Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01404


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Full Text
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HF.
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*\ftN 13E 1831. SEGUNDA FEIIA10 DE OTBB Q NUMER 215<
SuVcretc-c mcnsalmentc a 640 rs. / adiantados. na Tipografa do Diario, ra da Solcdade W 493: na Ioja de ]ivro9J^J^{
roa, rST&SJfcSTsO: narua do Livramento lado ^Ncete D. 16; onde se receben corrcspondcnc.as, e anuncios; estes .ns,-
rm-s gratis sendo dos proprios assignantes somente, e Tindo asignados.

Os anuncios, que nao forern dos asignantes de^efao alcm das
de mais condicocs, pagar por cada linna impressa 40a, e *er en-
tregues na loja dc; Litfrero da ra do Livramento D. 16, ou na
Tipografa do Diario.
Tudo agora depende de nos mesmos, da nossa prudencia,' mo-
derado, cencrgia; continuemos corno principiamos e seremos a-
pontadds cm admirado entre as Nados mais culta?.
Proel animla da Asacmhlea Gernl do Brazil.
%xwtm em #ernarobuco por antenoto 9m te &rcatifta ffalcao.
7


T
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ALTIGOS DE OFFICIO.
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__Llw. e Exm. Snr. -Noticias aterrado-
ras de inmeraveis mortes roubos, e
nao pensado movimento ** dvago rieste
termo que apezar de as supor alteradas;
com tudo tem cauzado nos nao pequeo
sobresalto, mesmo por nao podermos com
certeza ajuizar sobre um tai acontecimen-
to, fasendo nascer d'entre os incautos es*
pintos vertiginosos e turbulentos; e cero*
prindo-nos manter a Ordem, que so* se
podera conseguir com o eonhecimento de
taes feitos de caminho dirijo-me a V; Exc.
pedindo instrucc^es nao s de taes barulhos,
como os passos que deveremos seguir na
cooperacao da boa armona dos habitantes
deste termo, e bom andamento da nossa
Sagrada Liberdade.
Deus Guarde a V. Exc. como se fa
meter. VilUro% Garanhuns 24 de Setem-
bferte f8l-* Illm. e Exm Senhor Joa-
quim Joze Pinheiro de Vasconcellos Pre-
sidente da Provincia de Pernambuco An-
tonio Teixeira de Macedo Presidente da
Cmara de Garanhuns,, Antonio Lopes
Viana,, Vicente Elias da Silveira.
E
/
JM resposta ao Officio de Vv. Ss. de
24 do mez passado, tenho dizer-lhes,
que as 9 horas da noite do dia 14 do mes-
mo mez de repente sublevaro-se os solda-
dos deprimeira linha,queexistio nesta Ca-
pital, e desobedecendo aus seus Comandan-
tes e Officiaes, e ao proprio Commandante
das Armas, dispersarao-se pelas Ras, e
Pravas da Cidade, roubando, assassinando,
e commettendo as mais atroses maldades;
e assim continuarao praticar, at que no
dia 16 um Corpo de Cidadaos Paizanos, e
Milicianos, amantes da ordem, com a mai-
or coragem rechacmi inteiramente esses sc^
/
diciosos, dos qiae muitos forao mortds,
feridos, e os restantes desarmados, e remet-
tijos para bordo de differentes Navios sur-
to$ no Porto. Confiado no patriotismo de
Vv. Ss. e dos briosos habitantes dessa Vil-
la, espero, que todos se empreguem com
disvello na manutengo do socego publico,
e seguranca individual Dos Guarde
Vv. Ss; Palacio do Governo de Pernam-
buco 1. de Outubro de 1831- Joaquim
Joze Pinheiro de Vasconcellos Snrs. Pre-
sidente, e Venadores da Cmara Munici-
pal da Villa de Garanhuns.
XLlm. e Exm. Senhor -* A Cmara da
Villa do Cabo profundamente penalisada
pelos desastrosos, e horroriveis aconteci-
mentos, de que foi theatro essa Capital da
Provincia em os tenebrosos, e deploraveis
dias 14, 15, e 16 do corrente mez; acn-
tecimentos promovidos, e occasionados por
essa phalange de barbaros canibaes, sem
Dos, e sem Patria, a quem o Governo ha-
via confiado a manutencao da Ordem, a
defeza da Patria, e a guarda dos Cidada-
os, tem a honra hoje de exprimir a V. Ex.
os sentimentos de sua vivsima magua, e
Sympatica dor por tam lamentaveis suces-
sos. Esta Cmara assas instruida do carc-
ter preventivo, e justiceiro, de que V. Exc.
reveste todos os actos da sua admimstraco
lizongea-se com a gostosa persuasao de
que j mais se verao repetidas tao luctuo-
sas, e aflictivas scenas: todava, se por in-
fluencia dos nossos mos fados tivermos a-
inda a dor de ver levantar-se em qualquer
ponto da Provincia o negro, e horroroso
pendao da revolta, e da anarchia, ella des-
de i deposita as maos de V. Exc. todos
os meios de que ella possa dispor, a nm de
que por meio de jum robusto concurso de
accoes, e de esforcos, posso os Cidadaos

