Diario de Pernambuco

MISSING IMAGE

Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01231


This item is only available as the following downloads:


Full Text
ANNO XXX. N. 278.
Por 3 mezes adiantados 4,000.
Por 3 mezes vencidos 4,500.
SEGUNDA FEIRA DE 4 DEZEMBRO DE 1854.
Por anno adiantado 15,000.
Porte franco para o subscriptoi.
DIARIO DE PERNAMBUCO
EXCAHRECADOS DA SUBSCRIPC.VO-
Becife, o proprietario M. F. de Faria; Rio de Ja-
neiro, oSr Joao Pereira Marlins; Bahia, o Sr. F.
Duprad; Macei, o Sr. Joaquim Bernardo de Mon-
donga ; Parahiba, o Sr. Gervazio Vctor da Nativi-
dade ; NaUl, o Sr. Joaquim Ignacio Pereira; Araca-
ty, o Sr AnioniodeLemosBraga Cear, oSr. Vic-
toriano Augusto Borges; Maranhao, o Sr. Joaquim
M. Bodrigues; Para, o Sr. Justino Jos Ramos.
CAMBIOS.
Sobre Londres, 27 1/2 a 27 3/4 d. por 19000.
Paris, 350 rs. por 1 f.
Lisboa, 105 por 100.
Rio de Janeiro, 1 1/2 por 0/0 de rebate.
Acees do banco iO 0/0 de premio.
da companhia de Beberiba ao par.
da companhia de seguros ao par.
Disconto de le tiras de 8 a 10 por 0/0.
METAES.
Ouro.Oncas hespanholas' . . 299000
Muelas de 63400 velhas. 169000
de 69400 novas. 169000
de 43000. . 99(100
Prata.Patacoes brssileiros. . 19940
Pesos rolumnarios, . 19940
19860
PARTIDA DOS CIHREIOS.
Olinda, todos os dias.
Caruar, Bonito e Garanhuiu ios dias 1 e 15.
Villa-Bella, Boa-\ ista, Ex eOiricury, a 13 e 28.
Goianna e Parahiba, segundas e sexlas-feiras.
Victoria e Natal, as quintas-faias.
PREAMAR DE110JE.
Primeira s 3 horas e 42 minutes da larde.
Segunda s 4 horas e 6 minutos da manhaa.
AUDIENCIAS.
Tribunal do Commercio, segundas e quintas-feiras.
Rela^o, ten;as-feiras e sabbados.
Fazenda, tercas e sextas-feiras s 10 horas.
Juizo de orphaos, segundas c quintas s 10 horas.
1* vara do civel, segundas e sextas ao meio dia.
2* vara do civel, quartase sabbados ao meio da.
EPHEMERIDES.
Dezbr. 4 La cheia ao 44 minutos e 48 se-
gundos da tarde.
12 Quarto minguanle s 3 horas, 43
minutse 48 segundos da tarde.
19 La nova as 1 horas, 48 minutos e
48 segundos da larde.
26 Quarto crescente a 1 hora, 21 mi-
nulos e 48segundos da tarde.
DIAS DA SEMANA.
4 'Segunda. S. Barba v. m.; S.PedroChrissologo
5 Terca. S. Geraldo arr. ; S. Sabas ra.
6 Quarta. S. Nicolao b. ; S. Leoncia ra. .
7 Quinta. S Ambrozio are. doutor da igreja.
8 Sexta. >5o< Conreicao de SS.VirgemM.deD.
9 Sabbado. S Reslituto b. ; S Bopiano m.
10 Domingo. 2* do advento. S. Melchiades p. ;
S. Eulalia v. m. ; Ss. Victoria e Barzabas.
parte ornciAL.
OOVERNO 0\ PROVINCIA.
EKj.4i.Bt. ia la 24 d. loraAro.
UITicto. Ao Exm. director geral da instrejao
publica. Constando-me que urna das rccolhidas do
collegio de Papacara se oflerace para ensinar pri-
mriras lellrai a grande numero de menina? que af-
ilo, ifaquella povoajao, e sendo conveniente nao
desprezar Uo til ouerecimeoto, occorre-me dizer ii
V. Exe. que incumba ao inspector do respectivo cir-
culo Iliterario de enlenriendo-se com. a mencionada
reculliida aulorisa-la a ler aula abertu no dilo colle-
gio sob a iuspecjao do mesmo inspector e mediante
ma razoavel gratifica jiio que devera elle propor-me
por intermedio de V. Exc. at ulterior deliberado
da assembla provincial.
Dilo. Ao juiz de direito de Garantios. Con-
vindo nao deixar em desvalimentu um collegio de
recomidas que, sob rgimen claustral, existe na po-
voajao de Papacara, o qual sendo bem dirigido pode
ser de grande vantagem pelo abrigo e edurajao reli-
giosa que presta s pesaoas pobres e desvalidas d'a-
qoelles contornos, recommendo i Vmc. que, como
primeira auloridade da comarca, nio deiie de-lau-
car luai v-tas protectoras sobre o mesmo collegio,
procurando fazer com que seja zelado e protegido o
pequeo patrimonio que possue.devendo de todo in-
formar-me circumalanciadamenle.
28
Oflicio. A cmara municipal do Kecife.Aule*
de approvar interinamente as posturas que me fu-
raro remetlidas por oflicio de 3 do caliente, mandei
ouvir a commissio de liyaicne publica, que sobre
ellas dea o parecer que em original remeti i Ymcs.,
para que o lomem na devida considerarlo, fazendo
as modificajes que julgarem convenientes, sendo
orna deltas a elmioajao dos artigos 26 e 27 por me
nao pareerrm objeclo de posturas, mas de ama de-
libera jao especial da cmara, e que d^sde j declaro
merecer o meo assentlmento.
Empero que Ymcs. com a possivet brevidade reve-
jan) o projeclo "de posturas e ro'o devolvam com
ollicio da rommissao que o acompanha fim de ser
approvadu interinamente.
29
Portara. O presdeme da proviocia, conforman
do-a com a propasta do lenle coronel comman-
danle do batalhao de guardas nacionaes da cidade de
Goianna, datada de 26 de outubro ultimo, e (endo
em vista a infurmajo do 'respectivo commandnnte
superior de 28 rio mesmo mez, resolve nos termos rio
artigo 48 da le n. 602 de 19 de setembro de 1850.
Bornear para offieiaes do referido batalhao aos cida-
daos teguintes:
Estado maior.
leneole-quarlel-meslre.Eusebio Pinheiro de Meo-
don ja.
CirurgiAo.Joo Domingues da Silva.
Alferes secretario,Cosme de MirandaHenriques.
Dito porla-bandeira.Antonio Muniz da Silva.
I.* companhia.
Caoitae.Barlholomeu Gomes de Albuquerque.
Tenante.Joaquim Manoel Aranlia da Fonseca.
Alferes.Berovenolo Pinheiro de Mendonra.
Dilo.Luiz Jos de Miranda. ,
2.a companhia.
Capitao.Luiz Cavalcanti de Albaquerque.
'lenle.Manoel Sloreira da Costa.
Alteres.Panto Francisco de Pabla Moole-negro.
Dito.JosThomazde Frelas Jnior.
3.a companhia.
Capillo.Baldoin da Silveira Villa-Secca.
leueute.Bgidio Francisco de Paula.
Airen*.Fimo da Ola Villar.
Dilo.Pedro Alexandrino de Mello.
4.a companhia.
Capitao.Rento Arrhilo Vaz Curado.
Tenente.Elias Conegandes Vaz Carado.
.* Iteres.Joaquim Jos Moreira de Aguiar.
Dilo.Anlero Militao de GoimarSes Mello.
5.* companhia.
Capillo.Ursulirio Cavalcanti da Cunrra Reg.
Tenente.JoSo Gomes de Suuza.
Alferes.Henrique Luiz Carneiro da Cunta.
Dito.Jos Alves Berengael.
6." companhia.
Capitao.Andr Ferreira de Mallos.
Tenente.Joaquim Jos Ferreira de Mallos.
Altere.Francisco Baptisla Bezerra da Ressurrei-
Sio.
Dito.Joaquim Carneiro de Mesquita e Mello.
7.* companhia. .
Capitao.liento Jos Ferreira Rabello Jnior.
Tenante.Jlo Carneiro Pereira de Suuza.
Alteres.Henrique de Paula Ferreira Rabello.
Hilo.Eustaquio Constancio Redevivo.
8.' companhia.
Capitao.Lua de Andraile Albuqoerque Maranhao.
Tenente.Francisco Gomes Pereira de Araojo.
Alfere.Antonio Doorado da Cosa Azevedo.
Dilo.los Tavares Pessoa de Vasconcellos.
Comrannicou-re ao referido commandante superior.
Dila.O prc-idenle da provincia, conformando-se
com a proposla do major comraaiidanledo esquadrao
de vallara da guarda nacional do municipio de
Goianna datada de 13 de outubro ultimo, e tendo
em vista a aformajBo do respectivo commandante
superior de 28 do mesmo mez resolve, nos termos do
arl. 48 da lei n. 602 de 19 de setembro de 1850, no-
mear para ofliciaes do mencionado esquadrao aos
cidadaos segointes:
Estado maior.
Alferes porta-estandarte.Manoel Alejandre Gar-
da.
I." companhia.
Capillo.Vitentiniano Brazilico da Canha Reg
Barros.
Tenente.Antonio Francisco*Pereira Jnior.
FflLHKTM.
0CAMIM10D0DEVER/*)
Alferes.Francisco de Paula Cabra).
2.a companhia.
Capilao.I.ucinio Cezar B-ringuer de Andrade.
Tenente.Ludovico Cavalcanti da Canha Reg.
Alferes.Francisco de Mearion ja Araujo Lima.
Communicou-se ao mencionado commandante su-
perior.
30
OflicioAo coronel commandanle das armas, in-
leirando-o de haver expedido ordem i Ihesouraria
de fazenda, que eslando nos termos legaes os docu-
mentos que S. S. remetleu com o seo oflicio n. 1149,
mande pagar a quantia rie 7796(0 rs., que foi dis-
pcr.dida pelo commandante do destacamento volante
das'comarcas de Nazarelh e Goianna, capitao Fran-
cisco Antonio de Sooza Cami>3o.
DitoAo mesmo. commanicando que o 2. cadete
Leomervilo de Oliveira Mello apresenloa conheci-
menlo de haver pago os emolumentos corresponden-
tes a passagem, que por aviso de 14 de outubro ul-
timo, obteve para o3- batalhao de infamara.
DitoAo inspector da ihesouraria de fazenda, re-
commendnndo a experiijao de suas ordens para que
a repartirn da marinha seja ndemnjsada da quan-
lia de 179056 rs., que segundo a conla que remelle
em duplcala se dispendeu pela enfermara do arse-
nal de mannha com o tralamento dos grumetes Jos
Joaquim Pereira e Manoel Filippe, pertencentes a
guarnirn da escuna Ctndoya. Communicou-se ao
inspector do supradilo arsenal.
DitoAo mesmo, recommeodando que mande adi-
anlar ao director da colonia militar de Pimenleiras
a quanlia de 8009300 rs., para occorrer as despezas
la mesraa colonia. Communicou-se ao supradilo
director.
DiloAo presidenle do cou-elho administrativo,
para promover a compra dos medicamentos e uten-
si mencionados na relacao que remelle, os quaes sao
precisos na colonia militar de Pimenleires.Commu-
nicou-se i Ihesouraria de fazenda,
DiloAo mesmo, declarando que em vista dodis-
posto uo artigo 5 .do regolamenlo de 14 de dezembro
de 1852, pode aquelle conselho funecionar com 3
membros em caso urgente.
DitoAo inspector do arsenal de marinha, recom-
mendando que mande com urgencia compor as par-
les em que estiver arregajado o forro de cobre do
briguede guerra Cearense, e bem assira, fazer os
ronrerlos de que necessita o fogao do dito brigue,
providenciando ao mesmo lempo para que seja este
pintado na parte interna.Inteirou-se ao comman-
dante da estacan naval.
DiloAo director das obras publicas, aulorisan-
do-o a receber definitivamente a obra dos concerlos
da ponte de Trarunhaem, e a passar o competente
cerlilicado,.afim de que o arrematante daquella obra
possa haver da Ihesouraria provincial a importancia
daullima preslajao do seo contrato. Offlciou-se
nesle sentido a mencionada Ihesouraria.
DiloAo commandante superior da guarda nacio-
nal de Caruar. Em solujao ao oflicio que Vmc.
me dirigi em 2 de outubro ultimo, lenh > a derla
rar-lhe : 1. Que em cada parochia dessa comarca
deve haver .um livro para os trabalhos dos consellios
de qualificaju da guarda niriia, g em cada mur_
uicipio um oulro para registro dos Irabathos dos con-
selho de revista,podendo tires tivros ser rubricados por
Vmc; 2. Que os termos de juramento dos ofliciaes
da eslado-maior desse commando superior, e os dos
commandanles dos corposserao lavrados em um livro
que deveri permanecer em mSo do secretario geral
como eocarregado da guarda do archivo, e os dos of-
flciars dos ditos cornos em livros proprios existentes
em poder dos respeclivos commandanles.
PortaraAo director do arsenal de guerra, para
receber do.alferes da avulsoguarda nacional Joaquim
Antonio de Santiago Lessa, duas armas perlencanles
ao estado. .
DitaAo agenteda companhia das barcas de vapor,
para mandar dar passagem para acorte por conla do
governo, .10 vapor que se espera do norte ao segun-
do cirurgiao dr corpo de sade do|exercilo, Dr. Jos
Augusto de Souza Pitansa.
tas nesla grande balalha ; ebem assim s victimas
do mal que hoje grassa.que nao eram menos dignas,
e que tanto haviam sacrificado a vida pela patria,
como os que a perderam corlada pelo ferro inimigo
(ournnr.')
. Honrando os que pereceram por meio do ferro,
devemos tributar homenagem aos que acudicam ao
cha mamen lo da patria, associando-se defeza de om
alliado e resistencia opposla insaciavel ambicio
da Kiissia (oucam '.)
a A quesi,io actual deve ser resol vi da por meio das
armas. Nao direi qual seja o seu rcsullado. O que
porm, o3o receio dizer he, que depois de haver pre-
parado lodos os meiiis, e de ler mandado reunir lal
exerrito c tal arlilharia ao dos nossos alliados, que
opera mi, levados do mesmo espritu que nos animam ;
depois, digo, de lmannos estorbos ; e .itleudendo
op'ni.io que ramente merecemos, de que jamis
houve causa 15o justa romo a que abracarnos ; arma-
dos deste modo, e apniados na opioiao geralmeote se-
guida, quinto a jusilla da nossa causa, e auxiliados
por um alliado como a Franca, espero que conse-
guiremos assegurar urna paz honrosa e justa, assenle
m base solida.
c Eslou firmemente persuadido de qne, se a Rus-
sia viesse a triumphr nesla guerra, a Europa viria
por fnn a cahir no dominio dos Cossacos. O povo
inglez teme, com razao, um soberano de roillies de
liumens, meio civilisados e meio brbaros.
* O resollado da prseme guerra ser por peas a
esta potencia, c enfrear-lhe a ambicio. I'ora hoje
intil fallar em paz, antes de haver oblido, por meio
da guerra, os elementos dessa paz, firme e duradou-
ra. {Oitram!)
Anda que por muilo lempo lenhamos hesitado
em nos expor aos terriveis males da guerra, be mes-
mo para os evitar que devemos fazer com que lal
guerra se conclua com urna paz duradoura.
Nao me sentar! sm expressar a mlnha opiniao
a semclhanle respeito ; e espero, em quanto eu oc-
cupar um lugar no ministerio, que sejam quaes fo-
rem os nieus erros, me reconhecereis setnprc ani-
mado do constan le desejo de manter as libertades de
Inglaterra, conservando o honroso lugar que ella
ocenpa na Europa Upplauso.)
sul de Uak-hisera. O almirante Kornilef, chefe do
estado maior e commandante provisorio de Sebasto-
pol, segundo se diz, morreo das feridas antes de
hontem. Son ele. Rujian.
O almirautado receben em a rioite de 6 o seguinte
oflicio rom o numeau 534 :
i Nao Hrilanni-i, ao larjo de Kalcha, outubro
23. Senhor : Comeco por levar ao vosso conheci-
mento, para ser presente aos tordscommissarios do
almirautado, que desde o meu officio de 18 do cor-
rele, as baleras de sitio lem continuado o seu fogo
contra as obras russas que parece terem soflrido mui-
lo, e o fogo diminuio posto que anda seja con-
sideravrl.
A brigada naval vai faieodo bora servijo, e al
o dia 20 tem perdido 12 mirlos e 53 feridos, como
consta da relar.au junta, Onformando-me com o
desejo de lord Ragln, refoi. ,.,-a ron- 410 ofliciaes e
marinheiros, e colloquei lord John Hay no Wusp s
ordens do capilao l.'.i-himtoii. ,
_ aOcapitao Urookem Eolatott.sustenlado pelos na-
vios Leander c Mtgera.ninleit bem a sua po-irao,
posto queameaoulo e atorado per corpns de caval-
laria com arlilharia. lentos dalli tirado copiosos
abastecimentos; porem,cernoRussos vao deslruindo
todas as aldeas, receio cae estes provimeotos sejam
de fotaro raros e incerbs.
Desde a arrio do lia 17 inimigo tem Irabalha-
do ineessap.leraenle em reparar as suas baleras e
construir novas obras cu Indo do norte do porto, do-
minando os apenes pr Ierra e mar.
Mandei a Albion i a Arethusa para Conslanli-
nopla a fzer reparos, >s oalfea navios da esquadra
reslaararam os seus muiros e asiao promplos para o
serviro. Chegaram a linx, o Sphin.r. o Stromboli,
e o fiper. O lempo ale agora lem sido mulo favo-
ravel, e as equp^gens c'_A divisAo de vapores inglezes e francezes anda
continua na baha de Oiessa. activamente emprega-
dos em obstar cotumueac^o com a Crimea.'
Son ele. Dtmm viee- almirante. Para o secre-
tario do almimMo.
- rroarao ge Setembro.!
i ni
EXTERIOR.
For A. de Bernard.
CAPITULO DUODCIMO.
a Je rit, je meurt; je m bride el me no ye.
Tai chand extreme en enduran! frotdure ;
k La tie tn'ett et trop mulle, el trop dure.
Tai grande ennuis ntremele^ de joie.
(Looise Labe dite la Belle Cordiere.)
Ha momentos na vida, em que tudo o que nos ro-
leia pniduz sobre nossa alma impressao mais viva .
duradoura, porque ludo loma em torno de nos urna
forma mais bella, um aspecto mais puro e mais
ideal.
A meditaban potica rie que nosso coracao he non-
dado em cerlosdias assemelha-se ao orvallio fecun-
do que realca uas mauhas da primavera at a me-
nor hervinha, a esses vapores diaphanos, atravez dos
quaes lodos os objectos reveUrn como um manln de
palas, luz rio sol que doura afagando os mais hu-
mildes seisos do caminho, e da lhes urna rdr que el-
los nao teem, urna vida, um brillio que nao podem
possuir por si mesmos. Soulios encantadores, exla-
ses benficos, duc.es effusoes do cora;3o que eolevam
o poeta e o amante, que inspiram as mais lernas
cantilenas, que fazem desabrochar os mais generosos
sent inultos cum as mais nubres emoces, momentos
() Vide o Diario n. 277.
GRANBRETANH*.
N'um banquete dado em Brislol a lord John Rus-
sell, esta personagem, depois de haver exaltado os
triumpho* de Omer Pacha no Danubio, r os dos al-
liados na Crimea, ricrlarnu que se a Russia viesse a
triumphr toda a Europa rahiria em poder dos Cos-
sacos ; que o resollado da presente guerra seria o de
enfraqu.-rer esla potencia, limitandn-lhe a ambican ;
e que tora intil fallar era paz antes de haver obtido,
pela guerra, os elementos dessa paz solida e dura-
doura. No discurso da pu elle lord lem-seas segui li-
les passagens:
Depois rie levantado o cerco de Silistria, lornou-
se ponto imporlanle, assim para os governos como
para os generaos, o saber o que deveria pratcar-se
as margeos do Mar Negro.
a O governo inglez enlenrieu, que era chegado o
momento de orcupar a Crimea, e lomar Sebastopol
As iii-trucroes dos governos de Inglaterra e Franja
foram recebidas em Varna no meado de julho.
o Houve conselho d generaes das forcas alliadfs,
resolvrndo-se eniao a experiirao. Pedera julgar-se
que decorreria longo lempo antes que as operarcs
comejssem. Nao sabemos, porm. nem podemos
saber, quaes serao os obstculos que he uecessario
comba ler e vencer.
Anles do desembarque os generaes Cnorohert e
Bourgoync, e dous ofliciaes francezes foram exami-
nar loda a costa, filando o lagar do desembarque.
Foi eoiao que comecaram as operares delinili-
vas.
Fcz-se este desembarque sem encontrar resis-
tencia olguma di parle do inimigo, e sem derrama-
ment de saugue, marchando os dous exercilos para
Alma, aonde obliveram um glorioso triumpho.
e A inorle de um marechol de Franja l.ujou um
veo negro sobre esla victoria. O marechal mostrou,
nos ltimos anuos da sua vida, um vigor e energa
que nenhum oulro houiem da sua idade poderia ex-
ceder.
a Temos lambem para deplorar ricos e pobres,
grandes e pequeos, e pessoas da nossa familia mor-
O Times de 7 do correle, fazendo largas re-
flexoes sobre o estado presente das forcas bellige-
ranles contra a Rus-ia, diz o seguinlev
Como as partiripajoe* do Ihealro da guerra che-
gam seguidamente; e as noticias, n>o so aulhenliras,
mascircumslanciadas, que recebemos nos apresen-
lam com maravilhosa I lelidade todo o quadro do
combate, podemos, por tal motivo, offereeer agora
oulro quadro mais bem desenliado dos acontecimen-
los, e das vantagens obtidas pelos belligerantes, cor-
/igindo assim alguns erros, e formando o resumo
imparcial do e-lado dos negocios.
Entendemos que, em geral, ha motivo para m-
lisfarao e conGanca. Nao vemos que as netsa* tro-
pas soflressem urna repulsa physica nem que Boa le-
nhamos engaado no calculo da nossa Torca. O ex-
ercilo correspondeu nossa espectaliva, e a esqua-
dra excedeu-a. O creo" de Sebastopol tem sido feilo
com extraordinario vigor, e ludo concurre para que
as forras adiadas venbam a triumphr. Por oulro
lado, como que para realcar o ment de semelhanle
ti iiiinplio, teem os Russos desenvolvido muilo maio-
res recursos do que prximo ao Danubio, e em Al-
ma. Se .lies reservaram a sua forja para esla lula
tnal; se os anima a presenja de alguma persona-
gem; ou se slo agora melhor rommandidos. eis o que
resta decidir. T*lvez que eslas circumstancias jun-
tas Ihe dupliquem os esforjos. Qualquer que seja,
porm, a esplicarao que ludo islo lenha, he cerlo
que os Russos esiao supporlando a tola com a habi-
lidade e coragem que ha um anno poderiamos ler
esperado, mas pue pelos factoi nao temos podido
agora recochecer.
(Diario do Governo de Lisboa.)
Na GazMa extraordinaria de Landre publica-
ram-se os seguales officios r
a Purlm.n Square, novembro 6. Sua graja o
duque de Newcaslle reevbeu esla tarde officios do ge
neral lord Ragln do iheor seguinte :
Em frente de Srbm-lopol, 23 de outubro. Se-
nhor duque : As opera jdes do silio lem sido con-
ducidas sem interrupjan deVle que dirig a vossa
gilja o oflicio de 18 do rorrele.
a Naquella larde nau estando habilitadas as bate-
ras francezaa para renovar o fog, o inimigo diri-
gi os seus tiros quasi exclusivamente para os en-
tricheirayienlos britannicos, e sustentou contra el-
les um fugo muilo vilenlo al ao cahir do dia ; e
tenho a satisfago de dizer que com menos prejui-
zo para as obras e com menos oceurreocias do que
se esperava.
Na manhaa seguinte, pooco depois da alvorada,
o general Canroberl nao so rrnovuu o f-igo ns ba-
teras que liuham sido damnificadas,mas angmenlou
o vigor do seu alaque coro o fogo das baleras que
mandara construir no dia precedente, e desde enlo
tem conliniMiio ; pode avanjr os seus approxes,
e como os Inglezes ofiender as defezas da praja ;
mas eslas anda eslo longe de serem dominadas,
nem se percebe diminuirn consideravel do sen fo-
go. Da nossa parte lem sido constante e eflectivo ;
porem, o inimigo tendo sua disposijao avultado
numero de gente e os recursos da armada e do arse-
nal tem li.lo meios por ncessanlesesforcos de repa-
rar os eus reducios al certa extensao, e de subs-
tituir em iiuucu espajo de tempo muitas das pejas
que Ihe foram inutilisadas, de renovar o seo fogo
uas obras onde tullamos conseguido faze-lo calar.
o Esla faclidade de reparar e guarnecer de novo
as obras de defeza torna mais vagaroso do que era
para desejar o progresso do silio ; e nao posso infor-
mar com aluum grao de certeza quando se poderao
tentar ulleiiores medidas.
c Tenho a honra de Iransmittir o mappa dos mor-
ios e feridos desde 18 al 20 inclusive, Na minha
precedente noliciei a morle nunca a-saz lamentada
do coronel Hood de granadeiros da guarda ; depois
nenhum ofllcial perdemos: o major principe Eduir-
do de Saxonia-Weimar foi levemente ferido no dia
19, com lodo sua alteza insisti em permanecer na
trincheira al que o seu destacamento fusse rendido
ahora coslumada, e agora ja est rieservijo. O ca-
pilao lord Diiukeliiii das guardas desgrajadamen-
le foi feilo prisioneiro na manhaa de hontem antes
de amanhecer em frenle dos enlriocheiramenlos.
a As baleras navaes conlinuam a laborar sem in-
termitencia. Magoa me de mencionar a morle de
dous valeules ofliciaes da real armada, o lenle Ru-
thven, morreu de fermento, e o tenente Grealhed
da nao Britannia ; a falla de ambos he geralmente
sentida ; o ultimo recebeu urna ferida mortal ao fa-
zer urna puntara, tendo (para me servir da expres-
sao do brigadeiro-geoeral Eyre, eniao encarregado
das trincheirasj desempenhado as suas obrigajoes as
baleras de um modo que excitava a admiraran de
todos.
o Um consideravel corpo de Russos nppareceu ha
dous dias na vizinhanja de Balaklava, mas depois
retirou e nunca mais foi visto na nossa frente.
Tenho motivos para crer qno o prncipe Mens-
chikuir nao esla em Sebastopol, Elle aflirmou ler-se
posto em campo com o corpo principal do exerrito,
que se figura achar-se estacionado as planicies ao
rarissimos e mu breves, durante os quaes deve-se
fazer pressa provisto de lembranjas felizes para os
fros anuos do futuro !
Nesses instantes rpidos todo lonja para nos urna
cor que os olhos nao tornaran a ver, um acento qoe
o ouvido nao poder ouvir mais, um perfume, cuja
ebriedade jamis tornaremos a conhecer. Para tor-
nar a aelia los algum dia seremos ubrigados a fazer
ama longa vulla sobre nos mesmos. O canlo que nos
deleitou, o sino que ouvinos. a vereda que segui-
mos, a Ierra que pisamos, a flor que colhemns, tudo
isso para os niliflereiiles nao tem valor, nem sabor,
nem graca; mas para nos que derramamos sobre el-
le- um pouco do orvallin que nos euche a alma, pa-
ra nos que vimo-los atravez das nevoas pne'icas de
nossas esperanjas, para nos, rujo am -r fez resplan-
decer com seus raios lodas as asperezas do caminho,
para nos que animimos com nossa propria vida, fe-
cundamos com nosso proprio peusameulo ludo o que
vimos, ouvimos, respiramos ou tocamos, ah! para
n que belleza, que encanto, que delicias I Jamis
nos e-queorremo-, e mesmo quando a amargura vier
depois misturar se com o doce licor das lembranjas,
no-sos labios se miiro anda ao copo com urna d'ili-
ca embriagadora. Ao som mavioso do sino monto-
no prestaremos ama allenjan vida, um curaran
commovido-e palpitante; ouvindo a canjao do pas-
tor que alngava nossas meditaras murmurar depois
sua lenta p-almodia aos campos ridos que alraves-
samos, senliremos renascerem nossos vinle anno
com suas .-intentes illuse ; nes-a vereda deserta e
ignorada tornaremos a achar o cortejo de nossas es-
peranjas, nesses bosques os vestigios de nossos amo-
res, e essa flor desabrochada sobre sua haslea nos
abrir um mundo amado de segredos sorprendidos,
de confidencias fritas em vz baixa, de cabellos loa-
ros, rie olhares furtivos e de apertos de mo.
Nlo estavara nesses dias fecundos, nos quaes oeo-
rar.lo abrilhaula e lerlitisa ludo o que loca, essas
duas pessoas, esses dous meninos que passseiam pe-
las ruasdn jardim sem suspeilarem que se a natu-
reza em Ionio delles lie to bella, he porque sua al-
ma anda mais bella os precede na vereda?
Hilando eneonlrou madama de Sanlieu, GasUo
eslava commovido e trmulo, e deu alguns passus
junto della sem poder pronunciar urna palavra ; po-
rm emtim forjoso foi romper o sileucio, e esfor-
rando-se por dar alguma firmeza sua voz, disse a
Beriha :
.Vfhriamesella Alice disse-me que a senhora
quera fallar-me.
Alice he urna crianja, respondeu vivamente
madama de Saulieu, nao sabe o que diz ; ama phao-
tasia, um capricho... Cre, Mr. de Chavilly...
Beriha, interrompeu Gaslo, porquVme cha-
ma senhor? para que essas formas de pulilica comi-
go que sou quasi seu irmau'.' Ha quinze dias voss
nao me Iratava assim.
Ha quinze dias 1 disse autora.
Que Ihe fiz, que falla comroelti para acorrer
em seu desagrada?
Neuhuma, nenhuma, respondeu madama de
Saulieu,
Testemonhei-lhe menos respeito e afeijao?
seus menores desejus nao sao ordens para mim, e
urna s palavra sua, um s olhar seu nao bastam
anda como oulr'ora para diclar-me leis ?
Tudo isso he verdade.
E todava vejo-a fugirme, a nctar afaslar-se
de mim, evitar rom empenho lodas as occases de
fallar-me, reprllir quasi mrus cuidados e miulias
homenagens. Ah! Beriha, voss nao he mais a mes-
ma, nao me ama mais.
Gastan, suas acrusajoes afiliarm-me, e com lu-
do nao posso de-culpar-me, nao sei que Ihe respon-
da. Lina amarga Irisleza apoderou-se-me do cora-
cao ; przo muilo sua affeijAo, uta lenho maior ale-
gra do que a de v-lo, de ouvi-lo e de apoiar como
agora mru brajo no seu...
CARTA IX. DO AMIGO JUMO AO AMIGO JU-
LIANO.
SUMMARIO.Grandeza de tondretClculos et-
tatislicoimnibus e camagens publicasDes-
treza dos cocheirosAnmmciosOs bairros de
LandresA CityA Catiedral de S. Paulo
Modo de a visitar.tVestninster & As dotasO
amigo Julio nao est para massadaA Batalha
d'almaIntento cordial.
Londres 18 de novembro de 1854.
Amigo Juliano. Na minha ultima carta tentei
dcscrever-e a rapressao que me tinha causado esla
cidade nos primeiros dias da minha chegada, e Imje
direi mais alguma cousa sotre o que tenho observa-
do depois.
Quanlo mais me demoro em Londres, mais admiro
a grandeza desta cidade, a que propriaroeute se po-
de chamar orna provincia oberla decasat, ou urna
nafo, pnis conforme o ultimo censo, ella conten
perlo do dous milhOes e quatrocenlos mil habitantes!
Nao me parecem destituidos de nter es-e os, seguimos
clculos ltimamente feilos, e "por isso os trans-
crevo:a cidade de Londres consom anoualmenle
'trinta e quatro nilhues i'alqueiret de liigo, zentos e quarenta mil bois, mil e setecentos carnei-
ros, tinte e %ilo mil vitelas e trinta e anco mil
prcos, nao fallando na caca e peixe. Em quanlo
bebida os habitantes desta cidade engolem cada an-
no quarenta e tret uikoes de galoes d. cerveja,
dous millioes d'e galoes de eapirlos e sessenla e cinco
mil pipas de vinho. As raa< sao alumiadas noile
por tresenlas e sessnta mil luzes, qne consomem
em cada vinle e qualro horas, trese milhoet de per
cbicos de gaz. Urna esquadra de mais de mil navios
conduz anoualmenle tres milhoes de toneladas de
cirvao de pedra, (nao fallando no que vem pelos ca-
minhos de ferro) o qual combustivrl serve para aque.
cer esla popularan e fazer Irabalhar s suas fabricas.
Calculando o fumo que naturalmente deve produzir
tanlo earvao consumido, nao deve admirar o que eu
le disse na minha antecdeme carta sobre a almos,
phera desta cidade e cor denegrida dos seus edificios.
O famoso Astrnomo Herschel, qoe habilava cm
Reading, a trinla e duas milhas de distancia daqui,
muitas vezes se vio impossibililnd de fazer observa-
ciles, por causa do fumo da melropole, que
quando o vento sopra naquella direejao, chega al
ll
As roas desta capital sao percorridas por perlo de
tres mil e quinhentos Cabs (carruageos d'aluguel)
e por mil e duzentos mnibus nao fallando nos
Irens particulares e cirros de conduzir materiaes.
Em alguns pontos a concurrencia de vehculos he
tal, que se torna perigoso e quasi impos-ivel aira
vessar a ra e s vezes fica a passagem com-
pletamente obstruida durante muitos minutos e mes-
mo quarto- d'hora. A destreza dos cocheiros he ad-
mira el, pois no meio desla confusao manejam os ca-
vallos com tal habildade que he mbi raro acontecer
qualquer desastre. A*s vezes, o eslrangeiro, pouco
scoslumado com ele espectculo da um involunla
rio grito de terror, pensando que dous carros se v3u
despedajar um contra o oulro. roas logo se tranquil-
lisa vendos seguir seu caminho, tendo evitado o
choque por um rpido movimento.
