Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01227


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Full Text
/
ANNO XXX. N. 274.
Por 3 mezes adiantadot 4,000
Por 3 mezes vencidos 4,500.
QUARTA FEIRA 29 DE NOVEMBRO DE 1854.

Por anno adiantado 15,000.
Porte franco para o subscripto!.
M
DIARIO DE PERNAMBUGO
E\CARREGADOS DA SUBSCRIPCA'O-
Bacife, o proprieta rio H. F. de Faria; Rio de Ja-
neiro, oSr. Joo Pereira Marlins; Baha, o Sr. F.
Duprad; Maeei, o Sr. Joaquim Bernardo de Men-
donca ; Parahiba, o Sr. Gervazio Vicior da N.ivi-
dade ; Nalal, oSr. Joaquim Ignacio Pereira; Araca-
ly, o Sr. AnloniodeLemosBraga;Ceav, oSr. Vic-
toriano Augusto Borges; Maranhao, oSr. Joaquim
M. Bodrigues ; Para, o Sr. Justino Jos Ramos.
CAMBIOS.
Sobro Londres, 27 1/2 a 27 3/4 d. por lSX)00.
Pars, 350 rs. por 1 f.
Lisboa, 105 por 100.
Bio de Janeiro, 1 1/2 por 0/0 de rebate.
Acces do banco 40 0/0 de premio.
da companlua de Beberibe ao par.
da companhia de seguros ao par.
I.)si-onlu de lettras de'8 a 10 por 0/0.
METAES.
Ouro.Oncas huspanliolas- 299000
Modas de 69400 volhas. 169000
de 69400 novas. 169000
de4000.' 99000
Prala.Patacoes brasileiros. 19940
Pesos columnarios, 19940
mexicanos..... 19860
PARTIDA DOS CORRE10S.
Olinda, todos os dia.
Caruar, Bonito c Garanhuns nos das 1 e 15.
Villa-Bella, Boa-Vista, ExeOuricuiy, a 13 e 28.
Goianna e Parahiba, segundas e sexias-feiras.
Victoria e Natal, as quintas-feiras.
PRKAMAil DE ll( 1.11..
Primeira s 11 horas e 42 minutos da manhia.
Segunda s 12 horas e 6 minutos da tarde.
\i 11! t:\ci.\s.
Tribunal do Commercio, segundas e quinlas-feiras.
Rclarao, teic,as-feiras e sabbados.
Fazenda, tercas o sextas-feiras s 10 horas.
Juizo de orphaos, segundas e quintas s 10 horas.
1* vara do civel, segundas c sextas ao meio dia.
2* vara do civel, quarlas e sabbados ao meio dia.
EPIIKMF.R1DES.
Novbr. 4 La cheia s 6 horas, 43 minutos e
48 segundos da tarde. .
12 Quarlo minguante s 7 horas, 40
imputse 48 segundos da tarde.
* 20 La nova as 7 horas, 43 minutos e
68 segundos da manhaa.
37 Quarlo crescente aos 21 minutos e
48 segundos da manba.
DAS da semana.
27 Segunda. S. Margarida de Saboia y.
28 Terca. S. Jacob da Marca f. ; S. Sosthines.
29 Quarta. S. Saturnino, m. ; S. Cizino diac.
30 Quinta. S Andr ap. ; S. Euprepelio m*
1 Sexta. S. Nahum propheta; S. Eloy b:
2 Sabbado. S. Balbina v m.; S. Ponriano:
3 Domingo. 1* do Advento, S. Francoo Xa-
vier sp. das Indias: S. Sofonias propheta.
PARTE OFFICIAL.
GOVERNO DA PROVINCIA.
Expediente do dia 15 de novembro.
OtlicioAo commandante das armas, transmillin
a, por copia, o aviso circular de 31 de outabro ul-
timo, no qu.il o Exm. Sr. ministro da gueira nao s
declara que perlencem patente e ni o ao exercicio
as gratificacoes, que na forma do artigo 3 do aviso
circular de 30 de Janeiro deste inno, se devem-aho-
nar aos cirurgies do corpo de saude do eiercilo,
tas tambero que um 2 cirorgio qoe servir em
corpo onde nao hoover Io cirurgiao e conjunclaroen-
te no hospital ou enfermara do mesmo corpo s
tem direito gratificacSo de 8 e no de 25.Igual
copia foi remettida a Ihesoararia de fazenda.
DitoAo mesara, inteiratioto-o de haver em vista
de sua informacao,concedido dousmezes de licenca,
para tratar de sua saude, to soldado Jos Germano
da Monra.
DiloAo inspector da Utesouraria de fazenda, de-
vulveudo os papis que vieram annexos aos seos olli-
cios ns. 638 e 639 relativos as despezas feitas pelos
alferes do 2. batalhao de infamara, Jos Mara do
Nasrimento Jos Joaquim Capistrano, osle no des-
tacamento de Pajea de Flores e aquelle no de Gara-
ntios, e autorisando-o a mandar satisfazer laes des-
pezas. Communicou-te ao coronel commaudante
das armas.
DitoAo mesmo, transmittindo, para os conve-
nientes eiamei, copiada acia do conselho adminis-
trativo para foroecimento do arsenal de guerra, da-
tada de 17 do crranle.
DiloAo mesmo, eommunicando, para que o faca
conilar ao inspector da alfandega e ao administra-
dor da mesa do consulado, que Gustavo H. Praeger
particpou haver reassumido o eiercicio de cnsul
da Prussia e do G-rSo-dacado de Oldemburgo nesla
provincia.Fizeram-se as outras communcaces.
DitoAo mesmo, enviando, por copia, o aviso de
26 de outubro ultimo, em que o Eim. Sr. ministro
da juslira communicou haver solicitado da reparti-
r o da fazenda a eipedicao das convenientes ondeos
para que saja posta i disposico da presidencia na-
quella Ihesoararia, a quanlia de 5:200 pira paga-
mento dos vencimentos dos empregados do tribunal
do commercio no presente anoo linanceiro.
DitoAo mesmo, autorisando-o a mandar pagar,
sob a responsabilidade da presidencia, as despezas
feitas com o fornecimento de luz aos destacamentos
de primeira lioha. visto nao haver quola para pa-
gamento de laes despezas.
DiloAo commandante da eslaoo naval, decla-
rando haver o inspector do arsenal de marinba par-
ticipado que se acham concluidos os reparos de que
uecessitava o brgue de guerra Ceareme.
DiloAo chefe de polica, inteirando-o rje haver
Irausmiltido ao inspector da Ihesourara provincial
as conlas que Smc. remelleu das despezas feilas nos
me/.es de julho a outubro deste auno com o nsten-
lo dos presos pobres da cadeia do Limoeiro, afim de
quo estando ellas usa termos legaes seja paga a sua
importancia.
DiloAo Ihesoreiro das loteras desla provin-
cia. Inteirado do que por seu officio de honlem,
agora recebido, commanica-me Vmc. a respeito do
motivo que o impedio de fazer correr a 3.* parle
da 5.a lotera a favor da matriz da Boa-Vista no dia
de honlem, para isso designado e annuuciado, re-
commeudo-lhe que d prompla execuco ao que de-
termina o art. 7 do regulamento de 27 de abril
desla auno.Igual recoromendaco se fez ao ins-
pector da Ihesourara provincial.
PortaraConcedendo, de coaformidade com o
que eipoz o chefe de polica, a desoneracSo que pe-
dio Nereo de Sa e Albuquerque do cargo de sub-
delegado da freguezia de Muribeca, e nomeando pa-
ra o referido cargo, ao hachare! Francisco do Reg
Barros de Lacerda.Communicou-se ao menciona-
do chefe de polica.
Na comarca da Boa-Vista, segundo consta da par-
ticipado do commandante do respectivo destaca-
mento volante, foram capturados :
Poncianode tal, criminoso de morte ; Manoel Cy-
priano, indiciado no mesmo crime ; Luiz Gonzaga,
por alcunha Bucho ; Pedro Bezerra, valgo, Ligeiro;
I.suriano Jos da Croa, por crimes de morte e rou-
bo e Francisco Machado por crime de morle.
Pelo commandante do destacamento volante de
Goianna, crpiUo Francisco Antonio de Souza Ca-
misao, foram presos e acham-se recolhidos cadeia
daquella cidade, Manoel Mauricio,criminoso da fre-
guezia dos Afogados, e que fazia parle dos desordei-
ros de Goianninha, oude fra preso, e roais quatro
individuos suspeitos de crimes.
COMBANDO DAS ARMAS.
Qnartel do tomando daa armas de Faraaao-
baco, aa cidade do Beetle, eaa 28 da novero -
bro de 1854.
ORDEM DO DIA N. 178.
O coronel commandante das armas interino d
publlcidade ao aviso circular do ministerio dos ne-
gocios da guerra de 31 de outubro ultimo, para que
tenhaa devida observancia na guarnico desla pro-
vincia.
Circular.Ministerio dos negocios da guerra em
31 de outubro de 1854.
Illui. e Eira. Sr.Para prevenir qualquer dnvi-
da que posea dar-se na nlelligencia do art. 3 do
aviso circular de 30 de Janeiro deste anno, de ordem
de S. M. o Imperador declaro a V. Esc. para que o
faca constar ao inspector da Ihesourara de fazenda
dessa provincia, que as gratificares que na forma
do dilo artigo se devem abonar aos cirorgies do
eorpo desaudedoezercito perlencem ,\ patente e nao
ao exercicio, e assim um -2." cirurgiao que servir em
corpo onde nAo houver 1. cirurgiao, e coujuncta-
mente no hospital ou enfermara desse corpo,s tem
direito a gralificaco de 85 e nao a de 259, que se
perceberia se fosse I. cirurgiao.
Dos guarde a V. Exc. Pedro de Alcntara bel-
lei/arde.Sr. presidente da provincia de Pcrnam-
buco.
Assignado.Manoel Muniz Tacares.
Conforme.Candido Leal Ferreira, ajudante de
ordena encarregado do detalhe.
IHTERIOR.
O AMAZONAS.
Aaalyse a memoria do tenante Maury da arma,
da dos Estadot-Undos, pelo caplta'o len-
te Amazonas, da armada Brasllalra.
Lendo no Correio Mercantil urna pera assaz cu-
riosa, que sua illuslre redaceno se presin a Iraduzir
e publicar sobre o paiz do Amazonas, escripia pelo
lenle Manry, da armada dos Eslados-Unidos da
America, nao nos hemos podido forrar ao impulso
de fazer algumas reflexes em sua anal \ se : empe-
nho, que cortamente qnanto a nos fra ocioso, por
quanto accordes somos lodos de que a indiflerenca
fra a mais digna resposta : mas, nao assim qnanto
ao eslrangeiro, que porvenlura to ao fado, como o
Sr. Maury, de quanlo nos diz respeito, e podendo
por isso considerar-nos oulros Tjanos, enlenda ha-
ver brilhado o illuslre mariuheiro Yankce a cnsla
de um po\o, em lal estado "de ignorancia de sua
posicSo a merecer, como o de Tejas, ser alero de ca-
lumniado, insultado, invadido, e conquistado. Nun-
ca a desconfianza, ou anles a convicio de nossa In-
capacidade leria lano subido de ponto, como com
a difficuldade, que nos assisliria de alcaocar o me-
tilo lo, ordem ou regras, porque foi determinada a-
quella obra, se tambem urna vez navegantes no A-
mazonas, e por isso impressionados, como qualquer
oulro, da immensidade da nalureza naquella bera-
avenlurada regiao, nao eslivessemos habilitados a re-
conheccr na irregularidade, que a noesos fracos
olhos ella aprsenla na disposico das margeos da-
quelle rio, aquella de que possuido Sr. Maury, foi
'rresislivelmenle arraslado a tomar por norma. A
exemplo da allracco dos corpos na proporco de
sua grandeza, se v bem que na concorrencia d'arte
com a nalureza devera irremissivelmenle prevalecer
esla : e por ella dictado, forja foi a aquelle aciedita-
do escriplor seguir essa irregularidade, que repug-
nante, essas repelices, que fastidiosas se lornariam
segundo os preceilos d'arle ; mas que conformc.com
a nalureza tem lano de apreciareis, quanto ella an-
da de incomprehensivcl a lanos respelos. Com ef-
feilo : se ao liomem liouvera sido dado determinar
a disposico do grande-rio, nao lia que em vez de o
fazer manar do insignificante lago de Yauricocha, o
leria feito jorrar, j impeluoso das mais medonhas
anfractuosidades das elevadas serrasdns Andes; ba-
nbar marceos, que prineiando por Iremedaes, cober-
tos de impeoelravel cerrado, passassem a eilensos
areaes, destes a escarbosas barreiras em continuo d
moronameuto, dolas a essas ilhas, como as margens
do Nilo, immersas durante a enchenle, e asombro-
samente productivas na vasante, e outras, que por
sua elevarlo entreten) a mais perenne e vigorosa ve-
getarlo, e entre ellas essas plausiveis e alegres coli-
nas to sabia, como providencialmente designadas
para habilaco do homem ; e dellas ltimamente a
pedragosos promontorios,que no encontr do gigante
dos ros com o Ocano servissem como de protec-
tor antemural as suas margens na horrenda permis-
tiode to impelusas aguas (*). Tudo porem fez a
a nalureza pelo contrario. Em lugar daquelles pro-
montorios, collocou ilhas tilo baixas, que apenas exce-
dem urnas ao nivel do mar, e unirs, que em sua
enchenle complelamenle se alagam. Aquellas difle-
rentes quididades do terreno por tal forma dizpoz,
que urnas as outras se succedem e repetem al encon-
trar as abas do paiz elevado, a causar enfado qoem
nao assisla o preciso acalamenlo pela sabia conve-
niencia, que leve em vista a nalureza.
Foi, pois, e iiiui cerlamenle de semelhanle dispo-
sico irnpressiooado, ou antes por ella dictado, que
procedeu Sr. Maury, do que, longe de lhe eslraohar-
mos o que alias parecera defeilo, em se apartar das
aperladas e seduiidas formulas qoe prescrevea arle,
o felicitarnos por to bem haver seguido as que lhe
dictou a propria nalureza.
E com effeilo, Sr. Maury foi sublime lodo absor-
vido, eilasiado apreciarlo de lauto apparato, de
lana magnificencia, de lano encanto, que condu-
zem de prodigio em prodigio, e arrebatam de sorpre-
za cm sorpreza. Sr. Maury foi sublime, desprendi-
do de quanto egoislico e miseravel faz as appre'ien-
ses, as cundieses das sociedades, lastimando que um
lal paraso nao esleja ao alcance e gozo de lodos os
homens : uo que de bom coracao o acompinharia-
mos, se acuso naluraes do paiz, delle ao fado, e por
isso mais habilitados para aprecia-lo independenle
da noticia e estimulo de eslrangeiro, nao turamos
nos mesmos os primeiros lauto lastimar, e mais
aiuda a enorme intriga, quedelle afugenla aemigra-
l
i
t
r
FOLHETIM.
OIMIOIIIIIIEVEK '
Por A. le Beruard.
CAPITULO NONO.
Je senti/ tout mon corpe el trawir et bruler. i>
(Racine, Phedra.)
Continuarn.
Desde que Mr. de Saulieu lhe fallara de sua gran-
de obra, Mr. Rigaud fizera numerosos esl'orrns para
penetrar ns projeclos do amigo ; mas esle Ih'os occul-
tava cuidadosamente. Mr. Rigaud julgava que a
grande obra havia de ser alguma empreza mais lou-
cu do que as precedentes, alguma loucura maior que
as oulras; porem nao linha podido adevinhar anda
qunl seria seu objecto.
Ilem sabia elle que Mr. de Saolieu ausenlava-se
mais vezas que do costume, qoe vollava larde, es-
crevia muito e at passava s vezes noites fr de ca-
sa sem que ninguem poriesse dizer para onde fdra.
Dehalde havia aproveilado o lempo da viagem dos
habilanles de Oslreval a Dieppe para enlregar-se a
pesqoizas mais minuciosas, para interrogar discreta-
mente os criados que ficaram no castello, para nler-
pellar o proprio senhor Martinho; nadalraospirra
senao rumores vagos, e depois de dous mezes de in-
fructferas tentativas elle achava-se anda redozido a
conjecluras. Sabia sement que fallava-se mais que
nunca de appnrice* em Oslreval, e que muilas ve-
zes de noile os criados tinhim ouvido a Ierra estron-
dar-lhes debaiio dos ps. Mr. Rigaud, que nao cria
na volta da almas, mas por urna razio difireme da
do senhor Martinho, linha dilo comsigo cocando a
orelha:
Ahi ha alsnma cousa encoberla.
Esla reflezao feita em alia voz Tira achada mu
natural pelos que a ouviram.
Mr. Rigaud segua, pois, nesse momento pista de
V
() Video Wanon. 273.
() Em tudo islo imporlam as diOerenles qualida-
des ee terreno de que se corape as margens do rio
Amazonas.
um mystcrio bem como Gastao; mas nao lendo nen-
hum at entilo communicado suas descoberlas e suas
impresses, eslavam ambos reduzidos s conjecluras
pessuaes.
Vimos que Gasiao nao se havia dado por vencido
quaudo Mr. de Saulieu lhe .recusara a entrada dos
subterrneos; Mr. Rigand lao pouco psreria dispos-
lo a abandonara carada comei-ada. Deinais qualquer
3ue fosse o recalo de sua primeira entrevista, elles
eviam por fim comprehenderem-se e reunirem seus
esforjos. Mas nao nos anlecipemos sobre os aconte-
cimenlos, e vollemos aos nossos personagens no ves-
tbulo em que os deixmos, Mr. de Saulieu em fren-
te de Mr. Rigaud ao qual acabava de apresenlar Mr,
deChavilh.
EnlSo, senhor, disse Mr. Rigaud dirigindo-se
lamiliarmenle ao mancebo, como acha o nosso paiz ?
Mu bello cerlamenle, respoodeu Gastao com
frieza.
E esle castello! que diz desle castello-!
Mr. de Saulieu franzio as sobrancelhas.
Ah aposto que o -senhor nunca vio habilaco
semelhante, conlinuou Mr. Rigaud. Fossos, ponles
levadiras, argeias, masmorras de alea pao. Vio as
masmorras de alc.qio'.'
Nao, senhor.
Como, meu amigo, disse Mr. Rigand cruzando
os bracos, c em Inm cmico de reprehendo, nao
moslrou ao seu hospede as masmorras de alcapii*de
Oslreval?
O senhor bem sabe que nao as ha aqui, disse
Mr. de Saulieu com um gesto de impaciencia.
Que! no ha masmorras de alcapao em Oslre-
val 1 O senhor me tem dito muilas vezes que havia.
He verdade que nunca m'as quiz mostrar; mas cri
em sua palavra. Oh oh quer hoje fazer dellas um
segredo. Tudo he segredo e rmslerio aqui, acres-
cenlou o alegre personagem voliando-se a Gasiao.
Oh j Uve o prazer de observa-lo, disse esle
sorrindo.
Disso eslava eu cerlo, he impossivel passar urna
noile tiestas ruinas sem ser testemnnha de cousas
phanlaslicas. Aposto que o senhor vio algum phan-
tasma branco? Dizem que esle castello he povoado
delle.
Branco nao.
O'm phanUsma preto enlao! He mullo mais
lerrivel. Acaso enconlrou o papao? Cuidado, dizem
cao, quando em vulto fabuloso afflue paizes me-
uos favorecidos.
Tao sublime foi Sr. Maury em quanto assim im-
pressionado da immensidade da nalureza em nosso
paiz, quanlo orna vez della descido, e concentrado
em sua nacionalidade, e conseguintemenle possuidu
de seus prejuizos, se lornou horroroso, a bem deixar
ver e pasmar do quanto difiere o homem com rea-
cao nalureza do homem em relacao nacionalida-
de Nunca loda admiraro em nosso humilde con-
ccilo fra sullicienle para o primeiro, como a lasti-
ma para o segundo.
O quo porem para Sr. Maury foi urna proporeflo
escrever lao felizmente dictado torna-se para
nos nma diQicjddade pelo ardeio, que importa coor-
denar lodas as especies de sua obra, que devam ser
aproveitadas para sua analyse. E lodavia proseguire-
mos, na inlencao de convencer homens, que a todo o
transe, com atropello de lodas as considerardes at
hoje aceitas pelas r.arnes civilisadas de suas decipro-
cas relaces, se ho determinado a um passo de lao
incansovel alcance : mas em desempenho de om de-
ver, que como Brasileiros entendemos incumbir-nos.
Nao temos a faluidade de pretender havermos feito
de semelhanles especies um apanhamenlo tao com-
pleto q' nada possa restar, que i m por le .a inda trans-
cendente objecto para urna analyse : mas esperamos
que i visla do que pode collier a nossa incapacidade
mereceremos alguma deferencia porquanlo nos lenha
podido escapar (entre o que declaramos dever-
e compreheuder o que ioduza referencias pessoaes
abaixo de nossa mutua dignidade e das attenc.oes,
que nos dotemos De semelhante apanhamenlo
pois formulamos a que nos parecen ter sido a these
do Sr. Maury ponderando a grandeza, salubridade e
ferlilidade-do paiz, eslranhando que o Brasil por
una poltica japn era o lenha fechado ao ngresso
do eslrangeiro, resultando por isso apresenlar elle ha
mais de trezenlos annos, que o Brasil o possue, o
mesmo aspecto que na poca de seu descobrimento,
de qoe pretende o caso de nao uso para suppor o de
claudicar o direito de posse ; increpando anda ao
Brasil seu comportameoto para com as nac,es rbei-
rnhas, em impedir-lhes a navegacao no grande rio ;
e invocando um direito, cujos principios chama
eternos concita seus concidadaos a foicarem a en-
trada do Amazonas, secundados por ditas nar-Oes :
empreza, que alm do fundamento daquelle direito,
e daquellas premissas pretende aulorisar com o tra-
tado entre os Estados-Unidos e o Per, no qual reci-
procamente se l'ranq'iiearam a navegacao em suas
aguas flaviaes do Brasil pelo facto de haver esle per-
millido por tratado este reciproco favor ao Per.
NIo sabemos se fomos bem Telizes na formula que
damos as diflerentes especies da obra do Sr. Maury:
consideramos quanlo possa ter escapado apenas cm
reforjo de quanto fra aproveilado, do que todava
nao prescindiremos no decurso desta analyse.
Emprega Sr. Maury as descrpc,5o do paiz um
CQcarecimenlo lal, que o leva a desconfiar de hy-
perbole, em cautela a qual nao se pode forrar de
dizer, que pelo eontrasle de um pata lao favorecido,
como se diz, com o seu tao mesquinho entende pre-
ciso algum descont.
Tal encarecimento comprehende a salubridade,
ferlilidade e proporres para um engrandecimenlo
fabuloso : conceilo que o leva a emillir, que a fran-
queza de um lal paiz ao eslrangeiro pela navegacao
do Amazonas importar ao mundo urna sorpreza,
superior a de que elle se possuio pela communica;ao
do Oriente com o Occidente, eOectuada pelo immor-
tal Vasco da Gama.
Crendo havermos assim sufilcienlemenle summa-
riado as mais importantes especies de descripeo do
Sr. Maury, sentimos, com referencia a certas loca-
lidades, nao poder lisongea-lo em sua opiniao sobre
a ferlilidade e salubridade, que pretende existir em
todo o valle do Amazonas. Por exemplo. na parle
elevada e peJragosa, como aquella, em que nos ma-
ravillamos de que o Sr. Herdon deparasse musgo
com folhas para laucar urna no Lauriccha em mis-
sao de levar ao Sr. Maury suas saudades, nao existe
a menor vegetarlo ; falla que se depara as margens
da parle superior do Ualhga, e de todos de sua
proximidade, ou anles que se resentem daquella
qualiJade de terreno, resollante de sua proximda-
e das serras : circumslancia, que igualmente se d
em Yapura.
Na parle superior do Rio Branco nao produz o ter-
reno outra cousa mais do que pasto para gado. A
sement do grao, ou qualquer oulra promplamente
se perdera, arraslada ao rio pela enxurrada das
aguas em sua descula das serras, que impedem toda
a cultura : e com algum conhecimento da cerogra-
phia do paiz se saber-, que o estado costeia por sua
conla urna fazenda quem das cachoeras (Sania Ma-
ra) someole para cultura de alimentos para o pes-
soal dafronleira e fazendas de gado na parle supe-
perior do Rio B rauco. As margens dos ros Madeira,
Japur, Negro e Branco aquem das cachoeras nao
sao oulra cousa, senao lagos, cojs aguas na vasan-
te ficam eslagnada- ; o mesmo he lodo o territorio
comprehendido entre o Madeira e Purn, conhecido
porAutases(lagos) e aquelle comprehendido en-
Ire os Jupura e Negra, cuja salubridade deu lugar
ao sabio Sampaio d;zer em seu diario, que jamis
seria habitado pelos Europeos, uo que divergimos,
urna vez que para fuudaro das povoacoes baja a-
certada escolha com [attenco s precisas condiees.
A insalubridade naturalmente resultante de seme-
lhanle disposico e qualidade de terreno, que mui-
las vezes ha sido pouco ponderada para as funda-
roes de estahelecimenlos, explica o espantoso nume-
ro de mudanras, que estes ho feito, e a exliuccSo
de muilas. Sanio Antonio fundada as abas da pri-
meira cachrftira doMadeira, depois de Iresmudanras,
he hoje a freguezia de > rarelima. Cralo fundada na
foz do Jamari, depois de urna mudanza foi entregue
as chammas pelas reliquias de nm destacamento, res-
tante de toda sua populacao ceifada pela epidemia,
que explica tambem a exlinerao de Macupre e S.
Joo do Principe, e a reduefo de S. Malhias no
Rio Japur. A' Marina (anliga Barcellos, capital do
Rio Negro) reslam apenas algumas casas para adver-
tir o viajante da altura de soa navegacao no Rio
Negro, tjuasi oulro lauto acoalece a Cumaru', Ca-
boquena, l.amalonga, S. Isabel e mais algumas po-
voacOea cima de Marani, tndo no Rio Negro.
Todo o lado esquerdo do Amazonas em seu encon-
tr com o Ocano he lerrivelmenle epidmico
importar um equicleo s guarnieres de Macap e
dos navios de guerra, que guardan) a mageslosa en-
trada do mar doce.
Nao importa isto urna biixa para o hospital a to-
do o bello paiz do Amazonas : apenas quanto suffi-
ciente para seu esludo, e tm refutacao da errnea
asserr;3o do Sr. Maury ; porque ludo pouco he em
comparaco da grandeza d paiz, exemplo daqnel-
les inconvenientes; e por isso toda proporces para
espantoso engrandecimenlo, a poder garantir o es-
criplor americano da hyperbole de que se teme,
urna vez que nao pretenda tambem alm do que se-
ja de esperar de urna nalureza caprichosamente os-
tensiva em sua magnificencia.
Achamos na verdade curiosa e importante a ex-
plicaro hydrographca com reDcao meteorologa,
que aprsenla Sr. Maury para apreciaclo do paiz :
e com quanlo nao sejamos Cuudamiues, Buflons e
Humbolls para que o nosso conceilo possa ler a me-
nor importancia, nao nos forraremos com ludo ao
impulso de significar nossa s-ilisfaco por um (raba-
Iho de penna americana, de cuja honra como laes
nos perrnillimos desvanecer-nos, e pelo qual felill-
lamos seu illuslre autor.
que o papao he mui perigoso, e confesso que pela
minha parte me julgaria perdido, se me acontecesse
lal desgrana.
Felizmeulc nao lenho esses lmures, duvido
que o homem ou espectro que vi seja papao.
Sei oque foi, o senhor enconlrou a alma de
algum dos quatro cossacns, ou anles o genio do Ihe-
souro... Sabe, Saulieu, o thesouro!
Mr. de Saulieu ergueu desdetihosamenle os
hombros.
Nem cossaro nem genio, ao menos pelo que me
paneta, disse Caslo.
Oh Mr. de Chavlly leria entrado em commu-
nicarao com a fada M el usina .' Deve haver orna fa-
da Melusina em Oslreval, nao he assim, Saulieu *
O senhor gracejar sempre 1 respondeu o ar-
cheologo.
Oh meu amigo, mo gracejo ; mas ludo isso
nao he jocoso? Eis um mancebo chegado honlem a
Oslreval, pergun(a-se-lhe, se ocha agradavel a re-
sidencia desle castello, responde almas. Se inter-
rogamos a qnem pussa, a resposta que recebemos
he phanlasmas os habilanles da aldeia? fallan)
de espectros; os do castello T murmuram em voz bai-
xa rumores subterrneos A propria madama de
Saulieu confessa que tem medos horriveis. Einlim
que lhe direi ? Tudo isto nao he claro, ludo islo oc-
culta algum myslcrio, tudo islo nao he natural, e eu
aposlaria de boa vonlade, Saulieu, que pela razo
que fez nossos antepasados dizerem Nao lia Mima-
ra sem fogo b lambem nao ha rumores subterrneos,
espectros, phanlasmas, almas, fada Melusiua sem
urna causa real, que occulla-se porque...
Porque'! interrompeu Mr. de Saulieu.
Oh 1 cerlamenle porque nao se quer mostrar.
Creia tambem em todas essas lolices! disse
Mr. de Saulieu, o qual pareca bem pouco satsfeilo
do curso que lomava a conversaco. Depois de mi -
nha \olla m nura fallar de apparicoes, e creio que
lodos ficam loucos, e Mr. Rigaud priroeiraraenle.
Confesso minha fraqueza, lornou esle com fin-
gida ingenuidade, e porque o senhor he um espirito
forte I...
Eu um espirito forte 1
Sim, salvo se lem rea roes com seus phanlas-
mas, c esl mais ligado do que conven) com as al-
mas do oulro mundo.
O senhor graceja incesantemente.
Nunca sero demaii o apreco e a considerac,ao pe-
lo homem, que deao sublime objeclo lenha feilo o
esludo eemprego do seu lempo. Com quanlo Buf-
fon e SI. Perre a despeilo da pretencao de haver-
Ihes a nalureza franqueado as entranhas para.nel-
las fazerem os seus esludos, se ichem em contradic-
ho a alguns respeilos a suppr erro em algoem,
nem por isso sao elles menos dignos do honroso a-
preco e aJiniraco. a, que se fizeram direito : e as-
sim tambem no presente caso, e em quantos aiuda
por muito lempo lem de occorrer, quando b acerlo
nao seja o resultado definitivo do estudo, nao fura por
isso menos digno de recommendarao ao respeito,.
admracao e as heneaos mesmo dosdemais homens, o
homem que delle lenha feito na mais apurada apre-
hendo. I 'ce t endeudo pois o Ilustre escriplor ame-
ricano explicar a hydrographia do piz pela meteo-
rologa, islo he, al tribuir a emaoacn dos ros ,1'A-
merica meridional aos venios NE. e SE., que im-
pregnados de hmidos vapores em sua passagem
alravez do Allaniico, seprando na cosa perpendi-
cularmente contra os lados NO. e SO., a que e!le
'corre, formando um ngulo de que o cabo de S.
Roque he o vrtice, e alravessando o interior do
paiz se emhorcam as elevadas serras da cordilhei-
ra dos Andes ; dcixa por isso aperceber a necessida-
de de mais algum esludo a respeito, que vem a ser
qual a razo por que o lado menor desse ngulo
(comprehendido entre os cabos de S. Ruque e de
\ ela aprsenla em menor numero os maiores ros
do mundo, entretanto que o lado maior ( compre-
hendido entre os cabos de S. Roque e de Horne )
nao guarda a menor proporc.i com o oulro sobre o
volme de aguas que por elle descero a lancar-se
no Ocano ? Nao parece admissivel para explica-
cao desse phenomeno alegar-se a existencia de algu-
mas cadeias de serras, que desse lado (o maior J in-
terceptam o Ocano e os Andes, as quaes embo-
tando-se os venios produzem esses rios, que guar-
dan] proporco em sua grandeza com a distancia en-
tre o Ocano e as serras de que dimanam como,
(referindo-nos aos maiores) os Parahiba, Doce, Gi-
quitinhonha e S. Francisco, porque esla razao enlao
prejudicaria a grandeza do Amazonas e seus afllu-
enles, nisso, que apreseulando o lado menor serras
anda mais elevadas, que as do maior, quaes as da
Guianna c as que separam o Amazonas do Orenoco,
e por isso embotando-se nella os venios ; resultara
nao vir a ser o Amazonas o grande rio que he, nem
mesmo um grande rio, senao depois de receber as
aguas emanadas de ditas serras, as quaes ( agua* )
nao seriam em to grande volume, ltenla (como no
lado maior) saa pouca distancia' do Ocano : cir-
cumslancia que tanto mais cresceria de ponto atienta
ainda a insignificancia dos rios que da Guianna 6e
debrocam para o Amazonas da foz do Negro para
baixo, na exlensao de Irezentas legoas. E os Ualh-
ga, caya, Vanary, Yutahy, Vura, Purs, Madei-
ra, Tapajoz e Xing, que nelle entram pela margen
austral em loda sua extensao, lodos a atteslar-se
com os maiores do mondo, nada seriam por falta
de manancial resultante daquella iolercessao. E
demais, supposta a efflcacia de dita intercepcao, co-
mo explicar-se enlao a emancipacao de oulros rios
lao caudalosos, que se apresentsm ainda entre os
Andes e ditas serras qnem delles, e que formam o
rio da Prala ? E se se alegar que esses rios lem suas
nascenles prximas s dos confluentes do Amazo-
nas, cresce enlao de ponto o phenomeno da exigui-
dade de mananciaes do lado maior da America me-
ridional. Esle phenomeno he lano mais de ponde-
rar, quanto que, tomando-se o termo medio das lal-
(iludes dos extremos dos lados do ngulo da cosa
da America meridional, que corresponde a 22 S, e
comparanjlo-o com os parallelos das nascentes de to-
dos os rios recommendaveis, tanto alllucnles do
Amazonas, como do Piala, achar-se-ho todos ao
N. desse parallelo. A explicarlo hydrographica sm-
plesmenle pela meteorologa, como pretende Sr.
