Diario de Pernambuco

MISSING IMAGE

Material Information

Title:
Diario de Pernambuco
Physical Description:
Newspaper
Language:
Portuguese
Publication Date:

Subjects

Genre:
newspaper   ( marcgt )
newspaper   ( sobekcm )
Spatial Coverage:
Brazil -- Pernambuco -- Recife

Notes

Abstract:
The Diario de Pernambuco is acknowledged as the oldest newspaper in circulation in Latin America (see : Larousse cultural ; p. 263). The issues from 1825-1923 offer insights into early Brazilian commerce, social affairs, politics, family life, slavery, and such. Published in the port of Recife, the Diario contains numerous announcements of maritime movements, crop production, legal affairs, and cultural matters. The 19th century includes reporting on the rise of Brazilian nationalism as the Empire gave way to the earliest expressions of the Brazilian republic. The 1910s and 1920s are years of economic and artistic change, with surging exports of sugar and coffee pushing revenues and allowing for rapid expansions of infrastructure, popular expression, and national politics.
Funding:
Funding for the digitization of Diario de Pernambuco provided by LAMP (formerly known as the Latin American Microform Project), which is coordinated by the Center for Research Libraries (CRL), Global Resources Network.
Dates or Sequential Designation:
Began with Number 1, November 7, 1825.
Numbering Peculiarities:
Numbering irregularities exist and early issues are continuously paginated.

Record Information

Source Institution:
University of Florida
Holding Location:
UF Latin American Collections
Rights Management:
Applicable rights reserved.
Resource Identifier:
aleph - 002044160
notis - AKN2060
oclc - 45907853
System ID:
AA00011611:01077


This item is only available as the following downloads:


Full Text
iriii
\nnodh::83i.
MNNOK
SEGUDA FEIRA 17 DE JANEIRO.
NUMERA i2
rttfttt'iif&
SubicrM.se. nuhstmnte a 6fo respagos abantados, na Tipografa Ftedigr>a, na lo/a i/e LivYeiro de Manoe! Marques Vlanna, Ra
da Penha a ilharga do Uvramento D. % \, e en casa 4 Editor, ra Diretta, n v\-j ; en crtj;s lugarrt tambera se receberd.7 corresponden-
nos, e aimnciot : estes nsere-u-se gratis, sen Jo de aisignintcs, vido as si-nados, e com o lugar da morada, e se raopublicados no dia imme.
diato ao da entrega, sendo esta/cita at o meio dia e vindo resumidos.
<*.
PERNAMBUCO*. NA TYPOGRAFIA FIDEDIGNA, RA DAS FLORES, N. 1 8. 1 831.
ARTGOS D' OFFIGIO.
i
VjOnstando a este Governo qu V. S. se
tem negado a prestar os auxilios, que Ihe
sao requezitados pelos Juizes de Paz para
as delligencias do seu Cargo, cumpre-me
dizer-llie, que deve ser promptoem satisfazer
semelhantes requezic,des, como por vezes se
I be tem ordenado, i can do responsavel por
quafquer falta, e devendo igualmente orde-
nar aos Commandantes de Destricto, que
prestem immediatamente qualquer auxilio,
uue legalmente lhes for pedido nh Dos Guar-
de a V. S. Palacio do Governo de Pernam-*
buco 8 de Janeiro de i83i h-j Joaquim Joz
Pinheiro de Vasconcellos -* Snr. Capito
Mor da Villa de S. Anto, Domingos Lou-.
renco Torres Galindo.
J
(Circular a todas as Cmaras.).,
Rvf*
Emetto a V. Ss. oito exemplars dos
Decretos de u e i3 de Setembro prximo
pasado para que V. Ss. dando-lhes fiel
cumpriment, najo de mandar proceder
nomeacao de Juizes de Paz para todas as
Capellas Feliaes Curadas na conformidade
do disposto nos mencionados Decretos hh
Dos Guarde a V. Ss. Palacio do Governo
de Pernambuco 8 de Janeiro de i83i m Joa-
quim Joz Pinheiro de Vasconcellos w Snrs.
Prezidente e Venadores da Cmara Munici-
pal da Villa de .
-