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(87%)
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desta bella Provincia gozar na mais imper-
turbavl tranquilidad^ as do9uras da liber-
dade, o/meto de seo trabalho, e as vanta-
gens do estado social. A Cmara desta
Villa, supposto conheca a nimia activida-
de de V. Exc, e seo acrizolado zello pela
execucao da Lei, e mantenca da ordem
publica, julga com tudo do seo dever rogar
a V. Exc, que quanto antes separe das
nossas praias esses monstros, que no meio
da mais geral, e dolorosa constenu^ao, ou-
zarao effectar os mais vergonbozos, e bar-
baros actos de pilhagem, assassinatos, e in-
cendios, expondo assim essa Cidade ao ma
is completo vandalismo, e que ainda mes-
mo nos ferros assustao, e horrorisao aos
honrados, e paciicos Cidadaos desta Pro-
vincia.
Dos Guarde a V. Exc. como he mister
para bern desta Provincia. Passo da Cma-
ra da Villa do Cabo em Sessao. extraordi-
naria de 27 de Setembro de 1831 -Illm. e
Exm. Senhor Presidente da Provincia de
Pernambuco Jpaquim Joze Pinheiro de
Vasconcellos P. Sebastiao Antonio do.
Reg,, Diniz Antonio de Moraes Silva,,'
Joze Felis da Rocha Falco,, Pedro de-
Albuquerque Lins e Mello,, Joaquim Ca-
valcante de Albuquerque,, Franciscp Paz
Barreto.
Dos Guarde a Vv. Ss. Palacio do Go
verno de Pernambuco primeiro de Outubro
de 1831. Joaquim Joze Pinheiro de Vas-
concellos. Snrs. Presidente e Venadores
da Cmara Municipal da Villa do Cabo.
Dom Joao da Purificaqao Marques Per^
digao, Bispo confirmado e V. C. de
Pernambuco, do Conselho de S. M. I.
e C. be
A
A
I v
Expressao dos sentimentos verdadei-
ramente Patriticos, que Vv. Ss. dirigir
este Go verno em seo officio de 27 do
corrente, seria so' bastante prova do quan-
to a Cmara 4a Villa do Cabo se destin-
gue, e se interessa pela prosperidade, e
Ventura desta Provincia, se ja muitas ou-
tras, e em todos os tempos, nao houves.se
ella dado. A dor, e a magoa, de que Vv.
Ss. se possurao com a, noticia dos deplora-
veis attentados perpetrados nesta Capital
pela desenfreada soldadesca, abona, e as-
saz afianca as^ protesta9ues, e votos, que
Vv. Ss. por s, e pelos habitantes desse
