Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01229


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Full Text
*
ANNO XXX. N. 276.
Por 3 mezes adiantados 4,000.
Por 3 mezes vencidos 4,500.
NN

SEXTA FEIRA I DE DEZEMBRO DE 1854.
--
Por anno adiantado 15,000.
Porte franco para o subscripto!.
DI ARIO DE PERNAMBUCO
I\i: VUREG.VDOS DA SUBSCRIPCA'O-
Recife, o proprietario M.F. de Fria; Rio de Ja-
neiro, o Sr. Joao Peroira Mar lin*; Baha, o Sr. F.
Duprad; Macei, o Sr. Joaquim Bernardode Mon-
donga ; Parahiba, o Sr. Gervasio Vctor da Nativi-
dade ; Natal, o Sr. Joaquim Ignacio Pereira; Araca-
ly, o Sr Antonio de Lemos Braga jCear, oSr. Vic-
toriano Augusto Borges; Maranho, o Sr. Joaquim
M. Boilrigues; Para, o Sr. Justino Jos Ramos.
CAMBIOS.
Sobre Londres, 27 1/2 a 27 3/1 d. por li?0O0.
Paris, 350 rs. por 1 f.
Lisboa, 105 por 100.
Rio de Janeiro, 1 1/2 por 0/0 de rebate.
Acedes do banco 40 0/0 de premio.
da companhia de Beberibe ao par.
da companhia de seguros o par.
Disconlo de lettras de 8 a 10 por 0/0.
METAES.
Ouro.Oncas hespanholas- 29*000
Modas de 65400 velhas. 165000
de 635400 novas. 16000
do 4 JOOO. 93U00
Prala.Patacoes brasileiros. 19'JiO
Pesos columnarios, 19940
mexicanos. .... 15860
PARTIDA DOS COltRElOS.
Olinda, lodos os dias.
Caruar, Bonito e Garanbuns tos dias 1 e 15.
Villa-Bella, Boa-\ isla, Ex eOjrieury, a 13 e 28.
Goianna e Parahiba, segundas ( sexlas-feiras.
Victoria e Natal, as quintas-iiras.
PREAMAR DE I104E.
Primeira 1 hora e 18 minutos da larde.
Segunda I hora e 42 minutosda manhaa.
AUDIENCIAS.
Tribunal do Commercio, segundas cquinlas-feiras.
Relacao, tercas-feiras o sabbados.
Fazenda, tercas e sexlas-feiras s 10 horas.
Juizo de orphaos, segundas e quintas s 10 horas.
1* varadocivel, segundas e sextas ao mciodia.
21 vara do civel, quariasc sabbados ao meio dia.
Dezbr.
EPIIEMERIDES.
4 La cheia ao 44 minutos e 48 se-
gundos da tarde.
12 Quarto minguante s 3 horas, 43
minutse 48 segundos da tarde.
19 La nova as 7 horas, 48 minutos e
48 segundo? da tarde.
26 Quario crescenle a 1 hora, 21 mi-
nutos e 48segundos da tarde.
DIAS DA SEMANA.
27 Secunda. S. Margarida de Saboia v.
28 Terca. S. Jacob da Marca f. ; S. Soslhines.
29 (Juana. S. Saturnino, m. ; S. Cuino diac.
30 (Quinta. S Andr ap. ; S. Euprepelio nr
1 Sexta. S. Nahum propheta ; S. Eloy b.
2 Sabbado. S Balbina v m.: S. Ponriano.
3 Domingo. Ia do Advenio, S. Francifoo Xa-
vier ap. das Indias ; S- Sofonias propbela.
PARTE OFFICIAL
COMMANDO DAS ARMAS
Osarte! do conoaaado da. armas de Feraam-
buco, na eldade do Recie, em 30 da novan-
aro de 1854.
OKDEM DO DA N. 180.
O coronal eoniiuandanle das anus interino de-
termina, qua na manhaa do dia l. de dezembro se
pas Ira aoi corp.w do exercito estacionado* no-la pro-
vincia, e a* coapanhia* fixas p-la ordem seguinle :
as 6 llora, a companhia de arlires ; < a de ca-
vallari.i ; i* 7 ao bal.ilb.lu 10 de infamara : fl 7t
ao ." baialhioda mesma arma e rectutas em deposi-
to no quartel do lio-pino ; s 8 \ tambem ao 9
balalh.i i do insulana a s 9 )\ ao 4. batalhio de
arlilharia ,i p na cida le de Olinda.
O mesmo coronel commandante das armas deter-
mina igualmente, que amauhaa sejam consideradas
engajados para servirem por mais ti anuos nos ter-
mos do regulamenlo de 14 de dezembro de 1852 a
decreto u. 1401 de 10de junho do rorrenle anno, o.
soldados Luiz Jos da Luz e Eleodoro Alves de
Araujo. este da 3.' e aquelle da 5. companhia do
4.a batalhao de arlilharia a p. Estes soldados p>r-
cebeio alm dos venciraenlos, que por lei Ihes com-
pelirem, o premio de 400$ pagos na conformidade
do arl. 3 do citado decrelo, e lindo a engajamento
urna data de Ierras de 22,50) bragas quadr.das. Se
deserlarem perderao as vantagens do premio e a -
Juella* a que lem direito.'serao lidos como recrula-
os, descoulando-se no lempo de engajamento o de
prisao em virludede senlenga,averbaiido-se este des-
cont e a perda. das vantagens nos respectivos ttulos,
como lie por lei determinado.
Assignado.Manoet Muniz Tacares.
Conforme.Candido Leal Ferreira, ajudante de
ordens encarregado do delalhe.
EXTERIOR.
O Journal des Debis d a descripgao seguinle
da* forlificages de Sebastopol, segundo os esclarec-
mentos que beben as memores fontes :
a S3o as forlificages actualmente atacadas ao sul
da cidade que nos vio occopar, e nao os funes do
ancoradouro. Bastar dizer que esles fortes, em o
numero de onze. guarnecem os dous lados desle an-
coradouro, e que seis de entre elle*, guarnecendo a
propria cidade, perlencem ao porto militar e mar-
gena do meio dia, lado pelo qual opera o exercito
combinado.
cheaarmos ao contorno da cidade e do porto al o
rio Tchernaia, a leste, circuito que abraca a dupla
frente de ataque dos Iuglezes e dos Francezes. Da-
remos primeirameute o aspeclo gcral da praga.
O sitio de Sebaslopol se divide em declivios mui
ingremes desde o mar at as grandes cnltinas pelladas
que a dominam ua distancia de legua e meia, e don-
de se descobre lodo o panorama da cidade e do an-
coradouro. De mais perlo este lodo cessa de ser
visivel.e at j se nao avista a ponta do mastros, por
que o sitio se interna profundamente at o nivel da>
ancoradouro edo porto. Resulta desla confiauracto
do terreno urna cidade escarpada era ampliiiheatro,
como Alger, ma m-llior rasgada, porque he de
con*trucgao inleiramenle moderna, que dala de
1790. As suas irn.versaes, parallelasao ancora lou-
ro, posto que geralmcute planas, s communicam
entre si por meio da subidas rpidos, mas lia as
suas extremidades rampas mais suaves para as car-
ruasens. A enlacie conten varios monumeutvs, en-
tre oulros as igraja, priac.pnlmuuie indu- ... aUi
Ocios da mariulia, o arsenal, os quarteis e os hospl
taes. A populado he de 40,000 almas em lempos
ordinarios, inclusive 20,000 soldados e marinheiros.
Os 20,000 habitantes burguezes sao empregados de
qualquer classe. marinheiros ou militares reforma-
dos, alguna commercianles, pescadores e opera-
rios.
e A baha da quarenteoa, a nesle (eitremidade
esquerda dos ataques), lie defendida pela dupla ba-
lera do mesmo nome. Perlo dahi se eneoutra o
forte Alexandre, e ao lado desle forte urna balera
chamada batera de Sebastopol, porque faz parte da
cidade. Dcsta balera parle urna muralha amelada
pelas descargas de espingardas, lendo um klommetro
de rompriroento, que s eleva sobre o rpido decli-
ve de urna colliua al o vrtice, o qual he cornado
por um grande forte quasi redando, oflerecendo a
figura de um pastel, armado de 20 pegas sobre a pla-
ta-forma; hevcercado na- parle inferior^or anu ba-
lera cuja muralha lem 20 ps de altura. Esla du-
pla disposico faz ao longe }> efleilo de um basliu
coroado por seu cav.illeiro(em termos de fortificaran .
A muralha a o baslao esli precedidos de um fosso;
mas nao ha nem caminbo coberlo uem esplanada
diante desle fosso.
Como os Francezes se acham acarregdos do
ataque da esquerda, lerao provavelmente de baler o
forte, depois do que dominarlo a baha assim como
a batera da quarentena, e mesmo lodo o lado or-
ental ribar anlea de l chegarem. Sob as pegas do forte-
pastel se enconlra um grande quartel, fortificado, o
qual foi flanqueado recnteme n le com varias ohras,
taes como oculos, rodantes ou reducto* bem arma-
do*. Desle quartel parte un muro que cerca com-
pletamente cidade, o porto e o arsenal, al alm
da baca desarenar, em directo do Tchernain, na
ctUemiilade do"Sncoradouro, o que d.i um desen-
voivimenlo de 6 a 8|(|omroelro*, cousa de -2 legua,
inclusive as sinuosidades.
a Esla muralha lem tres p* de espessura ; he
ameiada,lem flancos, he precedida de um fosso cuja
trra fui lancada diante para formar urna esplanada
que cubre a cantarla em varios losares. Bata mu-
ralha he terraplenada, islo he, nao conslilue urna
trincheira com Ierra-pleno onde se possa estabelcrer
arlilharia. Mas sobre os pontos em que, u'uma fr-
tificagao reaolar, houvessem basties. os liu-n- tem
levantado baleras e,m forma de cavalleiros, atirando
Sobre a muralha. O desarmamentn dos seus navios
minislrou-llw com que guarnecer tojas as suas obras
com riegas de grosso calibre, e devem ter canhonei-
ros mais ou menos habis.
Esle imperfeito syslema de forlificages s pode
ler aleuiu valor pela teoaridade dos sitiados, pelo
sen grande numero e pela habilidade dos engenhei-
ros, se os ofliciaesda engenhara rus-a liverem o la-
lento de multiplicar os obstculos, e as chicanas de-
baixo dos passosdo* sitiantes. O centro da liuha he
defeiuliilo pelo forte d'Akliar, elevado sobre um
ponto culminante, no vrtice Via cidade. A pouca
distancia deste forte nascem tres quebradas que des-
ce al o ancoradouro. Urna, ao oe*te, que se ter-
mina pela lialii que corla a cidade em duas parles drsiguaes, e a
terceira, a lesle, que desee direitoao norte para for-
mar o porto, que he a prolongagao desla mesma que-
brada no mar. He principalmente na sabida infe-
rior desla quebrada esobre a maraem oriental do
porto que esto accumulada* as defezas, porque
(aluda quando os navios fossen. qaieiniados tiedos
Russos) lhes importa sempre muilo impedir o ac-
cesso do porto, mxime o da aldea de Kerbelnaia,
sobre a margem oriental. Se os sitiantes da direila
o* Iuglezes, se amparassem desla aldea ao passo que
os Francezes se lornem senhores do forte-pastel, a
cidade se adiara inetlida entre dou fogos, e de lal
sorte esmaltada pelas bombas, pelas bala* e pelos
obii/.es. que neuhumi guarnigao ahi se podera man-
tel". Ma* releva ob.ervar que esta guarnigao nSo
pode ser reduzida a capitular, se nao for bloqueada,
e que os Rn-.o- quasi exhaustos de esforgos dentro da
cidade, poderao sempre alravessar o ancoradouro
com as suas embarcages para se refugiaren! nos for-
tes da margem septentrional.
Entre as obras destinadas a defender a quebra-
da do porto, cilam-se duas srandes bateras, com
forma de torre, construcg&o rcenle, que dizem ser
fela de pedra e lijollo. Em consequencia de falla de
tempo para levantar urna terceira torre no fundo do
porto, os Russos ah mellerara a pique urna nao
para servir de balera contra a desemboccadura da
quebrada. Alm disso, os Irabalhos anda continan)
actualmente em lodo o mbito exlrior da praga, de
uole e de da, sem nlerrupgAo. Melade da guarni-
gao se acha oceupada com este trabalho, e todos o*
habitantes capazes de prestar servigo, sao obrigados
a lomar parle nelle.
a A muralha circular que descrevemo*, repre-
senta o que se chamara o corpo da praga n'uma for-
tificagao bastionada, como em Paris. Resta agora
fallar da parle exterior, que, n'uma fortificagao re-
gular, conlm os caminhos cobertos do palissada*, as
mcias las, as Trechas, os oculos avaugados no cam-
po, obras de-t nadas a cobrir as avenidas, a retardar
a marcha dos sitiantes, obrigados desl'arte a fazerem
muilos cercos pequeos aoles de poderem atacar o
corpo da praga.
a Sebastopol he dominada quasi em lodos os lados
por colliuas que se levantara gradualmente at urna
altura bastante grande, donde se descobre loda a ci-
dade, como j Jissemos. Mas as colliuas mais visi-
nhas foraui nivelladas desde muilo lempo por Iraba-
lhos que duraram doze anuos, leu lo-.e transportado
as Ierras da escavagao, lauto para o lado da quaren-
teua, como para algn* fo'sus que podiam facilitar
as avenidas. Porlaulo au existe elevarao domi-
naule em distancia de 500 ou 600 metros' da praga.
Mais alm daquella zona os Russos oceupavam com
folies reducios inuita- [insigues elevadas, quo obri-
garam os silianiesa abrir a trincheira n'uma dis-
tancia inslita, de 1,.")00a l,SpOmelro*de distancia
da praga, segundo dizem. Anda que eslas posiges
nao se achassem fortificadas senao por obras de cam-
panha feita* de barro., em que >e poda forgar o
assallo, os generaes preferram operar melhodica-
mente a sacrificar bons soldados, cuja valenta e de-
dicagio se cncontrario mais larde, quaudo cliegar
occasiio de golpes decisivos.
Os reductos de que fallamos devem ter sido ata-
cado* e lomados, ma* ignoramos em que dala. O
_ exercito dea-sedio lera enlo avaugado nesle ler-
p, TBmrpanr-.otnniani. MnrffmncSw .u tra a prn-
pna praga. To lavia, fra do muro de circuito, an-
da ter-se-ha de baler e destruir algumas obras que
o cobrem nos pontos mais fracos. Em ultima ana-
lyse, tudas estas obras de campanha. todas eslas
conslrucgOes activas niopdemler estabelecidade.e a
resistencia da urna verdadeira fortificagao perma-
nente. Anda que o* Russos estejam munidos de
giossos canhoes, o can lulo nao he snOlcienle sem
bons parapeilos. Emlim est reconhecido pela ex-
periencia de lodos o* seculos que o fugo do sitiante
loma sempre a danteira sabr o fogo da melhor
praga, porque o fogo do ataque he sempre conver-
gente, ao pisso que o da defeza he pelo contrario
divergente.
Tal he o esbogo que julgamos poder apresenlar
acerca das fortificag&es de urna praga, cuja queda
inevitavel, sob os e>forgos dus valenles exercilos da
Inglaterra e da Franga,- nao pode dexarde fazer
grande eslrondo em toda a Europa, a
( Journal da Havre. I
aa>aaa
A POLTICA DE I.ORD ABERDEEM.
Senhores. Qoando sua mageslade houve por
bem nnmear-me para o lugar que boje lenfio a hon-
ra de oceupar, pensei que era de meu dever nflo s
com brevidade e em geral, cuino explcitamente de-
clarar os principio* sb os quaes o governo, do qual
sou ebefe. seguifia sua marcha.
Nao lenho motivo para me desviar desles princi-
pios ou desla dedaracao. Pelo contrario, he esla
declaragao que desejo adherir. Sem duvida alguma
o nosso primeiro objeclo naturalmente seria manter
e extender as medidas financeiras e commerciaes
o systema do mcu finado e lamentado amigo que
em aquella poca liuham sido ha pouco eslabeleci-
das. Mas, senhores, islo agora tnrnou-se um traba-
lho superfino. Nao ha necessidade para pe>soa algu-
ma se constituir campean ou defensor do sy-lema
commercial e financeiro de sir Roberto Pee, pois
parece ao menos ueste paz, ser elle uuiversalmente
adoptado; e at por seus inimigos ou he declarado e
aberlamenle seguido, ou pelo menos he em silencio
consentido. Declarei lambem que as principaes ba-
ses sb as quaes as medida* do governo se suslenla-
riam; erara fundadas em um principio de progresso
conservador. Tem-se agora lenta.lo duvidarda signi-
ficagao desla palavra, e lem-se dito que ella he vaga
e pouco illegivel. Mas o que quero dizer he, que
emquanlo as grandes insliluigoes do paz e os princi-
pios (undamentaes da consliluigo forem rehgiosa-
menle conservados, todava eu proseguira com co-
ragem a reforma em todos os departamentos do es-
lado.
FOLEETiaC.
0 CAHlfvBv) BO DEVER. *>
Por A. dcBrrnai'd.
___
CAPITULO DCIMO.
Si esbahiz ne fu mes hom
Com {'fui. voir.
(Rolebeuf. O milagre de Theophilo.)
iConlinuagflo.)
No goslamosde fazer abusos de retratos. A des-
irpgo do mais bello semblante he muilo fria, e
sempre imperlcita se a compararmo* mesmo com a
cpta que em tres pinceladas um pintor hbil vai
esborar sobre a tela. As palavra mclinu- e-colindas
e mais enzciiliosamente dispostas nao valerao jamis
alguna Iragos de creio laucados sobre o papel para
exprimirem a harmona das formas e a Eraga. Seria
inelhor muilas vees um as-ignalamento brutal como
se l nos passaporles, do que a longa e fastidiosa la-
dainha das Irezeutas bellezas da herona ; seria prc-
ferivel svezes esla secca e inaenua nomenclatura :
Cabellos castanhos, fronte media, sobrancelhas ne-
gra*, ullias azues, lez rosada, e como parlicularida-
de, um pequeo signal Iriguciro na face esquerda
onde a bocea forma urna ruga para sorrir i> a urna
presunr >sa descrpgao que coinegasse assim : Ma-
damesella Alice de Seneuil tinlia impressas em
sua fronte pura dezuito primaveras (uote-sc bem
que o termo impressas implica a idea de urna cavi-
daile, de urna marca sen-ivel; ora se a fronte he pu-
ra nao deve ler impressao, e se s deznito primave-
ras f irnm acompauliadas de sade, de cuidados a
descanso, nada teriam que imprimir uessa fronle
pura, e a idade emtlm so deve brilhar ahi pela sua
ausencia) lnli-i a* feigoes da Venus anliga, os longos
cabellos cahiara-llie como ondas de bano sobre as
espaduas de marmore (ondas de bano ) sena olhos
de lapi/.uli encobriam o brlho ilebaixn do velludo de
suas tongas palpcbras e de suas sobrancelhas, as
quaes pareciam tragadas pelo pincel de Raphael (se-
nao de um artista chinez); no coral de seus labios
engaslavam se as perola de seus denle*, e para re-
algarseu esplendor daphaoo, rosase lirios abriam-
se-lhe sabr as faces (toda anatureza entrara ahi);
um bello signal siwelliaule mosca aa*as*ina ro-n
que nossas aves cufeilavam sua lez ficticia, resabia
uo principio doqueixo sobre a brilhaue alvura de
sua tez, como urna mnsra em um pralo de lete. E
Outras mil particularidades, rada qual mais pilto-
() Vide o Diario n. 275
;
resca, marmore, lapiznli, alabastro, bastantes pe-
dras para edificar urna casa; bano, coral, velludo,
bastantes madeiras e estofos para mobilha-la; lirios,
rosas, moscas, bastantes flores e inseclos para rodea-
la de um jardim.
Nao iremos avante, e islo bastar para mostrar at
onde o autor podera elevar-se no genero descripti-
vo, se quizesse darse seriamente a esse Irabalho.
Porm romo elle sent a necessidade de fazer entre-
ver madamesella Alice, anda que seja na sombra,
dir que ella assemelha-se prodigiosamente irmaa
primognita, da qual he todava a antpoda ; de ca-
bellos 13o Irigueiros quanto os da oulra sao louros,
de olhos 1.1o vivosquanlo os da oulra s3o fagueiros.
Na verdade ambas s.lo alvas como o pralo de leile
de que Iralmos ha pouco ; mas urna tem a alvura
pallida que faz sonhar, a oulra a alvura rosada que
faz sorrir. Ambas lem quasi a mema eslalura, a
mesma elegancia, a ine-ina harmona de linbas, e
lodava jamis fe poderiam confundir. Alice apezar
de sua extrema mondado lemj urna certa firme-
za de contornos que convida o cinzel do estatuario
Berlha he um sopro, um vapor, umavsao; nada'
lem de dbil em suas formas, nada de sallienle em
seus Miembro-, c cnmludo parece 13o delgada e 13o
leve que nesse eastelavelho que habita podera ser
tomada por una fada, por urna sylphide filha do ar
e da nevoa. Em una palavra Alice he mais urna
mnllier, Berlha he mais um espirito.
Madama de Saulieu arabava de consultar o relo-
aio pela quinta vez ao menos, quandu o criado veio
annunciar a volla de Mr. de Chavlly. Herida linha
ordenado que a adverlissem logo que Gastao vol-
lasse.
A esta indina o semblante da mora animou-se, e
as faces de Alice cuhriram-se de um sbito rubor, O
coragSo das duas irmas bata nesse momento com
milita pres*a.
Gastao culrou no sal.lo; sua physionamia era
grave, seu andar firme e compassado.
Depois do ceremonial indispensavel das apresen-
larOes, saudagoes e cumprimentos, madama de Se-
neuil leslemunhou-llie em termos mui calorosos seu
reronhecimenlo pelo inapreciavel servigo que as-
13o Ihe hz-ra. Este foi modesto, o que nao sao to-
dos os mancebos de sua idade, e pareceu lal aos
olhos exercilados da condessa, o que nao era urna
mediocre recoinmendagao para ella. Madama de Se-
neuil esrimava pouco as pessoas que fingem ou af-
fectam urna falsa modsslia; linha o juizo dasraulhe-
res de boa sociedade chegadas a certa idade, e sabia
apreciar devidamenle a lemeridade que se ostenta e
o orgulho que se oceulta.
Mr. deOkavilly. dise ella com a graca que
parece um privilegio da raga nalleravel ao fogo das
rcvolugoes, pojs que minha filha devin ver-se ex-
po-ta a lio grande perigo, brmdigo a Providencia
que servio-se da nulu do senhor para fazer brilhar
sua bondade ; ella quiz reuuir no seuhor dous lilu-
i Eslou convencido que he com esles principios
que qualquer governo poder por muilo lemoo exis-
tir em esle paiz, ou merecer o apoio do povo. Te-
mo-nos esforgado a obrar sobre esle principio, e na
verdade posso olhar para o passado com salisfago e
ver rauitas cousas que foram felas com vanlagem
para o publico em geral, e que me parecem merecer
a approvagodo paiz. At na ultima sessao do par-
1-iiiieiiio, anda que, em consequencia das cirrum--
tancaa de nalureca mui particular, nao foi possivcl
desenvolver os projeclo* do governo de S. M., posto
que ditferentes medidas foram execuladas fiscaes.
commerciaes e leaaes as quaes todas foram segui-
dis de grande vantagem para o publico, e em lem-
pos ordinarios seriam assaz sulficientes para produ-
zirem agradecimientos no publico e Irabalho sullicicn-
le para oceupar urna sessa Un parlameTird".' '
Verdade he tambem que naquella occasiao senl
que era do meu dever declarar que a poltica do go-
verno era urna poltica de paz. Supponho que ser
acreditado que para esla poltica nos firmemente es-
forgamo-nos adherir. Anda ibais, eslou convenci-
do que n forte e universal apoio que presentemente
encontramos por lodo paiz na guerra que estamos
empenhados, he devido f em que elle esla de que
temos feito quanlo foi possivel para evitar urna re-
nuncia a esla poltica de paz Quando a guerra lor-
nu-se inevitavel, e na occasiao em que foi necesa-
rio declara-la, enlao, anda que posso verdadera-
mente dizer emquanlo a mim que nutr esperangas
de urna paz com loda lenacidade todava, quandu
a guerra tornou-se inevitavel, declarei quanto de
mim dependa, que ella fosse desempenhada com o
mainr vigore energa, segundo permillisse o paiz.
Senhores, lalvez a occasiao nao seja imlempesli-
va para perguutar se este penhor lem sido agoia res-
galado ? Se, senhores, con-iderardes o que se lem
feilo no es|iaro de seis curtos mezes, parere-me que
admitlireis que esle paiz nunca fez um esfurgo como
o que se lem feito. Um exerjilo foi reunido e trans-
portado das praias deste paiz como nao se enconlra
exemplo em historia alguma precedente__seme-
lliaute exercito nunca o duque de Wellinglon com-
inandiii, e he apontado em todas as psrles de urna
ruaneira que, humanamente fallando, he calculado
produzir um boro resultado. Imaginai que quanli-
dade de prepsros se nao tem feito, quando souberdes
que nao menos de 700 navios lem sido occup'ados
na mesma operagao. As difficuldades qae acompa-
nham c*le Irabalho, e o lempo qae he indispensa-
velmente preciso para semelhaule empreza, necessa-
namenle devem espertar a allengao de qualquer ho-
mem de boas inlengOes; e assim mesmo ouvimos
fallar em demoras, como se tivesse havido demora
alauma! Ufauo-me em dizer que um semelhante es-
forgo nunca fui pralicado em historia alguma do
mundo, em 13o pouco lempo como este lem sido fei-
to. Este exercilo ja se acha era campo, e alcanrou
sua pnmeira victoria, em unio com os nossos j-
lenles alliados, cuja conveng3o foi inleiramenle efa-
belecida desde o comego, e promelle as maiores espe-
rangas a Inda Europa.
Nao sabemos as circumstancias desle feilo, mas
parece-me ser de alia importancia, e, espero que se-
jam decisivos; pois, anda que pela impaciencia na-
tural de publico, quecodfesso lambem ter partici-
pado, fomos inclinados a crer nos boatos vndos de
difireme* lugares as immedialas consequencias
desla victoria que nao tem sido confirmadas, cnmlu-
do aventuramos esperar que aquillo que se lem e*-
palliado sem fundamento, possa em breve lornar-se
em realidade. Creio que nesle momento em que vos
dirijo eslas palavras. nao existe razo alguma nao
para esperar que aquelle successo, que no correr da
semana pausada achou-se ser falso, lenha agora se
lomado em um fado. Disse que a guerra poda ser
continuada com o maior vigor e enersia, segundo o
paiz podesse, mas islo nao faz com que eu abandone
.... r-ui:*~-*-~rac. SoonunJij. o* otmr guuira sus-
tentada por esla maneira nos frar as melhores espe-
rangas para chegr um lim breve e salisfacloiio.
Supponho que a paz, anda que desejada por dife-
rentes meos, he desejada 13o effeclivamenle sb as
ctrcumslancias prsenles, por este meio, como se
rosse por ueaociagOes escripias ou por negocagOes di,
plomalicas. E permilti-me observar, que sustentan-
do urna auerra com esle vigor e esla energa, temos
todava feito alguma cousa para privar a guerra de
seus horrores, para poupar e mitigar aquellas atro-
cidades que a guerra inevitavelmenle traz.
rantes, temos admitilo o commercio dos paizes neu-
tros lemos, por nosso exemplo, acabado com os
corsarios, a mais inloleravel reliquia dos seculos
barbaros, c que o mundo provavelmente nao ha de
lomar a ver restaurada. Declaro ento que nos te-
mos esforgado para mitigar os horrores da guerra,
anda quando ella se acha execulada com lodo vigor;
e emquanlo durar, repilo que nunca perderei de vis-
la o nico e legitimo objeclo de qualquer guerra,
que he cliegar urna paz duraduuca, justa e honrosa.
Agora, senhores, digo que a guerra, em minha opi-
niao, quandoessa de ser urna necessidade. lorna-se
um crime. E considerara que qualquer que pro-
luiigasse o* horrores da guerra por um s dia, quan-
do estivesse em seu poder fazer urna paz justa, se-
gura e honrosa, como altamente criminoso peraule
Dos e os homens.
(Tn Economist.)
INTERIOR.
SOCIEDADES EM COMMANDITA.
A quesiao agora j he oulra: desengaados os an-
tagonistas da sociedade Mau Mac-Gregor e C de
que na liberdade individual consagrada pelas in*ti-
lugOes do paz, c no cdigo commercial eslao as
bases seguras da mesma sociedade no que loca ao
ponto legal, procuram aterrar os signatarios do con-
tracto social com a idea da reponsablidade solida-
ria O Sr. V e o Sr. R ( por ventura urna e a mes-
ma peuna, oque todava he indferenle) julgam
mais seguro esle terreno; ainda eremos que se a-
charSo engaados em suas esperangas. O arl. 311
do cdigo assim se exprime:
Os socios commaiidilarios nao podem pralicar
acto algura de gesiao, nem ser empregados nos ne-
losuminha affegao, e do filho de um dos melhores
e mais amigos amigos de minha familia fez o salva-
dor de minha filha.
GastAo inclinnu-se sem responder, e beijou respei-
losameule a rao ainda bella que Ihe eslendia a con-
dessa.
senhor era esperado err Seneuil, conlinuou
ella, e na verdade he mister que sua presenga em
0lreval nos lenha sido 13o preciosa para que Ihe
perdoemos ler-se perdido no caminho, e haver nos
feilo esperar dous dias o prazer de v-lo. Agora o
senhor he da familia, pertence-me, e lioie a larde
levo-o ; uao he assim ?
Hoje a larde! exclamou Gastao langando so-
bre madama de Saulieu um olhar que exprima urna
especie de angustia. v
Sua fenda Ihe permillir?... comerou esla-
mas nao ousou, ou nao pode acabar.
Minha retida] com" efleilo softro um pouco
mais do que hontem.
Ah! eu bem Ihe dizia, minha raa, acrescen-
tou a moca vivameule.
A condessa eslava acautelada, e dsse:
Creio que a renda de Mr. de Chavlly nao im-
pedir de andar duas legua* em carruagem ; pois
ii3o o impedio de passear esla manhaa mais de
qualro.
Assevero-lhe que nao fui longe, dsse Gaslao
com um acento alegre que dissimulava mal o seu
embarago.
lie verdade, para que lado diriao seus passo*
esta manhaa? perounlou Mr. de Saulieu sem per-
der de visiaolivro. Eu julgava que o senhor fura
passear na Hrtala quaudo o avislei do lado opposlo.
A esla pergunla o embarago de Mr. de Chavillv
pareceu augmentar.
Tinham-me indicado um ponto de vista, um
logar delicioso...
Como I inlerrompeu o archcologo, um ponto
de visla, um lugar delicioso do lado de Oulreval! eu
nunca o leria snspeilado.
Ul41'*?1 er? a aldeia onue mor,va Mr- R'gaod.
Ah! fazia um lempo magnfico esla manhaa,
acre*cenlou GasUo querendo "mudar o objeclo da
conversagau.
E o senhor lea feito melhor em (car comgo
no muro das cinco chamins. Achei ahi cousas mui
curiosas.
O senhor ha decommunicar-me suas descober-
las, disse Gastao.
O archeologo vio urna bella occisio de encelar
um de seus Ihemas favoritos, e cabio no lago que
o mancebo Ihe armava. Levanlou-se, vein assenlar-
se junto de Mr. de Chavlly, e dizpoz-se a dar-llie
nova moslra de seu saber.
Quando o senhor deixou-me, tornoo elle, man-
lei vir un- dez ohreiros, e immedialamenle fizemos
urna escavacSo. Apenas se deram tres enchadi-das,
achou-se primeramente um fragmento de capitel de
gocios da sociedade ainda mesaio que seja como
procuradores nem fazer parle di firma social, pena
de ficarem solidariamente rcspoisaveis como os ou-
lros socios; nao te comprehende oorm tiesta prohi-
biro a faeuldade de lomar paite as deliberafoes
da sociedade, nem o direito de fiscalisar as suas
operares e estado. O que res pois he protar-se
que na* atlribuges conferidas ao conselho fiscal
pelo contrato social se excede os limites do verbo
fiscalisar, e se a faeuldade de lunar parte as deli-
berares da sociedade nao comrrehende b que est
marcado as condigSes XIII, WII, XXIII do con-
trato social, e islo he o que s. y>ao poder conse-
guir. A esphera das allribocjes dos-fiscaes est
marcada na condigao XII, islo m, verificar a exac-
tdao dos balancos, e se as condirOes do conlralo
social sao cumpridas clmenle, aAo ser isto fisca-
lisar? As outras allribuig&es.e em que podem lam-
bem inlervir os vinte maures accionistas, he s em
hypothcses que podem nao occorrer nem urna so
tez durante os 90 annos da existencia social'! E
ser em aclos hypotheticos e ispecalissimos, que s
Dos pode dizer que crao luz*, que se pretende
firmar a responsabilidade solitaria dos socios com-
msndlaros? llavera boa f im semelhanle modo
de argumentar ? O que provan nes artigos ? A ex
trema boa f, e lealdade nunc desmentida de quem
funda essa sociedade. Nao noscoosla que algum dos
147 signatarios do contrato -cci.il Mes perguntasse
quaes eram as condigoes da sodedade, ou mesmo ti-
vesem dellas conhecimento ni occasiao de assigna-
rem, cxceplo os pou;os amigoi que coadjuvram a
sua confeegau. Eslava pois emsuas raaos dexar de
inserir essas gaTanlias para ndos, porm, como s
a Dos he dado prever as eventualidades que podem
occorrer em um periodo de 20 innos, entendram os
fundadores que lhes cumpra proteger efficazmeole
os importantes capilaes que ian ser chamados a o-
perar; nao vemos em que essas condigoes contrariem
o arl. 314 do cdigo, bem pilo contrario estamos
renles que he respeilado esse artigo em toda a sua
plcnilude, a menos que se nu queda sustentar qu
a sua ultima parle he intil 1 Se porm os doutos
eulenderem que nos artigos citados do conlralo so-
cial alguma coua se estatu qie contrari o princi-
pio da responsabilidade limtala dos commandila-
rios, que duvida haver em seiem riles convenien-
lemenle modificados? Por ventura os nomes pro-
prios que consliluem a firma acial lem necessida-
de de Iludir a alguem? Para que porm discutir
com os Srs. Y e R>. Nao se retonhece que s tem
esses senhores em visls apartar os signatarios do
contrato social para que nao rsalisem a sua entra-
da? A tctica est palele, e cempre multiplicar os
manejos, pois o dia do desengaao est prximo.
