Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01248


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Full Text
ANNO XXX. N. 295.
Por 3 mezes adiantados 4,000-
Por 3 mezes vencidos 4,500.
IWHIi
DOMINGO 24 DE DEZEMBRO DE 1854.
Por anno adiantado 15,000.
Porte frano para* subscripto!.
MN
DIARIO DE PERNAMBUCO
EXCARRKGADOS DA SUItSCRIPCA'O.
Recife, o propietario M. F. deFaria; Rio de Ja-
neiro, oSr. Joao Fereira Marlins; Baha, o Sr. F.
Duprad; Macei, o Sr. Joaquim Bernardo de Men-
donca : Parahiba, oSr. Gervazio ViclordaNntivi-
dade; Natal, o Sr. Joaquim Ignacio Pereira; Araca-
ly, o Sr. AnioniodeLemosBraga ;Cear, oSr. Vic-
toriano Augusto Borges; Maranlio, o Sr. Joaquim
M. Bodrigues ; Para, o Sr. Justino Jos Ramos.
CAMBIOS.
Sobro Londres, a 28 d. por 19000.
Paris, 32 rs. por 1 f.
Lisboa, 105 por 100.
Bio de Janeiro, 2 por 0/0 de rebate.
Acces do banco 40 0/0 de premio.
da companhia de Beberibe ao par.
da companhia de seguros ao par.
Discanto de lettras de 8 a 10 por 0/0.
Mil US.
Ouro.Oncas hespanholas* 298000
Modas de 69400 velhas. 169000
de 69400 novas. 169000
de 49000. 99000
PraU.Patacocs brasileiros. lt40
Pesos columnarios, 1J940
- mexicanos..... 19860
PARTIDA DOS CORREIOS.
Olinda, todos os dias.
Caruar, Bonito e Garanhuns nos dias 1 e 15.
Villa-Bella, Boa-Vista, ExeOuricury, a 13 e 28.
Goianna e Parahiba, segundas e' sextas-feiras.
Victoria e Natal, as quintas-feiras.
l'REAMAR DE IIOJE.
Primcira s 8 horas e 30 minutos da manhaa.
Segunda s 8 dorase 54 minutos da tarde.
AUDIENCIAS.
Tribunal do Commercio, segundas equinlas-feiras.
Relajo, tercas-feiras e sabbados.
Fazenda, tercas e sextas-feiras s 10 horas.
Juizo de orphos, segundas e quintas s 10 horas.
1" vara do civel, segundas e sextas ao mcio dia.
2" vara do civel, quarlas e sabbados ao meio dia.
EFIIEMERIDES.
Dezbr. 4 La cheia ao 44 minutos e 48 se-
gundos da tarde.
12 Quarlo minguante s 3 horas, 43
minutse 48 segundos da tarde.
19 La nova as 7 horas, 48 minutse
48 segundo? da tarde-
26 Quarto crescente a 1 hora, 21 mi-
nutos e 48segundos da tarde.
DAS DA SEMANA),'
18 Segunda.- S. Espiridio c. ; nBeatiao tu.
19 Terca. S. Daro m. ; S. Faurt; S. Paulilo.
20 Quarta. Jejum (Tmporas Vigilia) S.Liberato.
21 Quinta. S Thom Ap. ; S- wistocles m.
22 Sexta. Jejum (Tmporas) 9. Honorato m.
23 Sabido. Jejum (Tmpora) S. Servlo adv.
2% Domingo. 4.a do Advento. S. Delfino b.; S.
Tharsila m.: S. Gemina mm. S. Zeaobio-
-
i


r1
4
Sendo llfflcultOSO rennir OS em-1 I'0 mcnos de dez pontos sobre o objeclo da respec-
pregados de nossa ofilcina no dia
de Natal, nao havera Diario no
da 26, e em eompensacao damos
o presente numero hoje, domingo
24, para adantar a puhlicuciio
das noticias do snl, trazidas pelo
vapor inglez.
PARTE OFFICIAL.
MINISTERIO DO IMPERIO.
Polo ministerio do imperio se e*pcdiram as se-
g-ninlcs inslrucres para seren observadas nos ron-
curros i que se lem ile-ajroceder na* facuVdades de
medicina de imperio, para o provimenlo do9 luga-
res de oppoaitorcs:
CAPITULO I.
Da interiprao.
Arl. i." llavera na secretaria da faculdade um
livro especial para n inscripto dos concurrentes aos
tasar d oppositores.
Nesse livro lavrar o secretario para cada concurso
um termo de abertura e oulro de encerramento no
lempo proprio, assignados ambos pelo director.
Arl. 2. Sempre que se liouver de preencher al-
smn lugar de opposilor, mandar o director annun-
ciar o concurso pela imprens e por editaes, decla-
rando o dia em que senbrrainscripc,ao, e o prazo
em que dever fechansc.
Art. 3." Este prazo,da abertura ao encerra-
mento,sera de seis mezes, contados da data em
que se fizer o annuneio para o conenrso, devendo u
director, immcdiatamenle que so realisar a vaga de
qualquer lugar communica-lo ao governo e con-
gregarlo.
Art. 4. Se o referido prazo, contado na forma do
artigo antecedente, expirar durante as ferias.conscr-
var-se-ha berta a iuscripcao nos tres primeiros dias
litis que se seguirem ao termo dellas, procedendo-
se ao encerramento no lerceiro s 2 horas da tarde.
Art. 5. O caudidato que se quizer inscrever ir
secretaria assignar o seu nome no livro cima re-
ferido, e entregar os documentos especificados no
artigo 66 dos estatutos qne baiiaram com o decreto
n. 1,387 de 28 de abril do correntc auno, afim de
serem presentes ao director.
Na mesma occasiAo poder o candidato entregar
tambeni os documentos que julgar convenientes, ou
i-uni ttulos de habilitado, ou como prova de ser-
vicos prestados ao estado, humaoidade ou a scien-
cia, pasas ndo-lhe o secretario um recibo, no qual
especifique o numero e a nalureza de laes docu-
mentos.
Arl. 6." A inscrpean pnder-se-ha fazer por pro-
curarlo, se o candidato nao se adiar na corte, ou li-
vor jaslo impedimento.
Arl. 7. Se o director liver duvida acerca da va-
lidada dealgiim documento essencialcommunica-lo-
ha inmediatamente congregarlo para deliberara
semelhaute respeito.
Se a consreaacao entender necessari, poder ou-
ni o eemtiilalo liceres de ctio documento rentar
duvida, para o que, se o caso assim o requerer, adia-
r a decido por tres dias.
liva cadeira.
Art. 15. Os substitutos apresentarao tamhem pe-
lo menos um ponto sobre cada materia de sua
seceso.
Arl. 16. A congrcgacilo nomear cm seguida urna
eommissao composta de Ires lentes calhedralicos e
dous substitutos para cscolber denlrc os pontos apre-
senlados cinco de cada materia e formular os da-
i|uellas, cujos prolessores nao tiverem comparecido
a sessao.
Arl. 1". No seguinte dia a eommissao agallara'
congregarao os pontos que houver escolbido, e ap-
provados astes por ella, o director marcar dia para
a apr*setilac,ao da theses, mide sne rU8.
iidaHen
millidalem demora pelo secretorio a todos os candi-
datos, e publicada pela imprensn.
Arl. 9. 01 anuncise edilaes.de que traa o arl.
2", serao repelidos em cada um dos ltimos oilo dias
ilo prazo da inscriprao.
Art. 10. No dia fixado para o encerramento da
in ras da tarde, e lidos peto secretario os nomes dos
candidatos e documentos respectivos, decidir por
majara absoluta de votos, em escrutinio secreto, so-
bre cada um, se estilo no caso do art. 66 dos estatu-
tos citados.
Nessa occasio lavrar o secretan o termo de en-
cerramento da inscriprao, que ser logo assignado
pelo director.
Arl. t. O director far exlrahir pelo secretario
cuas lisias dos candidatos habilitados pela congrega-
rlo, urna dasquaes mandar publicar, e a oulra re-
metiera ao governo coro urna espnsic,3o do que liver
oceurrido durante o processo das habilacOes.
Arl. 12. Do juizo da congregarlo poder reccor-
rer par o governo qualquer dos candidatos que se
julgar prejudicado, assim quanto ao que for decidi-
do a seu respeito, como a respeito dos outros con-
currentes.
Arl. 13. Expirado o prazo das inscripres, nos
termos dos arts. 3. e 4o, nenhum candidato ser ad-
miltido, por qualquer tirulo que sija.
CAPITULO II.
Das proras do concurto.
SECCAO 1.
Dat theses.
Arl. ti. Rceoiihecidas as habililaroes dos candi-
datos cada lento calhedratico, ou substituto em exer-
cicio, aprcsenlar na mesma sessao da congregaran
se dia e o da sessao da congregaran o espaco de mez
c meio.
Arl. 18. Immcdiatamenle o secretario oflerecer
aos candidatos, rcmeltendo-lhes copia da listo dos
pontos, e dando-lhes o dia em que devem entregar
as llicsea, em numero, pelo menos de cem ejempla-
res i mpressos.
Arl. 19. Estas theses conslarflo: 1." de tres pro-
posites sobre cada materia do curso medico em re-
ferencia a um dos pontos approvados : 2." de orna
demonslrarito acerca de algum daquelles pontos per-
tencentes a secrfie para cuja vaga se abri o con-
curso.
Art. 20. No dia prefijado o secretario lavrara um
termo assignado pelo director, declarando qnaes os
candidatos que apresenlaram suas theses.
Arl. 21. Ficam excluidos do concurso os candida*
ios que pelo termo do arligo antecedente se conhe-
cerem nao ter apresenlado as theses no dia marcado,
salvo o disposto no arl. 77 dos estatutos.
Arl. 22. I.ogo depois de lavrado o termo do art."
20. o secretario entregar aos candidatos as theses aos
seus concurrentes e remellar um ejemplar de cada
urna dcslas cada professor opposilor.
Art. 23. Oilo dias depois da apresenlarflo das the-
ses, lera lugar a sua defeza.
Art. 2t. No caso de s haver um candidato ser
este argido na Mese por 7 lentes pela ordem de sua
anliguilade, e nesla hypothese cada lente argir por
esparo de mela hora, marcada pela ampulhela.
Arl. 25. Se forem dous os concurrentes, argir
se-ho reciprocamente, por espado de duas horas, to-
cando urna hora cada um.
Se forem Ires ou mais, esse prazo ser de meia
hora para cada candidato.
Arl. 26. Se o numero do concnrrcnles for maior
de tres, o concurso ser prorogado, durante os dias
seguintes, observando-se a regra cima estahelecida.
de modo que nenhum dos candidatos seja obligado
sustentar a sua Ihesc mais do que duas horas e
meia.
Ari. 27. Seo numero de candidatos exceder a 6,
serao sorlcndns 5 para arguirfiu de cada these. Por-
isso o secretario sol a inspocr,ao do director, lanrar
os nomes dos concurrentes em ama urna, donde o
dcfcndenlc exlrahir i cinco.
Arl. 28. Asscssoes deorgansacoc defeza da the-
BJ nunca piklerAo Wttrar mi -re-5 horas, na com-
prehendendo os periodos de descanco que a congre-
garlo julgar conveniente.
Arl. 30. Ouer a defeza, quer a argirn, serao
sempre feilas segundo a ordem da iosrriproo dos
candidatos, o em presenra da congregarlo.
SECCAO 2."
Da proca esrripta.
Arl. 31. Dous dias depois da defeza das theses!
reunida a congregado, seguir-se-ha na organisaco
dos pontos para a prova escripia o mesmo processo
que para a das theses, com as seguiules alleracSes :
1. Os pontos s serao dados pelos lentes calhedra-
licos e substitutos da respectiva sereno.
2.a A eommissao para a esculla dos pontos ser
com posta de lodos os leu les da seccao.
3.' Os pontos serao nesse mesmo dia formulados e
submettidos em numero d 30 approvacao da con-
gregatSo.
4." A congregas* volar sobre lo>s estes englo-
badainenie ; e especialmente sobre qualquer substi-
tuirlo proposla por algum.
Art. 32. Numerados pelo director os pontos que
furem approvados. escrever o secretorio os nmeros
correspondentes em papis de igual lamanho e for-
ma, os quaes depois de dobrados -serao hincados em
urna urna.
Arl. 33. O serrelaro lanear os nomes dos pro-
fessorese substituios qu se acharem presentes em
oulra urna, da qual o mais anligo extrahir oilo, que
se irao relacionando propirnto que forem li-
rados.
Arl. 34. Serao em seguida admittidos os candida-
tos, e o primeiro na ordem da inspecrao tirar um
numero da urna dos pontos, c leudo o director em
voz alia o ponto correspondente, o secretario dar dis-
to urna copia cada candidato.
Arl. 35. Recolher-se-hao os candidatos a urna sa-
la, e lera.) o prazo de qualro horas para disserlarem
0 CA1IM0 90IEVE.
Por A. de Bcrnrard.
f
CAPITULO VIGSIMO E ULTIMO.
o Soit heureux quipeut,
a It ne Ven pat qui, mil. n
(Aoligo proverbio.)
{Camtinuac'io.'
No meio da agitacio causada pelo desmato de Iter-
Iba. Mr. de Saulien nao se lembrura de abrir os ma-
tos de papis e carias que sen camarista Ihe enlre-
gara, e tinha-os laucado negligentemente sobre a
mesa do salan. Qnaudo vio Bertha fra de pe igo c
determinada a vencer o mal forra de energa, elle
vollou aos seus papis, sobre os quaes Kigaud .'an-
cava um olhar sorrateiro como fino conhecedor que
era dos sellos ministeriaes.
O archeotogn rompeu successivamenle tres envol-
torios que contihham memorias, broeburas, ataques,
rcsposla, archeologicas em todas as claves e ein lo-
dos os lons; mas eliegande ao quarln, a man ire-
meu-lbc e a vista perlurhnu-sc-lbe; elle empallide-
reu e cornil ao mesmo lempo. Seria sua senlrnca de
morte ? Nao, era somonte a concessao ou a recusa
da missao. O sello do ministerio do interior nao Ihe
deiiava nenhuina duvida a vsse respeito ; mas seria
una recusa ou tima concessao? Em presenta dessa
alternativa nunca o coraran de Mr. de Saulieu Date-
ra lao forlemenle.
Kniiii rompeu o sello, ilcixou cebir o envoltorio,
e abri lentamente o papel ministerial dobrado em
qualro. Seu olhar vido illuminou-so repenlini-
mente ao leresla primeira phrasesacramenlal. a Te-
nlin a satisfarao de annunciar a V. 5... E en
de saber, o lelia podido exclamar oarrlieologn. Mas
rommovido a puni de nao poder proferir urna pa-
lavra, cuntinuou a leitura al ao taita. Depois fazen- I
do sobre si mesmo um imperioso estoico para occul-
lar sua perturbacan disse com lom de negligencia
que dissimulava inal um acento de Iriumpho e de
prazer :
Kigafid, eis-aqai a ordem da miss.'m que pedi.
E enlregou o panel ao critico sem suspeilar que es-
te bavia tomado grande parto na concessao desse
favor.
Kigaod lomou o papel sorriodo, e depois de ter-
llie laucado um olhar que o habito que linda dessas
colisas tornava supertluo, passou-o ao doutor.o qual
recekeu-o corntodo o respeito de que um papel mi-
nisterial be diSlTu da parte de um medico da aldeia. O
senhor Marirnho leu o conledo duasvezesjsuccessi-
vamente, pois sabemos que bis repelila placen!, era
sobre o ponto dado, deixamto em cada meia felha de
papel una pagina em branco.
Arl. 36. A cada hora desse Irabalho assislirao dous
lentes dos sorteados, e a ordem em que foram seus
nomes escriptos segundo o art. 31, os quaes far.lo ob-
servar o silencio necessario, e e\ ilarao que algum dos
concurrentes sirva-se de livro ou papel que Ihe pos-
sa ser do adjuctorio, ou leuda commiiiiicaran com
qualquer oulra pcsoa.
Arl. 37. Terminado o prazo das qoalro horas, se-
rao ledas as toldas da composrao de cada um rubri-
cadas no veno pelos dous lentes, que liverem as-
sistido ao Irabalho da ultima horae pelos outros can-
didatos.
Arto 38. PiMwdas e ladradas' as coroposltDe, se-
rao encerradas em urna urna de Ires chaves, das quaes
urna guardar o director, e as nutras duas os dous
lentes de que trata o artigo antecedente.
Arl. 39. A urna ser lacrada com o sello da facul-
dade, e com a rubrica do director e dos referidos dous
lentes.
SECCAO 3.'
Da prova oral.
Arl. 40. Dons dias depois reunir-se-ba a faculda-
de e ter lugar, para a prova oral, o mesmo processo
indicado nos arts. 31, 32 e 31.
Arl. 41. A preleccao lera lugar 24 horas depois de
tirado o ponto, leudo o candidato o esparo de meia
hora para faze-la, sempre na ordem da inscriprao, e
nao podendo os que se seguirem ouvir a lic-ao dos
precedentes.
Art. 42. No caso de haver mais de qualro candi-
datos I Iir3u oral far-se-ha em duas ou mais I urinas,
que tirarn pontos diversos.
Arl. 43. A divis.io das turmas far-se-ha por sorte
no dia em que a primcira liver de tirar ponto.
Arl. 44. A lumia que for designada pela sorte para
2 lugar tirar ponto no dia em que se fizer a pre-
leccn da primeira, segoindo-se em ludo as mesmas
ilisposires, c havendo para ella novos pontos orga-
nizados naconformidade do arligo.
SECCAO 4.
Da prova pralica.
Arl. 45. Se o concurso liver lugar para sciencias
cirurgicas ou accessorias na mesma sessao em que os
candidatos lirarem ponto para a prova oral, os pro-
fessores da secrAo, quer cathedraticos, quer substi-
tuios, reunir-se-h.lo em eommissao afim de organi-
sarem 16 pontos para a prova pralica, os quaes serao
immediatamcnle submettidos approvarao da facul-
dade.
Arl. 46. No primeiro dia ulil depois da licito
oral, seguir-se-ha a marcha indicada nos arligos 32
a 34.
Arl. 47. Os candidatos faraoimmcdialamenle pela
ordem de sua iuscripcao a prova pralica, que Ibes li-
vor cabido por sorle, nao podendo os subscqucnles
assistir prova dos anteriores.
Arl. 48. Se o concurso liver lugar para a seccito
medica nSo haver pontos, e nomear-se-ha por es-
crutinio urna eommissao composta de dous calhedra-
licos e iimsubstitua, paras fim de secumprir a dis-
posicao do seguintc artigo.
Art. 49. No dia indicado no arl. 47, na presenea
da faculdade, cscolber aquella eommissao na Santa
Casa da Misericordia um enfermo de molestia medi-
ca, o qual ser examinado separadamente por cada
candidato, e logo pela ordem da inscriprao, cada um,
sem astisleccia dos subscqucnles, far.i sobre a mo-
lestia as reflexOes que Ihe parecerem cabidas.
Arl. 50. O mesmo processo lera lugar quando for
clnica a prova pralica para a seccao cirurgir.
CAPITUL III
Da tolacao.
Arl. 51. No primeiro dia ulil depois da prova pra-
lica, na presenra da faculdade e dos candidatos, a-
brir-se-ha a urna das composc.oes escripias, e rece-
bendo cada candidato aque Ihe perlence a lera em
voz alia, guardada a ordem da inscrpeo.
Arl. 52. O candidato que na ordem da iuscripcao
se seguir ao que estiver leudo velar sobre a lidelida-
de da leitura. Sobre a prova do ultimo velar o pri-
meiro inscripto.
Art. 53. Finda a leitura, retirar-se-bao os candi-
datos, c lera lugar a votarlo do modo seguinte :
Arl. 54. istribuir-se-bao pelos lentes Ires cdu-
las impressa*, e todas de igual lamanho e do mes-
mo papel, conlendoo nome de cada candidato, c nu-
tras brancas.
Art. 55. Fcilo islo, lera lugar a volarao (Je prefe-
rencia sobre aquelleque deva occoparo primeiro lu-
gar na lisia, que lem de ser apresenlada ao governo,
laucando cada professor na urna o nome do candi-
dato que julgar nesle caso, ou urna cdula em bran-
co, se a ncm um considerar habilitado.
Art. 56. Se houver maioria absoluta de cdalas
brancas, enlender-se-ha que nem um dos concur-
rentes esl habilitado, e dar-se-lia por terminada a
votac.ao.
Art. 57. No caso contrario ser collocado no res-
pectivo lugar aquelle que ohtiver maioria absoluta
de voto*.
Arl. 58. Se nem um dos candidatos reunir maio-
ria absotola correr o escrutinio mais duas vezes, in-
cluindo smenle at o lerceiro nome dos mais vola-
dos. Se na terceira volarlo anda nao liouver maio-
ria absoluta, considerar-se-ha que nem um dos can-
didatos esl habilitado, salvo o caso previsto no ar-
ligo 8.
Art. 59. Designado qual o concurrente que deva
oceupar o primeiro lugar na lisia, seguir-se-ha o
mesmo processo para a designacao dos que devem oc"-
cupar o secundo e lerceiro loar.
Art. 6#. No caso de empate de don candidatos,
por haver cada um ublido metade do numero do vo-
tos dos membros presentes, passarao ambos por novo
escrutinio, e ser incluido na lista aquelleque reunir
maioria.
Se esta porcm se nao ohlivcr no ngvo escrutinio,
serao os nomes de ambos col loca dos no respectivo lu-
gar na referida lista.
Arl. 61. Finda a volarlo o secretario lavrara em
acto successivo urna aclu.referindo lodas as rircums-
lancias occorridas durante ella.
Arl. 62. No dia immediato reunir-se-hn a congre-
garao para assignar o ollicio deapresentacao dos can-
didalos.
Esle olTicio ser acompanhado da copia das actas,
de lodo o processo do concurso, e alm disto de urna
intormacao particular do director sobre cada candi-
dato, nao s e i rebiro maneira porque se houve-
ram no concurso, como no tocante a seu merecimen-
to Iliterario c semejos, vista dos tilulos e documen-
tos que houver apresentado.
CAPITULO IV.
Disposirao final.
Art. 63. O secretario ofliciar aos candidatos par-
ticipando o dia, lugar e hora em que deve fazer-se
cada orna das provas, com antecedencia pelo menos
de (pironla e oilo horas.
Palacio do Rio de Janeiro em 12 dezembro de
1854.Luiz Pedreira do Coulo Ferraz.
MINISTERIO DA GUERRA.
DECRETO N. 1484, DE 6 DE DEZEMBRO DE
1854.
Manda que postamser reconhecidoi cadetes os filhos
dos officiaes honorarios com sold.
Conformando-me com o parecer do conselhn su-
premo militar, ejarado em consulta de 6 de marco
do corrcnle anno.hei por bem mandarquepossam ser
reconhecidos cadetes os tillaos dos ofllciaes honorarios
do ejercito com sold, que, nos termos do decreto
numero vinle e tres de dezeseis de agosto de mil
oilo centos Irinla e oilo, livfrcm ohlido as suas pa-
leles cm virludc de serviros relevantes prestadas u
ordem publica e inlegridade do imperio.
Pedro de Alcntara Belleganle, d mea consonTo,
ministro e secretario de estada dos negocios da guer-
ra, o leuda assim entendido e faca ejecutar enm os
despachos necessarios. Palacio do Rio de Janeiro,
em 6 dedezembro de 1854, trigesimo-terceiro da in-
dependencia e do imperio.Com a rubrica de S. M.
o Imperador.Pedro de Meanlara Bellegarde
(JOVERNO DA PROVINCIA.
Ministerio dos negocios da joslca.ttio de Janei-
ro, cm 9 de dezembro de 1854. Illm. e Exm. Sr.
Communico V. Exc. para sen conhecimenlo e
devida cxerurjlo, que nos commandos superiores da
guarda nacional dcs lalhes commandados por lenenles-coroneis, que por
pertencerem a antiga organis ico lenham as honras
de coronis, devem estes substituir os cummandau-
les superiores nos seus impedimentos, quando o che-
fe do eslado-maior do mesmo commando nao (enha
igual patente ou graduar".
Dos guarde a V. Exc. Jos Thomaz fiabuco de
Araujo.Sr. presidente da provincia de Pernambu-
co.Cumpra-se.Palacio do governo de Pernam-
buco, 23 de dezembro de IR>i.Figueiredo.
I') Vide o Diario n. 24.
o aphnrismo que regulava lodos os actos de sua vi-
da. Quando lerminou a leitura, pas'ou o precioso
papel a UasUo, e este enlregou-o a coudessa, a qual
o leu ein voz alia s duas filbas.
Eniao, Saulieu, quaes sao suas inlencoes? per-
gunlou madama de Sem-ni I ao geuro.
Mas... balbnciou esle como quem esl pouco
habilitado aiuda a lomar o lom de um persom>gem
oflicial, pretendo aceitar a missao que me he confia-
da, e hei de desempenha-la com todo o zelo...
Oh! nao duvido, nterrompeu a condessa, lo-
go que Irabi-se de examinar velhas paredes, velhas
torres e velbos caslellos lories, bem sei que o senhor
contar cuidadosamente todas as pedras...
Perdoe-rr.e. interrumpen o archeologo, asenho-
ra enzana-se cnmplelamcnte sobre o sentido de mi-
nha missao. Vnu Allemanhasmuito menos para
contar as pedras dos castellos-forles, embora nao
considere esse trahalho intil, do que para procurar
em suas conulrurrflcs subterrneas vestigios da ar-
chitecliira judiciaria. Julgo poder adoptar esto pa-
Javra para exprimir...
Nao he isso o que Ihe pergunto, exclamou ma-
dama de Seneuil um tanto impaciente, quero saber
quando e como pretende cumprir esses novos deve-
res que n estado impc s sus luzes.
O archeologo sorrio com ar de compaixao.
Quero.saber emfim. continuou a condessa, se
nao Ihe seria mais til ueste momento vigiar sobre a
sade de sua mutber do que ir percorrer as grandes
estradas da Allemanha.
He urna viaaem deliciosa, senbora condessa,
e espero que llerlha me acompanbar.
.A fronte de madama de Saulieu parecen expan-
dir-so, e a condessa acenoo affirmativamenle com a
cabera, e disse :
Vodavia a eslavo me pyroce muito adiantada
para emprehendersenielbante excursao.
Meo amigo Saulieu nao Ihe disse ainda lodos
seus proferios, exclamou Rigaud. A senhnra bem sa-
be que Saulieu faz mxslerios de ludo. Saiba, pois,
que elle resol ven r i Allemanha pela Italia.
Que di/, 'i iulerrninpeu o archeologo.
Salvo lalve a vida de sua inulher, respondeu-
llic o critico em voz moi baila.
Pela Italia 1 Pe Ilalia)! murmurava o dou-
lor. Parere-ine, parece-inc que inlo se vai a Alle-
manha pela Italia, pela Italia.
Engaua-se, doulor, presentemente nao se vai
senao por lo, quando parle-se durante o invern, e
nao se le.ni minia pressa.
Mas que frei na Italia ".' (ornou o archeologo.
Nao lia castellns fortes na Italia.
Que! Dito ha caslellos forles na Italia I O qne
de rulan o caslello do Ovo em aples, o caslello de
Sain Angelo em Roma?...
Oh voss1 nao sabe o que diz.
E o caslello de Udolpho nos Apcnninns? Re-
commendo-tlie sobre ludo o caslello de Udolpho.
Poderia adiar ah vestigios de archileclura judi-
ciaria...
Vosse s sabe grarejar.
Em tolo o caso acho ptimo o gracejo, disse a
condessa apressando-se a lomar esse meiu de dislrac-
cjloe lalvez de salvaran para sua lilba. Esse projec-
to he muito sensato, e pela minha parte acho-o ex-
cedente.
Mas... disse Mr. de Saulieu.
A lem disto, proseguio a condessa, Bertha he
de minha opiniilo, e aceita com muito goslo sua pro-
posta, Saulieu. O ar do meio-dia Ihe far bem.
Mas... mas...
Quer (allar-me das despezas He esss urna ra-
tao seria se he esse o nico obstculo nos o apla-
naremos jumamente.
Nao digo isso, tornou o gentilhomem cm lom
olTeiididu. A senhora condessa bem sabe que seme-
lhante razao nao poderia impedir-me...
Entilo todo esl convencionado, e o senhor par-
tir para-a Italia. Resta marcar o dia.
Nao ha lauta pressa, disse o archeologo.
Bertha que al eniao nao tomara nenhuma parte
nessa conversarlo que Ihe inleressava 13o vivamen-
te, estendeu o braco como quem vai fallar, e o si-
lencio se restabeleceu em torno della.
Minha boa mai, disse ella com voz fraca, e
voss, meu charo amigo, agrader,o-lhe sua bondade
para c.imigo; pois bem vejo que he s por meu res-
peito que quer.m esta viagem. Julgam que isso me
restituir a sade... obrigada ; mas parece-me que
em negocio que lano me inliressa leudo o direito
de dizer minha opiniao, e de exprimir meu desejo.
Ainda que sinta milito deixar a Vmr., minha que-
rida mai, e a ti. Atice, quero partir, viajar alguns
mezes pela Italia, pela Allemanha, por onde Mr. de
Saulieu quizer conduzir-me ; mas se me permilti-
rem, s parlirei depois do casamento de Atice, e
de... i, -! ni.
Minha irm.la! disse Alice.
Minha lilba, miirmurou a condessa, seria me-
lhor lalvez...
Ella nao acabou.
Adevinbo-a e comprehendo-a, minha boa mai,
tornou Bertha ; mas quero ser leslemuiiha da felici-
dade delles. Sinlo que isso me far bem.
E madama de Saulieu puuli-i suri m lo a man so-
bre seu pcito opprimido.
Pois bem, disse a condessa. Na verdade isso
nao tardara muito. Quiuze das passam rpida-
mente.
Oh! mni rpidamente, murmuron Bertha com
um lom que exprima precisamente o sentido con-
trario de suas palavras.
Assim licou drtn decidido que no dia seguinte ao
do casamento de Alire de Seneuil com tiastao de
Chavilly, Mr. e madama de Saulieu purliriam para
a Italia, onde passariam o invern para voltarem na
primavera pelas margenado Rheno.
O dia do casamenlo approximava-se, e a sade de
Bertha conlinuava a depereccr. Esse corpo oulr'ora
lao grarioso e elegante pareca nao ser mais do que
urna das sombras qup, segundo a voz popular, visi-
tavatu de noile as ruinas do caslello de Oslreval. Seu
peso nao luna mais feito rahir as pedras abaladas
da rornija.
Emlim chesnu o grande dia. Desde o alvorecer,
Gastan que andava perseguido pelas tuas visOes e pe-
los seus soohos, linha-se levantado, e percorria a
MINISTERIO DA FAZENDA.
Illm. e Exm. Sr.Em cumprimento do aviso que
V. Exc. me dirigi, de 6 do prsenle mez, acompa-
nhado de urna nota do lOjOOO da nova eslampa, cm
papel azul, n. 6133, para ser nesla repartirlo exa-
minada, leudo a binara de devolver a mesma ola e
a informar.lo dada pelos peritos, demonstrando os
signaes mais salientes encontrados comparativamen-
te com as verdadeiras em circularan.
Dos guarde a V. Exc. Caita da amorlisarao, 11
de dezembro de 1851.Illm. c Exm.Sr. mnrqnez do
Paran, ministro e secretario de estado dos negocius
da fazenda e presidente do conselho.O inspector
geral interino, Miguel Cordeiro da Silva Torres e
Alvim.
Illm. Sr. inspector interino da caixa de amor-
lisarao.Procedemos ao exame na nota falsa de IOS
da 3. eslampa n. 6133.1." serie, com a firma imila-
da de Francisco Jos Moreira de Carvalho, de que
traa o aviso do Exm. Sr. ministro da fazenda de 6
do presente mez, e passamos a levar ao conhecimen-
lo de V. S. algumas dilleeneas enconlradas, e que
possam cautelar ao publico,para que nao seja Ilu-
dido com essas notas. O papel he mais spero ao
tacto, devido lalvez a maior porcao de algodao que
clleconleuha. A numeracao imperfeila e o nume-
ro mais eslreilo, os algarismos mal collocados. O
Dda proposisao Doque se acha ao lado do em-
blema pela parlo inferor,pegu perfeilamenle as no-
las verdadeiras com a folha, o que nao acontece as
falsas, que deixa ver um claro. A cora da com-
menda do Cruzeiro, as notas legaes do lado esquer-
do,esl pegada aos raios e sola do direito, porm as
falsas em ambos os lados esl separado. A linda su-
perior da tarja aonde se acha repetido cm pequeas
lellras o valordez mil res.corla pelo meio ahas-
e do grande1, e as falsas a hasle fica muito ci-
ma da linda ; tambem se observa que o d'slicoNo
Ihcsouro nacional se pagaresl escripto as ver-
dadeiras na 4." linda das leltras raiudas, e as falsas
na 3. OIia ultima syllaba da palavravalor-
ala unido ao grosso do1as falsas, e as ver-
dadeiras deixa urna separarlo. A poca6 de se-
tembro de 1822as falsas as lellras sao mais finas
e pequeas, e nao deixa perceber o8. Julgamos
baslanlc o que fica dito para orientar ao publico, se
nao torern emendados pelos falsificadores esses erros,
como lem acontecido em oulras olas falsas. Fi-
nalmente, sendo levada a mesma ola ao respeclivo
labio, naocombinou ; e por isso foi carimbada com
o sinele de rabas. Sala do Iroco na caixa da araor-
tisarao.em 11 dedezembro de 1854.O Irocador,
Franciseo Alies de Drilo Fitho. O conferenle,
arte Jos da Costa.
COMMANDO DAS ARMAS.
Quarel do commando das armas de Pernam-
bnco, aa cldade do Reclle, em 23 de desem-
bro de 1864.
ORDEM DO DIA N. 191.
O Illm. Sr. coronel commandanle das armas inte-
rino manda fazer publico para os fins convenientes,
as senlrnras proferidas pelo conselho de guerra e
junta de justica, nos procesaos vrbaes instaurados
contra os reos, lenenle do 8. balalho de infanlaria
addido an 4. de arlilharia ap. Malinas Vicira de
A guiar, pelo crime de excesso ou abuso deaulorida-
de ; e alferes reformado, Jos Marlins da Siivcira.
como incurso noscrimes definidos nos arts. 1, 6, 10
e 16, ilos de guerra.
Reo lenle Malhias Vieira de A guiar.
Senten;a do conselho de guerra.Veudo-se nesta
cidade do Recife o proceso verbal do reo Malinas
Vieira de Aginar, lenenle do 8. balalho addido ao
4. de arlilharia a p, atrio de corpo de delicio, tes-
lemunhas sobre elle pergunladas, interrogatorios fei-
los ao mesmo reo, sua defeza, documentos, lesle-
inuiidas produzidas c mais peras leste processo, de-
eidio-se por maioria de votos, que a sobredila colpa
nao se acha provada, e nem o reo della convencido.
