Diario de Pernambuco

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Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01217


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Full Text

AUNO XXX. N. 264.
Por 3 mezes adiantados 4,000.
Por 3 mezes vencidos 4,500.
www
SEXTA FE!RA 17 DE NOVEN!BRO DE 1854.
-
Por anuo adiantado 15,000.
Porte franco para o subscriptor.


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DIARIO DE PERNAMBCO
ENCARREGADOS DA SUBSCRIPTO'.
Rocife, o prqprieurio M. F. de Faria; Rio de Ja-
neiro, o Sr. Joo Pereira Martins: Bahia, o Sr. F.
Duprad; Macei, o Sr. Joaquim Bernardo de Men -
do'nfltf Tarahiba, o Sr. Gervasio Vctor da Nativ -
dade; Natal, o Sr. Joaquim Ignacio-Pereira; Araca-
ty, oSr. AnioniodeLemosBragajCeara, oSr. Vic-
toriano Augusto Borges; Mafanhio, o Sr. Joaquim
M. Rodrigues; Para, o Sr. Justino Jos Ramos.
CAMBIOS-
Sobre Londres 28 d. por IfXJOO
Pars, 350 rs.por i f.
Lisboa, 105 por 100.
Rio da Janeiro, t 1/2 por 0/0 de rebate.
Acedes do banco 40 0/0 de premio.
da companhia de Beberibe ao par.
da companhia de seguros ao par.
Discon de lettras de 8 a 10 por 0/0.
MET.VFS.
Ouro.Oneas hespanholas. .
Moedas de 6M00 velhas.
de 69400 novas.
de 49000. .
|PrataPalacdes brasileiros .
Pesos columnarios .
mexicanos......
295000
163000
16000
oooo
19040
I9i0
1860
PARTIDA DOS CORREJOS.
Olinda, todos os dias.
Caruar, Bonito e Garanhuns nos das 1 e 15.
Villa-Bella, Boa-Vista, Ex e Ourieary, a ISe 88.
Goianna e Parahiba, segundas e sextas-feiras.
Victoria e Natal, as quinias-fciras.
PREAMAR DE IIOJE.
Primeira s 2 horas e 6 minutos da urde.
Segunda s 2 horas e 30 minutos di manhaa.
PARTE OFFKIAL.
AUDIENCIAS.
.Tribunal do Commercio, segundas equintas-feiras. | Novbr.
Relacao, tercas-feiras e sabbados.
Fazenda, tercas e sextas-feiras s 10 horas.
Jubo de orphos, segundas e quintas s 10 horas. |
1.* vara docivel, segundas e sextas ao meio dia.
2." vara do civel, quartase sabbados ao meio dia.
EPIIEMF.RIDES.
4 La cheia s 6 horas, 43 minutos e
48 segundos da tarde.
12 Quarto minguante as 7 horas, 40
minutos e 48segundosda tarne.
20 La nova as 7 horas, 43 minutos e
48 segundos da manhaa.
27 Quarto crescente aos 21 minutos e
48 segundos da manhaa.
OOVERNO DA PROVINCIA.
ElU 4. 41. 14 4. no..mbro.
Olricio. Ao Exm. conselheiro presidente d* re-
lacao, ioleiraudo-o de que, por decretu de 12 deou-
turo ultimo, tora noroeido o bach.rei Theodoro
Machado Freir Pereira da Silva Jnior, para o lu-
gar dejuiz municipal eorphaos, dos termo* reunidos
de RioFormoso e Serinhaem.ebem assim reco'nduzi-
do os b.acviareis Jos Quinlino de Castro LeSo e
Caelano Eslellita Cavalcauti Pesoa, rule no lugar
de juiz municipal e de arpillo* do termo de Goian-
na e aquella do de Olinda, e previuindo-o de que ao
1. do Humeados Mea marcado o prazo de 3 mezes
para apreteniacSo de soa carta imperial. Fizentm-
se a oulras commiinicaeoes.
Hilo Ao mesmo, remetiendo por copia o avi-
so da repartiera da juslica de 19 de ootubro ultimo,
no qu.l se determina que os jaizes do direilo obsr-
velo a ditposces do artigo 16 da l.i n. 779 de 6 de
setembro deste anno, sobre a remessa s repartirles
de fazenda das cerlides de escripturas de compra e
venda de bens de raiz.
Dito. Ao inspector da thesouraria de fazenda,
devolvendo o* papis e documentos a que se refere a
sea informacau sob d. 603 das desperas feitas pelo
capitio Manoel da Cunha Wauderley l.ins quando
commandante do destacamento da comarca do Rio
Formato, aflm de que mande indemnisar o mencio-
nado capitn da quantia de i'ltsTl rs. em que im-
portara o* mencionados documentos. Coromuni-
cou-se ao coronel commanAnle das armas.
Dito. Ao juiz relator da junta de juslica, trans-
mit nido, para ser relatado em scs-So da mesma jun-
ta, o processo verbal feilo ao soldado da companhia
de artfice, Pedro Gomes dos Santos. Commuui-
coa-M ao coronel commandante das armas.
Dito. Ao chele de polica, iateirando-o de lia-
ver Iransmlfdo a thesouraria provincial a corita que
Smc. rem.lleu,das despeas feitas com o sustento dos
presos pobres da cadeia de lirejo no mez de outobro
ultime, alim que estando ella nos termos leeacs seja
paga a mm importancia a Simplicio Jos de Mello.
Dito. Ao mesmo, dizendo que para poder dar-
se principio aos concertos da cadeia da vBla do Ca-
bo, faz-ae preciso queSmc. expeca suas ordens, alim
de que as chaves d'aquelle edificio sejam quanto an-
tes entregues ao arrematante dos mencionados con-
cert. Roberto Humes Pereira de Lira. Commu -
nir.iu-seao director da obras publicas.
Dilo. Ao director da colonia militar de Pimen-
lelras, declarando que, na relacao que remelle, acha-
ra Smc. a denominarlo das madeiras, cujos cortes
smente s3o permittidos para cuiislrurefies iiavacs.
Dito. Ao presidente da commissao de hygiene
publica, Iraiismillindo por copia o aviso do ministe-
rio do imperio de 6 de outubro ultimo, no qual se Ere um dos ltimos dias de outubro prximo pas-
declara que deve reverter em beneficio do Ihesouro sa.lo.se orgai.isou arbitrariamente
car V. Ex. qae e de trai>quillidde> Der. porm, levar ao eoithe-
cimento de V. Ea> urna especie de moliin, que hon-
lem noite a-se Vollando lioirlem, quasi s 7 horas da noite, de
examinar ot Irabslhos de ama das estradas, e nao
tendo encontrado pelas ras por onde passei a me-
nor novidade,' d'ahi a doas horas pouco mais ou
menos live arfeo, de que junto a ponte da Boa-Vista
se reuniam argons grupos populares, d'ondesahiam
algumas vxnte contra marnheros; mandei loso
avisar o chele de polica, o qual i fura encontrado
em casa do subdelegado da Boa-Vita, e fiz por al-
ame forrea de promptitUo para o que podesse acon-
tecer. Dadas as necessarias providencias s 10 ho-
ras e meia eslava plenamente restabelecido o soce-
go, c reinava n silencio em lodos os ngulos da ci-
dade.
Segundo a parle oflicial da polica leve esse faci
lugar, em consequencia de haver o pardo Joaquim
Jos de Sant'Anna furlado um quarto depcllede
lustre na loja em que lie caixeiro o porluguez Joa-
quim Fr.inri.ro de Azevedo Lima, o qual por occa-
sio de seguir a aquello para tomar-lhe o furto, deu-
Ihe urna bofetada, por ler recebido urna dentada
durante a lula que Iravaram. Levados presen;*
do subdelegado da Boa-Vista, que os mandou ron-
duzir presos, reunio-se umn porco de individuos,
pela maior parle gente menos considerada, para
lomarem o preso Sant'Anna do poder dos soldados,
que aprzar do apedrejamenlo que sollriain, con-
seguirn) rerolher o dilo pardo ao quartel do 10 ba-
talhao de infanlaria ( qne tambem serve de priso
para a guarda nacional ) donde foi ao depois remo-
vido para a cadeia, m que se acha com o porlu-
guez Azevedo.
Al este momento, tres horas da larde, reina a
maior tranqiiillidade, e nem ha recelos do menor
disturbio.
Dos guarde a V. Ex. Palacio do governo de Per-
namhuco 15 de novembro de 1854.Illm. e Exm.
Sr. Dri Jos 'Mioma/. Nabuco de Ara ojo, ministro e
secretario de estado dos negocios da ju si ira. Jos
Dent da Cunha e Figueiredo.
BIS ASO DE PERNAMBCO,
D. Joao da Parificarlo Marques PerdigSo. ennego
regrante de Sanio Agostinho, pela graja de Dos
e da Santa S Apostlica, hispo de Pernarabuco,do
rnuseihu de S. M. o I., etc., etc., etc.
A todos es habitantes desta capital, paz e ben-
cSo.
Ha tres dias chegon infelizmenle ao nosso conhe-
cimenlo um facto publicamente pralicado uesta ca-
pital, digno de imiar-sc. quando de sua origem pro-
vocauto contra o decoro devido verdadeii a reli-
glo, por cujo molivo justamente o censuramos, co-
mo he uoss<> dever.
DAS DA SEMANA,
13 Segunda. S. AreadiocPaulilo mm.
14 Terca. S. Abilio diac.; S. Curias m.
15 Quarta. S. Clementino.m. ; S. Felomeno m.
16 Quinta. S. Goncalode Lagos; S. Elpidio.
17 Sexta. S. Gregorio Thaumalurgo b.
18 Sabbado. S. Odn ab. ; S. Barcela m.
19 Domingo. 24.* S. Isabel viuva rainba f.; S.
Policiano [i. ni. ; S. Barlaam m. ; S. Abada
os cmoltunenlo. relativos .- matriculas dos mdicos,
boticarios* mais pes-oas que pelo regulamenlo de -29
de selemhro da 18.51, sao sujeilas a re pa r ti cao de hy-
giene publica, e bem asaim os demais emolumentos
devidos pelas cerlides e Irabalhos concernenles ao
mesmo servico.
Portara: Ao agente da companhia das barcas
de vapor, para mandar dar passagem para a corle no
vapor Guanal/ara,.3i 2. cadete do 4." regiment
decavallaria hgeira, Jos Francisco Carneiro Mun-
leiro Jnior, litando sem effeilo a portara que se
eipedio ueste sentido em 27 de ouluhro ultimo.
Coramonicou-sc ao coronel comniandanle das ar-
mas.
15
OllicrnAo Exm. presidente das AI.iqo.i-.Nao
leudo viudo quasi madeira alguma por eonla da que
foi coulralada nessa provincia. par a ponte proviso-
ria do Kecifc ; e adiandoe esla obra parausada por
falta d semelhante madeira, rogo ti V. Exc. que se
digne de activar a remes-a della para aqu, amea-
rando os conlraladores com a rescisito do conlralo
no caso de nao fa/.ereui elle la! remea rom a pos-
sivel brevidade. pagando-se queja lem sido rece-
bida.
DiloAo inspector da thesouraria de fazenda,
transmilliiido, para o fim conveniente,dous avisos de
l el 11 as sob os. 26 e 27 na importancia de 1:1503 rs.
sacadas pela thesouraria de fazenda da provincia do
Rio (ira.de de Norte, sobie* desl, e a favor de
Francisco Ignacio Ferreira Jnior e Manoel dos San-
tos Martins Koinano.Partecipou-So ao Etm. pre-
sidente daquella provincia.
Dito^Ao mesmo, iuteirando-o de havero juiz de
orphos do lermo de Tacaral bacbarel Marcos Cor-
rea da Cmaro Tamarindo.participado que no dia
19 de outubro ultimo, entrara no exercicio do seu
cargo.Igual cnmmunicac,3o se fez ao conselheiro
presidente da rrlar.ao.
DiloAojoiz relator da junta de juslira, Irans-
inillindo para ser relatado em sessio da mesma jim-
ia, o procesto verbal feilo ao 1 cadete da companhia
fita de caladores do Rio Grande do Norte, Candido
Jos da Cosa Pereira.l'arlecipou-se ao Exm. pre-
sidente daquella provincia.
DitoAocliefe de polica, declarando haver kans-
millido ao inspector da thesouraria proviucial, para
ser pago estando nos termos legaes, n prel que ame.
remellen, da escolta de guardas nacionaes que em
outobro ultimo, ennduzio nove criminosos do termo
de Caruar para esta capital.
DiloAo inspector' do arsenal de marinha, de-
clarando que foram entregues na Parahiba e no Rio
(irande do Norte, os objectos enviados para aquellas
provincias no hiale nacional Arago.
DitoAo presidente da commissao de hygiene pu-
blica.Em resposla ao uflicio que Vmc. me dirinio
em data de 13 do correte, cumpre-me dizer-lhc,
que man le ouvir rom urgencia ao provedoi da s.ui -
de. onlenando-llie logo que declarasse sem perria de
lempo coniiiiissap a quanlos dias de quarenlena
sujeilou o pa-sagelros do vapor inglez Imperador.
PortaraConsiderando vagu, de conformidaile
com a proposta do cliefe de polica, o lugar de 1
supplenle do subdelegado da freguezia de S. Fre
Pedro lioncalve>. nomeando para o referido lugar
do Dr. Antonio Gomes Tavares.Commuuicou-se ao
supra dilo chefe.
Illm. e Exm. Sr. Tenho a honra de communi-
0 CAHI10 D DEVER/*)
Pr A. drBcrnard
f
CAPITULO SEGUNDO.
c/ n'ett pot hardi qui nrrarrntwe.fi
(Gabriel Mcurier, TAesouro dar fentenras.)
Entretanto um espectculo, ainda mais eslranho
aguarduva Gnslao no vasto paleo em que entrn.
Em torno delle s havia monlOe de ruinas. I'ma
velha torre qaadrada tinha vomitado sobre a espla-
nada suas eulrauhai da pedras por ama tonga larga
femla que reinava em lola a sua altura. A la dei-
xava na e-curid.lo esse reg aberlo e as brechas de
cinco andares arruinados. Na frente i esqtierda duas
torres quebradas lguns pos cima das bases como
fu-ir- do columnas, deixavam a vista estender-se so-
bre os cerros vizinbos e pairar sobre a nevoa que co-
bria o valle como urna vasta morlalha. No fundo
do paleo outns duas torres quasi iulaclas e anidas
por -um muro com janellinhas desenhavam suas
meia* sobre um co puro e recamarlo de eslrellas.
Era cerlamcnle um quadro magnifico, una ruina ad-
miravel ; mas nao era urna habitacao. Todava ex-
isliam ahi babilanle, pois sem contar o porteiro,
Gaslao ja tinha entrevista tres criarlos. Enlregon o
cavallo a um delles, e resolveu levar a aventura al
ao fim. Demais o rasidlo de Ostreval neo) era o
casiello de Udolpho uem o de Barba-Azul.
Foi conduzido a p a urna das torres qae a fouce
do lempo e a mao dos homeus linlnm poupado, e en-
Irou por urna porla eslreil i em am., ,), sil|a de
abobada allumiada por una alampada de ferro sus-
pensa dos arcos.
Bern, disse ella comsigo, o mvslwio continua.
Um hornera todo vestido oe prelodn grvala bran-
ca, calcas curtas, e casaca corlada franerza incli-
nou-se di,me delle, e fallou-lhc a>sim
Mr. de Saulieu est ausente ; mas he esperado
no castalio esla rtoile, e nao lardara a chegar. Toda-
va a sciihora pede a Mr. de Chavilh que se consi-
dere aqu como em sua casa, e ella lira brevemente
o prazer deespera-lo no salSo,
Como em sua casa.... o pra/.er.... murmurou
GasMo, eertamenle eis uma hosplalidade que o si-
nislro aspecto desles muros velhos nao pareca pro-
melter. Acaso este anligo raslello he habitado pe-
la-fadas? '
nma procissao pre-
cedida da irmandade do EspiritoSanto, com seu com-
petente |ieod,io e cruz aleada, e composta de alguns
religiosos Carmelitas e Franciscanos, ornada igual-
mente com quatro anjos junio da charola, na qual
ia uma prvula em pe veslida com o (raje de Nossa
Senhora da ConceicSo para ser sepultada no cemi-
lerio.
Podamos, e lalvez devessemos prolongar esla nos-
sa succiula aHoeadio, porm a gravidade da materia
ou a imdbrlanra do assumpto, nos faz crer, que es-
la simples e cariciosa advertencia, ser sulliciente
para conseguir a retratarlo de lacs excessos, para que
nao se reilerem, inanifeslamenlc contrarios a oivili-
saco do paiz, que hatiil.imos.
Palacio da Solcda le 15 de novembro de 185S.
Joao, Ili-lio Ucocesano.
EXTERIOR.
HESPANHa,
(Do SUrlo Hespanhol de 4.)
Copiamos do .Veculo IX um manifest do conde
de Montemolin, uo qual o nosso rollega assegura ser
copiado de um inauuscripto, e nao tem certeza que
seja completamente exacto.
Diz assim:
b Hespanhes.Do asylo eslrangeiro em que a
Divina Providencia.se digna collocar-me prova do
infortunio, vou dirigir-vos uma voz amiga que vos
sirva de aviso on de consol nessa longa serie de in-
fortunios, que tambem a vos vos persegue. Justo
he que todos respetemos os designios do Allissiroo,
eque pondo a nossa confianca na sua clemencia in-
finita aceitemos resignados o mal que nos enva co-
mo prenda de nossa submissu ou como castigo de
no- ,s fallas. Porm he necessario lambum que ao
ver chegados momentos (ao crticos para os deslinos
futuros de nossa eommum patria, acudamos lodos
em seu auxilio, cada qual segundo a medida de suas
proprias forras e resolutos lodos a sacrificar quanto
nos pc^a a voz do patriotismo.
Nao se meoceulta quanto difiicil empreza he a de
unir vootades divorciadas por longos anuos de dis-
cordia, conciliar iuleresses opposlos que conservem
vivo ofogo das paixes, e encaminharpara um termo
proveiloM a.esleril activjdade que o habito das lulas
civis produziona vida pollica e social da nossa Hes-
panha. Bem -ei que nSo he possivel n'um sda, nem
com um s aclo, por importante que este seja, res-
taurar as forras verdaderamente vivas de uma so-
ciedad, lao dividida como a hespanhola ; e por mais
que o imperisuio dos lempos actuaes seja 1,1o prodi-
go de promessa como impotente se manifeslou para
cumpri-las, nao creio que a constitnco mais sabia-
mente elaborada, nem tambem o prestigio que de
ordinario rodea o regresso de novas dvnastias, pode
-rnenle pela tua virludc restabelecer sbitamente o
imperio daquelles principios que sendo o primeiro
(; Vid o Diario n. 63.. _"
O mancebo subi por uma escada em forma de es-
piral ale ao segundo andar da torre; ahi uma porla
eslrela dava entrada para urna pequea galera, no
hm da qual oulra porta se abri em urna sala gran-
de, onde ardiain duas bogas sobre altos castiraes de
cobre. Estes ilous movei. de oalro lempo estavam
sobre uma mesa de carvalho denegrida pela idade,
e cuja forma indicava uma anlguidade ao menos de
Ires seclo.. Uma imnicusa chamin, na qual arda
um tronco nteiro de arvore abra seus largos flancos
guarnecidos de podra. Sobre seus vastos lados re-
pousava uma larga faixa ornada de esculturas finas e
delicada. Em frente della um grande leilo de co-
lumnas armado sobre um estrado dciiava pender so-
bre uma ampia colcha suas cortinas e seus rnalos
de seda desbotada. Dous immensos bahus esculpidos
e carcomidos, grandes cadeiras guarnecidas de co-
xitis de l.ia movis, uma velha alampada lio forro,
cujas correles denegridas pareciam ler sido outr'ora
pintadas c domadas, sombras tapetaras de cores
desmaiadas suspensas em seus quadros de madeira
nal paredes, lal era a mobilia, tal a decoraran desse
va,lo quarto.
Eis-aqui seu aposento, senhor, disse o criado,
depondo sobro a mesa a bugia que tinha na mao, e
a mala do mancebo.
Depois movendo um dos pannos da laperaria mos-
Irou a Gasto um retiro, no qual os raios da la pe-
iietravain por uma janellinlia e accrescenlou :
Eis-aqui o ram.irim. O senhor lera o cuida-
do de nao dcscer pela escadinha; pois ella conduz a
subterrneos desconliecidos.
O criado moslrava a Gaslao uma porla no ngulo
do gabinete, a qual dava para o interior de urna lor-
rinha eslrela, onde uma oseada de pedra descrevia
inierininaveis eanirae*. o venlo que corra nessa
oseada apagou a bugia, e nosso viajaute eslremeceu
[levemente.
O criado fochou prec.ipiladamenle a porla, e vol-
lou seguido de Gaslao para o qoarlo grande.
'A gente desl? lugar, cnntiuuuu o criado tor-
nando a acceuder a bugu., prelende que se alguem
fosse ale ao lim desles subterrneos adiara um rico
he.ouru escond.do no lempo da .evolucao pelos an-
ligos renhores de Ostreval; mas que mneuem pode
chegar la, porque o espirito maligno da familia vi
gia sobre elle, c apaga as (ochas de lodos os que len-
lam enlrar.
Ah! disse Gasino, cujo espirito romntico afa-
gava ja a narrajao de uma bella legenda. E que ha
de verdade iiessa hisloria ?
He cerloque em I8i5 qualro cossacos ah des-
earan] c ninguem ouvio mais fallar delles. Depois
desea poca lem-se tentado muilas ver.es enlrar ahi
porm as luzes apagam-se sempre antes de chegar-
se ao fim da escada....
Eulilo er....
fundamento das sociedades humanas, e como lacs
primeiro elemento de sua conservarlo c de sen pro-
gresso, chegaram a ser subvertidos por uma serie de
violentas revoluees.
Porm creio saber, e a historia ensina-nos, quan-
to pode e quanto vale uma vontade enrgica que,
invocando o auxilio de Dos e com legitimo dreilo,
se prope caminhar pela via da juslica e da pruden-
cia : da juslica para premiar os actos louvaves e at
as rectas intengoes refreando ao mesmo os inslinc-
tos perversos, t castigando as tentativas criminosas :
da prudencia para nao applicar exageradamente a
idea santa do direilo, e para dirigir a lodos pela sen-
da dos seus deveres sem tolerancia e sem ira.
No seculo que alravessamos he mais necessario
que nunca aos governadores dos povos evilar o du-
'plo esclito que aprsenla essa mullidlo de ideas
desconcertadas e contradictorias que, nascendo, co-
mo nasccm, comlberdade quasi Ilimitada, se eon-
vertem, apenas nascidas, em iovasoras, aspirando a
translomar o iodo, religiio, governo, leis e coslumes
sociaes. Costuma comefleUo acontecer qnf^ostamen-
lealarmadas as forras conservadoras dasociedade ora
esla ousadainvasaodas ideas, descouhecemquic os
fados que verdaderamente passarao, as iusliluicoes
que verdaderamente desappareceram, entao pelo
errado empenho de manterem uma vida facticia, o
que he verdadeiramente caduco, d-se no esclito de
lamentaveis reacc,6es. Porm ha tambem na histo-
ria multiplicados exemplos de poderes que, ou fas-
ciuados pelo falso brilho de novas Iheoras, ou lo-
mando equivocadamente por variareis e caducas
ideas e iusliluicoes perpetuamente ligadas vida de
umpovu, e constitutivas da mesma esseneia da so-
ciedades, coslumam tocar no escolho de iniciar des-
acordadas reformas alentar com sua cooperario ou
equiescencia perigosas alleracoes.
O erro mais grave e funesto das utopias contem-
pornea- consiste sem duvida em querer qne arbi-
traria e caprichosamente possa ser mudada a cons-
ltuirao intima de am povo. Quando prevalecendo
esse fatal erro prelendeu raodellar uma sociedade a
seu bel -pra/.er, produzio a mais triste das con anuen-
cias, menoscabando o prestigio c aniquilando as
forcas do anligo que se intenta derribar, sem qae
em troca oblenha a frca e prestigio necessario pa-
ra fazer fructuoso e al possivel o novo que se in-
tenta por em lugar do anligo
Entao he cabalmente quando corneja para as na-
Soes esses estado chronieo de coufasao e agona, qae
faz perder a bussula ao mesmo lempo aos goveroos
a aos povos. Entila quaudo proslradas as forcas da
narao, abatido o animo dos individuos, sem amor ao
passado, sem c.timacao do prsenle, sem f uo futu-
ro, apparecem essas pocas de profunda immoralida-
de e de lena/, anarchia, permllidas por Dos as
sociedades para castigar a sua luucura.
Nao vo-lo occullarei e estou cerlo de que me ac-
creditareis. Tenho a triste conviejao de que a nos-
sa amada patria se acha n'um desses periodos fcrr-
veis cajo lermo he ignorado pelos humeas. Volla-
dos inceasanleinciile os olhos para essa Ierra digna
de inelhor sorte, e pensando estremecido, ao mesmo
lempo de lmur* de esperanra que lambum podes-
se enlrar nos designios do eco o levarme ao meio
de vos, tenho chorado muitas lagrimas de dor e de
ternura, e do men azilo de proscriptos vos lenho of-
ferecdoesle coraco em que Irasborda a fidalguia.
Recorrendo com avidez as paginas inumeraveis
coasagradas pela historia a narrar os prodigios dos
nossos heroicos progenitores, tenho sentido muitas
vezes abrir-se-me o meu peito esperanra, e tenho
julgado que (odavia he possivel restablecer na sua
amiga inlegridade, em todo o seu esplendor antigo,
aquella gldra immarcessivel que vos fez em oulros
lempos invejadosdo mundo.
Sim, o tenho esperado o espero, e o esperarei
em quanto vivo : qae chegada hora dos ltimos
desengaos ; que assgnado um lermo a essa lula
insensata que vos devora entre ambires desacorda-
das e interesses mesquinhos, que resolvidos todos de
boa f a bascar o bem no supremo criterio de nossas
veneraveis tradiccoes em negar o prudente espirito
de reforma tanto quanto pecam as*verdrteiras con-
quistas da pura scieueia e o curso natural dos lem-
pos, que posto com mao firme entre o passado e o
porvir : um muro imepenetravel ao raocor dos of-
fendidose as Ilegitimas prelencoes dos ambicioso,
que exmelas ale essas bastar Jas denominacoes era-
pregadas como bandeiras de um combate fralrecida
pelos oppodos bandos, que accordes finalmente na
maneira de conciliar inleressas que acaso somente
se cootraponham porque nao sao bem compelin-
dolos, e comu se acha prximo o momento em qoe
me veris no meio de vos, nao como chefe de um
partido perseguido do sen contrario nao alistando
multidao de vencidos como caudillto implacavel He
vencedores, se nao como pai dos hespaooes, e como
re de Despatilla.
Vi na minha juventud* derramar-se sar.gue gene-
roso nos campos da balallta, onde passei os primei-
ro anuos ; vi com os meus proprios olhos a nobro
constancia dos que apoiavam a causa da minha fa-
milia, o valor dos que combaliam contra ella : all
No Ihesouro e no espii ilo da familia ijue o guar-
na ? Oh! nao sou lo tolo para isso. Bem sei o que
evo crer a este respeilo.
Bem, eis outro espritu forte que zomba de mi-
nha legenda, e que vai explicar-me mui natural-
mente'um inv -lerni, disse comsigo Gaslao.
Se eu live.se de dar minha optniao sobre islo,
conlnuou o criado, nao ira procurar as cousas lito
lunge, e julgaria antes que sao as almas dos pobres
cossacos privadas de sepultura quevollara.
Muilo bem, disse o mancebo, sou de sua opi-
niao.
Quando o Sr. quizer ir ao salSo, tornou o cria-
do relirando-se, bastar baler nesla sineta. Nao ha
campanillas ncsie castello, Mr. de Saulieu nao lem
querido comprar, dizendo que nao eslariain de ac-
conlo com a archileclura.
Ficaudo s, Gaslao nao pode deixar de pensar qae
quanto acabava de ver e de ouvir era muito original,
e sua joven maginacao exercendo-se i vontade so-
bre esse. dados exlravaganles fez mil supposicoes,
cada qual mais estranha sobre os habitantes desse
castello. Applicava-se sobre ludo a fazer uma idea
la caslelia que a ver, edevemos dizerque esses mo-
vis velhos, essas ruinas, essas torres meio cabidas
nao o dspunham a preslar-lhe a< gracas e a frescura
da mocidade. Elle figurava uma velhinha meltida
nos travesseiros e escondida debaixo das renda pre-
las, uma espede de fada curvada debaixo da vari-
nba de um encanlador, e esquecda depois por elle
nos maros varillantes desse velho caslello.
Quanloao castellao que eslava ausente, e que ha-
via de vollaressa noile, Gaslao nao petisava nelle.
Acabando de veslir-se, o mancebo balcu sobre a
sinela, e um inslanle depois (nruou a apparecer o
criado, espirito forte. Toruaram a comerar um pas-
seto por escadas espiraes, galeras1 estrcias, e salas
de abobada.
Cuidado neslc alrap.io, di/ia o gua, chegtie
direila para nao cahir nos su hierra neos, abaixe a ca-
beca para evilar estas barras de ferro, suba Ires de-
graos, desea dez, vulle esquerda, depois direila ;
bem ja chegamos!
Com efleilo linham entra lo em orna sala grande,
que servia de antecmara ao salao. Oulro criado
lambum vestido .!. prclo abri urna jiorla larga e iu-
leirira e auniinciou:
O Sr. Gaslao de Chavilh .
CAPITULO TERCEIRO.
K.llors sentant tnul manquer sou*
lu, n'ayant piar que se mains
roidierel de fallante qui tenaient
a quelque chose. l'inforlune fer-
ina ler yeu.i....
(Vctor Hugo. Sotre Dame de Parit.)
Quando a porla do sabio tornou a fechar-sc por
Iraz de Gaslao. doas pessoas licaram de repente igual-
mente estupefactas e confusas, primeramente Gas-
l.io, e depois madama de Saulieu. Esla lomava a
adiar dianlcde si o joven cavalleiro do hotel da In-
glaterra, aquelle acabava de reconhecera loura des-
con herida, que entrevira em Beauvais.
aprendi a eslimar a fidalguia de lodos ; all apren-
d a admirar-ros. Que muito, venda boje lodos os
meus compatriotas, ligados pelo vinculo mysterioso
da dor eda dasgrac* e contemplndolo mesmo lem-
po o. I usar que me assignalou a provioaneia, chegar a
oflerecer-vos o mea nome como consol > como e-
peranra ?
E qnem com melhor direilo ? O Mitfie dos vos-
sos res he o qae circula as miabas Telas ; o orne
que ellos leem he o men nome : aniares d'entre
vos que por minha causa levantaran, psndocs, tor-
naran!, se Ihes desse signal, a levantlos ; s on-
Iros pelo contrario, nao tem motivos -de ndiar-me ;
para lodos foi sempre a minha voz t'voz de paz e
concordia. Pois bem, nio quero nesftmomento so-
lemne alezarentre v nem mi direilo nem mais
Ututos que o vosso mesmo infortunio e o immeaso
amor que vos tenho. Abraco-ros como amigo e
como pai com a pura verdade e com a voz da his-
toria.
Nao quero ser elevado sobre um broquel san-
grento, nao pretendo examinar o ardordas lulas que
leem ilcspedacado o meu coracao de hespanhol e de
chrislae : nao quero levantar os vossos bracos, mas
im ganhar as vossas conviecAes e conquistar vossas
almas. O mystico amor, a confianza mutua sejam
o nosso pacto de allianea. E veris entao qnao f-
cil e accordemenle se resolvem como per si mes-
mo todas essas questOes da ordem poltica que agora
vos agitara tao estrilmente : veris como espont-
neamente e sem lula brotara instituieats, que tendo
a sua raiz na nossa hisloria, conforme as nossas ne-
cetsidades, de accordo com os nossos hbitos, firmes
para queapoiem e su ten lera os nossos principio
constitutivos, flexives para que possam modificar-
se sera violencia conforme o pedir o soccessivo do-
-en vol vi ni en I o de nossas forras sociaes, que cont-
nham emsi com primordiaes elemento, um Himno
ao abrigo das tempestades populares, cercado da
gerarchtas c classes moderadoras, que, libertando de
seus proprios extravos, illuslrando-o eum seus con-
selhos, aiixiliainlo-o cora suas deliberaces, defen-
ilendo-o com seu braco, sendo, enilian, urna ver-
dadeira represeula;o nacional independente,
respeitavel que posi manler para sempre o vincu-
lo indissoluvel que nunca devera romper-se enlre a
llespanha e os seus monarChss.
Tal he o meu desejo, lal he a minha vonlade ;
pondo a Dos por leslemunha de minha rincerida-
de para comvosco, e peranle o seu jiuto tribunal me
aprsenlo para responder-vos pela recudi de mi-
chas inlenres e da lealdadede minlias palavras.
Qae Dos castigue o mentiroso, eque ajude o
esforrado
( Peridico do Pobres no Porto).
[Correspondencia particular da S'aciio.)
Madrid, 5 de ouluhro.
Por carias recebidas de Franra se diz que a rainba
Chrislina dcima se conservara em Jagne/e-, em
quanto durar o bom lempo, e que quando o fri a
obrgue a sabir se eslabelecera em Tardes, Pauou
Bayona, por sso que Ihe agrada muito esle paiz.
A rnnlra-rev oliirao agrupa-se em (orno della ; nota-
se na sua residencia grande aftiuencia e agentes e
uma perigosa aclivdade.
O sea plano consiste em promover a anarchia,
tornando o governo mpossivel. Accrescenta a car-
ia que a rainba m.li assegura que sua filha se con-
sidera como presa e disposta a protestar contra o
actual governo. Assim o creio.
Ellecli vamenle quasi lodos sabem qne esle dias se
descubrirn) os los de duas ridiculas conspirarles,
uma republicana oura polaca, que contaran) com
meiosde influencia eaceo que nao san para des-
prezar.
a A' frente da primeira figurava. indubilavel-
mentesem seu conhecimento, uma alia personugem,'
a quero o governo se vio na necessidade de indicar
que deveria sabir da Pennsula, para que n seu no-
mee a sua presenca nao srvam de estimulo aos re-
voltosos. Para a segunda enviaram-te estes dias a
Madrid do eslrangeiro coniideravii fundos, e ao
mesmo lempo chegaram a Hespanha deslros inri-
gantes, activos conspiradores, encarregados de apres-
tar a execuco dos planos reaccionarios.
