
qnalidade, orna porgilo de sabouetes, 29 chapos
brancos de castor, 11 proles de merino, 6 de dilo
com mola, urna porgilo de doce em barro e talas de
diOerenles qualidades, urna rica toalbade labyrinlho
com bico em roda, grande porgo de espelho de dif-
ferentes tamanhos : e oulros muilos objeclos que es-
tarn patentes np dia do leilao. *
AVISOS DIVERSO.
Na livraria n. 6e 8 da paga da Independencia,
existe urna carta para o Sr. major Jos Carlos, Tei-
xeira, como fe ignora quem seja procurador, nem
-onde se deva remelter, roga-sc-lbe queira an-
onadar,
ERRATA.
Srs. Redactores. Apparecendo urna sensivel ine-
xactido na publirago da minha correspondencia .
inserida em o seu Diario de Pernambuco ob n.102,
rogo-Ihes qne queiram publicar o seguinle.o re-
querimento cm que o Sr. Jos Piolo da Costa po-
dio, que fosse embargado qualquer bem rneu, disso
ser credor de 3079000, e as suas le" temunhas jura-
ram por-ver, qoe eu era dcvolor de 5078000 rs. ao
pasao que, no termo de co'uciliaglo, que junten a
peligo do embargo, d eclarou ser credor de 5709 rs.!!
Antonio Carlos Pereira de Burgos Ponte e Len.
Na ruada Aurora, em cata de Joao
Pinto de Lcmos Jnior, se precisa de urna
ama de leite, forra ou captiva, mas que
seja sadia.
Henriquela Pessina, tendo re se retirar moilo
breve para o Rio de Janeiro, e como nao tenha olli-
mado a cobra ueadn seu beneficio, roga a tedas as pes-
soas qne lhe fi/eram. o obsequio de aceitar bilheles,
dignem-se a mandar as suas exportlas na ra Bella
ii. 2!), do que lho ficar muiissimaobrigada.
Precisa-s jle una ama para, casa de pouca fa- ,
milia, que saiha coziuhai,' engoraniar e fazer o mais
servigo de casa, mas que seja de raeia idade o de boa
conduela:a ra das Cmzcs n. 20.
A pessoa que se julgar com direilo a iim ca-
vallo magro, de cor ruga, qne foi aprehendido ha 3
mezes, pela subdelegada da freguezia da Boa-Vista
queira comparecer para lhe ser entregue dando o
sigpaes.
Precisa-se de um rapaz de 16 a 18 annos, qoa
lenha alguma platica de taberna, prefcrinilo-se
desles ltimamente chegadOs: a tratar na roa da
Concordia n. i.
I'rccisa-se alugar urna escrava qoe seja fiel, o
que saiba engommar c fazer o raai servigo de urna
casa: na ra Dircila n. 131, por cima da botica do
Torres.
A Sob.-. I,.-..(i de margo do 1817 penelrada I
da mais punseic dor pela prematura morte de j
seu filho, o preslimoso 1.-. G.-. I.". G.'. [3.'.) [
Norborlo Joaqnim Jos Goedes, vai fazera soa |
commemoragao fnebre no dia 21 do correlo I
s 9 hdras da manhaado referido dia, o convi-
da a lodoso M II.'. para eomparecerem a esle
arlo de Unta piedade. ll'aMngton 30.-. I).
Jitam d'Arcgas 30.'. D. Ega* Muni: 23.
O proprielario do mnibus Pernambcana faz
sriente que pessoa alguma ter insioaso em dito
mnibus em qoe aprsenle ao bolieiro o bilhete de
entrada, cojos bilheles se vcudem na roa das Laran-
geras n. 18 : fa-e este aviso para que nao se eha-
m*m a ignorancia, e nem 13o pouco queiram forga
ter anin no omnibu-.

it -*.

_
... i,. ..in. .->


DIARIO DE PERNAMBUCO SABBADO 20 DE MAIO DE 1854.



NILKACAt DO INSTITUTO H0I(0FATU10 DO BRASIL.
THESOURO HOMCEOPATHICO
OU i
VADEMCUM DO HOKEOPATHA.
Melhodo conciso, claro, e seguro de curar hommpalhicamenle todas as molestias, que aUliocrQ a
especie humana, o particularmente as molestias que reinal no Brasil.
PELO
DR. SABINO OLEGARIO LUDGERO PINHO.
Acaba de sabir a luz esta obra nlilissima aos mdicos, que. quizercm experimentar ou, exercer a
verdadeira medicina, e mudo mais ainda aos pas de familia, quer das cidades, quer do campo, cheles
deesUbeteciirienlos, sacerdotes, capitaes de navios, viajante, etc., etc., que-por si mesmos quizercm co-
nhecer o prodigiosos effeilos da homceopathia.
Dous volumes em brochura, por. v Eocadernados .. ....> ..''.'... > U$&
t I Srs. assignanles BOTICA CENTRAL HOMCEOPATHICA
Ninguem poder ser feliz na cura das molestias, sem que possua medicamentos verdadeiros, ou de
ooa qualidade. 1 or isso, e como propagador da homo-opalhia no norte, e mmedilamente inlcressado
em seus benelicos successos, tem o autor do THESOCRO HOMOEOPATHICO mandado reparar, sob
sua mmeuiata nspecrao, lodosos medicamentos, sendo incumbido desse Irabalho o hbil uliarmaceulico
eprofessor em homceopalhia, Dr. F. de P. Pires Hamos, que o tem ejecutado com todo o zelo, lealda-
A efllcacia desles medicamentos lie alleslada por todos que os tem experimentado; clles nao preci-
sam de maior recommendacao; basta saberse a fonte donde sahiram para se nao dovidar de seos pti-
mos retallados. '
Lina carteira de 120 medicamentos da alta baixa delincan em glbulos recom-
mendados no THESOURO HOMOEOPATH1CO, acompanhada da obra, e de urna
eaixa de 12 vidros de tinturas indispensaveis .......
Dita de % medicamentos acompanhada da obra e de 8 vidros de tinturas ." *
Uila de 60 principan medicamentos recommendados especialmente na obra, c com
urna caixa de 6 vidros de tinturas .......
Dita de 48 ditos ditos. ......." \
Dita de 36 ditos acompanhada de 4 vidros de tintaras. ..!!"
Dita de 30 ditos, e 3 vidros de tinturas...... *
Dita de 24 ditos ditos.............
Dita de 2* tubosi peqatnns com a obra e 2 vidros de tinturas." i.".""
tubos avulsos grandes...........
pequeos \ \ *
Oda vidro de tintura.
lOOSOOO'
905000
6O9OOO
503000
409000
350000
303000
209000
13000
9500
23000
dissimos*'n"OqaeqUerenCOm,nendasde,nediCamenlOSCom "maior pwmplidao, e"por procos comroo-
Vende-se o tratado de FEBRE AMAREI.LA pelo Dr. L. de C. Carreira, por. 29000
KoadeS. Francisco (Mundo Novo) n. 68A. _-*<
COMPANHIA DE BEBERIBE.
Nose tendo reunido numero su I)cente
de senhores accionistas da companhia de
Beberibe-para aassembla geral convoca-
da para o da 16 do crrante, o Sr. direc-
tor de novo a convoca para odia 19, am
de que se proceda a eleicao da administra-
cao, e se deterqgne o 12.- dividendo, na
forma dos estatutos. Escriptorio da Com-
panhia deBeberibel7demaiode 185.5-.
O secretario interino,
Luiz da Costa Portocarreiro,
Precisare de umi preta escrava, que cozinhe e
faca o mais servico dema casa de pequea familia,
paga-sebero:a tratar na ra da Cadeia do Recife
n. 23.
Precisarse alagar urna escrava para todo servi-
co de urna casa de ponca familia ; na ra do Vigario
Esplendida gallera de retratos pelo
systcma clirystalotypo.
O abaixo assignado, acaba de
receber dos Elados-t'nidos o
mais rico sorlimento de objec-
tos para collocar retratos que
teem apparecido no Brasil. O
respeilavel publico he convida-
do pois a visitar o seu impor-
tante estabelccimenloao depois
da cheeada do vapor do norte,
(qae so enISo he qne poder despachar estes objec-
tos) nao s para examinar as magnificas cai\inraji de*
primoroso Irabalho, e bem assim belllssimos quadros
dourados e'de mogno, como para observar un enge-
nhoso instrumento no qual se v" o retrato de mi-
nialnra n'ujn lamanho natural, c onde o observador
podeni gozar das mnimas particularidades das fei-
oes que examinar. O artista, em dous mezes que
aqu se ada tem lirado 600 e tantos retratos, por is-
so escusado ser elogiar os retratos pelo svstema
rhrvalaloh po e dizer que alcni de se nao oxidarem
romo os de dacoerreolvpo sao tirados com muilo
mais rapidez e em qualquer estado, e que suas co-
res na tu raes e vivas demasiadamente extasiam avista
do espectador; anda existem algumas caixinhas,
quadros, medalhas, altinctesc aneis, por isso os pre-
tendentes queiram dignar-se procurar o annuncianle
Iodos os das no aterro da Boa-Vista n. 4, tereciro
andar.Joaquim Jos Pacheco:
Theatro.