PARECER 1)0 SR. DESEMB4.RGADOR IOA0
ANTONIO DE MIRANDA.
Sou consultado na minha qualidade de jurispru-
dente acerca das segmnles quc-lies:
1. A sociedade bancaria Mau Mac-Gregor e C,
acha-se organisada e legalisadr em conformidad
com ns dispusieses das leis commerciaes do imperio?
2. Pode ella dividir os seus capilaes em acgOes,
sendo estas transferiveis vonlade de seus possui-
dores ?
Primeira questao.
Lendo com a devida consideragao as condigGes
do conlralo social celebrado em 31 de jolliu do cor-
rele anno, pelo qual se da organisagao e existen-
cia a sociedade bancaria Mau, Mac Groger e C ,
onlendo que se acha ella eslabelecida em confor-
midade coma lilteral disposigio dosarls. 311, 312,
313 e 314 do nosso cdigo commercial.
Segunda questao.
Para resolver esla questao, eu me devo figurar
collocado na posigao do homemque a livessede de-
cidir a face e era presenga do nesso direito commer-
cial, e das regras geraes do direito.
Sao conseguinlemenle alheias do dever de julgar
nesle caso todas e quaesquer consideragf.es, quer
fillias das conveniencias administrativas, quer po-
lticas, e porlanlo todos os ratiocinios que pode-
riam ter lodo e o mais idneo cabimenlo se
se tralasse de constituir um cdigo, ou de modifi-
car o nosso.
Nao pertence, pois, a este parecer o lomar em
consideragao as vantagens ou inconvenientes da
tolerancia das sociedades em commandila, quer com
a prolnbigao, quer com a permssao expressa ou ta-
cita de poderem ellas reduzir seus capilaes a aegocs
com direilo a transferencia.
Collonada assim a questao em seusdevidos e re-
gulares lermos, lie minha inlelligeoca ( e com ella
eujulgaria, que n3o se pode negar a sociedade
Maua, Mac Gregor e C. o direilo de devidir seus
capitaes em aeges com direito a transferencia.
Nenhuma lei prohibe urna semelhaule delibera-
gao ou pretencao.
A liberdade do homem na sociedade brasileira
consiste em fazer ludo quanlo is leis Ihe nao pro-
hiben!. As relagSes de industria e commercio ne-
cessitam em alio grao de liberdade. Essa por muilo
mais forte razao s lhes pode ser resnela por virlu-
da de nma lei positiva. Restriegues de liberdade
forma bysanlina... Bem sabe, meu amigo, ou igno-
ra que al ao preseule linha-se allribuido ao Orien-
te a origem dos capiteis cbicos. He islo um deplo-
rave! erro que convm a honra da Franca dissipar
emlim. O que se chama onlre n* o eslvlo romano.
bysanlico nem deriva da archileclura romana, nem
da de Bvsaneio. He francez e gallo, e deveria cha-
mar-se eslylo gallo-franco. Espero que brevemente
demonstrare! que s devemos a nos raesmus esla for-
ma da arle 13o severa e (3o original. Um capilulo
de minha grande obra ser consagrado a esta ques-
lau, e o fragmento do capitel que descobri esla ma-
nhaa creio que pesara muilo na balaura em meu fa-
vor. Convm que eu Ih'o mostr.
J o archeologo desapiedado ia levar Gaslao para
mostrar-llie os novos seixos que achira uas ruinas ;
mas a condessa iulervcio, dizendo:
Que! vai levar-nos, Mr. de Chavillv ? o se-
nhor Ihe mostrara isso mais larde.
Mr.de Saulieu respeitava muito a madama de Se-
neuil.
He terdade poderemos esludar esse fragamen-
lon vonlade, o senhor nao nos ha de deixar 1.1" bre-
vemenle.
Ahsorlo pela sua leilura, o archeologo nao linha
ouvido urna palavra da conversagao entre Gaslao c
a condessa, e havia-se esquecido inleiramenle da pro-
messa que fizera a esla .le nao insistir comMr.de
Chavillv para iuduzi-lo a prolongar sua residencia
em Oslreval. Em vez de renovar o convite to tom
ambiguo que provoca urna recusa, elle acabava de
considera-la aceita. Madama de Seneuil fez-lhe de-
balde smnaes, elle nao os vio, ou nao quiz compre-
hend-los. r
Bem sabe, Saulieo, disse emlim a condessa
exasperada, que Mr. de Chavillv vai comnosco esla
larde para Seneuil.
Engana-se, minha chara mai, respondeu o ar-
cheologo dislrahidu, Mr. de Chavilly promelleu-me
passar ao, menos seis ou ele dias em Oslreval. Nao
me promelleu, Mr. de Chavilly?
Inlerpellado directamente, Gaslolangou um olhar
furtivo sobre Berlha. O semblante da moca expri-
ma urna leveemogao. Inslinclivamenle ella fez com
a cabega nm signal allirraalivo, e Gaslao nao leve
nenlium embarago em responder a condessa :
Com elidi, Mr. de Saulieu insislio lauto em
reler-me que, apezar de todas as raiuhas resolugoes,
nao pude resislir-lhe.
Entao o senhor fica? disse madama de Seneuil
com um acento que nao dissimulava completamen-
te a contrariedade que experimenlava.
Fico, respondeu Gaslao.
Seneuil lera cumes de Oslreval, Mr. de Cha-
villy, e o ciume nao perda !
Gaslao tembruu- madamesella Alice de Seneuil, a qual durante esla
couversag.lo linha-se asseulado airas ,1a mai som-
bra longe do* olhos. Sua belleza mpressionou-o vi-
nao se suppoem, nem se deduzem, exprimem-se por
actos do poder competente.
Desde que nem nos artigos cima referidos, nem
em algum outro do cdigo commercial, se prohibe
.* sociedades em commandila a faeuldade de que se
trata, ninguem o pode supprir ou subentender.
Nao obsta que us artigos que rcgulam a existencia
das sociedades anoymas determinen) como caracte-
rsticos dellas a divisao do capital em aeges. Da
concessao expressa feila a urna sociedade, nao se po-
de deduzir prohibigao, nem ao menos tacita,
feila a oulra. Seria uecessariu que a lei conferisse
as sociedades anonvmas essa qualidade como exclu-
siva dellas,ou declaras-e que a mais nenhuma com-
pela.
Da omissSo ou silencio da lei resulta faeuldade as
sociedades em commandila. A omissSo ou silencio
equivale a nao prohibigao.Quem cala, consent'.
A circumslancia de dividir os capitaes em acgOes
he para as sociedades anonymas urna ohrigag.o es-
scncial: ellas nao a podem dispensar. as socieda-
des em commandila sel-o-ha, se ellas o quizerem.
Podem duasou mais sociedades pralicar aclos com-
muns, direitos ou deveres communs sem que par-
lam da mesma origem. Para urnas sera dever, para
oulras acto de liberdade e de conveniencia.
Quando o arl. 297 do cdigo commercial Irala da
divisao do capital em aegoes, serve-se de termos im-
perativos, termo- que imporlam um dever perfeito.
Do mesmo modo se exprime o cdigo francez no
art. 34, e bem assim todas as legislages estrangei-
ras que se conhecem, quer citadas por Saint Joseph
quer nao codificadas por elle.
Quando o cdigo da Franca exprime a concessao
feila as sociedades em commandila serve-se no art.
38 das palavras permissivas ou facultativas, duen-
dopoder.
O* mesmo- termos se encontrara no art. 275 do
cdigo hespanhol, no arl. 236 do codi*go de Wur-
lemberg, uu art. 44 do das duas Sicilias, uo dos Es-
lados Eomanos, e em todos os mais de que tenho
noticia.
Algumas nages, que nao consagram em suas leis
a permisso expressa, a loleram em suas organisa-
gOes.
He geral boje a doolrina que reconhece a coin-
palibilidade da divisao de capilaes em aeges pelo
que respeila as sociedades em commandila.
A faeuldade que reconhego pois as sociedades em
commandila he natural a essas sociedades, e he de-
mais conforme as leis e usos de oulras nages.
Na I- rauca se ha feilo esforgo9 para obler a revo-
gagSo do art. 38 do cdigo do commercio. Em 1838
foi na respectiva cmara dos deputados apresentado
um projeclo de lei que supprimia a* sociedades em
ominan lila por acedes. A cummi-san a cujo exa-
me foi submellido rsjeitou completamente o princi-
pio de aboligau, encarregando-se apenas de regular
a materia de maneira a prevenir abusos. Ale hoje,
porm, se me nao engao, nada se alcangou : o arl.
38 subsiste.
Nao era necesario, porem, que fosse conforme
Ia. a P..i,ni n.-irauiios ; basLjva ma iu fosie j)D-
po*la lei expressa patria, tendo por si a mvengao
das partes, que he em semelhantes negocios a lei su-
prema.
Compre comludo observar que a pratica em ques-
13o he conforme ao nos*o proprio direito commercial;
pois que nao he mais do que a consequencia e appli-
cagao do disposto no art. 33i, onde sa consigua urna
leleniiinagao commum a lodosos socios.
Qualquer pode por esse artigo transferir outro,
mesmo que nSoseja socio, o direilo c parle que liver
na sociedade, comanlo que haja expresso conseuli-
menlo do lodo. Esse consenlimento acba-se consig-
nado no afl. 7 dos estatutos da companhia Mau.
O titulo de que consta o direilo de socio he justa-
mente o instrumento que serve transferencia.
Nao he necessario, pois, para figurar o direilo da
transferencia, deduzi-lo da nalureza das cousas, da
liberdade do commercio, do exercicio do direilo de
propriedade, do silencio das leis em oulros artigos.
O arl. 334 o confere expressamehle, recunhecendo
que cada um lem o direito de dispr do que he seu,
salvo nteresse de terceiro, garaulido no mesmo ar-
tigo, quaudo exige o consenlimento dos socios.
Liquidada a*sim a questao, me parece que al nem
seria licito examinar se de sua pratica resultara um
absurdo, caso era que os principios geraes de direito
a fariara proscrever.
Pode-se entender lodavia que, devendo ser o so-
cio commandilario obrigado ultra-vires, -e pralicar
um acto de geslo, ou de negocio da sociedade, nao
ser possivel fazer verificar a devida penaldade, se
or ventura houver o direito da transferencia, por-
que o exercicio de semelhanle direilo far nimias
vezes desapparecer a certeza do responsavel.
/ Esta apprehensao nao pode ler importancia ; na
lei se acha estatuido o remedio, nao se dara um
absurdo.
Oexpresso cqn'entimento de todos os tocios se faz
necessario s transferencias ou cesses, art. 334 do
cdigo. O arto dessa transferencia, que pelo cilado
artigo nao pode deixar de constar nos livros da com-
panhia, he de mister que se autentique m licro
vamenteedeu repentinamenle novo curso s suas
ideas.
Seja qual for o partido que tomar, disse elle,
serei sempre punido da felicidade que liver pela que
naoheideler.
Berlha sorrio e Alice oceultou-se inleiramenle
airas da mai.
Demais, acrescenlou madama de Saulieu, se
um meio beursimples de contentar a lodos. Minha
querida mai, Vmc. licar cora Alice em Oslreval es-
tes oto das, e depois iremos todos para Seneuil.
Esle projeclo que havia de permitid condessa
representar em loda a sua plenilude o papel de boa
mai pareceu-lhe aceitavel. Baslava mandar vir de
Seneuil a camarista de Alice munida de alguma
roupa ; todava como a condessa linha bem pouca
sympalhia pela residencia de Oslreval, julgou dever
fizcr ainda algumas objeeges.
Mas lodos esses arranjos con vi rao a Saulieu ?
O archeologo linha voltado a sua leilura, e pare-
ca deleitarle nella mais do que nunca.
Mr."de Saulieu. disse Berlha.
O que he ainda ? murmurou esle levantando a
cabega como quem acorda sobresanado no meio de
um sonho asradavel.
Minha mai e Alice vem passar aqui oilo dias.
Vossi1 bem sabe que isso me dar prazer, res-
pondeu elle em lotn distrahido.
Sim ; mas no lira do* oilo dias iremos lodos
para Seneuil. o senhor no* acompaiiharu ?
He impossivel, he impossivel, lenho de acabar
miaa grande obra. Desculpc-me, querida mai, e
Mr. de Chavilly lambem. Releva absolutamente que
eu a termine. Rigaud ainda ahi esla zumbando de
mi iihas descoberlas, convm que cu feche a bocea de
Risaud.
Gastao encarava alternativamente a Mr. de Sau-
lieu e a mulher, parecia dominado por urna secreta
emogao, e fazia esforgos para cunte-la ; lalvez mes-
mo que com urna certa allengao se livesse podido ler
em seus olhos o combale interior que havia em sua
alma.
Mr. de Saulieu exclamou elle levanlando-se
repentinamente.
O lom com que pronuncien esta aposlrophe, e o
Resto de que acompanhuu-a produziram om singu-
lar efleilo sohre a companhia. Todos os olhos lila-
rarn-se sobre Mr. de Chavilly, o qual melleu a mao
debaixo do forro da casaca, como para procurar al-
guma cousa, e tomn urna allilude de orador. O
archeologo encarava-o com viva expressao de admira-
gao, e esperava que o mancebu quizesse comegar seu
discurso.
Mr. de Saulieu, lornou Gastao, quer conceder-
me um insigne favor ?
Qual ? nergunlou o castellao.
O de associar-me ios seus doulos Irabalhos, e
aceilar-mc como um humilde colaborador.
Madama de Seneuil julgou que GaoUo enlouque-
competente da sociedade de Mau, arl. 7 dos seos es-
tatutos.
He conseguinlemenle socio aquelle que os livros
da companhia demonslrarem. Ninguem seguramen-
te se comentar cora um simples endnsso, porque es-
se selo nao transfera, nao produz elidi, nao he le-
gal. Nao se pude porlanlo illudir a responsabili-
dade.
Supponha-se que algura socio, depois de haver
exercido geslao ou pralicade acto de negocio por
contada corapauhia, transiere a sua aegao. Est en-
tendido que a sua responsabilidade n.o prescreve
por esse acto. Condecidas as pocas de ura c outro
acto, .i vista dos assenlos da companhia, elle ha de
responder peraule os socios, por quanlo incorreu na
penalidade decretada era quanlo socio.
Acredito que minha opiniao se acha sufliciente-
mente desenvolvida e fundamertada. Entrar em
maiores delucidages, e discutir a materia, encoran-
do-a por todas as oulras faces, nao he proprio de
um parecer. E demais, nao faria eu mais do que
reproduzir o que a re*peito se ha pela imprensa pu-
blicado de maneira a salisfazer qualquer opioiao.
Eis o meu parecer,que nao duvido firmar com mi-
nha assigoatura, por ser expressao de minha cons-
ciencia.
Rio de Janeiro, em 23 de agosto de 1854.
Joao Antonio de Miranda.
Sem termos a menor vonlade, nem 15o pouco a
menor menean de fazer opposig3o ao ministerio.
somos lodavia forgados pela honra da verdade a
confessar que elle lem-se portado com precipitaran
sobre a materia das<*sociedades em commandila por
aeges. Foi precipitado em apresenlar sua opioiao
sobre o art. 297 do cdigo do commercio, como
autoridad.' legitima para resolver toda a duvida.
Mais precipitado sera se pretender por si s, islo
he, independendede declaragao legislaliva, forgar a
lei e dar predominio sua opiniao : os Iribunaes ob-
servarao a lei.
O governo inglez lem gasto annos para formar
opiniao sisuda e esclarecida sobre materia anlo-
ga. O governo francez depois de ler colindo opi-
nies competentes, e todas as informages que pu-
de-eiii Ilustrar o sssumplo, promelleu no co-
mego da sessao de 1838 Irabalho semelhaule, e nao
julgou-se habilitado a produzi-lo senao no lim da
sess.no.
Enlao apresenlou urna proposta prnhibindo que
a sociedade era commandila pudasta dividir o fun-
do social em aeges, e urna re ,- -^ao unnime
fez severa jusliga ao erro do mi.,~ ,.
Nao he por goslo de ceiul<,..,1i]ue applicare-
mos actualidade algumas da luminosas observa-
ges que foram enlao desenvolvidas, he sim e smen-
le porque somos Bra*ileiros,e nao cedemos a nenlium
outro em amor aos interesses reaes e i.aportantes de
nossa patria.
A materia nao envolve smente urna questao
econmica, envulve tambem urna questao legal.
Nao se quer conceder tempo paca e-tuda-la-,
que |neui..iiiu na a tuda JC~Blfs.ttlr a' IJrtiio^i.
de um banco, como se esse estabelecimenlo pa<
desse pezar na balanga ao nivel dos immenso
interesses de um principio transcendente para um
futuro inleiro, cheio de grandiosos melhora-
menlos.
O proprio ministerio nem quer lempo para seu
proprio estodo ; nao se presuma que sobram-lhe
habililage* na materia. Tambera nao lemos suf-
icientes, nem tempo para consultar as numerosas
fontes donde poleriamos deriva-las; ainda assim
repetiremos algumas ideas de inteligencia alheia, e
pouca* inspirages nossas.
I.
Sociedades por acedes.
O espirito da as*ociag.1o, e sobreludo das socie-
dades por aeges, d nascimento e vasla expansSo
ao movimento e actividade industrial. He urna
nova forga o novo genio da civilisagao moderna,
que se eslende e engrandece todo* os dias.
Nada mais cllicaz do que a sociedade por aeges :
ella ferlilisa ludo, rene as grandes com as pe-
quenas fortunas, que alias impotentes para con-
correr com aquellas, cooomem-se improductiva-
mente : allia os capilaes civis com os commerciaes;
d vitalidade a lodos, com proveilo dos individuos
e do Estado ; as aeges offrecem a todas as clas-
se- interesses proporcionados sua fortuna, e por
outro lado reunem fcilmente o capital preciso, era-
do ra a mi I lado.
As sociedades por aeges sao pois em sentido mo-
ral novas machinas de vapor, novos caminhos de
ferro que fecundam os paizes que tem a intelligen-
cia precisa para nao ser ingratos.
O legislador e o governo devem pois, pena de
defraudar a sua missao em vez de impedir e res-
tringir as diversas especies de tal associago, prote-
ger o deseovolvimenlo de cada urna dellas. He
urna grande forga, periaosa em sua explosao; com-
pre regularisar sua acefto, garanli-la dos abusos,
mas nunca desperdiga-la, preciosa como ella he.
A sociedade em commandila por aeges he um
lypo distinelo da sociedade anonvmas; quem confun-
da ou ao menos que quera gracejar. Mr. de Sau-
lieu conlentuu-se de sorrir e de responder :
De boa voulade ; mas o senhor nada sabe ain-
da em archeologa, precisar de tempo para aprender.
e antes que possa ajudar-me espero ter terminado
minha grande obra.
Oh nao o far sem o meu soccorro.
Como pois ?
O senhor corapSe urna grande obra sobre a tor-
re de Oslreval, n.o he verdade 1
Como sabe disso ? pergunlou o archeologo com
ar ioquieto,
Que importa como sei ? basla dizer-Ihc que
sei. 0 cerlo he que Irago-lhe a solugao de um pro-
blema que o seuhor procura desde muilo tempo.
Pronunciando estas palavras, Gaslao lirou do bol-
so da casaca un* pereaminhos j amarellos que enlre-
gou as mo* trmulas do archeologo. Este abrio-os
com o cuidado de quem conhece o valor das cousas,
e pz-se a l-los com a maior allengao.
O manuscripto mesmo para um paleocrapho ejer-
citado leria sido diflicil de decifrar. O exame foi
longo, e medida que adiantava-se na leilura Mr. de
Saulieu parecia mais atiento e mais vivamente agita
du. Suas feigoes contrahiam-se, suas sobrancelhas
carregavam-se e elle mordia os beigos a ponto de ver-
lerem sangue. Emflm pondo a niao sobre o perga-
mlnho como *e receiasse que Ih'o arrebatassem, dis-
K a Mr. de Chavilly.
Quem Ihe deu esle* ttulos ?
Pouco importa, respondeu esle ; nao posso di-
zer-lhe nesle mumcnlo.
Mas sabe que esles papis tem a maior impor-
tancia ?
Assim o suspeilava.
Sabe que elles tem um prego immenso a meus
olhos ? Leu -os .'
Passei-os smenle pela vista ; mas comprelien-
di loao que lerao aarnaior utilidade para a sua gran-
de obra, e fui com esla intengao que julguei dever
ofereccr-lh'os.
Agradego-lhc, Mr. de Chavilly, disse o archeo-
logo com ar abatido, e agradego-lhe de lodo o cora-
gao. O seuhor faz-roe um grande servigo, pois Deo*
sabe que seria de mim se elles tvessem cahdo as
maos desapedadas de Rigaud. Ma minha grande
obra, ah agora est terminada, todas as miuhas es-
perangas acabam de desvanecer-se. Esles prgarai-
nhns velhos, cuja aulhenticidade nao me parece sus-
peila, sao os ttulos da fundagao e as memorias de
con-triicco desle caslello, e demonslram-me que es-
las lorres que me eram t8o charas au lem qualro se-
culos de existencia.
Ah 1 tanto melhor, muilo estimo, eiclamuu
elouvadamenle madama de Saulieu. O archeologo
langou sobre a mulher um olhar cheio de aflecluosa
compaixao, e vollsodo-se depois para Gaslao con-
linuou :
0 s'nhor ainda n.1o abe o que he ver um ho-1
de essas duas entidades de nalureza diversa, erra,
e erra profundamente.
II.
Sociedades em commandila por accoes em geral.
Se s os seres ou principios uleis e enrgicos sao
os que podem resistir s injusligas da opiniao as-
sentadas sobre os abusos,, cumpre eoofe-isar que es-
ta sociedade he uro principio dessa ordem, pors que
senao ella nao leria resistido e prodominado. Seu
grande poder e enrgica vitalidade procede da con-
viegao e realidade de lerem seus beneficios excedi-
do muito os clamores e os abasos.
Alguns em vez de es ella he,-o que s3o os abusos e donde provean, julgam
mais fcil proscrev-la asseverando erradamente
que fica bem supprida pela sociedade anonyma.
Elles nao rodelera que os abusos dimiouem por si
mesmo, qae sao seus proprios correctivos, e que po-
dem ser neutralisados ao menos como ua sociedade
anonyma, sem que no entretanto sacrifique-se o prin^
cipio fecundo.
in
Caracteres especian da sociedade em commandila
por acedes.
A sociedade em commandila por aeges lem seu
carcter proprio, he urna enlidade disuada da
sociedade anonyma, e nao pode ser por ella suppri-
da em muitos e numerosos casos.
Cada urna destas duas a--sociacf.es tem seu typo
particular e presla servigos diderenles.
N3o nos limitaremos a reproduzir a observacao
muito exacta de Horacio Say, quando elle moslra a
dislincgao existente entre as tres sociedades : 1, de
pessoa ou responsabilidade indefinida ; 2, gmente
de capitaes sem responsabilidade ulterior ; 3, do
pessoas ou responsabilidade indefinida de urna par-
le e capilaes limitados de outra.
Prescindindo da primeira especie, vernos em rela-
gao a segunda, islo he, a sociedade anonyma que o
cdigo commercial entrega sua adminislragao a man-
datarios revogaveis creados pela companhia, quando
pelo contrario, em relagao a terceira, a administra-
gao pertence aos socios responsaveis. Veremos de-
pois as importantes consequencias que resultam des-
la notavel differenga.
He pois a commandila por aeges urna sociedade
mixta que toma da collecliva urna azao social, ge-
rencia certa, responsabilidade indefinida ; e que
semelhanga da anonyma rene o capital necessario
por aeges chamando fundos nacionaes eslraogeiros
a bem da producno.
Nao he como a sociedade anonyma urna derogagao
completa dos principios, urna abslracgao formal da*
pessoas pela s aggregagao dos capilaes ; nao he su-
jeila a urna adminislragao eventual.
Iudepandeatemente desses caracteres, por si s ja
muito di-lindo*, accresce que cada urna destas duas
sociedades tem sua rotagao, que sa em parle be se-
melhante, n'oulra he muilo divergente, consideragao
esta de alta importancia para o legislador esclare-
cido.
Desde que nma lei on acto arbitrario do governo
"ar urna industria ou ooerago industrial, hones-
ta e tk,-r-aer-s -.jm certeza dize~(. *- nieu-
dem do seu officio ou que uao lem zelo pelos interes-
ses pblicos, fonte de onde derivam seus recursos e
sua forga.
A sociedade anonyma serve especialmente para as
grandes emprezas no intuito dos grandes servigos
pblicos como estradas, oavegagao, seguros, ele.
A sociedade ero commandila por aeges est n'ou-
lra esphera, he o grande recurso principal mate do
inleresse legitimo dos particulares. As manufactu-
ras, o commercio privado, as emprezas industriaos
nao se utilisam da anonyma, sim delta e moilo.Reu-
nem por esse meio o capital preciso .eom facilidade,
pois que os prestadores delle que nao sao frades, re-
signados lei da amorlizagao, fcilmente reembol-
san] quando precisam. -
Seria irrisorio que o proprielario administrador de
urna fabrica, ou o coramercianle chefe de urna gran-
de casa da commercio, reunase capilaes por meio da
sociedade anonyma, e afinal tivesse contra sua von-
lade de entregar seu estabelecimenlo aos mandatarios
da companhia. Em taes circumstancias nao se ser-
vira dessa associago.porque nao Ihe servia, excluia-
o da adminislragao do que era seu: alo lengaria mi
Ja sociedade em commandila por aeges, porque era
prohibida. Teriamos em resultado urna industria
honesta e til, mora pela impericia ou idfiiffcreng1
do governo.
A sociedade anonyma crea, realis urna Mea, um
plano grande, quasi sempre novo, poucas vezes cha-
ma capilaes para melhorar oucontinuar urna empre-
za j existente. A oulra he quem se oceupa mais
desla ultima larefa.
A sociedade anonyma assenta bem as emprezas
passivas, como seguros e outras seraelhaoles. A so-
ciedade em commandila he a alma das emprezas ac-
tivas que demandam em porelo enrgica mao firme
o prompla, livre da morosidade das deliberaces :
ella nao se accommoda coro mandatarios preoecupa-
dos dos limites do seu mandato.
Em face deslas differengas 13o notaveis e conse-
cuente* querer entregar o futuro da industria do
mem desvanecerem-se assim todos os seus sonhos,
(oda* as suas esperangas. Oslreval era meu sooho,
minha esperanga. Sobre eslas notares ruinas eu li-
nha formado um admiravel syslema, linha chegado
a demouslrar que a vida privada dos altos bardes uo
seculo XII nao era segundo contam nossos historia-
dores modernos ; sjudado destas sal* meio destrui-
das eu linha reconstruido lodo o edificio de urna ida-
de quasi desconhecida, linha adiado o meio de es-
clarecer muilos pontos importantes da historia do
Valois. eu ia dizer com Horacio : a Edifiquei um
monumento mais duradouro que o bronze, Exegi
monumentum Emlim a com esse livro poro ul-
timo sello minha reputagao, e ganhar urna palma
victoriosa na Academia das Inscripcf.es. Porm lu-
do isso era um sonho, e esles papis o fizeram desva-
necer. Oslreval n3o he do seculo XII he do seculo
XIV, Rigaud linha razao.
O archeologo deixou cahir a fronle as maos como
se urna lerrivel desgraca acabasse de feri-lo, e pare-
ceu mergulhad na mais profunda afOicgo.
As Ires mulheres encaravam-se sorriodo, Gastan
leve piedade dessa dr, e aveoturou algumas pala-
vras de consolacao.
O seclo XlV'parece-me ser ainda urna anli-
.uidade assas respeilavel. Mr. de Saulieu levanluu
a cabega, sorrio amargamente e disse :
Nao, nao posso enganar-me, o seculo XIV he
commum, nao lem valor nem inleresse. Que quer
que eu faga du seculo XIV ?
Mas essa data lira a estas ruinas um s de seus
allractivos, urna s de suas bellezas ? Por serem mais
novas alguns annos lloaro ellas menos pittorescas e
menos poticas ?
O senhor falla como profano, meu amigo, na
comprehende todo o alcance do golpe que acaba de
ferir-me. Ah 1 tudo est acabado para mim.
O archeologo recobrou a allilude de flor murchae
quebrada.
Gastao compadecido dirigio-se a elle e abri a boc-
ea para fallar ; mas lendo seas olhos encontrado os
de madama de Saulieu, hrsilou, seus labios lornaram
a fechar-se, e elle reprimi no coragao um segredo
prestes a escapar-lhe.
Desde esse momelo a nuvem que pesava j sobre
a cabega de Berlha e de Gastao estendeu-se sobre a
de Mr. de Saulieu ; mas a preuceupago que o ga-
nhava lomou no archeologo um carcter particular
de sombra e inquieta tristeza. Appareeeu pouco,
toruou-se taciturno, e apezar da extrema complacen-
cia de Gaslao, nao leslemunhou mais o primeiro em-
penlni era inicia-lo em suas descoberlas e em seus
lemas.
O homem eslava ferido no coragao, o archeologo
rsiava feridu em suas mais diaras e mais ardenies
afleigOes.
(Continuar-se-ha.)
II
IW!




DIARIO OE PERMMBUCO SEXTA FEIRA I DE OEZEMBRO DE 1854.
paiz s a sociedade anonyma, extraguiudo a socieda-
de em commandila por aeros, lio commellcr mais
do que um erro, Se ella nao fosse permillida pela
le era de vosso dever, ministros do Brasil,pedir essa
"aculdade ao poder legislativo.
Estamos do principio de ama era industrial, e o
espirito de associacio ainda na infancia precisado
cuidados afectuosos e delicados, nao de tratos ru-
des. Vos naodeveis legar a precipitaran e a pobre-
za a urna populado que quer a inteligencia e o
bem-ser.
IV.
Ot abuso e a tuppressao.
Felizmente ainda nao temos abusos a deplorar cm
1el.11.ao sociedadc'.em commandila por acees. Essa
loucura de agiotagem que appareceu em nossa prac,a
procedeu do jogo de aceas das sociedades|ationymas
em que tanto conliais.
Concordamos em que pode haver abusos, e que lid
necessario preveni-los. O que compre ueste caso
fazer 1 A lei pelo menos he dovidosa.
O ministerio, em vez de propr que se organise r
sociedade em commandila por acces conveniente-
mente no intuito de prevenir os abusos, ou quo teja
ella sujeita a autorisario previa do governo, parece,
ou desconhecer tilo bella instiluicio, ou querer pou-
par-se ao trabilho. Besolve precipitadamente a sup-
pressao da diviso do fundo social em acces.
Nao ponderoo na illegilimidade de sua aul.u id.ide.
nao pooderou na perturbaco que vai produzir uos
iuleres.es compromeltidos em muitas sociedades que
com esse carcter siao ahi eiistindo : como ficrm
elle'.' Porque consentio-se at agora que assim fos-
se a lei entendida ? Porque o tribunal do coromer-
cio regislrou contratos desta ordem 1 Como be que o
ministro de estado lem acones do Cassino, da Biblio-
Iheca Fluminense, da lllusirao.-io Brasileira, do Thea
tro, de estabelecimentos lypographicos f Como lem-
seat boje violado impunemente o privilegio do art
297 A lei he por acaso orphaa sem tutor E
como licarp todos esses interesses agora 1
A verdade iocontestavel he que al ao presente
entendeu-se que nao havia prohibirlo para o uso das
acetes, nem mesmo em]actos civeis como sao alguns
dos que fleam referidos.
De improviso / supprima-se essa inteligencia, es-
tabeleoa-sc oatra, porque o governo assim pensa :
ipressada sua vontade est tudo lindo Os iule-
resses vivos presentes e do porvir Dada valem.
Sem duvida nada mais commodo : destruir he f-
cil, organisar cusa mais.
Pode haver abasos, sim, mas em vez de pa-
rar na superficie porque nao sondar o fundo e pro-
curar ao menos o remedio que est mais maoem-
quando se nSo constitue assim est como a sociedade
anouvraa em melhor cundirn :'
Impedir ou difOcultar a circulac.ao da fortuna mo-
vel, pois que as acres nao sao de oulra elasse (nao
sao senao partes commanditarias ou anonymas ei-
pressadas em nmeros redondos) he um mal e nao he
o nico recurso.
Se se tralass'3 nicamente de evitar que sociedades
immaraes fizessera victimas por raeio dessa circula-
do, bastara por certo proserever as aeces e por
ventura decretar a ioabilidade dos quinhes coni-
manditarios. Ha porm alguma cousa mais do que
isto, ha um principio til, e interesses legtimos.
L'm legislador ou governo previdente nao confundei
descrimina ; nao mata os direitos, entidades benfi-
cas, leva-os por bom caminho garanlindo-os dos
abusos : esta he a sua alta raissaa.
Se a industria honesta e til pede com efleilo ga-
rantas'contra os abusos de um instrumento vanla-
joso, ella protesta e reclama altamente contra o con-
fisco do instrumento de que ella mesma precisa e que
aprecia em Iodo o seu valor.
Se o exercicio de um direito lorna-se pergoso pelo
abuso, o que se faz ? Mata-se o direito ou o abuso ?
Parece que deve ser morlo o abuso, e vos o que
queris he matar o direito.
Seria erro renunciar n'am principio reennhecido e
adoptado por quasi lodo o mundo eivilisado. Os ho-
mens intelligentos de todos esses paizes nao sabem
menos do que nos ; sabem mais.
