Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01290


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Full Text
r
AM1U XA Al. N. 13.
Por 3 mezes adiantados 4,000
Por 3 mezes vencidos 4,500
WM
OUARTA FEIRA 17 DE JANEIRO DE 1855.
Por anno adiautado 15,000.
Porte franco para o subscripto!,
KXCAIUIEGADOS DA SCRSCRIPO.VO.
Itecife, o propr9t?rio M. F. de Faria ; Rio do Ja-
neiro, o Sr. Joo Pereira Marlins ; Rabia, <> Sr. I).
Duprad ; Macei, o Sr. Joaquim Bernardo de Men-
donca ; Paralaba, o Sr. Gervazio Viclor da Nalivi-
dade ; Natal, o Sr. Joaquim Ignacio Poreira Jnior ;
Aracaly, o Sr. Antonio de Lemos Braga; Ceara, o Sr.
Victoriano Augusto Borges ; Maranhao, o Sr. Joa-
quim Marques Rodrigues ; Para, o Sr. Justino Jos
Ramos ; Amazonas o Sr. Jeronvmo da Costa.
CAMBIOS.
Sobro Londres, a 28 1/4 d. por 15000.
Pris, 3V2 n. por 1 f.
Lisboa, 105 por 100.
Kio de Janeiro, 2 1/2 por 0/0 de rebate.
Acucies do banco 40 0/0 de premio.
da companhia de Beberibe ao par.
da companhia de seguros ao par.
Disconlo de lettras de 8 a 10 por 0/0.
META ES.
Ouro.Oncas hcspanholas- 298000
Modas de 65400 vellias. 16J5000
de 634(10 novas. 168000
de 48000. 9SU00
Prata.Fatacoes brasileiros. 1>40
Pesos columnarios, 18940
mexicanos..... 15860
PARTIDA DOSCORREIOS.
Olinda, todos os dias.
Caruan'i, Bonito e Garanbuns nos dias 1 c 15.
\ illa-Bella, Boa-Vista, Ex eOurii-ury, a 13e 28.
Goianna e Paralaba, segundas e sexlas-feiras.
Victoria e Natal, as quintas-feiras.
PREAMAK DE BOJE.
Primcira s 3 horas e 42 minutos da tarde.
Segunda s 4 horas e 6 minutos da manha.
AUDIENCIAS.
Tribunal do Commercio, segundase quintas-feiras.
Relarao, Icrcas-leiras e sabbados.
Fazenda, tercas c sextas-feiras s 10 horas.
Juizo de orphos, segundas c quintas as 10 horas.
1" varado civel, segundas e sextas ao meiodia.
2* vara do civel, quartas c sabbados ao meio dia.
EXTERIOR.
O RE CARLOS ALBERTO. O PIEMONTE
E A ITALIA.
I.
Carlos Alberto e a Austria na Italia.
I. CU ultimi Ricolgimenti italiani, memorie
ttoriche con documenti inedili, di F.-A. Gualterio;
* vol., Floreoca.II Del Rennovamento rifo
o" Italia, per Vincenzn Giobcrli ; 2 vol., Turin.
III. Cucrra dell'independenza d'llalli nel 18(8,
per un ufliciale piemonlese; i vol., Turin.IV.
Milano t i Principii Savoja; di Antonio Cuati;
1 vol., Turin.V. Slnria del Piemonle dal 1814 M
giorni nnstri, di A. Broflcrio; 3 vol., Turin.VI.
Memorndum storico poltico del contc Clemente
S. Caro della Margarita ministro del re Cario Alber-
to, dal 7 febbrajo 1835 al 9 altobre 1847___VII.
Ricnrdi d'ana Missione n Portogalle, al re Cario
Alberto, per Luigi Cibrario ; 1 vol., Turin.
lia povos que apresentam na historia un espec-
tculo admiravel ; seu destino parece visivclmente
assignala lo, c todava nesse mesmo destino existe
sempre algumi cousa de imperfeito c incompleto,
que da-llie un carcter lerna e tristemente potico,
como acontece a ludo quanlo n.lo pode chegar a
seus ns. Cada urna das tentativas desses povos
he acompinhada de proroplos revezes ; mas em
compensadlo iieuhunia de suas derrotas he defini-
tiva e irreparavel. A constancia de sua desgrana
o he igualada pelo poder incorruplivcl e vivaz de
seus inslinctos. Atravez de suas viressiludes res-
lam o enigma da historia, o embaraco dosgovernos.
a deccpc.io perpetua de todas as combinaees da
poltica. Nao ser esle o segredo dos destinos da
Italia t A nacioualidade existe tanto no genio, como
as (radic,6es do povo italiano ; desgraciadamente
tambem se encootra nessas mesmas Iradices ludo
quanto pode fazer abortar iim pensamenlo pra-
tico e fecundo de independencia; de surte que
a Italia, sempre em flagrante delicio de ir.surreicao
moral contra seus senbores, nunca esl lo perlo
de alguma calaslrophe como quando he arrastrada
a alguma reivindicaeflo suprema. As revoluroes
de 1848 nao passam de nova peripecia desse drama
eterno que lia doze seculos desenvolve ss alem dos
Alpes. tala annos ultimamenle decorridos, a
Italia vio seus povos e seus principes unirem-se no
niesmo teotimsulo de regeneradlo ; vio seu movi-
mcnle interior inaugurado por um papa o sua so-
berana nacional da pona da espada de um re pa-
trila. A Europa mesmo vio mn momento, sua
velha organisacfl decompor-se, e seus anligos po-
deres cahircm em fraqoeza. Durante ccrlo c co, todas as leis coostiliiitivas da sociedade europea,
como que suspenderam-sc, tornando-se ludo possi-
vel. Qpal foi porem o resultado ? s? tudo lenlou-
se, nada fez-se. Os velhos lajos rcsiabeleceram-se
e aperlaram-sc novamente. aples, Roma, Flo-
renra, retrogradaran! muito alem de 18'i7, emquan
to o estandarte erguido nos campos lombardos re-
trogradava de Goito para Novara. E desse re
que foi oulrora a personificacao da guerra pela in-
dependencia italiana, oqueresla boje? L'ru tmu-
lo na baslica de Superga, sobre as collinas que
dominam Tnrim.
Eilcs factos teem cerlamentc urna explicado na-
tural que nao he a obslinarflo de um caprichoso
acaso em zombar dos votos de una rara engenhosa
e brilhanle. So os espirilos mesqniohos e fanti-
cos julgam impor realidade a dictadura de seus
sonlios, pretendem barmonisar tudo com suas com-
binacoes occullas, e depois de tercm crobaracado
o pervertido lado, explican) pelas sorprezas ou trsi-
Oc vulgares os desastres qoe provocaram. A
verdade he que as revolucoes ultimas da Italia fo-
ram vasto campo de balallia em que tomaram pro-
porches exageradas todas as suas aspiraecs gene-
rosas, lodas as suas tendencias, lodos os seus anta-
gonismos, assim cumo lodas as suas paiOes, e lodos
os seus err?,. E nesla lula foram ainda as impos-
sibilidades que preJominaram. Todos os dissolven-
tes reunem-sc, a explosao ilas paixOes revoluciona-
rias vem quebrar a uniao dos povos e dos principes,
o espirito de faeco vem apnz o espirito de inde-
pendencia pira o provocar ou escravisar ; o genio,
o gente fatal da discordia sahe armado dessa untarte
tontaina, e corre do aples a Milao, de Roma a
Floretea.
Par um momento, a fortuna da Italia so tem
m campo em que refugiar-se ; e he justamente
o que da intervencao do Piemonlo nos negocios
italianos esse prestigio que suas derrotas nao (eem
po li"o destruir. A intervencao do Piemonle, aira-
vez tata confuso immensa, lie a acefl viril c rc-
splula que eaminha direito a om Um, que todos do-
sejun, mas que todosconcorrem pira obscurecer.
Como a Italia cabio mais urna vez no laco de seus
amigos erros '.' Que serie de circunstancias fez do
Piemonle o instrumento ennhecido da independen-
cia italiana, e de sou ullimo rei. Cirios Alberto, o
epilogo vivo ilas esperanzas, das conlradiccoes, das
pungentes vicecitudes da pennsula, a victima expiato-
ria da civilisaco ilaliana, o problema dessa historia tr-
gica qoe nao leve ninda lempo de serenar, do qual
M. Gualterio traca os prolegmenos decisivos nos
seus Itirolgimenti, e Gobcrlo as complicaccs con-
fusas no seu Rinnovamento civile, e que outros
ainda moslram sob suas faces diversas em seus epi-
sodios multiplicados. Na apparencia, o ultimo mo-
vmento italiano, tal qual se desenvolve as Duas
Sicilias e na Toscana, nos eslados da groja e na
Lombardia ou em Turin, esse movimento comeca
pelas Icnlalivas de'reformas de que os principes
lomam a iniciativa desde 18Wi. continua pela guer-
ra da independencia em 1848, enconlra seu verda-
dejro desfecho em Navara em 1849 : be um drama
que parece encerrado entre estas recentes dalas. Na
realidade, esse movimento entranha-se pela hislo-
EPIIEHERIDES.
Janeiro. 2 La cheia as 5 horas, 48 minutos e
33 segundos da manha.
11 Quario mingaaute s 2 horas, 7 mi-
nutse 3S a'gundos da tarde.
1S Loa nova as 6 horas, .17 minutos e
36 segundos da manha.
24 Quarto crescente a 1 hora, 4S mi-
nulos e 32 segundos da manha.
ra, tem as raizes no pastado. A indepeneflla-h'Trariao'q}?'* perlencc a Pni'sia na Allemanlia. n
a paixao imrr.ortal da Italia, paixo t3o immorlal
quanlo dflicil de salisfazer. A revolucao france-
za, estendendo-se alem dos Alpes, jnnlon-lhe o gos-
to, o invencivel ardor das innnvac/ics civis. He
preciso que a llana viva com esles dous scnlimenlos
que milrcm-se n'alma das goraees contempor-
neas. Qual porem dcsles dous senlimenlos preva-
lecer, qual o que resumir primcira lodos os pen-
sameutos e todas as forcas ? Ser a independencia '!
Ser a revolucao dos poderes internos edasinsti-
luiccs'.' Eis aqui o ponto de todas as lulas lia meio
seclo. Urna vez admillida a necessidade de su-
bordinar tudo" a esla primeira e vital condico de
independencia nacional, sob que forma apresentar-se-
lia a realisar,a"o a mais simples desla independencia '!
Aqoi o Piemonle intervem, c I tura na batanea o
peso de suas Iradir/ies, de sua espada, de sua forra
compacta de cinco inilliOcs de homens agglomerados
junde aos Alpes, distantes de Milao alguns dias de
maicba.
Nao foi o acaso que inlrodozin na poltica esta
ida da crcacao ilcum reino da alia Italia, debai-
xo do sccplro da casa de Saboia, como a forma mais
propria para realisar, e completar a independencia
italiana, assim como nao foi o acaso que fez redun-
dar em derrotas gigantescas as ultimas revolucoes.
Foi a lei ila historia que parece presidir as tentati-
vas contemporneas atravez dos arontccimcnlos e
das lulas de quatro seculos, hiendo medrar ao lado
da porcio da pennsula que esl mais desamparad.
e sujcila a' dominarao cslrangeira, um pequeo povo
forte e vigoroso. Urna das mais felN.es fortunas do
Piemontc he Icr vida propria. movimento dislinclo
no dcsenvolvimcnto geral da Italia. Ainda nao pa-
sava de pequeo estado encerrado ero seus valles da
Maurionne a do Cabais da Tarantaise e d'Aosle,
quando a cvili-acfio italiana marcliava ja a seus
leslnos, o quefjllava a Italia para fazo-la parar na
carrera da decadencia, somenle o Piemontc leve.
Emquanto a Italia perece pelo excesso de divisoes c
discordias que favorcelo a dominarao cslrangcira,
o piemontc' conserva sua unidade moral e poltica,
sua forra secreta de conccnlrarao. Emqoanio nao
M'sahir da obsenridade, no resto da Italia,senno po-
deres contestados, familias de orgeni quasi local iu-
teiramenle, que reprsenla a comnium, a cidai'.e.
uin parlilo, sem qne ncnhiiina tenlia o carcter
0 PAIUIZO DAS Il'LHERES. (*)
Por Paulo Feval
O IMUItOt
CAPITULO XIV.
A CEU DO PASTOR.
A velha Rpiiolte iiavia quebrado a trolla. O casa-
mento do Brande Ruslan com Magdalena causara ru-
mor em lodo p pata, por) ninguno ignorava o>amo-
re do marque/. Antonio e de Haftdatena Rostan ,|0
Boteq. lillia do ende. A Morgalle nada linlu in-
ventado para e-limiilar ocame do lidalgole: nao
fi/era mais ,\ que envenenar a mordidella da taga.
rellice publica.
Kenolte era mais riosa do que o grande Rostan, c
nao amara Magdalena, porque antes .:e Illa chega-
da era ella que Rovernava a casa. Iiavia para Re-
noiie algaina cousa ,!, odioso, e como uro refina-
nenta ile ultraje na viuda de marqnez na espera
do parlo, M vwpcri da ruina; por isso rniislituii-
se carcercira, nao por ordem precisa do Adtente,
mas por seu coiisentimenlo tcito.
Como a porta do quarto de Ireoe eslava fechada
por dentro. Itennlle sabio apenas rompeu o Ueaque
a ludia presa. Eram horas: ella sabia que amo
nao podia eslar looge, por isso npreasoo o paso
quanlo lite peiinitliam suis pernas velhas escorre-
gando no chao humillo do paleo, e al.iscando-su- no
lodo que enema o caminhn cavado.
Voltando-se umilas vezes anles de chegar ao bos-
que, va anda atravez dos vulros Antonio ajooihado
junto da cama de Magdalena ; roas nao sabia da exis-
tencia do menino.
Quando pa-sou as primeiras arvores do bosque co-
iiiecou a chamar braiidamenlea Rostan pelo sen no-
me; pois hem o ennhecia. l)psdc que a desgraea li-
nda cabido sobre Francisco Rostan, a solidan op-
priuiia. Quando vollava de nulleda'taberna sosinlio,
as ideas Iri-lcs alacavam-no. Kllc assenlava-^e as
vezes ao p de urna arvorc com a espingarda enlre
as pernas. o licava alii immnvel como nina pedra.
A velha Renolle raniinhava oihando para os tron-
co das arvores ; mas esla noile Francisco Roslau nao
Piemonle entra por sua vez na civilisacao ilaliana
com Alfier e Lagrange.
Fignrai a Italia na complexidade de seus interes-
ses, no movimento de seus antagonismos como a
Grecia anliga ou a Allemanha moderna ; o Piemon-
le sera'a Maccdonia ou a Prussia,povo talludo
para a arciJo, creado no campo, c proprio para o
que os sabios cliamam hegmonie. Dos quiz, d-
zia urna vez o rei actual da Prussia, Frederico Gui-
Iherme IV, formara cnonarchia prussiaoa pela espa-
da Assim aconteceu com o Piemonle. Ha mais
de um seculo, mlpislro franrez, omarquez d'Argen-
ton, o jjreSMiilia dizendo : a Perlencc a Austria na
das da semana.
15 Segunda. S. Amaro ab:; S. Habacuc.
16 Terca. Ss. Uerardo, Acurcio, Uthon nini.
17 Quaria. S. Antoab. ; .cs. Elensippo e M.
18 ()uinta. A Cadeira de >S. Pedro Apostlo
19 Sexta. S.Canuto rei m. ; Ss. Audifas o Abacnc
20 Sabbado. S. l'aliio p. m. ; >. Sebastio m.
21 Domingo. 3." dejiois de Reis.S. Ignez v. m. ;
S. Palrocolo n. ; S. Epiphanio b.
A verdade deslas palavras descobrio-se em 1848.
Como, pois, a Austria, herdeira de lodos os domini-
os eslrangciros alm dos Alpes, e o Piemontc. que
procurou sempre estender-se, pndiam deivar de
enconlrar-se as planicies lombardas para disputa-
re m a independencia do norte da Italia ? Ha qualro
seculosquo a casa de Saboia tende para MHao, e
a Lombardia, c esla he a verdadeira poltica do
Piemonle, e polica ilaliana, a poltica de Manoel
Felisberto, de Carlos Manoel I, de Carlos Manoel III
e nao a poltica que por vezes proco rou cslender-se
dolado da Franca. Desde o seculo XV existe en-
lre os Milanczes e o duque Luiz de Saboia urna li-
ga em que snpporiamos descohrir ja as esperancas
de Carlos-Alberto e as causas que concorreram para
o seu malogro. No plano famoso de Henrique IV
para a reorganisaeSo europea, os duques de Saboia
lornavam-se reis da Lombardia. Quando, ha um
seculo Carlos Manoel III allava-se com Mara The-
reza na guerra da sucressao d'Austria, por singular
stihtileza diplnmalira elle reservnva seus dreilns so-
bre o durado de Milao na convencao provisoria da
allianra.
Na me.na occasiao em que um interesse comnium
parece reunir novamente o Piemonle c a Austria
para suslenlarem o choque dos ejrcitos republica-
nos francezes no fim do seculo XVIII, be um dos
mais curiosos espectculos ver revelarc atravez
dos acoutecimentos, o jogo secreto dessas tendencias
e desses antagonismos disfarcados em alliancas. O
Piemonle assigna a paz de 1797 depoi de tres annos
de corajosa resistencia, e ao mesmo lempo promove
ncgociares com o Directorio,procura mostrara-Ihe o
interesse que haveria para a Franca em limitar o
poder d'Austria alem dos Alpes,oppondo-lhe a bar-
rera natural de um estado italiano compacl, o em
vez do corpo heterogneo de urna repblica cisalpi-
na. Oque faz a Austria de sua parle? as confe-
rencias de Sellz, com rara perspicacia, procura sal-
var um ulerease futuro desapossandn o Piemonle,
anda que a cusa de parle da repblica cisalpina,
rreacao que ella bem conhccc nflo lera' duracao. O
Directorio decide a questao almenando simplesmenle
o Piemonle a' Franca pela primeira vez. Sobre-
vem o ephemero (riumpho da liga europea em 1799,
e quando Souvarou,descerni do norte para a Italia,
chama os principes de Saboia da liba de Sardenha.
que elle linlia necessidade de urna derrota para ron-
servar um llirono sua familia. Nao viram ne-sa
serie de fados coroados pela abdicarao e peta morle,
o desfecho trgico de um drama que dcsenvolvec
com corla unidade singular e myslerosa atravez de
todos os aconlecimenlos contemporneos. Esla uni-
dade, laco myslerioso de todas as contradicces da
vida de Carlos Alberto, exislc intciramenlc na pai-
xao invariavel de independencia, que revela-se pela
infructfera revolucao de 1821, que alimcnla-sc
n'alma do rei ja sobre o lhrono,;dissimulada pelas
annos; tal era no pon i de vista interior a ordem de
factos e de antagonismos que as calaslrnphcs de 1814
e 1815 vinham inaugurar.
Os tratados de X. ienna por sua nnlureza rompli-
cavam ainda esla siliiacao, sob oulras relacoes, em
consequencia da organisacjlo geral que derretavam.
A Austria entrava pela Italia. He verdado que ja
nao era o sanio imperio com o prestigio do animo
direito feudal. Esle titulo de santo imperio, o
lempo mesmo o destruir moralmenle ; a mo vic-
toriosa de Napoleao lizera-o desapparercr em 1805,
real, que.personifica em grao elevado a vida naci-,.""'"1.0 J^'0 de sua feala desllironada, a Auslria
nal, Piemonle possue una dv naslia ao mesmo lem-
() Video%/Xan'y n. \.
po anliga e popular, ligada pelas recordaees a' ve-
lha Italia equeem urna nobreza tic-I ncunlra apoio
e nSo rvajidade. Quando os sophy^tas declamam
contra as dynaslfli nao altcndcm qus>os dynastias
sao o instrumento irais poderoso da grandeza de um
povo, que sao os mais liis depositarios das tradic-
qocs publicas, c que mesmo sua ambicao nao he
muilasvezes mais que a e\press3o do papel histrico
de um paiz. Foi oquefalloua Italia, e tanto he
assim que os oulros eslados italianos que sahiram
indepcndenlcsdo combate da historia asseguram sua
independencia collorando-se sob a protecrao de fa-
milias cslranhas. He a casa de Rourhon que reina
em aples, c a casa de Lorraine, que por evlinccao
dos Mediis no seculo XVIII, devia reinar em Fio-
renta.
Finalmente, emquanto a Italia submersa de se-
culo em seculo pelas inva-oes cslrangeiras, lorna-sc
solada, desarmada, sem forra militar nacional,
alhea aos coslumcs guerriiros, c servindo-se de sol-
dados mercenarios, de coiidotlieri, o Piemonle lern
excrcilo e disciplina noscampos. O carcter mes-
mo desle povo he esscncialmenle differente ; elle
nao lem o brlho nem as sedueces dos outros povos
italianos ; be rudo e tenaz, he um povo de coslu-
mes graves c smplices, sem ardor pelas novidades.
Hojc mesmo, quanlo mais penelrassemos nocarac-
ler do povo.cm tanlo maior grao enconlrariamos esse
elemento primitivo c conservador para quem toda
a poltica resume-se na ndelidade a casa da Saboia.
He por este complexo de elementos e de forra que
o Piemonle lem medrado, ncleo sempre augmen-
tado de novo poder alem dos Alpes. Elle forma-
se por aggregai;6es successivas; um dia o Montfcrrat
a Lomelliua, a Alexaudria ; oulro dia Novara, Tor-
tol ; ainda urna vez Yigevano, Bobbio, Arona ;
depois Genovaem 1815. Filho o mais moco da civili-
sacao italiana, o Piemonle escapou as causas de sua
decadencia, c quando no fim do seculo XVIII, a
Lombardia que licara definitivamente n'Ail'lri.l des-
de 1713, cnerva-se nessa corrupeo de qne Parini
deisou-nos a pintura em seu poema do Giorno, he
sobre o solo piemnnlez que Allieri faz retiir o cali-
lo do patriotismo italiano em sua rcnasccnca. O
se linha assenlado em caminho. Sabemos que livera
outra larefa. Ouvio a voz da velha Renolle guando
deixava a cha/eca para entrar no bosque. Eslava
em um momento favoravel, pensava na mollier e no
futuro, e o que Ihe rrslava de brio Icnlava reagir
contra a obseaslo da Morgalle.
Oh velha gritou elle quasi alegremente,
vens dizer-me que Magdalena lem um lilho'!
Renolle nao ouvio; mas avistando o grande per-
fil do amo, que resabia confusamente na sombra,
corrcu-lhe ao encontr : pareca que nflo linha mais
de vinle o cinco anuos.
He lempo! be lempo! disse ella com volubi-
iidade ; julgavat qo eu leria podido quebrar acor-
da de ineu engenho?... Nao o reconheci loso... afi!
ah! se eu tivesse tido forca nao leria vindo challar-
le. Francisco !...
Que me ests dizendo, feiliceira resmungou
o fidalgutc que coinproheiidia j metade.
Porque Aslrea Ihe havia dilo que mellcsse orna
bali no calina direilo da espingarda para o hornero
que adiara essa noite junto da mollier.
O nome de Antonio eslava em seus labios.
Ellcrepellio-me, conlinunii Renolle ; porm
ramiiihemos fallando, mi-ii lilhinho. nao convin que
elle escapla... Se itesejas saber, ello esla ilisfa ca-
do em uiarinieiro... Fccharam a porta do Irene por
dentro.
O grande Rostan apresson o passo, e Reidle a-
garron-se-lhc blusa para poder scgoi-lo. la cuna-
da o tropezando ; mas fatlava sempre.
Relio rapas como amigamente... mais pallido e
de bigodes espess*... A marqueza mnrren la no
castello? Elle agora lem com queroubi.r mullieres...
Amigamente lindas cierne dclle...
A velha lentnu otilar para jolgar do effeilo proilu-
zido ; porm cornu Rostan ia apn-s-adamenle, seus
pos escurr ar.un em um canil, ella canibileou ;
mas o fidalgote eonliunnn a raminhar.
Muilo bem, neo tilliiuho eielamou ella atrs;
vai siui parji eu lo iiconhi;o !
Depois leranlando-se, alcancou o por um esfnrco
desesperado. Chegavam avenida principal. No fim
do caminho cavado, a luz que eslava no quario de
Magdalena bri ha va romo urna estrella. Com cITeilo
Antonio acahava de abrir a ianella.
t) grande Rostan parou. Seu ulharde calador dia-
tingara ja Magdalena licitada, o oven marque/ as-
sentado ao pe do leito, e a forma vaga do menino
meio occullo nos bracos da mfli.
O eorac/io aperlou-se-lhe, e umsuor fri inundeu-
Ihe as fjoles.
Renolle havia ilo adianto, ejnlgando-se seguida,
perdia a respra{Io em continuar sua tagarellice ac-
cusadora.
O grande Rostan quiz armar a espingarda ; mas
eoiilcDi'Hs manas reslauradorasdn rudc cossaco, sem
dissimubirque o conselho aolico linha outras vistas
sbreos eslados piemontezes. Desle modo a polili-
ca austraca nao fazia sen.lo designar ella mesma seu
verdadeiro anlagonsla, o que devia ser o serio e
perpetuo periao de seu dominio alem dos Alpes no
da em que, depois de urna interrupcao de reinado,
a Austria e o Piemonle personificado na casa de Sa-
boia, so euconlrassem face a face ua liaba. Real-
mente o que nao snecedera' quando a revolucao e o
imperio extenderem-se por 15 annos dos Alpes ao
Pharo, nao eslabelecendo nada duradouro, he ver-
dade, mas creando por loda a parle interesses novo
e forcas novas, quando o trabalho das ideas e dos
parlidos liver vindo juntarse a' fermenlacflo per-
manente dos instinclos de independencia, quando a
ambieflo tradiccional de orna casa real ilaliana poder
tornar-seem um momento determinado o centrona-
lural de mais ampio movimento de nacionalidade '!
Destaquemos estas linhas importantes da historia,
combinemos esta* diversas ordens de factos que ob-
lercmos o segredo desse rcenle duello que leve lu-
gar nos campos da Lombardia enlre o Piemonle e a
Auslria. O antagonismo continua, os aconlecimen-
los o vio Iransformando e alimentando al chegar
urna hora em que o Piemonle lanto por espirito de
raca como pelo impulso dos lempos, ve-so encarre-
gado do prirociro papel em nova tentativa deeman-
cipacao.
Tal he a lula que resuma em seus deslinos Carlos
Alherlo, personagem estranha no meio das ultimas
revolucoes italianas. Se ha,com cfleilo, figura ori-
ginal, nao ser a desle principe de carcter cheio de
mvslerios e de conlrasles, heroico c irresoluto, apai-
sonndo e inipcnelravel, cavalleiicsco e capaz de
longas premeditaces, que concentra em sua vida,
nessa vida que elle proprio chamava romance, a his-
toria do Piemonle ou anles de toda a Italia, as po-
cas mais decisivas deste seculo depois do imperio,
em 1821, durante seu reinado e em 1848 ? Quan-
do Carlos Alberto arremecava-se com seu exercilo
alem lo Ticino em 1848, liouve quem nao visse
nesse extremo mais do que ambicio vulgar.
Quando mais larde elle n sem illuso e sem es-
peranca arri-car sua vida e sua fortuna em Novara,
chamaram a istn jactancia revolucionaria, disseram
sua mSo Iremia muilo. fio momento supremo pro-
ruroo desculpas pera a mullier, porque amava-a. O
pelisamvnl-de Victoria alravessoa-lhe segunda vez
u espirito. Se Yjrloria livesse apparerido enlflo no
quario de Mag lalena terian Picado perdidos lodos os
planos da alorgatle ; mas a Morgalle havia cuidado
maso.
Eacrianca? fm menino lalvez? O grande Ros-
lan desejava Mulo um lilho !
Elle espern pensando sempre que a porta de Vic-
toria la abrir-se ; mas quando o joven marquez pe-
gn as mflo de Magdalena, conlinuou a caminhar.
Quizera ver seo menino assemelha-sc a mim !
disse elle comsigo.
Foi no momenlo em que Magdalena elevava o re-
cem-nasrido nos bracos para olferece-lo a Antonio,
que 1-1 ancuco Rostan leve a vertigem. Pareccu-llie
que Magdalena di/ia-lhe:
Toma-o, elle he lea.
O lidalgole armou a espingarda, aponlnu e dis-
parou.
A distancia era grande; mas o grande Rostan nao
queimava nunca sua plvora em vio. A velha Re-
nolle que vio Antonio sallar, e depois vaciilar le-
vando a mi ao peilo, julgou que Francisco linha
adrado de perlo airas della. e por assim di/.er sobre
eu hombro. Volloo-se dando o grito de Iriunipho,
que uuvimos; mas nao vio iiinguem. O grande Ros-
tan eslava no fim do caminho cavado na maior den-
idade dis irevas. que cahiam das arvores do bosque,
immnvel c apniado na espingarda : linha um veo di-
anle dos nlhos.
A pequea Irene ilespcrlaudo sobresaltada Mola-
se laucado no quarto da mii. Magdalena arrastou-
'' r.......reeem-naseidn nos bracos ate aleova de
\ iclona, dizendo:
Elle ha de vir malar-nos Indos!
Chegue! eheenel grilava Renolle no paleo,
elle esl smenle ferido (".liega, mcu lilhinho Co-
mecasle hem, acaba igualmente!
l'ma sombra apartou-se de um grosso tronco de
carvalho, que crescia na escarda alguna pastos distan-
te do fidalgote: ira nina iniiler cubera de um man-
to escuro. Ella veio al ao meio do caminho cavado,
c applirando a mo sobre os nlhos filou-os mais de
um minuto no quario ainda allumiadu, emque o jo-
ven marquez eslava sosfnho lendo um joelho em Ier-
ra, e as mflos apoiadas no peilo.
Eslavas ahi!... murrii-irou o grande Roslan;
viste que ella levanloo o menino para elle?
Aslrea vollou-se e disse em vez de responder :
Nao percas o lempo, corre charneta. Solpi-
cio passara hrevemenle: nao erres o liro !
Francisco baleu violentamente na fronte como se
quizesse fazer saltar um pensaineulo do seu ccre-
necessidades do reinado, c que nao faz explosao em I fortes pnsices; as mais (!) e os tratados de 1815
ISI8 senflo para confundir-se eom as desgranas da
pennsula. Neslas Ires pocas consiste o triplo n
desse deslino,cojo lermo fatal he o exilio c o tmu-
lo de Superga.
I.
Em poca crilica para a Italia e o Piemonle, para
os principes o as coroas, nasreu Carlos Alborto de
Saboia Carignan ; foi a 2 de oulubro de 1798. Dous
mezes mais, e a monarchia piemonteza ia desappa
recer. A paz de 1797 com a Franca era apenas ins-
pensflo enlre urna lula de Ires aunse um interregno
de quinze. Na Italia mesmo formisavain loda
a sorle de repblicas faclioias c caprichosas, desde a
repblica cisalpina alea repblica parthenopeana.
O Piernn!*,lalvez o pniz da Italia mais abrigado das
influencias revolucionarias, no momenlo em que a
lula comet-ava, linha ainda costumes austeros, um
povo .intacto, urna casa real bemquisla. O Piemonle
devia resistir mais que os oulros eslados italianos ;
mas nao podia sobrepujar a forja que linha de sub-
jugar a Europa. Depois da primeira campanha da
Italia e do esbulbo vilenlo de 1798, podia ainda
realisar-se em Turin urna reslaurac.lo passageira,
depois da segunda guerra da Dalia, coraecjd a e
acabada pelo coriseo de Marengo, o Piemonle nao
podia mais existir. Desde enlflo os principes de Sa-
boia estiveram definitivamente desterrados na ilba
da Sardenha. Mesquinha corle de Cagliari que cm-
prega seu lempo em correr apos de lodas as esperan-
tas, que ainda no exilio lem suas recordacocs 'c sua
dignidade.seus ministrse seus embajadores, de que
fez parle Jos de Maislre,minislro do rei de urna
pequena ilhi do Mediterrneo em S. Pelersbuigo !
Quanto a Carlos A Iberio, apenas nascido no meio
desses desastres de um povo suhjugado e de urna
monarchia esmagada pela forca. he transportado pa-
ra a Franca, onde pudendo seu pai, o principo de
Corignao, que se havia porla.li> como v denle sol lado
as guerras da rcvolurio, Qcou confia lo aos cuida-
