Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01225


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Full Text
i
ANNO XXX. N. 272.
Por 3 "mezes adiantados 4,000.
Por 3 mezes vencidos 4,500.
SEGUNDA FEIRA 27 DE NOVEMBRO DE 1854.
Por auno adiantado 15,000.
Porte franco para o subscripto!.
i /
/V
DIARIO DE FERNAMBCO
1 :\( : VHIUX. \ 1 (i >N DA SUBSCRIPGA'O-
Becife, o proprielario M. F. de Faria; Rio de Ja-
neiro, oSr. Joao Pereira Marns; Bahia, o Sr. F.
Uuprad; Maoei, o Sr. Joaquim Bernardo de Man-
dones ; Parahiba, o Sr. Gervazio Viclor da Nativi-
dade ; Natal, o Sr. Joaquim Ignacio Pereira; Araca-
ly, o Sr. Antonio de LemosBraga ;Ccar, oSr. Vic-
toriano Augusto Borges; Maranho, oSr. Joaquim
M. Rodrigues; Para, o Sr. Justino Jos Ramos.
CAMBIOS.
Sobre Londres, 27 1/2 a 27 3/4 d. por 13*000.
Paris, 350 rs. por 1 f.
Lisboa, 105 por JOO.
Bio de Janeiro, i 1/2 por 0/0 de rebate.
Acedes do banco 40 0/0 de premio.
da companhia de Beberibe ao par.
da companhia de seguros ao par.
Disconlo de lettras de 8 a 10 por 0/0.
HETAES.
Ouro.Oncas hespanholas- . . 299000
Modas de 65400 velhas. 169000
S de 69400 novas. . 169000
> de 49000. . 95*000
Prata.Pataces brasileros. . . 19'J40
Pesos columnarios,, . 19940
19860
PARTIDA DOS COKHEIOS.
Oliuda, todos os das.
Caruar, Bonito e Garanhuns nos das 1 el5.
illa-Bella, Boa-Vista, ExeOuricuiy, a 13 e 28
Goianna c Parahiba, segundas e sextas-feiras.
Victoria c Natal, as quinlas-feiras.
PREAMAR DE BOJE.
Primeira s 10 horas e 6 minutos da manhaa.
Segunda s 10 horas e 30 minutos da tarde.
AUDIENCIAS.
Tribunal do Commercio, segundas equintas-feiras.
iularao, tcicas-feiras e sabbados.
Fazenda, tercas e sextas-feiras s 10 horas.
Juizo de orphaos, segundas e quintas s 10 horas.
1* vara do civel, segundas e sextas ao meio dia.
2* vara do civel, quarlas c sabbados ao meio dia.
EPBEMEMDES.
Novbr. 4 La cheia s 6 horas, 43 minutos e
48 segundos da tarde.
12 Quarto minguanle s 7 horas, 40
minutse 48 segundos da tarde.
20 La nova as 7 horas, 43 minutos e
58 segundos da manhaa.
27 Quarto crescente aos 21 minutos e
48 segundos da inatiha.
DAS DA SEMANA. *
27 Segunda. S. Margarida de Saboia v.
28 Terca. S. Jacob da Marca f. ; S. Soslhines.
29 Quarta. S. Saturnino, m. ; S. Cizino diac.
30 Quinta. S Andr ap. ; S. Euprepelio m-
1 Sexta. S. Nahura propheta ; S. Eloy b:
2 Sabbado. S. Balbina v. m.; S. Ponciano.
3 Domingo. 1* do Advento, S. Francisoo Xa-
vier ap. das Indias ; S. Sofonias propheta.
PARTE OFFICIAL.
GOVERNO DA PROVINCIA.
Expedame do da 24 de novembro.
Officio Ao Exm. bispo diocesano. Guando
estive na cidade da Victoria appareceu-me alli urna
mulher septuagenaria pedindo esmola, e dizendo
ser viuva do coronel Pedro da Silva Pedroso, que
tallecer no Rio da Janeiro, onde se havia casado
segunda vez com urna senhora, que se cha actual-
mente percebendo o meio toldo do Tallecido coro-
nel. Ordeuando o promotor publico que, Iratasse de
indagar esse Tacto luiudamenle, acaba elle de me
dar a informarlo que por copia remello V. Ei
rogando se digne mandar miuislrar-me os esclare-
cimentosecertides de que trata o promotlor, aliru
de se chegar ao conhecimento de um faci, que me-
rece ser considerado. Eslimo ter mais esta occa-
siao de apreseotar V. Ex. os meus respeito-.
Dito Ao presidente da relacao, transmillindo
por copia o aviso da reparlicao da justica de 9 do
correnle, do quil consta, que S. M. o Imperador,.
era vista de urna consulta do juiz de direilo do civel
deata cidade, houve por bem decidir, por sua im-
mcJiaa e imperial resoluto, que os recursos das
pronuncias ou nao pronuncias dos juizes de direilo
do civel no casos de qoebras sejam ioterpostos pa-
ra a relacao do districlo.Ufficiou-se oeste seotido
ao mencionado juiz.
Dito Ao coromandante das armas, para man-
dar por em liberdade o recruta Manoel Joaquim
Francisco Gomes, por ter sido julgado incapaz do
servico, em iospeccao de saude.
Dito Ao mesmo, recommeodando a expedicao
de suas ordens, para que o lugar em que se lera de
edificar a coiia da companhia fxa de 1.a linha le-
ja rondado dorante a noite por urna palmilla ti-
rada das guarnieses da fortaleza do Brum e do tor-
io do Buraco, afim de prohibir que sejam furtados
os malcraos que alli se eslao depositando para a e-
dilcacao da mencionada coxa. Communicou-se
ao engenheiro encarragado das obras militares.
Dito Ao mesmo, declarando que, licaui expe-
didas ai convenienle ordens nao s para que o ins-
pector do arsenal de marmita facaapresentar a vela
c remo de que neceoila a canoa de Iraosporle da
forlaleza de Ilamarac, mas lamliem para que se-
ja pago ao canoeiro Manoel Lourenco pela ihesou-
rariade fazenda o frele. na importancia de 129000
rs. da couducao de vinda e volla da referida canoa.
Ueram-se as ordens de que se trata.
Dito Ao coromandante da estarn naval con-
vidando a S. S., e aos Srs. ofllciaes dos navios da
estarlo -sob seu commando, para acompanharem a
procissao de Corpus Christi, que devera ter lugar
na tarde do dia 26 do correte.No mesmo sentido
ollicicu-se ao inspector do arsenal de marinlia e ca-
capilao do porto.
Dito Ao mesmo, remetiendo por copia o aviso
de 10 do correte, no qual o Exm. Sr. ministro da
marinha declara que n,l > >e deve aceitar a indem-
nisacito do valor da ancora que o hrigue Cearense
perdeu, quando, requisito do consol inglez, es-
tove de guarda no Lameirao a galera ingleza Colden.
Igual copia lambem remetteu-se ao inspector do
arsenal do marinlia.
Dilo Ao ehefe de polica, ioteirando-o de ha-
ver transroittido thesouraria provincial, para ser
paga, estando nos termos legaes, a conta que Smc.
remelleu das despezas feitas com o sustento dos pre-
sos pobres da cadeia de Ouricury, desde 15 de fe-
vereiro al o ultimo de junho desle aone.
Dilo Ao inspector do arsenal de mari nlia. con-
cedendo a aulorisacao que pedio para mandar con-
certar em Paris a luneta meridiana, de que Smc.
trata.
Dito Ao mesmo, remellando, para ter o conve-
niente destino, o ofllcio dirigido ao Exm. presidente
do Cear, acerca da remessa da plvora e mais ob-
jectos que lera de ser enviados para aquella provin-
cia no hiate nacional Ducidoso.
Dilo Ao mesmo, recommendando que, nao s
mande proceder pela meslranra daqoelle arsenal a
urna vesloria no brigue-eacona Legalidade, mas
tambera remalla ao referido eommandanle copia do
termo que se lavrar, especificando oa reparos de
que necessita o referido brigue. Communicou-se
ao sopradito eommandanle.
Dito Ao director das obras publicas, para man-
dar entregar' ao inspector do arsenal de marinha,
alim de lerera a conveniente appllcsfSo, os paos de
pulio que serviram de linhas de suspenso do pas-
sadijo feilo na ponte do Recife, por occasiao da
grande cheia que leve lugar em junho dosle aooo.
Communicou-se ao referido inspector.
Dito Ao mesmo, approvaodo a compra que
raandou fazer para a obra da pftitesprovisoria do
Recife de dous barris de alcatrao, cem caibros e
qua tro duiias de taboas de nssoafho de louro meio
refugo. luleirou-se thesouraria provincial.
Dito Ao mesmo, approvando % deliberado
que lomou de comprar dous mil lijlos para a obra
da ponte sobre o rio Pirapama, empregando em al-
guraas obras nesla cidade os outros doas mil que

CAIIHH DO DEVELA
Por A. de Dernnrd.
CAPITULO STIMO.
Monsieurje tienspour le becarre.
Vous satez queje m'y comais. 1
becarre mecharme; hori fu becar-
re pninl de salut eu harmouie.
(Moliere. O Siciliano.)
(Conlinuacao.)
Ga stao tinha offereeldo o braco>- castella para ir
a sala de janlar; elle aeolio o braco da mora tremer-
lhe contra o peito, e julgou que ora ellelo do temor
causado pela presenca do marido; mas nao pode
deixar de pensar as vagas accusigdes, de que foro
confidente na ves-pera. Sua imaginario dscorreudo
sobre esse thema, considerou logo a Mr. de Sau-
lieu como o mais lerrivel lyrannp do mundo. Pa-
receu-llie mesmo que esse homem, qne s liuha al-
ma para as pedras velhas devia ser extravagante,
mo e cruel, e que seu carcter leroz unindo se ins-
tinclivamente com as idades barbaras lomava dellas
maiur dureza, c urna perversidade mais brutal e mais
sdvagera. Todava Gasino i-oiivinlia comsigo mesmo
que Mr. de Seulieu sabia occultar bem seus defeilos
termei* debaixo da mais glacial, porm da mais
perfeila polidez.
Urna doce voz veio dislrahi-lo de suas peniveis re-
flexots- r
Perdoe-me, senhor, dizia a voz, o nao ter an-
da pergontado por sua ade.
Gaslao ficou perturbado a esta pergunU, que pa-
reca feila com um interetse particular, c responded
em meia voz: > r
Oh a da senhora he que me inquieta. Sua
fronte parece-me pensativa, e seu roslo esl paludo.
Dorm mal, tornou madama de Saulieu reco-
brando o jorriso da veapera ; mas que ha de admira-
ve! miso depois do q*e se pasin t
Chegando sala de janlar, a moca agradeceu a
Gasino recobrando seu ar composto, o fez assenlar
junto de si. Depois continuando em voz alta a con-
veriacao comecada, diste:
E Mr. de Chavilly nao nos disse como passou
a imite.
Oovindo estas palavras, Mr. de Saulieu lanrou
sebre a mulher um olhar menos sereno que de cos-
tme.
() VMeoZHarion. 271.
para esse fim foram comprados pela thesouraria pro-
vincial. Communicou-se a esta.
Dito Ao commissario vaccinador provincial,
inteirando-o de haver transmiltido por copia ao
Exm. ministro do imperio, afim de dar providencias
a respeilo, o officio em qne Smc. representa sobre
a (alta de objectos indispensaveis aquella reparti-
rlo.
Dito Ao inspector da thesouraria provincial,
transmillindo, para servirem de base arremalagao
dos obras do 5., 6.", 7. e 8. leos da estrada do
Norte, os ornamentos e clausulas que approvou, e
para esse lira foram remcltidas pelo director das
obras publicas.Communicou-se a este.
Dito A' enmara municipal de Olinda.Infor-
mando-me o director das obras publicas, que con-
vera conservar aberto o pantano de Olinda em quan-
to se procedem aos estudos para o seu desseca-
raento, cumpre que Vmcs. rae indiquem quanto an-
tes o meio de abastecer essa cidade de agua pclavcl,
(endo em considerar.10 o que a lal respeito observa
o mesmo director das obras publicas no officio por
copia junto.
Dito A' cmara municipal do Bonito, autori-
sando-a a mandar fazer o reparos e coucertos de
que necessila a cadeia daquella villa, os quaes fo-
ram oreados em 689560 rs.Communicou-se ao di-
rector das obras publicas.
Portara Ao director do arsenal de guerra, pa-
ra fornecer por empresliroo ao eommandanle do 3."
batalhao de infantara da guarda nacional desle mu-
nicipio 250 bandoieiros de couro garroteado.
Dila Ao mesmo, recommendando que forneja
ao eommandanle do corri de polica tres espadas
para msicos. Communicou-se ao supradito eom-
mandanle.
Dila O presidente da provincia, allendendo
ao que llie requeren Jos Hygino de Miranda, re-
solve eonceder-lhe lirenca para mandar conduzir
para esta cidade 169 pranchoes deamarello, que fez
cortar e preparar as mallas de I na, em consequen-
ca da liceoca que obleve do governo imperial, por
aviso de 15 d julho de 1817. e por esta occasiao re-
commenda as autoridades locaes inclusive o director
da colonia militar de Pimenleiras, que lenham todo
o cuidado para que se nao comraetlam abusos na
conducrao dos referidos pranchesCommunicou-
se ao inspector do arsenal de marinha.
EXTERIOR.
NGLEZES PRIS10NEIROS NA RUS-
S1A.
ltimamente o rorarao da naro tem palpitado
com aficliva e dolorosa anciedde. O pensamenlo
dos militares de bravos, que, sob lodas as circums-
tancias de privaran e soffrimenlo, eslao susleulan-
do, em Ierra eslranha, i cusa do seu saogue, a glo-
ria da patria e os mais charos uleresses da liumani-
dade, traz com sigo um peso de apprelieuses e mi-
serias. Mas, por mais profunda que possa ser a
nossa anri. il.i.ie, duvidamos muilo, se mesmo nesla
crise, a commiserarao que se experimenta em conse-
quenria dan provaces porque eslao passando os nos-
sos valentes coneidadaos he mais pungente do que a
que Iranspassou a alma do povo inglez quando soube
das primeiras noticias acerca da perda do Tiger, e do
mu provavel deslino dos leus olliciaes e tripularao.
Esta milicia ebegou como a primeira intimaco* do
perigo realcomo o actual arauto da mais cruel ca-
lamidad*. At entao a Inglaterra nao tinha moli-
vos de lulo. Al enlao os seus soldados nSo se li-
nham achado n'uma cruel desvanlagemnem linham
sido usados como escudos abandonados para os ti-
ros do inmigonem linham sido feilos prisioneiros
pela Russia para solTrerem urna sentenca russa. Te-
mos imaginadohomensestropeados caminhando atra-
vez das inundas tleppes do paiz sob toda a iodigni-
dade, al que, ebegando a Siberia, podessem acltar
alivio para a viva miseria na morte prematura. Sa-
bamos o que tinha acontecido em Snope. I.cmns
o que leve lugar no proprb navio" Tiger, collocado
por accidente ou pela Providencia, merc do in-
migo. Que destino para os prisioneiros poderia a
imaginario pintar peior do que aquelle que eslava
prestes a cahir sobre ellos ?
Podamos ter poupado a nos mesmos grande an-
gustia de espirito e mui desoecessaria especulado.
O lenle Royer nos assevera que ha poucos praze-
res debaixo do co comparaveis ao de ser alguem por
poucos mezes o prisioneiro do imperador da Russia.
Com effeilo, para ser bem tratado por S. mageslade,
he somonte neeessario ser seu inmigo eeslar a mexc
delle. Os Turcos lalvez nao lenham encontrado ji-
lo ; os lastimosos marnheiros abordo da esquaiira
em Snope lalvez lenham sido de urna opiniao difle-
rente mas foram infclizesna sna experiencia, ou va-
garosos na sua appreciacao de beneficio. O ofiicial
coraraandaule do navio Tiger de S. Mageslade va-
ju,poslo que prisioneirodesde Odessa a S. Pe-
tersburgo, e lalvez nao tivesse pascado melltor se
houvesse viajado de Portsmoulh a Windsor era nina
visita i ranilla. Nao pdenlo* dzer quantos priraei-
ros-lenenles sao recebidos por sua Graciosa Mages-
lade a sua mesa hospitalera. Mas o proprio princi-
pe Alberto nao teria feilo mais do que apresenlar o
seu valiente hospede a te minha mulher, fumar
un charuto com elle, manda-lo prover-se de vinbo,
e lomar algum conforto. Foi precisamente as-im
que o grao duque Constantino porlou-se para como
capturado lenle Royer na sua primeira entrevista.
Nao podemos dizer qual he o calibre exacto da
communicacao do lenle ; mas o seu livro he mui
susperto nesle particular. Elle deve ser referido,
mais ou menos remotamente,! mui espalhada familia
do Creen. Esta expressiva cor esl eslampada em ca-
da pagina do seu pequeo volme, c verdenao
amarelladevia ser a capa. Fora impossivel nao
Passei urna nole excellenle, disse Gastao de-
pois de um breve instante de hesitaran, e como se
acabasse de decidir-se, s dormi um somuo desde
que me deilei at que acordei.
Ali! disse Mr. de Saulieu sorriudo com ar mu
salisfeito de si mesmo, e... e... e nao leve medo?
Medo de que?
Nao sei... Digo islo por causa dos boato9que
correm, c idadedo senhor he inclinada a crer todas
essas historias.
Oh! eu lava prevenido. Almas, nao he?
Nao vi nenhuma... senao em sonho lalvez; mas es-
sas nao sao de temer.
Mr. de Saulieu respiro livrementc, e como o ca-
pitulo dos phaulasraas tornava a achar-se encelado,
julgou dever esgola-lo afim de nao ser obrigado a
voltar. Era um tributo quecoiivinha necessariamen-
te pagar a Iodos os recem-chegados; porque a fama
das almas de Oslreval eslendia-se longe, e nao ha-
via hospede no caslello que nao soubesse que a lorre
era frequentada por espirilos. Na falla dos criados
os donos da casa encarregavam-sede fazer-lhes bel-
las narrarles a esse respeilo.
Mr. de Saulieu passou, pois, em revista com sua
complacencia habitual todas as aventuras, todos os
terrores, todas as sceuas trgico-burlescas causadas
pelos espectros de Oslreval. A narraran foi longa ;
mas foi feila com espritu, em tom fri, mas affavel.
Terminou ao mesmo lempo que o almoco, e quando
n"liara ao salao, Gaslo, cujas ideas, cstavam mais
confusas do que nunca acerca do dorio da casa, che-
gou-se a elle assas misteriosamente, e pedio-lhe al-
gn minutos ile conferencia.
Mu de Saulieu tomou o pretexto de suas collec-
Ces da anlitiuidade, e levou comsigo a Mr. de Cha-
villy-.
Este achava-se em grande perplcxidadc. Mr. de
Saulieu era ou nao um t\ ramio domestico? Tinha
ou nao o legrado do patseadr nocturno? Os habi-
tantes de Oslreval erara acaso engaados por algum
pal i fe ? Fosse como fosse, Gaslao eslava rcsolvido a
esclarecer o negocio do phantasma, e primeiramen-
le devia dirigir-se ao dono da casa. L'm instante a
Irieza apparente de Mr. de Saulieu para com elle o
linha retido; mas a allilude menos alTectada que
este lomara durante o almo, fizera o mancebo
voltar s primeiras disposi(ocs.
De sua parle Mr. de Saulieu enearava-u com va-
ga expressao de inquietaran, e alravez de sua poli-
dez calma e refleclida percehia-se nao iei que seuti-
menlo de apprcbeosao.
CAPITULO OITAVO.
a Alor* Ion faix plus ais me terd,
Quand me moi quelqu'un leporlera.i
(Louise Labe dte la Relie Cordiere.)
Mr. de Saulieu, disse GastSo, quando achoo-se
a sos com elle no famoso museo de anliguidades,
que j conhecemos, esl bem certo de seus criados ?
rir-se alguem u vista da sua pathelica simplicidade,
se nao fosseraos excitados al a colera pela sua egre-
giatolice. Se o primeiro lente do Tiger deve ser
condemnado ou nao por ter lao promptamente en-
tregado o seu navio ao ataque russo, mas sempre ci-
vil e considerado, e se elle nao devia ter conduzido
a sua lripularao.de antes render-so, a unidos dous na-
vios que eslavam cruzando com elle ao longo da
cosa, sao questes que as autoridades martimas de-
vem decidir. Mas que nao deve ser mui altamente
louvado pela sua perspicacia, e pericia depois da sua
captura, e durante a sua breve relenrao no paiz do
inmigo, he cousa mui clara para qualquer pessoa.
O Irapaceiro que em vao tenlou no caso do as-
tuto Sir llamillou Scymour, foi exccssivaroenlc feliz
quando cpeculou sobre a nalureza mais impressio-
navel e menos falsificada do bravo lente. Todos
na Russia, desde o mais humilde empregado al o
eommandanle em chele e o proprio imperador, tra-
(am-uo com nolavel consideraran, muilo alem do
que elle poda aspirar na sua calhegoria ou posicao,
em consequeucia da sua Ilimitada gratido para
com a alteneao que tem merecido, afirma que a Rus-
sia he o mais cirittsado dos paizes do mundo, e o
seu chelo o mat moderado e o mais cavalleiroso dos
principes. Que lodos os olliciaes que estao em con-
tacto com elle rnndtizem-iin pelo nariz, 13o fcil-
mente como siin os asnos, i> he segundo a sua proprio
confissao lao claro, como se a inteneao fosse declara-
da. Mas o teuente Royernao pod ver islo. Elle
loma amigavelmenle lulo isto por garantido como o
o pobre demonio da farca quando as honras da pro-
pria realeza sao acummuladas sobre os orgulhosos
hombros de um meritorio servente de pedreiro.
Quem lamentar esse Royer nao heTalleiraud 1
Observemos a profunda simplicidade do cavalleiro
naval !
Cheaa a S. Petersburgo a fim de ser conduzido i
presenca de sua mageslade imperial.
O coronel Monlaodre, sob cujo cuidado elle foi
collocado pelo general Silinin, o eommandanle em
chefe das (ropas em S. Petersburgo, enlendeu acom-
panhar-me ao meu quirlel temporario, onde eu de-
via esperar atea chegada em S. Petersborgo do priu-
cepe llolgouronski, ministro da suerra.que devia de-
cidir qoanlo ao meu futuro destino, d
Depois de um ou dous das chega o principe ; o
tenente Royer vai fazer-lhe urna visita, e o eom-
mandanle ein chefe, assimque o ofiicial entra, corre
para elle, loraa-o pela niao, e ihe falla da maneira
seguinle :
Sr. lenle, os revezes da guerra lancaram-no
em urna posirilo que nos collora agora na relacao
de amigos, e confio que em nossas futuras relaces
nos eslimaremos reciprocamente como leaes caval-
Iciros. Sua mageslade determinou que o Sr. l-
enle fosse alojado em um palacio e tratado com
o maior cuidado. Kara sciente ao coronel qualquer
pedido que me pretenda fazer. Dcvo declarar-lhe
que a sua palavra nao o iseutar de ser aroinpa-
nhado por um ofiicial, pois que assim a le deter-
mina ; mas se ha de fazer ludo a fim de que islo
se Ihe torne o menos desagradavel possivel.
Esperamos que o estylo e a linguageni de Dol-
gourouski nao serao perdidos para o duque de New-
castle. O grno de liberdade concedido ao tenente
Royer pelo proprio imperador foi especificado as
instruccGcs seguiules :
v 1. Eu liuha a liberdade de irvomlc quera era
roda da cidade ; mas devia ser sempre acoropanha-
do por tim ofiicial.
2. Nao devia commumear com subdilo algum
ingle*, excepto com a Rev. O. I.aw, capellao da
embaixada em S. Pelersbourg.
a 3. Foi-me concedido 1er os livros ou as gazelas
que eu pedisse, mas tudas as cartas que eu escrevia
ou recebia deviam passar pela reparlicao do eom-
mandanle em chefe.
Para coroar a sua liberalidade, continua a fa-
ceto lenle, o coronel apreienlou urna carleira,
com penna, tinta e papel, a qual collncou sobre a
mesa, recommendando-me que fizesse notas da mi-
nha residencia na Russia. Nao se esqoeceu de
dar-me lacre, posto que as miuhas cartas devam
ser remedidas abortas. i>
Por conseguinte, o leneute Royer smenle poda
fazer olas do que se passava dianle dos seus olhos,
e as autoridades russas tiveram o maior cuidado que
s as cores mui rosadas moleslassem a visao do
gular que o tenente Royer, que nos diz que nada
anda as cousas mais insignificantes he feito na
Russia sem o conhecimento, sem a saucedo e ordem
expressa do imperador, nunca tenha suspeitado qoe
a civilidade geral, e a recomineudarao qae Ihe to-
ra feila de lomar notas da sua residencia, tinha
emanado daquella Ilustre parte. A innocencia
desle ofiicial he realmente bella. Depus de espe-
rar o imperador, que ao mesmo lempo deu ao pri-
sioneiro a sua liberdade, o tenente Royer recebe
urna mensagem do ministro da guerra, manifestan-
do desejos de ve-lo.
novo cousratulou-se coramigo era consequeucia da
minha soltura, e acrescenlou que sua mageslade
imperial ordenara-lhe queme presenlcasse com urna
espada, a qual elle confiava que nao seria mal
recebla por ser de producrito rusta, pois que nao
liuha urna ingleza para dar-me em lugar da minha.
tsperaca que islo serviste como lembranca do tra-
tamento que eu hacia rebebido na Rutsia ; e con-
cluio, observando que nao ducidaca que eu fal-
lasse bem delles, e asseverasse ao meu paiz que elles
nao eram lao barbaros como os jornaes os repre-
senlavam. Aperlou-me a mi, usando de algumas
expresses benignas e obsequiosas, as quaes pre-
dominavam mutua eslima e respeito.
Evidentemente o priucipe Dolgourouski nao he,
tollo, e foi capaz de apandar as dimencoes do seu
prisioneiro com um simples lauro d'olhos. Em ver-
dade qualquer homem que se aproximasse delle
pareca eslar sciente da uatureza do material com
que eslavam em contacto. M. Sbarman he o no-
me do cavalleiro que leve debaixo da sua vigi-
lancia o tenente Royer, durante a sua estada nos
dominios russos, e ufarnos o que o lenle diz de
M. Sharman :
o Zeloso como o governo russo he reputado ser
acerca da opiniao que os eslrangeiros formam do
paiz, ningoem teria sido melhor adaptado para por
os seus principios de governo em urna favoravel
luz do que Mr. Sharman, o qual, sem embargod a
Certo! Em que t perguntou o castellao.
_ Est certo de nao ter em seu -er\ iro algum pa-
tife ou algum corredor de aveuluras?
Nao posso respooder-lbe; mas se soubesse ex-
pelliria logo o culpado.
Pois receio que o senhor tr bAemenle de
fazer urna execuco dessa nalureza.
E como Gastao guardaste o silencio, o archeologo
disse:
Por favor, senhor, expliqua-se, he um servico
que me faz.
Ali,! mas infelizmente as explicarnos tornam-
se mui difllceis de dar-se, porque eu mesmo estou
rcduzido s conjecluras.
Porm quaes sao essas conjecluras? O senhor
me assusla..
Mr. de Saulieu, nao lenho ha rauito lempo a
honra de couhec-lo; mas a couversacao que acaba-
mos de ter durante n almo, bastou p'ara provar-me
que o senhor nao he mais crdulo do que eu. Posso,
pois, fallar-lhe com desembarace.
Este exordio nebuloso pareceu captivar vivamen-
te a alteneao do castellao.
Mr. de Saulieu, tornou Gaslao com o armis
severo que pode tomar, se nao ha era sua casa vclha-
co nem corredor de aventuras, entao sou obrigado a
reconhecer que ha phantasmas.
A' palavra phantasmas, a fronte de Mr. de Sau-
lieu assorabrou se, ello exclamou esforcando-se por
sorrir.
Phantasmas !
Sim, phantasmas que veem alta noile e por ca-
miuhos singulares.
Pronunciando eslas palavras, Gaslao filava em
Mr. de Saulieu um olhar peuelranlc e escrutador.
O archeologo coeou os heiros e disse :
Meu charo hospede, nao o comprehendo.
Vou procurar fazer-me comprehender. Nao
quiz fallar do que descobri diante de madama de
Saulieu, recejando cau>ar-lhe terror ; mas ao senhor
devo referir o que aconleceti-me esta noile...
_ E Gastao conlou poni por ponto os fados de que
fra lestemunha, iiisisliudo em todas as particulari-
dades, e fazendo observar que o passeiador nocturno
devia ser bem familiar aos recanlos e mysterios da
lialniacao para avenlurar-se assim de noile por osea-
das espiraes e corredores tortuosos.
Durante esta narraran, Mr. de Saulieu passou
moitas vezes a mao pela fronte com inquietacao, e
tomando o lenco- poz-se a agila-lo porentrelenimen-
to. Quando terminou-se a narrarlo, elle disse com
ar dislrahido:
Esl fazendo muilo calor.
Gaslao nao reparou nesla reflex3o, cuja jusleza
teria sem duvida contestado.
Entao, pergunlou elle depois de om momento
de silencio, nao acha esta aventura soffrivelmente
extraordinaria?
iutimidade que necessariamente vai crescendo enlre
dous horaens que vivera llo unidos, como nos viva-
mos, nunca deixou de acreditar o governo que me
havia confiado aos seus cuidados.
Quanto he verde e lonta esta observarn Suppa-
r o tenente Royer que Mr. Sharman era tao idiota
como elle ? Imaginar que o governo russo era ca-
paz de enlrega-lo a guarda de um homem disposlo
a por os seus principios em urna luz desfavora-
vel '! Fraco como infelizmente elle he, quereria
que elle houvesse deixado de acreditar o governo
que tivesse consignado um prisioneiro russo ao
seu cuidado, que, de-^raradanienie para aquelles
que o empregaram, houvesse sido collocado em um
lunar sciiirlhanle ao em qui^ se achava Sharman '.'
a Espero someule, diz n amavcl lenle em um
lugar, espero somenle que o governo de Mr. Shar-
man ha de apreciar devidamente a sua delicadeza
de comportamento para com orna pessoa tao eslra-
nha para elle. I Esperamos sinceramente que isto
ha de acontecer ; e esperamos igualmente que o
governo do lenle Royer lera capaz de apreciar
como merece a singolar agudeza e penetrarlo'do
primeiro lenle do perdido navio Tiger de sua ma-
geslade.
Cusa-nos a entender como aconteceu que o l-
enle Royer, assim que obleve a ordem de soltura
nao podesse volUr para a Inglaterra, em razio de
se adiar bastaole fraco ; porque, segundo sua ex-
psito, a Russia he o paiz, cima de todos os ou-
tros, para o verdadeiro gozo da liberdade e da vida.
Elle enconlrou no eu caminho a S. Petersburgo,
em Toula, qualro olliciaes turcos que (iuham sido
feitos prisioneiros em um dos piquetes a vapor no
Mar Negro entre Trebizonda e Conslanlinopla. Um
dejles fallava urna especie de ingle: estropeado,
o qual elle lalvez colbesse quando funeciooava co-
mo amanuense na embaixada em Inglaterra. Esli-
veram quasi tres mezes nwse lugar, e nao manifes-
tavam desejo de voltar ao seu paiz mustrando-se
totalmente satisfeitos com o amigacel tralamento
que receberam das maoi dos seos inimigos. (Os
itlicos sao do tenente.) Certamen te asseveraram-
me depois que um destes homens, em S. Peters-
burgo, se poz a chorar quando a ordem de soltura
Ihe foi annunciada. a Oh I pobre Turco I can-a-
nos admirarlo se o principe Dolgourouki nao Ihe
recommeudou lambem qne tomasse notas da sua
residencia na Russia. Desojaramos ler vislo este
Turco quebrar o coraran assim como os Russos Ihe
quebraram os grilhoes.
Mas, Turco ou Inglez, ludo he a mesma cousa se
a vossa boa fortuna vos conduzir, em lempo de
guerra, a S. Petersburgo ou a Siberia. No cami-
nho de ferro entre Moscow e a capital o nosso au-
tor profundamente meditativo enconlrou tres ho-
mens robustos e poderosos. Eram Inglezes, os
quaes esliveram por alguns annos no servico russo
como engenheiros. Nao Ibes foi permitlido" deixar
a Russia na occasiao em qne arrebentou a guerra,
mas se achavam agora sob a vigilancia de um gen-
darme, o qual os ia conduzindo para Moscow, o
lugar que lites fra assignado como residencia. Pos-
lo que estes homens, diz o nosso pendrante escrip-
tor, apparentemente au eslejam convenientemen-
te deudos, elles dirigiram-me as seguinles expres-
ses Iranquillisadoras, as quaes dispensan! qualquer
coinnicnlo da minha parle : a Fique certo que,
aconteca o que aconlcccr, elles lno de Irala-lo co-
mo um cavalleiro. O leilor se ha de lembrar que
foi como cavalleiro. Sua mageslade imperial
propoz, no primeiro caso, arrumbar a casa do
Turco, c roubar a sua jaita heransi. Foi co-
mo cavalleiro que MeoschickofT ameacou o sulhlo,
a quem julgava tao infenso, como elle "propri" :''1>-
ra se acha. Foi como cavalleiro que o impe-
rador diclou o despacho que em peijo algum cun-
fessava as suas inlencOes criminosas, e tornou a
guerra inevilavel. Foi como cavalleiro que os
seus capilar- nlacarain a frola em Smope. Foi co-
mo cavalleiro n que elle preferio cubrir a Ierra com
sangue dos melhores e mais valentes soldados, con-
fessando unta horrenda culpa e retirando a saa mao
voraz das justas |iossesses dos outros homens. O
lente Royer nao q.ier fazer commento algum -
cerca da espontanea observacao do engenheiro. El-
le foi tratado como cavalleiro. u Desejamos que
houvesse recebido o tralamento no espirito de um
ofiicial inglez, e com o seuso coramum de um ho-
mem ordinario.