E paranlo, c peto mais que dos autos consta absol-
>emo reo e appellam.
Sala das sesscsdo c.inselho de guerra no quarlel
general aos 4 de novembro de 1854. Alcxandre
Bernardinodos Res e Silva, audilorde guerra inte-
rino, vencido.Trajano Cesar Burlainaque, coro-
nel graduado, presidente.Joaquim Antonio Pienl-
lenaiver, capitn, vencido.Manoel Pereirade Sou-
za Burity, capitio vogal. Manoel Claudino de Oli-
veira Cruz, leneule vogal.Francisco de Assis Gui-
maraes, lenle vogal.Francisco llenrique de No-
runlia. lenenle vogal.
Senlrnca da junta de juslira. Reformam a sen-
lenca do conselho de guerra, visto estar provado o
delicio do reo o lenle Matdi-s Vieira de Aguiar,
nao s pelo dito das teslemunhas do conselliu de in-
vestigado, do conselho de guerra,e tambem pelas
testemunhasda defeza, que depuzeram lodas, que o
soldado Macicl sodreu um castigo rigoroso, sendo
amarrado, e assim espancado peloasoldados e infe-
riores, sem que fosse obstado pelo reo, que seno
mandara, consentir, nesse immodeado castigo.
Condemnam, porlanlo n reo, 6 mezes de prisao no
quarlel, levando-se-lhe em conta o lempo de prisao
que lem solrido. Mandam se cumpra no reo a dito
pena.
Recife em sessao da junta de juslira 20 de de-
zembro de 1854. Figueiredo.Souza.Oliveira..
Figueiredo.Chaby.Rabel lo.Pereira.Mon-
teiro.
Reo, alferes reformado Jos Marlins da Silveira.
Sen tenca do conselho de guerraVeudo-se nesla
cidade do Recife n processo verbal do roo Jos Mar-
lins da Silveira. alferes reformado, autoBe corpo de
delicio, lestemunhas sobre elle pergunladas nesle
conselho c no de investigarlo, interrogatorios feilos
ao reo, sua defeza, lestemunhas que produzio, e do-
cumento : decidio-se uniformemente como se v das
tences, que a culpa do reo eslava provada. c elle
della convencido, porquanlo ve-se nao s dos con-
testes depoimenlos das teslemunhas do conselho de
invesligaco de fl 11 a 14, como tambem das do con-
selho de guerra de fl 16 uquc fl 20 ; 1.. que o reo
no dia -J.lo mez do oulubro ultimo.pela- 10 horas da
noile,estando ebriodesobedeceu a orderaque Ihe dera
otencnle-coronel eommamlanlc da fortaleza do Brnm
Joaquim Caelano de SuzaCnusseiro. para recolher-
se ao eslado-maior, onde eslava preso ; 2. que fal-
lou o respeito a sentinclla das armas ; 3. que fez
gritara dentro da fortaleza ; e 4." finalmente que
fallou mal do dito lenente-cornnel commandanle, e
o injuriou atrozmente.
Defendeu-se o reu com a materia de sua defeza,
0. 28, negando ler perpetrado os referidas rrimes,
produzio as (eslemunhas de II. 36 a fl. 13 que nada
provara m. visto como al.', 2.", 4.e 6." nada disse-
ram a 3. e 5." presos de Josliea recolhidos na dita
fortaleza, nenhuma f mereccm por serem suspeitas
de parcialidade, como se deprehende dos seu ditos*.
E por tanto,e mais que dos autos consta, declara o
conselho de guerra o reo i ocurso nos arts. I., 6 e 16
parte primeira, e arligo 10 dos de guerra de incauta-
ra, cujas disposirrs ao as seCDiotes :
Arl. 1. Aquelle que recasar, por palavras ou dis-
cursos, obedecer as ordena dos seus superiores con-
serneules ao serviro.ser condenada a trabalhar as
forlificacoes : porem se Ihe oppozer servindo-se de
qualquer arma, ou amear.i, ser arcabnsado.
Art. 6. Todos sao obrigados a reageitar as senti-
ncllas ou oulras guardas, aquelle que o nao fizer se-
r castigado rigorosamente ; e aquelle que atacar
qualquer senlinella sera arcabnsado.
Arl. 10. Aquelle que fizer estrondo,ruido,hnihn on
gritara ao pe de alguma guarda, principal mea te de
noite,ern r*Mrrwdo rigor-aiiienle, conforme a in-
/encao com que o houver feilo.
Arl. 16. Todo aquelle que fallar mal do sen sapea
rinr, nos corpos de guarda, on as rompauhias, ser
castigado aos trabalhos de forlificacao, porem se na
indagarao que se fizer, se conhecer qae aquella mur-
muraco nao Tora procedida somenle de orna soltura
de lingua, mas eneaminhada a rebelliao, sera punido
de. morle como cabera de motlm, e o condena pelo
crime do arl. 1 parle 1. a dous mezes de prisao
com Irabalho; pelo crime do arl. 6. parlel.*3
mezes de prisao. pelo crime do arl, 10a 3 mezes de
prisao, pelo crime do art. 16 parte 1. 2 mezes de
priao com Irabalho.
E mandam que as disposi(oes dos ditos artigoa se
execulem no sobredila reo, sodrendo urnas depois
oulras, principiando e se'guindo da maior para a
menor com allencao ao grao de inlensidadc e nao an
lempo da duracSo.
Sala das sessea do conselho de guerra, no quarlel
do Paraizo 30 de .novembro do 1854. Alcxandre
Bernardina dos P.eit e Silva, auditor de guerra in-
terino.Manoel Itolembergue de Almeida, lenle
coronel presidente. Leopoldo Augusto Ferreira,
capitau interrogante. Joaquim Jos de Souza, l-
enle vogal.Jos Cesar de Mello Sampaio, len-
le vogal.Jos Garca Teixeira, alferes vogal.
Senlenr-. da janla de jnslica. Confirmain a sen-
lenca ilu cnnselho de guerra, enndenam o reo a pe-
na de prisao por 1 auno, que cumprir na ilha de
Fernando de Noronha.
Recife em sessao da junla de juslira 20 de dezem-
bro de 1854.Figueiredo.Sou za.Oliveira.Fi-
gueiredo.Chaby. tabello. Pereira Monteiro.
Conforme. Candido Leal Ferreira, ajudante de
ordena encarregado do delalhe.
INTERIOR.
passos rpidos as avenidas do parque ; mas como es-
sas ras de jardim eram mu curtas para sua carrei-
ra febril, passou a grade e ptrdeu-se nos bosques vi-
zinhos.
Era singular a siluarao em qoe se adiava sua al-
ma, repartida enlre duas alTeiccs, a que elle expe-
rimenlava ainda por Herida, e a que j senlia por
Alice, ternura dupla, cujo cabos e cuja nalureza
cuslava sua joven candura comprehender; dupla
rorrenleque o arrebalava, e qual elle ahanduna-
va-se com os Ihos fechados. Os corarles mais fir-
mes lem seus momentos de desalent, e o de (jaslao
eslava bem pouco aguerrido e mni lemidamenle
temperado para nao ceder alternativamente s duas
sedueces que o rodeavam, s duas vozes que Ihe
fallavam aoouvido ; urna muda e triste que pendra-,
va pelo seu prnprio silencia at recondilna mais se-
cretos do concito, oulra voz viva e Tallante que o
amor tornava quasi irresislivel; seducrao do sitonrio
triste, sedurrSo do ardor expansivo. Se nos disses-
sem que o corarao de (Jaslao perlencendo a ambas
nilo ponencia a nenhuma, exprmiriam um erro.
lia-l.ii) lena dado toda sua vida, todo o seu san-
gue, mais ainda, toda a sua ventura para poupar
nina ilr a Bertha ; mascxperimenlava junio de Ali-
ce urna salisfacao agradavel c quasi deliciosa que
linda maior di'i-c da alegra lerrestre do que da ce-
leste que sonham lodos os grandes namorados. Ali-
ce era para elle a amante da trra, i mutber do la-
samente!, Berlba era a do espirito, a vislo potica.
Ao exernplo de Berlba, c para ohedecer-lhe. (ias-
lilii tinha Iriumphado de si mesmo, e a voz de sua
nudo bavia enflacado o* clamores dessa paixao lauto
mais forte, porque tra essencialmenle pura o no-
hre, lauto mais vivaz, porque era despida das influ-
encias malcraos queenfraqiicccm a alma humana
rebuixandoa. Mas esses clamores lulo eslavam Ufo
bem tnsTocados que nflo grila-srin ainda asss alto
para seren ouvulu*, e nesse mesmo mmenlo, quan-
do o sino daca pella ia dar o dobre fnebre desse
priimiru amor rhaniando a consagracao sobre o se-
gunda, clles i -i- ti ai i un mais sonoros e penetrantes do
que noiic.i.
O mancebo fugia apressadamenle ; mas levava cm
si mesmo a fonlc do mal.
Quando vollou ao caslello, j bula a sociedade es-
lava reunida no sabio para a ceremonia civil, eo
capellao mandava acender as velas do aliar. Gaslao
linda sido chamado de baldo, e a iiiquielarao eslava
em lodas as frontes. Madama do Saulieu mais in-
quieta c perturbada que ninguem observava debrn-
rada sobre a janella, seas sombras do parque,nao
Ihe revelariam a volla do noivo, ao qual linham vis-
to sabir de manhaa e dirgir-se para o parque.
Bepenlinamcute seus olhos Uluminaram-se, suas
faces recobraran o rubor, que desde muilo lempo
havinm perdido, e ella exclamou:
He elle!
Se/n inquielar-se com a pcrlnrbacso que essa pa-
lavra cauaava no salan, Bertha lanrou-se na aulera-
mara ao seu encontr, c exclamoo vista da per-
turbado que eslava pintada as feires do man-
cebo :
Gattao, donde vera como esl paludo 1
Rio de Janeiro.
12 de dezembro.
O paquete inglez Camilla traz datas de Montevi-
deo al 5 e de Buenos-Ayres at 2 do corrale.
Eslimamos poder annunciar que no Estado Orien-
tal se fizeram as cleires -geraes na maior Iranquil-
lidade. O partido blanco nao foi s urnas, e as duas
frarres do partido colorado chegaram a um accor-
do que conciliou lodas as vonlades.
No seguinte retrospeclo mensal do Commercio del
Plata iuicoiiir.-ir.iu os tritures, em resumo, ludo
quanto he de inleresse relativamente siluarao da
Repblica Oriental:
e A Repblica Oriental acaba de passar por urna
dessas crises que costumam trazer comsigo alteraran
da tranquillidade publica, e que diininuem a confi-
anza na ordem.
o Felizmente a Iransico se operen de urna ma-
neira mu adequada para robustecer as rondires pa-
cificas da nova situaran, e a prxima era legal que
se prepara tem garandas felizes a seu favor.
As elcices .le representantes para a 7." legisla-
tura, que deviam eflecluar-se a 26 do passado, li-
nham creado preoecupacoes serias em ennsequencia
da altitude dos partidos polticos.
a O partido da opposic,.fo linda organisado com
bastante anlcciparlo os seus trabalhos eleitraes, e
tanto nos departamentos como na capital esses tra-
balhos cnntinuavam sem inlerrupco.
a O partido opposlo marchando de perfeilo aecr-
do, por d isli netas considerares das parcialidades que
o compunham, aceilou a lista de candidatos qne re-
cnmmendava o general Flores aos seus amigos, afim
de evitar a divisao para a lula dciloral de 26 de no-
vembro, div isa o que de oulro modo sera infallivel.
Assim marcharan! as causas quando o partido
da opposirao annunciou que se abstinha de ir s ur-
nas, por considerar milla a ennfercao das mesas pri-
marias feila oilo dias antes do dia 26.
Comtudo esta abslenr.au do partido blanco nao
chegou aos ouvidos do publico senao no dia da lula
rleiloral, quando nos collegios parochiaes da capital
se achavam smenle os eteitores do partido colora-
do, representado em lodos os seus individuos. Sou-
be-se depois que na larde do dia 25 tinha ido s
mnos do ministro do interior urna declararao, fa-
zendo-lhe saber que os que a assignavam se absti-
riham de volar.
Nessa mesma larde linda oceurrido em Monte-
video um succeso de milita transcendencia, cujo
desenlace leria ama influencia decisiva na lula elei-
loral. Eis o que acooleceu :
A lisia de candidatos por Montevideo apresen-
lada peto governo, e que, como j dissemos, s foi
condecida na larde do dia 24, dividi o partido co-
Venlio... ah nSo sei donde venho, Bertha ;
mas convm desfazer esse casamento ; nao notas ca-
sar com sua irmaa.
Nao pode !... nio pode casar com minha ir-
maa 1... Engana-se, Gaslao, vossf ha de casar com
ella : porque depois de ter merecido meu amor, nao
quereria adquirir meu desprezo.
A voz de Berlha, ao pronunciar estas palavras,
linda lomado um carcter de delerminacao e de as-
pereza, que encberain o mancebo de pasmo. Elle
nao arliculou urna palavra e deixando-se levar pelo
pai e por Mr. Rigaud, o qual quizera absolutamen-
te aervir-lhe de lestemunha, foi receber antes do que
lomar a mao da noiva, e collocar-se com Ha (lian-
te da mesa, junto da qual eslava o empregado civil,
honesto rendeiro da condessa e mairc da aldeia de
Seneuil.
O casamento civil be urna solemnidade prosaica
c muilo insignificante ; a benito da igreja pelo con-
trario he una ceremonia bella e commovente, que
raras vezes deixa o coracao fri e os olhos seceos.
as circumslancias particulares que assignalaram
o casamento de madamesella de Seneuil c de Gaslao
de Chavilly devia-se encontrar mais de um corarao
enternecido, e mais de um olho hmido todava de-
pois da ceremonia religiosa, a alegra comern a il-
luminar todas as tronica, e sobretodo hrilbaram as
agudezas de madama de Saulieu, a qual pareca ler
recobrado repentinamente a sau le c a jovialidad?
de noli'oa. Sua palldcz ordinaria fura substituida
pela mais viva cor de rosa, e o vo-ile tristeza que
ainda lia vespera aiuiuviava-lhe a fronte nao deixu-
ra oulro igual sobre esse murmure reanimado do
qne um leve e caprichoso sulco, a primeira ruga da
dor :
Essa graca c OSfla animarn recuperada inspirava
j a Mr. de Saulieu o pcnaamenlo de deferir para a
primavera sua viagem e de restring-la no lim de
sua missao, s margena do Rheno ; e lalvez lamhem
o rondeasa engaada como o gciir por cs-a appa-
renle c subila recobrarlo de sande, livesse estima-
do dar esse pretexto sua ternura para reler junto
de si a tilda querida mas esla desde as primeiras
palavras, que a esse respeito Ihe foram dilas ao en-
vido, prolcslou tao vivamcule contra csaa inudanca
de projectos, que a lomou quasi impossivel. Man-
doii-se, pois, posla vizinha tomar cavallos para o
dia segualo ; porque as muas linham sido levadas
para Seneuil, o a partida devia ler lugar do pateo
do caslello.
No dia seguinte toda a casa eslava acordada desde
que amanbeceu.
Meu charo discpulo, dizia Mr. de Saulieu a
Gaslao, agora que o senhor esl residndo em Se-
neuil, espero que nao perder o frucio de mnhas
licftes. Deixo sua livre diapoaic.lo incuslivros e m-
nhas collecces. Eis aqui lainbem a chave dos sub-
terrneos, a qual Ihe confio. Nao a d jamis a Ri-
gaud, accrescenloo o archeolORo em voz baixa. Com
semclhantcs elementos mao o senhor poder fazer
na minha ausencia um curso de arrheologia, que
Ihe permiltiraajudar-me na minha volla a acabar
minha grande obra. Rogo-lhe tambem que lance a
visla sobre as conslruccOes do caslello moderno,
lorado da capital. Grande parle delle declaran qne
nao aceilava essa composiejio, e pedio qne fosse mo-
dificada a lista. O partido eslava profundamente
dividido a este respeito ; conservar a lisia lal qual to-
rta sido consagrar definitivamente essa divislo que
o enfraquecia, deiando-o em m siluacao para la-
tir rom os adversarios polticos no dia 26, e para
tornar proveitosa a sua influencia nos negocios de-
pois de passada a crise das eleimes.
a Felizmente chegoo-se a um accordo ; conveio-
se na mudificacao, c no mcio de viva* soberana
popular e ao presidente da repblica, que eipres-
samente acquiesceu allerarao da lista de depotados
por Montevideo, se eflecluou 1 uniao das duas par-
cialidades qu ilividiam os homcus da mesma cor
publica, e evitou-se a lula para qoe ambas estovara
preparadas.
a Enlrelanlo o desaccordo das roaoifeslaces po-
pulares de 24 e 25, que ameacava cora orna grave
anarchia n partido da siloaco, veio ao contrario,
pelo desenlace que leve, a dar maior forja ao pre-
sidente da repblica, o qual conta hojepara ajjrvir
o paiz com dobrado pessoal, e maiores elementos
uleis para applicar a essa obra. Assim foi aprecia-
do este incidente, e a confianza tcm bases mais lar-
gas para o futuro.
a Escusado he dizer qoe nao (endo havido lata
rleiloral, prevaleceu no dia 26 em Montevideo a
lista leiloral confeccionada de mnluo accordo na
tarde de 25: foi a nica votada. Nos demais de-
partamentos a opposicHo nao lutou em forja capaz
de vencer ; em uns se ahsleve de ir s urnas, n'ou-
tros combateu, mas sem etilo.
a Assim passou para a repblica a crise de no-
vembro. Para sermos moderados e abslermo-nos
dessa linguagem violenta de que nao convm usar,
deixaremos de fazer algumas observajes acerca das
causas que levaram o partido blanco a desamparar
a urna. Basta-nos mencionar o facto e repetir qne'
a crise de novembro passou sem os abalos qoe al-
guem receiava.
a Occorren igualmente no mez anterior um fado
notavel que lambem eonlribue para caractersar a
siluacao, e torna-la mais vantajosa do qae,antes.
a O ministerio foi modificado: eflectuou-se a mu-
dancaque ha algum lempo se previa, e fez-se essa
mudanca sem abalo, nem violencia.
a Os Srs. Magarinos, e Acosta e I.ara, renunciaran!
s pastas que occapavam para apresentarem-se can-
didatos legislatura. Aceitas ambas as renuncias,
o presidente da repblica formou o ministerio do
seguinte modo :
Governo e relaces exteriores, o Sr. D. Fran-
cisco llordenana, membro da eommissao permanen-
te do corpo legislativo, em subslitnlro do Dr. D.
Mateo Magarinos.
a Fazenda, o coronel D. I.ourcnco Baile, qae ba-
via desempenhado esse cargo durante o sitio de
Montevideo, em lugar do Sr. Acosta e Lara.
a No ministerio da guerra foi conservado o gene-
ral D. llenrique Martnez.
a O Sr. Il.irdenana lomou conta da pasta a 21, 6
o Sr. Baile a 20 do passado.
a A modificaco do ministerio e a crise de 26 do
passaram em socego ; sao dous fados de que o paiz
poder colher vantagens ulteriores. Ficemos pois
em urna perspeclfva de esperances futuras, em fa-
vor das quae existem razOes que todos recouhecem.
Nao ha queslo alguma grave e eminente que
possa dar lugar a aguardes e turbulencias par lamen-
tares : o primeiro perodo da legislatura prxima,
quedeve comerara 13 de fevereiro, dever terminar
sem qae se tenha tratado seno de quesldes admi-
nistrativas, para tornar a reunir-se no segundo pe-
riodo de 1855.
At entao, em que lem de agilar-se a queslao
presidencial, o aspecto dos negocios pblicos se a-
presenla agradavel, a paz se roanlm com facilida-
de, e lodos sabem quanto valcr isto para a prospe-
ridade da Repblica Oriental.
que baja socego, e que um governo inlelligente. e
liberal inaugure e sustente urna poltica altenciosa
para com as legitimas exigencias dos partidos.
a Considerando alera disso a inclinajao pronun-
ciada das massas pela paz, calculando lambem as
facilidades que o futuro oflerece para que o gover-
no se torne cada dia mais constitucional, mais ad-
ministrador, mais tolerado, e aceito conseguinle-
menie mesmo pelos seus adversarios, pode aflir-
mar-se que raras vezes tem tido o Estado Oriental
urna perspectiva mais cheia de esperanzas.
Cremos que os fados justificarn esta opiniao,
de que participa boje a gente despreoceupada. Como
as questoes polticas ficam adiadas talvez por um
periodo de qualro annos ; como o governo, livre
de oppnsices reaccionaras que embaracem a sua
marcha na assembla, pode enlregar-se s reforma8
argentes que deve emprehender : como o povo nao
ser alarmado por amearas de esforjos anarchico,
a era legalidade qae aguarda o paiz esto des-
embarazada a todos os respeitos.
comoj o chama o doutor Martinho, para qae Ri-
gaud que eucarregou-se dessa ridicula empreza,
nao sacrifiqoe o eslylo interior do repartimeuto ao
que ello chama commodidade>. Se poder preparar-
me um grande gabinete r m urna grande chamin
c pequeas janellas nao deixe de o fazer. Quando
eo vollar fon-i por dar-lhe uma-pliysioaomia do se-
cuto XIII ao meaos quanto me permillirem as gran-
des vid raras quadradas, aa janellas immensas e as
portas partidas da archileclura moderna.
Assim lh'o prometi, respondeu Gaslao.
Agora von vigiar os preparativos de nossa
partida. Berlha, quando os cavallos esliverem
prumplos, hei de manda-la prevenir.
Madama de Saulieu sorrio, e fez com a cabeca
um signal afllrmativo ao marido.
Toda a familia eslava nesse momento reunida no
salo, a condessa, as duas lilhas, Mr. de Chavilly e
Gaslao. Mr. de Chavilly lia gazclas, e um silencio
peni\el pareca pesar sobre o corarao das nutras per-
sonagens. Madama de Saulieu que sentia-lhe lalvez
o peso mais que todos, foi a primeira a romp-lo.
Sua visla vagava ao acaso, e seu pensamciilo proca-
rava enlre as huras passadas urna, cuja lembranra
padesse avocar sem perigo ; porquanlo quem leria
ousado locar no presento ou no finura, nem mesmo
fazcr-lhe allusao !
A proposito,-Gaslao, disse ella repentinamente,
lembro-me de ter-lhe comerado ha algum lempo
nina historia, que ainda nao acabei, a do senhor de
Oslreval e de seus qualro filhos.
He verdade. disse Gastan.
Dcvo lermina-la, e vou faze-lo.
Ascadeiras approximaram-sc, as caberas levan-
laram-se e lodos prestaran! attencfio.
Onde lindamos ficado !
No amor de um dos qualro fildoa poi urna ra-
pariga, qiic tambem o amava, responden Gaslao.
Que feliz memoria tem voss !
lia colisas na vida, de que a gente nunca se
esquere.
Pois bem, nao se esquera jamis disto, Gaslao,
aiiio-u romo urna boa iriraa deve amar.
E fallando assim com voz trmula de emocao, Ber-
tha eslendeu a mao a Gaslao, o qual apcrloii-a viva-
mente, mas sem poder pronunciar urna palavra.
Diziamus, pois, tornou ella, que o valeroso
mancebo amava essa rapariga, que de sua parle
tambem o amava, e que sabia minias vezes secre-
tamente de Oslreval para ir v-la_. Cm dia...
Meu amo manda ilizer sehhora, que os ca-
vallos estao promplos, interrumpen n camarista.
Bem exclamou alegremente madama deSau-
litu, esto escripto que voss nao saber jamis essa
historia...
Voss a acabar quando vollar, murmuron
Gaslao. daqui a alguns mezes.
Berlba volveu aeus grandes olhos azues ao co, e
disse:
Sim, quando cu vollar !.....daqui a alguns
mezes...
Depois vollando-se vivamente para a mii lancou-
Ihe os bracos em torno do pescoco e a leve muilo
lempo aperlada em um ardenle abraco sublrahindo
a seus nidos o mais gue poda de suas lagrimas.
Todos linham desculo ao pateo, e Rigaud que
viera com o doutor despedir-se de seu velho amigo,
ou lalvez observar com terna sollicitude, e soccorrer
se fosse preciso a moca que seria rrneldade deixar o archeologo afastar-sc,
julgando que a torre de Oslreval s datava do aculo
XIV, e disse-lhe :
'A prodosilo, Saulieu, tenho ama boa noti-
cia, que dar-lhe : ha dous caslellos de Oslreval, meu
amigo.
Dous caslellos de Os... Voss quer ainda gra-
cejar.
Nao, palavra de honra : ha um Oslreval no
Valois, he o velho, he o seu, e ha oulro Oslreval em
Artois casa de recreio, castello do secuto XV, que
nada vale.
De veras, meu amigo perganton o archeolo-
go estremecendo de alegra.
Essa he boa pergunle ao doulor. ao qual
mostrei as plantas. Ellas estao em minha casa, e con-
cordara perfeilamenle com a descrpeo...
Doulor, vio estas [llanta-.'
Vi-as. senhora, vi-as, disse o medico, e posso
asseverar-lhe que he verdade, que he verdade.
I.ouvado seja Dos Poderei acabar minha
grande obra Partir cm semelhante momento I
Com mais um mez de Irabalho eu acabara !
Saulieu, voss esquece-e de seus deveres, de
sua missao... disse Rigaud gravemente.
O archeologo meueou a caber,.-! e murmurou su-
b ndo o carro :
Miaba missao n3o me chama Italia.
Rigaud Irocou com unida um rpido olhar do
inlelligencia.
O carro parti, e o critico lancou desapiedada-
mente um ultimo epigramma ao seu antagonista.
Sobretodo, Saulieu, no se esquera do castel-
lo de Udolpho.
O archeologo retirou a cabera para dentro da sege,
assim como urna tartaruga em sua concha, eo chi-
cote do postilhao sutfocou no ar as palavras que
elle mnrmurava,
O senhor Martinho e Rigaud voltaram junios peto
mesmo camiuho, aquelle maulado na sua fiel Co-
colle, e esle%m um ca vallo de tara.
Mr. Rigaud, dise o medico, a Dalia, a lla-
lla que singular eaminho lomaran) elles para
rcm 'Allemanha, para ircm Allemanha !
Todo o eaminho cooduza Roma, doutor ; roa
lodo o eaminho nao conduz igualmente ao dever ;
s ha um e he o que madama de Saulieu lomou.
O medico meueou a cadera, como quem nao
comprehendera, e picn com sua uuiea espora a
ilharga da jumenta, cujo passo afrouxava visii ci-
mente.
Cocolte ergueu sua nica orelha, abri sen olho
nico e alcancen o cavallo de puro sanguc, qoe a
tinha precedido.
FIM.



a
DIARIO DE PERMRBUCO, DOMINGO 24 DE OEZEMBRO DE 1854

a l-'ica pois o governo em attilude de emprehen-
der ama marcha administrativa reformadora, e de
poder fazer o bem do paiz. Fora do lorieno das
questes polticas, lodos os csTorjos devoran tender
para a obra da reparadlo benfica e obrigaloria para
todos.
Presentemente he a questao flnanceira a qae
ni ii- gravemente chama a atlenjAo publica e do go-
verno ; questao capital de cuja solurAo depende
cm grande parle o futuro da repblica. O Sr. Ba-
ile, que emita apenas seis dias de ministerio, e de-
dica com lodo o affloco a esludar e preparar os ele-
mentos que devem produzir o melhoraroenlo da fa-
zenda e do crdito publico. Os seus Irabalhos pre-
paratorios leni csse alcance, porm ainda nao ha
lempo para conliece-los e aprecia-los a fundo. O
hora conceilo que merece csse cidadAo por seus
leaes antecedentes e pelo crdito de que goza no
paiz, inspiram coufianja se bem que a ningucm se-
ja occulto a penosa situaran em que se acha o seu
ministerio. Nao he pois de cstranhar que lodos o-
llicm com alienlo para os primeiros passos do ho-
yo minislro da fazenda para por elles calcularem
o futuro.
< Nao temos pois facto algum a consignar a ref-
peilo do rr.ez pasudo alm daquelles que apona-
mos. Esperantos que no futuro mez nao succeder
assim, porque a administrarlo se prepara para ser
laboriosa, e o lempo he propicio para Irabalhos u-
leis.
Temos j urna prova dessa boa disposijAo do
governo no faci de estar hoje oceupado com a
questao da emigrajlo, de que trata com todo o in-
ters*.
u Alim de alluhir a repblica e livar em seu ter-
ritorio o maior numero possivel de bracos industrio-
sos, Iralu-se de crear urna ou mais commisses que
dirijam os Irabalhos neressarios. Um dos edificios
pblicos mais espaciosos ser destinado para aloja-
mento dos emigrantes que cheguem a Montevideo ;
all aeran alimentados em qu.into nao se arranjarem
vantajosamente, empregaudo-se para isso o auxilio
de lodos os homens que desejam a prosperidade do
paiz.
J.i cm novembro de 1852 se formn espont-
neamente urna AssociarSo protectora dos emigran-
te/. Desde novembro de I85 ale fevereiro de 1851,
em que levo de cessar, em consequencia do estado
poltico do paiz, applirou a associacao ao preench-
miMifb das seus lins a quanlia de 1,1 50 pesos.
n Nesscs 1.) mezes a associarAo den nlojamenlo
a uns 500 emigrantcs,demaneiraquerada emigran-
te veio a custar-lhe 8 pesos approximadamen le. Se a
emigmjAo livesse sido mais numerosa, esse cusi le-
na diminuido cm proporrAo, pois que nao se leria
pago o aluguel de um alojamenlo que esteve quasi
sempre riesoccupadi.
n De um documento que tivemos prsenle so col-
lige que i associacao gaslou os 4,150 pesos do mo-
do segoiole:
Gastos de in-lallarn. 460
Casa........1,080
Ordenados de empregados 780
Vveres, ole......1,830
4,130
Se esta negocajAo for mal succedida, a guerra
enlre Buenos-A>res e a confederaro se tornar ine-
vitavefc mao grado a opposijAo do Sr. Pena, minis-
tro da fazenda de Buenos-Ayres, a toda e qualquer
medida extrema.
Buenos-Ayres couservava-se cm estado de sitio. A
Chronica, queuceusara o governo por ler ainda sus-
pensas as garantas conslilucionaes, vio a sua publi-
cacao inlerrompida porordem do ministerio do inte-
rior. O redactor appellou para as commisses per-
manentes do corpo legislativo.
Do Paraguay alcanrara as noticias i 11 de mez
passado.
O Semanario, transcrevendo a nolicia dada pelo
Brilish Packet de Buenos-Ayres de que ira i As-
sumpcao um esquadrilba brasileira com um agenle
diplomtico, diz :
O Brilish Packet annnncia-nns um enviado do
Brasil com uina escolla de 10 ou 19 embarcajcs pa-
ra ajustar certas quesles lerritoraes entre a rep-
blica c o imperio.
" Duvidamos que o governo do Kio de Janeiro
queira dar ao mundo um lal exemplo de uegociajao
armada. Aqu, estamos riispostos i negociar com a
razao e n bom direilo, mas nao temos medo dosca-
nhes,
De Valparaizo temos folhas ale 14 de oolabro.
Neuhuma nolicia ha de inleresse da repblica chi-
lena.
As dalas de Lima al caneara ao primcirodaquelle
mez. Nao linha havido reconlro entre as for-
ras do governo o dos sublevados. Conservavam am-
bas as suas anteriores prisiones.
Com esles dados o governo se achara cm estado
de poder iniciar os projeclos que lev cm vista, e
dos quaes o paiz colhern grandes vanlagens.
A divisao auxiliar do Brasil, para nao dar nem
sombra de prelexlo |a aecusares de parciajiriade
as eleijocs, abandonu no dia 25 lodas as guardas
da capital s tropas do paiz, e no dia 26 foi acampar
fora di cidade, junio as l'edras.
No dia 2 do correnle, auniversario nalilicio de S.
M. o Imperador, foi visitado oSr. conselheiro Ama-
ral, cm norae do presidente da Repblica, pelo Sr.
ministro dos negocios estrangeiros, par felicila-lo
por tan faiisto'mntivo,
Em Buenos-Ayres eslavam os mimos ainda in-
quietos. O Commercio del Plata diz:
Os nossos leilores do exterior esiao ja informa-
dos do desenlace da invasAo de 4 do passado no ter-
ritorio de Buenos-Ayres pelos emigrados do Rosa-
rio : o vapor La Plata levon-lhes a nolicia do mal-
logro completo dessa tentativa temeraria.
n Desde enlAo a situado de Buenos-Ayres he
mais de guerra do que de paz, e se o governo pres-
lasse allencao opiniAo publica daquelle estado, ja
estaa rcsolvida a oceupajao de Saula 1V, donde
parti a nvasAn.
Porem se islo ainda nao se fez por parte do ge-
verno de Buenos-Ayres, nem por isso deiiou esle
de lomar medidas enrgicas para estacionar na fron-
leira um exercilo das tres armas, composto de 4,500
a. 5,000 homens, sob o commando do general
, 11 orno-.
Estando pois ai cousas neste estado, diza-se que
o governo tratara de obter satisfarn pelo ataque, a
mao armada, feilo no territorio do estado, e que pe-
dira urna garanta contra Tactos semelhanles que
ulteriormente pudessem dar-se.
A legislatura de Buenos-Ayres, anlesde termi-
nar o sea periodo ordinario, oceupou-se desla trans-
cendente questao. A cmara dos senadores, a ex-
cepjAo de dous votos, decidi que o governo nbras-
se do modo mais ampio no senlido da aulnrisajAo
que antes Ihe linha sido dada de por o territorio do
estado ao abrigo dos ataques a mao armada.
a A cmara dos depotados por urna maioria d
doos volos quiz limitar a arro do governo ao ter-
ritorio do estado. A legislatura, pois, nada rcsol-
veu, e se retirou, deixando ao governo a faculdadc
de obrar como Ihe parecesse mais conveniente.
n Por sua parte o general Urquiza comejou a
reunir elementos de resistencia pora qualquer even-
lualidade, mas nao se sabe em Moritvido com que
recursos pode contar. Entretanto,eis aqui a le dic-
tada pelo congresso do Paran.
O senado e a cmara dos depulados da Confe-
derarlo Argentina reunidos em cougrusso :
" Attendeudo posijAo hostil que loinou o gover-
no da provincia vizinha de Buenos-Ayres. aggloroe-
rand i forjas sobre as nossas fronleiras :
u Dccrelam com forja de le :
Arl. 1. lie aulorisado o governo a assegurar a paz
c inlegridade do territorio da confederarlo, fazen-
do a paz ou a guerra, conforme aconselharem as cir-
cumstancias ; e para esse lim poder usar de todas
as allribuijes cojo exercicio dependa de aulorisn-
jAo do congresso.