Margrtela Deperini sommamente agradece as pes-
toas qae Ihe fizeram a honra de aceitar biHieles do
seu beneficio, e tendo-se de retirar brevemente, nSo
leodo lempo de mandar receber lhes pede o favor de
mandar-lhe satisfazer no hotel Francisco, do que lhe
flear obrgada.
Foi apprehendida no fim de abril, 1 canoa pe-
quea de 16 palmos de comprido, pooco mais ou me-
nos; quem se julgar com direito a ella, dirja-se em
Fora de Portas ra do Pillar n, 145.
Engomma-se roopa tanto de hornero como -de
entrara, calcas, camisas ejaquetas a 80 rs., ludo com
|ierfeic5o: no becco do Rosario n. 2.
. Precisa-se de urna ama que saiba' cozinhar, e
fazer lodo mais servico de urna casa : no largo do
Tcrjo n. 27, segando andar.
Precisarse alugar um preto que seja fiel, para
vender faxendas: no aterro da Boa-Vista n. 58, loja.
Desapptreceu de casa de seu senlior? urna ca-
bra de nome Manoella, j de idade, alia, magra, bas-
tante feia, tem os olhos vesgos. lhe chamam na' roa
a Mai da Loa; quem a pegar leve a seu senhor, na
roa Nova no primeiro andar do sobrado n. 26.
Da-se 201)9000 rs. a joros com peuhor de ouro:
na (ut eslreila do Rosario n. 7.
LOTERA DO RIO DE JANEIRO.
Acham-se a' venda os hilhetes da lote-
ra nona do Estado Sanitario; a lista se
Qoem tiver para vender urna prcla ou mulata
que saiba engonunar, coser e cozinhar,' dirjase :i
ra larea do Rosario, cosa n. 28, segundo andar, por
cima da loja de loara, que se pagar bem.
9 O Dr. Sabino Olegario Ludgero Pinho-mu- 3
, don-s para o,palacete da roa de S. Francisco $
$$ (mundo novo) n. 68 A. j
&<$@ @@$tdSdj>#5
Precisa-se alugar um sitio que tenha arvore-
dos, osa com commodos para urna familia fazer
morada, estribara etc.*, da estrada do Mondego at a
Ponte de Ucha: a fallar com o consol Americano na
roa do Trapiche u. 4, ou annuucie.
Quem precisar de um pequeo, com pralicadc
venda, Irale na roa da Cadeia do Becife n. 23.
Dons guarda-loucasdepoamarello, muilo ele-
gantes e do ultimo goslo, acabados por um roarcinei-
ro eslrangeiro que chegou ha pouco lempo de Alle-
manha, eslo para serem vendidos na roa do Ara-
gao n. 10, aonde as pessoas que esto inclinadas de
ve-las queiram dirigir-se.
Todas aquellas pessoas que tenham direito a
reclamar qaalquer ohjecto que dessem a concertar ao
fallecido Lamar-e, no sen eslabelecimento de fabrica
de carros, *ila na ra do Aragao n. 17, com depen-
denciai nolelheiro do Campo Verde ; queiram lera
bondade de reclamar e recebe-las at sabbado 20 do
correte, visto que os remauescentes serle vendidos
em leilao na lurra-reira immediata, 23 tambem do
correle, por urdem do Sr. cnsul da Franca, da
qual uaro era subdito dito fallecido. i
Jos Baptista da Fonscca Jnior avisa a qoem
convier, qne a escuna brasileira, actualmente pata-
cho, Galante Mara, de que sao proprielarids Sil-
va & Grillo, lhe esui especialmente hypothecada pela
quanlia de 4:2503000 por escriplura lavrada as no-
tas do tabelliao Coelho, e devidaraenle registrada,
cuja hypotheca se ha de vencer cm 18 de janeirode
18*>.
Losna romana, de Soline.
ffi A tintura de losna romana, Solliiip, fie um 2S
S dos excellcntes remedios tnicos conheeidos, SE
g que maior numero de vezes tem produzido SS
g tnolhores efleilos as molestias i que se tem MC
julgado applicar. Curaomadmiravelpromp- S
w tidao asddres nervosos do estomago, accelera S
- a digeslao as pessoas que tem Urdia, faz S
^ desaparecer os margos de bocea, e os gazes *
g que se accnmulam no estomago, cdesenvnlve JK
5K o appelite ; cura igualineule as desenterias JS
SR chronicas, as flaluosidades, e lie um podero- Jg
Jg so remedio para as criansasque soffrem de li- ZS
gj entena, ou dijecroes alvinas liquidas, e mui-
jg tas vezes repetidas, as qoaes se acham os ali-^
soc menlos maldegeridos. Asseuboras quepade- S
g cem da chtoroso ou patuda cor. adiarlo na &;
S tiulurade losiia romana; um remedio cfficaz,
^ o qoal sendo usado por alguin lempo as tor- J
X na coradas. Tem sido de grande vantagemtno M
S tratamento da leucorrhea ou flores bran- &
j cas, e juntamente no fluxo sanguneo prove- JSS
Jg nienle de alonio do ulero. Seu uso he mui 2B
jgc simples: as pessoas adultas devem tomar duas S
S colbcrinhas do manha em jejom, e duas S|
* noile quando se qoizerem agasalhar, dissol- S
S vidas em pequea quantidade d'agoa mama. &
* As enancas tomarao urna colherinha de ma- fg
Sk nhaa e outra noile. Vende-se nicamente SE
28 na botica de Joaquim d'Almcida Pinto, na S
r roa dos Qaarles n. 12. ss
espera segunda-feira pelo vapor inglez : 1^' "m*.^m"^ '*
c4\Vramio!seraopaSosPlogo que.se Ser a f^^VT T* V-
distribuicao das listes. 4 ra bab.fac,o de urna facha,,1
itcao
O abaixo assignado, morador na cidade da Vic-
toria, avisa a varios habitantes da cidade do Becife
c seas suburbios, que no prazo de %30 das mandem
pagar o que devem ao abaixo assignado, e podero
entregar nesta praca ao Sr. Francisco Xavier Mar-
lint Bastos, na ra'do Encantamento, armazn de
motilados n. 11, nosdemas lugares pagarao ao abai-
xo assignado, sendo no lugar de sua residencia, do
contrario publicar os nomos daquellcs que o deixa-
rem de satisfazer, c estes serio conheeidos como ca-
loteiros.; e o'mesmo aviso faz aos habitantes da
cidade da Victoria e da comarca do I.imoeiro, Cabo,
naiareih, Baposa, Gravlii, Muoam. Cidade da
Victoria 16 de maio de 1854.
Alanoel Jote Pereira Borges Juniot.
Desapparecon no dia 12 do corrente, urna es-
crava de nome Justina, de naco, de idade 20 a 22
anuos com os signaes icgointes: levou vestido de
cassa encarnada j usado, camisa de algodao,; he
haixa do corpo, tem em ambas orelhas amas carnes
crescidas, proveniente deliramento das mesraas ore-
lhas, fui escrava do Sr. Vidal: porlaolo roga-se as
autoridades e capilies de campo que a peguem e le-
vem-a ru dasCruzes u.20 que seraorecompensados
assim como roga-se e pede-se a nma certa pessoa
aonde consta ella estar occulta, que a mande entre-,
gar a seu senhor. do contrario se procurar os meios
delta.
Precisa-se contratar poi-empreitada
a construccao' de urna coberta de telliu
obr pilares de tijolo ou columnas de fer-'
ro em Um terreno^ murado, na. ra de
Santa Rita prximo aribeira, pertencen-
te a companhia brasileira de paquetes de
vapor : quem estiver as circumstancias
de fazer este contrato com as necessarias
garantas, queira apresentar sua proposta
com toda a brevidade ao agente da dita
companhia, na ra do Trapiche n. 40,.
segundo andar, onde ..tambem se dar*
qualquer esclarecimento.