Os Cabs se dividem em duas classes. Os mais an-
ligos sao de quatro rodas, pela forma dos carros
que ahi se chama Coupes, e completamente fecha-
dos, dentro tem lugar para qualro pessoas e na fren-
te urna almofada para o cocheiro. Um s cavado os
puxa, o que prova a forra que aqu tem esla especie
de qnadrupedes. A oulra classe de Cabs he nota,
vel pela elegaocia e novidade da forma. Sao urna
especie de Cabriolis, muilo parecidos com os SteU-
ges usados na Russia, e tem smente duas grandes
rodas, o que, junio com o seu pouco pezo, lhes da
urna grande velocidade. Dentro lem lugar para
duas pessoas, mas o mais curioso he que o lugar do
cocheiro csl atraz da caia, n'oma posijo elevada,
e este governa o cavado por cima da cubera. Na
frenle sao aberlos, mas quando chove urna grande
vidraja desee do ledo por meio de molas e abriga
os passageiros. O tododeslevehculo he muilo com-
modo, mas vista da pouca capacidade do interior,
e o laman lio da lal vidraja no caso de queda ha
grande risco de se lomar orna sofirvel indegestao de
cidros. Os Cabs sao alugarias pelo tempo ou pela
distancia percorrida, e os prejos sSo fizados pela po-
lica, e regulam a 6 pence (222 res) por milha ou 2
shillings (889 ri*) por hora. Comludo os cocheiros
tem o louvavel costume de sempre pedir mais do que
a tabella lhes prescreve, principalmente qnando mj-
nhecem que estao tratando com um eslrangeiro.
Os mnibus nao sao muilo nolaveis pelo aceio e
commodo qne oflerecem. Em geral ronduzem vin-
le at vinte e dous passageiros, pois alm dos que
acommodam dentro e na almofada do cocheiro, seis
ou sele vaoempuleirados em cima da coberla e in-
coromodaroenle sentados em um banco collorado ao
comprido, que os abriga a couservar as pernas n'oma
posijao forjada. Alero disso he preciso estar bem
deslro nos ejercicios gymnasticos para subir i lal
trapeira. Nao ha um nico poni na cidade oa nos
arrabaldes, para o qual nio haja carrrira de mni-
bus, com poocos mioulos rie inlervallo. Os prejos
regulam de 4 a 6 pence conforme a distancia.
Osystema de chamar.i atlenjao rio publico por meio
d'annuncios, he pralicado em grande escala pelos
(healros, lujas e mais eslabeleciroentos de Londres.
Em quasi (odas as ras se veem rartazes coro lellras
gigantescas, e os Omnibos estao emplastados por den-
tro e por fura com annuocios de loda a qualidade,
o que lhes da urna apparencra extica. Alm disso
ha homens annuncios rsto he, individuos que vague-
amtudo oriianasrnascumdoos enormes eartazeapen-
durados ao pescoju, um oa frente e oulro uas cosas,
de modo que s se Ihe deacobre a cabeja e os pe-; e
defronte de muitos eslabelerimentos ha homens dis-
tribuindo programmas, catlogos etc. o que faz com
que qualquer que saia com as algbeiras vazias, as
traga para casa cheias de papelada.
Dos diflerentes bairros em que se divide a cidade,
aquelle chamado a Cily he o mais central eo mais
anligo da melropole. Pode dizer-se que he exclu-
sivamente consagrado a negocios commerciaes de
lodo o genero e ah quasi lodas as casas se arham
oceupadas por escriplorios, e poucos edificios contm
que nao sejam depsitos, armazens ou reparljOcs,
publicas.' I.a esla col locado o Royal Bxckange (pra-
ja do commercio) bello edificio que aprsenla um
prtico ornado de oilocolumnas. He ubi que se reu-
nem os negociantes Ja Cily, e algn- ramos de com
mercio tem seus poutos de reuniao exclusivos, e ne-
sim os negociantes de earvao se ajuntam no Coal
Exchange, os de Irigo no Corn Exchange e os cor-
relores de fondos no Stock Exchange. A casa da c-
mara (iiiil-h ill c a residencia do Lord Muir (Mau
sion-Uousc!, lambem se acham na <"//>/, assim como
o Banco d'Inglalerra, estabeciment de tal impor-
tancia, qoe, segundo dizero, ronserva em sen serviro
oitocentos emprrgarios. Essebairro lambem encerra
a Calhedral de S. Paulo, coja belleza, universalmen-
le conlierda, faz com que se Ihe d o segundo lugar|
entre os edflicios religiososda Europa, colloran Jo-
logo abaixo de S. Pedro de Roma.
Acontece quasi sempre, que quando, pela primei-
ra vez se ve um objeclo sobre u qual se lem lirio des-
Madama de Saulieu parou, pissou o braco pelo
do mancebo, e lornou :
Felicito-me de estar um da mais prxima de
voss por urna allianja que desejo; brevemente po-
derei muito melhor que hoje dar-lhe o nome de ir-
inao. Emfim ludo me leva ou me atlrahe para vos-
s, e todava, liastao, confe-sj-lhe que padejo, le-
nho o coracao cheio de dores, e as vezes sinln-o
prestes a transbordar. Sou feliz e tenho lagrimas
nos olhos; sou felice sinlo um peso que me sullora ;
sou feliz e ha horas cm que desejo morrer. Nao me
pergunte a causa desle pezar, pois eu mesmo a ig-
noro.
Nao sera a triste existencia que voss passa em
Oslreval? observou Gastan com acento su ducado.
Nao, eu nao senlia nada disso ha algum tempo,
depois que voltei de Dieppe he que eslou assim;
at nos primeiros dias eu linha tornado a ver aquel-
las torres velhas com um ceilo prazer. Sabe o que
peuso as vezes para explicar a mim me-ma o singu-
lar estado rie minha alma ? imagino que voss nao
ama minha irmau lano quanlo deveria.
Suairmaa! disse Gasiao com um impercept-
vel movimento de sobranrelhaa; bem sabe que le-
uho-lhe urna verdadeira afleij&o.
Voss m'o diz, eu o creo, e lalvez voss mes-
mo o crea.
Faro mais do que crer, esloo crlo; poderia
en deixar.de amar a irmaa rie llerlha ?
He s a esse titulo qoe ama Alice ?
Nao, sem duvida ; Adre he bella, amavel e
viva ; he digna de ser amada por si mesma; mas...
Que significa esse c mas?
Mas... Fallaremos della em onlro momento,
tenho trillas nutras rouus que riizer-lhe /
Que pode vos ler que dizer-oie que nleres-
s. a nos ambos mais vivamente ? Alem disto era a
re-peilo della qu- eu quena fallar-lhr.
Emo he verdade?...
borio. paga 1 shilling e meio; e se por flm qui-
zer ver os lmalos dos hroes de Trafalgar e de
Waterloo, tem de desembolsar mais 6 pence. Em-
fim, ludo sommado monta a 3 shilling e 2 pence
ou 19400 da nossa moeda Estes sao os prejos
(hados pela auloridade, mas alm disso os difleren-
tes guardas pedem gratificajoes pelo trabalho de
repetirem o que esti escripia em um folhele, ron-
leudo a riescrpjao do edificio, e que la se vende por
1 shilling! Dorante o servijo divino pude-se en-
trar, de meia cara, no corpo da igreja que he real-
mente o qoe oflerece mais inleresse pelas bellas
estatuas qoe encerra ; quanto ao mais. point d'ar-
gent, poin de suisse. Fui extenso sobre este bolo
para te dar urna idea do systema que aqui he se-
guido em quasi lodos os monumentos pblicos.
A parle da cidade carnada Weslminster, encerra o
palacio onde a rainha reside habilualmente. (Burhing-
ham palace,', os principaes parques ou passeios p-
blicos, que sao mu bellos, e muitos edificios nota-
veis e quasi todas as secretarias do governo. Ca-
minhaudo da praja chamada Trafalgar-Seqoare,
para o lado do rio, encohtra-se priroeiro o Almirau-
tado, donde dimanam as ordens que gaver-
naro as esqoadras da Grla-Brclanlia, espalhadas
em ambos os hemispherios. Mais abaixo eU o
palacio chamado Horse-Guards, ou quarlel ge-
neral do commando do exerrito. Logo depois
segoe-se o ministerio do interior (Home offi-
ce), o ministerio do commercio (Bourd oflrade)
e a ihesouraria, lado no mesmo edificio, por delrtz
do qual ha orna pequea e estrella ra que he a
fama da Downing-Street, onde se acham as resi-
dencias officias do priroeiro ministro e do secreta-
rio de estado dos negocios eslrangeiro.Finalmen-
te, jnnto ao Tamisa, encontra-se a abada de West-
mosler, bellissimo edificio que encerra innumera-
veis bellezas d'archilectora e onde repensara mullos
homens celebres da Graa-Brelanha. Drfronle arha-
se o novo palacio do parlamento, construido com
loda a magnificencia, e onde se reuorm as illuslra-
j5es contemporneas do paiz, o que fez com que
um cscriplor inglez dissesse que nao hava oulro
lugar no mundo, em que em tan pequeo epajo
se achassem reunidos fano homens alustres enlre
os cieos e os oj morios.
O bairro chamado tVesl-Ends he san duvida o
mais bello da cidade, e conlem vastas prajas e ras,
sendo para nolar-se entre as ultimas a celebre Re-
gent-Slreet, a mais bella rie Londres,' e qu. est
ornada de lojas magnificas. Os mais opulentos ha-
bitantes da capital residem ueste bairro, c por isso
la se cnconlra grande numero de tasas que bem
inerecem o nome de palacios pelg *ay.>>tunsidade
rio exterior. Tudo ahi he bello .. <-. eoioso, e s
faltam os raios de um sol meridional*pra que esses
primores de architectura sejam devidamenle apre-
ciados !
Os oulros dous bairros de Londres, sao East-End
e o Borough. Este ullimo, alm de numerosas fa-
bricas, pouco conlem de-nolavel, mi., po primeiro
acham-se as magnificas Doras q -. -Jgam os in-
nomeraveis navios que vm a eslfi^rlo, e conlem
-gualmenle armazens para mereadorias.
do dinheiro rerebidp he j consideravel. Para o
mesmo firo houve urna Testa no palacio de crystal
e a msica do regiment dos goias da guarda im-
perial fraoceza veio de Paris para tomar parle nes-
sa* funejao, com conseolimento do imperador. A
entente cardiale eolre os Francezes e Inglezes he
muito notavel, pois os msicos francezes tem aqui
recelado loda a qualidade de obsequios, e sao sem-
pre recebidos com o maior enthusiismo.
Todas as vezes que tocaram em publico, o audi-
torio pedia em altas vozes oliymno francez Par-
tant pour a syree que era victoriado e acolhido com
grandes acclaroajoes. O imperador Napoleao he
aqui esperado este mez, pois pretende fazer orna
visita i rainha Victoria, e espera-se que o povo o
receba com o, maior eothusiasmo.
Adeos. O amigo Julio.
sTM
Urna uiii-
cripjes magnificas, se experimenta urna decepcao, lea visita a estes-estabelecimenlos basta para dar ao
e assim muit.w viajantes acham os valles da Suissa estraogeiro ama idea da imporlancia'do commercio
menos pillorescos, o monle Branco mena* elevado e
a bahia de aples menos bella do que a sua imagi-
naran lli'os tinha pintado, He o que me succedeu
com S. Paulo de Londres, que se me apresenluu mais
pequea do que a idea que fazia deste edificio. Com-
ludo ao depois tenho conhecidn qoe a completa re-'
gularidade e harmona das suas difireme- parles he
que faz com que o lodo, verdadeirumenle grandioso
lenha ama certa apparencia de ligeireza,' que pri-
meira vista, nao deixa veras suas proporjes collos-
saes. O zymborio da forma de um Iimao partido
he de suroma belleza, e v-se de lodos os ponlos ele-
yados de Londres.
Uro viajante allemao (o principe* l.ickuocosk-,
recomroenda que apenas se chega a urna cidade,
deve-se subir torre .mais alta que nella houver
para se formar urna dea da sua siluajAo. Seguin-
rio rsle conselho, resolv subir ao poni mais ele-
vado do zimborio rie S. Paulo, e que nao he fcil
empreza, pois os diflerentes lances de escaria con-
tm seiscenlos e dezaseis degros, e os ltimos sao
de madera e enllocados a prumo, tendo apenas a
largara sofficiente para passar urna pessoa de cada
vez. Foi Irabalho perdido! pois quando cheguei
bola dourada que remata o zimborio, quatrocen-
los e qualro ps cima do nivel dochio e que es-
perava contemplar o panorama de Londres em loda
a sua grandeza, apenas pude riescobrir as ras que
fic.-im uns prximas a calhedral, e aparte do Ta-
misa que fica enlre Landon-brldgc e IValerloo-
bridgeludo o mais era nevoa e fumo. E comludo
o sol eslava descoberto, e pouco anles eu linha ou-
vido alguns Inglezes dizercm : Wat a fine mor-
ning'. (Qaebella manhaa !)
A calhedral de S. Paulo encerra algumas curio-
sidades, e entre outras a tvhispcring Gallery, ou
galera que circumda o zimborio interiormente, e
que appresenla u nolavel phenomeno, de que quaes-
quer palavras que se pronunciem em voz baii3
em um lado, s3o oovidas dUtiuclamente uo oulro.
ainda que a distancia nao seja menos de tent e
quarenta ps A crypta ou aboboda, encerra os t-
mulos de Neison e de Wellington, os dous hroes
qae representam as glorias navaes e militares da
Graa-Bretadha, e que ahi repousam de suas fadigas
um ao lado do oulro.
Se pensas que u*m eslrangeiro pode visitar o edi-
ficio gratuitamente, estis engaado, pois lado lem
prejo fixo, e vendem-se bilhetes, como em om Ihea-
lro. Se o .visilanlc quizer ver o sino grande e a
livraria, paga 6 pence; se depois for is galeras, lem
de dar oulros 6 pence ; se tver i coriosidade de ver
Irabalhar o relogio pedero-lhe mais dous pencese
depois quizer canjar-se trepando ao ruine do zim-
Sim, sim, he verdade, prometli-lhe... quero
dizer que prumelli a mim mesma...
Nao procure encohri-la, a verdade manifesta-
se mo grado seu ; foi sua irmaa que pedVo-lhe que
me admoestasse, nao he assim ?
Engaua-se, el a nao pedio-me nuda disso; foi
smente urna meninice... ella quer ler um rama-
I lio i n de centaureas semelhante ao que voss colheu
hontem nos campos.
Ser difficil achar... iisla eslajAo !
Ah vosso pode arhar honlrm.
Percorri lodos os campos circuiuvizinhos.
Pois \a mais longe, para oulro lado.
Voss bem sabe que vou a Oslreval.
Tanlo melhor, porque no caminho poder fa-
zer -n.i cnlheila.
Duvidu que o consiga.
Mas nao duvidava hunlem.
Ilonlem, Beriha, era para voss.
Eslas palavras pronunciadas com extraordinaria
viveza fizeratn madama de Saulieu abaixar os olhos.
Ella trema, eslava commovida, sabia que devia res-
ponder ; mas nao poda fallar.
Bem v que eu linha razao, disse ella emfim
com voz alterada, de dizer-lhe que voss nao ama
minha irmaa quanto deveria.
Se devo ama-la mais do que a voss, replicou
vivamente Gasiao, confesso que nunca o poderei.
Oh! Gnstao, que diz! esquece-se de que Ati-
ce ha de ser um dia...
Beriha nao pode acabar, ou ao menos o som de
suas palavras morreu-lhe nos labios. Mr. de Chavil-
ly puz sua roao arJenle sobre a della e coupleoo
seo peusameulo.
Ha de ser um dia minha mulher, nio he as-
sim :' Ah 1 Beriha, porque nao he antes voss.
Madama de Saulieu desprendeu o br jo dado
mancebo, e exclamen :
Ga-(ao, vo nao deveria fallar-me m -im.
mporlancia do commercio
de Londres. Centenares -ss navios, vinsto, de sedea
os cantos do globo, ahi estao amarrados a esse* in-
terminaveis caes, e rece bem ou desear regara todos
os produtos da agricultura ou da industria de todos
os paizes do universo !
Tinha anda lano a dizer-le, e comludo he fur-
joso que feche est carta, pois a mala vai partir.
Um objeclo ha principalmente sobre o qual dese-
java fallar-te extensamente; he o palacio rie crys-
lal, em Sydenha, qae pela belleza do edificio ecu
riosidades que conlem he um lugar delicios, onde
lenho passado dias apraziveis, longe do fumo e do
rebolicio de Londres. Tenho emfim, mudo mais
assumplo para rabiscar papel, mas acontece comigo
um faci curioso. Como roe acho no paiz das estra-
das de ferro e das. machinas, persuadi-me que eu
era lambem machina de vapor, e apezar de .endo-
nar escrever-te extensamente por todos os paquetes
com a maior Irauquiliiriade do mando, Dio mello
m3os a obra com antecedencia, e s pego na penna
no dia em que se fecha a mala, e enUo seria ne-
cessario que eu fosse o Alexondre Dumas dos cor-
respondentes para le dizer todo o quedesejava. O
resultado h, que as minhas cartas sao escripias s
carreiras e passo em silencio muilos tpicos inters-
sanies. Para le fallar com franqueza, j vou adian-
do massada este Irabalho deque voluntariamente
quiz encarregar-me e at tenho minhas intenjes
de le mandar ao di abo e mais la curiosidade,
pois as vezes me toma lempo precioso e me priva
de ver o que aqui ha a observar. Por isso nao le
admires se ahi chegar alguna vapor sem caria mi-
nha. Se eu 'vollar ahi sao e salvo, tenho muilo
lempo para te coular o que por c vi.
Comludo, nao quero acabar sem le dar algumas
nolicias de inleresse do momenlo. As oolicias que
aqui temos do rlenle, nao sao mais modernas de
do que as reocabidas em Paris e de que os corres-
pondentes do Diario de Pernambuco te informaro.
Aqui ha una sede extraordinaria de nolicias, e os
peridicos sao vidamente procurados. A resisten-
cia que Sebastopol tem opposto aos alliados, lem
de algum modo moderado o rgosijo que aqui pro-
riuzio a batalha de Alma que alguns julgaram como
a conclusam da campanha da Crimea. Em lodas
as lojas delivreiros se veem estampas representan-
do as diflerentes phases da batalha, e a pasmaceira
de curiosos que as contemplan) de lincea .iberia.
heimmensi. Alguns i heiros ja pozeram em sena
dramas sobre esse assumpo, e he impossivel descre-
ver-te o enthusiasmo dos espectadores, quando as
alturas de Alma sao atacadas pelas tropas adiadas.
Tem-se organisado subscripjoes para os feridos e
viuvas dos que falleceram na campanha. e a somniu
CORRESPONDENCIAS DO DIARIO DE
PERNAMBUCO.
Parta 5 do novembro.
As solucoes da queslao do Oriente.Restabeleci-
mento da Polonia.
Dissemos ha lempos que ero preciso empregar
lodos os meios para que a queslao do Oriente pen-
dente ha muilo tempo do tribunal da poltica euro-
pea nao se concluisse de urna maneira estril, que
para islo se deviam prevenir todas as eventualida-
des que a diplomacia e a guerra- indicavam, e qoe
convinha annunciar que no dia em que as armas
fossem deposlaso pergo fosse realmente conjurado
para o futuro assim como para o presente. A pri-
meira medida que se devia tomar era a reoovaco
moral e poltica da Turqua, em tes coodicoes
qoe entrada d'ora em vanle no concert das grandes
potencias consliluciouaes, possa viver segundo urna
existencia propria indis dual e inriependeote, e pr-
var-se de recorrer eternamente as baionetas anglo-
francezas contra o seu temivel visinho : o Irabalho
de regenernco ha sido nobree corajosamente' inau-
gurado, mas esta obra com os seus enrllanos, a
evacuajSo das provincias Moldo-Valacas e a occo-
pnjio da Crimeas constituiran! apenas om re-
sultado mu insufficienle, nao faria evaporarse para
sempre o sonho de riominarao universal que oceupa
aloOannnso pensamenlo de lodo o povo rojea ;
o herrieiro dos czares repelldo no meio dia do seu
imperio propagara a sua obra no Occidente e vera
pesar com urna preponderancia ainda mais ameaca-
dora sobre os destinos do mondo germnico, com a
sua ambicao ao Panslavismo nao permanecera um
s instante ioaclivo, e s adiara a sua marcha para
as regies encantadas de Constanlinopla, para a
crearan de om novo imperio de Byraucio, aBm da
renovar ahi com novas forjas, com novos elemento-
de aejao. Por tanto he forja que sobre toda a linha
las suas fronleiras occideulaes, elle seja nao s em-
bargado mas reprdidn, e para esle fim se aprsenla
urna empresa que seria om aclo de le.l reparajao as-
sim como um aclo de poder publico : a recoDStiloi-
caode nma Polonia ndeprndenlr.
Depois das divisdes successivas da Polonia, urna
das maiores iniquidades do serojo XVIII, depois do
coQgresso de Venna, depois dos tratados de 1815,
depois das conscesses de 1830, a Bussia adquiri
ama supremaca que tem creardo todos os dias, tor-
noo-se a nica potencia que lenha un.a po-ijao ef-
fectiva contra a Europa sem ser vulneravel dentro
dos seus limites. Ningnem poderia di-simular, % sua
posijao preponderante, ella deve-a as provincias po-
lacas que annexou ao seu imperio, e que procura
incessantemente lirar-lhes o raracter de nanolidade
e no dia em que esle Irabalho for consumido o
mundo silv o perlencr-lhe-hia. Com esta staselo
o imperador Nicolao tinha alem dislo um prestigio
immenso e he preciso que elle lenha singularmente
abusado delle, para le-lo hoje completamente perdi-
do : desde um quarlo deslumhrados por esta falsa
arandela, seduzidus pela faaeinajao rie palavras al-
l vas e dos desafios independeoles, homens intelli-
genles mas votados ao culto da forja jolgaram en-
contrar nelle a mais Sulida trincheira contra todas
as desorden* revolucionaras, o salvador por excel-
encia de lodos os privilegios e de todas as aqaisijoes
do passado, e collocaram-no sobre um pedestal de
gnndezaede moderaco.
A phase diplumalca qae precedeu ao emprego da
forja lem-uo manifestado de mais, no terreno mo-
ral lem sido o triumpho do direito contra a forja,
da justija contra o arbitrario, da verdade em lodo o
seu esplendor contra a hypocrisia elevada al a im-
moralidade e a insolencia, e como quer qae seja,
com tudo o czar ainda se acha mu forte. Aprovei-
tando-se dos nicos prevlegios que lem de ser in-
vulnrravel dentro rio seu territorio, nao cedeu as
negociajes, e lao pouco pretende ceder a inlmi-
lajao e a acjo. Um exercito, urna esquadra for-
roidavei* se acham no Mar-Negro, oulra esqoadra
ameaja a capital, a Crimea ser orcupada, a esqua-
dra russa do Euxino sera aniquillada, a do Bltico
se-lo-ha lambem um pouco mais tarde,' indo islo
Ihe importa pouco, nao (arlara com maior faclida-
de depois de taes desastres rio que danlea, pouco se
preocupou com alguns porlosde menos, coto alga-
mas naos incendiadas, sabe que o que perder em
extensao ganha-lo-ha em cohesao pira aguardar
melhores lempos, sabe que quanto menor qoant-
dade de costas tver a vigiar, tanlo maior se repu-
tara em um ponto determinado, sabe lambem qoe
os desastres s podem despertar e fanatisar em seus
povos o senlimenlo nacional, e com esta peisua-o
se abslera de renunciar com orna peonada a um se-
cuto ile esforjos e de intrigas, de abdicar de bom
grado a prelenjes passadas ao estado de direi los
lo2.ilmente adquerido* e exercidos, de se resignar a
perder urna influencia equivalente a om dominio
absoluto e a ver desapparecer n'um instante om
prestigio qne passava como grandeza. Fora-lhe
uecessario oulros muitos reveses diflerentes da oc-
cupajao da Crimea, da deslruijo de ama frota, da
oecopajio austraca dos principados danubianos para
nbrga-lo a renunciar todos os seus antecedentes,
tornar-se por assim dizer.o apstala da poltica tra-
dicional do seu imperio, dizemoa tradicional, ecom
effelo, o poder dos czares por maior que seja lem
-eus limites que nao poderiam ser Iransposlos im-
punemente, o partido rosso nao he mais do que a
vontarie nacional que se maoifesta.e esla voolade
h altiva e ambieiesa de mais para ceder a urna in-
limidajSo, enjo effelo Ihe he apenas sensivel.
A Bussia, seja qual for o golpe que se d no seu
commercio exterior, no seu crdito, em lodos os
mercados da Europa, lera durante vinle annos bas-
tantes homens e dinheiro para resistir pasivamente,
e aguardar circumstancias mais faveraveis, c m.inle-
r, soja qual for o seu soberano, a mesma lingua-
gem, o mesmo comporlamenlo de aroeajas e de de-
safios. Contar coro o lempo para enfraquecer a
ligae a collocar a Europa na extremidade do sacri-
ficio ; e se ella parece discutir condijoes de uegoci-
ajoes, islo n3o passar de um engao, que s lera
por fim procrastina-las. Em presenja de semelhan-
te conjuuclura cumpre tomar ludas as precaujoes ne-
cessarias.
A reconslrucjo de ama Polonia independenle he
a chave da sita jao, faria recuar lodas as esperanjas
Hava (anta emojao quanla censura no tom coro
que a moja proferio eslas palavras.
Oh perrioe-me, perdoe-me nao sei o qne
digo exclaman Gastau com um acento de angustia ;
mes que quer ? sinlo coragem abandonar-me eo
curajao Iransbnrdar-me lambem. Tambem sou feliz
e choro, lamliem soo feliz e sinlo o curajao despe-
dajar-se, lambem sou feliz e tenli huras de deses-
pero Aspiro a approximar-me rie vesse, a ser seu
irmao, e nao sei como he a voss que eu desejaria
ler por ooiva.
Olese, Gaslo, cale-se por favor, murmurou
moca, o que vosse diz enche-me de medo.
Medo! porque? quem pode ouvir-me?
Eu oujo-o. Gaslo, e Dos o ouve lambem.
Que mal ha em dizer i oiuha irmaa que
amo-a ?
Nao sou sua irmaa. e cada urna das palavras
que voss pronuncia torna caria vez mais impossivel
entre nos e--e litlo que me dava (auto prazer.
__Enlao que experimento? como explicare! o
desejo de v-la incessantemente de ouv-la de ser-
v-la 1 A sede ardenle de dedicar-me a voss, a in-
quietajao de desagradar-lhe, o lmur quando nos
approiimamos, a amarga tristeza, o vacuo horrivel
que sinlo no corajao quando voss de mim se apar-
la ? Ah Beriha, urdene-me que morra e ver co-
mo serei feliz.
Beriha mal onvia o qoe Ihe dizia Gastao, tinha
posto a fronte as maos, e seu peilo opprimido er-
goia-se com esforjo.
la-i.'io lentou tomar-lheas maos, e sendo lagrimas
correrem-lhe entre os dedos.
Beriha! exclamoo elle, porque chora?
Por si mesma a moja ergiien a fronte, e mostrou
seu grnri.iso semblante bandado de lagrimas, era a
flor sacudiudo pela manhaa as perolas rio orvalho.
A ess- espertando o mais be'l.i e o mais duluroso
I para -i, GaslAo senuo NMfl. sal|.r-'he e lanjar
se para a celeste crealura, cojas lagrimas acabava de
fazer rorrer.
Beriha, lornou elle com um acenlo desespera-
do, Beriha, porque chora?
Porque choro! disse ella simplesToente dei-
xanrio cahir suas duas mAos hmidas as do mance-
bo, he voss quem m'o pergonlal Churo, Gastao,
porque voss.acabo de lirar-m as mais charas espe-
ranjas ; pnrque fazendo-me ver o fondo -de sua al-
DM, voss rsclareceu-me sobre o estado da minha ;
choro minha desgraja e a sua, essas bellas horas pas-
sadas esses quinze dias que nao renascerao mais;
choro emtim...
A mora parou para suffocar um solojo, e ternou
aportando com forja as maos de Gastao:
Choro porque lie misler que nos separemos pa-
ra nao nos lorn.rmos a ver.
Nao nos (ornaremos a ver 1 exclamou Gaslo :
minha irmaa, minhi querida irmaa...
Nao me d mais esse nome, nao o merejo, e el-
le soa-me ao ouvido como urna aecusajao dura e
cruel. _
Nao nos tornamos a ver! repeli o mancebo ;
porque ? porque ?
Choro, e voss me interroga !
Nossa amizade he eolio um criine '.'
Sim, Ga-tan, nossa amizade he om criine, por-
que nao he amizade.
Mas, Beriha. voss he para mim o anjo ao
qual nenhum pensamenlo mo pode elevar-se ; res-
peilo-a tanto quaolo amo-a..
Se eu d tivesse suspeilado, estara aqu com as
maos as suas ?
__Mas euiao que pergo ha, e para que prohibir-
me sua presenja... S a veiei de longe, se quizer ;
mas ao menos na deixirei .le v la; nunra Ihe fal-
larei. m ao menos poderei sempre ou> i-la, pode-
rei per o |ir n i vereda em que vo-s p.ssou, sobre a
a rrla q .e pisn ; podeiri dizei ronigo : ella ata
4


iai iTii Ar\r\


dos czares, daria a todos os ulereases disseminados
das ratas slavas um centro para reuiiirem-se contra
ns seus sonhos ambiciosos, ao mesmo lempo tornara
a Turqua senhora absoluta da sua independencia
e a Aaslra exclusivamente dominadora do Da-
nubio.
Mas para que se diga a Polonia que so levante,
nao se deve esperar que esta infelii riacho tantas ve-
'.es engallada as soas esperanzas, tenha aceito da
Russia conccsses e garantas favoraves a tuas gy m-
palhas panslavistas. O partido russo que lem loma-
do grandes proporzes na Polonia, ha vinte cinco
aonns, ejerce grande influencia sobre as massas, c
quasi que nao estara longe dt ver no domoio dos
czares a melhor salva guarda los seus privilegios e
dos seus interesses ; c a Rusta consolidada adque-
rer i definitivamente o apoio moral e material de
um paz coro que nao poda contar, entao se lomara
invulneravel a qualquer aggressflo.
Entre todos os panes limitrophes da lieranr,a de
l'edro e de Calharna, lie a Polonia que se deve re-
formar e engrandecer : a Turqua, a Finlandia e a
Bessarabia nao podem apresentar as mesmas coad-
Ces vantajosaa. Urna nacionaldade forte e vivacc
qu nada lem desanimado, nem os reveses, ncm o
exilio, nem a persegucao, urna fidelidade inabala-
vel e um senlmenlo generoso, sao armas mu pre-
ciosas para oppor-seao imperador Nicolao.
Por tanto, a Frauda e a Inglelarra se devem mos-
trar rio-as em fazer que a Polonia entre oulra vez
uo concert europcu, as proprias nares que lve-
ram parte na respectiva dvisao, as naedes allemaas
devem lambem parlilhar as suas sympathias, pois
qae hoje se acham nieara Jas na sua propria segu-
ranza, como se qualqoer usurpacaodevesse involver
cm si o seu proprio castigo. *
Aproveilar-e-ho deslc ensejo para apagar recor-
darles funestas. A Austria que adliere tSo solem-
nemente a causa do dreilo e da Justina vera as suas
fronleiras protegidas, e entradas gloriosamente nes
limites que a nalnro/a lhe trarou ; a Prussia emba-
rassada por lazos de familia tambem nao porte tardar
milito lempo em reroohecer que ella ganharia sc-
-iii aura com a transformarn da carta da Europa.
Porlanto ha lugar para aceitar a ac como garanta de triumpho e como necessidade da s-
i iinrao. e admitti-la oflicialmenteem todas as discus-
*es e projeclos relativos ao restabelecimenlo do e-
quilibrio europcu, tra;audc-se-llie os seus direitose
deveres.
DARO DE (CRNAMBCO. SEGUNDA FEIRA 4 DE DEZEMBRO DE 1854.
Lado activo e militante da queslao do Oriente.
Assedio de Sebastopol.
As operares comecaram a 17 de outubro c con-
linuam com aclvidade. Pode-mos da* noroes cer-
tas acerca das foillirare* da prara e. dos ataques
dos ejrcitos alliados.
O porto e as bahas, sao protegidos pelo lado do
mar. no lado oriental por quatro fortes principies,
o forte da Quarenlena que se acha mais ao sul, o
forte de Alejandra, o forte S. Nicolao entre as ba-
has da Artilharia e os porto* do sul, e o lorie S.
Paulo, na pona do arrabalde dos Marinheiros ; na
margem occidental,pelos lories Constantino e Ca-
lharina. tendo cima del les a cidadella e o campo en-
trincheirado.
Quanto s fortificarnos de trra ao norte, se acha
n'uma posirao dominante e formidnvel um forte es-
trellado de Constantino, cruzando-se os fogos com
as bateras do campo enlrincheirado ; no sul reina
em torno da cidade, na parte que seavsinha ao mar
um muro dt cerco ameiado com um fosso, na porta
que se aflasla das obras do campo bastionado, levan-
tadas i pressa nesles ltimos lempos, tal he o cerco
continao achaiida-.se adiantc tres grossas torres de
cantara.
O ataque dos Francezes he dirigido contra as tres
torres, o forte da Quarenlena e melade do cerco
bastionado, o ataque dos Ingieres contra os arrabal-
des dos Marinheiros, estes dous ataques envolvem
toda a cidade." As doas divjs&es francezas dn general
Forey e do principe Napoleao eslabeleceram os seus
parques e as suas reservas perto da enliga Cherson ;
as divis&es inglezas se acham direita dos Francezes
como seu grande parque em Balaclava ; os France-
ses abriram a trincheira parallelamente e na distan-
cia de 700 melros da torre que esti mais a leste, le-
pis avanrar.ini os sapadores, eslahelecendo duas
fortes bateras guarnecidas de grosso calibre, urna
na exlremidadc sol da trincheira, outra ateumas
centenas de metros mais perto do mar. A primeira
balera lem tres faces, cada urna dellas bale urna das
torres, formando obras avanzadas docorpoda pra-
; sobre as doas torres do sul, oulra sobre os forles
Alejandre e da Quareutena.
