Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01243


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Full Text
ANNO XXX. N. 290.
Por 3 mezes adiantados 4,000.
Por 3 mezes vencidos 4,500.
'
t
DIARIO
TERCA FEIRA i 9 DE DEZEMBRO DE 1854.
-
Por anno adiantado 15,000.
Porte franco para o ubscriptot.
-----mam ----
AMBUCO
I \< Miltl (i \IIOS DA SI.'BSCRIPCA'O.
Recife, o proprielario M. F. de Faria; Rio de Ja-
neiro, oSr. Joo Pereira Marlins; Rahia, o Sr. F.
Duprad; Macei, o Sr. Joaquim Rcrnardode Men-
doza ; Parahiba, o Sr. Gervazio Victor da Nativi-
dade ; Natal, o Sr. Joaquim Ignacio Pereira; Arae.i-
ty, o Sr. Antonio de Lemos Braga ;Cear, oSr. Vic-
toriano Augusto Borges; Maranho, o Sr. Joaquim
M. Bodrigues; Para, o Sr. Justino Jos Ramos.
CAMBIOS.
Sobre Londres, 27 3/4 a 28 d. por l5>000.
Paris, 3 Lisboa, 105 por 100.
Rio de Janeiro, 2 por 0/0 de rebate.
Acrcs do banco 40 0/0 de premio.
da rompanhia de Beberilie ao par.
da rompanhia de seguros ao par.
Disconto de lettras de 8 a 10 por 0/0.
METAES.
Ouro.Oncas hes'panbolas- 298000
Moedas do 69400 velhas. 1G*>000
do 655400 novas. 163000
de 49000. 09000
Prata.Patacocs brasileiros. 1*040
Pesos columnarios, 19940
mexicanos..... 198G0
PARTIDA DOS JORREIOS.
Olinda, todos os dias.
Caruari, Bonito o Garanho nos dias 1 e15.
\ illa-Bella, Boa-Vista, ExeOtiricury, a 13 e 28.
Goianna o Parahiba, segundas e sextas-feiras.
Victoria e Natar, as quintas-feiras.
PBEAMAR DE IIOJE.
Primcira s 3 horas e 42 minutos da tarde.
Segunda s 4 horas e 0 minutos da manhaa.
AUDIENCIAS.
Tribunal do Commereio, segundas equintas-feiras.
Relacao, tercas-feiras e sabbados.
Fazenda, terreas o sextas-feiras s 10 oras.
Juizo de orphiios, segundas e quintas s 10 horas.
1* vara do civel, segundas e sextas ao mcio dia.
2" vara do civel, quartas e sabbados ao mcie dia.
EPIIEMERIDES.
Dczbr. A La rucia ao 44 minutos e 48 se-
gundos da tarde.
12 Quarto minguante s 3 horas, 43
minutse 48 segundos da tarde.
19 La nova as 7 horas, 48 minutse
48 segundos da larde.
26 Quarto crescente a 1 hora, 21 mi-
nutos e 48segu|idos da tarde. .^
DIAS DA SEMANA.
18 Segunda. S. Espiridiao c. ; S. Theotimo rh.
19 Terca. S. Dariom. ; S. Fausta ; S. Paulilo.
20 Quarta. Jejum (Tmporas Vigilia)S.Liberato.
21 Quinta. S Thom Ap ; S. Tliemistocles m.
22 Sexta. Jejum (Tmporas) S. Honorato m.
23 Sabbado. Jejum (Tmporas) S. Servlo adv.
24 Doiattfgo, 4. do Advento. S. Delfino b.; S.
'|liarsil m.; S. Germina mm. S. Zeuobio.
PARTE OFFICItL.
GOVERNO D* PROVINCIA.
Illm. e Exm. Sr.Em cumprimento ao oltlcio
de V. Ex. de 7 do corrente, receido no dia 2 do
momio mez, passa a cmara a inforrf.ar como Ihe
cumpre.
Temi ido desmoronada a punte de Gindaliy so-
bre o rio Serinhaem,rnandou esta cmara affixar edi-
laes para ser arrematada a passagem sobre o referi-
do rio no lugar de dita ponte,para que desl'arte nflo
soflressem o viandantes demora em suas digrosses.
ea mar nao pTdesse o rendiuienlo a respeito;
poreni no da marcado para dita arremalarao, nao
rompareceu un so licitante, i visU du que dialiberou
a cmara pt ern adtniristrarjSo a sobredita passa-
gem porseu proeurador.aatorisando de fazer nego-
cio seguro de vaotagem com pessoa capaz, debaixo
de Tianca, que rom effeito o procurador rumpriu
exactamente, negociando cm Jos Colombino de
Araujo Lima, endo scu fiador Bento Cavalcanli_ de
Albnquerque Mello, proprielario do engenho Fre-
xeiras, peta quantia de 150 rs. pagos em quarteis,
como consta do papel que se passou respeito, o
qual por copia remelle a cmara a V, Ex., e quan-
to a paga do viandantes lie o que consta do mesmo
papel, e nao ron.la esla rain ira que o encarrega-
do da moma passagem cobre maior quantia daqucl.
la que Ihe foi marcada por esta cmara, lie quan-
ttem esta cmara a informar a V. Ex. que manda-
r o que for servido.
Dos guarde a V. Ex. Paco da cmara muci-
pal de Serinhaem em sessao extraordinaria de 27 de
novembro de 185. Illm. e Exm. Sr. Jos Bento
di Cunha e Figueiredo, presidente du provincia. -"
P. P. Manoel da lama Romeir-t. Jos Candido
da Silva Braga Antonio Joaquim de Mello e Silva
Manoel Jos Machado Jo" Damasceno Barros.
. Conforme, Antonio l/tt di Pinho.
Felizmente aquclles fazem sallar mui fcilmente
os batuques ; do contrario mal estariam no artigo ou-
vidos.
(.hundo li em um de seus ltimos nmeros os in-
commodos das alas direila e esquerda dos alliados,
fiquei duvidosu, e ainda me pareco que tal noticia
he pcrfeilamente russi, e por consequencia carecedo-
ra de quareutena.
NAo he crivel, que homens engaiolados, sequiosos,
famlicos, asphixiados com o fumo de suas baleras,
aos quaes o mesmo mar recusa a sepultura, possnm
fazer taes feito, que a mesma victoria he ISo sn-
grenla nos alliados como urna derrola. Niti videro
non credam.
Se porm be exacta a noticia, cniafw
'Wto'leV'pressa de render-te,
O Time deixa morder-se,
O pelit Louis em clicas,
Vicloria a fazer buclicas.
NAo he civil ao que pens
Deixar na ra as visitas,
Bem dizem qu'os Motcocitat
Sao grosseiros, mal creados,
Inila nao sao illuslrados.
IHTERIOR.
/^
CORRESPONDENCIA DO DIARIO DE
PERNAMBUCO.
Parahiba.
lo de dezeml.ro de 1834.
Cqro mo, brevemente
Nada leudo p'ra conlar-llie,
Virei assim a faltar-lbe
Com as pebres cartinhas mirillas,
Com essas tristes regrinhas.
Vejo surgir de repente
Syreneut a cada canto,
Que me enchem de espanto,
Promellend'adifiiciorr'o,
Arrumando vomitorio.
Cada qual II.e quer contar
Tal historia a cerlo geito,
Cuardando porm no pcilo
lima parle da verdade.
Por certa necettidade.
E nilo he s isso, como sejam muitos, escripiores,
e talladores ( lia-os de ambos os gneros, sendo peo-
res os ltimos), c cada um pense de sua mancira,
lemos que uns contam o que oulros queriam calar ;
e assim fleo.eu sem tero que contar.'
E anda nao salisfeitos, conspirani-se lodos contra
mim porque digo quanlo me diz Mereles, sem oc-
cullar, que o branca he branca, e o negro escuro.
Mas levcr! en, que son chamado par nlii alcm o de-
rinn-'i eos orrespoodenles.en.que amdaaaio dei o
iueommorto a qiralquer de contestar minhas ofi-
cias, eu, finalmente, que lenho, p,r mens olbos, c
ouvidos, nina parelha de Mereles, superiores a
quaesquer Syrencis, deverei recuaranle um adjuc-
lorio, quandu em aperladas rircumstancias Gil Braz
recambiou um to a proposito a uulro Syreneu de
mancuitos e periquito ? .
Pareee-me, que nao. Devo porlanto applicar o
cvemplo de seus mai'jresao boticario de nova espe-
cie.
Pense l como quizer,
Charo senhor Syreneu ,
S'eocontrar algum jadeo
No camin... solitario
Leve-lh'a a cruz ao calvario.
Quanlo a mim. eu sempre posso,
Tendo os antisos mi'roni>,
Dispensar taes ciceronis,
E dizer pura verdade.
Pondo em relevo a maldade.
Eu no ahi de meu proposito de deixar sem k--
posla, qualquer observac^o, que me lizcsse, quem
n;io lame pessoalmenle inleressado nos factos por
mim referidos?
Seja essa a ultima vez, em altcncao predilecclu,
ou bairrismo, do senhor Syreneu, a quem tributo
todo o acablenlo e respeito. Entremos em as-
sumpto :
As febres continuam ; e de vez em quando urna
amarelleco, o d;i rom n paciente no reino de I'lu-
tilo; a maior parle, porem, conlenla-se com assus-
ta-los ou te-Ios por algum lempo em estado de nao
poderem tomar alimentos.
Honlem morreo da amarella, legitima, na prisHo
o Sr. IIantas, com tret dias de fel.ro, da qual nu
zumbn, ou pouco temen, Quando menos se espe-
ra Dos lembra-se de no<.
As bexigas leem de ja iam menos amorosas.
O calor tem continuado intenso, e vigoroso, pelo
que lenho aodado bem aperlado de meus incommo-
dos crnicos.
lia .hus dias, que lemos pela manhaa urna halo-
ja d'aiia soffrivcl ; e o lempo tem tomado um as-
pecto de invern.
Esto muilo satisfeilos os creHulos das experien-
cias de Sania I,uzia ; por que, segundo elles, lere-
mos muila chura em Janeiro e fevereiro, laes repre-
sentan) na experiencia os dous dias deenrridos.
Teremoscedo invern? Digam os entendidos das
cousas de lelhas cima.
Se tivormo-; e alcancar Russia.mal eslSoos alli-
ados. que ainda nao acharam hi.spedaeem. Muito
nariz inglez tem de tirar intorra lo nos gelos russos.
Os Francezes njo exlrauharao mais a brincadei-
ra, por queja nao he a primeira vez, que meltem l
os narizes.
Um Napoleao deixou
Muilos narizes por l;
.0 oulro ancioso est
Por lomar Sebattopol.
Sem um nariz ter ao sol.
Cuida que com um Te-Deum,
Treseslouros de fosnetes,
Derreler pode os sorveles
De nariz inglez gelado .'
De cerlo est encanado.
Por locar neste assumpln, permilla-me pergnntar-
II.e. ser corlo que os desanimados Russos teem fei-
lo orlidas e tomado fr-sro por dias inteiros, enlre-
leudo-se em encravar pecas iuglezas e francezas 1
llao de levar a HcSn
Dos ilheos da iiian Brelanha,
Por brula for?a, ou por man.a,
llao de ser hospitaleiros,
l'lnlantropos, amigueiros.
O que ha induhitavelinenle verdadeiro he que lem
liavido pancadarii a valer c docr...o que Ibes faca
muito bom proveiln.
E o que dir se Ihe cu disser, qoe lamhem por aqoi
ha quesles, leimas, aposlas e quasi sopapos cm ten-
cao dessa briga auglo-fraiironrrnrco-russa ? !
Pois, meu amigo, fique sabendo, que temos allia-
dos c russos, sendo, he verdade, o numero daquelles
mui diminulo, porque infeliz e injustamente os In-
gle/es nao leem multas sympathias. Digo infeliz-
mente, porque entendo que elles sao Mnimamente
syirrnathicos; einjustamenle, porque ella he a naci
humanitaria por exrellencia.
Os meus patricios, que n3o costumam lomar calor,
e nem mesmo procurar saber pelo que se passa pelos
mundos alheios, estAo inflammados com essa ques-
lao ; e nao sabe o quanlo se incommodam quando o
corrcio dessa deixa de mandar-lhes o sea mui li-
tio Diario pelo corrcio terrestre i espera do vapor.
Benlinho receben noticias um pouco alrazadas da
lerceira comarca.. I tollas soubc, que no dia 18 de
oululfro foi aberla a primcira sessao ordinaria do ju-
ry dePianc, que durou aleo dia 21.
Foram conilemnadns Jflliao de Tal e Jnito Bezer-
ra, criminosos de u.orto ; o primeiro a prisao sim-
ples por ti anuos ; e o secundo em 15 annos 6 me-
zes a0 dias fui urna senlenca complexa, geomelri-
camenlc fallando.
Por falta de advosado ( o que he admiravertioje,
que.lodos sao mais ou menos rbulas ) deixou o pri-
meiro de responder por mais dous hnmicidios,de que
he acensado.
Pelo que me parece o tal senhor caloleia a juslica
necessahamnle, porque se fr absolvido delles, uu
punido com penas menores do que quer a lei, o ca-
lle esl pregado, levando Ires morlcs por li anuos ;
se for roiidemnado merlo por qualquer das duas,
smenle pasa urna e caloleia pelas nutras ; c se for
conJemiiado a I-i anuos por cada urna das duas, ter
mos sempre o calote, porque elle nao lera neces-
sariamcnlc vida com que pague tantos annos de
prisao.
O lal soceitioho iem queda para negocio.
Foi preso na Alti.tndra Manoel Pinto, conliccidn
por .Uuim.'oivi, aseassinu de erarda de Tal, com quem
Viva c comvivia,
Foi preso em Souza. Miguel Joaquim Coriseo, in-
ilisilado assassino de Joao Marlins.
Tambeni o foi rom algum Irabalho por dormir no
mallo, Sabino, de quem em oulra Ihe fallei.
Nao pie consla, e nem ao meu Merelles alguma
obra Ihuggal uestes ltimos dias.
Os assassinos, cscravos do major Jos Thomaz,
foram cumprir a senten^a. O coudemuado a pena
ultima, escolhiilo para algo/., nao quiz ir fazer a
evM-.iof.o ; mas um gulet tomou o encargo, por nao
ter o quo fazer.
S. Exc. tein-se visto em embaracos para adianla-
menlo das obras publicas e melhoramcnlos maleri-
aes, porque os cofres lauto geral, como provincial
estao de fundo ao ar. O geral lem recehido urnas
doses dessa provincia; mas (ao homeopalhicas, que
nada lem fcilo em' scu sytlema nervoso.
O provincial est como Tntalo, v promplos uns
poucos de carregamentos de annear e algod.lo, mas
nao' v enlrarem navios para rccebe-los. Se vies-
sem navios, cniao liuhamus salvado a crise, que s
poderi durar por lodo eslemez.
Nao cessarei de lonvar o extraordinario e incan-
savcl zeloque S. Exc. tem desenvolvido na caplu-
ra c piieie te de criminosos ; e desde j Ihe auguro
alsriinsdesgoslos pela imparcial severidade quo vai
deseuvolvcndo nesse ramo, a que nao esiao cos-
lumados cerlos meus senhores.
Se me fura licito pedira ao meu Syreneu, que
ajndasse ao fiscal desta cidaite a multar as pretal
e proles que Ianoam de dia e publicamente lixo no
becco do Rosario, que S. Exc. mandn limpar ha
poucos dias, e que est novamenle immundo, isso
nao exige dinheiro, alim de que elle nao perca os
credilos que tem adquirido.
Seria bom que o'levasse por um braco i correr
ostacougues cm que s^ vende m carne, e com peses
um pouco menores do que o quer a ra/.ao.
Tambem que o conduzissem a malanca, nao para
certos arranjos, mas para mandar enterrar os bois
que em mau estado de saude v.lo ao sacrificio :
Que desse com elle um passeio para ver quem
monopolisa o peixe c familia.
Para essas cousas nao he mislcr o cofre da cmara.
Quanlo ao mais eonversaremosdeva?ar. j que assim
o exige o meu delicado amigo, que conheco como as
palmas.de minhas maes.
Nada mais ha de novo. Saude e palacos, e om
bom SyrenenUie desejopara ajuda-lo a levar a cruz
da vida.
Senhores :
Dr. Antonio Vicente do Nascimento Feitosa.
I)r. Pedro (iaudiano Ratis e Silva. ,
Francisco Alexandrino de Vasconcellos Callara.
Joaquim Pereira Bastos.
Joaquim Flix Machado.
Jos Filippe Nery da Silva.
Francisco Jos Rodrigues Ferreira.
Joan Chrisostomo Fernandes Vianna.
Lab Francisco de Satnpaio e Silva.
Manoel Joaquim Anlunes Correa.
JoHo Francisco Maia.
AS2fl Je* Piarle.
Consla do linello da promoloria publica qoe o on-
pitao-tenenle Antonio Cirios Figueira de Figueire-
do, rerebendo da thesouraria da fazenda desta pro-
vincia no dia 4 de fevereiro deste anno a quantia de
tOO:0003 da corle, tirara dessa quantia a de 20:5003000 rs.,
violentando para isso o caixote dentro do qual esla-
va acondicionado todo o dinheiro ; o Sr. promotor
publico sustenten que as pecas dos autos provavam
os arligos do scu libello. e que ao reo se devia im-
por no grao mximo as penas do ar!. 269 do cdigo
criminal, porque o faci era acompanhado das cir-
cuinslanciasaggravantes dos ns. S, e 10 do art. 16
do cdigo criminal.
Constado interrogatorio do reo, que havendo-sc
dirigido a thesouraria de fazenda desta provincia pa-
ra recebera quanlia de 100:0005000 rs., que de-
viam ser remettidos para corte, dera nm conheci-
mento do recebimenlo dessa quanlia sem que por si
mesmo a conlasse, e que sendo-lhe entregue o caixo-
te em que eslava recolhido o dinheiro, o conduzira
para bordo do vapor San-Salvador, onde o deposi-
tara em um cofre, cujas chaves estavam era seu po-
der, e donde foi apenas tirado no dia 11 de feverei-
ro para ser levido ao Ihesouro. Consla mais do
mesmo interrogatorio do reo que o caixote fora depo-
sitado no mesmo dia na agencia dos vapores, e ahi
estivera em quanlo alugava um carro no qual seguio
para o Ihesouro com o caixole, que sendo poslo em
urna sala diversa da em que eslava elle, fora aborto
pelrw fiis do lliesoureiro, ns quaes declaram faltar
20:5008000 rs., para prefazer a quantia de 100:0009
rs., accii Disse o reo que nao fora elle que lirara os 20:5008
rs., e que nao forma um juizo seguro sobre seme-
Ihanle acoolccimeulo; que nao sabe explicar satis-
factoriamente.
Oadvogadoda defeza sustentou que as pecas dos
nulos nao provavam plenamente que fosse o reo o
ulor do extravio do dinheiro, que o caixole fot en-
tregue sem del te tirar o reo quanlia alguma,nem isso
era possivel no estado em que chesara o mesmo
caixote ao reo, c ueste sentido argumentando pedio
a absolvilo do reo.
O jury por un minii lado decide-sc cm favor do roo
que fui absolvidu.
A sessao terminou depois de 4 horas da manhaa
do tl.a I e foi encerrada.
dora, a qoa.1 se vio na rigorosa necessidade de ludo
pedir por emprestimo ou alagar, tornando-se assim
muito mais difcil e trabalhosa a sua mi-sfl...
Tambem foi muito bem dMempenhado o serm.lo
do Te-Deum pelo Rvm. Sr. padre Lobo.
Faremos igualmente menfSo especial da encllen-
lo msica que abrilhantou a solomo i dade, c que
tambem coincidi cum a mageslosa ornamentarlo
do templo, o que as nossts festividades religiosas
raras vezes succede.
Urna guarda de honra do legando batalhao de
infatuara da guarda nacional, cora a respectiva ban-
da de msica, estive postjda m frente da igrejn,
desde as 10 horas da manhaafjlt ao fim do Te-Deum,
havendo dado no fim da fesUrtres salvas de mosque-
taria. '
A concurrencia foi extrndinaria ; sendo de la-
mentar que a maior parle das pessoas que ahi afllui-
ram nao- podesse apreciar f.bom goslo da armaro
e Iluminaran interior du lemplo. por nao adiar tu-
sar, em consequencia da pofjaenez do edificio.
Concliiindo esle pequeo resumo da feslividade
religiosa ctfccluadn honlem na igreja da Congroga-
tao, he de rigorosa juslica darmoj osdevidos emho-
ras aos dignos membros da rnesa regedora, que, apc-
zar de j servirem a quatro 'annos, lanto contribu-
rain com numerosos sacrificios c incommodos para o
cxplendor desse acto; assim romo stgmalisarmos
com noesa reprovacao e errlregarmos do publico
aqucll que, com a -iiblraca.i dos ornamentos e al-
faias da irmandade, prctendeu embarazar a solem-
niiladc em louvor c honra da Padroeira do Imperio.
Recife 18 de dezemhro. F. J.
CORRESPONDENCIA.
na, porque nao enlendo; o nosso velho correspon-
ilenle, que lem mais idade, mais experiencia, mais
leilura e mais inslruccao nos diri o que pensa sobre
a materia.
Adeos, meu amigo, desejo-lhe orna festa mnito
feliz, boas venturas corporaes c espriluaes, e outras
cnusas mais, etc. O Cyreno.
0 CAMIMIO DO DEVER.^>
Por A. de Bcniard.


CAPITULO DCIMO STIMO.
o Me voulez lous faire entendant
De veciet que re tqnl lanlernct?
(FarcadePalhelin.)
^Con/muaraoJ
Mr. deSaulieu approximou-sc vivamente de Ili-
gainl. Sua ruriosidade eslava nov.imenl disperta la,
e elle porgiint.ua a si mesmo se com elTeilo Rigaud
possnia o sagrlo desses liieroglyphos, que elle nao
liulia i.adido ainda explicar inleiramcnle.
Vejamos sua interpretaran, tlisse o archcoloao ;
o senln* ouvio a miuha, quaiMn a expuz a Mr.
de Chavilly; mas promelto-lhe quo, se a sua me pa-
recer suflicienle, a cilarei na ininlia grande obra,
leudo o cuidado, bem entendido, de deixar-lhc toda
a honra. .
Sua orijposla, Saulieu, me lisongea infinita-
mente : mas" uo posso aceita-la.
Porque enlSo 1 Enlre nos devem haver essas
reticencias! A sciencia ho um terreno neutro, onde
podem encontrarse todos os bous espirilos.
Nao, eu temera deslrur-lhe ainda algumas il-
REPARTICAO DA POLICA.
Parte do dia 18 de dezemhro.
Illm. e Exm. Sr.Participo a V. Exc. que, das
dill'erenics parlicipaeocs lioutem e boje recebidas
nesla rcparlijao, consta lerem sido presos : pola sub-
delegara do primeiro dislricln desle termo, Antonio
Francisco do Nascimento e Francisco Pereira de Al-
meida, ambos por furto de eavallos ; pela sobdele-
aacia da freguezia do Recife, lAiiz. Jos e Rufino
Francisco, por desobediencia, o preto Francisco por
fgido, a piola Marcelina, os pardos Clementino de
Tale Antonio, cscravo, para correccao, os marujos
ingle7.es Slaeua. Wellione Vemay, John Pncuello,
Charles Welliames, todos a reipii-io.io do respectivo
cnsul.
Dos guarde a V. Ex. Secretaria da polica de Per-
namhuco 18 de dezembro de 185i. Illm. e Exm.
Sr. conselheiro Jos Bento da Cunha e Figueiredo
presidente da provincia,O chefe de polica, Luiz
Carlos de Paica Teixeira.
Illm. Sr.Com indo providenciar promptamente
cerca da falla de observancia dos arligos 7 e 8o do
titulo 6" das posturas municipaes. que marcando
cinco minutos de durarlo a cada repique ou delire de
sinos, ordinariamente dura cada um mca hora com
grave ineommodo do publico e infraccao das referi-
das posturas ; recommendo i V. S. que expeca as
suas ordens aos subdelegados do districto de sua ju-
risdiccao, para que facam ir a sua presenca os aa-
crisiaes dartgrcjas de suas freguezias e os admoeste
a cumprirem reslriclamento o dsposto nos sobredi-
tos arligos, e para o mesmo fim dirigindo-se aos res-
pectivos parochos eaosjuizese presidentes das ir-
mandadese confrarias, chame a sua altenrao sobre
o objerto, e delles reclame as convenientes providen-
cias, sendo urna dellas o vedar absolutamente que as
torressejam invadidas por turmas de negros, mole-
ques e peralvilhos, para o que devenlo recorrer,
quando nao teiibam fnrga bastante, ao competente
inspector de quarlerao, que para csse fim ser pre-
venido pela subdelegacia.
Dos guarde V. S. Secretaria da polica dePer-
nambuco 18 de dezembro de 1851. Illm. Sr. Dr.
Francisco Bernardo de Carvalho.ulelegado de polica
do primeiro dislricto dcste termo.O chefe de poli-
ca, Luiz Carlos de Paica Teixeira.
PERN4MRUC0.
JURY DO. RECITE.
4a MMiao' ordinaria;
DIA 13.
Presidencia do Sr. Dr. Manoel Clementino Car-
neiro da Cunha.
Promotor publico o Sr. I)r. Antonio Luiz Caval-
canli de Albiiqucrque.
Escrivao oSr.Joaquim Francisco de Paula Esleves
Clemente.
Advngado o Sr. Dr. Filippe Lopes Ncllo.
Reo o capillo lenle Antonio Carlos Figueira de
Figueiredo, aecusado por crime de roubo.
As 10 horas c meia da manhaa feta a chamada
acbam-se prsenles 17 Senhores jurados.
Foram sorleados para julgamento da causa o
COMUNICADO
A festa de Nossa Senhora da Conceico foi hontem
celebrada na sua igreja da Congregarao com toda a
pompa e brilhantsmo devdo a Mai do Salvador do
mundo, e Padroeira do Imperio.
A digna mesa regedora nao poupando esforcose
sarificios, apezar de muilas difliculdades que se Ihe
anlolhavam, caprichou em apresetitar o templo ri-
camente ornado,e leve o prazer de o conseguir com-
binando a elegancia e bom gosto das alfaias com a
sua riqueza e profusao.
O sermao da festa corresponden a expectativa ; o
Rvm. padre meslre Capislrano.pregador da imperial
capella, com aquella dialctica cerrada que no pul-
pito Ihe be lao familiar, captivou os ouviutes no de-
sen vehi monto do misterio da Conccirao ; e na pc-
roracao do discurso fez sobresahir o fado bastante
censuravel de corlo irin-lo que teve a roesqunha
lembranja de occullar lodas as allaias e ornamentos
da irmandade para collncar em apuros a mesa rege-
Parahiba
9 de dezembrq de 185i.
Srs. Redactores. Como sou suscito desfes de
pao, pao, queijo, queijo, ntt eslou para exordios,
nao Sii porque nao Ibes ado -graca em urna corres-
pondencia unticiatoria, como perqu sou um pouco
preguicoso para escrever; e por essa causa julgo
perdido o lempo empregado cm pariivrros exor-
daes: islo poslo, dir-lhe-hei : passamos aqu o dia
2 alegremente. Cortejo de manhaa, a tarde S. Exc.
convidou muitos negociantes e capitalistas, e enlre
estes, oh dr I alguns agilas, (carrascos da huma-
nidade!) alim de declararem cum quanlo subscrc-
viam para a iiislillarao de un banco provincial :
comefieito co.ncorr:ram, assignaram; mas disse-mc
o amigo Pestaa, que alguns rcacos, grandes capi-
talistas, ficaram muilo abaixo do lugar que Ibes de-
vera competir; por isso que s assignaram Cinco
eolitos, quando se suppunha "que deveriam assignar
Tinte, trinta, ou quarenla ; corla haslaitle lamo na
fazenda alln>ia Dos queira que pegucm as bichas
a ver se os pobres algum ilia poderao obter algum
dinheirinho sem a esfoladelU de 2, 3, 4 o 5 por ren-
to ao mez, c por fim, e quando o pobre dial.o nilo
lem meis suero qoe dar, tndo j i 'entregue esrravoS,
dinheiro, casas, tendo pago duas vezes mais do que a-
quilloque tomou, diz o ferrenho c doro agila, e
muito enfadado : nao faz CODla, nao faz conla dar
urna pessoa o seu dinheiro a premio, e por lint que
trabalb i para o adquerir!'. Ah desgranado, n3o
olhes smente da la cabera para os ps. nao olhes
s para o lempo que lens de estar ueste vale de la-
grima, nao olhes smente para o iiileresse e aug-
mento ilc la burra: v mais alguma cou-a, levanla
o- olbos ao co, considera o lempo que lens de exis-
tir l nessa cterndade indefinivel; recorda-le que
talvez amanilla s necessitesdo nove palmos de tr-
ra, e o que levars para alia T Essa afadisa, essa am-
biciio, essa hydropizia por dinheiro de que te servi-
r alli... Oh! agora vejo, meu amigo, que eslava
tomando nm lugar que me nao compele, os sacerdo-
tes pregadores que advirtam, quo clamcm ; mas co-
mo hao d'elles clamar, me diz o amigo Pestaa, que
eu conheco alguns que tambem dao dinheiro a pre-
mio, desejam ter muito dinheiro, conversam smen-
te em dinheiro, j vio ; procuram pela surrelfa quem
Ibes olTereca mais, j vio, heim '.' E o caso he que o
amiao enlalou-me ; porm sempre Ihe direi que. se
eu fora parocho, sempre dira aos meus freguezes,
que lesscm o Psalmo li.
Conlinuarei cora o dia 2 : a noite foi cheia, visto
que houveram duas representaces thcatraes na ci-
dade alia c baixa ; sobre o seu mrito nada arris-
co, porque I nao fui: nao goslo de perder o meu
apreciavcl somno; costomo deitar-me s nove da
noite para acordar cedo, e com isto me lenho adia-
do bem.
Passando agora ao dia 8, dia fauslissimo, o da Mai
de Dos da Conceicao, e padroeira do imperio, tive-
mos as competentes nove noilesde novenas em duas
igrejas, S. Francisco e matriz; e devemos crer que
muilas e piednsas preces subram ao conspecto da
Magestade Divina, dirigidas pelo sexo amavel, que
he em que elle se oceupa Mm occasies! Eu con-
corr matriz, nao s s novenas, como festa ; e
que achei ludo bom, ludo bom, ludo muilo solem-
ne, e at para maior snlemnidade do dia, occorreu
um baptisado antes da fesla : o prvulo era lilho do
juiz que acabava, o reverendsimo parocho foi o
baptizante, e a pedido do papai do nenem, lindos os
exorcismos, cm lugar de se drgirem pia baptis-
rn.-iI, caminharam para o aliar da Senhora da Con-
ceicao, e ahi em sua presenca foi baptisado o infan-
te, assistndo tambem ao solemn acto a irmandade
de cruz airada : achei.aquillo bonito, imponente, en-
graciado e at magestoso Porm j me diz o amigo
Peslana, que ouvio alguem censurar o acto, dzendo
que devia ser o menino baptisado na pia haptismal,
para isso he que ella se fez, principalmente sendo o
baptisado na matriz, qoe o reverendo parocho quan-
do nlo tivesse errado, porque sabe o que faz, fien
mo exemplo, nao se sujeilou ao coslume invetera-
do, nao seguio ri-ra o ritual, ele, etc., etc. Nao
me atrevo a dizer cousa alguma contra a tal ccremo-
() Vida o Diario n. 289.
luses, ilse o critico com o tom de quem quer ser
rogado.
Nao lonln esse cuidado, pois bem sabe que nao
sou homem de mienta. Se com effeito lem nina boa
expliracao que dar-me deslas figuras, nao hcsilare
em abracar sua opinian, assim como n3o besilei em
reronhecer que Ostrcval datava smenle do secuto
XIV.
Sim; mas o caso he muito dlTercnte : quanlo
a Oslreval o senhor liulia ttulos atilhenticos.
Sim, aulhenticos, ecujo tutor me lie conde-
cido.
Porm agora s ter minha interpretarlo sim-
ples e natural.
Mas sajo autor me ser igualmente condecido.
Uuequer elle dizer rom seu auli.r condecido?
murmuren Rigaud iniparionlado. Crcio que dosla
vez he elle que lamba de mim.
It.g un nao eslava tonga da verdade ; mas linb.i
pirado vivamente a ounosidade de Mr. de Saulieu,
c esle n3o era huuicm que largasse assim a isia que
morder.
Oh tomou o ;.: fboologo, quet que facamos
una troca ?
Qual a de que ja.mc lem fallado, de sen pre-
tendido quadro de llemling pelo meu manuscrpto
do Historial de Vicente de Beauvais'!
Nilo; Irala-se agora de urna troca intelleclnal.
O senhor. me dar sua cxplicaco deslas figuras mvs-
licas, e eu llie direi o nome do grande calligrapio,
autor dos ttulos sobre Oslreval.
Rigaud cocn a orelha. Bem que sua memoria,
por mais qoe elle podesse inlerrroga-la, nao Ihe re-
cordaste nma circunstancia da vida de Mr. de Sau-
lieu, em que esle bouvesse feito usa da figura de rhe-
lonea chamada iionia, parecia-lhe entrever alravez
da fleusma do arche'dogo urna certa inlencao malig-
na. Todava Irauquillisou-se pensando que Gasiao
nao o linda trahido, e qnealm disso Mr. de Saulieu
deixava-se muiUs vezes engaar pelas suas proprias
hypothcses, e re-pon leu depois de um instante de
silencio:
Aceito; mas qoe ser de sua pobre sala de jus-
lica?
Enlo sua inlerprelacao obrigaria a por em
duvida o destino dcsla sala? perguntou o castellao
em tom chcio de anciedade.
Receio que sim.
E minha alliliac.l" dos haresde Valois com os
Francs-Juges da Allemanha?...
Sao sondos que se diipar.it. brevemente.
Oh Veremos. Felizmente ludo o que sabe de
sua bocea, meu charo, nao he palavra do cvangclho.
Assim como seus syslemas nao sao dogmas
de f.
Nunca avenlurei um syslema sem cslar cerlo
dellc. e ter-me rodeado de monumentos e de provas
irrecusaveis.
Sirvam de leslemundas as torres quadradas de
Valois, e a classilicarao dyerarcliica dos campa-
narios.
O senhor anda sempre censurando minhas lor-
ies quadradas e meus campanarios, e para di/.cr-lhe
a verdade nao eslou convencido de ter errado nt-sas
graves quesles ; mas rimemos o passadoe tratemos
do presente. Agora convem saber como me provar
que esta admiravel crypla nao lie urna sala de jus-
lica.
Conviiia talvez que o senhor nos dcmonslrasso
primeiramenle que ella leve oulr'ora esso destino ;
mas admiti que essa demonstrarlo lenlia sido feita,
meu charo Saulieu, com n clareza, lucidez e perspi-
cacia...
Deixemos as minhas qualidades.
Sim, poslo que confesso que custa-me muito
nao dar-lde dianle desle joven adepto de nossa ci-
encia os louvores que Iho sao legitimamente devi-
dos. Admiti que aquillo que Ihe agrada chamar
Srs. Redactores.Muilas vezes a impostura, e a
fraude revcslcm as cores da verdade eda juslica, a
mentira illudo e seduz os nimos desprevenidos, e
com sua linguasem falla/, vai dispertar no espirito
publico scnli-ilento-, e alli'n_orjs indvidas contra
causa do verdadeiro direito, c cm favor de torpes,
e infames trapacas.
Eisoquc agora exactamente acontece contigo em
relacao aos bens, c alguns cscravos deixados por
meu fallecido sogro,o capillo Antonio Dantas Correa,
como se v da correspondencia de um desses escra-
vos inserta cm seu numero 260 eje 13 de novembro
prximo pas-ado.