O argumento da pratca ingleza al o presente n3o
procede. Notai bem a sua constituidlo da proprie
dade, a elevaofio das fortunas, os grandes recursos
iadividuaes, capazes de e\ecutar|por si s grandes em
prcas, e sua propria orgauisacao poltica ; e vede se
essas condices nto cream difirenos radicaes
sutladof divwco* em i elac.io a u^so ntz. O n.-^la
nao sendo uniforme nao serve de medida. All a
sociedade por acroes pode ser s de urna especie, ou
de pouco uso, porque nao he indispensavel. Nosso
paiz he novo, nao lem capilaes, precisa de tudo, lem
coodicjjes para obter ampio desenvolvimenlo, cum-
pre nao alar seus bracos.
Se nao ha lempo para mais, e o pnico he extra-
ordinario, ha palo menos lempo para sujeitar as so-
ciedades em commandila por acces, a dependencia
de autoriaco previa do governo. Se apezar di.so
ainda ha temor, entio cumpre ser contequente :
abol a sociedade auonyma porque ella se presta a
roaiore abusos.
V.
por escrptura publica, alias nao ha prova da trans-
ferencia.
Em materia cominercial deelaram os arts. 122 e
123 do cdigo que o escriplo particular donegooianle
faz prova da transferencia de lodo e qualquer valor.
Declara o art. 427 que os elleilos commerciaes
ou credilos mercanlis sao transferiveis por endosso.
Esta he a regra coral ou principio commum em
direito commercal. Ora, se a elleaccrescentar-se o
direito que os membros de urna sociedade commer-
cial tem pelo art. 331 de dar seu consenliraenlo ex-
presso para que o socio commandilario possa ceder
a um terceiro o seu direito no todo ou em parte, co-
mo poderi alguem demonstrar que a disposicao do
art. 297 he tim privilegio ?
Desde que o arenle da sociedade der ao socio
que pedir dQ'erentes recibos ou notas de porces de
seu quiuho, desde que os estatuios pormittrem a
osario, desde que essas notas sao transferiveis por
endosso, que differeuc,a lerao ellas das aeces Se
nao he pois admissivel obstar este processo, se cada
socio pode dspor do seu quinhao no todo ou em
parle, para que queslionar mais sobre palavras do
que sobre a nalureza real das cousas.
Supponha-seque os socios commandilaros torna-
ran) todos um quinhao igual na sociedade : haver
alguem que queira obriga-los a lomar quinhes dcs-
iguaes'.' Certamente que nao ; pois bem, eiahi o
fundo social dividido eui parles iguaes e partes que
podem ser Iransfereridas na couformidade do art.
334. Que he teilo entretanto nesle caso da vossa
prohibirlo legal'.'
O privilegio he um favor exclusivo que allribue-
se a alguem : 1. tirando aos oulros um direito com-
mum, como o da cara, da pesca, etc.; 2. conservan-
do ios oulros o direilo commum c creando um di-
reito superior ou preferente em beneficio do privi-
legiado. O privilegio emqueslao, a existir, seria o
da primeira elasse ; mas entau fora necessario que
elle se revelasse expressamente com o carcter de
excluso de todos os oulros, porquanlo a perda de
um direito commum nao opera-se por mera pre-
sompeo, nem lao pouco por argumentos ou illa
roes destituidas de forja.
VII.
Exemplo derespeilo a lei.
Em 1838, quando M. Barlhe, ministro da juslira
em Franca, apresentou-se peranle a cmara dos
deputados e pedio a alteraco do art. 38 do cdigo
commercal, disse o seguiole :
As aeces ao portador *admittidas pelo art. 3->
do cdigo do commercio em favor das sociedades
anonymas foram infroduzidas pelo uso na sociedade
em commandila como o pretexto do art. 38, por-
que allegava-se que esle admittia todas as especies
de aecespar cela teul qu'il ne distingue pas.
Quaesquer que fossem os oulros motivos que os
Iribunaes tivessem para sustentar esse pretendi di-
reito popular que contrariava o art. 27, o certo he
qne o governo francez allegou a ra/.ao referida, e
que nao julgou-se aulorisado para resolver a duvida
sobre a intelligeucia da lei, embora nesse caso tives-
se argumentos muilo valiosos em seu favor.
Nem mesma pioposta dava um ministro um ou-
tro exemplo de rcspeilo a lei, e por venturs ainda
mais nntavel, di/ia elle :
Para subtrahir-sc a le os especuladores in-
ventaram assocajOes civis, istu he, contratos de so-
ciedade civil,e emttiram aeces de importancia me-
nor do que a laxa da lei, c para sustentar seu acto
allegaran) que o cdigo commcrcial regia somenle
as retacees mercanlis c nao as relaces puramente
civis, com a exploracao de urna mina, ele.
Concluio pediudo qne a cmara adoplasse o se-
guate artigo :
As disposices do cdigo do commercio relati-
vas as sociedades anonymas e as da presente lei sao
applcaveis a loda a sociedade cujo capital for divi-
dido par aeces, qualquer que seja seu objecto.
Este proceder demonstra exuberantemente que a
liberdade das co**ences prevalece em loda sua ex-
tensao semprc que a lei nao a restringe formal-
mente.
Conclusao.
Temos exposto nossa opiniao sobre urna qoestao
a nosso ver imporlantissima, ja em seu alcance ero-
nomico, ja era sua face lecal. Pensamos ler cum-
prido um dever defendendo as liberdades commer-
ciaes, a lti, e com 'ellas os transcendentes interes-
sea1iJt^ujuroiaJi8lrial**^,P"') Jntereaaeade 13o
TOamSBCTerS^tn madura ITserla meoiiac ; i-
solve-los de improviso nao he proprio de um go-
verno Ilustrado. /'. B.
mciro, porque pelo art. 6 do conlralo social ne-
nliunia transferencia poder ser feila senao ao de-
pois de rcalisada toda a qu.mtia com que cada socio
roniinandilario liver subscripto; e segundo, por-
que era face do art. 334 parcre-me que nao se pode
contestar que todos os socios cm geral, e conseguiu-
lemenle o commandilario, lem o poder de transferir
a quem quizer o titulo representativo do fundo com
queeulrou na sociedade, se nisso convicrem lodos os
seus consocios.
Pilc-se ainda allegar que, romquanto seja verda-
de que o facto de nao uoderem os commandilaros
transferir sins aeces antes de entraren) com loda a
quaniia com que liverem subscripto, prevue o pe-
rigo de lesaicm a lerceiros quando a sociedade vies-
se a fallir, ainda assim, resta o seguinlc inconveni-
ente. Us socios commandilaros, couforme o dis-
posto no art. 313, verificada a hypolhese do art.
828, devein rcpiir os lucros que imlevidamente tive-
reni recebido; e por isso, embora Icnham j rcal-
sado toda a sua entrada, comludo. se a transferencia
se zer por simples endono, podem naquollr caso
inulilisar suas acroes, e tornando-se descouhucidos,
livrarem-se dessa reposicao.
Esta objeccAo he seria, mas sem applicac,ao ao
nosso caso, porque o art. 7 do conlralo de que nos
oceupamos, determina que a transferencia se faca no
registro da sociedade, onde, ficando inscripto o no-
me de Iransferenle e transferido, evita-la completa-
mente esle perigo, quando porventura se realise a
hypolhese figurada. E anda que assim nao fosse,
estes incunveuienles nao poderiam s por si anuullar
o contrato.
nanlo parle relativa a.lmiuistraoan da mes-
ma sociedade e as mais providencias lomadas para
assegurarem o seu recular aiidameulu e prosperida-
dc, creio que em nada se exorbilou da lei.
A'visla do exposto, limilando-me a considera-lo
smente pelo lado de sna lealidade, respondo per-
-iini< que se me faz, dizendo que este contracto so-
cial esta confeccionado em refercucia nossa legis-
larlo commercal, c porlanto he vallido.
is a minha opiniao, que submelto censura dos
doutos.
Antonio Manoel de Campos Mello.
Rio de Janeiro, 28 de agosto de 184.
1." U capital da sociedade em commandlta pode
ser dividido em arenes '.'
2. A sociedade bancariaMaua, Mac-Gregor e
C,esla leu denle constituida.
3." Se ha nfleosa ou abuso da lei na nrsansarao
dessa sociedade. como pode ser o mal reparado pc-
" los noderesdo esfadn '?
A agiotagem e outroi perigot,
Supprnir as acjes da sociedade em commandila
nao he supprimir a agiotagem, nem os perigos das
sociedades por actes.
Seria inadmissivet o peosamento de nao realisar,
de impedir os melhoramentos e grandes serviros que
o paiz demanda ; segundo vossa propria opiniao,
serao elle* realisados por meio da sociedade anony-
ua. Quem se incumbe pois de sustentar que as ac-
V,es desta nao alimentarao do mesmo modo a go-
lagem 1
Para cxtingui-la nao bastara supprir todas as so-
ciedades por aeces. Seria justo supprimir em pri-
mero lagar os fundos pblicos, porque com elles
ttmbem joga-se, e, o que he mais, sem crear deseo-
berta alguma, sem conquista da industria, sem obter
melhoramento de nenhuma especie Ainda isso nao
bastara.
Emquanto houver mobiiidade t livre circularan
dos capilaes, a incansavel agiotagem tirari partido
dessa mobiiidade.
Hesemdovida pessima a rotarlo improductiva
dos capilaes, mas he tamben) cerlo qne apezar delta
ningaem pretender iinraobilisar ou antes amortizar
as fortuuas brasleiras.
Na presenta de dous males, na impotencia de ex-
tirpar i agiotagem, cumpre preferir o menor, e mi-
nora-la ainda quanto for possivel, mas nunca contra-
riar a natureza intima e essencialmente til das
cousas.
He o vampiro que foje da luz ; levai a luz ima-
ginarao crdula da niullidilo, e ao mesmo lempo
procura! dar emprego real e til massa cresccntc
de capilaes que fluctan) em nossas praras. Cum-
pre estudar e auxiliar os melhoramentos do paiz,
produzindo perante o publico informace Ilustra-
das, e os planos convenientes a execular ; ponha-se
o governo em frente dessa conquista, porque seu li-
me he synonymo de progresso. As estradas e a co-
Innisacao por si sos prometiera mudar a face do paiz,
e resolver o problema de sua grandeza, de sua torea.
Pouco ou nada fazer, e esse pouco com ama moro-
sidade infinita que parece desconhecer que o lempo
he miro, e impedir que os particulares alguma cousa
faram, he por ventura de mais.
Deotilro lado as sociedades anonymas nSoollere-
rem menores perigos; a lista dos seus snislros nao
tica abaixo da estalistica da commandila por acc,es ;
e sujelando esla ao examc e a aulorisacJo do gover-
no, desde que exceder de urna importancia determi-
nada, cumpre ler f e eonfianra.
Em relacSo a lerceiros as sociedades anonymas
tem sido mais perigosas. Desde que as cousas co-
mern) a correr mal, lorna-se custoso obter manda-
tarios que queiraru administra-las.
Ambas podem ser dotadas de consliluirao mais
previdente ; no entretanto nao ha porque entregar
o uluro a tima s.
VI.
Legalidade.
Ja uo senado lem-se demonstrado que a sociedade
em commandita pode dividir o seu tundo social cm
acroes. Autorsa essa deanenstraro nao s a liber-
dade das convences garantida pelo art. 291 do c-
digo do commercio, como a lliese constitucional c o
silencio de proliibicao alguma legal.
Quaolo mais te estuda a materia mais robusta
lorna-se esta conviccan.
As aeces nao sao seno litlos, senao signaes ma-
leriaes ou representativos de um direito i parle de
um valor ou fortuna movel. Cumpre nao confon-
dir de maueira alguma essa forma externa, embora
til, com o direito em si mesmo.
Em materia civil a lei nao consenle qoc Irans-
milla-se um valor que excede da laxa legal senao
A sociedade Man, Maa-Gregor e Comp. esla or-
ganisada'em referencia nossa \c- Marao rom iner-
cia I'.' Tal he a percunla que se us faz.
Leudo-se com altencao as diversas condi^es do
seu acto social, eis o que se encontra. No arl. 1. se
declara que a sociedade he incommandila, com
fim de realisar operarles bancadas nesla corte e cm
Londres; no 2. mencionan)-se os nomes dos socios
gerentes, e solidariamente responsaveis para com
lerceiros, e no 3. qual a razan ou firma social nesla
corte.
Al aqu nao ha nada que se pssa notar.
Mas pelo arl. 4. se estatu que o fundo social
seja dividido em aeces, e pelo 7. que os socios com-
mandilaros powam Iransferi-las ao depois da inte-
gral realisacao do capital das mesmas.
He istu legal!1 Ou por oulra, pode urna socie-
dade em commandila dividir o seu capital em ac-
eces Iransferiveis?
Examinando-se osarls. 311, 312, 313 e 314 do
nosso cdigo commercal, que admitlem e tratam
desta especie de sociedade, v-se qne elle nem per-
mute positivamente esta faculdade, nem a prohibe
expressamente; guarda silencio. Ora, este silencio
importara, conforme direito, urna prohibicilo ex-
pressa dessa faculdade? Ou por oulra, este silencio
da lei ser suflicicnle para produzir urna abrogacao
dessa parle do contrato ? lie o que vamos axa-
minar.
Segundo o disposto no arl. 121 do nosso cdigo
commercal, as regras do direilo civil para os con-
tratos em geral sao applcaveis aos contractos com-
merciaes, com as modiiicaces o rcstricr&es nclle
eslabelecidas.
Conforme a don Ir i na do ai t. 291 do mesmo cdi-
go, a convenci das parles regula loda a sorte de
sociedade, quando nao vai de encontr s leis par-
ticulares do commercio.
Segundo o que nos diz Ferreira Borges no seu
licc. jur., loda a convenci he vallida, se lie re-
vestida das quatro seguinles condices, que lhe sao
essenciaes: coosentimenlo da parle que se obriga,
sua capacidade de contratar, um objeclo que for-
me a materia da obrigac,ao, e finalmente que este
objecto ou a causa seja licita.
Conforme igualmente pensam os nossos juriscon-
sultos, applicando-nos a disposicao do arl. 1133 do
cdigo civil de- Fr., devemos entender por objecto
ou causa licita, todas aquellas que nao sao prohibi-
das pelas leis. nem contraras aos bons coslumes e
ordem publica.
Firmados estes principios como! incootcstaveis.
somos forrados a concluir que, se no contrato so-
cial de que nos oceupamos, houvc expresso consen-
timenlo das parles; sa estas lem capacidade de eou-
Iratarem; se lia nelle um objecto que forma a mate-
ria da obrigac3u; e se fin dente esle objecto ou
causa nao he expressamente prohibido por lei, en-
lao nao poder nunca o silencio do cdigo ser fun-
damento jurdico para se invalidar essa parle do
conlralo, porque, segundo o prcceilo mui termi-
nante do art. 862 do rezulameulo n. 737 do 2> de
novembro de 1850, que determina a ordem do juizo
no processo commercal, a nullidade de todos os
contratos commerciaes smente pode te* pronun-
ciada quando a lei exprcssaiiatnte a declara ou
quando sao preleridas'atgumas de suas solemnidades
essenciaes.
Allega-se que, como o nosse cdigo commercal
expressamente concedeu essa faculdade s socieda-
des anonymas ou companhias, deve-sc dahi precisa-
menta concluir que o mesmo cdigo a denega a so-
ciedade em commandila.
Mas, como bem se v, por mulo rigorosa que fos-
se esla argumentado, nunca poder comportar mais
forra do que te deve conceder a urna simples inter-
ferencia; e esla, como acabamos de notar, por mais
forte qoe seja, s por si he impotente para infligir a
nullidade de um aclo que s por lei expressa he
que pode ser decretada. Alm de que, nao entran-
do prnpnamente as compauhias na lei seral das so-
ciedades, como nos diz o mesmo Ferreira Bornes na
sua obraJurisprudencia do Conlralo-Mercaulil
porque nao cxislem debaixo de um nome social,
nem sao designadas pelo de algum dos socios, por
que nao eslao sujeilas s leis das fallencias, e nem
ha responsabilidade individual pelas perdas que pos-
sam ler, porque podem emprebender em alta escala
especulages temerarias, porque gfempre gozam de
grandes favores, c por ludo isso, s podem existir
por autorisaejio do governo c upprovacao do acto
qne a insliluenao nos parece cousequeiile nem
razoavel que se considere como um privilegio que
so expressamenle he que deve ser concedido s mais
sociedades aquillo sem o que urna corapanhia dri-
xaria de ser, e que por conseguidle Iralando-se
della nao se poderia deixar de mencionar expressa-
mente.
Allega-se mais qoe essa faculdade da divisflo do
fundo tocial em arenes Iransferiveis deve ser veda-
da por cansa dos grandes males que podem occa-
siooar. Assim, por exemplo, no raso de fallimeulo
da sociedade, acontecer que aquelles a quem tive-
rem ellas sido tran-feridas podem inutilisa-las, epor
esse modo tornndose desconhecidos, cooseguirem
livrar-se da nlinaarAo de enneorrerem para satisfc-
elo do debito social ale a coocurrencia do fundo
com que subscreveram.
Tambem esta objecc,o nao tem importan?a: pri-
los poderes do eslado '.'
Ao primetro quesilo.
Com eslranbeza temos visto por*se em questao
aquillo que esla claro e positivamente decretado em
nosso direito ; e com profunda magoa coulernpla-
innsa atlitude huslil e rebelde que ltimamente a
disriissao e os faclos nos aprc-enl iin I Por um lado
alormenla-se a lei, cscogila-se os mais exlravagan-
les argumentos, confundese todas as ideas, para
della forcosamente saear-se o que nella n3o existe.
Por outro lado, a despeilo de ter a auloridade le-
gitima decidido negativamente a improvisada quet-
ttto, marcha-se por diante, leva-sea plena execucao
um projeclo condemnado, e ainda se diz a essa mes-
ma auloridade legitima : Vos fosles precipitados
em apresentar a vossa opiniao sobre o art. 297 do
cdigo do commercio, a soluc,ao da duvida s com-
pele ao poder legislativo, e emquanlo essa decisSo
nao apparecer. nos podemos fazer lud, porque so-
mos cidadaos livres, e vos n3o podis fazer nada !
Esse estupendo modo de raciocinar, em nosso
fraco entender, se fizesse proselylos em lodas as cla-
ses da sociedade, empenhadas por seu torno cm pro-
mover semprc seus interesses particulares, tende-
rla a nada menos do que a derribar a sociedade pe-
los seus fundamentos. O caso he para nos de tal
nalureza, que em nada depende da interferencia e
declararo do corno Icsislalivo. A interpretaco
legislativa e aplhcntiea so se torna precisa quando as
leis sao obscuras e duvidosas ; mas se ellas sao cla-
ras, ou se ao menos assim parecem a auloridade
executora, negar-lhe a faculdade da inlcrpretacao
doulrinal importa um proleslo desabrido contra o
cumplimento de lodas as leis, urna Ihcoria ame-ara-
dora, de que s pode vir a licenca, desorden) e anar-
chia. A queslAo esla jurdicamente decidida pelo
governo, o capital da sociedade em commandila nao
pode ser dividido em acees, c as razes sao as que
se seguem :
l. Se nem os arl. 311, 312, 313 e 314 do cdigo
do commercio, que Iralam peculiarmeute da socie-
dade em commandita, nem qualquer oulra disposi-
rao do mesmo cdigo, permiltem que nesta especie
de sociedade o fundo capital seja dividido em aeces
-cgue-se rigorosamente que tal diviso he impossi-
velem retaran as nossas leis.
2. He impossivel, porque o carcter e natureza
da legislaran commercal lie ser excepcional e der-
rogaloria do direito commum ; e quando as leis sao
excepcionaes derrogalorias, a interpretaco nao pode
ser extensiva, nao pode abranger qualqaer oulro
caso alm daquelle que se tem expressamente men-
cionado: ii Instatutis.quaju* eommune plae abro-
gan!, non placel proced per similitudinem adea
sus ommissos.
3." A interpretaco extensiva sobre a sociedade
em commandila, permitlindo a divisan docapilal
eniarr.ii'-.lem por base a apparcnle analoga do que
a tal respelo fora legislado para as companhias ou
sociedades anoiivjuas uo arl. 297 iln ***' -**
mu,. pois qfi os serios commaiulilaros, do mesmo
modo que os accionistas, sao meros (..mecedores de
fundos, sem responsabilidade alm desses fundos,
e onde se descobre a mesma razan parece que se po-
de suppor a mesma disposicao. Mas, alem de que
nSo ha paridade exacla, ou homogeneidade de ma-
terias quando se trata de especies diversas, acorescr
que nem a especie da commandita pode aceitar a
supposta analoga, nem a da anonyma a pode dar.
4. Nao pode a sociedade em commandila aceitar
a analoga, porque, sendo excepcionaes por sua na-
tureza propria as disposices que lhe dizem respelo,
ja se disse que as leis desta ordem que dorogam o
direilo commum nao podem esleuder-se alem do
que suas palavras soam e deelaram : Exceplio tte-
rilis esto, nec generet casus.
5*. Nao a pode dar a sociedade anonyma, porque
a excepcao suppe necesariamente a regra geral
contrario ; e porlanto o menor passo, alem do limi-
te do caso exceptuado, ach logo a barreira dessa
regra. Se o legislador, com poder de mudar o di-
reito rommuni. s o derrogou em cerlo e determina-
do caso, he cerlo que o deixou subsistir em lodos os
oulros casos. Qaw propter necessitatem recepta
sunt non debent in argumentum trahi.Quod con-
tra ralionem juris receptumest, non tst producen-
dumad contequen tas.
6." Ja se v, pois, que a nalureza simplesmenle
d le commercal nos est mostrando que a regra
geral, ou o direilo commum. he nao se poder divi-
dir em aeges os fundos das sociedades ; visto como
aquella le somenle admiltio aeces as companhias
ou sociedades anonymas: Exceplio regulam con-
firmat. n E nSo estara effcctivamonle essa regra
consignada cm o nosso direito commum ?
7. As acroes de urna sociedade sao ttulos trans-
feriveis das difTerentes parles aliquotas que compo-
e:n o seo fundo ou capital; e fracionamento
desse capital em arroes nao tem importancia
alguma em direilo, comouma simples diviso
arilhmetica (1 ). Sua significaran jurdica vem
a ser que os possuidores dessas acees lem a facul-
dade de deixar a sociedade quando bem Ibes aprou-
ver, Iransmiltindo-as a um ou a muilo- individuos,
e ficando desl'arle substituidos. Entretanto, a noss
lei civil (Ord. L. 4. T. 44 5. e 7.) eslabelece
como regra geral que essa renuncia e substituidlo
arbitraria sao impossiveis em lodas as sociedades de
lempo limitado, o E assim mais se desfaz a compa-
ii lna uni -se que a palavra companhta em nosso
direilo civil nao lem a significarlo especial do cdi-
go do commercio, o nem a compaubia direilo com-
mercal he culi* i explicavel pelo direilo civil )
quando algum dos companheros a renunciar, etc.,
c isso quaudo no contrato da companhia se nao de-
rlarou o lempo que havia do- durar.Da mesma
maneira nao poder um companheiro renunciar a
compaubia quando ainda durasse o tempo della.
8. O nosso cdigo do commercio, abundante mui-
tas vetea em materias proprias do direilo civil, leve
a precausao de repetir esla mesma regra geral da
impossibilidadc da renuncia, ou substiluirao dos
socios, como se observa no arl. 334. A ueuhum
socio he licito ceder a um terceiro que nao seja su-
cio a parte que liver na sociedade, nem fazer-se
substituir no exercicio das funcc/T-es que nella exer-
cer sem expresso consenlimenlo de lodos os oulros
socios ; pena de nullidade do contrato.
9. Ou so alten la, porlanto, ao silencio da nossa
lei commercal quanlo a sociedade commandila, si-
lencio que importa urna prohibicao ; ou se atienda
resra geral implcita, necessariamenle derivada
da excepcao unicamenle admiltda para a sociedade
anonyma ; ou se tenha em vista a disposicao gene-
rica do arl. 334, que nao fez mais do que"reprodu-
cir a regra do direito commum, estampada na cita-
da ord. do liv. 4., til. 44, j& e7.; est fra
de toda a contestarlo que o capital da sociedade em
commandita nao pode ser dividido em acre.
10. Ora, o que constitue o direilo commercal cm
lodos os paizes nao he s o corpo das leis chama-
das do commercio, o direilo civil lambem he lei
commercal cm lodos os casos que esta nao lem ex-
pressanienlc derogadn ; e por isso quanto aos con-
tratos cm (eral, o arl. 121 do cdigo do commercio
manda que se appliquem as regras e disposices do
direilo civil, e quanto s sociedades em particular,
o art. 291 determina a mesma cousa sempreque nao
houver lei commercal. Em accordo com elas
ideas elementares, o arl. 2." do regulamenlo n. 737
de 2.1 de novembro de I8.KI declara que constitneni
legislacao commercial, nao somenle o cdigo do
commercio e usos commerciaes, mas lambem as leis
civis.
11. Se as leis civis nao fossem claras e positivas,
bastara meditar por um momento nos principios
qoe .1 mu ii.uii esla malcra e regulan) o conlralo de
sociedade, a cuja elasse pcrlence a sociedade em
commandila. E na vertade, seinpre que se queira
inlrodu/.ir era um contrato qualquer clausula ou in-
nnvarao que repugna com as rundimos essenciaes
de sua existencia, est rlaro que se d um perfeilo
eoiilraseuso.
12. No conlralo de sociedade as pessoas fazem o
principal papel ; o que as determina a contratar he
a conveniencia pettoal, lio a reciproca cscollia que
de si fazein, he o accordo que esperara de sua reu-
nido ; de modo que, leudo a cousidarnQao das pes-
soas o principio runoamcnt.il das sociedades civis'
c commerciaes, o um dos elementos da convenci,
ronclue-se logcamenli que os socios nao te podem
substituir sem coiiseitimento expresso dos oulros
socios. Se nos livesiemus somenle a lei civil, a so-
ciedade ai.....\ ma ot pnr aeces (em nosso direito
sao palavras sioonymas) fora impossivel, porque ahi
dase urna derogacao evidente dos principios ; sao
us capilaes que se associam, os associados nao se
escolliem, nao te conlieccm mesmo umita, vezes ; e
enlao j nada se opfe a que os accionistas subro-
guen) terceiras pessras cm lodos os seus direlos e
em todas as suas obrgaces.
13. Ora, que as :oinpanhias de commercio nao
silo propramenle sociedades, debaixo da idea cons-
titutiva do contrato, ve-te claramente do complexo
das dispo-irss do lioso cdigo a respelo desta ma-
teria. Tratou distintamente no cap. 2. do til. 1.1
das companhias de commercio ou sociedades anony-
mas ; e depois legisliu cutan em um s capitulo
sobre as sociedades pruprameute, ja determinando
as condices caractersticas de cada urna delta-, j
eslabclcccnilo dispost-es geraes applcaveis a lodas,
como sejam as das tecces l., 6.a, 7." e 8.". Ve-
jamos se cssas dispoces geraes se harmonisam ou
repugnara cora a diviso cm aeces do fundo capital
da sociedade em comnaiidita.
Urna das regra* seraes zarl. 302i.*) he que a
escrptura das sociedides deve necessariamenle con-
ler os nomes, natura idades e domicilios dos socios,
do que resulla a nercssi.lade de um quadro invari-
vel de socios emquanto a sociedade durar. Ao
contrario, haver urm variacao continua de socios,
tanto em diversidades, como em numero, se os com-
mandilaros, recbenlo acces, ou nominativas, ou
ao portador, ficam hibilitados para transfer-las.
15. Quando um ocio se retira, ha um dislralo,
urna dissnliicao de nciedade, que s se pode fazer
pela mesma forma d- instrumento por que toi a so-
ciedade celebrada (ais. 337 e 338 do cdigo); e
essa condicao essenchl repugna com a faculdade da
livre transferencia da accOes, ou ella seja fela pela
simples Iradirau, ou jor via de endosso, ou por acto
laura l.i nos livros da sociedade.
16. Oulra regra grral he a designaran especifica
(arl. 302 4." da piola com que.entra cada um
dos socios para o capital; e adniittindo-se acc,oes na
sociedade cm commandila, nao ha mais certeza de
.pintas de entrada ; perqne essas quotas podem ser
subdivididas a poni de haverem tantos socios e
tantas entradas quanlas torearas arcos.
17. Que a sociedade commandila he puramente
pessoal, di-lo o art. 311 do cdigo muito expressa-
mente sob eslas expiesses: Quando duas ou
mais pessoas se assoriam para fim commercial,
obrigando-se uns como socios solidariamente res-
ponsaveis, c sendo oilros simpliecs prestadores de
capilaes, etc. Comrerem-se taes cxpresses com
as empregadas pela le quando tratou das compa-
nhias ou sociedades nonymas, e o que haver de
analoga? Nao poderit haver analoga, porque as
sociedades com mordis propramenle taes, epor
conseguinte nacomm.ndila, ha primeiro sociedade
de pessoas, e depois de capilaes; entretanto, que
na anonyma ha somen.e sociedade de capilaes, sem
reuna.) de pessoas, esem que haja uecessidade de
indicar seus nomes.
18. Que he pessoal prova-o tambem irreplica-
velmenle o art. 313, parque, se ha urna hypolhese (a
do arl. 828) em que es socios commandilaros sao
obrigados a repr os lacros que houverem recebido,
esl claro que o direilo de socio nao pode ser trans-
ferido pela simples vtnda das acfes. A transfe-
rencia ilas aeces nos livros da sociedade (pois que os
oulros dous methodosde simples tradifao e endos-
so sao manifeslamenU inadmissiveis, como se tem
-'oralmente confessado nao salvara a transgressao
do citado art. 313, Visto que ahi se suppe natu-
ralmente a inmediata responsabilidade dos socios, e
nao a oblqua e remla de lerceiras pessoas que em
longa serie limvessen recebido lucros, e os deves-
sem repr.
19. Nao se pude sasfazcr o carcter pessoal da
sociedade, e Iludir a ei, dizeudo-se que os socios
podem primitivamentt convenciouar a faculdade da
renuncia e transferenda, no delegar seus poderes de
approvacaoe escolha aos socios gerentes approvar.3o
porque esculla de pessoa presuppoem ocouhecmen-
to della ; e porlanto escolha anlecipada he cousa
que nao se concebe, :ie aftirmar e negar ao mesmo
lempo, he a these e a antithese. Quanlo delega-
cao de poderes aos socios gerentes, nos diremos que
he urna perfeila argu:ia. desmculkla pela realidade;
porque desde o momento em que se admillem ae-
ces, nao ha mais escolha de pessoas, a sociedade
he de lodo o mundo, e os gerentes nao lem mais di-
reilo para impedir loda e qualquer transferencia que
se queira fazer.
20. Quem faz urna sociedade commercial exerci-
ta um acto do commercio ; quem nao pode com-
inerciar nao pude pois contratar sociedade commer-
cial. Logo, nao podem contratar sociedade (odas
as pessoas designadas no arl. 2." do cdigo, os cor-
relores (art. 59), os agentes de leilao (art. 68), Se
admitrmos acrOes na sociedade em commandila,
urAo a ser so. ,.. toda* essns pessoas excluidas ;
entretanto que os arts. 3 e 60 do mesmo cdigo per-
miltem smente que taes pessoas lenham acroes das
companhias de commercio, ou sociedades anony-
mas.
21. As sociedades acabam pela morte de qualquer
dos socios, salva convenci em contrario a respe-
lo dos que sobreviverem /"arl. 335 i) ; e se hou-
verem aeces ua commandila, temos urna sociedade
que continua depois da morle, e indepcndenle de
qualquer convenci dos sobrevivos.
22. De sorle que por lodos ns lados v-se que
pela nossa legislacao commercial a diviso do fundo
social em arene- be itconlestavelmente um dos ca-
ractersticos s peculiares das sociedades anonymas.
Se esse caracterstico, pois, fr applicado a com-
mandila, esla especie de sociedade lica logo desna-
turada, falsea-se todo o systema do nosso legislador,
confuudem-se todas as ideas. Pela legislacao fran-
ceza, ao inverso, a diviso do capital em aeces nao
he caracterislico exclusivo das sociedades anony-
mas, por a lei admil'.e lambem esla diviso as so-
ciedades commandilirias. He muilo conveniente
esla distoccao para aquelles que entre nos argumen-
tara com as llicorias dos comraentadores do direilo
francez.
23. Mas, he tan cerlo qoe a diviso do fundo so-
cial em arenes he allribulo proprio e exclusivo das
sociedades anonymas, e qualidade opposla i socie-
dade em commandita. que o arl. 38 do cod. franc,
conhecen Jo a impropriedade, temendo-se da mixiao,
e qoerendo prevenir que, assim adulterada a socie-
dade em commandila, nao degeuerasse na a no us-
ina, e nesla se refundiste, declarou expressamente
que s permiltia a derogacao nesla parte dizendo :
ii o capital das sociedades em commandila poder
ser tambem dicidido em acroes : e accrescentando
logo em seeuimenlo : sem oulra alguma deroga-
rilo s regras eslabelecidas para este genero de so-
ciedade. D
Concluimos, pois qoe pelo nosso direito a socieda-
de em commandita nao pode ler o seo fundo capital
de acces ; porque em diieilo commercial tudo he
de rigor, nao he permillido senao o que esl texlu-
alraenle legislado. 0 grande principio da anlono-
mia, oo liberdade das convences, nao pode ser in-
vocado quando se trata, cm materia de commercio,
de fazer um contrato que as suas leis excepcio-
ii.ie- nao conheceni ; era tal caso ha urna prohi-
birlo positiva, e nenhnma convenci he possivel
quaudo incurre na iufracco das leis.
Se encaramos o direilo commercial isoladamenle,
he inapplicavel a regra deque he permillido tudo
aquillo sobre que a lei guardn silencie, pois fora
da permissau da lei commercial nada mais se pode
fazer. Se temos em vista o direilo commercial em
seu complexo com o direito civil de que elle faz
parle, he falso que se estoja tratando de um acto
qoe a lei nao prohibi, porque a nu**a lei prohibe
expressamenle, como cousa avena natureza do
contrato de sociedade qualquer que ella seja, que o
seu fundo capital seja dividido em aeces.
Augusto Teixeira de Freitas.
Kio de Janeiro, 2 de selembro de 1854.