Os Inglezes abriram igualmente a trincheira a
ROO metrus, e parallelamente ao cerco dos arrabal-
des dos Marinheiros ; a respectiva arlilharia hale
pela esqnerda o porto das naos, os rochedos e o forte
S. Nicolao, pela direita o forte S. Paulo, ao passo que
urna parte dos seus fogos he dirigida sobre o cerco
dos arrabaldes. As divisoes francezas lem por mis-
so principal demolir as tres torres, e o systema bas-
tionado que as une, e tornar a defeza impossivel
guarnir ; as dvises inglezas estao encarreaadns
de operar do mesmo modo, contra o* arrabaldes dos
Marinheiros e incendiar ou metler a pique os navios
enlloca tus em linha no fundo do porlo das naos.
A guarnicaonflo resistir por muilo lempo a meios
Uto formidavei* e a um complejo de medidas toma-
das com tanto cuidado e inlelligencia, toda .1 cidade
fechada n'um semicrculo de fogo v as suas mais
efllcazes defezas, as do norte e as do lado do mar
parausadas, e se as operarles nao tem sido llo.rapi-
das, como se esperava da parle do publico pouco
inleirado dos trabalhos de guerra assedio, a pruden-
cia com que estes Irabalhos foram dirigidos he urna
garanta para o resultado final. Segundo os ltimos
boletn*, o bombardeamenlo conliuuava enrgica-
mente desde o da 17 sem inlerruprlo, e j linha
conseguido fazer callar as bateras da Quarenlena,
demolir os dous forles exteriores, contra os quaes
era o fogo especialmente dirigido, e abrir desde o
da 21 a primeira brecha.
As tropas tinham lomado de assallo o cemiterio
que domina pelo lado do Sal a baha da Quarenle-
na, desde o da 25 as perdas dos Russos j eram
enormes, a praza eslava obstruida de feridos, eo
numero dos morios era to grande que era mposs-
vel dar-se-lhes sepultara, os sitiantes se tinham
aproximado demasiadamente para poder aceitar as
suas percas de arlilharia as proprias portas de Se-
bastopol. O almirante Nakimoff linha sido morlo
por orna bomba.
Os armamentos.
Ao passo que Sebastopol se acha em talas, conti-
nuara os armamentos com ardor ao longo das fron-
teiras austro-ruisas ; urna ponte de barcos fo lanza-
da em Varsovia sobre o Vstula, e as fortalezas de
amse e de Maczki estao concluidas.
Um eonselho de guerra leve lugar a 23 de outu-
bro sob a presidencia do joven imperador da Aus-
tria, e noqual, a eventoaldade eminente da guer-
ra contra a Russia foi o principal objecto das deli-
beraroes ; a Austria lem presentemente 522,200
homens em armas, com 66t petas de arlilharia.
Diplomticamente a qoestao se acha no mesmo es-
tado, e considera-se como muilo provavel araude
manira no- gremio da Dieta em favor do gabinete
de Vienna, as adhesfies indvduaes dos estados ja
rhegaram em grande numero, e a neutralidade ab-
soluta da l'russa parece ser condemnada pelos mes-
inos estados, que assim como Wurlemberg se mos-
traran! mais favoraves a poltica de Bamberg.
Pela sua parle o czar parece ter empenhado sua
familia, assim como empenhara toda a sua guarda
na lula gigantesca que prev, os graos duques Mi-
gad e Nicolao, chegaram ao ejercito do sul, o grao
duque Alejandre berdeiro presumplvu parti com
a guarda imperial para o ejercito do norte, o im-
perador em pessoa he esperado em Varsovia, pen-
sam que elle prepara um esforz inmenso.
Dinamarca.
Em Copenhague el-rei assignou a 21 de oulubro
ultimo um decreto, para a dissoluro de Volktng,
que ha poucos das tinha volado urna mensaacm,
pedindo que o ministerio fosse aecusado. As novas
eleices deviam ler lagar do 1." de dezembro. Urna
proclamado enderezada ao povo convida-o a apoiar
os planos do ministerio, e nieara todos os empre-
ados do goverflo, especialmente ao clero, no caso
cm que fizesse opposirao ao governo, ou lhe recu-
saste o devdo apoio. O decreto de dissoluc.a"o foi
lido aos gritos do viva: a cousliloirilo, e sem mu-
danza, abaixo os ministros!
Devemos esperar mais lempo, afim quesejamos
melhor informados sobre o verdadeiro alcance desles
acoDtecimentos.
Ilespanha.
Arainha, o rei e o*rincpe das Asturias torna-
ram a entrar em Madrid a %\ de outubro no
meio das tropas, da milicia oacional e de consde.ra-
vel mullidao.
Ai'ultimas correspondencias referen) um projec-
to de constituirse que se Iratou no eonselho dos
ministros hespanhoes, c que lalvez fosse repellido.
Segundo nos cscrevem, este prjeclo era estabelccidn
pouco mais uu menos sobre as bases da constituirn
de 1837, smenle devia conler urna declararn for-
mal da soberana do povo eprescrever a reuniao
animal das cortes, ou fossem convocadas pela corda
ou uflo. Alm disto, um artigo explcita declarava
millos e llegaes qualquer arrecadarao e qnalqucr
pagamento de imposlos que nflo fossem volados pe-
las corles. Durante estes ltimos dias, urna parte
da imprensa exaltada pretenden que a apresenta-
Za de um projecto de constituirlo s corles cons-
lituntes, tornar-sc-hia para calas um insulto e um
menoscabo dos seus direitos fundamentaes. Es-
partero parece ser desla opniao. porque asseveram
(jue no ultimo momento com o apoio do general
Salazar declarou que nao apresenlaria projecto al-
gum desla natnreza, e que a duciso e a iniciativa
sera 1 este respeilo inleiramcnte deixada aquella
assembla. A convocarlo he sempre para o dia 8
de novcnibro. A questn relativa a abertura pe-
la rainha foi seriamente discutida cm eonselho de
ministros, e dicidio-sc iiiianimcmenle que haveria
um discurso do Ihrono, e que este discurso, o mais
breve que for possivei, seria redigido pelos minis-
tros do interior e dos negocios estrangeiros.
O aoverno "Jo lem camldalos para a presidencia
da assembla, e provavclmenle nao o apresenlar,
apenas a maor parle dos ministros se inclinam para
o general S. Miguel. Desde a sua volta, a rainlia
recebeu a 29 os oflicaes da milicia, que acqlheram
mu framente as suas palavras. Na casa de Es-
parlero a recepeflo lem sidn-enlhusiasta, os oflicaes
nao foram recebidos em casa de O'Donncll que se
achava ausente.
No mundo dos economistas oceupam-su muilo
coni um raminhode ferro para a pennsula, partin-
do os Perineos nos Manganars ale a embocadura
do Tejo ; semelhante va de rommunicario activa-
ra de urna mancira mu importante as relares de
toda a nature/a que ligia a Ilespanha Franca e
a Portugal.
Frtnfitk
A dslllacflo dos alcools, tirando ao paiz lodo o
provelo da eolheita abundante dos graos, o impe-
rador sollicilo em favor das rlasses laboriosas fez
calar por um momento os direitos sagrados da liber-
dade industrial; desde 21 de elemhro passado, para
quebrantar os lastimosos efleitos desla dishllarlo
dos cereaes, decreta a admissao provisoria das aguas
ardentes eslrangeiras de toda a qualidade, medanle
um direito de 15 francos por cada hectolitro de al-
cool puro. Esla medida, que, ao facillar a impor-
tarlo devia diminuir a aclvidade da deshilaran.
Uto pro.lusio o sen eflelo. Nao somente se sub-
metlia a esla operaran grande quantidade de cerea-
es mas novos estabelecimenlos so formaram em
muilos pontos, principalmente nos dcpartamenlos
do norte, com o lim de especular n'um termo pr-
ximo n'uma maor escala este ramo de industria.
Novo decreto deve fazer entrar de novo no consumo
a grande quantidade de graos, de substancias fari-
nceas que servem para a alimeular.ao, he concebi-
do nos termes seguintcs: al que se lomem medidas
contrarias, a dislillac.ao dos cereaes e de outras subs-
tancias farinceas que servem para a almcnlarao,
he prohibida.
A ejrepr.in deslo facto quasi puramente econmi-
co, a Franca somente se oecupa com a guerra.
Pruxsia.
Ao passo que Frederico (iuilherme se agarra fora s
poltica de neutralidade, oceupa-sc nu nter ior do
seus estados da organisalo da sua cmara alta. O
novo parlamento se compe dos principes da fami-
lia imperial de maor idade, dos principes de 11o-
henzollcrn Hechnger>. d'Uoenzollum Siamaringen,
dos chefes.de familias de saneue real mediatirados e
reconhecidos pelocongresso de Vieiiu.i.dos principes,
condes e fidalgos, que em 1817, representavam na
assembla geral dos estados provinciaes a curia dos
fidalgos, dos pares vitalicios; formando oito cathe-
gurias: a antiga posse constituida em morgados, um
ronde escolhido as oito provincias pelos seus pares
as illuslrarOes prussianas, as cidades, os professores
nomeados pelo senado das universidades, as pessoas
que el-rei nomeia, os syndicos da coroa e os ca-
ptulos.
y-igypto.
Ao mesmo lempo que cm Conslantinopla Abdoul
Medgiil .'.minina seu pai Mamonn; no Bgypto Said
Pacha prosesue inrale politramenle a" obra da
reforma inaugurada por Mchemel All; tencona
transportar do Alexamlna para Kosclle a sede do
seu aoverno. Alexandra he insalubre e de accesso
diflcl, Rosellc se acha n'uma posicjlo topographica
proferivel, he sluada na emlioccadura do Nilo, he
de um accesso fcil e o ar he puro. Os projeclos
do vicc rei nao se limitam a isto, trahalha-se na es-
lacada c 110 dique sobre o Nilo, que deve ferlilisar e
augmentar o ilion Esyplo ; na' organisar,ao por
acres de urna compauliia que lem por lim rebocar
no rio e no cirnal de Mahmoudie todos os barcos car-
regados xle mercaduras; na supprcssao para os cam-
ponez*,s dos imposlos em materias de productos; no
leslabelecimenlo das finanzas; na transformarao da
a.lmini-iraro civil e commercial, e no desevolvi-
mento das ricas caravanas que servem de interme-
danos ao commercio do interior d'Africa. Em fim,
pretende empregar lodosos meios para augmentar
os elementos de forza econmica que encerra o Egy p-
lo. e que lolto.faz ainla boje urna das renies mais
importantes Hmundo commercial. Semellianles
esforz* mereeTem a mais sympathica atlenra.i.
fetista Musical e dramtica.
A Freir Entanguentadn.opera ,em 5 actos de M.
Charles Gnnod, na academia imperial de msica.
As Ates de /tapia, drama de M. Dennery no thea-
tro da Gall. Os Amores Malditos, drama .de M.
Ferdnand Dergue, 110 theatro Ambig Comique.
Nos bons lempos anligos, quaudo chegavam as
longas noites dos nossos invenios europeos, a av
conlava aos netos srandes e pequeos apinhoados em
roda do lar domestico historias lao maravilhosns e
to medonhas que o ciciar do vento do cano da cha-
min, que a menor rajada de vento, aroutandn as
vidrazas, fazia estremecer de-medo o auditorio at-
iento. Este anno nos titateos os actores represen-
taran) o papel da av fallando multidao, esta cri-
anza sempre pendente dos seas labios, e os vigilias
que renovam a nossa hmida e-lario se entretem
com lgubres e lerrives narrare*.
Mas antes que ludo digamos algumas palavras so-
bre Cruvell; a sua partida repentina, ou antes a
sua de.sapp.incao sbita, nutre ha alguns dias as con-
versazoes dos theatros edossalOes. Qual seria o mo-
tivo ila sua partida '{ Onde estar ella ? Dizem uns
que ella est na America, outros que est em S. !'-
lersburgo, oulrosque esl em Francfort. Deixou a
opera para casar-se com um conde, com um princi-
pe : o qae se nao dir acerca de Urna artista que
acaba de faltara lodos os seus deveres, violar os seus
compromissos, e nao temer de expor-se a um escn-
dalo publico 1
A a I miraran o asympatha se lem enfr.iquecido
muilo em seu favor : "cima do talento existe a hon-
ra, da qual ninguem deve zombar publicamente,
eis um theatro que contava com ella, que dava-lhe
pagas mais generosas do que nunca dera a alguem,
eis um compositor, Verdi, a honra e a probidade em
pessoa, o mesmo que deixa de proposito o paz dos
seus triumphos, a Italia, para vir consagrar a canto-
ra por espiro de seis mezes a sua existencia e as
suas mais bellas inspirares, eis um eicriplor, que
crea um papel para esla mulher, cujo nome se linha
lomado um talismn para a nossa scena lyrica, in-
Brata Dcprezou ludo isto, e quebrando sem razao
todas as suas amsades, esqueceudo-se de ludo quan-
to se fizera para ella, para a sua gloria, para a sua
fortuna, foge levando comsigo todas as esperanzas
do msico e do poeta.
Voltearos agora Freir Ensangucntada. O li-
bretlo e-cnplu ha dezanuos passou sucressvamenle
sob os ulhos de dez compositores pelo menos ; Mey-
erbeer, Vcrdi,Halevy, Auber, (irisar. Thomaz,
Efehczen, David, siiccessivnmenle recusaran) evo-
car as respectivas musas em favor dcsta apparizao
phanlastica, Uerloz linha dado comezo* depois ahan-
duuou o seu trabalho, cmf'nn Charles (inno.1 se dei-
xou fascinar por algumas scenas do drama de Scri-
bre, vio a Freir apparecendo no meio dos morios,
esquerando-se as escondiilas ao longo das paredes lu-
gubres, e levando comsigo sinslras propheciaa, vio
os cavalleiros animando-se ao langor dos clarins c
ao tinir dos copos, vio a danra caprichosa, vastas de-
corazes com a la meio escondida por traz das nu-
vens, e derramando a sua r lar ida de mysteriosa aira-
vez dos arcus seculares,aprnveiluu-se neslcpoema de
uinterrivel cruel e deum clfeitomaizico, toniouuma
urna lodas estas scenas que inspiram constantemente
o susto e a ameaza, colori a sua musir com a livi-
dez dos espectros, animou-a com todas as palpila-
Zesque origina a febre do assassinalo e o paroxismo
da paivao, -inlim lirau.todo p partido possivei desta
extraordinaria hallada, a Freir Ensangucntada.
lie na Bohemia que a arcao se passa. No prmeiro
arlo, se observan) soldados com lanzas e hachas-
d armas ; leos de paredes, galeras ardendo em
ehammas. O conde de l.uddorfe o sea exercito de
cavalleirosdtsinn.ini o raslrllo do harao do Moldan.
cnconlram-5e la promiscuamente coma espada em
punhu, quando chega Pedro Ermita que faz cessar a
lula : n Basta de fogo, basta de sangue, nada de
odio, nada de guerra Barao do Moldaw d a sua
lilha IgnezaTheobaid, lilho do conde l.uddorfe Ic-
remos paz ; Nao contaran) com Kodopho, o oulro
filho do conde l.uddorf que lambem ama a filha do
barao, eque heamadu por ella, que se indigna.se
revolta-se e Uatpbejaa. Elle se retira sob o
peso da msldirao paternal, corre desesperada-
mente artianle da morir, quando Agns se apro-
xima dalle e reanima-lhc acoragem. dizcndo-lhe
baxinho : A' meia note, no castello No segundo
acto o thcalro representa um immenso sitio, vasta
solidan, os cardos, as heras, as orugas cobrem frag-
mentos de pedras onde as vboras fazem os seus ni-
nhos malditos, c mergulham as suas raizes no char-
co esverdeado onde o sapo se deleita, aqu c all al-
guns lauros de paredes soladas, um alpendre meio
destruido, uo fundo o horisonlc sem fin e a la der^
ramando a sua luz imslerosaalravcz dodesmorona-
meulo de um ceo variegado de nuvens.
0 hroe so acha neslc lugar, espera a sua queri-
da, a sua Ignc/, mas he oulra Ignez, a verdadera
Freir Ensangucntada que desee devagarinho a
escadarin. Rodolplin Iludido melle o aunel de noi-
va no dedo do espectro que a arrasta-lo ao fundo
do ahysmo, quando Pedro Ermita se inostra, e com
a cruz na mao suspende a preza as bordas do pre-
cipicio.
No terceiro acto, ha tima note de apparires ter-
rveis, de sustos e de agonas, succede unia nole
placida o serena com todas as mpressOes da Iran-
qullidade e frescura. O hroe sabe com toda a evi-
dencia que est ligado eternamente Freir En-
sangustiada.
Entretanto preparam-lhe o casamento com Ignez,
por que nm pagem annuncira a mortc de Theo-
bald. mas d meia noile e o fantasma apparece ou-
Ira.vcz, vindo dizer a sua noiva: Foi inmolado
por cerlo sugeilo, cu o eonhern, sei onde elle esl,
se queres vingar-me, desobrigo-le dos tcils jura-
mentos, reslituo-te o leu annel, Rodolfo aceila-
N'o quarlo acto, a scena se passa nos jardins do con.
de Luddolrf, rhi lem luear as dansas das Testas nup-
ciaes. ah lem lugar fulgares esplendidos sobre os
quaes o terror anda vem urna vez estender o sen
negro veo: a Freir sabio do chao, lomou a Rodol-
pho pelo braco e lhe diz: a o homem que deves ma-
lar he leu pai ser o esposo de Ignez a cusa de
um parricidio, o cavalleir estremece, repelle a inflo
da noiva, nflu quer similhnnte casamento. Esla s-
bita mudanza alea a colera e a indignara, e Pedro
Ermita ja nao pode aplacar o furor do cavalleiro.
No quinto acto, nos acliamosem nm sitio silvestre
junto do castello de Mandan-, sobre urna emiuencia
e*t o tmulo da Freir Ensangucntada, o conde
de l.uddorfe os seus cavalleiros andam em procura
de Rodolpho, Ignez lambem procura o seu uoivo
no meio das ruin i-, revela-lhe ludo e s para no
nome do assassno. O conde de l.uddorf ouvin ludo,
o seu crime he conhecdo, elle se far assassinar em
lugar do seu lilho; sobe a capella, ouve-se grande
rumor de vozes e v-se o pti de Rodolpho mortal-
menlc ferido, espirando junto do tmulo da Freir
que apparece pela ultima vez para farlar a sua vin-
ganza.
O nosso maestro cscreveu sobre este pensamento
urna partitura em que brilha o mais elevado lalenlo,
fez a obra de um artista que se preocupa da sua pro-
ducr.10 e sonda-lhe lodas as profundezas com urna
conviczflo sincera. O mundo musical he onisono em
louvar a inlroducco; da Freir, o solo de Pedro
Ermita, o canto dos Crusados, o final do prmeiro
aclo, a symphonia phanlastica, a marcha e o choro
dosespcclros.uina das mais terrveisscenas que se le-
nha visto no theatro, a encantadora meloda do ter-
ceiro e o grande final do quarlo. A execazflo foi
mu notavel, dueymard. Dcpasso, Merly. as senho-
ras Werlhenaber-e Ponzol esliveram brlhantes. A
decorazao foi de urna originaldade deslumhrante.
As Ares de /tapia. A lgubre historia do thea-
tro da (Aiiie se passa as aguas de Canlereso, Mr.
Chateau Brnard e seus amigos ah prucuram fortuna,
este bando de aves vorazesse compe da maneira se-
guinte.: Chaleau Renard industrial de um genero
indeterminado, corrector de negocios sem nome e de
emprcas equivocas, Jorge d'Armenoville mancebo
grego da mais alia esperanza, mimoso da fortuna, o
mtjor conde de Cifra nica refugiado de primeira clas-
se, cidailo do universo, hngaro na Italia, italiano
na Ilespanha, Mangerom agitador e usurario, aecu-
mulando o luxo com avareza, emfira Mademoiselle
Gcorgeia. Chaleau Renard foi amanuensedelabe-
liao e no p de velhos autos enconlrou misterios de
familias cheios de milhyes de escndalo.
Ijmatlenliora deslinda, a duqueza de G-uerand li-
nha sido mfl antes de seu casamento, ignora o desti-
no deste lilho do accaso, o amanuense enconlrou, he
urna menina que lem o nome de Thereza o por mili
adoptiva a lia Bernard. Anda slo nflo he ludo, ha
tambem um mancebo llenrique de Clamar 1 ns a quem
um to legou oilo mllies, este lio fura outr'ora um
bello c brilhanle lidalgn de quem Thereza se julga
ser lilha, ella he filha do joven legatario, e por isso
se llenrique de Clamarins inorresse, esta ultima cha-
mara a si s os oito milhoes. No comezo do drama
a duqueza est enj Canlereso com a sua filha Helena
loucamente amada por llenrique de Clamarins, The-
reza doenlc chega pela sua parte sob a diracelo pro-
tectora de Mangerom qae se coloca ao p della co-
mo credor caritativo. Chateau Renard nodo inme-
diatamente a mao de Thereza e manda Jorge ollere-
cer a sua Helena ; as duas meninas recusam ; em
resposla' Ibes he dito que ellas devem ouvir de um
gabinete vsnho o qoe Tai saber a duqueza durante
urna audiencia que ella concedeu. He urna embos-
cada, o aventmciro declara a fidalga que sabe o seu
segredo e protesta deshonra-la se nao casar com The-
reza e se ella nflo entregar Helena ao seu cumplice.
A astucia lem bom xito, por que as duas pobres
criauras se sacrifican! para resgatar a honra da mS.
Thereza se caza com Chaleau Renard. Helena se
casar com Jorge e como llenrique continua a ser o
rival desle ultimo. Chaleau Renard quasi que nflo
lem mais nada a fazer para conduzir os dous rivaes
a um duelo cuja conrlusao nao he duvidosa: em urna
mesa de jogo : N'uma meza dejogo.
Jorae furia como verdadeiro grego que he, Cha-
teau Renard oassignn-la ao joven llenrique que s
irrita e provoca" o jogador para um duelo ; he nesla
occasia que apparece urna personagem al ntSo de-
sapercebida, o conde Rennenonl que resolveu tirar
seu rmao Jorge horrivel vida que passa, e conju-
rar este assassinalo de-lacrado mi duelo cuja>abomi-
navel segredo elle sorprendeu. Depois de o ler em
balde supplcado, colloca-se dianlc delle durante a
lula como um phantasma lanzando odiares que oen-
chem de terror, desorte que estremece, deixa esca-
par a espada, e cahe ensanguenladp e ferido debaixo
do ferro do seu adversario. Jorge he recolhdo pe-
lo rmao, nao morre da ferida, e quando entra cm
convalescenza, os fiihos do conde de Benneponl che-
gam-se a elle para ensinar as suas supplicas, e desper-
lam-lhe nocorazaotodos os bonssenlimenlos ha tanto
lempo adormecidos, de sorle que, achnndo-se oulro
homem, restilue Helena a seu rival e ferio com um
golpe de espada expiatorio csse odioso Chaleau Re-
nard cuja morte ser a liberdade de Thereza.
No meio destas tempestades do melodrama, a sce-
na dos mininos commuyeu o publico a ponto de ar-
rancar-lhe lagrimas, c esle apostata iofamll, ha
sido o suave raa dourado no meio destas terrveis
trevas ; entretanto pergunta-se se nao ha nisto urna
profanarlo para_ estes pobres anginhos do Dos de
honda.le. e se nflo se deve recordar aus autores ess.i
arando phrase da anligudadc, essa phrase Uto subli-
me que parece inteiramenle christaa : Mxima de-
belar pueris recerentia.
Os Amores Malditos o drama do ambig, lem se-
melhaura ou quasi denlidade com as Ares de /tapia.
A scena se passa em Malla n'um estabelecimento
fhermal ; Mad. Berval e sua lilha. esiao lomando
banhos das caldas, imitri, o Chaleau Renard da a-
ventura sorprenden um segredo destas mulheres,
com o qual pretende especular e como ellas nflo
subsrrevessem as suas rondiees, elledeclara perante
urna assembla brilhanle que Mademoiselle Helena
tem um irmflo que se se senla no banco dos falsifica-
dores de moeda falsa as galeras de Toulon. Ma-
nocl de \ .lleno-, apezar do cscandalu, apezar da
vontade do marquez seu pai, se cfa cora a irmaa do
caleca ; M. de Y1 llenos amaldiruou os seus amores.
Dimitri se ensinuou nos favres deste ultimo, c
lomou 1,1 ascendencia que aspira a lornar-se filho
adoptivo 011 donatario universal; assim resolveu sup-
prmir a Manoel di mesma sorte que Chaleau Re-
uard quera supprimir a llenrique de Clamarins.
Manoel c sua mulher deixaram Malla, se passa-
ram para Frailea; Dimitri c o marquez de Villcnos
os seguirn). Dimit 1 persuadi ao pai qoe man-
dasse raptar o filio, como se nm rapio desfizesse um
casamento, e se encarrega de arranjar a pequea
expcdirSo. Ajustase com Juliano, irmao de Helena
que havia fgido las gales, que vem casa da ir-
ma. e obriga Maioel a sabir: Manoel cahe n'uma
emboscada, he apaihado c lanrado no fundo de u-
ma barca, ao passoque Juliano se prepara para exc-
porque se lornava mster maor numero, como por
que delles exiga manres esforzos ; prejuizos final-
mente porque o bagazo mal espremdo larde serca-
va, e assim nao poda servir promptamenle de com-
buslivcl para as fornalhas do cozimenlo.
Logo que me dexei possuir dessa com eran en-
tend, contra a opniao de mula gente, que me >!>-
cular a ordem que -He receheo de Dimit 1 para ar- j jeclava com o luxo intil, como rhamavani. de per-
ranear o menino na.Foi lambem o menino que der urna machina nova, que eu linha, convenci-
converleo o lio crininoso; o qual locado da araz i me, digo, qae me era mais econmico ter um pe-
coroera perceber jue o melhor meio de escapar s
gales sera nao conmelter mais crmes; e que um
duelo sem ser um anassinato o livraria dos tormen-
tos que sofiria: a seiienen de Dos decidi, Dimitri
morre, Juliano sata Manoel, Helena que julgou
envenenar-se, por fdicidade lomou ora narctico, e
acorda para urna fdicidade que o marquez de Yil-
lenos autonsa baahido em lagrimas, em fim Juliano
se faz matar pelos romens que deviam matar a Ma-
noel.
Este drama podeser inferior ao nutro, mas am-
bos tem interesse, anbos allrahein a mull lio todas
as uoiles. e a entenere com as aventuras desses l-
gubres hroes cujo rama criminoso se desenlaza sim-
plesmente palavn ingenua da infancia.
G. At.
PEI^iNBUCO.
RECIFE 3 DE DEZEMBRO I)E 185i
A'S6U0RAS DA TARDE.
RETROSPECTO SEMANAL.
No domingo, 26 d passado leve lugar a procssao
de Corpus ChHsti, a qual sahindo da igrcjamalriz
de Santo Antonio, psrcorreu varias ras da mesma
.freguezia. O esplendor a magnificeoca, com que
cosluma ser feila css solemnidade, em nada dimi-
nuio esle anno; pelo contrario, o brilhanle acom-
pauhamento das prmeiras autoridades civis e mili-
tares, de grande numero de officiaes da guarda na-
cional, e dos balalhes des reunidos aos da tropa
de linha, fez-la sobresahir mais, dando-lhe maor
pompa e realce que nos ltimos annos transados.
Tornou-se porni scusivel o pequeo numero de sa-
cerdotes que comparecenm a formar o prestito, o
que de cerlo nflo lera sido muito ngradavel a S. Ex.
Rvmd.n, cuja presenzaserm por si s motivo bastan-
te para maor reuniao do Cero.
F'oi numerossimo o coiiujrso de povo que nessa
larde afumo para ver a procgsao quer das varandas
das casas, quer das ras; e dipois de extraordinario
movimenlo e animaeflo, conciiio-sc o dia sem que
soflressea ordem publica delrinenlo algum.
Abro-se afinal, depois de niiilo cusi, a quarta
sessao ordinaria, do jury desti cidade, sendo apre-
sentadospelo juiz preparador 18 processes de reos
presos e aflianzados. Desde intao tem fonecionado
regularmente o tribunal.
Um sinislro deploravel acoileceu, r.o da 29, a ga-
lera ingleza Dear 5aly,consiaiada aosSrs. C. J. As-
lley C. Achandn csse vasoio ancoradoaro da des-
carga depois de efTectuada esla, sem que ficasse com
lastro suflcehle, deu-lhe o /enlo na raaslreacao, e,
perdido o centro da gravdide, virou-o complela-
mento, Meando o mesmo subnergido as aguas. Di
zem-nos que com a queda da galera soffrera alguma
avaria um patacho qoe lhe eslava visinho, assim co-
mo que san baslanl;menta maltratado o piloto
d'aquella. Trabalbn-se para safar o casco do navio,
que nos consta ser de Ierro, e ainda novo ; mas pre-
sumem alguns. nao ser isso possivei.
No dia 38 enlrou em nosso porlo, procedente do
Havre o brigue Delem, que foi muilo fallado por
adianlar alguns das < ultimas datas da Europa ;
mas as noticias por ellevindas foram de pouco inte-
resse e nao correspondeiflo especlaro do publico
curioso. Entretanto o.>>;ern da eslimavel compa-
nhia de Southamplon nao se fez esperar muito, e
com a pontiialidade ordinaria chegou no dia 1. do
correte pela raanhaa. Quaes foram porm as gran-
des noticias? Sebastopol anda nao tinha sido lo-
mada. Eis a formula concisa em que ludo se re-
sumi.
O da 2 do correnle, anuiversario natalicio de S.~
M. o Imperador foi soleranisado nesta cidade com a
parada c cortejo do coslume : as fortalezas eos vasos
de guerra surtos no porlo esliveram lodo o dia em-
baudeirados, e deram as tres salvas devidas; houve
a note represenlazao no theatro de Saola Isabel,
onde secantou o liymno nacional perante a efligie
doMonarcha; finalmente foram percorridas as mas
quer na vespera quer no da, pelas bindas de m-
sica dos halalhoes de linha, polica e guarda nacio-
nal, soltando-se frequentes gyrandolas de fogueles.
A parada concluio-se mais cedo do que no da 7
de selemliro, pois que a I hora eslavam j debanda-
das as tropas. Aos i balalhfies da guarda nacional
foi quasi exclusivamente devido o vallo e brilha-
lisrao por ella apresentado; mas ainda se tornou
digno de reparo o procedimentn de alguns soldados,
que deixandu de disparar as armas na occasiflo da
descarga, pozeram-se depois a dar tiros destacados,
o que he mo e nos parece ser prohibido.
Tendo sido cocarregado o Sr. capilao do porto,
por ordem da presidencia, de fazer construir, o mais
breve possivei na ilha do Pina, um tatareto de ob-
servacao para os passageiros vindos dos porlos da Eu-
ropa onde reina o cholera, foi essa obra comerada no
dia 2, para maor commemorazflo do anniversario
de S. M. o Imperador. Ter o novo lazareto capa-
cidade bastante para acomraodar 50 passageiros com
suas bagagens e algumas mercadura-, e servir-lhes-
ha de enfermara o anligo, qae alias se acha aug-
mentado. Para mais faclitar-se a incommunicabi-
lidade ser o edificio murado.
Com os festejos do da 2 acabou a semana, feliz-
mente em paz e socego. *
Entraran) 15 embarrarnos c sahiram U.
Renden a ajlandega 97:8199352 rs.
Falleceram 35 pessoas: sendo 6 homens, 8 mu-
lheres e 9 prvulos, livres; 7 homens, 3 mulheres e
2 prvulos escravos.
queno prejuizo e urna despeza, que com usura me
sera paga pelo melhor aproveitamento de minha
safra, do que constantes, anuuaes eimportantes pre-
juizos, para salvar aquella perda, e poupar a des-
peza de nova machina.
Infelizmente a casa da machina era demasiada-
mente pequea para conter a nova ; mas nao recaei
anle esse excesso de despeza, do que me nao arre-
pendo. Aflronte lodos os trabalhos, expuz-me mes-
mo a perder urna safra, e, o qae mais he, cerrei os
ouvidos s censuras e mofas dos homeii, que infe-
lizmente sempre ha, incrdulos do mclhoramentos,
e cegamenle affcrrados velha rutina, e conclu mi-
nha obra, grazas aos esforros do hbil engenheiro,
qae nao desanimou anle os prejuizos que lhe cau-
sou o rigoroso e desabrido inverna, que sonremos.
Deitei a moer, e em pouco lempo conheci os se-
guintes resultados, que entendo superiores a espec-
tativa dos mais crdulos, e que, confesso-o, o sao
confianza, qno eo linha.
Na cjtrarrao do caldo da canna'Iucro, pelo me-
nos, vinte por cenlo sobre o que me diva .1 antiga
machina.
Pela pre-an da machina anliga eram necessarios
quatro a cinco das de sol para seccar o bagazo, e
p-lo em eslado de ser empregado como combusli-
vel; actualmente, porm, emdia e meio presla-se
quelle misler; o que revela a quantidade de caldo,
que reslava, em meu prejuizo, naquelle bagazo.
Os animaes, que na machina anliga, se mortifi-
ca vame eram arolados. movem a actualcom as-
sombrosa faeilidade e sem fadiga ; de sorte que nflo
temo perde-los pelo cansazo, ou mo tralamenlo.
O cozimenlo, como vulgarmente chamamos, he
um dos melhores, e, apezar disso, nao pode cozr
todo o cabio, que a machina lhe ministra. Tam-
bem nao he dos menores, pois cada meladura, ou
caldeira, d de duas formas e meia a tres.
O escravo que deita canua na machina, he o me-
lhor de minha fabrica, e apezar de sua promplidao
e diligencia, apezar de alirar-lhe feiies de canna,
nSoa stippre sflicieolemenle, e como he misler.
D'aqui he fcil a qnalqucr homem profissional o
conhecer quanto cresreram mcus lucros, o quanto
dminuirain minhas despezas ; o que nao podendd
ser mathematicamente determinado, com tudo tor-
na-e sensivel a quem tem conhecimeuto pratico
dos partidos, e rendimenlo usual dos carros de can-
oas.
' Receba, por tanto, o d)gno engenheiro meus agra-
decimenlos pela perfeir.lu e luxo da obra, que eie-
culou em minha propredade; e os senhores de cu-
genho de minha provincia podem, sem temor de
prejuizo, e de augmento de despezas, melhorar
suas machinas; pois aquella absolutamente nflo le-
rilo, e estas compensarflo indubitavelmenle na pri-
meira safra.