Maury, apresenla-se ainda urna difliculdade ponde-
rosa, qual a exislencia de um deserto improducti-
vo no serto, desde a Bahia al o extremo do Ma-
ranhao com o Piauhy, onde parece nao apro-
velaram os hmidos vapores arrastrados pelos ventos,
os quaes lomados fecundantes chuvas odevessem fer-
tilizar. Oulros ho pretendido explicar os mananciaes
de nossos grande*, e innmeros rio* pelo degelo dos
Andes: e esla explicarlo consideravelmenle admissi-
vel prejudicaria a do Sr. Maury, a nao lhe assislir
tambem o recurso de objeclar, que devendo-se ex-
plicar o degelo, como em toda a parle, pela aproxi-
marlo do sol, c'passando elle pelo paiz duas vezes
no anno, devera por isso haver duas encheules em
seus rios, entretanto que, como em loda a parle, nao
ha mais qoe urna, e com a attendivel circumslancia
de ser precisamente quando elle esla mais longe, fa-
zendo o seu soltiseio de Cncer. Nada de quanlo'Pi-
ca dilo (ende a menor pretencao a urna refutacao ;
apenas ligeira ponderarao, que entendemos digna de
tao nobre estudo. Cremos dever-se mais confiada-
mente esperar a maior aproximicao a urna satisfac-
toria explicarlo da hydrographia do nosso paiz,
quando longe de desquilar-se queira fazer compade-
cer a meteorologa com a orographia : por quanlo se
convira, que muito grande influencia deve nella ter
a disposico, que den a nalureza as serras, assim em
sua elevacao e contigoracao, como em sua siluacao
com relacao ao solo, urnas as oulras. Ora, se se
lomar para premissas a maior largura da America
meridional, daquelle parallelo, que citamos, para o
N, a proximidad das nascentes de todos os rios a
aquelle parallelo, e ainda delle paia o N. a maior
quaolidade de serras, com que se estendem os Andes
nessa parle do continente o degelo daquella cordi-
Iheira, e os vapores (razidos por aquelles venios, pa-
rece dever-se melhor preparado entrar no estudo da
hydrographia dessa importante parle do solo ameri-
cano. Nao passa isso lodavia de urna que pode ser tao
falivel, como ludo quanto al o prsenle se lem
aventurado, e em que nao obstante a pretencao, nao
se pode admttir, que se lenha conseguido victorio-
samente.
com risco de prejudicar seo conceito, emitlir nexac-1 de tratar da indemnitarao do terreno da mestna,
lidoes que por si mesmas se denunciam. I destinado para serventa publica, na praca do caplnt.
He possivel, que determinado Sr. Maury a incre-1 pedir o respectivos ttulos de posse, e que o met-
Na parte geographica somos levados a. lastimar a
alterarlo que ao esludo da hydrographia fez o ca-
pricho do escriplor americano, embora com referen-
cia aoque leu em Caslclno, e que comtodo o nao
pode desculpar como geographo, e to instruido para
subscrever confundir um rio principal com oulro
seu afnenlo. Sr. Maury, como geographo sabe e
perfeiiamenle que nenhum se aventurou a dar ao
rio Amazonas mais do que urna mscenleo Lago
Yauricochae embora oulros rios se lhe encorpo-
rera em sumirlo mui alia, como os Pastara, Morooe,
<'.hambira o S. Tbiiuo, nenhum os consideren ainda
seus mananciaes. E como se permute faze-lo Sr.
Maury aos Madeira e Tapajoz, que aflluem lo infe-
riormenle, para dizer que de urna serra, que alra-
vessa a provincia de Mallo Grosso v-se os manan-
ciaes dos Prala e Amazonas, eolre os quaes nao me-
deiam menos de 180 leguas smenle em lalilude?
embora com referencia a Castelnau, que disse, que
colocado n'um ponto da serra Parexis vira brotar a
poucos passos um do outro os dons maiores rios do
mondo,o Amla afluente do Cuiab, e o 1 slivado
do Arinos.Ora, o Amla afllundo do Cuiab e esle
no Paraguay, nao ha duvida, que possa ser conside-
rado como om dos mananciaes do Rio da Prala :
mas nao assim o Eslivado, qoe afflueute do Aribe e
esle do Tapajoz, o qual se junla ao Amazonas tao in-
feriormente, qoe he o segundo cima de sua foz nao
pode jamis ser considerado manancial do Amazonas,
que alm de tudo nao conla outro que o sopra-dito
lago. Se v pois mui bem quanlo nao seria preciso
ao viajante francez recorrer a poesia para a emissao
de semelhanle especie no empenho da importancia
romntica de suas viagens eomo reprovadamenle so
e fazer a maior parte : mas Sr. Maury, como geo-
grapho, sabe mui bem que em geographig, em urna
sciencia lao eiacla nao se poetisa para tao fcilmente
subscrever Caslelnau, por cuja predilecto senti-
mos nao pode-lo felicitar; anlessim preveni-lo da
derrota, que a mu i los respetos ora soflre no nosso
Instituto Histrico Geographico, ecuja refutacao nao
lardar a ser publicada por aquella sci en tilica asso-
ciaco. Com tao original aflonteza suppoe ainda Sr.
Manry outra importanlissima communicaco, qual a
do Paran com o Amazonas, e em ootrolugar chama
de problema a junecao do Amazonas com o Prala,
como a do Orenoco com o Rio Negro pelo canal Ca-
ciquiari ; do que nos nao ocouparemos, ltenlo a nao
importar ludo mais do queaventurosas insinuarnos.
Tao pouco nos occoparemos de refutar a possibilida-
de, que o correspondente de seu Dom..pretende im-
pingir-lhe de subir-se as cachoeras do Madeira :
experiencia, que deixmos, que adquira cada um a
sua cusa : mas quanlo a subida de urna escuna nos-
sa a ir dar urna salva na Trindade podemos com lo-
da a seguranza desabusa-lo da falsidade; Sr. Maury
permiltio-se a licenca de improvizar, ordinario a to-
dos que fallam de um paiz desconhecido, pela igno-
rancia, que suppoe delle existir, a qual classificou
superior a que assisle aos astrnomos sobre a geo-
graphia da la : mas nos nos constrangemos de en-
tender Sr. Maury.Ou elle nao lem conhecimento da
historia do Grao Para, ou quer mui de proposito, e
parnos de ignorarmos essa parle de nosso territorio, o
fizesse sem conhecimento deesas ex plorar oes lao atre-
vidas a abalisar hroes, efletuada pelos portnguezes
sob mando do mmortal Pedro Texeira em sua subi-
da a Quilo em 1639, de Mello Palheia nos Madeira
e Beni em 1725, de Xavier de Moraes no Rio Negro
em 1 TO e dp Xavier de Andrade no Branco e no
mesmo anno ?
He possivel que se deixasse ignorar os trabalhos
das partidas de demarcarles portugueza e hespa-
nhola nos anuos de 1758 e 1780 ; e que lhe nao po-
1 desse occorrer de quanto estudo do psiz sa nao de-
voran premunir para senao deixarem cahir em le-
sa; '! que nao livesse noticia dos trabalhos eminen-
temente scienlificos eflecluados depois daquella par-
tida pelos Silva Ponles, Lobos d'Almada, Simos
ChermoQls. W'ilkens e Victoria* nos Madeira, Ya-
pura, Uaopez, Branco, Canabury e em quantos
como elle se debrucnni das serras de Madanac, e
no Anib ? He possivel ignorar Sr. Maury, que de
todo o Brasil seja o Grao Para precisamente a parte
sobre que mais se ha escriplo, e de, que em maior
numero e mais brilhaules trabalhados geo-hydro-
graphicos exislem em nossos archivos, para om paiz
assim explorado, estudado e descripto qualificar de
mais desconhecido do que a la '.' Com quanlo se-
.ame aos mesmos os primeiros a convir em que
muito resta ainda a fazer, nao he por isso menos
cerlo, que nao seja um or I-Americano o mais ha-
bilitado a nos laucar em rosto nosso atrazo a seme-
lhanle raspeilo. Tomando para exemplo a Califor-
nia : se sua aclual posse pelos Estados Unidos nao
he o resultado da mais revollanle nsurparo, se
com efleilo assislia legitimo direilo a pquelles esta-
dos, islo beae ella fazia parle de seu territorio, o
fado de ser disputada pelo Mxico a nao ser solvida
a quesiao teofr '-.* razao do mais forte, depOe,
que a respepj .fuelle territorio assislia a lodos
menos conneclxenlo, do que aos astrnomos sobre
a geographia da loa. Somos todos Americanos, e
anda bem Americanos, para que lao cedo e a certos
respeitos, ou antes sobre certas miserias nos possam
os fazer reciprocas increpadles.
Cunipre r. --elecer as cousas em sua posijo, lal
qual ha sidg (vel al o presente : e por isso for-
ja he evitar qje a esse mesquinho estudo do paiz
se nao ajunle tfaliidadc.oque lhe importara urna
re Irogradaca da mais de seculo : mimo, que nos
negamos a receber.
Revista Martima Brasileira. )
Nao gracejo, sempre o suspeitei de ser algum
tanta feilceiro.
Nao fallar jamis seriamente?
_ O que digo he o mais serio que urna cousa
pode ser; o senhor bem o sabe, e a prova dislo he
que aflecla loma-lo por gracejo.
Quer que euojulgue verdaderamente demen-
te"? Oh deixemos isso; nao v que Mr. d Chavl-
ly impacienta-se em esperar-nos f
Gas'.o julgou dever inlervir, e disse:
Pelo contrario, eu desejaria siber a opioio de
Mr. Rigaud sobre o que vi.
O que foi enlflu'.' exclamou Rigaud com o em-
penho de um magistrado processanle, que julga per-
ceberum indicio de culpa.
Oh I nada, nada, foi um sonho, respondeu vi-
vamente Mr. de Saulieu. Mr. de Chavilly teve um
sonho...
Mas perdoe-me, senhor, nao foi sonho.
Ah! foi urna illu- > de seus senlidos, um ca-
pricho de sua imaginario.
DeixcMr. de.Ch,i\ill> contar o que vio ou jul-
gou ver.
Pois bem vou dizer-lh'o, Mr. de Chavilly i
noile passada durante o somno...
Mas perdoe-me, eu eslava acordado.
Duranlc o somno, conlinuou Mr. de Saulieu,
imaginou ver um phanlasma branco...
Nao, triguciro.
Um grande phanlasma hrauco atravessar-lhe o
quarlo. Pergunto-lhe se islo he verosmil?
Tem razao, Saulieu, disse gravemente Rigaud,
isso he inverosmil, esse phanlasma... trigueiro don-
de leria vindo?
Essa he boa! dos subterrneos pela escada que
conduza elles! exclamou Gastao.
Mr. Rigaud fez a Gastao um sisnal de nlelligen-
cia, c disse com lom grave e ao mesmo lempo de
zom baria:
Eis oque he claro, seo phanlasma chegava pe-
la escada e sahia dos subterrneos, nao he provavel
que perlencesse ordem dos eutes sobrenaluraes.
Que diz, Saulieu?
Mr. de Saulieu em vez de responder, contenlou-
sc de erguer os hombros.
Eu suspeilaria antes, conlinuou Rigaud, esse
espectro nocturuo de ser oulra cousa..,
Oque... o quo? perguntouMr. de Saulieu pa-
rando, e com um lom de impaciencia.
Mr. Rigaud parou igualmeule, e encarando a Sau-
lieu com singular expressao de irona, disse-lhe :
A proposito, como esl sua grande obra 1
Esl... i-sl.i, balbuciou o archeologodesconcer-
tado, est...
o capitulo das almas, nao he assim, disse
Rigaud.
Mr. de Saulieu parti como urna sella. Em vez
desegui-Io Mr. Rigaud vollou-se para Gastao, e lo-
manilo-lhe vivamente a m3o disse-lhe em tom ver-
daderamente serio:
Mr. de Chavilly, convem que me ajude em
urna dupla empreza : curar um homem honesto de
urna doenca cruel, c livrar urna moca de um grande
tormento.
Nilo n rom prebendo, lornou Gastao; mas seu
acento inspira-ma confiaura. Falle, que devo fazer?
Amanhaa bem cedo v minha casa ; hei de
dizer-lhe deque se trata, e descobrir-lhe meus pla-
nos. Nao somos muilos para essa dupla cora. Sem
urna palavra a Mr. de Saulieu.
Mr. Rigaud poz o dedo sobre a bocea, e recobran-
do repenlinamcnle seu ar faceto foi rcunir-se a Mr.
de Saulieu seguido de perlo por (iasiao.
Madama de Saulieu linha vindo lambem galera
acompanhada do doulor Martinho.
Seu criado, seu criado, disse o medico dirgiu-
do-sc ao dono da casa.
Depois passando s outras duas persouagens:
Seu criado, Mr. Rigaud, seu crh-do. Seu cria-
do, Mr. de Chavilly, seu criado e seu braco, seu
braco?
Muito bem, muilo bem, respondeu o mancebo
levado pelo ronlagio do exemplo ao defeilo familiar
do senhor Marlnho.
Torta a socedade nesse momento eslava parada na
sala grande, que servia de vestbulo ao pavimento
terreo, linham-se travado conversarles particulares
como sempre acontece Delata* circumstancias at que
o dono ou dona da casa do o signal da retirada ou
do pas'seio. O lempo eslava bello, o sol penelrava
pelas janellinhas al s abobadas espessaa do castel-
lo, e traeava sobre as podras sombras sulcos de ouro
e de fogo.
Mr. de Chavilly nao visitn ainda os arredores
do castello, disse madama de Saulieu.
PERMMBICO.
CMARA MUNICIPAL DO RECIFE.
Seaaao' extraordinaria de 16 de novembro.
Presidencia do Sr. Barao de Capibaribe.
Prsenles os Srs. Vianna, Reg, Mamede, Oliveira,
o Gameiro, abrio-se a sessao, e foi lida e approvada
a art,i da antecedente.
Foi lido o segointe .
EXPEDIENTE.
Um offlcio do Exm. presidente da provincia, re-
metiendo nma copia das medidas preventivas conlra
o cholera morbos, .-presentadas pela commisso de
hygiene publica, afim de que as executasse, na par-
le que lhe loca. Mandou-se remeller i commisso
de sade, para com urgencia reduzir posturas a-
quellas das medidas qoe couberem as atlrlbuices
da cmara, recommendando-se commisso qoe lo-
go que tiver prompto o Irabalho o communicasse ao
vereador presidente, para convocar sessao.
Outro do mesmo, dizeodo ter expedido a conve-
niente ordem para ser dispensado doservico da guar-
da nacional o jardineiro do cemilerio publico, Sim-
plicio Cordeiro Reg. Inleirada.
Outro do mesmo, antorisando a cmara a exceder
na quantia de 1:142900 rs., a quola votada na le do
orcamento municipal vigente. Inleirada, e man-
dou-ae fazer as convenientes participares.
Ontro do secretario interino da provincia, remet-
iendo em cumprimenlo do disposto no 4 art. 2 do
regulamento provincial de 26 de Janeiro de 1853,
urna colleccSo das leis, decretos e decisoes do gover-
no do anno prximo passado. Inleirada, c que
se aecusiisse a recepto.
Oulro do presidente da commisso de hyginee
pnblica, pedindo lhe declarasse a cmara se Jos da
Rocha Paranhos tem diploma ou caria de pharma-
i-ia registrada uesta cmara, por ter a mesma com-
misso de levar considerado da junta central, o
que ha occorrido respeito do processo por infrarco
do regulamento n. 828 de 29 de setembro de 1851,
intentado conlra o mesmo Paranhos, em consequen-
cia da denuncia da commisso. Que se salisfi-
zesse.
Outro do hachare! Manoel Felippe da Fonseca,
participando ter entrado no dia 13 do correle no
exerccio de juiz municipal da 1.a vara como se-
gundo supplenle, em razao de se achar impedido o
primeiro.Inleirada.
Oulro do bacharel Jos da Costa Dourado, partici-
pando achar-se no exercicio de subdelegado desla
freguezia de S. Antonio, no impedimento do eflec-
tivo.Inleirada.
Outro do procurador, communicaudo que neuhum
caso de febre amarella se deu nesla didade no mez
de outubro ultimo.Inleirada, e que se scienlficas-
se commisso de hygiene publica.
Oulro do mesmo, eommunicando que, se enlen-
deudo com o procurador de Rosa Mara Serpa, afim
mo lhe responder que os' nao tinha dando a razio
disto, vista do que duvidari realiscr a iodemnisa-
cao, em qnanto (razia o ex posto ao conhecimento da
cmara.Mandou-ie ouvir ao advogado.
Oolro do fiscal de S. Antonio, informando qoe o
carro de aluguel de Antonio Bernardo Quinteiro,
em cuja collecla quer elle que se d baixa, est cora
efieito inutilisado.Inleirada, e defierio-se ao peti-
cionario, mandando dar baixa na collecla.
Outro do mesmo, consultando se deve collecla!
cada um dos talhos que achar dentro de nma s casa
de nm s dono, on tmenle a cava como acoogue.
Mandou-se ouvir aoadvogado.
Outro do engenheiro cordeador, dizendo que, leu-
do examinado as obras que pretende fazer Jos (ion-
calves da Cruz em sua casa terrea ua roa do Rota-
rio, com oilo para a das Larangeirai, achou seren
ellas de nalureza til, qne imporlam quasi ama reede-
(icaco, e como a mesma casa esteja deslioada a re-
cuar pelo lado do oitao, nao lhe pareca convenante
cooceder-se ditas obras. Inleirada, e denegon-ee a
licenca.
Outro do mesmo, informando nao achar inconve-
niente em conceder-te licenca qoe pede D. Candida
Agostinha de Barros, para alargar a trapeira de sua
casa terrea sita no interior de seu sitio na estrada do
Manguioho.Concedeo-se a liceoc,a.
Oulro do mesmo, informando com mais precisan.
acerca da pretencao de D. Eugenia Texeira de Li-
ma, dizendo poder ella vender a parle de seu terre-
no de marinht, que termina no alinhamenlo de es-
da rna do Brum, e que est destinada i ediOcacOes
particulares. Resolveu-se que se informaste i S.
Exc. no sentido da informadlo.
Ontro do fiscal de S. Jos, remetiendo o mappa
Ido gado mortopara consumo desta cidade, na sema-
na de 6 12 do crtente (622 rezei). Qoe se ar-
chivaste.
Outro do mesmo, informando acerca da peticao
de Antonio Botelho Pinlo de Mesquita, que, posto
que. seja larga a ruadat Cinco-Ponlat, onde preteo-
deo sopplicanle conservar madeira para a obra qne
ahi esl fazendo, lodavia nao era convenienle qae
augmenlasse a porcao j existente, para nao ficar
oceupado o transito publico.Inleirada, e concdan-
se a licenca com a condieco de se nao impedir o
transito.
Ontro do mesmo, propondo a Pedro Alexandrioo
do Amparo para o cargo de guarda municipal da
freguezia, em logar d Marcos Ferreira da Silva,
que pedir exoneracao delle.Approvoo-se.
Oolro do fiscal da Varzea, participando ter-te
morto 25 rezes para consumo da freguezia durante
o mez de oulubro ultimo. Que se archivaste.
Oulro do mesmo, pedindo lhe desse acamara au-
lorisacao para mandar allerrar a escavacao feita pela
enchenle do Capibaribe, no centro da povoai.-ao, com
a calira da obra da matriz, com o que poderia gas-
tar 10 129000 rs.Aulorisou-se.
Outro do administrador do cemilerio, remetendo
a quanlia de 21o rs., que pagon a encarregado do en-
terro de Luiz Porcheor, para poder sepultar o cad-
ver em eatacnmba da muoicipaldade, visto ter sido
lirada a guia sob n. 7944, para sepultura commuro.
Que se remellesse o dioheiro ao procurador.
Outro do fiscal do Poce, declarando qoe durante
o mez de oulubro prximo passado se mataram 157
bois para consumo da freguezia.Inleirada.
Oulro do solicitador emviando a carta da adjudi-
cacao da casa o. 5 e 7 da roa Florentina, por exeeu-
cao conlra Jos da Rocha Prannos e ontros ; e di-
zendo ter apresenlado ao procorrdor desta cmara
os autos de execncio de Joaquim Lucio Monleiro da
Franca, com as cusas contadas. Qne te retpon-
desse ao solicitador, requeresse pelos meiot legaes a
posse da casa e intregasse ai chaves ao procurador.
Foi approvado om parecer da commisso de edi-
ficacao opinando que se trataste previamente da
desapropriacaodo terreno preciso para a substiluicao
da estrada anliga do Chacen pela projecla na respec-
tiva planta. Para esle fim mandou-se expedir a
conveniente ordem ao procurador.
Francisco Jos dos Santos, arrematante do impos-
to das affericoes, declarou por pelicao, qoe havia au-
lorisado a Antonio da Silva Gosmao J unior, e Pr-
xedes da Silva Gosmao, para em seo nome assigna-
rem os bilheles das affericoes, juntando a procura-
cao em forma, que para isso fez, e pedindo houvesse
a cmara de dar publicidade a este fado pelo jor-
nal, afim de qoe os contribuintes do mesmo imposto
nao exhilem mais paga-lo aos ditos procaradores
Resolveu-se que se publicaste.
Mandou-se remetter a commisso de sade a peli-
cao do consnl de S. M. Britnica, reqnerendo licen-
ca para estabelecer um hospilal na casa actualmente
perlencenlea Vicente Ferreira da Costa, na ra do
Hospicio, onde possam ser devidamente curados e
tratados ot ntbdilos de sua nacao ; e a de Esteva
Chantre pedindo licenca para estabelecer urna fabrica
de oleo de ricino, por meio de prensas hydraulicas,
na ra dos Goararapes.
Despacharam-se as peticSes de Antonio Nobre de
Almeida, de Antonio Bernardo Quinteiro, do Dr.
Alexandre Bernardino- dos Reis e Silva, de Candida
Agoslioha de Barros, de Conrado Antonio, de Joa-
quim Jos da Silva, de Jo3o de Duelas da Silva, de
Jos Goncalves da Cruz, de Ignacio Adriano Mon-
leiro (2), de Jos Antonio de Souza Queiroz, de Mi-
guel Alves Lima, de Manoel Bento de Barros Wan-
derley, de Manoel 5oSo Mauricio de Sena, e levan-
lou-se a sessao.
S entrevi estas ruinas claridade da loa, res-
pondeu (ia-lo.
O semblante do castellao tomou logo um ar de vi-
va satisfaco. *
Vcnha, disse elle apoderandn-se do braco de
seu hospede, venha Mr. de Chavilly, sao as mais
bellas torres do seculo doze que ha em I-Vanea.
O senhor quer dizer do seculo XIV, observou
Mr. Rigaud que acabava de oflerecer galantemente o
brac,o a madama de Saulieu, e segua ao marido.
Esle havia-se julgado um momento livre da zora-
buria do viziuhu, contando abarcar para si s seu
inmute benvolo. Assim a voz de Rigaud relinio-
Ihe aos ouvidos como o som asado de urna lombeta.
Yetemos qual de nos lera razao, diste alie, dei-
xe-me terminar minha grande obra.
Obra de trovas e de mysterio, acrescenlou
Rigand,
Mas esla reflexao foi perdida para Mr. de Sauliea,
que levara a Gasiao ao meio das ruinas da torre
com risco de quebraren) as pernas entre os pu da ros-
de pedras espalhadus pelo chao.
Essas ruinas linham realmente um carcter gran-
dioso c pitloresco. Da grande torre central s resla-
vam tres paredes em p com seus cinco andares cs-
criplos 110 arrancamenlo do assoalho sobre a face in-
terior das paredes. Cinco vastas chamins abriam-
se ainda urnas cima das outras, e janellas eslreilas
com baucos de pedra, e ogivas agudas desenhavam
sobre o co longos escudos azues.
No meio dessas pudras rbidos, entre essas aboba-
das arruinadas, Mr. de Saulieu evocava o passado e
descrevia ao seu joven hospede a habilaco da media
idade.
Aqui era a sala de armas, alli a das recepces,
acola a dos banquetes. Essas pedras que eslo sacca-
rtas como denles quebrados forma vam n escada gran-
de da torre. V aquelle profundo enlalho a cavado
sobre aquelle eslreilo corredor, alli movia-se urna '
porlinha levadle 1 de ferro para fechar repentina-
mente a passagem em caso de sorpreza no interior.
cima dessa porta v aquelle canno quadrado que
communica com o quarlo do castellao? Quando o
castello era lomado e a guarnico dizimada pela es-
pada, retirava-se para ahi, e poda ainda defender-
se e laucar por esse canno urna chava de ps in-
flammado sobre a cabeca dos assallantes. Durante
esse lempo chegava um soccorro, podia-se tentar
urna iii-lracco de fra, eos sitiantes sendo enUo fi-
liados e aperlados entre duas tropas inimigas eram
obrigados a renderem-se.
Gasiao ouvia com alinelo e exlasiava-se interior-
mente sobre a.erudirrao do castellao.
Nao lhe crea urna palavra, disse nma voz zom-.
badra junto delle.
Era a de Mr. Rigaud.
Sabe o que era esse canno, este grande appa-
relho de defeza de qoe lhe falla Mr. de Saolieu ?
conlinuou o critico.
O archeologo volva j olhos irados, e quera levar
Gaslo ; mas Rigaud o releve pelo braco, e con.
linuou:
Era simplrsmente nm canno de chamio.
Ah! isto he de mais 1 exclamou o archeologo
fra de si. Um cauno de chamin!
Obrgo-me a prova-lo immediatamente.
Veremos.
Mande Irazer escadae.
Mr. de Saulieu mandou bascar escadas, colloca-
ram-se (aboas sobre as pedras salientes, e os dous
sabios avenluraram-se nesse andaime trmulo rom o
metro e o creiao na mSo medindo a grossora das pe-
dras, o diamelro e a altura do canno, e-cava udo o re-
boco para procurarem vestigios de fumase, em nma
palavra entregando-te s mais municiosas explora-
ces, e disculiudo sobre cada parlicularidade assim
como dous paleographos sobre os menores traeos de
urna escriptura do seculo XI.
Senhores, disse madama da Saulieu, tenham
cuidado para nao cahirem.
Depois dirigindo-se a GasUo e ao senhor Mar-
lnho :
Elles lem alli disputa para urna hora ; porque
nao continuamos nosso passeio?
O senhor Martinho, ou porqoe tomava verdadeiro
interesse nessa queslao de chsamin suscitada por
Mr. Rigaud, ou porque nao oovli > o convite de roa-
dama de Saulieu, firoa ao p das ruinas lendo o na-
riz ao ar ea bocea aberla, procor,- indo compreheuder
algumas palavras da conversarse < animada dos doos
aroheologos. Mr. de Chavilly a a caslell aparla-
rain-se, puis, sos e em silencio.
(Coi i
II FftlVFI


DIARIO DE PERNAMBUCQ QUARTA FEIRA 29 DE NOVMBRO DE 1854.
Eu Manocl Ferroira Accioli ollicial maior a cscre-
vi 11 > nipi'alimcnlo do secretario. Bario Je Capi-
liarib:-, presidente.l'ianna, Mamede, llego Albu-
que.que, S I'ereira, Reg, OUceira Gameiro.
REPARTXgAO SA POLICA.
Parte do dia 28 de novembro.
Illm. eExm. Sr.Participo a V. Exc. que, dan
differeiites prlicipc,e lioje recebidas nesta repar-
11580, consta que foram presas: pela delegada do
primeiro districlo deste termo, o pardo Mauoel do
Espirito Santo de Castro, por espancamento, e o por-
luguez Bernardino Jos LeiUo, para averlguajes
poliri.'.es ; pela subdelegada do segundo dialricto
deslo termo, o pardo Filippc Nery Pereira, por se
achar processado; pela subdelegaciado Herir, o par-
do ita> inundo, cscravo de Luiz Antonio Vieira, por
fenmcnlos, e a preta Maria Francisca das Merecs,
para averigiiacoes policiaes.
Deo guarde a V. Ex. secretaria da polica de Per-
uaiubuco 28 de novembro de 1854.Illm. e Exio.
Sr. conselheiro Jos BentodaCunha e Figueircdo
presidente da prnvinria,O chete de polica Luiz
Carlos de Paita Teixeira.
reparta entre ello;, c qne sendo segunda causa
da sua existencia, nao a pu lia ser de sua conserva-
j3o Onde est a juslioa da Dos !! I'assai do
que vedes, ao qne nao vedes ; Osos, a semelhaujn do
rito despedido da iiuveni, o qual toca os objcclos coin
a maior velocidade que lio possivel, recompensa a
este miscravol, IM ollios do mundo, j collocando
a sua consorte nos ureos palacios da eternidade,
j apr'esentando-lhe remedio para scus tristes lilhi-
nho, por urna mi invsivcl.
Eis como o ordenador do todas as cousas, o sabio
por essencia com a sua infinita Justina castiga as ini-
quidades, e recompensa virludc: este qae le o ex-
traordinario gigante enlrcgue a dissoluoSu, ser der-
ribado e destruido pelo virtuoso Uavid, este que
ordenou a valerosa Juditli, fosse decapitar ao l'a-
jauhoso Holofernes, este emlini que como pai r
misericordioso, dar premios aos que raerececem,
e que como Juiz e Justiceiro, impor rigorosa
penas quelles queiurrngirem a sua lei e os seos
saudaveis prcoelos.
low/uim Joc Ilayinundo de Mendonra.
mtmtm >
O imposto do olto por Cinto das loteras.
Srt. Redactores.Nao lie para responder a joa-
quim do Si Cavalcanli Machado, e nem i feijoada
que fez publicar no Liberal do 21 do correntc que .
me allaslo por alguns momentos de minhas ordina- l,0D,em ,em e,n remunerar.ao o decuplo de seu va-
lor e mesmo selecentas vezes mais ; porra ojejutn
a Feliz o mi;--n'.mano que morra durante o Ra-
mdan, pois subo ao seio do parniso toda aejao do
DOS HE JUSTO.
Justinas Domini recia lw-
ti ficantes corda : ptacep-
tum Domini lcidum, il-
liiminans culos.
Psalmo 18.
Dos lie um ente a'i alterno, o centro da sabedo-
ria, e o sanctuario de todas as riquezas. Poderoso,
que s com um alomo da sua vontade, com urna
nica palavra, na phrase da Escriptura creou o uni-
verso; mas o que lie necessario para este poder eter-
no do qual appareceu o universo ? Urna intellgen-
cia infinita para regulamento deste mesmo poder ; e
para a realidade desta mesma intelligencia, o que lie
necessario ? lima juslira infinita. Segundo diz o
psalmista no psalmo 118 Justilia tua, justilia m
irlernum 1 D'aqu se conclue que cm Dos existe es-
te attributo de juslica, ou por outra que Dos he
justo.
E se algumas vezes parece-nos o contrario, he pur-
que nao podemos penetrar seus altributos, sendo nos
finitos s cooheeemos os objectos pelas suas modi-
ficajes, e nao na sua substancia, e s Dos pode
prescrutar os eseondryos de nossos corajes, s elle
por um profundo conhecimento, pode retribuir a ca-
da uca oque lhe pertence.
Altendei para o fin) destas familias, orgulhosa e
soberbas, que se ellas a principio prosperara he il-
luzoriamerite, e quando a plianlasia lhe subministra
duraeao a Parca com a sua scinlillante cimitarra
corla-lhe o fio da existencia, e entSo lero por paga
das desordenadas vidas de seus chefes, oppresses,
miserias e vituperajes; consequenca necessaria cue
nos deve tornar crdulos para com a juslica de
Dos.
Recorrci ao principio da vossa creajSo e conser-
va j9o, e veris o homem, que antes eslava collocado
no paraizo de delicias, ouvindo a msica esl modo-
sa, os choros anglicos lomando aquello, que des-
pedaza os mais robustos cedros do Lbano, que sus-
tenta com o efleito do sua vonlade inuumeraveis
mundos, que constantemente giram por sobre nossas
raberas!... Exterminado deste lugar, regando a Ier-
ra com suas lagrimas, lendo por escabello esta mes-
ma trra que a cada instante quer devora-I o para o
castigar de sua desobediencia Sua chara melade que
la ntes lhe serva de altraciivos lhe serve de cuida-
do* ; este pomo que a principio parecia-lhe 13o doce
quanto era o nctar saciando aos deoses do gentilis-
mo, nAo faz mais do que desalar o estrello lajo, que
o una ao seo Creador.
Consultai a historia anliga e moderna, altendei
para os fados praticados, eiaminai os livros desses
philosophos da antiguidade, analj -ai as suas acjes,
por lodos os lados essas vicissilndes occasionadas em
todo o universo, que ludo vos comprovar a juslica de
Dos. Veris oberoe de cem balalhas, que subi o
vo d'aguia, empunhando o estandarte bellico, para
inquielar todos osespirilos, e visando smenle area-
lisarao de um phanlaslico systema, germen de ma-
les insondaveis e horrorosa cimicaria, terminar pe-
saroso e inconsolavel seus das exilado em urna ilha,
que at cntao lhe parecer naccessivel; applicai-vos
a seria inedilaro do verdadeiro livro da sapiencia
a sagrada Biblia, o ahi veris um rico avarenlo con-
demnado um supplicio eterno, e um Lzaro recom-
pensado eternamente; aquella saboreando opparos
manjares, pensando 1er lodo o mundo em suas mes-
quinhas ruaos, e este, miseravel coberlo de ulceras,
desojando ter as mais ridiculas rnigalhas de sua lauta
mesa. Mas ah! quanto he prodiga a juslica de Dos!