(1) Al se disse no senado que o capital das socie-
dades em nomc colleclivo podia lambem ser dividi-
do em acces He urna perfeila heresia, mas o erro
s esla na significarlo da palavra, por se suppor que
ella exprime simplesmenle as entradas dos socios,
divididas em parles iguaes, abstrarcao fcita da livre
transferencia dessas entradas. Por'causa dasduvi-
das, e escreveu-se lambem em um dos pareceres
publicadosacces transferiveis e o pleonasmo
veio muito a proposito para que n.io se quesliooe em
balde, nAosc leodo fixado a significado dos voca-
bulos.
Ao segundo quesito.
A sorielade bancariaMau, Mac(iregor e
C.esla illegalmente constituida. Quando se diz
qoe urna sociedade esla illegalmente constituida,
pronuncia-se a conclusao de um syllogismo cujas
premissas vem a ser a prohibicao da lei como propo-
sicao maior. c como proposito menor o aclo de que
se trata. Essas premissas s podem autorisar a con-
clusao se, comparando-as, mis achrenos a idea par-
ticular contida na extensao da idea geral ; e para
comparar he preciso conheccr. Fixemos, pois, antes
de ludo as nossas ideas ; partamos de lei, c gradual-
mente examinemos a rolaran em que ella se acha pa-
ra com a sociedade em questao. visla do que nos
dizem os respectivos estatutos, de modo que se co-
nfiera, em ultima analyse, se essaentidade creada
lem um organismo proprio para viver nomun-
do jurdico.A nossa anatoma descriptiva s nos
anuuncia um prognoslico de morle, c morle inevi-
lavel.
Era materia de sociedades commerciaes os limites
da nossa Iciili-lar.io excepcional consignada no c-
digo do commercio saoassaz conhecidos. A primei-
ra ....ei var.io da analyse nos fz Ioeo distinguir a
sociedade momentnea ( art. 325 do codigo.J) chama-
da em conta de participac'io, de todas as outras es-
pecies de sociedades que sao permamenles, com tem-
po determinado, ou sem elle. (art. 302, $ 6.) Os
estatutos da sociedade Mau, Mac-Gregor e C. ex-
rliieiu a especie da sociedade accidental e m mienta-
uea, porque elles marra 11 arl. 8. ) o prazo de vin-
te anuos, e permiltem al a mntinuarao alm desse
prazo. Na oulra especie he preciso excluir tambem
a sociedade era nome colleclivo ( art. 316 do cdigo)
ou de responsabilidade Ilimitada para lodos os sn
cios ; pois que os estatuios dizem que ot socios, que
chama commandilaros ( art. 7o,) sao apenas respon-
saveis pelo valor nominal de suas miradas. Kesiao-
nos somenle a sociedade anonyma e a commandita.
Se applicarmos as disposices sobre a sociedade
anonyma, oo companhia de commercio (arl: 2o5 do
cdigo, ) os eslalolos nos resisten!, porque estahele-
cera logc/ no art. I. que a sociedade bancaria, he em
commandila, cm harmunia com o disposlo nos alrs.
311, 312, 313, e .111 do cdigo ; e tambem vemos no
arl. 3o a crear in de urna firma social, cousa que nao
exisle na sociedade anonyma. Se, a tira li i dos por
este fallaz enunciado, vamos decidir o caso pelas re-
gras desses arligos invocados, e pelas regras geraes
qoe douiinam todas as sociedades proprumente di-
ta-, e consequentemenle a sociedade em commandi-
ta, enlao a resislcuciaj nao he simplesmenle de pa-
lavras e de mera apparencia e a apparalo, mas urna
resistencia reale ejfccliva, manifestada em quasi lo-
das as disposices dos eslalulos, a qual nos impelir
de novo para a qualilicarao de sociedade anonyma.
i." Na sociedade em commandila o fundo capital
nao pode ser dividido em aeces como demonstramot
na sulurao do primeiro quesilo ; a diviso era aeces
lie um allribulo exclusivo da sociedade anonyma (art.
297 do cdigo), que pelo nosso direilo he a nossa
nica sociedade de aeces. Entretanto adiamos na
art. 4." dos eslatutos que o fundo social ser dividido
om aeces, e no arl. 7. que cssas aeces podem ser
transferidas pelos seus possuidores depois da integral
realisacao do fundo social.
2. Na sociedade em commandila esl entendido
que o fundo cammanditadu he lodo dos socios com-
iii... ii.i i lar ios ( arl. 311 do cdigo ). e nunca dos soci-
os gerentes ; he na sociedade anonyma qdc os geren-
tes ou administradores podem, com os accionistas iu-
disiinctainentc, ler parte no capital oo fondo com-
prometlido (arl. 295). Nos estatutos ( art. 4 ) o
fundo social compromeltido he de 6,0uX):0rjX)?j000, e,
nao obstante, se diz qne una sexta parte desse fun-
do, representada por mil acces ( art. 6o ), ser tor-
neada pelos socios gerenlet. Na Franca, cuja legis-
lacao permitir acr.-s na commandila, deo-se este
abnso ; e bons espirito; entendern) que no caso de
fallencia, os socios commandilaros eslavam obriga-
dos a completar a commandila promeltida. (Fre-
mery, Direito Commercial, capitulo 9.)
3. Todas as sociedades propramenle laes, e por
consequencia a commandita 9e dissolvem e liquidam
com a morte de um dos socios, salva a convenci em
contrario a respelo dos que sobreviverem (art. 335
4, eart. 344 do cdigo.) 11 aven.lo menvres, a con-
venci para continuar !ie impossivel ( art. 308 ), a
liquidacao he nevilavel (arl. 353). as anonymas
isto nao acontece, a sociedade continua sempre, por-
que he apenas urna sociedade d capilaes, lendo ni-
camente os herdeiros direilo as armes que possuir o
accionista fallecido. He o que precisamente se v
eslabelacido no art. 20 dos estatuios.
4. No caso de morte dos gerentes da commandila
a d9soluc,ao verifica-se igualmente ; lie na sociedade
anonyma que nada importa o fallecimenlo dos ad-
ministradores, porque elles exercem um mandato
revogavel, o podem ser substituidos ( arl. 295 do c-
digo ). Pois bem, os eslalolos deelaram igualmen-
te no arl. 2t que no caso de morle de qualquer so-
cio gerente um oulro sera nomeado.
.1. O faci da gerencia dos socios ostensivos da
commandita nao he mndalo, he urna condicao fun-
damental do contrato de sociedade, que portauto uao
he revogavel e dcstruclivel emquanto a sociedade
durar. No art. 21 dos eslalolos se falla de caosas que
podem tornar necessaria a sobstluirao de qualquer
socio gerente; no arl. 22 se diz que a fallencia par-
ticular de qualquer dellet o inhibe de fazer parle da
administraran ; o no art> 23 estalue-se al a possibi-
lidade de serem substituidos em caso de abusot re-
conhecidoslodosos socios gerentes. Ora islospoderia
ler lugar em urna sociedade anonyma, e na com-
mandila importa nada menos do que a completa ex-
linera.i da sociedade.
6. Na sociedade anonyma, como j se notou ( arl.
295 ), os prestadores de fundos podem ser gerentes,
nar.imm.indita nunca (arl. 314 ), a lei o prohibe, e
inflige urna pena para ocaso de contraveneno. Os es-
tatuios, inculcando estabelccer urna sociedade em com
mandila em harmona com esse mesmo arl. 314 nao
foram modelados pela delerminacao da lei, conla-
ram togo com a sua violacao ; pois, substituidos os
gerentes, como elles permiltem, a consequencia ser
pas-ara gerencia para os commandilaros. A pena
da lei prohibitiva s lem o fim deassegnrar aexecu-
rlo da mesma lei, eoo podeportanlo servir de ins-
trumento para desUui-la.
7. A lei das fallencias per.le toda a sua severo la-
do as companhias de commercio ; cada accionista
responde no momento da quebra pelo valor de suas
accoes, e nada mais ; na sociedade em commandita,
em contormidade do arl. 313 do cdigo, quando ha-
ja fallencia, e se verifique a hypolhese do art. 828,
pode ter lugar a reposicao dos lucros recehidos. O
que poslo, como essa reposicao se poder conseguir
admiltindo os estatutos a livre transferencia das ar-
mes ? O comprador das aeces nao ter nada a re-
pr de Incros, quando elle nada receben. O vende-
dor nao poder ser coagido a repr, quando elle
nao he mais socio, por isso mesmo qoe nao he accio-
nista.
8. E o qoe diremos da institoirao de om conse-
Iho fiscal, com reunies ordinarias e extraordinarias,
e da assemblea dos vinte maiores accionistas '.' Nao
ser ludo isto, pouco mais ou menos, o que se v
diariamente as sociedades anonymas ? E j se vio
cousa igual uas sociedades em commandila Por-
que titulo obram esses fiscaes, esses accionistas da
assemblea, e mesmo esses gerentes coja adminislra-
rao. como diz o arl. 9. dos estatutos, basea-se nos
plenos Ilimitados poderes que I lies san dados?
Obram por virtude de um mandato, e nos concede-
remos coma cousa possivel ( se bem que inslita )
esse mndalo em urna sociedade verdaderamente
em commandila, com um numero conhecido de so-
cios que nunca se substiluem. Mas loda a idea de
mandato foge e se esvaece desde que se admittem
aeces, e desde que os socios podem mudar a cada
momento. O mandato he um conlralo personulissmn,
lillm da rnufianca de individuo para individua,n man-
dato expira com a m..rir *o m ni.i.mie c niniiaaiario;
e nem a confianea pessoal he direilo ou obrigncao que
se possa transferir por aclo inter-vicos ou causa-
morlis.
9. Se a sociedade fosse verdaderamente em com-
mandita nada havia a estipulara este respeilo, nao
sera preciso recorrei-se ficc.io de um mndalo, to-
dos os commandilaros tinham peta lei art. 314 do
cod.) a faculdade de tomar parle as deliberarles
da sociedade, e de (i-causar assuas operaeoes e eslado.
Em face dos estatutos, e como disse muilo bem no
senado oSr. Monlezuma, he bem duvidoso se os ac-
tos permiltidos ao cunselho fiscal exceden) as raas
daquella faculdade qoe a lei concede. Se nma lal
sociedade pudesse vulgar, mal estaara, em caso de
sinistro, os socios commandilaros qne compuzessem
o tal conselho fiscal I Nao osqoera esta salutar ob-
servaran dr iim escriplor muilo versado nestas mate-
rias ( (aliamos de Delangle no seu tratado das so-
ciedades commerciaes ), o qual diz : Na socieda-
de em commandila o commandilario esl reduzido a
urna iiispccrao silenciosa, elle nao pode irapor ao ge-
rente sua vontade sem abdicar seu titulo e sua irres-
ponsabilidade.
Nao alongaremos mais esta analyse, que se tem
observado he de sobra para que possamos qualificar a
sociedade bancaria de que se trata. Ha urna con-
tradicho patente entre o seu Ululo de commandila-
ra e a realidade de lodas as suas condices ; mas os
uomes nao lem valor senao como signaes das ideas,
e em faclos lujeilos a npplirarao das leis esses sig-
naes nao estao ao arbitrio de quem os empresa.
Que nos importa que alguem, lendo por fim eslabc-
lecer urna sociedade anonyma, e lendo efieclivamen-
te estipulado todas as condices s proprias de tal
sociedade, se lembrasse de lhe transformar o nome,
decorando-a com o titulo de sociedade em comman-
dila? A realidade vale tudo, a apparencia nada ; a
grande regra do jurisconsulto he a seguinle : No-
men non attendilur, nec de eo, cum de re constal,
curamus.
Alm do nome, a sociedade era questao nao tem
mais nada para parecer em commandila senao a for-
mula de urna firma social. Essa firma social envol-
ve, he verdade, urna responsabilidade illimilada pa-
ra os socios gerentes; porm, por mais forte que se-
ja a garanta dessa firma, ninguem negar ao menos
que ella lica muilo correada, senao no lodo absorvida,
pela responsabilidade limitada dos mil contos de rs.
de aeros quo os estatutos concedern) aos gerentes.
Por oulro lado, tendo-sc evitado por lal meio, e cura
a metamorphose do nome, a aolorisacau do governo,
sempre indispensavel para o cstabelecimento das so-
ciedades anonymas, o sacrificio da responsabilidade
illimilada foi nenhum ; porquaolo o art. 8 do de-
creto de 10 de Janeiro de 1849, j a impuuha como
orna pena.
Em summa, com loda a severidnde que deve ca-
raclerisar om parecer jurdico, nos diremos que a
sociedade Maua. Mac-Gregor e C. he puramente
urna sociedede anonyma, em sao disfarcada com a
denominaran de commandita ; e como nao ha pelas
nossas leis sociedade anonyma sera aulori-arao do
governo, lemos justificado a'conclusao de eslar essa
sociedade illegaimenle constituida. Se ainda assim,
a reputaren) em commandita. a conclusao he a mes-
ma, porque, abstrahindo de um sem-nunioro de aoo-
maas, as nossas leis prohibem a sociedade em com-
mandila por aeces, como demonstramos na resposln
ao primeiro queisilo. Se, finalmente, nem lor ano-
nyma, nem commandila, aiuda ser illegal, porque,
fra de espliera restricta das leis do commercio, nao
ha sociedade commercial possivel, e debalde ser
tonlar combinamos novas..Yon valebunl acumina
ingeniorum, sed auctoritates legum.
Augusto Teixeira de Freitas.
Rio de Janeiro 4 de selembro de 1851.
(Continua.)
Jos Benlo da Costa. i
Uyppolito Cassiano de Albuquerque Maranhao.
I.uiz Francisco de Sampaio e Silva.
Foram recusados pela promoloria publica os Srs. :
Antonio Luiz do Amaral e Silva e JoaquimJos da
Silva Serrano.
O reo nao fez recusaran.
Consta do Ii helio da promoloria publica, que o
reo tirara da casa de Joan de Freitas, sua filha Ale-
xa n.lr i na com a inlencao de casar com ella.conlraliir
matrimonio nao estando di-solvido o seu casamento
com Messias Maris,e quo lizera correr os convenien-
tes proclamas, sendo que o casamento deixou de ef-
fecluar-se, porque divulgou-te que ainda vivia a
mulher do reo, o promotor sustentfiu que em vista
das provas dos autos, eslava verificado que o reo
commettera o crlme de tentativa de poligamia, e
pedio que se lhe impozessem as penas do art. 249 do
cod. criminal, combinado com o arl. 34 no grao me-
dio, por nao existir na especie nenhuma circnmslan-
cia aggravante e atenuante.
Disse o reo em seu interrogatorio que nao ti-
rara Alexandrina da casa do seu pai, que por sua
propria .iel;b:rarao della se ausenlara, aconlecendo
entretanto, que quando segoia ella da casa do pai
para aquella onde se diriga, fosse por elle encontra-
da, e que al la a acompanhasse.
Declarou mais o reo, que na.i lizera correr procla-
ma uem nutria proposito de casar-se com Alexan-
drina, lendo apenas com ella relaces il lidias.
O advogado da defeza sustenta que o reo nao po-
dia ser condemnado, porque a especie nao devia ser
qualficada de tentativa do crime de poligamia.
O jury re-p ni leu affirmativamente os qusloa
que lhe foram proposlot depois dos debales, e o reo
foi condemnado em vista de tuas respostas no grao
minimo do art. 219 do cod, criminal, combinado com
o art. 34 e 49 do mesmo cod.
A sc-sn toi adiada para o da seguinle s 10 ho-
ras da man lua, lendo terminado depois de 2 horas e
meia da tarde.
COMARCA DE \4Z\RETH.
28 da novembro.
O qne ha de mais notavel relativamente a esta
tomarct, he o encerramento da corroicao a que pro-
cedeu o Dr. juiz de direilo, o que leve lugar no
dia 23 do mez que vai findar-se: dizem que S. S.
dera varios provimenlos acerca de alguns abusos
que de longa dala se tinham inlroduzido na pralica
do foro ; alm do que multara a alguns juizes de
paz e tubdelegados, pela falla decumpareuimento
as audiencias da mesma correicao.
A reuoiao dos jralos, que fra marcada para o
dia 24, como ji lhe fiz ver, s pode ter lugar lion-
Icm, entrando logo pela absolvilo de um aecusado
de tentativa de morte.
Nao obstante a actividade qua tem opposto o Sr.
delegado e mais agenlet de polica do termo de
Goianna, aos desmandos dos desordeiros de Goian-
ninha, continuara estes a mostrar-se cada vez mais
contumazes. Consta com certeza, que o celebre
Manoel Monan, ex-inspector de quarleudo do mes-
mo lugar de Goianninha, reunir de dez a doze
reos de polica, e para o amanhecer do da 12 po-
zera cerco a casa do intitulado major Nascimenlo,
com o intuito de o assassinarem, o que no succe-
deu pela ausencia do Nasoimento. Esle faci che,
gou muito larde ao conhecimenlo do dito Sr. dele-
gado, o qual fez partir para all a torca volante ao
mando do Sr. Camisao, que nao podeodo mais al-
ean car o Monan com o sen squito, nao perdeu toda
via sua viagem, visto como pode assegurar se de
Manuel Mauricio e ontros que compunham urna
quadrilha diversa, que oceupava-se exclusivamente
nu roubo de cavallos. Esle Mauricio he o mesmo
que fra tomado anteriormente do poder da polica
pelos bravos de Goianninha, e consta ser criminoso
na freguezia dos Atogados.
Tambem na noite de 21 do correte jogaram
urna garrafa de tinta a cara de certo morador da
ra da ponte de Goianna, e immediatamente apre-
senlou-se o Sr. delegado, e fez prender aos autores
de semelhanle ltenla.lo. Outras diligencias mais
se lem feito por all com aproveitamenlo da (ran-
qailldade e seguranca individual.
Por c chegou o Liberal l'ernambucano de 24
dosie mez, Irazeodo a segunda missiva do matulo seu
correspondente.
Juajava eu qoe o hornera apresentaria faclos
com awe comprovasse suas asserces; islo he, ai
as-errat a que avanroii em sua primeira missiva ;
mas qual! ladeou e chamoo-me para om campo
onde o nao acompanlio, para o campo das descom-
posturas! Todava, misler se faz dizer alguma cou-
sa, para que nao pens o matulo que me pode con-
fundir, e mais ao publico que nos v e nos ob-
serva.
Principia o matnlo por dizer que julgou encon-
trar urna muralha mpenelravel em defeza do Sr.
Camisao, mas que deparou sem resistencia com urna
Irinchera de cisco ... Sabei, Sr. malulo, que exis-
le em torno do Sr. Camisao ama irinchera mpe-
nelravel, he verdade, mas nao he trara la pur mim,
nem elle disto tem necetsidade ; essa Irincheira he
o sea comporlamento militar e civil, o qual vos nao
podereis abalar por mais que queirais ; e poupai-
me dizer, porque nao o abalareis.
Estranha o matulo que eu desse a comarca em
socego, e concluisse haverem garaolias, depois de
ter cootado que o diatriclo de Tracunhaem eslava
por nao haver mais lempo, em que justamente p-
dense ser julgado um processo, resallando ainda adi-
amanto:
No quarlo dia nada mais houve emfim que estor-
vasse os trabalhoa, os quaes tomaran) a ordem se-
guinle :
Juiz de direilo o Dr. Jos Nicolao Higueira Cosa.
Promotor o Dr. Manoel Izidro de Miranda.
Escrivo Ignacio de Torres Bandeira.
Da 16 Ignacio Francisco de Fara crme de
mortedefensor, o advogado Bernardo Jos Fernn-
desde S alisnl v i.lo.
17 Manoel Bazilio erime de tentativas de-
fensor Manoel Jos Peixolo Gumarae.Condem-
nado a 18 annos e 8 mezes de prisao simples, grao
medio do art. 193 combinado com ot arts. 34 e 49
do cod. crim. pela defeza appellada a deci-ao.
18 Antonio Joaqoim Correa, tentativa de
morte. dem.
O 4.o annisla Jlo Valfredo Correa de Olivera e
Andrade Condemnado a um mez deprislo e mulla
correspondente a melade do lempo, grao minimo do
art. 201 do cod. criminal.
2f)Joaqoim Jos do Espirito Santo, e Vicente,
oseravo de Francisco Camello Petsoa dem dem
o Dr. Jo3o Floripes Dia< Brrelo nao foram jolga-
das pela resolucao lomada de, nao perlencendo a es-
la jurisdieso, nao ser esle o Irbuual competente, e
aira o de Iguarassu.
21 Jorge Jote da Rocha armat prohibidas
dem.
Manoel Jos Peixoto dos Guiraar&esabsolvido
appellado a ex-ofllcio.
22 Alejandrino Jote de > ndrade dem dem
o Dr. Jos Leodegario da Bocha Fara absolvido.
23Malinas Gomes de Sorna, acensado por Ber-
nardino Francisco di Sena pelo crime de ferimen-
tos advogado do l. o Dr. Joaqaim Jo Nones da
Cunha Machadodo 2.a o Dr. Ju.lo Floripes Das
Brrelo absolvido appellado a ex-oflicio,
24 I.aurenlino da Silvademdem o Dr.
Honorio Fiel de Sgmaringa Vaz Curadodem*
dem.
A vista porlanto do expendido foram oito o prn-
cessos offerecidot ao conhecimenlo do jury.
Tendo-llie feito ver em urna das passadat missi-
vas, que altela a fiel execucao que cosluma sempre
dar s leis o actual Dr. jniz de direito, a rebelda da
parte dos seuhore agricultores desla comarca teria
por cerlo desta vez de cessar, quando nao no lodo,
ao meos em grande parte. Quanlo me illudi em
assim raciocinar, a visla do que ja cima acha-se
dito 1 l'revinido o mesmo do que oulr'ora te dra cora
os seut antecessores, e cootegointementedo systema
adoptado por aquelles, nao hesilou em contrariar a
praxe sempre aqu seguida, em quanlo at justfica-
ces, as quaes sendo por meio de um simples atiesta-
do de algum facultativo, passoo agora a ter pelo que
se chama jurdicamente justificado.
Sendo assim, resullou conseguir grandes desafei-
ces, mormente pela maneira porque entender con-
servar sempre o tribunal do jury.
Convencida a rapaziada arrufada de que o execn-
la.lo acha-se as rbitas do que he justamente exi-
gido por lti, lera por certo de acalmar ot seus ni-
mos, e extinguir ot seus odios.
He cerlo que, seguindo alguns a praxe de qoe um
atlealado de facultativo, ubre quem recahe todo
criterio, pode ser encarado como meio de juitifica-
cao, segundo o que he determinado por lei, centra-
riada hoja ella, devia assim succeder, sendo na ver-
dade mais Irabalhoso o que hoje he requerido.
A lluslrissma como que se v esperncela de en-
grostar o sea pecalio, aliento o crescido numero de
mullas, todas no grao mximo, porm devo suppor
que nao passara de om tonho, porque, estando ao
alcance de cada um dos multados justificar a sua
impossibilidade, nao deixar de o fazer.
A seguranca individoal, mormente pelas extremi-
dades da comarca, urna vez por oulra vai soffrendo
seus troperos,
Jos Pedro Balbino, soldado do destacamento es-
tacionado na povoacSo de Pedros de Fogo, laucando
mo de urna arma e baiooeta na noite de 12, e sa-
inlo do qaartel em dreccao ao lugar denominado
Chao do loga, que di-la duas leguas, ferra graveo
mate com ama baionelada a Manoel Joaqaim Ca-
valcante, nelle morador, pelaa 7 horas do da, do
que resultara o congresso de algumas pessoas com-
proposito de ser o soldado victima do mesmo, ou
demais, o que assim toi, levando esle nm tiro, do
qual licra gravemente ferido, tendo disparado um
oulro, que ignora-se quem o recebera.
Acaba de dizer-me o mon ami Mesquila que j
passara elernidade o misero soldado, o qual sof-
frendo alienacao mental, de que urna vez por oulra
era accommetlido, nesse eslado pralicra semelhan-
le fado; nolando-me tambem achar-te prestes a se-
gui-lo o infeliz Cavalcanle.
Dando ha poucosdias umpelit promenade a poli-
ca da Parahiba at a parte do mencionado lugar,
em que termina a sua jursdicc,ao, urna bem soffrivel
acquisirao fez de marrecos ero cujo numero enlrou
um famigerado Antonio Dantas, terror daquellas
paragens, o qual achaodo-se complicado no assassi-
nalo do infeliz Bartholomeu Gomes, fez com que o
Dr. chefe de polica Bazilio Quaresma Torreao para
all viesse a iostaurar-lhe o competente processo,
para o que nao ha poupado estorcos e pesquizas.
Acaba o mesmo de fazer remessa a esla delegaca
de um facanhudo Jos Mara Cavalcanti, morador
em o eogeuho Grola-Fuoda daquella proviucia, o
tm ahanano e ir relatado um successo tiavlao em nesla comarca criminoso.
Pedras de Fogo.
Laslimo tanta simplicidade! Dizei-me, Sr. ma-
tuto, oque houve por Tracunhaem, por onde senao
podesse dar a comarca era soceso? Vos vos arvo-
rastes em correspondente do iierai, porque nao
ides relatando o que por all occorreu e occorre
contra a seguranza individual, ou contra o soce-
go publico? Dar-te-ha acaso que estojis coacto '.' Nao
o creio.
Dizei-me mais, o que temos com Pedras de Fogoj"?
E quando Uvessemot, quem poderia previnir
um successo inesperado ? Vos sois dado a lei tora,
liaveis de ler ldo a relacao de atlenlados graves e
gravissimos conlra a seguranca individual nos pe-
ridicos dessas trras, que se arrogan) us toros de
civilisadas ; segue-se dahi que senao possa asseverar
haverem garandas nos lugares onde taes atlenlados
se dao '? Isso para mim he? novo.
Diz ainda o matlo, qoe sabe cimeulo do publico o que pode comprometter aos
meus inimigos particulares. Ha isto urna falsida-
de, ama iosinuacao maligna que quer fazer o ma-
lulo.
Como correspondente do Diario de Pcrnambuco,
nao me tenho prevalecido por forma alguma da
vaotagem do anooymo, para doeslar algum desaire-
lo que possa ter, e que Decessariameote tenho :
cont fados pblicos e notorios, sem dar-me ao tra-
balho de tirar illaces que possam ofiender alguem,
nem importir-me que e.ses fados lenham sido pra-
licados por atcelos ou desalleclos. Seria bom que
o malulo apontasse aquelles que tenho narrado em
desvanlagem dos meus inimigos, e a maneira por-
que os narrei.
Insiste ainda o matulo em dizer que os Naza-
renos soflrem, e sollrem muilo. Pelo amor de
Dos, nao lereis a bondade de dizer o que soffreis oo
que sollrem os Nazarenos, provenienle dos desman-
dos das autoridades de polica '.' Aqui ha Iheatros,
ha novenas, ha partidas; todos aplaudem, como po-
dem ; s vai a cidria quem faz por onde, e al
muilos fazendo, la nao vao. Logo nao posso saber
9 que sofirem.
Continua o matulo dizendo que eu quiz laucar
o Sr. Camisao em um perno, comprometiendo o seu
nome militar.
Bravo, bravissmo, bem achado! Ora, Sr. malu-
lo, oulro officio ; quem quer comprometter ao Sr.
Camisao sois vos : at buje nao me aecusa a cons-
ciencia de ler abusado da amsade, nem da confian-
ra que alguem depositou emmim. OSr. capitn Ca-
ini-ao, cujas boas qualidades respelo e acato, nao
ter certamente de queixar-se de mim.
Besta-me dizer ao Sr. malulo, que deve fazer ou-
lro cooceito de mim que nunca ooftndi ; e que
bem o tenho descortinado alravez do veo claro e
diaphauo com que quer encobrir-se.
Nada mais direi, porque poderia chocar a ler-
ceiros. (Carta particular.
m
PERMMBliCO.
JURY DU RECIFB.
4.a testao' ordinaria!
Dia 29.
Presidencia do Sr. Dr. Manoel Clementino Car-
neiro da Cunha.
Promotor o Sr. Dr. Antonio Luiz Cavalcanti de
Albuquerque.
Escriv.o o Sr. Joaqun) Francisco de Paula Esteves
Clemente. v
Advogado o Sr. Dr. Joaquim Elviro de Moraes
Carvalho.
Bo Francisco Jos de Antojo, aecusado por tenta-
tiva de poligamia.
A's 10 horas fcita a chamada acharam-se presen-
tes 47 juizes de fado.
Foram multados em liO.-tHKl rs. alm dos senhores
jurado, j.i mencionados as actas aoleriores, os se-
nhores: Joo Cancio Gomes da Silva e Manoel Cada-
no de Medeiros.
Declarou o reo que nao tinha testemanhas a apre-
sentar.
Foram sorteados a aprazimenlo das parles para
jnlgaraento da causa os senhores jurados :
Manoel AnlunesCorra.
Antonia Ferreira da Aiinunriacao.
Antonio Jus Duarle.
llerouLino Deodalo dos Sanios.
Pedro Ignacio Baplisla.
Jos Egidio Ferreira.
Emilio Xavier Sohreira de Mello.
Antonio Jos dos Sanios Servina.
Jote Mara Machado de Figueiredo.
COMARCi DE GOlANi.
26 ue novembro.
Reconhecendo a indispensabilidade de um cour-
rfer de notices a meu lado, i imilacao dos demais
seus correspondentes, afim de com mais facildade,
e em maior uumero, transmitlir-lheas oceurrencias,
resol vi -rae a buscar um amigo, revestido dos requisi-
tos precisos, que de semelhanle larefa se encarre-
gasse, embora lodo possuido acerca do que se cha-
ina repulsa. Assim o fazendo, com que objecces
-alo..-me elle Que ponderosas reflexes pnr elle
suscitadas Destruidas urnas e nutras, couvencido
de que jamis sacrifica-lo-hia, nao mais vaciln em
prestar sua annuencia a consecucaodn projeclo, tra-
tando de fazer-me cerlo do quaulo podem os lacos
da amisade.
Assim pois j v, que sendo um grandioso favor
que se dignou prestar-ine o amigo, deve darse de
minha parle loda gralidao ; ecomo quer qne lhe di-
ga tambem respeito, espero qne n.lo hesitar em a-
companliar-me.
Percorrda esta comarca, ilando-se ao mesmo lem-
po um estudo, ainda que profundo, possivel nao he
o encontr de um oulro mais capaz de salisfitoria-
menlc desempeuliar a honrosa missao de courMer de
notices, que em Irocos miudos, ou segundo o idioma
materno, quer dizer deposito de noticias, correio de
noticias, utira.lor. ele.
A respeilo da presente materia he lal sua habili-
dade que, alm de achar-se sempre a par das oceur-
rencias dadas nesle luuar, ainda mesmo as mais in-
significantes e particulares, nada ignora do que vai
pela corte, peto paiz, Europa, ele. ele.
Mesquila he o seu nome. Muila cautela paiacom
elle, poisdo contrario lera, descoberto que seja, de
arripiar o capadocio; por consequencia eu na dura
necessidade de soflrer seut reproches.
liare i comeco prsenle ovposiro das ultimas oc-
eurrencias pela segunda sessao do jury deste auno,
que aberl.i a 13, eneerrou-sea 24, sendo sob iufor-
maces do amigo que favorecido pela sorle, nao se
poiip.iu um s dia aos seus respectivos Irabalhos.
Determinado o dia 13 do andante para abrir-se a
segunda reunulo do jury oo consistorio da Ordem
Terceira do Carino, c p ira ella sorteados, seguudo a
lei, 48 juizes de fado, apenas 11 foram os que se
dignaram honrar o tribunal, em virlude do que
deu-se adiamenlo para o dia seguinle, multados os
que faltaran), e notificados uulros tantos.
Em o segundo dia lambem nao toi possivel dar-
se numero sufllcienle, pelo que augmentado o nu-
mero dos rebeldes, e nova gente notificada, pode em
o terceiro ter aborta a sessao, deiaodo de trabalhar
I
'
-

s
i
Ah so assim sempre procedesse a Sr." polica,
certamente seriara abolidas at mal entendidas pro-
teges, banidos os mal permiltidos azilos, e conse-
gu lilemente punidos ot malfeitores I
Sim, em quanto. convencidos esliverem os que
mais devem euncorrer para a manulencao da or-
dem social,de qoe a lei sobre elles nSo tem eSeito, e
nao fr ella fiel e religiosamente execatada, nao ler
o nosso mizero paiz seguranca individual, nao tendo
por lano jamis possivel moralisar-se a elasse ig-
nara 1
Admira qae homeos, em quem j reflclem as lu-
zes do secuto, uao encaren) com horror a nm (So re-
pugnante systema 1
I mi lem, senhores da policia, a marcha seguida por
aquella, que serao asentados as paginas da histo-
ria, e merecern os emboras daquella parle da so-
ciedade, estranha ainda a corrupc3o I
A infeliz povoagao de Goianninha anda nao se
acha pacificada,como lhe fez ver um outro sea corres-
pondente em urna de suas paitadas, lauto que a 18
dette urna prelo de capangas capitaneada pele ce-
lebre Manoel Manan investir a casa de nm tal
Nascimenlo, dexando este de ser victima por nao
ser encontrado, pelo qoe Aeou esperado primeira.
Acerca de taes insubordinados j se dea jura-
mento pelo Dr. jaiz de direilo pelo crime de resis-
tencia, em virtude da lei ti. 562 de 2 de julho de
1850 arl. 1." 3., considerados iocurtoa no art. 116
do cdigo criminal.
Tambem, perdoe o mesmo correspondente, nao
he real a noticia qae lhe Iransmiltio de acharam-se
exlinclas as desavenas por aqui havidas, a estorcos
lano da primeira, como da segunda, do capillo Ca-
misao, sendo apenas certo qoe elle ha empregado
todo o necessario para contecucao da paz na referi-
da povoaelo, e que neste lugar ha-se portado com
muita urbauidade, nunca se lando lembrado de se-
melhanle couta.
Tendo aqui chegado o mesmo ha pouco tempo, e
tratando logo de dar um passeio al aquella povoa-
cao, pode conseguir trancafiar alguns capadocios,
cujos nomes sao os seguales:Manoel Mauricio,
Francisco Jos Goncalves, Manoel Francisco de Mel-
lo. Joaquim Francisco Chaves, e Joaquim Bodrigucs
Molla.'