Praza aos cos que vflo apparendo oulros mclho-
ramentos, que novas machinas se van vulaarisando
em nossa provincia, pois s assim poderemos ven-
cer azumbar da crize, que nos prepara a diminui-
rflo e caresta de bracos e lalvez sua prxima falta
absoluta.
Se podesse ler o desvaneeimeoto de que minhas
vozes fossem ouvidas, evocara os. mais agricultores
para fazermos introduzr outras machinas, que re-
clama a agricultura, outros melhoramenlos, que s
em rnrpiirario poderiamos promover ; mas, sobran-
do-me a boa vonlade, falleeem-me os meios, e nSo
posso ler esperanzas de ser altendido; por tanto,
resignado espero o futuro, do qual anda nao desa-
nimei.
Sirvam-se, Srs. Redactores, de dar publcidade a
estas linha-, com o que muilo obrigarao a seu cons-
tante leitor.
Simplicio Narciso de Carvalho.
Parahibn 23 de novembro de 1854.
LITTERATLRA.
ah, e se necesstr de urna dedcazflo, de ama af-
feirao sem limites saber onde as poder adiar.
ti asan, nao enflaquec minha coragem, suas
palavras matam-me sem me convenceren!. Urna boa
mi e un Dos misericordioso ensnaram-me a co-
nhecer o meu dever; hci de cumpri-lo sem que sua
dr nem a minha possam aparlar-me de seu caini-
11I1.'. ainda que eu devesse dexar nos espinhos lodos
os pedazos, de meu coraeflo.
Mas se eu ver a ser seu irmflo, disse Gaslfln
rom voz doloroso, forzoso lhe ser ser minha irmfla !
Nao sei agora se devo formar votos por uina
uniao lao triste.
Tem razao, exclamou o mancebo com um acen-
to de desespero, seria urna unio impa. Bertha, vos-
sc nSo pode ser minha mulher, tambem nao pode
ser minha irm.ln. Amanhaa me retirare, dcixarci
Senenil.
Obrigada, 'i,itan, obrgada ne o eco que o
inspira. Pela doce emurao que essas palavras produ-
'iram em mira, sinloque agora he esse o ultimo rc-
'lmpago de felieldadeque brilhar sobre minha vi-
da. Gaslflo, porque nao veo mais cedo!
A mozadeixou cahirmitra vez a fronlc nas.mos,
as quaes Gastflo linha ainda as suas, e ros de la-
grimas inuudaram esses dedos enlazados. w\mbos
calavam-se, e esse silencio era mais doloroso que
suas palavras. Emfim a sinela deu o sigual do al-
moro. e fez parar a torrente desses corarfics derra-
mados.
Bertha corren ao seo quarlo a afogar em agua
pura suas ultimas lagrimas, e Gasto roden preci-
pitadamente o (tbulero de relva afim de dislrahir
sua dr. Quando elle vollou 10 castello, o criado
enlregou-lhe urna carta do pai.
Nessa carta Mr. de Chavilly queixava-se de nao
reeeber mais frequentemenle noticias do filho ; per-
gonlava-lhe como se achava com madamesella Ali-
ee, e como, segando urna caria que recebra da con-
dessa Da vespera, alo duvidava que tudo ia a medi-
Srs. Itedactoref. Na quadra actual em que os bra-
zos escravos vao-se escaceando,em que ainda nao cui-
damos na ediicirio de livres, que tenham desubsl-
tui-los em nossa pesada agricultura da canna c 111,1 m-
pulaeao do'assucar, em que as machinas, quedspen-
sando ou economisamlo o empregu de forras ani-
maes, tanto auxiliam ao agricultor, com menor des-
peza em seus Irabalhos, ou sao nesla provincia in-
(eiramenlc desconhecidas, ou lora do seu mercado,
c por isso nao aproveitadas, em que finalmente pa-
rece que o espirito de rolina emprega os ltimos
esforzos para conservar-se no dominio de nossos
campos contra as tentativas do progresso, eu falta-
ra a um dever para com os meus patricios (per-
docm-me aquelles aos quaes me aniecipei'. e compro-
vincianos, se nflo aprsenlas*!! ao publico os me-
Ihuramentos por mim oblidos em minha machina
de pros-io de canna, confiada ao hbil engenheiro
mechanico Francisco Snares Retumba ; e fallara
mesmo a um dever de graldflo para com aquelle
honesto e h 1 orado cidadflo, se nao canfessasse pu-
blicamente o quanto lhe eslou penhorado, nao s
por suas maneiras delicadas, como por ter sacrifica-
do seus interesses perteirao daquclla obra, e at
mesmo ao seu luxo. *
Obtendo o engenho do Oiteiro, um dos mais
novus dcsta provincia, reconheci, cora a vista de
oulras machinas montadas pelo Sr. Retumba, qae
gratules prejuizos me causavam os defelos de mi-
nha machina de pressao; prejuizos de caldo que
reslava no bagazo ; prejuizos na demora, e retar-
damenlo da moagem, que sflo incalculaveis; prejui-
zos nos animaes, que tocavam a machina, nao s
ESTLDOS MORAES SOBRE O SECULO XIX.
O Sensualismo na Lilteratura.
I'.onrl usao.
O saecesse inconleslavel de alguns eserpitores des-
te cenero ahi esb'i para mostrar, que elles tem cm-
plices, para o mais profundo de nos, em alguns in
tinelos de nossa .aeraran ntelleclual. Professam
paradoxo, e essa profissao nao deixa de ser-lhes lu-
crativa, vendu-e o lvrode contas do livreir. Por
toda a parte, nosjornaes, nos livros, j)o mundo, en-
contram-se apologistas ardentes do peradoxo. He
este o nico modo, como elles dizem, de se ter razio,
sem ser banal. Todos aquelles, que nao amam este
genero de espirito, sao atacados e convencidos de ler
parentesco intelleclaal com Jos Prudhomem. O
paradoxo he o raciocinio applicado sem razio, a
lgica applicada phantasia, a desordem do pensa-
mento reduzda a formulas, a locura redgida em
axiomas. Um numero infinito de pessoas honestas
se diverlem com elle. He o deleite, dizem elles,
dos espirito* delicados; e quem nao pretende esla
qualidade ? Por esta razflo anathematisam o bom
senso para dar moslras de espirito. Tecm horror
de pensar com justeza, porque crcm, posto que sem
razao, que pensar com exaclidao he fazer o que lo-
dos fazem. Esta mana, este jogo da inlelligencia
aborrecida de simples e do verdadeiro, socommuns
em nossos dias a lal poni, que lorilou-se* quasi nm
paradoxo louvar o bom senso, e aquelles que o com-
liaiem parece ceder moda. Elles fingen) igno-
rar qne o paradoxo lie um brinco terrivel com que
folgam as sociedades enyelhecidas e os povos embo-
lados, que tem chegado a esse nonio elevado 1I.1 d-
v ilisaran, alm do qual romera o desconhecido. Pa-
ra ser exacto, cumpre dizer todava que estas veida-
des tflofprtemeute atacadas, tflo estragadas, as quaes
lem finalmente o defeilo de serem communs, porque
sflo geraes, e banaes porque sao verdadeiras, loma
bem depressa orna desforra brilhanle das insolencias
do paradoxo, esse usurpador coroado em momento
de embriaguez, e o bom senso vinga-se a seu modo
de tantos assaltos, escarnecendo-os vinga-se," como
se tem dito, maneira desse gigante de Aristteles,
que recebia os golpes furiosos de um cavalleiro an-
dante, armado dos ps at a cabera, e que a cada
golpe fatal, ia apanhar sua riheri'no chao, rindo-se
morrer, as olhos do cavalleiro estupefacto.
Os phantasiadores.esses cavalleiros andantesdo pa-
radoxo, nflo conseguirn) jumis triumphar do bom
senso, isto he, do genio francez. Muilo ruido e p,
eis ludo ; e sua obra morrer, porque aquillo que
somente p de ideas e tumulto incoherente de pala-
vras, nflo pode durar. Para que urna obra Ilitera-
ria possa viver, cumpre que as ideas tenham consis-
tencia, e as palabras sejam combinadas entre si a
urna ordem natural e simples. Palavras que rugem.
librases que delotiam, ideas que sflo absurdas, typos
imaginados em npposr.io ao verdadeiro, caracteres
impossiveis, aconlecimenlos cabidos da la, ludoisto
pode mu bem maravilhar, deslumhrar, mesmo, fas-
cinar ; mas um momento depois, rimo-nos de nos
mesmos e do autor.
Nada passa Iflo depressa como aquillo que he fal-
so ; lde urna obra inteiramenle feila de porodoxos,
depois procurai tornar a ler ; como todas essas for-
mulas casquilhasdo erro, lodos esses axionas imper-
tinentes da sem razflo vos parecem agora tristes.desen-
xahido*. pessimos, absvardos .' O falso pode ler sua
hora de prestigio ; mas como o achamos no dia se-
guinte dcsbutailn 1 Urna noite o envelheceti. Fra
estensa a lista de todas essas obras moras, e a to-
dos esses romances defunlos Elles vflo para esse
ponto de reuniao commum das ideas falsas e das pa-
rodias de todo o genero, para esse vasto cemiterio
onde cahem, para nao snlnr mais delle, os galanleios
da inte vespera e as caricaturas do anno passado.
Paz aos morios Que importa que alguns desses ro-
mances pireram vver ainda Em um anno. nflo
evi-iiro mais. O lempo he o grande coveiro das
mentiras.
dida de seus desejos, enviava um pedido formal da
mao de madamesella Alce para seu filho Gastan.
Esse pedido feito a madama de Scneuil devia ser-
llie enlregue pelo proprio Casta o; mas somente
quando ojulgasse oppurluno. V-se que Mr. de
Chavilly tralava o filho como homem cordato c co-
mo amigo.
Assenlaram-se mesa.
Entao, p'ereunlou Alce ao ouv.lo da irmfla,
terei meu ramalhele? ,
Esla peraitnla mui natural l.inroii grande perlur-
barao no corazao de Bertha. Ella cncarou a irmaa
enm ar de lerna compaixflo, o respondeu sem rc-
flectir bem no que dizia :
Hei de dar-te o meu.
Entao ello cecusou '!...
Nao ; mas... He de e\plicar-lc ludo isso. Em-
lim nflo se lleve querer o impossivel !...
Alice ah iimiii a cabeza e lcon pensativa.
O alnmro foi triste a despeito das repelones gro-
tescas do seuhor Mnrtinho, e dos elogios exlravagan- (-,|PVi".1'1 I'"ra mini; porem julgando por
les que deu a um exccllenle guizado de lebre. ""'. sllll!"|i'e as dores da alma devem exercer urna
Que excellenle guizado! dizia elle voltando ao ,nl!"c"c,a licm terrivel sobre nosso erivollorio male-
pralo pela segunda vez.
aqu, accrescentou a condessa lanzando em lofno da
mesa un olliar rheio de iJmirirlo.
E cooinuiiu:
Doulor, so vejo o senlinr e eu aqu que tenha-
mns a alegra" da mu ida.le. Os mocos de hoje sflo
serios e itisipidos. Diga-lhe que o bom humor e a
alegra sau os primeiros elementos de urna boa saude.
Ccrtamonle, cerlamenlc, disse o doutor nler-
pelladn, urna boa audc he o priineiro elemento do
bom humor, e da alegra.
S mi lim 1 de Senenil rio-se do descuido do se-
nhor Marlinho.
Mr. de Chavilly, disse ella, que parece boje um
homem (flo grave, decida por favor quera tem razflo
se o doutor ou eu. He o bom humor que engendra
a boa saude, ou he a boa saude que engendra o bom
humor'.'
GaslSo tentn sorrir c responden:
A pergunta que a senhora me faz he muilo
mim me
Depois driginilo-se a Mr. de Chavilly, rontlnuava:.
Meu joven amigo, o senhor nao come, nflo
tem appctile, nflo lem appclilc? Creia-me sera
misler tomar algamas pilla-, algumas plulas. En-
tretanto deverii provar esle guizado, elle daria von-
tade de comer a um defunlu, a um defunlo.
Cora elleilu, disse a condessa qae examinava
Gastao desde alguns minutos, Mr. de Chavilly pare-
ce preoecupado, talvez... Recebeu nolicias de seu
pai?
Sm, senhora,. respondeu Gastao.
Espero que nao foram ms.
Nao certamenle.
Eu Uto para que .esse semblante melanclico?
Dir-sc-lna que un contagio do tristeza passou por
rial.
As dores da alma, tornou a condessa, parece-
me 11111 pouco fora de sua competencia. Na sua ida-
de que dures pode o scuhor experimentar'! Na ver-
ilade seus ares de tristeza e de languidez dflo grande
vonlade de rir.
Nao ra.'senhorn, nflo ra, replicou Gastao vi-
vamente, 11.I0 se admire de ver-me triste e alfliclo...
Nao posso rcltrar-me desla casa sem experimentar
urna amarga e profunda magoa.
Para que 'falla em relrar-se? perganlou a
condessa com inquietaran. Comprehendi mal, sem
duvida, espero que ao menos o senhor ficar aqu
ainda muilo lempo.
Nflo. senhora condessa, aminhaa deixo-a, vol-
to a Chavilly, onde meu pai me espera.
_ Ah! disse seccamenle a condessa deixando ca-
hir a mo sobre a mesa.
Berlha lanrou sobre Gastflo um olharem que pin-
lavam-se ao mesmo lempo a dor e o reconhecimen-
lo. Quanto a Alice, examinava o mancebo com ar
de espanto, e como se tivesse ouvido mal.
O senhor retira-sc? disse tambem o oflical de
saude. Sua parlida repentina ha de pcnalisar muilo
a Mr. de Saulieu, a Mr. de Saulieu. Elle fallava-
me anda a seu respeilo esta 1nanU.l1 em termos, em
termos... Esperava fazc-lo um adepto da sciencia,
da sciencia.
Hc de ir j a Oslrcval, c lhe farei minhas des-
pedidas.
Madama de Sencuil tinha recobrado um pouco de
seu sangue fri, e disse esforzando-se por sorrir.
Essa re.oluran que o senhor lomou sbitamen-
te sem duvida nflo he irrevogavel?
He irrevogavel, senhora.
Ao menos o senhor nos conceder anda a o-
lava?
Seria esse o mais charo de mcus desejos... mas
convm que eu me retire j.
A condessa aventurou-se a laucar um olhar inlcr-
rogador sobre Alice. No ardor de sua ternura ma-
terna, ella julgiva que urna leve nuvem linha-se ele-
vado cnlre os dous mozos, e que bastarla seu sopro
benfico para disipa-la; mas Atice tinha abaixado a
fronte sobre o peilo, e esforrava-se por devorar suas
lagrimas. Madama de Seo'euil 000116060" que ella
nada influir uu partido lomado por Gaslo.
Voltando depois os olhos para a filha primognita,
ella adevtnhou fcilmente a pei-lurbarlu debaixo dos
.esforzos que madama de Saulieu fazia para dissimu-
la-la. O olhar de urna mfl he intelligenle, e um pen-
samento triste queja muitasvezea linha-se-lheapre-
sentado ao espirito, voltou-lhe com mais forza e te-
nacidade que nunca.
A condessa temeu ter comprehendida, abaixou
A' cima da pura phantasia, qne se apraz desses jo-
gos paeris do espirito, sem outra prcoccnpazflo a nao
ser a de fazer admirar com o.improviso das palavras
e ideas, mas abaixo da arle espiritualista, que exige
do romancisla a analysc profunda do corazao huma-
no e a expressao da realidade viva, deve-se marcar o
lugar de una esppcie de obra especial, sem carcter
determinado, indecisa sobre os limiles da lierflo e do
systema ; queremos fallar do romance philosophico.
He um genero, no qual se lem perdido urna quanti-
dade incalculavel de dons felizes, de hlenlo, de
imisin.ir.lo, de espirito, em obras insipidas, ingratas
e finalmente condemnadas a morrer ; he al urna
questo saber-so, se estas obras vvem neste momen-
to ; se viveram algum dia. Um escrplor apaixona-
se de systema histrico ou moral ; quer demnstra-
lo por meio de urna fiezao. Faz um romance labo-
riosamente subtl e grandemente enfadonho, que nflo
demonstra nada absolutamente, e fatiga a todos. Is-
to acontece e deve acontecer. Que far, com effeito,
0 romancista de sua idea fixa ? Toma seus typos f-
da humanidade real, nao sei em qoe rumani-
dade abstracta e melaphysica. Seat personagens nflo
serio homens, mas ideas; serio grandes lgicos e
eternos pensadores. Apresentario sempre a Iheo-
ria do que quizerem fazer, c nflu trabalharflo jamis.
Todos osseussenlimentos se traducirlo em form-
las, todas as suas paixes cm syllogisroos. Marcha-
ran no romance com o pesado Irem ;do pedantismo
armado em guerra e do systema munido de argumen-
tos. Quem nflo v, qae no romance nflo demonstra
nada ? A experiencia da vida pode provar, e pro-
va com effeito, que lal instiiuizflo he m, que lal op-
niao crranlo he um preconceito deteslavel. A expe-
riencia da vida he por si s urna prova, porque as
circumslancias, que a formam, sflo independentes do
homem, esflo o resultado lgico e natural dessasins-
1 liiiccs ou desses preconceitos. He urna lizo, omi-
tas vezes austera, dada ao homem pelos fados, qae
elle impoe a si.
Mas ser o mesmo com o romance 7 quem nao T
que o romancisla dspOe sua vonlndedos aconleci-
menlos? quem nao v que lacios ordenados von-
lade do escrplor e para maor gloria de toas ideas,
s priivam absolutamente aquillo que nflo se poe em
duvida, a boa vontade do escrplor em fazer Iriom-
phar o systema, e seu desejo de que as cousas se pas-
sem na vida, como no seu romance? Queris de-
monstrar que o casamento sem o remedio do divor-
cio, he o sopplcio das malheres incomprchensiveis
e a tortura dos espiritos poticos ? Porventura le-
reis provado vossa Diese, moslraudo tlous esposos,
um diaute do outro, por exemplo, um marido orna-
do com disvelo de lodas asloucuras, de lodas as Iri-
validades.e a mulher elegante, distncta, pensativa,
levada fatalmente ao erro pelo aborrecimenlo, pela
compressode suas mais alias faculdades, pelo des--)
potismo brutal, que pesa sobre sua alma ? Islo he
assim, porque quero que o seja, e quero quedeva ser
assim, segue-se dahi que se deve abolir o casamento
ou dar-lite para corrcclivo o divorcio ; he esle todo
o raciocinio do romancista phlosopho. Elle inven-
la fados, crea situaroes e no-las di como provas.
He abusar da ingenuidade do publico. Oulro ter
a peilo demonstrar com seus romances a elevarlo
inevitavel de urna classe nova, a necessidade de urna
reaeneririo social. Fora urna maravilha, se lle
exposeAse sua llieoria, rodeasac de provas histricas,
moslrasse-nos o progresso continuo e a clevarflo suc-
cessiva das classes ; mas nao, quer animar seu dog-
ma, apaixonar sua theoria, colorir seu systema, cer-
car sua idea dos prestigios da imagnazio, dar-lheo
encanto do romance, cooverter lelor com enogo
dramtica. Que far elle ? Inventara ama i-impli-
carlo de factos imaginarios e urna opposizao de ca-
racteres sociaes. Na venale, ser isto urna demons-
trarlo ? Quanto seria fcil o lado contrario 1 Pro-
varia ella mais a Ihese contraria ? Nao, mas prova-
ra ao menos, que nada he mais fcil do que a or-
demnacao dos fados imaginarios em apoio de urna
theoria. Provaria ao menos, qoe a obra, da qual
lomou o inverso, nao prova nada. Concedo que fos-
se um resultado negativo ; mas seria finalmente um
resultado.
Tal he ao nosso ver, o mal incuravel do romance
phlosopho ; se elle er exceder o alcance de urna al-
legara, engana-se; se julga provar alguma cousa,
com o soccorro da aconlecimenlos combinados, he
o ludibrio de ama presumpzosa cegueira. O menor
defeito desle genero de romance he o sacrificio per-
petuo da natureza, da realidade, da vida, a negli-
gencia do carcter humano, a invero-inilhanra dos
typos, a ignorancia systemalica das verdadeiras pai-
xes cum que palpita o coraran, porque a alma go-
za 011 sofTre, e sao a elerna prova de nessa liberda-
de, o drama eterno da eonsciencia. Nao sao obras
interessanles nem duradouras como todos esses ro-
mances, dos quaes todos os aconlecimenlos sao a de-
monstrarlo premeditada de um theorrma,e todas as
personagens tem urna formula no corazao.
Nada se ganha e perde-se ludo em desprezar a
verdade humana pela pura phantasia ou pelo syste-
ma previamente formado ; o romance de phantasia
nflo he senao um extenso paradoxo, islo he, om jogo
do espirito ; o romance philosophico he urna exten-
sa allegoria; nenhum dos dous teem o que consti-
tue o verdadeiro romance; falta a realidade cada
um delles. No prmeiro sao raciocinios contrarios,
que os personagens fazem, no segundo s3o -\ Ilotis-
mos em regra: em ambos falla a vida.
Nao he a vida, que falla nos romanceados quaes
us resta fallar, he a dignidade, a elevaglo, he o
ideal; o realismo brutal do theatro foi urna impor-
tarlo na scena do realismo no romance. Tem havi-
do dramas realistas, porque havia romances, que
pretendan) apresentar sociedade sua copia fiel
brutalmente reproduzida. He a fortuna eslranha
desses livros, que lem levado alguns avenlureiro3 a
ensiiar osyslema no scenario.
-A fresponsabilidade primara dessas tentativas
dramticas e dos successos escandalosos, que lem si-
do como urna sancrio ephemera, remonta pois defi-
nitivamente aos primeiros romancistas, que, em
nossos dias, quizeram fazer que o publico peoelras-
se nesses lupanares da rurruprlo e do crime. NSo
comeraremos oulra vez um processo acabado; nao
iremos despertar as impuras recordaedes, que exci-
lam ni iim.i a.< Memorias do Diabo, Os Misterios
de Parts, O Judeu Errante, dei Jaremos 'dormir es-
tes velhos escndalos de um tempo, que parece estar
j bem longe de nos. Mas o romance sensualista es-
t morln por ventura com suas obras lio miudas ou-
tr'ora, e agora to profundamente sepultado que pa-
rece, quando se falla delle, que se trata do ama re-
liquia fossii.de urna litteratura ante-diluviana? nflo ;
elle faz lodos os dias um' esforco desesperado ; pro-
cura reassumir. com licenzas incriveis euma desen-
voltura inaudita de pinturas, nma populardade ex-
mela ; exagera o horror e profunda o ignobil ; pro-
segue esla triste mssflo, que impoz a si, de examinar
as ultimas profundezas das miserias ssciaes, e fai
salpicar a lama a Uo grande altura. qirtM> espirito
fica por muilo lempo espantado. Quem nao"*>v qoe
semelhantes pinturas podem Irazer s almas germens
secretos de corrapzao? Ao deixar-se o livre, fica-se
consternado; ento he que, levado de ama estranha
desconfianza e de nma duvida atroz, o homem per-
gunta com terror, se he verdade que a sariedndc nao
seja senao urna espelunca de salteadores, e se a vida
he tal, que s o vicio tem o direito de andar com a
cabeza erguida e luz do da.
Nao conleslamosque haja homens como esse Fer-
nando Duplessis, o triste heroo do ultimo romance
de Mr. Eugenio Sue ; que exista alguns desses cora-
Zes insensiveis e alguma dessa* almas ptridas, as
quaes os mais vivos clculos e as mais odiosas pai-
xes se concliam com nparenciasde fidalguia e ele-
gancia mundana ; mas pergunlamos, para que serve
esse luxo de analyse, asa curiosiilade quasi phanlas-
tica, e-se esludo repugnante da lepra moral, que de-
vora Fernando, ? Talvez nos respondam, que o fim
moral da obra existe para aquelle que o quer ver ;
que lodo livro ho destinado a manifestar as conven-
ales recretas c os remorsos da eonsciencia nos casa-
inenlos de razflo e nos de dinheiro, e restabelecer as
singellas alegras e a felicidade inmaculada' dos casa-
menlos de incliniclo. Com eflbto, sabemos que
Fernando depois de ter feito sua primeira mu-
lher morrer ^e dr, c assassinado a segunda com
um tiro de pistola, acabou seus dias, como um ho-
mem de bem, nos brazos de urna pastora ; mas sabe-
mos tambem que o romance acaba verdaderamente
no desfecho do segundo casamento, e que a lercera
parle he o mais inspido dos dramas pasloris. servi-
da por um insigne contraste, a urna medonha nar-
raeflo. O interesse horrivel dos dous primeiros ac-
tos da vida de Fernando, cessa para dar lugar so-
mate a um enfado desmedido. O horrivel e o ins-
pido se misturara nesla obra, na qual a alma s res-
pira evalorees ftidas. Nflo ha amas aspirarlo pa-
ra o bello ; nem um s carcter- simples, elevado,
natur.il. porque nflo nos podem dar seriamente para
typos amaveis em Raymundo e sua rafli, da qual to-
da a virtude consiste em agitar u co e a Ierra, pa-
ra conspirar constablemente, sendo apenas hroes
de sociedades secretas.
germeu
lambem a fronte como se se Iratasse de dexar passar
urna massa de nev cabida das monlnnhas, e guar-
dou o silencio.
Refleclia sobro a conducta que devera ter para
couciliar os deveres de sua dignidade com as iuspi-
r.na'i de seu i-ararlo, para salisfazer os volos de
sua ternura maternal sera offender as lyrannicas exi-
gencias ila sociedade.
Durante esse lempo s ouvia-se o rumor das quei-
xadas 1I0 doulor, c suas observazes pitorescas sobre
a arle culinaria. Cada prato que chegava fornecia
um novo Ihema s suas disscrlazoes, as quaes fazia
sem todava, dexar de comer e de beber, accrescen-
i.in 1 111 quesles douloracs sobre o appelile dos
convidados. Como, excepto elle, ninguem coma
ncm fallava, linha de trabalhar muilo para eslabe-
leccr tima jusla compensaran.
Emfim esse penivcl almozo lerminou-sc com o ap-
placiimenlo da fome do doutor. Anciosa por occul-
tar a dor que senta, Alice rclirou-se ao seu quarlo;
111,1 I una de s iiilii"i vallan .ni salla, on le priirurini
no priineiro livro que cahin-lhe debaixo da inflo urna
listlacran ao- seu- amargos pensamenlos. O doutor
dirigio-se i estribara para mandar sellar Cocutte,
urna velha jumenta que nao tinha mais do que um
nido e urna orelha, assim como o dono s linha urna
espora ; mas qne andava a passo como nenhum ca-
vallo do cura ou de medico do campo linha nunca
andado.
J que o senhor vai a Oslreval, disse o senhor
Marlinho a Gastao, iremos juntos.
De boa vonlade, respondeu o mancebo.
Mis no momento em que este ia lambem mandar
sellar seu cavallo, a condessa lomou-lhe o brazo e
levou-o para o terrazo. Encarando-o durante al-
gum tempo com affecluosa allenr.lo, ella disse-lhe
emfim:
Gastao, porque quer deixnr-nos T
Em semelhantes obras o lalenlo se degrada e a al-
ma do leitor se avalla ; sem duvida, elle enconlra
nellas o real, enconlra pinturas ardentes e verdadei-
ras da piNlu physica, aoaly*cs fiis da volupluosda-
de escrutada al em suas ultimas minuciosidades, e
feita com um sinismo de expressao, que s tem igual
no ciuisma mesmu da observarlo. Mas deve ou nao
a lilteratura elevar ou aviltar a alma, dar-lhe o gos-
lo do que he nobre e bello, ou entrega-la aos pen-
samenlos impeessos, phanlasas indecentes, aos so-
nhos imprudentes da devassidao ? Deve ser o ro-
mance um nobre o delicado gozo, Urna recrearlo de-
licada do espirito, ou antes a orga sensual da imagi-
nazSo ? Por ventura a a'rte he o auxiliar das nobres
aspirazoes, que levam nosso pensamento para o bello,
oa he somente o complico impdico c o humilde
servo dos Molidos ? He preciso escolher, porque
toda a qucsIAo esl nisto.
Tudo isto est bem longe de ser verdade no ro-
mance realista ; far-se-ha ama obra meritoria e mil
eslremando-se as ideas falsas, os preconceitos ridi-
culos, os principios pervertidos, que te inlroduzem
com a capa do realismo. J he muito que o roman-
ce nos aprsenle constantemente a imagem cynica de
oossas corruproes secretas e de nosaat infamias igno-
radas ; he pingoso familisrisar a alma com o vicio e
rasgar os veos, que occullavam aos olhos das pessoas
honestas os ltimos aprobrio* e as immoralidades
requintadas das velhas sociedades.
Mas que diremos dessas Iheorias, que ah vio pelo
mundo, e se ensinuam as almas com a aolordade da
obra impressa, autorldade nfafllvel para um grande
numero ? As pinturas da devassdflo aSo corruptoras
sem duvida, habituando a imsgiucSo ao mal, mas
nada pode ser comparado com o mal, que pode fa-
zer as almas om principio falso. A influencia do
virio representado nessas obras pergosas lie lenta e
indirecta; a influencia de ama theoria perversa ho
mmedala e irresistivcl. Entre eslas doas influen-
cias ha a dilTerenc, que separa om mo exemplo de
um mno rnii.ellio ; urna alma essencialmente hones-
ta pode resistir at> contagio do vicio, qae ella (em di-
ante dos olhos, mas deixa de ser honesta, no momen-
to em que d sua soa f a um mo eonselho, a um
preceito immoral. A razao pervertida, o fundo d'al-
ma esla comprometlido. a base minada e tudo se des-
moronara ao prmeiro choqne.
Fra enfadonho procurar todas at ideas falsas, pro-
pagadas sombra de om romance sensualista, e fra
um papel fastidioso para representar o daD. Quso-
te contra todos esses ladres de almas- e de virtude.
Basla rtannos para exemplo dous grandes axiomas,
qoe vogam nessas obras inuuraeraveis, qoe cada dia
vemos nascer.e gozar pelo menos em om dia.de orna
immensa publcidade. Um dia! he bastante, he
muilo para corromper urna alma.
He urna lei psychologica, perfeitamente reconheci-
da pelos nossos romancistas, que o amor he ama pai-
xao invencivel, que elle aasce inmediatamente de
um- olhar ou de um sorriso trocado, qoe se apodera
instantneamente da alma, que se faz senhor de nos
sem resislencia possivei, quo nos traa e nos maltra-
a como escravos, se desenvolve por orna sorda e mys-
leriosa falalidade em nossa vida, qoe elle muda in-
Iciramente, em nosso destino, que elle perturba, a
eusta de nossa liberdade, que elle aniquila. Dahi
para desculpar, se todos os erros, lodoi os crmes que
a panao faz commeller, ha um passo, e este pa*so
he mullas vezes dado. E eis o homem feito o brinco
e como a presa Oucluante das mais looeas paixSes!
Et-lo irresponsavel no momelo em que elle poder
responder esta grande palavra: o amor Por isto
vede com que seguranza seos hroes se eolregam aos
seus amores insensatos, impos, criminosos algamas
vezes, como em om romaoce recente, em seos amo-
res incestuosos! Elles maldizem a sorte ou o co,
mas nflo maldizem aji mesmos. Sao arrattados s
faltas as mais graves, s traedes as mais vis: qua
queris? Elles amam! mullas vete por om sacri-
lego abuso de nm nome sanio, involvem Daos em
seus adlteros amores e pem seu crime debaixo da
proleczflo do co 1 Nada ho mais falto e ao mesmo
lempo mais funesto do que essa pretendida falalida-
de do amor- Nesla paixflo como em todas as outras,
a hberdada reina, quando quer. A vontade nao de-
ve sem duvida adormecer preguicosa e cheia de con-
lianza, nos comezas e preludio de ama paixio nas-
ceute : o homem nao deve dexar para minhla oa
depois di manhga, o cuidado de extirpar o gern
terrivel do amor,que elle deve combaler.
Atnanhao a trela ser mais difflcil do qua hoje ;
depois d amathaa ser talvez qnasi impossivel. Mas
no principio o homem tem o pleno uso de sea livre
arbitrio ; pode extinguir em seo gerraem o amor
criminoso. Se nao o faz, loda a responsabiUdade
pesa sobre elle: se esta paixao o arrasla ao erro,
tnirio. ao cririre, soflre elle o sea castigo, porque o
qoiz! Esta doutrina fortifica tres vezes as almas no
austero dever, como a oulr ts enfranquece e em-
brutece cm urna especie de fatalismo"oriental.
lima das Dieses favoritas do romance sensualista,
e tambem urna das mais- pergosas para as almas
fracas, he a que consiste em crear typos grandiosos
no vicio, cm cercar o mal com urna especie de pom-
pa, sem dar-se um relevo, um brlho funesto, em
representar i n ln i lmenle em sitas obras a grande ima-
gem de Salan, trazendoem sua fulminada cabeza a
immorlal esinslra mageslade do abysmocoma cole-
ra viva de Deot> Todos os seushroes tem urna mistu-
ra inaudita de nefasto e de sublime ; parece subirem
o pedestal s para elevar mais alto a imagem coroa-
da dejseos vicios. Grandes pelo mal, como pelo bem,
eis aqu como esses romaucislar nos representaran)
seos typos predilectos. Se alguem Ihes desse crdi-
to, dira que as alias inleMigenca* lem sea retga-
te necessario em vicios extraordinarios, e que o hev '
roismo e o crime eslo em armona entre os grandes
homens. Elles julgam duplicar a penelrazflo das
almas superiores, juntando "grandeza de suas no-
bres paixes a grandeza da perversidade, como sa
ama s alma podesse ser deste modo a mais 1n-
eular, a mais insensata das conlradizes e com-
portar este duplo excesso, o excesso do bem e do
mal Isto nao tem logar no mundo, e he um mons-
(ro na ordem moral esta uniao de duas superiori-
dades contradictorias, a do genio e. a do vicio:
mas imaginai ama alma apaixonada e fraca, e pon-
de adiaote desses typos, que tem um aspecto tflo
arandtoso na faluidade. lia cem qoe aposten) con-
Ira um, qae este contraste solemnemente absur-
do fascinar, deslumhrar essa imaginario mobil,
essa sensbilidade inquieta, e lanzar essa von-
lade fraca merc das paixes. Alera ditto,
nesla poszflo magestosa da desordem e do genio,
urna so cousa esl ao alcance de todos: a de-
sorden). Na verdade desses dous termos, ella J)e a
mais fcil de ser conseguida ; por esta razao he que
a alma ardente e desencamnhada se dirigir para
esse lado. Comezar pela desordem, creado lomar
as vestes do genio, ao vestir as roupas da vicio e es-
perando qua o genio vira fogo, no seio desla existen-
cia tumultaosa e dissipada. Ah" lodos bem o sabem,
a. desordem vems, e detacompanhada.