O rico na eternidade de penas, e Lzaro na eterni-
dade de recompensas! Na verdade tomando o facto
particularmente nao davido quo talvez dissessem
que entre estes dous homens, havia urna injnstija
extraordinaria, que com efleito nao havia razao para
um se banquetear, e outro jazer na miseria, n que
s se explica pela juslica divina em inlira allianca
com a sua sabedoria inlinila. Veris nm verdugo,
arrojando-se com furor satnico sobre o Monte Be-
nedictino, (1) bera como o lobo invesle, e devora as
mansas ovelhinhas, que satisfactoriamente all dor-
man), cujos corajes se achavam depositados
as raaos do Dos dos exercilos, s para rea-
lisar toda a malvadeza concentrada em seu
espirito, despedaza, saqueia, e incendeia a sua
determinada habitculo, e apoderando-se do sa-
cramentado corpo de Jess Chrislo, colloca-o ero
sua algibeira, e desejando dar pravas de suas mal-
vadas ideas, procura unir-se a essa pandilha de in-
crdulos que all maliciosamente exisiia, e para
mais zombar da crenja real lira de sua inqua al-
gibeira porcao destas hostias que elle ha pouco pro-
fanara, e dirigindo-se a um filho do catbolicismo,
Irreverentemente lhe diz: n Toma, eis-aqu o leu
Dos : daqui em dianle nao leras noiccs-ida-Je de o
ir bascar i greja. o Porem altendei para o funes-
to resultado, completando desta forma juslica
divina sua misso ; a nalureza sollicita era castigar
as acjes commetlidas contra o seu Creador, appre-
senta a este um desenvolvimento interior, que o fa-
zeudo retirar de entre a turba, procura allivio, e
Dos inexoravel em eus atribuios, desembainha a
espada justiceira, e o faz perecer no mesmo momen-
to e lugar ; conclu dahi quanto Dos he justiceiro
para com as acedes dos homens.
L'ns despedazados interiormente pelos gritos im-
perlurbaveis de sua consciencia, nao satsfeila do
suas acjes ; outros desprezados pelo consenso un-
nime da sociedade civil, pela^falla de cumprimeulo
de seus dpveres; e se existir anda outros que pela
continuarlo de suas malvadezas a consciencia nao
irise levantar o grito de sua accasacSo, e que i so-
ciedade por relaxadlo concenlre-os em seus bracos,
cutio transporta i-vos em espirito at a celeste Jc-
rusaleiu, entrai nesla casa mystiriosa, altendei pa-
ra esle juiz enthronisado, e o veris coroando aos
1\ aucies do Apocalypse par recompensa dos seus
iraballios nao recebidos nesle munda ; e a esle, que
procuraran) fechar os ouvidos aos gritos de sun
consciencia, e que a sociedade corrompida em seus
principios os agasalhara, tambem o veris pres-
crever-lhes a maldiclo e o seu soppcio eterno.
Se os philosophos do Paganismo dissoram, nao
lacas a outrem o que nao quercriejs que te lizessem,
so lendo a seu favor a luz da razao, pouco mais ou
pouco menos Ilustrada, julgaram que de outra for-
ma nao se poderia obrar com juslira, e que llic-
-.'ndo natural urna cousa, e desejando para os seus
semelhanles outra, nao era obrar justamente, que
recudi nao deve haver na causa universal, pela
qual ludo fui creado, conservado e sustentado, que
retribuiodo cora castigo ou premio a menor aeco,
completa i manifeslacao de um attributo, sera o
qual nao poda existir !!
Atribulo do qual o pobre em sua choupana vindo
ao redor de si seus temos fllliinhos chorarera amar-
gamente, ora a morle de sua-carinhosa inai. que os
alimenlavau) e qne tantas vezes os abrac,ava com
ternura materual, e de sua bocea cora a maior \elu-
cidado que lie postivel, despeda inuumeraveis s-
culos, e que elle com prazer incxplicavel os roce-
hiam; oulras vezes, vendo-os exalar o ultimo suspiro,
e diixarem esta vida de miserias, por causa da ex-
traordinaria fome, e concentrando em seu espirito
todas as dores que se pude imaginar, procura in-
cansavel remedio para curar o mal daquelles que
lautas veze* a menor mgalha de pao que linha
O imposto de oito por cenlo sobre as loteras, o
labelecido com o de 12 por cenlo de beneficio pela
lei 11. 109 de II de oulubro de 1837, lem sido suc-
cessivamen'.e dispensado das que concedem as as-
semblcas legislativas provinciaes a favor de estabe-
lecimenlos de caridade. asylos para educacio de
orphaos, edificaco e obras deigrejas, e finalmente
das que se concedem fazenda provincial para
qualquer fim de utlidade da provincia.
Como porem se ha entendido, e executado tal
iscneao he objeclo, que merece algumasreflexes,
porque, segundo nossa humilde opiniao, lem-se
commellido grave abuso, c cumpre pedir a correc-
i.ao de pralicas abusivas.
Todos sabemos que os oilo e doze por cento, que
se cobrara para a renda do estado, e para o benefi-
cio dos concessionarios das loteras, soji imposlus
sobre o capital imaginario que figura depois no pla-
no, liquido de taes dedceles Lei n. 239 de 29
de novembro de 1841.
Sendo cerlo e incontroverso que essas imposires
pesara sobre o capital nominal, concedido para a
organisacao do jogo da lotera, vejamos a queni de-
ve caber a importancia do imposto dispensado, ou
abolido. Do simples enunciar destas ideas, que
temos por exactas, deduz-se fcilmente a opiniao
de que a Isencilo do imposto restitue ao capital, que
o suIIra, a respectiva importancia : queremos dizer,
que se urna lotera de 40:0008000, por exemplo,
lie sujeita a 12 por cento de beneficio par o con-
cesionario, c a 8 por cenlo do imposto para a ren-
da publica, o capital liquido do plano ser 32:0009;
mas se for dispensado o imposto de 8 por cento, o
mesmo capital ser 35:200o : este exemplo lem por
lira fa/er sensivel a difierenca da parada do jogo,
entre a lotera que soll'rc o imoosto, e aquella que
delle tica isenta. Nola-sc porm que urna intelli-
gencia muito diversa se ha dado a cssns isrnces,
que lem sido litteralmente contrariadas pelus se-
nliores que representam os concessionarios, isto lie,
pelas irmandades e quaesqoer associacAes, a cujas
loteras se ha concedido a iseuco, osquaes em vez
de resliluirem ao capital os 8 por cento dispensa-
dos, chamara-nos em beneficio dos concessionarios,
que em vez de 12 por cento concedidos por le, lem
lomado 20 por cenlo a seu arbitrio. Vemos nisto
um rompilo esquecimenlo da hermenutica, apa-
driiihailo sem duvida pela idea de favorecer os es-
(abelecimenlos pos ; mas notamos que levam o fa-
vor da isencao em valor diverso, e em quantidade
maior. do que esteve na mente do legislador.
Emquanlo os inleresses do capital correram a mer-
co da indiilerenca, eremos que jumis se agilou ques-
llao a tal respeilo; agora porm esperamos que este
negocio seja discutido e submetlido a decisao do go-
verno imperial; porque, lendo a lotera do thealro
pago 3:2009 de 8 por cenlo a reuda geral em 20 de
selembro ultimo, apparece a fazenda provincial re-
clamando a restituirlo deaaa qoanlia, porque lendo
entrado a sua lotera (do thealro pela resoluto n.
77(1 de 6 de setembro do frrente anuo, no numero
das privilegiadas, enlcnde pelo erro commum, que
lhe pertence a importancia de tal imposto, eque por
tanto se lhe deve a restluicao. Nossa opiniao des-
envolvida nesle breve artigo excluc (iireilo de se-
melliaute reclamaran; visto que perleucendo a isen-
cilo ao capital vendido em billietes aos consumidores,
s a esse capital, ou nos seus compradores seria de-
vida a restitniclo ; como porm fra isto impossivel,
esperamos que a thesourariageral nao acceder i re-
clamaran da provincial, porquanlo emresullado, ou
o mesmo capital nao teria dircilo a restitui<;ao, por-
que a deducn do imposto he anterior ao decreto n.
i i(i, visto ser feila com o plano ; ou se o tivesse,
nao seria a fazenda provincial sua representante.
rias occnpacAes; mas para esisbelecer a verdade dos
fados, e declarar alio e bom som que, se S.Exc. sou-
besse com qtiem tralava na OCCnaSo em que o Sr.
Sa Cavalcanli lhe fui pedir on requerer a soltura do
recriila Manoel Rodrigues da Silva, mandalo-hia
Irancafiar inmediatamente c por a bom recado a
bordo de um navio de guerra ; porque baldcando-o
na cadeia correra o risco de se pr ao fresco, como
o fez da cadeia do Bonito, e Imana a provincia de
mais um sereno que j bastante incoinmodo cau-
sou aos moradores do engenho Caiar, pelo quo leve
de provar a cadeia desta capital.
O fado que lauto fez agastar o Sr. Sa Cavalcanli
he o segulnle :
No dia 8 do julho, as 7 horas da noile, fo ronba-
do Antonio Francisco do Abren, na ridade de Naza-
retli.cm sua casa, na quantia de G6590O0 rs. em se-
dulas; e por mais do uin me/, apesar de todas as pes-
quizas nao pode Abren conliecer o autor desse rou-
00. Alinal depois de muito Iraballio e indagarnos
minuciosas soube que Manoel Rodrigues da Silva,
na occasiao em que entrara em sua casa naquelle dia
c aquellas lioras para lhe pagar o importe de dous
boil que lhe comprara, lhe roubara a referida quan-
tia; noticia esta exaclissima por ter sido dada pelo
innao do roubador.
Propagamlo-sc o crime e o seu autor, mandou
Abreu offerecer ao ladrao o premio de 1005 se lhe
restiluisse a quantia Curiada ; mas a nada se moven-
do Manoel Rodrigues, porque sem duvida nao quiz
deixar o cerlo pelo duvidoso. e sendo julgado apio
para o recrulamento, visto nao ter tsenrao alguma
legal, fui remedido como recruta pela autondade
competente ao Exm. presidente da provincia, e
aqui chegando, sendo immediatameiite inspecciona-
do, foi reconbecido capaz para o servido do exordio.
Manuel Rodrigues, porm, vendo-se assim piula-
do c tao beni arranjado, ofTereceu a Joaqun) de S
Cavalcanli Machado a quantia de 2009 se por seu in-
termedio podesse-se ver livre da ratoeira em que
rabio ; e eis o nosso S Cavalcanli abalando coe
(erra, einpeuhando-se e illudindo al pessons respei-
laveis para desempenhar a sua misso, e embolsar
depois os 2009, rcslo dos 6650000 roubados ao po-
bre Abreu.
Se Tora isto s, bem ira o negocio ; porque sollo
Manoel Rodrigaes quando muito poderia rouhar a
outro mais 6009 ou 60:0009 conforme osenconlrasse
a geito ; porm o mais serio est em que Manoel Ro-
drigues ameaca. e he muito capaz de o fazer, que
sendo sollo lem de assassinar o irmao que o denun-
ciou, o o Abreu, pobre pai de familia, que anda em
cima de roubado ha de pagar com a vida o 1er, pug-
nado para adqoerir o seu dinhero.
A\i-ia do qun avalieo publico se o Sr. S Caval-
canli lem ou nao razando queixar-sc de S.Exc,que
nao lhe periniltiu passar facilmenle a nio cm 2009,
mesmo furtados, nao prestando allene.io i segunda
inspeccao de saude que julgou doente 11ra recruta,
que 15 ou 20 dias antes tinha achado robusto, e
mais sao do que um pero. O Nazareno.
CORRESPONDENCIAS.
LITTERAT11RA.
Seuhora Redactores Lendo eu o seu acredita-
do Diario de 23 do crrente, nelle deparei na parte ]
Publicaces pedido, com um artigo do Sr. ex-
capitao Firmino Theotonio da Cmara Santiago, no
qual este Sr. alira n labo de injustos sobre os reclo-
e honrados membros de conselbo de guerra, por
causa da senlenra que contra elle proferirn) ltima-
mente.
No auge do desespero, no furor do egosmo, o Sr.
Firmino, que se alegra cora os males alheios, para
quero a dor dos outros be um balsamo sua, atrope-
lando todas as consideraces, insultaudo aftiprema-
cia da verdade. arreraessou-me as mais grosseiras
allusOes, cuspio-me as invectivas as mais infames
'ine podejn ter sabido de urna bocea envenenada,
ensaiada para semilhanle fim.
E he para que outros nao ouseu, e nao se atrevan)
vir com falsi lacles marear a minlia illibada repu-
tado, minha honra, gracas Providencia al boje
immaculada ; e nao por ligara menor considerarlo,
e nem a mnima importancia, urna accusaeao que
a minha dignidado despreza, e os meus principios
repeliera, e da qual a consciencia me nao censura,
os remorsos me nao perseguem, e o juizo publico
cora juslira me absoWe ; que nao permiti correr
impunemente, qne nao deixo passar sem resposta o
seu protesto nu arauzel.
No meio de sua defeza, disseo Sr. Firmino, ha-
ver cu recebido um pret de todas as companhias do
corpo de polica na importancia de 2:5659600 rs. ;
com cQeito recebi essa quantia, mas nq lendo feilo
no conselho a justificado desse recebimento, por
ignorar o contido na defeza do Sr. Firmino, faro-a
agora peranle publico, aproveitando-me da oppor-
tunidade que so me offerece, com a publicaran do
documento abaixo transcripto.
Pois be possivel que, leudo apparecido um alcan-
ce no corpo, e julgando-se esse alcance resultado de
pre>aricac.".u, seja criminoso um capitn, e nenbuma
culpabilidade tenha o commandanle
Sr. l-'irmin i.
A' aso s pode responder o Sr. Firmino, quo deve
estar par desse negocio, e nao eu que o linha na
melhor cotila, c que cheio de boa fe, nao podia de
forma alguma desconfiar dos infames manejo-, I ral .ri-
ladas ola Iroeiras que se pralicaram com a capada
noite, e n'ura myslerio impenelravel.
Sun, appelln para o Si. Firmino, elle que diga
se eu desconfiando dos fados que se deram no cor-
po de polica, nao teria prevenido o escndalo, n3o
le ia dado urna licao evonipl.ir a lodo* que me qui-
zeram precipitar na iufamia, que pretendern) man
char meo nome com o infame epilhelo, que cobria
os seus.
Que responda o mesmo Sr. Firmino, so era eu
capaz de consentir na desgrana de tantas familias,
no descrdito de um corpo ioteiro, na infamia de
lanos inane-.
A honra de hemem he como a virgindade da mu-
Iher, basta o menor sopro para loidar-lheo brilho,
para ofluscar-lhe o cspleudor.
lie pois, por pensar assim, e nao para aggravar a
crilica posiclo do Sr. Firmino que venho de res-
ponder as pureas cnsiuuaces da sua defeza.
No conselho de investigarao fui julgado sem crimi-
ualidade, e absolvidu 110 militar, onde produzi a mi-
nha defeza.
Para ser absolvidu nao accuseiaoSr. Firmino, nao
intu lei com empeuhos, e nem encommodei com
supplicas aos juslicciros membros do conselho mi-
litar.
No mea retiro aguarflava a sentenc,a que devia
condemnar-me, ou absolvar-mo ; mas que era ludo
o caso aehar-me-nia resignado.
Abracado com a f evanglica sofTreria cora ani-
mo a pena que rae fosee imposta, nao como putic,ao
de crimes, mas como expiacao de peccados.
Recifo 28 de novembro do 1851.
Joao do Reg Barros Falcao.
COSTUMES INDGENAS DA ALGERIA.
O Ramadan.
(Por A. I.licvillolh.j
A Algeria oQerece a cada passn scenas de coslumes
de um oll'eilo interessante c pillorcsco. as cida-
des, he curioso ver a vida europea mislurar-se com
a vida rabe, a natureza lo fiexivel, to activa lao
engenhosa do carcter franco/ communicar-se a lu-
do o que loca, vencer a resignarlo do mussulmano e
arraslnr emscii movimenlo rima mpulaca 1 ha innil0
lempo immovel e semi-barbara. as planiceis e no
meio das monlaubas, a tribu lem conservado religi-
osamente os coslumes o Iradicces de seus pais ; ao
aspecto do luar, cujos rebanhos recolhcm-se larde
ao som dos latidos incessanlcs dos caes kabilas;
vista desses homens que lem guardado o costume an-
ligo, edessas inullicros vestidas como as mulheres
de Abrahame Isaac que fio s fontes levando na ca-
la-a urna bilha, e voltara opprimidas com o peso da
mesma cheia d'agua ; ao som dos rudos c lgubres
gemidos dos camellos que dobram o joelho para re-
cobre o deixar tirar a carga, o quadru toma todas a
cores da poesa primitiva c palriarchal. Algumas
vezes tambero he urna scena da vida feudal que of-
ferece-se aos olbus, quando um desses grandes chefes
iudigunas sahe de sua barraca ou seu bordj com o
falcao em punlio, precedido do bellos galgos emonta-
do no meio de seus cavalleiros sobre um magnifico
ravallu que sacude sua longa crina, (reme dehaixo
da sella bordada de 011ro, e varre a Ierra com a ex-
tremidade da cauda tinla de vermellio pelo henn,
Dir-sc-hiaum alloe poderoso senbor da dado media,
que parte para a cac,a c que faz bater o campo por
seus vassallos. A proprla nalureza presla-se a esses
diversos contrastes.
Por tras dos valles sombros das bordas do mar
portraz dos jardins de larangeiras oude a colonisa-
c3o derrnmou-se logo ao principio ; por Iras dos o-
mos elevados do Alias, cujos ingremes plase ricas
planuras sao roberas de aldeias kabilas, o rabe
transporta seu humor e sua barraca vagabunda pelas
vastas planicies doscobortas do Tell, e alem desses
espatos desenrolam-se horisontes os infinitos do Sahara
e os encantos da esplendida vegetarao dos oasis de
palmetas.
A populacho que habita estas zonas distinctas do
solu algeriano difiere muilas vezes em origen), lin-
goagem e coslumes, mas por toda a parte lem as
mesillas crenras, as memas (radiques e as mesmas
esperancas.lle com efleito o alcoro quelhe serve de
laco poltico e religioso ; he elle que o formou i sua
imagen), e que (o profundamente lhe imprimi sen
carcter exclusivo. Para o' rabe, o islamismo
be a a religiao fra da qual nao ha mais senao inflis
e impos: elle acre destinada a levanla-Io do seu
aviliainenlo actual, a regenerar o mundo, c essa il-
n-ao de grandeza futura, que as predicas do sens
mar ablo- e de seus prophetas improvisados entre-
ten), conslitue sua resignado c sua Torca contra os
esforcos deanossa intelligencia, contra o espirito de
nossas instituires. '
A lei mussulmana, por assim dizer, nao tem outro
norae que a religiao : ella he, pelo mesmo titulo que
o dogma, urna emanaran de Dos. Respeitada por
isso mesmo como o ullimo termo ao qual pode che-
gar a sabedoria humana, lem continuado, ha mais
do doze seculos, as tradiccoes c a sociedade do pro-
pheta, per deudo dehaixo do apertodo sentimenlo re-
ligioso, a vitalidadedo elemento civil que por toda a
parle segu nprogresso das ideas e dos coslumes.Ella
he a phy sinomia do|povo rabe, o segredo de sun gran-
deza passageira e de sua prompla decadencia como
o progresso de seu futuro, se o genio (radiccional de
nossa patria nao lhe vier cm soccorro, e o lirar de
seu lelhargo.
lie de Dos, he elle que recompensa ocrenteque re-
uuncia a seus apetites, comida, e bebida, he el-
le que d i sua respirarlo o rheiro do musgo.Em-
fim o jejura prepara o perdao ; cada noile delle o
Senhor dos mundos perdoa a mil almas destinadas
aos supplicio* eternos, e na ultima noile, estn le
sua clemencia sobre um numero igual ao dos Irinla
dias do Ramadan. (5)
O primeiro dia desse niez he paranlo para o fiel
rente urna dala seria eslabelecer, pois disso de-
pende talvez sua vida no oulro mundo. Para fixa-
lo, lhe he prohibido referir-se ao dizer de um as-
trnomo, s obras que a sciencia de seus pais lhe
lem legado e mais que ludo a nossos almanaks que
sao a obra dos nao renles. Ue s a vista lo cres-
cenle da la nova que determina o dia santo, o
primeiro dos trinla dis durante >s quacs deve ob-
servar-so ojejutn de obrigacao c redempcilo divina.
Se o eu he obscuro, o jejnm comer quando se lem
passado um numero (al de dias que no he possivel
que cha'ban nao esteja acabado ; mas o eco da Al-
geria tem os bellos rellenos do co do Oriente 1I0-
baixo do qual nasceu o prophela; a la, quando
chega o verao, nao occulla por muito lempo sus
branca claridade debaixo das nuvens, e raras vezes
o crescente cumpre, sem ver apparecer'seu disco
venerado, o rekas (saudaees proslraces) de sua
fervorosa oracio.
Ao lado desta homenagem dada as noites esplen-
didas de sua Ierra natal eao symbolo de sua f, nao
se (liria tambera que o prophela nao quiz deixar
senao a cerlos de seusservos a fixarao legal do Ra-
madan .' Embora os ltimos dias de cha'ban sejam
incerlos na memoria dos muphtis e cadis, embora o
eco nao perca sua pureza senao por momentos, he
preciso, para que o jejua) comece, que dous inussul-
manos probos o conscienciosos aflirmem ter vislo o
crescente da la, equeeinco testemunhas atiesten)
o mesmo facto. Ora eis-aqui algumas das condires
exigidas em urna testemunha mussulmana.
Cumpre que ella gozo da liberdade civilqae so-
ja saa de.espito, de idade maior, de coslumes re-
gulares e irreprehensiveis. circumeisa e descendente
do familia conhecida,que seja livre de loda inler-
licrao ;que o espirito de discuss3o ou de ignoran-
cia nao tenha feilo delta um sectario, ou um achis-
malico, um kharidji (apartado do verdadeiro cami-
iiho ; que nao seja propensa s pequeas fallas
nem inclinada a mentira, nem habituada a furtar
alimentos;que nao seja leviana nem ftil;que
se tenha sempre acautelado de jogar jogos de azar,
xccplo, com mui longos inlervallos, o jogo do xa-
drez, pois muilos dos discpulos do prophela prali-
caram assim ;que tenha sabido emfim manler-se
nessa dignidade que he o carador de nm hornera se-
rio e religioso, e que nao lenha procurado os pi azu-
res do canlo e da msica, pois segundo um prover-
bio rabe, a msica hnpelle para a despeza, como a
agua faz brotar as plantas, e que nao se tenha nun-
ca entregue, por capricho, ou por mana, a urna
industria vulgar, por exemplo, de surrador, le-
cellao, ou raercador de lamborcles, mizmak, ser-
boukas. (6) ^
So Dos c o prophela sabemse he 011 nao possivel
achar-se em toda a Algeria cinco mussulraauos que
(enham todas essas qualidades !
Por isso ha grabas de e>lado, e he o cadimaliki
acorapanhado de semadouls, que he ofliciaimente
eucarregado de lixar o primeiro dia do Ramadan.
Dirige-se com ellos a um poni elevado da cidade,
Cosbah, ao forte do imperador ou ao marabuto de
Sidi-Alidlierraman, e desde que tem verificado a
apparicao do crecente, desee seguido do povo que
se lem respeilosamente conservado em distancia, c
o embao disparado por sua ordem annuncia cida-
de o felz aconlecimenlo. 1 inmediatamente as tor-
res das mesquitas cobrem-se de Linternas de todas
as cores, o interior enche-se de luzes e os fiis che-
gam em mullidao a voz relumbadora dos nuezzieus,
que dirgem uns aos outros a formula santa.
" Dos he grande, Dos he grande. Yin le a ora-
ran, v lude boa obra. N3o ha outro Dos que o
Dos rico ; e Mabomed be seu prophela. Dos he
grande, Heos he grande. Nao ha oulro Dos que o
Dos nico.
Aos ltimos rlar o.'s vermelhos do sol que desapa-
rece no liorisontc, a orarao he recitada pelo imn e
he inmediatamente seguida do teracuih ou supplica
das iniocaces.O Ramadau he entao comecado e
a obrigac,ao de jejuar lorna-se geral e absoluta.
II.
Entre essas scenas (ao variadas, no meio de aspec-
tos tao diversos, o jejum de Ramadau que nclla toca,
principalmente pelo lado religioso, lio um assumpto
iiteressante de observadles. Se as solemnidades pu-
blicas iniciara v observador nos coslumes de um
povo, esta he, alem disso debaixo da barraca do A-
rara nmade e debaixo do teclo do Mouro, o refiexo
mais animado do caracler, das supersticGes e dos cos-
lumes indgenas. Vamos por tanto tentar descrever
sua itistiliiico que lem j sofindo pelo contacto
do tempo e de nossas ideas.
11c no ullimo dia de cha'ban, (I) ao por do sol,
que os canhes da hatera da marinba annunciam
aos mussulmanos de Algcr ojejum de Ramadan. A
la de6e mez, disse o prophela, (2) na qual o Alco-
rflo dcsceu do co para servir de diiecrSo aos ho-
mens, de explict cAo clara dos precelos e distnceflo
entre o bem c o mal, he o lempo cm que se deve
jejuar Segundo alguns autores, o Ramadan he
alem disso fundado na expiacao da primeira falla de
Adao, cujo arropen lirnenti nao foi aceilo por Dos
senao depois de trinla dias de penitencia. Seja qual
for a sua orgem, esse jejum da trinla dias dala do
de seu direito, que V. S. se digno por seu despacho, j segando anno da hegira. Antes da ndopcao do sys-
Illm.Si. (cnente-coronel commandanle do corpo
de polica.Joao do Reg Barros Falcao, capilao do
5.u batalhao de infanlaria do pxercito, precisa a bem
(1) Moote-BenediclinoConvento umamilha dis-
ta ule de Charleslown, fundado em 1820, pequea
cidade nos arrehaldes de Boston, lendo 8 religio-
sas, e 60 e lanas pensionistas e algumas uoviras.
Sendo em 11 de agosto de 1834, saqueado e incen-
diado pela populaca puritana, excitada por intrigas
de alguns ministros fanticos ; salvando-se por feli-
cidade a maior parle das religiosas e pensionistas, que
se linham abrigado ua casas de Boston.
ordenar ao sargento vago-mestre do corpo do seu
digno commamlo, declare ao p desle, coraoo sup-
plicante recebeu de sua man um pret das compa-
nhias do corpo de polica, e qual a razao porque o
recebeu,assim como, se no dia seguinlc, nito fez o
suppliranle entrega de dito pret, em presenca do su-
prn.iil) vago-mestre, ao major do mesmo ro'rpo o Sr.
Jos Rabello l'a ilha. para esto o distribuir as com-
panhias, e isto por estar empeddo o respectivo le-
iieiile-quartel-nirslre.
O supplicanle espera justira. E. R. M. Boa-
Visla 25 de novembro do 1851.Joao do Reg Bar-
ros Falcao.
Atieste qucrtndn. Onarlol da Cinco Ponas 27
de novembro do 1854.Carneiro Monteiro, lenen-
le-coronel e rommand.rate.
Em cumprimento do despacho retro do Illm. Sr.
tenenlceoronel commandanle do corpo, exaradn na
petieau do M rpita,1 do Ierren o balalbao de infan-
laria do everrilo Joao do Rogo Barros Falcao, tenho
a declarar, que estando ausente o Sr, Icneiile-quar-
lel-meslre com quera servia, fui com competente
.irriori-acao rcccbcr da thesouraria, a importancia de
um pret de sold, e ebegaudo j tarde da dita the-
souraria, enao estando no quartelos senhores com-
mandanles de companhias, dirigi-me a casa do Sr.
capilao Barros Falcao, untan commandanle do cor-
po de polica, e lhe fiz entrega da importancia do di-
to pret, e no dia seguinle o Sr. capitn Barros fez
entrega da dita importancia ao Sr. cx-major Rabello
Padilha (afim desse entregar nos senhores comman-
dantesde companhias cm micha presenca.
Quartel do corpo de polica 27 de novembro de
1854.Joao Antonio da Silca I'esioa.
tema, o mez de Ramadan linha lagar constantemen-
te durante os fortes calores do estio ; a raz da pa-
lavra rabe o Mil bstanle, pois significa nm calor
que consom, mas esse mez passando agora por to-
das as cstaeoes ilo anno, o espirito lem ligado pa-
lavra outro sentido eo Tilcb mussulmano ensina-nos
que esse mez lu as*in chamado porque purifica co-
mo pelo fogo os percados des iics e lava par sua
sanliilade as i npurc?as do corpo e as manchas
da alma.
Oh Ramadan heura mezebeiode heneaos. Quan-
do chega a primeira noile delle, Dos, o Allissimo,
diz:
a O Kadonlian 3J abre as portas do paraiso a-
quelles da naca 1 de Mahomed quo jejuam t
OhMaleck (4) fecha a porla das chainmasaos ho-
mens piedosos da naco do Mabomed !
11 Oh Gabriel desee Ierra, doma a reliellin dos
demonios. Pre.;a-os com pregos, depois precipila-os
110 mar para que n3b perturben) em seu jejum os da
nar.m de Ma homed !
O ab ocio determina as condi(es desse jejum.
Desde o momento em que ao romper d'alva, o olho
pode distinguir um lio branco de um fio prelo at
depois do por do sol, o mussulmano deve rigorosa-
mente absler-se de beber e de comer. Os discpulos
do prophela e os jurisconsultos lem desenvolvido es-
se principio e tem investigado, com essa consciencia
minuciosa e algumas vezes ingenua, que he propria
do commentario religioso,quaes sao os actos censu-
ra veis durante o jejum.Sidi-Rhelil, a quem os rabes
deram o sobreoome de Meslre, espelho da religiao.
encba-o Dos de seus favores indica-os em sea
resumo de jurisprudencia. Assim he censuravel co-
mer, qualquer iguaria, masligar incens, myrra, al-
mecega e outros perfumes; tomar durante a dia, os
remedios que poderom ser deivados para depois do
sol posto. O tabaco, quer seja tomado quer fumado,
o cheiro das llores 011 das essencias he igualmente
prohibido. (7) Era urna palavra ha obrigacSo de
n3o deixar penetrar no interior do corpo nenhuma
substancia soluvel ou que possa ser absorvida ; o
creule escaupnloso al nao engole sua propria sali-
va. Alera disso est sujeilo a certas coodices in-
dispensaveis, taes como a intenran de jejuar, formal-
mente expressa, durante a primeira noile do Rama-
dan. O Alcorao disse com certa energa: Apar-
la-vos de vossas mulheres; passai antes o jejum em
actos de duvocao as mesquitas. Dos sabe bem que
vos engais a vos ine-mos. Elle voltou a vos e
perdoou-vos. Taes sao os limites de Dos. Nao
vos aproximis delles cora temor de trausp-los. He
assim que ello desenvolva seus signaes nos homens
afim de que o lomara. *
Fora dessas condic,es o jejum permaneceu sem
efleito. Compreheude-se ludo o que essa obrigagao
lem s vezes de penivel quando o Ramadan coincide
com os rudes calores do eslo. Por isso os tolbas
abrandaram-no um pouco c permiltiram aos fiis o
servirem-se lano quanto quanto queiram, do mi-
gouak, (8) o humedecerem os labios quaudo a sede
se lorna insupporlavel, o espai;ar as ahincos (9) al
au amanhecer ; hoje a tolerancia chega ao poni de
permillir meller-se o individuo no mar em caso de
fadiga oxees-iva. Dcmais o prophela concedeu dis-
pensa de jejuar aos doenles, aos vclhos, aos meninos
at ,1 idade da puberdade, s mulheres que criara
c aos cenles que viajara. Dos quer vosso cora-
modo, escreveu elle ; e nao vossa oppressao.Quer so-
menle que completis o numero querido e que o
glorifiquis por dirigir-vos no caminho direito ; quer
que sejais reconhecidos. Esscs liis sao pois auto-
risados a nao seguir a presa-ripc'io legal ou a iuler-
rorape-la'com a nica condicao de substituir por
outros tantos dias do jejum satisfactorio, us dias que
passaram na inobservancia da regra sagrada.
A oracio he o perfume do coradlo : refrescai-vos
cora ella nos grandes calmes, repeta umitas vezes
Mohammed a seus discpulos. Durante o Ramadau
ella anniincia-sc anda com mais solemuidade que
em lempo ordinario, do alio da (orre da grande
mesquila, Iros mne/zius, com o rosto vollado para a
K'bla, ilo, rppetem com voz unisoua e sonora as
palavras do adano ,1 eutrecortaudo-as cora pau-
sas : a primeira vez a urna hora da larde ilak,
segunda, ditas horas antes do por do sol el-acer
a terceira, ao por desse astro elmar'reb,
quarta a noile fechada el aicha, quinta ao
romper d'alva el fedjer. Esta oracao da raa-
nhiia he a mais agradavel a Dos, he mais siudavel
qae o sorario, o ilaas lioras anles della os muezzins
recilam a invocacao potica cora que se inspirou Fe-
liciano David : '
A noile c as trovas cederam o lugar no dia e a luz.
1-ouv ore- a Dos por seus favores e por suas grabas!
A noile cedeu o lugar ao dia pelo poder do Allissi-
mo, do Omnipotente.Aprendei a adora-lo, vos que
sois dotados da vista c da intelligencia 1 A reale-
za pertence ao Dos nico e vingador! A realeza
pertence a Dos e a nenhum oulro senao a elle !
" ile manhaa louvnres a Dos! (12)
He manliaa, lo jv ores a Dcos, senhor dos mun-
dos
O ceremonial pralico destas oraees foi revelado
ao prophela pelo anjo Gabriel durante o seu retiro
as grutas de H'ira nos arrabal les da Mecca, e seus
mu) metilo- e altitudes -ao regulados com urna pre-
cisan que nao se enenotra senao nos exercicios mili-
tares e que d ao culto um caracler e urna physiooo-
mia, das mais pittorescas. (131 Quaudo algucm entra
na grande mesquita da Pesca na sexta feira, dia
sagrado dos mussulmanos, o singular espeelaculo que
essas pralicas exteriores oflerecem trabe os olhos e
espanta o espirito, o qual procura comprehender o
seulido e alcance das mesmas. O monumento he
mui simples: os versculos do Alcorao escriplos sobre
as paredes em caracteres ornados, os ovos de aves-
truz presos aqu e all, ascadeiras de murmore es-
culpido, as esleirs de junco e tapetes nao permitt-
riam a uinguem observar se sua forma recordava ou
nao a de nosas igrejas, e a legenda doescravo chris-
1.10 que pagou com a vida a audacia desfa concepeio.