Art. 2. l'ici antnrisado a fazer para esle sagra-
do objeclo todas asdespezas necesarias.
Arl. 3. He permitlido ao presidente da Confa-
derajra ausenlar-se da capital para collocar-se tes-
la do exercilo nacional, se o jolgar conveniente,
deixando o governo orgauisado de ronformidade
rom a dispuslo na consliluiro.
Arl. i. Communique-se ao poder execulivo'.
ii Sita das sessdes do senado no Paran, rapilal
provisoria da Confederaro Argenlina, em 21 de no-
verabro de 1854.
o N tirador M. del Carril, presidente
Carlos M. Saraica, secretario.
neral I "i quiza publicou o seguale decreto:
o DEPARTAMENTO DO INTERIOB.
Paran 29 de novembro de 1854;
a O presidente da Confederaran Argentina :
Em virluile da declarajAo feila pelo congresso fe-
deral na sua sessiio de 15 do corrcnle.c considerando
que a demora do encerramenlo da presente ses-Ao
porte obstar ao regresso e reunAo das cmaras legis-
lativas ao principiar o periodo ronslituirional do 1.
de rnaio, em que serAo reunidos os elemenlos neres-
saros para Iratarem das medidas legislativas de que
carecem os diversos ramos da admnisIrajAo pu-
blica.
a Concorda e decreta :
Art. 1. A-3 de dezembro prximo ser encerra-
da a prsenle secssAo extraordinaria do Congresso
Federal.
a Arl. 2." Communique-se publique-se e cl-se ao
registro nacional. L'RQITZA.
Santiago Der q ai.
Depois da autorisajAo do congresso, appretcn-
i'iii-se cm Buenos-Ayres urna rommitsao competa
dos Srs. D. Jos M. Collen e I). Daniel Gowlanri,
aulorisados pelo general L'rquiza para eulrarem cm
negociarles com o enverno de Buenos-Ayres.
No 1 teve a coramissao com o governo urna con-
lererancia que durou mais de 4 horas. No dia 2 o
*r. Cuiten parti para Sania F, esegundo um caria
que lemos vista vai reclamar do eoiigrcsso do Pa-
ran urna depularAo de sea seio, para com ella en-
trar em negociaron pacificas devi lamente aulori-
sadas.
Oulra caria allribue o regresso do Sr. Collen a
nma falla de redacto na communicaeau dirigida ao
governo de BuenosAyres.o
S. PAULO.
G de dzembro.
Mais um assassinalo acaba de ludihriar as juslicas
do lugar. A pessoa da victima, seus horriveis pa-
dccimenlos, c o motivo por de mais friclo que
guiou o assassinu lem consternado a popular ie da
cidade.
Quasi s portas da capital esl o lunarejo Moinhos,
onde pousAo os Iropeiros que segueni a eslrada de
Sanios. He silio de negras lradicc,es, e mais um
fado veio firmar a reputaran hedionda ganha ha lan-
os annos.
I 'minoro oe cerra de 25 annos, de (ralo pululo, e
coslumcs delicados, rom alguns bens da fortuna,
vinha da Agua-Choca, lugar de sua residencia, fis-
calizando a sua tropa, que por propria inc'.inarAo
roslumava aronip inli u Fez pouso nos Moinhos,
onde ha urna lasca, espelunca ou o que qner que se-
ja, habitada por l'tnbetina, que um camaraila dos
arredores rei/uestaca. O desgranado ino^o Irocava
palavras com esla inulher, sentado a una cama jun-
io delta. Era ella res nulliut sujeila ao prinieiro
oceupante ; nenhuma invasao ou impertinencia com-
mettia o desvenliirado mancebo.
Repentinamente um assassino penetra os nmbracs
da choupaua, loma de urna garrota, e desprende
urna hala no vcnlre de seu quasi rival; a bala quasi 1
varon-llie o corno e foi deposilar-se as costas. O
moro ora valeule ; ferilo morlalmenle quiz perse-
guir seu assassino,correndo alguns passos sobre elle,
mas intilmente, pois que o malvado conseguio cs-
capar-sc
as agonias da morte, o mancebo enlrou honlem
por esU cidade, e foi rerolhido a sania casa da Mi-
sericordia, onde acaba de dar o ultimo arranco de
vida.
I'oram horriveis os padecimenlos da victima. Vi-
sitado pelos fuicrionarios da juslica, para que o seu
interrogatorio dsse luz e 09 dirigisse na indagarlo
do criminoso, anda ignorado o seu estado causava
pena. Dizia horrorisado que a ninauem tinha fei-
lo mal, hospedo na (erra nao allrib-.ua a alguem a
sua morte.
Seguiram-se As diligencias policiaes, foi interro-
gada a proprielaria do logar do crime, e ja se ronse-
guio saber o noine do faccinoroso. Ainda nao foi
capturado, iju.ilqurr diligencia policial, por ur-
gente que seja. se faz com vagar. NAo ha forra, a
guarnirn da cidade absorve a que aqui reside, pois
que os destacamentos, essenriaes no interior, oc-
cupam grande numero de soldados.
Sr. minislro da guerra, pur nossas vidas...
Esto faci lem servido de Ihcma para larga con-
versarlo na cidade. O ssassinalo foi cominellido
quasi cm dia claro na eslrada de Sanios, a mais fre-
quentada da provincia ; o assassino js he conbecido.
Ficara impune? Nem ser preso'! Ser acaslella-
do dehaixo da bandeira de quem protege 09 crimi-
nosos de alta justica ? Muilo receamos que oinfor-
lunadomoro nao soja vindicado ; ha por ahi rouila
coca de caco onde se acoulam os maiores malvados.
Veremos.
Esle e oulros crimes vem calumniar nossa civili-
lac"io, sendo que sao commelldos as barbas da au-
toridade, por urna causa que, em vio, a presidencia
aclual cuida de remover o uso, como que permitlido,
das armas defezas. J Ihe annunciei que o governo
dirigi circulares aos commandantcs de destacamen-
tos para que nfea continu semelhanlc uso. Pois
bem., ilesurarddameule ainda ola salalar providen-
cia 11A0 lem sido completamente obedecido ; ainda
se permilte, e he raro nao se encontrar o viajante,
011 mesmo nao viajante, separado de suas armas,
enormes facas egarruxas, sendo o resultado aquello
que se est vendo.
Alsuns individuos menos bem pensados conside-
rara a medida cm questao inconveniente. Como se-
parar o viajor de suas armas, deixando correr re-
velia a sua seguranza ? Mas, a maioria do povo
eulende que embora a prohibirlo absoluta repugne
com coslumes enraizados no paiz, com o marchardos
lempos e reprodcelo deexemplos se eslirpar sein
cusi efom grande vanlagem a cauta procada dos
crimes.
Alm de que, sendo a prohibicAo extensiva atados
nao perina a seguranra ile cada um. Pudesse o Sr.
Saraiva conseguir a urticaria desta sua ordem, que a
nossa eslalislica criminal Traqueara em numero.
Continam as diligencias do governo para me-
llmrar nossas estradas.
Nesle ponto o Sr. Saraiva vai sendo sinceramcnle
pslimado por lodos sein cxcepc,ao : com especialida-
de pelos homens do interior, que mais solrem com
a inercia da aoloridade nesto ramo do servico. Na
eslrada de Ili ha a paragemMato do Paiol,sup-
plicio dos viandantes, nao obslanle ler-se ja de-
monstrado a possibilidade deum atalho. Felizmen-
te o governo acaba de ordenar a abertura de urna
picada que evita o morro, fazendo dar-lhe a largura
de 25 a ".10 palmos, com os necessarios esgolos, para
que as aguas que desce do referido morro nao
prrjudiqucm.
Trala-se de cemilerio ; segundo dizia ooulro,
j lemos onde nos enlerrarmos se Dos nos aer vida
esaude, A cmara municipal representou ao go-
verno a necessidade da conslruccao de dous : um
para os Tregnezcs de Sania Iphigenia e do dislriclo
do norte da Treguezia da S, oulro para os do dis-
lriclo do sul e da rreguczia do Braz, visto que um
nico nao satisfaz as circmnslancias da capital, sem
vexame da povoacAo. S. Exc. acaba de mandar le-
vantar a plaa do de Sania Iphigenia.
Os despachos de 2de de/.embro aqui causaran!
geral conlenlamenlo, pois que a provincia de S.
Paulo, contra,os precedentes, foi hem aquinhoada.
Comespecalidade foi applauddo o despacho do
Sr. turno do lele, urna das preeminencias da pro-
vincia e antigo servidor. Foi um acto de justica
que os numerosos amigos de S. Exc. agradecer ao
governo de S. M. I.
Se loram attemilos lodos os merecimenlos, nem
por isso alguns prelendenles deixaram de arrufarse
procurando em v,lo o sen na sene dos nolnes publi-
cados em seu Jornal.
Nolei lambein que ninguem roufessa ler pedido.
(Carla particular.)
lornal aVi Commercio do Kio.)
lei om niinha priineira caria crcio porem que nun-
ra rhegara esse dia; lomar o Dr. lempo para res-
ponder as carias de ronipriincnlos, que diariamenle
rerehe de lodos os lugares desla provincia por onde
lem andado; dessa provincia, e me dizem que al da
corlo o vexain com cartas. Dos llie desocego, e aos
que presentemente o alropelam com as loes cartas.
Da capital diz-mo o Gonzaga, o que consta da car-
la, que fielmente Paste S copiarr Meu amigo muila
he a esracez de noticias; de prir oseu comproinisso, leuho andado era cata deltas
e pouco u nada consegu; por tanto conlenle-se
com o pouco, que Ihe vou communicar, principiando
pelo que me loca.
Ainda aqui nao consta, que fosse publicada a car-
ta que Ihe dirig, c nem hn lempo para isso, no en-
lanlo, os amigos do silencio parece, que desconfia-
dos de nossa frequenle rommunicarao, lem procu-
rado inlimdar-me, fazendo apparecer vultos a noi-
le as visinhanras le minha habilarAo, e procuran-
do inculir-mc a idea, de que me prclendem assassi-
nar; mas eu que nao pego em brazas, dei por cau-
lela parle a polica, e lomei cerlas proeaures, com
oque me julno seauro, apear de que alai polica
desta cidade he a causadora de quanto barulhu e
desorden) nella ha. As autoridades policiaes nao
rondara, c os soldados, principalmente os laes de po-
lica sao urna corja de.....Cada um rtelles, quando
ailara em urna colisa que aqui se chaina ronda, he
um arando : elles aulorisam os laes sambas fazem
parle delles. jogam, hehem, e fazem quanla diabru-
ra lia, e ninguem pode se queixar-se as autorida-
dsde suas perversidades, porque apparece logo o
commandanle da polica, que he um lal Machado,
e com suas tricas c liorundangas faz persuadir ao
presidenle e chefeque os seos soldados sao nns san-
tos, e ludo ca em nada, sendo o queixoso feliz
quando nao vai para a cadeia. No hairro da Ribei-
ra ou cidade baixa a respeilo de polica he peior mil
vezes do que na cidade ; aqui anda elles rondam
at dez ououzchoras da noile, receiando algum
passeio das autoridades de polica, porm, all nem
isso ao menos fazem ; apenas rhegam, Iratam de
formar algom samba, e nelle dcvcrlem-se c hebem
toda noile, ou ir para alguma casa de jogo de pa-
rada, que all sito militas, e pode haver as desor-
deus e barullms que houver, que elles nao se impor-
tara; a nica auloridade policial, que no bairro ha,
he um inspector de quarleirAo, e este cousa alguma
se importa sendo um dos devotos do jogo: eu lenho
vislo mesas de jogo, de que fazem parle os sol-
dados ron-danles e o inspector to quarleirAo, com
Taras de pona sobre ella; e ainda nao ha muilo
lempo.que era una dessas mesas houve grandedesor-
deui ciure um lal anzolciro, e uns harcacciros, cm
presenra de Inda pplicia dn hairro, e nada fez, sen-
do a desordem acommodaila pelas pessoas, que le-
vadas pela voseria correram ao lunar, relirando-se
os desordeiros, ar diada a briga, para suas casaste
al o prsenle ncnhiuh iucoinmodo bao soffrido da
policia, continuando to los a jogarem como il'anle-:
o lal anzolciro oceupa-se mais. 110 jogo. do que em
fazer auzes; em sua casa ha sempre jogo, e o ins-
perlor be nina das pernos constantes; no entretanto
o Sr. chefe de policia, a quera nAo posso negar imil-
la aclividade e eitn para a policia, iguora ludo Islo
por liar-se no que Ihe diz o commandanle de poli-
ca, que nao passa de um enredador e farfarrAo: dia
vira era que elle condece o erro !
A guarda nacional, comoj Ihe dhse, ela no
peior eslado possivel, lano que dos poneos ofliciaes
do balalhao da capital, que se fardaram e mal.
algum ha que j Isa danoslo de parte de Tardamenlo
no que Ihe acho razao; porque se ha de ler Tarda-
meulo sem usar d'elle, c exposto ser destruido
pelas baratas. lraca. p, Tcrrugem &, melhor lio rc-
dn/.i-lo metal, e por o dinhero em juro.
A nossa municipalidadc em nada cura do muni-
cipio, as mas estao chcias de malo e cshiiracadas,
oscaminhos esl.lo inlransiiaves, 1 edificaran he pes-
sima c sera ordem, c.os ainaveis s poucas vezes,
que se rouhem, si se oceupam, segundo diz o Sula-
na, era contar historias; rada nm narra o seu caso,
diz sua pillera, e assim preenchera o lempo da ses-
sAo; no entretanto, quando tur para cleirAo futura,
I1A0 de se apresrntar allegando servicos, dando des-
culpas, e prometiendo mundos e fundos; porm nao
ha de ser com o meu vol, se c estiver, que elles
ser.lo recluito-,
Em minha epstola passada Iralei alguma cousa
arerrada Ihesouraria de fazenda geral, e a pesar de
anda ler por la muila cousa a communicar-lhe,
cora ludo desla vez quero visitar a provincial. Esla
repartirlo nao vai bem no que he relativo escrip-
lui arao; porque o i befe de serran, alm de pouro
seilo ler para financas ; lie medico homeopalha, e
como (al pouco cuita dos deveres do emprego.
Ainda nao he rhegado o relogio eticommendado
para a (orre da igreja de Santo Antonio dos milita-
res, e o secretario do governo dizem-me, que esl
anclote por v-lo, c j se einpenliara rom S. Ex.
para o enrarregar, medanle nina gratficac3o.
A provincia esl cm paz e nao ha receio de que
seja alterada a Irauquillidade publica. O chefe de
policia nAo se esquece dos criminoso, e anda sem-
pre em. busra delles para dar-lhes residencia gralis
na capital; mas elles, acoslumados vida dn cam-
po, regeitam to,ia as vanlagens, e poem-sc ao fres-
co, logo que desconfan! que podein ser visitados
pela policai. Ojuiz de direilo da comarca, o Dr.
Cosa Lobo lem-se conduzido bem,he excellenle pes-
soa, Irala a lodos com afTaliilidadc, nao tem impos-
turas, e he inlelligenle ; se elle se demorar por aqui,
muilo turrar o Toro desla comarca
Ojuiz municipal o Dr. Kah,cllo, honlem foi par
o municipio de Exiremos dar andamento certos
negocies do foro qoc por all ha, c rhainar o viga-
rio a conlas pela fabrica da matriz, que elle, segun-
do nuco, lem mcllido em si: o que he provavel, nao
s por estar a igreja despida de ludo, como por se
haver elle furlado dar conlas, porem dizem-me
que o Dr. Rahello foi disposto a nao voltar para
aqui sem Ufas ler tomado, embora seja por elle cx>
conimungado, romo ronsla que ja o lizera, decla-
rando-o cm urna das suas praliras dominnueiras.
Esle mesmo vicario recebeu dos cofres pblicos 1
quanlia de 4008000 para as obras da malriz, e al
boje nAo fez obra alguma, e nem deu conta do di-
nhero.
A rumara municipal est agora em aclividade
pelo receio de sermos visitados do cholera morbus,
porem nao me consta que se tenha lomado a menor
precaucao. Basla por hoje. Findon aqui a caria
do (innzaga, e eu tambera don por linda esla, dese-
jando Ihe saude, paz e dinheiro.
Al ootra vez. O mofador dos Calos.
Pois bem, meu charo senhor quem quer que seja,
fique saliendo que nao Uve em vistas injuriar a pes-
soa alguma quando usei daquelle vocabulo, lano
que elle esl escriplo comlellras itlicas, encaixei a
lal palavra por arara, pois mello rae as vezes a en-
carado sem o ser. Nao obslanle, aconselho ao meu
filalgo que nao caia n'oulra corrila de ajudar a
l'urlur moras, para nAo ter queixas deste seu criado
V,u mesmo para nao arhar-se cm calcas pardas, por-
qn.inlo uesses assadm apparece quasi sempre seu
caldo derramado, e lembrc-se dovelliorifao.Quem
nao quizer ser lobo mo iba vista a pelle. Dado este
cavaco, passeraos adenle.
Na noile de 5 do correnle teve lugar na villa urna
procissAo pela trasladarlo das imagens de Sao Jos
e Sania Anua da igreja do l.ivramen'.o para a Ma-
triz. Essas imagens, tendo sido encarnadas nessa
cidade e all benzidas 110 convenio de nos-a Senho-
ra da Penha.foramcouduzidas para esta comarca na-
quelle mesmo dia e depositadas na igreja do Livra-
menlo, donde forarg levadas em proci-sAo para a
matriz, acompanhando a esse acto religioso grande
concurso de povo, especialmente do sexo feminino,
cujo numero cxrcdeu a oilocentas pessoas. A aqui-
lalar-se o sentiinenlo religioso dos habitantes da tre-
guezia de Pao d'lho pelos seus Aaclos religiosos pra-
ticados externamente, pode-se dizer que o povo de
Pao d'Albo he talvcz o mais religioso do Brasil.
A proposito, devo -vinfessar que em parle alguma
apparecero mais imagens de Sanios para esmolaa do
que n-la turra nos dias de sabbado. E como se n.io
fora bastante as pessoas que por aqui a 11 Lo com ima-
gens a esinul.ii, vem de quando em quandodevolos
de oulras comarcas com imagens a pedirem csmola
nesla comarca !'.! Esses laes que tiram esmolas o
farAo por devoran, ou por especulaban e meio de vi-
da '! Bom seria que se tomasse urna providencia
qualquer a esse respeilo para sean Iludir o povo.
A Maricas Pastora) deu principio ao enaaio do
seo presepio, vislo como ella nao dcixa de feslejar
lodos os annos o Menino Dos para cumprir urna
promessa ; c por isso alurde lodas as noites os ouvi-
dos dos vizinhos com o zabumba, a cujo som can-
lam c dansam as meninas que fazem de pastoras. Es-
se derola mulher cora o seu presepio no s satis-
faz a sua promessa, como lambein retira alaum lu-
cro daquella sua decorao por meio das surtes que
as suas pastoras lanram aos espectadores. L se vai
o lempo em que haviara palinhos que davam surtes
de inoedas de ouro c sedlas grandes ; e assim Ma-
ricas Pastora nAo contando mais com a geoerosida-
de dos Pod'alhcnscs pretende este anno ir repre-
sentar as suas pastoras era Tracunhaem (comarca de
Nazarelh.) onde espera ganhar mundos c fundos.
Oxal que Tracuohacm seja para aquella pobre
crea tura urna nova california, onde ella aufira grau-
dcs vanlagens que compensen! as despezas com os
preparativos das pastoras c lautas noites de somno
perdido.
Da escolla que eslava sendo processada por ler
deixado fugir dous presos ( de que Ihe fallei na mi-
nha anterior) foram pronunciados dous soldados
que eslavam de scnlinella na occasiAoem que leve
lugar a Tuga dos mesmns presos. O processo Toi li-
rado pelo subdelegado da Gloria, o qual'proounciou
os deliuquenles. lie lalvez esla a pnmeira vez que
se irnlia punido nesla comarca crime desta ualu-
reza !!! '
No seu Diario de 13 do andante vi publicada a
proposta da oflicialidade dn balalhao da villa e es-
Iranbci, (e comigo minia gente) que n.u viesse
declarado o nome do capitAo da 6." compauhia. O
que allrbuio-se a engao de seos compositores, por
isso que consta-nos que a pessoa proposta para capi-
lao daquella c irapanhia he um cidadao digno de
lal poslo pela sua conduela, familia e eslado finan-
cciro.
A respeilo da seguranza pessoa nesle mezchegou
apenas ao meu conhecimeiito que no dia baila noile)
fura espancada na freguezia da Gloria a crioula Joa-
quina Francisca Barbosa por dous individuos mora-
dore no smesino lugar.
Achando-se enl.lo naquell fregaezia para fazer
urna ilem uvarao o Dr. juiz municipal, e lendo no-
licia do fado mandou visloriar a offendida, e ins-
laiiraudo n competente proresso pronunciou 09 au-
lores do delicio. Informara lambein que na villa um
inspector de quarleirao andar aos empurros coa)
urna mullir para esta Ihe descohrir um ladrao, que
coslumava acontar em sua casa. Sao negocios;ide
pulira, nos quaes nao devemos raeller o nosso be-
delho.
Os gneros alimenticios e a carne nAo soffi erara
alia nos presos depois da minha ultima missiva.
N vespera e 110 dia de Santa Luzia cahiram boas
chovas nesta comarca, as quaes muilo agradaram
aos agricultores pelo beneficio que lizeram as suas
plantas novas.
Antes de terminar previno-lhe que a minha chara
Eva esl engordando um grande cevado para a fes-
la, do qualilhe mandarei um quarlo para testemu-
nhar-lhe que sempre sou o mesmo seu velho ami-
go o Y.
(Carta particular.)
DIARIO DE PERMMBICO.
Chegou honlem dos porlos do Sul o vapor inglez
Severn, trazendo-nos jornaesda corte al 15 do cor-
renle e da Baha al 20. Nada adiantam elles que
linha inleresse e seja digno de mencionar-se, a ex-
cepi-Aode algumas noticias de Buenos-Ayres, que
cm oulro lugar deixamos Iranscriptas.
LITTER4T11RA.
PERMBUCO.
CORRESPONDENCIA DO DIARIO DE
PERNAMBUCO.
Rio Grande do Norte.
Cidade de S. Jos de Mipihu em 13 de dezemhro.
Pelo grite, que vai levando o negocio, receio ikio
dar canta da larefa por lodos os correios, como Ihe
promelt, e Vmr. cxiio, nao por pn-guira 00 falla
de lempo para ecrever-lhe, mas por falla" de male-
ria; pnisparcre que ludo conspira contra mim para
rae fazer rahir era falta rom Vmr.; al a polica,
que lias mais parles he semproquem Inroece materia
e pesquisa novidades, aqui as novidadesa pesqui-
san, e nao a desrohrem! Em quanto o Mangabeira
cenle; Tora quarleirao, ainda se ouvia Tallar nelle,
peta que elle onde se ochava era Iralainjo do subde-
lega*!, delegado, cbeTe de policia ff., mas desde
que elle Irocou o quarleirao pelas chaves da cadeia,
nao ni para onde Tugio, que nao ha quem della d
nolicia, de torta que quem mo conherer, como eu,
a ndole pacifica dos habitantes desla cidade, ha de
npporque a nossa perversid.ule iie tal que as prl-
ineiras autoridades da provincia, considerando-nos
era otado de selvageria nos abandonaran; porque
se policia nAo a lemos aqui, ou be inv isivel; se guar-
da nacional, peior ; n,o a ronhecemos; se juiz mu-
nicipal he suppleiite, emlim estamos aqui era com-,
pela nrphaiid.idc, procorando.raila um deTender-se [0 ouv,r
dos perversos, que aiidam rala da poliria, que fo-
ge delles nomo o dinbo da cruz.
Ontro lano nao aconlecc em Goianiiinha: apolicia
alii anda em Loda a parle, c sempre no ferr topas,
lano que sua arlividade ja vai degenerando cm......
hui que cstoii fazendo? fallar na polica de Goniaoi-
nha'.". nada, Mata nao me mello, para nao chamar
centra mira as iras de nina -ruh.ua tan chcia de po-
deres: ella prende, sidla, condena, absolve. mala,
ella casa, liiialinenle a polica de Gnauinha he mais
temida c respeilada do que quanto- ciganos ha, por
(auto calu daera mais urna plavra; senAo posso ca-
hir as garras dos seus esbirros, e adeos mundo, e
Vmr. nada; nada, nada mudemos de assumplo;o seu
correspondente all que a chame a cuntas, por que.
segundo dizein, perlence igreja, e como tal he na-
tural que ella o respeile.
O Dr. Amaro sendo acossado aqui pelo lente
coronel Trajano, um meu vi/.iiiho dos Galos, e te-
mendo-se do juiz municipal supplenle, o 1 apilan
Miguel Rhciro Dantas, rccolhen-se espelunca ( o
engendo Cuuliau' do inromparavel Arco-verde) e
d'alli ameaca lieos e a trra; porm cofto j elle
seja meu condecido as suas ameara* sAo recebidas
com de-privo, menos pelo eacrivie. Arantes que
nao quer eslr pelos autos canda sempre desconfia-
do e recoioso, esperando o momento em que elle se
(he aprsenla cumprir a prnmena de que lite fal-
KFX1FE 23 DE DEZEMBUO I)E 185*
AS' G HORAS DA TARDE.
RETROSPEGTO SEJUIUL.
Sem a chegada do Uuunabara, no dia l'.l do cor-
renle, leria passado insulsa a semana ; cara ella po-
rm houve novillada e assumplo para Ionio entiele-
iiimenlo. Com cfleito foi essa barca conductora dos
numerosos despartios que por occasiao do anniver-
sarin natalicio de S. M. o Imperador liveram lugar,
e enlre as oulras n 111,1,;- nao leve a nossa proviucia
razAo de queixa como mal aquinhoada. Eis ah a
grande occiirrencia que a lo los em gern preocu-
pou, e fez esquerer nm pouco a guerra do Oliente,
a lomada (fuluraj de Sebastopol.
4 excepc,Ao dos despachos do dia 2 nada mais
Irooxe o vapor de importancia ; e boje mesmo aca-
ba de rhegar o fiecern sem que adame cousa algu-
ma aprovcilavel a respeilo das provincias do sul.
Chegou no Uuaiiabara o padre meslre Fr. Anto-
nio de Sania Anglica, religioso franciscano, recin-
to guardin do convenio desta cidade. o que de cerlo
foi ura beneficio para o mesmo convenio ; por quan-
to, alm das suAs bousqualidades, he ,1o lo que esse
religioso emprrbendeu a 1 ee.lilicieao daquella igre-
ja, e eflerlivamenlc por seus esforr,os, coadjuvados
pela 1 anda Ir dos fiis, lem feilo obras importantes
cuja coiicluso leria lalvez de soflYer a nao ser elle
como foi recleilo.
Na madrugada de 2 para -J", lan;aram agua-razn
porta da loja da ra do Crespo.perlenccpleaoSr.Xis-
lo Vieira Coelho, e locaram-lhc fogo, que felizmen-
te nao pode progredir, porque um viandante, ven-
dn arder a porta recorren guarda da radeia, por
quera Ion foi avisado o propriclarin da loja, mora-
dor por cima della. He a segunda vez que seme-
lliaute porvcrsiilade se pralica nesla rapilal, sendo
a priineira na ra do Trapiche, e que como a pr-
senle lambein 11A0 surlio o despjado olTeilo, segundo.
noticiamos enlA >. l'ra laclo desla nalureza merece
altenrAo e escrupuloso exame da parle da polica, no
sentido de saber-se qurin vejideo a agua-raz era
grande quanlidadc ele. etc. ; pois que continuando
elle a rcprodiizir-se, quera poder julgar-se seguro
era sua rasa ''
Por esla occasAo nAo podemos deixar de agraderer
ao Sr. chefe de pulira as providencias lomadas afira
de Tazer ressar o velho e criminoso abuso dos pro-
longados dobrese r-'piques ilesino, o que rom a Trc-
qucni-a das feslividades e enterro* Irazin leda aetile
alordoada, alera de oolros males mais graves j;i por
mis ponderados.
Os religiosos capuchinlios da Peiihiifizeram a sua
novena da natal com a competente pralica, havendo
grande concurrencia de liis c nolavel proveilo para
os meemos, ltenlo o numero de confissoes ltima-
mente feilas naquell igreja.
Os habitante* de Olinda. rujas queixas lem-se fei-
nnssas columna-, coulinu.im
a sentir grande falta d'acua |M)lavul, pois que eolran-
do a mar pelo paulano al-quasi duas milhas arima
daquella cidade, nAo podara usar da do rio llcberibe,
ea Tale do Rosario nao a Tornees para ura quarlo
do ron-uiiio. havendo alm della duas cisterna- que
apenas podein dar para muia do/.ia de |issoas. ila
pouro appareceram a l duas canoas idas desta cida-
de, porm desde odia I!) nao vollarain mais, ca po-
pularan arha-sc eslalandu de sude, tpezar das obras
de misericordia.
Principia em grande esrala o moviinenlo de emi-
arac.lo para os arrab ddes deslc Recil'e. busrando lo-
dos o fresco e os p.issaloinpos da festa.
Arliaino-nos na anlc-vespcra do natal.
Entraram IS cinharracese mu un >>.
lemleii a alfandcga 58:195,083 rs.
COMAW'A W PAO DALIK).
16 de dexembro de 13 >4
Nm\ca enlrou rin mcus calculus, que a minha
epstola de ) do provino pastado Uo applaudida
nesla comarca iiavia de desgo-tar a algociu da villa,
segundo assegora-me o meu incomparavel compa-
dre. E porque razAo e-lornagou-sc csse alguem com
aquella minha eptaloU t Cerlamenle foi porque
nella cmpregiiei o Ierran ardenanras, quandu nuli-
ciei a leutaliva do rapto de urna mura.
CMARA MUNICIPAL DO RECITE,
Sessao' extraordinaria de 9 de dexembro.
Presidencia do Sr. Baro de Capibaribe.
Prsenles os Srs. Vianua, Mamede, Dr. S Pe-
reira, Olivcru e Amoriin Tallando sera causa parti-
cipada os mai* Srs.,abrio-se a sessAo, e foi lida e ap-
provada a acta da antecedente.
Foi lido o scguinlc
EXPEDIENTE.
Urna peticao vinda da presidencia da provincia,
para ser informada do provedor e memhros da Ir-
mamiado do Sr. llora Jess das Dores, erecta na igre-
ja de S. Gouralo, reqnerendo terreno 110 cemiterio
publico para conslruccao de catacumbas.Ao \ crea-
dor Vianna encarregado dos negocios do cemiterio.
Um ollicio do procurador,apre-eulando para serum
recolhidas ao cofre, 10 lcltras aceitas por Joaquim
Lucio Montciro da Franca, do valor lodas de
5:09;bJ670 ; i por Belarmino Alves de Archa, da
importancia de 5309 rs., e 4 de Francisco Jos dos
Sanios do valor de 58Srs.; c pedindolhe mandasse
a cmara abonar a despeza que fez com o sello das
mesraas.Mandou-se rccolher ao cofre, como effec-
livamente se fez, e expedir ordem ao contador para
laucar em despeza a quanlia gasta com o sello.
Outro do mesmo, participando achar-se quasi es-
golada a quaulia de 5:0009 rs. mandada ltimamen-
te gaslar pelo governo da provincia, com a obra da
repella do cemiterio, e apresentaudo a conta do que
se tem gasto com dila obra al o presente, alim de
que a cmara providencie. Resolveu-se que se oT-
liciasse ao Exm. presidente da provincia, para aulo-
risar a continuaran da despeza com a obra, dizeudo-
se que essa despeza pode ser feila pela quola volada
para o maladouro, a proporr,Ao que sa for fazendo a
arreraatarAo das rendas munictpacs.
Oulro do mesmo, respondendo que nao exislem
alicerces, como suppoe o advogado, uo lerreno que
pretende a cmara desaprupriar a D. Rosa Maria Ser-
pa.Resolveu-se que, visto ser o lerreno de man una
c nao apresenlar o procurador de Serpa o Ululo de
posse, se officiasse ao Exm. presdeme da provincia
com o occorrido, para o conceder cmara para o
lim a que esla destinado na planta da cidade.
Oulro do engciibeiio cordeador, rtizeudo ler man-
dado reparar o cafcainento do beceo que passa por
Iraz da casa das sesscs desla cmara, augmentando
7 polcgadas sua declividade, masque nAo pudendo
ainda assim obler-te um u-g lo fcil, em consequen-
cia da condensarn dos lquidos 1 beios de partculas
eslranhas.quecorrcm dos quintaos.h'mbravu -er con-
veniente alerrar-se/i '.beceo, eollocaudo-se um ca-
no coberlo de alveuara, em direcrAo ao uso longi-
tudinal.Mandou-se responder que orcasse a obra
indicada.
Outro do juiz de paz mais volado do 1. districto
da Treguezia do Poro, aecusando a recepc.ln do que
a cmara Ihe dirigi para se proceder a reunas da
junla qualilicadora dos volantes da mesma Treguezia
na 3.' dominga do mez do Janeiro, e dizendo que
por luiente n.lo poda presidir a esse trahalht.
Mandou-se responder que passa-se a ordem da c-
mara aa seu inimcdialo Cm volos.
Outro deliscal da|Boa-Visla,informando acerca da
petiro de Anloniu PiuloSoaree.Mandou-se ao ad-
vogado a informar.
Oulro do solicitador, pedindo delerminasso c-
mara o pagamento das cusas da seulenco que 11 seu
favor foi confirmada pelo tribunal da relacjlo, 110 li-
bello que contra a mesma cmara propozera Joa-
quim Antonio du Farias Barbosa, importando as
mismas cusas em l'.l-Jii'l rs.O mesmo destino.
Oulro 1I0 fiscal do Poco, pedindo llie esclareresse
a cmara qual a mulla em que deve incorrer Fran-
cisco Cczario de Mello, por ler reconslruido urna
casa nos Apipucos 10111 a frente do madeira e parle
do oilAo de pedrae cal.O mesmo despacho.
Oulro do mesmo, mostrando a conveniencia de se
crear ura cemiterio naquell freguezia, como j iu-
dcou esla rain ira.A commissAo de saiide.
Outro do raesmo, parlcipando que, durante o mez
de novembro prximo lindse malaram li.rezes
para o consumo da freguezia.Que se archivasse.
Oulro do fiscal de S. Jos, remetiendo o mappa
do gado inorlo para consumo desla cidade, na sema-
na de -S de novembro 5 do correule, (li-28 rezes.