Nao sabemos quaes sao as inlencSes futuras do
lente Royer; mas, se fosseraos seus amigos, o
aconsejaramos que inmediatamente se retirasse
do servico de sua mageslade, e fosse alistar-se as
bandeiras do imperador. Elle nunca ser tao
feliz ua Inglaterra como foi na Russia. Primeiros
miuislros, comrnandantes em chefe, graos duques,
prncipes e imperadores nunca contendern) eulre
si aqu para honra-lo. Em S. Petersburgo elle foi
evidentemente um mui gordo lean cora urna cauda
mui longa. Em Londres, assim como nos, elle se
perder no meio da multidao. Alm disso, he cla-
ro que a atmosphera, as in-liluiroe- e os coslumes
sociaes dos Russos estao mais de harmona com os
seus gostos do que os dos seus proprios coneida-
daos, os quaes nao podem dar aos lenles navaes
o seu devido valor. A sympalhia que se Ihe inos-
Irava em qualquer parte, escreve elle, era notavel;
e o procedimenlo dos nossos inimigos civilisados fa-
zia um contraste evidente com u dos nossos barba-
ros alliados, aos quaes o nosso paiz eslava generosa-
mente coadjuvando. Ao passo que em quanto es-
tivemos em Conslanlinopla Tomos muitas vezes cus-
pidos as ras pelos meninos lurcos.
Melhor, muilo melhor, lenle Royer, he^er
cnspido por meninos, do que engaado e vendido
por homens Os Russos com a sua linguagem dis-
famada o injuriara mais do que os meninos infieis
de quem o senhor sequeixa. E o lenle sosia dos
caminhos de ferro russos I O trem entre Moscow
e S. Petersburgo, he urna prova de que elles sao
muilo agradaveif.
Eu gostava de ver lambem que nao havia des-
necessaria confusao uos transportes dos caminhos de
ferro, como acontece ao viajante inglez. Em todas
as estarcios concedia-se bastaute lempo aos passagei-
ros para prever as suas malas, e em cada urna havia
lodos os refrescos, que se podem desejir em urna vi
agem. O lempo concedido ao trem para ir de urna
estaco o oulra he cuidadosamente fizado pelo boli-
eiro, o qual nunca ousa chegar nm minuto mais cedo,
ou mais larde, de sorle que em alguns casos eramos
Com effeilo he extraordinaria. Esta bem cer-
to de nao ler sonhado?
Sonhado! julguei ao principio como o senhor;
mas quando levantei-me, achei fechada a porta que
linha dcixado aberla, eagora as lembrancas voltam-
me, e tomam urna clareza que nao me permiti mais
duvida. Parece-me que anda vejo esse espectro ou
antes esse homem: estatura alta, andar asss nobre,
caminhando com precauc.au, e leudo na mao urna
laoterna de furlafogo.
Sim, a lanterna indispensavel de lodos os ro-
mances tenebrosos e de lodos os sombros melo-
dramas.
Se eu tivesse urna arma, saberia mais; porm
nada tinha, nada, nem mesmo um bastao. Todava
como eslou certo de ler vislo esse phanlasma, jul-
guei dever informar ao senhor disso, primeiramcule
para preveni-lo roica visitas dessa uatureza, e de-
pois para saber o que devo crer dessa apparirao.
Nada sei a esse respeito; mas comprelieudo o
que semelhantes visitas tem de desagradavel, e se o
senhor quer, mandarei dar-Ihe mitro quarlo.
Nao, nao, intei roinpeu Gastao, quero licar na-
quelle mesmo, c com tanlo que o senhor poulia a
minha dispn-irao una boa arma, passare l anda a
noite prxima.
Como quizer.
Mas sso nao he ludo, tornou o mancebo, le-
nho resolvido esclarecer esle negocio.
Mr. de Saulieu frauzio as sobrancelhas, e disse
com indiilcrciira :
Para que'?
Para que! Enlao o senhor nao sabe quema-
dama de Saulieu passa aqu a vida em transes e an-
gustia-!'1 Nao sabe que essas appariroes eslranha-,
inexplicaveis ou ao meuos nao explicadas lornam-
lhe a existencia jululeravel ? Nao sabe que ainda
hontem durante sua ausencia ouvio-se' debaixo de
nossos ps um rumor singular que gelou-a de terror?
E se ella soubesse o que vi esta noile, o senhor julga
que sua razio nao seria abalada? urna mulher lao
mora !
Gaslao ludia fallado com lano calor, que o gelo
do archeologo pareceu um momelo derreter-se ;
mas Mr. de Saulieu recobrou logo toda sua sereni-
dade, e respoodeu com o mais imperturbavel san-
gue fro.
_ Engana-se, Mr. de Chavilly, madama de Sau-
lieu sabe que caso deve fazer desses boatos e dessas
pretendidas appariroes, e fique persuadido de que
ella est ao abrigo de lodo o terror desse genero.
Oeixe, pois, de assustar-se por ella, e crea que se
minha experiencia da vida uio necessita de neuhum
conselho, sabe comtudo apreciar devidamente os im-
pulsos de um ardor cavalleiroso.
Eslas palavras cahiram de urna em urna, lenta e
framente, da bocea de Mr. de Saulieu. Gastao ficou
um momento como espantado, e emfira tornou :
Mas o senhor que he proprielario e habitante '
obligados a ir mui vagarosamente, afim de nao che-
marinos antes do lempo marcado. Quem he que na
Inglaterra tem lempo para olhar ao redor de si ? Os
ricos e os pobres parecern ser impellidos ao lungo
por um impelo que impede o pensamenlo de cuidar
em oulra cousa que nao seja os seus compromissos ;
e assim que estes lio recebidos o pensamenlo procu-
ra oulros.
< He verdade, na Inglaterra nao ha lugar para o
lenle Royer. Alem disto os Russos sao natural-
mente ura povo religioso ; sSo dspostos a reveren-
ciar ludo que he sagrado. O general Oslen-Sacken
em Odessa n nunca visilou o hospital sem ir as sepul-
turas dos seus inimigos, onde absorvido em medila-
SSo ello podia ser yisto persignar-se e uQerecer supli-
cas ao Senhor dos exercilos ; e o lenle he deci-
didamente de urna mud.nica de espirito como elle
mais de urna vez annuncia com pouca delicadeza.
A historia do Tiger est fresca ua memoria dos
leilores. A 12 de raaio passado tres semanas depoU
do bomhardeameoto de Odessa o navio encalhou
quasi |0 bracas distante da praia qualro milhas
ao sui de Odessa Reiuava urna densa cerra-
cao ; quando essa se dissipon, o Russos fazendo
fogo por traz de um banco de areia, alararara o
navio al que elle se rendeu, leudo a tatemo lem-
po, entre oulros feitos mortaes, leudo carregado
a perna esquerda, e ferido a perna direita do capi-
tlo Guard, o qual subsecuentemente morreu em,
Odessa. Depois de urna breve prisao, durante a
qual, segundo o lenle Royer, o maior cuidado foi
prestado aos prisioneiros, a maioria da Iripnlacao foi
trocada por igual numero de prisioneiros Russo,
ms o proprio lenle Royer, o ofiicial coiumandan-
le foi mandadp a S. Pelersburgo para esperar as or*
deus do imperador. O imperador c sua familia, quan-
dooofficialinglezchegouaS. Petersburgo, a 16 de ju-
nho, eslavam em Peterhof urna curta distancia da
capital. Nesta conformidade o prisioneiro foi para
ahi, sendo acnmpanhado al as portas do palacio pe-
la civilidade e alteneao dos mais eminentes ofliciaes
do paiz. A25 leve lugar a memoravel entrevista.
Our unos Mr. Royer dcscrever a sua felicidade as
suas propras palavras :
a Peta volla de 10 horas e meia veio um mensa-
geiro informar-meque a minha presenca era reque-
rida no palacio, e que urna carruagem eslava espe-
rando para nos conduzir. Poslo que s livessemos
100 bracas a raniinliar. entramos na carruagem, e
em breve nos adiamos as portas do palacio, onde eu
encootrei o ministro da guerra, o qual eslava impa-
ciente, como se nos nos livessemos demorado. Ellein-
troduzio-me em urna sala de espera onde se achava
grande numero de olliciaes superiores para acompa-
nhar o imperador e a sua comitiva a greja, entre
estes havia tambera muilo- olliciaes de graduarlo in-
ferior, perlencenles aos relmenlos aqoarlelados em
Peterhof, e reunidos para o mesmo ubjedo. A an-
te sala era de grandes dimenses e aprsenlas a um
notavel espectculo, que eu nao observe em parle
a Igoraa das salas desle palacio uu de oulra qualquer.
As paredes eslavam roberas desde o alio al 5 ps
do as-nal lio com pintoras de ruslos femeois em toda
allilude, e com toda a variedade de expressao. Es-
tas pintura- eram a oleo simplesmente de 3 ps a 2,
enllocada- jnnas, e sera molduras; o todo oTTereeia
um mui agradavel espectculo. O principe I.ichlens-
teiu, um dos ajudanles de campodo imperador, che-
gou-sc para mim fallando um inglez mui correcto,
e benignamente pedio-me que en recorresse a elle no
caso que preciia9se de alguma cousa durante a mi-
nha residencia na Russia. Varios oulros ofllciaes
se dirigiram a mita, cujos nomes nao me posso lem-
brar ; alguns Tallaram em franco/, alguns em inglez,
mas lodos eram assiduos em prodigalisar-me polidas
alcn^es.
Durante a espera na ante sala, dous bellos man-
cebos evidentemente mui altos para a idade, e Ira-
jados com o uniforme de general comprimentaram-
M em excellenle inglez. Quando eu Ibes fallava,
respondendo as suas perguntas. o priucipe Dolgorous-
ki cuuduzio-me a presenca da imperador, sube de-
pois que elles eram os dous mais juveus dos grao
duques, Nicolao e Michael, os quaes me honraram
com a sua alteneao. As suas perguntas eram de um
benigno interesse, e meramente se referiam minha
estada na Russia, o que me pareciam as cousas que
eu linha vislo, etc. etc. Segui o principe a nma pe-
quena escura sala ; e'ahi apresentou-me a sua ma-
geslade e se relirou um pouco para iraz.
O imperador eslava no meio da sala vestido com
um uniforme azul escuro de general em chefe, e u-a-
va de urna simples cruz da ordem de S. Jorge-honra
conferida somenle s pessoas que tem prestado im-
portantes servico-ao paiz. Creio que sua magesla-
de ainda nao assumio a decorarlo das mais alias
classes da ordem, a qual he usada por homens como
Paskiewlsch, Woronzow, ele, e que me foi descrip-
ta romo diflerenteem grandeza d'aquella usada pe-
lo imperador. Eu esperava ver um homem abatido,
mas nao eslava preparado para adiar sua mageslade
tao superior geuerolidade dos homens enllocados
lao alto. Cortamente nao mostra ter mais de 50
annos, nem ha o mais particular signa) de cuidado
no seu semblante ao menos aquelles que se eucqu-
Iram em todos os homens da sua idade. As suas
leicoes sao delicadas e regulares, a cabeca calva no
centro, eos olhos de urna sravidade expressiva, in-
leiramcnte de harmona com as suas palavras. Eu
eslava informado que sua mageslade fallava o inglez
e o franee/., e espera que elle se me dirigase a mim
na minha lingua nalal. As-im que eu me incline!
para dianle, elle me disse senhor lente e per-
sunlou-me pela minha saude, soja eslava livre das
febres, e como onde eu as liuha apanbado. Fal-
lou-me cere? da perda do Tiger, e inqnirio
se nao tinhamos ancorado, estando lao perlo da praia.
Ke-poiidi-lhe que a cerracao era muilo espeso, e
que suppunhamos estar distante quando o navio en-
calhou. Pergqnfou-me se era casado, e fez algumas
indacaces acerca do meu fallecido capitn, e infor-
mou-me que Mad.Giffard linha ido para Odessa, reu-
uir-se com o marido, ignorando que elle havia mor-
rido.
Ento sua mageslade disse-me que lencionava
dar liberdade ao capilao ; mas, como islo era agora
impossivel, eslenderia essa graca a mim como imrae-
d i.ilo era com mando, e pergiinluu-iue quando eu
quera voltar para a nimba palria.
Hesitei a visla deste annuncio, porque, poslo
que me houvessem dito em Odessa que eu seria sol-
lo, com ludo nao previ fosse lao cedo. Por tanlo
desla casa nao tem inquietado de que alguem possa
turar nclla de noite ?
Assevero-lhe que nao !
Oh! eis o personagem mais singular que le-
nho v islo, disse Gaslao comsigo.
Mr. de Saulieu conlinaou:
Esses boatos, essas appariroes de que o senhor
me falla, e que pela minha parle nunca vi nem ou-
vi, nao produziram nunca em minha casa a menor
perturbarlo, e nao vejo porque me inquietara urna
cousa sem consequencia.
Mas a curiosidade?...
Nao sou curioso.
O senhor, um sabio, um archeologo!
Justamente. Os phantasmas, os espectros e as
almas nao sao de minha especialidade, como usara
dizer agora, e nao me encarrego de explicar ou de
negar sua existencia; lirai(o-me a nao rrer. Mas ve-
jo, meu joven hospede, que o senhor nao participa a
esse respeito de miuhas opinies.
Oh! nao sei mais o que pense; todava dese-
java propor-lhe urna cousa?
O que? perguntou o castellaAom lom inquieto.
Se o senhor quizer, antes deretirar-me explo-
raremos lodos os seus mysleriosos subterrneos.
O senhor graceja !
Pelo contraro, fallo mu seriamente.
Isso he impossivel; todas as sabidas estao obs-
truidas.
Nos as desempediremos.
Mas ellas sao semeadas por loda a parle de po-
cos profundos c de passagens pergosas.
Nos as evitaremos com prudencia.
- E os dcsabamenlos?
Isto he mais grave, se o senhor er que haja
dcsabamenlos, he urna razao de mais para visila-los,
pois dahi depende a eesuranra de sua casa.
Mr. de Saulieu tornou a morder os beice-s. O n-
denle mancebo achava resposla para ludo.
Mandarei descer ahi o meu archilcclo, disse o
archeologo.
Sim, e ciitidanto o senhor darme sobre nm
volcao.
Roma e Pars tambem dorniem sobre suas ca-
tacumbas.
Sou mais curioso que o senhor, e se n3o quer
acompanhar-mc em minha expedicao, liei de faze-la
SQzinho.
A fronte do castellao tornou a carregar-se, e elle
respondeu framente:
Ser contra minha vontade.
Gasta.) nada mais linha que dizer, e ficou desde
enlao cerlo do que Mr. de Saulieu sabia mais do que
quera confessar; mas como Mr.de Chavilly nao
abandonava fcilmente os projectos que tinha con-
cebido, prometleu a si mesrao aproveitar a primeira
occasiao qae se apresenlasse de visitar os myslerio-
sos subterrneos. Absteve-se de pronunciar urna s
palavra que podesse dispertar no dono da casa a
nao eslava preparado para responder a pergunta
acerca da minha partida, e disse que realmente nao
linha pensado nislo ; ao que sua mageslade impe-
rial rio-se admirado, da minha sorpreza e em-
barazo, e disse-me, o Allez done, penuz-y
( Pois bem, pode relirar-se, e pense a este respeito)
e lenha a bondade de dizer-roe esta noile, pelo in-
termedio do ministro da guerra, que caminho pre-
tende seguir. Entao acompanhou-me at a porta
da sala, vollando-se para o principe, a quem fez
algumas observacites em russo, e esle seguio-me.
lou-me a m3o, daiido-me os parabens pela minha
soltura, e disse-me, Talvez que o nao vejamos
oulra vez- contra us '.' ne ao reunirmo-nos com os
oulros ofliciaes que eslavam na sala, tambem rece-
bi os seus parabens, dizendo-me um delles que ha
cousa de urna semana antes ja sabia que eu eslava
para ser sollo; com ludo, isto ainda nao linha che-
aado ao meu conhecimenlo. Aceilei com prazer o
offerecimenlo do priucipe Dolgorouski para fazer
parle da comitiva de sua mageslade imperial, que
se eslava preparando para aseislirao aervico divino
na ca pella do palacio.
Quando eslavamos conversando, o imperador,
conduzindo a imperalriz, e acorapanhado pelo resto
da familia imperial e pela sua comitiva, passou
para a capel la. ens rematamos o prestito. Eu nao
teria seguido para dianle. se o principe Dolgorouski
nao Kfi tivesse benignamente lomado pelo brac,o e
lo-mo a .-apella, em que a familia imperial
Hi >mado os respectivos assenlos, de sorle qoe
Cv .woichava na distancia de 20 varas do altar ; o
i^nbt aos olliciaes da comitiva eslavam na parte
exterior, n'uma sala que vai dar na capella por
urna pequea porta, e oode, segundo me informa-
ran!, eu nao leria podido ouvir a msica.
A imperalriz oceupava um assenlo a minha es-
querda ; o resto daassembla eslava de p duran le
o servico. Evidentemente sua mageslade eslava
incommodadu na sua saude, e somenle se levanla-
va dusaule cerlai occasioes ; as damas da corte es-
layara por traz da imperalriz e do imperador. A fa-
milia imperial eslava a direila, no lado opposto da
capella, com os ofc?es generaes aps si ; os minis-
tros eslavam no centro, onde en eslava. Tres ar-
cos, sustentados por qualro columnas quadrados, se-
paravam a familia imperial das respectivas coram-
11 va-, O servico foi dirigido por dous sacerdotes,
(rajados com explendidos vestidos auri-verdes, com
mitras na cabeca. Um eslava dentro do anleparo do
altar, cuja porta central eslava abertt ; e o oulro na
capella, no ladoxleror do anleparo, sustentando
um livro, no qual lia pedaeos da escriptura. O
servifo era cantado e algumas vezes ntMa, por um
coro de 50 horaens e manceboade'todas as idades,
collocados > em cada lado do altar,"defronte uns
dos oulros. Nao havia msica instrumental, mas
s depois de algum lempo foi que observe esta cir-
cunislancia ; porque era tal a eolqacao, e as dille
reules yozes eram 13o perfeilamdme hnrmonsadas,
3ue imilavam os sons de um prgdo, o que dava evi-
ente solemndade a ceremonia. As vezes o anle-
paio ora fechadosnpponho que a consagrarlo da
Eucharislia e oulras vezes dous assistenles entra-
vam pelas portas laleraescom tburbulos fumeganles
de incens, que elles davam ao sacerdote ; este to-
mando, incensava tres vezes durante a congregarlo
a qual se persignava repelidas vezes, e islo, com a
repelido de algumas palavras fKyrie eleiron era
loda a parle que a congregarlo lomava no servico e
as resposlas. L'ma vez durante o servico- fui honrado
com a observaran do imperador ; ifoulra occasiio
os olhos de todas as pessoas prsenles se vollaram
para mim ; certamente eslavam orando pelos seus
i n i mi sos.
Concluido o servico, os ministros e generaes
-ahiram da capella para a sala em que os oulros of-
liciaes linham Picado, e todos nos nos colloramos em
urna linha de um lado, ao passo que as damas for-
mavam o oulro lado da avenida por onde a familia
imperial devia vollar para os seus aposentos.
A direccao fixada para a volla do lente Royer
foi pelo caminho de Varsovia. A 5 de julho elle
chegou aquella cidado a 8 de julho chegou a Berlim
A 9, diz-nus elle, pz oulra vez pena Linda vel-
ha Inglaterra. Somos obligados a dizer qoe o l-
enle Royer salisfez os desejos do coronel Mon-
landre, e do principe Dolgorouski, e com effeilo fez
olas da sua residencia na Russia, laes como
elles e o seu amo desejavam e lencionavam. Is-
caram bem a raloeira, e apanharam um lenle.
( Times. )
A CRIMEA.
Kertch.Caffa ou Theodozia.Simpheropol. Yal-
ta. o Tchatir. Dagh. Alushta.Ayupka.
o palacio do principe Woronzoff.
O livro de Mr. Lourenco Oliphant, que no prin-
cipio desle anuo causou tao viva sensasan na Ingla-
terra, recebe um vivo interesse de actualidade dos a-
conlecimenlos que agora se passam na Crimea. O
torysta inglez visitou nao ha mais. de um anno,
quando a qoesto do Oriente eslava ainda no prin-
cipio, lodas as cidades da Crimea, todos os porlos
do seu lilloral. Elle passa-os em revisla, descreve-
os successivamenle com essa precsao e esse humor,
que sao o carcter dslinclivo das obras desle genero,
onde brilha particularmente o enthusiasmo brit-
nico.
Illudindo a vigilancia da polica russa, Mr. Oli-
phant conseguio pendrar em Sebastopol sem a li-
cenca'do governador, a qual smenle facilita aos es-
lrangeiros o accesso daquella cidade. Elle pode me-
lhor que ninguem examinar minuciosamente e apre-
ciar a Torca e a fraqueza desse tao gabado baluarte
do poder russo.
- Mas l e ni -se escrito lano sobre Sebastopol, que urna
nova discriro desta cidade, nao seria bastante para
excitar a allenrSo do leilor. Porm o mesrao nao
acontece com as oulras dlias cidades da Crimea.
Abandonadas segunda ordem, ellas sao condeci-
das iniperfeiamente e muitus al apenas rabera os
seus nomes.
idea das appariroes nocturnas, e continuou com elle
atravez das anliguidades fingindo admirar de boa t,
e fazendo mesmo ao archeologo perguntas que da-
vam-lhe urna bella occasiao de desenvolver suas
Ibeorias.
Tratando da introdcelo da folha da retuve crespa
na ornamentarlo esculpida da media idade, o archeo-
logo disse:
A folha da couve crespa precede immediala-
menlc a do cardo. A couve he o emblema das vir-
tudes privadas, virtudes de urna ordem menos ele-
vada que as virtudes publicas ; he um legume rni-
co, de que se nutre o pobre; exprime ao mesmo
lempo a humildad*, a sobriedade c o Irabalho. Che-
ga ao seculo dcimo quarlo depois da rosa, do lirio,
das folhas de golfao, dus Irevos e das toldas de phan-
tasia derivadas do acantilo; esles symbolsavam so-
bre ludo a caridade, a esperanza, a f ; a couve he
empregada quando j a le he meuos forte, a espe-
rance menos viva, e a caridade menos rdante. A
couve he o primeiro passo dado para o materialismo;
com a couvea ornamentaran desee deseo ideal cen-
tra na vida real, faz um enmpromisso com as neces-
-i lides da nalureza, e separa-se dos pensamenlos do
co para ahaudonar-se aos da (erra.
Eis certamente una explicarlo na qual eu ja-
mis leria pensado, disse Gastan com lom de sor-
preza.
Mr. de Saulieu mellen a mao direita no bolso, e
lomando una allilude magistral, conlinuou:
Ainda islo nao he ludo. Porque ra/u prefe-
rio u artista do seculo uuatorze a couve crespa to-
das as oulras especies de couve? Eis o que couvm
saber.
Nao sera por acaso, aveulurou Gaslao, porqne
a couve crespa presta-scmhor aos caprichos do cin-
tel do que a couve lisa?
la alguma verdade no que me diz, Mr. de
Chavilly; no seculo qualorze a bella arle golhica
comecava a romper cora as iradicoc- unbres e sim-
ples que Ihe legara o seculo treze; loroava-se mais
alleclada; os esculplores compraziam-se as particu-
laridades e seus ornamentos eram mais cavados. Foi
esle o primeiro passo para a decadencia do seculo
quinze. Mas esla razao nao he a nica, ha urna ra-
zao symbolica, e ei-la: a couve crespa he, como o
senhor nao ignora, (oda coberla de rugas espessas,
sao relevos desiguaes e cavidades de diflerentes for-
mas.
Gastio anplicava o ouvido e arregalava os olhos
perguntando comsigo at onde as desigualdades da
couve crespa iriain levar o espirito do archeologo no
dominio das hypolheses.
Mr. de Saulieu tirou lentamente a mo do bolso, e
eslendendo-a sobre urna pedra gasla, que podia ler
representado urna Tolda de couve, tanlo como de
qualquer oulro leeumc menos pacifico, tornou:
Pois bem, Mr. de Chavilly, essas asperezas sao
aimagem da vida humana, a qual he como essa fo- *
A historia de Mr. Oliphant he o nnico livro re-
renlemente publicado em Franca, no qual se encon-
trara noticias sobre Kertch, CaOa oo Theodosia, Sim
pheropol, Bagtchi-Serai e sobre lodo o territorio da
pennsula de Crimea, qoe nossos exercilos pisam vic-
toriosamente. Vamos fazer em seguimenlo a Mr.
Oliphant, a viagem da Crimea e extrabir de seo li-
vro as noticias preciosas, que contem sobre o solo e
habitantes daquella pennsula.
O viajante inglez, depois de se ler demorado
pouco lempo em sao Petersburgo, e ter visto Mos-
cou de passagem, linha descido o Volgae n Don at
o mar de Azoff, Embarca-se em Taganrog para
a Crimea, e vem desembarcar em Yeni-Kal, ami-
ga forlaleza turca armiada donde se dirige a Kert-
ch situada a sete milhas dalli.
Kertch, diz o viagenle inglez, he quasi a nica
cidade da Russia, que he completamente edificada de
pedra. As casas sao bellas e parecem solidas. Ker-
tch he Um dos lugares da Russia meridional, que of-
ferecem mais interesse pelas antignidadet. Esla cida-
de, a Panticapea de Sirabao, foi fundada ponco mais
ou menos no meiado do seculo dezeiele,antes de Je-
su-Cbristo, pelos primeiros colonos Milesienses, qne
veram estabecer-se na Taurida, dnzentos annos de-
pois : veio a ser capital do reino do Bosphoro e a re-
sidencia de seos res.
e TheodoaU*olcapMlrveram durante Irezen-
tos annos om ijoiercio florescenle, a pennsula da
Crimea nba-se lomado o celeiro da Grecia. A
conquista desta paiz pelo Romanos deu um golpe fu-
nesto sobra o reino do Bosphoro, coja prosperdade
dependa sobretodo de ura commercio, que devia
deixar logo de existir, e Panticapea foi nma presa
fcil a Mithridates, na poca em que subjugou o
resto da Taurida.
o Para esla cidade he qoe se relirou o telebre rei
do Ponto, depois de ler sido vencido por Pompea.
Foi alli que elle tertninou sua gloriosa carreira, nao
podendo resistir por mais lempo o exercilos vic-
toriosos dos Romanse perfidia de sen lilho. Fo'
ainda na Crimea que Pharnaces ergueu o estandarte
da rev olla, e que Cezar veio, vio e vencen.
a. Os successores dos lilbos de Milhridales reina-
rain smenle ao capricho dos imperadores romanos ;
sera territorio, depois de ter sido devastado mol-
las vezes pelos Hunos e Godos, foi definitivamente
conquistado em 375 depois de J. C., por essas bor-
das de barbaros, que acabaran) por agitar comple-
tamente o mundo anligo. Algumas (ribos destes
feroces conquistadores fica/am na pennsula turica
o a oceuparam por mil annos.
a A mais celebre dellas foi a horda dos Khacars,
que em urna cerla poca, deram a Kerlch nma gran-
de importancia. Foi entao qoe urna grande parle
da pennsula tomou o nome de Khazam. No prin-
cipio do seculo treze, um grande numero de Circas-
sianos se estabeleceram por sua vez na Crimea e a
cidade de Kertch ficou sujeila a ama Irib daquel-
la nar.i'.
u Pelo mesmo lempo, os Genovezes se apoderaran)
das cusas raeredionaes da pennsula ; fundaran) urna
colonia em Cafia, com o consenlimento do Khan de
Razara, depois desconheccram a aotoridade desle
chefe, e Iravaram contra elle urna guerra muilo tem-
po inoerla. Esla guerra durava ainda. quando
Bathinelo de Gengis-Kan, o chefe da Horda de On-
ro, lendo partido dos desertos da Tartaria para mar-
char a conqusla da Russia, invadi a Crimea, ex-
lerminou o Comanes, que enlao a possuiam, e Dxou
a capital de seu imperio trtaro em Eski-Krim.
e Em 1365, a colonia grega de Sondas, que linha
gozado om momento de ama bella posicao commer-
cial, emfraqaecida por suas dissenroes intestinas,
cahio debaixo do dominio daquella potencia marti-
ma, que fez de Caifa nma cidade celebre. Cem
annos depois, aquelles aventuraros inconstantes es-
lavam confundidos com o povo, que oceupava en-
lao a pennsula, e ao qual deviam sua emancipa-
cao. Emquanto os Trtaros siliavam por Ierra as
suas colonias, estas eram bloqueadas por urna esqoa-
dra, qae a Porta linha enviado em soccorro dos
Khans, que se linham tornado tributarios do seo im-
perio. A destrnicao das colonias genovezas foi o
signal da decadencia e da ruina do commercio ao
mar de Azoff e no mar Negro, u
Kerlch era apenas urna cidade turca de pequea
importancia, quando foi cedida Russia pela Porta
em 1774. Hoje conlem urna populacho de 10,000
habitantes, cujo nico commercio se reduz a enviar
urna pequea quanlidade de sal para alguns dos
porlos russos. Esta cidade nao possue em si mes-
mo uenhum recurso, e deve nicamente sua pros-
perdade poltica, que arruinou Theodosia e com-
primi o vo do commercio no mar de Azoff.
Os campos visinho da cidade de Kertch sao com-
plelamenle incultos, apezar da riqneza do solo,
qua nao he inferior a nenhum oulro da Europa ;
porque o trigo mourisco de Kerlch obleve o premio
na grande eiposirao de Londres. Mas a residen-
cia da pennsula s he permitlida aos Russos com
mil difficoldades muilo onerosas ; e a respeilo dos
eslrangeiros, nenhum delles pode, por um uka-
se rcenle, possuir na Crimea urna geira de trra
antes de se ler feilo naturalisar subdito russo.
Iha semeada de asperezas sem numero.
Gastao leve grande vontade de rir ; mas coule-
ve-se.
Assim sao precisas todas as virtudes privadas
de qoe e-s i folha he emblema para que o homem
possa trinmphar dellas, coulinuou o archeologo ani-
man lo-se pouco a pouco. E veja a lgica da arle!
A' medida que ella inclina para a decadencia, leude
a exprimir mais vivamente as miserias de nossa exis-
tencia nesle mundo. Depois da couve crespa, a cou-
ve escabrosa como o caminho da vida, vem o cardo,
o cardo espinboso, o cardo que nao he um habitante
dos jardins, porm nm hospede selvagem dos campos
sem cultura, o cardo que nao be menos rugoso que
couve; mas que tem espinhos. O cardo cresce as
(erras abandonadas, assim como o vicio as almas
que a f nao cultivara. O cardo he o alimento do
burro, o animal desherdado, laborioso e paciente;
sem a f o homem nao he um burro digno lambem
de paslar os cardos do caminho? Sublime satyra, ad-
rairavel irona completada pouco depois pela iolro-
duceao da vinha na nrnamentacao.
Eu linha pensado al aqu que a vinba era na
linguagem svmbolica da media idade o emblema do
sangue de Nosso Senhor Jess Chrislo, observou Gas-
lao tmidamente.
Mr. de Saulieu nao foi desconcertado por esla ob-
servado judiciosa, e aqoeceodo-se gradualmente,
disse :
Sim, em algumas circunstancias, lalvez seja
assim, e se eu fosse um homem de sxslema exclusi-
vo tentara sem duvida fazer entrar a vinha do aeco-
lo quinze no symbolismo primitivo do saucue divino;
mas uinguem leva menos louge a exagerarlo e o es-
pritu de s> slema; nao quero que jamis se diga que
violenle os fados para curva-Ios ao jugo de minhas
ideas. Eu raoslrava-lhe a irona, a salxra penetran-
do na ornamenlacao monumental, e traduzindo em
pedra os livros contemporneos. O senhor vio essa
satyra allegorica cumeear na couve crespa, emblema
da vida material, e passar pelo cardo emblema da
dor e da estupidez humana. Farlo de desgostos e
embrutecido pelo vicio, que resta ao homem ? res-
la-1 he descer s um degro; elle afogara na embria-
guez seus males e suas lorpezai; o sumo da uva Ihe
dar o esquecimenlo dos outros ede si mesmo. Com-
prehende agora porque os pmpanos e os cachos de
uvas succedem ao cardo? porque sao as ultimas pa-
lavras ultima verba da csculplura de adorno e da
arle golhica ? Depois delles a veia esl esgoladi, a
arte se Iransfjjrma, comeca novo cyclo. Chamam
esle novo periodo o Renascimento; mas en dou-lhe
oulro nome, chamo-o Decadencia.
Mr. de Saulieu tornou a melter a mo no bolso e
conlinuon leolamente sea paselo alravez doi des-
troces desformes da media idade, como quem nao
espera os applausos do auditorio para estar salis-
feito. (Coniinnar-ie-Aa.)
II
1% i


- _-
Ora, accrescenla maliciosamente o escriplor in-
glez, he urna condgao, que niuguem aceila de boa
vonlade ; apenas alguem se resolvera sujeilar-se a
ella com a certeza de nina magnfica remunera-
gao. i>
De Kerlch, Mr. Oliphaut se dirige para Simpha-
ropol, alravez do um caminbo muilo pilloresco.
Depois de muilu aventuras, elle chega a nova ca-
pilal da Crimea, sobre a qoal nos d impressdes con*
pelas e noges de um vivo olercea :
Quando a Crimea fui cedida v Russia em 1781,
Baglchi-Serai, a velha e piltoresca capital, foi jul-
gada indigna de ser a cidade principal du nova
provincia. Erguen-se as planicies de Salghir, inia
linda cidade moderna, a qual se deu um nomc gre-
SO magestoso. Simphcropol he inleiramente edi-
ficada no goslo russo, com roas estrellas, casas bran-
cas mullo alias e pintadas de cores as mais vivas do
mondo. Se a populacho se compunha inteiramen-
to de Russo, o interior da cidade est, como em
Kaian ou em Saralor, longe de corresponder s es-
peranzas, que seas arrabaldes fazem uascer. Fe-
lizmente Simphcropol foi onlr'ora Akmelchel ou a
Metquita Branca. Aiuda hoje os descernientes da-
quelles que habitaran! amigamente Akmelchel, va-
gueiam as portea da cidade e animan am pouco a
fra monolo'uia da nova capital.