Nao sei o que essa lembranca accrescenta eraocao,
mas essa mesquila inspira o silencio e o recolhimen-
lo, c parece que a medilaco e a oracao sao ahi mais
fervorosas do que em outra parte.
Milhares de luzes vacillanles suspensas em vidros
allongadoa esclarecem as galleras e sobem s abo-
badas do edificio. Era baixo, he quasi a obscuri-
dade : algumas tochas indicara o nicho de orienta-
c,3o ou mir'hab, cujas columninhas e ornamentos
fazem com difliculdade reaahir, e cm p na cadeira
apparece o Khalib (prgador) lendo na mao direta
urna espida coraprida de pao, em quanto commeola
as passagens do Alcorao. (14) Aos ps do nicho, ura
velho tnuphi curvado pela idade e cercado de ule-
mas preside a ceremonia; o imn psalmedia, com
voz forte que domina algumas vezes o murmurio da
fonle das abluces, a oracao a que respundem em co-
ro os fiis assentados e dispostos por traz delle em
lionas regalares. A cada versculo, esses fiis levau-
tam-se como pltanlasmas, abaixam-se, tornara 1 le-
vantar-so, prostram-se com a face em Ierra e execn-
lam cora a mais escrupulosa consciencia, com a mais
completa absorpejo de espirito as oilo posiees do
reka.
Nao he indigno da.oracao e de suas gracas aquello
que mistura com proslracao urna idea profana ou
urna distraern '! que dirige a Dos um voto em
lingua que nao seja o rabe '.' que cruza os dedos
das mos juntas como o christao maldito? que
suslenta-se sobre ura p 011 puxa e estira a barba?
Terminado o reka, ha urna pausa durante a qual os
tullas collocados sobre o eslrado que Ihes est reser-
vado recilam seto versculos do Alcoro ; depois o
imn contina a oracao inlerrompida at que lenha
chegado assim a 36 rekas (15) e lenha lido pelo me-
nos 122 versculos da obra do prophela. Tal he a
oracio de repouso, o lerahou. Cada noite do Ra-
madan essa oracao lem lugar cora a mesma regulari-
dade, e quando o mez lem 30 dias, o rente pode
ter ouvido os 6.666 versculos do livro santo. Al-
guns mussulmanos recilara-na mesmo muitas vezes
fora das horas do terahoui, e tem-se encontrado pes -
soas piedosas que a tem lido 61 vezes durante esses
30 dias.
He este o lado sombro e rayslerioso da religiao
mussulmana. Despojada de riqueza e poesa, ella
nao se dirige senao i inlollerancia do fiel ; nao cap-
tiva-lhe a imagiiiac,ao, nao falla-lhe aos olhos nem
pelas maravlhas da archilectura, nem pelas pompas
do culto. Debaixo das paredescahfoas de suas mes-
quitas, em baixo dessas abobadas irregulares as
quaes exislem algumas iuscripr,oes coloridas, do fun-
do desse mir, hab que procura o Oriente, e do alto
dessa cadeira cujas esculpturas e arabescos nao re-
contara senao de longo a arle e o genio qui crearan)
a Alhambra. como na voz estridente das ralbas que
cantan) os versculos do Alcorao senle-se passar e
cabiro sopro do fanatismo, a tradicc/lo dos primeiros
tempos, c (3o vivas como ella o odio ao christao.
Muilas vezes, durante esses dias ds jejum e de calor,
o delirio religioso chega ao paroxismo, e o marabuto
desvairado ou o mussulmano exaltado pela fumara do
hachich (16) procurara no assassinato as recompensas
eternas promittidas a todo o verdadeiro crenle que
combale pela religiao.
Debaixo da mesma impressao, seitas inleras agi-
lam-se e vao lancar-se como os derkaoua, (17) sobre
as baionetas de nossos soldados ; as prophecias, aju-.
dadas pela superstiroes, annunciam peridicamente,
de duas 1111 duas, o senhor da hora, o Moule-Saa,
preparara as insurreires e levam para quelles que
se dzem enviados de Dos., populaces que conser-
vara sempre .dispertados os inslinctos bellicos o o
amor doraaravilhoso. Esse fanatismo torna a achar-
se por loda parle : do Alcorao elle passou para os li-
vros dos discpulos de Mohammed, das crticas reli-
giosas para a vida pratica, e a lei 13o cruel, laoini-
passivel quanto o dogma, ferio os culpados que a voz
do prophela j linha amaldicoado por loda a eterni-
dade. O terror oceupa mais lugar as Iradices do
povo rabe do que a per-uaeao : be nessa escola qae
elle lem sido educado, e he sempre um dos ira ros de
reu carcter nao respeilar senao a forra e a mao que
o castiga. (Conlinttar-se-ha.)
constantemente ; a outra procura descer. Quem
n3ocondece, sem poder descreve-lo, esle moviuien-
to da alma, essa dialctica viva do peusameuto, que
de esphera em esphera e alravez da realidade finita
prosegoe o ser infinito, ultima razao da arte e fim
supremo do bello ? Quem nao sabe jamis poder
exprimir a austera magnificencia desle phenome-
no, quem nao abo como em certas horai, todas as
bu ulla.les do homem s3o impedidas, incitadas para
o co por um irresistivcl, que nada satisfaz nesle
mundo? As vezes a alma se engrandece a ponto de
o mundo nao poder contc-la mais, e ella transborda
de lodos os lados. Eulo he que o homem se eleva
a cima de si mesmo, que o arlista e o poeta setrans-
formam, por assim dizer, as alturas/ vendo mais
perto de si, cima das regios das nuvens, o objeclo
de suas sublimes inquidacSei.e soflrendo anda por
nao pudor alraiica-lo. Charo e secretosapplieio das
intelligencias escolladas, a verdade parece deixar ,
homem entrever de mais perto um de aeus raioso
s para excitar nelle o irresstivel pezar dos raios
perdidos ou oceultos. O amor do bello nao se apo-
dera de um nobre coraran, senao para lhe dar o
martyrio do ideal irrealisado. He preciso ter Pla-
13o para, com a grandeza do eslylo, igualar a 110-
breza dessas aspirac,es, que sao o preseotimeulo e
11111 romo sigual de Dos no homem, para seguir
desle modo no caminho de seus desejos a alma que
sobe ao soberano ser e qae, la smente, no ampio
seio do seu creador, acba o tormo de sua agtaoslo,
a repouso de sua inquielac/to.
Mas se esta tendencia sublime existe 110 homem,
que n3o sabe tambera, quanto ella he combatida,
e quem \ puderia admirar-so disto ? onde esta-
ra a luta, o mrito a provarao se assim nao
fosse. A tendencia que impidi o homem a
descer, nSo he menos imperiosa nem menos
viva que aquella que o eleva a regiao do ide-
al. Quem for Lucrecio, he s quem podera
igualar pela energa colorida do eslylo o furor dos-
sjjs transporte do organismo,a esbrutalidade dos ape-
tites, que precipitara o homem as e-treilczas da
materia, a picante e amargosa voluptuosidade dos
gozos impuros. Para urna alma, que tem adorme-
cido em um sonho divino, ha singulares acordamen-
los na Ierra. Quando o homem se faz anjo, esleve
nunca mais peno da besla? Ue Pascal quera 110-
lo diz, e accrecenla eslas palavras profundas : Es-
tes grandes esforcos do espirito, a que a alma chega
algumas vezes, san cousas em que ella nao se delem
precipla-sealli smenle para cahir logo depois. 11
A alma portante nao podo conservar por muito
tempo o impulso divino, catie em Ierra, e muilas ve-
com essas joven Venus de Ornaos, com essas famo-
mosas Dcmoitellcs de l'illages, bizarra facecia de
um pincel faeeto 1 Preferimos com franqueza a
Stralonict, e devenios lamentar sinceramente os
joven realistas, que tenham desejos de ir procurar
mulher naquelle pessimo paiz.
Temos nossos Courbets do theatro. Em nossos
dias lem apparecido urna pleiade ioteira de joveos
realistas ardenles, os quaes, por bem ou por mal,
pretenden) apresenlar era scena a imitacao brutal de.
nossos coslumes, urna especie de contra prova da-
guerraotypo da vida de cada dia. Em sua Iheoria
e em las obras, fazem orna completa iosurreicio
contra os principios os mais elementares que cons-
titue entre os povos civilisados, o cdigo da imagi-
nacao regolada ; elle denaturam as nuces essen-
ciaes, nao digo somente da arte dramtica, mas da
arle em geral em toda a exleonao da palavra. Ve-
jamos era poocat linhas as verdadsiras relac.5es que
gara a nalureza e a arte, o real e o ideal. -
A arle, e por ella entendo toda forma concreta,
debaixo da qual a imasinacSo se exprime, a arte
legitima implica urna aspiradlo da intelligencia
para da intelligencia para o bello immaterial,
um ensaio vigoroso e sincero do posta, do m-
sico, do pintor, para realisar as. harmonas
do verso, as melodas do som, oas combinadles
da forma e da cor, esse typo soperior que brl-
Iha em cada um de nos com urna luz intompra-
vel no cume do pensameoio. A arte sem duvida
est ligada em um sentido nalureza, da qual loma
emprestada ou suas formas ou suas cores, de que
necessita o pintor para Iracar fra a figura amada,
ou a paiiagem meditada; pede-lbe, ou esle pedaco
de marmore, no qual o ciozel do esculptor encon-
trar um Dos, ou essas vibrarnos do ar, essas mo-
dulantes da voz e das corda animadas, pela quaes
o msico exprime os desejos e os pesa ss do-
res e as alegras ; pede-lhe, finalmente, asa pa-
lavras, essas simples palavra, qae transformadas
pela inspiradlo, se manifestaram em deslembradora
poesa. .Nesle sentido be muito cerlo que a arte
depende de algum modo da natureza, porqoe no
pode passar sera ella, se he verdade, que o fim da
arle he a expressao, e que nao ha expressSo possivel
sem um elemento real que a torne sensivel, isto he,
evidente aos sentidos. Ma ao mesmo lempo que
ella est ligada nalureza pelos pedido que Un
faz, a arle a domina incontestavelmeole, prova sua
supremaca sobre ella, porque ousa jolga-la, exa-
mina-la, conderanar auoitameole soas imperfei-
ees, apagar seus defelos, ornar seos lypos, aug-
mentar suas proporo/ es. Eis-aqui o que faz a ver-


zes com que queda pesada e em que abysmo! O que I dadeira arle, e como o fara se nao livessc a intelli-
be accidentalmente verdadeiro, mesmo para as in-
telligencias superiores apaixonados do ideal, a inevi-
lavel tentacao, anda dos mais nubres espirito, he
o eslado normal, a maneira de ser e como a vii)a
propria de cerlos humen*, amantes apaixonados da
natureza. Epicurislas por temperamento e por gos-
lo, votados ao culto das realidades e hebendo, a loo-
cura 00 impuro nctar dos sentidos, elles se entre-
gara com phrenesi as allrac,es da materia, eterna
Circe.
Entre eslas duas forras contrarias, que alternada-
mente elevam eabaixam o homem, esta a lula quo-
tidiana, apaixonada, e o thealro desta lula esta em
toda parle, quer na consciencia de cada um de nt,
quer na alma collectva da humanidade, que se sen-
t urnas vezes como suspendida da trra por urna brisa
divina, e oulras vezes presa ao solo pela cadeia dos
insliuclos, quer na lilleralura c na arle alternada-
mente arrebatadas cm un nobre impulso para o
ideal, e logo depois proseguindo realidades vulga-
res ou impuras, lie este o drama secreto da vida
intima ; he esle lambem o drama secreto da vida
publica. He lambem este o verdadeiro, o eterno
debate, que se reproduz debaixo de varias formas
em todas as pocas da humanidade as obras da
arle. Assim como o grande problema mural consiste
para cada um de nos em saber, qual dos dous, o e-
goi-mo ou o dever, vencer em nossa consciencia a
tendencia, que na lova a fazer-noa soldados heroi-
cos do bem ou corteslos cegos da paixo, assim na
arte, na lilleralura, n poesia, loda a queslo de
escola e de principio se reduz a saber, se o artista,
o ecriptor ou o poela lomaro son modelo mais ou
menos sublime, se seguirn PialSo as livre* emi-
nencias, banhadas da luz ideal, ou se desceran a
seguir Epicuro nos tenebrosos valles, ondea chm-
ma divina se extingue na almospbera espessa e a-
loi-motilada das sensualidades.
Debaixo desle ponto de vista, que nos parece uro
dos mais elevados da crtica, he que nos enllocare-
mos para julgar com loda a liberdade algumas esco-
las, ou nles algumas seilas da arlo o da lilleralura,
que parerem ter querido reduzir a regra seus pro-
prios descaminhos e fazer urna potica de suas mais
e-ira tilias a borrariies. Sem lera pretendi de co-
mtannos oulra vez o que to felizmente tem sido
feilo aqu mesmo por crticos 13o delicados, desoja-
remos apreciar em algumas rpidas paginas, as pre-
tencoes manifeslas e as obras desses apostatas do
ideal, julgar summiriaraenle as doutrioas e os fados
consummados. ITe urna inve sobre os transportes sensuaes, ou sobre as phanlasias
da imaginario contempornea : nada mais.
Se nos perguntarem qual he o fim, qual lie a uli-
1 idade de um estudo philosophico sobre obras de pu-
ra magiuacao, responderemos que nada nos parece
mais desejavel, que urna allianca cslreita entre a
philosophia esperitualista e a lilleralura. A philo-
sophia vivan muilo lempo no orgulhuso retiro do
pensamenlo abstracto : ella fingi bstanlo separar-
se da mullidao pela bizarra premeditada das formas
lechnicas, procurou muilas vezes a aparencia da
prul'iindoza em una obscuridade aOectada. O que
ella ganhou com isto, foi nao ser comprehendida
nem seguida. He lempo que ella se aproxime dos
fados, que ponha o p em trra, assim dizer, que
applique seus principios a realidades concreta e se
habitu a fallar a lingflagem. nao de urna seita, mas
do genero humano. A lilleralura n3o pode deixar
de tirar vanlageus deseo commercio com o esplri-
tualismo. Nao he intil lembrar de lempos em tem-
pos a imaginadlo os principios, que adevem regular
ou recordar a crilica as deas elle-mentares, que s3o
como o ultimo fundamento e a substancia cierna
do gosto. Esta allianca desajavel entre a sciencia
dos principios e as applicaees, que delles se deve
fazer do dominio regulado da poesia c da arte, il-
luslres exeraplos nos tem mostrado realisada, ao
menos em parte, e'nos autorisam a lenta-lu, pela
uossa humilde parte, na medida de nossas forras.
Nao permita Dos que pretendamos, como tem
aprazido a alguns juizes muilo severos, que lodos os
nossos artistas, todos os nossos escriptores o nossos
poetas, tenham abandonado nesle seculo o grande
principio do ideal, o se lenham de laucar em um
plagalo ceg do real ou na invesligaclo syatematica
do paradoxo, do bizarro o do ficticio Sabemos e
1) O mez dticba'bau acabou o anno passado a 17
do junlm. O Ramadan comecou nesse mesmu'dia e
lorininou a 17 de julho.
(i) Veja-so a Iraducrao do Alcorao, cp. 11 ver-
181, por Kasimirski.
(3) Anjo 44110 guarda paraso.
(4) Anjo que guada o inferno,
ESTUDOS MORAES SOBRE O SECULO XIX.
O Sensualismo na Lilleralura.
A grande quesiaofquedevide a humanidade in-
lellgenle em dous partidos irreconciliaveis, deve-
nios dize-lo, he a questao do espirilo puro e dos
sentido. Observando-se o curso eterno das evotu-
ees do pensamenlo, parece que ha duas grandes fa-
milia de almas, perpetuando-se alravez dos seclos
na lilleralura e na arte.debaixo do variedades quasi
inumerave de aspectos, dissidencias infinitas de
escolas : os filhos de l'lalao e os de Epicuro. Os
primeiro sao conhecidos por esse nobre e imperioso
desprezo da realidade, por esse movimenlo subli-
me, que eleva as almas para o co arrebatando o
pensamenlo as nuvens. Os segundos pelo seu mode-
rado amor da natureza, por seu apetite da materia
e de ludo quanto lisongeia o nslincio, e por sua
|iai\."in desregrada das sensualidades. Para unso
circulo da realidade visivel he um pooto uo hori-
sonto ideal do pensamenlo. Os oulros lera um or-
gullo! obstinado em cerrar seu genio no estrello
limite da sonsarau. Ambos representam com ttu-
los iguac essa tendencia dupla e contraria da na-
lureza, que urnas vezes leva o homem as azas dos
santos desejos para a regiao da idea pura, oulras
vezes o allrabe para as regies inferiores, onde se
agita c se exalta o iislinclo pliysico.
Destas duas tendencias, urna aspira elevar-se
(12) Esta phrase repele-se dez veze,
(13) A oradlo compe-se em geral de dous a qua-
.tro rekas, e para um destes he preciso : 1. conser-
var-se era pe compor seu exterior e recolher-se ; 2.
levantaras mito para junio dasorelhas, sendo a pal-
roa um pouco para dianle; 3. abaixar asmaos, edei-
xa-las pendentes sobre os lados do corpo ; 4. fazer
urna reverencia profunda dobrandoao mesmo lempo
os joelbos sobre os quaes as maos repousam entilo ;
5." tornar a levanlar-?c e conservar oulra vez as
maos pendentes ; 6." fazer urna proslracao levando
os dous joelbos e depois a face contra a Ierra, e tam-
bem as palmas das maos; 7." tornar a levantar o
corpo, mas permanecendo ajoelhado, lendo a tn3o so-
bre cada joelho, e sentado e apoiado sobre os calca-
nbares, com o pesquerdo invertido e vollado para
dentro c o direito sustentado e deitado sobra o es-
querdo ; 8. repetir a prostracilo, levando a face c as
maos Ierra. Depois disso o fiel poe-se em p, dei-
volla
(5) Extractos do Sahih 011 collccces das tradic-
coes verdadeiras, por Bukbani.
6) Instrumentos de msica.
(7) Ha todava divergencia sobre esle ponto entre
o rito malrki c o rilo niauefi. Este ultimo ora o
do Turco : elle he mais tolerante e permiti o
cheiro das flores e dos perfumes.
(8) Palito do pao odorfero. S he permutlo
movc-lo no sentido hurisontal e nao o longo dos
denles ; pois odiabohe quem assim os patita.
(9) As abluroessao ornadas pralicasessenciae do
culto, ellas apagam as mauchas o impurezas do cor-
no. A lei ns previo rom 13o altiva linguagem e par-
ticularidades que n3o podemos reproduzi-los.
Id He a (tiroerao da Kaaha ou oratorio da Mecca,
collocado defronte pa mansao de folicidade que est
no eco.
11 Ainiiiiiciu ila ura ciu pela formula referida mais
cima : Na sexta-feira, ella se faz mais urna vez, ao
meio dia, e ao muezzin arvora ao mesmo lempo o
estandarte verde no une da torre.
xa pender as maos sobremos lados do corpo, e volli
assim a primeira posiean. Cada um desses rekes lu
acompanhailode orarcs.
(11' lie isso urna tradiceo histrica. Os presa-
dores trazriii essa espada em lodasas cidades converti-
das pela forj ao islamismo e especialmente as mes-
quita que oulr'ora serviram ao culto christao; nos
paizes em quo a religiao do Mahommed so inlroduzio
pela f, elle nao Irazcm senao um bastao mais ou
menos ornado.
(15' No rlokanefi, esta oracao nao lem senao 20
OU 24 rekas.
ll6'> Uo a folba do canhama : elle fuma-so ou co-
ine-s" cm pa-liliia-. Chamam-un lambem kif. He
a herrado prazer, e os poetas rabes a tem cantado
muilas vezes : a Faz parar, disse um delles, a
m3o do petar pelo uso do kif. : o kif he o remedio
dos amantes atormentados pelos cuidados crueis
Para acalma-los, recorre a lilba do ranhatno e 11 "tu
da vinha. I.ongedaquia lilha da vinba .' Desgra-
cadamenle o abuso dessa planta he frequenle, e con-
duz aoembrulccimenlo.
(17) Seita religiosa que tomou seu nome da peque-
a cidade de Derka do reino de Fez ou da pala-
vra, rekaa que significa (rapo, poislem quasi sempre
os vestidos em desordem ; he numerosa na provineia
de Oran, onde muilas vezes se tem assignalado por
seu fauaiismo.
proclamamos que o ideal nao tem deixadn de ler en
tro nos seas proselylo e seus devotos : elle tem seus
altares e seu culto ; imprime um canto de um ca-
rcter de belleza inconlestavelein certas obras de es-
forjo, brilhantes e enrgicas, as quaes sente-se an-
da, debaixo da nevilavcl dbvidade da formas e das
deas, unta aspiraran incessanle para o eterno e pa-
ra a antiga belleza. Temos ainda grande escripto-
res, artistas inspirados, poetas dislinctos, que formam
orna como aristocracia 1ntelle1iu.il de nossa poca e
o immorlal praciado do pensamenlo. Por esla razan
est bem longe de nossa idea fazer de urna voz la-
mentavel a oracao fnebre do seculo. Grandes e
verdadeiras glorias nos consolara de muitas reputa-
dles usurpada e celebridades nao reaes. Urna pe-
quena porcjto de ouro puro nos faz esquecer muito
ouropel ; mas o ouropel existe ; a moeda falsa cir-
cula, glorias de mo quilale ostentara as russ sen
luxo de douraduras e lenlijoulas; estatuas equi-
vocas se levantara pela manhaa, festejadas pela cu-
rosidade do papalvos no fim da ra. Cumpre sa-
ber resistir a estes prestigio vulgares, discutir os l-
lulos duvidoso desses grandes hnmons de farcao,
observar com franqueza os symplomas dessas ten-
dencias fatnes, que levando a destruirn s intelli-
gencias honestas, as fazem desviar de seu caminho e
perder-se na regies infructuosas de urna arle sem
grandeza e de ama lilleralura sem dignidade. He
um dever para a philosophia espiritualista reclamar
contra esses principios novo, lomados em opposic.30
ao bom senso, e com urna pennasevera, notar-lheas
suas desastrosas influencias sobre a geraoao, que se
levanta.
Nosso assumpto se engrandecera excessivamente,
ao mesmo tempo quaexcadesse-os limites de uossa
competencia, se pretendessemos applicar os princi-
pios espiritualistas a crilica da lilleralura e das ar-
les. Trataremos somente da lilleralura propramen-
le dita, e ainda assim nos limitaremos a algumas he-
resias do bello que cm nossos dias se tem ma-
nifestado cora brilho no thealro, na poesia e uo ro-
mance, porque sao esla iuconteslavelmente a tres
forma as mais popularos, debaixo das quaes se m-
nifeslao pensamenlo contemporneo. Estas here-
sias diversas de aspecto, de nome, de prelencao, po-
den) fadlmcnle reduzir-se a urna so : a supriman,,
dos sentidos sobro a raz3o, % sensualismo. Comln-
do nao ser intil apresenlar os elemento desta ana-
lyse. As idea geraes nao lem se nao for evidente
que ollas tem em resultado dos betas e mo urna hy-
polbese anlccipada. Em seraclbanlc materia, nin-
guem deve pedir que seja acreditado em sua pala-
vra : a analvsea maiscoir.pleta dos fados ser sem-
pre a demonstradlo a mais peremptoria.
Promellcmos limitar este estudo a lilleralura ; to-
"davia seja-nos perrallido tomar um s exemplo na
arle.
Ainda temos em lembrauca o molim que fez ha
dezoito me/u-, um excntrico da pintura, que se in-
lilulava orgulhosamenle, no limaba da esposirao,
O discpulo da nalureza. Quo estrepito de admi-
radlo au redor de*le rerem-chegado, saudado imnie-
(lilamentc como o chufe da escola por lodos os jo-
vens pintores, phrenetros amantes da realidade A
gomia clara do bello superior ao bello real, a per-
cepclo distincta do ideal ?
O ideal he superior ao real, porque he o seu Ivpo
augmentado, aperfeijoado; he o Nal lavado 10
mais alto pooto do seu desenvolvimenlo possivol;
bo o real, nao romo nossos sentidos o veem em sua
pesquiza inquieta alravez da sombras da creajao e
das miserias da humanidade, mas como nossa razSo
o romprehende, reminiscencia esplendida de um
mundo perdido, como quera Plato, ou ante pro-
senlimento sublime de um mondo futuro, cono dos
etisina S. Agostioho. Quem nao lem comprehendi-
do o ideal, ou tendo-o comprehendido, o abandona
pelas realidades vulgares, por miis que faja, nao
elevar jamis saa arte cima de ama hab) indos-
tria; s o idil he qae faz os grandes artistas eos
grandes poetas. Meditar vista das maravlhas da
nalureza, era alguma cousa melhor, mas luminosa,
mais bella ; scismar vista das grandes aguajees e
da niv steriosas paixes da alma, em alguma cousa
maior e mais mysleriosa, e quando a obra est'aca-
bada, quando o typo lem desodo a esta forma con-
creta qae elle vem tlluraiuiir com am refiexo divi-
no, imaginar um typo mais perfeito, urna forma
mais divina, urna expressao mais radiosa, pedir ain-
da melhor, e melhor sempre, he esse, como se sabe,
o hrilhanle e doloroso destino da arte.
O arlista por mais que faja, dever soflrer sempre
no arcano do sen pensamenlo, o glorioso sopplido
do ideal entrevisto e jamis conseguido. Na verda-
de oremos que Corneille, quaodo tinha tracado esses
dous typo irapossivefs do herosmo religioso e do
amor christao, imaginava ainda nos ardores solita-
rios de seu pensamenlo, um Polyceota mais heroico,
urna Paulina mais tocante e mais pura. Cremosque
ChaleSubriand, para lomar exemplo mais peilo de
nos, quando tinha escriplo em rasgos de fogo a me-
lancola desesperada de Rene; que Lamartine quan-
do tinha cantado ss tristezas infinitas do amor ter-
restre, sombra imperfeita do amor divino, eremos
que ora, descontente de sua criajao, a senta lngui-
da e triste junto da creajao sondada, desse Rene
ideal, do qual cada um de nos, as horas sombras da
vida, ouve nu futido do corajo a queixa apaixona-
da, e que o outro, o poeta de Elvira, sorria de des-
prezo para essas paginas melodiosas, as quaes echoa-
va 13o fracamenle para elle as harmonas secretas,
em qae se embriagava sua alma.
Este sentimenlo do ideal, de que eslo cheio o ar-
tista e ofoela pelo qual sodrem 13o nobremenle,
devem elles fazer partilhar pelos oulro e derrma-
lo as almas, como um contagio divino. He esta sem
rontradicaj) a mais elevada funjao da arte, e para
servir-nos de urna expressao, de que se tem abasado
bastante, he neste seulido que a arte he um sacer-
docio, ainda que os artistas, como sabe-se, estejam
longe Ve ser sacerdotes, e a poesia contempornea
nada lenha de commum com as antigs Veslne. A
arte dramtica nao escapa a esta lei geral de toa*
as artes, ella decahe, quando se aparta do ideal.
Nem Eschylo., nem Corneille, nem Stiakspeare cora-
prehenderam o theatro de oulro modo : estes mes-
tres da scena o animiram de novos terrores, de ge-
nerosas commiserajes, de paixes mais que huma-
nas ; povoaram de personagens sobrenaluraes, typo
imperiveis e vivos na memoria da najos; ellas agi-
tara a alma, fallam aocorajSo o elevam a razao ele-
vando o nivel da humanidade. A theologia anliga
com seus mysteriosos horrores, o caracler romano
com sua energa estoica, o espirito cavalleresco e
christao com sua luta e seus sacrificios, a alma da
idade media ressucitada com soas dedcajes, suas
paixes eseus terrores ei a materia immorlal, don-
de esses grandes poetas e esses grandes homens ra-
ram as formas dos Promelheos, dos Horacios, do Cid,
de Pulv cenia, de Romeo e de Macbeth. De todos
estes grandes espectculos, 13o profundamente varia-
do, tiramos urna impressao uniforme de pasmo, de
sorpreza apaixonada, de admirajao irresislivel, da
sympathia grandiosa. Parece-nos que com ests pos-
tas percorremos as aliaras; essa poesia transcenden-
te arrebata por assim dizer nossa alma em sea vo
poderoso, tirando-j das miserias e baixezas tnviaes
deale mundo, e arremessando-a attonita 00 infinito.
Qual de nos nao se tem sentido poeta am instante,?
Qual de nos nao tem sentido dilalar-se seu pensa-
menlo, engrandecer-so sua alma, recolheodo alravez
do seculos o suspiro inmortal do Ilustre captivo de
Jpiter, ou o grito sublime da patria nos labias do
velho Horacio; assistndo aos ingenuos praxeres de
Romeo na balaustrada de Julieta, ou os terrores que
surgen) na alma de Macbeth cfmo raios divinos em
a noite do crime? Eis-aqui o que faz a verdadeira
rte ; eis o que produz a nobre emoeSo do ideal, pas-
sando da alma do poela para a do sea auditorio ar-
rebatarlo por um arroubo do genio dos pensamentos
triviaes e dos cuidados mesquinhos do dia.
Nosos joveos realistas do theatro mudaran) todo
isto: elles apregoam altamente a prelencao de dar
ao nosso seculo a representarlo do proprio seculo
exactamente copiado em todos ~os seus Irajos, al oi
mais disformes, em lodos o elementos mesmo os
mais vulgares de sua pbysionomia, as realidades as
mais vergonhosas de sna existencia^ Gabam-se de
fazer da arle um quadro que i lidie os olhos; seu
fim nao he mais a expiesslo do ideal, he a illusao do
real. Sua potica tem por nica regra a imitajao; a
arle sera para elles o mais exacto plagalo da nata-
reza.
Apresenlar na scena homens e mulheres, como os
que se encontrara todos os dias as officinas e nos bo-
tequins, as mas 011 em outra qualquer parle, o a ti-
rar lodos esles personagens de baixo quilate no mol-
de de urna aejao vulgar, dando-lhes cosamos gastos
e urna linguagem brutalmente verdadeira, urna pra-
tica ousada, destinada a substituir as Iheoras desa-
creditadas dos romnticos e dos elassiens, a Iheoria
dos Hernani assim como de Athalia. A islo he que
se chama quebrar as formas caducas da velha trage-
dia e renovar o aspecto do romanliamo desfallecido.
O drama realista nao lera seas hroes, nem na anti-
guidade, nem na idade media; lom-o na roa, nos
passeios publico, uossa porla, e o obriga a repre-
sentar seu papel em urna intriga, quasi sempre tira-
da da chronira ds alguns sales equvocos ou dos
cotilos forjados do dramaturgo iocogoito, que redige
a OazeUedes Trbunaua.
E observe-se para onde pende, por nm declive ne-
cessario, essa nova tendencia. 0 exceasso do realis-
mo va ter em um materialismo aera nome; o real
subslitue o ideal na arle, mas esla realidade, loda
excntrica, be apenas um sensualismo extravagante.
Assistimos a esse deploravel decahimenlo da arle,
que todos vera descer soccessivamente lodo os de-
gros, que separam o sentimenlo da sensajSo, a idea
pura do insliucto. N3o ha meio termo, ou se ha de
abracar o ideal, isto he, o immalerial, o bello moral,
os nobres terrores e as generosa compaixes, ou es-
collier o mal em sua monstruosidades, em suas mi-
serias, em seos cynismos, em seus excesso. Vos iris
prucura-lo nos rjanlos impuros em qae se occul-
i.-.iu as paixes depravadas e o apresentareis oa im-
pudente publicidade do thealro. Eis-aqui o que fa-
zem nossos autores da moda e isto por necessidade;
os sabios fogein de ficar ueste meo termo da vida
quolidiana, da vida positiva, que he todava o verda-
deiro dominio do real; elles sabera que ahi o3o ha
elementos sulVioioiiIcs para conservar suspendida a
mullidao durante as cinco horas do melodrama, que
subslituiram os cinco aclos da tragedia. Se o publi-
co v apresenlar-se em scena o quadros vulgares de
sua vida, sua felicidarle trivial ou seus infortunios
esptrava desdo es bellos dias da escola flamenga ;
ella ia passar, debaixo desse pinrel, tremente e vi-
va para a tela ; lodos iam ver verdadeiras paisagens,
verdadeiro homens c verdadeiras mulheres. Ver-
gonha a esse colorido maligno e descorado, a esse
desenlio spero e mecquinho, ,1 essas Iradices cadu-
cas de urna falsa elegancia, que pretenda embclle-
zar o co e dar graja a iialurc/.a E como estamos
no seculo dos Messias, dizia-se que o Messias da
pintura realista linha nascido. Desde a escola das
Relias Artes at as galeras do Lo uvre, foi urna lon-
ga acclamaco dos jovens sensualistas da forma e da
cor.
Todos sabem o fim da historia : ningiiem ignora
onde vieram morrer esles bellos enlhusiasmos a
por que primores d obra o discpulo da natureza
quiz honrar a sua raeslra. Ouanlo he feia a na-
tureza, se nos he apreseotada cm um muan de
pedras ou nos immensos andrajos da um pobre dia-
bol Qnauto he srdida, se na verdade se parece




-
>
r
nalureza linha finalmente achado o arlista, que ella Pouco hero'c cos de sua vida particular e os dramas lerrivelmeote
mesquiohostdo seio da familia, elle dar paleada ao
drama e escarnecer sem piedsde diante desse espe-
lho inspido de sua existencia. Elle se enfada com
mui la consciencia de si mesmo para agradecer a
quem o reproduz de frente ou perfil sobre o senario;
os nossos dramaturgos conhecem o perigo c o evilam;
nao renuncian) com Uto a esta parte da realidade,
que lio a mola de lodo osea lljealro. Mas oude
ai bario elles esses personagens e esses lypos grava-
dos desse relevo extraordinario, de que precisara pa-
ra sea bom xito? VSo procurar, como todo sabem,v
na fezes da vida social, nessas cavernas elegantes
do vicio, nesses esplendidos antros de alma perdi-
das, onde, cora vido olhos, os seguir a mullidao
dos expecladores arrastrados poruina curiosidade en-
ferma, (Conlinuar-se-ha.)

