Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01250


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Full Text
ANNO XXX. N. 297.
Por 3 mezes adiantados 4,000.
Por 3 mezes vencidos 4,500.
NN
QUINTA FEIRA 28 DE DEZEMBRO DE 1854.
Por auno adiantado 15.000.
Porte franco para o subscripto!.
WWMI
DIARIO DE PERNAMBUCO
EXCARREGADOS DA SBSCRIPCA'O-
Recito, o propietario M. F. de Faria; Rio de Ja-
neiro, o Sr. Joo Pereira Marlins; Bahia, o Sr. F.
Duprad; Macei, o Sr. Joaquim Bernardo de Men-
donca ; Parahiba, oSr. Gervazio Vctor da Nalivi-
dade ; Natal, o Sr. Joaquim Ignacio Pereira; Araca-
ty, o Sr AntoniodeLemosBraga;Cear, oSr. Vic-
toriano Augusto Borges; Maranho, o Sr. Joaquim
M. Rodrigues; Para, o Sr. Justino Jos Ramos.
CAMBIOS.
Sobre Londres, a 28 d. por 19000-
Paris, 312 rs. por 1 f.
Lisboa, 105 por 100.
Rio de Janeiro, 2 por 0/0 de rebate.
Acces do banco 40 0/0 de premio.
da companhia de Beberibe ao par.
da companhia de seguros ao par.
Disconto de letlras de 8 a 10 por 0/0.
METAES.
Ouro.Oncas hespanholas* .
Moedas de 65400 velhas.
de 65400 novas.
de4000. .
Prata.Patacocs brasileiros. .
Pesos columnarios, .
mexicanos. .
299000
169000
169000
95000
1940
1940
15860
PARTIDA DOS CORREIOS.
Olinda, todos os das.
Caruar, Bonito e Garanhuns nos das 1 e 15.
Villa-Bella, Boa-Vista, ExeOurieury, a 13 o 28
Goianna e Parahiba, segundas e sextas-feiras.
Victoria e Natal, as quintas-feiras.
PREAMAR DEIIOJE.
Primeira s 11 horas e 4-2 minutos da manha.
Segunda s 12 horas e 6 minutos da tarde.
AUDIENCIAS.
I Tribunal do Commercio, segundase quintas-feiras.
Relacao, ter^as-feiras e sabbados.
Fazenda, tercas e sextas-feiras s 10 horas.
Juizo de orphaos, segundas e quintas s 10 horas.
1* vara do civel, segundas e sextas ao mcio dia.
I 2* vara do civel, quartaso sabbados ao meio dia.
EPIlEMEltIDES.
Dezbr. i La chcia ao 44 minutos e 48 se-
gundos da tarde.
12 Quario ininguante s 3 horas, 43
minutse 48 segundos da tarde.
19 La nova as 7 horas, 48 minutse
48 segundos da tarde.
56 Quario crescente a 1 hora, 21 mi-
nutos e 48segundos da tarde.
das da semana.
25 Segunda. >&>< Nascimento de N. S. J. C.
26 Terca. S. 1." oilava. S. Estevao prolomartyr.
27 Quarta. 2.a oilava. S-Joo apostlo e evang.
28 (Quinta. 3.* oitava.' Ss Innocentes mm.
29 Sexta. S. Thomaz de Canillara are. m.
30 Sabbado. S. Sabino b. m. ; S. Venustianno.
31 Domingo. (Vago; S. Silvestre p. ; Ss. No-
minanda, Dnala e Minenina mm.
f

^m
I
/
\
EXTERIOR.
QUESTAO DO ORIENTE.
O Sr. de Lamartine acaba de publicar os dous pri-
meiros volumes da historia da Turqua. Desde as
cuas primeiras viagens ao Oriente ncrupa-se o gran-
de escriplor desle (rabalho importante.
A guerra, porem, em que se acliam empenhadas
as grandes potencias europeas, ili a este livro uin
grande cuulio de actualidade ; c tanto assim o com-
prehendeu o proprio autor que fez preceder a urna
narrativa de uin magnifico prefacio, no qual expli-
ca, com as qulidades de eslylo e de inteligencia que
llies sao proprias, o patsado e prsenle da questao,
cuja resolujao a maior parle dos publicistas europeus
juUa dever ser vital para a humanidade.
He esse prefacio que abaixo Iranscreveremos :
I. .
Nunca *se escreveu a historia de um povo em to
supremas circumslancias para esse mesmo povo. He
quando a desgraja e a iniquidade opprimem urna na-
jo, que cliega o momento de ser juslo, e de com-
mover-se por ella. A posteridade he como a jusli-
ra ; compraz-se em defender os fracos e vingar os
opprimidos. Os povos eocontram na historia o en
castigo algumas vezes, algumas vezes sua vinganja,
sua juslificajao e sua gloria.
Despertando em sobre-sallo de seu longo somno,
pelo perigo de sua raja e de seu nome, atacados em
plena paz pela inva*3o de seus mares e d seu terri-
torio, insultados em seus lares, ultrajados na sua
independencia, incendiados uos seus portos, submer-
gidos de lodos os lados por exercilos desses Moscovi-
tas, que considralo o numero um direito, o o ferr
ura titulo, os Turtos de p sobre os restos de suas
fronteiras, empuntando as armas do desespero, com-
balcm sem olhar direila ou a esquerda. para saber
e a Turqua ressnscitar em seu sangue, ou para
morrer aules do ultimo dia de sua patria.
Sea Eumpa nao se commove, ao menos deve es-
tar alerta. Chegoa a hora de dizer-se o que foram
oulr'ora, o que sao hoje, o que podem vir a ser em
pouco lempo, esses Ollomanos desancorados a seus
olhos por anlipalhias religiosas desde a poca das cru-
zadas. De seculo em secuto essas anlipalhias vo
< ihindoem face dosinleresses da t-ivilisajjo das ra-
ras, c do equilibrio do globo. J os povos nao vao
procurar no co motivos para se odiar e se assassiiur
na Ierra. Nao pergontam uns aos outros se sao bou-
dhistas, hebreos, mussnlnunos, clirislios. ca-
lholicos, scismaticos, romanos de rito, om gregas
supersticiosos ; o que elle perguntara, he se vivem,
se sao justos, tolerantes, bravos, probos, patriotas,
eapnzes de oceupsr no globo o lugar que os secu-
los Ibes designaran! na dislribuico providencial
dos territorios. Perguntam se podem defender esta
zona de trra ou de mar que ocCupam, da usur-
pado iiuiveis.il e amcaoadora de urna oulra raja.
Perguutam se sao capazes, se podem consliloir
um dique ao transbordamenlo de urna raja con-
quistadora, que he necessario conler no seu leito,
ou i qual ser misler abandonar cobardemente, co-
mo i um calaclisma sobrenatural, os territorios, os
mares, as nacionalidades, as capitaes, as religices.
as civilisacoes, as libcrdades, o commercio do
mundo.
A esta questao responde a Turqua pelo seu he-
rosmo, a Europa pela manifeslacAo unnime de sua
consciencia.
Nao, a Europa nao esta reduzida a resignar-se
omnipotencia da Russia, como a um flagello do
deslino. O Norte eDganou-se na hora de fazer erup-
jao. A Turqua nao est mora, e o Occidente, pre-
videnle e firme, defender no Oriente essas dislri-
buijes de territorios e essas independencias de ra-
jas, que, abandonadas em um s povo, seriain em
pouco aniquiladas entre nos mesmos.
O Occidente nem sempre foi 13o prevideote e Uto
sabio Iloiive um lempo em que dous poetas, Cha-
teaubriand em Franja e Byroo na Inglaterra, pre-
garais contra os Ollomanos, em nome dos deoses
da Fbula, urna daquellas cruzadas de opiniao que
se pregaram oulr'ora na Europa em nome do Ocos
do Evangelho. As opinioes cream-nas os publicis-
tas, o cnlbusiasmo os poetas. O entbsiasrao po-
tico emancipou a Grecia, apezar dos liomens de
estado. A magioajao folgou com isso ; a poltica
coucebeu preseuliinenlos verificados pelo lempo.
Nos inesmo, que eramos enlao mojo e iuexperien-
te a respeilo dos negocios do Oriente, que nao co-
nheciamns ainda nem os lugares nem os liomens,
fomos injusto para com os Ollomanos pela admiracao
nos com o mundo.
Cumpriria talvez ter protegido e federalisado a
Grecia sem a ter destacado completamente do cen-
tro ollomaoo, e sem ter desmembrado o imperio
qoe protege o Oriente e Occidente contra a itivasao
moscovita. O incendio iuiquo e atroz de Navarino
foi as luminarias da Russid : predizia o incendio de
Sinope.
O sultn Mahmoud, que reinava eutao, e que se
esforjava para regenerar seu imperio por mcio da
tolerancia e da civlsaj3o europea, derramou la-
grimas quando soube daquelle conlrasenso e da-
quelle suicidio das potencias. Vede, dizia elle a
um diplmala que se diacolpava da participarlo
que seu paiz tivera uaqulle assassinato fri de Na-
varino, vede! a Europa que eu sosinho defendo
contra a irrupcio dos MoecoxiUn, t/unia-ae a etlcs pa-
ra me aniquilar a Europa quer sem dovida ser
inundada e subjugada depois de mini ? u
He verdade, respondeu o diplmala ao sullao ;
mas nao desesperis da Europa, lim dia vir em
que ella ha do reconhecer tardamente vossos esfor-
jos, e em que vir queimar em vossos mares essas
naos russas, com as quaes se inceudiaram vossos na-
vios em Navarino. I
Dos he Dos,disse Mihmnud occultando seo
rosto as m3os e pensaudo talvez em aeu filho. e-
ja feila a sua vonlade.
Essa vonlade vai ser feila.
II.
Nao se Irala boje de Ollomanos ou de Chrstlos,
Irata-se da independencia e da inviolabilidade de lo-
dos os povos. O rbate do perigo da Europa tocou-
se em S. Pelersburgo. Todos os povos, que querer
conservar um lar livre, devera correr s armas. As
potencias, segundo nossa opiniao, lardaram muilo
era ouviresle appelto. Ouviram-aoemfim : he lem-
po de fallar.
as questes de rgimen inlerioi de seu paiz po-
dem-se ter anlipalhias ou dar preferencias, qoe sao
es direilos da consciencia individual, o cidadao po-
de guardar silencio, com tristeza, e algumas vezes
com patriotismo, nos eclypses da liberdade, a res-
peilo dos problemas do governo. Essas cousas con-
tristara o espirito sem alterar o fundo da naciona-
lidade, porque os governos n3o sao as sociedades,
sao apenas a sua forma e o seu mecanismo. Quan-
do esse mecanismo se quebra, enconlra-se de novo
um povo, um territorio, fronteiras, mares, exer-
cilos, colonias, armadas, ludo aquillo einlim que
constitue o que se chama patria.
Se essas formas e esse mecanismo va/aVel dos go-
vernos sao cousas que passam com os anos, com as
circumslancias, com o exallaraento, com o des-
animo das najes, ha no fundo dos povos cousas
permanentes, vitaes, que formam a propria essen-
cia de sua existencia nacional, e que, urna vez per-
didas, nunca mais se encontram.
Essas cousas s3o os interesses externos da najao,
seu lugar no mundo, sua importancia relativa no
globo, seu peso especifico no equilibrio das poten-
cias, suas fronteiras, seus mares, suas allianjas,
em urna palavra, sua geographia. A respeilo de in-
teresses de lamanlia gravidade cumjire dizer por
toda a parle, c sempre, aquillo que se pensar, com
independencia e patriotismo; porque essas cousas nao
sao de um dia, sao da dendale do paiz, e exce-
dem, pela grandeza e dura cao, o lempo c as vicis-
siludes dos governps, precedem as dynastias ou as
repblicas, sobrevivem s dictaduras e aos impe-
rios. Aqu Me que vi que esses inlcresses solTrem
ou eslo em perigo, e se cala, nao trabe smenle a
verdade, trabe tambem o seu paiz.
He islo o que nos faz escrever.
III.
Sem entrar aqu na aaalyse das Innumeraveis
cunsiderajcs que fizeram da allianja da Franca
com a Turqua, desde Francisco I, um proverbio
da pulitica tradicional da Franca, nao diremos do
imperio Oltomano sean urna uinca cousa : este
imperio ocenpa geographica, martima e politica-
mente, na Europa e na Aa. um esparo de mais
de cem mil leguas quadradas: e esse espaco, se
desapparecer o imperio Oltomano, nao pode ser-oc-
cupado senao pela Russia. Se a Europa consentir
com efleito nesse assassinato de um povo por um
czar, a.Europa nao lera appareulemenle api
cao de deixar vasias essas cem mil leguas quadra-
das, do clima mais favorecido do co, de territo-
rios os mais feriis, de littoral o mais rico em ba-
has e porlos, de archipelagos os mais commer-
ciantes, de eslreitos os mais inatravessaveis a quem
nao Ibes possue a chave, de mares os mais nave-
gaveis, e com a capital mais predestinada pela geo-
graphia para ser de novo o queja foi, a melropole
do universo.
A fuisiaem lugar da Turqua !...
Eis qual be hoje a opjao pira a Franca, para a
Inglaterra, para a Europa.
Dilo isto, he desuecessario accrescenlar urna pa-
lavra mais a respeilo da conservado ou do ilesa|
parecimento do imperio oltomano da caria poltica
do globo. ReOicta-se nisso por um s instante! A
opj3o esl escripia, na Ierra e nos mares em ca
racteres de vida e de morte para a Europa e para a
Franja.
Oa o imperio Oltomano ficar no seu lugar, ou
a Franca perder aquello que oceupa. He isso o que
diz a Franca, a Inglaterra, a Asia, a frica, a Hes-
pauba e a Italia ; o mesmo dir a propria Austria,
que em breve ser victima, se ficar immovel, de
urna ambicio quo a nffaga para esmaga-la a seo
lempo.
IV.
Antes e depois dos tratados de 1815, o imperio
Oltomano, consolidado pelo interesse unnime das
polen-dan, entren rom parte alegrante no systema
do mundo pacificado.
Este imperio passava internamente pelas-pliascs
de todos os imperios que decrescem depois de se
torcm engranan-ido desmedidamente. Mas, ao in-
verso dos imperios que se deteriorara em sua deca-
dencia, o imperio Oltomano civilisava-se, europea,
nisava-se, remocava pelo contado com a Europa, ao
passo que diminua de exleusao. O paT do sutis*
aclual, o intrpido Mahmond, arriscara tres vezes
sua corda e sua vida para regenerar sua naco.
Depois de ter, pelo golpe de estado o mais he-
roico e o mais legal de toda a historia moderna,
exterminado os Janizaros em flagrante delicio de
sedicSo, o sultao Mahmoud prosegua no interior
em seus grandes pensamentos de tolerancia, de
assimilacao do Oriente ao Occidente. Os prejuizos
e fanatismo linham sido sepultados com os ca-
dveres dos Janizaros. O imperio Oltomano ia ter
o seu Pedro Grande, depois de ter litio os seos
Slrlilc.
A' Europa commetteu entilo o erro do desmem-
braraenlo da Grecia e do inceodio da frola torca
em proveito dos Russos em 18W, dala de urna po-
ltica errnea em Franja, poltica que nos comba-
temos com lodos os nossos esforjos na tribuna;
commetteu o erro, mais imperdoavel ainda, de
pdr o peilo bala por om Pacha do Egyplo re-
voltado conlra o sultn. O ministerio francez
ameajou a Europa iuleira com a guerra, para des-
membrar ainda o imperio ja 13o enfranquecido e
para arrancar-lhe o Egypto, a Arabia, a Syria
al o Taurus e as illias. Mais teria valido es-
crever francamente o fra da leida Turqua
e distribuir as provincias desle imperio. Orna
ronfederajao europea teria ao menos conservado
o lugar e solidarificado o mundo occidental cotflra
o monopolio da Rosta. A victoria de Ibrabim-
Pacha em Nezib, animada pelos inconsiderados
favore do
0 MUZO DAS HUJIERES.
Por Paulo Feval
O PHABOL.
CAPITULO PRIME[RO.
O CABO TREHEL.
A genle nao nasee em Paris; para alii vem, e ah
mono. Os mdicos preli-ndeA que debalde se pro-
curara um Parisiense da quarta gerajAo ; os da ter-
ccira j.i sao minio raros e muilo icios". Um dilo ce-
lebre de Mr. Alexandre Doma* esclarecen o facto
scieniilico, de que os anlepassadna dos negros eram
orangolangos; pens que us bisustos dos Parisienses
tornam-se macacos. Eis porque se perdem seus ves-
tigios.
Paris he urna foroalha, assim como a vida he um
rio, e o ouro urna chimer. Eslas verdades elevadas
nao se demonstran!. Que seria de urna fornalba se
llie nao lanrasscm incessanlemenle lenhat Pars se
extinguira se nao viessemos todos consumir-nos em
seu foco ardcule.
Vientos como essas maderas que descem ao Stna
em jangadas pelo Voue ou pelo Mame: maderas
vivas e lenras. Debalde se corlam os carvalhos de
sciva robusta, >s faias csvellas. que lanjam-sc allou-
taineute para o eco; ellas renascem sempre lias flo-
restas, as encoslas do oiteiros. Quem cuida em cor-
tar os olmos leprosos de nossos passeios? Elles sao
tratados, sangrados, levam cataplasmas e emplastros,
sao amputados e sarjados ; lem mdicos e boticarios;
todava morrein e nao tornara a nascer.
Paris mata as arvores assim como os liomens. Con-
vem traza! para Paris arvores c liomens j nascidos.
A mor parle das arvores deperecem, a mor parle
ilos bonien eslolam-sc. Os queiesislem entre os
liomens c as arvores lornam-sc grandes.
Esses sao os cscolhidos. Cbegain com sua seiva in-
culta. Para s fallar dos homons, elles chegam com
leu desaso e sua grande ignorancia, aprendem e
poem o p sobre o pescoco dos meninos celebres,
que tem aanhn lodos os premios dos grande* concur-
sos : heslinbas estafadas que servem s vezes de pro-
curadores de causas, e de empregadoa subalternos na
administrajap da fazenda.
E as mulhcrcs? Em Paris oasccm mais mulheres
do que honuai, e lodavin sao contadas ; em geral as
que brilli.vi e abrazam sao madeira de jangada co-
mo nos. Vem do norte ou do sul, du orieulo ou do
occidente; pela mor parle pobres, e snbcm tanto
mais alio na escada dejuz quanlo parliram do mais
baixo. Esta he a le.
Assim para respeitar a verosimilhaoja, somos for-

jados a rollocar em urna provincia a scena anterior
do Paraizo das Mulheres.
governo francez de 1840, matou Mah-
moud e ameajou entregar o imperio Oltomano
a um aventureiro que o teria lomado a vender
Russia. Um grito de indignarlo parlio do to-
dos os pensamentos em Franja. O ministerio,
abandonado pela opiniao, foi obrigado a chamar
nossas frotas, a reconhecer honrosamente seu er-
ro e a relirar-se. Assignou-se em Londres a re-
consolidajSo do imperio Ollomano pelo tratado de
15 de junho. Um gesto da Europa e alguns mi-
niares de Austracos desembarcados na Syria bas-
laram para transformar em derrota a innato do
exercllo egypcio de Ihrahim-Pach, que se re-
putava iuvencvcl, e que fui repellido nas margene
do Nilo.
V.
O sullao Mahmoud morrra sob o peso de suas
desgracas e da falsa poltica frauceza de IfcHO ; seu
filho Abdul-Mcdjid recebeu o imperio no berjo,
debaixo dos melhores auspicios. As reformas esla-
vam felas, os odios que excita sempre um reforma-
dor linham mor ido com Mahmoud.
Nunca soberano algum pareceu mais predesti-
nado por seu nascimento, por seu carcter, al por
seu proprio exterior, a reparar pacificamente um
imperio.
Eis-aqui o retrato verdadeiro que nslracamos de
Abdul-Medjid algum lempo mais larde, ao sahir de
urna larga conversa com elle. Milhares de teslemu-
nhas poderao alteslar Europa que esle retrato na-
da tem de favorecido nem de Ilusorio.
vm.
Eis o principe innocente, estudioso, pacifico, que
a Asia e a Europa admiravam, trabalhando pela ci-
vilisajao c felicidade de seus povos, sya dislinccao
de raja e de culto, e que formava em torno de si,
por seu exemplo, liomens dignos delle, quando a
Russia, por um seulimento cojo juizo deixamos
consciencia, mandou-lhe mais um pro-consul do qoe
um embaixador, para ullraja-lo em seu palacio, um
exercito para apoiar estes ultrajes, e urna frola para
incendiar seus navios e seus porlos.
Ora, qual era o crime de Abdul-Medjid ? Ei-lo
aqu: (.ivlisando o seu povo, elle o fortifica va e o
fazia entrar, de anuo em anuo, cada vez miis na al-
lianca dos costumes do Occidente. Preparava-se,
dcdiaemdia, para realisar mais esse sublime pro-
gresso, manifestado em seu nome pelos ministros de
seu pensamenlo e de seu corajo.
Tornar as eondicoes polticas, civs e religiosas
de (al sorle iguaes entre oe roussulmanos e os chris-
Iflos de todas as communhes do imperio, que nao
existase mais sob a lei do sultao senao um s c ni-
co povo de differeiiles rajas e religiSet. Em urna
palavra nacionalsar todos esses fragmentos de na-
j6es que cpbrem o solo da Turqua por meio de lana
imparcialdade, dojura, igualdade, tolerancia, que
cada urna dessas populajSes lenha sua honra, sua
consciencia, e sua seguranja inters.a lis cm con-
correr para a manutenjao do.imperio em urna espe-
cie de con federa j3o monarehi.- .debaixo dos auspi-
cios do sultao. i) (Palavras de Abdul-Medjid.)
O eoracao da Europa responda a estas palavras,
assim como por toda a parte, os fados. Visitai Smyr-
na, Conslantinopla, a Syria, o Lbano ; enlrai nos
raoslcros, nos hospicios, aos templos, nas casas de
educajo de ambos os sexos, dirigidas por liomens
}~e mnllMirn de todas as erdens monsticas que se
consagram ao allivio das-nfatniidades humanas ou
ao ensino religioso, desde as irmaas da candarte i
os lazarilas, e pergontai a esses onnomeraveis esta-
belecimenlos pios se houve jamis falla de favores e
de protecj3o para elles da parte do imperio. Res-
ponder-vos-hao todas abenjoando a benvola im-
parcialdade dos Ollomanos, e o nome do sultao.
Nao lia cidade em Franja, onde as consciencias e
suas obras sejam mais nviolaveis e mais favorec-*
das do que nessas capilaes, nessas cidades, nesses
campos aosul cao norte do Lbano. N3o he l que
se devem procurar marlyrcs; todas as liberdades
lem os seus ; os Europeus bem sabem qual he a li-
berdade de consciencia que a Russia leva na pona
de suas baionelas ao Oriente e ao Occidente.
IX.
O mundo inteiro ioleressava-se em que os de-
signios de Abdul-Medjid se cumprissem parili'a-
mente em seus estados. Na reconsolidajao do im-
perio Oltomano, oa disciplina e no aguerreamen-
lo de seu ejercito, o mundo via urna vanguarda e
um dique conlra a irrupjao universal da Russia.
Nos mesmos, encarregados um dia, n'uma graude
lempestade, de velar pelos interesses externos da
Franja, demos ao se;i embaixador em Conslanlino-
pla esta inslrucjao summaria, mas calbegorica, no
meio da cnnllaaracao da Europa : Nao provoquis
o a guerra entre a Turqua e a Russia ; desviai o
a governo ollomano dequalquer aggressSo aosRus-
sus; mas, sea Russia ousar aprovcilar-se do abalo
geral da Europa para atacar ou ameajar o impe-
l rio Oltomano, dizei ao sullao, que a Franja he
alliada obrigada da Turqua, e que ella pode dis-
por, para sua defeza, nao s das frotas, mas dos
exercilos da Franja como de seus propros excrci-
los. Em caso de guerra, intentada pela Russia ao
" imperio Ollomano, a allianja corla, porque he na-
c lural, he a allianja trplice da Franja, da Ingla-
Ierra c do imperio Olluinauo.
A Russia ouvio estas palavras ; ficoo immovel ;
a Turqua nao abusou da declarajio da Franja :
nao provocan a Russia. A guerra pareca esperar
em S. Pelersburgo, nao sabemos que oppurluuida-
de surda que lite desse o pretexto do phanalismo pa-
ra o grande assassinato que ella medtava. A Fran-
ja commetteu o erro de despertar fra de proposito
a questao chamada dos Santos-Lugares, puerlida-
de diplomtica que os negociadores sem que fazer
divertem-se em revolver de lempos em lempos
instigajao de alguns frades italianos ou hespanhoes
em guerra perpetua de anlerioridade com alguns
frades bysantinos.
Nao daremos conta dessas queales de hyssope
por lugares no atrio ou no porlico, por vaidades de
sacrista, por horas e por chaces. Tudo isso lie inG-
mo. Urna golta de sangue do mundo vale mais que
esses orgulhos de frades, esses ciumes de perigrinot.
A verdade he que os Turcos mantm sos a poli-
ca, a imparcialdade, o respeilo e a paz em lorno
desses santuarios; a verdade he que os encarni-
jados combales dos Gregos e dos Latinos por di-
versas vezes escaparam de incendiar, saquear e an-
iquilar os San los- Lugares que se disputavam. Nao
fallamos aqu senao daquillo de que somos teste-
munha.
Vendo levantar aquella questao dos Sautas-I.liga-
res, que convm conservar esquecda, prevenimos o
que ia succeder.
Era indubilavel que a Russia, vendo a Franja
agitar esta questao em Constalinopla, havia jul-
gar-se obrigada, para conservar e aogmenlar sua
popularidade nruiodoia-grega no Oriente, a tentar
por si mesma alguma ruidosa manifeslajao de
protectorado religioso, que fizesse com que os Gre-
gos da Asia dissessem : a Tambem nos temos um
patrono em Moscow. Dahi o que se passou
enlre o embaixador do czar e o governo do
sultao.
X.
Entretanto, he misler reconhec-lo em abono do
governo francez, logo que vio que sua prelencao,
O cabo Trehel projecla-te no mar enlre a enseada
Maluina e a bahia de Saint Brcnc, e he a ultima
pona das costas do norte. He -avistado de todas as
partes com seu alto rochedo, que parece corlado a
pique, e seu pharol, cujo fogo vermelho brilli.i du-
rante a noite solfrcndo a cada minuto um eclipse.
As Inglezas errantes vem de quando em quando vi-
zilar o pharol. os aldeOes do Plouetnnn conhecem
bem seus veslidos de quadros cinzentos e zoes, seu
chapeo de palha que serve o invern e verao, e seu
eterno veo de garja verde. Pondo de parle as In-
glezas, esse lugar he mu pouco frequenlado ; o ca-
bo he o lim do mundo, e sobre o rorhedo apenas en-
rontrame melanclicos empreados da nlfandega,
grande ii ii mero de pegas, muilos bandos de gaios e o
machinitla de Trehel.
O machinisla he um pobre industriosa que nutre
um cavallo desanimado, o qual serve para conduzir
as Inglezas de cerla idade, que na podem ganhara
peo pharol. O machinisla he um lypo de miseria, o
que nao prova muito a favor da generosidade das In-
glezas idosas.
Enlre a aldeia de Plouesnon e Saint Jacut do la
Mer, a pobreza do machinisla he proverbial, assim
como a opulencia promeltida ao Pastor do Treguz,
e a felicidade que acompanha por loda a parle as
orphaas adiadas debaixo do grande carvalho de Saint
Casi.
A torre do pharol situada na extremidade do ca-
bo he um edificio massijo com porla de arcada. O
machinisla diz as Inglezas que dala da poca roma-
na ; as Inglezas escrevem isso no seu canhenho, e
talvez seja a verdade. Sobre as velhas ameias ha
conslrucjOes mais modernas, no cimo das quaes esl
pharol.
Durante a noite, ora o fogo brilha do l?do do mar
para advertir os navios dos perigo* dessa cosa fr-
til em naufragios, ora projecta sobra o campo sua
grande rlaridadc vermelha, que inove a sombra a-
longada das arvores.
O horisuule que se descubre lo alto da lorre he
inmenso. A vista espraia-aa por cima da cdade de
Malignon a aos bosques de Planeoet, sesuiudo o
curso do Arguenon e ale s monliiuhas de mbar,
que elevam-se adente de Lamballe ; descobrem-se
viole campanarios abrigados humildemente no val-
le, ou afano* de coroarem o cume das collinas.
Plouesnon primciramrnlc e depois Pleherel, Plu-
rien, Saint Denoual. Pleboull, Saint Casi, Saint Al-
han e Pleneuf a mais bella aldeia das cosas do nor-
te; Pluduno, Erqui, Saint l.ormel; charnecas ri-
das e tasas como lapeles de fellro. rollurasfelizes
margem dos riachos, bellos caslellos rodeados de ti-
lias e de castauheiros amarcllecidos antes do oulono
pelo vento do mar. monillos de vento, cojas velas
turbulentas riem eslrondosamente ao alegre sol.
Ao oesle lica a euwada de Sainl llriene, o princi-
pio da Baia Urelanha, Knic o porlo dos empregados
da alfandega, Elables, Flouha, e quando o lempo
est claro, a tilia de llieb.it alm de Paimpol, onde
j so falla a autiga lioguagem gaelica.
Ao oriente fien a ilha Uagol, Cesambre, que rece-
beu o nome de vencedor de Pharsalia, e qoe da asy-
lo em suas rochas a urna iufinidade de coelhos ; Con-
che na frente de Sainl Malo, o qual guarda como
senlioella avanjada ; os dous B, um dos qoaes ser-
ve de tmulo n Chateaubriand, depois a cosa den-
tada atrs da qual Caucale occolla suas pescaras.
Emfim ao norte lica o Atlntico, a a Mancha que
mina o rochedo duzentos ps abaixo do pharol. e que
vai misturar sea horisonle azul no ail do co.
A um quarlo de legua da torre airas de urna ro-
tura do rochedo, o terreno cobre-se de bosques, os
carvalhos Ion-idos e nodosos cslremecem, as sebes
saliera do chao e comejam a dezenhar o labolciro
cadaslral. As searas ainda sao escassas, mas j as
macieiras de cor cnzenln tirando a verde-mar incli-
nara seus ramos carregados de musgo ; aqu e all
castauheiros gigantes cobrem a sombra relva com
suas ronas. All he o Treguz. Ha no Treguz urna
mcia duzia de casas e urna fazenda pertencenle ao
easlello de Maurepar. O lugar de pastor be ah mui-
lo procurado por causa da tradii-jao que concede aos
pastores do Treguz o dora de enriquecerem cerla-
mente.
Elles n3e ficam muito lempo na fazenda, c quan-
do ouve-se dizer : O pastor do Treguz relirou-se,
ninguera estranha isso ; porque essa lie a regra.
Relirou-se para onde? Nao importa. Por loda a
parle onde vai o pastor do Treguz, a fortuna o se-
gu. Muilos nao vollam, sem duvida porque dele-
lam-se mais eni oulra parle, e a esses lem a genle o
direito de suppor mais ricos do que Cresus ; osque
vollam compram pedajos de Ierra, e alguns lem si-
do coadjutores.
Nada ha mais condecido que ssn sen3o a felicida-
de das filhas do grande carvalho; assim sao chama-
das as orphaas achadas dianle da parochia de Saint
Casi detento do carvalho que lica no canto do cemi-
lerio. A ventura Ihes sorr. Casam com quem que-
rem, embora sejam bastardas; sao tormo.as, lem t-
lenlo, e desgrajado do marido que quer ser senhor
em casa dolas \
. A repuiajao do carvalho de Saint Casi lem urna
origm assis curiosa. As raparigas da Bretauha pec-
cam assim como as dos outins lugares; mas sabem
rasligar-se a si mesma* melbor do que em qualquer
outra parte. Sua ignorancia, e a bravura varonil de
seu sangue levain-uasao suicidio, o qual ennsidaram
urna expiarlo. Debalde o parodio Ibes repele que o
suicidio he o maior e o mais irreparavel de lodos os
crimes; ellas vao ufanas e sombras ., borda do mar,
depem sobre a praia os sapalos, o lenco, e o que lem
de mais precioso, e depois lanjam-se resolutamente
n'agiil.
Dos nao nos deve conla de sua severidade nem
de suas misericordias; mas no ponto de vista mun-
dano, quem pndera recusar o perdao e a piedade a
essas victimas? Em cerlos cantees da Brefanha, em-
quanlo a peccadora vive, perseguem-na com ura
desprezo implacavel; mas logo que ella deixa seus
despojos sobre a praia, elevam-lhc um pedestal.
Ora, linham pralicado no carvalho de Saint Cast
um nicho, onde eslava a mai de Heos. Debaixo des-
se aliar as raparigas mais deposilavam os filhos,
quando eslavam decididas a morrer. A escolha des-
mais monacal que pnlilica, ao monopolio dos San-
tos-Lugares, era um mo excmplo dado Russia
e que pela m3o das seitas a guerra poda sabir
do sepulcro de um Dos de paz, o governo fran-
cez apressou-se cm abafar o pretexto da discor-
dia. Retirou suas exageradas exigencias, moderon
suas olas, inlerprelnu-as, deu plena salsfaj3o
Russia, e cntrou no direito commum das najoes, e
na igualdade de prolecjflo garantida pelo divn aos
estabelecimcnlos e s romagens dos Santos-Lugares.
N3o podemos senao apoiar-o governo francez por
ter assim vedado que apparecesse qualquer occa-
slao legitima de guerra. Urna prepotencia diplo-
mtica e urna intriga mouastica nao volea a paz-
do mundo.
XI.
Mas islo nao salisfazia a Russia. Nao adiando
mais na queslad dos Santos-Lugares urna faisca cm
que soprasse para alear o incendio no Oriente, a
Russia resolveu pedir ao sullao urna enormdade
:U_gu_a recusa fosse cerla, e que esta recusa, 1ra-
duziiia por erras m lujuria, Ihe fornecesee o pre-
texto para a invasao da Turquie.
E qual foi esla enormdade? Nada mais, nada
menos do que a abdicajio da independencia e da
soberana do snltao, a partlha no reino, e tiesta
parlilha o quinhao do leo; cm urna palavra, pe-
dio que Abdul Medjid reennhecesse o czar (como
oulr'ora os Cezares avillados ofaziam em Conslauti-
nopla.i por collega no imperio Pedio que os doze
mlbes de subditos gregos, que vi vem debaixo das
leis e no slo do sullao, fossem collocados sob a pro-
teccao dos imperadores da Russia, de sorle que cs-
pes doze milbOes de liomens tivesscm dous senho-
res no slo ollomano, um senhor nominal em Cons-
lantinopla e um grande tribuno armado e cornado
em S. Pelersburgo. tribuno para o qual appellariam
a proposito de todas as ordeus do governo de seu
soberano nominal. Esla promisctiidade de gover-
no, assim pedida pela Russia, e limitada na appa-
renca aos interesses religiosos desses dozemilhes de
gregos, era lano mais exorbitante que, sendo na
Turqua o cdigo religioso e o cdigo civil um s e
nico codito, todas asquesles civs lornam-se in-
mediatamente quesles religiosas vonlade dos
appellantes, prolecjao russo-grega. Era um papa
russo coroado, frente de sete mlihes de liomens,
promulgando suas bullas soberanas por cima do
divn.
Netlas condijes o imperio nao seria mais o im-
perio ; seria a pcior das servidOes, porque o sultao,
lornando-se vassalo do czar, nem mesmo tirara lu-
cro de sua degradajao. Cullocado em Conslanti-
nopla enlre um collega quelite impnria suas bullas
de S. Pelersburgo e subditos emancipados-de seus
decretes dentro de seus propros Estados, o sullilo
teria sido a dersao dos soberanos Antes abdicar
mil vezes c tornar, com seus subditos. Ollomanos,
para os valles do Iconiumou para as landas" da Tar-
taria. Porcm nao, havia a fazer-se alguma
cousa de mcllior : era appellar para a juslija c
para a ndignajao da Europa ; correr s armas,
vencer ou morrer defendendo a honra de sua ra-
ja, seu nome, seu povo, seus direilos, sua inde-
pendencia c a dignidade de todos os thronos nu
seu.