OSr. vereadorSPcreira nqiiera|fuireiiiullidoopa-
recer da coramissao de hsienc publica, sobre o pro-
jecto de posturas que a cmara sujeitoii aapprova-
5A0 do governo da provincia, o qual parecer o racs-
1110 governo remelteu a enmara para o lomar era con-
sideracao, apresen Ion extensas rellexfies sobre o mes-
mu parecer.sustentando o referido projecto, as quies
forara approvadas, resolvendo acamara que se sub-
meileem consideraran de S. Exc, indo lambein
as posluras cora a cluniiuai;Ao dos ai I-, 2ti e 'Si.
Foram appmvados i pareceres da rominissao de
edilicacao, ii'um olerccendo '1 artigos de posluras
para a remorAu, no prazo de li mezes. das paitaras
para os lugares indicados no parecer, c u'oulro, exa-
1 .uto no ollicio do procurador, opinando que se 110-
meassem arbitros para avaliarem o lerreno da ra da
Concordia, que lera de ser dcsaproprado a .loao t; 0-
neiro Mar.hado Ros.
Ilespacharain-se ai pelires de Antonio Joaquira
do Espirito Santo,do Dr. Abilio Jos lavares da Sil-
va, de Antonio Joaquim Correa, de Barroca & Cas-
tro, de Florinda Mana do Sacramenlo, de francisco
de Carvalho Paes de Andrade, de Galdino dos San-
tos Nuues de Oliveira, de Guilherme Purcell, do
cnsul de S. \1. Brilanira, de I). Frederico Meron,
de Jos Franrisco Perera, dejse da Cusa It i huiro,
de Jos Baptisla Kibeiro de Faria, de J. E. Roberto,
de Mara Joaquina, de Manuel Bezerra Velho, da
Vicente Ferreira da Cosa. Declaro cm lempo que
o Sr. S Pereira pedio e obtuve liceuca para retirar-
se antes de se levantar a -0-..I0.
A LITTERATURA HESPAN1IOI.A E OS SEUS
HISTORIADORES MODERNOS.
1. llislonj of sapanish lilleralure by G. Ticknor,
3. vol. New-York, 1W9. II Indagacoes sobre
aHistoria poltica e Iliteraria da Hespanha du-
rante a idade media, por R. P. A. Dozy, lomo
1. I.eyde, 1849. III Darstellung der sp'anischen
Litteralur in MUtelaller, vou Ludwig Claros, -i.
vol. .Maxonce, 1816. IV Romancero general,
ele, pur dom Agoslinho Duran, '2. vol. Madrid
184951. V. fomanze stariche e moresche e
Poetie scelle spagnuote, tradotte in versi italian,
daPielro Sonli, \.-> vol; Afitao, 1850. VI.
'crchichete der dramaliihen Litteralur und
Kuntt -i Spanien, ron A. F. von Schark, 3." vol.
Berlim, 1853 40. VII. Obrax poticas de
Luiz Ponce de Len, recogida!, y traducidas en
alemn por C. B. Schuler y W. Slorck 1. vol.
Monitiur 1853. VIII Traducr,es, e publicares
diversas em lanra, Allcmanha e Hespanha I8W
A crise lerrivel que devem soffrer os povos quan-
do lie chegada para elles a hora de se renovaren! ou
cahirem para sempre ainda nAo tem produzido na
Hespanha, ha um quarlo de seculo, senAo convulses
incoherentes. Nem os Movernos que se reputavam
regulares, nem as victorias tumultuarias do espirito
liberal lem podido dar a esle paiz a posse de si pro-
prio e traen- o camnlio aos seus desejos inquietos.
Dar-se-ha caso que urna revoluc.o militar que arre-
benlou no mez de junlio de 1854 seja mais feliz, que
as tentativas iiiTecnndas que a precedern! ? Pica-
r pura de qualquer excesso e resistir anaredia a
victoria gandada em nome da moralidade e da cons-
tituirlo I
Pela nossa parle ainda nao perdemos as esperan-
tas acerca da Hespanha. No priineiro ilumnenlo
das revoluooes, julgam dar pro vas de prudencia, de-
nunciando a decadencia das sociedades europeas,'co-
mo se toda I historia do genero humano nAo estives-
fracasso de que falla Bossuel, c como se nao houves-
secheia do grandese na vida particular dos povos ho-
ras de transformarlo tempestuosa exactamente seme-
lhanles a essas cnses que cada destino individual
alravessa,
O antigo rgimen esl morlo na Uespanha;uma ora
melhor deve tomar lugar. A idade mediaque l durou
mais do que em paragem alguma desappareceu para
sempre desde os Pyrenneos at Cdiz ; releva que o
hornera hoje, conservando dessa Iradiccao exhausta
ludo quanto lra direiloasobrev i ver, estanciera a sua
aclividade sobre oulros fundamentos. Ao despotismo
succederAo as garandas sociaes, ao governo absoluto
da f succeder a religiAo livremente aceita pela ra-
zAo -rnhora de si mesma.
Quem sabe ludo quanto a Hespanha ainda pode
rcalisar, com a originalidade vivaz que Ihe he pro-
pria, nesla* vias severas do pensamento moderno ?
Illusoes dizem os espiritos enfermos ; esperaucas
impas.' hradam os homens a quem um rompmento
com o passado sempre oll'ercce a idea de sacrilegio.
A Europa que nao pensa desta maneira ; a Eu-
ropa er qne anda ha enlre as nacOes romanees re-
cursos de renovaran u de vida que n.io serAo perdi-
dos para o futuro.
Como qaer que seja, ninguem pode deixar de fi-
car impressionado da allencao inlelligenle consagra-
da nesle momento pela Europa aq passado litlerario
da Hespanha. As Iheorias de Mr. Leopoldo Ranke
relativamente a unio das raras germnicas e roman-
ce nAo sao formulas vAas. Ha cousa de quinze an-
nos a historia da poesa e da imaginacSo hespnnlio-
la "lem inspirado os mais graves Irabalhos. Narrem
os publicistas infirmados do estado poltico deste paiz
as agilarOes e os infortunios : alravez destas alterna-
tivas de Irminphosqiir allligem e de vergonhosas re-
cahidas, os crticos nao -e caneara de por patentes
os thesouoos queenriqueceram, desde o seculo XIII
al o \ VII, o palrimonio intellectual dos vencedo-
resdos Mouros. He impossivel nao observar nislo o
instincto da associacao moral qae se vai estabele-
cendo cada vez mais enlre os povos do Occidente;
existe cerlamenle desde o nortale o sul urna cora-
innnlijo dos espiritos, e esla communhio nAo quer
deixar perecer nenhuma das suas riquezas. Em
verdado estamos longe da poca em. que Mnuiesquieu
nao receava escrever as Lettret persones : Po-
de-se encontrar espirito e bom senso nos Hespa-
nboes, mas niuguem o procurenosseuslivros. Veja-te
urna das suas bibliothecas, de um lado os romances
e do outro os lis ros escolsticos : dir-se-ha que as
partes foram Teilas e o lodo reunido por algum ini-
migo secreto da raza 1 humana. O uuico dos seus livro
que tenha mrito he o que mostrou o ridiculo de
lodos os oulros. n Etas liradas enrgicas que en-
Irclinham o seculo XVIII poderiain hoje Tazer rir i
cusa do gracejador. Verdade he que lia nislo um
artificio espirituoso de Montiquieo, e que o Persa
Rica, ilepiis de ler rilado esta carta do um Francez
que viajava na Hespanha, acrescenla inmediata-
mente com enlhiisiasino: Nao me alfligria, L'sbek.
de ver nma carta escripia em Madrid por um He
panhol que viajasse em Franja, d lira llespanhol
que viajasse em Franca, e ainda na Inglaterra, na
Hollando, na Allcmanha e at nos Estados-Unidos,
um llespanhol que visilasse Pars e Londres, I.eyde
e Goelhinszuc, Berlim e Boston encontrara por loda
a parle enlre os Icltrados um inesperado acolhmen-
to de sympalhia e respeito para com os monumentos
inlellectuaes do seu paiz. As bibliolhecas ridicu-
las de que zomba o correspondente de Rica, se tor-
uariam para elle o objeclo das invesligacSes mais
pacientes, do mais affectuoso enlhusasmo, e certa-
mente elle pnderia crer que um concurso est aber-
lo na Europa acerca da historia das le Iras he-pa lib-
las, e veria desenvolver-se de urna maneira admira-
vel em lodas as paragens urna emularlo generosa !
NAo ser conveniente assignalar aqui urna especie de
.111 irnarAo tacita '.' Nao paroce qae a grande familia
europea, ao ver esle povo alravessar dolorosamenle
una crise to perigosu, se compraz em collocar-lhe
debaixo dos olhos a sua gloria ea sua prosperidade
de oulr'ora, alim de qae, no rude Irabslho de reno-
varan, naoregeilc oque conslitue o fundo do 9eu
genio c nao se dcslrua a si proprio querendo trans-
forinar-se '!
Ha cspecialmenle duas pocas, vivas na historia
litleraria da Hespanha : a idade media e o seculo
XVI; a idade media com as sua* lentativas de
cpupra.coni o seu brilhante Romancero, e mais tarde
com os seus escriplo* didaticos, onde o bom seuso
moderno quo vai acordando ainda se acha associa-
do de nina maneira ta original ao enlhusasmo caval-
leiroso ou religioso ; o seculu XVI e o cornejo do
WII. onde o Iheatro se levantacheio de vida e de
esplendor, onde a salyra, com Miguel Cervantes, oc-
culla debaixo das in venenes mais graciosas urna pro-
funda gravidade moral, onde emfim mil promessas,
.lile-1 mto o transporte juvenil do espirito moderno
parecen) presagiar os Inumphos dt sua virilidade.
Esles periodos sao ambos brilhanles, especialmente
bnlbanles pelo movimento gneros, pelo progresso
Continuo, que nelles se descnvolve ; mas ao passo
que da infancia da idade mediase passa regularineu
le para a adulen enra do seculo XVI, 11 espirito
llespanhol, chegado a esle ponto, se acha de repente
embargado ; o absolutismo do estado e da igreja
abafa lodos estes germen- de vida, e urna idade
mdia artificia!, una idade media sem ingenqidadc
e sera grara, Ilustrada anda pelo engenho de Cal-
dern, abre um imerrcgnum-littcrariu, que durou
quasi dous seculos.
Sao esles dous periodos lAo dignos de inleresse
que lulo sido estallados em no-sos dias com laboriosa
emul.irao. Primeiniinente assignalcmos os escriplo-
res que ao raesmo lempo abracaramambos, e, jaque
se Irala cspecialmenle de indagacoes eruditas, rollo-
quemo* em priineiro lugar odoulo trabalhocomque
a America fez presente a Europa. Desde a historia
de Boulerwech, historia mui digna de eslima, mas
que tirara incompleta apezar dos siippleinentos dos
traductores hespanhne*. M. M. da Corlisa e llugald
y Molliiiepo. a Hslory of spauiali lilleralure de Mr.
Georgc Fickonor he a nica obra que retrocla era
lodo o-cu dcsenvolviinenlo vida intellectual da
Hespanha. Mr. Tiknor leve raui recntenteme au-
xiliares laboriosos. Aqui he o doulor Julio que
n'iuna bella lraducc.Au,enriquecen de nulas c do i ai
dicaciies hbliograpliicas as paginas do seu modello ;
lia he un) dos homens que melhor conheceni a lit-
leralura hespanhola, um hornera cujas obras.a seine-
IIriur 1 da de M. Tiknor, merecem fe cm Madrid, nm
erudito uatnral de Vienua, Mr. Terdinaud Wolf, que
se atencin a Mr, e Julio para annvtar ocscriplor de
Boston. Mi. ll.uoi leve tambera na Hespanha tra-
ductores liahcis, dom Pascual de Gayangos e dom
llenrique de Vedia, que sobre muilos pontos cora-
plelarara as suas indagarnos.
Dcpoi* dos qoadrus geraes vem as monograpbias
c as pinturas iudividiiaes. Veja-*e priiueirainunle a
dade media : a historia real c a historia legendaria
dn Cid Campeador, o Poema del Cid, as chronicat
era prosa ou era verso que se ligara a esta obra, os
ramos diversos do Romancero hAo encontrado era
loda Europa interprete- enzenhoso*. Neslcs domi-
nios anida lAo pouco explorados ha Irinla annos, os
critico* de Pars, de Lev de. de Leipzig, encontramos
escriplorcs de Londres de Florcnca e de Madrid : be
Mr. (daros c Mr. Dozy, he Mr. Pielro Monli e dora
Agoslinho Duran, he Robcrl Sonlhev cllr. Magnin.
Aluuraas mcuresparticulares sAudcvidas a Mr. Ida-
rus. Mr. Dozx he ura orientalista que decifra deno-
dadamente a historia lAo mal conhecida da Hespa-
nha rabe, e poslo que o seu livro mereja s vezes
grave* censaras, poslo que a sua exposirao seja con-
fusa e as suas polemiras revelum um goslo mui enn-
leslavel, deeenvolreei lana trJencia, limpa o eami-
nho que Irilha ruin lamanha audacia alravez dus car-
gos e dos e-pinhos da idade meda hespanhola. que
he irapossivul mo assignalar-lhc ura dos primeiros
lugares enlre os romanristas contemporneo*. Mr.
Clai os junla a lima crudijo mu segura urna alma
poelica e piedosa, e ve-se, ao ler-se as suas paginas
elnquenl. s. quanto elle he feliz em pur patentes os
Ihesourosdo ralholirsmo hespanhnl poseculoXIII.
E*tc brilhante rnlho-iasmo de poesa pica e Iv 1 ira
pelo qual M. M. Claros e Dozy nos proporcionan!
lijes laonumerosas, sers nica inspiraran da Hes-
panha na idade media '.' Nao, cerlamenle ; a litte-
ralur.1 didctica, inaugurada com lauta grara por
pularisado por duas traduejes, allemaa e fnnceza.
He ainda o espirito da idade media, he a sua traca.
a sua candara, a sua traillado cavalleirosa, com um
seiilimenlo mais delicado rio mundo real. Todava
j sa a hora em que o espirito moderno renova
loda a Europa, e a modo que se v brilhar um raio
desla luz mais alio sobre a scenn em que Gil Vicen-
te, Lopes de Rueda t Torres Naharro preparara 09
Iriumphos de Lpez da Vega e da Caldern.
A Hespanha do seculo \VI mo he e-ludada com
menos zelo do que a Hespanha da dade media. O
historiador que se deve citar aqui era priineiro lu-
gar he um allemAo, Mr. Frederic de Srhack. A sua
gistoria do Iheatro hetpanhol, apezar dos erres lao
graves que Ihe enfraquerem a auloridade, he o fruc-
io de urna erudijao corajosa ,' anterior obra de
Mr. Tiknor, resta ainda como nm documento india
pensavel, ainda depois dos escolenles captulos dn
escriplor americano sobre 1 brilhante escola em que
poetas como Lupez e Caldern reunem em lorno de
si os Alarcons, os Guillens de Castro e os Tirsos de
Molina. Toda a gente sabe at que ponto o fuo
de Ulleralura dramtica de Guilherme deSchlegel
j tinha dispertado !o gusto llespanhol; loda a genle
condece tambera as Iraducjes lAo dabeis em que
Gries e Malsbourg reproriuziam entre os applau-
sus de Goethe, as priucipae* obras primas de Calde-
rn. O paiz deSchlegel e de Gries lem dignamente
manidu o seu lugar : ao lado da historia de M. de
Schack, temos a notar dous volumes de autos .-/-
cramentaes de Caldern Iraduzidos em verso pelo
harn de Fichen bu I, e um volume de supplemeuto
accrescentado Iraducrao de Gries por urna mulher
de lalenlo diitnclo. A Franja ainda rivalsa neste
ponto com a Allemanha : podemos collocar defron-
le dos Irabalhos de M. de Schark as bellas i mingarnos
de M. Fauriel >cerra da Dorolhea de Lpez da Vega,
os arligos com qae M. Magnin enriquereu o Journal
des Savans, os excellenle* esludos inseridos nesla
revista por M. Luiz de Viel-Caslel muilo antes da
publicaran do escriplor allemio, e as paginas espi-
rituosas em que M. Proper Merime aprecia com
lana delicadeza e precisao as eslravaganciai da ce-
na hespanhola. Na Inglaterra, lord Holland publi-
cou, ha cousa de trinta anuos, urna vida de Lpez
da Vega qual junlou depois-a hiographia de Guil-
len de Castro com a traduceiu de varios dramas.
Todava 11A0 foram l continuados como em Franja
e na Allemanha. O paiz du Shakspearc pareca na-
turalmente chamado para esludar o Iheatro de Cal-
dern e de Lpez ; de o paiz de Comedie e o de
Schiller que lem melhor salisTeito esla larefa. Nao
omitamos a propria Hespanha, que, depois do des-
pertar Iliterario dos ltimos vinte anuos, depois do
brilhante transporte dramtico do duquo de Rivas e
de M. Gil y /.rale, produzio, como mai* adiaute ve-
do Cid, e que antes, segundo a observarao de M.
Magnin, renovada com enlhusasmo por M. Dazy,
deveria chamar-te no estylo da idade media a can-
fio do Cid. Depois era a chronica general de
Espaa, redigida no secuto XIII por Alfonso Saldo
(el Sabio) ; depois a chronica del Cid, impressa cm
Burgos cm 1512, segando um mauuscriplo do cele-
bre convenio dt S. Pedro de Crdena, onde eslava
o tmulo do Cid. Jilntem-se aislo algumas pagi-
nas, alguns esclarecimeulos espalhados aqui c alli
em chronicas, em annaes latinos ou hespanhoes. na
chronica latina de Burgos, nos annaes hespanhoes
de Toledo, nos annaes latinos de Compostella, no
Liber flegum, as chronicat dos dous Ilustrados
bispos Lucas de Tuy e Roderich de Toledo ; j un -
tem-se, digo, canrUo do Cid, o a dnas Chronica*
que a ella se ligara eitas brevet e candidas ioriirn-
jes, e ter-se-ha turto quanto te postoit sobre o es-
poso de Chimenes, quando em 1792 um escrip-
lor hespanhol, o padre Risco, publicou debaixo do
ululo, la Castilla y el mas famoso Castellano, ura
livro qae foi urna avenlualidarie. Risco pretenda
ler descoberlo em LeSo, na bibliolbeca do conven-
io de Santo Isidoro, o manncripto de urna mui
anliga historia do Cid, que comerava pelas palavras
seguinles : Hic incivil gesta d Rotlerici Campi-
docti. Ora, esla Historia Roderici /he o Ululo
sob que a publicava Risco) conlinha promenores
inteiramente inesperados, que contrariavam singu-
larmente o heroico ideal des romance*. Via-se
ahi, por exempto, que o Cid te collorara por varias
vezes ao servico dos principes rabes; viam-no
obrar como um chefe de bandos, como nm condal-,
tiere ambicioso e cupido, sem o menor ineommodo
da religin, sem respeilo para com sua Te e palavra
jurada. Era o Cid da realidade em presenca do
Cid dos romances, o verdadeiro Cid brbaro do se-
uuilii XI opposto sbitamente- ao Cid da cavallaria.
Joo de Mulier mi tinha duvidado da aulhentri-
dade do manuscripto* e osara da deroberla do pa-
dre Risco; mas no metmo anno em que Joao de
Mulier publicava a sua hiographia do Cid, ojesoita
hespanhol Masdeu, cuja erudicjAo confusa nao era
animada por urna intelligeucia mui viva da idade
media, declaruu, no volme XXII da sua Historia
de Hespanha, que o lexlo impresso por Risco nio
passava de um tecido de Tabulas absurdas. Ainda
mais, pretenda ter prorurtdo intilmente esle pre-
cioso manuscripto, e de negajao em negajo, at
chegava a negar a propria existencia do Cid. O
padre Risco te dipunha t aceitar ode*afio do jesu-
ta quando a morte o levou ; o propria Masdeu
morrea pouco lempo depois, e a discassAo fieou
sbitamente inlerrompida, deixando militas duvi-
das e obscuridade nos espiritos: Afinal, em 1829 ot
dous traductores hespanhoes de Bouterweck, M. M.
remos, um vlenlo grupo de crticos e vingou de um da Cortina e Hogalde y Mollinedo, provaram'nuc
desprezo injurioso oseu iheatro nacional. Os Ibea-
tros dos scalos XVI e do XVII se prendem por mi-
Ihares de lados ao romance ; ligam-se tambora, em
Caldern especialmente, lilleratura religiosa. Lit-
teraliira religiosa e lilteralura minntica, encontra-
remos em o nosso caminho estes dous productos lao
originaes do espirito hespaudol: aqui oshymnos de
Luiz de Leoa exercitaram a habilidade de dous poe-
tas allomaos; alli o Dom Quicholle d'Avellaneda,
traduzido pela primeira vez em francez, nos minis-
tra inleressautes problemas. N'uma palavra, he a
historia intuir litleraria do paiz de Cervantes que
he (rajada ao mesmo lempo por todos os lados com
urna eiTusAo de ardor e enlhusasmo.
Tal he esle nolavel e illuslrado concurso sobre 09
destinos inlellectuaes da Hespanha. Se a Allema-
nha oceupa o priineiro lugar pelo numero das pu-
blicares e pela importancia da descobertas, a Fran-
ja, pelo goslo, pela intelligeucia viva e penetrante,
pela erudijaoengeuhosa e philosophira, dispula-lhe
a preeminencia : nobreslulas queja liveram poref-
feiio despertar o palr.otismo litlerario na Hespanha
c produzir eruditos bies como Dom Agoslinho Du-
ran ; fecunda emularlo de sympalhia*, que reani-
man) um passatlo glorioso e ri>rigem ao presente
magnficos appellos Do Cid Campeador aos hroes
de Lpez da Vega, do* bv ranos de Gonzalo Berreo
aos autos de Caldern, toda esta lilleratura romn-
tica, esludada hoje com mais amor e reflexAo, no
revella as suas retarnos cora os proprio* deslinos do
povo que a produzio. A Hespanha da dade media
se illiiiiiina de alguma sorle cora urna luz nova, e a
explorarlo deste rico dominio lie urna das tentativas
que fazem mais doura aciencia litleraria da nossa
era.
I.
Eu Joo Jos Ferreira de Aguiar, serrelario a
suhscrcvi.RarSo de Capitolio-; presidente.ta-1 Aliento Sabio e cunluiuada pelos chronislas dos te-
meiro, (JUceira, S Pereira, Amorini, l'ianna, 1 culos XIV e XV, vai oflerecer-uos urna das suas
Reg. i mais brilhanles obrat-primat o Conde Lucanor, po-
O mais antigo e mais bello doi nossos velhos poe-
mas francezes he consagrado a gloria de um hroe
que, depois de se ler tornado dorante loda a idade
media o centro de urna lilteralura pica, acabon por
se transformar de urna maneira singularmente phan-
laslica nas eslrophes de Boiardoe Arioslo. O mais
antigo monumento da poesa castelhana he lambem
urna canjo de fajanhas, mas a grande figura que
Ihe serva de alma, mui longe de se alterar com o
lempo sob a elegante irona dos poetas artistas, se
foi desembarajando sempre da sua radez primitiva
para oerecer pouco e pouco a mais perfeila ima-
gem do amor e da lealdade, de patriotismo e da ca-
vallaria. Nenhum dos poetas que canlaram Rolan-
do na idade media igualou a austera mageslade de
Tderonlde ; pelo conirario, lodos os poetas que glo-
rificaran) Dom Rodrigo de Bivar, o* romances que,
desde oseculo XIV atoo seculo XVI, desenvolve-
rn) livremente a IrariirAo do hroe de Valenja,
ennobreceram a selvagem physionomia (rajada pelo
autor desconhecirio do Poema del Cid. O Kolaudo
de Teroulde lie as-igualado com um carcter de digni-
dade homrica ; o Cid do poema llespanhol he ainda
ligado por muitos punios realidade desagradavel
que as imugioaroes realisam de secuto em seculo.
Rolando se bate pela Franja, pela amavel Franja,
pelo paiz do imperador Carlos com a barba branca
e florida ; o Cid te bale para ter o que comer. Que
ilill'eicnja na sua historia primitiva '. qae diflerenra
lambem uo destino que o lempo Ibes creou 1 O Ro-
lando de Theroulde desee em breve dn dignidade
ideal em que o collocra o poeta do scalo XII; o
Cid do velho poela rastel hano galga de anno em an-
no o fastigio luminoso em que, transfigurado pela f
de um povo, torrara se una persouificajao mais que
humana do herosmo. Qoalro seculos depois de The-
roulde, Rolando nio he mais que urna personagem
romanlica com que se nutre a phantasa do Ariosto,
e he nesle mesmo momento que Filippe II exige
corle de Roma a canonisaco de Cid 1 SAo esles cer-
lamenle contrastes singulares. Quer a nobre figura
de Rolando se altere e te decomponha, quer a riavi-
dasucceda f e o sorriso emocioaoslera, be em
verdade um phenomeno conlritlador, mas esle faci
pao poderia sorprender o historiador das ideas : ve-
mos ahi, n'um exemplocelebre, o mesmo destino da
idade media. O objeclo da nosia sorpreza he a for-
tuna extraordinaria da lenda do Cid. Como 1 ha
urna figura totalmente cavalleirosa de que a idade
media fez o seu culto, e quando a idade media de-
cliua, esta lisura cresce incessanlemenle O sorriso
incrdulo do espirito moderno nAo substtue aqui a
f dos primeiros lempos I A lenda se aformoseou lo-
dos os das com novas riquezas, o hroe se morali-
sa e se purifica na imaglnajBo da todos, c esle hroe
perlence patria de Cervantes O historiador da
poesa quer ler a chave deste myslerio. quer saber
se he o carcter do hern ou o carcter de lodo o po-
vo que explica esla derogaran das leis do espirito
humano ; interroga com avidez a lenda obscura, di-
rige-te ao Cid, e diz-lhe como Gil Vicente na mais
brilhante das soas comedias : Seuhor, em norae de
Dos, responda quem he t (Decid nos, per Dios, se-
or, quien sois ros 1)
Algumas pessoas se lem oceupado muilo ha cin-
cuenta annos com a hiographia do Campeador. Em
1805, o grande historiador J0A0 de Mulier, publi-
cando urna nova eriicAo do* romance* de llerder,
rompo/, urna historia do hroe que he ama das obras
mais notaveis da lilleratura do Cid, romo se expri-
men) os nosso* visinhos. Inspirado pela sua viva sa-
gacidade histrica. Joo de Mulier advinhra que o
Poema del Cid, confrontado cora ot uccesos e as
dalas, devia servir de base a ama reslilujo da rea-
lidade. Depois de dous anuos, Dom Msnoei Jos
Quintana, no primeiro volume de suas/ 'idasie Espo-
nholes celebres (Madrid, 1807), publicava igualmente
urna l'ida do Cid reputada classica cm seu paiz.
Em 1808, apareca a Chronica do laborioso poeta iu-
glez Roberl Soulhey (Chronieleof. Ihe Cid), em que
a historia do Cid, bebida nos romances e, as nar-
rares da idade media, he um complemento feliz da
bella tentativa de JoAo de Mulier. Roberl Soulhey
linha um lio, M. Herhert llill, ecclesialico de m-
rito raro e amador esclarecido das lilleraturas ro-
mances, que Tazia parle da colonia ingleza de Lis-
boa ; foi urna occasiao para elle de visilar Hespanha
e Portugal em 1795; linha vinte dous annos de ida-
de pouco mais ou menos. Doas anuos depois, pu-
bicou a narraran da sua viagem, enrequecida espe-
cialmente com li adocene poticas, e desde enlAo
n.io ce-son de seguir com attenrao sxmpalica lo-
dos os problemas da velha lilteralura castelhana que
j agitava o zelu progressivo dos eruditos.
I na obra hespanhola, mui admirada desde a sua
apparijAo, mais sugeila hoje aos mas violentos ata-
ques, dav eniao o signal e inspirava o goslo das
investigajoes originaes ; fallo do livro de D. JoAo
Antonio Conde, acerca do rtomioJii-doa rabes em
Hespanha, publicado em Madrid ein 1820. Desde
enlAo os novos esludos acerca do Cid so succederam
com ajoriamento. Gma das mclhores biographas
do vencedor de Valenja he a que deu em 1828
um doulo escriplor da Allemanha, M. Ilober. Oif-
Iro AllemAo. M. Ascllbach, profesaor na universida-
de ilc Bonn, a qurm se deve urna intnrcssanle his-
toria dos Ommavades. imprimi cm 1813 uiut me-
moria intitulada" de Cid historia fonlihus disser-
tallo. Releva citar aqui as historias de Hespanha
publicadas em Franja nesla poca, a de M. Ros-
seeuw-Sainl-IIilare e a de M. Romey ; o Cid re-
presenta um papel mui consideravel no seculo XI,
a sua vida esl mui confundida com os destinos rio
paiz inleiro, e por isso os dous historiadores nAo
podiam iie-prez ir os problemas desla biogrnphia
misteriosa. Quasi lodos os esiriplorcs que arabo
de" nomear tgilavam riuvida* arrrra da historia Ira-
diccional do Cid ; pelo contrario, M. Damas-lli-
nard, na introducjAo do seu Romancero, em minha
opiniao defenda com mais genemsidade do que
verdade rrilira o velho ideal do hroe ravajleiroso.
Afinal, cm 1845 M. George Dennis pnblrava em
Londres um agradavel I volume intitulado o lid,
no qual resuma brevemente os documentos minis-
trados pelos poetas pnmitivos da Hespanha (The
Cid a shnrt chroniele founded on the eaiiy poelry
of Spain.)
Ve-so que estas biographas siio quasi todas loma-
das s narrajies poticas do serulo XII e XIII, que
cada um inlerprelava a seu modo com mais ou me-
nos molinillo e sagacidade. Recordemos em pomas
palavra* estes documentos: pnmeramenle era a
velha canjAo de fajanhas, publicada no seculo
XVIII por Thomaz Snchez, sob o titulo de Poema
o manuscripto exista e deram um fac-simle das cin-
co primeiras linha do lexlo. Ponanlo, hvia mui
evidentemente um documento novo, documento ca-
ja inspiraran couviiilia verificar, e cajo valor discu-
tir, mas que era impossivel nAo collocar ao p dos
oulros testemunlios em que fallamos ainda ha pou-
co, a canrAo de fajanhas publicada por Lanche?,
la Chronica general de Adonso Sabio, e la Chro-
nica del Cid do convento de Crdena.
O utros documentos vieran) logo junlar-te testes.
M. Francisco Miguel publicou em 1846 nos Annaes
de Vienna, como apndice a um erudito Irabalho
de M. Fernando Wolf, um fragmento em verso e
prosa, intitulado Chronica rimada de las casas de
Espaa Esle manuscripto, ja assignalido por D.
Eugenio deOchoa e pelo allemAo Huber, conlem a
historia de Hespanha desde el-rei Pelagio al Fer-
nando Grande. Poslo que esle quadro abrace tres
seculos, o etsumplo principal he o seculo de Fer-
nando Grande, e o hroe he Rodrigo de Bivar.
Ora, na Chronica rimada assim como na Historia
Roderici. o Cid apparece aqui e alli sob urna luz
absolutamente contraria inspirarao dos romances.
Nao te deve ahi proenrar, pot exemplo, ot amores
de Rodrigo e de Cbimenes; Rodrigo te casa cem
Chimenes como se a islo fosse conslrangido, ese el-
rei Adonso Ih'a des*e, he n'um puro inleresse po-
ltico. O Cid da Chronica rimada he nm chefe
allivo, violento, indisciplinado, que te enlloca in-
cessantementc cima de el-rei, e de que rei, per-
gunto eu '.' cima desle Fernando I, qae drsfechou
to crueis golpes no poder dos Mouros. n Preferi-
r, diz o Chl 1 Fernando, experimentar o mais vivo
sentimenlo de ve-to meu tender, a Quando se ap-
proxima de el-rei para render-lhe homenieera,
appresenla-se com um ir to lerrivel e com a tua
tonga espada, que el-rei brada : ts Tirem-me da-
qui este diabo a Esle rei nao he tmente, como
o Carlos Magno du nossas caujoet de fajanhas,
urna persoiiagem benigna e voluntariamente ridi-
cula, ja nao posaue nada do carcter real ; he Ro-
drigo qae Taz ludo, ha Rodrigo que decide dot de-
linot do estado. Se Fernando e o Cid se encontrara
cm alguma parte, o Cid he lomado pelo amo, e al
acontece que o pana ara da oflerece-lhe a coroa de
Hespanha. Ao lado desla Chronica rimada, que
aulorisava tantas coojecturt sobre os errot de que
abunda a tradicjflo do Cid, mencionemos um poe-
ma latino publicado por M. Edeletlaod do Mt 1
as suas Poesas populares latinas" da idade media
(Pars, 1847.) O poema latino de Cid tem riuvida
poderia ser, segundo a opiniao de M. Julio, a obra
mais anliga da IradicjAo heroica, e nao admirara que
houvease precedido na A tierna ha lodos os Trag-
menlos picos de que os Niebeittngen sAo o remate.
1 ibsorvam-sr em cada linha, sob o extravagante
mu de uin la lim monacal, (rajos de barbaria
que convem ao hroe e ao escriplor de seculo XI.
Vemos quanlas quettoes agilavam esles documen-
tos novos. Duas opinioes especialmente se preriu-
ziram nestes ltimos tempes : uns. como M_.Arch-
bach, AI. Magnin, M. Rosseeuw-Sainlaanlaire,
queriam que o Cid Tost urna especie re avenlu-
reiro brbaro, um chele feudal vido de combates
e pilhhgem, como se deprehende nauilas vezes do
manuscripto descoberlo por Risco e al de certas
Sassagena da chronica de ADbnso ; os oolrut, como
I. Damas-Hinard, M. Clarut e o eloquenle Joseph.
Goerres, persitlindo em ver not brilhanles roman-
ces do seculos XIV e XV o trajo idealisado, mas
em estencia mui fiel, da (radelo histrica, aitri-
buiamao rcsenlimentodos chronislas rabes lodts as
particularidades desagradaveis que encerrara em
muitos lugaresosvelbos documentos hespanhoes. Tal
era sobre este ponto a divergencia dot -tyilemas,
quando um sabio orientalista de I.eyde, M. Dozy,
n'uma obra mui arente.leuovou denodadamente to-
da a queslAo. e com o soccorro de novas latee lo-
madas aos textos rabes, (enlou fixar do ama vez
para sempre as irresoluroes da crilica.