-
I
A
i;ma noite na cidade de londres.
Meu charo amigo. Nao sei como principiare! a

II FflVFI



DIARIO OE PERMMBUCO, QUARTA FtlM 29- DE NOVENBRO DE 1854.
ii;in .ii_.hi de minha rpida eicursao pela Inglater-
ra e Kscossin. O homem viaja Uo depressa e ab-
dica de tal sorle soa qualidade de humen) para se
transformar em bala, que ai impresses bao lein
lempo de se formularen*, succedendo-se as emores
no espirito com essa rapidez com qne as paisagens
se v4o apartando da locomotiva. lie este o iucon-
venienle dos meios de transporto apcrlei.oados, e
aflirmo-lhe que por mais de urna vez, em algum
dos jugares selvagens traveseados pela locomotiva,
sent a Taita' de uossos pobres eavallot rabes, de
que voss loin perfeito coDhecimeuto, por mais de
urna vez lembrei-me lambem dessas loogas viagens
do deserto, tao curta* pela distancia percorrida, co-
roe^adas ao uascer do dia e terminadas ao por do
sol. He por oto etlbrco de reconhecimenlo para
com os Inglezes que fallo do sol, oulro contraste
com os bellos pane* donde tramemos tantas recor-
dares, porque nlo ba verdaJeiramente na Ingla-
terra, sendo o meio termo entre a la e a obscun-
dade.
Devenios com todo descnlpar este pobre astro,
desconhecido de nossos visinhos, se attendermos aos
immeusos ncvoeiros que elle tem de alravessar pa-
ra chegar al aos morlaes que nein ao menos delle
se lembram ; esse paiz, onde se fosse necessario, in-
venlar-se-hia urna luz equivalente, com a torca de
um numero de cavallos sufflciente para Iluminar
orna cidade. Por consequeucia nada de impres-
ses inteiramente originaos, no lugai em que os
liomens procurem lubstituir-te natureza, conlra-
seuso manifest, e oude nos adiamos no seio de urna
sociedade que parece dever ser considerada constan-
temente alravez de urna luneta, que por um lado
aiiprovime a riqueza, entretanto que pelo outro po-
lilla distante a pobreza. He urna uniformidade ex-
trema que mata com o andar do lempo, e mais
aprecio esta minha comparado quando pens na
mesma apparencia material da vida ingleza, Deesas
casas de grandezas diflerentes edificadas todas pelo
mesmo modelo, semelhanles a vestidos feilos com
antecedencia, cujo panno deve necessariamente ser
proporcionado as dimensOes de seus futuros propie-
tarios.
Estes prembulos, meu charo amigo, talvez llie
pai himiii bem ociosos ; muito Ihe diria se me entre-
gaste s mpresses que me fez a ultima visita a
esta pequea lita 13o grande, mas, convem diz-lo,
de urna grandeza irritante.
Taes sao as refleocs que me viernin ao pens.i-
menlo, desla vez mais vivamente que cin minlias
viagens precedentes, porque pude observar os duus
polos contrarios do mundo inglez. as duas extremi-
dades da escala urna das quaes chega ao cumulo do
bem estare de poder, no entretanto, que a outra
perde-se nos ubysmos insondaveis da miseria e da
abjeccao !
Apenas chegados a Londres, e depois do lempo
necessario para sacudir de nosso rosto urna primeira
carnada de carv.io, consequencia da demora de al-
gumas horas ne ininlii para a Esrossia, e em dez horas e meia es-
lavamos em Edimburgo que os naturaes chamam
Edimbro ; assim obrando para ganhar orna 'ylia-
ba,, porque Segundo o sen pensar, o lempo he di-
nheiro.
Tornei a ver a estatua desse pobre Walter-Scotl
com seu collle de marmore branco, hospedado em
seu monumento, especie de campanario que parece
separado de alguma igreja gotliica, e cujos alicerces
acham-se laucados as enlranhas da trra. O po-
bre, homem parece gelado sol esse /mhori i de ar-
chitectura pretenciosa, infundido assim o desejo de
se Ihe offerecer a mito alim de tira-lo do raonlao
de gelo levantado a sua memoria pelo reconheci-
menlo de seus compatriotas: Seguramente vosse te-
visto este mausoleu; assim como a colima so-
bre a qual acha-se collocada urna pyramide em cujo
timo se nos nppresjnla Nelsoo com -na phisionomia,
que revela um aborrecimento usque ad morlem.
I.embrado estar igualmente distas singulares casas
de doze andares apoiadas contra a monlauha ; por
isso ii.-is.au lo Edimburgo, eu o conduzirei pelas mar-,
gens do Forlh, a dez leguas de distancia.termo da
minha viagem, islo he, casa dos amigos de minha
familia.
A viagem, feita de Edimburgo pelo caminho de
ferro, atravessa os mais bellos prados, bosques de
uro verde escuro, bellos regalos, pnvoarOes, aldeas
ricas e felizes ; aspecto queappresenta quasi toda a
Inclaterra quando nos contentamos com as appa-
rencias exteriores.
De vez em quando apprecc um castello cinzen-
to rodeado de immensos arvoredos* seculares, de-
pois grandes canos agglomerados em um ponto des-
pedem trrenle de um fumo negro que* obscurece
o pobre ceo. Aqu he a propriedade de lord
qne morrea na batalfaa de Trafalgar ; all a de ou-
tro, que na batalha de Waterloo perdeu o uso da
razao, nao me souberam dizer se a perla foi gran-
de ; mais ao longe est o immenso dominio de om
dos herdeiros do mais velho nome da Escossia. O
castello de T *,para onde nos dirigamos est si-
tuado junto ao braco de ma. de que j Ihe fallei,
ficando a tiro de pistola de snas margens ; he um
edificio grande construido com podra, cinzeotas, e
concebido nesse e-l\lo inglez que encontramos mul-
tas vezes entre nos, quando nossos proprietarios
querem fazer crcr que posiuem grande fortuna e
rendas cima da realidade ; duas pequeas torres a
semelhan.a das da idade-media, rodeadas de settei-
ras abertas para salisfazer a fantnzia. ornilo o pers-
tjlio da habita.ao, e cima da porta que poderia
preceder urna poolt-levadira e fossos, jancllas ar-
queadas ostentara suas vdraras bullanles.
Cercado de ameias por lodos os lados, o castello
he construido regularmente com urna parte do edi-
ficio principal e dous lados; o lodo collocadd no
meio da mais rica vegetarlo e dos mais rsonhos jar-
dn- respira um ir de trauquillidade e de conforto,
que deleita a vista.
No sea verdadeiro modo de vida os Inglezes sao
bons e hospitaleiros, amaveis, dezejosos de parlilhar
com os outros o bem estar de que gozam.
A mesma natureza parece 1er cuidado em auxi-
liar os seus esfor.os para tornar agradavel e seduc-
tora a existencia em suas casas, porque as plantas
com avidez aproveitam os primeiros raios do sol da
primavera alim de que eslejam bellas quando os
proprletarios do castello o forem vizitar; as flores
desabroxam em om dia determinado, e a hera ap-
pressa-se a cobrir os lances de muro onde sua pre-
senta he requerida, eslendendo furtivamente suas
mil pequeas raizes que pirecem outras lanas
maos promplas a segurarem-se as feudas das pe-
dral onde encontram um asilo inviolavel.
Em T *, nao se ouve mais o estrepito fatigan-
te da capital; nSo se observam mais estas nuvens ne-
gras qne entristecen), estes gritos selvagens que nos
adverlem que estamos em um mundo civilizado;
em todo existe n tranquillidade e a grandeza, por
isso nesses bellos lugares a gente deve ser necessa-
riamente feliz. E acontecer assim? Eis o que me
nao compete responder: lodos nos temos necessidade
daqoillo que nao possuimos;'a questao pois consiste
em saber se nesses logares regularmente prsperos,
ha alguma necessidade que se nao possa salisfazer.
Se podessemos encontrar oesses lugares da Inglater-
ra alguma consa que fosse digna de critica, censu-
raramos o exce-so de sua perfeicao; olhando para
os campos, criticaramos desses carneiros orgulhosos
da ma mesma gordura quasi immoveis sombra de
velhos carvalhos fatigados de sua grande idade, ha-
veri desejos de fazer exprobracOes a respeito dessas
vacas repletas que lancam a gente cilios taciturnos
e desfallecidos depois de terem pastado sobre bellos
campos coberlos de^relva, que o mesmo homem am-
bicionara ; em urna palavra irrilar-nos-liamos ao
ver que em nenhuma parte, em nenhum lugar do
paiz existe um canto abandonado i imprevidencia,
um pequeo espaco de bosque que nao seja vizilado
e em que osespinhos possam nascer livremenle.
Todo he sobmeltido regra e vonta le do homem,
o poder-se-hia quasi dizer, invertendo esle velho
adagio, que no lugar em que o homem tem forte-
mente gravado o cnnbo de sua peisonalidade, Dos
perde os seus direilos. Assim pois, meu charo ami-
go, imagine a vida-que passei, durante minha visita
a esse bello lugar; do* ltimos dias, eu at receiava
i-oneeber alguns desejos com o lemor de que fossem
inmediatamente salisfeitos sem que ainda os livesse
-nlli 'ienlemeiite experimentado,
Kallei dos passeios a cavallo, e logo dous deiles
animaei furto sellados e poslos a porta, e que bellos
cavallos I Abr a bocea para manifestar as recorda-
rnos dos passeios em barcos, e quando menos espe-
rava aehava-me bordejando pelo man delicilo lago
da Ierra, em um batel ligeiro como um cysne; cinco
minutos antes uao liavia o menor lopro do ar, a
brisa appareceu e levava-me bastante depresta para
deleilar-me,poremnao para perturbara minha inex
periencia; finalmente fallando do modo desasado
com que oulr'ora me entregara a ca.a, puzeram
logo minha disfoslc^o urna excellenle espingarda,
com a qual matei dorante um passeio de duas ho-
ras, mais perdises do qae ai que npaohara as loo-
gas cacadas de Franca; parece que esses miseraveis
volate*! in>lruidos da presenca de um estrangeiro,
quizeram galanlear-me, deixando-se malar sem re-
sistencia; em urna palavra eu poderia crer-me o
hospede de um desses palacios dos contos com que
nos em baila ram era nossa infancia e nosqoacs fadas
transformados em maos invisives prcviuiao os me-
nores desejos sem estrepito algum, sem precipitaran
alguma capaz de causar embaraces. Estas fadas,
meu charo amigo, podem encontrar-se no mundo re-
al, e ellas tem o nome de amizade e hospitali lade.
Entretanto, depois de um lempo razoavel conce-
dido a essa vida de prazeres, he este o termo pro-
prio, era necessario cuidar na volla e dirigir-nos de
novo para Londres; porem seria pueril vollar pelo
mesmo caminho, j nos sentamos bastante culpados
por ler ido i Escossia sem ver esses celebres lagos
los Ilighlland, e sem ter pago oso tributo de ux-
i'laiM.OM banaes belleza dos lugares mais visita-
dos daquelle paiz. Nos arrabaldes d Edimburgo
nao se encontr campouez algum de saiote, nenhu-
ma particularidade local, pelo que julgamos dever
retirar-nos. Dir'gindo-uos pois para o SO, en-
contramos Chesler e Bangor, era isto urna compen-
saran. Portante, depois de ler com vagar lomado
iiossas medidas e calculado os cnconlros dos difle-
rentes comboysdo caminho de ferro, subimos para
o nosso carro. Cotvem dizer-lhe que para enlen-
dor-se o pequeo livro que trata a direccao dos
i amiulios de ferro he necessario lutar-se com ver-
daderas difflculdades. Ene llvrioho que tem o ti-
tulo de Brdihaw'i guide, he o mais complicado
volume que se pode abrir; ao mais hbil mesmo
muitu cuslar a ichar ah a sua derrota. Ha taas
remissOes na obra e tantos pontos de reunio dos
cammhos de ferro na Inglaterra, que cora a melhor
vonlade do mundo terminamos recommeudando-Dos
a Dos e ao director do combny, e deixamo-ous con-
dazr; e bem felizes seremos se em um desses pon-
tos ve aviute leguas por hora para o lugar donde par-
limos <
Entretanto bem ou mal, quer nos apressamo quan-
do ha temposuflicienle.quer percamos minutos pre-
ciosos quando deveriamos emprega-los em regular
nos'o ilenerario, sempre chegamos ao porlo.
Ahi nao ha grandes alvorocos e he isso o que nos
perturba a nos que tanlo.gostamos do fallar e de
rir ; lodos se dirigera ao seu posto e cada um cuida
muito de sua pessoa c pouco da dos outros, de ma-
neira que he necessario que cada um vigi sobre a
sua sorle, se quer salvar-se.
Toda a parte da Escossia que se eocoulra sobre os
confins da Inglaterra he urna serie de moutanhas
ciculares e nuas, sobre as quaes choupanas bastante
pobres cullivam quadrados de Ierra mediocremente
feriis ; porem desde que um homem alcan.a os ar-
rabaldes de Chesler, pasta atravez de terrenos fer-
iis e por manufacturas asss ricas. Caminlia suas
cento e vinte leguas sem enfado, c avista Chesler a
larde, Chesler com leu forte castello e seus impor-
tantes queijos. Esta cidade heinleressautc em vir-
lude de una velha muralha forte c bem conservada,
edificada no centro da cidade actual, ella cercava
oulr'ora a prac,a e servia de urna defeza mui podero-
sa ; porem quantas humitiaces nao tem ella soffri-
do depois que com o progresso, os annos e as cous-
IrucjSes, tem visto as casas conipriinircm-se a seus
p, apoiarcm-se sobre seus lados e suflucarem-se
sob seus ladnllios e suas chamines !
llojc essa l'ortilirai. i nao he mais que urna fila
que circula cidade, elevando alsumas vezes cima
dclla as ruinas de suas torres desmanteladas, sobre
essa fila, gra.as a urna baluastruda ou M casas que
fazem as suas vezes, vai-se caminhando de quando
em quando a altura de um primeiro andar, ou ao
alto de um teclo coberlo da lelhas avermelliadas.
No centro da fortaleza eleva-se urna igreja com suas
ameias, pois convem que baja ameias por toda a
parle. Esta capclla eslende tao longe quanlo pode
os bracos de sua cruz latina, enlrelaulo que em tor-
no della inscripres gravadas sobre negras pedras
eusinam aos fiis que um da se renirSo debaixo da
Ierra os moradores dcCIiestre.
Em um dos cantos da muralha cmiuha-sc ao lon-
go de um rio que se despenha em cscalas, cm outro
lusar alravessa-sc urna ra com soccorro de urna, e
a gente ve a seus pos os reverberos e os psssageiros;
aqui cruza-se o campo em todas as direccoes, acola
passa-sc polo quartel. Nos davamos esse passeio
quasi aereo pelas dez horas da noile, e ebegando a
esse quartel, a la que apparecera somente por nos-
so respeito fez-nos distinguir a sombra desse edificio
carcomido, no entretanto que em um espado frontei-
ro de um postigo, umaseiilinella fardada de branco
vigiava tramas de urna f>c_ao sem interesse.
Podamos crer-nos no Circo-Ol mpico e esperar que
a ura momento dado os Francczes correndo era
mullidao para os porles, viessem matar esse solda-
do e accommelter a praca ; porem o som mais ex-
quizilo veio disperlar-::os ; era a msica militar
que tocava o recolher;grac,as aspanendasdadas regu-
larmente tres a tres na estrepitosa caixa, e aos aspe-
ros sons de um pfano desafinado, parecia-me ver
sahir pelo portao em lugar de defensores heroicos,
um orto branco domesticado e seguido de seu truao.
Porem nap sahio cousa alguma e nos conlinuamns ;
mais longe os altos Tornos dos arrahaldes derraman-
do torrentes de chammasavermclhadas e Iluminan-
do com um claran de incendio os ledos da cidade
no meio dos nevoeiros, davam-lhe o seu verdadeiro
e legitimo aspecto, o da paz e industria.
No dia seguinte fomos transporlados a Bangor,
que como sabe he o poni de contacto entre a Ingla-
terra e a ilha deAnglesey, graras i ponte tubular
ahi construida porKobero Slephenson. De Chesler
em dianle o caminho de ferro loma sempre a direc-
c.io das bordas do mar. no entretanto que sobre as
margens oppostas apresertam-se montauhas cober-
las de bosque e semeada de ca mais pitlorescas urnas que outras. NSo quero
entrar em minuciosidades, nomear-lhe os propica-
nos, e converler-ma sem necessidade cm guia de
viajantes.
Nao Ihe fallarci sen.ln da pequea cidade de Con-
way, edificada na embocadura do Couway, porque
grabas as suas fortifica.oes e ao seu arruinado cas-
tello (que ella justamente devia reconstruir em me-
moria ilo Eduardo 1 e do Cronwell) ella lem um
aspecto bastante militar. Na"o podendo perder a ac-
casian de desenvolver aqui os mcus conhecimenlos
hisloricos,lembrar-lhc-hei que o primeiro desles per-
sonageiis edificou o dito castello e que o segundo se
apoderou delle.
Assim pois essas torres ligam os nomes de seu fun-
dador e do seu vencedor, e ludo nos induz a crer
que em breve essas pobres fortificares fornecerto
materiaes para algum dique ou outra qualquer
con-tniccn nacional.
A ponte de Bangor he cei lamente urna das cons-
Irocgoei mais estranhas, e o resultado dePuma das
ideas mais extraordinarias que se possa imaginar.
Figure vosseum immenso tubo de ferro fundido col-
locado a cento e trinta pos cima d'agua e lendo de
exlenso rail e qninlienlos ; tres gigantescos pare-
dfles de alvenaria sustentan) esta busina de um novo
modelo e suas duas extremidades apoiam-se sobre
um caes immenso. Independeiileraente do pensa-
mento todo original por si mesmo, a dimeusOes
enormes dcsta ponte destroem as noyes que se po-
dem formar das forjas humanas.
Vosse admirou, como eu.cm Baalbek aquellas pe-
dras cMllus-ae- transportadas para o alto do templo
do Sol, nao se sabe como, raaior porem seria a sua
admira.ao ao ver essas massas enormes que urna
simples machina hydraulica tovantava. Atravessa-
mo-a pesse tubo interminavel, pareca que nos
achavamos no primeiro tnel que e\icon(ramos,e es-
tamos cerloi de que nao eram as paredes da machi-
na nem o estrepito causado pelos passos que nos dis-
pertavara ao mesmo lempo a lembranca da compo-
-icao gigantesca da ponte e a audacia da incalcuiavel
empreza. Alem disso aquellas paredes .lo tao so-
lidas, aquellas massas de alvenaria ostentam-ss tao
fortemeole no meio das aguas que nenhuma inquie-
ta.So pode perturbar o espirito e podemos entregar-
nos inteiramente a estupefacto que inspira urna
obra semelhtnte.
as estradas estSo coliocados dous lees de grani-
to de apparencia asis sobre, os quaes sao guardas
raudos dessa estrada aeria ; eslao dotados e dormera
em seguranza ao lado do tubo de metal que parece
o sen rovil. c una insL-ripcaii bella pela sua brevi-
dade e concizao acha-se gravada sobre o primeiro
pilar :
ERECTED ANNO OMINI MDCCCLI.
Roberto SUphenton, engenheiro.
Assim se dizem era poucas palavras minias cousas
e M. Slephenson de nada se pode queixar.
Meu charo amigo.vosse lamentara comigo que 13o
grande obra nao tenha oar de grandeza ; sem que-
rer e talvez que mesmo em orna razao directa vosse
se record desse templo de Thso, tao immenso
com sua pequenhez, e desse Parlhebon que domina
lodos os outros, e indaga qual a razao porque acon-
tece queuenhum dos monumentos da industria mo-
derna poss dispertar cm nos outro sentimcnlo
que nao seja o da admira.ao.
Os anligos faziam-se admirar pelas suas poucas
despezas, era isso um segredo seu que nao quizeram
revelar-nos. Tanlo peior para nos. Emfim talvez
lenlia experimentado cumigo um sentimento de in-
veja de que altamente meaecuso, mas que nao po-
de seno honrar o ineu patriotismo,
A imagin.i.aoapresentou-me lees mais graciosos,
pilares mais elegantes, em urna palavra, urna pon-
te tubular franceza. Resta-rae porem urna conso-
larlo, e he que a companhia franceza que fizesse
essa ponte teria provavelmcnte experimentado a
ine-ina sorle que soflreu a ingleza, islo he, ter-se-
hia quasi arruinado pelo excesso da despeza. Con-
tenlemo-nos pois com o que inventamos e sejamos
justos para com os nossos vizinhos.
No entretanto nao quero ir mais looge sem fal-
lar-lhe um instante de um monumento, qne se avis-
ta alem da ponte de Bangor. e que acha-se collocado
no cume de urna collina. He a columna construida
por lord Auglasea quando perdeu a perna em Wa-
terloo. O ceo nao permita que eu censure o que
he lillio^te um bom sentimento ; dircisomcnle que
entre nos, onde ja se erigem bastantes estatuas, es-
pera-s ao menos para salisfazer essa inclinarlo, qne
os hroes a que ellas se dedicam lenliam perdido
mais que urna perna. Entretanto vollemos a Bingor
para esperar o comboy directo que se dirige de l
para Londres em oilo horas. Tinha ainda que de-
morar-me duas horas ness pequea cidade,e nao li-
ve occasiao de nolar senao mui poucas cousas, senao
ha um hotel de sobriedade, islo he, um holel onde
por nenhum preco que seja se vende urna bebida
espirituosa, todava naoexistem beberroes, que nos
I ic.im Irairoei. porque esta sobriedade. por aviso,
acha-se formulada cm grandes ledras sobre os vidros
da jaoella, nao podendo.mnsuem ter reacios do ca-
lnr em alguma cilada.
(Continuar-se-ha.)
wmm E ARTES.
CAUSAS DA DIFFLSAO DO MORMONISMO NA
AMERICA.
Entre as muitas causas da rpida rliffusio do mor-
monismo podemos com certeza assignar. 1." Aac-
lividade da imprensa mnrmonila nos Estados Uni-
dos. -i.1' A perseguidlo rom que os protestantes op-
primiam a seila a fim de ahalfar as suas discordias
iuternas. 3. A dexteridade arleira com que Joe
Smilli procurava narrar todos cslcs incidentes da sua
carreira que tendan) a extender c confirmar a sua
influencia no espirito dos seus renles; e i. O ca-
rcter profundamente proleslanle do proprio Mor-
monismo, lornando-o contagioso n'om paiz que lie
profundamente protestante.
Joe Smith diz-nos, que receben ordem do proprio
Dos para fundar urna gazela mental, e nesla con-
formi-tade um jornal chamado a Moruing and Bet-
mng Star appareceu sob a direcco de W. W. Phel-
pi no primitivo periodo da carreira de Smithurna
publicarlo que foi acodadamente seguida por urna
gazela hebdomadaria chamada o f.'pner Mitmurt
Adtertiter.- pelo intermedio das columnas deslas
pubhcaces.impamente c-palhadas os delirios deJoe
Smithe dos seus discpulosiuundarame abismaran) os
districtos adjacenlcs ficando apparentemente tao i-
neihauslos e certamente tao lurvos como o perenne
Missouri. Esle modo de propagar a nova crenca foi
tao etirazn'um paiz onde qualquer pessoa sabe ler
r-que mull loes de recrulas divagavam no campo ou
na igreja, o que em breve se elevou a tres mil al-
mas. Os Mormonilas naquelle lempo podiam ga-
har-se de duas colonias, urna no Ohio e a oulra no
Missouri. Em consequencia da cndilo florescenle
de a New Zion n os cuidados e a presenca do pro-
pliela nao foram necessarios por muito lempo as
ricas campias; New Zioo podia prosperar sem elle.
Portaolo, Joe Smilh aprcssou-e era dirigir seus cui-
dados na colonia perturbada, a qual elle tinha dcixa-
do em tibio, e assusluu-suquando soubeque ella de-
finhava naquelle sole inospito, c o que ainda mais
lerrou foi que o seu moinlio, o seu cstabelecimeuto
e a suaherdado deliiiliavam assim como a sua igreja.
Infelizmente, no momento em que o prophela deixn-
*a o seu rebanhi>em Ohio, una manada de felpudos
lobos acoinmellerairi as ovelhas com appetile devo-
dor. Os proteslantes adjaccnlos a New Zion elni-
vara para os Marmonitas com vistas malvolas, e
muitas vezes asseveraram que os convcrlidos, os de
que elles se eabavam eram mais dignos do cadafalso
do que do taboruaculii. Mil boatos eran) esp libados
pelos prolcstautcs, e recebidos pela credulidade pro-
testante, para mostrar que vagas no.oes em materia
de moral ilesfiguravain e caracterisavam os leitores
devotos da hihlia de ouro. l)izia-se que nao urna
comiuihao de propriedade, mas o que era ainda mais
lerrivel, urna communhao de mulheres existia se-
cretamente entre os Mormonilas. Debalde estes li-
bellos eram vigorosamente repellidos e contestados
pelos jornaes mormonilas; as injurias iam augmen-
tando a medida que eram destruidas. Como urna
animadora esperanza promeltia aos Marmonitas que
um dia espalhariam s ja seila pelo districlo do Missu-
ri, e o dominariam, o alarma geral era provavelineute
melhor fundado, e ccrlamenle melhor prapagado
as intrpidas profisies pelos Marmonitas cerca
desla anteciparao. Ma" a ndigua.ao da piedade
protestante quaulo as doulrinas perversas dos Mar-
monitas j nao podir por mais lempo, quandu em
junbo de is:t:t, um jornal mormonila leve a impu-
dencia dE dizer que os uegros deviam ser logo eman-
cipados! Um perfeito fura.o arrcbenlou. Teve
lugar mime.Iialanienl una reuniao de tres mil pes-
soas, na qual propoz-sc c aprovuu-se por acclaraacao
que o paiz devia ficar limpo desles pestferos here-
ges. Mr. Plielps, cd tor lio Moruing andeiining
ffar.Mr. Parlrich, bispo dos Mo.rmooitas, eos ao-
jos a ou as calieras da communhao, dirigiram-lhcs
una fclicila.o que nao lisongeava de maueira algu-
ma nem a elles nem i sua igreja.
Era incontestavelmenle o lim dos illuslradus pro-
teslantes que lizeram a felicila.ao reprimir o desen-
Ivimcnto da herisi;. por meio de punhaes e de l-
gica econmica, em que os protestantes sao meslres
desageitosos, por una inliuila profusao de golpes, de
violencia c de armas de fogo, n'uita palavra, exlor-
quir aos terrores dos Mormonilas a promes'a de fe-
char as sjas lypographias, lujas, armazena e acabar
com as suas publicar les. Os Mormonilas pediram
lempo para refleclir sobre esla fclicilacao imperati-
va c inslenle. Mas os seus visitadores violentos nao
es coucederam pra;:o algum, porque a procrasli-
na.ao he um termo que poucas vezes se encentra no
vocabulario dos cidadaos do Evsngelho. Assn a
materia corrupta Iriu npliou sobre I'helps, o editor ;
sobre Palridge, o hispo, e oulro santo cojo nome
ignoramos. O editor consegoio fugr e Iludir aquel-
lo- que o vinham caplurar,mns os seusdoussocios fo-
ram levados em triuropho, cercados por urna mulli-
dao xociferadora de aili-Mormouitas, a qual cuida-
dosamente despio os pri-ionciro-, untaram-lhes os
corpos com alcatrao o entao lanrarara penas sobre
elles, depois do que perraitliram que se retirassem
com vida.
Dizia-se que o lonente.invernador de Missouri cou-
correra, senao extremamente coadjuvou eslas vio-
lencias, e urna cruzada foi publicamente presada
contra os Mormonilas, como inimigos de leos, l'or-
tanio, urna niult: l lo .de cacadores apresenlou-se em
campo, desenredando um a baudeira encarnada, como
intimarn dos seus designios piedosos, e propondo a
perplexa escolha do exilio ou exterminio. Vendo
que a resistencia Ibes era mpussivcl, os nfelizes Mor-
monilas secretamente mandaram Oliver Cowdery
.....i-itll ir o prophela em Kirlland, e ao mesmo lem-
po consenlram em sabir em duas caravanas no inter-
vallo de tres mezes. Os seus jornaes nao apparece-
ram mais, e, tranquilizados poresia submissao, os
seus inimigos, os caradores benvolamente poupa-
ram-lhes a vida.
Eutrelanlo as victimas juraram em um conclave
secreto e solemue restaurar o prohibido jornal cm
Kirlland, e vexaros seus perseguidores com a funda-
.10 de outro. Tambera resolveram collocar-se sol a
prolec.So do governador em chefe do Missouri, ap-
pellando pata a sua j isli .a afun de salvaren) as suas
propriedades e vidas. Em sua resposla, o governa-
dor, Mr. Dunkliu denuncioa os seus inimigos, e
amea.ou perseguir os aggressores dos u sanios do ul-
timo dia. Os Mormonilas seeticheram de orgulho,
e cm lugar de prepararen) carracas para partir, pre-
pararan) armas de fugj para resistir aosseus adversa-
rios. Como os Americanos sao mui Ilustrados para
obedecer s leis do seu paiz, e como elles nao podem
respeitar juizes que elles mesmos tem Horneado, o
governador e as suas ameacas foram desrespeiladas.
Os anl-Mormonilasreuniram-se em grupos para res-
ponder ao governador, collocarara-se sol o comman-
do do lenle Bogas, o Tilo de Ncxv Zion, com vio-
lencia atacaran) os Mormonilas, e, cercados por mu-
lheres que grilavam, armadas de cceles, saquearam
e queimaram o eslabclecimenlo. O terror da guer-
ra civil c-palliou-se em Missouri al que os vencedo-
res do novo prophela cheios de feridas e lagrimas,
humildemente prometteram deixar segunda vez a
sua provincia natal.
A precipitada fgida dos afilelos Mormonilas pa-
reca-se com a fgida Jos Israelitas diaute do perse-
guidor Phara para o deserto. A toda a pressa ajun-
tarara seus movis quebrados, e lotos os alimentos
que puderam, apressadamentc fugiram, tomando va-
rias direc.es. Era comum sorriso sardnico e s
gargalhadas de conlenlainlnlo, que os seus persegui-
dores protestantes conlcmplavaui esle infeliz e des-
gracado povo, Tugindo cm grupos espalhados a tocia
a pressa, e sem saber;m para onde, uns para pedir
um abrigo no condado de Claj, outros para o cou-
ilado de Van Burn, c outros mais iufelizes do que
os seus companheros, para o condado de Lafayette,
onde foram recebidos com execraees, tiros, tributos
protestantes e com toda a intolerancia c amargura dos
proteslantes.
as regioes mais pacificas do Missouri, onde o fu-
ror do fanatismo nao se tinha agitado, os soflmen-
los dos miseraveis Mcrmooilas disperlou interesse e
sympalhia. Foram i fo.mados pelo procurador ge-
ral da repblica, que se quizessem rehaver as suas
Ierras, o governo f.iria lodo o possivel para lh'as res-
lituir. e se distribuiriam armas de fogo para organi-
sar urna milicia mormonila. Mas nesta conjnoctura
receberam cora extase urna caria do prophela, ap-
provande com satisfazlo a causados seos recentes
desastres.
Tinham sido punidos pur Dos cm consequencra
dos .-lis sclnsinas doulrinaes e obstinada desobedien-
cia s ordens do proplieta ; receberam ordem para
comprar trras no condado de Clay, edificar duas ci-
dades, e esperar com paciencia e resignacao atque
Doscomo seguramente faria viesse cm pessoa
conduzi-los outra vez i sua perdida morada. Obe-
deciendo incontinente, nao perdern) lempo em
comprar Ierras e edificar duas cidades. ,tdm ou
Diaman e Far West. Apezar de terem pago as
Ierras e edificado as cidades. e com paciencia espe-
rado, viram com sorpreza que tinha deixado de vir
para conduzi-los outra vez a New Zion.
O estabelecimeuto que njo tinha si lo visitado pe-
lo co, foi visitado por Joe Smith. Veio, disse elle,
para lomar parle nos seus trabalhos c auima-los
com a sua presenca. Quando esla tarefa foi con-
cluida o seu trabalho ulterior foi organisar urna ca-
ravana do regiment de Mormons, a qual, cm de
maio de 1831, sabia do candado de Ctay, e dirigi-
se cm marchas vagarosas para o condado de Illi-
nois. O espectculo que esta columna apresentava
era mui extraordinario. Os peregrinos mais mocos
com as faces crestadas pelo sol e com espingar-
das aos hombros marchavam na vanguarda ; em se-
guida via-se urna massa Hacinante de barbas bran-
cas ede sacerdotes acompanhados por urna mullidao
de vehculos de lo la a espeeie, carregados com ha-
gagens e mulheres, c com os diflerenles uteucilios
de urna colonia. Ao ordo sol parou a caravana, e
tratou da agasalhar-se no deserto, quando um cla-
rim locou, e todos se pozeram de joellios, e orararo
simultneamente. A i amanhecer do dia, soou de
novo oclarim, e chamnuos viajantes para oracao, o
outra vez se pozeram a caminho, e comec,aram a
alravessar um paiz quasi deserto, ao menos mui
inhspito. O trigueiro Indio, ou o fazendeiro cres-
tado pelo sol parava para contemplar semelhante
procL-io. mas o Mormonilas, instruidos pela ex-
periencia nada diziam do objeclo c origem da via-
gem aloque chegarama Illinois. Em urna larde
lan.aram as leudas em molhe de crvasplataforma
da sepultura de um Indio.O sol acabava de se por
o a oracao acbaxa, e Joe Smith levautnu-se para
pregar. Elle relatou a longa historia dos habitan-
tes primitivos da Americi, secundo tinha lido as
laboas do ouro. Entao ordenou que a Ierra fosse
cavada na profundidade de um p. Um esqueleto,
com a admirarn de todos, foi lirado, com urna sel-
la as costcllas. Joe Smilh, lornou a pregar. Re-
latou a biographia daquelle.cojos ossos se tinham
exhumado. Era um guerreiro. que so chamava
Zelph. Zelph tinha sido morto n'uma batalha sob
as ordens do grande prophela Omindagus. O guer-
rero Zelph liaba cabido n"um combate enlre os La-
manilas e Nephilas, na qual foi finalmente derro-
tado.