dos de suamai, princea de Sase.
Educou-se em Franca, ora em Pars, ora en: Genc-
bra, onJe esleve sob a direcrao de um minislro pro-
leslante. Foi em Franca que i lio cresceu ao espec-
laculo da reconsliluicflo civil de um grande pait e
das maravilhas de um poder militar inaudito. Es-
lava em risco deter a mesma sorle que os principes
deslhroqados, quando tizeram-no entrar coinn l-
ente no 8 regiment dos dragues francezes com n
idade de quinze annos. Esle ofcial adolescentes
arrancado violentamente de seu pair, nao havii che-
gado ainda i, idade viril, quandu j livera lempo de
ver nascer, cresecr, eslender-se e declinar o mais ro-
lossal imperio Ido muodo. Os aconlecimenlos ,,.
181 vioham com efieilo mudara face da Europa,
transformar ainda urna veza Italia, fazer reviver a
monarchia piemonteza augmentada do eslado de Ge-
nova.e reabrir a Carlos Alborto a perspectiva de um
Ihrono. Todas as condicoes da poltica achavam-sc
sbitamente de-locadas e renovadas.
A revolucao e o imperio pelos germens profundos
que deixaram alem dos Alpes, os Datados de 1815
pela.dislribuicOes lerriloria.es e condicM orgnicas
que crearam, sao na verdade o duplo principio da
historia da Italia em nosso seculo. Foi a revolucflo
Tranceza que deu origem aos partidos italianos eos
constiluiolaesquacsmoslraram-se depois, com seu
carcter, com sua opinioes, com seus excessos.
Ella Tez llaliao Irisle presente dessa vida poltica
convulsiva c impossivel, queo imperio vinha compriJ
mir e sepultar as Irevas sem a destruir. He da re-
volucao e principalmente do imperio que dalam es-
sas exallaces tenebrosas, esses hbitos de conspira-
Soes occullas que Pizeram das sociedades sccrelas a
chaga da pennsula e que,desenvolvendo-se, solTren-
do loda a especie de Iransformacoes, vieran) dar
na Joven Italia, obra desse terrivel hierophaulo Maz-
zini. Todava no meio de ludo islo, o que he verda-
de he que o imperio linha por effeilo melhorar sin-
gularmente o eslado interior da Dalia. Simplicava
a administracao, creava novos hbitos, regularisava
a vida civil, de sorle que, no fim do imperio, a re-
volucao franceza exislia alem dos Alpes no que li-
nha le mais funesto c de mais sitamente civilisador,
em suas violencias democrticas duplicadas, pelo
mvslero das conjuraroes, e nos beneficios realisados
por ama legislacao civil e administraliva.que corres-
ponda a urna mullidao de necessidades c de ideas
de um progresso legitimo. Assim, de um lado, pai-
xes revolucionarias ainda ameacadoras, novos e
numerosos interesses, insliluiroes ulcis. que linham
por si a saneco do lempo e de cerla adhesSo polti-
ca, reformas moderadas, mas justas e ja enraizadas ;
de oulro, governos que renasciam e fcilmente con-
fundiam o bem e o mal, poderes dereaerflo que len-
dam a reportar tudo poca de sua suppressao, e a
nao dcuar subsistir nada do que se fizera ha quinze
nao o reslabelcciam. A Austria qSo jpaava 4e
urna pesseeslo allemla, lendo possessoes na Da-
lia ; mas primilivamcnlc eslas possessoes eslen-
diam-se de modo diverso do de 1789. Aos du-
cados de Milao e do Mantua junlavam-sc Ve-
nca, liergamo, Brescia, Roma, Vicencia, as mais
feriis provincias, um reino inlciro que abra-
java a Alia Dalia e povoailo de seis milhcs de
horneas. Alem disto, i Austria devia ser necessa-
riamenlc levada a eatabelecer de facto solire os ou-
lros eslados italianos esta alia snzerania, que ne-
nhum direilo Ihe oulurgava. Nao era de certo
evidente que no dia em que um desses c-tados se
conheceste bstanle independente para constiluir-se
foco de movimento, o poni de reunan dos inslinc-
tos patriotas da Dalia, o dominio cslrangeiro per-
dera lo la a seguraiica ".' Eis porque a Auslria adop-
tan cerla poltica que se Ihe nao pode exprobrar
como crime. So espirilos frivolos podem conceller
que um grande imperio abandone grandes posses-
soes sem cmbale, sem esgolar lodos os esforeoe pa-
ra conserva-las. A poltica da Austria foi o que nflo
poda deixar de ser depois da pnsicao em que a enl-
locaran] os Datados do 1815. Ella na.i vio no
lodo da pennsula senflo um vasto lystema, rujo
cenlro e regulador devia ser o imperador. Nenie
peusamenlo muilas vezes manifestado, o Piemonle
era a vanguarda da Austria alem dos Alpes. Ja em
1815, o gabinete de Vicua assignar.i um (ratado
de allianra com aples, e o rei das Duas Sicilias
ohriga-se por um artigo secreto a nao rcalisar as
insliluiccs do paiz. nenhoma mu lauca que se nao
conciliasse com os principios adoptados, por sua
mageslade imperial c real apostlica para o rgimen
interior de suas provincias (alianas. a
Esle peusamenlo foi sempre conservado com tal
lidelidade, que em 18:21. pela, morle do grao-duque
da Toscana. Fernando III. o minislro austraco
em Florcnca, o conde de liombellco, exiga que a
elevacao do novo soberano ao Ihrono nao livesse
lugar sem accordo previo com o gabinete imperial
Em qnalqucr parle onde moslra-se a menor cen-
lelha, as forras da Auslria porm se em marcha ;
o que den lugar a estas inlervenres que succole-
ram-se por vezes em aplos, nos eslados romano',
na Toscana, em Modena, e no Piemonle i -..Mino: po-
ltica esta sanecinnada pela Europa da santa allianca
ero, I.avbach Quando o imperador l'ranrsco I, no
lempo da restauraran, visiuva suas provincias da
Alia Dalia, quando seu successor o imperador Fer-
nando, em 18:18, ia fazer-se coroar em Milao. essas
viagens, mostrando a a Ibesio dos principes italia-
nos para com o imperial senhor da Lombardo-Ve-
neza, n.lo linham oulro fim
povos c a Europa mesmo a esse espectculo do pro-
tectorado auslriaco. O premio desla subordinacao
dos principes italianos para com a Austria era a
seguranca promellida aos thronos, o apoio das for-
jas imperiaes assegurado aos governos amearados,
a garanta contra toda e qoatquer lenta.iva revo-
lucionaria. A Auslria, alem dos Alpes, importara
a invaso Toreada do dominio cslrangeire, e a re-
presenlaeao armada de todas as tradinus da im-
mohlidade poltica. Daqui resullaram nos oulros
eslados italianos inclinacoes austracas mais ou me-
nos disfarcadas, de lodos os homens dedicados s
doutrinas ahsnlulistas, ,i monarchia pura lal qual
exislia em 1789. e, de oulro lado a existencia de
urna difficuldadc natural enlre os que propugna-
vam pela independencia da Italia, e os que medila-
vam seus progressos polticos no interior. He nesla
situadlo, observada sob o duplo poni de vista dos
mov hlenlos de opiniao, legados pela revolucao fran-
ceza e dos antagonismos, cujo germen os tratados
de 1815 occullav.im. que existe o segredo Jo traba-
lho contemporneo da Italia e de uascomrilicacoes.
Existiro sem duvida mullas difierenras no jogo
dos partidos e dos individuos ; mas o principio de
lodasas lulas observadas em 9ua origem he aquelle.
O Piemonle oflereca desde 1815 um Ihealro par-
ticular ao deseuvolvimcnlo desla siluacao. Na ver-
dade o que siiccedeu'.'Apenas restaurou-sc a mo-
narchia piemonteza, o espirito falal de reaceflo pa-
rece arrebolar os espirilos no meio de um paiz,
que rollocando-se com lodo o cnlhusiasnio sob o
sceptro da rasa de Saboia, vio desde 15 anuos sua
existencia iransformar-se, s igualdade civil pene-
trar em seus coslumcs, urna admnislnirao mais
simples presidir a seus interesses. O al ii.in !, da
bro entorpecido. A Morgalle poz-lhe a m3o sobre o
hombro, c disse-lhe ao envido :
J.i te vingasle. vai agora ganln.-r la fortuna !
Nao vens comigo?
Eu. respondeu a Morgalle Iranquillamenle,
nao sei se esse homem esl morlo. Fico.
Roslan lornou a carregar a espingarda, e parti
para a rharneca.
Quando se afastava, Aslrea vio o joven marquez
Antonio levantar-se penivelmenle e sallar o para-
peiloda janella. Ella lomoua pistola na mao, c cha-
mou ero voz baixa :
Meu lio 1
O curandero Joao Touril com os bolsos cheios. e
lendo atada s costas a troaxa, deseen brandameiite
a escarpa. Trema e pareca r contra vonUrde.
Tome islo disse a Morgalle eslendendo-llic a
outra pistola.
Juao Touril rangeti os denles; porem lornou :
A mfli lica, e os dous meninos bao do erescer.
Tudo nflo esla regularisado!
(1) O imperador Francisco I abdicara desde 180i
o titulo de imperador d'Allemanha pelo de impe-
rador d'Austria ; roas he evidente que u soberano
aoslriaco n"io lizera voluntariamente esle sacrificio,
senflo afim de nao ser conslrungido a faze-lo por
Napoleao, cujas vistea sobro a cunfederaco germ-
nica, eram bem conhecidas.
corle de 170S serve de soberano arbitro da organ'-
saeflo do governo. No exercilo, submeltido a Irans-
posicSo profundas, os homens qne serviram sob o
imperio foram eliminados e subsliluidos por cheles
inexperienles. Picando desle modo enerviada a forca
militar do Piemonle. Na ordem civil acontece cou-
sa muilo dilTerenle. O- morgados, us fidei comis-
sos os Iribunaes de cxrcpco, o confisco, supri-
reapparecem ao mesmo lempo ; o cdigo civil be
mido, o rgimen bypolherario abolido, em vez
das smplices e lacionacs jurisdiccOe dos Iribunaes
francezes, cxislem em Turin 15 jurisdiccrs que se
embaracavam limas as outras e ftinrrionavam na
maior confuso, de sorle que os mesmos magistra-
dos linham necessidade de um guia para discrimi-
n.irem suas altribuires. I.m dos mais curiosos eppi-
sodios desla emprezai mpossvel, he a interveneflo do
poder real na administracao da jiisca. na regula-
cao dos interesses rivs. l"m simples bilhele do rei
basta para desonerar um devedor, para privar um
credor do beneficio de garantas adquridas ; urna
declararse do rei altera as penas, suspende as tran-
san es, anualla julgamenlns. Esla rcaccao piemon-
leza uio lie obra de ridicula vinganca. mas resolla-
do de urna randura cega que romonlava ludo aos
lempos pnssndos como ao ideal do governo nacio-
nal c legitimo. Naturalmente, em face deslas lexi-
iencias, devia formarse urna opposic,ao alentada de
lodos os interesses violentados, de todos os inslinc-
losos mais justos reprimidos, aos quacs vinha jun-
lar-se urna irritacXo nacional que crescia contra a
Auslria. O desennientamento (tenelrava no exer-
cilo, parle da mesma aristocracia piemonteza resis-
ta a esse movimenlo de rearcao, as universidades
transloriiadas sob pretexto de aperl'cicoamento, o
espirito de agilacao propagava-se, finalmenle o car-
bonarismo que mo era tflo poderoso nos eslados sar-
dos romo as outras parles da Dalia, enconlrava ma-
ravilhosas occasies de eslender-se.
Deste modo ludo tende para um conflicto dos
partidos, e esles partidos, segundo o habito, linham
suas personificar/es. O homem que a reaccao pie-
monteza prefera nao era o proprio soberano, o rei
Vctor Manoel, coracao simples e leal, c que alem
distoarespciloda Austria era porinslinclo militar en-
tliusiasla da independencia nacional; era anles o prin-
cipe qne devia lUCCeder-lhe sob o nome de Carlos
Felis. seu ir mo, duque de Genebra, espirito hones-
to, mas curto e inflexivcl e a quem nada delinha
em suae inclinacoes absolutistas c austracas. He
neslas condicoes. no meio desle movimento cscen-
le dos partidos, que corneja a desenliarse a figura
de liarlos Alherlo, principa de Carignan. O mais
moco do segundo ramo da casa -de Saboia, Carlos Al-
berto era ligado por liliceo ao principe Eugenio, e
a ausencia de descendentes, masculillos de Viclor
Manoel c do duque de Genebra, designava-o como
successor ao Ihrono. Joven ainda, com seu bello
lalhc,scu nlhar penetrante e auadfgnidadc cavallei-
rnsra, pareca que nelle revivaalgum de seus aros
de meta idade, e^se conde Veri, coja divisa tomou
depois, e por quom linha culto particular. Elle to-
ra soccessivamente nomeado coronel do regiment
de Salaces, o depois commaodantc-geral da arlilha-
ria. Tiuha Iodos os instinclos militares de sua raca,
seiiSa coslumar os eoceupava-se como exercilo como pessoa queo ama-
va. Islo Deslava para nao agradar aos defensores
da rearcao sarda, e para allrahir as vistas dos libe-
raes esparsos no Piemonle e no rcslo da Italia. Os
espirilos mais eminentes, o poeta Monli com sus
imaginaeflo ardenle, e escriplores mais graves, lacs
como Pedro Giordani, Angelan!, saudavam-no como
a ultima esperanca da patria italiana. Sois felir.es,
dizia Monti, sois felizes, jovens Piemoulcses que
possnisa Carignan ; he um sol que dcsponla no ho-
risonle. adorai-o, meos amigos, adorai-o. Man-
cebo de carcter guerreiro, hbilmente familiar com
dignidade, observava oconceilo publico approximar-
se dellc, e sabia eonserva-lo por suas palavras, por
sua animarao a todas as ideas generosas, por suas
simpatbias para com ludo quanlo fazia palpitar o
coracao italiano. O palacio Carignan linha suas reu-
nios, a que concoma loda a mocidade descntenle
do prsenle, que jamis deixava de crilicar o gover-
no, e exaltarse no scnlimenlo de urna lula patrio-
tica contra a Austria. E como que para augmentar
essa dillerenca de altilude polilica de Carignan e do
duque de Genebra, haviam, segundo dizem,entre os
dous principes, vivas animosidades pessoaes.Dcs-
goslos rcaes, porm ainda muilo vagos para lorna-
rem-se a paixao de um povo, ipslinclos de progres
sos civis excitados pela compressao, ardores mal co-
udos de patriotismo auslriaco, a popularidade de
um principe olbado como chefe provavel de urna
reaccao liberal c nacional, eis a origem do que po-
den* rbamar-se grande desalio de 1821 se nflo fos-
se o fructo de illnses que nada linham de vulgar
e que foram cruelmente expiadas.
A revolucflo piemonteza de 1821 he re lamente
nm dos incidentes mais desconhecidos ou mais es-
quecidos da historia contempornea, como aconte-
ce a lodas as revolucoes malogradas. Ella apre-
sentava-se as circumslancias mais favoraveis na
apparencia. A Enropa eslava em singular fer-
mentaeflo polilica ; a llespanba acahava de realizar
urna rcvolncio coroada de successo momentneo ;
aples seguir o mesmo movimento. e a Austria
preparava-fe para marchar com um exercilo sobre
guarda participa da humilde postilo de^lendarme.
Desde o principio do mundo lodas as gui.arras vi-
vera de upposicflo.
Algum dia se faro justica aos gendarmes. Seja-nos
permillido asseverar aqui que os jovens ollkiacs da
alfaiidega sAo o adorno dos lugares quoros possuem.
O uniforme nflo Ibes d o prestigio dos e-ulros h-
roes; maselles lem valor, alguma lindura ds sn-
encias malhcinaticas e rnuita aplidflo para as bellas
leltras. Osqoc frequentam as sociedades tem gran-
des successos. Poderiamos citar alguna quo nflosao
inferiores aosempregados de prefcilura, nem mesmo
aos caixeiros de negociantes.
as alfandegas, como em qualquer oulra parle,
uro relalorio he urna lHra de cambn saca la sobre
a fazenda publica. Nem lodos lem a occasi.lo de re-
digir um relalorio. l'm relalorio bem rediiido vale
uro soneto sem debito. O Dos que preside aos ne-
cocios do pessual le s vezes os relaturios. Tem-se
vislo rclalorius acenderem a locha do bvmeneo, e
mudaren um supernumerario em especia de ar-
mador.
O segundo lenle Rouaix lomou urna folha de pa-
pel, acendeu o cachimbo, e mollino a peona na li-
la. O vento que soprava polas selleiras da turre e o
grande rumor que vem do largo davam elevacao aos
seos pensamentos. Elle tscreveu :
u Senhor director:
\
do inccssanlemenle balido pela lempeslade, e leudo
o triplo tlenlo de supporlar um lelegrapho, de fa-
zer gyrar um pliarol, e de abrigar um posto de guar-
das da alfandega.
O contrabando fo neniado pela gente do lugar,
lomava proporcocs firmidaveis favorecido por um
leve fermento de hostilidade poltica. A cosa loda
viv ii do fraude, c nao se devia esperar nenhum soc-
rorro dos camponezes aflnroados de coracao on por
habito ao ramo primognito dos Bourbous*. Conlra-
bando permanente, conspirarlo chronic.i.
Ora, esses dous llagedlos linham escothido para re-
bentar o momelo em que o segundo lente Rnuati
a Baixa-Italia afim de siiffoear a revolucao napoli-
tana : boa occasiao, pois, para a Piemonle (anear-
se na retaguarda da Austria e continuar designios
seculares sobre a Lombardia no momenlo em que as
forcas imperiaes oslivessem divididas! Enlre os
patrilas milaneres e os liberacs dos estados sardos
existan secretas communicaees. mesmo gover-
no piemonle/ esclarecido per numerosos sv mplomas,
nao elav.i longcde parar no desfiladciro a que To-
ra arrnslado ha cinco annos; o rei Viclor-Manoel
tomara ministros que sem pastar cerlos limites pro-
moviam algumas reformas,o ronde Prospero Ral-
bo, omarquez de Sflo-Marsan, o conde Alexandre
de Salaces. Em (aes condicoes que resta va fazer?
Era a queslo ardootemenle agitada nos conselbos
do liberalismo piemontez. O mais prudente di-
ziamquccra melhor esperar, que em dez annos os
homens inlelligcnles ocrupariam os cargos pblicos,
o principe de Carignan estara sobre o throno, eo
futuro eslava seguro, enlrclanlo que ama provoca-
do aos aconlecimenlos podia compromeller ludo.
V islo Sania Rosa responda : 10 annos, he espe-
rar muilo ; chegon a hora, convm aproveitar a
occasiio. n Era a impaciencia qoe predominava,
c o que ale entilo nao passava de nm peusa-
menlo vago, lornava-se conspiracao tramada en-
tre alguns homens, de que eram principaes o con-
de Santorre Sania Rosa, depois major de infanlaria
e sob ajudanle-general; o condo Lisio, rapitaode
cavallaria Iigcra do rei; o major de artilharia Col-
legno ; o coronel Sao Marsan, Pnilio do minislro dos
negocios eslrangeiros; lodos militares e alguns de-
dicados ao principe de Carignan, que considera-
vam como seu chfe natural.
Esles coraces generosos e-qneriam que nao se le-
vanta um povo, posto que de um eslado alfronloso,
com urna conspiracao tramada enlre algumas ima-
ginacoes ardentes, nem reprime-sc urna revolucao
vontade, Sania Roa, Lisio, Callegno c Sao Marsan
nao eram carbonarios decididos a levar ludo ao ex-
tremo ; perlenciam ao partido chamado dos fede-
raes, queriam principalmente a guerra contra a
Auslria c cerlas reformas polilicas.um rgimen cons-
titucional, sem deixarem todava de ser estricta-
menle fiis casa de Saboia, mas he desgraciada-
mente verdade que o carhonarismo exislia alraz
delles, promplo para scrvi-los c depois eicede-los.
O carcter mililar dos rhefes do movimenlo bem
deixa ver em que poni de apoio ronliavam. J nos
prmeiros das de 18>l liveram lugar em Turin sce-
nas om lano revolucionaria, vagos indicios do esla-
do do paiz. Quando parle da guarnieflo de Alexan-
dria sublevava-se a 10 do marco, Santa Rosa e Lisio,
de sua parta enrriam a Pignerol para fazer insurgir.
se a cavallaria ligeira do rei.Collegno e Sao Marsan
aailavam igualmente em oulros pontos. Finalmen-
le, mesmo em Turin a 12 de marco, depois de dous
dias de emoces e de peripecias ; Ires liros de ca-
nhio parlindo da cidadelia, annuariavam que a
guaruicao pronunciara-se e o oslandarte italiano de
Ires cores lluctuava no cume da fortaleza. O santo
desle movimeulo era a guerra conlra a Auslriao
a constituir.
Fazer a guerra Auslria e proclamar aronstilui-
cao era fcil de por em urna bandeira deinsiirreicao.
Para lancar-se na Lombardia no momenlo em que
o exereilo auslriaco acabava de passar o P, era pre-
ciso conlar pelo menos com urna resistencia muilo
prolongada do exercilo napolitano c esla era orna
das previsoes as mais chimeneas, que nflo 'admita
um dos eminentes militares piemoutezes, que servi-
r com dislinccSo no lempo do imperio, o general
GiDenga. Alem disto, sem conlar os setenta mi1
homens que marchav.-mi sobre aples, a Auslria li-
nha guarnieses em Millao, Manlua, Verona 6,000
homens sobre o Tagliameoto e reserva prompla a
descerde Carinlhia. Em pouco lempo a Austria po-
dia reunir na Italia cenlo e cincoenla mil homens,
de sua parle, com que podia conlar o Pieajonte en-
tregue a si mesmo para fazer face a esta siluacao ?
Tinha debaixo de armas lalvez vinle e cinco mil ho-
mens. E para fazer concordar urna revolucflo poli-
lica com urna guerra conlra a Auslria, qual era a
bandeira escollada ou anles imposta aos prmeiros
promotores da insurreiejio ? Era orna conslilucao,
verdadeiro ideal da anareba, a consliluicilo bespa-
nhola de 1812, islo he o que era mais proprio para
augmentar as divisos do paiz e do exercilo, quando
o povo conervava-sc|frio e allonilo,quando;a brigada
de Saboia ja recusara nnir-se aos insurgidos, quan-
do Sanla-Rosa e Lisio para enlrelerem seus solda-
dos foram obrigados a dizer que obravam em nome
do rei Os mesmos cheles do movimenlo ronhe-
ciam, senliam que o carhonarismo ia diante delles,
que punha-lhes as maos urna consliluic.an que em
sua opiniajulgavam severamenle. Esla revolucflo
mal nascia, quando (odas las imposibilidades mos-
traram-se de urna vez e ella ia voltar bruscamente
ao mais Irisle mallogro.
Nos dias 10 e 11 de merco, o rei Viclor-Manoel
vaciliava entre todas as resoluces, desejando pbr ve-
zes apresentar-se a saas tropas e oufras lanas retido
por seus amigos.
A 12 de marco, lalvez ainda fosse lempo de fazer
algumas concessoes; na noite d 13 havia (abdicado
sbitamente. O que se pastara ueste curto inler-
vallo ? O marquez de Sam-Marsann,minislro dos
negocios eslrangeiros, chegava do congresso de Lay-
lornamos a arhar na choupana do primeiro. A con-
nivencia criminosa necessila por ventura de outras
pravas.'
o Quanto ao primeiro, senhor director, libamos
feilo ama emboscada ua Cruz do Conde enlre o cas-
tello de Maorepar e Plouesnon. Era a estrada que
deviam seguir os merradores de rendas. Conlra lo-
da a esneranra elles nflo a seguiram ; porm V. S.
ver que a emboscada leve um resudado cxccllenle.
Primeramente pelas dez horas da noile vimos
passar em grande desordem um joven sacerdote so-
brinbo do cura de Plouesnon. O carcter desle ec-
clesiaslico fecha-mea bocea : mas nflo posto deixar
-------------------- -n ...--, anivbn mii.i llilx/ UIVS9U 11 1 1 .\ i 11
cymmaudava iiilerinaincnle o poslo do cabo Trehel. | de observar que as tendencias do clero sao ouasi ge-
N momento em que o horisonts polilica pare-'que ao primeiro aspeen, ..lima condico d
Ciibrir-te de ama nnvem semclhante nevoa que dous personagenj preterva-os contra a luspVila.
vic do paiz, nao smenle loda a sua
sua iiilellgcncia, loda a sua vontade
Porc
Entretanto os guardas do rabo Trehel linham ope-
rado uma captura verdaderamente importante. Os
merradores de rendas e os contrabandistas de Jersev
tinham-llies escapado; porem haviam -id prese-
1'oloGicquel e o pastor Sulpirio: dus homens peri-
gOSOS. Os guardas do cabo podiam gabai-sc de ler
feilo tioa campanha.
O Icilor deve lenibrar-se de que o pastor Sulpirio
e Tolo Gicquel linh im sido tssiasialadns pelo hones-
ta Jojlo Touril em sua visita ao poslo rom dous ini-
migos da paz publica. Nenhiini oulro leslemunho
militava conlra elles; mssTolo Gicquel era muilo
pobre, e pastnr tinha por pai nm proscripto. Alm
disto deque servira rondar se nao se tpafihas costa alguma'.'
Era a palrulha do segando lenle Kouaix, que
havia tido a felicidad* de capturar o pastor. Seme-
llianle feilo de armas abona um joven ollici.il. O se-
gundo lenle Rouaix voltou ao corpo da guarda
para redigir sen relalorio. e deixou o cabo Pedro
(iandean a frente da patrulha.
Nao convm tmenle vencer, romo lem dilo mul-
los etCTiplores celebres, convem Umbem aproveitar de idade, senhor director, e cinco de servico rom
Ralalha renhida contra os merradores do rendas
de Jersey, desembarcados em Ruche-Guiolle, len-
laliva inexplirada dos velhacos, que linham cha-
mado o patacho falla debaixo do cabo, chegada de
dous personagens mvsl :riosot, que suppunlij-so se-
rern proscriptos de 1832.
Noile cheia de notav?is peripecias, romo dizia o
s-giindo lenle Rotmix pin seu relalorio.
ii ....Eu tinha desde muilo lempo, senhor director,
tristes inforniari'ies sobre dous pautes desle cania
que parecan-me ser os promotores da desordem. e
se assim me nosso exprimir, os ministros pleoipolen-
n "-do contrabando de Jersev no teio de nussas
popntacttes das cosas di norte. Tenho hesitado por-
eatet
e se
envolve nussas costal quando o lempo vai mudar, I meu "zelo Inconsiderado podesse jamis'comprome'-
" '" u"1;1 !....."-":" \l ",,ri"1" "S"""" ao ser- ie: a administracao a qoe tenho a honra de pcrlen-
ca, loda a j cer. seria isso o pozar de tosa a minlia vida'; mas
loda a sua esta noile roinha hetilacio leve Am Vi com os meos
energa, sengo tambem loda a sua prudencia, lodos proprios ollios.....tdous culpados estn eracataoi
os seas cuidados, e geralmenle a somma de faculda- mousbravos tobordinadm as maos da autondade
ramenle legitimislas. Gracas a Dos, a alfandega
nflo he a polica !
Pelas dez horas e mcia o pastor Solp'cio lancou-
se em unssas Pileiras corno um louco. Sendo inler-
rugado balbuciou e respondeu palavras incoherentes
supplicando-nos que o deitassemoi livre, a aflirman-
11-nos que Iratava-se de vida e de morte.
liisisliudo eu cm elle, o menino perlurbou-sc
interraatente, detfez-se em lagrimas e o nome de
pai rahio-llic dos labios. Julguei dever apoderar-
me ile sua pessoa.
Resulla dos factos supracilados, senhor director,
que os dous principaes instrumentos do contraban-
do eslrangeireestilo presentemente em miuhas maos.
Quanto ao Sulpirio pai, e palro de barro, a pruden-
cia de V. S. apreciar devidamente a informaran po-
iliva que acabo de dar-lhe. Esse homem esl no
lugar.
o Os aconlecimenlos ulteriores bao de ncrcssilar
provavelmente de um segundo relalorio; porquanlo
ainda nao estamos no lim. e a noite nos oflecer lal-
vez novas occasies de ucovar nosso zelo. Termino
Acli iva o coraeco exeel-
gar as nios com iligull
lente, e linlia rn/.a.
Cliefe do poslo na torre de Trehel, centinaoo
elle a e-crever. pela ausencia de meus soperion
I seu dever, e lomo a libenlade de assignalar parlicu-
. iui. ni- ----- '-------..... I ...........-,.,,,,, ,-, ni, o UUM-IVII-O com
i victoria. Redigir um relatorio he aproveitar avie- notas sempre escolente! ea eslima de meas com-
loria.
A pocsia lem desprezado cantar os guerreiros pa-
cilicos, que guardara nossas costas e vigiam nussas
fronleiras. Alvraleni feilo muilo mais pelos seus
inimigos naluraes, os contrabandistas. Aos ulhotse-
duzidos dos aolores de dramas e dos productores de
romances o contrabanditla lem a aureola que brilba
ua fronte do klephta do salteador calabrez. e d
bandoleiro catalao. Ero face dos albuns de canto, o
orna dei laracao hnporlaiile, e attignalen-me enlre ; Isrmeote heiievolenr, ,|e v. S~ o caTm Pedro (i
r.Uu fFZE l!"8*,ls V ;lUS "divWtjaa de que deau, o qual melle.i-sc ate i cialura ero um baixo
rallo, li primeiro, rapaiinbn apenas sabido da ta- para altumiar o rorhedn. e rujo liumur alean tem-
^nreV^trs^otnS
.1 \"n,T'-' Iru"'l0l;"li"1"/ P"r-coiitu,aacia no lempo | Tende erigido este monumento, o segundo lencri-
iii -Herrada V-ndea. O seWinii he uma crealura le llauaix acendeu o cachimbo que se linha apagado
tirtffrneiftcomo nosta Bretanha oll'crece ainda algu- -
mas. felizmente mai raras, lie um telvagem, quasi
mandantes.
Lis ,ii|ui qu es sao as circumslancias difliceis
qne uve a honra de alludir cima, e que.venci com um idiota, ganha a vida em nm omcioaxavagante;
late; pois na posso allnhuir mes-1 ruja de-cripeflo offenderla a gravidade do ol.jeclo
um urna pequena parle ao meu rncrerimento.....
Neste lugar o segundo lenle tracon um quadro
vivo e bem sentido do estado da regia. Uesenbnu
mesmo nina pequea paizagem de ettyto, i rule va-
te a lorre de Trehel assenlada no cune desse rnche-
que nosoccopa.
o Esles dous cnles passaram a noile fura de seus
respectivos domicilios, llepoil de ler dado busca em
casa do ultimo, pperaclo que leve nenhum resulta-
do, mas que deixuu-nos algumas desconlianras, o
e poz-se a sonhar o paraito dos empregados de pro-
vincia : a administracao central na ra de Monilm-
bor, ojanttr a qusrenla sidos, a platea da opera
cmica, a lourcira da nosta rlasse, conquistada em
Mabille no verlo, no baile m.iscarado no invern, o
sempre prestes a eslrear no theatro da porta de San
-Martiuho.
(Conlinuar-se-iu.)
MUTILADO