Tratando de exigir tlgum esclarecimenlo a respei-
lo, fiz o amigo Mesquila conversar com alguem qae
bem o podesse orientar, em virlude do que posso di-
zer-lhe qae todos nao fazem parle dot inturgenlet
ot quaes sao numero de 9.
Segundo a parle activa qae ha tomado, e tem da-
vida ir tomando o nobre correspondente de Naza-
rolli relativamente as oceurrencias desta comarca,
julgo ser brevemente dispensado de 13o ardua como
espinhosa larefa, do que resallar nao pequeo re-
conhecimenlo para com elle.
Acabam de ser recolhidos a cadeia desla cidade
para correcejo, vindos da pevoacao deN. S. d'O':
Luiz Pereira da Silva, Jos Marlinho, e Mara Gal-
ilina.
Para averiguares policiaei Manoel Barbota de
Lima, vindo da de Pedrea de Fogo; Antonio Perei-
ra da Silva recolhido a mesma a ordem do Dr, jaiz
de direito.
Em a noite de 21 houve renetlc,ao do perverso
plano ltimamente aqui admHtido, sendo paciente
Antonio Leopoldina Pialo; por cujo fado foram
logo recolhidos a prislo Jlo Francisco Escorel, e*
Auna Bita Teixeira.como tuspeilos. ainda qne o re-
ferido Pinto he tao odiado que verdaderamente nao
pode saber qual a tonte donde partir um lao revol-
lante como execrando plano.
Com effeilo te ficar a panico desta garrafada,
como succedeu com a oulra qoe al a dala desta
nao ha passado de meras supposices, mal vai a se-
guranca individoal I
Assevea-me o Mesquila qoe arremessada bem c
muito bem ao rosto, o deixara alguma cousa estra-
gado.
Acha-se esla cidade dominada pela mania das cha-
radas a om ponto lal, que nao ha quem j au faca
suas cliaraJinlias embora algumas bem iufasfiaveis;
notando que entre lodos por mim conhecidos como
charadistas um ha que as faz de maneira que uada
deixa a desojar, e para prova do que digo, trato de
transmtlir-llie urna de suas produccoes.
CHARADA.
Sem ler de homem o ser, nem crealura) ,. ....
De Itoma sempre fui e sou primeira \ lel"*'
Da inesraa Boma ao conquistador famoso j
1 ledra.
I lellra.
Em sguudo lugar fui cumpanheira.
De Paulo Emilio sempre lu a ultima
Eda rainlia britanua pelo mesmo,
as bnlannicas planiceis derrotada
Em segundo lugar sempre me achei.
' Conceilo.
Sendo assim de Ilustres nomes descendente,
E de mea lodo tal a nalureza
Que s me ve em mim a humaoidade
A mais eslapida e brutal fereza.
Dr.J.J.F.
Alerta o Mesquila ao que occorre. como sempre
cosluma, adverte-rae qoe cerlo individuo, da elasse
parda, em sua casa de negocio trata de aliviar aoa
de sua parcialidade, ainda mesmo escravos, afim de
queem suas compras nao busquem-e oujros senao da
mesma; suscitando at ideas bem subversivas e fa-
laes.
Como lalvez teja estraoho a policia um semelhan-
le prucedimenlo; espero qoe, prevenida, nao hesita-
r em dar as devidas providencias.
Accrescenta o mesmo qoe, passaudo pelo corpo
da guarda nm almocreve, conduzuido em o coz
ILEGIVEL
MUTILADO





DARO DE PERMMBUCO, SEXTA FElRft I DE DEZEWBR DE 1854.

!
I
\

<
uma faca, logo preso e levado a presenta da subde-
legan.-), Uvera de segair sea caminho, a prrtexlo de
meara.
Nao he assim, senhora subdelegada, qne he exe-
cutada a le!
Se he lonco, reconheja o iribuual compleme ; o
mais he falla de exaejao dos seus deveres.
0 Toro como que ja vai sentindo a proximidade
das bem ni .izantes ferias, lano que as audiencias
j vio bem escassas, o que nao pouco estorva a mar-
cha do numero creacidode lides que nelle ha.
Presentemente acha-so esla cidade com um esla-
belecimenlo; conhecido po Bazar Goiannense,
perleucenle ao major Arminio Americo Tavares da
Cunhr e Mello, peesoa de reconhecida probidade e
crenlo.
1 immenle lem por aqui havido alguma china.
da qual j bstanle necessidade dava-se, pois que o
calor em excesso ja marchava.
Desta feila a safra dos abacachis n3o he pequea.
O mercado vai bem.
Sau Je e prosperidades.
O rnica.
(dem)
^-
REPARTTtJAO DA POLICA.
Parle do dia 30 de novembro.
Illm. e Eim. Sr.Parlecipo a V. Exc. que, das
difiranles parcipajoes hoje recebidas nesla repar-
lijao, consta que foram presos: pela subdelegada
da fregueiia de S. Jos, Marcolino Antonio p'Oli-
veira para recrula ; pela subdelegada do Poco da
Panelta Jos Manoel da Paixao sem declaracao do
motivo.
O delegado do termo de Iguarass, em ofllcio de
28 do correnle participoa-me que os prelos Jos
Marcellmo e Joaquim de tal, estando ambos a brin-
car no pateo da casa de Joao Manoel Vellozo da
Nivea, lavrador do engenho do me-rno delegado,
succedera que o primeiro dos ditos prelos achando-se
com urna arma de fogo, esta se disparara, empre-
EIMo-M o tiro no ventre do segundo, que poueas
oras depois fallecer, e que sendo pelas pessoas que
se achavam presentes considerado o faci meramente
casual, deixaram por iso de prender o autor do tiro
que temeroso se poz em fuga. Accrescenta o mes-
ino delegado, que Bcara proceden do ao competente
stimmario para conhecerda verdade do caso, e ha-
via dado as iieccssarias providencias para ser preso
o fugitivo.
Deo guarde a V. Ex. secretaria da polica de Per-
nambuco 30 de novembro de 1854.Illm. e Exm.
Sr. eonselheiro Jos BentodaCunha e Figueircdo
presidente da provincia,O chefe de polica Luiz
Cario de Paita Teixeira.
LITTERATliRA.
COSTMES INDGENAS DA ALGERIA.
O flama Jan.
(Por A. Lhevillolh.)
II
(ConlinuacSo.)
As penas pronunciadas contra os mussulmanos que
nao cumprem os (Ireceitos religiosos resentem-se dos
estorbos que o prophela lentou para eslabelecer sua
auloridade e manle-la durante seculos. A blasphe-
mia, quer ella se dirija a sua pessoa, quer se dirija a
Dos ou a um anjo, era ponida de morte anda ha
pouco, havendo smente esta distinejao que o ar-
rependimenlo salvava do supplicio o desgranado que
tinha insultado o senhor, e nunca o que linha im-
Euado o servo. E os doulores da le declaravam
lasphemoo mussulmano que tinha dito que o pro-
phela era negro, coxo, ceg ou de estatura pequea,
que nao tinha nobreza d'alma e que linha sido der-
rotado por (cus inimigos!... Grajas ao co, a jusli-
ja criminal j nao pertence aos cadis. Depois da
conquista da Algeria, nosso cdigo penal substiluio
essa legislacao barbara.e o indgena nao lem mais que
temer ser empalado, enforcado, decapitado, ou pre-
cipitado sobre as fateixas dos muros de Bab-Azoun,
pela ntemperanca de sua lingua e pelos desvio* de
sua f vacilante. O prophela e Dos eslo hoje em
perfeita igualdade, e sem querer assegurar qe os
magistrados indgenas nao poem ainda em suas cen-
ias com o primeiro mais escrpulos do que com o
segundo, pode-se dizer que a pena da blasphemia no
lempo do Ramadan como no lempo ordinario tem
cedido na classe das punirnos infligidas aos renles
que naoobsetvam o jejum rigorosamente.
Que a esle respeito, o enfraquecimento dos prin-
cipios religiosos e da Iradicau tem modificado a pra
tica do Ramadan, que observ&m-se desfallccimenlos
qne vao crescendo de dia em dia, he fora de duvida,
e basta para qoalquer flear convencido disso, ter vi-
vido as cidades da Algeria durante o mez sagrado.
Muilo mussnlmanos conciliam enlao o melhor que
pudem as exigencias do jejum com seus prazeres ;
todava s3o etcepees no meio da regra commum
coudas em certos limites, e cumpre reconhecer que
poucos indgenas que ostenlem a impiedade e
os roslos empalidecidos pelos excessos da vespera e
pela abstinencia do dia. Todos esperara que o ca-
nliAo annuncie o por do sol e com elle o lim do je-
jum. Apenas esse signal lem retumbado, um grlo
de alegra escapa-se de todos os peitos e militares de
bracos se pem em movimento. Os cachimbos pre-
parados de anlemao accendem-se : os copos d'agua,
as chicaras de cafe acariciadas pela vista, circulara
raras; accrescenlemos que nao sao populares ; ellas
nao descere abaxo do nivel aristocrtico; tem um
successo disliocto, mas sem eslrondo, sem echo na
multidao. Se devemos julgar a popnlardade pelo
rumor, esle genero de successo pertence incontesla-
velmenle escola da pbantasia. A reputado es-
.. ........ ,it vale itdi tuui i dbu visia, tueuiain < J J. .,,_ a, i .....
em roda. Aquiem marabulo ou um piedoso mus- lrondosa daS eazC,as l,e ->ara Insolc," romo
ha
deem em publico o triste espectculo da' embria-
guez.
Em geral o jejum he ainda asss escrupulosamen-
te observado, e o enteque nao se suhmclte a elle
he aponlado com o dedoe considerado como infiel,
se elle come, fuma ou loma tabaco em publico he
chamado, arrasfado Mahakma do cadi, he com.leo-
nado a bastonadas e a urna pena de pristi apre-
ciado do magistrado. Se elle tem bebido vinho,
leva 80 relhadas com urna tira de couro nos hombros
e 80 bastonadas nos ros ou na planta dos pea (1)
Era caso de reincidencia, encorria uulr'ora na pena
de morte. Aqaelle, diz Sidi-Khidil, qneproroelleu
converter-se e nao o fez, seja morto.o Aqui para o
dominio da le ; relativamente s oulras infraeces
s regras do jejum, o mussulmano nao incorre senao
na colera divina, e pode sempre esperar aplaca-la
por um arrependimento sincero. He o que os Ara-
bes chamam keffara: o qual tem por condijao nm
novo jejum de dous roezes, ou ama esmola que seja
sufficiente para sustenlar60 pobres,repelida lanasve-
zesquantas tiveremsido os diasdeinfracjao: Demais
o Ramadan he um mea tilo fecundo em maravilhas
qne o mussulmano, por pouco que qneira tem sem-
pre a faculdade de voltar emenda e entrever os
verdes bosques, as fontes borbulhanle-, os tapetes de
brocado, a laja cheia d'agua deliciosa que circula em
roda, as virgens de olhar modesto, de grandes olhos
prelos, de labios de coral, graciosos como o byacin-
tho e semelhaoles na cor aos ovos de avestruz con-
servados debaixo da ara do Sabara, que Ihe reserva
o paraizo pintado pelo prophela.
Sea voz do muezzim nao desperta sua tibieza, se
elle nao estremece a lembranca dos aojos collocados
por Dos a sen lado, nm para recolher todas as suas
acjoes, o outro as suas palavras no momento supre-
mo da'morte, a noite do destino o convida solemne-
mente a arrepender-se. a praticar a verdadeira re
gao, a observar a oracao e dar esmolas. Noite de
prodigios invisivei, noite santa, augusla entre as
.sele nniles ahenjoadas!...
a A paz, a acorapanha at ao aminhecer do dia :
por ordem do Dos allissimo, Gabriel desee trra
no meio de umi legiao de anjos. Duas de suas azas
cobrem o Oriente e o Occidente, e depois de ter ar-
vorado o estandarte verde do prophela sobre a Kaa-
ba, coala com os anjos os verdadeiros crales, e res-
poude amen ssaas orajOes, que valera as orajoes
de mil ooiles. Ao amanhecer do dia, elle torna a
*ub'r o-, e os habitantes de paraizo perguntam-
tne : O Gabriel, foi Dos clemente para com os mus-
sulmanos ? e el'.e responde : Dos voltou sens olhos
para elles e perdoon-os ; mas amaldijoou o homem
embriagado de vioho, e o que afTlige seus pren-
les. (3; |
Mysleriosa e sombra como o Alcorn, cuja zeve-
lacao recorda.essa noile nao lem oulra data qneTimi
tradi;ao : o prophela goardou a sua lembran^a e a
crensa popular, presumindo que he urna das noiles
impares dos dez ltimos das do Ramadan, celebra-a
no dia 27. da loa deese mez. Ella he annunciada
previamente as raesquitas ; o maphli canta suas
maravilhas, seus rayslerios, e suas magnificas pro-
meesas, e e fiel rente, dfepois de ter completado os
rekas de sua oraejo habitual, aparta-se de suas mn-
lheres, recolhe-se em sua devofao, com o coracan
cheio de torror e de esperanca, e at o_ amanhecer
do dia, delxa cahtr com mflo trmula os graos de
mbar de sen rosario, repellado mil vezes a sourat
do Ikhlo. (4).
Eis, lal qoal o prescreve o AlcorSo, e tal qal o
regula a jurisprudencia religiosa, ojejnm do Rama-
dan. Hgo he menos curioso investigar de que modo
a pratica lem modificado osen rigor e lancar sima
vista de olhos rpida sobre a popolasSo indgena du-
rante esses 30 das de abstinencia.
III.
^-5rr."-'rnraiUhl,e Sidi-Mo-
nmed-Chenrf.no momento era que o sol vai pr-se.
Ah Alger lera conservado sua physionomia pilores-
ca ; ras estrellas, tortuosas, escarpadas ; abobada,
em coja cxtreraidade brincara as vezes alguns rajos
de sol ; era que se faz freglr massas e viandas para o
povo ; lojas de barbeiros, de mercadnres de cabaco
de legumes e fructas ; armazens de objeclos diveisos
lechados al a altura de apoio, privados de ar e de
espaco, no fundo dos quaes apparece um mercador
gravemente acocorado leodo as pernas cruzadas ; ca-
fes qiiR nao tem outro ornamento que bancos, co-
hertos de esleirs, eis o qoadro da sceoa. Pouco
pouco o movimento e a vida derramam-se nessas
mas : nos ngulos da encruzilhada mulhercs velhas
com o rosto coberto e envoltas em longos haiks, ne-
gras vestidas de um panno de Gui com qua.Irados
hrancos e aznes. Irazem cestos cheiosde pies indge-
nas ; mercaderes de peixes, meninos carregados de
grinaldas de jasmim, fazem retumbar oar com seus
gr.lM alordoadores. A populado reufie-se em ro-
da das lojas, Invade os cafs : he urna grilaria turbu-
lenta, ama mistara dos Irages mais variados.
lodavia chega um momento em que todo esse ba-
rulho acalma-se, e em que a impaciencia l-se sobre
sulmano leva vagarosameule aos labios as tres tama-
ras que o pjopliea acoiiselhou tomar para fazer.ces-
sar sem pergo os deslombramentos causados pelo je-
jura. All alguns fumantes de hachilh inclinando
as raberas indolentes, aspiram a embriagadora fuma-
ba e coinecam os sonhos que acabaram durante a noi-
le. Maislonge, raiseraveis fatigados pelo traba!ha,
atormentados pela fome e pela sede prespilam-se
as fonles publicas ou otTerecera 4 pressa um primei-
ro pe.laro de Ipoaos seus estmagos famiulns.Outros
em fim correr as casas e vao acocorar-se em (orno de
urna mesa carregada de iguarias entre as quaes dis-
lingue-se o coscus-sn nacional.
Os mussulmanos ricos convidara os prenles e
amigos para fslins nos quaes renasce a hospilalida-
de anliga. Os homens ficamcomo sempre separados
das mullieres; mas de ambos os lados as iguarias suc-
cedem-se cora profusao sobre a mesa de pan incrus-
tada de ncar de perolas. em torno da qual os con-
vivas estao reunidos. Massas, doces de luda especie,
sorveles, bebidas geladas circulam depois, e entre-
tanto que os perfumes ardem as cassoletas ; entre-
tanto que os criados derramam sobre as mos de seus
senhores agua de cheiro para a ablutSo, entretanto
que os cachimbos e os narguhs accendem-se, e o
caf he servido em tacas sustentadas por pequeos
vasos de fio de prala, as portas da skifa (5) abrem-se
aos pobres, aos quaes dislribuem-se alimentos e
esmolas.
Terminado o feslira, as ras e as encrazilhadas
um instante desertas lornama tomar sua animarlo, e
a multidao espalha-se por ellas mais ruidosa que
nunca.
He a hora das visitas, dos passeios e dos prazeres
de toda a sorte.
Com tanto que tenha jejuadodaraute o dia, o mus-
sulmano cr-se em paz com sua conscicncia : a noi-
te pcrlence-lhe, e elletliverte-se o melhor que pode,
dexando a seus marahutos venerados a seus graves
uleroas, os individuos cubertos com o enorme tur-
bante do sabio e do religioso, e aos anciaos de barba
longa sempre zelosos do presente, a observancia ri-
gorosa da regra. Entretanto que as mullieres ani-
mara com suas risadas o pateo mourisco a que a noi-
le as allrahe, dansam ao som du derbouka e do tam-
bor, ou Ireraem debaixo do olhar da feiticeira que
iotroduziram secretamente era suas casas, a qual
no adevinha seoo os enfados e segredo do capti-
veiro das mesmas; os homens enchem os cafs, os ba-
nhos mourose as lojas de barbeiros. Cada nm acha
alii sen diverlimenlo, seu prazer eseus espectculos
de predilecco. Sahindo das salas de marmorc, cu-
jas abobadas e paredes estucadas contcm o vapor da
estufa, os banhstas saboreara com delicia o caf, os
sorvete* e a fumar.i odorfera dos cachimbos orieo-
laes. Outros seulados em esleirs e almofadas pre-
paradas debaixo das columnas de marmore do vest-
bulo, enlretem ao som do murmurio d'agua do xa-
farz, as iongas conversarles lio amadas dos rabes
e as quaes os zozablas tendo o corpo n e as per-
nas cobertas com um panno de seda listrado, contam
as noticias que fazem todos os das dos banhos mnu-
ros a dirimir viva da cidade. Em urna casa visi-
oha ao abrigo dos olhares algam velho mouro faz
reviver os caluogas de sombra ; o policliinello ind-
gena banido por nossa polica por causa de seus ges-
tos ohecnos e de sua lioguagem r\ nica, repele suas
proezas.
Esse indgena, de cor Irigueira, de phisionomia
movel e risonha sentado no fundo da loja do barbei-
ro e tendo na mao urna varinha com a qual parece
magnetisar o audilorio durante horas inteiras, he o
improvisador rabe em lodo sen enthusiasmo e poe-
sa; he cora sua adrairavel faclidade de palavra e de
gestos, o contador ousndo das Mit e urna noile*
que faz sonhar em harens e muiheres cobertas de
veo; elle repele tambera as legendas bellicas de seu
paiz. Quanlas vezes nao nos aconleceu parar dian-
te do Ihealro de suas proezas e procurar seguir sua
oarrarn, da qual o amor he sempre o Ihema e a ins-
piradlo 1 A palavra escapava-uos muilas vezes, mas
o som da voz, o sorriso dos labios, o fogo do olhar, o
jogo da phisionomia e a variedade do gesto colora-
vam a idea e tornavam-na, por assim dizer, transpa-
renle. Essas historias apanhadas no ar e completa-
das pela imaginario, tem para quem nao sabe bem o
rabe, o encanto de urna musir que a gcnle escuta
creando palavras, ou de um sonho que volla i me-
moria e ah fixa pouco a pouco sua cor, ao principio
indecisa. O improvisador, por pouco hbil que seja,
domina e fascina de pressa seu auditorio. Nenhum
Irocadilho de palavjas, nenhum Irocadilho de ideas
passa sera ser percebido: um ligeiro murmurio, um
riso louco o acolhe. Cada vez rfue o uome do pro-
phela Ib vem aos labios, ascabecas inclinam-secora
respeito; cada vez qne elle pronuncia as palavras
Alian Kabar I todas as boceas repelem esla formula,
e he verdaderamente curioso ver esses grupos de
indgenas sentados em torno delle sobre os bancos
de urna loja ou no meio deom duar, eslcnderem o
pescoco, escutarem suas narracOes, sem tirar dclle
os olhos e rcflectir cora espantosa singeleza os scnli-
inenlos diversos que faz nascer. Esses conlos mara-
villosos, cssas historias de amor parecem-se um
pouco, pelo lado moral, com essas historias de la-
dros italianos que roubam e matam invocando a
Virgem Sanlssima. O nome do prophela he mis-
turado nas scenas maiseslranhas; a palavra he aOou-
la, audaciosa como a de Ranelais, a imagem lao
grosseira como a realidade; mas ellas dirigera-se _
um auditorio simples e rude como o meio em que
vive, empressionavel corso um menino, e caplivam-
no tanto pelo lado da nalureza como pelo da paixao
e da pintura dos perigos e dos prazeres da vida er-
ran le.
i .H" assim que o barbeiro faz eoncorrenca a seus
visinhos, e que o contador excede muilas vezes o
msico. Outr'ura haviatflios cafs dansarinas com os
cabellos coberlos de seq jns e diamantes, com as so-
brancelhas e dedos tintos de henn, cantoras e loca-
dores de instrumentos cuja voz estridente e cheia de
urna energa selvagem attrahia a multidao.
(Conlinuar-se-Aa.)
(1) Esla pena humilladora desappartcea dos ter-
ritorios civis, e s se applica agora nas tribus mui
remolas dos postosmilitares.
(2) Anlesda emincipajao podia-se ainda dar li-
berdade a um escravo.
(3) Traduzido de BokharlAs sele noiles bemdi-
las sao: 1. a noile do nascimeulo do prophela; 2. a
imite de sua concepto; 3. a noile de sua assump-
rao; i. a dcima quinta noile da la de Ch.ban,
durante a qual os anjos reeebem o registros em que
se inscrevea as atcoet dos homens, e Arzail, o anjo
da morte, os regislfos em que se acham os nomes dos
renles que devem morrer no anno; 5. a noile do
deslino; 6. a noile da fesla do rompiracnto de jejum'
7. a noite da fesla das imolacSes.
(4) Ou da nnidade de Dos.V. 112. sourat do
AlcorSo; elle he composto deslas palavras: a. Dize:
Dos he um, he o Dos eterno: elle nao gerou uera
foi gendo; nao tem igual.
ESTCDOS MORAES SOBRE O SECULO XIX.
O Sensualismo na .literatura.
(Conclusao.)
Temos visto o que a liltcratura dramtica tem ga-
nho ou perdido na tentativa grosseira de um realis-
mo desregrado. A arle abdica quando se faz escra-
va dos sentidos. O ideal nao he o real, porque o do-
mina e julga ; ora o nico principio da arte he o
ideal. Eis-aqoi o resultado evidente dos dados da
nossa analyse. He fora de duvida para nos que a
lilleratura dramalica, que se aparla da regra do
ideal desee posirAo de urna industria, agradavel
talvez, nteressanle, cheia de sorprezas e de emo-
ces, maseslraohaascendieres elevadas e importan-
tes da arle.
Se o ideal nSo estiver contido na medida da mes-
quinha realidade e da sensarao brutal, iremos nos,
como alguns, prucura-lo no capricho de nm pensa-
mentosem regra, no acaso de urna concepto phan-
taslica '? Confundi-lo-hemos com o ficticio, como he
boje moda t Marquemos, com poucos (rajos as suas
differencas. O ideal combina e dispOe em urna or-
dem superior e em um lodo perfeilo os elementos
incompletos e defeiluosos da realidade. O ficticio os
aproxima e combina sem ordem. Elle compe ob-
jeclos novos. que nada se parecem com o que se v
ou se imagina na nalureza ; ao passo que o ideal or-
dena as conceproes da arte, de modo que s eutrem
os elementos geraes e necessarios, as relaroes racio-
naes e nituraes, que conslituem em cada ordem de
consas um lypo nico, essencial e perfeilo ; a fic-
c3o foge de toda lei, de toda relacao real; ella ser-
ve-se sem duvida da realidade, mas de toda especie
de realidades, confusamente e sem gosto ; one ao
acaso as partes as mais dissimilhantes e forma um
lodo bizarro, incoherente, monstruoso. O ideal vive
de harmonas e de accordos ; a ficsao de desharmo-
nias e dissonancias. Um produz na arle o Hercule
do palacio Farnese, onde o esculptor reuni os ca-
racteres geraes, que sao como o signal essencial do
vigor heroico e da forca humana, victoriosa da na-
lureza, ou os typos virgioaes de Raphael, nos quaes
o pintor reuni os Iracos mais delicados e mais no-
bres da pureza chrisiaa, ou anda a immortal poesa
da llliada, expressao suprema da forja e da simpli-
dade, da ingenuidade eda grandeza ; o oulro produz
pura liccau monstruosas do Indo, ridiculamente aco-
coradas divndades na sombra dos pagodes, ou
aioda o typo informe de Qttaiimodn, o amor em um
monslro e seu bisneto o infeliz Tragalbadas. Eis-
aqni o ideal e suas obras; eis-aqui a ficsao e seus
defeitos. Um poeta latino se encarregou de definir
ossa heresia do ideal em algumas palavras, que re-
presentara : a uma cabera de homem em um pesco-
co de encallo. N5o he curioso, depois de mil e no-
vecenlos airaos, verse Horacio definir a escola des-
regrada de nossos phanlasiadorcs ?
Vimos Iriumphar o realismo em lodos os seus ex-
cessos no llicatro'. Se lanrarmos agora os olhos sobre
a poesia contempornea, veremos Iriumphar a fic-
jao em lodos os seus caprichos. Como todos sabem,
os poetas se lem deixado de fallar, depois de alguns
annos, como se quizessem dexar a palavra ao im-
previsto dos acontecimenlos. Ora, queenconlramos
nos, alm da pura phanlasia, nessa gerajao de jovens
poetas, que lem succedido a era gloriosa das Afedi-
tarSes.das Harmonios e dasOrienlaes? Exceptue-
mos algumas obras felizmente nascidas debaixo da
dupla inspirajao de uma conscencia honesta e de
nm verdadeiro talento, ou ainda de algumas poesas
sabiamente imitadas da anliguidade. Fazemos esla
exeepeio, porque em summa, estas obras sao muilo
(3) Vestbulo da casa, no quil os indgenas reee-
bem suas visitas.
lodos os aventureiros, responde critica com face-
cias e injurias. Apressa-sc em gozar um imperio,
que nao pode deixar de ser ephemero ; enlrega-se
a todas as excentricidades, como essas l> raimas do
acaso, que parecem nao licar seguras no dia seguinle
Festeja com excessos de todo o genero sua immere-
cida exaltajo; sua soberana nao passa de uma lon-
ga orgia.
Ninguem se Iluda com o verdadeiro senlido de
uosso pensamento. Nao pretendemos uegar, bera
longe estamos de o fazer, o deleito e o encanto que
uma imaginario original e livre pode derramar em
uma obra da arte, seria negar algumas passageus
delicadas de Shakspeare, de Byron, de Goelne,
de Chateaubriand, de Lamartine e de Vctor
Hugo. Nao recusamos em um risivel excesso pe-
dantismos direito elerno do capricho, do impre-
prevsto, da firjao na arle; nao pretendemos fazer da
poesa mais um a solemne banalidade do que um
obra geomtrica ; mas a fantasa, mesmo em seus ca-
prichos deve ser approvada pelo gosto ; deve mara-
Vlhar a raz3o e nao conlradize-la. Conserve o poe-
ta sua animada e franca liberdade, eu o desejo ;
mas essa liberdade nao viole as leis mais essenciaes
da arle, da verdad, do bello, e debaixo do pretexlo
de originalidade, nao escarnrea do assumplo escollii-
do, dos caracteres indicados das leis da composico,
das regras do estylo, vem tarabem dos senlimentos
namraes do coracao humano e dos principios supre-
mos da eterna moral. Cumpre deixar sujeito re-
gra certo jogo a liberdade, mas cssa liberdade nao
deve ser jamis um desalio razo, nem um insulto
regra. Citaremos, para explicar nosso pensamen-
to, um poeta contemporneo, o mais brilhante da
pleiada phanlasiadora, e que depois dos prmeiros
successos abandonou a escola e modou de rumo. Na
verdade, Mr. de Mosset nao poda assgnar uma re-
tratarlo mais enrgica, do que escrevendo esse re-
cente discurso, de que tanto se tem tallado,e que pro-
vava tao decididamente uma sabedoria inieiramente
acadmica; depois de excessos turbulentos nao falla-
mos pois.de Mr.deMusset nessa ultima phase, em q'
seu talento se tem occullado baslante, para nao fazer
suspetarumepigrammanessanullidadeoraloria.sem
duvida premeditada. Mas remontemos a algunsannos
ecomparemos o poeta comsigo mesmo, o poeta de Ni-
n '' de Ninette, da Esperanra em Dos, e da car-
'a a Lamartine como synico narrador de Namouna e
da Camargo.Omesmo escriplor nos aprsenla os dous
termos de comparacao, qne precisamos, de um lado
a fanta*ia regulada dando obrada arle seu encan-
to original e sincero, a graja imprevista ou n melan-
cola de suas inspirajOes delicadamente variadas
de oulro lado, a fantasa desordnada, tumultuosa,
irritante de fatnidade, fatigante por suas incoheren-
cias, pueril forja de bizarras. O mesmo poeta
nos faz amar c aborrecer [a fantasa, segundo elle a
sugeita ra/.ao ou a emancipa. Deslas duas meta-
des da obra do poeta, uma est j mora, a outra vi-
vera sempre
Apezar de um lito manifest exemplo deennver-
s.lo e de transformarlo Iliteraria, os poetas fan-
lasiadoresabundam,c agora mais que nunca convem
definir, com um (rajo rpido, suas prelenres, seus
dogmas, sua potica ; porque para renegar a de A-
ristocles, nao se deve imaginar que elles empregueni
uma poelica sua. Porvenlora nao he nma regra a
ausencia de loda a regra, e nao ha um dogma cons-
tante al nesla negaco eocirnijada de lodo prin-
cipio '.'
O horror do bom senso, a aversSo profunda pelo
justo, pelo verdadeiro, pela medida e exacla propor-
rao, sao ja elementos de uma poelica uniforme.
Quando os outros poetas poem sua mais querida gl
ria 'fem volar com um verso exacto a meloda do co-
rarto humano, em reprodnzir na harmona e na mu-
sica das palavras a nota eterna, que vibra no fundo
da alma, em apandar finalmente em imagens justas
e bellas as conceproes mais geraes, as ideas mais e-
Ievadas, que vem engrandecer e exaltar o pensamen-
(o do homem, o poela fanlasiador segu exactamen-
te o caminho contrario e toma as cousas pelo rever-
so. O que elle evita, he o que he verdadeiro, islo he
o que he real e humano.
Oque procura com paixao, he a excepjao, o acci-
dente, o phenomeno raro e singular, o monslro na
ordem dos senlimentos e das ideas. Pela forja mes-
mo das cousas e depravajao de um gosto, elle vai ter
ao lado opposlo da nalureza. Nao ha lgica no de-
senvolvimento de suas ideas, porque o que he lgico
he menos imprevisto do que aquillo que o nao he.
Nao ha unidade em sua obra, porqne a unidade da
obra suppde um plano, e uro plano he ja um freio.
Nao ha lao pouro esta justa medida e esse tempera-
mento, que he a sabedoria e a forja do eslylo e nao
exclue o brilho ; a medida lie o limite ainda, isto
he, a regra e a fantasa tem horror della.
O poela creara a sua linguigem fora de toda con-
\ ciirao,aceitando sement como principio um,isto he.
aobrigajiode ludo ousar eludo dizer, de maravilhar
o leilor a cada plira-e deo arrombar de enthusiasmo
era cada perodo, de o encher de a.lmiraco a cada
pagina. O livro lodo inleiro ser cscrplo s avessas
do senso commum, porque o senso commum, com
seu nome d a conhecer, nao he sendo o senso das
banalidades.
A poesia de phantasia nao he oulra cousa mais que
a applicaja\> da tortura imaginario para forja-la
a crear na dor alguma coua,|que nao he nem verda-
deiro, nem verosimilhante, nem geral, nem huma-
no. Quanto mais extravagante he a concepcao, mais
ella agrada a esses espirilos fanticos pelo falso ; se
he burlesca, razo de mais para ser preferida. Com
este Ihema impossivel, a phanlasia investiga varian-
tes incriveis, e ornatos maravillosos. Atormenta
linguagem, a poni de fazer que ella d sons desco-
nhecidos; a lingua franceza, esle instrumento divi-
no, que se preslava tao maravillosamente aos pen-
samenlos de Corneille, aos seutimenlos de Racine,
hoje debaixo desse toque brutal s prodnz sons tao
roucos e acordos quasi selvagens. Em summa, uma
s palavra pode ser bstanle para dar uma idea dos-
la escola. O mais celebre dos phanlasiadores, o ni-
co que pela forja de espirito faz que quasi se perdoe
.sua Iheoria, he o antor de um livro sobre os Groles-
ques. Elle quiz procurar antepassados no passado,
e accrescenlemos logo para salvar a modestia do autor
que elle leve o bom gosto de esquecer, nessa revista
eslranha seus discpulos e seus imitadores ; nao quiz
Iralar do presente, que Ihe tena dado typos mimosos
cm sua escola. A posleridadc completar a galera:
nao dnvideis.
O grotesco na verdade que trislc ideal! Porven-
Inra valia a pena annunciar-se com lano molim c
fazer lano rumor no mundo ? Mas vede a fraque-
za dessa pobre nalureza humana, que nao pode ja-
mis ser conscquenle comsigo, ainda mesmo no ab-
surdo O poela, o mais ousado na phanlasia a lodo
o cusi, nao pode conservar por muilo lempo esse
empenho contra a nalureza, que reclama seus direi-
los con ira a realidade que o cerca, e lambem conlra
a intelligencia de seus leitores. que ficaria caneados
logo com a burlesca monotona desses pesadellos
acordados. Elle vollar pois da canjada guerra con-
tra as chimera* para a realidade; mas para qusl'.'