A obra de M. Doty tem o titulo deInrestifa-
rdes sobre a historia poltica e litterai ia da Hes-
panha durante a idade media. Compulsando ma-
uuscriplos rabes da bibliolbeca de Gotha, M. Dozy
descubri que um destes raanuscriplos conlinha sob
ura titulo inexacto ama obra mai curiosa de um
Arabo do seculo XII. O aotor, que reprsenla um
papel importante na lilleratura mussulmana, cha-
ma-se Ibon-Bassam, e o seu livro, intilulado Dhak-
kirah, he um quadro dos poetas e dos escriplorcs
em prosa rimada que floresceram na Hespanha no
secuto V da hegira. lima tonga passagem de*ie
livro he consagrada ao Cid, e esle documento tem
tanto maior valor para a historia que o aotor, se-
gundo a observaj3o de M. Dozy, o escreveu cm
Sevilha no annode 1109 da nosta'era, islo he, dea '
tonos smenle depois da morte de Cid. Ora resul-
ta desla passagem, publicada por extenso com o
lexlo e a tradcelo por M. Dozy, que o Cid te poz
com effeito ao servico de um principe trabe, queem
breve, engaando aquelle raesmo que invocara o sen
soccorro, lomou-lhe a cidade de Valenja. Desl'arle
se aflectuara a brilllaulu conquista que terminan a
carreira do Cid. Primeiramenle o Cid servir a
rertos principes rabes contra oulros principes da
mesma raja ; era a poca das rivalidades domesticas
enlre ot .Mouros de Hespanha.
11 Quando Ahmed-Ibn-Jousof-Ibn-Houd, narra
o chronista rabe, comprehendeu que os soldados do
emir dos musulmanos sahitm de lodos os desliladei-
ros, e que, collocados sobre todos o* camptuariot,
espiavam as suas fronleiras, ajulou cerlo cao-oallego
chamado Rodrigo, e sobre-nomeado Campeador...
Antes, tinham sido os Bcnou-Houd que o tinham
feilo sabir da sua obscuridade, se haviam servido do
seu apoio para exercerem as suas excettivas violen-
ras para executarem os seos vis e detprezlveis pro-
jeclos; Ihe linham entreguediffereules provincias da
Pennsula... Assim o sea poder se (ornara mui
grande, o semelha'nle a um abutre, roubara elle to-
das as provincias da Hespanha.
Enlre as imprecajet que o choronisla rabe r-
riimula sobre o ciio gallego, da lugar para mag-
nficos elogios. Verdade de que estes elogios per-
lencera a poca em que o Cid Campeador, empa-
ndado no ter vi jo dos emires mussulmanos, balia os
barbaros, como 09 chama Ibn-Bassam, islo he, os
prncipes chrislAos, ot corales de Barcelona e o* res
de Aramio. Erulemos Kinda lbon-Bassam : a Esle
hornera, o flagello do eu tempo. era em virtude do
seu amor pela gloria, pela prudente firmeza do seu
carcter e pela sua corseen) heroica, um dos mila-
gres do Senhor. Pouco tempo depois, morreo em
Valenja de morte natural.
A victoria segua sempre a bandeira de Ro-
drigo ( que lien- o amaldijoe I ) ; triumphou dos
principe* barbaros ; por difireme vezes combaleu
os seus cheles, laes como Garca, sobrenome.ido por
escarneo a bocea de tartaruga, o ronde de Barcelo-
na e o lilho de Ramiro : enlAo riispersou-lhe ot
exercilos, e matou com o seu pequeBo numero de
guerreiros os seu* numerosos soldados. Dizem que
esludavam os livros em sua presenra, e liam-lhes
as fajanhas rio* Arabos ; e quando chegou aos feilos
e.a* proe*.i9 de Al-Mohallab, ficon cxlatiado, e se
un-i 1 mi cheio de arimirajAo para com este hroe, n
Eis por tanto um texto de singular clareza que
confirma em ludo e por ludo n que linha parcrido
absurdo 011 callumnioso, quer na rlinraira de Alfon-
so Sabio, quer nos manuscriptos revelados por Risco.
Dir-se-ha quo cunipre desafiar resenlimenlos dos
Arabos '! llavera nslo somonte gritos de colera que,
sahindo da bocea do inimigo vencido, sao nm Ulule
de mais para o vencedor'! Dar-se-ha que se Irale
de iinprecajoesqiie altestem o espanto e o odio da-
quelles que dispersaran) o abutre? Nao, certamen-
mente ; nao he contra as inaidroes de lbn-Bassam,
he contra os seus elogios que lora misler poder de-
fender a memoria de Rodrigo. Na narraran do
historiador mutsulmano, ataim como na Historia
Roderici, o Cid linha sido primeiramenle um valeu-
le condolliere ao servico dos Benou-Hond, os res
rabes de Saragoja : a Historia Roderici ncere.
centa que Rodrigo balen muilas vezes os principes
christaos; Ihii-Battam recorda estas vMoria* em
termos eulhusiaslas, e para no meio oas suas impre-
cajoes para glorificar a prudencia, a lir'ieza. a co-
raeriu heroica daquelle que chama um dos milaares
do Senhor 1
Toda esla discussao he a f arte capital das laves-



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DIARIO DE PERMMBUCO, DOMINGO U DE DEZEMBRO DE 1854.
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tigare de M. Dozy, e esle poni de ora em vanle
parece conquistado para A historia. Kaz-se minias
vezes idea falsa da idade media ; reslabelecamos pre-
eisamenla a verdade. O que a moralidad* moder-
na condeniiiaria no eomporlamento do (id, era jul-
gado de urna mancira dflerenle pelos seus contem-
porneos. O patriotismo era urna virlude desco-
nliccida, especialmente a legdalidade guerreira doa
primeiros lempos. He com ongradecimenlo suc-
cessivo da realeza que te forma a espirito nacional,
foi a realeza, na Hespanha assim como em Frauda,
que creou a consciencia da palria. Sesmamente
esta (randa inspirares nao falta a S. Luiz, nAo fal-
ta lamben) na Hespanha a homens taes como Af-
fonso VI e Fernando III, roas nao lite procuremos
os vestigios nos duques e bares da sociedade feodal.
Nao exijamo-la tao pouco ao Cid dn realidade os
senlimentos de cavallaria c patriotismo que so nas-
ceram longo lempo depois delle. O Cid linlia as
ideas c virtudes do seu lempo, especialmente
as virtudes guerreiras, urna mistura de astucia
e audacia, de prudencia e intrepidez mu claramen-
te assigoalada pelo historiador araba. Era o ruis
poderoso chefc do seculo XI ; nenhum noine recor-
dava assaltos mais vigorosos, emprezas extranrdna-
rias e brilhantes victorias. Foi por isso que elle ira-
pressionou a imaginado popular. Que importa que
elle liinjvesse feito lalvez tanto mal aoa Chrsl.los
como aos rabes, que hoovesse devastado as trras
dos Hespaiihoea e violado as suas igrejas tauls ve-
zea qnantas rouhara as cidade? mussulmanas e onlrc-
iado os lillios do propheta aos denles dos caes esfai-
mados So se va urna cousa : o chefe das grandes
expedirles e dos grandes assaltos. Depois os senli-
menlos pblicos se foram enobrecendo de seculo
rm seclo ; a consciencia nacional se dcsperlou, a
lula dos llespaiihoes contra os Mouros lornou-se
urna cruzada patritica e religiosa. EntSo foi ne-
cesario um -> inhalo, um typo ideal, um hroe e um
santo em quem se personiticasse um povo uilciro.
t>uern se devia escolher '! Aquello que ja cnchia as
imaginaroes, o Cid Campeador. Rodrigo de Bivar
ser o hroe das grandes lulas nacionaes, he elle
que ti uranio mais de tres seculos. desde o XIII at
o XV I, aformoseado, purificad, transfigurado pela
piedosa illusAo do* cantores que allribucm ao hroe
imaginario o proprio progresan tls coslumes e dos
espiritos, vai tornar-se o mais nobre Ivpo do amor
ta honra, da cavallaria, da religiao e do patriotis-
mo.
J nAo ha dnvjtla possivel sobre lodos estes pon-
tos depois tits completas disscrlaccs de AI. l)o/v.
lie de lamentar anincnle que o tacto litterario eo
seutimenlo potico nao igualen) no orientalista hol-
landez o valenle ardor da sciencia. Os preciosos
resultados histricos da su a obra esiao afogados na
mais confuza exposifiu. A erudicAo de M. lian he
nuil extensa, islo he, mu minuciosa; v-se que ello
se deu a immensas leiluras; pode citar argumentos
sem numero em apoio de cada idea que emule, e
como se nao quer privar de nenhuma das suas van-
tagens, incapaz de escolher entre lanas riquezas que
tcm o mesruo valor segundo a sua opiniao, incapaz
de sacrificar orna cilacAO ou um exemplo, nlerrom-
pe a cada passo o deaenvolvimento das suas ideas
para tlissertar sen fin sobre individualidades. V-se
a caita instante, sobre cada assumplo, dissertacdes
ii'um i disserlacAo e parenlhesi n'uma parenthesi.
Se fosse esle o nico defeilo do longo trabalho de
M. Dozy, dever-se-hia perdoar ao artista em favor
do sabio; mas um defeilo minio mais grave, defeilo
que lomara, em vordade, ridiculas as proporrOes
de uina critica sincera, he esle ao mesmo lempo o
carcter pretencioso do e-rripiar e o orgulho intra-
tavel do erudito. Temos para nos que o exemplo
de M. Dozy nao encontrar imitadores: os pedantes
da renascenca grega e latina do seculo XV serjo ex-
cedidos pelos pedantes da renascenca oriental do se-
culo \l\. Certamente ninguem liega que n conhe-
i menlo dos textos rabes ministre luzes ndUpensa-
vei* |ra o esludo da idade media hespanhola, e u-
ma prova suflicientc desla assercAo he o livro nico
em que fallamos; Ser isto razao para riscar-se com
urna acunada os servicos daquelles quo procuraram
a vcrtlade por differentes caminhns? Ao lrse as
Invesligaces de M. Dozy, parece que s elle he
digno de locar na historia luterana ou poltica da
Hespanha. Enlre as suas mais arduas disserlaces,
enctiiitrani-se sbitamente explosOes de invectivas
ou de facecias de mo gusto contra os escriplores
mais dignos de respeilo. Porque lana ira '! Porque
as vezas alguera nao concorda com elle sobre um
nome proprio o sobre orna dala. Nao ha vocabu-
lario de sabio mais completo. Provar-te-hei com
enrgicas razes, diz o Pancracio de Moliere, que
es igooranle ignorantsimo, ignoranteficante e ig-
norauleficado por meio de lodos os casos e manearas
imaginaveis. o A censura de ignorancia na bocea
de M. Dozy, anda be pouca cousa-, esle he um la-
berneiro, aquelle lie um falsificad r. O laberneiro
he o sabio jesuta Masdeu que se Iludi mais de
uina vez, segundo pens, e da manera mais grave,
acerca das cousas e dos homens da idade media,
mas que, pela sua vida inteiramenle consagrada ao
Irabalho, nao mereca ser aggredido de semelhanle
maueira. O falsificador he o laborioso conde, o pro
pro de quem M. Ticknor falla com tanta deferen-
cia e aifeieau no prefacio do seu doulo livro. Conde
leve o merilo de coinprchender primeiro que todos
a importancia dos documentos rabes, leve a am-
bicio tle crear, segando dizem. a historia da Hes-
panha inussulmana: ambicao generosa, que a sci-
encia e a sagacidade nem sempre respnnileram co-
mo convinli. Verdade lie quo Conde mo saina sof-
licienlcmehte o atabe, e qua muilas vezes at pro-
ferio absurdos enormes, e desl'arte foi conducido
de absurdo em absurdo a interprelacoes que nao
lem a menor relacAo com o texlu. O dever da cri-
tica era aasignalar lodos os erros de Conde, mas lam-
ben! era do seu dever tralar cora deferencia o an-
clan de ama emprez gloriosa. Quando M. Dozy
chama n Conde o grande falsificador, nao commette
-miente una falta Iliteraria. Depois de taes cousas
nn deve admirar que o impetuoso orieotalisla de
l.eyde parera ignorar as mais simples regras da ci-
vilidade e modestia. Como nos admiraremos que
elle olTereca \ si proprio em holocausto urna heca-
tombe de historiadores e de crticos'! Francezes,
AI Icinaes, a manir parle daquelles que se lem oc-
cupado recenlemente com- a historia da Hespanha,
nao passam de escrevinhadores. M. Dozy, como se
v, anda nao esla livre do fugo da juventude: res-
In-lhe completar a sciencia pelo sentimento d'arle,
se pretenda prestar serviros reaes a historia da Hes-
panha que he ja para elle o ohjeclo de Ulo feroz sol-
licilude.
No lugar desias notas e tiestas parlicularidadeg
cm que se compraz a erudicAn contenciosa de M.
l)ozy, cada qual preferira encontrar no seu livro
estudos mais Iliterarios -obre os inonomenlos da ve-
lha poesa caetelhana. Porque razao nao lera elle
melhor apreciado, com n luz dos nevos documentos
que produzio, a nolaval cansan do Cid acerca da
qual se cruzam anda lanas upinies contrarias ?
A obra de M. Clarus he muilo mais completa sobre
este ponto. M. Clarus escreve as palavras segninles
com ronlianca na prmeira linha do seu prefacio:
it Julgo qoe ninguem dasconhecern o senlimenlo de
amor coro que esle esludo foi emprehendido e diri-
gido. Com effeito. he esta originalidade da expo-
sirAo da lilleralnra hespanliola na idade media; M.
Cifras he apaixonado pelo seu assumpto. Elle estima
a idade media em todoa os paisas da christandade,
eilima-a parliculsrntente na Hespanha. E nao maneira dos nossos enlliusiaslas "de Ipartido
apaixonados quo fallara sem conliec-la; eslima-a,
nao com odio do mundo moderno e das .transforma-
rles de coslumaa e ideas que somente sao o cresci-
mento regalar do genero humano; eslima-n em con-
sequencia dos saus actos francos, da sua liberdade
ingenua, do primeiro de-euv.lviiuenlo do espirito
que lem lauta novidade e encanto. O enthutiasmo
de M. Clarus o induzir algumas vezes a erro; o
ludo (em ao menos um carcter evidente de verdade,
e esle vivo amor do escriplor para com o seu as-
sumplo tcm mollas vezas esclarecido o erudito da
mesina mancira qva inspirara o artista. Muilo se
tem escripto sobre o patina del Cid; nao li em'par-
le alciimu urna analyse mais fiel e urna aprecalo
mais justa dests monumento. Antes de M. Clarus,
lodos se applicavam a fragmentos ospalhados, Sis-
mondi s linha seguido al o fim a narracao to ve-
Iln> cantor, mas lirando-lha a edreom urna fra aua-
Ivse; o enlhusiasmo inlelligenle de M. Clarus he um
guia que goato.de recommendar. I.a-se o lexlo hes-
Iunhol depois de sa ler eatudado as paginas do his-
toriador allemo, e sob eslea versos se descobrirao
maravilliosos instioctus. Ah descolire-se o tlenlo
pico. Nlo fallo smenla das formas candidas,
* das repeliroes solemnes que recordam a luguagem
de Homero donde se segas que situaroes anlo-
gas aoram os meamos coslumes tle peusamenlo e es-
lylo Ha certamenle multo perfume uestas invoca-
ees reiteradas: Meu Cid, meu Cid Ruy Dia>, man
Cid campeador, aquelle que naiceu n'uma hora
propicia, ageite qu* cinglo a sua efpada n'uma
hora abenroada, que .#n 6 oro fiasco, que en
buen ora cinxo crpada. Se todava eram estas as t-
nicas qualidades homricas da canillo do Cid, me-
lhor fura nao dizer nada a cale respeilo; mas que on.-a
que vivicidade mis pinturas! Como sHoardenles e sin-
ceras as paixAes Como os senlimentos primordiaes
da nalureza humana, o amor do liomem para cum a
sua companheira, o amor do pai para com sua lilha,
s8o hbilmente associades aos senlimentos mais com-
plexos ta honra feodal I Qu* arle lambem uos con-
trastas Os infantes rcpresenlam na Canulio do Cid
o mesmo papel que Caneln na Cansan de Rolando.
Acerrscentemos que a salyra, a ironia faceta e fami-
liar, cousa rara enlre os poetas primitivos, apparece
aqu e all em varas secnas sem prejudicar a cr.iv i-
dade do todo : oleao do Cid, curvando a fronlo di-
anle do sen amo, o Campeador, agarrando o ani-
mal jiela nuca eindo mette-lo na gaiola, no passo
que os infantes tremem com medo nos seus escon-
drijo, he um quadro inleirameule composlo que de-
veria tentar um pintor de lo. o ,|Ue he inisler
especialmente assignalar, he^T grandeza do senti-
iiienlo feodal. Quo allivuz homrica no comporla-
menlo .40 Cid I Dom Rodrigo diaule de el-rei
.Ml'ndsif, diz mui eluquenlementc Oozanam, he
A chilles diante de Agamamnon. u
Vi i sa tem lalvez observado quanto esta ransao de
lacaulias era o fundamento dos principaes romances
consagrados ao Cid. A Can'io do Cid fui escripia
no seculo XIII ; desde o seculo XIII ateo XVI, to-
dee o* autores de romances nao fazem mais do que
repetir e desenliar com mais arle as sceuas variadas
dopni-ina. Primeiramenle linha havido om primei-
ro trabalho na consciencia popular: era aquelle pelo
qual n Cid da realidad*, o Cid brbaro que lemos
visto aiada lia pouco, lornava-s* o glorioso represen-
lente da criatWa hespanhola. Do seculo XI ao XIII
se reilisonfgrande parte desla transformado : O
Cid da rausAo de facanhas he j, como o Cid do Ro-
mamero, um modelo de palriolismo e dedicaran re-
ligiosa. Esle carador e puricar nos romances,
mas he evidente que existe. Sobre certos pontos
somente a (radiclo anda nao inveulou, no comeco
do scalo XIII, ludo quanto com pora mais lardees-
la leuda marnvilhnsa. O Cid amoroso,nao digo o
Cid apaixonado que exprime tilo nobremente a lula
do dever e do amor, esle he a crcarilo de Corneillc,
o Cid amoroso, hrilhanle, cavalleiroso, o Cid de
cerlos romances e de Guillen de Caslro, anda nin
apparece no velho poeta. Os mais recentes editores
do Romancero, M. Depping na sua rollecc,ao lao
preciosa, M. Damas-Hinard na sua elegante tra-
dcelo, adoptaram, para commodidade do leitor,
urna divisBo funda na nalureza destes pequeos poe-
mas,romances historeos, romances cavalleirosos,
romances mouriscos. Nada melhor certamente para
causa da incerteza das dalas; mas, sem que queira
precisar dalas para poemas (ransinitlidos de bocea
em bocea,e modificados sera dovida por mais de urna
vez pela iuspiracAo popular, nao se poderia temar
nma dvsao de nutro genero / Em tal epuca o espi-
rito feodal esl em revolta aborta, e tal oulra se
amenisa ; esta data he a dos senlimentos cavalleiro-
sos que se disperlam, aquella recorda o progresso do
enlhusiasmo religioso, a esl'oulra se ligam as rela-
<;Oes da Hespanha com a Franca. Notar-se-hiam
estes prngressos, estas Iransformaccs ou somenle es-
ses incidentes da vida publica, e seriam encontrados
de noy nos cnticos populares. Quanto nao seria
curioso o quadro dos romances distribuidos nesta or-
dem, segundo a nrogressAo hislorca das ideas e dos
cnslumes As ideas, os coslumes, os interesses, as
paixoes de caita perodo se reflecten) desl'arte du-
rante qualro centos anuos sobre a figura consagrada
do Campeador, c he ueste senlido queso devem re-
pelir as expressivas palavras de Coraeille : Eslas
especies de pequeos poemas sao como os originaes
descosidos das suas antigs historias.
Pode-se recommendar esta nova dislribuicao dos
romances aos eruditos habis, que explorara 13o de-
nodadamente este bello assumplo. Anda ha pouco
era um solo abandonada; boje he um dominio quo
se vai enriquecendo de dia em da. Sem fallar em
M. Damas-Hinard, que M. Magnin j apreciou
ne.la ni -ana revista, laboriosos crticos na Italia, na
Allemanlu, na Hespanha, tem consagrado as suas
vigilias ao esludo do Romancero. Um escriplor
italiano, M. Pedro Monti, publicou cm Mdao em
lUiO urna intercssanlc Iradaccjlo em verso dos priu-
cipaes romances hespanhocs (Homanze storiche e
marexche c Poe.*ie sceltt' spui/nuote, tradotte in ver-
si italiani). Nao he a primeira vezque a Italia se
oceupa da idade media hespanhola; um poela 1 \ rica
pouco contiendo em Franca, mas que, antes do pro-
prio Manzoni, fra o promotor domovimenlo nacio-
nal que regenerava as letlras italianas, ja tinha tra-
duzido com muita habildade urna centena de ve-
Ihos romances bem escolhidos. Fallo de iovanni
Berchet, poela generoso e erilico enlhusiasta, que
reuni em tomo de si osjovens chefes doromanlismo
italiano. Ueoja,Tommaseo Crossi, Alexandre Man-
zoni, e fundn em Milito no comeco desle seculo o
Conciliatore, orgao enrgico r brilhante da renova-
caoliileraria. Os Romanze storiche de M. Pedro
Monti se prendem com honra aos l'ecchie romanze
pagnuole detiiovanui Berchel. Como o seu doulo
predecessor, M. Monti he um critico hbil e um es-
criplor de tlenlo : com as suas bellas tradceles de
Lpez da Vega e de Caldern, ja tinha prestado
grandes servicos s letlras italianas; os Romanze
storiche, com as inleressanles noticias que osacom-
panham, pndem ser assigualados como um dos ine-
lliores producios da erudiran Iliteraria uestes nlli-
mos annos. Mas he na Ailemauha especialmente
que o Romancero ha sido o ohjeclo tle profundos es-
tudos. Quando os escriplores francezes, iuglezes, i t-
llanos, se oceuparam com cnticos populares da Hes-
panha, fizeram-no. como he natural, comosoccorro
dos Irabalhos publicados em Hespanha; mais auda-
ciosos ou mais felizes, os erudilos allemaes hao lido
sobre este ponto o merilo de fecunda iniciativa, sao
ellas que revelaram prnpria Hespanha as maravi-
llosas riquezas que desprezava. N'uma poca em que
ninguem anda linha estudoo Romancero com as lu-
zes de urna critica grave, M. Jach tlrim m pnblica-
va a sua Si'fro Romances viejos (Vienna 1815), e
M. Depping a sna primeira colecc.io de romances
(1817^. Desde enlao se succederam muilas edi-
Coes ; na Hespanha as de Dora Agnatinho Duram
(1832) e de Dom Eugenio Ochoa (1838), na Allema-
nha a de M. Adalbcrl Keller (Stollgart 18)). e
Dom Agustinho Duran, um dos mais corajosos ex-
ploradores desla vclha litteratura rasiclnana, foi
obrigado a dizer n'uma publicarlo rcenle : a As
primeiras authologias de romances regularmente
concebidas pertencem Allemanha.
'Sao Allemaes que mais tem contribuido para'a
historia da nossa lilleralnra. da nossa poesia, do nos-
so Ihealro, das nossas chronicas. a O livro em que
I). Agoslinliii Duram se exprime em termos tao li-
soneciros para n Allemanha he o ullimo e mais
completo de todos os rojnanctros publicados al bo-
je ; appareceu em Madrid de I8) a 1851, em dous
volumesio8<<,soholtiilo seguintc Romancero general
oColleccionde Romances castellanos anteriores al
siglo XIIII, recogidos, ordenados, clasificados, y
anotados por don Agustn Duran. A originalida-
de desla collecc,ao, n.lo he smenle porque he milis
completa do que lodos as mitras, he especialmente
porque o editor tentn urna nova divisao. D. A-
guslinho Duran j se nao oceupa da nalureza do oh-
jeclo, procura fixar a poca em que cada romance
foi composlo. Infelizmente nao encontr ahi o qua-
dro que eu indicava anda ha pouco ; o aulor, para
operar a sua classilicac.lo, se funda antes que ludo
sobre as modificacoes da lingua, como so cnticos
Irausmiltidosde bocea era bocea nAo devessem mu-
dar de vestes a cada periodo, c como se tal roman-
ce, cuja inspiraran he do seculo XIII ou do seculo
XIV, nao podesse pcrlencer pelo eslylo ao XV ou
ao XVI Nao importa, he um feliz comeco ; con-
vinha primeiramenle distribuir os romances segun-
do as datas dn idioma, antes de procurar classilica-
los (trabalho muilo mais perigoso) seguinde a inspi-
rado histrica que ellas rsproduzem. D. Agusli-
nho Doran, que rende tan generosamente homena-
gem ao< seus predecessores de Allemanha, reivin-
dica e d aqui a vanlagem ao seu paiz; o mais rico
e mais illuslre dos romanceros deve ser procurado
em Madrid.
A Cansao do Cid, o rnmaneero do Cid, e todos os
oulros ronvttncero que a elle se prendem, o roman-
cero desse Forran Cotzales que os Mouros rhama-
vam o alnilre carniceiro (el liuylre carnicero), o
de Bernardo de Caspio, o dos infantes de I.ara, o de
Carlos Magno e dos seos pares, nao 8o os nicos
monumentos picos e lyricos do talento hespanhol
na idade media ; a igreja tambem leve er seu ro-
mancero pico nos mysticos poemas do-frade Gon-
zalo Berceu. Qoe fervor enlhusiasta que piedade
lerna o exaltada A Vida de San Domingos de So-
lis, a I ida de San Milla, as >ore de Nosta Se-
nliora, os Signaes do Julgamenlo final, o Sacri-
ficio da Missa, o Marlyrio de S. Lourenro, e a Vi-
da de Sania Oria, compoem um ryelo inleiro de
dorur.i e suavidade exquisita. Nenhuma oulra lit-
teratura, antes da Divina Comedia, tinha tambem
cantado o que se poderia chamar na liuguagem dos
mysticos, as primeiras delicias da alma religiosa. O
chrislianismo hespanhol, que mais tarde, na sua op-
posicao ao protestantismo e sob a influencia da in-
qniiciln, tomar limitas vezes em Caldern o ca-
rcter de urna devucao feroz; manifesta-se aqu
com toda a ingenaidade da infancia. O fri Bou-
lerweck. s tinha vslo nislu versos aindiado-,
Sismondi assignalava com desprezo a cor monacal,
eo proprio M. Ticknor, apezarda sua ardenle pre-
dilecto pelo pasando lillerario da Hespanha, he
muilas vezes mui severo para o poela de S. Domin-
gos ; esclarecido por urna sympathia mais inlelli-
genle, M. Clarus descobrio neslas pinturas infantis
mullos thesouros de inspirarlo. O pen-amento ca-
valleroso lambem produzio no seculo XIII a curio-
sa cansan de acanlias de Alexandre Grande (Poema
de Alejandro Magno), de Joao Lorenzo Segura,
esludada por M. Clarua com rara intelligencia da
poesia do idade media : mas era breve estas tenta-
tivas de epopea histrica,relgio-a ou cavalleirosa sao
quasi suspensas sbitamente por um espirito novo
que se levanta, e ao passo qne os romances conti-
nan) a ministrar a imagnalo da povo urna serie
de pequeos dramas admiravelmente expressivos,
o velho genio pico desapparece, deixando a sua obra
inlerrompida. O espirito que osuhslituc he um es-
pirito preciso, sensato, voltado sobro ludo para o
esludo e para a pintura das cousas reaes.
He o momento em que a prosa caslclhaaa he
creada nu primeiro impulso por Afl'onso Sabio.
Grave c digna como o aulor da Chronicageral e doa
Siete partidas, esle espirito novo he salynco e au-
dacias', com o faceto arcipreste do Hita ; depois
apaixana-sc pelo ensino, gosla tos cxemplos, da mo-
ralidade, da arle de bem pensar e bem viver, e cs
que nascc a inspirarlo didctica quasi no dia se-
grale ta epopea primitiva. Todava he de notar
que esta inspiracao didctica ainda conserva a sn-
gelrza da idade media ; nao se enconlra aqu o pe-
dantismo e a sensualidade grosseira do Romance da
Rosa. Quando os senlimentos de que fallo encontra-
ron! a expres-."io que Ibes convem, serAo obras de
iim perfume mui original a s quaes ninguem pe-
der oppor nada lias lilleralnra-. contemporneas,
ser una malura acerba do entusiasmo cavalleiroso
e de bom senso pratico, ser esle Conde Lucanor,
que, em virtude de una recente (raduccao, lem o
seu lugar entre os Irabalhos de que nos varaos oc-
cupar.
O que he o Conde Lucanor Urna especie de
breviario dos homens honestos, escriplo por um prin-
cipe do seculo XIV. O aulor do Conde Lucanor
he um infante D. Jo.lo Manuel, sohrinho de Affon-
so Sabio e lelo de Fernaiido Santo. Nascera em
Escalona a 5 tle maio de 128J. Laucado ainda
muilo moco no meio das guerras cvis do seu
lempo, cheio de ardor c de ambiciosos projeclos,
enrarregado com dous oulros principes da tulella tle
Alfonso XI e da regencia de Castella, exposlo mais
larde aos clames prfidos do joven re, obrigado
levantar o estandarte ta revolta para protegeros
seus direilnseasua vida, acahou por se reconciliar
com o seu amo. e foi um dos seus mais valenles
companheiros d'armas as heroicas bnlalhas de Ta-
rifa e Alaesiras. Ha poucas existencias, na idade
media, hespanhola tao agitadas, que nos offerecam
lanas lulas e calastrnphes trgicas. Motive l para
este espirito Uto bem dolado urna serie de experien-
cias fecundas, D. JoAo Manocl era valenle como
sen avn Fernando Sanio, e apaixonado pelas letlras
como seu to Aflunso X. O pensamculo om da
inspiron-o para resumir por escriplo todas as refle-
xes que usen turbulento destino desperlara-lhc na
alma, e elle rompnz o Conde Lucanor.
O Conde Lucanor he o propriu 1). Joan Manoel,
he um humera de boa vonlade que desoja era lodas
as occasiOes seguir o caminho da prudencia e da
honra. Ora tem ao p de si um bom e digno com-
panheiro chamado Patronio. Palronio,ser desla
vez a consciencia de D. Julo, cousciencia recta,
prudente, esclarecida pela pralica da vida e pela
nutrirn da leilura dos sabios, Patronio presta ou-
vidos altelos s consallas do conde Lucanor, e nun-
ca se vio servo mais fiel, amigo mais sensalo, di-
rector mais hbil em apresenlar a moral sob forma
viva e seductora. A cada pergunla do conde,
Palrunio responde por urna fbula, por uro aplo-
go, por ama historia, por urna ancdota tomada s
suas recordacOes, e dahi lira em poucas palavras
urna conclusao precisa e segura. Sem cahir no erro
dos escriplores.que veem cm tudo a influencia ra-
be na poesia hespanhola (M. Dozy os refuta com
vehemencia, e os traductores hespanhoes de M.
Ticknor, combalendo ao mesmo lempo sobre este
pouto 0 orientalista de Levde, sAo obligados a mu-
vir que semelhanle influencia nao foi nem tao pro-
funda nem IAo extensa como pensara o historiador
Antonio Conde), sem exagerar, digo, esta accan da
poesia rabe, he impossivel nao assignalar tudo
quanto D. JoAo Manoel deve sabedoria oriental.
1). Jo3o Manoel tornnu conhecidas narraracs que
s pendraran! mais larde as ledras europeas, e que
ellehebia directamente na fnnte. O Moleiro.seu Filho
eo Asno,o Coreo ea Raposa,a Andorinha eos Passa-
rinlios, a Leiteira e o Pote de Me, o Velho e osFi-
lliot, lodos estes aplogos de que La Foutaine fez
nbras primas, ainda oulros que a idade media nAo
conheceu, podern ser lidos as elegantes narraces
de Palronio. A forma muda algumas veze: assim no
Conde Lucanor Perrelte e chama dona Truhana, c
e o pole de Irite he um pole de mel ; o velho e os
lillms tao bem cantados por l.a-l-'oniaine. sao em Pa-
lronio os dous cavados unidns contra o le3o. A's
mais das vezes encontraremos, em lugar de fabulass
narraces da historia de Hespanha, ejemplos tirados
das chronicas ou das proprias roenrdaces do aulor.
Nada mais variado do que esla mulliran de historia,
motaos; aqui he urna narracAo cavalleirosa que pa-
rece tomada s paginas de Froissard; all, he uina
especie de aventura romntica, mas breve, rpida e
sempre Iluminada por um helio pcnsamenlo chris-
l.io. Caldern poz em drama urna dcslas lindas
historias (lodavia un parece que elle a lenha loma-
do a Dom JoAo Mauoel), mas tirou-lhe a precisan e
nohreza : a niuralidade de Patronio torna-** um
longo tecido de intrigas e aventuras extravagantes.
Lea quera quizer o drama tle Caldern iililuladn
el Conde Lacanor, e compare-o com o capitulo X\V
da obra tic Dotp JoAo Manocl, e comprehender a
viva originalidad* do infante de Castella. O que
me impressionn na moral do Patronio, he o acord
da inspiraran cavalleirosa e da prudencia poltica ;
ora dissereis um Froissard apaixonado das proezas
heroicas, ara parece ver-se um grave Commynes que
nao acredita nem nos homens nem as cousas. Os
ullimos clares da idade modia que declina, o pri-
meiro fulgor do espirito moderno que se aproxima,lu-
do islo se combina com grac,a na alma de D. Juan Ma-
nnel,e urna viva f religiosa,dirigida pelo bom senso,
esconde harmoniosamenleeslas gralas eonlradicc.6es.