Fallecen meu referido sogro a 29 de abril do an-
no passado, c eu, que apenas sobe da moleslia
rrrave, que o accommelrera, me puz i inmediata mon-
to a caminho de sua residencia no termo do Pilar
para prestar-Ihe os devidos ofl'rcios ; ao chegar a sua
casa j o achei sepultado, c seus bens na posse de
um padre sem fe, que se quiz, e procurnu inlrodu-
zir no gozo, c parlilha de bens e direilos, que s a
mim competiam naqualidade de herdeiro universal,
e marido de sua filha nica.
O caso passoq-sc como passo a expor com pura
verdade, pois que leudo at baja felizmente gozado
dos foros de homem Jioncsto, e sendo-o em minha
ennsciencia, a verdade he o meu dolo, e rostumo
dize-la sem rebuco, ainda mesmo quando me prc-
judca.
Em urna idade avancada, e gravemente aneciado
de molestia mortal meu fallecido sogro em estado de
viovez, e complcio desaranjo mental, sem filhn, ou
pessoa alguma junto a si, que rurasse de sua 06*801
cbens,acdou-severdadeira presa da cobica.epilliageiii
d'algunsexpertos, que entendern! tirrar partido desse
eslado delamenlavel abandono,e procuraram dispr
de sua fazenda, romparlilhando-a cm seu proveilo,
e em meu prejnizo. Para isto prcvaleceram-se do
manejo-o mais torpe, afimdedarn essa verda.leirn
trafirancia a cor de raridade, e colloca-la sobre a
egi'ie de direilos sagrados, que mesmo em apparen-
cia. e mero simulacro desafian) o iuteresse, e pairo"
cinio das almas bem formada^.
Assim se poz em pralica esse plano fie pilhagcm.
O reverendo Diogn de Barros Araujo, actor prin-
cipal, c mola real d'esse manejo indigno, em rela-
cao com urna velha liberta da casa, c affectanilo
seiilimenlosdeofiiciosidade ehrislaa, apoderou-sc do
nuc pode em dinheiro ejoias, ao passo que finga
com zelo, c abnegacao liypocrita curar da saude, c
alma de meu charo e finado sogro ; e nao eslando
anda assim salisfeita sua lrpe cubica, mandou cha-
mar nm rbula ilesmoralsado da villa do Inga, Jos
Ca los.de S. Pedro, c de coinhinacao com elle fez
lestamenlos em que se nomeava elle praprio pri-
meiro lestainenleiro, rcconlicrendo como fillios, e
herdeiros alguns escravos para que podesse apode-
rarle tambem dos bcn, que toc:issem a esses msc-
raveis.de quem como seus instrumentoshavia lan-
zado nao.
Releva aqu observar, que tal era a ceguera, e
escndale do reverendo Dingode Barros Araujo, e
seu acolito, que nem ao menos procuraran) salvar as
apparencias fazendo recahir a esculla de 1." les-
lamcntciro, jj nao digo em mim, seu genro, sobri-
nho, e amigo dedicado, porm ao menos em algum
de seus numerosos amigos e compadres, com quem
sempre enlretvemcuprezado sogro reiacesintimas,
e de longa dala, e de quem mclhor poderia confiar
a boa execocao de disposiefies tao importantes.
Porm o padre Diogo de Barros Araujo, a quem
meu charo sogre linha visto urna unir vez, de um
momento para oulro se consliluio por iiilercssc pro-
prio o seu primeiro amigo, e o primeiro interessado
no fiel cumprimento da sua ultima vontade 1 He
muila blindado da parle do Sr. padre Diogo.
I'araaparentar mellior esa industria immora,
figuroo igualmente algumas cartas de liberdadc em
favor ilos filhos, c tildas da referida liuei ta, a quem
d'esl'arte remunerava tambem de o haver rollocado
no gozo de lal pujanca.
A falsidade desses ttulos, e insiituices resalta de
muilas circunstancias, e aeda-se plenamente prova-
da em juizo competente, do qual espero urna sen-
lene.! recia c desprevenida, que desmorone o edi-
ficio da fraude.
Farei algumas observaefles no sentido de esclare-
cer a questao, e desvanecer suspeilas desfavoraveis,
que no animo do publico por ventura contra mim
lenbam ingeudrado essa immunda correspondencia,
e fementidas informacoes, que partidas de fonles
impuras por todos os meios procuram dcsconceilu-
ar-me. t
He um embuste miseravel dizer o escravo Filippe,
signalario de cruz da correspondencia, a que me
refiro, que meu fallecido sogro o teve j mais por
lilho, e isso mesmo se evidencia desse supposlo (esta-
mento nuncupalivo, que publica o referido escravo,
no qual diz o figurado testador havc-lo tido, e a ou-
lros da liberta Mara Francisca depois de viuvo de
sua mulher I). Joanna Francisca llantas, quando es-
la respeitavel Sra., minha chara sogra, fallecen no
anno de 1812, como se v do documento numero 1.,
e o sobredlto escravo Filippe nesse mesmo testa-
mento se declara maior !
A condiees da maioridade nao estao por cerlo
modificadas para que a idade de 11 anuos, decorri-
dos da morle de minha sogra sejam para ella bas-
tantes; entretanto queja antes do seu falecimenlo o
mencionado escravo aprenda a ter, como se prnva
com o atleslado de scu meslre, documento Home-
ro 2.
le publico e sabido alm disso, que o pai desse
bancos sejam bancos, que esla mesa de pedra seja
urna tribuna, que esles liieroglyphos sejam carecie-
res mysterosos de urna lingua symbidica, que esle
circulo...
Oh inlerrompeu Mr. de Saulieu, que duran-
te essa enumeracan irnica diffcilmente conlivera
sua impaciencia, (udo isso j foi dito.
Sabe a geometra, Mr. de Chavilly? pergun-
tou Rigaud dirigindo-se repentinamente a (iasto.
Sei quanlo basta para comprchemler as de-
monstrarnos que o senhor vai prwvavclmente dar-
nos, responden o mancebo.
Entao, meu amigo, fcil Iho ser recnnliecer
neslas figuras um desenlio da abobada suspensa so-
bre nonas caberas.
Qoe dia? que diz? cxrlamnu o arcdeolngo lo-
mando vivamente a tocha das uiAos de Casino e ap-
prnximando-a da parole. O que he que o scnlinr
chama um desenlio?
Oii, se juina mellior, meu charo Saulieu, urna
projeceo horsonlal das dilferenlcs pedia- de que
se compoe os arcos desla abobada.
Ah cu quizera ver iso!
Nada be mais simples: osle circulo inscriplo
em um quadrado, que o senhor loma pelo lymbolo
da juslica nceulla do tribunal sccrelo, do sem ne-
nliuma duvida a projeccao da chave da adobada.
Suas duas langentes sao'os dous lados da figura, e
esla elvpse inscripta em um paralellogramo reclau-
gulo nao he oulra cousa senao aparte superior da
chave; tem mais exlensao que largura, porque a
abobada tambem he menos larga do que longa. Com-
prehcnile-ine bem, Mr. de Chavilly?
Perfeitamcnte, respondeu o mancebo.
Mr. de Saulieu mordeu os beicos at verterem san-
goe, o disse com voz singularmente trmula :
Muilo bem, muito bom ; mas o senhor nada
me disse deste triangulo, emblema da juslica. di-
vina.
cscravo foi um artillado 1e mui finado sogro, de no-
me Filippe tambem, que esleve omiziado algum lem-
po em sua casa no anno de 1834, e depois relirou-se
para o lugar denominado Pirau de denlro, aonde
por diversas vezes ia o mesmo escravo Filippe to-
mar-lhe a benc.lo.
Isso por algumas vezes foi declarado por meu so-
gro a alguns de seus amigos, como o tenante coro-
nel Joaquim Jos Riheiro Pessoa. e igualmente con-
firmado pola mai do referido escravo, que o disse
tambem a diversas pessoas, como Illm.* Sr." D.
Ignacia Maria da Purificacao, c sua filha D. Ger-
Iffiles Mftrhfoa Pnrifieacao-, e ao litro." Sr. Eran-
cisco Comes d' Araujo, prime do reverendo Diogo de
Barros Araujo.
He pos urna insolente impostura desse escravo.
ou de quem por elle avanca, e sustenta fatsidades
desla rdem, )kra ter quinhan, sem duvida, miquillo
que por ventura podesse Usurpar do monte de men
finado sogro.
A mentira, porm, por mais bem ataviada qoe se-
ja; Irahe-se, e deseohro a m f dos' que recorrem
aos meins reprovados. Assim que se diz nessa cor-
respondencia que, meu sogro nao satis/cito com o
testamenta nuncupalivo, mandn entao chamar o
adeogado Jos Carlos de S. Pedro para fazer por
elle testamento cerrado ; entretanto que o refe-
rido testa monto nuncupalivo, que publica o men-
cionado escravo, he j feito peto mesmo Jo Carlos
de S. Pedro !
He essa penna disposla para todos os manejos do
padre Diogo, quem fabrica nao s o celebre tesla-
menlo nuncupalivo, como todas as cartas de liber-
dade, e quanlo julgaram mister para defraudaren) a
heranca, que uuicametite me pertencia. Figura-se
ludo isso feito no dia 25d'ahril, dia em que cbegoD
as 5 lloras da larde o referido Jos Carlos a casa de
meo sogro, quando j elle se achava em completa
perlurbacao d'epirito, e desengaa.lo de viver !
Nao teve pois meu sogro nenhuma parle em taes
manejos, tieuhuma disposr;ao fez de seus bens, e isso
o allirmam, edeposeram cm juizo as proprias lesle-
mundas que figuran) no sobre dito testamento e car-
las de lber,bulo em questao.
Entretanto para cumulo da confusao, e desmenti-
do formal dos impudentes autores de tao reprovados
tramas.publico adianle.para conhecimento do publi-
r.i.nma carta em publica forma do proprio Jos Car-
los de S. Pedro, ao seu cmplice o padre Diogo de
Barros Araujo, em que liedle mesmo quem, levan-
tando o veo que cobre taes machinacoes, pe paten-
te a m f de seu proceder indigno.
Note o publico para a maneira porque estranha
elle a exiguidade da paga, depois do que exclama
C<>m el feito, fiquei pasmo de ver como se pretenda
gratificar os terceos lao exorilantet.gue ahi pres-
id Aprecie devidamenlo taes expresses, c con-
fronte-as com as que terminan) o penltimo perio-
do Pois que ninguem, mclhor que I'me, pode sa-
ber como taes arranjos-. bem me rnlende... E ver-
se-lia que nao se trata |ior cerlo de dispocoes lici-
tas foi las por um testador legitimo, mas de arranf>
immoraet etercicot exorbitantes do advogado Jos
Carlos de S. Pedro ao padre Diogo, a quem, n.lo obs-
lanle a pouca gcuerosidade com que o recompensou,
assegura o referido advogado loda a sua cordialida-
de, e conslanrid para cumprir os seat chamados
uestes casos, e nos mais, lodas as vezes que dellc
precisar '....
Diversas outras falsjdades, e invcrosimilhancas se
notam nessa correspondencia, c docnmenlos pbli-
cos que denuncian) a fraude c m f, com que fo-
ram elaborados, ao passo que teudem igualmente a
illudir a opinian publica e augariar protectores como
passo a analisar.
Primeiramenle he falso que meu finado sogro
houvcssc morridu no dia 30 de abril, como impu-
dentemente allirma o escravo Filippe, ou quera por
elle escreveu essas lindas que se leem no seu citado
jornal,o scu tillen ment leve lugar pelas 8 horas da
manhaa do dia 29 de abril, como se prova com o do-
cumento do numero 3, e s se figura um dia depois
para inculcar quedecorreu mais lempo enlre as dalas
verdadeiras, ou falsas das pocas de que se trata e
hora do passarjnenlo.
Falso e falsissimo he igoalmento asseverar o escra-
vo Filippe que o vendi ao Illm. Sr. coronel Ismael
da Cruz Gouveia.e que este Ihe usurpara 25 cabecas
de gado etc., assim como he falso tambem ludo
quanlo inculca o referido escravo contra a probida-
dc do mesmo Sr. Ismael nesse uegncio. A verdade
he que o Sr. coronel Ismael empeuhou-sccomigo para
o libertar, ao que eu promctti acceder pelo pre-
co de 6OOJJ000 depois de haver engeilado por elle a
quanlia de 1:0009000 rs., que me foi ollerocila por
parle do Illm. Sr. coronel Joao Joaquim do Reg
Barros. Se pois o Sr. coronel Ismael recebeu dellc
esse gado de que falla, seria sem duvida para reali-
zar a paga de sua alloma.
Em poder do Illm.Sr.coronel Ismael da Croz Gou-
veia existe a carta de liberdade panada por mim a
Filippe a instancia e mediante como.j disse.a quan-
tia de seis ceios mil rs., que do mesmo senhor re-
redi. Esle fado he muilo sabido, c Filippe mais do
que liid.--.beni, qoe se elle nao lem boje dila caria
em sen poder, he nao s porque nao satisfez ao dilo
senhor a obrigacio qqe com elle contrahira, de o in-
demnisar da quantia que gratuitamente e s por um
excesso de bondade da parlcdo Sr. coronel Ismael,
foi dispendida cm favor de sua liberdade ; como
pela sua ausencia do lugar de sua residencia para a
povoacao pe Timbauba, donde lem tido para com
elle o procedimento mais.indigno que he possivel
imaginar-se, e s proprio de sua vil coiidicao ; e.pois,
patente fica a maneira indigna, com que dito cscravo
retribu' a benvola inlcrvencAo e beneficio que Ide
fez o Sr. coronel Ismael, coja reputarlo procura en-
tretanto nodoar com grave injuslira, e a mais lorpe
ngraliiiao !
Not.ivcl inexaclidao se enconlra igualmente-em
lodas as datas para dessa falsa orden) clironologica in-
Emblema material desle ultimo fecdo da abo-
bada.
E estas figuras diversas misturadas?
Emblemas igualmente malcriaes das podras de
corle mui complicado, que forman) os primeiros fe-
chos desles arcos.
E... e... e... esles...
O archeologo balbuciava, e n.lo sabia mais que
dftMSM, porcm desperiando-sc-lbe repentinamente
as lemhranras, tomou:
Ah! men sabio gemetra, apanhei-o agora,
sua geometra falliou. O senhor fallou-mc de pro-
jeccao horsonlal, ora esla parede nao de liorsonlal.
parecc-me que he vertical. Que diz do argumento?
Arbo-u miseravel, respondeu Rigaud com ne-
gligencia.
Miseravel!
Sim, mi-eravel. Julga enlao qoe cs^e desenlio
foi feilo sobre a parede? F'oi tracatlo pela mando
appareldador sobre as pe Ira- que servirn) depois
para ruustruir a parede. Isso lem acontecido muilas
vezes. -
Mas... mas... Iialdurou o archeologo exaspe-
rado, que me dir desles bancos, desla tribuna, des-
las argolas?
Estas argolas! O senhor as achara em quasi In-
das as chavea de abobadas das salas baila* nos cas-
tcllos fortes.* Ellas nao cram destinadas a um nao
particular, lano podiam servir para sustentar alam-
padas, romo para enterrar homens.
Enton ai homens! cxrlainou Mr. de Saulieu
tomando essa palavra como urna confusao; enfurcar
homens! Sala de juslica !... Tem r.i/.'io... o senhor
volta ao meu syslema.
Naoscapresse lanto, meu charo Saulieu, espe-
re que cu saia delle para nao vollar mais. He pou-
co provavel que se fizesse descer condemnados aqu
para serem enforcados. Fallavam por ventura ar-
golas as salas superiores? Faltavam arvores, pelou-
culcar-ie quo inflsio na venda, que fiz de alguns
escravo e na atforra de outro, mediante a paga de
6000000 rs., essa supposla parcialdade, e pretendida
connivencia do juiz, que lao impudente e eyniea-
menle sr jirecura fazer acreditar.
Vend -rrava Florinda muito antes da inlerven-
S3o do ^aironel Ismael em favor de Filippe, e li-
bertei a Victorino seis, ou oitodias depois de minha
chegada a casa de meo sogro peta quantia cima dita,
a pedido de seu pai o pardo Antonio ; quando a oc-
currencia havida entre mim e o Sr. Ismael cerca
de Filippe leve lugar paraos fins de junho, quasi
doos mezas depois.
Sao por lanto embustes sobre embustes as aswve-
races do correspondencia a que respondo, em ara-
tamenlo smente a opiniao publica que prezo e'vVii
pclo.
Tem-e era vista dest'arle prevenir contra mim o
oizo dos tribunaes, e do publico em ama cansa Uo
melindrosa e delicada como essa de liberdade e di-
reilos hereditarios.
Releva tambem notar urna oulra repugnante in-
verosiniilhaiica, que se enconlra no celebre testa-
mento que se ve publicado, a qual se refere ao no-
me de minha senhora, tilda legitima e nica do fi-
gurado testador, que edamando-se desde a infancia
Candida Esmeraldina Luca DanUrs, como se vedo
documento numero i, he ahi denominadaCandi-
da Guilliermina Francisca Dantas !
He na verdade o cumulo do incrivel qoe nm pai,
em sea perfeilo juizo, desconheca ou erre o nome de
sua nica filha legitima 1
Convm igualmente djzer em relacao as cartas de
liberdade publicadas em seu dito jornal, que nao
furam ellas talvez fabricadas no mesmo dia dos taes1
testamentos ecreio antes que foram arranjadis de-
pes. O que posso porm afiirmlr, e provado se ada
em juizo por leslemunhas, he que os escravos a que
se referen), nao linham ddlas conhecimento na po-
ca de minha edegada a casa de men sogro, pois que
pergunlando eu a liberta Maria Francisca, vulgar-
mente condecida per Tapia, maL dossobre dilos
escravos, se algumas cartas de liberdade existiam,
(o-me respondido que apenas duas, um della e
oulra de sua neta Alexindrina, as quaes me foram
prsenles o por mim respeitadas. Isso, que foi pre-
senciado por diversas pessoa, he lano verdade que
logo depois tle minha chegada o pardo Antonio pro-
curou-mc para libertar um desses escravos, o que
fiz como disse, pela quanlia de 6000000. S alguns
mezes depois, quando j eu havia vendido as escra-
vas Florinda eThereza, foi que me chegou a noticia
quehaviam essas cartas de liberdade lanradas as
notas da villa da Independencia,? Ira lei enlaode tirar
orti Ifo, e propuz a compleme arcan de eseravidao.
Esse fado que afiirmo igualmente se comprova pela
crcumslancia de haverein laes escravas procurado a
diversas pessoas para as comprar, como tambem pro-
ve em juizo.
Agora,senhores redactores, cumpre-me comfessar
igualmente em domenagrm a verdade,urna argnicao,
que nessa correspondencia se rae faz, bern qoe um
tanto desnaturado o faci. Qoero fallar da crcums-
lancia, que se refere, de haver cu inutilisado esse
- o P poslo i os l a ni o n to cerrado, que me foi confiado n%
qualidade de terceiro testameuleiro ahi nomeado, e
o qual de fado inulilise em nm assomo de inconsi-
derada ndignacao por ver a maneira indigna, e
fraudulenta, rom que esse padre e seu cmplice pro-
curavam levar avaule Jo plano immoral de prejudi-
rar-me, e apoderarse de parte da heranca de meu
sogro. '
Crec assim urna difucoldade, que reconheco, e
de que rae arrependo, pois que nao era essa peca
mais do que a reprodcelo das mesmas falsidades
do testamento nuncupalivo, eivado de igdaes nulli-
dades, como est provado em juizo pelos depoimon-
tos das mesmas testeinunhas, que nelle figuravam.
No enlanto direi por demais que nao lenho inle-
resse importante era contestar aos escravos, de que
se trata,essa sopposla perlilharAo, que para elles se
prelentc; pois que sendo eu credor de meu finado sogro
de quantia maior de nove contos de reis.que por elle
paguei a Domingos Paes Bot3o, e a oulros credores,
e que com os competentes juros absorve quasi lodo o
monte; nao he o receio de perder grande parte de
sua heranca o que rae leva a contestar essa prelen-
c.'io Ilegitima, pois que deduzido o meu pagamento
pouco oo quasi nada viria a restar para os novos, e
pretendidos herdeiros. He pois principalmente a
consciencia do meu direito, e nao o interesse, o que
me induz a sustentar a nullidadede laes dispersiones.
E islo ainda mais se comprova com a maneira ca-
valleir, e generosa, com que sempre me portei a
ludo quando dizia respeito pessoa, e bens do casal
de meu finado sogro, pois tendo fallecido minha so-
gra, como fica demonstrado,' em 182, e fattecenrio
meu sogro em abril do anno passado, nanea soffreu
de mim a menor opposicao ao pleno gozo de todos
os bens do casal, que deveriam ser parlilhados ro-
migo, como nico herdeiro. Assim proced sempre
para com elle, maniendo anda depois de seu passa-
mento a mellior disposico para respeitar, esusten-
tar lodas as suas disposiedes de ultima vontade, se
verdadeiras e legitimas fossem.'
Concluirei, senhores redactores, declarando que
fajo o mellior conceito da juslica, que domina na co-
marca de Goianna, e que nao atlribuo absolutamen-
te nenhuma parte de m f, ou de fraude as pessoas
Ilustradas, que hoje protegen) o escravo Filippe. e
seus parceiros. Esse manejo he parlo, e monopo-
lio sumen le do padre Diogo e" seu, ocorreo o advoga-
do Jos Carlos.
t.i.ioirain.Srs. redactores, publicar estas lindas em
desaggravo de minha reputacao offendida, com o
que obrigaram ao seu assignanle
Manoel Salusliano de Medeirot.
DOCUMENTOS.
N. i.Diz Manoel Salusliano de Medeiros, que
se Ihe faz preciso que V. S. revendo o livro deoblos
desta freguezia, Ihe d por. certi.Iao o Iheor do
rinlios. ameias? Qoanto a esses bancos, qoer saber
de que serviam ?
Sim, sim, lenho ruriosidade de sal.-lo...
Pois bem, seja salisfeita a sua curiosidade. Mr.
de Chavilly, quer ter a bondade de allumiar-nos?
li.i-l.ln prestou-sc ao capricho do crilico, e lodos
Ires andaram ceremoniosamente em torno da sala,
t) mancebo prece.iia-os rom a locha, Rigaud ia -pus
delle medindo com a bengala as podras que forma-
vara os bancos, eMr. de Saulieu seguia-o observan-
do sem comprchender a manobra de seu antago-
nista.
Entao, disse esle, qne v?
Oh vejo... nada vejo.
O senhor nao he perspicaz, meu charo, para
nm fuluro candidato Academia das Insoriprocs.
Que n.lo v que cada pedra he curiada, c separada
da segiiinlc por urna junta larga como amelado de
sua man ?
(Jue mais?
Ouo mais! Meca todas as pedras e dar-llie-lici
por nata o meu Historial se nao adiar em lodas
exactamente o mesmo comprimeul'i. o enmprimento
do corpo dumauo.
tjue mais?
i>ue mais! Acrcsrenlo ao meu Historial o
meu l/i'stiairr do seculo XIII, se nao tlesrodrir so-
bre estas pedias vestigios de inscripcoes gravadas,
nieo apagadas.
(,)ue mais?
Quemis! Acrescenlo ao meu Destiaire e an
meu Historial a menina de meus odos, minha col-
loccio completa dos Aldcs, assim como lodas as mi-
nhas grav ur.is de Alberto Durer...
Albrechl Durer, inlerrompeu framente o ar-
cheologo.
Sim, Albrechl Durer, se essas insrripoes nao
revelaren) a lodoi os olhos exercilados, que estas po-
dras que o senhor chama bancos, nao sao outra cousa
senao lomas.
Que mais?
tjue mais! Ah! meu charo, o senhor pede
muito, nada mais tenho que oflerecer-lhe do qne
meu podre cadver, e se nao quer encher com elle
alguma destas calacumdas, que os seculos lornaram
va-ias, nao sei o que poder fazer dellas.
Esle gracejo excilou o riso re Mr. de Cdavilly ;
mas o archeologo impassivel nao ria, encarava im-
perlurhavelmente a Rigaud, e pareca esperar urna
re-pos! a mais seria ao seu ull>mo Quemis. Po-
rm como este guardava o silencio, Mr. de Saulieu
lornou :
OjC prova ludo isso ?
i.iakprova ludo isso '! Prova que seus preten-
didos banca sao sepulturas...
E esla tribuna? inlerrompeu o sabio.
Essa tribuna nao he outra cousa senao um an-
lign altar, e o que o senhor loma por sala de justi-
ca de urna sala de catacumbas, como eu tinha r.i/.ui
de dizer no principio desla ronversicflo. He verdade
que a esse litulnlla pude ser chamada crypla.
Mr. de Saulieu esfrecava a fronte, c procurava
rccolher suas ideas, que romecavam a perturbar-se
vista das explicaroes lao claras do critico.
Mas.... mas. lornou elle com hesilaoao, nao
pude ser que se tenham feito bancos com antigs
loiisa, suppondo que estas podras tenham tido o dcs-
tiuo que o senhor Ibes suppoe '!
Ainda duvida, meu amigo? disse Rigoud, o
qual linha-sc assentado sobre urna das sepulturas, e
raspava-lhe a superficie rom a faca. Veja islo; re-
conhece caracteres do seculo XIII?
Ao menos assim o parecem.
Quer ajudar-me a levantar esta pedra para cer-
lificarmo-nos pelos nossos propros olhoi, de que ella
cobre ama sepultara?
Foram buscar o instrumento de ferro depositado


*.
a
OHMIO DE PEBMIBUCO. THjg Ftffii 19 DE DEZtWBRO QE 1854
tsenlo que se fez por fallccimenlo de minha
finada sagra D. han Francisca Danlas. Pede
V. Rvm. Ulm. Sr. vicario llie dcfira na forma re-
querida.E.U.Me.
Certifico que ravemlo o livro de bitos, do que
Irata o rquerimonlo o achei o assonto, que lie do
thporsqguinte a Mitas 176 :
Aos IV das do mez de fevereiro de 1812, ncsla
matriz .le grades.i cima foi epullada a adulta D. Jo-
anua Francisca Danlas, branca, do idade de 72 annos
pouco mais ou menos, mullicr que foi do capilflo
Amonio Da utos Correia, rnorador na f.inda Flor dcs-
la freguezia, cnvolla cm habito prclo, cncommenda-
da por mim. contestada, foi sua morle urna hydro-
pizia, de que para constar fiz osle lermo eni que me
assigno.
E nada mais ce conlinha pin dito asscnlo, que
bem o copici do proprio livro, c vai sein cousa que
duvida faca. Em f de parodio.
Villa do I ilar 9 de dezembro de 1854.O ga-
rio, Jeronymo de firito'ficzerra.
N- 2.lllm. Sr. Cyro Diocleciano Rboiro Peisoa-
l'ilar 12 de dezembro de 1854.Desejo merecer i
V. S. o favor de alteslar ao pe desta, se na poca cm
que estove V. S. ensinando a ler alguns meninos
rneus, em casa de mea ogro o capillo Anlpnio
Dantas Correa, em Linda Flor, tamlicm cnsinava a
um cscraviuho desle, de nome Filippe ; em que an-
uo leve lugar esse entino, se sabe que o escravinho
Filippe era filho da escrava Mara, condecida vul-
garmente por Tapuia, que idade poderia elle ler nes-
se lempo ; e se enlflo ainda viva ou mo minha so-
gra Joanna Francisca Dantas : coro o que muito
obrgarn qnem lie deV. S. muito respcilador e al-
enlo servo. Manoel Salusliano de Medeirot.
Illm. Sr. Manoel Salusliano de Mcdciros.Sats-
fazendo ao que pede-me V.S. em sua caria, respon-
do que eslive na Linda Flor, em casa do capillo.
Antonio Dantas Correa, ensinando a Icr aos fillios do
V. S. no anuo de islI ; e que nessa occasiSo tam-
bem cnsinava ao cabrinha Filippe, que. poderia ler
de idade 7 ainos, cscravo do dito capillo Antonio
Dantas,segundo elle mesmo me dizia ser filho de sua
escrava Mara, -vulgarmente conhecida por Tapuia.
Eslou ainda muito lembrado da Illm. Sr.* I). Joanna.
sogra de V. S., qac naqnella poca ainda era
viva. Isso qucatleslo i V..S. jurarei se preciso ter.
Trzo-me cm ser de V. S. muito respeilador e al-
Icucioso criado, Cyro Diocleciano fibeiro Peasoa.
Podras de Fogn 12 de dezembro de 1851.
N. 3.Diz Manoel Salusliano de Medeiros, que
bem seu, precisa que V. S. a vista do livro de obilos
dcsU freguezia, lbe d por ccrlidan o llicor do as-
scnlo que se fez por faller mente do capillo Anto-
nio Danlas Correa. Pede V. |S.Illm. Sr. vigario
llic d a ccrlidao pedida.ER.Me.
Certifico que revendo os livros dos asenlos dos
mora* desta freguezia, em nm dclles a fl. 20 achei
o asenlo de que Irata o requerimenlo, be do theor
segninle:
Ao 29 de abril de 1853 fallecen da vida prsenle
e foi sepultado aos 30 do dilo me/., de grades a cima
nmll matriz-do Pilar Antonio Danlas Correa, bran-
co de idade de 73 annos viuvo, morreu de estupor,
emoli em habito prclo, de que para constar man-
dei fazer este asiento em que assignei.
E nada mais se conlinha cm dilo asscnlo, que fiel-
mente copiei do proprio livro, e vai srn rusa que
faca dovida. Ein fe de parodio.
Villa do Pilar 9 de dezembro de 1854.O vigario
Jeronymo de finio Dezerra.
Diz Manoel Salusliano de Medeiros, que se lbe faz
preciso, que V. Rvm. i visla do livro dos asseulos
de ras .miento, Ihe d por cerlido o theor do as-
scnlo do casamento do supplicante com sua mulher
D. Candida Esmeraldina Lucia Danlas.
Pede a V. Rvm Film. Sr. vigario lhe d a ccrli-
dao requerida.E R. M.
Certifico que revendo os livros que servem ncsla
matriz para o assento de casamcnlos, em um dellrs
a follias 116, achei o asscnlo de que traa o requeri-
menlo. e he do Iheor seguinle :
Ao primeirodia do mez de fevereiro de 1831. pe-
las 10 horas do dia, no oratorio da casa de residen-
cia do capil.To Antonio Dantas Correa, feilns as dc-
rninciacales juxt. fnd.nesta onde a contrllenle he
natural, e moradora, e o contrllente natural, e mo-
rador na freguezia do Caico, sem impedimento al-
gum, depois de dispensados no impedimento do pa-
rentesco em minha presenca, e das teslemunhas Ze-
l'crino Gomes de Araujo o Vicente Cont de Olivci-
r, casado* c moradores ua freguezia de San Joa-
quina de I.arangeira, se casaram por palavras solem-
nes ein face da igreja Manoel Salusliano de Medei-
ros, filho legitimo do sargenlo-mr Pedro Paulo de
Medeiros e sua mulher D. Mara Renovata de Me-
deiros, e Candida Esmeraldina Lucia Danlas, filha
legitima do capillo Antonio Dantas Correa e sha
mulher Joanna Francisca Dantas, e Ihes debas ben-
' caos conforme os rilos e ceremonias da Santa Madre
Igreja Catholica Romana, e para constar mandei fa-
zer este assenlo, que assignei, o padre Jos Francis-
co Muniz de Medeiros, vigario interino.
E nada mais se conlinha em dilo asscnlo que bem
e fielmente o copiei do proprio livro. e vai sem cou-
sa que duvida aca.J em fe de parodio.
Villa do Pilar 11 de dezembro de 1854. O v
gario, Jeronymo de Brilo Bezcrra.
Instrumento de puhlica forma de tima carta do
theor abaixo declarado.
Saibam qnanlos este publico inslrumcnto de pu-
blica forma de urna caria virem, que sendo no anno
do nascimento de Nosso Senhor Jess Chnsto de
1851, aos 19 ilias do mez d agosto do dilo anuo, nev
t i \ illa do Inca comarca e proviucia da Parabiba do
Norte, em meu cartorio appareccu o Icnenlc-cnro-
ncl Manoel Salusliano do Medeiros, eapresenlou-me
a carta que adianto se segu, pedindo-me que lli'.i
pasasse em publica forma,, a qual aceitei por se a-
char sem vicio algum e nem cousa que duvida fa$a.
c o seu theor he da forma e maneira seguinte :
Illm. Sr. padre Dioso de Barros Araujo. Clic-
guei ncjta sua casa ueste momento (meio dia), sem
novidade, desejandoasss, qne o senhor doenle, na
marcha em que ia para a melhora, c sem descrepar
al seu restabelecimento. Depois de achr-mc aqui
foi que ahri ou dcscobri o papel que Vmc. enlrcgou-
nic na ncrnsiao de minhaOahida, e deparei com 403
rs. em 3 uolas 1. Com effeito, fiquei pasmo de ver co-
mo se pretenda gratificar os servicos to exorhilan-
taque alii prestei. Meu amigo,consinla que lbe di-
p i, que se lenho usado da incivilidado de ter logo
a.'ii desdoblado o dito papel, nao feria de forma nc-
ii luraa aceitado tal quantia, pois anles prefiro pres-
tar-me nesses casos gratuitamente, do que robaixar-
me taoindignamentc.Senbor padre, quem faz dclu-
tur faz de senhor : quem chima algunm para (ra-
li ilhar, inda que seja em serviro alheio, est respon-
savel pelo sold justamenteganho, e quem nao quer
O sugeilar-sa a sao, deixa de tomar voluntariamente
e ;sa larefa" do chamar Aos Irnhalhadores sem previo
ajuste. E ramo este nao livcse precodido, com-
pria-lbe ao menos consultar a opiniao dos assislenlcs
cumo :i com o acnhnr tabellfl. Mas como nem
nina coua nem oulra, se livtssc pralicado, cntendo
que nao (evo licar com a forquilba ; e com a licon-
5a devida, digo ao senhor padre, qic so livesse pre-
cedido ajuste, en s ira por IOO9OOO rs. Mas como
pelas cirriimslanrias do caso nao liouve lugar desse
ajuste, eu nilo posso admiltir os OSIMIO rs., csiimen-
tc accitarci no lodo SO^MX) rs., islo he, mi< outros
40$000 rs. para preenrher os 8UBO00 rs. e qualqucr
demora na rcmessa, me far crcr na sua recusa a
minha proposirao ; o ueste caso considero-mc mero
depositario dos 109000 rs. que trouxe. Crcio nao
dever estender-me mais, pois qu ninguem melhor
que Vmc, pode saber conmlaes arranjos.... bem me
entende. Nao obstante islo, devodizcr-lhe, qoesem-
pre fico na mesma constancia para cumplir os sens
chamados nesses casos, c mais lodas as vezes que de
mim precisar. Tcnha a bondade de recommendar-
me ao nosso exccllcnlissimo amigo, ojSr. Armindo
Cesar.
Son de Vmc. amigo, venerador obrgado. Jote
Carlos de Sao Pedro. Sua casa 27 de abril de
1853.
Rcconheco ser verdadeira a lellra e firma supra
do proprio, por ter della inlciro conherimento. Vil-
la do Inga 21 de maio do 1853. Em teslemunho de
verdade.O labclliao publico, Benicio Jote de Tor-
rei.
E mais se n.lo conlinha em dila caria qnc me foi
aprcsenlada, que cu labelliao adianle declarado c
assisnado, bem c fielmenle trasladei do proprio ori-
ginal a que me reporto, vai sem cousa que duvida
faca, escripia por mim c assignada, nesla sobredita
villa do Inga aos 19 dias do mez de agnslo do anno do
nascimento de Nosso Senhor Jess Chrislo de 1854.
Em teslemunho de verdade. Benicio Jos de Tor-
res. O labclliao publico, Benicio Jos de Tor-
res.
PUBLICACA A PEDIDO.
A SOHi i\ V DO BAILE.