Foi o que ella fez; he o que ella faz ha del mezes
com espauto e admiraj3o do mundo. A Russia pelo
eicessodo irisullo c da iniquidade desperlou a najao
ollomana. A indignaj3o refezde um povo, que se
julgava entorpecido pelo fatalismo, um povo de pa-
triotas e de guerreiros. Esse povo he fatalista, sm:
mas fatalista maneira dos hroes, faz elle mesmo o
seu destino. '
Todo o mundo tem os olhos fixos nesla guerra,
em que urna najo sem tropas regulares, sem finan-
jas, sem administrando, sera frola, sem habilos da
guerra moderna, quasi sem armas e voluntariamen
te sem sold, lula cora desespero, e at o prsenle
com milagre'nessas Termopylas do Danubio, conlra
os exercilos inexgolaveis e irresisliveis^dos Persas do
seplenlrio. Um imperio defendido por esle modo
n3o perece. A Russia juhjoit sepultar om povo c
ressuscilou-o. Por um prodigio, que eslava reser-
vado contemplar aos lempos modernos, prodigio ex-
plicado pela mansuelude tolerante dos Turcos, e pe-
lo proselvlsmo perseguidor dos czares, a propria
chrislandade calholica faz votos pelos Ollomanos, o
proprio liberalismo quer combater pelo sollao. Por
que nesle momento os Turcos lomam a Europa s
avessag, segundo a phrase de Napoleao em Sania
Helena ; combalemna realidade pelo chrislianismo,
e defendem no Danubio a liberdade do universo.
XII.
A Franca e a Inglaterra, longo lempo deudas por
negociarnos astuciosas, ouviram emfim aquello grito
de angustia. Eslas potencias vogam em soccorro do:
opprimidos contra os oppressores. He larde, mas
sera ainda lempo, se o soccorro nao for desigual a
gravidade do perigo da Europa. Intrigas gregas nas
se lugar sagrado era urna promessa muda e solemne,
qual nenhuma jamis fallava; assiin nenhuma or-
phaa do Grande Carvalho linlia visto o rosto de sua
mai.
O sacrificio produzia frocto ;" o mundo lomava de-
baixo de toa prolecjao a lilha da roartyr. Este uso
era antigo como o carvalho, eja comejava a cahir
em desuso ; mas a Iradiccao que sobrevive aos cos-
tumes. lembrava incessanlemenle a felicidade que
acompaiib.ira lodas essas orphaas da morir.
Urna particularidade iiiexplcavel he que nilo se
expunha nenhuma enanca do sexo masculino debai-
xo do grande carvalho de Saint Casi. Os meainos
podiam vir a ser pastores do Treguz.
Em 1835 o pastor que reinava no Treguz chama-
va-se Sulpicio. Era um bello rapazinho de Ircze ali-
os, que n.oi lilil i mai, e cujo pai navegava ao Ion-
ge. Os entendidos vendo-o seguir as ovelluis com ar
pensativo e cabisbaixo, diziam:
Oh esse n3o ficar muito lempo no lugar.
Em 1835 o machinisla de Trehel chamava-se Tolo
Gicquel, tinha peritas tongas e delgadas para sus-
tentar um corpa mu curto, e um rosto descarnado e
paludo, sobre o qual rahiam seus grandes cabellos.
Era um rapaz de bom genio, que ra incessantcmeu-
te, posto que nao comesse lodos os das.
No mesm i anuo havia urna filha do Grande Car-
valho,. que eslava na idade de fazer fortuna, segun-
do o bom habito de suas companheirns. Tinha um
nome singular para nina menina adiada cm um c-
miterio de campo : chamava-sc Aslra. Este nome
romanlico fra-lhe dado pela martrinha, a qual era
muilo vclha e marque/a. Osaldeoeslhe linham pos-
to o appellido de Murgulle.
O leilor ignora sem dovida o que he morgalle.
Ha no fundo dos mares auimaes mu extraordina-
rios, e que parecen recuar os limites da phanlasia.
Enlre essas crcalnras a morgalte he cerlamenle urna
das mais extravagantes. Imagine elle urna aranhi
carnuda, una estrella viva com seis ponas guarne-
cidas de apparelbos pneumticos mui poderosos. A
morgalte caminha empregando o mesmo proresso
que o homem mosca de llippodromo quando passcia
no forro do lelo.
A morgalte lanja ao acaso Ires pernas, applira
um ou muilos de seus chupadores sobre o rochedo,
ou qualquer oulra cousa que encoutra, e alaiulo-se
ur-a especie de cabo g.nili-i o espajo equivalente
ao comprimeuto das pernas, e lauca os oulrus tres
cabos vollando-se sobre si mesma. Relativamente
a morgalte, a tartaruga he disposta paia a car-
reira.
Dizem que no mar a morgalte aferra-se s vezes
s pernas do nadador ; enlo he lempo de entregar
a alma a Dos : pos, quando a morgalte agarra-sc
a urna superficie solida c plana por lodas as suas
bombas aspirantes, pode ser mora, mas nSo arran-
cada.
Mora a morgalte e feita a autopsia, acha->e no
centro dessa massa gelatiuosa no interior do estoma-
go urna cabeja diablica, a qual ella nunca mnslra
emqunlo viva. Essa cabeja lem olhos mal aberlos,
e um forte bico retorcido como u dos papagaios.
Os aldeoes havjam (ido sem duvida alguiras ra-
zes para darem o nome desse muestro mait for-
mosa rapariga do canlo.
No cornejo de 1835, Aslra, a filha do Grande
Carvalho, era apenas camarista em casa de sua
ni.i i iuha Anua Mana de Rostan, marque/a viuvade
Maurepir. Os marinlu iros dizem que a morgalte
passa as vezes cm jejum semanas inleiras, sabe es-
perar ; mas, toda a difllculdadc esl em alcansr a
presa com um de seus chupadores. Asir* espe-
rava.
A 6 de marco do mesmo anuo pelas cinco horas
da tarde, o rebanho do Treguz vollava escollado pe-
lo cao-lobo Randonneaii. Esse rebanho era da raja
d_e Jersey : as ovelhas eram altas, cor He sebo bru-
to, e de pernas finas ; os carnciros baisos e quasi lo-
dos prelos nrlinavam para a Ierra seus cornos em
forma de espiraes, c linham os olhos escondidos de-
baixo da 15a ; os cordeiros eram alvos como a nove,
mimosos e n3o fngiam da m3o que se eslemba para
aliaga-Ios ; eram bous para a losquia, melhores para
a mesa e davam esses quartos illuslres que os conhe-
cedores respeitam debaixo do nome de prsale.
O rebanho camnhava pela charneca e formava
ao longe como urna nodoa movedija. Suspicio ia
airas lendo um grande livro na mito, Randonncau
0 lenle commandava o exercito cmquanlo sen
capito cludava, c Dcos sabe quanlas evolujoes
inuleis o zelosocan impunba aos seus soldados Ga-
lopara] com a liogua pendente r vermelha. csliniu-
1 nulo os rtinceirus, chamando i liuha os oraulbosos
que prelendiam fazer guarda avanjada, c ladrando
lerrivelmciile aps os temerarios cnlrelidos por urna
monta de relva mais lenra. Nao dava repouso. O
c3o do pastor he o lypo mais curioso do subalterno
endiablado.
Sulpicio era um bello rapaz, maior do que sua
idade pedia, c seu ar liuha nao -oi quo craca indo-
lente. A rabera coberla de cabellos anudados pen-
dia-lhc sobre o peilo bal.meando o tufo de sua ra-
rapnjade 13a. Em vez de cajado tinha um basti
de azevinho verde e de pona groan.
Elle assobioii. e Randonneau acudi.
Deixa-as pastar um pouquinbo, quero consul-
tar meu livro para saber, se a senhora Magdalena
lera um filho on urna filha.
Mandolino,ni n3o se oppoz a ess.i phanlasia, e dei-
lou-se todu sando sobre a reha hmida. Eis porque
os raes velbos s3o atacados de iheunialismos Sul-
picio asseulou-sce o rebanho dispersou-se.
Sulpicio pz as coila* ilo livro sobre a Ierra, e
com a lamina da faca, que pendia-lhe por um cor-
del da aboloadiira da veslia de algodao, pcou a
margem do alfanabio. Este era um velbo tomo
truncado da Casa rustica, no qual Sulpicio apren-
da a ler, como poda.
Na mais bella lellra exclamou. direila para
o menino, esquerda para a menina !
Duas veredas rruzavam-se no limar em que elle
India para lo, urna que viiiha do Treguz, oulra que
se diriga ao bosque, airas do qual se occullava o
grande easlello de Maurepar. Na primeira vereda
apparereu o correio rural com sua blusa azul ala-
da por um cinto de couro, e ao mesmo lempo urna
rapariga, que nao tinha o trace das camponezas, ap-
pareccu na extremidade do bosque.
cortes alloma,is serviram causa dos Russos, e em-
barajaram a Inglaterra at no segredo de seus cou-
selhos. A m3o do povo nglez rompeu essas teas de
aranha. Daqui em dianle nao se negociar mais se-
nao com as armas na m3o.
Nao censuramos nem a Inglaterra, nem a Franja
por lerera levado al mais lamenlavel lemporisa-
j3o seus esforjos para conservar a paz do mundo.
Aborrecemos a guerra de iniquidade, a guerra de
.nubil i. i. a guerra de syslema, a guerra de capricho,
mesmo a guerra de precipilajao. Mas aqu esla guer-
ra nSo he a guerra aute Dos, nem aote os hnmens '
esla guerra nao he sen3o a ronservaco da paz Ha
occasies em que os principios mais s3os, atacados
pela violencia, Icem necessidsde de se armar e apre-
sentar as bayonetas por ullimarazao de humanida-
de e de paz.
O principio sagrado pelo qual a Franja, a Ingla-
terra e a Turqua correm hoje s armas he esle:
Ser permutlo Kussia fazer arbitraria e im-
punemente a guerra a todo o mundo em um seculo
que quer paz ? Quem quizer conceder Russia
esle drailo de guerra arbitrara e universal diga
sim. Quanlo a nos, diieuios nio. Dizemos nao, com
loda a parle moral, civilisada e independente da Eu-
ropa ; e esle nSo, louvamos Inglaterra, Fran-
ja e Turqua que o sustentara com as armas na
m3o.
Lastimamos a Austria e a Prussia se dizendo
nao, em sua consciencia. nao ousam dize-lo em voz
alia ante seus amigos e inmigos. Urna palavra des-
las potencias estancara o sangue que vai correr.
Seu silencio e sua immobdade serSo faltas graves
ante a Providencia que julga as neutralidades in-
quas como aggrcssOes em relicencia Serio por
ventura eslas duas polencias mais amigas do czar do
que de seus proprio* frovos ? O sangue de milhares
de liomens que nfarroin e que v3o morrer perlen-
ccr-lhes-ha por ventura, para fazer com elle urna
complacencia Kussia ? A amisade verdaileira con-
sista em dizer : facis um iaiquidade ; somos
vossos migos, sin- : mas voaso cmplices, n3o
Ora, deixar prall venir, n3o he um. complicidade ? E, por ser im-
movel, he mais (macante esta complicidade? En-
lre urna causa j^'- nma causa injusta, a neulrali-
dade he sempre in^ajssivel, porque ha urna cons-
ciencia na humanidade.
O que be enblo essa pretendida neulralidade das
duas grandes polencias germnicas.' Se he delfe-
rencia para com a Russia, essa deflerencia he ex-
cessiva: se he ndiffereujaenlre as duas causas, esta
indifferenja he impossivel; se he intimidaj3o ante
o czar, essa intimidajao he j a conquista da Alle-
ii..mba. porque nao ha peior vencido do que aquelle
que naoousa combler.
Nao, nem a Austria nem a Prussia podem ser in-
diflerentes preponderancia da Itussia, limrophc
de seus oslados, preponderancia que em breve ser
sem con ira peso na Allemanha pela possesso moral
ou militar da Turqua. Ser entao resignaraoi! A
resignajao da Allemanha ?.. Seria a vergonha ou o
fim dos Allcmaas.
Ser por ventura a Allemanha mais fatalista que
a Turqua !
XIII.
A Russia, que se eslende desde a Polonia ale a
Persia e al a China, pesa j infinitamente so-
bre o globo. Se a esle peso se acrescentar o de
cem mil legua's quadradas do imperio Ollomano na
Asia e na Europa, perde-se o equilibrio das forjas
no mundo. Ser misler escrever n'um hemispherio
inteiro e sobre a melade do oulro o famoso fins Po-
lonia, applicado n3o mais Sarmacia, mas a Eu-
ropa inleira.
Deixemos fallar a esle respeilo um homem que
foi, desgrajadarhentc para a Franja e para si mes-
mo, o alliado imprevidente da Russia conlra os
Turros.
He sabido que Napoleao goslava muilo da con-
versa e pouco da replica. Elle dizia ludo, mesmo
a verdade, nesses monlogos histricos laucados de
proposito aos chos, e que seus comensaes chima-
vam cont-ersa. O conde de Ramhuteau, enlao ca-
marista, e mais larde prefeilu de Paris, onde de-
xou os trajos do primeiro edil da Franja,, assitlia
urna noile nas Tulherias a urna dessas etpansoes de
palavras. Assislia-se a essas converssjes n3o s
por causa da importancia da pessoa que fallava, co-
mo tambem pela prodigiosa correle de ideas, e de
imagensem que era arrastado o espirito naquelle
improviso du grande conversador. Era nos primei-
ros dias de Janeiro de 1813, poca em que a fortuna
(inha desvanecido muitas illusoeg ; o marechal Da-
vousl, o conde de Lohan ouviam com respeiloso in-
teresse, assim como M. de Rambuleau, as fnebres
ancdotas da retirada da Russia ; Napoleao inler-
rompeu-se de repente na historia de seos revezes,
como seo phanlasmado futuro livesse pela primeira
vez surgido ante seus olhos :
Ah disse elle, como os planos filhos dos me-
lhores clculos podem ser frustrados pelas circums-
lancias mais imprevistas I Collocado em 1812
fronte da Europa, dispondo de todas as forjas do
Occidente, julgaei que linha chegado emfim o mo-
menlo de invadir a Russia ; quera levanlar-lhe
urna barreira que ella jamis pudesse vencer ; es-
perava ao menos retardar por cem annos esla po-
tencia, e, pelos fados, adianlei-a um secute. Se
algum dia ella se apoderar de CoDstantinopla, apoia-
da no Bltico e no Bosphoro, prender a Europa e a
Asia an mesmo jugo! Ah! se mais cedo livesse eu
conhecido a importancia do contrapeso turco cm
Conslantinopla!
XIV.
Imagine-se com ctleito um czar que recruta j
seus exercilos enlre sessenla e cinco milhes de
liomens, homens cujo nico ofiicio he saber, como
nos steppes de Allila, bem morrer por ordem de seu
senhor; que se acrescenle agora pelo peusamento a
esle formidavel poder de recrutamenlo os quarenta
milhes de subdilos Ollomanos, Turcos, Gregos, A-
bases, Armenios, Circassianos, Kurdas, rabes,
Drusas e Maronilas, e que se sommem ainda com os
vinle e cinco milhes de Persas, que Iremem j
dianle dos poslos vaneados da Russia. Cenlo c
trinla milhes de liomens em nma uuica m.ao des-
ptica, para opprmir cento evinte milhes de ou-
tros I
O que ser enlao o Mar-Negro, esse lago da Eu-
ropa c d'Asia? Ficar sendo o grande dock da Rus-
sia, onde suas frotas nublares se conslruir3o e se
e\on ,-r.ii em silencio, guardadas por urna cadeia
eslendida d'Asia Europa, at o dia em que snas
velas innumeraveis sabir3o pelas Dardanellos ao
Mediterrneo, dizendo ao venlo como diziam os bar-
baros : Sopra para onde quizeres, em loda a liar-
le a que nos levares, a Ierra he nossa 1
O quesera o Danubio, que depois de ter corrido
livre durante seiscenlas leguts atravs da Allema-
nha, lera de ser encadeado em sua embocadura, e
achara o bloqueio moscovita em sna junejao com os
mares oode ia procurar o sol e a* riquezas do Ori-
ente ?
O que ser o Adritico, onde a Austria comer a
cxfcer-so na navegaj3o e no commercio por Tre*-
te e por Veneza, c que a Dalmacia, o Epiro e Alba-
nia, desde cutan rusias, fecharan romo um segundo
Mar-Negro ao pavhao austraco ?
O que ser Conslantinopla, essa capital haosealica,
assentada sobre dous continentes, borda de tres
mares c de dous eslreitos, portas communs cujas cha-
ves devem estar em urna m3o neutra ou amiga ?
Conslautioopla lornar-se-ha urna Moscow do Bos-
phoro, cujo Kremlin, edificado no lugar dos jardins
do Serralho, far passar como escravos os navios da
Europa; por debaixo de seu* canhes.
O que ser o Mediterrneo ? Ou um lago russo
ou o campo de balalha de um secuto enlre as frotas
russas c inglezas que traro o commercio da Europa
enlre dous fogos.
O que ser a Fraura martima nesse mar onde
ella nao possuira nem Malla, nem Gibrallar, nem
Corf ? A Franja martima lornar-se-ha vassalla
subalterna da potencia naval preponderante uesses
mares, a Inglaterra, ou eutao ser o alvo dos insultos
da Russia al em seus porlos. Quando a Russia es-
liver nos Dardanellos, a fronteira russa he Marselha
ou Toulon.
Oque ser a Allemsnha ? Dominada ha trinla
annos pela diplomacia ou pela inlervenjao russa,
que podero ser conlida eraquanto o czaT senlisse
o contrapeso da Turqua, a Allemanha lornar-se-
ha russa. A confederajSo lo Rheno, sondada por Bo-
naparte, toroar-se-ha urna verdade depois do ani-
quilamento de Conslantinopla pelo czar ; a Allema-
nha grande e pequea lornar-se-ha urna confedera-
cao do Danubio conlra a Franja.
Por este prejo a Prnssia conservar om relalho
da Polonia e das provincias rhenanas ; por esle
prejo, a Austria conservar a Italia, e, se a Italia
palpitar voz da Franca, um novo Souvarow des-
cera da Illiria s suas planicies com duzenlos mil
Rossos em soccorro de duzenlos mil Allomaos. A
Franca continental n3o poder fazer mais um s mo-
vimenlo sem encontrar a Allemanha vanguarda da
Russia, ou a Russia reserva da Allemanha. Os tra-
tados de 1815 sen ii ao conlra nos, com ludo que
restar de indomado no Oriente, de independente na
Allemanha, e de vivo na Italia.
Vio he mais a coals3o passageira de 1815, he
a coalisao perpetua de urna nica potencia ; a
Russia redigir.i as clausulas, e dar lodas as notas,
a senha Europa.
A Inglaterra ficar s e livre, porque se nao en-
cadeam as ondas nem os venios. Soflrer o bloqueio
continental de BoAaparle, augmentado com o blo-
queio do Oriente pela Russia ; esperar com anxie-
dadea poca em que urna expedijao russa, seme-
lhaule a que se arcumula no Danubio, venha,
Sulpicio n3o vio o correio nem a rapariga. Sal-
tou era pe e deu dous ou Ires pulos com alegra e
sem respeilo ao lomo truncado da Casa /luslica, o
qual foi cahir entre as m3os de Randonneau.
O can sullou logo, como o senhor, c ns carneiros
man .-ir.un enlre si sem maldade.
A direila ganha exclamou Sulpicio ; um C
conlra L A senhora Magdalena ler.i um filho E
como Irene ser gentil junio do berjo do irmilo-
zinho !
Hola pequeo, s o paslor do Treguz ?
Sm, respondeu Sulpicio com dislrucj3o.
Sulpicio nunca tinha reeehido carta, acabava de
avistar a rapariga, que vinba raminhando lenta-
mente, e isso Ihc ioteressava muilo mais.
A senhora Victoria murmuren elle. Ah !
meu Dcos! como esla mudada depois da fesla do
-Natal !
O correio approximava-se e o cao rosnava.
Aquieta-te, Randonneau disse Sulpicio, e ac-
crescculou cm voz alia :
Que quer Vine, com o paslor do FregOI ?
Quero que o diabo o leve por ter-me feilo cor-
rer ha urna hora !
O correio poda fazer de valcniao, porque Sulpi-
cio era mais manso que seus conleiros. Todava em
urna noile do invern nnleredeulc matara um lobo
velho, que sibila das malas de Planeoet. Sulpicio
linha doze annos, c liuha ouvidn dizer, que apanha-
sc o lubo nicllcnilu-lhe na horca a in3o direila ar-
omada de urna lanradeira guila. Aules que o lobo
possa fechar a bocea levanla-se a iaujadera, e quan-
lo mais esforjos elle faz para morder tanto rr.ais
crava no paladar c nagela as duas ponas do ins-
trumento.
He essa tima carada de Titn para a qual n,1o ron-
vidamos nossos leilores. Sulpirie passou um sordo
iuleiro preparando urna ha lanradeira de pao fer-
ie e bem puntuda ; mas, nada disse a ninguem. De
madrugad* elle prenden Randonneau e tomou um
carneiro para irao lobo,o qual eslava lo oulro lado
dejManrepar. O lobo sem duvida lamben os heijos.
quando avisloa Sulpicio e o carneiro. Que bello al-
majo Ihc enviava o dos dos lnbos Sulpicio cou-
lou .lepis que n lobo derribou-o do piimeiro sallo ;
mas, que elle nao leve muilo m.'do, e iielteu-lhe
a laiiraibira na guala, l'm insinu receiou l-la
frito muilo corla, tan larga e profunda era essa
guala ;masa lanradeira era de bom compriuicnlo,
a Sulpicio po/.-sc a rir vendo o lobo empalado. O
grande Rostan, snbrinho da marqueta viuva de
Maurepar, desejou ler o lobo, c Sulpicio Ih'o deu
sem pczir ; porque o grande Rostan era a marido
de Magdalena e o pai da pequea Irene.
Nossos leilores verao romo Solpicio amavn a pe-
quea Irene, sua mai Magdalena c sua linda ir-
ma Victoria, que vinha pela vereda do easlello.
O correio laiirou-lhc a caria como a um cSo, Sul-
picio (tilia mais um nono do que no dia em que
apanino a o velho lobo de Planeoet ; mas levantou a
carta do eliSo com o eoracao sereno, e disse ao cor-
reio :
Muilo obrigado, senhor !
O correio teria preferido meia caada de cidra, i
Passando diante da rapariga, elle lirn seu chapeo
encerado, e disse-lhe:
Entregue! urna caria na Cata.
Victoria nao cuidon em perguntar se era para si ;
pois, tambem nunca linha recebido carta.
Sulpicio correu-lhe ao encontr precedido de Rau-
dooneau. e exclamou de longe:
Consullei meu livro, a senhora Magdalena ter
um filho Ilei dcdlzer-lhe islo quando fr embalar
Irene... Senle-se mais forle hoje, senhora Victoria,
pois vcio 13o longe da Casa ?
Chamava-sc Casa por opposij3o ao Caslello a ha-
bilacao do grande Rostan o de sua familia.
Victoria beijou na fronte o paslorzinho, o qual
corara de prszer, e disse-lhe tentando son ir :
den- raz3o, sinlo-mc ni.us forte.
Sulpicio Ilion os olhos sobre a carta, e nilo vio la-
grimas nos da rapariga.
A senhora que .abe lr, tornoo elle, diga-me,
he meu nome que esta no sobrescripto?
O senhor Sulpicio paslor do Troguz, leu Vic-
toria, rujas faces coraram levemente.
Estacarla he de leu pai, queres que t'a lcia ?
accresrentou ella com voz trmula.
Elle volla com o joven marquez exclamou
Sulpicio sallando de alegra.
A mao de Vicluria apoinn-se sobre o corajo.
El|a abri lentamente a carta, a qual era assim con-
cebida :
Meu charo filho,
o O fim desta he annun iar-le minha chegada, e
lesejo que ella le acho gozando saude como eu.
Estarc no Treguz a 5 ou ti quando inoilo. Escrevo
ao caslello pelo mesmo correio : as noticias nao sao
boas. Ten pai que te abraca.
c Patrio Sulpicio.
Praia de Olonue Io do marjo de 1835.
Victoria eslava lvida, e deixou cahir a carta.
Elle nao falla do joven marquez Antonio di*-.
se o paslor.
NSo, respondeu machinalmcntc Victoria.
Sulpicio linha apandado a caria e beijava-a, di-
zendo :
J son homem, pois meu pai escreve-me car-
tas !... Nao sei como os outros amam sen pai ; eu
que ando sempre sozinlm s leuho meu eoracao com
quem conversar. Meu curaran falla-me incessanle-
menle daquelles que amo : "meu pai primeramente.
Ah 1 ah elle he bom e corajoso Una vez disse-
me : Meu filhnho. eu niorreria esquarlejado pelo
meu joven amo. Quando eu morrer lembra-le de
que o sangue dos S'iipiciosperlence ao joven mar-
quez Rostan de Maurepar...
Victoria eslendeu a mao fria ao menino, o qual
levou-a aos libios rom religioso amor.
Espere exclamou elle gracioso e fagueiro
como sua idade ; mas leudo ja cm sua altiliiiie n.io
sei que de coragem varonil, espere... ao joven mar-
quez e s duas filhas do conde!
Magdalena e Victoria eram as filhas do rumio
(tosan do Boscq.
Oh .' lornou o paslor, amando-os mais do que
a mim mesmo, nao fajo mais do que obedecer a
meu pai.
(Coutinuar-se-ha.)


2
DIARIO DE PERMMBUCO. OU'flTA FEIRA 28 DE DEZEMBRO DE 1854.
como a de Alexandre. dar um novo senhor aos da-
zenlos millioes de lioniens que buje Iraballiam n.i.
Indiasdebaixo de suas leis.
XV.
Eisaqui, pelo que loca aos lerrilnrios e aos ma-
res, as cou-rquencias do abandouo da Turqua aos
Bastos, (Juantu a civilisnj.lo do mundo, as conse-
qneneiat eslo escripias em duas palavras : despo-
tismo c -ii-t-r-ti.; T ; um Ciar c um pontfice em
un o liomcm ; a f dos povos conquisludaroin a
MI liberdade ; a servidlo di e-pirlncom a servi-
dlo das raras ; um atraso inmenso ao genio dos
potos modernos I Iheulogos por phiiosophos, kil-
mouks por theologos.
Rao queremos chamar barbaros aos Kussos. El-
les iflo 1:1o poliriados, lao civilisados como qualquer
das najos de Occidente ; sua nalureza gregnselava
predispoem-nos com facilidad* de inlellisenria e de
coslun-.es aos li lilos, as elegancias, c al as ((raras
da rivisajao. lie urna najlo que sabe vellia d i
fundo de seus desertor c de scus setepps. lie um
improviso da Ierra, uina aurora boreal do cea do
Norte. Dir-se-hia que esle povo be o nico que
nao prersou do lempo.
nicamente notaremos que i civilisarlo russa be
lu Trille da uossa. Estas duas milisaees emanam
de dous principios opposlos conforme as nossas ori-
Sens diversas. A eivilsajlo russa he a obediencia,
a nossa o raciocinio. Elles querem um senhor, nos
queremos leis. Elles ennobrecem a servidlo c a d-
vinisam no chefe que a inipde, nos adoramos a I i -
berdade subordinando-a a palria. Sua religilo lie
a proslrajlo do espirito sem replica ; a nossa be um
trabalbo d.i razie levanlando-se de sceulo em se-
cuto sobre mais ideas e inais sciencia para desco-
brir de mais alto Dos na liberdade. A civilisajlo
russa be muda como a escravidlo ; a nossa falla, es-
creve, raciocina sem cessar, como o dialogo perpe-
tuo de todas com todos. Aos Ilussos sao raisler
ukases. a nos ligninas.
Elles sao os povos do silencio, nos o filbos do rui-
do. Elles olham para o passado, nos para o futan.
Nossos dous principios, os dous grandes principios
que lolam no mundo c que dividem o globo, des-
troem-se encontrando-se. O dominio universal da
Kussia dara a victoria ao principio da obediencia
passiva sobre o principio da ordem raciocinada. El-
le acabara com r-1,1 civilisajlo da palavra que cre-
ou o Oriente, a (recia, Roma, a Allemanlia, a In-
glaterra, a America, a Franca c as grande; resie-
gas, e as grandes repblicas, e as grandes cousas, e
os grandes humen-, e os grandes monumentos, e as
grandes tribunas, e as grandes philo*oplii.i.-, c as
cmn.ics MiarMuras c as grandes religes racio-
cinadas ; a arle, a scicncia, a digoidade, a najlo,
ludo perecera com o principio da Europa occiden-
tala liberdade.
Diz-se porm : Mas vede que vos mesmo abdi-
cis de ordinarioesla liberdade; olhai nesle mo-
mento para o estado das na'ces do Occidente. Nos
respondemos : Os eclypses tilo apagam a luz, in-
terceptan) apenas por algum lempo a sua irradiajlo.
O eclypse passa e a lu fica. O estado boje das na-
auloridade, que leve a fortuna de galibar para si
o prestigio da opiado publica, porque a essa ludo
llie corre liza, suave, e brandamenle; Irislc porem
daquella, que perdu esse precioso concuisu; pois
que nesla lerrivct rnnjunclurn nlo su na pode inar-
char seu caniiubo, como anda be ..brigada a des-
pir-se a si mesilla dns insignias da magistratura, que
lie fui confiada, antes que a opinile publica se I".; i
juslira ror suas proprias m.os, romo silo aeonlecer
nos casos de hesitarlo 011 renileiya.
Quaudo a o|iiniao publica qurr e Jronsenle, urna
simples mulher basta paragovernar Iranquilfimenlc
o mais poderoso imperio, que existe boje no mundo,
a Inglaterra; quando tainbein lie do aura.lo della um
lioinem sem o pergamiulvy da realeza, be suflicienle
para imperar por tres anuos sobre a mais gloriosa
repblica presentemente confiedla; quaudo porem
ella nao est pelos aulos, nem os prtenlos, como
Napoleao. se agoenlam nos Mirones.
Foi indiibilavclmentc esta rainlia do universo,
como lbe charas Bacage, quem levou ao patibulo
um dos mais virtuosos descendentes de Hugues Ca-
plo, o des.lilo-o Laiz lo: foi a me quem maudou a escola militar de Briene buscar um
lillio do advogado Carlos Bonaparle para o collocar
no (hrono, de qu.il acabava de arrancar um rei, e
proscrever urna das mais antigs dyaasliat da Euro-
pa, a dv naslia dos Buurbnus; foi ella, quem au de-
pos com suas mesases asios entregoa em Fontena-
Me ni este seu mimoso ao imperador Alexandre pa-
ra o mandar encerrar na pequea ilha de Elba; a-
inda foi ella, quem na planicie de Walcrliio pela
segunda vez algemou-lbe os pulsos, embircou-o a
bordo do|Bclorophni!tc, e o envin de presente aos
seus maiores algzes. para darein-lbc cabo da vida
em um palmo de Ierra, que existe isolado na ira-
mensidade dos mares. Fui a opiniao publica, quem
reslituio a l.uiz 18, como se pode ver em Cape-
gue ( Historia la, Restauraran ) o solio de seus pas
em que He gloriosamente csliveram assentados ,
llenrique i., Sao l.uiz, e o mouarclia feliz, que
leve a gloria de baplisar com o sen mime o secuto,
que presenciou o seu reinado: foi ella quem apeiou
dsse mesmo solio o conde de Arlois, para subs-
lui-lo pelo celebre fidalgo d'Orleaus, que durante a
revolurao Franceza era cunlierido pela nntonoma-
zia de Felipeegalitc; foi ella em fim quem de-
portou em I8i8 para i poderosa Albion o prudente
septuagenario, que logra*! os foros de ser o mais
avisado e instruido innuarclia, que havia na poca
actual; foi quem deu aos Cavagnars, l.a Martines,
I'rudhoms. Girardius, e outros que |tacs o governo
da repblica franceza, al que canjada dos estra-
gos dua propria obra, reconslruio de novo>a pol-
trona imperial, que havia esmigalbado, para assen-
tar nella o feliz sobriubo do immortal vencedor de
Arcoli, de Marengo, e de Austeilitz. Ob! meu col-
lega, que de uleis, c instructivas licjes de direito
pulilico universal, e de poltica particular de Fran-
ca, nos nao d esse mcio seculo, e 16 anuos da his-
toria desla naj3o'!l Lices filo proficuas aos che-
fes dos povos, como a seus ministros, aos allos fun-
cionarios, como aos bnixos da nasal escala Assim
quizessemos todos arrttradainonle Ir lo-*. fncern-
menle eslud.i-ln. > mesmo para provcilo dos
forernadoi o que para utilidade de nos outros go-
vernanles; porque a final de contas quaudo ebega o
dies ille uies u-.e e se d a balalba, sao aquelles
e n3n pslcs os que ganbam o triumpbo ; pois
nao sao as, nares e sim os ebefes dellasos que so-
bem ao cadafalso se nao lem a pruilencia rar asilo em p-iiz estranliu; e quaudo acontece dar-
se o anacronismo de se retirar o povo para o monte
Sacro, nao lie para vollar dalli vencido, se n.lo cada
vez mais victorioso. Pelo que, n3o lia da em mi-
nlia villa, meu collega, em que eu nao renda mil
grojas alma de meu pai por tanto haver se esme-
rado, na humildade de sua pobreza, por dnr-ine
urna educarlo scieulifica, sobretodo obrigando-me
jes da Europa niio lie um principio, lie um acci- a lr a historia ( no que era elle Instantemente ver-
denlc, um cansnro, urna alta entre dous lempos.
l'or mais que pareja o contrario, ha duas civili-
sajes bem dislinclas sobre o globo : umacivilisajlu
assenlada, como a do Oriente ; urna civilisacao de
pe, como a do Occidente. Nesle momento ellas se
a-semWliam na appareucia.
He verdade; mas o Occidenlc ha de levanlar-se
de novo e lomar caminlio. Se se deivar a Knssi.i
estrangular o Occidente durante o seu repouso, o
Occidente nao se levantara mais, ou se levanlar.i
cncadeado ; quebrara depois sua cadeias, nos o
sabemos, mas fa-lo-ha 11'uma dessas convulscs revo-
lucionarias qne nao fazcm da guerra, como boje,
umacampanlia militar, mas um terremolo em que
perecem vencedores e vencidos.
Marchemos pois com conlianca em no-so proprio
foccorro ao Danubio. A Turquia he a vanguarda da
liberdade da Europa. Fclicilemo-nos por ler en-
contrado em um povo, que julgav.imos movi, um
povo vivo, e cscrcvanios a sua historia, oa como o
augurio da sua regeneraran.0.1 como o cpitbipliio da
nossa sepultura.
( Correio Mercantil do Rio. )
REPARTI9AO DA FOZ.ICIA.
Parte do da 26 de dezembro.
Illm.eExm. Sr.Participo a V E\.quedas diffe-
rentes participajoes recebidas nesla reparlijlo desde
o da 2\ do correnlc al boje, consta que foram pre-
sos :
Pela delegacia do primeiro districlo dcste termo
o hespanhol Francisco Fernandes Das, para ave-
riguijoe* polirias, Jos Rodrigues, por ser crimi-
noso na villa do Pilar da provincia da Paraluba, e
Manoel Henriqoes dos Res, para remita.
Pela subdelegacia da freguezia do Recite, o par-
do Jos Erancisco de Araujo, Antonio Jos Isidro,
F'rancisco Xavier de Amonra, F'ilippe Ribeiro Ser-
vo, e n prela Mana, lodos por desorden), os prelos
escravos, F'rancisco e Feliciano, por terem sido en-
contrados armados, Francisco Quiriuo Nones, o
porluguez Bernardino deSouza Pinto e o prclo es-
cravo Izidoro para averignijoes polciaes.
Teta subdelegacia da freguezia de Santo Antonio,
o prelo escravo Sabino, a rcquerimenlo de seu se-
nhor, a preta l.uiza escrava, por andar fgida,
Francisco Luiz da Costa, para averiguares pol-
ciaes, o prelo escravo Jos por furto.
Pela subdelegacia da freguezia de S. Jos, a pre-
la escrava Jnsepba a requerimentn de sua senhora,
o porluguez Joaquim Mendes de Souza, por ebrio,
o prelo escravo Benedicto por espancamenlo.
l'els subdelegacia da freguezia da Boa Vista, os
prelos Caelano, e Jos por briga, Tilo Fraucisro da
Cosa, para recrula, os prelos escravos Fernando e
Manocl.este para correci;o, e aquellc por desordem.