Termo fazem da sua coadjuvacao, e au-
xilios para tornar mais forte, se mister fos-
se, a ac9ao do Govemo. Em nome pois do
mesmo Govemo cumpre-me agradecer taes
offerecimentos, tanto mais louvaveis, quan-
to espontneos, e certincar-lhes, que a
tranquilidade publica se, acha restabeleci-
da, e que a Ij impera ; gra9as aos brio-
sos Pernambucanos amantes da Patria;
cujos esforcos, e corajosa bravura baqueiou
a anarqua.
Todos os Nossos Irmaos, Coadjuto-
res do Nosso Ministerio Apostlico. Saude,
Paz, e Ben9ao de N. S. J. C.
A esperaba, que Gozamos, de que a
Divina Omnipotencia abei^oar o Nosso
Officio Pastoral, instituido para omnmoda-
mente conduzirmos os Nossos Filhos em
Jezus C. pelo Caminho, que os deve col-
locar na verdadeira felicidade; Nos induz
a enviar-vos esta Nossa Carta Pastoral, a
fim de vos patentear os sentimentos, que
Nos dominao favor da cauza Publica,
em que devemos tomar todo o interesse.
A predica Evanglica, a primeira das
nossas mais estrictas obriga9oes, nunca oi
mais necessaria, que na prezente poca.
Assim como a facilidade em absolver os pe-
nitentes no competente tribunal, causou a
re!axa9ao hodierna; do mesmo modo a ta-
citurnidade daquelles, que por Direito Di-
vino, e Ecclesiasticq estao astrictos a des-
tribuir o pao da palavra Divina, tem sido
a cauza tal vez directa da corrup9ao dos
costumes^ e da moral. A omissao sobre tal
objecto justamente notada, e censurada, al-
gumas vezes tem feito dizer, que annun-
cia9ao da doutrina Evanglica he desne-
cessaria, em consequencia da incorrigibilida-
de de muitos, que se a ouvem nao a pra-
ticao.
Este raciocinio, Dilectissimos Innaos,
he errneo. Nos acreditamos, que ha ma*
is quem pe9a o pao, do que quem o des-
tribua. Parvuli petierunt panem, et non
erat qui frangeret eis Jezus C. mesmo la-
mentou esta falta quando dice : Messis
quidem multa, operarii antem pauci.Con-
cedamos ainda que nao ha quem queira o
pao da Celestial doutrina: por ventura so-
mos por esta cauza dispensados do nosso
mais esencial dever ? Como poderemos
dizer:,, Fecinms quodjussisti?,, Jess C.
reputou grande serv9o, lucrar huma ove^
lha desgarrada.
Cumpramos pois a nossa principal attri-

