Diario de Pernambuco

MISSING IMAGE

Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01500


This item is only available as the following downloads:


Full Text
r r

'*-
*-*
ANNO XXX. N. 154.
^
K
L
f
Vi
j



Por 3 mezes adiantados 4,000
Por 3 mezes vencidos 4,500.
----- WW ----

SABBADO 8 DE JULHO DE 1854.
Por Auno adiantado 15,000.
Por ti- franco para o subscriptor.
DIARIO
ENCAHUEGADOS DA SCBSCRIPCAO'.
Rerife, o proprielario M. F. de Faria; Rio de Ja-
neiro, oSr. Joo Pereira Hartins;Baha, o Sr. F.
Duprad ; Maceio, oSr. Joaquira Bernardo de Men-
donja ; Parahiba, o Sr. Gervazio Vctor da Nativi-
dade; Natal, o Sr. Joaquim Ignacio Pereira; Araca-
,ty, oSr.Antonio de Lemos Braga ; Cear, o Sr.Vi-
ctoriano AugustoBorges; Maranhao, o Sr. Joaqvim
M. Rodrigues; Para, o Sr. Justino,Jos Rzmos.
i CAMBIOS.
Sobre Londi 26 5/8, 27 d. por 1
c Paris>'365 rs. por 1 f.
Lisbo\ 100 por 100.
Ro de Janeiro, 1 1/2 a 2 O/o de rebate,
banco 15 O/o de premio,
companhia de Beberibe ao par.
da companhia de seguros jo par.
Disconto de leltras a 7 1/2 a 12 0/0
DE
METAES.
Ouro. Oncas hespanholas......299000
Moedas de 6*400 velhas. 169000
de 69400 novas. 169000
* de 49000......99000
Prata. Pataces brasileiros ..... 19940
Peso eoliimnarios......19940
> -mexicanos.......19860
PERNAMBUCO
PARTIDAS DOS CORREIOS.
Olinda, todos os dias.
Caruar, Bonito e Garanhuns nos dias 1 e 15.
Villa Bella, Boa-Vista, Ex e Oricury, a 13 e 28.
Goianna e Parahiba, segundas e sextas feiras.
Victoria, e Natal, as quintas feiras.
PREAMAR l)E H11.IK.
Prmeira s 2 horas e 54 liirats da tarde.
Segunda s 3 horas e 18 mintles da manhaa.
Al IDIEXCIAS.
Tribunal do Commercio, segundas e qnintasfeiras.
Relacao, tercas feiras e sabbados. ,
Fazenda, tercas e sextas feiras s 10 horas.
Juizo de Orphaos, segundas e quintas s 10 horas.
1." vara do civel, segundase sextas aomekdia.
2.* vara do civel, quartas e sabbados ao meio da.
J iilln'
EPHEMERIDES.
3 Quano crescente as 4 horas, 1 mi-
nuto e 48 se gundos da tarde.
10 La cheia as 4 horas, 6 minutos e 48
segundos da manlia.
17 Quarto minguante a 1 hora, 44 minu-
tos e 48 segundos da manlia.
25.La. nova aos 47 minutos e 48 se-
gundos da tarde.
DIAS DA SEMANA.
3 Segunda. S. Eulogio m.Ss. AnatoliocDathro.
4 Terca. S. Isabel rainha viu f. S. Oseas profeta
5 Quarta. S. Felomena v. S. Trifina m.
6 Quinta. S. Domingas.v. m. S. fsaias profeta.
7 Sexta. S. Pulcheria v. imperatriz; S. Claudio.
8 Sabbado. Ss. Procopio e Priscilla mu.
0 Djjmingo 5. Ss. Grillo e Bricio bb. S. Ana-
eolia. ^
PARTE OFFICIAI.
GOVERNO DA PROVINCIA.
Helaran dos criminosos de mora, que foram captu-
rados nesta provincia par diversas autoridades,
durante o mez de mam junho ultimo.
1 Jote Antonio de Miranda.
'2 Joaquim Francisco Pereira.
3 Manuel Tnomaz da Silva.
4 Joaquim Jos Ferreira.
5 Antonio Alvos do Nascimenlo.
6 Antonio Ferrcira Lima.
7 Pedro Lourencn de Murra.
8 Anselmo Jos da Cruz.
9 Alonso Jos de Oliveira.
10 Jos Luiz de Souza.
11 A goslinho de Tal.
1-1 Jos (ier.ililn.
13 Manocl Jos GoncalvesVidao.
H Antonio Jos da Silva, condecido por Antonio
Bisaco.
15 Simplicio Jos Guuralvcs.
16 Antonio Soares da Fonseca.
17 Manocl Francisco dos Santos.
18 Antonio Freir.
19 Alejandre Alves.
20 Antonio Jos Tavares.
21 Manoel Antonio Gago.
22 Jos da Silva Soares.
COMMANDO DAS ARMAS.
Qaanal alo com man do das armas de Pernam-
baico na nidada do Recite, m 7 de julho
1864.
* ORDEM DO DA N. H4.
O coronal eommandaute das armas interino, len-
d em presenca as communicaresrecebidas da pre-
sidencia coma dala de honlem, fazcertoparascien-
nencia da goarnicao e devido elTeitn, que o governo
de S. M. o Imperador liouve por bein, por aviso ex-
pedido pelo ministerio dos negocios da guerra a 15
de main ulliniq determinar, que seguisse para esta
provincia, >fim de sernclla empreado como ron-
viene ao servico, o segundo cirurgiao alferes do cor-
po de saude do eiercito, Dr. Ti ajano de Sonza V e-
Iho, que nn dia .") lo andante me/., fez a sna apre-
senlacao no quarlel deste commandn; e por nutro
aviso do 1. de junho prozimo lindo, conceder pas-
sagem para o qoarlo batathao de infantera, ao Sr.
teueote dosegnudo da mesma arma, Antonio Ca-
bral de Mello I.oncio, e para este balalho o Sr. l-
enla daqoelle, Francisco Jos do Rosario, que se
acha na provincia da Parahiba.
Em consequencia determina o mesmo coronel rom-
mandante das armas, que o referido Sr. serondo ci-
rnrgUc Souza Velhn, flque sen-indo como addido no
baUUiio a. 10de iufantaria.
Aatigoado.Manoel Muniz Tacaren.
Conforme.Candido Leal, Ferreira, ajudanle de
ordens encarregadodo delalhe.
EXTERIOR.
CORRESPONDENCIA DO DIARIO DE
PERNAMBUCO.
PARS
30 de malo.
A emana que acaba de passar se poderi chamar
a emana dos tratados. Os jnruaes publicaram tres :
u IraUdo de allianca oflensiva e defensiva entre a
Franra, a Inglaterra e a Turqua definiiivamenle
ratificado por estas tres potencias ; o tratado entre
*Vrra i laguuerra ritattvenieiil'; s prezafri-
tas em commnm pelas esquadras alliadas; emfim, o
tratado de allianca oflensiva e defensiva entre a
Prussia e a Austria, tratado que nao tem importan-
cia por si mesmo, mas pelos apndices, em que se
cneonlra o paragrapho seguinte :
< Todava urna accao offensiva das duas parles
contratantes s ser determinada pela encorporaco
des principados, ou por um ataque ou passagem dos
Balkaus. ,
Semelhanle declararan faz sabir a Austria e a
Prussia dessi tiluacao indecisa e ambigua em que se
achavam estas duas potencias, desde que a queslao
do Oriente sahio das regies diplomticas. lie um
passo immenso dado do lado da allianca anglo-
franceza. Se acontecer que estas potencias faltem ao
compromisw a qnc se acaliam de sugeilar, recebe-
riim.-i face do mundo o estigma de mentira e co-
barda. N'irma palavra, como a Russia \ai sempre
progredimlo, nao pode lardar a hora em que se vc-
jim claramente "os seus amigos e os seus in-
raigi.
Como sempre he diflicl saber o que Napoleao III
pen Ha dias, permite urna reuniao as Tulherias, felici-
tava-se elle rom senadores e depulados em conse-
quencia dcsta feliz noticia. No dia seguinte dous B-
dalgos italianos, ao perguolar-lhe se acreditara na
sinceridade das potencias allemaas, Napoleao lorceu
os bigodes, e fazendo nm gesto mui significativo,
retisou-se sem daroulra resposla. Talvez queelle nao
queira desanimar os refugiados italianos que cunlam
sempre com urna desavenga da Franca com a Aus-
tria para reconquistar a sua uacionalidade.
Muilas pessoas veem no comporlamenlo novo que
acaliam de lomar a Austria e a Prussia- um pcnlior
de paz prxima. Desejamo-lo vivamente, mas nao o
esperamos. Primeiro que ludo, o orgulho pessoal do
imperador da Russia nao Uie permute recuar. I i-
caria perdido aos olhos da Europa c sobretodo aos
olhos dos seos proprios subditos. Depois tambem a
Franca e a Inglaterra nao aceilariam pura e simples-
mente urna paz queja lhes tem custado centenares
de milhoes. Exigiriam urna indemnidade pcias des-
pezas de guerra, e o imperador Nicolao nunca acei-
tara lima condico Uo humilladora. Na prmeira
venta entre a Franca, a Inglaterra e a Turqua, ha-
va um artigo qae declarava qne as (res potencias
signilariasse compromcltiam a nao tirar lucro al-
-nm da guerra. Este artigo fo eliminado no tratado
definitivo : prova de que a Franca e a Inglaterra
nao desejam pagar as despezas da guerra, se Dos
alie oro n as suas armas, como se deve esperar.
Emfim, os gnvernos francez e inglez, ao julgarmo-
los seus preparativos pelos seus armamentos nao pa-
recen* acreditar u'uma solucao pacifica.
Aqu, neste momento, se est tratando de formar
sobre as costas da Mancha um acampamento de 100
mil homens destinados, segundo se albinia, a atacar
a Russia por Ierra, ao passo que as esquadras do
Bltico alacarem-na por mar. O proprio imperador
l deve ir iiiccssantcmente para experimentar algn-
mas manobras de sua nvencao. Onlro acampamen-
to se est formando no meio dia para reforjar, em
caso de iiccewidade, o exercilo do Oriente. Em lo-
dos os no-sos porto o talento martimo (rabalha de
noile de dia na conlruec3o de Chalupas, da ca-
nhnciras e de botes de desembarque. Fbrca-se ura
numero ronsideravel de harpdcs de bordasen!. To-
das as esquadras arabam de ser reforjadas. A e-
quadra do Bltico he composta de trinta e una ve-
las. A esquadra do Mediterrneo, commandada pelo
vce-almiranle Hamelin conta vinte naos ou fragatas
a vapor ; a esquadra do Ocano, sob as ordens do
vice-almirante Bruat s possae nove, mas a subdivi-
so naval dp cojilra-almrante o Barbier de Te nao,
destinada a operar as aguas' da Grecia e a reprimir
a piralaria do Archipelago fo elevada a qualorze
navios. Alm destas esquadras dezesete fragatas ou
corvetas a vapor se acham armadas no porlo de
Toulon prompla's a dar i vela, e podendo, i prmei-
ra ordem, embarcar 12,000 homens de tropas ex-
pedicionarias. Emfim, o ministro da marinha est
armando urna quarta esquadYa, chamada de reserva,
composta de 14 naos inleiramcnte novas,das quacs 7
a belc foram recentemente lancadas ao mar, e que
eslarao promptas antes de mui pouco tenido. ,
As noticias dos dous thcalros da guerra nao ofle
recero circuroslancia alguma importante. O almiran-
te Naper tem apenas destruido alguns pequeos for-
tes no Mar-Ballico. O nosso vire-almirante Parscval
csclines, cujo pessoal lie compostn, em grande
parte, de marnheiros da marinha mercantil e de
alumuosda escola de Brest, os quaes em virlude das
necessidades do lempo fdram nomeadns aspirantes,
est oceupada ha um mez em fazer manobrar estes
uovos recruias. Este facto be que o lem impedido de
se reunir ha mais lempo esquadra ingleza ; mas
um despacho datado de 28 .de maio de Uamburgo
annuucia qnc o iioso vice-almirante recebeu or-
dem para ir de Kiel ap Ballicn.
As ultimas noticias de CunsUunopIa tem igual-
mciile pouco iulcresse. As esquadras bloquearam
Sebastopol. A 18"de maio, o marechal Saiul-Arnand
e o general Ragln acompaohados do Seraskier e do
capitn Paclui partiram para Varna afim de se en-
lenderera com Omer-Pach e os almirantes acerca do
plano de campanha. Depois de alguns dias se falla
muito em Silislria ; hoje he tomada pelos Rossos:
amanhaase defende com vantagem. O que he certo
he que esta infeliz cidade est bloqueada de todos
os lados pelos Russos e nao pode resistir por muito
lempo Se nao tiver alainii occorro. Presume-se que
o exercilo expedicionario nao poder lomar parle as
hostilidades antes dos lins de julho ; o que lie mui
desagradavel, porque he a poca do grande calor, e
as tropas que nao estao affeilas ao clima bao de sof-
frer muilo.
O Tiger fragata ingleza encalhou junto de Odessa
220 homens de tripularan foram fellos prisioneiros.
Como os Russos nao ppdessem levar o navio toca-
ram-lhe fogo.
A Bolsa.
Urna das faces mais curiosas da sociedade parisien-
se he hojesem conlradiccao a Bolsa. Nunca houve
poca em que I febre do jugo e da especularan su-
bisseatal poni. A mana de adquirir riqueza em
oito das allrahio urna mullido de infelzes a este
golpho que j devorou tantas fortunas, reputaces e
existencias. Sem duvida a Bolsa tem degenerado da
sua organisac,ao de oulr'ora, era um bazar publico
onde se venda e se comprava a dnheiro fundos p-
blicos, valores industriaes ; hoje nao passa de urna
vergonhosa casa de (abolagem onde primeiro sejog
dnheiro depois honra, os negocios a dnheiro sao
desprezados pelos clientes e pelos proprios agentes
de cambio, que nao acham muilo grande lu-
cro. Para os homens que raciocinan! a sangue fri,
ho certo qae nao ha especularn mais Ilusoria, e
que cedo ou tarde o especulador deve estar armia-
do. O numero dos agentes de cambio he de 60 : ca-
da nm logar produz, termo medio, 400,000 f-, ou 24
millies de correlagem. He claro que esta somma
FOLHETIM.
LMA HISTORIA DE FAMILIA. (*)
POR vii.nv.
VI
A cela da BKaiaon d'Or.
Rppreseulava-se Roberto do Diab", c esta obra
havia segundo o costume povoado a immensa platea
da opera., O conde ('.aciano que s tnha adiado
Vara alugar, segundo dzia. um camarote obscuro da
prmeira ordem, nao aconselhra a Isaura que se se-
pullassc em um desses tmulos que no vero sao ha-
nheiros de fogo; por isso eslava s com o mancebo.
Saiul Servis eslava radiante de alegra, linha tor-
nado a adiar urna occasiao de passar um sero com
o falso de Verreres, e conlava nao escular urna s
ola da opera de Roberto para lomar completo seu
conlenlamento.
0 conde para conformar-sc ao habito geral de fal-
' lar quando canla-se na opera nu nos Italianos, linha
ja narrado duas intrigas amorosas de sua prmeira
morid.ule. quando cahio o panno no lni do lerrciro
aclo. Essas confidencias havain alegrado Saint Ser-
vais an ullimo poni.
liem ve, dis*e o conde, que narro sem encubrir.
Porque enrobrma ^u"? Estamos aqu neste momen-
to em pleno espirAo do secuto dcimo oilavo. Voss
acaba de ver mu convenio inleirn de religiosas com
a abhadessa frenle saracolcarcm sem seremonia no
claustro de Sania Rosala. Com as pernas dessas re-
ligiosas a gente se recreia, isso explica ludo, c ao
menos nossns olhos ticam alcores, rumo ilianie das
gravurasde sua biblioteca. E com que sagacidaile be
isso arranjado para prevenir os clamorea dns reaccio-
nistas! Essas religiosas lulo sao religiosas: sao fiei-
ras(nonnc<> e voss sabe que era esse o lermo de
/.ombaria, de que servia-se o seclo decimo-oitavo pa-
ra d^iznar as viraens dos conventos.
j onde calou-so porque comerava o quarlo aclo.
T .anle o adinira\ei duelo de Roberlo e Isabel, e
atea ultima unta da aria magnifica ior piedade al
i sublime explosao da orrheslra, o conde Cal-lano
manejou Lio babilmenle 0 oculo que nao perdeu dcH
vista uiimi instante o semblante de Saint Servis. A
scena de violencia parecen inlcressar ao mancebo; o
qual seguir com olhos sombros lodos os movimciilos
- de Roberlo gritando a Isabel:
Teme meu furor, nao me retittas!
lie vez em quando sen olhar rabia sobre o para-
p ilo do camarote, e elle pareria eulao recolber-se e
.i.~-i-!n pela lembranra a alguma cena anloga, an-
da viva no passado. Taes eram ao menos as conjec-
luras que formava o conde Caelano.
No principio do entreacto o conde fez dansar as
,') \ ile o Uiario n. IjJ,
ponas dos dedos sobre o velludo de apoio do cama-
role, e lomando um lom ligeiro disse.:
Esse Roberlo he nm ente muilo estpido, tem
na nulo um raraiiibo verde, um raminho venerado
que adormece cincuenta cavalleiros como um s ho-
mem, ,e nao serve-se de seu talismn para adorme-
cer urna mulher que Ihe reiiste. Mas se en tivesse
um raminho verde como esse, adormecera lodas as
mnlhcres formosas....
E eu lambein! Ji. Saint Servis dando urna
risada ordinaria.
E muilos uniros tambem, lornon o conde. Note
bem que nao he por moral que elle abslem-se; pois
be um malvado que abandona urna pobre moja i\ li-
berlnagem de quarenta cavalleiros, queameara ma-
lar toda a cruzada com um tamnorele, que passeia
i mea note no cume de urna moulanha para cantar:
Fatal momento! cruel myslerio'. que nao se lhe da
de fazer um parto com o diabo, nao obstante sna
cruz de cavalleiro, que se esquece de seu amor por
Isabel c dcxa-se seduzr por freirs vestidas em mu-
lhercs ms. Nao he pois um escrpulo que o impe-
de de adormecer Isabel com o raminho verde e ve-
nerado Porque pois a nao adormece?
Saint Servis acompanbava com um riso raden-
ciado a extravagancia do falso de Verreres, mas nao
dzia nada, nenhuma confidencia pareca desiiontar-
Ihe nos labios ; so era para desesperar!
Havia cerlnmcnlc urna queslao a propor, urna
queslao directa, muilas vezes disentida, e que re-
monta a Lucrecia, mulher de Cullalino; masera
didicil atacar um poni tan delicado sem excitar
urna sombra de suspeila, e perder ludo no momento
cm que baviq tanta esporanca de bomsuccesso.
Forroso fo, pois, esperar c resgnar-*e.
Dava incia-iioile no relogo municipal do secundo
dislriclo, quando os dous homens saliindo da opera
foram respirar a frescura rm passeio. .O conde ex-
Insiou-se sobre a bellcza^da noile, c fingindo despe-
dir-se de Saint Servis, aisse-lhe:
A i"-/ ir da belleza da noile, devemos cuidar em
voliar, cu para o meu quarteinlo, voss para os seus
Campos Elseos.
Sainl Servis uta areilou essa despedida lao prc-
cocc, e relendo o conde com a mais vigorosa das
ni,ios, disse:
Oh! he muilo provincialismo deixar o passeio
II incia-noile no vero. lia rpales qne levantam-
sc e ipie fhesan para almocar.
Pois bem, licarci. diss o conde se voss nao roe
recusar o qne vnu prnpur-lhe.
Aceito de aolctnao, meu charo de Verreres.
lima pequea ceia na Ufaiton d'Or'.'
l'nis nao eu ccin lodas noles.
V. eu lambein, velho habito dnmrdia mu-he de
Madrid. Ordinariamente ceio meo em casa.
S se deve eeiar no passeio, meu charo de Ver-
rieres.
Meu charo Saint Servis, disse o ronde anee-
lando una allilude cmica de dandy, se eu passar
anda ipiin/.e das ruin lio, naliirals'as-ine Parisien-
se... Vamos i Maisua d'tir.
sahe da carteira dos clientes para entrar na caixa do
agente. Por outra parte he mu evidente que os pe-
queos capitalistas nao pdem Talar contra os gran-
des especuladores. Estes fazem transacoes em gran-
de escala para arraslar os pequeos. Dilo ordens a
um agente para comprar 2,000 acres do raminhos
de ferro, por exemploj para vender em urna hora
designada 6, ou 8,000 por oulro. Mandam colar a
preros convencionadus os fundos das Bolsas de Lon-
dres ou de Vienna, inserir noticias falsas nos jornaet
eslrangeirns para inquietar os especuladores de Pa-
rs. Fui mam nssorinriius lerriveis e atacam por lodos
oslados a alca e a baixa, tendo cuidado de obrar
quasi sempre na sentido contrario opniao geral.
A Bolsa he um lago cheio de grandes o perneaos
peixes ; os grandes acabam sempre por comer os
pequeos.
Nunca ha seguranca na bolsa: he nm terreno
prfido como a praia arenosa do monte S. Miguel.
Ha 3 annosos fundos hespanhoes estavam na moda.
A fortuua de M. Aguado dala desla poca.' Espe-
culava-se sobre as piastras a prazo. As liquidaces
se fazam a 15 ea 30 de cada mez. Fallava-sc na
regnlaridade de pagamento dos juros da divida, na
anliga probidade de governo bespaohol. A baixa
de valores hespanhoes causou nm dficit enorme.
A Bolsa ainda nao perdeu a lembranra deste fello.
Depois se apaixonaram pelos bancos belgas; em
breve acontece u-11 es nm novo desastre: de 1,100
fr., n'unia s bolsa, desda a 800. Depois* vem o
periodo das acees iudustriaes, poca em que as ac-
S8es se elevaran! a 10,000 fr. no escaro de duas bol-
sas. O dnheiro corra de algibeira em algibcra:
ganhavam-no mu fcilmente. Baslava que al-
guem comprasseaccOes destas novas sociedades para
enriquecer dentro de 24 horas; maso senho nao
fo longo: quinheiilas familias ficaram arruinadas.
Apenas restam as m3os dos infelzes accionistas fo-
llias de papel perfeilamente semclhantes a assg-
uados.
Mais larde deu-se um deprecamento as apolices
de raminhos de ferro: as arcos de Slrasburgo que
buje esLio a 800 fr. ha\ iam descdo a 250; as apoli-
ces sobre o raminho de ferro de Orleans que dao
actualmente 1,200 fr. estavam a- 00. O commercio
das arene se achava n'um desanimo completo; nin-
guem as quera por preco algum. O governo d,i a
concessao do camnho de ferro de Avinhao com mui
vantajosas condicOes; e resurge a confianca como
por encanto.
Foi ueste lempo que se formaram cslabelecimen-
los de crdito publico: a caixa Lallte, a caixa Gau-
ncron, a casa Uandou. As acroes destas diversas
caixas se vendiam com grandes premios. A caixa I.a-
fillecrera bilhcles ao portador com juro: eram pre-
feridos aos bilhclcs do Bancu. Os consclhos de vigi-
lancia eram composlos dos homens mais honrados, da
maiores accionistas, dos negociantes mais experi-
mentados. Mas os gerentes eram incapazes. Efiec-
tuava-se as operarnos mais desastrosas. Empres-
lavam-sc dinheiro sobre valores ficticios. Tudo isto
era evidente, c iogaaei suspeilav u abyamo que
eslava cavando. A revolu^ao denunciou esta po-
sisao de urna maneira medouha. Semelbante ao fura-
cao das Antlhas, derribara ludo o que n3o era de
urna constituirlo solida. As tres caixas suspen-
dern) os seus pagamentos. Todos os infortu-
nios que esta suspensao produzio sao bem conheci-
dos. Em 1852, no ruinera do reinado de Napoleao
III, a febre da especular,lo reappareceu com mais
vigor do que nunca. Novas concessoes de cam-
nhos de ferro, a crearlo das sociedades do credilo
territorial, do credilo movel, ele, acordaram os es-
peculadores atordoados pelo golpe da clava de feve-
rero. Ignorantes ou homens inlelligentes compra-
varo smente 50 aeros de raminhos de ferro, ou
3,000 fr. de renda, e gaiihavam urna quanla im-
portante. A queslao do Oriente poz fim a esla orga
fioanceira.
A Bolsa he um mundo separado que tem seus
coslumes e linguagem propria, ou antes sua alga-
ravia como os ladroes. Comoaleinao rcconhecc as
dividas de jogo, os especuladores da Bolsa sao obri-
gados entre si a ter certa probidade. Para enlrarem
as lulas de especularan, depe-se em casa de um
agenle de cambio urna quanla, chamada cobertura
e que he em proporcao dos negocios que se fazem.
Em geral nao se entrega nem se tira valor algum.
No fim de cada mez da-se urna conta de lquidaco
que se regula por urna differenca.
Como deve suppor-se, os cavalleiros de industria
nao fallam na Bolsa : apenas nao se joga la como
sobre urna mesa forrada de verde, cora cartas mar-
cadas; orna pessoa sseengaa urna vez. Eis aqu
em geral como procedan estes saibores. Comecam
por negociar como qualquer pessoa, sem cobertura.
Como clles possuem boas maneira-, acabara logo
por ganhar a coufianca do agentes. N'um certo
dia, quando prcsiimem urna graude alca na Bolsa,
dfio ordem ao agente para comprar 8 a 10,000 libras
de renda ou 3 a 4,000 acroes de caminhos de ferro,
emfim valores que nao estao em proporcao com as
coberturas. O agente de cambio, confiando na
probidade e sulvablMade do seu cliente e atlrabido
pelo iitraclivo de urna vanlajdsa correlagem, execula
as suas ordens: se ha alca, elle corre a sondar os
seus lucros, se apparece, conia acontece muilas ve-
zes, grande baixa, o tal industrial, segundo uzam
dzer, dispara um tiro de pistola, sin he, desap-
parece, e o agente de cambio aligle a pilula, Uzeo-
do caretas. He o mo lado aa profissao^
Apezar da sagacdade e da experiencia, o^agen-
raido
de cambio sao muilas vezes
di*
por fceftl
industriaes, cujo talento inventor derrota os mai ava o caso de flagrante delicio, e M. Vaulhier po-
i._u.- __: ._____i_ jL^x ____, ..\: ju .. _../.:._____ i____1_____ ______
E eu pagarei a cea, d isse Saiul Servis.
Nao, nao, eu a pagarei.
Voss pagou o camarote.
Eu linha-o perdido emumaaposla. Osbiblio-
philos Silvestre e Blanchard condemnaram-me....
Ha nesse livro da Galera das Damas um capitulo
mui curioso.
" Todos os captulos sao curiosos, interrumpen
Saint Servis.
. Sim; porcni ha sempre um mais curioso do
que os uuli os.,..
Conversando assim, clles subiam a escuda da itfai-
son d'Or.
Aqu todos os gabinetes particulares sao com-
modos J pergunlou o conde a um criado.
Sira, senhor.
D-me o mais coramodo.
N. 7, senhor.
Goslo desse numero.... Primeiramenle, rapaz,
d-nos bom vinho de Champagne, depois d-nos ludo
o que quizer. Sirva-nos j, c quando forraos servi-
dos nao queremos eslar rodeados senao de ausentes.-
E que capitulo he esse da Galera das Damas'1.
pergunlou Saint Servis, o qual nao queria jamis
perder nada cm urna conversarlo com o falso de
Verreres.
J que quer que falle nesse capitulo, he aquel-
le cm que as mulheres do castcllo de... esqueci-me
do nome, be um castello... as mulheres reunem-se
debaixo de um caramanchel, e queixam-se dos ho-
mens. Urna aps onlra fazem todas sua confissao,
e a mais vcllia refere urna scena que tem relacao
com a ilc/io6ci-/o....
Sm, sim, recordo-mc, interrumpen Siiint Ser-
vais, deram-lhc urna bebida, e adormeceram-na.....
Sem raminho verde ? tomn o conde.
Com um narctico, do qual o livro d areceita,
respondeu Sainl Servis. Compoc-se de meimendro,
papuula c golfo.
Apr! como vosse decora a recala de narc-
tico! disse o conde.
Porm nunca usei della, palavra de honra.'
Porque faltoii-lbe occasiao, tornou o conde
abaixando a voz. Eslas paredes Uun ouvidos?
Oh! nao se pode ouvir nada, respondeu Saint
Servis, essas paredes tem nina grossura enorme, nao
ha rommunirarao.
Fien trauquillisado. Saint Servis. Pois eu
Idilio rullivadn o narctico.
De veras'! lornnu o mancebo encantado !
Sim, na roinha primeira viagem a Vienna, on-
de ia fazer urna operacta sobre os metlicos.... Dcvo
dizer-lhe, meu charo Sainl Servis... Sirva-se do
cbampacne....
Devo dizer-lhe, meo charo Sainl Servis, que
em Vienna ha alchiniislas que preparara o narctico
cora perfeicao. Esa sua recala os faria rir, como
se vosse Ibes canlasse msica italiana seria.... Eu
linha vinte e qualro anuos, eslava ufano de mira
mesmo e do meu nome francez, e rom esse simples
ttulos euainuri'i-iiie de nina baroue/aqiie tnha um
DiazSo carrejado de dezeseis costados. Todava ella
aquelle que lhe pareca ser o valido naquella fesli-
vidade. No da seguinledenm baile em que Mad.
Vaolhier linha estado mais folgasMdoque nunca, o
marido ao entrar no aposento daUMnulber, achnu-a
oceupada cm escrever urna caita j elle apossou-se
pella, e crendo descobrr nesle documento a prova
da sua deshonra, lirn um pnnhal e estendeu a mu-
lher morta a seus ps. Depois dirigio-sc casa de
nm commssario de polica, conlou-lhe o que se
havia passado, c se consliluio prisioneiro. Nao se
habis. Eis aqu um rouba ui engenhoso que
se coramellcu ha pouco lempo e que se chamou o
roubo ao marido.
No reinado de l.uiz Fllppo, urna medida d polica
expcllio as mulheres para fura do lempln da Bolsa.
Mas so estas senhoras j,i nlu podiam adorar o Dos no
seu sancluaro, nao se poda prohibir que ellas lhe di-
ri2issem de longe as suas bomsnagens. Formara gru-
pos, mui numerosos as extremidades da Bolsa, al-
gumas gozara de crdito, pan coro os agentes de
cambio. Urna deslas jogadVas acreditadas apre-
sentou um dia urna de suas amigas ao seu asente
para comprar 20 aerees de BMlea. Fez-se a com-
pra. Depois de tres dias, a#cc,6esde Basilea ha-
viam subido ; ella mando* vender. Depois -de Ier
I cito tres ouqalro nperaces a dnheiro, disse ella
um diaao caixer: n o enlor lem grande dfli-
culdade em comprar ou vender as mnhas acroes de-
caminhos de ferro a dinheiro a vista : nao lhe ssria
posjvel comprar ou vender per ntinha conla a pra-
zos? Dar-lhe-hei como garanta 5 acc/ics do caminho
de ferro de Slrasburgo. O caixeiro respondeu r
nao ha cousa mais fcil. A scohora cntregou 5
accijes de Slrasburgo. F'ei cohvencionado que so
comprara 25 de caminho do norle ou 25 de Slras-
burgo a prazd. Compraram-se 25 do caminho do
norle: a operacao leve bom xito, c durante duas
liquidaces, ella leve lucro. Na lerceira liquida-
cao, houve um pnico medonho na Bolsa, e as 25
acres do caminho do norle soffreram urna per la de
1,500 francos. O caixeiro eslava muilo animado
com a renda desla senhora ; linha na su caixa 5
acres de Slrasburgo que valiam i/utifr. Em cer-
ta manlia, um humera de barba espessa e preta
apresentou-se, e diz ao caixeiro: Son o marido
de Mad. B*** o senhor lem 5 accoes de Slrasburgo
que me foram roobadas por minba mulher, peep-
Ihe que irias entregue, ou ento vou qucixar-me
do senhor. Muha mulher vive comigo, nao tem
direilo de dispor deslas 5 acroes, compradas em
meu nome cm casa do seu socio M...; eis aqu os
nmeros.
0 agente de cambio eulregou as cinco acjes.
Um pequeo drama conjugal acaba de lerem Pa-
rs nm desenlace singular. Ha dias, M. C..., nego-