Toda a (erra ame aos ecos em seus prodigios,
.4abre o Creador na crealura.
(A. P. Bfaciel Monteiro.)
Em meu coraeao puro ergu-t*altares.
(I. T. Canuto de Forjo'.)
D'enlrc tantas e mimosas don/ellas
Sc de urna meu amor se dimana.
Exulta em xtasis meu corarilo
S ella de lodas foi SOBERANA.
O seu olhar expressivoc locante
Arrebata, extasa, m'culouqucce:
A sua voz, meu Dos, qu'harmonia!
Prendc-me, fere-me, c u3o s'abaslece.
O sen por lo scntil. onuraeido,
A que Venus smente imitara,
Com macicn encanto atlrahe
Amor, que jamis se votara.
Mais alvasque candida e liinfacucena
Jrazia as vestes de flores ornadas;
E as flores mil (ao claras, tan bellas
Realrar iiiui podcrain de litas orladas.
No aprasivel dansar. modesta volvendo,
Ondear fazia nselim puro e lino :
E com enleio tal asinha vidtando,
Caplivando a todos, entornava-lhes tino.
De perfumados rravos c gratas florinhas,
Prvido com grara euiava o bauquet.
No arrouho do pasmu cbamci-lhcdeusa
i.iue a linda densa mais linda nao he.
En que a vi tao lhana,
Ser tambem soberana.
Como o bello serafim,
Todos rcndiam-lhe culln,
Nao serviudo-o dMnsulto
A's nuil a- nao bellas assim :
Que arraslava garbosa,
Porm mui vergonbosa,
A turba de jovens mil, a<
Oue humilde acercava,
E canc.'s lhe oflcrlava,
Massiuiples c sem ardil:
Que a lodos rer i hua
1 .oni um riso, que se va
Por entre doceenlevo:
E ella Uto iiiageslo-a
Tao pura e tao fonnosa,
Confcssar agora devo.
Quem esquivanca (aria
A o" poder qu'ella nutria ;
Poder que cu nao resist....
E pela uraea radiante
De seu lindo elmo semblante,
Captivo eu logo me vi.
Ella s quem dominava
Com seu brilho, que pasinava,
Toda a turba lervorosa :
11 toda Testa esplendor
Foi ella, que com fulgor
Deixou-a muito amorosa.
E sua perfcicjlo, pois, nao indicara
De crcalura ser assim humana.
Ella a ludo, a todas excedo.
Ella s.... Ella s a SOBERANA.
F. li.
UTTEIUTIKA.
O KAS2ADAN.
(ronc/tisio.)
Depois que cm nomo da moral publica as cantoras
e (i.insariuas dcsapparercram dos cafs, a orcheslra,
composla quasi sempre de um vcllio locador de ra-
beca entre os joellios de um judeu arranhador de
cylhra e de um tocador de derbuca ou tamboril, es-
t rcduzidas canres viadas 1I0 Times, aos poemas
de amor sensual, e s lamcnlaeOcs que pintam os
tormentos, repertorio que ella caula com voz fanho-
sa a qual misluram-sc nimias vc/.cs sons discordantes
c agudos.
Os indisenas todava cnchem os bolequins mouros:
ellcs ah jogam as llamas c o xadrez. bebendn o cafe
n cssa bebida dos amigo de i)en<-, esse vinho a quem
ucnlium cuidado pode resistir, essa foute de saudc
que lem o ebeiro do musgo a a cor da tinta. e o
europeo" recem-ebegado sorprehende-se a escotar
curiosamente a mosica barbara que ahi retumba c a
acalculor suas saudades com a fumara de um cachim-
bo comprido. Alguma* vezes arias do um rhvlhmo
mais agudo, mais animado, impressionam-lhc os ou-
vidos: sao ario de, dansa. Parece que as almes
ibailadcras da Imtia) fio appareccr ; a imaginaran
evoca-as rns s olhos dirigem-se de balde para o
espaco em que essas lilhas do prazer eram applau-
didas ainda ha poucos anuos e cobcrlas de moeda de
prala e de ouro. Iloje be preciso ir procura-las as
N'bilas, quando o acesso dessas testas he possivcl.
lie que ellas se enconlram tao brilhanles como nos
lempos passados, vestidas de urna simples camisa de
fil de seda com mangas fluctuanies, c de urna cai-
fa de pregas largas, lendo as caduiras desenliadas
por um cinlo de franjas de ouro, a caneca graciosa-
mente toucada com um estofo de Tunis com riscas
de ouro o qual retcm um diadema de brilhanles, os
cabellos cnlraucados sem?ados de sequins e flores
de jasniim, o peilo cobcrlo de collares de pcrolas e
diamantes sobre um seio dcscoberto, os bracos e de-
dos carrejados de aneis e braceletes.
Ao som dos instrumentos, urna dolas levanta-sc
rom languidez : durante alguns instantes, suas raaos
indolentes agitam brandamenle dous lencos de seda,
seu corpn parece immovcl dchaixo das pregas do
fula (1) deselim de lislra, e apenas pcrcebe-e o mo- ,
vimcnln de seus |s, cojos alilhos sao.ornados de
fitas. A musir anima-so logo, o compasso lorna-sc
mais vivo, mais arrebatador, o fu yu das mulberes
roberas de veoque inclinam-se tas galeras mslu-
ra-se rom os cslremccimcntos e murmurios dos ho-
mens, a dansar na embriaga-se, occulla os olhos com
os lencos que Iraz na macj, c leudo os ps fixos no
mesmo lugar e o pelo arquejante, n.lo pile mais li-
mite a fiexibilidiidc e audacia de seus movimenlns ;
ella p ira cmfim escolada de fadiga, lendo o rosto,
o peilo c os braco*, semeados de moeda- de ouro e
prala, paro ser substituida por urna de suas compa-
nheiras. Estas tecnas em que real idade e o frenes
do prazer san levados a excesso, duram toda a noito ;
as tribus nos a temos visto reprodu/.idaspor homens
exeilados pelo ranlo agudo do pfano e da gaila ara-
be ; ellas pcrlencem infancia 011 vclhice do urna
naci c passadn o priincirosenlimeulo de curiosida-
de. ninguem as pode contemplar muito lempo sem
desgosto e sem tristeza.
Durante o Ramadan, as lojss e cafs peimanccem
nhertos ale urna hora da manba. Nessc momento,
loilos reliram-sc para lomar a ultima rcfeic.lo da no-
le, ou continuar no silencio e myslerio do lar do-
mestico os prazeres a que um commentario cornpla-
cenle dos preceilos religiosos pcrinillcm-lhcs entre-
gar-sp. No dia seguinle, a cidade indigcua parece
deserl.i i poucas lojas se abran anles das onze horas;
rin-rca lo., os bazares sio quasi abandonados.
O musulmano repona dos excessos ou da abslincn-
cia da vesnera, c abrevia pelo somno as peniveis ho-
ras do jejum. Nao se enconlram na ra scn.ao os des-
gracadosobrigadns, para viver, a Irabalhar desde I
aurora, os liis que nlertsscs urgentes rhamam fora,
os viajantes dispensados de jejuar, algumas negras
immoveis junio do pao que vendem, c o judeo que
em lodo o lempo e por toda a parle vende sua in-
dustria e sua aslucia. Pelo meio dia, a cidade torna
a tomar urna pbysionomi accoslumada ; os homens
eslao enlregues a seusnegocios e entilo he a vez das
mulhercs invadir os banhos momos, dar csmolas
e visilarem-se urnas as outras ornadas, debaixo de
veos brancos, de seus mais ricos vcslidos.
Assim passa-se a vida dos indgenas durante o Ra-
madan : abstinencia durante o dia carnaval, ou cou-
sa que o \ alba desde que o sol se pe al que o olho
pode distinguir um lo brauco de um fio prelo. As-
sim ao contacto dos costnmes se tem enfraquecido
a Ir.iiiicoao religiosa,c o propheta poderia hoje acres-
contar cloquenles maldi<;oes aos mil vrselos que o
Alcorao ja coutem sobre o inferno prometlido aos
inTleis.
Para os mussulmanos que observam o jejum escru-
pulosamente bem como para os que nao o respeitao
senao de dia e consagrara a noite ao prazer compre-
heude-se que a fadiga seja grande e que o crescenlc
da la nuva do chanat seja ardenlcmcute desojado.
O cadi verifica a sua apparieao com a mesma solem-
nidade com que verifica a apparieao da la do Ra-
madan, e na mesma noite um tiro de peca anniincit
aos fiis que o jejum este terminado.
lima inmensa aeclnmae.lo derraraa-sc pela cidade
em aceao de gracas. As mosquitas Iluminadas to-
da a noite, cnchem-se de renles, e da mcia noite al
sduas horas da manhAa, os muezzins n3o cessam
de cantar o adn seguinle :
n Dos he grande. Vinde oraejlo. S Dcos he
Dos e Mahomel sen propheta. Dcos he grande.
A oracao he mais saudavel que o somno.
11a alguma cousa de temo o solemne nesse con-
vite que retumba ao longc. e que da ra da Mari-
nha sube de turre em torre at ao ruine da Kasbah.
Nao ser o echo de urna religiao c de urna naciona-
lidade que se exlingucm ? Dehfcixo do eco asul da
Alegra o contrasto esl por loda a parle. Ao lado
da mosquita Icvaula-sc a capella santa ; c sea voz
do moc/./in paira sobre a cidade francea, tambem
despcrla o legitimo oraulbe d grandes cousas con-
summadas sombra da le c da bandeira, a lem-
branca de gloriosas campanbas c o presentimento
do futuro confiado coragem de um excrcto que
11 sabe obedecer e soffrer. (2) Logo que soa o
arfan, a mullidlo coneorre grande mesqnta e
permanece em oraeo desde a apparieao do creps-
culo da manilla, o Entao o muphili sobe ao pul-
pilo para agradecer a Dcos: acabada sua predica,
bache muezzin (3) aprsenla o bcsal, pavilhao de
seda verde amarello e encarnado, lendo em pala a
espada de dous guies do propheta sobre urna inul-
(idao de estrellas e de crcscenles do prata, issado
ua lorre depois da oraran do fedger. A esse signal
urna salva de 21 tiros de pera consagra o rompi-
miento do jejum, %c os assistentes, levando as raaos
para o reo, reritain o falcha sacramental. (4)
a Louvorcs a Dcos, senhor do universo!
o O clemente, o misericordioso 1
o Soberano no dia da reliibuicao!
o He a li que adoramos, he a ti cojo soccorro
imploramos: dirig-nos no caininho recio.
No caminbo daquelles que (cns cumulado de
leus beneficios, e nilo daquelles que lem cncorrido
cm la colera, nem daquelles qne se desgarram. :i
De sua parle, as mulhere, s quacs a mesquita
he inlcrdicla, a;aham de preparar os bolos que no
dia seguinle devem mandar de presente urnas s
oulras; mas nao he isso seno urna parle de sens
cuidados. Sentadas oanla de um espelbo de n-
car, ellas iulro li;/ m o mriicd (5) carregado de
Keiib'l ((' cnlre as pestaas e impregnam dellc as
sobraucclbas desenliando o arco das mesillas com
urna arte e rasquilbaria que do-lbcs nos olhos, os
quacs o veo torna anda maiorc, um att(Plivo ir-
rcsi'livcl c urna rara veraridade de brilho. Debai-
xo de seus dedo, o henn soffre mil preparacies
variadas c caprichosa: urnas enuegrecem com elle
completamente os pps e naos, outras nao os es-
lingem senao em parlo; estas desenliara ahi espe-
cies do arabesco, aquellas nao fazem sean avivar
a cor rosada de suas nnbas. A phant-isia reina co-
mo soberana, torna-as escravas por urna noite, c
seria um curioso espectculo para um novo Asmo-
deo loda essa raaos e lodos esses pes de muflieres
adormecidas que esperam debaixo de suas filinhas o
eflcilo do henn. <
Logo que o canillo retumba loda a popularao.
leudo ja renovado os vestidos de reala, espalba-se
pela cidade. Por loda a parte he una (roca alroa-
dnra dclongas e ceremoniosas feticitarOes, de visi-
tas, de saudacocs, de beijos sobre o peilo, sobre o
hombro ou sibre a mlo, segundo a rondico da-
qnelles que se enconlram, c de presentes desde o
dom voluntario ate retribuirn forrada que no
can.o de cada loja de barbeiro, exigem os meninos
que inundara os passageiros com um frasco de cs-
sencia de rosa. Os personagens piedosos dilo es-
mollas (7) consolam .osdocnles ou fazem urna peri-
grinacao sepultura de algum marabuto venerado.
As mulhercs c menino que por loda a parle lem
em pardilla as delicadezas do coraeao, vao aos cc-
111 i111 ios honrar a lem!.ranea dos morios. A ra,
a salaria, e levantada a podra, virara appareccr
restos de ossos humanos.
Ainda duvida"! perguntou Rigaud.
Nao, isso parece certamenle urna sepultura,
mas.... mas.... na eslou bem convencido sobre es-
ana imagen. svmholicas.
Tudavia |ierccbcu minha demonstracao.
Perfcilamenle o al acln-a muito engenliusa,
mas.... mas o que o senhor chama altar....
Veja bem; a oedra he inleiriea sustida por
dous cachorro, quando nao o ra por dous pilares.
Kis-aqui ".m nicho que devia servir de credencia, cis-
aqui oulro que servia de piscina. Olhe, ver a bar
r.,, c o cano.
Com eliilo, ludo isso he muilo exanji e pa-
rcce-rr.i! verosmil....
xa|n
(I) O fula heum pedaco de panno que as mu-
flieres irazcm preso as cadeiras c que desee al aos
ps.
(2) Palavras do duque de Islc.
(3) Cheje dos muc/.zins.
("i: lie a iuvocacao quo forma o 1 capitulo do
I Alcuru.
(5) Pincel de pao polido ou de prala.
(ti; Tinta prela.
(7) A esmola he principalmenle nesses dias um
dever para os mussulmanos. Ella he frita por gran-
des e pequeos.
lin al mente, he oceupada por negros com soas ban-
deiras, seos lamlan, suasjiorrnroias castanholas de
ferro c suas dansas narionaes tao cheias de fogo e de
selvagem originalidade.
A fesla do rompimenlo do jejum, 011 Ai 1-cl-Se-
gliir, (8) dura re dias. He oBeiram celebrado com
lano esplendor c pompa em Conslanlinopla eTn-
nis. He-la apenas urna leinlnanca dessa ceremonia
a que concorriam oulr'ora os sanios dignitarios da
regencia, para beijar respetosamente a m,lo do so-
berano ; as feslas do jnleiiir da Kasbah, as csmolas
distribuidas aos pobres, para os.quac* abrem-se nes-
se dia as portas confiadas guarda dos negros, os
exercicos militares a que o dey assislia do alio deS-
se pavilhao tornado l.1o celebre, nao vivera mais
que na memoria de alguns Turcos velhos, e o pa-
elii'-palanen (9\ que diriga o gticrrach foi morrer
como valcnle soldado, na planicie de Staucli. Sua
arle, todava nao extinguio-sc com elle. Mouros
conservam ainda as (radicos della, e no dia das
grandes solemnidades, apparcccm com o corpo nu,
a cabeca raspada, os olhos cheios de fogo, e Icm-
bram cm um cmbale sabiamente regulado os faus-
tos e hroes das lulas antigs.
Mas o prazer ardentemcnlc amado do rabe, o
jogo que he ao mesmo lempo sua alegra e seu or-
gulho, que vivera em quaulo elle livor um cavallo
e urna espingarda, he o jogo da plvora, o simula-
cro de seus cmbales, le a phaulasia. Alguns dias
antes do Aid-el-Scghr, os cavalleiros chegam da ci-
dade. Em torno das grandes barracas dos kalifaz,
dos agahs e dos cahids collocam-se barracas de to-
das as boinas e de todas as-cores: negros, servos
numerosos esteiidem no chao tapetes de Smyrna,
coxins bordados de ouro, embaracSo magnficos
cavallo. e cobrem-nos de mantas brilhanles. O
campo forma logo um vasto circulo no qual se reve-
la, como por encantamento, a vida rabe em toda
sua simplicidade e encanto solemne. Eu nSo ima-
gino ao por do sol urna scena mais arrebatadora.
A alegra ah esl toda inteira encerrada entre o
mar c a cidade, lendo por horisonle os cimos do
Atlas coloridos dessa bella cor azul e roxa tao fami-
liar aos pintores do Oriente. Aos mil ruidos da lar-
de misturam-sc o canto dos rabes, os riachos dos
cavallos presos cm longas fileiras as cordas cslcndi-
la de urna cxlremidadc do campo outra, os es-
tallos das fogueiras as quaes assam-se carneiros in-
teiros, os gritos dos camellos que levantan) suas ca-
breas calmas e resignadas cima das barracas, e de
quando em quando os sons selvagens da gaila que
repele sua montona canelo. As horas passam-se
en) contemplar esse espectculo. Pouco a pouco
lodos os ruidos fundem-so cm um sussurro surdo e
indeciso : a noite cabe, e a suave paisagem exlin-
gue-se, dcixando ao pensamento a indizivcl im-
pressae de sua magcslade c de sua melancola.
No dia seguinte o campo anuda para correr
fesla. Aos sons retumbantes das gaitas e dos lam-
an, vista das bandeiras que dcsenrolam-se em
renle do acampamento, os cavallos halem a trra
com impaciencia c os camellos, levantam gemendo
os alatiches debaixo de cujas dobras occullam-se
as mulberes do Sahara. Coherlos de ricos vcslidos,
armado do um longo fuzil eneu-iado de prata e
coral, levando cinta urna parla/ana epstolas, e
tendo a cabera coberla com um immenso chapeo de
pennas de avestruz, o rabe senlc snbir-lhe ao co-
raeao e ao rosto (riguero o ardor dos inslnctos bel-
licos. O primeiro liro embriasa-o. Levantando o
grito de guerra, elle lanca-se com a redea nos den-
les, em p sobre os estribos e volta ao acampamento
depois de ter dcscarregado sua arma no meio da
curra rbneenlriea que descreve. Urnas vezes passa
13o veloz como o rao, brincando com a espinganda
como Auriol com suas balas de cobre, 011 levando-a
em equilibrio sobre a cabeca ao passo que dispara
suas pistolas ou brande a espada ; outras vezes, faz
parar sobre os jarreitos de ac o. cavallo que corre
a redea sola, levanta-o dos quatro pes e sustentan-
do-o com sua mo poderosa o faz andar muito lem-
po sobre os ps de detraz. O Arabo nasce cavallei-
ro : elle reparte com seu cavallo 1 barraca que o
abriga ; faz delle a paixao de sua vida, o compa-
nheiro de sua gloria e de seus revezos ; mas tam-
bem que nnbre e generoso animal alTagado pelos
meninos, nutrido pelas mulberes, deve-lbes sua in-
telligencia, sua docilidaddc e a casquilharia com que
(raz sua manta brilhaule parle azul parte encarna-
da, cojos sonoros casenveis faz retiir sallando, sua
sella de velludo encarnado bordada de ooro c sua
bride ornada de cresccnles, de amuletos e de lalci-
gos, conlcndo sua genealoga. Ardenle e impetuo-
so como seu senhor, elle estremece ao som dos tam-
lans ; os olhos brilham-lhe, as ventas inflanimam-
se visla de urna espingarda, c elle lanja-se ceg
no conflicto nao senlindn oulra cousa que a vonlade
que o guia.
Nao se pode pintar com palavras as scenas diver-
sas* de phantasia, os grupos admiraveisde piltoresco
de riqueza c de Irages que snecedm-se e compri-
mem-se debaixo dos olhos. Importa ouvir csses
clamores confusos, csses selvagens gritos do guerra;
importa senlir o cheiro da plvora, embriagar-se de
sua fumaca. Importa ver no meio do p luminoso
que elle levantara csses ousad,os cavalleiros, cujo
haik fluolua ao vento, precipilarem-se sobre os pa-
lanqiiins que contera as mulhercs, tornarem a for-
mar-sc em on!em voz dos chefes e carregarem pa-
ra deixa-los as fileiras iuimigas, soldados de infan-
taria pendentes da sella ou da cauda dos cavallos.
O coinhale esl em loda a parle. Aqui, sao conflic-
tos de alira lores; all cargas de cavallaria por in.as-
sas iinmciosasc aperladas sulcamo campo de ma-
nobras. O camellos espantados lorvelinham no cir-
culo que os eucerra ; ao eslrondoda fusilada respon-
de o grito estridente das muflieres. O ardor e es-
forros da lu'a ronccnlram-se sobre os ataliches, cu-
jas cortinas ellas entre-abrem, e mais de um rabe
animado do desejo de agradar, faz prodigios de va-
por. Vinle vezes lomados, e retomados, os palan-
qun. permanecen) por fim era poder de seus de-
fensores. Essa razzia simulada as portas de Al-
eer, a guerreiro, produz sobre o espirito urna gran-
de inipr-'-ao e o coraro bate mais de urna vez s
Icnibrancas gloriosas que ella desperla.
O brilho do sal, os tamborea que rufum quando
passa o goveruador com seu brilbante estado maio r.
o canillo que troveja, as msicas militares que se
misturara com a musir rabe, o povo vencido con-
fundido com o povo vencedor, o movimento da mul-
lidao na qual se apresentam todos os (rases da Eu-
ropa e todas as rara da Algeriao lliskri, o Moza-
bita, o Laghuali armado do enorme bacamarte com
o qual acaba de simular os cmbales do Sahara, o
negro de formas alleticas, o rabe trazendo orgu-
Ihosamenle a corda do camello e o capole, o Mouro
cobcrlo de ricos vi -dolos, o Kabilla de cor Irigueira,
o Marroquiuo vestido com a saia listeada, o Judeu
csquerciido debaixo de bonet do Eurupcu a servidao
que lano lempo pesou sobre sua raca, c atravessan-
do myslerioaiiieiile pelo meio dessa mullidlo, mu-
flieres coberlas de veo seguidas de suas regras e de
bellos meninos; ludo, at mesmo o andar dooloral
e a sandalha amarella c pontuada dos cadis e
muplitis, excila a curiosidade e maniera a imagina-
cao despertada.
Dirijam-se alvas rasas Icvanlam-se por massas irregulares des-
de a Marenha at a Kasbah, na enseada que demhra
a baha de aples e cujo horisonle esplendido est
innundado de lozes, e depois sobre as colinas que
ella banlia com suas ondas o cujas numerosas casas
de campo resahem sobre um verde de esmeralda e o
esperlaculo se completar por urna das mais deslum-
bradoras perspectivas que a natureza creou as mar-
gens do Mediterrneo.
He no meio dessas (estas e desses encantamentos
que se termina o Ramadan. L'ma nao tem variado
ha seculos por seren fundadas sobre os inslinctos
do povo rabe e sobre as (radices de familia; a ou-
lra se lem modificado successiva e profundamente ao
contacto do lempo e dos costumes. Ja o propheta
antes de morrer linha reparado na repugnancia ex-
trema dos rabes ao jejum c tinha adocado singu-
larmente a pralica e fervor primitivos do mesmo
abrin o urna porla aos descansos, as esmolas e s
penas expiatorias. A influencia de nossas ideas tero
feilomas: lem elevado o mussulmano a liberdade
de conscicucia, e se elle se faz arraslar i niahakma
do cadi, he menos sua impiedade do que sua devas-
sidao que be punida pelo magistrado.
Monileur.)
Mr. dcChavilly he de minha opinio, lornou
Itigaud, elle diz como eu que voss est louco, Sau-
liej.
Eu naodissclal, intertompoo (iastao.
O senhor o pensa, o que he o mesmo. Mr. de
Chavilly pensa como eu que voss esl louco, Sau-
lcu.
Nao lano quanto be apraz dizer, responden o
,-irchcologo com o inaior eangufl fro. A' medida que
reluci nieto rontirino-ine na minha opiniao, c agra-
de^o-lhe, Rigaud, ler-nio feilo eoiu'iecer a existen-
cia dcstas sepulturas. Ellas bao de forneccr-me mais
um argumento cm favor da idea inicuamente nova
de que os tribu naos, secretos da Allemanha tiiiham
alTiliados 110 Valois. Doaia historia licaid'or.i cm dianle bem esclarecido.
Emfira o senhor oconfessa! exclamen Rigaud c se eu poder adiar uina quarla solucao para esse
Iriumpliantc. Esto subterrneo nao era am preto- problema dos tringulos....
no, mas urna sala de catacumbas, nao ora um tri-
bunal secreto, mas uina verdadeira crypta, romo di-
zia lia pouco, da palavra grega cryptos orrullo.
Cantes*..... confesso.... di-so o archeologo
meneando a rabera, 11.I0 confesso nada absolutamen-
te. Afliriuo ainda oquedisse: era una sala de jus-
tica.
Entao que faz das minha sepultura-'.'
As sepulturas das victimas.
Do meu altar'!
O altar das victimas.
Do meu desenlio de abobada?
Os ltimos diverlinienlos das viclimas.
Alil isso be muito! eiclamnn Rigaud, cujas
feicoes ordinariamente alearos tinham torfiado rc-
teulinamenU urna singular exprcssAo de desalent,
a verdade isso he muyo Que diz, mea joven a-
mig-v?
Gasino qne se esforcava para reprimir urna garga-
lliada, limitou-se a acenar com a cabeca em signal de
oisentiinento.
Que! o senhor poma ainda cm seus tringulos?
Mais do que nunca, c nao posso crr que ansas
figuras l.'iiham sido traeadas all sem um designio
mais seno do que esse a que o senhor quer allribui-
las. Nao son idelogo, nem homcm de systcma,
raen charo, a jamis eonsentirei cm abdicar minha
razo para segui-lo ao acaso em suas frageis hypo-
llieses.
Estou confuso, disse Rigaud vollandopara fias-
tao, a molestia he iiicumvel. (Juc I sou cu agora que
faro h) potheses !
Depois recobrando repentinamente seo gaz de cri-
den, conlinuou :
E pretende exprsua opinio na grande obra
que prepara, Saulieu ?
O archeologo fez com a cabeca um signal aflirma-
livo.
Muito bem, tem razan, meu charo amigo ; mas
romo I10111 vizinho advirlo-lhe que vou publicar orna
hrochiira sobre a crypta de Oslreval.
(8,1 Ou pequea testa por contraposicao das im-
molacesquc Icmbra o sacrificio de Abraham, e que
he a grande testa dos mussulmanos.
(9) Chote dos hilador.-, era ao mesmo lempo o
porla estandarte da milicia turca.
Mahomet o Alcora'o.
{Conclusao.)
Morrer como soberano e como propheta, lal foi,
durante os qiiiuzc dias que durou a sua molestia, o
constante pensamento de Mahomcd. Elle manteve
al ao fim a grandeza desle duplicc papel. Deu or-
dena para urna expedicao para a Syria, e para a re-
pressao de urna revolla no Yemen. Edificoo os Mus-
sulmanos pela sua fiumildade, porquo dir.gindo-se
mesquita apoiado nos bracos de Ali e de oulro fiel,
fallou-lhes assim : e O' Musnlmano I se flagelei um
sde entre v, osaqui a inhiba cosas, elle pode
bater ; se infamei a sua repotarao, pode fnaldizer da
minha ; se liz-llio alguma aflronla, trale-medo mes-
mo modo : se pedi-lhe algum dinhciro injustamente,
eis-aqui a minha bolea. Ninguem tenba receios dos
meus resentimenlos. a injuslica nao he propria do
meu carcter. Quando elle arabou de fallar, tunlio-
mem aprcscnloii-se, reclamando tres draebmas que
lhe eram devidas. Ellas lhe foram restituidas pelo
propheta com muito interesse. Depois passando a
tratar de cousas mais altas, vollou-se para os Ansa-
rienses, seus defensores lao fiis, c di*e-1hes : Ex-
pelli lodos os idolatras da pennsula d'Arabia; conce-
dei a todos os novos convertidos os direitos de que
gozam os Mussulmanns, e nao desprrzeis jamis a
orac3o. Eslas palavras supremas permaneceram
como um preceito sagrado para os Mussulmanos:
Quando suas forras nao permitliram-lbe mais que
se dirigisse a mesquita. Mahomel cercado de sua fa-
milia, deu-lhc in-icurre- sobre o seu funeral, e rc-
commendon-lhes que nao deixasscm escapar nem
qucixas nem gemidos. Eu vos dou a paz, disse el-
le aos cus, o rogo-vos que a pecis em meu nome
para lodos os meu companheiros ausentes. Elle nao
perden senao por um s momento esta doce sereni-
dade, quando nos transportes, 110 delirio da febre,
disse que quera dictar um livro divino que seria a
lei das leis. Nao possnimos o Alcorao, di-era ni
milite dos assistentes, Nap nos he elle sufficiente?
Oulros mostravam-sc dispostos a receber esla reve-
lado suprema. O murmurio desta disputa fez com
que o propheta ternasse a si.ordenou que sahissem
todos aquglles que o cereavam, e desde ess momen-
to nao permittio que ninguem mais se conservasse
junto delle senao Aiesha, a mais amada das suas
mullale-.
Aqui convem dcixar a IradieSo, porque ella he a
expressao bel dos senlmenlos e das crencas que
Mahomet soobe inspirar.
Durante os tres ltimos dias dadoenca do prophc-'
la, segundo a n u cacao de Aiesha, e o anjo Gabriel
visitou-o algumas vezes e perguntou-lhc se quera
receber o anjo da morle que apreseulava-se sua
porta. Entre, responden Mahomet.
Apostelo de Dos, disse-lhe o mensageiro f-
nebre, Dcos enviando-me a ti, ordenou-me que exe-
culasse as tuas vontades. Quer determines que eu
tome conta da loa alma, quer ordenes que a deixe,
obedecere. Toma cunta della, respoudeii entao
Mahomel, pois que lal he a la vonlade.Dos, ac-
crescenlou Gabriel, desoja ardenlemenle a tua pre-
senta. Quanto a mim, nao ternarci mais a appare-'
eer Mbrni Ierra, e rcliro-roe para sempre desle mun-
do. Nesle momento, diz Aiesha, as palpebras do
propheta eslayam immoveis. Eu ouvi que elle pro-j
nunciava rom voz-mui Iraca eslas palavras. Com
os habitantes dos cos. Entao comprehendi que
linha escollado a habitar ia eterna. Alguns minu-
tos depois, Mahomel expirou murmurando um dos
vrselos do Alcorao a respeilo dos prophclas que
Dos enche de suas grara.
A morle de Mahomel achou incrdulos. Ornar
pretenden que o propheta nao morrra e que liba-
se retirado para o Senhor como o fizera Moyzs, au-
zeiilandn-sc durante quarenta dias, e amea^ou com
sua cimitarra todo aquelle que ousasse sustentar que
Mahomel nao esa inmortal. No meio da mullidlo
inflammada por eslas palavras appareccu Abubekr
que depois de Icr pronunciado a formula solemne
da'orarle, fallen ao povo. O1 Mussulmanos. disse
elle, se vossa venerarao profunda para com Maho-
mel o julga immorlal, estis cm erro. Mahomet nao
existe mais. Sil Dos vive sempre. Abubekr citou
as palavras do Alcorao qne annnnciavam a morle do
propheta, e acabou por convencer a todos os Mussul-
manos de que Mahomet linha soflrido a serte com-
niuin.
Podemos agora caracterisar Mahomel. Era urna
natureza feliz, admiravclmcnlc dotada- Tendo urna
physionomia nobre e doce, e olhos negros c vivos,
era dolado de urna immensa verbosidade que lhe
subnietlia os cspirilos de lodos aquelles qne o cscu-
tavam ; e esl'e orador era tambem nm grande poeta,
cujas descripcOes magnificas e lyricos transportes ar-
rebalavain a imaginacao dos filhos de Ismael.
Intrpido na guerra, poli 1 ico lo flexivcl quanlo
aos meios, romo nflexivel quanlo ao fim, Mahomet
excrceu sobre os homens urna influencia que todos
sofl'reram voluntariamente. Os pobres achavani-no
generoso, os grandes affavel, a mocdade benvolo ;
seus iiiiniigos liveram occnsiSo de wr qnc era mise-
ricordioso com prazer c algumas vezes inexoravel por
necessidade. Um temperamento cuja, vivacidade
cxlraordinnriaadniiravaaos mesmos rabes, o levava
a voluptuosidad!' qual en'.regava-e sem que per-
ilesse o seu prestigio. Preoccurado por um grande
designio Mahomel, para o cxecular, nao tralou pelo
seu modo de vida, de separar se do povo~que quena
converler. (uarda-ramellos, chefe de caravanas,
mercader, soldado corajoso, romeiro piedoso, arden-
te csprisd de muilas muflieres, Mahomel foi o rabe
por cxcellencia, e seu carcter indgena 13o forte-
mente assignatado augmentou sua auloridado. Nun-
ca o espirito de nm povo foi manejado com lana
arte, e suas paixes melhor aproveitadas Mahomel
soiilte dirig las. excitando-as. Os rabes nao co-
nhortara senao o commercio; elle iufundio-lhcs o
goslo pela guerra, c habiluou-os pouco a pouco s cx-
neilic longinquas. Elle eram idolatras, Mahomel
fanalisou-os polas predicees de um s Dees, pro-
pondo-lhes como recompensa as eternas delicias de
um voluptuoso paraizo.
Em menos de um quarto de secuto, Mahomet ti-
nha transformado os rabes, e esla merlamorphose
inaraiilbo-a que he o mais brilhaule lestemunlio do
seu genio, manifesta-se por signaes irrcsislvcis, des-
de que fechou os olhos. Foi depois de sua morle
que o culto que eslahdccera se derramou pelo mun-
do, esta propagaran feita mo armada rcalisou-se
em menos de um secuto.
O Islamismo derrama-se do seio la peo nsula, que
eslende-se desde o Mar-Vermelho al ao golpho Pr-
sico, conquista a Syria, o Eayplo, invade a A-1.1. a
frica, cstabelece-se era Ilespanha e amcara a Fran-
ra. Quando os rabes c os Francos junlarain-se na
visinhanca de Poilieis, Abd-el-Raman cCarlos .Mar-
til |>ermanCceram acampados em presenta um do
oulro pelo eSparode urna semana inteira, possuidos
de umsentimento commum de admiracao e deas-
sombro. Hesitara 1 eloquenle profunda c in-lir-
lva inlclllgeiicia dos interesses sagrados de que ia
decidir un combate lerrivel Era fim a cansa de
Chrislo venecu. Porm nao queremos seguir, ainda
que seja rpidamente, os Irados cnsansuentados da
cimitarra do Islamismo ; he seu espirito que (toseja-
mos apreciar encerrando-nos no Alcorao. Nao es-
quecemos que ao lado do livro do prophela rollo-
rou-se a sunna, islo he, a Iradiccao que, durante os
quatro primeiros secutes da hejira, desenvolveo o
Islamismo; he este o movimento necessario das cou-
sas humanas. Conservamos tambem na memoria as
divisoese as heresias da religiao de Mahomet, os son-
nitee os sehyylas quecslabelcceram oulras seitas;
emfim,.nflo ignoramos qoe o Hamismo foi cnsinado
em commentarios, em cathecismos. em fim que delle
fez-se uro corno de donlrina religiosa, moral e jur-
dica; porm nao queremos hoje senlo considerar o
cenlro geral de todos rsses dosenvolvimentos, de lo-
das esas i nterprelacOes. o Alcorao tal qual nos foi
Iransmillido ha doze seculos por Abubekr e por
Ollnnan.
Nao ha senao om Dos. Tal he a idea simples que
Mahomet procurou innocular no espirito do rabe.