Essas grandes insprazes, que deviam brilhar no
fogo da orgia, nao brlham mais ; essas ideas subli-
mes, que deviam fulgurar no choque das paixes,
estao ainda anuviadas, e esse deslino lutando cora .
lodosos desejos inflammados,com todas as phanta-
sia* impuras, pode ter iodjfferenlemente para fim
Charenlon, Hotel-Dieo 00 as gales O homem en-
doudece, estraga sua fortuna e sua saude, e algamas
vezes at se faz criminoso : eis-aqu o resaltada da
desordem ; mas ella nao tem produzido ainda o ge-
nio 1 Encontrase as prisoes ou nos hospicios mais
de urna alma depravada e mais de om carpo arruina-
do pelos excesso?, qoe essa falsa assoeiazao de idaa,
desordem e geoio, herosmo e vicio, para all tem
conduzdo. Porventura he desle modo qne o ro-
mance pretende justificar essa nobre ambicio, qoe o
leva a fazer-se mestre e moralista do genero ha-
mano?
Queconclosflo devemos tirar desle rpido esbozo
de algamas seitas da Hileralura contempornea,
creadas nflo sem successo e sem brlho 00 theatro, ne
romance e na poesa ? Urna t palavra ser batanla
para exprimir todo nosso pensamento. Fra do
ideal nflo ha salvaeo para a lilteratura. Tndo
quanto se tenia nos caminhos perigosos da phantasia
ou no sentido exclusivo da realidade, lem por fim 0-
brus chimeneas, sem consistencia, e sem alcance, oa
obras vilenlas, brutas, exageradas, que oOndem o
bom goslo orno a moral e silo um insulto publico a
eslas duas grandes deas, o bem e o bello. O talen-
to o genio mesmo nflo podem eximirse detta sen-
lenja summaria. A puja phantasia s produz insi-
pidas puerilidades ; o realismo vai perder-te em um
materialismo vergonhoso. Ha obras duradouras co-
mo as que ideal enobrece. A lilteratura fraueeza
ficaria condemnada a nma inevitavel decadencia, no
dia em'que triomphatsem definitivamenteetlaihero-
sias. Felizmente eremos, que esse dia nnnea che-
gara ; o ecsto corneja a reformar-se lentamente de-
pois de estranhos e lamentaves desvarios, e se esla
ressurreir.iii da eonsciencia publica nflo for facticia, a
arte franceza pode reatar a cadeia de ouro da tra-
lir.ia, por muito lempo quebrada, e renovando-se
conforme as necessidades das lempos, dcil aos no-
vos iostinctos, sem romper de vizeira cornos princi-
pios, que lhe fizeram om passado glorioso, pode an-
da consolar a patria e maravilhar o mondo. O ge-
nio da Franza he como seu cora cao capaz de mila-
gres. S os seclos impos e os povos alheos devem
desesperar da luz. Ninguem er no cahos, quando
er em Dos. Caro.
(Recite Contemporaine.)
O mancebo nao pode susler a vista da condessa, e
desviou os olhos com embarazo.
Gastao, tornou ella, responda-mc por favor.
Conhezo os senlamcnlus e a* inlcnres de seu pai,
confesse que nao he elle que o chama.
Tem razao, senhora, meu pai em vez decha-
mar-me, anuuncia-me que vira reunir-se a mim bre-
vemente.
Entao para que dexnr-nos? Quem aqui desa-
gradou-lhe ou oflendeu-n?
Ninguem, ninguem, inlerrompeo Gastflo. A-
chei aqui rmares generosos, e a lemhranza do seu
acolhimento e do de..., madama de Saulieu nflo se
apagara jmiis de minha memori... Minlta felicida-
de sera prolongar o mais possivei estas horas afor-
tunadas, e conservar-ine para sempre nesta familia
quedgnou-se adoplar-mc, o creia que o pensamen-
lo desla *ep,n ara >.... necessaria rasga-me o coraran ;
mas he preciso que eu me retire.
Mr. de Chavilly qironuncou eslas pahwras
voz lacrimosa. Madama de Seneuil tomou-
mflo, e apertaodo-a com eflusflo, dssc-lhe :
Gastflo, vose me oceulta alguma cousa. Nao
quer confiar-se a miin ? Nao quer coiisderar-m co-
mo urna mai, a mim que j o considero como filho ?
Senhora, nao me interrogue, disse Gastao com
angustia, nao nosso responder-lhe.
A condessa filou os olhos nos do mancebo e excla-
mou:
E se eu adevnhar?
Mr. de Chavilly occullou .1 lenle as mos, e
depois como seu corarao fizesse repentinamente ex-
plosflo, balbucan :
Se a*senhora sabe meu segredo, para que quer
reler-me.
Porque quero cura-lo dessa loucora, porque
em soa idade esse mal nunca resiste a um bom Ira-
lamento.
Gastao meneou tristemente a cabeza e disse:
com
iou-lhe a
*f
j\
/,
/ .
v.
/
I

ir
Engana-te, senhora, sua bondade espera, onde
ja perd toda a esperance. Honlera eu leria podido
cr-la, porque nflo me conhecia, hoje hotarde, son-
det minha ferida e achei-a motlo profunda. Deixe-
me pardr, disso depende meu repouso, e o de....
O mancebo nao uusou pronunciar o nome que vi-
nha collocar-se- lhe sobre os labios.
A condes-a nada mais tinha que esperar: via des-
vanecer-se urna de suas esperanzas mais charas ; to-
dava, como o afogado que agarra o qoe a mao en-
conlra, disse :
Ao menos deixe-me crer qoe vollar?
S Dos o sabe, respondeu dolorosamente
Gastao.
1-; nl.ia, enlflo, meu joven amiao, gritn o oltl-
cial de saude de urna janella do salan, he assim que
manda sellar seu cavallo, seu cavallo? Jhe mais de
meio-dia, mais de meio-dia, eseqaer voltar antes
das duas horas, antes das doas horas, he lempo de
pr-nos a caminho, de pr-nos a camnbo.
Eslou prompto, respondeu Mr. de Chavilly.
E beijando affecluosamenle a mao da condessa, foi
reunir-se ao offlcial de saode. Dez mnalos depois
os dous cavalleiros encaminhavam-se para a estrada
pela longa avenida do castello.
Madama de Seneuil apoiada na varanda do sallo,
via-os apartarem-se tristemente. Na outra janella
oulra cabeza se Inclinava, a qual esconda debaixo
das ondas louras de seus cabellos as lagrimas que lhe
sallavam dos olhos. A condessa vio-a, chegoa-se 1
ella e exclamou apertando-a sobre o coraeflo.
Querida filha!
Depois admrou-so de nao ver Alice junto da ir-
rua ; Berlha fez um gesto com a cabeza e moslroo-
lhe o ledo ; madama de Seneuil comprehendeu qoe
havia la ootra dor para ser consolada, e dirigio-se au
quarlo da moza.
Assim essa casa pouco antes lao alegre, urna pala-
vra bastara para mergulba-la na affllezao.
(Cmtinuar-tt-ha.)
A
Mi itii a r\r\


DIARIO DE PERNAMBUCO, SEGUNDA FIRA 4 DE OEZEMBRO DE 1854.
i
I
i
REVISTA DE LISBOA.
Os homenn de marmore.
Drama em 5 aclot.
Por Mondes Leal.
Para inventar upa idea cojo germen em nenhutna
parle te encontr, seria mistar inventar toda a hu-
manidae:Estas palavras de um celebre critico dis-
pensara-nos de reincidir as quesl5es occiosas, que
a apparicao deste drama teni naturalmente provoca-
do.
A literatura desde 1830, e milito antes ainda,
lornoa-se humanitaria, dedicoo-se a illustrir, as'
regies da imaginario, os conflictos, e os problemas
da sociedade. A exagerado deala leHdencia leva-nos
da Angela de Domaiao Trapeiro de Paria de Felya
Pyat : e do Jacquet, Lilia de (eorge Sand ao .///-
deu Errante e Myslerios de Paris de Eugenio Sue.
Sallo mortal, que poderia por ventura despenhar a
poesa na abslrusa larefa de crear urna philosophia
poltica, nos captulos de nm romance, ou as scenas
de um drama, tornando a arte serva dos systmas
mais ou metros aventurosos, que agitara o espirito
das modernis geraes.
Negar a aeco reciproca da litteratnra sobre a so-
ciedade, e da sociedade sobre a lilteratura repu-
diar os sfrvicos que a poesa lem Icilo civilisarAo,
naiua livre e rasgada esphera seria um absurdo im-
perdoavel : tornar o thealro e o romance echo abso-
luto das opioies phlosopliicas ou polticas, arren-
dar os dominios da imaginario aos devaneins da me-
laphica seria confundir expressaraenle faculdades
distinetas, expor o culto do bello i Irais deploravel
prostituido, e mais completa decadencia.
Neasas perteneces exclusivas.a lilteratura nAo obe-
dece senao s mximas torpemente utilitarias, que
dorainam o secuto- Querem dcsmerilir, forja de
tentativas engenhosas, o que'esl-ce ^ue'cel'prouve,
pue escapou a La place depois da representaran de
urna tragedia.
Protestamos, em nome da critica, contra a mana
dogmtica e didctica a que tentar submeller a ar-
le. Ella he por si mesma urna forma indepeudenle e
completa, que poda de cerlo assirailar os elementos
da historia,.da philosophia, o da iciencia ssoas
operardes, sem se tornar o relleno submisso de ideas
eslranhai, renegando os allribulos que fundamen-
tan) a soa acfo nos dominios do pensamento.
O drama Os Homens fe Marmore, podemos alibi-
lamente affirma-lo, he. una obra verdaderamente
Iliteraria, e propondo-a a Ilustrar urna Ihese philo-
phca, conserva-se dentro dos limites, que separan)
3
D. I.uiz Coulnho he o mundo sem as suas.infa-
mias, mas he a sociedade com lodos os seus precon-
ceitos. Mas os brios do carcter sao lio inspiradores
s vezes como as luzes do entendimenlo. A mao que
cscrcvc com orgulho o nome herdado dos seus avs,
auoncoa sem hesitar o artista humilde que se ele-
voa a si pelos esplendores do talento, e pelas excel-
lcncias do coraran.
Urna obra da valia dos Homens de Marmore me-
rece qne expon liamos sem resliicccs o nosso pen-
samento. Ha muito espirito, ha urna grande elo-
quenria de corar lo, e urna extrema simplicidade de
eslylo uos dous primeiros icios: ha cuaisaccao, ha
mais vida nos tres ltimos, mas ningnem dir que
conserva) o mesmo vigor de inspirarlo. Para os es-
pirites delicados e artistas, a nossa observara nao
poilera ser aecusada de rigorosa.
Os caracteres sustentar se do principio ao lint
com igualdadc. Bastara esta crcumslancia, inde-
pendenle da poesia do eslylo, e da ualuralidade e fi-
nura do dialogo, para conceder ao drama um lugar
eminente cnlre as obras do distinelo poela.
Fomos sobrios de epillietos laudotaros nesla ana-
lyse. Para om dos primeiros tlenlos Iliterarios da
nossa trra, seriara pueris as alabanzas cum que os
homens de Ultras se saudavam nns aosoutros no se-
cuto dos Guillen de Castro, dos Argensolas, dos Cer-
vantes, e Calderons. As repulacoes feitas disculem-
se, e aconselham-se. Lopes de Mendonra.
(Recolucao de Setembro.)
VARIEDADES.
PHENOMENO GEOLGICO.
Osjornaes de Chrisliania dizem que no dia 17
de setembro occorrera em Kongsvinger, na provin-
cia de Aekersliaus ("Noruega) um phenomeno ,dos
mais extraur i i nanos; uma-caiia escripia logo depois
da calastrophe d os seguintes promenores :
a Quarla-feira passada, entre as 5 e as fi hora da
tarde os habitantes da nossa cidade e dos arredores
farra sorprendidos por um grande estampido, mais
forte que o mais violento ribombo do trovSo, e es-
pecialmente mais duradonro,. porque durou conti-
nuadameule e com igual intensidade mais de doze
minutos, cessando repentinamente. Ao principio
julgou-se que era um tremor de Ierra, porm era
impossivel mesmo empregando a maior alinelo per-
ceber o, menor abato. Os habitantes aterrados, cor-
reram as igrejas, e encoulrando-as fechadas, posla-
ram-se invocanrJn a clemencia celeste, porque mui-
tas pessoas pensavam que o mundo a acabar.
a Passadas tres horas (luante as qoaes todos esti-
verara como que supensos, sem alinarcm cora a
causa de lao extraordinario phenomeno, soube-se
que no districto de Arnaes um terreno de nmas 75
a arte dasoulras formas,em que se,vasa o espirito da. geiras, repentinamente abatera 122 metros. Este

invesligarao e da analise.
Doe-nos o corajao quando um eminente poela,
como de cerlo he o Sr^. Mendes Laal.se empenhi era
produrir sem conceptrar as suas faculdades, sem a-
madorecer um assrmpto as vigilias da meditadlo :
e Uso que mais ce urna vez lhe acontece, nos obriga
com maior raijo e felicita-lo, e a applaud-lo
agora. /
Raros artistas/ ha na nossa poca, que mais labo-
riosamente sapenham dedicado a enriquecer a sna
propria vocato0. o drama, a comedia, a Iragedia,
a poesia IVrica, o romance, a critica Iliteraria, o to-
Ihetim,fno seu aspecto ligeiro aventures, a ludo
14 Jr*gado o nome do aqlor dos Dous Renegados.
i todos os gneros, a que lera votado i sua penua
jtocuuda, se condece a influencia dastoias superiores
qualidades de artista, e da sua trdente inspirar-ao de
poeta : mas haver alguem que negu que os rasgos
do talento, que os improvisos da imaginar nao sal-
vam-muitas vezes as conceptes, que o estudo ea
reflexao abandonaram aos caprichos ura Irabalho d-
masiadamenle rpido e sobre-posse ?
A musa, ainda para as mais fogosas organisar-es,
nlohenem pode ser umam aitresse, que se cnlre-
gne fcil e incessantemenle aos desejos sensuaes do
poela : urna deosa orgathosa e fera mesmo quan-
do se abandona i ador.ic.3o enthusiaslica, e aos ei-
tasis apaixonados de quem a invoca, nos detirios do
pensamento.
Fcil he explicar a sincera admirara com que foi
acolhido o novo drama do Sr. Mendes Loa!. Era
urna obra concebida eom amor, escripia com atticis-
mo e cuidado, em que resplandeca a elegancia, do
seu eslylo, o vico de sua potica imaginado, Sau-
daram-na menos como documento de urna vocaeo
j. inconlesiavel, e de um nome j'sobejamenle Ilus-
tre as Ultras, do que como nm mimoso producto,
que vinha enriquecer a arte moderna porlugueza.
Nao tentamos aproximar dos Hommt de Marmore
a recordarlo das filies de Aforara e da Dame au.r
Camelias, a qae he muito superior pela concepto,
e peto eslylo, mas a idea capital fljia o drama a essa
escola, que tenia apropriar a nua realidade da vida
humana aos assumptos dramalicos.
O drama Os Homens de Marmore conserva pri-
morosamente, e he esta a principal circumstancia
que o classiflca como urna elevada conceprao poti-
ca, o elemento ideal que deve distinguir todo o es-
forz litterarlo. Os personagens sao crcaturas hu-
manas qne se ngitam nos limites de urna acc,3o cal-
culada, e nao typos que obedcoam cegamente as in-
tenses de nm problema humanitario. Insistimos
em fazer sobresahir este pensamento, porque enten-
demos que as invencoes scenicas vvem sobre Indo
da individualidade, e que s formulas histricas or
philosophicas he que cumpre absorverem o homem
na idea.
De oulro modo, aproximar-nos-hia infanticia da
arte, a esses lempos em qne Lope de Rueda e o in-
mortal Cervantes, era que os illnslres Lope de Vega
e Caldern mais tarde, faziam entrar a verdade, a
razio, a lealdade, a memoria, o apetite como acto-
res obrigados das suas composiros dramticas.
O poeta tornon-se implcitamente advogado da
cansa das mulheres : vai proclamar ao mundo que
essa corrupto a que ellas suecumbem, que esses des-
varios tremendos qne as arremessam na vereda do
crime e da infamia, nada he obra dellas, existe cre-
ado pelo homem, e que aonde nos jalgivamos en-
contrar o algo/ das nossas illuses apenas achamos
as vctimas da nossa perfidia.
He a mao du homem que primeiro arranca da
tronle pnra da mulher as virginaes aspirarnos do af-
fecto : e quando ella, ou por um contrato legal, ou
por urna ahjeccao descarada, se vende aos gozos e
delicias da vida, he qae haviam calcado a poesia dos
seas sentiraeolos, e a tinham Uito descrer de ludo
o que lhe exallava a imaginado, e os sentidos.
Deuaixo deste ponto de vista, Beatriz consubstan-
cia o destino dessas mulheres que se.entregan)
paixao, sem reserva e sem commedimento: he da
rara daquellas que amam enrgica e corajosamente,
que preferan o escndalo ao marlyrio, e que dedi-
cara ao 1 omem que seu corarao esrolheu, todas as
forras da sua al na, e todas as faculdades do seu es-
pirito. E Kstevao de Moura he o homem de marpio-
re, que estecuia cora os seolimentos affectuosos, co-
mo u agiota, o usurario com as necessidades, e as
paixoes dos homens. Vemos fsce a face a mulher,
que anreia viver as regioes ideaes da paiao, com
o homem sceptico o materialista, qde existe apenas
ahsorvido nos clculos da vida positiva ; he a flor
que je espaneja radiante, que trame e descora, quan-
, do o siroeco se annuncia nos exiremos do horisonle.
Depois ha o usurario e o ministro ; o tomem de
marmore pela avareza, e o homem de marmore pela
ambicio. He a sociedade moderna na sua cxpres-An
odiosa, vista na soa superficie hedionda. He a pai-
xao sdenla sem ideal, sem principios, sem Dos, e
sem crenen. He o grito dessa sociedade na agona,
qae depois de haver negado a immortalidade, e
cuspido na virlude, se abale as illuses. que tam-
ben) o sao, de um vicio sem poesia e sem grandeza.
Usurario, julgas ser mais feliz amonloando o ou-
ro custa das lagrimas : ministro, peajsas ser mais
, omnipotente, abusando da tua forra para salisfaze-
res os devaneios do tea orgulho 1
InlerrogarOes pungentes, que apenas teslcmu-
nham a vadade dos juizos humanos. Venturosos sao
talvez os que podem cevar os desejos e contentar a
paixao na realidade prosaica da vida, os que se nao
sentetn devorados pelas ancias do infinito, e pelas
aspirarles do dal!
Nao he natural enlAo que a mulher se corrompa
nesla almosphera impregnada de mximas infames,
em que at mesmo expira o callo da dignidade hu-
mana ?
Almas ha que resisten) a lio doras provas. Fer-
nando e Ignez vivem na eonlemplacao da arte, ex-
tostam-se perarite as magnificencias da nalureza.
SSo elles que nem vem os homens desertando os
lemptos, e as escolas, a religto e a sciencia, nem
eomprehendera qne o, mundo chamar aos seas so-
nhos, eos suas edperancas loucos e ridiculos delirios.
Oropo anglico, qae ido conhece o mal senao para
se compadecer de quem o pratica, qoe na alteza das
suas aspirares ignora os baixos incentivos, que rao-
retn emton de si os homens, e os aeootecimentos.
terreno coostava na maior parle de prados artiti-
ciaes. Felizmente, na occasiao da calastrophe nao
se achava no local em que occorreu pessoa alguma
nem nenhum animal,
a Nunca na Moruega, onde entretanto he vulgar
0 desabamenlo de Ierras, se vio um phenomeno des-
la nalureza em laa larga extensa" de terreno. O es-
tampido d'aquelle a que nos referimos, ouvio-se na
distancia de i) inilhas. Em diversos pontos do ter-
reno abatido appareceram nascenlesd'agua.arremes-
sandn-a at altura de 4 a 6 ps.
a Durante a calastrophe, nem a temperatura alh-
mospherica, nem o lempo, que eslava sereno e cla-
ro, presentaran) allerariio alsuma.
AIMPRENSA NA TURQUA.
Em 1726, Achmet III protector esclarecido
das Ultras, ordenou que se cstabelecessem im-
prensas na Turqua. Desde o secuto XVI, o
judeus e os armenios possuiam o exclusivo da
imprensa, lendo publicado obras religiosas. AchmeU
para Jisongcar o ulema, nao perrailtio que o
alcorao fosse impresso. nem as IradicOes, nem as
obras cannicas e jurdicas, bem como os seus com-
menlarios. O fundamento desla medida era o re-
crio de que os livros sagrados fostem falsificados.
Por edito imperial, dous directores foram borneados
e pozeram-se sua disposirao os neeessarios fundos.
Ambos tinham ordenado, e o ministro e o gra-visir
protegiam-osmui parlicularmente. Qhatro juizes,
dos mais respeilaveis, estavam encarregados da cen-
sara, e o sultn Achmel, que sobreviven apenas Ires
annosa esta instiluicao, muitas vezes vsilava ani-
mando mui particularmente os directores o os lypo-
graphos allemes. Mohammcd primeiro seguio o
exemplo de Achmel. Todava apezar do zelo dos
dous directores e do subsidio imperial, a imprensa
nao progredia.
A difliculdade de encontrar compositores inlelli-
gentes e a falta de lypos que eram fnndillos em Ve-
neza, eram taes, que em 1743, isto he, 17 annos de-
pois, apenas se haviam imprimido 17 obras. Em
1747, depois da morte do inspector Kadi Ibrahim,
fecliou-se a imprensa, e s tornou a. abrir-se em
1755. Desde esta poca at 1781 nadare imprimi.
Foi enl.io qne o sulla Abdul-Hamd mandou res-
tabelecer em ponto grande a ofllcina typozraphica.
Todava, desde 1784 at 1828 apenas se" publicaran)
80 obras, constando de 91 voluntes. US 1830 al
18*2, conforme o catalogo de Mr. Blaclii, imprimi-
ram-se 108 volumes. Desde 1842 o numero das
obras impressasaugmentou consideravelmente. Es-
labeleceram-se ltimamente novas impreusas em
Couslantioopla e as principaes ciades do imperio.
{Imprenta e Lei.)
PARTICULARIDADES ESTRATGICAS SO-
BRE O ATAQUE DE UMA PRACA-
1 Urna prar-a forte em gem, assim como urna ci-
dadella, s compe de muitas parles hem dislinclas
de um corpo de praca propriamenle dlo, islo he,
de um recinto bastionado, aprescnlando mais ou
menos face, e obras avanzadas, destinadas a prote-
ger o corpo da praca, e a interceptar a vista aos
golpes do taimgo ; estas obras, chamadas exterio-
res, obrigando os sitiantes a urna serie de ataques,
para se apossar e eslabelecer-se nellas, multi-
plicamos seus trabalhos, torna m as perdas mais con-
siderareis, e o que deve ser o fim principal, demo-
rara muitas vezes, por longo tempo, a tomada da
praca. A primeira destas obras exteriores he o fus-
so, cujas dimencoes sao calculadas de modo que a
escavacao tornera as trras necessarias para a for-
mico da trincheira e do parapeilo que o re-
mala. Quando os fossos do urna [iraca eslao chc-
os, d'gua, augraenUra-se-lhe naturalmente as van-
lageos sob a rolara da defeza.
Depois vem tenalha, especie de pequeo Irabalho
collocado adianto da cortina ( a cortina he urna
parle em linha recia que une os bastioes dous a
dous), cujo fim he proteger as porlinholas por on-
de a pra^a commnica com o fosso, e defender as
tropas que se juntara neste fosso.
Adiante da tenalha se eslende a meto la, obra
que flanquea com'o seu fogo os basles collate-
raes ; defensores communicam do corpo da praca
para a tenalha pela porlinhola, da tenalha para a
meia-lua por um eslreilo desfiladeiro, eoberto a di-
reila e a esquerda por um parapeito ; em fim, to-
das estas obras exteriores sao ligadas entre si por
urna expecie de novo circuito chamado camtnAo eo-
berto, que envolve todas as obras, e oceulta pela
sua altura, ao inimigo collocado no campo, a vista
das obras da praca. Este caminho eoberto nao he
mais que um enlrincheiramento de area ; comple-
se de urna parte plana contigua a linha exterior do
fosso da praja, bstanle largo para que o sitiado pos-
sa nelle manobrar com facilidade ; depois de um
declino fcil qoe va n'uma banqueta, ou nova par-
le plana que he oceupada petos defensores do ca-
minho coberlo, protegidos adianto por um moniao
de Ierra, o qual conslitue com a banqueta e o seu
talude, o qua>se chama parapeito; e que os cobre
quasi intoiramente. Esta massa que cobre Um pelo
lado do campo, umt ruclnac.So fcil a que se cha-
ma esplanada. Estabetocidos estes primeiros da-
dos, sera mais fcil compr.ehcnder os trabalhos do
sitiante para chegar ao peda brecha,ou rombo,
praticado pelo canhao nos maros do corpo da praca,
eque deve dar passagem as columnas de alaque.
As operaroes de um assedio se podem dividir em
qualro parles : o accommellmento, qne toma o no-
me de bloqueio desde que o assedio Um por objec-
1 inlerromper as coimnuniraro* da prara como
exterior. He executado por um corpo de tropas cu-
ja forra depende dos recursos que a guarnir pode
oppor, e da visnhanra e da composieao do exerc-
to, que provavelmenlc lenlar sustentar esla guar-
nicaot Este accommeltimento deve chegar o mais
perto possvel da praca. 0 esUbelccimento dos
acampamentos he a secunda operarn ; o plano he
ordinariamente trabado de anlemao no estadoma-
or-general, e as tropas sao dirigidas para os pontos
que lhe s*#deslinadus. Se exislem aldeas ao al-'
canee, nellas se aqaartelam os soldados.
O reconheciraenlo consisto em um plano da pra-
a e seus arredores, sobre o qual se eslabelecem as
medidas e os meios de alaque. Durante o reconhe-
ciraenlo chegam ao parque de sitio as munices e
provises, e se conclue a construcrao das fachinas e
gabioes to neeessarios ao ataque. Depois determi-
na-se com cuidado a face pela qual se ha de ata-
car a praca; em geral escolhe-se naturalmente pelo
menos a mais iraca. He islo que Uero executado
felie e hbilmente os coraraandanUs do exercto que
se acha era frente de Sebastopol. Mas trabalhos de
intrincheirainenlo e de defeza podem ter sido esla-
belecidos pelos Russos dlanle da praca afim de de-
morar as nossas tropas. Ha nestas especies de dra-
mas ura indcente que nem sempre se pode evitar,
e do qual cumpre dar conta.
Escollada a face de ataque, delermina-se primei-
ro que ludo os lugares dos depsitos de trincheiras
armazens un de eslao amonloados os meios de alaque
neeessarios engenharia, com preferencia sao collo-
cados as aldeias ou em quebradas; depois se ex-
peli os postos exteriores do inimigo, eso o obriga a
tornar a entrar na praca; a sua presenca embara-
caria os trabalhos. Tudo islo sAo preparatorios, e se
faz em muilo pouco lempo, islo he, no dia seguate
i chegada das tropas, so podem comecar os traba-
lhos do assedio propriamenle ditos.
Os engenheiros delerminam por meios, que tora
saperfluo indicar, a direcrao dos capitales, isto he,
das Iinhas que dividem em duas parles iguaes os n-
gulos salientes da frlilicaro, direcrao indispensa-
vel, depois daquella da ultima parallcla, tracada em
a noitc segunte.
Chegamos interamente aos trabados do alaque;
desde este momento, veremos todos os das e todas
as noites avancarem rpidamente 'o's sitiantes sobre
a praca.
\ atiban he o inventor desle syslema de parallc-
la, ou grandes entrincheiramentos circulares, paral-
lelos s obras da praca, que se cavam no soto, e es-
tabellecidas em zig-zag na direcrao das capitales,
afim de que se achem o menos possivcl ao alcance
du fogo dos sitiados, e eslejam sempre cobertas, in-
do dar na praca. As paiallelas Um igualmente por
objecto proteger o Irabalho das marchas em Zig-
zag contra as sortijas da praca. As parallelas, em
numero de 3, abraram a face que se ataca, e as
faces collacleraes. A primeira parallcla, cuja drec-
Clo ha sido previamente graduada petos engenhei-
ros he cavada na primeira noite do assedio propria-
menle dito. He islo o que se chama akrir a trin-
cheira V-se fcilmente raza que determina qae
seexecute noitc este Irabalho; de dia, os trabaja-
dores inteiramentc descoberlos estaran) debaixo do
fogo da praca, ao passo que no fita da primeira
noite, as trras que elles Um cavado toncadas adi-
ante de si formara um parapeilo que os cobre sulli-
cientemenle. Esta parallela ordinariamente se es-
(abelece na distancia de 600 metros da praca; algu-
mas vezes mais perto: serve entao de segunda pa-
ralela, e he tracada na sapo volante, isto he cada
trabalhador lem por larefa encher o gabiao que elle
trouxe e que o oflicial ha collocado diante delle na
direccao dada previamente na direccao da parallela,
; um gabiao he um cylindro de sebe de ura metro
de altura. ) Urna serie nao interrompida desles ga-
bies, enllocados unidos e cheios de Ierra, forma o
parapeilo ou massa que cobre a segunda parallela;
o da primeira parallela s he formado de Ierra.
Os trabalhadores sao sapadores do corpo de en-
genheiros e soldados de infanlaria, designados alter-
nadamente pelo major da trincheira, um offlcial su-
perior, encarroado de vigiar os guardas e os servi-
;os. Sao defendidos das sorprezas pelo que se cha-
ma tropas de prolecrSo, cuja torca nao pode ser me-
nor que melade da guarnir. Dizem que Sebas-
topol Um 34.000 homens de guarnirn; ser neces-
tarios para este misler 17 a 18,000 homens. Estas
tropas de proteccao sao conduzidos para a frente da
parallela pelos olftciaes de engenheiro; destacam
piquetes e sentnellas \ aneadas, e' devem repellir
as sorlidas que o inimigo possa tentar para inquie-
tar os trabalhadores; assim a primeira he qua-
si concluida na primeira nnile; novos trabalhadores
completom-na e aperfeicoam-na de dia.
A' noite sao cobertos os caminhos em Zig-Zag de
queja temos fallado, e que devem conduzir em se-
guranza os sitiantes alea segunda parallela, esUbc-
lecida a tres metros de distancia da primeira, avan-
cando para a praca. Durante a execurao da pri-
meira parallela, a arlhilaria a 60 ou 80 metros adi-
ante desla parallela o lugar das bateras de pecas,
morleiros, e obozes destinados a apagar o fogo da
praca, que obra sobre a marcha dos ataques.
Desla serle nos temos aproximado 300 metros da
praca. Emprehcnde-se entao a segunda parallela
como lemos dito i sapa volante, Ordinariamen-
le he na quarla noite que se comeca este Ira-
balho. Duranle este tempo a arlhilaria transporta
as suas pecas para as bateras da primeira paralle-
la. Ordinariamente o fugo da arlhilaria s come-
no uuinlo dia.
Novas cummunicarcs em Zig-Zag, executadas com
vigor de da c de noitc, conduzcm o sitiaulc ao pe
das explanadas, onde se eslabeleceu a terceira pa-
rallela. Km.i encela-se a construcrao de novas Ba-
teras. Aqu .o Irabalho se torna mais diflicil,
e posto que o fogo das bateras proteja os defenso-
res, desla sorto aproximados da praca, comludo sof-
frem o fogo que muitas vezes os obriga a trabalhar
a plena sapa, e sobretudo nos caminhos que devem
conduzir o sitiante ao cumulo do caminho eoberto.
A sapa plena se execula com patrulhasde sapadores
armados de rour.ica. Cada palrulha he composta
de qualro homens que dirigen) alternativamente a
parle principal da obra.
Os sapadores Irabalham de joefhos, e se cobrem
medida que v3o cavando para diante pur meto
de um gabiao forrado de la, que elles puxam a
medida que avauram, com um gancho inserido em
um cabo comprdo. Esle gabiao he npenetravel
s balas ; cobrem-se de lado com as trras de exca-
varles ; este Irabalho suppOe que a arlhila'ria das
bateras Um apagado quasi o fogo da praca, e qu
s resta o fogo de mosquetaria; sem isto seria muito
perigoso e nao poderia ser praticado de dia.
Resta agora que ositiante se enlloque sobre o cu-
mulo do caminho eoberto, isto he, em termos le-
chnicos, faca coroamenlo ; islo se pode pralicar de
duas maneiras, ou de urna vez, ou pouco e pouco.
Novas bateras de raorteros, de obuzes, Um sido
estabelecidas diante da terceira parallela ; he de-
baixo desla proteccao que elle sabe desta parallela a
sapa plena para se amparar docaminho coberlo.
O alaque gradual he prcferivel e consisto em che-
gar a sapa plena desde a terceira parallela al o
cumulo do caminho coberlo. Dura cinco a seis das,
Banqueta' ou degros"de transporto sao entao cons-
truidos para descer ao caminho coberlo de que he
noces-ario expellir o inimigo. Ahi d-se urna ha'
lalha sangrenta em geral, mas na qual a victoria
pertence quasi sempre ao sitiante. As trepas urna vez
senhoras do caminho coberlo ahi permanecem urna
hora pouco mais ou menos, durante a qual se faz o
coroamento propriamenle dito do caminho coberlo,
depois do que reliram-se para traz e entao. trata-sc
do estabelecimento de bateras destinadas a fazer a
brecha, e das contra baleras que acabara de apa-
gar ao mesmo tempo o fogo da praca.
Ao passo que as bateras c as contra-baleras
obrara contra as defezas, Irabalha-se na desrula do
fosso, que algumas vezes se faz desabrigadamente.