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bu9ao inseparavel do nosso ministerio, e
removida a pedra de escndalo, esperemos,
que a Divindade toque os coracoes, por
meio dos nossos bons Oflicios ; e se assm
nao acontecer tal vez por nao possuirmos a-
quella f, que transiere os montes, e os lan-
9a no mar, ou por subirmos Cadeira
de Moiss, para ensinar, mas nao praticar,
temamos o juizo durissimo, que a nossa
responsabilidade nos espera. Ab occultis
meisx munda me Domine, et ab alienis par-
ce servo tuo. O exemplo, sem o qual em
vao trabalharemos, he a mais excellente
prega9ao, pois que tem lingoa propria, se
se quiser entender. Persuadi primeiro que
tudo aos povos confiados vossa vigilancia,
que observem os dictames prescriptos pela
nossa Santa Religiao, que lhes deveis an-
nunciar em toda sua pureza, e livre de su-
perst9oes, fasendo-lhes ver, que por cau-
sa do abandono desta he, que experimen-
tamos a justa vingan9a daquelle, que ain-
da mesmo neste mundo, nao deixa impune
o crime ; principalmente quando este he
commettido com escndalo publico.
Ensinai-lhes como devem ser fiis D-
os, mesmo no meio dos sofrimentos mere-
cidos, e que nao provoquem mais a sua i-
ra. Que se converto para o Senhor seo
Dos, que perdoou aos Ninivitas, logo que
fizerao penitencia.
Que a obediencia, e respeito as Auctori-
dade constituidas he o nexo essencial da
sociedade civil formada para os fins, para
que Dos a creou. Comprovai-lhes esta
assersao, com os exemplos de Jezus C, o
qual sabendo, que a obediencia, e venera-
9E0 as leis, que o Governo deve manter, e
por meio das quaes somente podemos pros-
perar, hera de absoluta necessidade, a es-
tas se sugeitou, estas respeitou, e fez res-
peitar fim de nos exemplificar. Conven-
ceios que semlei tudo se torna insuportavel,
penozo, e confizo. Se por hum momento
porem reflectirem, conhecero, que nao a
lei, mas a insubordina9ao, he que nos pre-
cipita no abismo, sem que Vejamos resulta-
do algum, se nao a incerteza de possuir o
que se procura por meios illegaes. Mui-
tos nao querem a lei, porque a temem; a
estes subministrai-lhes a saudavel medicina,
que S. Paulo receitou aos Romanos, quan-
do lhes enviou a dizer.,, Todo o individuo
esteja sugeito a Poderes mais sublimes.,, E
como (continua o mesmo Apostlo) todas
as cousas sejao ordenadas por Dos, que
tudo preside, quem resiste ao Poder orde-
nado por Dos, he digno de pena eterna.
Queris nao temer as teis, e quem as deve
fazer executar ? Pratici o bem, que ellas
vos recommendao, e eris dignos d louvor:
do contrario, nao sem cauza, o Poder cin-
ge a espada da Justina, pois que a socieda-
de tem incontrastavel direito sua conser-
va9ao pacifica, e he muito da sua mente
expellir aquelles, que a inquietao, e per-
turbao.
Julgamos pois nao ser necessaria a com-
munica9ao das penas impostas pelos sagra-
dos caones aquelles, que inteiramente se.
tem esquecido de por s, ou por seos subs-
titutos, exercerem tao sagrado dever. A
importancia da materia deve excitar vosso
zello.
Por tanto, Determinamos, que todos os
Domingos, e dias Santos expliquis as nos-
sas ovemas, os mandamentos da lei de D-
os, excitando-as frequencia dos Sacra-
mentos, instituidos para nos preservar da
culpa, inspirando-lhes o temor do Snr.,
principio de toda a sabedoria, e finalmente
admoestando-as para que soflbquem a pai-
xao do odio, tao infame por natureza, que
ja mais pode achar satisfa9ao no fexito, que
consegu
Determinamos igualmente que esta seja
rgistada no competente livro de cada Pa-
rochia. Dada no Palacio da Soledade sob
Nosso signal, e sello das Nossas armas aos
30 de Setembro de 1831.
Bispo Confirmado e V. C.
CMARA MUNICIPAL.
D
>PROCLAMAAO.
Habitantes do Municipio.
. 'Olorozamente afectada pelos funes-
tos terrores, que inspira aos Cidadaos pa-
cificos a prezen9a de huma soldadesca in-
subordinada, que nos dias 14, 15, e 16 do
passado mez, ouzaro perpetrar atrocida-
des, cuja recorda9ao anda faz estremecer
o coracSo dos Brazileiros honrados; a
Cmara Municipal d'esta Cidade acaba de
levar seus votos a prezen9a do Ex.mo Pre-
zidente, pedindo providencias sobre esses
desgnujados, a quem, por fatalidade nossa,
estavao confiados o socego dos Cidadaos,
e a manutenca da ordem publica.
j