.
.
r
jLLM resposta ao Officio de V. Exa. em da-
ta de hoje sobre a prizo arbitraria, que
praticou o Commandante Militar do Brejo
ta Madre de Dos, o Sargento Mor Manoel
Muniz Tavares na pessoa de JozeFelippe de
Vfiranda, Escrivo do Juiz de Paz do refe-
rido lugar, pelo motivo de hir ao seu cuar-
tel notifical-o para jurar em huma justifica-
eo Civil, conforme participa o mesmo Juiz
em oficio *o 2 do corrente; tenho a com-
inunicar-He, que o sobredito Maior prati-
eou huin acto violento, e dispotico, visto
que, at/rla mesmo no caso ae ser i Ilegal
aquel a notiicacao, nunca por isso ficava el-
*$ ajiunsado para o prender, constituin-
(
dp-se ao mesmo tempo parte ofFendida, e
Juiz : devendo lembrar-sC, que o objecto
da sua commissao foi nicamente auxiliaras
Justicas, e fazer prender em flagrante delito
os irialfeitores. A vista do que, e para pre-
venir outro igual acontec ment, parece
conveniente que V. Exa. mande reuder
aquelle Commandante, nomeando em seu
lugar outro Oficial mais prudente. E pelo
que toca ao mencionado Escrivo, como
osse prezo illegalmente a ordem deste Go-
verno, vai solt: e ao respectivo Capitao
Mpr passo a ordenar de fazer a necessariafc
deligencias para verificar, se he desertor,
cmo suspeita o mesmo Majr Commandan-
te. >-# Dos Guarde a V. Exa. Palacio do
Governo de Pernambuco 12 de Janeiro de
1831 *h Joaquim Joze Pinheiro de Vaseon-
Cefls hh Illustrissimo e Exm. Snr. Com-
mandante interino das Armas desta Provin-
cia Bento Joze Lemenha Lins. -ir
IVOi prezente a este Governo o seo Officio
de 2 o corrente mez ex pondo o arbitrario
prpoe.dime.nto de Manoel Muniz Tvares Wa-
jor Commandante do Destacamento ah e>-
tacionado, de mandar prender o Escrivo
do seu Juizo Joz Felipe de Miranda Jico-
pira pelo simples facto de o ter notificado
de Ordm sua para depor em huma justifica-
c,o Civil; sobre o que cumpre-me com-
municar-lhe que tendo-me sido aprezentado
pelo Commandante das Armas, a qtiem veio
remettido o dito Escrivo, o mandei soltar,
oficiando ao mesmo Commandante das Ar-
mas para mandar render o referido Major
por ter assim procedido Ilegal, e violenta-
mente 1-1 Dos Guarde a V. S Palacio do
Governo de Pernambuco 13 de Janeiro de
i83i 1t Joaquim Joz Pinheiro de Vascon-
cellos hh Snr. Juiz de Paz do Brejo da Ma-
dre de Dos Joz Pedro de Miranda Henri-
ques.

jDEm dicemos no nosso N. a do corrente
anno que nao acreditavamos na conve sao
do Cruzeiro, e apezar das suas protestadles
yernos continuar a emitir doutrinas per-