. Os herdeiros do finado Francisco de Paula Ni-
ramole, anligp senhor do engenho Gnipapo, Xa-
zemsabera quem convier, afim de que em lempo
Mgum se nao prevalecam da ignorancia, que clles
tralam de fazer rescindir a escriplura de accommo-
^""aveleomposicao, que coagWos. fizeram
o U. Mara Marroquina de Jess Nazareno e seus
l',J,eroe'roi do fallecido Antonio Francisco do
ego Barros, e assim aquellos que a estes compra-
i paries do dito engenho Ginipapo ficam sujeitos
a ve-tas reivindicar em lempo opportuno. Becie 18
aernaio de MSi^omo procurador,
Paulo Tolentino natos Nigromante.
u7 't *ecreUrio a irmandade do patnarcha S. Jo-
]a Agona, erecta no convenio de N. S. do Car-
mo. convida a lodos os seus charissimos irmSos para
reonWinem mesa geral, domingo 21 do corren-
1 horas da manhaa, para se tratar de nego-
Cl Bles a bem da mesma irmandade.
i ipareeeu no engenlio Taquera do termo de
li-nmaegoa caslauh: quem for seu dono
ppareca que dando os signaes lhe ser entregue.
yuemanuuncinu querer comprar um Epitome
'Piuco, procure-o na ra do Rangel 21, que
lie noVO. Venile-ta mi lrn._____ ..__ '
* Ti ven tarn da ""J" (,e chi,rtosda ra laYga do Ro-
n. 32, pede encarecidameule
lao a dever conla de charutos er
rte^ir Ufe ,eve ua rua,es,reil ><> Rosarloriiajam
ouediM??0 la que "s seus" rreues tenham
r^uleira, V^0-lleln para Vender rica' cl-
is pessoas que
era sua loja, e no
vender a
25u0 e 39000: na mesma le
armacao que foi do deposito de-
para
charutos
iwrlenee
a"" e8,re"a n me,nw"ocio ou outro qualquer, eser feil
e maneira que moda-se para qualquer parle.
Precisa-se de um sitio icom boa ca-
sa de vivenda, commodos para escravos.
estribaria para tres cavaltos, e baixa pa-
ra capim, em qualquer um dos seguintes
lugares : 'Apipucos, Monteiro Poco, San-
ta Anua, Ponte de Ucha, e Manguinho;
com preferencia nos Apipucos, Afenteiro
e Poco, ainda mesmosem baixa para ca-
? ama GiW m arrendar pa-
. tpjepromet-
te zelar e tratar como se fosse o proprio
dono, annuncie por este Diario, o
avise nesta tipographia, ou finalmente
di rija-sea ra Formosa n, 2, onde adiara'
com quem tratar.
O Dr. Joau Honorio Bezerra de MeuezeSj
formado em medicina pela faculdade da Ba-
hia, offerece seus prestimos ao respeilavel pu- m
ft blco desla capital, pudendo ser procurado a %
qualquer hora em soa casa ra Nova n. 19, $
segundo andar: o m'esmo se presta a curar Sg
" gratuitamente aos pobres.
Pa Iravessa da Madre de Dos armazcm n.2l,
deseja-se fallar com os Srs. abaixo mencionados, a
negocio de seu particular nteresse: Caetano l)el-
phino Monteiro de Carvalho, Joaquim Jos Pimen-
lel, Joao Elias degAcevedo, Antonio Fraucisco Do-
mingues.
A mesa regedora da irmandade do Divino Es-
pirito Santo, erecla na igreja de N. S.da Conccco
dos Militares, convida a Iodos os irmans para que se
dignem comparecer no consistorio da mesma irman-
dade, no domingo 21 do corrente,. pelas 8 horas da
manliaa, para assislirem a missa votiva do Espirito1
Santo, e depois proceder-se a eleicao da nova mesa
que tem de funecionar de 185* a 1855.
Guilherme da Costa Correa Leite
declara a quem convier, que deixa por seu
bastante procurador nesta cidade*iurante
a sua curta ausencia, ao Sr. Antonio Jos'
Rodrigues de Souza Jnior.
HOMEOPATHIA. $
0 Dr.Casanova,' medico francez, d con-(A
sullas lodos os dias no seo consultorio T
RimsrRIJZESIU8. I
No mesmo consultorio acha-se venda um "
grande sorlimento de carleiras de lodos tw &
tamanhos por presos rommodissimos.
CINCO MIL RIS. I
1 carteira com 24 tobos a escolha. /<*
1 lubo grande.ile globulosavuls. 500 w
- 1 dilo mediano. '. 400 ('
1 dito pequeo ...'...' 300 Yy
K onca de tintura a escolha 18000 %
Elementos dehomeopalhia 2 volumes 2.
odieco.......... (jo 7
l'aihogenesia dos medicamentos %
brasileirnst volume. ..... 2ft000 (t
Tratado das molestias venerias
parase tratar a si mesmo. 1J000 i
Carros e colxoes de mola.
O abaixo assignado, segeiro, c morador na ra
do. Pires, cas, dc|*rla targa, offerece-se para pin-
tar, cobrir e forrar carros, com loda a perfcicao pos-
sivel, e para azer todo equalqucr conserlo que nelles
seja preciso ; assim comoencarrega-se de vender car-
ros ou cabriolis ; na mesma casa acham-se venda
colxoes de molas tanto grandes como pequeos or
presos commodos, e afianca-se por um anooporq'ual
quer concerlo que nelles seja preciso ; lanihem
guarda-se carros mediante una paga mensal.
f-aboucicr.
J. C.liardnii, bacharel em bellas ledras, doulor
cm dreilo formado na universidade de Pars, eusi-
na em sua casa, ra das Flores n. .17, primeiro an-
dar, a lr e eserever, Iraduzir e fallar, correla
ini-nlc- a lingna franeeza, e taiiihutn dar icoes par-
ticulares em casa de familia.
A qoem le fallar urna quartola de ylnlio: di-
nja-se a ra da Cruz n. 46.
1 recisa-se de una ama q>io saiba ciisinhar, cn-
nmmar, e fazer todo o mais servico interno de um
isa : na ra Nova n. 52, segundo andar.
AO PUBLICO.
No armazem de fazendas bara-
tas, ra do Collegio n. 2,
vende-se um completo sortimento
de fazendas, finas e grossas, por
preces mais baixos do que em ou-
J tra qualquer parte, tanto em por-
(Oes, como a retalho, amanendo-
se aos compradores um s preco
para todos : este estabelecimento
ahrio-se de combinacao com a
maior parte das casas commerciaes
inglezas, francezas, allemaas e sujs-
sas, para vender fazendas mais em
-conta do que se tem vendido, e por
isto oH'erecendo elle maiores van-
tagens do que outro qualquer ; o
proprietarto deste importante es-
tabelecimento convida a' todos os
seus patricios, e ao publico em ge-
ral, para que venham (a' bem dos
seus interesses) comprar fazendas
baratas, no armazem da ra do
Collegio n. 2, de
Antonio Luiz dos Sanios & Rolii
Aluga-se o sitio denominado do Cordeiro, com
casa de vivenda, ara Sant'Anna, perlcncenle ao ca-
sal do finado commendador Antonio da Silva : os
pretendentes dirijam-se ra do Vigario, casa n.
Casa da aferieSo, na ra das AguasT
Verdes n. 25.
O aferdor participa, qae a revisa leve principio
nodi^l" de abril correte, 'a flnalisar-s'e no dia 30
de junho prximo fuluro: segundo o disposlo no
arl. 14 do regiment municipal.
Na ra de S. Bom Jess das Crioalas n. 10,
lava-se e engomma-se com ajelo e perfeicao.
Qacm precisar de uma^ma para engommar,
cosinharc fazer todo o mais servico interno de nma
casa: dirja-se a ra dasCruzes n. II,.loja.
Na roa do Vigario, casa n. 7, ha para alagar
um escravo ptimo cozioheiro, proprio para qual-
quer casa eslrangeira. ou pa'ra os vapores da com-
panhia.
Precisa-se alugar urna ama forra ou captiva,
para urna casa eslrangeira de pouca familia, para
tratar de meninas a fazer mais algum servido se for
preciso: na roa da Senzalla Velha n, 60 primeiro
andar, ou na Capunga sitio do Sr.Brilo.
Paulo Gaigtou, dentista,
pode ser procurado a qualquer hora em sua casa
na ra larga do Rosario n. 36, segundo andar.
tv O Dr. Thomassin, medico francez, d cou-
3$ sullas todos os dias alis, das 9 horas da ma-
& nhaa at o meo da, em sua casa ra da Ca-
@ deia de Santo Antonio u.7.
Attenco.
Precisa-se de um capebao para a povoaj de Ca-
poeirasjendu bem moralisado e instruido : quem
|irelond%rtirija-se ra Dreita n. 7(1, qne se dir
quem osla aalorisado para tratar, e declarar as van-
tagens da capelania.
J. Jane dentista,
contina rezidir na roa Nova, primeiro andar n. 19.
Offerece-se m rapaz para caixeiro de qualquer
casa de qegocio de atacados, tanto de fazendas como
de mol hados no trapiche, o qual danunformaees de
soa conduela ; quem pretender annuncie para ser
procurado.
Aluga-se um sobrado de um andar
com cinco cjuartos, estribaria, ecasa para
escravos, sita na ra do Remiica, logo de-
pois da ponte grande quem o preten-
der dirija-se a rita do Rangel n. 51.