IIFRUFI


uiamu ut rcnRKineutu, yusniA rtinn 1/ ur. juncinu uc icoa.




bach. rerrriii.ii) que em nomo do rei compromelle- ileuma despo ra-se a nao consentir om nenhuma mudanja na
instiluijoes ilo paiz.
V'iclor-Manoel achava-se na alternativa de fallar
ao que consideran como un com prom isso de honra
para cora a Europa 011 dever-sc lalvez conslrangido
a chamar a Austria em seuauxilio para comprimir
osmovimenlosdo Piemonle : alternativa analmen-
te cruel para elle c diante da qnal sua lealdade re-
fugiava-se em una abdicarlo 1 Mas seguia-se um
fado singular e era que o primeiro resultado dcsta
desgr.ijada revolujiio consitia em chamar ao thro-
no o successor immeiliatode Vctor Manoel, o duque
do tienevols, personificajao a mais clara da poltica
absolutista e austraca. Os chefes do movimenlo ti-
nham de recuar e.submelter-seEnlSo na tentativa
nao passava da mais pueril das temeridades.Iriam
pordianle?]Nesle caso cnconlravam-se rom a Euro-
pa colliguda em Laybach.Eis o quenant!ihavi>lo os
autores da revolnjifo piemonleza de 1821 e o que no
principe de Carignan de sua parte n,lo cuitara
perceber.
Qual ora com cucilo a parte de Carlos Alberto nes-
las peripecias'.' Nao resta duvida que al 10 de
marco escutara as confidencias de todas as aspirajcs
patriticas dos autores da revolurjo, mas elle n;lo
'ora cmplice de seus actos. A abdicaran de Vctor
M.riocl vinha p-lo na sitatelo a mais critica collo-
cando como rsente a frente do estado at a volta do
novo re, qne ueste momento achava-se em Modcna.
Se Icntasse romper bruscamente cora a revolurao
arriicava-sc a ser vencido por sua vez, deixando um
' interregno de anarchia ; se pacluassecom ella, caba
Da usurpado e lanjnva o Piemonle na mais lerrivel
cataslrophe em preseura|da Europa inimiga c armada
D'abi a necessidade de urna poltica de ambguida-
dese de espedientes ; de um lado sol) a pressilo do
carhonarismo que excedia-se era forrado a procla-
mar a constituirn hespanhola ; de outro deixava a
insumirn do Alexandria o carcter de uira rebel-
liao amnistiaudo-a. dissolvia as juntas revoluciona-
rias e punha-se em communicajo com o duque do
Genevois. Tinha de suster ao mesmo lempo o cho-
que da rcaccSo absolutista que dispertava em um
momento do sorpreza e conjurarles secretas que vo-
tavam-no aos punbaes de seus sicarios. A alma des-
te principe de 22 annos tinha de passar nestes (lias
pelas aociedades as mais terriveis, e estas ancieda-
des augmenlavam ainda quando o marquez de Costa,
enviado a Modena junto do novo re, relalava algu-
ma resposla lerrivel. Carlos-Fclis declnrava com
soberba e altivez que nAo reconliecia nada do que
passava-se no Piemonle, qne o primeiro dever para
todos era submetter-se e que o exercito devia con-
cenlrar-se em Novara sob as ordena do general La
Tour. A o mesmo lempo em ama carta particular
Carlos-Felis djzia ao principe de Carignan -. Verei
pela promplido de vossa obediencia se ainda sois
principe da casa de Saboia ou se leudes duixado de
o ser. o
V-se como o terreno estreitava-se a cada passo.
No reslava mais que urna resolano suprema, e! es-
ta resolujao o principe do Carignan tomava-a secre-
lamenle a 21 de marco. Seu ultimo acto, cuino pa-
ra entregar a revolurao a si mesma, era a nomea-
c.lo de Sanla-Uosa para ministro da guerra e a noi-
te deiiava Turin, illudindo a vigilancia dos el efe*
do movimenlo, de Santa Rosa mesmo. Assim a ul-
tima probabilidade era roubada a essa revoluto,
que Gcou solada e reduzida a morrer com heros-
mo. Dictador da revoluc.Ho piemonleza nesle pe-
rodo extremo, de balde Soutrt-Uosa multplcava de
estorjos ; debalde illuslrava essa empreza desespera-
da em urna ordem do da em que procurava ainda
reveslir-se da autoridade de regente : apenas con-
segua reunir um peqneno corno de tropas de menos
de tres mil homeus sob o nome de exercito couslilu-
cional, em rinanto o resto do exercito torna n lo a
obediencia, collocava-se sob as ordens do conde de
La Tour, apoiado do um contingento austraco .que
approximava-sc do Ticino.
A 8 de abril, ludo decldo-se em Novara por um
encontr enlre essas torcas desiguaes, e esta! re-
voluto de Ir i uta das acabava de existir. Dosique
tomaran) parlo nella, uns soll'rerain penas crucis,
outrus andavam dispersos no exilio ; Santa Rosa do-
fia morrer na Grecia. Imagina! orna revolujai de
julbo succedida em Franja em t821, pcoduzipdo
cm resultado a abdicaran de Luiz WIII, a elr. va-
cilo de Carlos X e o adiamenlo indefinido do libe-
ralismo desla poca ; a revoluco piemonleza he a
mesma coasa em Ihealro mais pequeo.
O principe de Carignart fora um conspirador, co-
mo lem querido fazer acreditar os partidistas! da
reaerjo i piemonleza ? Era om traidor no momen-
to de crise, como disseram os revolucionarios cm
sua derrota 1 Nao era neni nma nem oulra cousa.
Erasimplesmentc um mancebo agitado de inslintto
generosos e occullando certas irresolujes naturaes
no meio de seus arraslamentos apaixonados, que
fincado urna vez de improviso em circumslancias
em que muitosoulros leriam enfraquecido, achara-
se impotente para conciliar snas aspirajes patriti-
cas com seus deveres de principe. Despois do lia-
ver por snas palavras, molestado o senliinenln dos
absolutistas, despertado as esperanzas dos liberaos,
devia encontrar as injusticias de uns e culros : ara
a fatalidade de sua situarlo. Transportaivos vto-
te annos depois a 1839 ; s, encerrado cm seu cas-
lello de Racons, com esse ar religioso do que sua
alma eslava possuida, Carlos Alberto refleclia sobre
esse periodo amargo de sua vida que era sen tor-
mento, e elle propro depunha seu pensamenlo em
algnmas paginas escripias sob este titulo : Ai mojo-
i'em Dei gloriam. ..... Fuiaccusado de carbona-
rismo Coufesso que tora mais prudente guardar si
lencio sobre os aconlecimcnlos que passaram-sc ile-
baxo de meus ollios, nao censurar as cartas reglas
que se concedan), as formas judiciarias e adminis-
trativas qne reciam-nos; mas estes sentimentos de
ininha raocidade lem-se cada vez firmado e enraiza-
do mais em men corariio.... Fui aecusado de cons-
piraj.lo Pelo menos en seria levado a isto por
senlimento mais nobre e mais elevado que o dos
carbonarios. Confesso que fora mais prudente, se
nao obstante minha mocidade, livesse-mc calado
quando ouvia fallar de guerra, do desejo de esleji-
dtr os estados do re, de contribuir para a indepen-
dencia da Italia, de obler a cusa de nosso singue
nina forja e exlenso do territorio que podessem
consolidara felicidade da patria; maa estes movi-
mentos d'alma de um joven soldado nao podem mos-
iiio ser renegados de meus cabellos grisalhos.. En o
sinto, at meu ultimo suspiro meu coraran balero
amme de patria e de independencia doeslraugi-
ro.... Assim Carlos-Alberto fnllava comsigo mesmo
dessa aventara de sua mocidade no meio das rescr-
itas de nm reinado qees csclareceu-se por estas dqas
datas, 1821 e 1818.
Huei se nao enganou sobre o que havia de aaii
grave nesse movimenlo mallogradn e na interven-
go do principe de Carignan? Foi a Austria, e
aqu comer outro drama que. por ser menos conbe-
cido nao rteia de laucar algama luz sobre a polti-
ca comtemporanea. Apenas deiiara Turin e o Pi-
emonle, o principe do Carignan passara-se para Mi-
lito, onde tora recebido peto general Bulna, que
moslrava-o a seos ofliciacs dzendo hironicamenle:
<( Es o rei da Italia. Elle ia a Modena ter com
Carlos Fclis c o novo re recusara injuriosamente
rcccbe-lo, foi ler com o grao-duque da Toscana, cu-
ja filha esposara, e em Florcnja achou acolliimcnlo
afiecluoso como homcm, mas pouco apoio como
principo. Por toda a parte exista hoslldade ou t-
mida reserva. A palavra desla nova phase, s a
Austria poda proferir. A Austria tinha dislingui-
do claramente- o movcl mais vivo de Carlos Alberto ;
ella vira nesse mancebo destinado reinar o espirito
de independencia, o odio do dominio estrangeiro,
ludo quanto tornndose o pensamenlo de um so-
berano podia obstar sua poltica na Italia. Para o
momento, a prese nja de Carlos Felis sobren (lirono
da Sardenlia garanta a subordinara.) da corle de
Tuini s sua ilireccoes. mas o futuro !
Por isto desde esse instante o pensamenlo fixo da
Austria era romper com esse Coluro quebrando no
yermen a realeza de Carlos Alberto, os agentes aus-
tracos cspalbados na Italia o proclamavam altamen-
te, mas altamente mesmo do qne convinba. a Nos
Ihe tiraremos o direilo hereditario i corda, dina
sem reserva M. de l'icquclmunl ao marquez de 1.a
Muisonfort, ministro francez em Florenca. E seu
lilho? conliuuavn este.Seu filho ? ,21 veremos.
Poderia ser embararo em razio de urna regencia, mas
ha lempo de pensar, a
O qqe se desejav.i, o marquez de I.a Maisonfort
diza-o, era principalmente afastar do throoo o
prncipe de Carignan, e Irajar alravcz urna regencia
de quinze annos caminho para apoderarem-se de
toda a Italia. Os que viam mais longc chegavam
sua descendencia. A Auslria camiiinava para sen
fim com singular persistencia c espreilnndo os me-
nores passos do principe de Carignan, commenlaiido
e envenenando seus menores arlos, procurando ate
nos processos instruidos na Lombardia e no Piemon-
le o vestigio de suas connivencias revolucionarias
paro eleva-las i altura de um crime de esitdo, bar-
reira nsuperavel entre o prncipe e o Infolio. O
principal instrumento d'Auslria ueste plano era o
duque de Modena, Francisco IV, em cuja corle a-
cliava-sc Carlos Felis no momento da revoluto, e
que desde o principio havia impellido o novo rei as
medidas mais inflcxiveis. Este priucpe ambicioso,
que correr toda sua vida apoz urna realeza, despo-
sara a til ha de Vctor Manoel; a rxdus.lo do princi-
pa de Carignan poda abrir-llic raminho ao Ihrono
da Sardenha. A Auslria com eileilo propunha ao
enngresso de Laybach abolir a Ici slica a rcspeilo do
Piemonle, e mesmo depois de baver sido mal succe-
dida em Laybaeh, esta intriga conlinuava por mui-
lo lempo, al 1830, por intermedio do cardeal Al-
ban, assalarado do prncipe de Melterncb e p-
rente do duque de Modena. O que ha de mais sin-
gular be que esto principe modenez, conspirando
com a Austria para chocar ao Ihrono do Piemonle,
nao deixava de conspirar com oulros contra a Aus-
tria para al -anear a corda da l.ombardia. Como
mallograram-so todas estas intrigas? Pela lealdade
de Carlos Felis, que apesar de irritado e severo con-
tra o principe Carignan, recusava-sc a desmembrar
sua casa, pela habilidadc, paciencia c tocio do mes-
mo Carlos Alberto no meio de provas muilas vezes
rudes para sua altivez, e principalmente pela poli-
tica da Frauja, qne enlervinha em seu favor c o co-
bris de sua protcejao avista da Austria, lie esto o
lace do principe de Carignan rom a Franja; he esta
sem duvida a primeira ex plica can da parte que elle
tomara em 1823 na expedirn franceza lle-panba.
onde nossos soldados dccrclaram-lhc cm Troca.lero
as dragonas de lila de primeiro granadeiro de Franja.
A necessidade de corresponder honra da protec-
j;lo que recebia,coiifundia-se evidentemente em seu
espirito com cerlo desejo de rchabilitajo poltica aos
olhos da Europa.
Keuni os diversos Irajos dessa situaran, conse-
quencia fatal de urna desastrada revoluco,dev i 1a ao
concurso de duas cousas eternamente perigosas, o
arrastamento de algumas imaginijocs ardenles e o
poder da occasiSo. Os liberaes vencidos e disper-
sos iam expiara audacia de urna empreza irapossi-
vel, uns nos suplicios, oulros no exilio suplicio
de oulra especie. A Austria com urna mistura de
paciencia e de ardidez, eslendia subre a Ilslia a
rede de sna indueura; tinha soldados em aples,
reinava em Modena eem Parma, deixando apenas
Toscana a illuso de sua independencia, a despeilo
dos generosos estorjos do ministro Fossombroni para
conservar au menos as apparencias. O Piemonle ca-
ba de novo sob o jugo de urna reaccao vitoriosa
forlemcnle organisada e personificada em uro prin-
cipe de grande reclidao de carcter, mas de vonta-
de de ferro, c syslemalicamenle hoslil a lodo o pen-
samenlo de patriotismo italiano o de liberalismo.
Carlos Felis dissimulava a si mesmo sna dependen-
cia para com a Austria sob o veo de denudada de
poltica. O priucipe de Carignan finalmente escapa-
va dessa lempestade, magoado e desengaado, amca-
jado cm seus direilos, suspeilo aos realistas puros
por ler feilo muilo, suspeilo aos conslitucionaes por
nao ter feilo bastante, visto como pareca ler deser-
tado da causa no momento de perigo, assim como
pareca te-la trahido anda mais abcrlameute indo a
llespanha combaler urna conslituijao qne procla-
mara em Turin. S por esforjo de habilidade elle
salvava-se; mas os acontccimenlos lornavam-se para
elle a origem do mais singular Iraballio inlerior.
Trahido pela fortuna, desconfiado dos bomens e dos
partidos que suspeitavam delle, refugiava-se em si
mesmo. A experiencia amarga vinha alimentar ger-
mens naturaes de desdenho c de sarcasmo. Sua phi"
sionomia mesmo, varonil e altiva, tinha certa im-
passibilidade misturada de penelraco. que lornava-o
tao hbil em occullar seu pensamenlo como em sor-
prender o dos oulros. As persegiiires, d'Auslria
accumiilavam em seu espirito um inmortal fermen-
to, que nutria dissmulondo-o. J lambem por esto
poca, parece que para augmentar as complicajes
desse trabalho mural, seu espirito leadla para um
especie de my/slicismo religioso em que serena\am e
miligavam-se suas magoas. De 1821 a 1831, o prin-
cipo de Carignan desapparecia, de cerlo modo, sola"
do do paiz onde o esperava um Ihrono. Que fazia
elle durante estes anuos '.'
Escrcvia para seus filhos conloa norae>, que s
alguns confidentes conhceeram. Nao era obra de
grande lilleralura: era soffrivelmenle escripia em
francez, e a singiilaridadc destes conlos consiste em
que a moralidadu podia converler-se fcilmente em
episramma contra certas pasagcnsda vida do autor.
Fui apenas pelo anuo de 1830 que es rigores come-
tarara a ceder para o principe de Carignan. Elle
visilava a ilha da Sardenha, observando suas neces-
sidades; reapparecia depois de dez annos sobre a
scena, e quandu logo depois com a morle de Carlos
Fclis tinha de passar para sua cabeja a cora da
casa deSaboya, esse principe, que livera parte na
rcvolurao de 1821 c qne fizera a campanha de 1823
na llespanha, que joven anda livera ac'oes c lan-
ces lio differenles, esse principe nao dexava de ser
urna figura enigmtica, um csphinge curioso de in-
terrogar para a Europa, para a Italia, para o Pie-
monto. O que ia ello fazer? Quaes seriam snas
tendencias ? Nao era da nalurcza de Carlos Alber-
to o entregar-so tao promptnmente a qualqucr esper-
laliva, e talvez a condijao do lempo nao fosse mallo
propria para isto.
II
Foi a 27 do abril de 1831 que comejou a reinar
Carlos Alberto, at cnlao segregado dos negocios de
estado e nao tendo oulra experiencia alcm da adqui-
rida em una rpida lempestade, obrigado a conci-
liar a si todas as opine; c nao adiando apoio seuo
em si mesmo, que era formado para o desdem e pa-
ra essa arle, que um de seus mais inlcllgenles bio-
graphos, M. Cjhrorio, chuna a arle de dissimular.
De 27 de abril de 1831, da de sua exaltacao, a 23
de marjo de 184'.), da de sua abdcajao cm Novara,
que esparo n3o decorreu para um reinado cm um
secuto como o nosso E ueste esparo quantos acon-
(ecimentos nao tiveram occasiao de rcalisar-se Na
verdade, o reinado de Carlos Alberto he um enm-
poslo de cousas as mais diversas, urnas terriveis, nu-
tras clioas de obsenrdade e de myslerio, estas pue-
ris e pequeninas como as solemnes ninharias das
realezas absolutas, aquellas uteis e graudes. Sobre
este pequeo Ihealro do paiz subalpino, um drama
permanente dcscnvolvc-3e ; ludo marcha e confiin-
dc-se ; uspaixes revolucionarias lem seas choques
trgicos em 1833 o 1831 ; as tendencias do partidos
lem suas lulas secretas al nos conselhos. Do mys-
lerio das conspiraces o das intrigas de corte, o mo-
\invento transformado c depurado passa para a luz
publica o dominio de lodo o paiz. O Piemonle v
crescerem seus inleresscs, e suas condijes no inte-
rior melhorarem ; nm espirito no,o agita os povos e
a Italia mesma por um momento muda de face. O
re Carlos Alberto conserva-se no centro desse mo-
vimenlo, com urna ni.io as rcprcsses sanguinolen-
tas, e a oulra as reformas, observando Indo echa-
mando ludo a si, equilibrando as influencias e neu-
traliando-as nina pela oulra. Curado pelas aventu-
ras de sua mocidade da precipitacao e das illuses,
cabe anlcs no laco opposlo, desconccrla as esperan-
jas no mesmo inslanle em que as provoca, deixan-
do sempre urna especie de veo sobre seu pansamen-
(o secreto e acabando por dizer a seus confidentes :
o Nao he verdade que sou um homcm iocorqprc-
hcn*ivcl ? Logo nos primeros das de seu reina-
do, crea um coinclho de estado, able o confisco, e
parece fazer de alguns actos de prudencia o poni
de partida de um rgimen novo, e ao mesmo lempo
dcixa cm vigor lodo o mecanismo e as Iradices do
governo absoluto, n.io tora em nenhuma das infid-
encias reinante! em torno do Ihrono, lano que po-
ilc-se anda perguutar : Ser.i um principe refor-
mador ? ou sera simplesincnle o continuador un po-
ltica da vespera .' B
Domis nesses primeros annos nem linio era f-
cil. A Europa en Ira va em urna situaran nova ; a re-
voluj.lo de 1830 que realisira-se na Franca liaba
vindo eslabelcccr o mauterrivcl problema, o de ex-
citar o espirito de libcnladc c independencia entre
os povos, deixando suli-istir os rc.-ulamcnlos geracs
de 1815. Nao foi sean por um esforro de habilida-
de e de sabedoria que a Franca por si mesma resol-
va esle problema, refusiando-sc no patriolsmo da
paz, c procurando o meio do estender suas froutei-
ras moraes pela influencia de seus principios, sem
berdade, independencia, nacionaldade, ludo isso
era a mesma ronsa e nao poda realisar-sa sean com
a eiClnsSo ila Auslria, isto be. pela abolilo drislra-
la.lus de 1815, finalmente por una guerra universal.
D'ahia impotsibilidade daa revolantes tentadas em
1831 cm Modena, na Homania, tentativas tanto mais
impoaaiveisqeantecoincidala coma pacificaran da
primeira cbolijilo revolucionaria cm Franca. O que
lornava a siluarin da Italia mais dificil anda era a.
ausencia de todo o elemento moderador enlre o li-
beralismo violento das conspirajoes secretas o todas
as doulriiiits do immobilidadc foilemenlc organisa-
da;, disciplinadas mesmo as associajes particula-
res e levadas ao combate pela Austria. Era neslas
condijes que Carlos Alberto comecava a reinar cm
Turin ; elle acbavao cutre o carhonarismo o todas
as influencias absolutistas concentradas na sociedade
chamada a C'alholica. A quesillo, no pensamenlo
do novo re, n.io era fazer una esculla enlre eslas
dnas tendencias, mas pr-se cima deltas igualmente.
Com cffcilo ob-ervai : de um lado, nos primeros
momentos, o carhonarismo transtormado n joven
Italia appretenta-se sob a figura anda dcsconheci-
da ile M. Mszzini como para sondar Carlos Alber-
to ; iiurniin.i-lbe no ouvid a palavra mgica :
Sers re da Italia Mas n que prern ? Com a
rundir in de destruir ludo, de foteT-M o regenerador
de toda a pcninsnla, de firmar o futuro; seoao,
nao
Assim fallava M. Mazzini cm urna caria dirigida
ao novo rei da Sardenha e hbilmente propagada.
Era urna cstranha illusao. Carlos Alberto nao ama-
va o carhonarismo ; no appello prfido desse tenia-
dar va como urna lembranca irnica de seus pri-
meros annus qne vinha embararar seu prsenle e
seu futuro ". nesse pretendido auxiliar presenta o
inimigo. Por islo, quando em 1833 a propaganda
da jorro Italia fazia sentir-se cm Genova, em Cha-
bery, no exercito mesmo, era sbitamente leticia
pelas repreasoes as mus severas. Eram os momentos
terriveis desso reinado nascenle. Por toda a parle
organisaram-se commisses militares ; hav iam vcti-
mas que inspravam inleresse, o joven oflicial Effi-
so Tola, Andr Voccheri. Quando pouco depois em
183* M. Mazzini reunia urna Icgiao de refugiados
de lodos os paizes para os linear na Saboia, soh as
ordens de Komarino, que por urna coincidencia sin-
gular devia morrer fpzilado junto de Novara por
suspeila de Irairao, essa empreza dictada pela im-
potencia e a loucura, acabava pelo ridiculo e s fa-
zia augmentar asrepres-oes. Desde entao a queslao
eslava decidida, o espirito revolucionario eslava por
muilo lempo vencido no Piemonle, e' o novo re
sabia da lula livre de li.lt a solidariedado de um
inimigo que odiava, e ao mesmo lempo lemia como
por um secreto presenilmente.
De outro lado, qual era n situara) do Carlos Al-
berto nesses primeros annos, em presenja dessa ou-
lra especie de influencias legadas pelo reinado pre-
cedente ? Elle era rei, mas rei suspeilo e observa-
do, que nao tinha a confianja dos homens a quem
suas nclinajcs levavam a procurar apoio na pro-
tecjilo austraca nemdaquelles cujas crenjas monar-
chcas e religiosas alliavam-sc a cerlo senlimento de
independencia ; a seus olhos elle era sempre o prin-
cipe de Carignan, o cmplice secreto ou declarado
da revolujao de 1821. Ello nao ignorava que no
lempo de Carlos Felis, nm padre da companha de
Jess mostrando um retrato da duqueza de Modena.
filha de Vctor Manoel diza : a Oremos, para que
seja este anjo quem nos governe, porquanlo se Car-
los Alberto suhisso ao Ihrono '.... Da parte da Aus-
lria a confianja nao poda ser grande, e as oulras
corles do Norlcnaodcxavam o novo rei ignorar que
estavam deaecurdo comaAu-lria para mo suppor-
tarcm mudanca alguma de direejao poltica no Pie-
monle, principalmente qualquer repararan dada aos
homens de 1821. Qualquer precipitacao podia ser
perigosa, prinripalmcnteno principio de um reinado
ainda mal firmado, e era preciso confiar no lempo e
as circumslancias. D'aqui proveoa necessidade do
trabalho diplomtico proseguido com obstinaco
alravez de todas as dosconfianjas conjuradas. Era
preciso o decurso de um anno e amorto do ministro
titular para fazer ebegar u pasto da guerra s m.los
de M. de Villasuarina, espirito inlclligcnlc e hbil,
inclinada- as reformas, e que fora ministro durante
a curta regencia do principe de Carignan em 1821 !
Era preciso cousa bem diversa para Irazer ao mi-
nisterio das lina iras outro bomem gualmcnse capaz,
e igualmente desenliado nessa lerrivel effigle de
1891, M. Gallina. Eram precisos qu.ilro anuos c um
incalente cslranho em que essa poltica retrata-so
intelra mente.
com rendas brancas, que lnhain lalvez a vanlagem
de fazer realjar sua belleza; mas que iurorriam na
falla de usurpar urna cor especialmente reservada a
rainha e ispriucczas. No da sesuiute. por ordem
do rei, o Diestra de ceremonias lembrava ao corpo
diplomtico as Iris soberanas da etiqueta, llouvc
por isto grande wasajao na diplomacia, iruca de no-
tas, ex pediro de correios por todas as estradas da
Europa, cm fin urna lempestade felizmrule
paaigoada sem oulra ealaslrophe Como homem
peto contrario, Carlos-Alberto levava ao extremo a
smplicidade e ausleridadc de sua vida. Seus r.oslu-
mescram os de um anachorola; deilava-se sobre o
chao, dorma pouco, lomava nulrieao frugal, arroz.
railes, alguns peixes, n.io locando cm nada nos han-
quides de corlo. A prnporc.ln que o fogo da moci-
dade cxlinguia-se, o pensamenlo religioso lornava-
sc cada vez mais o alimento de sua alma. Sua re-
ligiilo sincera e pralica altn disso, era urna especie
de ascetismo ardentc c profundo. Por causa dattas
disposicoes religiosas, acredlavam mutas vezes que
o podiam prendera conservar laado a um syslema;
mas nao o podiam absolutamente, c elle mesmo di/i;.
um da que enlre a o punhal dos carbonarios e u
chocolate dos jesutas >< n;lo quera nem urna nem ou-
lra cousa.
Nesla vida, como ultimo contraste, n.io existira
logar para esses arrastamcnlos mais internos, mais
humanos, que dcxain sempre urna sabida no cora-
Jilo ? He esto sem dovida o lado mais myslerioso e
delicado da vida de Carlos-Alberto. O mais dura-
vel deslcs senlimenlos terminara por participar do
ascetismo de sua alma, transformara-se em culto re-
ciproco, em urna sympalhia purificada. Viam-se,
estando separados por nina mesa; o rei abaixava os
olhos jomo ciianja. Carlos-Alberto dexou enlre
m.1os liis um livro de orajes, em que as vezes de-
punha alguns de seus pensamentos. Estas notas n.lo
leem nada de hrilhanle, (rabera somonte as preoc-
ciipacesas mais diversas. Em urna pagina existen
escripias estas palavras: Goza, tu que lens a vic-
toria Mais adianto, profunda marca assignala
urna passagem, que exprime os transportes do amor
mvslico, recordando algumas palavras deS. Bernar-
do sobre o cntico dos cnticos: O amor cania
oeste canuco, ese alguem o quizar comprchender,
ame......elc.nEra sem duvida esteardor interim .jun-
io ao inslinclo fixo de Carlos Alberto em poltica,qua
contribua para dar alguma reserva s suas relajes
com a rainha, a mais digna das mulbcres, mas de
um carcter diflerenle, assim como era Austraca
netosangne e pelas iurlinajes. Por mulos trajos
Carlos-Alberto he um homem da mea-dade em
nosso secuto. Aos olhos daquellcs que s veem as
apparencias era um prncipe absoluto,, que jogava
com os homens, que fazia promessas a lodos, e nao
conten na a ninguem. Aos olbos do pensador, he
um phenomeno moral dos mais curiosos. A'luz de
1818, he um desses homens taciturnos, que alravez
dos mysterios e das conlradirroes de sua vida, nao
cessan de tender para o mesmo fim.
(Continuar->eha.)
REPARTIQAO DA POLICA.
Parte do dia 16 de Janeiro.
Illm. c Eim. Sr.Parlicipo aV. Exc. que das
differenles parlicipajOes. hoje recebidns nesla re-
partijao, consta qua foram presos :
Pela subdelegacia da freguezia do Recito, o hes-
panhol Andr Braco, para averiguajoes policiaes.
Pela subdeleaaca da freguezia do Pojo da Pa-
n.da, Francisco das Chagas Uarte, Joilo Jos Fer-
reira e Stiro Clemeutno do Reg, todos para ave-
riguarOes policiaes, Jos Ciraco, para correcrao, o
preto escravo Manoel, por fgido, o o francez Lar-
lisa, a requisjiu do respectivo cnsul.
Por oflicio de desle mez, communcou-me o de-
legado do lermo de Nazarelh, que na noile de 28 de
dezembro lindo, no lugar denominadoesquecido
distinto de S. Vicente d'aqnelle tormo, Manoel
Cardoso, tendo disparado urna arma cm occasiao do
festejo de urna novena, que alli se fazia sucediera
casualmente que o tiro se empregasse na cabeja de
um individuo de nome Antonio Ferreira, e o ferira
gravemente, pelo que fora inmediatamente preso, e
Contra cite ficava o respectivo subdelegado proceden-
do ao competente summario para invesligajao do
faci e conhecimento da venale.
tres consummados c aos homens mais emitientes da
sciencia. em rujo numero elle se acha, declarar cm
eslvto soberbo tom emphatico c onnmatopelieo :
Eu eilrahi o calculo sem oflender a urelhra nem a
bexiga ;e mais adiantequeasuppuraco oxhalava
um chairo desagradavel devidoi par Hadan intig-
nificanle* ta mucota t/ite morlifiradas iam sendo
eliminadas: oh peaaoM da profissao atUniit el
cidete quid magii de centracenaos se pnssa dizer
cm materias seientifiras'. '. S<> resta que o Sr. r.
Carolino faca nina cxposie,lo do oculo com que vio
o calculo dentro da netiga, porque cerlamenlc ne-
nlium mlico em Pornambuco lera' visto desles ns-
truraeutos ; c admira que, quem romo o Sr. Caro-
lino eslava persuadido que em Pornambuco nin-
isiicm sabia o que era cephalolrlho ( ou rcphalolrpo
como o Sr. Carolino |rhamou em sua meia lingua )
nSo se lenha lembrado de mostrar esse maiavlhoso
oculo de alcance, ccrlamenle nunca visto.
Mas para que estarmos a perder lempo com o Sr.
Carolino, e cansando a paciencia do publico : va-
mos ouvir a historia para vr-se at onde chega a
sciencia do Sr. Carolino em arte de parlo', que elle
tanto aprenden cm Franca e pratcou nos hospilaes
ao lado de Cascaux, Paulo Doubois c Pajeau;eu nilo
tive esta granito fortuna, o que sinto minio ; mas,
nem por isso possojolgarl Sr. r. Carolino habili-
tado a me dar regrasem parlse nem a ensinar cou-
sa alguma ; porque, ciinhccendo, como conliern, ao
Sr. Dr. Carolino desde que tomos esludanles, e o
Sr. Carolino me conhecendo lambem do mesrao
lempo, nao he orgulho uenhum o dizer em alio e
hora somque antes quero errar com outros ainda
mullo mais ignorantes do que cu, do que acertar
com o Sr. Carolino : assim fique o mesmo senhor
entendido que he escusado dar suas liejocs, porque
n.lo as aceito.e, quando preciso de me aconselhar, ha
livros para ler c mdicos de conbeciraenlos com
quem pnssa consultor.
Ao amanhecer do da 2i fa chamada (eriam 3
para horas da madrugada) para r ra 8o Rosa-
rio e-.tr.-m ver urna senhora que se arhava mal de
parto: chegado'que fosse, encoulre o Sr. Dr. Pi-
laiiga. que diza achar-se ah desde a bocea da noite
a chamado do Sr. Dr. Carolino : examinando a se-
nhora achei-a com alguma fehrc c em soffrimentos
horrveis, pois linha de vez em quando dores alrozcs,
procedidas sem duvida pela m.i callocajo da arfan-
ja : achci os dnus brajos da enanca fra da vulva,
e fra quanto era possivel quasi ate as espado is: Aor-
resco referen.' '. '. eslranhe scmelhanle cousa, por
que nem s nunca vi, cortamente pofque nao lenbo
a vista penetrante do Sr. Carolino, qne v clculos
denlro da bexiga, como porque nunca l em aulhor
algum que a crianja podesse apresenlar ao mesmu
lempo os dons brajos : pergunlci ao Sr. Dr. Pitonga
o que era aquillo, e elle disse-me que quando che-
gnu j achou aquello mesrao estado, e o mesmo afi-
anjou o ii ni "o. do Sr. Pitanga, a quem o Sr. Dr. Ca-
rolino se digna daros mais bem merecidos epilhelos:
pergunlo parleira que l se achava c ella respon-
deu-me que nada tinha feilo ; islo he que nao fo
ella quem puxou o outro biajo: o que se legue ?
vamos mostrar com as proprias palavras dp Sr. Dr.
Carolino : diz elle : examinando-a ti que o braco
esquerdo da crianra se achava de fra, e por con-
sequenca alracessada ella na potitao occipul iliaca?
osqiierda dorso para traz, islo he, a cabeca para o
lado esquerdo da mtti, e o do"to correspondendo a
columna vertebral da metma : (he bom nao perder-
se a explcajao do Sr. Dr. Carolino): ora, viudo a
creanja nesla posijao, nao carece entender de par-
tos para saber que devia ter apresenlado tmenle
um brujo da parle de fra ; o como n.lo foram os
Sr. Pitongas nem a parleira que puiaram o outro
brajo, segue-se que foi o Sr. Carolino com toda a
sua sciencia adquerida em Franca com os grandes
parleiros, c eiah smenle o que se pode chamar
em erro rrasso, crassissimo, e que a fallar a verdade
s poderia ser commellido pelo Sr. Dr. Carolino,
ou por algum nutro, que estando no 5. ou 6. anno
do curso medico receilava : R. calomelanos, jalappa,
rhuibarbo etc., ele, ole, e CT oleo de erlo* tigli-
um q. s. para fazer pilulas JZX : anda temos mu-
las oulras historias no nosso canhenho de atildante,
e que se fr preciso, iremos contando-as, a propo-
sito : e se fui o Sr. Dr. Carolino quem puxou o outro
brajo, segue-se que fui o Sr. Carolino quem ceoimel-
ten o erro crastitsimo, imperdoacel al criHinoso-:
o que parece, senhores redactores, he que o Sr. Dr.
pie fez na ra Drela n. 18 mo observou as con-
Iracjoea normaos do ulero para expedir o feto, pa-
ra poder dislingui-las dessa conlracjao oti rclracjao
etpamodiea.' eu nao lenbo culpa que o Sr. Carolino
ignore as coaaas mais triviacs.
Creio que lenbo razio no que digo e que nao posso
ser tachado do calumniador, porque eslou argumen-
lando com as proprias palavras do Sr. Carolino,
quando no sou arrasoado elle diz mais, e tanto he
assim que a esto respailo fallando um dos mais acre-
ditados parleiros da Franca 'Jacquemier, tom. 2.,
pag. 109) diz o seguinle: .... j, obstarles a la
versin sont encoro-plus grands, etc.: bem se v
que esle trecho de Jacquemier he relativo s con-
trarjoes espasmodcas de que o Sr. Carolino fallou
cima, e o adverbio encor bom denoto que o autor
referc-se a alguma eousa de que elle eslava tratando-
pois continuando elle diz : la retraction spasmo-
dique peni elle mente ceder ipnnlanemenl.
Demonstrado, como llca, a todas as luzes que o Sr.
Dr. Carolino confundi relraccao espasmndica com
conlracjes naturaes do tero, vulgo pinos, c qje
como j dissemos a nnssa doentc au tinha contrac-
rao ou rctracciio espasmodira, mas sim verdadeiros
puxos, porque quando ha verdaderarelracjilo espas
mdica he quasi sempre impossivel introduzir a mio
no ulero, e muilo menos fazer a versSo; e nao s
eu iniru lu/.i a m3o varias vezes, como disse o Sr.
Carolino, como tambera logo qne apanhei segunda
vez o p fiz a versan e exlrahi a crianra, permilla-
se-nos que provenios com o leslcmunho de Mr. Ca-
scaux e de algum aulhor de igual nota, que ludo
quanto acabamos de dizer he pura verdade, e que o
Sr. Carolino be que esl completamente engaado,
porque s o Sr. Carolino hecapaa de commeller er-
ros de tao horrenda caladura, e que s podiam ser
punidos com urna grande sova de palmatoadas...
O Sr. Caseanx, a quem o Sr. Dr. Carolino vio Ira-
balbar, mas que creio nada pescou desses trabalhos,
fallando das difficuldades que pde-se encontrar na
pralica da versao pelvianna, na pag. 832, diz:
o UelracrSo violenta do torp'o do tero. He
urna condijao que torna sempre a vers.lo mu peni-
vel e mu dificil, eque mesmo cm cerlos casos pode
torna-la impossivel.
O Sr. Chailly-llnnor, no sea tratado pralico da
arle de partos, 3."edic. 1853 a pag. 856 diz:
A relracjao do corpo do ulero e as contraejoes
espasmodcas do eolio uterino podem sor tilo enrgi-
cas, que a mo nao possa ser introducida nos or-
giios, oque a cvolurilo do producto se nao possa ef-
fecluar, mesmo quando se podesse penetrar al os
ps.
Mas porque, senhores redactores^ estar a cansar o
espirito alheio ? pois nao basta a propria citac.lo do
Sr. Carolino para provar, snm recelo de conteslacao
que o Sr. Carolino tom-u rctracc.io espamndica por
contracres uterinas, isto he que o Sr. Dr. Carolino
uuvioc uilnr o gallo, mas nao soube onde ?
He escusado eslarmos a fatigar-nos lano, e por
isso para nao nos fazermos aborrecidos de mais, guar-
damos a oulra dse para o numero seguinle, e para
irmos conforme os preceitos da arte, ser um pouco
mais dynamisada, a ver se se poder dar algam cho-
que na massa material e irracional do Sr. Dr. Caro-
lino, e esperamos que o mesmo Sr., pela sua alia sa-
bedoria e conhtcimenlos professonaes, que lem pos-
to a todos embasbacados, nos perdoe, se esla que lhe
envo non vai bem a seu gosto : at ao depus meu
sabio doulor.
Seu admirador que lauto o oveja.
Dr. Lobo Moscos-).
por quanto, com um alte-lado em qoe nao diziaja
verdade, s leve por fim o Sr. I.obo Iludir ao go-
verno a quera devia ser leal e franco, alcm de lor-
nar-se perjuro, por n;la cumprir o juramento dede-
sempenhar bem e fielmente os deveres do seu cargo,
sob cuja f alleslou ; devendo por isso ser considera-
do empregado desleal, sem f e sera carcter. Veja
pois o Sr. Lobo qual dessas duas hipoiheses lhe ser-
ve, cerlo de que qualquer que eugeilar, me serve.
Jnlco-me isenlo de provar que nem o Sr. Carva-
llio, nem oulro qualquer cidadao dispoe da vara mu-
nicipal de Boa-Vista, como propriedade sua, a tem
em lira debaxo dos ps, porque S. S. deixou do ci-
tar os faeloi que isso provasse ; atouns que citoo di-
sea rospoito a outros termos c oulros juizes, como do
Ourirury, Bom Jesus.pclos quaes n3o respondo e
foram Iudos a baia polo Sr. Lobo, para Iludir ao
publico fazendo-os passar como meus. Limito-me
por ora a atirar a luva ao Sr. Lobo para qoe de no-
vo apresente-se nos prelos pernanibiiranos, c publi-
que os fados fraileados por tnim sob i direrjo do
Sr. Carvalho, ou por influencia delle.ou de qualquer
oulro cidadao da comarca ou de fora della. Se livor
a bondade de aceitar essa luva,ver-mc-ha novamen-
teem campo para contrariar, depois do que encar-
regar-me-hei de noticiar ao publico os peccados re-
zervados que S. S. lem. c que lalvez nao avahe quo
"u lenbo dellcsconhecimento, mas deve S. S. saber,
que eu nao ignoro que o ex-juz de direilo nesta co-
marca to muilo pouco cioso da sustenlacao do seu
carcter.
Fique pois, Sr. Lobo, emprazado para disculirmos
nossos defeitos, nossos abatas, e nossas prev.iriea-
jescomo empregadus pblicos, para que o publico
Taja sen juizo de nos ambos.
Villa de Cabrob 2V de novembro de 1851.
Mtguel Conralcet Lima.
>
'