Akmetchet foi por muilo lempo a segunda ci-
dade datrimea e a residencia dosultao Kalga, ou
viee Khan. Era enlao urna cidade importante, or-
nada de palacios, mesquitas e baohos pblicos.. El-
la Irocou a magnificencia oriental de seu passado
pelo falso brillio da barbaria moscovita.
De cada lado das ras habitadas pelos Trtaros,
ve-se paredes nuas, e se nao fosse a gente, que as
alravessa, seriam os lugares mais tristes do muudo.
As casas so lem um andar ; cada urna dellas es-
t.i dentro de um pateo separado. As janellas, on-
de o pergaminho substitue o vidro, sao lao bailas,
que ningucm as pode ver da ra. Por est razao
as desditosas mulheres, que vivem naquellas tristes
moradas, nao tem a distraern ordinaria das orien-
taos, eopasseador nao v scinlillar seus olhos ne-
gros por detraz das grades das janellas.
Alm disto, as mulheres (arlaras de Simphero-
pol no perdem muilo nesla reclusao. As ras sao
sem vida e sen movimento ; as lojas sao raras e
distantes amas das outras, muito pequeas, pobres
e regidas por mulheres feias e sem veos. As belle-
zas estao accultM desde os olhos al osjoelhos de-
baixo do branto feredje. Os homens trazen as ve-
zes o turbante e o manto flactuante dos verdadeiros
orientaes; mas a verdade pitloresca de seus trajes
escapa quasi a toda descripgSo.
O governador actual, Peslal, goza a proteegao
do ezar. Sua casa he muito bella. A pequea dis-
tancia da cidade so enconlra vastos quarleis; mas
o o hospital he que est sempre oceupado; osou-
tros edificios recebem de lempos em lempos tropas
que vio para o Caucaso, ou que dalli voltarh.
Ao lado da nossa habitagao se abria a porta da
bella synagoga dos judeos, onde urna escola pareca
ser permanente. Simpheropol con tem perto de
quatorze mil habitantes, entre os quaes um grande
numero professam a religio judaica.
No momento em que Mr. Oliphant visitou Sim-
pheropol, havia naquclla cidade urna grande felra
que all se faz todos osannos no mez de onlubro,
e goza de urna grande celebridade. O torista in-
glez conla as suas curiosidades, fazendo-nos assislir
a ellas com elle, edepoisaccrescenla:
Simpheropol offerece aos olhos do viajante dohs
encantus naturaes mais seductores que as curiosida-
des de sua feira. Quando alguem a v do lado
de Kerlch, ella parece situada na planicie; mas urna
grande parle da cidade est sentada na borda rpida
do stepp. Ao p de um rochedo alcanlilad de
duzentos pos de altura, serpeja o delgado fio de
agua do Salghir, a que habitantes do paiz (em
dado o nuinc de rio. Pomares c jardins cheios de
arvors fructferas e alravessados por bellas aveui.
das de alamos, se estendem pelas mirgens daquelle
rbeirinho al onde as collinas, elevando-se a urna
allura maior, formam urna cadeia de montes co-
bertos de maltas, indo al o Tchatir-Dagh, cujos ci-
mos grandiosos fecham o horisonte.
Terminamos aqu esta cilagao, c como devemos
ser breves, renunciamos seguir nosso viajante em
sua perigosa e pitloresca subida ao cu me do Tcha-
tir-Dagh, donde a vista abraca quasi toda a exten-
sdo da Crimea em um circulo immenso. De Sem-
pheropol a YalU elle viaja em urna carruagem de
posta do paiz, chamada (ciega, pur caminhos ape-
nas pralicaveis, mas no mcio de sitios e paisageus
as raais admiraveis. emora-se em Alushta, lida
cidade trtara, que na media idade gozou de certo
esplendor, com nome de Aluslan Pruzion.
Pelo caminho Mr. Oliphant observa cum um vol-
ver de olhos seguro e experimentado, os recursos
agrcolas da Crimea o as riquezas de seu solo. As
bellezas poticas destes campos e sua virosa vegeta-
do nao lhe fazem perder de vista o lado especial-
mente ulil de sua viagen. O extracto scguinle.
no qual descricOea variadas se acham mtsluradas de
observarles judiciosas, dar ama idea das*ellezas
que ha nos contos de Mr. Oliphant:
Filas de cypeslres e de oliveira, de romeiras e de
loureiros bordan a estrada at Ahjpka.-Na exlrc-
midade das avenidas umbrosas, que se abriam de
todos os lados, vamos casas de campo e caslellos,
Alguns casaes se acham espalhados nos valles, onde
a colheila de feuo est reunida em fexcs as arvores
esgalhadas, emquauto montes de roroaas, de nozes,,
ramos de oliveira carregados de fruclos bordavar o
sop da estrada. Grupos de mogas (arlaras e-lavam
ao redor de urna fonte borbulhanle, sombra dos
ramos frondosos deuuM nogueira scula Devemos
renunciar pinlar os encantos desla (erra favorecida
do co.
Deseemos rpidamente ao castalio de Alupka, re-
5idencia do prncipe Woronzofl, atravessando im-
mensas vinhas dependentes da propriedade. Por ci-
ma das arvores apparecem os zimborios de um
palacio de urna magnificencia toda oriental.
Alguns pasaos mais longe, a cpula mais bri-
lhante eos elegantes minaretos de urna mesquila fa-
ziam pensar, que o senhor daquellas maravilhas de-
vtser pelo menos o celebre Hadp-Selin-Ghiri-Khan.
l'oucos instantes depois, passamos, nao sem alguma
anxiedade, por baiio das muralhas elevadas e
amcias ameacadoras de urna fortaleza feudal. En-
tramos por solidos postigos em um pateo espagoso,
no qual se eleva ama torre quadrada, massica e co-
ro, i la de um campanario.
a Apezar da mistura dos cstylos os mais contra-
rios, he magestoso o eTeito geral deste esplendido
caslello. O principe gastou nesla residencia son-
mas quasi fabulosas, mas conseguio levantar um edi-
ficio digno da paisagem que o cerca. O caslello he
de um goslo quasi irrepreliensivel. A fachada de
urna extrema magnificencia, olha para o mar. O
terraco e os jardins, ornados de piapas raras, des-
ce at a beira da agua. Pequeas veredas corren
entre rochas quebradas e deslrocos volcnicos. 1 i-
nalmenle o prodigioso pico de Ahi-l'etr i domina to-
da a sceua e parece amcacar o aobre edificio, que
repoasa na saa base.
n Anda no ha muilo lempo que a Crimea tor-
nou-se o rende-voiis fasliionable da uobreza rus-a,
(i principe Woronzoff foi o primeiro, que deu o
exemplo, o qual fui seguido ptlo imperador e pelos,
membros os mais ricos da aristocracia. A maior par-
ta dos nobres eslabelceram suas residencias entre
Alushta c Alupka ao longo do eslreilo caminho qfie
(emos segnido. Estas propriedades sao atravesadas
por valles encantadores, que varan o seu aspecto e
abrigadas dos ventos nordestes pela alta cadeia de
rochedos calcreos, a cuja existencia essa parle da
pennsula deve saa extraordinaria fertilidade. Ha
pouco lempo he que se comerou a tirar vanlagcus
dessa Ierra fecunda.
DIARIO OE PERNAMBUCO SEGUNDA FEIRA 27 DE NOVEMBRO DE 1854.
Por esta razflo, emquauto usvinhus do Archipoiago
forem admitlidus quasi livres de direitos nos porlos
do mar Negro, os vnhos da Crimea nao poderao
concorrer para o abastccimenlo do paizdoliltoral.
valor da producto auuual sobe hojo a quinhentos
mil rublos ou ao duplo quasi do rendimeuto que se
lira das vinhas no paiz dos Cossacos do Don.
(Prense.)
INTERIOR.
CORRESPONDENCIA DO DIARIO DE
PERNAMBUCO.
Parahiba 20 de novembro.
Tenho andado uestes dous diaseom os humores um
pouco carregados, accommeltido do splecn, ou como
em porluguez melhor nome haj, e por isso quas
lhe nao escrevo pelo presente correio, temendo que
minlia nissiva nao se resinta das negras sombras do
meu humor, que nao saia um pouco acre, e por tan-
toque me nao comprometa mais; masreconhecen-
do que aquelle rao lempo vai passando, voa tentar
dizer-lhc alguma cousa, disposto com ludo" a roduzir
a cinzas o papel, se, depois do escripto, reconhecer
que cheira a spleen.
Dir Vine, e o que me importan) seus humores.?
O que tenho com seus burros ? No que mo interes-
sam taes observagoes? Talvez leuha sobeja razao ;
mas ha de convir que cu tamhem oslou no mcu di-
reitoem preveni-lo, qoandi desconfiar que minhas
nolicias, resentiudo-se do meu estado moral nao lhe
podem interessar, afim de salva-lo de urna respeitavel
massada do insipidez e de rabugem.
Se os seus compositores, por exemplo, me preve-
nissem com antecedencia do dia em que estarao ac-
commctlidos do spleen.ea resillara minhas missivas,
de sorte a nenhuma chegar-llics s maos em um tal
dia aziago, e assim deixaria do v-las estropiadas
como aante-penultima.
Se nos soubessemoa anlecipadamentc os dias do
spleen alheio.o escravo nao folgaria no dia do senhor.
o discpulo nao gazearia no do mostr, o criado an-
dara diligente no do amo, o marido seria amavel no
a mulher, o soldado escovaria o uniforme no do su-
perior, o escrivo escreveria legivel no do juiz, o ma-
riuheiro andara ligeiro no do capitao, as partes nao
riam saudiencias nos dos ministros.
E quantos arrufas, quanlos agaslamentos, quantas
inimzades, quantas pancadas, quantas suspenses,
quanlos indeferidos, quaulas opposigOes, nao preve-
nirla esse conhecimerito tao simples !! Eu quando
vejo qualquer individuo, seja qual fr, do cenho car-
regado, passu de largo ; assim como de largo passo do
cao qae me mostra a ferragem.
Apezar desta minha prudencia, por muitas vezes
leuho lido encontros mos, porque ha caracteres tao
promptamente raudaveis, genios tao versateis, que
em um momento tomam humor e fazem mil vara-
cOcs. Com estes qualquer se engaar, anda o mais
f-hahil corlezo.
Estou perfeilamenlo de accordo com um psicolo-
gista, que diz, que nada he mais verstil e caprichoso
do que o espirito. Quanlos genios, diz elle, e per-
millir-me-ha repeli-lo, escrevenirhoje em um senti-
do e amanhaa era outro Qaantos advogados suslcn-
lam o pro eo contra* Quantos autores estao hoje
alegres, amanhaa tristes e depois absurdos Oh E
o bello sexo Aathraosphcra nao muda mais promp-
lamente, o vento nao corre com mais inconstancia os
dillerenlcs rumos. ,
lina beldado lie amavel em quanlo lie o objecto
de todos es cuida*, em quanlo un so do seus olna-
reshc solicitado coma o maior dos favores ; mas no
momento em que urna oulra a eclypsa, logo que qual-
quer motivo distrae a aRengao de seus adoradores,
ei-l agasladica, e Irascivel. Um nada a irritar, a
menor conlrariedade-far sahir de seus uacarados
labios amargas'queixas, recriminarles crueis. Oh !
Conlinua o tal autor, na*o vos fiis no espirito de una
mulher, so nao ha um' pouquilo de boudade que o
tempere. Escotado lie dizer-lhe que nao lomo a res-
ponsabildade do que diz o tal psicologisla a respeilo
do bello sexo. Quanlo aos homeus estamos de per-
feito accordo, e eu mesmo no comeco desla me ac-
cusei.
Creo queja est aborrecido de exordios; porlanto
passemos a diante. O lenle, que em urna de mi-
nhas passadas lhe disse, ter de ir como subdelegado
de Itabaiana, leve nao sei que aecusadores, que lhe
descobriram, ignoro o que, e em resultado nao s uao
seguio, como ale foi exonerado do poslo da polica.
O Argot, que em lempos raais felizes fez quelle l-
ente as aecusaroes mais graves, as increpacoesmais
exageradas, por mal informado, hoje tratando da-
quclla dimissao diz, que foi justa, se he terdadeira a
aecusacao que lhe lizcram.
Eu sei que un dos aceusadores foi, nao sei se an-
da he, intimamente ligado ao Jrgos, e em qualquer
caso ello nao quizcertameole por em duvida a vera-
cidade de um individuo, que al hoje nao soffreu
igual duvida da parle de seas desafleicoados polti-
cos.
O mesmo Argos nao ficou muilo saiisfeito com a
nomeaeao do successor daquelle tenentc, porque diz
elle, he um homem que falla pouco, parece nao ser
desle mundo, e principalmente porque chsraa-se
Joot/oiiiiAa.
A primeira razao procede, porque lie provavel
que quam falla pouco obre muilo, e no me consta
que um lenle de polica leuha de subir tribuna
como tal.
Chegou o joven Americo, natural da cidade da
Ara desla provincia, o segu para o Rio no primei-
ro vapor, esludar o desenlio o pintura a expensas
do governo.
Eise joven, que tem li annos, he um aborto no
desenlio. Da precocc idade o sem o menor auxilio
d'arle, smente cora um lapis, romecou a dese-
nliar, com assombrosa propriedade, quanlo Hie ca-
hia ao alcance da vsla.
Foi encontrado por Mr. Brunel, quo admirado de
um tal talento, o recommcndou ao governo pro-
vincial o esle ao geral.
Eu vi entre nulros desenlio;, o retrato de Mr. Bru-
nel, o mais parecido possivel. Tenho visto alguns
retratos, mas poneos tao semelhanles ao original.
Digo, como o naturalista Brunel, he um genio que
convumapproveilar para honra do paiz. Nao sou
exagerado, mas gosto de fazer Justina ao mrito onde
qner que o encontr.
Aiuda nao pude encontrar urna joven que quei-
ra unir-se a mm pelos doces lacos de hymineu, e
parece-me que contigo nao se realisar o versculo
do Exm. Sr. Jos AscensoQbstaculos nao ha que
amor nao venga.lie verdade que eu nuuca fui
dos dilectos de amor ; mas conhego muila genle d
meu porte, que esl hojo sob o doco jugo. Digo-lhe
islo como errata de minha ultima missiva, em que
lhe noliciei minhas esperanras, e fi-lo conceber as
de vir ver minha Ierra, para assislir s bodas. En-
tretanto contina a inania dos casamenlos. Parece-
me que Cupido esl passando aqui a fesla ; e quan-
lo a mm, cncontrei-o de braco como Mereles hoo-
tem na estrada do carro. Se eu sei que era o ma-
gano I
Jaque loco no artigo matrimonio,quero conlar-lhe
um soliloquio, que ltimamente Uve a lal respeilo.
Rcconciderava en pela milsima vez se deveria lo-
mar esse suave estado. Depois de poucos momentos
decid indubitavelmenlc que devia faze-lo, poV lo-
dos os motivos e bons motivos, quo cntao me ap-
pareccram e que hoje se me apagaram da memoria,
mas entrei em oulra grande duvida, a da eacolha
da mulher.
Quero-a llonta era primeiro lugar... mas nao....
bonita he muito bom... mas.... mas, se he tola he
insupporlavel... E haver urna beldade tola M Nao,
tolo sou cu em tal pensar.... mas... bonita he um
perigo.
Alm disso (queja era de mais ) urna inohac.lo,
as bexgas, ama lepra ou qualquer accidente, faz de
um anjo urna Megera... Nada, o enlao pode ficar
tola... Nada, quero escolher minha futura pelo co-
ragao... coragflo... coragao... onde lem ellas o cora-
do '.' O coragao he... ca... A!i sim... O coragao
he exactamente o maior traidor qucus possuimos.
Nao somos senhores dellc. Militas veaes julgamos
dirigi-lo, c he elle quem nos governa. Quaolas ve-
zes de boa fe julgamos have-lo dado a alguem, e em
um bello dia elle acha-se no dominio o posse de ou-
trem! Quando coniamos com sua firmeza he quando
nos falla, como cavallo caneado ; quando o julgamos
fro, ellose iiill.imnia ; quando procuramos impor-lhe
silencio, he quando elle falla mais alio... Nao, nao
escolan mulher pelo coracao.
Muilo bem, escolherei pela alna... as... onde
esl a alma dellas? Eis orna grande quesiao, que
se me aprsenla de improviso... Vou lr um pouco
a respeilo e de fado assim o fiz, e eis o que encon-
trei.
Erasistralo faz morar a alma, crcio que de am-
bos os sexos, na membrana que envolve o cerebro ;
certamenle nao lem]csa esparosa. llippocratesa col-
loca no vcnlricalo esquerdo do coragao ; por isso
he ello insubordinado. Epicnro e Aristteles dao-
Ihe o corpo inleiro por humenagem ; assim em ver-
dade nao erraram, a nao querer algura oulro collo-
ca-la fra do corpo. Empcdocles c Moiss enlendem
que ella est no sangue, mas que recua quando nos
sangramos, porque tem medo do ar. Strabao acha-
a muito bem entre as duas sobrancelhas : Ahi as
meninas bonitas ha oquer que seja do alma, ou cou-
sa que ovalha. Platao a divide em (ros parles pe
a razao no cerebro, a colera no peilo e os apetites
as enlranhas. Estcs'ficam mal alojados. Parneni-
das pretende que ella seja fogo ; Anaxlraandro qne
seja agua ; Reqou a compoc da quinla essenca dos
qualro elementos ; Horaclido quer que seja luz ;
Xenocralcs um numero ; Thales urna substancia
que sempre obra ; Aristteles urna intelechia ; e o
poeta Mallebranchc diz, que ns nao conbemos a
alma, senao pela conscienca. He sem duvida por
essa razao que poucos a conhecem....
Nessas differenles opinies a respeilo da residen-
cia da senhora alma, fiquei iudeciso sobre a minha
escolha e anda me aclio ; portante- se tem noticias
mais exactas, mande-me sua adresse, ou enlao acon-
selhar como devo haver-me para dcixar o celibato.
No coragao nao me posso confiar, nao sei onde re-
side a alma a cerlo.erjo esperemos.
Neslc momento avisam-me que chegou o vapor,
vou porlanto Iratar de saber o que ha de novo por
esse mundo alm.
Por aqui nada mais occorre que merega menco.
Saude e gordura, dinhcro e paciencia lhe desejo pa-
ra passar a fesla.
Joao Ilenriques da Silva Jnior.
Dr. Joao Mara Seve.
Jos Maria Machado de Figueiredo.
Capitao Severino Meniques de Castro Pimeolel.
Jos Beulo da Cosa.
I.iiiz Antonio Vieira.
Antonio Rodrigues d'Albuquerqoo.
Dr. Antonio Vicente do Nascimenlo Feilosa.
Jorge Viclor Ferreira Lopes.
Foram sorteados da urna siplemenlar os lri jura-
dos segu n les :
I/idoro Jos Pereira
Florencio Domingues da Silva.
Antonio Alvcs da Fonsera. .
Dr. Joao Domingues da Silva.
Dr. Jbaquim d'Aquino Fonseca.
Dr. Luiz Rodrigues Villares.
Joao ll.iplisla Ferreira d'Annuiiciagao.
Joao Ferreira d'-vnuuiiciacao.
Joao Francisco Regis Quinlella.
Jo3o Antonio de Paula Rodrigues.
Joaqun) Francisco de Mello Saulos.
Dr. Francisco Pereira 1'reir.e.
Emilio Xavier Sobrera de Mello.
Jos Paulo da Fonseca.
Ilenriques Sleple.
A idhHu foi adiada para as 10 horas da raanhaa
do dia 7 do correnle.
REPARTIQAO DA POLICA.
Parle do dia 25 de novembro.
film, e Eim. Sr.Parlecipo a V. Exc. que, das
dillerenlcs parliciparOcs hoje recebidas nesta repar-
ticao, consta que foram presos: pela delegacia do
1. dislricto desle termo, Jos Francisco do Nasci-
menlo, por furlo; pela subdelegara da freguezia do
Recife, Manocl da Silva Pereira, e Vicente'Ferreira
da Conceigao, ambos por uso de armas prohibidas ;
pela subdelegara da freguezia de S. Jos, a parda
Constancia Maria da Conceirao, para averiguarOes
policiacs; pela subdelegacia da freguezia da Boa-Vis-
ta, Candido Jos dos Sanios Vital, para remita.
Frncisco Jos Sampaio, para averiguages policiaes,
Thom Ribero Gomes dos Sanios, por furlo, e o
prelo escravo Silvestre, sem dcclaragao do motivo ;
pela subdelegara da freguezia do Po'go da Panel la,
a preta Joaquiua, tambem sem declaracao do moti-
vo ; pela subdelegacia da Muribeca, Francisco Jos
do Nascinenlo, para avcriguagOes policiaes. .
Foram hontem recolhidos a cadeia desta cidade
2 sentenciados e i criminosos, sendo t no lerno de
(aranliuns por homicidio, e oulro na provincia do
M.iranliao por crime de roubo, os quaes me foram
remedidos a bordo do briguc escuna Legalidadc,
com offlrode 18 do correnle pelo chefe de polica
da provincia das Alagoas.
Dos guarde a V. Ex. secretaria da polica de Per-
nanbuco -li de novembro de 1854.lllm. e Exm.
Sr. conselheiro Jos BenlodaCunha e Figueiredo
presidente da provincia,O chefe de polica Luiz
Carlos de Paira Teixeira.
PERNAMBliCO.
Nao ha muilo lempo que existia um pequeo nu-
mero de vinhas, situadas sobre os declives septen-
trionaes da cadeia turica no Soudagh e nos valles
dos arrabaldes. (ragas aos enrgicos esforgos do
principe Woronzoffa cultura das vinhas'na Crimea
faz espantosos progressos, e nao obstante as diflicnl-
dales, que acompauliam sempre sementantes eni-
prezas.
Con todo os relatnos eslatislicos moslram pouco
augmento na quantidade de vinhos exportados da
Crimea nos ltimos dez annos.* Islo resulta sem du-
vida da diilculdade de achar um mercado para v-
anos de qualidade inferior, e apezar dos nones
pomposos com que os enfelam, os vinhos da-Crimea
sao geralnenle mediocres. De outre lado, poslo que
eu bebesse casualmente > inho da Crimea em Silo
Petersburgo, a ausencia das vas de communicacao
alravez dos sleppes torna impossivel urna cxporlagao
de ijualquer importancia para o iotarior da Russia.
Quanlos nao oonhego en qile fallando muilo para
nada prestam, e quanlos fallando muilo em seas pe-
nates, perdem odom da falla em hoyos ares!
A segunda razao parece-me a favor do nomeado,
porque ter S. Exc. pessoa doea, quando queira
mandar aps um criminoso alm deste mundo. Fo-
rado brnquedo, eu sou. nalural desta lerrinha, e
sei bem quo o Sr. Joao Xavier Vidal uasceu nao s
ncsle mundo, como nesla provincia, que seuspais
liveram com quo educa-lo, e que tendo soffrido, a-
lmdeoulras iufelicidades, a de perder seo pai, he
hojo o arrimo de sua honesta familia, que conta duas
irmSas solteiras, e que finalmente al hoje aiuda lhe
nao foi notado um aclo que o deslustre, e fioalmcnle
quo he lente da guarda nacional.
Eu nunca quererei os eslrompa-chalupas para na-
da, emenos para commandar torga armada pelo in-
ferior.
Quanio ao pseudnimo que o. Argos lhe empresta,
he certamenle hcrrorosol He mesmo indigno de
qualquer emprego, incapaz de exercer al o de con-
tinuo da assembla proviocal, quem tiver a desgra-
ga de chamar-se, ou ser alcunhadovialiuha.
Como sou muilo curioso desejara saber se he de
agora que o Argos tem essas nicas, porque eu j co-
bheci um lenle de polica que liaba assim um al-
cunho a pea pres ; e nao me consta que o Argos o
julgasse incapaz de lodo o servigo. Nao descerei
comparagoes odiosas ; e o amigo me dispensa de boa
Vontade de fate-lo : Nao he assim .' Se ne engao
diga-c.
Admira, nao posso deixar de dize-lo, que un or-
g3o que quer canpar de liberal, tendo de censurar
urna nomeagao, ben longe de apresenlar os defeilos
e mos fados do nomeado, desga a improvisar um
alcunfao, para assim cobrir de ridiculo um mogo,
que por suas bas manaras, proceder e educagp
merece melhor Iralamenlo.
Nao he por formas idnticas, que se mostra que-
rer noralisar o paiz e procurar suasmelhoras.
E nao dei lamanha importancia a un dislate, de
que lalvez o amigo esleja arrepondido? Perdoe-ne
o Argos e Vnc. tambem.
Ioi uomeado o alferes Forlnnato da Silva Neves
delegado e comraandanle do destacamento de Ita-
baiana, para onde seguio com urna forga, deveudo
faier antes orna diversao por, Pedras de Fogo, para
onde lamhem seguio definitivamente o Dr. Bazilio,
chefe de polica, para processar o aulor da ullima
"norte all liavida.
Nao so verilicou a noticia das morles feitas pelo
soldado, creio'portanto que foi um bello improviso
de algum romancista.
llonlem enlrou preso un peliulra,que leudo viu-
do recommendado dessa para esla proviuca a um
senhor de engenho, ionio bom carpina, mas passado
por alio, pelo que devia ser conservado intra muros,
por causa tamben de alguma constipagao, quiz
mostrar qae tinha mais a habilidade despachante,
excrceudo-a no mesmo senhor de engenho.
Quanlo a mim (cm elle de se haver com o Exm.
Sr. l'aes Brrelo, que, honra lhe seja foila, lem
mostrado nao brincar com os laes meliantes.
Estamos cm vesperas de um telegraplio em minia-
tura, Mmenle para dar noticia da chegada dos va-
pores. Se eu podesse montar um elctrico para dar-
Ihe as noticias 1 He bom nao desanimar, porque eu
anda pretendo ir, em caminho de ferro, noticiar-
me pessoalmenle as oceurrencias e voltar casa para
o refeitorio. Assim seja.
RECIFE 25 DE NOVEMBRO DE 1854
AS C HORAS DA TARDE.
* RETROSPECTO SEMANAL.
Pouco temos a offereccr hoje aos leitores, porque
quasi nada occorreu de nolavel durante esta semana:
Circularam alguns boatos assusladores acerca de pr-
ximas desorden;; mas islo, que alias sempre inquie-
ta as familias, parece-nos nao ler fundamento aU
?um, sendo que o governo da provincia acha-se dis-
posto e bent preparado para reprimir qualquer ten-
tativa desse genero, podendo-se esperar por oulro la-
do que.0 nosso povo tenha j comprendido que,
sem socego e Irabalho, nada pode lucrar, mas so-
mente perder.
No dia 19 levo lugar, na igreja da Sadr de Dos,
freguezia do Recife, a benrao da bandeira do bata-
lho de arlilharia da guarda nacional desle munici-
pio, assistindo a essa Ceremonia a irmandade de San-
l'Anna, erecta naquella iereja, oque lho deu luaior
realce.
A polica no lem descangado na pesquiza dos
roubos, encelada por ucca-iao do de 14 So crrenle ;
e as suas diligencias hao sido coroadas de feliz xito.
Na semana rinda, quasi nao bouve dia em que nao
fosse (rancaliado na cada algum dos meliantes sor-
ripiadores, ou cm que se n,1o descobrissem e appre-
hendessera ohjcclus furlados. Os rclojoei'ros Bertrand
e Cliapron liveram a dita de rehaver a maior parte
dos relogios e raais ohjectos lirados de sua.loja da
praea da Independencia, faltando-Ules apenas mui
poucacousi. Mui tos roubos vclhos lemsido desco-
berlos, alsuns atpralicados lia cinco anuos: rou-
pas felas, joias, etc. hao sido depositadas para se
entregaren! aos donos, depois de competentemente
habilitados. Em summa, pde-se dizerque foi a se-
mana da rcssurreigo dos objectos furlados, morios
pelo esquccimenlo, e enterrados nos esc ondrijos de
Caco.
A justa.sjveridadc, que, da vez passada, notamos
ler-se desenvolvido na faculdade de direilo, confi-
nua em sua marcha salutar. S o terceiro anuo ju-
rdico souYeu esla semana mais duas reprovages;
e alen deslas, outnp R R foram langados em diver-
sos anuos. Parece que o negocio leude a mudar de
face. Com tanto que se faga jusliga, segundo pre-
sumimos, uao temos mais do que felicitar por isso
aquella Ilustre e respeilav el corporagSo, que assim
IMantnra e firmar o seu credilo.
Quemo dira? Foraos visitados pela chava, e o
dia i apresentou-se como o de rigoroso invern.
Nao obstante, o calor permanece em seu auge, ou
antes pfcrecc augmentar.
Enlraram 31 embarcarles e sabiramil.
Rcndcu a alfaudega 98,5659760 rs.
tallecern) 38 pessoas : 8 homens, 9 mulheres, e
\i prvulos, livres;(i homens, 2 mulheres e l par
vulo, esernvos.
COMARCA SI SANTO IRTA'Il
Villa da Escada 15 de novembro.
O promettido he devido. Eu c que sou como
Vine, o sabe, como aguas de Janeiro, tardo e nao
falto.
O enfado procedente de meus trabalhos semana-
rios me nao permute usar de florlos rheloricos, ou
rodeos oratorios : como costumo, e m'o consenle o
engenho ou inopia inlelleclualformarei as minhas
garabulhas, rabiscas, garalujascom toda a Ihaneza e
delidade. E quando se me alcunhar de insulso
prosador, safio e sandeu, responderei que escrevo
para todosperitos e indoulos, ; nao para instruir,
mas para noticiar-Ibes edivertr-me as horas vagas,
e quando repousando os lassos membros do diur-
no labor, revolvo na imagioagao mil alheios penTa-
mentos.
Alguns devotos meus j me lachan dedesencha-
bido e sen pico. Ora saiba que islo em vez de anu-
ar-me, ine lisonga; pois que se agora rae nao achan
chistoso e faceto, he porque ja rae consideraran) tal,
e islo me eleva muito meus proprios olhos, e faz-
ine mudar da idea, que a meu respeilo faza. Po-
rm concedida a hypothese da jovialidade e facera-
de minhas epstolas, deven saber que nao sou fonte
inexhaurivel, assim como tambem nao he sempre
com n riso nos labios c o coragao trasbordando de
prazer, que escrevinho; alias he muilas vezes para
expcllir o sombro flato, que me oceupa, neste ser-
vigo.
Valha-me Dos, que nao sei como agradar a to-
dos... Finalmente nao sou raoda de vinte pala-
cas.
Quercm que eu apparega cm lodos os nmeros do
seu Diario.Nole bem, esles s buscam ver-me de
meia cara Querem amoldar-mc sea bel prazer ;
e eu que os ature V que nao ha outro reme-
dio.
O Aldeao, diz esle, vcio agora muito rispido,
muilo fraco,muito inspido. O Aldeao, diz aquel-
le, nao devra Iratardisto,devra fallar naquillo...
etc. Mas nenhuin me procura para coadjuvar-me.
Muito ubrigado Quem quizer cousa que bem lhe
ajusle, v fabrica, que he onde ha obras para to-
dos os gostos.
Quererao monopolisar as minhas ideas ? meus
pon-.linalo- 7 meu livre arbitrio?.. O vous guelque
soyez.
Procurai o hornera da capa ruga, e adevinhai quera
vos deu 1
Por ne parecer esle ensejo cabivel rogo-lhe que
tenha o cuidado de corrigir as minhas lettras, pois
que quasi sempre fagoas com tanta pressa, que me
u3o resla lempo para a correegao. Mol va-mu a exi-
gencia desse obsequio o deparar constantemente
nellas erratas innmeras; assim como recommende
seus Ivpographos que me nao omiltamou supprimara
termos e al mesmo pensameatos, que cabidamenle
hei encaichado... excepgat d'aquelles que a sua
prudencia, perspicacia, e inlelligenca vir que he
ulil e necessario passar pela pena da mudanga ou
suppressao.
Fallemos serios, e tratemos de outras cousas, que
para cavuco basta o que Cea dito.
/n primo capite passo a rectlicar-lhe urna no-
lica, que dei-lhe mal informado pelo meu Sata-
geu.
He falso que o Sr. Barros pedisse vista da demar-
cagao, que j lhe disse, se eslava procedendo das Ier-
ras concedidas por aforamento ao Sr. teoente coro-
nel Marianno; continuou-se, digo, fez-se sem inter-
rupgao, bavendo-so concluido logo no principio des-
ta semana.
No dia 6 do andante reunio-se a cmara para
funecionar, como havia antecedentemente marcado,
emsessao ordinaria. Durante o tenpodoseu trabalho,
assislio o Sr. Tiburlino para orientar aos vereadores,
que hospedes na materia, mister Ibes era um Mentor,
que os guiasse e derigisse.
Era meo dia quando principiaran os seus traba-
lhos, fallndolo Dr. Joao da Rocha llallanda Cival-
canli, c JosSancho Bezerra Cavalcauti, este jmen-
le no primeiro dia; aquelle em todos.
Nolei que sempre encelavam os mesmos trabalhos
diarios muito tarde, lerminaudo-os das 3 horas em
diante; e no ultimo dia (sabbadoj encerraran-se s
7 horas da larde.