Arrenda-se o engenho Frescondin, na rilieira
de lina, moente e correnle, com 22 escravos, 24 bois,
e 26 helas, com meenria orisonlal, asseulamcnlo se-
parado para rtame, c safra creada : quem o pre-
tender, dirija-se a seu proprietario Filiciano Joa-
quim dos Santos, ru/do Hospicio n. 21.
Alogam-se e V&ndem-se superiores bichas de
Hamburgo ebegades pelo ullmo vapor da&iropa :
na rua eslreila do Rosar! n. 2, loja de barperro.
HOMEOPATOli.
= Comarca do Caljo.
Manoel de Siqueira Cavalcanti mudoa-sc f
para o engenho Marlqpagpe. Contina a dar *
1 consultas todos os dias, e a tratar os pobres
i gratuitamente.
'. Precisa-se de urna pessoa capaz que queira
propor-se a ensinar uns meninos em um engenho
distante desla praca 12 leguas; d-se bom ordena-
do : a tratar na roa da Cruz n. 34, primeiro andar
. IRMANDADE DES. PEDRO.
O Sr. Miguel Archanjo Fcrnandes Vanna, solici-
tador da irmandade de S. Pedro, acha-se competen-
temente autorisado para receber os foros da mesma
irmandade a respeilo daqaelles foreiros que se acham
bastante atrasados, e chama-Ios a juizo, caso nao
pagaem proraplamente. Becife 17 de maio de 1854.
O escrivSo pressidente,
Padre JoZo Jos da Costa fibeiro.
A mesa deS. Jos de Riba-mar lendo de cle-
ger no dia 21 do corrente, joiz e escrivao que lhe
lallam. convida a todos os irmaos.
Precisa-se alugar urna ama forra ou captiva, de
portas a dentro : na praca da Independencia n. 36
6 38.
AVISO AO PUBLICO.
Francisco Cavalcanti de Albuquerque faz publico,
que ninguem faca negocio ou trausaejao alguma
com seu sogro Jos Joaquim Barboza morador na
villa da Escada relativamente sescravas Thereza c
seus lilhos Merenciana, Luiza, Mara e Jos que
lendo os avs da mulher do annunciaiite feilo doa-
caodedita escrava a suas tres oelas, escnddito
seu sogro citado pelo joizo municipal da cidado da
> clonacomo administradordcsuasduasfilhassollei-
ras pata apresenlar as crias da dita escrava a serem
partilhadas entre duas filhas do mesmo seu sogro,
a mulher do annuncianle, negara-se a isto ausen-
tndole com lodos os escravos mencionadas para fra
da comarca, e foi encontrado na directo do Cabo
aonde tem certas correlac.oes. Islo posto, avsa-se pa-
ra nao haver ignorancia em qualquer transaccao que
se faca, e que protesta o annuncianle havc-los em
qualquer parle que saiba que clles estejan).
Precisa-se de urna ama que compre, cosiuhe e
engomme, para urna casa que sua familia consislc
no dono da mesma c sua senhora : a tratar na rua
Nova ii. 27.
Perdeu;-se urna moeda de ouro, de um lado S.
Braz, e de outro medalha com o aro quebrado
argolinha amarrada com liulia ; perdeu-se no pateo
de S. Pedro, dito do Carmo, rua estrella do Rosa-
rio, di la larga, praca. da Independencia, rua
Lrcspo e Cadeia : quem a achou dirija-se a' rua
Queimado n. 12, que se dir qoem perdeu.
Vctor Lesne, lendo de fazer urna viagem
Europa, deixa por seos procuradores : em primeiro
lugar ao Sr. Jos Joaquim de Oliveira Goucalves, em
segundo ao Sr. Manoel Francisco de Souza Sanios, e
em terceiro ao Sr. Joao Soum, com poderes bas-
tantes paraoupustilairna gerencia de sua casa.
do
i do
COMPRAS.
Comnram-se Diarios a ,1$200 rs- a arroba: na
roa larga do Rosario ns. 8,15, 17 junio ao qaarlel.
Compra-se uro Alias de yon que esteja em
bom eslado: na rua do Queimado loja n. 20.
Compra-se prata brasileira e hespa-
nhola : na rua da Cadeia do Recife n.
2i, loja de cambio.
Compra-se om cachorrinho de fila : na roa da
Cadeia do Recife n. 5, ou annuncie.
i Compra-se um Epitom Serapbico: na rua lar-
ira do Rosario n. 50.
Compra-se urna escrava que nao exceda de 16 a
20 annos de idade, e tenha liom corpo para cngoni-
mado : na roa Imperial n. 167.
VENDAS.
Vendc-'se panno de linho com 11 palmos de
largura, proprio paTa lencoes de cama de casado, ao
barato preco de 2*200 rs. a vara: na rua do Crespo
loja de 4 portas n. 3, ao lado do arco de Santo An-
tonio.
Vendem-se superiores pescadas, vindas do Por-
to, por preco commodo : na rua rfo Vigario n. 20.
~i Vendem-se por barato preco as seguintes obras,
dentro ellas algumas novas e ouiras em bom estado :
Chauveau, direilo criminal francez, em 6 volumes.
Rossi, economa poltica, em 2 volumes, Vatlcl, di-
reilo das gentes, em 2 vplumcs, Serrign, direito pu-
bljco francez, em 2 volumes, Blanqui, economa in-
duslrial, em 3 volumes, Blackslonc, direito inglez,
em 6 volumes, Boeckli, economa polica dos Alhe-
nicnses,-em 2 volumes, Pardessus, direito commcr-
cial, em 5 volumes, Bavoux, conflictos, em 2 volu-
mes, Sismondi, srienciassociaes, 1 volume, as obras
completas de Vctor Cousn, em 3 grandes volumes,
Aluens. direilo natural, 1 volume, Eschlach, intro-
ducn ao esludo do dreilo, 1 volume, Vicente Fer-
rer, eleinenlos do direito natural, 1 volume, novos
elementos de economa poIilLa por Sr. Dr. Pedro
Aulran, Gnlovcne. espirito de ec.nomia polilica, l
volume, historia da revoluc.lo franeeza de 1818 por
amarliue vertida em porliiguez, 4volumes, a br-
olla romeado o novoe velho leslamenlo, Conla, di-
reilo criminal, (old'smith's, historia de lnglalerra :
na rua do Crespo, loja de fazendas n. 15.
SE POR DIKHEIRO A VISTA.
Na ma do Crespo n. 15.
Chitas francezas finas a 280, 260, 240 rs. o
covado, cassa franeeza a 720, 360 rs. a vara,
chitas inglezas entre finas,' cores lixas 220,
200, 180 rs. o covado, riscados franceses a
240, 220 rs. o covado, hriiis lizos de linho
de diversos padres a, 280 rs. o covado, dito
trancado de alsodAo a 320 i, a vara, meias
cruas a 2JOOO,"2>>>00 rs. o"tnaco, chapeos de
sol de panno e cabo de ferro a 25000 rs. ca-
semiras francezas escuras de padrBes mo-
dernos a 49000, 4*500 e 5S000 rs. o corte,
, ditas meas casemras a 2JJ800 rs. o corle,
eetim maco a 23)800 e 3*000 rs. o covado.
casemras pretas a 2*000, 2500 e 3*000 rs.
o covado; e ouiras omitas faieodas.
NEGOCIO VANTAJOSO PARA PRINCI-
PIANTE QUE TEM POUCO DINHEIRO.
Vende-se a contento, com alguma parte a crdito
com boas firmas, ou com qualquer objecto de valor,
urna das melhores loja de calcados loda euvidra-a-
da, muilo afreguezada, e com surragem do couros,
ha moitos annos conhecida pelo centro desta cidade,
sita no meo da rua do Livramento.inlilulada Estrel-
la 19 : s na surrauem de couros tem de lucro dia-
riameule 1* rs., fura as vendas do caljado, e pro-
paros para ofllcina de sapateiro, e ludo mais que
queiram por a venda : ua mesma loja tem commodo
iiidependente para familia, com cozinha, bom quin-
tal cercado de algrele para .plantar flores, boa
.raeimba, e ao p um grande tanque para banho ; na
frente da loja urna rotula de veueziana para recreio
o.08 domingos e das'sanios, e gozar todas as pro-
cissOes da quaresma ; lem entrada, e sabida que-
rendo por I091 da loja, com todo isto paga mcnsal-
menle 10* rs. E querendo o sobrado de um andar
que fica por cima da mesma, ceder-se-ha ao com-
prador da loja, ludo commodamenlc c desembaraza-
do que nada deve a praca. O dono desaz-se por"se
adiar doeulev'o lem de relrar-se a tratar de sua
saude : quem pretender dirija-se mesma, que acha-
ra quem faja lodo negocio,
Toda attencaoaos preros do novo sorti-
mento de fazendas baratas, na rua do
Crespo lado o norte loja- n. 14, de
Dias & 1.emos.