'->l it,Wml
\.

m
\


niciosas, c a trilliarum caminho opposto
Librela de, e Constituicao. O N. 4 des-
se nefando jornal de 7 de Janeiro nos con-
firma esta verdade, nos cuidaremos em de-
eipar a nova cabeca dessa Hidra infernal,
que anda investe. Em duas partes se fun-
da o tosco aranzel do Crueiro 4 que ora
nos oceupa. Na primeira quer mostrar, que
o Governo tem sido semprefrxo para com
as Demcratas, transigindo com elles. Na
segunda pertende combater a doutrina do
Art; 61 da Constituicao contra a fuzo das
Cmaras e votacao promiscua, o que acaba
de accontecer por occasio da discusso das
emendas do Senado Lei do Orcamento.
E' indubitavel, que o Brazil nao tem ti-
do, seno Ministros mos, froxos, perver-
sos, e traidores ; porem amis se poder
afirmar, que elles tenhao transigido, e es-
tejo em perenne capitulaco com os Dem-
cratas. Primeiraniente releva ponderar que
o partido Democrtico no Brazil aleni de
diminuto, poucas reacoens tem manifestado,
ainda mesrao naquellas tristes pocas, em
aue as Instituicoens Liberaes tem sofrido os
golpes mortaes da tirana; porem apezar
disto sempre temos visto os Ministros sol-
citos e cuidadozos em sonhar Regencias, e
Repblicas afim de espezinharem o desgra-
nado povo, e mandarem ao cadafalso as vic-
timas do seu furor, e da sua vinganca. O
que temos nos visto praticado, e mandado
y pelo Governo ? Recordemo-nos do orroro-
zo faeto acontecido em 20 de Outubro de
1823 na Capital do Para, onde 257 Brazi-
leiros encerrados no prao do Navio Palha-
00 fbro mortos com descargas de mosque-
taria, e o Oficial aecusado deste enorme de-
licio bem longe de ser condemnado, foi ab-
solvido pelo Coneelho de Guerra, condeco-
rado pelo Governo, e incumbido d'uma
Comisso honroza !!! Felisberto Gomes
Commandante das Armas na Babia morto
por alguma tropa armada, e esta morte,
que nada mais foi seno um assassinato qua-
hficado, acompanbado de circunstancias a-
gravautes, considerada pelos Ministros
como o preludio d'uma revoluco ; em con-
sequencia do que una Comisso Militar,
precedida do Estandarte da morte, marcha
para dar cabo dos infelices Bahianos: iguaes
aceas de orror se mostraro aqui com la-
grimas de iunumeraveis Familias depois de
aniquilada a dezastroza confederaco do
Equador Mas nao pro aqui as atro-
cidades Ministeriaes, e o que acabamos de
expor urna pequea parte (posto-que a ma-
is orroroza pelos seos eeitos) do medonho
q 1 ladro, que nos offerece a historia do nos-
f so Governo. Principiava Pernambuco a go-