Na su a. viagem para o Mssissipc, onde o rioes-
palha a sua pergosa largura de urna iniiba e meia,
urna secna triste e lerrivel se vio entre estes peri-
grinos. Como o seu numero era mui graude, c s
liavia dont botes, o tr nsito da mullidao'era vagaro-
so, e de mais a mais exposla as ameacas e projerlis
que Ihe aliravam. Um dos seus adversarios, por
nomo Canipbel, mais animoso do que os seus com-
panheiros, cnlrou n'om bote, e dirigindo-se a el-
les jurou cora a espingarda na mao entregar o cor-
po de Joe Smilh aos lobos. Mas, no meio do seu
furor, e lalvez em conseq.-.enna dislo, o bolo viroo,
e elle morreu afogado. Joe Smilh Iriumpliou com
o destino do Campbel. Os hymnos que entoou, e
os paragraphos que puhlicou eiiclieriam um in folio.
De ludo islo i om lo :--e : I" Que era pragan.lo aos
olhos por meio da imprensa do que aos ouvidos por
meio do pulpito, que Joe Smilh espalhava as suas
doulrinas.
ludam o carcter, quanto mu se Ihe assemelham.
As here-ias participan) doi vicios e atiestan) n mor-
talidade dos sens heresiarcas. Qualquer Uuilario
he oulro doulor Prieslly. Qualquer Wesleyan, mais
ou menos se parece com Wesley. Qualqner Tur-
co se parece com Mahoniel, e o Buddhisia faz cou-
sislir o seu ment e i gloria cm imitar Budda. O
protestantismo, que foi fundado na Inglaterra por
um polygamo, que na Allemanha foi creado enlre
os Anabaptistas, eamamenlado pelo cleilor de lies-
so, os quaes eram lodos polygamos uecessaria c na-
turalmente appareceu em urna seila que lie pro-
fundamente pulygama. I.uthero ria-si quanlo Ihe
fallavam cm volos de caslidade, assim Joe Smilh
ao ouvir Iratar de volos malrmoniaes. Qual Mor-
monila he um llenrique VIII, c assim como este,
possue urna mullidao de mulheres. As leis prohi-
bitivas da bygamia, sendo originadas nossceulos do
calholicismo, sao'com vigor repellla- por orna cei-
la, que he una das crencas mais rcpelldas pelos
proleslantes, e o protestantismo, que fui originado
na impureza, lgicamente va ler n'uma retigiao
que he esscncialmenle impura. \Tablet.)
PUBLICARES A PEDIDO.
ALF.VNDEGA.
Rendimcnto do dia 1 a 27. .
dem do dia 28 ......
332:090! :.l
21:9803900
:l54:07l_rfJJ9
Deiearregam hoje 29 de nocembro.
Barca inglezaMidasbacallito.
Brigue inglezGuatimalaguano.
Galera inglezaDeer Slayero reslo.
Brigue inglezLord Mhorp\Atm
(alera americanaJunipertarrada de trigo.
Barca americanaTremuntmercaduras.
Brigue porluguezNova .linizadecemenlo.
Brigue brasileiroElviramercadorias.
CONSULADO EKAL.
Keudimenlo do dia 1 a27.....27:012Sll
dem do da 28........2:5ilJ709
29:5.535824
DIVERSAS PROVINCIAS."
Rendimenlo do dia 1 a 27.....3:6808205
dem do di 28........ 3178758
A origem das duplicatas no coi po
de polica.
Com quanlo cu j houvesse exuberantemente pro-
vado com documentos e teslemunhas, que a presen-
Ici em miib.i defeza, porque meios foram prepara-
das as duplicatas que se deram no curpo de polica
desejando todava, que o repeilavel publico e espe-
cialinenlc os dignos membros da junta de joslica fi-
quein bem esclarecidos respeito da malcra, *c co-
nliecam os que se locuplclaram com os dinheiros
pblicos, passo a dar urna ligeira explcalo.
He de publica notoriedade, que o corpo de poli-
ca, antes da ultima reorganisa.ao que soflreu, guar-
neca com destacamentos todas as comarcas do cen-
tro, para os quaes tiravam-sc vencer muitos mezes
de sold, conforme as distancias em que se achavam
da capital; lambem he sabido, que algumas das pra-
cas desses destacamentos falleciam, muitas deserta-
vara, e grande numero recolhia-se ao corpo, deixan-
So suidos vencer em poder dos cominaudantes dos
mesinos destacamentos. Ora, em quanto as pracas
assim rccolhidas o ex-major preleslando nao sof-
frerera privaces cm seus sidos, ordenava a lirada
de uuvos vencimenlos para ellas, o que se efleclua-
va por datas, conforme a praca ia vencendo: o mes-
mo ex-major era quem ajustava contas com os com-
raandanles de destacamentos, e em leu poder fica-
vam por conseguinte todos estes saldos que deviam
ser inmediatamente recolhidos ao thesouro, viito te-
rem-sc tirado os novos sidos de que Iratei, mas as-
sim nao aconteca. A Ihesouraria nem se oppunha
duplcala que occasionava os segundos sidos ti-
rados, nem exiga n rccolhimenlo dos que o ex-ma-
jor recebia dos commaudanles de destacamentos, em
fim nenhuma reclamara i razia, que nos dispertasse
a atiene in. Nao era s isto: sem que os com man-
dantes de companhias ciencia alguma livessem,
mandavam-se lirar grandes preti venor ou para
esses destacamentos j pagos, ou para as pravas exis-
tentes no qaarlel, consideraudoai em destac.imen-
los, e era o proprio ex-major quem os recebia do
quartel meslrc.' !1
O commandanle de companhia via o soldado no
quartel. ignorando que se llies livesse lirado sidos
vencer, coutinuava a tirar-lhe ai dalas, e a pagar-
Ihe os mesmos suidos. O ex-major havia desde que,
na qualidade de capilao mais amigo, passou a fisca-
lisar o corpo, dispensado os commaudanles' de com-
panhias das conferencias das relacoes de moslra, cu-
jo trabalho era por elle c os inferiores praticado, co-
mo se achava exbuberantcmeute provado, e pelo
mesmo ex-major confessado no interrogatorio do
conselho de guerra.
Ora, cm um corpo onde muilo de proposito se
pl.mt.ui o relaxamenlo, e a confusAo as compa-
nhias ponto de serem os ofliciaes dispensados de
seus maiores deveres; em um corpo,digo, oude o su-
perior abusava da coufianca e respeilo que lodo o
subdito, principalmente o militar, deve tributar-lue,
c que usando de lodos os meios eslra tegicns, des-
carregoo sobre seos ofliciaes a maior dose de com-
promellimento ; quem com juslica dever assumir a
rcspnnsabilidade dos abusos e delpidardes, senao es-
ses que assim se comporlavam para o lim de. se ,o~
cupletarera, cmo o lizeram? Em verdade os Srs.
ex-commandanle c inajor nao podem jamis decli-
nar de si a culpa quo resulta dos actos que ficam ex-
pendidos ; porque foram elles que inlervieram na
realisacao dos mesmos, e nao eu que, em qualidade
de capilao de companhia, absolutamente ignorava o
que se passava nos conselhos tenebrosos d'aqoellcs
dous senhores.' Digo islo ao publico com toda a
franqueza e assignaudo o meu nome moslro a reso-
lurao em que estou de sustentar o qoe acabo de af-
firmar.
Recife 28 de novembro de 1851.
Firmino Theolonio da Cmara Santiago.
O cnsul porluguez, suas contas, c sua porcenta-
gem.
O cnsul portuguez Joaquim llapti-i.i Moreira
apresentando em juizo as contas da adminislra.aodo
espolio do falccido .Mainel Rodrigues Cosa, ssen-
lou de si para si, que os Porluguezes, e os procu-
radores dos herdeiros ausentes imitaran) i condes-
cendencia do jui/.o o deixando passnr pelas malhas
gordos chcharos, flcariim de boquuha aberla, co-
mo os pisxinhos a pregarlo de S. Antonio Enga-
UOU-se c.unplel miente.
As contas sao o maior escndalo, c a ded ucea a da
porcenlagem prova o pouco apreso que faz o" cn-
sul do seu bom nome, e da opiuiao publica Os
procuradores dos herdeiros cm obsequio i seui de-
veres n3o devem e nem podem deixar passar um
precedente, que de fuluro levar o cnsul a calhc-
gora de um borden o forrado !
Sabem lodos, e nao deve iguorar o cousul que os
adminislradores dasheran.as nao sao scuhores dallas
estando por isso adestrictosa justificadas contas sob
pena do se repntarcm dolosos ; e se esta doulrina es-
t consignada em regra do direilo, como apresentar
o cnsul em juizo as contas da lieranra Cosa sem
um documento i justifica-las J Como accredilar o
juizo a honrada palavra de um curador que diz dis-
pendera 3508680 no enlerramento do tinado sem
exiubir um s documento, e o que mais he, vendo
lodos como foi levado sepultura o finado Costa J
Como accredilar o juizo um curador, que d como
pagas quaotias excedentes i laxa legal sem que se
un-! re -enlenca da 1. e 2. instancia, que mandasse
e aulorisasse taes pagamentos ?
Nao vlram lodos que conheciamo fallecido Costa,
que a enfermla le que o levou a sepultura durou
puncos dias,para n,1o dizer horas,com i pois pagar-se
ni de bixas 8850110 reis 1 Como pagar a um medico
UlteOOO, a outro 305000, a uolro2U->a oulro 205; e lu-
do i-toarr red itar-c sem um documento ao menos pro
formal Nao foi por ventura tanta feclidadeera jul-
gar em prejuizo da boa admioslrac,ao da justi.a,
dos herdeiros, e mesmo da fazenda nacional brasi-
Icira!' Ter o cnsul algum previligio que o isenle
das formalidades presrriplas lodos es curadores ?
Teria o cnsul procuracjlo de Costa l do reino das
almas, para prodigalisar, ou para Ihe desencarregar
a cousciencia? Nao v o mesmo cousul, que faclos
taes nao casam com a probidade de um honrado ad-
ministrador, c que a indilterenra afectada com
que olha para accusaciies 15o graves o fazem objecto
do desprezo daquelles, que nao sao aduladores, dos
homens de bera desta provincia, e de loda a parle
oude chegarem eslampadas?!! Y.
3:9985023
RECEBEDOKIA DE RENDAS INTERNAS E-
RAES E PERNAMBUCO.
Rendimenlo do dia 1 a 27.....22:0318000
dem do dia 2S......... 6658225
22:6958225
CONSULADO PROVINCIAL.
Kendimentododia t a 27.....31:8598327
dem do dia 28........2:3878779
34:217.106
MOVIMENTO DO PORTO.
Navio entrado no dta 28.
Havre30 dias. brigue francez Belem, de 187 tone-
lada, capilao Monnicr, equipagem 75, carga fa-
zendas ; a Lasserre & Companhia. Ficou de qua-
rentena por 5 dias.
EDITAES.
. O Illm. Sr. inspector .da Ihesouraria |irovin-
cial manda fazer publico para conhecimenlo dos
contribu ules ahaixo declarados, do imposto da de-
cima urbana da freguezia da Boa-Visla pertencentc
aos exercicios de 1833 a 1852, que tendo-sc con-
cluido a liquidarlo da divida acliva desle imposto
devem comparecer na mencionada Ihesouraria deu-
Iro de 30 dias, contados do dia da puhlicaraodo pr-
senle edita,, para se Ibes dar a nota do seu debito,
alim de que paguem na mesa do consulado provin-
cial, ficando na intelligencia de que lindo o dito
prazo serao executados.
E para constar se mandn aflixar o presente e pu-
blicar pelo Diario.
Secretaria da thesoorariatprovincial de Pernam-
buco 21 de novembro de 1854. O secretario.
Antonio Ferreira d'Annunciacio.
Francisco da Silva S. Tiago .
Herdeiros de Francisco Jos Correa.
Francisco Xavier Soares.....
Francisco de Paula Ferreira .
Francisco de Carxalho l'aes de An-
drade..........
Francisco de Souza Faria .
Viuva e herdeiros de Francisco An-
165727
355395
88899
258585
1968*38
28781
Ionio Vicira da Silva..... 148955
Francisco de Freitai amboa 0674
FraociscoJosAranlet..... 17J798
Viuva e herdeiros de Francisco Pe-
dro Soares Braodao ..... 27>SI0
Francisco Pereira Freir .... 58005
Francisco das Chagas..... 58756
Francisco Jos Pacheco de Medeiros 128096
Herdeiros de Francisco Jos Barboza 58562
Francisco Jos de Mello..... 58005
Padre Francisco Xavier de Lira 158120
Francisco Rodrigues da Cruz 128527
Fraucisco Antonio d'Oliveira Jnior 698118
Herdeiros de Francisco Borgcs dos
Sanios Ribeiro...... 48838
Coronel Francisco Casado Lima 2S8I92
Herdeiros de Francisco Antonio
_ Rmo......... 10,5080
Irancisco de Paula da Paixao 85064
Francisco Ignacio do Rogo 205(60
Herdeiros de Francisco Carlos Te-
"ra.......... 178360
Francisco JosCirylo Leal .... OJOSO
Francisco d'Assis Gama Cirne 138305
Francisco Jos Vieira..... IO5O8O
Herdeiros de Francisco de Paula
Ireire......... 148112
Francisco Manqel Soulo da Costa 48032
Francisco Luiz Cavalcanli d'Albu-
querque ......... 208832
Francisco de Paula Burgos ... 58010
Francisco Antonio de JessSiqueira. 4838
Fraocisco Jorge de Souza .... 5040
Francisco Ferreira de Mello 248192
Padre Francisco MonizTavares 40-5320
Francisco Augusto da Costa Gui-
maraes......... 85621
V lava e herdeiros de Francisco Aoto-
nio Rabello de Carvalho .... 208764
Herdeiros de Fraocisco Jos de Paula 58562
Feliciano Primo de Sooza 798336
Feliciano Augusto de Vasconcellos 1568642
Furluozo Jos Pereira Dulra 68048
Padre Filippe de Araujo Pnheiro 98676
I Continuar-te-ha. )
TRIBUNAL DO COMMERCIO.
Pela secretaria do tribunal do cominercio da pro-
vincia de Pernambuco se faz publico, que por des-
pacho do mesmo tribunal de 16 do crrenle, foi re-
gistrado nesla secretaria em dala de boje a caria de
matricula do commerciantc matriculado no merili-
simo tribunal da Baha o Sr. Joaquim da Cuuha Mc-
relles, em grosso trato e a relalho, culada,> portu-
guez, domiciliado na cidade de Macei, provincia das
Alaunas. Secretaria do tribunal do commercio da
provincia de Pernambuco 21 de novembro de 1854.
Maximiano Franciico Duarte, oflicial-maior iu-
terino.
O Illm. Sr. inspector da Ihesouraria provincial,
em cumprimeuto da reolucjlo da junta de fazenda,
manila fazer publico, que a arremalacao da obra dos
reparos de 550 bracas quadradas de empedramento
na estrada de Pao d'Alho, foi transferida para o dia
30 do con ente.
Secretaria da Ihesouraria provincial de Pernam-
buco 23 de novembro de 1854.O director,
Illm. Sr. inspector da Ihesouraria de fazanda
desla provincia, manda fazer publico para conheci-
menlo das pessoas iaterettadaa, a relacao abaixo de-
clarada das notas de 208 rs., 4 padraoda nova es-
tampa em papel branco, emitilas da caixa d'amor-
lisa.ao em ubstiluiciio das dilaceradas.
Secretaria da Ihesouraria de fazenda de Pernam-
buco 24 de novembro de 1854. O oflicial maior,
Emilio Xavier Sobreira de Mello.
RELACAO das- ola- de 20-5000, 4. padrSo da nova estampa em papel branco, quo pelos avisos de de 25
agosto prximo passado, e 17 do presente mez foram assignadas, e ora emittidas por esta reparlirao
em subsliluico das dilaceradas, seguida da descriprSo feila sobre aquellas mesmas olas a saber
__________________________ NOTAS DE'208000.
SERIE.
QUANTIDADE
1000
1000
1000
1000
1000
500
500
500
1500
1000
1000
1000
1000
1000
1000
1000
7000
500
500
1000
1000
500
500
500
1000
500
500
.500
1.500
500
500
500
500
500
500
37000
NUMERACAO'.
1
1001
2001
3001
4001
5001
5501
6001
6501
8001
9001
1O00I
11001
1.5001
16001
17001
18001
25001
25.501
26001
27001
28001
28501
29001
29501
31001
31501
32001
32501
34001
34501
.15001
.15501
36001
36501
olas.
a
a
a
a
a
a
a
1
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
ASSIf.NATARIOS.
1000 Jos Joaquim Ribeiro.
2000 Amonio Jos Marques de Su.
3080 Agostinho Coelbo de Almfiida.
1000 Jos l'rocopio Pereira Fontes.
5000 Francisco Jos Moreira de Carvalho.
5500 Eleulerio Jos de Souza Filho.
6000 Luiz Ahes Pereira.
6500 Joaquim Josde Norouha.
8000 Lniz Alvos Pereira.
9000 Joo Jos Teixeira.
10000 Miguel Cordciro da Silva Torres Alvim.
14000 Luiz Alves Pereira.
15000 Francisco Jos Moreira de Carvalho.
16000 Luiz Alves Pereira.
17000 Miguel Cordeiro da Silva'Torres Alvim.
18000 Agoslinho Coelho de Almeida.
25000 Luiz Alves Pereira.
25500 Antonio Jos Marques de S.
26000 Eleulerio Josde Souza.Filho.
27000 Francisco Jos Moreira de Carvalho-
28000 Jos 1 rocopio Pereira Fontes.
28500 Agostinho Coelho de Almeida.
29000 Luiz Alves Pereira.
29500 Eleulerio Jos de Souza Filho.
31000;Luiz Alves Pereira.
IIKHi Miguel Cordeiro da Silva Torres Alvim.
32000, Joao Jos Teixeira.
325(1)1 Antonio Jos Marques de S.
3O00LOZ Alves Pereira.
34500 Joaquim Jos de Norouha.
:l5O00JFrancisco Jos Moreira de Cirvalho.
35500 Eleulerio Jos de Souza Filho.
36000 Luiz Alvos Pereira.
36500 Miguel Cordeiro da Silva Torres Alvim.
37000 Jos l'rocopio Pereira Fontes.
PARA O ARACATY.
Segoc nestes dias o hiate Capibaribe : para o
retto da carga Irala-se 11a roa do Vigario n. 5.
Vende-se a barca americana Tremont, de lole
199 toneladas, forrada e cavilhuda de cobre : a tra-
tar com os consignatarios llenry Forster & Compa-
nhia.
- ASSU'.
Segu no dia 30 do correle, o hiate Correio do
Norte, recebe carga e passageiro : Irata-se com
Cactauo Cyriaco da C. M., ao lido do Corpo Santo
n. 25-
Real curnpanhia de paquetes inglezes a
vapor.
No dia 1 de
dezembro, cs-
pera-se da Eu-
ropa un dos
vapores da real
companhia, o
3ual depois da
emora do cos-
tme, seguir
paraosul: pa-
ra psssageiros, Irata-se com os agentes Adamson Ho-
wie & C, ra do Trapiche Novo n. t.
N. B.A carias para os portos do imperio, eu-
tregam-se no correio geral, e para o Rio da Prala,
no consulado inglez.
PARA O RIO DE JANEIRO-
O brigue racional Elvira, segu em
poucos dias: para carga e passageiros,
trata-secom Machado & Pinlieiro, na ra
da Vigario n. 19, segundo andar.
Para a Baha pretende sabir at o dia 30 do
correte o bem con herid o e veleiro hiale Dous Ami-
gos, por ter a maior parte de seu carregamento
prorapto ; para o resto da carga ou passageiros, tra-
ta-se com o consignatario Antonio Luiz de Oliveira
A/.evedo, na travesa da Madre de Dos n. 3 a 5, ou
cora o capilao a bordo.
LEjXOES.
Jos Francisco Con .alves far leilio por inler-
vencao- do agente Borja, quinta-feira 30 do correnle
as tO horai da manhaa, em sua casa na roa do Cot-
legio 11. 12, segundo andar, de ama excellenle mo-
bilia de Jacaranda de gosto modernissimo, um pti-
mo guarda vestidos, um dito guarda ruupa de Jaca-
randa, secretaria, commodas, gaardi-looca, ampa-
radores, sof.consolos, marquezas e cadeiras de ama-
relio, um rico santuario de Jacaranda com varias
imageus, vasos de porcellana e de vidro para en
feiles de sala, diversos qoadros, obras de ooro e pra-
la, urna poreflo de lou.as e vidros de diversas qua-
lidadei para servieo de mesa, lodos os utensilios da
casa, etet., e outros muitos objeclos que te acharao
patentes no diado leilao na mesma casa; assim co-
mo urna ptima escrava.
O agente Borja tara leilao sexta-feir 1 de
dezembro,em seu armazein na roa do Col legin. 15,
de ama quaulidade immensa de objeclos, como bem
obras de marceneria novas e asadas de diSerentes
qualidades, obras de ouro e prala, relogios diversos,
candelabros, lanlernai,candieiroietc., urna arma.3o
envidra cada para loja e oolrot muitos objeclos que
e-la rao patentes no mesmo armazem no dia do leilao ;
assim como um excellenle carro de' qoatro rodas e
ura excellenle cavallo de estribara sellado e entera-
do, -que estarlo em frente do armazem as 10 horas
em ponto.
O agente Vctor far leilao por conla da admi-
n it relo de Jo.lo Bernardo, de urna casa de lijlo,
sila no aterro dos Afogados n. 185, com armario pi-
ra taberna ou tem ella, sendo as paredes si'ngelas,
com excellenle quintal e commodos suflicienles para
familia, quinla-feira 30 do correte, s 11 horas da
manhaa, no indicado lugar: assim lambem um relo-
gio de parede de repelilo com rica caita.
O leilao de fazendas
de Vctor Lasne, continua-
r hoje 29 de novembro,
s 10 horas da manhaa,
no seu armazem, ra da
Cruz.
AVISOS DIVERSOS.
VABIEDADE.
-2." Que cm consequencia da intolerancia dos so-
cios da sua seila, os Mormonilas acharam impossi-
vel gozar no meio daquellas diueiieSet acrimonio-
sas que, sob circiimstaucias mais favoraveis, teriam
aiiiiiquiladn a sua groja.
:iy Tamben) he evidente que os incidenles que
reprimiram a sua carreira podiam ser referidos por
Joe Smilh, de maneir.i que desenvolvesse a sua in-
fluencia e a confirmas; enlre os seus discpulos.
4. O carcter de ledas as religioes no correr dos
lempos se moslra man; ou menos cora o carcter
do seu fundador. Esto he a sua tendencia univer-
sal. Todos 01 seclarioi se assemelham inevilavel-
mente com o seu che'e. Como qualquer rcligiao
provem do enlendimeiilo do seu autor, junto com
o seu caracler, os discpulos, quanto mais Ihe es-
CARTA DE BRAZ TISANA, BOTICARIO DE
LISBOA. AO BAItuEIRO.
Seleinbro 17.
Man cher.A maior parle dos grandes meslres
de mus? foram celebrGes, c tiveram as suas ina-
nias. Auber niio podia estar dous dias seguidos na
mesma Ierra, aidna que fosse na mais bella cidade
do mundo Adolfo Adam tinha um profundo a-
borecimeulo ao pe das arvoresque bordam as mar-
geos dos ros !. Moverheer nao cscreve as suas obras
senao em holeis habitados Donizetli dormia quasi
sempre quando viajara, c nao preslava a uienor al-
Icncao s bellezas da natureza Em l'aer dominava
o espirito de contrariedade. Escrcvia o Camilo,
Sargines e Achvlcs, paluscando com seus amigos,
agnniando-se com seus fillios e ralbando sem cessar
com seus creados.
O mcslre Cimarrea tinha sempre a seu lado una
iluza de curiosos que fallavam de loda a materia
em quanlo o maestro compilaba Sachini perda o
fio das suas inspiracoes se os galos, nao saltavnm
sobre a mesa Sarli nao compunha senao em urna
sala escura e sem.movis, c nlo quera mais luz
senao a de urna lamparilla inorlnaria suspensa no
lelo! Spontioi lambem compunha s escuras!
S iltici i s compunha andando pola ra a comer ca-
ramelos Haydcu s> compunha sentado era om
sof, e cora o uariz espetado no chao !!
(lurk nao compunlu senao ao ar livro, e com a
cabera ao sol, e ao lado urna garrafa de Champagne,
cojo gargalo consultara de inslanlc a iiislaule / lla-
endel s Irabalhava nos cemilerios, e as igrejas
solitarias Paisiello nao escrcvia msica senao nict-
lido na cama Mechul adorava as flores: licava cm-
batbacado horas inteiran dianle de una rosa, c s
escrcvia msica por cutre os jardins solitarios Mo-
zarl nao se senlava ao piano sem ter primeiro lido
um ou dous capilolos de Homero. Pclrarcha e Dan-
te c o proprio Vcrdi o grande compositor con-
temporneo antes de compor ha de por forca 1er ura
drama de Shakespeare, tioelhe, Srhiller, e Vctor
Hugo, ou algum fragmento de Ostial.
Agora me dir, Meslie, e que tenho eu rom .1
mana dos grandes msicos Icm muilo, lein ludo.
Nao ha homem grande que naotenha a sua balda;
veibi gratia, o Eosso divino visconde de Almeida
barret o maior dos nossos poetas, nao cscreve senao
deptia de gastar urna parle da manha dianle do es-
pelho, e de por em ordem de rcvisla de marcha os
vidros de agua do Colonia, as pomadas brilhantes,
macassar, agua da China, e mais hijoulcrias ad u-
tkna delfu. lima uolabilidade parlamentar conhe-
co cu, que prega a democracia as lypograpliia9 e
nas pracas, lambe-se lodo quando he convidado aos
soires aristocrticos da diiqueza de Plmela, e que
o guarda-puriao Ihe da excellencia !
Ura: Tisana.)
DESCRIPCAQ' DAS NOTAS CIMA, CUJA ESTAMPA DIFFERF. DAS QUE ACTUALMENTE
I GVRAM NO DITO VALOR, 3. PADRAO.
Q papel he branco, e a nota impressa com tinta prela, o emblema he ura grupo de Ires figuras, que
symbolisam a agricultura, abundancia e navegado, nas tarjas largas ao lado esquerdo, tem no centro
a coroa Brasilcira, e ao direito a medalha da Ordem do Cruzeiro, as series He designadas por lettrai al-
phabelicas, pincipiando pela serie A, as quaes se v3o cmillir. os 20que se achara dentro de um
circulo nos qustro cantos, assentam sobre um fundo diflerente das notas de 203000 rs. amarellas, que aca-
bara em bicos, sendo lambem diflerente o fundo das tarjas.
O mais trabalho he igual notas de 20 da 3. eslampa.
Caixa da amorlisacao 21 de oulubro de 1854.
O 1. escriplurario Joao Jos da Costa.
O inspector geral interino
Miguel Cordeiro da Silva Torres Alvim.
DECLARACOES.
CORREIO CERAL.
A mala para o brigue porluguez Tarujo I, com
deslino 1 cidade de Lisboa, fecha-sc no dia 2 do mez
vindouro ao meio dia.
Por esta subdelegacia se declara que se acba
recolhido em deposito um cavallo caslanho com cau-
gallia, que appareceu sem destino e sem dono, no
sitio denominado Bartbolomeu, ao lado do Arraial,
de Jos Caetano de Medeiros, morador nesta fregue-
zia : quem se jolaar com direilo a elle, apresenle-se
para Ihe ser entregue pelos meios legaes. Subdele-
gara de S. Jos do Recife 23 de novembro de 1854.
O subdelegada supplente,
Manoel Ferreira Accioli.
Por esla subdelegacia foi apprehendida a um
crioulo mogo, que disse morar na freguezia do Re-
cife e chamar-te Jos Francisco Anlonin, (esle nome
parece falso, e o crioulo ser escravo), urna bonita c
mansa cabra (bicho) coro urna (ilha, a qual tinha o
mjsmo crioulo negociado com Francisco Antonio de
Mello, morador na ra Imperial, pela pequea
quanlia de 3-3000, a quem ha pouco vender oulra.
Suppondo-se ser a cabra lunada, se faz o presente,
afim de que quem se judiar com direito a ella, a
procure. Subdelegacia de S. Jos do Recife 22 de
novembro de 1854.O subdelegado,
Manoel Ferreira Accioli.
Pela subdelegacia da freguezia de S. Frei Pe-
dro Gonjalves, foi apprehendido urna crioulinba de
nome Izidora, que parece ter 10 anuos de idade, e
diz ler sido couduzida de S. Antonio por um prelo.s
7 lloras da noilc do dla2G, e a deixou na ra da Ca-
deia, sera que ella soubesse vollar. Ouem direilo
liver mesma apresenle-se, que mostrando legal-
mente pertencer-lhe, Ihe ser entregue.
SOCIED.VE DRAMTICA EMPREZARIA.
Sabbado 2 de dezembro.
ANN1VERSARIO NATALICIO DE S. M. O IM-
PERADOR DO BRASIL.
Espectculo en grande (ala, vendido para
duat recita.
Primara recita.
Depois da rhegada do Exin. Sr. presideule da pro-
vincia, a companhia dramtica caular o hvmno na-
cional, perante a augusta elligie de S. M. o Impera-
dor. Seguir-sc-ha depois a execucao de urna nova
ouverlura, linda a qual lera principio a representa-
cao do novo drama em 4 actos e 7 quadros, intitu-
lado
DI MEZ DE FERIAS.
Prodoccao do Sr. Bandeira, aulor
lira/ Tisana do Porto.
das cartas do
COMMERCIO.
PRACA 1)0 RECI FE 28 l)K KO VEM BRO AS I
HORAS DA TARDE.
Cotacies ofliciaes.
Assucar mascavado bom195-50 por arroba.
Cambio sobre o Rio de Janeiro1 \ I de rebate.
Personagens.
Estanislao, re. .
I Frederico.....
Eduardo, salteador. .
Wurmes......
Fraila, criado do rei.
Man.feld. ; .
Clementina, rainha. .
Elita.......
Margarida, velha. .
Um menino. -. .
Marqueza de Francastel.
Conde de .
kellner, general. .
I." guarda das barreiras.
2. dito......., b
3. dito........
4." dito. .......
Quadrilheiro......p
Actores.
O Sr. Reis.
n n Cosa.
m Bezerra.
1 o Mendes.
11 Sena.
o Monteiro.
A Sr." Leopoldina.
11 Orsat.
Amalia.
u Luizioha.
Rila
O Sr. Sebastian.
Rozendo.
Pinto.
d Santa Rosa.
Jote Alves.
Pereira.
Lima.
1 oflicial, 1 salteador, 1 moco, 1 criado, 1 escrivao
que fallara.
Soldados, aldeaos, criados e salteadores, que uao
tal I un. Terminar o espectculo cora o ultimo qoa-
dro do drama.
O Iheatro estar brilhantemeutc armado.
Segunda recita.
Sabbado 9 de dezembro.
Subir a icen.) o milito desojado e apparaloso dra-
ma histrico em 3 actos e 5 quadros, denominado
LUCRECIA BORGIA.
Sendo o papel de Lucrecia desempenhado pela
actriz D. Maria Leopoldina. Dar lim o espectcu-
lo com a engrasada comedia vaudeville em 1 acto
intitulada
OS BILHETES DA LOTERA.
As pessoas que eucommendaram camarotes e ca-
deiras para estes espectculos podem vir recebe-los
de quarta-feira 29 do correle, al scxla-feira 1." de
dezembro ao meio dia, no e.iriplorio da sociedade
dramtica. O resto dos bilheles acha-se venda
no mesmo escriploro ; desde as 10 horas da manhaa
as 2 da tarde, e das 5 da (arde as 8 l|2 da noile.
Principiar as 8 horas.
AVISOS MARTIMOS.
.Para o Rio d Janeiro seguir breve o pata-
cho nacional Amizade Cons|ant por ter a maior
parte da carga prompla ; para o re-lo da mesma c
escravos a frele, para o que lem bons commodos,
(ralo-.o na ra da Cruz do Recife 11. 3, escriploro de
Ano mu lrraoi.
PARA O RIO l)E JANEIRO.
Pretende sahir com brevidade a escu-
na nacional Tamega, por ter parte do
sen cairegamento : para o resto da car-
ga e escravos a fete, trata-se com No-
vaesAC, na ra do Trapiche n. 34.
PARA O MARAiNHA'O.
Pretende sahir por estes dias, o brigue
nacional Brilhantc, por ter a maior
parte de seu carregamento prompto: pa-
ra o resto da carga e passageiros, trata-
se com Novaes & C, na ra do Trapiche
n. i.
Companhia de navegacao a vapor Luso-
Branileira.
Os Srs accio-
nislasdcstacom-
pauhia sao con-
vidados a rcali-
sarem com a
maior brevida-
de, a quinta e
ultima presta-
rlo de suas ac-
res, para a im-
i_E pwjRgporlancia ser re-
1 gg^dfc-,,^-JETagy mettida a direc-
rao : dirigindo-sc a ra do Trapiche n. 26, casa de
Manoel Duarte Rodrigues.
PARA O RIO DE JANEIRO.
Segu viagem ate ."iO do corren te me/.,
a veleira escuna nacional Linda, capi-
.oJos Ignacio Pimenta : para o resto da
carga, escravos a lete e passageiros, tra-
ta-secom o consignatario Eduardo Fer-
reira Saltar, 11a ra do Vigario n. 5.
Para o Rio de Janeiro
vai sahir com muita brevidade a barca nacional Ma-
ihilde por ler parte da carga prompla : quem na
mesma quizer carregar o resto, ir de passagem, ou
embarcar escravos a frete, para o que lem excellen-
tes commodos, falle com o capilao Jeronymo Jos
Tclles, oo no escriploro de Manoel Alves Guerra
Jnior, ni rua.do Trapiche n. 14.