Dos guarde a V. En. Secretaria da poliria de
Pernambuco 26dedezsmhro de ls.".. Iiim. e F.\m.
Sr. conselheiro Jo- Beuto da Cosita e Figueiredu,
presidente de Pernambuco. O chefe de polica,
Luiz Car/os e ica Teixeira.
27
Illm. e Etm. Sr.Participo a V. Exc que, das
differenles parlicipares boje recebidas nesla re-
pai-tiro, consta terem sido presos :
Pelo juizu municipal da primeira vara Clan lino
Joto Fernandes, e l.aurentino Fernandes da Silva,
ambos por se acharcm sentenciados.
Pela subdelegacia da freguezia de Sanio Antonio,
o prelo escravo Francisco, por fgido.
Pela subdelegacia da freguezia da Boa Vista. Ma-
noel Joaquim de Oliveira por ser desertor da ar-
mada.
Pelo subdelegado da freguezia dos Afogados, Jo-
s Francisco da Silva para correcto.
Dos guarde V. Ex. Secretaria da polica de Pe--
namhuco 27 de dezembro de 185i. Illm. e Exin.
Sr. conselheiro Jos Bento da Cnnha e Figueiredo
presidente da provincia,O chefe de polica, Lui:
Ctrlos de Paita Teixeira.
PUlLIGAAO A PEDIDO.
Qnarta cana do JDr. Joaquim Pedro da Costa
Lobo julz da dtretto da capital da Tilo Oran-
do do Norte, a san collera da Babia.
Cidade da Satal no to Grande do Xortc, 22 de
notembro de 8M.
Meu coilega.
Dez das, que eslive fora desla capital visitando
um dos seus mais rico, populosos, e bem cultivados
reconcavos.o districlo daBoca da Malta,pequeva
povoacao uascenle, mas mu i esperanrosa de gran-
de incremento, e prosperidade; agradvelracnle as-
senlada, em furnia de quadrilongo. sobre a duce
decliviifide de umi eminencia poucu elevadla mar-
ges austral do rilieirau que os naluraes do paiz
cliamamCearinirun, que de parecna, e cuuco-
initancia com oulro arrio, que llic curre parallelo
denominadoJassaaea,furnia um dos mais vege-
tativos, c aprasiveis vale, que leiilw visto, oram a
causa da dilatada iulerpolarao, que houve enlre es-
la e a caria de -6 do passado. Se por um lado,
meu cnllcga, ficou prejudicada a regularidade, que
me prescrevi, de nossa correspondencia, pelo oulro
muilo eanbei j.i como funecionario pblico, j rumo
particular; 110 primeira raso, porque fiz o conlieci-
mcnlo do moilas pesso.is, c alguns lugares snueilos
a ininba jurisdici;.lo, o que, como V. pr.iliraincole
sabe, uio be pequea vanlagem para quem governa
o saber onde, c com quem lida; no segundo,'porque
Uve a fortuna de adquirir algumas boas amizades,
com cujo valioso apoioji boje coulo. merecendo en-
lre ellas honrosa inenrao a do Sr. I)r. Jernimo Ca-
bral Raposo da Cmara, digno inspeclur da caixa
provincial, em cujo engenho eslive bnspedado nove
ilias. sendo Iralado rorn urna magnificencia, que ri-
valisava ruin o excessivo aralo c rssiealn lius gr-
nerosidade com que este c.ivalheiro cosluina ofi-e-
quiar os scus amigos. Disse eu, meu eollcga, e an-
da sustento, que minio gauhei nesla visita; e de rer-
lo, pois que estou profundamente convencido, que
a primeira, c a mais indeelinavet de todas as con.l-
rues da existencia, e boa administraran de um go-
verno, em quaesquer dos seus variados ramos, c
diversas especialidades, he ler^ior si o favor da opi-
niao publica, sem a qu.il nao lie possivel, que mar-
che a auloridade; e querer obnga-la a isso, seria o
mesmo, que mandar, qno ve. ao p.i-saro, que nao
lem azas, c ordenar, que nade, ao bomem que nao
lem bracos; porque em ultima analise, meu colle-
ga, nos paisas coiistiiucionaes o verdadeiro soberano
he a opiniao publica, ero virlude da qnal su gover-
na o povu, quem o mesmo povo qoer, que Ihe go-
verne, Debaixo desle principio, que o lenho por
inconleslavelmcnle evidenle, digo eu, que feliz da
sado, ) e a lomar, como tome.gosto por este esludo,
que lauto me ha servido para pautar a directo de
miiiha vida oflici.il e particular. Nesta couformi-
dade pois, meu conllega, cnnfesso-lhe com (oda pu-
reza, de que he capaz o meu corara >, que em mi-
nlias diversasjudicalura* o maior empenho,quesem-
pre faro, he ver, se adquiro, mediante urna conduc-
ta regular e prudente, a estima e benevolencia de
njeiis enneidadaos ; porque se Dos he servido, que
eu consiga esle poderoso e ineslimavel favor, laure-
anrio-uie assim com a cora da maior victoria, que
pode ele.mear o empregado publico, conservo cutan
sem o menor receio as minhas'portas aberlas, cami-
ubo, viajo, e pa-seiu. inerme e desassuslado, fallo
sem escriipulo loila liara, ca lodo mundo; e final-
mente rccolhido ininlia rliossa durmo o somno da
innocencia na dore leml.ranra, de que a verdadeira
seguranza da auloridade nao be a que se manlcm i
troco da forra bruta, semlo a que lem por esleio e
garanta o amor e amisade dos govemados. Nem
preciso recorrer, meu eollcga, a excmplos externos,
u mesmo'internos, mas reinlos, para deminslrar
a verdade e exaclidao desle Iheorema : aqu mes-
mo debaixo de meus olhosexislcm dous, que ebegam
de sobra para a minlia demonstraran. O Exm. Sr.
Dr. Antonio Bernardo dos Passos, actual presidente
desla provincia, lie, pela docili.lade de seu carcter,
pela urbanidade de suas imnciras.e pela esclareci-
da reclidao, e jn.lira de seu governo filo geralmcne-
te estimado, e filo simpticamente bem quisto, qu-
enverna com a maior facilidadc, seguranca, e accei-
lar.ui aquelles mesmos Kio-graiidenses, que lanto
lem feilo dar agua pelaiiarha s outros de seus anle-
ressores.quc tiveram a infclicidadc de Iri I liar estra-
da diversa da em que 13o prudentemente vi cami-
nli.imili o Exm Sr. Dr. Passos. Oulro lauto lenho
eu o prazer de re.e: ir-llie.m?ii collega, respeilo do
nosso palricio e amigo. Dr. Herculano Antonio l'e-
reirada lamn, que he ha muilo mais de anno, o
chefe de policia desla provincia : ah est elle 13o
tranquillo esocegadoem sua casa, e no meio de se-
us governndos, como o pai bem quisto, c amoroso
no centro de sua leal e agradecida familia: os gran-
des da (errase ufannm de dizer.que sao seus amigos;
os medianos o amam, e respeilam, como se ama, c
respeita urna autoridade, que cumpre exactamente
os seus deveres ; os pequeos o adoram, como o be-
neficiado e agradecido cosluma adorar o seu bemfei-
lor ; os reos de polica emfim o actame veneram
romo se deve acatar e venerar um magistrado in-
teligente e instruido, que sabe perfeitamenle con
ciliar as suavidades da clemencia com os rigores de
jnslra ; o miseravel criminoso, que hoje, por exe-
cui;ao de lei, he preso sua ordem, urna vez reco-
lliido cadeia recebe amanhaa os leslemuiihos da
sua beneficencia. Muilo poderia eu, dizer-lhe,
meu collega, em abono desle nosso honrado patri-
cio, se pcrmillissc.i minhs peona acom pandaras ef-
fuses de meu coraran ; nao sendo, porm, a occa-
siao asada para isso, conlen(o-me em referir-lhe um
fado, que por si so falla mais eloquenlemcnte em
seu elogio, du que ludo quanlo en podesse toscamen-
te escrever em resmas de papel i esse respeilo. 11a-
vriiilo nina desordem em t.naiiiiiiili 1. villa que lira
I.) leguas ao sul desla provincia, e ordenando a pre-
sidencia, que se all apresenlasse o chefe de polica
para averiguaces, seguio esle aquelle silio com a
precisa forca.
No camiuho, em nm medonlio salto, e'stavam em-
boscados dous dos faccinorosos contra quem s- diri-
ga all o mesmo chefe; e quando esle innocente e
desipcrcebidainenle passava pela locaa, e cahia na
bocea do bacamarle de um .lidie-, que Ihe ia adran-
do, eis que o oulro compauliciro, que era rian do
que aponlava a arma, mellendo-llie um empurran,
disse ojio male o bomem filo bom !! ficaiidn desla
arle salva a virlude por eOeito de sua propria forja !
Oh! meu collega, como-sao incomprehensiveis ..
limilarao de nossa mais que fraca inlelligencia os
mysleriosos segredos da Providencia Divina Como
sao iiiexlricaveis nossa limida e incerla razio, es-
ses camiiibos, sasasestradas, essas sendas, essas pica-
das, esses trilhus, essas veredas por onde marcha a
mesma Providencia para operar esses prodigios, que
ao passo que dcstroem lodos os clculos de nossa
prudencia, nos afogam nos abysmos do nads, de que
sabimos!
O genio do mal havia despachado de seu tenebro-
so antro dous dos seus mais esnrcados saleliles para
assassinar de ums golpe, e simultneamente a vir-
lude o a innocencia : a acertada esculla do lugar, a
oppnrlunidade da occasiao, e a ferocidade dos execo-
tores alianrai ani a infalibilidade da execur3o da em-
preza : o autor, porm. de lodo bem por um desses
decretos, cujas disposices nao nos he dado perscru-
lar, ordenou que o braco do assa virlude do golpe da mo do sicario, (cando por esle
milagre ata e salva a obra de suas nias. E anula lla-
vera razio lo obsecada, juizo filo embrutecido, que
desconheci que um alomo se nao move em loda a
prodigiusa ronipreheiisilo do universo, sem que esse
mnvimenlo llic seja imprimido pelo dedo >nwi*ivel
da Omiupolencia'.' E anda llavera, meu eollcga,
Huein queira aules ser vicioso do que virtuoso? An-
da haver auloridade que prelira govarnar pela for-
ja, e pelo despotismo a envernar pelo amor de seu
prximo, e pela juslira da sociedad*? Sim, meu rol-
lega, anda lia de haver ; porque esfii cscripto pelo
puiibo da Sabedoria Eterna, que baja o vicio para
Iriumplio da virlude, que baja o crime para se cn-
nbecer o mcrecimciiti da lei, que hajam mos ion
pregados para se poder justamente apreciar o valor
dos bous.
ir Si'inprc os crimes lbe eslo na phanlasia :
11 Esse mesmo, que a serle eleva ao llirono,
ci Nao detfrocla no leilo quicio somno.
Dou-lhs lircnca, ilion eollcga, c pejo-lbe mesmo,
que sob miiiha Ir. palavra de li 111ra, c jiiramenlu de
magistrado espalhepela noisa Balda se lao submc
prer.n cabe em prosa,' esta vanlajosa noticia, que lbe
eu eserevo como un Iriliutu de miulia gralidao aos
in.iliijii e.i lu. obsequios, que lenlio aqu reeebirlo
desl" nosso patricio, e de mnlia boinciiagem ssuas
virtudes ; lano para gloria do 11111 venerando aocilo,
que fii existe, como para orguibo da piliia, que pro-
u/ao lal lilliu.
Tambcm eu, meo collega, quando aqu rheguei
pune rapacilar-mc, que havia entrado nesla cidade
com o p dircito. Visitado por quasi (odas as pee-
Mas, que eslo no casu do lazer esla honra i aulori-
dade, que vem de novo estabelecer-se, procurado sem
dlirerenca pelas mais nolaveis proeminenrias dos
dous partidos pniiicos, em queseacha mni extrema-
damente dividida esta provincia, lisonjeava-me por
esle faci, e por lao significativos symplomas, que li-
niaoblidoa acceilacln de todos, por aplainlirem to-
dos o meu inflesivel carcter de bomem da lei e de
magislrado n.lo poltico ; e que nesta hypothese f-
cil me seria fazer urna boa judicatura "nesla comar-
ca. Em breve porm desappareceram filo bellos so-
nhos, lao fugitivas illusoes; minhas esperanzas nao
liveram mais duraran, que a do relmpago ; porque
cheg.indo aqu o Diario de Pernambuco, em que
vem trasladada a caria n. 2, que Ihe escrevi em da-
la de 16 do 111-z passado, em a qual se lem estas
phnisesn meu degredo ;estafelas.que a medicina
com a approvariu da igreja despacha para o ontro
mundo,foi lal a ecleuma, que se levanlou contra
mim, que em verdade mejulguei perdido; porquan-
tu uns se davam por aggravados, por cntenderem
que cu havia abatido a provincia do Rio Grande do
orle, e a ridade do Natal, rhamandn-asmeu de-
gredo; esles porque epigramine a medicina, aquel-
tes porque nsullci a igreja de Jess Chrisio ele. ele.
Pode er, meu collega, (c nesle ponto nao insisto)
que hoiivessc indescrijao, e, concedere mesmo, al-
guma leviand.idc de minha parle em escrever taes
palatras menos bem pensadas : posn porm jurar-
Ibe, na fe desacerdole da juslira. que o au fiz com
ma f, nem com a mnima iutenjao de oflender a
alsoem ; e presumir o ronlrario, he fazer-m a cla-
morosa iujustica de qualificar me de ingrato,pagando
com sarcasmos os sinceros e multiplicados agrados,
que geralmenle tinha recebido desde que aqu che-
guei ; 011 i!e supjior-nie lao desiuiolado, que falle
mal da casa, e desdnos, que lao gonerosamenle me
asasalham. Chamci, c cbamn meu degredo a rida-
de do Natal, nao por ainesquinhar as suas qualida-
des, ou rebalsar sua eathegoria, e sim em referencia
ao despacho, que me deu o governo e relativamente
n iniiliiucircumslancias particulares. Nem islo he
novo, nem foi contigo que se verificou esta hypo-
Ihese : o sabio porluguez padre Francisco Manoel do
Nascimenlo julgava-se itwna.a.1 m p^ei i. Un Ir rli
zia elle eslava romemio o pao do aeslerro: ossenho-
n-sjosu Bonifacio de Andrada, seu irmSo Antonio
Carlos, seu amigo Mnntczuma e outros foram depor-
tados pura Pars em 1823 ; eo que he Paris He a
mais elegante, e urna das maiores cidades, que exis-
te no mundo; (ao peqquia que ja no tempo de
Francisco I, indo o imperador Carlos V a ella, nao
podendo cuuler o sen xtasis, distequem vio Paris,
vio o mundo inleiro !Em 1842 foi deportado para
Portugal o Exm. Sr. A. P. I.impo de Abreu, actual
ministro dos eslrangeiros, que nao leve socego em
quanlo nlo obleve o decreto de sua revocarao para o
Brasil, que nlo sendo sua palria, he entretanto a
ierra onde elle lem mulher, filbos, lodosos seus in-
(eresses, e loda a sua grandeza. E o que he Portu-
gal '.' He a regilo, em que nasceu.se creon, se edu-
cou e se formou o Exm. senador I.impo de Abren.
Nao ha muilo tempo, que Kossul passeava, como
proscripto em Was-nzlon, New-York, Londres e
oulras cidades que laes: nao he muilo, pois, qne cu
lambem me considere deportado na cidade do Natal
do Rio Grande do Norte. Eslava de proposito fir-
me e ainda estou, meu cullega, de nao abrir mais a
bocea respeilo dcdeportarslo. degredo, injiislijado
governo, etc., ele, c se o fiz foi arrastadu pela indis-
pensabilidade de minha defeza, e pnr esta ultima
vez ; apezar Je que he preciso nina Imiganinidade,
quasi superior is forjas humanas, como a que teve
o fallecido Gervasio Pires Ferrcira de Pernambuco,
de couservar-se voluntariamente mudo por cinco ou
mais anuos, para seutir-se urna profunda dr, sem
deilar irrefleclidamenle c-rapulir urna queixa, um
gemido, urna lagrima ou uina revelacao, um ai, ou
um suspiro : nossos olbos, nossa bocea, nosso sem-
blante sao sempre os promotores indefecliveis, que a
n.itureza nos deu para denunciaremos pensamentos.
as tentativas, e os aclos, que se projeclam, que se
discuten), e que se sanecionam e.n nossos corajOes.
Alm de que assim como mo presta estar Indo o dia
repisando na mesma idea, assim lambem nao he bom
abandona-la por nina vez ; qui tacit, consentir ti-
detur, diz urna regra de direito ; e On ne doit ni
se tmitenir toujonrs, ni louiourt oablierdiz Aig-
naii no seu Iralado da historia do jury. Isto mesmo
meu collega, lenho eu dito aqui; os que me ouvein,
an menos em minha presenr.a dao-me razio ; aquel-
les porm, que nlo enlroteiii relajOes comign, cons-
la-me, nlo esfilo pelos autos ; nlo procurain desfor-
ra, porm lambem nlo me perdoam o aggiavo ; de
sorl qu posso bem dizerego me el si jiecrato ab-
snlrn, supplicio non libero ; e eu, que sou bs-
tanle nervoso, lenho sempre os ineus receios. que
nao venha l um dia cahir sobre o piedoso Eneas
a esposa de Jpiter. Eneas a tempestado expe-
dida por Elo em desabr.fo do elernum serranil
sub perfore ruinas da aggravada esposa ile Jpiter.
Quan lo cu disse, meu collega, que a medicina, nma
vez par oulra despachava estfelas para o oulro
mundo, nao Uve em mente ferir nem Ulna suscepli-
nilidade. uem-oITcnder carcter algum pessoal; fal-
lei da sciencia era geral em suas duas grandes ceilas,
ou scismas, em que se acha presentemente dividida,
e reciprocumeule guerreada. Se sei, que a homeo-
palhia mata lodos ns das, he porque assim o diz, e
sustenta o Exm. senador Jos Marlins da CruzJo-
him com loda a sua academia de allpathas; e se
nao ignoro, que a allopatbia > loda hora despacha
estfelas para o ceo, he porque assim o li em todos
os Jomaes do Commerco, affirma lo pelo fallecido
apostlo Jalo Vicente Marlins, e por lodos os ou-
tros alumnos da escola do Dr. Bento Mure. E eu,
que me qualifico a mim mesmo do maior idiola,
que possa haver na sciencia los Escnlapios, dos,Hi-
pcrates ; eollimamenle dos Hanemanns, n.lo 'l-
elo conhecimentos, nem tlenlos para defender estes
Toryes, c Wrgis da medicina das Iremendas, e gra-
vissimas aecusacoes, com que mutuamente se aggre-
dem, adoplo o mais prudente partido, que pode se-
guir o homem ignorante, que nao pesca da materia ;
islo he, accreditar as razes pro'e contra e daixsr a
questao pro indeciso. Assim quando vejo passar um
defuiiln riirado pela allopalbia, lemhro-me do cirur-
gilo J. V. Marlins, e pergunlo i mim mesmo
quanU arrobas de belladona bebera aquelle snjei-
lo para sarar 1 Quanuo porem vejo passar oulro,
que segu para o ceo com papeleta comprada na bo-
tica de S. Jos no Rio de Janeiro, leinbrando-me
do Sr. senador Jobim. digo ca rom osmcus boles
com quanlos chibolos de rnica scrH aquelle mi-
seravel dinamis nlo para fazer a sua eterna viagem ?
Eis aqui, meu collega, c orno foi, que esla scien-
cia me eusinou raciocinar respeilo dos dous gran-
des partidos, em que ella se divide ; creio pois nao
a haver aggravado na minha proposijlo.que he lira-
da de sua propria nocca ; porque se eu quizesse de-
sabona-la, e se prelendesse fazer de Marcial, ou de
Borage, enl'0 leria muito qoe dizer de urna facul-
dade, que lem arvorado em mediros a quanlo anal-
pbabelo ha ah por esses serloes, de sorle qoe ja che-
gou o lempo de vermes realisada em carne, e otsn
a Tabula, que Eusopo cscreveu ha mais de Ires mil
anuos (se hnuver anacronismo, perdoe ) do Natal
nfor inopia deperditus medicinam ignoto facer
cun capisset loco, que parecendo, ou sendo ape-
nas um aplogo daqurllas felzes eras, hoje he urna
verdade demonstrada : e sculo, que se viage por
esses serlOes, e veja-se, se ha mais snpaleiro, que
nao lenlia sua carleira de tubos, ou canudos de vi-
dro, e que com ella em cima da leuda nao sejulgue
oulro Hancliainan, e como lal malaudo irre-ponsa-
vclmente i quem he 13o simples, que hesilaudo lal-
vez enlregar-lhe os ps para fazer-lhes sapalos, nao
duvi la entretanto cnlregar-lbe a vida para dispor
della, como qoizer ; com a differrnra porem, que
no tempo do philosopho grego precisava o sapateiro
largar a Ierra, c caminhar muilo al adiar lugar,
onde ningiicm soubesse, quem elle era (17/10/a o-
co) ; quando boje pelo contrario elle cura em sua
mesma ierra, dentro do sua propria cas, defronle
do lirap, da faca da snvela, da seda, da forma, c da
sola ; e he para all mesmo que vem o vidro com
agua que se melle de infusan o glbulo de rnica,
que se vascolleja, que se bebo, que se ara, c que se
bom i- lui- tan, e que nao sou bom chrisiao.porque nao
trago rosario peudurado ao pejeoro, e possuo uns
hvros, que a greja nlo quer bem a elles. Quanlo
ao rosario direi, que o melhnrsignal do chrisISo he
a pralica das fim, obras ; e quanlo aos Hvros, pe-
jo-lhe, meu collega, que va ,i minha estante, e ti-
rando della tres tumo, das obras da D'nieroi, o aje-
lana da nnt'ireza dnseu amigo, o bario d'llollur.
o diccionario de Bayle, dilo philosophico, ou enci-
clopdico de Vallaire ; as obras de Rousseau, a
origcm dos cultos pnr Depois, as ruinas do imperio
pelo comiede Volney, e a disserlaclo sobre a vida
de S. Paulo por Roulanger. mella'ludo isso no fo-
RO, c alire com as cinzas no Rio de S. Francisco.
Execnteroos, meu collega, este auto de f da santa
inquisiclo ; faja de conla. que esfii em Sevilha, c
que he V. o benemrito Rev. padre Turrecremata
ciimprindo as ordens de S. Ignacio de Loyolla, e os
meus livros os penitentes vestidos com o sambenilo :
eslou promplo iodo sacrificio, com lanto que fa-
ja as pazes com a igreja, com a medicina e com lo-
dos os meus comarjlos, sem o amor, e amisade dos
quaes conhejo, que nao posso fazer bom papel no
lasar.
Basla por esla vez. meu collega, porque alm de
caujado, eslou escrevendo na occasiao mais impro-
pria, que tinha para isso, v9to como todo dia boje
teuho derramado lagrimas de saudades (esse goslo
amargo de infelizes, como Ihe chama o Sr. visconde
de Garre!) de minha casa, pois que esla hora (9 da
noile) fazem onze anuos, que nasceu minha Giba Iso-
Ima Adladc de Santa Cecilia Lobo, o dous que foi
ella ohjeclo de urna grande fesla l na Fazenda, on-
de moravamos. Ten tu ella padecido urna cruel, e
perignsissima enfrmela.le. promelli Senhora da
Conceijao casar tres orpliSas em seu louvor e honra,
se desse a vida minha filha ; e conseguindo este fa-
vor, 22 de novembro do anno atrasado, quando fa-
zia ella !) annos, cnmpri a promessa. Nesse dia de
11 inmplio para a rrligiao. e de gloria para mim, Uve
cu o prazer e orguibo de ver minha filha romper
porenlre um concurso de perlo de 300 pessoas,
frente das Ires orphaas, de que era madrinha, e vir
com ellasajoclliar-sc so p do altar collocado na
minha sala, e oflerece-las Senhora da Conceijlo,
ruja imagein eslava all prsenle, para as unir em
lajo conjugal com outros tantos jovens, que parao
mesmo saerado lugar j havia cuuduzido seu irmo
Alfredo com 10 annos de idade. Nomo dia eslava
eu ufano de ver meiwfilhos anda 13o lauros j pres-
tando serviros religiao e sociedade. Nesse dia,
soeu nao era mais, lambem nao era menos feliz que
Demodoco e I,aslenes juntos ; pois que em Alfredo
tinha cu o meu Eudro, e em Isuiina a minha Ci-
modocc, guiando o com das virgens no templo de
Dianna I.inin.ili.il. Nesse dia Uve eu um conlo de
ris para o empregar em honra da Dos, em provei-
to da palria, em glora minha e beneficio moral lo
meus filbos, e boje'? Hoja Icnlio para mandar
minha liihi..............
........as ligrimas.que em fio meas
olbos verlem.............
e com ellas aseguinle beujio, que aprend de um
pai infeliz cuma eu, qoe aeitou a sua filha.
a Painel risonho le embelese a menle ;
a Em quanlo solitario, merencorio,
Acerbos males o leu pai s sent.
Adcos, meu collega,
Costa Lobo.
(F.eho Pernambucano.)
LITTERATIJRA.
Nao posso ver, meu collega, o chefe de poliria
desla provincia, lio jovialmente formoso, Lio gra-
vemente esvelto, filo delirado em suas maoeiras, Uo
praianleiroem ana eonversaeSo, Uto sobrancero aos
embales de seu penoso cargo, filo impvido as mais
paga a cura milagrosa da doenca, que mlopassou de
nina denlada de pulga : basla lambem um milagro
(lestes, para que uir sapaleiro impouba de medico
al morrer : e porque o genero humano est de
marcha, e nlo mais retrogradar, como no-Io afllr-
ma o Sr. hispo de Maliues. .'Depral) em suas exced-
ientes obras da Europa c America em 1821, idem
em 18_'J ; em virlude pois desle principio espero cu,
que em breve lempo ha de ser tal oprogresso da ho-
moopalhia, que em vez de raileiras ha de remoller
Ivgn para o sertlo barris de inl'uslo de rnica, como
boje vio us de cachara ; eamen, meu collega.
Resta agora dar minhas humilles salisfares
arriscadas diligencias delle, que do intimo da meu I igreja : quando eu disse. qne os estfelas seguan
para o oulro mundo com approvarlo della, esla vis-
to, que cvdeuteniculc me referi enrommendajo
dodefunlo ; nu que culendn, que nao ha offensa,
pois Iodo o mundo sabe, que seria um sacrilegio pra-
lica, lo pelo reverendo parocho, 011 por quem suas
ve/cs tueste, se deitasse urna ovelha do seu aprisco,
que se desprende do ergaetulu desle mundo, fazer a
jomada para o oulro, s-m ir inslruida do compelen-
le certificado, de que o seu respectivo pastor desein-
peuhar.i para rom ella fn ftora mtirlis, el posl mor-
lem. lodos iqMlles oflleios, que a aposlolics igreja
I Ruma jnlg ni indispeusivel praliear, para que a
alma de rfirisiao possa apreeentar-se rompelenle-
mente preparada in eonrpeetit .tllissimi. E anda
quaudo meu collega eu alludisseao lucro, que per-
cebe a igreja pelos enlerramcnlos dos defiiulos, nem
assim poda-se eonsiderar odiosa esas alluslo, vislo
que he dcss'S, c oulros legilimos benezes, que se
niunlem o clero, e se sostena o culto. O reveren-
do parocho, como o juiz dos orphaos, nem cousen-
tem, nem desejan, que morra alguem; mas una vez
que Dos assim he crvido, nem um desapprnva o
iutcressc.que a lei profana, como a lei cannica,
llies mamlam dalli lirar : e eu, que ja fui juiz de
orphaos. quando juiz de fora do Rio de Cuntas, co-
lillero pralieaneale esta verdade, sobre a qual pos-
so por isso fallar ex calhedra. Talva suppnulia-sc.
qn; cu ili-sc SaU presumida heresia porque n u sou
coracao lbe nlo applique o conrcilu dcsles bellos
versjs do quarlo cauto da Alfoosiada do desemb.ir-
gador Pina l.eilln, qne li quando era mojo, c.que
al boje lenlio conservado de cor.
Aoque trulla > raininho da virlude,
a Pnr mais que brame horrenda a tempestado.
J.unis do r<.=lo a cr se v, que mude,
b Nem que o deixe 1 feliz Iranquillidade,
n Aos seus olbos cniliura a morle rude
a Erga a fouce sem ler respeita idade,
Nada em loriara o poc ; limpa de crime
a Cunscieucia de lodo o horror o exime.
que suppouho ser .1 paraplirase, ou traducro livre
do
Flix qui poluil rcrumcogiioscere ernsas,
Alque melus omnes, el incxurabili latan,
Subjecil pedibus, slrepilumque Acberonlis ivari.
do mavioso poeta Manloano : da mesma forma que
aos cnraclcrcs opposlos cabe-lhes a applicacao do
anagrama da primeira uilava, feito pelu mesmo
autor
a E que diversa sorle a do malvado !
Dos reinursos entregue lyrannia,
a Jamis seu corajloaturmentadn
a Socego lem nem goza de alegra.
Tenh 1 Ihesouros, teje rcspelado,
A METEOROLOGA EM 185 E SEUS PRO-
GRESSOS FUTIROS.
Das influencias meteorolgicas sobre a saude dos
homens e dos auimaes, esobre asproduccoes a-
gricolas.
O principio do anno de 1851 foi assignalado por
circumslaucias meteorolgicas que chamaram a'at-
lencao do publico para os pheoomenos atmospheri-
cos ordinarios, os quaes em nada excilam o inleres-
se geral quando nao se Ibes liga um motivo de es-
peranja ou de lmur que pile em arelo um movcl
mais poderoso do que a curiosidade scienlifica.
As chovas persistentes da ultima primavera, a-
meajando a colheila dos cerraos de IK.Vi depois de
um anno de fraquissma produejao, davam joslos
receios mesmo aos espiritas menos rcfleclidos, e per-
gunlava-se donde provinha essa temperatura hmi-
da lio incommoda actualmente e 13o amearadora
para o futuro.
Dizer que a persistencia dos ventos de oeste, alias
bem fracos, que dominavnm rutan era a causa des-
sas chorras continuas, he provocar a quesia de sa-
ber por que retan o vento oeste persista mais lem-
po em ISVi do que nos annos ordinarios. Na igno-
rancia em que estamos ainda dos mqvimenlos ge-
racs da atino'phera era cada clajlo do anuo, em
cada mez, em cada da, nao podemos dizer nada
sobre a qualidade e di recelo da massa de ar que vai
pesar sobre nossas caberas. Cumpre porlauto adiar
a nossa ambijlo scienlifica al ao momento em que
os progressos da phjeiea do globo nos permitlirem
seguir a marcha das correntes de ar de um ao oulro
extremo da trra, para saber que massa de ar nos
chegar daqui a penco, de que regiao provir. e
qual ser o seu gr.io de calor on de humidade. Al
enfilo veremos os detalhcs, mas nlo o complexo das
operajOes da nalureza, e dahi resultar a mpossi-
bilidade completa de prever nada do que poderia
ser 13o eminentemente til i saude, a industria
agrcola e a mil interesses de nossas sociedades mo-
dernas, lio complicadas as suas uecessidades e uas
suas permutajes.
Depois de ler feilo notar que a temperatura h-
mida que dominou por alguns mezes no norte da
F'ranja nlo se fez sentir no mesmo grao no sul, e
principalmente nos valles da Gironda e do Aude,
direi que o carcter notavel desle anno 1854 (em si-
do urna grande bonanja. Em nenhum oulro anuo
foi o vento 13o fraco, e por conseguinle nao foi a
constituirlo almospherica forlemente pronunciada.
Esle anno parece um auno de Iransicjlo enlre um
syslema de correntes nlmosphericas dirigidas de cer-
ta maneira e um -\ -lema suhsequente de correntes
dirigidas de um modo diverso das de oulros annos
e de maior intensidade. As correntes de ar quenle
viudas de oeste, que de anno para anno tinham re-
montado para o norte, vio retomar pelo meio da
Europa a direcjlo que tinham ha annos ; e o que
resultar daqui para os climas do norte uo anligo c
novo mondo ; He o que poderiamos saber Se lves-
semus postos meteorolgicos asss numerosos e bem
prvidos de in-trunientns perfeilos distribuidos por
um numero sufiicienle de pontos do nosso globo,
quer nos continentes, quer em alio mar ; mas esla-
inns anda muilo longe de possuir os dados uecessa-
rios para oestabelecimenlo dessas bellas leis da na-
lureza.
Restringindo-os pois furjosamente s-observajOes
dedelalbe na ausencia das grandes causas princi-
pies, recordaremos que na nossa Ibeoria da chuva
slo as massas de ar hmido que elevaudo-se por
urna causa qualquer na atmosphera, dilalam-se, es-
triara, e precipitara em chuva a sua humidade pri-
mitiva. Ora, em urna ,-itmnsphera serena, ou pelo-
mellos animada por deslocaeOes mu lentas, a me-
nor parada ou demora no movimento progressivo
das massas anteriores deve produzir um excesso de
epessura, ou se se quizer, urna elevarlo paicial
dessas carnadas, depois um esfriamenlo correspon-
dente, e ulteriormente urna verdadeira chuva.
Ora, he o que se podia frequenlemeote observar
nos mezes rhuvo*os desle anno. Primen a mente esta-
belecia-se a bnnanja, depois corneja va a chuva. Nun-
ca o proeferbin que a chura acalma o rento se veri-
ficou mellen-. Alm dsso, a el-vacn das massas,
chcenles e nlo transparentes lornou-se mni sensi-
vel pela profunda escuridlo que acompanhava es-
sas pancadas de agua lio frequenles e lio forles.
Se as correntes de ar tivessem sido mais pronuncia-
das, nao haver ia essas alternativas de paradas e de
movimenlos fracos que produziam essas mudanjas
de espessura, e por conseguinle de altura das ca-
rnadas de ar prximas do solo. Tal he, pens eu,
a causa que junto persistencia de um vento fraco
de oeste, proiluzio osphenomenos observados.
No sul da Franja foi o principio do anno assig-
nalado por fros mni vivos e por urna secca desas-
trosa. O Sr. de Casparim, irmo do membro do
luslilulo, leve a lembranja de preservar da geada
suas oliveiras manqueando com cal o tronco e os
ramos grossos dessas arvores. Esta experiencia -
ra-lhe suggerida pelo que se disse na Revue des
deux Mondes da influencia da cor das superficies
sobre a irradiajlo. Nlo s as oliveiras assim brau-
queadas resislram mu bem geada, mas foram
muilo menos seusiveis aos effeilos da secca e con-
servaran! as folhas verdes, an passo que oulras oli-
veiras nao branqueodas as linham Indas por assim di-
zer torradas pelas seccas prolongadas.
Tudo induz a crer que cnlramos no curso ordina-
rio dos phenomenos de transporte das massas de ar,
de calor e de humidade que slo habiluaes no nosso
clima, em nossas regios e as diversas localida-
des que ellas comprehendem. Nao ha por lauto ra-
llo, como penssvam mallo*, para mudar o sysle-
ma de cultura e pora modificar os hbitos da vida
vaedia. Dcmais, he s as influencias meteorolgi-
cas seriamente esludadas que cabe determinar o
mellen- rgimen que se deve seguir sob essa dupla
relaro.
I
He muilo anligo dizer-se que a salehe um bem
cujo valor nlo se condece simio depois de perdido.
Mas se ha circumslaucias ocrultas que podem rom-
promctler a sade, eslo em primeiro lugar as in-
Odenciai meleorologiras. Todos sentem immedia-
lamente as iinprcssesagradaveis on penosas do ca-
lor c do fri ; mas nao se percebe lio bem a influen-
cia da presslo do ar indicada pelo baromelru. Quan-
do o lempo est quenle com o barmetro baixo, diz-
se ordinariamente que faz um lempo pesado. He o
contrario do que surcede, pois que a dcscida do ba-
romelru indica menor peso no ar ; mas toma-se um
abalimenlo das Torras physicas pelo clfeilo produzi-
do |Hir um augmento imaginario do peso do ar. He
fcil de ver que respirando-seentao um ar dilatado
pelo calor e por urna pressaomenor, faz-se passir pe-
los pulmes, a cada insprajo, uina quanlidade de
,-ir menor do que no estado normal da almosphera,
c que deve seguir-se urna drbiliiaj.io das forjas ana-
logas i qoe se experimenta no ar abrazado dos d-
senos arenosos ou bem na almosphera rarificada .I.s
alias montaiibas. O remedioarha-se fcilmente nos
perfumes e as bebidas aromalisadas.