Desta feila ignoro anda qdW utilidade della nos
ven, ou vira. Consla-ne, que em lugar de se Ira-
lar de urna ponte, que se nos faz indispensavel pos-
to que cu mesmo sou o primeiro a reconhecer a sua
impossibilidadepresentemente), delerminou-se por
urna jangada napassagem mais prxima e usada,
cora proliihigao qualquer particular ler ingerencia
em negocio de lal jaez!.. Poten o mais engragado
foi haver quem se lembrasse, que en alleragao' ou
appendix s posturas, se cominasse pena, ou multa
todo o individuo, que ousasse tirar urna caima
nos cannaviaes de qualquer senhor de enge-
nho 1
Marcarara-se os ordenados dos empregados. Pa-
ra o Thomaz secretario 2509UOO; para o Franco fis-
cal 1005000,- para o Feliciano porteiro 6O9OOO; para
o Cavalcanli procurador alm da porecntagem,
mais un addcudo de 508000: pelo que a Illn.",
apezar de seus quasi uenhuns recursos, vai cortando
largo.
i 0 Gregorio he quen ficou chispando Tiraran-
Ihe da bocea a ubrrima teta, donde elle chuchava
o suave e gostoso sueco, que lhe farlava as algibei-
ras.
A caara pois prevalecendo-se de seu direilo
conprou-ihc os edificios, que servan de assougue,
c casa do mercado.
Jase lizcram as arremalagcs. Quiz habilitar-ma
para ver se por esta va mudava de sorte o deixava a
vida de agricultor, que para mira j he extraordi-
nariamente insupporlavel. Mas procara fiador, sa-
ca fiador, vou ler como compadre JooGomes; po-
rm elle negou-se-me, dizendo que ia levantar o seu
engenho, e uao eslava para ser fiador de ninguem.
Corro ao ncomparavel Faustino para iudigilar-me
alguem que ne fosse preslavel esse fin. Disse-ne
que quem me poda ser ulil era o Quincas-fura-
olho; mas que esse era criminoso, porque dando
una surra no prelo Joaquim o cegara a ponto de o
regula '.'! Ou existiam, ou nao as posturas ? Se pri-
m, nao se podia multar a este, e relevar aquelle
em idnticas circunstancias, porque ningucm pode
fazer favores cm detrimento lei. Se sen/H/,enlao
ambos deviam gozar da mesma graga, islo he, ne-
11I111111 era obrigado a mulla. E obrar da mancira
por que se obrou, he tao smente firmado no
Sicvolo, siejubeo.
O Sr. Franco nao deve agastar-sc por esta niuha
ligeira observagao, que s len por fin alerla-lo e
inhib-lo da reincidencia, ou adverli-lu para exi-
mir-se, o quanlo lhe for possivel, de falleucias era
sen ministerio. E deve recebe-la em boa parle lano
mais quanlo estou compromellido para fazer-lhe
toda e qualquer advertencia que me parecer justa e
adequada.
O nosso delegado conliuna anda por esla fregue-
zia. J concluio a demarcagao do Sr. Marianno; e
consla-nc que ten do denorar-se para oceupar-se
con alguns inventarios.
Por fallar nesla aiiloridade, tenho de (ornar ao
meu nobre cullega de Iguarass. Diz elle que a his-
loria do preso fgido da cadeia dessa villa he min-
formarao minha, como que attribuindo-nie falsida-
de nesso fado. Nao neg que lalvez tenha havido
alguma inexaclidao entre os fados, que redro; mas
o defeito vera de quem m'os transmille; e quando
entro no intc.ro couhecimen(o de sua veracidade re-
(ifico-os. Mas para rectificar a minha informacAo
responderei ao nobre collega pedindo-me deslrinchc
esle enigma: Como ou porque meios o Manocl Dias
(o preso evadido ) foi capaz e pode recitar pares de
um ollico mui particular, que desle delegado foi
dirigido a esse? Hoc opus, hic labor esl. O Faus-
tino conla islo de cadeira. Longo de mim o querer
em ludo e por ludoincrepar o seu delegado;
mas o fado deu-se; he isto urna pura verdade, e nao
mera invengao minha. Se seus empregados policiaes
nao liveram ingerencia nesso negocio (como desejo,
e quero persuailir-me), nao procuro duvidar, j que
o collega lano abona a sua probidade, jnteireza, e
aclividade: ao menos acauleiem-se, e atiendan que
alguem os trado.
Naodeixou de produzir grande alvorolo a minha
ultina, provando-ne isto que se estes vao se costu-
nando conmigo, aqQelles ne eslranham.
Asseveram-me que o reverendo Bandeira he quem
mais sa agaslou; lano que esla con urna corres-
pondencia no calimbo.se he que nesla occasiao j
nao anda caminho dessa praga; buscando ser ense-
rido na- columnas do seu conceiluado Diario. Pre-
tende desmacarar-me e desmenlir-ne. Como tam-
bem he susccplivcl! J sabe quem cu son, descon-
fio onde quer fazer o seu alvo para dar a pedrada;
mas vai dcsaponlado. Mas nao anlecipemos; va-
mos ver se gaohar as abrigaras pelo feliz achado.
Pelo menos lia alguns inleressados, que nao deixo-
rao de mimosea-lo com seus per*.' Ah magano 1
qae eslaveis com esle segredinho, e nada dizieis aos
camaradas I
Prelendia concluir esla sem me inlrometter com
alguma individualidade; mas como son chamado
terreiro, bem v, ;que a bom cavallobom cayallei-
ro. Oh! peccado 1 j nenf sei mais o que ia dizer.
Senao eslou moribundo, qujg esteja demente, ca-
duco ou meditabundoSenets est morbut. Algu-
ma cousa me opprime, me acabrunha. Ser pena,
d, senlimenlo de ver o meu collega e visinho W.
penetrado de dr e sandades minhas ? Coitadinho!
Todo o vexa,de l corlas saudades, e de c o seu
velho amigo. Nao sei cono pagar lanas finezas 1
Oh! que islo esl ne cheirando a verso.
Eu conhego, e venero, oh charo mi,
Vossas altas faganhas,gentilezas. ,
A' hroe lao sublime, tito -distincto
Nao sei como pagar tantas finezas!
Bravos! Esl vendo o uobitissirao collega, que
est barrado comraigo.
Pois nao estou coslunado
Tantos carinhos gozar.
Se conmigo bem qoet 'star
Traga o bedelho guardado.
Oulra! caspil! Sur. amigo 1 Hoje estou nesno
de maro a pleamar.
Lenla o neu nobre collega a nnha ausencia,
nao saber.do a que altribui-la, no entanto que eu
ne apresenlra ao principio com fanforrices e a
langa en riste (cono agora ne acho para repel ir
o altaque de qualquer adversario ). Eu por sem du-
vida merecera o entbelo de ingrato, se nao fosse
presto arrancar o meu amigo do penoso estado, em
que so ha collocado por amor de mim. Aprecio
muilo a sua amizade; por isso vou satisfazc-lo, dan-
do a razao da minha supposta ausencia, e dest'arle
alliviando seu coragao tao bondadoso, e ficando en
igualmente aligeirado do tal qual incomraodo, ou
pezar, que ora me suecumbe. Deve de antenlo sa-
ber que o meu mal he moralurna verdadeira ap-
prehcnso e depois de ouvir-me, dir-me-ha se
nao lenhn razao
Aulo da installacao da villa de N. Senhora da Ei-
cadaAos nove dias do nez de oulubro do anuo do
Nascimenlo de N. Senhor Jess Chrislo, de mil ol-
io ceios e cincuenta e quatro, nesla villa de N. Se-
nhora da Apresenlacao da Escada, nos Pagos, ou no
casa determinada para os Pagos da cmara muni-
cipal onde se achara presente o presidente da c-
mara municipal da cidade da Victoria, o coronel
Jos Cavalcanli Ferraz d'Azevedo conmigo secreta-
rlo ahaixo declarado, para o fim de deferir o jura-, jorgar-se por converte-lo em cousa burlesca e insig-
menlo e dar possi aos vereadores eleilos para nova
villa era couformidade do arl. terceiro do Decreto
de Ireze de novembro de mil oilo ceios trinta e
dous, ahi se achavam reunidos os vereadores, ca-
pitao Antonio Marques d'llollaoda Cavalcanli,
Joao da Rocha i I olanla Cavalcanli reverendo
vigario Simao d'Azevedo Canpos, lenle Mauoel
da Rocha Lins, capitao Andi Dias d'Araujo,
najnr Candido Jos Lopesde Miranda, Jos San-
cho Beserra Cavalcanli, aos quaes foi defirido o ju-
ramento dos Santos Evangelhos.em que pozeram sua
niao direitac promellram curaprir bem as funcgdes
de vereadores da cmara municipal da villa de N.
Senhora de Apresenlacao da E-cada, a qual lie hoje
instalada em cumprimento da le d'assemblea legis-
lativa provincial que elevoii a cslhegoria de villa
a povoagao do mesmo nome leudo por limites a
mesma freguezia, a qual lei he da forma, modo, e
mancira seguinte.Numero trezenlos e vlnle seis.
CopiaJos Benlo da Cunha e Figueiredo, pre-
sidente da provincia de Pernambuco.Fago saber a
lodos os seus habitantes que a assembla legislativa
provincial decrctou e en sanecionei a resolugo se-
guinle.Art. nico.Fica elevada a catbegoria de
villa a povoagao de N. Senhora de Apresentagao da
Escada,e creado um municipio na freguezia do mes-
mo uome, revogadas as disposigoes em contrario.
Mando por lano a lodas as autoridades a quem o
conhecimento e execugao da referidade resolugo
pertencer, que a cunprara e fagan cumprir lo in-
leiramente como nella so contera. O secretario in-
terino da provincia a faga imprimir,publicare cor-
rer. Cidade do Recife de Pernambuco aos dezenove
diasdo nez de abril do nil oilo ceios cincoeota e
qualro, trigsimo terceiro da Independencia do Im-
perio.Lugar do sello.Jos Beulo da Cunhae Fi-
gueiredo. Carta de lei pela qual V.Exc.manda execa-
lararesotaglodaassenblea legislativa provincial que
sanecionoo elevando a cathegorja de villa a povoa-
gao de N. Senhora da Escada, e creando um muni-
cipio na freguezia do mesmo nome, para V. Exc.
verSellada e publicada nesta secretaria do go-
verno da provincia de Pernambuco, aos desenove de
abril de mil oitocentos cincoenla e qualro, Joaquim
Pires Machado Paridla, oflical maior servindo de
secretario.Joao Domingues da Silva a fezRegis-
trada a fl. cem do livro terceiro de leis provinciaes.
Secretaria do governo de Pernambuco dezenove de
abril de mil oito ceios cincoenla e qualro; J0S0
Domingues da Silva. Conforme Francisco Lucio de
Castro. E para a todo lempo constar mandn o pre-
sidente da cmara municipal da cidade da Victoria
cima declarado lavrar o prsenle auto de installa-
gao em que se assignou com os vereadores juramen-
tados. Eu Tiburlino Pinlo d'Almeida, secretario e
escrevi.Jos Cavalcanli Ferraz d'Azevedo, presi-
dente da cmara; Antonio Marques d'Hollanda Ca-
valcanli, presidente, Joao da Rocha Hollauda Ca-
valcanli, o vigario Simao d'Azevedo Campos, Ma-
uoel da Rocha Lins, Candido Jos Lopes de Miran-
da, Jos Sancho Beserra Cavalcanli, Andr Dias
d'Araujo.Est conformeO secretario da cma-
ra municipal, Thomaz Rodrigues Pereira.
(Carta particular.)
Diario sob certas promessai e conminages. Ora, o
Diario suilentou-se ptimamente -durante aquelle
lempo, da sorle que, sendo tua subieripgao de ris
129000, rol elevada al6900O, a augmenlou o sea
formato.
Insistndo sobra o motim de 14 do correle, con-
linua o mesmo peridico a qae nos referimos, a es-
DIARIO DE PERNAMBUCO.
Em um dos sabbados pretritos, estando eu fei-
ra, eis que vejo afci chegarem muitas pessdas, algu-
mas al de outras freguezias. Bem sabe que- quera
ama a sua lerrinha, como eu, e a v frequentada
por certa ordem de genle, o como fica salisfeilo e u-
fano: foi o que rae acontecen. Mas um desses vi-
sitantes poz-rae asss impr'essionado: tnha um uao
sei que, que me pareceu mui diferente dos demais:
caiga de casemira, camisa de riscadiuho, collele,
grvala, paul do um verdadeirn chichisbeo a Ita-
lia, ou dandg de Pars; chapeo do abas laes, que li-
gurou-se-me um guarda aol de feilor de campo, ludo
isso junio ao ser elle rechonchudo, bochechudo, car-
rancudo, e mais o reverendo cachaco de um perfei-
lo bernardo, deu-me visos de um sugeito, que nao
he inteiro chrisiao. Fui ter com o Faustino para ver
se elle me dizia quem o taful era.
Em nhor sim; disse-me o Faustino; conhego
como as palmas de minhas maos essa pessoa de
quem falla. E corren as pratcleiras, tiroa um livro,
que eslava enfardelado em papel pardo, folheou-o e
deu-me para ler esle trecho:
Mas um tal frade bruxo, meio frade
E mais que meio bruxo, que na manga
Trazia os sortilegios com as reliquias.
Propro fradiuho o tal da nao furada,
Arremessei o livro ao balcao. e fui a relirar-rae
bstanle enraivecido.
Enlao, Snr.?. .
Alio li! Sr. Faustino, com os dabos Veja
que nao sou crianga que se'entreteaha com logra-
gOes.
'O Faustino abri as ventas e lea:O frade com
ser frade. ..
Safa inlerrompi-o. V aos diabos, que o car-
reguero cm essa historia' de frades.
Ah... ah... ah! Pois Vmc. nao'deprehen-
deu. .
Que o lal bicho he frade'.'!...
Em nhor sim, e de S. Vento 1
Virgem da benla hora acudi batendo na cabe-
ga. Nunca vi frade nesse estado, senao agora.
Mas elle nao traz coroa, he por ventura apstala?
Islo nao sei eo: o que he cerlo he que elle he o
cujo dito supplicante e referido no nobo methudo.
Deixei o Faustino, e voltei ao meu tugurio, pen-
sativo.
Eis aqui meu collega, o motivo que deu lugar a
Vmc. notar e senlir a minha ausencia. Consolc-se
que seu velho amigo est sem oulra uovidado.
O tmpora I o mores! No nosso lempode sau-
dosa n.vordjeaoem um frade nada mais se divisa-
va, que o respeilo e circumspecgao personificados;
boje raoslra-se elle mesmo lo ridiculo como o raais
insignificante petimetre. Eis a ratao porque a reli-
gio de nossos pas hoje he tibia, menosprezada, e
desrespeilada por os nossos descendentes. Uro cl-
rigo regular coiu Uajes de secular he um escndalo
he urna falla de cumprimento s santas regras, que
professam, he urna falta de acalameuto religio.
O nobre collega dcsculpe a rispidez de algunas
expressoes, e releve as fallas do seu menos scenla
anigo: al oulra vez.
Autes quo ne esquega, saiba, aliunde deve saber
que j foran Momeados os supplentes do juiz muni-
cipal desla Villa.
O Jos Pereira ( alllrm iram-me ) foi preso por
cauza daquelles hahs do Porluguez, cujo caso ja
refer; mas preslou banca, e sdppooho que espera
justificar-seA
llonlem, mi buje lorao presos na villaFrancis-
co Lopes, por anlonomazia Chico Caca, dizem-me
(o que eu ignorava) que para cumprir urna senlen-
ga de exilio em Fernando, senleuga dada por un
jurypresunoque deCaruar, em consequencia de
um tiro; dous sugeitos do Bonito, que por aqui ne-
gociavara. para avcriguagOes policiaes; e Manoel das
laranjeiras por escusar-se do cumprimento de urna
ordem policialrebelda.
Sexla-fert tem de comegar a festividade do Ora-
go desta freguezia; Vmc. j condece do meu fraco,
porlanto nao he inisler parlicipar-lbe, que nao pre-
tendo perder urna s novena. Nao eslranhe se nes-
sc inleriin lhe eu nao escrever. Nao o convido mais
porque leuho conhecido que Vnc. he pouco aman-
te do malo; se lodavia se resolver a relirar-se da
praea nesse lempo, venh de preferencia lomar os
obrigar a mendigar para poder subsistir. Burlado bellos e saudaveis banhos do Ipojuca, que ha de re-
JURY SO. RECIPE.
4.' sesaao' ordinaria 1
Dia 25.
Presidencia do Sr. Dr. Manoel ClemfHtino Car-
tieiro da Cunha.
Promotor o Sr. Dr. Antonio Luiz Cavalcanli de
Albuquerque.
Escrivo Joaquim Francisco de Paula Esleves Cle-
mente.
As dez horas o meia da manhaa, feila a cha-
mada.acharam-se prsenles33 jurado-.
Foram multados em 2090OO rs. alen dos jurados
j declarados as actas anteriores os scuhores se-
guinles :
Antonio Gongalves Ferreira.
FirmianoJos Rodrigues Ferreira.
Feliciano Jos Gomes.
Cypriano Luiz da Faz.
no meu intento, desist da minha empreza; c don a
uiiiii os parabeus !
Houveram todava mmios prelendenles; cnlre os
quaes compareceram alguns personagens nossos co-
nhecidos. L vi o Caldas, que arrcmalou o imposto
de W ris sobre cargas de farinha e legumes, que
subi ao valor de 2019000; foi seo fiador o Baslos I
Ambo florenles Hale, arcades ambo !
Manoel Seraphin oblevc o ramo do imposto do
sangue por 552g000 : foi seu fiador o Jos Rufino,
senhor do engenho Bamburral.
Lra tal Mlico ficou-se com o das aferiges por
'.108000; e das licengas de mscales, boceleiras ele.
por 1738000 : aangou-o oGazumb, senhor do en-
genho Camasiary.
Aqui lem Vmc. orcsullado das arrematagoes, con
todos os seus pormenores, emquauto ao que ob-
tive.
Eu sou camarada do nosso fiscal, por isso quero
ser com elle, o que elle he no nomefranco. Anles
dclle aluzar edilaes, pelos quaes constasse que en-
trara no exerricio de suas faneges; anles da publi-
cagao, ou cousa que o valha, das posturas da cma-
ra, sucredeu ser apanhado um cavallo de Joao Hil-
arle em urnas lavouras do Baslos ; mas esleconhe-
cendo a ueohuma culpa, que linha Duarle, rele-
vou-o, tanto que naoapplicou os meios para se re-
sarcir do prjimo ou damnoquesolfrera; porm com-
tudo o cavallo foi poslo cm deposito, e multado o
dono cm '18OOO. Duarle expoz com clareza e sem
dolo a causa dessa cvenlualidade; mas nao foi alleu-
d.to. Joaquim Caliste arha-se en circunstancias
idnticas Duarte, mas Calislo lio perdoado, ou dis-
pensado da pena. Oh aonde esl a igualdade da
le ? He islo por ventura um negocio particular,
ou pessoal, em que a vonlade he a nica lei que o
galar-sc.
Por c lem apparecido seus casos de febrSmais
011 menos rebeldemormenle as mancas.
Sei tambem agora, que por loda esta semana aqu
chega o Rin. Pedro Marinho l'alcaa. vizitador da
provincia de Pernambuco, e vem abrir o chrisma
ucsla freguezia. Ha muito que c seno confere
esle Sacramento, por esle motivo persuado-me que
hade haver grande concurrencia.
A noilej vai bstanle adiaulada, j (oda a nalu-
reza dormita, he a hora do silencio, mas ouco o rc-
gongar da rapuza, e o agoureiro piar do nolib;
vou sem demora nieller-rac na cania, que o sonno
he muilo, e o silencio quebrad 1 por esses sons l-
gubres faz-me ine lo. Oi! que l sibiou una cas-
cavel I Adeos.
Saude no corpo. Iranquillidade no espirito e as
louras as algibeiras lho deseja
Seu amigo c vr.
O Velho Aldeao.
P. S. Souhe ncsle momento de urna prisao fel
pelo prop iu Dr. Cirne. Fraucisco Ponlual, senhnr
do engenho Contador, sendo devedor da fazenda pu-
blica, indo a casa da residencia neste lugar do dele-
gado, aconleccu ahi existir urna prccaloria para esse
meco, o qual longe de sua expeclagao foi agarrado,
era despeito a toda e qualquer consideragao e pre-
potencia. .0 Dr. Cirne, por esle e uulros actos do
jusliga c equidade merecer sempre os elogios e as
sympalhias de lodos os seus comrcaos Nao pen-
sem que assim me expresso por ler regosijo cora os
males alheios, mas por ver que aqui a jusliga he di-
vidida e applicada com igualdade. O coronel Jos
Pedro responsabilisou-se, ou satisfez a divida pelo
Sr. Pontual, e foi sollo esle.
iiimiiiiw
PAGAMENTO DE LMA DIVIDA.
a Necesse est enim ut veniant sean-
dala : rerumtamen vwhomini illi
per quem escandalum tenil. a
O peridico que nos obrigoa a dirigir-nos ao pu-
blico, em nosso numero de 21 do correnle, nao salis-
feilo anda com a provocago que nos dirigi, con-
trariando em termos indignos a narrago que fizenos
do motim de 1* do dito mcz,voltou de novo carga,
e lalvezdesesperadn de poder tirar vnnlagem craseos
velhos adversarios, assentoa de lomar-nos sua con-
ta, com o dnplice intento de achar materia para as
custosas e lucubracBes que eoriquecem suas co-
lumnas, efomenlar o germen da desunio, especie
de sisania que com tanto esmero sema duas vezes
por semana. Desle modo, baldada foi a moderarlo
e a reserva com qne enlao nos exprimimos : urna e
oulra foram consideradas como indicios de fraqueza
e pouca seguranga de conscienca. E quem, possuido
pelo desejo de brigar, nao se alirar resoluto ao ad-
versario que repata mais fraco, suppondo l-lo des-
coberto ?
Pois bem; enganou-se redondamente aquelle pe-
ridico ; e para prova disto aqui estamos promplos
sustentar a nossa dguidade, a digndade da folha que
redigimos. Ja que nao sao poupadosos proprios ami-
gos leaes, mas circunspectos da actualida.de, forga
he que a defeza dos offendidos corresponda crfen-
sao e gravidatfe do ataque, recahindo afioal a res-
ponsabilidadc sobre quem a merecer.
O Diario de Pernambuco dea materia a dous n-
meros do referido peridico, e a mais de um artigo 6o
mesmo numere. Oh '. poder da sciencin ; oh I fe-
cundidade do geniounitivo por autipbrase.... Po-
ren nos serenos mais sobrios : fallam-nos essas daas
alavaneas manejadas pelocgr&luito e simulado inimi-
go ; temos alera disso em que oceupar-nos. Apanina-
remos por lano nicamente os mais interessantes
bocadinhos, os que mais nos offendem, e os reduzire-
mos ao eu justo valor, sua mais simples expres-
sSo.
Tendo a coragem bstanle para nao desdizer o al-
cance das nossas palavras, ou a inlengao manifesia
com que as proferimos, (emos por isso mesmo re-
pugnancia em contestar com argumentos o qne dis-
se o referido peridico, para mostrar que nos nao
provocara, e que a iropotagao da mentira nao nos
foi por elle langada. Passemos pois materia nova,
que sobre a velha j pode ajizar o publico.
Anles porem de irmos mais adianle, cumpre-
nos frustrar a miscravel lctica a que se soccorreu o
tal peridico para melhor combaler-nos: a separa-
gao do Diario de Pernambuco e de seu redactor.
Ora, j so vio ardil mais grosseiro ? Pois nao tira-
reis vantagem disso, escriplor anuloso : os redacto-
res do Diario nao sao redactores de meia cara ; es-
crevem de iulelligeucia com o proprielario do jor-
nal : lodos sao por conseguinte solidarios. E essa so-
lidariedado he lano mais perfeila, quanto, em ar-
ligos que uao sao meramenle noliciosos, assenta so-
bre a nais inteira liberdade, nao hayendo conven-
gao alguna onerosa a lal respeilo. Os que escrevem
por paga real, ou com alguma esperanga terrena,
podem muito bem nao coraprchender essa solidarie-
dade, ou antes pdc-lhes convir o dissolv-la arbi-
trariamente ; mas o publico, juiz competente da im-
prensa, sabe milito bem que os artigos de fundo de
um jornal como o nosso, sao obra dos redactores e
do proprielario ao mesmo lempo, pelo menos cm-
quanlo a deslealdade nao der motivo a escusas ou a
denegarnos; e verificada esla bypolbese, nao lenham
cuidado os ardilosos, porque o prejudicado ter meios
para desonerar-se dos peccados alheios. O Diario
portanlo, cm seus arligos, he urna s enlidade, e
com ella se devem haver os interessados. Redacto-
res ou proprietarios, nao declinamos a respoosabili-
dade. dos nossos actos.
Diz o tal peridico que o Diario de Pernambuco
parece-lhe folha da aclualidade porque della recebe,
grandes soccorros para viver. Quaes sSo porm es-
ses soccorros ? Eis o que se nao atraveu a dizer; e o
tal Sr. que atcela de positivo, ficou desta vez no va-
cuo das expressoes genricas, porque emfim he sem-
ine esle o melhor neio de delrahir.
Ja urna vez (vemos occasiao de declarar que nen-
lium auxilio recebemos do governo para suslenlac.la
deste jornal; mas, para com gente de certa ordem,
loda a prevengao he pouca. Tao ver iadeii o he o pro-
verbioque o ladrao do que usa, disso cuida! V-
sc pois a necessidade que temos de declarar pela
segunda vez que o Diario de Pernambuco nao rece-
be, ncn nunca receben do governo, ou de qualquer
repartidlo publica soccorro algn para nanler-se.
He verdade que o sru proprielario lera un contrato
com a iliesoararia provincial para a impressao do
que he necessario s cinco reparligoes provinciaes ;
oulro com a. assembla provincial para a publicagAo
dos seus trabalhos ; outro finalmente com a cma-
ra municipal para a impressao de suas actas, etc.
Mas, quera poder.1 dizer quo isso he recebersoccor-
ro? Isto he prestar servigos, que exigen despezas,
que sao e devera ser retribuidas livremeute por con-
vengao. Sa ha soccorro, he elle reciproco, q lalvez
que, bem apurado o negocio, podessemos dizer que
se alguma generosidade exisle, he da nossa parte, co-
mo podemos provar se o quizerem. Demais, sempre
que se lindan laes contratos, e de uovo san postos
em basta publica, nao cosluina o mesmo propriela-
rio apreseolar-sc logo como concurrente ; e squan*
do n3o apparece langador que os queira, he que vem
a toma-Ios, recbenlo convite expresso para esse
fim. Que o Diario nunca precison de soccorros pa-
ra sustenlar-se, foi bem provado com a sua existen-
cia durante os annos em que dominou a actual op-
posigao ; porqu mto, nao s deixon todos os contra-
tos, como al soffrea a guerra indirecta, promovida
por alguns agenles do partido hoje do governo, os
quaes ao mesno lempo que pedian assignaturas pa-
ra 01 seusjoruaes, promoviam o abandono das do
ni ficante ; e n'essc intuito quiz contrariar-nos espe-
eiflcadamenle, chegando mesmo a ver era nosso ar-
tigo de 21 do correnle urna modificacao ao que dis-
aeraos no dia 16. Vaos esforgos, ridiculos argumen-
tos... Que o molim nao foi burlesco, provam-no as
.medidas tomadas pelo governo da provincia e pela
polica desde eolio. E com efleilo, se nada ha qae
receiar, so aquillo nao passon de urna farca de pa-
tri-Aagem, para que essas grandes palrulhas pelas
ras logo ao anoilecer, para qae esses reforgos das
guardas, ele, etc. ? Oulras medidas mais podera-
raos apontar ; mas temos nseessidide de circumscre-
I ver-nos pelo que anda nos resta a expender.
a Nao bouve fecha-fecha quasi geral (diz o mesmo
peridico) porque a maior parle das lojas j st acham
fechadas s ate-maria e s tete horas, senao qut
muitas tacemos se acham abertal, a Por pouco
dcixanos de entender o que se quera dlzsr com isto;
mas emOm sempre atinamos. Ora, j se vio maior
seracereraona ? Nao sabe loda a popolagio desta ci-
dade que as lojas de fazendat, nudezai, ferragens,
etc-, em geral, coatumam fechar-se somente as 8
horas da noite, e que as lavernas s as 9 horas o fa-
zem? E como ha quem se anime a afflrmar o con-
trario? Tao avenlurosa como esta, sao todas as mais
assergoes.
O mesmo peridico ratifica pela sua parle que nao
houve ferimentos, contusoes, espancamentos ; e pa-
ra acrcscenlar um ponto ao que deme falla tam-
bem em morles. E o qae lhe havemos de fazer ?
Cilar facloi, e ei-los aqui. Constou-nos, e he ver-
dade, que o padre Francisco Joaquim Pereira, mo-
rador na ra da Praia, soffreu urna grande pedrada
nos pellos na noite do molim, achando-se na ra dos
Quarleis; e bem assim que levou algunas pan-
cadas um vendeIho da roa Nova ao fechar
as portas. Nao havera ah cousa que se nos-
sa chaar espaocamenlos, conlnsao oa ferimealo ?
E qaantos individuos mais natfsoffreriam o mesmo,
deixando.de o dizer com receio da repeligao T
Nao he exacto que modificaatemos o nosso artigo
tt 16 pelo de 21. A importancia qae pela primeira
vez demos ao motim, foi e he anda a nesma qae
lhe demos no segundo artigo. Somente, Mo poden-
do, sem injusliga, lomar logo responsaveis pela ne-
gligencia liavida nessa noite a presidencia e o chefe
de polica, pois sabemos que abaixo delles existen)
autoridades locaes constituidas, a quem roai* imme-
diatamente incumbe providenciar sobre as oceurren-
cias dos seus dislriclos, fizemos ver ao publico que
aquellas duas piimeiras autoridades esforgavam-se
para reparar a Utla de seus subalternos. Entretan-
to a maledicencia, o desejo de delrahir, enxergaram
em nossas palavras nao s urna modiQeacao, como
at um cortejo s prmeiras autoridades da provin-
cia. Que miseria O peridico pensou ou lalvez que
ihe usurpramos suas altribuigoes de thuriferario ou
incensador, eqnizatalhar-nospressnroso.Porm nao ;
ninguem melhor do que elle sabe que o Diario d
Pernambuco he incapaz de temeihanle tarda, sen-
do justamente por essa razao qne se acha fora do
pequeo e amavel circulo, encujas iras lem incor-
rido.
Todo radiante de gandi e de jubilo exclama o
tal peridico:Seriamos felizes, se todos os acon-
tecimeulos graves de nossa provincia fossem somente
comotos da noite de 14. do crrente. SSo goslos
sobre que nao desejamos disputar. Pela nossa parte,
entendemos que ai assuada que deshonran e en-
verjonham pila perrersiiade e telcageria do pen-
samenio que as dominam (assim se exprime o des-
memoriado em o n. 726), So cousas incapazes de
trazer a felicidade a nenhum povo, sendo de ordina-
rio por ellas que perecen) os aovemos.
Afinal lirou-se o dito periodieo dos 6ens cuidados
liabtuaes, e pretendeu dar-nos urna ligao de bem
servir ao paiz. O nosso jornal para elle nao tem
mais do qae o material do grande formato, e alga-
mas noticias estrangeiras ; quanto a artigos de pro-
pria larra, nao se lembra de um s pelo qual tedia-
mos coocorrido para o desenvolvimeulo de q'uoic.
que interesan ao progresso do paiz. E saben os
leilores qne peridico ousa aventurar esta assergfo
evidentemente despeitosa ? He o mesno qae, ha
poucos dias, sendo aperlado por seas antigos adver-
sarios sobre urna quesiao grave e importante, sahio-
serelorquindo por mais de nma vez, que no res-
pondera em quanto no fossem por eltes respondido!
Os artigos do Diario de Pernambuco a respeilo.
D-se maior displante! Nao oahiremosaqoi no tra-
balho desagradavel de enumerar os nossos escriplos:
escripia manent. Temos conviegao de qae o publi-
co nos raz jusliga lembrando-se delles.
He verdade qne o Diario de Pernambuco, sem-
pre disposto a auxiliar o paiz e o governo com o seu
fraco contingente de luzes, jamis deixou de temar
parle em lodas as quesloes inleressantei da nossa
inprensa, achanao-ie abroma vez s as mais peri-
gosas, sem lodavaenvolver-se na poltica corriqnei-
ra dodiz tu direi euque Unto a tem maculado;
lie verdade que todas as assciagoes e emprezas d'es-
la provincia tem encontrado onslanlemente anima-
gao en suas columrjas. -Mas o que pode valer isso
na opiniao da meros thariferarios ? Conlinoai, Srs.,
que o Diario de. Pernambuco nao se demover do
seu proposito. Mas, se nao estis satisfeilos com.a
nossa circumspecgao, com o nosso commedimenlo,
lende pelo menos paciencia e permilli-nos que,
pensando de modo diverso, sigamos am caminho
difireme do vesso. Estaos persuadidos, por ex-
emplo, que nintMm lem feito mais mal actual
administragao do que vos, com os dliyrambos que
ornam invaravelnenle vossas columnas. E como
vos havemos deacompanhar, se sabemos muilo bem
qae nao se pode provocar exageradamente o exarae
em favor de alguem, sem qae se tenha depois de
soffrelo, e com zura, em detrimento do objecto
amado? Animar, exagerar o elogio, nao he preparar
a censura? Esle resultado be infallivel; al o mais
poderoso dos raouarclias da Franga leve, como nos
diz a historia, de expcrimenta-lo amargamente.
* Quando os cantos se exhauriran, as discussoes co-
negaram o dia un celebre escriplor; e os philoso-
pbos do XjlII secul succederam aotlittratos do
XVII,,; Hto he.olbrono dos Bourbon decahio fi-
nal e com os torbilhoes do incens que o haviam
pereceo sufiocado.