E se tao grave he a siluacSo poltica, nao me-
nos grave e lerrivel he a stuacao social, qae a ira
de Dos trouxe sobre este infeliz paiz. Em qnanlo
em Burgos, em IIucea e outros pontos os jornaes se
oppeao livrc commercio dos producios da agricul-
tura, e siqueam as casas dos commercianles del-
les, cm Antequera queimam as fabricas e as machi-
uas, como antes haviam feilo na Calaluoha, em Ilu-
siva reparlem-se os bens do Medinacell; em Mala-
ga os do duque de Monlellano ; na Eslremadura o
do Estado, em oulras parles os do particulares. He
o socialismo km acrao, intuitivo, materialista, ap-
plcado em llespanha sem as vaas formulas de Luiz
Blano, de Cabel e de Proudhon.
O infante D. Henrique, que he a alta personagetn
a que se refere o artigo, sabio inmediatamente para
o eslrangeiro, sob pretexto de estar o cholera em Va-
lencia e ilhas Baleares.
Todos esles dias passados leem circulado folha
ann y mas, como no lempo do ultimo ministerio, pro-
vocando-se scises entre o governo.
Assegara-te-nos que conlinuam os esforros para
que o conde de Montemolin abdique em favor deseu
irroio D. Joao, que lem muitas sympathia-s no paiz
parece porm que o autores deste plano no o Ic-
varao a efleito, mxime se se confirma a noticia do
parto da Sra. condessa de Monlemolin. (dem.)
I i ,<~-
(Correspondencia particular da SarSo.)
Madrid, 2 de ouluhro.
Os principios e elemento de desorganisacao social
vSo ganlt.indo cada vez mais Torca e terreno.
Ha quem vote pela conservaran do Himno cons-
titucional de D. Isabel, e quem quira uma abdica-
rlo em favor da prineezu das Asturias, oulros pro-
claman! a necessidade de uma nuidancn de dynaslia
sonhando em enlregar a coroa uns a Monlpensier,
e ouros a D. Pedro de Portugal ; oulros pedem
para as mais provincias de Hespanha o syslema que
rege a provincas vascongadas ; oulros por fim nao
param sean na democracia para ; e por mais que
quera o governo e digam os orgaos doparlido conser-
vadorque as cortes constituidles nao lem oulra facul-
dade do que a de constituir o que deixou existir a re-
voluto, por mais que as eleirOes de Madrid sejam
favoraveis aos moderados, lodas eslas opinies serao
representadas,ese ventilarao as pro\imas|cortes.
Ainda que se nao possa saberom cerleza quaes
serao os onze nome que saam da urna pela pro-
vincia de Madrid, alguns ha que reunram lodos
os sulTragio, como sao o dos Srs. Ignacio Olea,
marque/ de Perales, Antonio Guilherme Moreno.
Gregorio Lopes Moliueiro, que se encontrara ja em
quasi lodas as lisias, e aos quaes aggregam aqu ou-
lros igualmente conhecidos pela exaggerarao de suas
ideas polticas.
Em Madrid quem domina he aclasse meda, ban-
quero, homens de negocio que primeiro do qne lu-
do carecen, de ordem, e qne ja se lera sobreposlos
revoluco, e que apoiam o governo, mande quem
mande : mas esle partido perder de cerlo as elei-
ees dos seus representanlcs mais aulorisados S.
Miguel e Dolce ; porque sao incompativeis, segun-
do a le de 1837, as suas candidaturas com os cargos
queexercem na capital, um de com mandan le supe-
rior da milicia nacional, e ouUo de inspector jjeral
de cavallaria. Por oulra parte os demcratas leem
qae abandonar a candidatura do seu joven orador
do Oriente, a quem fallara os annos exigidos para ser
depulado, e a quem se oppOe ja, e com ra/ao, vari-
rios orgaos importantes da opiniao publica, porque o
Sr. Castelar al agora nao lem outro merecimenlo,
do que o de um discurso, para o recommendar
como honiem poltico aos suffragios dos seus conci-
d,ulaos.
Era quanto as cleicocs de provincias, como ja llics
tenho diclo. lie mpossivel de todo formar orna idea
de qual ser o resultado ; o que ja se pode dizer be
que havera um pouco de ludo, o que da reunilo
das opiato* diversas, que virao ao congresso, sal.i-
rao discussoes empenliadissimas. Mas nao se podo
por agora calcular qual P>ri H anarchia que se tem apoderado dos nimos as
arovincias, nao ha oulros peosamentos nem Candida-
tora, do que pensamenlos e candidaturas iodivi-
duaes.
Entretanto em varios pontos cslalaram graves de-
sorden, em Burgos araotinou-se o povo por causa da
caresta do pao e da extraccao de grao, e ainda que
conseguio o sen fim, leve que inlervir, por ordem
da auloridade, a tropa da guarnicjlo, e houvc am
conflicto de que sahiram alguns ferios. Diz-se qne
em consequencia desles successos se delerminou, em
coincido de ministros, a demissao do governador
civil.
Na Corunha tambem lem havido algumas desor-
den* prodnzidas pela apresentacao na bahia de ro-
pas precedentes de Andaluza, e que se suppanha
qae iraziam o cholera.
Tambem Malaga foi Iheatro de lamentaveis desor-
dens, que e tem podido corlar opporlunamenle,
gracas enrgica aclivdade daquellas dignas auto-
ridades, da milicia nacional e da guarnico.
Ainda que carecemos de delalhes, assegura-se-
nos que 4 sabida do ultimo correio fleava completa-
mente reslabetecida a tranqullidade, achando-se
reunida nma jnla de pessoas inflaentes, convo-
cada pelo governador civil, para acordar os mcios
mais conducentes de rerolher as armas aos que pelas
suas exagerarnos se tornavam indignos de se Ihe
confiaren).
L-se n'um peridico:
Segundo nos lem informado, descobrio-sc uma
conspiraran republicana.
O Sr. infante 0. Henrique marchar imme-
dialamente para, as ilhas Balleares por indicaran
oa sapplica do governo. Toitt le monde veu mete.
S. M. a rainba regressar ao Prado, mas segando
murarnos fidedignas, n3o lardar muilos dias em
tornar a fixar sua resideneia na corle, o que pare-
rece confirmar o rumor, que Ihes parlicipei, por
mais que se diga, que foi S. M. mesmo que promo-
veu esta resolurao.
O mancebu saudou com ar embarazado e balbu-
ciou algumas palavras sem seguimento:
Senhora.,.. pero-lhe perdao.... queir dascul-
par liberdade que lomei.... o acaso coaduzio-me...
Se eu tivesse podido prever... fique certa de qae ig-
norava....
Quaulo mais se adanlava mais se confunda.
A dama nao eslava menos embarazada que elle.
Com uma mao moslrava-lhe uma poltrona perlo da
chamin, e com a oulra apoiava-se trmula sobre a
queoecupava. Ambo sentiam que havia alguma
musa de extraordinario o de falso na situarlo, e to-
dava nada era mais simples na apparencia. Ti-
nham-se entrevisto na vespera em um hotel, e lor-
navam a enconlrar-se no da seguale ella em sua
casa, elle perdido nos bosques, e seu hospede. Islo
acontece as vezes quando a gente segu o mesmo ca-
iniuho. Com ludo lanas rircomstancias singulares
linham presidido a essa approximacao, que pareca
antes voluntara do que casual. Poda lambem ser
o resultado de um plano seguido pelo viajante. Gas-
lao o sentio e coroa muito. A senhora nao poda ler
semelhanle pensamcnlo; brevemenle saliremos
porque.
Mr. de Cdavilly, disse ella lomando a assen-
tar-se e esforcando-se por dar mais firmeza sua voz,
disseram-me que o senhor perdeu-sc na llore-la de
Compiegue ?
Sim, senhora.
Ecaidou em vir pedir-nos hospedagem ".' Fez
bem.
Nao cuidei, senhora, foi o acaso c lambem o
capricho de meu cavallo que me Iruttxeram a esla al-
dea, e urna boa velha indicou-mc o caslello como a
nica habitacao hospilaleira em que eu adiara abri-
go para a noile.
Enfilo o senhor nao sabia qqe eslava em can
de Mr. de Saulieu '.' perguutou a moca cm lom sui-
prezo.
Perdoe-me, senhora. a boa verba m'o disse, e
ainda que poda parecer indiscreto a Mr. de Saulieu,
nao hcsilei em vir hater-lhc porla. A senhora de*
culpar minha liberdade...
i- Indiscreto nada absolutamente. Isso era
bem natural ; pois o senhor se adiava enlre conhe-
cidos.
A eslas palavras o embararo de Gaslao redodrou,
e a perlurbacao pinlou-se-lhe as feiccs. Julgati-
do com uma apparencia de razao que a moca fazia
allusao ao seu euconlro em Beauvais, nao aciou pa-
lavra alguma para responder, e madama de Saulieu
conlnuou :
Mr. de Saulieu folgnr de v-|o, esto senhor
quizer licar nosso hospede por alguns dias,'elle lera
muilo prazer em acompanlta-lo a Seneuil. Desla
maneira o senhor nao se perder mais no caminho.
Madama de Saulieu acompanhou eslas palavras de
um maligno e gracioso sorriso.
A Seneuil, repeli machinalmenle Gaslao. A
senhora sabe que vou a Seneuil t
Sem duvida.
Mas eu nao o disse a ninguem aqu.
Podo ser ; mas minha mai que vi depois de mi-
nha volla, disse-ine que esperava o senhor.
Sua mai! a senhora condessa de Seneuil A
senhora he enUIo madamesella...
Nao, Mr. de Chavilh, sou madama de Sau-
lieu.
Gaslao passou a mao pela fronte como para afu-
gentar urna nuvem.
Perdoe-mc, senhora, eu leria podido suppor...
nao sabia.;.
Que eu foe filha de madama de Seneuil ?
Ah de veras agora um prebendo o equivoco, a es-
Iranbe/a de suas palavras, sen embararo, o meo....
E poz-se arir. Gaslao eslava singularmente all
viado, e julgou melhor imila-la. Dahi em diante
madama de Saulieu era uma conhecida, e Mr. de
Chavilh um amigo. .
Gasino calenden o corpo poz-se mais a goslo, e a
conversarlo lomou um forma mais clara e desem-
barazada.
E foi o senhor mesmo, cnnlinuou a moca, que
encnntrei anle-honlem em um hotel em Beaux'ais ?
Fui eu com eUeilo. Que siugular serie de cir-
cunstancias !
Eu vollava de Dieppc com meo marido.
Eu ia a Seneuil.
Nos caminliavamos com mais pres-.i do que o
senhor.
Eo viajara lenlamenlr.
E fui bom voltarmos a Ostreval justamente a
poni de recebe-Io.
Foi o co que me desencaminhou para condu-
zir-me aqui.
Oh eramos sempre destinados a encontrar-
nos ; pois o senhor a casa de minha mai. Ou mais
cedo ou mais larde...
Preliroo mais redo.
Mr. de Chivilly he supersticioso ?
Creio voluntariamente lias influencias secretas,
as -) ni patina- myslcrosas.
Od pela minha parle creio inleirameute. O
scnltor nao pode negar por exemplu, que da alguma
cousa de extraordinario na maneira porque nos tor-
namos a adiar aqui amigos, c quasi pircle- segun-
do diz minha mai, depois de nos termos entrevisto
como eslranltos em uma hospedara, a nula leguas
de distancia dous dias aules.
E a rirrum-lanria extravagante de que indo
casa da senhora condessa de Seneuil, perco-me sua
porla, e chego casa de quem 1 de sua filha !
Confessc, Mr. de Chavilly que esses enconlros
sao pouco communs.
He um concurso de.fados eslranho e invero-
smil !
No meio de ludo islo vai ferir os nimos am ma-
nifest firmado pela rainba mai. J se sabia que
tinha sido entregue a S. M. a rainba ama copia, e
remeltida por esla s*nhora aos ministros qae a acom-
panharam ao Prado. Mas no sabbado um peri-
dico franre/ da fronlera nos trouxe o texto des-
le documento, nao lh'o remello, porque he nimio
extenso, e qae amanha o enconlrarao em lodos os
peridicos da corte.
Emquanlo ao reslo, esle manifest nada explica,
mas provoca a opiniao publica, e negando loda a
pai licipacao sua na direcrao dos negocios desde que
ah.lirn a regencia, altribue calumnia ludo quan-
to se lem dilo da sua inlervenrao no governo. ac-
ensa a nsaciavel amhicao dos homens polticos, o
transime d.is insliluiroes lberaes com que ella
linha dotado o paiz, equexando-se amargamente
da conduela do ministerio que adoplou a medida
revolucionara do seu desierro, conclue provocando
as acnsame-, que, diz, aguarda com a confianca de
desvanece-las e com o socego de uma consciencia ul-
trajada e pura.
Cartas recebidas de Bayona dizem, que se es-
'o all celebraudo reunios e jamares em que se
annundam abertameulc ideas de prxima volla
llespanha, e pensamenlos devinganc.a por parte dos
desterrados.
O governo parece que delerminou que o nos-
so embaixador em Par peca ao imperador do
Francezes a inlarnacuo de D. Mara Chrislina de
Buurbon.
Diz a Union Liberal :
Prece*que a curte de aple no he de lodo
estranha i poltica de Monlemolin e aos projectos
de seus partidarios, e ha quo suppor que nao he s
o irroilo da rainba ChrisUoa, o monarcha que vera
hqje com jubilo oceupado o throno hespanhol pelo
lilho mais velho de D. Carlos.
Anle-tionlem assistiram ao ministerio da fazenda
varios dos pricipaes capitalista desta corle, com o
objeclo, segundo parece, de completar a operacao
de 36:01)0,000 de reales comercia no mez ultimo, e
do qual s se reaisou entao rattade em metal. A
oulra metale deu-se em valores, e trala-se de reali-
sa-los para cobrir parle das necessidade do mez
prximo.
Hontem uma, celebrou-se em S. Jeronymo
ama grande juula de medico para, em vista da ex-
psito do Sr. Nunhez e outros, ver se lia ou no
cholera em Madrid. Entre oulros assistiram a eila
junla Morante, Moiilau. Casado e Stone. O corlo
he, que nunca foi menor a mortaudade em Madrid
no ootono. _^^___ [dem.)
Correri Italiano de Vicua diz o seguidle : Se-
bastopol cahir breve : exclamara as nove decimas
parles da Europa. Sebastopol resislir e as tropas
alliadas ver-se-hlo obrigadas a relirar-se : dizem
alguns campeoes do erar.A derfula do Bussos so-
bre o Alma ; a sua retirada vista dos fortes de Se-
bastopol ; a sua impotencia que es obriga dcfensir
va, ludo islo alo bagatelas ncapazes da empanar a
seus olhos o brilho da eslrela de Pedro Grande e de
Catharina.
Os partidarios da l',u--i:i na sua maioria s., B<-
gos, que na guerra actual nao veem mais do que uma
guerra de religiao, na qual os verdadeiros renles
estao em lula contra os que reputan) impos. Exis-
te, porm, oulra classe de apaisonados dos Russos,
posto que a causa do seu allcclo seja totalmente ds-
tinda ; este partido be composlo de genle de boa f,
para quem a historia he nada, e as mudancas que ha
de ler o mundo e a pollica con o andar dos lempos
nao sao mais do que sonhos de espirito* exaltados.
O segundo lypo de alleicoados ao Russos tem
posto a vista no quadro que reprsenla a balalha de
Leipsik, onde sobre um ouleirn se abracara os mo-
nharcas da Austria, Prussia e Russia ; a sua pol-
tica repousa na primeira allianea, que consideran)
indissoluvel.
Se a Russia qner apoderar-se de melado do
mundo, infringir os direilo e os tratados ; se a Rus-
sia persevera em seus esforc aponlando o teus li-
ro supremaca allemaa, enlendem que a Auiria
deve permanecer qnita ; e ao passo que as de mais
poteocia europeas ousam fallar era juslica, tratados,
inlcressc, equilibrio polilico, deve a Austria sacrifi-
car os seu Ihesouro e o sangue de en soldados para
que a Russk leve a cabo os seu< projectos a cusa do
inleresses austracos mais vilaes e dos de toda a Alle-
manha.
Uma vez djssnlvida a primeira allianea, o leopar-
do e a aguia vio eslabeleeer-se como conquistadores
as planicies da Italia e nos montes da Allemanha,
e entilo de cerlo se aftinda o mundo I
Quem nao v o ridiculo de aimilhanle discurso !
A sania allianea forraou-sc contra um celebre con-
quistador ; e nada mai natural do que a ana disso-
lusao, quando uma da parles contraanles quiz imi-
tar com os seus sonhos de engrandec monto e de con-
quistas o que foi a causa principal da liga.
As nllianras fazera-se c desfazem-se ; e a prova
disto he que a Inglaterra, que foi a quarla e mui
importante amiga das ames do norte na guerra
conlra o primeiro imperio franco/, he boje a fiel al-
I uma influencia superior. Quor que Ihe diga, Mr.
de Chavilly, quando oulro dia o entrevi no paleo do
hotel pareceu-me queja o conhecia, ou que o coohe-
ceria brevemenle. Mao grado meu, nao podia dei-
xar de encara-lo. e debable dizia comigo que essa
persistencia de minha parle era incivil; a influencia
era superior s minhas torcas, eu lornava a por sem-
pre eslouvadamenle a cabeca janclla. Nao me
quer mal por isso ?
Querer-Hiemal, senhora I en deveria antes pe-
dir-lhe que perdoasse minha indecenle curiosidade,
quando levanlei a cortina para melhor v-la subir na
carruagem
Ah era Vmc, senhor indiscreto?
Sim, bem como a senhora, cu ceda a um al-
traclivn irresistivel.
Eu bem o saba, die a mor^a em lom conven-
cido ; he sempre esse o efleito da influencia de que
fallavamos. Nao era possivel que ella se exercesse
nicamente sobre mim. O senhor devia necessaria-
mente soflre-la lambem.
Madama de Saulieu linha apena dezenove annos,
e sen espirito naturalmente alegre e inclinado ma-
licia conservara muilo da ingenuidade e das grabas
da infancia. Tinha frequentado pouco as sociedades,
e eslava pouco afeita s suas reservas, s suas vara-
coes de linguagem, s suas sublilezas de penanien-
lo ; julgava poder dizer qtiarrlo passava-lhe pela ca-
beca, exprimir ludo o que experimentava, e obede-
cer sem muita resistencia s innocentes iucliuar;e
re sen coracao. Com um mancebo como Gaslao,
cuja alma pura nao fra jamis maculada pelo pen-
s.menlo do mal, essa candura nao era perigosa ; elle
lambem nao sabia ilissimular nada de seus senlimen-
los nem de suas emoc,es. Assim ss explica a forma
singular e alias perfeilamenle innocente que tomara
a conversaeao.
O mancebo nao presin s ultimas palavras que
acahava de ouvir senao o sentido rigoroso qoe linham
lio espirito de madama de Saulieu.
Eu -allia essa influencia lao vivamente, (nr-
uou Gaslao, que quaudo vi a senhora partir, c.xpcr-
iiicnlei como um vacuo cm loruo do mim.
Bem v que lenho razAo. Assim he meu ma-
rido ; eslou persuadida deque quando alie voltar,
soM'ror.i lamben) l influencia. 'Islo se ganha as fa-
milias.
A aeiibora er'.' disse Gaslao com '.acento de in-
genua admiraran.
Eslou certa, lenho provas. Tudo o que Mr. de
Saulieu ama, eu amo igualmente rom uma sexcep-
rao. Elle lem a paixao da media idade, e eu nao
posso soflre-la. Elle adora esle caslello veldo, e eu
o deleslo. A proposito como acha nossa badilarao t
Pelo quo pude julgar claridade da la, o ex-
terior he Inste.
Lamentavel, Mr. de Chavilly, diga lamenlavel,
sinislro, fnebre, nao ser muito.
liada dessa mesma Franja, qoe em certa regioes
passava por ser a inimiga jurada da Gra-BreUnhe.
a Nao entraremos aqui na enumeraos o da demais
mudancas que tem solTrido a po.ic.1o pollica respec-
tiva dos diflerentes estados. Diremo somente qoe
a inamobilidade e invariahilidade no regiment in-
terno dos estados sao mpoitiveis comoeui o syslema
da sua poltica exlerna. Quando a pollica dos ou-
tros muda, devemos tambara mudar a nossa quan-
do o lempo modam lambem mudamos com
elle.
Vamos copiar ama correspondencia qoe conlem
curiosas particularidades acerca da iliscusso diplo-
mtica enlre o conde Buol, ministro do negocios
eslrangeiro da Austria, e dude igual cargo na Bar era.
Bale linda dirigido Dieta de Francfort um me-
morial, em que reproduzia as mesma objece que
o gabinete de Munich flzera na conferencia da
Bamberg. O ministro austraco responden clara e
francamente.
Ei o conteudo da citada carta :
Lembrado oslareis de que na sessio da Dieta
germnica de25 de agoslo ultimo, o plenipotencia-
rio austraco, barao Prokesch, apresenlou em Dome
do seu governo suprema assembla diversas ques-
tOes sobre a quaes eonvidavn a emittirem sea pa-
recer os governo allemaes. Mr. de Pfordlen
dirigi ao ministro da Baviera em Francfort um
memorndum que anda sob oulra forma, era a
reproduccao do que a Baviera apresenlra em Bam-
berg.
Parece que a Austria participa dos mesmos sen-
tiraenlos da Franca e Inglalerja acerca da capri-
chosa argumentarlo, procedente urnas vezes de Mu-
nich e oulras de Berlim. Pela circular austraca
ile 30 deselembro vio-se a clareza de idase' e-
uergia de linguagem com que o gabinete de Vienna
explcoa a (lese prossiana; e de am modo nada
menos calhegorico responden tambem ao ullimo
documento bavaro.
a Esta resposla foi dirigida ao ronde Appony,
ministro da Austria em Munich, e ihe devia lar
sido remeltida na ultima emana de setembro : na-
turalmente falla da quesUo relativa ao tratado aus-
tro-prussano, sobre se est ou no em vigor e com
que condi(5es. A Baviera sustenta qae o artigo
addicional a este tratado nao lem aclualmenle appli-
caco, porque oa principado estao i evacuada ;
purem, a Austria prova vicloriotamenle qoe a eva-
cuado daquelles, verificada por motivos estratgi-
cos, nao d garanta alguma Allemanha, e qae
nada ha que possa assegurar qoe a Russia nao tente
um movimento retrogrado, e qoe nao torna a passar
para a margen) direila do Prulh lambem por mo-
tivos estratgicos.
a Nao se pode prever um retroceso oflensivo da
Russia : diz a Baviera. Concedo ( responde a
Austria J; porem, disto deduz-se que os devores im-
posto! a Allemanha pelo tratado de 20 de abril nao
sao necessario immc liatamente ; mas, nem por isso
leixam de ser obrigatorios.
a Mr. de Pfordlen trata depois d parte qae
enleude precisa, qae a Dieta devia lomar as dis-
cusses das bazesdi pe. He eale. na sua opiniao,
o meto nico de oh'cr, quando se resolv a crise, .n
condifOes mais favoraveis ao interesses da Alle-
manha. A Austria allende a esla consideraran ;
mas a Dieta nao pode formular semelhanle preten-
C.lo, uma vez que nao concorra efectivamente nos
esforros qoe cumpre fazer para raanter-sc a paz.
a Segundo o minitjro bavaro, nada lio fcil co-
mo obler da Russia o reconhecimenlo da liberdade
de commercio no Danubio. Al agora, pelo menos
, respondo o ministro austraco) ainda nao bou ve
demonstrarles de laes desejos,
O gabinete de Munich er que a revisao dos
tratados relativos aos Dardauellos s pode trazar uli-
ldade Inglaterra. A Austria demonstra explci-
tamente qoe a revisao do tratado de IRil he urna
quesUo de inleresse geral e de equilibrio europeu.
a O goverao bavaro concorda emqoe nao se con-
ceda Russia o protectorado dos subditos chrislos ;
mas, deseja ao mesmo lempo que nao o tenha u Sul-
filo ; quer que. em vez de conceder o privilegio a am
s, participera lodos delle.
a O ministro austraco, conde de Buol fax a esta
proposieo a honra de disculi-la.
Depois de ler expolio a sua opiniao acerca do Ira-
lado de Berlim, e das quatro garantas lixada em
8 de agoslo, o memorndum bavaro perguola a
Austria se est decidida a sustentar at por meio das
armas eslas garantas, e neste easo que seguranzas
dar de que a potencias occidentaes fiquem salis-
feilas com esta qualro condiefles de paz.
O gabinete de Vienua, sem se ter obrigado a
urna guerra oflensiva contra a Russia para alcanrar
essas cundire, julga que nao se podem fixar de
anlemao lmites ao negociador ; e declara desde ji
que ralo lem nenhum direilo a pedir s potencias
occidentaes que promettam cousa alguma a esle res-
peilo, nem que fique fechada a porla a negociaces
ulteriores.
a O conde de Buol termina rechazando as objec-
coes de Mr. de Pfordlen contra a assignatora do
tralado auslro-turco sem previo aviao da Dieta. Com
E que seria inexplicavel, se o nao referissimos Mas o interior...avenlorou Gaslao.
Oh! o interior he peior aioda, ha uma verda-
deira prisao. paredes nuas e arruinadas, corredo-
res escuro, alrapoes, subterrneos, dizem al que
ha masmorras. Que linda babilaeao para a minha
idade 1
Confesso que uma casa moderna conviria mais
sua mocidade, e sem duvida ao seus gostos, e a te-
nhora deve viver muilo aborrecida neste castello.
Aborrecida 1 oh isso be nada ; mas digo ab
senhor porque he meu amigo, muilas vezes aqui le-
nho medo! *
Que per iso ha em um lugar seguro rodeado de
numerosos criados ?
Nao he dos vivos qne lenho medo, porm dos
morios. Correm boatos sinislros sobre essa torre
velha.
I' m seu criado disse-me algumas palavras a esse
respeilo.
Ah sim, Jo3o fallou-lhe sem duvida de cossa-
cos, de Ihesouro escondido, Joao nada sabe, meo
charo senhor.
Qae! ha urna lerceira legenda 1
Oh I n.1o he legenda, lie hisloria. Nao sou
mais rapariga e nao afago na imaginaoao todos os
conlos tolos que apraz ao medo inventar ; porm islo
he muito grave, e se Mr. de Saulieu aqui estivetaa,
Ihe dara lambem provas aulhenlicas do fados que
vou ronlar-lho.
Seria intil, eslou disposto a crer tudo o que a
senhora quizer.
Ah o senhor Gaslao faz-se espirito forte pois
bem veremos se brevemenle estar tranquillo
como eu. '
Nao din ide de qae d-me presta a participar
de seus terrores,assim como quizera participar de seus
perigos.
Sim, ra, mas ouea-me primeirameule. O se-
nhor saliera que no lempo da Liga este raslello era
pelo rei Henrique IV. O senhor de Ostreval era
u m soldado velho, que nunca julgara que a honra Ihe
permillissc servir a ambir,m dos principes da casa de
Correra remira o herdeiro legitimo do ihroiio. Em
um paiz onde a Liga centava numerosos partidarios,
e linha as principaes cidades e fortalezas um papel
filo leal era perigoso. Toda esla parle de Valoi* vi-
va sob o terror de um chefe de salteadores chamado
Hiena, nelo de um ferreiro, que a Liga fizera capiln
do raslello do Pierrefonds. A hisloria desle celebre
bandido he conhecida ; porm he manos a sorte dor-
rivel que elle fez sollror ao senlinr de Ostreval e a
seus qualro tiln. Ao chegar aqu, o senhor pode
ver que esta fortaleza he mu bem disposta para re-
sistir a um ataque, e Mr. de Saulieu aflirm? que nes-
te lempo ella podia sustentar um longo sitio contra
um exordio regular. Demais a la brilha ainda no
co, siga-me, o senhor far uma idea mais clara da
I"isir.iu desla fortaleza.
(Conlinuor-ie-na.)



n:
lilARIO OE PRNAMBUCO. SEXTA FElRfl 17 DE NOVEMBRO DE 1854.
(odas as considerajoes devidas a esta assembla, o
gabinete austraco observa mu judicusamente que
a negociar leria sido impossivel, se houvessc nc-
cessidade de consultar a Dieta de Francfort, onde
m vezes se coDsomem muitos mezes para decidir o
modo de volar nat quesles mais singelas.
u Finalmente o tratado austro-turco nAo lie mais
do que urna consequencia lgica do tratado aiislro-
prusuano, u admllindo-se neste ultimo acto loter-
minavel a eventualidad de occupajAo dos princi-
pados, era absolutamente necessario decidir de an-
lemSo com a Turqua as condiros desta occupacAo.
Tal he o sentido e a ordem das respoilas de Vi-
enna as confusas dissertajoes do governo bavaro.
Este deapaeho para o conde Appony, juntamente
un oque se enviou ao conde Eslerhazy.subscrip-
ladoparau gabinete de Berlim, demonstra que a
Austria esta decidida a nSo se deixar reter por essa
poltica vaga, incerla e arriscada dos pequenos esta-
dos da Allemanha, (atonfoode Setembro.)
Eiioofllcio dirigido ao ministro da marinlia pelo
almirante Hamelin, commandante em cliefe da cs-
quadra do Mediterrneo.
A bordo da Ville de Pars em frente de Katcha,
em 27 de setembro de 1854.
Sr. ministro. Em minha carta datada de 23 de
setembro imformava a V. Ex. que imhamos acom-
panhado o exercito ao longo do litoral comprehen-
dido enlre o Alma e o Katch, onde as nossas tropas
linham bivaqueado na Urde e as nossas esquadras
deitaram ferro no mesroo dia. Foi, poi, no dia -23
de setembro i tarde que eu pude informar o mare-
chai da determinado extrema que os Ruasos baviam
lomado de raelter no fundo entrada do seu porto
de Sebastopol cinco naos e duas fragatas, nao con-
servando oo interior desle porto senao nove naos,
duas de tres pontes, s quaes seguudo dizem mari-
nheiros polacos desertores reservavam a mesma sor-
(e urna vez que eslvesse certa a tomada de Sebas-
topol.
Esta noticia que o marechal nao pode deixar
de qualificar como deploravel a diversos respeto*,
devia concorrer para modificar os seui planos d
ataque. Com eOeito, eslava assenlaclo em certo mo-
do que tomado o forte Constantino e levadas de as-
sallo as bateras da parte septentrional do porto, as
esquadras cahindo enlao sobre o porto e rompendo
as defezas nao so completaran) as operacoes do
exercito atacando as baleras do snl, como tambem
apreseotariam urna cooperario segura ao mesmo
exercito, qualqoer que fosse o lempo e a eslajao,
dentro do proprio porto de Sebastopol.
a O entupimento do porto muduva inteiramanle a
face das cousas ; e como alem disso, se tnham inau-
gurado recentemenle obras exteriores em lomo do
(orle Canstanlino para tornar o aproxes lio difficeis
quanto mortferos, os generaes em chele decdiram
tornear Sebastopol pela parle do nascente e acom-
metter a cidade pelo lado do sul, pouco ou quasi
nada defendido, depos de terem estabelecido com-
municajao com as esquadras em Balaclava e recc-
berem dahi mantimentus o munijoes. Esto movi-
menlo estratgico, mu audaz para tropas completa-
mente desprovidas de aprovisiname-utos de rpido
transporte, eflecluou-se nos dias 24, 25 e26.
Os dous exercilos, depois de lerem passado o
Belbeck algumas milhas cima da sua foz, cahiram
logo sobre o valle d'lnhermam, serrindo o exercito
francez de centro extrema esquerda, e por conse-
quenca observando as chapadas que cercam pelo
sul e pelo sueste Sebastopol a curta distancia neslc
movimeuto circular ; ao passo que o exercito in-
glez, na extrema esquerda, vnha enleslar com as
alturas de Balaclava, as quaes appareceu na ma-
nhaa do dia 26 ; o exercito francez ahi se Ihe reuni
vinte e quatro horas depois, isto he, na manhaa de
hoje.
e No momento em que as nossas tropas chegavam
delronte desle pequeo porto, em torno do qual cru-
zavam tres fragatas e corvetas de vapor francezas
para observaren! seus mnvimentos, as naos napolen
e Charlemagne, dando reboque a cinco embarcajes
carrejadas de mantimentos, appareciam do mar alto,
l'orem, esta angra acanhada da Balaclava, como V.
Ex. poder convencer-se lanjando os olhos sobre a
planta, parece-me que difflcullosamente poder oc-
eorrer aos moviinenlos de proviso de vveres para
os exercilos, Espero, pois, urna re-posla do gene-
ral em chefe, a qual me far ronliocei se itero, alero
disso, comejar a fazer aqui ; operacoes de dcscar-
cr- uo material de sitm. No caso ds nlirroativa, al-
guus vasos irao ancorar na proximidade dos pontos
onde se verificar o desembarque ; as fragatas qoe
foram expedidas para Varna, sao erapregadas em vi-
giar a bocea do porto de Sebastopol e as paragens
de Odessa.
Chegou ae men conhecimeelo que os navios de
vapor, grandes e pequeos, da marinha russa, espe-
raran) poder passar de noite por entre o labyrinlho
iloscascos vclhos surtos na entrada do porto, e por
consequencia refugiarem-se n'algumaspossessocs rus-
sasdo Mar-Negro. Quaesqaer que sejam as facili-
dades que olTerece o vapor a eroprezas desle genero
em noites escuras, e que v8o sendo compridas, o al-
mirante Dundas e eu temos tomado medidas para
obslar-lhes.
I Goncluo este offlcio commnnicando a V. Exc.
que o marechal de S. Arnaud, cujo estado de saude
ja rra deploravel antes do desembarque, nao pode
resistir as fadigas deste cornejo da campanha.c embar-
ca hoje ne Berthollel em direejao ao Bosphoro, ten-
do entregue o commando ao general Canroberl, Sou,
eleO vice-almirante. commandante em chefe da
esquadra do Mediterrneo, Hamelin.
Tendo dado a psrle ofllcial que especialmente se
refere as operajoes das tropas franeezas na batallia
de Alma, transcrevemos agora, para complemento, a
participarlo de lord Ragln ao ministro da guerra,
em que se referen] com individuarlo os movimen-
tos das forjas inglezas.
Quartel general de Katcha em 23 de outobro de
185*.