Sabe-se que na aseenjlo do Monte-Branco pur
Saussure, seus numerosos guias, monlanhezcs gros-
seims. ressarain em corla elevara 1 de beber e de co-
mer para recobrar forjas, mesmo a agurdenle ja
Ibes nan cnnviiiha ; pediam agua de Colonia ; e na
excursan de Cailli em Tombounctou, quaudo uo
meio do deserto a agua amurn.nla j nlo olferecia o
menor allivio caravana, os viajantes livraram-sc
dessasiluajflo rerorrendo >s caixinhas de paslilhas de
hurleUa que levavam 110 farncl.
Mas he principalmente a humidade do ar que re-
presenta um papel importane na hygieno de urna
lucalidaile. Observemos primeirameuteque de on-
ze parles dos alimentos que se lomam, solidos ou l-
quidos, oilo ili--ip.nu se pela transpirajlo insensi-
vel. Assim, de onze meius kilogrammas que co-
messe 011 bebesse um bomem n'um dia.haveria qua-
Irokilogrammas empregados em fornecer essa iras-
pirajan.
T.imbem.l'igo que essa funcjlo vital lio importan-
te'he lezada, como no caso do que se chaina vulgar-
mente resfriamenlo, manifestara se logo os symplo-
mas mais assusladores. Ora, no ar demasiadamen-
te hmido a exhalajlo he embarajada pela presenja
de mui grande quanlidade de agua j existente no
ar, e se o rpelo contrario be demasiado secco, sc-
enos puline- e perturba a economa ordinaria da or-
gauisacao. He o que experimenta quem se eleva .1
grandes alturas sobre as monlanhas uu em baldes ae-
rostticos, e lal he lambem oeOeilndo venlo chama-
do simoun, cuja seceura he extrema. Sob este pon-
to de vista, o clima da Franja comparado ao da In-
glaterra he muilo mais salubre, porque ao passoque
na Inglaterra a humidade he mui grande, a ponto
qoe a madeira nao e conserva senao com urna ca-
rnada de verniz. na Franja, 00 pelo menos em Pa-
ris, o ar contm no termo medio pouco ma'is ou me-
nos ,1 melade da humidade que poderia conler no
mximo, sendo justamente intermediario en(re a sec-
ca ahsolula e humidade extrema.
Todo o mundo sabe que as pessoas que soflrem
molestias de peilo lem necessidade de ar quenle e
hmido. A seccora do arhe-lhes mortal, e muilas
vezes faz-se-lhes a cama em enrraes. Enlrelanlo,
pode-se dizer em geral que ashahilajos c os climas
demasiadamente hmidos sao insalubres, e os Ingie-
res que sahem da sita ilha para residirem em Munt-
pellier, no Porto ou na Madeira, sentem um alivio
immediato nos casos de rheumalismo, humores fros,
cachexu grave, c de Indas as molestias a que a hu-
midade he nociva.
'He urna das parles menos adinladas da meleoro-
logia a que lem por ohjeclo o estado das influen-
cias da almosphera sobre o homem slo c doenle. Al-
gum dia a hygiene meteorolgica sera um do* romo,
mais cultivados e mais uleis das scieocias da organi-
sajao vital. Observemos que quaudo urna sciencia
se apnia em duas oulras, seus progressos sao muito
mais lentos do que para conhecimenlos mais sim-
ples ; porque, para fac-luB o, .ine.n cumpre que o
adir, um homem igualmente superior as duas -.cien-
cias. De resto, ainda que a simples lgica nao desse
extrema importancia ao esludo das influencias al-
mosphericas, baslaciam os cuidados que se devem
icr na sailc publica pelo sanearaenlo das casas e das
ras, pelas clnicas dos hospitaes civil e militares,
para recommendar o mais seriamente possivel esle
ramo de nossos conhecimenlos experimentar,.
Nlo rnencioue entre as influencias meteorolgi-
cas loda as que obram sobre os ervos, esses ios-
Irumenlos de sensibilidade que repelidas vezes se
lornam instrumentos de padecimenlo. He incrivel
al que grao de percepj.lo delicada podem chegar
esses oreaos, mesmo as organisajOes robusta*. Com -
parein-se as sensajes de urna peisoa que vai pas-
seiar n'um bello da de sol claro, ou em um dia tris-
te e fri do nulonu, ou mesmo n'om dejses das' de
primavera em que n venlo leste turna o proprio sol
dnenliocom alternativas excitantes de calor e de fri
igualmente molestas para as pessoas nervosas.
Era aqui o lugar de mencionar ai influencias que
produzem as molestias epidmicas, e em primeire
logar esse terrivel cholera asitico que ha um quaros
de secnlo dizima as populajoes da Europa ; mis eslo
flagello mysteriosn, que Uo rpidamente desir nlo
s a vida mas a urgauisajao, lem escapado al hojea
tudas as invesligacOes da phy-ioloitia. A febr
amarella lem sido eslodada na sua aejao sobre cer-
tas porjes dos relos que ataca ; lem-se reprodu-
zido seus effeilos com alguns realivos e com alguns
venen os,ao passo que para o cholera nada semellunle
se lem podida obler.e esla affecjlo, muilas vezesfol-
mimnte.lem escapado al agora arte dos Magendie
e dos Orfila. He uina influencia nervosa ? Donde vem
enllo effeilos de decomposijlo filo rpida ? He oulra
cousa '.' Porque enlla nao se enconlram vestigios do
agente material que produzio Uo enrgicos effeilos?
Emfim, qual pode ser a natureza da eraanajo, do
efuvio exbalado da Ierra qucdelermina a recrudes-
cepcia dessas epidemias^ A questao, longe de deivar
entrever urna solujlo, nlo est mesmo inda bem
eslabelecida.
Em geral, a quanlidade de materia uecessaria para
obrar sobre o sv .tema nervoso e sobre nossos orglos
he evlrem,menle pequea. Tem-se analysado chimi-
camenle o ar infecto tomado na valla de despejo de
Monlmarte e o de um espajo livre e bem isolado nos
caes, junio da ponte da Concordia, e mmicamente
fallando lem sido achados idnticos. Ura pedajo de
almisrar que produzira por vinte annos em inajes
odorferas ao ar livre nlo tinha perdido nada de sen
peso. O ar que produz as fobres dos pantanos e o
da Zelandia que produz constantemente as febres de
oulouo, nada depusilam de apreciavel aos reactivos
mais sensiveis. Que influencias phisicas se devem
imaginar ou admiltir t
Quando se esl em um quardo tachado onde ha
flores muito odorferas, coran por exemplo, as ang-
licas, deixa-so do sentir o cheiro passado algum lem-
po ; enlrclando, para rertas pessuas a acjlo nlo ces-
sa com a sensajao. Muilas senhuras, por exemplo,
nao resistiran! a essa influencia occulla, eviriam
por lim a achar-se incommodadas. Ha por lano ah
urna rcjIo forle qne se produz sem ser manifiesta nos
nossos sentidos, e por meio de ema'najOes to sublis
que cscapam a toda a necio physica do peso.
A influencia meteorolgica dos paizes insalubres
ou invadidos pelas mnlestias epidmicas ,be desse pe-
nero ? He o que ignoramos completamente. De
resto ; esses agentes mysleriosos nao seriam mais
eslranhos nem mais sublis do que os condecidos
pela physica pelos nomo, de lluidoeleclric.o ou mag-
ne'ieo.de principio do calor e da luz,nem finalmen-
te do que o proprio fluido universal, esse elher to
eminentemente elstico e imponderavel que serve
de vehculo ao som, aos diversos ruidos e a todas as
vibrares nao perceptiveis ao ouvido. Nao he de
admirar que taes agentes nlo denuncia era a sua
cultura com demasiado adubo lem-se lentado dar
essas dus plantas urna quanlidade de producios
superior que davam precedentemente em mu li-
ces de rresclmrnlo mais sadias para ellas, e por
couse-juinle inais duradouras. A influencia chu-
mada i/oenja das batatas ha de cessar quando -
ver destruido todas as pimas suscepveis de adqui-
rir essa di.pnsicio morbina. F.uian.as plaas e as
especies de batatas que subsislirem serao aquellas
cuja consliluijlo nao pude ser dominada pela causa
que arruina as oulras especies. He assim que pon-
do de parle as influencias meteorolgicas, as epide-
mias dizimam a hiimanidade.
Nos nao .unios descern en les daquelles que foram
atacados por esses flagellos soccessivos, mas daquel-
les caja ruii-inuiju nlo era apla para soffre-los.
Graude numero das molestias dos anligos e da ida-
de media desappareceu coraplelamenle, e se alga-
mas de scula, he porque o desenvolvimenlo dos entes lem
reproduzido na pupulajln algunias das organisajes
destruidas pelas epidemias precedentes, cujas orga-
nisajesse acharara por conseguinle alaraveis pelas
causas mrbidas, contagiosas ou nan. que nao cessa-
ram de existir. Pode-se couceber que a videra,
cultivada outr'ora em ura terreno secco e nlo extru-
madn, devia ler o trunco e os fruclos mais seceos,
mais forles, menos alacaveis pelos insectos parsitas
Pessoas stiladas lem procurado nos registros me
leorologicos dos annos .nilei 1 u... algum periodo filo,
no fim do qual as estajOes se rcproduzissem da mes-
ma sorle no calor, na chuva, nos ventos, as prodc-
enos d trra. 'Mi agorn anula irada que se possa
dizer bem eslabelecdo lem arraslado o assenlimeulo
universal. O periodo lunar de 18 a 19 anuos que
reproduz as mesmas coiiligurajoes desse salellile, os
mesmus eclypses, as mesmas pusijes em relajlo ao
sol, lie o nico que lem sido um pouco observado.
O annij 1816 foi excepcional na humidade e na
temperatura, e 19 anuos depois, o anno 1835 apre-
senlou os mesmos caracteres ; 19 annos anda depois,
islo he, no principio do presente anno 1854, julgou-
ta perceber um etfeilo desse periodo a que os Gre-
gos chamaram periodo do numero de ouro. Prelen-
de-se que muilos daquelles que querem seriamente
prever o caraclerde ura anno que principia, se refe-
rem aos registros do anno qoe Ihe procedeu dezoilo
ou dezenove annos; mas segoiodo as indicajoes re-
sumidas nosquadrosdo Sr. Glaisher, nao achei esse
periodo bem definido, e prucuraodo-se o periodo do
derrelimenlo dos gelos polares, o das pocas deron-
eelarao ou do degelo do Bltico, sobre ludo a da na-
vegajlo aberla ou inlerrompida no rio de San Loo-
renjo no Canad, ainda senao achon nada satisfac-
torio.
De resto, nlo ha absurdo algum em snppor um
cloque uas circumslancias acluat's, inleirainente di-1 reprodcelo peridica das mesmas cnsuluiedes al-
exislencia senao era casos muilos excepcionaes, por
que se nada pode cont-los, rel-Ios, encerra-ios,
como lercmos nos a sensajao delles '! He pouco mais
ou menos assim que concebemos u elher impondera-
vel, inUngivel, nao perceptivel aos nossos sentidos,
excepto do caso de vibracao, em que elle branos
nussosseui idus como calore como luz. Be anda assim
que o ar no qual se nlo fazem movimenlos demasia-
do fortes cede e deixa-se deslocar de maneira que se
versas. Do mesn.o mudo os bulb s feculentos da
hlala, levados pela cultura a dimeuses exageradas,
dev fim: ser accessiveis a desenvolvimenlos mrbidos
que o desenvolvimenlo nm mal da planta nan per-
mi ilia.
Se o trigo tem escapado al agora a Uo desastro-
sas influencias, he porque essa planta tem sido de
fia Uo longo lempo cultivada com vi-las de um m-
ximo de rendimeulo, que por sem duvida j soflreu
todas as molestias pussiveis que o seu organismo
supporla. Urna doenja do Irigo seria muilo mais
fatal do que a doenja aclual da videra ; mas parece
nao dever-se recear o seu apparecimeulo vista do
que acabamos de dizer. Quinto ao mais, medida
que o globo se povoar, acuitara dos cereaes e das
plantas feculentas em lugares muilo arredados per-
uiillir.i nos annos de escassez os fornecimentos em
localidades eslrangeiras que nao liverem passado
pelas mesmas circumslancias de eslerilidade.
Algomas pessoas comprehendem difllcilmente
como hequeolrigo.queem latitudesmediasda,Euru-
pa, da Asia e da America d colheilas lio abundan-
les e Uo preciosas, nu pode fructificar as recie-
inleriropicaes, onde a fulla de invern parecera de-
ver favorecer o desenvolvimenlo da planta.
A isto responde-se com facilidade que he precisa-
mente a falla de invern que reduz o Irigo semeado
na zona trrida ao estado de herva que se reproduz
pelos rebenlOes e nlo pela sement. Com efieilo,
parn o trigo, bem como para mil oulras plantas au-
imaes, a sement he um meio de perpetuar a espe-
cie de nm anno para mitro, pois que cada planta
morre no fim da estarlo do seu desenvnlvimento, ao
passo que nos paizes quenles, onde a vida persisle ni
planta muilos anuos como enlre nos na re va, e on-
de a prorogajlo te taz pelos rebeutOes lateraes, a
planta nlo sobe em espiga, e nlo d colheila de
grao. Sem duvida muilas plantas herbceas dos cli-
mas mais quentrs do qne o nosso patsariam ao es-
Udo de plantas de -emente nalurulsando-se entre
nos e loruando-se plaas annuas. Tocamos aquiem
urna das parles mais interessanles da meteorologa.
Vendo a acclimajlo do assucar, do caf e do trigo
as Indias Occidentaes, a do Irigo e da btala enlre
nos, concebe-te ludo quanlo se pode esperar desse
genero de acquisijao de riqueza, Uolo pela nalura-
lisajao dos animies, como pela das plantas.
Ser depois occasiao de explorar oulrts partes
desse grande todo que forma o dominio da meteoro-
loga. Nlo direi hoje senao urna palavra sobre a
acclimajlo do proprio homem as novss regioes, e
escolhere por exemplo a pupulajlo actualmente Uo
prospera dos Eslados-Uuidos. Mu ha ainda um s-
calo que para fortalecer a saude dos jovens de um e
de ntreselo niaudavam-os passar na Europa o lem-
po de sua adolescencia. Varias cidades da Franja
linham os seut collegios ebeios do que se chamava
enllo crioulos. poslo que rilo tivessem nis velas nem
urna gota de sangue indiano. Hoje mesmo. anda
depois que a cultura saneou o solo, e quando a po-
pulacho longo lempo dizimada se tem moldado s
exigencias do clima, 1 vida media he sensivelmenle
mais curt nos Eslados-Unidos do que na Europa.
Sabe-se lambem que a raja dominadora dos Mame-
lucos nunca pode repro luzir-se no Egypto. Slo
exemplos frisantes de influencias meteorolgicas, so-
bre as quaes o mundo administrativo, assim como o
mundo sabio dever ler os olbos constantemente
a herios, mesmo a respeilo de urna localidade Uo vi-
zinba como a Argelia.
! li-
sera por sem duvida sempre nm impossivel pre-
dlzer para qualquer localidade e para um dia deter-
minado o estado da almosphera, e, segundo a expres-
sao vulgar, prognnslirar 1 chuva ou o bom tempo.
De feilo, a etlencao de terreno que recebe a chuva
he muilas vezes filo circumscripla que o que te an-
nuuciasse para Paris j nao seria verdadeiro para
llrleans, Rouen ou Amiens. Cumpre portanlo, em
nome da lgica, limitaras exigencias e nao pedir 1
sciencia senao generalidades sobre as eslajes, ven-
tos domiuanles, secca ou humidade, fro ou calor.
A maior parle daquelles que enchem as columnas
dos almauaks ordinarios nada Ibes cuslam os prog-
nosticosque lanjam nellescom a maior certeza: evi-
tara smenle indicar geadas para o mez de agoslo e
calores para o mez de Janeiro: os lempos variaveit
sao nolados para a primavera e para o oulouo, e
comanlo que o almauak do anno 11S0 seja idntico
ao do anno precedente, lado est em ordem. Poslo
que a sciencia moderna nao reconheja a influencia
da la, he sempre la nova e lita cheia, bem co-
mo ao primeiro e ultime quarlo que as indicajes de
mudanja de lempo sao annexas.
Eis aqui de resto o< ronselhos que eu dava a nm
fabricador de almauak relativamente a essas indica-
joes verificadas que, segando a expresslo ingleza,
cousliluera um loyal alinanak. Tomai todas as in-
dicajoes de lempo queso podem razoavelmenle sop-
por para a lannjlo de que se trata. Serlo, por
exemplo, pan urna lunejlo de primavera, at pala-
vras a varlivel, hmido, secco, (no, quenle. bello,
fixo, inconstante, geida, chuva, aguaceiros, neblina,
lempo caberlo, lempo sereno, venlo, bonanja, ele.;
escrevei cada umi dessas indicajoes em una tira de
papel ; depois de misturadas essas tirasTi'uma urna,
tirai urna sorle e dai-a como o typo da lonajlo em
queslao : tereis enllo feilo ludo o que razoavelmen-
le permute o estado da sciencia.
V-se, alem dsso, pelo grande numero de indica-
joes diversas que admille urna lunajo, quSo pou-
mosphencas, e em procurar 114 natureza phvsica co-
mo no estado social a historia do futuro peta do pas-
sado. Esle melbo lo que lem aproveilado sobeja-
mente aos astrnomos, os nicos que, segundo on-
servajlode I.aplace, podem lisongear-te justamen-
te de prediser o futuro, nao deixar de cunvir para
que, mesmo em urna ordem de phenomenos mais
complexa, se procure eolher analogas que conduzi-
riara a presumpjes assaz provaveis.
Nloobttanle, o escolho de todas estas inilagajOes
he a prelenjlo que lem todot os que consullam re-
gistros meteorolgicos de querer identificar em tudn
ns annos que lomam pur similares nos seas periodos.
Bastara que elles tivessem pontos de semelli.111 ja nos
caracteres principies, e he muilo possivel que os pe-
riodos nflosejam os mesmos no calor, humidade, ven-
tos dominantes, tempestades elctricas, ele.; eniao
cida anno lomara o sea carcter de moilas influen-
cias diversas. Accrescenlemos que cada eslajlo po-
rteril bem ler o seu periodo dislinclo. Assim, s vol-
U dos verles etcessivos poderia bem nlo ser regida
pela mesma lei que a volta dos invernos rigorosos, o
que parece quanlo ao mais resultar dos fsetos como
da Ibeoria. Kao lia nada que 'nao seja natural em
ludo islo, porque os elementos que influem sobre a
primavera, por exemplo, comosuccedeudo ao inver-
n, nao slo as mesmas que as que influem sobre o
verlo como sureedendo primavera, e, se fosse ne-
cessario prova-lo. far-se-hia conceber bem fcilmen-
te que o verlo he quasi isenlo dessas flucluajes ca-
prichosas que, nos nossos climas, lanjam os lempos
de invern nosprimeiros das da primavera, ou fa-
zem anlecipar us lempos de primavera nos ltimos
dias do invern.
Como dissemos. 1 meteorologa he urna sciencia
inleiramenle moderna. Seus progressos dependiam
dos de lanas ciencias diversas, que ella teve natu-
ralmente de segu las na ordem chronologca de seu
desenvolvimenlo : a mechanica, a.physica, a ptica,
o magnetismo, o calor, a eleclricidade, a chimica, a
geologa, a mineraloga e a geographia phvsica ser-
vem-lbe de base. Accrescenlemos-lhes a arle de ob-
servar as viagens, que devemos ao decano octoge-
nario dos sabios, o Sr. de Huraneidl, que he tambera
o primeiro dos conhettdores da nalureza, e nlo nos
admiraremos de que se esleja ainda Uo pouco adian-
Udo nossa sciencia, qne ainda honlem nlo era nada,
e que sern algum dia quasi tudo, como o globo que
forma o seu dominio.
E, pois, pira eslabelecer urna quesUo que as gera-
jOet futuras, accumolindo os irabalbos do pon-a-
mento e os da experiencia, gastarlo anda muiros s-
calos a resolver, imaginemos qoe sobre um grande
numero de pontos do globo sistemticamente esco-
llados se colfocam observadores que fajara conhecer
dia por dia a marcha das correntes do ar e quanli-
dade lolal de deslocajlo das massas alinopfiericas
com lodas as circumslaucias de transparencia ou de
cerrarlo, de calor oa de fri, de secca e de humiua-
de, e cora a yolla dessas mesmas correles ; saber-se-
ha em cada data a posijlo desse grande mar
ario sem praias que euvolve o globo inteiro, sa-
ber-se-ha donde vem cada parle delle e para on-
de vai, as influencias meteorolgicas qoe re-
ceben no sen curso, e o que vai levar as regioes a
qoe abordar ; poder-se-ha pois prever com anleci-
pajlo o efleilu que ha de produzir, e dirigir por ,-hi
os cuidados da saude publica e particular, a criajlo
dos gados e as tementeiras ou planlajes agrcolas
do invern, do verlo ou do nulonu. e a culi ura das
plantas que exigem lal ou lal gro de calor. Assim
se no prsenle auno se liveise podido prever o calor
-lo verlo que acalmo, ler-se-lna podido cultivar o
milho nos arredores de Pars, onde raramente o ve-
rao he bastante quenle para amidurecer perfeita-
menle essa planta. Islo s succede urna vez cada
Ires ou qualru anuos, do mesmo modo quasi que em
Hamburgo, as melhores exposijct, a uva nao
amadurece mais do que urna vez em cada sele
annos.
He evidentemente por meio da sciencia ipplicada
que o homem pode domar a nalureza amoldando-se
as suas lei', e nao pedindo a cada terreno e a cada
regilo senao o que se pode obler delles com facili-
dide e abundancia. Quando esla veidade se tornar
popular, as oajOes riv alisarlo em zelo para o esla-
bciecimento de eslajes terrestres ou maritimas que
concorrara para o conhecimenlodo globo. Ura pe-
queo numero deqaartosdc seculo. oa se se quizer
de serajes cientficas, bastar para conhecer as ver-
dades maisgeraese mais usuaes ; mas qaanlo ao
delalbe, 1 comptetelo dos elementos que entrara
na questao pedir ura tempo mais longo, e as pre-
vises serio limitadas a lempos anteriores muito
mais resnelos. *
Imaginemos um observador contemplando do alio
dos Pyrenos os velhos francezes ou hespanhes que
se eslendem a sens ps, ou mesmo contemplando do
cimo do Puy-de-Dome a bella e rica Limagne d'Au-
vergne com suas cidades, seus nos, seus campos fer-
iis, por cima dos quaes as brisas inconstantes fazem
vagar nuvensintercortadis de claros, e qoe ora der-
raman) chuvas mudaseis, ora nao fazem mais rio que
psodnzir o que se chama tempo coberlo. Nlo he
verdade que esse observador vendo o complexo dos
phenomenos tabern n'nm lanjo de olbos quaes as lo-
calidades em que vai haver chava, lempo coberlo,
ou que vao receber os raios d ireclos do sol f
Ora, o que firia o observador da monlanh 1 1 res-
peilo de um valle queavstasse. seria feito por aquel-
les qneseguissem a marcha dos instrumentos me-
lorna iinperceptivel a nossos sentidos, ao passo que, cas probabilidades ha de acertar ne.sa especie de leorologeos, se a cada instante os bulclius da tle-
se he posto em vihnjlo sonora traz-nos a sensajao
dos instrumentos de msica, da voz, e em geral de
todas as mil vibrajes que vem agila-lo.
Qaanlo sade dus animaes, ulo parece estar su-
jeila as mesmas influencias que a do homem. Assim
nos pantanos e nos campos de Boma, expostos mal-
aria, os bfalos e os outros animaes lem urna appa-
rencia que nao deixa duvida alguma sobre o seu ex-
cellcnle rgimen hygienico. Entretanto os animaes
sao sujeilos como nos a mortalidades sem causasap-
parentcs. Depois da poca do cholera de 1832, a
mesma doenja despovooucapoeira* e fez estrago par-
ticularmente nos pers. Os carneiros sao sujeilus a
frequenles epizootias. Todos tem lido a descripjao
da peste dos animaes em Virgilio. Emfim, accrescen-
larei qne nos ensaios de acclimajlo feitot no jardim
de Balavia, depois de se cobrirem hectares interns
de bichos de seda, umi molestia epizotica maliva-
os quasi todos, e couduzia-ns forzosamente a urna
especie de equilibrio que a nalureza parece ler esla-
belecdo, e do qual se nlo infring'eni impunemente
as leis. Se fosse de nutro modo, urna raja leria desde
longo lempo invadido lodo o globo, so ella ahi ive-
ra. quasi como as plantas sociaes em certas regioes
do globo, donde ellas excluem (oda a mais vege-
tarlo.
Todava, podc-se presumir qne os animaes nlo pe-
recem por influencias Uo sublis como as qne atacam
o bomem, e islo provm talvez de ser a sua organi-
sajao nervosa muito inferior ao syslema nervoso hu-
mano. Parece quese lem sempre desenberto as epi-
zootias quaes as influencias de alimento, de hahita-
j31, de rgimen causadoras daquellas mortalidades.
A concluslo deludo isto ser que sabemos anda mui
ponen cousa sobre as i 11 fliirncia- physicas que deter-
minara as epidemias, e que nlo sabemos nada abso-
lutamente sobre a influencia cholenca.
Se da saude dos auimaes paseamos a taude dat
plantas, isto he, sua cultura mil, estamos no ple-
no dominio da meteorologa. Depois, e a medida
que as circumslancias conduzirem a necessidade ua
o desejo, procurarei mostrar tudo quanlo a agricul-
tura deve ao excellenle livro do Sr. conde de Gas-
parin ; aqui s tratarei de raetereqlogia.
As plantas privadas da faculdade de se transpor-
tarein de um ponto para nutro, nascem, crescem -
morreni no mesmn lugar. Para ellas nao ha cii-
era enes, nao ha influencias climatolgicas que evi-
lar ou que prorurar. O calor, a humidade, a secca,
arbuva e todos os meteoros obram portanlo sobre
ellas inmediatamente ; mas he principalmente o
calor do sol e a rega dt chuva, ou mais poticamen-
te, se se qnizer, a agua e o fago, que determinan! o
sen rreicimenlo e a sua frurlificajao. A inais im-
pnrlanle das plantas, a que Ceros den nos humanos
e,se produelo lemporlo do esli qse tuscula lodos
os habifanles das zonas temperadas nos servir de
exemplo. t) trigo e os cereaes como o ccnleioca
cevada, exigen) cerla quanlidade de calor para aun-
ilnre reui. Felizmenle o grao de forja do calor
nlo he indispensavel, e em maior numero de dias
de 11111 grao mais fraco cada especio amadurece, co-
nloen) menor numero de dias de mais forte calor.
A cevada, sendo de lodos os crcaos o que exige
meimr somma de calor para amadulecer, devera
fructificar em latitudes mais esteris onde o trigo
nao amadureccria. He por isso que a cevada se
cultiva al na extrema Noruega septentrional. Tem-
se Irarado rar'as que moslsnm os limite* das diver-
sas culturas, assim como os limites do dominio das
diversas plaas bravas. Todas oslas dclcrmina-
rcssio devidas originariamente ao Sr. de llumbol-
dl. que pelas suas viagens c trabalhns de gabinete,
ji Ibes forneceu o lype quasi perfeilo.
Vamos agora as decoras das plantas, se se* pode
chamar assim a iuvaslo de um nseclo que vai pul-
lular na videra e nos seus fruclos, nu desenvolver-
se nos bulbos nutrientes da luala. He evidente
que nlo consliluc isto urna doenja propriamenle
dita. Se o contrario se desi-c, o homem que devo-
ra una enorme quanlidade de uvas e de baUlas,
seria para essas duas producjes urna doenja peior
do que as que morlilicam a videra e a planta de
Parmenlier. De que provem, paranlo, a invaslo
rcenle desses insectos sobre esses dous producios
nutritivos'.' He 1 vi leu teniente de que por uras
adevinhajlo. Cila-se a este respeilo seguinte anec-
doli succedida a ura desses editores de almanaks
fiis inglezes que se vendem nos millioes de exem-
plares. Ia de jomada a cavallo, e, lendo pirado
mailu cedo em urna estalagem, quiz depois seguir
com um lempo que nlo dava o menor indicio de
chuva : Senhor, dissc-lbe o eslalajadeiro, acoiise-
lho-vos que nao parlis ; a menos de dez milhas da-
qui estaris ensopado, e nu adiareis abrigo algoni
na estrada. Crde-me, teuho um almnnak que nlo
me engaa nunca. Como te deve suppor o homem
dos prognoslicos niuleorologios que Ins couhecia
raelbor o valor, nao fez caso destas palavras e prose-
gu 1 a jornada ; mas a menos de meio caminho da
localidade a que queria chegar foiassaltado por urna
borrasca que realisuu uo mais estricto rigor a predi-
cao qtie se Ihe fizera.
Maravillado da presciencia meteorolgica do land
lord com quem e-Uvera havia pouco, quiz saber a
etplicajaodo enigma, e vallando para traz, lornou
a eslalagem donde tinha partido, mas em um estada
que justifica va completamente a quemquizrra rele-lo:
Como, disse elle ao eslalajadeiro, pude-es idevi-
nhar com UnU certeza o horrivcl lempo que fez '?
Nada mais simples, responden esle. Tenhu o alma-
uak de,# (era precisamente o nome do viajanle) :
esse maganSo lie um impudente mentiroso; mas
guiando-me pelo contrario do que elle annuocia nun-
ca me engao. Vede, annuncia bom lempo para esla
larde ; nlo Uve razio de aconselhar-vos que nlo con-
linuasseis hoje a jornada? 11 O rico director da fabri-
ca de almanaks guardou silencio e o incgnito, posto
que goslasse depois de entilar o seu infortunio. Con-
forme a incerteza dos prognoslicos, o eslalajadeiro
leria plenamente razao se dissesse que o lempo era
sempre diDereote daquelle que o almanak annuncia-
va ; mas que fosse precisamente o opposlo era umi
nova affirmaliva filo pouco provavel como a oulra.
Esla quesllo dos prognoslicos meteorolgicos, f-
til emsi mesma, pois que s o acaso preside 8 esco-
Ihg dos que se dau a cada lunarao, preiide-sea urna
das llusGes do espirito humano, da qual os melho-
res espirtos era sempre se Imam, e que tendea
dar urna importancia exagerada a sciencia de todos
aquelles quese mellcm a predizer o futuro, quer em
moral, quer em polica, quer cm aslrologia, tanlu
para as sociedades comu para os individuos. Esla
illnsao provm deque se d muilo mais atlenjlo a
urna predicjlo que vem a realisar-se do que a ce.-n
oulras que sahiram erradas. Para ochar admiravel
a sagacidade de um adevinho, cumprria lomar nota
de lodas as vezes que deixou de acertar em suas con-
jecturas, e ver-sc-iiia que por urna vez cm que tres
dados lanrados ao acato deram azes a sua voz, em
mil oulras vezes deram punios inleramcnle di-
versos.
No oulono de ISIf soube que os pescadores de
balcias se linham vislo obrigndos a ir procura-las
muilo mais para o norle do que coslumavam. Con-
clu dahi que as correnles de agua quenle do norle
do Atlntico, de que as balcias fugtam, tinham su-
bido nesse anno mais du qne de ordinario, equeo
venlo oeste, que be o vento dorainajile da Europa,
nos chegaria inais quenle que de cuslume, e nos
dara um invern muilo brando.
A prediejao fez-mu honra realisando-sc; mas len-
do querido prognoslicar para o invern seguiule, se-
gundo a posijlo do poto o fro curopu, a estarla
desmentio-'m completamente. Por mais que indi-
casse altamente J meu eneano. a coincidencia do
auno precdeme Unha impressionado muilo mais ot
espirilos do que a discordancia do anno actual. He
escusado dizer que supprimi depois tuda a casta de
predires. /
Daqui a longo lempo sem duvida os meteorolo-
gistas estarlo reduzidos ao papel obscuro de histo-
ria-lores cm voz 1I0 papel brilbaule de propbelas. O
segredo do progresso aclual das saienciat he preci-
samente nao crer no impossivel. e provisoriamente
saber ignorar. Urna senhora fazia perguntas no se-
cretario da academia .das scicncias, chamado Duha-
mcl, e impacienlava-se com as respostas negativas
que recebia sobre todos os pontos.De que serve
enllo ser sabio, disse-lhe ella li 11,lmenle, se nlo po-
dis responder a iienhuma das nimbas pergunlas '.'
Senhora, serve para saber dizer : .Vilo se.
graphii elctrica aprosenlassem aos nacionaes mle-
ressados em saber o lempo que se forma, lodos os
documentos necessaros para preveremcom antecipa-
co a estado da atmosphera segundo a indirajioda
regiao donde vem as carnadas de ar e do esla lo era
que ellas se acham marchando assim para o ponto
que asespera.
PredijOes locacs de venlo e de cerrajlo ja tem sido
feitas em Inglaterra por esse procesen, o qual, ex-
cluindo toda a idea de postibilidade de adevinhajlo
com anleciparlo de alguns annos ou mesmo de al-
guns mezes, d quasi a certeza de que ao menos al-
gunsdias intes se sabera emeada ponto do globo o
que se pode esperar dos meteoros do ar, da agua e
do fogo, meteoros que tem lana influencia sobre a
saude como sobre a produejao e sobre as openjes
agrcolas.
A meteorologa sera enUo a pedra philosophal Uo
procurada pelos anligos alchimislas. Ella dar 1
eaude e a riqueza.
- Babinel.
(Jornal do Commercio do Rio.)
A l.ITTERATRA HESPANUOI.A E OS SEUS
HISTORIADORES MODERNOS.
( ContinuarSo do n. antecedente. )
II.
O goslo do romance he Uo pronunciado no fecun-
do poeta dramtico, que s parece procurar em loda
a historia orcasilo para desenvolve-la. I.opcz da
Vega nlo se limilou aos annaes hespanhes ; F'ran-
ja, Italia, Allemanha, Inglaterra, todos os paizes da
Europa miuislram-lhe dramas pretendidos histri-
cos. Aqui he a lula de Rodolpho de Hapsboarg e de
um rei da Bohemia (Hincar -la imperial de Olhon);
all he a anarchia da Hungra diaule Malhius Corvin
(el Rey sin regno ). Em el Gran Duque de Mosco-
via, (rali do sssumplo que tenlou lambem Schiller,
Pouchkin- e mu recenlemenle M. Prosper Meri-
me ; em el Castig sin venganza, pinla o trgico
episodio da corle de Fernra que Byron illuslrou ua
sua Parisina. A hislona de Franea Ihe inspira dous
dramas que dcsgrajadamenle j rtlo exislem. nm
acerca de Joaua d'Axc (la Poncella de Orleans ), o
oulro coneigrado, segundo toda a verosiroilhanja, ao
assassino de llenrique III ( el Valiente Jacobin), e
quese poderia collocar talvez ao lado dospanegyri-
cosde J arques r.fineul pronunciados em choro pelos
pregadores da liga. $e Lpez da Vega, ao tratar dus
assumplos nacionaes, nio soube elevar-se o verdi-
deiro drama histrico, niiigucm esliere encontrar nos
dramas que elle loma historia da Europa do norte
a obra-prima que procuramos. Quando abakspeare
lanja a sua imaginajlo entre os povos modernos,
quando Goethe e Schiller, arrasladus pelo seu exem-
plo, nos conduzcm > llalla, Franja, Suitss, i
Allemanha. i Inglaterra, o que seguan) antes qne
tudo, e nque segoiam Comedie e Racine nos assump-
los anligos, 1 verdade, a nalureza, a eterna nalure-
za,islo he, o coraran e a paixlo sob oscoslumes par-
ticulares de um paiz. Lpez da Vega nlo se incom-
moda nem pela realdade local, nem pela verdade
universal, s quer urna occasiao para os seus quadros
romnticos. Se loca algumas vezes em grandes Tac-
tos contemporneos, ahi desenvolve os seus imbro-
glos como se houvesse lomado por lexlo alguma ve-
Iba leuda fabulosa. Veja-se a peja que elie inllu-
lou a u-Necessidade deploraiel ( la fuerza lastimo-
sa ) Ha evidentes allusors a expedirlo de Fiiippe
II conlia a Inglaterra; mas que lra.infurin.iran sof-
freu a Intencieel Armada Y J.i se nao trata da lula
de dous povos e de duas religioea, Irala-se das mais
estranhai aventuras que se potsam imaginar. Urna
lillia de el-rei de Irlanda promelle una entrevista
no palacio um fidalgo que anta-a. Oulro lidalgo
sorprende o segredo, faz prender seu rival, arrumba
ajanella da princera no momento indicado, e prote-
gido pelas sombras aproveila-se do engao. Dahi
compcajes sem fim : ddr do amante que foge para
a llespanha, onde se casa cum a filha do coude de
Barcelona ; desesperada princeza, quVejulga a-
banihinad.i e cuja razio se perturba. Depois alguns
anuos, o genro do conde de Barcelona no seu paiz
com a sua aulher e seus Gllios, persuadido que loda
1-la historia e-la acabada ; nas el-rei de Irlanda Ihe
di ordem de rollar sua mulher e rasar-se com a
f
I
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prinreza que pilo deshonroa. Debalde protesta a
ra innocencia. idki sei que dedicajAo cavalleirosa a
seu re o decirte a obedecer, e enlreca a inuliter aos
algozes. Entretanto, aps deslas odiosas calastro-
ph.-. a guerra arrehenla entre a IU|j.mh:i e Ir-
landa, c ,i esquadra do conde de Barcelona liraria
viugauja deste piiz de assassnos, se novo* aconleci-
nienlos,sorprezas, reconhecimentos, explrajdes,
na i Miti>litiii--i'rn Lula* a* cousas na ordem.lle assim
que l.opez da Vega esconda aos scus concidadaos u
espectculo da resudada e o condtizia comsigo s
maruvilhosas regios do romance. Quando os He
paiihoes do seculo XVII viam o con lo de Barcelona
invadir as Unas brilanicis e castigar os assassnos de
sua lidia, rsqueciam-se lalvc/. que a ivenrieel Ar-
mada semeara os mares com as suas reliquias e que
Maria Sluarl nao era vjngada.