Esta descida consiste em urna galera, que parle de
um cerlo ponto da explanada e por declive fcil
vai desembocar no fundo do fosso, defronle da bale-
lia da brecha por onde se quer subir ao assallo
quando o fosso esl cheio da agua, a descida vai dar
ao nivel da agua, e ncsle caso trala-se de encher o
fosso com muitos xaues de area e de fachinas, espe-
cies de fcixes de lenha.
Como os sitiados laucan) nos trabalhos granadas,
pedras e artillen-, he necessario cobrir com taboas
as parles da descida que se acham desabrigadas.
Para este fim, enclie-se a galera de barro, e de va-
rias carnadas de fachinas que sao snslenlades por la-
boas.
As baleras e as contra-baleras nao Um cessado
de fazer fogo ; as primeira- lem pralicadn urna bre-
cha conveniente para um assallo. Qucr um fosso se-
ja seco, ou seja cheio d'agua, temos visto o mcio
de chegar ao p desla brecha. Entao pde-se dizer
que a praca nao pude tardar a render-se ; nao se
deve crer qne haja para ella necessidado de faze-
lo, por que em verdade este be o nico instante em
que seja possivel ao sitiado oppor ao inimigo forras
superiores ; porque este ultimo tem difliculdade de
da da praca sillada sera demorada, a humanidade se
aruigir,porque liavera mais sangue derramado ; mas
por ser adiada, nem por isso a victoria ser me-
nos cerla.
(.'. IIfiliarJ.
(Journal du Havre.
L-se no jornal de l.oiret de 21:
(( A tomada de Sebastopol he a cousa que preoc-
cupa a toda a gente hoje. A impaciencia publica he
extrema. Nao basta ter jomaos, vapor, eleclricida-
de, mesas dansantes, despachos de Trtaros. Estes
meios de communicaro sao julgdos mu lentos.
Al se recorre ao somnambulismo. Com e(Tei[o,assc-
veram-nos que urna experiencia desta especie acaba
de ter lugar em Orleans. Urna soinnarabulajfoi con-
sultada, c em virtude do fluido, ella pude ver as o-
peracoes do assedio, c narrar as respectivas particu-
laridades. A somnmbula assislio ao bombardeamen-
to, ao incendio da cidade, ao assallo das nossas tro-
pas, e finalmente a tomada de Sebastopol. Foi aos
20 de ontubro, e nao mais (arde que a praca se ren-
den, depois de cinco das de canbonadas.
a Nao s se falla n'um qaarleirAo da cidade, nesla
grande nolicia, que excede a do Trtaro. Os inicia-
dos at chegam a dizer em segredo que no campo de
batalha se euconlrou urna mexa de cabellos do prin-
cipe Menschikoff, (osquaes dizem que o principe ar-
ranean n'um accesso de desesperoj que servirn) de
intermediario enlre Sebastopol e a sonmbula. Mas
que Iriumpho para a sciencia de Mcssmer se a som-
nmbula liver dito a verdade!
(Journal du lacre.)
COMMERCIO
PRACA DO RECIFE 2 DE DEZEMBRO, AS 3
HORAS DA TARDE.
Revista semanal.
Cambios------------Sobre Iuglaterra a 27 3|4 d. por
19, c ha poucos saccadores, c so-
bre o Rio de Janeiro de 1 } a 2
por cento de rebate.
Assucar- Venderam-se varias partidas do
mascavado bom a 13550 por"arro-
ba, e a entrada por Ierra, foi regu-
lar.eescassa pormar.emconsequen-
cja dos venias nordestes. Os pro-
co- na Euroda melhoraram um
pouco, mas nao tanto que se pos-
sam-sustentar os que se peilem
nesla praca.
Algodio Entrara) 876 saceos, e vendeu-se
de 58100 a 50800 por arroba. Os
procos da Europa foram menos fa-
voraveis.
Couros Venderam-se de 150 a 155 rs. por
libra.
Bacalho----------Tivemos dous carregamcnlos, dos
qoaes um seguio para o sul, e o
oulro consta fura vendido a 148
por barrica : Um tido muila -an-
da era consequencia da falta de
carne secca.
Carne-secca- Continuou a vender-se de 58100 a
50600 por arroba, c s ha no mer-
cado 2,600 arrobas, islo peto subi-
do preco.
Farinha de Irigo- Vendeu-se a 303 por barrica de
SSSF, de 248 a 258 la de Balli-
more, de 268 a 270 da de IIeli-
mo.!, e de 253 a 263500 da de
Philadelphia; ha no mercado
4,700 barricas, sendo 200 da pri-
meira, 100 da segunda, 1,000 da
terceira, e finalmente 3,400 da ul-
tima, caso nao siga para o sul urrt
carregamento que esl em ser.
Descont----------.Rebaleram-se letras de.a 6a 9 por
cento ao anno.
Fretes ----- Eflectuau-se um frea raen lo a 67
6, para o Canal carregando as-
sucar na Parahiba efn poneos dias.
Ficaram no porto 76 embarcaces: sendo, 4 ame-
ricanas, 31 brasileiras, 1 dinamarqueza, 5 franeczas,
4 Jiamburguezas, 4 hespanholas, 17 inglezas, 8 por-
tuguezas, 1 prussiaua e f sarda.
REVISTA COMMERCIAL DOS PRINCIPAES
MERCADOS DA EUROPA.
Hamburgo 4 de notembro.
Caf.As vendas nao foram extraordinarias, te-
riam sido mais consideraveis, se a preferencia dada
pelo mercado as qual ida.les mais procuradas ido fos-
so tao limitada. O colorado foi muilo procurado ;
infelizmente faltava venda lotes da cor pedida.
Vendas: 13 saceos do Brasil de4aol|8xel. 600
de S. Domingos de i 7(16 a 4 3i4. ,300 de Guayra de
4 7|8 a 6 xel.
Assucar.A animarlo que linhamos observado
precedentemente, nao se conservou ; pelo contrario
o mercado esleve pouco animado. Venderam-se ape-
nas 1,500caixasde Havaun a precos constantes; mais
para entregar : 4,000 saceos Mantilla, Mauricin e
Pernambuco com pequea haixa; cila-se havana mas-
cavado 13 a 14 3|8, someno 14 :>| a 16 I vi, someoo
fino 16 3|4 a 18, blanco 17 a 21 3|4, branco lino, fal-
ta. Babia mascavado 13 7|8 a 14 3(8, branco 14 3|4
a 17. Java de 13 a 14 3|i.
Couros.Pouca animaran. Vendas : 5,000 do Rio
Grande salgados verdes.
Arroz.Por causa de noticias lavoraveis de quasi
todos os mercados, os precos soffreram urna alta de 4
a 8 xel., e ainda assim ha urna grande procura. Teta-
se vendido grandes quantidades particularmente da
India.
Cacao.Venderam-se 500 fardos do Par a 2 15|16
xel. e ha pequeo abaslecimento. Os precos em ge-
ral se conservara firmes ; cilam-se de Caracas 7 a 9
1|2 ; Trindade 3 7|8 a 4 ; Guayaquil 3:1|2 a 3 3|4 ;
Maranhao e Para 3 1|8 a 4 Ii4; S. Domingos 2 5[8 a
2 :| i ; Bahia 2 7[8 a 3 xel.
Amslerdam.
Caf.Nao ha mudanra no mercado ; as vendas
limilam-se as precises diarias do consumo. O de
Java bom ordinario nao se pode obter por menos de
28 1|2 cent. Ha pouca procura com os precos ac-
tuaes. ^ Ainda nada se vendeu de Padang ultima-
mente importado. A sociedade commercial dos Pai-
zes-Baixos nao apresentou ao mercado, o que ella
tem recebido de Ceylao. Do Brasil nada.
Espera-se mais animaran no mez de noverabro,
porque o Hheno, que eslava muilo baixo e nao pro-
media que se flzesscm rcmessas, tornou-se ltima-
mente navegavel.
Assucar.A tendencia para a alia manifestada pre-
cedentemente nao levo consequeneias, c as trausa-
coes sao at quasi insignificantes, excepto as quali-
da le- interamente inferiores, que sao procuradas
para a disiillarao. depois que a Franca est aborta a
imporiara dos alcool e aguardeutesestrangeiras. Na
sabida do paquete tinha havido boa procura de todas
as qualidades mediante a coucesso de 1 florim da par-
le dos delentores.
Couros.Ha Talla do io Rda Prala.e as vendas sao
pouco importantes.
Arroz.Depois de urna grande proeura.sobreludo
para a exporlarao, o arroz desceu c ltimamente ven-
deram-se alguna toles por precos baixos.
Antuerpia 6 de notembro.
Caf. O mercado conserva-se em boa pnsirao.
procura-se especialmente de S. Domingos, donde
9,000 fardos acharara 30 1|2 a 31 cent. O Brasil ven-
deu 4,500 por bons precos. Receheram-se 2,912 sac-
eos pelo Armand-Leon e 4,630 pelo Progrs, vindos
do Rio de Janeiro. No 1" de novembro havia 74,600
fardos contra 66,000 em 1853. Nesles 74,600 o Bra-
sil conta 20,500 ; em 1853 o Brasil linha a mesma
cifra. Vendas sem variara.
Assucar.O mercado continua firme e a tenden-
cia he favoravel a esle genero. Enlre as vendas, que
principalmente se lizeram das diversas qualidades da
Havana e de Trindade, nota-se 2,200 saceos de Per-
nambuco, vendidos a 12 1|2 II. ;pavilho belga! e so-
meno de Havana n. 10 a 16 ( pavillio nacional) de
13 1|4a 15 3|i fi.
Couros. O mez de oulubro nao trouxe grandes
inleresses aos couros ; as vendas foram muilo regu-
lares e feilas em pequeas partidas. A principal
procura foi de couros de boi 12|I8 kil. que nao ha
no mercado. Os cotilos leves secundarios sao pouco
procurados, e Ura lid pouca ou neiihuma venda.
Vendas: limilaram-sc a alguns militares do Prata
exclusivamente. Exislem 39,000 salgados do Prala ;
215 seceos e 9,183 salgados do Rio e do Rio Grande,
200 da Bahia seceos e 0,000 Chevanna.
Londres.
Caf.O mercado esl firme, ainda que sen) mui-
to movimeulo, porquanto as vendas limitaram-se a
5.000 saceos de Lev lio de illa 46,6 bom ordinario.
800 saceos do Rio de Janeiro venderam-se a 44 a
45.6 xel. Em ultimo lugar um carregamento do Rio
linha sido comprado a preco secreto. Exislem no Io
de novembro 193,278 quintaes ( dos qtines 122,79(1
sao das colonias inglezas ) conlra 313,329(208,511
das colonias ) qne exislam em 1853.
Assucar.(ramio procura ; as vendas obtiveram
nllii.inienio em favor de 0 dinheiros a 1 xel. ; a cs-
pcculacAri foi feila parlicularmente sobre as quali-
dades secundarias. Sem demorarmo-nos as parti-
cularidades das vendas feitas nos assucar vindo de
diversos lugares, citaremos do Brasil 10.000 saceos e
500 caixas vendidas d626,6 a 31,6 mascavado c so-
meno. e a 33,0 branco baixo. Em leilao, entre ou-
Iras, venderam-se 5,800 caixas de Havana branco, as
Os algodCes do Brasil Um provocado urna procu-
ra regular na paridade dos precos eslabelecidos ; em
urna venda geral de 95,000 saccas enlra.ram 1,001) de
Pernambuco (de 61|4 a 7 3|1)800da Baha'de 6 Ii4
a 6 3|8) 4,600 de Maranldo (dp 5 1|4 a 67(8.)
Existiam a 7 de novcmbro|70'j. i20saccas das quaes
45,000 sao do Brasil) contra 767,520 (das quaes
46,000 eram do Brasil.)
Havre 7 de novembro.
Caf.Nao houve grande aclividade. Os precos
todava ido variaram. Venderam-se mili; i\ cimen-
te 800 saceos do Rio de Janeiro nao lavado a 58
fr. e 50 cent, o kllog. (em deposito), em leilao nada
se vendeu do Brasil ; em deposito geral 1,457,397
kilog: formando 25,500 saceos, dos quaes 10,400 sao
do Rio de Janeiro.
Assucar. As transaccoes, depois de terem sido
fricas, animaram-se depois do decreto, que prohibi
a dislillaco dos graos. Esle decreto cora efleto, en-
tregando mais belerrabas di-l i liara, nao pode dei-
xar de ter urna feliz influencia sobre os assucares es-
trangeiros. Por esta razao venderam-se mais de
1,000 barr. das colonias francezas. Do Brasil
nada.
Couros.Ha calma, e nenhutna variara nos pre-
sos.
Cacao. Tem havido boa proenra, 412 saceos de
Caracas foram vendidos de 112a 120 fr. os 50 kil.
Venderam-se Umbem 100 saceos da Baha de 37 a
38 fr. Deposito 638,000 kil., dos qoaes 3,600 sac-
eos sao do Para. t
Marselha 5 de novembro.
Caf. Transaccoes muito activas com subida no-
lavel de precos em todas as qtlalidades. O do Bra-
sil sobretudo tivera urna grande parto as vendas.
Vonderam-so 3,000 saccos'do Ro a 62 fr. 560 a 64
francos, 800, qualdade superior, a 64 fr. e 30 cen.,
100 saceos, qualdade superior a 71 fr. os 50 kil.
exporlarao para o estrangeiro. Venderam-se alm
disto 3,174 saceos a 62 fr.e 1,000 saceos a 63 fran-
cos.
Dos oulros abastecimentos deste genero, notom-se
1,650 fardos de Santiago e 2,200 de Laguayra.
Assucar. -i- As transaccoes muito limitadas, estas
foram feitas no assucar das Antilhas e da Reuniao,
sem variaran de preco.
Couros.Todas as vendas foram feitas exclusiva-
mente das qualidades da frica edo Oriente.
Cacao.320 saceos de Cerapauo foram comprados
a 55 fr. os 50 kil.
Caf.O mercado tomou urna encllenle posrao
sem enneessao da parle dos delentores ; houve subi-
da de preco e nao obstante os compradores conti-
nan) a procurar este genero. As transaccoes le-
riam sido mais animadas, se o deposito fosse mais
consideravel. Um carregamento vindo do Rio de
Janeiro foi vendido debaixo de coberta a 32 fr. nao
lavado e a 36 fr. lavado.
Vendas. 500 saceos de Santiago de 41 a 43 fr ;
8.000 de San Domingos de 36 a 36 tf fr. ; 5,000 do
Rio de Janeiro de 32 a 35 % fr. ; 600 saceos nao
lavado a 37 fr., e 3,000 saceos ordinario do Rio a 32
fr. o quintal.
Assucar.Vendas muito animadas para as retina-
ras locaes. Enlre as vendas cilam-se 10,400 saceos
de Pernambuco, branco, de 17 a 17 l|4 fr. 3,000
caixas de Havana someno, de 16 a 17 fr. ; 100 cai-
xas, 400 barris e 3,000 saceos do Rio de Janeiro mas-
cavado, a 16 fr. e cerca de 2,000 caixas da Bahia
branco debaixo de coberta a 16 fr. o qninlal.
Couros.Os abastecimenlos sao limitados, e se es-
pera pouco fomecmenlo. Venderam-se 14,000 cou-
ros de cavallo seceos da America da 10 a 12" 'libras
a 36 lir.
Cacao. Precos firmes; deposito limitado ; 600
saceos do Para obtiveram 19 1|4 a 20 fr. o quin-
tal. '
RELACAO' das notas de 208000, 4. padrAo da nova estampa em papel branco, que pelos avisos de de 25
agosto prximo passado, e 17 do presente mez foram assignadas, e ora emillidas por esta reparlic.au
em sabstiluco das dilaceradas, seguida da de-rripcSo feila sobre aquellas raesmas notos, a saber:
________________________ NOTAS DE 208000.
SERIE.
QUANTIDADE
1OO0
1000
1000
1000
1000
500
500
500
1500
1000
1000
4000
1000
1000
1000
1000
7000
509
500
1000
1000
500
500
500
1000
500
500
500
1500
500
500
500
500
500
500
370O0
NUMERA CAO'.
t
1001
2001
3001
4001
5001
5501
6001
6501
8001
9001
10001
14001
1.5001
16001
17001
18001
25001
25501
26001
27001
28001
28501
29001
29501
31001
31.501
32001
32501
31001
34501
3.5001
:i550l
86001
36501
ASSIGNATAR10S.
1000 Jos Joaquim Ribeiro.
42000 Antonio Jos Marques de S.
3000 Agoslnbo Coelho de Almeda.
4000 Jos Procopio I'ereira Fontes.
5000 Francisco Jos Moreira de Carvalho.
5500 Eleuterio Jos de Souza Filho.
6000 I.uiz Alves Pereira.
6500 Joaquim Jos de Norouha.
8000 Luiz Alves Pereira.
9000 Joao Jos Teixeira.
10000 Miguel Cordeiro da Silva Torres Alvim.
lOOO Luiz Alves Pereira.
15000 Francisco Jos Moreira de Carvalho.
16000 Luiz Alves Pereira.
1700J Miguel Cordeiro da Silva Torres Alvim.
18000 Agoslinho Coelho de Almeida.
25000 Luiz Alves Pereira.
25500 Antonio Jos Marques de S.
26000 EUulerio Jos de Souza Filho.
27000 Francisca Jos Moreira de Carvalho*
28000 Jos Irocopio Pereira Fonles.
28500 Agoslinho Coelho de Almeida.
29000 Luiz Alves Pereira.
29500 EUulerio Jos de Souza Filho.
31000 Luiz Alves Pereira.
31500 Miguel Cordeiro da Silva Torres Alvim.
32000 Joao Jos Teixeira.
32500 Antonio Jos Marques de Sa.
34000 Luiz Alves Pereira.
34.500 Joaquim Jos de Noronha.
35000 Francisco Jos Moreira de Carvalho.
35500 EUulerio Jos de Souza Filho.
36000 Laiz Alves Pereira.
3000 Miguel Cordeiro da Silva Torres Alvim.
37000 Jos Procopio Pereira Fonles.
Notas.
OESCRIPCAO- DAS NOTAS CIMA. CUJA ESTAMPA DIFFERK DAS OLE ACTUALMEKTE
GYRAM NO DITO VALOR, 3. PADRAO.
O papel he branco. ea ola impressa com tinta prela, o emblema he um grupo de tres figuras, que
symbolisam a agricultura, abundancia e navegacao, as tarjas largas ao lado esquerdo, lem no ceir
a coroa Brasileira, e ao direito a medalha da Ordem do Cruzeiro, as stres sao designadas por Ultras al-
pbabelicas, pincipiando pela serie A, as quaes se vao emillir, os 20que se acham dentro de um
circulo nos qualro cantos, asscnlam sobreum fundo diflerentc das notas do 203000 rs. amarillas, qoe ac-,
bam em bicos, seado tambera difireme o fundo das tarjas.
O mais Irabalho he igual notos de 208 da 3." estampa.
Caixa da amortisacao 24 de oulubro'de 1854. O 1. escriplurario Joao Jote da Costa.
O inspector geral interino
Miguel Cordeiro da Silva Torres Alvim.
DECLARACOES.
MOVIMENTO DO PORTO.
Navios entrados'no dia 2.
Aracaty10 dias, hiato brasileiro Aurora, de 35 to-
neladas, mestre Antonio Manoel Alfonso, equipa-
gein 5, carga couros, sola e mais gneros; a Jos
Manoel Marlins. Passageros, Joao Anlunes da
Slveira, Traja Theodorairo de Souza.
Lisboa26 dias, barca porlugueza Gralidao, de
257 toneladas, capido Antonio Pereira Gomes Pes-
taa, equipagem 16, carga vinho e mais seeros ;
a Thomaz de Aqumo Fooseca & Filho. Passage-
ros, Manoel Jos Pacheco de Mello, sua senhora e
2 criados, D. Francisca Mara Rosa, 2 filnos e 1
neto, Antonio Rodrigues de Almeida e 1 criada,
D. Maria da Luz Adelaide Pereira e 1 criada,
Francisco Jos da Silva.
Marselha47 dias, barca franceza Palanquim, de
21! toneladas, capitao Palanque. equipaaem 10,
carga fazendas e mais gneros ; a Schramm Wli.i-
Uly & Companhia : com 9 passageros. Ficou de
. qaarentena por 5 dias.
Navios sahidos no mesmo dia.
BahiaHiale brasileiro Dous Amigos, rpita Joao
Rosario Vianna Dantas, carga azeite de carrapato
c mais gneros. Passageros, Francisco de Souza
l'arazoe 1 escravo, Franklin Americo de Mene-
is Doria e 1 escravo, Paulo Jos de Mello Rodri-
gues da Cosa e 1 escravo, Joao dos Santos Neves
Jnior, Saluslio Pereira da Molla. Antonio Jos
de Castro Lima e I escravo, Francisco Caetano de
Almeida Calvan e I escravo, Francisco Goncalves
Torres, Jos de Lima Nobre, Bernardo Jos Cor-
rea de Su. Anlono Vicente Garcez, iiernesto Gon-
calves Marlins, Joao dos Santos Saraiva.
Rio de JaneiroPatacho brasileiro Amizade Cons-
tante, capitao Joaquim Jos da Costa, carga assu-
car e mais gneros, Passageiro, Jos Joaquim dos
Reis.
EDITAES7
A quem lhe fallar urna roseta de ouro, de gos-
(o antgo, que foi apprehendida a Jacintho Eliodoro
de Azevedo, qne audava oltorecendo pelas tabernas,
por menos de seu valor, procure-a nesla subdelega-
ca, que. dando os signaes ccrlos, lhe ser entregue.
Subdelegacia.de S. Jos do Recito 29 de novembro
de 1854.O subdelegado snppUnle,
Manoel Ferreira Accioli.
Pela delegada desle primeiro districto do Re-
cito foram apprehendidos varios objerlos de ouro e
prata, como bem relogios de algibeira e de cima de
banca, imageos, camisas, rlleles de varias cores, cal-
cas, casacas e sobre-casacas e palitos, obras estas no-
vas e usadas, e por se acabar, chapeos de sol ji asa-
dos : aquelles que forem seus legtimos donos, com-
parecam legalmenle habilitados, que lhe sero en-
tregues. Delegada desle primeiro dslriclo do Re-
cite aos 30 de novembro de 1854.O delegado,
F. B. de Carvalho,
Por esta subdelegada se declara que se acha
recolhido em deposito um cavallo castanho com can-
galha, que appareceu sem destino e sem dono, no
sitio denominado Bartholomeu, ao todo do Arraial,
de Jos Caetano de Medeiros, morador nesla fregue-
zia : quem se julgar com direito a elle, apresenle-se
para lhe ser entregue pelos meios legaes. Subdele-
gara de S. Jos do Recito 23 de novembro de 1854.
O subdelegado supplente,
Manoel Ferreira Accioli.
O arsenal de marraba compra no dia 9 do an-
dante mez, para fornecimenlo do almoxarifado, os
gneros abaixo declarados : tinla de escrver, pen-
nalapis, piassaba, colheres de ferro, facas flamen-
gas, cairo velho.'arcos de torro para tanoeiros, pin-
cefs de caiar, flele, paes de ferro, cnxadas, sola e
limas sorlidas : as pessoas que se propozerem vender
estes gneros, comparecam nesla secretaria no indi-
cado dia, pelas 12 horas da mauhda.com as suas pro-
postas e as competentes amostras. Secretaria da
in-peceao do arsenal de inariiiha de l'.ernambucu em
1. de dezernbro de 1854.O secretario,
Alexandre Rodrigues dos Anjos.
galgar a brecha, e menos esparo para manobrar do 3"?f" ol)livcri"i M xel. Em ultimo lugar titam-se
. .(HU saceos da Baha mascavado a 30,3. Exislem
que o sitiado que tem as su as trincheiras.
Como qucr que seja, a brecha urna vez praticada
no baslao o assallo esta dado, isto he, de madruga-
da tropas em columnas cerradas desembocan) da des-
cida, s bem a brecha, alacam os sitiados que Ibes
pdem sem duvida disputar o terreno, mas he logo
ohrigado a capitular se o ataque foi vigorosamente
dirigido.
Mas como nc-lo dzia verbalmcnle o autordcsla
noticia, o talento, o vigor do ataque ppdem ser com-
batidos por obstculos imprevistos de temperatura,
de localidade, ou de guerra ; novos esforcos podem
ser exigidos por trabalhos do defeza eslabelecidos em
dislancia da praca atacada, sobre um terreno favo-
ravel e proprio para embargar a marcha das tropas
sitiantes. Este tocto pode dar-se na Crimea por oc-
casiao do alaque de Sebastopol. Desla arte a que-
13.519 tons. das colonias inglezas, contra 40,386, que
havia em 1853, assucar eslrangcro 19,800 ton. con-
tra 32,000 em 1853.
Couros.Houve algumas Iransaccijcs. O merca-
do de Leadcnhall foi bom, e procurou-se all com es-
pecialidade pellos de bezerro de 30 a 80 libr. a du-
zia, assim como couros pesados de bois.
Arroz.Transaccoes muilo animadas, feilas com
um augmento sensvel no preco. Tornaram-se mais
calmas nos ultimo, dias e houve urna reducn ,>,,-
precos. Em deposito exislem 9,563 ton. da ludia
contra 19,760 do auno pa'ssadn.
Cacao.Subida de preco de 1 a 3 xel. no cacao da
ilha da Trindade. As imporlaces eslrangeiras (alm
das colonias: sao raras.
Liverpool 9 de novembro.
Algodao.Houve procura mais activa, do que se
poda esperar vista da psro precaria do mercado
de Manchesler, onde os fabricantes se virara obriga-
dos a diminuir as horas de Irabalho, para nao fica-
rem cheios de mercadorias.
O Illm. Sr. inspector da Ihesouraria provin-
cial manda fazer publico para conhecimenlo dos
cootribuinles abaixo declarados, dq imposto da de-
cima urbana da freguezia da Boa-Visla perlencente
aos ejerciciosi de 1833 a 1852, que (endo-se con-
cluido a liquidar' da divida activa desle imposto
devem comparecer na mencionada Ihesouraria den-
tro de 30 dias, contados do dia da publicarad pr-
senle edilal, para se Ibes dar a nota do seu debito,
afim de que paguem na mesa do consolado provin-
cial, Meando na inlellgancia de que (indo o dito
pra/.o sera execulados.
E para constar se mandou afiliar o presento e pu-
blicar pelo Diario.
Secretoria da (hesooraria provincial de Pernam-
buco 21 de novembro de 1854. O secretario.
Antonio Ferreira d'Annunciacao.
Jos Rodrigues do Passo Jnior 511615
Filhos de Jos Rodrigues do Passo. 2993121
Jos Anlunes Cu i maraes .... 138)4
Jos da Cuuha Moreira .... 388934
Jos Botelho 'da Silva..... 31-5818
Jos da Silva Oliveira..... 163720
Jos AnlorM) Bastos..... 68386
Jos dos Santos Nones d'Oliveira 168521
Viuva de Jos Antonio Alves da
Silva.......... 753364
Padre Jos de Jess Maria de Vas-
concellos ... .. 133791
Jos Leopoldo da Silva..... 26at97
Jos dos Sanios......... 53562
Herdeiros de Jos Antonio Pessoa. 43149
Jos Carlos Marinho...... 533951
Jos Germano da Cosa Marlins. 163686
Jos. Maria Freir Gameiro. 453052
Jos Carnero da Cunta. 473740
Jos Teixeira Bastos...... 073008
Jos Pires Ferreira...... 3:13372
Jos Moreira Lopes &..... 278810
Herdeiros de Jos Gabriel de Moraes
Maier.......... 23-^300
Jos Ignacio dos Sanios Xavier. 153573
Jos Gomes Coimbra...... 593513
Jos de Amorim Lima...... 283840
Herdeiros do Jos Mara da Cunha
Guimaraes......... 108567
Herdeiros de Jos de Lima Simplicio. 113124
Jos de Freilas Burboza..... 1-8449
Jos Apolinarin da Cunha. 6-3674
Jos Joaquim Bolejho...... 42808.'
Viuva de Jos Soares. ..... 88899
Herdeiros do padre Jos Marinho
Falcao.......... R5899
Viuva de Jos Carneiro de Albuquer-
que Maranhao....... 198167
Herdeiros de Jos Francisco Uelem. 56314.)
Jos Ignacio Borges...... 33337
Jos Adelo da Silva..... 138578
Jos Ferreira de Mello..... 98000
Viuva cherderosde Jos Frauciscoda
Cruz.......... 68674
Jos Concalves Ferreira e Silva. 103080
JosSaporiti e odtros...... 53040
Jos Ignacio.do Coulo..... 158120
Jos Ferreira Calo ...... 15-3120
Jos Francisco Xavier de Lima. 108U80
Jos Antonio Carneiro Jnior. SJ064
Jos do Reao Coulo...... 163128
Viuva de Jos Joaquim de Mesquila. 203100
(Continuar-se-ha.)
_ Peranp acamara municipal desla cidade esta-
rn em praja nos dias 4, 5 e 0 do corrente os reparos
da rasa n. 5 da ra da Florentina, que toi ltima-
mente adjudicada mesma cmara, oreados em
093-5030 : os prelendenles podem comparecer no pa-
Co municipal nos mencionados da, munidos de Ban-
ca idnea. Paco da cmara municipal do Recito em
seado do 1. de dezernbro de 1851.Bardo de Ca-
pibaribe, presidente.Manoel Ferreira Accioli, se-
cretario interino.
Pela recebedoria das rendas internas geraes se
faz publico, que no ultimo do correlo mez de de-
zernbro termina o prazo para o recebimenlo dos im-
imposlos do auno finaneciro de 18)3 a 5i^a saber ;
renda dos proprios nacionaes, foros de lerrcnos de
mantilla, decima addicional de mao mora, imposto
sobre tojas, dito sobre casas do movis', roupas etc.,
dlo sobre barcos do interior, laixas dos escravos ;
lindo o qual lera lugar a rnbrane.i executiva. No
mesmo mez termina o prazo para o recebimenlo sem
mulla dos mesmos imposlos cima, do anno financei-
ro de 1851 a 55, e de Janeiro em (liante sero cobra-
dos com a mulla de 3 por cento.O administrador,
Manoel Carneiru de Souza Lacerda.
Illm. Sr. inspector da ihesouraria de fazenda
desla provincia, manda fazer publico para conheci-
menlo das pessoas inleressadas, a rclarao abaixo de-
clarada das olas de 208 rs., 4 padrao da nova 1
lampa em papel branco, emillidas da caixa d'amor-
ti-aeao em snhsiiiuico das dilaceradas.
Secretaria da Ihesouraria de fazenda de Pernam-
buco 24 de novembro -de 1854. O oflicial maior,
limilio Xavier Sobreira de Mello.
SOCIEDADE DRAMTICA EMPREZARIA.
Segunda recita.
Sabbado 9 de dezernbro.
19. RECITA DA ASSIGNATURA.
Subir a scena o muilo desejado e apparatoso dra-
ma hislorico em 3 actos e."> quadros, denominado
. LUCRECIA BORGIA.
Sendo o papel de Lucrecia deserapenhado pela
actriz II. Maria Leopoldina. Dar lira o espectcu-
lo cora a engracada comedia-vaudeville em 1 acto
intitulada
OS BILHETES DA LOTERA.
As pessoas que encommendarum camarotes eca-
deiras.para esles espectculos podem vir recebe-loa
de quarla-feira 29 do correle, at sexla-feira 1. de
dezernbro ao meto dia, no escriptorio da sociedade
dramtica. O resto dos bilhetes acha-se veoda
no mesmo escriptorio; desde as 10 horas da manhaa
as 2 da tarde, e das 5 da tarde as 8 i|2 da noite.
Principiar as 8 horas.
AVISOS MARTIMOS^
^t
AO PARA'.
Vai seguir inui brevemente
a escuna FLORA, capitao
Jos Severo Rios, s pode re-
ceber carga miuda: trata-se cora os con-
signatarios Antonio de Almeida Gomes &
C.,na ra do Trapicbe n. 16, segundo
andar.
PARA O RIO DE JANEIRO.
' Pretende sabir com brevidade a escu-
na nacional Tamega,. por ter parte do
seu carregamento : para o resto da car:
ga e escravos a frete, trata-se com No-
vaes&C, na ra do Trapiche n. 54.
Companhia He navegacao a vapor Luso-
Brasileira.
Os Srs accio-
nislasdestacom-
panhia sao cpn-
vidados reali-
sarem com a
maior brevida-
de, a quiula e
ultima presta-
Cao de suas ac-
Coes, para a im-
portancia ser re-
meltida a direc-
cao : dirigindo-sc a ra do Trapiche n. 2C, casa de
Manoel Duarle Rodrigues.
PARA O MARANHAO.
Pretende sabir por estes dias, o brigue
nacional Brilhante, por ter a maior
parte de seu carregamento prompto: pa-
ra o resto da carga c passageiros, trata-
se com Novaes \ C, na ra do Trapiche
n. 54.
PARA O RIO DE JANEIRO.
O brigue racional Elvira, segu em
poucos dias: para carga e passageiros,
trata-se com Machado & Pinheiro, na ra
da Vigario r_. 1!), segundo andar.
Para Lisboa sabe com a maior brevidade o
brigue porlugucz Ocano, de primeira marcha ; pa-
ra o reslo da carga c passageiros, trata-sc eom os
ronsignalarios Thomaz de Aquino Konseca & Filho,
na ra do Vigario n. 19, primeiro andar.
Para o Rio de Janeiro pretende sahir com bre-
\idadr, obligue linenstrel por ter a maior parle
da rara : quem nelle quizer carresar, ou embarcar
escravos, pode entender-se com os consignatarios
Amorim Irmaos, na ra da Cruz n. 3.
Vemle-se urna balieira com lodos os seus per-
tences : em l'cra de Portas, ra do Pilar n. 98.
|RIO DE JANEIRO.
A veleira barca Mathilde segu iinpreterivcIrQen-
le no da :i do correle, s recebe escravos a frete,
fiara o que Um exeellenles commodos, cojos escravos
devem ser enmarcados at as 11 horas domesrr.o
dia:' a tralar no escriptorio de Manoel Alves I iuerra
Jnior, ra do Trapiche n. 14.
Companhia Rrasileira de Paquetes de
"Vapor.
Os vapores Tocantins e S. Salvador,
devem chegar dos portos do norte ate 7
do corrente me/., e seguir-o no dia seguin-
te ao da sua chegada, para Macei, Bahia
e Rio de Janeiro: agencia na ra do Tra-
piche n. 40, segundo andar
Para o Para'
o hiale Ligeiro seguir em pdeos dias; anda pode
receber alsuma carga : trala-se com J. B. da Foose-
ca Jnior, ra do Vigario n. 4, primeiro andar.