/
zar de paz e tranqulidade, e*as feridas, que
em su seio a barbaridade tinlfa aberto, co-
mecavao a cica triza r-se, quando a nomea-
co'd'um omem odeiado nesta Provincia pa- -
ra Prezidente della, eo apareciment*<]a Co-.
lumna aqui erecta por ordens secretas da
Corte, vierao lancar o susto e a deseoniiaiv-
ca no meio d'um povo pacifico e sof redor ;
mas ciozo da sua liberdade, e prompto a
exalar a vida por ella. Entretanto a pparece
o desconcert dos Afogados, que fiuendo
exultar a recova de escravos, e derramar a
suasanha contra a Liberdade, e Liberaes,
deu lugar a que clamassem ao Governo
los canaes do Gabinete secreto, que havia
urna revoluco premeditada. O Gover-
no os acreditou, considerando aquel le
acontecimiento, nullo em seos eeitos, co-
mo um plano Democrtico, que gozando da
natureza do fluido elctrico se communicava
a Pastos-Bons, e ia terminar em Paquet !
E o que rezultou ? A Lei Marcial, invento
cruel da tirana, que tem sido sempre a fa-
vorita dos Ministros, posta de novo em
pratica nesta Provincia, sem duvida a mais
tiranizada de todo o Brazil. Nos queremos
fallar da Comisso Militar, e da suspenso
de garantas com manifest e obstinado atro-
pello da Contituico. Mas isto nao todo. '
Os Ministros vendo, que a poeira levantada
pelos, ps do Roma era a da vanguarda do
Exepoto exterminador, se apressarao a def-
fender as outras Provincias desta invazao, e
novos Decretos de suspenso de garantas
sao mandados (quem ouzar dize-lo ) para
todo o Norte do Brazil. Inimigos das Li-
berdades Publicas, e justamente odiados pe-
Ja Naco os Ministros semelhantes a Tibe-
rio, empregavao o terror para tirarem sas-
tisaco do desprezo, em que ero tidos.
Porem, basta defactos, edirigindo-nos ao
Cruzeiro Jhe perguntamos, se avista do
que temos dito ainda se atrever a dizer que
os Ministros tem sido froxos com os Dem-
cratas, quando nao cesso de fantasar Re-
publicas ? Sim, os Ministros tem sido fro-
xos com os absolutistas, cujas tentativas nao
cesso de nos inquietar ; mas nao dissemos
bem: os Ministros tem sido os mesmos, que
tem fomentado a desordem ntrenos, eja
mais se poder duvidar, que existiro pa-"
nos para a acclamaco do Absolutismo, os
quaes abortaro pela energa da Cmara E-
lectiva, e vigilancia da Naeao, mas ainda
existem resquicios na existencia, desse Ga-
binete Secreto, de que tanto tem fallado as
Foi has Liberaes do Rio de Janeiro. E co-
mo se tem castigado os principaes authores
de taes attentados; os Verres mandados as
Provincias para as opprimirem, os Absd**k\



mi

t l

(47)