ciante de urna das principaes cidades do meio dia,
lendo ido tratar de nm negocio em urna communa
visinha, vollou i noile para tasa, depois de urna au-
sencia de um da. Nao encontrn nem caixeiro. nem
caixa, nem mulher Urna, caria desla dizia-lbe
N.lo nasci para o commercio. Oulidu a presente
lhe for entregue, ou ja csi.icn longo n.i estrada que
nos deve coiiduzir Ierra cslrangcira. Deixo-lhe
20,000 fr. com esta quautia pode continuar o ne-
gocio... Sou criminosa, mas a paixo me arrastra,
desculpe-me... a
Sem perder um instante M.C... toma o caminho
de ferro e chega a Pars, para onde presume que os
fugitivos se baviam dirigido ; nao lardn a descubr-
los n'um dos nossos mais conforlaveis botis. Deu
urna queixa de adulterio, e em certa noite, pelas
duas horas da manlia, acompanhado de um com-
mssario de polica, baten porta doi criminosos. A
porlu se abri. Kilo se lancam supplicanles de joe-
Ihos. Nao se assuslem, ibes diz elle... O que fez q
Sr. dos meus bilhetcs de Banco ? O caixeiro corr?
secretara, e lira urna carteira que entrega a M. C...
Este examina-a, e dando ao caixeiro dez bilhetes de
1,000 fr., acrescentou: tomo U pelo servico que
presloa-me desembaracando-me de minha mulher.
Depois, vol(ando-se para o commssario que se esla-
va preparando para formular o interrogatorio de
fiagranie delicio, acrescentou : desisto da queixa de
adulterio. Depois,.rom o maior sangue fri, assg-
nou o acto de desistencia, e relirou-se.
Todos os maridos em Franca nao sao 13o philan
(ropos. No invern passado, urna das lindas habila-
ces dos campos Elyseos foi o liiealro de um
desses dramas da vida iulima. M. Vaulhier, nego-
ciante de Marselha,se havia casado com urna joven e
formosaactriz, por quera eslava loucamente apaixo-
nado. Para salisfazcr um dos seus caprichos, dexra
o commercio, e viera estabelecer-so em Paris com
ella. Mad. Vaulhier' que amava os prazeres cum
paxao, Unrou-se bem depressa as sociedades, deu
saraos de que ella era a rainha em consequencia de
sua formosura, do seu espirito e igualmente dos
seus requebr*. Como ordinariamente acontece cm
scmelbantes casos, aqullo que interessava-a, rrila-
va profundamente ao marido. Quando havia bailes
em casa delle, relravu-se calado para o salo, lau-
cando um oliar melanclico sobre a mulher e sobre
dignou-sc de por em mm os olhos do alio de sua ar-
vore genealgica, e consenlo em araar-me. Era
urna mulher do genero da esposa do presidente de
Tourvel das Liaisom Dangereuses, urna gordura
aristocrtica, cabellos louros a moda venesiaua, ros-
to de seraphim efemnado, carne de marfim cor de
rosa ; Irula annos pela certdao de nascimenln, vin-
te e oito na conversacao. Convidava-me muilas ve-
zes para passar dous dias em seu castello de Des-
trick-F'roll', situado margem do Dauubio perto de
Vienna.
Muilo bem, de Verreres, muito bem I
Liamos romances de Augusto Lafonlaine \ som-
bra das arvoresdo parque, ella condoia-se dos infor-
tunios dos amantes; mas couservava-me sempre cm
urna distancia respeitosa de sua nobreza austraca.
De noile quando reeolhia-se ao qoarlo apreseulava-
me a pona da luva, e mal pcrmiltia que meus la-
bios a beijassera com respeilo. A doulrina amoro-
sa de I'lato nao fo j mais de meu cosi, e aos vii|-
lee qualro annos eu s apreriava no amor a ullima
scena. Assim essa freza devia inpellir-me a lu-
curas; pois minha paxao locnava-se de da em dia
mais viva na almosphera desse easlello. Exaspera-
do emfim alrevi-me, porm tmidamente, aqueixar-
me dessa luva irnica que me era apresenlada todas
as nuiles como o supremo favor do amor. A baro-
neza laiicnu-ine um olhar severo, esmagou-mc com
o peso de seus avs, dsse-me que descenda da casa
de Souaba fundada em 1137. que linha por primei-
ro antepasado um primo um guirre em suas armas, porque seu segundo an-
lepassado fura morlo na tomada de Miln por Fre-
derico Barba-ruva em1152. Accrescenlou que li-
nba-me grande alTeiran, que via-nic com o maior
presar; mas que jamis consentira cm levar ao fim
comigo mis amores mundanos; pois seus avs op-
punham-sc formalmente a sso.
O cunde que encina de vinho o ropo de Saint Ser-
vais com intcrvallns mui curios, parou ento, c disse:
Bebamos a saude dessa excellenle baroneza'!
_Sira; mas contine sua narrarao, charo de
\ errierc.
Nao he urna narraran que lhe faro, tornou o
conde, be cousa melhor.' Fazem-sc narrarcs aos
bslranhos, c confidencias aos amigos.
Sainl Servis goslou muilo disso, e inclioou-se.
Um dia chegando ao easlello, proseguio o con-
de Caelano. aehci um hospede que nao conheria, c
que parercu-mc eslar adianlado na gra^a da baronc-
za. Inlerrosue urna criada, que linha peilado, e
soube que esse desconhecido era o amante da baro-
neza ha qualro anuos. Descenda tambera da casa
de Souabia, e al conlava mais alauns avs, que a
dona ilo easlello. Essa descuberla loriiou-mc louco,
c resolv vingar-me a lodo o cusi.
Vejamos a vinganra.
Ku rouhecia um acbiniisla, ao qual submeltia
as vezes peras de ouro leapeilaa, e pedi-lhe un nar-
colico innoeenle, mas seguro em Iroca de una som-
ma qualquer exigida pela sua disrreao. A compra
foi ouerosa para mm ; portx oblive o narsolico. O
dia ser perfeilamente nnieranado como assassino.
A sua familia era rica e de influencia : foi absolv-
do ; mas se se deve dar credilo fama publica, esla
absolvlcao custou-lhe uns 30,000 francos.
No da seguinte, nm marido lia a exposi-
CSo deste processo na Gazctlc Tribunaux, es-
perando a mulher para janlar, cujas ausencias
continuas comer.un a toruar-se-lhe mais sus-
peilas. Depois desta lcilura, elle se poz a rcflec-
lr profundamente, c achou qne daquella vez a
mulher se demorava mais do qae era de coslume.
A final, chega a mu|hcr toda esbaforda, d ura pre-
texto para explicar a sua ausencia, senta-se mesa,
srvela sopa e comer a janlar. O marido nao co-
ma, mas conlcmplava mulher filamente sem pre-
nunciar urna s palavra.Meu amigo, a sopa est
estriando. O marido nao respondeu, e contina a
contemplar a mulher. Emfim, fatigada e inquieta
de semelhanle persistencia, diz-lhe : a O que tem,
meu amigo ?M. Vaulhier foi absolvidol respon-
den o marido, descansando sobre cada syllaba, e lan-
raudo a mulher um olhar lgubre e expressivo, que
Taima houvcr envejado quando representava
Othello. Ao principio Mad. X. ficou ura pouco per-
turbada, mas como, em ultima analyse, el'.a ho ma-
Ihcrde alilamenlo, replica, descansando tambem so-
bre cada syllaba : he verdade, mas custou-lhe trul-
la mil francos M. X. que he lio avareoto quanlo
be/elusu, rolleclio por algdns instantes; dahi, depois
de Ier aleado um suspiro, se poz tranquilamente a
comer a sua sopa.
O pedreiro de Ecully coja historia conlei-lhe na
minha ultima caria, nao parece infelizmente desti-
nado a sobreviver por muilo lempo. A sua residen-
cia prolongada no subterrneo occasionou-lhe cha-
gas mui perigosas. Deu-lhe a gangrena cm urna
deslas chagas que se formaram ao p da garganta,
julgou-se necessaria a amputaran para tentar salvar-
se os dias do infeliz. Em consequencia da elberisa-
S3o, Girand na sofl'reudor alguma durante a ope-
raran. Mas appareceu a febre, acomp.inhada de de-
lirio e de excessiva debilidade. Todos cslcs sympto-
uias dan piuca espranos de conservar esle infeliz cu-
jo eslado inspira una sympathia universal.
INTERIOR.
RIO DS JANEIRO.
CARIARA DOS SRS. DEPUTADOS.
Discursos pronunciados pelos Srs. depulados S c
Albuquerq.ua c liraud.io, na sessao de 9 de junho por
occasiao da disc.usso do orramenlo do imperio.
O Sr. S e Albuquerque: Levanlo-me, Sr.
presidente, para fazer algumas observaces acercado
negociosperleucenles repartirn do imperio. Vejo
que a cmara se acha na presente sessao muilo dis-
posta a nao consumir grande parte do seu precioso
lempo em quesloes polilicas, quasi sempre eslereis;
vejo que tambera, por sua parle, o gabinete acha-se
conscienciosamente disposto a empregar loda a sua
aclividade e cuidado nos grandes interesses do eslado,
Nestas circunstancias, entendo que faz grande servi-
co ao seu paiz e ao governo o depulado que, medi-
tando seriamente as grandes necessidades publicas,
chamar sobre ellas a allencao do corpo legislativo e
da administrara > superior. *
O nobre ministro do imperio deu-nos conta cm
seu relalorio das reformas que havia feilo na ins-
truccao elementar do municipio da corte. Nada di-
rei acerca dessas reformas, porque enlcndo que em
materia de instruccilo publiha a experiencia c a pra-
tica sao os verdadeiros c legtimos juizes, e nao as
combinarnos theoricas, muilas vezes pensadas c es-
criptas sem atteurao aos coslumes, aos usos, s ten-
dencias c aos prejuizos do paiz, cuja instruceao se
reforma. Se devo julgar das reformas fcilas pelo la-
do smenle Ihcorco, se devo julga-las pela distri-
buirlo dos estudos, c por outras medidas de harmo-
na c de ordem, espero que essas reformas sero de
grande ulilidade para o paiz. Folgo de dizer a c-
mara que nulro esla convcrao com mula forra.
Senhores, Icvantei-me para fazer algumas retlc-
xes sobre a instruceao publica, nao sobre essa ins-
truceao de que acabo de fallar agora, mas sobre a-
quella que he Uo reclamada pelo paiz, e que tem s-
do-al hoje lao esquecida e desprezada : quero fal-
lar da iuslruccau agrcola. He sobre este ponto que
pero cmara c ao gabinete imperial que focara
convergir a sua a I (encane sol ici lude.
pin que estado, senhores, se acha a agricultura
do nosso paiz ? Creo que poderc dizer com lodos
nobre amante da baroneza que tnha um poslo su-
perior no exercilo, parti logo para una revista sem
dicnar-se de honrar-rae com seu ciume; pois a seus
olhos eu nao exista. 'Odlro objeelo de vinganra,
humilhar de ambos os lados. Urna noite servio-
s o cha, segundo o coslume, e quando a chavena
da baroneza eslava fela, extase-me sobro a belle-
za de um luar que nos dexava ver urna admravel
paizagem pela porta principal que dava para o poial.
A baroneza que adorava o lempo de luar levnten-
se para lancar a vista sobre o campo, e. ea depuz
urna pequea dose de narctico rio cha.
O conde fez urna pausa c pareceu recolher-se;
depois tocou a campainha, e pedio johannisberg em
lembranra da baroneza allema. Saint Servis abri
a janella para tomar fresco : a mistura dos vinhos
obrava-lhe no cerebro. Eram duas horas da ma-
drugada, mas o passeio tnha a .mimaran do meio
dia. Ouviam-se as vozes pomposas dos criados de
Torloni; as risadas dos rapazes, o ruido dos pralos
sobre as mesas, e as psalmodias dos vendedores de
diariosda noile. O conde encheu de johannisberg
o copo de seu ouvinle, e proseguio era lom cheio de
melancola.
Rapaz, voss nunca senlio, nem acnlir jamis
o que a gente experimenta, quando urna paxao nc-
xoravel arrebata-nos,e faz-nos commcller urna dessas
aeces chamadas criminosas por um legisladcr fri e
sem sevo. Ha nos preparativos dessa especie de cri-
mes. que se commctlem fora do amor vulgar, do
amor burguez, ha urna felicidade febril, urna espec-
latva irritante que tapam os ouvidos ao grito de jus-
lica e da raz.lo. Ainda que a gente vsse a espada
do castigo suspensa do teclo de urna aleova, nao pa-
rada, passaria o lumiar vedado. A paxao verda-
dera, a paxao feita de amor, de odio, de vnganca,
e de volupia, he urna borrasca que arroja-nos em um
mundo desconhecido, em um deserto povoado por
dous habitanlcs, o sacrificador, ca victima! Que
Ihcdirei"! Quando grras trairaodc urna criada
que cu linha peilado, senli a porla do quarlo ceder
ao impulso, de minha Buto, quando a noile, a solidan,
e osomnome pcrmilliram ousar ludo, senli um des-
r.dli- imoolo que pareria dar razio opiniao dos ho-
inens; mas revollei-me contra esse instante de fra-
queza, recorde-me violentamente de meus Iggrwos,
mais imperiosos que meu amor, do amante que me
insultara pelo silencio de seu ciume, da baroneza
que me humilhar com sua casado Souabia, o da
honra de minha mocidade comprumeltida pelo ridi-
culo em um paiz elrangciro. Isso era irrejislivel!
l'a-se resolutamente o lumiar. e quando amanhcecu
cu eslava na estrada de Franca perseguido pela mal-
difSode Conrado III.
lima saude a casa de Souabia. meu charo
Saint Servis, csso com johauuisberg !... Eis o que
faziamos em nosso bom lempo : confesse que a moci-
dade de boje lem degenerado muilo.
Sainl Servis abanou a cabera passou a larga Halo
pela fronte carregada le vapores dos dificreules ti-
mos, e hiten,lo na llli'-.i rvclalinnl :
Pois bem vossO be ura menino!
os nobres depulados que o eslado de nossa agricultu-
ra nao he prospero, he pelo contrario decadente e
desanmador...
O Sr. Paula Candido : Da retina.
O Sr. S r Alhuquerqubh- A cxlinccjo do trafi-
co, que felizmente nao he mais boje um problema,
a exlinrran do trafinc, cora a qual nos lodosos agri-
cultores nos deveat regosijar, porque emfim he um
symptoma precursor, ainda que longe, da reforma e
dos melhoramenlos da nossa industria, a exlinccan
do trafico lem na realidade produzdo algum mal;
eiisle uo paiz urna grande falla de bracos para a
agricultura, braros de cscravos que erara os que ba-
viam em oulras pocas. Infelizmente a nossa popu-
luro n.lo est educada para dedicar-sc aos Iraba-
lhos do campo, e o agricultor v-se na necessidade
de lular com essa penuria de bracos que influc 13o
malficamente nos seus lucros.
Ora, qual he n'um paiz o meio que a civilsacao
tem adoptado para substituir a falla de braros que a
sua industria agrcola exige, e que nao exstem no
mesmo paiz ? Sem duvida he a adopro de instru-
mentos c de machinas aperfeicoadas que substituem
os braros do humera, produzindo mais c melhor,
com menos somma de forca bruta.
G nosso paiz infelizmente nao eslava preparado
para receber esta cessarao repentina do trabalho cs-
cravo ; nao temos machinas, nao lemos instnwnea
los aperfeiroados. He uecessario qua uogoverno cui-
de seriamente desta necessidade urgente ; he ueces-
sario que d a mSo a algumas provincias, que as
coadjuve nns experieneiasque fazem, das quaes in-
felizmente nem sempre se sahem bem. Creio que
nao drei nma cousa nova, asseverando que a indus-
tria agrcola* em algmas provincias do imperio es-
la era urna decadencia muilo grande. {Apoiadoi.)
Atteuda-se, por cxemplo, para a provincia do Ma-
ranhao ; exstem aqu nobres depulados daquella pro-
vincia, os quaes concordaran contigo em que ella j
nao he a mesroa provincia de pocas anteriores. Ou-
lr'ora as geographas apontavam a provincia do Ma-
ranhao como urna das primeiras do paiz pela ferlili-
dade do seu solo, pela prosperdade da sua agricul-
tura, pela sua riqueza emfim : lioje nao he assim.
Sabemos que existe na administraeao daquella pro-
vincia um varao circumspeclo, um moro ill'uslrado
(apoiados) ; vemos que lera procurado introduzir re-
formas mui louvaveis ; vemos que os crimes do-se
all boje em menor numero do que em outro lempo;
mas os esforcos desse hbil administrador sobre a
agricultura lem sido quasi infructferos ; vemos que
algumas tentativas tem sido feitas neste sentido ;
mas os ensaios dessas tentativas nao tem dado o re-
sultado que se eaperava. O que revela islo, senho-
res ? revela que na provincia do Maranhao, como
cm oulras, ha causas de embararo para a industria
agrcola, o que nos faz convencer da necessidade em
que esl o governo de mandar esludar essas causas
para remov-las, afim de que as provincias vollem
prosperdade que j lidham, ou a maior ainda.
Tocarc em outras provincias, tocarc ua provincia
de Pornambuco, da.qual sou filbo e representante.
A industria quasi exclusiva desla provincia he a cul-
tora da canna, o fabrico do assucar. Nao quero di-
zer que l se planta hoje menos canna p se fabrica
menos assucar do que cm oulros lempos ; nao ; ahi
esl a eslalislica da exporlacao, que nos raoslra que
o fabrico do assucar tem-sc desenvolvido naquella
provincia; mas cusa de quanlos sacrificios? Olan-
la aclividade nao lem sido preciso dispender para
que a nossa agricultura nao retroceda, nao va para
tras ? Sabe Dos quanlos empenbos nao lem con-
trahido os nossos agricultores para manlerem-a no
p em que se acha !
O mesmo dire da provincia das Alagoas, da Ba-
hia, e de nutras muilas do imperio.
Nesta especie de abandono lem permanecido al
hoje as provincias. As legislaturas anteriores, as ad-
minislraces passadas, nao cuidaram de meios pro-
ficuos a remover as causas do alraso que se observa
na industria agrcola. Para provar a verdade do que
digo, eu invocarei os ensaios que algumas provin-
cias bao feilo, nos quaes tem-se adiado com suas
nicas forras, com seus nicos recursos, sem apoio
dos cofres geracs.
Do Maranhao sahem todos que alguns mocos in-
lelligentes tem ido para a Europa esludar os prin-
cipios de sciencias naluraes, que podem Ier applica-
r io va ni aj i-a na sua provincia ; mas vollando ella
nao tem encontrado emprego para os seus estudos.
A provincia nao tem meios de fazer com que elles
aprovcilcra as suas hbililares em favor dessa por-
raii do imperio que os mandou Europa, e nesle ca-
so essas inlelligencias retiram-se das provincias,
abrigaro-se na corte, aonde sao benignamente aco-
lliidas, nao pelo governo que nao lhes d a prolec-
rao convenienle, mas pelos inlercsscs ccapitaes dos
particulares. Creio qne a cmara sabe de um fac-
i a respeilo do Maranhao t existe na corte o Dr.
Caelano da Rocha Pacova, filbo daquella provincia,
moro Ilustrado o inteligente, que aproveilou per-
feilamente o seu lempo em Paris ; esta aqu intei
ramente dedicado orna industria particular. .
Na provincia do Pernambuco, senhores o que he
que tem feilo os capitaea e inlelligencias particulares
tem posto em prova alguns ensaios com o fim de fa-
zer florecer a industria agrcola; infelizmente essas
inlelligencias e capilaes solados, entregues a seus u-
nicos recursos, bao naufragado, e as coosequencias
desses naufragios (em um alcance muito maior do
quesepensa; he o esmorecimenfo o desanimo que
co/meram a apparecer no espirito de lodos que vivera
da mrsnaa profissAo, e que nao tem a coragem de
emprehender ignacs melhoramenlos com o medo de
Igual ruina. Neste caso coovioha que o governo
desse a man a osas inlelligencias e capilaes para
que pudessem produzir -ahilaros efleilns.
O Sr. Urandao:Como sepralica nos grandes pa-
izes.
O Sr. S e Albuquerque: Senhores, he quasi
urna doulrina corrente no espirito dos nossos agri-
cultores, que nao o lem muilo cultivado, que a ytja-
duccao do assucar he boje superabundante. Dizeni
osiiomcns, que nao lem lido o cuidado de compul-
sar as eslalislicas commerciaes, que o assucar supe-
rabunda j nos mercados cslraugciros. Creio que
seria desnecessario dizer a cmara que islo he urna
doulrina falsa i errorea; o assucar nao superabunda -
boje no mercado eslraogeiro: o nosso assucar recua
dcstes mercados, nao porque baja superabundancia,
mas porque n3o pode competir com o assucar eslran-
geiro pela qualidade superior desle, superoridade
que he devida ao aperfeicoamento das machinas, e
de tudo aquillo que carecemos e nao lemos.
O Sr. Pereira da Silva:A queslao be o preco,
qoe decahio com as fabricas de belerraba.
O Sr. S e Albuquerque; Pelo contrario: nos
vemos que o anno passado o assucar deu preros su- -
periores, c apezar das circumslancias climatricas
que appareceram, os lucros dos plantadores foram
grandes.
Senhores, squallie o melhor syslema de instruido
em um paiz qualquer? Creio que a cmara concor-
dar comigo que he aquelle que se adapta ao maior
numero de profisses diversas; he este o verdadeiro
syslema He instruceao. Perguntarei eu, de baixo
desla relacao o nosso syslema de instrucrao publica
tem muito mrito? Creio que nao. '
Aatlencao do gobern (quando fallo em governo
refiro-me a lodos os governos que o paiz tem lido,)
a a lien rao dos governos e das legislaturas se ha vol-
vido para o estudo do direilo dar medecina e das ma-
themalicas; assim, vemos que existera no paiz duas
academias de direilo, duas de medecina, e duas de
malhenfalica, vemos qiic esisliam o anno passado
1,697 alumnos de direilo, rnodicinaremalhematicas,
e nem um alumno se quer deagricuuura!! Vemos,
senhores, que o paiz dispendo rouslantemente,
com eslas escolas a nao pequea somma de 250:0009
e quanlo perguntarei eu, se dispende com a
agricultura, ou objectos que lhe loquem de perto?
Para nao dizer que nada, devo dizer que se dis
pende a quanla de 4:0009000 rcis. com a qual
se subvenciona a sociedade auxiliadora da industria
nacional, essa i-tuicao coraposla de homens sabios,
c que lem feilo grandes sor vicos ao paiz.
O Sr. Figueira de Mello : O rcamento d
2:000S somenle.
O Sr. S e Albuquerque:Senhores, um minis-
tro francez, cujo nome vs bem conheceis, o celebre
Sully, disse Franralavoura e pastossao as duas
telas do Estado. Se isto he verdade na Franca,
creio que muilo mais o deve ser entre nos a riqueza
solida, aquella que ha de eslar sempre ao abrigo de
quaesquer eventualidades, de quasquer commnces
polticas, he a agricultura; quizera pois que olhasse-
mos para ella, c lhe dessemos a importancia que
merece.
Senhores, leudo fallado sobre a necessidade de *
mclhorar o syslema agrcola dp nosso paiz; alguma
cousa devo dizer a respeilo dos meios. A cmara
sabe que tres sao os meios que a civilsacao tem a-
doptado como convenientes para desenvolver a in-
dustria agrcola de um.paiz; sao as vas de rommu-
nirarao, as iuslituires de credilo e a educarlo pro-
fe-si o nal. Ouanlo as vias de communicacao, eu sou
feliz em poder moslrar-me hoje muito agradecido ao
nobre ministro do imperio pelos grandes serviros
que elle ha feilo ao nosso paiz nesle ponto, Nao
menos de qualro vias frreas se acham contratadas,
e se todas nao estao em andamento, a culpa certo nao
lem sido do nbre ministro, que venceu de sua parle
todos os embaracos, que venceu todas as difliculdades
que podan! ser vngadas.
O Sr. F. Oclaviano:Essas vias 3o, no meo en-
tender, as primeiras necessidades da agricultura.
O Sr. S e Albuquerque: Concordo com o no-
bre depulado. Quanlo as inslltuicoes de credilo, se-
nhores, nau sou exigente de mais, nao acredito mes-
rao que no nosso paiz possamj ser instituidos bancos
ruraes lao regulares, (au completos e lao uleis como
elles coslumam ser em oulros paizes, aonde prestara
grandes vanlagens agricultura. Os bancos terr-
toriaes s podem existir dando-so. eerlas bases e run-
dir roes anteriores; como se pode conceber a exis-
tencia desses bancos sem que haja um ystema hy-
O conde estremecen involuntariamente a essa a-
postrophe que pareca proraetlcr urna revelaran Uto
esperada; mas felizmente esse ranvimenlo foi inter-
pretado pela imprudencia de Sainl-Servas no sentido
mais natural.
Ah! voss admira isso? proseguio elle com urna
risada meio accenluada pela embriaguez, ah admi-
ra isso?... Sua historia da baroneza diverlio-me!...
Voss he excellenle... s excellenle, meu charo de
Verreres... mas nao es forte a respeHo das mulhe-
res... Oh! eu nao fallo... he tolice contar amores...
e alm disso nao fallo bem em sociedade... faltro-
nle as pal iv ras... Se me exprimisse como lii, con-
tara minha vida... Bola-me johannisberg...
Ah! sou um menino 1 disse o conde elidiendo
o copo apreseulado.
Sim, meu amigo... um menino com leus nar-
cticos... leus alcbimislas... las baronezas de tri-
la e qualro annos... Velhas s gosto das garrafas...
Ouves rsle bom dito?... Se eu tivesse leu espirito
nao quereria jamis dizer urna tolice... Aperla-me a
m3o, de Verreres...
Ah! sou um menino.
Bem! nao deiva-io essa palavra cabir no
chao !... Oh nao nos agasleraos... es uecessario a
minha vida... fico aborrecido quando nao esls pre-
sente... Primeiramenle advirlo-le de que seteagas-
tares, nao me agaslarei... Naosei mais o que queria
dizer-tc...
Primeiramenle he preciso provar que sou um
menino, disse o conde com um sorriso provocador.
Provar isso' oh nao he diflicl!... Eu... Oli-
ve islo, de Verrieres... nao costo das baronezas ve-
lhas... goslo das mulheres mocas... abaixo de de-
zoito anuos, c ainda menos... N.lo goslo dos narco-
lieos; porque comprometiera... Eis aqu meu nar-
colido, minhl mo direila. J vislc urna mo como
esta? TciiIid vinte e qualro domines alindados aqni;
n.lo queros crer?
Sim, sim, creio.
Cifama o rapaz c pede domino.
He intil, Sainl Servis, eu o creio.
Yes. Verrieres.?... Era urna moca loura-..
bella como Sopliia de Faublas... um corpo como
nunca visie... ia casar-se cum um imbcil... Dize,
er.ijuslo isso?
Nao, disss o conde.
Veio-nic urna idea... tem, disse comigo, se
esse imbcil a desposar,s ha de desposa-la depois
de nuni... Bem vs, de Verrieres, que s um me-
nino...
Sim, continu... disse o conde cstremcccodo
|.da cabeca al aos ps.
Nao adeviuhas o resto? tornou Saint Servis
rom urna voz, que exlinguia-se gradualmente. Pois
bem, a pequea linlia-me sem o saber informado de
ludo... ealla noile... Vs, Verrieres... o melhor dos
narcticos he um desmaio...
Pode ser, disse o ronde rom voz surda.
I ni lurmlien nunpr.....elle, proseguio Saiul-
Servais com a gaguez da ebredade, um narctico
comproraelte,., A geutehe obrigada a cooipra-luem
casa de um alchimista... um pltarmaceulico... e de-
pois... ha um promotor publico... lenho medo dos
promotores publico..'.elle nao adeudan aoamor...
confronlam-nos com o alchimisla... nao he verdade,
de Verrieres?
He verdade... murmnrou o conde.
E depois fazem vir Mr. Orilla... L'm narc-
tico, Verrieres, he veneno__nao he verdade ?
Contigua... roniiniia... Saint Servis...
Continuo... Verrieres... este vinho do llhenu
molesla-me a cabeca... como nm narctico... Um
desmaio nao comproraetle... aprend isso em nma
peca do passeio... Ha urna moca que desmaia em
um pavilhao... todo o enredo he urdido sobre isso...
Viste essa pera, Verrieres?
Nao.
Aconselho- le que a vejas... has de recrear-le...
Ella denomna-se... o... a... esqueci-me do titulo...
He o mesmo, vai ve-la... Essa peca complelou mi-
nha rducaco... V-se... essa pobre mora... uo ler-
ceiro acto... he urna mulher... Ha Um oflicial rus-
so em SI i ou um Cossaco... cslouconfundndo-me...
La Chanoinesse... nao, he outra... A scena passa-
se em Saint Mand... Nao... Eu te... Verrieres...
boa noite... meu amigo.,, meu... .*
Saint Servis apoiou-se no velludo que guarneca
o divn do gabinete e adormeceu. O conde Caela-
no levantou-se e ergueu os olhos ao co para agra-
decer a Heos; depois lendo refleclido algum lempo
lorou a campainha, arrumou a ceia, e disse .ao
criado:
Faca rhegar meo coopc, esl em frenle da ca-
sa, chame o cocheiro Paulo. Depois ha de ajudar-
mc aconduzr meu amigo, o qual lemeu o jobau-
nisberg.
Preparado ludo para a parlida, o conde Caelano
ahalou vivamente o mancebo, o qual entreabri os
olhos.
Vcnha, he lempo de voliar, disse-lheo conde,
o carro esla a porla. vou leva-lo para sua casa.
Saint Servis levantou-se penivelmente, e cami-
nhou como um somnmbulo no corredor, desceu va-
garosamente a esrada, apniado nos dous bracos au-
xiliares, c sua alia estatura leve muila difilculdade
em arcommodar-sc no coup. O conde disse algu-
mas palavras ap ouvido do cocheiro, c o carro parlio.
Apenas inttallado Sainl Servis conlinuou o som-
no, um instante interrompido, e mal suspeilav
a eslrada qu o carro percorra. O cocheiro s li-
nha recebido Indicaces para os Ires quarlos do ca-
minho, e quando achouse na estrada de Vincennes,
poz o cavallo ao passo, c dcixou-se dirigir pela voz
do conde Caelano.
Chccaram dianlc da grade da Ermida de Saint
Mand. 0 ronde tornou a acordar o dormidor em-
briagado, o qoal recobrou o passo de somnmbulo,
e entrou no jardim, rebocado por assim dizer pelo
conde. A carruajera linha vollado para Paris.
{Conlinuar-ie-ha.)
?
)