Romances, aventuras, sedcelo das cousas impre-
vistas, moviroenlo dos Tactos e rapi.lv/. do dialogo,
eia o que encheu o (heatro de Lope da Vega. Se ha
certos dominios da historia que comportan] seme-
llianle putsia, ser e*te o sea Iriumpho. Pode-se as-
signalar na sua obra ama serie inleira de drama.
acerca das iniquidades da sociedade feudal : sao fi-
dalgos que de repenle inflmala a visla de bella vas-
sal e que querem (riumpbar da sua virlude pela as-
tucia ou pela forja. Algumas vezes o poeta nos mos-
tra reis criminosos deslas violencias ; as mais das ve-
zes cl-rei he o guarda da juslija e o refugio do vas-
salo ultrajado. \'eja-se a Nina de Piala, a Bella de
nlhos d'ouro. como Iraduz M. H una-11 mar,I ; veja-
se especialmente Peribanez e o Cvmmendador S-
Ocatut. Que interesse 1 que recursos de imagina-
rn Em todos estes quadros, Lpez Ja Vega lie um
meslr sem igual. Elle possue o segredo da vida, e
ouvpm-co. eclioar, no meio deslas intrigas demasiado
complicadas,, gritos de paixAo sabidos do corac.no e
das enlranhas. As proprias pejas em que se lamen-
ta que o alvo nao lenha sido atlingido, abundam em
pinceladas de genio. Se compararmos o Honrado
Hermana cnm o Horacio de Comedie, veremos cla-
ramente toda a distancia que vai da tragedia ao dra-
ma romntico, e com lado que inspirajes Quando
a Julia de l.opez da Vega, ao ver voltar seu irmAo
Horacio carregado dos despojos de seu amante, bra-
da-lhe com um furor em que se desfaz toda a sua
alma : A la victoria lijo be completa lie farra
queme liras tambem : eu so Curiacio Yo noy Cu-
riado, yo soy i> Semclbante grito seguramente lie
d aquellos que ressalam culpas. Imasine-se por isto
a belleza ilos seus quaJros, quai. todas C9las enr-
gicas qualidades de ulerease e de paixAo se podem
desenvolver noquadro que Ibes convm 1 As suas co-
medias especialmente sedo muilas vezes maravilhas
de elegancia. Nao he a grande comedia, aquella que
repro luz a propria nalureza e crea os typos em que
se recnibece a humanilade ; be urna comedia par-
ticular, em que a pliaulasia de Shakspeare se uce ao
inleres-e de urna intriga hbilmente lecida. Anc-
dotas e imbroglios sao collocados no seu verdadeiro
logar graciosas figuras, desenliadas com um leve
loque, passam e repassam neste drama scinlillanle.
O Secretaire de toi-mme, o Cien da Jardinier,
os Mirarle! dn mpris, o //ameran de Phenire, a
Belle mal marie, .limer tan* savoir qai, e rspecial-
menle o Grand Impassicel, de que M. Alfredo de
Mossel deu na Quenouille de Bnrberine uina imita -
rao too encantadora, eis Ulvcz os melhores ttulos de
l.opez da Vega. Todava o seu grande ltalo he este
eslro fecundo que creava nao s dramas e comedias,
mas poetas. A sua acjAo em lodos os thealros euro-
peos foi immensa. Ora esta influencia he directa,
ora se erce pelo interine lio dos dramaturgos hes-
panhoes que elle suscita va em torno dei ; sob ama
ou outra forma, he impossivel nega-la. Quaudo
eu vejo n'uma comedia invenees engenhosas, diz
M. (iuilhprme de Schlegel, quando lhe descubro
energa, graja e fcil desenvolvimenlo de intriga, nao
hesito pronunciar que be de urigem hespsnhola, an-
da quando o aulor nao suspeitasse e julgasse ler be-
bido n'uma fonte mais viznha. o Modifque-se a exa-
gerado deslas palavras. e ellas se anplicarAo espe-
cialm-nle a l.opez da Vega. Descartes pedia a ma-
teria e o movimento afiru de crear um mundo ; a ma-
teria e o movimento, eis o que Lpez minUlrou ao
drama ; virao ouiros. e o Ihealro moderno ser crea-
do. Shakspeare niio lhe deve nada, mas Comedie e
Moliere iiraram destes elementos confusos obras im-
mortaes, e no prnprio paiz ileLopez.escriptores como
Caldern e Alarcon saberao elevar-se, sobo impulso
do sea genio, a um ideal que nao suspeilava. Se M.
de Schack lionvesse apreciado estas cousas com mais
precisan, pao leria sacrilicado, como fez, toda esta
poesa moderna, cujo luminoso desenvolvimenlo be
nsailo com esperialidade por l.opez da Vega.
Injusto para com o Ihealro oglez, vslo que o col-
loca ahaixo do Ihealro bcspanhol, injusto at para
com o aulor do Prinee cnnstantt e o autor do Tisse-
rand de Seijovie. visto que as mil quiuhentas come-
das de Loppz lhe parecem o groo suprpmo da arle,
poderemos nos ficar soprendidos que M. de Schack
lenha ullrnpassado, julgandn o nosso Ihealro, todas
as inju*ficas e todos os erros de que a critica alle-
maa, desde Guilherme Schlegel, se moslrou tilo pro-
digo 1 Escrever a historia do Ihealro na Uespanlia,
que excdlenle occasiao para immolar os poetas da
Franca (judien dp C isiro aprsenla sobre a cena
a grande figura do Cid ; escreveu urna obra que eu
admiro mais do que ningoem.uma obra em que todos
os romances do Cid, romances heroicos ou religiosos,
sao reproduzidos com urna pucsiacjplhusiasta,mas que
se assemelha mais a una ppopca em dialogo do que
a um verddeiio drama. Corneille se inspira desta
coraposijAo pica ; traduz-llie algumas scenas, e es-
pecialmente, no meio desla longa biographia do h-
roe, descobre um trajo vagamente indicado pelo
poeta hi'spanhol, a lula do dever e da pai\ao ; o
seu insidelo da alia poesa diz-llie que tcalo o dra-
ma esla nislo ; apodera-se desta dea. fecunda-a e
della lira esta obra encantadora que a Europa inlei-
ra, anda em vida do aulor, saudou com as suas
arel a manes. He assim que a quetlAo se apresenta-
va at aqu, mesmo aos olhos desles crilieosallpmAes
que ainda jutgam a peesia e as artes da Franja com
as paixoes de 1813. Schlegel nao tinba lido a peja
de Guillen de Castro ; julga sommle que o poeta
francezsegoo o plano da peja hespanhola, c sem se
explicar tao pooco sobra a originalidade da obra, nao
dissimiila o nrazer que lhe causa nos versos de Cor-
neille a nobrp lula do amur e da honra. Com que
inteligencia M.de Schack tai reparar as culpas de
Schlegel! Toda a poesa, to io o poder pattico de
Guillen de Castro.desapparecen na peja de Corneil-
le. Corneille he fro, Corneille be incompleto, Cor-
neille he secco e es teril, Corneille, nAo faz
maja do que galantear moda franceza com
estes elevados senlimenlos de bonra que desen-
volve tflo cabalmente o autor das Mocidadeidel Cid.
Quinto forma, lie digna do pensamenlo ; a obra
franceza be a parodiada obra lie-panlinla, e se Cor-
neille rec-beu o monede Grande, foisemduvida por
ironia. O que parece esta diatribe eujos termos ado-
cei '.' Pensava em que M. de Scharkerira destes
espiritoa demorado; como lia ainda longo lempo de
pois das reaejoes violentas; esperav* que una aprecia-
dlo desta forja devia ser ridicula em toda a parte.em
Berln c em Leipzig as illu-ao esta pagina foi mu bem acolhid.i alem do
Rbeno. e o traductores allemaes de M. Ticknor,
descontentes por verem M. Ticknor demasiado in-
diilcenlp, dizem elle, para com o Cid de Corneille,
citaram em ola, como um correctivo indispensavel,
a sentenca de M. de Schack. Anda isto nlo he lu-
do, M. Schack achou o meio para fazer melhor. A
proposito das comedias de Lpez da Vega, elle en-
contra Moliere em caminlio, e brada com altivez:
nAqoelle qoo busca as comedias quadros de conver-
sarlo prasairamenle tomadas natureza, imilajfies
exactas de urna realidade commum, personificajAcs
de vicios e loucuras com typos de moralidade que
contrasta, aquello que vai ao ttieatro para ouvir
amsrgas invectivaseexplosOes sal) ricas, ou enlSo pa-
ra ver estas scenas grosseiramente buffas que proyo-
cam um riso de campouez, est? fara bem em se nao
approximar de Lpez da Vega e iudemnlsar-sr com
Moliere e Wyclierley, com Goldoni c Kotsebu. a O
aalor do MitaMropo e do Tartufo ficou am grao
abnixo do cyoico Wycherley O meslre imcompa-
ravel da srena cmica confundido cora Kotzebue,
rom Goldoni, e sarriflcado a eleganlVs phsntasias de
Lpez ila Vega Nao se refnlam laes coasas ; bas-
ta cita-las. I)ar-se-hs caso que se me obrigae tim-
ben) a discutir cun M. de Schack quando elle affir-
ina que as personagens defRacinesAo bonecas dema-
deira, e que fallam ridiculamente a lingua do boni-
frales !
Emlim, pergunlo.se islosiio opiniOes I literarias, ou
se antes au he um encariiijampnln contra o pro-
prio genio da Franja. Quando Schlegel se esfcrja
para depreciar Moliere, er no seu systema ; o ho-
niem que ultraja aqu a Moliere e Corneille, e Raci-
nr, he um desles gallophobos cujo odio he e grande
inspirarlo. Grave, aliento, escrupuloso Acerca de
ludo o mais, a modo que s> torna oulro homem as-
sim que se trata de n. Este erudito, que se iul-
garia tao criminoso se commellessc um erro de ala
ou urna omisaSo insignilicanle a respeilo dos poetas
mais obscuros da Hespanha, perde a nojao do justo
e do injusto ao nome smenle dos iinmorlaes mes-
tres da nossa lingua. Corneille faz representar o
Cidetn 16.16 ; vinle dous annos depois, um poeta
ca.tclhano chamado Diamante, ao iu-pirar-.e ao
mesmo lempo da pintura pica de Guillen de Castro
edo pathelico de Corneille, reprodut qnasi lillpral-
menle varias scenas do poeta francez no drama inli-
tulado o Homem que honra teu pai {el Honrador
de tu padre.) As dalas exislem, a imitajo de Dia-
mante he manifcsla, e M. de Schack, obedecendoa
um primeiro movimento de imparcialidade. assigna-
la com ell'eilo o que Diamante deve a Corneille; mas
que importam as datas? que importa esle primeiro
movimento involuntario T O historiador ae desliz no
seu lerceiro vulume, e rcflexes mais serias nao lhe
permuten)'diividar que Corneille lenha Ira luznlo
Diamante. Voltaire ja o havia-slilo, mas Vollaire
era engaado por datas inexactas. Dar-se-ha acaso
que M. de Schack contesto ai lices da critica mo-
derna ? Tcr elle adiado urna prova nova ? Nao,
nao ha razos, nem discussAo, nem prova ; o princi-
pal argumento he oscguinle: a peca de Diamante
ie mullo bella, e por isso o poela caslelhano nao po-
da tuina li a Corneille. A' vista disto, iiinguenise
deve admirar que o aulor negu obstinadamente o
que a srena franceza pn le dar algumas vetes a scena
hespanhola ? Se Corneille copin Diamanto sem no-
raca-lo, elle que cilava to lealmenle os seus mo-
dellos, pdecompor o seu Jleraclio segundo o drama
pbaiilaslico de Caldern, en esla lodo es eerdad y
lodo mentira. Segundo toda a verosmilhanja, o
contrario he que he verdade ; anda repilo, que im-
porta '.' Subp lodos esles pontos, o conscencioso Ai-
lemao (t/Ta sua guarda avaujada. E agora que o
doutor Julio, naS suas annotajoes de Ticknor. pro-
clama como suprema auloridade os juizosde M. de
Schack ; que M. Fernando Wolf, n'um artigo iden-
tifico dos Hlaelter fur litleraruche Unterhattung
D'RIO OE PERNAMBUCO. QUINTA FEIRA 28 OE OEZEMBRO OE 18b.
i:
lencias do grande historiador que elle admira : se
ubedecem a tolos rancores contra a Franca, mis os
lamentaremos por causa desla enfcrmiilade* obstina-
da ; se so de boa fe, pelo contrario, e se esta he
verdadeiramenle a sua maneira de entender a poe-
sa, lomaremos a lberdade de dizer-lhes como o Ita-
liano das ConfittiSen de Rousseau: a V esludar as
inalhcmalcas
Nao, nao u. con..Miniaremos as malhematicas,
con lii/i-los-hoinos smenle eriidirao, a critica dos
textos e s leiluras reflectdas. Ei.-ahi o incontcs-
tavel valor do livro de M. de Schack. Os erros mu
graves do laborioso escriptor nio impedem de assig-
nalar com prazer o inmenso servijo que presin i
historia Iliteraria. O seu esludo acerca de Caldern,
em virlude das analyses, das confronlares, a expli-
cacAo das fontcs be um dos Irabalbos mis uteis que
se possam consultar. O que bavia melhur a esle res-
peilo na Allemanha. antes da publicajfio de M. de
Schack, eram as profundas iDilagajes ileM. Valeo-
lim Schmidl. inseridas em \A--> nos Annaes de Vien-
na, e reproduzidas quasi todas por AI. Rosenkranz,
na sua inleressante Historiada Poesa (Halle, 1833.)
O lerceiro volumc de M. de Schack excede a todas
as sabias memorias que o precedern). O genio de
Caldern sera logo melhor apreciado na Europa. Ao
passo que M. Damas-Hioard nos dava urna tradc-
elo elegante e fiel de muilos dos seus dramas, ao pas-
so que M. Luiz de Viel-Caslcl. juiz mui competen-
te desle velho Ihealro, publieava aqui a seu respeilo
excpllentes analyses, a attenjao se Iransporlava alm
do Rheno sobre esla grande e singular figura. A
ailmirajao de Guilherme de Schlegel para com o au-
tor do Prinee Consta! inspirara as bellas traduc-
jes de lirios e de Malsbourg ; a obra de M. de
Schack recordou aobarAodeEicliendorf.que elle ha-
via Iraduzido com rara felicidade um volume d'au-
tot sacramentales. M. de Eichen.lorf acaba de ac-
crescenlar ao seu Irabalho um segundo volume, que
cuulcm algumas das comedia* divinas. Juntemos
ainda influencia de M. de Schack, osupplemanto
que urna mulherde talento accrescenta ou Caldern
de Gries. Alarcon, mui pouco conhecido ha alguna
anuos, antes que M. Fernando Deniz, nassuascAro-
nicas cacalleirosas, bouvesse dado urna IraducrAo
mui enzenhosa do Tecelode Segovia. Alarcon, que
airahe hoje as ihvesligajei de urna critica enlbu-
siasta. maulem pvreilutnenlis son lugar na obra do
historiador allemAo, Morolo. Tirso de Molina, Ro-
jas, Solis, ChnstoYAo de Monroy, sao igualuienle
esludados com cuidado, e posto que M. de Schack
prefira o primeiro periodo, em que domina o nome
de Lpez da Vega, esta segunda gerajao indica ma-
inte.lamente u:n esforjo para um ideal supe-
rior.
Seria pouco conveniente apreciar incidentemente
a obra de um genio como Caldern. Se resumo por
lauto a impressAo queme causa taodoutosestudos,se
procuro imaginar o poeta tal romo estas novas lu-
zes o revelam aos nossos olhos, coufesso que fico
impressionado de ver nelle o resumo mais completo
desla ila lo media hespanhola, que M. de Schack
nos reveloo plenamente. O espirito romntico e o
espirito religioso nelle so reunem, elevados, se a-suc
nos podemos exprimir, sua mais alta potencia.
Elle (em mais forja, mais arte, um ideial mais su-
bido que Lpez da Vega, mas n o sahe dos limites
que Irajava a si proprio'o velho JoAo del Encina.
Os dramas de Lpez peccam minias vezes pela falta
de profuudeza; os dramas de Caldern sAo obra de
um pensameuto mais grave. Os autos de Lpez sAo
pessimas rapsodias escolaslicas;os ano de Caldern,
atravex das suas estravagancias innumeraveis, sao
como vises deslumbrantes. E todava, apesar desta
superiordade da sua arle, ainda se nao liberta dos
grillioes do passado. Poda com Schakspeare resumir
a poca viva de que procede, e inaugurar um ttiea-
tro iiilejramente moderno. Schakspeare he moderuo,
assim como Corneille, II.i ine, Pascal, Bossutl; Cal-
dern he o ultimo, e, cora Dante, o mais maravilhoso
dos poetas da idale media. Nao nos devenios esq.ie-
cer que desde o poeta Iflorenlino ate o poela hespanhol
vAo quasi quatro seculos! e que seculos! Que movi-
mento dos espritus: Que transformajAo da liumani-
dade 1 Assim, esla adhesAo de Caldern para com a
idade media, por mais sincera que fosse em realida-
de, como nAo havia de ler muilas vezes os movi-
menlns apaixonados de um systema* Nao direi com
Sismondi que o aulor da Deborao Cruz he o poe-
ta da inquisijAo, direi apenas que be a expressAo da
idade media artificialmente prolongada. Nao se tra-
a aqui desle calholirisrno ingenuamente desenvolvi-
do cujas leudas e at superstijoes tem um carcter
de serenidade encantadora; sentimos uina inspira-
jAo constrangida ama especie de idea de polmica;
sentimos o poela imbuido nos pensamentos do secu-
lo XIII, mas que compite os seas dramas no dia
seguate da reforma e do concilio de Trenlo. M.
Joze de Maistre, falla em alguma parte da my tholo-
gia chrislAa da idade media; esla mythologia era
singela e ebeia de encantos, he facticia em Calde-
rn. Se havia alguma cousa pagaa na devnrAo do
seculo XIII, este paganismo involuntario era bem
rrsgalado pela caudura dos espiritoa; pelo contrario,
o paganismo tem um carcter refleclido in grande po-
eta hespanhol. Vejamos desenrolar-se esle drama ex-
Iraor.linnno,intitulado a Decorito Cruz, assisl unos
as tenebrosas aventuras do purgatorio .le S.Patricio,
e depois leamos urna pagina urdalloue, del'enelon ou ile .Malebrnncbe: Veremos
que distancia vai desla idade.media ao rhrislianismo do pensamenlo moderno. Caldern
nosinoslra malvados abomniaves que conservam no
meio do seus chines nao sei que adora jo supersti-
ciosa aos symbolos materiaesda igreja ; podem desde
entAo continuar a derramar o saugue, e escarnecer
de ludo quinto lia mais sanio no eco e na Ierra : es-
i- -> mlioo material he um talismn que os salvan).
Nao supponhamos que se traa aqui ile pintar a de-
vojao do bandido hespanhol ou italiano ; he urna
theoria completa, em que um brilhante mysticismo
de iinagin.ieo e de lingua que pouco dissimula o
grosseiro materialismo da essencia. Sei cabalmente
que Caldern escreveu o Prinee Constan!, e que
esle Regulo clirislAo he urna das mais sublimes crea-
jes da poesa religiosa. Quantas oulras peras anda,
quautos autos sacramentaes e comedias divinas, em
qae a exallajAoda f parece transfigurar a hurna-
nidada e misturar o co e a trra n'um prodigioso
deslumbrameuto Seria,bello assumplo para um
historiador pbilosopho mostrar no Ihealro de Calde-
rn esta lula involuntaria entre o verdadeiro e o
falso, entre as superstijoes de ama idade media ar-
tificial e as inspirajes sinceras de am chrsliaqismo
espiritualista. Cerlamente estas insprajoes mais ele-
vadasji di-ponlam em muitoa lugares do audacioso
aulor do Prinee Constan!, assim como ve-se o espi-
rito moderno, com a sua ratao desenvolvida e a
sua lberdade regular apparecer aqu e all, em Tir-
so de Molina, em Moreto, em Rojas e especialmen-
te em Marcon, e presagiar urna era melhor. Ohl sAo
symptomas mui fugitivos I O despotismo e ainqui-
sijAo produzem seus fruclos, os meslres da arle nAo
enconlramna ronscenca geral do seu lempo o apoo
de que necessila o poela dramtico, e no momento
emquq julga.nos ver apoular no horisonte a primei-
ra alvorada da renascenja, am periodo demortejii
principiou.
E todava qaanlos germens de vida nestes seculos
XVI e XVII? Aqui existe a escola dos myslicos pen-
sadores, a escola de Santa Xhereza, de Luiz deLeAo,
de Luiz de Granalla, um dos grupos mais origiuacs
que aprsenla a historia das ledras hespanholas; all
exisle o espirito vigorosos encantador ."que associan-
do o mais vivo bom. senso ao senlimenlo das Iradi-
jocs altivas do paiz-, pareca ler resolv.lo. com o
seu O- Quixote, o problema proposlo Hespanha,
edado o signal das transformajesdo espirito publi-
co. Doushtfbcis poetas allemaes acabam de chamar
de novo a atleujAo sobre o grupo dos pensadores
nyslicos, por meio de ama excellenle tradcelo dos
hyinno de Luiz de LeAo. Quando vemos esle no-
bre escriplor espiar aa ma.morras da inquisijao o
pos transportes da sua bella alma, quando vemos,
nao a bcresi cerlamente. mas o esplritualismo, pu-
nido como am crime para com a auloridade religio-
si, comprehendemos melhor qaanlos germens fecun-
dos ethesouros o regimen de um Filippe II pdde
abaar e destruir. Devemos agradecer a M. Scnlu-
ter e a M. Slorck haver Iraduzido com lamanho
cuidado os hyranos daquellc a quem os Uespanhoes
chamam o meslre da lingua nasleihana. Devemos
agraderer tambem a M. Germond de Lavigne ter
avivado a nossa admirajio para com Cervantes, per-
miltiudo que melhor apreciassemos a obra desle te-
merario Avellaneda, que se alreveu a disputar ao
inventor a gloria de concluir D. Quicte. Digo
que a nossa admiracAo para com Cervantes redo-
hrou; com tu lo nao he islo o que prelendia o tra-
ductor. M. Germond de Lavigne cabalmente co-
nhece a Hespanha do seculo XVI e do XVII, c tem
goslo pelas curiosidades Iliterarias ; era natural que
o traductor da Celestina e da Don Pablo de Segovia
se apanonasse um da pelo I). Quixote de Avella-
neda, e quizesse vinga-lo do psquecimenlo c dosprc-
zo. Todas as questes de bibliograpliia e historia,
que se referem a efle singular episodio, sao cuida-
dosamente tratadas por elle. Se quizermos conhe-
ccr as mais pro va veis ennjecturas acerca do cscriptoi
pseudonymo, que leve a audacia de rivalisar com
Cervantes, se desejarmos conhecer os promenores
desle episodio, as opinioes dos principacs crticos, os
destinos do livro de Avellaneda, devemos ler a dis-
sertajo de M. Germond de Lavigne. SerAo lAo ir-
rrprelieiitiveis osjuizos Iliterarios do hbil traductor
como a sua erudijAo'1 Nao, cerlamente; nAo se de-
ve procurar um pensamenlo imparcial neste proces-
ao em favor de Avellaneda. A obra de Avellaueda
se acha debaixo dos aiossos olhos, he isto s que de-
vemos ver. Ha cerlamente cnirito, talento, inven-
jAo comira, no audaciuso pseudonymo : entretanto
que distancia senAo ola entre o copista e o modello!
Onde esla a graja risonha, alpgria franca e opporlu-
na Onde est principalmente o dora maravilhoso
da invenjao que faz de D. (Jnixole e de Sancho
personagens animadas' Avellaneda toma a ida a
Cervantes, e segue-a lgicamente, como um rhclo-
riro cxercilado que se nao aparta do plano do seu
discurso. Gabe-se quantn se quizer esaa regulerida-
le limida; ha nas obras da arle urna lgica superior:
be o desenvolvimenlo livre e completo de urna cria-
jao que recebeu o sopro da vida. Longo de conce-
der a M. Germond de Lavigne, que a segunda parte
de Dom Quixote, infiel ao primeiro pensamenlo
do autor nAo seja mais do que o brinco de urna ima-
ginajAo qae se diverle. Creio. com M. Tickuor que
pelo menos lie igual i primelra. Aguilhoado pela
audacia de Avellaneda, o velho Cervantes dea redea
ao seu genio. Quanta riqueza Quanlo estro de
bom senso e de alegra! Como as figuras se dese-
ubam com maior precisao. e se ornam de um co-
lorido mais brilhanle Conhecer-se-ha Sandio,
se o nAo houvcssem vslo governar a -na ilha ?
Ter-se-hia urna idea completa de D. Quixote, se
o nAo vissem, entre as suas innumeraveis avenlu-
da leve a triste lembranra de cura-lo desle amor, e
a lembraja ainda mais trislc de pr o desenlace da
sua narrar i no hospital. Coihparem-se estas ras-
teiras invenjes com o fim de D. Quixote de Cer-
vantes, com a sua volta, a sua molestia, o seu ar-
repcndimenlo, e a sua morte placida e chrislAa.
Comparem-se lambem todos estes episodios poti-
cos cnm a desenchabida e fastidiosa historia de Bar-
bara qne oceupa 15o grande lugar no pseudonymo.
Esla analyse Incuriosa, e ainda urna vez devemos
agradecer a M. Germond de Laviffn por no-la ler
(ornado tao fcil; o texto de Avellaneda linlis Tien-
do no esqiiecimento, mas agora o seu livro he ac-
iv~.iv I a tolos os leilores, e lodo aquelle 'que se
quizer dar ao Irabalho de comparar Cervantes com
seu rival, estamos convencidos que experimentar
uina especie de admiracAo avivada para com a m.i-
ravilhosa chronica de Cid-Uamel-ben-Engeli.
NAo, nAo loquemos ligeiramenle na fama de Cer-
vanle". He a figura maisajevada desseseculo XVII,
em qoe o espidi moderno, sem romper nenhuma
das Ir.nlico... nacionaes, devia desembararar-se das
fichas infaulis e coraerar nova vida. Se esta as-
piraro existe em alguma parle da Hespanha, fie
pm Cervantes que se encontrar. Com que vigor
de peiisairicnlu julga elle Ihealro do seu lempo !
Que conselhos d a Lpez da Vega, quando lhe
moslra a lei da unidade, e o convida a meditar mais
tongamente Como parece prever os erros de Cal-
dern, quando condemna essas invenjes de mita-
gres que desfiguran! a religiAo sobre a scena Que
senlimenlo nAo Irm elle acerca da poesa, do seu
papel viril, do seu ministerio sagrado E qoAo
grandes cousas a lillcralura hespanhola, em vez de
morrer suliilnmenK dessa meia idade facticia cujos
perigos o genio de Caldern mui bem encobria,
quAo grandes roosas, dizemos nos, a lillcralura
hespanhola tea ainda realisado, se, segundo as
magnificas palavras de Cervantes, se tivesse asso-
ciado virlude, philosuphia. scienda, a todas
as sciencias, que deviam urnar-lbe a belleza e nella
refleclir com orgulho a A poesia, Sr. Fidalgo,
he, segundo pens, urna virgem de lema idade e
e de belleza perfeita-, a qual tem o cuidado de or-
nar e enriquecer, muilas oulras raparigas, que sAo
todas as oulras sciencias, por quanto deve servir-
se de todas, e todas devem hrilhar por seu inter-
medi-j. (Continunr-sr-ha.)
VORICLLTLRl.
.um aw ------ ,----------------- """! cune is sua iiiiiuineidvcis iveiiiu-
(ISI9, n. WJ, reptla e envenene anda lodas as vio-, ras, eternamente fiel soa Dulcinea ? Avellane-
DA CULTURA MEI.HORADORA.
Considerada em suas relajes com a diminuirn.
manutenjAo e augmento da ferlilidade do solo, a
agricultura franceza divide nosso territorio em tres
partes Jdesiguaes, cada ama das quaes possue urna
cultura especial: extenuadora, estacionaria ou me-
Ihoradora.
A cultura extenuadora vive do passado, conver-
le em capital circulante urna parle do capital terri-
torial, enriquece algumas vezes o rendeiro custa
do proprietario, e applica-se principalmente expor-
jao dos gneros de venda.
A cultura estacionara nada toma do passado,
nada d ao futuro. Observando estricta e leal-
menle a famosa clausula consagrada nos onlratos
de arrendamentos, ella goza como boa mi de fa-
milia, e conserva o equilibrio entre a producjAo e o
consumo dos eslrumes.
A cultura melhoradora immobilisa no solo urna
parle de seus capilaes, c augmenta assim o capital
territorial, nAo em extensAo, mas em profundidade,
em riqueza, em productilidade.. Ella trabalha pa-
ra o fuloro, c resolve o problema de conciliar seus
proprios inlcresses com os do paiz iuleiro.
Releva dizer que a cultora melhoradora, bem que
mui lentamente, vai ganhando terreno de dia em
dia, principalmente a custa da cultura extenuado-
ra. Ella comprehende qoe a civilistjAo impe lhe
urna bella larefa : a de augmentar as subsisten-
cias em proporjAo das necessidades das populajOet;
a de realisar a ida a bom mercado pela diminnijAo
do prejo de custo dos productos agrcolas ; a de
garantir a Iranquillidade do estado pela alenuajAo,
senAo pela suspensAo das crises alimentarias. E ti-
rando sua energa da grandeza do fim, ella traba-
lha por toda a parle roteando nossos deserlos do
ocsle, plantando arvores em nossas Ierras de So-
logne e Champagne, creando irrig.icf.es no sul,
enxugando as Ierras hmidas de Bre, aperfeiroando
iiossoi rajas de animaes e nossos instrumentos ara-
torios ; multiplicando os estrumes, e aprofundaudo
o solo aravel.
A grande cultura, principalmente toma um.) par-
tp cmisideravcl nesse movimesilo geral para o mc-
Ihoramento do solo. Os capilaes, as inlelligencias,
os braja) chegarq-lhe, e com es sentir cada vez mais sua feliz influencia sobre a
propriedade territorial, sobre o capital, sobre o
Irabalho, snhrc a prosperidade publica.
A propriedade territorial explorada em grande
callara melhoradora, segu em seu cresrimcnlo de
valor, os progressos da arte de tirar partido do
solo. Quando cssa arle nAo era exercida senAo pela
pequea cultura, era natural que essa permanecesse
senhora do terreno, poia que poda por nelle um pre-
jo muilo mais elevado do que a grande cultura. A
propriedade rural desmembrava-se entao : be impos-
sivel grande cultura lular contra urna rival que,
obrando sobre urna superficie mais restricta, podia
consagrar-lhe mais Irabalho, mais capital por declare
(10,000 melros quadrados) Oulros lempos, outros
recursos, i Tornada progressiva, a grande cultura
comprehendeu que se linha sobre sua coneorrente a
desvantagem relativamente ao Irabalho de mo d*o-
bra, podia ter a superioridade relativamente ao Ira-
balho mecnico dos animaes e principalmente pela
producjAo dos estrumes." E foi assim que applicou-
se a bascar a abundancia, rariedade e seguranca
de suas colneitas sobie a fertilidade do tolo. De-
pois de ler augmentado sens producios e diminuido
suas despezas, ella procurou dar exlracjao s suas
mercadorias sem faier vendas iuopportunas, e para
isso aproveilou-se da vantagem que davam-lhe rela-
jes commerciaes mais extensas e capilaes suffieien-
les. Em urna palavra, o agricultura, sabendo al-
liar a producjAo propriamenl dita ao commercio, e
operando com recursos convenientes, tornou-se urna
verdadeira industria que realisou o problema da pro-
ducjAo dos graos, das forragens, e dos animaes a
bom mercado. De-.de entao, lula susleutavel contra
a pequea cultura, desciment de valor territorial c
de locajlo do solo e conseguinlemente da renda dos
propietarios. Desde enlAo tambem mudanjas nas
relajos dos proprietarios para com os rendeiro, que
oulr'ora eram verdadeiras parles belligeranles, pra.
licando a moral da guerra,e qae sAo hoje partes so-
lidarias, praticando a moral da paz que he ao mes-
mo lempo mais honrosa e mais proveitosa.
Os capilaes empregados no melhoramenlo e ex-
plorarlo do solo, mudaram necesariamente a siloa-
jo respectiva dos emprestadores e tomadores. Con-
cebese qne um terreno pobre he um mo devedor; aa
rolhcilas sao nelle precarias; pois temem os excessos
da humillado. A um anno relativamente abundan-
te succede nm anno de penuria ; e as crises sao tan-
to mais lerriveis quanlo as prodaejes, pouco varia-
das, reduzem-se quasi aos cerones, cuja ceifa concen-
tra-e em uma s poc e corre por esse faci os mes-
mos riscos. Daqui variajes sbitas nos prejos urna
vez he o vidamente dos mercoriaes que, augmeo-
taudo o embarajo dos cultivadores obriga-os a ven-
der por todo o prejo ; outra vez he urna alia exessi-
va que complica a segoranja dos estados. Accres-
eenle-sc a esta base ineerla do crdito agrcola um
systema cultural incapaz de fazer avanjos ao slo,
e que nAo possna como ,peohor para os rredores se-
no movis, e um redando de pouro valor e com-
prehender-se-ha que em lal situacAo os capilaes de-
verAo aparlar-se por muilo lempo da agricultura,
preferindo-lhe a industria ; mas de oulro lado veja-
se a cultura melhoradora com suas Ierras feriis que
regularisam.nivellam lano quanlohe possivel o ren-
dmcnlo annual das colhetas. invenlarie-se a somma
de seos avanjos, de seus movis, de seus animaes, de
seus valores de lodas as sorles e reconhecer-se-lia
que nella chega urna poca, na qual os capilaes po-
dem adiar um emprego rendoso e certo ; he porque
ella sabe qoe pode, como a pequea cultura, consa-
grar a cada bectar o mximo de capital necessario.
Toda a scienda est nisso : Empregar com dscer-
nimento um capital suMicientc.
O Irabalho lambem ada na cultura melhoradora,
elemenlos de prosperidade que lhe recasa a cultura
extenuadora. O que se nao tem escripto sobre a de-
sersAo dos campos pelos ohrcros, sobre a ausencia
dos proprietarios 1 O que era pois essa villannagem
destinado a realisar economas llorante o vero para
viver no invern com mais luxo nas cidades Y Que
consequencias podiam gerar essesarrendamenlos de-
sastrosos que resgal.indo o rendeiro. enndemnavam-
no por assim dizer, extcnuajAo forrada e perpe-
tua do solo ? Que podia em fim vir a ser o obreiro
em pre.enja dessa cultura Iriennalque chamandoao
Irabalho ila celia forjas enormes, despeda depois
quasi loda a sent durante os tres quarlos do anno?