Vende-se alpaca preta, fazenda de duas largaras
pelo haratissimo preco de -400 rs. ca*da covado, da
muilo mais fina com lastre a 680 rs. o covado, sarja,
de I a,-i prela de superior qualidade por ser muilo eu-
corpada a 520 rs. o covado, chitas escuras de bous
pannos ecores lixas a 160 rs. o covado, dilas sango-
canas escuras e outras mais cores com novos dese-
uhos a 180 rs. o covado, as verdaderas bretanhas
de rolo muito eneorpadas a 1*800 rs. a peca, peci-
nhas de bretauha de linho fazenda muilo. lina a
3*300 rs. cada urna, cortes de meia casemira escara
de quadros e lislras a 1*500 rs. o corle, ditos de
bnm de quadrinhos mindos fazenda de bom gosto a
1*440 rs. cada corle, riscadinho de linho c lislras
mudinhas a 200 rs. o covado, os verdadeiros cober-
loresde lgodao branco da fabrica de Todos os Sali-
da Babia a 560, e grandes a 610 rs. cada um: as-
sim como mais ouiras fazendas por menos preco do
queemoulra qualquer parle, sendo a diuheifo i
visla.
MEDICO DE HOLLOWAY
SYSTEMA
i
mlilas rollovay.
Eslo ineslimavel especifico, romposto ioteiramen-
te de bervas medicinaes, nao contcm mercurio, nem
outra alguma substancia deleclerea. Benigno mais
tenra infancia, e cnmplciro mais delicada, Ir
igualmeule prompto e seguro para desarraigar o
mal na compleican mais robusta; he inleiramente
innocente em suas operaces e effetos; pois busca e
remove as doencas do qualquer. especie e grao, por
mais antigs e lenazes que sejam.
Entre militares de pessoas curadas com esle reme-
dio, umitas que j.-cslavam i* portas da morle, pe-
severando em seu uso, conseguiram recobrar a sa-
de e forras, depois de haver tentado intilmente,
lodos os oulros remedios.
As mais alBicUs nao devem enlrcgar-se deses-
perarao: faram nm competente nsaio dos eflicazes
effcilos desta assombrosa medicina, e prestes recu-
perarao o beneficio da sade.
NSo se perca lempo em tomar esse" remedio para
qualquer das seguintes enfermidades".
Accidentes epilpticos.
Vende-se urna porcao de rharutos da Baha,
fiuos : na rua da Cruz, armazem n. 49.
Vendem-se corles de calcas de casemira escu-
ras, proprios para usar na estacan actual, pelo bara-
to preco de 4*000 : na loja.de 4 portas n. 3, ao lado
do arco de Sanio Antonio.
Vende-se rape igual ao de Lisboa, a 2* rs., e
qoem o lomar nao deixara deprefcri-lo aoulra qual-
quer pilada, lant pt boa qualidade, como pela
constancia de no haver falta aos consumidores : na
ruada Senzala Velha n."70, segundo ou terceiro
andar. 1
Vendem-se as obrassegointes: duas Dianas, 5
v., Mysteriosde Pars, 10v., Judco Erranle, 5v.,
Memo'ires-d'aulre lemb, 7 v.. La Beine Horlence, 4
v., Tasso, Jcrusalm, 1 v., Amor desgranado, 1 v.,
0 Iris, por Caslilho, 3 v^ l^valer phvsionume, 1
v., Warden Cousuls, 1 v., burro de Horacio, 1 v.,
Conversajao franeeza. 1 v., Araujo Barros, poesias
2 v.: no becco da Congregarao, loja de encader-
nador.
1 Vende-se um braco da balanca grande do au-
tor Komao, com saas cmpelenles conchas e corren-
tes de ferro, proprio para qualquer armazem de as-
sucaroit couros, dous embonos de cedro, duas ca-
noas e Ires pos de louro, proprios para vergas de
navios, de 60 palmos de comprido ; os prelendenles
dirijam-s a Antonio Leal de Barros, na rua do Vi-
gario n, 17.
Vende-se urna taberna com poneos fondos, pro-
pria para rapaz principiante por ter sido aberta de
novo, e ser em muilo boa rus : a tratar ni roa do
Queimado n. 47.
Vende-se um escravo de Angola, de bonita fi-
gura: na rua do Vigario n. 13, taberna.
Vendem-se os alicorees da rua Imperial n. 109:
na mesma rua 11.165.
CABBO E CABBIOLET.
Vende-se um carro de 4 rodas e de 4 assenlos, e
um cabriole!, ambos em pooco uso', e urna boa pa-
relha de cavallos, ludo por commodo proco: na rua
Nova, corheir de Adolpho.
Vende-se superior doce de goiaba, cm caixes
de 4 libras, a 8*000 a arroba ; na roa Dreita, laber-
na u. 106. .
Na ru Direila n. 27, vende-se manleiga ingle-
za muilo boa a 180 rs., dita a 600, 610 e 720 rs.,
holachinha maleza muilo boa a 280re., sevada mui-
lo novaJJl20 rs., assucar refinado a 130,120 e 100
rs. a. libra: .c muitos outros gneros por barato
preco.
Pechinchas pata a cliuva.
Superiores lamancos viudos do Porto para ho-
rnera e senhora, c queijo do seriao do raelhor pos-
sivel, ludo por barato prejo : nos Qualro Cantos da
Boa-Visla taberna n. 1.
' Vende-se .urna burra ma'nsa, nova e bastante
gorda, ensillada para carro ou cabriole! e oplima de
carga por preco commodo: quem a pretender diri-
ja-se cocheira da rua da Florentina. "
--Vende>-se am cavallo rnsso cardan, grande e
gordo, muilo bom andador, e com urna muda por
fazer : na pra<;a da Independencia n. 26.
Pechincha de chapeos de seda a 0$000, e
aS500 rs.
Na rua do Queimado loja n. 17, vendem-se cha-
peos de'sol de seda pelo diminuto preco de 6*000
rs., proprios para a presenleeestaco: cortes de case-
mira a 2*500 rs. e ouiras fazendas por barato proco
para liquidara de cuntas.
Vende-se urna molala com muitas habilidades,
de ptima figura, e por prco commodo : na rua do
Hospicio n. 9, se dir quem vende.
Vende-se um cxcellente terreno, proprio para
edificacoes, nos Afogados, derronte da igreja de N.
S. da Paz, por preco commodo : no aterro da Boa-
\ isla n. 42, aegupdo andar.
Vende-se urna pedra de moer tintas," por preco
commodo : na roa Dreita, taberna n. 27.
Com pequeo toque de avaria.
Mandapolao e algo'danzinho muilo barato : na rua^
do Crespo, loja da esquina qae volla para a cadeia.
No armazem de Tmm Mouscn & Vinnassa largo
do Corpo Sanio n. 13, vendem-se vaquetas de lus-
tro para carro, charutos de Jlavana verdadeiios em
cusas de 100 e 200 ; 1 piano forte horisonlsl da rae-
lhor construccao vindo a este mercado.
1 Vende-se urna taberna com poocos fondos: na
roa do Bangel, a tratar comTasso Irmaos.
falla do
qualquer
Alporcas.
Ampolas.
Ari-uts {mal~d').
Asthma.
Clicas.
CouvulsOes.
Dehilidade ou eilenna-
' cao.
Dehilidade ou
forras para
cousa.r
DesiDleria.
Dor de garganta.
u de barriga.
nos rns.
Dureza no venlre.
Enfermidades ongado.
'" venreas.
Enxaqueca.
Ilerjsjpela.
l'ebres biliosas.
intermitientes.
de toda especie.
Cola.
lleraorrlioidas.
livdropisia..
Ictericia.
Indigesloes.
liilbinimacues.
Irregularidades da mens-
truar^o.
Lombrigas de toda espe-
cie.
Mal-de-pedra. '
Manchas na culis.
Obslruccao de vculre.
Phtbisica ou consump^ao
pulmuiiar.
lletencao d'ourina.
Rhenmatsmo.
S.Miiptomas segundarios.
Temores.
Tico doloroso.
Ulceras.
Venreo (mal).
- Vendem-se estas plalas no eslabelecimenlo geral
de Londres, n. 244, tjtrand, e na loja de lodos os
bolicarios, droguistas c ouiras pessoas encarregadas
de sua venda cm'loda a America do Sul, Havauae
Hespanlia.
Vendem-se as'melinbas a 800. Cada urna del-
las conten urna instrucsao em portuguez para ex-
plicar o modo de s usar deslas pilulas.
O deposito geral he em casa do Sr. Soum, pharina-
ceulieo, na roa da Cruz n. 22, em Pernambuco.
' Nava Ibas a contento e tesouras.