Trabalho difficl, porque a tua idolatra era invete-
rada, e he isso o que explica as descripee- innme-
ra veis que Mahomet lrac,ou da grandeza e do poder
de Deo. Era necessario repetir isso continuamente,
era indispensavel apresenlar com infatigavel perse-
verara; aos adoradores da pedra negra da Caaba e
de oulras imagens groseiras, a idea de Dos como
o principio e o fim de lodas as cousas. No meio dos
eloquenle desenvolvimenlos em que se aclia cele-
brada a sabidura divina, encontramos no Alcorao
esla enrgica aflirmarao. Dos he um. Elle he
eterno. Nao teve principio nem tem fim; nao ha
ser que lbe seja igual. Eslas palavras resintiera loda
a dnutrina pregada por Mahomel, e por isso convm
conhecer o seu espirito.
Iniciado as Iradires bihlcas e na revelaco chris-
laa, Mahomet prorlamou a unida le de Des, e ne-
gou o dogma sublime da Encamaran. Islo pareceu-
Ihe mais conveniente. Cooibate com coragem
debaixo dos estandartes de Dos, diz elle no Alcorao
pois sois os seus cscolhidos. Elle nada de di/ficil
ordenou-tos em vossa religiao. He a f de vosso
pai Abrahao, que professais. Foi elle que vos cha-
mou Mussulmanos. Eis a prudencia, as precaures
polticas que as.igualamos desde o principio no fun-
dador do Islamismo: na religiao que prega, nada
quiz preseros erque fosse diflicil; liroudo roosaismo
a doulrina da unidade de Dos", c ao mesmo lempo
tralou de erro a f dos Quistaos na divindade de
Chrislo e na Trindade.
Parece-nos que tomando esla deliberarlo, obede-
ceu nao s s suas proprias inspiraces, porcm ain-
da suggestqaa estranhas, a cunselhus odiosos dos
hereges refugprlos na Arabia. Quanto mais espi-
damos o Islamismo lano mai nos convencemos de
que era sua origem, foi'naos um desmembramen-
lo do mosaismo, porcm ainda urna vinganca dos ju-
deos e dos herejes coaligados contra a parle misteri-
osa e divina do Christianismo.
Entretanto, os incrdulos pediam milagres a Ma-
homel. Nao creremos em tua missao, diziam-lhes
elles, se nao fizeres rebenlar da Ierra urna fonte de
agua viva, 011, se do meio de um jardim plantado
de palmeteas c de fiaban, nao tizare- appareccr re-
gatos, ou senao bailares a abobada dos reos, como
nos promet tes-te em vao, e so nao nos deixares ver da
rampnte a Dos e os mijos. Eis como Mahomel tra-
duzio em cslylo potico as propostas dos Koreishtas,
qoe offerecam a sua converao mediante certos les-
lemunhos de um poder extraordinario. E elle era
obrgado a responder-Ibes : Sou um hornera co-
mo vos; smente fui favorecido das revelaces ce-
lestes... Emfim concordou expressamenteem'que o
seu ministerio limitava-sc pregarao. Assim o re-
velador da nova religiao se despojava por si mesmo
de lodo o carcter divino, e o hornera poltico via-se
obrigadoa dzer aquelles que ncgnvam a sua diluir-
an que os prophelas que o tinham precedido linham
experimentado a mesma sorle, nao .obstante terem
obrado milagres.
Em muilos lugares do Alcorao, Mahomet toma o
tom da apologa e da argumenlacao. Elle discute
com os incrdulos, e chega al a de- da-Ios para que
apresenlem um livro semelhaute ao Alcorn. Quan-
do novos vrselos dictados pelo anjo Gabriel circula-
vam entre os rabes, elles eram muilas vezes 00b-
jeclo das zumbara dos incrdulos, e Mahomet ex-
prime-sca esse respeilo nos segu ules termos: Elles
nao olivera a_ le tura do Alcorn seno para mofar...
Este livro nao he para elles senao um monlao confu-
so de fbulas; Mahomel he o seu autor, o qual apre-
sentuu-as debaixo da forma de versos. Abandonare-
mos as nossas dvindades, dizem elles, por um poeta
insensato ? A esta accusaejlo de poesa, Mahomet
respondeu pelo vrselo seguinle : namos a poesa ao prophela. Esla arle nao lbe con-
vem. Seu ministerio he a plegarlo e a leitura.
Mahomel confessava que nao era dotado do dom de
fa/.er milagres, purera que nao [radia supportar u ser
tratado como poeta.
No mesmo momento cm que elle declinava de si
essa qualidade, fazia-se historiador. Fallando aos
rabes, Mal unc acbava-se em pro-enea dos Judeos
c des Christaos, cuja procedencia nao poda esquecer.
Portante resolveu-sc a asipresentar-se como o succes-
sor de Moyses e de Jess ; o Alcorao coran a confir-
vezes a sede es devora ; dles tero deliciosas bebi-
das. Emfim seu temperamento ardenle poder sa-
ciarle em ineigoiaveis voloptuosidades.
O prazer dns senlidos lornava-sc a recompensa do
martyrio, e o phauallsmo assim excitado, prodnzio
invanciveis transporte.
Encontramos o mesmo materialismo no inferno
tal qual o descreve o Alcorao. Os condemnadoi co-
merao do fruclo da arvore zacoum, behero agua
lodosa, a qual tragaran com avidez como o camello
sdenlo, e serao continuamente envolvidos' em um
vento ardenle.
Mahomel nao podiamjfresenlar aos rabes nada
de peior do que um vento ardenle,c urna agaa lodo-
z por toda a elernidade.
Estas penas e estas recompensas serao retribuidas
na hora do ultimo jolgamenlo. Quando chegar o
da das victorias, diz Mahomet no Alcorao. o humem
lembrar-se-ba daquillo que procurou com mais ar-
dor; o inferno descobrir os seu abysmos, o preva-
ricador que liver preferido os prazeres terrestres ser
laucado no inferno; aquello que houver temido o
juizo final e liver regulado o desejos do seu cora-
53o, ese habitar em jardins de delicias. > A urna
questao indiscreta a respeilo da poca fatal, Maho-
met responde que s Dos o sabe, e accrescenla eslas
poticas palavras. No dia eju que soar a hora, pa-
recer aos homens qoe nao se demoraran) no tmu-
lo mais du que urna noite ou urna roanhaa. Na
vida futura, ha para os justes graos de fplicidade e
de elevaoao. V, diz Mahomet, como temos esla-
bellccido graos entre os homens. Na vida futura
as ordens serao ainda maii di-lmetas, aindamis glo-
rio.a. Nao podedeixar de conhecer-se'aqui urna
reminiscencia do novo-testamento ; ha ainda nutra
passagens semelhanle. principalmenle a respeilo da
predestinado; porm essas passagens tiradas de S.
Paulo s3o mni grosseiramenle imitadas.
Segundo o Alcorn, ama fatalidade inexoravel pe-
sa noi s sobre o hornera solado, porm ainda no-
bre as narAcs. Ncnhum povo pode appressar nem
retardar o lisiante marcado para a su ruina. o| Eis
o fundamento desse fatalismo que I.eibnilz chamava
falu 111 mahonielannm, c qne assignalava como o
peior de lodo) porque destroe a prevencOes e os
bons conselhos.
A Iheologiae a philosnpha do Alcorao revelara
urna fraqae/a singular. +'oi no conbecimeoto dos
meios praticosque deviam ligar os rabes a nova f,
que Mahomet inoslrou-se sagaz e profundo s foi
obre a simplicidade do culto qoe fundou o seu
poder.-
" Fazei a vossa oracao ao amanheccr do dia, diz
elle no Alcorao, ao por do sol, e durante a noite. A
boas obras expellem o mal.n Elle diz ainda. Orde-
na a orar jo a loa familia. Faze isso rom perseve-
ranr,a. E accresceolava : L o. Alcorao ao romper
do da : Os anjos serao lestemuntu da toa leitura.
L o Atenan durante urna parte da noite. Islo ser
um cresciinenlo de mritos e o Senhor te elevar a
urna [losic.lo gloriosa. Pela orarao repelida muilas
vezes por dia, pela leitura do Alcorn no silencio da
noile. Mahomet fez de vida do rabe ama continua
profisjsao de f. A estes preceilos elle ajuntuu oulro
que j li/.emos conhecer, um jejum annual durante o
mez do Ramadan. Este preceito tem exercido lano
imperio sobre o espirto dos Mussulmanos, que nin-
guem d'cnlre elle ouana hoje viola-lo publica-
mente. O dever das oliliiee anles da oracao fez
tambem parte do culto instituido peln prophela. Elle
prescreveu ainda a romaria de Meca a todo o Jrlus-
sulmano que podesse emprehender esla viagem. Em
fim impoz aos ricos a obrigac^to do dar aos pobres a
dizima das suas rendas. Estes preceilos Ido simple
e t.1o pouco numerosos Yi3o tem sido lempresullici-
entes para governar immensas populaces. Prophela*
e rei ao mesmo lempo, exerceodo.a soberana poli ti-
ca cm virlude da sua missao divina, Mahomet regu-
lounnioilo de vida dos rabes, mndificouos seus
costumes, e den-Ibes algumas leis civis ; ordenou-
Ihes que se nutrissem d carne dos seus rebanhos,
na niln dh's que se alisli vesem dos animaes morios,
suffocados, espanrados,morios dctqueda.nu de cintea-
da, ou que tivessemsido presa dealgum animal bra-
vio. Prohibio-lhes tambem o sangue e a carne de
porro, Probbio-lhes emfim o vinho o os jogos do
azar, dizcndo-lhes >-0 demonio servir-se-hia do vi-
nho e dos jogos para alear entre vos o fogo das dis-
senrOes e desviar-voi da lemhranra de Dos e da ora-
cao. Oirereis tornar-vns prevaricadores ? J vimos
que o propheta prometiendo para a outra vida o uso
de vinhos evque-ilos, assegurava que a razo nao po-
da ser por elles perturbada ; elle acrescenlou anda
que os justos poderiam misturar corneales vinho a
agua de Cafour, que era urna das fontesdo Paraizo,
tao persuadido eslava de que aos homens do deserto
nada poda ser mais doce do que a lmpida frescura
de urna agua pura.' Mahomel peusava como Pnda-
ro, que a agua era a melhor das cousas I Passeruos
presentemente do rgimen hygienico dos rabes para
su vida domestica.
As mulberes antes da vinda de Mahomel*. eram
macao, como o sello das Santas-Escripturas. Elle consideradas peloa Acab como escravas, como sua
diclou estas palavras sabidas, dizia elle, da bocea do j propriedade. Quando de suas unies repelidas nas-
proprio Dos : Nos demos o Pentateuco, a Moy- "
zes; e o fizemosobservar pelos enviados do Senhor.
de Saulieu enm um acecido de viva contrariedade ;
eis justamente o que eu tema, c porque nunca ha-
via querido deixa-lo ilcsccr uestes subterrneos. Esse
proccdiraenlo nao he delicado, Rigaud.
lie mais delicado induzir o publico a erro,
como o senhor pretende fazer ?
A erro oh (ranquillisc-sc, Rigaud, o erro
nao saldr do minha parle ; estou certa de que lenho
a ventado.
Voss lem 'a iniirura.ou antes a loucura he que
o tem debaixo de seu dominio.
Rigaud, raen amigo, o despeilo o cega, seria me-
lhor confcssar sua sera razan.
Essa lie boa vcreni s se n.lo lenho rato, o j
que quer qoe riam a sua cusa, riremos!
iini, sin, cotillero seus cpigrainmas ordinarios...
mas minha grande obra vira brevemente confiin-
d-!o, e o senhor ser convencido de erro assim com'o
eu poderia, so quize-se, convcncc-lo do oulra cousa.
Deque ?
Meu charo amigo, disse o archeologo com um
tem de superioridade e de firmeza que nunca loma-
va para rom o rival, pramellenios nina troca de con-
fidencias ; o senhor fez-rae a sua. o erabora para di-
zer-lliu a verdade, cu nao considere sua explicaran
muito seria, quero todava rcronhcrer-lhecerto valor
relativo. Devo po pela inhiba parle dizer-lhc o no-
me do autor daquella peras...
Sim, sin, das peras que lhe demonstraran) cla-
ramente a verdadeira poca cm que foram edifica-
das as torre i de Oslreval, lao claramente que nao sa-
lisfeito de construir um raslello moderno, a senhor
tomn a resolucao de laura-las abaixo dizendo que
nao podia soffrer mais visla de ruinas que o tinham
tanto lempo engaado.
Oh nao sou talvez lao crdulo quanlo o se-
nhor pensa.
Rigaud laucn os olhos sobre lia-llo, o qual linha
Concedemos a Jess, filho de Maria,[o poder dos mi-
lagrea ; fortificamo-lo 110 espirite de sanlidade. i> E
elle acre-cenlava : O Alcorao he a obra de Dos.
Elle confirma a verdade das esrriptnras que o pre-
cederaro : Elle he a sua inlerprelarao. Nao pode-
ria haver duvida alguma a esse respeilo. O sobera-
no dos mundos o fez descer dos cos. Com o fim de
dar'aotoridade sua religiao, offerecendo-a como a
consequencia, como a conclusao legitima das duas
reveanles mosaica e christia, Mahomel ii.lo cansa-
se de referir no Abrahao as tradicees bblicas nem
de fallar de Alcorao, No, de Moyses ; ello refere
tambem a histeria de Juz, e quanlo ao Novo-Tesla-
nienio, appresenta debaixo de oulras formas muilas
narrares dos Evangelhus. Por eslas exposicOes hist-
ricas, Mahomel obtinh por fim o duplicc resultado
de instruir os rabes c procurar ganhar os Judeus e
Christaos.
Porcm,elle nao reparava qoe por estes primeiros
passos e por estas concesses arruina va a sua propria
obra. Que crdito poda ella gozar junio dos Judeus
quando estes viam que refera as suas IradiccOes e
reduzia-asa fragmentos para fabricar em sua presen-
Si urna religiao nova Sendo os Chrislos que pelo
'ovo-Testamento confirmaran) verdadeiramente o
antigo, com que desprezo, com que reprovacao nao
repelliram ellcs a pre lelo ira pa do Alcorao, quan-
do elle veio apresenlar-se-lhcs como o auxiliar du
Evangelho Quando Mahomet vio-se rcpellido,
disse aos rabes : Oh crcnle, nao ligai-vos com os
Judeos nem com 09 Christaos. Deixai que elles se
uara. Aquelle que os lomar por amigos tornar-se-
ha semelhanle a elles, e Dos nao he o guia dos per-
versos. Eslas palavras a3o um forte leslemunhv
de que nao s Mahomet desesperava da conversao
dos Judeos e dos Christaos, porem ainda qne descon-
fiava do imperio dos mesmos, sobre o espirito do
rabes.
D'ahi em dianle elle nao quiz exaliar senao a
Abrahao, o escreveu uo Alcorn: Abrahao nao era
nem judeo nem cbrisiao ; era orlhodoxo, mussulma-
no e adorador de um s Dcos. Aquelles que pro-
fessam a religiao de > braban seguem de mais perlo
os seus traeos, Tal he o prosltiela e seas discpulos.
Dos he o chefe dos crenles. o Em outra vez |decla-
rou que todos os homens nao liveram originalmen-
te senao urna crenca, porm que enlregaram-se de-
pois s dispulas sobre a religiao accrescenlando
tambem que a se Dros quizesse, a mesma religiao
dominara em loda a Ierra, porm que elle distrihue
sua misericordia com quem lhe apraz. a Nao pode
deixar-se de recouheceraqui o embaraco de Maho-
mel. dominado pela duplice superioridade das tra-
dicees bblicas' e do dogmas christaos, qderendo
ora approximar-se delles.ora separar-se, o invocando
Abrahao para deixar de fallar de Moviese de Jesus-
Chrislo.
No AlcorSo ludo acha-se exlranhamente mistura-
do. Ao lado de nari acns histricas cxislem volup-
tuosas pinturas. Mahomel prometiera aquelles que
acre lilassem irelle a jar Im- corlados de regatos,
vida eterna, esposas puras, e a bondade do Senhor
que tem olhos sobre os -en servos. Elle insiste so-
bre eslas promessa; repele muilas vezes que os jus-
to descansaran sobre leibis enriquecidos de ouro e
pedras preciosas, quesero servidos por meninos do-
tados de urna eterna mocidade. os quacs Ibes apre-
senlaro vinhos exquisitos, rujo vapor nao Ihes su-
bir cabera, nem Ibes obscurecer a razao, que
tambem poderao dspor de hnri de bellos olhos ne-
gros, cuja belleza nao lera sido jamis profanada por
homem nem espirito algum, c que scro semclhan-
tes ao jacinlho e a perica, e gozaran tambera de urna
eterna mocidade. O pocla, qualqner que seja a re-
pugnancia que Mahomel tenha ; ele titulo, nao po-
demos deixar de Ih'o dar,o poeta dirge-se as paixes
dos rabes, excita os seus sentidos, iiitlamma os seus
desejos, especificndoos prazeres que Ibes proraelte,
O de-erlo be ardenle c chcio de p ; elle passarao
a outra vida em frescos e rizonhos jardn. Muilas
S..
Vai entilo desllorar meu assumplo, disse Mr. | vollado o rosto para o lado da parede afim de esca-
par ao interrogatorio mudo do crilico. Este com-
prehendeu que o mancebo linha revelado a imslili-
cacao ao archeologo, e lornou :
Meu charo Saulieu, a prava de sua incrcduli-
dadcesl cdificando-se no furdo do vale.
Paciencia, a casa ainda nao est feita,
. Por ventura para confirmar-mc era minha opi-
nio sobro sua ncrediilidado nao pretende acabar
aquella lonslriiccao ?
O archeologo gento o liro, c querendo cvila-lo,
disse :
Deo me livro dissn oque emprebendi nao foi
como o senhor snppc.por ler acreditado nesses pre-
ciosos pergaminhos.
Nflo iluvido, meu charo amigo, com efleito he
impossivcl que um archeologo de sua forca Icnha-s
deixado engaar pela cavillac.io de seu vizinho c
amigo...
Eniao j confessa ?
Confesso que servi-medo Mr. de Chavilly para
fazer chegar ao sen conde: ment titulo que, se sa-
hissem de minlias raaos, loriara perdido lodo o valor
aos seus olhos. Que nial ha nisso ? Eu quera evi-
lar-lhe um desengao cruel culregando-llie niinhas
proprias armas. Diga-me, leria preferido ver-me
conserva-las at apparieao de ua grande obra para
fulraina-lo depois cora loda a minha artharia ?
Sua artflharia 11.I0 be mui formidavel, seus
pretendidos ttulos nao sao verdadeiros, concorde
que foram fabricados para a circiimstancia.
O senhor er isso ? perguntou Rigaud com urna
admirarlo que lanrou Slr. de Saulieu em singular
perplexidade.
O critico acobavade perceber que Mr. de Saulieu
s conhecia melado do segredo.
O senhor o sabe melhor do que cu, pois he o
inventor dclles, aventuren lodavia o archeologo.
En 1 exclamou o critico desalando a rir.
poe-me mais hbil do que sou, meu charo.
Icia este bilbcle e ver se suas supposicoes tem fun-
damente.
Rigaud lirou do bolso urna caria que cnlregoo ao
arcbeologo.e cate leu o seguinte clai idade da tocha:
Senhor.
a Envo lhe, romo o senhor pedio-me,tedas aspe-
cas maiiusiTpla que pude reunir snbrc n caslellode
Oslreval. Ellas ciistarain militas pesquizas e despo-
zas comiderave9 lodavia ranfla completamente em
sua apreriacao para indemnisar-me dos gastos que
fiz, e roso-lhe que continu a depositar cm mira
uina cjifianca que me esforcarei sempre por me-
recer.
Tenlio a honra etc.
a Minulius.
ciam lilhas que nao podiam crear, enlerravam-nas
vivas. Era a polvgamii levada a excessos barbaros.
Mahomet au podia cuidar em abol-la, porm res-
tringi-a, e disse aos rabes : Se temis ser injustos
para com os orphaos, lemei tambem s-lo para com
vossas muflieres. Nao esposis senao duas, tres ou
quatro. Escolhei aquellas que manvos agradaren).
So nao 10.I. rde. manta-las com eqoidade, entao nao
llevis tomar mais do que urna, ou deveis limilar-vos
s vossas escrava. Este procedimenlo sabio vos fa-
cilitar os meios de ser justos e de dolar vossas mu-
flieres. Ha nesla palavras a evidente inteucao de
elevar a mulher e de nflo a reduzir cousa, porm.
de fazer. della pessoa. O propheta quer que os ma-
ndes tratera suas mulhercs com humaiiidade, ou que
asdespec.ag.com justica : elle regularisa o repudio,
concede s viuvas urna parle na saccessao de seus
maridos. Conherereraos todo o pensamento do legis-
lador dos rabes, a respeilo das muflieres se.a estas
disposicoes ajunlarmos a passagem seguate : Os ho-
mens sao superiores j muflieres, porque Dos Ihes
deu a preeminencia sobre ellas e por isso convem que
as dolcm com os seus lien. As mulheres devem er
obedientes e occnllar os segredo* dos seus maridos,
pois que o co coDfiou-as ao seu cuidado. Os ma-
ridos que sofl'rcrem della alguma desobediencia po-
derao pun-las... A submssflo das mulberes deve po-
las io abrigo de mos (ralamente*. Dos he grande
e sublime. Aosolhnsde Mahomel, a inferioridade
da mulher nflo supprimia os deveres para com ellas;
impunha, pelo contrario ao homem ohrigacSes dq)
bondade e de geuerosulade. Era um verdadeiro pro-
gresso sobre a barbaria dos anligos costumes, e o
lempo devia desenvnlve-lo ainda. Nflo moslraram
os rabes depois de Mahomet para comas mulhercs
um amor, urna dedicaeflo muilas vezes comparareis
aos senlimenlos e s facanhasda cavallaria clirulla?
Ao lado desle preceilos civis que regulam o casa-
mento, a sucestflo natural e a sucetaflo testamenta-
ria, encontramos no Alcorao dispusieses pernea. O
homicidio segundo he voluntario on involuntario, he
punioo pela morle do assassino ou por nina somma
de dinhciro que elle d aos prenles do moito.
Notemos de passagem eslas bellas palavras: Aquel-
le que salvar a vida a um homem ser recompen-
sado como se tivesse salvado a todo o genero huma-
no. O ladrflo, quer seja homem quer seja mulher,
era as mos corladas. O adulterio' he punido com
urna pena corporal, assim como o falso teslemunho.
Indulgente para com as fallas que sao filbas da
embriaguez dos,sentidos, Mahomet reservava os seu
rigores para os crimes que ullrajavam a religiao,
bem como a idolatra e a aposlasia. A recompen-
sa daquelles que combaten contra Dos e seu pro-
phela, diz elle noatlcnrao, o que esforcam-se por
esleuder a corruprao sobre a Ierra, ser a morle,
o supplicio da cruz. Vos lito cortareis os ps e as
naos. Vos os banireis de sua palria. Tal aer a
ignominia de que serao coherlos ueste mundo. Os
frmenlos serao a sua paclilha no oulro E para
dar urna ronlirmacuo religiosa a estas penas lerri-
veis, era prohibido aos creles enterceder em suaa
oraees em favor dos idolatras, inda mesmo que
fossera seus prenle. Para os adeptos de urna re-
ligiao nascenle, a aposlasia he naturalmente o maiur
dos crimes. Mahomel vola o apostata s ehammas
eternas. Todava, aquelles que abandonando o Is-
lamismo, cederam violencia e conservaran) a f
no fundo do coraeao, podero alcanzar a misericor-
dia divina. Pela maneira porque Mahomet pro-
mulgava o Alcurflo, reservava para si o meio de
modificar os ses decretos, e uflo be raro qoe a mo-
diiicaco rhegue at acoutradicrao. Ora quer que
todos os nucs sejam exterminados, ora recommenda
que nflo se u*e de violencias para obriga-los a abra-
car o Islamismo: dle quererla empregar voluntaria-
mente a tolerancia, porem a pariflo de conseguir o
seu fim, leva-o umitas vezes crueldade.
Alm do legislador hbil e previdente, eneonlra-
mus no Alcorao um moralista, que pela pralica da
vida d conselhos uteis, conselhos cheios desabedoria.
Estes conselhos mostram-nos Mahomel, como o ins-
O nomo de Minutiiis impressionou vivamente a
Mr. de Saulieu ; pois era o de um celebre investi-
gador de arrhivns, o traficante hbil de livros velhos
e de anligos maniiscriplos.
Minulius, repeli o archeologo. Oh nao ha
mais duvida, csses mal ditos pcrgauinhos sao aulhen-
licos ; as torres de Oslreval s tem quatro secutes c
meio de existencia.
0 senhor tinha-me (rbido, disse Rigaud era
voz baixa lomando o braco de Mr. de Chavilly ;
gracas a esta carta pude accommodar o negocio; mus
rogu-lhe que n.io (orne a dizer una palavra.
Vollando-se depois para o castellao, elle conli-
nuou :
Pois bem. meu amigo, isso nflo me parece urna
raitln uflleiente para desamparar ludo. Ivhliquo
sempro seo novo raslello, o veremos depois o que
Taremos deslas torres reinen. Em lodo o caso eslas
c d.u iimh dos autig osspiiluiresde Islrevd pareci-
me inleiramente dignas de ser conservadas.
Mas uflo sao catacumbas, replicn o archeolo-
Sup-jgo sabindodc repente de seu abatimenlo ; he urna
Oh I sala de-juslica.
Sinto muito cilra lize-l.i, meu amigo ; mas
be urna sala de catacumbas.
Nao, aflirmo-lhe que he uina sala de justira, e
comoquero confundi-lo completamente irei Allc-
iiianha esludar as anloga, c lbe Irarci documen-
to que o forrante a reconhecer a verdade. O go-
verno nao me recusar urna missao para um objeclo
de csliido lao serio como esse.
Va Allemanha. se quer ; ma ludo o que
trooxer nao prevalecer muir minha explicarlo.
Creia-me, Rigaud, voss cng.uia-se sobre o va-
lor della.
Pcco-llie que me perdoe.
Mas eu tambera pec;o-lhe que me perdoe.
Nflo comprchendo sua obslinaeao.
- Nem eu a sua.
Todava ella be bem clara.
Sira, multo clara, rom elfeilo ; pois creio que
dcmonslrei-lho claramente que s a minha opinan
he razoavcl.
Voss se achara sosinho em sua opiniao, Sau-
lieu.
Ninguem crer cm sua hypolhcsp, Rigaud.
Nao lenho razan, Mr., de Chavilly ?
Meu sabio visinho nao ct.i fura da razao, men
amigo !
Meu Dos, senhor-s, respondeu (iastao nler-
petlado de ambos os lados, ser-me-hia difficl decidir
tao grave ques'.an. De um lado a idea de ter existi-
do uestes subterrneos urna sala de justica parecc-
me cheia de originalidade o de poesa...
Eu bem dizia iiilcrrompeii vivamente o cas-
tellao, ja nosso jovemadepto abraca minha opiniao.
De oulra parte, lornou o mancebo, ao aspecto
deslas sepulturas nao estou longe de crer...
O senhor apressou-e muilo. meu amigo, in-
lerrompeu Rigaud tambero ; Mr. de Chavilly he in-
leiramente de nimba opiniao.
/
Nisso elle faz mal, e sua inexperiencia deslas
cousas...
Rasla osenso commum.
E julga que eu nflo o tenha ?
Nao praza a Dos que en pretenda isso, posto
qne oulros sobre esse ponto sejam menos discretos
do que eu.
Quem, Mr. Rigaud ? disse o archeologo em
lora irritado.
Por (avor, senhores, exclamou Gaslflo inler-
vndo na disputo que comecava a envenenarse ;
urna discnss3o histrica deve tomar esse carcter de
in larr.ii ?
Querendo poupar o amor proprio de ambos os
partidos,Gaslflo,como acontece quasi sempre cm laes
nrcasiocs, excitara mais seu antagonismo. Cada um
de sua parte julgando-se sustentado moslrava-so
mais aterrado a suas opinioes.
Eia, lornou (iastao esclarecido por urna idea
repculina, nflo estou longe de cier.que ambosos se-
nhores tem razao.
O archeologo c o critico chegaram-s ao mance-
bo, c qual conlinuou coui o accenlo mais grave que
i unte lomar.
Nada se oppca que esta crypta, como os se-
nhores dizem, tenha sido cavada primeiramenle para
servir de catacumbas aos senhores de Oslreval, o qoe
depois tenha sido transformada em sala de justira.
Oh! iss nao neg, disse Rigaud.
Pode sor. accrescenlou Mr. de Saulieu com o
lom de quem nflo esla completamente convencido.
O silencio eslabeleceu-se entre os passeiajore, os
quacs nao lendo mais problema archeologico resol-
ver, ou nao querendo propor oulro ne-se momento,
julgaram que era lempo de vollarem luz do dia.
(Con/niiar-ie-a.)

' *
f
L-"
7


DIARIO DE PERMMBUC, TERCA FEIR& 18 DE OtZEWBRO DE 10854.
N

litaidor ilos rabes; elle emprehende a ducaco
dos mesmo*, tira-es da barbara e inicia-o nos de-
\eres est no numero das princlpaes obngacfies impostas
pelo prophela, o ello qiier que ella seja feila com
nra coradlo simples e puro, n O' renles dii elle,
no facais intil o mrito das vossas esmolas pelo
murmurio e iniquidade.
Aquello que faz esmolas por ostentarlo, e que
nao ere em Dos, he no dia lina! semelhanle ao
rochedo eoberlo de p. Urna chuva abundante* ap-
parece e nao ihe deixa seno a sua rigidez. A
avarea he severamente condemnada. No olhe
o a vrenlo, diz o prophela, para os bens que recebe
de Dees como nm favor, noli que elles serao a causa
da sua desgraea. Os objocto9 de sua avarea Ihe
serao pendurados ao pescoco uo dia da ressurrei-
So. O rente,nao deve maldizer de seus ir-
rnilot, nem aborrece-los, nem qpprimi-los. Como
falla a rabes, Mihomet nao prohibe a vinganra,
porem recommenda que seja proporcionada in-
juria, accrescentando qne o homem generoso que
nerdoa, tem cerlo seu lugar junto de Dos, o qual
aborrece a violencia.
As virtudes familiares sao ensilladas no Alcorn,
que encerra preceitos sobre a piedade filial, sobre
o respailo dos filhot que se fazcni homens para com
seu pas, obre a discrigao e modestia das mulheres
que nAo devem deixar ver o semblante senao s
suas milis, prenles e criadas.
Emliin, a temperancia, a moderac-iio em todas as
cousas sao acenselhadas com auloridade em nomo
do Senhor, que aborrece os exresso. Quando
ctimpre o dever de legislador, Mahomel cleva-se a
urna moral severa, por um contraste raro na histo-
ria, vemos este prophela voluptuoso e polygamo
dar com snceridade Urdes de continencia.
Nada mais resta-no<, senao assignalar a physiono-
mi Iliteraria que o Alcorao altribue algumas vezes
a certas reminiscencias. Um dos captulos, o XXXI,
lem flor titulo o nome de l.okman, queer.i mui
distiocto entre os amigos Ar.ibes pela sua sahe-
doria. Altribuem-se-lhe fbulas que recordam as
de Esopo," e como notou Silvestre de Sacy, nao lera
o carcter da invenco rabe.
Como quer que seja, este l.okman, dizIeSage,
passava por ter recebido do eco o don) da eioqueurla
c da persuasao. e Mahomet ensinou esta Iradicro
no Alcorao, fazendo (aliar o mesino Dos uestes ter-
mii: Nos demos a sabedoria a l.okman, e Ihe cl9#
sernos: gracas a Dos, a E o prophela aceres
cenia : l.okman, exhortando seu filho, dizMhe : (V
meu Blho nada ha que sja comparavel a Dos.
A idolatra he o maior dos crimc. n
. Rendendo homenagem a sabedoria Ira iirrional
de l.okman, Mahomet procurava agradar aos Ara-
bes, eujo orgulho nacional nao deixava de lisnngear.
Elle disse-lhee militas vezes que linham sido o ob-
jecto do favor divino, pois que Daos linha revelarlo
o Alcorao na linaua rabe, afim de que o prophela
o pregaste em Meca*e nascidades vizinhas. Em um
dia, chegou a formar um argumento da excellcncia
do sea estyllo para responder quelles que o accu-
savim de escrever o qae dictava um Chrisln. En
conheccj 04 sen* discursos, um homem, dizem elles,
dicla o Alcorao a' Mahomel. Aquelle de qnem elles
suspeitan falla urna lins.ua cslrangeira, e o rabe
do Alcorao he poro e elegante. As bellezas ltlc-
rarias do Alcorao tem sido declaradas pelos renles
superiores a ludo o qul os homens podiam escrever.
Era urna tradirr.io tal que o poeta l.cbid, enjo genio
os rabes admiravain, converteu-se com a leilura
de alguas vrselos do segundo capitulo do Alcorao,
tanto osea estyllo parecen-ihe inimitavel e divino 1
Eis o Alcorao em sun infinita verdade. Todas as
(orinas ahi se confundem ou antes ahi encontram-se.
O Alcorao lio ao mesuio lempo nm discurso, um
predica, urna ode, urna apologia, um fragmento epopea, urna historia, urna exhorlaco moral, um
tratado de hygiene, uin cdigo. Ninguem admire-se
dessa variedade. Era ecessario que Mahomet res-
pondesse a ludo. Era pelo Alcorao, esta leilura por
ezcclleiicia,que elle einprehendia elevar um p\rvo, e
inslrui-lo sobre todas as cousas; o Alcorn dava-lhe
as luzes. A maior parte dos hoincus, ilizia elle, dis-
cuten) a respeilo de Dos, sem estarem esclarecidos
pela luz da ciencia e sem a auloridade de algum
livro famoso. Este livro, cllcodava ios rabes pa-
gina por pagina, vrselo por vrselo, na hora con-
veniente, e no momento mais ajustado. Este livro
he o resultado de vinle e tres annos de provacios,
de pregaco e de goveruo. Elle encheu nalural-
menle de admirarp e de enthusiasmo aqnelles cujo
espirito esclareca, elevava a coragem, moderava os
costumes, ennobrecia as paixes. Mahomel abra
aos rabes um caminho novo; elle negava que o
respeilo do passado devesse chegar al a conserva-
rlo d,t idolatra e dirim estas palavras: Quando exi-
ge-se lidies que abracen) a relgiao que Dcos en-
vin, do eco, responden): Seguimos o culto de iiossos
pais. Continuaran elles a scgui-lo. se Satnnaz os
chamar para o fogo do inferno? Mahomel fui um
innovador poderoso, pois chegou a couvencer-sc, nin-
guem o duvide, da realidade da niisso cuja ideia
conecbera, e do carcter divino da inspiraran de que
achava-se possuido. A forja de perseveranca e de
vonlade, o enthusiasmo apoderou-se do coracAo des-
le poltico, que convenceu-se pcs-oalmeiile daquillo
que fazia crer aos outros.
PorenTse doze sceulos depos lomos o tornamos
a 1er seu livro. he difliril nao formar delle um juizo
severo; sem fallar das incoherencias, las cnnlradic-
roes, e das repetirnos, que ja indicamos, o Alcorao
repelindo quasi em cada pagina as Iradiccoes bbli-
cas e a revelaran chrisla, provoca incvilavelmeiile
approxima^Oes, compararc* que o abatem. Nem o
genio uatural de Mahomet, nem sua habilidade po-
ltica pudem occnllar o plagalo. Para os rabes de
Meca e de Medina, o Alcorio foi nm livro inicia-
dor, para nos do seculo dezenove elle nao he senao
urna compilarlo ditTuza, ornada por alguns truros
sublimes.
Precisemos os caracteres do Islamismo primitivo
tal qual sahio do Alcorao. Era urna especie de Iheis-
mo abstracto e vago que pretenda seduzir os ho-
mens pelo facilidade do culto c por um atlrativo
sensual. Era urna relgiao sem myalerios, sem mila-
gres e sem sacerdocio; era um apello Torca, um
grito de guerra; era um fantico designio de aba-
leado exterminar tudo o que naofosse Mossulmano.