Assignaiemos anda outro carcter esle breviario
da sapiencia pralica, composto por um principe que
representou IAo grande papel as guerras cvis du
seu paz, nAo he um cdigo para o uso dos polticos
e ambiciosos, ato liees para todos. Ninguem me-
lhor do que Dom JoAo Manoel linha o direitu de
tributar a humenaKi-m seguinle sua obra : Mu-
la genle, escreve elle no seu prologo, nao enlende o
que he abstracto ou dflieil; porlanlo nao pode esti-
mar certos livrns nem ler goslo pela leilura, e por
isso nao pode tirar dahi utilidade alguma. Eis por-
que, eu, Dom Joo, lillio do infante Manoel, gover-
nador geral da frouteirn e do reino de Murcia, em-
prebendo far.er este livro... Dos, cuja bundade
e misericordia sAo a foule de ludo quanto he e for
bom, permillir queaquellcs que o lerem tiren) al-
gnm proveilo, para sua vanlagem nesle mundo e
salvaran nooutrn; elle sabe que nAo tenho outro al-
vo. E aerescenla ainda cora ingenuo e legitimo
orgulho: Compuz esta obra com as mais bellaa
palavras que piule encontrar ; fizeste libro compues-
to de las masfermosas palabras que yo pude. >
Deve-se dirigir mais de urna censura ao systema
do traductor ; M. de Puibusque nAo se jarla de lid-
lidade lilteraria,e acontece s vezes que os torueos de
phrases smelas do modelo desapparecem do repente
de baixo da sua penna. M. de Puibusque descon-
fa e com razAo do archaismo da liuguagem : Parc-
reu-me, diz elle, que anles que ludo era preciso ser
inlelligivel, e que, visto que eu Iraduzia para os
meos contemporneos, nAo lhcs devia fallar a liu-
gnagem de Giles Corrozet. de Nicolao Collin uu de
Herberay dos Essarls. Muito bem; mas sem fazer
nma copia servil da lingua hespanhola do seclo
XIV, sem nada lomar a d'llcrheray dos Essarls nem
a Giles Corrozet, era possivel a om escriplor enge-
nhoso nAo apagar por va de lorneos mui modernos
as singelas narraces do Conde e do seu prudente
conselheiro. Se o verso fraucez, na sua dignidade
um ponen arrogante, he rebelde traduccAo dos
poelas, a prosa ao menos, a prosa fizada por Des-
cartes a Pascal, anda conserva muita flexibilidade
para se modelar sobre as obras da idade media. O
principal caracler desla IraduccAo he que aerescenla
algumas paginas novas ao lexlo de Dom JoAo Ma-
noel. M. de Puibusque vio era Boslon a bibliolhe-
ca hespanhola de M. Ticknor, a mais bella talvez
due baja no mundo, eo sabio americano revelou-lhc
a cxislencia de um manuscriplode Madrid desconhe-
cido ao primeiro editor, ao editor de 1575, o proprio
Argole da Molina. Esle manuscriplu, que parece,
ao menos cm parle, una copia coulempnranea da
manu-cripto original confiado pelo principe guar-
da tos frailes de Penafiel, conlcm um capitulo
de mais quo todos os manuscriplosconliecidos e In-
das as cdic,oes publicadas ale hoje. M. do Puibus-
que enriquecen o seu livro rom esle precioso traba-
lho, c esla historia, esle exemplo, como diz 1). JoAo
Manoel, intitulad o que aconteceu a D. Lourenzo
Soares Gallinato quando decapilou um padre re-
negado, he cerlamenle urna das mais dramticas nar-
races de Patronio.
O conde Lucanor assignala um dos mais inleres-
sanles periodos da historia litleraria da Hespanha.
Boulerweck oppne o que elle chama a singelezains-
(incliva de D. JoAo Manoel a singeleza Ilustrada de
La Fonlaine (unabischlliche naivetaet, kunslliclie
nairelaet. Deixemos esles parallelus que nao hon-
raran) aos dous escriplores. A obra de La Fonlai-
ne he um todo concluido, e a sua grara, a sua viva
cidade dramtica, a sua philosophia sem esforcos, a
sua pintura cheia da vida humana, tudo assegnra-lhe
um logar incomparavel. O originalidade de .
Joan Manoel he inlercssnnle a seu modo. O aulor
do Conde Lucanor esl bem enllocado no quadro dn
scalo XIV ; os ullimos claroes do sol auo se poc e
os primeiros fulgores da prxima alvorada brincara
graciosamenlc no seu livro. He ahi que compre
ve-lo cora a sua experiencia reflertida e a sua cun-
fianra em Dos, com o seu ardor cavalleiroso ea sua
finura risnnha, inslruindo os homens em proveilo
delles ne'te mu mine ila sua salvaran no oulro. A
obra de D. Joan Manoel he um desses livros maraes.
urna deslas collcecoes de boa e valenle prnbidade
que agradavam particularmente a estes pastures dos
povoscollocados enlre a idade media e a renascen-
ca. a nm Carlos V, a um Afl'onso V de Aragao, a um
Luiz XII.E nao rau-ar.i admiraran que naja om pro-
gresso maravilhoso das inspiracOes picas da Hespa-
nha a esla philosophia amav.el t Nao causar ulmi-
raejo o desenvolvimenlo regalar das seenas allivas
da Cansao do (Tillaos sabios dilogos do Conde Lu-
canor?
(Continuar-se-ha.)
Y/VRIEDADES.
CARTA DF. UM COMPADRE DA AI.DEIA
AUM COMPADRE DA CIDADE.
Diga d'abi, compadre,
As novidades que ha,
Que eu cm paga Ihe direi
As que lambem v8o por c.i.
Boas nAo san as daqui;
Mas poderam ser peiores.
Pois que inda o senbor chol'ra
NAo nos moslrou os seus rigores.
Se o jadeu-erranle passa
Sem por ps em Portugal,
Temos Dos da nossa banda
Que nos livra desse mal.
Mas oulro nos ameara.
Que Dos de mis aflugcnle !...
Pois que nada menos he .
Que nan ler que dar ao denle.
Pinga, tambem nao a ha ;
Mas a isso ha de valer a>
O fiador, que exislia -, .
Ja anles de No nascer,
O mais ludo vai andando
Como sempre lem andado ;
Come, quem lem que comer ;
Quem nAo tem pede fiado.
E ollic, compadra e amigo,
Que anles quero dar de vez
Meia duzia de patacos.
Que emprestar olo ou dcz.
Na gazela que me manda
Vem um caso de respeilo !
Se l nrredein taes cousas.
Que Ihe farain bom prnveilo.
E que I al era a menina ?
A Malhildecidadna '.'
Eu c por mim assevern
Que era o tliabn era pessoa.
Espero quebr o nariz
Ao -afar-se da gaiola,
E v morrer de maleilas
L nos presidios de Angola.
E a lal dormida que foram
Rcvislar dnus figuros ?
Parece incrivel que baja
Taes desgraras as nacoes
Bata nial se pode an menos
Minnrar um pourochiln,
Se nao se pode extinguir
Por fallar o mais honilo.
E enlAn lana cousa boa
Dissnram fvalha a verdade
llavia agora no Porlo
Em pro da humanidade !..
De ludo o que me dsseram
Pouco ou nada me ficou,
Enlrou-me por um ouvdo,
Pelo nutro se safou.
Porem urna cousa s
C.i na bola faz a Porque goslei mnito della
E me nlrou no entandimento.
Fizeram-me explicaces
Da mancira de ensillar
I na creatura a ler,
Quasi qoe a rir e a brincar.
O cerlo que he que as creancas
Indo com goslu licSo,
Han de aprender mais de pressa
E com mais salisfaco.
A vonlade pode mais
Que a memoria e enlendmenlo,
Eslas sem ella nAo chegam
A porto de salvamento.
Alem disso ha muila cousa
Nesse modo de ensillar
Que se encasqueta na bola
Mesmo sem nisso scismar.
N3o sejemos pois teimosos
E olhemos sem paixo
P'ra novidades que vem,
P'ra anligaalhas que van.
Agora vejo, compadre.
Que etnu aqui a pregar
Com Santo Antonio aos peixes,
E nenhum hei de pescar.
Pois que nAn offereco isca,
Nem lao pouco Ibes dou coca ;
Fallo cora a singeleza
Que o coraco manda a bocea.
N3o o enfado mais por hoje,
Viva na paz do Senlmr,
E nAo se esqnera que sou
Seu compadre Salvador.
29 de outnbro.
(Braz Tisana.)
CARTA DOVISCONDE DE K1KIR1KI, A SUA
ESPOSA, A VISCONDESSA DO MESMO TI-
TULO.
I.
Minha chara viscondessa,
Viscondcssa tas pontinhas,
Vou riar-lhe noticias minhas,
Nao fabulosas, rcaes,
Noticias utliciacs.
x II.
Nem o telegrapho llavas.
Nem da Russia os bolelins,
Bem que com diversos lins,
Nenhum delles, qiieridinha,
Falla mais verdadesinha.
III.
Epaminondas Thebano
Nem mesmo a brincar menta,
liona Antonia, minha lia.
Que morreo na virgndade,
Nunca faltn verdade. '
IV.
ligo pois, que sou visconde,
Mas nao visconde da prara.
Mas de sangue azul, de raca,
Visconde de pergammhos,
E de hrazes anliguinhos.
V.
Hei de ser 13o verdadero,
Como um ministro de estado,
Creia pois, encanto amado.
Que as palav ras do seu velho
Tem caracler de Evangelho.
VI.
Dir-lhe-hei if> primo loco
. Que Uve desintheria 1
E para os aujos ira,
Se o meu doutor assisteulo
NAo fosse IAo providente.
VII.
Alirou-se lal molestia,
E arrumon Inda a inctralha,
Venceu por fim a balalha,
Com valor e economa,
Curou-me com agua fra.
vui.
D'anles. senhora. faziam
Das nossas tripas botica,
Minha ave, senhora rica,
Empenhuu o seu rosario.
Por causa do boticario.
IX.
Hoje com banhos de chuva
Se cura lodo o doente,
E se anda morre genle.
Se a cova lem que fazer,
He por mais nao poder ser.
Mas (ornando tal molestia,
Nao gostei da lal gracinha.
He doenra de zanguiiha,
Que a nobreza titular
Nao devia supporlar.
XI.
He molestia curriqueira,
S prnpria de gente baixa.
Visto porm que*sc cncaixa
Na nobreza d'excellencia
Que remedio'.' paciencia.
XII. .
Fuja, prima, de arranjar
Esla molestia ruim,
Ponha os seus ulhos em mim,
Fiquei magro, escaveirado,
Pois me vi atrapalhado.
XIII.
Felizmente ja larguci
A cama que he lugar quenle,
J duu que fazer ao denle,
J manduco o meu frauguioho.
Com a pingula de vinho.
XIV.
Todos os olhos, lidalga,
listan filos na Crimea,
Ja nao ha jantar nem cea,
Haja chuva ou hajn sol, .
Sem entrar Sebastopol.
XV.
Nos theatros, nos cafs,
Nos passeios, nos sales.
Anda a genle aos empurros
Aos ceneraes de capoles !
Nao haver quem os derrote !
XVI.
J nao ha nem cAn nem galo
Que nao falle na Crimea !
Qualquer velha cenlopea,
Nos caustica imperlineule
Com as cousas to Oriente.
XVII.
Ha dias certa Elegante,
Ao dansar linda mazurka,
Fallava da queslAo turca ;
E o lean, seu par, dizia
Bellas cousas da Turqua.
XVIII.
J lem caminho de ferro
Villa-franca e Sacavem ;
E qualquer dia lambem
A fresca Ciulra o vai ler ;
V-lo-hei, se nao morrer.
XIX.
Os Torradoffs, priminha,
Andam de beicas cahidas ;
Cacuavam taes medidas.
Mas por fim da cauada,
Sabio a porca capada.
XX.
Dgam l o que disserem
Do janola das liuaucas;
Nao he dos ministros pancas ;
Tem tlenlo, e audaz Irabalha.
E deixa ralbar quem ralba.
XXI.
Debutou madama Alboni,
E Sem dous cruzaos fiquei :
L barato nao acbei ;
Mas urna vez a Cascaes,
Viscondessa, e nada mais.
XXII.
Na verdade a lal condessa
He mesira no seu oflicio.
So acaso livesse o vicio
De cantar gratis, teria
Arrobas de sympalhia.
XXIII.
Canta como os anjos cantan),
Se he que os anjos garganleiam ;
As suas notas euieiam :
Se nao fosse t o carinha,
Tinha muila mais gracinha.
XXIV.
tem sei que gallinha gorda
Nao ha por pouco diuheiro ;
Mas eu nao sou Brasilcirn,
l se me tenia o demonio,
L se vai o patrimonio.
XXV.
Os no-so, lempos agora,
Vao, viscondessa, delgados.
A moda nao quer morgatlos ;
E as nossas quintas antigs,
Todas liverain liexigas.
XXVI.
Hoje, senhora, por c,
Tudo se faz por vapor.
T o Forrea, professor,
Hoje a vapor nos ensina
A velha lingua latina.
XXVII.
Saliera que a lotera
Da Santa Casa sujou-se !
Nos premios alrapalhoii-sc !
Diz-se que houve mexedela,
Ou por oulra cometala!
XXVIII.
Quera linha premios, senhora,
Tem grande ferro, d pillos;
Pois foram julgailos millos
Pelo rotligo fraucez,
Que governou dr-sla vez.
XXIX.
O pao quenle da cavaco,
Pois ja linha descoutado ;
Foi castigo de peccado,
Pois cabio desta mancira
O ralo na raloeirn.
XXX.
Se nesla corle, primoba,
Lhe presto de mim disponha ;
Mande, pec,a, sem vergonha,
Pois eslou sempre dsposlo
A servi-la, a dar-lhe goslo.
(dem.)
COMMERCIO.
PRACADO HEC1FE23 DE DE/.EMBRO AS3
HORAS DA TARDE.
Cnlarf.es ofllciaes.
ASsucar mascavado bom19600 por arroba. '
Dito dito escolhidoI-din por arroba.
Dilo dilo especial19700 por arroba.
Cambio sobre Londresa 60 d|v. 28 d.
ALFANDEGA.
Rendimenlododiala'i.....196:271*810
Idemdodia23........8:OI2c10
201:3148650
Detcarregam hoje 26 de dezembro.
Barca inglezaHnthusiaslmercadorias.
Barca inglezallindoodem.
Escuna hollandezaJacobuscemento.
CONSULADO GERAL.
ReirtHmento do dia 1 a 22.
dem do dia 23 .
10:3509680
1 H)17>58*
41:377j26i
DIVERSAS PROVINCIAS.
Rcndimenlo do dia 1 a 22.....43431058
dem do di 23........ 248J127
4490*185
Exportacao'.
Para, escuna nacional Plora, de 115 toneladas,
couduzio o saguinle :25 cunhelcs faces, 10 mas-
sos de papelao para rhapclciru, 1 cala enfeiles para
cabera de seuhoras, 5 duzias de gravalinhas e 2 dilas
de manguilos para ditas. 1 raixinha com 10 massos
de pi I ulas de Thomaz Parr. 1,085 barricas com 4,723
arrobas c 47 libras de assucar, 114 saccas com 570
arrobas de caf pilado, 723 caixiuhas e 1 pacole com
74.300 charutos.
Havre, barca franceza aJosn, de 289 toneladas,
conduzio o segnint :2,050 saceos com 10,250 ar-
robas de assucar, 100 saccas com 470 arrobas de al-
godAo, 2,858 couros salgados, 250 quinlaes latajuba,
72 pipas agurdenle, 7 1|2 pares de pistolas.
Liverpool, barca ingleza Midas, de 382 tonela-
das, couduzio o segnint :2,100 sacros cora 10,500
arrobas de assucar, 862 saccas com 287 arrobas e 21
libras de algodao, 4 pipas com 732 caadas de agur-
denle, 257 arrobas tle ossos.
Marselha, polaca francczalttjenne Barrau, de223
toneladas, couduzio o seguinle :2,900 saceos com
14.500 arrobas de assucar.
Parahiba, hiale nacional Camueso, de 31 tonela-
das, conduzio o seguinle t52 voluntes gneros es-
Irangeirns, 5 dilns di los nacionaes.
UECKBEOORIA DE RENDAS INTERNAS GE-
RAES DE PEUNAMBUCO.
Rentlimentododia 1 a 22.....17:464^540
dem do dia 23.........1:4193604
18:8849144
CONSULADO PROVINCIAL.
Rendimentodo dia I a 22.
dem do dia 23 .
52:0499020
2:009*433
54:0589453
PRAC A DO RECIFF. 23 DE DEZEMBRO, AS 3
HORAS DA TARDE.
Revista semanal.
Cambios- Sacou-ae a 27 3|4 e 28 d. por 13
sobre Londres.
Al jo lio----------Entraran) 469 saccas vendendo-
se de 5*400 a 59800 por arroba, e
1 foi menos procurado.
Assucar- A entrada foi avullada, o os pre-
ces declinaran! em algumaquali-
dades, mas nilo tanlo como seria
necessario para os limites ta Eu-
ropa. O mascavadn tino escolhi-
do loi muilo procurado, c anda
ronlinua a merecer preferencia.
As vendas regularan) : hrancos fi-
nos de 2600 a 2*700 por arroba,
lercera sor le 2*300 a 2*400, quar-
ta de 2* a 2*100; somenos 1*950 ;
mascavado escolhido de I96OO a
1*700, dilo regular de 1*150 a
1*600, ordinario de 1300 a 1*350;
sendo todos estes presos menos o
sacco. O deposito he grande, prin-
cipalmente dos brancos baixos.
Couros ----- V'enderam-se tle 150 a 160 rs. por
libra dos seceos salgados.
Agurdente-------dem a 125* por pipa da de 36 a
37 graos.
Bacalbo----------Tivemos hoje um carregamento,
qne ainda nao decidi se ficar
aqui, mas he provavel; o deposi-
to esl reduzido a 1500 barricas.
Carne-secca- Existem 5,000 arrobas a bordo do
patacho Astrea, vendeu-se de
4*400 a 5*400 por arroba.
Carvao de podra- Venden-se um carregamento a
129 por tunela la.
Farinha de trigo- Ha no mercado 3,850 barricas e
2,000 saceos. As vendas regula-
ran) : a de Richmond 279 por bar-
rica, a de Philadelphia de 24*500
a 259500, a de Genova a 28*, a de
SSSF a 30*, a de Valparaizo ero
saceos 22& por seis arrobas; e a
de Lisboa e franceza a 23$.
Mauleiga---------- Chegarain algamas porc.es. e os
preros de 600 a 620 pela ingleza,
o 460 a 470 pela franceza, nao
. he firme.
Fretes Ha pedidos de 70, e offerecimen-
to d 55e para Liverpool 326
pelo assucar, e 916pelo al-
godao. ,
Demonios- Continuaran) de 8 a 10 por cento
de rebate..
REVISTA DO MERCADO.
DESDE 1 AT 13 DE DE/.EMBRO.
Rio de Janeiro, 13 de dezembro tarde.
As transaeces cm imporlacao foram moderadas,
e sendo diminua a entrada dos navios de longo cur-
so, o preco de cerlos gneros que eslavam minio
frouxos, 110 fim denovemhro melhoraram.
O mercado de exportado esleve muito animado;
houve vendas avullada* de caf apelar de seren
pouco favoraveis as ultimas noticias da Europa e dos
Estados-Unidos. Por consequencia os freles subi-
r ni; mas em contrario ao que se esperava, o cam-
bio affrouxou por momentos de ,{ a 3)8. Cumpre-no*
porm dizer que reanimou-se depois, e que hoje fi-
cou firme a 27 3|4 e 28 d.
IMPORTACAO".
As entradas de longo curso constan) de 37 navios
de vela e dous vapores.
Os principaes gneros que impurlaram sAo : ac
500 caixas e barrilinhos, Mirto 147 barris, alvaia-
de 680 barris, azeile-doce de Portugal 512 barris,
azeite-doce do Mediterrneo lOO.quarlolas e400 cai-
xas, breu 100 barris, carue secca 35,436 arrobas, car-
vao 2,249 toneladas, cerveja 500 barricas, farello
1,153 saccas, ferro da Suecia 11,568 barras e feixes,
folha de Flandres 100 caixas, garrafOes 1,200. ame-
lira 2,180 garrafes e 65 caixas, manleiga ingleza 50
barris. manteign finnceza 60 barris e 45 meios, ma
sas 1,121 canas, oleo tle linhara 28 barris, pinho
91,836 ps, pixe 219 barris, presuntos 710, queijos
414 caixas, sal 19,580alqneires, vinho de Lisboa 639
pipas, vinho mascalel 420 caixas, vinho de Brdeos
133 quartolas, vinho de Champanha 547 cestos.
Movimnto do mercado.
Ac.As entradas desle mez licam em ser.
Alcatro. As entradas desle mez sAo de 147 bar-
ris, que venderam-se : 20 a 229500 a dinbeiro, e
127 a 22* a dinheiro.
Azeile doce de Portugal. Fizeram-se vendas de
alguma imporlancia de 340* a 350*.
Azeile doce do Mediterrneo. Entraran) 400
caixas e 100 quarlolas que licam em ser.
Breu. 100 barris entrados este mez e 700 vindos
por cahotagem no fim de novembro licam em ser ;
434 barris das existencias anteriores alcanrarain 8*.
Cabos. N3o houve vendas: 100 pecas de .Mam-
Iha chegadas boje vieram por encommenda.
Cera. NAo houve vendas; as enlradas foram
avHitadas e nao se pode eslabelecer colacdto por ora.
Carvao. As enlradas sendo regulares os presos
melhoraram alguma cousa. As vendas lano do miu-
do como do grainlo ellcluaram-sc a 18* a prazo e a
dinheiro. Veodeu-se tamben) urna carga a 21*,
mas esle preco nao regula.
Cerveja. As vendas constara de cerca de 400
barricas de 49800 a 5*400.
Cluimbo de mualo. Eflecluaram-se algumas
vendas a 23* c 24*.
Farello.853 saceos entrados esle mez lnham si-
llo v endidn. a chegara 5*.csuppomos que os 300 sac-
eos entrados hoje licam em ser.
Farinha. N'Ao houve entradas este mez. e alm
das vendas eflecluadas no loihlo que leve lugar no
da primeiro, venderam-se somenle 1,100 barricas
Son 1 lier n e Western a 239250, c 243 barricas da Eu-
ropa acerca de 239. No le la o venderam-se 4,559
barricas e 209 meias aos preros seguintes:
800 Kichmond C. M. a 23850
2335 Ballimore de 21*000 a 22*000
1000 Philadelphia do 21*550 a 229200
424 South, e Western a 229500
209 meias a 119700 e 119S00
Esla venda eslabcleceu una baixa de 1* a 1*500
sobre as cnlaccs du lira tle novembro, c depois dislo
os preces licarara quasi uomioaes ;is nossas colaces
de hoje.
Existencias:
Em primeira raao, cerca de 5,000
E111 segunda dita, 15,000
barris da ingleza que eslavam em ser; os 50 barris
entrados este mez vieram por encommenda.
Da franceza enlraram 60 birria por encommenda
e 45 meios que alcancaram 530 rs.
NAo ha manteiga era primeira m.io.
Massas. As 1,124 caixas entradas esle mez licam
em ser.
Oleo de linhara. Houve alguma* vendas a 210
rs.; um lote pequeo realisou esle mesmo preco a
dinheiro, o vendeu-se lambem em latas a 260 rs.
Pinho americano. A nica entrada lie a que
chegou hoje, e eremos que est por vender.
Pixe da Suecia. A nica venda que Iranspiroa
he a de 30 barris das existencias anteriores a 19* a
dinheiro. Dn pixe de carvAo venderam-se 150 bar-
ris a 5*200 a dinheiro.
Presuntos. Os 710 entrados esle mez licam em
ser.
Queijos. 1*400 e 1*500 a dinheiro foram os pro-
cos que alranraram os vindos pelo Secern.
Sal. As nicas vendas do mez orc.am por 7,000
alqneires a 750 e 760 rs. Urna carga tinha sido ven-
dida aules de chegar a 750 rs. Cerca de 8,000 a 9.000
aiqueires entrados em fins le novembro licam aiuda
em ser. As enlradas sendo regulares, consideramos
o pre^o desle genero firme s nossas colarles.
Tnboado do Bltico. As entradas conslam de
sele cargas; todava os precos subiram por nao per-
mitlir o invern na Europa mais expedicOes. Urna
carga linha sitio vendida anles de chegar, 1 vendeu-
se a 33*, 2 a 34*500, 1 a 35* e 2 a o- mu. Urna
carga entrada no lim de novembro alcancou 33*.
Vinagre. Eflecluaram-sc algumas vendas, que
oreara por 73 pipas, de 90* a 100* segundo a quali-
datle.
Vinhos. Os preros sao os mesmos que regula-
vam era fina de novembro, tendo-sefbstenlado bem;
mas as Iransacces em geral foram de pouca impor-
tancia, limilando-sc as ueressidades immedialas: as
existencias em primeira e segunda mAo sao impor-
tantes.
Lisboa.Entraran) cerra de 700 pipas dn tinto
(incluindoacabotagem); as vendas foram de 300 pi-
pas mais mi menos, das ques 100 pipas das primei-
ras marcas alcancaram 340*, e 200 oipas de 310*, a
325*000.
Porlo. Vcnderam-sc cerca de 30 pipas de 360*
a 3711*; venderam-se lambem alguus oitavos a .500
a pipa, e algumas caixas de 1:1* a 189.
Cataln. NAo houve (rausaccies. A carga chc-
gada em litis de novembro tica anda emscr.
Fayal. 13 pipas do hranco, viudas por cabola-
gem, alcancaram 180*.
Muaulel, Nao houve vendas.
Bordos. Eslao-se retallando de 80* a 100* as
133 quarlolas enlradas no mez.
EXPORTACAO'.
Caf. As trausacroes foram avullada, constan-
do de 146,000 saccas, tas quaes 50,000 para os Esta-
dos Unidos, 73,000 para o Canal e norte da Europa,
c 23,000 para o Medilcrraueo.
Poucusc fez al o dia 5 Realisando-se nes*e da
urna baixa nos preros .le 100 a 150 rs., venderam-se
32,000 saccas, 20,000 no dia seguinle a 26,000 no
dia 7.
As nolicias que Irouxe o Seiern nao desanima-
ran) ns compradores, e 28,000saccas venderam-se no
dia II, sendo mais que regulares as Iransacres de
cada um dos oulros dias. ltimamente os preros
turnaran)--!' mais firmes.
Os preros desde o da 5 regularan) de 3*900 a
4920O para os loles americanos, de 3*700 i 4* para
o Canal, e de 3*700 a 3*900 para o Mediterrneo.
Algiins loles muilo escolhidos pagaram-se 4*150 e
4*200 para o norte da Europa.
Existencias 50,000 saccas.
Cusi do caf em moeda ingleza poslo a bordo, ao
cambiu de 27 7|8, e calculando os preros medios
de boje:
Superior 4*150 3V|9
Primeira boa 39950 37(10
Prmeira regular. 3*700 3-5(10
Segunda boa 3*400 33|4
_ Dcsjiacharam-se do dja 1 at 13, inclusivamente,
76,347 saccas das quaes para
Os estados Unidos. 36,818
Sendo para :
Ballimore. 18,166
Ncw-Orlcans 9,326
Ncw-York. 6,686
Philadelphia 2,640
20,000 barricas.
Ferro da Suecia. As enlradas conslam de 11,568
barras e feixes. Vcnderam-sc 897 barras a 9*600,
1,842 em dous loles a precos que nAo reculara, por
lerem sido mal -ni lido-, e 1,281 a 10*. Vieram 3,702
barras c feixes por eucomnieuda, e 5,243 barras li-
cam em ser.
Folha de Flandres. 100 caixas enlradas em fins
de novembro alcancaram 22*.
Geuebra. Entraran! 2,180 garrafes, dos quaes
1,580 1 i oh un sido vendidos antes tle chegar a 49600;
600 garrafes licam cm ser, com 65 caixas viudas do
Havre.
Grossaria.Houve al jumas vendas da escosseza a
255 e a 250 rs. Da allemAa eflecluaram-se lransac;es
de pnuea importancia us nossas colaces.
Manleiga. O mercado melhorou alguma cousa;
600 rs. a dinheiro he o preco que se pagou pelos 100
rilrd-e ,dczembro 1854. Eu Joaquim Jos Fer-
reira dos Santos, escrivo o sutscrevi.
o u c Fra'":il":o -*" Olittra Macicl.
1 _..?' / ,npaclor da thesourarla provin-
. -^1- !;1Ztr P,uWiC0 P" conhecimenlo dos
contribuinu aha,xo declarados, do iroposio da de-
cima urbana da Irwuczia dos AfogadoV pertencen-
le aos ejercicios de 83:, 1a-)2, q*u, |eXe con-
cluido a liquidado da divida aclva desle imposto,
devem comparecer na mencionada Ihesouraria de-
tro de 30 dias, contados d dia da publicacao do
prsenle edital, para se Ibes dar a 110ia do Ma dobj_
to, afim do que paguen) na mesa do consolado pro-
vincial, ficando na inlelligencia % qU8i nao tl_
lo prazo, seraoexecutados.
E para constar se inandou aflixar o prsenle e pu-
blicar pelo Diario.
Secretaria da Ihesouraria provincial de Fernam-
buco 15 de dezembro de 1854. O secretario, Anto-
Ferreira da Annuneiaco.
Maria Cecilia......... jOlr,
Mara........... 15*934
Merenca Maria........
Manoel Custodio........ 12*096
Manoel Joaquim do Paraizo. % 29*778
Manoel Gnncalves........ 9*172
Viuva de Marcelino Ignacio Ferreira da
Cosa........... 19*927
Maria da Cruz Ferreira...... 1*838
Ilerdeiros de Mara Jos da Conceiro. 24*946
Manocl Gonralves Sen na..... 453*708
Manoel Francisco......... 14*817
Marcolino Firmino da Cosa Barradas. 117*595.
Manuel Cardoso da Fonseca..... 119520"
Mchaella Maria da ConceirAo. 989361
Mara Rosa de Jess....... 189910
Manoel Bernardo da Silva. .' 13*348
Mauoel Joan Riheiro. ...... 7*230
Ilerdeiros de Maria Rila do Nasci-
meolo........... 32*445
Maria do Carmo de Jess..... 2199,58
Manoel das Virgens Ramos..... 20*023
Manoel da Cruz........ 19512
Migoei Gnncalves Rodrigues. ... 23*457
Maria da Concei^ao....... 1*209
Malhilde Iduvina da Fonseca Pinto. 3*427
Maria Carduzo da Silva...... 65*744
Maria Manocla da EncarnacAo. 39337
Manuel I erren a Antones \ liara. 9*720
Manocl Joaquim Ferreira. ." 13*805
Manocl l'ereita de Moraes..... 93*441
Ilerdeiros de Maria da Silva Naves. 6*674
Manoel Ignacio de Avila..... 179973
Manoel Nunrs Correa...... 2*224
Viuva e herdeiros de Migael Francisco
Gomes........... 4*638
Maria Daraiana........ 29348
Manoel Antonio Pereira Ramos. 3*931
Manoel Anlonio Riheiro..... 2*003
Manuel Jos Bezerra. ...... 3962K
Marcolino Altea Vilella. .. 5*745
Manoel Vicente to Na.cimento. 19205
Herdeiros de Manoel da Silva Ferreira. 4*139
Manocl Paes Bezerra...... 29419
Manoel da Cosa Monleiro....., 6*018
Manoel Ferreira de Oliveira ....'' IM172
Manoel I.uiz Gonralves...... 69048
Manoel Caelano Soares Carneiro Mon-
eiro.......... 3*02*
Manoel Antonio tle Figueiredo. 9*072
Manocl da Silva Neves...... 6*048
Viuva de Manoel Gnncalves Ferreira. 6*04
Viuva de Manoel Francisco Monleiro. 99072
Miguel Jos Riheiro......, 4*032
Maria Paciduma de Jess......1*512
Maria Felismina do Reg Gomes. 49032
Manoel Joso de Santa Anua. agOW
Tenente-roronel Manoel Antonio dos
Passos e Silva........ 5*048
Mara Magdalena Telles de Vasconcel-
os............
Miguel Francisco dos Anjos.
Maria Joaquina dos Res .....
Manuel Alexandre da Fonseca .
Manoel Cavalcanli de Oliveira. .
Herdeiros de Maria de Frenas .
Nicolao Antonio
E para:
Bergen...... 1,094
Buenos-Avres . . 4.670
Canal e Londres . 7,910
ilamhurgo e Aliona . . 8,760
Havre. '.:... 2,663
Trieste..... 14,252
180
Tolal. '. . . 76.347
As entradas de barra fra desde o primeiro do mez
conslam de 80,963 saccas.
Assucar. As enlradas conslam de 117 caixas,
3,033 barricas, 52 fechse 5,711 saceos. Venderam-
se para exportacao 59 caixas de Campos; e para con-
sumo :
310 caixas, 20 barricas. saceos de Camp.
132 280 o 908 da Bahia.
860 de Pero.
442
300
1.769
Os precos regularan) tle 3*500 a 3*600 para o
hranco de Peruambuco, de 2*900 a 3*100 para o da
Babia. Os presos do de Campos regulaiam s nossas
cotaces de hoje.
Couros.Nao houve veudas. Os preros sao no-
niiuaes eas exislencias urram por 16,000, dos auaes
11,000 grandes.
MERCADO MONETARIO.
As.transaeces em cambio foram muilo imp2rlan<
tes, constando de cerca de 320,000 libras esterlinas
sobre Londres, 580.000 fr. sobre Pars directa e in-
directamente, e 300.000 mareos sobre Hamburgo.
O cambiu sobrelLondres abri a 28 e 27 3)4; af
fi ou vou alguma musa no dia 11, aendo 27 5|8 a 60
ilias a colaran mais baixa, e fecha hoja a 27 3|4 c 28
firme. As Iransacces euecluaram-se pela maneira
seguinte: 119,000 a 28 d., 87,000 a 27 7|8,
100,000 a 27 3|4 e 14.000 a 27 5r8. O governo
lomou 40,000 a 27 5|8 e 27 3|4.
O cambio sobre Pars directamente eflecluoa-se
em geral a 346 e 348 a 60 dias, e indjajaclamcnte de
342 a 345. Houve lambem algurraHkousa IVila a
349 a 30 dias por letras directas. As ultimas Iran-
sacces effectuaram-se a 348.
Cum excepcAo de alguma cousa de pooca impor-
tancia a 645 a 90 dias, lodas as transaeces sobro
Hamhurgo effecluaram-se a 650 a 90 dias.
Descontos. Foram regalares a 7 e 7 ,' *,.
Valores pblicos e acues.As a plices geraes fo-
ram procuradas. Subiram a 112$. As transaeces
em arene* tem sido de pouca imporlancia, limilan-
do-se a vendas pequeas, a premio, do banco do
Brasil a 112* e 115, do banco Rural a 122*. do
banco velho a 280* e do Mucury a 90*.
Freles. Reinou muila animarAu nesle mercado
desde a chegada do vapor Secern. Os fretes subiram
de5sb. sobre as colaces du fim dn mez passado, e
hoje ficam poucos navios dL-ponive- noperlo.
PRACA ,14 DE DEZEMBRO AS 5 HORAS DA
TARDE.
Cotac,e ofliciaes.
Cambio Londres: 27 3|4 a 60 dias.
Pars: 348 a 60 dias:
Apolicesde6*i: 112 |.
Depuis do post-scriptum da revista publicada no
supplemenlo de hoje, lizeram-se mais algumas tran-
saeces em cambio sobre Londres a 27 3|4 e 28 d.,
dando o lotal das Iransacces eflecluadas por este
vapor de 310,000. Sobre Paris nada se fez depois
do meio dia.
Sobre Hamburgo n3o nos consta de IransaccAn
nenhuma.
As vendas de caf foram de pouca imporlancia.
(Jornal do Commercio do Rio.)
MOVIMENTO DO PORTO.
Navios entrados no dia 23.
Rio de Janeiro12 dias, barca ingleza Corrido, de
258 toneladas, caplAn Thomaz Lyell, cquipagem
12, em lastro ; a ordem.
dem e Bahia8 tas, vapor inglcz Secern, com-
mandanle J. M. Gillies. Passageros para esla
provincia, l.ouis Xignago, Ernesto de Aquino
Fonseca. Augusto Carneiro Monleiro, Leopoldo
Borgcs l i.ilvn de Souza. Seguio para o mirle.