Eis ah a verdadeira cansa do nosso procedimento,
e tambem o motivo porque se nos doesla hojs desa-
bridamente !.... Masdeixemus o (al peridico. Ott-
iros nos dispensar ao da ingrata e rude tarefa de des-
bravar escriptores oovigos, que a torio e a direilo
querem recuperar o lempo perdido, e fazer ra-
ros..., sejam de que qualidade forem. He bem pro-
vavel qae ao terminaren! elles a leitura deslas nos-
saslinhas sintam de novo o ardeote desejo de inucc-
livar-uosiodignamenle, chamando-nos peqnenino e
insignificante, ealtribuindo-nos mulasusceplibilida-
de e um fofo orgulhosinho. Porm nos, que nao
tememos na imprensa, cantes desprezamos o vulto
material dos Adamaslores e Polypheino; nos,que sa-
bemos distinguir o orgulho da altivez, e que prefe-
rimos francamente esta s.baixezas e cobardas da
falsa modestia de raansinhos charlataes ; nos [lies
daremos por nica resposta eslas palavras de evan-
glica e fraternal caridade: Hypocrita, ejice pri-
mt'tm trabem de aculo tito; et tune videbis ejicere
feslueam de aculo fratris tui.
I
l
I

AO PUBLICO.
Seuhore Redactores.. Em satisfcelo ao respei-
tavel publico, queiram Vncs. concederme um canli-
uho em seu conceiluado jornal, para expr o oceur-
rido entre mira e oSr. Aulouio Ricardo Anluues
Villaga, relativamente luja de calgado da ra do
Livramcnto n. 19. Eis o fado lal qual se pas-ou em
diasdo mez de judio prximo passado, procurou-me
o Sr. Joaquim Ignacio de Carvalho Mendonga, para
Ibe garantir duas lettras de 4009 rs. cada una, sen-
do nna a vencer em 7 de dezenabro, o oulra en 7 de
junho prximo futuro, sacadas a favor do Sr. Vil-
laga, coja (aramia me preslei, en vrlude do que
ficou o Sr. Mendonga da posse da loja em quesiao.
Em 5 de agosto procurou-me .0 Sr. Mendonga, di-
zendo qae me quera pasear seauranga em dita loja,
visto ser eu o garante das Ultras duendo eu que
sim, conservando em meu poder o documento com-
petente, appruxima-se o dia do vencimenlo do urna
ettra por mim garantida, quero venevr a loja para
pagar, o comprador por mim advertido, (o que nao
neg) annuncia. Apparece o Sr. Villaga dizendo
que a ljrest-sujeita ao pagamento das lettras ga-
rantidas pela venda e por isso nao seeflecluia
venda ; adv irla mais o respeitavel publico, que, eu
venda a loja a prazo, com lellras aceitas pelo com-
prador e garantidas com a firma social de Machado


y
DIARIO DE PERNAMBUCO. SEGUNDA FElfiA 27 DE NOVEMBRO DE 1854.
*
& Pinheiro, e que a visla do annoncio do Sr. Vil-
lace dii-me o comprador que os seus abonadores nao
garanten) as leltras sem oue o Sr. Villar i se desdi-
ga ; tou em cusa do Sr. villana, digo-lhe que desfa-
se o que fe aflrn de vender a loja para llie pagar.
Dio quer, digo-lhe que me passasse as leltras que eu
ai endoco e don-lhas em pagamento daudo-lhe garan-
te ao restante da quantia de que sou responsavel, n8o
3uer, digo-lhe que as rebato e que I he entrego seu
inheiro, dando para fiador lo hourado Illm. Sr. Dr. Vicente Perelra do Reg,
nao quer, om lim nada quer, em nada se fia I (quer
a loja.) Ora Sr. Viilaca .' que conceito forma Vine,
daquelle que era otoito capaz, quando Vmc. pregou
o logro no comprador de sua loja muilo ordinaria,
porque Vmc, est servido, l'ois bem, fique ubcndo
efiquera sabendo aquelles que me uao conhccem,
que nunca me pawou pela idea deixarde pagar as
suas leltras, e para prova Jeia os ns. do Diario Ao mez
de setemhro 216, 217 e 218, e ver que cu me
lembrei das leltras garautidas ao Sr. Mondonga, e
fique sabendo mais que a loja, isto lie a armario e
fazeodas existentes iraportam em 5737I0 rs., e que
por sua causa nao se yendeu nem se vende, e de*de
ja protesto que Vmc. ha de recebe-la para seu paga-
mento pelo balanco que se deu em 15 do correnle e
quando se vencer a ultima leltr pode vir receber o
restanle, visto Vmc. ler unta coniincn na loja, isto
he, val mais 573*710 rs., do que aninha irraa-e
palavra. ja nao digo a minha, mas^a das pessoasque
Ibe ollereci. r ^
Queiram, Sr. Redactores, publicar as simples ms
verdadeira narrado do occorrido enlre o Sr. Viila-
ca sea assigaante Francisco Lopes da Silta.
K ERRATA.
.Na correspondencia e defeza do Sr. Firmino Theo-
loino da Cmara Santiago, publicadas no Diario de
23do correute ha os seguinles erros enlre muros.
Correspondencia. Periodo 1. linhas 13,pana
que a estaleia-sepena, que a este.Periodo 5.
linhas 17 houvesseleia-sehouve.
Defeza.Periodo l.linhas6accusado leia-se__
o accusado.
Periodo 6" linhas 6 faria leia-se fazia.
Columna 3. linha 2soppot-seleia-se suppor-
se.^
dem, periodo 1. linha 3- tomar leia-se
tornar, lioha 9bascarleia-sebuscar.
dem, periodo 12 linhas 10do que leia-se
qoaudo.
dem, periodo 15, linha 13liraremleia-se ti-
raran).
dem, periodo 18, linha 3que leia-se__e.
N'BLICOES a pedido.
AO PUBLICO.
Publicando as certidoes que abaixo se leem, rogo
ao respeilavel publicoe mui particularmenteaosdig-
nos membros da junta de juslica altendam para os
meios de que se valeram os delapidadores do corpo
de polica para comproruetler-me. Os 15 prets, de
que trata a primeira certidao, foram tirados sem
duvida com o sinislro intento de delapidar os di-
nheiros pblicos: pois que de outra sorle se nao po-
de explicar o por que foram recebidos da thesoura-
ria e entregues ao ex-majur Padilha 'pelo quartel
mostr J.ise Francisco Cirneiro Monteiro, sem que
dequalquer maneira ioterviessem nisteoscomraan-
danles de companhia. Ao menos pelo que respeila
aos prets da companhia, que eu commandava, nun-
ca Ir, o conhecimeulo del les, nem tao pouco dos
grandes discoutos, que mensalmeule cram entregues
pelo referido quartel mestre ao ex-major Padilha an-
tes deserem entregues os prets companhia. E se
a importancia de lodos esses dinheiros indevidaraen-
te recebidos d quartel mestre pelo ex-major Padi-
lha u;io foi por este convertida em seu proveito, que
fui feilo della, e para que recebeu-a.
Ha porm nma prova evidenlissima da m f, com
qne o ex-major Padilha recebeu esses dinheiros, e
he.que nao obstante achar-se esse facto provado ple-
namente com os assenlos do archivo do quartel mes-
tre. Unto o ex-major Padilha como o mesmo quartel
mestre o negara ps juntos. O ex-major Padilha
negou absolutamente o recebimeolo de laes dinhei-
ros nos interrogatorios, que lhe foram feitos no con-
selho de inveslgaso e uo de guerra, e o quartel
mestre nos depoimentos que deu em ambos os con-
selhos negou a entrega dos prets e dos descontos, de-
clarando expressaraente que todos os prets eram? en-
tregues aos respectivos commandantes de companhia
ou aos inferiores por ordem escripia destes, e acres-
cent,indo no ultimo depoimento que os nicos di-
nheiros, que entregava ao ex-major Padilha, eram
provenientes de descontos de inferiores a quem o
ex-maior adiantava sidos, e que esses dcsconlos jiao
excediam de 30 a 403 rs. mensaes!!! _
Ora, que considerado levou ao ex-quartel mestre
a negar um facto, cuja veracidade he .atestada pelos
assenlos do seu archivo, do qual consta nao s o re-
cebimenlo dos prels,senio descontos avultadissimos,
que, houve mez, em que moutaram 7008 e 900 rs.!
Creio que o ex-quartel mestre u3o podesahir-se dcs-
ta alternativaou o facto so nao deu, e sSo falsos os
assentos do seu archivoou o facto se deu, e, sen-
do exactos os assentos aparlam-se da verdade os
seus' depoimenlosl Mas quem crer que o ei-quar-
(el-meslre lizesse em seu archivo asseuto da entrega
de dinheiros, que em verdade nao houvesse entre-
gado '! Quem crer que designassem nesses assentos
Mnima-, consideravelmenle superiores s que real-
mente entregava ao ex-major Padilha em descont
dos adiamntenlos feitos por esle* Pois o quartel
meslre eolregava os prets aos commandantes de com-
panhia, e escripturava em seus assenlos que o ex-
major Padilha os tinha recebido, ou o inferior Sor-
ra por ordem delle?
O que fica dito em relacao aos prets recebidos pe-
lo e\ inajor Padilha applica-se ao prel geral recebi-
do pelo ex-commandante Joa"o do Reg Barros. A
seguuda certidao exlrahida igualmente do archivo do
quartel meslre prova que o ex-commapdanle rece-
beu do mesmo quartel meslre um pret eral i
veucerdo l.o de fevereiro ao ultimo de marco de
1852 na importancia de 2:5659600 rs.,e alem de que
nao era o commandante geral pessoa competente pa-
ra receber prets das companhtas, muilo depoem
contra elle as circomstancias de que foi acompanha-
do esse facto.
No 1. de fevereiro do citado 'anno marche! em
diligencia para Garanhuns com 60 praras, e nao ha-
vendo lempo para se lirarem sidos vencer, mau-
dou-me o ex-commaodanle adianlar 600 pela caixa
do corpo afim de com elles irsoccorrendo os solda-
dos; em miuha ausencia modou o ex-commandan-
te tirar o pret cima referido, e tendo eu dado cou-
tas e entregado o saldo existente em raeu poder,
quando reculhi-me da diligencia em que gaslei 21
lias, sem que de tal pret foese enlihcado, conti-
nuou-se tirar sidos para as pravas recolhidas I!
Mas quando mesmo nao houvesse um documento,
que prova que oex-commandanlegeral recebeueise
pret, como Hutheniicoii elle os prets recebidos pelo
ex-major Padilha 1 Quem nao sabe que os prels ge-
raes sao conferido* pelo fiscal, e asignados pelo
commandante geral, e que com aaolorisacSo desle
he que o quartel mestre recebe sua importancia da
Ihesouraria ?
Entretanto, apetar de nao dlzer o ex-comman-
dante em toa defeza urna s palavra se quer, para
destruir a forca do documento que submelto con-
siderado do publico, foi absolvide-, sendo eu con-
demnado, nao obstante ser publico e notorio o que
possuiamos antes de servirmos no corpo de poljcia.e
o que temos hoje, e por nlnguem ser Ignorado' qie
en nada adquir, nada possuo de ruis, ao paseo que
o ex-commandantemelhorou, consideravelmenle seus
Hecife 25 de novembrode 1854.
Firmino Theoionio da Cmara Santiago.
Illm. Sr. lenle coronel commandaule do corpo
de polica. Firmino Theotonioda Cmara Santiago
fat a hem de seu direito, que V. S. se digne mandar
que o respectivo secretario a vista dos assenlos per-
tcncentetao archivo do quartel meslre existente nes-
ta secretaria, certifique quaes os prels e suas impor-
tancias recebidas pelo ax-conunandante do corpo
Joao do Reg llarro&Falcao.perlencentes as difieren-
tes companhias. Pede a V. S. assim lhe defira__E.
R. M. Firmino Thiotonio da Cmara Santiago.
Passe. Quartel do corpo de polica 23 de novem-
bro de 1854.Carneiro Monteiro, lenle coronel
commandante.
E cumpriraenlo do despacho do Illm. Sr. len-
te coronel commandante Podro Jos Carneiro Mon-
teiro, exarado no requerimento aupra:Certifico
qiig dos cedernos de pagamentos dos prels existen-
les uo anligo archivo desle corpo consla ler o ex-
commandanle Joio do Reg Barros Falco.-recebi do
do respectivo qoartel mestre um pret a Vencer do
1. de fevereiro de 852 ao ultimo de marro do
mesmo anno, na importancia de 2:56.13600 rs.,*a sa-
ber: da primeira companhia 5585600 rs., dasegnuda
.>6S36tK) rs., da lerceira 8603100 rs., da quarta
6369000 rs. He o que consla acerca do que exige e
supplicanle dos referidos cadcrnoi, aos quaes me
reporto. E para constar passei a presente que vai
por mim asignada.
Secretaria do corpo de polica 23 de novembro de
1854.Epifanio Boryes de MenezesDoria, lenle
secretario.
Illm. Sr. lente coronel commaodanle do corpo
policaFirmino Theolonio da Cmara Santiago
de
ex-primeiru commandante da lerceira companhia do
corpo do digno commando de V. S fat a bem
la seu direito, que V. S. se digne por seu respeila-
vel despacho, mandar que se lhe d por certidao:
1"m" lPrlancia dos prels pelo ex-major Jos Re-
bello Padilha. recebidos perlencenles as differenles
companhia, desde que eolrou de fiscal para o dito
enrpo; 2. a importancia do descontos qne meusal-
menle recebia por conta dos prels, em tudas as com-
panhia, declarando espressamente o qnanto moutou
esses dsconto nos mezes de selembro e outubro de
1819, fevereiro, julho, e dezembro de 1850, Janeiro,
marco, abril, agoslo, selembro e dezembro de 1851.
Pede a V. S. assim lhe delira.E. R. M.
Certifique. Quartel do corpo de polica 23 de no-
vembro de 1854.Carneiro Monteiro, ttente co-
ronel commandante.
Cumprindo o despacho do^Um. Sr. lenle coro-
nel commaudante firmado no requerimento supra:
Certifico que revendo no archivo do corpo os cader-
no de pagamento de prels dos anuos de 1849
1853, delles consta ler o ex-major Jos Rebeltn Pa-
dilha recebido durante esso lempo 15 prets das 4
companhias na importancia de 12:7529810 rs., e de
descontos feitos mentalmente nos prets a importan-
cia de 9:6919350 rs., sendo a notar que no mez de
selembro de 1819 monloa a 2069880 rs., no mez de
outubro do mesmo anno a 3230480 rs., no mez de fe-
vereiro de 1850 a 3419600 rs., no mez de julho do
mesmo anno a 4359840 rs., no mez de dezembro
desse mesmo anno a 2538640 rs., e no anno de 1851
no mez de Janeiro a 7399080 rs., no mez de marco
a 34i>40 rs., no mez de abril a 204-3970 ., no
mez de agoslo a 3589860 rs., no mez de selembro a
2009900, e uo mez de dezembro a 917832(3 rs. : o
que ludoaflirmo emf de meu cargo. E para cons-
tar passei a presente que vai por mim assignada.
Secretaria do corpo de polica 23 de uovembro de
1854.Epifanio Borges de Afetese Doria, len-
te secretario.
O dl(DO epatado Sr. Sr. Brandao'
a .1 verdade he sempre eloquenlc e se-
dadora, e ella nunca perde seus
a direitos; nao est nos facilidades do
a homem despoja-la da sua natureza.
(Mirabeau.)
lima forra como que magntica nos compellio a
lanzar mao da penna, depois que acabamos de ler os
magnficos decursos proferidos na cmara dos depu-
lados pelo patrila e digno Sr. Dr. Francisco Carlos
Brandao, em sessao de 28 deagosto prximo paseado,
por occasiao dos debates havidos na dila cmara cm
reanlo ao projecto relativo aos militares denomina-
do por dirrisonao ha de casar: projecto conlra
o qual a opiniao publica se ha em todo Brasil pro-
nunciado de um modo tao imponente, que se pode
considerar morlo para nunca mais surgir: projecto,
que offendeu a susceplibilidade de toda a \,denle,
fiel, e dedicada classe mlilar ; por querer ar-
raigar n'ella coslumes contrarios as leis da ualureza.
A verdade, pois, a sauta verdade me eocorajou a
lancar ueste pobre artigo o que acabamos de escre-
ver, o que escreveremos em seguida a nos mesqui-
ho eobscuro ckladao nasociedade brasilea; a nos,
que nao somos movidos de podre adularlo, a nos, que
Tracas relac,es temos com o digno depulado a quem
hoje rendemos justo tributo d'admirarao ; i us, que
neulium inleresso alem do dave rdadenos impellio
nesla voluntaria larefa, por isso que nao temos mes-
mo aliianea ou alinidade alguma na heroica classe
militar; nos, emfim, cslrauhos a poltica, aos inte-
resses que or, e em futuro prximo, ou remotu se
hajam de debater no paiz, porque nao temos aspira-
res pessoaes alem daquellas que como cidadao obs-
curo nos competen!, ou nos refleelein, e reflelirao
futuramente.
E, defeilo, quem ha ah dominado do santo amor
da verdadeque se nao haja enthusiasmado a ob-
servar a maneira digna com que se ha comportado
no parlamento brasileiro, o digno depulado de quem
nos oceupamos desdo qne oceupou tao dignamente
urna das cadeiras d cmara quatrienual, e na da as-
sembla provincial?
Facamos. urna breve synopse das imporlanlissi-
mas materias de que elle se h preocupado, a que
ha votado todos os seus esforros, eloquencia e talen-
to transcendente, a guerra arleira e tenebrosa de lu-
do e de todos a quem as medidas por elle reclama-
das olTendem, emfim lodos os ciumes dos que parla-
mentares que sao, por falta de devocao cvica, de ca-
rencia de vero patriotismo, e quija, de careucia de
coragem jamis bao querido alear sua voz, esforra-
rem-se para se conseguir em prol do paiz toda essa
erie de medidas tao tenaz e eloquenlemente recla-
madas pelo Sr. depulado l)r. Brandao.
Quem reclamou medidas eflicazes cm favor dos ar.
lisias Brasileiros, p'ara que a mao d'obra nacional
fosso prolegida indirectamente pelo angmenlo de
direitos da mao de obra que o estrangeiro nos im-
porta, cm detrimento d'cssa nossa importante classe
d'arlistas?
Quem reclamou com mais afn em duas sesses do
parlamenlo, e mesmo em nossa assembla provincial
em favor da agricultura brasilea, para que alem
de se eslabelecereui escolas Iheoricas e praticas e m
todas as provincias, as machinas e instrumentos a-
graros sejara livres de direitos, e importados por
conta do governo lodos esses iristrumentos mais mo-
dernos para serem distribuidos por nossos agriculto-
res, e para que se acabem d'uma vez os direitos de
exportadlo, aliviados os nossos producios d'essc pesa-
do onus?
Qual aquelle quemis se ha enipenhado na hygi-
ene publica, no bem estar dos Brasileiros, e mxime
d'esla provincia que se orgulha de o ler por filho
bem querido?
Qual, emfim, aquelle que mais se dedicou obter
a conseguir para a imporlanlissma classe militar lo-
dos os beneficios de que ella muilo carece, porque
se ha classe em prol da qual haja havido completo
olvido, lerrivcl ingratidao e meuosprezo, he essa que
nos ha garantido aliberdadeas Instituiresa
inlegridade do imperio e a monarchia ?
Pois bem: a verdade, a justica nos deu coragem
para levarme ao conheeimenlo publico estes servi-
$os importantes ao paiz: equererpor sem duvida
he poder, e cis-nos na arena da imprensa a impri-
mir na memoria, nos senlimentos dos bons e gratos
cidadaes pernambucanos, do lodos os Brasileiros es-
ses altos servicos patriticos; e o quao diguo da gra-
lidao nacional se ha lomado esse independent e co-
rajoso depulado pela abnegado de lodas as conveni-
encias egoislicas, de lodos os^ozos do favor ministe-
rial; que sacrificara a sua devotio civica e patri-
tica.
Ainda nao tica aqui (e esse he o imporlantissimo
objecto qne nos levou i elaborar este artigo) a dedi-
cacao generosa, diviua, religiosa a um ponto eleva-
do, foi o debate em que na cmara dos deputados se
empenbou, como dissemos no exordio, a respeilo da
classe militar: d'essa classeque nao d votos__
que infelizmente era nosso paiz nao goza aquella
consderacao que em lodos os paizes cultos e consli-
lucionaes goza; classe que existe fatalmente em ol-
vidoclasse em prol da qual poucas, mas eloquen-
les vozes se alcaram na cmara dos deputados, na
qual muito se distingui ; e porcujo motivoe por
outros servicos que a ella prestou, anganara demons-
Iracoes, ovajOes as mais lisongeiras, que nao descre-
veremos ora, para nao ofrndennos a reconhecida
modestia desse digno parlamentar, desc patriota per-
namhucano, cujo nome se ha tornado um do mais
populares do paiz I Sim; nos o dizemos com orgulho;
o nome do patriota Dr. Francisco Carlos Brandao
ressoa com urna aura immensa em todo o litoral,
em todo o centro do Brasil, em lodas as suas classes
e immensamenle em toda a gratapatritica, nde-
pendenle, e digna classe militar!
Declinamos de fazer um apanhamenlo desses dous
magnficos discursos, porque, nossa penna destruira
eeeito que no paiz, que na classe militar c de to-
da a populado ella ligada por lacos mais ou me-
nos ntimos, elles produzirao ; e cumpre-nos recla-
mar de nossos concidados loda a devida atlenrao a
esse discursos, insertos no Diario de Pernambuno
de 11 de outubro n. 233, e delles se reconhecer o
quao fortes foram os argumentos de que se servir
no debellamento dos arguciosos, sophisticos e artei-
ros fundamentos em que se apoira o autor e susten-
tadores desseatroz projecto : o quao bem esludra a
questao, e quanlo de senlioButalisnio 1iel)es existe,
alm das raaes lgicas cerradas, conlra as quaes
nao era possivel argumentadlo alguma com a me-
nor plausibilidade de successo.
Honra, pois, ao digno depulado, Sr. Dr. Brandao ;
prosiga elle na senda trilhada, ea posleridade ser
sua .'
Veriia*.
O consol portut-uei, e a comas de sfla admi-
nistra c o' I
Por mais esfor(os que se empregaram, por mais
obstculos que se pozeram para que nao fosse vista a
cornada la p do cnsul Joaquim Baptista Moreira, da
administrarlo- dos bens do (nado Rodrigues Cosa,
chegaudo laes esforros ao ponto de negar o juizo vis-
la aos procuradores dos herdeiros do referido Cosa,
mesmo quando ja habilitados, para dizerem o que
Ihesfossca bem, quiz a Providencia que urna fiel
copia da tao mysteriosa conta chegasse ao nosso do-
minio 1
Tinham sobejos motivos lodos quanlos se empe-
nhavam em ver se podiam occullar um domnenlo.
que sobre maneira prova a necessidade, em que esl
o governo portaguez, por sua dignidade de aparlar
da gerencia do consulado o actual cnsul Joaquim
Baptista Moreira, e seu chauceller Miguel Jos
Alve.
Na quasi impossibilidade de no curto esparo desla
publica rao evidenciaros erros encontrados, a m ap-
plicar.io dada aos dinheiros alheios, em prejuizo dos
herdeiro. e em offena leis, concebemos o pro-
posito de faze-la publicar pela impreusa, com a da-
vidas observajoe, afim deque confiera o mundo ia-
teiro o sobejos motivos que assistem aos Porlnguc-
zes quando conlra funcciouario laes erghein suas
VIWPS '
zio 5 \ E poda elle fazer a deducn do sua por-
centngem de ludo quanlo arrecadou inclusivamenle
das letlras que nao cobrou, e mesmo sao incobraveit,
dos predios que exlstem, dodinhcro que o fallecido
tinha em deposito, edas dividas passivas?
Ninguem responder allirmativameule esta per-
gunla, em face da tabella annexa ao regulamenlo
consular de 26 de novembro de 1851, a que se abri-
ga o mesmo cnsul, visto quo nessa tabella se l o
segninle. Emolumentos ad valorem. o Arrecada-
cao, e adminislrarao dos bens dos Portuguezet fal-
lecidos ab intestalo, sobre o valor ao lempo da en-
trega dous c meto por cento. o
O cnsul, que subscreveu esta conla confecciona-
da pelo seu clianceller, ou a assignou de cruz ou iu-
correu ua ola de fatuo, suppondo que os demais, e
principalmente os interessados fossemcegosl Sirvam
estas poucas refiexos a dispertar aos Portuguezes e
a lembrar-lhes a necessidade de se nao deixarem
morrer sem testamento; sirvam a justificar aos quei-
xosos do cnsul, e finalmente sirvam ao governo por-
tuguez de estimulo a fazer a justica, que deve aos
subditos, o ouvindu seus clamles, mandar quem te-
lilla melhores habilitarles para ser cnsul era Per-
nambuco. Y.
Ninguem acreditar, a nao ver, que o cnsul pe-
la arrecadacao, administrado e liquidadlo da heran-
ea Costa deduzisse para si. a titulo de sua porcntu-
gera, a quantia de 6:1698403 (! '., leudo apenas en-
tresue aos procuradores dos herdeiros era sedulas
o():U009, e tendo ainda para entregar aos mesmo*,
segundo a sua conta a quantia de 48:7589 e 28 ris
a saber, 26:/309353 em leltras que nao cobrou, em
predios 21:.iO08. em obras de ouro e prata 139=860,
eem dinheiro 3878813 I !
Do pouco que fica dito se conclue, que o cnsul
do total da heranca, que diz ser 123:3809072, dedu-
CARTA DO VISCONDE DE KIKIRIKI, A SUA
ESPOSA, A VICONDESSA DO MESMO TI-
TULO.
I
Chegou Maria Chrslina,
Duqueza de Rianzares,
Sacrificada aos azares
Da fortuna, ou boa ou m :
Sao Millas que o mundo d !
II
Quando foi trumpho, inda ha pouco
Serngou Dom Baldomcro.
Hoje o fado assaz severo
Estas conlasajuslou,
Baldumero a seringoo.
III
Ninguem me diga, seuhora,
Desta agua nao beber!.
O fidalgo, o papa, o rei
Servem hoje de alcilru/.es
Neste secuto das luzes,
IV
Madre del Pueblo era
E seuhora varonil.
Dizem ler defelos mil ;
E tambem muito dinheiro
No seu real mealheiro.
V
Eu quando vejo os dilosos
Que tem a testa eoroada
Levarem palmaloada ;
Quando os vejo naufragar,
Eu nao deixo de goslar.
Nao Ihes quero mal. senhora,
Mesmo aos maos que lenho vislo.
Mas goslo que provem disto,
Que tenham dias tambem
De dor, como o povo tem.
VII
Se a pobre arraia miada
S chorase, e mais ninguem,
Quem poderia, meu bem,
Aturar estes senhores,
Do mundo dominadores !
VIII
He hoin, paranlo, que provem,
Tambem da desgrana o le.
Sempre doce 1 sempre mel !
Sempre veulura e prazer !
Priminha, nao pode ser.
IX
Dos permita lhe aproveile
Esla mui grande licao.
Mas he mioha opiniao
Que a mulher he diui capaz,
E que nao se fica atraz.
1 X
Felizmente ella escapou
Ao furor das barricadas,
Veuceu ledas as citadas,
Nao leve perigo nenhum.
Salvou o numero um.
XI
F'oram-se, prima, os aunis,
Porm ficaram os dedos.
Deixemos estes enredos,
Esla raiva das faeces.
Passemos aos maraohoes.
XII
Vnu conlar-lhe, prima eximia,
1 na imito que passei.
Por acaso hontem me acliei
N'um soire de Beinlica,
Emcasa da prima Anuica.
XIII
Rico era ledras, pobre em doces,
Foi todo no eslylo vario.
Nem o Gremio Lilterario,
Nem a lusa academia
Sern de inaior valia.
XIV
A prima Annica he senhora
D'um talento collossal,
Sabe historia natural,'
Nao fica atraz do l.inneu,
Segundo o juzo meu.
XV
A viscondessa bem sabe
Que estudei a Natureza,
E que com loda a certeza
Mesmo com certeza seria,
lenho voto na materia.
XVI
as artes a prima Annica
Pode ser cosmopolita.
llanca, canta, loca, apila,
He mestra no berimbo,
Monla bem c joga o pao.
XVII
Risca mappas com mais gosto
Do que o bom Moraes Soare.
Firma da nos calcanhares
Defende a cada momento
As vanlagens"do fomento.
xviii
Os conviva lodos eram
Artistas e litlerato :
Uns fabricavam sapatos,
(luiros chinos, cabelleirat,
Uniros funis, cafeteiras.
XIX
Nos Ulcralos se viam
Poelas e prosadores,
Qualro ou cinco redactores,
Cinco ou seis folhetin islas,
Dez ou doze romancistas.
XX
I res pas da patria lanzudos,
Eram da sucia, e mostravam
Que de Lisboa goslavam,
E das bellezas que tem ;
J liuhaiii visto Belm.
E os arcos das Aguas-livres,
E a quinta das larangeiras,
A mai d'agua amoreiras,
E diziam maravillias
Dos burrinhos de Caciihas.
XXII
A prima Annica lomou
Da presidencia a cadeira,
E por ser a vez primeira
Que lomou este lugar,
Ella o fez sem gaaueiar.
XXIII
Com totis viribus pode
Emancipar as mulheres ;
Um socio, que faz colheres,
Tal apoiado lhe deu,
Que loda a sala tremen.
XXIV
Prosctcveu a saia, e disse,
Queera um traste efeminado,*
Que desde Adao tem causado
Desgracasque nao tem conla,
Pois fazem a gente tonta.
XXV
Citou a guerra de Troya,
E a saia de D. Ileleua ;
E quando pintou a sceua
Do cavallo de madeira,
Dea-meum pul cabelleira.
XXVI
Nulo pedio a palavra
L'm socio que faz funis ;
Percorreu lodo o paiz,
Fallou da barra do Douro,
Das miserias do thesouroe
XXVII
Pega de um lapis, e da-nos
No papel nuiles, canaes,
Arraoja estradas, reaes ;
N'um igiiai tu d'hora com giz
Torna Portugal feliz.
XXVI
Scguio-se a fallar depois.
i) redactor de um jornal :
Era solemne animal !
I in leopardo, um leao,
Um jornalisla sansao.
XXIX
AS lavaredas da patria
O crneo lhe inceudiavam !
Os cabellos fumegavam 1
E como quem come um figo,
Eugole o lio Rodriuo !
XXX
Derribou o Mim -lorio
N'um abrir e fechar d'olhos ;
Tirn du bolso dous molhos
De Irinla arligos de fundo,
A favor do novo mundo !
XXXI
Mulher eximia, acredito,
Que (iquei almala lo ;
Se acaso lenho chuchado
Tres noiles nesle sentido,
Kico s ordens do Polido.
XXXII
Ped venia, e me safe i,
C l'iira muilo me ri ;
Ceei um frango, dorm.
E loda a noile, meu bem,
A sonhar, sabe com q uem ?
(Braz Tisana.)
HfW
TOMAR BANHOS.
REVISTA DAS BARCAS.
Lisboa 21 de onlnbro.
Se a moda nao fosie a mais desptica das deosas,
mais caprichosa mesmo duque a musa pedantedeal-
gum poeta kikirik), juro sobre a mais santa das
ininhas cconc.:-, que ninguem toraava banhos do
mar!
Lord II) ron cantn o enjoo das viagens martimas
o iiicommodo mais lolamente alllictivo que se co-
uhece al hoje; pois aposto que o poeta da desven-
tura, se vivesse ueste scalo, e nesle paiz, nao era
humanamente capaz de obrigar a sua ardente musa
a cantar cm alguinas eslropbcs os banhos da barca!
Masa moda...
Nao seria por cerlo no sceulo das Montespan, e
das Mainlenou, que as nimbas da elegancia levassem
o desvario ale envergar a classica. camisoln de bae-
ta, especie de alvajsuja. com quo as marl\ res do
nio tom se immolam voluntariamente ao sacrificio
das ondas, que he o patibolo da moda!
So por desastroso azar a Marin Delorme houves-
se tido a lembranra de 13o clebre dislracrao, esse
enlrelenimento ter-lhe-hia cuslado o eterno castigo
ile nao ser cantada por Vctor Hugo, nem romauli-
sada por Mry Creio at quo o'velhaco cardeal nao
linha sentido por ella a mais liseira aspiracao de
amor, e que Cinq Mars se deixaria enforcar deslem-
brado, e nao saudoso de sua preciosa amante! o es-
quisto Didier, da tragedia, que he urna especie de
legitima comequencia ao Anthony, e seu filhos e
netos,esse enfilo acompauha-la-hiano bote, mas pre-
gava-lhe um sermao e depois de ler escrupulosamen-
te atlendido a lodos os precelos da oratoria, torcia-
llie o pescoco, e atirava-a para a regiao das sardi-
nhas e dos cachuchos a gozar de um banbo infi-
nito !
He que este seculo he nutro o que outr'ora ina-
tava de ridiculo, hoje ennobrece e popularita 1 lo-
das as virtudes, e todas as qualidades adquiridas, as
mais nobrei'acQes, ou as mais elevadas faculdades,
nao valem para o juzo da sociedade, o mais peque-
o e ligeiro ridiculo!
Assim como a virlude se enriquece de sacrificios,
e a religio de humilliarfiesc ultrajes, o ridiculo ale-
gra lodos, e torna felizes os que o possuem perau-
Icas leis e calculo da boa philo-opina, o ridiculo he
o mais solido dos lac,os que iineni os homens; he a
nica reciprocidade couslaiile, inalleravel, indepen-
dent dos caprichos do coraran ou das Iraquezas do
espirito!
Se esse dom precioso se eoconlra, por direito de
heranca, ou dadiva de natureza, n'uma viuva ainda
moca e rica, ol 1 triumpho! maoeiras aneciadas,
exticas, vestuario exagerado, lnguagem pretencio-
sa e burlesca he urna victoria cerla que a curiosi-
dade lhe tributa.