\ PEDIO.
Carolino lendo recoohecido a posijao da crianja, o
Dos guarde a V. Exc. iecrclarla (da polica de que era neceMario fazer a veni0t inUodaslo a mao
O membro do conselho mais cpposto nomcarao
de M. Gallina era o ministro do interior M. Scare-
na, que tinha parle em todos os fados. M. Scarcna
era homem inleiramente dedicado a todas as influ-
encias absolutistas, e particularmente dcil aos im-
pulsos do ministro da Austria em Turin. Para dizer
ludo, sua polica exercla-se sobre o mesmo Carlos
Alberto. M. de Scarena, segundo di/.em, tinha al
a imprudencia de deixar escapar esta confisso, cx-
primndo mesma as opinies mais injuriosas a res-
peilo do rei, c accrcsrenlandoquc -i primeira loucu-
ra o inarechal Radelzky estara em Turin para fa-
ze-lo abdicar. Desgrajadamcnle, M. Scarena em seus
trabalhos de polica leve a da de empregar um
personagem que fizera papel importante na poltica
romana cm 1814, c que um dia desapparecra pelos
motivos menos polticos, Tiberio Pacca. O princi-
pal acto de Tiberio Pacca foi imaginar urna vasta
conspirarao que envolva ludo quanto era suspeilo
de inclinajos mais ou menos liberaos, al os ami-
gos mais dedicados do Carlos Alborto, al M. Cezar
de Salmos, governador do duque de Saboia. Nesle
ponto mallogrou-sc essa obra, imaginada na verdade
para assustar o rei e aconipanliada por elle com
vistas tranquillas c silenciosas em lodo o seu de-
scnvolv i ment. M. de Scarena julgava-se anda
seguro de ler ludo no Irama de Pacca, quando he
sbitamente demillido do ministerio. Tenho bas-
lanles daquelles diza o re. M. de Scarcna li
nha por successor o ministro da fazenda, M. Pralor-
mo, e' em lugar deslc ultimo M. Gallina chegava
definitivamente. Foi assim que Carlos Alberto inar-
chou passo a passo, abrindocaminho a homens que
correspondiam melhor a esse pensamento, que re-
presenlavam em grao mais moderado cerlo libera-
lismo de vistas. He verdade qoe ao mesmo lempo o
conde Sellar del la Margarita, Horneado secretario de
estado dos negocios cstrangeros, lomava-so o cam-
peilo das tendencias absolutistas, de tal mancira que
n interior do ministerio era um conflicto permanen-
te entre dnas influencias claramente pronunciadas e
anlipalhiras.
Ivenjrjiomcns divididos pelas opiniOes, equil-
hra-los, oppo-lns uns aos oulros, nao he syslema
novo de goToruo. Carlos-Alberto remocava-o dan-
do-lhe oulro nome; era,segundo elle diza.fazer tor-
cer o focinho aos homens. Mas afinal de que lado
eslava o verdadeiro pensamento de Carlos-Alberto ?
A importancia que dava a fazer ebegar ao poder
M. de Villamarina e M. Gallina nao o indica ? M,
dla .Margarita nao se illudia. Elle o disse na es-
cola que trajou de seu ministerio sob o titulo de
Memorando histrico polffco : a Eu nao era o
homem do corajo edo pensamento do rei..... Eu
nilo necessilava de grande penclrajilo para ver que
alm de justo desejo de ser independenlc de toda a
influencia cstrangeira, elle nutria n'alma a versan
profunda para com a Austria, e eslava cheio de illu-
ses sobro a possU>i|idade de soblrahlr a Italia ao
sen dominio.' Nem nma svaa proferto a expressao
cassar os barbaros, mas iienbuma de suas pa-
lavras Irania seu segredo.... Es a expressao desla
sittiacao.
Foi cnlao, cm 1835, que Carlos Alberto sentio-se
mais hvre em seus moviinenlos, assim como come-
oou na realidade esse reinado em que tildo confun-
de-se, cojos segredos os servidores pblicos nao co-
ndecen) c que conserva o mais original cunlio pes-
soal. Eu desojara pintar este homcm no meio das
complicajes em que viva, carioso por suas obra-,
mais curiosa anda por si mesmo, indeciso c obsli-
na lo, inquieto de todo o dominio c muilo experi-
mentado un arle de lomporisar quando convinba, se
encontrava resistencia declarada a seus projectos,
raras vezes a venca bruscamente, cera lambem raro
que dopois de baver agitado por muilo lempo um
peusamenloom seu espirito, nao iiisislissc ucllo al
faze-lo predominar. Nilu era falso, como dizem ;
apenas parecia-o, exactamente por que mostrando
reder prosegua aliiicadamenlc cm seus designios.
Rei om urna pequea curte cheia de tradiejoes, Car-
los-Alberto goslava da etiqueta, o que dava lugar a
incidentes nem sempre serios: pode servir de exem-
plo a grande quest.lo das renda* de madamc de
Ohrescoir, mullo r do ministro de Rosta. Mada-
Pernamhuco 16 de Janeiro de 1855.Hlm. e Exm.
Sr. consclhelro Joso Benlo da Cunhi e Figuciredo,
presidente da provincia.O chefe de polica Luiz
Carlos de Poico Teixeira.
DIARIO DE PERNA1BLG0.
O navio Comle lioger, entrado hontem, arribara
em Romsgate, porto de Inglaterra ; e as gazetasfran-
co/as que Irouxc sSo de data anterior as que j li-
nhamos. Mas o respectivo caplao diz quo no porto
da arribada soubcra que um dos principis forles
na linha de defeza de Sebastopol havia sido tomado
pelos alliados; que a Austria obrigou-se por um tra-
tado, celebrado enlre ella, a Franca e a Inglaterra,
a declarar guerra Russia no 1 de Janeiro no caso
desla potencia nao ler feilo proposijes de paz al
aquella data; eque chegavam diariamente 2,000
homens de reforjo aos alijados em Balaklava.
Sr*. Redactores. No seu Diario de 9 do cor-
renlc mez liveram Vmcs. a benevolencia de dar um
pequeo lugar a urna caria, em que cu provocava
ao Sr. Dr. Carolino Francisco de Lima Sanios a con-
tar a historia do parto da fallecida Flamina, e a des-
mentir ou confirmar os boatos, qne por ahi circula-
vam de que linha sido eu a causa da morle da dito
senhora, boatos estes que parti.un do Sr. Carolino :
felizmente no fim de quatro das sahio-sc o Sr. Dr.
Carolino com a tal historia, e veio acabar com a an-
ciedade com que lodos o esperavam.
Principia o Sr. Dr. Carolino na sua narrarlo por
dizer que a minha caria em nada me honra pelo mo-
do desabrido, por qne o acommetti. Nao sci, Srs.
redactores, qual ha o desabrimento, que caraclerisa
a minha carta : dei-me ao trabalho de l-la oulra
voz boje, e nao vejo em que possa ser laxado de
desabrido, incivil, inmoderado, e cmfini at mal
educado, expressOes estas que eu reverto intactas ao
seu autor, porque s a elle pdem caber, vala da
maneira porque est escripto o seu communieado ;
mas eu todo perdo.conforme os preceitos do Evan-
gelho, porque o Sr. Carolino pecca por bruto.
Nao ha remedio senSo fazer algumas considera-
ees, nao para responder ao Sr. Carolino, mas para
dar ama saiisfajao ao publico, qoe nos ha dejulgar,
visto como eu nao quero passar as raias da urhani-
dade e da decencia, e mostrar que quem pralica ou
praticou aepdet de certa qualidade nao deve nanea
atrever-se a tachar aos oulros de fallos de educa-
cao, porque cunhecidns ellas ninguem mais dnvida-
r dos principios do seu autor : mi enlcndo que de-
vo sufloear os meus desejos, porque tenho nma po-
sijao social, adquerida pelo meu trabalho e pelas
provas que tenho dado de Icraprovcitndo o lempo
que gaslci nos meus estudos : porm, advirto ao Sr.
Dr. Carolino que soja mais comedido no seu modo
de fallar, porque quem Ion telhado de vidro naojo-
qa pedradas no alheio : eu vou dar o excmplo de
boa educaeao, paraque o Sr. Carolino me iruile ; na
certeza de que, se o Sr. Carolino tornar rom iguaes
expresases as de que se servio no seu communieado,
receber o troco e ha de se arrcpender.
Srs. redactores, nao foi por eu lemer-me das aecu-
saees que me andan fazemlo o Sr. Carolino pelas
ca quo provoquei-o a fazer a naiT.ic.lo do fado : eu es-
Ion conhecido cm Pcniambiico, e j lodos sabom o
queeu sei c o que nio se ; o quo posso fazer c o
que nao posso ; o parcrc-me que o Sr. Dr. Carolino
js vai sendo lambem conhecido ; pois, quem eneren
l.io boas memorias sobre quarentcnas c cholera mor-
h'ts, a prova de ludo quanto ha de melhor na medi-
cina, na grammatica c na orthographia, como estos
que o Sr. Carolino cscreveu no Liberal Pernambn-
cano, n.lo poda doxar de ser lido por nm medico
emincntcminils bail, instruido e capaz de levar de
vencida a todos os seus collegas desla Ierra e de ou-
lras quaosquer iiueoSr. Carolino houver de felicitar
para procurar os ps, porm encontrando o oulro
braco da crianja julgou que era pe o Irouxe-o para
fra : porm o Sr. Carolino n.lo se deve desconsolar,
pois quo oulros parteiros de maiores blgodes que os
do Sr. Carolino, tem lido semelhanles engaffits : tem
lomado nma espadoa pelo vrtice, tem intrdduzido
o dedo no ano da crianja, pensando ser na bocea,
etc., etc.: o errar ho dos homens, e creio qaeS. S.
estar lembrado daquelles versinhos da potica de
Horacio, toitos de propoailo para desculpar os gran-
des homens dos homensde genio, eesses asiros de bri-
Ibanlisino raro, que poucas vezes apparecem, e em
cojo numero deve S. S. ser contado, como rsridade
em(irtode parto, os quaes versos diziam : guando,
que bonus dormita! Ilomerut! I
Meu sabio collega ; he pena que S. S. puxasse o
brajo pensando puxar a perna, c que depois puxasse
por ambos os brajos, quanto foi possivel, quasi a por
as espadoas fra da vulva, o que encravasse desla
forma a crianja na excavajao da baca para depois
dar-mo o trabalho insano 'do emporrar a crianja
para cima u!im de poder inlroduzir a mao e fazer a
versao, o que me custou bastante e fez-me sitar sem
duvida mais do que S. S. para fazer o que fez. Va-
mos adianto.
Diz o Sr. Dr. Carolino na sua arenga: Ora, be re-
gra estahclccida em parios que em casos laei se passe
nm lajo no braco, etc. Permita o Sr. Carolino que
lhe diga que islo nilo he regra nem nunca foi: a re-
gra he que dada urna aprescnlarao do brajo se espe-
re algum lempo ; porque s vezes as conlracjes
uterinas fazem descer a cabeja eo parlo lermina-se
naturalmente a pez ir do brajo ;a regfa he que'dada
urna apresen'.ajao do brajo, se Tara a versao ceplia-
lica, isto he, Sr. Carolioo, se traga a cabeja para a
escavacao, todas as vezes que islo for possivel ; esla
versao cephalica se faz quando anda existo bstanle
liquido amniolico, e por conseguinto o ulero nao es-
tando Indo conlrabido sobre o flo, esle anda mo-
ve-se fcilmente : agora o mais : dada nma apresen
(ajilo do brajo, quando j se tem escuado toda ou
quasi tola agua do amibos e que oulert esto mui-
lo conlrabido, e j ae tem pastado lempo bstanle
para nada mais esperar das forras da nalurcza, p nao
ser possivel fazer a versjo cephalica, eiilflo a regra he
fazer a versao pelvianna, islo he, versSo polos ps,
para o que alguns parteiros mandam alar urna fita no
brajo, e como o Sr. Carolino mo disse o li l i para que,
eu lambem n,lo digo, e se quizer saber, v ler o Ca-
zeaux desde a pag. 81 i at 8i5, no seu trufado theo-
rico e pralico da arle do Parios, 3." odelo de Pars
18,50: ah acbarajeom effeilo, o Sr. Carolino ludo
quanto lio preciso saber acerca da versao. dos casos
em que ella se deve fazer, e das circumslancias qne
se oppoem a que ella se faca ; he bom que o Sr. Ca-
rolino toia,e faja por entender; porque ler e nao en-
tender he o mesmo que comer e nao fazer digestao !
Continua o Sr. Carolino : a e quando islo se nao
possa por maneira alguma conseguir, 327" affen-
tas .^TS as conlracjes forles cespasmodcas do ule-
ro, (ue se mo violente ; visto que as violencias do
qua>i sempre a morle, ele: es a ra/.o, senhores
redactores, porque eu ha pouco disse que o Sr. Ca-
rolino lessc e li/esse por entender, porque o Sr. Ca-
rolino nao comprchcndc o que l; o domis a mais
he dign de lastima, porque cm materias de medici-
na he nina miseria: Sr. Carolino, S. S. n,lo sabe que
ha muila diflereoja entro contrarjocs naturaes e
cnitrarces spasinodicas ou tetnicas? nao sabe que
as conlracjes uterinas entram na cl.isse das naturaes
o mais Batanes ainda quando silo para cxpellr o
producto da concepcao, e quo as conlracjes espas-
mullicas oo tetnicas lem o eancln das anermaos, c
consliluem um perfeilo eslado mrbido? o Sr. Caro-
lino nao sabe que he deslas conlracjes espasmod-
cas do que fallam os autores, quando tratan das cau-
sas que podem iinpossibililar a inlrndurjao da mito
dentro do ulero e por conseguinto a versao? pois o
Sr. Carolino durante nma noile inleira que esleve
ao p da parturiente nao vio (he muilo ceg a pesar
Senhores Redactores. Nao sendo eu assignanlc
do Echn Pernambucano, difiicil fo vir-me s maos
o n. 78 dessa folha, cm o qual o Dr. Joaquim Pedro
da Costa Lobo, ex-juiz de direilo desla comarca,
alongou-se em um libollo famoso contra o coronel
Luiz de Carvalno Brandio, e nivalou-rae ao rez do
chao. Poda eu desprezar essas flaquezas do Sr. Lo-
bo, nao dar-lhc resposla alguma, se por ventura el-
las fossem escripias aqu na comarca, e daqui nao
passassem ; porque nesla comarca eu e a Sr. Lobo
somos bem condecidos ; mas sendo, como foram, es-
cripias em urna capital, onde, com quanto tenha ami-
gos e seja por elles bem conhecido, todava o maior
numero me desconhece, misler se me faz levar ao
conhecimento do publico a verdade dos fados, para
que nao rontinuem a passar por verdadeiras a as-
serjoesdo Sr. Lobo, forja be pois dar-lliscssa res-
posla, com a leitura da qual o publico imparcial
ajuizar qual de nos, se eu ou o Sr. Lobo, se Irans-
vioudas regras/la expressao ti?l da natureza. Antes
de entrar na ajpreciajao da injuria, que rrogou-me
o Sr. Lobo, pev ao respcitavel publico, relevc-me
as labal que encontrar nesle pequeo trabalho. al-
(endendo a que nunca escrev para o preto, e s a
obrigajSo da propria defeza far-mc-ba pegar da
penna para escrever estas linhas.
Querendo o Sr. Lobo pintor o eslado desla comar-
ca com cores mui feias, culendcu que devia servr-se
do meu nome e de oulros empregados da comarca,
como imagens que ilcviam colorir o seu quadro, at-
Iribuindo-Ihes lodos os mos felos nella pralicados,
como manvellas de particulares; ao passo que qua-
lilicou-se muito avesso a todos os actos mos, aos
quaes presidia como mulo espectador, por achar-se
atorrado. He muila bom homcm o Sr. Lobo !
Ora diga-me, Sr. Lobo, nilo lera S. S. pejn de di-
zer nos prelos pernambuennos, que a vara munici-
pal desle tormo esl debaixo dos ps do Sr. Carvalho,
que della dispoe como propriedade sna, sem citar os
fados, que isso provem;? Lma asserjilo como es-
ta, avanjaJa contra a reputaeio de um magistrado,
necessita de provas, sob nena de passar o delator, ou
o Sr. Lobo peto mais atrevido calumniador. Assim
como S. S. aprsenlo)] os fados do Sr. Carvalho,
para que nao se digoou citar tamben] os|meus, que
provam em como a vara municipal |he propredade
do Sr. Carvalho, esl debaixo dos seus |pe-'.' Unde,
em qne cartorio vio o Sr. Lobo, despronuncias da-
das por mim em favor de Manoel Jeronymo, Flix
Pio, Pedro Andr, e Leandro, e pronuncias contra
o padre Manoel. Joaquim, e Manoel da Silva Fran-
co? Paraque alraijoa o calumnia S. S. por esta
forma a urna pessoa, que por ausente n.lo lhe podia
desmentir cm continente ? Igonora S. que dizer,
e nao provar he calumniar ? Pois bem. como S. S.
nao quiz citar es.es fados, obrigou-mc a significar-
me, que em quanto S. S. n,lo convencer ao publico
com a apresenlajlo de lados, que a vara municipal
dcste tormo he propriedade do Sr. Carvalho, passa
para mim c para o publico por um calumniador. Ne-
nhuma oulra prova mais se me faz misler apresenlar
para mostrar qne S. S. he nm falsario, sem fe, sem
carador, sem probidade, e sem qualilade nenhuma
para oceupar o alto cargo, de que est revestido, de
que citar osallestodos quo S. S. me passon doranle
o exerccio do meu quatrianio, e depois delle (fallo
do meo 1." qualrieniu, porque sSo os fados desse
lempo 5 que se refere o Sr. Lo!, e nao aos do 2.,
por ter eu nelto entrado no mesmo mez, em que foi
removido o Sr. Lobo.)
J bastante he a contradij.lo em qae cabio em seu
mesmo communieado, quando confessa o Sr. Lobo,
que sempre hoiirou o meu carcter, dando informa-
jes semcslraes ; porque so o meu carcter era dig-
no de ser honrado, be porque nao mereca censura,
o se a despeilo desea sua confisso, dec lara S. S. que
a vara municipal esl debaixo dos ps do Sr. Car-
valho, he propriedade sua, esl completamente em
contradic.o. ao menos c.t om minha Iraca lgica as-
sim qualifico.
Agora dirci, que csqucccu-se S. S. de dizer que
passou-mc diversos atlcstados de transcendente elo-
gio, o ultimo dos quaes passido em dezembro do an-
Illm. Sr. cornmandanle, c raait senhores ollicaes
do I. corpo de artlharia a p.
Illm. Srs. esludanles pernambucanos residentes
na corte do Rio de Janeiro.
A gratidao me obriga falar-vos dos bons odiaos
de amisade, que vos dgnasles preitar ao meu charo
filho nico Januario Alexandrino Caneca, alferes
alumno da Academia mililar.fallccidonesla corle em
o dia 15 de dezembro de 18.51, aole?, edepois da sua
morle, e eu obedec essa hrilhanle virlude, como a
um sagrado dever, sem consultora dehilidade de mi-
nbas forjss; mas, que torci nesle enejo? Para onde
me vollarei ? na necessidade de agradecer-vos ofii-
cos ortodoxos, e philanlropicos, e na impossiblda-
de de o fazer dignamente? Porque meu corajao
comprimido pela auguslia, o pela agona nao me
deixa livre o discorso para falar-vos de objeclos too
charos minha palernidade.e vossa fraternidade, e
mal consenle, que eu faja apparecer i minha dor, e
saudade por meio de gemidos e solujos.
Quanto improprio son, senhores, para esle encar-
go, se me falta o pincel enrgico de um Flcxier, de
um Bognet, para Ira jar com fidelidade e energa o
grupo dos meus senlimenlos dolorosos, a minha dor,
o ao mesmo lempo o meu reconhccimtnlo e grali-
dao Eo me remetera um profundo silencio, se
nao eslivesse inleiramente persuadido, que vos libe-
ralisaveis para com os meus defeitos.
Senhores. que podere eu dizer-vos do meu charo
filho Januario, que vos nao saibais mais exactamen-
te do que en; pois que comvosco vivea pelo esparo
de qualro annos ? Meu charo filho nico Januario,
que outr'ora era o objeclo do meu mais sensitivo
altelo, em quem empregava todos os meas disvelos,
e serios cuidados, e applicava todas as miabas toacas
forjas, e sobro quem verta lodos os meus sume., be
hoje o objeclo dos meus lamentos c pranlos,da miuha
mais acerba dor, e da minha eterna saudade ; por-
que a morle, esse mohstro infundo, flagelo, e terror
da humanidade, que faz continuamente gemer a na-
tureza, esse moustro sanguinoso, ail'oilo a estragos,
sempre insaciavel de victimas, que nao respeila scep-
tros, comas, c tiaras, qoe de um s golpe lanja as
cearas milhes de victimas drela, e railhes es-
querda, iiicliiindo em o numero das snas victimas o
meu bom filho, nao consentio, que elle, que pelos
meus e seus estorjos, ia pparecendo enlre os hu-
manos, livesse um dia um decente lugar na socieda-
de. Sim, senhores, essa tora mais cruel, e mais vi-
var do que a fabulosa Uydra de Lerna,rorlaud > do
meu bom filho o fio da vida, qoe feliz girar se va,
roubou-me para sempre a gloria de ter um dia um
filho diano da patria. Oh dor Oh magoa Oh
peua I Oh saudade! Quanto sois de hoje cm dia uto
minhns inseparaveis companheras !
Senhores, para provar-vos a minha gratidao
julgo bstanle, sinceramente cerllicar-vos, que
lendo o meu bom filho Januario, comvosco
vivido, gozado da vossa leal, e sincera ami-
sade, recebido vossos philantropieos favores e uti-
lisando-se das vossas luzes, eslou cerlo, que na-
da penleu elle na minha auseucia, e se esto minha
preciosa consolajao, que vos confessa minha alma,
que no acerbo da sna dor, toda se manifesla em la-
mentos, e pranlos, nao salisfez aos vossos dusejos,
c aos vossos lo importantes servijos, supr aquillo,
que o mea perturbado cnlen.lmenlo n3o souber
comprender, nem minha lingua expor; pois s de-
sejo humilde, e respeiloso beijar vossas caridosas
raaos, e banha-las com salabas lagrimas.
Senhores, vossos officios ortodoxos, c philanlropi-
cos ficarao sempre gravados em meu coracio; pois
que alem de ler eu urna alma senslvcl tenho presen-
te o importante penhoros cabellos do meu caro fi-
lho Januarioque vos com om Uno ajuizado, e pru-
dencia esclarecida me fizestes o favor de enviar, e
como dessa maneira provasles seres fiis interpretes
da amizade, que eo consagrava ao meu bom filho,
sede lambem interpretes do meu reconhecimenlo,
por !3o importante ollera, que estar sempre comi-
go. Recebei porlanlo os votos, e sinceros cultos de
amizade, respeilo, e gratidao do vosso humilde servo
o infeliz
Januario Alexandrino da Silva Rabello Canecca.
SriENCIAS E ARTES.
ESTUDOS SOBRE A PHILOSOPHIA NO SE-
CLT.0 XIX.
O DEVER.
Por Julio Simn.
Ha (rez maneiras de Iraballiar para o progresso
da phlosophia, particularmente da philosophia mo-
ral ; cada urna deltas tom caradores proprios, con-
dijes e necessidade.
Dar-se-ha raso que a philosophia moral soja ape-
nas um brinco do espirito, e nao tora ella um fun-
damento solido ? Dar-se-ha caso que a liber.lr.de, o
dever, a juslija, a virlude e todas as re-ras da von-
tade humana nao valham nada ? Se estas musas
nao ilo chimeras, posso fazer deltas o objeclo de
um esludo regular e profundo, e d'abi tirar orna
sciencia verdadeira. Mas para que mereja seme-
lhanle titulo, he forja quo se applque a precncher
as condijes que lite mpe: remontar aos mais
simples elementos, submetlc-los a urna analyse se-
vera, encadear todas as ideas que devem constituir
o propro corpo da sciencia, do maneira que forme
um todo s_\-temtico, mas n;io artificial. Se a liu-
guagem vulgar nao he sufficenle, nao temamos
recorrer da escola ; o pedantismo nilo consiste cm
fallar na sciencia urna lincuagem scientifica, mas
pelo contrario transportar o que s he fcito para el-
la. Peto minha parle, nao hesitara prnpor aqu
Kant como modelo desle genero, seoao a (ivesse ex-
agerado tanto. Cum elfeito, pondo-se do parle o
abuso que nelle nasce de um excessu de luxo, nun-
ca a philosophia moral possuio formas mais seve-
ra ; al poderamns dizer que, como Aristteles, or-
zanisra a respectiva sciencia. A philosophia mo-
ral tratada desla maneira corresponde a nina ne-
cessidade do espirito especulativo, cuja salisfarao
be mu agradavel. e ao mesmo lempo be como o
_ ao mesmo
no pasado,lemp > em que j.i havia cu lindado o meu arsenal donde sanen as armas experimentadas que
e honrar com a sua aniavcl prcscnea;c domis quem do seu oculo de alcance de ver dentro da bexiga uri-
sabir de suas Ironlcras maleriacs. Para a Italia, li- | me de Obrescull apparecera na corle de Turin
n.lo lera visto cm Pcrnamliuro esla mysleriosa caixi-
nha das areias que o Sr. Carolino exlrahio de um
homem que linha um calculo de granito consistencia
e dci^rpolcgada c meia de dimetro pesando qua-
lro pilonan e meia ? quem nao lera lido a magnifi-
ca hi-loria dessa operaran em que o insigne opera-
naria apre.'!) que as dores que soffria a partu-
riente orain dores periodias, expulsivas, que vinbam
e cessavam alternativamente 1 pois ha uiuguem que,
depois de assis'ir urna vez a urna senhori a parir,
possa jamis deixar de conhcccr urna cousa tilo sim-
ples como urna conlraccao uterina ? pois o Sr. Ca-
da! com aquella gr.ivi la.le.que s compele aos mes- roliiiu em lanlus partos que assislio na Franja e no
qualrienin, era lio lisongeiro, qne sobre vanos elo-
gios que me dava, dizia que o meu proredmcnlo
como magistrado era digno de ser imitado. Esse
alleslado nao se aeha involto as tretas ; de minhas
maos passei-o s m.los do meu amigo o Sr. Dr. Jo3o
Jos Ferreira de Agui.ir, quo mora nessa praja para
o apresenlar BO ministro da juslira, em cujas niAos
talvez esleja elle agora c poder ainda apparecer, so
iiocessaiio for. Esle s documento pastado pelo pit-
nho do Sr. Lobo, be o desmentido mais solemne de
tildo quanto S. S. avanjou contra mim, ou do con-
trario desmorasa sua auloridade ao uUimo ponto,
porque de duas um i; ou o Sr. Lobo como juiz de di-
reilo passando-me esse attestado, cumprio um dever
fallando a fardado despida de ornatos, ou fallou in-
leiramente a ella, o smenle disse o q uc se euconlra
na bocea dos vis aduladores.
So vogar a primeira hipolhcse, menta o Sr. Lobo
em seu communieado c menlio com porda de algur
crdito que poderia ler, e protn.leu adquirir, al.n
de firar qualificado infiel por Irahir em ausencia a
um collega, de quem sempre se qoaliGcoo amigo.Se
porm nao vogar a primeira hipotbose c sim a segun-
da, cnlao ainda fica o Sr. Lobo de peior condijao ;
v*i
devem ser distribuidas pelos combalcnles. Assim,
n.io poderia fallar a povo atguin cvilsado, e a pa-
tria de Desearles e Malebraiirbc nao a desprezaria
-em sa avillar.
Mas releva lambem roronherer que sob esla for-
ma a philosophia apenas ronvem a mui poqneno nu-
mero. S os adeptos, os iniciados, ou as pessoas
da profiss.lo be que nilo lp-nem as eminencias escar-
padas da sciencia. O vulgacho, islo he, a mor par-
le dos epiritos, nem tem lempo, nem roslo para
olevar-sc a este [ionio. Para osles a melaphvsica
nilo passa do leltra mora. Exicem snmenle o que
he simples, rpido c de fcil romprehensao ; quem
quer ebegar a raz.lo deve primeiro abalar a imagi-
naran o cnlernccer o corajao. Para elle be que
fo invenlado o aplogo, em que as lijos de moral
SO occullam debaixo do vn da fbula ; para elle he
que as ideas racionan. s,iu envolvidas nos symhnlos
e na leudas, das roligioos positivas ; e he justamen-
te porque eslas obram com forja singular sobre a
imin.inaj.in e o rorajilo dos homens, quo o lespec-
livo imperio he tilo ampio e o poder 1.1o grande.
Por natura querer i-to dizer que a phito'ophia
deve sempre deixar n-ligiau n cuidada de dirigir-
se ao vulgacho, e qae n.lo lenha nada a fazer nesla
esphera '.' Pelo contrario, juico que ella lem ahi um
papel sublime a dcsempeiiliar, quer se ache em pre-
senja de una roligiao ja purificada pelo espirito do
exame e que beber nesla nu-n... forma, com forja
nova, urna influencia mais morid e mais salular,