Entretanto este enthusiasmo nao pode manler-se
por muito lempo nesse grao de violencia e de furor;
os Mussulmapos nao cnlrcgaram mais morle lo-
dos os vencidos; contenlaram-sc com impor-lhes um
trbulo, avassalla-los. Seu governo foi urna mistura
de tolerancia inleressada e de fcrocid.ide interm-
teme.
No eio do Islamismo primitivo operaram-sc no-
taveis tTan.sformar.oes. Mahomet nao linha obrado
milagrea, porem disseram que elle os obrara somen-
te para dar sua missao um leslemunho, urna sanc-
co que Ihe faltava. A original smplicidade do Al-
corao desappareceu sob legendas maravilhosas.
Emfim.o khalifado que reuna ao principio os dous
poderes, temporal e espiritual, desmembrou-se por
si mesmo, eappareceu um poder religioso e jurdico,
composto ao mesmo lempo do clrigo e da magistra-
tura, que lorROu-se fprmidavel para as Khalifas e
para os su I loes.
A civilisarao da qual o Alcorao foi o poni de par-
tida, clevou-sc rpidamente, e declinou depressa.
Com a mesma celeridade, os rabes lizcram as suas
conquistas e brilharam as ledras, as scicncias e na
poesa. No imperio dos Khalifas, derramou-se pela
Asia, frica e pela Europa urna cultura infellectual
queprodiizio felizes fructos. Pirque durou tan pun-
co esta fecundidad.'? Porque o enlhusiasnio nao po-
de animar sempre a um povo mais do que a um ho-
mem. Ora, quando o enthusiasmo causado por Ma-
homel exlingaio-se no mcio dos Irumphos que pro-
duzira. que mais restava senao o despotismo e co-
tumes de ama molleza cruel? Nao havia urna insti-
tuirn no seto do dominio dos rabes, propria para
fortifica-lo, para dcle-lo na piopensao de sua ruina.
A ele varo foi ranida, a decadencia o foi anda mais,
e passados apenas alguns secnlos, csse brilho des-
lumbrador (inha-se desvanecido.
Hoje o Islamismo he principalmente representado
pelos Turcos-Otlomano, que no seculo dezeseis a-
meacaram a independencia da Europa, no seculo
dezesete comcraram a decahir, e no seculo dezenove
soflrcm a erolecco da cbrislandade. Os sulles tc-
rao sobre os Khalifas a vantagem de custarem mais a
cahir, e em sua declinaran tem-se podido notar de
algum lempo para c ama indolente magestade, epor
assim dizer um epicurismo estoico.
Entretanto o Christiansrr.o, la o maldito e tao per-
seguido pelos successnres de Maliomet, vivifica o
mundo e penetra por toda a parte. lie com outras
armas que elle tem triumphado. Elle nao se tem
propagado pela guerra, nem offerecendo em recom-
pensa os prazeres dos sentidos; leve por primeiro
campo de hatalha o circo dos imperadores romanos,
por victoria o marlyrio, e converteu os seus verdu-
gos; annunciou-se ao mondo como a relgiao da Ir
e da caridade e foi penetrando no intimo do coraran
do homem, o qual consolou e elevou. Na ordem
inlelleclual nao se mostrou menos poderoso ; foi e
he a* relgiao dr espirito. Queremos dizer que Ion-
ce de ser o inimigo da verdadeira sciencia, he o seu
complemento e fonle divina. Dezanove sceulos de
lulas e de controversias nao tem diminuido a sua in-
fluencia, antes a tem augmentado, e se nos he per-
nittido copiar urna palavra de San Joan, elle he mais
que nunca a|luz dos homens. Porlanlolie elle buje
a nica relgiao que tem n vrlude do propagarse c
de convcrler as almas e as vontades. Onde csto os
missionarios do Islamismo depois que a esp ida dos
Mi.ihias quebrou-se 1 Em muilas recies da frica
e da Asia, a relgiao de Mahom?( reina anda sobre
povos condemnados immobilidade, emquaulo o
Christianismo no os locar com o ?eu sopro; porem
n(o vemos n a Asia e frica invadidas por lodos
os lados pela infaligavel perseveranca dos misiona-
nos do Evangelho, humildes conquistadores, final-
menle invenciveis porque te renovam sempre ? O
Islamismo nasceu no seio de Chrslianismo enello lia
de morrer. Lerminier.
(feviie Conlemporainc.)
chymieos n'uma flagrante contradiccao, por que el-
les admittem qne qualco corpos simples bastan) para
formar todos os productos orgnicos, o passo que
as combinarnos mineracs exisem mais de sesscnla.
Mas a contradiccao he apenas apparente. Examine
a serie dos nossos sessenla corpos simples, reconhe-
cer.i que mui poucos de enlre elles exercem um pa-
pel activo as grandes acres physicas do nosso glo-
bo. A lisia das substancias reconhecidas elcmen-
um amarello magnifico. Todos os ourives de Haya
aviili.ir.ini em alio grao o quilate dcste miro; Povc-
lio, examinador gcral das mordas dq Hollanda, lo-
can sete vezes com o antimonio, em que dimnu'sse
de peso.
a Tal he a narraran que o propro Helvecio fez
acerca desla aventura. Os termos c as particulari-
dades minuciosas da sua narrarao liram da sua par-
le qualquer suspeita de impostara. Kicou de tal
tares he cerlamenle long i, mas o numero daqnellas I sorle admirado de semelhanle resnllado.que foi nes-
que a nalureza pe em movim^nlo he na realidade la orcasao que ello escreveu o seu l'ituliu auraa
mui restricto.. Aos elementos que perlencem de
una maueira mais especial aos entes organisados,
arrscenlo rnenle o rhloro, o enxofre, o phospho-
ro, o silicio, o aluminio, o calcio c o ferro, tereis a
serie quasi completa dos corpos que forman) todo o
dominio das reaeces inincraes. Tudo induz a pen-
sar que a ordem habitual dos grandes phenomenos
do mundo nao seria de forma alguma perturbada,
se as insicnificantes quantidades do platina, d'arse-
nico ou de zinro, porexemplo, que seenconlram dis-
seminadas no globo, nao fossem ahi encontrada.
O pequeo numero de elementos que entrara na
consttuicao dos composlos orgnicos n;1o lem nada
que nos deva sorprender. A' exceprao do carboneo,
estes qualro corpos ao gazosos ; o equilibrio da sua
combinacAn deve ser em consequencia mui fcil-
mente destruido, e pode riesfarle ser sufiicicnte pa-
ra provocar as mulaces, as transformaroes conlv>
nuas que sao a condicao da vida. As cmbinaees
mineraes resistem com mais energa s influencias
exteriores, a sua eslabeldade chmica he maior, o
que necessita o concurso de um maior numero de,
elementos; mas em definitiva esta differenca he mui
fraca e nao pode a ttulo algum ser invocada aqu
como arsumento serio.
(i Pretende aproximar fados ehimicos habiluars,
o dio lo il'arr.Vi da pedra philosophal, moslrando-nos
na rrnienl.irio um phenoineno que oflerece alcuma
analoga com a transmutaran dos melaes. Verda-
de be que se pode despojar dest'arle a pedra philoso-
phal das propriedadessobrenaturacs que se Ihe pres-
tan) geralincute. Masnisto lira luda a vanlagem.
lie sanenle permllido ver ne-i i aproximac;ao urna
bella compararlo, que poroulro lado he mu anlica,
pois que perlcnrc a llorliilaiius. Com efleilo, para
demonstrar que o acenle ilas transinularoes parti-
cipa, de alcuma sorle, das propricdadcs.dos fr-
menlos; para fazer a Imillir quo nos metacs derre-
tidos e elevados ao ul!;mo croo de calor, pode ope-
rar-se urna modilicai;ao molecular comparavel a
orna fermentaran, fora iiccessario comecar por esta-
helcccr a identdade de composijo dos melaes.
Ora, a Iheoria alchimisla acerca da isomera dos me-
laes anda be menos conleslavel.
Paranlo, os argumentos que Vmc. invoca em fa-
vor da transmulacao metlica, nao repousam sobre
fundamento algum serio. Mas ainda vou mais Ion-
ge, admilto um instante com Vmc. que todas estas
considerarles lem um valor cerlo, admiti em par-
ticular que eslas confrontarnos nolaveis feitas por
M. Humas entre os equivalentes dos corpos simples
de urna mesma familia, c esl'oulra relacAo tao sin-
gular encontrada pelo r. Proal enlre o equivalen-
te do hydiogeneo e os equivalentes de lo los os
outros curpos simples, podem aulorisar a consequen-
cia que Vine, n ni receia lirar acerca da isomera dos
melaes, digo que, tudo islo adiniltido, a quesISo aja-
da estara minio longe de ser rcsolvida em seu fa-
vor. Aceitando com cfTeito todos estes dados como
legtimos, seriamos conduzidos seguidle conclusao:
No eslado prsenle dos nossos conhecimentos, nao
se piule provar de uina maneira absolutamente
rigorosa que a transmulacao dos melaes seja im-
possivel: algumas circiiinslaucas se oppem a
i que a opnia alchimisla seja regeada, como um
a absurdo em upposc,ao com lodos os factos. Eis-
ahi, na sua expreslo mais extensa, o nico benefi-
cio do raciocinio a que Vine, possa pretender. Mas
porque um fado lie reconhecidu nao ser impossvel,
nao resulla de maneira alguma que esle fado exista.
Nao poderiamos provar que o chumbo nunca se mu-
dar em onr.i. mas dahi nao se segu, que se possa
effectuar a mulacao reciproca destes melaes. In-
sisto sobre esta ultima reflexo, pirque ella parece-
me 0Jver cortar por si so o n de toda ja sua argu-
mentarlo, i.
(i o la, he sulliciente para a causa que defendo, porque
se remoliere que as nossas thenrias nao tem nada
em definitiva que ofrenda demasiadamente o senti-
mento dos chimicos, bastar para que a vic-
toria nos seja adquirida, fazer ver que as Iransmo-
laces melallicas lem sido execuladas, e que varias
pessoas tem descoberlo e possuido a pedra philoso-
phal. i m s caso desta especie bastara para esta
demonstrarlo. Ora, os escriptos hermticos cstao
ebrios desles factos ; as narrarles que nelles se en-
coulram esiao cercadas por oulro lado de tal mul-
tiilao de testemunhos rcspeilaveis, que um autor
moderno, Schimieder, que escreveu em 18:12 a
//noria da Akhimia nao hesita em declarar que as
provas histricas sao sufiicientes por si sais para es-
labclecer a realidade da nossa sciencia e a existencia
da pedra philnsnphal. Espero que ha de parlilhar
esta con\ i-e.in. se dgnar-se agora cscutar a narrarao
dos fados seguutes. s
Amigo leilor, saiba que na historia da akhimia,
a narrarao da trausformacao forma um capitulo dos
mais longos. Os adeptos nao tem deixado de rc-
collicr com cuidado todos osaconlecimenlos estra-
vaganlcs, que durante dez sceulos riilrclveram os
espirtos n'uma duvida ou antes n'uaia esperanra
continua. Assim, vendo o muito ntcrlocutorse dispor
a emprehender a historia deiriasiado looga das proe-
zas hermticas, liquei assuslado com as proporees
que a nossa conversa ia receber. Tentei reclamar.
He um pouco tarde ; objeclei cu, no sem certa
desconfianza.
Nao, disse elle, apenas o sol vai-se pondo;
anda vejo os seas ltimos raios dourar as torres de
S. Sulpicio. Portanlo, eseule a miulia demonstra-
cao ; hei de deixa-lo convenido.
Foi deste modo que fui obrigado a tolerar a expo-
sr.o histrica qae se segu:
Nao IIhj fallarei, disse o adepto encelando a sua
narraran, de factos que se referem a urna poca
remola, e sobre os quaes os testemunhos escriptos
poderiam parecer insuflicientes oususpeitos. Nada
Ihe direi acerca das transmutarles que se altribuem
a Rhass, a Arnauld de Villencuve, a S. Thomaz,
a Alain de Islc, a Alberto Grande. Escolherei g-
menle provas nos acontecimeutes que perlencem
aos seclos X vil e XVIII, islo he, n'uma poca
mu prxima de ns, afim de que os documentos
qne consagran) estes factos sejam numerosos e de f-
cil averiguacao.
A auloridade mais perniciosa qae posso invocar
em primeiro lugar, be a de Vau Helmont. Este
grande medico nao era adepto, mas teve muilas ve-
zes em seu poder amostras da pedra philosophal
que experimentou em publico. Em ltiI8, especial-
mente receben de uina pessoa dcsconhecida um
I) no qual narra esle fado e defende as verdades
da alrhiinia. Esta transmutacao fez grande estrepito
em Haya, e cada qual se pode convencer da sua rea-
lidade. Spinosa, que nao he ronlado no numero
das pessoas crdulas, disse em urna das suas carias
que elle proprio colhcu as informarles mais cir-
cumstanciadas a este respeito, c que n3o hesita em
dcclarar-sc convencido como Inda a gente.
a O philosopbo italiano Berigard de Piza foi con-
vertido alcbunia pnr urna cveulualidade quasi se-
melhanle. (2)
ii Factos deste genero nao cram raros no seculo
XVII. Tu lo demonstra que varias pessoas nesla
poca possuiram a pedra philosophal. O que acon-
leceu em Helinslodt, em 1(321, he uina pruva mui
insigne.
a Certo Marlini professor de philosophia em
Hclmsledl, era celebre pelas suas diatribes,conlra a
ale lumia. I"m dia. n'uma das suas lirocs p\ihliras,
quando elle se desfazia em injurias contra os alchi-
mistas, e em argumentos conlra as suas doulrina3,
um Tidalgo eslraugeiro prsenle a sessilo o iulerom-
peu com rivilidade, par propor-lhe urna disputa
publica. Depois do ler refutado todos os argumen-
tos do professor, o fidalgo pedio quo Ihe desseni um
cadiuho, uina fornalha e chumbo. Na mesma ses-
so fez a transmutar,!), converteu o chumbo em
ouro, c offcreccii-o ao seu adversario estupefacto,
dizendo-lhe: Domine, solee mi hunc syltoyismum.
a Mas diego a fados mais nntaveis. Quero fallar
as operaros* em que se fabricou, pelos processos
alchimislas. muito ouro para cunhar inoeda e gravar
inedalhas commemoralivas. Enlre os acontecimen-
tos deste eeneri, o mais singular e mais couhcridn
he o que se pasou em l(i.S na corle imperial da
Allriniiiiba, enlre Fernando III e Kichlau Um adepto ronhecido sob o nomo evidentemente
supposto de l.abujardicrc, era licado o pessoa do
conde de Scblik, senhor do Bohemia. Cilavam-nn
como possuidor da pedra philosophal. Em 1618, sen-
(indo-se prestes a morrer, escreveu a um dos seus
amigos, chamado RichtauseQ, que habilava em Vi-
enen, Icgando-lhe a sua pedra philosophal, e con-
vidando-o o mais cedo possivel a recebe-la das suas
maos. Kirhlansen chegou muilo larde, o adepto
eslava morto. Com ludo elle pergiinlou ao cozi-
uliciro do palacio, se o defunlu nao linha deixado
nada, e moslraram-lhe urna caixinha, qne o alchimis.
la. no leiio 11 rnortp, linha uncommendado que res-
peitassem. Ilichlausen apossou-sc da caixinha e le-
vou-a comsigo. Nesle enlrclaulo, checa o conde de
Schilk que, conhecendo todo o valor da heranca do
seu alchimisla, vcio reclami-ki, amca^ando o seu
cozinheiro com pena de prisan. Este corre uiinie-
li llmenle ;i casa de Richlausen, pondn-lhe aos
peilos duas pistolas carregadas, observa Ihe que he
misler morrer ou restituir o que elle rouhou. Rich-
laiisen fingi restituir o deposito ; mas subslituio
destrmente um p inerte ao do adepto. Munido
com o sen Ihesouro, foi nos mesmos passos apresen-
lar-se ao imperador, pediudo que examinasse o seu
talento. Fernando II*, mui versado na philosophia
hermtica, toinou todas as precaures necessarias,
fora dos olhos de Richtauscn, c pelos cuidados do
conde de Rulz, director das minas. Com um grao
do po de Richtauscn, transformaram-se duas libras
c meia de mercurio em ouro lino : a pedra linha
pro.iiw.iilo quasi vinle rail vezes o seu peso de mer-
curio.
O imperador man Ion cunhar com esle ouro
urna medalha, que ainda exislia na tliesouraria de
Vienn.i 171)7. Represcnlava o leos do sol insten-
lando um cailuceu com azas nos ps, para recordar
a formarao do ouro pelo mercurio; n'uma das faces
lia-se a segiiinlc inseripc.ao : 9
Divina mctamorpho'i.t e.vhibila Praguit, ffi Ja-
neiro ItJW, i presenta tacr. Can. magcsl. Fcr-
dinandi terlii.
E na oulrn face :
tari* luce ni homintbu* Ufara: ilararo in lu-
eem prodi: laudetur Deus in (Plernum, i/ui par-
len sua infinita: nobit suis abjetXimMi crttmrit
rommunicat.
Com o p de Richlausen, que elle linha, Fer-
nando III fez una segunda projeceau em Praga em
10X1. A medalha que elle niandou gravar nesla
necasiao lem a secuinte inscripi;ao :
urea progenies pblumba prognala prenle.
a Ainda mo-lravamm.i no seculo passado na col-
leccao do caslello imperial de Ambras, no Tyrol.
a Em reconhecimenlo destes ellos feilos, o impe-
rador ennobreceu Richlausen. Deu-lhe o titulo de
liar.ii do Chaos. F'oi sob esle nome bem adiado
que elle corran (oda a Allemanha, fazendo pmjec-
Ccs. A operaro mais.celcbre do bar.lo de Chaos
he a que elle fez. execular c:n 1658, ao cleitor de
Mayence, o qual converteu qualro miras de mercu-
rio em ouro puro. (3)
o As aventuras do Escossez Alcxandre Scllion e
de Sendivogius, que se referem mesmo poca, oc-
cupam na historia da alchimia um lugar mui im-
portante, e por isso nao os possn omillir. Trala-sc
Rinda de IransmuUcoes feitas perante os principes
de Allemanha. Todos sabem a que grao os sobera-
nos daquellc paiz elevaram a painlo da alchimia.
Huanle os tres ltimos seculos, a sua corte foi o
ponto de rcuuiito de lodos os alchimislas que percor-
rian a Europa. Os imperadores c os eleitores opu-
lentos imli un a seu sold grande numero d -les ar-
tistas que podiam, de um momento para oulro, a-
brir-lhes as fonlesdc riquezas inexgolaveis; os prin-
cipes pobres se junlavam de dous a dous para man-
ler um desles ubjedos dispendiosos de luxo. lie
mui hnica a lisia desles prolectores quo a alchimia
en 'ontrn naquelle paiz, enlre as leslas coreadas.
Todava eram perigosos protectores. As barbarida-
des alrozes de que se lomaran) criminosos para
com os adeptos imprudentes que se deixaram con-
vencer da posse do segredo, bao sido cm ludo o lem-
po considerados como testemunhos ccrlos em favor
da alchimia. As provas que os infelizes artistas Ibes
linham exposto deviain ser mui nolaveis e claras
para provocaren) estes Iralamentos odiosos cuja nar-
rar-ao Ihe quero poupar. Mas a Allemanha mo era
o nico paiz sujeilo ao furor dcslas paixes. A
Franca c a Inglaterra nao cram isentas, e multas
vezes apontam-se a este respeilo ai ordeus singula-
res, ordens que el-rei de Inglaterra, Heurique VI,
dirigi aos fidalgos, aos sacerdotes e aos doulores. Em
3 cartas patentes, convida* a elle os seus subditos a
procurar o segredoda pedra philosophal, parasoccor-
rer as finanzas oberadas do reino. Dirigia-se parli-
-TI---------. -------------
Ir si um plano de evasa<
em ir (Cracovia realisa
DrcsJe prvido le dinhc
quarlo de um grao desla substancia, o qual servio1 cularmenle aos padres a esle respeilo, que tendo
SHEMIAS E ARTES.
A ALCHIMIA NO SECULO XIX.
(Contiiiiwrii.)
Tr-ndo assim fallado, o plilosnpho parnu, um pou-
co falicailo pela sua longa liaren.'). Aproveitei do
seu silencio para responder em "poocas palavras i
apologa que elle fizera a sciencia hermtica.
to queu nao ouvisse consideraran alguma que j
me nao hoovesse a presen lado muitas vezes, argu-
mento algum a que eu nao tenba amplameute res-
pon Jido em nutras occasioes. Com tudo como o phi-
losopho lenha querido instituir aqu ama especio de
disputa, procurarei responder-Pie.
< Em pftmeiro lugar, pensa sorprender os nossos
para convcrler em ouro oilo onc de mercurio.
Esle primeiro fado quasi que nao lem replica ;
Van Helmont era um chimico muito hbil, e por
isso nao se poda deixar engaar, era incapaz de
impostura, e alm disso nao linha inleressc algum
em mentir; porque minea lirou o menor proveilo
desta ohservacao. Emlim, como a experiencia levo
lugar na ausencia do alchimisla, he difliril compre-
hender-se porque maneira a fraude nella poderia
inlrometter-se. Van Helmoul, que as suas obras
refere muilos factos semelhaules, eslava tao bem
edificado acerca desle assumplo, que se tornou um
dos sectarios mais ardentes da alchimia. Para hon-
rar esla aventura deu o nome de Mercaras ao seu-
lillm recem-nascido. Esle Mercaras Van Hel-
xnonl. nao desmentio u seu baplismo alchimisla.
Foi elle quem converteu o grande l.eibnilz em fa-
vor das nossas doulrnas ; durante toda a sua vida
prociiruu a pedra philosophal, verdade he que
morreu sem te-la adiado, mas como apostlo fer-
voroso.
Helvecio, medico do principe de orange, era
nm dos adversarios mais decididos da alchimia; ce-
lebrisara-se al por nm escripia contra o p sympali-
co do ravalleiro Digby. A vinle sete de dezembro
de 1666, recebeu em Hay-* a visita de um eslraugei-
ro, vestido, diz elle, como um burguez do norte da
Hollanda, o qual recusava obstinadamente declarar
o seu nome, Esle eslraugeiro annuuciou a Helve-
cio que por causa do rumor que causara a sua
disputa com o cavalleiru Degby, elle correr afim
de trazer-lheas provas materiaes de existencia da'pc-
dra philosophal. N'uma longa conversario, o adep-
lo defendeu os principios iierinclicos, c para des-
truir as duvidas de sen adversario, moslrou-lhc a
pedra philosophal dentro de uina pequea hcela
de marlini. Era um p de tima melalina coi de
enxofre. Em vo Helvecio conjurou o desconhecido
para dcmouslrar-lhe pelo foco as virtudes de sen
p, o alchimisla resislio a todas as suas instancias e
relirou-se prometiendo que voltaria dentro de tres
semanas. Ao conversar com este homem e quando
examinava a pedra philosophal leve Helvecio a des-
treza de separar-lbe alzumas partculas e ronserva-lns
oceultas dcbaxo da uuha. Apena* Bode s apressou-
se em experimcntar-lhe os cITcitos. Delou em um
cadinho chumbo derreliho, c fez a projecro. Tudo
porem dssipou-se cm fumo, e no cadiuho apenas
reslou um pouco de chumbo e trra vidrada.
b Desde eniao considerou a este homem como um
impostor, e linha quasi que esquecido a aventura ,
quando Iros semanas depois c no dia marrado reap-
pareceu o cslrangeiru. Ainda recusou fazer elle
proprio a operacalo, mas cedendo as supplicas do
medico prcsenleou-o rom um pouco da sua pedra
quasi do lamanh i de um grao de milito. E como
Helvecio inanifeslasse o receio de qne la > pequea
quantidado de substancia podesse ler a menor vr-
lude, > alchimisla julsando ainda magnifico o pre-
sente tirou-lhc a melade, dizendo que o r.^slo era,,
sufllcienle para transformar nea cmeia de chumbo.
Ao mesmo tempn, leve o cuidado de fazer conhe-
cer miuiiciosamcnlc as prccaures necessarias para
o bom xito da obra, c sobre ludo rccummendou
que no momento da'projeccilo cobrisse a pedra phi-
losophal com um pnuco de cera, afim de preserva-la
da fumara do chumbo. Helvecio comprchendeu des-
de entilo o motivo porque a traiisrurmarao que elle
tentara falhara ems uas maos: nao tinha coherlo a
pedra com a cera, e por conseguinlc despreznu nina
precaiicaj indispensavcl. O eslrangciro promelleu
vollar no dia scguinle para assistir a experiencia.
Helvecio esperou-o debalde; passnu-sc o dia inleiro
sem que apparerrsse alguem. A noile a mulher do
medico, nao podendo conler mais sua impaciencia,
resol ven o marido a fazer por si s a operario. O
ensaio foi execulado por Helvecio na presenta da
mulher e filho. Elle denoten onca e meia de chum-
bo, deitou sobre o meial derretido a pedra coberta
de cera, tapou o cadinho e deixou-o exposlo a arge
do fogo por um quarlo de hora. No fim deste lem-
po o metal tinha adquirido a bella cor verde do
lodosos das a feliridade de convcrler o pao e o vi-
nlin no sangue e no corpo de Jess Chrislo, Ihes
seria fcil transformar mu metal vil em um metal
nobre. Para um principe chrislo a compararlo
era mui impa. Mas ebeguemos i nossa historia.
i Alexandre Selhon, mais couhecdo sob o nome
Cosmopolita, era um fidalgo escossez que, no lin
da vida, descobrira a pedra philosophal, e que via-
java na Europa, para fazer couhecer as suas mara-
vilhas. As numerosas Irunsmutaciles que pralicou
nos Paizes-Baixos no dexim duvida alguma a esle
respeilo. Ainda se niostrava na Hollanda, no fim
do seculo passado, o ouro que elle fabricara com as
suas maos. Nao pretendo entrar as particularida-
des dus successos da vida desle artista celebre. Por
lauto nao Ihe direi nada nem acerca das suas opera-
races hermticas, nem acerca das suas aventuras
cora o pillo bollan.le/. Ilausen, o medico Wander-
liken e o infeliz ourives de Strasbourg, (juslenhoflcrr,
diego sinislra aventura que o tornou celebre.
Pcrcorrendo os estados da Allemanha, Alcxan-
dre Selhon chegou a Dresde, residencia do eleilor de
Saxe, t.lui-li.iiin II, c teve a imprudencia de man-
dar execular ama transmutacao pelo criado, em prc-
senra do proprio eleilor. O principe se deu pressa
em mandar prender Selhon, e mandou enterrar, esle
Ihesouro vivo, n'uma torre, sob a guarda de qua-
renta homens, que se mudavam alternadamente.
Entao ordenou ao adepto que Ihe revclasse o segre-
do, o qne tratasse de fabricar ouro per conla do es-r
lado. Mas o alchimisla se recusou a islo com obs-
tinarn, nao qnereudo, dizia rile, dar a um hertico
lo grande meio de fazer guerra igreja. Prome-
cas, amearas. tudo foi intil. Recorrern) a loria-
ra. O corpo deslocado, os raembros despedazados, o
philsopho persisti as suas recusas.
a Haviam eniao em Dresde um fidalgo chamado
Miguel Sendivogius que repulavam Polaco,
mas que nasceran a Moravia e simiente habilava na
Cracovia. Como se dizia hermtico, teve a curiosi-
dade de vero adepto. Introduzido junio delle, Sen-
divociusfoi ganhindo pouco a punco', sua conaiien.
Um da propoz-lhe, cm cambio da cummunicar,flo do
egredo, arrauca-loao capliveiro. Concertaram en-
lre si um plano de evaso. Sendivogius se da pressa
>ar a sua fortuna, e vollou a
iciro. Obleve a permissao de
se cslaheleccr junio do prisioneiro, e se familiarisa
com os seus guardas. Urna noile conseguio embria-
gar todos ; mime llmenle lira Selhon, que n.io po-
da andar em consequencia das torturas, e salte da
torre com o seu fardo. Apenas v9o > casa do alchi-
mi-l.i procurar a sua pruviso de pedra philosophal,
melem-so dapuis n'nraa diligencia, c disfarrados sa-
bem do paiz. Param somenle cm Cracovia. Ahi
Sendivogius inlimou ao philsopho que curnprsse a
promessa ; mas esle recusou faze-lo : a Veja, disse
elle, a qae estado eslou reduzido por nao ler querido
revelar o meu segredn. Esles membros quebrados,
este corpo quasi podre dizcm-lhe que reserva devo
inrpor a mim para o futuro
a Selhon nao gozou por muito tempn da sua soltu-
ra. Morreu logo depois, dizendo todava qiia se o
mal fosse natural e inlerno, o seu p t-lo-hia cura-
rlo, mas que os seus membros quebrados pela'tortu-
ra, nao podiam por meo algum ser reslabelecidos.
Ao morrer deu ao seu libertador o que Ihe restava
da sua provisilo de pera philosophal.
Sendivogius casou-se com a viuva do adepto,
pile nulo que ella livesse algum couhecimento do
segredo. Mas ignorava-o absolutamenlo, e s pode-
tirar dola os livros alchimislas de Sethon que elle
puhlicou. Entretanto com a pedra philosophal que
recebera do amigo, Sendivogius fez de repente a sua
fortuna. Dirigio-se a Praga e apresenlou-se ao im-
perador Rodnlpho II, grande prolector dos alchimis-
las. liaban-.o de possuir a arle de transformar os
melaes ; mas teve a prudencia de protestar que ic-
n.irava processo da prepararan da pedra philosophal,
que s linha. dizia elle, a heranrai de um adepto. No
caslello de Praga, fez por varias vezes a projeceau,
com a maior felicidade.' Em 1740, ainda se va
no aposento em que estas experiencias se cxecnlaram
a segitinte inscripc.lo que o imperador mandou gra-
var n'uma mesa de marmnre :
Facial hoc quspinm atiui,
Qitod fecit Sendicogitu Polonus !
O que provou que o p de Sendivogios gozava
realmente das propnedades transformadoras, he que
ano este haveudo (ido o infortunio de roubarem-na
foi dahi em vaulo incapaz de execular novas transfor-
maees. Eis aqui como Ihe acunleceu esla desven-
tura.
a A rcpulacao de Sendivogius se desenvolver r-
pidamente na Allemanha. em consequencia do fa-
vor com quo o honrara Rndolphn II. Em 1603, o
duque de Wurlemherg, Frederico, couvidon-o pa-
ra que Ihe lizesse uina visita. Fui recebido cm Slul-
(gaiod da maneira mais honrosa. Mas o alchimisla
da corle, que fazia ao lado delle mu pequea figu-
ra, jurn inmediatamente a sua pern. Era um al-
chimista de humilde ralhegora, outr'ora barbeiro de
profissao, e que, pcrcorrendo o paiz, tinha tomado,
com os alchimislas imbuanles, algumas tinturas de
hermtica. Tinha sabido entreter com algumas
Iransformacoes suspeilas o imperador Rodolpho,
que o iioiiiL'ou senhor de Mollentis c o deixou par-
lir. Tinha sido acolhido cm Sluttgard, pelo duque
Frederico, c zozavaua corle de certa influencia. Mas
os Iriumphos cmpallidecer o aslro do seu crdito ; portanlo re-
golfen vingar-se, e aproprar-se ao mesmo lempo
do feliz instrumento da fortuna do seu correligiona-
rio. Iu-inua ao adepto que o duque Frederico me-
dita apoderar-se da sua pessoa para arrancar-lite o
segredo. Sendivogius, prevendo j o fim deploravel
de Alexandre Selhon, Irata de fucir. Innneili.il.i-
menle, Mullenfels parle em busca delle com doze ho-
mens a cavalfo e armados. O philsopho he apa-
nlialo, apossam-se do seu p philosophal, e lanram-
no n'uma prisa i. Teria ah morrido se o acaso Ihe
nao (ivesse proporcionado meios de escapar-se. Com
tima lima que pode conseguir, cortou os varoes de
ferro da janclla, com os vestidos fez uina conla c
's;tlvou-se nu pelo meo do campo. Assim que se
achou livre, clo;i perante o duque o seo prfido
correligionario. Condcmnado a morle. Mullciilels
fui enfurcado segundo n ceremonial adoplado no se-
culo XVI na AllemanMia, para o supplicio dos alchi-
mislas. Cohriain-uos desde os ps al a cabera com
vestidos brilhautea de lenlejoulas, e cram djhforca-
dos n'um patbulo dourado. Mas tudo islo Wo res-
tiluio a Sendivogius o seu Ihesouro. Elle ainda ton-
tn Iransmiitaroes, mas lodas foram reconhecidas
Lmaiiifeslamenle falsas.
Teriniuarei este resumo das transmutaces ob-
servailas no seculo XVII com um fado referido por
Mangel. segundo o testemuulio de um dos autores da
evenliialidade, M. (iros, paslor do santo evangelho
em (ieiiehra.
No anuo de 165S, chocando i Italia um viajante,
apenu-se no hotel d" Macaco da Cruz tente. Tor-
nou-se logo amigo de M. Oros, mio na idade de ~\
annos a que estudava a theologia. Durante quinze
dias visitaran) junios as curiosidades da cidade edos
arredores. No lim dcste lempo, o estrangeiro disse
em ronfianra aocoinpanheiro, que o dinheirocome-
rava a (allar-lbe, o que iio deixou de inquietar o
esluilanle, cuja boira um pouco leve temia um ap-
pello importuno. Mas os seus receios nao foram de
longa duraran. O Italiano sej limitan a pedir que o
conduzissem casa de um ourives que podesse por
i sua disposiraoa oflicinae os utensis. Couduziraut-
no i casa de um certo Bureau, que aunuindo ao pe-
dido, proporciouou Ihe eslanho, mercurio, cadinhos,
e relirou-se para au translornar as operacci. Fi-
cando sosinho com M. Oros e um operario da oflici-
na. o italiano tomn dous cadinhos, collocou mer-
curio n'um e eslanho n'oulro ; quando o eslanho se
derreteu c o mercurio ficou um pouco qnente, der-
raniuu o mercurio sobre o eslanho e deitou na mis-
luia um p vermelho cercado de cera. Operou-se
viva cffcrvcscencia e se applacou mmcdiatamenle.
Tirando-se o cadinhn do fogo. despejou-se o melal
n'um molde eobtiveram-se seis pequeas barras do
mais bello amarello. Nesle entretanto chega o ou-
rives, c trata de examinar as inrra-. Era ouro do
mais fino, disse elle, que nanea vi. A pedra de to-
que, o antimonio juslificaram a sua nalureza e a clc-
varao do seu titulo. Era sigual de gratidao, o Ita-
liano presenleou ao ourives com a mais pequea das
barras, dirigio-se depois casa da moeda onde o seu
ouro foi trocado por igual peso de ducados da llcs-
panha. Deu vinle ducados ao joven (iros, pagou a
sua conla ao holel e despedio-se dos seus amigos,
aniiunrian.il) a san volla mui breve. Al cncora-
mendou para o dia da sua cliegada um jantar mag-
nifico que pagou de ante Otilo. Parti, mas nao
voltou. (Continuar-se-ha.)
co Jeronymo de Mendonra, carga assucar c mais cisco Mane! de Souza, Joo Pinlo de Lemos Jnior, ditos de acetato de morpbina, garrafas 2 ; ditos de
gneros
Sacio entrados no dia 18.
Aracaty9 dias; hiale brasileiro Invenscel, de 37
toneladas, rapilo Joaquim Jos Marlins, eqtiipa-
ce in 6, carga sola e mais gneros ; a Jos .Manuel
Marlins.
Calhu de Lima 87 dias, galera ingleza tVosd
Bridge, de 516 toneladas, rapilo Coppell, equi-
pagem 20. carga guano; ao rapiao. Veio refres-
car e segu para Cork com i passageiros.
Hamhurgo7 dias, galeota hollandezayacoiM, de
1(17 toneladas, capitn A. I. Brost, equipagem 8,
carga fazendas e man gneros ; a ordem.