(Mylord duque:Tenho a honra de informar vos-
a Graja que os exercilos alliados alacaram a posicao
oceopada pelo exercito russo alm do Alma no da
20 de setembro ; e tenho a satisfago de accrescentar
que consoguiram em menos de tres horas desalojar o
inimigode todo o campo de balalha qoe de manhaa
. oeeopava, e oceuparo mesmo campo.
Os exercilos inglez e francez deiiaram o seu pri-
meiro acampamento na Crimea no dia 19 e hvaquea-
ram nessa noite sobre a margem esquerda de Bulga-
nac. A marcha de descoberta da brigada do caval-
laria ligeira de lord Cardigan leve em resultado Ta-
zar avanjar um forte destacamento de dragftes e de
cossacos com arlilhara. Neste reconlro, o primeiro
que leve lugar enlre Inglezes e Russos.he impossivel
mostrar mais firmeza do que aquello descatamento
de cavallaria de s. M.: relirou-se sobre a sua reserva
em muilo boa ordem debaixo do fogo de arlilhara,
que logo cessou em presenja das baleras que man-
dei sabir i frente. Tivemos quatro homens feridos.
A nossa marcha foi fadigosa, ao calor do sol arden-
te, e sem agua at chegarmos ao ribeiro de Bulga-
uac, que nos causou grande satisfajao. Os dous
exercilos marcharan) sobre o Alma no dia seco i ule :
eslava combinado que o marechal S, Arnaud ataca-
ra a esquerda do inimigo passando o Alma junio da
sua foz, que o resto do exercito francez atacara de
frenlre aa alturas, ao passo que os Inglezes acommet-
teripra a dircita e o centro das posjoes rossas.
a Para que se aprecie o valor desenvolvido pelos
soldados de S. M. e as difflculdades que linham de
superar, jnleo conveniente,arriscando-me a ser con-
siderada enfadonha a minha narrado, dcscrever a
posijao oceupada pelos Russos, a qul sendo de sua
natureza muilo forte alravessava a estrada obra de
duas milhas e meia de distancia do mar. A serie de
'uileiros abruptos de 350 a 400 [les de altura, que a
partir do mar cosleia o Alma, pan ueste poulu, e
aqui se apoiava a esquerda dos ruisos ; depois con-
torna-so em amphiihealro seguindo um largo valle,
e termina n'uma allura, que era oceupada pela di-
leita russiana, e dalli desee para a planicie por um
declive menos rpido.
Esla posijao lera de imprmenlo perto de duas
milhas ; na garganta dcsla grande abertura acha-se
urna fiada de colinas mais baixas de diversas allu-
ras, de fio a 150 ps, parallelas ao rio, do qual dis-
lam fiOO a 800 jardas. O ro he em geral vadeavcl,
mas as suas margens sao de'accetso difflcil, e eleva-
das em muilo pontos. O inimigo tinlia cortado os
salgueiros que Ihe cobriam as margens, afim de que
nao podessem mascarar o ataque ; n'uma palavra,
fizeram ludo o que era poisivel para privar de toda
a casia de abrigo o exercito assaltanle.
Em frente da posijao na margem direta, a
200 jardas perto do Alma, acha-se a aldea de Bul-
luk, e ahi perlo urna ponte de madeira, destruida
em parto polo inimigo. O ponto que lerminava os
grandes outeiros, c onde fechavam os mais baixos
era a chave da posicao, e ahi se linham accumnla-
do lodos os rucios do defeza. A ineio caminhu e de-
fronte daquellc ponto, urna Irinclieira de muitos
centenares de jardas defenda a approximajo ua
passageni mais diroela e fcil. Na margem direta,
um pouco a retaguarda, urna forte balera guarne-
cida de pecas de bater protega a ala direta. II a-
via arlilhara em todos os pontos que mellior do-
iniuavam a ptsagem do rio c sens aproxes cm ge-
ral. Na ladeira dessas eminencias, que formam
urna especie de chapada, achavam-se massas de iu-
fantaria inmiga, e as alturas eslava a grande
reserva, montando, segundo eu pude coujeclurar,
45 ale 50 mil homens.
v Os exercilos combinados avanravam na mesma
linha, o de S. M. em duas ordens contiguas, rom a
testa de duas dvisoei, coberto pela infantera ligei-
ra e urna balera de arlilhara a cavallo. A segun-
da divisAo, commandada pelo lenente-general de
I.acy Evans, formava a direita e locava na esquer-
da da terceira divisao do exercito francez, comman-
dada por S. A. imperial, o principe Napoleo.
A divisao ligeira, commandada pelo lencnle-
general sir George Brown, oceupava a esquerda.
Em segunda linha ncliavam-se na retaguarda de sir
Lacy Evans a terceira divisao commandada pelo t-
lenle-general sir Kichard England, e i esquerda a
primeira divisao commandada por S. A. R. o du-
que de Cambridge.
a A quarta divisao, commandada pelo tencnle-
general sir George Calhcart, e a cavallaria comman-
dada pelo major-gencral, conde de I.ucan, ficaram
do reserva para cubrir o flanco esquerdo e a reta-
guarda contra um consideravet numero de cavalla-
ria inimiga, que se de-cobrira nesla direejao. Che-
gando debaixo do fogo de arlilhara, que em breve
se lornou formidavel, as duas primeiras dvisdes
melteram em linha para atacar a frente da posicao
inimiga, e as duas divisos da segunda linha apoa-
ram este movimento. Apenas lindamos tomado po-
sicao, a aldea de Bulluk na frente do nosso cen-
tro esquerdo foi incendiada pelo inimigo, o qoe pro-
duzio um incendio que oceupava o espajo de 300
jardas, que nos occullava a posicao do inimigo, e
atranez della era impossivel passar.
a Dons regimentos da brigada do general Adams,
que formavam parte da divisao de sir I.acy Evans,
liveram de alravessar o ro i direila por um vau
fundo c diflicil debaixo de vivo logo ; ao passo que
a primeira brigada s ordens do major-general Pen-
ncfalher, e o lerceiro regiment da brigada Adams,
passavam i esquerda da povoaj.AO incendiada sob o
fogo da arlilhara inimiga e apoiavam se sobre a es-
querda com muilo valor e firmeza.
Entretanto, a divisao ligeira, commandada por
sir Sir George Brown, pasativa o Alma cantonan-
do directamente contra o inimigo. As margens do
rio, escarpadas e recortadas, eram per si um grave
obstculo, e as viohas por onde era necessario pas-
sar c as arvores que os Russos linham cortado nprc-
senlavam anda mais tropejos que impediam urna
forraalura regular debaixo de um fogo mu nutrido.
O lenente-general Brown avancou para o inimigo
com mui desfavoraveis condices ; perseverou nes-
la operacAo diflicil e a primeira brigada s ordens
do major-general Codrington, sustentada por um
movimento judicioso do general de brigada Buller
sobre a esquerda, e pelo de quatro companhias da
brigada de caradores, commandadas pelo major Nor-
colh, que prometi ser um excellente oflicial de
Iropas ligeras, conseguio lomar um reduelo.
O fogo nutrido de metrallia e de mosquelaria a
que as tropas estavam expostas e as penlas que sof-
freram os regimentos 7., 93 e 33 obrgarim esla
brigada a largar parle do terreno que tinham oceu-
pado. Nesle intervallo, o duque de Cambridge
chegou passar o ro e veio apuiar o movimento ;
urna carga Muante da brigada das guardas a p
commandada pelo major-general Benlinck dcsalo-
jou o inimigo c nos assegurou a posse daquella po-
sicao.
n A brigada de Es/ocezcs, commandada pelo
major-general sir Coln Campbell avancou com ad-
miravel ordem, e ao mesmo lempo que as guardas
as eminencias dn esquadra, c a brigada do major-
general Peiinefalhcr, que se reuuira a direila da di-
visao ligeira, forraram o inimigo a abandonar com-
plclamenlu a tosico. O regiment 95 lovs laro-
bem grandsima pora.
a A arlilhara real foi de grande sorcorro nestas
diversas operacoes ; os esforcos dos ofilciaes pnra
mellerem as pecas em balera nao aflrouxaram nm
s iustaule, e a certeza de snas poutaras nSocon-
lilinio pouco para o resultado desle dia. O lenle
general sir Richard England suslenlou com a sua
divisao as Iropas da primeira linha, co lenente-ge-
neral sir Georges Calhcart vigiou sobre o flanco es-
querdo.
o A nalnreza do terreno nao permillio i caval-
laria do commando de lord I.ucan desenvolver-se ;
porcm servio para lomar prisioneiros no fim da ac-
o. Pelos delalhes destas operacoes, acerca das
quaes me demore quauto era possivel n'um offl-
cio, vossa graea ver que os generaes e officiaes
empenhados na lula flzeram esforcos extraordinarios
e tenho a sal^fajao de recommenda-los. (dem.)
rao aos Sapadarcs c Mineiros, ordena o silencio, c
he imperativa acerca do Irabalho que he dirigido
com a maior energa. O seguinle ser ldo com do-
lorosn-inlercsso :
A guarda ser enllocla na retaguarda da par-
le operadora, e junto della se for possivel, abriga-
da cm ordem de balalha, com os seus apelrechea, e ca-
da um com a sua espingarda junto a sinutra par-
le, igual a um Ierro das forras, absolutamente vi-
cilantc toda a noite, exercendo esta larefa alterna-
damente, prompta para accoiumclter immediata-
meule o inimigo. Pnrlanlo se houvcr urna sbrtida
fra'ou as obras, a guarda deve estar em inmedia-
ta promplidaopara atacada icm licstarAo. Nada he
l.io fcilmente desbaratado como una surtida, se fdr
repellida sem demora.
Isto implica vigoroso Irabalho, e sem duvida as
preciucoes tomadas fora iota e\aclamenle execu-
ladas ; mas provavclmenle a conclusao do negocio
ser mais breve do que o povo imasina ; porque he
bstanle sabido que nao ha forlificacao ou basti.lo
que possa seriamente retardar os sitiadores. Um
forle reducto defronte das linlias inglezas parece ser
o mais formidavel obstculo que dizem existir, e es-
te ser o primeiro loar que se ha de callar. Segun-
do as mauobras dos Kussos. metiendo a piqne Untos
dos seus novios cm frente do porto, presumimos
que as nossas muralhas de madeira nao podem lo-
mar parle na accAo pelo lado da mar, mas os mari-
ulieros podero prestar excellente servico, assaltam
do a fortaleza quando o signal for dado," para cujo
fim muitos delle- j lem sido enviados s eminen-
cias de Sebastopol, e, fiis aos seus insliactos Iradi-
cionaes, otila aoimados do raaU ardenle enlhusias-
moe do mais coidial prazer no arduo Irabalho que
esla diante dellcs. Dizem que sob esta relajo os
Bussos apremian um contraste extraordinario;
porquanlo posto que se espere que elles combale-
rao desesperadamente, com ludo o resultado do con-
flicto de Alma j muito os lem desanimado, ou, co-
mo ilizem os Franczes, desmoralitouos. Quanlo
aos inovimentos do principe Mensehikoff, acerca
dos quaes alsuns dos nossos contemporneos se mos-
Iram lAo anciosos, damos-lhes pouca- importancia ;
porquanlo se elle nao poder reunir um exercito que
possa corresponder aos alliados na sua presente po-
sicao quasi imprcgnavcl. e desl'arle demorar o pro-
sresso do assedio, acerca do que nao ha a mais re-
mota probabilidade terrestre, lodos os boatos relat-
vos'.aos reforcos que Ihe chegam podem ser conside-
rados como mui innocentes gracejos. O- reforcos da
l'ranca e da Inglaterra, conduzidos a Balaklava nos
transportes impellidos pelo vapor, prnvavelmente
devem estar na Crimea antes dos reforcos do gene-
ral russo. Emquaolo Mensehikoff se adiar nesla
posicao, Sebastopol ser um monlAo de ruinas. Com
ludo he doloroso lrr : roudicao do infeliz povo nes-
la cidade sentenciada, o qual dorme as masaos
milhares toda a noile, nao saliendo o instante em
que as suas hahitacoes podem voar pelos ares.
Quando o czar vira sua capital de S. Pelersburgo
ameacada da mesma sorte, o horror da guerra tai-
vez seapproxime bstanle perlo de casa c o habilite
a apreciara sua miseria,contingencia que talvez
nao diste mais de dozc mezes, se elle nao attender
aos be,idos da ra/.io. Mas difiicilmeiite podemos es-
perar que elle afroxe. As suas recentes perdas Ihe
tem azedado a natureza, c golpes anda maiores
ha de soflrer. O grao-duque hereditario, que se tem
opposloa esla guerra desde o comee.>, tem sido re-
foreado na sua averso medida que os fados se
vao succedendo ; mas tudo he insufiicieule para
quebrantar a louco ambicio do pai. As probabilida-
des sao que o llirono russo a que o Gibo lem de su-
bir, ficar privado de multas provincias que reco-
ulircem o domioio do pai, pois que ltimamente
appareceu um pamphlelo meio oflicial em Paris,
nfl'erecido ao imperador, no qual a reconstrurcao do
reino da Polonia heestabelecida com um vigor de
raciocinio e com urna propriedade de lempo que d*|
.il-um.i sorte d s ideas o cunti da auloridade.
Como barrena contra a aguresso russa, este passo
lem por si os desejos da Europa, e at pode ser
recebido favoravclmenle pela Austria, a potencia
actualmente mais inleressada em humilhar o orgu-
Iho de Nicolao.
A conten la entre os imperadores d'Austria e da
II u-i i se alarga diariamenle, e segundo s apparen-
cias Francisco Jos lem lomado a peito a esmagar
o seu real irmao. A crenc,a de que os respectivos
cmbaixadores em S. Pelersburgo e em Vienna es-
lo em vespera de retirer-se, va ganhando terreno.
Esle fado ha muilo que era previsto, e agora he
claro que a Austria si eslava esperando o Iriiimpho
das potencias occidentaes na Crimea para dedarar-
se. Como o rompimenlo se approxima do seu pon-
to decisivo, a de-intclligenci enlre Prussia e a
Austria se vai augmentando naturalmente, e o fim
ser provavelmenlc que a Prussia se ha de tancar
nos bracos do L'rso Septentrionalquanto mais cedo
melhor. Falla-sc em urna alliauca secreta olTeusiva
e defensiva, com|lcndo sido feila enlre cl-rei da
Prussia e o czar, o que nao he improvavel, pois
que o proccdinieulo da primeira potencia uomeada
Pirante os ltimos mezes d um carcter de ver-
dadcao boato. A Inglaterra e a l'ranra devem es-
lar tAo scicnles da dissimularao priissiana como a
Austria, e assoalliam que o imperador da Franja
inlimou mui claramente ao monarclia prusslano
que as suas desculpas de evasiva nao serAo tolera-
das por muilo lempo. Tomando ludo em conside-
'u.Ao, isto lavez fosse bum, porquanlo conheceria-
mos nqo-a o* noMUM nuniqoe, a so o czar est de-
terminado a alfrontar tudo, como provavclmenle es-
tar, as complicaCocs da coutenda necessariamente
devem lomar consistencia. A Prussia recebar ler-
riveis golpes nesle reconlro, e a Franca ficar con-
lenle ao ver que o dia da rclribuie,fto emlim chegou.
C Huronean Timet.J
Austria.
appruvcitado mais cedo ou mais larde. Parece que
estes designios e senlimentns sao plenamente apre-
ciados aqui. O imperador da Austria e os seus I-
luslrados ministros igualmente resolveram desde
i.iuio lempo seguir a poltica, que os interesses da
F.uropa, e nao meramente os interesses da Austria
ou sn da Al lema nba, exigen) das inaos do governa-
dor desle poderoso imperio. Franqaco Jo I, esl
determinado a ser o imperador de urna grande po-
tencia europea, e nao s. de umn potencia puramente
allema. Desle fado resulla a grande dillcrenc,a
enlre a poltica da Prussia c a da Austria, El-rei
da Prussia nAohe infelizmente o homem capaz de
clevar-se ao nivel dos ampios designios que dao fur-
ia, animo e runrunea as alias resolucijes do seu im-
perial prente da autiga casa de llopsburg. Urna
proposla da Prussia a simullaJa historia aa espe-
rada missan do falli do principe da Prussia corle de
Vienna, que j Ihe refer oulrn dia, n3o levo elfeilo
algum, como eu esperava. O principe da Prussia
vai a Berlim assislir a celebraran do anniversario de
el-rei, e presumo que depois tratar da fabricaran
da engenhosa nuvella. Sei agora que as ultimas de-
clararles austracas a Prussia de 30 do passado, e a
circular austraca, as cortes allemAas do t por
causa da sua sincera c franca linguagem tem sido um
doloroso golpe e grande desanimo a el-rei da Prussia
c o partido Kreulz Zeilung. Reposta alguma an-
da nao foi recebida aqui acerca desta communica-
o ; e supponho qoe temos a esperar muito lempo
antes que esta resposta seja dada. A simples ques-
lo parece ser agora o seguinte; continuar a existir
ou nao a conlideracao germnica? ou por oulras
palavrasestar para morrer da morte mais ingloria
esla grande instituirao de 40 annos de paz na vespe-
ra do grande aconteciraenlo pelo qual ella fui crea-
da, isto lie, as vesperas da grande guerra continen-
tal?Ese assim frquemdevesercensarado?To-
da Allemanh* j se ada nssuslada em consequencia
dessa possibildade inevilavelmente apparente, e
considera a Prussia como criminosa. El-rei da Prus-
sia parece nao ter conscencia da tremenda respon-
sabilidade que se est ai-cumulando sobre a sua dc-
volada cabera. S. M. pode fallar e jactarse dos
400 mil homens qne pode condutr ao campo de
balalha ; pode fallar e blasonar da sua confianza no
seu povo, mas dizem que elle j he conlado fora de
seu reliando; que se elle despojar a precaria fabrica
da confederacao germnica solando a Austria dos
seus membrosj e dest'arte occasionar, o que en IAo
se lomar inevilavela completa dissolucao do cor-
po federal nao s o povo prussiano e o exercito
pruMiaao, mis o povo e os exercilos de toda Alle-
manb.i o abandonarlo na hora extrema ; e a queda
da Prussia na escolla das naofies ser indubilavel-
mcnle comparada com o cnuie de ter dado o golpe
mortal na inlegrdacle e unidade (da Allemanha sob
as suas acluaes inslituirOes. Entao as conleudas in-
ternas devero seguir-sc, cuja mera contemplacao
alemoris;! agora a todos os patriotas honestos da
Allemanha. Todava anda se nulrem esperanzas de
que o reconhecimento desses perigos que se appro-
mmam da Allemanha,da parte da assembla federal
de Fra'nkforl. podem ser felizmente evitados.
OLloyd conlm o seguinleparagrapho significati-
vos: a A forcadaBussa consiste na fraqueza da Alle-
manha ; todava a fraqueza da Allemanha consiste
-cimente na sua organitacao. Nao smente he o povo
numerlo, rico, forle e corajoso ; lamben sera de-
sejavel que fosse unido. O cavallelro prussiano
que usa as cores rossas em proprocao a nacao, est
como nm formigueirose he permittido a alguem
usar de urna comsiaracao 13o respeitavel,-para urna
montanha. Ima:ino-se os governosalleeaSes tAo uni-
dos na poltica anli-russacomo o povoda Allemanha,
e qual seria a consequencia? A Rosna corva hoje
aquillo que ella nao pode curvar amaohia. Ella
poda proteger a sua honra e a sua tensibildade na-
cional com a conscencia de ter cedido a urna forca
superior, tao grande que o mais poderoso no mondo
podia submelter-se sem deshonra. Por moitas ve-
zcs lem parecido que um mais poderoso lem ordena-
do que a Bussia se nao retire com a menor perda da
quesiao oriental. Se a poltica prussiana dorante
alguns mezes passados nao livesse sido favoravel
Hussia, a Bussia enlao leria concluido omi paz bara-
ta. A amizade da Prussia se lornou orgulho da
Knssia, o qual ae vai agora aproximando da sua que-
da. A Prussia est mudando a desapprovar,ao da
poltica russa pelo sea moral inferior, quieto, d-
bil, fraco e pequeo estado, em urna desapprovacao
de canhOes e de baionetas, em urna desapprovacao
conveniente a urna grande potencia, em viriudc da
qual a forga da Russia ser consumida por esia pa-
ciencia para coin ella. Talvez sem consdencia, sem
inl uicao, mas todava Ho claramente que o mais
miopo pode ver que a poltica de Berlim sustenta o
conselbo avante o diante dos olhos do gabinete de
S Pelersbnrgo ; e como este corre para o perigo que
de oulra sorte podia ler evitado, nao deve grande
gratidao ao seu amigo moral. Se a politca prus-
siana tomar1 oulra drecr3o, o damno causado a po-
ltica da Russia he muilo nais profundo se houves-
se favorecido semelliante poltica durante um espa-
mc as lileiras dos seus numerosos correspondentes
para dar-Un- noticias d'estalocalidadc,talvez por \ me
descoiihecida ; mas que do obstculos se me nao li-
guravam, seinpre que lenlava levar a elfeilo essa
minha iiiteneao ? Se por un lado aulepunha-se-me
a dilllculdade da reinea de niinhas missivas pela
grande distancia, que nos separa, e falla de vas
seguras e proniptas de commuiiicarao, por outro a
conscicncia de minha propria ineapacidade para
dem dcsenipcnhar a melindrosa, e elevada missao de
escrever para o publico era o cscolho fatal, em que
naufragavam Iodos os meus clculos. Parecia-me
mesmo urna ousadia imperdoavel de minha parle a
idea de querer erigir-me em correspondente do seu
iulcrcssaute jornal, onde abundan) lo bellas pro-
ducQes do engenlio, eu, misero sertauejo, a quem
nao foi dado penetrar os umbraes de Minerva
Mas quanto nao pode no homem a forra prodigiosa
de orna vontade constante, quando impedida por
motivos nobres e generosos T
tiraras no meu fanatismo por esle torro, quefme
vio nascer, e ao ardenle desejo, que me anima, de
o lomar condecido pela imprensa, pude superar le-
das essas dilliculdades, e lornando-me superior i
minha propria fraqueza, ei-me boje di-pnsto nao
sei se por benfica influencia da santa deste dia, a
Senhora dos Remedios, nossa ineflavel padroera )
a eslrear a minha tosca correspondencia, contando
de sua parle com aquelle benvolo acolhmento que
soe liberalisar a lodos, quantos buscam as paginas
do seu eslimavel Diario para fim lio til, e da par-
le dos seus amaveis Icitores com a indulgencia
devida a quem, como eu, coofessa com toda ioge-
nuidade, e submissao a sua inopia.
O objeclo capital de nimbas humildes epstolas
sera, segundo o que levo dito, noticiar-lhe todas as
occorrencias, e particularidades deste termo, que
me parecerem dignas de mencAo,protestando a Vmc.
observar a mais severa e escrupulosa exactidao em
ludo, quanlo houver de referir-lhe ; oceupar-me-
hei tambem, quando me sobrar o lempo, em cora-
municar-lhe o que me constar dos termos vislnhos
e com especalidade do infeliz termo do Piancn thea-
Iro fecundo de lulas sangrentas, e fados memora-
ves ; e finalmente nao duvidarei at per- accidens,
aventurar algumas considerares sobre a gerencia
dos negocios pblicos ; pois que, embora sertanejo
seja, e ignorante, sou com todo cidadau brasilciro,
e como tal julgo-me com o mesmo direto, que
qualquer oulro, de exprimir livremente o meu pen-
samenlo, se he qne a nossa caria constitucional anda
val de alguma cousa; certo, porcm, Vmc. de que ja-
mis prostituir! a minha grossera penna, advogau
do a causa destc,ou daquellc partido poltico, emque
desgraciadamente se relalha e minha provincia, e
todo o imperio porque, em verdade Ihe digo, nao co-
nheeo nenhum driles, que tal nome niereca, e quer
deum, quer de oulro lado s enxergo faccoea mais
ou menos disolutas, mais oo menos corrompidas,
que se balem, ese boslilsam nao por amor deidas,
on de um ^principio qualquer, didado pelo ver-
dadeiro patriotismo, mas nicamente por amor
de seos interesies particulares: esem oulro re-
sultado para o paiz, que a desmoralisacao do
povo, e o descredlode nossas insttuites. Sim,
tenho ja bastante experiencia para nao invol-
ver-me nessas lulas degradantes, e tomando por fa-
nal de minhai ideas nicamente o bem estar do meu
paiz, louvarei o procedimento do goveruo, e de seus
agentes, quando for baseado nos principios de jus-
ticia, e de conveniencia publica, e censura-lo-hci no
caso contrario, sem que seja movido pelo ceg es-
pirito de governamenlalismo, ou de caprichosa op-
posicao.
Urna das mais imperiosas necessidadvs para a-
quelle que tem de narrar os fados do dia, he sem
duvida alguma um bom ajudanlc, ciceronia de
Pipilet, que o ponha ao corrente das novidades ; fe-
lizmente nao tenho de me queixir nesta parte e
uem de invejar a sorte dos outros seus correspon-
dentes, porque Uve a fortuna de encontrar, o meu
amigo branles, homem raro ,a quem nao escapam
as mais leves oceurrencias, e por nao ser bahu de
ninguem, gosla de as noticiar, pelo que he enlre nos
conhecido pelo Diario. Elle poz a minha disposi-
cSo os seus bons serviros, impoodo-me apenas urna
condeSo, a de guardar o incgnito acerca do seu
nome, porquesempre se teme de algum revez ; por
lano guarde Vmc. este segredo c eu nao quero in-
correr no desagrado de um amigo, de quem tanto
preciso.
Isto posto, von metter m3os a obra, comeando
por dar-lhe urna ligeira idea histrica e topograpihea
desta nova cidade.
Est ella situada a margem direita do rio deno-
minadodo peixe, que d o nome lodo muni-
cipio, n ultimo e mais central da provincia, tendo
por limites ao pculo o lermo da cidade do Ico,
provincia do Cear, ao norte, o da cidade da Maio-
ridade na provincia do Rio Grande do Norte, ao
sul, o termo de Piancn, e ao nascente, o do Pombal,
nesta provincia. O seu clima he o mais ameno el
saudavel que se pode dar, nolando-se porm, que
pelo verte o calor sobe nm groo muito mais eie-
nossas patricias, e lendo de relirar-se para a capital. e convergir para que semelhanle estado de cou.
oeixon procurara para ra celebrar-se o acto do ca- ___ ir. ni i a___- ^_
y
smenlo, promeltendo vollar ale dezembro prximo
vindouro para umr-se sua chara melada. Estes
casameiilos por procurado nao eslao muilo em mo-
da por ca, pelo que lem causado alguma expectacao
essa formula, de que se servio Mr. Brunet, e al me
informa o meu amigo branles, qne alguem lem a-
venlorado juizos lemerarios, que espero sejam des-
mentidos pelo mesmo Mr. Brunel.
Temos lido por aqu urna nchente de mgico, oo
peloliqueiros uestes ltimos dias; um dellcs incol-
ca-se doutor em medecina. Dar-ae-ha o caso de a-
char-se a classedos sen dores esculapios em taes apu-
ros, que alguns j tenham necessidade de recorrer
s pelolicaspara vivercm, ouaern essede que fallo
algum cdarlalAo que nos quer Iludir 1 Iuclino-me'
esta ultima opiniao.
Seguiram para o Plane nosso juiz de direto in-
terino, eo promotor, para installarem alli o tribunal
do jury. Dizem que por l prepara-se um jubileo
para alguns innocente que se acham processados
porcrimesque cu uAo commelli : o que for, soar,
e de oulra vez levarei ao seu coohecimeolo.
Anda linha muilo que dizcr-lhe. mas esta para a
primeira j vai de certo bem estirada, c eu nAo de-
sejo abusar de sua bondade ; por tanto fico aqui, re-
servando o mais para outra.
Eslava em declarar-lhe o meu nome, porque nao
Rosto de capas, mas reflecli que, palenleando-me,
alem de infringir os estylos adoptados por lodos os
seus correspondentes, seria isso umexcesso de fran-
queza inteiramenle intil para o meu fim, porque
um nome obscuro e desconhecido como o meu, nada
influeno animo de seus amaveis leilores ; entretan-
to que por c pode alguem amofinar-se com as mi-
nhas innocentes missivas, e nao quero ver-rae depois
em calcas pardas ; portento, evitando o meu.nome
proprio, buscare o gentlico.
Saude etc. Ihe deseja o seu constante leitor, e fiel
fiado o sertanejo.
Liverpool 25 de outubro de 1854.
A nacao aguarda com intensa anciedade receber
noticia da queda de Sebastopol. Cada dia que se
passa sem que esta grande eventnalidade se realise
he considerado como lempo perdido. Os crticos do
paiz esiao mu affliclos por causa da lala de ener-
ga qoe prevalece, e drigem amargas invectivas aos
commandanles. O mesmo aconteceu no intervallo
que preceden o desembarque na Crimea. Ests se-
nhores nao podiam entender nemdesculpar o lempo
que se devia empregar para preparar-se o mais com-
pleto armamento que jamis lenha visitado urna
praia hostil. Entretanto, quando as cousas estive-
ram promplas a eiccuco foi perfeita, c estamos
cerlos que o mesmo acontecer com Sebastopol. O
lempo nunca pode ser melhor empregado do qne
em fazer-se as preparacoes necessarias para urna
grande empreza, c, at aqu, nao julgamos que se te-
nha gasto lempo superfluo. Comecar operaQes pre-
paradas para qualquer emergencia que possa appa-
recer, he virlualmente assegurar o Iriumpho; e os
homens que sao responsnvcis pela seguranza das
tropas que se acham debaixo do seu commaudo,
que|possuem repulacAo, carcter, e, alem disso, a pro-
pria existencia cempromettida no conflicto,devem
ser tratados com mais cnsiderarao do que Ihes
conceden) os nossoscrilicos deitados* em colches de
penna em casa. Qualquer incentivo pelo qual os
homens sao impellidos a grandes feilos deve anma-
los, e se por causa de pressa, ou em consequencia
de desprezo para com o valor dos inimigos, elles fo-
rem mal succedidos, aquellcs que agora se queixam
de morosidade scram os primeiros a adoptar novo
theor, e a denuncia-Ios por causa do seu desalio e
imprudencia. Seguranca e prudencia, as impor-
tantes eventualidades, que afleclam a vida hnmana
o o destino das nac/tes, he urna poltica muito mais
propria para conduzr a grandes consequencias do
que a opposta. O duque Wellinglon obrava sempre
por principios, embora fosse censurado pelos crti-
cos do seu lempo, e colheu louros que os seculos
nao podem morchnr.
Segundo as ultimas noticias da Crimea, que che-
gam at 8, a retaguarda do exercito, composla dos
Montanhezes e dos liuardas, eslava perlo de Balak-
lava, afim de proteger a base das operacoes. Subin-
do-sc o terreno monlanhoso para o oriente, pelo qual
os flancos dos exercilos combinados marcharan) im-
medalamenle depois da balalha de Alma, dizem
qne as estradas esto corladas e poslas em estado
de defeza pelos soldados inglezes,he um esfotco
extraordinario, e ahi o flanco direto do exercito he
protegido pela natureza pantanosa do terreno adja-
ccnle, e por um desfiladero que va dar ao valle do
Chcrnaya. No lado oriental do valle de Inkcrman,
que he formado pela corrente do rio ltimamente
nomeado antes de prrcipilar--r no porto de Sebas-
topol, existen) muitaseminenciasqueduminam a for-
taleza russa, e nestas emineucias a primeira dviso
do exercito inglez lomoo a sua posiro, protegido
por urna ingreme muralha de rochedos inaccessi-
veis, ejulgava-se estar Tilm do alcance das pecas
russas no lado opposlo do valle. O exercito francez
heorepresentado como oceupando a esquerda da
nos-a posicAo, o que collnca-o na conliguidade das
profundas bahas que recortan) a costa do lado do
sul. e estas pcrmiltem o fcil Iransporlc das provi-
ses c do malerial dos nossos alliados. Ao passo] que
esta posirao he a mais forte que as forjas occidentaes
podiam oceupar, dnmina o nico ponto vulneravel
da cidade e a fortaleza de Sebastopol, porque se es-
tas eminencias fossem protegidas por baleras, o asse-
dio houverasido muilo mais Irabalhoso e urna obra
mais sanguinolenta do qne parece ser. A falla de
semelhanle precaucAo no suduesle parece justificar
a censura que ltimamente lem sido feila i Russia,
isto he, que muitas cousas he mais para mostrar do
que para usopara amedrantar, e nao par defen-
der. Coiiherendo-se esle fado, pde-se imaginar a
furia do imperador quando elle souber o desbarato
de Menschikoffem Alma ; dizem que foi um. pou-
co trementa, e consta qne o exprobrou amarga-
mente. *
A ordem da dia baixada pelos generaos alliados
em a larde de 3 de oulubro, regulando o comeco do
assedio, foi publicada, e parece admiravelmente
adaptada s cirrumslancias. Determina em (ermos
rlaros c precisos como os soldados devem obrar
duraule a abertura das Irincheiras,iudica a direc-
mudar. o que acontecer enlao 1 Ento a grande
queslo occidental lomar a precedencia da grande
qucsIAo oriental. Entao a confederacao germnica
se (ornara um chaos, e esla j lula laboriosamente
por una nova-torma. Enlao a Prussia se tornar o
escudo da llussia, o qual s pode aparar o golpe
directo contra a oilima. Quando o inimigo est na
casa, a porta da Casa nao.se pede declarar neutral. O
co nao permute que os erros perturben) a in-
tcl'igcncia dos estadistas allemaes. como he que
urna neulralidadc pode ser possivel a nm solitario
que existe uo meio de um conflicto universal |! To-
do aquelle que nesle caso se nao unir a um partido
ser atacado por elle. Seja este o pedoso desejo de
lodos os AllemAes, c nao he em van que a patria
voltaria a forja que deve eslabelecer a sua grandeza
e a sua futura seguranca para dilacerar-se a si pro-
( o nosso proprio corre-pon denle i
I ienna 15 de outubro.
Segundo a noticia recebida nos circuios russos
que existera aqui, sube que fora recebido um des-
pacho lelegraphco de S. Pelersburgo com dala de
lionlem, o qual diz que as hosllidadss activas ainda
nAo tinham recomee ido na Crimea al nove. Os
rorpossitiantes dos alliados liuham avanrado alea
primeira linda parallela, onde esto oceupados com
a conslruccao das baleras. A esquadra russa li-
nha sido removida para o p do septentrional forte
Calliarina, e da balteria numero novo que se arda
a uma|hora de distanciada extrema muralha meridio-
nal da cidade de Sebastopol, e quasi na distancia de
duas horas da primeira linha parallela dos alliados.