*. -^
r
lutistas mais famigerados, c afannozos em
cumprir* as ordens secretas ? Todos o sa-
bem, por meio de commendas, honras, e
empregos lucrativos com escarneo dos ais
do Povo, e a despeto dos anathemas da
Opiiao,
. Eraquanto ao ehamamento do tJrigadeiro
Antero, bem longe de o considerarmos co-
mo urna medida de temor, como quer o
Cruzeiro, antes chamaremos urna especie de
traico ; porque conhecendo o Governo,
que aquelle Militar prestara dtstinctos ser vi-
cos esta Provincia n'uma poca melindro-
za, quando o partido columnatico tnha
subido ao seu apogeo, se nao atreveu a de-
miti-lo, para ho exasperar os nimos, uzan-
do do subterfugio de chama-lo servico. O
Governo em todos os tempos tem uzado da
tactiva das Repblicas Gregas? onde o Os-
tracismo era decretado contra Cidados be-
nemritos e virtuozos.
Mas nada to revoltante, como querer
o Cruzeiro santificar ainda a sua Columna,
danuo-lhe impudentemente o nome de So-
ciedade dotada de Patriotismo. Apezar dos
elogios do Cruzeiro, apezar da confuzo de
factos e de ideas, em tjue tanto se tem esme-
rado, nada aproveita ; a illustraco diviza
ostensivamente nessa infame Socredade urna
fac^q liberticida, e inimiga da prosperida-
de e bem estar da Patria.
Tocaremos ainda em outro ponto antes
de passar a segunda parte dotruzeiro, e
yem a ser a compra do armamento pelo Sur.
Joi Clemente ent Ministro Interino da
Guerra, que o Cruzeiro pertende defender.
Ningiem hoje duvida, que o Snr. Joze
Clemente tinna urna grande parte nesse pla-
no para a aclamacb do Absolutismo: Pare-
ce agora a compra de 10^000 armas sem
para isto estar o Ministro autorizado pela
Assemblea, que se deve concluir? Que es-
sas armas ero destinadas para nos hostilizar,
para armar estrangiros na occazio, em que
.profanos Ozas abertamente ouzassem tocar
com maos sacrilegas na Arca danta das nos-
sas Lberdads. Tale a opino geral, e se
as coizas humanas sao susceptiveis de infa-
blidade, sem duvida della goza o voto Na-
cional, contra oqual sao inuteis os esfor-
gs, e estratagemas da tirana. 1? de crer,
que na prxima Sesso a Cmara Electiva
promova a acfccio do Snr. Clemente
Pereira: esperemos pelo tempo, que tudo
descobr, e entao veremos, como se defien-
de este astuto ex-Ministro, em quem, assim
como em outrps,.j se .tem verificado Ojprin-
cipio le masque tornee, ^etVhontnie reste.
m qnanto as censuras, que os Ministros
tem justamente aofrido tanto na Cmara
Electiva, coma as Fohas Liberales, elles
as tem provocado pelas suas malvadezas;
mas se o Cruzeiro nao quer, que os seos
dilietos sejo censurados, ensine-lhes, que
trilhem smente o caminho da Le, que
se curvem diante da Constituicao, q que
respeitem os sagrados direitos dos Ci-
dados. Porem em que Paiz Constitucio-
nal deixaro nunca os Ministros de se~
rem fortemente censurados? A opozico
feita ao Poder deriva da natureza da Socie-
dade Civil, e indispensavel as Monarqu-
as Constitucionaes. Quando os Povos con-
fio somente no Poder, a liberdade corre
risco: o Poder tende sempre para o Despo-
tismo, e por conseguinte a vigilancia da Na-
eSo indispensavel. Tal a linguagem da
razo confirmada pela experiencia. A lin-
guagem da tirana inteiramente diversa.
Ella diviniza o Poder, trata de sedicioza e
iniqa toda opozico, e o Escriptor Liberal,
que sacrifica o seu repouzo para erguer co-
rajozamente a voz contra os erros e abuzos
da Administracao, confundido com o ini-
migo do Poder..
Passemos agora a segunda parte, cujo
objecto he un pouco mais serio, Accuza o
Cruzeiro o Governo de froxo pela nullida-
de, dis elle, a que foi reduzido o Senado,
e por que ao Governo competa interpretar
o Art. 61. da Constituico. Nos vamos
mostrar o contrario de tudo isto. Consi*
derando a Constituicao, que as emendas adicoens, feitas a um projecto de Le, nao
provo a sua impereicao, persuadindo-se,
que a Cmara, que assm o altera, o pode
fazer em boa f, mas sem motivos justos,
d Cmara recuzante, onde [o projecto te-
ve origem, o direito de requerer a fuzao das
Cmaras. Estas simples intelligencias do
Artigo nos leva a concluir, que a Consti-
tuico nelle estabelece huma medida suge-
rida pela prudencia para cada urna das C-
maras nao arriscar urna resoluco definitiva-
mente contra 'hum projecto alias vantajoso,
o que acontecera, senStohovesse fuzo das
Cmaras; por que entaoou o projecto de-
via ser alterado, ou nao podia passar. Ora,
anda que o Artigo 6i nao esteja muito
bem redigido, pois se elle osse tao claro,
como todos os outros, nao dara motivo
as du vi das do Senado, com tudo attenden-
do ao seu espirito nao se pode negar, que
a Constituicao, quando determina a.fuzo
das Cmaras, nao he com outro m, se nao
de que ellas se tornen i em hum s corpo, e
deliberem eonjunctamente, e.neste cazo fica
improcedente o argumento do Senado,
quando fundando-se na natureza Jo Go-
verno Representativo dixia. qae temi a
f
*1.1,.V "*'
njiji m