"***
DIARIO OE PERMMBGO, SABBAOO 8 DE JULHO DE 1854.
polhecario regular? Qual lie a garanta que podem
uITcreccr actualmente os agricultores para ubterem
os capitaes necessarios ao uielhoramcnto de sua in-
dustria.
Sem duvida lignina, a garanta da agricultura sao
as.Ierras; entendo que alguma cousa podamos
fazer neslc sentido, roas nSo crelo que j e j o pos-
sainos; necesitamos de c a pitaes he verdade, mas
o systema actual ralo os podemos haver. Tratarei
agora, Sr. presidente do outro mel do desenvolvi-
mcnlo da industria agrcola; quero diier, da ins-
incero professional.
O Sr. BrandUo:Islo para mira he o primeiro e
o principal elemento.
O Sr. S e -llbuquerque:Senhores, quacs s3o
os coiilicrimcntog que deve ter o agricultor para as
operacOes ordinarias da sua industria? Figuremos
caso da plantario; s para a ejcolha do terreno e
demarcado dille, o agricultor precisa de cunheci-
mentefi geologleos, mathematiros, pbysicoe c chimi-
cos. Suppoiijjamos a operaean em seguirocnlo, Ica-
la-se de cultivar; o agricultor lom necessidade de
instrumentes machinas, o el-to jogando com os
principios mecnicas. Supponha-se qac a operarlo
ha mu pouco mals complicada, que se trata de des-
scrcamnlos e de iri gares, faz-se necessario o co-
nliecimeuto das machinas liydraulicas. Trata o agri-
cultor de ver qual he a cultura que se deve occu-
par o terreno a primeira vez, qual he aquella que
deve segui-la, que adubo he convenieute para cada
urna deltas, e neste caso sao necessarios conheri-
monlos chimicns, physiologicos e boUnicos.
Continua a operario, o agricultor precisa, por ex
rmplo, de animaes sao necessarios conhecimenlos de
zoologa, da.arle velerianaria, e da hygiene animal.
O agricultor precisa de saber se com oflcilo perdeu
ou nao em suas operacoes, silo necessarios conheci-
menlos de contabilidade, e nao errara dizendo que
entre nos he bem raro o agricultor que tem sua es-
rnptiirarao regalar; aiuda continua a operaran; elle
quer fabricar productos, qne deas tem de tcchnolo-
8a? Nenliumas; o seu trahalho he todo em grosso,
nao sabe preparar convenientemente o assucar, nao
sabe fabricar licores, nao sabe em fim dar novas fer-
inas aos productos primitivos de sna industria. Quer
saber qual o mercado que receber com mais corle-
za c alinelo os seus productos, sao-Iiie necessarios
ronhecimenlos geographicos qne elle nao tem. Em-
lim, senhoTes, a industria agricola[no Brasil carece
de ludo quanto he educarlo professional.
. Em vista do que acabo de dizer 1 cmara nSo so
admire de que cu faca sentir a necessidade da crea-
cao de nm instillo aercola, ou fanildade, ou aca-
demia, ou como se quizer chamar, aonde so ensinem
as sriencias naluraes e oulras necessarias para o re-
gular andamento e progresso da agricultura.
Sentimos, nao nos esquejamos de que tres quar-
tos da nossa populacho sao lalvez moradores dos cam-
. pos, vivem da agricultura, e a forma de'governo do
nosso paiz exige qne estes tres quartos da populacho
sejam convenientemente educados para poderem
bem viver nelle.
A instftliico municipal li urna das bases em que
assenla o nosso syitema representativo, .exige sem
duvida alguma iustniccao naquens-que lem de ex-
ercer as funejocs municipaes. Qual lie a caua pela
qual as cmaras municipaes nao produzem no nosso
paiz osmesmos bens que essas inslituices produzem
em oulros paizes? He porque entre nos os lujdiens
que rxercem essas importantes funeces nao lm os
conhecimenlos precisos para o cumplimento de seus
deveres ; convem que' tenhamos homens habilitados
para preencher estes-cargos, e nao he com a medi-
cina e com as mathematica que havemos educar a-
gricultores, que sao os vareadores nos campos. A
esteprospoito cilarei duas palavras de um grande ho-
mem, deJoao Jacques Rousseau, no seu tratado de
edueacao ; diz elle : a Na ordem social em que to-
dos os lugares esiao determinados, cada Jiomem deve
ser educado para oseo lugar, d Eu direi quo na
socieiladc em q'ue vivemos o agricultor deve ser edu-
1 cado para viver na sua industria natural, para suc-
ceder a seus pas 'na profissao em que estes vive-
ram.
Eu creio que ningucm desconhece que hojo a nos-
sa industria agrcola se acha grandemente desacreMi-
lada ; os homens de intellgenci*c de capilaes fogem
de empregar a sua intelligencia e os seus capilaes
nessa induslria, empregando-os em oulras quacs-
quer emprezas, desprecando inteiramente a agricul-
tura ; nos sabemos que vulgarmente se diz que os
mallos sao para as feras ; he pois necessario levautar
essa uobre profissao do abalimento em que jaz, con-
ceilua-la, o que so poderemos conseguir-boje dolan-
do o paiz com urna academia e escolas praticas agr-
colas que elevem a scicncia c arle de cultivar a Ier-
ra a altura em que se acham o direilo, a medicina e
as malhemalieas, porque, quando todos se compe-
netraren! de que os diplomas ou pereaminhos das a-
cademias agrcolas sSo I i o nobres, to honrosos como
os das academias medicas, jurdicas e mallicmalican,
para aquellas mandarlo os seus filhos ; he s desta
, sorte que poderemos ver hoje os filhos dos fazendei-
ros abastados convenientemente educados para suc-
cederem a seus pas na profissao que fez a fortuna
desles.
Eu sei, scuhores, que para a realisncao desla idea
que acabo deemiltir nao faltam objecnies que se Ihe
epponham, objeccoes que saltam a todos ollios, sen-
do a principal deltas a falla de pessoal habilitado pa-
ra um ensiiio intejrnmerile novo no nosso paiz; osla
objeceo comludo nao be tio poderosa como podo pa-
recer, e se o governo uao bahilitar hoje o paiz a dar
urna resposla a essa objeccao, ella daqui a dez an-
uos, a ciucoenta, a cera, anda ha de estar em pe
(apoiados), he por issoque devenios principiar ho-
je. (Apoiados).
Sr. presidente, cu nSo pens que fallem absoluta-
mente no paiz os mcios necessarios para darmos
principio i realiuco deste meu pensamento, por
qne exislem no paiz alguns homens quo podem ser
vaulajotamenle aproveitados; as escolas de medicina
contem algumas cadeiras que se tocam com a agri-
cultura, que fazem parle do ensno desta ; e mesmo,
se honvesso falta de professores, como essa inslitui-
rao nao seja para ser realisada hoje ncm amanha,
ncm mesmo para o anno, podemos mandar alguns
homens queja Ahhi algumas habilitacocs eslu-
dar fra do paiz*e la aperfeicoarem-se; o que he ne-
cesssaro he que em lempo se estabecam os meios
para que algum dia se consigam os fins...
OSr. Paula Canudo e oulros Srs. diputados :-
Apoiados.
O Sr. S o Albujurque :" Senhores, j loquei
em urna considerar,*} da qual ainda vou fallar. In-
felizmente lodos nt observamos que hoje os capitaes
desertara da agricultura, o que esla nao pode pros-
perar porque sent fallarem-lhe os capitaes necessa-
rios ; he porlanto preciso que o governo colloque
senlinellas acllvas e vigilantes que se opponliam a
essa desercao; es-as senlinellas nao podem ser oulras
senao a illuslracio do asricnllor, a sua educaro
conveniente, educaro que, habililauda-o a explorar
mais olilmcnte a cultura da Ierra, possa levar-lhe
ao espirito a convcc.3o de qne nao deve abandenar
a sua indoslria e a de seus pas, de que os seus ver-
daderos e legtimos inleresseseslaouo campo. ( A-
potados),
Geralmenlc se diz t sem capitaes nao podem ha-
ver aperfeicoamentos a ; concordo, senhores, com
esse pensamento, mas tambera concordaran comino
'que s3o os a per fei roa moni os que primeiro convidara
os capitaes, allrahem-os e delles se am'param ; por-
taulo, se, ou pelo governo, ou por outro qualquer
mera, se promoverem melhoramentos na agricultura,
esla induslria lera capilaes ; os melhoramentos e a-
perfeicoamentos as industrias sao incentivos, sao
esponjas que all,diera os capitaes. (Apoiados ).
A vista do abandono da industria agrcola no nos-
so paiz, tu creio que lem verdadeira applicacao a el-
la as palavras do sabio Chassiron, que dizia nao ha
muilo lempo na Franca : Em nossas academias,
em nossos discursos oratorios, nos chamamos a agri-
cultura a primeira das arles. Em nossas les, em
nossas insliluiroes, nsa olhmos cmo o mais vil dos
ollicios. O mais vil ollrio erige anda um aprendi-
zado; a agricultura he abandonada i mais vergouho-
sa rolina. He preciso comcrar por abrir em nossos
campos os olhos e ouvidos daquelles qne devem ver
e ouvir. n
guma, ella nao pode dcixar de ser insensata ; c se
pelo contraro fir pela allirmalva ser severa con-
demnar.io do nosso passado e um conselho discreto
para que tratemos agora de remediar esse mal e me-
Ihorar essa induslria. ( Apoiados).
Polas palavrasque tenho proferido sem duvida al-
guma terao comprehenddo os meus nobres collegas
que o que eu peco por agora sao escolas da agricul-
tura na parle tlieorica, mas parece-me que mi-
tos nao entendem comlgo essa necessidade, e que
pelo contrario julgam que deveremos ter escolas- pra-
ticas somente : nao pens que as escolas theorcas de
agricultura possam dispensar as praticas, mas pens
que estas devem preceder aquellas, que as escolas
pralicas devem ser o complemento das theorcas.
Entendo que este lugar de preferencia nSo pode ser
recusado a Ibcoria, porque, senhores, sou daquelles
que pensam como o Sr. Royer-Collard, que no fac-
i de querer desprezar-se a Iheoria por ser deffic-
cessara pralica, ha a preloncao excessivamentelifc
gulliosa de nao sermos obrigados a saber o que al-
iemos, quando fallamos, c o que fazemos quando
praticamos alguma cousa.
A esterespcilo me permiltir o nobrcniinislro do
imperio que lhe faca sentir a necessidade que tem o
governo de prolcger de qualquer forma quo seja es-
sa escola de agricultura theorica e pralica, quo al-
guns eslrangeiros prelendem estabelecer nos arra-
baldes desta cidade. t) programma foi j publica-
do e distribuido. He o primeiro cnsaio desle gene-
ro, ensaio que deve ser protegido, sob pena lalvez
de inorrer muite cedo, te grandes obstculos crahar-
garem o passo aos seus cmpreliededores. Sou filho
de fazendero o tambera plantador : o" espirito de
classe levou-me a procurar esses homens, couveriei
com eljcs, e pude conhecer que do eslabelecimento
dessa escola podem resultar grandes vanlagens para
o paiz ; se essa enipreza nao for auxiliada pelo go-
verno, diflicilmenle scrao alcancados esses beneficios;
he pois preciso que o governo tenha em alguma at-
tcncao cs'sc novo ensaio agrcola, que lhe preste um
auxilio razoavel com as garantas o segurancas que a
prudencia aconselhar-lhe.
Senhores, o anno passado neifa casa e na outra
cmara, avento-sea idea de se tivrar a africultura
de alguns impostos quejalaggravavam, islo com o fim
de a proteger ; largas e lucidas discusses houveram
a esse respeto, e o qae he certohe que foi red u/i-
do o imposte de cxportae/10 ; e por Ventura a agri-
cultura aproveilaria com essa re.lucran ? A reduc-
cao do imposto de exportacao, a meu ver, nao fez
bem algum a agricultura, ella ir engrossar lalvez a
bolsa de alguns negociantes ; mas a agricultura, re-
pito, nao aprovelar, esl como d'anles, e assim ha
de continuar ; Dos permuta que eu rae engae.
Tal reUuccao^ aproveilaria se o nosso coromercio
fosse em toda parle regular.
Senhores, a respeilo da nbolioao desse imposto eu
pens difTerentemente de muitos, pens com o Sr.
viscohde do branles ; eu quizera que a agricultura
continuasse a soffrer esse imposto, mis quizera tam-
ben) gue fosse applicado em favor da agricultura das
provincias. ( Apoiados). O agricultor quer dar, quer
pagar o imposto, mas quer tambem que lhe dem,
que o prolejara, porquo para a agricultura nada he
um ou douspor cento que pague de imposto, porem
muilo he a falla de soccorro que offrci Em apoio
desta verdade cu cilarei o exemplo da Hollanda ; l
os impostos sobre a agrcullura sao immensos : a ta-
sa sobre a Ierra, o imposto por cabera sobre o gado,
e a contribuido para os diques, o direilo sobre o sal
o oulras alcavallas absorvem 50 por cento do pro-
ducto da lavoura, e nao obstante la ella prospera....
CTSr. Ameiia e Albuquerqu: A llollanda
he urna exccpc,ao.
O Sr. S Albuquerqu Comprehcndn-se-rae
bem : eu n3o quero que a industria agrcola seja
gravada de impostos, empregarei antes todos os meas
esforcos para que ella seja allviada de, tanto peso;
pretender o contrario seria ignorancia a mais crassa
dos principios econmicos, seria mais do tjie isto,
sera urna guerra de morlo agrcullura. O qae eu
quero lie que 110 estado actual de nossa sociedade,
lao atrasada como so acba a nossa agrcullura, care-
cendo, alem de oulros beneficios, de estradas das
quaesdepende hoje na mxima parte o seu descuvol-
vimcnl, procure-so dola-la desses favores; e so pa-
1:1 i.ii fnr nffi*^-ir i m'ii.Kr.iii.li i.nl.u... .,n.. :
xlio os nobres desejos de quo supponho achar-se ol-
le possuido. [Apoiados.)
O'anno passado, senhores, quando liveoccasio
do fallar a respeto do orearaenlo do imperio, ex-
pend algumas reflexScs acerca do desgranado esta-
do da nossa agricultura, laslimci mesmo que ella
nunca hoavesse merecido a mais insignificante pro-
teceo do governo e do. corpo legislativo ; e o fia
porque entend, e ainda eutendo, que sem darmos
o mais largo desenvolvimento a esses poderosos ele-
mentos, de vida social, nao nos ser possivel attin-
gir grandeza prosperidado qne nos sao afianca-
das pela riqueza e produclibilidade de nosso solo.
(Apoiados.)
Ora, se as proposices que eniao emitli, |e qne
agora repito, sao inconlcslavclmciile verdadeiras'i
se ludo concorre para nos fazer crer que, ao menos
por muitos airaos, e lalvez porseculos, o nosso paiz
ha de ser exclusivamente agrcola, nao nosso deixar
de deplorar que no orcamejilo que se discute se nao
he consignada orna verba com applicacao especial
para os melhoranicnlos da lavoura.
Vejo, he verdade, eslampadas no velatorio do no-
bre minislrn algumas ideas a osle respeto, mas ob-
servgtque todas ellas se referem colonisa^ao e vias |
de communcarSo, que S. Ex. considera como os
principaes' elementos do progresso e prosperidads
da nossa agricultura. Seja-me percm p'ermitlido
discordar um pouco da opiniao do nobre ministro do
imperio. Kcconhcjo que na verdade as \ias de enm-
munica^ao e a colonisacao como meios concumilan-
les podem prestar poderosos auxilios au desenvol-
vimento da agricultura, mas entendo que sem a e-
lucacan e nsiruccao profissional, sem escolas agr-
colas, aquellos meios muilo pouco poderao adian-
lar.
Por lano persuado-mc que adoptando no seu re-
laloro os dona elementos referidos como os meios
nicos...
Eu tambem digo isso, Srs., que he preciso abrir
nos nossos campos os cilios e os ouvidos daquelles
que devem ver 6 ouvir. E porque he, Sr. presiden-
te, que exislem no nosso paiz as academias de direi-
lo, de inedirina c mathemalica. ? lie sem
duvida alguma porque o paiz lem necessidade
de magistrados, de advogados, do mdicos, de milita-
res e engeuheros ; e pergunlu, nao lera o paiz ne-
cessidade tambera de agricultores ? Se a resposla
fr pela negativa, o que eu nao es|>ero de pessoa ai-
ra isso for necessaria manir renda publica.iiiio seja es-
ta rcduzida com a diminuicao do imposto de expor-
larfl. Nao sera a imposc,ao Je 1 ou 2 por cento
mais sobre a lavoura que lhe ha de dar a morte, se
por oulros meios se lhe der maor vida. A agricul-
tura he tao discreta e prudente como o industrioso:
deseja gastar mais para ganhar mais.
Senhores, locarei agora em urna especie que nao
sei se estar ao conhccimenlo dos meus nobres collc-
gas ; quero fallar da tendencia que se v.ii desenvol-
vendo em algumas provincias para mndarem a agri-
cultura do seu solo ; cu vejo, por exemplo, algumas
provincias que planlavam caimas e se oceupavara no
fabrico do assucar nao querercm mais tratar com o
mesmo empenho desle ramo, cnsaiairdo agora a cul-
tura do caf.
Eu desconfi mnilo dessas oscilarnos da indoslria
ellas me fazem crer que a crise por falla de bracos
j se faz senlir na plantacao da canna. A mudanca
de cultura he prudente quando as rmidimes do so-
lo o do clima s3o favoraveis, de outra sorte he um
erro, he urna imprudencia, e eu temo que nao nos
aconleca, so isso continuar, o mesmo que acontecen
ao reino de Portugal, quando um decreto do marquez
de Pombal mandn que se arrancassem as cepas das
vinhas para se cultivar o trigo, o que deu em resul-
lado ficar o povo seni pao e sem vinho. He anda
esla urna consideraran grave que cu ullercco atteu-
cilo do Sr. minislrn, afim de inleressa-lo pelo me-
llioramcnlo do fabrico do assucar e de oulros pro-
ductos agrcolas adaptados ao solo do algumas pro-
vincias.
. Senhores, cu creio que n direi cousa diffioil de
acredlar-so asseverando, qua as reparlires piililiras
superiores hoje se acham rauito iocomraodadas, ni!
pelo grande numero de Irabalhos que pesem sobre
ellas, mas peto iminenso numero de requerimentos
para a oblencao de empregos pblicos. ( Apoiados )
Diga o nobre ministro do imperio, diga o nobre mi-
nistro da juslira, dgam todos oulros Srs. ministros
se suas antecmaras eslao ou nao cheias de prelcn-
dentes a empregos, se suas pastas nao estao repletas
de requcrimeolos em qne se pedem empregos p-
blicos...
O Sr. Braniao : He urna tendencia bem fatal.
O Sr. S e Albuquerqu: Concorre mui lo pa-
ra esse grande numero de pretendentes a falla de
educar,"10 da raocidade dos campos, porque nao he
raro hoje ver-se o filho do agricultor abastado pe-
dir um emprego na repa rticao do imperio, da mari-
nlia ele;
En entendo, Sr presidente, que he urna lei de
sabeduria, qui-he urna lei de progresso, que cada nm
queira melhorar a sua sorle, que cada um queira
viver mais conforlavel, mas commodamente do que
vive ; mas entralo que islo deve estar dentro de
cerlos limites, quedevemosprocurar melhorar a nos-
sa sorte, nao. destocando a nossa pusirao, mas aper-
feicoando a nossa profissao. ( Apoiados. j
Senhores, nos temos sido at hoje muilo injustos
para com essa scicncia que nos nnlrc, para com ca-
sa'ciencia que alimenta loda nossa industria, todo
o nosso commcrcio, para com essa industria sobre a
qual recaben! quasi exclusivamente todos os nossos
impostos ; entendo que he chegado o tempo de p-
gar-mos esla divida sagrada, entendo que he chegado
o lempo de derramar sobre as caberas da mocdade
dos nossos campos a iu-trm-c.10 agrcola ; he urna es-
pecie de baptismo que lhe devenios. ( Aptaodos,
muilo bem)
O Sr. Brandao : Sr. presidente, as mnnifesta-
c&es solemnemente feitas pelo gabinete actual em
urna c cm oulra casa do parlamento levam-me a
acreditar* que ello procurar realisar os imp*orlanles
melhoramentos de que o paiz carece. (Apoiados.)
Pens, por lano, que seria imprudente e manifes-
lamcntc impoltico abandonar a posicao expectante,
e rreflectidamcnte fazer-lbe opposirao, tendo elle
apenas oilo ou nove mezes de existencia, e havendo
alem disto dado alguns passos que, na opiniao dos
homens de bem, nao podem deixar de ser precurso-
res da realisarao das promessas feilas nac/io.
(Apoiados.) Eu pois, nestas circunstancias, nao me
oceuparei por ora de qucslcs polticas, declarando
todavia que o farei logo que veja que o ministerio
nao corresponde s esperanras do paiz, nao preen-
rhe a alia misso de que foi oncarregado.
Entretanto o meu dever de representante de urna
das grandes provincias do impero nio obrga a azer
algumas considerarnos rotativas aos diversos objec-
tos de que trata o orearaenlo em dscussSo, c a cha-
mar para elle a attenrao do honrado ministro res-
pectivo, visto, como eutendo que desta maueira au-
O Sr. Ministro do Imperio : Os dsus princi-
paes elementos.
O Sr. Branda',: Dando-lhes urna importancia
exclusiva, S. Ex. col locan os melhoramentos, que
todos nos desejamos, e que as circunstancias do
paiz reclamam, em urna esphera que nao pode sa-
lisfazer as necessidades deste primeiro o mais im-
portante ramo da nossa riqueza, c dos recursos na-
cionacs, sendo que esta minlia opiniao nao deixa
de ter urna base em exemplosdc iiaccs mais cultas
e civilisadas do que nos, como mostrarei.
O nobre ministro sabe que o terreno da Austria
bem como o da Russja, se achava ainda ha bem
poneos annos as mesraas circuraslancias em que es-
l o do nosso paiz, islo he, pela mor parle inculto ;
que i sua popularan, principalmente a deste ultimo
Imperio, conservava-se no mesmo estado de desani-
mo rolina em que se ada a nossa (apoiados);
entretanto o que acontecou? O quefizeram aquel-
les dous governos para despertarem a actividade na-
cional, c imprimirem o progresso e o descuvolvi-
menlo no agricultura dos seus paizes"! Procuraran!
aperfeijoar a intclligoucia dos agricultores, creando
escalas, estabelecendo pieraioa, promovendo a emu-
larlo, e finalmente, subminillraiido-llies ledos os re-
corsos qae podiam concorrer para anima-los a con-
tinuaren! com gosto e vantagem na vida laboriosa
dos campos.
Assim no reinado de Paulo I foi estabelecida as
proximidades de S. Pelcrsburgo a primeira escola
agrcola em grande escala, dopois oulra foi creada
cm Dorpat debaixo da direccao do sabio professor
Schmaltz, c dados esles passos urna consideravcl mul-
lidao de instituios agronmicos surgiram nos dives-
sus pontos do paiz, todos fundados ou protegidos
pelo governo, resultando delles um aperfeicoamen-
(0 tao completo pa agricultura, que at nos sleppes
da alta c baixa Bessarabia lem ella fcilo importan-
tes conquistas, segundo afilrma o Sr. Tegoborski.
Ora, se a sciencia ha produzido estes notaveis ef-
fcllos cm paizes muilo menos favorecidos pela 11a-
luza do que o nosso, que resultados vantajosos nao
devoremos nos esperar della, coucorrendo cm nos-
so favor as excedentes condic,cs da bondade do
clima, da ferlilidadc do solo e da superior intelli-
gencia da nossa popularan ?
llevo pois condensar ao nobre mioislro que em fa-
ce desles cicmplos colloco a-inslruccao professional
cm primeiro logar na ordem dos meios de que de-
vemos cuidar para melhorar a sorle da nossa agri-
cultura, julgando alm disto como indispensavcl a
inmediata protoccao do governo em lodo sentido
que possa coucorrer para dar esperanzas de um fu-
turo feliz aos agricultores.
E notai, senhores, que a propria Franca nos d
tambem um exemplo, que justifica o que acabo de
dizer. Antes da publicactfo dos Irabalhos scientifi-
cos do Sr. Brossard em 155S nao havia quem cm
lodo esse paiz avullasse pela sua riqueza agronmi-
ca ; a Franca era ntao pobre comparativamente
ao que veio a ser depois que Henrique IV, consi-
derando os Irabalhos do citado Brossard, fez inlro-
duzir a sciencia na lavoura. Possuindn 51 milhes
de hectrea de terrenos araveis, ja no tempo de
Luiz XVI ella conta'va mais de um terco cultivado,
e hoje 26 milhes de hec tares per I encera ao dominio
exclusivo da agrcullura, nao obstante as revoluces
successivas que all lem lido lugar. S aos cuida-
dos do governo, c desenvolvimento da sciencia agro-
nmica ao sistema do recompensas, i prolcccao per-
manente dada aos agricultores, deve ella tao satis-
factorios resallados.
Geralmenle se diz, senhores, que sao as vias de
cuiiiraiinicaeao que operara os grandes desenvolvi-
mentos na agricultura, e o nobre ministro do impe-
rio partilha esla opiniao ; mas embora se me acense
de proferir um paradoxo, direi sempre que seme-
Ihanle maneira de pensar envolve urna usurpa-
cao feita scieucia ; a favoura faz progressos pela
iiilrodin'cao de novos processos, de descobertas que
tenham por fim melhorar o preparo das Ierras, des-
envolver as suas forras productivas, e aperfeiepar
os productos ; ludo islo perlenco scicncia, c s del-
la pode vir ; por consegHinte nao vejo razao para
dizer-se que s das vias de communicacao dependo
o melhoramenlo da agrcullura. Sabc-se quo de
poucos annos a esla parle he que os transportes se
lem (ornado facis e menos dispendiosos em alguns
Estados da Europa, e no cntanto a agricultura ja
se achava nelles largamente desenvolvida. Aprecio
as vias de communicacao, porm dou mais impor-
tancia ao (."simio profissional, porque enlendo que
dclle se bao de emanar roelhnramcnlos, e assim se
me permuta pugnar pela creadlo de escolas da agri-
cultura nos diversos pontos, do paiz, para que se
disseraine entre a importante classe dos nossos agri-
cultores a sciencia de que elles cuerera.
O nobre ministro do imperio e lodos os honrados
membros que se acham nesla casa concordara qua
nos estamos em vespera de urna grande crlse, que
por sua magnitude exige o emprego de meois efflca-
zes e promptos para removc-la, ou ao menos dimi-
nrfir os seus effeilos ; fallo da falta de bracos pela
exlinrcao do trafico, o como he, senhores. que ha-
vemos de oppor diques a essa calamidade que se
avizinha, senao tiverraos homens intclligentesquc
tratera doaflaslar, senao no todo, ao menos em par-
te, os males que della terao de resultar-nos?
No relaloro do ministerio do imperio do anno
passado se 16 um trecho que o actual nobre ministro
nao deve perder de vista ; esse trocho do que fallo
he aquelle erogue se diz que na I.uiziana e em Cu-
ba um escravo produz assucar para dez calas, co-
mo o allirmouoSr. coronel Canon, que foi manda-
do all pela provincia da Baha : o qual podo ser a
razao, senhores, porque se d esle faci na Luizlana
c cm Cuba, ao passo que com os nossos cscravos e
meios de cultura c rubricaran acontece o contrario ?
Sem duvida alguma he porque all se segu um ou-
tro processso difireme do nosso, he porque se em-
pregan instrumentos aralorios aperfeiroados, he
porque finalmente a acrao da sciencia se faz senlir;
por conseguinle cumpre-nos quanto antes introdu-
zir em nosso paiz esses instrumentos, essa sciencia
agronmica que faz obler grandes resultados agr-
colas por meo de machinas, e com o menor empre-
go possivcl de bracos ; se o nao fizermos a nossa
agricultura ha de cahir c aniquilar-se, cdo seu ani-
quilamento ha de nrcessnriaineutc resultar o da lor-
luna publica e prosperidade da nacao.
O nobre deputado, meu lluslre collega por Per-
nambuco, que pugnou em favor das mesmas ideas
que cu'cslou agora sustentando, aventn um pensa-
mento que nao posso admittir ,-dissc elle que seria
conveniente centralisar os cstudos agronmicos em
urna academia, lalvez estabelecida nesta capital, mas
cu eutendo que era vez dcadoptarmos esse expedien-
te, mais proficuo seria estabelerermos escolas de
agrcullura as dificrcnlcs provincias do imperio, as-
sociaudo a ella, conservatorios de machinas, e desti-
nando porcoes de Ierren do dominio publico para
nelles os alumnos fazerem, debaixo da direccao dos
respeclivos meilres, experiencias pralieas dos conhe-
cimenlos theorieos que forem alcanzando. Todos
nos sabemos que o nosso paiz he vasto, e qae os seus
habitantes, principalmente os do campo, sao pela
mrparte pobres ; por consegrante collocar-ic uiua
academia de agrcullura na capital do imperio im-
portara o mesmo que nao crea-la em beneficio de lo-
da a nacao, mas nicamente do municipio neutro c
da provincia do Rio de Janeiro; por esse motivo
pois me opponho a semelhante idea, : aipda invoco
contra ella o exemplo da Franca, dasAusfria, e mes-
mo da Russia, que em laes croarnos abandonaran! o
sjstema de ecntralisaco.
O Sr. S e Albuquerqu : Nao fallei na capital
do imperio, disse que ella devera ser creada aonde
o governo julgassc mais conveniente.
O Sr. Brandao : He a iiiesma cousa ; se ella
fosse creada na Baha, por exemplo, as oulras pro-
vincias ficariam as mesmas circumslaocias como se
ella fosse estabelecida na corte...
O Sr. S e Albuquerqu: Mas tambem s ha
academias de direilo em Olinda c era S. Paulo.
O Sr. Brandao : Repito, senhores, que o svs-
tema das naces europeas ha nesle caso o mais pre-
ferivcl, porque conhecimenlos desta ordem devem
ser disseminados por todas as localidades, levem
aaesmn ser levados psrta dos pobres ; e nos que
gastamos 35,000:0008 era tantas cousas notis, em
lanas repartieses desoeeessarias, era tanto* desper-
dicios injustiflcaveisy perqoe nao havemos de appli-
car2 ou 3,000:000!* na*,aillo que produz a riqueza
publica ? Ser por cerlo ama desgrara se o. nao fi-
zeraws.
O Sr. Crrela das Unes : Na mnha provin-
cia nao se couhecem mallos instrumentos.
O Sr. BrandUo: Em Fernambuco, aonde lodos
os das es!3o chegando vapores da Europa, ha me-
lhoramentos que nao' sSo condecidos.
Eu pois, senhores, chamo a atlencao do nobre mi-
nistro do imperio, rogo-lhe mesmo que applique sua
Ilustrada intelligencia sobre esla'matcria, visto como
ate hoje uao houve miaislco, nao huave legislatura
que della se oceupasse, que se lembrasse dos agri-
cultores, e lhes eslendasse urna mao protectora ; s
se lem cuidado da poltica, de inleresses de segunda
ordem e de nada mais. Queira S. Exc. ter a gloria
que alcanrou Colbert; queira viver nos cora roes dos
Brasileiros, na memoria dos homens de bem, assim
como aquelle grande estadista ainda vive na lem-
branca dos Francezes.
O Sr. Correia das fines : A qucsiao he ter-
mos dihhciro, cora elle podera vr essa glora.
O Sr. Brandao: E ama vez, senhores, que te-
nho fallado sobre estes assumplos, seja-me tambem
permitlido apresentar urna idea que lalvez pareca
extempornea, masque eu quero deixar consignada
entre os Irabalhos da sessio desle anno, para qae el-
la se realisc quando for possivel. Essa dea de que
fallo he a de ama exposicao agrcola e industrial,
creada na capital do. impero.
Senhores, est hoje reconhecido na Enropa, como
diz o Sr. Wolowski, qae is exposicocs exercem urna
influencia assaz poderosa no desenvolvimento das
industrias, e mesmo na cultura das trras. O Sr.
Vital Roux, que foi o primeiro lalvez quo cscreveu
cm favor dcllas, leve a gloria de ver os seus felzcs
resultados na Blgica. Com effeito, esse paiz, que
n.iu passa de um pequeo ponto da Europa, apezar
de sua pequenez he boje um dos estados os mais
florescenlcs dnquella continente ; e a quem deve el-
*-v,
O Sr. Ministro do impero d um aparte qae nao
ouvimos.
O Sr. Brandao: A provisoria mesmo nao est
concluida, c se en chamo a alinelo de S. Exc. so-
bre este particular he porquo vejo que o Sr. Neall
lendo ido-examinar essa obra, at hoje nao deu o
seu parecer a respeilo do syitema e plano da cons-
Irucco. Peco pois ainda ao nobre ministro que
mande adianlar o mais possivcl essa obra de inle-
resse geral c indeclinavel.
Nao posso tambem deixar de pedir ao nobre mi-
nislroque me diga oque he feilo do desseccamenlo
do pantano da cidade de Olinda. Consta-mc quep