-

(874)
Intimamente penalizada pelos lamenta-
veissuccessosdeta^ex^crandafevolta (fe-
lizmente suffocada, e destruida pela vossa
bravura, e denodo) esta Cmara de forma
alguma pode ser insensivel s eonsequenci-
as de huma tal catastrophe, conservando se
apathica expectadora dos vossos sustos e
receios; nem to pouco abonando com o
seu silencio os boatos perigosos, que entre
vos tem espalhado talvez alguma mao oc-
culta, que so* da desgrana da Patria deriv
sua abominavel felicidade Confiada ha
sollicitude do Governo da Provincia, que
nao sessa de penhorar os corac,oes verdV
deiramente Prnambucanos da mais fervo-
roza gratidao; penetrada do mais ardente
zelo pela causa publica, e tranquilidade
dosCidadaos; finalmente esperan9ada na
efficaz coadjuvacao dos heroicos e denoda-
dos Prnambucanos; esta Camraa hum s
momento nao hezita emgarantir-vos am-
is rizonha e duravel tranquilidade, ea ma-
is rigoroza manutencao da ordem.
Continuai pois a prestar ao Governo a
forra, que IIie he mister para execucao da
Ley, Correndo a alistar-vos as Guardas
Municipaes, que se estao organizando;
continuai a confiar as authoridades, e em-
brave tempo veris com a paz nascer a ri-
queza publica, e com a serenidade do nos-
so horizonte ainda turbado e carrancudo,
apparecerfco objecto encantador da nossa ido-
latra < a liberdade legal Recife de Per-
nambuco em Sessao ordinaria de 6 de Ou-
tubro 1831.
Viva a Constituiqao do Imperio !
Viva o Imperador o Snr. D. Pedro 2. /
Viva a Assemblea Geral Legislativa !
Viva a nossa Regencia !
Vivao os briosos Prnambucanos !
Antonio Elias de Moraes, Presidente.
Vicente Ferreira dos Guimaraens Peixoto.
Thomaz Lins Caldas.
Francisco Antonio de Oliveira.
Antonio Joze Pires.
Joao Pires Ferreira.
L
IOgo que a anarchia d Setembro fi
abafada pelo esforc dos bons Prnambu-
canos, mao intrigante de inimigo occulto
principiou a urdir novo trama, que nos mer-
gulhasse novamente na desgrac^. Antes
da Septembrizaida pessoas bem ou mal in-
tencionadas desacreditavao as das primei-
ras Auctoridkdes da Provincia; ou fosse so->
mente a afei^ao urna e desafeicao outra
junta ao maldito costume, que certa gente
tem, de desacreditar este para exaltar a-
quelle, ou fosse para fins sinislros, uns vi-
tuperayao o Excellentissimo Prezidente, ou-
tros o Excellentissimo Commandante das
Armas, todos com amesma razao, isto *; sem
razao alguma: mas depois daquella poca
de triste recordacao, quando o verdadeiro
Patriota devia esquecer rivalidades e traba-
har por acreditar afincadamente Actori-
dades, contra quem nao ha queixa justa,
apparecrSo entes imitis, perversos, desa-
creditados menoscabandocprh toda aforra,
e insolencia a conducta do Ex."10 Comman-
dante das Armas, soltando vozes anarclii-
cas da sua depozicao, e substituicao pelo
Coronel Francisco Jacinto &c. &c.: em
poucos dias os partidistas (de cabeca leve)
do Ex.mo Commandante das Armas, pare-
ce que em vinganca, renovarao os queixu-
mes contra o Ex> Prezidente, e a intriga
laborou contra ambos. Alem disto foro-se
espalhando noticias de rusgas, ja destes j
daquells, e quaze que todos os dias appa-
recia urna nova, incutindo-se assiin o terror
nos Ciddaos pacficos, que ainda amedren-
tados da terrivel e recente catstrofe, espa-
voridos nao sabem como atinar com o meio
de seguranca. Nao duvidamos, que algum
aventureiro, ou ambicioso tente perturbar^
nos, para colher peixe grosso as agoas tur-
vas ; nao duvidamos, que se trame alguma
revolta; mas pode crer-se em tanta revolu-
to, quantas as que a toda hora vemos a-
nunciar ? Nao vem esses aventureiros mes-
mo que o ganho, e partido qnepoderio tij
rar do desassossego, seria momentneo, de-
vendo talvez contar com a certeza de fica-
rem tambem envoltos no mal geral, que
causassem ? Podem elles assegurar o re*
Sultado das suas tentativas? Oh desgraca
humana! verdade fatal que o hoinem
procura muhas vzes a sua ruina, quando
sem tratar d conhecer primeiro a sua feli-
cidade verdadeira, procura sem tino e re-
flexao o bem apparente, que oillude! De.
que precizamos nos actualmente, pelo que
nao possamos esperar pacientes e tranquil-
los ? O Ex.0 Prezidente, o Ex.mo Com-
mandante das Armas tem defeitos ? .
Vae buscarse algum Anjo para substitu
los ? Os Columnas tramao: ha certeza dis~
to ? E havendo, nao vamos nos com as
nossas discordias, com as nossas perturba-