Londres34 dias, galera ingleza Dolphin, de 388
toneladas, capilAo Gcorge Mnrray, equipageui 17,
em laslro; a Schramm Whalely & Companhia.
Ficou de qiiarenlcna por 16 dias.
Boslon49 das, patacho americano Gcorge larris,
de 247 toneladas, capitAo J. B. Frencli, equipagem
10, em laslro ; a Roslron Rookcr & Companhia.
Terra Nova31 dias, hrigue inglez (Uaucus, de
256 (oncladas, capilAo R. Dtincan, cquipagem 14,
carga 2,500 barricas com bacalbo ; a Schramm
Whalely & Companhia.
Navios saliidos no mesmo dia.
GenovaPolaca hespanhola Ardilla, capilAo Pablo
Pages, carga assucar e couros.
Lisboa Urhzuc pnrtuguez Taiujo III, rapilao
Francisco Aiituiiio de Almeida, cama assucar e
madeir.
ParahibaHalc hrasilciro Cames, mcslre Seve-
riano ila Cosa c Silva, carga fazendas e mais g-
neros. Condnz 19 passageros com passaporles e 2
brasileiros.
EDITAES.
O )r. Francisco de t* municipal da segunda vara e commercio, nesta
cidade do llecife e n termo, por Sun Magestude
Imperial e constitucional o Senhor D. Pedro II,
que Deas guarde, etc.
Faro saber aos que o prsenle edilal virem. que
requerimeuio de O. II. Praeger, curador fiscal da
inassa fallida tle Joaquim tle Oliveira Maia Jnior, e
por iiiletloculorio desle juizo, esl marcado o dia
29 do correle, s 10 horas da manira, na casa de
minha residencia, na ra eslreila do Rosario n. 31,
segundo andar, para nomeacAo de depositario ou de-
positarios, que lem de receberem ou administraren)
a massa fallida do mesmo Maia Jnior ; assim Iodos
os credures prsenles do mesmo comparecen) no dia
e hora e lugar cima declarado para dito lim. E pa-
ra que chegue a milicia de lodds mandei passar o
present", quesera publicado pela imprensa ealliva-
lla nos luzares designados no arl. 129 do regula-
menlo n. 738 de 5 de novembro de 1850. Dado
e passadu nesta cidade do Recife de Pernambuco aos
1*512
5! 76
20*676
37*681
21*637
149412
349,159
139201
34*134
13*642
16*329
89721
979906
69048
6*942
15*672
46*109
3*628
6*01S
2*419
21*109
3*3*7
49*594
5*932
11*494/
9*072
243*352
48*662
459547
3*3
4*838
.1*209
7*981
41*918
34*479
16*420
10*011
19209
1*909
59143
1j209
Nicolao Jos da Fonseca. .....
Nuno Maria de Seixas ......
Pedro Raphael.........
Pedro Ferreira........
Pedro Antonio.........
Pedro Francisco Xavier......
Pedro Manoel Duartc Gondim .
Pedro Dias de Asss.......
Paulino Her-ulano de F'igueiredo .
Itil i da Cunha.........
Rita Romana dos Prazeies. ....
Rosa Maria de Lima.......
Rosa de Souza de Jess......
Severino Francisco de Souza ....
Sevcrina Mara........
SimiAo Correa Cavalcanli Macambira .
Simplicio Rodrigues Campello .
Severino Heuriqoe de Caslro Pimen-
tal. ...........
Cinciuatn Anlonio Lopes Mavignier. .
Thom Pereira Lagos......
Thereza de Jess........
Tbeophiln de Souza Jardim .
Thereza Amra do Jess. ....
Tbeodora Gertrudes Paz de Lima .
Herdeiros de rsula Maria do Nasci-
mento...........
Vicente Ferreira Gomes.....
Viuva a Herdeiros de Vicente Luiz de
Souza ...........
Vicente Ferreira da Paz.....
Vicencia Ferreira de Albuquerqne as-
cimento..........
Victorino Francisco dos Santos .
Valentina Maria da ConreicSo .
Padre Vicente Ferreira do Reg. .
Victoria na do Carino.......
Venantia Joaquina d Cosa ....
O Dr. Manoel Clemenliuo Carneiro da Cunha, ja
de direilo inlerino da primeira vara criminal da
comarca do Recife, por S. M. o Imperador, qoe
Dos guarde ele.
Faro saber em virlude do artigo 286 do cdigo do
processo, que lendo sido convocada para o dia 15 do
novembro prximo lindo a quarla sessAo jadiciaria
do jury desle termo, inslaioa-se no dia 27 do mesmo,
leudo sido julgados na dila sessAo 13 processos de
presos conlendo 15 reos: qoe foram assiduos na re- v
ferida sesso os senhores jurados efleclivos :
JoAo Nepomuceno Barroso.
Manoel da Silva Neves.
Joaquim Jos de Souza Serrano.
Uercalano Deodato dos Sanios.
Christovao Santiago de Oliveira.
JoAo de S Lciao.
Joaquim Flix Machado.
Jorge Viclor Ferreira Lopes.
Joao Francisco Maia. -
Dr. Antonio Vicente do Nascimeolo Feitoaa.
Manoel Joaquim Aulunes Correa.
Manoel Caelano de Mcdeiros.
E os senhores jurados suppleules:
Joao Cancio Gomes da Silva.
Dr. Ignacio Firmo Xavier.
Francisco Alexandrino de Vasonncellos Callara.
Joao Francisco Bastos.
Anlonio Jos Duarle.
Pedro Ignacio Baptista.
Francisco Antonio Pereira de Brilo.
Joaquim Pereira Bastos.
Jos llenriques Machado.
Anlonio Jos dos Santos Servira.
Bartholomcu Guedes de Mello.
Dr. Pedro Guadano Bats e Silva.
Antonio Luiz do Amaral Silva.
Hypotito Cassiano de Albuquerqoe Maranhio.
Major Manoel do Nascimeolo Costa Monleiro.
Jos Filippe Nry da Silva.
Antonio Ricardo Anlunes Villaca.
Luiz Francisco de Sampaio e Silva.
Joao Chrisostomo Fernandes Viann*.
Jos Egidio Ferreira.
Brigadero Aleixo Jos de Oliveira.
Antonio Ferreira da AnuunciacAo.
Antonio Alves da Fonseca. ,
Firmino Jos Rodrigues Ferreira.
Jos Maria Machado de Figueiredo.
Jos Benlo da Cosa.
Antonio Rodrigues de Albuquerqne.
Emilio Xavier Sobreira de Mello.
Joao Baplisla da Annanciac,ao.
Dr. Joao Domingues da Silva.
Florencio Domiogoes da Silva.
Joao Antonio de Paula Rodrigues.
Que foram menos assiduos com motivo ju.lihca-
dos os senhores jurados :
Jos Ignacio Soares de Macedo.
Antonio Valentn) da Silva Barroca.
Gustavo Jns do Reg.
Dr. Joao Pedro Maduro da Fonseca.
Jos Paulo da Fonseca.
JoAo I.ele de Azevedo.
Que foram multados na quanlia de 380*000 cada
um dos senhores jurados seguintes :
Jos Joaquim do Almeida Lopes.
Manocl Rodrigues do Passu, c o senhor jurado An-
lonio Gonralves Ferreira na quanlia de 320*000; o
senhor jurado Dr. Luiz Duarle Pereira na quanlia
de 6U9000?
E para constar mandei lavrar o prsenle, que se-
r publicado pela imprensa.
Dado e passado aesta cidade aos 16 de dezembro
de 1851.Eu Joaquim Francisco de Paula Estevas
Clemente. escrivAo privativo do jury o esrrevi.
Manoel Clementino Carneiro da Cunha.
DECLARA0'ES.
Em cumplimento das ordens do Exm. Sr. pre-
sidente esta repartido vender em leilao publico .i
agurdenle desembarcada ltimamente do transporte
Pirapama, viuda da ilhn de Fernando ero conse-
quencia de haver all sido lomada como inlrodozida
em rniiiiaveni.au as ordens dn governo sendo a
quanlidade duas pipas, pouco mais ou menos, e a
renda eflecluada com os respectivos vasilhames uo
dia 27 do correnle mez, pelas 11 horas da ninuhaa,
na piula do almoxarlfado. InspeccAo do arsenal de
marinha de Pernambucu21 de dezembro de 1854.
O secretario. Alejandre Rodrigues dos Anjos.
"'CONSELHO ADMINISTRATIVO.
O eonselho administrativo, em virtud* da autori-
sar.'to do Exm. Sr. presidente da provincia, tem de
comprar os objectos seguintes :
Para o hospital mililar.
Apparelho deslocamento 1, balines de differentes
capacidades 6, capsulas de porcelana de lilis, a 2
2, dilas ditas de 3 libras 2, dilas ditas de 2 libras 2,
dilas ditas de 1 libra 2, ditaa dila* de 8| 2, di*



W*' i
DIARIO DE PERMIBO, DOMINGO U DE OEZEMBRO DE 1854.
tas de video Jo uitleronles tamaitos B, eadinhos de
1 a 10, 1-2, copo gradando* de > libran >, dilu dilos
do I lihr.-i -2, los dilos ilo S|" >, dilos dilos de i|
"i, caixas le piilio forradas de follia para guardar
inedicamciilos, de palmo c mcio em quadro, c -2^>al-
nos e pollcgedas de alio, com as seas competentes
lampas -.ti, llanella lina, covados 12, garrafas pretal
de 2V|" KM., dilas brancas franceiis .">(!, ditas prolas
d- |-2[ 1(K), madapoln, pecas 12, machina para
aunas mineraes 1, marmita de papim 1, marmita de
pressao pela agua 4, maqunela rom scus perlences
l.malrazcsl, partilhailor completo 1, relorlas de
dillerenles capacidades I, vasos de 4 libras 24, dilos
de 2 libras -24, vidrns a esmeril de I libras 12 : quem
quizer vender esles nbjerlns aprsenle as suas pro-
postas cm carias fechadas, na secretaria do roiiscllio
adminislralivo, as III horas do dia 27 do correnle
me/.. Sala das sessoes do conselho adminislralivo
para fnrnecimento do arsenal de guerra de dezem-
bro de 1854.Jos de Brilo Inglez, coronel presi-
dente.
AVISOS MARTIMOS.
AO PARA'.
Vai seguir mui brevemente
a escuna FLORA, capitao
Jos Severo Rios, so'pode re-
ceber carga miuda: trata-se com os con-
signatarios Antonio de Almeida Gomes &
C.,na ra do Trapiche n. l, segundo
andar.
PARA O RIO DE JANEIRO.
Stilie com muita brevidade, o l>em co-
ndecido patacho nacional Valente, ca-
pitao Francisco Nicola'o de Araujo : pa-
ra o resto da carga e escravos a frete, tra-
ta-se com os consignatarios Novacs & C.,
ou com o capitao na piara.
PARA O RIO DE JANEIRO,
i> migue nacional Mariannit sahe com loda a bre-
vidade ; recebe carca a frete. escravos c passageiros:
quem pretender embarcar, (rale com Manoel Igna-
cio de Oliveira, na prai;a do Corpo Sanio n. t, es-
rriplorio, ou com o capitao Jos da Cunha Jnior.
Para Lisboa pretende seguir com loda a brevi-
dade a barca porlugueza liralido : para carga e
passageiros, trata-se com os consignatarios Thninaz
de Aqiiino Fonseca & Filho, na ra do Vigario n.
19, prlmeiro andar, ou com o capullo na prara.
Para o Rio de Janeiro
Segneemponeosdias, obligue nacional
Hebe, capitao Andre Antonio da Fon-
seca, por ter a maior parte do seu carre-
gamento prompto : para o resto e escra-
vos a frete, trata-se com Manoel Alves
Guerra Jnior, na ra do Trapiche n.
14.
Para o Rio de Janeiro pretende sahir com a
possivel brevidade o patacho nacional ni). Pedro V:
para carga e escravos a frete, Irala-se com os consig-
natarios Thomaz de A quino Fonseca & Filho, na ra
do Vicario n. 19, pnmeiro andar.
Para Lisboa pretende seguir com brevidade o
brigue prtuguez Ribeiroo de primeira. marcha :
quem nelle quizer carregar -ou ir de passgem, en-
lenda-se com os consignatarios Thomaz de Aquino
Fooseca & Filho, na ra do Vigario n. 19, pnmeiro
andar, ou com o capitfio na praca.
Para o Porto vai sahir com muila brevidade
por ler a maior parte da carga prompta, a veleira
galera Rracharense ; para carga e passageiros, tra-
la-se com os consignatarios Thomaz de Aquino Fon-
seca & Filho, na ra do Vicario n. 19, primeiro an-
dar, ou com o capitao na praca.
Companhia Rrasileira* de Paquetes de
vapor.
O vapor Im-
perador com-
mandanle o !
lenle Torre-
sito-, Heve che-
gar dos porto*
do norte al 28
do correle, e
seguir p'raMa-
ceiii. BahaeRio
.de Janeiro, no
dia seguinle ao
da sua entrada : agencia na rua do Trapiche n. 40,
segundo andar.
RIO DE JANEIRO.
O brigue nacional Damao Segu e
por estes dias; para carga e passageiros
para os qttaes tem ptimos commodos :
trata-se com Machado Vigario n. 19, segundo andar.
LEILOES
Luiz Antonio Aunes Jacome, como
Ii(|tiidatario da casa de Domingos Fcrreira
de Souza Vasconcellos, fara' leiliio por in-
lervencao do agente Rorja, da armacao e
gneros existente* na taberna daquelle se-
nhor, sita no' pateo do Terco n. 2, quinta
feila 28 do corrente as 10 horas em
ponto.
AVISOS DIVERSOS.
Tendo-se reconhecido que a despeza
de escripta e cobranqa do importe dos
annitnctos he superior ao valor delles,
previne-se aos senhores assignantes deste
Diario que quando os mandarem, re-
mettam igualmente a sua importancia ;
alias nao serao publicados.
Lotera da Provincia.
O caalelisla Antonio Fcrreira de Lima c Mello,
avisa ao pnblico que lem as suas Amellas da lotera
da amoreira e criaeSo do bicho da seda, que corre
no dia 13 de Janeiro, no Herir loja n. 11, rua do
Rosario n. 26, dita Direila n. 62, aterrada Boa-Y is-
la n. 58, na povoarjo do Monlcim em casa do Sr.
Nicolao, e em sua loja rua Nova n. 4, pelos preros
abaixo declarados.
Blhetes .sOOO
Meios 25800
Quartos 15.500
Decimos 700
Vigsimos 400
Precisa-se de um preto para Irabalhar no cam-
po e que saiba tirar leite em vaccas : i tratar na rua
do (Jueiniado n. 10, primeiro andar.
Precisa-se de urna ama que saiba bem cozi
nliar. para casa de homem solleiro : na rua do
Oiii'itii.nlii n. 40.
Precisa-se de urna ama que tenha bom e has-
lanteleilc, para crear um menino, pagando-se bem ;
na rua Direila n. 66.
Precisa-se do urna ama forra, que engomme
perfeitamente, paga-se bem : no aterro dn Boa-Vis-
ta loja n. 48.
A directora do collegio da Concei-
cao annuncia aos pais das meninas que
llie foram eonliadas, e aquellas pessoas
quetrataram de mandar meninas para o
mesmo collegio, que elle se torna a abrir
a 8 de jaqeiro de 1855, por se findarem
nessa data as ferias dadas.
O Sr. Lu/. Antonio da Cunha, pas-
sageiro do brigue prtuguez Bom Suc-
cesso, chegado no dia 21 do corrente
mes, dirija-se a rua do Crespo loja n. 4,
a negocio.
THEATRO DE S. ISABEL.
CONSULTORIO DOS POBRES
25 BA DO GOX.X.I.GIO 1 MBAEL 25.
O Dr. P. A. Lobo Moscnzo d consnllas hnmcopalhcas lodos os dias aos pobres, desde 9 bocal la
inanh a aleo ineio dia, o em casos extraordinarios a qualquer hora do dia ou noite.
Ollcrecc-sc gualnieote para pralicar qualquer operado de cirorgia. e acudir proniplameite a qual-
quer mullicr que estoja mal de parto, c cujascircumstancias nflo permillam pagar ao medico.
SO C011M0RI0 O DR. P. A. LOBO M0SC0Z0.
25 RUA DO COLLEGIO 25
VNDESE O SEGUINTE:
Manual completo ile mcildicina homeopalhica do I)r. 0. II. Jahr, Iraduzido em por
luguez pelo |)r, Mosrozo, quatro volumes encadernados em dous c acompanhado de
mn diccionario dos termos de medicina, cirurgia, analomia, ele.,'ele...... -JIIJOOO
Esla obra, a mais imprtame de todas as qnctralam do eotudo e pralica da homeopalhia, por ser a nica
que conten abase fundamental Hesta doulrinaA PATIIOCiE.NESIA 01" EFFE1TOS DOSMEDIC4-
ME.NTOS NO ORGANISMO EM ESTADO DE SALDEconliecimenlos que nao podem dispensar as pes-
soas que se querem dedicar a pralica da verdadeira medicina, inleressa a todos os mdicos que quizerem
experimentar a oulrina de llalincmann, e por si mesmos se convenceren! da verdade d'clla: a lodos os
razendeiros p senhores de engenho que esiao lente dos recursos dos mdicos: a lodosos capilaesde navio,
que urna ou oulra vez nao podem deixar de acudir a qualquer incommodo seu ou de seus tripulante- :
a todos os pais de familia que por circumstancias, que nem sempre podem ser prevenidas, sao obriga-
dos a prestar in conlinenli os primeiros soccorros cm suas enfermidades.
O vade-mecum do bomeopalha ou Iraduccao da medicina domestica do Dr. Ilering,
obra Inmbem til s pessoas que se dedicam ao esludo da homeopalhia, um volu-
nte crandefticompanliado do diccionario dos termos de medicina...... 109000
O diccionario dos termos de medicina, cirurcia, analomia, etc., etc., enrardenado. 3)000
Sen verdadeiros c bem preparados medicamentos nao se pode dar um passo seguro na pralica da
homeopalhia, c o proprielario deslc cslabclecimenlo se lisongeia de le-lo o mais bem motilado possivel e
nincuem duvida boje da grande superioridade dos scus medicamentos.
Boticas de -2i medicamentos cm glbulos, a 10, 13 e 1 jjOUO rs.
.................. 20*000
................ "iOOOO
................ :105011o
................. OOgotK)
................. I000
................. 29000
>a mesma casa ha sempre i venda grande numero de tubos de cryslal de diversos (amanhos,
vidros para medicamentos, e aprompla-se qualquer eiirommenda de medirameuloscom toda a brevida-
de e por precos muilo commodos.
Ditas .16 dilos a
Ditas 4K ditos a
Ditas 60 dilos a
Ditas 144 dilos a
1 ni- avulsos . . . .
Frascos de meia on^a de linctura
chronicas, 4 vo-
. aojono
165000
69000
8)000
10.5000
5(100
-9000
69OOO
4*000
109000
30)000
Novos livrosde homeopalhia uiefrancez, obras
Indas de summa importancia :
Hahnemann, tratado das molestias
lumes.........
Teste, rrolestias dos meniuos.....
Ilering, homcopathia domestica.....
Jahr, pliarmacnpabomenpalbica. .
Jahr, novo manual, 4 volumes ....
Jahr, molestias nervosas.......
Jahr, molestias da pelle.......
Rapou, historia da homeopalhia, 2 volumes
llarlbmanii, tratado completo das molestias
dos meninos..........
A Teste, materia medica homeopalhica. .
De Faxolle. doulrina medica homeopalhica
Clnica de Slaoneli........
Casling, verdade da homeopalhia. .
Diccionario de Nyslcn.......
Alllas completo de anatoma com bellas es-
tampas coloridas, conlendo a descripeo
de todas as parles do corpo humano .
vedem-se lodos estes livros no consultorio homeop-
tico do Dr. Lobo Moscoso, rua do Collegio d. 25,
primeiro audar.
CASA DA AFERICO, PATEO DO TERCO,
N. 16.
O abaixo assignado faz ver a quem iulcressar pos-
sa, que no dia 31 do corrente (iualisa-se o prazo
marcado pelo arl.2. do til. 11. das posturas da c-
mara municipal desla cidade. dentro do qual de-
yem ser aferidos os pesos c medidas ; lindo este
inrorreran os cootravcntores as penas do mesmo
artigo. Recite 13 de dezembro de 18.VL Prxe-
des da Silva Curmao.
PIBLICACAO DO INSTITUTO HOMEOPA
TIIICO DO BRASIL.
TIIESOLBO HOMEOPATHICO
OU
VADEMCUM DO HOMEO-
- PATHA.
Melhodo roncho, claro e seguro de curar homeo-
palhicameiile todas as molestias que affligem a es-
pecie humana, e particularmente aquella que. rrl-
nam no llrasil, redigido segundo os melliores Ira-
lados de homeopalhia, lauto europeos romo ameri-
canos, e secundo a propria experiencia, pelo r.
Sabino Olegario Ludgero I'nlio. Esla obra he boje
recotihecida como a inelhor Je todas que Iralam da
applicac.no homeopalhica no curativo das molestias.
Os curiosos, principalmente, nao podem dar nm pas-
so seguro sem possu-la e consulla-la. Os pais de
familias, os senhores de encenhn, sacerdotes, via-
jantes, capiles de navios, sertanejoselc. ele, devem
te-la m1o para occorrer promptamenle a <|ualquer
caso de molestia.
Dous volumes em brochura por lSOOO
encadernados 119000
vende-sc unicamenle em casa do autor, no palacete
da rua de S. Francisco (Mundo Novo) n. 68 A.
RETRATOS.
rio atierro do Boa Viista y. 4, lercciro andar,
conlnua-sc a tirar retratos, pelo ayeteoaa crjstalol)-
po, com muila rapidez e perfeicjio.
No hotel da Europa da rua da Aurora lem
bons peliscos a cada hora, pelos presos lixos oa la-
bella, mnito razoaveis.
Esl;i jusla e contratada rom o Sr. Joaquim
65o51 Antoalo < Siojoeira, neto da tinada D. Marianos,
79000 I do Magainho, urna morada de rasa terrea, com
fieOOO c''0> proprios, na rua em S. Jos do Mancuinho 11.
27, a qual se leba lanzada lias dcimas por encano,
no municipio de Oliuda, em nome de Joaquim Jos
Conralves : quem se julgar com direilo a mesma ou
I69XKX) hjpotheca, dirija-se a roa do llrnm n. 16, desla dala
a 8 dias, e passados estes se fixar a compra, c nao
se aunuira a cousa alguina.
.1. JANE, DENTISTA,
continua a residir na rua Nova n. 19, primei-
ro andar.
>aaj\
LOTERA da provincia.
O cautelista Antonio Jos Bodrigues de
Souza Jnior avisa ao respeitavel publi-
co, que tem resolvido d'ora em diante a
pagar tambem as suas cautelas sem descon-
t algum como os seus bilhetes, e por is-
so tem exposto a venda as lojas do cos-
tume os novos bilhetes e cautelas da lote-
ra primeira parte da primeira das amo-
reiras, cujas rodas andam em principio
ele Janeiro vindouro, aos precos abaixo
declarados:
Bilhetes. 5.S-300
Meios. 2-800
Quartos. 10500
Oitavos. 800
Decimos. 700
Vigsimos. iOO
i
I
Asociedade dramtica empi-ezaria, ten-
ido linalisado os seus trabalhos deste anno,
ctendo de partir para a cidade da Baha
O mais breve possivel, declara que nada
deve a' piara de I'ernambuco, dos diver-
sos lornecimentos para o theatro, desde o
principio da sua empieza ate ao presen-
te ; todava se por nosso es<|uccraento al-
guem te acba credor ao theatro, queira
dingir-sea casa do thesouteiro da socie-
dade na rua Bella n. 13, para ser imme-
diatamente satisfeito- A sociedade apro-
veita o ensejo deste annuncio, para rogar
a lodas as pessoas que anda estao deven-
do bilhetes de espectculos eassigna tu ras,
bajam de mandar pagar na casa do the-
soureiro cima indicada, visto que esta-
mos em liquidacio de cuntas, e prximos
a sahir da provincia.A direccao, Joa-
quim Jos Bezerra.Joo da (naca Ce-
id-Manoel Joaquim Meudes.
Jos Victoriano de Carvalho Oivalcanl, mo-
rador no Buique, deixou de chamar-se ha mais de .">
annos Jos de Carvalho Cavalranli, por haver no
mesmo lugar outros de igual nome; porm, como
lem acontecido diriKrem-lhealgumas carias com o
seu antigo nome, que elle tem recusado receber, pa-
ra nao cnmmetter o crime de violar o segredo das
caria caso nao sejam suas, como ltimamente acon-
Uceu com um otlicio dirieido pelolllm. Sr. juiz mu-
nicipal de i.arnnhuns, que o annuncanle n3o quiz
receber com receio de incorrer naquelle crime, e
como isto llie pode ser prejudicial, recorre a este
jornal, para que chegue A noticia de lodos, que seu
noniehe como se v cima.
AULA DE LATIM.
O padre Vicente Ferrer de Albuquer-
que, professor jubilado de grammatica
latina, tem estabelecido sua aula par-
ticular na ruaDireita sobrado n. 27, se-
gundo andar, onde recebe todos os alum-
nos, quer^ternos ou internos, tanto des-
ta piara cmodo mato, mediante a razoa-
vel convenrao que pessoalmente oli'ere-
cera'.
3e@@i8 f!Kg. C
& DENTISTA FKA.NCEZ.
9 Paulo Gaignoux, estabelecido na rua larca @
aj) do Kosario 11. 36, segnndo andar, colloca den-
59 tes com genoivasartlicaes, e dentadura com- S
Ifi) pela, ou parle della, com a pressao do ar. g
<9 Tambem lem para vender agua denlifrce do
g Dr. l'ierre, c p para lenles. Rna larga do Kosario n. 36 segundo andar. gr.
O Sr. procurador da cmara mu-
nicipal do Limoeiro, baja de mandar pa-
gar a assignatura do Diariode Pernam-
buco, para a mesma cmara, que se
acba em grandeatrazo de pagamento.
O Sr. Antonio Ferreira Braga tem urna caria na livraria ns. 6 e 8
da praca da Independencia.
Aluga-se para o servico de bolieiro um cscra-
vo mulato com muila pralica desse oflicio. Na rua
da Saudade fronlcira do Hospicio, casa da resi-
denciado Dr. I.mu cuco Trico de Louriro.
O Sr. Joaquim ferreira que leve loja na pra-
cinlia do l.ivramenlo lem una carta na livrariu ns.
6 e 8 da praca da Independencia.
Antonio Ecidio da Silva, lente deceomelria do
lyeeu desla cidade, abre no dia 2 de Janeiro'do anno
vindouro, na rasa de sua residencia, na rua Direila
n. 78, um curso de geometra por Encltica e l.a-
croix : os senhores csludanles que o quizerem fre-
quenUr, poderao dirigir-se a mencionada casa, de
m,inli,la das 7 horas al as 9, e de tarde das 3 at
as 5.
I.ava-se e engomma-se com loda a pcrfeifilo e
aceio: no largo da ribeira de S. Jos, na loja do so-
brado n. 15.
Precisa-se fallar ao Sr. Jacintho f-
fonso Botelho. que morou no aterro da
Boa-Vista, e hoje di/.em <|ui^ mora pura as
bandas de Beberibe, c como se nao saiba
o lugai de sua morada pede-se-llie annun-
cie, 011 dirija-se a esta typographia.
Aluca-se urna casa terrea na povoaro doMon-
leiro, fom a frente para a creja de S." I'antak-io,
muilo limpa. Iresca, com commodos para familia re-
cular, lendo nina porta e dual janellas na frente : a
tratar com Antonio Jos Rodrigues de Souza Jiinior,
na mesma povoai;ao, 011 na rua do Collegio n. 2\, se-
gundo andar. *
Na rua de S. Francisco, como quem ai para a
roa Helia, sobrado n. 8, precisa-se de una prela
esrrava, que saiDa tratar de una manca : quem a
tiver sendo fiel, dirija-se ao mesmo sobrado.
l.'iride Italiana, revista arlslira, wienliucae
lilleraria, debaixo do immedialo palroriniode S. M.
o Imperador, redicida em duas llnguaa pelas mais
condecidas capacidades do imperio, e diricida pelo
professor A. (alcaun-Kavani. Subscreve-sc em l'er-
nambuco, na livraria 11. 6 e 8 da praca da Indepen-
dencia.
Aluga-se o primeiro anclar do sobrado dn rua
da I'enha 11. !7 : tratar nombrado contiguo n. 10.
A firma de Eiras & Companliia foi dissolvida
no dia 20 do prsenle niez de de/.emdro de I8.">i, ti-
rando o Sr. Eiras com a taberna, sila na rua de S.
Francisco 11. 68. e odricado aos pacamenlns dos ere-
dores que se dever al esta dala ; c o Sr. Jos Pedro
(iaio de Miranda com a taberna, sila no paleo do
I'araizo 11. 11.
Seralim de Sena Jorce, participa ao respeitavel
publico, que vai dar una viaceman nurlc, c leva em
sua compandia o seu escravo l.auriano, e juica
n3o dever nada a pessoa alauma, porm, se alcuem
se julgar seu credor de qualquer quantia, compre-
?a com sua conta tirada, na rua do Cabug n. 12,
para ser immedialamenle satisfeito.
Precisa-se de urna ama que saiba cozinhar e
faxer lodo mais servico de urna casa : no largo do
Terco segundo andar n. 27.
LOTERA DA PROVINCIA
O eautelitta Salustiaro de Aipino
Ferreira avisa ao respeitavel publico, que
a primeira parte da primeira lotera a
beneficio da cultura d'amoreiras e bicho
deseda, corre indubitavelmente no dia
I "> do Janeiro de 185.") debaixo de sua res-
ponsabilidade, seja qual br a ipiantidaclr
de bilhetes que Bcarem por vender, 110
consistorio da igreja da Conccicao dos mi-
litares, as 8 para !) horas da manhaa.
Pernambucotil de dezembro de 1854.
O cautelista, Salustiano do Aquino Fer-
reira.
PrecNa-se de urna ama para casa de muilo
punca familia : no decco da I.incoeta, taberna n. 1.
Aluca-se um lalho para carne verde, na rua
Imperial 11. 100 ; piule consumir um boj. e o alo-
barato : trata-se na casa defronte
guel he milito
n. 167.
WSTEMA MEDICO
HOI.LOWAV.
PIULAS HOLLOWAY.
Eslc incsliinavel especifico, eomposto inleirameu-
te de licnas medirinacs, nao coiitem mercurio, nem
oulra alcuma substancia delcclerea. llenigno mais
lenra infancia, e compleicao mais delicada, de
igualmente prompto e segu o para desar/aigar o
mal na compleicao mais robusta; lie inteirainenle
nnoreiilceni suas operarles e elidios; pois busca e
rniiove as doencas de qualquer especie e grao, por
mais ulicas e leuazes que tejam.
Entre militares de pessoas curadas com esle reme-
dio, militas queja estavam s portas da morlc, pe,-
severando em seu uso, 1 onsegurain recobrar a taur
de e forras, depois de haver tentado inutilmente-
lodos os oulros remedios.
As mais afilelas nao devem entregar-se i deses-
peraedo: fajain um competente eusaiu dos eflicazes
cilciiii. desla assombrosa medicina, e prcsles recu-
peraruo o beneficio dasade.
Nao se perca lempo em lomar esse rmedio para
qualquer das scsuiilcs enfermidades:
Accientes|epileplicos.
Al porras.
Ampolas.
Arcias (mal d').
Aslbma.
Clicas.
ConvulsOes.
Dedilidade ou exlenua-
ro.
Dcbilidade ou falla de
forcas para qualquer
cousa.
Desinleria.
Dor de garganta.
a de barriga.
nos rins.
Dureza no ventre.
Enfermidades no ligado.
venreas.
En vaquera.
Herysipela.
Pebres biliosas.
intermittentes.
de.loda especie,
(iota.
Uemorrdoidas.
ll>illop-l,l.
Ictericia.
IndigeslOes.
Inllainmaces.
Irregularidades da raeu
truajao.
I.ombrigas de loda espe-
cie.
JUal-de-pedra.
Monedas na cutis.
Obslruccao de venlrc.
Pdlliisica ou consumprflo
pulmonar.
Retcn;o d'ourina.
Klieumalismo.
Symptomas segundario.
Temores.
Tico doloroso.
Ulceras.
Venreo (mal).
es asse@g-
S AfilA dos rvpims. 1
,.~ Liquido sao c especifico para tirar lodos os Jg
@ pannos, iS sardas e as espindas (a estas ou as
tira de lodo ou dcsenflamina, secundo a sua g{
; qualidadc:, refresca icna e faz desapparecer
$$ a cor. Irigueira em cinco dias, de um modo $
;j particular; augmenta o luslre e (ira as rucas
^j das pessoas que tem feito uso do solimAo, que &
y lie muilo prejudicial i culis e a sande : cura
ji a bortiieja com muila facilidad, por ser mui-
i-f to fresca e sem prejudicar a saude. Em alcu-
-5 mas pessoas faz mudar os pannos em tantas
: pinlinlias brancas, que se turnan em urna sii
ile cor natural; licando desvanecidas lodas as
manchas, lauto das sardas como de Qiilras
quaesquer manchas de Iodo o corpo.
$i O melhodo de a usar he o seguinle : lavar &
0 rosto (ou qualquer parle do corpo; bem la- @
36 vado, c com urna toalha lavada se limpa e en- C
cliuga-sc dem ; deposita-se um pouco if agua
P u'uma colher de sopa, c com um Irapinho en-
*i sopado nella se eslreca na parte afectada na
occasiao de deilar-se e de mandila. Esta opc-
racSo ser fcila deiv.uido licar o rosto c o cor-
po untado al secunda fricnlo, leudo sempre
o cuidado de lavar-se e cnedugar-se bem an-
^ les de unlar-se.
Volla-se o duplo do valor quando nao faca @
elleito, c vende-se no nico deposito da ra '
do Qucimado n. 27, preco fio 2s a carrafa.
as* >?>
O Dr. Prxedes Comes de Souza Pilanca faz
scienle ao publico, que inudou sua residencia para o
aterro da Boa-Vista n. 12, primeiro andar, onde po-
de ser procurado para os Irabaldos de sn.i jirolissao
medica.
ATTENCAO'.
Antonio Roberto com loja franceza na rua Nova
n. 13,receben pelo ultimo navio trance/, um comple-
to sortimenlo de chapos de seda para senhora e me-
ninos, e vende mais em conta do que em oulra qual-
quer parte.