Companhia Luso-Brasileira.
Devendo sahir
de Lisboa no
dia 23 de no-
vembro, o va-
por desta com-
panhia, o D.
Maria Segun-
da, eomman-
danle o len-
te GaimarSes,
dever aqu chegar ale 9 do corrente, e depois da
competente demora seguir para a Bahia e Rio, re-
cebendo passageiros nos commodos preces da tabel-
la : os uteressados dirijam-se ao agento, na roa do
Trapiche n. 26.
PARA O PARA.
Pretende sabir com multa brevidade,
por ter parte do seu carregamento promp-
to, o bem conhecido e veleiro patacho
Bom-Jesus : para o resto da carga e
passageiros, trata-se com Novaes &C, na
ra do Trapiche n. 54, ou com o capitao
no Trapiche do algodao.
LEILOES
O agente Viclor tora leilao noseu armazem ,
ra da Cruz n. 25, de grande sortimenlo de obras
de marcineiria novas e usadas de diQerenUs quali-
dades, um excellente relogio de parede de repeiieao,
com sua caixa de amarello, ama porco de queijo de
pralo, e dos mais objectos existentes no mesmo ar-
mazem, lere i-feir.i 5 do corrente as 10 )4 horas da
manhaa.
C J. Astley & C, faro leilao, por
intervencao do agente Oliveira, de grande
sortimento de fazendas, as mais proprias
do mercado, a mor parte recentemente
importadas: terra-feira 5 do corrente, a's
10 horas da manhaa, no seu armazem,
ra do Trapicbe.
O agente Borja, por aulorisacao do Illm. Sr.
I'r. juiz de direito do civel e commercio Custodio
Manoel da Silva Guimaraes. a requerimenlo de> Joa-
quim Lucio Monteiro da Franca, administrador da
massa fallida'de Manoel Botolho Cordeiro, tora lei-
lao das dividas e armario da taberna qoe toi do
mesmo fallido, sita na ra Direito ji. 53, quarla-fei-
ra 6 do crranle s 10 horas em ponto.
LEILAO" DE I.OUCA FINA. -
Ierra-feira 5 do corrente, as II horas da manbii,
no armazem de M. Carneiro, na roa do Trapiche n.
38, o agenle Roberts, tora leilao de um rico appare-
Iho para jantor, 3 ditos para frnctas, e 14 ditos para
alinoro ; assim como lambem urna porcao de pratos
rasos e traveseos de diversos lamanhos, chicaras, pi-
res, mantoigneru, assucareiros, Indo de porcelana
vitrificada e de muila consistencia, dos afamados fa-
bricantes de Worcester : juntamente ir a leilao*
urna porcao de vasos para Sores, e figuras de p de
marmore fino para cima de mesa, de difiranles ca-
racteres, taes como de Palmerslon, Mrquez de Pora-
bal e oulros.
LEILAO' EXTRAORDINARIO E ULTIMO
DESTE ASNO.
O agenle Borja, quinla-toira 7 do corrente, tora
leilao pela ultima vez neste anuo, em seu armazem,
na ra do Collegio n. 15, de urna iofinidade da ob-
jectos difierenles, como bem, um expiendido sorti-
mento de obras de marrineria, novas e usadas, de
difierenles qualidades. pianos, cadeiras e sotos da
faia americanos, dilo.de junco, obra excellente e de
muilo bom fioslo, obras de oaro prata,relogios. di-
tos para algibeira. ditos de parede e cima de mesa,
qu.idros com ricas estampas, candieiros, lanternas,
casticaes, vidros, huirs quinquilharias diversas e
modernas, e oulros muitos objectos, um completo
sorlimtnto de ulencilios para marcineria, como bem,
ferros, bancas etc., um ptimo carro de 4 rodas j
annunciado no leilao passado, um ptimo cavallo da
eslribaria muito gordo, e nm dito sellado e enfreado
ele., us quaes estarn em frente do armazem no dia
do leilao, as 10 horas em ponto.
LEILAO DE MARMELADA E AZEITONAS.
Terra-feira. 5 do corrente, em freoto da porto da
alfandega, vender-se-ha em leilao urna porcao de
marmelada em tolas, e ancorelas de azeitonai, rin-
das de Lisboa pelo Tarujo III.
AVISOS DIVERSOS."
Tendo-se reconhecido que a despeza
de escripia e cobranca do importe do
annuncios he superior ao valor delles,
previne-seaos senhores assignantes deste
Diario que (piando os mandaren, re-
meltam'gualrnente a sua importancia ;
alias nao serao publicados.
PlBLICAljAO DO INSTITUTO HOMEOPA
TIIICO DO BRASIL.
THESOURO HOMEOPA1THCO
OU.
VADEMCUM DO HOMEO-
PATHA.
Methodo conciso, claro e seguro de curar homeo-
pticamente todas as molestias que affligem a es-
pecie humana,'e particularmente aquellas que rei-
nam no Brasil, redgido segundo os melhores Ira-
lados de homeopallia, tanlo europeos romo ameri-
canos, e segundo a propria experiencia, pelo Or.
Sabino Olegario Ludgera Pinho. Esla obra be hoje
recouhecida como a ni- lhor de (odas que tratan) da
applir.iean homeopalluca no curativo das moleslias.
Os curiosos, principalmente, nao podem dar um pas-
so seguro sem possui-la e consulla-la. Os'paisde
familias, os senhores de engenho, sacerdotes, via-
jantes, capites de navios, sertanejns etc. etc., devem
le-la a mao para occorrer promptameole a qualquer
caso d molestia.
Dous volumes em brorhura por lOQOOO
x encadernados 119000
vende-se nicamente em casa do autor, no palacete
da ra de S. Francisco (Mundo N'ovo o. 68 A.
O Sr. Jaeinlho Soares Bolelho lem urna caria
na livraria n. 6 e 8 da praca da Independencia.
Prerisa-se de um homem que enlenda perfei-
(amenle de retinaran : na ra da Cadeia Velha n. 7,
toja de miudezas.
O padre Joao Capistrano de Mendonra. profes-
ar de ceographia, chrooologia e historia do lyceu
desta cidnde, abri no 1. do corrente, na casa de sua
residencia, na ra Nova 11. 51, um curso de geogra-
pbia e ouiro de rethorica : os senhores estudantes
que os quizerem frequentar, podero dirigir-so
mencionada casa a qualquer hora.
No paleo do Terco n. 21, precisa-se de urna
ama com bom leile.
Aluga-se a toja do sobrado de um andar, no
aterro da Boa-Vista, junto a de ura cutileiro, e con-
fronte a casa doSr. Antonio Luiz (ioncalves Ferrei-
ra, propria para qualquer estabelecimento : a tratar
no dito sobrado, ou na ra da Cadeia do Recito, es-
criptorio n. 3.
Em um sitio na estrada de Belem, precisa-se
atusar mensalmenle 9 prctos ou pretas qne enlen-
dara de vender fruclas ; assim mais i que saibam
Irabalhar em sitio, sendo moleques inclhor : trata-se
no aterro da Boa-Vista, tonda de funileiro ao chegar
a matriz.
Antonio Pereira, subdito porlugucz, relira-se
para tora do imperio.
Precisa-se de um feitor para (ratar de un sitio
perte da praca : na ra da Cruz n. 10.
mi itii Ann


DIARIO DE PERMIBUCO. SEGUNDA FEIRA 4 DE DEZEMBRO OE 1854
Qualquersenhorqae pretenda arrendar um en-
genho d'.igua, com muitas e bas larras, lano para
canna como para quslquer plantado, no distrieto
da fregue/ia do Cabo, chamado Piraenlo, Iraspassa-
se o arrendanienlo de 6 annos conforme a assigmllu-
ra que ha pastada, com a rondicAo de Ihe comprar a
safra, lano de canna queeiu dlo se acha plantado,
comovaccas, e mearon ja um famoso rorado de mal-
ta virgen) derrubado, proprio para rocas, cannas e
arroz : a fallar com o arrendante no engenho Pedrei-
ras, na cidade da Victoria, ou nesta praca coro An-
tonio Manoel Pereira Vianua Jnior, na roa da
Praia, que Ihe poder explicar \crdadeiramente o
negocio, e porque se dispic a fazer.
Pierisa-se de um criado francez, inglez on al
lemSo : quera pretender, annuncie por esta lolba
para ser procurado.
Aluga-se a loja do sobrado n. 39 da ra das
Cruzes, com bastantes commodos para familia, e pa-
ra qualquer estabelecimento, por ser o lugar muito
bom.
Arrenda-se um grande sitio em um dos mais
prozimos arrabaldes desta pro-a, com casa de sobra-
do, grandes baixas para capim, e proporjOes para
sustentar annualmenle de 25 a 30 vaccas de leite :
a tratar na ra do Crespo, loja n. 15.
* ,
C. STARR & C.
respeitacamente annunciam que no sen extenso es-
tabelecimento em Santo Amaro, continua a fabricar
com a maior perfeico e promplido.loda a qualidade
de macliinismo para o uso da agricultura, navega-
do e manufactura, e que para maior commodo de
seus numerosos freguezes e do publico em geral, tem
aberlo em um dos grandes armazens do Sr. Mesqui-
la na ra do Brum, atraz do arsenal de mariuha
DEPOSITO DE MACHINAS
construidas no dito seu estabelecimento.
All acharao os compradores uro completo sorti-
mento de moeodas de canna, com lo.lo os melho-
ramentos (alguns delles novos eoriginaes) de que a
experiencia de mu i tos annos tem mosteado a neces-
sidade. Machinas de vapor de baixa e alia pressao,
tai xas de todo tamauho, tanto batidas como fundidas,
carros de mo e ditos para conduzir formas de assu-
car, machinas para moer mandioca, prensas para di-
to, Tornos de ferro balido para farinha, arados de
ierro da mais approvada construccao, fundos para
alambiques, crivos e portas para fornalkas, e urna
infinidade de obras de ferro, que serja enfadonha
enumerar. No mesmo deposito existe urna pessoa
iotelligenle e habilitada -para receber todas as en-
commendas, etc., ele, que os annuncianles contan-
do com a capacidadede suas officinas e machiuisino,
e pericia de seus oflkiacs, se compromettem a fazer
exerutar, com a maior presteza, pe feicao, e exacta
eontormidade com os modelos ou disents, e inslrnc-
raque Ihe foreinfornecidis.
. ROB LAFFECTER.
O nico autorizado por deeitao do conselho rea
e decreto imperial.
Os mdicos dos huspitaes recorumendam o arroba
LaOecleur, como sendo o nico autorisado pelo go-
vernoe pela Real Sociedade de Medicina. Este me-
dicameni d'um gosto agradavel, e fcil a lomar
em secreto, est em uso na mariuha real desde mais
de 60 aunos; cura radicalmente em pouco, lempo
com pouca despeza, sem mercurio, as allece,6es da
pelle, impingens, asconsequencias das sarnas, ul-
ceras, e os accidentes dos partos, da idade critica e
da acrimonia hereditaria dos humores; convm aos
catharros, da beriga, as coulracces, e fraqueza
dos oreaos, precedida do abuso das ingecrOes ou da
sondas. Como anti-syphilitico, o arrobe cura de
pouco lempo os fluxos recentes ou rebeldes, que vol-
vem incessantes sem consequencia do eroprego da co-
paiba, da cubeba, ou das iujecc,6es que represen-
. Um o virus sem nentralisa-lo. O arrobe LalTeclen-
he especialmente recommendado contra as doenca-
inveteradas ou rebeldes a mercurio e ao iodureto
de potasio. V^nde-se em Lisboa, na botica de Bar-
ral, e de Antonio Feliciano Alves de Azevedo, (ira-
ca de D. Pedro n. 88, onde acaba de chegar nma
grande porcao de garrafas grandes e.pequenas, rin-
das directamente de Paris, de casa do Sr. Boyveaus
l.atTeeteuv 12, ru Bichev Paris. Os formulario-
dam-so gratis em casa do agente Silva, na praca ds
D. Pedro n. 82. No Porto, em casa de Joaquim
Araujo; na Baha, Lima & Irmaos; em Pernam-
buco, Soum; Rio de Janeiro, Rocha & Filhos, e
Moreira. loja de drogas; Villa-Nova, Joo Pereira
de Magates Leite; Rio-Grande, Francisco de Pau-
la Coulo 4 (..
CONSULTORIO DOS POBRES
25 BA DO COLLEGIO 1 ANDAR 25.
O Dr. P. A. Lobo Moscnzo di consullas homeopathicii todos os das aos pobres, desde 9 horas da
manhaa ateo meio dia, e em casos extraordinarios a qualquer hora do dia ou noite.
Otlerece-se igualmente para pralicar qualquer operaco de cirnrgia, e acudir promptamente a qual-
quer mulher|que esteja mal de parto, e cujas circumslancias uno permittam pagar ao medico.
NO CONSULTORIO DO DR. P. i. LOBO M0SC0Z0.
25 RA DO COLLEGIO 25
VENDE SE O SEGUINTE:
Manual completo de meddicina homeopathica do Dr. G. H. Jahr, traduzido em por
tuguez pelo Dr. Moscbzo, qualro volumes encadernados em dous e acompanhado de
um diccionario dos termos de medicina, cirurgia, anatoma, etc., ele...... 208*100
Esta obra, a mais importante de todas as qne Iraam do esludo epralica dahomeopalhia, por ser a nica
qneconlm a base fundamental ^'esta doulrinaA PATUOENESIA OU EFFEITOS DOSMEDICA-
MENTOS NO ORGANISMO EM ESTADO DESAUDEconhecimenlos que nao podem dispeusar as pes-
soa que se querem dedicar ortica da verdadeira medicina, interessa a todos os mdicos que quizerem
experimentar a 'ouirina de Hahnemann, e por si mesmos se convenceren! da verdade d'ella: a lodos os
fazendeiros e senhores de engenho que estilo longe dos recursos dos mdicos: a lodosos ca pilaos de navio,
que urna ou oulra vez nao podem deixar de acudir a qualquer incommodo seu o de seus tripulantes :
a todos os pais de familia que por circumslancias, que n*m sempre podem ser prevenidas, sao obriga-
dos a prestar in conlinenti os primeiros soccorros ero suas enfermidades.
O vade-mecum do homeopalha ou imducc.io da medicina domestica do Dr. llorn:,
obra lambem til s pessoas que se dedicam ao esludo da homeopalhia, um volu-
nte grande, acompanhado do diccionario dos termos de medicina...... 109000
O diccionario dos termos de medicina, cirurgia, anatoma, etc., etc., encardenado. 39000
Sem verdadeiros e bem preparados medicamentos nao se pode dar um passo seguro na pratica da
homeopalhia, e o proprietario desle estabelecimento se lisongeia de te-lo o mais bem montado possivel e
oinguem duvida boje da grande superioridade dos seus medicamentos.
Boticas de 2i medicamentos em glubulos, a 10$, 12 e 155000 rs.
Ditas 36 ditos a................. -19000
Ditas 48 dilos a ............... 259000
Ditas 60 dilos a................... 309000
Ditas 144 ditos a.................. 609000
Tubos avulsos.......................... lJWOO
Frascos de meia 0115a de tinctura. ................. 29000
Na mesma casa ha sempre venda grande numero de tubos de crystal de diversos lamanhos,
vidros para medicamentos, e aprompla-se qualquer encommenda de medicamentos rom toda a brevida-
de e por precos nimio commodos.
COMPRAS.
-Na ra da Cruz taberna n. 57, com-
pram-se carro de conduzir gneros: quem
tiver annuncie, ou dirija-ge a taberna
cima.
Para urna encommenda.
Na ra da Cruz n. 52 compra-se urna escrava de 18
a 20 annos, que seja de boa figura e intelligente no
servico de casa de familia.
Compram-se dnas prelas para o servico de ca-
sa, que saibao cozinhar e engommar bem, sAo para
servir nesla cidade, e se quer de boa conducta e sem
defeilo physico; agradando se pagar3o bem : 110 lar-
go do Corpo Santo 11. ti.
Coinpram-se escravos para se exportar, tendo
boas figuras ; paga-se bem : na ra Dirella u. 66.
VENDAS
6|000
43000
105000
305OOO
Francisco Lucis Ferreirc., com ce
cheira de carros fnebres no pateo do
Hospital n. 10, encarrega-se de qualquer
funeral, sendo padres, msica, cera, ar-
mario na igreja ou em casa, carros de
passeio e tirar guia da cmara, e ah en-
ontrarao tudo com aceio, segundo dis-
poe o regulamento do cemiterio.
MECHANISMO PARA ENGE-
NHO.
NA FUNDICAO DE FERRO DO ENGE-
NHEIRO DAVID W. BOWNIAN. NA
RA DO BRUM, PASSAXDO O CHA-
FARIZ,
ha sempre uro grande sortimento dos seguinles ob-
jeclos de mechanismos proprios para engenhus, a sa-
ber : moendas e meias moendas da mai* moderna
construccao ; laixas de ferro fundido e balido, de
superior qualidade, e de lodos os lmannos ; rodas
dentadas para agua ou animaes, de todas as propor-
de ; crivos e boceas de fornalh e registros de boei-
ro, aituilhes.hronzes parafusos e cavilhoes, moiulio
de mandioca, ele. etc.
NA MESMA FUNDICAO
se exeeulam todas as encommendas com luperiori
dade ja conhecida, e com a devida presteza e commo
didade em preco.
NAVALHAS A CONTENTO E TESOURAS.
Na ra da Cadeia do ReciTe n. 48, primeiro an-
dar, escriplono de Augusto C. de Ahreu, conli-
nuam-*e a vendar a 89000 o par (preco fixo) as a
bem conhecidas e afamadas navalhs de barba, feilas
pelo hbil fabricante que foi premiado na ezposicSo
de Londres, as quaes alm de durarem eitraordina-
riamenle, nao se senlem no roslo na aceito de corlar
vendem-se com a cndilo de, nao aaradando, po-
derem os compradores devolve-las at 15 diasdenois
pa compra restituimlo-ae o importe. Na mesma ca-
sa ha ricas lesouriuhas para unhas, feitas pelo mes-
mo fal'icanle.
Precisa-se de urna ama de leite: na
ra de S. Francisco, palacete novo.
NO COmTORIOji
DO DR. CAS \NOVA, B
RIJA DAS CRUZES N. 28,
vendem-se carleiras de homeopalhia de lo- fe
dos os lamanhos, por presos muito em conla. EJ
Elementos de homeopalhia, 4 vols. 69OOO S
Tinturas a escolher, cada vidro. I9OOO W
Tubos ivulsos a escolher a 500 e ,100 S
__Consullas gratis para os pobres. X$
^aPHrl
SrTust'.vfj^ a',ax,AUr0r'1' *** uova Junl
ar. jusftvn Joii! do Reso.
n.TrinceHr1'0 Voff,ey' fabri"te de pianos, afi-
na e concerU os mesmos com toda perfeico e por
primerr'aUnC"D' *'">""*
M A DAME TIIEA'RD,
Modista franceza, na ra Nova,
avisa as senhoras de bom goslo, qae r,cebeu agora
de Pars os mais lindos e maiseleganles chapen, pa-
IilTn"hora'e.para "". enfeiles de cabeCa do
nlluno goslo, loucas e toucados riquissimos, chapeos
de seda e de pall.a para senhora., meninas e meui-
no, mantas de blonda e capeljas para noivas, ro-
meia-ecamismhas bordada-, mauleletes e capoli-
ihos de todas as cores, bicos de verdadeiro blou.ie
1 largo, 011 estrenos, dilos de linho. dilos imitacao de
onde, esparliios muito bem feilos, eapellas de llo-
res a de fitas, flores e fila, ,|. todas as qiialidades e
SiISriu que heDece,sarioasnhorasPa"
ARADOS DE FERRO.
Na fundicao' de C. Starr. 4 C. em
Santo Amaro acha-se para vender ara-
dos ds ferro de --rir qualidade.
TOALHAS
E GUARDANAPOS DE PANNO DE
LINHO PURO.
Na ra do Crespo, loja da esquina que volta para
a cadeia, vendem-se toalhas de panno de linho, lisas
e adamascadas para roslo, ditas adamascadas para
mesa, guardanapos adamascados, por pracoi com-
modos.
Lava-se e engnmma-se com toda a perfeico e
aceio: no largo da ribeira de S. Jos, na loja do su-
brado n. 15.
O Sr. procurador da cmara mu-
nicipal do Limoeiro, baja de mandar pa-
gar a assignatura do Diario de Pernam-
buco, para a mesma cmara, que se
acha em grandeatrazo de pagamento.
****K;-Ki **#
DENTISTA FRANCEZ. 41
9 Paulo Gaignoux, estabelecido na roa larsa %
% do Rosario 11. 36, segundo andar, colloca den- %
Jg tes com gengivas arlificiaes, e dentadura com- 9
9 pela, ou parte della, coro a pressao do ar. f)
Tambem lera para vender agua denlifrice do 9
% Dr. Pierre, e po para denles. Rna larga do 9
9 Rosario n. 36 segundo andar. m

Novos livros de homeopalhia uiefrancez, obras
(odas de summa importancia :
Hahnemann, tratado das molestias chronicas, 4 vo-
lumes............ 208000
Tesle, rrole-lias dos meninos ...... 6JOO0
Hering, homeopalhia domestica...... 79000
Jahr, pharmacnpahomeopalhica. 69OOO
Jahr, novo manual. 4 volumes .... 16s000
Jahr, molestias nervosas.......65OO
Jahr, molestias da pelle.......89000
Rapou, historia da homeopalhia, 2 volumes I69OOO
llarllimann. tratado completo das molestias
dos meninos..........' IO9OOO
A Teste, materia medica homeopathica. 8)000
De Fa> olle. doutrina medica homeopathica "9000
Clinica de Slaoneli........
Casling, verdade da homeopalhia. .
Diccionario de Nysten.......
Aulas completo de anatoma com bellas es-
lampas coloridas, conlendo a descripeo
de todas as partes do corpo humano .
vedem-se todos estes livros no consultorio hotneopa-
Ihico do Dr. Lobo Moscoso, ra de Collegio B. 25,
primeiro andar.
Aluga-se para o servico de bolieiro um escra-
vo mualo com muita pratica desse ofiicio. Na ra
da Saudade fronteira 1 do Hospicio, casa da resi-
dencia do Dr. I.oumico Trigo de Loureiro.
. O Sr. Joaquim Ferreira que leve loja na p'ra-
cinha do Li\ramelo lem urna caria na livraria os.
6 e 8 da poica da Independencia.
AMIGO DEPOSITO DE CAL E
POTASSA.
No antigo deposito da ra do Trapiche
n. 15, ha muito superior potassa da Rus-
sia e americana, cal virgem, chegadaha
pouco. tudo por preco commodo.
0 Sr. Adolpho Manoel Camello Lins,
escrivSo de Iguarassu', queira quando
vier a esta prara, dirigirxe a livraria d
praca *da Independencia n. 6 e 8, a nego-
cio que Ihe diz respeito.
O Sr. Jos Norberto Casado Lima,'
queira apparecer na livraria n. 6 e 8 da
praca da Independencia que se Ihe preci-
sa fallar a negocio.
I J. JANE, DENTISTA,
9 contina a residir naruaNova n. 19, primei- A
9 ro andar. 2
S9**
AULA DE LATIM,
O padre Vicente Ferrer de Albuquer-
que, professor jubilado de grammatica
latina, tem estabelecido sua aula par-
ticular na ra Direita.sobrado n. 27, se-
gundo andar, onde recebe todos os alum-
nos, quer externos ou internos, tanto des-
ta praca cmodo mato, medame a razoa-
vel convencao que pessoalmente offere-
cera'.
* Quem precisar de um sortimento de espana-
dores de diversos lamanhos. sendo bem arranjados e
proprio> para se vender para o Rio de Janeiro, diri-
B-se ra do Queimado, loja de fazendas u. 45, de
'rancisco Ignacio Perreira Dias.
Precisa-se alugar^uma criada, forra
ou captiva, para todo o servido interno de
urna casa, e oulra cozinheira, agradando
paga-se bem : a fallar ija ra do Trapi-
che n. 12, escriptorio.
Dase 8OO9 a premio de um e meio por cento,
com hypolheca em casa Ierra nesla prara : na pra-
ja da Independencia n.. 6 e 8 se dir q'uera faz este
negocio.
O abaixo assignado, responde pela ultima vez
ao Sr. Antonio Ricardo Anlunes Villaea.que quaulo
disse foi juslamcnle quanlo se passou, e m Ihe res-
ponde com os recibos e declarado abaixo escriptos,
em cujas pec,as esta palele a sua boa f, que sendo
reilas em 29 eslo daladas ha 30 dias em que deu a
luz o sen aran/el Recebi do Sr. Francisco Lo-
pes da Silva o importe desla leitra. Recife 30 de
noverobro de 1854.Antonio Ricardo Anlunes Vil-
lacaRecebi do Sr. Francisco Lopes da Suva o im-
pon desta ledra, descontando o lempo que se ha de
vencer.Recife 30 de novembro de 1854.Antonio
Ricardo Anlunes Villaca. Pelo prsenle declaro,
que eslou pago das duas lellras que aniiuiiciei no
Diario de 23 do correnle, pelo que pode o Sr. Fran-
cisco Lopes da Silva fazer todo e qualquer negocio
com a loja da ra do l.mamento n. 19 por ficar de
hoje em dianle desembarrada para commigo.Re-
cife 30 de novembro de 1854.Antonio Ricardo An-
lunes VillacaFrancisco Lopet da Silta.
Precisase de urna ama de leite forra ou capti-
va : na ra Bella n. 20.
Desappareceu no dia 25 de novembro, do en-
genho Quennadas, freguezia de Santo AnlSo, um
escravo crioulo, de nome Jos, com es signaes se-
guinles: idade 30 annos, altura regular, roslo re-
dondo, olhos grandes, barbado, denles alvos, pernas
finas, corpo reforjado, pos r mflus regulares, lendo
os dedos dos pes um pouco virados para cima, defei-
lo este proveniente de ler sido cambado de biclius,
por isso lambem lem oscalcanharescom cicalrizes. c
as unhas arrebenladas : roga-se a todas as autorida-
des e capilJes de campo a apprehencAo do dito es-
cravo, e leva-lo ao dito eugenho a sen proprietario
Chrislovio Diniz de Barros, ou na roa da Praia n.
14, que ser generosamente gratificado. Esle es-
cravo tendo-se pegado uo dia 29 tornou a fugir.
Precisa-se de um feilor para um engenho perlo
da praca : a tratar na ra da Cadeia do Recife 11. 38.
Perdeu-se um conhecimenlo de n. 90, da quan-
lia de 400(000, recebido na thesouraria da fazenda
desla provincia-: quemo liver adiado, ou por qual-
quer modo delle eslej de posse, dirijac a ra da
Praia de Sania Rila n. 42. que ser generosamente
gratificado, alero do agradecimenlo. .
Rabe Schmeltau & Companhia mudnram o seu
eslabelecimenlo para a ra da Cadeia Velha u. 37.
No hotel da Europa da roa da Aurora, a-se
comida a (oda a hora do dia, e fornece-se almoco e
janlar para fora roensalmente, por prec,o muito ra-
Cozinheiro.
D-se boro ordenado para um ruzinheiro francez,
qne lejaqpenlo na sua arte: quem pretender, annun-
cie por este Diario para ser procurado.
Aluga-se urna casa terrea na povoac.ao doMon-
leiro, com a frente para a igreja de S. l'aniale"o,
muilo limpa, tresca, com commodos para familia re-
gular, lendo urna porta e duas janellas na frente: a
tratar com Antonio Jos Rodrigues de Son Jnior,
na mesma po\ oac.io, ou na ra do Collegio n. 21, se-
gundo andar.
Madama Routier, modista franceza, ra
Nova- n. 58,
lem a honra de annunciar ao publico, que acaba de
receber um rico sortimeulo de chapeos de seda e de
palha para senhoras, ditos para meninas, bonitas ca-
misinhas, chales de retro/., mmeteles e capotinhos
de cores, romeiras de li, esparlilhos, e nutras mul-
las lazendas por diminutos precos.
No hotel de Kurupa da ra da Aurora (em sor-
vetes de dia e de noile, e lambem precisa-se de 2 mo-
loques de aluguel para servico de casa.
9 Na estrada dos Afilelos, sitio confronte a @
f capilla, dJorseconsultas homeopalhicas. $f
Casa da aiericao, pateo do Terco n. 16.
petsoa competentemente autorisada pelo aferi-
por, faz ver a quem inleressar possa, que o pro/o
marcado pelo regiment municipal, finalisa-se no dia
31 de dezembro prximo fuluro, e que depois nao se
chamem a ignorancia. Recife 21 de novembro de
1854.Pelo aferidor,' Prtaedei da Suca Gusmao.
Roga-se ao Rvm. Sr. padre Jos Tei-
xeira de Mello, vigarto da freguezia do
Hinque, que mande pagar o que deve na
ra Uireta n. 14, tanto a sua conla co-
mo o endosso que S. Rvm. mandou dar a
Salustiano Ferreira da Costa, morador no
lugar denominado Mulung, que somma
a dita quantia rs. 1:501^950 fra o ju-
ros, isto no anno de 1852, pois o seu cre-
dor ja' esta' cansado de ser engaado, co-
mo Ib! em Janeiro do dito anno, que en-
ganou ao portador que la' foi.e S. Rvm.
mandou dizer que ja' tinha mandado pa-
gar, e at hoje aindanaose recebeu, gas-
tando o seu credor com o portador que*
la' foi OOJOOO rs., fora o aluguel to ca-
vado ; pois o sou credor roga-lhe que nao
seja tao desconhecido, que alm disto Ihe
tem prestado os seus servicos em outras
cousas mais; portanto o seu credor Ihe
participa que ja' pagou nesta praca a
dita quantia, porm nao foi com as car-
tas que o Rvm. padieJos Tei.veira de
Mello Ihe tem mandado.Jos Pinto da
Costa.
COMPANHIA DE REBERIRE.
A administraran da companhia de Be-
beribe, tem autorisado o Sr. caixa a pa-
gar o dcimo tereiro dividendo, visto que
no dia 24 do corrente nao se reuni nu-
mero de votos suflicientes para haver
sembla gerql.O secretario, Luiz
Costa Portocarreiro. '
COMPANHIA DE BEBERIBE. .
A administracao da companhia. de Be-
beribe, resolveu em sessao de 24 do cor-
rente, por em arremataran a taxa dos
chafarizes por bairros, ou em sua totali-
dade, por terapo de um anno, a contar
do 1 de Janeiro de 1855 ; para o que con-
vida a quem tal arrematacao convier, a
comparecer no escriptorio da companhia,
no dia 12 de dezembro prximo vindou-
ro ao meio dia, com as suas propostas em
carta fechada, as quaes devei-ao ser de-
clarados os liadores dos concurrentes, que
poderao obter os precisos eselafceimentos
a'cerca do rendimento da taxa, no escri-
ptorio da companhia, das 9 horas da ma-
nhaa, a's 5 da tarde de qualquer dia til.
Recife 25 de novembro de 185 i.O se-
cretario. Luiz da Costa Portocarreiro.
FOLHNHAS PARA 1855.
Acham-se a' venda as bem conhecidas
lolhinhas impressas nesta typographia,
tanto ds algibeira, como de porta, sendo
estasa 160 rs., e aquellas a 520; e breve
estarao promptas as ecclesiasticas e de al-
manak: na livraria n. ti e 8 da praca da
Independencia.
COM TOQUE DE AVARIA-
Chitas escuras e fixas a 4.S500 e 5f0Q0
rs. a pera: na ra do Crespo, loja da
esquina que volta para a cadeia.
MELPOUEM DE LAN ESCOCE/
A 600 BS. O GOVADO.
Na loja n. 17 da ra do Queimado, ao p da boti-
ca, veode-se alpaca de la escoceza, ebegada pelo ul-
timo navio, a qual fazenda na Europa se d o nome
de Melpomene de Escocia, muilo propria para ron-
pues e vestidos de senhora e meninos por ser de mui
lo brilho, pelo commodo preco de 50 rs: cada co-
vado ; dao-se as amostras com penhores.
CUIBRIKS D\ 1NPER4TRIZ
PARA- VESTIDOS DE SENHORAS,
fazenda nova, vinda da Europa pelo vapor Impera-
dor, por commodo preco : na rifa do Queimado n.
17, loja.
TAIXAS DE FERRO.
Na fundicao' d'Aurora em Santo
Amaro, e tambem no DEPOSITO na
ra do Brum logo na entrada, e defron
te do Arsenal de Marinha ha' sempre
um grande sortimento de taichas tanto
de fabrica nacional como estrangeira,
batidas, fundidas, grandes, pequeas,
razas, e fundas ; e em ambos os logares
fe\istem quindastes, para carregar ca-
noas, ou carros livres de despeza. O
precos sao' os mais commodos.
Ven Je-se fio de sapaleiro, bom : em casa de S.
P. Jnliusion & Companhia, ra da Sensata Nova
n.42.
as-
da
AO PUBLICO.
No armazem de fazendas bara-
tas, ra do Collegio n. 2,
vende-se um completo sortimento
de fazendas, finas e grossas, por
precos mais baixos do q^ue em ou-
tra qualquer parte, tanto em por-
coes, como a ratalho, ailianca.ndo-
se aos compradores um s preco
para todos : este estabelecimento
ahrio-se de combinadlo com a
maior parte das casas commerciaes
inglezas, rancezas, allemaas e suts-
sas, para vender fazendas mais em
conta do que se tem vendido, epor
isto ofierecendo elle maiores van-
tagens do que outro qualquer ; o
proprietario deste importante es-
tabelecimento convida a' todos os
seus patricios, e ao publico em ge-
ral, para que ven lia m (a' bem dos
seus interesses) comprar fazendas
baratas, no armazem da ra do
Collegio n. 2, de
Antonio Luiz dosSantos&Rolim.
Da'-se 500s000 rs. a juros, sobre pe-
nhores de ouro ou prata, ou mesmo fir-
mas a contento : quem precisar dirija-se
a ra co Cabuga', loja de miudezas n. 1
I), que se dir' quem da'.
Precisase de 9003 com garantas a contento,
pelo lempo que se couvencionar, obrigaudn-sc tam-
bem a pagar em lijlo de alvenaria por menos preco
rio que o aclual : quem convier este negocio, que
offerece grande vanlagcm, annuncie por esla follia
para ser procurado, pois j se lem urna grande por-
jaode lijlo para dar-se logo.