Chille78 dias, barca ingleza Anne Balduin.e 280
toneladas, capitn Thomaz Slevenson, equipagem
13, carga cobre ; ao capilo. Veio refrescar e se-
mgiie para Liverpuol
Natos sahidos no mesmo dia.
Rio de JaneiroBrigue brasileiro litio, capilo Jos
Cardoso Rangcl Jnior, carga assucar. Passagei-
ro, Virlorino de Medeiros Maia.
MaceiBriguc brasileiro Amorim, com a mesma
carga que irouxe. Suspendeu do lameira.
EDITEST-
COMMERCIO.
i'RACADO RECIPE 18 DK DE/.EMBR0AS3
HORAS DA TARDE.
CotacOcs oillciaes.
Cambio sobre Londresa 60 c90 d|v. 27 8(4. d.
Descont de lellras30 d\\. e 10 J ao auno.
Assucar branco 2. sorle29600 por arroba.
Dito dito3.sorle superior25100 por arroba.
Dito masfavado cscolbiiiolf)580 por arroba.
Dilo branco someno19950 por arroba.
ERRATA.
Por engann sabio houtem o cambio sobre Pars a
3WI, devendo ser a 3i2.
ALFANDEC.A.
Rendimentodn dia 1 a 16 .
dem do dia 18 ..... ,
(1) ruulm aurwus qem muandus adorat el o-
ral. in bibliotheca chmica Manqui, t. 1, p. 196.
(2) Rcferirei, diz Berigard de Pira, o que me a-
conteceu oalr'ora quando cu duvidava que fosse
a possivel converler o mercurio cm ouro. L'm ho-
esle respeilo, deu-inc um gro de p cuja cor era
. mui semelhanle a da papoila silvcslrc, e cujo chei-
ro se pareca com o do sal marinho calcinado.
Para lirar qualquer suspela de fraude, eu mesmo
a comprei o cadinho, o carv.io o o mercurio em ca-
li sa de diversos mercadores, afim de que nao hou-
dez graos de mercurio junlei um pouco de p;
o expuz tudo a um fogo mui foi le, e dentro em
pnuco a massa se achou toda convertida cm quasi
m dez gros de ouro, que foi reconhecido como mu
o puro pelas experiencias do diversos ourives. Se
esle faci livesse acontecido sem tcslemunha, fra
da prescuca do arbitros cstrangeiros, eu loria po-
li dido suspeitar alguma fraude; mas posso asseverar
n com ronlanra que a causa se passuu como cu a
ii narro. Hoc nts in loco solo el remoto ab arlii-
Mi comprobasiem, suspirare aliquul snbesse frau-
ds: iiai fulenler tetar i possum rem Ha este.
( Circulas Pistumi, 25. )
(3) O eleilor fez em pessoa esla projerro rom
lodos os cuidados que pote ter urna pessoa entendi-
da na philosophia. Foi com um pequeo boho de
crossura de urna Iculilha, que eslava cerrado de
comina rabe, para junlar o p ; poz esle bollo na
cera de um* vela, que eslava acceza, cpllorou esla
cera no fundo do cadinho, e em cinta qualro onras
de mercurio, e \ apagados, em rima, em baixo e em roda. Depois
comeraram a folear com forra e tiraran) o ouro
derretido, mas que fazia raios mui vermclhns, que
de ordinario so verdes. Chaos disse-lhe cnlo que
o ouro ainda eslava demasiadamente alio, que era
preciso rehaixa-lo, pondo prala dentro ; enlo sua
alteza que tinha varias moodas, tomn urna que
lancun dentro, c tendo delado ludo n'um molde,
fez urna barra de um bello ouro, mas que se achou
um pouco spero, o que Chaos disse proceder de
algum cheiro de lalao que lalvez exislisse no molde,
mas-que se mandasse derreler na casa da moeda ;
o que foi feilo : c dahi sabio mui bonito, c mui
flexivel, c o administrador disse a sua alteza, que
uunca vira tao bonito, e que era de mais de 21
. e que era de mais _
quilates, e que eslava admirado, como de spero
que era, se (ornara pcrfcilamenle flexivel. Mon-
ouro derretido; depois de fundido e fro lornou-se de corvis, Viagcns, tomo II, paginas 379.)
Dttcarregam hoje 19 de dezembro.
Bricue inglczEnthusiastmercadorias.
liricue inglet/isther Aun h iralhao.
Krigue inglez Violacarvo.
Brigoe hamhurcuiv .HIteemenlo.
Escuna hamburauezaMinerragenebra.
Polaca sardalinphaelnomercaduras.
Rrigue brasileiroMafrapipas vasias.
Hiato brasileiroCamuesgeueros do paiz.
CONSULADO (ERAL.
Rendimento do dia 1 a 16.....23:5939163
dem do dia 18........5^31*519
DIVERSAS PROVINCIAS.
(tcndimenlo do da I a 6.....
dem do da 18........
O Illm. Sr. inspector da thesouraria provinci-
al, em cumprimento da ordem do Eim. Sr. presi-
dente da provincia, manda fazer publico, que no
dia 21 do correle perante a junta da fazenda da
mesma Ibesouraria se ha de arrematar : quem por
menos lizer, us reparos urgentes das ponles de San-
to Amaro, Tacariuta, Arrumbados e Varadouru,
avaliadosem SKioiOO rs.
A .o roma.iue.io sera fcita na forma da lei provin-
cial n. 313 de 14 de maio do crranle, e sub as cou-
die es espertaos ahaixo copiadas.
As pessoas que se prupozerem a esla arrematar m
riinipaiaraiii na sala das scsses da mesma junta
pelo ineiu dia, competentemente habilitadas.
E para conslar se mauduu aflixar o presente c
publicar pelo Diario.
Secretaria da IhesuuFaria provincial de Pernam-
buco 11 de dezcmlwo de 1854.O secretario.
Antonio l'trreira d'Annunciaro.
Clausulas especiaes para a arremataco.
l. As obras dos reparos das ponles de Santo Ama-
ro, da Tacaruna, dos Arrumbados e do \ ara lomo
scrau feilas de conformidade coin o orramenlo re-
metlido ao Exm. presidente da provincia na impor-
tancia de 88454C0.
2." O arrematante principiar as ditas obras no
prazo de 30 dias, c lindar no de 4 mezes conlados,
como delermina o ai t. 31 da lei provincial n. 286.
3. O pagamento ser feilo cm urna s prc-iaro.
quando o arrematante livor concluido todas as obras
e letrado o respectivo termo de entrega. *
4.* Para tudo mais que no cstiver especificado
as prsenles clausulas, seuir-sc-ba o que deter-
mina a mencionada lei provincial.Conforme.O
secretario, Antonio Ferreira a'Annunciocio.
O Illm. Sr. inspector da thesouraria provin-
cial, manda fazer publico para couhecimento dos
coiitribuiules abaixo declarados, do imposto da de-
cima urbana da freguezia dos Afogados perlencen-
te aos exerricios de 1833 a 1852, que tendo-sc con-
cluido a liuuidae.i i da divida acliva deste imposto,
devem comparecer na mencionada Ihesouraria del-
iro de 30 dias, rutilados do dia da publicaran do
presente edilal, para se Ibes dar a ola do seu debi-
to, aliiu de que pagticm na mesa do consulado pro-
vincial, tirando na iiilclligeucia de que, linda o di-
to prazo, serao execulado'.
E para constar se mandou alllxar o presente e pu-
blicar pelo Diario.
Secretaria da thesouraria provincial de Pernam-
buco 15 de dezembro de 1854. O secretario, Anto-
Ferreira da Annunciucao,
Antonio Joaquim Flix...... l-J.i'J
Angela Thcreza de Jesus..... 15814
Antonio Pnhciio dos Sanios. 19814
llerdeirus de Auna Joaquina Ferreira
dos Santos.......... fi-3018
Antonio Ayres Vellozo...... 39024
Alexandre Marlins de Carvalho Bar-
ros... ......... 59514
Angela Maris de Jesns...... 29268
Antonio Luiz dos Sanios..... 59040
Antonio Pinto de Barros..... 159120
Antonio Jos Rodrigues de Souza. 49536
Arcbanja Mara........ 19512
Herdeiros de Agostinho da Silva No-
ves............ 29321
Antonio Domngues de Almeida Pos-
sas............ 49536
Herirnos de Antonio Vellozo Ferreira
Duarte .-........ 48032
Alfonso de Albuqucrque Mell..... 10^i02
Herdeiros de Bazilio Goui;alvcs Fer-
reira .......... 19209
Bernnrdo Luiz Ferreira. 330212
Viuva de Rento tiunralves..... IO9II
Benedicto Antonio de Sania Auna. 199520
11 miu Joaquim de Carvilho. 169122
Bernardino Jos Monleiro..... 19209
Bernardo Francisco dos Sanios Oliveira. 11320
Bernardo l'amio Franco. .... 69674
Benlo Antonio Domingues..... 39024
Balbiua de Souza Lima...... 29419
Herdeiro de Beuto Jos Alves. 19203
Claudino Pereira de Caivalho. 39628
Herdeiros de Caetano de Miranda Cas-
tro............ 49354
Dr. Cascmiro de Sena Madureira 899753
Dr. Cosme de Si Pereira..... 1029210
Viuva c herdeiros de Canato Jos
Vellozo da Silveira...... 14(895
Calharna Caelana de Vasconcelos. 49942
Caetano da Km ha Pereira..... 29221
Herdeiros de Ciemcnlc Jos Ferreira da
Costa........... 259585
Cypriano Luiz da paz...... 409602
t. Caelana Eugenia Pereira Bastos. 40032
Domingos da Rocha....... 739888
Domingos Jos Ramos...... 519127
Dellno Goncalves Lima..... 699525
Domingos Ferreira....... 29903
Herdeiros de Domingos Ferreira Jorge. 5040
Eusehio Pinto. ."....... 19354
Esmenia Maria di Sacramento 209757
Elias de Farias Xaxier...... 29903
Estevada Cunha Malheiros. 39021
Francklin Manocl de Faria..... 189976
Francisca Thumazia de Lima. 119902
Francisco Simplicio das Chega*. 409709
Francisco deCarvalho Paes de Andrade. 1259584
Francisca Meqoelina....... 99676
Herdeiros do Padre Flix Jos de A-
raujo........... 39024
Francisco Jos de Oliveira..... 1.59098
Filippe da Cunha Santiago. >. 119534
(Continuar-se-ha.)
Manoel Jos Tcxeira Bastos, ravalleiro da ordem da
Rosa ejniz de paz do 1.".anno da freguezia de S.
Jos do Recite, em virtudc da lei ele.
Fuco saber que deven.lo proceder-se na 3.3 do-
minga ib; Janeiro prximo futuro a revisoda quali-
ficaciio, na conformidade do arl. 25 da lei de 19 de
agosto de 1816, se faz misler qvo os eleitores e sup-
plcntes abaixo designados, cnmparecam afim de pro-
ceder-se a loi naeao da junta de qnallificarao : pelo
que em execucao do art. 4 da referida lei convoc-
os para que se achcm na igreja da Senhora do Terco,
pelas 9 horas da manha da meucionada 3.a doniin-
ga 21 d Janeiro do auno prximo vindouro, sob pena
de incorrerem na mulla coinmiuadapcla mesma lei.
Eleitores os Srs. :
Francisco Baptisla de Almeida.
Joaquim Lucio Monteiro da Franca.
Jusliiio Pereia de Andrade.
JnsTIygino de Souza Peixe.
Manoel de Almeida Lima.
Joaquim Pedro dos Sanios lie/erra.
Dr. Alexandre Bernardino dos Res e Silva.
Antonio Francisco Xavier.
Amaro Benedicto de Souza.
Jo3o Morera de Meudoucat.
Manoel Joaquiui Ferreira Estoves.'
161:5939234 Joaquim Antonio de Castro .Nuucs.
.1 uo Jos de Moracs. 1
Joaquim Clemente dos Sanios.
Jos Carlos de Souza Lobo.
Joaquim JoTavares.
Supplenlcsus Srs.:
Antonio Joaquim Ferreira de Carvalho.
Manoel Ferreira Accioly.
Joo de Brilo Corroa.
Antonio da Silva (iusmao.
Francisco de Oliveira Mello e Silva.
Joaquim Francisco de Paula Estoves Clemente.
Francisco de Paula Mera Lima.
Ju-liniann Antonio Alves Soa/es.
Ravmundo Nonato Schilk.
29:5219682 Innorencio da Cuiilia (ioianna.
Joo Francisco Bastos do Oliveira.
Joao Soarcs da F'onceca Velloso.
2:9579607 Domingos dos Passos Miranda.
3619399 Manoel F'onceca de Medeirus.
Timm.Monscn & Vinassa, Joao Fernandos Prenle
Vianna, Antonio Ferreira da Costa Braga, Souza &
Irmao, e Antonio Francisco Cnrreia Ca'rdozo, para
forrrocimenlo. o primeiro, 4,9.ti boles grandes con-
nexos de metal amarellu|cnm granada c n. 4, a 50rs.
cada um, 3,540 ditos pequeo; rom o me 40 rs.; o segundo 379 esleirs de palha de carnauba
para o quarlo halalina de arlilharia a p a 99000 rs.
renlo, II ditas para a companhia fixa de rav al Li-
ria pelo mesmo preco ; o lereeiro755 pares de sapa-
tosde sola e vira feitos na Ierra' para o quarlo ha-
(alhao de arlilharia 1 19490 rs., II ditos para a com-
panhia de r.ivallaria pelo mesmo prego, 11 pare de
colhurnos para a mesmi a 29j00rs. ; o qoarto 1,000
covados de panno azul para sobrecasaca do quarlo
balalhao de arlilharia, a 29400, 150 ditos de dito
prelo para polainas a I98OO rs.; o quinto 682 ditoj
de panno azul para caigas, a 29200, 1.865 varas de
brim a 290 rs. ; o sexto 354 pares de colxeles prclos
para o quarlo balalhao de arlilharia a 10 rs. o par,
1340 covados dehoilanda de forro para o mesmoba-
lalhao a 100 rs., 913 varas de algodoositiho para ca-
misas 1 210 rs., um terno de pezos de ferro de meia
quarla um quiulal para a companhia de cavallaria
por 129S00, 1 braco de ferro grande de balance para
o 4- balalhao pur 89OOO rs., 1 caldeira de ferro para 50
pragas do mesmo pur 189000 rs.; o stimo 345 gr-
valas de sola de lustre para o 4o balalhao a 380 rs.,
II ditas para a ea,aliara pelo mesmo prego ; o oila-
vo 79 rozas do bolOes branco- de osso a 290 rs., 68
ditas de ditos pelo mesmo prego ; o nono um brago
grande de ferro de balanga para u companhia de ca-
vallaria por 129000 rs.; o avisa nos supraditns ven-
de lores que devem reculher os referidos objedos ao
arsenal de guerra no dia 20 >lo correte mez.
Secretaria do coiisclhu adminislralivo para forne
cimento do arsenal de guerra 18 de dezeinbrndc
1851.Bernardo l'creira do Carmo Jnior, voga>
c secretario.
Acha-sc nesla tubdeledcia um quarlo que
andava vagando sem se saber quem he seu dono : a
pessoa a quem elle perlcncer comparega para Ihe ser
entregue. Subdelegacia da freguezia da Varzea 16
de dezembro de Isa i.O subdelegado,
Francisco Joaquim Machado.
No dia 20 do crrante, depois da audionra
do Sr. Dr. juz dos feitos da fazenda, as 11 horas
da manhaa,se h;lo de arremataros liens seguinles,
peuhoradus por execuges da fazenda pruvin-
rial.
lima rasa terrea na ra Dircta dos Afogados 11.
3 de Jos Marlins de Mello, com 23 palmos ile frente
c 90 de fundo, coznha fura, quintal murado o ca-
cimba propria, avaliada por S009000.
ponas (le espargo, ditas 2 : dilos de ruibarbo, ditas
1 ; ditos de chicoria, dita 1 ; dito de allhsa, dilas 2 ;
dnu emtico, dilas 2 ; dilo de fluir delaranja, dilas 2 ;
dilo sciltico, dita 1 ; dito de ipecacaanha, dita 1 ; la-
minas de p.ii/. vaccinieo numero 4; aguador de fniba
fornida, do. palmo e meio de altura, o palmu de largu-
ra, com faros no Inca, para banios de infusao uas
molestias de pello, numero I ; canas de madeiras com
ligas, para a reduego das fracturas da coxa ou mem-
bros inferiores, ditos 4 ; prslos de folha 12 ; tigellas
de dita 12 ; machinas de sarjar com duas cutomnas
de uavalhas. 1 ; cs*arollas de p de pedra com 12-
polcgada de bucea, e urna com 8 ditas, 3 ; hacas
de rame com 12 p dcadas rie bocea para lavatorio
de chacas 2 ; marmitas de folha 8; cobertores de ba-
la 12 ; funis pequeos de folha de .(landres 1 ; mar-
mita de ferro forrada de eslanho para a botica 2 ha-
langa de lalo com eonxas razas de 12 polegadas de
espago 1 ; orinoes braneos 6 ; urupemas sendo t
bem fina 4 ; livros para o espediente da botica e en-
fermara 4 ; elementos de pharmacia de pliarma-
copia.
Quem quizer vender esles objedos aprsenle as
suas propostas em carias fechadas, na secretaria do
consclho as 10 horas do dia 21 do cerrante mez.
Secretaria do consclho administrativo para forneci-
mento de arsenal de guerra 13 de dezembro deT85i.
Jos de Brilo Ingle:, coronel presidente, Bernar-
do Pereira do Carmo Jnior, vogal e secretario.
Por esta subdelegacia se declara, qne se acha
recolhdo em deposito, para ser entregue a quem pro-
var que Ihe perlence, um burro com cangalha, que
ppareceu sem guia na larde de 13 do corrale, pe-
o paleo da Penha. Subdelegacia de S. Jos do Ke-
cil'e 1 i de (Jr/euibro rie 1854. O subdelegado sup-
plenle Manoel Ferreira Accioli.
AVISOS MARTIMOS.
AO PARA'.
Vai seguir mui brevemente
a escuna FLORA, capitao
Jos' Severo Rios, s pode re-
ceber carga miuda: trata-se com os con-
signatarios Antonio de Almeida Gomes &
C.,na ra do Trapiche n. 16, segundo
andar.
Real companliia de paquetes inglcz a
vapor.
146:1198576
15:4739658
3:319)006
SECEBEOORIA K RENDAS INTERNAS t7^
RAES DE PKKN.YMIWCO.
Kendimenlndoda 1 a 16.....I:720j>782
dem do dia 18.........1:6823603
13:0:l;:!85
CONSULADO PROVINCIAL.
Kendimentododia I a 16.....32:532-182
dem do dia 18........5:331*100
37:863j.>82
MOVIlIElfTO DO PORTO.
Nados entrados no dia 17.
Asu'9 dias, briguc brasileiro Amorim, de 19fi to-
neladas, rapilo Pedro Nolasro Vicira de Mello,
equipasen! 13, carga sal; a Amorim IrmlOS. .Se-
gu para o Rio de Janeiro.
Parahiba24 horas, hiale brasileiro Cames, de 30
toneladas, njeslre Sevcriano da Costa e Silva, equi-
paccni i, carga assucar ; a Francisco da Silva Ilu-
didle. Passageiros, Antonio Francisco de Olivei-
ra, Nicolao Francisco da Costa.
Sirios sahidos no mesmo dia.
KalmoiilhPatacho hamburguez Berlh Kaehn, com
a mesm.Tcarga que trouse. Suspenden do lamei-
rao.
Corklinea ingleza Chcshire, com a mesma carga
que Iroute. Suspendeu do lameirilo.
MarselhaBarca traneeza Jeune fagmond, capitao
Pral, rama assucar e mais seeros.
LisboaBriguc portuguez Ocano, capilo Frincis-
llonorato Joseph de Oliveira Fgueircdu.
Joaquim Jos dos Sanios.
Jolo das Vircens .Molla.
Jciiuiio Jos Trvares.
E para conslar maudcii-se fazer o prcsencl qne se-
r aftlxado no lugar mais publico desla freguezia, c
puldii-aito pela imprertsa.
Dado c panado nesla frcsuezia de S. Jos dn Reci-
fe aos 9 de dezembro de 18 de S, cscrivlo o cscrevi.
Manoel Jos Texeira Bastos.
EECLxlRACO ES.
O conselho deadmlnistratflonaval conlralapara
os navios armados, barra de cscavaco, enfermara
de marinha e manija do arsenal, o fornccimenlo dos
seguinles gneros : agurdente branca de 20 graos,
azeile doce de Lisboa, dilo de rarrapato, aatoear
bronco, arroz branco do Maranhao, bolacha, baca-
Ih.iu. caf em grao, carne verde, dila secra, familia
de mandioca, feij molalinho, lenha de mangue em
acbas,pao, 1 nieudin de Santos ou do Lisboa, vinagre
de dila, vela-slcarinas e de carnauba, assucar reti-
nado, cha byson, e maulis 1 insleza ; pelo que sao
convidados os que nteres-.o em cm dilo fornccimen-
lo i compareccrem s 12 horas do dia 20 do crran-
le, na sala das sesscs, com as amostras e propostas,
declarando os ullimos preces c os fiadores, n1o sen-
do aceitas as que nao conlivercm essas declararoes
Sala das sesscs do runselho de administradlo na-
val em Pernambuco, 16 de dezembro de IN". 1.O
secretario, Chrittorito Jjantiago de Oliteira.
gOeonselho administrativo em comprlmenlo do art.
22 do regnlameiito de 14'de dezembro de 1852,fai pu-
blico que foram acceitas as propostas de Antonio Pe-
reira de Oliveira hamos, C. Jos de Siqueira, Fran-
Jim,1 |>,u|in, ?I.liailil [IUI ,TWyp7\r\lt
L'ina dita de laipa, na travesea da ra Real n. 5
B, de Anlonio Jos Texeira Lima, com quintal cer-
cado, avaliada em 4008090.
L'm pequeo silio, na estrada da Torre, de Mar-
colino c Joo Firmiuo da Cosa Barredas, rom al-
guns arvoredus,cercado, cun unta porleira na frente
com carimba, tanque c uina casa terrea de jicara e
cal, com 40 palmos do frente csi de turnio e mais
urna pequea casa fora e um quarlo, que serve le
estribara, avaliada em 2:000M00.
Urna casa terrea, na ra du Joao Feriiaudcs Vicira
11. 46, de Candido d'Albuquerqtie Maranhao, com
22 palmos de frente o 58 de fundo, quiulal em
abarlelo lado do Mil e o mais murado, a qual
ada em armazein, c lum o solu fon-ira, avaliada
em 3508000.
Urna dila, na ra Real n. 35, de Francisco Joso
Vleira Machado, com 24 palmos de frente, e 40 de
fundo, coznha fora, quintal cm aborto com
alguns' arvoredos. cacimba e tanque, avaliada
em 50O5OOO..
Um dila na na do Pilar 11. 2(1, de Isabel Fran-
cisca, por Francisco Joso Simos, com 28 palmos
de frente e~0 de fumn, cuzinlu fora, pequeo quin-
tal murado c com porlo para n'ruado llium. ava-
liada em 8009000.
Um sobrado de um andar e soln, na ra de
A pallo 11. 17, de Joaquim Nuiles da Silva, com 18
palmos de frente e 80 de fundo, coznha dentro e
pequeo quiulal murado, avaliada em 1:5003000..
Urna casa terrea, na na do 'Iamina n. 24, de
Manoel Cecilio Cintra par Antonio da Cruz, com
17 palmus de frcnle e 60 de fundo, cozinha fra,
quintal murado c cacimba propria, avahada
em 9009000.
Urna dila pequea, no largo da matriz dos Afo-
gados n.l, da viuva de Juno Carduzo Ajres, com
coziuha fra, quintal murado e cacimba ineieira,
avaliada em 35080110.
Vinle ensdas novas de ferro, de Joao Fernandes
Prente Vianna, avahadas cm 118200.
A renda 1nnn.1l do sobrado de 2 andares c Inja,
no Aterro da hea Visla, 11. 38, dos herdeiros de An-
tonio Marlins Kibeiro, avahada em 7508000.
A renda annnal da casa terrea, na ra de Hur-
las 11. 56. de Manoel Pereira de Moracs, avallada
em 1208000.
A renda animal da casa terrea no becco do To-
colombn da freguezia du Recife n. 2, avaliada
cm 723000.
- A renda nunual da rasa terrea na roa da 1 doria
n. 27, dos herdeiros do padre Gonzalo Jos de OH
vcjra, avaliada cm 1208000.
A renda animal da casi terrea na ra Direita dos
Afogados n. 84, dos- herdeiros de Jos Xavier de
Oliveira, avaliada em 488000.
A renda annnal da casa terrea, na ra da Concei-
eito da Boa Vista n. 45, de Jos de Frcilas Barbosa,
avaliada cm 1208000.
A renda animal da casa terrea meia agua na rea
da Senzala Nova o. 3, de Joaquina Maria da Con-
cejero, avaliada em 488000.
Kecife 11 de dezembro de 1851. O solicitador da
fazenda provincial, Jos Mariano de A'.buqiierque.
CONSELHO ADMINISTRATIVO.
O conselho adminislralivo em virlude da aulorisa-
cao do Exm. Sr. presidente da provincia, lem de com-
prar os objedos seguinles :
Para provimeuto dos armazens do arsenal de guerra.
Papel de peso, resmas 8.
o din as de 1. e 2.a classe.
Taboas de assoalho de pinito, duzias 30 ; oleo de
linhara, arrobas 6.
Para fornecmenlo de luzes is eslacoes militares.
Azeile de carrapalo, caadas506 ; dito de cneo, di-
la 29 ,'i ; pavios, duzias 6 ; vellas de carnauba, li-
bras 142 ; lio de a I sodio, dilas 40. '
Bolica do hospital regimcntal.
Ameisis passadas, libras 8 ; amydo, dilas 8 ; assa-
felida, dila ; assucar refinado branco, arrobas 8 ;
alcool 1 36, caadas 12 ; antimonio (melal), libra >,' ;
acetato de chumbe, libras 8 ; acido azolico 40, di-
tas 4 ; ili'o sulphurico, dilas 4 ; dilo chloridico, ditas
4 ; dito tartrico, ditas 4 : dito ctrico, dilas i ; banha
de porco, arrobas 2 ; bicarbonato de soda, libras 4,;
dilo de potassa, ditas 8 ; cyauurelo de potassio (bran-
co), dila 1 ; cicuta, ditas 2; raz de chicorca, ditas
32; cobre (melal), dilas 2 ; cascas de wenlcr, dila 1 ;
carbonato de potassa, dilas 8 ; cascas de barba-liinSo,
dilas 4 ; deulo chlorurclo de mercurio, dila meia ;
extracto de salsa parrilha, dilas 2 ; dito de guayacu,
ditas 2 ; enxofre, dilas 8; eslanho (metal), dita I : fu-
maria, dilas 8 : farinba de Irigo dilas 8 ; flor de en-
xofre, ditas 4 ; dilas de malva, dilas 4 ; ditas de Mo-
las, ditas 4 ; ditas de papoulas, dilas 2 ; dilas de sa-
hugiieiro, dilas 16 ; figos passados, ditas 8 ; gramma.
ditas 32 ; gensibre branco em p, dilos 1 ; hydra-
Iruol de 20 24, caadas 12 ; iodurelo de polassio,
libras 4 ; incens escollado, dilas8 ; Inhiba infinta,
ditas 2 ; licopodio, onras 4 ; man, arrobas 2 ; mar
lim qiicimadu, libras 4; musgo de Curcega, dila X;
mel de abelbas, libras 32 ; nitrato de potassa, libras
8 ; oleo de palma, caadas 3 ; dilo de paricio, libra
1 ; dilo de mcela, libra i ; dilo de cicuta libra 1 ;
dito de oliveira, caadas 3; dilo de hagas de zirubro,
onra 1 ; pastilhas de vchy, caixas 20 ; dilas de lia-
r, caixas 50; dilas de rlela.1 pimenla, libra 1 ;
passas, libras 8 ; potassa caustica (cm ridro com ro-
lha), onja 1 ; rob ante syphililicio,garrafas 25 ; san-
hinina. onca 1 ; sulphato de alumina e potassa, li-
bras 8 ; -ementes de Alcxandria, libras 2 ; sulphato
de cobre, ditas 4 ; lartralo de potassa e soda, dilas
8 ; valcrianato de quinina, oitavas 4 ; dito de zinco,
ditas 4; dilo de atrofina, dita 1 ; vinhu branca, ca-
ada 1 ; dito tinto do Podo, libras 8 ; xarope de
naife, vi.lros 50 ; dito de lamouroux, garrafinhas 20;
dilo de puntas de spargo, garrafas 20 ; tmaras pas-
sadas, libras 4 ; zinco (metal), dilas 4.
Para a colonia militar de Pimenlciras.
Agurdenle de 22 graos, 2 garrafas ; dila rosada,
1 dita ; dita de Sedlilz, 2 ditas ; dita de Coionio
e-soiii-ia 2 \ i-Iros ; arrclalo de morpbina, 2 onjas;
acido ntrico alcoolisado, 2 dilas ; dito sulfrico, 2
dilas ; dito arecnioso, ,' dita ; alecrn) ,'' libra ;
alfazema, 2 ditas ; alkali voltil fluido, 2 onras ;
alvaiade, 1 libra ; assafrto, 1 onca ; assucar candi.
2 libras ; mbar, 1 onca ; unen loas doces, hj libra;
aveia, 2 dilas ; azougue, 4 oncas ; banha de porco,
4 libras; beijoim, 2 onras : balsamo de arceu, 1 li-
bra ; horrachinhas com pipos, oilo ; borrachas
grandes, 4 ditas ; calomelanos impalpaveis, 2 011-
cas ; ran iiisiuhi. 1 libra; canlhandas > dila ; Cap-
sulas de cupaiba, 2caixas ; cevada, 8 libras; ceva-
dinb 1, 4 dilas; chocolaledc l.echim, 12 paos ; con-
serva de rosas, 1 libra ; crcozole bcltard, 4 tures ;
cryslal mineral, 1 libra ; cyauure, 1 onra ; rvanu-
rcto de potassa, 1 dila ; rilralo de masiiesia, H li-
bra ; emplastro bonforalivo, I dita ; encerado Le
Perdriel.6 rolos ; enxofre sublimado, % libra; es-
sencia de eravo, 1 onca ; dila de rosas, 1 dita ; di-
la de b.-r Minuta. 2 ditas ; dita de lerebenlins, '.,
libra ; estoraque, 1 onra ; extracto de estramonio, 2
ditas ; flores de borrasen!, I libra; dilas de eiixofre,
2 miras ; dilas de rosas, 1 libra ; dilas bequi.cas, 2
dilas ; dilasde belladona, '.' dila ; ditas de palmi-
ta- '. dila ; sallia, ', dita ; gonnna arbica, 2 di-
las ; dila gula, onras ; dila kinn, 4 dilas; dila lac,
ca, 4 dilas; hvssopo, 't libra; Lermis mineral, 1
enea ; labaea agnda, I libra ; Le Roy pur san le, 8
garrafas ; dilo vomitivo, 1 dilas ; lindara semenl c
i ditas ; muriato de amoniaco,2 onras ; mcl rosa-
do. I garrafa ; man, 10 libras ; oleo cssencial de
sabina, 2 onras; dilo ricino, 8 garrafas ; oxemel
sciltico, 1 onras ; dilo simples, 4 dilas ; pedra l-
pse, 2 dila ; pulpa de tamarindo'. 1 libra ; poma-
da oxigenada, 1 dita ; dita de pepinos, 1 dita; "Uila
de saturno. I dila ; poz aromtico 1|2 dila ; poz de
joanes, 4 nncas ; raiz de altea, 4 libras ; raspas do
fiado, 2 ditas; rezina eleme, l|2dila; elher acti-
co, 2 onras; dito sulfrico, 4 dilas ; rob ante sy-
plnliiieo lafeclenr, 2 carrafas ; *ala de Brislul, ->
dilas ; sib."m branco. I libra ; dito deveneza. 2 (li-
las ; espirito devinho rectificado,1 garrafa ; cerveja
preta, 4 dilas ; espirito de alecrim, 1 on$t ; espiri-
to voltil de sal amoniaco dulcificado, 4 eras; scil-
la em p, 1 dila ; scuteio de esporOes, 1[2 dila ;
sanguesucas de Ilamburgo, 20 ; espirito de orle-
Iia pimnla, 1|2 libra ; tapioca, 4 ditas; tulhia,2on-
eas lurhelle mineral 2 dilas ; tintura de beijoim
composla, 4 dilas ; dita de ferro murialirn ;
2 dilas; verdete, 4 onca; veiicalono 2 li-
bras : xarope do bosque, frascos grandes qualro ;
No da SI
desle mez,
espera-se
do iul, o
vapor Se-
rern com-
mandante
Giles o
qual de-
pois da dentera du coslume seguir pira a Europa :
para passageiros etc., trata-se com os agentes Adant-
son Howie 4 C.
Para o Rio de Janeiro, sahe no dia
2o do corrate o baigiie nacional Sagi-
tario, de rn-imjeira classe: para o resto
da carga c passageiros, trata-se com Ma-
noel Francisco da Silva Carneo, na ra
do Collegio n. 17, segundo andar.
PABA O UIO DE JANEIRO. *
Salie com muita brevidade, o bem co-
nliecido pataclio nacional Vajente, ca-
pitao Franciseo Nicolao de Ai.hijo : pa-
rado resto da carga e escravos a frete, tra-
ta-se com os consignatarios Novaes & C,
ou com o capitao na praca.
PARA O RIO DE JANEIRO,
o brigue nadonal aMariannit sahe com loda a bre-
vidade ; recebe carga a frele, escravos e passa'geirns:'
quem prelender embarrar, trate com Manoel Igna-
cio de Oliveira, na pra criplorio, ou com o rapilito Jos da Cunha Jnior.
Para o Rfo de Janeiro segu viagem com bre-
vidade o brigue uaciouiri Sero ; para carga e e sera
vos a frele, trata-se rom os consignatarios Thomaz de
Aquino Fonscca & Filho, na ra do Visarlo n. 19,
primeiro andar.
Para Lisboa sahe com a maior brevidade o
brigue porlagucz Ocano, de primeira marcha ; pa-
ra o resto da carga e passageiros, trata se com os
consignatarios Thomaz de Aquino Fonscca Filho, "
na ra do Vigario n. 19, primeiro andar.
PARA O RIO DE JANEIRO,
obrigne nacional ami)o segoe com brevidade por
ler parte de seu carregamento prompto ; para o res-
to da carga, passascros e escravos a frele, trata-se
com Machado & Pinheiro, na ra do Vigario n. 19,
segundo andar.
Para Lisboa pretende segoir com loda a brevi-
dade a barca porlugueza a Gratidao : para carga o
passageiros, trata-se com os consignatarios Thomaz .
de Aquino Fonseca & Filho, na ra do Vigario n.
19, primeiro andar, ou com o capitao na praca.
Para o Rio de Janeiro pretende sahir com a
possiyel brevidade S patacho nacional oD. Pedro Ve:
para carga e escravos a frele, trata-se com 09 consig-
na larios Thomaz de Aquino Funseca& Filho, na na '
do Vigario n. 19, pnmeiro andar.
Companhia de Liverpool.
Espera-se de
Liverpool, no
dia 19, o vapor
de rodas Pam-
pero, comman-
dnte G. Sla-
T.ini. o qual
tem de entrar
paraomosquei-
ro a receber
carvio; os passageiros qne qnizerem ir para o sal,
nio podem adiar melhor commoddade, a sua demora
he somenle emquanto recebe o carvao : agencia na
ra da Cadea Velha o. 52.
Para p Rio de Janeiro
Segu em poucos dias, o brigue nacional
llene, capitao Andr Antonio da Fon-
seca, por ter a maior parte do seu carre-
gamento prompto: para o resto e escra-
vos a frete, trata-se com Manoel Alves'
Guerra Jnior, na ra do Trapichen.