governo tem dadcyrdens a este respeilo, mas se me
lem dilo quo oerfgenheiro que eslava destinado a cn-
carregar-se $T obra retirou-sc da provincia e se a-
cha aquUr corlo. Nao seise sera islo exacto, e por
so dozava ouvir a S. Exc. Ora, o desseccamen-
quelle pantano c a canalisacao d rio Beberibe
obras de grande transcendencia, e de urgente
necessidade, como poderao allcslar Jpdos aquellos
que foram csludanles na academia de Olinda. A
popularan daquella cidade e dos seus arredores pa-
dece rauito por causa de semelhante pantano, prin-
cipalmente cm cerlas estar&es do anno ; eu por isso
rogoao nobre ministro que applique lodos os meios
para que se realise o projectado desseccamenlo ;
tanto mais quanto o governo lucra com essa obra,
visto que os terrenos, hoje coberlos d'agua, podem
ter grande valor.
Colonias militarelr-JMio posso pela mesma for-
ma nesta occasio deixar de chamar a atlenr.o do
nobre ministro para a colonia militar de Pimeuteiras
na inhiba provincia. Essa colonia lem sido infeliz.
Estabelecida ao mesmo tempo que a colonia Leo-
poldina as Alagas, acontece achar-se esla em um
grande desenvolvimento, e com todos os siguaes de
prosperidade, entretanto que a de Pimentciras est
como que no eslado de decrepitude. Creio qae o
relaloro do nobre mioislro d a entender islo mes-
mo. A colonia Leopoldina tem creio qae 300 ou
WO colonos....
Urna voz: A povoacao. .
O Sr. Brandao: Mas a de Pernambuco est em
decrescimento, ou para melhor dizer; em um estado
verdaderamente raiseravel....
Urna vos : Essa nem comecon, est cm papel.
O Sr. BrandUo : Diz o jiobre depntado, meu
nobre amigo e comprovinciano,qae a colunia de Pi-
raenleiras est em papel....
Urna voz : Entao o presidente lem engaado o
governo as informaces que tem dado a esle res-
peilo. Todos os recursos requisitados tem sido
dados.
O Sr. Brandao : O que he fado incontestavel
he que a colonia de Pimenteiras s lem o norae. O
nobre ministro ha de reconhecer que semelhante co-
lonia he al de importancia poltica, foi em Pimen-
teiras e suas mmediaedes que o grupo de Vicente de
Paula e oulros muilos malfcilores se reuniram e a-
castelaram para perturbar as provincias dePernara-
bu'coe Alagas, e assim darcm lugar aos immensos
sacrificios de vidas e dinheiro que foram felos para
deslrui-los. Sera, pois, muilo conveniente que essa
colonia se desenvolvesse, e nao viesse a inorrer no
nascedouro.
O honrado depulado pela Babia que fallou antes
de mira prevenio-rae, dizcudo quanto era bastante a
respeilo dos vapores da companla que navegan) na
linha do norte do imperio: julgo-me pois dispensado
de fazer mais refiexcs sobre este assumplo. En-
sc lem passado com a colonia do Sr. prncipe de
Jonvlle, e com essa casa ou sociedade de H.amburgo
que comprou a Sua Alloza ama porclo de Ierras (pa-
ra promover a colonisacao ; deve ter presente que
essa casa ou sociedade linha no nosso paiz o crdito
de rauito rica: qual porem tem sido o resultado de
semelhante empresa ? Pagou ella por ventura ao
principe a importancia da compra que lhe fez ? Nao,
e agora o que pretende ? Nada menos do que
200:0000 do governo brasileiro, e anda cora esses
200:0009 quera sabe se ella poder talisfazer aos
empeos que tem conlralildo 1 !
Porlanto o systema da compra e venda de trras
para promover colonisacao rae parece que servi-
r de embaraco permanente a rcalisacao desse pen-
samento, sendo que anda insisto. .cm .considerar o
systema rosso como prefervel. Iva Kuasia o gover-
no premeia, dando porcoes determinadas de terrenos
aos grandes o pequeos agricultores que se lem dis-
tinguido pelo raaior desenvolvimento e aperfeicoa-
mento de suas culturas, c esses homens tratar* de
fazer povoar c cultivar os seus novos predios por
colonos mandados buscar no cslrangeijo, eu por na
cionacs contrariados ou associados no interior.
estandarte da cvlisaco na vanguarda dos oulros
povos ; bem convencida de que s pela restau-
rado das crencas religiosas o povo francez rei-
vindicara seus foros ante o congresso das nari.es
cultas!
Senhores, ufane-se muito embora qualquer povo
da sabedora de suas lcis, dos inventos de sua flores-
ccnle industria, da extensao e prosperidade de seu
commercio ; mas se lhe falla o poderoio apanagio
da educaran cln i-laa, ou se elle nao conla com oulra
moral seno aquella que se acha escripia as pagi-
nas de seus cdigos, marchar de velas cheias para
soa ruina completa, e os eslroudosos nomes de civi-
lisacSo e progresso com que se procura lisonjear a
toa louca vaidade, nao scrao mais do que o sudario
melanclico em que se pretende envolver o cancro
que devora e consom ; esse povo emlim, nao ser
mais do qae um esqueleto com urna capa de purpu-
ra, na phrase de um moderno. Sao por certo mui
dignos de louvur os esforcos do governo em reprimir
a trrenle de males que affligem a sociedade ; mas
sempre lembrarei que sem costumes, qne sao a obra
prima da educarlo religiosa, a mais bella legislado
te converleri n'uraa grande mentira; porque, Sr.^
Eis comoogoveroo da Russia lem conseguido cal- presidente, nao he o apparalo dasformulas que rao-*
livar a alia e baixa Bessarabia, paiz iuteiraraenle iu- difia os iosUnclos da perversidade ; s a religio
le a sua prosperidade. o largo desenvolvimento de trc'"' suas industrias? Sem duvida emulaco creada pe
las exposicoes e fomentada pelos premios e recom-
pensas. Particularmente as exposicoes de 1830 c
18i7 a lavoura levo um lagar dislincto, os agricul-
tores que se distinguirn] foram altamente conside-
rados, c honrados pelo governo, e dahi tem resulta-
do o extraordinario desenvolvimento moral e mate-
rial dos recursos do paiz, de maneira que muito bem
se pode hoje dizer da Blgica, que he pqiiena na.
extensao, porem muito maior do que 1 mor parte
dos grandes Estados na verdadeira riqueza, a da in-
dustria cdo saber humano.
Tambem a Hollanda deve s exposicoes essa silua-
cio lisonjeira em que se acha ; vos sabis, senhores,
que o lerreno desse paiz, e mesmo o seu clima, se
nao prestavamf a grandes culturas ; mas a emularan
veio por mcidTiIas oxposiries, c produzio o milagro
de vcucer as iljmYuldades naluraes, que pareciam
insuperaveis ; a Hollanda he boje feliz no raeio da
Europa convulsa.
Pec,o porlanto ao nobre ministro do imperio que
nao deixe de parle esse mcio de dcscnvolviraenlo
para a nossa agricultura....
O Sr. Correia das Keces : Por ora ainda nao.
O Sr. Brandao : Ao menos quando fur possi-
vel. Faco esse pedido a S. Exc. porque enlendo
quo a exposicao he o meio moral o mais animador
que pode haver para as industrias.
Senhores, nos temos o mesmo amor de gloria que
podem ler os homens da, Europa, as molas do cora-
cao brasileiro nao sao inferiores s do coraco euro-
peo (apoiados), e se na Europa o picmio, a recom-
pensa, a considerado publica, sei vem de nobres es-
tmulos ao ooraclo do hornera social, tambem no
Brasil hao de servir: conseguinteniente rogo ao nobre
ministro, que tem a fortuna de se adiar no poder em
urna poca em que todos os espirtos estao inclina-
dos para o progresso, que applique os meios que es-
tao a seu alcance para que, quando no j, ao me-
nos na poca que for conveniente, se ponba em pra-
lica o pensamento que acabo de emittir.
Tendo dilo perfuncloriamente aquillo que julgava
mais urgente a respeilo da agrcullura do meu paiz,
industria esta que nao posso deixar de amar de lodo
o meu coracao, por isso mesmo que sou filho de agri-
cultor, passarei a algumas verbas do orcamenlo pa-
ra chamar tambem sobre ellas a alinelo do nobre
ministro.
Instituto vaccinio. Nao posso deixar, senhores,
de solicitar todo o cuidado do honrado Sr. ministro
do imperio a respeto desle insliluto. Nao sei se uas
oulras provincias do Brasil acontece o mesmo que na
mnha ; mas he mui provavel que sim: a vaccha
em Pernambuco esl em perfeilo abandono; cumpre
pois que o Sr. ministro do imperio lance suas vistas
sobre esle objecto, e se lembre da popularan que
tanlo snti're com a pesie da bexiga ; cumpre que pro-
videncie por todos os meios ao seu alcance para qne
esse grande preservativo de urna molestia lao fatal
seja una realidadc no Brasil.
Em Pernambuco, como disse, qnasi que n3o ha
urna lamina de pus vaccinieo que preste para cousa
alguma (apoiados); entretanto que as comarcas do
interior, e mesmo na capital da prqvincia de cortos
cm certos periodos chegam a inorrer muitos desgra-
nados victimas daquella peste.
Entendo, e creio que toda a cmara entender
comigo, que a saudf dos cidadaos he objecto muito
importante, e que quando se traa della, como mui-
lo bem disso o nobre deputado pela Baha que me
precede-a, quando se procura extirpar, 011 ao menos
acaulelar docncas epidmicas, que podem roubar
muilas vidas, lodo o zelo e cuidado he pouco, toda
rim-i-iiacao nao pode ser tachada de excesslva ; eu
pelo menos eslou resolvido a nao recusar a somma
que for necessaria para preservar a popularlo do
impero de molestias laes como a bexiga, c oulras,
comanlo que esses dinheiros tenham urna boa ap-
plicacao. (Apoiados.)
Tendo ido comarca de Goiauna em fins de de-
zembrn do anno passado, fiquei penalisado de ver a
sorte de seus habitantes, que me sao tao charos! Re-
nava na cidade a epidemia das bexigas; os misera-
ves morram sera os soccorros convenientes; os ri-
cos reccavam por si c suas familias ; cmfim, lodos
viviain assuslados, porque na verdade aquella peste
he de carcter aterrador.
Ora, consgnando-sc todos os anuos una somma
para a vaccna, nao sei porque motivo cada vez esle
ramo importante do serviro publico se acha mais
abandonado. Eu pois rogo ao nobre ministro do
imperio que olhe para este objecto, tirando certo
que a popularan sem duvida nenhiima abenc,oar
os disvellos de S. Exc. que tenderem a este fim.
Sobre outro ohjeclo tambera chamo a allenrao do
honrado minislro, e vem a ser a respeilo da verba
relativa a canaes, ponles, estradas e oulras obras pu-
blicas, S. Exc. no seu relatorlo fallou sobre a ponte
do Rccife, declarou queerapenhava todos os seus ca-
torros para que esla grande obra se rcalisasse; mas
011 observo que o lempo se vai passando, c nada
apparece, c que toda e qualquer demora pode ser
muilo fatal. Aquella obra he rcconhecidanieiilc de
uecessidaile palpitante* e nao queira o nobre mi-
nistro ler a noticia de que cm urna hora do dia ou
da uoilc urna porrao de povo foi cngolida pelas on-
das....
melhorar esse meio de communicacao, se nao impu-
zer a companhia, no novo contrato que vai fazer,
condirOes muilo claras c bem denidas, a navega-
Sao a vapor no litoral do i m pari por essa linha ser-
vir apenas para a conduelo de escravos e de re-
crulas, porque eu'confesso que nao ha liomem qne
se preze un pouco,que de bom grado se queira mel-
ter em um desses vapores da companhia do estado
actual.
Nao quero attrbuir islo aos seus directores, por-
que os nao coiibeco ; culparei apenas ao nosso mo
fado, i fatalidade que nos perseguc, e os nobres de-
pulados que vieram ltimamente do Norte para esla
corle poderao allcslar a verdade que acabo de ex-
pender. (Apoiados.) Alfirmo mais ao nobre minislro
que at ha deputados qaesahem das suas provincias
e vao para a de Pernambuco rnenle para espera-
ren! all os vapores inglezes, e fazerem nelles suas
viageus, linio por causa do mo eslado dos da com-
panhia : assim acontecen com alguns nobres depu-
tados da Parahiba, e tambem com o das Alagas,
gue se assenla ao meu lado. (Apoiados.)
Bem v o nobre minislro que em lodo o caso he
necessario inlroduzir melhoramentos neste sentido,
porque do contrario o resultado ser, como disse, R-
carem os vapores da linha nacional servindo apenas
para o transporte de escravos.
Vou agora tratar dos correios. O nobre minislro
no seu relaloro reconhece que o correio do Brasil
se acha no eslado de iraperfeicoTe nem era possi-
vel que S. Exc. nao reconhecease islo, porque he pa-
tente que nem mesmo na corte elle presta o serviro
que era para desejar, segando a ndole de sua insti-
luc.ao ; c por esta occasio nao posso deixar de re-
petir algumas observarnos feitas por mim o anno
passado sobre este objecto.
Nao sei porque motivo se fez inlroduzir no cor-
reio urna especie de agiolagem, que eu nao posso
comprchender. Ignoro a razao por qne a carta que
vai depois de tal hora ha de pagar um porte dobra-
do ao que paga a que he rcmetlida na hora anterior,
e o caso he que ainda nao houve quem me desse
urna explicaran que me satisfizesse a lal respeilo.
O Sr. T. Octavian d um aparte que nao ouvi-
mos,
O Sr. BrandUo : Parece-me qae se nao deve
agiotar assim com a popnlacao, que j paga tributos
em demazia; sera sem duvida mais conveniente
delerminar-se que as carias sejam recebidas at a
tal hora fixa, c previamente annunciada, do que es-
pacar-se essa hora c exgr-se o porte duplo ; isto
presta-se a muitos abusse a vexacOes, que cumpre
oxlermiuar. Assim, pois, espero que o nobro mi-
nistro lomar este assumplo na devida considera-
cao.
Sr. presidente, V. exc. me permltr-que eu
continu as minhas observar-oes, e que fara ligei-
ras e suseintas reftxcs sobre a verba Reparlicao
geral das Ierras publicas, mediclo dcslas e colonisa-
cao. Sei que o nobre ministro fundou-se para or-
ganisncao do regul,miento das trras na pralica se-
guida, no direilo estabelecdo nos Estados-Unidos :
sei mais que S. Exc. nutre -esperancas de adianlar
e desenvolver a colonisacao enlre nos, mas eu que
sou pouco entendido nestas materias, lalvez por isso
mesmo nao tenho con viroso de que o systema adop-
tado por S. Exc. para a colonisacao quo se pretende
realisar seja praticavel com vantagem.
Nutro a opiniao de que a colonisacao pelo modo
por que o govejno a quer fazer, e parece ser indica-
do pela le das Ierras, ser sempre entre nos um so-
nho, c Dos permita qne os fados provem o contra-
rio do que cu digo : julgo que cora as medidas adop-
tadas poderao vir algumas dezenas, ainda mesmo al-
gumas centenas do 'colonos da Europa, mas nao roe
posso persuadir qae 1 colonisacao se desenvolva na
escala que o paiz precisa, e infelizmente nao sou eu
o nico que nutro esses reccios ; homens ha mullo
pralicos e entendidos que pensara comigo da mesma
forma.
1. ra systema de colonisacao igual ao que o gover-
no quer adoptar foi pratcado pela Russia com algu-
mas modificaees, como consta dos escriptos do Sr.
Tegoborski; mas qual foi o resallado ? Abando-
na-lo dentro em pouco lempo como impralicavel c
infructfero, adoptando outro meio que lhe lera tra-
zado grandes resultados.
Primeramente observo, senhores, que o nosso
plano de colonisacao fuuda-sc cm procurar colonos
em massa na Europa, homens c familias, sem se in-
dagar da moral ide.de. da conduela desses homens ou
dessas familias...
O Sr. Minhiro do Imperio : Nao sao essas as
intentos do governo, allirmo-llio isso.
O Sr. Brandao : Se nao sao essas as iulenrcs
do governo, bem....
O .r. Minislro do Imperio : O mesmo rea-
torio diz 11 contrario.
O Sr. BrandUo : .... mas cu direi sempre que
nem assim me parece rcalisavel o svslcma de colo-
nisacao que se projecla. O nobre ministro sabe os
embararos com que elle prnprio eseus antecessores
tem lutado para promover a colonisacao ; eu pois
enlendo que esses embararos nao scrao removidos
lelos meios que se quer adoptar, e creio mesmo que
o systema da venda de lenas ser um embaraco
constante.
S. Exc, deve necessariamcnle ter sabido do qae
grato, e que pareca nao se prestar do modo algum ao
menor melhoramenlo. Quando o grande,ou peque-
no agricultor brasileiro, depois de ter esgotado as
torcas productivas do lerreno que possue, souber qtie
o governo em recompensa de seas grandes esforcos
o ha de premiar, accrescenlando o sen patrimonio
territorial, sem duvida red obrar,! de actividade, e
empregar com gosto lodos os seus esforcos para cha-
mar ds suas Ierras bracos eslrangeiros ou nacionaes,
que o aiudem a explorar as riquezas que ellas con-
ten : isto entendo eu mas mandar vir colonos ou
promover a emigraran por meio de venda das Ier-
ras me parece que pelo menos as circumslaocias
actuaes nao produzira efleilo algum. O colono es-
Irangeiro qaer vir de sua Ierra com lodos os com-
raodos ; parece que faz muito grande favor ao Bra-
sil em vir habila-lo, por isso quer qae se lhe pague
a vonlade, que se I be d passagem, que se lhe d
Ierras, e lado o mais deque possa carecer.
Creio que o uobre ministro est intimamente con-
vencido de, que os grandes entraves que se tem susci-
tado ao governo do Brasil relativamente colonisa-
cao bao dado este resultado, isto he, ha reluctancia
quasi tenaz da paite dos individuos quepoderiam vir
como colonos, relactancia que torna necessario fa-
zer com que se Ibes compre a vontade. Neste caso
nao haver dinheiro no Brasil que chegue para com-
prar a vontade desses .colonos eslrangeiros. Tomo
a lembrar que falto da colonisacao ero grande escala,
porquesei muito bem qae nSo obstante todos esles
embarace* podem vir 100 colonos para aqui, 50
para acola, etc., etc.
Deraais, en enlendo que a colonisacao deve" ter
como accessorio indispensavel orna providencia que
ainda nao foi lembrada, e sem a qual ella d nada
absolutamente servir entre nos. Eu vi na provin-
cia de Pernambuco um faci singular. Havia urna
colonia denominada do.Catuc ; foi %lla estabeleci-
da com bons auspicios, e creio que o governo con-
correu com lodos os meios para constilui-la ; mas
sabe o nobre ministro o qae aconleceu ? Todos os
colonos abandonaram a colonia depois de lerem es-
tragado urna porc|o de matas, queimando-as para
fazer earvao, e foram estabelecer-se no Recita como
commercianlcs 1
He islo um fado verdadeiro, c eu posso apontar
alguns desses colonos pelos seos nomes que estSo fei-
lo negociantes. Ora, colonisacao desla maneira he
melhor nao a termos. Os colonos affluire inmedia-
tamente para as nossas pravas de commercio, enlen-
dendo, e com muita razao, que sabir a vender a re-
lalho pelas ras, ganhando 59 ou 69 por dia, he
rauito melhor negocio do que estar nos malos.
Vina Voz : He por isso que o -systema da ven-
da das Ierras he melhor
O Sr. Brandao : O dinheiro da Europa he mui-
lo diflicil vir para o Brasil, fique V. Exc.cerlo dislo,
para se empregar na compra de Ierras ; o nosso di-
nheiro sim he que lodo va para l...
Urna Voz : Nao v o que acontece nos Estados-
Unidos 1
O Sr. BrandUo : NSo argumentemos com os
Estados-Unidos ; all as cirgorostaucias sao- inteira-
mente diversas : he preciso que os nobres dcpnta-
dos se convencam que os colonos procuram os Esta-
d os- L11 i dos por motivos que nao se dao em r ctacao
ao Brasil.
Quero ver a execurlo da lei das Ierras, quero ver
o seu resultado, quero ver colonisacao sem ama me-
dida que acautele o mal que acabo de nponlar, para,
crer ; sou nesta parta como S. Thom. Tenho o per-
suasjo de que o s\ stema adoplado nao prodozir ef-
feito algara. O governo prtuguez colonisou o Bras 1
pelo systema enligo, e o colonisou muo bem.
O Sr. Octaviano: Colonisou-o obrigando os
seus subditos a virem para o Brasil ; mas nos nio
podemos obrigar os eslrangeiros a virem ao nosso
paiz
O Sr. Brandao : Esla engaado; oulros foram
os raeios;tarabera a Austria e a Russia lem consegui-
de resultados admiraveis por oulros melhodosque re-
puto preferiveis ao qae se quer adoptar, como j fiz
ver ; no cntanto em bem do meu paiz desejo viva-
mente que os esforcos do nobre ministro sejam coroa-
dos com resultados satisfactorios.
O Sr. Barbosa da Cunha: Mas as. colonias da
Russia foram estabelccidas por 11111 modo dillerente
daquelle que o nobre depulado diz.
O Sr. BrandUo : Seria hora que provasse isso.
Sr. presidente, a hora esta dada e eu nao devo
mais fatigar a cmara ; tenho feilo no meu discurso
diversos pedidos ao nobre ministro do imperio, por-
que entendo que S. Exc, animado como se acha do
nobre desejo de fazer realzar o seu nome, e de con-
correr para a grandeza e prosperidade do Brasil, os
nao desdenhar. Assim pois, coucluo, declarando
que rae considerarei feliz se no inleresse da nacao
forera pelo nobre ministro acolladas s observares
que acabo de apresentar-lhc. (Muito bem.)
Discursos pronunciados pelos Srs. Pinto de Cam-
pos e ministro da juttipa na sessUo de 12 do cor-
rente por occasiSo da discusso do orv-a-
menio.
U Sr. Pinto de Campo: A.cmara lem ouvl-
do nestes ltimos das vozes mui eloquentes em fa-
vor da educaro popular cm diversos ramos da in-
duslria humana; mas nao lendo ouvido urna s voz
em favor daquella educarlo que mais se liga com
os deslios da htimannladc, eu aproveito a "-occasio
para aveuluranalgumas observaces em favor dessa
educarlo por exrelleuca, cujo desenvolvimento
constilue o carcter de um povo civilisado e ehrisUo
(apaiadQn); ca Tallo, Sr. presidente, da edueacao re-
ligiosa.
Senhores I esse assumplo he de urna importancia
infinita ; he urna das primeiras necessidades da po-
ca em que vivemos, ou, como se explicava um dos
mais profundos pnlosophos do secuto XVII, he o
uuico segredo da reforma do mundo (apoiados);
porquanlo, os seulimentos e ideas que se bebem nos
primeiros dias da infancia sao de tal torca e consis-
tencia, qae jamis se exlinguem no santuario da al-
ma, e ordinariamente ronslilucm asopiniese cos-
tumes do liomem em todo o resto de sua vida ; por-
que o homcm, como diz o Espirito Santo, segu sem-
pre na velhice aquelle caminho qae eacelou na rao-
cidade.
Todo o governo que comprehender fielmente o de-
signio divino da civilisarao, c que pelo longo (raque-
jo dos negocios houver adquirido a f do segredo
impenelravcl das cousas humanas, ha de rccouheccr
infallivelmente o imperio das primeiras impresses
no corceo do liomem social ; ha de, emlim, reco-
nhecer a uecessidaile de promover a edueacao cm
seus diversos dcscuvolvimcnlos no scio das classes
populares.
Quero, Sr. presidente, houver compulsado a histo-
ria do mundo, e com especialidade a da Franca, nao
peder deixar de concoidar comigo ueste ponto. V.
Exc. c a cmara feasn melhor du que cu, que os
sophislas do ultimo secuto, quandu emprcheuderam
a rcnovacaoou deslruirao da sociedade, o seu primei-
ro cuidado foi atacar o edificio religioso, e apile-.
rar-se da edueacao ; porque s por esse mcio elles
poderiara levar avante seus pan ersos designios,Irans-
loi nando no coracao da juvenludc todas as noces
do justo e do honesto ; mas se mis contemplamos a
Franca uesse estado de desolaran social, entregue
aos furores da impedade em delirio, porque nao ha-
vemos de imitar esta mesma Franca em suu glorio-
sa rerelo, quando repara vaiitajosanienle lodos os
estragos do atheismo, invocando e reslabelecendo poi
loda a parte o ensino religioso ? Desla Franca, que
parece desuada pela Providencia, para comhizir o
P
esclarece o homem na pralica de seus deveres; he a
nas fonteajoras duehristianismo que se aprende a
conhecer atavio do pode, e jas obrigacoe, derivan-
do-a da vnntaoe do superno legislador e da ordem
immulavel pof eKp eslabeacida, sem a qual jamis
se poderia conceber o dogma sublime da obediencia
do homem ao homem. Ella ois^em divina do laco
que prende e une as sociedades lnananas nio esea-
pou ao sonso moral dos povos e legishdores da anli-
guidade pagaa ; mas era necessario que a revetsMto
viesse sancciona-la de modo mais explico a so-
lemne.
Mal deum paiz, Sr. presidenlc, onde a juveMude
n3o fosse preparada e fortalecida pelo balsamo da
f e dos costumes I Ella seria agitada a cada iro-
mi'Hln, como a dbil canna no deserto pelo sopro im-
petuoso de doctrinasavenlureiras e aute-sociaa, se-
ria fascinado pelos encantos de urna liberdade seduc-
tora, dessa liberdade que, por mal combinada com o8
principios do cliristianismo, seu verdadeiro alllado,
lem feilo mais victimas quo proselylos. E qoe ou-
tro puder senJo o da moral ser capaz de re-
primir, a licenra deimpor silencio s encapilladas
ondas da anarchia, de extinguir os odios e aa riva-
lidades, e de fazer que todos os annos se colliguem
era um s systema de amor e da nteresae pelo bem
publico 1
Senhores, uro eslado pode passar rr.ui bem sem a-
cademias e univerdades ; mas sem religiao, sem mo-
ral e sem costumes paros, nSo podera permanecer.
A sociedade vive de deveres, a supremajkl dos de-
veres he a religiao, logo sem religio naOTiasocieda-
de possivel. Mas falla-se na necessidade de cursos
de agricultura; e.louvando os bons desejos daquelles
qae a reclamam, dir-lhes-hei que os nossos primei-
ros pas, ao menos que me conste.nao esludaraui em
cursos scienliQcos a maneira de cultivar a Ierra (ri-
sadas) ; porm nem por islo deiiaram de colhersaaa-
pre fruelos abundantes ; e porque ? porque criara
sinceramente em Dos; pralieavam risra a sua lei e
preceilos; e se a geracao moderna seguir esses mes-
roos diclames, ha de tornar a Ierra obediente e d-
cil soa voz. Cuidemos, pois, em primeiro lugar,
em ditfcndir noseioda populacho os principios do
christianismo ; e he para este pouto importante que
eu chamusa allenrao do actual governo, que alias
tem dado provas de querer o bem do pas; sai mes-
mo que o governo medita reformas uteis, no sentido
de melhorar a sorte do clero, sem cuja intervencao
nao podera conseguir realisar um bom systema de e-
ducac&o ; rogarei, porlanto, ao mesmo governo, a
com especialidade 10 nobre ministro da jusllea, qae,
dando expansao aoseu reconhecido zelo pelo brilho
do culto religioso, nao consinla que esses projectos
de reforma fiquem occnllos na escura opile dos lam-
pos. Um clero pobre, sem a cdacacSo necessaria,
envolto no vilipendio e na decadencia, antes nao
existir, porque deste modo se achara inhabilitado de
realisar os beneficios que podia prestar ao estado.
Observarei ao nobre ministro, que 01 funcionarios
ecciesiaslicos estao rauito mal pagot; a sua indepen-
dencia vive comprometlida no exercicin de seas sa-
grados dev eres. A congrua dos cabidos, dos viga-
rios e dos coadjnclores he diminulissima ; nao hon-
ra mesmo nem A religiao nem nos poderes pblicos;
e qaanuo lodos os empregados das reparlicoes clvis,
teem lido augmenlos cousideraveis em seus ordena-
dos, desde os chema at o ultimo dos empregadas, he
doloroso quea congrua dos funcionarios ecciesiasli-
cos esteja como que estacionaria ; e quem sabe se as-
sim senao conservar al consummarao dos scu-
los Reclamo, pois, as vistas patritica; do nsbre
minislro, para este ponto imporlanlissimo.
OSr. Taques: Apoiado,
O Sr. Pinto de Campos : Invoco tambem o
auxilio de S. Exc. na fuudacao de um pequeo se-
minario em Pernambuco maneira do d Baha e
de Minas-Gcracs. Os pequeos seminarios teem sido
os viveiros donde a Franja lem lirado o seu clero,
segando um cscriplor ccclcsiailico daquelle paiz ;
cumpre pois que esse bello instituto se estanciera
tambem uo Brasil, ondea edueacao do clero tem sido
a mais incompleta irregular.
Stnhorcs,asleis solemnes quea igreja teta sanecio-
nado para instituir os pequeos seminarios, as rearas
qu haestabelecido sobre este objecto, o fado mesmo
de sua existencia, desde 01 primeiros scalos do chris-
tianismo, provam invcncivelmeule. a necessidade
desses estabeleciroenlos. Devo aeeraaeentar que os
homens de estado mais eminentes da Europa civili-
sada hao reconhecido a saa necessidade, necessidade
que he mesmo fondada na nalurtaa das cousas. To-
dos sabem quanto he conveniente formaros jovens
aspirantes ao sacerdocio nos hbitos ecciesiaslicos ;
preserva-tos, desde a saa primeira idade, dos peri-
gos do mundo e do escndalo dos costumes pblicos;
esludar nelles o germen de vocacao que por ventura
Dees lhes infundir, e imbu-los finalmente nos cstu-
dos proprios das funec.es que um di devem exer-
eer na sociedade.
J nos primeiros seculos da igreja floresciam as es-
colas clerieaes na Alejandra, na Hiponia, em Roma
e era todos os paizes calholicos. S. Leo-o-Grande
pareca suppor laes eslabelecimeDtos quando orde-
nava aos bispos d'A frica que nao admillissem ao sa-
cerdocio senao aquellos que houvessem passadu a.
saa mocidade nos excrcicios divinos e no Iraqucjo
de todas as disciplinas ecclesiaslicas. Depois das
pcTturbac&es dos seculos primitivos, diz o sabio Be-
nedicto XIV, emprehendeu-se erigir os seminarios
episcopaesem que, sob as vistas inmediatas dos bis-
pos, deviara ser educados os jovens clrigos at que
chegassem idade de receber as ordens sacras. Esla
fucsina doulrina he consagrada no canon j do con-
cilio de Nica, se bem me record.
Nos ordenamos, diz o concilio de Toledo, que os
meninos destinados a clericatura sejam educados na
casa da igreja ; e o concilio de Vaison foi ainda mais
longe, quando ordvnou que a casa de cada padre
fosse um pequeo seminaria de edueacao paraos as-
pirantes ao sacerdocio, e atteslava que era esse o
costume geral na Italia. O sexto concilio de Pars
tambera Icgislou nesle sentido, e o inmortal concilio
de Trcnto toicnUlo o raais terminante e explcito a
esle respeilo.
Chamo tambem a atlencao da cmara para um
perodo da luminosa inciclyca que o chefe supremo
do episcopado calholico, o aclual successor de S.
Pedro, dirigi a lodos os bispos da Europa : a Ve-
neraveis maos, diz o santo padre, routiuuai a des-
envolver loda a vossa actividade e toda a energa de
Vasto zelo pastoral cm favor da educaran dos jovens
clrigos ; fazei que por vossos cuidados elles bebam
desde a mais lenra idade, o goslo de una piedade fe-
liz ; que sejam iniciados nos cstudos das lellras e na
pralica das sanias disciplinas. Augmeulai quando
puderdeso numero de suas inslituires piedosas, col-
Incandu freule deltas directores c nie-lres zrlosns
e sabins, que preservem do contagio do erro a mi-
mosa porcao que lhes lio confiada, d
E para que, Sr. presidente, se 11.I0 diga que cu s
me prcvalcco do.lcsleraunho de autores ecclcsiastiros
pedrei de novo a cmara que ouca o que dizia um
anligo minislro de inslrucclo publica da Franca, de-
vendo observar que esse ministro he protestante, he
o Sr. Guizol : Em entras pocas, quando as eren-
cas religiosas erara raais geraes e mui poderosas ;
quando as razies mundanas que convidara a entrar
na carreira ecclesiaslica erara lambem poderosfs ;
quando essa carreira abria camiuho afortuna, ao po-
der, as honras, comprehendo pcrfeilameHle qne se
nao tivesse necessidade de esrolas ecclesiaslicas pre-
paratorias comprehendo perfeitameule que o clero
fosse lirado das escolas paMfeaa, da educaran rom-
r
i
i
V