Tendo-se reconhecido que a despeza
de escripia e cobranca do importe dos
annuncios he superior ao valor delles,
previne-seaos senhores assignantes deste
Diario que quando os mandaren), re-
mettam igualmente a sua importancia ;
alias nao tarto publicados.
AO PUBLICO.
Pede-se ao Sr. Bellarmino Alves de
Archa, segundo sargento da oitava com-
panhia do segundo batalhao de infanta-
ria da guarda nacional, que marchou
no pelotao de handeira, que nao conti-
ne a praticar insolencias, agarrando nas
correias dos guardas, como fez com al-
guns da segunda companhia, do contra-
rio passara' pelo desgosto de se Ihe fazer
peior vergonha: isto Ihe pede Um
guarda.
O cautelista Salustiano de Aquino
Ferreira, avisa ao possuidor dobilhetein-
teiro n. 479i, da terceira parte da quin-
ta lotera da matriz da Boa-Vista, em que
sahio asorte de 4:000S000 rs., pode vir
receber na ra do Trapichen. 56segun-
do andar, logo que sahir a lista geral.
Pernambuco 29 de novembro de 185--.
Salustiano de Aquino Ferreira.
Na ra da Cadeia loja de cambio n.
2i do Vieira, vendeu-se o bilhete inteiro,
em dous meios iguaes n. 5794, da terceira
parte da quinta loteria da matriz da Boa-
Vista, em que sahio a sorfe de 4:000^000
rs., e outro meio bilhete n. 5965, que sa-
hio a sorte de 500S000 rs.
Precisa-se de urna ama de leite: na
ra de S. Francisco, palacete novo.
Na casa da Fortuna do aterro da Boa
Vista n. 72 A, vendeurse o bilhete intei-
ro n. 1657, da terceira parte da quinta
loteria da matriz da Boa-Vista, no qual
sahio o premio de l:000s000 r., e alem
deste venderam-se outros com premios
de 200$, lOOs'e O.sOOO rs. em meios bi-
lheles : os possuidores podem vir recbel-
os premios respectivos, logo que sahir a
lista geral.
Aloga-se nm preto bom cozinheiro : na ma
largado Rosario loja de raiudezas n. 38.
No dia 8 de oulubro do correte anuo, desap-
parecen do engenho Agua Ira, da freguezia de S.
Lourcnro da Malta, om escravo de nome Severino,
com os signaes seguintes : estatura regnlar, faltam-
Ihe um ou dous denle da frente no lado superior,
pescoc.0 enterrado, urna costara no osso do oariz,
urna cicatriz no colovello do braco direilo procedido
de goma, levou vestido|camisa ciroula de algodao da
trra e chapeo de palha novo : qualquer pessoa em-
preada na pliri.i. oo particular qoe o prender le-
ve-o no dito eogenho, ou nesla praca na ra da
Guia n. ti segnndaaaudar, que ser generosamente
recompensado ; o retando escravo foi comprado a
Jos Man.,el Alves I arreira. morador nas Capoeiras
da fresuezia do Pao d'Alho.
Miguel da Costa, subdito porloguez, declara ao
publico, que d'ora em dianle se assigna por Miguel
Jos da Costa.
Foi vendido na casa da Fama, aterro da Boa-
Vista 11. 18, o 11. i.id da loteria da matriz da Boa-
Vista, 110 qual sahio a sorle grande de 8:0009000,
desmanchados em quartos e vigsimos..
Aluga-se o primeiro andar do sobrado n. 48da
ra larga do Rosario.
Francisco Caetano de Souza relira-se para fra
da provincia.
Precisa-se de urna ama qne saiba cozinhar bem,
que seja idosa e fiel, para casa de hornera solleiro, e
de um molequeou negro para servico externo : na
ra do Uueimado o. 51.
Precisa-se de um rapaz meuor de 14 a 16 th-
nos, para criado : na ra do Rangel, sobrado n. i).
Precisa-se alagar um prclo para todo servico.
damlo-so sustento, e paga-se mensalmeote : na ra
do Rangel, sobrado o. D._
Liquidadlo,
O abaiso assigoado, dono da loja de relojoeiro, na
ra Nova n 22, avisa ao respeilavel publico, que
tem um grande sortimenlo de relogios de ouro e.
prala, patentes sui-sos e horisontaes, de (odas as'
qualidades.; assim como correnle- de ouro e chaves
para os mesmos ; relogios de parede, realejos, rica
pulceiras. meios adereros, rozelasdo goslo mais mu-
derno, botoes de aberturas, ele, etc., que" vende
por mdico preco, porque deseja acabar coro ludo".
i. Locase.
Precisa-se de urna ama para o sen ico interno
de urna casa de muilo pouco familia : no pateo do
Terjo n. 24.
lio engenho Taboquinha, desappareceu de seo
senhor Manoel Severino Pereira de Queirs, na noi-
le de 19 para 20 do correnle, o escravo crioulo. de
nome Severino, o qual lem os signaes seguintes :
idade 32 annos, pouco mais oo meos, estatura re-
gular, cheio do corpo, nariz grosso e achatado, pou-
ca barba, cor alguma cousa fula, pomas cheias, ps
rossos e Itrgos ; levou camisa, ralea e ceroola, o
talvez jaquela ; roga-te as autoridades polirias, ca-
pites de campo, oo a qualquer pessoa, o apprehen-
itam e levem-no ra larga do Rosario n. 50, que
ser gratificado.






DIARIO UE.PERHAHBUCO, QUARTA FIRA 29 DE NOVEMBRO DE 1854


Precisa-'e de om meuino para estar ao baldo
de ama padaria e que di' conhecimcnlo de sua con-
ducta ; uo pateo do Terco n. II, se dir quera pre-
cisa.
Constando 10 abano assignado, que alguem tem
por ahi espalhado.queo Sr. Jos Ribeiro de Brito
he socio capitalista da prensa que forma o cstabelc-
cimento que tem o abaiio assignado no lugar do
Forte do Mallos, declara no publico e principalmen-
te ao commercio desla praca, que o Sr. Brito nao
tem quanlia algama em sna man ; o capital cun
que a casa gyra perlence nicamente ao abaixo as-
signado ; em vista do que, protesta contra qoalqucr
acr.ln que porvcntura apparec.a da parte de alguem
que se julgar coni direilo aos fundos do seu estabe-
Iccimeiito.Jos Carlos de Souza Lobo.
l'm credor d.i extracta llrma Ferreira & Oli-
veira, fallida em 1816, perganta a commissSo admi-
nistradora detsa massa, o que fea della, pois que o
annunciaote at boje nunca receten nada, serMu cre-
dor de maia de 2:0009000. \
Roga-se ao Rvm. Sr. padre Jos Te-
xeira de Mello, vigario da freguezia do
Buique, que mande pagar o que deve na,
ra Direita n. 14, tanto a sua conta co-
mo o endosso que S. Rvm. mandou dar a
Salustiano Ferreira da Costa, morador no
lugar denominado Mulung, que somma
a dita quantia rs. 1:361950 fra o ju-
ros, isto no anno de 1852, pois o seu cre-
dor ja' esta' cansado de ser engaado, co-
mo ibi em Janeiro do dito anno, que en-
ganou ao portador que la' foi.e S- Rvm.
mandou dizer que ja' tinlia mandado pa-
gar, e at hoje ainda nao se recebeu, gas-
tando o seu credor com o portador que
la' foi lOOjjtOOO rs., fora o aluguel do ca-
vallo ; pois o sou credor roga-lhe que nao
seja tao desconhecido, que alm disto llie
tem prestado os seus servicos em outras
cousas mais;.portanto o seu credor lhe
participa que ja' pagou nesta prca a
dita quantia, porm nao foi com as car-
tas que o Rvm. padieJos Teixeira de
Mello liie tem mandado.Jos Pinto da
Costa.
COMPANHIA DE BEBER1BE.
A administrarlo da companhia de Be-
beribe, resolveu em sessao de 2i- do cor-
rente, por em arrematarlo a .taxa dos
chafarizes por bairros, ou em sua totali-
dade, por tempo de um anno, a contar
do 1 de Janeiro de 1855 ; para o que con-
vida a quem tal arrematacao convier, a
comparecer no escriptorio da companhia,
no dia 12 de dezembro prximo vindou-
ro ao meiodia, com as suas propostas em
carta fechada, nasquaes deverao ser d.e-
clarados os fiadores dos concurrentes, que
podero obter os precisos esclarecimentos
a'cerca do rend ment da taxa, no escri-
ptorio da companhia, das 9 horas da ma-
nhaa, a's 3 da tarde de qualquer dia til.
Recife 25 de novembro de 1854.O se-
cretario, Luiz da Costa Portocarreiro.
O abaixo assignado, adverte a'quel-
las pessoas que se dignam ser seus deve-
dores, por compra de bilhetes de lotera
ou outro negocio, que quando houverem
de pagar-lhe seus dbitos, o factfm pesso-
almente ao abaixo assignado, ou a seu
caixeiro Jos Domingos Mendes.Anto-
nio Jos de Faria Machado.
Amanha, quarta-feira 29 do
corrente, he o ultimo dia em que o
abaixo assignado tira retratos nes-
ta cidade. Pernambuco 28 de
novembro de 1854.Joaquim
Jos Pacheco.
II
Aluga-se ou empenha-se por 4009000 urna es-
crava, parda, ainda nioca, com as seguintes habili-
dades : cose chao, lava de sabSo e barrella, eogora-
ma liso e cozinha o diario de ama casa de pouca
familia, pora isso eslar coslumada ; notando-se que
seus servicos nao se entender de portas para fra.
pois he recolhid.-i : quem quizer qualquer negocio
dos cima dilos.annuncie para ser procurado, ou di-
irja-se taberna que volta para a Camboa do Carmo,
COMPANHIA DE BEBERIBE.
A administra rao da companhia de Be-
beribe, tem autorisado o Sr. caixa a pa-
gare- dcimo terceiro dividendo, visto que
no dia 24 do corrente nao se reuni nu-
mero de votos sufficientes para haver as-
sembla geral.O secretario, Luiz da
Costa Portocarreiro.
Madama Rosa Hardy, modista brasilei-
ra.rua Nova r>. 34.
Parlecipa ao respeitavel publico, que acaba de re-
ceber om rico sortimenlo de chapeos de seda e de
palha para senhora, ditos para meninas de seda e
de palha, chapozinho de seda para baplisado, ca-
pellas de laranjas para noiva, ricos corles de vestidos
de barege de seda, corles de seda escosseza, grode-
uaples furia cores e preti, ditos sarja preta lavrada,
manteletes e capolinhos prelos e de cores.ricos cha-
les de retros e bordados para senhoras, ditos de seda,
ilos de laa a milacSo de cachemira.romeiras de fil
bordado de seda branca e de cores, veos a imitacao
de bionde para noiva, lencos de mao de cambraia
de linho, ditos de cambraia e algodao, trans de se-
da e algodao, branca e de cores, toacas e vestidos de
baplisado, esparlhos, filas e bicos de seda de linho
e blunde, meias de seda para criancas, pentes de
tartaruga, camizinhas de senhoras, leqnes e outras
fazendas que se veedem por prego coramodo.
Casa da afericao, pateo do Terco 16.
Apeesoa competentemente antorisada pelo aferi-
por, taz ver a quem interessar possa, que o prazo
marcado pelo regiment municipal, linalisa-se no dia
Jl de dezembro prximo futuro, e que depoij nao se
chamemla ignorancia. Recife 21 de novembro de
iso*.Pelo afendor, Prxedes da Silva Gusmao.
OCRAVO.
No da 1. de dezembro praximo vindouro reappa-
recera o Crato. Os senhores assignanles que quize-
rem continuar com as suas assignaluras, tenham a
boudadede dirigir ra Nova n. 52, loja do Sr.
noavenlura. Adverte-se que a assignatura be de 800
rs. por trimestre, e vende-se avulso a 100 rs. cada
~ Precia-se lg nm prelo sem habilidades,
ma, que seja robusto : quem tiver anuuucie para
ser procurado. r
Precsa-se de urna lavadeira que lave rouoa
rom muila perfeicao, que preste flanea da sua con-
ducta, e que d a roupa de 8 em 8 dias: no hotel da
Europa da ra da Aurora n. 58.
~a *lu;a-se aonualmeote ou pela fesla urna pro-
pnedade de pedra e cal com commodos sufficientes
para qualquer familia, no lugar do Poro da Panella,
conligua ao ex-collegio de S. Boavenlura : a tratar
da S" Brum Ds- 6> 8 e 10- com "ro
n Ci,a*'e ,de oma ama 1ae saiba cozinhar e
engomraar : no largo do Terco, casa n.44.
Resta na Capunga urna boa casa para aluwr,
quasi t m.rgem do rio, com 4 salas, 7 quarlos. des-
pensa cozinha fora. quarlo para escravos, estribara
para .1 cavallos, cocheira, um grande copiar, quiutal
para poder ter um bom jardira : a tratar ua ra do
Cubuga n. 6.
Precisa-se de urna molaque que saiba cozinhar
e jazer iodo o servico de urna casa de homem sol-
leiro : na ra Nova n. 41, primeiro andar.
pe accordo com a parte segunda do artigo 41
iv i01 w da comPanh'a de seguros martimos
i uiidade Publica, convidamos aos senhores accio-
nlas a reunirem-sg no dia 30 do corrente novem-
'iro, no escriptorio Ha mesma companhia, ra da Ca-
i -"" T ao meio dla- Kecife24 de novembro de
T' ~. dlrecl<>fes, Manoel Joaquim llamos e
>ra, Luiz Antonio l'ieira.
j Joaquim Jos Pacheco retlra-se
para o Rio de Janeiro.
tt
Tn 'Sr~*e df ama amil de Uile- 1Ue seJa brl"-
ca ou parda : n largo doTcrgo n. 44.
UM PRODIGIO DO METHODO CASTI-
DA PRAIAEITUM REPENT,XA' RUA
edicto "an"'8 mcnl a painas Xl da sua 3.
g" J".,seu Mlhodo cura a gaguez ; com
favo do%^r"'r,'"0 ma'S Uma """vilha em
padre i.?' C'sl',b?- Encarregou-me o Rvm. Sr.
pitando a. lesen,Penhar. a m,Dha n"ao.' fui-lbe
SS2? ? regra* e mals P'eceitos do melhodo
emraanniPr0dgOVnOfim de 15 dias ^Cnind
caula as^rT'"""10 'Phabelo,jaDla as sillabas,
toda zLZ*'",* e,"ecula a marchas sillabicas con
wwm.S" fJs Wtari reSeMd",men0- ireclord. escola de
res rdXr i e,,,mana "'0 que lodos os illus-
as 9 da n- 05 JOr"aes de8U cirtade fossem da 7
dos tlem^h r" *? qne *** desoecupa-
met'hodi T.hf.rAocul"te a excellencia desle
Sen ae, A V C0" de noile P"a humens 5*000
Su "ro.' /.T *'?? meDn09 :1000- O lector
le-' narua ,ll P,e'ad? raa" prMS0 aos dK'>P-
of na roa da Praia, palacete amarello.
CONSULTORIO DOS POBRES
25 RA DO GOL LE GX O 1 AKTDAH 25.
O Dr. P. A. Lobo Moscozo d consultas hcmeopatliicas toaos os dias aos pobres, desde 9 horas da
maohaa ateo meio dia, e em casos exlraordinaros a qualquer hora do dia ou noile.
Offerece-se igualmente para pratcar qualquer operaca,. de cirurgia, e acudir promptamenle a qual-
quer mulherjque esteja mal de parlo, e cujascircumstancias nao permiltam pagar au medico.
NO CONSULTORIO DO DR. F. A. LOBO MOSCOZO.
25 RA DO COLLEGIO 25
VENDE-SE O SEGUIITE:
Manual completo de meddicina homeopalhica do Dr. G. H. Jahr, traduzido em por
luguez pelo Dr. Moscozo, quatro volumes encadernados em elous e acompanhado de
um dicciouano dos termos de medicina, cirurgia, anatoma, etc., etc.
205000
Recolhem-se gneros por meuos armazeuagem
do que em outra qualquer parte, no armazem n. 20
do largo da Assemblca ; ofl'erecendo fcil embarque
e desembarque por ser em frente do trapiche do al-
uodau.
Domingos da Silva relira-se para Portugal.
Alusa-se uma casa lerrca no becco do Tambi,
na praja da Una-Vi.I,i : quem pretender, pode diri-
gir-sc a ra do Queimado n. 10, loja.
Um estrangelro precisa alagar um silo perlo
da praca, que leuha cslribaria e cocheira, preferin-
do-se os da estrada, at Ponte de l'cha : quem o
tiver, dirja-se ra da Cruz n. 4, primeiro andar.
Precisa-se de um pequeo oratorio e de uma
imagem de Chrislo, o oulra deSanl'Amia, que ludo
esteja era bom estado: no largo do Corpo Sanio n.
6, ou auuuncie para ser procurado.
COMPRAS.
spen
que
HEIOS NO UKOAiMSMUEM hSlAUO DE SAUDE-conhecimenlos que nao pod^...
soas que sequerem dedicar a praticada verdadeira medicina, inleressa a todos os mdicos qne quizerem
experimentar a rioulnna de Hahnemann, e por si mesmos se convencerem da verdade d'ella: a lodos os
fazendeiros e senhores de engenho que estao longe dos recursos dos mdicos: a lodos os capites de navio,
que uma ou outra vez nao podem deixar de acudir a qualquer incommodo seu ou de seus tripulantes :
a todos os pas de familia que por circumstancias, que nem sempre podem ser prevenidas, sao obriga-
dos a prestar in continenti os primeiros soccorros em suas enfermidades.
O vade-mecum do homeopalha ou tradcelo da medicina domestica do Dr. Hering,
obra tambera til as pessoas que se dedicara ao estado da homeopathia, um vol-
me grande, acompanhado do diccionario dos lermos de medicina...... IOJjOOO
O diccionario dos termos de medicina, cirargia, anatoma, ele, etc., encardenado. :13000
Sem verdadeiros e bem preparados medicamentos nao se pode dar um passo seguro na pratica da
homeopalhia, e o proprietario desle estabelecimenlo se lisongea de le-lo o mais bem montado possivel c
mnguem davida hoje da grande superioridade dos seus medicamentos.
Boticas de 2 medicamentos em glbulos, a 10, l e 15&000 rs.
Ditas 36 ditos a.................. ogooo
Ditas 18 ditos a.......... 251000
!-!aS .^? '-!08 a........" ''''.'.'.'.'. '. "JJOOO
D.Us 144 ditos a.................. SoM
lubosavulsos ..................... laOOO
Frascos de raeia onc,a de lindura.......... I J. 25000
Na mesroa casa ha sempre i venda grande numero de lobos de cryslal de diversos tamanhos,
vidros para medicamentos, e aprorapta-se qualquer encommenda de medicamentos com toda a brevida-
de e por precos muito commodos.
TOALHAS
E GUARDANAPOS DE PANNO DE
LINHO PURO.
Na ra do Crespo, loja da esquina que volta para
a cadeia, vendem-se toalhas de panno de linho, lisas
e adamascadas para rosto, (lilas adamascadas para
mesa, guardanapus adamascados, por precos com-
modos.
I.ava-se e engomma-se com toda a perfeicSo e
aceo: no largo da ribeira de S. Jos, na loja do so-
brado n. 15.
BANCO DE PERNAMBUCO.
Em virtude da requisicao feita pela
direccao do Banco de Pernambuco, em
data de 18 de novembro corrente, he
convocada a assembla geral do mesmo
Banco, parasereuniremno dia 29 do cor-
rente novembro alim de tratar-se da fusao
do Banco de Pernambuco com o do Brasil,
a's 11 horas no lugar do costume. Recife 21
de novembro de 1854.Pedro Francisco
de Paula Cavalcanti de Albuquerqje,
presidente.Jos Bernardo Galvao Al-
coforado, primeiro secretario.
_ O Sr. procurador da cmara mu-
nicipal do Limoeiro, baja de mandar pa-
gar a'assignatura do Diario de Pernam-
buco, para a mesma cmara, que se
acha em grandeatrazo de pagamento.
@@@SS#
m ^ DENTISTA FKANCEZ.
9 Paulo Gaignoux, estabelecido na ra larga (j)
S <1 Rosario n. 36, secnndo andar, colloca den- @
les com gengvas artiticiaes, e dentadura com- ($
SC plcta, ou parte della, com a pressao do ar. $
9 Tambem lem para vender agua denlifrice do
9 Dr. Pierre, e p para denles. Kna larga do &
Kosario n. 36 segundo andar. a|
Novos livros de homeopalhia oiefrancez, obras
(odas de summa importancia :
Hahnemann, tratado das molestias chronicas, 4 vo-
^lumes............OSOfJO
Teslc, rrolestias dos meninos.....fiJOOO
Hering, homeopalhia domestica.....79000
Jahr, pharmacnpa homeopalhica. 69OOO
Jahr, novo manual, 4 vulumes .... 16 Jahr, molestias nervosas.......65OOO
Jahr, molestias da pelle.......85000
Kapou, historia da homeopathia, 2 volumes I63OOO
Harthmann, tratado completo das molestias
dos menina-..........
A Teste, materia medica homeopalhica. .
De Favolle, doulrina medica homeopalhica
Clnica de Slaoneli........
Casling, verdade da homeopathia. .
Diccionario de Nyslen.......
Aulas completo de anatoma com bellas es-
tampas coloridas, coolendo a descripcao
, de todas as partes do corpo humano .
vedem-se lodos estes livros no consultorio homeopa-
Ihico do Dr. Lobo Moscoso, ra do Collegio n. 25,
primeiro audar.
Aluga-se para o servico de bolieiro um escra-
vo mulato com muila pratica desse officio. Na ra
da Saudade fronteira do Hospicio, casa da resi-
dencia do Dr. Lourenco Trigo de Loureiro.
O Sr. Joaquim Ferreira que leve loja ua pra-
cinha do Ln ramelo temuma carta na liviana ns.
6 e 8 da praca da Independencia.
ANTIGO DEPOSITO DE CAL E
POTASSA.
No antigo deposito da ra do Trapiche
n. 15, ha muito superior potassa da Rus-
sia e americana, ecal virgem, chegadaha
poueq. tudo por prec_o commodo.
O Sr. Adolpho Manoel Camello Lins,
escrivao de Iguar'assu', queira quando
vier a esta praca, dirigir-se a livraria da
praca da Independencia n. 6 e 8, a nego-
cio que lhe diz respeito.
O Sr. Jos Norberto Casado Lima,
queira apparecer na livraria n. 6 e 8 da
praca da Independencia que se lhe preci-
sa fallar a negocio.
105000
81000
"3000
6.3OOO
45OOO
10JOO0
:W5000
J. MI DENTISTA,
& continua a residir na ra Nova n. 19, prime- @
9 -I_aB-dar- #
AULA DE LATIM
O padre Vicente Ferrer de Albuquer-
que, professor jubilado de grammatica
latina, tem estabelecido sua aula par-
ticuhyna ra Direita sobrado n. 27, se-
gundo andar, onde recebe todos os alum-
nos, quer externos ou internos, tanto des-
ta praca cmodo mato, medame a razoa-
vel convencao que pessoalmente ofl'ere-
cera'.
SS S5g@@
S Na estrada dos Afilelos, sitio confronte a
capella, dAo-se consullas homeopatbicas. S(
-7- No hotel da Europa, na ra da Aurora, d-se
a tinoco e janfr para fra, por preco muito razoavel
O bacharel em inatlieiualicas B. Pereira do w
Carmo Jnior dar principio no dia 1.- de de- '
zembro prximo futuro, a um novo curso de 5
arithmetica. algebra e geometra, na ra Nova,
9 sobrado n. 5(> : para os senhores estudantes 5$
que teuconarem fezer exames em marco pro- W
9 ximo vindouro se prescindir das explicarOes ffii
de algebra. g-
JOAO' PEDRO VOGELEY,
fabricante de pianos, afina e conccrla os mesmos com
toda perfeicao e por mdico preco : todas as pessoas
que se quizerem utilisar de seu presumo, drijam-se
ra Nova n. 41, primeiro andar.
No holel da Surupa, na ra da Aurora, lem
comida e bons petiscos a toda hora, por preco com-
modo. .
Jolas.
Os abaixo asignados, donos da loja deonrives, na
ra do Cabug n. 11, confronte ao ateo da matriz
e ra Nova, fazem publico que estao sempre sorlidos
dos mais ricos e melhores goslos de todas as obras de
ouro necersarias, tanto para senhoras como para
homens o meninas, contiuuam us presos mesmo ba-
ralos como lera sido ; passar-se-ha uma conla com
responsahilidade, especificando a qualidade do ouro
deli ou 18 quilates, licando assim garantido o com-
prador se apparecer qualquer duvida. Seranhim
& Irmao.
Aluga-se uma sala com mobilia,
em um lugar muito proprio para advogacia,' c tem
rauito boas escadas: a Iralar ua ra do Queimado u.
7, loja da Estrella.
CARLOS HARDY, Ol'RIVES, RA NOVA
N. 3*,
recebeu de Pars um lindo sorlimento de obras de
ouro de lei: correles modernas de 6 palmo para
relogiu, pelo preco de 65000 a 80S000 ; Irancelins
Chalos com passador, ricos sineleg, aderecos inleiros,
etc., aderecos, cassolelas esmalladas, ura grande sor-
limenlo de rosetas para senhoras e meninas, alfine-
es, anneise pulceras, obras leitas na Ierra, annel-
loes, roedalhas, Irancelins, cordes, colares, gargan-
tillas, brincos, rosetas, allinetes, ludo se vende mui-
to baralo.
Aluga-se uma casa lrrea na povoac,3o doMon-
leiro, com a frente para a iareja de S. PanlaleAo,
muilo limpa, fresca, com commodos para familia re-
gular, tendo ama porla e duas janellas na frenle: a
tratar com Antonio Jos Rodrigues de Souza Jnior,
na mesma pnvoac.ao, ou na ra do Collegio n. 21, se-
gundo andar.
O Porluguez que veio ao pateo da Santa-Cruz
para ser caixeiro, queira dirigir-se ao mesmo lugar,
que deseja-se fallar.
Aluga-se a loja na Iravessa da ra do Queima-
do n. 7 para qualquer estabelecimenlo : a Iralar na
praca da Independencia ns. 7 e 9.
Precisa-se de uma ama de leite para se en-
carregar da i-r i a cao de uma menina de 5 mezes : na
ra larga do Rosario n. 30, lerceiro andar.
Precisa-se de 5008 cora seguranca em um sitio
com tres casas : qncm tiver anuuncie.
Os herdeiros do fallecido Sebastiao dos Ocnlos
Arco-Verde Pernambuco fazem sciente a aquellas
pessoas que se julgarem credoras c mesmo devedoras
da casa, que comparceam cora seus documentos le-
galisados notiilip da Capellinha, para serem levadas
em conla no acto do inventario que se lem de pro-
ceder cora (oda brevidade.
No aterro da Boa-Vista, lenda de sapateiro,
defronte do becco dos Ferreiros, se dir quem tem
um bom terieno fra do centro da cidade, e em mui-
to boa posic.io para se poder 1er urna grande co-
cheira.
Precisa-se de una senhora que queira ir para a
Europa em companhia de uma familia : a pessoa que
lhe convier, annuncie.
Oflerece-se um rapaz porluguez com muila
pratica de escripturacjto, para caixeiro de qualquer
eslabelecimuoto, e d fiador a sua conduela : quera
precisar annuncie.
. Offerece-se um rapaz porluguez de 18 a 20 an-
nos deidade, para caixeiro de taberna, do que tem
bastante praLica: na roa Augusta, taberna n, 94.
Cura da mudez pelo methodo Castillio.
O professor da aula de leitura repentina, na ra
da Praia. convida a todos os chefes de familia a
mandaren) all os meninos que nao possain fallar ;
mas qne posfam ouvir, afim de experimentar se ob-
lem o mesmo feliz resultado do meuino do reveren-
do Sr. padre I.emo.<. A experiencia principia do 1.
al o dia 2o de dezembro, gratuitamente. Os que
obliverem a falla pagarjo a mensalidade igual aos
demais alumnos, 35000, o conlinuarao.'querendo, a
aprender pelo exce I lente'methodo Caslilho.
Alugam-se trabalbadores livres nu escravos,
para armazem de assacar : na ra do Brum, arma-
zem n. 26.
Madama Routier,' modista francesa, ra
Nova n. 58,
lema honra deannunciar ao publico, que acaba de
receber um rico sorlimcnlo de chapeos de seda e de
palha para senhoras, ditos para meninas, bonitas Co-
misionas, chales de relcoz, manteletes e capolinhos
de cores, romeiras de fil, esparlilhos, e oulras mui-
H lazcndas por diminutos presos.
AO II BUCO.
No armazem de fazendas bara-
tas, ma do Collegio n. 2,
vende-se um completo sortimento
de fazendas, linas e grossas, por
precos mais baixos do que em ou-
tra qualquer parte, tanto em por-
gues, como a retalho, amanendo-
se aos compradores um s preco
para lodos : este estabeleciment
ahrio-se de combinacao com a
maior parte das casas commercaes
mglezas, Irancezas', allemaas e suis-
sas, para vender fazendas mais em
Conta do que se tem vendido, epor
isto olferecendo elle maiores van-
tagens do que outro qualquer ; o
proprietario deste importante'es-
tabelecimento convida a' todos os
seus patricios, e ao publico em ge-
ral, para que venham (a' bem dos
seus interesses) comprar fazendas
baratas, no armazem da ra do
Collegio n. 2, de
Antonio Luiz dos Santos & Rolim.
Nesta typographia se dir quem compra dous
bahs novos, ou com algora uso.
Para uma encommenda.
Na ra da Cruz n. 52 compra-se uma escrava de 18
a 20 anuos, que seja de boa figura e inlelligenle no
servico de casa de lamilla.
Compra-se prata brasileira c hcspauliola : na
ra da Cadeia do Recite n. 5i, loja.
Compra-se peroba de priraeira qualidade, ou
outra madeira propria para fazer pipas; tendo os lo-
ros 7 palmos de comprido : na dislilar,ao do Franca
ua praia de Sania Rila.
Na ra da Penha n. 4, compra-se uma escrava
que seja boa vendedora de ra ; paga-se bem.
Compra-se uma negrinha de 4 a 5 anuos; na
Soledade, casa n. 8.
Compram-se dnas prctas para o servico de ca-
sa, que saib cozinhar e cngomraar bem, sao para
servir nesla cidade, e se quer de boa conducta e sem
defeilo physico; agradando se pagarSo bem : no lar-
go do Corpo Santo n. 6.
Compram-se aeches-do Banco de Pernambuco:
na praca do Corno Sonto n. 6, cscriplorio.
~ VENDAS.
Desencamiuhou-se do poder de Joao Tavares
Cordeiro, dous meios bilheles da 47. loleria couce-
dida por decreto de 17 de novembro de 1841, a be-
neficio do Monte Pi Geral de economa dosservido-
resdo Eslado.3.do anno de 1852a 1853,de ns. 1719
e 2454, comprados ao vendedor de bilhetes o Sr.
Jos Joaquim da Silva Araujo Jnior ; por isso se
previne as pessoas aqui encarregadas, de nSo paga-
rem qualquer premio que por sorte tiver sabido, da
mesma forma se convida a quem os lenha achado,
dos entregar ao seu legitimo dono, na Iravessa da
Madrc-de-Deos n. 9, que recompensar, advertiudo
que em dilos bilheles he inleressado o Sr. ellino
(ionralves Pereira Lima.
Rogativa que nao ollnde.
Roga-se ao Sr. Dr. Mamede, que se dcixe de an-
dar com saltos de viado, dando informares a S. E*c,
sempre contrarias, para que os pobres d'a velha Olin-
da deixem de ter agua, s e foi por ahi nao dar os
seus estados ; se assim continuar com estas e oulras
informac.es,A se lhe roga a praga de mil raios so-
bre sua cabera, pelos males que causa pobreza de
Olinda. l'm desesperado.
Domingo a' tarde, pof occasio da
procissao de Corpus Christi, perdeu-se
uma luneta de ouro, desde a matriz de
Santo Antonio atea ra do Collegio, e ou-
tras mais por onde passou a procissao:
he oitavada, lisa, e o vidro sem gra'o :
quem a achou querendo restituir, pode
leva-la ra estreila do Rosario 11. 15,
ou a' praca da Independencia livraria n.
0 e 8, que muito se lhe agradecer'; e,
se o exigir, dar-se-lhe-ha' alvicaras.
Aluga-se na rua Nova 11. 21, segundo andar,
uma ama que qncira cozinhar para duas pessoas.
No hotel de turopa da rua da Aurora lem sor-
vetes de dia e de noile, e lambem precisa-se de 2 mo-
leques de aluguel para servico de casa.
O abaixo assignado, em resposta ao anhuncio
que por este Diario publicou Domingos de Uollan-
da Cavalcanti de Albuqucrque, declara que com os
seus tres anuuncios prevenindo que senao conlralas-
se com o dito liollamla acerca dos bens do casal do
linado Joaquim Jos Vieira, de que est de pos-e
como administrador de sua miilhcr, s quiz arredar
nos inexpertos de quesloes futuras, c nao discutir
a juslira com que o juiz de orphaos despachou a fa-
vor de liollamla ; islo ja o fez nos autos que he o
lugar compelcnle, ede modo que espera que o Egre-
cio Iribuual da relarao em quem lambem muito con-
fia o abaixo assignado, se convencer de que o tal
despacho foi proferido contra o direito, e o estylo de
jiilgar ; portanto o annuucianle pela ullima vez de-
clara que taes bens estao sujeitos a subparlilha, c
que ir have-los onde quer que estejara.
Jos Domingues Codiceira.
Jos Antonio Lopes de Alb'uquerquc Jnior
faz scienle que deixou de ser caixeiro do Sr. Joa-
quim Juvencio da Silva.
Aluga-se o grande sitio denominado do Cajuei-
ro, com grande e exrellenle casa de vivenda, um dos
raelhores viveiros, muilos arvoredos de fructo, gran-
de baixa para capim, e assim lambem duas casas pro-
prias para se passar a Testa, as quaes se alugara em
separado ou conjunctamenle com o sitio, ludo por
preQo coramodo ; a tratar no mesmo silio.