Certamente nao he para a realidade (inmaterial, pa-
ra o coito do sentimeoto e do pensamento, para o
esludo d'alma. Nestes dominios da nalureza mroal.
elle recejarla muilo encontrar os poelas tristemente
immorlacs das lilleiaturas classicas, e ser considera-
do, injuria suprema, pelo ultimo grego, ou ultimo
romano Fora da alma, que ha ? A materia. A
phanlasia levar em suas pinturas da nalureza viva,
o enthusiasmo habitual e as audacias de seu pincel.
Tendo vollado ao puro realismo por um caminho
obliquo, elle procurar novoseffelos no culto da sen-
sajao. Mas frentico amante da nalureza, cubrir-
seu idolo com os mais brilhantes enfeites, desfajan-
do seu materialismo debaixo das metaphoras. He
isto na verdade uma cousa singular e nova. Nao pro-
curis nesta escola o materialismo sincero, aquello
que confessa seus meios e seu fim. He nao sei que
sensualismo pretencioso almiscarado, um realismo
vergonhoso de si mesmo, que procura espiritualisar
sua phrase, divinisando a maleria, resultando de lu-
do islo uma giria odiosamente mystica e clandesti-
namente sensural, que na verdade he nma das
mais eslranhas aberrajes da moral e do gosto. En-
tretanto ninguem pode negar qne he nesla adultera
allianja de um esplritualismo hypotTa com a sen-
sajao que, procurando-se bem, se adiara a causa a
mais profunda da escandalosa popularidade desle ge-
nio. Ura materialismo grosseiro espanla nossos af-
feclados; um sensualismo requintado os allrahe e os
conserva sujeitos ao encanto. Duas palavras mgi-
cas, repelidas profusamente : Dos e afina, cis-aqui
o passaporle seguro de todas as ousadias sensuaes em
uma gerajao como a nossa, que, corrompida iniei-
ramente, quer conservar as exterioridades e salvar
pelo menos, nas ruinas de suas eren jas, as apparen-
cas de sua virlude,
Sob o prestigio dessas grandes palavras cspirlua-
lislas, ttulo pomposo do nada, se esconde uma es-
pecie de paganismo resuscilad, a idolatra da for-
ma. Eis-nqui a ultima liase dess poelica nova, se
adesembarajarmos de seus prelimiuares.de seus pre-
facios e de suas prccaujcs oralorias. Nossos fanlas-
adores mais celebres se gabam a cada momento de
ter,mis que todos os outros o sentido do contorno e
dactir. Estudam a humanidadeexteriormenleproces-
so inverso dos poelas dassicos, que a cstudavam cm
sua alma. Analysam amorosamente as formas e
pintam aprasimenlo as mais pequeas miudez.is. He
uma glora de qnadros vivos em p, em busto, de fa-
ce de perfil e de mo perfil. Sao inexgolavcis no
graduar as sombras c nas ineias tintas. Sua poesia
'e parece algumas vezes com ora estudo physiologeo
de harn. Eu nao Ihesjacrescenlo nada,nao fajo mais
que apresentar o que he delles. Um de seus illus-
Ircs se gloria de ser superior no plstico femenino
a um velho mercador de circasianas. Comu sao fe-
lizes, quando lem descrito em um verso spero aspo-
'icoes variadas e as altitudes diversamente combi-
nadas da belleza 1 E>altam-se, quando chegam as
bellas linlias e as nobres oran; ficam pasmados,
quando lem desenvolvido em uma lirada colorida as
curvas harmoniosas e as ondulacoes repentinas.
Filhas ideacs do geoio, Julieta, Desdemona, Carlota
tala. Elvira, abenjoai a grande inspirajao, que vos
fez aparecer no casto pensamento dos grandes poetas!
Estes poetas vos salvaram da profinajao. Infelizes
de vosss irmaas que eahem debaixo do pincel dos
phanlasiadores, porque sao Iraladis como modelos
de oflicina.
Elles chamam a isto obrar conforme a tradijao
grega; em summa, nao creem oOeoder a alma, glo-
rificando as bellezas de seu tabernculo. Sua poesia
he nua, terrvelmente nua; elles bem o sabem e
disto se gabam; mas a arte cenle seu veu ideal
sobre todas cssas nudezasl A srle torna sagrado lu-
do, que ella toca. Todas as impurezas tornam-se
poras, passando pelo pincel do pintor e pela rima do
poeta. Theoria commoda, qoe responde de ante mao
a (odas as criticas de immoralidade, Como o myo-
lico entregue ao extase, o artista, amante de sua ar-
te, torna-sc, impeccavel. Alera disto, nao he hon-
rar a Dos na ntareza, honrando a nalureza em
suas obras? Cantando assim es mullieres, transfi-
gurara-a elevam-na, a esses cimos luminosos, on-
dea forma desaparecida no imralpavel, se esconde
visla para se enlfegar ao hymne espiritual da alma-
Nao comprehendo ainda esse hymno myslico do
corpo e da alma, cantado no stimo ceo da phanla-
sia: mas onde estara o merilo deslas bellas cousas,
se todos as comprehendessem? Nao tinhamos razo
de dizer que essa poesia eslranla era o ornamento
de um falso lyrismo, atrado em um realismo extra-
vagante? Li essas paginas pretenciosas e voluplunsa
pareceu-mc ver passar um sondo de devassidao de-
baixo do manto de um Plalo de camarim.
Finalmente enmpre dizer, que ha uma circumi-
tancia attenuanle para esse transporte dos sentidos,
que caracterisa a escola: he a ardente e eterna moci-
dade dos poetas, que a compoem. Preciosa vanta-
gem da verdade na arte! Ningneui fiea velho nquel-
la escola; sempre se est mojo, disposlo, vigilante e
ardente. Os chrooislas nao exislem para aquellos
felizes poetas. Os annos passam pela sua fronte, sem
imprimir nella um saleo, e pela sua alma sem de-
positar nella um s cuidado. Que querem pois esses
velhos poetas clasicos, quando nos veem fallar das
neves e das geadas da idade? Um plianlasiador nao
tem idade ou antes s tem ama: tem sempre viole
annos. Para elles s ha dous gozos, duas felicida.le,
o sol, que he a fesla eterna de seus olhos; amulher
que he a alegra divina de seus senlidos e de sua al-
ma; o sol, alma da nalarcza, a mulher, alma de sua
alma! Em quanfo honver no muudo um raio de sol
para alegrar seus olhos, em quinto honver uma mu-
lher para parllhar sua vida, o poeta lera vinle an-
nos! Ninguem conhecia esle maravilloso (agredo;
todos se admiravam de ver mis barbajas da phanla-
sia brincar eternamente com as rimas amorosas! Sua
vida nao era sernlo um doce delirio, sua poesia um
eslremecimenlo. Entretanto julgava-se que elle li-
vesse nascido nos ltimos dias do seculo... Pois bem!
ainda uma vez, que importa? Elle s tem vinte an-
nos e a manhaa cantar ainda os doces enlevos da
alaren)
los, e que n segunda pelo contrario triumpha, pelo
numero de suas obras c de seas discpulos.
He fcil reconhecer, se o caracler geral do ro-
mance o classifica entre as obras espiritualistas. O
romance he essencialmente uma obra de analyse ;
onde a scieoca da alma se anima e a paixao toma
ura corpo, uma figura, um nome. O lypo que de-
ve realisar as obras desle genero, he sempre, atra-
vez da variedade dos aconlecmeotos e da diversida-
dc de core, o typo humano, o homem, um e
idntico em si mesmo nas origens e tendencias ge-
raes da paixao, mltipla, contradictoria, infinita
no jogo dessas paixoes eternas como elle. Unidade
e variedade he o homem. As circumslancas da fic-
jao romanesca podem mudar indefinidamente, co-
mo mudam as da vida real; o uto da liberdade po-
de ser mais ou menos restricto, e sua aejao mais ou
menos forte sobre a paixao ; os caracteres podem
variar quasi ao infinito neslas obras da imasinaj"o.
como variara no mundo ; mas a primeira lei do ro-
mance he nao perder de vista a unidade funda-
mental do homem mantida e protegida enlre essas
dessidencias, variedades e contradiejies aprenles.
Dai liberdade s vossas facultades creadoras na es-
colha dos pormenores, no arrojo das scenas, na
eombinajao dos acootecimentos, na distribuyo dos
papis e dos personagens de vossa fiejao : a razo e
o gosto de vosos leitores o approvar em cusi, es-
carreia, dexam de ter profaodeza na observarao,
nem elevajio no espirito. A estes nomes, outros
mais, como o do autor de Octavia e da Marqueza
de Aurebonne, se viro juntar por si mesmo no es-
pirito do leitor. Mas esta multidao eseolhdi, ainda
que fosse dez vezes mais numerosa do que realmen-
te he, que sera ella junto dos grandes balalhes do
exercilo inimgo? O romance espiritualista he cer-
tamente a excepjao delicada, o accidente amavel, o
acaso feliz da lilleratura do dia. O mido e a turba
estao do oulro lado.
Iovenlou-se em nossos dias uma especie de roman-
ce, que he justamente o contrario da verdade e do
natural, he o romance paradoxal, eslrondosamenlc
inaugurado pelas faejoes. He a iovasao da phanla-
sia na prosa, que nos tem valido este novo genero.
Alguns phanlasiadores, canjados decinzelar rnalos
intilmente, lera em compensaran empregado no ro-
mance saas rimas desheladas e seus liemislichos
desordenados. A prosa he mais raalleavel que o ver-
so, esse metal divino. Elles esperam curva-la mais
fcilmente as extravagancias premeditadas de seu
pensamento. Nao negaremos que alguns destes aven-
tureiros da intelligencia consigan! algumas vezes
chamar nossa altenjao com o inleresse atormentado
de uma idea plianlastica, e inleressar nossa curiosi-
dade com os caprichos constantemente renovados, de
uma imaginaran em procura do improviso.
Sello de lieran jas e legados.....
Escravos despachados. .
Emolumentos de passaporles de polica
Novos e vellos direllos. .
Imposto de 3 por cento de diversos
estabelecimentos.......
Dito de 20 poreentodo consumo de a-
guardente.........
Matriculas das aulas de inslrucjo su-
perior...........
Mullas...........
Imposto de 128800.......
Juros............
Castas...........
Oulras vezes a phanlasia moda de harmona: pro-
cura um Iriumpho de novo genero; engenha nao
para dar. Sua gloria he dar uma forma delicada e
rara futilidades insignificantes, a nadas. Procura
o alomo do pensamento para melhor fazer sobresa-
lir a dlfiiculdade vencida da expressao. Escrever
a Imiravcimente sem nada diier, que tnumpho!
Nao he esse na verdade o ideal da arle pela arle ?
Que bello merilo certamente de encerrar um grande
peniamente em um verso brilhaolel A idea he um
fardo incommo lo para os amantes do bello esiylo.
Os cuidados que se da ao pensamento, sao de menos
no eslylo, na gloria da forma.
Desprezemos, pois, o intil cuidado da dea ; to-
memos a primeira, que a passar, a mai* vulgar e
enfeilemos esse nada com lodos os prestigios da
phrase ; s entao escreveremos por escrever, s en-
lao sernos artistas! Isto he proclamado bem al-
(u ; islo sepralica na sublime escola da phanlasia.
Entretanto dizcm que homens, que teram podido
ser habis escrptore, se reduzem a nao ser mais
que charlataes de phrases, a sacudir para o aras
palavras ao acaso para as tornar apanhar, ao acaso
tambem, com o bico da penna .' Bello exercido e
diverlimenlo admiravel I
A maleria, a idea he pois inieiramente indilferenle
a todos esses poetas amantes da forma. Quanto mais
vil he a materia, maior e raro ser o merilo de Ihe
applicar a industria paciente do maravilloso Iraba-
balho da arle. Eis-aqui uma escola inieiramente
oceupada em esculpir phrases e cinzelir palavras.
Esses eternos jovens da phantasia se saudam entre
si com o bello norae|dc Cellini. Dedicara sua vida
a corlar esses diamantes e essas perolas de expres-
ses brilhantes e raras, a fazer collares e burilar
joias : ilir-sc-hia uma oflicina de joalheiro e de ou-
rves. O que della sahe, todos sabem, he uma lil-
leratura de Ermano e de Cantiles, que bem pode des-
lumhrar com seus reflexos phantasticos alguns es-
pirilos falsos ou ingenuos, mas para os juizos graves,
ludo islo nao passa de perola falsa e'crysocale, e
mais uma ro3o d'obra, cuja eslerilidade laboriosa
faz camp.iiv.ao. Nao vejo no mundo nada de mes-
quinlio do que ura quadro de ouro, que nada con-
tera.
A a duraran da forma he a ullima expressao da
phantasia ; mas para esses inimigos de loda regra.
ha uma regra, um cullo, uma doulrina, o culto da
sensajao, a doulrina da arle pela arle, islo he, do
eslylo sem pensamento. Singular consequencia de
uma escola, que tinha entrado no mundo negando
todas as formulas recebidas! Eslrea-se por program-
las ambiciosos, que annunciam ao seculo uma ge-
rajao de Shakspeares e de Bj rons inditos Aca-
ba-se por pequeas obras e escriplos microscpicos,
nos quaes se gravam com uma arle pueril palavras
raras em pensamentos insignificantes ; jogos de
rhetoricos, madrigaes de saldo, futilidades elegan-
tes e sonoras, em que a arle vem morrer no ultimo
limite do ridiculo.
II.
A popularidade pertence ao romance lauto como
ao Ihealro, mais do qae poesia. Nao ser pois
fora de proposito interrogar as tendencias desse gene-
ro de lilleratura, e ver se ellas sao em sua geuera-
lidade conformes ou nao com os principios, que
temos eslabelccido. Procuraremos limitar esta r-
pida analyse na esphera philosophica, notando com
cuidado as grandes correles de ideas, que eutre-
lein o romance contemporneo, desprezando descer
ao estudo minucioso o circumslanciado de seus ty-
pos e de suas obras.
Fra do ideal, isto he, do real elevado a medida
ilo bello, s ha duas fontes de inspirajao para a ar-
te, o real em suas miserias e nudezas, a fiejao em
seus caprichos. Mas ja vimos qua a phantasia pnra
volla ao puro realismo por um caminho desviado.
Por tanto, s ha realmente duas grandes escolas e
duas grandes tendencias na arle, a escola e a ten-
dencia epirilualisla, e escola e a tendencia sensua-
lisla. Deslas duas escolas contrarias, uma que ele-
va a alma at s ideas do bello e do bem, a oulra
que a fazdcsrer a uma sorte de convivencia com os
appelite cegos dos sentidos, he incouteslavel que
a primeira s lem enlre os romancistas raros adep-
la variedade feliz dar mesmo ura novo inleresse a
vossa obra. Mas se a paisagem, se o quadro da ac-
jao mudar, se os caracteres de vossos personagens
estao felizmente opposlos uns aos oulros para fazer
sensiveis contrastes e tirar d'ahi efleilos imprevis-
los, cooservai sempre ao menos os trajos essenciaes,
a unidade indelevel, a immulavel natureza do ho-
mem. Iiivcnlai e creai a vosso bel prazer os acoo-
tecimentos, com tanto que elles nao oflendam o
desenvolviraento psychologico da paixao ; mas ha
uma cousa que nao podereis inventar nem crear,
nem mudar o vosso capricho : o lomera.
Querer nvenlar um ser de pura imaginajao, f-
ta das condijes geraes e dos caracteres constituti-
vos do homem; fazer sahirde seu cerebro um lypo es-
sencialmente ficticio, preslar-lhe senlimentos rapos-
siveis, paixes de phanlesia, he substituir vontade
ao estranho, ao verdadeiro, o accidente lei, he sa-
crificar admirajo que nasce do imprevisto, o inle-
resse, que nasce da verdade, he faltar primeira
condijao do romance, qoe nao deve nem pode ser
sean nma analyse da paixao desenvolvida em uma
aejao imaginara. Pelo que peccam ao nosso ver,
contra a rundirn essencial deste genero, lodos os
cscriplores, que parecem zomhar da verdade huma-
na, e fazer consistir seus bros em inventar typos
chimericos em contradi jan permanente com a na-
lureza. Porvcntura he s isto, e (eir a obra com-
pleta, se o romancista tiver feito passar para os seus
personagens um sopro de vida, se elle tiver repro-
duzido com exaclidao os (rajos da realidade da na-
lureza ? Naj, porque o romance he uma obra da
arle, e a arte he cousa diversa da reproduejao do
real. Seo escriplor qnizer conservar sua obra na
esfera elevadadaarle.se aspirar um oulro successo
que n3o seja o de divertir o publico, se quizer dar
a sua creajao esse carcter, que distinguir sempre
o livro importante da pagina ephemera, ser de toda
necessidade que escolha seus caracteres e tome seus
hroes em oulra parte e nao nas cal jadas das nossas
ras, na lama dos nossos beccos, nos recados impu-
ros da nossa vida social. Pinte a realidade. he seu
direito, e na esphera deste direito eslcompreliendido
sem duvida o de pintar o vicio : mas nao v de caso
pensado ajonlar todas as vilezas sociaes c fazer del-
tas sua obra. Nao se faja systemalicaraenle o poeta
da corrupjo, o corrompido piutor dos coslumes de-
pravados e dos vicios medonhos. Nao deve sem
duvida receiar ver vicio onde elle existe, e mistu-
rar em sua obra a pintura vigorosa esincera do mal;
islo depende delle. Mas sirva o mal somente de
sombra luz do bem, o feio de realcar o bello, e o
mal, as frialdades e as deformidades nao sejam o
objecto nico de sua obra, o thema exclusivo de suas
nspirajes. O romance comprehendido de oulro
modo, nao he mais do que uma dependencia do
hospital ou das gales. Deixa de ser uma obra da arte
para lornar-se uma especie de eslatistica espantosa
dos vergoulosos achaques c das lepras de uma najao.
Para que o romance seja obrada arte, que he pre-
ciso f alguma cousa de ideal. O ideial he a luz
que desee do ceo sobre um lypo escolhido, esclare-
ceudo-o com um reflexo inmortal. O ideal he a
parlediviua em lodas as obras verdaderamente ins-
piradas : he um canto do ceo percebido atravs das
ideas do bello e do bem, veo transparente, sombra
luminosa de Dos.
De acord com a Iradicjao eterna do esplritualis-
mo, queremos que em todas as obras da arte, o ide-
al se combine em justa proporjo com o real. Que
remos pois que, lendo-se um romance, a alma se
eleve cima de si mesmo, respire nm ar mais livre
nas altaras, para onde a transporta o pensamenlo
do escriplor, sinta suas nobres paixes reanimadase
conservadas, seus instinclos phisicos domados, seu
egosmo subjugado, sua f no bem mais robusta,
mais fecunda; queremos qoe tire impresses genero-
sas do seu commercio com typos grandes e perfeilos;
queremos finalmente que o homem se retire dessas
leituras mais homem, islo he, mais firme em sua
liberdade, em suas aspirajes, em seu amor por ludo
que he bello e grande. Por este signal sensivel,
por esle contragolpe do ideal nas almas he que re-
conhecereis infallivelmente uma obra espiritualista
isto he, uma obra da arle. Fura disto ha um lugar
consideravel para o talento, mas esse tlenlo n3o se
elevara cima de um circulo eslreito de ama indus-
tria divertida ou de nm oflicio corruptor. Fra
disto ha tarabem lagar para o succe*so,e osexemplos
abundara ao redor de nos. Mas que distancia en-
tre um successo ephemero de curiosidade no capricho
mobil de uma gerajao, e a posse desse futuro, que
he o privilegio das obras importantes e dos grandes
artistas Essas glorias banaes que vecejam hoje, e
que amanhaa serio esquecidas, essas celebridades de
hontfem, que parecem ne-le momento ridiculos aoa-
chronisraos, essas reputajoes tao (anmenle flores-
cenes e tao depressa esraarrdas, esse espectculo es-
Iranio e triste de lanas grandezas improvisadas,
que s teem para o dia seguinle uma decadencia
inevilavel. ludo islo nao devera ser a lija viva dos
artistas e dos escrptores, como be com effeito a
grande moral idade da lilleratura e da arle ? Repi-
timo-lo em voz alta e muilas vezes no risco de fa-
zermos rir cusa de nossa ingenuidade os grandes
homens do gabinete de leilura e os hroes do folhe-
tim : nao ha dous meios para compor-se uma obra
da arle e para a fazer viver : s ha um simples e
vello como Homero, he augmentar a esphera limi-
tada da realidade, dando-lhe o ideal para horisonle.
O ideal he a vida da arle. Entre uma obra que
se satisfaz em pintar a realidade, e outra obra, que
lomando seu ponto de partida no real, se eleva al
o ideal, ha para us a mesma differenja que existe
entre uma pintura fiel, que represente o lypo hon-
roso, mas vulgar de um burguez como capitn da
guarda nacional, e a minora! inspirajao do Poussin
pintando Moyscs no momento em que fere com sua
vara o rochedo.
Temos mostrado os dods signaes infaliveis, pelos
quaes su ronhecer uma obra espiritualista: a ver-
dade na observarao moral, e a representaran en-
grandecida, perfeita do real, de modo que fique no
espirito com a recordaran da exaclidao do pintor, a
impr. s-Ao salular, que produzem sempre as nobres
paixes e os grandes caracteres. Cumpre que o ro-
mance leve o signal da analyse inlima e sincera do
que he ; mas convra que nelle se sinla o livre arro-
jo da alma para o que deve ser, a emojo sympallii-
ra do bello, i prova do ideal e do divino. Observa-
jao sincera, enlhusiasrao he quanto basta. Sem sin-
ceridade na observarao, s ha obras sem consisten-
cia e sem bases; sem enthusiasmo, s ha obras sem
dignidade e sem grandeza.
Ora, qae vimos ao redor denos? Nao he certa-
mente talento, que falta nos romances contempor-
neos, he a direejao, he a regra, que fallara ao tlen-
lo. Que vivacidade de magiuarao, que fccuudida-
de de recursos, que variedade de espirito esper,li-
rado a torio e a direito era obras, que nao passam
de esbojos imperfeitos, impossiveis ou uiviles 1 En-
tre todos os romancistas, quanlos ha desses eleilos
do esplritualismo, que elevara suas obras altura da
ar'.e! Comtudo os ha, e fra at ridiculo negar ludo
confusamente c tudo admirar sem regra. He fcil
reconhecer o vestigio du inspirajao espiritualista nas
obras nmaveis e delicadas como Marianna, Piccio-
la, o Pretbyterio, ou ainda cm algumas parles deli-
cadas de um tlenlo superior, la Mare au Diable,
Andr, Mauprat. Nem Mr. Julio Sandeau, nem
Mr. Saintine, nem esse bom Topfer, nem algumas
vezes madama Sand, quando o syslema os nao des-
COMMERCIO.
PRACA DO RECIPE30DKNOVEMBRO AS3
HORAS DA TARDE.
('.otarnos ofllciaes.
Cambio sobre o Rio de Janeiroi\ de rebate.
Descont por pouco lempo8 \io anno.
ALFANDEGA.
Rendlmento do dia 1 a 29.....378:319J802
dem do dia 30........24:392{305
402:7128107
Descarregam hoje 30 dt novembro.
Brigue pnrliicuez.Vord Amizadecemento.
Brigue americanoW. Pricemercaduras.
Barra inglezaMida'hnralho.
RENDLMENTO DO MEZ DE NOVEMBRO.
Rcndimcnto total deste mez......402:7I2I07
Reslituijoes............... 3093160
Rs. 402:4025947
4:6975044
2:000000
19800
24.I44
4089840
3879200
159000
589437
129600
119>91
639590
38:2059089
Mesa do consalado provincial 30 de novembro dt
1854. O 2." esrripliirario,
Luiz de Azevedo Suuza.
MOVIMENTO DO PORTO.
Imporlacao.
Direilos de consumo..........395:8799913
Ditos de 1 por ceolo de reexporlajao
para osportosestrangeiros. : .
Dilos dito para os portos do imperio. .
Ditos dito de baldeajAo. ........
Expediente de S por cento dos gneros
eslrangeiros despachados com carta
de guia................
Dito de 11- por c. dos gneros do paiz.
Dilo de 1 1|'2 por r. dos gneros livres.
Armazenagera das mercaduras.....
Dita da plvora.............
Premio de 1|2 por cento dos assignados
Mullas calculadas nos despachos. .
Dilas diversas..............
Interior.
Sello ti vi................
Paleles dos despachantes geraes. .
Ditas dilos especiaes..........
Feitio dos litulus dos despachantes, dos
caixeiros despachantes, ele...... 49800
Emolumentos de ceidnos....... 239400
69000
449182
4394O0
1:0659030
4359396
519732
6229582
739125
3:5239411
2129156
220*000
32*320
15091HK)
129500
402:4029917
Nal seguntes especies.
Dinheiro .... 222:7089624
Assignados 179:6949323
Depsitos.
Em balanjo no ultimo de
outubro........14:7538657
Entrados no correnle mez 4:0359105
---------------- 18:7883762
Sabidos............ 2:0639829
Existentes..........16:7219933
Nas seguinle* especie*.
Dinheiro..... 3:6889869
l-clras......13:0359950
Contribuicao de caridade.
Rcndimento ncsle mez.........
7819748
Alfandega de Pernambuco 30 de novembro de 1854.
O eserivo,
Faustino Jos dos Santos.
Importa cao'.
Patacho nacional Bom Jess, viudo do Maranhao,
consignado a Novaes & Companhia, manifeslou o se-
guinle :
2 barricas cravos, 2,000 saccas familia de mandio-
ca, 59paneiros tapioca ; a ordem.
8 latas oleo de cupahiba ; a Novaes Si Compa-
nhias.
CONSOLADO (ERAL.
Rendimenlo do dia 1 a 29.....32:4099299
dem do dia 30........1:4649039
Navios entrados no dia 30.
Maranhao29 dias, patacho brasileiro Bom Jess,
de 176 toneladas, capilao Joao Gonjalves Reis,
equipagem II, carga farinha de mandioca; a
Novaes & Companhia.
Marselha e Cdiz45 dias, e do ultimo porto 28,
barca franceza Jos, de 206 toneladas, capilao
Houdel, equipagem 13, em lastro; a LaMerre&
Companhia. Fcoo de quarentena por 10 dias.
Navios sabidos no mesmo dia.
Parahiballiate brasileiro ConeeieSo de Mara,
m-slrc I/id.ir j Barreta de Mello, carga varios g-
neros. Passageiros, Vicente Ferreira Lopes. Jos
Antonio Imperalriz, Raphael Noble, Antonio La-
raga e 2 escravos do chefe de polica da Parahiba.
1'lnla trlpliiaBrigue inglez Peerless, capilao An-
1reu Mearas, carga assacar.
demBarca americana Evelyn, capitn J. I. liech-
burn, carga assucar. Passageiros, Ovidio Thoma-
sin e sna senhora.
Rio de Janeiro por MaceiBarca brasiieira Impe-
ralriz, com a mesma carga que Irouxe. Suspen-
den do lameirio.
______
O Dr. Abilio Jos Tavares da Suva, juiz de orphaoi
e ausentes nesta cidade do Recite de Pernambuco
e seu termo, por S. M. I. e C. o Senhor D. Pe-
dro II, que Dos guarde, ele.
Fajo saber aos que a presente carta de edictos v-
rem, ou della noticia liverem, que JoSo Atbanazio
Dias requereu por este juno, para se proceder a in-
ventario dos bens do finado Joao Antonio Climaco.e
achando-se ausente o herdeiro Lauriodo Antera de
Souza Reis, me inderejou a pelicao do theor se-
guinle :
Diz Joao Alhanazio Dias, que no inventario qae
se requereu por esle juizo contra Manoel Antero
de Souza Reis e oulros herdeiros do finado Joao An-
tonio Chinaco, acha-se ausente em logar nao sabi-
do o herdeiro Laurindo Antera de Souza Reis, e por-
que nao deve tirar a causa iispenca por esta aeeur-
reucia, quer osupplicante provsr dita incerteza e
ausencia, e que depois de justificada subam os autos
a conclusao parase julgar assim e mandar qae teja
citado por edictos nos lermos da lei.
Pede a V. S. Illm. Sr. Dr. juiz de orphaos, dgne-
se de Ihe deferir na forma requerida.E. R. Me
Dr. Naicimento Feitosa.
Nada mais conlinha em dita pelijao aqui copiada
e nella profer o meu .despacio seguinle : Sim,
com as cilajSes necesarias. Recite 6 de novembro
de 1854.Tacares da Silva.
Nada mais conlinha meu despacho em virtude do
qual produzio o supplicanle toa* testemanhas, qoe
foram inqueridas, e com audiencia do Dr. carador
geralsubiram os autos ,\ rninha conclusao sellados e
preparados, que nelles profer a minha senlenca
do theor seguinle:
Jnlgo por senlenca o deduzido na pelijao a .....
para os effeilos que forem de direito e castas. He-
cife 21 de novembro de 1854.Abilio Jote Tasares
da Silva.
Nada mais se conlinha em dita minha senlenca,
por bem do qual o escrvao qae eete sabscrevea
fez passar a prsenle em virtude da qual mando
a lodos os prenles, amigos e conhecdos do dilo au-
sente o fajam scienle em como por esle jnizo se ci-
ta e chama para vir proceder a inventario, procegoir
nos lermos do mesmo e partilnas, al sua final con-
clusao, para que em nenhum lempo se chame a
ignorancia, estando j diados os demais inleressa-
dos presentes, e esta se afiliara no lagar mais pu-
blico desla cidade, com o termo de 30 dias pelo
porteiro de juizo. Dada e passida nesla cidade de
Santo Antonio do Recife de Pernambuco, sob mea
signal e sello deste meu juizo de orphaos, qae pe-
rmite raim sirva ou valha ex causa, aos 27 de no-
vembro do anno do nascimenlo de Nosso Senhor
Jess Christu de 1854, trigsimo terceiro da inde-
pendencia e do imperio do Brasil. Eu, Guilher-
raino de Albuquerque Martina Pereira, eserivo
interino subscrevi.
.-t'n'lio Jos Tacares da Silva.
33:8739338
DIVERSAS PROVINCIAS.
Rendimenlo do dia 1 a 29.....4:1698246
dem do dia 30.........69s878
4:3399124
REMIIMF.MO DA MESA DO CONSULADO DE
PERNAMBUCO EM O MEZ DE NOVEMBRO
DE 1854.
Consulado de 5 por cenlo. 30:5839603
.Aucoragem.........
Direito- de 5 por cenlo na
compra e veuda das em-
barcajes ........
Expediente das capaiazias.
Mullas...........
Sello, fixo e proporcional.
Emolumentos de certides.
1:2479400
2379500
8749397
69OOO
9169838
79600
30:5859603
DECLARARES.
3:2899735
Diversas provincias.
Dizimo do algodo e oulros
gneros do Rio Grande do
Norte........... 1639054
Dito dito dito dito da Para-
hiba ....... 2;270*397
Dilo do assucar e oulros) g-
neros da dita....... 7779986
Dilo dilo do Rio Grande do
Norte............ 2169853
Dilo dito das Alagdas. 9079852
33:8739738
4:3399124
CORREIO GERAL.
A mala para o brigue porluguez Tarujo I, com
destino cidade de Lisboa, fecha-se no dia 2 do mez
viodouro ao meio dia.
A escuna nacional Linda, da qual lie capitn
Jos Ignacio Pimenta, recebe a mala para o Rio de
Janeiro no 1. da dexentbro, as 10 horas da manhaa.
Pela mesa do consulado provincial se faz pu-
blico, qae os 30 dias uleis para a cobran ja da deci-
ma dos predios urbanos das freguezias desla cidade
e da dosAfogados, principiara a conlar-se do 1. do
correte mea de dezembro em diante, e findos os
mesmos, incorrem na mulla de 3 por cenlo todos os
proprielarios que deixarem de pagar eos dbitos no
1. semestre de 1854 a 1855.
Pela delegada desle primeiro, dislricto do Re-
cife foram apprehendidos varios objeclos de ouro a
prata, como bem relogios de algibeira e de cima de
banca, imagens, camisas, colleles de varias cores, cal-
jas, casicas e sobre-casacase palitos, obras eatai no-
vas e usadas, e por se asabar, chapeos de sol ja asa-
dos : aquellos que forem seas legtimos doaos, com-
parer im legalinenle habilitados, que Ihe serio en-
tregues. Delegada deste primeiro dislricto do Re-
cife aos 30 de novembro de 1854.O delegado,
/'. /)'. de Caroalho,
Pela subdelegada do Pojo da Panella foi pre-
sa e recolhida cadea desta cidade a prela Rosa
Mara, que diz serescrava do tenente-coronel Jola
Pedro de Araujo Aguiar, a qual eterava se acha a
disposicAo desla delegada, por onde deve, quem fr
seu dono, solicita-la. Delegara desle primeiro dis-
lricto do Recife aos 30 de novembro de 1854. O
delgalo, F. B. de Carvalho.
Por esla subdelegara se declara qua se acha
rerolliida era deposito um ca vallo castanho com can-
galha, que appareceu sera destino e sem dono, no
Sitio denominado Barlholomeu, ao lado do Arraial,
de Jos Caetano de Medeiros, morador nesta fregue-
sa : quem se julgar com dirrilo a elle, apresenle-se
para Ihe ser entregue pelos meios legaes. Subdele-
gada de S. Jos do Recife 23 de novembro de 1854.
O subdelegado supplente,
Manoel Ferreira Aceioli.
Depsitos sabidos
Dilos existentes .
4759260
3:9499638
38:2129162
Mesa do consulado de Pernambuco 30 de novem-
bro de 1854.O escrivfio,
Jacome Heraldo Mara fjimachi de Mello.
Exportacao .
Rio de Janeiro, escuna nacional Linda, de 153
toneladas, conduzio o seguinle :49 pipas c 30 bar-
ris de 5.' com 5,496 medidas de viuho tinto, 2 ca-
xas fazendas, 700 saceos e 40 barricas com 3.812 ar-
robas e 21 libras de assucar, 445 saceos com 1,928
arrobas e 7 libras de arroz, 401 ditos com 624 alquc-
1 es de millo, 3,000 cocos verdes.