mutilado i


ILEGIVEL


UIARIU Uh PtRHAfflBl QUAHT* FEIRA 17 DE JANEIRO OE 1855.
/
quer especialmente alista decadencia de um sys-
leina religioso que, na falta de oulro sustentculo,
deixe caliir oulra vez no vacuo de qualc|uer cnica
e de qualquer principio as almas que ja mo susten-
ta. No primeirn caso, ella devera proaor-te a con-
tinuar e concluir a educacao do povo, esclareccn-
do-o cada vez mu- com as luzes da razilo ; no se-
gundo, se esforzar para enclier a lacinia que a in-
crcdulidadc deixa apos si e armar os homenscom urna
doulrina que sempre permanec e,n pn\. Porlanto,
tambem (leve haver una philosophia popular que
exponha de urna maneira inlelligivcl a lodos as ver-
dades e os principios que a sciencia tetuda a sen
ni" lo e su cnsina a al.:iin. espirilos. Nao direi que
haja entre ellas um abysmo ; porque a materia lie
a mesma em ambas as partes, e o que un i propa-
ga entro o povo, a oulra deslinda, aualysa, illu-
mina, de sorle que a pbilosophia popular deve se-
guir o pr.iin-s.il da pliilosophia scientilica; mas
que dilTerenca nao existe as formas que Ibes silo
proprias I Aqu desappareceni necessariaraeule lo-
dos os processos, todo o requinte, toda a curiosida-
de da sciencia ; j nao lie o melliodo, mas o resul-
tado, i concepeSo abstracta, a idea applicada, a
especulicSo, a p.ratica, qiiecumpre investigar e se-
guir. Uina linguageni aecessivel a to-los he a ni-
ca que convem ; a imaginacao Ihe communicarn
utilmente o biillio, c o senlimento o calor. Logo
lerei occasiao de vollar sobre a pliitosopbia popu-
lar ; oiito ruoslrarei a importancia do papel que
llie pertence, e direi como beque ella deve appli-
car-so a reprecnta-Io ; por tajn seja-me sufllci-
ente aqui o ler-lbe as.igualado o lugar e indicado
o carcter.
Entre a pbilosopliia que lie do uso dos sabios c
a que be do uso do vulgacho, existe amia um ge-
nero intermediario que pertence ao uso de urna
classe inteira de espritus, comprehendida entre o
vulgacho e os sabios. Com elTeito, quanlos nao lia
que, cm virludc de cerla cultura litteraria e das
commodidades da vida, podem dar-se a leiluras se-
rias, j demasi iclaiiK-nii- requintadas para o com-
nium dos homens, mas que lemem as asperezas da
srien:ia, e que nfli poderiam snppurlar urna s pa-
gina de um tratado de melaphysica A esta clas-
se pertence a rniir parte da gente elegante, e as
proprias mulhcres cujo espirito he mais cultivado.
Tambem devemos juntar a estes grande numero de
operarios, coja intelligencia os colloca cima do
vulgacho. E porque razSo a philosophia nflo po-
llera ler um ensiuo apropriado a esla classe de es-
piritos! Sem duvida quasi que elles se nao ac-
commodam con essas ideas l.lo abstractas, com
essas analyses ISo subtis, como essas dedc-
eles tao rigorosas, cora esses melhodos tao com-
' plicadns e la vagarosos, cm lim com essa lin-
guagem tao escrupulosa que convem sciencia ;
importando-se pouco rom as exigencias dclla, que-
rem ser scduzidos e ao mesmo lempo illusirados.
E ser islo cousa impossivel '! Perguntcmo-lo ao
sublime autor de l'ludro e de Gorgias, ao orador
philosopho que escreveu as Tusculanas a o livro
dos deceres, ou ao escriplor que nos deu a Profii-
sao de fe do rigario saboiano. Nao julgoque este
genero de philosophia, que chamarn Iliterario, sc-
ja suflicienle por si mesmo ; se nao apoiar-se em
esludos scicnlilicos, nao ter Torca nem consisten-
cia. O vigario sahoiano he ingrato para com os sa-
bios, quaniio falla mal delles ; coro efTeiio, onde
hi-ln'ii elle ludo quanlo eipoe tao cloqueutemente,
tcnilo nos seus livros '.' esteiremos a sciencia na
escola illa U jacel in aula ; nao a proscrevamos,
anda em materia de moral: nao praticaramos es-
te laclo impunemente. Mas lembremo-nos tambem
quanlo he restricto, especialmente nesie paiz, o
numero daquelles que estimara c cultivam essa
philosophia scientilica para a qual peco que se con-
serve o lugar e o carcter qoe Ihe pertence, c que
pelo contrario nao nos esquejamos quanlo he gran-
de o numero dos espiritos a que a philosophia s
poderia agradar e aproveitar em quanlo se apresen-
lar sob forma intercssanle e oxercer sobre elles to-
da a se.lurrao das ledras.
O livr que M. Julio Simn publicou recentemen-
te sobre o dever, se dirige a esta classe de espirilos;
porlanln pertence a este genero intermediario cm
que acabo de fallar,e preenche-lhc maravilhosamcn-
le as condiret. Obra de intelligencia superior, a f e i -
la as dilli culdades metapliisieas pur meiu de longa me-
dilaeao e numerosos anuos de alio ensino, lem o
methodo, a precisSo e solidez que da urna sciencia
profunda, e junla-lhe lodo o perfume que pudem
communicar .1 e-iposico das ideas ; estylo elegante e
lluente.imaginarao viva ealma apaixonada. M. Si-
mn possue no mais alto grao o talento de revislir
com formas bullanles as ideas philosophicas, e pur
este meio tem usegredo de torna-las inleressanles as
ideas cultivadas, mas estrauhas a qualquer e-ludo
especial da philosophia. (Jue servico nao se Ibes
prestara, olTerecendo-se-lhes, segundo o programma
de M. Simn, um re-um-i simples e claro das nuc,es
mais essenciaes da moral, especialmente quando se
sabe como elle, fazer desle resumo um livro tao se-
ductor quanlo instructivo!
Para comprehendermos toda a importancia de se-
melhante obra, basta lancarmus urna vista d'olhos
em torno de ris.c vermos cm qnc estado se ncham a
morparle daquelles a quem ella se dirige. Por ven-
tura llavera urna religiao a que estejam sinceramen-
te ligados c cujos preccitos Ihes dirijam o comporta-
nienlo ? Nao sero elles sempre os lillms do seculo
XVIII ? E que novas crencas, e que no'vos princi-
pios lerSo substituido os enligo* ? He o effelto or-
dinario de certas doutrinas Iheologicas entregar ao
srepticismo os espiritos que as ahandonam, sem que
tenham recebido oulras licu. Como ellas os teem
acoslumado a ver smenle religiao no systema dos
seus dogmas o das suas pra liras, e moral smenle na
sua religiao, quando se rcliram de urna alma, levam
ludo com sigo. Dahi resulta a incredulidade que
ataca lodas as crencas e todos os principios, a impu-
dencia do espirilo que arrastra as mais das vezes a
impudencia .los coslumcs, ou pelo menos a indill'e-
renca que mala os caracteres. Ja nao temos reli-
giao, uem 13o pouco philosophia. Assim, oque sera
das almas que nao sao sustentadas nem pela f nem
por principios '! Por ventura nao estarn ellas ex-
postas, como pracas sem defeza, a lodas as mais vis
paixesdo corarao humano, a cubica, o egosmo, o
medo, e a lodos os flagelos que coitumam acompa-
nba-las : E vista disto, deveremos espantar-nos
de ver em torno de nos lamaoha versalilidade as
opinioes polilcas, lamanha facilidade em glori-
ficar-se successivamente todos os vencedores, e la-
manho esquecimento da dignidade humana '? Com
efleilu, he torca confessar que a ausencia de princi-
pios firmes he um dos caracteres d nossa poca.
Cerlamenle mulos se usrapam a este mal ou s suas
mais funestas consecuencias pela elevarAo ou recli-
do natural do espirito, pela honeslidade das iucli-
nac/ies,pelo efleilu de s3a educacao e bons costu-
mes. Mas oque domina na maior parte, he urna
ndiflerenca profunda para com as ideas mornes,
quer religiosas, quer philosophicas, islo he, para com
todo o que he capaz de exaliar a alma e susleDlar a
vonlade. A prudencia vulgar que nos impede de
commetter certas falta-,porque nos contrariam os in-
leresses (e he por isso que ella os denomina faltas,)
masque pela mesma razao nos dissuade do bem,
quando pode compromellcr, eis quasi a nossa nica
virludc. t) dever de todos os que sao capazes de ler
sobre a sociedade qoalquer accao, consiste em lular
contra esta indilTereiic.i que fatiga. J se nao re-
duz anliga religiao aquelles que o espirito de exa-
me lem aflaslado ; s a philosophia he que pode ler
sobre elles algqma influencia. Perianto releva que
ella se esforc para fazer que enlcndam as suas mais
nobrese salulares lices.
Dar-se-bia exageracao cm pretender que al boje
ella t tenba sabido exercer urna influencia negati-
va. Fora islo injuriar nos i philosophia do nos-
so seculo, mas at do seculo XVIII. Com efleilo,
todos sahem que fni nicamente desta pbilosophia
que sabiram as reformas sociacs que inauguraran! a
ileclaracao dos direitos do homem e do cidadao. E,
110 nosso lempo, sem embargo da inditlerenca que en
anda pouco dcplorava, donde nace a correnle de
ideas espiritualistas que dispula o terreno ao scepli-
cismo e ao materialismo'.' Donde nascc que su j
nao acredilam as rousas da religiao, se at j sao
indlflerentes, pelo menos j nao as coosideram com
o mesmo desprezo ; donde procede este faci, se nao
de que a propria philosophia den o exemplo de urna
critcamenos negativa c mais ampia, equese expe-
rimenta mais ou menos a influencia delta '.' Mas
quanlo nao resta a fazer para restituir as .almas as
atas divinas que Ibes fallam, e i vonlade o vigor
moral que Ihe pcrlcnce ?
A falla do principios solidos nao se revela smenle
pela indiflereuca do maior numero a ludo quanlo
nao se resolve em interesses malrrincs ; nem appa-
rece menos entre os espiritos ardentes a quem repug-
na 13o vergonhusa indillerenra, o que procuram um
alimento para a sua generosa aclividade as quesloes
polticas c socines. Com elTeilo, sao quesloes estas
que alrahem hoja mais do que ludo, a qualquer que
be capaz de reflexu e que s cuida cm si, noseu
bem eslar, na sua fortuna. Cerlamenle merecem
todo o uitcresse que excilam ; nem sereicu que dcs-
couheca a respecliva importancia. Mas releva que
ninguem se engae, ellas nao dispensan) o cstudo
philosophico ; pelo contrario suppem cerla philuso-
pttfa, e he porque nao nos temos applrado sufliricn-
leincnte a este ohjeclo, que nao p: --ui.no- principios
tixos, e algunias vezis nos disvairam.rs de urna ma-
neira lo singular. Em minha opinSo, assim se
explicam os dous principaes vicios da mor parle das
Iheorias que, conhecida pelo nome de socialismo,
(tallo smente dos seusilelfeilos;'; o priuiciro, Consis-
te cm nao se. importar suuicicnlemenle rom a liher-
dade individual, islo lic.com o que faz ,1 dignidade
do homem e sua forra ; o segundo, em promover a
reforma da sociedade por mcios ex. tusivamente eco-
nmicos, islo he, materia, e desl'arte esquecer-se
dos principios inoraos e da accao regeneradora que
Ihes he propria. Por lano, importa mais duque
minea propagar as verdades fundamentaos da philo-
sophia moral,e demonstrar que fura dabi.nan ha -al-
vac.io nem para o individuo uem para a sociedade.
I) dever esla palavra sublime que serve de titu-
lo ao livro de M. Simn, doe ser lilamente procla-
mada no gremio de nina sociedade que -ii parece
-eiisivel a voz dos interesad maleriaes. Ella nos
lemhrara que nu estamos nesle mundo nicamente
para galibar dinheiro efartar os nossos appetites.que
haohrigaroes moraes em [iresenra das quaes ludes
os confortos da vida nao valem nada, e que uestes
bate!tsea be que devenios cuidar anles que ludo.
M. Simn lem muila raza,) em pensar que o mo-
mento he opporluno para fallar aos homena acerca
dos teas deveres; por oulro lado be sempre oppor-
louo Ibes fallar nellcs com eloqucncia.
O dever, tto he, a obrigar.ao de obedecer s leis
da razio,uppoe a liberdade, islo be. o poder denos
conformarmos com ellas; assim M. Simn estada
primeiro a liberdade, que he o instrumento e a con-
dijao da moral; demonslra-lhe a existencia ;e, como
ella ha sido algumas vezes contestada, examina as
obieccoes que se lem agitado contra ella e depois re-
fula-as.(I homem be livre, e por eonseguinte ra-
paz de moralidade ; mas lainbem he dolado de in-
clinaces ou paixcs que obram sobre elle, e Ihe in-
clinan! a vonlade: investigar a origem desle movis,
rla.-iliea-los, descrever ,1 nalureza e o lim de cada
um delles, eis-abi mu saludo que so colloca ao lado
do precedente-, forma a segunda parle da obra de
H. Sim.in.-Em si propria a p.uxao nito-he mais do
que, um movel ceg ; nao he ella que pode ministrar
ao homem a regra de proceder, mas deve ser subor-
dinada a um principio superior, islo he, a nina idea
da razao. Cumpre que se confiere esla idea cm si
mesma.que se Ihe determine a nalurcza, e ile-se-lbe,
se for possivel, urna formula exacta e rommoda. He
este o proprio corceo da moral ; M. Simn con-a-
gra-lhe a lerceira parle do livro.Emlim, nao basta
demonstrar que o dever nio he urna palavra v.la,
mas nina idea solida da razao pura, releva indagar
que i.bng.ices precisas esta idea nos impoe, e cun 1
se applica ao nosso comportamentu nas suas diver-
sas relaces ; n'uma palavra, releva pastar da idea
ao acto, ou da abstraern 1 realidadc ; lal he o ob-
jecto da quarta c ultima parle do livro de M. Simn,
que olTorece desta maneira um bosquejo de toda a
moral. Este simples plano abraca ludo.a liberdade,
a paixii:, a dea, o arlo, o he tao luminoso qu.lo fe-
cundo. Pe) minha parla n.lo posso fazer mais do
que segui-lo, para examinar, sobre cada nm dos
pontos que comprehende, as riquezas que a pbiloso-
phia proporciona ao servico do nosso tempo, e que
M. Simn expoe com muila clareza.
I
Se ha um ponto que a philosophia lenha conse-
guido por fra de conleslacao c cercar de luz. he se-
guramente a liberdade do homem. Este atlrihuto
que o lira da ordem das cousas para cleva-Io \ dig-
nidade de peana, todos trazcm cmsi ea cada ins-
tante o manifeslam, quer em bem, quer em mal
mas he a r.-lk-x.i.i pbilosopbica que pcrlence cxpol
lo com toda a clareza, c esla larel'a se ada liojo ad-
miravelmenle salisfeila. A philosophia antiga, s
vezes lao peiielranle e lao profunda, quasi que n3o
liaba cuidado em applicar sobre este lado o estoco
da analyso ; sem que excluisse a liberdade, nao a
linha suflicienleinenle descriminado entre as outras
faculdades da nossa nalureza, e nao Ihe havia dado
um lugar mui preciso nas suas medilaces. Apenas
lem umaexpressao dislincla para designar este allri-
bulo da nos9a alma. Ja para o lim, quando com o
estoicismo ella lornou-se principalmente urna escola
de moral, quando especialmentechegou poca em
que cresceu e se desenvolveu o dogma christao. a sua
allencao foi forcosamenle allrahida para as quesloes
relativas liberdade humana; mas nao nos legou
sobro este assumpto analyso satisfactoria. A theo-
logia chnstaa devia necessariamente agilar a questao
da liberdade humana e della fazer um problema es-
pecial : ensinava que o homem dec.ihido em conse-
queucia do peccado original nao poda passar sem o
soccorro da tirara Divina para rebabililar-se e obrar
bem ; desde enlo o quo vinba a ser da liberdade, e
se ella nao desapparecia, que parle Ihe resl.iva nas
boas obras'.' Eis-abi quesloes quo era impossivel
escapar, lodossabem com que ardor foram agua-
das, a que doutrinas contrarias deram lugar, e como
foi que a Igreja suslcntou ao mesmo tempo na sua
orlhodoxia o dogma da graja e o da liberdade. Dis-
criminada dcsla maneira c collocada no lugar das
quesloes capilaes pela Ideologa, a questao da liber-
dade cimscrvnu naturalmente esle lugar na philoso-
phia moderna. Nao ha doulrina que se nao lenha
ofeupado della o nao a lenha resolvdo a sen modo.
O racionalismo, atetillado o sobre-nalural, se des-
embarcara da difliculdade de conciliar a liberdade
com a graca, mas nem por isso supprimia loda a dii-
fieuldade : reslava harmonisa-la, ou com a nalure-
za, fu com a accao de Dos na humanidade. Al-
guns nao he-ilaram sacrHca-la a necessidade phvsi-
ca. oulros a nece delles era consequencia desle espirito de svslema que
despreza a realidade e fecha os olhos evidencia dos
laclo.'. Cumpria chamar para este ponto os espirilos
que desl'arle se desvairavam, c demonstrar a lodos
que, por maioresque fossem as difliculdades que po-
desse agitar a liberdade humana, ella era um facto
cerlo, inabalavel, tltettldo pelo mais irrecu-avel
dos iesteinunhos, o da consrieucia. Cumpria esla-
belecerde tal sorle esta verdade. e loma-la lao pal-
pitante queja nao fosse possivel conlcsla-la, o que
fcassemos sobre esle ponto na grande estrada do
senso commum, mas illuminando-acoin a luz da re-
llexo. Fui isto justamente o que lizeram os nltimos
trahalhos da philosophia, mxime da philosophia
traneeta, e o fieram de nina maneira tao Irium-
phaule, que nao sci se ha baje em alguma paragem
urna rabera pensadora, perleura a que svslema per-
tencer. que se nao incline parante o fado da liber-
dado humana. A propria philosophia allemaa no-
va, ao renovar o espinosismn, se vio obrigada a re-
forma-lo sobre esle ponto ; talvez menas conseqiien-
le, nao se alraveu a eleva-lo al o desprezo do senso
intimo. Por oulro lado j nao estamos em lempo
dcsles syslemas concebidos fra das mais vulgares
nocoes da experiencia e do senso commum ; boje o
que se pede antes que ludo pbilosophia, he que
ella respeite a realidade e nao a sacrifique s suas
Iheorias. Sem duvida perder em originalidade,
mas gaiihai em verdade, em influencia econsidera-
can. Porvenlura sereieudivre ou nao? A paixao e
a razao disputara entre =i o meu comporlaracnlo :
dai'-sc-hacaso que cu lenha o poder de reolvcr-me
a mea bel prazer n'um ou n'outro sentido He es-
la uinaque-laude fado; a con-cienria dar-lhe-ba a
resposla. Invocando esle (eslemunlio, a philosophia
pode dar-lbe urna solucao que alTronf, a lodos os
syslemas: foi-lhc bstanle descrever pui'wa da ana-
lyse o que est na consciencia de rada um. IIlam-
bem sobre este lesteraunho que M. Simn funda~"
sua inveiicivel demouslracao ; por esle meio he que
elle refuta peremploriamente as nhjegoes que se ele-
varam contra a liberdade. Segundo a minha opiniao,
esla refular.ao j nao recabe sobre doulrina alguma
coutemporauca, mas he anda urna forma de de-
monslracao, mostrando que a liberdade humana es-
t livre de qualquer ataque. Eis pelo menos um
dogma acerca, do qual ja nao be permillido dizer
que fica entregue us dispulas dos horaens. D'ora
em vanle a moral he possivel, porque j 1 nao haveria
nada para urna machina.
H
Son lvre, e por consegunle capaz de governar as
minhas paixes, em vez de segui-las como escravo.
Mas o que ne a paixao '.',Qnal he a sua origem o o seu
lim? Comohe que certus philosuphos s viram nella
o elemento mao da naturezn, rnsinaram que era
misler exli 1 pa-lo dahi inleirainente, e que esta apa-
llim ca a cumlicau di sapiencia. Muitos homens
anda creem que como ella se arha profundamente
alterada por nina corrupcao original, lem necessida-
de de ser totalmente renovada c reformada. E en-
tre estes, alguns al chegam a querer arrancar ao co-
rceo os senliraeiitos mais naluracs e as urliuacGes
mais legitimas. Uutros pelo contrario, fazem da
paixao o principio supremo dos nn--o- aclos : suhs-
liluem-na idea do dever no comportaincnlo da vi-
da, c pensam que s ha belleza c hondade no que
deriva desta fnnle. Com elTeilo, fazem dimanar da-
hi a generosidad!-, a dedicacao, o cnlhusiasmo ; mas
supprimem a regra. Ha mudos lair.bem que da
mesma fonte s liram a lama em que se chafdrdam,
Upicuri de grege porci. A' vista deslas opinioes
contrarias, o que deveremos pensar? Ser necesa-
rio proscrever a paixao com uns, ou glorifira-la com
oulros, ou nao baver um svslema mais verdadeiro ?
N'uma palavra, qual he o papel da paixao na vida
humana ? Para reconhece-lo, basla explicar a nalu-
reza do homem. Ella he ao mesmo lempo razoa-
vel e sen-ivel. A seusibilidade e a paixao, pois que
n'um sentido geral ludo he a mesma cousa, precede
a razao e sempre Ihe vem cm soccorro : primeira-
menlc ella suppre-a ; em lodos os casos determina a
direcrao que nos sollicila a aclividade; emlim,quan-
do a razao faz entender a sua voz, ella vem ainda
apoia-la, estimulando o sustentando a vonlade. A
Providencia, que regulou todas ascousascom sobe-
rana sahedona, pozein nos o prazer e a dor para
que nos ronduzain a fazer o que cnnvm nossa es-
sencia, arraslrando-nos para cerlos objeclos, des-
viando-nos de oulros. Procurar o prazer, evitar a
dor, tal he a lei fundamental da nalureza sensivel ;
debaixn desta duphee accao se desenvolvem cm nos
incluanlas 011 tendencias instinctivas, que lem por
alvo a -ali-far in das nossas diversas necessidades, e
lin .1111-11 li- o complemento do nosso destino. Cada
urna deslas inclinacocs nos foram dadas para um
b.un lim; mas nao reccbemo-las para deia-las en-
tregues a si proprias. He que o homem nao he co-
mo um animal: o seu destino uPs he seguir cega e
fatalmente as inclina{es da sua nalureza ; he en-
carregado de se governar a si proprio, e para isso he
que he dolado de razie e liberdade. Interven na vi-
da, nao para assislir a esle espectculo como espec-
tador passivo, mas para condtizi-la como mestre; as-
sim eessa de ser machina e adequirc um valor pes-
soal, Dahi o papel que he chamado a representar
em presenca das inelinaepesda nalureza. Estas por
si prepnassao cegas: releva esclarece-las. S3o im-
petuosas c desordenadas : releva conlc-las e regula-
las. Sao diversas eopposlas : releva harmonisa-las,
encerrando cada uina .lidia- em justos limites. N.lo
s lutam no mesmo individuo, mas as inrlinnroes
de uns asila longa de se conciliar rom as "dos
oulros : releva, por lim, a scmelhante conflicto,
reduzindo-as 1 tima lei commum. Mulias veiet as
sensibilidad'- se rcvollava contra a resolucAo que o
dever Ihe oidenava. a oulra ronlralialaiicHva nellc a
influencia da primeirae uslnntava-lhe a vonlad >, A
vida Ihe be chara, mas o dever ainda mais, e ,1 -a-
ti-facn que experimetitava em preenche-lo ajuda-
va-o a dominar ludas as oulras inclinaces. He du-
ro renunciar a vida, ou. para suppor tima alternati-
va menos trgica, sacriiiear o bem e-lar 10 dever ;
mas he in ais duro que o homem perra a eslira 1 de
si proprio i- \iva deshonrado, aindt que seja nomen-
le a seus proprios olhos. pur lauto serve para con-
Irabalanrar aquellos que o dever subleva contri
si, c le par 1 elle um poderos auxiliar. Mas nao
san tmente os teolimentet maraes propriaoiente di-
tos, bem como a alegra dt consciencia 011 o medo dos
remorsosque, apoiandoarazaoe estimulando a von-
lade, concorrem para o complemento dos nossos de-
vores; os oulros nossos senlimentos ou as oulras not-
sas inclinaces ilevem tambem conspirar para este
laclo ; pois quo se fazem parle da nossa nalureza,
he apparcntemeiite para nos ajudar a realisar o nos-
so destino. Toda a questao consiste em sahe-los go-
vernar. Por lano oque deve fazer ueste caso a phi-
losophia moral? Examinar cada um dcsles sculi-
menles ou cada una destas inclinaroes naluraes, de-
terminar-Ibes o papel e a importancia, c mostrar
al que ponto hs legitimo. Foi o que fez mui digna-
mente M. Simn ; e desatarle previne as nutras par-
tes da sua obra, mas nislu imila a propria nalureza
que fez do senlimento o preludio inslinclivo da ra-
zao.
A larefa que a philosophia moral lem a execular c
que M. Simn salisfez com grande felicidade, sup-
pe urna elassificacSo exacta e completa das paixOes.
Desgrac.i.lain -ote, de todas as partes da psychologia,
o estada da sensibilidadehe ainda o que deixa mais
a desejar. Os livros dos philosophos encerram so-
bre esle assumplo Ihesouro- da observaran; dehalde
procuraremos nelles urna Iheoria que resista ao exa-
me. E*le faci he especialmente verdadeiro quan-
lo escota escoce/.a : observadores habis, mas des-
tituidos do talento da synlhese, Keid c Dugald-Sle-
war.l, depois de Adam Smilh, ,111.iv-arain delicada-
mente as nossas diversas paixes ; mas apenas nos
elevamos cima das particularidades, ja nao encon-
tramos nada que salisfaca nas suas Iheorias. Assim,
aproveilando-se da Iheoria da Dugald-Stewart, M.
Simn foi obrigado a mo-lili a-la e transforma-la,
dando-lhe um carcter muito mais philosophico. Di-
urna maneira contraria cerla doulrina rcenle que
procura nas tendcncia.ptj.iolivns da nossa natnreza
a causa que determina o pazer 011 a dor, M. Simn
com raz3o colloca na dorm no prazer a origem de
lodos os movnicnlos sensiveis da nossa alma, ti pra-
zer ou a dor, eis sem duvida o fado primitivo e o
principio girador de lodos os oulros; determina o
amor ou o odio, donde sahem igualmente o desojo e
a aversao. Nascido do prazer ou da dor, e indo dar
no desejo ou na aversao, o amor 011 o odio lio a for-
ma geral de que se reveslem as paixOes. He debaixo
desla forma que M. Simn as considera ; e como o
amor se especifica segundo os dilTerenlcs objeclos a
que se pode applicar, e como estes objeclos se rda-
tela a tres ; o co, o mundo. 011 mais particularmen-
te a humanidade e Dos, divide loda a sensibilidad.,
humana em tres grandes classes : o amor do homem
para com sigo mesmo, o amor da humanidade, e o
amor de Reos. Tal he o quadro cm que reduz, rec-
tificada, elevada e completa, a Iheoria do discpulo
-le Keid. Este quadro, seguramente mili philosophi-
co, estar lamhein isento de qualquer objecrao, e as
subdivises que o aulor inlroduzio, sempre serao
per finiamente rigorosas TNlO me alreverei affirmar,
mas nao obrara bem so qu/.esse procurar dillicul-
da.lesespeculativas n'-ima obra puramente de mo-
ral. Prefiro resumir as uteis lices de que abunda.
O amor do homem para com sigo mesmo nasce
com elle e nunca mais o deixs : serve-lhe de sus-
tentculo e aguilhao. Em verdade he a raz do e-
goismo que consiste cm ver somenle a si no mundo,
e reduzir ludo a si ; mas he porque enlao toruou-se
exclusivo e ceg ; comido e bem dirigido, produz
melhores efleitos. He elle que nos prende vida
13o fortcmeulc que, por mais desgrarados que seja-
mos. temos horror de morrer, c que, quando ella es-
t em perigo, pralicamos milagres para salva-la. He
elle que nos estimula a veannos no nnsso corpo e
satisfazer-lhe as necessidades; iiislrumenlus necessa-
rios do nosso desuno, os appeliles ph\sicosss3o cen-
suraveis quando sao desregrados ; pertencc-iins go-
verna-los. He elle que excita no homem a necessi-
dade de se apropriar das cousas exteriores; seo amor
da propriedade degenera fcilmente em ataren e
gera os mais Irisles abusos, nem por io deixa de ler
a sua indispensavel utilidad.' uu individuo de quem
he um dos esimuanles mais vivos, e na sociedade
civil de que he um dos principaes elementos. Uc
elle que faz nasrer cm nos o desejo da eslima, da
coti-ideracao. do Inuvor c o temor do desprezo ou da
censura, movis sugeilos a sedesvnirarem como to-
dos os oulros, quando nao silo subuietlidos razao,
mas polentes auxiliares das leis moraes, capazes de
conlr.ibalanr.ir o piopiioamor da vida ; lia sem du-
vida um falso ponto de honra, como bem o mons-
truoso preconceilo que se chama duelo, mas lia tam-
bem um justo seiilimciilo de honra, que torna majs
fcil o complemento do dever e Conduz aos grandes
actos. He ainda o amor do homem para com sigo
mesmo que gera o desejo do poder 011 ambicao, pai-
xau criminosa c funesta uando invade a alma de
Cezar, paixao Bubre fecunda quando inflamma o
coracao do Washington. Emlim, he elle que nos
impelir a desenvolver4odas as Vacuidades da no-.sa
alma, a cultivar, em vez de deixa-los em olvido, lo-
dos os dons que recebemos da nalureza, a crear ou
enriquecer sciencia, as boas arles, a industria.
Mas se o amor do homem para com sigo mesmo
concorre indirectamente para o bem da sociedade.
he por sua nalureza pessoal. Ora, como os homens
nao devem viver somenle para si proprios, mas para
teus semelhantes, a nalureza os dolou com senti-
mental que lem por lim o bem de oulrem. Taes sjio
primeramente os senlimentos da familia que unem
estreitameule um pequeo numero de entes destina-
dos a formar urna pnmeira sociedade na grande. O
primeiro aunel desla cadeia de lernas afleices he o
amor que o h.omem e a mulher concebem um pelo
oulro ; devemos-nos acaulelar de confundi-lo com o
appetiledo sexo, posto que Ihe esteja ligado, pois
que nao lende smenle uniao dos corpos, mas 1 das
almas. Do homem oda mulher. de quem faz um s
enle, o amor desee s novas crealuras em que se re-
produziram e s quaes sao lao necessarias, mais vi-
vo, mais ceg, na m3i de quem consliluc quasi loda
a vida, mas fro no pai. porem mais esclarecido ; da-
hi remontando ao pai e mi sob a forma de um
senlimento msela lo de ternura, respeilo e rreonhe-
cimento, liga ainda entre si os filhos oriundos do mes-
mo sangiie. To las eslas all'eices san descriplat pur
M. Simn com rara felicidade ; pinla-lhes com en-
Ihusiasmo as delicias e a benfica influencia. Foi
moda nos ltimos anuos passados declamar contra os
inimigos da familia, cunrose os houvesse cm alguma
parle e como se os seus ataques ameacassem-na seria-
mente ; M. Simn nao cabe neslas derlamac a
gastas; mas visto que nao ha erro que n3o lenha tido
adeptos, visto que houvcram homens que condemna-
ram como contrarios ao bem do estado 011 da huma-
nidade os senlimentos da familia ; imprudentes que,
segundo a bella expressao de Anstocles, afogam no
mar o pouco mel que receberain em parldha, visto
que emlim em o nosso proprio lempo appareceram
certas doutrinas que lendiam a destruir estes sent-
montos 011 altcrar-Hhcs a pureza, he forca repellir es-
las .ibi't raee- do espirito humano. Por oulro lado,
pens com M. Simn, que se o proprio principio
da familia nunca foi gravemente compromellido pe-
los ataques que finziam temer, existe alguma cou-a
mais seriamente aineacado e por oulras causas : he
o espirilo de familia. Eslas causas, M. Simn col-
loca-as com perfidia prccisao nos proprios efk'ojda-
liberdadc, 110 amor sempre ingente de lucro, na in-
differenca em materia religiosa c philosophica, em-
fim, na Iraii-formarao cada vez mais nolavel da pri-
meira i-.lucaro. He nislo e-pecialmenle que esla
o perigo ; he ahi que a philosophia moral deve ap-
plicar o remedio. Os seutiinentos da familia nao
exhaureiii lodo o nosso amor para com outrem : he
por isso que a sociedade nSo deve ficar circum'crip-
la nos limites da familia, mas dilalar-se 110 circulo
mais ampio .la repblica, e filialmente abracar a
humanidade inteira. Dahi resulta o amor da patria,
que pode sem davida ler alguma cousa artificial no
seu desenvolviineiito, mas que nem por isso deixa de
ler as raizes em a nalureza humana, e que, se s ve-
zcs]hc demasiado eslreilo, he, cm compensaran, urna
das principaes fonles da dedicacao e do herosmo.
Dahi emlim resulla o amor da humanidade, que no
homem se prende ao proprio homeiii, iudependenle
dos lacos da familia e da patria, e que desl'arte faz
do genero humano urna como inmensa sociedade de
irniuns. M. Simn lauca em rosto aos estoicos o le-
rem desprezado o amor da patita, e lerem somenle
adinillido o da humanidade, nao querendo oulra pa-
tria mais do que o inundo ; mas nao fura justo acres-
ccnlar que scmelhante exageracao era uina reaerao
natural c a cerlo respeilo til contra o amor da ci-
dade. que enlrc os amigos era lo eslreilo e lao ex-
clusivo ? Porvenlura nao ser nadi o ler pregado
no meio da sociedade anliga o dugma da unitadc du
genero humano ou da (ralernidade universal? E, a
despeilo das suas exageracoes. 11.10 ter o estoicismo
merecido bem da humanidade ?
Alem do amor que o prende a si proprio e do
amor que o prende aos seus semelhantei; ha no co-
relo do homem nm pendor quo lende a eleva-lo
mais violentas serevollam contra us precedes da ra- ] cima do mundo e que o nlralie para a fon le si.i.ro-
/.ao ; o ilever ordena, a nalureza resiste : releva en-i ,a de todas as censas: he o senlimento resius,.
lao comprimir ou suffocar-lhc os movi.nenlos por P.,ra recouheccrmos-lhe a forra, basla queWnce-
mei de senlimentos de oulra ordem. Ei-ahi o que mos os olhos sobre a historia da humanidade. Nao
,nl77?Vln'ta liberdade; o eis i ha povo que nao lenha lid,, asna religiao eo seu
i? i- r i' '"-'"'l'"lc hom- D es- callo; ora. sublime- ou gro-eiros, o que exprimi-
a paixao. mas nao coiiilcmiia-la e i rau'i em substancia, sob I irmas diversas,todas as re-
I or, mo nao convem pre- ligies e lulos os culi s, -.,i ;, necessidade -le
render homenagem ao 1 iberano poder de que di-
manan) a nalureza e o hornera Nao i-xi-ie senli-
racnlo mai- eleva indo que este : he. 11. ordem das
paixcs o ultimo lermuda sensibilidade, assim como
na ordem da- 1 leas, .1 nocao de Deot be n uliimo ter-
mo da intelligencli M. Simn fez desle o alvo de
lodos o. notaos amores, cujo motivo t iliaca na amor
do homem para com -go mesmo, A Iheoria que ex
pe a esto respeilo he talvez mai syslematiea, exige
cerl 1- reslriccoes, mas tem um sentido profundo :
intelligencia e tcnsibilidade, Indo 110 homem parle
dota para ir acabar em Dos. Admilli lo i-lo.
perlenceni a una analxse exacta identificar com o
amor de Dos o amor da juslira e lulos os ilum-
nenlos pelos quaes so exprime, hein como a sxm-
palhia, a a Imirarflo, a indiguacao? Nao neg o ta-
co que os une; perguulo apenas -c estes dous sonli-
Nao haverao almas
be mui desenvolvido,
repclli-la absolatamcnte
gar o divorcio da paix.10 e da razan : a paixao sem
,1 razan, he capricho o detordem ; a razao sema pai-
xao, he fra abslrarcui. ,1 Todo o homem he ne-
ci-s 11 uao homem. diz mai bem M. Siman p,
103 1. As-ini he justo conceder-Ule que nao ha ie-
lerminarao da vonlade mide a paixao nao concorra
coma sua parle. Nao rhegarei a allirmar que a ra-
za,, he impotente para obrar directamente sobre a
vonlade, e que- poderia determina-la pelo Inter-
medio da paixao ; mas n que be mui cerlo, he, que
Como I nalureza do homem he o que be, nao h.a
idea moral sem algum senlimento quo Ihe corres-
ponda c Ihe preste apoio, e que por consequencia a
Vonlade nao loma resolurio alguma dictada pelo
dever, sem que a tentjbilidade nBo se lenha ahila-
do no mesmo sentido que a razao, e nao lenha obra-
do de aeearde com ella. Ei--aqui un humem que
preferio o ultima suplicio a um ario infamante : pa- melot Etnm smenle uni
ra se resulver a subir ao radafale... fui-lhe misti-r | em quem o amor da jdstica ,.
abafar 110 pello os mais vivos senlimentos, o amor mas que i-slan longe de elevar ao mesmo -rao o son-
da vida. ;, saudade de dcnar para sempre aquelles tmenlo religioso? Talvez diga alguem que ellas
que amava tanto quanlo a si proprio. o horror da sua ; possucm o senlimento da divindade assim une lem
nalureza para a dor physica mas se urna parle da I o senlimento do justo : com efleilu. sei vuidu'me das
palavra--le .M. Simn, a juslira he um desraioi que
Dos envia as nos-as ahilase por r.n.le se maiiifcsla.
Muilo bem, mas he necessario convir tambem que
aellas o amar da juslira quasi que se n3o parece
com o que todos os homens lentem pelo nome de
amor de Dos. Assimcomu a idea da obrigacl mu-
ral he a cerlos respailo* ndependente da de Deas, .1
que con.luz, mas de que liea dislincla ; attim o sen-
limenlo moral heditlinclo e oh urna relacSo inde-
P ndente do senlimento religioso, que provoca c que
o enma. mas nao o constilue. Em lodo o caso, M.
Si.non tem raz.o de arranjar o lenlimenb) religiosa
entre os elementos aaluraetdo curara) humano, e
cnlloca-lo no vrtice de loda a nossa' seosibllidade.
Mas este senlimento sublime lambem tem riscos:
M. Simn as-iguala rom energa o myttieitmo, co-
m, o cachopo cm que se pcr.lein aquelles que o
exaltara excessivamenle,o myilicitmo, esta aspira-
can da alma humana que lem por nbjeeto abism ir-se
1a nalureza divina e'com ella confundir lodo o seu
sr. Nobre erro, mas perigoso, porque no deita
lugar no homem para a liberdade 1: pira a razao, c
Ihe faz desta arle esquecer-se das ron li(Bes essen-
ciaes da sua existencia e o seu verdadeiro destino.
M. Simn anda pudera assignalar nulm abuso el 1
senlimenln religioso, em lodos os lempos e anda
hoje muilo mais perigoso que o primeiro,fallo do
fanatismo. Verdade beque este ja nao he a exalta*
r3u do senlimenlo religioso ; he antes a sua degrada-
cao. Mas be islo que o loma lemivel. O iny-ti-
cisrno quasi que s se poderia encontrar em certas
almas de primeira nrdoin que, se inmolando a 'si
proprias, procuram perder-sc no seio de Dos; exis-
t.-m poucas destas almas, especialmente nos nossos
dias. Pelo contrario o fatalismo, filho da ignoran-
cia, convem as almas mais vulgares, cujos senli-
inenlnsdcsnaluralisa a despreza, J nao he a hu-
nid bule, mas o orgulho que o inspira ; em voz do
espirilo de sacrificio, o espirilo de dominio ; em vez
da inansiieludc, a aspereza de corac3o e a cruel.la-
de. Nao preciso recordar a rudo guerra que llzcra
a esle vellio inimigo do genero humillo a philoso-
phil do seculo XVIII; mas por ventura ficaria elle
complelaiiiente morlo ?
Eis-ahi a paixao, eis-abi o papel que Ihe compelo
na vida humana ; he urna fnnle de bem ou de mal,
segundo he bem ou mal dirigida. Assim, curepre
govcrna-la. Para esle lim nina regra se faz nece-sa-
ria. Mas onde deveremos procura-la ? Sem duvida
nao ha do ser na propria paixao, pois que he ella que
se pretende governar. Por oulro lado nada he mais
dillerente de si propria e nem mais movel cloquea
paixao ; he por isso que o homem mereceu ser cha-
mado cousa ondeante c diversa. Ora, quem diz lei
moral, diz principio universal c inxariavel. Todas
as doiilrinas que procuram em lal ou lal senlimenlo
o fundamento da moral, esl3o condemuadas a pena
seguidle : conslruem sobre areia movedica o que rc-
quer ser edificado no rorbedo. Os philosophos que
preleiidom fundar a moral no atarease, se refutan)
da mesma maneira, porque o seu principio dimana
da mesma fonlc : nao passa de um principio sensi-
vel. ao qual sem duvida se jimia a reflexSo, mas a
rrflexao do egosmo. Todas eslas falsas deallittas
lem -ido de lal sorle esrlarecidas pela critica moder-
na nao fallando na philosophia anliga), particular-
uno: le pelo Kanlismo, pela escola escosseza e pela
nossi pbilosophia franceza contempornea, digna
herdeira dos seus Ilustres predecessores, que quasi
nada restara a ser feilo nesta esphera pelos rerera-
rhegados, se n3o bouvessem inimigos sempre promp-
lus a erguer o eolio e habis em se esconder debaixo
de novas formas. Seguindo os vestigios de lanos
mestres, M. Simn vai direilo a razao para pedir 1 lio
o que s ella pode dar,o principio regulador do
comportaraentu humano. Enconlra-o na idea da jus-
tjCa. M. Simn emprega aqui esle vocibulo no sen-
tido elevado e geral que Ihe dera a lingua de Plalao.
como exprimindo lodo o bem moral ; mas, no uso
ordinario como o vocabulu juslica se applica espe-
cialmente aos deveres sociacs, talvez fosse melhor re-
serva-lo para esle emprego, a'fim de prevenir qual-
quer confusao. O proprio M. Simn nao escapa a
esleinconveiiienle ; com efleito, quando chega a in-
vestigar a formula da juslica, cedendo cnlSo aoscos-
lumes da linguagem vulgar, loma-a em um sentido
mais restricto, e di-lhe lambem urna formula que
nao comprehende a moral individual, nem a moral
religiosa. Por oulro lado, ou o enlendam no Senti-
do mais restricto ou no sentido mais geni, o que he
cerlo he que o vacbalo juslica representa nina idea
que cada um Iraz comsigo ; mauifestamo-la a cada
instante por meio dosjuizos que fazemos sobre os ac-
los bullanos ou ilos senlimenlo- que se scgiiem.
Nem se diga que he a educaran que a inlrodoz em
no. : a e-iiirar.ln pode esclarece-la, mas nao rrea-la ;
Irazemo-lacoiiiiiosco.bc innata, como diz Desearle-,
Eis anida urna verdade que a philosophia lornou evi-
dente. Em balde sopliisticaro sobre esle poni :
nao fardo que os rnaiores philotopnns, desde Desear-
les al Kanl, nao sejtm obre esle ponto de accordo
cora o senso commum. Se a idea da juslica he inna-
ta, lambem he universal : ministra a todos os hn-
mens urna regra commum e invariavcl. Em balde
objectarto a divergencia das suas iipinics em mate-
ria de bem 011 de mal ; pelo fado de que lodos os
homens n3o consultara igualmente a razao, n3u se
segu que ella n.lo seja a mesma para lodos. Nao
so a idea da ju.lica be universal, mas he absoluta,
islo he, nao depende da ruiistiluic.lo particular da
intelligencia humana, mas he a forma iiecessaria de
qualquer intelligencia possivel. Todos osles carac-
teres tao profundamente analjriadot pela pbilosophia
de Kanl. M. Siman os expe com a precbao que
Ihe he propria com a sua acoslumada elegancia.
Ainda vai mais longe : tu ..cura cm Dos a pro-
pria sustancia da juslics. Nao segui-lo-hei nasron-
siderares melaphysicas a que se eleva nesle assump-
lo e na crilica a que submeile urna rcenle Iheoria
da raz3o, que desfecdou crueis golpes no sensualis-
mo, mas que deixa ainda alguma cousa a desejar sob
a.relac3o da precisao c do rigor, Ne-te poni M.
Sininn se esqueceu de alguma sorte que eslava es-
rreveiido um livro de moral para o uso daquelles que
nao lizeram da philosophia estudo especial ; e apezar
di sua extrema clareza, dar-se-ha caso que estes es-
tejam em estado de entender as altas especulaces e
as sabias discusses era que o metaphysieo gusta de
internar-se? O ponto essencial, he qu se compre-
benda cabalmente que a idea da juslica e a idea de
Dos se acham estreilamcnte ligadas, e que a pn-
meira conduz necessariamente segunda. N"3o in-
dago se a passagem pela qual M. Simn vai de nina
a oulra be a mais propria para salisfazer um espirilo
critico, averiguo smente o resultado : a idea da jus-
liea conduz seguramente idea de Dos. Um gran-
de philosophn al chegou pensar que, entre lodas as
ideas da razao era esla a nica que linha a virludc
de demonstrar a existencia de Dos e revelar-nos os
seus allribulos ; pelo menos he cerlo que nenhuma
laura maior clan.I,ule sobre esla questao. A mais
irrcfulavel demonslracaoda existencia de Dos, diz
M. Simn, que lodavia est longe de cahir na exa-
geracao da doulrina de Kant, he a vida c a morle do
justo ; p. III ).o Mas releva tambem reconbecer com
Kant que se a idea da juslica chama c assegura a de
Dos, ou que sea moral cnconlra o seu remate na
religiao; be claro que s fallo na religiao da razao )
he iudependenle della no sentido que lem por si
mesma valor ab-olulo e tira da sua propria nalure-
za o principio da obrigacao que nos impoe. Sejam
quaes fnrem as ideas que se fac-'im a respeilo de Dos,
da sua nalureza, dos seus allribulos, das suas rela-
Ces com o mundo, quer sejamos deista-, panlheU-
las ou s.-epticos. a lei moral nao deixa de ser igual-
mente obrigaloria, e o dever sempre subsiste. He
que nao vamos da idea de Dos a da juslica, mas da
nba da juslira de Dos. Sem duvida podemos
considerar a pnmeira iudependenle da segunda : se
nos limilarmos a i-lo, a nossa pbilosophia licor cer-
lamenle incmplela, mas as leis que Ihe diciar a ra-
zao n3o denarao por isso de ser ragras absolutas.
Seja qual fr a doulrina philosophica ou a religiao
a que pcrlenramos, -,, sua autoridade permanecer,
sempre a mesma ; niiiguera lera o direitudc se lber-
lar dcllas.
Assim, M. Simn, ligando a juslica a Dos como i
sua substancia eterna, lera razao para arcusar de pa-
ralogismo o systema que procura a formula della na
idea d iialurrza divina ? Nao concebemos a lei mo-
ral como a lei de Dos tango porque a concebemos
pnmeira como principio obligatorio. Nao he con-
sultando a vonlade de Dos 011 perscrutando-lhe a
perfcicao que e determina esla lei ; he o methodo
universal que he verdadeiro. Se nao conven) pro-
curar este conheciincnlo na contemplaran da nalu-
reza divina, lao pouco se deve petU-lo ao estudo da
nalureza exterior : 1 moral n3o poderia depender de
urna sciencia 13o complicada e lao longa ; nem his-
toria da humanidade: nao he segundo as resultados
que jiilgamosdo valor moral das aeces. Pelo con-
trario devemos proclamar justo ludo o que Iriumpha.
Monstruosa doulrina que M. Simn fulmina com to-
da a energa. Demonslra cabalmente o vicio de to-
dos esles falsos svslemas. mas dar-se-ha caso ana a
sua crilica fulmine lao justamente a doulrina dos
estoicos e a do nosso Ilustre c laineutavel contem-
porneo Joulfroy, que associa ao qoe chama o sys-
tema psychotogico c que acensa de empirismo ?
tandoos estoicos diziara ao homem : aVivecon-
lorme a nalureza nao entendan] por nalure-
za oulra cusa mais que a razflo, qoe distingue o
homem dos oulras animaes e desl'arte constilue
a -11a propria nalureza. A-siin a mural delles foi
sem duvida uma moral racional; c. te necean,
foi por excesse desle sentida, t) piro no fui
lomar o ponto de parlida na nalureza da ho-
mem, f.i pelo contrario nao contnlla-lo infDclente-
menle, e, nao se importando ruin os seus elementos
de-ennheceras vei laib'iia. ceiidicoe. do nosso* des-
lino. Ahi esia a fon lo dos seus erros ; dahi foi que
1 iiegaram a uma moral que se pule dizer sobrehu-
mana, mta que flor isso mesmoj. nao he humana.
Renovando neste ponto a doulrina dos estoicos,
Jouflroy reselveira idoa do bem moral, ou do de-
ve;. na idea do complemento do nnsso proprio lim
no seio da ordem un vena rieqaeheum elemen-
to. Nao sera islo uma cuirepco racional'.' Mas
como determinaremos este lim. tenio consultando
a nossa natnreza? Nao ser isla mesmo uma lei
da razflo ? Assim, quando Jouflroy diz ao homem :
Se queros coubcrer o leu destino c as obrigacOes
que dellc dimanara, interroga la nalureza ; ora,
ili.-sprezar.i elle a razio, ou seguir a marcha qu
ella mesma nos indica '.' He forceso chogarmos a es-
le poni. Indas as ve-es que pretendemos sabir da
ab-ir.uc.in c determinar os nossos ileveres. Dar-se-
ha casn que a mural fique por islo men-, -ulula '
.Mas nao sera sempre a razflo que Iho ministra o
principio regulador -. c o conhecimeulo de que lem
n lade sera alguma coat incerlo e variavel,
ou 11.11 bastara recolhcrmo-nos cm mis incsmos
du eiiconlramo-lo Indo ? lora convenienlc que
nos entandessemos acerca do melhodo que se deve
seguir em moral; sera duvida s a razau he que nos
pude fazer conceber o dever 011 o bem, e communi-
car a eslas i-leas os seus caracteres ; mas, para -a-
beriinis justamente cm que COIItiate, he forra i 11-
vnr ir o conhecimento da natnreza humana. E nao
-em ato o que tez o proprio M. Simn no bell, ca-
pitulo tabre a paizlo em queja fallat, e na ultima
parle do seu livro onde fala das tecOes, islo he,
dos nossos di versos devores ?Mas emlim qual sera
a formula cm que se resumir tuda a moral ? Todo
aquello que se lenha um pouco u?cupido de philo-
sophia cunhece a que Knnl deu a esle respeilo :
sempre potsa ser considerada rumo principio de le-
gi-l.ir ni universal. 1 M. Simn preferc oslas tinas
simples phrasesque se ensinam aos meninos : Nao
facas a oulrem qillo que n.ui queres que faram
a ti. oi Taz a nutren) aquillo que queres que
le lizessem. Sem duvida esla dnpliee formula he
mais compreliensivel que a de Kanl, e por isso con-
vem maitao Ota vulgar. Pur nutro lado lem a van-
tagem de tornar evidente uma ilistinccflo que a for-
mula de Kanl nao pode indicar por causa di sua
propria generalidade : nao s nln devenios fazer
mal algum aos nossos temalhantet, devemos fa/er-
Ihes bem. Mas anda nao he bailante ampia, por-
que s se applica aos deveres dos homens enlresie
nao abraca nem os nossos deveres para romnosco
me-mos, nem os nossos devore- para com Deot. As-
sim, nao podemos considera-la como 1 formula uni-
versal da moral. He esla justamente uma das objer-
eea que Kant fazia-lhe. Deixa da parle as nutras
que nao s.lo deslituidas de fundamento sob 1 rila-
ran scientilica, mas que nflo san de grande impor-
tancia. Eis ahi a formula da juttica e da benefi-
cencia, mas as virtudes que os anligos acresreiila-
vam a eslas sob o nome de e.oragem e da moderaran,
n'uma palavra, a moral individual fira fra desla
formula. Sob osla relar.'io, a de Kanl he superior,
porque se atiende a lodosos deveres. He oslo re-
conbecer que esla he um cxcellenlc crilerium em
materia de obrigacao moral, islo lie.um meio seguro
de descriminar se um arlo he contrario ou confor-
me ao dever, pois que, cora clleilo, a iiniversalidade
que exprime he o carcter essencial de qualquer de-
ver. Apenas duvido que si-ja t.lo propria para ins-
pirar a caridade e a dedicacao romo a juslica e o
dever, e he por isso que he conveniente junla'r-lbe
as que M. Simn loma doulrina cdrittfla, e aquel-
la que as resume, e que he Un bem feita para a-
cender no corarflo do homem o foro das mais subli-
mes virtudes : 11 Aniai-vos uns aos oulros ; pois he
esla a lei c os prophelas. Mais uma observacau.
M. Simn pensa que a juslira n.lo consiste smente
era nao olfender, mas que cumprebende tambem o
dever deservir, e lem al cerlo poni. Por oulro
lado, admiite que sea beneficencia he algumas ve-
tes aro dever de juslica, muitas vezes dcxa dse-
lo, sem que deixc pur issu de ser urna virludc ; he
justamente esla vil lude que se chaina caridade. Ora,
sendo assim, nao ser neres-.irio determinar rom
precisflo a diflereiira que existe enlrc a juslira pro-
piamente dita e a pura beneficencia uu a caridade.
e marcar claramente o limito que as ta ponto basla seguir o exemplo de Kanl, ao qual
cumpre sempre vollar, quando se trata de moral,
porque elle he cerlamenle o maior moralista dos
lempos modernos.
( Continuar-se-ha.)
COMMERGXO.
i'RACADO EClFEif. DK JANEIRO AS 3
HORAS DA TAUDE.
Colaces olliriaes.
Assurar mascavado cscolhido18700 e ll&TO por
arroba.
AI.FANDEliA.
Rendimcnlodo dia I a t. .
dem do dia 1G......
185:4613688
13:970(361
201:4321)0*9
Descarregam hoje i" itjaneiro.
Barca francezaC'omfe Rogermercaderas.
Ilrigue inglez.-ti/i Vortercarv.lo.
Briguc inglezlicertondem.
Escuna iuglezaArrowidem.
Brigue inglez/?ei7evinhn.
Brigne hollaudezKcnnelo reslo.
Brigue suecoSuperiorfamilia de Irgo.
Biate bra-ileiroMuUa gneros do paiz.
CONSULADO GERAL.
Itendimeniodo dial a 15......23:7669396
dem do dia ll>........2:ll7j>l2i
25:8838518
DIVERSAS PROVINCIAS.
lien lmenlo do da 1 a k,.....1:669927-2
dem do dia 1G......... 4i.;-,',
>:09;!'ti
RECEBEDOR1A DE RENDAS INTERNAS GE-
UAICS DE l'ERNAMIHCO.
Ilendimenln do da I a 15.....i:77i;."JI
dem do dia 16.........I:(KI8?8-J8
5:8138119
CONSULADO PROVINCIAL.
Rendiincnlnilo dia I a 15.....32:8383812
dem do dia 16........ 1:8798912
31:7188785
MOVIMENTO DO PORTO.
Nados entrados no dia 16.
Aracaly9 dias, hiale brasileiro Aurora, de 37 to-
neladas, mestre Manocl Jo Martina, equipagem
6. carga couros, sola e mais gneros ; a Jos Ma-
noel Marlins.
Baha25 das, palacho hespanhol Deseo, de 137
toneladas, capitflo Pablo Bosch, equipagem II,
carga assucar e mais gceeros; a Alanoel Joaquim
Ramos e Silva. Vcio arribado por avaria, seu
destino he para Genova.
Havre o Ramsgalc51 dias, .lo ultimo porlo 16,
barca franceza Comte Roger, de 213 toneladas,
capitflo Tamborel, equipagem 23, carga fa/.enlas
e mais gneros; a Lasserre & Compendia. Pas-
sageiro, Michel Nora.
Nucios sahidos no memo dia.
BabiaPalacho brasileiro ll/redo, ctpito Manoel
Gomes de Oliveira, carga sal e palha.
CanalBrigue inglez Rulhenia, capitn 1). Scott,
carga assucar.
Porlo RicoBrigue americano Francis Jane, capi-
13o J. H. Rirch, em lastro.
AracalyHiale brasileiro liiieneiiel, meslrc Anto-
nio Manoel Alfonso, caru-a f.izendas e mais gne-
ros. Passageiros, Salvador l.ocio da Cunha.Josc
Joaquim Seve.
O coiisi-lho da direrr.io do banco de Pernam-
biiro, em confnrniidadc con) os arts. 60 c lili do Ul
eslalulos, faro leilan por coula e risco de quem per-
lencer, de 2.878 raixas com tabo, conlcndo 65,260
libra- marca S p, t 50,818 libras amarello ; quar-
ll-feira, 2 do correnle Janeiro, s lu horas da ma-
ntilla, no Trapiche Alfandegado denominado Al-
faudega Velha.
EDITAES.
Joo Pinto de Lomos, commeudador da ordem de
Chrislo, romiiicrrianle matriculado 110 tribunal
do commercio da provincia de Pernamburo, e juz
commissario nomeado pelo mesmo tribunal.
Faz saber que lem designado o dia 19 do coren-
le para a rcnui.lo dos crednres da casa fallida de
Dcane Youlle & C, afim de ler exacacia o nrl.
842 tit. 2 do cdigo cominercial na forma do decre-
to n. 13G8 de 18 de abril de 1851, adverlndo que
nciihiim credor ser admillido por procurador, se
este nao liver poderes especaes para oaclo (arl. 155)
e que a procurarlo nflo pode ser dada a pessoa que
seja devedora aos fallidos, nem ara mesmo procu-
rador representar por dous diversos credores (arl.
822). Em ciimprimenlo do que, lodos os credores
da referida casa fallida comparcram no escriptorio
da mesma, na ra da Cadeia do hairro do Recife n.
52, no referido dia 19 aomeio da.
E para constar mande^passar o prsenle que sera
abitado 11.1 praca do commercio e publicado pelo
Mario.
Dadoe pascado nesla cidade do Recife de Per-
namburo aus 15 de Janeiro de 1855.En Dinnmeri-
cu Augusto do Rcgo Raugel, ascrvflo juramentado
u escrevi. Joo Pinto de Lemot,
BSGLARACO'ES.
De ordem do Exm. Sr. director geral da ins-
Iriicriio publica, faro saber a quem convier, que etlii
i concurso a cadera de iiistrocran elrmriilar do se-
gundo grao de Pao-d'Alho, com o prazo de 50 dias.
oonlados da dala desle. Diractoria geral '.l de Janei-
ro do tH.Vi.Candido Eustaquio Cesar de Mello,
amaiiiiensc archivisla.
CO.HPAMIIA DE SH.IROS.
ESU1DADE.
ESTABELECIDA NACIBADKDO !'l(.
AGENCIA i:.M PERNAUBUCO, IIl A DO TRA-
PICHE N. 26.
O abattO assignada, agento nomeado desla compa-
nliia, e lormalmenle aotorisado pela diiec^o, acei-
tara seguros martimos em qualquer btndeira, e
para lodos os portal conhecidot, em vasos uu merca-
dorias, c sol, suas respectivas condieBei; o elevada
crdito de que lem gosado esla companhia e a- van-
(agensque offerere, far convencer aos concurrentes
da siiaulilidade. eo seu fundo respontavel de mil
enntos de reis fortes : a quem intercalar ou convier
eflcctuar ditos seguros, pdela dirigir-sc .1 ra
acuna citarla, a Manoel Duarte Rodrigues.
AVISOS MAaiTIMGS.
Sef,"
A barra Grailaoi, segne viagem mpreteri-
velmenle no da 19 para Lisboa : quem na mesma
qaizer ir de pteiigem, para o que lem bons commo-
dos, i'iiieiula-se com os consignatarios Thomaz de
Aquno Fonseca & Filho, na ra do Vigario n. 19,
primeiro andar.
AO RIO DE JANEIBO
,.' -. Seguir brevcnienle. por ler grande parle
^g2?''0 se" carregamenlo tratada, o veleiro e bem
construida brizne nacional Marta f.uzia, capilao
Manoel Jos Preslrello : para o resto da car-
ga, e |iara escravos, aos quaes d excel lentes acco-
mnilaces. Iral.i-se na ra do Trapiche .Novo n.
16, segundo andar, com os consignatarios Antonio 1
de Almeida Gomes & C.
John llonlex, eapiUa da barra inglesa (iuati-'
mala, arribada a esle parla em ma viagem prorc- i
denle de Calho de Lima a Cork para receber ordens, |
precisa a risco martimo sobre o fretc, apparelho,
casco e carga, de cerca 6 a 7:IKX)8000 de rs.: os pre-
tendemos mandarie suas propoat fechadas al o dia
lii do andante, ao escriptorio de Me. Calmun A
Companhia.
.MAItAMIV'O E PARA*.
Segu em poneos dias o Iiinte nnrior-al
Adetaide, ja" tem a maior parte da car-
ga engajada : pata o resto e passageiros
lial.i-se com o consignatario J. B. da
Fonseca Jnior ra do Vigario n. i.
PARA A BAHA
Vai seguir com orando presteza o hiale nacional
l-'nriun 1. capilo Pedro \ aleile Filho : para carga
Iveta-se com os consignatarios Antonia de Almeida
Gomes A C. na ra do Trapiche Novo n. IG segan-
do andar.
TAHA A BAHA.
O hiale .Voto Ollnda, sahe oestes das : para o
rcslo da corita a tratar com o mestre Custodio Jos
nocinai ou cera os consignatarios Tasto Irmaos.
Para o Kio de Janeiro pretende sabir com a
possivel brevidade o palacho nacional ol. Pedro V:
para carga c escravos a fn-ie, Irala-se com os consig-
natarios Thomaz de Aquno Fonseca & Filho, na ra
do Vigario 11. 19, primeiro andar.
para o kio de Janeiro.
E^pera-se do As- por estes dias a barra brasile-
ra ImperatliX do Brasil, a qual seonir para o Itin
de Janeiro um dia depois da sua chafada, e s rece-
be esclavos a frek- e passaseiros, para o que lem ex-
eellenlet commodat: 1 tratar na ra da Trapiche n.
l, com o consignatario Manoel .Uves Guerra J-
nior.
Para o Porlo pretende sabir com a maior bn-
xidade o brigue portugus. Rom Sueeeuo, de pnmei-
ra marcha : quem nu mesmo qui/er carregar ou ir
de pattagem, enlenda-se ruin os cunsignalarlosTho-
maz de Aquno Fonseca t Filho, na ra do Vigario
n. 19, primeiro andar, ou com o Sr. Manoel Gomes
dos Santos Sena, capilao do mesmo, na praca.
PARA O ARACATY,
Segueem poucos das o bem cunherido hiale Ca-
pibaribe, de primeirn marcha, pregado e forrado de
cobre : para o reslo da carga, Irala-se na ra do Vi-
nario 11. 5.
Para o Rio Grande do Sul,
segu viagem al o dia O do correnle o veleiro pa-
lacho nacional Santa Cruzo, capihlo Manoel Joa-
quim Lobato : para passageiros, Irala-se lio escrip-
torio de Eduardo l'errcira Dallar, ra do Vigario
o. 5.
PARA A BAHA.
te com muila brevidade o hiale
nacional u Amelia, 11 por ler parle da Car-
ga prompta, para o resto e passageiros
trata-se com o mestre Joaquim .lose da
Silveira, no trapiche doalgodao, oncoin-
os consignatarios Novaes di Companhiarua
1I0Trapichen. 34.
Companhia hrasileira de paquetes de
vapor.
O vapor 7a-
ranliiis, com-
mandanleoca-
pil.io de Ira-
SRttt Gervasio
Mancebo, es-
pera se dos
pin lo do nor-
te al do cor-
rente, e segui-
r para o sul no dia sciuinte aotla sua chegada :
agencia na ra do Trapiche n. 10, segundo andar.
Para a Dahia segu cm poucos dias o veleiro
hiale Castro, por ler a maior parle da carga prninp-
la : para o reslo Irala-se com seu consignatario Do-
mingos Alves Malheus. na ra da Cruz n. ji.
Para o Rio de Janeiro
o muilo veleiro e superior brigue escuna Mara, se-
gu em poucos dias p.,r ler o seu carregamenlo quasi
completo : para o reslo da carga, passageiros e es-
cravos a frele, Irala-se rom Machado & Pinheiro, na
ra do Vigario n. 19, andar, ou com o capilao a
burdo.
PARA O RIO DE JANEIRO
segu o hiale Penus ; recebe carga c escravos a fro-
te : Irala-se cum Caetanu Cyriaco da C. M. ao lado
do Corpo Santo n. 'J.
Para o Rio de Janeiro sesuc en, poucos dias o
brign nacional Flor do Rio, capilao Jos Francisco
Copes da Cosa ; s recebe escravos e passaceiros :
Irala-se cora os consignatarios Isaac Curio & Com-
panhia, na ra da Cruz 11.10.
Para o Rio de Janeiro segu em poucos dias a
escuna '/.elosa, capilao Joaquim Anlouio Faria e
Silva: para frele e passageiros, Irala-se com oscon-
signatorios Isaac Curio & Companhia, na ra da
Cruz n. 10.
Para o Rio de Janeiro sesue com brevidade o
hiale / enus ; recebe carga a frele : a tratar com
CactauoCxriaco da C. M. ao lado do Corpo Santo
11. 25.
Para o Rio de Janeiro sahe no dia 20
do corrente o muito veleiro brigue Re-
cife : para o resto da carga e passagei-
ros trata-se com Manoel Francisco da Silva
Caniconarnado Collegio n. 17 segundo
andar, ou comocapitao Manoel Jos Ri-
beiro.
LEILO'ES-
O agente Vctor far leMo no seu armazem,
ra da Cruz n. i", de esplendido sorlimenlo de o-
lu.is de marcenara novas e usadas, de dilfcrentes
qoalidade-, chapeos do Chili, charutos de llavana,
ditos da Baha, uma perrito de louca vidrada, vinho
do t'orlo cm ineias carrafas, eognae, c nutr,- muitos
objeclos que eslario amostra no acto do leilan :
quarla-feira, 17 do correnle, is 10 Jj horas da ma-
nilas.
O agente Borja, quarla-feira, 17 do correnle,
far l.-il.lo de um romplelo sorlimenlo de obras de
marriucria de dilieii-nlrs qualidades, sendo, novas
e usadas, variasquinqoilharas, uma porr.lo de eli-
mo cli, de qUejos de pralo, os quaes objeclos ven-
der-se-ho pelo maior prero que se olferera. A
meio da em poni ir igualmente um excellente
cavallo caslanho, enlreiado, e oulros mulos objeclos
que enfadonho seria mencionar-se.
O agente Viclor fir leilan de tima excellenle
mollia de amarello, conslttndn cm -i duzias de ca-
deiras de amarello do melhor go-lo possivel, mesa
redonda, consolos, safas, 1 rica mesa elstica de (i
lahoas, leilo para casal, lavatorio com pedra. com-
iihhI., apparrlhos de cha e para janlar, vi.Iros pura
serviee de mesa, I ptima gaarda-roapa, etc. Uual-
ineufe sera vendido 1 nra espada, liragonas e mais
objeclos pcrlenreules ao faldamento para qualquer
odela!da guarda nacional : quinla-feira, 18da cor-
rente. as Id '. horas da mana-la, na ra da Cruz, 110
primeiro ailar da sobrado n. il.
por intcrxenrao do a-
i.s: ruada Cadeti
na do Rosario, n
i-i',. 11. 17, ilo Sr,
AVISOS DIVERSOS.
LOTERAS da.provincia.
O cautelista Antonio Ferreira de Lima
Mello lem ti venda ms suas afortunadas
raiilclas da segunda parte da primeira
Inicua ilo 'oro ila Pa nella, que corre no
da 27 ilo correnle. nos scpiintes tuga-
do Recite, loja ti. II;
0 ; estreita do ISosa-
\zcvedo ; travema do'
Qucimado, n. ISC ; alerto da Boa-Vista,
n. .">>> ; ra ireita, n. (2 ; na povoacao
doMonteiro, emcasadoSr. Nicola'o, e na
sua loja ila ra Nova, n. '1 ; sendo cntao
livnsilo descont de 8 poreento os bilhe-
tes pelos piceos que se seguem :
Hillietes 5#300
Meios -i.s'SOO
Onartos I.s-.OI)
Decimos 700
Vigsimos 00
-r. ::;:.; :.7:u;::f>':xn&
lOOsOOO US. DE (.llATIFIC.\i;,A<)
>5 Fogio da caw do ahaiio ataionada, na roa-A
9 drogada de 3 de Janeiro do correnle aiinn. um M
9 ten escravo, crenlo, de nome Amaro, ollcial '*
S desapateiro.dedada 30annospouco mais ou ?3
menos, altura regular, barba penca, denles T
li-j lunados, olhos enfiimacados, anda calrailn. B
$) lem as m.loscaleja latdo (lo detapaleiro, tem 5
3 a (esla rom os canlos dmeobertof, he bem ful- .'
;:5 lanlc ; e-le escravo. quan Infusjo lev ni com 6
f3 ligo um cavallo caslanho, arreia-lo com um $
Sf sellim inglez, com|irido|e muilo eslreilo, ca- SJ
S becada lambem inglesa, o cavallo lem d. / :
St aunos pouco malaca menos, andadorde baiu
'$ e meio, frente abarla, Icio um i-alonibinbo no ^|
i espinliaco, e he ronctdh ; o dito escravo foi a)
;jj de Sr. Manoel finio Barba, morador na Ga- j
C?5 mella: quem o pegar, dirija-te a ra da Sen- Jt
?; zal Varna n. II que Ihe dar a gralifi- ^
i$ cacan cima marrada, e se for fra desla pro- jj|
35 rinda su pagaran as ileepcza* da ronduccjlo 0$
,':0 de onde elle esliver para ola. j>j
loaguim Pues Purcira da Silra. M
Fugio na manhadodia 13 do cor-
rente, da casa do abaivo assignado, tun
cavallo alazao, claro, fenle a berta, tres
pea calcados, tempasso curio, e he muito
bom galopador. esta' magro, consta que
fora encontrado para as bandas de Apipv-
cos: a pessoa que otiver pegado queir.i
leva-lo a Ponte d'lelia quesera' gratifi-
cado.Joaquim Aflbnso Ferreira.
Nesta typographia existe tima carta
paia olllm. sr.lente coronel Francisco
Antonio Correa de 8a't morador na la-
zenda Acaulian, provincia da Parahiba,
cora assistente nesta praca.
BANCO DK PESNAMBUCO.
O presidente da assemble'a geral do
Banco de Pernambtico convida aos se*
nitores accionistas a comparece!em ni
sesao ordinaria ilo da o I do crlente Ja-
neiro, cuja reunifio lera' lugar as 11 ho-
ras do mesmo dia, na casa do referido
Banco, cm virlude da requisicSo que Ibe
foi feita pela direccSo respectiva, cmolll-
ciode 15 do corren to. Recife 17 de Janei-
ro de 1855.Pedro Francisco de P.uil.i
CavalcantideAlbuquerque, presidente.
Jos Bernardo Galvao Alcoforado, pri-
meiro secretario,
Desapparcceu de bordo do hrigue nacional
Flor do Rio um mualo escravo por nome Pedro,
niarinheirn. reprsenla ler -J aniin. de i lade, ponen
barba, cabellos crespo, c lem a rabera de um dos
dedos das mans de menos, em non das pecana tem
haslanlcs mareas de rir.ilri/cs, e no cachaco a rata-
nia cousa, usa tomar tabaco, lem a barriga um pun-
co grande, cara redonda, cor plida; levou calca e
camisa de algod.io a/.til, brrele inglez a maruj'a, e
he de suppor que o lenha mudado,por na ocrasioda
fuga ler rarregado com toda a roupa do oulros de
bordo do dito navio. Esle mrlalo be lilho da Para-
bina do Norte, e le la leudo sido vendido para o
llio de Janeiro ha pinicos lempo*, c he boje escravo
dos senhores Tinoco ft Mcdeiros da misma praca, e
por isso rectameuda-sa a Inda as autoridades"poli-
ciaes, eapiia^s lie campo c qnaesqurr pe*sjas que
prendam o dilo escravo, e o quei-am levar a bordo
do dito navio, ou aos lainsignalarios Isaar Curio t\
C, ma da Cruz n. 10, onde serAo ventrosamente
recompensados por Isaac Curio rS| C.
A pessoa que achou na ra larga do lloarin,
adiante pouco do armazem de drogas do Sr. Barlhu-
lomeo. uma caria fechada com subscripto para n Si.
Antonio da Silva GuimaTlm, dentro di qual linha
dous bilheles inleiros da segunda parle da primeira
lotera do Poco da Panella, e que abri a caria e ti-
rou os liiihele-, deivando no mesmo lugar a caria
com um rasgan, cuja caria foi perdida do boleo da
calc,a de um prelo que a Irazia, queira restituir ot
bilheles em caria fechada no aterro da Boa-Vista n.
48, pois j sbese quem he. por ter alguma- pee-
soas dtssa ra visto : e nao o fazendo se proceder
contra essa pessoa.
No dia IG de dezembro prximo pastado faci
do eegcnho (juararapes, freguezia de Muribcra,
um escravo de nome Benlo, i-lade de 18 a 19 anuos
com os signaes srguiule* : alio, secco, pernas li-
nas e um pouco arqueadas, bracos finse pt-s gran-
des. I.evou calja de algodao azul, camisa du mes-
mo panno, chape,, de palha anda novo, e he 1,as-
an.e de.cmbaiaca.io no fallar. Tem sido visto
nesla cidade e seus suburbios. Koga-se, por lano,
as autoridades potjciaes e capilaes decampo a cap-
tura do mesmo escravo que se pagar generosamen-
te no referido ensenho Gaamrtptt, nu na Iratamt
do ijueim.id-, u. :!, taberna de Gabriel Anlouio de
Catire Quinlaes.
Ucsappareceu no dia 8 do correnle do tatjn-
nho llclcm, comarca de Pao d'Alho. o cabra Piteara,
de idide pooco mais cu menos de 10 annos, alto,
secco, nm pouco amnreilaco, lem os hombros aper-
lados jugaiido-os para um c oulro lado quando se
move, andar bastante apressadn porem com passos
cortos, dando slalos nas juntas, bochechas chapa-
das, marcas de punnns prelns sobre o rosto, barba
-..inenle no queio c belfo superior, poneos cabellos
cacheados e curios, falla-de denles, he carreiro, en-
lende bem de cara pina e pedreiro, levou camisa da
algudaozinho ou madapolo, dous chapeos, um de
o..,ir,, e oulro de seda, um cibao de couro, um faci,
mu i Irona ronlendo calcas brancas.de casemirao
oulras diversas roupas: quem o pegar, leve-o no
referido cngeuho ao major laaa dm Santos Nones de
Oliveira, c nesla praca ao Sr. Mauricio Francisca
de l.ima, na roa da Guia n. "j, quesera recompen-
sado.
Aluga-se uina preta coto muilo bom leile pa-
ra criar : quem prensar, dirija-se a ra do Vigariu
loja de pintor n. 10.
Prccisa-sc de urna ama que saiba colindar e
fazer ludo mais servico de uma casa : no largo do
Terco segundo andar n. 7.
Precisa-se de almiar uma ama forra ou capti-
va, para lodo o tarrife. : na ra larga do Rosario n.
Xf, segundo andar.
I'jppari-ceu do silio do abaivn assignado, na
madrugada do dia t. de Janeiro do correnle anno. o
eteravo Joaquim, de nacSo Cabina, representa ler
o anuos, pouco mais ou menos ; levou camisa e
caira de algnd;lo I ranea.! i azul, haivoecheio do cor-
po, bstanle barrigudo, falla faiihosa, tem os ps en-
chados, olhos grandes, rosto largo, lem os cabellos
da cabeca e da barba brancas : roga-se as aulorida-
des policiaes, capilaes de campo, nu pes-oas particu-
lares, ile 9 apprehendercm e li-varem a Ponle de
Lclioa, no silio de .Manuel I oiz Goiiralves, nu na
ra da t'.adcia do Recife n. i!, que ter gralilicado.
Precisa-se fallar ao Sr. Vitrina, lavrador do
Sr. Amonio Manoel dt llorn, a ne-oein le seu in-
lerc.sse : na ra da Praia n. 27, casa amarella.
As peeaoatqac Hxeram taeamatenda de brafai
de batanea do aulor Roaaaa vv CempanMa. pn-lcm ir
esfolhe-hn na ra Ihreila n. 10. Na nu-sma ha
para vender peneirasde rame propr-as para relina-
ees c padarias.
esapparcreii no da :!n ,|o me/ ntacadt a pre-
1,1 Joanna, de liara,, I. inga, id ule de "Hl a .Vi anuos,
com o- gatas wgainlca : bem raBamle, etlatan re-
gnlar'tecca do corpo,lem as rustas I tatuadas de chi-
cote ja anlig.is, una coroa de umalbaii la na cabeca.
Victo l.asnc fara ItilAo. ,.......,,.,........; i cote ja anliaas, urna
genteOlivmra, da mnltiplicada porcao de fazendat, ,,,.,,,. ,,,, s deuo, ,..,,,,, .,, r^
principalmente franceza., de se,la. laa. inl.o e rlc ,,, ,Ul,s ^^ ,| ,-,.,,tu hra.icn rnm
ilqoti.io, (odM pn[iria-. to merr.itlo : qumla-leira IS
di rurrpiitf, as 10 Imras ila in.iiili.la cm poni, no leu
armazem ra da Cruz.
/.LILAO" DE ARBOZ.
Hoje 17 de Janeiro se tara" leilo de 9
saccas com arroz de MaranhaO por conta
de quem pertencerem : no caes da Allan-
dega a* porta do armazem de Paula Lo-
pes : lotes a' vonlade dos compradores.
O agente Borja, de ordem do lllm
ruin
llores rxas, e ontra de ritcado i *i Iba, a um lana-
leiro de latanjas a ven ler : rosa-te as autoridades
polietaet t capilaes de c impo que a paajaam e le-
vi'iu-a i ra daiGnca Ponas n. .">!, que scr.ln re-
compeni I
Prectaa-ee de ama ama de leile turra ou capti-
va : na ra da Cadeia u. 2.
Aluta-se um ntoleqnc : qu.-m a qni/er. diri-
ja-e .1 ra Angosta i 18, tjnt achara cm quem
ira lar. #
Ausentoe-M di erraria de alerro di Iba-Via-
11, ncrlencenteao abaiio assignado. na noiledat-
para Itiibi corrente Janeiro, o atento, crioota. de
r. IJr. |in/. dedireito ilo civel e eoimner- ""me Cornelio, dewannotde dada, com ligniti
ci Custodio Manoel da Silva Guimarjes.a MU;,,n"-: ;'';" ''' l,";' o-sm., m.-, n,,,.!,,,
. D''" rosto compridn. bocea e albas recalaron, cerrado de
rei|iiei miento donainimstiador da massa barba. pernatAnat, \h- finte comprdos, adkteda
llida de Victorino di Moreira, Tara' lei- terrador. Odianrotta, conversador, oaa deritatlat at-
las, lem nas cosas algumas marcas de castigo, e duaa
anida Tresras ; levou camisa de madapoln, calca de
briin bronco com lislra ao lado da co.lura da prna
2 chapeos, I de palto de seda branca e oulio do pa-
tn i\r Italia, novo: roca-te as autoridades poli-
iiai-s, capilaes de campa, e a qncm iiilrrcssar, a
c,\i tura de semellianl- aacrata, pagaiido-st com af-
uero-i.lade loda e qualquer despeza : a pessoa que o
pegar, dirija-te meamt serrara.
Thomaz de Aqui no Carctlho.
iao das dividas, movis e escravos dos mis-
mos tatidos : sevta (eir.i, 1! do corrente
as I 0 lunas ni i ti dos Quarteisn. 1 pri-
meiro andar.
I.cilnn de 50 caitas com queijos rhegados pro-
timamente de Dollanda em latas a vonlade do com-
prador : hoje pelas 10 horas da nianha, no largo da
alfandega.
MUTILADO