Assim que estes po lerem avancar ale dentro das fi-
leiras da sua arlilliara de assedio, a dila cidade e a
esquadra estarn por cousequencia destruidas. He
igualmente narrado nesle despacho de S. Pelers-
burgo que o prncipe MenschikolTja recebeu um
reforjo de 18,000 homens ; todava nilo pode tomar
a elfeusiva em dele/a da fortaleza sitiada ; ao passo
que por oulro lado he lomado como corlo qne elle
suportara vigorosamente as sortidas para as quaes
a ---: irnir.io se est preparando, com o designio de
emprehender deslror as bateras dos alliados. Alem
do que lica dito ncnhuina noticia ulterior me che-
gou boje da scena da guerra.
ta pessoas aqui que pretenden) conhecer alguma
cousa dos designios ulleriores^dos alliados. Sem
dar o nao deudo valor ao cuiiliecimento destas pes-
soas, tambem posso iuforma-lo do qoe dizem, por-
que ha cerlamenle alguma cousa plausivel na in-
formarao. Opinan) que as operarOes hostis dos al-
liados na Crimea nao sero continnadas antes do
fim do pre-enle mez ; que se conlenlarao com os
resultados que liverem conseguido naquclle lempo
quaes quer que sejam ; que ento se reembarcaran),
eparlirao daquipara Odessa, l.usldorf, e Aker-
mau, ondedesembarcaram e se esforcaram para for-
mar orna i o necao com o exercilo turco sob o com-
mando de Omer-Parha, na Bessarabia, o qual nesse
lempo lera concentrado as suas forjas em Galalz e
I bra i la, e tal vez j i leuda forrado urna entrada na-
quella provincia. Estes movimcn.os combinados
ohrgariam os Russos a abandonar as parles meri-
dionaes della. Em confirmajao ao menos no que
diz rcspeilo aos inoviracntos de Omer Pacha sei
que segundo noticias autlienlicas de luraila, os Tur-
cos linham oceupado este lugar a 7 com 800 bashi-
bazoots; a 8 com umregimenlo de cavallaria. e dous
regimentde infantaria sao esperados ahi todos os
dias. O boato geral em Ibralia era que estas tropas
passariam brevemente o Serelh e o I'rulh, ao passo
que um corpo de 50,000 boiucns allravessaria si-
multneamente o Danubio, junto de Guranja-Kor-
nits, com o fim de invadir a Bessarabia. A caria
que conten esta noticia acrescenla que quando O-
mer Pacha fora inlerrogado a esle respeto, respon-
den que n.lj s esperava ulteriores in.-lruceocs de
Constanlinopla, mas urna carta dn barao' Hess.
Estou informado que a chesada aqui do general
barao Hess, talvez seja agora adiada ale quarta ou
quinta feira seguinte. luiniu lulamente depois das
dbcrajocs referidas na muida ultima carta depois
de dous dias hAo de comecar oulra vez. Dizem
que a juncrao dos alliados, presenlemenle no mais
arduo servico da Crimea, com as Torcas ollomauas
sob I commando de Omer Pacha na Bessarabia no
mez seguinte, mcreceu plena approvacao do general
barao Hess, o qual ja julgou necessario mandar tro-
pas a t'.racovia, cm couscqucintra da inmensa con-
cenliacAo das forras russas na fronleira da Gallicia.
He indiibilavcl que a Bussia afin.it lem lomado una
siluacao extremamente aineaeadora para com a Aus-
Iria.c o generalissimo austraco naturalmente ha de
ficar salisleito em coiisvuuenria de poder retirar as
suas tropas da Valaehia e das parles meridionaes
da Moldavia, aliin de melhor concentrar as forras
quccslAoasuadsposijo as fronleiras septcnlrio-
naes do imperio. Estou igualmente informado que
despachos para este aljelo j foram remettidos a
lord Hacan, afim de chegar a um acord acerca das
medidas ulteriores depois que o objeclo immediato da
expedicAo a t'.n mea huuvcr sido alcancailo.
Aquellos que se acham necessariamente bem in-
formados nos negocios de diplomacia asseveram-me
que as relaroes enlre Austria e a Bussia eslao em
vesperas de um rompimenlo absoluto. Nao sejul-
ga possrvel qne os seus respectivos embaixadores em
v ienna e em S. Pelersburgo poseam permanecer por
mais lempo em sens poslos. Esto estado de cousas
ha muilo que lem sido previsto, e. tambem posso
acresrenlar, devidamenlc preparado por ambos estes
aovemos. Com elleilu, una guerra entre Austria e
a Bussia se lem tomado inevilavel. Durante mui-
tos mezes passados fora smenlcuma queslao de lem-
po e de conveniencia relativa. Nunca se devia sup-
por que o imperador Nicolao esqnecesse a poltica
do imperador Francisco Jos. A coadjuvaeao acti-
va desle Sublime Porta, em vtrtode de convenci
austro- (urca del de junho, foi naquella poca, e
lem sido de enliio para ca, considerada em S. Pelers-
burgo como um legitime rasas bclli, que devia ser
pna!
Sondemos que os reforcos para a Crimea, qoe pas-
saram por Odessa no fim de setembro, consistam de
duas divisos do 5." corpo do exercito, urna divisao
do G." corpo, dous regiment de laoceiros, e Ir ba-
tallies de aliradores. As tropas partiram de Odes-
sa para o seu deslino. Asso*lhou-se que no prin-
cipio desle mez havia cm Percokop [um corpo de
">,000 homnes |de infamara, 8,000 de cavallaria, c
comis breve! Mas se a poltica prussiana nao I vado do que por ahi, e vAo apparecendo casos mui
frequenles de martes sbitas, mormeole depos da
grande secca porque passamos no anno climatrico
de 1845, que, alm de matar-nos Tome, rondar-
nos lodos os nossos bens, parece haver-nos legado
mais esse flagello. Em derredor da cidade oflere-
cem-se vista os mais bellos e delicados campos,
que deleilam e encantan) o espectador, a fornecem
os mais abundantes e nutritivos pastos para a cria-
cao do gado, que he a nosso. principal industria ;
e mais ao longe, e para qualquer dos lados encoo-
tram-se muitas e diversas serranas de urna fertili-
dade prodigiosa, em cujo solo e cultivan) todos os
cereaes proprios do nosso paiz, como a mandioca, o
milho, o feijo e o arroz, sendo tao abundante a
sua cnlheita nos annos regulares, que excedendo ao
consumo da nossa popularan, abastece em grande
parte o mercado dos termos visinhos.
Ainda no cornejo desle seculo, esla cidade nao
pa-s iva de um pequeo povuado com o nome de
dePovoajao do Jardim, devendo tao bello Ulu-
lo sem duvida esses deliciosos campos, de que
cima falle, e ainda hoje. os velhos do meu lempo
comprazem-se em conscrvar-lhes esse primitivo no-
me : depo foi desmembrado do anlgo termo de
Pombal, sendo erecla em villa com o nome que hoje
conserva, e conslituindo un municipio indepen-
denle com todas as suas prorogativas: e finalmente
na sesso da assembla provincial do corrente anuo
foi elevada a calhezoria de cidade, em virtude de
um projeclo oflerecido na sess3o do anno pasudo
pelo digno depulado Antonio Gabino de Almcida
Mendonja, e sustentado na deste anno por oulro
benemrito deputado o l)r. Jos Paulino de Figuei-
redo. sendo acolhido esse acto da assembla pro-
vincial com o maior enlhosiasmo por lodos os ha-
bitantes da nova cidade. que solemnitaram a sua
112 pecas, lima caria de Odessa de 5,dizque des-
de o 1. nenhum reforjo linha chegado Crimea
viodo do Norte ; mas MenschikefT espera alstns de
Teodosia, e nao ha duvida que elle j teem chega-
do dahi ; e al 30 nenhum novo movimento oflen-
ivo contra os alliados havi.i sido tentado. As no-
ticias chegam a Odessa do Ihealro da guerra sao mui
escaeas, e a penara de noticias ha considerada pelos
habitantes como ominosa, O proverbio he o con-
trario na Russia. L se diz, nenhuma noticia he
m noticia.o A balalha de Alma foi celebrada em
Odessa como urna victoria, mas mui poocoe acredi-
taran) na sua realidade.
O Fremden Blatt sabe da urna fonle inconleila-
vel qne, nos conselhos de guerra havidoi em Var-
na,o almirante Hamelin denodadamente suslenlou o
desembarque da expedijao em Balaklava, e se oppoz
s oulra opioioes. O plano de Hamelin fui regei-
lado, todava elle insisti, e exigi que fosse exara-
do as minutas como a sua proposijao expecial. Es-
te jornal tambem diz que o czar nomeou o principe
Menscliikolf commandante em chefe de todo o exer-
cito do sul indepen lente do principe Paikievrilsch ;
o que, se for eiielo, he um mui importante docu-
mento de iofurmajao, por que habilita as operajes
do exercilo russo na Bessarabia a ser dirigidas com
mais facilidad e destreza, quando forem libertadas
pela auloridade de um superior.
Um correspondente escreve de Bucharest a 7 que
< agora nao ha duvida alguma das inlenjes hoslis
de Omer Pacha ; ou antes, que recebeu ordem de
Constanlinopla, nslriiindo-o acerca do negocio.
Os Turcos tomaran a oflenaiva contra a Russia,
e avanjaram de Galalz na Bessarabia, ao passo que
outro corpo de exercito cooperar do Dobrutscha
at o Mar Negro.
Quasi lodos os Turcos em Bucharesl, i excepjSo
dos poucos que ficaram como guarnirn, passaram o
Danubio em Giurgevo e Butschuk, afim de dahi
avancarcm para, Dobrulscha. Sessenta Waggons
carregados de bagagens parliram a 6 de Bucharest,
seguindo esla direejao, os Turcos feridos sao envia-
dos para Rulschuk assim que se reslabelecem.
Segundo o Soldalen b'reund, de 3, varios vapo-
res russos ancorados no porlo de Sebastopol tenta-
ran) escapar-se,e nao conseguirn), porque o pri-
meiro que linha vollado a ponta septentrional do
porlo, ao p do forle Constantino, qnaudo foi visto,
receben Uros de um vapor do esquadro do bloqueio.
A este sienaldado, os vapores russos vollaram para o
interior do porlo. lima communicajao de Odessa
ao Fremden Hall diz que dous vapores escaparam
de Sebastopol para Chersoncso.
Urna carta publicada no Lloyd. vinda de Batoum,
Iraz noticias da Asia Menor al 2!) do passado. Fe-
sik Pacha, que com 8,000 estava em Nalanchta,
atravessnu o territorio russo 27, e chegou al
lisclium.it. Os Bussos eslao concentrados em Ru-
tis, e esto reunindo reforcos das fortalezas da
costa oriental do i-'.uvinio. O exercilo de Kars es-
t sendo reforjado e rcorganisado. Ismal Pacha
esperava reunir-se-lhc dcnlro de pnucas semanas.
Talvez seja necessario mencionar que ha tres ts-
mails Pachas, islo be, o cima mencionado; um
segundo o governador de Erzcroum ; e o lerceiro
he o governador de Smyrna. O actual governador
de Kars. Zary Pacha, permanece inactivo do" passo
que os Bussos se eslAo preparando para as operajes
futuras Schamil manda mensageiros informar os
elicfos do exercilo turco cm Kars acerca da sua pro-
l.m hua marcha ao territorio russo, c esperava que
o coadjuvassem : mas as suas ridiculas dillerenjas
e o estad desmoralisadn do seu exercilo, nao per-
milliram que as ulmenes de Schamyl fossem rea-
lisadas ; e, como diz o correspondente de Batoum,
como elle (Schamvl ) vio-se abandonado pelos Tur-
cos, vollou ltimamente c para as suas moulanhas
carregados de despojos russos. Ismail Pacha, o
gnvernador de Erzeruum, Iralava de por lermo s
desorden* do/.evbecks no interior da Auatolia, e
captaron varios dos cheles, e rcslabelceeu o socego
as viziihaucas immediatas do sen parhalik, mas
os Zcvbecks ja linham mor o varios ofliriacs france-
zcs ua viagem Kars. Os Bussos de novo se retira-
ran) de Baya/id, e a communicajao com a Persia
esla reslabulecida. O cholera appareceu novamen-
te aosul da Anatia. {Moming Vlironicle.)
INTERIOR.
CORRESPONDENCIA DO DIARIO. DE
PRNAMBUCO
Parahiba.
Cidade de Souza 13 de oulubro de 1851.
Ua|muilo,que tenho concebido o projeclo dealistar-
inaugurajao com um baile pomposo para ds forras
do lugar, a que assistiram quasi todas as familias
mais dislinclas de dentro e fora da cidade, e algu-
mas pessoas estranha e de consideraran que e ocha-
van) presentes, e at eu que sou praja mora em
taes reunioes, l me achei, e muito goslei da ver
a galhardia c donaire com que se houveram as mi-
uli is bellas patricias, dansando quadrilhas, walsa*,
ele, c cantando algumas modinda-, que me pare-
cern) encantadoras, se bem que nao seja aulorida-
de na materia.
Seja-me aqui permittido, consignar em nome
de todos os meus patricios um vol de gralidn
e reconhecimenlo a aquelles dous distinclos depu-
lados pelo iuleresse que tomaran) no engrande-
cimento c importancia da nossa Ierra, julgan-
do-nos a islo obrigados, lanto mais, quanlo ne-
nhum dellcs, embora Parahibanos, he natural deste
lugar, e apenas um, o Dr. Jos Paulino, reside
hoje entre nos.
Esta cidade conla j cerca de duzentas casas em
alinharneulo, havendo entre ellas algumas bem cons-
truidas, e he tal o gosto que se va desenvolveudo
pela conslrucjao de predios urbanos, principalmen-
te depois de sua exallajao essa calhegoria, de que
hoje goza, que muitas eitao em andamento, e pre-
param-sc materiaes para oulras ; de sorte que em
breve nada ter que invejar a nenhuma das oulras
cdades mais amigas de extramuros. Possue um
templo anligo, que serve de matriz, dedicado a
Senhora dos Remedios, um outro em cornejo, que
ha muilo se acha parausado, em razao de fica'r quasi
extincto com a secca de 18i o patrimonio da mes-
ma Senhora, cujas rendas eram applicadas essa
obra, que seria mu'dos templos mais magnficos da
provincia, se fosse concluido com as mesmas pro-
porjes do seu cornejo ; mas boje temos quasi per-
dido as esperanjas de o ver acabado, menos que
nao tendamos urna subscrpjao dos cofres pblicos,
que seria raujto para desejar; e finalmente pre-
para-se o material para urna capella dedicada ao
Sr. Bom Jess, a cusa de seu mingoado patrimo-
nio, o das esmolas dos liis. Ha lainbem urna casa
de mercado publico, que he hoje propriedade da
cmara, se me nao engao, e projecla-se fazer urna
oulra casa com maiores propor jOes para o mesmo
fim. A municipalidade lambem possue urna casa
propria para suas sessoes, e serve igualmente para os
irabalhos do jury.
-mani ao nosso estado moral, uaodcixa de ser
ello por certo alguma cousa lisonjeiro. Temos no
interior da cidade urna aula publica de srammalica
latina e duas de primeiras leltras, urna do sexo
masculino, eoulrado femenino, e lodas bem frequen-
ladas. Fora da cidade existe na povoajao de Cajazei-
ra, t.uiidi-iu una aula de primeiras lett'ras novamcnle
creada pelo goveruo, e nm collegio particular de
inslrucjao secundaria sob a direejao e rgimen do
padre mostr) Ignacio de Souza Rolim, homem de
talento superior, conhecimentos vaslos, c raras vir-
tudes chnstAas, cujo mrito s por si attrahe gran-
de numero de discpulos ao seu estabelecimenlo.
Feliz u lugar, que possue n:n homem de qualidades
IAo dislinclas!
0 nosso coinmercio vai prosperando sensivelmen-
le, e he de esperar, que se eleve a um poni assaz
considcravcl, grajas ao augmento da nossa popula-
jo, a paz e seguranja individual e de propriedade
deque gozamos, ao carcter activo e industrioso dos
habitadles, c a nossa vantajosa sluajao lopogrnphi-
ca que nos attrahe o comraercio tanto das praras,
como do centro.
Aqu esleve esle anno al o mez de agosto cm
commissao do goveruo o naturalista francez Mr.
Brunel, para o fin de explorar as causas das seccas,
e fazer suas obervajcs .cientficas relativamente
producjAo dos tres reinos da natureza. Nao sei ainda
ao certo do resollado das observajOes do mesmo na-
turalista, porque elle ainda nao publcou o relato-
rio que se compromelteu, mas me dizem ter elle as-
severado que o nosso solo he ferlilissimo no tocante
aos reinos vegetal e animal, sendo porcm escasso em
outros mineraes alem do forro que se encontra em
qualquer parte; e lauto se aflei joou Mr. Brunet es-
ta Ierra, que resolveu-se, apezar de tua vida erran-
te, ligarse pelos lajos do hymiueu com urna das
Parahiba.
Mamanguape 10 de novembro.
Temos escriplo al hoje sem despejar urna s
molcula daquella severidade de conscencia de que
fazemos timbre ; com urna cordura calculada, con-
lendo e sopilando as nossas paixes, afim de nao
precipitar-nos, de olhos vendados, na direejao qne
ellas nos impellirem, vendo o objeclos pelo prisma
dos miios inslinctos; tomando por norte e modulan-
do os nossos aclos pelos mais austeros principios da
verdade e publicas conveniencias, nem por isso o
nosso horisonle lem deixado de ser obumbrado, nem
por isso momentos climatricos deixaram de vir re-
passar o nosso espirito da mai intensa dor. Silua-
cao penosa e cheia de espinhos he a de quem, oo-
sado, meneia urna penna pura, honesta e levado pe-
lo empenho louvavcl de prestar algum beneficio ;
principalmente quando a fatuidade nao acredila,
que do profundo retiro podem scinlilar chispas, que
allomiera a humanidade no tenebroso cardinhar da
vida ; quando cerlos paladinos tem a louca vaidade
de entenderem que sao o phcoix, o nec pu ura,
que quaes oulrosnole me tangerenao podem ser
sequer lobrigados cm seus aclos pblicos, sem in-
correr-se as penas de sacrilegio, arrogaodo-se phi-
Ilauoiosameute o domda ubiquidade, e dainfallibi-
idade ; que todosque nao sao elles sao burguezes, sao
rebotadlos da sociedade que nelles residem a aristo-
cracia das ledras e da virtude na sua maior depura-
Cao : s orna acrisolada dedicajSo, urna hecatombe
depatriolismoserao capazes de fazer conservar a me-
nor equammidade neste prgrinar ingrato, onde
meis de um hbil Palinnro lem visto" sossobrar o seu
frgil lenho.
Reconhecemos a gravidade que nos circunda no
nosso posto de honra, todava embaraces de seme-
ntantes jaezes nAo serao capazes de nos fazer arri-
piar desta norma de conducta, que nos havemos
gizado, demovendo-nos do nosso proposito ; e quaes
quer que sejam as nuvens de qne se condensem, e
ameacem iracundas'lanjar-nos nos vrtices da difi-
dencia, ellas, merc de Dos, na nos faro libar o co-
po de dgu, qoe Uo deshumanamente propinaran)
oulr'ora ao celebre Scrates, vislo que no seguate
luminoso pensaraenlo de Mirabeau encontramos a
verdadeira ancora da salvarae, o antidoto maravi-
llioso conlra esles recontros da estulticia :tome-se
a verdade e a razao por bus-ola, c a moderajao por
leme, sopre qualquer vento, que chegar-scj-ha fe-
liz ao fim almejado.
Nao nos acojinamos por ler concorrido para que
a imprensa transvie-se da sua nobre e generosa mis-
sao, nunca mareamos um carcter de boa repula-
cao, nunca desrespeilamos a santa propriedade da
honra e a dignidad publica, nunca fizemos da are-
na da discuss.au um campo de citadas, emlim o fel
venenoso da vilania nanea correu pelo bicoda nossa
penna, e mesmo assim nao ficamos Ilesos dos emba-
tes da maledicencia, que com lodo seu cortejo, pro-
curen, nAo embalde, ferir-nos cerleira com suas se-
tas negregadas. Apraz-nos submeller ao jui/.o pru-
dencial e enexhoravel do hom senso publico, e com
evanglica resignajio olvidamos o galreiar da es-
turdia.
Consiiiuimo-nos nm dos seus mais humildes cor-
respondente, lomando sobre os nossos hombros ama
larefa superior sem duvida a nossa possibildade, por
um desles accidentes appareales, que como diz La-
martine, labendo coincidir com as cireamstancias,
dicdem de todas a couiai humanas.
Em virtude de nomeajoe* para lugares policiaes
desle municipio, acreditando que ligeras observa-
joes feilas intente cordial de veri a m ser aceita com
reconhecimento, acreditando qne nao huuveue quem
quizesse tomar como apaoagio as prerogativas divi-
nas, e qoe ninguem mais do qne o fnneciooaro pu-
blico, por amor mesmo do seu crdito e dos seos in-
teresses, deve ouvir dcil e atiento s reclamarse
dos cidadaos, resolvemo-nos de muilo boa f, uio a
reprochar, mas ponderar sem refolho e com toda
urbanidade, em ordem a convencer ao entao chefe
de polica Dr. Silverio Fernandes de Aranjo Jorge,
que taes nomeajes foram impolticas, foram ingru-
eutes, seuaoprejudiciaes; servindodeit'erte de incoo-
terpreles e orgaos da opiniao publica que havia lau-
cado sobre ellas o estygma da coodemnacio nos-
sas reflexes incitaran) e ofleuderam as delicadas fi-
bras da susceplibldade, nossas expressoes mal aco-
Ihidas, nossas inlenjes delnrpadas, fui-nos forjoso
recorrer de novo imprensa para explicar-nos e de-
finir a nossa posijau. e assim nos exprimimosa In-
felizmente nao conhecemos pcssoalmdnle o Sr. Dr.
Silverio, mas somos informados da sua illustrajAo,
do seu carcter, e dos|seus bonsdesejns, e assim ne-
nhumjuizo desfavoravel podemos delle fazer, ama vez
que por ora motivo algum temos para isto etc. ete...
Fallando desta sorte nao inculpamos inteiramenle
ao Sr. Dr. Silverio, novel na administrajao da po-
lica, por mais vos de agua que lenha, nao Ibe he
possivel ter pleno conhecimenlo das pessoas e das
necessidades da provincia ; neste estado, pois, com-
pre-lhe ser em demazia cauteloso, porque do con-
trario encontrar grandes tropejos e claudicara in-
sensivelmenle etc. ele......
Costumados a sempre escrever com toda Indepen-
dencia e liberdade, nao sabemos thuribular o poder,
nem tao pouco aggredi-lo injustamente, desrespei-
tando as conveniencias publicas ; tomos porm a co-
ragem precisa para ennunciar a verdade em loda sua
nudez, e alfrontar os actos arbitrarios, porque feliz-
mente a nossa posijan. o nosse carcter nos garante
esta linha do conducta : despeito entretanto,
desle nosso procedimento escoimado de todo rescal-
do de sinislras inlenje, filtrado pelo cadinho da
discricAo, a imprensa opposicionista procuren mo-
lestar-nos de urna maneira digna della, c a pessoa a
quem nos dirigamos perdeu o direilos nossas allen-
jcs : nao provocamos, mas nao somos facis em ce-
der quando nos adiamos solie a egde do direto e
acoberlados com a valcnle arma da razao, eslavamos
j no xfa'ru quo antebellum, quando a elctrica sor-
da do Sr. r. Silverio para acorto veio sobr'eslar
o nosso inlcnto al que elle regressasse, respeilando
assim a sua ausencia ; approuvc porm ao governo
imperial remover ao Sr. chefe de polica desta pro-
vincia para a do Piauliy, e por este nico fado fica-
mos quites com elle, e nao balburiarcmos a seo res-
peito umas palavra mais, desojando que seja feliz
em seu novo lugar. Em religiosa observancia aos
nossos compiomis-os, que como deveres de honra
nao sabemos obliterar, historiamos o fado que vi-
mos de narrar, damos a raza da nossa ascenso ao
dominio da imprensa, e a circiimslancia que nos col-
locou no numero dos Ilustrados e distinclos corres-
pondentes do Diario.
Tanta importancia, lana consideracao legamos as
subdivises das nossas comarcas, que ainda urna vez
volvemos as nossas vistas para essa necessidade io-
declinavel, cuja salisfajAo nao pode ser procraslina-
da sem irreparavcl grvame do bem publico.
Fomos nos quem primeiramentc tizemos cchoar
pela imprensa o sentimenlo que domina geralmente
na provincia relativamente as circumscripjOes das
comarcas; fomos nos quem demonstramos a ioz da
evidencia, que a actual divisao era um verdadeiro
anachronismo no seculo dezenove, e que sem perda
de lempo os poderes do estado deviim influenciar
que opprimia desapiadadamente um provincia pei-
lencente a urna najao que quer arrogar os foro de
civilsada, desapparecesae; invocamos os principios
do dreilo publico, recorremos a Iheoria applicada,
e chegamos a conclusao a mai lgica a mais bem
deduzida, qne o statn quo era condemnado pelos
axiomas da sciencia, era orna violencia inaudita
mesmo um impossivel. O Exm. Sr. Dr. Bandeira
homem Ilustrado e pratico, cm sen relatorio i assem-
bla provincial, deplorando o estado da juslija pu-
blica, disso e provou qoe era materialmente impos-
sivel aoe juizee desempenharem ts tais obrigajes
e que aseim urna nova etrcumcripjito de comarcas
que comprehendesse mbito mais era de mitler. A
conspicua assembla provincial, uzando da allribu-
ijao que Ihe be conferida, cosa da inteira exacjjo
dos seus deveres, fiel inlerpetre do seo honrados
omit mies, logo do cornejo dos seos Irabalhos Ira-
toa de dotar a provincia com urna divisao mai e-
quitaliTa e consenlanea com os publico interaam;
e tal era o afn que a dominava, lal era a sua mis
profunda conviejao, qoe havendo o enverno negado
a sanejao id que vingon ella a fe2 ptssar por
dous torcos, afim de ser promalgada como tei. He
sem duvida esto o padrao de gloria qne tmmortali-
ara a se-ssAo legislativa da aawmblea d 1854, cojo
elogio ficar registrado era dourados caracteres nos
fasto da nossa historia contempornea.
Somos insuspeitos: todos viram qoe fono pane-
gyrista da idea do governo, relativamente as circams-
ripjes, pagoamos por ella; mas esto idea era se-
cundaria em frente da idea capital e grandiosa
ubdiviaSo das comarcas,a que nao podia ser sacri-
ficada por altenjoes reprehensivei; todos viro que
por fim nos congratulamos com a assembla pela
nova divisao decretada, porque nao podamos abalar
os tenlimentos de gratidao, por om acto, em toa es-
seuca, meritorio e loavavel de 18o deetincta corpo-
rajo: nem todo, distemos, pode-se obter de chorre;
a emperfeicao be parlilha da humanidade; por assim
dizer, se pulir e operar-se-ha lodo melhoramento
que for compativel c aeooselhando peta experiencia,
no designio de fazersernelhante acloallingir ao mai-
or gran de perfeijao, e*realizar em sua amplilode o
pensameoto laminoso e patritico qoe o dietou.
Melhor divisao, he verdade, podia ter resotvida,
m no estado em que acham-se os animoe dos de-
pulados cujas coovicjes incoocoitat, ou passava a
idea que predominou ou nada passava; n'esla alter-
nativa, quem como Colombel, considerar a justija a
primeira necessidade dos povos, quem considerar
primeira virtude dos governo, a condijao da sua
existencia, na ausencia da qual quebrar-ae-hiam lo-
dos os elos que lgam a cadeia dos deveres enlre os
governados; quem reconhecera impattibilidade da
recta e cabal administrajao da jaatica ante a desco-
munal e monstruosa divisAo actual, quem emlim re-
conhecer lodo isto, Dio pode delxer de decidir-se
pelo primeiro atvilre: assim o pensamos.
Tem decorrido, entretanto, cinco mezes, e teme-
llianle le acha-se apenas consignada no repertorio
da collecjSes prorineiaes nao havendo aido ordena-
da a sua execujo: alarefado o Exm. Sr. ministro
da juslija com os momentotot Irabalhot do parla-
mento, talvez nao Ihe fosse possivel (Hender esla
necessidade palpitante da provincia da I'anaybi:
hoje porem qoe acha-se elle mais desvencilhado,
hoje que suas vistas benficas poden-te atender em
nosso real prove lo, mui respeitotamente vamos re-
clamar a sua altenjAo para nossa provincia, Uo care-
cedora de melhoramento.
Nada podemos noticiar-lhe robre a feslividade des
nossos padroeiro Sao-Pedro e Sin-Paulo, porque
infelizmente motivos imprevistos tolderam-nos de
transpor o lindar da baslica augusta n'aquelles dias
de fervorosa devoefo;alm de que, a ser verdadeira a
apreciajao dos entendidos, teriamos por certo de pas-
sar a esponja do esquecimenlo sobre pompas e snm-
ptuosidades, o qoe pouco importara, te os fiis achas-
sem-se compenetrados d'etles principios salotares,
d'eslas verdades eternas buriladas as paginas sagra-
das do cdigo divino; porque, coAo dise um anligo
Sabio; o sacrificio mais agradavel a Dos nao he
o do ooro profusamente gasto em testas ruidosas, em
pompas sem unjao e sem aquella singeleza propri
do christianismo; o qne a Dos mais apraz he que
compreheudam-se e execulem-so os precetos d'esta
rcligiao, cujo espirito se reduz a dizer aos homens :
sede todos irmos.
No dia 8 do correle mez aqui chegou o mai di-
gno engenheiro d'esta provincia o capilAu Alfonso
d'Almeida e Albuquerque, aeompanhado de diversos
operarios para dar cornejo a fazimenlo da nossa ca-
deia, que est sob sua immediala administrajao a
boa localidade escolhida, o elegante delineamento da
planta, a habilidadee diligencia d'aquelle engenhei-
ro, nos promette em breve nm bello edificio, que sa-
lisfaja inteiramenle as exigencias do servico publico.
A solicitode do Exm. Sr. presidente no empenho
de realisar aquella obra, logo no comeco-da sua ad-
ministrajao, prava da maneira a mais eloqaente a
tua justa apreciajao das necessidades da provincia,
e o seu zdo pelo bem publico: campre-nos, pon,
render a S. Exc. ot nossos gradeeimenlos, esperan-
do que esle municipio continu a prender as snas
vistos. Sendo o terreno em que est edificada a vHI
propriedade do coronel Francisco Antonio, e nAo ha-
vendo-te precedido a competente desapropriarao d'a-
quelle que deve comprehender o mbito da cadeia e
as precisas adjaceocias, consto que aquelle proprie-
torio reelsmara ao governo contra semelhanle proce-
dimento : tao liquido he esle negocio, qoe fcil he
ver o sen desenlace.
Deve-se recordar Vmc. qoe nos adiamos com-
prometlidos para emtlir o nosso juizo sobre ama
questao de direilo, verdadeira expilaj&o : pois bem,
duas correspondencias encaminhamosno mesmo sen-
tido, firmadasemdozee triotode etembro, as quaes
desobrigavamo-nos d'aquelle eompromisso, expondo
franca e sinceramente a nos opinilo ; iofeHzmenle
nao foram ellas fncertas,ou por qoe fossem transviadas
do correio, ou por que chegassem tarde; como quer
que for, precisamos que Vmc. noastiga se chegaram
nos seus cscriplorios, visto que do contrario toma-
remos de novo o Irabalho de coordenar as nossas
deas respeto, porque nao temos registros do qne
escrevemos, e breve rernetler-llie-hemos nova via.
Jacta est alea.
Por j ir esto tonga, e nao querer andar pelas ra-
mas, deixamos de dizer-lhe alguma cousa sobre ama
celebre appellajao do invenlari lo morgadoSan
Salvador do mundod'esta provincia : epperluna-
mente d'ella nos oceuparemos. A estnjao tem sido
creadora, mas insalubre. As safras dos engenhos,
conlra loda espectaliva, lem-se redu/ido malade-
O coinmercio lem recebido um vigor extraordinario
com o successivo desfilamento dat cfilas dos brejos,
qae condazem todas as especies de gneros:o as-
sucar bruto pela ua depreciarao desappareceu do
mercado, e todos tratam de purga-lo : a agurdenle
vende-se a 800 res a caada : O milho o a fari-
nda conservan) os prejos, esla de 58000 e aquelle
4i80 por alqueire:couros verdes vendero-se a
39810, os salgados a 9580, e o algodao em Ua a
59000:os gneros alimenticios etlrangeiros perma-
necen) no mais subido prejo: cis o estado do nos-
so mercado.
Temosa mais subida honra de reiterar a Vmc. os
votos da nossa sincera amisade, e os tribuios da nos-
sa vassalagem. O Ordeiro.
PRNAMBUCO.
CMARA MUNICIPAL DO RECIPE
Setaao' extraordinaria de 31 de outubro.
Presidencia do Sr. Harilo de Capibaribe.
Prsenles os Srs. Vianna, Dr. Si Pereira, Mame-
de, Reg, Oliveira, Barata e Gameiro, abrio-se a
sessao, e foi lida o approvada a acU da antecedenle.
Foi lido o seguinte
EXPEDIENTE.
*tTm oftlcio do Exm. presidente da provincia, ap-
provando provisoriamente a postura addieional,' que
esta cmara Ihe enviou em offlcio de 20 do corrente,
e remellendo urna copia da mesma.Inteirada, que
se publicaste a poslura, c se remeltesse copia del-
la aos liscaes para afazerem cumprir.
Oulro, do mesmo. devolvendo com a ola de-
conforme firmada pelo director das obras publi-
cas, a copia da planto do bairrodo Jtecife c do por-
to desta cidade.Inteirada, eque se remeltesse a
engenheiro conleador.
Outro do mesmo, dizendo que, vista da iuforma-
j3o desta cmara de 2i do corrente conceder a li-
cenja pedida por Marcelino Uonjalves da Silva, pa-
ra fazer um cano de escoto, que conduza as agoas
pluviaes e do uso domestico de sua casa de sobrade
na ra da Penha para o aquedudo do pateo de igual
nome, sendo essa obra feila sob a immediala inspec-
cao da reparlijao das obras publicas.Inteirada.
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DIARIO DE PERNAMBUC, SEXTA FEIRA 17 DE NOVMBRO DE 1854.