\
'ftft A


*c
.,. .m
01 ARIO DE PERNAMBUCO SABBAGO 8 DE JULHO DE 1854.
^
mum. c cnlao sob lacscondiccs sncacs, fossc muito
incllior nio s para a sociedade como para o mes-
mo clero, (pie as escolas publicas fosscm as suas es-
colas preparatorias, e que Bofiott fosse educado ao
lado do grande Conde : sim, lo compreliendo cu
iiur ,i\ illi i- un.mii.'. anda o repilo; mas compelien-
do em un oslado de sociedadc BU que as crencas
religiosas crain mu geraes e poderosas ; cm que fi-
ualnionlc B9H cu reir era brilhanle, c allrabia um
grande numero de aspirantes. Mas hoje. senhores,
nola*i beni, as circmslancias sao diversas : de um
lado, o imperio das crencas religiosas se lera prodi-
giosamente enfraquecido ; de outro lado, os motivo*
de fortuna c de poder que oulr'ora attraliiam os es-
pirito* carreira ecclesiaslica, no existen) mais ; de
sortc que nem as cuns'nleraces nioraes, nena as cn-
sidcraraies mundanas se encontram mais na socieda1-
de. No entanto, senhores, o imperio das crencas
religiosas nao lie menos necessario boje que ero
outros lempos ; nao liesiUrci mesmo em dyter que
elle lie mais necessario boje que nunca ; necessario
para rcslabeleccr nao somentc na sociedade, como
no fundo dos espirilos, a ordem e a paz, lio profun-
damente abaladas.
Es-aqui, scnliorcs, como se exprima o grande
publicista da Europa ; o quadro qoe Me fv*a da
1''rain i be quasi scmclhante ao nosso estad* actual,
romo o Sr. Guzol, pensava M. Girarlo em 1837:
O estado nao pode prescindir da educara do
clero, dizia elle, porque no pode prescindir dos
padres, a No entanto parece 1ue no Brasil se
prescinde delles mu ptimamente l ( AMo apata-
do* ).
Conclu re este periodo com as palavras de M.
Thiers em 1844 : Comprehcnde-se fcilmente
que urna fdnecao Uo especial na sociedade, como
do sacerdote, eiige urna educacao tambem espe-
cial ; dar esse um se inslituiram os pequeos se-
minarios, de cujo inslitnlo tcm a Franca colhido os
niaiores beneficios,
Agora, Sr.' presidente, cliamarei anda a alleu-
rJV do nobre ministro para outro ponto nao menos
importante. Espero me S. Ex. e a cmara conti-
nuaran a liourar-me com a sna benevolencia.
Manifestando o governo imperial aos mais at-
ilentes desejos de promover a moralidade do clero,
liihcz nio tenlia anda reflcclido que na apresenla-
jao dos beneficios ecclesiasticos elle pode obler
mo dos meios mais efllcazes para realisar a reforma
que pretende.
Infelizmente, Sr. presidente, o concurso ios be-
neficios ecclesiasticos se ha convcrlidc*> m um vasto
campo de balalha, oudc os concurrentes, com o
triste cortejo da simona, da fraude e da calumnia,
de qoe muilas vezes be orgao a imprensa peridi-
ca, debatem-se morlalmenle, /epcrculiiulo os seus
golpes na pessoa do proprio prelado. Ora, se o go-
>erno imperial, despredendo-se da imporlanidadu
dos einpcnhos, tivesse mais confianca no juizo c
criterio So prelado diocesano, que se presume, no
sentir de 9. Tliomaz, o mais conbecedor que nin-
guem do merecimento o habilitaces dos candida-
tos, e o mais interessado na esculla de sens coope-
radores ; ou se na oceurrencia de qualquer duvida
mi aecusacoes contra o primeira proposlo se dig-
nasso de ouvir novamente o mesmo prelado cerca
de (aes emergencias, creio que'daria assim mais
forra e considerarlo ao -episcopado, e se diminui-
riain em grande parte esses manejos indignos a que
muitos recorrem para sorprender ou illaquear a
boa f do governo, prelerindo-se o mais digno em
favor do segnndo oa lerceiro, que, nao raro, an-
da mesmo antes de entrar na proposta, escudado
talvez na proteccjlo de algum presidente ou de
qualquer outra poleslade indfferenle ao bom ou
nio governo da igreja, jn blasona publicamente
que ha de ser escolhido, e que o nico favor que
o hispo lhe pode fazer he incloi-lo na lista trplice :
tal he a confianca que deposita nos milagres da
proteccao I
Senhores, eu estou mnilo convencido de que o
soberano padroeiro .pode indubilavclmcnte, quan-
to ao fura externo, a presentar qualquer dos pro-
postns ; n3o Ibe contesto esse direito ; mas me
parece a niiin qne no foro da conscienca elle deva
escolhf r o mais digno ; c o mais digno sempre s
lleve suppor o que vai proposto em primeiro lugar,
salvo alguns casos extraordinarios em que o mesmo
governo, depois de ulteriores e imparriaes infor-
mares," como j ponderei, pode cerlf|car-se de
que lionvc nnnano da parto do prelado., l'or con-
sognnte, Sr presidente, eu farei votos de boje cm
liante para qne este negocio tenha outra marcha,
evlando-se assim que os prelados fiquem exposlos
ao ludibrio de seus subordinados, perdondo aquella
Tore^i moral que he tao necessaria a quem governa.
(Apoiado.)
Em summa, sendo os beneficios ecclesiasticos no
Brasil o nico meio de subsistencia do clero, e
porlanto o principal objecto de sua ainluc.ii). toda
e gualqucr medida que, segnndo o espirito dos
caones for adoptada no sentido de afTastar-sc
Iier da proposta dos bispos (que nem sempre lam-
em acerlam ), quer da apresenlacao do governo,
os candidatos menos dianos, lera a mais saudavel
e opporlnna, porque simiente assim se pora termo
a esse deploravel patronato, oanles simona de
empenhos, que um dos concilios de Millo, cele-
brado por S. Carlos Borromeu, manilava punir
com inhabildade para os beneficios por lempo de
dous annos, e que segundo os orculos do Evan-
gelho, os faz subir pela jmila em vez de entrarem
pela porta.
Rcsumindo pois, Sr.,>residenlc, ludo quanto bei
expendido, dobrarei asimilas supplicas para com
o nobre ministro da Justina, pedindo Ibe mui cor-
dalmante que se digne de considerar estas minhas
toscas observarnos, allcndendo mais qoe tudo a
. serle do clero brasileiro : S. Ex., que tantos loo-
ros lera colhido por ua boa administrado (apoia-
dos), alo drizar de unir mais um florao i sua
biilliante cora cvica, promovendo o mrlhoramen-
to da pobre rlasscsacerdolal, que nao se esquecern
em aeuaEcrifirios"de rezar sempre nina Ace-Maria
pelos futuros deslinos do nobre ministro. ( Hila-
rhlade. {
Tozei : Muilo bcm.
O Sr. Sabuco ( ministro da juntica ) : Sr.
presidente, agradecendo profundamente as expres-
s&es com qne o nobre deputado que acaba de fallar
me honroii, nio posso deixar de ter na maior con-
sideracao ns observares que elle fez a respeilo do
ornamento dos negocios da juslica : entendo toda-
va que nao pode passar desapercehida urna pro-
posi$o que o nobre deputado avenlurou quando
roncluo o sea discurso. Segundo o nobre deputa-
do, a cenia deve escolhcr sempre o individuo que
em primeiro lugar for proposlo pelo poder ecclesi-
aslico; assim, senliores, o direito do apreseula-
riio que compete 'torda fieara nullificado........
(Apoiadot.) i'll
O Sr. Pinto de'a^npot: Nao tva em vista
semelhaote principi.
O Sr. Ministro da justira : Scnliorcs, o go-
verno considera igualmente dignos a lodos aquel-
es que sao proposlos pelo poder ecclesiaslico (apoi-
ados), e porlanto escolhendo o governo o segun-
do ou o lerceiro, nao menoscaba em nada o direi-
to do prelado, porque elle nao propOe senio os
mais dignos (anotados), porque s os mais dignos
deve elle propor, conforme o Concilio d Trcuto,
que rege esta materia. .
O nobre diputado abundoo, e abundou eloquen-
Icmenle, sobro a necessidade da educacao do cle-
ro ; o governo reconhecc essa necessidade, e eu o
disse no rclatoro ; tenho mesmo como cerlo que
hoje, para assim dizer, he mais sentida a necessi-
dado da educacao do clero qne da Uuslracao ; a
palavra nada vale no animo do povo sem o exem-
plo ; he s<. quando a palavra he confirmada pelo
exemplo que o clero pode adquirir prestigio e ser
ouvido (apoiadot); assim que nns missonarios ca-
puiliiiiliiis valem ludo, por exemplo, gozam de
grande prestigio, e cites nao sao mais Ilustrados
que os nossos padres.
O pequeo seminario da Babia, qne o nobre de-
putado quer que se insltua em Pernambuco, nao
me parece all necessario, porque no seminario de
Pernambuco exislem as mesmas. se nao
Balauro dareceita e despeza da obra do hospital Pedro II, verificado de maio de
18W, a 30 de junho de 1854.
Recorta.
Kccebi da Ihesouraria provincial, im-
portancia das quolas votadas pelas lcis
de orramenlos, desde 23 de maio de
tsi, al 22 de maio de 1854. .69:0005000
Do baraode Heberibe, importancia do
saldo da subscripcao promovida na cor-
te, em beneficio das viiivas o lilbos dos .
que morreram nesla cidade cm defeza
dn ordem ; cujtrialdo segundo o pare-
cer da commissao que proraoveu a refe-
rida subscripcao, e ordons da presiden-
cia foi applicado para a construyo do
referido hospital........8:0805000
Ue Jos Carnero da Cunha, impor-
tancia duenda da otaria por elle oceu-
pada .......... 50&500
De AotDnio arncro da Cuuha, im-
porte da es ni 11 por elle dada para a
predilaebra.......... 10*000
Do sca das carnes verdes, impor-
lancia de mullas correspondentes a l:iil
rezes na forma do respectivo contrato. 13:0560200
Despeo.
Ilispendido com a compra do nm ter-
reno e urna olaria, qne lem do ser de-
molida, por passar por ella o hospital
I'eilro II.....,.....3:2000800
Jdcm com a cantara vlnda de Lisboa
para o prtico do mesmo. .
dem dem de 1,169:79* lijlos do al-
venaria ele..........
dem idem do 12:,i97 tellias .
dem idem de 261 palmos.do lelliocs
a 500 rs...........
dem idem de 221 canoas do cal
om 31:921 alquercs.......
dem idem de 7:745 canoas da arcia.
dem idem de madeiras. ....
dem dem de soleiras e conloes de
pedra............
dem com o pagamento de jornaes aos
obreiros c srvenles.......34:12626l
dem de despezas diversas. 1:681! 15
2:5169180
18:5969043
3759142
1309500
0:99370
8:7729360
4*6399406
7579950
84:30l9fil6
90:6869700
Por saldo em ca xa a saber:
Berilios por adaulamenlo
paramateriaes 1:3609000
Diiihciro.......5:0259681
6:38596Si
90:6869700
obseuvaC-oes.
Nos S1;30I90I6 rs., cm que mporlou a despeza, es*Ci incluida a quanlia de 1:2359080, que se dispen-
deu com a faclura de quarlos para loucos no hospital de caridade, segundo as ordens da presidencia ;
pelo qiiededuziiido-se esta daquella quantia, fica a despeza sendo de 83:0639936 rs.
Os lijlos empresarios na obra do hospital Pedro II, custaram pelo termo medio, a 159899 rs. o rai-
lhciro, a telha a 309017, a cal a 295 o alqueire e a arcia a 19132 rs. a canoa.
Adminislracao geral dos eslabelccimenlos de caridade 6 de julho de 1854.
O eserivao,
Antonio Jote Gome* do Corrcio.
Producto das mullas impostas a diversas pessoas por
infraeces dn regulamenlo das capitanas, durante
o trimestre fiudu no ultimo de junho prximo pas-
sado.
A saber :
Abril..........629000
Maio..........629000
O (hesoureiro,
Jos Pire* Ferreira.
CABTA III DO AMIGO JULIO AO AMIGO
JULIANO.
jno '.'.'.'.'.'.'.'.' %S(Z\SMXm0--ArMa-*VontcdondfcAcheia
do* beneficio*A gue*tao do patacho Arrogante
Somma rs.
1609000
Produelo dos sellos provenientes dos documentos da-
dos pela capitana do porto, no trimestre lindo no
ultimo de junho prximo passado.
A saber:
Abril..........1389610
Maio..........989050
Junho ..........803160
Somma rs.
3169820
Resumo do que se fez no trimestre em junho lin-
do relativamente s obras do mclhoraincnto do
porlo.
Diqne da ilha do Nogncira.
Fizeram-se 61 brabas de estacada, sendo 41 enta-
boadas, e 14,800 palmos cbicos de muralha sccra,
ou 32 bracas crrenlos de base na altura de tres
palmos.
Ces do norte.
Fizeram-se 34 bracas de estacada, das qoaes 20
entaboaram-sc, e 15,423 palmos cbicos de muralha
de alvenaria c cantara, ou 13 brocas correles de
caes completo. '
Caldeta do norte.
Fizeram-se 14 braces de estacada cnlahoadas. e
5,515 palmos cbicos de muralha de alvenaria, ou 4
bracas correles de ces completo.
Arrecifes.
Fizeram-se 3,645 palmos cbicos de muralha de al-
venaria argamassada de cemento, ou 13 bracas .cr-
ranles da parle exterior da mesma muralha.
4 Escavacao.
Continuou-se a escavar o canal ao sul do ancora-
douroda descarga, tirando-so 11,448 toneladas de
areia para aterios, c 368 ditas para lastro de navios.
Empregaram-se ncslas obras 150 a 200 operarios.
Secretaria da inspcrco do arsenal de marnha de
Pernambuco 7 de julho de 1854. O secretario,
Rodrigue*.
preciosos dias para bcm di diocese qne llie fora
confiada, e para abrigo da ;rcy guo tilo cordiah c
amorosamente apascenta.M. C.
(0,MI MUDOS.
mais ca-
deiras do que exislem nos seminarios grande e pe-
queo da Babia; c porlanto os desejos do nobre
deputado a esse respeito estaosalisfeilos.
Par animar a vocacao do clero, c torna-la dese-
jada, eu disse no meu relalorio que era preciso
dar-lhe lustro e interesses, cerca-la de honras c de
. vanlagcns; no senado pende um projeclo que nes-
la augusln cmara passou, creando duas facilidades
de llieologia. Esta medida deve concorrer muilo
para o realce e emularan do clero. Keconhcco
' tambem como o nobre deputado que sao mesqui-
w nhos as congruas dos beneficios ecclesiaslicos; quan-
to aos conegos dos cabidos do imperio, entendo que
por agora ceisvem que sejam igualadas as suas rnn-
gras s que vencem os conegos da S do Mara-
nhao e S. Paulo ; quanto aos proclios, o nosso es-
lado linancciro nao pcrmitle que nesla sessao se-
jam elevadas as suas congruas, as qoaes alias de-
ven ser fixadas em um projeclo proprio, e nao na
Ici do orcamenlo. Assim me parece ler satisfcilo
ao nobre deputado por Pernambuco.
PERMNBICO.
REPARTICAO DA POLICA,
Parte do da 7 de julho.
Illm. e Eim. Sr.Participo a V. Exc. que, das
partes boje recebidas nesla rcparlicao, consta te-
rem sido presos : i minha ordem, o pardo Ctldido,
e-cravo do major da guarda nacional Amcrico Jan-
sen Telles da Silva Lobo Jnior, para aYcrigua^cs
policiaes ; a ordem do subdelegado da freguezia de
S. Anlonio.o prelo Alexaiidrc, escravo de Antonio
Gonralves Kerrcira, por andar fgido, e a preta Jn-
sppha Maria, por acoular escravos em sua casa ; c ;i
ordem do subdelegado da freguezia de S. Jos, Cac-
lano de Souza Monteiru, por hriga.
Dos guarde a V. Exc. Secretaria da polica de-
Pernambuco 7 de julho de 1854.Illm. e Exm.Sr.
conselheiro Jos Benlo da Cunha e Kgueircdo, pre-
sidente da provincia.Luiz Carlt* de Paita Tei-
:reira, chefe de noliria da provincia.
L
CABIDADE EVANGLICA DE UM PASTOK.
Nao sendo os cultos entre nos os multplices actos
de philanlropia c caridade praticados pRlo.JKxm. Sr.
bispo I). Joau da 1'urificac.lo Marques.-P?riigao, des-
de que a providencia de um lieos'"omnisciente ap-
prouve chama-lo para apasreinTas ovelhasdo apris-
co pernambucano; nao obslaubj a convic^ao deque
lodos se mli.un possuidos de sua veracidade, con-
vem todava que aceces tao benficas nao sejam se-
pultadas cm um completo fjvido, privando-se des-
t'artoii |ius(eci/.idc'l( conlrStimonlo de actos gran-
diosos que sao superiores a todo o elogio.
O nosso digno anlstcle datado d um corceo pie-
doso, de um natural complcente e benvolo, nao
pode resistir ao desempenbo.daquelles feilos heroi-
cos proprios de sua ndole. Nao entramos aqu na
analyse de muilos actos philanlropicosque o virtuo-
so prelado lem, e anda se prodigalisar aos seus
diocesanos, o com mais fervor q zelo para com o
cullo divino; o nosso anhelo hesomenle memorar,
sem ofiendcr levemente a-modestia de S. Exc. Rvm.
a maneira bondadosa, o modo caricioso porque este
piedoso pastor soube consolar aquellas ovelhas que,
vexadas pelos flagellosde urna inniindarao lerrivel,
e vendo o imminente perigo que ella Ihes amencava,
corriam ao seu asylo, e Imploravam a munificencia
pastoral.
I felicito, quando S. Exc. Rvm. se achava, em
virlude de seus padecimemos phisicos, fruindo o ar
campestre (lugar do Caldeireiro) quando elle pro-
curava o silencio, e repouso para mitigar as fadigas
da ardua tarefa do sen alio ministerio; he nessa
mesma occasiao que com a mais pungente dor escu-
tava, nos nefastos dias 22 e 23 do sempre lembrido
junho, a voz afilela, solucos ineessantes, e.carpidos
dolorosos de um povo que promiscuamente fuga
aterrado, porque engrnssando-se o rio pelas coprosas
chuvas, Iranspunha suas bordas, c afagava lodo o
terreno da circumvizinhanc.a do Poro da Pauella e
Casa-I-orle: sendo niaior o susto e pavor quando
va que sibilando o vento, seus furaces horriveis
desabavam edificios, arrasavam as suas casas e hu-
mildes chocas.
He nesse ensejo tao urgente que a caridade evan-
glica de umverdadeiro pastor, sobre sabe com loda
energa. O nosso virtuoso diocesano palenleia so-
bremauera o amor, compaixao c docilidado que
lano o caraclerisam.
As portas da casa de soa residencia immddiala-
raenlc se franqueiam para recolher aqueltes infeli-
ces, que viam o seu todo destruido c levado pelas fu-
riosas corren tes do Capibaribe; seus bracos se abrem,
sua mao se cstende, sua vontade se augmenta, seu
desejo se inflama e sua caridade penetra de promplo
aos consternados. A lodos consola e a lodos minis-
tra as uecessarias provises, r llegando a ser o numero
de 52 pessoas desvalidas que se achavam acolhidas,
e manlidas as expensas daquelle Uo benvolo e ca-
ridaeo pastor; alm dos soccorros pecuniarios que
liberalmente prodigaliseu a militas pessoas daquelles
ararbaldes-, sendo que duranle essa dolorosa con-
junctura, nenhuma deltas conheceu falla de hospi-
lalidade e nutri^ao. Kasgo sem duvida de um co-
raco bem formado!! Poile-sc, sem receio, dizer
quo S. Exc Rvm. foi o santelmo daquelle povo que
gema sob o peso de sua extrema mizeria. Mil lou-
vores sejam dados ao venerando Amstele Pernam-
bucano que solicito como he, ha sempre procurado o
remedio e alivio para os seus dipcesanos, e anda
com mais efficacia promovido o esplendor do culto
divino, como recenlemenle araba de dar exhube-
ranlis provas de dedicarlo e zelo aos negocios do
seu episcopado. Se cile conhece a carencia de
nicios para coiiliuuar-sc a capclla do rcmilcrio pu-
blico, espontneamente oflerece a quantia de 1:0009
a beneficio da mesma. Este rasgo de heroicidade be
justamente urna resalva para a irmandade do apost-
lo S. Pedro, e porquanto nao podendo ella, pelas
despezas extraordinarias que pezavam sobre seus co-
fres, j da compra de terreno, o j na edificaclo
de catacumbas naquclle reSelo morluafio, dispeu-
der quantia alguma para coadjuva(o daquella ca-
pella, vio.,na bondade do seu provcdor.e chefe do
clero, o Exm. diocesano salisfeilas suas iulences. e
correspondidos os desejos do Exm. Sr. presidente da
provincia, com' a ofierla que elle liberalincnlc fez.
Se a freguezia de S. Jos reclama, e he de urna ne-
cessidade palpitante a inaugurarlo de um templo
que. sirva para sua matriz; o piedoso prelado nao se
demora na compra d um snflicienle terreno, e del-
le faz doacao para tao justo fim; alm de oolras
avulladassommas que lem incessantemenle appli-
cado para seu prugresso e adianlamento.
|ici\amo- de tocar cm mutas.oulras aeros heroi-
cas, actos deh eneficencia e caridade com que este ver-
dadeiro pastor se ha sempre distinguido c dado as
mais vivas deniouslrares de amor aos seus dioresa-
nos, dedicacao e aferr ao seu alto ministerio.
Aquellos predicados que o apostlo das gentes acn-
seiba seren iuilispensaveis. ao carcter episcopal
como se evidencia da cloqucnle epstola dirigida ao
seu discpulo Tilum; quando diz que a um bispo
con vira ser isento de toda a accusicao como dispen-
seiro dos Ihesouros de Dos, que nao sejo soberbo,
irascivel, percussor, nem ambicioso... oporlel enim
episcopum *ine rrimine e.**e, sicul l)ei dispensa-
torem, non *uperbum. non iracwndnm....ran* sim
ser huspilalciro, allavcl, sobrio, justo...; sed hospi-
lalem, benignum, sobrium, jtislum.... estes allribu-
tosque foriuam por cerlo, a dgnidade episcopal, vi
mus brilhar n.io diremos plciiaineiite, porque si
lieos possue loda perfeicao; porm quanto he neces-
sario apreciar no a-pecio de S. Exc. Kvm., c com
mais fulgor em seus actos. Seu coracao bemfazcjo
a loda a preta, sen genio hospilalciro, suas inlcn-
ees sempre propensas ao bem o ao justo; sua rec-
lidaou caridade, ludo lonslilue o padrao glorioso do
umpaslor carinboso de um prelado imniinenie. Lou-
vores c encomios, anda repetmos, sejam dados ao
venerando e' virtuoso bispo de Pernambuco, qne
sempre lem dado as mais irrefragaveis provas de
zelo, solirtude e amor para com os seus diocesanos
c a cuja egide, riles tem sempre encontrado refrige-
rio c consolaran. O sapremo pai das misericordias
queira (nos o suppliramos espargir sobre 1.1o cari-
doso pastor, suas beiicans. e eouservsr-lhe os seus
Urna herona turcaMr. Jacotes AragoVm
proce**o entre Alexandre Outnat a viuca Batzac
A. Duina* e um artitta recrutadoOa romances
a vapor de Mr. A. Pumas
Recife 7 de julho' do 1854.
Amigo Juliano.He muito natural qoe principie
esta carta fallando-le dnaeonterimentoque tanta im-
pressao lem causado nesla cidade, e que anda he o
assumpto de todas as conversacesa cheia
Quando em 22 do passado, eu le dcscrevia o estado
actual do pobre povo de Sinope, nial pensava que
empouco, urna parte da nossa popularSo licaria lam-
bemsem abrigo, sollrendo. nao os estragos da guer-
ra, mas sim as cousequencias irremediaveis d'uma
innundacao!
Julgo desnecessario narrar-lc as circmslancias
desta catastrophc, pois os jornaes j se teem oceupa-
do com isso. Apenas direi que nao me consta que
cnslasse a vida a inuilas pessoas nos arrabaldcs desla
cidade.
Conla-se que urna criancnha que dorma trnnqnil-
lamenle no seu berco. foi sorprendida pelo Capiba-
ribe, e, qual outro Moiss as aguas do Nilo, boiou
no rio por grande distancia al que o seu barco im-
provisado cncalhou junto ponte da Bo3-Visla, onde
.foi apaninla e depositada na casa dos exposlos,
d'onde, segundo dzem, seus allliclns pais ja a foram
lirar.Nao afllancoa veracidade deste fado, que me
parece um pouco bblico.
A cheia cansou bstanle estrago na ponte do Be-
cfeEsta ponle j ha muitos annos que padece de
urna enfermidade chronica que cada (lia se vai agra-
vando mas< Senertus esl morbu* n (a vclhfce he
docncaj, diz a arle latina, e a dncuc,a da nossa ponte
he ser muito velha, e quem scacha no ultimo quar-
tcl da vida nao est disposto a aguentar repurlio*.
Porlanto, no da 23 do passado, quando a agua cor-
ra com mais forc., a ponle leve um ataque apopl-
tico que ameacou ser mortal, e a polica por cautela
prohibi totalmente a passagem entre o bairro do
Becife e o resto da cidade. Felizmente a nossa ve-
lha camarada anda nao se foi deesa, egracas aos cui-
dados dos facultativos, que Ibe prescreveram socego
e descamo, foi passando menos mal; mas na semana
seguinlc repeliram-sc os alaques com alguma fre-
quencia, anda que com menos forraComlndo ago-
ra prometi aluda alguma duracao, em conscqueii-
cia de urna calapla*ma emoliente que lhe applicarnm
na parle molesta.Dos queira que v vivendo at
haver nutra que a substitua
Para te dar urna idea de quanto o espirito de espe-
culado se lem desenvolvido entre nos, dir-le-hci,
que no principio da enfermidade da ponle, appare-
ceram botes que faziam a caridade de conduzir gen-
io entre os dous bairros pelo mdico prei;o de oms
mil ris cada pessoa!Felizmente o governo achou a
quantia exorbitante o obrigou-os>a recebar smculc
guarenta ris.
A la caria de 28 do mez passado me Iranquillisou
a lea rc3pe*ilo, nssegurando-me que pouco tinbas
sulli ido com as ultimas chuvasDizes-me porm que
muilos eugenhos perderam as suas safras, c, na la
opiniao issohedevido imprudencia dosagrievllores,
que lembrando-se smenle dos anuos de seca, procu-
rare os lugares baxos para plantarem as suas caimas
Parece-me que d'aqui em diante heves** o exeesso
contrario e os nossos senhores de cngetiho, zunindo-
Ihc aioda aos ouvidos a palavra cheia, farao as suas
plantarles nns mais altos oiteiros e algc-is al lamen-
larao que na nossa provincia nao lenhamos monta-
nhas tao elevadas como os pillearos nevados do Chim-
bora/o mi do Himalaya, para l plantarem as suas
caimas, que de cerlo nao correriam risco de ficarcm
suhmergidas.
Antes da cheia oVagua, tivemos urna cheia de be-
neficios, que anda nao acabou completamenteHa
pouco um correspondente do /. L. Seus dizia que
urna paite da populacho musical de Pars eslava era-
pregando toda a sua destreza e aclvidade para passar
bilbetes de concert*, emquanto outros se serviam de
todas as astucias e estrategias para nao aceitar os di-
tosPosso dizer que entre nos se passou quasf o mes-
mo em pequea escalallavera um mez que presen-
ciei m pbenomenu curiosoAchava-me n'um dos
lugares mais frrqucntados do bairro dn Becife, que,
como era dia de trabalho, aprcscnlava urna apparen-
cia animada.De repente observei um movimcnlo
eslranhn as pessoas prsenlesalguns reliravam-se
apressadame.nle pelos beccos vizinhosoulros escon-
diam-se as tojas mais proxim*, e poucos conserva-
ram as suas anligas posi^esEmquanto cu procu-i
raya indagar qual era esse perigo imaginario, descu-
br urna nympha de figura vaporosa, qne, acompa-
nhada por um marmanjo com geitos de Triln. diri-
ga comprimentos i dircita e esquerdaApproxi-
mando-mc conheci que o tal iuinigo commum era
urna dansarina do tbealro de S. Isabel que procurava
passar bilheles para o seu beneficio, c as rcsposlas
!ue recebia dos poucos que a tiuham esperado p
rjine, quasi sempre cansisliam em desculpas imagi-
nadas com mais ou menos habilidaileEmquanto ao
lal Trilao reconber nellc urna capacidade bem cele-
bre, que nao empuuha iri agulha.
A qucslao do patacho Arrogante tem continuado
com bastante acrimonia^nas lie excusado ocrupar-
me com este negocio, que se lem tornado tao ridi-
culo o sem sabor como a celebre quesian dos paio*
e cltouricos, que ameacou perturbar a boa harmona
que lem reinado ha lautos anuos entre o Brasil c
Portugal. Cora tudo ha pouco deu-se um episodio
engrarado, o qual nao devo passar em silencio.
A celebre rcpresenlacao de 1068 assignaturas que
os Portuguezcs aqu residentes dirigirn) ao seu go-
verno pedindo a demissao do cnsul, foi remollla
a este pelo mesmo governo, para informar sobre
ella. Este com urna rommissao de lOseusaflei-
coados, proceden a um examc dds assignaturas, cu-
jo termo foi publicado esta semana nos jornaes
d aquA tal commissao, dividindn os nomos pelas
profligue*, encontrn, entro um numero soffrivel de
negociantes, proprelarios, logislas c caixeiros, os
seguimos individuos que qualilicou como se segu:
1 alienado, 1 ceg, 24 fallidos em differentes ramos
de commercio, 2 fgidos, 5 morios, 3 reos de poli-
ca, 9 cadio* e sem emprego conhecido &c. 'e.
Como norial termo nao se indicara nomos, mas s
vem o resumo dos dillcreulcs ollicios, parece que os
assiguatarios da repiesentacao estilo escollicndo en-
tre estas carapuras, mas ou menos lsongeras.aquel-
las qne Ihes serven!, e j tem apparecido varios an
nuncios a esse respeilo.
Porm j tenho fallado bastante sobre o interior
e he lempo de dizer alguma cou
Ha bastantes mezes que diariamente chegam a
Coiistantinopla tropas regulares e irregulares, que
viada da Turqua asitica scgueni para o dauubio,
a rciinrem-sc ao exerrto d'Omei Pacb. Comtudo
iillini.iiiienle cansou bastante scnsaciTo a rhegada de
urna mullier em traje militar, que frente de Ire-
zentoscavalleiros Kurdos, alravessou as ras da ci-
liado. O seu iiome he Kara Fatima Hanoun, e veio
das montanhas da Cilicio, no Kurdislan, onde he
chefe de nina importante tribu, que tambem a con-
sidera como propbeMEsses povos, que habitara
una grande parte da Turqua asitica, mal rccoiihe-
cem a autoridade do SullSo, e, vivendo quasi inde-
pendentes. s saliem das suas montanhas quando
julgam o Islamismo en perigo.
Parece comlndo que esta iiova Padcira d'AIjuba-
nolj. leve nutro motivo, alm do amor da patria,
que a impellio a esla perifesa empresaDitem que
sem marido est encarcerado ha anuos cm urna pr-
sao da ilha de Canda, (naturalmente por algumas
boas obras que fez)ccomolim de alcaucar a sua
liberdade, que ella ja ten) pedido infructuosamente,
a herona vai reforrar as hosles do sultn com Irc-
zenlos dos seus nicllioresguerreiros.
Esta Joanna d'arc turra percorreu as ras de Cons-
taiilinopla montada a cavallo ao Diodo masculino
Ella he belfa e magra c moslra ler sllenla anuos
lo,id.menleera o Bobo da Corte de Kara Fatima,
que acompanhava sua soberana ao combale.
Seguudu arabo de ler em um jornal, Mr. .rncqnes
Arago, ir mao do celebre astrnomo fallecido ha pou-
co, a'iinuiiido a um pedido do nos-so Imperador,
aprompla-se para vir outra vez ao Brasil, quede
cerlo acolhcr benignamcnle o Ilustre viajante, que
apeznr de ceg, conliuaa cultivar as lottras, 'e que
tem dado provas de amar o nosso paiz. \
ltimamente houve em Pars um processo bem
iiileressanle entre a viuva do Balzac e Alexandre
Dumas. Esle, adiando que o tmulo do seu fal-
lecido coiifrere era de proporcocs mcsquinhas e iiv
digno da'jnjnoria d'aquelle escriplor, mctleumaos
i id.ia, e por meio do seu jornal Le mousguetarc
fez esforcos para organisar um concert e obler subs-
ci'ipces para a i-on-lim rao de um tmulo para o
celebre Romancista, mostrando desse modo mais zelo
do que delicadeza. A viuva Balzac declaren pelos
jornaes que ella liona a intcnc,,lo e meos de fazer a
obra projeclada c prohibi a Mr. Dumas ou a outro
qualquer que inlcrferissc cm lal empreza, que para
ella era um dever. A. Dnmas insisti ne seu pla-
no, mas as-ev erando, como emenda ao projeto ori-
ginal, que elle nao quera dar um tmulo a Bal-
zac, mas sim erigir um monumento a sua memoria
em qualquer lugar que asua viuva escolhcsse. Co-
mo Madama Balzac anda recusasse esla proposiro,
instauroo-sc um processo, e leudo os juizes decidi-
do contra ella, o concert leve lugar e foi muilo
concorrdo.
Ha anda outro caso mais recente, em que Alexan-
dre Dumas f.-ii o hroe, que moslra ahondada do seu
coracao. O jovtncj bem ronherdo compositor Len
Kegncr.'no ultimo recrulamenlo lirn um numero
infeliz, c era obrigado a sentar prora. A. Domas,
cujas sympalhias artsticas o levaram a ir visitar o
joven recruta, ficou comraovido, e immedialamen
te prometteu arranjar o negocio de um modo satis-
factorio.
Foi dito, e feito. Urna subscripcao foi aberta no
cscriptorio do Mousquetairc. Mr. Dumas escreveu
a todos e publicou as resposlas de todos referi as
suas intervistas e conferencias pedio em publico
e em particular e, em ama palavra, fez tanto es-
paljutfato que nao s choviam as subscriprSes, mas
appareceram substitutos, que movidos porum een-
limenlo generoso, offereceram-sc gratis para tomar
o logar de Mr. Begnier no exercitn. Comtudo, bon-
veram circmslancias qne tornaram estes sacrificios
desnecessarios e a liberdade do joven artista foi ob-
tida por outros canaes. Mas os estorbos e Alexan-
dre Dumas nao contribuirn! pouco para excitar so-
bre elle um nteresse c sympalliia que redmenle
oaeompanharao na sua carreira arlislica,
Esse infaligavcl Alexandre Dumas est compondo
um novo romance para urna encommenda que lhe
veo dos Estados Unidos. A tal novelli devo ter
do:e volnmes, e naturalmente ficar acabada em
poneos dias. A aclvidade dcslc llomau:isla a ta-
par eslava bem figurada em urna- caricatura que ap-
parcecu ha annos a qual reprcsenlava Mr. Dumas
cscrevendo je romances ao mesmo lempo, islo he,
com outra penna em cada mao, tima em cada p,
umapenna na bocea, c outra segura na gola da ca-
sara
Adeos. .'l'inlii mais noticias a dar-le. mas reser-
vo-.is para outra carta quelencioiiu dirigir-te depois
d'amanhaa. O amigo Julio.
Srs. Redactores.A publicarlo no sen bem con-
c>Minado Diario de 30 du mez ultimoda ordem de
30 de marro de 1840, e do parecer das commisses
do senado delegislacao, marnha e guerrasobrego-
zarem os ofliciaes da exliiiclu segunda linha do foro
militar para guem ignorar, ficar saliendo guaes as
honras, e privilegios aos mesmo conferidos, afiir-
nio-lhe sob minha palavra de honra, que poz-me a
voltear o pensamenlo para decifrar essa charada, c
alinal eonfesso, que nao dei com a sua resolucao,
gracas fraqueza do meu beslunto !...
.Nr^ta lerrivel duvida, em que por infelicidade
propria tenho laborado, assenlei indagar o que islo
quera dizer cm Irocos miudos, c anda nada pude
conseguirNulla redemntio Em summa, lembrei-
mc dirigir-lhe eslamissiva, pedindo-lheqac laca al-
gum empenho para se dizer mais alguma cousa de
positivo, demoustrar-sn se tem applicae.a'o a qual-
quer quesiao algores j bavida, ou por haver, alfim
eslaheleccr-sc discussao a respeilo (oh 1 permita
Dos !) alim de que cu e outros ignorantes, mas ad-
miradores das materias finaneciras finissiuias. ou de
alto rothurno a poni de firarmos boquiaberlos ao
ouvirmos a sua nomenclatura, ou terminologa
possamos aprender, 6 Iranquillisar-o nosso espirito
por isso mais iuquieto, que actualmente o dos Bus-
sos, e Turcos.
Consideren),Srs. Redactores, qual o meu desejo de
ver satisfeilo este pedido, se s para scinelliaiitc oc-
casiaoam meslraco, calliedratico entendedor do
lal jogo, ou joguetc dus magnficos ejercicios fin-
dos, fundos flurluantes, partidas dohradae, exter-
nos, balauro, balancclci el continuante caterva ele,
me prometi mostrar um aviso circular de 15 de
agosto de 1809, que aos milicianos contera privile-
gios, em cujo numero sem duvida se comprchende-
rii o dos res|>eclivos ofliciaes at c.ntito, poderem fa-
zer procuracao por proprio puiihoj assim como o
dito meu bom eiccroni me lem asegurado estar em
clicas, o .iiin.i- mortaes para i.uifein lomar parte
no dcli ile. > ,
Islo posto, Srs. Redactores, por suas reconhecidas
bondades e philanlropias, queiram inlerpor os seus
valimenlos para facililar-sc mais essa occasiao de
preencher-se urna das melhores obras de misericor-
dia (creio que lie a quarta "jisto he, eusinar aos
ignorantes, cm premio do que offerece-se a quem
apparecer na arenatres grandes ligas d'Angola, ou
alias as mais perfitas vernicas dos tres res magos
viudos da exposlcao de Londres,
O litro da Sublime Porta.
Srs. Redactores.L-se da correspondencia que
o Sr. Lourcnco Rezcrra Carnero da Cunha man-
dn publicar em seu Diario de honlem.que este Sr.
nao conteni com ultrajar ao Sr. tenenle-corunel
Jo.'>" Pinto de l.cmos Jnior, enlendcu tambem, que
infelizmente de*ia vituperar a pessoas que jamis
tiveram iulcnces de o olfender, quando estes se-
ment pelo amor a verdade, e no dever em que es-
tavam, houveram de atUstar o que tivram de ver c
ouvir na fortaleza, das Cineo-Ponlas. Repetindo
ser cerlo quanto afliancei em minlia caria, escripia
ao Sr. tencnte-corouel Job Pinto do I.emos Jnior,
o que de novainonte allirmo sob minha palavra, e
f militar, devo asseverar ao mesmo Sr. I.ourenro
Bczerra Carnero da Cunha (bem conhecido pelo np-
pelido de Loula) que a ningucm podem injuriar as
suas palavras, visto sercomprado. s pode servir
aquello exemplo a quem cabe a pecha negra, e vil
do prevaricador, conforme atlestam os aclos ofliciaes
dos Exms. coiiselheiros Honorio, c Souza Ramos,