Evidentemente, lautas causas reunidas deviam em-
pellir os obreiros dos campos para as cidades onde
a industria mais prospera promedia salarios mais
elevados. He verdade que havia tambem qoe receir
falla de Irabalho, mas em conipensajao havia o re-
curso das obras publicas o nutras medidas que acei-
tando as consequencias da aglomerajao, em voz de
combaler as causas, opprimiam os orjamvntos das
cidades e adiavaui as commojes sudaos.
Outra se aprsenla a cultura melhoradora. Seus
Iradnlhiis silo mais numerosos, mais variados, mais
sustentados. Durante.) estajAo vegetativa, ella tem
suas culturas mondadas e suas colheilas que se se-
guem de perlo. Durante o invern, tem scusaler-
ros, seus mellioramentos, suas roteaduras, scus Ira-
liallios nas oflicinas ruraes. Se augmenta as subsis-
tencias, augmenta lambem o Irabalho, isto he, "
meio para o obreiro, da comprar productos. Onde
pois adiar melhor solujAo para o problema do pau-
perismo ? Supponhamos por um instante nossos
campos habitados por proprietarios lucidor..dores ou
ron. lei rus que dispnnham de capilaes, e pergunlemos
a mis mesmos se todas essas oflicinas de Irabalho
alii.i la. a custa desses oro menlos particulares nao
vallerAo mais para nossas populajes ruraes, para a
iranquillidade de lodos nos, do que essas officina*
manlidaa nos lempos de calamidade pelo orramenlu
do estado Cerlamente be essa urna queslao vital,
uina qoeslAo de actualidade, de futuro sobre ludo
mui digna de atlrahir a altenjAo dos hompns de esta-
do que sabem contar com o di% de amanhiia.
Jaque agitamos cssa questAo do Irabalho, fallare-
mos agora da posijAo em que se acha o Irabalho in-
elleclual em nossos campos f Essa posijAo he co-
ndecida por lodos : os chpfes da explorajo rural
lem definitivamente conquistado sen direile de bur-
guesa nesse mundo da inlelligencia que ainda ha
pouco os contava em tAo pequeo numero em suas
fileiras. Quanlo mais a Iheoria vem esclarecer a
pratica,tanto mais a agricultura ganha em considera-
Jilo, em influencia social. A' impotencia moral e
pecuniaria snecede cada vez mais a omnipotencia da
inslrucjAo que vivifica o capital. Nao est longe o
lempo em que essa pacifica rcnovajAo agrcola dar
lodos os seus fruclos com grande proveilo do paiz.
Assim prosperidade publica he inminentemente
inleressada no prngresso da cultura melhoradora.
Dessa prngresso combinado cora um bem svslema
le viajAo e de crdito devem resaltar :um equili-
brio dpsejavel entre a pequea e n grande cultura,
a baixa do prero de costo dos veneros alimentarios
o nivcllamenlo do prero de venda dos mesmos,a
prosperidade das manufacturas, qner por causa do
crescimenlo da scus mercados nos campos, quer por
causa da vida a bom mercado que diminuc de oulro
tanto as despezas de mo de obra. Nada ha de exa-
gerado ne.ases resudados elles nascem do meihora-
mcnlodo solo pela grande cultura, que empregando
menos mSo d'obra do que a pequea, deixa conse-
guinlemente disponiveis mais bracos e mais gene-
ros. Procure-se tanto quanto se quizer. na ordem
dos interesses materiaes raeios mais eflicazes para
asseguraro bem estar do maior numero, para con-
ciliar a ordem com o progretto, para garantir a
iranquillidade e prosperidad publica e duvidamos
queseachealgumquesfja mais largo, melhor ap-
propriado ao nosso genio nacional, o qual lende a
approximar-se daagricullora.
I'aes sAo os resulLados geraes da cultura melhora-
dora. Porque razo pois, fazendo-se absIracjAo de
causas de ordem mais elevada, nao est ella mais
rulgarisada?|porque razAo ispira ainca temores e
delem a lautas boas vonlades? Ser porque ao lado
de seus uccessos ha revezes qae motivara as hesi-
lajes ?
Compre confessar que as calastrophes nAo lem fal-
tado nessa carreira dos mellioramentos ruraes. Lem-
hreiiio-nos das eslreas da escota do producto bruto,
dessa escola que tenda para a cultura inlensiva,
para o svslema aravel, para a estabular,!.), para as
raizes mondadas, para a rnleadura dos prados nalu-
rast) para a suppressAo das Ierras de pousio, para o
abandono das paslagens. Dizia-se eiil.ln, que nAo
havia Ierra m que n:lo se podese melhorar p?la
adopjao de urna cultura np'rfeicoada. Imporlava
a todo o cusi augmentar as subsistencias, extirpar
arolina, instalar afoldamentos alternos..... poca
de illuses que nao se deve imitar, mas que todava
merece nossos respeitos, pois havia enthusiasmo,
I" lie cao. lloniMis de .ciencia rolirav .m-'o do
mundo, encerravam-se em urna fazenda e verdade-
ros solitarios, procuravam destinos melhores pana
povo do campo. Compre, repelimos, render home-
nagem a essa guarda avnjada do progresso, que
cimmelteu i falla de s ter urna frmala para urna
scienda tAo variada quanto he t agricultura em suas
dpplirajoes.
Porcm veiooalra escola de moldura 'oros ; a do
producto liquido, que para apreciar o mrito dos sys-
tema culluraes, pergunla-lhes qual a laxa do in-
terese dos capilaes empregadoi. Em vez de encerrar
osafolhamenlos em urna eslreila formula physiolo-
gica, ess i escola allende aos solos, aos climas, aos
mercados, aos recursos do cultivador. Em vez de
concentrar suas observajes meleorologicas nas re.
gies septentrionaes. eslende-as aos paizes do sal.
Aolado dasleis naluraes que regem a producjSo or-
gnica, ella reconhece leis econmicas que em todo
o estado social impoem agricultura a grande ne-
cessidade do lucro. Ao lado das situajfies que com-
portam urna cuitara activa, baseada sobre o sum-
mum do produelo bruto, ella distingue oulras que
reclamam urna cultora exlensica, que preferem com
razAo empregar mnita Ierra e pouco capital, e que
nessa diaposijAo de espirito, poem em obra as prati-
cas oulr'ora repmcada: oalgoeive, a paslagem, os
leires, ele. Eis a escola moderna (al qual a lem
formado os ensinos das sciencias naluraes e da eco-
noma poltica. He dessa escola de edeclsmo, il-
luslrada por tantos sabios e urlicas que tiraremos
nossas inspirajes para expor os principios da cul-
tura melhoradora, dessa cultura que tem lomado por
divisa: Progresso com prudencia e perseveranja.
Plano da obra.
Antes de tratar dos mellioramenlos em si mesmos,
he necessario conhecer as bases geraes das explora-
rnos ruraes suluncllidas a esses mellioramentos.
Daqni duaa prinripaes divises em nm Manual que
queremos redigir.
A primeira dvisio Iralar das bases da empreza,
islo he, do emprehendedor, dn solo e do capital.
A segunda divisAo ser consagrada ao esludo espe-
cial dos melhoramenlos que serAo clasificados em
tres captulos:
1. Os mellioramento! culluraes prnpramente
ditos, que sAo cssencialmcnte temporarios, dcsappa-
recem, em geral, com o pensamenlo que os (em
concebido, e applicam-se:ao irabalho, islo he aos
motores, ioslramenlos, maedinas e proress is de cal-
tura,aos eslrumes e adubos, aos tystemas cultu-
rad e afolhamenlo*.
2. Os melhoramenlos retaliaos ao gado.
3. Os melhoramenlos lerritoriaet, permanentes,
immoceii que se cncorporam ao solo, fazem parle
integrante do immovcl, consagran) um estado de
cousas duravel, senAo para sempre, ao menos por
muilo lempo, e comprehendem:o alramenlo do
solo,os tancamenlos,as irrigardes, as rotea-
duras,as planlarocs,as conslrucjcs ruraes, os
edificios, caminhns e cercas.
Y. Lecoutcux.
Director das culturas do anligo
instituto agrononico de \ er.a-
lhes.
(Journal AgricuMute Pralique.)
V1RIEDADES.
. SCENAS PARISIENSES.
Havia oulr'ora em Pars, no mundo diplomtico,
o representante de um pequeo esladu d'ullramar,
homem alias de mrito, que linha prestado servi-
ros imlaveis no seu paiz, mas que era inteiramenle
aatranho aos usos da capital da Franja, e em par-
ticular pouco civilisado no sent o do tora parisi-
ense.
.Minio cuidadoso da sua diguidade, e (emendo
cahir em ridiculo, linha tomado um criado grave
platico na diquela p boas manciras, por ler vivido
boas casas, e conhecer a fundo ludo o que lem
relajAo com o decoro e exige a rivilidade. O di-
plmala era sempre acompanbado por este criado.
Va-te sempre aps elle este grande capadoco com
asperlo grave, que de instante a instante se encos-
lava a elle para lhe fazer em voz baixa esla oh-
sorvajSo. diclar-lhe aquelle movimento. e faze-lo
parar no momento de pralicar alguma incongruen-
cia. Quando o embaixador jantava na cidade, o
criado enllocado alraz da sua cadeira lhe dizia :
Eu lemhraria a V. Ex. quenluse come com os
dedos veja V. Ex. que nAo be decente limpar os
denles com a puna da sua faca. Eu suppiiiiha ja
ler dilo a V. Ex. que nAo se deve pedir duas vezes
do mesmu pralo.V. Ex. veja que nao he permil-
lido nem conveniente em um janlar diplomtico
fallar dos seus negocios particulares, e mesmo in-
lerpellar em voz alta sua esposa, dizeiido-lhe pala-
vrinhas doces ede ternura.
Nascido sob um co ardenlr, o diplmala doma-
va a forja do seu carcter para escutar estas admo-
cslaees. c curvar-se s lijos do preceptor de libr.
Mas um dia em que o preceptor, levado muilo Ion-
ge pelo seu zelo doutoral, se linha esquecido da
materia da lieu. c linha imprudentemente locado
em algum ponto de moral muilo delirado, o dipl-
mala perdn a paciencia {islo se passava em um
grande janlar nflicial em que se achavam as mais
alias personagens), e, sallando de sua cadeira, ca-
bio sobre o criado, e (omundo-o pelas gucllas, lhe
adminislruu urna soberba perjao de bous socos.
Quanlo mais o criado grilava : Mas foi V. Ex.
quem me disse que o adverase quando fizesse algu-
ma asneira V. Ex. veja que he contra ludas as
conveniencias o esmurrar seu criado peranle to il-
luslre assembla. V. Ex. falla sociedade, o ofren-
de a lodos os usos, d lano mais o diplmala bata
cnm lodo o vigor para redu/.ir o indiscreto a guar-
dar o silencio.
A scena fui seguramente das mais imprevistas e
das mais estranbas que jamis (vera lugar em uina
sala de janlar ministerial.
Esta aventura, que em seu lempo fez grande cf-
fcito uo mundo diplomalico, de novo reapparereu
ha pouco lempo em urna das mais brilbanlcs casas
de Pars. Se as circumslancias nao sao totalmente
iguaes, lem pelo menos mui grande analoga, co-
mo vamos ver. A scena se passou, nAoem urna sala
de janlar, mas sini na porta de um elegante salan.
O hroe nao he um diplmala recem-chegado de
um paiz longinquo e pouco civilisado, he um Pari-
siense perlencenle grande roda, e que sempre
passou por homem muilo bem educado.
Eslecavalleiro lem nome perfeilamente honorfico,
e mesmo muilo- distincto, mas que pela transposijao
de urna s ledra se muda em um substantivo de sig-
nificajAo lerrivelmenle ridicula, de accesso fcil e
muilo dcil e agradavel com qualquer oulro objec-
lo, nosso fidalgo nAo conseute nem admilteo menor
gracejo que seja sobre seu nome, c nnguem lem o
mo goslo de com islo brincar. Mas ccrla nole, na
entrada do salAo da condessa de o criado en-
o,irrigado de o annuneiar, c que por ser nvalo na
casa ainda nAo o condeca, e ouvia seu nome pela
primeira vez, ouvi-o mal, e sem m inlencAo o pro-
clamou com estrepitosa voz entregando o fatal car-
ian, de maneira que foi o substantivo ridiculo que
veio retumbar nos ouvidos da asseinbla estupelacta
e divertida.
Os homens nao poderam conlcr o riso, e as se-
ndor.is I.S.-.In.toril rn n roslo atrs de seas loques, por-
que a palavra he daquellas que fazem cbeizar o ru-
bor s faces.
Quanlo ao fidalgo, nalnralmenle irascivel, nAo
pude conler-se no primeiro movimento de sua cole-
ra, e deu lAo horrenda bofetada no pobre criado que
o alirou de narizes ao meio da sala.
Esle acto de violencia causou a maior sensajAo.
al porque o criado linda caliido aos ps de urna se-
nhora, que escapou de cahir, e que por isso entendeu
nAo poder dispensar ur desmaio.
Aercic'iilaiu. mas talvex seja um enfeile histo-
ria, que o nossa colrico hroe eslava para se casar.
que a sua futura, joven e bella, eslava no salao em
que se passou esla scena, e que dahi se seguiram de-
sastrosas consequencias.
Duas revelares fizeram-se ao mesmo lempo, urna
agradavel e outra lerrivel. A joven senhora souhe
assim que s;u fuluro esposo lhe oflerecia um nome
que sepreslava ao ridiculo, e um carcter de assus-
ladora violencia. Esla nica e decisiva experiencia
lhe ha.ion para destruir as disposijoes favoraveis
que linha alo enlAo mostrado, e o casamento fui ir-
revogavelmente desmanchado.
Ferraduras elstica*.
O emprego da borracha torna-so lodos os
das mais geral. Depois de se ler applirado i con-
fecjao de lato, de calcado, detngalas, de luvas,
de pontos, e al de denles arlificiaes, descobrio-se
meio de fazer parlilhar aos cavallnsos beneficios des-
ta descoberla moderna. (Trala-se nesle momento de
borracha. Alguna apaixonados do turf ja frzeram
experiencia da nov invencAo, c reronheceram-lhe
algumas vanlagens. F.m primeiro lugar, essa uova
forradura lem mais durajAo do que as empregadas
al boje. Essa vantagem he porem urna das meno-
res, pois que amollecendo a borracha lodo e qual-
quer abalo podem correr os animaes sem o menor
inconveniente sobre terrenos pedregosos. D-se
muilo aprejo a esta ultima vantagem, por isso que
estas ci.nou-.es reiteradas produzem jnnto ao cas-
co uina inflaminajAo que torna o animal manco, e
muilas vezes o estropia para sempre.
O club reformador de toilettes.
Cinco mnlheres, urnas bellas, oulras jovens. ou-
lras nobres, lodas ricas acabam de ajuslar cm Paris
um paci ncrivel. Juraram veslir-sc com a maior
simplicidade. Convenccram-se finalmcnle que, ala-
viando-se do modo que ha um par de annos lem
usado (aulas eslouvadas nn vaidosas, continuaran)
apenas a dsr lucro as modistas e costureiras que por
especulajAo propagara a moda dessa superfluidade
de falbalas. gnpures, bordados e saias de follios.
Estas cinco mulheres.que fazem auloridade vAo pre-
gar com ii exemplo e com a palavra, como osjaposlo-
los. Paitiram cada nma para urnas caldas ou ba-
ndos de mar de diversa loralidade, apezar do lera-
pnrao da eslariio, e juraran) denodadamente fazer a
guerra a esseexcesso de luxo de vestuario que asse-
melham urna Ierra de bandos s margena de um laso
no parque de algum grande cm um festim do lem-
po de Luiz XV. As reformistas pror.lamam alio c
bom soin que he absurdo o (olcima o ir engulir o ar
salitroso ou sulfrico em vestuario de baile, e que
em lugar de cuidar da saude smente se cure do toi-
lette...
Um mastodonte.
O Dr. Warrcn, de Bostn, acaba de mandar cons-
truir pela quanlia de 10.900 dollars um edificio
prova do fogo para enllocar o esqueleto do masto-
donte que se achou a alguna annos nos arrabaldes
he Newburgh. Esle arcad mico lem doze ps de al-
tura e nAo pesa monos de 22.000 arrales.
Annaet de urna actriz
Na secretaria de urna celebre actriz allemAa. qae
ha pouco morreu na idade de 89 aunos, appareceu
a seguinta curiosa nota, que por muilo inlerewanle
o publicamos :
M.i.l.... casou 7,009 vze. foi rainha 0,221 vezes,
morrea envenenada 8,216 vezes, morreu apnnhalada
6,314 vezes, presenciou aquebra de 811 emprezarios
sem que chegas.e a diamaiar. leve 11,277 filhose
4,377 sobrinhos, o qae he a maior prova de fecundi-
dade quese pode dar ; presenciou 526 iludios, ape-
zar de estarem absolutamente prohibidos ; foi enga-
ada 6,213 vezes, que nAo he o pedir que lhe podia
succeder. Ganhou 92,344,000 fr. qae ninguem sabe
em que forara gaslos, e morreu sem deixar um seilil,
provavelmenle para mostrar que depois da morte
nAo he necessario dinheiroi
Naufragio do Erictton.
No dia 27 de abril prximo passado cahio na ba-
ha de New-York urna grande borrasca, que sorpre-
li Mideo o navio Hriaon, do volta de urna vigem de
experiencia em que (inha andado 11 militas. A agaa
enlrou peloa respiradores ou purtinholas inferiores,
que a curiosi lade dos machinistas ou as necessidades
do servijo havia deixado abcrlos adespeilo da re-
coinraendajAo dos offlriaes, o navio encheu-se gradu-
almente e foi ao funda.iJalgava-scque seria possivel
suspende-lo sera mais estragos do 'que aquellos que
resultara sempre de urna submersAo.
O* proprietarios estn salisfeilos com a experien-
cia. As rodas deram 13 cvoluees por minuto, asma-
chinas trabalharam com facilidade eogaslodo car-
vAo foi ra/o de 10 toneladas por 24 horas.
O preco do lempo.
Ha em Paris um individuo rasado, pa de ifilhos
c possuidor de umo boa fortuna, o qual tem no sen
salao 6 relogios que marcam os das, inezes, anuos,
horas e minutos.
Oprimciro principiou a andar no dia de seunas-
cimenlo. e qoando se lomon esta ola mareara 54
annos, Smezese 11 dias.
O segundo assignala a idade da nuil lirr cu lerceiro a
da filha mais velba, que marcava na mesma occasiAo
21 anuos e 17 dias. O quarlo, quinto e sexto sAo os
indicadores das idades doa oulros lilhos. O lim do
propriclario desles relogios he o de monstrar a cada
ni.lano do dia s prssoas da sua familia o numero
de dias que cada um lem vivido, a rapidez com que
passa o lempo e a veloeidade com que vem o prazo
de nossa existencia.
He a moral posla em maedinismo.
{Jornal do Commercio do Rio.)
O ACCORDO DA SCIENCIA E DA RELIGIAO.
Todos os espirilos serios se acham impressionados
do progresso das ideas religiosas no nosso paiz. Aps
tresrevnlujfiesque abalaran) alternativamente a so-
ciedade franceza al aos fundamentos, aps o seculo
de sreplicismo de que resullou a primeira e a mais
tcmivel dessas Ires grandes crises politiras. aps as
horrendas saturuacs da deoa razAo e das innocen-
tes loucuras da Iheophilaulnipia, aps a.s lulas do es-
pirito liberal contra o espirito chrislAo. aps a an-
p ii icu de lanas sedas philosophicas, algumas das
quaes mhicionaram a honra de se converlcrcm era
rrligioes, he curioso, he consolador ver que o chris-
lianismo, Essa planta vivaz que tantas Moa impuras
ou Iransviadas quizeram arrancar do solo da Fran-
ja, caiihuu rai/i s mais profundas e mais solidas.
Este acoulccimcnlo maravilhoso sorprenderla, se
elles votlassem a esla Ierra, cssesincredulns orgtilho-
sos que liavian formado lAoesIrondosa coalirAo para
esmagar o infame, esses pregadores do aidesmo, c
esses valenles ila superslijo, que durante o Terror
unir.un o fanal.sino anli-religioso ao fanatismo po-
ltico, e lodos esses fabricantes de crenras novas que
tiveram o pensamenlo ingenuo de ser reveladores e
tliaiiinaturgos, c que virara morrer suas relgies
anda cm sua vida.
O movimenlo dos espirilos para as ideas religiosas
operou-se lentamente, mas com forra irresislivel por
enlre as commojes que agitaran! o revolveraui a
Europa civilisada. Na I rauca principiou, mas in-
cerloe obscuro, uo meio das proprias degrajas da
revolocAo.
Os speros castigos que a Providencia inflige as
najes tem por elfeilo incvitavcl depralas experi-
nenlando-as. Uo como um sopro impetuoso que
curva as almas e que as obriga a rccolherem-se cm
si incsmas.
A velha sociedade franceza, depravada pelos sen-
tidos c pelo espirito, regencrou-sc nesse lerrivel
abalo. E N.ip d io, restaurando a ordem e restabe-
lecendu a auloridade, soulie desenredar com. a sasa-
cidade do genio esse Irabalho confuso da opiniao
quando rpabrio as gretas, repoi us aliaros no San-
to-lugar o feza concordata.
Nao he uina das menores glorias de Napoleo ler
comprehendido qoe um povo, segundo as palavras
do Evangelbo, nAo vive s de pao, mas da palavra
divina ; que os interesses espiriluaesse ligam eslrei-
lamiMiio aos interesses politicos, c que o reslabele-
< nni'ui.i d.i o iloiii material nAo pode ser duradouro
senAo com a roudijao de basear-se na moral sanecio-
nada pela religiAo.
Nao ha nada que poss.) fazer comprehender mc-
llior a diflerenja que da enlre o sectario impotente
co fjndador do imperio do que a fusta do Enle Su-
prpmo, na qual Roliespierre inaugurou rom um ra-
mo de flores na uiAo, o deismo philosophico, com-
parada com a soleinnidade mageslosa rom que o
vencedor de Arcle e de Marengo, assombrando o*
espirilos forlcs do seu eiercilo c dos seus conselhos,
reslaurou soh as arcadas de Nolre Dame os aliares
dessa forte e nacional crenja caldolica, que por lAo
longo lempo dirigir os destinos da Franja c que
inspirara Clovis, Carlos-Marld, Carlos-Magno, S.
Luiz e Luiz XIV. I ni procedeu como um visiona-
rio de quem o vento das revolujcs devia derribar a
obra impossivel ; o oulro desempenhou a miss.lo do
homem piedeslinado que poe termo as calamidades
da patria c que edifica para o fuluro.
O ron.i.i inoMito das ideas religiosas dala com elfei-
lo dessa poca prodigiosa que vio rcconciliar-se o
poder com a opiniAo, tornar-se a adrainislracaopro-
tectora e previdente, porm se as leis em harmona
com as ideas e com as necessidades de um sociedade
renovada, tornar a florescer o commercio e repara-
rein-se as ruinas da Franja.
Todos sabem se o imperador NapolpAo se conser-
ven fiel a essa nobre e patritica tradijAo. Desde a
mcmoravel expedicAn que reslaurou o venera ndoclief
da igreja na cadeira de S. Pedro, al ao decreto que
reabri ao culto a basilira de Sania Genoveva, todas
as suas palavras, lodosos seus acloa demonstraran) n
mais vivasolirlude por essa fchristaa que sobrevi-
ven a to tongas tempestades e que den era nossos
dias a medida de sua forra e de sua vilalid'le. por
lanas obras admiraveis. marcadas com o sello da ca-
ridade, por tantas instituijoes pas, cuudadas pela
inlelligencia e ulilidadp.
F.slas considerajes serAo inspiradas a lodos pela
leilura da carta p3slor.1l. pela qoal o Sr. arcebispo
de Paris fundou a (e-la da- escolas, e eloqaenlc pa-
negyrico de S. Agoslindoqne pronunciou ni solera-
nida le de 27 de nnvembro.
A opiniAo publica c a imprensa unnime appiau-
diram o pensamenlo generoso do veneravel prelado.
O arrehispo de Paris quiz celebrar no recinto do
I'autheon, restituido ao culto, a unio intima, a per-
feita inlelligencia da religiAo e da scienda, e leve o
mrito de imitar o exemplo 10 precedo no discurso
lAo chrislAo c tAo Iliterario que acaba de publi-
car.
O accordo da rcligio e a reconciliajao da pbiloso-
pdia verdadeira com a verdadeira f lem sido o pen-
samenlo constante de lodos os grandes homens, de
lodosos oradorpsillustres, de lodos osescriptores res-
peitados quetem apparecido na igreja. Para fazer
crerein um antagonismo entre as creujns chrislAas
e a razio do homem nao foi preciso nada menos do
que os desastres revolucionarios e os estragos da urna
falsa philosophia. Proclamando-a huslil s luzes
do espirito humano, deseonliecia-se, calumniava-se
indignamente a f chrislAa qne alvou a civilisajAo e
saber 110 rataclysma das iuvasiies barbaras ; que con-
servou no-c! 10.I10- os maiinscriplos da auliguida-
de e ao mesmo lempo as ta lenos das bellai-arles ;
que cubri o solo da Europa de monumentos admi-
ravei ; que, sem fallar da elnquencia do pulpito,
da (liaologia a da controversia, armas de sua propa-
gan u e auxiliares ile sua influencia, deu as ledras
prosadores como Bossuel e como Fenelon. autores
dramatices como l.appz da Vega e como Caldern,
eruditos como Bembo e Sadub't ; n pintura artista.
como Angelice da Fiesole e como Barlholomeu del-
la Parla ; diplomacia* poibaixadores como Giles
deNoailles; a poltica homens de estado e minis-
tros como Ximenesecomo Richelieu.
Quem nao v einlim que a ciencia se lornou secca
e inferid quando deixou de ser fecunda.la, romo no
g inii dos (adl,-iis. dos Copernics, dos ClirisluviVo
(a.!.noli >. iios Keplers e dosNewlons. pelas luzes e
pelo enlliusiasmo do tale religioso? E quem nAo
sabe boje que a humanidade perdera o seu calm-
udo na Ierra se fosse privada do hiilho da razio, fe-
cundada pela moral e guiada ppla f religiosa ?
.Ninguem tem. alm dissu, representado melhor
neste mundo a allianja da srienria e da religiAo do
que esse hispo de Ilippone, o qual conquistara sobre
o seu seculo urna especie de supremaca espiritual
de quem o nosso Bossuel devia depois recordar a
gloria, e que depois de ler sido'eni vida o exem-
plo da cari lado, lornou -e por sua morir o exemplo
do patriotismo.
E, pois, comprehendemos perfcilamenle a viva e
duradoura iuipre.so que.produ/.io nos homens do
nosso lempo a narraro brilhanle, animada, palhe-
lica dessa laboriosa e santa existencia, ebeia de
(antas obras admiraveis p do lAo nobres arres.
O momento era alm dieto opportpno para fallar
Franja, senb ira da Argelia, que ella qner civi-
lisar. do prelado que deixou na frica Spplen(rio-
nal (aes recordajes, para oceupar a Europa civili-
sada cnm o nome de um dos organisadores, de
um dos fim laderos des'a igreja lalina. que he a
protectora natural das rajas cllristaas era toda a par-
le onde ellas podem redamar prolecjAo.
Fomos dos primeiros a louvar a idea judicioaa e
verdadeiramenle chrislAa que inspirou a fesla das
escola. Temos esperanja de que lodos os anuos
rondnzir ella para sob as arcadas de Sania Geno-
veva a mocidade inlelligenle, que em lodas as car-
reira libcraes he a esperanja viva do futuro, e que
ouviremos ainda, celebrando o accordo da scienda
o da religiAo, a voz do veneravel prelado,'digno
suecessor do sanio aicehispo morlo sobre as barri-
cadas de junho. e que era tambera um representan-
te instruido e convencido da allianja intima da ra-
zAo e da f.
( Constilutionnel. )
(Ptotlciador Catholico.l
.!'dn, I dila ditas de dito envernisados, 1.100 har-
ria denlo, 176 volumes massos de cabos ; a ordem.
1 caixa poliuria para chapeos de meia seda, 1 dila
filas de seda c meia seda para chapeos. 11) pacotes
papla 1. 1 barril colla, 2caixas csparlaria, -i ditas la-
cas em (oda, 1 dila carneiras, 1 dita vinho ; a Cdris-
liani IrmAos.
2 caixas lenjos de lAa, 1 caiiinha amoslras ; a
Brunn Praeger & C.
1 caixa lecidos de soda, meia seda ede lindo ; a
Schafeillin & C.
2 caixas lecidos de seda, 1 dila dilos do nlgodilo. 2
ditas ditos de me 10 lindo, I pacolinho amostras ; a,C.
I. Aslleyi C.
II caixas forragens, i dila relogios de ouro, 1 dita
com 1 piano ; a I C. Rabe.
2 caixas espadas e telina. 1 fardo fazrndas de lAa,
I pacolinho amostras; aManoel Joaquim Ramos e
Silva.
164 caixas faldas do (landres eslnnhada ; a Rolhe
& Bidoulac.
1 caixa hcelas com obras d'ajo, 1 dila lilas de
meia seda e ohjeclos de sirgueiro. 2 pacoles amoslras,
1 caixa vestidos de algodAn. 9 ditas meias de dilo, 1
dila tecidos de seda ; a Timm Mousen & Vinassa.
1 caixa raizes de flores ; a C. F. da Silva Pinto.
1 dila relogios de algiheira ; a Rabe Schemeltan
VC.
Iliale Crrelo do Norte, vindo do Ass, consig-
nado a Cachano Cvriaco da Cosa Moreira, manifeslou
o segaiule :
144 alqueires de sal, 30 sarcos cera de carnauba ;
a ordem.
1 barrica e 1 sacco cera de carnauba, 1 caixAo ve-
las da mesma cera ; a Manoel Florencio Alves de
Moraes.
CONSULADO GERAL.
Rendimenlo do dia 1 a 26.....43:3118119
dem do dia 27........2:3678900
45:679^)19
DIVERSAS PROVINCIAS.
Rendimenlo do dia I a 26.....
dem do dia 27 ........
4:58.15:102
2219349
4:8068651
RECEBEDORIA DEJ.RENDA3 INTERNAS GE-
RAES DE PERNAMBUCO. .
Rendimenlo do dia 1 a 26.....19:4778314
dem do dia 27......... 3455327
19:8224641
CONSULADO PROVINCIAL.
Rendimenlo do dia 1 a 26.
dem do da 27
56:I.K.?3S3
4:8218724
60-.97&I07
KOVIMEKTO DO POSTO.
Xavios mirados no dia 27.
Valparaizo82dias, barca amcriaana ll'agram, de
240 toneladas, mpilio II. S. E//. equipasen) 11,
carga pao brasil ; a ordem. Veio refrescar e se-
gu para Bosion.
Bueno.-Av resV) dias. polaca hespanhola Thomas,
de202 toneladas, capitn Pedro Roses, equipagem
13, em lasiro ; a Araaaga & Bryan.
dem27 dias, polaca hespanhola Actnc.io, de 200
toneladas, rupilan Francisco Millel y Maristany,
equipagem 13, em las(ro; a Aranaga & Bryan.'
Terra Nova42 das, barra ugleza Sorral, de 245
toneladas, capillo James Walace, rquipagem 14,
carga haca bao ; a Johnslon Pater A. Companhia.
Rio do Janeiro29 das, patacho iiiEtez Poreman,
de 154 toneladas, capitao Thomaz F-elding. equi-
pagem 8, em lastru ; a Jolii.slou Paler 4 Compa-
nhia.
Montevideo21 dias, polaca despalillla Rosario,
de 162 toneladas, capitao Joaquim Durad, equi-
pagem II, em lasiro ; a Viuva Amorim (t Filho.
Nados tullido* no mesmo dia.
Assu'Hiate hrasileiro Anglica, meslre Jos Joa-
quim AIvps da Silva, carga vanos generes.
BabiaBngue iuglez Hunymede, com a mesma car-
ga que Irouxe. Suspenden do lameirAo.
Rio de JaneiroBrigue inglez Glaucus, com a mes-
ma carga que Iroute. Suspenden, du lameiro.
Z5DITAES.
COMMERCIO.
PKACA DO HECIFE27 DK DEZEMBR AS 3
HORAS DA TARDE.
Cotajes ofliciaes.
Hoje nio houveram colajcs.
ALFANDEGA.
Rendimenlo do dia la 26.....208:4998975
dem do dia27........5:957j6il
211:4578616
Detcarregam hoje 28 de dezembro.
Barra inglezaItotamondmercadorias.
8arca inglezaHindoolaixas deaferro.
rigue inglezKnthutiattmercadorias.
Brigue porluguezLaia IIceblas e hlalas.
Patacho araericpnoH. F. Ryderfannba e baca-
lliao,
Escuna prussianaKennctqueijos e mercadorias.
Importacao'.
Brigue pnrlngoez Laia II, vindo de Lisboa, con-
signado a Francisco S. Rubedo A Filho, manifeslou
0 seguale:
1 ancorela vinho ; ao Dr. J. J. de Moraes Sar-
ment.
2 pipas vinho, 1 dita vinagre; a Barroca & Castro.
1 fardo esleir de junco ; a Jos Victorino de
Lemos.
10 pedras de cantara ; a irmandade "lo S. S. da
Boa-Visla.
1 caixAo bracos de ferro para balanja, 3 caixoles
lis ros impressos ; a Jos Teixeira Bastos.
2 barra vindo ; a Luiz Antonio de Siqueira.
1 caixa fructas era conservas; 4 Autonio Francisco
Lisboa.
2 anrorelas viudo, 2 commodas de madeira, 2 vo-
lumes com uina cama de madeira, I colchAo de lAa,
1 p de mesa ; a Joaqun) Jos Gomes.
5 barris vinho ; a Uarlo Antonio Serva.
29 barris louciuho, 1 pacote penciras de rame, 1
ra vote massas de tomate, 40 ranastras batatas, 14
caixas ceblas ; a Miguel Joaquim da Costa.
161 barris toucindo, 20 barris paos e rhouricas, 3
caixas pasan, e peras, 390 ancorlas azeilonas, 47 bar-
ris sar.lindas, 30 caixas ceblas, 150 cana-Iras bala-
las. 30 muios de sal. 51 caixas cera em velas, 1 cai-
xa brajos de balanja, I emhrulho panno de lindo. 1
dito redes de rame ; a Francisco S. Rubedo
Filho.
10 barris e 1 fardo alpisla. 6 ditos erva doce, 6 di-
los eev.ida, 15 pipas e 50 barris vinagre, 14 barris
nozes, 40 barris azede doce, 200 ancordas azeilonas,
150 barris familia de trigo, 200 barris vinho, 5 bar-
ris cera em grume; a Thomaz de Aquiuo Funseca &
Filho.
7 barris nozes, 1 caixa oteo de nmendoa doce ; a
Machado A; Pinhciro.
50 barris touriuho, 104 caixas figos. 8 fardos a-
mcu loas cm casca, 1 caixa I piano quadrado. 1 sac-
co com 6 pecas de ouro ; a Manoel Joaquim Ramos e
Silva.
250 canaslras batatas ; a Goavajl Lele.
5 barris Otada ; a Bernardo Francisco de Azevcdo
Campos.
271 ancoretas azeilonas. 22 caixas caslanhas ver-
des : a Luiz Jos da Costa Amorim.
11 barricas sardinha ; a Manoel Jos da Costa
Porlo.
10 barris revada, 50 caixas ceblas, 200 ditas bata-
tas ; a Candido Alberto S. da Molla.
5 harria viudo ; a A112U-I0 Cesar de Abren.
1 barril afeite doce ; a Feliciano Jos Gomes.
1 caixote rap ptiaeeza, 1 caixa hcelas com doce ;
a Manoel (uno.Ivs da Silva.
12 talludas marmclada ; a Virialo de F'reilas 'la-
vares. .
KM) sacras fu, dio, 1 caixa massas. 1 dila boTaeh-
nda. 2 dilos bolos doces, 1 dita ferdaduras, I dita
miudezas, I barril massas de lmales ;a lenlo Can-
dido de Mnrap*.