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Outro do mesmo. trausraitlindo para que i cma-
ra o lomasso em considerarlo, oficio por copia qua
Ihe dirigi a commissao da hygiene publica em 26
do corrale, propoado algumas med jas bem da
salubridade publica. Resolveu-se que m ofllciasse
i commissao para formular um plano geral de edi-
ficado do sentido era que pretenda, ds modo que
as casas de habitadlo sajara sufllcienlemeute venli-
ladas e salubres, aOm de qua vista delle possa a
cmara tratar desta materia.
Outro do mesmo, remetiendo por copia o parecer
da comraissio de hygiene publica acerca das caval-
laricas que se conservara dentro da cidade, afn de
que esta cmara com a maior brevidade, tome-o em
considerado, prepoodo as postaras uecessarias, afim
de serem removidos de prompto esses focos d'iofec-
'j.m, visto aSo ter anda indicado a cmara medida
alguma cerca das mesmis cavallaricas: dizia mais
S. Et. que, quanlo ao que ponderou a cmara em
ofticio de il do crrente, sob o. 101, remetiera
commissao de hygieae para toma-lo em considera-
0o o que acabava ella de fuer, cumprindo que
quanlo antes mandaase remover" o matadouro publi-
co bara o lugar da Cabanga, que elle governo aulo-
risara desde i a despea necessaria com as obras
indispensaveis, e quo havia dado ordem ao director
das obras publicas para auxiliar esse trabalho, po-
dando esta cmara contar com os soccorros nocessa-
rios deque necessilar.Resol veu-se que se respon-
des a S. Ex. cxpon.lo ludo quanlo tcm a cmara
feilo a respailo, e pe lindo-lhe providonciasse para
que a commissao de hygiene publica formulasse as
rondieoes hygienicas, segundo as r.uaes enlende que
deveser feita a obrado matadouro provisorio, para
i vista dellas se poder orear a despeza, e se pedir
a importancia precisa.
Outro do mesmo, recommendaudo que com a
maior brevidade mandasse a cmara remover das
margeos dos rios, do tittoral e do interior da cidade,
todos os monturos, lixos e iramundiciu que forera
encontrados, rfim de ha ver o necessario asseio e evi-
tar que se desenvolvara quaesquer miasmas que of-
fendam a salubridade publica. Que se respndese
S. Ex. que logo que se receben o-seu cali ci de 17
se mandn proceder a referida remoli.;
Outro do Dr. chefe de polica, para u cmara ex-
pedir Ardtm ao administrador do cemiierio, e pro-
carador, no seutido de serem observadas pela com-
missao de hygiene publica, para se nao inhumaren!
cadveres seno 24 horas depon do fallfacimenlo da
pessoa, sendo este verificado e'allestadopor faculta-
tivo.Que oeste sentido se expedisseifa as ordena
convenientes, se eeusaise a recepclo.t
Outro do presidente da commissao de.ihygiene pu-
blica, requisilando os fundamentos da excepto
apresenlada por Jos da Rocha Parando, no proces-
so que a caraira sustenta contra elle ene juico, visto
que o solicitador era sua informaci/tio declarou
quaes sao elles.Mandou-se respondler que corrcti-
do a questao pelos Iribunaes romnBJtenles, s depois
da decisM final pedera afumara salisfazer a este
pedido.
Outro do subdjlwdo da freguazia do Recife, re-
metiendo upfrrelacSo dos individuos quero mul-
l lira, nojgArejo a que proceder por ordem superior
nosjJepeclivos estabelecimenlos no dia 13 do corren-
,^f*'Jw, importando as mullas em 82J. Que sa remel-
V
de Sena, de Thomaz da Gama Lobo, e levanlou-se
a sesso.
Eu M a noel Ferreira Accioli, oflicial maior da
secretaria a escrevi no impedimento do secretario
Bario de Capibaribe. presidente Gameirol'ianna
OliveiraS 1'ere ir aMamedeBarata de Al-
meida.
COMUNICADO
CARTA VIH DO AMIGO JULIO AO AMIGO
JULIANO.
SUMMARIO.Partida de Lisboa.O vapor Eu-
xine.A baha e cidade de figo.Chegada a
Southamplon.Apparencia da ras.A polica
ingleza.Viagcm no caminho de ferro.Aspecto
do paiz.Chegada a Londres.Primeiras t'm-
pressoes.Om jantar ingle:.As ras de Lon-
dres-e modo de andar nellas.Please, Sir.O
domingo em Londres.
Londres 23 d'oulubro de 1851.
Amigo Juliano.Escrevo -le de Londres, a Babi-
lonia dos lempos modernos, onde clieguei ha poucos
das, e da qual aioda nao pude formar ama idea
exacta, pois estou debaixo da influencia das primei-
ras impresses.
Teociooava, antes de sahir de Lisboa, escrever-tc
uina carta sobre os llieatros daquella cidade, seus
actores e dramasullimamenle representados, mas
o preparativos da ranlia viagera nao me deixaram
tempo para isso, e por tanto occupar-me-liei com
esse assumpto, se no raeu regresso ao Brasil, me de-
morar em Portugal.
No dia 9 do corrente s 9 .e meia horas da ma-
nhaa, sahi de Lisboa, a bordo do vapor iuglez Eu-
xine da companhia de navegaco peninsular c
oriental.Este vapor, de grande lonelagem e
mui rpida marcha, esleve muilo lempo empregado
na carreira de Constantinopla, e esta foi a primeira
viagem que fez entre Southamplon e Gibraltar
portaoto he provavel que os bellos camarotes em
que nos alojaram, ja tivessem sido oceupados por aj-
gum Pacha de duas ou tres caudas e formosas filhas
do I'rophela.
No dia 10, s 2 horas da manhaa, o Euxine
passou pela barra do Porto, onde o commandante
nao quiz deraorar-se por estar o mar tempestuoso.
A's 8 horas avistamos a villa do V'ianna, e continuan-
do a navegar ao longo de urna cosa mootanhosa c
bstanle rida, passamos defronle da foz do rio Mi-
nti, que divide a Hespanha de Portugal ; s 9 e
meia horas eslavamos ancorados na baha de Vigo.
A quarentena, esse duende que me linha perse-
guido na Madcira e em Lisboa, por causa de exis-
tir febre amarella na Bahia (onde nunca estiva), tam-
bera agora me incommodou por liaver cholera-mor-
bus em Gibraltar (onde nunca fui). O Euxine
foi posto em qoarenlena e por essa razio nao pode-
mos desembarcar em Vigo, pequea cidade de 5,000
habitantes, edificada no declive de urna colima, no
topo da qual se divisa um caslello. A cidade vista
do lado do mar lera uroAipcrto pittoresco.A ba-
hia vasta emui bella, oMbre na historia por se ter
dado as suas aguas era 1702 um combate entre as
esquadras anglo-hollandeza e hespanhola, em que
esta ultima foi meltida a pique.Varios navios esta-
vam ancorados no porto, e a nica cousa, que nos
fez Jmbrar que nos achavamos na Hespanha, fui
vermos dansar um bolero a bordo de um pequeo
hiate e ouvirmos o lom da classica panieireta.De-
pois de ter desembarcado algn* Gallegos, que re-
gressavam mi patria, e embarcado ovos frescos
e outras mercaduras, o Euxine levantou ferro ao
meio dia, e seguimos viagem para Inglaterra.
No dia 11 entramos na Baha de Gascohha, que
eslava menos tempestuosa do que cosluma estar nes-
ta eslacao. e leudo avistado as cosas de Franca no
dia 12, na madrugada de 13 do correntc o Euxine
eulrou no canal que conduz a Southamplon.Havia
luar, e os poucos passageiros que tiveram o herosmo
de se exporem ao fortissimo fro que fazia no convez,
Ihas por hora! Pareca que todos tam salvar o pai
do forca, ou para algum negocio tao importante co-
mo este, c como visso um hornera, que contra l re-
gra gcral, caminhava vagarosamente, nao pude con-
ter-me c grilei-lhe -.anda mais de pressa! olha
que nao chegas a tempo I
Depois a experiencia me (em mostrado que he
muilo conveniente seguir a regra geral, e andar
tambem as carreiras, pois ha duas vanlagenspri-
raero, aqueccr os membros agitados pelo fri,se-
gundo, nao ser acolovelado pelos corredores que
vem alrat.
Esta extraordinaria concurrencia fat com que se-
ja impossivel couservar a limpeza as mas, as quaes
ao menos nesla eslacao, sao eslremamenle cheias de
lama, e he impossivel alravessa-las impunemente.
Em alguns lugares ha liomens que armados de urna
vassoura, abrem urna passagem limpa de um lado
da rna para o outro, e depois eslendem a ni3o a lo-
dos que all passam, dizendo : Please, Sir pois
esta populacho lera urna tendencia extraordinaria
para pedir dinheiro.e um viajante he amiudadaraen-
le perseguido com o tal Please, Sir. Se por acaso
chama um Cab (carruagem.), um gaialo o chama
tambem : e abrindo a porlinhola pede alguma cousa
pelo trabalho de servir de echo. Se .por acaso se
perder as ras s deve perguntar o' caminho aos
policewien, pois outro qualquer horaem do povo nao
lh'o ensnar sem alguns pence de aralifcaco.
Tal he a impres Londres naquella noite.e no diaseguiute.Resla-me
agora dizerque ja passe um domingo em Londres.o
que a appareucia da cidade he totalmente diversa.
Todas as lojas, excepto as casas de pasto, eslo fe-
chadas, o que d ama apparencia melanclica as
roas, as quaes nao se v a coslumada concurren-
cia, e apenas apparece aqui e acola alguma esguia
miss, indo para a igreja com o seu livro na mao, e
cujas saias arregazadas por causa da lama, deixam
ver dous pos gigantescos, servindo de pedestal a um
par de canellas delgadas como vaquetas de tambor.
Nao ha theatros era divertimenlos de qualid'de al-
guma, e pelo que observei nao duvido que seja ver-
dadero o calculo de um eitalislico, que aflirmou
ue no domingo se commetliara mais suicidios em
nglaterra por causa do Spleen, do que em qualquer
outro dia da semana.
Oque tenho observado depois, dava assumplo
para rabosear muilo mais papel, mas a mala do Im-
perador parte hoje para Liverpool, pelo vapor da
real companhia lhe escreverci mais extensamente.
Adeos. O amigo Julio.
CORRESPONDENCIA.
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Srs. Redactores. Como empregado publico c of-
ficial da guarda nacional, apresso-me em declarar,
que nem assisti nem andei, e muilo menos animei
aos grupos' que, segundo o Diario de hoje, aodaram
pelas nas desta cidade na noile de 14 docorrenle; e
para que eu nao caTregue com impulac,oes immere-
ciila's, visto que pertenco aquellas duas classes, rogo-
Iheso iavar.de publicaren! estas linhas.com as quaes
faco conhecer que reloruo a carapuca, e regeito a
noiirari'a.
Recife 16 de novembro de 1851.
Jos Bazilino da Silva,.
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esse a relacao lo procurador para promover a co-
braoci das mallas, e se respondesse.
Outro do advogado, iuformaudo ceres da recla-
mado de Manoel Jos Teiteira Bastos, que a cma-
ra proceder em regra, em virtude Ja mesma legis-
lado citada pelo reclamante, em ter chamado o jui-
zo de paz do :i. anuo da freguezia de S. Jos para
servir no impedimento do segundo. Inteirada, e
que se respondesse S. Ex. no sentido da infor-
macSo.
Outro do procurador, respondendo ceraa da pe-
ticSo de Francisco Jos dos Santos, arrematante das
affericiSes, qne com effeilo os padrOes do pesos e me-
didas estao gastos pelo grande uso que lem lido.
Mandon-se recommendar ao procurador que com ur-
gencia, fornecesse novos padrees.
Outro do engenheiro cordeador, tratando das val-
las que se abriram na estrada do Zongu A' quem
fez a requisicSo.
Outro do solicitador, dizendo que para se poder
continuar com o processo que por parte desta cma-
ra foi instaurado contra Bernardo Antonio de Mi-
randa, como infractor do arl. 1. til. 8 das posturas,
se fazia preciso que com brevidade o fiscal de S. An-
tonio declarasse se o mesmo Miranda foi avisado do
resaltado da vistoria a que se procedeu na sua casa
de sobrado da ruado Rangel. Que satisfizesse.
Outro do fiscal de S. Jos, remetiendo o mappa
do gado morto para consumo de 23 a 29 do cor-
rale (630 rezes)Qae se archivaste.
Entrando em diseussa~o os papis de Joaquim Ig-
nacio de Carvalho Mendonca, relativamente ao ter-
reno de marinha em Fora de Portas, resol ven a c-
mara qoe se informisse a S. Ex., no sentido do pa-
recer de commissio, e rarormacao do engenheiro
cordeador.A requerimento do Sr. Maraede. resol-
veu-se que se chamaste a Ora supplente em lugar
do jaiz de paz do segundo dislriclo do bairro do Re-
cife, Antonio Simplicio de Barros, que fallecen.
Ficou addiado um parecer da commissio de clifi-
eacao relativo ao ofllcio do engenheiro cordeador so-
bre a obra de Goilherme da Silva GuimarSes, na
rut do Crespo, resolvendo-se a requerimento Sr. S
Pereira, que o mesmo engenheiro examinasse quao-
tos palmos se atha sobre o nivel do preamar mximo
o nrVelamenlo das soleiras do sobrado do fallecido
Cunta Guimares, aosol da ra do Collegio.
espacharara-se as peticoes de Antonio Ferreira
de Oliveira, da Administrarlo da Comp.inhin de Be-
biribe, de Abilio Jos Tarares, de I). Candida Agos-
linho de Barros, de Elias Baplista da Silva, d Fran-
cisco Gomes de Oliveira, de Francisco Simoes da Sil-
va, de Francisco Jos dos Santos, de Filippe Anto-
nio da Silva, de Jos Joaquim da Silva Gomes, de
Joaquim Jos daSilveira, de Jos da Costa Rabello,
ds Manoel Goocalves da Silva, de Manoel Franch-
eo Darles, de Severiua Francisca da Cosa, e levan-
loa-te seesgo.
E eu Manoel Ferreira Accioli, ofltcial-maior da
secretaria, a escrevi no impedimento do secretario
Bario de Capibnribt presidente. l'ianna.
Gameiro. Mameie. Oliveira. Dr. Cosmes
Reg.

Presidencia, do Sr. Bario de Capibaribe.
Presentes os Srs. Vitaos, Dr. S Pereira, Reg,
Mamede, Oliveira e Gameiro, abrio-se a sesso e
foi lida e approvada a acta d'antecedcnle : foi lido
o seguinte
EXPEDIENTE.
rm odelo do Exro. presidente da provincia, con-
cediendo iutoriaa;ao para a cmara tratar da desa-
propriaclo do terreno pertencente a Joao Carneiro
Machado Rios, na roa da Concordia, qae se acha
destinado a construcao de ama pra^a publica, e de
um pilacete para as letsoes desta cmaraInteira-
da, e mandn expedir ordem ao procarador para
tra|ar da desapropriacao amigavelmente.
^Outro do subdelegado desta fregaezia, remetiendo
a relacao das pessoas multadas por infraedes as pos-
turas, nes das 16 e 27 do mez Pind, importando as
mullas em 1949000, e pedindo mandasse a cmara
pagar aos Drs. Jos Cordeiro MenezesGilahv, e Ig-
nacio Firmo Xavier e trabalho de se prestaren) ao
examesQue se aecusasse a recepcSo ao procarador
para arrecadar as maltas, ordenando-Ihe que pa-
gaste aos ditos mdicos o que he de costme.
Outro do engenheiro cordeador, dizendo, em
cumplimento da portara que lhe foi expedida em
31 to mez lindo, que aa soleiras do sobrado, que Dea
' na extremidade do sul da ra do Collegio, e que
perteneen ao fallecido Antonio da Cunha Soares
Guimares, se achilo anicaniente 8 palmos sobre o
nivel da preamar das grandes msrs do Syzgio, se-
gundo o iiivclamenlo a que para esle fim procederSo
Posto em disenssaocora o parecer da commissao
lido na sesso anterior sobre o mesmo objecto, foi
o parecer approvado ; e no sentido delle mandou-se
responderlo engenheiro cordeador. Enlram em
discussio os artigos de posturas apcesenlados pelo
vereador S Pereira em sesso de 24 do mez pas-
sado, o sao spprovados com as emendas olTerecidas
aos arligos 28, 30 e 32Resolveu-se que se oflicas-
si ao Exm. presidente da provincia, pooderando-lhe
a teceesidade de so construir caes na ra do Sol,
deaJe a ponte da Boa-vista at o Ihealro de S. Isa-
bel, afim de evitar os despejos que ahi se fazem,
para Des|icharam-sc as pelicOes do bacharel Abilio
Jos Ts/ares da Silva, do bacharel Francisco d'As-
sis de Oiveira Maciel, de Jos Jeaquim da Silva
Gomes, o: Jos Rebeiro, de Jos Sapori, de Joao
Carneiro Machado Rio, de Manoel Jos Mauricio
Euderam ver distinctamente as costas da ilha de Wig-
t, que nos ficou direita. Continuando a sabir o
PIJBLICACOES A PEDIDO.
Cliarissimo Dr.......-Como lhe eu ia dizen-
do na minha de 16 do crrenle, na quinta feira *s5
horas da larde embarquei no mperatri: para esla
cidade, o commandante que tambem chegou de tr-
ra a essa hora mandou aprestar ludo para a partida,
e por o ferro a p de galinha, como dizera os marc-
eantes la no tecliniquismo do seu idioma,que sappo-
nho querer dizer, p-lo quasi i prumo, ou verlical-
menle, em ordem que n'uro-momenlo, logo qua seja
sageiro, e que mim mesmo, em virtude da sofregui-
ilan do meu genio muilo me molesta em outras occa-
sioes, desta vez rae era tao doce e agradavel, que eu
desejaria naquella hora ser ao mesmo tempo um no-
vo Josu para deter o so), e o presidente de Peroam-
buco para retardar a mala do correio.
Era quanlo os outros*compinheiros so enlrclinham
em diversos assumptos, eu pensativo e melanclico,
encostado borda de sotavento do navio, conlem-
plava ao norte de nossa posicSo o soberbo e vistoso
promontorio de Olinda, qne, qual outro Adamastor
vigiando o caminho da ludia, atalaia noile e dia a
mais oerfeita das criac,cs de Tupa, cuja guarda pa-
rece haver-lhe sido confiada pela natureza : sudo-
este a esplendida iraca do Recife, que se nos figura-
va estar defendida de qualquer insulto da parle da
barra pelo bem aprovisionado arsenal de marinha, e
sua elegante e raageslusa torre ; ao Oeste cmfim esse
encantador painel pittoresco, que se desenrolava a
meus olhos, e que internando e pelo centro da pro-
vincia, depois de varar o immenso pial, que separa
aguas do Piauhy das do Rio de S Francisco, varejaras
ni le iinuavei- campias de Goyaz, alravessar as cabe-
ceiras do Amazonas, pareca ir espirar nessas -erras
e valles, que anda nao ha cinco seculoi faziamo do-
minio de um dos mais ditosos imperios do mundo, o
imperio dos Incas ; e considerando o portentoso cres-
cimento dessa capital, que linha em frente, o rpido
desenvolvimenlo do seu commercio, o seu progresso
as sciencias, o seu elevado patriolismo, e o heroico
e nunca desmentido valor de seus filhos dizia co-
migosRio de Janeiro, Rio de Janeiro, cuida
em ti e nos leus boles! Mais 50 annos rnente.e es-
t consummada a obra daseparacao. Em 1817 pisaste
em2i machucaste ; em 49 esmagaste : em 1900 po-
rcm hao de ser ellas por ellas ; quero dizer, imperio
por imperio, melropole por melropolc, exercilo por
exercilo, esquadra por esquadra. Erras, se pensas,
que no sangue derramado nessas horrorosas pocas
afogastes a gerac,3o dos Vieiras, dos Caraarfies, dos
llenriqes Das; nao ella ahi est para sobre vi ver
ao leu despotismo, e afinal esmaga-lo: e assim como
pode-se mui bem suppor, que os soldados do Equa-
dur nao hao de transpor a barra do Penedo para ir
conquistar os povos, que habitam debaixo do signo
de Capricornio, assira tambem se pode ousadamente
aflirmar, que os militares da Sorra dos Oreaos, da
Estrella, e do Cubatao nao hao de mais vir arear as
suas armas, e lavar as suas mos no sangue de seus
irmaos do norte para -ostentar os vossos caprichos,
Rio de Janeiro! Ahi esla o caudaloso rio de S.
Francisco para Iracar de urna maneira inquestiona-
vel os vossui.e os limites do imperio do norte. Tem-
Eo hade vir aiuda, em que o cidadao dos Estados do
quador, hoje vil, e desprcsivcl escravo do Rio de
Janeiro hade gozara ventura de deitar-se tranquillo
em sen lar, e no seio de sua familia, sem estar as-
sombrado pelo lerrivel espectro de um decreto do
Rio de Janeiro, que ao amanheeer do dia e no in-
nocente abrir de sua porta, vem intimar-lhe a ordem
fatal de como om cao damnado, abandonar mu-
Ihcr, filhos, casa, amigos e ludo quanlo lem de-
mais precioso na Ierra, para se recolher um degre-
do, que lhe he marcado 200, 300, 400, 500 e ma-
is leguas; eo que he peior de ludo anda, sem que
se declare ao proscripto qual o delito, que commeleu
para padecer tao grande pena! Tempo hade vir,
Rio de Janeiro, em que um pobre carcereiro de urna
miseravel villa do serto para ganhar 50 mil res por
anno, ( 50 mil res ) nao hade ter mais necessida-
de de caminhar btli), e mais leguas para obler de vos-
so governo o diploma desse ridiculo emp/ego Tem-
po hade vir enim, Rio de Janeiro, em que um va-
por do sul nao hade ser mais a peca carregada de
melralha, quequando se dispara, ceifa de urna s
vez ceios e centos de fortunas, arranca o pai seu
lilbo, o marido sna muiher, o chefe a sua familia,
o amigo seus amigos. Comprime, Rio de Janeiro,
comprime, que tanto maior e mais accelerada ser a
exploso : olha para Portugal, e as cortes coustituin-
les, e all acharas o ten retrato ; cada medida de
compre-sao era um impulso de mais dado emanci-
preciso, suba esse inquilino da proa, e se recolha ao
seu covil : demoramo-nos porm bastante tempo de-i Pcao do Brasil; quanlo mais centralisares o irape-
Solenl e vollando um pouco para o oeste, entramos
no Southamplon Water, e medida que a au-
rora foi apparecendo, descubrimos as bellas paiza-
gens que ornara as duas margens, que com os seus
parques e lindas casas de campo rodeadas de verdu-
ra, causaram urna impressao agradavel nquelles que
pela primeira vez viara o territorio brilannico. Ao
oascer do sol o Euxine eslava ancorado as Docas
da companhia peninsula%e oriental, e ento o nevo-
eiro que nos cercava foi-se dissipando, e o fri, que
al all nos linha agitado os membros diminuio
pouco a pouco. A's 9 horas da manhaa saltamos em
ierra, sem que ninguem nos perguntasse por passa-
porle, e como o primeiro comboy do caminho de
ferroso parlia para Londres as 11 e meia horas, ti-
veiros tempo de dar um passeio pela cidade, e
ludo quanto vimos nos impressionou favurax ci-
mente.
O que logo notamos em So-ilhamplon foi urna
grande concorrencia as rasera um coutinuo ir e
vir de homens e mulheres de todas as classes e lodos
andando apressadamenle. Ao p da alfandega a ac-
tividade era maior, e as mrcadorias dos numerosos
navios que oceupavam as Docas, eram passadas por
meio de pranchas, para carros cobertos, puxados por
possanles cavallos, que faziam lcnihrar o de Troia.
As casas em geral sao pequeas, mas edificadas com
gosto, e nellas nota-se urna grande dillercnca entre a
construccao usada em Inglaierra, e a que se ompre-
ga geralmenle no Brasil e cin Portugal.Em lu-
gar de um aliuliameiilo montono de jancllas e por-
tas, as fachadas em Southamplon dilTerem muilo
urnas das outras; a presentando urnas bellas colum-
natas e oulros ornatos; o pavimento terre contera
bellas lojas, com toda a diversidade de frentes.Va-
rias mas terminam em parques cheios de verdura,
e como o sol eslava brilhante, ludo tinha um aspecto
alegre e agradavel.
Quando estavamos na eslacao do caminho de fer-
ro, livemos occasiSo de apreciar os effeitos da poli-
ca ingleza. O horaem que' tinha conduzido a nossa
bagagem, exiga urna paga exorbitante, o que sendo
percebido por um Policeman (guarda de polica) que
all passeava gravemente de chapeo redondo e casaca
prela com botdes de metal, immedialamente nos avi-
sou, ecom dous fortes empurros poz o pobre diabo
no meio da ra ao depois coulinuou a passear tao
fleugmaticamenle como dantes.
Por fim entramos em ama das carruagens do com-
boy, que parta para Londres, e as 11 e meia horas
da manhaa a locomotiva deu um*silvo agudo e
trem parti rpidamente.Atravessarnos os conda-
dos de Hampshire, Surrey e Middlesex, demorndo-
nos somonte alguns minutos em Winchester, Whil-
church, Basingstonc, Kingston e outras estates de
menos importancia.De um e outro lado da estrada
de ferro, viam-se rsonhos prados, bosques de bellas
aores, e lindas casas de campo rodeadas de canaes
em fim, nao havia um palmo de terreno, que nao
estivsse bem aproveitado. De todas as ciliados', por
onde passamos, Winchester me pareceu a mais im-
portante, e todas asuas casas construidas com ele-
gancia, mas extremamente pequeas,o que, segundo
me afflrmaram, em parte era eiTeito da extraordina-
ria velocidade com que caminhavamos.
Dorante o trajelo o co couservou-se limpo e o
sol descoberlo, mas depois de passarmos Kingstown,
vi um denso nevoeiro diante de nospareceu-me
urna nuvem carregada de chuva e perguntei se
aquillo annunciava mudanza de tempo.Aquella
nuvem, me responderam he a atmospncra de I.on-
dr, la que estamos prto. o Pouco depois, o com-
boy entrn nos suburbios da cidade e atravessando o
bairro de Keaninglon, as 2 e meia horas paron na
eslacAo em IVbtcrloo-bridgc.
AJmrjri^jsju que me causn Londres naquelle dia
03o ro muilo agradavel, pois comparando esle co
como de Southamplon e Hos condados, que linha-
mos atravessado, senl opprirair-se-me o coracao de-
baixo desla almosphera carregada, por entre a qual
mal penelravam os raios do sol, que aqui as vezes
tem menos brilho do que a loa dos nossos climas
tropicaes. Quando atravessarnos a ponte de Wa-
lerloo, o nevoeiro era tao intenso que mal podemos
distinguir os edificios qae ornam as margens dn
Tamisa. Alem di-so lodos as casas e edificios p-
blicos tem urna cor negra, pois o fumo do carxao de
pedra d aos mais bellos edificios a apparencia de
careoeiras, e apenas as osas edificadas ha pouco se
nota urna cor difireme.
Neste dia jamamos na mesa redonda do Tavislo-
cli-Hotel, e ento pude formar urna idea do que he
um jantar inglez. Alm de nos, achavam-se me-
sa dez ou doze inglezes, e parece-me que lodos elles
juntos nao pronunciaram urna dazia de palavras.
Conservaram-se de tal modo callados e serios, que
me fizeram lerabrar os membros do tribunal da in-
quisicao reunidos em conselho. Acabado o jantar,
alguns foram ler os jornaes, e os oulros deixaram-se
ficar sentados, contemplando ora o lecto do salSo,
ora aa garrafas que eslavam sobre a mesa, al que
a somnolencia causada pelo canleudo das taes garra-
fas, os fez enloar um harmonioso coro de roncos e
assobios.
Nessa noile, eu e nm dos meus companheiros de
viagem, que tambem via Londres pela primeira vez,
demos um passeio as ras da cidade e andando ao
acaso e sem guia, percorremos urna nnmensidade
de mas e achamo-nos na ponte de Londres (I.on-
don-Bridge). Em urna eslensao de mais de tres mi-
Ihas, por toda parte vimos um alinhamenlo conti-
nuo de lojas, ornadas com o maior gosto e resplan-
decenles de luz. O espac.o esl de tal modo appro-
veilado, que nao se v um nico palmo de parede
no pavimento terreo descasas, pois as lojas apenas
sao separadas poi um delgado; tabique e portanlo de
ambos os lados da ra ha urna linha nao inlerrom-
pida de portas e mostradores, unde por delraz de
vidros gigantescos v-se toda a quatidade do objec-
(os. Aqui era a tablela de om ourives, brilhando
com ouro e pedrarias, all urna loja de fazendas,
cootendo vestuarios de toda a sorte, mais adianto
um cabelleirejro, com toda a qualidade de objeclos
de toucador, depois urna modista, ostentando com
que satisfazer os desejos da mais caprichosa coquet-
te; emfira, via-se tudo quanlo a industria produz, e
de tudo em grande quantidade. A minha imagina-
cao perdia-se em um infinito de cifra*, procurando
calcular o valor dos objectos, qotel naquella noile.
Era incrivel, fabuloso e com tudo real I
A concurrencia as ras era extraordinaria, n,1o
s de mnibus e carruagens como de pessoas a p.
Achava-me confundido no meio desse lurbilhao de
individuos, que, como ja linha notado em Sou-
lliampion, lodos andavam apressadamenle e quasi
a correr. Em quanto eslive sentado em London-
Bridge pude apreciar bem esla parlicularidade .das
mas de Londres, pois dianle de mim via Um conti-
nuo formioueiro de homens e mulheres dando aos
brac/os e andando com tal forra de locomotiva, qae
pois desta manobra i espera da mala do correio, que
ainda nao tinha sido despachada pela sua reparlicito.
Esla dilarao que em geral inquielava os passagei
ros, mui pai lieular e grandemente affligia aos
Exms. senadores e augustos depnlados, que volla-
vam no dilo vapor para as suas respectivas provin-
cias, a ponto que eu eslava vendo o lisiante, em que
elles faziam aleum protesto contra a presidencia ;
porque em verdade, meu amigo, estes meussenho-
res sao uns homens, com quem ninguem tira palha,
nem o proprio governo, qual! nem o mesmo Dos,
que rege o co, e a trra.
Muilo doceis, muilo malleavia, muito brandas
amenos, muito corlezes, e pressuresos mni-
afayois e graciosos, quando estao agenciando a sua
eleirao, ou reeleicao, urna vez conseguida esta tor-
nam-se 13o rigojosamente austeros, 13o domnenle
ioflexiveis, Uto medoohamento carrancudos, tao so-
branceramente altivos, que para um qudam como
eu e oulros que laes, mais vale ir remexer com urna
cobra de cascavel, (serpent l sonle) acastellada
na touceira de um xiquexique, ou cacar urna unen
eneoviladaoa horrorosa toca de nina sorra ingreme,
e escabrosa, do que ter que fallar cora algum desles
monarchas do Tibet. Se he verdade, meu collega,
o que dizera os naturalistas, como Lineo, Bulln,
Convier, Blanchard, Brolero e oulros, a providente
natureza nao creou existencia alguma phisica ou mo-
ral, sem o seu respectivo contrapeso, alini de se con-
servar, como dizem os philosophos, o iodispensavel
equilibrio, que mantm, e sustenta esta gratule ma-
china, que chamamos universo, tambem nao he me-
nos exacto, que de lodos os contrastes produzldos por
ella nem um he 13o malhemalicamente perfeito co-
mo seja o da humildade do candidato com a arro-
gancia do dcpulado ; e se esle chega melter a mao
na combuca, segundo a bella synnnimia do Sr. Eu-
zebio ao Sr. Moraes Sarment, isto he, n empastar-
se ministro, como jocosamente se espressavam o falle-
cido Feij, enlao adeos minhas encomendas ; quem
i ser outro taumaturgo iguala elle mesmo misar apre-
senlar-se diante da face desta improvisada magesladel
Mais antes ser hollandez, e ir fallar com oimperador
do Japao. Em geral, meo cnllega, um excelso mi-
nistro, um alto e poderoso depulado ou nao falla,
nem responde aus lagalhs, como nos oulros, ou se
se digna de o fazer, fa-lo com um rosnado tao enca-
chorrado por entre os denles, que ser-nos-hia pre-
ciso melhamorphosear-nosem cachorros para os po-
der entender, pois que com o seoso enmmum, com
que nos dotou a natureza, e com o simples succor-
ro de nossa percepc,3o inlellectual nao he possivel
cumprehender o seu resmuogado. Creio, meu colle-
ga, que esta fingida inania he herdada, ou imita,la
da branca, porque se nao estou engaado, (visto
que, como j lhe disse, sou obrigado, por falla ab-
soluta de livros, a citar de cor), lemfro-mc de ter li-
do no joven, e erudito historiador Miguel, que um
redactor chamado Gamillo Desmoulinsj se queixava
naquella era (1793) da altivez, esoberana dos depn-
lados convencionaes de Franca, e apuntadamente
de um tal Sr. San Justo, que, dizi o dito Desmou-
lins, caminhava com o pescoro duro, e a cabera le-
vantada, como se fra urna custodia do Santissimo
Sacramento, e ainda mais exigiudo, que como a tal
jSe lhe Dzesse a compleme reverencia. Mas, meu
ollega, que um convencional francez pralicasse as-
sim, quando Luiz XVI j havia subido ao patbulo,
e cada um depulado sejulgava herdeiro do Uirono,
cade in pace : mas no Brasil, onde o throno nao es-
t vago, e nem Dos hade permillir nunca, que es-
teja, para que figurar i modaSan Justo, ou de
herdeiro presumptivo da coroa ? Felizmeute porm
eutre nos esta louca vaidade forma antes a excepcao,
do que a regra; nos temos muitos deputadosque po-
dem passar por modelos de polidez, e urbanidade,
assim como prolotypos de honra, e honeslidade ;
muitos coulieco eu, cujo carcter generoso fajo
a maior juslica, e tributo o mais profundo respeito;
entre estes comprazo-me de no mear o raeu intimo e
preslimoso amigo Dr. Joao Jos Ferreira de Aguiar,
que por lhe n3o ser pessoalmenlc conhecido, tomo o
encargo de lh'o retratar, para que V. de hora em
diante fique sabendo apreciar, quem he esle distine-
lo Peroambocano, que faz orgulho sua palria, e|
nos todos tambem, porque somos como elle, Ui a-i-
leiros. O Dr. J. Jos F. de Aguiar he um magis-
trado avulso, que tanto lem de probo e Ilustrado,
quanto leve de recto e jusliceiro no exercicio da ju-
dicatura, que lhe foi confiada; he um administra-
dor prudente e esclarecido, que leodo governado 18
mezes esla provincia do Rio-Graode do Norte, f lo
cora tanta destreza e habilidade, que ainda hoje per-
durara nella as mais gloriosas tradicroes do seu no-
me e do seu governo; he um legislador pticamen-
te sabio; he um provecto e abalisado jurisconsulto;
he um Iliterato consuramado no estudo c conheci-
meolo das humanidades; he nm cxemplar e hones-
to pai de familia, alindado pelas dimenses, que
nos Iracou o baraod'llolbac; he um amigo 13o cor-
dialmenle sincero, e 13o desinteressadamenlc pres-
lavel, que se o poderla lomar para assumpto de um
novo tratadode amititiase entre nos houvessem
Plates, Ciceros ou Plutarcos; cmfim he um dos
mais perfeilos e dislinctos cavalheiros, que honra
Pernambuco; ese esta tosca e. abreviada biugra-
phia eu accrescentar, que esle excellcnle cidadao
nao he rico, eqne vive apenas do mdico e honesto
lucro da sua banca de advogado, creio que nada mais
preciso dizcr-lhe, para que-V. possa avaliar a sum-
i i de raras qualidades e eximias virtudes que ex-
ornaiu a pessoa dcste ineslimavel Brasileiro.
as de mais localidades ainda se feixavam as porlas
aos extranhos e viajantes, qae as vezes at eram tra-
tados como os prophetas pela canalha de Jerusalem,
com pedradas pelos meninos ; cmfim he a villa da
Barra a nica villa sem exemplo no serlo, onde
desde a sua anliquissima inslalaiao at o dia
de hoje nao consta que tenha reinado urna
familia, urna casa, c sim, exclusivamente governado
as autoridades legtimamente constituidas ; o qae
realmente he um pheuomeno na barbara historia do
serto, e ainda mais se atlendermos, que a villa da
Barra est toda circumdada depequenos feudos, on-
de nunca foi reconhecido o jaso da lei, nem o go-
verno da auloridade; cousa singular Quando a Ca-
rinhanha gema debaixo do despotismo dos Maga-
Ih.ios. o Urub do dos Filippes Nerys, e Guimares,
o Chiquechique do dos Alselos Custodios, e Alva-
ros, o Senlo-s do dos Martin* dos Santos, o Pilao
Arcado do dos Prxedes e MiltOes, o Paranagu do
dos Aguiares, ou Caraibauos e Santa Rila da do
Sulpicio, a villa da Barra tranquilla no centro des-
tas repblicas olhava, e olha com desdem e coropa-
x3o para estas estpidas Francias: ainda em IS,
na porfiada e sanguinolenta guerra de Sento-s e
Pilan Arcado, suas visinhas, a villa da Barra olhava
para esle drama que se representava ao p de si
cora a iuquieacao propria do cidadao, qoe se con-
de da desgrana de seus irmlos, mas nao com me-
llo de ser victima delle: 13o circumspecto cordei-
ro he o carcter de seus habitantes! A' vista deste
quadro que poder peccar pur defllciencia, e n,io
por superabundancia, j v V., meu collega, qne
n3o he para admirar, que urna trra desla cathe-
goria tenha a gloria de ser a patria dos Marianis,
dos Wanderleys, dos Macedos, dos Almeidas, aos
quaes accrescem agora os Figueiredos: examine
li, e diga-me, se sabe, que baja alguma Ierra do
centro do Brasil, que desse de urna s vez dous
filhos seus para governarera as duas mais importan-
tes provincias do imperio. Por hoje hic e non plus
ultra ; e perdoe a massada.