Aluga-se o sobiadinho com loja, ua roa da
Praia dos carnes seccas n. 72 : a tratar Di rua estrel-
la do Rosario o. 10, taberna.
4500
FOLHINHAS PARA 1855.
Acham-se a' venda as bem conhecidas
olhinhas impressas nesta typographia,
tanto de algibeira, como de porta, sendo
estasa ICO rs., e aquellas a 520; ebreve
estarlo promptas as ecclesiasticas e de al-
i n a 11,1 k : na livraria n. ti e 8 da praca da
Independencia.
COM TOQUE DE A VARIA.
Chitas escuras e fixas a V.s'500 e 5J000
rs. a peca: na rua do Crespo, loja da
esquina que volta para a cadeia.
NELPOHNE DE LAN ESCOCEZ
A 500 RS. O COVADO.
Na loja n. 17 da rua do Queimado, ao pe da boti-
ca, vende-se alpaca de la escoceza, chegada pelo ul-
timo navio, a qual fazenda na Europa se d o mue
de Melpomcne de Escocia, muito propria para rou-
pes e vestidos de senhora e meninos por ser de mui-
to brilho, pelo commodo preco de 500 rs. cada co-
vado ; dao-se as amostras com peuhores.
CAMBR4I4S D\ MPERATRIZ
PARA VESTIDOS DE SENHORAS,
fazenda nova, viuda da Europa pelo vapor Impera-
dor, por commodo preco : na rua do Queimado n.
7 CASSAS FRANCEZAS
A 320 RS O COVADO.
Vende-se na rua do Queimado, loja n. 17, cassas
francezas novss, de cores fixas, pelo baralo prec,o de
320 rs. cada covado.
RISGADOS ESCOCEZES
A 300 RS. O COVADO.
Vendem-se na rua do Queimado, loja n. 17, ao
p da botica.
Vende-se superior carne do seriao da melhor
que tem vindo ao mercado, propria para quem quer
uma boa trincha para passar a fesla, em porcao e a
retalho : na rua da Praia n. 4;
Vende-se um roulatinho de 20 annos, bom offi-
cial de marcineiro : a Iralar na rua do Queimado
n. 4.
Vende-se superior chocolate fran-
cez, por preco commodo: na rua da Cruz
n. 2G, primeiro andar.
Vende-se superior Kirche e Absinthe
verdadeirode Suissa : na rua da Cruz n-
2t, primeiro andar.
Vendem-se aberturas francezas, pa-
ra camisas do linho e de madapolo, por
proco commodo : na rua da Cruz n. 26,
primeiro andar.
NAVALHAS A CONTENTO E TESOL'RA S.
Na rua da Cadeia do Recife n. 48, primeiro an-
dar, cscriplorio de Auausto C. de Abreu, conti-
nuam-se a vender a 8000 o par (preco fixo) as ja
bem conhecidas e afamadas navalhs de barba, feilas
pelo hbil fabricante que foi premiado na expsito
de Londres, as quaes alm de durarem extraordina-
riamente, nao se senlera no rosto na accjlo de corlar;
vendem-se com a condicao de, nao agradando, po-
derem os compradores devolve-las al 15 diasdepois
pa compra restituindo-ie o importe. Na mesma ca-
sa ha ricas tesourinhas para unhas, feilas pelo mes-
mo fakricanle.
A lfOOO arroba.
Vendem-se seperiores btalas a 15 a arroba e em
libras a 40 rs. : ua rua Direita n. 76, esquina da
Iravessa dos Peccados Morlaes.
Vende-se uma boa casa terrea em Olinda, rua
da bica de S. Pedro, que faz esquiua com o cercado
de madeira, com 2 portas e 2 janellas de frente, 3
salas, 3 quarlos, cozinha grande, copiar, estribara,
grande quintal lodo murado, cora portao e cacimba,
muito propria para se passar a festa, mesmo para
morar lodo o anno : a tratar no Recife, rua do Col-
legio u. 21, segundo andar.
Ao barato freguezes.
Na rua do Crespo, loja encamada, vendem-se cor-
les de casemira muito fina, pelo diminuto preco de
4-3000,4*500 ejOOO; dilos de brim a 18600*6 25
rs. ; cortes de cassa com barra e sem ella a 2ji000,
23500 e 3o000 ; chita franceza a 200 rs. o covado, e
outras muitas fazendas por barato preco.
Loja encarnada, rua do Crespo n. 9.
Vendem-se corles de gase de seda, pelo diminuto
preco de 85OOO ; vende-se por este preco por se ter
comprado grande porcao.
Vende-se uma preta de safio Angola, idade 22
a 24 annos, ponco mais ou menos, perita cozinheira
e engommadeira, lava muilo bem de aabSo e cose :
a tratar na rua do Queimado n. 44.
Vende-se uma taberna com poucos fundos, na
rua da Senzala Velha n. 50, na esquina ; a metade
a vista, e o reslo a leltras, cora firma a contento : a
tratar na rua Direita n. 26-
Vende-se na padaria da rua da Senzala Nova
n. 30, o seguinte: biscoulos dos grandes e finos, bo-
lachinhas americanas e de ararula, falias, partculas,
bolinhos francezes, e muitas mais qualidades de
massas finas ; o mesmo sortimento se acha na pa-
daria da rua detraz da matriz da Boa-Visla, Indo
bom e preco commodo.
CEMENTO ROMANO.
Vende-se superior cmanlo em barricas grandes ;
assim como tambera vendem-se as liuas : atraz do
thealro, armazem de Joaquim Lopes de Almeida.
Isabel segunda e Espartero.
Chcgou loja de miudezas da rua do Callegio 11.
1, ricas eslampas em ponto grande de Isabel II, rai-
nal da Uespanha, e de Espartero, regente daHcs-
panha, que se vendem a ZfOOO al IO5OOO, proprias
para ornar salas por serem muilo ricas; a ellas an-
tes que se arabem.
Vendem-se 4 escravos, sendo 1 mulalinho de
idade 11 anuos, 1 molccote crioulo de idade 14 an-
nos, 1 dito de bonita figura do idade 22 annos e 1
escrava propria para lodo servico : na rua Direita
n. 3.
Vinho de Colares e de Thomar.
Vende-se vinho de Colares tinto c de Thomar
bramo, em barris pequeos : na rua da Cadeia do
Recife 11.48, casa de Augusto C. de Abreu.
Vcndem-sc velas estearinas em embriillios de 5
em libra, de qualidade superior : na Boa-Visla, rua
da Unio 11. 3, esquina.
PARA ACABAR.
Vendem-se cassas francezas de cores fixas, e lin-
dos p.idco -. pelo baratissinio preco de 140 rs. o co-
vado : ua loja da Guimaraes & Henriques, rua do
Crespo 11. 5.
Vende-se panno e guarnicao para
lorio de um cabriole! : na rua to Livra-
mento sobrado n. 21, primeiro andar.
Novos chapos para senhoras e meninas.
Ricos chapeos para senhoras meninas, o.t mais mo-
dernos e de melhor goslo : ua rua Nova loja n. 16 de
Jos Luiz Pereira & Filho.
Chapeos para homens..
Chapos francezes para homem, muilo modernos e
com elefantes formas : na rua Nova loja 16, de Jos
Luiz Pereira & Filho.
Na loja da rua do Crespo 11. 6, lem um grande
sorlimento de caixas para rap a emilac,ao das de
tartaruga, pelo mdico preco de 18280 cada uma.
Vende-se a taberna da rua do Pilar 11. 88 cn-
globadamenle ou a relalho .: os. prelendentes diri-
jara-se neste caso a mesma taberna, enaquellede
venda englobada Tasso & Irmao, ou ao liquidata-
eio da firma de Franca & Irmao.
Vende-se uma porcao do botes de metal ama-
relie, lizos e ovados, proprios para o novo uniforme
da guarda nacioual, ha grandes e pequeos : na rua
da Cruz n. 13 1. andar.
VACCA DE RACA TOL'RINA.
Vende-se uma vacca de rara lourina, parida ha 15
dias, com uma linda cria, e dando abundante e p-
timo leite ; para ver Iralar, na Capunga, silio do
Sr. L. A. Dubourcq.
Vende-se um sitio de Ierras proprias, na Casa
lorie, com 210 palmos de largura e 300 de fundo,
encerrando algumas arvores de fruclo, como eoqaei-
ros, larangeiras, cajueiros c jaqueiras : quera quizer
comprar, dirija-se a rua do Sebo, casa n. 17.
CAL VIRGEM DE LISBOA, A
RS. O BARRIL.
No armazem de Luiz Antonio Annes
Jacome, delirante da porta da alfandega,
vendem-se barris com 4 arrobas de cal
virgem de Lisboa, pelo barato preco de
W500 rs. em porcao ou a retalho.
PANORAMAS PARA JARDIM-
Brunn Praeger & C-, na rua da Cruz
n. 10, receberam e vendem um sortimen-
to de globos de espelho de diversos tama-
nhos e cores, que formam o mais lindo
panorama, postos em uma columna no
meio do jardim, como se usa hoje na Eu-
ropa, nos jardins do bom gosto.
Brunn Praeger & C, na sua casa rua da
Cruz n. 10, teem a venda.
Pianos tanto horizontaes como vertieses,
dos melhores autores.
Obras de ouro de 18 quil. do mais apu-
rado gosto.
Pinturas em oleo, paisagens e com moldu-
ra din irada
Vistas de Pernambuco, geraes e espe-
ciaes.
Cadeiras e sofa's para terracos e jardins.
Oleados de ricas pinturas para mesas.
Vinho de Champagne.
Licores de dill'erentes qualidades.
Presuntos.
Genebra em frasqueiras.
Instrumentos para msica.
Na rua da Trompe n. 11, vende-se nm escravo
moen, de bonita figura, sem vicios, bastante habili-
doso, proprio para um bom pagem ou barcaceiro, do
que lem multa praLica.
Jacaranda' a' retalho
Vende-se as duzias, muito bom jaca-
randa'por preco commodo: no arma-
zem de madeira de pinho do Sr. Joa-
quim Lopes de Almeida, atraz do theatro
velho, ou a tratar com Antonio de Al-
meida Gomes & C. na rua do Trapiche
n. 16, segundo andar.
LOTERA DO RIO DE JANEIRO.
Acham-se a' venda os bilhetes da lote-
ra 4/f do Monte Pi, que correu em 16
do corrente, as listas ver pelo vapor bra-
sileiro at 4, do vindouro dezembro, eos
premios serao pagos logo que se lizer a
distribuicao das mesmas listas, sem o des-
-conto de 8 p. c. do imposto.
Borzeguins a SjHMM !
Para fechar contas vendem-se borzeguins de case-
mira e gaspeadosde couro de lustre a 58000 o par :
na rua da Cadeia do Recife n. 48, primeiro andar.
SENHORES DO BOM E BARATO, ATTENCAO.
No paleo do Carino, quina da raa de Horlas n. 2,
continua-se a vender manteiga ingleza a 480, 560,
640 e 800 rs. ; franceza muilo boa a 560 ; passas
novas a 300 rs. ; aletria.macarrao e talharim a 320 ;
bom doce de caj secco a 500 rs.; ararula 160;
gomma a 140 ; bolacliinhas de Lisboa muito novas a
320 ; Napoleao a 400; ararula a 560 ; ingleza a 320;
assucar branco lino a 100 rs. ; azeile de carrapato a
240 ; dito doce a 610 a garrafa ; arroz branco a 480
a cuia; do Maranhao a 80 rs. a libra ; toucinho de
Lisboa, novo, a 400 rs*. ; azeitonas a 320 a garrafa ;
vinhos de lodas as qualidades de dlllreutes precos, e
banha muito alva a 480.
FRICTAS NOVAS.
Na rua eslreita do Rosario n. 11, deposito das bi-
chas de Hamburgo, vendem-se as fruclas seguintes :
peras frescas, maraas, ameixas francezas era latas,
sardinhas em latas, queijos londriuos, latas de amei-
xas, de damascos, e peras confeiladas com caixas de
flores, proprias para mimos, e outras muitas eou-
sas, assim como a verdadeira bolachinha de soda.
MIYASIMHAYISDESEDAEE
DE OADROS A 800 RS.
O COVADO.
Chegou pelo ultimo navio de Franca uma fazenda
inleiramente nova, de seda de quadros largos, com
o lindo nome Indiana, que pelo seu brilho parece
seda, pelo diminuto pceo de 800 rs. o covado ; dao-
se as amostras com penhorw : na rua do Queimado,
loja n. 40.
CASSAS FRANCEZAS A 450 US. A
MU.
Vendem-se cassas francezns finas de lindos pa-
drOes a 40 rs. a vara, chamalote de seda de cores
a 800 rs. o covado, luvas de seda brancas e cor de
palha para meninas e meninos, riscados escocezes de
quadros largos a 260 rs. o covado: na rua do Quei-
mado loja n. 40
Moinhos de vento
'ombombasde repuxo |iara regar borlase baixa,
de capim, nafundicadeD. W. Bowman : na roa
do Brum ns. 6, 8 e 10.
GRANDE SORTIMENTO DE BRINS PARA
CALCAS E PALITO'S.
Vendc-se brim trancado de linho de quadros a
600 rs. a vara ; dito a 700e IjJOOO; dito mcsclado a
19400 ; corles de fuslAo branco a 400 rs. ; dilos de
cores de bom goslo a 800 rs. ; ganga amirella lisa da
India a 400 rs. o covado ; corles de cassa chita a
29000 c 2&2O0 ; lencos de cambraia de linho grao-
des a 640 ; dilos pequeos a 360 ; toalhas de panno
de linho do Porto para rosto a 149000 a duzia ; di-
tas alcoxoadas a IO9OOO ; guardanapos tambem alco-
xoados a 39600: na rua do Crespo n. 6.
O QUE GUARDA FRI GUARDA CALOR:
porlanto, vendem-se cobertores de algodao com pel-
lo como os de laa a lsOO; ditos sem pello a 19200:
dilos de tapete a lc2tio : na rua do Crespo n. 6.
:
RUA UO CRESPO N. 12.
9 Vende-se nesla loja superior damasco de fj
A seda de cores, sendo branco, encarnado, roxo, &
% por preco razoavel.
$:
Vendem-se lonas da Russia por preqo
commodo, e de superior qualidade: no
armazem de N. O. Bieber&C,, rua da
Cruz n. 4.
Vende-se em casa de Rabe Schmet
tau&C, na rua do Trapiche n. 5, o se-
guinte:
Ricas obias de brilhantes
ptimos pianos verticaes.
Um dito horisontal com pouco uso.
Vidros de dill'erentes tamanhos para
espelhos.
Tudo por precos muito commodos.
Com toque de avaria,
Madapoljo muilo largo a 3000 e 3&5O0 rs. a pe-
ta: na rua dd Crespo, loja da esquina qne volla pa-
ra a Cadeia.
CHALES E MANTELETES DE SEDA
DE BOM GOSTO.
Na rua do Crespo loja da esquina que
volta para a Cadeia : vende-se chales de
sedaa8.s000, 12f000, llfOOO e 18g000
rs., manteletes de seda de cor a. 11#000
rs., chales pretosde laa muito grandes a
3J600 rs., chales de algodao e seda a
1&-280 rs.
(^ Vendem-se gigos com superior
(A champagne, da ja' bem conheci-
v da marca estrella, e quartolas com
'S? vinho de Bordeaux de superior
(0 qualidade, por precos commodos:
na rua do Trapichen. 11.
CASEMIRAS E PANNOS.
Vende-se casemira preta e de cor para palitos por
ser muito leve a 29600 o covado, panno azul a 35 e
4*000, dito prelo a 3, 35500, 4Jf, 55 e 55500, corles
de casemira de gostos modernos a 65OOO, seliin pre-
lo de Mac.10 a 30200 e 9OO0 o covado : na rua do
Crespo n. 6.
Alcool de 56 a 40 gra'os: vende-se
na distilacao da praia de S. Rita.
Vendem-se barricas com macaas vin-
das no gello, a dinheiro, garrafas de re
lo hamburguez e massa de tomates: na
rua da Cadeia n. 15, loja de Bourgard.
CONHECIDO DEPOSITO DE POTASSA
E CAL.
Na rua de Apollo armazem n. 2 B, con-
tinua a ter superior potassa da Russia e
Rio de Janeiro, e cal de Lisboa em pe-
dia : tudo a preco que muito satisfar'
aos seus antigos e novos regu -.es.
Vendem-se arados americanos, chegados lti-
mamente 110 brigue americano tV. l'rfce, pelo mes-
mo preco do costume: na rua do Trapiche n. 8.
Gello.
Avisa-se aos freguezes dd gello c aos assignan-
les que a venda do rnesmo he no antigo deposito da
rua da Seuzalla Velha n. 118, porm pelo lado do
caz do Apollo era segniraenlo aos fundos dos arma-
zens onde esleve o Sr. Jos Antonio de Araujo, a en-
trada he por um portao que fica no meio de dous
mais que existem.
CAMISA FEITAS.
A endem-se camisas francezas as mais bem feilas
e melhores model>os que lem vindo a esla praca,
por prec,o commodo : na rua do Crespo n. 23.
Na taberna da rua do Livrameuto n. 38, ven-
de-se o afamado fumo de Garanhuns.
CEMENTO ROMANO BRAMO.
\ ende-se cemeuld romano branco, chegado agora,
de superior qualidade, muilo superior ao do consu-
mo, em barricas e as linas : atraz do thealro, arma-
zem de taboas de pinho.
Vende-se sola muito boa e pclles de cabra, em
pequeas e grandes porgues : ua rua da Cadeia do
Recife n 19, primeiro andar.
Vende-se um cabriole! cora coberla e os com-
petentes arreios para um cavnllo, tudo quasi novo :
par ver, no aterro da Roa-Vista, armazem do Sr.
Miguel Segeiro, e para tratar noRecife rua do Trapi-
che n. l, primeiro andar.
VENDAS.
Chegaram recentemente algumas sae-
tas do bom farello, que eslao exposlas a
venda uos armazens deronte da escadi-
nlia, 011 na travessa da Madre de Dos,
armazem de Novaes & C.
Lindos cortes de lanzinha para vestido de
senhora, cora 15 covados cada corte, a
4.S500.
Na rua dgCrespo, loja da esquina qne volla para
a Cadeia.
VINHO DO PORTO SUPERIOR FEITORIA
em caixas de 1 ou 2 duzias de garrafas : vende-se 110
armazem de Barroca i\ Custro, na rua da Cadeia do
Recife n. 4.
RELOGIOS INGLEZES DE PATENTE.
Continuara a vender-se por preco commodo; no
armazem de Barroca (V Castro, na rua da Ladeia do
Recife n. 4.
Na rua da Soledade casa n. 70, ha muito
grande variedade de novas qualidades de roseiras o
dahlias, e oulras Mores : os senhores que as tem
encoiuraendado queiram mandar busca-las.
SALSAPARRILHA
Cliegada ltimamente do Para' de qua-
lidade regular, vende-se a preco commo-
do : na rua do Trapiche n. 6, segundo
andar.
Deposito de vinho de cham-
fiagne Chateau-Ay, primeiraqua-
idade, de propriedade do condi
de Mareuil, rua da Cruz do Re-
cife n. 20: este vinho, o melhor
de toda a champagne vende-
se a 56S000 rs. cada caixa, adia-
se nicamente em casa de L. Le-
comte Feron & Companhia. N. B.
As caixas sao marcadas a fogo
Conde de Mareuil e os rtulos
das garrafas sao azues.
TAIXAS DE FERRO.
Na fundiqao' d'Aurora em Santo
Amaro; e tambem no DEPOSITO na
rua do Brum logo na entrada, e defron
te do Arsenal de Marinha ha' sempre
um grande sortimento de taichas tanto
de fabrica nacional como estrangeira,
batidas, fundidas, grandes, pequeas,
razas, e fundas ; e em ambos os logares
existem quindaste, para carregar ca-
noas, ou carros lirres de despeza. O
preqos sao' os mais commodos.
Vendem-se em casa de 9. P. Johns
ton & C., na rua de Senzalla Nova n. 42.
Vinho do Porto superior engarrafado.
Sellins inglezes.
Relogios de ouro patente inglez-
Chicotes de carro.
Farello em sacras de 3 arrobas.
Fornosde farinha.
Candelabros e candieiros bronzeados.
Despenceira de ferro galvanisado-
Ferro galvanisado em folha para forro.
Cobre de forro.
FRASCOS DE VIDRO DE BOCCA LARGA
COM ROLHAS.
Novo sortimento do tamanho de 1 a
12 libras.
l'endem-se na botica de Bartholomeu Francisco
de Souza, rua larga do Rotario n. 36, por menor
prcro que em outra qualquer parte.
PARA FECHAR CONTAS.
Vende-se cera em vellas de Lisboa, por
preco barato: na rua do Vigario n. 19
segundo andar, escriptorio de Machado &
Pinheiro.
A"TlGO DEPOSITO DE ALGODAO DA
FABRICA DE TODOS OS SANTOS DA
BAHA. .
Contina a estar a' venda, superior
panno de algodao desta fabrica, proprio
para saceos e roupa de escravos: no es-
criptorio de Novaes & C, rua do Trapiche
n. 3i, primeiro andar.
- Venderse urna casa na Soledade. sita na ras de
Joao de Barros n. 11 : os prelendentes podem dl-
rigir-se amida Moda, trapiche do Cunha, que
acharao com quera tratar.
.Ve".d/^e aoce de cJn' Mtca moilo alvo e bom,
ito de calda em latas e barrilinhos.e de oulras qua-
dades. fazem-se bandejas de bolinhos a moda fran-
ceza, com bolinhos dos mesmos, com figurase flores,
doces d ovos de diversas qualidades, Iremedeiras, en-
padas. pastis, jaleas de substancia, arroz de leite,
papis picados com toda a delicadeza : na rua Di-
reita, sobrado de um andar n. 33. ao p di botica.
AOS SENHORES DE ENGENHO.
Cobertores escuros muilo grandes e encorpados*
dilos branco* com pello, muito grandes, imitando os
de laa, a IJiOO : na roa do Crespo, loja da esquina
que volta para a cadeia.
Pannos linos e casemiras-
Na rua do Crespo loja da esquina qoe volta para
a Cadeia, vende-se panno preto ;i ZftOO, 28800, 39,
38000. 48500, 58500, 68000 rs. o covado.dito azul, i
2a. 28800, 4, 68, 78, o covado ; dilo verde, a 25800,
38500, 48, 58 rs. o covado ; dilo cor de pinhao a
48500 o covado ; corles de casemira prela franceza e
elstica, i "8500 e 88500 rs. ; ditos com pequeo
defeito. 6-5500 ; ditos inglezenfeslado a 58000 ; ditos
de cora 4J>, 59500 69rs. ;,merino preto a 1, 18400
o covado.
A5enelade Etwia Maw.
Na raa de Apollo n. 6, armazem de Me. Calmon-
& Companhia, acha-se constantemente bons sorti-
raentos de laixas de ferro coado e batido, tanto ra-
sa como fundas, raoendas inclinas todas de ferro pa-
ra animaes, agoa, etc., ditas para armar em madei-
ra de todos os tamanhos e modelos os mais moder-
nos, machina.horisontal para vapor com for^a de
4 cavallos, cocos, passadeiras de ferro estanhado
para casa de purgar, por menos preco que os de
cobre, esc-vens para navios, ferro da Suecia, fo-
Ihas de flandres ; tudo por baralo preco,
Vende-se excedente laboado de pinho, recen-
teniente chegado da America : na mi de Apollo,
trapiche do Ferreira, a eotender-se com o adminis-
trador do mesmo.
Cassas Irapcezas a 320 o covado.
Na rua do Crespo, loja da esquina que vira para a
Cadeia, vendem-se cassas francezas de muito bom
gosto, a 320 o covado.
Na rua do Vig rio n. 19 primeiro andar, lem a
venda a superior flanella para forro de sellins che-
gada recentemente da America.
Potassa.
No antigo deposilo da roa da Cadeia Velha, es-
criptorio n. 12, vende-se muito superior potassa di
Russia, americana e do Rio de Janeiro, a precos ba-
ratos que he para fechar conlas.
Beponto da fabrica de Todos o atoa aa Babia
Vende-se, em casa de N. O. Bieber & C, na rua
da Cruz n. 4, algodao trancado d'aqaella fabrica,
ranilo proprio para saceos de assucar e roupa de es-
cravos, por prejo commodo.
AGENCIA
Da Fundicao' Low-Moor. Raa da
Senzala nova n. 42.
Neste estabelecimento continua a ha-
ver um completo sortimento de moen-
das e meias moendas para engenho, ma-
chinas de vapor, e taixas de ferro batido
e coado, de todos os tamauhos, para
dito.
Vinho do Rheno, de qualidades es-
peciaes, em caixas de uma duzia,charutos
de Havana verdadeiros: rua do Trapi-
che n. 3.
Na rua da Cadeia do Recife 11.60, vendem-se os
seguintes vinhos, os mais superiores qne tem vindo a
esie mercado.
Porto,
Bucellas,
Xerez edr de ouro,
Dito escaro,
Madeira,
era caixinhas de urna duzia de garrafas, e vista da
qualidade por preco muilo em conla.
DEPOSITO DE CAL DE LISBOA.
Na rua da Cadeia do Recife n. 50 ha para vender
barris com cal de Lisboa, recentemente chegada.
Vende-se uma balanca romana com lodos os
seus perlences, em bom aso e de 2,000 libras : qoem
a pretender, d ir i jae a rua da Cruz, armazem n. 4.
PUBLICAQAO' RELIGIOSA. .
Sabio luz'o novo Mez de Mara, adoptado pelos
reverendsimos padres capnchinhos de N. S. da Pe-
nha desla cidade, augmentado cora a novena da Se-
nhora da Lonce-icao, e da noticia histrica da mc-
dalha milagrosa, edeN. S. do Bom Conselho : ven-
de-se nicamente na livraria n. 6 e 8 da praca da
independencia, a 18000.
Completos sortimenlos de fazendas de bom
gosto, por precos commodos.
Na rua do Crespo loja da esquina que volta para a
Cadeia, vendem-se corte de vestidos de cambraia de
seda com barra c babados, a 89OOO rs. ; ditos com
flores, i "9,#8 e 109 rs. ; ditos de quadros de bom
gosto, 118 ; corles de cambraia franceza muilo fi-
na, fixa. com barra, 9 varas por 48500 ; cortes de
cassa de cor com tres barras, de lindos padres, i
3.52OO, pecas de cambraia para cortinados, com 8>
varas, por 39600, ditas de ramagera muilo finas,
69 ; cambraia de salpicos miudinhos.branca e de cor
muilo lina, siiii rs. avara ;aloalhado de linhoacol-
xoado, i 900 a vara, dito adamascado com 1% pal-
jnos de largura, 11 29200c 38500 a vara ; ganga ama-
relia liza da India muito superior, i 400 rs. o cova-
do ; cortes de collete de fuslo alcoxoado e bons pa-
dres lixos, o 800 rs. ; lencos de cambraia de linho
a 360 ; ditos grandes finos, i 600 rs. ; luvas de seda
brancas, de cor c pretas muito superiores, 1600 rs.
o par ; ditas lio da Escocia 500 rs. o par.
Vendc-se nma taberna na rua do Rosario da
Boa-Vista n. 47, que vende muilo para a Ierra, os
seus fundos silo cerca de 1:2008000 rs., vende-se
porm com menos se o comprador assim lhe convier :
a tratar junto a alfandega, Iravessa da Madre de Dos
armazem n. 21.
Taixas para engenhos.
Na fundirao' de ferro de D. W.
Bowmann, nu rua do Brum, passan-
do o chafar continua haver um
completo sortimento de taixas de ferro
fundido e batido de 3 a 8 palmos de
bocea, as quaes acham-se a venda, por
preco commodo e com promptidao' :
embarca m-se ou carregam-se em carro
sem despeza ao comprador.
Na rua do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas mu-
sicas para piano, violao e flauta, como
sejam, quaarilhas, valsas, redowas, scho-
tickes, modinhas, tudo modernissimo ,
chegado do Rio de Janeiro.
POTASSA BRASILEIRA.
Vende-se superior potassa, fa-
bricada no Rio de Janeiro, che-
gada recentemente, recommen-
da-se aos senhores de engenho os
seus bons elfeitos ja' experimen-
tados : na rua da Cruz n. 20, ar-
mazem de L. Leconte Feron &
Companhia.
Vende-se a verdadeira potassa da
Russia, e'cal vujgem, viuda no brigue
portuguez Tarujo lll, chegado no dia
5 dd corrente: na praca do Corpo Santo
FARINHA DE MANDIOCA.
Vende-se a bordo do brigue "Coneeirao, entrado
de Sania Calharina, e fondeado na volla'do Forte do
Mallos, a mais nova farinha que existe hoje no mer-
cado, e para porse* a Iratar no escriptorio de Ma-
noel Alves Guerra Jonior, na raa do Trapicha
n. 14.
AOS SENHORES DE ENGENHO.
O arcano da invencao' do Dr. Eduar-
do Stolle em Berlin, empregado as co-
lonias inglezas e hollandezas, com gran-
de vantagem para o melhoramento do
assucar, acha-se a venda, em latas de 10
libras, junto com o methodo de empre-
ga-lo no idioma portuguez, em casa de
N. O. Bieber & Companhia, na ruada
Cruz. n. 4.
Vende-se uma rica mobilia de jaca
randa', com consolos e mesa de tampo de
marmore branco, a dinheiro ou a prazo,
confrmese ajustar : a tratar na rua do
Collegio n. 25, taberna.
Na livraria da rua do Coilegio n. 8,
vende-se uma escolhida coUeccao das mais
brilhantes pecas de msica para piano,
as quaes sao as melhores que se podem a-
char para fazer um rico presente.
Vendem se queijos de qualha muilo frescos,
por preco qne faz admirar: na ra larga do Rosario,
loja n. 44.
Superior gomma de mandioca.
Viada alliraamente do racaty, vende-se por ore-
jo commodo, em saccas de 4 arrobas e tantas libras :
na rua da Cruz do Recife n. 34 primeiro andar.
Vende-se uma prela de naro Angola, de ida-
de 25 a 30 annos, pouco mais ou menos, de bonita
figura ; na rua do Fagundes, sobrado n. 29.
Em casa de J. Keller&C, na rua
da Cruz n. 55, ha .para vender 3 excel-
lentes pianos vindos ltimamente de Ham-
burgo.
m^BesoBmx^mmBBBBm
RUA DO TRAPICHE N7TT
Em casa de Patn Nash & C., Iia.pa- ]j
ra vender: .
Sortimento variado de ferragens. S
Amarras de ferro de 5 quartos ate 1 ?
polegada. ^
Champagne da melhor qualidade
em garrafas e meias ditas.
Um piano inglez dos melhores.
Devoto Christao.
Sahio a taz 1 2.* edicio do livrinho denominado-
Devoto Christao,mais correcto e acrescentado: vende-
se nicamente na livraria n. 6 e 8 da praca da In-
dependencia a 640 rs. cada ejemplar.
Redes acolchoadas,
brancas e de cores de um s panno, muilo grandes e
de bom goslo : vendem-se na rua do Crespo, loja da
esquina que volla para a cadeia.
ESCRAVOS FGIDOS.
Desappareceu do abaixo assignado no dia 22
do corrente, om cabriada por nome JoSo, o qual
reprsenla ter 15 a 16 annos de idade ; levou camisa
de melim preto. caifa de algodaozinho de lislra
azul ; lem um falta era uma orelha : qoem o pegar
leve-o a rua Direita n. 120, que ser recompen-
sado. Joao Pinto de Veras.
Contina 1 eslar fgido o prelo Miguel, que
foi escravo do Sr. Joao Jos do Reg, crioulo bastan-
te preto, rosto oval, nariz regular, bocea grande,
tem falla de dous denles na frente, beicos grossos,
queixo largo, pouca barba, ps e maos largas, pes-
coco curto e grosso, he bastante regrista; foi canoei-
ro nos portos da rua Nova e Recife : quem o pegar
ou delle tiver noticia, pode entender-se na rui da
Senzalla-Velha n. 70, segundo andar, qoe sera re-
compensado.
1009000 de gralilicaeSo.
esappareceu no dia 8 de selembro de 1854 o es-
cravo crioulo, amulatado, de nome Antonio, que re-
presenta ter 30 a 35 annos, pouco mais ou meno*.
nascido em Carr Novo, d'onde veio ha lempos, he
muilo ladino, costuma trocar o nome e intilular-se
forro ; foi preso em fins do anno de 1851 pelo Sr.
delegado de polica do termo de Seriahacm, com o
nome de Pedro Sereno, como desertor, e sendo re-
metlido para a cadeia desta cidade a urdem do Illm.
Sr. desembirgador chele de polica com officio de 2de
Janeiro de 1852 se verifirou ser escravo, e o seu legi-
timo senhor fM Antonio Jos de Sanl'Anna, morador
no engenho Caite, da comarca de Santo Anlo, do
poder de quem desappareceu, e sendo oulra vez cap-
turado c recolhido a cadeia desta cidade era 9 de
agosto, foi ahi embargado porexecucao de Jos Dias
da Silva Guimaraes, c ullimamenle arrematado era
praca publica do jo izo da segunda vara desta cidade
no dia 30 do mesmo mez pelo abaixo assignado. O
signaessao ossegaintes: idade de 30 a 35 annos, es-
tatura e corpo regular, cabellos prelos e carapinhi-
dos, cor amulatada, olhos escuros, nariz grande e
grosso, beicos grossos, o temblante fechado, bem bar-
bado, com lodos os denles ua frente : roga se, por-
lanto, as autoridades poliriaes, capites de campo e
pessoas particulares, o favor de o apprehenderem e
inandarem nesla prac,a do Recife, na roa larga do
Kosario n. 14, que recebero a gralificacao cima de
1009000 ; assim como protesto contra quem o tiver
em seu poder oecullo.il/anoei de Almeida Lopes.
PERN. : TV. DE M. DE FARIA. 1854.


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