Ufe.
IB
w+re
J.llllT
-
(48)
Constituico creado duas Cmaras, pelas
quaes devem passar as Leis, no cazo da vo-
tacao promiscua estes do us corpos separa-
dos desapparecio; por quanto este argu-
mento he verdadeiro to somente respei-
to dos cazos ordinarios; mas nunca quan-
do se houver de por em pratica o Art. 61,
que podemos considerar como huma modi-
hcacao daregra ; por que ento desaparece
a idea de Cmaras, e temos somente onome
collectivo de Assemblea Geral. Mas dis o
Cruzeiro, que o Senado fica reduzido
nullidade; por que de necessidade deve
vencer a Cmara, quetem maior numero de
Membros. Ainda que sem grande erro isso
se possa avancar, com tudo sempre consi-
deramos tal opinio, como hum ataque fri-
to a Cmara Electiva ; por que supor, que
os Deputados trabalhko de ma fe, e que
votaro por espirito de corporaeo, quan-
do pelo contrario devemos afirmar, que se
os Senadores tem raso para alterarem a
Lei, os Deputados esclarecidos pelo debate,
e convencidos podero mudar de opinio.
Logo nenhufii inconveniente resulta de vo-
taren! as Cmaras promiscuamente, e at
c opposto a raso, q\ie determinando a
Constituico a fsao das Cmaras, se deva
presumir, que ella autorise a discusso pro-
miscua, e a deliberaco em separado. Nao
se diga, que o Senado fica reduzido a nuili-
/<4ade ; por que sendo exteusissimas as sua's
attbuicoens, e prerogativas, para prova
do que he bastante dizer, que o Senado
nao pode ser dissolvido, nao tendo o Mo-
narca influencia alguma directa sobre elle,
se acaso a sua aeco nao podesse ser neu-
tralisada pela votacao promiscua, fcil lhe
seria tentar contra os direitos da Naco, e
mesmo contra as garantas do Throno,
d'onde se v, que a disposico do Art. o
vem estabelecer hum perfeito e presistente
equilibrio entre os tres ramos do Poder
Legislativo. Redusida a nullidade ficaria a
Cmara Electiva se nao podesse reagir so-
bre o Senado ; por quanto podendo este
oppor-se as suas propostas, como he ex-
presso no Art. 5s da Constituico, regeita-
ria, ou alterara projectos, alias utilissimos, e
mesmo aquelles, cuja iniciativa lhe pertence.
De mais contendo o Artigo 61 urna medida
extraordinaria, nao he de crer, que a C-
mara dos Deputados use della, se nao em
graves circunstancias, como acaba de acon-
tecer com a Lei do orcamento, a qual sen-
do de sua natureza fluotuante, e reclama-
da todos os annos pela variedade dos inte-
resses Naeionaes, dos quaes ninguem me-
Ihor do que a Cmara Electiva pode estar
ao alcance, a passar com as emendas do Se- |
4
k J
nado, que essencialmente a alteryjjo, vi
nha bater de frente os mesmos ineresses
da Naco.
Outro erro grosseiro commetteo o Cru-
zeiro, quando affirma que o nosso Governo
necessita de hum pouco de Aristocracia,
dando a intender, que o Senado deixa de
ser Aristocrtico pela genuina interpreta-
co do Art. 6i. He bastante, que o Senado
seja vitalicio para o considerarmos como
elemento Aristocrtico do nosso Governo;
e as suas attribuicoens o fazem manter o e-
quilibrio entre o Monarca e o Povo, de ma-
neira que da ajustada distribuico edivisao
dos Poderes Polticos, todos participantes
de partculas dos tres elementos constituti-
vos, rezulta a harmona dos mesmos Po-
deres. Assim he falso dizer o Cruzeiro, que
a Aristocracia na Inglaterra somente faz a
forca da Realesa ; por quanto a historia
Parlamentaria da Inglaterra prova o con-
trario, e desde os primeiros tempos da Re-
voluco, e em muitos peridicos posterio-
res os Lords uniro-se com o Povo para se
opporem as tentativas da Cora.
Resta finalmente lenibrar, que o Cruzei-
ro emite huma doutrina ofenciva da Cons-
tituico, quando assevera, que ao Gover-
no competa interpretar o Art. 6i, o que
vai de encontr com o 8 do Art. i5. O
Governo -nenhum direito tem de interpre^
tar Leis ; a^esfera da suas attribuices est
marcada na Constituico, a qual sendo of-
ferecida pelo Monarca, e acceita pela Na-
co toda aco do Governo cessou sobre ella-
e somente lhe cumpre observar religiosa-
mente a mesma Constituico, e executar as
determinaces do Poder Legislativo. Da-
qi fica evidente, que somente o Poder Le-
gislativo podia interpretar o Art. 6i, con-
forme manda a Constituico, o que na rea-
lidade se fez pela fuzo das Cmaras, ceden-
do ento o Senado mais bem Ilustrado ao
imperio da verdade e da Opinio. Temos
respondido ao Cruzeiro, e por ultimo lhe
lembramos, que de balde se oppor com su-
as pestiferas doutrinas ao progresso do sis-
tema Constitucional, bazeado na opinio
geral. Esta inquieta sempre a tirana : fra-
ca, ella a teme como urna potencia forte, ella
a aborrece como urna liberdade.
??
Pede-se-nos a inserco das seguintes
pessas Officiaes.
Foi prezente a Sua Magestade o Impe-
rador o Officio da Cmara Municipal da
Cidade da rahiha de 8 de Outubro prxi-
mo pausado,' era que pede pelas razoens,