Costa Lobo.
Natal 26 de oulubro de 1854.
Nos autos de appellacSo vindos do juizo mnnicipal
e auseules da cidade de Gaianna, sendo appellanles
os herdeiros do fallecido AnloniniJosc Guimares, e
appellado o curador dado a heranca dos mesmos o
bacharel Joao Floripes Dios Brrelo, foi proferido
definitivamente o seguinle accordan aos embaruos,
com que ul ti mamen le veio o dito curador a senlenc.a
que contra elle obtiveram os herdeiros no tranzito
da mesma pela chancellara.Aecordo em rclac.au
ele. Qae sem embargo dos de fl, que nao attendem
Eor sua materia e autos, mandam que oaccordAoem-
argado subsista, pagas pelo embargante as cusas.
Recife 11 de novembro de 1854.Azeeedo, pre-
sidente.filiares. Bastos.Leo.Souza.Re-
bello. ( 1;
E para cooslar se mandou ailar o presente e pu-
blicar pelo Diario,
Secretaria da thesooraria provincial de Pernam-
buco 13de novembro de 1854.O secretario, Antonio
Ferreira da Annuneiaco.
Clausulas especiaet para a arremtatelo.
!. Far-se-hao ditos reparos deconformidade com
o ornamento approvado pela directora no conselho,
e apresenladu a apprnvai.ao do F.xm.Sr. presidente
da provincia na importancia de 4:6209000-
2." O ai-Rematante dar principio as obras no
prazo de ura mez e deveri conclui-las no de seis
mezes, ambos contados de conforraidade com art.
31 da lei provincial n. 286.
3.* O pagamento da importancia da arrematarlo
realisar-se-ha eraquatro prestaces iguaes : a pri-
meira quando eslivcr concluida a lerca parle das
obras ; a seguoda depois de feilo o segundo terco ;
a lerceira no recebimeoto provisorio, e a quarla na
entrega definitiva,sendo de um anno o prazo de
respousabilidade.
4.a Melada do pessual da obra ser de gente
livre.
5. O arrematante devera proporcionar Iranzilo
ao publico nofimde3 mezes.
6.a Para tudo o que nao es ti ver determinado as
presentes clausulas era no ornamento, seguir-se-ha
o que dispe a respeito a lei o. 286.
Conforme.Antonio Ferreira d'Annunciarao.
Pela inspeccao da alfandega se faz publico,
que exislem no armazem da mesma os voluntes
abaixo descriptos, alm do lempo enarcado pelo re-
gulamenlo ; e pelo prsenle sao avisados os respec-
tivos donos e consignatarios para os despachar no
prazo de 30 dias contapos desla data, lindo e qual
scrau arrematados em hasta publica na forma do
art. 274 do mesmo regulamenlo, sem qae em lem-
po algum se possa reclamar contra o effeilo desla
venda, a saber:
Armazem n. 7.
Marca A T & C. n. 3, um embrulho, vindo na es-
cuna hamburgeza Joanna, em 4 de novembro de
1852, Bruon Praeger & C.
r Marca XX n. 4, 1 caixa viuda no mesmo navio:
a N. O. fiieber & C.
Marca W e signa I a. 2058, 1 embrulho vindo no
mesmo navio : Brunn Praeger & C.
Marca lile signal n. 9274, I caixa vindo na es-
cuna dinamarqueza Tritn : aSchafheillin&Tublet.
Marca W e signal n. 2011, 1 embrulho vindo no
mesmo navio em 8 de novembro de 1852 : Brunn
Praeger & C.
Marca D & C. n. 283, I caixa vinda no brigue
francez Paulino em 2 de uulubro de 1852 : i J. H.
Dencker.
Alfandega de Pernambuco 15 de novembro de
t%5i.O inspector, Bento Jos Fernandes Barros.
ros, ttata-se com Novae&C-, na na do
Trapiche n. 34. primeiro andar.
Companhia de navegaco a vapor Luso-
Bit sileira.
Os Srs accio-
nistas desla com-
panhia sao con-
vidados a reali-
sarem com a
maior brevida-
de, a quinta e
ultima presta-
cao de suas ac-
edes, para a im-
portancia ser re-
rae tti da a direr-
So : dirigindo-se a ra do Trapiche n. 26, casa de
anoel Uarle Rodrigues.
Vend-ee barcaca brasileira Diligente, de
lote de 26 caixae, muit veleira e bem construida,
forrada de zioco e prompU a fazer viagem ; est
fundeada ao p do Trapiche do algodao i a tratar
com Tasso Irmaos.
Para o Rio de Janeiro' segu com brevidade o
brigue nacional Fluminense por ter ja a maior par-
te da carga prompta ; para o reslo e escravo a frite,
para o que tem bous eommodos, trata-se na ra da
Cruz no Recife n. 3, eseriptorio de Amorim Irmlos.
Para o Rio de Janeiro.
A barca brasileira Ipojuca seguir imprelerivel-
menle no dia 22 do correte ; recebe alguma carga
miuda e escravos a frete, para os quaes lem spano-
sos eommodos : os pretendenles dirijam-se a roa da
Cadeia do Recife, eseriptorio de Bailar & Oliveira
n. 12.
____
LEILO'ES.
O agente Oliveira far leilao por autorisatao
do respectivo juizo e a requerimento de L. Schuler
& Companhia, a {ministradores das mateas dos falli-
dos Marcelino Jos Ribeiro, Bento Joaquim Cordei-
rn Lima, e de Autonio Jos de Azevedo, de todas a*
dividas activas das ruesmas massas, como dos inven-
tarios que no acto serao apresentados, e podem ante-
eipadamenle ser examinados peles pretendenles :
segunda-feira,20 do corrente, ao meio dia em pon-
i, no eseriptorio dos referidos administradores, roa
da Cruz, bairro do Recife.
COMMERCIO.
Grabas Dos! He lalvez o Dr. Aguiar o unice
homem virtuoso, que nao sollre perseguicao dos con-
temporneos : a provincia de Pernambuco ainda nao
deixon de fazer juslica ao seu mrito, ella escuta, e
segu os seus consclhos, como orculos, em todas as
precises do servico nacional e provincial ; c alTron-
lando a regra inoi'O benefitium non dotar no-
mcia-o seu depulado. serapre que ha liberdade as
cleices, aiuda que elle seno aprsenle candidato,
como aconteceu na ultima cleirau para a assemblca
provincial; e o governo geral,imitando o comporla-
mento da provincia, traa, e respeila an meu amigo
com todas as considcraciies devidas ao seu carcter :
parabens, puis, posleridade, que tem urna ingrati-
d3o de menos lamentar, quando ler os fastos dos
nossos dias. Pelo pouco que fica dilo, j V. vi, meu
collega, quequando o candidalo he da rever do Dr.
Ferreira de Aguiar, ainda que alcance sor depulado
e depois ministro, nunca se transforma em um pe-
dante, que presume, que o mrito do empregado nao
consiste no justo, recto e prudente desempenho das
funcees do seu cargo, seno na ridicula ostentarlo
de urna vaidade que lano lem de estpida, quanto
de insupportavel. Nao desejaria, que V. contasse
islo alguem ; se porm o fuer, o que nao es-
pero, entao diga-lhe, que eo digo, que qui po-
les capere capial ou por oulra, quem
couber a carapuca, que a deite na cabera. Mas
tornando ao fio do meu assumplo, quero dizer-
. lhe que veja l V. o que san as cousas desle mundo ;
em estyio martimo, deviam fazer dez ou doze mi-1 a demora que tanto iucommodava os demais pas-
PKACA DO RECIFE 16 DENOVEMBROAS3
HORAS DA TARDE.
Colaces oflleiaes.
Descont de lettras de 2 mezes8 e 9 % an anno.
Frete para Liverpool da Parahiba9|16 d. por libra
de algodo e v
ALFANDEGA.
Rendimenlo do dia 1 a 15.....153:497*743
dem do dia 16........22:310i22
DECLARAgO'ES.
175:8085165
rio, quaoto mais perseguiros o Norte com medo da
se paraco, quanto mais apressars a obra. Delirava
eu, meu collega, nesla phanla'lica quimera, quan-
do pelas Choras e umqiiarto, mediante o auxilio da
parda luz do ultimo crepsculo do dia, bruxoleamos
u ni bole, que de trra se fazia a nosso bordo; era
justamente a mala do correio, recebida ella deslisa-
mo-nos barra fora, e n'um momento sulcavamos
o alio mar. Recolhido ao meu aposento, que desta
vez nao passou de urna laboa nua e crua, por baixo
de um caixSo, ou padiola, que me lien a por cima,
e para o qual servia ella de escabello,como o caixao
de dormitorio um outro passageiro, que desl'arle
figurava de espada de Daraocles e eu desse re infe-
liz, enlrei logo a vomitar na forma do meu habitual
e inveucivel enjo, e fazendo revesadamente traves-
seiro dos bracos, abalado ora pelo altrilo da machi-
na, ora pelo baluurar do navio segundo o movi-
mcnlo das ondas, cada -gemido, aue dava, cada
vomito, que lancava, vinham-me lembranea esles
versos dos Lusiadas, que repela.
Maldito o primeiro, que no mudo
Velas poz era secco lenlio,
Diguo da eterna pena do profundo,
Se he justa a justa lei. que sigo e tenho.
Resada esla Ave Maria pelas almas dos inventores
da navegaco, que alias tanto admiro e aprecio, co-
mo o primeiro, e o mais noderoso de lodos os mov-
is do progresso, e da civilisacn acluaes, abandonava
o meu espirito s mais tormentosas, e crueis refle-
xes tanto do meu immererido penar n'aquella hora
como da mais immerecida ainda triste sorte que me
aguardava no degredo para que raarchava; entao
lembrando-me das augustias, fadigas, e amargura-,
porque tambem passara o Salvador do Mundo, o
prolotypo de toda virtude, o espelhp de toda humil-
dade, o exemplo vivo de toda paciencia, eu dizia co-
mo ellePater mi, si possibile est, transeat me
cali.r hle: rerum tamen non ego vol, sed ,icut tu.
\ ailando de pensaraenlo em pensamenlo, hora
me lembrava dos meus ami.os, que ainda pouco
havia deixado em Pernambuco como fossera os Srs.
Drs. Joaquim Pires Machado Porlella, Alcxandre
Bernardino, Luiz Uarle, redactor Loyola, e oulros
que por brevidade omiti, hora dos grandes e
impagaveis favores, que thes merec, favores, que
reputo tanto mais sinceros, e desinleressados, quanlo
eram feitos a um proscripto, que marchando para
o seu degredo, eslava fora de toda a possibilida-
dc de urna retribuicao qnlquer, nao ser urna
simples, mas eterna gratidao. Entre os meus recor-
dados avultava o Exm. Sr. conselheiro Jos Bento
da Cunha e Figueiredo, digno presidente da provincia
de Pernambuco, de cujas olhciosidades para cumi-
an nao posso recordar-me, sem qne aos olhos asso-
niem copiosas lagrimas. Como magistrado, e julz
de direito da Boa-Vista fui tao vantajosamente con-
ceituado por S. Exc. e, que sou o primeiro confes-
sar, qae a minha insuluciencia nao mereca lano,
como passagei! degradado que passava por Per-
nambuco de caminho, para cumprir a minha sen-
lenca. S. Exc. parece-me, que de proposito se cs-
merou em mostrar-me quanto era leal amizade,
que em sua correspondencia aflirmava, que me ti-
nha, e quanto verdaderamente se condoia do lasti-
moso estado que mo via rcduzido ; os seus obse-
quios pois foram feitos simultneamente debaixo
deslas inspirarles. Nesla conformidade S. Exc.
mui cavalheiramenle pagou-me em mea hotel a vi-
sita que lhe fiz de apreseutaco; feito o que, fran-
queou-meo seu palacio, a sua mesa, de que me uti-
lisei duas vezes, e a sua audiencia particular, pro-
videnciou sobre lodas as cousas, que ainda lhe apon-
lei como uecessarias ao bem estar da comarca da
Boa-Vista, e por complemento de tao sincera amisa-
de, deu-me um conlo de ris para pagar as despezas
de resideucia, que eu havia feilo crh Pernambuco,
visto como n3o se me querendo dar como ajuda de
cusi mais de 800 rail ris para urna viagem de 300
leguas, quando igual ou maior quanlia se d aos
magistrados polticos, ou aos bemavenluradus para
caaiiuharem menos de 100, eslava eu firme no pro-
posito de nao aceitar a esmola, e carregar com mais
essa funesta consequencia do decreto de 20 de abril,
fazendo gosto, que o Exm. Sr. conselheiro Nabuco,
entre os queja ha de ter tido, lograsse este prazerde
saber.quc a minha desgraca decretada por elle se ve-
rilicava em todos os sentidos. A' S. Exc, pois, o
Sr. conselheiro Jos Bento, devo ter mais um escra-
vo para me servir, o qual j eslava designado para
ser vendido, fim de rae poder resgalar du hotel, do
vapor e do mais. O corarlo rae salta pela bocea,
meu cnllega, com o desejo de leceraqui um elo-
gio ao Sr. conselheiro Jos Bento ; mas estando elle
13o alio, e eu lao baixo ; elle tanto na posicao de
me fazer ainda grandes beneficios, c eu de os rece-
ber, que de mim mesmo jure jurando dou-me de
suspeito, anles que como tal V. me averhe : urna
mohiia, porm, tenho eu agora enmigo, e he a se-
guinle, que lhe quero expor, para ver se V. me res-
ponde ella.
Ainda n3o ser oSr. Jos Beulo p successor do Sr,
Pedreira na pasla do imperio, e do Sr. Paran na
presidencia do conselho".' Sera erivel, que S. M.
ainda nao couhera perfeitamente os tlenlos e virtu-
des do Exm. Sf. Jos Bento 1 Pde-se rasoavelmeo-
le crer, que S. M. ignore, que he hoje o Sr. Jos
Benlo o primeiro e o mais hbil administrador, que
tem o imperio ? Sera justo, que alumic -rnenle a
provincia de Pernambuco um luzeiro, que po-
de alumiar todo o Brasil ? Como diz urna re-
gra, que ex abundantia rordis loquitur 6s
por esla regra e fallando segundo as minhas
inspirares, respondo aftirmalivanienteaol. quisito,
enegativamente a lodosos mais. Concluire esla, di-
zendo-lhe, meu collega, que o Sr. conselheiro Jos
Benlo he filho da villa de S. Francisco das Chagas
da Barra do Rio Grande, e que a villa da Barra
sempre foi Ierra e aiuda hoje he lida pela corle do
serto.
A villa da Barra l era letra civilisada, quando a
palavra civilisacAojiao linha ainda sido proferida
em militas cidades do imperio, a villa da Barra ja
dsva cducacaoscicntificasuperiorscus filhos, quan-
do na maior parte das oQIras tiln ainda se na cn-
siuava ao menos a ler e a cscrever ; a villa da Bar-
ra ja sabia apreciar as ..res liberoes, e execulava
pcrfeilamenlc toda a sorte de msica instrumental,
e vocal, quando em mu i las parles o esludo desla ma-
rayilhosa arle era tido por oceupacao redicula de
ociosos e vadios ; j se davam bailes .partidas, ja se
locava, j.i se dan;ava, j se toraava cha na villa da
Barra, quando estas reunioes familiares, inventadas
e promovidas pelo gran lom da civilisacSo para dis-
trahij o espirito dp enfado das oceupaees do dia,
amenisar os roslumes, fomentar a amizade e harmo-
na das familias, e recrear a nossa alma, eram (idas
pelos demais serlanejos, e por elles abominadas co-
mo excomungadas sinagogas de devassidao, e pecca-
niinosas escollas de torpezas, e inmoralidades; a
villa da Berra j sabia respeilaroi di re los de hospe-
de inolTensivo, e desempenhar para com elle os de-
veres da hospilalidade de urna maneira lo generosa
que se tornou proverbial naquelles centros, quando
Desearregam hoje 17 de novembro.
Galera inglezaDea Slayermrcadorias.
Barca francezaLuise Alariadem.
Patacho francezion Pereoleo, queijos e garra-
Res.
Barca dinamarquezaPreciosacemento.
Polaca hespanholaArdillapipas de vinhn.
Brigue portuguezTarujo Ulpedra de canta-
jia.
w Iraportaco'.
Patacho francez Bom Per,vindo de Dzumkerque,
consignado a J. P.-Adour &C, manifestou o se-
guinte :
33 barrise 51 caxas papel de embrulho de mas-
sade cor, 14 caxas cachimbos de barro, 50 barris
alvaiade, 25 ditos oleo de lioliaca, 1 caixa papel
branco, 19 barris alpisla, 155 caixas vidros para vi-
dracas, 30 caixas queijos de prato, e 5 ditas de dilo,
1 barril carne salgada, 200 caixas queijos llamengos,
16 cestosc 1 barril genebra, 150 barris e 100 meios
ditos manleiga, 100 garraroes vazis, 8,686 garrafas
vazias, 540 botijas oleo de linliaea; aos mesmos con-
signatarios.
Polaca hespanhola Ardilla, vinda de Barccllona e
Malaga, consignada a Arauaga & Breyau, manifes-
tou o seguinle :
157 pipas, 11 meias ditas e II quartolas .vinho, 2
saccas crvadoce, 725 caixas, 400 meias ditas e 300 di-
las de quarlo passas, 20 quartolas azeite doce, 30
caixas chumbo de rauuco; aos mesmos consigna-
rlos. .
Lancha Camois, vinda da Parahiba, manifestou o
seguinte :
5 pipas vinho ; a Miguel Antonio Ribeiro.
1 barrica pregos; a Joio Fernandes Prente
V'ianna.
800 loros ; a Severiauo da Cosa c Silva.
CONSULADO GERAL.
Rendimenlo do dia 1 a 15.....8:i683376
dem do dia 16........1:657*456
CONSELHO ADMINISTRATIVO.
O conselho administrativo, em virtude de autori-
saco do Jixm. Sr. presidente da provincia tem de
comprar os objectos seguintes :
Para o meio balalhao do Cear.
Panno prelo para polainas, covados 71.
Arsenal de guerra.
Taboas de assoalho de cedro 3, costado de dilo 1,
cadinhos do norte de n. 6 10, ditos de dito de n. 8
10, ditos de dito de n. 1010, ditos de dito de n. 12
10. (Juera os quizer vender aprsenle as suat pro-
postas em carta fechada, na secretaria do conselho
as 10 horas do dia 17 do corrente mez. Secretaria
do conselho administrativo, para forneciuienlo do
arsenal de guerra 14 de novembro de 1854. Jos
de Brilo Inglez, coronel presidente. Bernardo
Pereira do Carmo Jnior, vogal e secretario.
A cmara municipal desla cidade faz publico,
que Antonio da Silva Gusraao Jnior e Prxedes da
Silva GusmaoesUo legitmenle aulurisadus por Fran-
cisco Jos dos Santos, actual arrematante das afle-
rirjoos, a assignar por esle os bilhetes das mesmas
aflerijoes, nao devendo portanlo os contriboiotes se
exirairem ao pagamento da laxa do referido im-
posto.
Paco- da cmara municipal do Recife em sessSo de
15 de novembro de 1854. Bario de Capibaribe.
presidente.No impedimento do secretario, o ofli-
cial-maior,.\/ano/ Ferreira Accioli.
Tribunal do commercio.
Pela secretara do tribunal do commercio desla
provincia se fax publifo, que foi matriculada neste
tribunal a firma social hespanhola dos Srs. Arauaga
& Bryan, domiciliada nesla praea, na qualidade de
commerciante de grosso trato ; bera como o Sr. Au-
tonio Jos Leal Res, cidadao brasileiro, domiciliado
nesla cidade commerciante de grosso tralo. Secre-
taria 16 de novembro de 1854.O secretario inte-
rino, Joao Ignacio de Medeiros Pego.
O abaixo assignado acha-se no exercicio da
subdelegada da freguezia de S. Ir. Pedro (joucal-
ves, na qualidade de primeiro supplente, e da au-
diencia nos dias j marcados, tercas e sextas, as 10
horas da manhaa, na casa de sua residencia n. 5, Da
ra da Cadeia.Antonio Gomes Tacares.
9:8255832
DIVERSAS PROVINCIAS. '
Rendimenlo do dia 1 a 15.....1:3363-5%
dem do dia 16........ 43*738
1:3805331
Exportacao'.
Babia, hiate nacional Fortuna^ conduzio o se-
guinte :5 caixas o 4 Tardos diversas fazendas, 10
csixas e 10 meias ditas passas, 5 caixas ameixas, 10
barriquinhas bolachas americanas, 9 barris azeite
doce, 100 ditos breu, 30 ditos lerebenlina, 400 lia-
ras de vime, 10 caixas cha, 16 barris e 16 meios di-
tos raanteiga, 1 caixao com 2 pe Iras marmore, 9
pipas, 2 barris de 4.", 1 dito de 6., 2 dilos de 5.- e
2 ditos de 14. azeite de carrapalo, 7 pipas mamona,
6 barris de 8." oleo de cupahiba, 5 raohos esleirs de
palha de carnauba, 4 caixas com ps de abacaxis, 2
barricas ananazes abacaxis, 2 saccas arroz.
Rio de Janeiro, brigue nacional Adolpho, de 212
toneladas, conduzio o seguinle :' 800 volumes di-
versas mrcadorias, 578 saccas milho, 2 caixes es-
p.madores, 10 loros aogico, 4 barricas abacaxis.
Bahia, garopeira nacional Licracao, de 40 tone-
ladas, conduzio o seguate : 81 barris e 40 meios
dilos manleiga, 20 ditos azeite doce, 4 barris aguar-
ras, 3 volumes mrcadorias, 46 cascos azeite de car-
rapalo, 329 caixas sabo, 2 saceos cera de carnauba,
90 molhos esleirs de carnauba.
Parahiba, hiate nacional Tres Irmaos, de 31 !
toneladas, conduzio o seguinte :982 volomes oe-
neros estrangeiros, 240 ditos ditos nacionaes.
HECEBEDOKIA DE RENDAS INTERNAS GE-
RAES DE PERNAMBUCO.
Rendimenlo do dia 1 a 15.....15:4033529
dem do dia 16......... 4885659
15:8925188
CONSULADO PROVINCIAL.
Rendimenlo do dia I a 15.
dem do dia 16
14:4728015
2:7055495
17:1771510
MOVIMENTO DOPORTO
Navios entrados no dia 16.
Parahiba24 horas, hiate brasileiro Camoes, de 31
toneladas, meslre Severiano da Costa eSilva, equi-
pagem 4. carga vinho e loros de mangue; ao
meslre. Passageiro, Domingos Ramos.
Rio de Janeiro21 dias, brigue inglez Albion, de
1/3 toneladas, capillo William H. Manley, equi-
pagem 9, em lastro ; a ordem.
Babia10 dias, barca brasileira Mathilde, de 233
toneladas, capito Jeronymo Jos Telles, equipa-
gem 12, em lastro ; a Guerr.a Jnior.
Da commissaoBrigue de guerra brasileiro Cearen-
se, commandante o capiao-lenente Moreno.
demBrigue de guerra brasileiro Caliopo, comman-
dante o capilSo-tenenle Jos Maria Rodrigaes.
Navios sabidos no mesmo dia.
BabiaLancha brasileira Livraciot meslre Juaquim
de Souza Coilo, carga azeile de carrapalo e mais
gneros. Passageiro, Caetauo deAlmeida.
Em commissaoEscuna nacional Lindoia, comman-
dante Joaquim Alvos Moreira.
Rio de JaneiroBrigue brasileiro Adolpho, capilo
Manoel Pereira de S. carga varios gneros.
ParahibaHiate brasileiro Tres /ratita, meslre Jo-
s Duarte de Souza, carga varios gneros. Passa-
gairos, Miguel Allodio de Figueiredo, Joao ldio
de Jess Lima.
EDITAES.
O Illm. Sr. inspector da thesouraria provincial,
em cumprimenlo da resoluto da junta da fazenda,
manda fazer publico, que a arrematarlo da obra dos
concertos da ponle do Cachang, foi transferida para
o dia 23 docorrenle.
E para constar se mandou afllxar o presente e pu-
blicar pelo Diario.
Secretaria i* thesouraria provincial de Pernambu-
co 16 de novembro de 1854.O secretario,
Autonio F. da Annunciarao.
O Illm. Sr. inspector da thesouraria provincial,
em cumprimenlo da ordem do Exm. Sr. presidente
da provincia, manda fazer publico que no dia 7 de
dezembro prximo vindouro, perante a junta
da Tazonda da mesma thesouraria, se ha de arrema-
tar a qnem por menos fizer a obra dos reparos pre-
cisos da ponte de Gindahy, avaliada em 4:620 rs.
A arrematado sera feita na forma da le provin-
cial n. 343 de 15 de maio do corrente auno, e sob
as clausulas especiaes abaixo copiadas.
As pessoas que se propozerem a esta arremalaco
comparecam na sala das sessOes da mesma juula
pelo meio da, competentemente habilitadas.
( 1 I Espera-se que o curador bacharel cumpra o
qoe prometteu em suas razoes a fl 59 v. dos respec-
tivos autos, cumprindo a sua palavra honrada dada
nessas razoes ; assim o espera o procurador dos her-
deiros queja esta caneado cora tanta chicana.
AVISOS DIVERSOS.
Tendo-se reconhecido que a despeza
de escripia e colimara do importe do*
annnnctos he superior ao valor delles,
previne-se aos senhres assignantet deste
Diario que quando os mandaretn, re-
mettam igutimente a sua importancia ;
alias nao serao publicados-
AOS 100)000.
Continua a estar fgido desde 12 de julho, Caata
no cabra, escravo de Jo3o das Chagas de Faria Lo-
bato, teodo os signaes seguintes: eslatura ordinaria,
cara chala e cheia de sardas, cabellos corridos, den-
les alvos, idade de 16 a 17 annos: he de sopor qoe
o mesmo esteja em Iguarass. Quem o apprehender
e levar roa do Apollo n. 20, lera a gralificacao
cima.
*5oo$ooo
de gratificarlo se dar a quem poder aprehender o*
objectos furlados na loja de Chapront & Bar Ira od
na praca da Independencia na noile de 14 para 15.
Joias.
SOCIEDADE DKAHATICA VIBitlA.
\' recita da aetalgaatiara.
Sabbado 18 de novembode 1854.
Depois da exeeac.o de urna escolhida ouverlura,
lera principio a represeutaclo do novo e iuleressan-
lissimo drama em 5 actos, intitulado
0 ALCHIMISTA,
composto em francez por Mr. A*lexaudre Huma-, e
vertido livremeole pelo Dr. Ignacio Jos Ferreira,
natural da Bahia.
Personagens.
Fasio, alehimisla .
Lelio Conde .
D. Grimaldi.....
Raphael, poeta ....
Aldini.......
Spada .......
O Podeslade.....
Francisca, muiher de Fasio
Magdalena.....
Um oflicial.....
Um criado.......
Soldados, ora padre, criados, etc. e lodo o acompa-
nhamenlo de um justirado.
A scena passa-se em" I-lorenca.
Terminar o divertimciito com a muita engracada
comedia em 1 acto, intitulada
O FILHO DE TRES PAS.
Principiar as 8 horas.'
QUARTA-FEIRA 22 DE NOVEMBRO.
Beneficio d* artista
Maria Leopoldina Ribeiro Sanches
Representar-se-ha pela primeira vez neste Ihea-
lro, o excellente drama em 5 actos compoaico fran--
Actoies.
OsSr Costa.
B Bezerra.
D Res.
Mendes.
B Pereira.
a Rosendo.
Sena.
ASra. I). Leopoldina.
A Sra. li. Orsat.
OsSn . Sebaslio.
M Santa Rosa.
Y.
. f O Sr.Reis.
, o o Senna.
. o Bezerra.
i A beneficiada.
.ASr.D. Rita.
, D. Leonor.
, Amalia.
. O Sr. Costa.
. d Pereira.
. N. N.
, O Sr. Santa Rosa
. Rezende.
i d Lima.
o Skiner.
Mauricio Dornay.
Thisgo Meanier. .
Pedro, filho de Tbiago. .
Jenny, filia de Thiago. .
Bertha, sua mi.....
Magdalena. irm3a de Jeuny.
Rosa, criada grave. .
To Simio porteiro'< .
I Ir. llena inl. .....
Julio, menino de 7 annos.
Um agente commercial. .
Um criado de Mauricio. .
1 caixeiro. .
2f dito........
A scena 'passa-se em Paris na actualdade* Os in-
lervallos serao preenchidos com excellentes ouver-
luras.
Findar o espectculo com o excellente vaude-
villeem 1 aclo composicio de Mr. Florin e msica
do professor Filien.
OS BiUS BILHETES DE LOTERA.
Aodr..........O Sr. Monteiro.
!>capin.......... Mendes.
Argentina. .........A Sr. D. Leonor.
. A beneficiada, espera do respeitavel publico a
costumada pr'olecrSo.
AVISOS MARTIMOS.
REAL COMPANHIA DE PAQUETES INGLE-
ZES A VAPOR.
No dia 20
desle mez es-
pera-se do sul
o vapor Greal
li'estern, com-
mandante Bei-
ris; o qual de-
pois da demo-
ra do coslume
seguir para a Europa : para passageiros ele, trata-
se com os agentes Adamson llowic & Companhia,
ra do Trapiche Novo n. 42.
Para o Cear segoc em poucos dias, por a ler
parte de sua carga prompta, o bem conhecido hiate
Capibaribei), forrado e pregado de robre ; para car-
ga c passageiros, trala-sa na ra do Vigario n. 5.
RIO DE JANEIRO.
Pretende sahir com milita brev idade, o
veleiro brigue Dous Amigos, portera
maior parte de seu carregamento promp-
to : para o resto da carga, passageiros e
escravos afrete, trata-se com Novaes & C,
na ra do Trapiche n. 5i, ou com o ca-
pito na praca do Commercio.
Para Muran luto.
Espera-se nestesdiasdo Rio de Janeiro, o
brigue nacional Brilhante, pouca de-
mora tera' por trazer maior parte de seu
carregamento: para o resto e passagei-
Os abaixo assigoados, dono da loja de ourives, na
ra do Cabug n. 11, confronte ao palee da matriz
e ra Nova, fazem publico que estao sempre sortidos
dos mais ricos e melhores gostos de todas as obra de
ouro uecessarias, tanto para senhoras como para
liomens e meninas, conlinuam os pregos mesmo ba-
ratos como tem sido ; passar-se-ba urna conia com
responsabilidade, especificando a qualidade do onru
de 14 ou 18 quilates, (cando assira garantido o com-
prador se apparecer qualquer duvia. Seraphim
& Irmao.
ATTENCA'O.
Precisa-se de om cozinheiro bom, que tenha mili-
ta pratica de cozinha, escravo ou forro, da-se bom
ordenado: a tratar na ra Direita o. 76.