HEGIVfl



DIARIO Ut HtHHAliiBUU, UUAHIA htlIfA 11 Ut JAHtlHU ut iood.
lotera do kio de janeirq.
Resumo dos maiores premios da lotera
I. de Iguassu, extrahidaein 29 dedo
sembrode 183V.
1 N. 20%.........20:0006'

L
i
i
i
6
10
20
3*58,
4711 ,
ISO
2849
5789
3797
5879
1838
5369
5919
60
1160.
i ir, i.
181.
16*.
*T07
13o,
2366
6602
5005.........
89. 1*9, 161, ".(i,
1066, 1*34 1734 ,
1860, 198*, 199* ,
5556 5585 5*26 ,
5592 5827 5872 ,
3916 .5533 5655 ,
565*.........
196, 587, 62*, 660,
852 905 10*9 ,
1065, 1518 1544,
1614, 1629 ,
182* 1999 ,
22*8 2281 ,
2519 2553 ,
258* 2662 ,
2828 2959 ,
5028 5076 ,
5150, 5172 ,
3*46, 5789 ,
3931 4055 ,
4222 4270 ,
4568 4522 ,
4721 4860 ,
5371 5596,
5565 5606,
5803, 5891 ,
5955 .
10:000s
:000.V
2:0009
1:000$
400.S
CONSULTORIO DOS POBRES
25 BA DO GOLUUUO 1 A9TDAR 25.
O Dr. P. A. Lobo Mosco/o d consultas homcopalliica lodo os di&s aos pobres, desde 9 lloras da
BUUihaa aleo meio da, e ein rasos cutraordinarios a qualqurr hora do da ou noile.
Oflerece-se igualmente para praticar qualquer operaran de cirurcia. e acudir promplamenle a qual-
quer mullier que esleja mal de parlo, e cujas circunstancias nao permiltam pagar ao medico.
1 (OmLTORI DO DR. P. A. LOBO H0SC0Z0.
25 RUA DO COLLEGIO 25
VNDESE O SEGUINTE:
Manual completo de meddicina liomcopathica do Dr. G. H. Jalir, tradiido em por
tuguez pelo Dr. Moscozo, quatro volumes encadernados em dous c acompanliadn de
um diccionario dos termos de medicina, cirurgia, anatoma, ele, etc.
30*000
200
que
158*
1731
2206,
2295 ,
2572 ,
2682 ,
2970,
5099 ,
5415 ,
5924,
4089 ,
V521 ,
4555 ,
5219 ,
5519 ,
5762 ,
5895 ,
100 premios de
1800 ditos de .
Esta obra, a mais importante de todas as que Iralam doestudo epralicadahomenpathia, por ser a imica
conten abase fundamental Cesta doutrinaA PA THOGENESIA Ol EFFEITOS D(1S MEDICA-
MENTOS NO OHAMSMOEM ESTADO DESAUDEconliecimenlos que nao podem dispeusar as pes-
soas que sequerem dedicar pralica da verdadeira medicina, inleressa a lodos os mdicos que quizemn
eiperimcnlar a doulrina de llalinemanii, e por si mesmos se cnnveiicerem da verdado d'ella: a lodos os
fazenderos e senbnres de engenho que estilo longe dos recursos dos mdicos: a latios os capitaes de navio,
que urna ou oulra vez nao podem deixar de acudir a qualquer iurommodo seu ou de scus tripulantes :
a lodos os pas de familia que por circumslancias, que ntm sempre pndem ser prevenidas, silo nbriga-
dos a prestar in continenti os primeiros soccorros ere suas enfermidades.
O vade-mecum do bomeopatha ou lrsducc.no da medicina domestica do Dr. Hcrins,
obra tamliem til s pessoas que se dediram ao esludo da homeoptica, um volu-
me grande, acompanhado do diccionario dos termos de medicina...... IO3OOO
O diccionario dos termos de medicina, cirurgia, anatoma, ele, etc., encardenado. 3Q00
Sem verdadeiros e bem preparados medicamentos nao se pode dar um passo seguro na pralira da
homeopalhia, e o proprietario desle estahclecimenlo se lisongeia de Ic-lo o mais bem monlado possivel e
iiiiigiiem dnvida hoje da crande superioridade dos seus medicamenlos.
Boticas de 21 medicamentos cm glbulos, a 109, 123 e 13OOO rg.
. ,............ 20SO0O
................ '5000
................ 3OJ0
.............'. 603000
Tubos avulius......................... 13000
Frascos de meia 0115a de lindura................... 23OOO
Ka mesma casa lia sempre venda grande numero de tubos de cryslal de diversos lamanhos,
vidros para medicamenlos, e aprompti-se qualquer eucommenda de medirameuloscom toda a brevida-
de e por procos muilo commodos.
Ditas 36 ditos a
Ditas 48 dilos a
Ditas 60 ditos a
Ditas tu ditos a
100$
40S
20.S
Acham-se a' venda os novos bilhetes da
lotera 13 do estado sanitario, cuja roda
devia correr depois do da 6 de Janeiro, as
listas vera pelo vapor nacional de 10 de Ja-
neiro, os premios serao' pagos logo que se
tenhafeito a distribuirlo das listas.
Precisa-se de tim criado para o servico interno
e externo de um collegio em Macelo : a pessoa des-
la profssAo que quizer contratar, dirija-se ra i-
reila n. 61, segundo andar.
O Sr. Augusto Luiz Pereira da Limita, c'.iega-
do lia pouco do Maraohlo. lem urna caria na roa
atraz da matriz da Boa-Visla n. 16.
, Manoel Fernandes de Mello relira-se para
fra da provincia.
Precisa-se de 2 caiieiros para padaria e depo
silo.e que tem fiador a sua conducta : quem se adiar
habilitado, dirija-se ao palco do Tarjo n. 10, que
achara com quem tratar.
Perdeu-se um cavallo quarlo, no dia 13 do
correte, com os signaes seguinles: rodado, clina
aparada, cauda prela e aparada, he bem novo, levou
cangalha e 2ancoretas, c 1 encerado : quem o adiar,
poder restituir no engenho Bello Monte, freguezia
da Escada, ou nesla praca, na ra da Cadeia do Rc-
cife n. .0, que se pagarlo as despezas.
Desencaminhou-se na noile do dia ti, pelas 7
horas, pouco mais ou menos, um neoro, na direc-
rao da ra do Vigaoo a ra do Pilar, em Fra
de Portas, levando 1 chapeo lino da fabrica de Pa-
ris, 2 cobertores dealgodo da Ierra, 1 par de casti-
c,aes de metal amarello, e ous peridicos com licu-
rinos : roga-sc a pessoa a quem esles objeclos forcm
ollereeidos, de os apprehender e leva-Ios i ra do
Vigario 11. 12, quesera bem gratificada.
O holel da Europa da ra da Aurora acaba de
receber um cozinheiru francez muilo hbil, c por
isso acha-se habilitado para servir os seas freguezes,
apromptando bous peliscos a toda hora ; e lambem
recebe qualquer encommenda de pastis e podios,
pelo preco marcado na tabella.
Ko liotcl da Europa lem salas e qnarlos forra-
dos com lindo papel, para aluguel, com comida ou
sem ella.
Teudo chegado um grande sorlimenlo de cha-
feos do Chile, quem pretender, dirija-sc ao hotel
rancisco n. !).
D-se a juros sobre hypotlieca. at 1:0008000;
na ra do Collegio n. 21, segundo andar.
JDIAS.
Os abano assignados, donos da loja de ourives, na
ra do Cabug n. 11, confronte ao paleo da matriz e
ra Nova, fazem publico, que esli recebendo con-
tinuadamente muilo ricas obras de ouro dos melho-
res gustos, tanto para senhoras como para homens e
meninos; os precos continuam nicsmo baratos como
tem sido, e passn-so conlas com responsabilidade,
especificando a qualidade do ouro de 14 on 18 quila-
tes, (cando assim sujeitos os mesmos por qualquer
duvida.Seraphim i& rtnao.
Precisa-se de officies de carapina e pedreiro,
daudo-se bom jornal, e sendo bons lambem se lhes
dar empreiUdas etc. : na obra que se esl fazendo
na ra do Crespo juulo a ponle.
AMA.
Precisa-se de urna ama forra ou captiva, que cn-
gommbem : no] aterro da Boa-Visla o. 48, loja.
Agencia de passaportes.
Tiraro-se passaporles para dentro e fra do impe-
no, ttulos de residencia e fallas corridas, coma
maior brevidade, e pelo preco o mais commodo pos-
sivel : na ra do Rangel n. 8.
Os credores de Jos Manoel de Araujo so
convidados a virem ao escriptono de Guimares &
Alcoforado, para receber oque llics locou em divi-
dendo do liquido producto da sua taberna, lita na
ra do AragSo.
LEITURA REPENTINA.
METHODO CAST1LHO.
A escola se acha transferida para a ra
larga do Rosario n. 48, principia a lecci-
onar no dia 8 dejaneiro. As licoespara
as pessoas oceupadas de dia serao das 7a's
9 da noite.
Precisa-sede urna amaquesaibacozi-
nhar e fazer as compras para urna mili
pequea familia : na ra da Conceicao n.
9 ; pre'ere-se escrava.
Cheauveau, theoriado Cod. pen-.l,
por 12&000, e obras completas de Po-
thiers por 20.S000 rs.: quem quizer com-
prar estas duas obras ou em separado diri-
ja-se a esta typographia que se dir'
quem vende estas obras.
RA NOVA N. 4.
O cautelista Antonio Ferreira de Lima
c Mello faz sciente ao publico, que ven-
deu os bilhetes n. 129 com o premio de
5:000S000 e o numero 1580 com 400$,
divididos em quartos, e logo quesaiaa
lista poderaovir receber a sua importan-
cia.
D. Anna Maria da Conceico, viava de Jos
Alexandrino dos Santos, previne a quem quer que
possa interesar, que nao lera vigor ou validade al-
guma qualquer papel ou documenlo, que devendo
ser assignado por ella, o nao soja a seu rogo por um
de seu* licrdcires legtimos, assignando outro (lestes
como testemonha ; isto para que se nao reproduza o
fado que lia pouco se deu de sercm passados dous
papis sem consentimenlu da auminriante. E para
que nilo possa ser allegada ignorancia se faz o pr-
senle annuncio. Villa do Passo i de Janeiro de 1853.
A roso de minha m.1i, Jos de turros lint.
Como teslemuulia, Joaquim de Souza Silea Cunha.
O >j|icit;idor nos ;imlilru'b drala cidatlo
;ihai\u assunado, conlinua a ciercer as
funrroes des-e carso, para o que pode ser
^^ procurado no escriplorin do Film. Sr. Dr. ^
Joaquim Jus da Fonccra, nmesmocompro- ^^
@inett'-se a olicilar causas do partido an- ,.;-
nual, com todo telo eaclividaile, medanle ^^
4B um pequeuo lionorario, a>sim como as ^^
]2! causas pariiculare* nHo pde pre^o m 3!
^J parles. CamiUoJuguoFer-eiradaSilca.^S
Autonio BgidTo da Silva, lente de geometra
do Ivceu desla ciliado, pretende abrir no dia 1. de
fevereiro, na casa de sua reidencia, na ra Direila
n. 78, um curso de geoinelria para lodo o anuo lec-
tivo : os Mohores eUudanlea que o quizerem fre-
quentar, poilcrilo dirigir-se a mencionada casi, das
7 horas das manhAa alcas 0, e das .'! ale as da
tarde.
Aviso aos Srs. padeiros da lloa-Visla.
Vendem-se ou arrendam-se terrenos na entrada
do becco das Barreiras, locar marcado pela postura
da cmara para se fazer fuios, este lugar prefere so-
por ser mais perlo dos depsitos: os pretendentcs en-
tendam-se com o proprietario dos mesmos,na ra do
Colovello n. 29.
PLBL1\(:\0 DO INSTITUTO HOMLOPA"
THIGO DO BRASIL.
THESOURO IIOMEOPATIIICO
OU
VADE-MECUM DO HOMEO-
PATHA
Mcthodo conciso, claro e seguro de curar homeo-
pathicamei.te todas as molestias que af/ligem a es-
pecie humana, e particularmente aquellas que rei-
nam no Brasil, redigido secundo os melhores Ira-
lados de homeopalhia, lano europeos como ameri-
canos, e segundo a propria experiencia, polo Dr.
Sabino Oleaario I.udceru Pinito. Esta obra he hoje
reconhecida como a melhor de todas que tratam da
applicaeSo homeopatbica no curativo das molestias.
Os curiosos, principalmente, nao podem dar um pas-
so seguro sem possui-la e consulla-la. Os pas de
familias, os senhores de ensenho, sacerdotes, via-
jantes, capitaes de navios, serlauejosetc. etc., devem
te-la a m3o para occorrer promplamenle a qualquer
caso de molestia.
Dous volumes cm arochura por 108000
encadernados 1tO0O
vende-se nicamente em casa do autor, no palacete
da ra de S. Francisco (Mundo Novo) n. 68 A.
O cautelista Salustiano de Aquino
Ferreira avisa aos possuidores do billie-
le inteiro dividido em vigsimos n 5445,
em que sabio o premio de 2:000$, e aos
do bilhete inteiro, divididos cm decimos
n. 2800, da primeira parte da primeira
lotera d'amoreiras e bicho da seda, em
que sabio o premio de l:000,s*, podem vir
receber sem o descont de 8 por cento do
imposto geral: na rita do Trapiche n. 56
segundo andar, logoqtiesabira lista geral.
Precisa-se de tuna ama para com-
prar e cozinhar para urna casa de pouca
lamilla : na travessa ca Concordia, indo
para a cadeia nova, n. 17.
CASA DE COMMISSA'O DE ESCRAVOS.
Na ra Direita sobrado de 5 andares
defronte do becco deS. Pedro'n. 3, rece-
bem-seescravos de ambos os sexos para
se venderem de commissao, nao se levando
poresse tiabalbo maisco que2 por cefato,
e sem se levar cousa alguina de comedo-
rias, ollcrecendo-se para isto toda a segu-
ranza precisa para os ditos escravos.
O padre JoaoJoseda Costa Ribeiro,
substituto das cadeiras de latiiu desta ci-
dade, abre a sua aula particular no dia 1
de fevereiro.
Lava-se e engomma-se :om toda a perfeicao e
aceio: no largo da ribeira de 3. Jos, na loja do so-
brado n. 15.
O Sr. Joao Nepomuceno Ferreira
de Mello, que mora para o Salgadinho,
epeira mandar receber urna encommen-
d
# DENTISTA FRANCEZ.
@ Paulo Gaignous, estabelerido na ra larca &
9 do Itosario n. 36, sesnndoandar, colima den- 9
& tes rom gengivasarlificiaes, e dentadura com-
A) pleta, ou parle della, com a premio do ai. Q
Q Tambem tem para vender agua denlifriccdo i
1} Dr. Pierre, e p para denles. Una larga do
Rosario n. 36sezundo andar. a
g8S* 3@S3l
O Sr. procurador da cmara mu-
nicipal do Limoeiro, baja de mandar pa-
gar a assignatura do Diario de Pernam-
buco, para a mesma cmara, que se
acha em grande atrazo de pagamento.
O Sr. Antonio Ferreira da Costa
Rraga tem urna carta na livraria ns. 6 e 8
da praca da Independencia.
O remedio cunta a hydropLobia,
consrvatelo em Kgredo pola familia do
finado padiv Miguel do Sacramento Lo-
pes Gama, ecom o qual esta tem curado
auin infinito numero de pessoas tiesta
provincia, o que he geralmente sabido,
nao t> pela sita eficacia, (huid pela anli-
guidadedesua aplicacao, contina a ex-
istir na mesma familia, e a ser por esla
aplicado : as pessoas que delle tiverem
precisao dnijam-sc a qualquer das so-
brin&as do dito finado padre Miguel nesta
cidade e no lugar da Capunga, e lora da
cidade no lugar dasCandeasemcasadoan-
nuncianteJoao SergioCezar d'Andrade.
ATTENCAO'.
A taberna nova do barateiro, na povoa-
co de Sanio Amaro de Jaboatao.
acha-se com um completo sorlimenlo de bebidas de
todas as qualidades, cerveja cm meias -arrala* e gar-
rafas, licores fraiiccz.es, vinho tinto e branro, qui'ijos
novos, sanlinlias de Nantcs, manteiga iiiRlcza e fran-
ceza, da melhor que se podo encontrar no mercado,
eh da India c de S. Paulo, dilo pelo, chocolate,
assucar de todas as qualidades, bolacliinlia ingle/a,
dita de aramia, charutos para os amigos do bom cos-
to, das melhore* marcas, S. Flix, Figueiredo Ro-
cha, e oulros muitos que se pedirem, alelria, ma-
carrilo, lalharini para sopa ; pedimos tambem aos
senhores de encenho mais prximos que nos quei-
Mtn honrar nosso novo cslabelerimentu com suas
fieguezias, adiando ludo pelo preco da prac,a e a sa-
isfar.io do comprador.
Precisa-se de urna am? que saiba cozinliar
bem, e de um moleque, negro ou negra para fazer
as compras : na roa do Queimado n. 38.
Sala dedansa.
I.uiz Canlarelli, na ra das Trincheiras n. 19, de-
clara ao respcitavel publico que a sna sala de ensino
se acha aberta todas as segundas, quarlai e sextas,
desde as 7 horas al as 9 da noile : quem do seu ures-
limo se quizer utilisar, dirija-se lupsma casa das 7
a* 9 da manhila, ou Vende-s" una banca de Jacaranda de meia de
sala rom pedia, mu consol lambem de jacarando
rom pedr*, um espelho grande e nina cama franceza
nova : na ra estrella do Resario n. 16, secundo an-
dar.
No sitio confronte a capella dos AfTliclo!
s^ se ilir quem cura morpbea 'crfeitanienle.^W
Hoje lia a milito superior carne de vilella, n
rcouaue dcfronlc do quarlcl que foi de polica n. 13.
O Sr. Joaquim Ferreira que leve loja na pra-
cinha do l.ivramento tem urna carta na livraria ns.
6 e 8 da praca da Independencia.
I.'iride Italiana, revista artstica, (cientfica e
litteraria, debaixo do immedialo patrocinio de S. M.
o Imperador, rediglda em duas linguas pelas inais
conhecidas capacidades do imperio, e dingiJa pelo
professor A. (ialeano-Ravara. Subscrevc-se cm l'er-
nambuco, na livraria n. 6 e 8 da praca da Indepen-
dencia.
Novos livros de homeopalhia ruefrancez, obras
todas de summa importancia :
Hahiicniann, tratado d is molestias chronicas, i vo-
lumes. .......... 20S000
Teste, rrolestias dos meninos..... fiJOOO
Ilerins. homeopalhia domestica..... 73tKNI
Jahr, pharmacopahnmeopalhica. 69000
Jahr, novo manual, 4 volumes .... 16S00G
Jahr, molestias nervosas....... i -ii
GHAUOPE&
DO
BOSQUE
Vende-se urna bonita escrava que sabeencom-
iiiir, cozinhar e lavar, ludo muilo bem : na ra do
Cre]...... 10, prinieiro andar.
Vende-se urna fabrica de rliarnlos sila na ra
das Aguas Verdea: quem a pretender, dirijis a
ra do Oiu'iinado n. 28,
Vende-so n* relinarno d.i ra da Concordia n.
k. superior carvao animal por menos que cm oulra
qualquer parte.
Vende-se a dinheiro ou a pra/u um terreno
com 113 palmos de Frente, com aliceres ou parte del*
I, na Iravsaaa da ra da Concordia, serve para sdi-
Gcar 6 morada* do casas, tciulo o dito terreno lio
palmos de fundo : a tratar com llarlholorneu Fran-
cisco de Souza, roa larga do Rosario n. ;16.
Vende-se nina prela de bonita figura, coznha,
cngumrna, he ci nula, e propria para o Rio por que-
rer para l ir : na rua da Cadeia do Recite n. Vi.
loja.
NOVOS PADRO'ES DE CHITAS BARA-
TAS, LOJA DA RUA DO CRESPO
N. 14 DE DAS & LEOS.
Chitas garagocaas caboclas, muilo
bonita 180 rs. o covado, ditas silveiras,
miudinhas padroes milito bonitos pa-
droes e lixes a 200 rs, o covado, ditas
de ramagens tambem fixas a 200 rs. o
covado, cobertores grandes a 640, ditos
pequeos a 5<>0, algodao mesclado, pan-
no couro a I su : e outrat umitas fazendas
baratas, e tudo se da' amostras com pi-
nhor.
I DE 2,000 KEISA'200,000. %
& Superiores c rinissimos chapeos do Chile ',:',
S parahoineinesenliuras.aiuaissupeiior fazenda (ja>
$ que lem viudo ao mercado, chegados reten- ;-:;
S lemcnle : na loja e fabrica de chapeos de
i:; Joaquim de liveira Maia. na praca da Inde- @
J pendencia ns. 24, 26, 28 e 30.
Vende-se um casal de escravos erun urna cria
de 8 mezes de idide : na rua do l.ivramenlo n. 18.
Vendeni se 6 cadeiras de pao d'vlco com meio
uso, muito em conta : na ruada Cadeia de Santo
Antonio o. "JO.
l'umo em lolha.
No armazem de Manoel dos Santos Piulo, na rua
inorim n. :l!>. ha muiiobom fumo em folln pa-
vj ra charutos.
Na rua du Vig ario n. 19 primeiro andar, lem a
venda a saperlor OaoelU para forro de sellios chc-
gada rerenleinenlc da America.
CEMENTO UOMaNORIUMO.
v endo-sc cemento romano bramo, cliegado acora.
de soperior qualidade, muilo superior ao do consu-
mo, cm barricas ns linas : atraz do lliealro, arma-
zcni de (..boas de pinito.
Vende-se um rabriolet com robera e os com-
petentes arr. ios para um cavallo, ludo quasi novo :
pare ver, no aterro da Uoa-Viala, arma/ein do Sr.
Miguel Seueiro, e para Halar noRecife rua do Trapi-
che n. 1i, primeiro andar
l(r>000
89000
78000
toooo
4{O00
105000
30?000
a na livraria n. 6 e 8 da praca da Inde-
pendencia.
FABRICA DE SABA'O.
Continua no seu traballio e acha-se
abertoum deposito na rua da Senzala ve-
Iha n. 140, aonde acbarSo sempre do
muito acreditado sabao amarello, cinzen-
to e preto, ospreeo serao sempre o mais
commodo possivel : trala-se com Dellino
Goncalves Pereira Lima no mesmo de-
posito.
OSr. Cassiano Alberto Cimenta de Souza Pe-
res tenha a hondade de apparecer na rua do Quei-
mado, loja n. 17. amule se llie deseja fallar.
Antonio da Ponte, subdito portuguez, retira-
se para Portugal a tratar de sua saude.
Dao-se 5009000 a juros sobre hypotlieca de urna
casa : na ruada Assumpcao n. 18. *
Oescripturario da companhia de
Bcberibe encarrega-se de comprar e ven-
der acedes da mesma companhia : na rua
Nova n. 7 primeiro andar.
I.. Delooche faz saber an respcitavel publico,
principalmente aos seus Irc uezes, qoe acaba lie
comprar a relojoariade Mr. Lacaze, na rua Nova n.
22, pira onde j transferio o seu eatabelecimenlo,
convidando-! a que ahi o procurcm, na certeza de
terem-no sempre promplo a desempenbar o seu tra-
balho de maneira a satisfazer a confaura nelle de
posilada.
O Dr. Caniliuo Francisco de Lima Sanios mo-
ra na rua das Cruzes n. 18, primeiro andar, onde,
no exercicio de sua profissao de medico, da consultas
aos pobres das 7 as 9 horas da mauliaa.
@
@