Se he n'um baile, a primeira bas-blcu de pontea-
do Diana anliga, vestido Mainlenou. com as lar-
gas mangas da idade media, leque prelenciosamenle
agitado, e aquelle fallar esludado, decorado, repeti-
do levar vanlagem donzela modesta esimples, de
huiros cabellos singelamenle alados, vestido braoco,
cintura tenue c altilude graciosa e espontanea 1 os
here de sabio talvez passem sem a ver, maravi-
Ihados da panlhera que reuni no seu vestuario lo-
dos os gneros, pocas e cores I e a innocente vera
decorrer baile, passarera s horas, succederem-se
as ,ilsas, e ninguem ir,anhelante de desejo e vai-
dade, repetir-lhe aquella phrase proverbial de um
baile: Digna-se V'. Exc. conceder-me esta conlra-
dansa? E no lira da noile, ao entrar na sua carrua-
gem, ella ira' j desgoslosa do mundo, e desencan-
tada das Husmos da vidal
Nao sou dos difficeis de contentar, estou ja' habi-
tuado a mil ridiculos e mil caricaturas! ja* nao me
rio das fatuidades coojugaes, nem da misantropa
dos autores que passam de moda, nem dos alraocos
que seguera es duellos, nem dos homens feitos q'ne
aprenden) a dansar, nem de um baptisado, de um
lilterato que defende a sua obra, ou de urna senhora
feia que desmaia; todava a que eu nao posso ainda
resistir sem romper na mais estridente gargalhada.
he a figura burlesca, extica e indefinivel, de urna
mulher gorda de camisolla !
Oh! Chlolho, serias urna deosa de formosura e
encanto i par de uraa rochonchuda matrona de coifa
ta caliera, calcas de baclilha e gibao, opa ou mor-
lalha...
Oh! Tsiphone, dcixar-te-hia a perder de vista em
irrisoria fealdadc qualquer Ilegitima descendente
de Eva, que possa ser sua prenla por portas tra-
vessas, eque tendo ja' mais de cincuenta anuos, e
menos de viole e oito dentes, soffrendo de nervoso,
que he a molestia das tolas e das feias, se atreve ain-
da a apresenlar em exposicao...quasi universal, urna
fign de esqueleto, e urna cara de furao, que exce-
de o limites do horrivel quando sobe a escada a tre-
mer com fri!
Eu compreheudo os bandos do mar, m\ no largo,
na amplido do espaco, no isolameuto potico de
mar e co! goslo rot.io de ver os loncos cabellos de
urna dama boiando a' (lor d'agua, nos imprevistos
caprichos e graciosas ondulacoes das vagas! admiro,
sem desejar imitar, essas consllur,oes vigorosas cu-
jo inaior prazer he lular com as ondas, e atravessar
certa distancia a nado, nos incriveis sobresaltos que
Ibes dcsperla o mais valente dos bravi, o mar!
Mas na barca misericordia! fazer peuileucia de
duas horas antes de entrar no banbo, no cruel culre-
teiiimeulo de ouvir os patroes da lancha pergunla-
rem de esparo a espaco queiu tem II'! quem tem
umt? quem tem p? e as sacramenlaes ledras do
alpliabelo repelidas n'um sobrenatural tom de insi-
pidsima inlri iM-ac.'io !
E entre lano, a verdade tem sempre lugar, e
muito mais quando se trata de banhos, porque al
dizem que auda sempre ao de cima d'agua, he for-
cejo coufessarqueas barcas do Caes doSodr levam
vantagem as do Terreiro do Paro no que diz res-
peilo belleza das concorrenles; apparecem all me-
nos \ clhas, e muilo menos feias, o que concorre pa-
ra a agua nao ser 13o fra !
Eu al creio que muila gente toma os banhos da
barracomoengrncadoprelextopara passeiar, e se bao
de ir para Cintra que j esla auflicieutemanle visla,
digam os poetas o que disserem ; ou para Canecas,
cuja estrada est inlransitavel, gracas idea pouco
luminosa de altender da Luz qoe eslava quasi boa,
para desprezar esla que esl incapaz, e que he de
muilo maior transito, facto a que urgentemente se
deve altender, e qne he quando menos urna prova
de in ordem, e de mal entendido dclexo para um
sitio que he o principal caminho de quasi lodas as la-
vadelras de Lisboa, que teem s vezes de voltar pa-
ra casa por se atolarem os burros e se sujar a roupn,
e a que he de esperar que a cmara de Belem d pro-
videucias transferudo o partido da Luz para.a estra-
da de Caeras com a brevidade que o caso exige ;
se hao de ir para o Campo Grande assislir i parodia
das corridas ao uso inglez, e que u3o passam de nma
burrieada -que s corresponder ao Hipdromo de
Paria vislo era miniatura por um oculo embacea-
, se bao de ir para o Passeio publico, especie de
picadeu-o para creaturas chamadas racionaes, que
andam leguas dec para l, contentes de si proprias,
e na agradavel persuaso que se esUodiverliudo ; se
bao de r para o jardira da Estrella sonhar delicias
e planear venturas, entre om cemilerio c um hospi-
tal ; oo para a reir.... da ladra, que be deludo is-
to o melhor, e onde a gente se diverte mais, gracas
leiiriin com que se vai para la de ninguem se di-
vertir ; se ho de mesmo passear em casa que he
na minha opiniao, o mais agradavel dos passeios, de-
vido talvez commodidade do sapato mouro, e do
robe-dechambre, mettem-se no bole e vao passear
para a ''arca 1
As senlioras, e principalmente as senhoras que
uamoram, isto he todas, foram as primeiras mo-
toras deste agradavel entrelenimenlo fizeram a
moda ; c se a moda entre os homens nao passa de
um capricho adorado, o ponto de partida para urna
conquista, o caminho para um casamento : enlre s
damas, porem, he ella a sua idea Ca, a que se li-
mitatii lodas as suas asprac,es, e que constilue o
seu presente, e o seu futuro !
Mas entre nos uo existe o (ypo da senhora da
moda as pantheras nao se acoiiam oeste paiz, que
cm compensaran a essa falta possue mais ferozes, e
temiyeis animaes em toda a parte do mundo he
rundirn e-senri,d para se chegar elevada cathe-
goria de senhora da moda, ler na sua carreira algu-
mas anedoclas balzaciaunas, ler causado a inorlc de
um ou dous romnticos namorados, enao vivercomo
o vulgar da humanidade. Mas, ai de mim, nesle paiz
virtuoso existe um lerror pnico ao escndalo," c ha
conceptes bastante elsticas para comprrbcnde-
re'm como elegaute urna creatura que viaja no mni-
bus e toma banhos na barca!
tiao I em Portugal nao existe o lypo da mulher
da moda. Vivera nesla santa cidade de Lisboa que
segundo a expressao de Duarle Nunes de Leao
Ae'tim reino per si s. algumas damas elegantes,
que :e vestem sulTrivelmcnle, que possuem umapre-
ciavel caleche, e urna airosa americana, que riem
sem i churu aos callembourgs um pouco equvocos
de mais de qualquer vaudeville do Ihealro trance/
e,que levam a inslrucco a ponto de lagarelarem
sobre diversas queslcs^conomicas, polticas, e lit-
(eraras, com grande ofiensa ao Benso commum, e ir-
reverente riuulai.au aos que requeren! o mais parco
dos empregos ser sabio !
Mas he preciso v-las para a genle se lemhrar dol-
as.' mas nao se arruinara cm agua do rosas ; mas
nao hesitara em sabir de casa antes da urna hora da
tarde, mas nao cumprehendem o prazer das corridas,
e chorara as (oiradas durante o iutervallo dos pre-
los!
Porque ser pois que esla abcuroada Ierra que cm
lempos remotos produzio muilo boa casta de hroes,
e guerreirns esforzados, e que boje mesmo d excel-
lentes btalas, e saborosas melancias, nao produzir
tambem a arvorc apreciavel da mulher da moda '!'.
Consolemo-nos entretanto com a agradavel certeza
de que temos a primeira voz as barcas Flor do Tejo,
Diligcuria, Tonneis, Flor de Lisboa algumas oulras,
entre ellas a Barca grande, onde eu que lano mal
estou dizeudo dos banhos das barcas j tambem le-
nho tomado meus bauhositos, facto de que lerei eter-
nos remorsos, e de que eu diria se uao receiasse que
me chainassem vaidoso, que a no melhor panno
cahe a nodoa! u E ou este anno cresceu o rosIo
pelos banhos da barca ou augnienlou a populacao.
Demonstra-sc esta verdade tristemente histrica pe-
lo facto al cerlo ponto miraculoso de al agora se
limitar a mana aqualica a tres barcas, e esle anno
se elevar o numero a seis Salve, seculo abencoado
dos romances de palcoo,das pomadas br libantes o dos
banhos de barca !
Felizmente a epidemia vai cessar com o invern, e
he natural que com a mudenca de estarn que traz
os bailes e os concerlos, se limilem as aspirares dos
namorados, que sao os principaea amidores das
barcas, aos hanh'os .... malrimoniaes /u/i"o
Cezar Machado. ( /tei-oluriio de Selembro.)
COMMERCIO.
PRACA DO HKCIFE25 DE NOVEMBRO AS3
HORAS DA TARDE.
Cola^Ges ofticiaes.
Aisucar mascavado regular18150 por arroba.
Dito dito bom19550 por arroba.
Dito dilo especial18650 por arroba.
Descont de ledras de de 30 dias s anuo.
aLFANDEGA.
Rendimenlo do da 1 a 21. .
dem do da 25......
288:998>i83
22:8888128
311:8819611
Detcarregam hoje 27 de novembro.
Barca francezaJeune Raymondpipas com viuho.
Barca nglezaMidasbacalho.
Brigue inglezLord Althorp mercadorias.
Brigue americanoW. Piteefarinha de trigo.
Brigue portuguezSota .Imizademercadorias.
Patacho trance-/.Bon Verdem.
Brigue inglezCualmalaguano.
Briguo brasileiroElvirafumo.
Brigue brasileiroBrilhanlcpipas vasias.
Patacho brasileiroDous Amigosfumo e charutos.
Brigue brasileiroerofumo e barrica vasias.
Brigue brasileiroRatofarinha de Irigo.
Galera iuglezaDeer Slayermercadorias.
Importacao'.
Brigue nacional Vero, viudo do Rio de Janeiro,
consignado a Thoraaz de Aquino Fonseca & Filho,
manifeslou o seguinle :
500 barrica em p, 40 latasfumo ; a ordem.
1 caixao sellius; a M. M. Guede.
228 barr plvora, 14 caixoes diflerenlcs objeclos
para tropa, e 300 cortes do coroohas para dita ; ao
arsenal de guerra.
Palbabole nacional Dous Amigos, viudo da Ba-
hia, consiguado a Antonio Luiz de Oliveira Azeve-
do, manfestou o seguinle:
6 caixoes e 1 barrica lou^a de barro, 1,779 caixi-
nhas, 23 caixoes e 3 pacoles charutos, 80 saceos caf,
1 caixao chapeos de fellro, 1 dilo tabaco em p, 30
fardos fumo, 21 ditos tabaco, 900 quarliuhas, 4 ta-
lhas de loua vidrada, 8 toros Jacaranda, 1 caixao
cortinas para urna cadeira de arruar, 1 sacc'o cola, 41
rolos Tolhas de zioco, 2 caixoes platilhas de linho, 2
fardos pelucia de l.la, 2 caixas chitas, 252 saccas fa-
rinha de mandioca, 12 latas azeilo de mamona, 100
taboasinha de cedro ; a ordem.
2 barricas pimenta, 19 ditas gomraa ; a Palmeira
& Beltrao.
21 volnmes fazendas; a Jame Ryder & Compa-
nhia.
1 fardo espingardas ; a Brunn Praeger & Compa-
nhia.
5 meias pipas azeile de palma ; a Novaes & Com-
panhia.
22 saccas cal ; i Jos Mendes Ribeiro.
13 barricas e 27 saccas farinha ; a Mano'el Igna-
cio de Oliveira.
2 caixOes charutos; a Rabe Schmellan & Compa-
nhia.
1 dito e 1 pacole ; a Antonio de Almeida Gomes
& Companhia.
^ 2 caixOes charutos ; a Manoel do Amparo
Caj.
4 pacotes charnlos ; -a Salgado & Irmao.
4 ditos charutos ; a Miguel Joao Rio & Compa-
nhia.
Brigne nacional Elvira, vindo do Rio de Janeiro,
consignado a Machado & Pinheiro, manifestou o se-
guinle :
20caixas velas, 11 caixOes chapeos, 150 volumes
barricas vazias, 30 pipas vinagre, 372 saccas caf, 4
barricas gomma, 1 sacco feijao, 90 rolos fumo, 2 vo-
lumes mercadorias, 1 caixa rap, 2 voluntes garra-
fas vazias ; a ordem.
2 caixOe cha ; a Machado & Pinheiro.
1 dito chapeos ; a Bailar & Oliveira.
6 caixas papel; a L. LeconteFeron & Compa-
nhia.
Barca ngleza Midas, vinda de Terra Nova, fon-
signada a Me. Calmont & Companhia, manifestou o
seguinle :
2,820 barricas bacalho ; aos mesmo coasigna-
larios.
Brigue nacional Brilhanle, vindo do Rio de Ja-
neiro, consiguado a Novaes & Companhia, manifes-
tou oseguinle :
50 pipas vazias, 801 saccas cafe, 200 rolos fumo,
1 caixao cha ; a ordem.
CONSULADO GERAL.
Rendimenlo do dia 1 a 24.....22:0603423
dem do dia 25........ 6288797
DIVERSAS PROVINCIAS.
Rendimenlo do dia 1 a 21.....2:4689115
dem do da 25........ 2499433
Exportacao'.
Baha, hiale brasileiro Novo Olinda, de 85 tone-
ladas, conduzio o aeguinte :350 caixai, 150 meias
dita e 100 quintos pas>as, 8 barricas milbo alpisla,
24 barris azete doce, 250 barricas bacalho, 300 bar-
ris e 20o meios ditos raanteiga, 20 gigos champagne,
10 caixas vinho, 1 dita clcheles, 12 barris oleo de
buhara, 1 caixa escovas, 2 ditas fazeodas, 2 queijos
francezes.
Brigue hamburguez George Andreas, de 242 to-
neladas, conduzio o seguinle : 9,452 couros com
278,537 libras, 500 saceos com 2,500 arrobas de a-
sucar.
Rio Grande do Sul pelo Rio de Janeiro, barca na-
cional Ipojuca. de 275 toneladas, conduzio o seguin-
le :800 alqueires sal do Porto, 1,145 barricas e 900
saceos com 12,401 arroba e 30 libras de assucar.
dem, brigue nacional Fluminense, da 268 tone-
ladas, conduzio o seguinle :80 pipas radiara, 1,070
barrica e 650 sacco com 11,038 arrobas e 41 libras
de assucar, 1,000meios desoa.
, Parahiba, hiale uacional Camoes, de 31 toneladas,
conduzio o seguinle:208 volnmes gneros estran-
geiro, 111 ditos ditos nacionaes.
Aracaty, hiale nacional nvencivel, de 37 tonela-
das, conduzio o seguinle: 1,306 volnmes gneros
estrangeiro, 436 dilo dilo nacionaes.
KECEBEDORIA DE RENDAS INTERNAS GE-
RAES DE PERNAMBUCO.
Rendimenlo do dia 1 a 24.....20:306s777
dem do dia 25..........1:2638091
CONSULADO PROVINCIAL.
Rendimenlo do dia I a 23. .... 28:i5888-,
dem do da 25.......to 9598690

29:1181512
PRACA DO RECITE 25 DE NOVEMBRO, AS 3
HORAS DA TARDE.
. fteista semanal.
Cambios-- t_.Q vapor inglez foi portador de
saques negociados esla semana a
28e27 3|4d. por 18, fexando-se
hoje a esle prec,o fronxo,
Algodao Entraram 908 saccas e vendeu-se
de 58400 a 58800 por arroba, e te-
an vierem melhores noticias tem
tendencia para baixar.
Assucar- ... A entrada vai augmentando, mas
sq tem havido algumas vendas pa-
ra Portugal e Valparaizo, estando
as oulras pracas fura do mercado
por consideraren) altos os preco
que esperara btixe' logo que cs-
sarera aquellas compras; vendeu-
se o mascavado de 18450 a 18710,
e o branco de 28600 a 38200 por
arroba.
Couros ----- Venderam-se de 150 a 157 U rs.
, por libra dos seceos salgado.
Bacalho---------Tivemosum carregamenlo de2820
barricas chegadas de San Jo3o,
* que foram vendidas acerca de 148
ficaudoem deposito 3,500 barricas.
Carne-secca- Vendeu-se de 58 a 58400 por arro-
. ba, e lia em ser 3,500 arrobas.
Farinha de Irigo- O mercado foi suprido com tres
carregameutos, sendo 1,000 de Ri-
chmond pelo Rio de Janeiro, e
4,600 de Philadclpbia em dous na-
vios; e como nao estejara descar-
regados nao leve preco. Retalhou-
se ai 308 a de SSSF, e de 2.58500
a 268 a de Baltimore. Existemem
ser inclusive os ditos carregameo-
tos 6,100 barricas.
Descont O banco baxou seus discontos a
9 e 6 por cento ao anno, o que he
assaz lisongeiro para o comniercio,
c nos lhe tributamos nossos tgr-
decimentos, esperando que elle
alargue suas operarle* para se tor-
nar esta medida mais lavara-, el.
Pde-se colar os discontos do 6 a
10 por cento ao anno.
Frote Tiveinos urna alta nesla semana,
chegando a 726para o Canal:
como porm o assucar se consena
em prejos al los, e tem- chegado
alguus navios dcclinou, nao ha-
u v vendo ollera de mais de 65 pelo
assucar, c 9 16 d. pelo algodao,
u. quics parecein firmes.
I i cara m no porto 76 embarcaces: sendo, 4 ame-
ricanas, 31 brasileiras, 1 dinamarqueza, 5 franceza,
4 hamburguezas, 4 bespanholas, (7 iuglezas, 8 por-
lugaezas, 1 prussiaua e I sarda.
maos. Veio largar o pralico e seguio para o Rio
Grande do Sul.
Cetle44 dia, brigue francez Couraguese Euge-
nie, de 163 toneladas, capitao Deonie, carga vi-
nho c mais gneros ; a Lasserre & Companhia.
Ficou de quarentena por 5 dias.
Navios sahidos no mesmo dia.
Rio Grande do Sul pelo Hio de JaneiroBarca bra-
silera Ipojuca, capitao Manoel Luiz dos Santos,
equipagem 17, carga assucar e sal. Passageiros,
Jos Antonia da Cunta, menor, em sua companhia
a escrava Delphina, Jn.lo Labussiere.
Uaili pelo .Maranli mi e ParaBarca franceza Louise
Marie, cpilao Tallibarl, carga fazendas e mais
gneros. Passageiros, Joaquim da Coala Brrelo
Jnior e 1 escrava, Aluno Lellis de Moraes Reg
Jnior, M. A. Baudoux.
CearHiale brasileiro Duvidoso, meslre Joo Heh-
riques de Almeida, carga varios gneros. Paasa-
geiros, Francisco Ricardo Bravos Sussurana, Jos
Alejandre de Amorim Garca.
ParahbaHiale brasileiro Camoes, meslre Seve-
riano da Costa e Silva, carga varios gneros. Pas-
sageiro, Joao Jos de Almeida.
EDITAES.
O Illm. Sr. inspeclorda Ihesouraria provincial,
em cumplimento da resoluto da junta de fazenda,
manda fazer publico, que a arrematado da obra do
reparos de 550 bracas quadradas de empedramenlo
na estrada de Pao d'Alho, foi transferida para o dia,
30 do correte.
Secretaria da Ihesouraria provincial de Pernam-
baco 23 de novembro de 1854.0 director,
Antonio Ferreira da Annunciacao.
O Dr. Francisco de Assis Oliveira Maciel, juz
municipal da segunda vara e comniercio desla ci-
dade do Rccife, por S. M. I. e C, ele.
Faro saber aos qu o presente edilal vrem, que
uo dia 13 de dezembro prximo futuro, se ha de ar-
rematar a quem mais der, na porta da casa da mi-
nha residencia, na ra estrellado Roiario n. 31, pe-
las qualro horas da tarde do dilo dia, a renda an-
imal do sobrado da ra do Livramento n. 32, avaha-
da em 4008000 rs. poranno, por lano lempo quan-
lo ebegue para pagamento da exccuco de Joaquim
Mauricio Goncalvesda Rosa, por si e como ceasiona-
rio de Candido Alberto Sodr da Molla, contra
Francisco do Prado C.
E para qoe chegne a noticia de todos, mandei
passar editae que sero publicados pelo jornal e af-
eitados na praca do commercio e tala das audien-
cias.
Dado e pkssado nesta cidade do Recife aos 22 de
novembro de 1854.
En Manoel Jos da Molla, escrivao o lubscrevi.
Francisco de Assis Oliveira Maciel.
Por esla subdelegada foi apprehendida a um
crioulo moco, que disse morar na freguezia do Re-
cife e chamar-se Jos Francisco Antonio, (esle nome
parece falso, e o crioulo ser escrtvo), orna bonita e
mansa cabra (bicho) cora urna lilha, a qual tinha o
mesmo crioulo negoriado com Francisco Antonio de
Mello, morador na ra Imperial, pela pequea
quantia de 38000, a quem ha pouco vender outra.
Suppondo-se ser a cabra furlada, se faz o presente,
afim de que quem se julgar com direito a ella, a
procure. Subdelegacia de S. Jos do Recife 22 de
novembro de 1854.O subdelegado,
Manoel Ferreira Accioli.
CONSELHO ADMINISTRATIVO.
O conselho administrativo, em virlode da alori-
sac.io do Exm. Sr. presidente da provincia lem de
comprar o objeclos seguidles:
Para a capella da fortaleza do Brum.
Ornamento branco completo, constante de casla,
estola, manipulo, bolsa e veo 1, panno rozo para
cobrir aimagera do Sntior 1, eucadernagao de nm
missal e reforma do'gateo das bolsas, encarnada e
roxa, alvas 2, amitos* 2, cordOes 2, corporaes 2, toa-
Ihas para altar 2, ditas de mao para o lavatorio 2,
panno de pala 2, purificadores 2, sanguinhos 4, la-
pele para supedneo de aliar 1, panno de luslrim
roxo, covados 3 Iri, aspcrlorio para a pa d'agua
benta 1. .
Quem quizer vender estes objeclos aprsente as
suas propostas cm carta fechada na' secretaria do
conselho as 10 horas do dia 29 do correnle mez.
Secretaria do conselho adminrstraBve^part fortre
cimento do arsenal de suerra 22 de novembro de
1854.Jos de Brito Inglez, corune].presidente.
Bernardo Percira do Carmo Juntar, voal e secre-
tario.
O Illm. Sr. inspector di Ihesouraria provin-
cial manda fazer publico otra coulaacimento dos
contribu ule- a ha \u declarados, do imposto da de-
cima urbana da frcguezi da Boa-Visla pertencente
aos exercidos de 1833 a 1852, que tendo-se con-
cluido a liquidar "o da divida activa deste imposto
devem comparecer na mencionada Ihesouraria den-
tro de 30 dias, contados do dia da puliliearaodo pr-
senle edilal, para se Ihes dar a nota do seu debito,
afim de que paguem na mesa do consulado provin-
cial, ficaudo na inteligencia de que lindo o dito
prazo serao execulados.
E para constar se mandou afiliar o prsenle e pu-
blicar pelo Diario.
Secretaria da tfiesnurari i"pro\incial de Pernam-
buco 21 de novembro de 1854. O secretario.
Antonio Ferreira d'Annunciacao.
Anlouia Francisca d'Alhuquerque
Monteiro....... 188144
Antonia Isabel...... 28781
Antouia Mara da Soledade 178160
Antonia Francisca Cadaval 72J306
Antonia Joaquina...... 138905
Antonia Lima Peixoto..... 208160
Herdeiros de Adrianna Mara da
Conceiro......... 338372
Anglica Francisca de Azevedo 168122
Alexandrina Candida Ribeiro deMello 338:172
Annuuciada Camilla Alves da Silva 408320
Herdeiros de Bazilio Rodrigues
Scixas......... 758222
Bazilio Alvet**de Miranda Varejao 258029
Bernardo Lasserre...... 128096
Bernardo Toleotino Manso da Costa
Reis.......... 4449
Filhos de Bento de Barros 38337
Herdeiros de Boavenlura Goncalves. 118587
Bento dos Sanio Ramos .... 138905
Bernardo Jos da Hora..... 208022
Bento Jos da Silva Guimaraes IO5USO
Herdeiros de.Benlo. Jos Alves 408320
Bento Francisco Bezerra e oulros 20-8160
Herdeiro de Balbina Francisca da
21:5693868 Conceicao -....... 738418
Bernarda Francisca das Cliagas 128096
Bernarda Mara do Prazeres 68048
Cmara municipal d Olinda 208160
Conrado Antonio do Espirito Sanio 418115
Capella de N. S. da Conceicao da
Ponle ;..... 138547
Capella de N. S. da Conceicao de
Beberibe......... 168686
Caetano da Rocha Pereira e oulros 68048
Cae la no de Oliveira e Mello 58562
Casa,da,orcao dos Inglezes 7248950
Herdeiros de Custodio Moreira 78230
Viuva e herdeiros de Caetano da
' Silva Azevedo.....>.T m 138719
Candido de Albuqoerque Maranhn 6S674
Dr. Candido Jos Cardozo Lima 59040
Christovam dos Santos Cavalcauli. 1854
Carlos Jos Teixeira de Azevedo 38870
Dr. Clemente Jos Ferreira da Cosa 158120
Cosme Damiao....... 48480
Clonado Ferreira Catan .... 6:048
Claudina JacinthadasNeves 138905
Calharina Aaoliuaria de Menezes
Maer .'..,.... 98072
Caihariua Maria de Menezes Maier
e outra ......... 358280
22:8898220
2:7178548
PARA O RIO DE JANEIRO.
Segu viagem at 50 do corrente mez,
a veleira escuna nacional Linda, capi-
tao Jos Ignacio Pimenta : para o reato da
carga, escravos a frete e pawageiro, tra-
ta-ge com o consignatario Eduardo Fer-
reira Saltar, na ra do Vigario n. 5.
PARA O ARACATY.
Segu uestes dit o hiale Capibaribe: para o
reto da carga Irala-se na ra do Vigario n. 5.
Para o Rio de Janeiro
vai sabir com muila brevidade a barca nacional Ma-
Ihilde por ler parle da carga prumpla : quem na
mesma quizer carregar o resto, ir de passagem. ou
embarcar escravos a frete, para o que lem excellen-
les commodos, falle com o capitao Jeronymn Jos
driles, ou no i-sriiptorio de Manoel Alve Guerra
Jnior, na ruado Trapiche n. 14.
Vende-e a barca americana Tremont, de Iota
199 toneladas, forrada e eavilhada de cobre : a tra-
tar com os consignatarios Heury Forster & Compa-
nhia.
LEILOES
O Dr. Thomassin, estando prximo a retirar-
se para a Europa, far leilln da sua mobilia por u-
tervenrao do agente Oliveira, coatislindo em sof,
cadeira, banca de jogo, ditas redonda, meta de
jamar, dila de gavetas, lavatorio com pedra e ei-
pelho, leito francez, coramoda, lanlernas, garrafa e
copos, apparelho para cha, dito para jantar, Irem de
cozinha etc. ele.: segunda-feira, 27 do corrente. a
10 horas da manhaa, na cata de sua residencia n. 7,
primeiro andar, roa de 8. Francitco, defronle da or-
dem lerceira.
O agente Viclor, far leilso em sen armazem roa
da Cruz n. 25, de esplendido sortimenlo de obra de
marcinerla novas e nsadas, de difiVrenles qualida-
des, lanlernas com ps de vidro e casquinho, candi-
eiros para meio de sala, um sellira inglez, relogios
para algibeira de metal galvanisado, e oulros mul-
los arligos que seria enfado-alio menciona-los, ele.:
ao meio dia em ponto vender-se-ha urna excelleote
escrava muito mora, de nacAo, com algumas habili-
dades. Terca- feira 28 do correnle, as 10 hora da
manhaa.
Vctor Lasne far leilao por inlervenrao do
agenle Oliveira, de om bello sortimenlo de fazen-
das muito vendaveis, consistindo em cortes de vesti-
dos decambraia de seda, sedas lavradas, casemiras
prelis e decores, pannos decores, meias de seda
para senhora, meias croas e de core para homem,
chales de seda, manteletes e militas outra fazenda
franceza e suissas: lerca-feira 28 do correnle as
10 horas da manhaa, no seo armazem, na da Cruz.
Jos Francisco Goncalves fura leilao por inler-
venrao do asente Borja, quinla-feira 30 do correnle
as 10 horas da manhaa, em sua casa na ra do Col-
legio n. 12, segundo andar, de urna excellenle mo-
bilia de Jacaranda de gosto modernsimo, um pti-
mo guarda vestidos, nm dilo guarda roupa de jaca-
rauda, secretaria, commodas, guarda-louca, appa-
radoves, sof,consolos, marquezas e cadeiras de ama-
relio, um rico santuario de Jacaranda com varias
magens, vaso de porcellana e de vidro para en-
lodes de sala, diversos quadros, obras de ouro e pra-
ta, uraa porcSo de loucas e vidros de diversa qua-
lidades para servico- de mesa, todo os utensilios de
casa, elet., e outro muitos objeclos que se acharSo
patentes no dia do leilao na mesma casa; assim co-
mo urna ptima escrava.
Leilao de feijao.
Hoje as 11 horas haveri leilao de 60taccat com
feijao, qoe faz Antonio Luiz de Oliveira Azevedo,
por conta e risco de quem pertencer, defronle da
noria da alfandega ; ttr em lotes a vonlade dot com-
pradores.
LEILAO DE QUEIJOS.
Hoje, segunda-feira 27
do corrente, ha leilao de
SO caixas com queijos hol-
andezes: no caes da al-
fandega.
O agenle Borja far leilo quarla-feira 29 do
correnle, em seu armazem na ra do Collegio n. 15,
de uraa quaulidade immensa de objeclos, como bem
obras de marceneria novas e usadas do dillerenles
qualidades, obras de ouro e prata, relogios diversos,
candelabros, lanlernas, candieirusele, urna armarao
envidraeada para loja e outro muitos objeclos qne
esla rao patentes no mesmo armazem iiovdia do leilao ;
assim como um excellenle carro de qualro rodas e
um excelleote cavallo de estribara sellado e entera-
do, que estarao em frente do armazem as 10 horas
em ponto.
MOVIMENTO DO PORTO.
Navios entrados no da 25.
Parahba2 dias, hiato brasileiro Tres Irmaos, de
31 toneladas, meslre Jos huarte de Souza, equi-
pagem 4, carga loros de mangue ; a Joaquim Du-
arle de Azevedo.
Rio de Janeiro20 dias, brigue hamburguez Mu
Packet, de 250 toneladas, canilSo B. L). Kopcr,
equipagem II, em lastro; a Aslley Compa-
nhia.
dem19 dias, brigue porluguez Ocano, de 179
toneladas, rapilo Francisco Jerooymo de Men-
donca, equipagem 13, em lastro ; a Thomaz de
Aquino Fonseca & Filhos.
Assu 18 dias, brigue brasileiro A'oro Minerva, de
204 loneladas, capitao Joao Jos da Silva Flores,
equipagem 13, carga sal e pallia; a Amorim Ir-
f Continuar-se-ha. )
AVISOS MARTIMOS.
Para o Rio da Janeiro seguir breve o pata-
cho nacional Amizade Constanteii por ler a maior
parle da carga prompta ; para o reto da mesma e
escravos a frele, para o que lem bons commodo,
trtla-se na ra da Cruz do Kecife n. 3, escriploriode
Amorim Irmaos.
PARA O RIO DE JANEIRO.
Pretende taliir com brevidade a escu-
na nacional famegaii, por ter parte do
seu carregamento : para o resto da car-
ga' e escravos a frete, trata-se com No-
vaes Para a Babia pretende sahir al o idia 30do
correute o bem condecido e veleiro hiale lgus
Amigos por ter a maior parle de seu carregamenlo
piompto ; para o resto da carga ou passageiros, 1ra-
la-se com o consignatario Antonio Luiz de Oliveira
Azevedo, na (ravessa da Miare de lieos n. 3 o 5, ou
com o capitao a bordo.
Para o Porto pretende sabir com brevidade
por ler a maior parle da cargi prompta, a galera por-
l oL-ue/.a Brarharenscn de primeira marcha : quem
na mesma quizer carregar on ir de passagem, para
o que offerece excellenle commodos, dirija-te aos
consignatarios Tdomaz de Aquino Fonseca & Filho,
na ra do Vigario, primeiro andar, on ao capitao, na
praca do comniercio.
PARA 0 MARANIIA'O.
Pretende sahir por estes dias, o brigue
nacional nBrilhante, por ter a maior
parle de seu carregamenlo prompto: pa-
ra o resto da carga e passageiros, trata-
se com Novaes & C, na ra do Trapiche
n. 34.
Companhia de navegacao a vapor Luso-
Brasileira.
Os Srs accio-
nistas detiacom-
panhia 8o con-
vidado a remi-
sa rem com a
maior brevida-
de, a quinta e
ujtima presla-
cao de suas acr
roes, para a im-
portancia ser re-
mettida a -lirer-
cao : dirgindo-se a ra do Trapiche n. 26, casa de
.Manoel Duarle Rodrigues.
AVISOS DIVERSOS.
Tendo-se reconhecido que a despeza
de escripia e cobranca do importe dos
annuncios he superior ao valor delles,
previne-se aos senhores assignantes deste
"Diario que quando os mandaran, re-
mettam igualmente a sua importancia ;
alias nao sero publicados.
COMPANHIA DE BEBERIBE.