14.
LEILO'ES.
O agenle Viclor far leilao no seu armazem,
ra da Cruz n. 25, de explendido sorlmento de obras
de marcineiria, novas e asadas, de difiranles quali-
dades, relogios para algibeira de onro e de melal gat-
vansado, ditos de parede e de cima de mesa, can-
dieiros para meio de sala, lanlernas com ps de
vidro e casqainho, charutos da Babia, superior qua-
lidade, esleirs de palha de carnauba, saccas com
feijilo branco e mnlalinho, porrao de chapeos do
Chile, islo le pechincha ; e sera tambem vendido
um cabrinlct novo de muito gosto, com dous arreios,
um novo e oulro em meio uso. dous chicotes, tam-
bem um novo c ontro em meio nso. e dous pares de
lanlernas para o'mesmo : quarta-feira, 20 do corren-
te, as 10 \% horas da manhaa.
Roslron Rooker & Companhia farSo leilo por
iniervenrnn do agenle Oliveira, e por eonta e risco
de quem perlcncer, em lotes a vonlade dos compra-
dores, de cerca de 400 barricas de familia de Irigo
avadada ; a bordo da galera americana Juniper, o
capilo Pinkcncy, na sua rcenle viagem proceden-
te de New-York'com destino a este porto : terca-fei-
ra, 19 do corren le. as 11 horas da manha em ponto,
no sea armazem, sito ao becco do Goncalves, no Re-
cife.
O agenle Oliveira far leilo da mobitia de um
cavalleiro que se retira dosja cidade, consislindo em
radeiras de diversas qttalidades, sofus, mesas redon-
das, consol os. bancas de jogo, dilas de gavetas e para
luz, loillel, espedios, guarda-liyrns, guarda-lcuca,
suarda-roupas, marquezas, lavatorios, machina de
copiar, app.irelbo de loo^a para jantar, dito para
cha, dito de metal, galheteiro, ornamentos para me-
sa, relogio dilo, vasos de porcelana, rico estojo para
barba, candieiro inglez de globo, lanlernas, garrafas
para clrele c outros vinhos, copos para agua e para
\ inlio. hanheiro de folha c outros muitos objedos :
sexta-fera 22 do crrante, as 10 horas da manhaa,
no primeiro andar da casa nova n. 20 do Sr. Luiz
Antonio de Siqueira, na ra da Cadeia do Recife
com entrada pela ra d Senzala Velha.
O conselho de direcco do banco de Pernam-
buco, em conformidade com os arligos fiOe 66 dos
dos seus estatuios, far leilo por conla e risco de
quem perlencer, e por inlcrvenro do agente Oli-
veira, de 1,557 caixas sabo, ronlendo 27,392 libras,
marca Soap, e 36.231 libras amarello : sexta-feira,
29 do correte dezembro, s 10 horas da manhaa. no
Trapiche Alfandegado denominado Alfandcga Ve-
lha.
AVISOS DIVERSOS.
Tendo-se reconhecido que a despeza.
de escripia e cobra nca do importe dos
annuncios he superior ao valor delles,
prevuie-seaos senhore* assignantes deste
Diario que quando os mandaren, re-
mettain igualmente a sua importancia ;
alias nao serao publicados.
Maria da Purilicaco relira-se pera Portugal,
levando em sua companhia 6 lilaos de menor
idade.
AlUM te roa casa em Bebcrihe, muito boa,
na povoariio, para plisar a festa : na roa da Cadeia
do Recife n. 60. j
O abaixo asignado, vendo no Diario n. 28R,
no edilal do Illm. Sr. Dr. juiz dos feitos da fazenda
provinei'l para ser arrematada pelas rendas, a sua
casa terrea sita na roa de Hortas n. 56, para pa-
gamento das dcimas, e como se che a mesma qui-
te com o pagamento desle imposto, o que ulvez isso
se desse por ensao, por isso previne a quem possa
inleressar, que protesta pelo seo direito em lodo
lempo. Antonio Feneira Braga.
Precisa-se de urna ama, que saiba coziahar e
fazer lodo o mais servico de ama casa : no largo do
Ierro segundo andar n. 27.
II
Twi
rvATA IKI


>
DIARIO OE PERNAMeUCO, TERQA FEIRA 19 DE OEZEMBRO DE 1854.

Joaquim Antonio Corroa Uaio declara, que
havendo comprado no mno tic 1812 os cscravo n-
noel o Vicente i Joaquim Jos Pereira, ditos escra-
vos desappareceram de scu engenho l'alma, silo na
comarca do Limocirn, nn dia II do correnle, sedu-.
xitlos por um pardo que os conduxio para esla cidn-
de. Consta ao abaixo Maitinada que ditos esr.-avus se
acham arrullos iiesta ciliado, e que >e di/ein rom di-
reilo a olios Luir. Pinto da Cosa, Manuel e Sisman-
do Brillianle, os quaes todava nao se dirigirn ao
aluno asignado, nem propozeram areno ahum.-i pa-
ra reivindica-los. O adaito assignado esta disposlo
a sustentar o seu dominio e posse de niais de doze
anuos, e protesta desde j proceder contra quem se-
dur.io ditosescravos., e os tcm occullos, porque an-
da uo caso te oao ser legitimo proprietario quem os
vendeu, smente por acgiio ro:iipctenle podiam ser
(latidos, e prtanlo icm o abaiiu assignado ilireitn
indispotavel de proceder conlrn*quem as liouvc por
meios criminosos e reprovados; quem dos mesmo
escrgvossoober e quizer dar noticia, dirija-se a Ma-
noel Antonio (Joogalves na ra do Cshug, que ser
recompensado.Joaquim Antonio Correa (aiao
Aluga-se um grande ariuazem na ra das Flo-
res, perto do embarque, proprio para cocheira ou
ri'culliimcnlo de materiaes, madeiras, ou oulroqual-
3uer eslabelecimenlo, lem um grande sotan para
ormida : a tratar na ra Nova n. 65.
Antonio Francisco Correo Cardo;o, avisa ab
publico, que tero accrescenlarlo o seu eslabelecimen-
lo da ra da Cadeia do Recite junto ao arco da Con-
reigSo n. fii, e nova ra do lie um n. 1, cum urna
toja de ferragens de todas as qualidades, a qnal ad-
dicionou ollirina de caldeireiro e funileiro : roga-
se a todos os seus freguer.es da praca, do mallo edo
serijo, desta ooutras provincias, e ao publico em ge-
ral, de concorrere'm ao scu eslabelecimenlo no qnal
sero muilo bem c com promptidao servidos ; os
gneros sao da mellior qualidade, e o sorlimenlo
completo de ferragens finas c grossas, ferro, ;hh e
estanho, obras de cobre e de folha de flandresilc to-
llas as qualidades, vidros de vidraca ; recebe encom-
incndas para alambiques, e quaesquer oDras de en-
golillo ; por seu desvelado desempenbo, deseja cap-
lar a benevolencia de seus freguezes e a concurren-
cia publica.
Antonio Bolelhd Pacleu relira-sc para fra da
provincia.
Precisa-se alagar urna prela escrav? para o
servico externo e interno de urna casa : na ra da
Cadeia rk Recife n. 17.
Precisa-se de urna ama para casa de pouca fa-
milia : na ra do Hospicio n. 11.
s
i
s
Na ra Bella n. 9, alugam-se ate
4 escravas, que sejam liis para
seren empregadas no servico de
vender nesta cidade diversos ob-
jectos, da-se lijjOOO r. por mez :
quem quizer alugar dirija-se a
dita casa.
LOTERA da provincia.
O cauteltsta Antonio Jos.Rodrigues de
Souza Jnior avisa ao respeitavel publi-
co, qu teta resolvido d'ora em diante a
pagar tambem as suas cautelas sem descon-
t algum como os seus bilhetes, e por is-
so tem exposto a venda as lojas do cos-
tume os novos bilhetes e cautelas da lote-
ra primeira parte da 'primeira das amo-
reiras, cujas rodas andam em principio
de Janeiro vindouro, aos preros abaixo
declarados: *
Bilhetes. oSoOO
Meios. 20800
Quartos. 1&-500
Oitavos- 800
Decimos. 700
Vigsimos. 400
O abaixo rssignado roga aos scnlic
res solicitadores do loro, que hajam de
declarar por este jornal, se alguma vez
elle cobrara custas pertencentes ao Sr.
escrivao Santos.Domingos Bar boza Ro-
CONSULTORIO DOS POBRES
25 BA DO COLLEGIO 1 A.TDAR 25.
0_ Dr. P. A. Lobo Mosccuo di consultas liomeopalhicas todos os dias aos pobres, desde 9 Iioras da
manb.i aleo meio dia, e cin casos extraordinarios a qualquer bora do da ou' noile.
OHerece-se igualmenle para praticar qualquer operar/i.> de cirurgia, e acudir promptamenlc a qual-
quer iiiulberlque esleja mal de parlo, c cujas circunstancias nao permita ni pagar ao medico.
M NSULIOBIO DO DR. P. L LOBO MOSCOZO.
25 RA DO COLLEGIO 25
VENDE-SE O 5EGUINTE:
Manual completo de meddicina liomcopalliica do Dr. G. II. Jalir, traduzido em por
logues pelo Dr. Moscozo, qualro volumes encadernados cm dous c acompanhadodo
um diccionario dos. termos de medicina, cirurgia, anatoma, etc, ele...... 208000
Eslaobra, a man importante de lodas asquelralam doestudue pralicadaliomeopalbia, por ser n nica
queconlcm abase fundamental d'esta doulriiiaA PAjTHOGBNESIAOUEVFElTOS l)US MEDICA-
MENTOS NO ORCAMSMOEM ESTADO DE SAUDEcoubecimentos que nao podem dispensar as pes-
soas que sequerem dedicar pratica da verdadeira medicina, interessa a lodos os mdicos que quizcrcui
experimentar a .'oulrina de llalincmaun, e por si mcinos se convencere! da verdade d'ella: a todos os
fazendeiros c senhores de eugenho que eslSo longe dos recursos dos mdicos: a lodos os capilcs de navio,
que urna ou oulra vez nao podem deixar de acudir a qualquer iucommodo scu ou de seus tripulantes :
a todos os pais de familia que por circiimstancias, que nem sempre podem ser prevenidas, sao nbriga-
dos a prestar in continenti os primeiros socenrros en; suas enfermidades.
O vade-niecum do homcopatha ou tradcelo da medicina ilomestica do Dr. Ilering,
obra tambem til as pessoas que se dedicam ao esludo da homeopalliia, um volu-
me grande, acompanliadn do diccionario dos termos de medicina...... 10.^000
O diccionario dos termos de medicina, cirurgia, anatomia, etc., etc., eucardanado. .'blKKi
Sem verdadeiros e bem preparados medicamentos nao se pode dar um pasto seguro na pratica da
homcopathia, e o proprietario deslc eslabelecimenlo se lisongeia de te-lo o mais bem mouludo possivel e
ninguem dovida boje da grande soperioridade dos seus medicamentos.
Boticas de 21 medicamentos em glbulos, a 105, 125 e 158000 rs.'
Dilas 3( dilos a................ 208000
Ditas 48 dilos a............ 239000
Ditas 60 dilos a ........... :OcO0O
Dilas lii ditos a................. ttkjOOO
Tubos avulsos......................... l$O00
Frascos de meia-onga de lindura. *................. 28000
Na mesma casa lia sempre venda grande numero de la boa de cryslal de diversos tamanbos,
vidros para medicamentos, e aprompta-se qualquer encommeoda de medica meo tus cun toda a brevida-
de e por pregos muito cowmodos.
Precisa-se de urna ama para o servico de nina
casa de pouca familia : na ra do Oueimado, esqui-
na do boceo do Peixc Frito.
Mo hotel da Europa da ra da Aurora lem
. bous peliscos a cada hora, pelos presos lixos na la-
bella, muito ra/.oavei..
Precisa-se de .....j_;ihi;i para casa de pouca fa-
I6|0001 ntilia, qur compre e coziiihc : a tratar na ra do
. Lava-se a, enzomma-se rom loda \ perfeigao e
aceio: no largo da ribeira de S. Jos, na loja do so-
brado n. 15.
Precisa-se fallar ao Sr. Jacintho Af-
fonso Botcllio. que morn no aterro da
Boa-Vista, e bo;e dizem que mora para ai
bandas de Roberibe, e como se nao saiba
o lugai de sua inorada pede-se-lhe annun-
cie, ou dirija-te a esta tvpograpliia.
Manuel Cuslodio PeTxolo Soares, D. Anua
Loduvina de Paiva, o 1). Ilormoneeilda Can-
dida da Fonseca Soares, nimiamente gratos a
lodos i senhores que lomaram parla cm seus
petare*, pelofallerimenlo de seu muilo presa-
do esempre saudoso friigro, irmo o pai, o Sr.
Manoel Cardozo da FoOMCa, Ibes agradecen!
cordialmi-nlca bondade que liveram deacem-
p.inliar o enterro ,io cemilerin puhlico; e pre-
valecendo-se da opporliinidailc, pedem dcsrul-
pa aquellas das pes*oas de sua amizade que nao
livessem convite, visto que as atribulacoes de
um momento iao afliiclivo, lalvez aso*risas'oiii
a romniclter algumas desea* involuntarias
faltas.
Novos livros de bomeopalliia uiefrancez, obras
lodas de summa imporlancia :
llahneniann, tratado das mole-lia- chronicas, t vo-
aogooo
(3000
7801)0
(8K0O
6|000
WHK)
16(000
108O00
KjOOO
"8000
(BOtM)
45O0O
(40)000
30)000
DO TERCO,
I
drigues.
J. R. Lasserre & C., participam ao
publico, que Manoel Jos Dias deixou de
ser seu caixeiro desde o dia 18 do cor-
rente.
O Sr. Joaquim Pereira de Azevedo
Ramos, tem urna carta na ra do Crespo
loja n. 16
LOTERA DO RIO DE JANEIRO.
A todo instante esperamos do Rio de
Janeiro o vapor GuanSbara, conduc-
tor das listas da lotera 48- do Monte-Pio
geral, e logo que se distribuam as mes-
mas, serao pagos sem disconto algum os
premios, as lojas do costume.
LOTERA da provincia
Foi vendido na casa da Fama-do aterro
da Boa-Vista n. 48, o meio billieten. 18
com 2:0()0s000rs., e ou.tro meio n. 243
cora 400>000 rs. em decimos, tudo da
loteria de N. S. do Ltvramento.
Precisa-se de urna pessoa habilitada para enci-
nar lalim, francez, geographia e msica, em um en-
genho distante desta pra?a 10 leguas : os pretenden-
tes queiram dirigir-se ra da L'nuto, nU na alfan-
deea ao Dr. L. deC. Paes deAndradc, que Ibes dar
lodos os esclarecimentos necessarios.
Quem achou urna carteirt com urna baixa de
primeira linha. desde o Forte do Mallos al os Afo-
gados, e queira entregar, se gratificara : emFrude
Portas, casa n. 133.
O abaixo assignado, lendo-se despedido da casa
do Sr. Boaventura Jos de Castro Azevedo, agrade-
ce o bom Iralamenlo e cnnlianca que recebeu do
mesmo senhor durante o tempe que esleve em sua
cata, e desej ler occasio para Ihe mostrar o qaanlo
llie be sommamente grato.
Joaquim de Andrade Lima.
Sublrahiram do poder do abaixo assignado,
muilo contra sua vontade, na noile de 16 do corren-
te, em sua propria residencia, um relogio de ouro
com correte do mesmo metal, ilo em occasio em
que se achava Com algumas pessoas de sua amizade
e nutras de simples rondenmenlo. Acredita o abai-
xo assignado que islo Ihe foi feilo por gracejo, mas
como j lenham pastado 24 horas e o gracejo aiuda
nao termiunu. rosa ao gracejador o obsequio de Id'o
restituir, cerlo de que lera de ver seu nome por ex-
tenso neite jornal, no caso de pertinacia, e saliera
mais o publico os dados de que se servio o tal indi-
viduo para commetler lal acrAo.
Miguel Fernanda Eira*.
O Dr. Prxedes Comes de Souza l'ilauga faz
scienlc ao puhlico, que mudou sua residencia para o
aterrada Boa-Vista n. 12, primeiro andar, onde po-
de ser procurado para os trabalhos de sua profissao
medica.
Antonio Gomes Pessoa fazsciepte a qocm con-
vier, que lendo dado de renda o sea engenho Taba-
t'.nga, silo na freguezia da.Tacuara, provincia da
Paralaba do Norte, ao Sr. Manoel Claudio de Quei-
roz,acontece que este sem seu consenlimenlo Iraspas-
shso o arrendamenlo do referido engenho ao Sr.
te.ietilc-coronel II renla no de S Cavajcanli-e Albu-
querque. e como no convenha esse Iraspasse ao
abaixo assignado sem que concorde o novo rendeiro
em condir/ies diversas daquellas que se acham na
escriptura feila ao dito Sr. Queiroz, protesta o abai-
xo assignado contra o Iraspasso, para qae chegue ao
publico o direito que tem aos bens do Sr. Queiroz,
para soluc.tn do pagamento das Icllras i que est
obrigado provenientes do arrendamenlo. Recife 18
de novembro de I84.Antonio Gomen Pessoa.
Victima da calumnia de um bomem sem cons-
ciencia, nada respondo ; porque sendo vil a calum-
nia, baixa e inmunda sua foute, seu denle maligno
no pode morder a mim, que desafio provas contra
miaba honra, a qual asss condecida por quedes
que me conhecem e por quem nilo se deixar levar
porvistosos e fofos pulavroeso el bem a salvo
dos boles do mais vil, hediondo e malvado reptil.O
l." escriplurario da Ihesouraria da fazenda.
Jote Francisco (lonralee*.
Precisa-se de um liomein para Irabalhar em
um sitio perto, c que administre alguns escravos :
na ra do Passeio Publico, loja n. 7.
Na ra do Rangel n. 42, lava-sc e engomma-
se com asseio e promptidao.
Quarta-feira SO do correte, fimlaa audiencia
do Sr. juizdos feilos da fazenda, eperanleoraesmo,
se ha de arrematar por ser a ultima praija, duas ca-
sas terreas, sitas na ra das Flores n. 19 e 21, as
quaes v3o er arrematadas para pagamento da fazen-
da nacional.
No dia 20 do correnle, pelas 3 horas da larde,
na porta do Illm. Sr. Dr. juiz da segunda vara, se
'lo de arrematar diversos eseravos e movis, penho-
rados aos herdeiros de Julin Beranger, devendo os
movis seren arrematados logo que se proceder a
ai imal.iean dos escravos : un armazem da ra da
Florentina aoude*se acliatn.
M C0MLTOM0
DO DR. CAS.1NOVA,
RllA DAS CR17.ES N. 28, &'
vendem-se carleiras de domeopalhia de lo- J
dos os tamanbos, por prerus muito em conla. H
Elementos de homeopa'tdia. 4 vols. 6j00l) E
Tinturas a escolher, cada vidro, 1)0*) iS
g Tubos avulsos a escolher a 500 e 300 K
f& Contultasgratis para os podres
- Prccha-se de um rapaz de 12 a 14 anuos para
a bolica da ra estrellado Rosario n. 23, e se liver
principio de pharmacia mellior ser : a Iralar na
mesma.
lumes.
Tesd, n ule-lia- dos meninos.....
Ilering, homeopatliia dumeslira.....
Jahr, pnarmaenpa homenpathica. .
Jalir, novo manual, 4 volumes ....
Jahr, molestias nervosas.......
Jahr, mnleslia's da pclle. ......
Rapou, historia da homcopathia, 2 volumes
llarldmann, tratado completo das molestias
dos meninos..........
A Tesle, materia medica homeopatliici. .
De Fajollc, doulrina medica bomeopatdica
Clnica de Slaoneli ........
Casling, verdade da domeopalliis. .
Diccionario de Nyslen.......
Alllas completo de anatoma com bellas es-
lampas coloridas, coulendn a descrip^ai)
de todas as parles do corpo humano .
vedem-se lodos esles livros no consultorio homepa-
tdico do Dr. I.obo Moscoso, ra do Collegio n. 25,
primeiro aadar.
CASA DA AFERICAn, PATEO
N. 16.
O abaixo assignado faz ver a quem inleressar pos-
sa, que no dia 31 do correnle fiualisa-se o prazo
mareado pelo ari.2." do lil. II." das posturas da c-
mara municipal desta cidade. dentro do qual de-
yem ser aferidos os pesos c medidas ; lindo esle
incorrcro os cootravenlores as penas do mesmo
artigo. Jtecire 13 de dezembro de 1854. Prxe-
des da Silva Cusmao.
PIBLICACAO' DO WSTITITO UOMEOPA-
i'llll'O DO BKASIL.
THESOURO HOMEOPATHICO
OU
VADEMCUM DO HOMEO-
PATHA
Melhodo conciso, claro e seguro de curar homeo-
pathicamenle lodas as molestias que affligem a es-
pecie humana, e particularmente aquellas que rei-
nam no Brasil, redigido segundo os melhores Ira-
lados de homeopalhia, lano europeos romo ameri-
canos, e segundo a propria experiencia, pelo Dr.
Sabino Olegario l.udgero Pinhu. Esla obra he boje
rccolidecida como a mellior de loda* que Iratam da
apphearan lioineopallnca no curativo das molestias.
Os cariosos, principalmente, nao podem dar um pas-
so seguro sem possui-la e consulta-la. Os pais de
familias, os senhores de engenho, sacerdotes, via-
jantes, capites de navios, seria nejos etc. ele., devem
le-la a mo para occorrer prompUmcnle a qulqcr
caso de molestia.
Dous volumes cm brochura por 10JO0O
i) n encadernados llQUOO
vende-se nicamente em casa do autor, no palacete
da ra de S. Francisco (Mundo Novo) u. 08 A.
RETBAWS.
No atierro do Boa Viista n. 4, terecro andar,
continiia-se a tirar retratos, pelo sjslema crvstaloly-
po, com muila rapidez e perfei^Ao.
a
:<
Livramentc n. 36, loja de cera.
Prcrisa-se de urna ama secca, prela on parda :
na ra Bella n.20.
O cautelista Salustiano de Aquino
Ferreira, avisa aos possuiclores dos bilhe-
tes inteiros n. 581o, da terceira e ultima
parte da se\Ia loteria a favor das obras
de N. S. do Livramento, etn-qtie sabio a
soite de 5:000j000 rs., c do meio bilbe-
tcn. 18 da dita loteria em (pie sabio o
premio de 2:00j000 rs., e o bilfaete in-
ti'iro n. 1170 em dous meios, em (pie sa-
bio o premio de 1:000$00() rs.. podem ir
receber na ra do Collegio n. 15, no dia
10, dasO Iioras da manhfia as 5 da tarde.
Pernambuco 18 de dezembro de 185*.
Salustiano de Aquino Terrena.
Aluga-se nina casa lerrea na povoarao doMon-
leiro, com a frcnle para a iereja de S." Pantale^o,
muilo limpa. Iresca, com commndos para familia re-
gular, lendo urna noria e duas janellas na frente: a
tratar com Antonio Jos Kodrisucs de Souza Junior.
na mesma povonrjio, ou na ra do Collegio n. 21, se-
gundo andar.
S J. JANE, EMISTA,
?* contina a residir na ra Nova n. 19, |irimei-
Q ro andar. .'
# 999mmmmm9m
AULA DE LATIM.
O padre Vicente Ferrer de Albuquer-
que, professor jubilado de grammatipa
latina, tem estabelecido sua aula par-
ticular na ruaDireita sobrado n. 27, se-
gundo andar, onde recebe todos os alum-
nos, quer externos ou internos, tanto des-
ta praca cmodo mato, mediante a razoa-
vel convencao que pessoalmente oll'ere-
cera'.
DENTISTA FRANCEZ. **
9 Paulo Gaignouz, estabelecido na ra larga
4) do Rosario n. 36, secundo andar, colloca den- j;
3 tes com gengivas arlificiaes, c dentadura com- @
Si pleta, ou parle della, com a pressao do ar. '
p{ Tambem tem para vender agua denlifricc do @
3 Dr. Picrre, e p para denles. Kna larga do @
?* Rosario n. 36 segundo andar. cy
j < 9999 i
O Sr. procurador da cmara mu-*
nicipal do Limoeiro, baja de mandar pa-
gar a assignatura do Diario de Pernam-
buco, para a mesma cmara,' que se
acba em grande atrazo de pagamento.
O Sr. Antonio Ferreira da Costa
Rraga tem urna carta na livraria ns. C e 8
da piara da Independencia.
Aluga-se para o servico de bnlieiro um escra-
vo mulato com muila pralica desse oflicio. Na ra
da Saudade frnnteira i do Hospicio, casa da resi-
dencia do Dr. I.ouroneo Trigo de l.oureiro.
. O Sr. Joaquim Ferreira que leve loja na pra-
cinda do I.mmenlo tem urna carta na livraria ns.
6 e 8 da prac,a da Independencia.
.O cnenrregado do reconhccimenlo o medicito
dos terrenos de marinha, faz srienle aos Srs. Manoel
Joaquim Baplista, Joaquim Alves Barbosa, Manoel
Peres Carapello Jacome da Cama c Domingos Jos
Pereira da Cosa, que os termos da medico dos ter-
renos que Ihes foram concedidos, acbam-se lavrados,
e que Ibes foi marcado por ordem do E*m. Sr. pre-
sidente da provincia o prazo de Ires mezes contados
da dala do despacho de concessao para solicitareui os
seus ttulos, lindo o qual nao os solicitando, perde-
rao os mesmos terrenos, e atrio aforados a quem os
pretender.
Precisa-so de urna amadlo smenle para fazer
o almo e cuidar do aceio da casa de um honiem
solleiro : a tralar na ra da Cadeia n. 9.
No dia 14 do correnle a larde appareceu em
casa de Victorino Antonio Martin*, morador na Boa-
Vista, o preto Jacintdo, cscravo de Josepha de tal,
moradora no engenho Noruega ; o annunciaule pre-
tende compra-lo, sua senbora mande concluir esle
negocio ; e de nenhum modo se responsabilisa pela
fuga de dito escravo.
AntonioEgidio da Silva, lenle degeomelria do
Ivceu desla cidade, abre no dia 2 de Janeiro do anuo
vindouro, na casa do sua reidencia, na ra Direila
n. 78, um curso de geometra por Euclides e La-
crois : os similores esludanles que o qtiizorem fre-
quenUr, pdenlo dirigir-se a mencionada casa, de
manhiia das 7 horas at as !), e tic larde das 3 alt-
as 5.
. Aluga-se a sala defronle do primeiro andar do
sobrado n. 17, na ra da Cruz, com commodos para
escriplorio, est cniado c pintado de novo : a Iralar
no armazem u. na mesma ra.
Manoel Jos da Malla, suddilo portuguez. rc-
lra-se para o Para.
Desappareceii um pardo por nomo Manoel,
que reprsenla 35 anuos, alto, grosso, cor acabilda-
da, servico decampo, lem mu ar sombro, ps gros-
sus, lraliaili.ua no sitio MoogOBga, na estrada da
Idura, tem mais diversas marcas de sarnas as per-
itas c brarss ; foi escravo de Antonio Luide Pirca,
eirtj'orlo Calvo : consta lomara a estrada do sul :
quem o pegar c Irouver na ra da Praia n. 43, ou
no sitio Mondonga ser gratificado.
I'rancisco da La, subdito portusiiez, relira-se
para fora da provincia.
O francez Justino Norat relira-se para os nor-
los do norte do imperio.
Precsa'-sc de urna ama secca de meia idade,
que seja capaz c d fiador, para urna casa de pouca
familia, que nao lem meninos : a Iralar na ra da
Sania Cruz n. 22.
Precisa-se do um Irabalbador de masseira ou
mesmo qae nilo enlenda, com lano que saiba lr,
que tem de eulregar po em urna pequea fregue-
zia, fiado, por conla da casa ; a tralar na padaria do
paleo da Sania Cruz n. 6.
Osahaisoassignadns.donosdalojadeourivcs na ruado
Cahugau. II, confronte ao paleo da matriz e ra Nova
fazem publico que receberam de novo urna porcAo
de obras de ouro muilo ricas e dos melhores goslos,
lano para senhnras como para homeus e meninas ;
conliiiuam os precos mesmo baratos com tem sido, e
passa-sc coalas com responsabilidad especificando a
qnalidade do ouro de 1 ou 18 quilates, ficando as-
siir. sujeitos os mesmos por qualquer duvida.
Sera/im & Irmao.
_ Perdeu-seum conbecimenlo de n. 90, daqnan-
tia de /(003O00 rs., recedido na Ihesouraria da fazen-
da desla provincia : quem o liver adiado, 011 por
qualquer modo delle esleja de posse, dirija-se a ra
da Praia de Santa Rita n. 42, que sera generosamen-
te gratificado alm do agradecimenlo.
Precsa-se alugar urna ama de lcite, com boa
conduela, e de bastante leile, para criar ; paga-se
bem : a Iralar na ra Direila n. 66.
No aterro da Boa-Vista, loja n. 1, precisa-sc
de um negro ou negra para o servico da casa.
A ABAIXO ASSINADA FAZ PUBLICO,
que lendo entregue ao Sr. Antonio Jos Vieira de
Souza, correlor, um seu escravo de nome Jos, cri-
oulo, com os sgnaes seguinles : representa ler 38
anuos, secco do corpo, estatura resillar, cor bem
prela, bem barbado, ps dem seceos, olbos averme-
Ihados, lem nos peitos urna grande cicatriz, musir
vcsligiusdc ter ja sido surrado.quando falla he mui-
lo descancado, levou camisa de alzodito de lislra
azul, calca de panno lino azul e edapo de couro, o
qual tiulia-odado para vender^ o mesmo senlior lile
declarou ler elle fgido no dia 22 de novembro, na
occasiilode mauda-lo a servico sen, de deilar urna
tina na praia a noile-, c por isso a'nununciaiile roga
a lodas as autoridades policiacs, capules de campo e
qualquer pessoa que o enconlrar,o peguem c levem-o
em seu sitio, 110 lugar da Piranga, ou ao scu procu-
rador o Sr. capilao Antonio tioncalves de Moraes,
.nudos moradores na fregnezia dos Afogados, que
dem recompensar ; e protesta Imver o mesmo es-
cravo, per.las edamnos nao so di. mesmo Sr. Sooza
como de oulra qualquer pessoa onde fr encontrado.
/guacia A/aria de Jess.
COMPAMI1A DEBE0EU1BE.
Nao tendo as propostas ollcrccidus a ad-
ministraeao da companbia de Bcberibe,
pejo rendirnento da taxa dos cbalarizes
da cidade, coberto o rendimenlo do ulti-
mo anno administrado pela mesma com-
panbia, que produ/.io rs. 63:9710759 ;
a administra^ao convida pela terceira
vez as pessoas a quem convier contra-
tar a arrccadaeao da dita taxa, por bair-
ros ou em sua totalidadeacomparecercm,
com as suas propostas em cartas Tedia-
das, declarando seus fiadores, no dia 19
do corren te ao meio-dia, no escriptorio
da mesma companbia, no primeiro andar
da casa n. 7 da na Nova. Recife 15 de
dezembro de 1851.O secretario, Luiz
da Costa Portocarreiro.
O agente da empreza da livraria popular e his-
trica de l.isbua.avisa aos senhores assignanlcsda Bi-
blia Sagrada, que acaba de rhegar o 6 e 7 folhelo da
mesma obra, os quaes se cnlregam na livraria classi-
ca no paleo do Collegio n. 2. O mesmo agente con-
vida a todas as pessoas que quizerem assignar e**a
excellenle obra,ti dirigircm-se a mesma livraria,
onde podem receber os 7 folhelos j publicados ; as-
si m como di um ejemplar gratis a quem te reapon-
sabilisar por oilo assigualuras : dous eicmplares a
quem se responsabilisar por 16 assignaluras. e assim
por diante, um exemplar por cada 8 assignalu-
ras.
Ensina-se com loda a perfcii;ilo francez e in-
gle* : na ra do Cotovello defronle do sobrado em
que morn o Dr. Alcanforado.
Luiza llosa de Jess rclira-sc para a Tilia da
Madeira, levando em sua companbia um filbo de
menor idade.
CINCOhNTA MIL RES DE GRATIFICACAO.
Desappareceu no da 6 de novembro, Benedicta,
de 14 anuos de idade, vesga, cor arahocLda ; levou
nin vestido de chita com lastra*, cor de rosa c de caf,
e oulro lamdem de dula branca com palmas, um
lenco amarello no pesroco j desbolado : quem .-1
appredender, conduza-a ;i Auipucos, \u Oileiro, cm
casa de Joilo Leile de Azevedo, 011 un Recife, na
praca do Corpo Santo n. 17, que recedera a gralifi-
catao cima.
-r Quem quizer comprar urna laderna 110 Mon-
dejo n. 74, com pouco fundo, dirija-se a mesma,
que adiar com quem tralar.
Esl justa e contratada com o Sr. Joaquim
Antonio de Siqucira, neto da liuada I). Marianna,
do Manguind, urna morada de casa terrea, com
chao* proprios, na ra em S. Jos do Mauzninho n.
27, a qual se acba lanzada as dcimas por engao,
110 municipio de Olinda, em nome de Joaquim Jos
(oncalvcs : quem se julgar com direilo a mesma ou
hypotheca, dirija-se 1 ra do Brum n. 1(, desla dala
a 8 dias, e passadns esles se lixar a compra, e ato
se aunuira cousa alguma.
Na ra do Vinario n. 27, precisa-sc alugar um
prelo para lodo servifo, e tambem de compra, sen-
do que agrade em proco e qnalidade.
COMARCA E VILLA DO BONITO.
Previnc-sc ao intitulado senlior da propriedade
.Capivara, sita no termo da villa de Bonito, que os
verdadeiros senliorcs desla propriedade sito os que
lem o direilo de vende-la 011 usufriii-la ; e sito es-
tesIres netos do finado senador Jos Carlos M.i-
rink da Silva Fcrrilo, denlrc os quaes figura como
administrador dos bens de sua inullirr o bachaTcl
Nabor Carueiro Bczerra Cavalcanli.
Precisi-sc ile urna ama e um criado para casa
de bomem solleiro, se forem aquc-llcs captivos ser
mellior : quem esliver no-las circumslancias, dirja-
se ao Passeio Pudlico, loja n. II.
Paulo Jos Iiomes e Manoel Jledeiros de Souza
avisara ao respeitavel e muilo principalmente ios
seus freguezes. qne inudaram o seu eslabelecimenlo
de serrara da ra da Praia de Santa Rila para a ra
da Cadeia de Sanio Antonio 11. 19, aonde continosm
a ter sorlimenlo de laboado, lano de amarello como
de luuro, por preco o mais coiiiinodo possivcl.
Da luja do abaixo anigoado.siU na praca da In-
dependencia 11. 40.lol sablrabido ummcio dilheleda
48 loteria do Monle Po (eral, n. ITiKcciimo desde a
dala da sudlrarc.ao al boje nao se lenia entregue ao
abaixo assignado o dlo meio bilhelc, roga-se a pes-
soa cm poder de quem esleja, que ven lia ou mande
enirega-lo anteada chegadada competente lisia, ai-
ancando-sc lodo o silencio ueste negocio ; c recom-
inenda-sc altamente a quem quer que seja, de nlo
receber tal bilbele quamio leona de sabir premiado,
alim de evitar algum uromiuodn.
Antonio losi de Furia Machado.
TOAL.HAS
E GUARDANAPOS DE PANNO DE
LINHO PURO.