Aluga-se urna excellente casa e sitio na Ca-
punga, a margera do rio Capibaribe: a tratar no
aterro da Boa Vista, casa n. 1.
Precisa-se de urna senhora ssileira ou vinva,
de excellenles costantes, que tenha pratica de ensi-
llar meninas, nem s as primeiras lettras, coser, bor-
dar, etc., como msica, piano e francez, n'om
engenho na freguezia de Ipojuca, para onde se lhe
dar o preciso para seu transporte eonde sera trata-
da cora a decencia devida : quem esjiver no caso e
queira conlratar-se, dirija-se ao eseriptorio do Sr.
commendador Manoel Goncalves da Silva a fallar
com Jos Joaquim de Miranda, que tratar da
ajuste.
Precisa-se fallar com o Sr. Antonio Carlos,' fi-
lho de urna Sr. viuva. proprietaria da fazenda
Boa-Vista cima de Cravati de Taqaaritinga, mu-
nicipio da Madre de Dos, ou com pessoa qae possa
tratar de algum negocio sobre a mesma fazenda :
no eseriptorio do Sr. commendador Manoel Gonc ves da Silva, com Jos Juaqoiro de Miranda.
' Lava-se e engomma-se roupa com toda a per-
feicao e aceio : no becco da Viracho n. 32, sobrado
de om andar.
No sobrado da ra do Pilar n. 82, precisa-se
alucar um escravo que saina cozinbar : page-se bem.
COMPANHIA PERNAMBUCANA
. DE VAPORES.
O conselho de direccSo, de conformida-
de com o art. 4, titulo 1, dos estatutos da
companhia, convidou os senhres accio-
nistas a fazerem a entrada da segunda
prestacao at o dia 15 do corrente; como
pore'm tem havido demora por parte de
alguns dos mesmos senhres em realisa-
rem suas prestacoes; lhes previne haver
marcado o dia 0 do presente mes de no-
vembro, para cumprimento das obriga-
coes contrahidas, visto que tendo o mes-
mo conselho de fazer remessas infallivcl-
mente para Inglaterra para pagamento
do vapor em construccao nao he possivel
attender a mais demora, e fara' effecti-
va a pena imposta pelos estatutos no arti-
go cima citado, isto le, perderao os e-
nhores accionistas que forem remssos o
direito a sua anterior prestacao em favor
da companhia : o encarregado dos rece-
bimentos he o Sr* Frederico Coulon, na
ra da Cruz ri. 26.
ATTE^AO'.
As pessoas que se mandaram retratar no aterro da
Boa-Vista n. 4, queiram mandar buscar seos retra-
tes.
EXPLEHA
GALERA de retratos.
Para o estabelecimento do aterro da Boa-Vista o.
4, chegou de Paris nm grande sorlirsento de qoa-
dros riqoissimos para collocar retratos ; bem assim
caixinhas, alfinetes e cassolelas de mola.
Precisa-se de ama ama qae saiba coziuhar e
fazer todo o mais servico de orna casa : no largo do
Terco n. 27, segundo andar.
Precisa-se alugar para casa estrangeira, ama
mulaiinha ou prela de8 a 10 annos, a quem se en-
sinar a coser e bordar; e alm do pagamento se da-
r algum vestuario sendo preciso : na travessa da
ra da Madre de Dos n. 10.
O Dr. Carolino Frabcisco de Lima Santos mu-
dou-se para a ra das Cruzes n. 18, primeiro andar,
onde contina no exercicio de sua profissao de me-
dico ; e ulilisa-se da occasiSn para de novo ao pu-
blico ollerecer seu presumo, como medico parteiro
e habilitado a certas operac,0es, sobre ludo das vias
ourinarias por se ler a ellas dado, cora especialidade
em Franca.
Precisa-se de urna ama forra ou escrava : airar
da matriz de Santo Antonio, becco qae sabe na roa
Nova, primeiro andar.
Precisa-se alagar urna prela escrava para o ser-
vico externo de urna casa de pequea familia : na
ra do Queimado, loja n. 18.
O abaixo assignado, tendo d seguir para o
Rio de Janeiro no vapor Guanabara, e nao tendo
lempo de despedir-se de seus amigos pela rapidez de
sua viagem, pede-Ibes por islo mil desculpas, rogan-
do-lbes o favor de aceilarem suas despedidas, e ofle-
rece-lhesseu pequeo presumo naquelle lugar.
Jos Candido de Barros.
50&000 rs.
A qaem pegar o preto Alcxandre, de nacJo S.
Thomc, estatura alta, n-frh'c.ado do corno, falla de-
morada, de idade :U) a X> annos, o qual cosluma an-
dar pelo Kio Doce por ter sido escravo do Melequerl
francez, e consta ler sido visto no lagar da Santa,
ende us engenhos Paulislae Fragoso, cmnoutro pre-
to do Sr. I ir. Manoel Joaquim Carneiro da Cunha, o
qual prelo esl fgido desde o dia 23 de Miembro do
corrente auno : roea-se a quem o pegar, leve-o
fabrica da ra do Brum n. 28, que receber a grali-
ficacao cima de 50000.
Pelo juizo de orphos se hao de arrematar hoje
17 do corrale, as 11 horas do dia, na sala das au-
diencias do mesmo juizo, por ser a ultima praca, os
escravos Luiz e Loria, crioulns, pertencentes aos or-
pliaos filhos do fallecido Antonio Soares de Aodra-
de Brederode, a requerimento de seu respectivo
lutor.
COMPANHIA DE BEBERIBE.
Pergunl-se a direccSo da Companhia de Beberi-
be quando se enecluar o dividendo do corrente
mez ; assim como se nao ser possivel fazerem-se os
dividendos por trimestres,principalmente continuan-
do o lorueciraeulo d'agoa por administradlo'.'
Um accionista.





DIARIO DE PERMMBUCO. SEXTA FEIRA 17 DE NOVEMBRO DE 1854
-
_____
Precisa-se de urna ama forra cu captiva ; na
rui do Collegio n. 8, primeiro andar.
Precisa-se de orna ama brasileira ou porluguc-
za para o servido de cozinha e alguna eiisaboados, e
tratar de criarlo en um silioMnuito perlo desla pra-
ca por ser no bairro da Boa-Visla ; a casa he de pe-
quena familia e na tem meninos nem entornillado,
e d-se bom ordenado: a quem a islo se quizer u-
jeilar. dirija-se ao largo da Trempe, sobrado n. 1.
que tem taberna por bailo.
Precisa-sede urna pessoa sem familia para eria-
do : a tratar na ra Direita n. 91, primeiro andar.
I'recisa-se de 3009000 por liypoLlieca era un
sitio : quem qui/cr aonunric para ser procurado.
O Sr. Joao Carlos Cocido da Silva tem urna
carta viada do Maraoso : na ra da Cruz n. 57, se-
gundo'andar.
Antonio Jos Pereira Bastos vendeu a sua ta-
berna-da ra do Corredor do Hispo n. 18, e ruga aos
seas crednres apresentem suas coutas no prazo de 8
das para seren pagas. t
Francisco da Costa Amara! comprou a taberna
da ra do Corredor do Bispo n. 18 ; se algucm tiver
direilo annuncie por estes 3 dia.
Aluga-se animalmente ou pela festa urna pro-
priedade de pedra e cal com commodos sudicieiiles
para qualquer familia, no lugar do Poro da Pinclla,
contigua ao ex-collegio de S. Boavenlura : a tratar
na fundidlo do Brum os. 6, 8 e 10, com o caiieiro
da mesilla.
Jos Francisco Helio, |scnro do fallecido niajor
Francisco Antonio Pereira dos Santos, senhor do en-
genho Tenlugal, pelo presente convida aos credores
do mesmn fallecido, para que dentro de 3 dias com-
areram na ra do Collegio n. 23, primeiro andar,
ovando os ttulos de seos dbitos para visla del les
se convenciooar a solvencia do ditos dbitos, visto
eslarem concordes todos os herdeiros.Como procu-
rador, Diodoro .'piano Coelho Calanho.
1:0009000.
Ui-seat 1OOO&000 por urna boa escrava que sai-
ba colindar e engommar: nos Coellios, fabrica de
telhasde Antonio Carneiroda Cunha. Na mesma fa-
brica vende-se um balelo de cedro, novo e pintado,
por preco commodo.
Aluga-se para se passar a festa urna casa ter-
rea no lugar Sanl'Anna de dentro, cujo lugar he o
mais fresco e salubre que se pode encontrar : na ra
da Lingoeta n. 4.
Precisa-sealugar para casa estranseira, urna
mulilinha ou preta de 8 a 10 anuos, a quem se en-1
sinar a coser e bordar ; e alm do pagamento se
dar algum vestuario sendo preciso : na travessa da
ra da Madre de Dos n. 10.
Percisa-se de .ama ama para ama casa de
punca familia para comprar, coziohar e engommar :
no becco das Boias, primeiro sobrado na esquina da
alfaodega.
Aluga-se um preto para srvenle de cocheira :
quem precisar annuncie.
Aluga-se a casa terrea com sotao, na Soledade
n. 17 : a tratar no pateo do Carino na 17.' /
ATTENCAO'.
O Sr. Cincinato Mavignier, retratista e pensionis-
ta de S. M. o Imperador, lenha a bondade de vir
ra Nova n. 52*loja d Boavenlura Jos de Castro
Azevedo, a tratar de um negocio que Ihe diz res-
pe i lo....
A pessoa que annancinu precisar de 5008000
sobre hypotheca em um sitio, se ainda precisa, pro-
cure na ra de Santa Rita n. 91.
Precisa-se de urna ama que jaiba cozinhar e
engommar, para urna casa estrangeira : na ra Nova
u. 17.
O abaixo assignado scienlifica aos senhores aca-
dmicos de Olinda, ora do liedle, que at agora Ihe
sao devedores, que antes de se retirarcm para suas
provincias >3o remir os seus crditos .que se acham
em poder do annunciante, do contrario passarao pe-
lo desgosto de verem seus nomes declarados nesta
fulha.Joao Francisco da Cosa.
Precisa-se de um porluguez cliegado de pou-
co, para feilor de um sitio : na ra do Hospicio
n_ 15..
Quem quizer comprar duas meia-aguas, sitas
na travessa da ra da Palma, e juntamente urna mo-
bilia de Jacaranda por preco commodo e em bom es-
tado, dirija-se ra Augusta, casa n. 8, que achara
com quem tratar.
Precisa-se de um feilor que trabalhe de envi-
da, que saiba plantar horta c tratar de parreiras,
prefere-se porluguez ; quem quizer, entenda-se na
ra da Aurora n. 54.
Tendo comprado a lypographia que foi da viu-
va Roma, e removido-a para a casa onde moro, mui-
tas foram as despezas Tejas, nao s com o transpor-
te como com a compra do alguns olijectos necessa-
i ios que ainda Ihe faltavam, alm dos alusueis de
dous andares, pagamento dos compositores e impres-
sores, compra de papel etc. etc., sao estas as razdes,
i vista da rain ha deficiencia de ni'cios, porque nao
tem sido publicado regularmente o Brasileiro, falta
esta involuntaria, principalmente quando poucos sao
os que tem pago adianlado. Espero por 1,1 justos
motivos, que os Iilin. Srs. assignante* tenham a gc-
nerosidade de nao demoraren) o pagamento, logo
que o recibo impresso e assisnado llies fr aprescu-
tado.O redactor do Brasileiro.
Srs. redactores.A bem da verdade sirvam-se
Vmcs. declarar se entre os oOlciaes da guarda na-
cional por Vmcs. vistos Tazendo parte do tumulto
da noile do dia 14 do correte, de que trata hoje seu
ronceiluado jornal, se distingui algum do 1. bala-
llio de infanlaria desle municipio Isto deseja sa-
ber umOfficial do mesmo.
Nao sabemos a que arma pertence o oflicial da
guarda nacional que se envolveu no tumulto.
Os redactores.
No dia 16 do correnle ao mcio dia, furtaram da
ra das Cruzes, da porta da taberna do Sr. Campos,
um cavallo russo rodado, orelhas acabaadas, com
duas berruoas, urna onde amarra as silhas e oulra
entre as pcrnas.meio corcunda, clinns aparadas, com
cangalha : quem o pegar ou der noticia na mesma
taberna do Sr. Domiugos Campos, sera recompen-
sado.
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Esta obra, a mais importante de todas as que Iralam da homeopalhia, interessa a lodos os mdicos que
quizerer experimentar a doulrina de Mahneinann, e por si proprios se convencerem da verdade da
mesma : interessa a lodosos senhores de enginho e fazeiideiros que estao longe dos recursos dos mdi-
cos : interessa a lodosos capilcs de navio, qne nao podem deixar urna vez ou nutra da Icr precisao de
acudir a qualquer iucommodo sea ou de seus tripolanles ; e interessa a todos os chefes de familia ruc
por circnmslancias, que nem sempre podem ser prevenidas, sao obrigados a prcslar soccorros a qualquer
pessoa della.
vide-mecum do homeopalha ou IraduccHo do Dr. Ilering, obra igualmente til s pessoas que se
dedicam ao esludo da homeopalhia um volume grande ,....... 83OOO
O diccionario dos termos de medicina, cirurgia, anatoma, pharmacia, (le, etc.: obra indis-
pensavel s pessoas que querem dar-se ao esludo de medicina........ 49OOO
Urna carleira de 24 tubos grandes de fioissimo christal com o manual do Dr. Jahr eo diccio-
nario dos temos de medicina, etc., ele................ 40j000
Dita de 36 com os mesmos livros.................... Ti-iiiiii
Dila de 48 com os ditos...................... 509000
Cada carleira he acompanhada de dous frascos de tintarasindispensaveis, a escollia. .
Dila de 60 tubos com ditos..........' .-.......... 608000
Dita de 144 com ditos........................ 1009000
Estas sao acompanhadas de 6 vidros de tinturas esculla.
As pessoas que em lagar de Jabr quizerem o Ilering, lerao o abatimenlo de IOjOOO rs. em qualquer
das carteiras cima menciouadas. ,
Carleira de 24 tubos pequeos para algibeira............... 85O90
Hilas de 48 ditos......................... 169000
Tubos grandes avulsos....................... I&000
Vidros de roeia onca de tintura................... 29000
Sem verdadeiros e bem preparados medicamentos nao se pode dar um pasno seguro na pfalica da
homeopalhia. e o proprietario desle eslabelecimenio se lisongeia de le-lo o mais bem montado possivel e
ninguem duvida hoje da superioridade dos seus medicamentos.
Na mesma casa ha sempre venda grande numero de tubos de cryslal de diversos tamanhos, e
aprompta-se qualquer cucommenda de medicamentos com (oda a brevidade e por presos muito com-
modos.
O Sr. procurador da cmara mu-
nicipal do Limoeiro, haja de mandar pa-
tear a assignatura do Diario de Pernam-
l>iico, para a mesma cmara, que se
acha em grandeatrazo de pagamento.
$ DENTISTA FRANCEZ.
9 Paulo Gaignoux, estabelecido na ra larga #
$) do Rosario 11. 36, segnudo andar, colloca den- 99
3) tes com gengivas arlificiaes, e denladura com- $f)
$ pela, ou parle della, com a presso do'ar. ($
ft Tambem tem para vender agua denlifrce do *
Dr. Fierre, e p para denles. Rna larga do
D Rosario n. 36 segundo andar.
e
Francisco Lucas Ferreira, com co-
cheira de carros fnebres no pateo do
Hospital n. 10, encarrega-se de qualquer
funeral, sendo padres, msica, cera, ar-
macaona igreja ou em casa, carros de
passeio e tirar guia da cmara, e alii en-
contrante tudo com aceio, segundo dis-
poe o regulamento do cemiterio.
lECHAMSIO PARA ER5E-
JHO.
NA FUNDIQAO DE FERRO DO ENGE-
NHEIRO DAVD W. ROWMAN. NA
RA DO BRUM, PASSANDO O CHA-
FARIZ,
ha sempre um grande sorlimenlo dos seguinles ob-
jeclos de mechanismos proprios para engenhos, a sa-
ber : moendas e meias moendas da mais moderna
conslrucrao ; laixas de ferro fundido e balido, de
superior qaalidade, e de todos os tamanhos ; rodas
dentadas para agoa ou animjes, de todas as propor-
{oes ; crivos e boceas de Tomaina e registros de boei-
ro, aguilhdes,bronzes parafusos c cavilhOes, moinho
de mandioca, etc. etc.
NA MESMA FUNDIQAO
se eiecutam lodas as encommendas com a superiori-
dade ja conhecida, e com a devida presteza e comino-
didade em preco.
Precisa-se de urna ama de leile forra ou capti-
va, qne o leile' seja bom ; na ra Bella n. 20.
Novos livros de homeopalhia uiefrancez, obras
lodas de summa importancia :
Hahnemann, tratado das molestias chronicas, 4 vo-
lumes............209000
Teste, 11 ole-lias dos nieuinos ..... 68000
Hering, homeopalhia domestica. .... 79000
Jahr, pharmacnpn homeopalhica. 69OOO
Jahr, novo manual, 4 voluntes .... I69OIIO
Jahr, molestias nervosas.......69OOO
Jahr, moleslias da pello.......89OOO
Rapou, historia da homeopalhia, 2 volumes I69OOO
ilai'lhmaiin, tratado completo das moleslias
dos meninos..........IO9OOO
A Teste, materia medica homeopalhica. 8SO00
De Fayolle, doutrina medica homeopalhica 73000
Clnica de Slaoneli........69IXM)
(.asling, verdade da homeopalhia. .... 48000
Diccionario d Nyslen.......109000
Aldas completo de anatoma com bellas es-
tampas coloridas, conlendo a ilescripca
de lodas as parles do corpo humano 309000
veilcin-se lodosesles livros no cousullorio homeopa-
Ihico do Dr. Lobo Moscoso, ra do Collegio n. 25,
primeiro audar.
Aluga-se para o servico de bolieiro um escra-
vo mulato com muila pralica desse oicio. Na ra
da Saudade fronlcira a do Uospico, casa da resi-
dencia do Dr. I.onrenro Trigo de l.oureiro.
O Sr. Joaquim Ferreira que leve loja na pra-
cinha do I.immenlo tem urna carta na Imana ns.
6 e 8 da prara da Independencia.
ANT1O DEPOSITO DE CAL E
POTASSA.
No antigo deposito da rita do Trapiche
n. 15, ha muito superior polassa da Rus-
sia e americana, ecal virgem, chegadaha
pouco. tudo por preco commodo.
O Sr. Adolpho Manoel Camello Lins,
escrivao de Iguarassu', queira quando
vier a esta praca, dirigir-se a livraria da
prara da Independencia n. Ge 8, a nego-
cio que Ihe diz respeito.
O Sr. Jos Norberto Casado Lima,
queira apparecer na livraria n. 6 e 8 da
praca da Independencia que se Ihe preci-
sa fallar a negocio.'
TERCE1RA PARTE DA QUINTA LOTE-
RA DA MATRIZ DA BOA-VISTA.
Corre impreterivelmente no dia 24 de
.novembro.
O thesoureiro laz constar que estao
a venda os bilhetea da presente lotera
nos lugares seguinles: ra Nova n. 4,
praqa da Independencia, n. 4, ra do
Queimado, loja do Sr. Moraes, ra doLi-
vramento, botica doSr. Chagas, aterro da
Boa-Vista, loja do Sr. Guimaraes, e na
ra do Collegio h. 15, na thesouraria das
loteras.Pernambuco 2 de novembro de
1854.Francisco Antonio de Oliveira.
Preco dos bilhetes:
Inteiros. 8$000
Meios. 4$000
Precisa-e alugar om sobrado de um andar,
ou ama casa terrea com quintal, cujo preco mensal
nao eweda de 209000 al 259000, em qualquer das
ras Nova, do Sol, das Flores, da Concordia, das
Trincheiras, do Rosario, do Queimado, das Cruzes,
da Cadeia, do Collegio ele. ; quem tiver, dirija-se
ru das Flores 11.37, primeiro andar, que se faz qual-
quer negocio.
TOALHAS
E GUARDANAPOS DE PANNO DE
LINHO PURO.
Na ra do Crespo, loja da esquina que Milla para
a cadeia, vendem-se loalhas de panno de linlio, lisas
e adamascadas para rosto, ditas adamascadas para
mesa, guardaoapus adamascadas, por preco-. com-
modos.
I.ava-se e engomma-se com toda a perfec.So e
aceio: no largo da riboira de S. Jos, na loja do so-
brado 11. 15.
LOTERA DA MATRIZ DA BOA-VISTA.
Anda a roda nodia 24 do correnle imprete-
rivelmente
Aos 8:0009000, 4:0009000, 1:0009000.
Na casa da Fortuna, aterro da Boa-Visla n. 72 A,
vendem-se os mu acreditados bilhetes, meios e cau-
telas do caulelista Salusliano de Aquino Ferrea ;
os bilhetes e cautelas desle caulelista nao solTrem o
descont de 8% do imposto geral nos (res primeiros
premios grandes. '
Bilhetes a 99000 recebe por inteiro 8:0008000
Meios a 49500 idm 4:0009000
Quarlos a 29300 idem 2:0009000
Oilavos a 19300 idem 1:0009000
Decimos a 19100 idem 8009000
Vigsimos 9600 idem 4009000
Sahio luz a biographia do Dr. Gomes era um
folhelo de 30 paginas, grande in 8-, com o sea re-
trato e o fac-simile da sua firma, gravadoa-do ori-
ginal pintado pelo eiaclissimo Sr. CarvalhoPP*lo Sr.
P. Azevedo com espantoso talento natural. Vende-
se na loja de livros do Sr. Figueiroa, na praca da
Independencia, as boticas dos senhores Barlholo-
uieu e Pinto, roa do Rosario larga, do Sr. Joaquim
Ignacio Ribeiro praca da Boa Visla, do Sr. Bravo
ra da Madre de Dos, e no .irmazem do Sr. Mannel
dos Sanios Fontes ra do Collegio n. 25. Preco 1>.
Senhores Redactores. Ainda ha ju-lica sobre 4
Ierra ; ainda ha autoridades que n3o julgam por al-
inenos e consideradles pessoaes, e sini em visla da
lei, sem tnrcer-lbe a ledra e o espirito, e segundo o
allegado e-provado : he por tanto conveniente e acer-
tado dar publicidade a os seus aclos de ju-lica, para
desl'arle allrahir cada vez mais sobre ellas o respei-
to e estima dos seus concidadau.
Motivos particulares, que agora nao desejo decla-
rar, lizeram-me cahir na desafeicjlo e inimizade de
aleucin.dii que rcsullou ser eu procecsado por infrac-
ces que falsamente se ditse ler eu commetlido con-
tra o disposto no decreto de 29 de setemhro de 1851,
o regulamento annevo ; mas -nesse proresso arabo
de ser absolvido, pela senlenra qne abaixo se l,
e que offereco aos meus gratuitos, immfgos e detrac-
tores para que uella se mireni, e coiihecam a injus-
lSi de suas acinlosas aecusacoes.
Muito agradero aos Illins. Srs. Drs. delegado Car-
valho, e promotor publico Cavalcanti de Albuquer-
que esse acto de juslica que comigo pralicaram, e
Com o qual provaram qae para suslenlar.os re-
grodos caprichos de alsuem sao iucapazes de Irahir
suas consciencias e violentar a lei.
Dando publicidade a eslas linhas e senlenra
junta, muito obrigarao ao seu antigo .-issignanle
Jos da locha Paradnos.
Joo Saraiva de Araujo Galvao, escrivao do juizo
municipal da primeira vara dacidade de Pernam-
buco, e da delegada do primeiro districto do ter-
mo da cidade do Recife, por S. M. I. e C. que
' Dos guarde ele.
Certifieo que a senlenra de que trata o supplican-
le em sua poticjlo relro, lie da forma, modo, raanci-
ra e theor teguinle :
Nao havendo provas com que deva o reo Jos da
Rocha l'aranhos ser condcninado, e nao sendo o ter-
mo de vizila sanitaria, a folhas 6, revestido das
formalidades de que trata o artigo 65 do decreto de
29deselembro de 1851, que manda que taa Cla-
mes sejam feilos por peritos, e nao por perito ; at-
tendendo mais que o reo foi examinado em o anuo
de 1831, para eiercer a profissao de pharmacia, e
que o sea titulo fura regislrado em diversas cmaras
municipaes,sendo urna del las a desta cidade, e que o
reconhecendo legal, dera-lhe licenea para ler botica
aberla, como se v a folhas 19,20, 21, 22 e 23, qae
he conforme com o disposto nos arligos 30 e 35 do
ci lado decreto, por tanto, julgo improcedente as par-
tes officiaes de folhas 3 a 6, e condemno a muuicipa-
lidadenas cusas.
Delegacia desle primeiro districto do Recife 30 de
oulubro de 1854. Francisco Bernardo de Carca-
Iho.
Vendem-se muilo boas uvas msealel : na ra
da ConceicAo da Boa-Visla n. 37.
CASSAS FRANCEZAS A 400 RS. AVARA.
Vende-se cassae francezns de cores finas a 400 rs.
.1 vara. ri tos de ras-a chita com 7 varas a 19600 e
19900 o corte :'ita^a doOueimado loja n. 40.
MLTTA ATTENCAO.
Vende-se a retalho lodos os genero* que eiislem na
afamada taberna doMaia, no atierro da Boa-Vi'la.
esquina do becco dosFerrcirospormenosdeseu valbr,
e ofl'ereee-se a armacao para quemquizer aproveitar
um bom eslabelrrimeulo, he muilo acreditada para o
mallo, isto he pe hincha : quem pretender dirija-se
a mesma que achara com quem tratar.
Vende-se urna preta, que lava de sa-
bao e varrela, cozinha, he corpulenta e
boa para ra : no aterro da Roa-Vista
n. 62.
ILLMS. SRS. HACHAREIS.
1 Na ra Nova loja n. 2, atraz da
matriz, .vendem-se fitas para car-
tas dos ditos Srs. hachareis, a
5JJ000 rs.
AVISO.
Justin Norat, avisa ao respeitavel pu-
blico que tem um lindo e variado sorti-
mento de obras de brilhantes, do melhor
gosto que tem apparecido at hoje nesta
cidade; como tambem ricas obras de ou-
ro do melhot gosto possivel, e de preco
mui razoavel: pode ser procurado todos
os dias de manhaa, at a's 10 horas; de
tarde, das 4 em vante, no hotel da Eu-
ropa.
COMPRAS.
Compra-se urna pre'ls de 25 a 30 annos, sendo
sadia e de bonita figura, que sai ha cozinhar e engom-
mar: na ra do Cabug, loja de ourives n. II, de
Seraphim & Irm3o.
Compra-se prala brasileira e hespanhola ; na
ra da Cadeia do Recife n. 54, loja.
VENDAS
VENDAS.
Chegaram recentemente algumas sac-
cas do bom farello, que estao exposta a
venda uos armazens defronte da escadi-
nha, ou na travessa da Madre de Dos,
armazem de Novaes & C.
Sedas achamalotadas de cores e pre-
ta, a 700 rs. o covado: na ra do Quei-
mado loja p. 40.
- ARREIOS PARA CARROS.
Em casa de Rrunn Praeger & C, ha pa-
ra vender um lindo apparelhopara 2ca-
vallos feitopor encommenda, e de quali-
dade superior a todos que tem vindo a
esta praca, com guarnicSo de metal que
nunca se estraga ; esta obra se recom-
menda principalmente para um particular
por ser de ptimo gosto, e feita com to-
da a,elegancia : vende-se na rlia da Cruz
n. 10.
Vendem-se barris com polassa nova, e por pre-
co commodo : na ra da Madre de Dos, loja n. 34,
de Jos Antonio da Cunha & Irmflos. g
Em casa de Timm Mousen & Vinnassa,
praqa do Corpo Santo n. 13, ha para
vender o seguinte:
Um. sortimento completo de livros em
bronco de superior qualidade.
Um piano vertical da qualidade mais su-
perior.
Vinho de Champagne.
Absinthe e cherry cordial, de superior
qualidade.
Licores de did'erentes qualidades.
Vaquetas para carro.
Sola branca.
Tudo por preros commodo.
Moinhos de vento
om bmbatelerepaxo para regar horta* baixa,
decapim, nafundicade D. W. Bowman : na roa
do Brum ns. 6, 8 c 11).
GRANDE SORTIMENTO DE BRINS PARA
CALCAS E PALITOS.
Vende-se brim trancado de linho de quadro a
600 rs. a vara ; dito a 700e 19000; dito mesclado a
19100 ; cortes de fustn branco a 400 rs. f dilos de
cores de bom goslo a 800 rs. ; ganga amarella lisa da
India a 400 n. o covado ; corte de cassa chita
29000 e 29200 ; lencos de cambraia de linho gran-
des a 640 ; dilos pequeos a 360 ; loalhas de panno
de linho do Porto para roste a 149000 a duzia ; di-
las alcosoadas a 109000 ; guardanapos tambem ales-
xoadosa 3-3600; 11aruadoCrespo11.fi.
O QUE GUARDA FRI GUARDA CALOR:
paranlo, vendem-ie cobertores de algodao com pel-
lo como os de 18a a 19400; ditos sem pello a 19200;
ditos de tpele a 1(200 : na ra do Crespo n. 6.
Vende-se um excellenle Cariinho de 4 rodas
mui bem construido,eem bom estado ; est exposto
na ra do Arago, casa do Sr. Nesme n. 6, onde po-
dem os prelendeules examina-lo, e tratar do ajuste
com o mesmo senhor cima, ou na ra da Cruz no
Herir n. 27, armazem.
Vendem-se lonas da Russia por precio
commodo, e de superior qualidade: no
armazem de N. O. Rieber&C,, ra da
Cruz 11. 4.
-^-Vende-se em casa de Rabe Schmet
tau&C, na ra do Trapiche n. 5, o se-
guinte:
Rica obt as de brilhantes
ptimo piano verticaes.
Um dito horisontal com pouco uso.
Vidros de ditferentes tamanhos para
espellios.
Tudo por prego muito commodo.
Com toque de avaria.
Madapolo muilo largo a 39000 e 39500 a pera :
na roa do Crespo, loja da esquina que volla para a
Cadeia.
CHALES E MANTELETES DE SEDA
DE ROM GOSTO.
Na ra do Crespo loja da esquina que
volta para a Cadeia : vende-se chales de
sedaa8S000, 12$000, 140000 e 18J000
r., mantelete de seda de cor a 1LS000
rs chales pretos de laa muito grandes a
3S600 rs., chales de algodao e seda a
10280 rs.
Deposito de v^Jto de cliam-
tagne Chateau-Ay, primeira qua-
idade, de propriedade do condi
de Mareuil, ra da Cruz do Re-
cife n. 20: este vinho, o melhor*
Vende-se sola muito boa e pelle de cabra, em
pequeas e grandes por(des : na ra da Cadeia do
Recife n. 49, primeiro andar.
CASEMIRAS E PANNOS.
Vende-ae casemira preta e de cor para palitos por
ser muilo leve a 21600 o covado, panno azul a 38
I9OOO, dito preto a 39, 39500, 49, 59 e 59500, cortes
de casemira de gotlos moderno a 6*000, selim pre-
to de Maco a 3*200 e 000 o covado : na roa do
Crespo n. 6.
CONHECIDO DEPOSITO DE POTASSA
E CAL.
Na ra de Apollo armazem n. 2 B, con-
tinua a ter superior potassa da Russia e
Rio de Janeiro, e cal de Lisboa em pe-
dra: tudo a preco que muito satisfar'
aos seu antigo e novos frgv 'es.
Vende-se a verdadeira potassa' da
Russia, e cal virgem, vinda fio brigue
portuguez Tarujo II, chegadono dia
5 do corrente: na praca do Corpo Santo
n. 11.

POTASSA BRASILEIRA.
Vnde-se superior potassa, fa-
, b rica da no Rio de Janeiro, che-
gada recentemente, recommen-
da-se aos senhores de engenho os
seus bons eli'eitos ja' experimen-
tados : na ra da Cruz n. 20, ar-
mazem de L. Leconte Feron &
Companhia.
$ J. JANE, DENTISTA, 2
}$ continua a residir naruaNova n. 19, primei-
a ro andar. *
AO PLBLICO.
No armazem de fazendas bara-
tas, roa do Collegio n. 2,
vende-se um completo sortimento
de fazendas, finas e grossas, por
precos mais baixos do que emou-
tra qualquer parte, tanto em por-
ches, como a retalho, affiancando-
e aos compradores, um s preco
para todos : este estabelecimento
ahrio-se de combinac,ao com a
maior parte das casas commei-ciaes
inglezas, rancezas, allemaas e suis-
sas.para vender fazendas mai em
conta do que se tem vendido, e por
isto offerecendo elle maiores van-
tagens doque outro qualquer ; o
proprietario deste importante es-
tabelecimento convida a' todos os
seus patricios, e ao publico em ge-
ral, para que venhatn (a' bem aos
seus interesses) comprar fazendas
baratas, no armazem da ra do
Collegio n. 2, de
Antonio Luiz dos Santos & Rolim.

Deseja-se fallar com o Se. Jos joaquim~Go-
mesda Silva, natural de Portugal, para receber urna
encommenda de sua familia; ou se alguma pessoa
souber dar informarOes do mesmo, se Ihe ficara mui-
lo ubrigado : na ra do Rosario da Boa-Visla n. 41.
-sa dinheiro a juros sobre peohores de ooro
ou prala, em pequeas quanlias ; na ra Vellia
n. 35.
A pessoa que precisar de um caval-
lo russo, que ande baixo, seja novo, ardi-
goe sem achaques, annuncie a sua mora-
da para ser procurado, ou dirija-se a ra
do Queimado n. 20. .
LOTERA DO RIO DE JANEIRO.
Temos exposto a' venda os bilhetes da
20- loteria de Nictheroy, que carrea na
casa da cmara municipal no dia sexta-
feira 5 do corrente ; as listas vem pelo va-
por nacional at 18 do corrente e os pre-
mios sero pagos sem descont, logo que
se lizer a distribuicao das listas.
L'm nioi;o brasileiro com aulnrisarao do Eim.
Sr. presidente Vctor de Oliveira, se ofTerere para
ensinar primeiras letras fe grammatica nacional, com
lodo esmero e promptidlo. em algum engenho perlo
desla prara: quem de seu presumo se quizer utili-
zar, dirija-se ao Forte do Mallo sobrado de Ires an-
dares n. Is.