A administracao da companhia de Be-
beribe, resolveu em sessao de 24 do cor-
rente, por em arrematacao a taxa do*
chaiarizes por bairros, ou em sua totali-
dade, por tempo de um anno, a contar
do 1 de Janeiro de 1855 ; paira o que con-
vida a quem tal arrematacao convier, a
comparecer ooescriptorioda companhia,
no dia 12 de.dezembro prximo vindou-
ro ao meio dia, com as suas propostas em
carta fechada-, as quaes deverao ser de-
clarados os fiadores dos concurrentes, que
poderao obter os precisos esclarecimentos
a'cerca do rendimento da taxa, no escri-
ptorio da companhia, das 9 horas da ma-
nhaa, a's 5 da tarde de qualquer "dia til.
Recife 25 de novembro de 1854.O se-
cretario, Luiz da Costa. Portocarreiro.
O abaixo assignado, adverte a'quel-
las pessoas que e dignam ser seus deve-
dores, por compra de billietes de lotera
ou outro negocio, (pie quando houverem
de pagar-lhe seus dbitos, o facam-pesso-
almente ao abaixo assignado, ou a seu
caixeiro Jos Domingos Mendes.Anto-
nio Jos de Faria Machado
Aloga-se ou empenha-se por 4009000 orna *-
crav, parda, ainda moca, com as seguinies habili-
dades : cose chao, lava de sabflo e barrella, engom-
ma liso e cozinha o diario de orna rasa de pouca
familia, pora isso elar costumada ; uolando-se qoe
seus servicos nSo sy entender de porta para fora,
pois he recolhida : qoem quizer qualquer negocio
dos cima dito,annuncie para ser procurado, ou di-
rija-se i taberna que volta parta Camboa do Carmo.
No aterro da Boa-Vista, tema de sapateiro,
defronle do becco dos Ferreirot, se dir qoem lem
um bom terreno fra do centro da cidade, t em mui-
lo boa posico para se poder ler urna grande co-
cheira.
Eduardo Gadanlt contina a dar lic.de de de
enho em sua residencia, assim como em particular ;
as pessoa* que quizerem aperfeiroar-se nesla arle,
obierao em sua direccjlo bons modelos e principios ;
lambem retrata a oleo ou a fumo, e encarrega-se de
qualquer copia de quadro para as igrrja : quem
quizer ulilisar-te de leu presumo comparece, na
Camboa do Carmo, primeiro andar, sobrado n. 19.
fia mesma casa vendein-se objectos necessarios ao
desenlio.
Lotera da provincia.
Amanliaa 28 do corrente, as 8 horas da manhaa,
correm iraprelerivelrnenle es rodas da lerceira parte
da quinta lotera a favor das obras da matriz da Boa-
Visla, ruja cxlraccao nao p le ler lugar uo dia 21
do correnle em ronsequenria dedoenra repentina do
Ihesoureiro. Os poneos bilhelet que reslara acham-
se a venda boje al as 6 hura da tardo, not lugares
J anuunciados. Pelo Senhor Ihesoureiro Luiz
Antonio Rodrigues de Almeida.
Quem precisar de urna ama moe* para rasa de
homem solleiro, ou da pouca familia : dirija-se ra
do Fogo n. 20.
Precisa-se de urna senhora que queira ir para a
Europa em companhia de nma familia : a pessoa que
lhe convier, annuncie.
SOCIEDADE lECIEIO MILITAR.
O baile de dezembro lera lugar t 10 : as proponas
para convite sao acceilas smente al o dia 28 a lar-
de, em que baver reuuiao do directorio. O secreta-
rio, Dr. lellin Filho.
Gabinete Portuguez de Leitura.
Por ordem da directora, scientilica-se aos senho-
res associados que quando alguns dot empregado do
mesmo eslabelecimenlo Ihes fallera com o respeilo
que Ibes he devido, se dignen) communica-lo a di-
rectora, para esta dar as providencias.M. F. de
Souza Bandeira, seguudo secrelario.
COMPANHIA DE BEBERIBE.
A administracao da companhia de Be-
beribe, tem autorisado o Sr. caixa a pa-
gar o dcimo terceiro dividendo, visto que
no dia 2i do corrente nao se reuni nu-
mero de votos suficientes para ha ver as-
sembla geral.O secretario, Luiz da
Costa Portocarreiro.
O Dr. Thomassin com sua senhora reliram-se
para fra do imperio.
Aluga-se um piimeiro andar na roa eslreila do
Rosario n. 16: a tratar uo segundo andar do mesmo.


fl
DIARIO DE KRMMUCQ, SEGUNDA FEIRA 27 DE NOVEMBRO DE 1854
Precisa-se de urna mulher que saiba cozinhar
a fezer ledo o servido de urna casa de liomem sol-
teiro : na ra Nova n. II, primeiro andar.
De accordo com a parle segunda do arligo 41
dos estatutos da companhia de seguros martimos
I ululado Publica, convidamos aos senbures accio-
nistas a reunirem-se no dia 30 do correle oovem-
bro, do escriplorio da mtsma companhia, rua da Ca-
deia n. 42, ao meio da. Recite 24 de noverabro de
1854-----O directores, Manoel Joauuim /tamos e
SUra, Lu; Antonio l'ieira.
Precisa-se de urna ama de leite para acabar
de amaiiieiil.il- urna enanca de seis mezes: na ra
Nova n. 19.
No dia 23 do correnle, pelas 6 horas da tarde,
perleu-se na Soledade, na e9lrada que vai para o
Manguinho, um relogio de prala un pouco descon-
corlado (suisgo); rogi-se a pessoa que o adiar, leva-'
loa ra da Cruz n. 27, ou a ra do Aragao, casa n.
."1:1, que ser recompensada.
HOTEL DA CAPUNGA.
Neste estabelecimento situado na povoa-
c,lo do mesmo nome, ao pe do anligo porto
de embarque, nos domingos e dias stnlosse
achinan ludas as qualidades de petiseos, bem
como, pastis, empadas, bolliuhus, podings,
cha, cafe, chocolate, bebidas de todas as es-
pecies, jogo de bilhar, ele, e de domingo
26 do correnle cm diante, haver sorvetes.
Roga-se a lllm. cmara municipal
de Olinda, que como sejam obrigados a
olhar o bem de seus habitantes, recla-
men ii S. Exc. aim de cumprircomas
obras de misericordia, que be dar de be-
ber a quem tem sede, pois que os habi-
tantes daquella desditosa acham-se redu-
zidos a ultima.miseria de agua, o clamor
he geral; isto lhe pede,Um desespe-
rado.
Desappareeeu a ledran. 1714, sacada por Fei-
del Piutu & Companhia, em 30 de juuho prximo
pausado a 6 meies, aceita pelo Sr. Joao Francisco
da Cosa, da quanlia de rs. 1545800, cuja os sacado-
res declaran) de nenhum elidi, por jii lerem pre-
venido o aceilanle.
Casa da afericao, pateo do Terco n. 16.
A pessoa competentemente autorizada pelo aferi-
doi, Taz ver a quem inleressar possa, que o prazo
marcado pelo regiment municipal, finalisa se no dia
31 de dezembro prximo l'uluro, e que depois nao se
chamem a ignorancia. Recite 21 de novembro de
1854.Pelo aferidor, Prxedes da Silca Gusmao.
Mais urna supplica a S- Exc.o Sr. conse-
Iheiro presidente da provincia, porum
habitante da cidade d'Olinda.
Adiando se actualmente os habitantes da cidade
d'Olinda, e principalmente a genle pobre, solTrcndo
sobremodo por Talla d'agua polavel, em consequen-
cia de 1er sido arrombado com a cheia passada o
aterro dos Arrumbados, cujo concert sendo de ur-
gente necesidade para que a populacho d'Olinda nao
esleja a mere* de quem lhe queira la ir vender urna
carguioha d'agua a 480, e por empenhus, pelo que
nunca chega genle indigente da nicsina cidade,
que vive do maior desespero, at aqu nao se tem
feito neuhuma providencia que sirva para remover
uro tal clamor, merecido aquella populacho de S.
Exc. : por isso pede-9e re'peilosamenle a S. Exc.
que lomando em consideradlo o actual estado da
populaco d'Olinda, mormeule a gente indigente,
ou d alguma providencia para que seja a ciilade
abastecida d'agua, ou aulorise quanto antes o concer-
t do aterro no lugar Arrombado, alim de que possa
baver agua no Varadouro, omk lodo os habitantes
da cidade e principalmente os pobres, sempre adia-
rlo esse recurso em suas necessidades, se esliver a
merc da vonlade de alguem, embora Ih'a vendara
por um preco enorme, ou a tragar sede, visto como
em nenhuma outra parte da cidade se pode adiar
recurso esse mal.
CONSULTORIO DOS POBRES
25 BA DO GOX.Z.EGIO 1 sASTDAB 25.
O Dr. P. A. Lobo Moscozo d consultas homeapathicas todos os dias aos pobres, desde 9 horas da
manlTa aleo meio dia, c cin cosos extraordinarios a qualquer hora do dia ou noile.
OOerece-se igualmente para praticar qualquer operario do cirurgia, e acudir promptamenle|a qual-
quer mullierlque esteja mal de parto, e cujas circumslaniias nao permillam pagar ao medico.
NO CONSULTORIO DO DR. P. A. LOBO I0SC0Z0.
25 RA DO COLLEGIO 25
VNDESE O SEGUINTE:
Manual completo de meddiciua homeopalhica do Dr. ('. II. Jahr, traduzido em por
tuguez pelo Dr. Moscozo, quatro volumes encadernados em dous e acompanhado de
um diccionario dos termos de medicina, cirurgia, analomia, etc., ele...... 20>000
Esla obra, a mais importante de todas as quelratam do esludo e pralica da homenpalhia, por ser a nica
queconlm abase fundamental r>'esla doutrinaA POTHOliENESIAOU EFFEITOS DOS MEDICA-
MENTOS NO. ORGANISMO EM ESTADO DE SAliDEcouhecimenlos que uao podem dispeusar as pes-
soas que sequorem dedicar pratiea da verdadeira medicina, interessa a todos os mdicos que quizerein
experimentara rfoulrina de ilahnemann. e por si mesmosse couvencerera da verdade d'ella: a lodos os
fazendeiros c senhores de engenho que estaolonge dos recursos dos mdicos: a lodosos capiles de Davio,
que urna ou outra vez nao podem deixar de acudir a qualquer iucommodo seu ou de seus tripulantes :
a lodos os pas de familia que por circumslancias, que neni sempre podem ser prevenidas, sao obriga-
dos a prestar in continenti os primeiros soccorros em suas enrermidades.
O vade-mecum do homeopalha ou tradurcn da medicina domestica do Dr. Hering,
obra lambem til s pessoas que se dedicam ao esludo da homeopalhia, um volu-
nte grande, acompanhado do diccionario dos termos de medicina...... lOjOOO
O diccionario dos termos de medicina, cirurgia, analomia, etc., etc., encardenado. 39000
>em verdadeiros e bem preparados medicamenlos nao se pode dar um passo seguro na pralica da
homeopalhia, e o proprietario deste eslabelecimenlo se lisongeia de te-Io o mais bem montado poisivel e
ningnem dnvida boje da grande superioridade dos seus medicamentos.
Boticas de 24 medicamentos cm glbulos, a 109, 129 e 159000 rs.
Ditas 36 ditos a.................. 209000
Ditas 48
Ditas 60
Ditas 144
Tubos avulsu:
Frascos de meia onca de lindura
dilos
ditos
dilos
35|000
:teOO0
tuteooo
19000
29000
Na mesma casa ha sempre venda grande numero de lubos de cryslal de diversos lamanhos,
vidros para medica menlos. e aprompla-se qualquer encommenda de medicamentos com toda a brevida-
de, e por presos muilo commodos.
AO PIBLICO.
No armazem de fazendas bara-
tas, ra do Collegio n. 2,
vende-se um completo sortimento
de fazendas, linas e grossas, por
precos mais baixos do que em ou-
tra qualquer parte, tanto em por-
coes, como a retalho, afliancando-
se ios compradores um $ preco
para todos : este estabelecimento
alirio-se de combinacao com a
maior parte das casas commerciaes
inglezas, francezas, allemaas e suis-
sas.para vender fazendas mais em
conta do que se tem vendido, epor
isto olferecendo elle maiores van-
tagens do que outro qualquer ; o
proprietario deste importante es-
tabelecimento convida a' todos os
seus patricios, e ao publico em ge-
ral, para que venham (a' bem aos
seus interesses) comprar fazendas
baratas, no armazem da ra do
Collegio n. 2, de
Antonio Luiz dos Santos &Rolim.
CASA DE COMMISSAO' DE ESCRAVOS:
Na ra Direila, sobrado de 3 andares, defronle do
becco de S. Pedro n. 3, recebem-se esrravos de am-
bos os sexos para se venderem de commissio, nao se
levando por esse trabalho mais do que 2 por cenlo, e
sem se levar cousa alguma de comedorias, oQerecen-
lo-se para isto toila a seguranza precisa para os di-
dos escravos.
O CRAVO.
No dia 1. de dezembro prximo vindouro reappa-
recer o Craro. Os senbures assignanles que quize-
rem continuar com as suas asignaturas^ tenham a
bondade de dirigir-se ra Nova n. 52, leja do Sr.
Boavenlura. Adverle-se que a assignalura he de 800
r. por trimestre, e vende-se avulso a 100 rs. cada
omero.
Precisa-se alugar um prelo sem habilidades,
mas que seja robusto : quem liver annuucie para
ser procurado.
Precisa-se de urna ama para urna casa de tres
pessoas de familia, para cozlnhar, engommar e fazer
o mais servico da mesma : na ra do Guararapes
por cima da padaria primeiro andar.
Precisa-se de urna lavadeira que lave roupa
com muila perfeico, que preste flanea da sua con-
duela, e que d a roupa de Sem8dias": do hotel da
Europa da ra da Aurora n. 58.
Madama Rosa Hardy, modista brasilei-
ra.rua Nova n. 54.
Parlecipa ao respeilavel publico, que acaba de re-
ceber um rico turlimenlo de chapos de seda c de
palha para senhoras, ditos para, meninas de seda e
de palha, chapozinlio de seda para haplisado, ca-
pellas de laranjas para noiva, ricos corles de veslidos
de barege de seda, corles de seda escosseza, grode-
naples furia crese preta, dilos sarja prela lavrada,
manteletes e capoliDhos prelos e de cores.ncos cha-
les de reros e bordados para senhoras, dilos de seda,
ditos de 15a a imilarau de cachemira,romeiras de fil
bordado de seda branca e de cores, veos a imitaran
de blonde para noiva, lencos de mo de cambraia
de linho, dilos de cambraia e algodao, transa de se-
da e algodao, branca e de cores, loucas e veslidos de
baplisado, espartilho, Otas e bicos de seda de linho
e blonde, meias .de seda para enancas, penles de
tartaruga, camizinhas do senhoras, leques e unirs
fazendas que se venden) por preco commodo.
francisco Lucas refreir, com'co-
cheira de carros funebres no pateo do
Hospital n. 10, encarrega-e de qualquer
funeral, sendo padres, msica, cera, ar-
maraona igreja ou em casa, carros de
passeio e tirar guia da cmara, e all en-
contrarao tudo com aceio, segundo dis-
poe o regulamento do cemiterio.
Comprase euectivamente bronze, lalao e co-
bre velho: do deposilo da fundicao 'Aurora, na
ra do Brum, logo na entrada n. 28, e na mesma
fundido ero S. Amaro.
RCALOS HARDY. OIRIVES, RA NOVA
i. N- 3-
receben de Pars um lindo sortimento de obras de
ouro de le : correnles modernas de 6 palmos para
relogio, pelo preco deC59000 a 809000 ; trancelins
chatos com passador, ricos sinetes, aderemos inleiros,
ele, adereces, cassoleta esmaltadas, um grande sor-
timento da rselas para senhoras e meninas, alne-
les, anneise pulceiras, obras (eilas na Ierra, auuel-
Ifles, medalhas, trancelins, cordoes, colares, gargan-
tillas, brincos, rosetas, alfineles, ludo se vende mui-
lo barato.
Trapiche do Cunha.
^k O trapiche do Cunha de-carreta com toda Z
?g a promptidao saceos de legomes, pela dinii- Wt
(Sk nula quanlia de 40 rs. o sacco. f A
TOALHAS
E GARDANAPOS UE PANNO DE
LINHO PURO.
Na roa do Crespo, loja da esquina que valla para
a cadeia, vendem-se toalhas de panno de linho, lisas
e adamascadas para rosto, dilas adamascadas para
mesa, guardanapos adamascados, por precos com-
modos.
Lava-se e engomma-se com toda n perfei^ao e
aceio: no largo da ribeira de S. Jos, na loja do so-
brado n. 15.
BANCO DE PERNAMBUCO.
Em virtude da requisicao feita pela
direccao do Banco de Pernambuco, em
data de 18 de novembro comente, he
convocada a assemblea^ geral do mesmo
Banco, para se reuniremtoo dia 29 do cor-
rente novembro aim de tratar-se da fusao
do Banco de Pernambuco com o do Brasil,
a's 11 horas no bigardo costume. Recil'e 21
de novembro de 185i.Pedro Francisco
de Paula Cavalcanti de Albuqucrque,
presidente.3dse Bernardo Galvao Al-
coforado, primeiro secretario.
- O Sr. procurador da cmara mu-
nicipal do Limoeiro, baja de mandar pa-
gar a assigaturd do uDiariode Pernam-
buco, para a mesma cmara, que se
aclia em grande atrazo de pagamento.
9 DENTISTA FRANCEZ.
9 Paulo Gaignoux, eslabelecido na ra larga HC
H do Rosarip n. 36, segundo andar, colloca den- 9
les com gengivasarliliciaes, e dentadura com- 0
# pela, ou parte della, com a pressao do ar. @
.; Tambein tem para vender agua denlifricedo $
? Dr. Pierre, e p para denles. Rna larga do {$
9 Rusario u. 36 segundo andar. O
SSsiS ft @K3 m
Novos livrosde homeopalhia uicfrancez, obras
todas de summa importancia :
Hahncmann, tratado das molestias chronicas, 4 vo-
'uroes............ 209000
Tesle, rroleslias dos meninos..... 69000
Hering, homeopalhia domeslica..... 79000
Jahr, pharmacopa homeopalhica. GtOOO
Jahr, novo manual, 4 volumes .... 169000
Jahr, molestias nervosas....... 69000
Jahr, molestias da pelle....... 8-9000
Rapou, historia da homeopalhia, 2 volumes 16~000
IIai Mimanii, tratado completo das molestias
dos meninos.......... 109000
A Teste, materia medica homeopalhica. 89OOO
De Fayolle, doulrina medica homeopalhica TsOOO
Chuica de Staoneli........
Casling, verdade da homeopalhia. .
Diccionario de N\sien.......
69000
49OOO
IO9OOO
303OO0
Altlas completo de anatoma com bellM es-
tampas coloridas, cnnleodo a descrip^o
de todaaias parles do corpo humano .
vedem-se lodos esles livros no consultorio homeopa-
Ihico do Dr. Lobo Moscoso, ra do Collegio n. 25,
primeiro andar.
Aluga-se para o servico de bolieiro um escra-
vo mulato com muila pralica desse oQicio. Na ra
da Saudade fronteira a do Hospicio, casa da resi-
dencia do Dr. Loureoco Trigo de honrenu.
. O Sr. Joaquim Ferreira que leve loja na pra-
cinha do Livramenlo tem urna carta na livraria os.
6 e 8 da prac.a da Independencia.
ANT1GO DEPOSITO DE CAL E
POTASSA.
No antigo deposito da ra do Trapiche
n. 15, ha muito superior potassa da Rus-
sia e americana, ecal virgem, chegadaha
pouco. tudo por preco commodo.
O Sr. AdolphcfManocl Camello Lins,
escrivao de Iguarassu', queiraquapdo
vier a esta piara, dirigir-se a librara da
piara da Independencia n. 6 8, aiiego-
cio que lhe diz respeito.
O Sr. Jos' Norberto Casado Lima,
queira apparecer na liwaria n. 6 e 8 da
praca da Independencia que se lhe preci-
sa fallar a negocio.
I J. JA^E, DENTISTA, t
contina a residir naruaNova n. 19, primei-
@ ro andar. a
Da-sa dinheiro a juros sobre penhores de orno
ou prata, em pequeas quantias ; na ra Velha
n. 35.
AULA DE LATIM-
O padre Vicente Ferrer de Albuquer-
que, professor jubilado de grammatica
latina, tem estabelecido sua aula par-
ticular na ruaDireita sobrado n. 27, se-
gundo andar, onde recebe todos os alum-
nos, quer externos ou internos, tanto des-
ta prara cmodo mato, medame a razoa-
vel convencao que pessoanente oll'ere-
cera'.
j)tSii;@se @^@fi
Ta estrada dos Afflietos, sitio confronte a
J' capella, dao-se consullas homeopalhicas. fi
wo holel da Europa, na ra da Aurora, da-se
almoeo a janlr para fra, por pre^o muilo razoavel.
* O hacharel em malhemalicas lt. Pereira do v-.'
Carino Jnior dar principio no dia !. de de-
zeinbro prximo futuro, a um novo curso de &
Q arilhmelica. algebra geometra, na ra Nova, '0
J sobrado n. 56 : para os senhores cstudanles
& que lencionareni fezer exames em marro pro- j;
ximo \indouro se prescindir das explicares
de algebra. '
##||8:3S58$g@
JOAO' PEDRO VOGELEY,
fabrican 11. de pianos,afina e conccrla os mesmos com
toda pe l' -ican a por mdico preco : lodas as pessoas
que se quizerem ulilisar de seu presumo, dirijam-se
a ra Nova n. 41, primeiro andar.
No hotel da Europa, na ra da Aurora, tem
comida e bous petiseos a toda hora, por preco com-
modo.
Jolas*.
Osabaixo assignados, dimos da loja deourives, na
ra do Cabug 11. 11, confronte ao paleo da matriz
e ra Nova, fazem publico que eslAo sempre sorlidos
dos mais neos e melhores goslos de lodas as obras de
ouro necessarias, tanto para senhoras como para
humen e meninas, continan-i os precos mesmo ba-
ratos como lem sido ; passar-se-ha urna conla com
responsabilidad!-, especificando a qualidade do ouro
del4 ou18 quilates, Meando assim garantido o com-
prador se apparecer qualquer duvida. Seraphim
(i Irmao.
Aluga-se urna sala com mobilja,
em um lugar muilo proprio para advogacia, e tem
muilo boas escadas: a Iratar na ra do Queimado d.
", loja da Estrella.
O lichigrapho do a Jornal do Commcrcio Joio
Ferreira Vilella, em quanlo se demora uesla provin-
cia encarrega-se de qualquer sessao do jury, com-
pleta ou em parle, lano da capital como do interior:
quem de seu presumo quizer se ulilisar, dirija-se
ra do Cahug n. 16, terceiro ou quarlo andares.
Precisa-se de um caixeiro de dade 14 a 18 an-
nos. e que teuha alguma pralica de fazendas, para
urna casa de negocio na villa de Porlo do Calvo ; para
seu ajuste,, dando fiador a sua conducta, dirija-se
ra da Cadeia, loja de Baslos & Goncalves.
Precisa-se de urna ama de leite, que seja bran-
ca ou parda : no largo do Terco 11. 44.
Precisa-se de urna mulher forra ou escrava,
que engommee cozinhe perfeilamnle : quem esli-
ver neslas circumslancias, dirija-se ao paleo do Pa-
1,11/11. sobrado que faz quina para a ra da Roda.
Furlaram no dia 22 do correnle rrtez um relo-
gio de ouro, coberlo, patente suisso, com um Iran-
celim fino de ouro, lendo esle nm passador esmalta-
do : a quem fr oOerecido, roga-se o favor appre-
hende-lo e leva-lo a na da Aurora, casa de Gabriel
Soares Raposo da Cmara, que ser recompensado.
Sabio luz a biographia do Dr. Gomes cm um
folhelo de 30 paginas, grande in 8., com o seu re-
trato e o facsmile da sua firma, gravados do ori-
ginal pintado pelo etaclissimo Sr. Carvalho, pelo Sr.
P. Azevcdii se na loja de livros do Sr. Figueiroa, na prar,a da
Independencia, as boticas dos senhores Barlholo-
meu e Piolo, ra do Rosario larga, do Sr. Joaquim
Ignacio Ribeiro prac.a da Boa Vista, do Sr. Bravo
ra da Madre de Dos, e no armazem do Sr. Manoel
dos Santos Fonles roa do Collegio n. 25. Preco 19.
UM PRODIGIO DO METHODO CASTI-
LHO DE LEITURA REPENTINA, RA
DA PRAIA.
Diz o Ilustre Iliterato, a paginas XI da sua 3.
ediccao, que o seu methodo cura a gaguez ; com
effeilo, o seguinle caso he mais urna maravilha em
favor do Sr. Caslilho. Encarregou-me o Rvm. Sr.
padre Lomos de ensinar nm menino mudo ; eu nlo
sabia como desempenhar a tumba misslo, fui-lhe
gritando as reirs e mais preceilos do methodo,
quando oh I prodigio. 110 lim de 15 dias o menino
enlra a pronunciar todo o alphabelo.junla as sitiabas,
cania as regras e etecula as marchas sillabicas com
toda a 1 erf,-ic.iu Os incrdulos podem desengaar-
se com o pai do dito menino. O director da escola de
leitura repentina esliinaria muilo que lodos os illus-
Ircs redactores dos jomaos desla cidade fossem das 7
as 9 da noile, horas em que cslarao mais desoecupa-
dos, leslemuuhar ocularmente a excedencia desle
methodo. As lices de noile para os homens .59000
iiiensaes ; de dia para os meninos 3-JOOO. O director
d livros, pedras, e ludo o mais preciso aos discpu-
los ; na ra da Praa, palacete amarello.
^-Aluga-se urna casa terrea na povoarao doMon-
teifu, coma frente para a igreja de S." l'anl.M.....
minio liinpa. Iresca, com commodos para familia re-
gular, lendo urna porta e duas janellas na frenlc : a
Iralar com Antonio Jos Rodrigues deSouza Junior,
na mesma povoaeao, ou na ra do Collegio n. 21, se-
gundo andar.
Aluga-se aunualinente ou pela festa urna pro-
priedade de pedra e cal com commodos sufficieutes
para qualquer familia, no lugar do Poc.0 da Panella,
contigua ao d-collegio de S. Boavenlura : a tralar
na fundicao do Brum ns. 6, 8 e 10, com o caixeiro
da mesma.
Precisa-se alugar urna escrava que saiba cozi-
nhar o diario de urna casa ; na ra Nova a. 1, ou
na ra da Roda n. 9.
Precisa-se de urna ama para comprar e coz-
nhar para casa de pouca familia: na ra de S. Fran-
cisco n. 18.
Mjja. & A Ivs fazem publico a seus credores,
que desde o dia 16 de novembro correnle se acha
dissolvida a sociedade que lioham na taberna da ra
Nova n. 71, e que Jos Joaquim Alves Qcou respon-
savel pelo activo e passivo da dita sociedade, conti-
nuando o negocio debaixo do seu proprio nome.
Aluga-se o primeiro andar da casa da ra do
Vigario u. 29: a tratar no armazem ou taberna de-
fronle.
l'recisa-se de urna ama que saiba cozinhar e
engommar : no largo do Terco, casa n.44.
LOTERA Di PROVINCIA.
Nao tendo corrido hontem as rodas da
terceira parle da quinta lotera, a favor
das obras da matriz da Boa-Vista, por
te*1 adoecidoo thesoureirorepentinamen-
te, o mesmo thesoureiro faz publico que
terca-feira 28 do corrente, corre, infalli-
vel mente.
1 NO COiMLTOIUO g
t DO DR. CAS.VNOVA,
g* RA DAS CRUZES N. 28, B
gj eontinua-te vender carleiras de homeopa- Q
m Ibia de 12 lubos (grandes, medianos e peque- f3
a* nos) de2S, de 36, de 48, de 60, df$6. de 120, ffl
fej de 144, de 180 al 380, por precos razodveis, 38
}g desde'59000 al 2006000. jg.
Elementos de homeopalhia, 4 vols. 6,7:100 g
g Tinturas a e-colber (enlre 380 quali-
^ dades) cada vidro 19000 }8
g^ Tubos avulsos a escolha a 500 c 300
&mmm 32&*L .Sr>. Itedaclores. Ainda ha jusilla sobre a
trra; ainda ha autoridades que naojulgam po rat-
len(es e considerarOes pessoaes, c sim em vista da
le, sem tnrcer-lhe a lellra e o espirilo, o segundo o
allegado e provado : he por lauto conveniente e acer-
tado dar pulilicidade a os seus aclos de juslica, para
desl arte allrahir cada vez mais sobre ellas o respei-
to e eslima dos seus coucidadaos.
Motivos particulares, que agora nao desejo decla-
rar, hzerain-me cahir na desafeicao e inimizade de
alBuem.do que resullousereu processado por infrac-
joes que falsamente se disse ter eu commeltido con-
tra o disposlo no decreto de 29 de selembrode'1851,
e regulamento aniievo ; mas nesse processo acabo
de ser absolvido, pela sentenca qne abaixo se t,
e que oflereco aos meus gratuitos inimieos e detrac-
tores para que nella se rnirem, e cunbeeam a iujus-
lija de suas acintosas aecusacoes.
Muilo agradero aos lMms.'Srs. Drs. delegadoCar-
valho, optomotor publico Cavalcanti de Albuqucr-
que esse aclo de Justina que comigo pralicaram, c
com o qual provaram que para sustentar os desre-
grados caprichos de alguem sao iucapazes de trahir
suas coiiscieutias e violenlar lei.
Dando publicidade a eslas linhas e scnlcnra
junla, muito obngarao ao seu anligo .issignanlc
Jos da /lucha Parunhos.
Joao Saraiva de Araujo GalvSo, escrivao do juizo
municipal da priuieira vara da cidade de Pernain-
bueo, e da delegada do primeiro dislrielo do ter-
mo da cidade do Recife, por S. M. 1. c C. que
Dos guarde etc.
Cerlilieb'quc a senteuca de que trata osupplican-
te em sua peticao retro, lie da forma, modo, mauei-
ra e llieor teguiulc :
N3o havendo provas com que deva o reo Jos da
Rocha l'ai.iniio- ber condemnadn, e nao semlo o ter-
mo de- vizita sanitaria, a folhas 6, revestido das
formalidades de que tratan arligo 65 do decreto de
-J de seterabro de 1851, que manda que taes eia-
mes sejara feilos por peritos, e nao por perito : at-
leiidendo mais que o reo foi examinado em o anuo
de 1831, para exercer a prolissao de pharmacia, e
que o seu titulo fura registrado em divenas cmaras
municipaes.sendo urna dellas a desla cidade, e que o
reconhecendo legal, dera-lhe I cenca para ler botica
aberla, como se v a folhas 19, 20, 21, 22 e 23, que
he conforme cora o disposto nos arligos 30 e 15 do
citadodecrelo, por lantb, julgo improcedente aspar-
les ofnciaes de folhas 3 a 6, e condemno a municipa-
dadenas cusas.
Dclegacia deslc primeiro dislrielo do Recife 30 de
oulubro de 1854. Francisco Bernardo de Carca-
Iho.
Aluga-se para se passar a festa urna boa casa
cm Olinda, ra da bica de S. Pedro, com 3 salas
3 quartos, cozinha grande, copiar, estribara, grande
quintal lodo murado, com por!3o e cacimba : a tra-
lar com Antonio Jos Rodrigues de Souza Jnior,
I na ra do Collegio u. 21, segundo andar.
I.,, lili tfii#
C. STARR & C.
respeilusamenlc annunciam que 110 seu extenso es-
tabelcciineiilo em Santo Amaro, continua a fabricar
com a maior perfeico e promptidan.loda a qualidade
de marliinismo para o uso da agricultura, navega-
do e manufactura, e que para maior commodo de
seus numerosos freguezes e do publico cm geral, lem
aborto em um dos grandes armasen* do Sr. Mosqui-
ta na ra do Brum, atraz do arsenal de mariuha
DEPOSITO DE MACHINAS
construidas 110 dito seu eslabelecimenlo.
All acharo os compradores um completo sorli-
mcnlo de moendas de canna, com todos os niellio-
ramcntos(alguns delles novos eorigiuaes) de que a
experiencia de muitos annos lem mostrado a neces-
sidade. Machinas de vapor dcbaixae alta presso,
taixas de lodo lamanho, lano batidas como fundidas,
carros de mo e dilos para conduzir formas de assu-
car, machinas para moer mandioca, prensas para di-
to, fornos de ferro balido para farioha, arados de
ierro da mais approvada conslrucco, fundos para
alambiques, crvos e portas para fornalhas, e urna
iolinidade de obras de ferro, que seria enfadonha
enumerar. No mesmo deposilo existe urna pessoa
inteligente e habilitada para receber lodas as on-
commeodas, etc., etc., que os amiuncanles contan-
do com a capacidade de suas officinas e machinismo,
e pericia de seus ofliciacs, se compromettem a fazer
cxecular, com a maior presteza, pe feieo, e exacta
eanloi nudado com osmodclos ou deseohs, e instrnc-
Oesque lhe foremfornecidas.
Precisa-se alugar 2 prelos para Irabalhar em
um sillo muilo pe to desla ciilade ; d-se o suslenlo,
com 11 condumio de dormir, e paga-se mensalmenle :
a Iralar no largo do Corpo Sanio n. 13, segundo an-
dar.
Aluga-se urna casa para passar a festa, 110
Monleiro, a margem do rio, piulada de novo, com
excellemes commodos para familia : quem preten-
der dirija-se a ra da Cadeia do Recife loja n. 53.
COMPRAS.
Compra-se urna escrava que lenha leite, com
cria ou sem ella : a (miar na ra da Cadeia do Reci-
fe n. 42.