\
t
\


(875);
>

eoes satisfazer as suas intenses, ou adian-
tar os seus fins ? Vamos, sim, por nossa
desgraca vamos servillos, quando. pensamos
deslruillos. Quem nos pode fazer medo,
liuvendo concordia e sossego ? Tem elles
^tropa mercenaria, de que lanceta mao?
i Cidadaos compro-se ? Mas elles perderao
a nossp tropa para nos colherem inermes:
engao! elles que estao inermes; eso nos
mesmos que podemos dar-lhes as armas.
* So a pervcrsidade mais rematada pode a-
&nselhar na crise, em que nos adiamos,
j A urna rusgadequalquernatureza, paraqual-
t nucr fin que seja: aquelle que armar,
P.^Sjraeo. contfa seus concidadaos, pretextando
*necessidade de medidas violentas, umini-
> j migo da Patria, e da sua liberdade, serve
mi& columna, e Pedro 1. serve ao Ejes
r*potismo, ou por coni venca, ou por illusao:
f nos temos em ncsso seio todos os partidistas
da Columna, elles trainaro dividir-nos, e.
J aniquilar-nos; mas nao creamos de leve
em quantos rumores mal fundados se espa-
* lilao entre nos, sem duvida para ros ater-
rarem, tal vez manejados pela maldade dos
r nossos inimigos. Sem que nos assombre -
mos do pavor, de que nos querem ver a-
rpossados, vigiemos assiduos os malvados,
que nos rodeiao, vellemos continuamente
sobre a nossa seguranca, sobre a nossa li-
berdade, estejamos sempre alerta, e dispos-
tos pasa repellr os agressores, quem quer
que elles sejo, se apparecerem. Em nos
est a garanta dos nossos direitos, se tiver
mos prudencia, uniap, e energa veremos
baquear a intriga, os nossos inimigos en-
vergonhados, e seremos livres e felizes.
i u
nao conhecido, S. Ex. deve chamar a
responsabilidade os auctoresdellas, efazer-
Ihes impor a pena da lei, ganhando asskn
cada vez mais a afiica dos seus amigos,
e o conceito dos seus subalternos.
A
i


Ma prova das intrigas de que cima
fallamos, o artigo que se le no N. 14 do
Iris Alagoense. O seu Redactor nao co-
nhece o Ex.mo Snr. Paula Vasconcellos, e
sem.oUivida fallou por informaces desta Pro-
vincia, injuriando um Brazileiro, que de-
pois de 7 de Abril deve ser caro a seus Com-
patriotas, e que tem direitos estima dos
Pernambucanos. Somos conforme com tu-
do quanto se tem dito a prol da federaco,
e mesmo com o que o Iris diz, a tal respei-
tp; mas o Snr. Paula ser anti-federalista ?
/seus inimigos gratuitos nao se contao entre
~os amantes, e propagadores da Federaco:
as calumnias que contra elle conten o arti-
go, de que fallamos, sao facis de destruir
nesta Provincia; mas como as Alagoas
chegada intempestiva do Sur. Gama
esta Provincia um facto, quanto a nos
da maior notabilidade. Segundo o que se
nos refere o Snr. Gama foi dcposto daPre-
zidencia da Provincia do Para, e obrigado
a sabir: urna carta de pessoa all rezidente
diz: que tendo alguns anarchistas com o
Arcipreste a sua frente praticado desordens
e assassinios, ora em Brazileiros adoptivos,
ora em Brazleiro natos, ora em columnas,
ora em liberaos, e represenUindo-se isto por
vezes ao Snr. Gama, elle responda fra
mente, que aquillo nao fazia mal; porque
no Rio de Janeiro succedia o mesmo: o que
com os excessps dos anarchistas levando a
desesperacSo os amantes da qrdem, se reu-
nirao, e pedirao a demissao do Prezidente>
e a prizo do Arcipreste, e que effctuadas
ambas.as cousas ficara a Provincia em tran-
quilidade Ora nos nao podemos acredi-
tar, nem crivel que o Snr. Gama tivesse
tao feio procedimento, isto sem duvida
effeito de intriga contra S, Ex. ; mas seja
o que for, se a sua retirada produzio o sos-
sego publico da Provincia, abencoado seja
quem o poz fora; porque mais vale o in-
commodo de um, que a perturbaco de
muitos. Grande prazer dara S. Ex. aos
seus patricios, sesedignasse manifestar-nos
as razoes, porque cahio em descrdito pela
primeira vez um Prezidente de nomeacao
da Regencia; visto que alguem por aqui
havia agoirado mal do seu governo: mas
como nao provavel, que ejle assim opra-
tique, esperemos por mais noticias para po-
der-mos fazer juizo sobre facto tao ponde-
roso.
I&Nr. Editor. Como saltaro de con-
tentes os Miguelistas com omeu artigo pu-
blicado no seu Diario N. 212! Fortes bes-
tas, grandes camellos! E' verdade, que eu
entendo que D. Miguel o Re Legitimo
de Portugal, quer segundo os principios da
legitimidade real, quer segundo a legitimi-
dade que osPovos livres reconhecem: mas
qu se conclue dahi ? Conclue-se, que a
^
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>* -