Tede-sc ao Illm. Sr. V. C. A., filho do Sr. do
engenho...... que tcnlia a bondade pagar a quanlia
de -249000, proveniente de calcado qoc o abaixo as-
signado fez paraS. S., do contrario se publicara o
seu nome por cxlenso.Carlos Burghardt.
Precisa-se alugar tima escrava, que
saiba lavar e engommr bem : na ra da
Cruz n. 10.

Precisa-se de urna ama forra para o serviro
interno de urna casa de pouca ramilla, que saiba co-
zinhar e engommar : na ra do Queimado, loja de
miudezas n. >, se dir quem precisa.
Jos da Silva (Juimaraes, subdito porlucuez,
faz dente que de boje em diaute se issignaru "Jos
Baplistada Silva (iuimarAes.
ALL DE LATIM.
O padre Vicente Ferrcr de Albuqiier-
que, professor jubilado de grammatica
latina, tem estabelecido sua aula par-
ticular na ra Direita sobrado n. 27, se-
gundo andar, onde receta todos os alum-
nos, quer externos ou internos, tanto des-
ta praca cmodo mato, mediante a razoa-
vel conyenrao que pessoalmente oll'ere-
cera'.
S 9i99
9 Na estrada dos Afflirtos, sitio confronte a
O capella, dao-se consultas homeopathicas. b
UM PRODIGIO DO METHODO CASTI-
LHO DE LEITURA REPENTINA, RA
DA PRAIA.
Hizo Ilustre litlcrato, a paginas XI da sua 3.a
cdicro, que o seu inclfio lo cura a gaguez ; com
i'lleiio, o stiguinte caso he mais urna maravillia em
favor do Sr. Caslilho. Encarregou-mc o lism. Sr.
padre Leaos de ensinar um menino mudo ; eu nao
sabia romo desempeuhar a minba missao, fui-lbe
gritando as regras e mais preceitos do methodo,
quando oh! prodigio, no fim de 15 dias o menino
eolra a pronunciar lodo o alphahelojunla as sitiabas,
cania as regras e eiecula as marchas sillabicas com
toda a perl'oicao < Os incrdulos podem desengaar-
se com o pai do dito menino. O director da escola de
leilura repentina estimara muito que todos os Ilus-
tres redactores dos jornaes desla cidade fossem d-* 7
as 9 da uoile, horas em que e-lacao mais desoecupa-
dos, teslemunhar ocularmente a ctcellenria desle
methodo. As lines de noile para os humens 59IKH)
mensacs ; de dia para os meninos 39000. O director
d livros, pedras, e ludo o mais preciso aos discpu-
los ; na ra da rflria, palacete amarello.
Aluga-se urna casa lerrea na povoacjlo doMon-
teiro,, com a frente para a igreja de S. Pautalco,
muilo linipa. tresca, com commodos para familia re-
gular, lendo urna porta e duas janellas na frente: a
tratar com Antonio Jos Rodrigues de Souza Jnior,
n mesma povoacao, ou na ra do Collegio n. 21, se-
gundo andar.
Perdeu-se na segunda-feira, 13 do corrente, as
4 horas da tarde, um brilhanle de um pulceira,
cravado em hlagrana com esmalte, desde o paleo do
Carmo at a ra do I.ivramcnlo, de um e oulro lado
da ra : quem o achou, querendo restitui-ln, leve-o
ao pateo do Carmo n. 17, que ser recompensado.
Roga-se aos senhores ourjves ou qualquer pessoa a
quem for offerecido, o obsequio de apprehendc-lo e
dar parle na referida casa.
No dia 17 do corrate mez, na sala das audien-
cias, as 11 horas do dia, depois de linda a audiencia
do Dr. juiz de orphaos e ausentes, lera de serem ar-
rematadas por venda a quem mais der, urna mora-
da de casa terrea meia-agua, na freguezia da Boa-
Vista, no lugar do Campo Verde, na Soledade, a
qual tem porta de cocheira, avaliada por 2409000 ;
oulra dita tambem terrea, meia-agua, junto a dila
purl609U00; por execucao que move Justino Perei-
ra de I-arias contra o casal do menlecapto Manoel da
Cunha Oliveira.
A. Colombiez, com loja n. 2, na ra Nova,
avisa aos seus devedores que Ihe venham pagar no
prazo de 8 dias, para nao ser obrigado a chama-Ios a
juizo.
Ha muito boas caixas para cartas de hachareis,e
abrem-se lias mesmas qualquer ioscripc,ao com'toda
perfeicao : na ra Nova luja de ourives n. 4 de Ni-
colao Tolenlino deCarvalho.
BAIXA VERDE OACAPUNGA.
Aluga-se por commodo prero urna casi lerrea
com commodos para urna peqnena familia, a qual
foi acabada de construir esles dias, Icm duas sallas. 2
quarlos c cozinha fora, e um grande cupiar e ba-
nheiro, parlo de embarque no fundo do sitio e ca-
cimba d'agua-de beber : a Iralar no paleu do Terco
n. 32 ou no mesmo sitio.
ATTENCAO.
J se leve nolicia de que a muala Albina,que fu-
gio da casa do seu senbor no dia 11 do crrente,Tora
vista no Remedio e Bomgi, onde se presume adiar-
se acoutada ; e por is-o roga-se s autoridades poli-
ciaes respectivas e aos capitaesde campo de a^ppre-
henderem, alini de ser entregue na ra |larga do Ro-
sario casa n. 30, lerceiro andar onde serao bem re-
compensados; assim como prolesla-se nao s proceder
judicialmente contra a pessoa, que lenha dado ana-
saib dila escrava, mas lambem responsabilisa-la
pelos dias de servico.
Na Passagcm, casa junio a ponte pequea, ha
para vender excedentes vaccas de leile, e por com-
modo preco : a ellas antes que se acabem.
Precisa-se de um forueiro que saiba bem cor-
lar massas: na ra Direita padaria n. 79.
Antonio Roberto, enm loja franceza na ra No-
va n. 13, acada de receber pelo ultimo navio o Gus-
tavo, um completo so(rliraco(o de chapeos de seda
para senhora e meninas, os mais modernos e bonitos
que ha no mercado, e por proco mais 'commodo do
que em oulra qualquer parte.
Roga-se ao Rvm. Sr. padre J ose Tei
xeira de Mello, vigario da freguezia do
Ruique, que mande pagar o que deve na
ra Direita n. 1 i, tanto a sua conta co-
mo o endosse que S. Rvm. mandou dar
a Salustiano Ferreira da Costa, morador
no lugar denominado Mulung.que som-
ma a dila quantia rs. l:5T${)50 fura o
juros, no anno de 1852, poiso seu credor
ja' esta' cansado de ser engaado, como
foi cm Janeiro do dito auno que enganou
ao portador que la' foi, e S. Rvm. man-
dou e at boje anda nao se recetau, gastando
o seu crtdor com o portador que la' foi
lOO.s'000 rs., fora o aluguel db cavallo;
pois o seu credor' roga-llie que' nio seja
13o desconhecido, que alm disto lhc Icm
prestado os seus servidos cm bu tras cousas
mais ; portante o seu credor lite partici-
pa queja' pagou nesta praca a dita quan-
tia, porm nao foi com as cartas que o
Rvm. padre Jos Teixeira de Mello lite
tem mandado.Jos Pinto da Costa.
Precis-se de urna ama que saiba cozinliar e
C'imommar, para urna casa de pouca familia : quem
i. ui/er procure na ra Velha n. :is, para Iralar.
Precisa-se de um criado e de urna criada para
o servido de ma casa de pouca familia, ou de urna
escrava : no Hospicio, passando o quarlel, lado di-
reilo, terceira casa.
Aluga.se o primeiro andar da casa n. 29 da na
do Vigario, por cima do armazem ; a tratar no
Oiesmo.
Vende-se urna casa lerrea com bom quintal,
em chaos proprios, sita na rila do Colovello n. 40:
a tratar no aterro da Boa Vista n. i.
Vende-se. ou permu(a-se por oulro menor, ou
por ama casa lerrea nesla cidade, um sitio bastante
grande, enm boa casa de vivenda, de pedra ocal,
em terrenos proprios, com nimios arvoredos deitan-
do fruidos, com duas estribaras, cocheira, quarlos
para escravos, boa baixa para capim, com bom cer-
cado para vaccas, ele, distante desla praja urna le-
gua; recebe-se em transacrao urna escrava moca que
nao lenha vicios : quem quizer Tazer esle ugncio
dirija-se ra da Mora n. 31, que se dara|as infor-
macOes precisas.
Vende-se por diminuto presa C cortinados pro-
prios para aluma sala de cabelleireiro : quem os
pretender, dirija-se a ra do Crespo' n. IS, que acha
r cora quem Iralar.
Vende-se a armario .da taberna da ra da
Praia, defronle da Ribeira n. 17, nova, toda de
louro, baslantccm conta, ainda temalguus gneros
e perlences : trata-se no sobrado.
Vende-se damasco de seda de diflerenles cores,
muito superior fazenda : na loja de 4 portas n. 3,
ao lado dp arco de Sanio Antonio.
Vendem-se loalhas de linho para rosto pelo ba-
rato preco de89 a duzia: na loja de 4 purtas n. 3,
ao lado do arco de Santo Antonio.
Na esquina da ra do Collegio, loja de livros
n. 20, existem a' venda as obras se-
guinles :
Ansaldus de comtnercio et raercatura,
1 vol. 8000 rs. ; Scacias, tractatus de
commercis et cambio, 8s<)00 rs.; Salga-
do, labyrintus creditorum, i vols. 24$000
rt.; Cassaregis de Commercio, o vols.
20,S'000rs. ; ndice pelas materias civil,
criminal, orpbanalogico e de financas,
por Alves Branco, 1 vol. 10,$000 rs. ; 'Bi-
blia Sacra, anotada por Du-Hamel, 2
vols 8jj000 rs. ; Vida do padre Vieira, 1
vol. osOOOrs. ; Tractatus Tlieologico, ca-
nonicus de sponsalibj et matrimonio,
por Kugler, 1 vol 0^200.
Vende-se um alicoree com urna meia-agua, si-
lo na ra Imperial, por nrero muilo commodo : tra-
ta-se na mesma roa n. 65.
Vendem-segigos com champagne da bem acre-
ditada marca estrella, e barricas com vinho de Bor-
deaux, por prero commodo: na ra do Trapiche
n. 11.
PARA QUEM TEM POUCO DINHEIRO.
Vendem-se manteletes pretos e de cores a 9, 10 e
I29OOO ; e ha um mofado que se vende por 59OOO ;
e igualmente urna farda de oflicial da guarda nacio-
nal para corpo secco : ua ra Nova 11. 42.
Vende-se o sobrado de um andar, na rna da
Uniao, por Iraz do palacete do Bario da Boa-Visla,
a qual casa foi do Dr. Christovao Xavier Lopes : os
prclendeutcs dirijarn-se a Mannel Goncalves da Sil-
va, no seu escriptorio, roa da Cadeia do Recife.
Vende-se um moleque de Angola, bom cano-
eiro e pescador, com 20 annos de idade: na ra de
S. G-oucalloii. 28.
ARADOS DE FERRO.
Na fundicao' de C. Starr. & C. em
Santo Amaro acba-se para vender ara-
dos ferio de --**r~* qualidade.
VenJe-se flo de sapalciro, bom : em casa de S.
P. Johnslon & Compauhia, ra da sensata Nova
CEMENTO ROMO.
Vende-se cemento romano chegado recentemente
de llamburgo, cm barricas de 12 arrobas, e as maio-
res que ha no mercado : na ra da Cruz do Recife,
armazem n. 13.
.Vniule-sn nma escrava com urna cria de 5 anr
nos, muito linda : na ra do Fogo n. 23, se dir
quem vende.
8
de toda a champagne vende-
se a 56i'000 rs. cada caixa, adia-
se nicamente em casa de L. Le-
comte Feron & Companhia. N. B.
As caixas sao marcadas a fogo
Conde de Mareuil e os rtulos
das garrafas sao azues.
JL
CHAPEOS DE CASTOR
pretos, pelo baratissimo
preco de .s'000 cada um : na ra Nova>
n. U.
Chapeos de fellro brancos, pretos c pardos pa-
ra homem e meninos, formas elegantes, ditos das
mesmas cores amazonas para senhora, ditos de mas-
sa franceza muilo linos, dilos de castor inglez, ditos
de palha arrendados proprios para meninos e meni-
nas, bonetes de palha lano para homem como para
meninos, ditos de oleado para homem, dilos de pan-
no e merino lano para homem como para meninos,
e ludo por prero-commodo : na ra Nova n. 44.
Vende-se um boi manso, lilho do pasto : no
sitio da Torre cm Belem.
Marmelada de Lisboa
chegada pelo ultimo navio, cm latas'dc W, 1, 2, 3e
I libras, por prero commodo : vende-se na ru do
Collegio n. 12.
Vendem-se vaccas de leile,- nutras prximas a
parir, novillias c garrotes ; no sitio do fallecido ui-
Ihcrine Palririo, ues Remedios, e a Iralar na ra do
Collegio n. 13, segundo andar.
Aos 8:000|000.
Na casa da fama, no ilerro da Boa-Visla n. 48,
eslo a venda os bilheles e cautelas da lotera da ma-
triz da Boa-Vista, que corre no dia 2i do correnle.
Bilheles 8MXK)
Meios 43000
Uuarlos 29300
Decimos 19600
Vigsimos 19600
Loja vcrmelha.
Na ra do Crespo 11. 9, vendem-se palitos de me-
rino selim a IO9OOO.
Vende-se urna vacra boa Iciteira. parida ha
pouco : no sitio do viveiro que foi do fallecido Mu-
uiz.
Vende-se a melhor de todas as marmeladas de
Lisboa, chegada pelo ultimo navio, sendo cm latas
de ', libra a Ve mais batato do que em oulra qual-
quer parte : na ra larga do Rosario, taberna de 4
portas confronte ao Rosario, na esquina, n. 39.
_ Vende-se rap dos melhores autores, sendo de
l.iaboa, Paulo Cor.leiro, princeza do Rioe meio gros-
so : na prara da Independencia, loja n. 3.
No armazem da ra da Madre de Dos n. 31,
vende-se hlalas e ceblas de Lisboa, por preco cum-
modo.
Vende-se um cabriole! com coherla os com-
petentes arreios para um cavallo, tudo quasi novo :
par ver, no aterro da Boa-Vista, armazem do Sr.
Miguel Segeirn, e para tratar no Recife ra doTrapi-
c'ie n. 11> primeiro andar.
Vende-se urna rica mobilia de Jacaranda e pe-
dra mai more, riquissimos candieiros, um rico reln-
gio de cima do mesa de um mez de corda, um lindo
carro americano de redas, com arreios para 1 e2
cavallos, com urna linda parelha ou sem ella, cama
franceza, loalete, mesa de jantar, apparndor dito etc.
etc., tudo novo e muilo em conla : no Corredor do
Bispo, em casa do coronel Favilla.
VENDEM-SE
Os melhores relogios de ouro' patente
inglez. ja' muito acreditados neste mer-
cado : em casa de Russell Mellors&C,
ra da Cadeia do Recife n. 56.
Na ra do Livramento n.36, loja, sedir quem
vende 1 par de fuellas para sapatos de sacerdote, 2
pares de brincos, 1 dito de rozelas, 1 alfinete para
homem ou menino com um grande diamante rosa no
meio, 1 correnle para relogio, 1 relogio patente in-
glez de caia de prala, 1 coraran de cornalina cu-
ca-loado cm ouro, 1 medalha muilo moderna, 1
COmmoda de angico o 2 bancas ordinarias.
S@@3@-1g3i3a:S
9 KUA DO CRESPO N. 12. 0
9 Vende-s nesta loja superior damasco de
9 seda de cores, sendo branco, encarnado, roso, ff
i por prero razoavel.
iywimMtMUif tti
Vcnde-seum moleque sadiu, bonita figura, com
idade de 7 anuos: na ra do Cabug, loja de ouri-
ves n. 9.
Reinacao, ra da Concordia n. 8.
Vende-se este estabelecimento bem montado, com
algumas mai lunas para o fabrico do assucar, entre
ellas urna machina centrifuga, que purga assucar de
Ka 1(1 minutos. Esle estabelecimento offerece com-
modos para fabricar graude-porrflu de assucar, obri-
gando-se o vendedor a dar os e-clarecimcnlos neces-
sarios tendentes ao mesmo fabricu : vende-se por seu
dono relirar-se do imperio.
Vende-se urna taberna com poneos fundos,pro-
pria para qualquer principiante, sila na roa do Co-
dorniz 11. 10 ; a Iralar na ra da Madre de Dos
n. 36. 1
Lindos cortes de lanzinha para vestido de
senhora, com 15 covados cada corte, a
40500.
Na ruatdo Crespo, loja da esquina que volla para
a Cadeia.
Attencao ao barato, na ra do Quei-
mado, loja n. 57.
O liquidalario de-te estabelecimento deseja aca-
bar por esles dias, com todas as miudezas que arre-
malou, e'por vende por tudo o preco ; e convida aos
amantes do barato para que nao percam a occasiao
desla-pochincha, que se Ihe alianra nao se enjeilar
dinheiro ; a ellas, aules que se acabem.
MELPMENE.
Vende-se melpomene de laa, gosto es-
cossez, padres novos, vindos pelo ultimo
vapor, pelo preco de 480 rs. o covado:
na ra do Crespo n. 25. |
VINHO DO PORTO SUPERIOR FEITORIA
em caixas de 1 ou 2-duzias de garrafas : vende-se no
armazem de Barroca & Castro, na ra da Cadeia do
Recife n. 4.
_ RELOGIOS INLEZES DE PATENTE.
Continuara a \ender-se por preco commodo; no
armazem de Barroca & Castro, na ra da Cadeia do
Recife n. 4.
Vendem-se multo bem feitas caixas de prala
para carias de bacbarel, abrindo-se as mesma
quaesquer lellrasegravuras com toda a perfeicao e
preros commodos: na ra do Cabug loja de ouri-
ves u. 11, de Serafim & Irmao.
Vende-se o verdadelro rap de Paulo Cordei-
ro em ,' libra, recentemente cliegado do Rio de Ja-
neiro ; na loja de ferragens, na ra do Queimado
n. 13.
Vendem-se eslojos com oavalhas de cabo bran-
co, lesonras muito superiores, tauto de costura como
de barbeirns : na loja de ferragens, na ra do Quei-
mado n. 13.
Bullas de Hamburgo.
No antigo deposito de bichas, n ra eslreila do
Rosario 11. II, de Manoel do Reg Soares, vende-
se a porres e a retalho ; e alugam se por menos do
que em oulra qualquer parle ; islo por ler muila
quanlidade de bichas.
Vende-se um carrro de 4
rodas e 4 asientos, novo e
moderno ; vendem-se tam-
bem boas parclhas de cavallos para o dilo e para ca-
briolis, por prero commodo : na rna Nova, cochei-
ra de Adolpho Bourgeois.
Vende-se muilo superior farinha de mandioca,
em saccas de alqueire, medida velha, a 49000 cada
urna : no armazem de Joaquim de Paula Lopes de-
fronte da escadinha do caes da alfaodega.
FAMA
No aterro da Boa-\ ista, defronle da boneca u. 8,
chcKflu tillan.menlo um completo sorlimenlo de lo-
dos os gneros de molliados dos ltimamente che-
aados, e vende-se por prero .minio razoavel :
manleiga inzlcza a 480, 720, 800 e 880 ; dila
franceza a (10 ; arroz do MarauhAo a 80 e 100
rs. ; presunlo a 180 ; cha hvsson a 19600, 19920,
-Via e 29800 : dilo do Rio a I96OO; velas de
espermacele a 880, 960 e 19120 a libra ; caixas de
estrellinha muilo superior a 59000; passas, finos,
ameixas, desembarcadas nltimamente, tudo de supe-
rior qualidades.
No armazem de Feidel Piulo & Companhia, na
ra da Cruz n. 63. junto au Corpo Santo, vendem-
se vidros de bocea larga de 1 a 12 libra*, burras de
ferro sarantidas contra fogo e muilo elegantes, sa-
g e cevadinha em garrafoes de 30> libras, cadeiras
para quem soffredo mal da prezuira, quadrosde va-
rios tamandoa para eslampas e retratos, machinas
para copiar de carias e seus perlences, farinhas e va-
rios legumes para -opa franceza, vidros de varios
tamanhos para espedios, cabidos de ferro de varios
tamanhos, lavatorios porlaleis com lodos osseus per-
lences.
IMIIANi DE SEDA IIKOIADKIIS A
800 RS. 0 COVADO.
Chcgou pelo ultimo oaviode franca urna fazenda
inteiramente nova, de seda de quadros,om o lin-
do nome Indiana, que pelo seu brilho parece seda,
pelo barato prero de 800 rs. o covado ; dao-se aa
amostras com penhures : na ra do Queimado, loja
n.40.
AOS SENHORES DE ENGENHO.
Cobertores escures muito grandes e enrorpados,
ditos braucos compeli, muilo grandes, imitando os
de laa, a 19400 : aa roa do Crespo, loja da esquina
que volta para a cadeia.
Pannos finos e casemiras.
Na roa do Crespo loja da esquina que volla para
a Cadeia, vende-ee piano preto 29100, 298OO, 3,
39500, 49500, 59500, 69000 rs. o covado.dilo azul,
29. 29800, 49. 69, 79, o covado ; dito verde, 29800.
39500, 49, 59 rs. o covado ; dilo cor de pinhAo a
49500 o covado ; corles de cfsemira prela franceza e
elstica, 79500 e 89500 rs. ; ditos com pequeo
defcito. 69500; dilos inglezenfeslado a 59000 ; dilos
de cor a 49, 59500 6$ rs. ; merino preto a 19, 19400
o covado.
Agenciado Edwln M*w.
Na ra de Apollo n. 6, armazem de Me. Calmon-
& Companhia, acha-se constantemente bons surt
menlos de laixas de ferro coado e batido, tanto ra-
sa como fundas, moendas inetiras todas de ferro pa-
ra animaes, agoa, etc., ditas para armar em madei-
ra de lodosos tamanhos e modelos os mais moder-
nos, machina horisontal para vapor com forra de
4 cavallos, cocos, passadeiras de ferro estanhado
para casa de purgar, por menos preco qu o< de
cobre, esco-vens para navios, ferro da Suecia, fo-
lhas de (landres ; tudo por barato prero.
Vende-se excellenle taimado de pinito, recen-
temente rheuado da America : na rui de Apollo,
trapiche do Ferreira, a enteoder-so cora o adminis-
trador do mesmo.
Cassas trancezas a 520 o covado.
Na ra do Crespo, loja da esquina que vira para a
Cadeia, yendem-se cassas francezas de muito bom
gosto. 1320 o covado.
Na roa do Vig ario n. 19 primeiro andar, lem a
venda a superior flanella para forro de sellins che-
gada recentemente da America.
Potassa.
No antigo deposito da roa da Cadeia Velha, es-
criptorio n. 12, vende-se muito superior potassa da
Russia, americana e do Rio de Janeiro, a precos ba-
ratos que be para fechar contas.
Vepoiito da fabrica da Todo os Bantea na Babia
vende-se, em casa deN. O. Bieber &C., na ra
da Cruz n. 4, algodafi (ranrado d'aquella fabrica,
muito proprin para saceos de assucar e roupa de es-
cravot, por preco commodo.
AGENCIA
Da Fundicao' Low-Moor. Rna da
Senzala nova n. 43.
Neste estabelecimento continua a ha-
ver um completo sortimento de moen-
das e meias moendas para engenho, "ma-
chinas de vapor, e taixas de ferro batido
e coado, de todos os tamauhos, para
dito.
Vinho do Rheno, de qualidades es-
peciaes, em caixas de urna duzia .charutos
de Havana verdadeiros: ra do Trapi-
che n. 5.
Na roa da Cadeia do Recife n. 60, vendem-se os
seguinles vinhos, os mais superiores que tem vindo a
este mercado. ,
Porto,
llucellas, __r^^,
Xerez edr de ouro,
Dilo escaro,
Madeira,
em camnhas de urna duzia de garrafas, e vista da
qualidade por preco muilo era conla.
DEPOSITO DE CAL DE LISBOA.
Na roa da Cadeia do Recife n. SO ha para vender
harris com cal de Lisboa, recentemente chegada.
Vende-se urna batanea romana com lodos os
ssus perlences. em bom uso e de 2,000 libras : quem
a pretender, dirija-se roa da Cruz, armazem n. 4.
PURLICAQAO' RELIGIOSA.
Sahio luz o novo Mez de Maria, adoptado pelos
reverendissimos padres capuchinhos de N. S. da Pe-
nha desla cidade, augmentado com a novena da Se-
nhor da Conceicao, e da nolicia hislorica da me-
dalha milagrosa, e de N. S. do Bom Conselho : ven-
de-se uniramenle na livraria d. Se 8 da praca da
independencia, a I9OOO.
Completos sortimentos de fazendas de bom
gosto, por precos commodos.
Na ra do Crespo loja da esquina qae volta para a
Cadeia, vendem-se cortes de vestidos de cambraia de
seda com barra e babados, 89OOO rs. ; ditos com
flores, 79, 99 e 109 rs. ; dilos de qoadros de bom
goslo, 119 ; corles de cambraia franceza muilo fi-
na, fu. com barra, 9 varas por 49500 ; cortes de
cassa de cor com Ires barras, de- lindos padroes,
39200, peras de cambraia para cortinados, com S '
varas, por .39600, ditas de ramazem muito finas, 1
69 ; cambraia de salpico- miudinhos.branca e de cor
muito fina, 800 rs. avara ;aloalhado de linhoacol-
\oado. 900 a vara, dito adamascado com 7! pal-
mos de larntua, 29200e 39500a vara ; gapga ama-
rella liza da India muilo superior, .1 40O rs. o cova-
do ; corles de col lele de fusto alcoxoado e bons pa-
droes fios, 800 rs. ; lencos de cambraia de linho
360 ; dilos grandes finos, 600 rs. ; luvas de seda
brancas, de cor e prelas muito superiores, 1600 rs.
o par : ditas fio da Escocia 500 rs. o par.
Vcnde-se urna taberna na ra do Rosario da
Boa-Visla n. 47, que vende muilo para a Ierra, os
seus fundos sao cerca de 1:2009000 rs., vende-se
porm com menos se o comprador assim Ihe convier :
a tratar junto alfandega, travessa da Madre de Dos
armazem 11. 21.
Taixas para engenhos.
Na fundicao' de ferro de D. W.
Bowmann na ra do/Brui.i, passan-
do o chafar continua haver um
completo sortimento de taixas de ferro
fundido e batido de o a 8 palmos de
bocea, as quaes acham-se a venda, por
preco commodo e com promptidao' :
embarcam-se ou carregam-se em carro
sem despeza ao comprador.
* Na ra do Vigario n. 19, primei-
ro andar, tem para vender diversas m-
sicas para piano, violao e flauta, como
tejara, q uail ri litas, valsas, redowas, scho-
tickes, modinhas, tudo modernissimo ,
chegado do Rio de Janeiro.
NAVALHASA CONTENTO ESTE Ol RAS.
Na ra da Cadeia do Recife n. 48, primeiro an-
dar, escriptorio de Auausto C. de Abreo, conli-
nuam-se a vender a 89OOO o par (preco flxo) as ja
bem conhecida e afamada navalhs de barba, feilas
pelo hbil fabricante que foi premiado na expsito
de Londres, t quaes aljm de durarem extraordina-
riamente, nao se sentem ao rosto na acejto de cortar ;
vendem-se com a condicSo de, nao acradando, po-
derem os compradores devolve-las t 15 dia depois
pa compra restitoindo-se o importe. Na mesial ca-
sa ha ricas tesourrhhas para unha, (citas pelo mes-
mo fai rcaotje.
Vendem-se em casa de S. P. Jojins
ton & C, ma ra de Senzalla Nova n. 42.
Vinho do/Porto superior engarrafado.
Sellins ingleses.
Relogios efe ouro {Mente inglez.
Chicotes d carro.
Farello eroi saccas de 3 arrobas.
Fornosde farinha.
Candelabrds e candieiros bronceados.
Despenceirei de ferro galvanisado.
Ferro galvaoisado em folha para forro.
Cobre de foiTo.
ZraRUNHA DE MANDIOCA.
Vend-se a bordo o brigue ConcticSo, entrado
de Sania Catharin, e funuteadu na volta do Forte do
Mallos, a mais nova farinhajfUje existe hoje no mer-
cado, e para porrOes a Iralar noel Alves Guerra Jnior, na roaVjlo Trapiche
n. H. ^
AOS SENHORES DE ENGE.._
cano da invencao" do Dr. Edu
do StbTle em Berln, em pregado nat co-
lonias inglezas e hollandezas, com gran-
de vantagem para o melhoramento do
assucar, acha-se a*venda, em latas de 10
libras, junto'com o methodo de empre-
ga-lo no idioma portuguez, em casa de
N. O. Bieber 4 Companhia, na ruada
Cruz. n. 4.
Vende-se urna rics mobilia de jaca
randa', com consolos e mesa de tampo de
marmore branco, a dinheiro ou a prazo,
confrmese ajustar : a tratar na ra do
Collegio n. 25, taberna.
Na livraria da ra do Coilegio n. 8.
vende-se urna escolhida collecco das mais
brilhantes pecas de msica para piano,
as quaes sao as melhores eme se podem a-
char para fazer um rico presente.
:
i
(
i

Deposito de panno de algodao da
fabrica de todos os santos na i
9 Baha. *
# Vende-se este bem condecido panno, pro- Ja
9 prio para saceos e ronpa de escravos ; no es- 9
rriploiio de Novae & Companhia, na roa do 0
Trapiche n. 34. (a
$ 8 S<9<
Em casa de J. Keller&C, na ra
da Cruzn. 55, ha para vender 5 excel-
lentes pianos vindos ltimamente de Ham-
burgo.
Msxxraaaa
RA DO TRAPICH STTT
Em casa de Patn Nash & C., ha pa-
ra vender:
Sortimento variado de ferragens.
Amarras de ferro de 5 quartos at 1
polegada.
Champagne da melhor qualidade
em garrafas e meias ditas.
Um piano inglez dos melhores.
Devoto Christao..
Sahio alnz a 2. edirao do livrinho denominado-
Devoto ChritSo,mais correcto e acrescenlado: vnde-
se uniramenle na livraria n. 6 e 8 da pr>(a da In-
dependencia a 640 rs. cada ejemplar.
Redes acolcboadas,
brancas edecores de um t panno, muilo grandes e
de bom goslo : vendem-se na roa do Crespo, loja da
esquina que voll para a cadeia.'
ESCRAVOS FGIDOS^
Desapparecea no dia 14 do corrente, da rna do
Senhor Bom Jess das Crioulas, om moleque de ne-
me Sergio, idade 10 annos, pouco mais ou menos,
"nrn-sjs sjgnaes seguinles : olhos espantados, o de-
dos dos-ps levantados, chelo do corpo ; levou caira
e camisa de riscadinho e sem chapeo : roga-se pr-
tenlo a quem o apprehender, lvalo i ra da Colle-
gio n. 1, loja, que ser bem recompensado.
No dia quinta feira 9 do corrente desappareeeu
da casa do padre Jos Oliveira da Silva Vilarim,mo-
rador em Itapissima, um escravo pardo chamado
Severino, cer de laranja, cabellos crespos enlo-pre-
tos, rosto comprido, olhos grandes, denles abertos,
lem bstanles espiabas no rosto principia a barbar e
mostra que ha de ler pouca barba, nariz afilado,
altura regular, prraat finas e cabelludas, reprsenla
20 a 23 annos, masca fumo e fama sigarro e cha-
rutos, enlende de andar embarcado, levou eaka
azus e brancas, camisas branca* e de riscado, cnlpo
de palha pequeo, palito e sapatGe de couro de
lustre, tambem he candlo.
IOO9OOO de graliflcaelto.
Desappareeeu 00 dia 8 de lelembro de 1854 o es-
cravo enoule, amolelado, de nome Antonio, que re-
presenta ler 30 a 35 annos; pouco mais ou menos,
nascido em Cariri Novo, d'onde veio lia lempos, be
muilo ladino, cosiunia trocar o nome e intitolar-se
forro ; foi preso era os do anno de 1851 pelo Jjr.
delegado de polica do termo de Seriuhaem, conT
nome de Pedro Sereno, como desertor, e sendo re-
medido para a cadeia desta cidade a ordem do Illm.
Sr. deseinbargador chefede polica com oftlcio de 2 de
Janeiro de 1K52 se verificou ser escravo, e o seu legi-
timo senhor ro Antonio Jos de Sanl'Anna, morador
no engenho Caite, da comarca de Santo Anuo, do
poder de qoem desappareeeu, e sendo oulra vex cap-
turado e recolhido a cadeia dala cidade em 9 de
agosto, foi adi embargado por ecurio de Jos Dias
da Silva Guimarles, e ltimamente arrematado em
prara publica do juizo da segunda vara desta cidade
no dia 30 do mesmo mer pelo abaiiu assicnado. Os
signaes sao os seguinles: idade de 30 a 35 annos, es-
tatura e corpo resillar, cabellos prelos e carapinbi
dos, cor amulatada, olhos escures, nariz grande e
grosso, beictM grossos, o semblante fechado, bem bar-
bado, com lodos os denles na frente : roga se, per-
ianto, as autoridades pulirme, capilSes de campo e
pesuas particulares, o favor de o apprehenderem e
111,111 laiem nesla praca do Recite, na rna larga do.
Rosario n. 14, que recebtrSo a gratificado cima de
IOO9OOO ; assim como protesto contra quem o liver
em seu poder occullo.Manoel de Atmeida Lopes.
Desappareceo no dia 7 dn correnle um preto de
nac.'io, por nome Joaquim, idade 40 aiiqos, pouco
maisou menos, lem um dos ps e peni mais grosso
do que o oulro ; levou caira de algodao de lislras e
palito de panno j osado e um chapeo de palha ordi-
nario mas ainda novo : roga-se as autoridades poli-
ciaes e capities de campo de raplura-lo e leva-Io a
ra do Amorim n. 33. ou ao Rio-Fonncso ao Sr.
Rufino Rodrigues da Silva.
Desappareeeu no dia 1 do correa-
te da Magdalena, o negro Joao, Casssu-
ge, de idade 45 a 50 annos, com um f-
rula quasi saa na perna esquerda, e urna
bellide no olho do mesmo lado : qaem o
pegar leve ao aterro da Roa-Vista .1. 45,
ou na Magdalena n. 18.
PfclN. : TY. DE M. DR FARIA 1854,
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