Na rua da Cadeia do. Recife n. 48, primeiro an-
dar, escrplorio de Augusto C. de Abrcu, conlinu-
am-se a vender a8*000 rs. o par -preco fixo) as j
bem conhecidas e afamadas navalhas d'e barba feilas
pelo hbil fabricante que foi premiado na exposirao
de Londres, as quaes alm de durarem extraordina-
riamente nao se sculem no roslo na acsao de corlar ;
vendem-se com a condico de, nao agradando, pode-
rem os compradores dcvolve-las al 15 dias depois da
compra, reslituindo-se o importe : na mesma casa
ha ricas tesouriohas para 11 n has feilas pelo mesmo
fabricante.
PTIMO VINHO DE COLLARES,
em barris de 7 em pipa : 110 escriptorio de Augusto
- da Cadeia do Recife n. 48, pri-
C. de Abreu, 11
meiro andar.
DEC.J.ASTLEY
IA DO TRAPICHE N 3,
o segutnte .
njatas de
C.
galcs.
NO
E0S1P,
ha para veri
Oleo de lindara
Champagne, ma
Oleados para mesa
Tapetes de la -para'forro desalas.
Formas de olha de ferro, pintadas, para
abrjca deassucar.
Ac de Milo sortido.
Carne devacca em salmoura.
Lonas da Russia.
Lazarins e ca vinotes.
Papel de paquete, inglez!
Bnm de vela, da Russia.
Relogios de ouro, patente inglez.
Grasa ngleza de verniz para arreios.
Arreios para um e dous cavallos, guarne
cidos de prata-e de latfio
Chicotes e lampeoes para carro e cabriolet.
Couros de viado de lustre para cobertas.
Cabezadas parafmontaria, para senhora.
Esporas de ar^o prateado. *
. OLEO DE LINHACA EM BOTIJAS: o
vende-se em a botica de Bartholomeo
Francisco de Souza, u<> larga do Rosario
n. 56.
Rua do Collegio n. 12.
Francisco Jos Lete, recebeu pelo ullimo navio
de Liverpool, superiores qacijos loodrinos, prrsan-
tos nglezes para fiambre, bolachiiihas suda, biscoi-
tinhos muilo finos em latas de diffcrenles tamanhos
e conservas sdrtdas em frascos: ludo se vende por
preco commodo.
Vendem-se 8 escravos de dflercnles sexos e ida-
des, havendo entre elles alguns de ptimas qualida-
de. e muito moros: na-rua de S.Rila n. 63.
Vende-se nm cavallo cum lodos os andar ; na
Ponte Velha n. 1.
Vcndem-sc latas com lampreias de escabeche:
na ruada Cruz n. 16.,
Vende-se urna bonita negra, crenla, de idade
25 annos, lava, cose e coziuha muilo bem : na rua
da l'raia n. 14 se dir.
Vendem-se chapeos de ni de seda de edr, ulli-
niamente chegadns de Pars, proprios para homem,
por preco de 6*000 :. na loja de 4 portas n. 3 ao lado"t
i\o arco de Sanio Antonio. ^
Vend-ce un vacca parida muito
la leileira, por preco commodo j quem
Superior farinha de mandioca
Vende-se farinha de Sania Ca(hariua mni(0 @
nova, e de superior qnalidad, por prero
commodo, a bordo da escuna Zelosa ; para 4
porcoes, trata-so no escriptorio da roa da Cruz
n. 40, primeiro andar. sr
Na rua do Pires,
casa de porta larga, tem para vender-se um cabrio-
let cora coberta suposta, nd*o e de bom gosto.
- Vendem-se espingardas francezas
de dous tfannos lingindo tronxad, mui-
to bonitas, e por-preco haratissimo : na
rua da Cruz n. 2(j, primeiro andar.
Vende-se superior kirechs e abscin-'
tlie : 'na rua da Cruz n. 26,
andar.
primeiro
Arados americanos.
Vendem-se arados americanos chegados ol-
limameule dos Estados-Unidos, pelo barato
prero de 40*000 rs. cada um : na rua do Tra- #
piche ii. 8. a
Vendem-se latas com 5, 6 e 12 li-
bras de ameixas francezas de superior
qualidade: na ruada Cruz n. 26, primei-
ro "andar.
Vendem-se os seguintes escravos: orna negra
boa cozinheira, coslureira e engommadeira, ouIrfMJji-
la cozinheira, e ambas proprias para qualquer 3er-
vijo do casa, dous negros proprios para copciros, e
qualro ditos para o servico de casa e de campo : a
tratar aa ruado Vigario n. 7.
Vende-se muilo barato um grande e fornido
portao de ferro, feilo em Inglaterra : os pretenden-
es podem ve-lo no sitio cm Sanl'Anna, que foi do
tinado commendador Antonio da Silva, junio a casa
da beira do rio : a tratar na rua do Vigario n. 7.
RAPE ROLAO' FRANCEZ.
Vende-se em casa do Sr! C. Bour--
gard.rua'da Cadeia do .Recife, e na'loja
do Sr. Jos Dias da Silva Cardeal, rua
larga do Rosario.
Milito novo.
Vendem-se saccas com mlho novo, pelo barato
preco de 39000 rs. cada urna: na roa do Passeio Pu-
blico n. 17.
Do Chili linos.
Vendem-se superiores chapos do Chili. de abas
grandes e pequeas, superioreschaposdcllalia.para
hornera, senhoras e menino, coitLenfeites c sem el-
les, variado sorlimento re trancas e franjas pretas e
de cores, para enfeites de bonetes e guarnicoes de
manteletes, a procos commodos: na prasa da Inde-
pendencia loja c fabrica de chapeos de Joaquim de
Oliveira Maia, ns. 24 a 30.
Oleados pintados.
Vendem-se oleados piolados, de ricos padrocs e di-
versas larguras proprios para cobrir piannus, com-
modas, mesas,'e bancas, e a procos muito commo-
dos : na praca da Independencia loja "e fabrica de
chapeos de Joaquim de Oliveire Maia, ns. 24 a 30.
Feltro superior.
O mais completo e variado sorlimenlo de chpeos
de lellro do ludas as cores e qnalidades, para ho-
mens, senhoras e meninos, a preces muilo commo-
des: na praca da Independencia "loja e fabrica de
chapeos de Joaquim de Oliveira Maia, ns. 24 a 30.
De castor a 12s000rs.
Vendem-ee chapeos de castor
branco inglez, da melhor for-
ma e qualidade, a venda no _
mermado a'129000 rs., ditos de dilo prelos a 9&O00
rs., bem como variado sorlimento de chapeos de se-
da francezes de excellcntes formase superfina quali-
dade a 6, 7 e 88000 rs. cada um : na prara da In-
dependencia loja e fabrica de chapeos de'Joaquim
de Oliveira Maia, ns. 24 a 30.
Malas para viagem.
Grande sbrlimcuto de todas as qnalidades por pro-
co razoavel: na rua do Collegio n. 4.
Veudem-se 4 escravos, 1 mualo de 2B anuos,
1 moleque de 17 annos, 1 prela lavadeira c engom-
madeira, I prelo de 40 annos e 30 Iraves de pao clar-
eo : na rua larga do Rosario n. 25.
JL
Vendem-se 12 travs de boa qualidade. assim
como 10 mos Iravcssas da mesma qualidade ; lio
aterro da Boa-Visla n. li.
Vende-se chocolate de Pat s, o me-
lhor que tem apparecido ate boje neste
mercado, por preco commodo : na rua
da Cruz n.'26y. primeiro andar.
Vende-se ielim prelo lavrado, de muio bom
sosto, para vestidos, a 28600 "o covado: na rua do
Crespo, loja da esquina que volla para a cadeia.
Vende-se am exrelleote carrnho de rodas
mui bem construido, emhom eslado; est ex posto" na
roa do Aragao, casa do Sr. Nesme n. 6, onde podem
os prelendenles examina-lo, c Iratar do ajusle com
o mesmo senhor cima, oo na rua da Cruz no Recife
n. 27, armazem.
Na rua do Vigario n. 19 primeiro andar, lem pa-
ra vender-se chapeos de castor brancopor commodo
preco,
POTASSA BRASILEIRA.
Vende-se superior potassa, fa-
bricada no Rio de Janeiro, che-
gada recentemente, recommen-
da-se aos senhores de engenho os
seus bons effeitos ja' experimen-
tados : na rua da Cruz n. 20, ar-
mazem de L. Leconte Feron a
Companhia.
Aa Vendem-se relogios de ouro e prata, mais
JlgijL barato de qne em qualquer tmlra parle :
" 1 na praca da Independencia n. 18 e 20.
Chapeos pretos francezes
a carij, os melhores e de forma mais elegante que
lem vindo, e oulrostde diversas qnalidades por roe-
nos pre<;o que em olra parle : na rua da Cadeia do
Recife, n. 17. ,
Bepouto da fabrica de Todo* om Santos na Babia.