KECEBEDOR1A DE RENDAS INTERNAS GE-
RAES DE PERNAMBUCO.
Rendimenlo do dia 1 a 29.....23:3919306
dem do da 30.........2:4149756
26:0061022
SOOEDADE DRAMTICA KHPREZARIA.
Sabbado 2 de dezembro.
18. RECITA DA ASSIGNATURA.
ANNTVERSARIO NATALICIO DE S. M. O IM-
PERADOR DO BRASIL.
Espectculo ata srande (ala, endldo para
REEDIMEXTQ DA RECEBEDORIA DE REN-
DAS INTERNAS GERAES DE PERNAMBUCO
DO CORRENTE MEZ, A SABER :
lleuda- ,1.1 (ypographia nacional. 210^000
dem, dos proprios nacionaes .... 3:2029600
Foros de terrenos c de mariuha ... __ 72o859
Siza dos bens de raz......... 7:2819676
Decima addiciooal das corporajes
de mao mora........... I l-.t-.Ti1
Direilos novos e velhos e de chan-
cellara .............. 6:2509147
Dizima da dita........... 232705
Multas por iniracjes doregulameuto 309000
Sello do papel fixo, e proporcional. 6:0129896
Premio dos depsitos pblicos. 159306
Emulumentos das repartijocs de fu-
yenda............... 1289120
Impostos sobre lojas e casas de dis-
conlos............... 619e6O0
Dilo sobre casas de movis, roupas
etc.. fabricados em paiz es(rangei-
ro ................. 4O9OOO
Dilo de 8 por cento das premios das
loteras............... 1:0109000
Taxas de escravos.......... 1929000
Divida activa............. 5329313
26:0069022
Recebedoria de !Vrn.iiiibuco 30 de novembro de
1854.O escrivo,
Manoel Anlono SlmSes do Amaral.
CONSULADO PROVINCIAL.
Rendimenlo do dia I a 29.....36:7069293
dem do da 30........ 1:1989796
.-corcs.
O Sr. Reis.
Cosa.
b 1 Bezerra.
. Mondes.
Sena,
o Mouleiro.
A Sr.* Leopoldina.
d Oraat.
o Amalia.
Luizinha.
a z- Rila
O Sr. Sebastio.
38:2059089
RENDIMENTO DA MESA DO CONSULADO
PROVINCIAL DO MEZ DE NOVEMBRO DE
1854.
Direilos do 3 por ceolo do assucar ex-
portado..........14:4979118
Dilo de 5 por cento dos mais gneros. lOidi^no
Capatazia de 320 por sacca de algodao. 1:1499440
Dcima dos predios urbanos. 2:0559755
Meiasiza de escravos......1:7589860
ILEGIVEL
Primeira recita.
Depois da chegada do Exm. Sr. presidente da pro-
vincia, a companhia dramtica cantar o hymno na-
cional, perante a augnsta efflgie de S. M. o Impera-
dor. Seguir-se-ha depois a execujao de ma nova
ouverlura, finda a qual lera principio a representa-
jo do novo drama em 4 aclos c 7 quadroe, intitu-
lado
UM HEZ DE FERIAS.
Pro lucran do Sr. Baudeira, autor das cartas do
Braz Tisana do Porto.
Personagens.
Estanislao, re. .
Frederico. ....
Eduardo, salteador. .
Wormes......
l'ranla, criado do re.
Mansfeld.....
Clemenlina, rainlia. .
Eliza.......
Margarida, velha. .
Um menino.....
Marqueza de Fraocastel.
Conde de .
kelluer, general. ....> Rozeodo.
l-o guarda das barreiras. Pinto.
2- dilo......., b Sania Rosa.
3.0 dilo........b Jos Alves.
4. dilo........b Pereira.
Quadrilheiro...... Lima.
1 ofUcial, 1 salteador, 1 mojo, 1 criado, 1 escrivo
que fallara.
Soldados, Ideaos, criados e salleadores, que uSo
fallam. Terminara o espectculo com o ultimo qaa-
dro do drama.
O theatro estar brilhanlemenle armado.
Segunda recita.
Sabbado 9 de dezembro.
19. RECITA DA ASSIGNATURA.
Subir a scen.i o nimio desejadn e pparaloso dra-
ma histrico em 3 aclos e 5 quadros, denominado
. LUCRECIA BORGia.
Sendo o papel de Lucrecia desempenhado pela
adriz D. Mara Leopoldina. Dar fim O espectcu-
lo com a eugrajada comedia vaudevle em 1 acto
intitulada
1 1
MUTILADO




-

DIARIO DE PERNAMBUCO, SEXTA FElRfl I DE OEZCMBRO DE 1854
OS BILHETES DA LOTERA.
As |.eii.i- que encommcndaraiu camarotes e ca-
deiras para esles espectculos podem vir recebe-io<
de quarla-feira 29 do correle, al sexla-feira 1. de
dezembro au meio dia, no e.a riptoio da sociedade
dramtica. O resto dos bilheles acha-se venda
no inesmo escriplorio ; desde as 10 horas da manlia
as 2 da larde, e das da tarde as 8 1)2 da Doile.
Principiar as 8 hora.
AVISOS MARTIMOS.
~PARA O RIO DE JANEIRO.
Pretende sahir com brevidade a escu-
na nacional Tamega, por ter parte do
seu ca legamente : para o resto da car-
ga e escravos a fete, trata-se com No-
vaes &C, na rua do Trapiche n. oi.
Companhia de navegacao a vapor Luso-
Brasileira.
Os Srs accio-
nistas deslacom-
panhia sao con-
vidados a reali-
sarem com a
m.Hu- brevida-
de, a quinta e
ultima presta-
Cao de suas ac-
ce, para a Im-
portancia ser re-
medida a direc-
to : dirigindo-se a rua do Trapiche n. 26, casa de
Manuel Duarle Rodrigues.
PARA O MARAMIA'O.
Pretende sahir por estes dias, o brigue
nacional Brilliante, por ter a maior
parte de seu carregamento prompto: pa-
ra o resto da carga e passageiros, trata-
se com Novaes & C., na rua do Trapiche
n. 3i.
Para o Rio de Janeiro
vai sahir com muila brevidade a barca nacional Ma-
thitde por ter parle da caraa prompta : quem na
moma quizer carregar o resto, ir de pMtagem, ou
embarrar e-cravos a frete, para o que leni cxcellrn-
tes commodos, falle cura o capitn Jeronvmn Jos
Telles ou no escriplorio de Manuel Alves Guerra
Jnior, na rua do Trapiche n. 14.
Real companhia de paquetes ingleses a
vapor.
No dia 1 de
dezemhro, es-
pera-se da Eu-
ropa iim dos
vapores da real
companhia. o
qual depois da
demora do cos-
tume, seguir
paraosnl: pa-
ra passageiros, tratase com os agentes Adamson Ilo-
wie & C, rua do Trapiche Novo n. 42.
N. B.As caitas para os porlos do imperio, eu-
Iregam-se no correio geral, c para o Rio da Prala,
no consulado inglez.
PARA O RIO DE JANEIRO.
O brigue nacional Elvira, segu em
poucos dias: para carga e passageiros,
trata-se com Machado APinheiro, na rua
da Vigario n. 19, segundo andar.
Para Lisboa sahe com a maior brevidade o
brigue portuguez Ocano, de primeira marcha ; pa-
ra o resto da carga e passageiros, trata-se con) os
consignatarios Thomaz de Aquino Fonseca & Filho,
ua rua do Vigario n. 19, primeiro andar.
RIO DE JANEIRO.
A veleira escuna nacional Linda, se-
gu impreterivelmente no dia 1, de de-
zembro, pode receber escravos a frete,
para o que tem excellcntes commodos
at 11 hora? do mesmo dia : a tratar no
escriptorio de Eduardo Ferreira Baltar,
rua do Vigarion. 5.
. Para o Rio de Janeiro pretende sahir com bre-
vidade, o brigue Intennrel por ter a maior parle
da carga : quem nelle quizer carregar, ou embarcar
escravos, pode enlender-se com os consignatarios
A mor i m Irmaos, na rua da Cruz n. 3.
Vende-se urna balieira com lodos os seus per-
lences : em Fra de Portas, rua du Pilar n. 98.
LEILOES
O agente Borja tar leilo sexta-feira 1" rdc
detembro.em seu arraazein na rua do Collegion. t,">,
de urna quaiilidad* immensa de ohjeclos, como bem
obras de marecneria novas e usadas de diderenles
qualidades. obras de ouro c prala, relogios diversos,
candelabros, lauleroas, cundieiros etc.. urna armario
envidracada para loja e oulros muilos objeclos q'ue
estarn patentes no inesmo armazem uo dia do leilAo ;
assim como um excelleute carro Je quatro rodas e
mu excellenle cavallo de estribara sellado e entera-
do, que estarao em frente do armazem as 10 horas
em punlu.
LEILAO' DE I.OUCA FINA.
Terja feira 5 do correle, as 11 horas da manhaa,
no armazem de M. Carntiro, na rua do Trapiche n.
38, o agente Roberts, fara leilAo de um ricoappare-
lho para jantar,.3 dilos para fructas, e 12 ditos para
alumno ; assim como l,imtm urna purcao de pratus
rasos e traves-oi da diversos Unannos, chicaras, pi-
res, mauleigueiras, assucareiros, ludo de porcelana
vilnlicada e de multa cousislencia, dos afamados fa-
bricautes de Worcesler : jumamente ir a leilAo
urna porca.o de vasos para Doies, e liguras de p ,ie
marmore tino para cima de mesa, de differenles ca-
racteres, taes como de Palmerslou, Mrquez de Pom-
liil e oulros.
AVISOS DIVERSOS.
Tendo-sereconhecido que a despeza
de escripta e cobranca do importe dos
annuncios he superior ao valor Relies,
previne-se aos senhores assignantes deste
Diario que quando os mandarem, re-
mettam igualmente a sua importancia ;
alias nao serao publicados.
Precisa-se alugar urna criada, forra
ou captiva, para todo oserviqo infcjrno de
urna casa, e outra cozinheira, agradando
paga-se bemv: a fallar na rua do Trapi-
che n. 12, escriptorio.
No dia 2 do corrente, ao sahir do
theatro, havera' um mnibus na direccao
de Apipucos, por ser o anniversatio.
ATTENCAO'
Nooitao do lerjo n. 2, enfeilam-se riqusimas
bandejas de armario muilo moderna, com ricos bo-
los de forma francrzajiu ineio, por preco muilo com-
modo ; tambera enfrilam-se rasas porjjOOO e 8JO00
rs. ; bem teitos po-de-ls e oulras muias cousas
proprias para prsenles ou para quem quizer dar al-
gum janlar : dirija-se mesma casa, que aprompta-
se ludo muilo barato, com grande aceio e nromn-
lido. v
Precia-se do um pideiro que entenda perei-
tamente do fabrico de pao e bolachinha ; o que se
adiar nesias circumstancias e dr fiador a sua con-
duela, pode dirigirse rua do Cabug, loja n. 14,
defrnnle da rua das Larangeiras, que achara com
quem tratar. O moco que annunciou no Diario de
quarla-feira, 29 do corrcnle, entender de escritu-
raran, e procura ser caixeiro de qunlquer estabcle-
cimeulo. querendo ser de balco de urna padaria
podedirigir-se mesma loja, onde se Lhe dir quem
precisa,
No aterrada Boa-Vista n. loja, precisa-se de
um prelo para o ser \ i i;u de casa.
Precisa-se de urna ama, que saiba cosinhar o
diario de urna casa, ou de um prclo captivo, que se
promcile pagar generosamente: na rua da Cadcia
do Recife u. 30.
Precisa-se de hornera hrasileiro, que saiba bem
lrabalharem um silio : na rua Nova u. 18, ou nos
Afogados no sillo Corlume.
Uii-se 8000 a premio de um e meio por cenlo.
com hvpolheca em casa Ierra nesla praca : na pra
<;a da Independencia n. ti e 8 se dir quem faz esle
negocio.
O cantelista Antonio da Silva Guima-
raes, luz scienteque fot vendido as suas
cautelas na casa da Fama do aterro da Boa
Vistan. 48, o bilhete inteiro da lotera da
matriz da Boa-Vista n. 1545, com o pre-
mio de 8:000$000 rs.. o qual se acha di-
vidido em quartos e vigsimos, assim co-
mo dous meios bilhetes i\. 210 com OO.s
rs., eoutrospremios menores: os posstii-
/lores logo que sahir a lista, podem vir re-
ceber.
O ahaixo assignado, respor.de pela ultima vez
ao Sr. Antonio Ricardo Anlunes Villara.que quanlo
disse fui justamente quanlo se passou, e s lhe res-
ponde com os recibos e declararlo abaixo escriptos,
em cujas peras eU palentc a sua boa T, que sndo
felas em 29 eslAo datadas ha 30 dias em que deu a
luz o sen aranzel 1 Recebi do Sr. Francisco Lo-
pes da Silva o importe desla leltra. Recie 30 de
novembro de 1854.Antonio Ricardo Aniones Vil-
lana.Kerrbi do Sr. Francisco Lopes da Silva o im-
porte desla Mira, descontando o lempo que se ha de
vencer.Recife 30 de novembro de 1854.Antonio
Ricardo Anlunes Villana.Pelo prsenle declaro,
que eslou pago das duas Ictiras que anuuuciei no
Diario de 23 do correle, pelo que pode o Sr. Fran-
cisco Lopes da Silva bxer todo e qualquer negocio
com a loja da rua do l.ivramenlo n. 19 por licar 8e
Jioje era (liante de.einbararada para commigo.__Re-
cife 30 de novembro de 1851.Antonio Ricardo Au-
luues Villana.francisco Lupes da Silva.
CONSULTORIO DOS POBRES
25 RUA DO COLLEGIO 1 ANDAR 25.
O Dr. P. A. Lobo Moscnzo da consullas homeopticas todos os dias aos pobres, desde 9 horas da
manhaa aleo meio dia, e em casos extraordinarios a qualquer hora do dia ou nuile.
Ollerece-se igualmente para praticar qualquer operario de ciruraia, e acudir promptamente a qual-
quer mulher|que esteja mal de parto, e cujas circumstancias nao permutara pagar ao medico.
NO CONSULTORIO DO DR. P. i. LODO M0SC0Z0.
25 RUA DO COLLEGIO 25
VENDE SE O SEGUINTE:
.Manual completo de meddicina homeopalhica do Dr. ti. H. Jahr, traduzido em por
tuguez pelo Dr. Moscozo, quatru volumes encadernados era dous c acompauhadode
um diccionario dos termos de medicina, cirurcia, anatoma, etc., ele...... 2OSOO0
Esla obra, a mais importante de lodas asqnelratam do esludo epralica dahomeopalhia, por ser a nica
qiieconlm abase fundamental i'esla doutrinaA PATIIOENESIA OU EFFEITOS DOS MEDICA-
MENTOS NO ORGANISMO EM ESTADO DE SAUDEronberimenlos que nao podem dispensar as pes-
soas que se querem dedicar pratica da verdadeira medicina, iuteressa a totlos os mdicos que quizerem
experimentara doutrina de llahuemann, e por si memos se convenceren! da verdade d'ella: a lodos os
fazendeiros e senhores de enuenho que estao longe dos recursos dos mdicos: a lodosos capilaes de navio,
que urna ou oulra vez uao podem ileixar de acudir a qualquer incommodo seu ou de scus tripulantes :
a lodos os pais de familia que por circumstancias, que n.m sempre podem ser prevenidas, sao obriga-
dos a prestar in contittenli os priraeiros soccorros era suas eufermidades.
O vade-mecum do homeopalha ou traducen da medicina domestica do Dr. Hering,
obra lamhem mil as pc-soas que se dedicam ao esludo da homeopathia, um volu-
me grande, acompaubado do diccionario dos termos de medicina...... lOjOOO
O diccionario dos termos de medicina, cirurgia, anatoma, etc., etc., encardenado. -mu
Sem verdadeiros c bem preparados medicamentos nao se pode dar um passo seguro na pratira da
homeopathia, c o proprielario deste estahelecimento se lisongeia de te-lo o mais bem moulado possivel c
nineuem duvida boje da grande superioridade dos seus medicamentos.
Boticas de 2i raedicamenlos cm glbulos, a IOS, 12-5 e 15JOO0 rs.
Dilas 36 ditos a................. 308000
Ditas 48 dilos a .............. 25-5(100
Dilas (O dilos a.................. 308000
Dilas 144 dilos a.................. 608000
Tubos avulsos......................... 15000
Frascos de meia ont;a de lindura................... 25U00
Na mesma casa ha sempre venda grande numero de tubos de cryslal de diversos tamauhos,
vidros para mediSamenlos, e aprompta-se qualquer encommenda de raedirameoloscom toda a brevida-
de e por precos muilo commodos.
TOAL.HAS
E GUARDANAPOS DE PANNO DE
LIXHO PURO.
Na rua do Crespo, loja da esquina que v olla para
a cadeia, vendem-se loalhas de panno de linhn, lisas
e adamascadas para rosto, dilas adamascadas para
mesa, guardaoapos adamascados, por precos com-
modos.
Lava-te e, eugomma-se com toda a pcrfeicSo e
aceio: no largo da ribeira de S. Jos, na loja do so-
brado n. 15.
O Sr. .procurador da cmara mu-
nicipal do Limoeiro, haja de mandar pa-
Ear a assignatura do Diario de Pernam-
uco, para a mesma cmara, que se
acha em grande atrazo de pagamento.
DENTISTA FRANCEZ.
% Paulo Gaignoux, estabelecido na rua larga (f
9 do Rosario n. 36, segundo andar, colloca den- 9
Jt tes com gengivasarliliciaes, e dentadura com- 5
flt pleta, ou parte della, com a pressao do ar. SJ
.*?; Tambem tem para vender agua denlifricedo @
3 Dr. Fierre, e p para denles. Rna larga do
@ Rosario n. 36 segundo andar. $.
Novos livros de homeopalhia mefrancez, obras
todas de summa imporlancia :
llahnemann, tratado das molestias chronicas, 4 vo-
lumes............908000
68000
7O00
65000
1 fcjOOO
6.3OOO
83000
16JO00
IOOOO
Tesle, molestias dos meninos
Hering, homeopalhia duraeslica......
Jahr, pharraacopa homeopalhica. .
Jahr, novo manual, 4 vuluincs ....
Jahr, molestias nervosas.......
Jahr, molestias da pelle.......
Rapou, historia da homeopathia, 2 volumes
Harlhmann. Iralado completo das molestias
dos meninos...........
A Teste, materia medica homeopalhica. KjOOO
De Favolle, doulrlna medica homeopalhica "5000
dioica de Slaoneli........5000
Casling, verdade da homeopalhia. 4U00
Diccionario de Nysleu........IO5OOO
Atllas completo e analnmia com bellas es-
tampas coloridas, conteodo a descrip;o
de todas as parles do corpo humano 303000
vedem-se lodos esles livros no consultorio homeopa-
thico do Dr. Lobo Moscoso, rua do Collegio n. 25,
primeiro audar.
Aluga-se para o serviro de bolieiro um escra-
vo mulato com muila pratica desse oflicio. Na rua
da Saudade fronteira a do Hospicio, casa da resi-
dencia do Dr. I.oiireneo Trigo de Loureiro.
. O Sr. Joaquim Ferreira que leve loja na pra-
cinha do Livramenlo tem urna carta na livraria ns.
6 e 8 da praca da Independencia.
AMIGO DEPOSITO DE CAL E
POTASSA.
No antigo deposito da rua do Trapiche
n. 15, ha muito superior potassa da Rus-
sia e americana, ecal virgem, chegadaha
pouco. tudo por preco commodo.
O Sr. Adolpho Manoel Camello Lins,
escrivao de Iguarassu', queira quando
vier a esta prar;a, dirigir-se a livraria da
pra(a da Independencia n. 6 e 8, a nego-
cio que lhe diz respeito.
O Sr. Jos Norberto Casado Lima,
queira apparecer na livraria n. 6 e 8 da
praca da Independencia que se lhe preci-
sa fallar a negocio.
|min8ti>mtHtm
t l JANE, DENTISTA, S
continua a residir 11a rua Nova n. 19, primei- @
ro andar. ^
AULA DE LATS.
O padre Vicente Ferrer de Albuquer-
que, professor jubilado de grammatica
latina, tem estabelecido sua aula par-
ticular na rua Direita sobrado n. 27, se-
gundo andar, onde recbetelos os alum-
nos, quer externos ou internos, tanto des-
ta praca cmodo mato, mediante a razoa-
vel convenciio cpie pessoalmente ollere-
cera'.
Si
9 O bacharel em malliemalicas B. Pereira do &
Carmo Jnior dar principio no dia 1." de de-
zembro prximo fuliiro, a um novo curso de
arilhinelica, algebra e geometra, na rua Nova,
sobrado 11. 56 : para os senhores e-iudanies
S que lencionarem fezer exames era marro pro-
9 ximo vindouro se prescindir das explicac,Ces
de algebra. m
Joia.
Osabaixo assignados, donos da loja deourives, na'
rua do Cabug n. 11, confronte ao paleo da matriz
e rua Nova, fazem publico qoe estao sempre sortidos
dos mais ricos e melhores goslos de lodas as obras de
ouro necessarias, tanlo para senhoras como para
bomens e meninas, conlinuam os precos inesmo ba-
ratos como tem sido ; passar-se-ha urna conla com
responsabilidade, especificando a qualidade do ouro
del i- ou 18 quilates, licaudo assim garantido o rom-
pedor se apparecer qualquer duvida. Serapliim
(X /rmao.
Quem precisar de um sorlimento de espana-
dores de diversos lmannos, sendo bem arranjados e
proprios para se vender para o Rio de Janeiro, diri-
ja-se roa do Queimado, loja do fazendas 11. de
l-'iam isru Ignacio Ferreira Dias.
HOTEL DE JABOATAO'.
O dono deste eslabelecimento situado ueste lugar,
faz saber ao respeitavcl publico e a lodos os seus fre-
auezes e amigos, que em sua casa tem concorrido,
que se acha sempre promplo nos domingos e dias
santos de guarda, a servir a lodos rom aceio e decen-
cia, e sempre achara prevenido com comidas, bous
petiscos e diversos espiritos, e juntamente nos dias
semanarios prompto est. a servir aos viajantes, ro-
mo d'anles se lera prestado etc. ; tambera fot ver,
que a sua casa js se acha cora mais alguns comino-
dos ; assim como do meado do mez prximo vindou-
ro se acha encostada ao seu hotel urna casa com
bous commodos, prnmpla rom o necessario comp-
lenle para qualquer pai de familia que queira vir
cora sua familia paitar diaa ou semanas, gozarem da
radiante IrraqnidSo, o socego e o maravilhoso ba-
nho a margem do bom rio, pois em quanlo as co-
midas os seus precos serao razoaveis, segundo os
seus Iralanientos. visto ler um bom roziuheiro que
sabe a que taz ; e em quanlo o Ir..lamento da rapa-
ziada se levara por dia 33000, e da fesla em (liante,
rhezando a fesla do padroeiro, que he Santo Amaro
Jaboaiao, a 45000, com alguma franqueza ; porm
adverte ao mesmo publico que no seu hotel s tem
de n,-Minie admitlir pessoas capazes. O dono do
mesmo hotel lera urna casa com bous commodos e
em bom tusar, para alugar pelos Ires mezes da esla,
a quem queira vir gozar do mesrao banho ; a tralar
na rua Direila n. 76.
Joaquim FraDcisco de Azevedo Lima relira-se
para Portusal.
D-se diuheiro a premio sobre peuhores de ou-
ro e prala : na Iravessa da Trempe n. l.
Precisa-e de um homem que entenda perfe"-
lamente de relinatao : na rua da Cadeia Velha n. 7,
loja de miudezas.
Ropa-sea Sra. D. Antonia Francisca do Rosa-
rio laveira, moradora na cidade da Victoria, queira
mandar ao escriptorio de Manoi I Joaquim Ramos e
Silva, morador nesla cidade do Recife, para lhe ser
entregue um pelo que lhe manda seu filho, residen-
te no Para.
Alusa-se urna casa lerrea na povoaro doMon-
leiro, rom a frenle para a igreja de S.' Panlalc-o,
muilo liinpa, desea, com commodos para familia re-
gular, ten lo urna paria e duas janellas na frente: a
tralar com Antonio Jos Rodrigues de Souza Jiiuior.
na mesma povoaro, ou ua rua do Collegio n. 21, se-
gundo andar.
Cura da mude/, pelo methodo Costilho.
O professor da aula de Icilura repentina, na rua
da P(aia, convida a lodos os chefes de familia a
mandarem all os meninos que nao pos^am fallar ;
mas qoe possam ouvir, alim de expciimeular se ob-
tem o mesmo feliz resultado do meuino do reveren-
do Sr. padre Lemos. A experiencia principia do 1.
al o da 2u de dezembro, gratuitamente. Os que
obliverem a falla pagarao a mensalidade igual aos
demais alumnos, 88000, c conlinuarao, quereudo, a
aprender pelo excelleute methodo Caslilho.
Alugam-sc Irabalhadores livres ou escravos,
para armazem de assucar : na rua do llrum, arma-
zem 11. 26.
Madama Routier, modista franceza, rua
Nova n. 58,
lema honra de annunciar ao publico, que acaba de
receber um rico -01 tmenlo de chapeos de seda e de
palha para senhoras, dilos para meninas, bonitas ca-
misinhas, chales de rclroz, raauleleles e capolinhos
de cores, romeiras de fil, esparlilhos, c oulras mui-
as lazcudas por diminuios precos.
No lintel de buropa da rua da Aurora (emsor-
veles de dia e de noile, e tambem precisa-se de 2 mo-
leques de aluguel para servido de casa.
Jos Antonio Lopes de Albuquerque Jnior
faz scicnle que dcixou de ser caixeiro do'Sr. Joa-
quim Juveuciuda Silva.
Aluga-se o sobiadinho com loja, ua rua da
Praia dos carnes seccas n. 72 : a tralar na rua eslrei-
ta do Rosario n. 10, taberna.
Precisa-se de urna ama de leile, que seja bran-
ca ou parda : no largo do Terco 11. 44.
fss.si;# @
W ->a estrada dos Afilelos, sitio confronte a
capella, dao-seconsullas homeopalhieas.
Casa da aiericSo, pateo do Terco 11. I (i.
pessoa compelentemente autorisada pelo aferi-
por, faz ver a quem inleressar po-sa, que o praao
marcado pelo regimcnlo municipal, liualisa-se no da
31 de dezembro prximo futuro, e que depois nao se
chamein a ignorancia. Recife 21 de novembro de
1854.Pelo atender, Vraxedes da Silva Gtumo.
Aluga-se annualmcule ou pela fesla urna pro-
pnedade de pedra e cal cora commodos sullicienies
para qualquer familia, no lug.r do Poro da Panella,
conligua ao cx-collegio de S. Boavenlra : a tralar
na fuudicao do Brum ns. 6, 8 e 10, com o caixeiro
da mesma.
Precisa-se de una ama que saiba cozinhar e
en-"liana : uo largo do Terc/i, casa u. 44.
O cautehsta Salustiano de Aquino
Ferreira, avisa ao possuidor do bilhete in-
teiro n. 579i, da terceira parte da (tiin-
ta lotera da matriz da Boa-Vista, em que
labio asorte de *:0000,<)0 rs., pode vir
receber na rua do Trapiche n. 3(j segun-
do andar, logo que sahir a lista geral.
Pernambuco 29 de novembro de 1854.
Salustiano de Aquino Ferreira.
Roga-se ao Rvm. Sr. padre Jos Tei-
xeira de Mello, vigario da freguezia do
Buique, que mande pagar o que deve na
rua Direita n. 14, tanto a sua conta co-
mo o endosso que S. Rvm. mandou dar a
Salustiano Ferreira da Costa, morador no
lugar denominado Mulung, que somma
a dita quantia rs. f:361$950 lora o ju-
ros, isto no anno de 1852, pois o seu cre-
dor ja' esta' cansado de ser engaado, co-
mo l'oi em Janeiro do dito anno, que en-
ganou ao portador que la" foi, e S. Rvm.
mandou dizer que ja' tinha mandado pa-
gar, e at hoje ainda nao se recebeu, gas-
tando o seu credor com o portador que
la' foi 100,9000 rs., fora o aluguel do ca-
vallo ; pois o sou credor roga-lhe que nao
seja to desconhecido, que alm disto lhe
tem prestado os seus serviros em oulras
cousas mais; portante o seu credor lhe
participa que ja' pagou nesta pratja a
dita quantia, porm nao foi com as car-
tas que o Rvm. padieJosc Teixeira de
Mello lhe tem mandado.Jos Pinto da
Costa.
COMPANHIA DE BEBER1BE.
A administraco da companhia de Be-
beribe, tem autorisado o Sr. caixa a pa-
gar o dcimo terceiro divideado, vistoque
no dia 24 do corrente nao se reuni nu-
mero de votos suficientes para haver as-
sembla geral.O secretario, Luiz da
Costa Portocarreiro.
Liquidarlo.
O ahaixo assignado, dono da loja de relojoeiro, na
rua Nova 11 22, avisa ao respeilavel publico, que
tem um grande sorlimento de reloios de ouro e
prala, patentes suissos e horisoutaes, de lodas as
qualidades ; assim como correnles de ouro e chaves
para os mesmos ; relogios de parede, realejos, ricas
pulceiras, meios aderemos, rozelasdo goslo mais mu-
derno, boles de aberluras, etc., ele, que vende
por mdico prero, porque deseja acabar com tudo.
./. Laca Aluga-se o primeiro andar do sobrado n. 48 da
rua larga do Rosario.
Francisco Caelano de Souza rctira-se para fra
da provincia.
Precisa-se de urna ama que saiba cozinhar bem,
que seja idosa e fiel, para casa de hornera solleiro, e
de um m deque ou negro para servico externo : na
rua do Oucimado n. 51.
Precisa-se de urna ama de leile : na
rua de S. Francisco, palacete hovo.
COMPANHIA DE BEBERIBE.
A adminisltacao da companhia de Be-
beribe, resolveu em sessao de 24 do cor-
rente, por em arrematacao a taxa dos
ehalarizes por bairros, ou em sua totali-
dades por tempo de um anno, a contar
do 1 de Janeiro de 1835 ; para o que con-
vida a quem tal arrematadlo con vier, a
comparecer no escriptorio da companhia,
no dia 12 de dezembro prximo vindou-
ro ao meio dia, com as suas propostas em
carta fechada, as tpiaes deverfio ser de-
clarados os (adores dos concurrentes, que
poderao obter os precisos esclarecimentos
a cerca do rendimento da taxa, no escri-
ptorio da companhia, das horas da ma-
nhaa, as 3 da tarde de qualquer dia til.
Recife 25 de novembro de 1854.O se-
cretario, Luiz da Costa Portocarreiro.
No dia 1. de dezemhro, linda a audiencia do
Illm. Sr. Or. juiz de direila da primeira vara do ci-
vel, se ha de arrematar a terceira parle da rasa ter-
rea 11. 61, -ita alraz da matriz da Boa-Visla. avalla-
da por 3003000 rs., por execurao de Pedro Cavalcan-
li de Albuquerque, sua mulher e outros. contra
Asostinho Tavares Rodovalho e sua raulher ; he a
ultima praga.
Rerolheni-se gneros por menos armazenagem
do que em oulra qualquer parle, no armazem 11. 20
do largo da Aswnbla ; offerecendo fcil embarque
e desembarque por ser era frente do trapiche do al-
godAu.
Domingos da Silva relira-se para Porlugal.
Aluza-se una casa terrea no becco do Tambia,
na prara da Boa-Visla : quem pretender, pode diri-
gir-se a rua do Queimado n. 10, loja.
Um cstraiigeiro precisa alugar um silio perlo
da prara. que lenha estribara e cocheira, preferin-
do-se os da estrada, at Ponte de Uclia : quem o
liver, dirija-se rua da Cruz n. 4, primeiro andar.
Precisa-se de um pequeo oratorio e de urna
iraagem de Chrislo, e oulra deSanl'Anna, que tudo
esteja em bom estado : no largo do Corpo Sanio 11.
6, ou aununcie para ser procurado.
l'elo juizo de orphilos se I1A0 de arrematar no
dia 1. de dezembro, as II horas, na sala das audien-
cias do inesmo jui/.o, os escravos Luiz e Luzia, per-
lencenles aos orphaos lilhos do fallecido Antonio
Soares de Andradc Brederode a requerimeulo de
seu reipecllivo autor.
Precisa-se de una boa ama de leitc, forra ou
captiva : ua rua da Aurora, casa nova junio a do
Sr. Ouslavo Joso do Reg.
Joao Pedro Vogelcy, fabricante de pianos, afi-
na e coucerla os mesmos com toda perfeicito e por
raodiro prejo : lodas as pc-soas que se quizerem uli-
lisar de seu presumo, dirijam-se rua Nova 11. 41,
nrimeiro andar.
Precisa-se de jOO000 a juros, garanlindo-se
com hvpolheca cm 2 escravos de llor ; a quem cou-
wer, aununcie para ser procurado.
Rabe Schmcltau i\ Companhia mu 1.iran o seu
cslabelccimento para a rua da Cadeia Velha 11. 37.
No hotel da Europa da rua da Aurora, d-se
comida a loda a hora do dia, e fornece-se almoro e
juntar para fra ineusalmeute, por prero muilo"ra-
zoavel.
Cozinbeiro.
D-se bom ordeuade para um coziuheiro fraucez.
que seja periln na sua arte : quem pretender, aunun-
cie por esle Diario para ser procurado.
Precisa-se de um criado francez, inglez ou al-
lemilo : quem preleuder, aununcie por esta tulla
para ser procurado.
^ Aluga-se a loja do sobrado n. 39 da rua das
Criizes.com baslaites commodos para familia, e pa-
ra qualquer cslabelecimenlo, por ser o lugar muilo
bom.
COMPRAS.
Para urna encommenda.
Na rua da Cruz 11. 52 compra-se urna escrava de 18
a 20 anuos, que seja de boa figura e inteligente 110
serviro de casa de lanilla.