como presidentes desta provincia, alm da voz uni-
sona do foro de Iguarassii, onde orphaos e viuvas,
segundo consta, maldizem anda boje o autor de
suas desgracas, foule csscncial do ouro. Pobre, co-
mo son, privo muilo minha honra, sendo della a fl-
anea a condicSo de empregado cslimado por meus
superiores, deixando que o publico apprece, c entre
nos decida.
Sou com todo rcspci'o.De Vmcs. atiento criado
c abrigado, Jos Ferreira Penjta.
Recife, 7 de julho de 1854.
LlTTERATllU.
0 seu vestuario consista em nina pelissa, largas ral-
cas brancas, ludo punco liinpo, c bolas araarcll
ao cinto peiidiau-llio duas grandes pistolas c nina
yataghon, c na mao Ira/.ia una comprla lam-a
um loara lo de panno de linho Ihccobria a cabera
a sen lado cavalgava um seu iino e airar, seguiam
os seus vassalos, armados de espiugardas, lances, al-
fanges, eluda a mais variedade d'armasnfrenle
do e-qua Iro via-se nina figura burlesca, que, com
um vesluaromeioTurro'meioCliiiiez.fa/.ia visagense
innmiccs, locando uns tiiiidab's e cantando ilesen-
PETRARCA E SEU SECULO.
Sem luvda hade parecer cslranlio que eu inaugu-
re a uiinlia collaboracao para urna revista que temo
titulo do contempornea por urna histeria do scculu
XIV. Mas os grandes poetas sao contemporneos de
todas as idades e de lodos os povos, c o iiomc, os a
mores, e os versos 'de Petrarca, Ao segundo poeta
digno deste titulo que lnliam vislo iiasccra Italia e
a Europa moderna? servirao por largo lempo de
tliema aos ntrete inni-u los dos liomens. que por sen
feliz nasciineiilo podem distrahir-se pelo estado alas
ledras, das tristezas e alicScs de seu lempo. Como
Dante, elle veo ao mundo no meio dessas guerras
desastrosas, quc-tinha acccndln a rivalidade dos
imperadores e dos papas. Nascido na Allemauha,
entre as casas, de Suabia c de Bavicra, a discordia
dosGuelfos e dos Gjbelinus, foi augmentada pela
interveiicAo da corle de Roma, a qual depois de ler
coroadq.pcla mao d* seus legados um principe de
Suabia, toroo'u-sc fatalmente iuimiga desta casa, so
porque ella manlinha-sc na posse do imperio c sus-
Iculava os seas direilos coutra as pretenc,oes dos so-
beranos pontfices. Essa guerra civil foi transpor-
tada Italia pela irrupcao de Frederico Barbaroxa,
o mais Ilustre dos imperadores desla familia ; e os
italianos, que tiuham j o triste habito de estrangu-
lar-so por interesses que naoeram seus, dvidiram-
sc por causa de dous nomes allemaes, cuja origcm
lalve i 'iiora-sem.
Os Gbelinos, parldislas do imperador, lomaran]
o sen iiome do castellode Wablnga ou Gucibeling,
dominio dos senhores de Suabia. Os Cuellos, de-
fensores do papado, tiraram o seu dos Wells, que
entao possuiam o ducado de Bavicra. Dcssa poca
em dante quaesquer que fossem as discordias, que
Btessem naseer a ambcao ou a nidada das provin-
cias, das cidades, ou das familias italianas, ellas lo-
mavain a importancia desta guerra do sacerdocio c
do imperio, pela adopcao que os dous partidos fa-
ziam dessas denominantes sinislras. O ardor do
clima, o carcter vilenlo dos povos do meio dia,
dcrain um vigor novo a cssas faccocs: os assassina-
los, os envciineiiamculos. a carnificina, as proscrip-
coes, os incendios, os suplicios oa mais barbaros, as
vingancas asmis horriveis aasignalanm alternada-
mente o odio dos dous partido' ; o os autores de tan-
tos crines ousavam atigiDciilar-lhes u numero, com
O novo crime de cobrir esjas torpezas com o lime
de pnlriotismo. Ellos dilaceravam. assolavam, en-
saiiuiieulavam a sua patria, jaclando-sc do nao fazc-
losenSo para gloria sua. Os bacilos uo viam a li-
berdade nem a independencia seuao uo Iriunipho de
um soberano que senlava-se sombra da iara na
velha capital dos Cezares ; os Gbelinos repelliam o
dominio temporal de un pontfice, c reconheciam o
de um principe que senlava-se romo Celar cm nm
palacio da Germania.
Una rivalidade de familia foi que inli'odu/.io cm
Floreuca esses nomes de fatal augurio ; e como a-
conlece com a repblica romana ca guerra de Trola
foram os bellos olhos de una mulher que acende-
ram a guerra Florentina. Macbiavel iioscnsina que
um ravalleiro de Buoii.lelmonle, luturo exposo de
urna lilha dos Amidei, lendo-se sbitamente apaixo-
nado ilc urna Donali, roinpo seus primeiros coni-
pioniissos. com o fim de dispon, la.
Os Amidei c usUbcrti, seus allados, lavaram esla
injuria no sangue do infiel ; e os Florenlinos divi-
didos em duas facc/ics rivaes, luclaram por muilo
lempo entre violencias e ci irnos. f)s dous partidos
distinguirani-sc ao principio pelos nomes de Brancos
c de Negros. Mas os Brancos bem depressa loma-
ram-se Gbelinos, e os Negros Iransforniaram-se em
Guelfos. O pai de Petrarca foi envolvido nestas
discordias sanguinolentas. Notario cm Florenca,
como sen pai e seu av Garzo, elle nao leve, como
este ultimo, a felicladc de acabar urna vida pacifica
de cento e qualro annos, no mesmo lelo, em que a
comecara,
Iniciado nos negocios pblicos, enearregado de
nimias misses importantes, Petracco achava-sa em
um poslo honroso, quando rompeu essa discordia
dos Negros e dos Brancos. A victoria pcrleuci aos
ltimos, quando Carlos de Valos, atlravessando a
Italia para sustentara casa de Anjou na Sicilia, foi
rogado por Bonifacio VIII., para que se demnrasse
cm Morenra alim de reconciliar os dous partidos, ou
antes alim de rcslabelccer a faci;,io dos Negros. Apni-
ados por suas armas, os Guelfos eolraram como ven-
cedores em sua palria ; o o pretendido medianeiro
lornou-se o cmplice das vingancas que elles excr-
ceram conlra os Gibclinos. Dante foi um dos pru-
criptos desla reacc,aosangronla, o vingou-sc de Car-
los de Valos por meio re urna stira vigorosa contra
a rasa de Franca, a qual vem no vigsimo canto de
seu purgatorio. Petrarca, condemnado como elle,
cscapou fugindo colera dos mesmos inimigos. A
cidade do Arczzo lornou-se o seu refugio. Para
osse lugar Irnuxe elle asua joven mulher, Elella
Canigiani, c foi ahi, que dous annos depois, na imite
de 19 para 20*lc julho de 1304, dea ella luz p
nosso poeta, na'mesma hora em que seu esposo Pe-
tracco infructuosamente combata as ras de Flo-
renca para reconquistar urna palria.
Baplisado com o nome de Francisco di Petracco,
o poeta adoptou mais tarde o de Petrarca. Sua
infancia foi erra.lia como sua familia. Sele mezes
depois de seu nascimento Elctta eslabeleceu-se na
povoacSo de Inciza, no valle do Arno, e essa mu-
danza de logar causou o erro dos biographos, que o
fizeram naseer ueste novo refugio de sua roi. Sele
anuos depois, cobrando a causa dos Gbelinos novo
alent com a presenca do imperador Henrique VII
na Itaiia, Petracco passon a Tsa alim de esperar
os resultados desla nova rcvoluc/Io; mas a morle
des-e princps!, segundo dizem. envenenado por
um dorainacano, fazendo a esla familia perder a es-
pranos de tornar a entrar em Florenca, fez com
que ella fosse procurar no condado Venaissino o re-
pouso que nao poda mais adiar na lo.cana. Os
proscriptos e os descrnenles da Italia aliluiram cm
muliiilau cidade de Avnh.lo, onde Clemente V.
ha pouco linha lixado sna residencia ; os proprios
'libdine- achavam um asilo na corte do chefe dos
Guelfos ; mas leudo o numero desses rofiffcia.losen-
(ulbado anova capital do mundo catholico aquellesa
quem os negocios c os proprios deveres nao obrigavam
a residir ahi.prncuraram as -miras cidades do conda-
do ; c, anda que elle proprio aesidisse cm Avinhao,
Petracco adoptou para seus finios o sua mulher a
residencia de Carpenlras. Foi nesse lugar que veio
procura-Ios o grammalico Convennole da Pralo, que
linha comecado na Italia a educacao ltlerara do
joven Petrarca. Ete anciao que, havia sessenta
annos, tinha-scdedicado ,i instrucrao da mocidade,
contando ji no numero de seus discpulos urna mul-
tidaode cardcae- o de prelados, moslrava grande ter-
nura ao seu novo alumno, ejnrava que nunca em
sua vida livera nm que fosse mais charo a sea cora-
c.oi. Urna inlclligcncia cima de sua idade c de seu
secult) o dislinguiam realmente de seus condiscpu-
los. Quando estes Iraduziam apenas as Tabulas de
Pliedru e as sentenjas de S. Prospcr ou antes do
Mulo Agostinho, de qoe o poeta de Aquitania nao
era scuoo collector, Petrarca explcava por si mes-
mo o lalim de Cicero. Apenas dcscobrio um xem-
plar das obras desse eaeriptor na hibliolhecajdc seu
pai, o orador Dimano lornou-se o seu principal mes
Ir e a primeira paixo de sua infancia.' A esse es-
criplor deveu elle sem duvida essa elegancia, essa
(locura de estylo que fazem o carcter de sua poe-
sa, e foi realmente um accidente feliz para a lin-
gua italiana essa communicacao. essa famlia-
ndaile qae o acaso fez naseer entre Cicero e Pe-
trarca.
As lellras porm nao abram a pessoa alguma nes-
se lempo a carreira da fortuna : e com quanto seu
pai eslivesse longe deparlilhar o desprezo que se vo-
(ava a essa, estudiosa ociosidade, julgou com tudo
que deva cuidar no futuro de seu liluo e-nfocurar-
llie no conhecmento do direiloo nico meio deeles
var-se c rcslabeleccr a fortuna que as discordias
civisttinham arrebatado sua familia. As univer-
sidades de Pars, de Monlpellier e de Bolonha erara
de ha muilo lempo celebres, c Petrarca, logo aos
quator/.c anuos, foi enviado segunda deslas cida-
des. Os i'-ci i\ oes do serillo de Auguslo (inham-sc
porm empossado de sua intelligcucia Ella mns-
trou-sc tao rebelde s ridas lines da jurisprudencia
da media idade; que, ao cabo de qualro anuos de urna
residencia infructuosa, Petracco, qocixaodu-se da
negligencia dos professores de Monlpellier, o fez pas-
sar universidade de BolouUa, na esperanca de quo
a reputacao de seus mestres poderia estimular o a-
mor proprio do lilbo. A repugnancia de Petrarca
nao cedeu esla nova prova; olla foi cm Bolonbau
que havia sido om Monlpellier, o fantico admira-
dor de Cicero, de Virgilio, de Horacio. Osen des-
goslo invcucivel pelo cdigo c peladecretaes aug-
menlou com os annos ; he cerlo porcm que um sen-
liincnto de lealdade tiuha grande parle nesla repug-
nancia. Revoltava-o a cubica, a m f dos juriscon-
sultos da poca. Elle sem duvida apoiava-se nesse
molivo para justificar a sua pregui^a, isso porm era
j verdade era seo. lempo. Tudo nesses horaens he
venal, di/.ia elle era suas cartas. Os mais habis sao
os que sabcni mellior desviar as les do seu verda-
deiro sentido ; he para illudi-las ou viola-las o m-
piinemente que elles as estudam. A candidez de
minha alma me nio permillia que me enlrcgasse a
um estudo, de que abusa-se lodos os dias. com de-
trimento da probidado.
Estas cartas sao conhecidas de seu pai. Petracco
sabe alinal a causa desea aulypatbia. Corre a Bolo-
nha, arha os preciosos manuscriplos que sen lilbo
linha escondido noticia dcssa invasao paterna, e
lauca-as ao fogo aos olhos do seu infeliz adorador.
Prccipila-se Pclrarcca aosjoclhos dopai, desm/n-
idia.' em la.-iiinas, soltando gritos pungentes. Res-
tiliii-ni'os. meu pai, rcstlui-m'os, dizia elle procu-
rando apanhar com urna mSo a que a chamma de-
vora; altcndei que despojei-me de ludo para cmpra-
los.
Seu desespero era lao real, sua dr lao expapsiva,
que a colera do pai desarmou-se ; chegando at a ar-
rancar por si mesmo ao fogo o que a chamma linha
respeiUdo. Toma, disse elle, loma, Virgilio le da-
r consolaccs da perda dos outros, e talvez Cicero
prcparc-le um dia para o esludo das lcis.
A prophecia nao poda rcalsar-sc; e Pclrarcca ten-
lou em balde obedecer ao pai. Contava-se pouco
com esse pendor irresistivel para desviar delle esse
mancebo de dezoilo anuos. Elle luba, dcbaixo dos
olluis dous exemplos que o forlificavam em seu es-
ludo predilecto, Guittouc Guillonciiio, mais conhe-
cido pelo nome de Cia de Pislaic rcuiiia ao ensiuo
do direito o esludo da poesa. Seus versos, esque-
cilos depois, gozavam cuto de alguma reputacao.
Elle nao era mcslre do Petrarca, como o disseram
militas vezes, c at duvida-sc que ensnasse em Ito-
lonha; Petrarca porm o menos deva conhcce-lo ;
o oulro exemplo eslava mais pcrlo delle. Frances-
co Stabili ensiiava a astrologia e a philosophia nes-
la mesma universidade, com o diminutivo de Ceceo
d'Ascol. Scus-vcrsos n'.o valiam os de Cia ; mas
elle am iva os versos de Horacio c de Virgilio, c
aliineuteva esse goslo que dcsabrochava cm seu jo-
ven discpulo. Esses dous professores eram os ami-
gos de Dante. Cia al eiilretiuha rclacocs era so-
netos cora o aiilorda/Mcns Comedia. Ceceo porm,
leudo rompido a sua araisade cora esse grande poe-
ta, leve a infelicidade de publicar umo critica acer-
ba conlra esse Ilustre Florentino ; elle foi queima-
do vivo, sob pretexto de feilicaria ; mas como expia-
'..i'o]iii' de sua critica,fizeram esse martyro na mesma
cidade que, v inte e cinco almos antes, tinha exilado
o poeta, a quem vingava com lauta barbara. Du-
rante a qoadra de tormentos polticos, basta viver
para passar das gemouias ao panlhcou e do capitolio
a rocha larpeia.
Animado por estas lires, Petrarca deu loda a
evpaii-an a seu genio ; e os transportes de admira-
dlo, seus ensaios privan) naseer entre seus compa-
nheiros c seus meslrcs acaharam de determina
sua vocacau poclica. Seus primeiros versos nao
chegarain at nossos dias.
,Os primeiros que a proslcridade rccolhcu sao os
de urna clegra latina que lile rompoz sobre a morlc
de sua mai.
(blando vollou de Vcnoza, para onde havia con-
duzido um le seus mestres, foi que elle soube desta
triste noticia. Proeurou consolaces perpetuando
por esse modo a lerabranca das virtudes o da belle-
za daquella que i morle Ibe roubava na idade de
Irinla c oito anuos ; e cu com pezardigo que a sua
dor nao foi lao grande quo nao lhe deixassc bastante
liberdade de espritu para medir o numero de seus
versos pela idade daquella, que dcra-lbe a vida. Pe-
tracco nao pdesobreviver suacoinpanhera de ex-
ilio, e o nosso poeta, orphao na idade de viole e
dous anuos, vollou ao condado com seu irmao Ge-
mido, alim de recolher os fracos expolios de una
berilo; i que os seus nedoie. linluin j devorado.
O objecto mais prcrioso desla BOCCaasSo foi, segundo
a propria eonflsate de Pelrarco, esse manuscripl de
Cicero, que linha arrestado a sua infancia, dando
elle por isso gracas ignorancia de seus espoliado-
res ruja avanza o linha redolido necessidade de
pedir emprestado a Tliomaz de Messiua, seu con-
discpulo c amigo, os meios de vollar ao seu paiz
adoptivo.
Temos porlanto ;Pelrarca cnlreguo aos proprios
recursos, podendo apenas prover ao sustento de seu
unan c de sua irinaa, enearregado alm disso desea
ineslr Coiivcnnule, que. curvado ao peso dos anuos
c da miseria, tivia smente dos beneficios de Pe-
tracco. O lilbo desse generoso l'lorinlino nao repu-
dou essa purcaoda heranca paterna : elle ajudoii
Coiiveuiiole do mellior modo que pode, e para sup-
prir a exiguidade de seus recursos, enjpenhava mili-
tas vezes seus livros, alim de prever s necessidades
de seu velbo mcslre.
A necessidade de un) estado foi sentida alinal. c
elle escolheu o clericato, que, intrudiizindo-o no pa-
lacio pontifical, c aproxiinaiido-o da foule das gra-
cas, nao inipunlia-llic rniulii.li> deveres lao aualeros
que o desviassein dos esludos que liiihaiu feito as
delicias de sua juvenlude. Elle achou nesse novo
estado os meios de prover s necessidades de sua ir-
in.'ia Salvaggeu e s prodigas despezas de seu irmao
Geraldo, que enlregava-se sem escrpulo a lodos as
prazeres de sui idade, Snas economas, as priva-
cues que se impunha, permilliram-lbe fazer face a
ludo, e dar, dous annos depois, um dol convenien-
te sua ir nia.
Olanla- escullas nilo ccrcavam porem a juven-
lude de Petrarca Ebrio de voluptuosidades, na
dada ardenle das paixoes,'sem oulro apoio que a
r.izao, sem oulro guia quo a virtude, achou-se en-
volvido no lu bilbao de urna corle c de urna cidade,
onde a devassidao o a lbcrtuagem marchavam de
coln erguido. O quadro que tracou de Avinhao
nessa poca,apresenla-nos esla cidade como um foco
de'corrupcao e de liceeta. Joao XXII era comtu-
do um [inutilice veucravel. Era o lilbo de um re-
men,lao de Cahors, que, com o nome de Jacques de
Eose, tinha-se elevado pelo seu iiuico mrito. Seu
saber grangeuu-lhc o valimcnlo do re Roberto de
aples, c, depois de ter-se distinguido em seus
tres bspados de Frcjus, de Avinhao e de Porlo,
saccedeu ao papa Clemente V. no governo da chrs-
tandade. O historiador Villani, qne o trata s vezes
tao mal, tece todava elogios sua piedade, sua so-
bredade, economa, i sua firmeza inabalavel, c|au
seu grande conheciraenlo dos negocios; e anda
quando elle livesse mais de oilenla annos. quando
Petrarca veo fiar sua residencia cm Avinhao, ti-
wia esse pontfice achado bastante energa cm sua
alma, e bstanle respeito nos povos da Italia para
triumphardo fundo do seu palacio das intrigas e dos
exercitos do imperador Luiz de Bavicra. O .mii-
papa, que a rcvoltade seus subditos romanos havia-
lhe dado para rival, foi al conslrangdo a vir abdi-
car a seus ps nma libara usurpada. Elle porem
nao leve a forja de reprimir os escndalos de sua
corle e de sua cidade. Segundo o' diz Petrarca,
ahriram-se casas de pro-tituicao as proximidades
de seu palacio, e al na vsinhanca dos templos.
Esses lugares impuros foram por largo lempo sem
perigo para n poeta, c o seu procedimenlo nao de-
graiou as vantagens que tinha-lhe a natureza prn-
digalisado. A belleza de seus Irados, a vvacidade
de sua physionomia, a riqueza de seu talhc, a nobre
elegancia dq suasmaueiras, o apurado gusto de seu
traje faziarn naseer anticipadamente ideas que lhe
eram favoraveis; e omr vez conhecida a dorura e a
jiislcza de seu espiritoiauxiladoda maisfeliz memo-
ra, urna vez apreciada a clareza, a preciso de sua
lgica, a candiira de sua alma, a franqueza,, a pure-
za de seu carcter, era impossivel nSo procurar sua
amsade, c nao (icar-sc alTeicnndu ama nalurez a
de homem, que tanlo aproxmava-se da perfeicao.
Triumphos desse genero deviam satisfazcr-lhe
vaidade. Admitlido familiaridade dos grandes
mostrou-se com ella simples e modesto sem baixeza,
como um homem que tomava a posicao que com-
pelia-lhc no mundo. Um astrlogo tinha-lhe prc-
predito na infancia que havia de adquirir as boas
gracas de lodos os bonicos filustres de seo seculo ; e
e-es surco-sos. que em urna idade mais proveca,
sua modestia linha difllculdade em conceber, nao
pareciam sna mocidade senao a compensado legi-
tima do qno conceda ao mrito dos oulros; acres-
centemos a essa qucellesoube sempre manlcr-sens
r al begora que seus talentos llie linham assignado, e
por maor necessidade que o seu engranderimento
sentisse da proteccao dos poderosos, nao o obrigoa
jamis a perder com elles a dgnidade c nobre inde-
pendencia de seu carcter. Costa a crer que a hones-
ta dissiparo de sua vida, o desejo inmoderado que
linha de a'pparecer e de agradar, o proprio cuidado
de sua existencia lhe livessem deixado dessa poca
om vjianlc, bastante descaneo para .cultivar asMusas.
Mas a sua paixo pelos versos nem raft isso tinha-se
arrefecdo. Suas relar,cs o collocavam em estado de
poder enlrcgar-se ao esludo de seus autores predi-
lectos. Era o amor do trabalho, quem determnava
sua amisade ; e" a escolha dos seus mais intimes co-
nheciinenlos-cm urna cidade 1.1o depravada bastara
por s s para lecer o sea elogio.
O velho Joao de Florenca, sabio illuslre, enear-
regado de seu joven compatriota, fez-se o seu tutor
e conselheiro. Animou-o com seus louvores, dri-
go-o cm seas estudos, consolou-o as suas alllr-
ces, sostentou-o as horas de desanimo que tra-
zam o- embaraces de sua posicao e os estmalos de
sua ambicao ltlerara. Petrarca corresponden com
um respeilo sem lmites as bondades desse anciao.
Seu coraran nao linha segredos para com elle, e du-
rante os cinco annos que anda viveu JoBo de Hu-
ronea, o seu joven amigo nao deu-lhe miro nome
que o de pai. Em quanto esse anciao forma va o
seu gusto, e regulava os desvos de sua ardenle ima-
ginaean, outro amigo facullava-lhe o poder de sa-
tislazer a sede que linha de conhecer ludo. Elle di-
zia, em um accesso hyperholico, que o espirito nao
poda produzir senao quandu innundado do rio in-
menso dos conhecmentos mundanos. Procarava
com inrrvel aclvidade uS possudores dos manus-
criplos que nao podia adquerir. Esses manuscrip-
los eram nesse lempo de urna ra idade extrema,
Poucos copistas gastavam seu lempo em reproduzi-
los; os livros de direito cram'n saa oceupa^ao pre-
dilecta e os avaros defensores dos Ihesouros da ve-
lh.\ lalinidadc nao gostavam de comparlilhar seus
gozos. *
A liibliollieca de Baymando Loranzo era enl3o
orna dos mais ricas de Avinhao, e o couhecimenlo
deste jurisconsulto foi ardenlemenle desojado por
nosso pueta. Elle soube que esse anciao fazia mui-
to penco caso dos livros que nao IraMavan da sci-
encia dslei-, anda que livesse reunido eom gran-
de dispendio um numero considcravel dessa espe-
cie, soube igualmente que Tito Livo era o nico
exceptuado dessa proscripto, e que sendo pouco
versado no couhecimenlo da historia, o velho ju-
risconsulto linha diffieuldaile cm romprohender ca-
se historiador. Petrarca n.lo tardn em penetrar es-
se santuario. Soube tornar-se necessario a Bay-
muiido Loranzo pelo esludo particular que linha
feito da historia de Boma, e bcm depressa dispoz
dcssa rollecro- preciosa. Fez Iranscrever sob sua
inspec;o alguns desses manuscriplos, chegando a
Iranscrever oulros por seu proprio piinho. Muilos
desses manuscriplos serviram-lhc para rectificar os
erros quo copistas pouco habilitados nos (criam
Iransmittido'sem duvida, sem o auxilio de seu zelo
e de sua paciencia. Loraozo dcu-lhe alguns trata-
dos de Varrao o de Cicero, entre os quaes contava-
se o da gloria. Mas esse tratado nao chegou a ver
a luz da imprensa, porque empeuhado pelo velho.
Convennole, nunca mais foi adiado, e as bondades
de Pelrarca para com seu velho meslre fizeram-nos
perder esse precioso fragmento das obras de Cicero.
Urna relajao mais importante veio cm auxilio de
sua fortuna. Entre as pessoas que faziam o orna-
mento da corle de Joao XXII, eucoulrou Petrarca
um de seus condiscpulos, que, duranle saa habita-
cao em Bolonha, nunca linha-sc informado ao me-
nos da quem fossc. Seu segundo encontr fi mais
feliz, A conformidade de seus goslos e do sua ida-
de os uni para sempre, c Jacques Colonne tor-
Sou-se o amigo e o protector de Petrarca. Elle era
essa familia illuslre, cujo nome os genealogistas
italianos lem procurado cuidadosamente sobre as
columnas de Hercules on sobre a columna Trajana,
buscando a sua origem no sangue de um ,sme-deos,
ou do vencedor dos Dacios. Ella nao linha neres-
sidade desses ttulos imaginarios, Seus serviros.
suas dignidades, soas alliaiicas fa/.iam-ua ja urna
das mais celebres casas da Italia; eesla porteccao
foi urna grande felicidade para Petrarca e para as
lellras. Jacques Colonne, diz elle, era um homem
iin-omparavel. O- don- que linham-lhe prodigali-
sado a natureza c a fortuna nilo alteraran! nem a
sua modestia, nem a pureza de seus costumes. Su-
perior pela -loquencia, entre as maos possuia o co-
racao dos homens, e sua alma mostrava-se em com-
pleta nudez tanto em seus escupios como cm seus
discursos. Petrarca foi seduzdo. Colonne dispoz
de seu corarlo ; c o poeta, honrado com a sua mais
intima familiaridade, associou-se para assim dizer
a esta familia. O cardeal Colonne, irmao de Jac-
ques, amigo das ledras e das -ciencias, fazia as
suas delicias da conversacao dos homens que as
cullivavam. Elle forruu Petrarca a ser seu coramen-
sal e seu hospede. Eu eslava em sua casa como na
minha propria. dizia Petrarca.
Nao era para coraigo um superior es9e homem,
ruja simplicidade, innocencia csaber coiilraslavnm
loo vivamente com os co-lu mes de lautos principes
da igreja. Era o irmao o mais rharoe omais
E com ell'ciio sua estima para rom Petrarca nfani-
fcslou-se toda a luz em urna circumslancia que
(anta honra faz a esse poeta, que deve uo ficar em
silencio. Urna discordia sanguinolenta rcnava en-
tre os familiares do cardeal. Elle quiz fazer Justi-
na ;jc para conhecer a verdade, ohrigou toda a casa
a prestar juramento sobre o cvangclho. Seus pro-
prios irmaos.aiuda que revestidosdedigndades ecele-
siasticas, nao foram dispensados de jurar. Mas
quando aprcsenlou-so Petrarca, o cardeal fechou o
lvro, e renovando a seu respeilo oque os magistra-
dos de Alhenas fizeram com a phlosopho Xcnocrates,
disse-lhe: Suspende, Pelrarca, basta-me la pa-
lavra.
A casa do cardeal Colonne era o poni de reunan
de todos os eslrangciros cclebres.qiie a corle do pon-
tfice altrahia de todas as parles da Europa. Estas
reunios, que cada da renovava, loram para Pe-
trarca urna occasiao de adquerir essa variedade de
conheciiiienlos que distinguen) suas obras, c um
meio de dilatara fama que ellas deviam grangear-
Ihc. Ah formaram-se as suas rclac,oss com os sa-
bios de lodos os pnizes. Foi ah que elle conheceu
Richard de Bury. bispo de Durliam. ministro o val'
do de Eduardo III, que fui enviado duas vezes
Avinhao pelo re de Inglaterra. Era um sabio de
primeira ordem. que, apaixonado pelos livros, em-
pregava a raaior parle de sua fortuna nessas inves-
tigarles dispendiosas. A Europa deva-lhe as suas
prinicras grammalicas hebraicas e gregas ; c as ron-
versas desse prelado crudilo augmentaran! a ius-
Irurao da Pelrarcas. A familia do cardeal oITcreceii-
llie'ainda (leus amigos e dous protecloups : Joaode
Sao-Vil, sonhor de GenBano, lio do prelado, dester-
rado d Italia por Bonifacio VIH, conlra quem ha-
via lomado armas, linha arrestado a sua vida labo-
riosa c vagabunda atravez da Persia, dn Egypto c da
Arabia. Petrarca inlerrngava a vclhico c a expe-
riencia desse guerreiro que. tinha trazlo de suas via-
gens urna iiitinlade de eonhccimcnlos uleis. Esle-
vao Colonne, sen irmao, a quem a Italia ronlava
cnlao no numero de seus hroes, era por assim dizer
o repertorio vivo da cidade eterna. Ello gostava de
fallar de suas grandezas o de seus munuiDentos,qiic
dcscrevia com o cnlhusasmo do palriolismo. Pe-
trarca leve occasiao de conhcce-lo durante a viag'em
que fez ,i Avinhao para concertar com o papa acerca
dos meios de rcslabeleccr a paz na Italia, e nao po-
da fartar-se com os cutreteuimenlos desse cbcl'e-da
familia que o linha adoptado.
Chegou nesse entretanto a hora cm que Pelrarca
foi assaltado dcssa paixao, que fez seu tormento o
sua gloria, que idenlificoii-se com sua vida inleira.
Innmeras bellezas linham al esse lempodisputailo
a sua conquista, mas a farilidadc desses triumphos
nao apresenlava-lhe mais que pra,.cres seguidos de
pozares e dcsgoslos.Elle mesmo confessa que desses
triumphos rcsullaram-lhe novos embaraces para sua
fortuna, e que foi obrigado a prover ao sustento de
duus filhos, cujas mis deixuu de iimnear por certos
mmiInimios de reserva e de pudor. Convinha a sea
coraran um amor mais puro c mais digno delle, a
foi aos f de abril de 1327, na igreja de Sania Clara,
que o aspeelo de Laura inflammou-o sbitamente de
um ardor que elle nunca linha sentido. Elle mesmo
pntanos segrales versos,que tente*, Iradazir, o tru-
co dessa paixao, qne nada pode vencer.
Ha minio.amor lentava escravisar-me,
Mas sempre via que as hervadas sellas
Contra meu peilo se embolavam todas.
E a flor da idade, que risonha e bella
Desabrochava zurida em meu roslo,
Seu viro e seu perfume ia -perdendo.
Fra indilFrenra me cingia o peilo
De um muro diamantino que orrastava
Do ceg dos a rispida vinganca.
Nenhum cuidado me turbava Inquieto
A dorura de um placido repoozo.
Ah! lonco cu ra das fraquezas de oulrem,
Sem ver o abysmo que a meas ps se abra I
Queestranlia insensatez me allurinaval
Quem poder tecer hvmnos vida,
Se as suas phases nSo conhece todas,
Antes qae a morlc lhe appareca aos olhos ?
Esse lerrivel dos, que me atormenta,
Para dos sea farpoes vingar o insulto,
Mandou-me ao encontr ama belleza, um anjo,
Que meus mais ternos ais, meus puros votos
Sem d, nem compaixao tyranna escala,
Al)! nem ternura, nem finezas d'alma
Embrandecer-lhe a crueldade podem!.
(Continuar-se-ha.)
COMMERCIO.
TRACA DO RECIFE 7 DK JULHO AS 3
HORAS DA TARDE.
CotaeSes- ofliciaes.
Cambio sobre o Rio de Janeiro2 % de rebate a a
prazo.
ALFANDEGA.
Bendimenlo do dia 1 a 6 47:62137
dem do dia 7........ 7:5461178
55:167615
Detearregajn hoje 8 de julho.
Barca inglcza/'A/n-t-curvao e ferro.
Brigue americano ll'lliam Princefarinha.
Brigue brasileiroRecifeo resto.
Brigue braMleiroParanfarinha de trigo.
Brigue brasileiroMariaidem.
Hiate brasileiro< Brigue brasileiroAuroragneros do paiz.
Importa cao'.
Hiate nacional Aurora, vindo do Aracaly, consig-
nado a Jos Mauoel Martin-, manifestou o Si-
guile :
HHsaccas cera deearnauba, 86 molhos pelles de
cabra, 3 fardos sapalos, 53 molhos esloiras de pa-
Iba ; a Silvestre Ferreira dos Sanios.
5 caixcs sapalos, 10 caixes velas, 566 coaros sal-
gados, 56 couros espixados, 1 barrica sebo, 1 .-uceo
cera de carnauba ; a Caminha & Filhos.
- Escurra nacional Emilia, viuda do Ceara, consig-
nada a Jos Baplista da Fonseca, manifestou o se-
goinle :
100 barrise 200 meios ditos manleiga ; a Manoet
Joaquim Bamos e Silva.
10 caixas quijos, 35 barris mauteiga de poreo ; a
Tasso Irmaos.
1 caita coeiros do baelilha, 2 amarrados arenles,
4 barricas cobre velho, 1 baca, 1 garajo de carne,
252 KiccQS farinha de .mandioca, 25 caixas velas de
carnauba, 20 saceos arroz pilado, 1,000 arrobas de
vilete (madeira); a ordem.
1 barricaiera amarella ; a Luiz Borges de Si-
queira.
21 caixas valas, 1 sacca caf ; a Jos Smith de
Vascoucellos.
15 caitas vellas de carnauba ; a Francisco Ignacio
Faxreira Das.
nla|e Sergipano vindo de Cnlingniba con-
signado* a Jos Teixeira Bastos, manisfesloa o se-
grale :
37 pipas agurdente, 195 conros salgados, 39 sac-
eos assucar mascavado, 51 ditos dito branco ; ao
mesmo consignatario.
CONSUCADO GERAL.
Rendimenlododial a 6.....5:718*338
dem do da 7........ 4569710
6:1758078
.DIVEBSAS PROVINCIAS.
Bendimenlo do dia 1 a 6 7 r .
dem do dia 7. -.
7319215
22*831
755066
GE-
RECEBEDOR1A DE RENDAS INTERNAS
RAES DE. PERNAMBUCO.
Rendimento do dia 7......8868730
CONSULADO PROVINCIAL.
Rendimento do dia 1 a 6.....15:i27}256
dem do dia 7........1:710*480
17:1379736
MOVIMENTO DO PORTO.
Naci entrados no dia 7.
Cear19 dias, escuna hrasleira limilia, de 111 to-
neladas, capilao Antonio Macicl da Silveira J-
nior, cquipagem 11, carga farinha de mandioca e
mais gneros; a Jos Baplista da Fonseca Jnior.
Passageiros, Sebastian Arroda de Miranda, sua se-
iihora, 4 filhos e 1 escrava, Joaquim de Andrade
Fortuna Pessoa, G. Meudes Pereira, Antonio Al-
ves Torres, Jos Kaymundode Oliveira, D. Laura
da ConceicSo Miranda. '
Terra Nova32 dias, barca ingleza Prospero, de
257 toneladas, capitn John Towill, cquipagem
13, carga bacalho; a James Crabtree & Compa-
nliia.
Assumpcao8 dias, escuna ingleza Mercury, de
145 toneladas, capitao George Wott, cquipagem
8, em lastro: ao capitao.
Aracaty23 dias, hiate brasileiro Aurora, de 37 to-
neladas, meslre Antonio Manoel Alfonso, eqoipa-
gem 5, carga coaros e mais gneros ; a Jos Ma-
noel Hartins. Passagero, Vicente Ferreira- Lima.
Cotinguiba4dias, hiate brasileiro Sergipano, de
54 toneladas, meslre Jos Manoel Cardoso, cqui-
pagem 7, carga agurdenle e couros; a Jos Tei-
xeira Bastos. Passagero, Jos Fernando da Silva
Coulo.
Ass16 das, hiale brasileiro Capibaribe, de 39
toneladas, meslre Antonio Jos Vianna, eqaipa-
gem 7, carga sal e algodo; a Luiz Borges de
Cerqneira.
Maceio2 dias, brigue inglez Runnymede, de 200
toneladas, capitao Samuel Prouse, equipagem 13,
carga assucar : a James Crabtree. Passageiros,
John Scoll. Veio recebar ordens c seguio para o
Canal.
Natos tahidos no mesmo dia.
Bio de JaneiroBarca americana Conrad, capitao
Powcll Smack, cm lastro.
demHiale americano Dantille, capitao Daniel
Dodg, carga parle da que Irouxe.
PorloBrigue portuguez Amalia I, capitao Joo
Antonio da Silva Mellan, carga assucar e mais g-
neros. Passageiros, Jos da Silva Moreira, Fran-
cisco Dias de Azevedo, Mara dos Prazeres, Ma-
noel Jos Dias e sua familadaCaelano Jos Pinto,
Candido Moreira da Costa, Jesc Nones de Faria,
Manoel Jos da Fonseca Maris, Joao Jos de Fe-
rias e Albuqucrquc e 1 flho menor.
ParaEscuna brasileira Titania, meslre Luiz da
Silva Loureiro Rolha, carga varios gneros.
EDITAJES.
O Illm. Sr. inspector da Ihesouraria provin-
cial, cm cumprimento do disposto do arl. 34 da lei
provincial n. 129, manda fazer publico para co-
nhecimento dos credores hypothecarios e quaesquer
inleressados, que as propriedades ahaixo declaradas,
foram desapropriadas, e qoe os respectivos propre-
larios tem de ser pagos do qne se Ihes deve por es-
ta dc-apropriarao, logo que terminar o prazo de 15
das, contados da data deste, que he dado para as
reclamac.cs.
E para rcnslar se mandou allvar o prsenle e pu-
blicar poto Diario, por qninze dias successivos.
Secretaria da Ihesouraria provincial de Pernam-
buco 30 dcjunho de 1854. O secretario,
Antonio Ferreira Urna casa de laipa, sila n direceao do
21. lauco d estrada da Victoria, per-
tcucenle a I). Rila de Cassia Pessoa de
Mello, pela quanlia de. 608000
Um lanr,o de muro e um parle do sitio
no lugar do Fiza, na cidade de Olinda,
perlencenle ao Dr. Antonio Jos Coe-
llio, pela quanlia de. .,... 5988000
Conforme. O secretario, Antonio Ferreira da
Annuneiarao.
A cmara municipal desla cidade, usando da
aulori-aro que lhe coofere o arl. 15 da le n. 348,
publicada ueste jornal, n. 140 de 20 do correte,
marca o prazo de um mez, contado do primeiro ao
ultimo de julho subsequenle, para no decurso delle,
seren pagos os imposlos alrazados sobre eslabcleci-
menlos induslriaes; lindo o qual, e nao realisada a
cobranca, fcan os contribuimos sujeitos a urna
multa "igual ae duplo do valor do imposto, como
dspoe o citado arlgo.E para que ehegne ao co-
uhecimenlo de quem competir se manda publicar o
presente. Paco da cmara municipal do Recife
cm sessao de 28 d junho de 1851.farao de Ca-
pibaribe, presidente.No impedimento do secreta-
rio. O official-maior, Manoel Ferreira Accioli.
Peranle a cmara municipal desla cidade es-
lara cm prra no dia 12 do crrenle, a obra de urna
bomba de alvenaria, sobre a camhoa, na passagem
ile^.iiil'Aiina, oreada cm 1:010J. Os que se propo-
zerem a arrematar dila obra, podem comparecer na
rasa das sessoes da mesma cmara no indicado dia.
Paco da cmara municipal do Recife em sessao de
5 de julho de 1851. Barilo de Capibaribe, presi-
dente. No impedimento do secretario, o ofncial-
mainr, Manoel Ferreira Accioli.
DECLRACO'ES. .
Pela mesa do consulado provincial se faz sci-
onle aos proprelarios dos predios das differenles
fresnezias, que os trinla. das uleis para o recohi-
'*