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*-*.
MI i I
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C
I
M
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7
naioria activa da Jac,ao Portugweza li-
ma manada de'carneiros vis, indignos do
nofrie deNacao, indignos do nome Portu-
guez, indignos at do nome de homem;
porque sendo os adoradores de D. Miguel
uns escravos, e compondo-se delles a maio-
ria activa da Nacao, sao elles o que levo
dito. Ei fim D. Miguel um tirano, un
algoz infame deseus compatriotas, e como
elle todos os seus satlites, o que nao pode
ser destruido pelamaisbem comprovada le-
' gitimidade; mas tal casmun*o escravo ha por
aqui dos taes Miguelistas, que se persuade
que seu senhor, por ser legitimo, umanjo,
e elles anjinhos: sao o diabo que os leve.
Para consolo, honra e louvor dos referidos
Miguelistas publique o Sur. Editor estas
linhas do
Auctor do Communicado.
JSabo a Carga
Para Genova.
j&l? Segu viagem com brevidaej
Brigue Frederico o grande muito velleiro,
e forrado de cobre; quem nelle quizer car-
regar, ou ir de passage (para o que oflere-
ce excellentes commodos) dirija-se a seus
Consignatarios Ni O. Bieber &Companhia.
Para MOn Video.
Segu viagem com toda a brevi-
dade o muito veleiro. ebem construido Bri-
gue Alcino, Capitao Joze Alves da Silva ;
quem nomesmo quizer carrgar, ou hir de
passagem, par,a o que tem excellentes c-
modos, dirija-se Joze Joaquim Jorge
Goncalves, ou ao mesmo Capitao abordo
do dito Brigue.
R
fettDa&
/Ape' da Bahia chegado ltimamente,
a 1#000 rs. a : na ra da Cadeia N.
57, 1. andar.
G^ A Apparicao extraordinaria, e ines-
perada do Velho Venerando ao Rosseiro :
na loja de livros da Praca da Uniao N.
37, e 38; na Botica do Snr. Joao Moreira
Marques Pateo do Sacramento, na ra do
Cabug loja N. 4, iio Recife ra ca Ca-
deia loja N. 15, e no Aterro da Boa-vista
loja D. 26. Preco 320 rs.
Gd" Um sobrado de um andar ria ra
das Cinco pontas D. 21: na Praca, da Boa-
vista N. 115.
3" Um escravo com officio decanoeiro,
por preco cmodo : as 5 Pontes venda
D. 36.
N,
ab?o0 &attcuiatm
A Tipografa do Diario, ra da So- (
ledade N. 498, seimprimem obras dequal
quer qualidade pelos precos abaixo indica-
dos, dando seus auctores o papel, ou ajus-
tando-o na loja do Livreiro Joze Joaquim
Nunes de Abreu, ra do Livramento lado
do Nascente N. 16, com ocaixeiro dolm-
pressor da dita Tipografa.
Parangona 1. cento-< 2,000
cada cem mais...... 300
Santo Agostinho 1. cento 3#400
cada cem mais............ #320
Romano pequeo 1. cento........ 4$80J
cada cera mais................... $360
Brevier I. cento 9,600, cada cem mais .... 400
Cada prec,o vae impresso com a letra de
que trata. O preco actual do papel em
que vae impresso este Diario 2$ rs. a res-
ma, em partidas. O preco indicado o de
urna forma de folha de papel commum,
sendo de meia felha ter de rebate 40 por
cento, e de quarto 70 por cento : impres-
soes d folha aberta 30 por cerito.
0=3"Joze Joaquim da Costa Leite, sendo
urna das victimas do roubo praticado pelos
soldados no horroroso da 15 de Setembro,
entre o que lhe roubarao, forao cinco bi-
lhetes, constantes de 10 barrs de plvora,
da fabrica do Rio de Janeiro, passados por
Antonio da Silva & Comp., assim como
tambem urna letra passada por Joaquim
Pereira Pena, de Rs. 212$000, em prata,
dous livros, e varios papis; roga a quem
os achar ^u-e os entregue na loja da ra da
Madre de ueos defronte dobeco do encan-
tamento, que ser bem recompensado.
(3" Antonio dos Santos Bezerra perten-
de retirar-se desta Provincia, e faz o pre^
sent anuncio para cumprir as ordens do\
Governo.


V
Perjvambco jta Tipografa do Diario, Ra da Soledade N. 498. 1831.
4


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