A viuva de Fortunato Correa de Menezes ro.i
a todos os seus devedores ten am a ntrndade do. vi-
rem salisfazer seus dbitos na prar;a da Independen-
cia n. 17. A mesma declara qoe a nica pessoa en-
carrecada do dito recebimento he. seu mano 1 liomaz
Jos Marioho.
Paulo Gaignoux, dentista, ja voltou do mallo,
onde passou a festa, e pode ser procurado na sua ca-
sa, rua larga do Rosario n. 16, segundo andar.
O professor publico de lalim da freguezia de
S. Jos do Recifc, abaixo assignado, declara que
acha-se aberta a matricula de sua aul- do dia 15 do
curenle em liante, e que no dia .1 dovindouro moz
de fevereiro principiaran os trabalhos ; no largo do
Terco, casa n. 33. Manoel Francisco Coelho.
Oflerece-se um rapaz purlusuez para caixeiro
de taberna ou outro qualquer cslaheUciinento, para
tomar conta por balando ou sem elle, para o que
lem bastante pralica : quem du seu preslimn se qui-
zer ulilisar, dirija-se praca da Independencia n.
10, das 10 as U da larde.
INSTRCCCAO'.
.lose Bsrnardinode Souza Peixe, professor parti-
cular ile francei e lingua nacional, resiliente na rua
Direila n. 36, participa aos pais de seus alumnos e
aquellas pessoas a quem irileressar poeta, que no dia
'21 do crrenle principiara os trabalhos da sua aula
O abaixo assignado, discpulo que foi do fina-
do Exequiel, uffcreea seu prcslimo para dar lices
ile danta, tanto antigs figuradas como modernas,
quadrilhas, potk, chotliet, inaslnilkas, duelos, etc.
etc. : quem o quizer honrar com a sua protecrAo,
tanto cm sua rasa romo n.csnio as casas dos pre-
tenderes, o podsrSo procurar na rua dos Copiares
n. 19, de meio da al:'. horas da larde,
Manoel t'ran.isen de Sonsa Magalhacs.
AULA DE LATIH.
O padre Vicente Ferrcr de Albuctuer-
(|tiemudou a sua aula para a rua do Hau-
gel n. 11, onde continua a receber alum-
nos intei nos eexternos desde ja' por m-
dico preco como he publico: quem se
quizer utilisar deseupequeo prestimo o,
pode procurar no segundo andat da refe-
rida casa a' qualquer hora dos das uteis.
Alugam-se o lerceiro e quarlo andares da rua
da Cadeia do Rccife n. : a tratar uo armuzeui dos
mesmos.
Jahr, molestias da pelle.
ltapou, historia da homeopalhia, 2 volumes I69UOO
Harlhiiianii. tratado completo das molestias
dos meninos..........
A Teste, materia medica homeopalhica. .
De Fayolle, doulrina medica linmeopaliica
Clnica de Slaoneli........
Casting, verdade da homeopalliia. .
Diccionario de Nysten.......
Alllas completo de anatoma com bellas es-
tampas coloridas, conteudo a descripean
de todas as parles do cor|o human .
vedem-ee todos estes livros no consultorio homeopa-
thico do Dr. I.obo SIoscoso, rua do Collegio 11. 25,
primeiro audar.
: :- -c ^atUIWIMIMI
i J. jaw, DE.msr.4, l
'/.',- continua a residir na rua Nova n. 19, primei-
* ; ro andar. ^
iit m ss@
lima pessoa habilitada a' ensinar
primeiras lettras se oll'erece a dar licoes
em casas particulares: quem quizer uti-
lisar-se do seu prestimo pode dirigir-se
a esta Typographia que se dir' quem he.
O padre Joo Capislrano de Mendonca, pro-
fessor de geograpbia, rtironologia e historia no lycru
desta cidade, pretende abrir 110 1. de fevereiro um
curso particular de rethorira, e outro de geograpbia
para lodo o anno lectivo: os senhores c que os quizerem frequemar, poderao dirigir-se rasa
n. 51 da rua Nova, a qualquer hora, aliin de darcm
seus oomes matricula.
Offerece-sc um rapaz hrasileiro para caixeiro
de qualquer estahelecimenlo, exrepto taberna 011 pa-
daria, o qual da fiador de sua conducta : quem o
pretender, annuncie por este jornal.
Vende-se cal v irgeni de Lisboa, a mais nova e
melhor que lia no mercado, a 48000 a barrica : na
rua do Collegio o. 21.
O BRASIL MARTIMO.
Al o dia 15deste inez acha-se aberta nesta typo-
graphia a renovacao de assignatura do segundo anuo
desle inlercssante peridico, dedicado nicamente
propagarlo dos coiibecimenlos martimos, organisa-
co e administraran etc. da marinba de guerra c
mercante nacional, sendo redigido pelo Sr. lenle
da armada Euzcbio Jos Antones, auxiliado pela
collaImracao dealgumas pessoas Ilustradas da mes-
ma corporacao. Publica-se duas vezes por mez cm
das indeterminados, conteudo 12 paginas em quar-
lo, sendo 8 destinadas s materias do programma, e
4 exclusivamente publicac,o das regras interna-
cionaes e diplomacia do mar de Urlolan, obra esla
asss importante e necessaria lodos que sulcam es
Ocanos. O costo da assignatura lie de 39000 an-
uuaes pagos adianlado, e de 88000 para os senhores
subscriptores que quizerem po-suir quasi lodo o pri-
meiro volunte da obra referida, j anucia ao primei-
ro auno do peridico.
LOTEBIA DE N. S. DA SAUDE.
Aos 5:000s000, 2:000g000, 1:000^000.
' O cautelista Antonio Jos Rodrigues de Souza J-
nior avisa ao respeitavel publico, que os seus bilhe-
tes c cautelas nao soff'em o descont de oilo por cen-
to nos tres premios grandes, os quaes se acbam ;i
venda lias seguinles lojas : praca da Independencia
n. 4, do Sr. Fortnalo, 13 e l do Sr. Arantes, e40
do Sr. l'aria Machado : rua do Queimado 11. 37 A,
do Sr. Freir ; rua da Praia, loja de fazondas do Sr.
Santos; rua larga do Rosario 11. 40, do Sr. Manoel
Jos" Lopes : c praca da Boa-Visla, loja de cera do
Sr. Pedro Ignacio Raplisla, cuja lotera lem o seu
infallivel andamento em I dejaneiro currante.
O nico deposilojronlina a ser na botica ie Bar-
Iholomeu Francisco de Souza, na rua larga do Rosa-
rio n. 36 ; garrafas grandes .ijiOO c pequeas39000.
IMPORTANTE PARA 0 PIRLICO.
Para cura de phlisica em todos os seus diflerentes
eraos, quer motivada por conslipacOes, losse, asth-
ma, ple.uriz. esrarros de sangue, rldr de costados e
pcilo, palptarao no rorac/ui, coqueluche, bmnchite,
dr nargarganta, e todas as molestias dos orgos pul-
monares.
^3Sa3sffiJva8K:2S^2:!2S^^2^SJv^
I NO C0NULT0RI0
% DODR. CASA.ROVA,
^ RIA DAS CRUZES N. 28,
> vendem-se carleiras de hnnieopathia de lo-
@ dos os tamaitos, por preces muito era conta.
f5 Elementos de homeopalhia. 4 vola. &80QO
>& Tinturas a escolber, rada vidro. 1>O00 -.
Tubos a\ ulsos a escollier a 500 c :100 ^
Consullas gratis para os pobres.
nihhi 1 %m&wmim % v-xxxxsks^k
Antonio Jos Uilaucourt prolcsti contra oqu.i
se ditae a seu respeilo em um aviso publicado no
Echo Pernamliucano n. 3. por qusnlo he falso qoe
sua mulher se acbc cm perigo do vida, e que livesse
passado por torturas; sendo que elle invoca o res-
pcitavel teslemiinlio dos Illmu. Srs. Drs. Joao Fer-
reira d SHva, Ignacio Firmo Xavier. Manoel Uar-
le de Faria e Francisco Jo Cyrilo Leal, que a lem
rielo: \ perseguicao que es-a enhora ou alguem
por ella Ihe lem feilo, proceden de nao ler elle que-
rido as-enlir em una proposla sobre divisan debens,
o qoe Ibeerasummamente prejudicial da maneira
por que se quera. Foi depois disto, oslando o res-
pndeme no gozo do sua pica librrdade, pois que
perrorria livrenieute as mas desta cidade. que se
procurou prende-lo de novo, ajim de que ficasse im-
pnssibililado de reqnerer .1 entrega dos bens, escra-
vos e os ttulos tiestos, lettras, olirigaces, hypotheras
e dinheiro cm nioe la. que ella levo* eomsieo quan-
do retirou-se de sua casa r>ara a errl que se acha. O
respondenle confia nos tribnuaes ilotpaiz, quo se nflo
deixaro levar por consideraeao algnma que nflo so-
ja smenle a da jostica.
Furtaram no dia 13 do cerrenle, da ribeira da
Boa Aisla, ao meio dia. um cavallo ruco pedrez,
com os signaes seguinles : nafego de um quarto,
urna barroca no coxSo ao pe da anca, com o ferra de
meia la ; eslava amarrado em urna argola : quem
A ri.sOO c 4$000 o par. quatndeixara'
de comprar.
SapatOes de lustre fraucezes para homem, assim
como um completo sorlimenlo de calcados de todas
as qu didades, tanto para liomem como para senbo-
ra, meninos c meninas, ludo por preco muilo com-
modo,-a troco de sedulas vellias : 110 aterro da Boa-
Visla, delronte da boneca n. 14.
METAL AMARELLO
para forro de navio : vemie-w por prcc.0 commodo,
cm ras de Isaac Curio & Companhia, rua da Cruz
n. 40.
Vende-se a taberna 11. 2 da praia doCaldeirei-
ro, muito bem afreguezada para a Ierra: a tratar
na mesma.
Vendem-se barricas com farello, chegadas no
ultimo navio de Lisboa : na rua da Cadeia do Reci-
te n. 14.
Para luto.
Cassqs pretas finas com flores brancas a 480 a va-
ra : ua rua do Queimado, luja de 4 portas 11. 10.
Cortes de vestido a 2 Vendem-se cortes de vestido de rucado francez,
cores pisa, a 28'KK) cada corle : na loja de 4 portas,
ua rua do Queimado 11. 10.
Vendem-se couros de lustre novos
de marca grande, cemento amarello cm
barrisde 10 e 12 arrobas, eas tinas, all.s
a barrica : no armazem deC-J- Astlev
& Companhia, rua do Trapichen, 5.
Vende-se o curso theoriro e pratico de partos,
por J. r.apui un. nova edic.lo enriquecida com 13 es-
tampas, c augmentado com notas tiradas dotratado
da arle dos partospor Alf. Velpeau, e oulras obras
modernas, e seguido de um quadm analtico da arle
dos partos, pelo Dr. J. R. Mariuus : na rua larga
do Rosario u. 18, loja. ,
Vende-se urna relorla de vidro para 3 cana-
das : na rua larga do Rosario n. 38, loja.
M
W Deposito de vinho de cham-
$$ pague Cbateau-A\, primeiraqua- tfif
(g) lidade, de propriedade do conde fcj)
(\ de Maicuil, ruada Cruz, do lie- rt|
m, cil'e n. 20: este vinho, o melhor
S. le toda a Champagne, vende-se -
X a G.SOO0 rs. cada caixa, acha-se
w nicamente em casa de L. Le-
w comte Feron & Companhia. N. w
M B.As caixas sao marcadas a fo- (gj)
0 TConde de Marcuile os ro- t
S lulos das garrafas sao azues. iQ
Vendem-se ricos e modernos pianos, recenle-
menle chegados, de excellenles vozes, e presos rom-
modos: em rasa de K. Bichero Companhia, rua
da Cruz n. 4.
FARINHA DE MANDIOCA.
Vende-se a bordo do brigae Concerni, entrado
de Santa Calhariiia, e Tundeado na volla do Forte do
Mallos, a mais nova farinlta que existe boje 110 mer-
cado, e para porc/See a tratar no esrriplorio de Ma-
noel Altes Guerra Jnior, na rua do Trapiche
11. 14.
Lonas da Russia, de boa qualidade, e por pre-
co commodo ; vendem Novaes 0\ Companhia em seu
1 scriptorio, rm do Trapiche n. 34, primeiro andar.
AGENCIA
Da Fundicao' Low-Moor. Rua da
Senzala nova n. 42.
Neste estabelecimento continua a ha-
ver um completo sortimento de moen-
das e metas moendas para engenho, ma-
chinas de vapor, e tai.vas de Ierro batido
e coado, de todos os tamauhos, para
dito.
Vende-se excellenle laboado de pinho, recn-
tenteme chegado da America : na rui de Apollo
trapiche do Ferreira. a entender se com o a Imnii-
r ador do mesmo.
\endc-se um excellenle sitio muito perlo da
iraca, com casa de vivenda soffrivel, murado em lo-
da a frente, com alicerces para urna casa de 40 pal-
mos de frenlo e 110 de fundo, com cacimba de agua
de beber, assim romo um poco rom agua igual a do
Capiharibe, diucrenles fructeirasde boas qualidades,
muito boa baixa para capim com cambo* no fundo,
que pode-se bem fazer 2 ptimos viveiros etc.: a
fallar rom M. Can.eiro, ou na entrada da eslraJa
dos Alllicios, primeiro silio a direita.
Veude-se urna escrava de naci, engommadei-
ra e cozinheira, e lava de sabao ; um pardo de pti-
ma lignra, sapaleiro, e um esrravo da Costa, ptimo
ESObador de rua : na rua das Cruzes n. 2, se dir
quem vende.
Negocia-se tima casa nova e moder-
na na estrada da Ponle d'L'choa, com seis
salas, oito quartos ealcovas, cosinha, des-
pensa, com um ptimo sitio com toda a
qualidade de Iruteiras, grande jardim
murado com multas flores, cocheia, es-
tribaria, quartopara feitor, cacimba com
bomba, etc., etc.: vende-se debaixo de
COndicdes mui l'avoravcis para o compra-
dor : a tratar na rua da Cruza. 10.
que
Aurora, a fallar com Joao domes de Amorim,
gratificara generosamente.
Na eocheira da rua da Roda n. 54, alogoo-se
um cavallo no dia 13 de Janeiro do Torrente amj, a
11 m homem branco, estatura regalar, pouca barba,
isnora-se o nome e a morada, o cavallo tem os sig-
naes seguinles : rodado pedrez de meio, a mito di-
reila grossa do lado de fra com duas queimaduras e
urna bexiga no espinhaco, e como se alzaos* para
ser entregue no mesmo dia e al esla dala nSo le-
nba apparecido, assim roga-se as autoridades o a
qualquer pessoa que o encontrar, fazer o favor de
iiianda-ln entregar na dita eocheira, que se pagar
as c'espezas
CAL VIRGEN.
a mais nova que ha no increado, a preco commodo;
na rua do trapiche n. 13, rmazem de Bastos Ir-
indos.
Vende-se a rasa que foi incendiada no dia 2 do
corrente, com a frente para o no, conteudo varias
casas, e juntamente o terreno com varios ps de
fruncirs, o terreno tem 1,300 palmos de comprido
e 160 de largo ; vende-se junio 011 em separado, li-
vre e desembarazado : para tratar, na rua da Sen-
zala Velll.l 11. 110.
o pegar, leve-o casi do Dr. Clemenlino, na roa da Vende-se um carro americano, novo, de 4 ro-
COMPRAS.
Compra-sc praia brasileiraouhespanhola: na
rua da Cadeia do Becife n*. 51.
Compra-sc un.a morada de caa terrea em
quaesquer ilos bairrns dcsla cidade: quem a liver,
dirija-tea laherna do pateo do Carmo, quina que
volla para a camboa do mesmo, que se llie dir
quem compra.
NA FABRICA D'OLEO. RUA DOS
GUARA RAPES,
compram-se c alugam-M cscravo ; nao precisa que
tcoham habilidades, basta que sejam robustos.
Compra-se urna casa terrea rom quintal e ca-
cimba, ein qualquer rua desta cidade, ou mesmo na
Soledade, ras novas no mesmo lugar Capunga,
Manguinlin, no cxredendo de W'Rli) : quem pre-
tender vender, procure na rua do Cabug, loja de
iiiiudezas n. 9.
Bilhetes 3;300 recebe 3:0003000
Meios 23800 2:5003000
Quartos 18.300 1:2308000
1 lilao. 8800 9 ,62|000
Decimos 9700 5008000
Vigsimos 400 2503000
VENDAS
Quem precisar de um cozinheiro
brasileo adoptivo para qualquer casa
particular ou para embarcar dirija-se a
rua dos Pires n. 28, ouat'nuncie sua mo-
rada para ser procurado.
Manoel Elias de Moura avisa ao res-
peitavdl publico, pie desla data em di-
ante deixa de aviar receitas e preparar
medicamentos cm sua botica, na praca
da Boa Vistan. 24, a (nal bagsa a ser casa
re drogas, para o queja' fez ao conselho
de higyene a competente participac3o.
Os Sis. boticarios quequizerem dirigir-se
a' sua casa para ahi a/.ercm os Seus supri-
mentos, serao peifeitamente servidos, e
encontrarSo drogas da melhor qualidade
que ha 110 mercado.
LOTERAS \ PRO YWCIA.
O thesoiirero das loteras avisa que se
acbam a venda os bilhetes da segunda parte
da primeira lotera a beneficio da Matriz
do Poco da Panfila, que corre impreteri-
velmente no dia 27 do corrente me/, de
Janeiro, e os poneos bilhetes que esto por
vender acham-se na loja da praca da In-
dependencia n. \, e 110 aterro da Boa
Vista n. .8. Preco 5J000 rs.
Quem precisar de urna ama escrava, que sabe
cozinhar o diario de urna casa e
\ mesma. a qual lem muilo boa cond
rua do Queimado n. 11, loja.
Traspassa-sc a chave e armaeflo de urna casa,
propria para fazendas, miudezas ou outro qualquer
negocio ; trata-se na rua da Cadeia do Kecife u. 30.
ALMAiK PARA !SS,
Salina 111 a' luz as folhinhas de algibei-
ra com o almanak administrativo, mer-
cantil, agrcola e industrial desta provin-
cia, corrigido e accrescentado, contendo
()0 paginas: vende-se a 500 rs., na li-
vraria n. t e 8 da praca da Indepen-
dencia.
FOLHINHAS PIRA 1855.
Acham-se a* venda as bem condecidas
folhinhas impressas nesla 1\ pograpltia,
de algibeira a 520, de porta a 100. eec-
clesiasticas aV80rs., vendem-se nica-
mente na livraria n. t e 8 da praca da
Independencia.
A bordo do biale Castro lem para vender-se
muitosuperor sal do Asan' : para iralar, no esrrip-
lorio de Domingos Alvcs Malheus, na rua da Cruz
n. 54.
Vcndem-sc 2 vaoras paridas de muito prximo
lempo, e por commodo prero : no sitio da 'torre em
Helcm. No mesmo litio appareceo una vacca sem
cria ; quem frseu dono pode all procura la.
Vende-se em casa de !"o\ Brothers, linlia de
novel lo tta mais superior qualidade que vein ao mer-
cado, de todos os -ornientc.s. leudo os maros um
peso muilo superior aoe que eralmenle sao Impur-
lados; lambem continuao a \. n.ler linlia de can 1-
tel de 200 jardas de n. 10 a 130, c litas de lila de 20
jardas cada peca.
Vendem-se no potro do Carino, quina da rua
de Moras 11. 2, raixocs rom 2 '. libras de doce de
Koiaba a 400 rs., c estampas para bentinhos de N.
S. do Carino viudos de Lisboa.
das, chegado ltimamente d America : os preten-
deoles dirijam-se :t rua deS. Fraucisco, eocheira do
Sr. Ka}mundo.
Vendem-se eicellenles cavallinhas de Lisboa,
em barris de 175 cada um, a 53OOO o cento na rua
iia Praia 11. 4.
Vende-se superior vinho moscatel de Setubal,
em ancore las de 2 \ caadas e 5 cada urna ; ua rua
do Vigario n. 1'J, primeiro andar.
Vende-se urna prela de nacao, de meia idade,
\ pelo prero de 3508000 ; o motivo he por querer
vender na rua, e nao o querer servir em casa : a Ira-
lar na rua eslreita do Rosario n. 11.
NA RUA DO APOLLO N. 19,
vendem-se saccas com familia de mandio-
ca, superior qualidade por preco nunca
visto ; sendo porefm se todo o negocio.
PANORAMAS PARAJARDIM.
Brunn Praeger & C. na rua da Cruz
n. 10, receberam e vendem um sortimen-
to de globos de espelho de diversos tama-
uhos e cores, que formam o mais lindo
panorama, postos em urna columna no
meio do jardim, como se usa boje na Eu-
ropa, nos jardins de bom gosto.
Brunn Praeger & C, na sua- casa rua da
Cruz n. lO, teem a venda.
Pianos tanto horizontas como verticaes,
dos melhores autores-
Obras de ouro de 18 quil. do mais apu-
rado gosto.
Pinturas em oleo, paisagens ecom moldu-
ra 11' 1111 ai la
Vistas de Pernambuco, geracs e espe-
ciaes.
Cadeiras e sof's para terracos e jardins.
Oleados de ricas pinturas para mesas.
Vinho de Champagne.
Licores .de dille-rentes qualidades.
Presuntos.
(lenebra em frasqueiras.
Instrumentos para msica.
Vendem-se em casa de S. P. Johns-
ton & C, na rua de Senzala Nova n. 42.
Sellins inglezes.
Relogios de ouro, patente inglez.
Chicotes decano e de montara.
Candieirose casticaes bronzeados.
Cobre de forro.
Chumbo em lencol, barra c municao.
Farello de Lisboa.
Lonas inglezas.
F0 de sapaleiro.
Vende-se papel pintado, enverni-
sado, coma particularidade de se poder
lavar, esempre esta' novo, deeoracoes mui
lindas e modernas, e preco razoavelquan-
to a qualidade : veiHe-sc na rua da Cruz
do Recile 11. 27, armazem de Vctor
Lasne.
SAL DO ASSL"
vende-se abordo do biate (Adelayde
limdeado delronte do Trapiche do algo-
dao : a tratar com J. R. da Fonseca Jni-
or na rua do Vigario 11. 4.
PALHA DE CARNAUBA
vende-se a bordo do ltate Adelaide :
tratar com Jos Baptista da Fonseca
Jnior na rua do Vigario n. 4.
FAKINHA DE MANDIOCA
nos armazens de Paula Lopes, Annes
e Cazuza no caes da Alfandega a' preco
commodo : trata-se com Jos Baptista da
Fonseca Jnior, rua do Vigarion. 4.
Potassa.
?"'o anliRO deposito da roa da Cadeia Velha, es-
rriplorio 11. 12, vende-se muilo superior polassa da
Ito-sia. americana c do Hio de Janeiro, a precos ba-
tatos que he/para fechar conlas.
t Devoto Cliristao.
Sabio l.< a 2." edicto do livrinho denominado
Berfo Chrislilo.mais correcto e acresrentado: vnde-
se anicamente na livraria n. 6 e 8 da praca da In-
dependencia a 640 rs. cada etemplar.
PUBLICAQAO' RELIGIOSA.
Sahio luz o novo Mez de Maria, adoptado pelos
reverendissimos padres capuebinhos de N. S. da l'e-
nha dcsla cidade, augmentado com a novena da Se-
nhor da Conccirilo, e da utira histrica da mc-
dalhi milagrosa, cdeN. S. do Bom Conselho : ven-
de-su nicamente na livraria n. 6 e 8 da praca da
i in le icndencia. a 18000.
Moinhos de vento
romhombasderepuio para regar horlas e baia,
decapan, na fundicao de D. YV. Bownian : na rua
doBiumns.6,8elO.
Na rua do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas mu-
sicas para piano, violao e flauta, como
tejatn, quadrilhas, valsas, redowas, scho-
tickes, modinhas tudo modernissimo ,
chegado do Rio de Jpieiro.
AOS SENHORES DE ENGENHO.
Reduzido de 640 para 500 ra. a libra
Do arcano da invencao' do Dr. Eduar-
do Stolle em Berlin, empregado as co-
lonias inglezas e hollandezas, com gran-
de vantagem para o melhoramento do
assucar, acha-se a venda, em latas de 10
libras, junto com o methodo de empre-
ga-lo no idioma portuguez, em casa de
N. O. Bieber & Companhia, na rua da
Citi'.. n. 4.
Vende-se urna rica mobilia de jaca
randa', com consolos e mesa de tampo de
marmore branco, a dinheiro ou a prazo,
confrmese ajustar : a tratar na rua do
Collegio n. 25, taberna.
DEPOSITO DE CAL DE LISBOA.
Ni rua da Cadeia do Recife 11. 50 ha para vender
barris com cal de Lisboa, rcceolemenlu ehegada.
Vende-se urna balanca romana com todos os
mu, pertences, cm bom uso e de 2.000 libras : quem
a pretender, dirija-se rua da Cruz, arnuzem 11.4.
FARINHA DE MANDIOCA.
Vende-se superior familia de mandio-
ca, em saccas pie tem um alqueire, me-
dida velha, por preco commodo: nos
armazens 11. 3, 5 e 7 defronte da escadi-
nha, e no armazem delronte da porta da
allandtga, ou a tratar no escriptorio de
Novaes & C, na rua do Trapiche n. 34,
primeiro andar.
Na rua do Vinario n. 19, primeiro andar, ven-
de-se farclo novo, chegado de Lisboa pela barca Gra-
tic.'ao.
POTASSA BRASILERA. $
AOS NEGOCIANTES.
Vende-sc na villa de Mamancuapc a melhor casa
que all existe, tanto pela nulo d'obra e tamanbo. co-
mo pela postran para rommcrcio, leudo sido feila
para esle lim. o por mdico prero : quem a preten-
der, dirjase ao sen proprietario, na capital desla
provincia, o thesoureiro da alfandeca J0A0 Carlos d
Almeida c Albuquerque, e nesla villa ao Dr. Anto-
nio Carlos de Almeida e Albuquerqoe.
FARINHA DE MANDIOCA.
Na loja n. 26 da rua da Cadeia do Re-
cife, esquina do becoLargo, vendem-se
saccas com superior faiinha da trra por
menos preco do que em outra qualquer
paite.
@3333as@;a*1g:30g@@3
Ida do cresto n. 12. fi
S ^e"'le-M nesla loja superior damasco de 0
5 a de co,es, sendo branco, encarnado, roio, tt
9 Por Pfero razoavel. *
><<<>>, MMUIII
Vendem-se lonas da Russia por prego
commodo, e de superior qualidade: no
armazem de N. O. Bieber & C,, rua da
Cruzn. 4.
Ajnela e Edwla Maw.
Na rua de Apollo n. 6, armazem de Me. Calmon-
d Companhia, acha-se conslantemente bons surti-
menlos de laixas de ferro coado e balido, tanto ra-
sa como fundas, moeudas inelras todas de ferro pa-
ra animaes, aooa, etc., ditas para armar em madei-
ra de lodosos lamanhos e modelnsosmais moder-
nos, machina horisonlal para vapor com forra de
4 cavallos, cocos, passndeiras de ferro eslaiibado
para casa de pursar, por menos preco que os de
cobre, esco-vens para navios, ferro da Suecia, fo-
Ihas de (landres ; tudo por barato preco.
Saccas de farinha,
Vendem-se saccas com farinha da Ierra, nova o
bem. torrada; vendem-se tambem saccas com arroz
na rua da Cadeia do Recife n. 18 c 23.
Vende-se um carro novo inglez de
4 rodas, recentemente chegado, para
um ou dous cavallos, feito em Londres:
para ver na eocheira do Sr. poirier no
aterro da Boa-Vista n. 55 ; epata tratar
na rua da Cruz n. 42 no escriptorio de
Crabtree &C.
Vende-se sola muilo boa, pellcs de cabra, e
Gomma muito boa cm saceos : na roa da Cadeia do
Recife n. 49, primeiro andar.
Vendem-se no armazem n. 60, da rua da Ca-
deia do Recife, de Henry (iibson, os mais superio-
res relogios fabricados em Inglaterra, por precos
mdicos. '
Na livraria da rua do Coilegio n. 8,
vende-se urna escolhida colleccaodas mais
brilhantes pegas de msica para piano,
as quaes sao as melhores que se podem a-
cbar para fazer um rico presente.
CEMENTO ROMANO.
Vende-se superrr cemento em barricas grandes ;
assim como lambem vendem-se as linas : atraz do
lliealro. armazem de Joaquim Lopes de Almeida.
FARINHA DE MANDIOCA.
Saccas rom superior farinlta de mandioca : no
armazem de Tasso Irmaos.
Champagne da snperior marca Cmela: no arma-
zem de Tasso Irmaos.
OLEO DE LINHACA
em barril e hojoes : no armazem de Tasso Irmaos.
GARRAFAS VASIAS
cm ri?os de groza e de 110 garrafas : no armazem
de Tasso Irmilos.
Em casa deTimm Monsen & Vinassa, na
praca do Corpo Santn. 13, ha para
vender
um sorlimenlo completo de livros cm branco, de su-
perior qualidade.
VIMIO DO PORTO, SUPERIOR FEITORIA,
em caixas de urna oo duas duzias de garrafas : ven-
de-se nicamente na rua da Cadeia do Recife n. 4,.
RELOGIOS DE OURO INCLEZES DE PA-
TENTE.
Vendem-se por preco muilo commodo: na rua
da Cadeia do Recife n. 4, armazem de Barroca &
Castro.
Vende-so um curso de geomelria por Lacroit,
a saber ; arilhmeiira, t-eomelria, algebra e Irigno-
nielria : no aterro da II.>a-Visla n. 68.

Vende-e unta propriedade na Passagem
da Magdalena, porque o proprietario muito
deseja rumpnr deveres ponderosos ; quem
pretender compra-la fri o especial favor
diriair-se rua estreita do Rosario n. 30,
cundo andar.
i
:
iS Vende-se superior potassa, la- t.
IRAS. (g bricada no lo de Janeiro, che- t
(A gada recentemente, recommen- a
S da-se aos senhores de engenbos os )5
' seus bons elfeitos ja'
e\|ieiunen-
Vende-se urna escrava moca, i]^ bonita lisura,
e com alcumas habilidades : na piara da Boa-Visla,
laherna n. 15.
>o aierro da Boa-Visla n. 80, vende-n gomma
deengommar a SO rs. a libra, hlalas a 10rs., Hgot a
200 rs.. uo7.es a lio, passasa 30, peras a :I20, iimii-
leiga ingina a so;i ts.. dita franceza a 56*0, cha hys-
son a 2Vitl0, dilo brasileiro a l-oOO. amendoas al
:!20, chouricas superiores a Si) a libra.
ATTENCAO".
Vende-se sacras rom feijAo mulalinho, chesadu do
Aracalj : na laherna da rua da lioda n. 25.
N.i uta da .Cadeia do Recife n. 48, prime
dar, Mkcriplorio de Auauslo C. de Abren, ronli-
nitain-se a vender a 8}000 o par (preco li\o) as ja
bem condecidas e afamadas navalha de barbo, feils
pelo hbil fabricante qne foi premiado na eiposijao {>>. '' ","' ," J" r~an .
de Londres, as quaes alen, uo,Pilaren, cvtraurdina- *' tadO: lia fila da Cl 11/. II. 20, ar-
i iameutOi nao se wnlem no rusto na irr.'tu de g vendem-se com ;> rondi^So de, nao aaradiudo, po-
.Jerein os roir.pradores devolve-las al 1"> diasdepois
pa compra reotilulndo-fe o importe. Na mesma ca-
si ha ricas lesourinhas [iara unlian, fe i tas pelo mes--
ino fak ncaole.
Na rua de Apello n. 19, vende-se polassa mui-
lo nova, ehegada ltimamente do Rio de Janeiro,
por menos preco do que em oulra qualquer parte,
e 25 travs de mangue, que eiislem no Caes do
Ranos.
ESCRAVOS FGIDOS?
Fucio da casa do*abaiio assignado, na madru-
gada de 3 do corrente, um seu cscravo, rrioulo, de
nome Amaro, oflicial de apaleiro, de idade M an-
uos, pouco mais ou menos, altura regular, barba
pouca, denles lmanos, os olhos enfitmar;ados, anda
calcado, lem as iitAos calejadas do o de sapaleiro,
lem a lesla com os cantos descobertos, he bem fal-
lante ; esle esrravo quande fugio levou comsigo um
cavallo ca-lanlio.armado com nmscllim inglez com-
prido e muilo eslreilo, cabreada tambem ingleza, o
cavallo lem 10 anuos, pouco mais mi menos, anda-
dor de bauo a meio, frente aberta, rom um ralom-
biulto no cspinliaro e roiicolbo : o dito esrravo foi
do r. Manoel Pinto Borha, morador no Gamela :
quem o pesar ou delle der noticia, dirjase rua da
Seuzala Velha, rorheira n. 114, que ser generosa-
mente recompensado. Joaquim l'aes Pereira da
iiea.
Tendo-se ausentado do Recife, em 22 de maio
do auno protimo passado 4 escravos, como consta des
aunuucins cutio imprssos nos jornaes desla cidade,
destes apenas se recolheram 2, c acham-se ain.la au-
sentes os uniros 2, sendo os mais desejado porque
foram os autores da fuga de todos ; pede-se pm lauto
a apprehcnsiio do preto Jos, de alia eslatura. idade
mai de 110 annos, com falta do ollto esquerdo. cor
bastante negra, e muito prognoslico. Jorge, cor fula,
alto, lambem de boa figura, idade de 25a 30 anuos,
rom um pequeo talho em um dos cantos da bocea ;
ambos estrs escravos sito rrioulos e ftlbos do serijo, e
ha muilo poucu lempo eslavam nesla praca ; pelo
(lepoiinenlo dos chegados consla que seguiram os f-
gidos pela estrada do I.imociro ale Cariri-Vclho, all
se separaran), e depois conlinuaram para I'aje de
Flores, d'onde Jos he natural, dtzendo que ia ver
os prenles, e depois provavclmenle sesuiriam para
o Sobral, ns Calingas de I'iaiihy, d'onde Jorge be na-
lural ; be o mai que se pode indicar a quem possa
dilles inar partido: pede-se, porlanlo, a todas a-
auloridades policiaca e capitaes de campo a appre-
hensao dos referidos escravos, e se offerece a quaitlia
de ItldcOOO por cada um, ou 2S0a000 viudo ambos
junios, aqurm os trouxer a esla prara a viuva Amo-
lim i\ Killio. rua da Cruz n. 15 ; na Tarabilla aos
Sis. Jnsel.uiz Pereira Lima &C; no Rio Crande
do Nade ao Sr. Theolonjo Coelho de Cerqueira ; oo
Cenia ao Sr. .Manoel Caelano deCouveis ; o nolli-
ranllao ao Sr. Caelano Cesar da Silva Rosa.
,-v nia/.em
de
liia.
L. Leconte Feron &
fazeroserviroda M;i(liipolao com loque (le aval ia a 2,S0n,
duela, dirija-se a i ,.,.,.' --..,.,,,
.i.SOO e .t.soOO !!!
Vndese na loja n. 17 da rua do tjueimado, pe-
as de ni.idapolao lino rom loque de avaria de agua
doce, pelos precnseinM, a dinheiro i visla.
Em casa He Tima Mousen & Vinas-
sa, praca do Corpo Santo n. 15, ha pata
vender :
L'm sorlimenlo completo de livros em
branco de superior qualidade.
Vinho de champagne.
Absinllte echen v cordial desuperiorqua-
lidade.
Licores de dill'ercnles qualidades.
Vaquetas para caito.
Sola blanca.
Tres pianos de superior qualidade : tudo
por preco commodo.
Roga-sc a todas as autoridades poliriaes da ca-
pital (lesla provincia ou do qualquer outra comarca
de lora a captura de um escravo cabra, fgido do
eii2enho Caloauda, freguezia da Luz e lermo de l'so
i. d'A'ao.....dia I" de Miembro do prximo passado
(S^sVV^^^V J*-^^*>*>^^j2' '"" Salo que se presume, que dilo rahra tenha
' procurado se decollar em algum lugar rom o Itlulo
Taixa pare. engcnh.os.
Xa fundicao' de ferro de I). W.
Ilnwmann, na rua do Iliuir,. pastan-
do o chafariz continua haver um
completo sortimento de tai\as de ferio
fundido e batido de 5 a 8 palmos de
bocea, as quaes acham-se a venda, por
uceo commodo e com promplidao' :
embarcant-te ou carregam-se em carro
>em despeza ao comprador.
En casa de J. KellercvC, na rua
da Cruz n. ")"), ha para vender excel-
lentes pianos vindos ltimamente de Ham-
bureo.
lie forro, illitdindo a boa f de alguein. O referido
cabra por nome Antonio Francisco lera de idade cm
rigor 1S anuos, do pouro corpo c estatura mediana,
ollios pequeos o um lauto papudos, nariz aquilino,
bocea o beic/H salientes e conserva nina cicatriz en-
tre um peilo e outro, procedido de um sigual qoe ar-
rancara ; este be um sigual que tirar a lodos de
qualquer duvida lanibem presunte-se que elle le-
nlia piorurado rrullar-se no Recife, onde resi-
di por algara lempo ou nrsles arrabahles: iaual-
tnritte se reconienda a lodos os capitaes de campo,
a quem o coiihecinienhi desle annuncio dev inle-
tes.,,i, promctlendu-ae urna paca generosa a quem o
prender e leva-lo ao dilo engenho Caluanda ao seu
genitor Francisco Xavier Ca nciro da Cuttlia Cam-
pillo ; fugira rom bonete de panno, caira de risca-
do e camisa de madapoln.
l'ERN.: TYP. 1)E M. F. UE FARIA. 11*55
MUTILADO


lEGtf



'


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