Vende-se, em casa de N. O. Bieber & C, na rua
da Cruz n. 4, algodao trancado d'aquella fabrica,
muito proprio para saceos de assucar e roupa d es-
cravos, por prero commodo.
Na rua do Vigario n. 19, primeiro andar, h a
para vender, chegado de Lisboa presentemente peda
barca Olimpia, oseguiole: saccas de farello muito
novo, cera em grume e em velas com bom sorli-
mento de superior qualidade, mercurio doce e cal
de Lisboa em pedra, novissima.
Vendem-se em casa de Me. Cal moni & Com-
panhia, na praca do Corpo Santn.11,o seguinle:
vinho de Mancille em caixas de 3 a 6 duzias, linhas
em novellos ecarreleis, bren em barricas muito
grandes, ac de milao sortido, ferro inglez.
AGENCIA
Da Funicao' Low-Moor. Rua da
Senzala nova n. 42.
Neste estabelecimento contina a ha-
ver um completo sortimento de moen-
das e metas moendas para engenho, ma-
chinas de vapor,' e tai.xas de ferro batido
e codo, de todos os tamauhos, para
dito.
AOS SENHORES DE ENGENHO.
O arcano da invencao' do Dr. Eduar-
do Stolle em Berlin, empregado as co-
Jomas inglezas e hollandezas, com gran-
de vanfagem para o melhoramento do
assucar, acha-se a venda, em latas de 10
libras, junto com* o methodo de empre-
ga-lo no idioma portuguez, em cqta de
N. 0. Bieber & Companhia, na rua da
Cru, n. 4.
SANS.
i roa
perlences: a Ir!
BOM E BARATO.
^?^=K2?.Mrt
Terco n. 21.
pretender, dinj-se"a rua do CrUo n.
10, tpie se dir' quem vende. ^
{$ Vade-mecum dos homeopathas ou
^ o Dr. Hering traduzido em por- A
* tuguez. z?
w Acha-se a venda esla importanlissima o- -W
(ff bra do Dr. Hering no consultorio hornero- AA
J. pathicodo Dr. Lobo Moscoso ruado Collc- 7
V^ (o n. 23, 1" andar. (&i
^ssss^s ss ssI
650
Vendem-se na rua da Mangueira n. 5,
OaO.tijolosdpmarmore ; baratos eem bom
estado.
-* Vende-se urna mesa redonda de sandal e um
palanquim ila Bahia : no paleo do Carmo, casa do
^bt. Oabriel Antonio.
Vende-se gomma moto nova : na rua Direila
n. 2/, taberna.
Vende-se m |n,|0 nioleqne de 12 anuos sem
deeilo ; na rua do Sol n. 23, segundo andar- de-
fronle do porlo das rauoas.
Na ruadas Cruzes n. 22, vende-se um ptimo
escravo de bonita (gura, de nacSo Costa, proprio
para armazem de assucar.
,r. -SALSA PARBILHA.
Viccnle Jos de Brilo, nico agente em Pernam-
buco de B. J. D. Sands, chimiro americano, faz pu-
blico que tem chegado a esta praca urna grande por-
cao de frascos de salsa parrilha de Sands, qae sao
verdadeiramenlc falsificados, e preparados no Bio
de Janeiro, pelo que se devem acaulelar os consu-
midores de lao precioso talismn, de cahir neste
engao, tomando as funestas consequencias que
sempre coslnmam Irazer os medicamentos falsifica-
dos e elaborados pela mao daqaelles, que autepoem
seus interesses aos males e estragos da homanidade.
Porlanto pede, para que o publico se possa livrar
desla fraude e dislingua a verdadeira salsa parrilha
de Sands da falsificada e recentemente aqu chega-
da ; o annuncianle faz ver que a verdadeira se ven-
de tuncamente em sua botica, na roa da Couceirao
do Becife n. 61 ; e, alm do receiluario que acom-
panha cada frasco, lem embaixo da primeira' pagina
sou i>ma raproau, a >a achara sna firma ">-
nuscriplo sobre o invollorio impresso' do mesmo
fracosa,
Na rua do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas mu-
sicas para piano, violao e flauta, como
sejam, quadrilhas, valsas, redowas, scho-
tickes, modinhas, tudo modernissimp
chegado do Rio de Janeiro.
' FARINHA DE TRIGO.
Vende-se no armazem de Tasso Irmaos, iarinha de
trigo de todas as quididades, que existem no mer-
cado.
. Muita attencap.
Cassas de qoadros muito largas com 12 jardas a
*00 a peca,'corles de ganga amarella de quadros
muito lindos a 19300, corles de vestido de cambraia
de cor com 6 1(2 varas, muilo larga, a 28800, ditos
com81|2 Varas a 39000 rs., cortes de meia casemira
para calca a 3J000 rs., e outras muitas fazendas por
preco commodo : na rua do Crespo, loja da esquina
que volla para a Cadeia. r
Acanelada Edwln Maw.
Na rna de Apollo n. 6, armazem de Me. Calmon <
& Companhia, acha-se constantemente bons sorti-
menlosdetxasdeferrq coado e balido, lano ra-
sa como fundas, moendas inetiras todas de ferro pa-
ra animaes, agoa, etc., djtas para a rmar em madei-
ra de lodos os tamanhos e modelos os mais modernos,
machina horisonlal para vapor com forc* de
i cavallos, cocos, passadeiras de ferro estanhado
Eara casa de purgar, por menos preco que s de co-
re, esco vena^iara navios, ferro da Suecia, e fo-
I tas de (landJB; tudo por barato proco.
Na rua da Cadeia do Recife n. 60,' arma
zem delenrique Gibson,
vendem-se relogios de ouro de sabonete, de patente
inglez, da melhor qualidade, e fabricados em Lon-
dres, por preco commodo.
Vendem-se pregos americanos, em
barris, proprios para barricas de assu-
car, e alvaiade dezinco, superior quali-
dade, por precos commodos : na rua do
Trapiche Novo n. 16.
Na rua da Cadiia Velha n. 52, em casa d
Deane Youle & Companhia,
vende-se nm carro americano de 4 rodas ; pode ser
visto na cocheira de l'oirrier, no aterro da Boa-Vista.
Vende-se um completo sortimento de fazendas
protas, como : panno fino prelo a 39000, 49000 ,
58000 e 6SO00, dito azul 39000, *9000.e 59000, ca-
semira preta a 29500, setim prelo muilo superior ,
39000 e 4000 o covado, sarja preta hespanhola 29 e
29500 rs., selim lavrado proprio para vestidos de se-
nhora a 296OO, muitas mais fazendas de muitas dua-
lidades, por preco commodo: na rua do Crespo loja
n. 6.
Velas de carnauba.
Na rua d Cruz n. 15, segando andar, vendem-se
velas de carnauba, puras e compostas, feilas no Ara-
caly, por menos proco do que em outra qaalquer
parle.
Vendem-se cobertores brancos de algodao gran-
des, a 1940 ; ditos de salpico tambem grandes, a
I92S0, ditos de salpico de tapete, a 19W0; na rua do
Crespo loja o. 6.
Taixas para engenhos-
. Na fundicao' de ferro de D. W.
Bowmann, na rua do Brum, passan-
do o chafariz continua haver um
completo sortimento de taixas de ferro
fundido e batido de 5 a 8 palmos de
bocea, as quaes acham-se a venda, por
preco commodo e com proaaptidao' :
embarcam-se ou carregam-ss em carro
sem despeza ao comprador.
Vendem-se cobertores de algod'o grandes a 610
rs. e pequeuos a 560 rs. : na rua d( Crespo nume-
ro 12. 1 r
Deposito de vinho de cham-
1>agne Chateau-Ay, primeira qua-
idade, de propriedad do condi (A
de Marcuil, rua da Cruz do Re- A
cife n. 20: este vinho, o melhor
de toda a chaiqpafne vende- \
se a 36.^000 rs. cada caixa, acha-
se nicamente emeasa de L. Le-
comte Feron & Companliia. N. B.
As caixas sao marcadas a fogo
Conde de Marcuil e os rtulos
las jai ralas so azues.
Feijflo mulatinho a 240 rs. a
maiores se dar mais commodo, e duas lata, X
?,far"ram,dVI.hQles "oe ndeUrfloTna
rua da Senzalla Velha taberna n. 15.-
SEMENTESlvOVAS.
Vendenaaio no armazem de Antonio
Francisco Martins, na ruada Cruzn.62,
as melhores sement recentemente chega-
dasde Lisboa na barca portugueza Mai-
ganda, como sejam: couve truncbada,
monvarda saboia, feijao carrapato d.
duas qualidades, ervilba torta e direila
coentro, salsa, nabos e rabonetes de toda:
as quahdades.