v *
\
i\


fin mi' :
.."II 11 i-i- ,.
idJT
i- *
y
que alega aeonservaco do Marechal de
Campo iTRnoel Joaquina Pereira da Silva
na Presidencia : da Provincia ; manda o
MesmoSr. pela Secretaria de Estado dos
Negocios do Imperio participar a Cmara
ijuenao h por bem Anuir a referida re-
presentaco. ~ Palacio do Rio de Janeiro
13 de Novembro i83o s Joze Antonio da
Silva Maia.
N-Illustrissimo e Exm. Sr._ Levei a Pre-
zenca de Sua Magestade o Imperador os
Officios de V. Ex." de 10, e22 de Outubro
do corren te anno, e em resposta lhe parti-
cipo : Que o mesmo Augusto Sr.; Dndo-
se por nial servido com as duvidas, que se
tem posto a posse do Prezidente Nomeado
para essa Provincia Joze TJiomaz Nabuco
de Araujo: Ordena que se cumpro imriie-
diatamente as Cartas Imperiaes de sua no-
meaeao na data de 23 de Julho deste auno ;
e que quanto a demissao que V. Ex. pede
do lugar da Prezidencia do Cear, H por
bem Coiiceder-llia, podendo V. Ex.a reti-
rar-se depois de ter dado posse da Prezi-
dencia dessa Provincia da Parahiba ao refe-
r (Jo Joze Thoniaz Nabuco de Araujo. D-
os Cuarde a V. Ex.a Palacio do Rio de Ja-
neiro em 13 de Novembro de i83o Joze
i^#Vntonio da Silva Maia Sr. Manofcl Joa-
quim Pereira da Silva.
~ Illustrissimo e Ex.mo Sr. Foi pre-
zente a Sua Magestade o Imperador a Re-
prezentaco de V. Ex.a do ultimo de No-
vembro passado, e ficando o Mesmo Augus-
to Sr. Inteirado do que V. Ex. nella ex-
pende tanto sobre os motivos, por que nao
tomara posse da Prezidencia da Provincia
ta Parahiba, para a qual se aclia nomeado,
como sobre as despezas, que tem f'eito :
x^landa participa'ra V. Ex. que a respeito
deste ultimo objecto se expedem as compe-
tentes Ordens ao Tliesouro. Dos Guarde
a V. Ex.aPaeo em 4 de Dezembro de 183o _
Joze Antonio da Silva Maia Sr. Joze
Tomaz Nabuco de Araujo.
** Sendo prezente a S. M. o Imperador
os Officios de i o e 11 de Novembro prxi-
mo passado, em que V. S. expoem o que
praticra, quando ahi chegou o Prezidente
Horneado para essa Provincia, Joze Tilo-
ma Nabuco de Araujo, e pertendeu tomar
posse da Prezidencia della : Manda o Mes-
mo Sr. Estranhar mui severamente a V. S.
a deliberadlo em que obstinadamente per-
sistiu de obstar referida posse pelos futi-
lissimbs motivos nos ditos Officios aponta-
dos, eonservando-se Ilegitima, e incompe-
tentemente, desde o dia o tle Novembro, no
exercicio d'aquella Presidencia com cremi-
noso despreso do que fra determinado na
(49)
v.
Carta Imperial de 23 de Julho deste anno,
que j estava em sen poder, e que revogou
a de 17 de Abril pela qiud fbi V. S. nome-
ado Prezidente da dita Provincia: E H
por bem que sem embargo do que se orde-
nou em Aviso de i3 de Novembro, entre-
gue V. S. immediatamente o Governo a
quem competir, segundo a Lei, e parta
sem demora para esta Corte, afim de res-
ponder no respetivo Juizo, ao processo que
(se lhe vai formar na confonnidade das Leis,
e das ordens que nesta data se expedem
Repartico da Justina. Dos Guarde a V.
S; Palacio do Rio de Janeiro em 9 de De-
zembro de 183o. ~ Joze Antonio da Silva
Maia Sr. Manoel Joaquim Pereira da
Silva.
Illustrissimo, e Ex.mo Sr. Havendo-
se ja expedido todas as Ordens necessarias
para cessar a Ilegal opposicao que a V.
Ex., fizera o Ex Presidente da Provin-
cia da Parahiba: Manda S. M. o Impera-
dor que V. Ex.a parta immediatamente a
tomar posse da Presidencia d'aquella Pro-
vincia, em comprimento da Carta Imperial
de 27 de Julho do corrente anno^ Dos
Guarde a V. Ex.* Paco em 10 de Dezem-
bro de 183o Joze Antonio da Silva Maia
~ Sr. JozeThomaz Nabuco de Araujo.
LEILAO.'
U Ma pessoa, que se retira desta Provincia
faz leilo quarta feira 19 do corrente as 9
horas da manh na ra da Aurora D. 2, de
escravo, mobilia, e sege.
VENDAS.
OiJiinhas de reza, algibeira, e porta,
proprias para este Bispado: na ra de Joze
ca Costa Forte do Mattos, casa do Redac-
tor, na loia do Rezende, ra da Madre de
Dos, na de Joze Dias Moreira na pracinha
do Livramento, as do Bandeira ra do
Cabug, e Atterro da Boa-Vista.
Sag de primeira sorte a 600 rs. a ,
e tapioca do Maranho a 100 rs.: na ra do
Rozario venda D. 9 entre as duas boticas.
Um mulato, 22 annos, sem vicios, ro-
busto, padeiro, principios de carpinteiro,
bom remeiro de canoas d'alto mar, e eozi-
nha o commum ; tem vontade de embarcar:
na Joja de ferrage N. 66 de Joze Rodrigues
da Silva Prroca, ra do Queimado.
*-Uma preta, de|naco, ladina,3o annos
coinha o ordinario, lava de varrela e sabo,
(
tf
1
*-
.....1.


(5o)