DIARIO OE PERNAMBUCO SABBADO 8 OE JULHO DE 1854.
1

ltenlo ila ili-cim.i do segundo' semestre do auno fi-
uaueeiro de 1853 11854, se liuahsam no da 10 de
.j iillni crreme.
l'cla administraran dos cslahclecimciilos ele ca-
ridade.se fa publico que peranle a iiicsnta, vai
praca uos das 11,12 c 13 lo crtenle, para ser ar-
rematada, a otaria junto a obra do bospilal : quem
se propozer a lal arrematarlo, compareca nos dias
indica los a* 5 lloras da larde na ala de suasses-
snes. Secretaria da adminislracfio dos cstahclcci-
ini'iilii. de caridade, 7 de julho de 1851.O escri-
vao, .iiiluuiu Jos GOMO d Crrelo.
*&*?.
:'A
SABBADO 8 DE .111110.
Ultimo espectculo em favor do
MONTEIRO.
lera lugar o bello e iuleressaiile vaudcville em
3 .utos
0 REMENDAD DE SMIRNA.
Seguir-se-ha pela primeira Tea tiesto llicalro a
ten .i comedia cm 1 aclo:
OS DOUS SEM CALCAS.
Nesta bella comedia milito de\er agradar' a ori-
ginalidade de seus caracteres.
I- nula o espectculo a enmarada farra
0 RECRITAMTO HA LDEI.4.
He este divertimeuto que o benenciado julgou
conveniente oflerecer a seus amigos e prolectores a
quem lie lo grato.
O beneficiado previne ao' respeilavel publico que
este divertimenlo nao ser transferido, e espera que
sendo esta a ultima voz que recorre a generosidade
publica, concorram a ajuda-lo com sua costumada
proleci;,lo.
Os billieles eslao a disposic,ao do publico no hotel
Franciscon. 9, e nodia. no escriplorio do Iheatro.
QUARTA FEIKA 12 1>E JULHO.
Beneficio de Hernardino de Sena Loureiro.
Subir scena o novo drama cm tres actos, que
(em | ir titulo
O MOSTEIRO ABANDONADO,
ou
A MALDICAO' PATERNA.
No lira do drama lera lugar a representacHo da
gTaciosa comedia em um aclo
O meu paizinho.
O artista benenciado, acltando-se ha qualro mezes
desligado do tlteatro, e desde esse lempo sempre (l-
enle, e ltimamente, ha dous metes, entrevado com
eveessivas dores rlteuinaticas, de cujo estado seus
companlteiros artistas se compadeeeram paralhe pro-
porciouarem eslarecita em seu favor, na qual lodos
d hom grado vio trabalhar ; roga lambem nesla
occasio aos seus afleicoados c ao publico pernambu-
cano, queja exuberantes pravas de prolerco llie
lem dado, o nao desamparen] agora que mais de au
xilio necessila. *
Os hil leles vendem-se desde i em casa do bene-
lii'iadu ua ra, do Mundo-Novu n. 36, e no dia do
espectculo das 9 horas em diantc no escriplorio do
Ihealro. .. .
Principiara s horas do cosame.
quer
CONSULTORIO DOS POBRES.
25 OTA BO COX.X.EGXO 1 ANDAR 25.
O Dr. I. A. Lobo Moscn/.o da consultas lioineopatliicas lodos os dias aos pobres, desde 9 horas da
manha atoo meio uia, c era casos extraordinarios a qualquer hora do dia ou noile.
Ollerece-se igualmente para praticar qualquer operaran de cirurgia, e acudir promplamenlc a qual-
inullierque esleja mal de parlo, e rujascircuinslanrias nao permitlam pagar ao medico, i
NO t:\SULTBRI I) Dll. P. A. LOBO "no
25 RA DB COLLEGIO 25
VENDE SE O SEGUINTE :
Manual completo do l)r. G. H. Jalir, tradujdo cm porluguez pelo Dr. Moscozo, qualro
voluntes encadernados em dous: ,\.............
Esta obra, a mais importante de todas as que tralam da homeopalhia, inleressa a todos os medicos'que
quizcreni eipcrimenlar a ''oulrina de Hahuemann, c por si proprios se conveucerem da verdade da
mesnia : inleressa a lodosos seuliorcs de engenho e rfazcnleiros que estao longe dos recursos dos mdi-
cos inleressa a lodosos capitaes de navio, que nao podein dcixar urna vez ou oulra de ler precisao de
acudir qualquer uicommodo seu ou de seus Iripolantes ; e inleressa a lodos frthefcs de familia cue
por circnnislancias, que nem sempre podein ser prevenidas, sao obrigados a preatar sorcorros a qualquer
1 vade-nicciim do hnmconalha nn TAnm*an .lo rfc u-inn mk^ ianan,-"*snlilulil s
'.* .
obra
autfooo
pessoasque se
85000
UQ00
103000
l.iJIKK)
509000
60*000
109000
J. H. Iieuker mudou o sen armazem e escrip-
lorio da casa da ra da Cruz n. 18, para o primeiro
andar'da de n. 13 da inesma ra.
THEATRD DAPOLLO.
A contiuissln dminisliativa da companhia de ac-
cionistas convida peta segunda vez a todos estes se-
nliores para a minian ordinaria da assemblca geral
que leve ter lunar no domingo 9 do correle mez
de julho s 10 horas da manha, como he determina-
do na ultima parle do artigo 17 dos estatuios da
uesma companhia, afim de se dar cumprimento ao
disposlo nos S do referido artigo.
I'rerisa-se alugar urna prcla que seja boa ven-
dedora, anda mesmo nflo leudo habilidades ; paga-
se bem : na ra do Padre Horiano n. 27.
vade-mcciim do homeopalha oo tradocciio do W. Hering, obra igualme
dedicara ao estudo da homeopalhia um volunie grande.......
O diccionario dos termos de medicina, cirurgia, anatoma, pharmaca, etc., ele.:
peusav el as pessoasque querem dar-se ao esludo de medicina ....
Urna carteira de 24 lubos grandes de finissimo christal com o manual do Dr. Jahr e o dicclak
nano dos termos de medicina, ele, ele.......-.......^t.
Dita de 36 com os mesmos livros...........,..'.. .i
Dita de 48 com os dilos. ,..... '
. C,ad2car,eir" he acompanhada de dous frascos de tinturas indspeosaveis, a escoiha. ?
Dita de 00 lubos com dilos. ^...... ........
Dila de 144 com dilos......."..*.
Estas sao acompanhadas de 6 vidros de tinturas escollia.'
As pessoas que em lugar de Jahr quzerem o Hering, te rao o abatimcnlo de OJOOO rs. em qualquer
das carlciras acuna mencionadas.
t'.artairas de 24 lubos pequeos para algibeira- '............. 88000
Pilas de 48 dilos ..... M^^.' ,...... ..... 16S000
lubos grandes avulsus.....7^^....... "... i ... 18000
Vidros de mera on{a de tintura .' '# ...'.'.'...'. !!"!!! 2S0OO
Scm verddeiros c bem preparados medicamentos nao se. pode dar um passo seguro na pralica da
Homeopalhia, c o proprictario desle eslabclecimento se lisongeia de le-lo o mais bem montado possivcl e
nmguem duVida hoje da superioridade dos seus medicamentos.
Na mesma casa ha sempre venda grande numero de tubos de cryslal de diversos tamaitos, e
aprompla-se qualquer encommenda de medicameuloscom loda a brevidade e por precos muilo com-
AVISOS martimos.
rara Lisboa segu viagem imprelervelmenle
ate 11 do prximo mezde jolito, a barca portugue-
za Cratidao: quem na mesnia quizer carrejar ou
ir de pKagem, para oque lem superiores commo-
ilos, eulenda-se com os consignatarios Thomax de
Aquino Fonseca & Fillto na ra do Vigario n. 19
Erimciro andar, ou com o capillo Aatouio Alves
'edrozo, na pra^a.
l'ara o Kio de Janeiro, sabe no dia 8. do cr-
reme, o bem condecido Inicuo Sagitario, recebeso-
mentc passageiros e cscravos, aos quaes costuma dar
boca Ir,llmenlo : a trillar na na doCollegio n. 17,
segundo andar, ou com o capilo a bordo.
COMPANHIA DE NAVEGAtAO A VAPOR LU-
ZO-BHASILEIKA.
Os Srs. accionistas
ilc.-la companhia s3o
convidados a realisar a
quarla prests^o de's^ as
arcoes com a maior
brevidade, para ser remedida a direcrao ua cidade
do Porlo, dirigiudo-se ao baixo assgnado na ra do
Trapiche n.26.Manuel Diirtc Rodrigues.
Para o Aracaly segu viagem por estes das,
o hiale I-'xalarao, por ler parle da carga prompla,
para o resto da mesma, e passageiros : lra(a-se na
ra da Madre de Deas n. 36.
RIO DE JANEIRO.
O brigue escuna nacional uMaria, se-
gu com brevidade ; para (arga, tralu-se
com Machado & Pinheiro, na ra do Viga-
rio n. 19, segundo andar, ou com ocapi-
to napraca.
Veude-se a han ara Santo Antonio de Lis-
boa muilo nova e velleira, e pega cm 22 caixas,
por preep mulissimn commodo, fundeada dafronle
do trapiche do algodo : a tratar ua Boa-Vista, bec-
eo doMariios n. 3.
LEILO'EST"
Terca felra 11 docorrente. s 10 c mcia horas
da manha, o agente Vctor far lcilJo no seu arma-
zem ra da Cruz o. 2*>, de grande e variado sort-
menlo de obras de marciueria de differentesqual-
dades, uovas e usadas, relngios do metal galvanisa-
dos para algibeira, ricas chapelinas de seda para se-
nliora, chapeos brancas de castor, e prelos, candioi-
ro para meio de sala, lanleruas ps de vidro, e cas-
quinlio, o retante dos livros que foram do finado
Dr. Jos Francisca de Paiva, diversas obras de prala
de lei, um cavallo para carro bom trotador: c outros
muilos objeclos que estaro. paleutes no dia do
IciUo.
AVISOS DIVERSOS.
ATTENCAO'
Roga-se ao amigo, caxa de oculos, que se deixe de
fazer lijlos as 3 horas da madrugada, pos alem de
nicominodar a visiuhanra, pode lcar maduro.
Um incommodado.
A pessoa que por engaito levou de cima de
urna mesa da secretaria de polica um ttulo de re-
sidencia de Francisco Jos de Souza : quereodo res-
litui-lo leve-o a Soledade n. 16, que muilo se llie
agradecer.
Ainda continua a estar fogida a ecrava cri-
oula de nome Remvuda, de estatura ordinaria, lem
bastantes marcas de bexigas no rosto ; levou vestido
de cinta desbolado : quem a pegar leve a ra do
Queimado n. 61, que ser recompensado.
Roga-se ao lllm. Sr. capiUto do porlo, tenha a
bondade mandar examinar o inslhomo pelo lado do
mar grande, logo cm seguimenlo a fortaleza do Bu-
raco, o qual se acba com menos de 30 palmos em
sua largura, por conseguinle quasi a arrombar-se,
por tanlo escapando das m.-s desle mez, Mlvex nao
escape as de agosto, quando sAo as mares do cqui-
uocio.Um que conhece o perigo. -
O capiao Ihcsoureiro do segundo balalhao de
infamara da guarda nacional desla cidade, scientili-
ca aos nlercssados, que coraprou por conla das cai-
xas a seu cargo, o hilhele da 2. parle da 5. lotera
da matriz da Boa-Vista desla cidade, n. 1818.
Ouem precisar de um caixeiro para taberna,
ou padaria, do que lem pralica, c mesmo para lo-
mar por balanro : anuunce por esta folha.
No beceo do Padre, sobrado por cima de urna
casa cm que so vende quitanda na porta, ha urna
senliora capaz que se ollereco pora rozinhar em sua
casa com todo o asseio, para qualquer pessoa que
precise :e bem assim a tratar de algum doente com
lodo o esmero, c delicadeza.
ATTENCAO'.
A preciosa agua de Malabar, dcscuberta
por Lascombe.
A' lodas com preferencia,
Bella agua de Malabar.
Ouem quizer venha comprar
No bazar Pernambucano.
Quem deixar de comprar
Para cabellos elxir
Tflo precioso licor
No bazar Pernambucano?
A cinco mil resa caixa
Ouem quizer ndc virver,
Oue lia muilas p'ra vender
No bazar Peruamliucano.
Cabellos brancos faz pretos
l>e cerlo modo applicada !...
Venliam ver, rapaziada.'
No bazar Pernamhucaiio.
Nao est na moda por cerlo
Tanta barba esbranqui^ada;
A olla, gente arruivada '.
No bazar Pernambucano.
^L
THESOURO HOMECPATHICO
OU
V4DE-HEC11 DO HOMEOI'ATHA
.' PELO
DR. S. O. LUDGERO PIMO.
Ra de S. Francisco (mundo novo) n. 68 A.
FRAGMENTO DEl'MA CARTA.
Foi assas acnlliido c saboreado aqu oThe-
souro llomeopalhiro; ns curiosos nSo po-
dem deixar de render a V. S. muilas agra-
w decimentos pela publicaraode Iflo importante
> obra, a melhor sem duvida nenhuma, das
que tent apparecido, ele. etc. elc^S
Engenho Guerra 1. de junhe-re 1854.
Jos Antonio Pires Falco.
Lascombe, que a descobrio,
Filara muito obrgado
Adverte-8e ao Sr. commandante do
batalbao da guarda nacional de Santo
Antoniq, oue elle nao pode chamar para
o servico da guarda nacional, revistas etc.,
aos individuos sobre que pende recurso,
poruuanto na^ estao ellos devidamente
auablicados, visto como inda lia para on-
e recorrer ; esta doutrina esta' explica-
da por um aviso do Sr. ministro da justi-
ca.publicado lia poucosdi-is neste Diario.
tWAO CONSELHO DOS DEZ SEM SER DE VE-
NEZA-a
Os abaixo assgnadosmoradores na ra da Sania
Cruz da freguezia da Boa-v isla, leudo assignado a
representaran feita a S. M. 1". o re resenlede Por-
tugal, contra o cnsul, c sen chanceller~Migucl Jos
Alves nesla provinri.i, vendo a maneira "desabrida
com que os membros do conselln dnsdez escolhidos
para inquiridores di lionri de scux compatriotas,
classificaram os signatarios de dita reprcseiitarilo ;
faltanam ao maissagrado dever, eseriam lachados da
mais reprovada cobarda, *e Dio pedissem aos sapi-
entissimos e immincntitsimo* membros, explica^des
a respeito de urna semelhanle qualificacao- feita por
suas..... ; e por isso pedem aos mesmos", qus se dig-
r-em declarar os nomes dos alienados, reos de poli-
ca e vadios, para que o publico sensato nao faca
algum juizo temerario a respeito dos abaixo assgna-
dos : pergunta-se mais aos mesmos, seos signatarios
daquella representarlo alo gozam do foro decida-
dflos porlusuezcs. por lerem sido qualificados com
os epipregos, oflcios, oceupages, e mais epithelos
que suas......iiivout ir.im, e se si aos docoiuefAo dos
de: cabe esse direilo : a falle de resposta ao que se
pede, habilitar os membros do consellto a serem ti~
dos ehaeidospor vis" calumniadores. Boa-Vista 7
de lilil" de 1854.ManoelJosc de tirito Harreiros.
/m: Moreira da Silva.Manoet Ferreira Fi-
alho.Antonio Fcrnandes de A.-.evcdo.Dominqos
Hernardino da Cunta.Antonio Alces I Helia.
Jos Antonio Fe reir.
A direcrao' da associacao' commcr-
cial dos lojistas, convida novaorenlea to-
dos os socios a i'cunirem-se em assemblca
geral, na casa das suas sessOesTnO dia 8 do
correte as 10 horas da inanha'aV
Precisa-so alugar um bom cozinliero, prefe-
re-se escravo, para urna casa cslrangeira de pouc
familia : na ra da Seala Vclha, na esquina do
beceo do Capim, n. i0.
. A Icllra que SO nerdeu no da 5 do crrenle,
aceil.i |tor Manuel Antonio Pereira Bainos, foi a
diada no dia antecedente, c existe cm in.io de seu
dono, Jos Mara de Mella Zumbo.
Aluga-se oseuunde andar com solam de um
sobrado, atraz do llualrn velho : a tratar com Luiz
Gomes Ferreira no Mondgo.
Oflcrece-se uuia mulher capar, para ama de ca-
sa deum homem solteiro ou de pouca familia, eu-
lende do servico, e por isso quem della precisar, d-
rija-se roa da Assumprao n. 61.
Fugio um papagaio, quem o achou qucreuilo
entregar : mande-o a ra des Cruzes n. 40
Os credoresde Benlo Jos Rodrigues que an-
da nao receberam seus dividendos, podem fa/e-lu
qoando qoeiram, do abaixo
M, da Franca.
Se souber, qua he procurado
No bazar Pernambucano.
Aluga-se ura pequeo sitio cora muilo boa
casa, no principio da estrada dos Afilelos ao p da
ponte do Manguinho, com varas arvores de frutos e
parreiral, com excellente agua de beber: quem o
pretender alugar falle no largo da Trempe, sobrado
n. I, que tent venda por baixo, que acha com
quem tratar.
Anlnuio Joaquim dos Sanios Andrade julga
nada dever nesla praca, e se algueni se julgar seu
credor aprsente suas cotilas at o dia 12 para serem
immediatamenle pagas ; ficam sendo seus procura-
dores: 1." Luiz Jos Rodrigues de Souza, 2. Ange-
lim Jos das Santos Andrade, e 3. Joao Baptisla
Rodrigues de Souza.
PROVARA'S.
Provar que a mui recente quebrada sala de dan-
sa rosca,hoje ressuscitada com a muilo aparatosa fir-
ma de R.......... debaxoda i inmediata direceao......
que perdeu na rosca otenla bagos. Provar mais o
supplicaule que entrn gratuito, nao so elle como
mais tres d'outra sociedade, e que os mais socios de
uuira-salas tetan entradae mensalidadesgralis, pos
que o rmilto illuslre director quer tomar conheci-
mento para a orellia da sola. Provar tambera que
a icenca he concedida a um tal C......c o que tal
pai da sola, cbmo socio, se arrogou a director sem
mais nem menos. Finalmente provar, que a maior
parle dos socios sao de modos \iveudos.Pin... Pol...
PG.Certifico que os provars cima sao exactos e
como tal podein ser publicadosDirector e pagador
C.....vice .....trintaespere que falta imulia fir-
ma como secretario e gereute de urna casa que bole
fura para mais de 30:::: eme vejo reduzdo,.'. aos mcus
Tamancos.
ANCDOTA.
Fallo euou cliia um carro,meus senhores,aqui nao
he batuque de cuia,estamos u'um cortiro de abclhas,
niens seuliores, a... a... ordem... la vai, mcus senho-
res, pares pa para a clioliza ; isto que vos cotilo he
verdade, e o que mais observar vos coularei da sti-
ma sala de dansa que leve sua abertura uestes dias.
Joao Pedro Vogeley, fabricaute de pianos,
afina e conceda com toda a perfeirao, leudo ebega-
doVeceutcmcitle dos portas da Europa, de visitar as
LOTERA DO RIO DE JANEIRi/
Acham-se a venda os 1 ti Hielos e^neios
bilhetes originaes da loteria nona, das
obras publicas de Nictherov. O paga-
mento dos premios sera' ellectuado logo
que se frzer a distribuieo das listas que
se esperam at 12 do corrente.
O abaixo assignado faz scenle ao corpo do
commerrio, que leiujautori-ado i rereber, todas as
suas dividas ao sea ex-soco Ilonizio Vellozo de Ma-
cedo. Jos Joaquim Lima liairuo.
Manoel Jos de Sa Araujo relira-se para fra
desla provincia, e pelo prseme pede a quem se jul-
gar seu credor aprsente sua conla para ser paga,
isto no prazo de 8 dias, na ra da Cruz do Recife
n.33.
PIANOS.
Taln Nash & C. acabam de receber de Londres
dous elegantes paoos, feilio vertical, de Jacaranda,
iguaes em qualidade e vozes aos dos b em conhecid
autores Collard & Collard, ra do Trapiche Nov
n. 10.
Roga-e a pessoa queapanbou nm papagaio queo
voou no dia 2 do corrente mez, da casa n. 12, pri-
meiro andar, da ra do Aragao, o qual tem em umo
pe dous dedos rodos e sem onhas, c no oulro urna
uulia bastante crescida, se digne leva-lo menciona-
da casa, quesera generosamente gratificada.
@99tt>i 5 DENTISTA FRANCEZ.
@ Paulo Gaignoux, estabelecido na rita larsa C*.t
@ do Rosario n. 36, segundo andar, coliuca den-
5$ les com gengivas artificiaes, e dentadura com- ;;;
pleta, ou parte della, com a presso do ar. 5:;
2:; Tambera lem para vender agua dentfrico do @
< Dr. fierre, e po para denles. Rna larga do @
;-.) Rosario n. 36 segundo andar. $
>! eaaaa
Precisa-se de urna ama para lodo o servico de
urna casa de tres pessoas de familia em Fura de Por-
las: na ra de Guararapcs por cima da padaria,
primeiro andar.
Traspassa-*c o arrendamento de um grande si-
lio pcrlo desta praca, que accommoda anniialineulc
tii \arras de leilc, com a eoiulieao de quera o pre-
tender, comprar as vaccas e cras que nellc existir:
na ra do Ou cuitado, toja n. 31.
O bacharel formado A. R. de Torres Itandcira
conlua a advogar, e lem o sen escriplorio na ra
eslrcla do Rosario n. 41, segundo andar, onde po-
lera ser. procurada das 8 horas da manhaa al a 1 da
larde.
Quem precisar de um caixeiro porluguez para
taberna, do que (em muita pralica, c mesmo para
lomar por bataneo, dirija-se ra do Rangcl n. 36,
que achata o mesmo para tratar.
O bacharel formado A. R. de Torres Bandei-
ra, profe-sor adjunclo de rhetorca e geographia, no
lycco desta provincia, prope-se a dar licocs deslas
mesmas disciplinas, ua casa de sna residencia, na ra
eslrcla do Rosario n. 41, segundo andar, onde po-
dera ser procurado para esle hu, das 2 horas at as
6 li2 da larde.
Perdeu-se na noile do da 4 do i or en le. da
l'i'.n.'-i da Boa-Vista at o Manguinho', um capote de
panno fino azul forrado de ganga encarnada, e com
a gola de orlo prelo : a pessoa que o achou, quena
fazer o favor entrega-lo na ra da Palma, em rasa
do bacharel Joaquim Ferreira Chaves, que ser re-
compensado.
Precisa-se alugar urna prela para o servico de
urna casa de familia, menos cozinhar eengommar :
a fallar na ra Augusta, no segundo sobrado viudo
do chafan/.
Aluga-se a loja do aterro 3
com bastante commodo a tratar com Frederco
Chaves, no mesmo sobrado.
Desappareceu de bordo do brigue Santa Bar-
bara, no da 1. do corrente, o prelo, orioulu, de ne-
me Luiz, reprsenla ler 30 anuos de iriade, pooeo
mais ou menos, cor fula, baixo. nariz chalo, tem al-
gumas marcas de bexigas ; levou camisa azul, calca
branca e bele de edr, o qual he natural das Ala-
goas : roga-se portantn a lodas as autoridades peli-
ciaese cpiUee de campo a sua apprehensao, e leva-
lo i ra da Cruz do Recife n. 3, escriplorio de
Amorim Innaos. ou a bordo do dito brigue, que se-
'r generosamente recompensado.
AVISO AO GOMMERCIO.
Manoel 4 Vllan tena a honra de participar aos
Srs. logislas, qoe se achara sempre na sua labrica,
ra da Cruz n. 50, um esplendido sortimento de
chapeos de sol para humen- c senhoras, lauto de'
seda como de panno, os quaes vendem-se em porreo
de urna duzia para cima, e por preces mdicos.
Precisa-se alugar animalmente ura sitio pedo
da cidade, que lenha casa soflnicl e algum arvore-
do ; na ra do Amorim n. 39, ou annuncie para ser
procurado.

Antonio Agripino Xavier de Brito
Dr. cm medicina pela laculdade
medica da Babia, reside na ra" Nova
n. C, primeiro andar, onde pode
ser procurado a qualquer hora para
o exercicio de sua profittSo.
OSr. Josti Antonio da Cunha, tem
carta na livrarian. 6e 8, da praca da In-
dependencia.
O abaixo assignado por si c por parle de seus
rmas Honorio Telles Furlado c JnoTelles Furia-
do, moradores lodos nesla comarca de Garanhuns,
preyinem pelo presente ao publico desta provincia e
limilrophes, para que de nenhuma forma negociem
com a madrasta dos mesmos, a Sra. Maria d San-
ta'Anna I^ite Furtado, a respeilo do dominio de
urna cscrava parda, de nome Sabina, que se acha em
poder da dila senliora, no valor do cuja escrava lem
os anuunciantcs suas colas-partes, que em inventa-
rio por fallecintcnlo do pai commum, Ihes cnube ; e
para evilarem qualquer fraude ou pretexto de igno-
rancia, fazem o presente. Villa- de Garanhuns/) de
uiiho de 185-1.Jos Telles Furtado. J
Othesoureiro Francisco Antonio de
Oliveira avisa ao rcspeitavcl publico, (|tie
a loteria da matriz da Boa-Vista corre im-
preterivelmente no dia 1 i de julho seja
qualr a quantdade de bilhetes que i-
carem por vender, e os respectivos bilhe-
tes estao a venda nos lugares dcostume.
PASSAPORTE PARA PA1ZES ES1RANGEIROS.
Na ruada Cadeia do Recife n. 3, primeiro andar,
11 rain-se passaporles para os estranceiros que quizc-
rcm viajar dentro e fra do imperio : projncttc-sc
tu on i|iticl:e i e comino di da de de prero.
W O Dr. Joao nonorio Bezerra de Menezcs,
@ formado em medicina pela faculdadn da Ba-
lii-i, oftrece #u- prestimos ao rcspeitavcl pu- J$
;:; blico desla rajiilal, podendo ser procurado a @
C-! qualquer hori em sua rasa ra Nova n. 19, ::;
;:; segundo andaV: o mesmo se presta a curar yz
3$ gratiiilamriiMaos pobres. g$
Jos de Modeiros Tavares, por sen bastante
procurador, vendo o annuucin do Sr. Jos Dias da
Silva no Diario de 5 do correnle, declara ao mesmo
Sr. Jos Dias, que em quanlo a ratificaran de arren-
damento que llie fezoSr. Joaquim Soarcs Raposo da
Cmara do vinculo da ilha de S. Miguel do reino de
Portugal, nada lite vale por I he liaver o mesmo Sr.
Joaquim Soures Raposo da Cmara, muito antes da
relilicarao.passsado escriptura de arrendamento e re-
cebido 1:2U0g00O de daos anuos do renda adialita-
dos, cuja escriptura foi passada ao Sr. Domingos
Henriques de Oliveira, e por este cedida a Tavares.
Anonio Domingvis de Atmeida Poras.
Precisa-sede urna ama para casa' de pequea
familia, porm quo saja cuidadosa e prompla para
todo e qualquer servido de portas a deniro, e que
saiba cngominar : na ra do Hospicio n, 34.
O Sr. Joao Jos da Costa Santos deixou de ser
i a i \ei ro.do abaixo assignado e da agencia da compa-
nhia bra-llena de paquetes de vapor, desde o dia 13
do me/, prximo passado. Tlujmaz de Faria.
Ha urna caria para ser entregue ao Sr. Anto-
nio de Sa e Albuqoerque, e onlra para Francisco
Paes Brrelo : na ra da Cadeia du Recifen. 41.
Ofiere-se para ama de casa urna mulher qae sa-
be fazer todo o servico de urna casa: no Recife,
beceo do Luiz Gomes.o segundo da ra da Cadeia,
indo de Sanio Antonio, casa ao p do Sr. Conlia.
. Sexla-fcira, 7 do correnle, perante o Sr. Dr.
jitiz de direilo da primeira vara do civel, ua sala das
audiencias, a 1 hora depois do meio dia, se ho de
arrematar a quem mais der, varios objeclos peden-
cenles a testamentaria do tinado Joaquim Jos Fer-
reira, pelos procos constantes do escriptoque seacha
cm poder do podeiro do juizo Joao dos Santos Tor-
res, e v3o n praca requerimenlo de Manoel Joa-
quim Ramos e Silva, leslaraenteiro do mesmo fal-
lecido.
Precisa-se de um menino de 12 a 16 annos pa-
ra caixeiro : na fabrica de Antonio Carneiro da Cu-
nha, nos Coelhns. Na mesma fabrica aluga-se ou
compra'se urna preta coziulteira e engoiumadeira ;
paga-se bem urna ou oulra cousa.
' Aluga-se um preto cozinheiro, sem vicio e h-
bil para outro qualquer servico : uo armazem da
ra Nova n. 67.
Precisa-se de um porluguez para feitor de um
sitio, que enlcuda de plantacOes : no armazem da
ra Nova n. 67.
Lava-so. engomma-se e cosem-se camisas de
homem e vestidos de senhnra, assim como obras para
loja: na ra eslreita do Rosario n. 12, segundo an-
dar.
Joaquim Pereira da Costa Larangeira, subdito
porluguez, casado, vai Europa tratar de sua
saude.
Marcelino Jesa Antunes, subdito podugaez,
vai fazer una viagem au norte da provincia.
Prcisa-se de um caixeiro de 12 a 14 annos,
com pralica de taberna ou sem ella, que d fiador a
sua conduela : na ra das Cruzes n. 20.
Precisa-sede um feilor que saiba tratar de po-
mar c encherlar : no aterro da Boa-Vista n. 43. Na
mesma casa precisa-se comprar urna canoa de car-
reira para 6 ou 8 pessoas.
Precisa-se de um menino porluguez de 12 a 14
annos, para caixeiro de loja de miudezas : no aterro
da Boa-Vista, hija de miudezas n. 72.
Precisa-se de urna ama, nao sendo que trage
de timilo : na ra Direila n. 72.
Eugomma-se, lava-se e cosc-se com perfeirao
e por procos commodos : na ra do oilao da matriz
da lina-\ isla n. 3i. '
Desappareceu do engenho Cosmorama, nn Ca-
bo, no dia 30 de junlin, um moleque de nome Joao,
de idade 18 a 20 anuos, leudo ambos os ps cucha-
dos (sendo um mais que oulro) : quem o pegar, le-
ve-oao sobrado de dous andares junto a igreja do
Paraizo, que sera recompensado.
Os abaixo assignados, caixeiros da ra Direila,
assignantes da rcpresenlacao a S. M. el-rei regente,
contra o cnsul e vice-cousul nesla provincia, a bem
de seu direilo, precisim que Ss. Ss. maudem pas-
sar por ccrliuao, avista de seu livro de qualiflcacao
em que o coitsclho os qualifica, para que o publico
nao os julgue dos alienados, cgos, reos de polica,
ou desvalidos, pos esperam scm aggravo do conse-
llio, que os defiram.E. R. Me.joo de Araujo
Lima, Joao Francisco de Bra:, Aleara Jos Este-
ves Braga, Manoel Carreiro da Silva, Antonio
Manoel de Oliveira Villa, Antonio da Costa Mi-
randa Bastos.
Pcrgunta-sc ao torcedor de pavios Fortunato
dos Anzoes, cm que escola aprenden a classificar as
qual ida le- alheias, ou se o paviod essa sciencia.
O desertor do cemiterio.
Aviso ao esqtiadrao.
Na ra do Queimado n. 50 lia para vender por
preso coinraodu um sellim e seus pertencea e um
fardamenlo completo para um guarda de avallara :
quem pretender dirija-se a mesma casa que achara
com quem tratar.
PARA A FESTA.
Sellins ingleses para homem c senhora
para
Vcndem-se sellins inglezcs de pa-
tente, com todos os pcrleuces. da me-
lhor qualidade quo tem viudo a esle
mercado, lisos e de hurranne, por
pieco muilo coromiMhk^Mn cwa ue
Adamson Home &'Companhia, ra
do Trapiche h. 42.
Vcnde-se um escravo rrioulo bom official de
sapaleiro, com 21 anuos de idade ; qnenfo preten-
der procure na ra do Tambi, casa do al Tere do
nono balalhao de iufautaria UasmuiidoNonalo da
Silva.
SACCAS COM MILHO.
Ja' chegou da Parahiba urna porcao.de
saccas, e acham-se no trapiche da alfart-
dega velba
Na ra das Cruzes taberna do Campos, vendem-
se e alugam-se, lano a retalho como por junto, aa
melhores que ha no mercado bichas hamburguezas,
por preco commodo.
LOTERA da provincia.
Aos 10:000a.
Na casa feliz dos qualro canto da ra do Queima-
do n. 20 estao venda os afortunados bilhetes e can-
lellas da lotera da Boa-Vista que corre oo dia 14 e
paga-sc os premios de 1:0003'para cima sem descon-
t al&iim.
Vcndem-se carros de mo, fortes, e hem cons-
truidos, carroras para bo, e lambem para cavallo,
ps de larangeiras de umbigo e da china, ps de
fructapio.de sapoly, e de limao para ierra,ludo por
prero muilo commodo : na punte de 1,'clioa sitio de
Joao Carroll.
\ ende-se sola muilo boa, em pequeas e gran-
des porciies, chrsada itllimamenle do Aracaly : na
ra da Cadeia do llerife n. 49. primeiro andar.
VELAS DE CERA DE CARNAUBA.
Vendcm-se velas de cera de carnauba, em caitas
pequeas e grandes, de muilo boa qualidade, feilas
no Aracaly : na ruada Cadeia do Recife n. 49, "pri-
meiro andar.
CERA DE CARNAUBA.
Vcnde-se cera de carnauba, cltegada agora do A-
racaly : ua ra da Cadeia do Recife n. 19, primeiro
andar.
Vcnde-se nm burro de sella : na ra dos Gua-
rarapeso. 36.
Relogios de onro patente iuglez ja bem conhe-
cidos nesle mercado, papel de peso proprio para se
eacreverpor paquetes, lindas de algodao em carri-
tew de 200 jardas, fio de linho proprio para alfaiale
e sapaleiro, bicos de algodao em cadoes pequeos,
Judo or prejo commodo, em casa de Russell Mel-
lors fl, Companhia : na ra da Cadeia do Recife
UNGAS DO RIO GRANDE.
"yb*' vendem mais barato as boas linguas
f ao R'"> Grande: no armazem da ra da Praia
n. 6o
Yende-e um carrinho de -i rodas,
l'at inli.i de mandioca.
Vende-se muilo boa familia de mandioca ;
a bordo do brigue nacional Inra, chegado de
Santa Calharina: para porcOes, trala-se no %
escriplorio da ra da' Cruz n. 40, primeiro 0
andar. a
V ende-se um lelheiro grande, par preco com-
modo : quem quizer, a fallar com Frederco Chaves,
no aterro da Boa-Vista n. 1?..
Vende-se oo pcrmula-se por urna casa terrea
deniro da cidade, um bom silio na estrada do Rosa-
rinlio, com casa de pedia e cal, boa cacimba, bas-
lantcs arvor;dos de fruclos, boa baixa, e cm Ierras
proprias : a tratar com Frederco Chaves, no aterro
da Boa-Vista n. 17. ""*
Vendem-se camisas de meia para cras recerc-
nascidas, pelo diminuto preco de300rs. cada orna :
nn Bazar Pernambucano, ra Nova n.33.
Vendem-se 4 molecoles de 14 a lannos, sendo
1 bom otlicial de pedreiro, e 2 cscravos mocos : na
ra Direila n.3.
IflIMitM
9 Nao pode ser mais barato. W
i Na ra do Queimado n. 10 vendem-se fa- SS
zendas por preco lAo barato, que so o com- S
7 prador vendo acreditar. f/
fe Chita franceza larga. 200 A
l Barege de laa e seda para ves-
f tido de senliora ....'.
b Castas de cores muilo finas.
f'Riscados francezes ....
f Corles de casemira de 13a. .
? Chapeos irancezas.....
Brim de linho de cor. .
) Chales de seda.....
k Chitas de barra largas .
Fil de cor larga ....
360 cov.
500 var.
200 cov.
48000
69000
600 var.
58000
240 cov.
640 var.
i
i
COLUTORIO HOMEOPATHICO.
9Ki,TXTO ??j. es ;:e?.es.
P 28 UVA DAS CKI'ZKS 28.
(A O Dr. CASANOVA medico franecz. di
W consullas lodos os dias, e pode ser prucu-
B rado a qualquer hora. t^j;
\ No mesmo CONSULTORIO RUA'DAS-A
vrf CRUZES N. 28, aonde morou o Sr. GOS- W
') SET BIMONT, acha-se venda um gran- (3i
k de sortimento de CARTE1RAS de lodos jS
w os tamaitos, por precos commodissimos. W
A ELEMENTOS de liomcopatlia e pallioge- (^
!2 nesia hrasileira. Esla obra he muito im- X?
^f portante para as pessoas que se querem 'i?)
fc tratar a si mesmo, sendo a maior parte Ira- /<*
T? ducrao das obras do Dr. J4II lt, accommo- W
:) dada a inlelligeuca do povo, 4 volomes, (^))
pelo baratissmo proco de. 63OOO /A
1 carteira de 60 lubos grandes. 308000 W
1 dila de 48........223000 B
1 dita de 36........168000 Z
1 dita de 21........129000 W
1 dita de 21 tubos pequeos. (000 (
1 dila de 24 dilos......000 W
Tubos grandes avulsos a escolher 500 \&)
J)ilos pequeos jdem..... 300 ft*.
)i tica de tintura escollia 1;SMX) y?
3
i
i
8
Avia-se qualquer encommenda com pi e-
lesa, e por precos muilo cm conta.
Esle eslabelecimcnlo est bem conhecido
melhores fabricas de pianos, c tendo ganho ncllus lo-1 (A e baslante arredilada em todo o imperio, e
lili. llB Piilili'iomiinl.., n iM'iliai .1.. lniij.ii TT.n :i f I I II _.< > 11 mill holll 1 1: il i I I I i- nMHBAl li ii_
dos os couhccimenlos e pralica de construcres de
modernos pianos, oflcrece o seu preslimo ao respei-
lavel publico para qualquer concert ealinarOes com
lodo o esmero, tendo (oda a certeza que nada' tica a
desojar as pessoas que o incumban!de qualquer Ira-
baldo, tanto em brevidade como em mdico prero :
ua ra Nova n. 41, primeiro andar.
ASSOCIACAO' LOCISTA.
H He convocada novamente para
assembla geral no dia 9 do corren-
g te (domingo), pelas 10 horas da ma-
R. nhaa, ese tomara' qualqner dclibe-
g racao com o numero cpie compare-
g cer na conformidade do artigo 49
0 dos estatutos.
gWWfWWHJOB-^
Na ra larga do Rosario n. 22, segundo aujar,
se precisa fallar enm a viuva do finado Manoel de
Souza Raposo, a negocio que Ihe diz respeilo, ou cu-
tio que annuncie sua morada para ser procurada.
Precisa-se de urna ama de leile, forra ou cap-
tiva, para se encarregar da criarau de urna menina
nascida ha pnucos dias : ua ra larga do Rosario n.
30, lerceiro andar.
508000 de gratificacao
a quem pesar o moleque, crioulo," de nomo Andr,
calraeiro, idade 17 a 18 anuos, secco do corpo c al-
io ; fugio no dia 24 de maio prximo passado ; ro-
ga-se a todas as autoridades policiaes e capitacs de
campo, que levem-o a sen senlior, no Forte do Mal-
tos, trapiche do algodo, ou na cidade de Olinda, no
Varadouro, a Joao Antonio Moreira, que prompla-
inenle dar o prouicllido.
Pergunta-se ao Ilustrado autoro incgnito P
da classilicaeao dos dez rominerciaules de que trata
a sua geiiuina publicacao no Diario de Pernambu-
co de 6 do correnle, se um accionista das corapa-
nhias de conimcrcio, Banco de Pcrnamhuro, da da
vapores a Pernamburana, da de seguros Utilidade
Publica,e alem disto tambemproprielario,muilocm-
bora tenha otilras oceuparocs commerciaes de que
vive ha mais de 27 anuos passados, pode ser qualifi-
cado commerciaiilc nesla praca, e senaocm que lu-
gar deve ser collocado, seitoc legista, nnuazenario
de assucar, carne seeca. miudezas, ferrageus, arli-
(a. laherueiro, ou linalme'iile no da nohre elasse de
caiieiros. Com a sua resposta lalvez ainda volle o
\ Roque.
A eommissao encarregada de fcslejar c fazer
urna procss3oaomilasroso padre Santo Antonio pelo
milagre que fez de nao acontecer desgraca alguma
a,fe habitantes ,| i Capuuga, na grande ohcia do dia
22 para 23 do correnle. tem determinado mandar
cantar una missa esermaona ".reja de S. Jos do
Mansiiinlio, edahi sabir em procissao pela povoaeao
al o lugar aonde o levaram os habilanles na orca-
sio do perigo, e aonde lhe lizcrara esta promessa, e
assiyuado Joaquim L. para que rheguc ao conheciuieulo de todas se faz o
presente.
J. J. PACHECO.
NEW ANDELEGANTDAGEHHEAN
GALLERY.
Piclurcs i.iken at Ibis Esla-
blishraent Warranted to give sa-
lisfaclion, n. 4, aterro da Boa-
Vista, lerceiro flnor, chrvstalo-
lypu. Gallera enriquecida de.
magnficos quadros delirados e
de alabastro, primorosas caitas
e lindas cassolclas, allinetes e
anoeis. Tiram-se retratos quer esteja o lempo claro
ou escuro. O respeilavel publico he convidado vi-
sitar o cstabeleciinento, emboca nao queira retratar-
se : aterro da Boa-Vista n4, lerceiro andar.
COMPRAS.
tvo, nHjjitp elegante e maneiro, vindo de
:ftr
ra da Cruz n. 26, primeiro
Franca
andar.
Vende-e'VinhohruncodeBordeaux,
em garrafa, a_9j500 a duzia : no Reci-
fe, ra do Trapiche, em can do Sr. He-
brard e Fernando de Lucas.
Na ra do Vigario n. 19, primeiro a*dar, ven-
der cera lauto em grume, comoem yellas.cm cai-
xas, com muilo bom sortimento e de superior quali-
dade, chegada de Lisboa na barca Gratiiao, -assim
como bolachinhas em latas de8 libras,e fartllo milo
novo era saccas de mais de 3 arrobas.
#
|P Deposito