Na ra do Crespo, loja da esquina que volla para
a cadeia, vendem-se loaldas de panno de lindo, lisas
c adamascadas para rosto, dilas adamascadas para
mesa, guardanapos adamascados, por precos com-
modos.
se*; ae@@8
.8 AGUA DOS iMMES. i
59 Liquido silo e especifico para tirar todos os r
ty pannos, as sardas e as espindas (a eslas ou as A
ft lira de lodo ou desouriainnia, secundo a sua ;a
; qualidade), refresca a culis e faz desapparecer -r-
@ a cor Irigneira em cinco dias, de um modo g
vp particular; augmenta o lustre e tira as runas
@ das pessoas que lem feito uso do solimo, que
}j5 lie muilo prejudicial i cutis e a saudc :
^j a dorliieja coiu muila facilidade. por ser
lo fresca c sem prejudicar a saudc. Em ...,
:g mas pessoas faz mudar os pannos cm tantas
rf pinlinlias brancas, que se turnara em urna s
deciir natural; ficando desvanecidas lodas a
manchas, tanto das sardas como de oulras
|s quaeiquer manchas de lodo o corpo.
O melhodo de a usar he o seguinle : lavar S*
o rosto (ou qualquer parle do corpo) bem la- @
s va lo, e eom urna loalba lavada se limpa c en- S
chuga-se bem; deposita-so um pouco d'agua
u'uma colher de sopa, e com um (rapinho en-
W sopado 11 ella se estreg na parle afectada na
occaso de deilar-se c de manliAa. Esla ope-
.'9 racAo ser fela deixamlo licar o roslo e o cor- @
ti po untado al segunda friega*, leudo sempre &
o cuidado de lavar-se c cnebugar-se bera au-
S tes de uular-se. -*
Volla-sc o duplo 1)0 valor quando nao faja
efleilo, e vcude-se no nico deposilo da ra f
do Qoeirnado n. 27, proco fivo 2 a garrafa.
@@@is #>
Roubo.
Sexta-feira, 13 do correnle, fui rondado a Mr. Vil-
letle, na refinac.io do Monteiro, l:1!ljgouo cm seda-
las de dinerenles valores, e'enlre ellas nina ile-Jl IP-
rs. 11. 10K85, leudo as cosas o igual 250__34 VL,
urna dita do banco n. 1346 de 26 de novembro de
1832. oulra de 25 de maio de 1S52 n. 416. ambas de
1003000 rs. : a pessoa que apprehender esle roubo
ou delle sonber com cerlcza, dirija-se R ra Nova,
casa de Mr. I.acase, rclojeiro, 011 a dita 1 cimacio,
que ser senerosamenle reronuensado.
Urna criada poiingueza sTnll'erece para acom-
panh ir^ii-iima familia para Portugal quem preci-
sar -.irtanire na ra da Concordia, as lojas do subra-
docm qne mora o Sr. juiz do civcl.
Aluga se o siibrado"amare!lo da na da Praia :
a fallar com Cuillienne Selle, na ra do Qucimado
n. 21.
COMPRAS.
Compra-se papel de emdruldo Diarios) a loa-
1.1o a lldra : na praca da Santa Cruz, na padaria dc-
baixo do sobrado.
Compra-se nm sclilm que seja usado,mas cm
bom estado: na ra da Cruz n.2t.
VENDAS
AUANAi PARA *8oS.
Stdiiram a luz as lolltinbas de alrjibei-
ra com o alinanak administrativo, mer-
cantil, agrcola e industrial desta provin-
cia, corrigido e accrescentado, contendo
400paginas: vende-so a 500 rs., na li-
vraria n. G^e 8 da praca da Indepen-
dencia.
FOLHINHAS PARA 1855.
Acbam-se a venda as bem conbecidas
folbinlias itnpressas nesta typogiapbia,
de algibeira a 520, de porta a lO. eec-
clesiasticas a480rs., vendem-se nica-
mente na livraria n. t c 8 da praca da
Independencia.
lELPOMENE DE m ESCOtZ
A SOO RS. O COVADO.
Na loja n. 17 da ra do Ouoimado, ao pe da boli-
ca, vende-se alpaca de laa escocer, chegada pelo ul
limo navio, a qual fazenda na Europa se da o nom-
de Melpomene de Escocia, muilo propria para roue
poes e vestidos de senbora e meninos por ser de mui
lo brilho, pelo commodo preco de 300 rs. cada co
vado ; dflo-se as amostras com" peuliores.
BARRIS.
Vendc-se urna porcAo de barris vatio* de varios
lmannos, proprios para azeile ou mol : no beceo do
Carioca armazem de Antonio Pinto de Souza.
Vende-se urna escrava parda, de bonita figura,
de idade de 22 anuos, com alumas habilidades c
com mna cria de 6 mezes muilo lili la : n ra de
Hurlas n. 60.
De urna taberna que se desmanchoa, vendeni-
seos canteiros, caixfies c dous bracos para halanca,
de Itum o \ f, medidas d'; pao e pe^s : u;i roa No-
va n. 63.
FAMA
No aterro da Una-Vista, defronle da Imneca n. 8,
acha-se um novo e completo sorlimenlo de lodos os
Renato* de moldados, cnixindas de massas finas para
sopa a 3#!KK), latas de bola'hinha* de aramia do Rio
de Janeiro a 25600, manleica insleza a 330.600,
SOOeRKOa libra, rbampacnc calmante a 200 a
garrafa, e mcias a 15500, muilo superior cha. lin-
guicas, paios. presuntos, c muilos oulros seeros de
superior qualidade, tudo por preco razoavel.
Caslorinlio inglez.
Vendem-se superiores chapeo* de caslorinbo in-
glez, chegados reccnlemenle, e de elegantes formas,
a K-sOIK) : na praca dt Independencia n. 21 a :(0.
\ endem-se saccas com farinda ele mandioca,
muilo torrada c por menos preco do que cm oulra
qualquer parle : na ra da Cadeia du Hecife n. .lo.
Vende-se i armarao da loja da ra da Cadeia
do Hecife n. 10, propria para um principiante, c
commodo preco : a tralar na incsina ra n. 110.
Attenrao.
Vcndem-se app.ireldos para cd, de porcelana,
dourados, piulados e brancas, dilos asnea, apparcldos
dejantar. aznes, copos para agua, compuleiras, gar-
rafas, calix para viudo, galdeteiros, porta-licores.
bandejas, lanlernts de vi.lro. de conipnsic.lo e de eas-
quinlia inuleza lina, palileiros ile porcelana, barias,
jarros, c caixas de porcelana para abXo, cscarradei-
ras ilc porcelana e de viilro, frascos de crystal para
espirito, e oulras mudas mais fazendas por picoa
mais commodo do que em nutra qualquer parle :
junto a Conreic"o do* Militares n. 51.
Vende-se um presepe le bom goslo ; na ater-
ro da Itoa-Visla n. 75.
Vende-se orna morada de casa terrea, sita no
paleo do Hospital do Panizo u. I, Iraveota que vni
para S. francisco : quem pretender, dirija-se ra
da Praia, armazem de Amonio tioncalves Ferreira
i\- Irmao.
No aterro da lioa-Visla n. SO. vendem-se bala-
las de Lisboa, iiltimamciite cliegailas, a INUMI a ar-
roda.
-y Vende-se um carra novo de 4 rodas, america-
no, o qual lem 4asseulos e o do dolieiro fra ; serve
tallo para un como para dous cavallos, e tambera
dous cadriuleles usados : na Cocheira do Sr. Miguel
Sarger, no aterro da Boa-Vi*ta.
Vendc-se um nioloque de 20 annos, bom cozi-
nbeiro e bom canoeiro : na ra da Cruz n. 13.
Vendcri-se 2 escravos mocos, de bonitas figu-
ras, de idade 20 a 24 anuos : na roa Direila n. 3.
ATTENCAO'.
Vende-se urna cama franeeza e urna meia rom-
moda : no nidio do Terco n. 2.
Vende-se gomma muito alva a 80 rs., dila de
araruta a 120 : no pateo do Carino, quina da ra de
tlortas n. 2, taberna.
SELLINS INGLEZES.
Vendem-se os melbores sel-
lins para bomem, que tem
vindo a este mercado, com
seus competentes frcios, etc.,
incluindo alguns para pa-
gen recentementc despacha-
dos, tambem chicotes para carro, bomem
c senbora, com eneites de goslo moder-
no : no armazem de Eduardo II. VVyatt,
luado Trapiclie-Novo n. 18.
Vende-se um carro inglez quati novo.de ira-
das, com os arreios competentes : nn cm dos Srs.
Johnslnii Pater & Companbia, roa do V'S>rio n. 3.
Vendem-se hoasvaccas paridas, oulras prximas
a parir, novilhaa c garrotes : no sitio dt> fallecido
(iiiilheime Patricio, junto do Remedio, e a tratar
na ra do Collegio n. 13, 2. andar.
ESTOJOS.
Vendem-se elegantes estojos de toilette
para senbora e para bomem: no arma-
zem de-Eduardo II. Wyatt, ra do Tra-
picbeNovo n. 18.
VINIIOS.
Vendem-se na ra do Trapiche Novo n.
18, em casa de Eduardo II. Wyatt:
Cervcja branca em barricas de 4 e 6
duzas, em garrafas e meias garrafas, vi-
nbo do Porto eXerez, tanto em garrafas
comocm barril de i em pipa, fructas em
conserva, em caixas de 1 duzia de garra-
fas.
Vendem-se 4 eslolas bordadas a ouro, do me-
llior goslo possi"-', sendo urna branca, oulra encar-
nada, outra roxa e a quarla preta : na loja de Joo
da Canil MagnlhAes, ra da Cadeia do Kecfe n. 51.
Vendem-se duas casinbas na roa Imperial jun-
to ao rhafariz n. 46 e 48 : a Iralar na mesma ra
0.171.
Vendem-se saoea* com 4 'i arrobas de gomma
de muito boa qualidade a QOOO cada urna ; defron-
le do (rapirbe do algodo, armazem n. 20, do Sr.
Guerra, ou na ra da Cadeia do Kecife, loja n. 5.
CHUISTIANI & IKMA'O.
JL Com fabrica c luja de cba-
*^*" peo* na ra Nova n. 44, lem
a honra de avisar ao respeilavcl publico, e em par-
ticular aos seus freguezc, qne receberam pela se-
gunda vez urna nova factura do chapos chegados
ha poucos dias pelo navio Hetlrm. viudo do Havre,
como sejam os bem condecidos chapeos de castor de
pello curio (Thibcl), ditos de pello (ros), dilos de
caslor prelo (Velours Zepdir), dilos de massa franee-
za, formas modernas, ditos de fellro finos c de lodas
as cores tanto para liomein como para meninas, di-
tos amazonas para senliora, dilos de palha cnfeila-
dos para dila. e oulras muilas fazendas propria* do
seu cslalielccimenlo, e tudo por precos commodos.
Veudem-se os secuinlcs gneros rhecados lti-
mamente de Lisboa na barca Gratidao, tudo da me-
llior qualidade que lem vindo nesle mercado, a sa-
ber : batatas muilo superiores, a 12600 rs. a arroba ;
amendoas molar, a OSUDO rs. a arroba ; nozes muilo
superiores, a 35000 r. a arroba ; chocolate o mais
superior que lem vindo tambem nesle mercado ; la-
las de 4 t libras, a 29000 rs. cada ama ; folha de
louro de ,' arroba para cima, a 320 rs. a libra : na
ra do Queimado n. 44.
Vendem-se no armazem n. 60, da ra da Ca-
deia do Hecife, de Henry Gibaos, os mais superio-
res relogios fabricados'em Inglaterra, por precos
mdicos.
(i'e,,('em"se urnas lellras com szeeoeSo e pe-
nbora* feila no engendo da Escada Jun.lia, pcrlen-
cente ao Sr. Manoel Antonio Dias, que andarao
boje por 13:0008000 rs. pouco mais ou menos: os
prelendenles podem dirigir-se ao Trapiche Novo ca-
sa n. 14, que farflo qualquer negocio.
Vende-se superior carne do serlito por preco
commodo : na ra da Sania Cruz esquina da ra da
Alegra n. 1.
Vende-se urna boa casa terrea, sita
nar ra do padre I'loriano, com ptimos
commodos para familia : os pretendentes
dirijani-se para tratar, a' ra do Vigario
n. 7.
Farinba de trigo em saccas a vontade
dos compradores : a tratar com o baratei-
ro Joaquim a Silva Lopes, na porta da
alfandega.
Vende-se a bemeonbecida taberna,
debaixo dos arcos da ribeira da Boa-Vista
u. 6 a 8 : a tratar na mesma.
\ende-se um carro americano de qualro rodas,
mofado ltimamente da America : a Iralar na ra
do Trapiche n. 8.
nu mmm.
FINAS CARTAS E FIXAS DE
MADREPEROLA,
na ra do Crespo n. 11.
Em casa de J. Keller&C, na ra
da Cruz n. 55, lia para vender 5 excel-
lentes piano viudos ltimamente de Ham-
burgo.
Na rua do Vigario n. 10, primeiro andar, ven-
de-se farclo novo, rbegado de Lisboa pela barca G'ra-
lidao.
V eudem-se chapeo* de castor hranco, a 43
rs., ditos de seda preta, francezes. a 49500 rs.: g.
~ na rua do Crespo, loja amarella n. 4. &c
<-,>
CONHEC1DO DEPOSITO DE POTASSA
E CAL.
Na rua d Apollo armazem n. 2 B, con-
tinua a ter superior potassa da Russi e
Rio de Janeiro, e cal de Lisboa em pe-
dia : tudo a preco que muito satisfar'
aos seus antigos e novos fregu "es.
CEMEXTO ROMANO BRAMO.
Vende-se cemento romauo branco, chegado agora,
de superior qualidade, muilo superior ao do consu-
mo, era barricas e as tinas : alraz do Ibealro, arma-
zem du taimas de pitillo.
Na loja da rua do Crespo n. 6, lem um grande
sorlimenlo de caixas para rap a cmilaco das de
tartaruga, pelo mdico preco de 1*280 cada urna.
Vende-se um cabriolet com coberla o os com-
petentes arreios para um cavallo, tudo quasi novo :
par? ver, no aterro da Boa-Vista, armazem do Sr.
Miguel Segeiro, e para tratar uo Kecife rua doTrapi-
ede n. 1 i, primeiro andar.
chande sortimento de brins tara
calcas e i'alito's.
Vendc-se brim tranca.lo de linio de quadros a
600 rs. a vara ; dilo a 700e 19000; dito mcsclado a
I -nii ; corles de fustn branco a 40U rs. ; dilos de
cores de bom goslo a 800 rs. ; ganga amarella lisa da
India a 400 rs. o covado ; cortes de cassa chita a
23OOO e 29200 ; lencos ile cimhraia de lindo gran-
des a 40 ; dilos pequeos a 360 ; loalhas de panno
de lindo do l'ori.i para rosto a 143U00 a duzia ; di-
las alcoxoadas a IO3OOO ; guardanapos tambem alco-
xoados a 33600 : na rua do Crespo 11. 6.
O i.Ht GUARDA FRI GUARDA CALOR:
porlanlo, vendem-se cobertores de al20d.n1 com pel-
lo como os de lAa a 1&400; dilos sem pello a 13200;
dilos de tapete a 1C200 : na rua do Crespo n. 6.
ssss&asoa.:3&
;:i RUA DO CRESPO N. 12. J
JN Vende-** nesta loja superior damasco de (g
$ seda de cores, sendo branco, encarnado, rxo, 6
por preco razoavel. gp
fe-*--Ke*&-@e:t
Vendeoa-se lonas da Russia por preco
commodo, e de superior <|tialidade: no
armazem de N. O. Bieberk C,, rua da
Cruz 11. 4.
CASEMIRAS E PANNOS.
Vende-se casemira prela e de cor para palitos por
ser muito leve a 236OO o covado, naono azul a :l i-
4000, dilo prelo a 3?, 33500, 4, 53 e 9500, corles
de casemira de goslos modernos a 63OOO, selim pre-
lo de Mar.io a 332U0 e 43UOO o coiado : na rua do
Crespo 11. 6
OBRAS DE LABVRINTUO.
Acdam-se i venda por commodos precos ricos len-
cos, loallias e ciieiri.s de labyrinlho, chegados alli-
mamente do Ai acal \ : na rua da Cruz do Recife n.
34, primeiro andar.
Ven.lc-so una casa de sobrado de 2 andares,
na praca da Boa-V isla n. 10 ; os pretendentes diri-
jam-se para o ajuste e iulormac,ilo, no paleo da ma-
triz de Sanio Antonio, sobrado de um andar.
CHALES E MANTELETES DE SEDA
DE BOM COSTO.
Na rua da Crespo loja da esquina que
volta para a Cadeia : vende-se ctales de
seda a 8#000, 12,>'000, 14$000 e 18000
rs., manteletes de seda de cor a U.sOOO
rs diales pretosde laa muito grandes a
5{60 rs., diales de algodao e seda a
1S280 rs.
1
i
1S
Peposito de vinho de cbam^"
pague Cbateau-Ay, primeira qua-
lidade, de propriedade do condi
de Mareuil, rua da Cruz do Re-
cife n. 20: este vinho, o mellior
de toda a champagne vende-
se a GjOOO rs. cada caixa, adia-
se nicamente emeasa de L. Le-
comle Fcron & Companbia. N. B..
As caixas sao marcadas a fogo
Conde de Mareuil e os rtulos
das garrafas sao a/.ues.
Tarcas pare engenhos .
Na fundir o' de ferro de D. W.
Bowmann, na rua do Brum, pastan-
do o chafariz continua haver am
completo sortimento de taixas de ferio
fundido e batido de 5 a 8 palmos de
bocea, as quaes acbam-se a venda, por
preao commodo e com promptidao' :
embarcani-se ou carregain-se em carro
sem despeza ao comprador.
Na rua do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas mu-
ticas para piano, violSo e. flauta, como
sejam, quadrillias, valsas, redowas, scho-
tickes, modinhas tudo modernissimo ,
chegado do Rio de J?ieiro.
v. CEMENTO ROMANO.
Vende-se cemento romano, em barricas de 12 ar-
robas, e as maiores que ha no mrrrado, chegado l-
timamente de Uamburgo, por menos preco do que
em oulra qualquer parle : na rua da Croi no Reci-
fe, armaren) n. 13.
NAVALHAS A CONTENTO E TESOURAS.
Na rua da Cadeia' do Recife n.48, primeiro an-
dar, escriplorio de Aususlo C. de Abceu, conli-
nuam-se a vender a 89OOO o par (f)reco fixo) as ja
bem condecidas c afamadas navalh* de barba, feilas
pelo hbil fabricante que foi premiado na eiposicao
de Londres, as quaes alero de durarem extraordina-
riamente, ulo se sentem no rosto na accao de corlar ;
vendem-se com a cndilo de, nao agradando, po-
derem os compradores devolve-las al 15 das depois
pa compra reslilaiodo-se o importe. Na mesma ca-
sa ha ricas lesoarinhas para undas, feilas pelo mes
mo lal 'icanle.
. Farello de arroz multo nuro e por preco com-
modo, em saccas e barricas, cajo he eaudnveis e de
muila nutricio para cavallos, gallinha* e cevados : a
tratar na Praia de San Francisco cocheira de Joto
da Cunda Res.
Vende-se na rua do Queimado, loja n. 21, chi-
tas largas de padrde* moderaos a 200 rs. cada co-
vado.
RUA DO CRESPO LOJA ENCARNADA.
Venderc-se cortes de seda escosseza, pe-
lo baratissimo preco de 16J000 rs.
FARINUA DE MANDIOCA.
Vende-se a bordo do brigue ConccfSo, entrado
de Santa Calharins, e fondeado na volla du Forte do
Mallos, a mais nova farinda que exisle buje no mer-
cado, e para porc.oes a Iralar no cecriptoric de Ma-
noel Alves Guerra Jnior, a*, rua do Trapiche
u. 14.
v AOS SENHORES DE ENGENHO.
O arcano da invencao' do Dr. Eduar-
do Stolle em Berln, empregado as co-
lonias ihglezas e holiandezas, com gran-
de vantagem para o melhoramento do
assucar? acha-se a venda, em latas de 10
libras, junto com o methodo de empre-
ga-lo no idioma portuguez, em casa de
N. O. Bieber & Companbia, na ruada
Cruz. n. 4.
Vende-se urna rica mobilia de jaca
randa', com consolos e mesa de tampo de
marmore branco, a dinheiro ou a prazo,
confrmese ajustar : a tratar na rua do
Collegio n. 25, taberna.
Na livraria da rua do Colegio n. 8.
vende-se urna escolhida colleccao das mais
baldantes pecas de msica para piano,
as quaes sao as melhores que se podem a-
char para fzer um rico presente.
ANTIO DEPOSITO DE CAL E
POTASSA.
No antigo deposito da rua do Trapiche
n. 15, ha muito superior potassa da Rus-
sia e americana, ecal virgem, chegada ha
pouco. tudo por preco commodo.
FARINHA DE MANDIOCA.
Vende-se superior farinba de mandio-
ca, em saccas que tem um alqueire, me-
dida velha, por preco commodo: nos
armazens n. o, 5 e 7 defronte da escadi-
nha, e no armazem defronte da porta da
alfandega, ou a tratar no escriptorio de
Novaes & C, na rua do Trapiche n. 34,
primeiro andar.
58
BRILHANTES.
No bnlel da Europa, rua da Aurora, tem para ven-
der ricas obras de drilbanles do mellior goslo que
tem apparecido al boje, e lamhem nutras obras de
ouro, ludo por precos mui razoaveis.
9 Chapeos para senhoras. *
'* Chapeos para senhoras, os mais modernos c
36 elegantes, chegado* pelo ultimo navio fran- @
ceg. pelos precos de 1fi8, 1S e 2U9OOO11. :
*S na rua Nova loja n. 16, do Jos Luiz Pereira
t^ I-'ill.o.
Chapeos para bomem.
j Na rua Nova loja n. 18, de Jos Luiz Pereira
\ & Filho, vendem-se os mais modernos chapeos
.', com. elefantes formas.
S Chales de seda,.manlelcles e capolinhos. os
mais modernose de. ineldar goslo, camisus, ro- j
incii'- de caindraie. c de relroz : na rua No-
va loja n. Ki.ile Jos Luiz Pereira & Filho.
Seda para vestidos.
Corles de sedas de quadros, goslo etcossez
com 17 covados, a lftj, 03 e SDDOrs. : na
Vis rua Nova 11. I(i, de Jos Luiz Pereira & Filho.
39 Palitos e sobre-casacas.

*6 finos, de brim, hrelanha e alpaca : na rua No- 9
va n. 1(1, loja de Jos Luiz Pereira <.\ Filho. $
&&&K Em casa da Timn Mousen & Vinnassa, na
praca do Corpo Santn, lo, ha para
vender o segu'mte:
Um sortimento completo de livros cm
branco de superior qualidade.
Um piano vertical da qualidadd mais su-
perior.
Vinho de Champagne.
Absintlic < clierrv cordial de superior
qualidade.
LicapMl fie dilTerentes qualidades.
Vaquetas part carro.
Sola branca.
Tudo por precos commodos.
No aierro da Uoa-Visla, loja c labrica de cha
pcos de so! n. 22, lem para vender um lindo sorli-
menlo de fazendas chegadas ulliniameiile do Fran-
ca, e se vende muilo em conla para liquidacAo, sen-
do fulla indiii rn!o-lHdo.de muilo luidas crese difle-
rcnlcs padroes, proprios para vestidos de sendora ;
assini como tainliem COSSN franeeza, ciirles de cassa.
loaldas de algodo para mesa, curtes de veslidos imi-
laudo fihi. >
Vendc-se vinho do Porlo lino em darris de oi-
lavo, ltimamente chegado na barca Santa Cruz,
por preco commodo : a Iralar na rua da Scnzala
Nova n. 4.
Vende-se saceos com feijitn mnlatioho por jire-
co muilo em conla: uo caes da alfandega arma-
zem n. 7.
Ven Je-se fio de sapaleiro.'bom : em casa de S.
P. Johnslon & Companhia, rua da Sensala Nova
n.48.
X

AOS SENHORES DE ENGENHO.
Cobertores escaros muilo grandes e encorpados,
ditos hranco* com pello, muilo grandes, imitando os
de laa. a 1$400 : na roa do Crespo, luja da esquina
que volla para a cadeia.
Pannos finos e casemiras.
Na rua do Crespo loja da esquina qae volla para
a Cadeia, vende-se pauno preto 21400, 2$800, 3$,
35500, 45.500. 58500. 6-3000 rs. o covado.dilo azul, a
25. 23800,48, 68, 7, o covado ; dito verde, 28800,
39500, 48, 58 rs. o covado ; dilo cor de piulido a
48500 o covado ; corles de casemira prela franeeza e
elstica, i 78500 c 88500 rs. ; dilos rom peqneno
deleito,a 03500 ; dilos inglez entestado a 58000 ; dilos
de cora 4-3, 58500 63 rs. ; merino preto a 18, 18100
o covado.
Ajnela de EdwIB Mis,
Na rua de Apollo n. 6, armazem de Me. Calmon-
& Companbia, acha-se constantemente bons sorli-
mentos de tainas de ferro coado e batido, lauto ra-
sa como fundas, moendas ineliras todas de ferro pa-
ra animaes, agoa, ele, dilas para armar em madei-
ra de lodosos tamanbos e modelos os mais moder-
nos, machina borisonlal para vapor com forca de
4 cavallos, cocos, passndeiras de ferro eslanhado
para casa de nurgar, por menos prec.0 que os de
cobre, esco-vens para navios, ferro da Suecia, fo-
Ibas de II a 11.1 res; tudo por barato preco.
Vende-se encllente I adnado de pinho, recen-
temenlo ehezado da America :#na rui de Apollo,
trapiche do Ferreira, a enlendcr-sc com o adminis-
trador do mesmo.
Cassas francesas a 320 o covado.
Na rua do Crespo, loja da esquina que vira para a
Cadeia, vendem-se cassas francezas de muilo bom
goslo. a 320 o covado.
Na rua do Vig ario n. 19 primeiro andar, lem a
renda a superior flaneila para forro de sellius che-
gada recenlemente da America.
Potassa.
No antigo deposito da roa da Cadeia Velha, es-
criplorio n. 12, vende-se muilo superior potassa da
Russia, americana e do Kio de Janeiro, a preces ba-
rato* que be para fechar contas.
Bepoiito da fabrica de Todos os Santos na Babia
Vende-se, em casa de N. O. Bieber &C, na rua
da Cruz n. 4, algodao trancado d'aquella fabrica,
muilo proprio para saceos de assucar e roupa de es-
cravos, por preco commodo.
HUA DO TRAPICHE N. 10.
Em casa de Patn Nash & C, ha pa-
ra vender:
Sortimento variado de ferragens.
Amarras de ferro de 5 quartos at 1
polegada.
Champagne da mellior qualidade
em garrafas e meias ditas.
L'm piano inglez dos melliores.
AGENCIA
Da Fndicao' Low-Moor. Rua da
Senzala nova n. 42.
Neste cstabelecimento continua a ha-*
ver um completo sortimento de moen-
das e meias moendas para engenho, ma-
chinas de vapor, e taixas de ferro batido
e coado, de todos os tamauhos, para
dito.
Devoto Chtistao.
Sabio a luz a 2." edicto do livrinho denominado
Devoto ChrislAo.mais correctoe acresccnlado: vende-
se nicamente na livraria 11. 6 e 8 da pra^a da In-
dependencia a li 11 rs. cada etemplar.
Redes acolchoadas,
branca* e de cores de um s panno, muilo grandes e
de hora goslo : vendem-se na rua do Crespo, loja da
esquina que volla para Cadeia.
DEPOSITO DE CAL DE LISBOA.
Na rua da Cadeia do Recife n. 50 ha para vender
liarris com cal de Lisboa, recenlemente chegada.
Vendc-se una balanza romana com lodos os
seus pciieiices. cm bom uso e de 2,000 libras : quem
a piclender, dirija-se rua da Cruz, armazem u.4.
PBLICACAO' RELIGIOSA.
Sabio luz o novo Mez de Hara, adoptado pelos
reverendissimos padres rapiichinhos de N. S. dal'e-
nda desla cidade, augmentado com a novena da Se-
nlior da ConccicSo, e da nnlicia histrica da me-
dalda milagrosa, edeN. S. do Bom Conselbo : ven-
de-se nicamente na livraria n. 6 e 8 da praca da
independencia, a 13000.
Vende-se ama taberna na rua do Rosario da
lioa-Visla 11. 17, que vende muilo para a Ierra, os
seus fundos silo cerca de 1:2008000 rs., vende-se
porcm com menos se o comprador assim Ihe convier :
a tratar junto .1 fdfandega, travessa da Madre de Dos
armazem n. 2!.
Completossortimentos de f'ae.endnsde bom
goslo, por precos commodos.
Na rua do Crespo luja da esquina que volla para a
Cadeia, vendem-se corles de vestidos de cambma de
seda com barra c hadados, 88000 rs. ; dilos com
flores, .1 73, 03 e 108.rs. dilos de quadros de bom
goslo, i US ; corle* de ran.liraia franeeza muilo li-
na., uva. com barra, !) varas .por 43500 ; corles d"
cassa de cor com Ires barras, de lindos padroes, i
3200, peras de rainbraia para cortinados, com 8,',
varas, por .'I3IOO, ditas de ramagem muilo finas, i
t>3 ; cambraia de salpicos miiidinbos.dranca e de cor
muilo lina, 800 rs. i vara ; nloaldado de lindo arnl-
xondo, 11 900 a vara, dilo adamascado com 7 !' pal-
mos de largura, 28200c 39500a vara ; canga ama-
rella liza da India muilo superior, 400 rs. o cova-
do ; corles de collclc de fuslao alcotoado c bons pa-
droes livos, 800 rs. ; lenco* de cambraia de linho
:|I>0 ; dilos grandes finos, i 000 rs. ; lavas de seda
brancas, de ciir c prefas muilo superiores, 1000 rs.
o pnr ; dila-'lio da Escocia 500 rs. o par.
Moinhos do vento
"ombombasderepuxopara regar horlas e baixa,
decapim, iiafundiradeD. W. Bowman : na roa
do Brum ns. 6,8 e 10.
Vende-se urna bonita negra da Cosa muilo
moga, cozinba perfeilamenle o diario de urna casa,
engomma e ensaboa, e be ptima quilandeir*: quem
a pielcuder, dirija-se rua dos Marlyrios n. 14.
CEMENTO ROMANO.
Vende-se iperior cemento em barricas grandes ;
assim como tambem vendem-se as linas : atrado
Ideado, armazem de Juaquiw Lupes de AJmeida.
PARA ACABAR.
Vendem-se cassas francezas de,eores lixas, e lin-
dos padroes. pelo baratissimo prego de 140 rs. o co-
vado : na loja da (uimaraes Ov Ilenriques, rua do
Crespo u. 5.
Lindos cortes de lanzinba para vestido de
senbora, com 15 covados cada corte, a
4#300.
Na rua do Crespo, loja da esquina qae volla para
a Cadeia.
BOM E COMMODO.
Cassas de panno e cores fnii-simas, pelo baratissi-
mo prego'de 500 rs. a vara : na loja do sobrado ama-
dlo, na rua do Qaeimido n. 29, de Jos Moreira
Lopes.
Ao bom e barato. .
Alpacas de seda para veslidos, do mellior goslo
possivel. e cassas organdiz, fazenda dos melhores
desenlio* que tem vindo a esta praca : na loja do so-
brado amarello, na rua do Queimado n. 29, de Jos
Moreira Lopes.
Vende-se ama boa casa lerrea em Olinda, rua
da bica de S. Pedro, que faz esquiua com o cercado
de madeira, com 2 portas e 2 janellas de frcnle, 3
salas, 3 quartos, colinda grande, copiar, estribara,
grande quintal todo morado, com portan e cacimba,
muilo propria para se passar a fes!*, mesmo para
morar lodo o anno: a tratar no Recife, roa do Col-
legio u. 21, segundo andar.
Vende-se um cabriolet e um cavallo,
que foi do Andrade, da rua Nova : a tratar
na rua do Pires n. 28.
Vende-se champagne a 28^000 rs., e
superior vinhodeBordeaux : era casa de
Scliapheitlin &C, rua da Cruz n. 38.
ESCRAVOS FGIDOS.
Dcsapparereram do abaixo asstgnado.no dia 27
de novembro do engenho Ilapirema de Cima, da co-
marca de Goianna dous escravos, um de nome Joa-
quim, crionlo, que representa ler 30 anuos le idade,
altura regular, tem por costume embriagar-se, e foi
ccravo de Jos do Reg Lima, que 0 rrcebeo em
pagamento, morador em Barreiros ; Benedicto, tam-
bem rriuuln, representa ter 24 anuos de idsde, he
reforcado do corpa, principia agora barbar, e loi
cscravo de Manoel Seralim, lavrador do engenho Ja-
rissica : roga-se as oulordades poiciaes ou capiles
de campo, de os apprehender e leva-Ios a dito enae-
nho, ou nesta praca na rua Direita n. 14, qae serio
recompensados generosamente.
Jos Pinto da Costa.
1009000 de gratificaran.
Desappareceu no dia 8 de setembro ded854 o es-
cravo crioulo, amulatado, de nome Antonio, que re--
prsenla ter 30 a 35 annos, pouco mais ou meooj,
nasrido em Cariri Novo, d'onde veio ha lempos, he
muilo ladino, rosluma trocar a nome e intitular-so
forro ; foi preso em fins do anno de 1851 pelo Sr.
delegado de polica do termo de Seriuhaem, com o
nome de Pedro Sereno, como desertor, e sendo re-
meltido para a cadeia desla cidade a ordem do Illm.
Sr. desembargadorchefede polica com ofliciode2de
Janeiro de 1852 se vericou ser cscravo, e o seu iegi-
limo senlior foi Antonio Jos de Sanl'Anna. mofador
no engenho Cail, da comarca de Santo Anlao, do
poder de quem desappareceu, e sendo oulra vez cap-
turado e reroHiiilo a cadeia desla cidade em9de
agosto, foi ahi crMbargado por etrcticao de Jos Dia*
ila Silva Guimar.les, c ltimamente arrematado em
praca publica do juizo da segunda vara desla cidade
no dia 30 do mesmo mez pelo abaixo assignado. Os
signaes rSa os seguinles: idade de 30 a 35 annos, es-
tatura e corpo regular, cabellos prelos e Carapinha-
do. cor amulatada, nidos escaros, nariz crande e
grosso, beigos grossos, o semblante fechado, bem bar-
bado, com lodos o< lenles na fronte : roga se, por-
lanlo, as autoridades poliriaes, capilaes de campo e
pessoas parlif ulares, o favor de o apprehendcrem e
mandarem nesta praca do Kecife, na rua larga do
Rosario n. 14. que rcccbero a gralificarS.i cima de
KHnmki ; assim como protesto conlra quem o tiver
em seu poder occullo.Manoel de Almcida Lopes.
Da casa perlenccnlc ao Sr. Jos Lcao de Cas-
tro, sita no lagar denominado* Cordeiro, fugiram a
7 horas du noite do dia 15, duas csrravag mai e li-
lli.i, sendo a mai cabra, de nome Mana, representa
ler 50 annos. lem os cabellos brancos, he corcovada,
lem um dedo da man esquerda muilo fino e torio,
proveniente de u:n panarigo; e a filha de nome Ko-
*a, mulata, de idade 21 anuos, pouco maisou menos,
be bastante corpoleiila, lem os cabellos -arapinhos,
olhos vesges e v pouco por um delles. Foram es-
cravas do Sr. Ser-pililo da Silva Ferrar, de l'ojcii' de
I-lores, e foram compradas esle anuo nrsla praga ao
Sr. Jos da Silva Loio, hoje perlcnccm.o abaixo
assignado. que recompensara generosamente i quera
as apprehender e as levar n mesma casa, ou na rua
da Cadeia do Kecife,- loja n. 5.
-fnfoKfo Bernardo de Carcalho.
)
r'
:
PERN.: TYP. DE M. ". DE FARIA.
1854


Full Text
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