Acha-se a venda, ou a ser dado d
emprazamento por lempo de 12 annos
para se levantar um engenho, conform
as condteoes'adoptadas pelos ntcressadot,
urna porcao de terreno, que se separo!
do engenho Aldeia, da freguezia do Rio
Formoso, e forma hoje por si s um
propriedade distincta, com a denomina-
rlo de Palmeira tendo ineia legua
de fundo ou mais, e"650 Braca de fren-
te, pouco mais ou menos, e confrontan-
do com os, engenho Sipo, Cabera de Por-
00, Paraizo e Floresta, sitos a mesma
freguezia. Assegiira-se, que dita propine-
dade Palmeira 7 ofi'erecida ao neg
ci indicado, alm de no ter sido culti-
vada em tempo algum, env razio de ca
muito distante do engenho de que se des-
membrou, e conter em si grande e im-
portantissima mata-virgem, be de maii
a mais de muito boa qualidade, e tem
todas as proporedes para Se tornar um
excellente engenho: a quem convier, se
dir' nesta typographia, onde deve di-
rigir-se. k ^
AVISO INTERESSANTE.
flo becco Largo, esquina que volla para a rua da
Senzala \eiba, lojan. 4, exilie am grande e variado
sorlimenlo de louca vidrada para coziuha, e depsi-
tos para azeite doce e lodosas qualidades de oleosos;
assim como grandes talhas paro agua, pingadeira qnt
podo arar, frigir ou cozinhar urna grande cvala ou
oulro qualquer peise intetro, aratteiras que pode d
urna so vez receber dous leitoea ou outros objedos
grandes, cacarolss e algarda r pao-de-ln,
bolos e para ludo qae se qal^^^H ^^Blouc,-<
esl vidrada e mantifactuq^H ^^H| lir-
peza, he feita em Portugal', de qualida-
de nao pede vir ao mereadH lencia dos
Irandes direilos : por i-topM senhores que qui-
zercm a>roveitar-*e desla oecaao leubam a bonda-
de all dirigir-se ; nola-se que alm da loura indi-
cada existe de mais qualidade e variados tamanhos:
os precos sao razoaveis e nao deaagradarao os pre-
lendenles.
No deposito de bichas hambuBgueza,
vende-se alacado ea retalho, e alr* m-,as mellio-
res mais fresquinhas-bichasde Hamburgo por pre-
co' commodo: na rua estreita do Rosarm ni. 11
PAL1T0'SE ALPACA FBANCEZES.
Grande sorlimenlo de palitos de alpaca e de brhn
na raa do Collegio 11. 4, c na rua da Cadeia do Reci-
fe n: 17 ; vendem-se por preco muito commodo.
Moinhos de vento
'ombombasderepuio para regar horlas e baixa
djaMDim. na fundicao de D. W. Bowman : na rea
dff^pmns. 6,8el0.
'vinho do pouto MUITO FINO.
Vnde-se superior vinho do, Porto, en
barrisdei., 5. e 8.: no armazem da rua
do Azeite'de Peixe n. 14, ou a tratar no
escriptorio de Novaes & Companhia, na
rua do Trapichen. 34.
Padaria,
Vende-se urna padaria muito afreguezada: a tratar
com Tasso & Irmaos.
Aos senhores de engenho-
Cobertores escoras de algodao a 800 rs., dilqs mui-
to grandes e encorpados a 1400: na roa do Crespo,
loja da esquina que volta para a Cadeia.
Devota. Quistan.
Sabio aluza 2.*edico'do livrinho denominado
Devoto Uinstao.mais correcto e acrescenUdo: vnde-
se nicamente na livrara n. 6 e 8 da prac da In-
dependencia a 640 rs. cada ejemplar.
Redes acolchoadas,
brancas e de cores de um s panno, muilo grandes e
de bom goslo : vendem-se na rua do Crespo, Ma da
esquina que volla para a cadeia.
M CONSULTORIO HOMEOPATBI
DR. P. A. LOBO M0SC0Z0.
Vende-se a melhor de Lodas as obras demedici
nomopathica ssr O NOVO MANUAL DO D!
JAHR fit traduzido era portugoez pelo Dr.
A.Lobo Moscozo, conlendo nm accrescimo d iu.
porlarrtes explicacOes sobro a applicacao das dses, a
dieta, ele., etc. pelo traductor : quatro volumes en-
cadernados em dous 209000
Diccionario dos termos de medicina, cirurgia, ana-
toma, pharmacia, ele. pelo Dr. Moscozo: encader-
*ad0 4800o
Urna carteira de 24 medicamentos coro dona fras-
cos de linduras indispensaveis 4O00O
l>'la de 36..........451000
Dita, i'e- 18.........50*000
Urna de 60luboscom 6 frascos de linduras. 609000
Dita de 144 com 6 ditos ...... 100JOOO
Cada carteira he acompanhada da um exemplar
das duas obras cima mencionadas.
Carleiras de 24 tubos pequeos para algi-
heira........... 88000
Dilas de 48 ditos. .......iemo
1 ubos avulsos de glbulos..... Ijooo
Irascos de meia onca de lindura 2J000
Ha tambem para vender grande quantidade de
lobos de cryslal muito fino, vasios e de diversos l-
mannos.
A superioridade desles medicamentos la hoje por
todos reconbecida", e por isso dispensa elogias.
N. B. Os senhores que assignaram oucomprarama
obra do JAHR, anles de publicado o 4* volume, po-
dem mandar receber esl, que ser entregue sera
augmento depreco.
Attencao.'
Na roa do Passeio n.o 13, vende-se meias casem-
ras de cor, pelo barato preco de 400 rs. o covado,
brinsde quadros de 1>oro goslo 320 rs. o covado
diales de laa e seda por 29000 rs., e outras mai
fazendas por precos commodos. .
Na loja de fazendas esquina do becco Largo
26, e no armazem de.Jos Joaquim Pereira de Ji-
lo no raes da alfandega rifa de Joo de Barros, em
armazem de Francisco uedes da Araujo, exist
ainda saccas com superior milho; assim coaoo o
te larobem lem barris com 8 libras de chouricos.
Lisboa proprias para casas particulares ;* qualid
de be superior por lerem sido all fabricados
una familia particular.
ESCRAVOS FGIDOS.
Antonio, moleque, alio, bem pareado,
avermelliado, narao congo, rosto comprido e na.
donoqiieixo.pescocogrossu. psbem fritos, tend
o dedo indexfc mao direila aleijatle de am tarho,.
por isso o trartempre fechado, com todos os denles
bem ladino, oflicial de^edrciro e pescador, levoi
roupa de algodao, a una palhoca para resgoar-
dar-se da chova; ha loda probabilidade de.Ier sid.
scduzido por alguem ; desapparecen a 12 de man
corrente pelas8 horas du manha, lendo oblido li-
cencaTiara levar para S. Antonio urna baiideija con
roupa : rogarse porlanlo a todas as suloridadas e ct-
pitaes de campo, bajam de o apprehender e leva-b
a Antonio Aires Barboza na rua do Apollo 11. :n,
ou em Foro de Podas na rua dos Guararapes, onde
se pagarao todas as despezas.
50JOOO.
Desapparecen no dia 30 de abril prximo passaro
o prelo, crioulo, de nome Amaro, que reprsenla SO
anuos de idade ; levou camisa de algodao azul e al-
ca de algodao branco, he grosso do corpo al os ps,
e quando anda di cslalot lias juntas : quem o pcaar
leve-o i rua de Apollo n. 26, ou roa da Cruz o. 2.
No dia 12 do corrente desapparecen dositio.
do Caldereiro junto aodu Sr. Dr. Alcoforado, nm
molalo de nome Lun com os signaes seguintes- bai-
xo, cabellos carapinhados, poaca barba, mal encara-
do, cilios sempre baixos, os ps apalhelados e vira-
dos para roa, anda um tanlo rpiudo.a idade que re-
prsenla ter be pooco mais 06 menos 35 annos;levou
chapeo de palha veUio, camisa de rscado azul, calta
J;1 *c",a *.IU: lem o pegar pode leva-lo na rna
d.'',f"'?1l"B-23 primeiro andar, ou no referido si-
tio do Caldereiro, que ser recompesado..
I'ugio no dia 25 do correle oescravo crioulo
le nome Vicente com os signaes seguintes, repr-
senla ter 30 annos,bem preto. olhos grandes, cam-
bado das pernas, he muilo prosista : levou vestido
camisa de meia j rola, calca de- riscadinho j soja
porein he de suppor que mudasse de Irage, este es-
cravo he propriedade do Sr. Paulo de Amoriai Sal-
gado, senhor do engenho Cocal da freguezia do Una,
quem o pegar ou der noticia na rua do Rosario lar-
ga n.21 ou no dito engenho que ser bem recom-
penssado.
f
*.-. T. *f.
F, ararla.UM.


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