Prccisa-se de um feilor para o silio de Anto-
nio V. da Silva Barroca, na Macdalena : a tratar no
mesmo lugar ou na rua da Cadeia do Kecife n. h.
Antonio Joaquim Scvedeclara que o Sr. Fran-
cisco Xavier Alves Quintal deixou do ser seu caixei-
ro desde o dia 18 do correnle mez.
Antonio Comes Pessoa faz scienle a quem con-
vier, que tendo dado de renda o seu cngenlio Taha-
linca, sito na freguezia da Tacuara, provincia da
Paradiba do Norte, ao Sr. Manoel Claudio de Quei-
roz,acontece que esle sem sen consenlimento traspas-
sasse o arrendamenlo do referido cngenlio ao Sr.
leneiilc-coroncl Herculano de S Cavalcanli e Albu-
querque, e como nao convelida esse Iraspasse ao
abaixo assicnado sem que concorde o novo reudeiro
em condiepes diversas daquellas que se acham na
escriplura feila ao dito Sr. Queiroz, protesta o abai-
xo assicnado contra o Iraspasso, para que chegue ao
publiro o direito que lem aos hens do Sr. Queiroz.
para solucfio do pagamento das ledras que esl
ohrigado provenientes do arreiidamculo. Kecife 18
de novemhro de 18.Antonio Comes Pessoa,
D. Luisa Tdereza de Jess, previne ao publico
que o Sr. Antonio Jos Bilancoiirl, nao pode vender
ou alienar de qualquer forma que seja, bens movis
simnventes ou de raiz, islocm consequencia da es-
criplura ,le arras que assignaram quando celebraram
seu casamento, na qual nem a admiiiislracao de di-
los hens Ihe foi conferida ; assim tambem prolesla
contra qualquer pagamento a elle fcilo de ledras,
ubrigacies ou hypotheca, anida que passadas esle-
jam em seu nmc, vislo que intcnlou accro de di-
vorcio e lem de daver quanlias de dindeiro de que
he credora delle.
i AO FIBLICO.
No armazem de fazendas bara-
tas, rna do Collegio n. 2,
a vende-se um completo sortimento
de fazendas, linas e grossas, por
precos maisbaixos do que emou-
tra qualquer parte, tanto em por-
coes, como a retalho, afliancando-
se aos compradores um s pre^o
para todos : este estabeleciment
ahrio-sc de combinacao com a
maior parte das casas comrncrciaes
mglezas, rancezas, allemaas e suis-
sas, para vender a/.endas mais em
conta cloque se tem vendido, e por
islo offerecendo elle maiores van-
tagens doque oulro qualquer ; o
proprielario deste importante es-
tabelecimento convida a' todos os
seus patricios, e ao publico em e-
ral,|)ara que venham (a' bem dos
si ns iuteresses) comprar a/.endas
baratas, no armazem da rua do
Collegio n. 2, de
Antonio Lniz dos Sanios & Rohm. 3
Antonio Jos Firmo, faz scienle ao
respeitavel publico que lem montado um
estabdecimennto de carros fnebres pa
rua Augusta casa n. 21, fr^juezia de S.
Jos, com todos os pannos e mais utensi-
lios recommendados no regulamcnlo do
cemilerio ; promette bem servir a lodas
as pessoas (|ue se dignaran incttmbi-lode
qualquer enterro, e tambem se compro-
mete a lornecer carros de passeio, cera,
msica, padres, etc.: espera, portanto,
ser coadjtivado pelo respitavelpublicouw
sen novo estabelecimento.
Aluga-se urna casa e sitio na Capunga, com
bous commodos : na rua do Queimado n. 12.
\endem-se estas pilulas no cslabclecimenlo geral
de Londres, n. 2M, Slrand, e na loja de todos os
boticarios, droguistas c oulras pessoas cncarregadas
de sua veuda cm loda a America do Sul, liavana e
Hcspanba.
Vende-sc asbocclinhas a 890 res. Cada urna del-
tas conten nina instruceso em porliicucz para ex-
plicar o modo dse usar d'eslas pilulas.
O deposito geral he em casa do Sr. Soum, pliar
maceiitico, na rua da Cruz 11.22, em Pcrnanibuco
Precisa-se de urna ama livre pura o servico in-
terno e externo de urna casa de familia : na rua
Bella n. 33.
A Sra. I). Candida Rufina (ios Sanios queira
procurar urna carta de importancia, viuda do Crato:
na loja de lerragein-, na rua do Queimado 11. 13.
Precisa-se do un rapaz portugus, de lia 16
anuos, para caixeiro de laberua : na roa da Concor-
dia n. 26.
D-se dindeiro a premio com dvpoldeca cm
predios ncsla praca : quem pretender annunclc.
LOTLKIA A PROVINCIA.
Vos 5:0i'000, 2:000;>yOO, 1:0005000.
O cautelista Antonio Rodrigues de Souza Jnior
avisa ao respeitavel publico, que os seus bilhetes o
cautelas nao sulrcm o descont dos oilo por cenlo
nos Ires premios grande, os quaesse arham venda
as secundes lojas : praca da Independencia 11. i,
do Sr. I'orlunale, 13 e 15 do Sr. Arantes, c 40 do
Sr. Paria Machado ; ruado Qucimado u. 37 A, do
Sr. Freir ; rua da l'raia, loja de l'azeiidas do Sr.
Santos ; rna larga do Rosario 11. 40, do Sr. Manoel
Jos Lopes; e praca da Boa-Vista, loja de ceta do
Sr. Pedro Ignacio Baptisla, cuja lotera tem o seu
andamento infallivel cm 13 do futuro Janeiro.
5:0004000
2:0 itjoaouo
62580110
5008000
2508000
Bilhetes 59500 recebe por iuleiro
Meios 2>H00
Quarlos 18500
Oitavos 800 n
Decimos 700
Vigsimos 400
Perdeu-se umconhecimeulo deu. 90 da quan-
tia de OO5OOO, recibido na thesouraria da fazenda
desla provincia : quem o tiver adiado, 011 por qual-
quer modo delle esteja de posse, duija-se i ruada
praia de Sania Rila n. 42, que ser generosamente
gratificado, alm do agradecimenlu.
O tenente Gabriel de Souza Guedes.
declara (pie elle nao fez o aviso sobre for-
necimento degeneres para o batalhao de
infantaria, qae sabio no Diario de 25
do correnle.
() O abaixo assignado estabelecido @
') na P''aea dr. Independencia ns. ^
S 12, 1 \, e 16, tendo de retrar-se 2*
S Para a Empopa, a tratar de sua jl
S "de, vende o seu estabeleci-
W ment adinbeiroou a prazo. O W
0 mesmo aproveita este ensejo para ($<
B declarar que nada deve a pessoa ^
@) alguma nesta prara nem fora
^ della ; no entretanto se alguem se (fo
gj julgar seu credor por <|ualquer Sf
A tltul 1ue seJa. vencido 011 por ]j
g vencer, a presente-seque ser' pa- JJ
y) go incontinente. Recite 23 de W>
W> dezembro de 185tJos Igna-
^) ciode Loyolla. (A
ca, corrigido e accrescentado, contendo
100 paginas: vende-sc a 500 -s., na li-
vraria n. (i e 8 da praca da Indepen-
dencia.
FOLHINHAS PARA 1855.
Acham-se a venda as bem conbecidas
(olhinhas impressas nesta typographia,
de algibeira a 520, de porta a 160, e ec-
clesiasticas a 480 rs., vendem-se nica-
mente na livraria n. 0 e 8 da piara da
Independencia.
1EL0IM W m ESGOGEZ
A 600 RS. O GO VADO.
Na loja n. 17 da rua do Queimado, ao pe da boti-
ca, vende-sc alpaca de laa escoceza, chegada pelo ul
limo navio, a qual fazenda na Europa se d o nom-
de Melpomcne de Escocia, muito propria para roue
pe e vestidos de senhora e meninos por ser de mui
lo brilho, pelo rommodo preco de 500 rs. cada co
vado : dilo-sc as amostra- com penhores.
Vende-se urna escrava rrionla, de 2(i anuos de
idade, muito sadja c sem vicio alaum : na rua da
Un 1,1 n. (9.
Vendem-se superiores queijos do scrtilo, com o
peso de 4 libras c meia rada um, pelo preso de
19280 : na roa da Sania Cruz, taberna n. 1.
Vendem-se sacras com feijo por barato preco,
courindos de cabra bons, ancoras com mel e polas-a
do Rio de Janeiro : na rua da Madre de Heos n. 34.
Vende-se urna casa com sitio, no lu-
gar da Torre, a margem do rio, edifica-
da lia pouco tempo, em chaos proprios,
com bastantes commodidades, cocheira,
estribarla, etc., etc.: quem pretender
comprar esle predio, dirija-se a rua da
Cruz n. 10, que sendo possivel se fara
qualquer negocio.
Deposito de vinho de cbam- w
*W pagne Chateau-Ay, primeira qua- tai
() lidnde, de propriedade do conde &
(0f de Marcuil, rua da Cruz do Re- flft
A* cife n. 20: este vinho, o melhor &k
f de toda a Champagne, vende-se j
a 56000 rs. cada caixa, acha-se 2
nicamente em casa de L. Le- j
W comte Feron & Companhia. N.
S& goConde de Marcuile os ro-
| tulos das garrafas sao azues.
FRL'CTAS NOVAS.
Na rua estreita do Rosario n. 11.
Ven4em-sc macaas e caslandas, peras em lalas
enfeiladas, damascos e ameisas, bolachinhasde mili-
tas qualidades, e outras umitas cousas proprias para
mimse para pasamento de fesla, v indo do Porto fi-
no c licores tambem linos, etc., ele.
Vende-se um fogilo de ferro americano cm
mein uso : a tratar no dolel Europa.
Vndese urna casa, sita na rua de Santa Ce-
cilia n. 13 ; a tratar na rua do Kangel n. 63.
Vendem-se ricos e modernos pianos, recente-
mente clicitados, de encllenles vozes, e precos com-
modos : em casa de N. O. Bieber & Compandia, rua
da Cruz n. 4.
Na ruada Cruz, armazem n. 5, vende-se mui-
lo superior queijo sui-so, repoldo conservado, vinho
do Bordeauv o mais oulros gneros, por preco com-
modo.
Vende-te urna escrava de meia idade pora en-
genho ; a tratar na rua Imperial o. 80.
PARA ACABAR.
Vendem-se cassas franrezas de cores fitas, e lin-
dos padroes, pelo haralissimo preco de 140 rs. o co-
vado : na loja da (iuimariles & llenriques, ruado
Crespo n. 5.
Vende-se cognac em caixas de du-
za: no armazem de Brunn Praeger &
C, ruada Cruz n. 10.
AVISA-SE AO PUBLICO,
queseacha i venda grande porreo de presuntos a-
inericanos, vendem-se em porees e a relalho, muito
bom e barato : cm casa do Davis & C, rua da
Cruz 11. 9.
Vende-se um lindo cavallo russo,com lodosos
andares e muilo manso : a Irslar com Joaquim Ki-
lippe da Costa, na Iravessa da Madre de Dos n. 16.
Vende-se um carro americano de 4 rodas,
chesado ltimamente da America : a tratar na rua
do Trapiche n. 8.
Vende-sc urna amurra de pollegada c quarlo,
leudo 70 braeai, em muilo bom uso ; a procurar no
largo do Corpo Santo, armazem n. 4.
SACCAS COM KAItlMlA.
Vendem-se saetas com familia da Ierra, nova c
bom torrada, e saccas com cera de carnauba : na rua
da Cadeia do Becife, loja n. 18.
i
CONHEC1DO DEPOSITO DE POTASSA
E CAL.
Na rua de Apollo armazem n. 2 B, con-
tinua a ter superior potassa da Russia e
Rio de Janeiro, e cal de Lisboa em pe-
dia : ludo a preco que muito satisfar'
aos seus antigos e novos fregu "es.
CEMENTO MIAO BRAMO.
Vende-sc cemento romano branco, chegado acora,
de superior qualidade, muilo superior ao do consu-
mo, em barricas e as linas : alraz do theatro, arma-
zem de ladoas de pind.
Na loja da rua do Crespo n. 6, lem um grande
sortimento de caixas para rap a emitacao das de
tarlarusa, pelo mdico preco de 10280 cada urna.
Vende-se um cabriolel com robera o os com-
petentes arreios para um cavallu, todo quasi oovo :
par? ver, no aterro da Boa-Vista, armazem do Sr.
Mieuel Segeiro, e para Halar uoBecife rua doTrapi
che 11. 14, primeiro andar.
GBANDE SOBTIMENTO DE BRINS PARA
CALCAS E PAI.ITO'S.
Vende-sc brim trancado de linho de quafros a
600 rs. a vara ; dilo a 700e 19000; dito mcsclado a
1S400 ; corles de finan branco a 400 rs. ; ditos de
cores de bom goslo a 800 rs. ; ganga amarella lisa da
India a 400 rs. o covado ; corles de csssa chila a
2?OO0 e 25200 ; lencos de cambraia de lindo gran-
des a 640 ; ditos pequeos a 360 ; loalhas de panno
de lindo do Porto para rosto a 149000 a duzia ; di-
tas, alconoadas a IO5OOO ; guardanapos tambem alco-
xoados a 39600 : na roa do Crespo n. 6.
O QIE GUARDA FRI GUARDA CALOR:
portanto, vendem-se cobertores de algodao com pel-
lo como os de laa a I5OO; dilos sem pello a 19200;
ditos de tapete a 1C200 : na ruado Crespo n. 6.
m
Traspassa-se urna boa loja na rua
Nova, quem pretender dirja-se a rua
Nova n. V2.
LOTERIA DO RIO !)E JANEIRO.
Acham-se a venda as lojas do coslu-
me os bilhetes da 5/ lotei :i do conser-
vatorio de msica, a epial corren em 22)
do presente,'ns listas se esperam de 2 a
de Janeiro pelo Tocantns ou San-
Salvador. Os premios sito pagos avista
0 sem descont algum.
MOENDAS SUPERIORES.
Na fundicSo de C. Starr & Companhia
cm Santo Amaro, acha-se para vender
moendns de cannas todas de ferro, de um
modello econstruccSo muito superiores.
Precisa-se de urna ama para o servico de una
casa de familia. 00 urna escrava. ou inoeque pa*a
se singar para o servico de casa : na roa Direila 11.
88, primeiro andar.
Desappareceii na sexla-feira da semana panada
nm canario do imperio, pequeo, rom una mancha
tirela ao lado direilo dn pescoco : quem o tiver pe-
1 cado, leve-o por boudade ,i rua do Sd n. 2:!, tesnn-
i do andar, que dm de se gratificar rom cenerosida-
j de, se acradece.
i/ Vendem-se chapeos francezes da ultima
u moda, a 79OOO rs.: na toja de 4 portas da
!>/ rua do Queimado n. 10.
ALPACAS BSCOSSEZASA 400 RS. O COVADO,
na rua do Queimado n. 40.
A Novas alpacas. (A
Alpacas de quadros de lindos goslos, pelo ^*
preso de 360 rs. o covado, na rua Nova lo- W
'$) Ja 1(i> de Jos ^u'z Pereira & Filho. O
Veude-se o cugenho Camarcn, silo na fregue-
zia de Marauguape, termo de Olinda, com linda casa
de vivenda e de engendo, e mais algumas obras em
soflrivel estado, e com Ierras soflicientes para safre-
jar-se mais de 1,000 piles animalmente'. quem o
pretender, dirija-se cidade de Olinda, sobrado
fronleiro igreja de S. Pedro Apostlo, que achira
com quem tratar.
(minina de mandioca
em saceos de 4 arrobas e lanas libras ; vendem-se
por muilo rommodo preco para liquidar : na rua da
Cruz do Recite n. 34, primeiro andar.
BARaTISSIHA.
Vende-se a 38000 a sacca de alqueiro de farinha de
S. Malheus, dita de .-anta Catbarina a 45000. dila
muilo fina para mesa a ."150OO : na roa da Praia,
hecco do Carioca, armazem do Piulo n. 8.
Relogios de 01110, sabonete patente
inglez, chegados agora : no armazem de
James Ilalliday, na rua da Cruz n. 2.
SELLINS INGI.EZES.
Vendem-se os melliores sel-
lins para homem, que tem
vindo a este mercado, com
seus competentes freios, etc.,
incluindo nlguns para pa-
gens recentemente despacha-
dos, tambem chicotes para carro, homem
e senhora, com eneites de gosto moder-
no : no armazem de Eduardo H. Wyatt,
luado Trapiche-Novo n. i8.
ESTOJOS.
Vendem-se elegantes estojos de toilette
para senhora e para homem: no arma-
zem de Edutfrdp-II. Wyatt, rua do Tra-
piche Novo n.' 18.
VINHOS.
Vendem-se na rua do Trapiche Novo n.
18, em casa de Eduardo 11. Wyatt:
Cerveja branca em barricas de i e 0
du/.ias, em garrafas e meias garrafas, vi-
nho do Porto eXerez, tanto em garrafas
comocm barris de >i em pipa. Inicias em
conserva, em caixas de 1 duzia de garra-
las.
COMPRAS.
Comprase efierlivamr ule brunze, lalo eco
bre velho: no deposito da fundicao d'Aurora, na
rua do Bru, loso na entrada 11. 28, c na mesma
fundicao em S. Amaro.
Compra-s inda qnanlidade de praia -elha ou
noxa, a peso, conforme sua qualidade, preferinds-
se maior porreo do lei : na rua da Sen/ala Vclda 11.
70, se dir quem compra.
I.ompra-se praia drasid ira 011 despalillla : na
rua da Cadeia do Kecife n. .Vi, loja.
Comprarse um prelo de nacao, rom 20 e lau-
tos annos, sendo boa figura e nao leudo vicios nem
achaques nao se oda o preco : na rna do Colovello
n. 20, se dir quem compra.
VENDAS
ALliAik PAR I8:o.
Sahram a luz as lolhinhas de algibei-
ra com o almanak administrativo, mer-
cantil, agrcola e industrial desta provin-
\%) Veuilcm-u romeiriis, ramizinhas e goliat (^;
/J& para senhora, (mo ita ullma moda c por /(fk.
prego oummoflo: na loja de 4 portas da
in.i do Oticimado n. 10.
$>
\endeni-sc no anna/.em n. 00, da rua da Ca-
deia do Kecife, de llenrv Gibaos), os mais superio-
res relogios fabricados cm Inglaterra, por preces
mdicos.
Ver.dem-se urnas lellras eotn execncao c pe-
ndura feila uo engenho da Escuda Juudi.i, perten-
ceute ao Sr. Manoel Antonio Idas, que andarAo
boje por t:t:tKljO(HI r. pouco mais ou menos: os
pretciideutcs podem dirigir-se ao Trapiche Novo ca-
sa n. I que bflo qualquer negocio.
Em casa de J. KellerAC, na rua
da Cruz n. 55, ha para vender .T excel-
lentcs piano* viudos ltimamente de ilam-
burgo.
ANT1GO DEPOSITO DE CAL E
POTASSA.
No antigo deposito da rua do Trapiche
n. 15, ha muito superior potassa da Rus-
sia e americana, ecal virgem, chegada ha
pouco, tudo por preco commodo.
BA 1)0 CRESPO N. 12. a
9 Vende-se nesla loja superior damasco de Q
g) seda de cores, sendo branco, encarnado, roso,
% por pree,o razoavel.
Venden:-se lonas da Russia por preco
commodo, e de superior qualidade: no
armazem de N. O. Bieber & C,, rua da
Cruz ii. K.
CASEM1BAS E PANNOS.
Vende-sc casemira prela e de cor para palitos por
ser muilo leve a 29600 o covado, panno azul a 3 e
4J-000, dito preto a 39, 38500, 49, ." e 59300, corles
de casemira de goslos modernos a 6g000, setim pre-
to de SI a cao a 39200 e 4fl000 o covado : na roa do
Crespo n. 6
OBRAS I)E LABVRINTHO.
Acham-se :i venda por commodos presos ricos len-
cos, loalhas e roeiros de labyrinlho, chegados lti-
mamente do Aracaty : na rua da Crnz do Kecife d.
34, primeiro andar.
Agencia de Edwla Maw.
Na roa de Apollo n. 6, armazem de Me. Calmon-
d Compandia. aeda-sc constantemente bons sorli-
mentos de taixas de ferro coado e balido, tanto ra-
sa como fundas, moendas inetiras lodas de ferro pa-
ra anima es. acoa, etc., ditas para armar em madei-
ra de lodosos tamanhos e modelososmais moder-
nos, machina liorisontal para vapor com forr;.s de
4 cavallo-, cocos, passadeiras de ferro eslanhado
para casa de purgar, por menos prec,o que os de
cobre, esco-vens para navios, ferro da Snecia, fo-
Ihas de (landres; tudo por barato preco.
.Vende-se escellcnte taimado de pinho, recen-
temente checado da America: na rui de Apollo,
trapiche do Ferreira, a entender- se com o adminis-
trador do mesmo.
Na rua do Vig ario n. 19 primeiro andar, tem a
venda a superior llanella para forro de sellins che-
gada recentemente da America.
Potassa.
No antigo deposito da rua da Cadeia Velha, es-
criptorio 11. 12, vende-se muilo superior potassa da
Rossia, americana e do Rio de Janeiro, a prcc,os ba-
ratos que he para fechar conlas.
eprnilo da fabrica de Todo* o Santos na Baha
Vende-se,em casa de N. O. Bieber fC, na rua
da Cruz n. 4, algodaO trancado d'aquella fabrica,
muito proprio para saceos de assucar e roupa de es-
cravos, por preco commodo.
AGENCIA
Da Fundicao' Low-Moor. Rua da
Senzala nova n. 42.
Neste estabelecimento continua a ha-
ver um completo sortimento de moen-
das c meias moendas para engenho, ma-
chinas de vapor, e taixas de ferro batido
e coado, de todos os tamauhos, para
dito.
Devoto Christao.
Sabio a luz a 2. edicto do livrinho denominado-
Devoto (.bri-i a o, mais correlos acrecentado: vende-
se nicamente na livraria n. 6 e 8 da praca os In-
dependencia a 640 rs. cada esemplar.
PL'BLICAQAO' RELIGIOSA.
Sahio luz o novo Mez de Mara, adoptado pelos
reverendissimos padres capuchiiihos de N. S. da Pe-
nha desla cidade, augmentado cam a novena da Se-
nhori da Conceicto, e da noticia histrica da me-
dalba milagrosa, e deN. S. do Bom Conselho : ven-
de-se nicamente na livraria n. 6 e 8 da praca da
independencia, a 1*000.
Vende-se orna taberna na rua do Bosario da
Boa-Vista n. 47, que vende muilo para a trra, os
seus fundos silo cerca de 1:2009000 rs., vende-se
porm com menos se o comprador asim Iheconvier :
alratarjunloalfandega, Iravessa da Sladre de Dos
armazem n. 21.
Moinhos de vento
*om bombasde repuso para regar borlase baia,
decapim, nafundicadde D. W. Bowman : na roa
do Brum ns. 6, 8e 10.
Taixas pare engenhos. .
Na fundicao* de ferro de D. W.
Bowmann, na rua do Brum, passan-
do o cbafariz continua haver um
completo sortimento de taixas de ferio
fundido e batido de 5 a 8 palmos de
bocea, asquaes acham-se a venda, por
preco commodo e com promptidao' :
embarcam-se ou carregam-se em carro
sem despeza ao comprador.
Na rua do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas mu-
licaspara piano, violao e flauta, como
cjam.quadrilhas, valgas, redowas, scho-
tickes, modinhas tudo modernissimo ,
chegado do Rio de J?*\eiro.
AOS SENHORES DE ENGENHO.
O arcano da invencao' do Dr. Eduar-
do Stolle em Berlin, empregado as co-
lonias inglezas e hollandezas, com gran-
de vantagem para o melhoramento do
assucar, acha-se a venda, em latas de 10
libras, junto com o metbodo de empre-
ga-lo no idioma prtuguez, em casa de
N. O. Bieber & Companhia, na ruada
Cruz. n. 4.
Vende-se urna riez mobilia de jaca
randa', com consolos e mesa de tampo de
marmore branco, a dinbeiro ou a prazo,
confrmese ajustar : a tratar na rua do
Collegio n. 23, taberna.
DEPOSITO DE CAL DE LISBOA.
Na rua da Cadeia do Becife n. 50 ha para vender
barris com cal de Lisboa, recentemente chegada.
Vende-sc urna balanza romana com lodos os
seos perlences, em bom uso e de 2,000 libras : quem
a pietender, dirija-se rua da Cruz, armazem u.4.
Vende-se nma boa casa terrea em Olinda. rua
da bica de S. Pedro, que faz esquiua com o cercado
de madeira, com 2 portas e 2 janellas de frente, 8
salas, 3 quarlos, cozinha graude, copiar, cstridaria,
grande quintal lodo murado, com porufs e cacimba,
muilo propria para se passar a fesla. mesmo para
morar lodo o anno : a Iralar no Becife, rua do Col-
legio u. 2l,sesondo andar.
H POTASSA BRASILEIRA. ($
() Vende-se superior potassa, fa- (01
^ bi cada no Ro de Janeiro, che- J
^jk gada iccentemente, recommen- /a
,** da-se aos .senhores de engenhos os ;$?
g seus bons eli'eitos ja" experimen- "
W lados: na rita da Cruzn. 20, ar-
#) mazem de L. Leconte Feron &
(jj) Companhia.
i
1
FARINHA DE MANDIOCA.
Vende-se superior farinha de mandio-
ca, cm saccas i pie tem um alqueire, me-
dida velha, por preco commodo: nos
armazens n. Ti, e 7 defronte da escadi-
nha, e no armazem defronte da porta da
alfandegn, ou a tratar no escriptorio de
Novaes & C, na rua do Trapiche n. ~t\,
primeiro andar.
Na rua do Vigario n. 19, primeiro andar, ven-
de-se farelo novo, chegado de Lisboa pela barca Ura-
tidao.
PANORAMAS PARA JARDIM.
Brunn Praeger & C., na rua da Cruz
n. 10, receberam e vendem um sortimen-
to de globo de espelho de diversos tama-
nhos e cores, que formam o mais lindo
panorama, postos em urna columna no
meio do jardim, como se usa boje na Eu-
ropa, nos jardins do bom gosto.
Brunn Praeger & C, na sua casa rita da
Cruz n. 10, teem a venda.
Pianos tanto horizontaes como verticaes,
dos melhores autores-
Obras de ourode 18 quil. do mais apu-
rado gosto.
Pinturas em oleo, paisagens e com moldu-
ra dourada.
Vistas de Pernambuco, geraes e tsjpe-
ciaes.
Cadeiras e sofa's para terraco e jardins.
Oleados de ricas pinturas para mesas.
Vinho de Champagne.
Licores de dilferentes qualidades.
Presuntos.
Genebra em frasqueiras. >
Instrumentos para msica.
NAVALHAS A CONTENTO E TESOLRA S.
Na rua da Cadeia do Recife n. 48, primeiro an-'
dar, escriptorio de Auuuslo C. de Abreu, conli-
nuam-se a vender a 89000 o par (preco lino) as ja
bem conhecidas e afamadas navalhs de barba, feilas
pelo hbil fabricante que foi premiado na exposicao
de Londres, as quaes alm de durarem extraordioa-
riamenle, nto se sentrm no rosto na accao de corlar -
vendem-se com a comlicjlo de, nto agradando, po-
derem os compradores devolve-las-al 15 dias depois
pa compra reslrluindo-se o importe. Na mesma ca-
sa ha ricas lesourinhas para uuhas, feitas pelo mes
mo Tal 'iranle.
Negocia-se tima casa nova e moder-
na na estrada da Ponte d'Uchoa, com seis
salas, oito quartos ealcovas, cosinha, des-
pensa, com nm ptimo sitio com toda a
qualidade de fruteiras, grande jardim
murado com militas flores, cocheira, es-
tribara, quarto para feitor, cacimba com
bomba, etc., etc. : vende-se debaixo de
condicoes mui favoraveis paralo compra-
dor : a tt atar na rua da Cruza. 10.
VenJe-se fio de sapaleinVbqm ; em casa -de S.
P. Johnslon & Companhia, rua da Sensata Nova
n.42.
FRASCOS DE VIDRO DE BOCCA LARGA
COM ROLHAS.
Novo sortimento do tamaito de 1 a
12 libras.
t'endem-te na botica de Bartholomeu Francisco
de Suuza, rua larga do fosario n. 36, por menor
preco que m oulra qualquer parte.
,Vendem-se em casa de S. P. Jobns
ton & C, na rua de Senzalla Nova n. 42.
Vinho do Porto superior engarrafado.
Sellins nglezes.
Relogios de ouro patente inglez.
Chicotes de carro.
Farello em saccas de 3 arrobas.
Fornosde farinha.
Candelabros e candieiros bronzeados.
Despenceira de ferro galvanisado.
Ferro galvanisado em folha para forro.
Cobre de forro.
MECHAHISMO PARA E8SE-
BHO.
NA FUNDICAO DE FERRO DO ENGE-
NHEIRO DAVID W. BOYVNIAN. NA
RUA DO BRUM, PAS9ANDO O CHA-
FARIZ,
ha sempre nm grande sortimento dos seguinles oh-
jeclos de mechanismos proprios para engenhos, a sa-
ber : moendas e meias moendai^da mais moderna
conslrucro ; lanas de ferro fundido e balido, de
superior qnalidade, e de lodo os tamanhos; rodas
dentadas para agua ou animaes, de todas as propor-
ces ; crivos e boceas de fornalha e registros de boei-
ro, aguilhoes.bronzes parafusos e cavihucs, moinho
de mandioca, etc. etc.
NA MESMA FLNDCAO
se execulam loda as enconimendas cora a superior i
dade jii condecida, e com a devida presteza e commo
didade em p reco.
'Farello de arroz moito novo e por preco com-
modo, em saccas e barricas, cujo he saudnveis e de
muita nnlrirto para cavallos, uallinhas e cevados : a
tratar na Praia de San Fraocisco coclieira de Joio
da Cunha Reis.
FARINHA DE MANDIOCA.
Vende-se a bordo do brigue Conceitao, entrado
de Santa Calharina, e Tundeado na velta do Forte lo
Mallos, a mais nova farinba que existe boje no mer-
cado, e para porces a Iralar no escriptorio de Ma-
noel Alves Guerra Jnior, na rua do Trapiche
n. 14.
Na livraria da rua do Coilegio n. 8.
vende-se urna escolhida colleccaodas mais
brilhantes pecas de msica para piano,
as quaes sao as melhores que se podem a-
char para fazer um rico presente.
WBiSiamiS8EKJIIt-J&VdKXiMMdUk^
RUA DO TRAPlCr^NTllK 8
Em casa de Patn Nash & C. ha pa- jg
ra vender: S
3 Sortimento variado de ferragens.
^. Amarras de ferro de 5 quartos ate I ?
polegada.
Champagne da melhor qualidade
em garrafas e meias ditas.
Um piano inglez dos melhores.
'mar
CEMENTO ROMANO.
\ ende-se superior cemento em barricas grandes ;
assim como tambem vendem-se as tinas : atraz do
Ibealro, armazem de Joaquim Lopes de Almeida.
ESCRAVOS FGIDOS.
CINCOhNTA MIL RES DE liRATIFICACAO.
Em abril do corrente anno desappareeeu. d abai-
xo s-ignado um seu escravo por nome Sebastito, de
nacao, j idoso, com algumas rugas no rosto, rr lu-
la, alto, reorcado do corpo, denles limados, punca
barba, ps e mos grossos, anda e falla moito des-
cansado ; levou camisa de algodilo azul de lislra e
calca de nlgodAoazol ; o qual escravo foi comprado
a lllma. Sra. D. Marianna da Conceicao Pereira, e
ha loda certeza de vagar pela Boi-Viagem al Sanio
Amaro de Jaboalao, onde all j se conservou oilo
mezes, e que he de presumir que seja acoulado por
alguem ; o abaixo assignado protesta proceder com
lodo o rigor da lei contra quem o possa ter acontado:
roga-se portanto as dignas autoridades polieiaes e
capidles de campo a captura do mesmo, a entregar
na roa do Crespo n. 10.Jos Concalcet Malceira.
Desappareeeu da ruada Senzala Velha n. 68,
nma prela jo velha, chamada Francisca, falla algu-
ma cousa fandosa, lem nos pes signaes de ter estado
nos ferros; levou vestido roto : qoem a pegar le-
ve-a a dila casa cima, qoeser bem recompen-
sado.
Do engendo Matcalinho, sito na freguezia de
Una, fugioem um dos prttneiros dias de dezembro,
um escravo crioulo, de nome Salvador, ue idade de
t) anuos pouco maisou menos,haixo, cor prela. lem
urna cicatriz no rosto proveniente de urna apostema
que arredenloo : roga-se as autoridades polieiaes e
capitaes de campo, o pegnem e levem-a ao referido
eii-enbo, ou no Kecife no paleo do Carmo n. 17, que
se recompensara.
1009000 de gratiflcar>.
Desappareeeu no liia 8 de selembro de 1854 o es-
cravo crioulo, amulatado, de nome Antonio, que re-
presenta ler ,10 a 35 annos, pouco mais ou menos,
iiascido em Cariri Novo, .funde veio ha lempos, he
muilo ladino, rosluma trocar o nome e inlilular-sc
furro ; foi preso em fins do anno de 1851 pelo Sr.
delegado de polica do termo de Serinhacm, com o
nome de Pedro Sereno, como desertor, e sendo re-
medido para a cadeia desla cidade a ordem do lllm.
Sr. desemhareadoredefede polica com oflicio de2de
Janeiro de IRk se veajflcou ser escravo, e o seu lesi-
limo senhor foi Anlo^Bos de Sant'Anna, morador
no engenho Caite, dale-marra de Sanio Anlo. lo
poder de quem desappareeeu, e sendo oulra vez cap-
turado e rccollndo a cadeia desla cidade em 9 de
agosto, foi alu embarcado por execucao de Jos Dias
da Silva l'.iiimar.irs, e ltimamente arrematado em
praca publica do juizo da senunda vara desla cidade
no dia 30 do mesmo mez pelo abaixo assignado. Os
signaes sao os seguinles: idade de 30 a 35 annos, es-
tatura e corpo regular, cabellos prelo* e rarapinha-
dos, rr amulatada, odos escuras, nariz grande e
grosso, deicn grossos, o semblante fechado, bem bar-
hado, com todos os denles na [rente : roga se, per-
la o lo. as autoridades polieiaes, rapilaes de campo e
pessoas parliculares, o favor de o apprehenderem e
mandarem nesla praca do Rerife. na rua larga do
Rosario n. 14. que reeebero a gralidraSso cima de
lOOsOOO ; assim como protesto contra qilem o liver
em seu poder occullo.Manoel de Almeida Lope.
\
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*l V
f .

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PERN.: TYP. DE M. ". \>E FARIA. 1854
'~\


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