Compra-sc prala brasilea e hespanhola : na
rua da Cadeia do Recife n. 54, loja.
Compra-se nina negrinha de 4 a 5 anuos ; na
Soledade. casa n.8.
Compram-se das prelas para o servico de ca-
sa, que saibao cnzinliar e engommar hem, sAo para
servir nesla cidade, e se quer de boa conduela c sem
detallo physico; aura lando se pagaran bem : no lar-
go do Corpo Sanio n. 6.
Compram-se acies do Banco de Pernambuco:
na pri-c,a do Corno SmiIo n. 6, escriptorio.
Compram se escravos para se exportar, lendo
boas liguras ; paga-sc bem : na rua Direita u. 66.
VENDAS.
FOLHNHAS PARA 1855..
Acham-se a venda as bem conhecidas
olhinhas impressas nesta typographia,
tanto de algibeira, como.de porta, sendo
eslasa ItiO rs., e aquellas a 520; e breve
estarao promptas as ecclesiasticas e de al-
manak: na livraria n. 6 e 8 da praca da
Independencia.
COM TOQUE DE AVARIA-
Chitas escuras e frxas a 4.S00 e 5,<000
rs. a peca: na rua do Crespo, loja da
esquina que volta para a cadeia.
JELPOIENE DE LAN ESCOCEZ
A S00 RS. O GOVACO.
Na loja n. 17 da na do Queimado, ao p da boti-
ca, vende-se alpaca de laa escoceza, chegada pelo ul-
limn navio, a qual tazenda na Europa se d o nome
de .Melpomcne de Eseoria, muilo propria para rou-
poe e vestidos de senhora e meninos por ser de mui-
to brilho, pelo commodo preco de 500 rs. cada co-
vado ; dAo-se as amostras com peuhores.
MBRHiSDAIMPERATRIZ
PARA VESTIDOS DE SENHORAS,
fazeuda nova, viuda da Europa pelo vapor Impera-
dor, por cummodo prero : na rua do Queimado n.
17, loja.
GASSAS FRANCEZAS
A 320 RS O COVADO.
Vende-se na rua do Queimado, loja n. 17, cassas
francez novs, de cores fixas, pelo barato prec,o de
320 rs. cada covado.
RISGADOS ESGOGEZES
A 300 RS. O COVADO.
Vendem-se na rua do Queimado, loja n. 17, ao
p da botica.
Vende-se un bom cabriole! de patente e de
goslo moderno, com seus competentes arreios pra lea-
dos, e um cavallo dos melhores que ha nesla cidade :
a Iratar na rua das Flores, cocheira que fica no fun-
do da laberna de Joito Manoel de Siqueira.
CEMENTO RUANO.
Veude-se cemento romano, cm barricas de 12 ar-
robas, e as in-inres que ha no mercado, chegado ul-
limamenle de llamburgo. por menos preco do que
em oulra qualquer parte : na rua da Cruz no Reci-
te, armazem n. 13.
OBRAS DE LABYRINTHO.
Acham-se venda por commodos presos ricos len-
cos, loalhas e eoeirue de labyriulho, chegados lti-
mamente do Araraty : na rua da Cruz do Recife D.
31, primeiro andar.
Vende-se na rua Nova n. 3, laberna de Anto-
nio Ferreira Lima, presuntos para fiambre, dilos
para panella, qurijos londrinos e de oulras qnalida-
d-s, bolachinhas de aramia finas, em lulas e a re-
lalho, assim como bolachinhas de soda, dilas ame-
ricanas quadradss, pequeas e grandes, conservas
sorlidas, mn.tarda em p, latas com marmelada, de
varios lamanjios, bordas rom doces seceos de varias
qoalidade*, peras, damascos e ameixas, a-sira como
sal refinado, vinhos de lodas as qualidades, e oulros
muilos mais gneros por preco commodo, e agrada-
vel aus (.-limpiadores.
\ende-se urna csrrava com 18 anuos de idade,
a qual cose bem e coziuha g diario de urna casa :
na rua da Peuha n. 31.
Vendem-se em casa de S. P. Johnss
ton & C, na rua de Senzalla Nova n. 42.
Vinho da Porto superior engarrafado.
Sellins inglezes.
Relogios de ouro patente inglez.
Chicotes de carro.
Farelio em saccas de .1 arrobas. !"
Fornosde farinha.
Candelabros e candieiros bronzeados.
Despenceira de ferro galvanisado-
Ferro galvanisado em folha para forro.
Cobre de forro.
PARA FECHAR COXTAS.
Vende-se cera em vellas de Lisboa, por
preco barato: na rua do Vigario n. 19
segundo andar, escriptorio de Machado &
Pinheiro.
Para casamento.
Vendem-se corles de veslido de seda branca la-
vrada. de superior qualidade : na loja de 4 portas
da rua do Queimado n. 10.
Sedas de cores.
Vende-se corles de veslido de seda furia cores,
lindos goslos e por preco commodo : na loja de 4
porlts da rua do Queimado n. 10.
Vende-se canarios do imperio escolhidos a 39 :
no paleo do Paraizo u. II.
Vende-se una linda miilalinha com 12 anuos
de idade, muilo sadia, engomma solrivel. cnsinha o
diario de urna casa, cose perfeilamente chao : a Ira-
lar na rua da Cadeia do Recife n. 40.
Na casa da Fama, na rua Direila n. 27,vende-se
mauleiga ingleza a 480 e 560 ; franceza a 560 e 600;
alclria a 210 e 320 ; tooeinbo de Lisboa a 360 e 400
rs. ; queijos novos a I58O e IpfiOO ; assucar fino a
100 e 120 ; a/.eile doce a 610 e 720 a garrafa ; fari-
nha do Maraiiliiio a 110 e 160; de gomma a 80, 100
e 120; dita de aramia a 210 e 2S0 ; velas de car-
nauba a 360 c 400 rs. a libra ; caixinhas de 100 cha-
rutos a IJOOciWO rs.; cha hvssou a 25000c IsWX);
dilo do Rio de Janeiro a IS500, 13600 e 19700 ; as-
sucar someno a 80 e 'JO rs.; btalas a 80 e 100 rs. a
libra.
Vende-se por 1:0005000 um excelleute e muilo
bem construido carro de 4 rodas, quasi novo, cora
arreios c bous cavallos do inesmo, ludo por 1:0009000:
para ver, na cocheira do Ka\ inundo, delimite deS.
Francisco.
VeuJe se um lindo carro americano de i ro-
das, para I ou 2 cavallos, c com 3 arreios para os
mesmos: no Corredor do Rispo, em casa do coroucl
Favilla.
, Vende-se ou permula-se por lijlos de abona-
ra grossa, urna canoa com 3 palmos de bocea c 43
de couiprido, por prero commodo : na rua Bella n.
3j, al as 8 horas da mantilla, ou das 3 da larde era
diaule.
MOENDAS SUPERIORES.
Na fuudicao de C. Starr & Companhia
em Santo Amaro, acha-se para vender
moendas de caimas todas de ferro, de um
raodello econstruccao muito superiores.
Vende-se ura cscravo pardo, bolieiro, alfaiate,
moco, de ptima conduela : a fallar com o Sr. Pos-
thurao, na rua das Aguas-Verdes ; alianea-se a con-
ducta.
No engenlio Peres ha para vender-se urna por-
e"io de formas para purgar assucar, de bom taraauho
e ptimo barro.
(irande sorlimento de palitos francezes.
Chegaou pelos ultimo* navios vindos de Franca,
um grande sorlimenlo de palitos, sendo de seda a
125000, de laa, de panno, de alpaca de cor e prela,
de hrim braneo c de cor, de ganga superior, e ou-
lras muilas qualidades ; assim como cairas, colines
e palitos de meia la de quadriuhos, cutele- de fus-
lao etc. ; ludo se vende por precos muito razoaveis:
na rua do Collegio u. i, c na rua da Cadeia do Re-
cife u. 17.
Malas para viagem.
Ha um urandee novo sorlimenlo de lodos os ta-
maitos, por mdico preco ; na rua do Collegio u. 4,
Vende-se superior carne do serian da melhor
qoe tem viudo ao mercado, propria para quem quer
urna boa trincha para passar a fesla, em porjaoc a
relalho : na rua da Praia n. 4.
Vende-se superior chocolate fran-
cez, por preco commodo: na rua da Cruz
n. 2(J, primeiro andar.
Vende-se superior Kirche e Absinthe
verdade! ro de Suissa : na rua da Cruz n.
2(i, primeiro andar.
Vendem-se aberturas franeczas, pa-
ra camisas de linho e de madapolao, por
preco commodo : na rua da Cruz n. 2u,
primeiro andar.
_ Vende-se urna boa rasa terrea em Olinda, rua
da bica de S. Pedro, que faz esquiua com o cercado
de madeira, rom 2 portas e 2 janellas de frente, 3
salas, 3 quarlos, coziuha grande, copiar, estribara,
grande quintal lodo murado, com porlao e racimba,
muilo propria para se passar a fesla, mesmo para
morar lodo o anuo : a tratar uo Recife, rua do Col-
legio u. 21, segundo andar.
Ao barato freguezes.
Na rua do Crespo, loja encarnada, vendem-se cor-
tes de casemira muito lina, pelo diminuto preco de
19000.1*500 e 3)000 ; ditos de hrim a 19600 e 29
rs. ; corles de ra.sa com barra e sem ella a 25000.
29100 e 39000; chill franceza a 200 rs. o covado, e
outras muilas fazendas por barato prero.
Loja encarnada, rua do Crespo n. 9.
Vendem-se corles de gase de seda, pelo diminu
preco de 89000 ; veude-se por esle prejo por se ler
comprado grande porq^o.
Vende-se na padaria da rua da Senzala Nova
n. 30, o seguidle: hiscoulos dos grandes e finos, bo-
larhinhas americanas e de aramia, falias, partculas,
bolinhos francezes, e nimias mais qualidades de
massas finas ; o mesrao sorlimenlo se acha na pa-
daria da rua delraz da matriz da Boa-Visla, Indo
bom e preco commoilo.
CEMENTO ROMANO.
Vende-se superior cemento em barricas grandes ;
assim como tambem "vendem-se as linas : alraz do
theatro, armazem de Joaqun Lopes de Almeida.
Vinho de Colares e de Thomar.
Vende-se vinho ^le Colares linio e de Thomar
braneo. cm barris pequeos : na rua da Cadeia do
Recife u. 48, casa de Auguslo C. de Abren.
PARA ACABAR.
Vendem-se cassas francezas de cores fixas, e lin-
dos padrees, pelo baralissimo preco de 140 rs. o co-
vado : Da loja da Cumaraes & euriques, rua do
Crespo n. 3.
Na loja da rua do Crespo n. 6, lem um grande
sorlimenlo de caixas para rap a omilacfio das de
tartaruga, pelo mdico preco de 19280 cada urna.
Vende-se a taberna da rua du Pilar n. 88 en-
globadamenle ou a relalho : os prelendenles diri-
jam-se ncsle caso a mesma laberna, enaquellede
venda englobada a Tasso & IrniSo, ou ao liquidala-
eio da tirina de Franca & IrmAo.
CAL VIRGEM DL LISBOA, A 4^500
RS. O BARRIL.
No armazem de Luiz Antonio Annes
Jacome, defronte da porta da alfandega,
vendem-se barris com 4 arrobas de cal
virgem de Lisboa, pelo barato preco de
4#500 rs. em porcao ou a retalho.
Na rua da Trempe n. 11, vende-se um escravo
moro, de bonita figura, sem vicios, baslante habili-
doso, proprio par. um bom pasera ou barcaceiro, do
que lem muila pratica.
Jacaranda' a' retalho.
Vende-se as duzias, muito bom jaca-
randa' por preco commodo : no arma-
zem de madeira de pinho do Sr. Joa-
quim Lopes de Almeida, atraz do theatro
velho, ou a tratar com Antonio de Al-
meida Gomes & C. na rua do Trapiche
n. 10, segundo andar.
LOTERA DO RIO DE JANEIRO.
Acham-se a' venda os bilhetes da lote-
ra 47- do Monte Pi, que correu em 16
do corrente, as listas vem pelo vapor bra-
sileiro at 4 do vindouro dezembro, e os
premios serao pagos logo que se lizer a
distribuicao das mesmas listas, sem o des-
cont de 8 p. c. do imposto.
Borzeguins a 56*000 !
Para fechar coalas vendem-se borzeguins de case-
mira e gaspeados de couro de lustre a 59000 o par :
na rua da Cadeia dn Recife n. 48, primeiro andar.
SENHORES DO BOM E BARATO, ATTENCAO.
No paleo do Carmo, quina da rua de Hurlas n. 2,
continua-.e a vender manleiga ingleza a 480, 560,
640 e 800 rs. ; franceza minio boa a 560 ; passas
novas a 300 rs. ; alctiia.raararro e lalhaiira a 320 ;
bom doce de caj secco a 500 rs.; ararula 160;
gomma a 140 ; bolachinhas de Lisboa muilo novas a
320 ; Na pole.o a 400; ararula a 560 ; ingleza a 320;
assucar braneo fino a 100 rs. ; azeite de carrapalo a
240 ; dilo doce a 610 a garrafa ; airoz braneo a 480
a cuia ; do Marauhao a 80 rs. a libra ; loucinho de
Lisboa, novo, a 400 rs. ; azeilonas a 320 a garrafa ;
vinhos de lodas as qualidades de diferentes precos, e
banda muilo alva a480.
FRicra rwAs.
Na rua eslreita do Ro-ario n. 11, deposito das bi-
chas de Hamburgo, vendem-se as frucias seguinles :
peras frescas, macas. ameixas francezas em lata,
sardiiibus em latas, queijos londrinos, latas de amei-
xas, de damascos, e peras confeitadas cun caixas de
llores, propria- para mimos, e outras muilas eou-
sas, assim como a \erd..d. na bolachinha de soda.
CASSAS FRANCEZAS A 450 RS. A
VARA.
Vendem-se cassas tranceln linas de lindos pa-
drees a 450r. a vara. Ihamalote de seda de cores
a 800 rs. o covado, luvas de seda brancas e cor de
palha para meninas e meninos, riscados escoceza ue
quadros largos a 260 r. o covado: na rua do Quei-
mado Iota n. 40
CASEMIRAS E PANNOS.
Vende-se casemira pela e de cor para palitos por
ser muito leve a -29600 o covado, panno azul a 39 e
19000, dilo prelo a 39, 38500, 49, 59 e .59500, corles
de casemira de goslos modernos a 69OUO, setira pre-
lo de Mae.,o a 30300 e 49000 o covado : na rua do
Crespo n. 6
CONDECIDO DEPOSITO DE POTASSA
E CAL.
Na rua de Apollo armazem n. 2 B, con-
tinua a ter superior potassa da Russia e
Rio de Janeiro, e cal de Lisboa em pe^
dra: tudo a preco que muito satisfar"
aos seus antigos e novo fregu "es.
Moinhos de vento
eombombasderepuxopara regar borlase baixa,
deeapin. na fundirn de II. \v. Bowman : na rua
do Brum ns. 6, 8 e 10.
grande sortimento ue brtns para
calcas e palito*s.
Vende-se bnm trabado de linho de quadros a
600 rs. a vara ; dilo a 700 c JOOO; dilo mesclado a
19*00 ; corles de lusi.ni braneo a 400 rs. ; dilos de
cores de bom goslo a 800 rs. ; ganga amareila lisa da
India a 400 rs. o covado ; corles de cassa chila a
290O0 e 2-9200 ; lencos de cambraia de linho gran-
des a 640 ; dilos pequeos a 360; loalhas de panno
de linho do Porto para rosto a 149000 a duzia ; di-
las alcoxoadas a 10&000 ; guardanapos tambem alco-
xoados a 39600 : na rua do Crespo n. 6.
o qi;e guarda fro GUARDA CALOR:
paranlo, vcudem-se cobertores de algodAo cora pel-
lo como os de laa a 19100; dilos sem pello a 19200;
dilos de la pele a 1C200 : na rua do Crespo 11. 6.
9 \ ende-se nesla loja superior damasco de 9
M seda de cores, sendo braneo, encarnado, rxo, fe
9 por prero razoavel. A
Vendem-se lonas da Russia por pretjo
commodo, e de superior qualidade: no
armazem de N. O. Bieber&C,, rua da
Cruz n. 4.
--Vende-se em casa de Rabe Schmet
tau&C, na rua do Trapiche n. 5, o se-
guinte:
Ricas oblas de brilhantes
ptimos pianos verticaes.
Um dito lionstint.il com pouco uso.
Vidros de difierentes tamaitos para
espelhos.
Tudo por precos muito commodos.
Com toque deavaria-
Madapolao muito largo a 39000 e 3500 rs. a pe-
ta: na rua do Crespo, loja da esquina que vollapa-
CHALES E MANTELETES DE SEDA
DE BOM GOSTO.
Na rua do Crespo loja da esquina que
volta para a Cadeia : vende-se chales de
seda a 86*000, 126*000, 146*000 e 18$000
rs., manteletes de seda de cor a 11 $000
rs chales pretosde laa muito grandes a
36*600 rs., chales de algodo e seda a
16*280 rs.
PANORAMAS PARA JARDIM.
Brunn Praeger & C, na rua da Cruz
n. 10, receberam e vendem um sortimen-
t de globos de espelho de diversos tama-
itos e cores, que formam o mais lindo
panorama, postes em urna columna no
meio do jardim, como se usa boje na Eu-
ropa, nos jardins do bom gosto.
Brunn Praeger & C, na sua casa rua da
Cruz n. 10, teem a venda.
Pianos tanto horizontaes como verticaes,
dos melhores autores.
Obras de ouro de 18 quil. do mais apu-
rado gosto.
Pinturas em oleo, paisagens e com moldu-
ra dourada.
Vistas de Pernambuco, geraes e espe-
ciaes.
Cadeiras e sofa's para terracos e jardins.
Oleados de ricas pinturas para mesas.
Vinho de Champagne.
Licores de dillerentes qualidades.
Presuntos.
Genebra em irasqueiras.
Instrumentos para msica.
ANTIGO DEPOSITO DE ALGODAO DA
FABRICA DE TODOS OS SANTOS DA
BAHA.
Contina a estar a' venda, superior
panno de algodao desta fabrica, proprio
para saceos e roupa de escravos: no es-
criptorio de Novaes &C, rua do Trapiche
n. 34, primeiro andar.
CAMISAS FEITAS.
Vendem-se camisas francezas as mais bem feilas
e melhores model os que lem viudo a esla prora.
por preco commodo : na rua do Crespo n. 23.
Na taberna da rua do l.ivrameulo n. 38, vcb-
de-sc o afamado fomo de Garanhuus.
CEIEMO MIAO BRAMO.
Vende-se cemento romano braneo, chegado agora,
de superior qualidade, muilo superior ao do consu-
mo, cm barricas e as linas : alraz do theatro, arma-
zem de laboas de pinho.
Vende-se um cabriole! cora coberla e os com-
petentes arreios para um cavallo, todo quasi povo :
par* ver, no aterro da Boa-Visla, armazem do Sr.
Miguel Segeiro, e para Iratar uo Recife rua do Trapi-
che n. 11, primeiro andar.
VENDAS.
Cbegaram rpcentemente algumas sac-
cas do bom l'arello, que estao expostas a
venda nos armazens defronte da cscadi-
nha, ou na travessa da Madre de Dos,
armazem de Novaes & C.
Lindos cortes de lanzinha para vestido de
senhora, com 15 covados cada corte, a
4J500.
Na rua do Crespo, loja da esquina que volta para
a Cadeia.
SALSAPARRILHA
Chegada ltimamente do Para' de qua-
lidade regular, vende-se a preco commo-
do : na rua do Trapiche n. segundo
andar.
Vende-se um diccionario Tompsom, Hi e tambem urna geographia de Gaollier, e as 4 esta-
roes em porluguez, ludo era bom estado : no aterro
da Boa-Visla n. 2, primeiro andar.
Vende-se um curso de geomelria por l.acroix :
no aterro da Boa-Visla, loja de ourives n. 68.
Vende-se um escravo de bonila figura : na loja
I da rua do Queimado n. 39, de Moracs.
9 Deposito de vinho de cham-
pagne Chateau-Ay, primeira qua-
lidade, de propriedade do condi
I de Mareuil, rua da Cruz do Re-
cife n. 20: este vinho, o melhor
W de toda a champagne vende-
| se a 56$000 rs. cada caixa, acha-
" se nicamente em casa de L. Le-
f comte Feron & Companhia. N. B.
9 As caixas sao marcadas a fogo
<) Conde de Maro til e os rtulos
& das garrafas sao azues.
POTASSA BRASILEIRA.
Vende-se superior potassa, fa-
bricada no Rio de Janeiro, che-
gada recentemente, recommen-
da-se aos senhores de engenho os
seus bons eil'eitos ja' experimen-
tados : na rua da Cruz n. 20, ar-
mazem de L. Leconte Feron &
Companhia.
AOS SENHORES DE ENGENHO*.
Cobertores escuros muito grandes e encorpados,
dilos brancos com pello, muilo grandes, imitando os
de lila, a 1!>400 : na rua do Crespo, loja da esquina
que M>Ha para a cadeia.
Pannos inos e casemiras.
Na rua do Crespo loja di esquina que volta para
a Cadeia, vende-se panno prelo 29100, 29800, 39,
39300. 49300, &S500, 69OO rs. o covado.dilo azul, a
29. 29800, 4-9. 69. "9, o covado ; dilo verde, 29800,
39500, 49. 59 rs. o covado ; dilo edr de pinhao a
49300 o covado ; cortes de casemira preta franceza e
elstica, i 79300 e 88300 rs. ; dilos com pequeo
defcilo. 69300 ; dilos inglezenfesiado a 5000 ; ditos
de cora 49, 39300 69 rs.; merino prelo a 19, I9OO
o covado.
AceneUde Edwtn BSaw.
Na roa de Apollo n. 6, armazem de Me. Calmon-
& Companhia, acha-se constantemente bons aorti-
mentos de taixas de ferro eoado e batido, tanto ra-
sa como fundas, moendas ineliras todas de ferro pa-
ra animaes, agoa, etc., dilas para armar em madei-
ra de lodosos tamanhos e modelos osmais moder-
nos, machina horisontal para vapor com forca de
4 cavallos, cocos, passndeiras de ferro eslanhado
para casa de purgar, por menos pret;o que os de
cobre, csco-vens para navios, ferro da Suecia, fo-
Ihas de liendres ; ludo por barato prero.
Vende-se excelleute taboado de pinho, recen-
temente chegado da America : na ro de Apollo,
trapiche do Ferreira, a enlender-se com o adminis-
trador do mesmo.
Cassas rancezas a 320 o covado.
Na rna do Crespo, loja da esquina que vira para a
Cadeia, vendem-se cassas francezas de muito bom
goslo. a 320 o covado.
Na rua do Vig ario n. 19 primeiro andar, tem a
venda a superior flane la para forro de sellins che-
gada recenlemenle da America.
Potassa.
No antigo deposito da rua da Cadeia Velha, es-
criplorio n. 12, vende-se limito superior potassa da
Russia, americana e do Rio We Janeiro, a preros ba-
ratos que be para fechar conlas.
cpmiio da fabriea de Todui o Santo na Baha
Vende-se,em casa deN. O. Bieber &C, na rua
da Cruz n. 4, algodao trancado d'aquella fabrica,-
muilo proprio para saceos de assucar e roupa de es-
cravos, por preso commodo.
AGENCIA
Da Fundicao' Low-Moor. Rua da
Senzala nova n. 42.
Neste estabelecimento continua a ha-,
ver um completo sortimento de moen-
das e meias moendas para engenho, ma-
chinas de vapor, e taixas de ferro batido
e coado, de todos os tamauhos, para
dito.
Vinho do Rheno, de qualidades es-
peciaes, em caixas de urna duzia,charutos
de Ilavana verdadeiros : rua do Trapi-
che n. 3.
Na rua da Cadeia do Reciten. 60, vendem-se os
seguinles vinhos, os mais superiores que lera vindo a
esle mercado.
Porlo,
Bucellas,
\erez edr de ouro,
Dilo escuro,
Madeira,
em caixinhas de urna duzia de garrafas, e vista da
qualidade por preto muilo em conla.
DEPOSITO DE CAL DE LISBOA.
Na rua da Cadeia do Recife n. 50 lia para vender
barris com cal de Lisboa, recentemente chegada.
Vende-se urna balnra romana com iodos os
seos perlences, ero bom uso e de 2,000 libras : quem
a pretender, dirija-se rua da Cruz, armazem n.4.
PUBLICAQAO' RELIGIOSA.
Sahio luz o novo Mez de Mara, adoptado pelos
reverendsimos padres capuchinhos de N. S. da Pe-
nha desla cidade, augmentado com a novena da Se-
nhora da l-oiiccicao, e da noticia histrica i me-
dalha milagrosa, edeN. S. do Bom Conselho : ven-
de-se nicamente na livraria n. 6 e 8 da praea da
independencia, a I9OOO.
Completos sorti mentes de fazendas de bom
gosto, por precos commodos.
Na rua do Crespo loja da esquina qoe volta para a
Cadeia, vendem-se corles de vestidos de cambraia de
seda com barra e babados, i 89000 rs. ; dilos com
llores, 1 79, 99 e 109 rs. ; dilos de quadros de bom
goslo, i 119 ; corles de cambraia franreza muilo fi-
na, fixa. com barra, 9 varas por 49500 ; corles de
cassa de cor com Ires barras, de lindos padrees, i
3.32OO, pecas de cambraia para cortinado-, em s .
varas, por 39600, dilas de ramagem muito lina-, a
69 ; rambraia de -lpicos miudinhos.branca e de cor
muilo fina, 800 rs. avara ;aloalbado de linhoacol-
xoado, 900 a vara, dilo adamascado com 7.W pal-
mos de largara, i 29200c 39300a vara ; sanga ama-
reila liza da India muilo superior, 400 rs. o cova-
do ; corles de collete de toaUo alcoxoado e bons pa-
drees fixos, i 800 rs. ; lenros de cambraia de linho
360 ; dilos grandes finos, a 600 rs. ; luvas de seda
brancas, de cor c prelas muilo superiores, 1600 rs.
o par ; ditas lio da Escocia a 300 rs. o par.
Vende-se urna taberna na rua do Rosario da
Boa-Visla 11. 47, que vende muilo para a Ierra, os
seus fundos sito cercada 1:2009000 rs., vende-se
porm com menos se o comprador assim lhe couvier :
a Iratar junto illfandega, Iravessa da Madre de Dos
armaaera 11. 21.
Taixas para engenhos.
Na fundicao' de ferro de D. W.
Bowmann, na rua do Brum, passan-
do o chafariz continua haver um
completo sortimento de taixas de ferio
fundido e batido de 3 a 8 palmos de
bocea, as quaes acham-se a venda, por
preco commodo e com promptidao' :
embarcam-se ou carregam-se em carro
sem despeza ao comprador.
Na rua do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas mu-
cicas para piano, violao e flauta, como
tejam, quadrilhas, valsas, redowas, scho-
tickes, modinhas tudo modernissimo ,
chegado do Rio de Janeiro.
Vende-se a verdadeira potassa da
Russia, e cal virgem, vinda no brigue
portuguez Tarujo III, chegado no dia
5 do corrente: na pratja do Corpo Santo
n. 11.
FARINHA DE MANDIOCA.
Vende-se a bordo alo brigue Concticao, entrado
de Sania Calharina, e Tundeado na volla do Forte do
Mallos, a mais nova farinha que existe hoje no uler-
eado, e para porces a Iralar no escriplorio de Ma-
noel Alves Guerra Jnior, na rua do Trapiche
n. 14. K
AOS SENHORES DE ENGENHO.
O arcano da invencao' do Dr. Eduar-
do Stolle em Berlin, empregado as co-
lonias inglezas e hoUandezas, com gran-
de vantagem para o melhoramento do
assucar, acha-e a venda, em latas de 10
libra, junto com o methodo de empre-
ga-Io no idioma portuguez, em casa de
X. O. Bieber & Companhia, na ruada
Cruz. n. 4.
Vende-se urna res mobilia de jaca
randa', com consolo e mesa de tampo de
marmore brant o, a dinheiro ou a prazo,
confrmese ajustar : a tratar na rua do
Collegion. 25, taberna.
Na livraria da rua do Coilegio n. 8,
vende-se urna escollada colleccao das mais
brilhantes pecas de msica para piano,
as quaes sao as melhores que se podem a-
cltar para fazer um rico presente.
Vendem se queijos de qualha muilo frescos,
por preco que faz admirar: na roa larga do Rosario,
loja o. 44.
Superior gomma de mandioca.
Vinda ltimamente do Araraty, vende-se por pre-
ro commodo, em saccas de 4 arrobas e lanas libras :
na rua da Cruz do lle.ife n. 34 primeiro andar.
Vende-se urna prela de nai;ao Angola, de Ida-
de 25 a 30 anuos, pouco mais ou menos, de bonita
ligura ; na rna do Fagandes, sobrado n. 29.
Em casa de J. Keller&C, na rua
da Cruzn. 55, ha para vender 5 excel-
lentes pianos vindos ltimamente de Ham-
burgo.
RUA DO TRAPICHE N. UL
I Em casa de Patn Nash & C, ha pa-
ja ra vender:
j Sortimento variado de ferragens.
^ Amarras de ferro de 3 quarto at 1
polegada.
Champagne da melhor qualidade
em garrafas e meias ditas.
Um piano inglez dos melhores.
Devoto Chiistao.
Sahio a loz a 2.' edicto do livrinho denominado
Devoto Christao.mais correctoe arresceutado: vende-
se nicamente na livraria n. 6 e 8 da prara da In-
dependencia a 640 rs. cada exemplar.
Redes acolchoadas,
brancas e de cores de um s panno, mallo grandes e
de bom goslo : vendem-se na rua do Crespo, loja da
esquina que volla para i cadeia.
ESCRAVOS FGIDOS.
Desappareceu do engenho Paulisla no dia 26,
do rorrete, um escravo erioulo, por nome Marti-
niano, de idade 22 anuo--, sem barba, olhos alguma
cuu palha ainda novo, camisa de algodao asnl j velha,
oulra dila de madapolao nova, um guarda-peiiu de
couro, um chapeo de sol ja velho, e urna rede; sup-
po-se ter ido para Pedras de Fogo : quem o prender
e levar ao dito engenho, ser generosamente grati-
ficado. ., .
Do engenho Taboquinba, desappareceu de seu
senhar Manoel Severiuo Pereira de Qoeirs, na noi-
le derl9 para 20 do correle, o escravo erioulo, de
nome Severiuo, o qual tem os signaes seguinles :
idade 32 annos, pouco mais ou menos, estatura re-
gular, cheio do corpo, nariz grosso e achatado, poo-
ca barba, rdr algoma cousa fula, pernas ebeias, ps
crossos e largos ; levou camisa, caira e ceroula, e
lalvez jaquela ; roga-se as autoridades policiaes, ca-
pilaes de campo, ou a qualquer pe dain e levem-no rua larga do Rosario n. 50, qne
ser gratificado.
No dia 8 de oatnbro do corrente auno, desap-
pareceu do engenho Agoa Fria, da freguezia de S.
I.niireneo da Malla, ttn escravo de nome Severino,
com o* signaes seguinles : datura regular, fallara-
Ihe ura ou dous denles da frente no lado superior,
pescoro enterrado, ama costura no osso do naris,
urna cicatriz no colovello do braco dirello procedida
de goma, levon ve Ierra e chapeo de palha novo : qualquer petsoa em-
pregada na polica, ou particular que o prender le-
ve-o no dilo engenhn, ou nesla prara na rffa da
Guia n. 64 segando andar, que ser generosamente
recompensado ; o refarido escravo foi comprado a
Jos Manoel Alves Farreira, morador as Capoeira,
da freguezia do Pao d'Alho.
Desappareceu do abaixo assignado uo dia 22
do corrente, um rabrinha por nome Joao, o qual
representa ter 15 a 16 annos de idade ; levou camisa
de melim prelo, calca de algodaoziuho de lislra
azul ; tem um falla em ama orelha : quem o pegar
leve-o a rua Direila n. 120, que ser recompen-
sado. JaSo Pinto dt Verat.
1005000 de gralificacSo.
Desappareceu no dia 8 de elembro de 18."i o es-
cravo erioulo, amulatado, de nome Antonio, que re-
prsenla ler 30 a 3j annos, pouco mais ou menos,
iia-n lo em Cariri Novo, donde veio ha lempos, he
muilo ladino, cosanla Irocar o nome e inlitular-se
forro ; foi preso eni fin do anno de 1851 pelo Sr.
delegado de polica do termo de Seriuhaem, com o
nome de Pedro Sereno, como desertor, e sendo re-
metlido para a cadeia desta cidade a uniera do Illm.
Sr. desembargador chele de polica com oflicio de2de
Janeiro de 1852 se verificou ser ecravo, c o seu leg-
timo senhar fui Antonio Jos de Sant'Anna, morador
no engenho Caite, da comarca de Santo Anlo, do
poder de quem desappareceu, e sendo oulra vez cap-
turado e rerolbidn a cadeia desla cidade em 9 de
agosto, foi_ ahi embargado por cxi-curu de Jos Dias
da Silva GuimarSes, e ltimamente arrematado em
prara publica do juizo da segunda vara desla cidade
no da 30 do mesmo mez pelo abaixo aoignado. Os
signaes sao os seguinles: idade de 30 a 35 annos, es-
tatura e corpo regular, cabellos pretos e carapinha-
do, cor amulatada, olhos escuros. nariz grande e
grosso, beico< grossos, o semblante fechado, bem bar-
bado, com lodos o denles ua frente : roga se, por-
lanlo, as autoridades poliraei, capilaes de campo e
pesoas particulares, o favor de u'apprehenderem e
mandarem nesla pr*c,a do Recife, na rua larga do
Rosario n. 14. que recbenlo a gratificado cima de
1009000 ; assim como protesto contra quem o lver
era seu poder occullo.Manat de Almeida Lopes.
PERN. : TVP. DE M. ". DE FAR1A. 1854.

1
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II FGIVFI
Mi mi Anr.


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