Sendo voz publica que o proprietario do enge-
nho da liba, situado junio 'ponte dos Carvalhos,
esla em ajuste de arrendamento com quem o quer
arrendar, previne-se que o dito engenho, esl penho-
rario pela renda para pasamenlo de avoltada quan-
tia, e por exerurao do abaixo assignado, o qual pro-
testa desde j; por lodo e qualquer acto pralicado por
qualquer pessoa a esle r-speilo.
Amlonio Gomei Hilar.
Precisa-se de urna ama de leite, forra oa cap-
tiva, lendo boro leite paga-se bem : na rna de Her-
as u. 60. .
ATTENCAO'.
Ero poder do abaixo assignado esl urna escrava
que appareceu procurando quem a comprasse, a qual
diz ser escrava do Sr. Francisco Correa de Amo-
rim, morador em Carimbas : quem fr seu senhor
procure na travesera do Mondego n. 4, que a que-
rendo vender, nao se pora duvida em comprar. O
mesmo abaixo assignado nao se responsabilisa por
morle ou fuga da mesma.
Antonio Martins Salianha.
ARREIOS PARA CARROS.
Em casa de Brunn Praeger & C., ha pa-
ra vender umlindp apparelhopara 2 ca-
vallos feitopor encommenda, e de quali-
dade superior a todos que tem vindo a
esta praca, com guarnicao de metal que
nunca se- estraga ; esta obra se recom-
menda principalmente para um particular
por ser de ptimo gosto, e feita com to-
da a elegancia : vende-se na ra da Cruz
n. 10.
Bom e coniinodo-
Cassas de panno e cores finUsimas, pelo baratissi-
mo preco de 500 rs. a vara : na loja do sobrado ama-
rello, na ra do Queimado n. 29, de Jos Moreira
Lopes.
Brunn Praeger & C., na sua casa ra da
Cruz n. 10, teem a venda.
Pianos tanto horizontaes como verticaes,
dos melliores autores.
Obras de ouro de 18 quil. do mais apu-
rado gosto.
Pinturas em oleo, paisagens ecom moldu-
ra dourada-
Vistas de Pernambuco, geraes e espe-
ciaes.
Cadeiras e sofa's para terracos e jardins.
Oleados de ricas pinturas para mesas.
Vinho de Champagne.
Licores de differentes qualidadcs-
Presuntos.
Genebra em frasqueiras.
Instrumentos para msica.
Vendem-se em casa de S. P. Jolins
ton & C, na ra de Senzalla Nova n. 42.
Vinho do Porto superior engarrafado.
Sellins inglezes.
Relogios de ouro patent inglez.
Chicotes de carro.
Farello em saccas de 3 arrobas.
Fornosde farinha.
Candelabros e candieiros bronzeados.
Despenceira de ferro galvanisado.
Ferro galvanisado em folha para forro.
Cobre de forro.
Ao bom e barato.
Alpacas de seda para vestidos, do melhor gosto
possivel, e cassas organdiz, fazenda dos melhores
desenlio} que tem vindo a esla prac,a : na loja do so-
brado amarello, na ra do Queimado n. 29, de Jos
Moreira Lopes.
Vende-se orna escrava da Costa da Mina, sera
vicios nem achaques, cozinha, lava de sabo e he
excellenle quitandeira : na ra da Praia de Sania
Rita, serrara n. 23-
Vende-se por precisan urna escrava moca com
todas as habilidades precisas; na ra do Sebo", casa
terrea n. 13.
FRECTAS NOVAS.
Na ra eslreila do Rosario n. 11, deposito das bi-
chas de ilamburgo, vendem-se ns fruclas seguinles :
peras frescas, macaes, ameixas francezas em Utas,
sardinlias em latas, queijos londrinos, latas de amei-
xas, de damascos, e peras confeitadas com caixas de
flores propiiaspara mimos, e outras inuilas cousas,
assim como a verdadeira bolachinha de soda.
Na ra Nova n. 21, segundo andar, vende-se
um mulato bstanle moco o ine-tre funileiro.
NOVAS INDIANAS DE SEDA ESCOS-
SEZAS A 800 RS. 0 COVADO.
Cheguu pelo vapor Serern, orna fazenda iutetr-
menle nova de seda escosseza, com o lindo nome
de Indiana, que pelo seu brilho parece seda, pelo di-
minuto pree/> de 800 rs. o covado: na loja da ra
do Queimado n. 40.
RICOS CHALES DE SEDA.
Na ra do Queimado loja n. 40, veuriem-se cha-.
les de seda, padrees novos, a 85000, 129000, 145000
e 17C000 rs., chales de merino a 5j?500 rs., dilos de
laa preos a 3&400 rs.
LINDAS CASSAS FRANCEZAS A
v Ui) RS. A JL
Vende-se na ra do Queimado loja n. 40, cassas
francezas a 440 rs. a vara, cortes de cassa chita a
19600 rs., seda acliamalolada de cores e preta a 803
rs. o covado, luvas de seda para meuiua, e outras
muilas fazendas por barato preco.
FARINHA DE MANDIOCA.
Vende-se superior farinha de mandio-
ca, em saccas que tem um alqueire, me-
dida velha, por preco commodo: nos
armazens n. 3, 5 e 7 defronte da escadi-
nha, e no armazem defronte da porta da
alfandega, ou a tratar no esgriptorio de
Novaes & C, na ra do Trapiche n. 5-V,
primeiro andar.
CHAPEOS DE SENHORA.
Os mais ricos chapeos de senhora, ai
toucas e toucados os mais modernos, os
enfeites de caberas do mais bom gosto, .os
adornos de todas as. qualidades, e princi-
palmente os mais ricos: se encontram
sempre na loja de madama Theard, mo-
dista franceza, na ra Nova.
Vende-se um carro novo inglez de 4
rodas, recentemente chegado, para um
ou dous ca va los, le lo em Londres, para
ver na cocheira do Sr. Poirier, no aterro
daBoa-Vista n. 55, e para tratar, na ra
da Cruz n. 42, no escriptorio de Crab-
treedt C,
Vende-se um piano inglez com boas
vozes, proprio para se aprender, por ba-
RISCADOS ESCOCEZES
A 300 RS. O COVADO.
Vendem-se na ra do Queimado, loja n. 17; ao
p da botica.
CEMENTO ROMANO.
Vende-se cemento romano, e'ui barricas de 12 ar-
rollas, e as maiores que ha no mercado, chegado l-
timamente de Uamburgo, por menos preco do que
em oulra qualquer parle : na ra da Cruz no Reci-
te, armazem n. 13.
Vende-se urna cama pequea de conduru',
com armacSn. pelo barato prec,o de 83000 rs. : na
ra da Concoicao 11. 32
Vende-se um bom escravn para servico de casa
de familia muito fiel, 1 dito de meia idade bom pa-
ra sitio, 1 escrava boa de 30 annos, que cozinha o
diario, lava muito bem e vende na ra, 1 dita de
meia idade boa para todo o servico: na ra dos
Quarleis u. 24.
Vende-se parle do sobrado n. 143, e parle da
casa terrea 11. 80 da ra do Pilar : quem pretender,
dirija-se mesma ra, sobrado n. 141, a qualquer
hora. *
Vende-se nm alambique famoso de cobre, e de
snflrivel .limencao. com lodos os seus apparelhos,
inclusive urna bomba e vinte cubos de amarello vi-
nhaliro ; o alambique he de excellenle cobre puro,
e as.s fornido : Irata-se na ra da Cadeia do Recife
n. 3, primeiro andar.
Vende-se rap de Lisboa, Paulo Cordeiro,
Princeza do Rio, e meio grosso : na praca da Inde-
pendencia, loja n. 3. .
Vende-se urna escrava crioula, de bonita figu-
ra, de idade 24 annos, ptima engommadeira, cozi-
nheira e Invadefra, sem vicios nem achaques : na
ra de liortas n. 60.
Vende-se urna morada de casa terrea na rna
das Cinco Ponas : a tratar no Pateo da Penha n.
33 A.
Vendem-se 250 barricas' promptas para assu-
car: na rna do Encantamento n. 3, armazem.
PANORAMAS PARA JARDIM.
Brunn praeger &C., na ra da Cruz
n. 10, receberam e vendem um sortimen-
to de globos de espelho de diversos lama-
nhos e cores, que formam o mais lindo
panorama, postos em urna columna no
meio do jardim, como se usa hoje na Eu-
ropa, nos jardins do bom gosto.
Vende-se na ra Nova n. 3, taberna de Anto-
nio Ferreira Lima, presunto para fiambre, dilos
para panella, queijos londrinos e de oulrasqnalida-
des, bolachinhaS de araruta linas, ero talas e a re-
talho, assim como bolachinhas de soda, ditas ame-
ricanas quadradac, pequeas e Brandes, conservas
surtidas, moslarda em p, latas com marmelada, de
varios lamanhos, bocelas com doces seceos de varias
qualidades, peras, damascos e ameixa., a'sirn como
sal refinado, vinhos de todas as qualidades, e nnlros
muilos mais gneros por prejo commodo, e agrada-
vel aos compradores.
Na casa da Fama, na ra Direila n. 27,vende-se
manleiea insleza a 480 e 560 ; franceza a 560 e 600;
aletria a 240 e 320 ; tourinho de Lisboa a 360 e 400
rs. ; queijos novos a W80 e 1J600 ; atascar fino a
100 e 120 ; azeile doce a 640 e 720 a garrafa : fari-
nha do Maranho a 140 e 160; degomma a 80, 100
e 120 ; dita de ararula a 240 e -280 ; velas de car-
nauba a 360 e 400 rs. a libra; eaixinhas de 100 cha-
rutos a 19000 e 900 rs.; cha Ins-ou a 28000 e 19900;
dilo do Rio de Janeiro a 19500, I96OO e 1JI700 ; as-
sucar tomeno a 80 e 90 rs.; btalas a 80 e 100 rs. a
libra.
Vende-se ou permuta-se por lijlos de alvena-
ria grossa. urna canoa com 3 palmos de bocea e 43
de comprido, por preco commodo: na roa Bella n.
35, at as 8 horas da manhaa, ou,das 3 da larde em
dianle.
PARA FECHAR CONTAS-
Vende-se cera em velias de Lisboa, por
preco barato: na ra do Vigario n. 19
segundo andar, escriptorio de Machado &
Pinheiro.
Para casamento.
Vendem-se cortes de vestido de seda branca la-
vrada, de superior qualidade : na loja de 4 portas
da ra do Queimado n. 10.
Sedas de coras.
Vende-se corles de vestido de seda furia cores,
lindos goslos e por preco commodo : na loja de 4
portas da ra do Queimado n. 10.
Grande sortimento de palitos francezes.
Chegaou pelos ltimos navios viudos de Franca,
um crande sortimento de palitos, sendo de seda a
12)00, de lia, de. panno, de alpaca de cor e preii,
de brim branco e de cor, de ganga superior, e ou-
tras muilas qualidades ; assim como calcas, foleles
e paules de meia laa de quadrinhos, cohetes de fus-
Uto etc. ; todo se vende por precos muitorazoaveis:
na ra do Collegio 1.. 4, e na ra da Cadeia do Re-
cife n. 17.
Malas para viagenu
- Ha um grande e novo sortimento de lodos os la-
manhos, por mdico proco ; na ra do Collegio n. 4,
Vende-se-superior carne do seriao da melhor
que tem vindo ao mercado, propria para quem quer
urna boa (micha para passar a fesla, era porcaoea
relalho : na ra da Praia n. 4.
Vende-se superior chocolate fran-
cez, por preco commodo: na ra da Cruz
n. 26, primeiro andar.
Vende-se superior Kirche e Absinthe
verdadeiro de Suissa : na ra da Cruz n.
26, primeiro andar.
Vendem-se aberturas francezas, pa-
ra camisas de jinho e de madapolao, por
preco commodo: na ra da Cruz n. 26,
primeiro andar.
Vende-se nma boa casa terrea em Olinda, ra
da bica de S. Pedro, que faz esquina com o cercado
de madeira, com 2 portas e -laatUn de frente, 3
salas, 3 quarlos, cozinha grande, copiar, eslribaria,
grande quintal todo morado, com portao e cacimba,
muilo propria parase passar a fesla, mesmo para
morar todo o anno: a tratar no Recife, ra do Col-
legio u. 21, segundo andar.
Ao barato freguezes.
Na ra do Crespo, loja encarnada, vendem-se cor-
les de casemira muilo fina, pelo diminulo prero de
49000.49500 e 59000; dilos de brim a 19600'e29
rs. ; corles de cassa com barra e sem ella a 29000,
29500 e 3*000; chita franceza a 200 rs. o covado, e
outras muilas fazeudas por barato preco.
Loja encarnada, ra do Crespo n. 9.
Vendem-se corte de gasa de seda, pelo diminulo
preco de 89000 ; vende-se por este preco por se ter
comprado grande porreo.
Moinhos de vento
ombombasderepuiopara regar borlase baixa,
decapim, na fundicao de D. VV. Bowman : na raa
do Brum ns. t. Se 10.
GRANDE SORTIMENTO DE BRINS PARA
CALCAS E PALITO'S.
Vende-se brim Iraucado de linho de qnadros a
600 rs. a vara ; dilo a 700 e 19000; dito mesclado a
19400 ; corles de fusiao tranco a 400 rs. ; ditos de
cores de bom goslo a 800 rs. ; ganga amarella lisa da
India a 400 rs. o cuvado ; cortes de cassa chita a
29000 e 292OO ; lencos de cambraia de linho gran-
des a 640; ditos pequeos a' 360 ; toalhas de panno
de linho do Porto para roslo a 149000 a duzia ; di-
las alcoxoadas a 109000 ; guardanapos tambem alco-
xoados a 396OO: na roa do Crespo n. 6.
O QUE GUARDA FRI GUARDA CALOR:
portanlo, vendem-se cobertores de algodao com pel-
lo como os de 1.1a a 19400; dilos sem pello a 19200;
dilos de (apele a 1200 : na ra do Crespo n. 6.
$#:*
RA DO CRESPO N. 12.
# Vende-se nesla loja superior damasco de
W seda de cores, sendo branco, encarnado, rxo, flf
9 por preco razoavel. tjt
******:
Vendem-se lonas d Russia por preco I
commodo, e do superior qualidade: no
armazem de N. O. Bieber&C,, ra da
Cruz 11. 4.
CASEM1RAS E PANNOS.
Vende-se casemira preta e de cor para palitos por
aer muilo leve a 29600 o covado, panno azul a 39 e
49OOO, dito preto a 39, 39500, 49, 59 e 59500, corles
de casemira de goslos modernos a 69000, setim pre-
to de Slacao a 3920O e 49000 o covado : na raa do
Crespo n. 6
OBRAS DE LABYRINTHO.
Acham-se venda por commodo* precos ricos len-
cos, loalhas e .roeims de labyriuthn, ebegados lti-
mamente do Aracaly : na ra da Cruz do Recife n.
34, primeiro andar.
Com toque.de a varia.
Madapolao muito largo a 39000 e 39500 rs. a pe-
ca: na ra do Crespo, loja da esquina qne volta pa-
ra a Cadeia.
CHALES E MANTELETES DE SEDA
DE BOM GOSTO.
Na ra do Crespo loja da esquina que
volta para a Cadeia : vende-se chales de
seda a 80000, 12$000, 14$000 e 18000
rs., manteletes de seda de cor a 11 000
rs chales pretosdela muito grandes a
3s600.rs., chales de algodao e seda a
1S-280 rs. ;
CASSAS FRANCEZAS
A 320 RS O COVADO.
Vende-se na ra do Queimado, loja n. 17, cateas
francezas novas, dt corea fixas, pelo baralo preco de
320 rs. cada covado.
SYSTEMA MEDICO
HOLLOWAY.
PIULAS HOLLOWAY.
Este ineslimavel especifico, composlo inleirimen-
le de herva medicinaos, 1180 contem mercurio, nem
oulra alguma substancia delecterea. Benigno mais
lenra infancia, e complei{io mais delicada, be
igualmente prompto e seguro para desarraigar
mal na compltelo mais robusta; he inlriramenle
innocente em suas operaefies e efieilot; pois busca
reniove as doenc,at de qualquer. espacie e grao, por
mais antigs e leuazes que sejam.
Entre milhares de pes.oas caradas com este reme-
dio, muilas que j esiavar s portas da marte, pa,-
severando em seu uso, conseguirn! recobrar a sar
de e Torcas, depois de haver tentado iuutilmenle-
todos os oulros remedio.
As mais afSielaa, nao devera entregar-ae deses-
perlo : facam um compleme ensaio dos efficazes
elleilos desta astOmbrota medicina, e prestes recu-
perarlo o beneficio da sade.
Nao se perca lempo ero tomar esse medio para
qualquer das seaninles enfermidades:
Deposito de vinlio de cham-
[jagne Chateau-Ay, primeiraqua-
, idade, de propriedade do condi
de Mareuil, ra da Cruz do Re-
cife n. 20: este vinho, o melhor
de toda a champagne vende- W
se a 36S000 rs. cada caixa, acha- &
se nicamente em casa de L. Le-
comte Feron & Companhia. N. B.
As caixas sao marcadas a fogo
Conde de Mareuil e os rtulos
das garrafas' sao azues.
Accidentes epilpticos.
AI poicas.
Ampotas.
Areas (mal i').\
Aslhma.. \
Clicas.
CouvulsSes. <
Debilidade on eulenai-
o. \
Debilidade ou faMa de
Torcas para qaafqoer
coo-a. '
Desioteria.
Dor de garganta.
a de barriga.
a nos ros.
Dureza no venlre.
Enfermidades no filado.
a veuereas.
Eniaqueca.
Ilerysipela.
Febres biliosas,
a intermitientes.
de toda especie.
Gola.
Heraorrboidas.
Hydropiaia.
Ictericia.
Indigesloea.
Inflammac.oes.
Irregularidades da metis-
truacHo.
Lombrigasde toda espe-
cie.
*Mal-de-pedra.
Manchas na cutis.
Obslruec.ao de venlre.
Phlhisica ou cooeampe,o
pulmonar.
, Retenco d'oarina.
vBneumatiiHto.
ymptomai segundario.
Temores.
Thf doloroso.
II ceras.
CEMENTO ROMANO.
Vende-se nuperior cerrtenlo em barricas grandes ;
assim como tambero vendem-se as tinas : atraz do
thealro, armazem de Joaqui-n Lopes de Almeida.
Vinho de Colares e de Thomar. .
Vende-se vinho de Colares linio e de Thomar
branco. em barris pequeos : na ra da Cadeia do
Recife 11.48, casa de Aucuslo C. de Abreu.
PARA ACABAR.
Vendem-se casjs francezas de cores fizas, e'lin-
dos padres, pelo' li.-n ..tis-inio preco de 140 rs. o co-
vado : oa loja da (uiinanles & enriques, ru do
Crespo n. 5.
Na loja da roa do Crespo n. 6, tem um grande
sortimeulo de caixas para rap a emilacilo das de
tartaruga, pelo mdico preso de 19280 cada urna.
LOTERA DO RIO DE JANEIRO.
Acliam-se a' venda os bilhetes da lote-
ra 47* do Monte Pi, que correu em 16
do corrente, as listas vein pelo vapor bra-
sileiro ate' 4 do vindouro dezembro, e os
premios serao pagos logo que se izer a
distribuicao das mesmas listas, sem o des-
cont de 8 p. c. do imposto.
Borzeguins a 5#000 !
Para fechar conlas vendem-se borzeguins de case-
mira e gasprados de couro de lustre a 59000 o par :
na ra da Ijideia do Recife u. 48, prirVieiro andar.
CONHECIDO DEPOSITO DE POTASSA
E CAL.
Na ra de Apollo armazem n. 2 B, con-
tinua a ter superior potassa da Russia e
Rio de Janeiro, e cal de Lisboa em pe-
dra: tudo a preco que muito satisfar'
aos seus antigos e novos fregu ves.
CAMISAS FEITAS.
Vendem-se camisas francezas as mais bem feitas
e melliores roodel'os que lem vindo a esla prara,
por preso commodo : na ra do Crespo n. 23.
Na taberna da rna do l.ivrameulo n. 38, ven-
de-se o afamado fumo de Garanhuns.
Cemento romano branco.
\ ende-se cemento romano b/anco, chegado agora,
de superior qualidade, muito superior ao do consu-
mo, em barricas e as tinas : atraz do thealro, arma-
zem de taimas de pioln.
Vende-se um cabriulel com coberla e os com-
petentes arreios para um cavallo, tudo quasi povo :
6ar ver, no aterro da Boa-Vista, armazem do Sr.
liguel Segeiro, e para Iralar no Recife ra do Trapi-
che n. 14, primeiro andar.
Lindos cortes de lanzinha para vestido de
senhora, com 15 covados cada corte, a
4^500.
Na ra do Crespo, loja da esquina qae volta para
a Cadeia.
Vende-se um dircionario Tompsom, Historia,
e tambem urna geographia de Gaullier, e as 4 esta-
roes em por'uguez, ludo em bom estado: no aterro
da Boa-Vista n. 2. primeiro andar.
Vende-se um corso de geometra por Lacroi :
rato preco: na ra da Praia n. 45, sefnin- no >teU '1* Boa-V'8""- 'i ourives n. 68.
r, >~ou" Vende-se um escravo de bonita figura: t
do andar.
figura :
da ra do Queimado n. 39, de Moraes.
na loja
AOS SENHORES DE ENGENHO.
Cobertores escuros muito grandes e encorpados,
ditos brancos com pello, muito grandes, imitando os
de laa, a 19400 : na rna do Crespo, loja da esquina
qne volta para a cadeia.
Pannos finos e casemiras.
Na ra do Crespo, loja da esquina que volta para
a Cadeia, vendc-e panno prelo 2900. 29800, 39,
3J00, 49-500, 59500, 68000 rs. b covado.dilo azul, a
29. 9800, 49, 69, 79. o covado ; dilo verde, a 29800,
39300, 49, 59 rs. o covado ; dilo cor de pinhao a
49300 o covado ; corles de casemira prela franceza e
elaslica, 79300 e 89300 rs. ; dilos rom pequeo
defeilo,a 69300; dilos inglezenfestado a 58000 ; dilos
de cor a 49, 39300 69 rs.; merino prelo a 19, 18400
o covado.
Alenda m Edwin Kaw.
Na rna de Apollo n. 6, armazem de Me. Calmon-
& Companhia, acha-se constantemente bons sorti-
menlos de laixas de ferro coado e batido, Unto ra-
sa como fundas, moendas ineliras todas de ferro pa-
ra animaes, agoa, etc., ditas para armar em madei-
ra de lodosos lamanhos e modelos os mais moder-
nos, machina horisonlal para vapor com forra de
4 cavallos, cocos, passndeiras de ferro eslanhado
para casa de purgar, por menos preco que os de
cobre, esco-vens para navios, ferro da Suecia, fc-
Ihas de (landres ; tudo por baralo preco.
Vende-se excellenle laboado de pinho, recen-
temente chegado da America: na rui de Apopo,
trapo lie do Ferreira, a enleoder-se com o adminis-
trador do mesmo.
Cassas francezas a 320 o covado. '
Na ra dn Crespo, loja da esquina que vira para a
Cadeia, vendem-se cassas francezas de muilo bom
goslo, a 320 o covMo.
Na ra du Vig ario n. 19 primeiro andar, lem a
venda a superior flane la para forro de sellins che-
gada recentemente da Ameriea.
Potassa.
No anligo deposito da roa da'Cadeia Velha, es-J
criptorio 11. 12, vende-se muilo superior potassa da
Russia, americana e do Rio de Janeiro, a precos ba-
ratos que he para fechar contas.
epoiilo da tabriea de Todo* oa lano* na Babia
Vende-se, em casa de N. O. Bieber & C, na ra
da Cruz na 4, algodao transado d'aqnella fabrica,
muito proprio para sarcos de assuear e roupa de es-
cravos, por prejo commodo. "
AGENCIA
Da Fundicao' Low-Moor. Rna da
Senzala nova n. 42.
Neste estabelecimento continua a ha-
ver m completo sortimento de moen-
das e meias moendas para engenho, ma-
chinas de vapof, e taixas de ferro batido
e coado, de todos os tamauhos, para
dito.
Vinho do Rlieno, de qualidades es-
peciaes, em caixas de urna duzia charutos
de Havana verdadeiros: ra do Trapi-
che n. 5.
- Na ra da Cadeia do Recife n. 60, vendem-se os
seguinles vinhos, os mais superiores que lem vindo a
este mercado.
Porto,
Bucellas,
Xerec cor de ouro,
Dito escuro,
MadVira,
em eaixinhas de urna duzia de garrafas, e vista da
qualidade por preco muito em conla.
DEPOSITO DE CAL DE LISBOA.
Na roa da Cadeia do Recife n. 50 ha para vender
barris com cal de Lisboa, recentemente chegada.
Vende-se urna bal-nra romana rom lodos o*
seus perlences. em bom uso e de 2,000 libras: quem
a prelender, dirija-se i ra da Cruz, armazem n. i.
PUBLJCACAO' RELIGIOSA.
Sahio luz o novo Hez de Maria, adoptado pelos
reverendsimos padres capuehinhos de N. S. da Pe-
nha desla cidade, augmeulado com'a novena da Se-
nhora da (.oncoicAo, e da noticia histrica da me-
dalha milagrosa, edeN. S. do Bom Cqnselho : ven-
doe nicamente na livraria n. 6 e 8 da pr.ica da
independencia, 19000.
Completos sortimentos de fazendas de bom
gosto, por precos commodos.
Na ra do Crespo loja da esquina que volta para a
Cadeia, vendeme corles de vestidos de cambraia de
seda com barra e babados, 89000%. ; dilos com
flores, 79, 99 e 108 rs. ; dilos de quadros de bom
gosto, 119 j corles de cambraia franceza muito fi-
na, (lia. com barra, 9 varas po* 49300 ; cortes de
cassa de cor com tres barras, de lindos padrdes, a
39200, pecas de cambraia para cortinados, comN',
varas, por 39600, ditas de ramagem muilo finas, 11
68 ; cambraia desalpicos miudinhos.branca e de edr
muilo fina, *800 rs. avara aloalliado de linlioacol-
xoado, i 900 a vara, dilo adamascado com 7 'i pal-
mos de largura, 11 29200e 38300a vara; ganga ama-
relia liza da India muilo superior, .1 400 rs. o cova-
do corles de col lele de fuslo alcoxoado e bons pa-
drees fios, 800 rs. ; lenco* de cambraia de linho
i 360 ; dilos grandes finos, i 600 rs. ; luvas de seda
brancas, de cor c prelas muito superiores, 1600 rs.
o par ; ditas fio da Escocia 300 rs. o par.
Vende-se urna taberna na ra do Rosario da
Boa-Vista n.-47, que vende muito para a trra, os
seus fundos silo cerca de 1:2009000 rs., vende-se
porm com menos se o comprador assim Ihe convier :
a tratar junto i alfandega, Iravcssa da Madre de Dos
armazem n. 21.
Taixas para engenho 9.
Na fundicao' de ferro de^D. W.
Bowmann na ra do Brum, passan-
do o chafariz continua haver um
completo sortimento de taixas de ferio
fundido e batido de 3 a 8 palmos de
bocea, as quaes acham-se a venda, por
preco commodo e com promptidao' :
embarcam-se ou carregam-se em carro
sem despeza ao comprador.
Na ra do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas mu-
sicas para piano, violao e flauta,, como
tejam, quadrilhas, valsas, redowas, scho-
tickes, modinhas, tudo modernissimo
chegado do Rio de Janeiro.
Vef ereo (mal).
Vendem-se esUs plalas noj'estaheleciaBento geral
de Londres, n. 2*4, Sirond. ce na loja de lodo* o*
bolicanos, droguistas e oulras| pessoas encarregadas
ae mi venda em loda a Ameriica do Sol, Havana'e
ne.panha. ^ ^
Vende-se as bocetinha a 800Vis. Cada nma del-
laseonlem urna fnnlrucean em'pKrtusnei para ex-
plicar o modo de se usar (Teslas piwlas.
O deposito geral he em casa do Br. Soum, phar
maceuco, ua ra da Crnz n.22, Tem Pernambuco
ANTIGO DEPOSITO DE ALGODAO DA
FABRICA DE TODOS OS sHNTOSDA
BAHA.
Contina a estar a' venda, superior
panno de algodao desta fabrica, i/ropric
para saceos e roupa de escravos: no^ es-
criptorio de Novaes & C., roa do Trapicll^
n. 3-, prirrfl'iro andar.
**: **
O POTASSA BRASILEIRA.
Vende-se superior potassa, fa-
bricada no Rio de Janeiro, che-
gada recentemente, recommen-
aa-se aos senhores de engenho os
seus bons ell'eitos ja' experimen-
tados : na roa da Cruz n. 20, ar-
mazem de L. Leconte Fajron &
nhia.
I
i"
Ni
\
Compar
Vende-se a verdadeira potassa da
Russia, e cal virgem, vjnda no brigue
portuguez Tarujo III, chegado no di
5 do corrente: na praca do Cprpo Santo
n. 11.
FARINHA DE MANDIOCA.
Vende-te a bordo do brigue Conctieao, entrado
de Sania Cainarina, e Tundeado oa volta do Forte do
Mallos, a mus nova farinha que existe lioje no mer-
cado, e para poreses a Iralar no escriptorio dr Ma-
la Guerra Jnior, na roa do Trapiche
AOS SENHORES" DE ENGENHO.
da invencao' do Dr. Eduar-
0
O. Bieber dt Companhia, na roa da
i. n. 4.
O arcano
do Stolle em Berln, empregadp as co-
lonias inglezas e hollandezas, com gran-
de vantagem para o melliorament do
assuear, acha-se a venda, em latas de 10
libras, junto com o methodo de emprc-
ga-lo no idioma portuguez, em casa de
Cruz
Vende-se urna rica mobilia de jaca
I randa', com consolos e mesa de tampo de
mar more branco, a dinheiro oa a prazo,
confrmese ajustar : a tratar na roa do
Collegio n. 25, taberna.
Na livraria da ra do Coilegio n. B'.
vende-se urna escomida colleccaodas mais
brilhantes pecas de msica para piano,
as quaes sao as melhores que se podem a-
char para fazer um rico presente.
Superior goimna de mandioca.
Vinda ltimamente do Aracaly, vende se por pre-
co commodo, em saccas de 4 arrobas e tanta* libras :
na ru da Cruz do Recife n. 34 primeiro andar.
Vende-se urna pr.ela de nar,*.o Angola, de ida-
de 23 a 30 annos, pouco mais ou menos, de bonita
ligara ; na ra do Fagundes, sobrado n. 29.
Em casa de J. KellerAC, na roa
da Cruz n. 55, ba para vender 5 exced-
ientes pianos vindos ltimamente de Ham-
burgo.
g RA DO TRAPICH N. 10.
Jj Em casa de Patn Nash & C., ha pa-
ra ra vender:
g Sortimento variado de ferragens.
i. Amarras de ferro de 3 quartos at*l
polegada. 0
Champagne da melhor qualidade
em garrafas e meias ditas.
Um piano inglez dos melboi
l
i
Devoto Christao.
Sahio a luz a 2.* edico do livrinho denominado
Devoto Chrislao,mais correcto e acrecentado: vende-
se nicamente na livraria n. 6 e 8 da prafa da In-
dependencia a 640 rs. cada exemplar.
Redes acolchoadas,
brancas e de cores de um s panno, muito grandes e
de bom gosto : vendem-se na ra do Crespo, loja da
esquina qae volta para t cadeia.
ESCRAVOS FGIDOS.
Desappareceu do abaixo assignado no dia 22
do correnle, um cabriuha por nome Jlo, o qual
reprsenla ter 15 a 16 annos de idade; levou camisa
de meiim prelo. calca de algodaozinho de lislra
azul ; tem um falla em urna orelha : quem o pegar
leve-o a ra Direila n. 120, que aer recompen-
sado. Juao Pinto de Verat.
1001000 de gratificado.
Desappareceu no dia 8 de setembro de 185* o es-
cravo crioulo, amulatado, de nome Amonio, que re-
prsenla ler0 a 33 annos, pouco mais ou menos,
nascido em Cariri Novo, d'onde vejo ha lempos, be
muilo ladino, cosluma trocar o nome e inlilular-se
forro ; foi preso em fin* do anno de 1851 pelo Sr.
delegado de polica do termo de Seriuhaem, com o
nome de Pedro Sereno, como desertor, e sendo re-
mellido para a cadeia desta cidade a ordem do Illm.
Sr. desembirgador chefe de polica com oftlcio de2de
Janeiro de 1832 se verificou aer escravo, e o seu legi-
timo senhor foi Antonio Jos de Sanl'Anna, morador
no engenho Caite, da comarca de Santo AnUo, do
poder de qoem desappareceu, e sendo oulra vez cap-
turado e recolhido a cadeia desta cidade em9de
agosto, foi ahi embargado porexreuc.ao de Jos Dias
da Silva (iuimaraes, e ltimamente arrematado em
praca publica do juizo da segunda vara desla cidade
no dia 30 do mesmo mez pelo abaixo assignado. Os
signaes sao os seguinles: idade de 30 a 33 annos, es-
tatura e corpo regular, cabellos preto* e rarapinha-
lo, rr amulatada, olhos escuro*/ nariz grande e
grosso, bei(ot grossos, o semblante fechado, bem bar-
bado, com lodos os denles na frente : roca ae, por-
tanlo, as autoridades potiriaes, capilaes de campo e
pesuas particulares, o favor de a apprehenderem a
mandarem nesta. praca do Recite, na ra larga do
Rosario n. 14, que receberSo a gratifira;So cima de
IOO5OOO ; assim como protesto coulra quem o tiver
em seu poder occullo.ManoeI de Almeida Lopei.
PEEN. : TYP. DE M. ". DE FARIA. 185*.
I
.-*.

f
i
MUTILADO


Full Text
xml version 1.0 encoding UTF-8
REPORT xmlns http:www.fcla.edudlsmddaitss xmlns:xsi http:www.w3.org2001XMLSchema-instance xsi:schemaLocation http:www.fcla.edudlsmddaitssdaitssReport.xsd
INGEST IEID EE79YZYHO_FOOMMX INGEST_TIME 2013-03-25T12:56:27Z PACKAGE AA00011611_01231
AGREEMENT_INFO ACCOUNT UF PROJECT UFDC
FILES