^
t sabe negociar ein finetas, e vender fazen-
das e nina negrinha, de naco, 11 anuos
a primeira para fora da trra, e a segunda
para qualquer parte: ra do Crespo D. 3
A eollect.o de Leis e Decretos do Bra-
/il de 1822 a 1829, 4 volumes .encaderna-
da Manoal do Juiz de Paz Formulario
para o uzo dos Juizes de Paz Almanack do
Imperio do Brazil e una guitarra de cha-
ve enveruizada: na botica de Joo Ferreira
da Cunha, junto a guarde da boa-vista.
Um escravo, da Costa, 3o annos, bom
maiinheiro, e enteude de pedreiro : na ra
tio Queimado 2. andar por cima da botica
de Miguel Joze Ribeiro.
Petjseos, janlares para fora, almocos
de toda a quaidade por preco commodo,
gahio e buhar em lugar retirado, e muito
fresco: no botequim da ra do fogo, es-
quina do beco da bomba.
r --Ocampeo Brazileiro, peridico men-
I sal da Babia: na loja de livros defronte de
Palacio.
Arroz, colla, louca vidrada, quarti-
nhas surtidas, .tahoado' de louro, e piassa-
hv: na ra do Collegio armazem junto ao
Cardlo.!
O Galabote Amalia forrado de cobre: a
>ordo do raesmo defronte da ponte da Alfan-
dega. -
COMPRAS.
.iJlUs pecas d'artilbaria de calibre 5 011 6,
e urna de 9; annuncie-se, 011 dirija-se a lo-
ja de litro* defronte de Palacio.
O cathecismo de Montpelier: na ra
da Laranjeira D. 3.
V
\
ROUBO.
1
jNo dia 14 para i5 do corrente furtarao
na loja de Caetano da Costa Moreira urna
Letra da quantia de l^oo^ rs. sacada por
Fraucisco Pereira da Cunha, e aceita por
Elias Coelho Cintra, e com o pague-se a
Ordem de Joo Leite Pita Ortigueira, que
se vence no dia 20 do corren te, a qual esta-
va em poder do dito Moreira, o que fas pu-
blico para que ninguem negocie a dita Le-
tra pois que de nada vale por nao ter assi-
gnatura ao dito Ortigueira, e o acechante
est de accoido de nao pagar a outra pes-
soa, que nao seja o legitimo, e se alguem a
adiar queira entrgala na Loja do dito
1
*
<\
Moreira ao pe* do Corpo Saiitol^ "69 que
ser recoinpencad,'. *
AVIZOS PARTICULARES.
PRECiz.\-se para fornecimento dos Ar-
mazens Navaesda Intendencia da Marinha, e
Farol Azeite doce: as pessoasque oquizerem
vender compareci .na dita Intendencia as
horas do costil me para tratar do seu ajuste.
Maria Theodora Vianna de Carvalho,
Professora de primeiras letras na freguezia
de S. Fr. Pedro Gonsalves, aviza, que abre
a sua Aula no dia 17 do corrente, ruado
Amorioi N. i3i.
Quem precisar de um Mestre de Fran-
cez, para dar licoes em casa dirja-se a ra
do Rozario D. 19.
Vitorino AntonioTeixeira Guimaraens,
Negociante do Rio Formozo perciza de hun
Caixeiro hbil para huma venda ; a pessa
que estiver nessas circunstancias dinja-se
a aquelle lugar para tratar do ajuste,, e jiro- (
mete pagar as despezas da viagem.
^ O mesmo faz certo ao Sur. Antonio
Francisco da Costa Braga, que quanto antes
v tomar"conta de hum quartao que recebeo \%
do Snr. de Engenho Minguito por isso q"^,^
consta perteneer-lhe.
ESCRAVOS EGIDOS.


A.NTonio, anzoleiro, alto, cheio, bem pre-
to, macas elevadas, de 22 annos, compra-
do em 'junho p. p. ao Actor Joaquim Dio-
nizio: outro Antonio, barba cerrada, suis-
sas grandes, baixo, grosso, fulo, pernas,
bracos, e costas cabelludas, com marcas
novas de agoites, muito fallador, e parece
crioulo; e um moecote Manoel, angola, bai-
xo delgado, fulo, com una pequea ferida
em a canella de urna perna, e outra no tor-
nozelo da outra, una cicatriz redonda eme-
diana de fogo em urna fonte; fgidos do En-
genho Sitio do Meio, Freguezia de Una, ter-
mo de Serinhaem; no mesmo Engenho, ou
no Recife ra da Cadeia velha a Joze Bento
da Costa.
Benedito, alto, bem preto, 20 annos^
beicos e pes grandes, e encorpado ; fgido
a 12 do corrente com camisa de algodo,
calca e colete de lila, e chapeo de palha:
no sitio de Nicolao Tolentino da Intenden-
cia no sitio de un sobrado na Magdalena
junto a ponte que vae para os afogados.
*j
S

i

PERNAMBUCO NA TYPOGRAFIA FIDEDIGNA. i83i.
_
v\


Full Text
xml version 1.0 encoding UTF-8
REPORT xmlns http:www.fcla.edudlsmddaitss xmlns:xsi http:www.w3.org2001XMLSchema-instance xsi:schemaLocation http:www.fcla.edudlsmddaitssdaitssReport.xsd
INGEST IEID EKEPPLR1C_VMAEYF INGEST_TIME 2013-03-25T13:43:38Z PACKAGE AA00011611_01077
AGREEMENT_INFO ACCOUNT UF PROJECT UFDC
FILES