Compra-se prata brasileira c hespanhola : na
ra da Cadeia do Recife n. 54, loja.
Compra-sp peroba de primeira qaalidade, ou
oulra madeira propria para fizer pipas ; lendo os lo-
ros T palmos de comprido : na dislilac.au do Franca
na praia de Sania Rila.
VENDAS
COM TOQUE DE AVARIA.
, Chitas escutas e fixas a 4,s500 e 5j000
rs. a pera: na ra do Crespo, loja da
esquina que volta para a cadeia.
Isabel segunda e Espartero.
Chegou loja de miudezas da ra do Callegio n.
1, ricas eslampas em poni grande de Isabel II, rai-
nha da Hespanha, e de Espartero, regente daHes-
panha, que se venden) a 29000 al 10000, proprias
para ornar salas por serem muilo ricas ; a ellas an-
tes que se acabem.
Panoramas para ardim.
Ilrunn PraegeT & Compaqhia, na ra da Cruz
n. 10, receberam e veudem um sortimento de globos
de espelho, de diversos lamanhos e cores, que tur-
mam o mais lindo panorama, poslos em urna colum-
na no meio do jardim, como se usa hoje na Europa,
nos jardins de luin goslo.
Brunn Praeger& Companhia, na sua casa, rua
da Cruz 11. 10, leem venda pianos lauto horisoutaes
como verlicaes dos melhores aulores, obras de ouro
de 18 quilates, do mais apurado goslo, pinturas em
oleo, paisagens ele, com moldura dourada, vistes de
Pernambuco geraes e especiaes, cadeiras e sof* para
lerraeos e jardins, oleados de ricas piuturas para me-
sa, vinho de Champagne, licores de differentes qua-
lidades, presuntos, genebra em frasqueiras, inslru-
mentos part msica.
Vcndein-sc dous sellius inglezes com pouco
uso. um para homein e oulro para senhora : na rua
ila Cruz 11. 10.
Vendcin-se escravos, senda 1 mnlalinho de
idade 11 anuos, 1 niolccole crioulo de idade 14 an-
nos, 1 dilo de lionila lisura de idade 22 annos, e 1
escrava propria para todo servico : na rua Direila
u. 3.
Veude-se urna muala de 26 a 27 annos, e 1
mulatinho lilho da mesma, de 5 a 6 anuos : na rua
da Cadeia do Recife, loja 11. 13.
Vinlio de Colares e de Tliomar.
Vende-se vinho de Colares linio c de Thomar
hraneo, cm barris pequeos : na rua da Cadeia do
Recife n. 48,' casa de Augusto C. de Abreu.
Vcndcm-se velas estearinas em embrulhos de 5
em libra, de qualidade superior : na Boa-VisSa, rua
da l'niao 11. 3, esquina.
PARA ACABAR.
Vendm-se cassa? francezas de cores fixas, e lin-
dos padroes, pelo baratissimo preco de 140 rs. o eo-
vado : na loja da (iuimatacs & Henriques, rua do
Crespo n. 5.
Vende-se panno e guarnicao para
forro de um cabriolet: na rua do Livra-
mento sobrado n. 24, primeiro andar.
Novos chapeos para senhoras e meninas.
Ricos chapeos para senhoras meninas, os mais mo-
dernos e de melhor goslo : na rua Nova loja u. 16 de
Jos Luiz Pereira & Filho.
Chapeos para homens.
Chapeos francezes para homem, muito modernos e
com elegantes formas : na rua Nova loja 16, de Jos
Luiz Pereira & Filho.
Vende-se ou permutae por oulro menor, ou
por urna cala terrea nesla cidade, um sitio bstanle
grande, com boa casa de vivenda de pedra e cal, era
,errenoproprio, com muitosarvoredosdeilando fruc-
las, com duas eslribarias, cocheira, quarlos para es-
cravos, boa naixa para capim. com cercados para
vaccas, distante- desla praea 1 legua ; recebe-se em
li aii-arcao urna escrava moja que nao lenha vicios.:
quem quizer fazer esse negocio dirija-se ao Aterr
da Boa-Vista n.34, 3. andar, que se dar-as infor-
maces precisas.
Na loja da roa do Crespo n. 6, lem um grande
sorlifnenlo de caixas para rap a emilacao das de
tartaruga, pelo mdico pre$o de 19280 cada urna.
Vende-se a taberna da rua do Pilar n. 88 en-
globadamenle ou a retalho : os prelemlenles diri-
jam-se nesle caso a mesma taberna, enaquellede
venda englobada .1 Tasso & Irmao, ou ao liquidata-
eio da firma de Franca & Irm3o.
Vende-se urna poreao do boloes de metal ama-
rello, lizos e ovados, proprios pata o novo uniforme
da guarda nacional, ha grandes e pequeos : na rua
da Cruz n. 13 1. andar.
Vende-se um prelo da Costa, moco, de bonila
figura e bem possanie e robusto, para todo servico,
he ganhador paga, duas patacas por dia, vende-se
por precis.io : quem o pretender dirija-se a riia das
Laraogeiras n. 14.
Para urna encommenda.
Na rua da Cruz n. 52 compra-se urna escrava de 18
a 20 anuos, que seja de boa figura e intelligente no
servico de casa de familia.
3.a parte da 5.a loteria da matriz da
Boa-Vista.
CONFORME O PLANO APPROVADO
PELO GOVERNO.
Bilhetes s com a assignatura do
thesoureiro......88000
Meios ditos idem......4000
Captivos ao imposto (eral de 8 por canto nos
3 primeiros premio*.
CASA DA FORTUNA
ATTERRO DA BOA-VISTAN. 72 A.
O dia terca feira 28 do corrente, esta'
novamente marcado pelo Thesoureiro res-
pectivo, para a extraooao' dos premios, e
caso aconteca o contrario, positivamen-
te Se jurante recomptar com mais 10 por
cento de premio sobre o cusi de todos os
bilhetes da dita loteria pie se venderem
pelo preco cima declarado, tao' somen-
te na casa da Fortuna do aterro da Roa-
\ ista n. 72 A, tendo lugar a recoiupra
dos referidos bilhetes do dia 29 do cor-
rate ate' a vespera de outro qualquer
da, (iie (s por forra do destino) or
terceira vez marcado para a dita extrac-
rao, epara se nao confundirem com ou-
tros os bilhetes que se venderem com a
dita condiro, seto carimbados no cen-
tro com o sgnete da lirma do dono da
dita casa : a elles que sao de muito rica
numeracoc promettem grandes premios.
Recife 25 de novembro de 1854.Gre-
gorio Antunes de Oliveira.
Jacaranda' a' retalho.
Vende-se as duzias, muito bom jaca-
randa' por preco commodo : no arma-
zem de madeira de pinho do Sr. Joa-
quim Lopes de Almeida, atraz do theatro
velho, ou a tratar com Antonio de Al-
meida Gomes & C. na rua do Trapiche
u. i ti, segundo andar.
FRICTAS MYAS.
Na rua eslreila do Rosario n. 11. deposito das bi-
chas de llamburgo, vendem-se as Crudas seguintes :
peras frescas, maesas, ameixas francezas em lata,
sardinhnsem latas, queijos lundriuos, latas de amei-
*as, de damascos, e peras coufeiladas com caitas de
flores, proprias para mimos, e oulras muila-, eou-
sas, assim como a verdadeira bolachinha de soda.
Vende-se por mdico preco urna balsnca braco
de Rom ni com conchase crrenles de ferro, propria
para armazem de assucar ; na cocheira defronle do
convenio de S. Francisco.
NOVAS INDIANAS DE SEDA EE
DE QUADROS A 800 RS.
O 'OVADO
Chegou pelo ultimo navio do Franca urna fazenda
inleiramenlc nova, de seda de quadros largos, com
o lindo nome Indiana, que pelo seu brilho parece
seda, pelo diminuto prero de 800 rs. o covado ; dao-
se as amuslras cum penhores : na rua do Queimado,
loja n. 40.
CUTII.ARIA DE GUIMARAES,
Vende-se na loja de ferragens da rua da Cideia
n.44, asmis bem acrediladas lesouras para bar-
heiros.
Na loja de selleirode Domingos Jos Ferreira,
rua Nova n. 19, lem para vender sola de lustre
branco, propria para correiames de fuzileiros da
guarda nacional, assim como tem hezerro de lustre
branco c amarello proprio para can lides e cintos de
pageus, mais barato do que em outra qualquer
parle.
GASSAS FRANCEZAS A 450 RS. A
VARA.
vendem-se cassas francezns finas de lindos pa-
drees a 450 rs. a vara, chamalote de seda de cores
a 800 rs. o covado, luvas de seda brancas e cor de
palha para meninas e meninos, riscados escocezes de
quadros largos a 260 rs. o covado : na rua do Quei-
mado loja n. 40
Vende-se ura escravo de naran, proprio para
servijo de rua ou servente de pedreiro, do que lem
algunsannofde pralica : na rua do Pilar n. 141.
Vendem-se 12 cadeiras de oleo, novas, 6 dilas
de amarello, usadas, 2 bancas de amarello, usada-,
ludo por preco muilo commodo : na rua da Cadeia
de Sanio Antonio o. 20.
Vende-se um lioi muilo manso, costumado a
puxar carrera : na E-lancia silio de Debourcq.
Veudem-se 6 cadeiras e urna banca de jacaran-
do em bom uso ; na rua de Sania Rila, defronle da
casa n. 54. ,
.FAZENDAS RARATAS-
Rua do Livramento n. 8, loja de 3 portas
ao pe do armazem de louca.
Vendem-se romeiras de fil de linho bordadas,
muilo superiores, a 4500, 3j, 69 c 7000 ; ramisi-
nhas de cambraia bordadas para senhora a 29000 ;
cassas de cores de goslo moderno a 360, 400, 500,
600 e 700 rs. a vara, chitas francezas muilo finas a
260 e 280 o covado ; corles de cassa de 2 e 3 baba-
dos a 25000 e 29400 ; meias de algodao para menina
e menino, chapeos de massa francezes, forma moder-
na, a 69 c 69500 ; e oulras mullas fazendas por ba-
rato prero.
Vende-se poreao de niilheiros de lijlos de al-
venaria grossa,muito bons.a 20900, poslo em qual-
quer porlo da cidade do Recife : quem pretender,
dirija-se ao armazem de maleriaes da rua da Con-
cordia que lem tablela, ultima casa ao sul.
Moinhos de vento
eombombasderepuxopara regar borlase baia,
decapim, nafundiraOde D. W. Bowman : na rua
do Brum ns. 6.8 e 10.
GRANDE SORTIMENTO DE BRINS PARA
CALCAS E PALITO'S.
Vendc-se brim tranra In de linho de quadros a
600 rs. a vara ; dito a 700 c I9OO; dito mesclado a
19^00 ; cortes de fusia branco a 400 rs. ; dilos de
cores de bom goslo a 800 rs. ; ganga amarella lisa da
India a 400 rs. o covado ; corles de cassa chita a
29000 c 292OO ; lencos de cambraia de linho gran-
des a 610 ; dilos pequeos a 360 ; toalfias de panno
de linho dn Porlo para rosto a 149000 a dozia ; di-
las alcoxoadas a IO9OOO ; guardanapos tambem alco-
xoados a 39600 : na rua do Crespo n. 6.
O QUE GUARDA FRI GUARDA CALOR:
porlanlo, vendem-se cobertores de algodao com pel-
lo como os de laa a 19400; dilos sen) pello a 19200;
ditos de tpele a 1C200 : na rua do Crespo 11. 6.
(g^ Vendem-se jigos com superior (g^
A champagne, da ja' bem conheci- w*
v da marca estrella, equartolas com r.
w vinho de Rordeav de superior W
#9 qualidade, por precos commodos: ($
na rua do Trapichen. 11. (}
RLA DO CRESPO N. 12.
9 Vende-se nesta loja superior damasco de
i seda de cores, sendo branco, encarnado, roso, #
9 Por preco razoavel. f
Vendem-se lonas da Russia por preco
commodo, e de superior qualidade: no
armazem de N. O. Bieber&C,, rua da
Cruz ri. 4.
-^Vende-se em casa de Rabe Schmet
tau&C, na rua do Trapiche n. 5, o se-
guinte:
Ricas obias de brilhantes
ptimos pianos verticaes.
Um dito horisontal com pouco uso.
Vidros de dill'erentes tamanhos c
espelhos.
Tudo por precos muito commodos.
Com toque de avaria.
Madapolao muilo largo a 39000 e 39500 rs. a pe-
ta: na roa do Crespo, loja da esquina que volla pa-
ra a Cadeia.
CHALES E MANTELETES DE SEDA
DE BOM GOSTO.
Na rua do Crespo loja da esquina que
volta para a Cadeia : .vende-se chales de
seda a 8.000, 12^000, 14S000 e 18000
rs., manteletes de seda de cor a 11 000
rs chales pretos de laa muito grande a
o$600 rs., chales de algodao e seda a
10280 rs.
para
Deposito de vinho de chanta
fiagne Chateau-Ay, primeiraqua-
idade, de propriedade do condi
de Mareuil, rua da Cruz do Re-
cife n. 20: este vinho, o melhor
de toda a champagne vende-
se a 560000 rs. cada caixa, adia-
se nicamente em casa de L. Le-
comte Feron & Companhia. N. B.
As caixas sao marcadas a fogo
Conde de Mareuil e os rtulos
das garrafas sao azues.
Ven Je-sa Go de sapaleiro, bom : em casa de S.
P. Johnslon Companhia, rua da Sensala Nova
B.42.
Borzeguins a 50000 !
Para fechar cenias vendem-se borzeguins de case-
mim egaspeadosdecouro de lustre a 5000 o par :
na rua da Cadeia do Recife n: 48, primeiro andar.
Vende-se urna taberna com os fundos a vonlade
do comprador : no pateo da Sania Cruz n. 2.
Na rua das Cruzesn. 41, segundo andar, ven-
de-se urna escrava de elegante figura, de naco Cos-
a, que cozinha c lava de sabio, e oplima auitan-
deira. H
SENHORES DO BOM E BARATO, ATTENCAO.
No paleo do Carmo, quina da roa de Hortas n. 2,
conlinua-s a vender manleiga inglesa a 480, 560,
640 e 800 r. ; franceza muito boa a 560 ; pastas
novas a 300 rs. ; lelria.macarrSo e lalharim a 320 :
bom doce de cai secco a SOO rs.; aramia 160;
umma a 140 ; bolachinhas de Lisboa muilo novas a
J20 ; Napoleao a 400jaranita a560 ; inglesa a 320;
h5 cabra,QC0 f'no 10 "! atei' de carr.pato a
240; dilo doce a 640 a garrafa ; arroz branco a 480
a cuta; do Maranhao a 80 rs. a libra ; toucioho de
Lisboa, novo, a 400 rs. ; azeilonas a 320 a garrafa ;
nh m '? ."' 1usli<*adesdedluerenlet preros,
banht muito alva a 480.
ARREIOS PARA CARROS.
Em casa de Brunn Praeger & C, ha pa-
ra vender um lindo apparelbopara 2 ca-
vallos Jeito por encommenda, e de quali-
dade superior a todos que tem vindo a
esta praca, com guarnicao de metal que
nunca se estraga; esta obra se reconi-
menda principalmente para um particular
por ser de ptimo gosto, e feita com to-
da a elegancia : vende-se na rua da Cruz
n. 10.
Vende-se a armacao da loja da rua
do Cabuga', que serve para qualquer ne-
gocio por ser a principal rua do bairro
de S. Antonio, ac pe da segunda loja do
Sr. Peres, adverte-e que cede-se pelo
mesmo preco em que esta' dita armacao
e chaves: a tratar na loja de miudezas
da rua do Rosario larga n. 26.
LOTERA DO RIO DE JANEIRO.
Acham-se a' venda os bilhetes da lote-
ra 47- do Monte Pi, que correu em 16
do corrente, as listas vem pelo vapor bra-
sileiro at 4 do vindouro dezembro, e os
premios serao pagos logo que se fizer a
distnbuicao das mesuras listas, sem o des-
cont de 8 p. c. do imposto.
? VACCA DE RACA TOURINA.
vende-se urna vacca de raca tourina, parida ha 15
das, com urna linda cria, e dando hndanle e op-
hmo leite ; para ver e tralar, na Capunga, sitio do
Sr. L. A. ubonreq.
CASEMIRAS E PANNOS.
Vende-se casemira preta e de cor-par a palitos por
ser muilo leve a 29600 o covado,-.panno azul a 39 e
19000, dilo prelo a 39, 39500, 4J?S& e 59500, cortes
de casemira de gustos modernos a 69OOO, -elini pre-
lo de Mac.io a 39200 e 49000 o covado : na roa do
Crespo n. 6.
Vamos
comprar chapeos de seda para senhora os mais mo-
dernos, ricos c baratos que eiisle nesla praca : ven-
dem-se na rua Nova n. 11, loja do Gadaull.
Vendc-se um silio na Capunga Nova por com-
modo preco, com boa casa: a Iratar na rua da Ro-
da n. 15, segunda caja a sabir por delraz do quar-
lel de polica.
Alcool de 56 a 40 gra'os: vende-se
na distilacao da praia de S. Rita.
Vendem-se barricas com macaas vin-
das 110 gello, a dinheiro, garrafas de ro-
lao bamburguez e massa de tomates: na
rua da Cadeia 11. 15, loja de Bourgard.
CONDECIDO DEPOSITO DE POTASSA
E CAL.
Na rua de Apollo armazem n. 2 B, con-
tinua a ter superior potassa da Russia e
Rio de Janeiro, e cal de Lisboa em pe-
dra : tudo a preco que muito satisfar'
aos seis antigos e novos fregu -es.
Vende-se chocolate superior de Lisboa: no ar-
mazem defronle da escadinha da alfandega.
Vendem-se arados americanos, chegados lti-
mamente no brigue americano VV. Price, pelo mes-
mo prero do costume: na rua do Trapiche n. 8.
Gello.
Avisa-sc aos freguezes do gello eaos assignan-
les que a venda do mesmo he no anligo deposilo da
rua da Seuzalla Velha n. 118, porm pelo lado do
caz do Apollo em seguimenlo aos fundos dos urina-
zens onde esleve o Sr. Jos Antonio de Araujo, a en-
irada he por um por tao que tica no meio de dous
mais que exislem.
Palitos de alpaca a 60400.
Na rua do Queimado n. 7, loja da Estrella, de Gre-
gorio & Silveira, veudem-se palitos de alpaca 'mes-
ciados, muilo bonitas cores, pelo baratissimo preco
de 69*00. s "
CAMISAS FEITAS.
Vendem-se camisas francezas as mais bem feitas
e melhores modelos que tem viudo a esla prara.
por preco commodo : na rua do Crespo 11. 23.
SACCAS COM*FARINHA DE MAN-
DIOCA.
Vendem-se por menos preco do que em
outra qualquer parte: na loja n. 26 da
rua da Cadeia do Recife, esquina do Bec
co Largo.
Veude-se urna porreo de varas, estacas e faii-'
nas para cerca, e por prego muilo commodo: na rua
da Gloria n. 69.
Na taberna da rua do Livrameulo n. 38, ven-
de-se o afamado fumo de Garanhtins.
CEMEMO ROMANO BRANCO.
Vende-se cemento romano branco, chegado agora,
de superior qualidade, muilo superior ao do consu-
mo, em barricas e as linas : atraz do thealro, arma-
zem de taimas de pinito.
Vende-se sola muilo boa e pullos de cabra, em
pequeas e grandes porrees: na rua da Cadeia do
Recife n 49, primeiro andar.
Vende-se um cabriolel com cubera e os com-
petentes arreios para um cavallu, todo quasi novo :
par ver, no aterro da Boa-Vista, armazem do Sr.
Miguel Segeiro, e para tratar no Recife rua do Trapi-
che u. 14, primeiro andar.
VENDAS.
Chegaram recentemente algumas sac-
casdo bom farello, que estao expostas a
venda uos armazens defronte da escadi-
nha, ou na travessa da Madre de Dos,
armazem de Novaes & C.
Lindos cortes de lanzinha para vestido de
senhora, cota 15 covados cada corte, a
4#500.
Na rua do Crespo, loja da esquina que volla para
a Cadeia.
MELPOMENE.
Vendc-se melpomene de laa, gosto es-
cossez, padrocs novos, vindos pelo ultimo
vapor, pelo prero de 480 rs. o covado:
ni rua do Crespo n. 2.
VINHO 1)0 PORTO SUPERIOR FEITORIA
em caixas de I 011 2 duzias de garrafas : vendc-se no
armazem de Rarroca & Castro, na rua da Cadeia do
Recife n. 1.
REI.OGIOS INGLEZES DE PATENTE.
Continan) a vender-se por preco commodo; 110
armazem de Barroca & Castro, na rua da Ladeia do
Recife n. 4.
FAMA
No alerro da Boa-\ ista, defronle da boneca u. 8,
chegou ltimamente um completo sorlimeulo de to-
dos os gneros do molhados dos ltimamente che-
gados, e vendc-se por prero muilo razoavel:
manteiga ingleza a 480, 720, 800 e 880 ; diia
franceza a 610 ; arroz do Maranhao a 80 e 100
rs. ; presunto a 480 ; cha h\sson a 18600, 19920,
2J500 c 29800 ; dilo do Rio a I96OO ; velas de
espermacele a 880, 960 e I9I20 a libra ; caisas de
eslrellinha muito superior a 59000; passas, figos,
animas, desembarcadas ullunamente, ludo de supe-
rior qual; dades.
Na rua da Soledade casa n. 70, ha muilo
grande variedade de novas qualidades de roseiras o
dalilias, e oulras flores : os senhores que as lem
encommeadado queiram mandar busca-las.
SALSAPARRILIIA
Chegada ltimamente do Para' de qua-
lidade regular, vende-se a preco commo-
do : na rua do Trapiche n. 6, segundo
andar.
AOS SENHORES DE ENGENHO.
Cobertores escuros muito grandes e eucorpados,
dilos brancos com pello, muilo grandes, imitando os
de isa, a I94OO : na rua do Crespo, loja da esquina
que volta para a cadeia.
Pannos finos e casemiras.
Na rua do Crespo loja di esquina que volla para
a Cadeia, vendc-se panno prelo 29400, 298OO, 3,
39500, 49500, 59500, 69000 rs. o covado.dilo azul, n
2o. 29800,49, 69, 79, o covado ; dito verde, i 298OO,
39500, 49, 59 rs. o covado ; dilo cor de pinhau a
49500 o covado ; corles de casemira prela franceza e
elstica, i 79500 e 89500 rs. ; ditos com pequeo
de fe i lo.ii 69500; dilos inglezenfestado a 59000 ; dilos
de cor a 49, 59500 69 rs. ; merino preto al, 19400
o covado.
Atala de Edwla Kaw.
Na rua de Apollo n. 6, armazem de Me. Calmon-
& Companhia, acha-se constantemente bons surli-
mentos de taixas de ferro coado e balido, tanto ra-
sa como fundas, moendas inetiras todas de ferro pa-
ra animaes, agoa, ele.; ditas para armar em madei-
ra de lodosos lamanhos e modelos os mais moder-
nos, machina horisontal para vapor com .Torra de
4 cavallos, cocos, > passndeiras do ferro estaiihado
para casa de purgar, por menos preco que o de
cobre, esco-vens para navios, ferro da Suecia, fo-
lhas de llandres ; ludo por barato prero.
Vende-se excellenle taboado de pinho, recen-
temente chegado da America : iiarui de Apollo,
trapiche do Ferreira, a enlender-se com o adminis-
trador do mesmo.
Cassas francezas a, 320 o covado.
Na rua do Crespo, loja da esquina que vira para a
Cadeia, vendem-se cassas francesas de muilo bom
gosto. 1320 o covado.
Na rua do Vig ario n. 19 primeiro andar, tem a
venda a superior flanella para forro desellios che-
gada recenlemenle da America.
Potassa.
No anligo deposito da rua da Cadeia Velha, es-
criplorio 11. 12, vende-se muito superior potassa da
Russia, americana e do Rio de Janeiro, a precos ba-
ratos que he para fecharconlas.
Bejroiito da fabrea de Todos o. Sanio, na Baha
Vende-se, em casa de N. O. Bieber & C, na rua
da Cruz n. 4, algodao trancado d'aquella fabrica,
muilo proprio para saceos de assucar e roupa de es-
cravos, [or preco commodo.
AGENCIA
Da Fundicao' Low-Moor. Rua da
Senzala nova n. 42.
Neste estabelecimento continua a ha-
ver um completo sortimento de moen-
das e meias moendas para engenho, ma-
chinas de vapor, e taixas de ferro batido
e coado, de todos os tamauhos, para
dito.
Vinho do Rheno, de qualidades es-
pecules, em caixas de urna duzia,charutos
de Havana*verdadeiro$ : rua do Trapi-
elie n. o.
Na rua da Cadeia do Recife n. 60, vendem-se os
seguinles vinhos, os mais superiores que lem vindo a
esle mercado. .
Porlo,
Bucellas,
. Xerez cor de ouro,
Dilo escoro,
Madeira,
em caixinhas de urna duzia de garrafas, e vista da
qualidade por preco muilo em conla.
DEPOSITO DE CAL DE LISBOA.
Na rua da Cadeia do Recife n. 50 ha para vender
barris com cal de Lisboa, recenlemente chegada.
Vendc-se urna balanza romana com lodos os
seus perlences, em bom uso e de 2,000 libras : quem
a pretender, dirija-se ;i rua da Cruz, armazem n.4.
PUBLICAQAO' RELIGIOSA.
Sahio i luz o novo Mez de Maria, adoptado pelos
reverendissimos padres capuchinhos de N. S. da Pe-
nha desla cidade, augmentado com a novena da Se-
nhora da Concei(o, e da noticia histrica da me-
dalha milagrosa, edeN. S. do Bom Conselho : ven-
de-se nicamente na livraria o. 6 e 8 da praca da
independenefa, a 1900*
Completos sortimentos de fazendas de bom
gosto, por precos commodos.
Na rua do Crespo loja da esquina que volta para a
Cadeia, vendem-se corles de veslidos de cambraia de
seda com barra e babados, 89000 rs. ; dilos com
llores, ;i 79, 99 e 109 rs. ; dilos de quadros de bom
goslo,_i 119 ; corles de cambraia franceza muilo fi-
na, fu. com barra, 9 varas por 49500 ; corles de
cassa de cor com tres barras, de lindos padres,
392OO, peras de cambraia para cortinados, com 81,
varas, por 39600, dilas de ramagem muilo finas,
69 ; cambraia desalpicos miudinhos.hranca e de cor
muito fina, 800 rs. avara ; aloalhado de linhoacol-
xoado, ;i 900 a vara, dilo adamascado com 7>' pal-
mos de largura, i 2g200e 39500a vara; ganga ama-
rella liza da India muilo superior, 1 400 rs. o cova-
do ;corles de rollete de fuslo alcoxoado c bons pa-
droes lixos, 800 rs. ; lencos de cambraia de linho
360 ; dilos grandes finos, ii 600 rs. ; luvas de seda
brancas, de cor c prelas muilo superiores, 1600 rs.
o par ; dilas fio da Escocia 500 rs. o par.
Vende-se urna taberna na rua do Rosario da
Boa-Vista n. 47, que vende muilo para a Ierra, os
seus fundos silo cerca de 1:2009000 rs., vende-se
porm com menos se o comprador assim lhe convier :
a Ifatar junto alfandega, Iravessa da Madre de Dos
armazem n. 21.
Taixas para engenhos.
Na fundicao' de ferro de D. W.
Rowmann, na rua do Rrum, passan-
do o chafariz continua haver um
completo sortimento de taixas de ferio
fundido e batido de 5 a 8 palmos de
bocea, as quaes acham-se a venda, por
preco commodo e com promptidao" :
embarcam-se ou carregam-se em carro
sem despeza ao comprador.
Na rua do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas mu-
ticas para piano, violao e flauta, como
sejam, quadrilhas, valsas, redowas, scho-
tickes, modinhas, tudo modernissimo ,
chegado do Rio de Janeiro.
POTASSA BRASILEIRA.
Vende-se superior potassa, fa-
bricada no Rio de Janeiro, che-
gada recentemente, recommen-
da-se aos senhores de engenho os
seus bons effeitos ja' experimen-
tados : na rua da Cruz n. 20, ai*-
mazem de L. Leconte Feron 4
Companhia.
Vende-se a verdadeira potassa da
Russia, e cal virgem, vinda no brigue
portuguez Tarujo III,, chegado no dia
o do corrente : na praca do Corpo Santo
FARINHA DE MANDIOCA.
\ ende-se a1 bordo do brigue ConceirSo, entrado
ne Santa Calbarina, e tundeado na volta do Forte do
Mallos, a mtis nova farinha que existe hoje no mer-
cad, e para porcOes a tratar no eseriplorio de Ma-
l Guerra Jonior, na rua do Trapiche
AOS SENHORES DE ENGENHO.
O arcano da invencao' do Dr. Eduar-
do Stolle em Berlin, empregado as co-
lonias inglezas e hoUandezas, com gran-
de vantagem para o melboramento do
assucar, acha-se a venda, em latas de 10
libras, junto com o methodo de empre-
ga-Io no idioma, portuguez, em casa de
N. O. Bieber & Companhia, na ruada
Cruz. n. 4.
Vende-se urna rica mobilia de jaca
randa', com consolos e mesa de tampo de
marmore branco, a dinheiro ou a prazo,
confrmese ajustar: a tratar na rna do
Collegio n. 25, taberna.
Na livraria darua do Coilegio n. 8.
vende-se urna escolhida colleccao das mais
brilhantes'.plecas de msica para piano,
as quaes sao as melhores que se podem. a-
char para fazer.um rico presente.
Deposito de panno de algodao da
Z fabrica' de todos os santos na
9 Baha.
9 Vende-se esle bem coohecido panno, pro-
9 prio para scense roupa de escravos ; no es-
rripiotio de Novaes & Companhia, na rua do
Trapiche n. 3*.


s
Em casa de J. KellerA C, na rua
da Cruzn. 55, -lia para vender 5 excel-
lentes*pianos viudos ltimamente de Ham-
burgo.
*PBEK2B83OBX-SXHQ0BK3
RLA DO TRAPICHE N. 10.
I EmcasadePaton Nash iS C., ha pa-
ca ra vender:
jo* ^Sortimento variado de ferragens.
Amarras de ferro de o quartos at 1
Jj* polegada.
j Chmpagne da melhor qualidade
S em_garcafas e meias ditas.
3 Um piano inglez dos melhores.
30&K3ESa8K5X K3KXX38BK3K
Devoto Chtistao.
Sahio a los a 2.' edicSo do livrinho denominado
Devoto Chrislio,mai correcto e acrescentado: vende-
se nicamente na Imana n. 6e 8 da prac,a da In-
dependencia a 640 rs. cada exemplar.
Redes acolchoadas,
brancas edecores de um 10 panno, muito grandes e
de bom goslo : vendem-se n rua do Crespo, loja da
esquina que volla para a cadeia.
ESCRAVOS FGIDOS.
No dia 22 do corrente, pelas 8 horas da noile,
fugiram da casa da rua larga do Rosario u.22.segun do
andar, dous escravos, Jos crioulo, e Antonio de
narilo, com os seguintes signaes : Jos crioulo re-
prsenla 45 annos, cor bem preta, baiio, magro,
barbado e com suissas prelas ; levou duas calcas,
urna de brim pardo com listris prelas em quarfros
grandes, sendo eslas lislras pioladas, e oulra cal-
ea veslida por cima, de panno grosso azul, e esta
velha ; levou duas camisas, urna de algodao gros-
so por baixo e outra velha por cima, chapeo do
cooro, lem a falla muilo mansa. Antonio de narao,
representa 50 a 55 aunos, cor fula, cheio do corpo,
levou calca de algodao de riscado azul e camisa
igual, com urna correia na cintura segurando as cal-
Cas, e chapeo de palha : roga-se as autoridades po-
liciaes ou capules de campo, appreheode-los e le-
va-Ios rua larga do Rosaiio n. 22, segundo andar,
que serao generosamente recompensados.
ISO9OOO de gratificado.
Desappareceu'no dia 8 de selembro de 1854 o es-
cravo crioulo, amulatado, de nome Antonio, que re-
presenta ler 30 a 35 annos, pouco mais ou meoo<,
nascido em Cariri Novo, d'oode veio ha lempos, he
muilo ladino, costuma trocar o nome e inlilular-se
forro ; foi preso em fins do anno de 1851 pelo Sr.
delegado de polica do termo de Seriuhaera, com o
nome de Pedro Sereno, como desertor, e sendo re-
meltido para a cadeia desla cidade a ordera do lllm.
Sr. desembargadorcliefede polica com ollicm de 2de
Janeiro de 1852 se verificou ser escravo, e o seu legi-
timo senhor foi Antonio Jos de Sanl'Anna, morador
no engenho Caite, dn comarca de Sanio Anlao, do
poder de qoem desappareceu, e sendo outra vez cap-
turado e rerolhido a cadeia desta cidade em 9 de
agosto, foi ahi embargado porexecueso de Jos Dias
da Silva Uuimaraes, e ltimamente arrematado em
praca publica do juizo da segunda vara desla cidade
no dia 30 do mesmo mez pelo abaixo assignado. Os
signaessao os seguinles: idade de 30 a 35 anuos, es-
tatura e corpo regular, cabellos pretos e carapinha-
dos, car amulatada, ulhos escuros, nariz grande e
grosso, beicos grossos, a semblante fechado, bem bar-
bado, com todos os denles na frenle : roga se, por-
lanlo, as autoridades puliriata, capitaes de campo e
pessoas particulares, o favor de o apprehenderem e
mindarem nesta praca do Recife, na rua larga do
Rosario n; 14, que recbenlo a gratificarlo cima de
IOO5OOO ; assim como protesto contra quem o liver
em seu poder occullo.Manoel de Almeida Lopes.
PERN. : TY. DE M. ". DE FARJA. 1854-

N


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