&
de vinho de cham-
pagne Chateau-Ay, primeira qua-
lidade, de propriedade do condi
de Mareul, ra da Cruz do Re-
cife n. 20: este vin|io, o melhor
de toda a champagne vende-
se a 56^000 rs. cada caixa, acha-
se nicamente em casa ie L. Le-
corntejeron & Companhia. N. R.
As caixas sao marcadas a fogo
Conde de Marcuil e os rtulos
das garrafas sao azucs.
Compra-se prata hrasileira c hespa-
nhola : na rita da Cadeia do Recife n.
24, loja de cambio.
Compram-se [-criodicos para cmbrulho a 3*800
a arroba, garrafas e holijas vasias de todos os lama-
nhose qualidades, vidros lambem de lodos os lma-
nnos e polcs de graina, ludo usado: no paleo do
Darmo_\cnda da esquina da ra de Hartas n. 2.
Compram-se aceces do Banco de Pernambuco:
ua ra da Cruz, casa n. 3, de Amorim Irmaos.
Compra-se ettpclivame nte bronzo, lutao e co-
bre velho : no deposito da fundirao d'Aurora, na
ra do llrnin. logo na entrada n. 28, e na mesnia
fundiclo em S. Amaro.
Compram-se acroes do banco de Pernambuco:
na ra do Queimado n. 9, casa de Antonio Luiz de
Oliveira Azevedo.
Comprase um prelo velho, que possa tralar de
nm cavallo, e fazer algum servico leve : ua ra da
Praia de Sania Bita.
LOTERA da matriz da ROA VISTA.
Casa da Esperanca ra do Quei-
mado n. 61.
Nesta casa est a venda om completo sortimento
de cautelas desla loteria. cujas rodas andam no dia
14 de julho.
Vende-se urna batanea romana com lodos os
seus per tcnces. em bom uso e de 2,000 libras : quem
a pretender, dirija-se :i ra da Cruz, armazem n.4.
A 500 RS. A TABA.
Brim trancado branen de puro linho, muilo cn-
eorpado : na loja da esquina da ra do Crespo que
volla para a cadeia.
CBEBTOBES.
Vendem-se cobertores dla pete a 800 rs., ditos mui-
to arands a 1*400, ditos broncos com barra de cor a
1 ;280,role (i.i. brancas com sal picos a ljOOO : na loja
da ra do Crespo, n. 6. ,
BRIM DE TURO LINHO. PROPRIO PARA
MILITARES.
Vende-se brim de linho brauco muilo encorpado
a 500 rs. a vara, cortes de casemira elstica a 41000,
pauno azul para fardaAje guarda uacional a 3*000
e .IjlKKI o ro\ado. (Iilojrolo para palito, a 3JSOOO,
4000 e 4*300, lenr;os de sed de 3 ponas, proprios
para senhora bolar pelo hombros a 610 cada um, e
muilo mais fazendas ern conta ; na ra do Crespo,
loja n.6.
VENDAS.
acha-se o mais bem montado possivcl. c es-
W cusado he querer elogia-lo. v&y
ATTENCAO'.
' No dia da grande cheia desappareceu unta canoa
grande, abeda, j usada e sem numero, amarrada
em urna estaca margein do rio Capibartbc, por dc-
traz da casa do Sr. Luiz Aulonio de Siqueira, na
ponte de L'choa : quera a liver pesado, ou souber
onde est encalhada, dirija-se ra da Aurora u.
26, primeiro andar, que ser hem recompensado.
SOCIEDADE PERNAMBUCANA.
A carne verde nos aroiijjttes da socieda-
de sera' vendida na semana a decorrer de
9 a 15 do corrente, ao prero de 8 pata-
cas da primeira qualidade, 7 patacas da
sepunda qualidade*
Os abaixo assignados, poduguezes, moradores
na ra do Raugel, roam>i^Mu Sr. Malhias de Aze-
vedo Villarouco e mais incnihros do romielho dos
l>ez,,iSqueiram declararse ellos estao comprelien-
didos uo numero dos reos de polica, alienados, fal-
lidos, fugido9, ou eujos nontes sao dos iporriphus ou
nsigniucaiites.de que trataran) nocame a que pro-
cedern) as assignaturas da represenlacao que a sua
maucstade el-rei regente, dirigirn) os portogoezes
aqui residentes, ou entao se digne declararos uomes
dos que assim classilicnram, para Iranquilidade de
mu i tos.Josi Joaquim Ferreira, Domingos Ferrei-
ra Lima, Bernardino Ferreira Lima, Joito Simes
da Co'la, Jos Ignacio Arruda, Manoel de Souza
Tacares, Manoel Joaquim da Silva Figveiredo,
Antonio Jos Ferreira, Mannel Jos I 'tetra. Joo
Buptisla Rodrigues, Antonio de Cauto l'icira. A
roso de Antonio dos Santos Frailas, Francisco Ro-
drigues de Figueireio.
SOCIEDADE R............
Esla sociedade contina a dar soires, etc. ele, as-
sim como lambem recebe socios de oulras salas gra-
tuitamente ; o director anliso. abaixo assisnado, se
propic com com outros sucios a ensinar aiis uovicos
licqsa vcrmclha he que ganda a prela perdeba
inesma forma se previne aos pas de familias, que
maudem suas lillias para lomar lirOcs de boa moral
la............ O bot que sopra.
O abaixo assicnado lem justo c contratada com
o Sr. Jos. Carlos Marinho, a compra de uina casa
terrea c um lerreno contiguo a mesma, na passa-
sem da Mas Jalona : quem se julgar com direilo a
ditos bous, di rija-se ao largo da Alfandcga n. 63, c
isto uo prazo de 3 dias.
Francisco de Paula Dias Fcrnandes,
Joao Vernandes. subdito portusuez, morador
na ra detrada matriz da Boa-Vista n. 61, de hoje
om diante assignar-se-ha Joao Ferdamlcs da Silva
Oliveira.
O pruprielario de duas pedias de moinlio que
estao ha lempos no paleo da Alfaiidega. junto a igre-
ja da Madre de Dos, querendo as vender, dirija-se a
ra da Senzala Velba, lerceiro andar da casa u. 112,
ou auuuucie para ser prucuradu.
O bacharel formado em mathemali-
z9 cas, Bernardo Pereira do Carmo Jnior, en- 2?
9 s'na arillunetica, algebra e geometra, das @
j~. i s ."te mcia horas da larde : na ra Nova a.
5? sobrado n. 56. 5
D. W. Bynon cirursio dcnlisla americano
reside na ra do Trapiche Novo n, 12.
Necessila-sc de urna escrava ou escravo, que
seja bom cozinheiro, e que entella de ludo perten-
ecido a rozinha : no consulado americauo n. 4, ra
do Trapirhc, ou no armazem de avis Compa-
nhia, ruada Cruz n. 9.
Precisa-se de um criado e urna criada de mcia
idade : uo aterro da Boa-Visla,loja n. 18.
J. Jane dentista,
contina rezidir na ruaNuva, primeiro andar n. 19.
9 O Dr. Sabino Olegario I.misero Pinito mu- ;<
dou-se para o palacete da ra de S. Francisco
S 'mundo novo) n. 68 A. A
* >3 @@S..5@
Convida-se pelo presente a Jlo Ferreira Lei-
lc, que se presume estar actualmente em Cariri-Vc-
Ilt<>, provincia da Parahiba, lilho do velho Pedro
Ferreira Leile, hroes bem rnuhccidos na comarca
de ltoniln desla provincia, para que venha quanlo
antes satisfazer a quantia de rs. 200jj(XM), constante
de urna lettra que aceilou no dia. 7 de abril do cor-
rente anuo, nesla comarca de tjaranhuos, a prazo
de 23 das, em i'avor de quem- elle bem sabe : se o
nao lizer com brevidade se far publico todo esse ne-
gocio, que lie sobremodo desairoso ao dilo Leile.
*- Precisa-se de urna cscrava para o servico de
urna casa de pouca familia : na ra do Hospicio 3>
casa nova a direila depois de passar o qnarlel.
Na ra de Horlas n. 112, primeiro andar, pre-
cisa-se de urna prcla escrava para o servico de
de opuca familia.
LOTERA DA MATRIZ DA BOA-VISTA
AOS !0:000>,-4:000.s E 1:000$000 rs.
O caulclisla Salusliano de Aquino Ferreira avi-
sa ao respeilavel publico, que as rodas da mesma lo-
tera, lem o seu imprelerivel andamento nodia 11
de julho do Torrente, em virludedo aun unci publi-
cado no Diario de Pernambuco de 8 de jiinlio n.
131, pelo Ihcsoureiro o Sr. Francisco Antonio de
Oliveira. Os seus afortunados bilhetes c [cautelas es-
tao eiposlos venda as lujas seeuinlcs: ruada Ca-
deia do Recife n. 43, de Jos Fortunato dos Santos
Porlo ; na pr.iea da Independencia n. 4, de Fortu-
nato Pereira da I'onseca Bastos, ns. 37 c 39, de An-
tonio Augusto dos Santos Porlo ; ruado Queima-
do n. 44, loja de fazendas de Bernardino Josa Mon-
leiro ct C. ; ra do l.ivr.imeitto botica de Francisco
Antonio dasChagas ; roa do Chus botica de Mo-
reira A; Fragoso ; rna Nova n. 16, loja de fazendas
de Jos Lnz Pereira i\; Fillio ; Boa-Visla loja de ce-
ra de Pedro lsnacio Baplisla. Pasa sol sua respon-
sabilidade os tres premios grandes scm o descont de
8 por cont do imposto scral.
Bilhetes lljjtioi) 10:0008000
Mcios 5*300 5:00Q500
Quarlos 28MO0 2:5008000
Decimos 18300 1:000*000
Vigsimos 700 500000
Os abaiao assignados, donos da nova loja de
ourives da rna do ('.abusa D 11, conl'roiite ao
palco da matriz o ra Nova, franqueiam ao
publico era geral um helio c variado sorti-
mento de obras de miro de muilohons gos-
los e precos que nao desagradarn a quem
queira comprar ; os mesmos se obrgam por
qualquer obra que veiidcrein a passar una
cunta com responsabilidad!', ospeciBcando a
qualidade do miro de I OU 18 quilates. I-
candn assim siijeiiospor qualquer din ida que
O Dr. Firmo, medico, tntulou sua
residencia para a ra estreita do Rosario
casan. 30, segundo andar,
CARTAS DE ENTERRO.
Vendem-se cartasdeconvite para enter-
ro de gosto moderno: nalivraria n. 6, e
8 da praca da Independencia.
Vende-se urna cabra*com bastante leile c mui-
le mansa, no arcial do forte das Ciuco Ponas, casa
da esquina do lado da roarc, n. 49.
Vende-se um mulatinho de 16 an-
nos com principio de belieiro : no lar-
go do Capim, coclieira de Paulo & Silva.
A taberna do largo do Carmo, quina da ra de
Horlas n. 2, acha-se surtida de lodos os generas ne-
vos, de boa qualidade e baratos; manteiga inglcza e
Iranceza, boa, de 400 al 800 rs., loucinho novo, o
melhor que ha no mercado a 360 a libra, cha a 2^080
e29.-,60, azeile doce a 6401 garrafa, vinho o melhor
possivel a 400 rs. e 480 a garrafa, qaeijos muito
bous a qualro patacas e duze vintens, lambem se
vende pilo como na padaria a cinco por qualro, pe-
neiras de rame para os seuliorcs padeiros c refina-
duresa78e85000rs.
TYPOCRAPHIA.
Na ra das Flores n. 37 primeiro andar, vende-
se urna typographia nova cora todos seus pertenec.
Planos.
Os amadores da msica acham continuadamente
em casa de Brunn PraegeriCompanhia. ra da Cruz
n. 10, um grande sortimento de pianos fortes e fortes
pianos.de dillerentes inodellos, boa conslrucrao e bel-
las vozes, que yendem por mdicos precos; ssim co-
mo toda a qualidade de instrumentos parajmusica.
VeiMe-se azeite de nabo clarificado,
proprio para candieiros de mola por ser
muito fino, a l.s-800 rs. a medida: no ar-
mazem de C. J. Astley & C, ra do Tra-
piche n. 3.
Vendem-se em casa de S. P. Jolins
ton & C, na ra de Senzalla Nova n. 42.
Linho do Porlo superior engarrafado.
Sellins ingleses.
Relogios de ouro patente inglez. .
Chicotes de carro.
Farello em saccas de ." arrobas.
Fornosde farinlia.
Candelabros e candieiros bronceados.
Despenceira de ferro galvanisado.
Ferro galvanisado cm folha para forro.
Cobre de forro.
Tatema cm bom lugar. ;
Vende se a taberna do palco do Terco n. 2, a di-
nheiro, ou a prazo com ba lirma : quem .pretender
dirija-se a Iravcssa da Madre de Dos, armazem nu-
mero 7.
E. Didicr & C. ra da Cruz n. 51, leem pa-
ra vender : reuns grandes envernisadns para ro-
bera de carros, molas superiores para dilos.
Vcnde-se nina cscrava de nacao, por precisflo,
rom idade de 38 a M anuos, pela quaulia de 3508 :
a tratar na na do Brura, rasado solio, confronte a
fundiclo insleza. ,
Na ra das Flores n. 21, na taberna confronte
ao porto das canoas, vendein-sc saceos com milito, e
saccas com lariulia da Ierra.
SACCOS COM MILIIO.
Na taberna de JoBo Baptisla don Sanios Lobo, na
Iravcssa do arsenal de cuerra, n. 1A.
PALITO'S FRANCEZES.
Vendem-se palitos francezes de brim de linho c
brclaiida a 38o00, e 4>000, ditos de alpaka pelos c
de cores, 88000, dilos de panno lino prelo e de
cores, a 11?, I6"> c 18-3, ludo de ultima moda c bem
acabados : na ra Nova loja n. 16 de Jos Luiz Pe-
reira iS Filbo.
\ endem-se diversas pecas de msica chegadas
pelo ultimo vapor da Europa, como sejam : passo
dohrado, ordinarios, tercetos, polkas o quadrildas,
por preco commodo : ua ra Nova, n. 16.
Vcnde-se a obra Rorrearan Pliilosophica, pc-
lo padre Tlicodoro de Alineida : na ra .Nova, nu-
mero 16.
MOENDAS SUPERIORES.
Na fundicao de C. Starr ci Companhia
em Sanio Amaro, aclia-se para vender
moendas de caimas lodasde ferro, de um
modello e construccao muito superiores.
ARADOS'DE FERRO.
Na fundicao' de C. Starr. & C. em
Sanio Amaro acha-se para vender ara-
Idos de ferro de i-iior qualidade.
:SB8,
fRlL!l.\.
SALSA
Vicente Jos de Brito, nnico agente em Pernam-
buco de B. J. D. Sanes, chimico 'americano, faz pu-
blico que lem chegado a esla praca urna grande por-
cao de frascos de salsa parrilha de Sands, que sAo
verdadeiranicnlc falsificados, e preparados no Rio
de Janeiro, pelo que se: devem' acaulelar os consu-
midores de 13o precioso talismn, de cahir neste
engao, tomando as funestas consequencias que
sempre costumam trazer os medicamentos falsifica-
dos e elaborados pela mo daquelles, que antepoem
seus inleresses aos males e estragos da human idade.
Podanto pede, para que o publico se possa livrar
desla fraude e distingua a werdadeira salsa parrilha
de Sands da falsificada e recntenteme aqui chega-
da ; o annunchtnle faz ver que a verdadeira se ven-
de nicamente em sua botica, na ra da Conceicao
do Recife n. 61 ; e, alm do receiluario que acom-
panha cada frasco, tem embajxo da primeira pagina
seu nome impresso, e se achara sua firma em ma-
nuscriplo sobre o invollorio _impresso do mesmo
jraros.
Vende-se um cabrioiel com sua competente
robera e arreos, ludo qusi novo ; assim como 2
cavallos do mesmo j ensillados mansos : para ver,
ua cocheira do Pedro ao.pe do arsenal de mariiiha, e
para tratar, na ra do Trapiche Novo n. 14, primei-
ro andar.
DEPOSITO DE PANNO DE ALGODAO
DA FABRICA DE TODOS OS SANTOS
NA BAHA.
Vende-se o superior panno de algodao
desta fabrica, proprio para saceos e roupa
de escravos : no escriptorio de Novaes &
Companhia, ra do Trapiche n. 54, pri-
meiro andar. .
Vendem-se 4 escravos, 1 mualo de 20 annos,
1 moleque de 17 anuos, 1 prcla lavadeira e engom-
madeira, 1 prelo de 10 annos e 30 Iraves de pao dar-
co : na ra larga do Rosario n. 25.
POTASSA BRASILEIRA.
Vende-se superior potassa, fa-
bricada oo Rio de Janeiro, che-
gada recentemente, recommen-
da-se aos senhores de engenho os
seus bons effeitos ja' experimen-
tados : na ra da Cruz n. 20, ar-
mazem de L. Leconte Feron &
Companhia.
^Ljk A endem-se relogios de ouro e prata, mais
J^jJL barato de que em^jualquer oulra parle :
r ii 1 na praca da Independaqcia n. 18 c 20.
Bepoiito da fabriea de Todos o Samoi na Babia.
Vende-se, em casa de N. O. Bieber &C, na ra
da Cruz n. 1, a I-oda o trancad d'aquella fabrica,
muilo proprio para saceos de assucar e roupa de es-
cravos, por preco commodo. ;*
Vendem-se em casa de Me. Calmonl & Com-
panhia, na praca do Corpo Santn. 11, o seguyile:
vinho de Marscilleem caixas de 3 a 6 duzias, 1 inhas
era novellos o can otis, breu em barricas muito
grandes, ac de mila sorlido, ferroinglez.
AGENCIA
Da Fundicao' Low-Moor. Ba da
Senzala nova n. 42.
Neste estabelecimento continua a ha-
ver um completo sortimento de moen-
das e meias moendas para engenho, ma-
chinas de vapor, c taixas de ferro batido
e coado, de todos os tamauhos, para
dito.
Na ra do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas m-
sicas para piano, violao e flauta, como
Sejam, quadrillias, valsas, redowas, scho-
tickes, modinhas tildo modernissimo ,
chegado do Rio de Janeiro.
Ajnela de Edwla Slaw.
Na ra de A polln. 6, armazem de Mr. Cal moni
& Companhia, acha-se constantemente bous sorli-
menlos de taixas de ferro ruado c balido, lauto ra-
sa como fundas, moendas iludirs todas de ferro pa-
ra animaos, agoa, ele., ditas para a linar em madei-
ra de lodos os lamanbos e modelos os mais mudemos,
machina liorisonlal para vapor com forca d
i cavallos, cocos, passadeiras de ferro estanliado
para casa de purear, por menos preco que os de co-
bre, esco vens paia navios, fero da Sueria, e fo-
I has de 11 ni Jt es ; luda por barato preco.
Na ra do Vigario n. 19 primeiro andar, tem pa-
ra vender-se chapeos de castor bra neo por commodo
preso,
Vendem-se pregos americanos, em
barris, proprios para barricas de assu-
car, e.al vaiade de zinco, superior quali-
dade,'por. preijos commodos: na ra do
Trapiche Novo n. 16.
Taixas para engenhos.
Na fundicao'- de ferro de D. W.
Bowmann, na ra do Brum, pastan-
do O chafariz continua haver um
completo sortimento de taixas de ferro
fundido e batido de o a 8 palmos de
bocea, as quaes acham-se a venda, por
prec_o commodo e com promptidao' :
embarcam-se ou carregam-se em carro
sem despeza ao comprador.
Vende-se peixe secco de varias qualidades e
muito hora : na ra da Cruz n. 15. segunde andar ;
assim como botins de couru pelo diminuto preco de
29500 o par.
5$000 cada um.
Vendem-se chapeos de sol de teda, boa qualida-
de, por 5)000 rs. cada um, ditos de panninho, por
1$280 : na praca da Independencia n. 35.
Vendem-se cobertores de algodao grandes a
6*0, e pequeos a 560: na ra do Crespo o. 12.
QUEIJOSE PRESUNTOS.
Na ra da Crux do Kecife no armazem n. 62. de
Antonio Francisco Marliui, se vende os mais sape-
riores queijos londrinos, presuntos, para fiambre, nl-
limamente chegados na barca maleza Valpa-
raso.
Vende-se ama dislilacao completamente rum-
iada : o alambique he eicellenle por sua fornida
construccao, e ser de cobre puro ; a serpentina lie
de estanbo, e s esta peca tem o peso de 200 libras,
a bomba he tsualmeala de cobre, as cubas sao de p-
timo amarello viafcatktf, e mui bem construidas.
Tudo est em profVco para produzir orna pipa de
aauardentediaria: Irata-se na ra da Cadeia do Re-
cife ii. 3, primeiro andar.
Na ra da Cadeia do Recife n. 60, arma-
zem de Henrique Gibson:
vendem-se relogios de ouro de sabonete, de paten-
te inglezcs, da melhor qualidade e fabricados em
Londres, por preco commodo. -
Na ra do Vigario n. 19 primeiro andar, lem i
venda a superior flanella para forro de sellins che-
gada recentemente da America.
Vende-se om eicellenle carrinho de rodas
mu bem construido, embom estado; est eiposto na
ra do Aragao, casa do Sr. Nsme n. 6. onde podem
os pretendenles ezamina-lo, e tratar de ajuste eom
o mesmo senhor cima, on na ra da Cruz no Recita
U. 27, armazem.
Moinhos de vento
'ombnmbasderepuxopara regar horlas e baiat
decapim.nafundijadeD.W. Bowman : na ru
do Brum ns. 6,8el0.
Padaria.
ende-se orna padaria muiloafreguexada: a tratar
com Tasso & Irmaos.
Aos senhores de engenho.
Cobertores escaros de alsod.lo a 800 rs., dilos mui-
lo grandes e encorpados a 1JM00 : na roa do Crespo,
loja da esquina que volla para a Cadeia.
Devoto Chiistao.
Sabia a luz a 2. edicilo do livrinbo denominado
Devoto Christao,mais correcto e acreseentado: vende-
se nicamente na livraria n. 6e 8 da praca da In-
dependencia a 610 rs. cada ejemplar.
Redes acolchoadas,
brancas e decores de um s panno, muilo grandes e
de bom gosto : vendem-se na ra do Crespo, loja da
esquina qoe volla para a cadeia.
No pateo do Carmo, taberna n. 1, vende-se um
escravo de bonita figura, proprio para todo servico.
AOS SENHOBES DE ENGENHO. *
O arcano da invencao' do Dr. Eduar-
do Stolle em Berlin, mpregado as co-
lonias inglezas e hollandezas, com gran-
de vantagem para o melhoramento do
assucar, acha-se a venda, em latas de 10
libras, junto com o metbodo de empre-
ga-lo no idioma portuguez, em casa de
N. O. Bieber & Companhia, na ra da
Cruz, n. 4.
VINHO DO PORTO MUITO FINO.
Vende-se superior vinho do Porto, cm
barris de 4., 5. e 8.: no armazem da ra
do Azeite de Peixe n. 14, ou a tratar no
escriptorio de Novaes & Companhia, na
ra do Trapichen. 34.
ESCRAVOS FGIDOS.
Ausentou-se da casa do Sr. Sebasli'ao Antonio
do Rezo Barros, em agosto de 1851, em occasio que
soaehava morando no aterro da Boa-Vista, o seu es-
cravo, pardo, de nome Vicente, de altura regular,
que representa ler 30 anuos de idade, pouca barba,
bous denles, olhos na flor do roslo, >u>8 e pemas
bem feilas, tendo nos cutovellos dos bracos dous lo-
binltos ; suppoc-se estar acoutado em urna casa nes-
la cidade, e seu senhor protesta desde j por perdas,
dainos, dias de servico, etc. etc.; assim como gra-
tifica a quem o apprcliender.
Antonio, moleque, alio, bem parecido, cor aver
mediada, nacao Congo, roslo comprlo, barbado no
queiio, pescoro grosso, ps bem feilos, leudo o dedo
index da mlo direila aleijado de um lalho, e por is-
so o Iraz sempre fechado, cora lodos os denles, bem
ladino, ollirial de pedreiro e pescador ; levou roupa
de alROdXo c unta p.ilhor.i para resguardar da chu-
a. Ha toda probabilidade de ler sido seduzido por
alguem ; fgido a 12 de maio do correnle anno, pe-
las H huras da manliaa. tendo obtido licenca para le-
var+ara Santo Antonio urna bandeja com roupa :
roga-se, podanto, a todas as autoridades e capilaes
de rarapo, bajara de o apprchendcr e leva-lo An-
tonio Ahcs Barbosa, na ra de Apollo n. 30, ou em
Fra de Portas, ra dos Guararapes, onde se paga-
ran todas as despezas.
Desappareceu no dia 15 de Janeiro do corren-
to auno o escravo Jos Cacannc, de idade 40 anuo,
punco man ou menos, com falla de deoles na freule,
testculos cresndos, e ricalri/.es lias nadesas ; grali-
lica-seeeiierosame.ile a quera o levar ao aleo da
Boa-vista n. ti, segundo andar.
/
i

fui' Ta, ata M, r. a rru._ UM,


Full Text
xml version 1.0 encoding UTF-8
REPORT xmlns http:www.fcla.edudlsmddaitss xmlns:xsi http:www.w3.org2001XMLSchema-instance xsi:schemaLocation http:www.fcla.edudlsmddaitssdaitssReport.xsd
INGEST IEID E5FBLIDYP_PT1BWU INGEST_TIME 2013-03-27T15:35:21Z PACKAGE AA00011611_01500
AGREEMENT_INFO ACCOUNT UF PROJECT UFDC
FILES