30 eaixas ceblas ; a Jos Ferr.andps Fcrrera.
6 caixas cera cm velas ; a Fortnalo Cantoso de
Gouva.
10 saceos fejo branca, J5 caixoles cera em velas ;
a M.uuirl .lo llego Una,
I caifole brajos de balanja ; a Antonia Hcnriques
Rodrigues.
39 barris sardinha, 2 gaolas passaros: a Caelano
da Cosa Murlins.
1 raixole marmelada ; a Victorino lote Monlcro.
1 caixolc vinho ; a Agoslinho Jos Soares.
:100 mullios ceblas ; a Domingos Jos Fcrreira
Gai martes.
2 caixas rabelleiras, I rmbrnlho palileirn de pra-
la ; a Jos Luiz Pereira.
1 livro brochado em folio ; a Joaquim Ferrera
Mendes GuimarAcs.
I rinbrulho meias de lAa, 3 gansos ; a ordem.
Brigue hamburguez Olava, vindo de llamburgo,
consignado a Rolhc & Bidoulac, manifeslou o se-
guinle :
1 barrica forragens c ohjeclos de lalo, 4 caixas
bezerros envernisados ; a S. P. Johnslon & Com-
panhia.
8 caixasbrinquedns, 2 dilas pololas ile vidro, I di-
la pelles, 2 dilas bezerros envernisados, 1 dila pelles
0 Dr. Francisco deOliveira Maciel, juiz municipal
da segunda vara desla cidade do Rrcife de I'er-
nambuco, por S. M. o Imperador, qae Deus guar-
de, ele.
Faro saber aos que o prsenle cdilal virem que
a requeriraento de Jos Rodrigues da Silva Rocha,
rommercianle eslabelecido nesta praja rom loja de
ferragens sita na ra do Queimadn n. 30, se acha
por esle jaizo abarla a mu fallona.) pela senlenja
do theor seguinle :
A' visla da dcdarajAo a lis. 2, julgo fallido Jos
Rodrigues da Silva Rocha, e declaro aberla a sua
filleiuia desde odia 15 de nnvembro prximo pas-
sado, que fecho para termo legal de sua existencia,
e por islo mando que se ponbam sellos em todos os
seus bens, trras e papis ; e numeio para curador
fiscal da fillenci 1 ao negociante Antonio Valentn
da Silva Barroca, que prestar o juramento do es-
1 > lo. Pague o fallido as casias. Recife 5 de de-
zembro de 1854. Francisco de Attts Ollceira Ma-
ciel.
Em cumprimento do que lodos os credores pr-
senles do referido fallido compajnm em casa da
minba residencia 110 segundo andar da roa do Ro-
sario esireda n. no bairro de Sanio Antonio do Re-
cife no dia 29 do rorrenle, pelas 9 horas da ma-
ntilla, aflu de procedern anomeajAo de depositario
ou depositarios, que ho de recebar e admioulrar
provisoriamente a casa fallida.
E para que chegue a ooticia de todos, mandei
passar o prsenle, qne era publicado pela impren-
sa, eafllxado nos lugares designados no arl. 129 do
regulamenlo n. 738 de 21 de novembro de 1850.
Dado e passado nesta cidade do Recife de Pernara-
bilen 21 de dezembro de 1854. Eu Pedro Tertulia-
no da Cunba escrivao subscrevi.Franciico de As-
tit Oliceira Maciel.
Ignacio Jos Piulo, fiscal da fregnezia da Boa-
Vista do lermo da cidade do Recife etc. ele.
F'ajo publico para conhecimento de quem perlen-
cer. que pelo Exm. Sr. presidente da provincia foi
approvada a postura addicional abaixo transcripta,
conforme me foi commuuieado pela cmara munici-
pal desla cidade em cilicio de 20do rorrenle mez.
Postura addicional approvada em 16 de dezembro
de 1854.
Arl. 1. Ninguem poder eslabelecer d'ora em
danle padarias senAo nos logares segointes : ra do
Brum, desde a parle ainda uo edificada al a forta-
leza. Imperial, da casa do cidadAo Antonio dn Silva
GusmAo para danle. Cabanga e volla dos Coelhos,
ra do Caes prnjeclada ao oesle da fregnezia de S.
Jos, a partir da Iravesta do Monlcro para o sul e
felos que licara enlre esta ultima e a Augusta, ter-
reno devolulo a comprar das edlicajoes da praia de
Sania Rila, lado do leste em seguimenlo, praia de S.
Jos ao sabir no largo das Cinco Ponas, becco das
Barreiras, Suledade. o Santo Amaro, As dites pa-
darias lean os seus fornos construidos segundo o
plano adoptado pela cmara, o que ser verificado
por meio de exa me. Os infractores serlo multados
em 308000, solfrerAo 4 fin de prisAo e lhe serAo fe-
chadas ,i- oflicinas.
Arl. 2. As que actualmente exislem no centro da
cidade serAo removidas para os referidos lugares den-
Iro do prazo improrogavpl de 6 mezes, sob pena de
pagaren) os seus donos iHMMiO, e de lhe serem fecha-
das as fabricas. E para que nAo appareja a menor
ignorancia, mandei publicar o presente pelo Diario.
Freguezia da Boa-Visla 26 de dezembro de 1854.
O fiscal, Ignacio Jos Pinto.
Pela inspectora da alfandega se faz publico,
que no dia 28 do crenle se hao de arrematar em
hasta publica, porla da mesma repartijAo 100 ca-
uaslras com btalas da marca B, pesando lquido }w
quinlaes, 1 arroba e 20 libras a 28250 o quintal, to-
tal 198,663, abandonadas aos direilos por Francisco
Severiano Habello, sendo a arrcmalajAo livre de di-
reilos ao arrematante. Alfandega de Pernambuco
27 de dezembro de 1854.O inspector,
Denlo Jos Fernanda Barros.
DECLARACO ES.
O comedio de adminisliacAo do dcimo bala-
Uo de indultara, precisando de contratar do pri-
meiro de Janeiro em diaule, gneros alimenticios de
melhor qualdade para 3 rancho das prajas do mes-
mo, convida por isso nquellas ppssoas que quizerem
fornercr de pAo, assucar, caf, rarne verde, dila sec-
ca, bacalho, loucinho, feij.lo. arroz, familia, azeile
doce, vinagre e lenha, dirijam secrelnria do referi-
do dal.ilii i. aleo dia 30 do crrente as suas propos-
las em carias fechadas. Sicacio Aleares de Souza,
all re- agente.
A arremalajAo da obra dos concerlos urgentes
das ponles da estrada do m re foi transferida para o
dia 4 de Janeiro prximo vindouro.
CONSEI.IIO ADMINISTRATIVO.
O ronsclho administrativo cm cumprimento do ar-
tigo 22 do regulamenlo de 1 de dezembro de 1852,
faz publico que foram aceita as proposlas de Anto-
nio Rodrigues Piulo, Joaquim Jos Dias Pereira e
Joaquim Lopes de Almeda, para fornererem: o 1."
306 cunadas de azeile ile rarrapao a 720 rs. ; o 2.
211 l|2 dilas de azede de coco a 29100, 6 duzias de
pavio- a 100 rs.. 40 libras de fio de algodAo a 550 rs.;
o 3." 30 duzias de laboas de assoallio de pinho. lar-
gas, a 169000; e avisa ana supradilos vendedores
que drvein remlher os referidos ohjeclos ao arsenal
de guerra 110 da 29 do correnlc mez. Secretaria
dn conselho administrativo para fornerimenlo du ar-
senal de guerra 27 de dezembro de 1851.Bernar-
do Pereira do Carmo Jnior, vogal e secretario.
Pela ailmiui.irar do rorrpio desta ridade se
faz publico a qopm possa interessar, que no dia 30
do rorrete se vai proceder a consiimmo as carias em
ser do anno de 1853 a 1851, conforme determina o
arligo 9do derrelo de 1"> do maio de 1854. O ad-
ministrador uterino, Domingos dos Pwsos Mi-
randa.
Conjellio administrativo.
O conselho administrativo cm comprime nlo do
art. 22 do regulameido de 14 de dezembro de 18.12,
faz publico que foram acedas as proposlas de Bar-
lholomeu Francisco de Souza, Antonio Alves da
Fonseea, Joo Fernandos Prente Vianna, Souza &
Irniaii, e Antonio Francisco Correa Cardoso, para
fornecerem : o 1. os medicamentos pedidos para
a botica do hospital regimental, segundo j foi an-
iiun-. mo na importancia de 7399930 rs., e os pe-
II I
'11 k


4
DIARIO OE PERMMBUCG, QUINTA FEIRA 28 DE OEZEMBHO DE 1854.
\
iliilu. para a coluuia de l'unciileiras na importancia
fie 3H15540 rs. ; o 2. Of rn.iixciilos para a rapeta
la fortaleza do llrum. conforme o pedido j aniiun-
ciado, novator de ItiOaO r.; o 3. 1 colimes t
pedreiro di- 10 potegada aliO rs., _: .'.'.las a fiOO rs., i pinceis para caiar a 1S2II0 rs., G ferro* de
capa para garlopa com 2 '. palmos de largura a 800
rs., b' dilos sem capa de I palmo a 210 rs., (i di-
tos de 1 a 20u rs., 'J Irados de mcia pologada a 15200
rs., 12 lbrasele rola da Baha a 400 rs., -i luilheiros
de pregos caixaes a 2SGII0 .rs., libras de dilos de
rame de t polegada de roniprimrnlo a 480 rs., 10
arrobas de ferro sueco em barras chalas de 2 jj pal-
mos a 25700 rs., 4 dilos de 1 ', palmo a 2>7U0 rs.:
o 4." 30 cuchadas cale. das.le co a Ishki rs., ::i pas
de ferro grandes a 145O0 rs. a'duiia, 12 ditas pe-
queas por II.Viimi rs., ;t duzias de formes do ajo
sortidos a 29950 rs., l> enxs com fuzil a 18180 rs.,
2 trinchas com 1 ', pal legada de lareura a 19200
r.., 2 ditas com 1 pollegada a l000 rs., 2 ditas de
3|4 a 800 rs., 6 comparas de 12 pollegada< a 180 rs.,
2 Irados de 1 a 800rs.,2 ditos de 3|4 a 640 rs.,. 12
limas triangulares de graa fina para amolar serrles
por 28400 rs., 10 milbeiros de pregos raibraes a
5$200 rs., 11 dilos de dilos balis grandes a 39500
rs., 3 ditos de dilos caixaes a 296OO rs., 10 dilos de
ditos de assoalho a 29360 rs., 2 dilos de ditos de
guarnirlo grandes a 15200.rs., 5 (liles de ditos'pe-
quenas a 800 rs,, 2 arrobas de aro de milito a 59500
rs 3 limas meia cana de 14 pollegadas a 640 rs., 3
ditas de 8 a 200 rs., 3 ditas de 4 a 80 rs. ; o 5. 36
verrumas surtidas a 70 rs., 11 milbeiros de pregos
batel pequeuos a 29300 rs., 4 dilos de dilos
caixaes a 29600 rs., 11 ditos de dilos de for-
ro de sala a I96OO rs., 3 dilos de dilos de guarnido
grandes, a 19200 rs., 5 libras de dilos de rame de I
|>ollegada de comprimenlo a 480 rs., 3 limas chalas
de 14 pollegadas a 600 rs., 3 dilas de 8 a 200 rs., 3
ditas de 4 a 80 rs., 3 dilas mura- de 8 a i ili rs., 3
limas triangulares de 4 polegadas a 200 rs.; e avisa
aos supradilos vendedores que devera recolher os re-
feridos objeelos ao arsenal de guerra no da 27 do
mrenle mez. Secretaria do conselho administra-
tivo para fornecimeuto do arsenal de guerra 23 de
dezembro de 1854.Bernardo Pereira do Carmo
Jnior, vogal e secretario.
AVISOS MARTIMOS
PARA O RIO DE JANEIRO.
Sahe com milita brevidade, o bem cc-
nhecido patacho nacional Valente, ca-
pitao l'ranciseo Nicola'o de Araujo : pa-
ra o resto da carga e escravos a fete, tra-
ta-secom os consignatarios Novaes & C,
011 com o capitao na praca.
Para Lisboa pre leude seguir com toda a brevi-
dade a barca porlugueza Gralido : para carga e
passageiros, Irala-se rom os consignatarios Thomaz
de Aquino Fouseca & Filho, na ra do Vigario n.
19, prlmeiro andar, ou cora o capitao na praca.
Para o Rio de Janeiro
Segu empoucos dias, obrigue nacional
He.be, capitao Andr Antonio da Fon-
seca, por ter a maior parte do seu carre-
gamentoprompto: para o resto e escra-
vos a frete, trata-se com Manoel Alves
Guerra Jnior, na ra do Trapiche n.
14.
Para o Rio. de Janeiro pretende sahir com a
possivel brevi'ade o palacho nacional O. Pedro V:
para carga e escravos'a frele, Irala-se com os consig-
natarios Tlioma/. de Aquino Fonseca& Filho, na ra
do Vigario n. 19, primeiro andar.
Para Lisboa pretende', seguir com brevidade o
brigae porluguez Ribeirou de (rimen;i marcha :
quem nelle quizer carregar ou ir de passagem, en-
(enda-se com os consignatarios Thomaz de Aquino
Fonseca & Filho, na ra do Vigario n. 19, primeiro
andar, ou com o capitao na praca.
Para o Porto vai sahir com muila brevidade
por 1er a maior parle da carga prompla, a veleira
galera Bracharense ; para carga e passageiros, tra-
ta-se com os consignatarios Thomaz de Aquino Fon-
seca i Filho, na ra do Vigario n. 19, primeiro an-
dar, ou cora o capitao na praca.
RIO DE JANEIRO.
O brigue nacional Damao segu
por estes dias; para carga e passageiros
para os <|itaes tem ptimos commodos:
trata-se com Machado & Pin licito, ra do
Vigario n. 19, segundo andar.
PARA O CEARA'
seguir nestes dias o hiale o Cerreio do Norte ; pa-
ra o resto da carga e passageiros, trata-se com Cae.
tao C\ naco da C. M. ao lado do Corpo Santo u. 25.
LEILOES
CONSULTORIO DOS POBRES
25 BA DO COLLEGIO 1 *Xf DAR 25.
O Dr. P. A. Lobo Moscozo <1 > consullas homeopathicas lodos os dias aos pobres, desde 9 horas da
manilla aleo raeio da, c em rasos extraordinarios a qualquer hora do dia ou mole.
Ollerece-se igualmente para praticar qualquer opera.; io de cirurgia, e acudir promptamenle a qual-
quer niulher que aleja mal de parto, e cujas circumslancias nao permutara pagar ao medico.
1 CONSULTORIO DO DR. P. A. LOBO MOSCOZO.
25 RA DO COLLEGIO 25
VENOE-SE O SEGINTE:
Manual cmplelo de meddicina homcopathica do Dr. (i. II. Jahr, (raduzido em por
tuguez pelo Dr. Moscozo, qualro volumes encadernados em dous e acompauhadode
um diccionario dos termos de medicina, cirurgia, analomia, etc., ele...... 2)OO0
Esta obra, a mais importante de todas as quetratam do esludo epralica da homeopalhia, por ser a nica
que contera abase fundamental Cesta doulrinaA PATHOGE.NESIAOU EFFEITOS DOS MEDICA-
MENTOS NO OKGANISMOEM ESTADO DE SALDEcoiihccimenlos que nao podem dispensar as pes-
soas que sequerem dedicar .< pralira da verdadeira medicina, interessa a todos os mdicos que quizerem
experimentar a doulrina de Hahnemami, e por si niesmos se convenceren) da verdade d'ella: a lodos os
fazendeirosc senhores de engolillo que estao longe dos recursos dos mdicos: a lodosos capiles de navio,
que urna ou oulra vez nao podem deixar de acudir a qualquer incommodo seu ou de seus tripulantes :
a todos os pais de familia que por circumslancias, que ntiu sempre podem ser prevenidas, sio obrga-
dos a prestar in continenli os primeiros soccorros era suas eufenndades.
O vade-mecum do homeopatha ou tradcelo da medicina domestica do Dr. Hering,
obra lambem nlil s pessoas que se dediram ao esludo da homeopalhia, um volu-
mc grande, acompanhado do diccionario dos termos de medicina...... IO5OOO
O diccionario dos termos de medicina, cy urga, analomia, ele, etc., encardenado. 39000
Sera verdadeiros c bem preparados medicamentos nao se pode dar um passo seguro na pratica da
homeopalhia, c o proprictario desle estabelecimento se lisongeia de tc-lo o mais bem montado possivel e
ninguem duvida boje da grande superioridade dos seus medicamentos.
Boticas de 21 medicamentos em glbulos, a 109, 129 e 159000 rs.
Dilas 36 dilos a................... 209000
Dilas 48 dilos a................. 259000
Dilas 60 dilos a................. 30*XX)
Dilas 144 dilos a ..... ^............. 6O9OOO
Tubos avulsos......................... I9OOO
Frascos de meia ouc,a de lindura................... 29000
Na uiesma casa ha sempre venda grande numero de tubos de cryslal de diversos tamaitos,
vidros para medicamentos, e aprompla-se qualquer encommenda de medicamentos rom toda a brevida-
de e por precns muito commodos.
REMEDIO I3JCOMPARAEL
STARR
Novos livros de homeopalhia uiefraucez, obras
(odasde summa importancia :
Hahnemann, tratado das molestias chronicas, 4 vo-
Luis Antonio Atines Jacome, como
liquidatario da casa de Domingos Ferreira
de Souza Vasconcellos, fara' leilao porin-
tervenrao do agente Borja, da armacao e
gneros existentes na taberna daquelle se-
nhor, sita no pateo do Terco n. 2, qninta
feira 28 do coi rente as 10 horas em
ponto.
O agente Borja, de-ordera do lllm.
Sr. Dr. juiz de direito do civel e com-
mercio, Custodio Manoel da Silva Gui-
maraes, a requeriment do Curador fis-
cal da massa fallida de Victorino & Mo-
reira, 'ara' leilao da muito conhecida
loja de miudezas, que foi daquelles se-
nhores, sita na ra dos Quarteis n. 22,
consistindo em urna excellente armacao
c todas as miudezas existentes na mesma
loja, as quaes sao muito modernas, e es-
tao em muito bom estado : quinta-feira,
4 de Janeiro as 10 horas em ponto.
lililes............ iiH-oiin
Tesle, 11 ule.lia- dos meninos..... 69OOO
Hering, homeopalhia domestica..... 78000
Jahr, pliarmarnpcn homeopalhica. 69OOO
Jahr, novo manual, 4 volumes .... OJOOO
Jahr, moleslias nervosas....... 68000
Jahr, moleslias da pello....... s-oihi
Rapou, historia da homeopalhia, 2 volumes G^OOO
Harlhmann, Iralado completo das moleslias
dos meuinos.......... IO9OOO
A Tesle, materia medica homeopathica. 88"00
De Favolle, doulrina medica homeopathica 79OOO
Clnica de Slaoneli........ 69000
Casling, verdade da homeopalhia. 49000
Diccionario de Nyslen....... IO9OOO
Alllas completo de analomia com bellas es-
lampas coloridas, contendo a descrpean
de todas as parles do corpo humano 309000
vedem-se todos esles livros no consullorio horaeopa-
Ihico do Dr. Lobo Moscoso, ra do Collegio o. 25,
primeiro audar.
ASA DA AFERICAO, PATEO DO TERCO,
N. 16.
O abaixo assiguado faz ver a quem inleressar pos-
sa, que no dia 31 do correle finalisa-se o prazo
marcado pelo arl.2. do til, 11." das posturas da c-
mara municipal desla cidade, denlro do qual de-
yem ser aferidos os pesos e medidas; lindo esle
ineo rcrao os coolraventorcs as penas do mesmo
artigo. Recife 13 de dezembro de 1854. Prxe-
des da Silva Gusmao.
PLBLICACAO' DO INSTITUTO HOHOPA-
TIIICO DO BRASIL.
THESOURO HOMEOPATHICO
OU
VADE-MECUM DO HOMEO-
PATHA.
Methodo conci/o, claro e seguro de curar homeo-
pticamente lodat at molestias que af/ligem a es-
pecie humana, e particularmente aquellas que rei-
nam no Bratil, redijdo segundo os melhores tra-
tados de homeopalhia, lano europeos romo ameri-
canos, e segundo a propria' experiencia, pulo Dr.
Sabino Olegario Ludgeru Pinhu. Esla obra he hoje
recouhecida como a nielhor de lodas que Iratain da
applirar.lo homeopalhica no curativo das moleslias.
Os curiosos, principalmeule, nao podem dar um pas-
so seguro sem possui-la e consulla-la. Os pais de
familias, os senhores de engenho, sacerdotes, via-
jantes, capiles de navios, scrlanejosetc. etc., devem
te-la m3o para occorrer promptamenle a qualquer
caso de molestia.
Dous volumes em brochura por IO9OOO
encadernados 1190O0
veude-se nicamente cid casa do autor, no palacete
da ra de S. Francisco (Mundo Novo) u. 68 A.
l l MI DENTISTA,
;.; contina a residir na ra Nova n. la, priraei-
,v; ro andar.
Anl inio|Joai|iiiin Sevedeclara que o Sr. Fran-
cisco Xavier Alves Ouinial deixou de ser seu caixei-
10 desde I lia 18 do correte mez.
Antonio Jos Firmo, faz sciente ao
respeitavel publico que tem montado um
estabelecimennto de carros fnebres na
ra Augusta casa n. 21, freguezia de S.
Jos, com todos os pannos e mais utensi-
lios recommendados no regnlamento do
cemiterio ; prom^tte bem servir a todas
as pessoas que se dignarem incumbi-lo de
qualquer enterro, e tambem se compro-
mette a ornecer carros de passeio, cera,
msica, padres, etc.: espera, portanto,
ser coadjuvado pelo respitavel publicoina
seu novo estabeecimento.
Aluga-se urna casa e ailio na Capunga, com
bous commodos : na ruadoQueimado 11.12.
O Dr. Carolino Francisco de Lima Santos mora
na ruadas Cruzes n. 18, primeiro andar, onde con-
tina no exercicio de sua profissao de medico; e
ulilisa-se da orcasiflo para ue novo ao publico offe-
recer seu preslimo como medico parleiro, e habilita-
do as operacoes das vias ominaras, por se ter a el-
las dado com especialidade em Franca.
lotera da provincia.
O cautelista Salustiano de Aquino
Ferreira avisa ao respeitavel publico, que
a primeira parte da primeira lotera a
beneficio da cultura d'amoreiras e bicho
de seda, corre indubitavelmente no dia
15 de Janeiro de 1855 debaixo de sua res-
ponsabilidade, seja qual for a quantidade
de bilhetes que ficarem por vender, no
consistorio da igreja da Conceicao dos mi-
litares, as 8 para 9 horas da manhaa.
Pernambuco 21 de dezembro de 185i.
O cautelista, Salustiano de Aquino Fer-
reira.
respetosamente annunciam que no seu extenso es-
labeleciinenlo em Sanio Amaro, continua a fabricar
com a maior perfeicao c promptidan.loda a qualidade
de marhinismo para o uso da ag irullura, navega-
co e manufactura, c que para maior rommodo de
seus numerosos freguezes e do publico em geral, tem
aborto em um dos grandes armazens doSr. Mesqui-
la na ra do Brum, alraz do arsenal de ruariuha
DEPOSITO DE MACU1NAS
construidas no dito seu cslabelecimenlo.
All acharo os compradores um completo sorli-
nieiiio de moendas de caima, com todos os melho-
ramentos(al2uns delles novos coriginaes) de que a
experiencia de muitos anuos tem mostrado a neces-
sidade. Machinas de vapor de baixa e alta pressao,
taixas de lodo lamauho, lauto batidas como fundida-.
carros de mao e dilos para comluz.ir formas de assu-
car, machinas para mqer mandioca, prensas para di-
to, Tornos de ferro batido para farinha, arados de
ierro da mais approvada couslruccao, fundos para
alambiques, emos e portas para fornallaas, e urna
iniinidade de obras de ferro, que seria enfadonha
enumerar. No raesmo deposilo existe urna pessoa
intelligeule c habilitada para receber lodas as en-
commendas, ele, ele, que os annuociantes contan-
do com a capacidade de suas ollicinas e macliinismo,
e pericia de seus olliciaes, se comprometlem a fazer
cxecular, com a maior presteza, pe feico, e exacta
eonlormidaile com os modelos ou desenhs, e instrnc-
oe-ipie Ihe foreinfornecidas.
1 !\0 COMLTORHI j
DO DR. CASaNOVA,
j3? RLA DAS CRLZES N. 28,
2 vendem-se carteiras de homeopalhia de lo- vjj
5 dos os tamaitos, por precos muito era conla. B
gj Elementos .le homeopalhia, 4 vols. 69000 B
M Tinturas a esrolhcr, ra.la vidro. l.^MI m
6 Tubos avulsos a escolhera 500 c 300 gi
^ Consultas gratis para os pobres. -',
A directora do collegio da Concei-
ro annuncia aos pais das meninas que
Ihe foram eonfiadas, e aquellas pessoas
quetrataram de mandar meninas para o
mesmo collegio, que elle se torna a abijr
a 8 de Janeiro de 1855, por se indarem
nessa data as ferias dadas.
ROBO.
No dia 25 do corrcnlc. pelas 4 112 para 5 horas da
manhaa, rouharam da roa dos Ac,ougiiinhos n. 4, ns
segrales objectos de ouro : um Iranceiim chata de
escama com urna .-aclela, lendo esla urna palma de
um lado, edo oulro he esmaltada de buril, um alO-
nele de peilo esmaltado de branco e azul, e mais um
par de luvas de seda amarella, um leque, um lenco
de cassa rodeado de renda de igual fazenda, e bico
franrez. e 49O0O em dinheiro : roga-se a lodas as au-
toridades poliriaes a a pprehenso de laes objectos ;
assim como tan.bem se ruga a iodos os ourives a
quem os obieclos de ouro forem oflerecidos, o favor
de os apprehcuder ; oulro sim se recommenda a
qualquer pessoa parllcnlar que descubrir dilos ob-
jectos, avise na ra das Aguas-Verdes n. 22, segando
andar, quealm de ae gratificar promelle-se guardar
segredo.
liMENTO 110LLOWA1.
Militares de individuos de tudas as naccs podem
Icslemunharas virtudes desle remedio inromparavel.
e'provar, em caso necessario, que, pelo uso que
delleflzerarn, lem seu corpoe membrosinleiramenle
sao, depois de haver empregado intilmente oulros
tratamcntos.Cada pessoa pOdcr-se-haconvcncerdessas
curas niaravilhosas pela leilura dos peridicos que lh'as
relatara todos os das ha muilos anuos; e, a maior
parte dolas sao tAo sorprendentes que admiram os
mdicos mais celebres. Quanlas tessoas recubraram
com este soberano remedio o uso seus braco- e
pernas, depois de ler permanecido longu lempo nos
hospilaes, onde deviam soffrer a ampula^o Helias
ha muitas que havendo deixado $sscs asvlos de pa-
decimeolo, para se nao submetlerem a cata operacao
dolorosa, lor.mi curadas completamente, mediante
o usodesse precioso remedio. Algumas das laes pes-
soas, na el'u-ao de seu reconhecimenlo, declararam
esles resultados benficos diante do lord corregedor,
e oulros magistrados, alim de mais autenticaren)
sua affirmativa.
Ninguem dcscsperaria'do estado de sua saude se
livesse bstanle confianza para ensaiar esle remedio
constantemente, seguindu algum lempo o Iratamen-
lo que uecessitasse a natureza do mal, cujo resulla-
ro seria provar incouleslavelmcnle: Que ludo cura!
O ungento lie til mais particularmente nos
seguiutes casos.
matriz.
Lepra
Males das pernas.
dos peitos.
de olhos. """
Mordeduras de reptis.
Picaduras de mosquitos.
PulmGea.
Queimadclas.
Sarna.
SupuracOes ptridas.
Tralia. em qualquer parle
que seja.
Tremor de ervos.
Ulceras na bocea.
do figado.
das articulares.
Veias torcidas, ou nodadas
as pernas. *
AVISOS DIVERSOS.
Tendo-se reconhecido que a despeza
de escripia e cobranca do importe dos
annuncios he superior ao valor delles,
previne-seaos senhores assignantes deste
Diario que quando os mandaren), re-
mettam igualmente a sua importancia ;
alias nao sero publicados.
Para os senhores M. J. T. B. e seu F. lerem;
c se se zangarem com esla pequea lembran;a, di-
gam alguma cousa,porque se acha na estacada prom-
plo ao que vier.O Leite.
Decreto n. 736 de 20de novembro de 1850.
TITULO V.
DiiposicOes geraes.
Arl. 59.Em cada urna das estaees menciona-
das no artigo antecadente haver um livro, ro qual
os empregados assignaro os seus nomes is horas
marcadas para comecar e findar o Irabalbo, sendo
guardado pelo respectivo chefe, e contada urna falla
ao que nao comparecer para assignar-se durante o
primeiro .piarlo de hora ou que se ausentarantes
de lempoafim de se Ihe fazer o descont ele.
Decreto n. 870 de 22 de novembro de 1851.
CAPITULO IX.
Arl. 44.Todos os empregados das' Ibesourarias
de fazenda sao sujeilos ao ponto, com excepcao ni-
camente do inspector e procurador fiscal, os quaes
todava deverio comparecer etc. etc.
Arl. 49.O trabalho das Ibesourarias de fazenda
principiara as 9 horas da manhaa, e terminara as 3
da tarde.
A pessoa que Ihe faltar 2 cabras, que se acha-
rara em urna plaa de capia, pagaudo a deslruicao
que as mesmas fizeram, Ihe sero entregues : "uo
aterro da Boa-Vista n. 14.
Precisa-se de um criado de meia idade, e de
um sitio grande distante desta cidade 1 a 4 leguas:
na ra do Crespo n. 15.
O Sr. Francisco de Paula Cosa, morador no
Cachang. queira dirigir-se loja da ra do Crespo
n. 10, a negocio que Ihe diz respeilo.
Precisa-se de urna ama de leite : na ra da
1 mao. em casa de Jos Amonio da Silva e Mello.
Um estrangeiro de boa conduela deseja eraprc-
gar-se em algum engenho como distilador : quem o
pretender annuncie.
Bernardo Fernandes Vianna contina com sua
aula particular de primeiras letlras. do dia 8 de Ja-
neiro prximo futuro, nao havendo feriados semlo
dias santos de guarda ou molestia ; autorisado pelo
Exm. Sr. Vctor de Olivcira ex-presidenle que foi
desta provincia ; aquellrs senhores que lhc quizerem
confiar o cnsiuo de seus lilhos, podem vir malricu-
la-los c verem o progrmma do ensino. Tambem da-
r lices aquellas pessoas graudes que nSo poderem
vir ile dia das 6 as 9 horas da ooite, sem isencao
de cor ; podem vir malr|cular-se na ra da Cadia
do Recife n. 47, a qualquer hora.
Na ra do Rangel n. 42, lava-se e engomma-se
com toda a perfeico e aceio.
Na ruadasCnues n. 40, taberna do Campos,
na das melhores e mais modernas bichas harabur-
Ruezas [>ara veuder-se era grandes porccs e a rela-
llio, e lambem se aluga.
Precisa-se de urna ama que saiba cozinhar e
engommar com perfeic3o. pagaudo-se bem : na ra
da Cadeia do Recife u. 19, primeiro andar.
Aluga-se urna escrava pan o servico interno c
externo de urna casa ; quem a pretender, dirija-se
ra do l.ivramenlo n. II. Na mesma casa se dir
quera lavae engomraa com prompinino, e commodo
preco.
Desappareceu no dia 25 do correnle mez, de
bordo do patacho nacional D. Pedro V, surlu no
Forte do Mallos, n scravo marinheiro, de noine
Luiz, nacao Cabund, cor bem prela, barba cerrada,
estatura regular, clieio do corpo, com marcas de be-
xigas nc rosto, e representa ter 30 anuos, pouco mais
oa menos ; levou camisa e calc.a de algod3o azul e
bonete prelo: quem o pegar e levar a bordo do men-
cionado navio, ou casa de Novaes & Companhia,
roa do Trapiche n. 34, ser generosamente recom-
pensado.
* isssf;
AULA DE LATIM.
O padre Vicente Ferrer de Albuquer-
que, proessor jubilado de grammatica
latina, tem estabelecido sua aula par-
ticular na ra Direita sobrado n. 27, se-
gundo andar, onde recebe todos os alum-
nos, quer externos ou internos, tanto des-
ta prara cmodo mato, medame a razoa-
vel convencao que pessoalmente oere-
cera'.
@@@@
d DENTISTA FRANCEZ.
Paulo Gaignoux, estabelecido na ra larca
9 do Rosario n. 36, segnndo andar, enlloca den-
tes com gengivas artificiaes, e dentadura com- 0
9 pleta, ou parte della, com a presso do ar.
Tambem lem para vender agua denlifricedo $
^ Dr. Pierre, e p para denles. Rita larga do
^ Rosario n. 36 segundo andar. at
&&&#&& a &@ s@
O Sr. procurador da cmara mu-
nicipal do Limoeiro, baja de mandar pa-
gar a assignatura do Diario de Pernam-
buco, para a mesma cmara, que se
acha em grande at razo de pagamento.
O Sr. Antonio Ferreira da Costa
Braga tem urna carta na livraria ns. G e 8
da praca da Independencia.
Aluga-se para o servico de bolieiro um escra-
vo mualo com muila pratica desse ofiicio. Na ra
da Saudade fronteira do Hospicio, casa da resi-
dencia do Dr. I.ourenro Trigo de Loureiro.
O Sr. Joaquim Ferreira que leve loja na pra-
cinha do Livranicnlo tem urna caria na livraria ns.
6 e 8 da praca da Independencia.
Precisa-se do urna ama para casa de muilo
pouca familia : no boceo da Lingoela, taberna n. 1.
Precisa-scdo um rapaz porluguez, de 14 a 16
anuos, para caixeiro de taberna : na ra da Concor-
dia u. 26.
Da-so dinheiro a premio com hypolheca em
predios uesla praca : quem pretender annuncie.
LOTERA DA PROVINCIA.
Aos 5:()00>'000, 2:000a00, 1:000J000.
Ocautelisla Antonio Rodrigues de Souza Jnior
avisa ao respeitavel publico, que os seus bilhetes c
cautelas nao suflrem o descont dos oilo por tente
nos Ires premios graudes, os quaes se acham a veuda
lias segrales lojas : praca da Independencia n. 4,
do Sr. Fortunato, 13 e 15 do Sr. Arantes, e 40 do
Sr. I'.nia Machado ; ra do QucimaJo u. 37 A, do
Sr. Freir ; ra da Praia, loja de fazeudas do Sr.
Sanios; ra larga do Rosario n. 40, do Sr. Manoel
Jos Lopes; e praca da Boa-Visla, loja de cera do
Sr. Pedro Ignacio Baplisla, cuja luleria lem o seu
andamento infallivel era 13 do futuro Janeiro.
Bilhetes 59500 recebe por iuleiro 5:0009000
Meios 29800 a 2:5009000
Quartos I950O 1:2509000
Oilavos 800 B 0259000
Decimos 700 a .IOO9O
Vigsimos 400 25090U0
_ Perdeu-se umcouliecimenlo de n. 90 da quan
lia de 4009000, recelado ua thesouraria da fazenda
desla provincia : quem o tiver adiado, ou por qual-
quer modo delle esteja de posse, dirija-se i ra da
praia de Santa Rila 11. 42, que ser generosamente
gratificado, alm do agradecimenlu.
Traspassa-se urna boa loja na ra
Nova, quem pretender dirija-se a ra
Nova n. 42.
Antonio Esidio da Silva, lenle de geometra do
lyceu desla cidade, abre no dia 2 de Janeiro do anno
mu leiiro, na casa de sua residencia, na ra Dreila
n. 78, um curso de geometra por Euclides e La-
croi : os senhores esludantes que o quizerem fre-
quenUr, poderao dirigir-se a mencionada casa, de
manhaa das 7 horas al as 9, e de larde das 3 al
as 5.
Lava-se e engomma-se com loda a perfeirao c
aceio: no largo da ribeira de S. Jos, na loja do so-
brado n. 15.
Precisa-se fallar ao Sr. Jacintho Af-
fonso Botelho. que morou no aterro da
Boa-Vista, e boje dizem que mora para as
bandas de Beberbe, e como se nao saiba
o lugai de sua morada pede-se-lhe annun-
cie, ou dirija-se a esta typographia.
Aluga-se urna casa lerrea"na povoarao do Mon-
leiro, com a frenle para a igreja de S." I'.ml.il.....
mnilo limpa, Iresca, cora commodos para familia re-
gular, lendo urna porla e duas janellas na frente: a
tratar com Antonio Jos Rodrigues de Souza Jnior,
na mesma povoarao, ou na na do Collegio o. 21, se-
gundo andar.
I.'iride Italiana, revista artstica, scientilica e
Iliteraria, debaixo do immedinto patrocinio de S. M.
o Imperador, rediuida em duas linguas pelas mais
condecidas capacidades do imperio, e dirigida pelo
professor A. tjalcano-Ravara. Subscreve-se em Per-
nambuco, na livraria n. 6 c 8 da praca da Indepen-
dencia.
Lotera da Provincia.
O cautelisla Amonio Ferreira de Lima e Mello,
avisa ao publico que lem as suas caulcllas da luleria
da amorcira e criarao do bicho da seda, que corre
no dia 13 de Janeiro, no Recife loja 11. II, ra do
Rosario n. 26, dita Direila n. 62, aterro da Roa-\ is-
la 11. 58, iyi povoarAo do Moulciro eiu casa do Sr.
Nicolao, e era sua loja ra Nova 11. 4, pelos precos
abaixo declarados.
Bilhetes 51000
Meios 29800
Quartos I95OU.
Decimos 700
Vigsimos 400
Quem per.ion um par de argolas de orelha, o
qual julga-se ser de ouro, procure ua casa da ra
das Aguas-Verdes n. 16, que dando os signaos Ihe
ser entregue, pnssando o competente recibo, e pa-
gando o importe do annuncio.
Gratilicarao.
Perdeu-se urna carien., homeopalhica na noile de
2 para 25 do correnle na igreja malri/, de Sanio Au-
lonio, em occasio da inissa de Natal; quem a tiver
achado e entregar na ra do Collegio 11. 12, ser ge-
nerosamente gratificado.
O Sr. Dr. I.oureneo Bezerra Carneiro da Cu-
nta lem urna carta na ra do Cabug u. 11.
Lava-se, engomma-se e csese, com perfe-
e.lo : na ra da Guia, no fundo do sobrado n. 44,
sendo a entrada pelo becco que vai sabir ua ra de
Apollo.
Precisa-se alugar um iroleque para
o servico de um rapaz solteiro, que seja
iel, que nao beba, eque entenda do ser-
vico a que he destinado : na ra do Tra-
piche Novo, n. 16, segundo andar.
Domingo, 31 do correnle, sabirao
dous mnibus para a cidade de Dun-
da, o primeiro partir s 6 horas da
manbia e o segundo as 7, e vollara d'alli o primei-
ro s 5 horas da larde, e o segundo as 6 horas :
quera qui;er ver Nossa Senhora do Monle aprovei-
te a occasio comprando bilhetes uo escriploro da
ra das Larangeiras n. 18; s6 lluras da manhaa,
do mesmo dia sahir um mnibus na direccao de
Apipucos, e vollara s 7 horas da uoile para' o Re-
cife.
Precisa-se de urna ama de leite pa-
ra acabar de criar urna crianra de seis
mezes, que tenha bom leite, prelerindo-
se sem liiho : a tratar na praca da Inde-
pendencia n. I, ou na ra Bella n. 27.
Chegaram os selhns de Borrenha :
na ra da Senzalla Nova n. 42, em casa
deS. P. Johnston&C.
Perdeu-se na missa do Natal, na
madrugada do dia 2i para 25, desde a
porta da matriz da Boa-Vista at o prin-
cipio da ponte, urna pulceira de ouro
nova, degostofrancez; roga-se a pessoa
que a tiver achado de mandar entregar
no segundo andar da casa n. 5, no ater-
ro da Boa-Vista, quesera' gratificado, e
se Ihe licara' muito obrigado,
O abaixo assiguado deixou de vender charutos
desde o 1. de dezembro, no armazem de Candido Al-
berto Sodr da Molla, e contina a vender na ra
do villorn, n. 36. por precos commodos.
Agostinho ferreira Sema Guimaraes.
LOTERA DO RIO DE JANEIRO.
Acham-se a venda as lojas do costu-
me os bilhetes da 5.* lotera do conser-
vatorio de msica, a qual coireu em 22
do presente, as listas su esprate de 2 a 5
de Janeiro pelo Tocantins 011 San-
Salvador. Os premios sao pagos a vista
eseindescont algum.
Precisa-se de urna ama para o servico de urna
casa de familia, ou urna escrava, ou moleque para
se alugar para o servico de casa : ua ra Direila n.
88, primeiro andar.
Precisa-se de urna ama que lenha bom e bas-
lanlclele, para crear um menino, pagando-se bem ;
na ra Direita n. 66.
Precisa-se de urna ama forra, que engomme
pcrfeilamenle, paga-se bem : no alerro da Boa-Vis-
la loja n. 4S.
Jos Manoel do Araujo faz scienle ao respeita-
vel publico, que nao tem e uunca leve parle alguma
na suciedad.' que gvra debaixo da firma de Araujo
f Filhos, na cidade'do Penedo, provincia das Ala-
goe*, pois na poca em que foi ella estabelecida, se
chava o annunciante na cidade do Rio de Janeiro
negociaudo por sua conla ; n que provar.1 se Tor pre-
ciso com os documentos existentes nesta cidade de
Pernambuco em mao de seu procurador o Sr. Dr.
Manoel da Silva Reg.
-se 5509000 a juros a premio de I I p_' por
ceulo; na ra da Assumpcao n. 18.
Antonio Joaquim de Abreu relira-se para fra
do imperio.
Troea-se a residencia de um segundo andar ua
rnaeslreila do Rosario, que paga |:!~ihiu rs. mensaes
de aluguel, por oulra em primeiro ou segundo an-
dar, as ras larga do Rosario, Queimado, Cadeia,!
Collegio, Cruzes e pateo do Carmo, cuja aluguel nao
exceda de209000: a fallar na ra eslreila do Rosa-
rio n. 8, segundo andar, por cima da loja de cera,
das 6 as 7 da larde.
Em resposla ao qudam autor do annuncio no
Diario de 2 de dezembro, dcclara-lhc que o seu en-
genho I lia acha-se livre de qualquer penhora ; pois
a penhora que diz ler felo na renda, esta foi deca-
luda por ter-se apresenlado quilarao de paga ; e
promelle o abaixo assignado de esclarecer por esle
Diario a maneira c-cen.lale-a do annunciante. que-
rer cobrar urna divida quando j linha Iraspassado
todo direila della a Francisco Cavalcauli de Mello a
quem foi paga pelo abaixo assiguado. EulAo ver
o publico a maneira dolos. desle infame calumnia-
dor, que o seu fim ser ainda a cadeia. Engenho
Illia 27 de dezembro de 1854.
Juao Francisco Paes Brrelo.
Oscrcdores da massa fallida de Victorino Mo-
reira potem apreseutar os documentos de sous cr-
ditos na ra da Senzala Nova 11. 42, at o dia 2 de
Janeiro prximo, alim de seren verificados pela com-
niis-ao Horneada.
Vende-se 110 caes da alfandena, armazem n.7,
barris com polas*a, \indos do Rio de Janeiro, por
preco mais cm conla do que em oulra qualquer
parle.
Antonio Fernandes da Costa Lima achando-se
summameiile penborado pelos obsequios prestados
por occasio do deposilo e funeral de seu prezado so-
gro o icverendo Francisco do Reg lana e S, no
.lia 23 do correnle, c nao podendo pessoalmente ma-
nifestar esses sentimeulos por estar .lenle, serve-se,
po, das columnas desle jornal para agradecer cor-
dialment a lodos aqnelles que se dignaran) acoinpa-
nhar e assislir as exequias celebradas na igreja de S.
Pedro por alma do mesmo seu prezado sogro ; e se
Ibes offercre para lulo quaulo poder prestar. F'az
honrosa meue.io do Rviu. provincial dos carmelitas
com seus religiosos, das vencraveis irmandades de
S. Pedro, e dos Pama do Corpo Sanio, bem como a
do Saulissimo Sacramento desla matriz, que, nao
conlamlo como seu irmo aquelle fallecido, acompa-
nhou-o ate a mesma igreja de S. Pedro, onde foi de-
positado. Igualmente agradece a philanlropica cor-
poracao msica, por se nao esquecer de seu anligo
compaubeiro ; e a dous senhores dessa corporacao
(nao publica seus nomes porque lalvcz oflenda o
melindre de cada um) tributa seu reconhecimenlo
em particular, em consequencia dos esforcos que fi-
zeram.
O Sr. F'sancisco do Amparo Lopes Lima lem
urna caria vinda da Lagoa do Monteiro, na praca da
Independencia, livraria n. 6 e 8.
Alporcas.
Cambras.
Callos.
Canceres.
Corladuras.
Dures de caheca.
das cosas..
dos raembros.
Enfermidadcs da culis era
geral.
Enfermidadcs do anus.
Erupcoes escorbticas.
Fstulas no abdomeu.
Frialdade ou falla de ca-
lor nas extremidades.
Frieiras.
engivas escaldadas.
Incliaeoes.
lnllammaeao do figado.
da bexiga.
Vendc-sc este ungento no eslabelecimento geral
de Londres, 244, Slrand, c na leja de todos os boti-
carios, droguistas e oulras pessoas eurarregadas de
sua venda em toda a America do Sul, ilavana e
llespanha.
Veudem-se a 800ris cada borelinha cootm urna
insinenlo cm porluguez para explicar o modo de
fazer uso desle ungento.
O deposito geral he em casa do Sr. Soum, phar
mareiitico, na rna da Cruz n. 22, em Pernambuco
MACAAS. .
Veudem-se no deposito do gello om resto de bar-
ricas com maoaas perfeilas, eahre-se para o compra-
dor ver que esln boas : a tratar do mesmo.
MACAS BARATAS.
Na ra eslreila do Rosario n, 11, vendem-se ma
Caas a 29000, 39000 e 49OOO o cenlo.
Vende-se uina tourina parida ha
um mez, e da' 4 garrafas de leite, para
ver, na ra da Concordia om casa de
Pedro Guimaraes, e a tratar na rita da
Praia n. 45, segundo andar.
Vende-se .urna escrava crioula, de
idade de 24 annos, com algumas habili-
dades sem achaques nem vicio algum,
ao comprador se dir' o motivo por que se
vende: a pessoa que perdender dirija-se
a' ra Velha, venda da esquina p.. 67.
Farol.i de Lisboa muilo novo a 69OOO a sacca :
na ra da Cadeia, escriploro de Manoel (ioncalves
da Silva.
Velas de cera de carnauba.
Vendem-se velas de cera de carnauba pura do
Aracaty, pelo baralopreco de ;i-000 a arroba: na ra
da Cruz do Recife n. 34, primeiro andar.
Vecde-se urna escrava crioula, de 26 annos de
idade, muilo sadia e sem vicio algum : na ra da
Gloria n. 60.
Vendem-se superiores queijos do serbio, com o
peso de 4 libras e meia cada um, pelo preco de
19280 : na ruada Santa Cruz, taberna n. 1.
Vendem-se saccas com fcijao por barato preco,
courinhos de cabra bous, ancoras com mcl e polassa
do Rio de Janeiro : na ra da Madre de Dos n. 34.
Deposito de vinho de cham- >S
ftagne Chateau-Ay, primeira qua- idade, de propriedade do conde ^)
de Marcuil, ra da Cruz do Re- M
rile n. 20: este vinho, o melhor 2
de toda a Champagne, vende-se 2|
a 56S000 rs. cada caixa, acha-se 3
nicamente em casa de L. Le- 1
comte Feron & Companhia. N. w
B.As caixas sao marcadas, a f'o- (5
goConde de Marcuile o* ro-
fulos das garrafas sao azues- Q
CONDECIDO DEPOSITO DE POTASSA
E CAL.
Na rita de Apollo armazem n. 2 B, con-
tinua a ter superior potassa da Kussia e
Kio de Janeiro, e cal de Lisboa em pe-
dia : tudo a preco que muito satisfar'
aos seus antigos e novos lregu "es.
CEUESTO ROMANO BRANCO.
Vende-se remeulo romano branco, chegado agora,
de superior qualidade, muilo superior ao do consu-
mo, em barricas e as linas : alraz do Iheatro, arma-
zem de laboas de pinho.
Na loja da ra do Crespo n. 6, lem um grande
sorlimenlo de caixas para rap a emilaco das de
tartaruga, pelo mdico preco de 19280 cada urna
Veude-se um cabriole! com coberla e os com-
petentes arreios para um cavallo, tudo quasi oovo :
pare ver, no aterro da Roa-Vista, armazem do Sr.
Miguel Segeiro, e para tratar no Recife ra doTrapi
che n. 14, primeiro andar.
grande sortimento de brtns para
calcas e palito's.
Vende-se brm trancado de linho de quadros a
600 rs. a vara ; dito a700el000; dlo mesclado a
19400 ; corles de fusiao branco a 400 rs. ; dilos de
cores de bom goslo a 800 rs. ; ganga amarella lisa da
India a 400ts. o covado ; cortes de cassa chita a
29000 e 29200 ; lencos de cambraia de linbo gran-
des a 640 ; dilos pequeos a 360 ; toalhas de panno
de linho do Porlo para rosto a 149000 a duzia ; di-
las alcoxoadas a 109000 ; guardanapos lambem alcu-
xoados a 39600 : na ra do Crespo n. 6.
O QUE GUARDA FRI GUARDA CALOR:
porlanto, vendem-se cobertores de algodao com pel-
lo como os de laa a 19400; dilos sem pello a 19200;
dilos de (apele a 1200 : na ra do Crespo 11. 6.
RA DO CRESPO N. 12. aj
0 Vende-se nesta loja superior damasco de ($
9 seda de cores, sendo branco, encarnado, rdxo, @
0 por preco razoavel.
Venderc-se lonas da Kussia por preco
commodo, e do superior qualidade: no
armazem de N. O. Bieber&C,, ra da
Cruz n. 4.
CASEMIRASE PANNOS.
Vende-se casemra preta e de cor para palilos por
ser muilo leve a 29600 o covado, panno azul a 39 e
49000, dilo prelo a 39, 39000, 48, 59 e 5500, cortes
de casemra de gestos modernos a 69OOO, lelim pre-
lo de Maco a 3>200 e 49OOO o covado: na roa do
Crespo n. 6
OBRAS DE LABYRINTHO.
Acham-se a venda por commodos precos ricos len-
cos, toalhas e coeiros de labyrinlho, chegados lti-
mamente do Aracaty : na ra da Cruz do Recife n.
34, primeiro andar.
gemela da Edwln Maw.
Na ra de Apollo n. 6, armazem de Ha. Calmon-
& Companhia, acha-se constantemente bous sedi-
mentos de taixas de ferro coado e batido, tanto ra-
sa como fondas, moendas inetiras todas de ferro pa-
ra animaes, agoa, ele., ditas para armar em madei-
ra de lodosos lmannos e modelososmais moder-
nos, machina horisontal para vapor com forca de
4 cava los, cocos, passadeiras de ferro ealanhado
para casa de purgar, por menos preco que o de
cobre, esco-vens para navios, ferro da Suecia, fo-
Ihas de (landres; tudo por barato preco.
. Vende-se excellente laboado de pinho, recen-
teniente chegado da America : na rui de Apollo,
trapiche do Ferreira, a enlender-se com o adminis-
trador do mesmo.
Na ra do Vig ario n. 19 primeiro andar, lem a
venda a superior fia ne I la para forro de sellins ebe-
gada recenlemeute da America.
Potassa.
No antigo deposito da ra da Cadeia Velha, es-
criploro n. 12, vende-se muilo superior potassa da
Russia, americana e do Kio de Janeiro, a precos ba-
ratos que be para fechar rontas.
epoiito da fabriaa de Todo* os Santo* na Babia
Vende-se, emeasa de N. O. Bieber &C, na ra
da Cruz n. 4, algodao trancado .('armella fabrica,
muilo proprio para saceos de assucar e roupa de es-
cravos, por preco commodo.
AGENCIA
Da Fundicao Low-Moor. Ra da
Senzala nova n. 42.
Neste estabelecimento continua a ha-
ver um completo sortimento de moen-
das e metas moendas para engenho, ma-
chinas de vapor, e taixas de Ierro batido
e coado, de todos os tamauhos, para
dito.
Devoto Cinismo.
Sahio a loz a 2." edicao do livrnho denominado
evolo Chrisiao.mais correlo e acrescenlado: vende-
se nicamente na livraria n. 6e 8 da praca da In-
dependencia a 640 rs. cada exeroplar.
PUBL1CAQAO' RELIGIOSA.
Sahio luz o novo Mez de Mara, adoptado pelos
reverendsimos padres rapurliinhos de N. S. da Pe-
nha desla cidade, augmeotado com a novena da Se-
nhori da Conceicao, e da noticia histrica da i -
dalha milagrosa, edeN. S. do Bom Conselho : ven-
de-se nicamente na livraria n.lie 8 da praca da
independencia, a 19000.
Vende-se urna taberna na rna do Rosario da
Boa-Vista n. 47, que vende muilo para a trra, os
seus fundos silo cerca de 1:2009000 r., vende-se
porm com menos se o comprador assim Ihe convier :
a tratar junto alfandeca, Iravessa da Madre de Dos
armazem n. 21.
SELLINS INGLEZES.
Vendem-se os melhores sel-
lins para lionierr., que tem
viudo a este mercado, com
seus competentes freios, etc.,
incluindo alguns para pa-
gens recentemente despacha-
dos, taml>em chicotes para carro, homem
e senhora, com eneites de gosto moder-
no : no armazem de Eduardo H. Wyatt,
uado Trapiche-Novo n. 18.
NAVALHAS A CONTENTO E TESOURA S.
Na ra da Cadeia do Recife n. 48, primeiro an-
dar, escriploro de Auauslo C. de Abreu, conli-
nuam-se a vender a 89000 o par (preco fixo) aa ja
bem condecidas e afamadas navalhs de barba, feilas
pelo hbil fabricante que foi premiado na exposicao
de Londres, as quaes alera de duraren) extraordina-
riamente, mo se seuleii) no rosto na aeco de corlar ;
vendem-se com a condicao de, nao agradando, po-
derem os compradores devolve-las al 15 das depois
pa compra resttuindo-se o importe. Na mesma ca-
sa ha ricas lesournhas para unhaa, feilas pelo mea
mo fai'icaote.
Negocia-se urna casa nova e moder-
na na estrada da Ponte d'Uchoa, com seis
salas, oito quartos ealcovas, cosinha, des-
pensa, com um ptimo sitio com toda a
qualidade de fruteiras, grande jardim
murado com muitas flores, cocheira, es-
tribarla, quarto para feitor, cacimba com
bomba, etc., etc. : vende-se debaixo de
condicoes mu favoraveis para o compra-
dor : a tt atar na ra da Cruz n. 10.
FRASCOS DE VIDRO DE BOCCA LARGA
COM ROLHAS.
Novo sortimento do tainanho de 1 a
12 libras.
Vendem-se na botica de Barlholomtu Francisco
de Svuza, ra larga do Rosario n. 36, por menor
preco que em oulra qualquer parte.
Vendem-se em casa de S. P. Johns
ton & C, na ra de Senzalla Nova n. 42.
Vinho do Porto superior engarrafado.
Sellins inglezes.
Relogios de ouro patente inglez.
Chicotes de carro.
Farello em saccas de 3 arrobas.
Fornosde farinha.
Candelabros e candieiros bromeados.
Despotice ira de ferro galvanisado.
Ferro galvanisado em folha para forro.
Cobre de forro.
MECHANISMO PARA ENSE-
NO.
NA FUNDIQAO DE FERRO DO ENGE-
NHEIRO DAVID W. BOWNIAN. NA
RA DO BRUM, PASSANDO O CHA-
FARIZ,
ha sempre um grande sorlimenlo dos segrales ob-
jectos de mechanismos proprios para engeuhos, a sa-
ber : moendas e meias moendas da mais moderna
couslruccao ; laixas de ferro fundido balido, de
superior qualidade, e de lodos os lamanhos ; rodas
dentadas para agua ou animaes, de lodas as propor-
c8es ; crivos e boceas de fornalha e registros de boei-
ro, aguilhdes.bronzes parafusos e eavilhOes, monho
de mandioca, ele. etc.
NA MESMA FUNDICAO
se execntam lodas as encommendas cora a superior i
dade j conhecida, e com a devida presteza e comino
didade em preco.
Farello de arroz muilo nuvo e por preco com-
modo, em saccas e barricas, cujo he saudaveis e de
muila nulricao para cavados, gsllinhas e cevados : a
Iralar na Praia de Sau Francisco cocheira de Joo
da Cuoha Res.
FARINliA DE MANDIOCA.
Vende-se a bordo do brigue Conceicao, enlrado
de Sania Calharina, e tundeado na tolla do Forte do
Mallos, a mais nova farinha que esiste boje no mer-
cado, e para perenes a Iralar no escriploro de Ma-
noel Alves Guerra Juuior, na ra do Trapiche
n.14. v
Na livraria da ra do Coilegio n. 8.
vende-se urna escolhida colleccaodas mais
brilhantes pecas de msica para piano,
as quaes sao as melhores que se podem a-
char para fazer um rico presente.
RLA
DO TRAPICHE N. 10.
Em casa de Patn Nash & C., ha pa-
ra vender:
3 Sortimento variado de ferragens.
Amarras de ferro de 3 quartos ate' 1
Ealegada.
nmpagne da melhor qualidade
em garrafas e meias ditas.
Um piano inglez dos melhores.
COMPRAS.
Compra-se loda quantidade de praia -elha ou
nova, a peso, conforme sua qualidade, preferindo-
se maior pon;ao de lei : ua ra da Senzala Velha n.
70, se dir quem compra.
Compra-se praia brasileira ou bespanbola : na
ra da Cadeia do Recife u. 54, loja.
Comprain-se canleiros para pipas j usados: na
ra das Cruzes n. 3, segundo audar.
VENDAS
FRUCTAS NOVAS.
Na ra estreita do Rosario n. 11.
Venlem-se macas e caslanhas, peras em latas
enfeiladas, damascos e ameixas, holachinhasde mili-
tas qualidades, e oulras muilas cuusas proprias para
mimse para passameoto defesla, vinho do Porlo fi-
no e licores tambem linos, etc., etc.
Vende-se urna casa; site na ra de Santa Ce-
cilia n. 13 : a tratar na ra do Rangel n. 63.
Vendem-se ricos a modernos panos, rcenle-
mente chegados, de excellentes vozes, e presos com-
modos: em casa de N. O. Bieber \ Companhia, ra
da Cruz n. 4.
PARA ACABAR.
Vendem-se cassa? francezas de cores fixas, e lin-
dos padrftes, pelo baralissimo preco de 140rs. o co-
vado : na loja da tiuimaraes & Henriques, ra do
Crespo n. 5.
AVISA-SE AO PUBLICO,
queseaeha venda grande poreo de presuntos a-
mericanos, vendem-se em porccs e a relalho, muito
bom e barato : cm casa do Davis & C, ra da
Cruz n. 9.
ALliNAk PAR 1855.
Sahiram a' luz as folhinhas de algibei-
ra com o almauak administrativo, mer-
cantil, agricola e industrial desta provin-
cia, corrigido e accrescentado, contendo
iOO paginas: vende-se a 500 rs., na li-
vraria n. 6 e 8 da praca da Indepen-
dencia.
FOLHIHHiS PARA 1855.
Acham-se u' venda as bem conhecidas
olhinhas impressas nesta typographia,
de algibeira a 320, de porta a 160, e ec-
clesiasticas ai80rs'., vendem-se nica-
mente na livraria n. ti e 8 da praca da
Independencia.
HELPOMEMa DE LAN ESCOCEZ
A 503 as. O COVADO.
Na loja n. 17 da ra do Queima.lo, ao p da boti-
ca, vende-se alpaca de lia escoce/a, cliegada pelo ul
limo uavio, a qual fazenda na Europa se d o nom-
de Melpuincne de Escocia, muilu.propria para roue
poes e vestidos de senhora o inenflos por ser de mu
lo brilbo, pelo commodo preco de 500 rs. cada co
vado ; dao-se as amostras com peuhores.
Vende-se um mualo do bous cosluraes e Ira-
baUador, muilo moco : na ra Nova n. -2.
Vende-se um nero haslaulo moco, o qual (em
uiro de carreiro, he serrador, e muilo proprio para
o campo por ler sido do millo, c enlemle de plnu-
lacoes : quem o pretender, dlrija-se a qualquer ho-
ra do dia, na ra dos Prazercs, uo luirro da Roa-
Vi-la, a ultima casa terrea piulada de ivo.
Vende-se cal lo de lmales chegado ltima-
mente de Genova, a *J(H) rs. a libra : em l-ra de
Porlasn. 147, junio a intendencia, terceiro andar.
Vende-se um carro novo e em bom estado de
Irabalhar, com prelOS, por prero commodo : a Iralar
na ra larga do Rosario, taberna n. 39.
Vende-se sola muilo boa, pellos de cabra, c
nomina muilo boa em sarcos : na ra da Cadeia do
Recife n. 49, primeiro andar.
Vende-se tuna casa com sitio, no lu-
gar da Torre, a margen do rio, edifica-
da ha pouco tempo, cm chaos proprios,
com bastantes cotntaodidades, cocheira,
estribarla, etc., etc.: quem pretender
comprar este predio, dirija-se a ra da
Cruz. n. 10, que sendo possivel se fara_
qualquer negocio.
Vende-se cognac em caixas de du-
zia : no armazem de Bruno Praegerd
C, ruada Cruz n. 10.
VetiJe-se lio de sapalciro,',hom : em casa deS.
P. Johnslon & Companhia, ra da Seusala Nova
n.42.
Wk Vendem-se chapeos franceses da ultima (&k
Z moda, a 75000 rs.: na loja de 4 portas da S
Cp ra do Queimado n. 10. f^j
t$$@^si>:SS$S9
ALPACAS ESCOSSEZAS A 4O0 RS. O COVADO,
na ra do Queimado n. 40.
Comma de mandioca
em saceos de 4 arrobas e Untas libras ; vendem-se
por muito commodo preco para liquidar: na ruada
Cruz do Recife n. 34, primeiro andar.
BARATSS1MA.
Vende-se a 34*100a saccadealqueirede farinha de
S. Malheus, dila de santa Calharina a 48000. .lila
muilo fina para mesa a ."ilJOOO : na ra da Praia,
becco do Carioca, armazem do Piulo n. 8.
Relogios de ouro, sabonete patente
inglez, chegados agora : no armazem de
James Halliday, na ra da Cruz n. 2.
ESTOJOS. '
Vendem-se elegantes estojos de toilette
para senhora e para homem: no arma-
zem de Eduardo H. Wyatt, ra do Tra-
piche Novo n. 18.
vimos.
Vendem-se na ra do Trapiche Novo n.
18, em casa de Eduardo H. Wyatt:
Cerveja branca em barricas de 4 e 6
duzas, em garrafas e tneias garrafas, vi-
nho do Porto eXerez, lano em garrafas
comoem barris de i em pipa, ructas em
conserva, em cai\as de 1 duzia de garra-
[y) Veudem-se romeiras, camizinhas e gnllas (J;
.,* para senhora, ludo da ultima moda c por f\t
v^ proco commodo: na loja de 4 portas da w
'M) ra do (Jueiinado u. 10.
Veudem-se no armazem n. 60, da rna da Ca-
deia do Recife, de llcnrv tiilison, os mais superio-
res relogios fabricados em Inglaterra, por precos
mdicos,
Em casado J. Keller&C, na ra
da Cruz n. ">."), ha para vender 5 excel-
lentes piano viudos ltimamente de llam-
buigo.
ANTIGO DEPOSITO DE CAL E
POTASSA.
No antigo deposito da rita do Trapiche
n. 15, ha muito superior potassa da Rus-
sia e americana, ecal virgem, chegadaha
pouco, tudo por preco commodo.
MoinhoB de vento
om tiomhas.le repuio para regar Iiortas e baixa,
decapim, na fundicao de D. YV. Bowman : na ra
do Brum ns. 6, 8 e 10.
Taixas pare engeuhos.
Na fundicao' de ferro de D. W.
Bowmann na ra do lirum, pastan-
do o chafariz continua haver um
completo sortimento de taixas de ferro
fundido e batido de 5 a 8 palmos de
bocea, as quaes acham-se a venda, por
preco commodo e com promptidao' :
embarcam-se ou carregam-se em carro
sem despeza ao comprador.
Na na do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas mu-
ticas pura piano, violao e flauta, como
sejam, quadrilhas, valsas, redowas, scho-
tickes, modinlias, tudo modernissimo
chegado do Rio de Janeiro.
AOS SENHORES DE ENGENHO.
O arcano da invencao' do Dr. Eduar-
do Stolle em Rerlin, empregado nas co-
lonias inglezas e hollandezas, com gran-
de vantagem para o melhoramento do
assucar, acha-se a venda, em latas de 10
libras, junto com o methodo de etnpre-
ga-lo no idioma portuguez, em casa de
N*. O. Bieber & Companhia, na ra da
Cruz. n. 4.
Vende-se urna rice mobilia de jaca
randa', com consolos e mesa de tampo de
marmore branco, a dinheiro ou a prazo,
confrmese ajustar : a tratar na ruado
Collegio n. 25, taberna.
DEPOSITO DE CAL DE LISBOA.
Na ra da Cadeia do Recife n. 50 ha para vender
barris com cal de Lisboa, recenlemenle chegada.
Vende-se urna balanca romana com lodos os
seus pertences, era bora uso e de -2,000 libras : quem
a pretender, dirija-se ra da Cruz, armazem n. 4.
Vende-se urna boa casa terrea cm Olinda, ra
da bica de S. Pedro, que faz esquina com o cercado
de ma leu a. cora 2 porlas e 2 janellas de frenle, 3
salas, 3 quarlos, coziuha grande, copiar, estribara,
grande quintal todo murado, com porlOo c cacimba,
muito propria para se passar a fesla, mesmo para
morar lodo o anno : a Iralar no Recife, ra do Col-
legio u. 21, segando andar.
P POTASSA BRASILEIRA. <$)
(f) Vende-se superior polassa, fa- M
( bricada no Rio de Janeiro, che- ft*
'\ Sa^a decentemente, recommen-
" da-se aos senhores de engenhos os jj
seus bons elieifos ja' experimen- J
tados: na ra da Cruzn. '20, ar- V|
$) mazem de L. Leconte Feron & \$
(?) Companhia. (Q
FARINHA DE MANDIOCA.
Vende-se superior farinha de mandio-
ca, em saccas que tem um alqueire, me-
dida velha, por preco commodo: nos
armazens n. 5 e 7 defronte da escadi-
nha, e no armazem defronte da porta da
alfandega, ou a tratar no escriptorio de
Novaes & C, na ra do Trapiche n. 5i,
primeiro andar.
CEMENTO ROMANO.
Vende-se superior cemento em barricas grandes ;
assim como lambem vendem-se as linas : atrado
thealro, armazem de Joaquim Lopes de Almeida.

Na ra do Vigario n. 19, primeiro andar, ven-
de-se farelo novo, chegado de Lisboa pela barca Gra-
tidao.
ESCRAVOS FGIDOS.
CINCUENTA MIL RES DE GRATIFICACAO.
Em abril do correte anno desappareceu do abai-
xo assignado um seu escravo por nome Sebastian, de
nacao. j idoso, com algumas rugas no rosto, cor lu-
la, alio, reforcado do corpo, denles limados, pouca
barba, ps e raaos grossos, anda e falla muilo des-
raneado ; levou camisa de algodao azul de listra e
calca de algodao azul ; o qual escravo foi comprado
a lllma. Sra. D. Marianna da Conceicao Pereira, e
ha toda certeza de vagar pela Boa-Viagem at Santo
Amaro de Ja boa lao, onde all j se conservou oito
mezes, e que he de presumir que seja acoutado por
alguem ; o abaixo assignado protesta proceder com
todo o rigor da lei contra quem o possa ter acoutado:
roga-se porlanto as dignas autoridades policiaea e
capiles do campo a captura do mesmo, a entregar
na ra do Crespo n. 10.Jos Goncatvu Malceira.
Desappareceu hpnlem, 25 do correnle, urna
negra de nacao Congo, idade 40 annos, pouco mais
ou menos, com ossicnaes seguinles : altura resular,
olhos bugalhados, muilo vergonliosa, rosto marcado,
levon urna trouxa de roupa, e como sahiu de madru-
gada iguora-se que vestido levou ; desconlia-se que
fosse para o mallo de Santo Amaro de Jaboaiao ou
immediacOes do engenho Manij : quem a pegar,
leve-a ra Direila n. 16, ou na villa do Cabo, a
Ignacio Tolenlino de Figueiredo Lima, que sera re-
compensado.
Da casa perlcncente ao Sr. Jos Lelo de Cas-
tro, sita no lugar denominado Cordeiro, fugiram as
7 horas da noile do da 15, duas eseravasmai e lilha,
sendo a ni .i cabra, de nome Mara, reprsenla ler
JO anuos, lem os cabellos brancos, he corcovada,
lem um dedo da mao esquerda muilo fino e lorio,
proveniente de um pauariclo ; a liUia de nome Rosa,
muala, de idade 24 annos, pouco mais ou menos, he
bstanle corpulenta, cabellos carapinhos, olhos ves-
gos, v pouco por um delle; foram escravas do Sr.
coronel Seraphiin da Silva l'erraz, morador no lagar
chamado Riacho do Navio, distante da Fazenda Gran-
de ou aulia villa de Floresta j leguas, traje perlen-
cem ao abaixo assignado que recompensa com 1009
rs. a quem as appreben.ler e levar na mesma casa,
ou ra da Cadeia do Recife, loja n. 5.
.monto Bernardo Vas de Carcalho.
to engenho Mascaliuho, sito ua freguezia de
Una, fugioem um dos primeiros dias de dezembro,
um escravo crioulo, de nome Salvador, ue idade de
20 anuos pouco maisou menos, baixo, cor prela. lem
Una cicatriz no rosto proveniente de urna apostema
que arrelieiiiou : roga-se as autoridades policiaes e
capiles de campo, o peguen) e levem-a ao referido
engenho, ou uo Recife no paleo do Carino n. 17, que
se recompensara.
1009000 de cralifiracao.
Desappareceu no dia 8 de selembro de 1854 o es-
cravo crioulo, amulatado, de nome Antonio, que re-
prsenla ter 30 a 35 anuos, pouco mais ou menos,
nasrido em Cariri Novo, d'nude veio ha lempos, lie
muilo ladino, cosluma Irocar o nome e iulitular-sc
forro ; foi preso em fina do anno de 1851 pelo Sr.
delegado de polica do termo de Seriuhacm, com o
nome de Pedro Sereno, como desertor, e sendo re-
melldn para a cadeia desla cidade a orden) do lllm.
Sr. deserabargador chefe de polica com ofiicio de 2 de
Janeiro de 1852-sc verHlcou ser escravo, e o seu legi-
timo senhor foi 'Anlouio Jos de Sant'Anna, morador
no encenho Cal, da comarca de Snlo Anlo, do
poder de qocm desappareceu, e sendo oulra vez cap-
turado e ren.Ihido a cadeia desla cidade em 9 de
agosto, foi alu embargado por execrlo de Jos Dias
da Silva Guimaraes, e ltimamente arrematado em
praca publica do juizo da segunda vara desla cidade
no dia 30 do mesmo mez pelo abaixu assicnado. Os
siznaessao os seguinles: dade de 30 a 35 annos, es-
tatura e corpo regular, cabellos prelos e carapinha-
do, cor amulatada, olhes escaros, nariz grande c
srosso, beicoi grossos, o semillante rochado, bem bar-
bado, com lodos os denles na Trente : roga se, por-
tanlo, as autoridades policiaes, capiles de campo e
pessoas parliculares, o favor de o appYeijcndeiem e
mandaren) nesta praca do Recife, na rus larca do
Rosario n. 14, que receberao a cralilicaca,. cima de
IOO9OOO ; assim como protesto contra quem. o tiver
em seu poder oceulto.Mant de Almeida 'Lopes.
PERN.: TVP. DE M. DE FARIA. 185.

/

'11 k


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